Relatos de Viagens por 2 ou mais países da América do Sul


#1255711 por spygtba
07 Fev 2017, 18:53
19º dia
25 de dezembro de 2016
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Trajeto do dia.

Como combinado cheguei na agência as 7:45 da manhã, fomos ao atracadouro e lá aguardamos pelas outras pessoas que também iriam no barco. Eu era o primeiro da fila, o que me permitiu escolher o melhor lugar no barco. Partimos para visitar o candelabro de Paracas que ficava a 15 minutos dali. O candelabro de Paracas não tem uma idade definida e portanto não se sabe quem o fez. Ele consiste de valas com um metro de profundidade escavadas em uma encosta desértica a beira do oceano. Como Paracas tem uma média de chuva de menos de 5 mm anuais este geóglifo ficou preservado até os dias atuais. Existem muitas teorias sobre quem pode ter feito ele, porém nada que possa ser provado. Estas teorias vão desde piratas até alienígenas. A visão do candelabro é realmente impressionante.
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Candelabro de Paracas
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Em seguida nos dirigimos para as ilhas Ballestas, distante meia hora do candelabro. No caminho podemos observar lobos marinhos e golfinhos nadando perto do barco. Andamos em volta de algumas das ilhas de uma beleza sem igual, com vários arcos de pedra, cavernas que formam túneis e praias onde os lobos marinhos vem se reproduzir. A fauna do local é abundante. O local é área de migração de várias espécies que vem atrás de águas mais quentes. Avistamos várias especies de aves, entre elas: Albatrozes, pinguins, cormorões, pelicanos e outras aves de menor porte. Estas aves fizeram destas ilhas uma fonte de riqueza para o Peru no passado, onde as fezes dos pássaros recolhidas nas ilhas representavam mais de 50 % de todas as exportações do país. O guia enfatizou que a melhor merda do mundo é dos peruanos. As fezes recolhidas lá são ricas em nitrogênio e outros elementos, elas são ótimos fertilizantes. O passeio seguiu até bem próximo das praias onde os lobos marinhos mantém seus arens, também entramos em uma caverna com o barco. Em volta das ilhas ficamos por uma hora e depois voltamos para a terra. O passeio custa 35 soles, R$35,00, vale cada centavo. Além deste passeio e da praia na cidade de Paracas a região reserva outros passeio pelo mar e também outras belas praias para aqueles que tem mais tempo, não era o meu caso.

Abaixo uma sequência de fotos das Ilhas Ballestas
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Fui até o hostel pegar a moto e segui para Lima, já eram 11:30 quando deixei Paracas. Entre Paracas e Lima é possível perceber a grande desigualdade social do país. Até 100 km antes da capital existem muitas casinhas simples no meio do deserto e mesmo as cidades pequenas são como algumas favelas que temos por aqui, já perto da capital começam as praias particulares com condomínios fechados de alto padrão e do outro lado da rodovia as casinhas simples no deserto sem luz nem água, muitas delas já abandonadas.
Perto de Lima tem alguns balneário muito bonitos com praias paradisíacas, passei por elas era perto das 17 horas e as praias ainda estavam cheias. Destacam-se entre elas as praias de Ásia, Punta Hermosa e San Bartolo.
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Monumento em Paracas

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Mar de Paracas

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Um dos condomínios de luxo perto de lima

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Lima

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Cristo del Pacífico

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Vista desde o morro das antenas

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Cheguei em Lima já passava das 18 horas, vi vários hotéis com placas indicando 15, 20 e 25 soles. Parei em alguns para ver, já que eu ia ficar na cidade e seria difícil um lugar de camping. Os valores eram para 4 horas, até achei um que me fazia 20 pra eu ficar até as 7 da manha do dia seguinte, mas como continuei procurando, depois não achei mais o hotel. Estes hotéis são na verdade motéis, hostel mesmo eu encontraria somente mais ao centro de Lima. Olhei os mapas tentando achar um local que fosse possível acampar e vi que tinha uma rua beirando o mar perto do morro onde ficam as antenas de TV da cidade, fui tá o moro. Lá fui até a estatua do Cristo del Pacífico. Com 37 metros de altura o Cristo del Pacífico foi inspirado no Cristo Redentor e construído em 2011 pela Odebrecht como um presente ao Peru por ter a maior parte dos contratos de obras da gestão de Alan García Pérez sob seu comando. De lá subi até as antenas para ver se achava um lugar pra acampar lá em cima. Achei, porém como eu ligo e desligo a moto com relés por controle remoto e lá em cima tem muitas onda de radio e TV elas causaram interferência com o controle e não conseguia desligar a moto. O sol estava se pondo e eu sem lugar pra dormir. Comecei a olhar lá de cima a procura de algum lugar possível lá em baixo. Vi uma praia que fica atrás de um morro, um pouco mais retirada do centro e me dirigi pra lá. A praia tem vários bares e casas noturnas muito badaladas, o movimento era intenso no local, porém poucos metros depois sem movimento algum, pois a estrada acabava 500 metros adiante. Não achei seguro acampar lá, pois tinham alguns veículos e o cheiro de maconha no local era forte, voltei e vi uma ruazinha de terra indo em direção a montanha e depois esta ruazinha virava em um trilho por onde o pessoal praticava downhill com bike. Subi parte desta trilha e achei um lugar plano e longe da vista de quem passava na rua. Montei a barraca ali mesmo e fui dormir ouvindo o som que vinha das casas noturnas ali perto. Fiquei ouvindo salsa até dormir.
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Camping com vista para o Cristo

Quilometragem do dia: 295km
Quilometragem acumulada: 6575 km

#1255903 por spygtba
08 Fev 2017, 16:11
20º dia
26 de dezembro de 2016
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Trajeto do dia
Levantei quando estava amanhecendo e fui para a orla de Lima andar pela cidade até que a Huaca Pucllana abrisse.
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Local do camping da noite anterior

Achei um ônibus daqueles com teto aberto que faz tour pela cidade e fui seguindo, afinal de contas ele passa pelas principais atrações turísticas da cidade, mas andei só meia hora e ele terminou o passeio.
Perto das 9 horas fui para a Huaca Pucllana e aguardei que abrissem. Ao abrir paguei meu ingresso e aguardei até as 9:50 horas para iniciar o tour guiado por um dos arqueólogos do sítio. A visita durou cerca de uma hora. O guia fez várias paradas e explicou cada lugar da huaca.
A Huaca Pucllana era um centro cerimonial foi utilizada pelas culturas Lima, Wari e Ychma. A cultura Lima iniciou sua construção em 400 d.C., posteriormente foi ocupado pela cultura Wari entre os anos de 800 e 900 d.C. Estas duas culturas utilizavam a huaca como local cerimonial e finalmente a cultura Ychma do ano 1000 a 1532 d.C. utilizou como cemitério, enterrando seus mortos nas paredes da huaca. Depois de 1532 a huaca ficou abandonada, enquanto a sua volta as terras eram lavradas e posteriormente com o avanço da cidade ela ficou rodeada de construções. Até 1967 ela era usada para pratica de motocross e a partir desta data começaram a restringir o acesso e a estudar a huaca. Em 1984 foi inaugurado o museu e logo após iniciada a restauração que ainda não terminou, são mais de 30 anos de trabalho e sem previsão de acabar.

Abaixo uma sequência de fotos da Hauca Pucllana
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Lima tem vários outros sítios arqueológicos que eu tinha programado passar, mas na segunda feira apenas a Huaca Pucllana e o Parque de Las Leyendas estão aberto.
Fui então ao supermercado ver se achava uma manta para suprir a falta das peças de roupa que eu tinha perdido e comprar umas bolachas para tapear a fome a noite e de manhã. Não achei uma manta pequena. Troquei o resto de dólares que tinha e fui procurar um lugar para almoçar. Achei um lugar por 7 soles, R$7,00, com uma boa comida.

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Pelas 14 horas fui ao Parque de Las Leyendas. É um parque grande no centro de Lima, tem zoológico, jardim botânico, museus, lagos e várias outras atrações que seriam necessários 2 dias pra visitar tudo com calma. Também existe um complexo com várias huacas e construções pré-colombianas. Apesar de ser segunda feira o parque estava cheio. Tem muitas áreas verdes que nos fazem esquecer que estamos em um deserto, tem animais de todas as partes do mundo e vários lagos e rios com carpas coloridas. Andei bastante por lá, visitei alguns museus e huacas e já cansado perto das 17 horas peguei a estrada para tentar sair da cidade antes da noite.

Abaixo uma sequência de fotos do Parque de Las Leyendas
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Peguei um transito infernal para sair da cidade, uma loucura, mas uma loucura legal. Adora andar no meio deste tipo de transito, pra mim é só diversão. Cheguei na carretera Panamericana eram umas 18 horas e segui para tentar achar algum lugar para acampar. Passei Ancón e inicei a subida de um morro e no alto tinha uma estradinha para o meio do deserto, provavelmente foi usada na construção de umas torres de transmissão, entrei nesta estradinha por uns 500 metros e acampei no meio dela mesmo em um lugar protegido do vento.

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Região metropolitana de Lima

ImagemLocal do camping
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Quilometragem do dia: 120km
Quilometragem acumulada: 6695 km
#1256374 por spygtba
10 Fev 2017, 15:00
21º dia
27 de dezembro de 2016
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Trajeto do dia.

As 6:30 horas eu já estava na estrada, tinha que fazer render os próximos dias pra ver se chegava no Equador. Este era o dia que marcava o meio da viagem e cada dia que eu seguisse para o norte eu teria que aumentar mais a média de quilômetros rodados por dia na volta. Até o dia anterior a média diária estava em 335 km/dia e tinha pouco off-road pela frente.
Minha primeira parada do dia foi na Fortaleza de Paramonga. É uma construção da cultura Chimú e foi construída a partir do século XI e em 1470 foi conquistada pelos Incas que ampliaram a construção. A finalidade desta construção ainda não foi definida, uns dizem que foi uma fortaleza militar enquanto outros afirmam ser um tipo de templo. Perto dela existem muitas outras construções ainda não restauradas que podem ser avistadas de cima da fortaleza.

Abaixo uma sequência de fotos da Fortaleza de Paramonga.
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Voltei para a estrada e uma hora depois estava no Castillo de Huarmey. O castillo foi um centro administrativo da cultura Huari e foi utilizado por este povo entre os séculos VI e VIII. Junto ao castillo tinham muitas tumbas, acreditasse que da nobresa. As tumbas foram intensamente saqueadas, mas em 2013 foram encontradas 63 tumbas intactas com muitos metais preciosos e outras oferendas que tornaram possível entender melhor como este povo vivia. Quando cheguei no castillo não tinha ninguém, eu estava procurando a entrada quando uma senhora veio me avisar que a pessoa que cuidava dali tinha ido à cidade e demoraria para voltar e tinha deixo-a para avisar a quem chegasse. Falei pra ela de onde vinha e que gostaria de conhecer o local, mas que não poderia esperar, falei que apenas queria tirar umas foto e já ia embora. Ela então me disse que era pra fazer que conta que não tinha visto ela e que ela não tinha me visto. Pulei então um murinho e subi na pirâmide para ver o local. Pude ver o local onde foram encontradas as tumbas e outros espaços da construção. Os objetos encontrados nas tumbas estão em um museu longe dali.

Abaixo uma sequência de fotos do Castillo de Huarmey
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Voltei para a estrada e em mais uma hora eu estava no mais antigo observatório solar da América chamado de Chanquillo que foi construído no século IV a.C. Chanquillo é parte de um complexo de várias construções distribuídas em uma área de 4 km² , desde Chanquillo é possível ver os vestígios destas construções que estão abaixo da colina onde Chanquillo foi construído.

Abaixo uma sequência de fotos de Chanquillo
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Depois de mais meia hora de estrada eu me encontrava no Templo de Sechin. Este templo data de 2400 a.C e continuou em uso até 1500 a.C. pela cultura Sechin. Este templo foi feito em pedra e apresenta desenhos nas faixadas, além de esculturas. O templo foi construído sobre outro que era feito em argila e que data de 3500 a.C.
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Maquete do templo

Abaixo uma sequência de fotos do Templo de Sechin
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No local também tem um museu com algumas das peças ali encontradas e uma maquete do templo, que não é permitida a entrada. Podemos apenas ver os muros.
Saindo do templo achei um restaurante para almoçar e a tarde rodei até o entardecer sem mais paradas para visitar sítios arqueológicos. A 30 km de Trujillo eu acampei entre um canavial e a carretera.
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Local do acampamento

Quilometragem do dia: 510 km
Quilometragem acumulada: 7205 km
#1256478 por spygtba
10 Fev 2017, 19:55
23º dia
Dia 29 de dezembro de 2016

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Trajeto do dia.
Levantei ao nascer do sol, voltei pelo leito do rio até o asfalto e as 8:30 horas eu estava subindo a cordilheira, que nesta região do Peru não atinge grande altitude, em certa altura entrei em uma neblina e após passar puder apreciar a beleza de um vale cheio de nuvens e um céu aberto ensolarado. Continuei subindo por uma boa estrada que serpenteava as encostas das montanhas até os 2400 metros de altitude. No caminho foi possível ver nas encostas das montanhas, ao longo do rio que passava no fundo do vale, várias plantações com vários tipos de vegetais em pequenas áreas, são plantações para o sustento onde o pouco que sobra é trocado pelo que falta nas feiras de rua das cidades. Estas feiras são comuns em todas as cidades peruanas, em especial as de interior, centenas de pessoas montam suas barracas ou mesmo apenas um pano no chão com os produtos em cima para vender ou trocar alimentos e outros objetos.
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Após subir a cordilheira, ainda com muita vegetação a descida foi em uma área árida com encostas rochosas até chegar ao rio Huancabamba, o qual segui por vários quilômetros pela ruta 3N e até Chachapoyas eu seguiria sempre ao lado de um rio, trocando de rutas e de rios, mas sempre ao lado de um. Ao cruzar o rio Marañon entrei na Amazônia peruana, nesta região tem apenas uma mata rala e baixa, e lá o clima já é mais quente e abafado. Uns 100 km antes de Chachapoyas a estrada vai seguindo o leito do rio por um vale que vai aos poucos ficando cada vez mais profundo e belo e na altura da cidade de Pedro Ruiz a estrada passa entre o rio e, em alguns lugares, uma encosta rochosa que foi cortada formando um túnel, mas sem a parede que fica para o rio.
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Chegando na Amazônia peruana
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Cascata Gocta.
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Saí da rodovia para uma estrada de chão que ia até a cascata Gocta, com 771 metros de altura em 2 quedas, são 6 km até Cocachimba onde se pode ter uma ótima vista da cascata e se quiser pode se fazer uma trilha de 2 horas e chegar ao pé da cascata. Não ia ser o meu caso. Voltei e segui para Chachapoyas e perto das 17 horas cheguei ao centro da cidade, que ainda conserva casario da época colonial. A cidade em si não tem muitos atrativos, mas é ponto de partida para vários passeios à sítios arqueológicos e lagunas. Fui a um centro de atendimento a turista pegar um mapa dos locais que queria visitar e ver se teria algum outro lugar que eu não tinha colocado no meu roteiro.
Saí da cidade com chuva e procurando um lugar para acampar, uns 5 km a frente encontrei um lugar ao lado da rodovia, porém que não era possível ver dela, no meio de uma montanha. Montei a barraca com garoa.
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Quilometragem do dia: 390 km
Quilometragem acumulada: 7895 km
#1261170 por spygtba
05 Mar 2017, 19:13
24º dia de Chachapoyas a Revash 200 km
24º dia
29 de dezembro de 2016
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Trajeto do dia

Levantei cedo, pois queria visita 3 lugares hoje, a moça das informações turísticas falou que dava pra visitar um lugar por dia e pelas distancias eu não acreditei. Com 200 km rodados eu poderia visitar as 3 que eram: Sarcófagos de Karijia, Fortaleza Kuelap e os Mausoléus Revash.
Do acampamento segui para a estrada da qual eu tinha vindo no dia anterior para acessar a carretera 8C, no inicio uma pista simples asfaltada sem a faixa central, achei que fosse mão única, mas logo veio um carro ao meu encontro. Depois de uns 5 km deixei o asfalto para seguir por uma estrada de chão que sobe a montanha. Logo no início da subida vi que teria que ter muito cuidado, como choveu a noite inteira o chão estava liso e pra piorar eu tinha do meu lado direito um precipício, então fui devagar, andei por uns 10 km até chegar em cima da montanha e já com uma estrada um pouco melhor eu rodei mais 15 km até chegar perto dos Sarcófagos de Karijia. Deixei a moto em uma estradinha que cortava uma plantação e continuei a pé pela estrada cheia de lama e merda de vaca, tinha um quilômetro para descer e um desnível de 200 metros.
Os sarcófagos de Karijia são da cultura Chachapoyas e foram encontrados em 1985 em uma encosta rochosa a 24 metros de altura em uma parede vertical. Os sarcófagos contém múmias que foram depositadas sentadas e junto a elas cerâmicas e alguns tipos de cereais. Eram 7 sarcófagos, mas um deles caiu em um terremoto em 1928. Eles eram unidos lateralmente e ao cair o sarcófago deixou uma abertura em seus vizinhos, pelo qual os arqueólogos puderam estudar o conteúdo sem precisar abrir eles e também fazer a datação. Desde o estudo eles permanecem intactos e a datação determinou que eles estão ali desde o ano 1460 d.C.
No local também existem ossos de outros corpos, do qual não encontrei informações, provavelmente bem mais recente que os sarcófagos. Visita feita era hora de voltar, eram 10 horas da manhã e sol junto com a umidade deixavam o lugar muito quente, tinha que subir dos 2.820 metros de altitude até os 3.000 metros, onde tinha deixado a moto, por uma trilha cheia de degraus e depois a estrada cheia de estrume. Fui subindo e parando para descansar, o que levei 15 minutos para descer levei quase uma hora para subir.

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Cheguei na moto e quando estava chegando na vila que dá acesso ao sítio um moça no meio da rua me fazia sinal para parar e disse que eu tinha que fazer o registro e pagar 5 soles pela visita. Como passei por lá antes das 9 ela não estava lá. Paguei e segui para a fortaleza de Kuelap. No caminho de volta peguei uma estrada errada e achei um caminho muito melhor do que o que usei para chegar e ainda mais perto em 6 km e que não foi indicado pela atendente em Chachapoyas.
Voltei ao asfalto e segui pela estradinha de uma via só que segue o rio Utcubamba em um serpenteado que torna a condução ao gostosa, pois são infinitas curva, e perigosa, pois se errar em uma curva é certo q queda no rio que em alguns lugares esta a mais de 10 metros do nível da rua e não tem qualquer tipo de proteção. Segui por esta estrada até o meio dia e parei para almoçar em um restaurante a 30 km da fortaleza. Me informei ali sobre o melhor caminho a tomar e me deram duas opções: Ir por uma estrada boa por um percurso de 35 km que é a via de quase todos que vão até lá ou seguir por outra estrada pouco conhecida e em piores condições com 11 km de extensão. Qual eu escolhi? Certamente a menos utilizada, além de mais perto mais aventura. Segui então até uma vila onde peguei uma estradinha de chão que sobe a montanha, inicialmente uma estrada boa e nos últimos 4 km era uma estrada recém aberta e pouco movimentada, fazia dias que ninguém passava por ela, não tinha marcas de carro no chão, no último km apenas a máquina que abriu a estrada tinha passado. A estrada acabou no meio de um pasto e eu podia ver logo acima a fortaleza, uns 1000 metros dali morro acima. Deixei a moto e fui subindo pelo meio do pasto até chegar a um hostel e em mais 10 minutos eu cheguei na fortaleza. Ao chegar na entrada me foi pedido o ingresso que eu deveria ter comprado na entrada certa para a fortaleza. Expliquei que não tinha entrado pelo lugar convencional e que descer lá pra comprar ia ser muito cansativo, a altitude de 3000 metros já torna as subidas mais sofridas. Ele então pediu pelo rádio um ingresso que consegui pela metade do preço com minha carteirinha da faculdade e que eu deveria pegar na saída. Já eram 16:30 horas e a fortaleza fecharia as 17. Entrei e ao localizar um grupo com guia comecei a seguir com certa distancia para poder ouvir o que o cara contava sobre o lugar.
A fortaleza da cultura Chachapoya começou a ser construída no seculo XI e seu abandono se deu após a chegada dos espanhóis na metade do século XVI. Com 600 metros de comprimento por 100 de largura e com muralhas que em alguns pontos chegam a 19 metros de altura, serviu como centro religioso, administrativo e de moradia. A fortaleza tem construções feitas em pedra e em sua maioria de forma circular, sendo que tem algumas construções retangulares que evidenciam a presença Inca provavelmente no final do século XV. A fortaleza tinha 3 entradas e todas elas são estreita de forma a permitir apenas uma pessoa por vez, dificultando a entrada em caso de ataques. Em seu interior existem mais de 500 construções circulares divididas em dois níveis que mostra que a cidade tinha uma divisão social, onde o nível mais alto era reservado à alta sociedade e onde também estão localizadas as áreas religiosas da fortaleza. Diferentemente de Machu Picchu este sítio permanece com as árvores e nelas muitas espécies de bromélias, pouca coisa foi restaurada, apenas abertas trilhas entre as ruínas e instaladas placas orientativas.
Se eu fosse discorrer sobre toda a história desta fortaleza certamente teria muito texto aqui, mas certamente o farei no livro.

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Lugar onde deixei a moto.

Abaixo uma sequência de fotos da Fortaleza Kuelap.

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Após a visita parei nas barraquinhas de lembranças, comprei algumas e parei em uma barraquinha que vende comidas típicas, comi algumas coisas alí: Batata doce frita, tipo Ruffles, Batata doce assada, batata recheada com ovo e um tipo de massa de trigo frita.
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Entopiu de barro.

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Monolíto as margens da ruta 8C.

Voltei para a moto e desci toda aquela estrada que em função de uma chuva que caiu enquanto eu estava na fortaleza deixou a estrada lisa e exigia que pilotasse com muito cuidado. Cheguei no asfalto já perto da noite, mas segui até Yerba Buena, entrei onde indicava o caminho para Revash sabendo que teria que acampar em algum lugar no escuro, pois teria que sair da parte povoada para isso, fui subindo uma estradinha de chão pela montanha e uma meia hora depois de já estar escuro eu vi uma placa indicando a entrada para Revash, uma estradinha já com grama em parte dela e que era apenas caminho de pessoas e animais. Resolvi acampar ali, à vista de todos que passavam pela outra estrada. Como eu estava no interior, uns 15 km da cidade mais próxima não me preocupei com segurança, afinal de contas não deve ter muita gente ruim morando no interior. Montei a barraca com garoa e durante a noite toda intercalou entre garoa e chuva.

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Ao amanhecer.

Quilometragem do dia: 200 km
Quilometragem acumulada: 8095 km
#1261309 por spygtba
06 Mar 2017, 12:57
25º dia de Yerba Buena a Cajamarca 260 km
25º dia
Dia 31 de dezembro de 2016



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Trajeto do dia.

Choveu um fininho durante toda a noite, pelas 4 horas da manhã ouço pessoas passando na rua e comentando que alguém tinha deixado um triciclo ali, se referindo a minha moto. Realmente não parecia que tinha barraca ali. Acordei com a lona da barraca no meu rosto, tinha quebrado uma vareta e já era a terceira vez que quebrava durante esta viagem. Eu tinha um pequeno espaço dentro da barraca que estava com uns 30 centimetros de altura. Eu não podia sair da barraca pra arrumar no escuro e a noite, então continuei assim mesmo até amanhecer. Outras pessoas também passaram pela barraca tocando vacas e permaneceram na esquina por quase uma hora conversando. Era a última vez que eu utilizaria aquela barraca, as varetas já estavam se desmanchando. Teria que comprar outra em alguma cidade grande neste dia.

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Ao amanhecer desmontei a barraca e guardei tudo, já não chovia mais, apenas uma neblina no alto das montanhas. Fui informado de que o caminho para percorrer à pé demoraria 25 minutos até os mausoléus, a placa indicava 3,5 km, só por isso já dava pra saber que não teria como fazer em 25 minutos, além de que eu estava a 2.300 metros de altitude e os mausoléus a 2.800 metros, um desnível de 500 metros significaria que teria que subir muito morro até chegar lá. Iniciei a subida as 7:45, por meio a trilhas em meio a uma mata baixa e com muito capim ao longo da trilha. Este capim estava molhado e conforme eu progredia na trilha ia molhando a calça. Fui acompanhando as indicações de placas até achar uma que indicava que faltava 1 km, vi uma choupana ao pé da encosta rochosa da montanha a uns 500 metros de onde eu estava e uma trilha mais marcada que segui paralela a encosta rochosa, pensei que teria que seguir em frente para depois fazer uma curva e voltar até a choupana, segui na trilha e depois de pouco mais de 1 km vi que não estava no caminho certo. Já cansado tive que voltar até até a placa nela seguiria morro acima uma trilha que parecia não ser usada a tempos, subi por ela e então cheguei a choupana que é um mirante para o vale e para os mausoléus. Levei 2 horas e 15 minutos para chegar lá. Descansei um pouco, não tinha ninguém lá. Um portão impedia o acesso aos mausoléus. Olhei bem para as trilhas abaixo a procura de alguém subindo e não vi ninguém, então pulei a cerca e fui até os primeiros mausoléus, na única casinha que consegui ver dentro ainda tinha uma costela e alguns ossos de dedos. Tinha como subir e acessar os outros mausoléus, mas era arriscado e não quis arriscar, estava sozinho e se caio e fico vivo poderia demorar muito para alguém me encontrar. Os mausoléus Revash são da cultura Chachapoyas e imitam as casa que este povo habitava.
Pulei a cerca novamente e iniciei a descida. Me perdi novamente quase no fim da trilha, andei quase 1 km e tive que voltar até achar a saída.

Abaixo fotos dos Mausoléus Revash
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Voltei para o asfalto e logo estava em Leymebamba, procurei um posto lá e achei apenas um cara que vendia gasolina em casa, enchi o tanque e perguntei quanto tempo levaria para chegar até Cajamarca, que estava a 200 km de lá. O cara me falou: "De 4 a 5 horas." Pensei que ele só poderia estar brincando, mas fui para a estrada e logo descobri que não estava bricando. A estrada é asfaltada, porém tem pouco mais de 3 metros de largura e sobe e desce montanhas com infinitas curvas, uma seguida da outra, e não tem como andar rápido. A paisagem é bela, muitos vales, montanhas e fazendinhas típicas peruanas e milhares de lombadas, a cada vilinha tinha pelos menos duas e em todas elas batia o fundo da moto, são lombadas altas e curtas. Peguei um trecho de montanha que tinha chovido muito na noite anterior e tinha barro na pista em alguns pontos, o que tornava ainda mais perigosa a condução por aquelas estradas estreitas e cheias de curvas. Perto das 13 horas parei no meio da montanha e um restaurantezinho e comi uma sopa de pato. Estava morto de fome pela caminhada de mais de 3 horas.
Segui por mais alguns quilômetros e um cara com um triciclo na beira da rua me faz sinal para parar. Parei para ver o que ele queria. Queria saber se eu teria remendo para câmara, tinha furado o pneu dianteiro e ele estava desmontando com chave de fenda, falei que não tinha remendo, mas poderia emprestar a espátula, mesmo assim levou mais de meia hora pra desmontar o pneu. Enquanto fiquei lá esperando ele desmontar o pneu um colega dele ficou fazendo sinal para outros motociclistas e carros pararem e ninguém parava. Perguntei se era comum ninguém parar e ele disse que sim. Me pareceu que lá é cada um por sí e Deus por todos. Como não podia fazer mais nada, segui.
Abaixo fotos do caminho entre Leymebamba e Cajamarca
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Na descida para a cidade de Balsas a vegetação já muda para semi-desértica e o calor aumenta, desce-se cerca de 1000 metros de altitude para cruzar um rio e logo sobe-se novamente. Como toda tarde sempre chove esta não foi diferente, ela me acompanhou até perto de Banos del Inca parei para esquentar as mãos algumas vezes, pois eu ja não sentia os dedos.
Chegando na cidade tive o primeiro grande susto da viagem. Depois de uma reta em uma descida havia uma curva para a esquerda com guardrail, vim freiando com os dois freios, como sempre faço, e quando começo a fazer a curva o pneu dianteiro escapou devido a areia na pista, a pista estava seca. Imediatamente solto o freio e seguro com o pé no chão, estava a uns 50 km/h, a moto volta, mas tenho que freiar novamente, pois estou indo pro guardrail. Neste momento milhões de coisas passam pela cabeça, lembrei da última viagem onde o colega quebrou a perna em um tombo besta em um guardrail, me passou também a queda e o que poderia acontecer ao bater no guardrail, são frações de segundo mas que o cérebro da gente trás a toma milhares de informações e realiza milhões de cálculo para nos tirar de uma situação de risco. Ao freiar novamente acontece o mesmo, o pneu dianteiro escorrega moto começa a tombar para a esquerda e mais uma vez seguro com o pé e ela volta e consigo então fazer a curva. Pela velocidade que eu estava e a distância do guardrail se eu chegasse a bater nele já seria devagar e não machucaria muito, mas para a moto certamente seria o fim da viagem. Depois deste susto segui com mais cuidado.
Cheguei em Cajamarca já ao anoitecer, comprei umas frutas e fui procurar um hotel, fazia uma semana que eu não tomava banho e era passagem de ano, eu merecia um conforto. Fiquei no primeiro que parei, custou 30 soles, R$30,00, quarto com cama de casal, banheiro no quarto, TV de 42" e limpo.
Depois de tudo certo no hotel fui comprar a barraca, pois sabia que no dia seguinte estaria tudo fechado. Em um hipermercado achei uma barraca por R$39,00, comprei mais algumas bolachas para os dias seguintes e voltei para o hotel, deixei a moto a 3 quadras do hotel em um estacionamento e fui debaixo de garoa para o hotel. Fui dormir antes da virada.
Quilometragem do dia: 260 km
Quilometragem acumulada: 8355 km


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