Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#577298 por Jorge Soto
18 Abr 2011, 17:28
VÉU DA NOIVA DE MOGI
Pra quem percorre a “Trilha Mogi-Bertioga” é obrigatória a passagem pela Cachu do Elefante, grandiosa queda do
Rio Itapanhaú em seu acidentado trajeto rumo o litoral. Mas não a única queda, diga-se de passagem. Algumas
dezenas de metros mais acima outra gde queda despenca rio abaixo de forma tão imponente qto sua ilustre vizinha
e atende pelo nome de “Véu da Noiva”. Apesar de claramente visível da SP-98, esta majestuosa cachoeira é tão
desconhecida como nada freqüentada em virtude de seu difícil acesso, q demanda bons trechos de vara-mato com
lances de escalaminhadas quase verticais através de ingremes encostas e rocha úmida. Mas gratifica de acordo
quem se dispõe a encarar td esse perrengue.

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A lua ainda brilhava redonda naquele inicio de domingo qdo eu e a Bárbara (tb conhecida
como Bah ou Babi) chegamos às pressas na Estação da Luz, um pouco antes das 6hrs. Haviamos sido relapsos ao
esquecer q as festividades noturnas da “Virada Cultural” espalhadas pelo centro de Sampa certamente deixariam
suas ruas intransitáveis e qq tipo de transporte coletivo seria desviado de sua rota normal. Dito e feito, por
conta disso fomos obrigados a descer do busão e atravessar quase td centro velho a pé no meio do q parecia ser
um campo de guerra repleto de jovens moribundos embriagados jogados no chão. Francamente, já não tenho mais
paciência de curtir essas manifestações "culturais" como outrora. Seriam esses sinais inevitáveis da velhice?
Quiçá. Apenas q nesta vida trilheira ou se curte o dia ou a noite. E eu optei por aproveitar integralmente o
dia.
Felizmente chegamos a tempo de encontrar a Paulinha e o Ronaldo na Luz, e assim zarpar pra Mogi antes das 7hrs
embalados em muita conversa mas principalmente mortos de sono em função da noite mal dormida. Uma vez em Mogi
encontramos o Carlos q lá já nos aguardava, as 8hrs, e imediatamente pusemo-nos a andar em direção à Pça da
Bandeira, com desenvoltura e calmaria mto maior q na capital paulistana.
Meia hora depois embarcamos bocejantes no latão em direção ao bairro rural de Manoel Ferreira, e ainda mortos de
sono por fim saltamos na Balança algo de 45min intermináveis depois, já km77 da SP-98, mais conhecida como
Mogi-Bertioga. A lua cheia a muito tinha ido embora dando lugar a um céu azul pontuado por um sol de rachar
miolos, motivo pelo qual mal começamos a andar pelo asfalto nossas costas e rostos logo se empaparam de farto
suor.

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Mas as 10hrs deixamos a estrada em favor da famosa picada q desce a serra, no km 81, e assim mergulhamos no
agradável e bem-vindo frescor da mata q agora seria nossa companheira pelo resto do dia. A pernada é tranqüila e
sem dificuldades e 10min após iniciada a trilha desembocamos no Rio das Pedras, q cruzamos com água ate as
canelas à outra margem. Aqui nos chama a atenção de um enorme grupo de jovens mochilados (algo de mais de 30
pessoas!), q depois nos informamos eram adventistas e estavam rumando tb pra Cachu Elefante. Logicamente q
apressamos o paso pra nos distanciar deles, apesar q a possibilidade de qq esbarrão posterior com os mesmos
fosse nulo em virtude do ritmo de caminhada deles se igualar ao de tartaruga manca por conta do numero de
pessoas.
Dessa forma prosseguimos pela trilha num ritmo forte e compassado, agora começando a descer o vale atraves de
largos ziguezagues pela encosta da montanha. Ao dar de cara com um mega-deslizamento bastou contorna-lo por uma
precária picada recem-roçada pra esta finalidade ate cairmos na trilha oficial, logo mais abaixo. Na sequencia a
encosta dá lugar a uma crista descentente interminável, onde a caminhada se dá por meio de raízes e galhos como
se fosse uma escada natureba.

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Qdo o terreno aparenta embicar surge uma bifurcação onde a trilha normal prossegue pela direita, mas a gente
opta pelo atalho da esquerda onde se perde altitude num piscar de olhos por terreno erodido quase vertical.
Assim logo damos nas primeiras clareiras q assinalam a proximidade da cachu, cujo rugido cresce a medida da
nossa aproximação. Cruzamos um correguinho e acompanha uma picada pela mata rio acima e pronto, chegamos na
famosa Cachoeira do Elefante pontualmente as 11hrs. Esta queda sempre nos impressiona, ainda mais agora com suas
larga e enorme véu de agua despencando do alto e reluzindo ao sol do quase meio-dia!
Pausa merecida pra curtição e descanso, claro. Enqto a Paulinha e o Carlos permanecem nos largos rochedos ao pé
da cachu beliscando alguma coisa, a Bah e o Ronaldo decidem tanto se banhar nas águas ao sopé da queda como
escalaminhar os rochedos à frente da mesma. Independente de entrar ou não na água, daqui td mundo sai ensopado
por conta do borrifo q a grandiosa queda impõe a quem se aproxima. Na sequencia, nos juntamos com o resto do
pessoal e mandamos ver um lanche reforçado goela abaixo, lanche este providenciado pelo Ronaldo, q costuma
sempre levar comida prum batalhão. É aqui tb q a Paulinha me informa o porquê da cachu ter o nome de um
paquiderme, duvida q sempre martelou na minha cachola. Diz ela q tem uma enorme pedra à frente da cachu q vista
de certo ângulo lembra a frente da cabeça de um elefante. Paulinha tb é cultura.

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Descansados e de bucho cheio, ao meio-dia exato começamos nossa subida de cachoeira rumo á Véu da Noiva.
Saltando de pedra em pedra vamos em direção á extremidade esquerda do sopé da cachu, onde um totem assinala o
único local de acesso á parte de cima. A partir daqui vem uma legitima escalada de rocha, onde as mãos se firmam
tanto nas agarras da pedra como nas raízes e troncos a disposição. Pode parecer difícil pela declividade quase
vertical mas não é, as agarras são seguras e o terreno é firme e tem sempre onde se segurar. Dessa forma nossa
ascenção é rápida ate emergir da mata num degrau rochoso onde começa uma escalada apenas pela pedra. Felizmente
a aderência é boa e este trecho é vencido sem dificuldades, coisa q não deve ser no caso de chuva.
Ganhamos então novo patamar onde as vistas se ampliam e podemos avistar os contrafortes serranos ao redor, onde
o famoso Mirante da SP-98 figura como um mero pontinho em meio a uma moldura esmeralda. Subindo ainda pelas
aderências atravessamos um curto trecho forrado de bromélias e acompanhar o rio ate um poção represado no alto.
Aqui decidimos cruzar á margem esquerda do rio e prosseguir por ela, uma vez q há uma tendência natural pra
formação de ilhas no meio do rio, e nos manter na margem esquerda é garantia de não ficarmos ilhados mais acima
no caso do rio se tornar intransponível.

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Dessa forma subimos o rio pela sua ingreme margem esquerda alternando escalaminhada pelos paredões rochosos e,
nos trechos mais verticais, varando mato pela encosta q tb não era menos pirambeira, mas havia ao menos onde se
segurar, fosse raiz ou galho. Já logo neste trecho de vara-mato um susto ao quase pisar numa elegante e colorida
jararaca, q deixou a Bah feliz da vida pois a guria tem uma fissura pelas peçonhentas desde longa data.
Desviando da bichinha damos continuidade à nossa lenta ascenção, agora redobrando atenção onde pisar.
Bordejando um trecho de paredão onde o rio corre furioso do nosso lado e depois transpondo sucessivos vara-matos
em meio a taquarinhas, bambu seco e td espécie de mata caída facilmente contornável, eis q deixamos a mata pra
cair nos gdes rochedos q antecedem o enorme dique na base de uma gde cachu, as 13hrs. Era ela, a Véu da Noiva.
Pausa pra curtição e descanso. O rio despenca de um gde gargalo rochoso semi inclinado ate desaguar num enorme
piscinão, pra depois serpentear enormes rochas e e dali despencar na Cachu do Elefante. A vista daqui tb é
magnífica: de um lado a gde queda, e do outro a SP-98 surge como um risco alvo cortando a verdejante serra nas
montanhas opostas.

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Missão cumprida, era hora de partir. Afinal o sol e céu azul a muito haviam ido embora dando lugar a uma
nebulosidade clara e opaca q encobria o topo da serra no entorno. Pois bem, pra não ter de retornar td ate a
base do Elefante decidimos fazer o obvio, azimutar pro lado e varar-mato ate atingir a picada na crista pela
qual viéramos. So havia q decidir por onde começar pois a declividade bem íngreme onde quer q se olhasse, sendo
q havia muitos paredões rochosos verticais impossíveis de subir. Mas ai a Bah encontrou um acesso por pedras
desmoronadas e foi na frente, escalaminhando a mata em ziguezagues sucessivos e sendo seguida pelo resto. Alguns
trechos pirambeiros não havia onde se firmar e daí não restava opção senão se segurar no capim ou troncos podres
e torcer pra eles não cederem. Adrenalina total.
Nesse ritmo acabamos dando na base de um muralha rochosa vertical impossível se escalar, mas daí bastou
acompanhar a base do mesmo ganhando altitude lentamente. No final do paredão veio uma ultima piramba na encosta
q vencemos com alguma dificuldade ate finalmente caír na crista q queríamos, as 13:30, mais precisamente na
trilha pela qual viemos na altura da placa em memória dos “perimbeiros”. Agora sim, missão cumprida.
Descansamos alguns minutos e retomamos sem pressa, subindo ao planalto novamente em meio as brumas q agora
tomavam conta da serra. As 14:30 chegamos no Rio das Pedras onde nos presenteamos com um merecido tchibum de
meia hora em suas águas frias, porem revigorantes e refrescantes. Dose era evitar os mosquitos q naquele horário
estavam impossíveis e já haviam deixado dois calombos na minha testa.

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Dali pra SP-98 foi num piscar de olhos, onde a monótona e interminável caminhada de 5km pelo asfalto nos levou
outra vez na Balança as 16hrs, onde comemoramos com sodas, brejas e salgados a conclusão da trip. Lá encontramos
o folclórico Seu Geraldo q entre uma pinga e outra nos sussurra dicas de outro atrativo da região, o Poço das
Antas. Anotado, já garantimos nova missão qdo la formos retornar. Tomamos o busao de volta pra Mogi meia hr
depois, cujo restante da trip convém nem comentar, pois nem me recordo por estar tremendamente sonado de sono. E
assim finalizando, num pais repleto de quedas chamadas de “Véu da Noiva” onde fica difícil afirmar ou garantir
qual é a mais bela e espetacular, a Véu do Itapanhaú surge como um programa diferenciado e adrenado à sua mais
conhecida queda. E mais uma opção refrescante às tantas cachoeiras q a verdejante Serra do Mar oferece àqueles q
se dispõem a explorar seus sinuosos, desconhecidos e acidentados caminhos.


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#577306 por Cris*Negrabela
18 Abr 2011, 17:43
Quanto mais eu vejo informações ou passo por ali, mais me apaioxono por essa regiao da Serra do Mar.

Uma variedade de trilhas, para todos os gostos e condicionamentos, com acesso fácil da capital (apesar de demoraaaado rs) e o melhor de tudo: custo baixíssimo de deslocamento. Dá pra explorar a região todos os fins de semana!!!
#1018589 por Wilhiam Santos
05 Nov 2014, 01:20
Obs. A subida para a Cachoeira que leva o nome de Véu da Noiva, fica a esquerda de quem observa a cachoeira... Não é necessário atravessar a "Cachoeira do Elefante" para chegar a mesma. A esquerda da "Cachoeira do Elefante" (ainda para quem observa de frente), um nível um pouco abaixo, está um lago, bem raso, onde tem umas pequenas "quedas" que parecem como um chuveiro. Ali, existe uma entrada pra uma espécie de trilha, onde então você inicia a escalada. Passa por mato, pedras e deve-se tomar cuidado, mas cada esforço vale a pena.

Muito obrigado pelo relato Jorge Soto, foi de grande valia.

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