Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#913589 por rafael_santiago
07 Jan 2014, 16:27
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Praia do Tapiá

As fotos estão em https://picasaweb.google.com/1165318991 ... ubaSPDez13.

Aqui um relato sobre como chegar às duas pequenas praias da Ponta da Espia, Praia de Fora e Praia do Tapiá (ou Xandra, como consta em alguns sites), além da própria Ponta da Espia e a tentativa de travessia para a Praia das Toninhas, atualmente fechada por cercas.

No terminal urbano de Ubatuba peguei o ônibus Tabatinga e saltei às 9h no primeiro ponto da Praia da Enseada. Atravessei a rodovia e fui para a esquerda, na direção do extenso muro da ADPESP, e continuei por essa mesma rua mais alguns metros. Entrei na primeira à direita para me dirigir à praia e cheguei a ela bem ao lado do Hotel Porto di Mare. Até aqui, qualquer caminho que leve à praia serve já que a trilha inicia exatamente no canto esquerdo dela, no final da areia.

Inicialmente o caminho tem cara de rua concretada, depois de ruazinha de terra até a entrada de uma casa, onde há uma corda impedindo que se chegue de carro. Passada a entrada da casa, o caminho vira uma trilha mesmo e logo desce a uma prainha com uma bica de água. A trilha continua bem marcada ao final dela e cruza dois portões com avisos de propriedade particular de um tal Peter Muranyi. Logo após o segundo portão fica a casa do caseiro da propriedade, mas a passagem é livre. Conversei um pouco com ele e foi muito atencioso, dando informações sobre as trilhas por ali e sobre o fechamento do acesso ao condomínio da Praia das Toninhas. É que antes era possível atravessar da Praia da Enseada até a Toninhas por esse caminho, mas o condomínio de luxo das Toninhas não quer pessoas indesejadas circulando por suas dependências e mandou instalar cercas e avisos de entrada proibida após a Praia do Tapiá, a segunda e última desse circuito.

Logo após a casa do caseiro a trilha bifurca, com o ramo da esquerda subindo, mas aqui tanto faz, fica a seu critério pois ambas se encontram mais à frente. E a partir do reencontro das trilhas começa a subida do morro, mas coisa leve, cerca de 50m de desnível apenas. Exatamente no topo há uma trilha à direita meio suja (tomada pelo mato) que leva à Ponta da Espia e que explorarei na volta. Continuo em frente pela trilha bem batida, que começa a descer. Cerca de 200m após o topo, surge à direita uma trilha bem aberta, porém atravessada por um tronco bem na sua entrada, que é a descida para a primeira praia, a Praia de Fora. Deixei para visitá-la na volta também.

A trilha sobe mais um pouco e proporciona linda vista da Praia de Fora à direita, bem como da Ilha Anchieta. Ao sair da mata a visão se amplia. Esse trecho de arbustos logo se transforma numa descida em que já se tem um belo panorama da Praia do Tapiá. Seguindo a trilha mais batida e desprezando todas as saídas menores que surgem à direita (por enquanto) cheguei à Praia do Tapiá às 10h19.

Seguindo a minha teimosia e curiosidade, fui explorar a continuação do caminho até onde fosse possível. A trilha continua no canto esquerdo da praia, porém não na areia e sim alguns metros para dentro, à sombra das árvores. Ela sobe rápido mas logo nivela, e em poucos minutos desemboca num casebre, que parece ser do outro caseiro da propriedade. Na continuação, passei por uma cerca de tela caída e subi um pouco à esquerda. A primeira placa de "retorne - passagem fechada" aparece, com uma anotação à mão de que há "cão feros (sic) solto" na área. Continuei e me deparei com um barranco fortemente guarnecido por telas e arame farpado circular. Porém notei que mais à direita a segurança estava vulnerável. Como era um terreno íngreme, tive alguma dificuldade em chegar até esse ponto, mas passei. Porém um obstáculo natural (natural que parecia colocado, na verdade) me dissuadiu de continuar: uma montanha de galhos e troncos finos, à maneira de uma grande árvore caída, soterrou o caminho e já não saberia direito para que lado continuar se andasse por cima daquilo tudo. Fora isso, sabia de fonte segura que uma cerca intransponível me barraria logo à frente. Então, hora de retornar.

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Visual da Ponta da Espia

Tirei mais algumas fotos da Praia do Tapiá e explorei um pouco o seu costão direito, notando uma outra prainha logo após, mas com acesso um pouco arriscado por ali. Voltei à trilha principal no mesmo instante em que um casal de gringos chegava àquele paraíso deserto, que passou a ser só deles.

No retorno, fui explorando as saídas menores à esquerda que ignorei na ida. Em pouco mais de 100m, a primeira descida parecia levar àquela prainha, mas não desci pois era muito íngreme. Uns 80m depois, uma descida mais aberta me levou a outro recanto da mesma Praia do Tapiá, onde apenas duas pessoas tomavam banho de mar. Essa descida também é bastante íngreme e um pouco escorregadia, mas valeu a pena.

De volta à trilha principal, saí da mata e comecei a subida pela parte aberta, dos arbustos, e entrei numa trilha à esquerda, bem numa curvinha. Foi uma boa surpresa pois alcancei um grande costão que me deu vista panorâmica, inclusive da Ilha Anchieta inteira, na extrema direita. Voltando à principal, a próxima parada foi na Praia de Fora, descendo por aquela trilha bem aberta, com o tronco atravessado. Em menos de cinco minutos já pisava em sua areia. Havia apenas três visitantes e a sombra das árvores do canto esquerdo foi um convite a uma pausa mais demorada para contemplação e fotos.

E por último resolvi entrar naquela trilha mais fechada do topo, a que leva à Ponta da Espia. Apesar de "suja", estava bem marcada. Enfrentei de cara quatro campos de samambaias que renderam bons arranhões nos braços, sendo que no último há uma bifurcação que segui para a direita (a esquerda leva a samambaias cada vez mais fechadas). Aliás nesse último atinge-se o ponto mais alto desse percurso, 130m de altitude, e tem-se a única vista dos arredores, mais exatamente da Ponta Grossa, a nordeste.

Estava indo tudo bem e eu já até alimentava a ilusão de que teria um belo visual da Ponta da Espia, quando, 1,6km contados da trilha principal, essa trilha desaparece. Comecei a procurar para todos os lados e consegui avançar com insistência ainda mais uns 100m, porém a única visão que tive foi do mar à minha frente e laterais por entre as frestas das muitas árvores que dominam o local. Nada da Ilha Anchieta, que quase toca a extremidade da Ponta da Espia. Frustrante. A volta pelo mesmo caminho durou quase uma hora até a trilha principal e mais 17 minutos até a primeira prainha do percurso, onde parei para um lanche junto à biquinha.

Informações adicionais:

Como chegar à Praia da Enseada:
os ônibus partem do terminal urbano de Ubatuba, na Praça Treze de Maio, centro. Todos os ônibus que se dirigem às praias do sul servem: Tabatinga, Maranduba, Fortaleza, Corcovado, Rio Escuro, Lázaro, Perequê-Mirim. A tabela completa de horários está no site da empresa Verde Bus: http://www.verdebus.com.br/linhas.html.

A única fonte de água potável dessa caminhada fica na primeira prainha, a 10 minutos da Praia da Enseada.

Cartas topográficas:
. Ubatuba: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualiza ... -III-4.jpg
. Ilha Anchieta: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualiza ... D-VI-2.jpg

Tenho encontrado muito lixo nas trilhas e faço aqui um pedido: leve uma sacolinha plástica e traga todo seu lixo de volta, por favor. Ou, se possível, faça como eu, recolha o lixo que encontrar nas trilhas e descarte em local adequado, onde há coleta regular. Lixo e natureza não combinam nem um pouco. Colabore!

Rafael Santiago
dezembro/2013

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Percurso na imagem do Google Earth
Editado pela última vez por rafael_santiago em 12 Jan 2014, 22:19, em um total de 1 vez.

#915097 por Marco Calavera
10 Jan 2014, 21:15
Oi Rafael,

Parabéns pelo relato. E pela aventura também!

Infelizmente o problema do lixo é muito recorrente nas trilhas mesmo. Tenho recolhido bastante lixo, mas tem lugar que não tenho saco (plático) para levar tudo que encontro.
Curiosamente, estive em São Thomé há uns dias e, na trilha para a cachoeira mais movimentada havia uma série de sacos espalhados pela trilha para que as pessoas jogassem seu lixo. Pelo menos funcionou, não encontrei lixo por ali!

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