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Mochilando na Europa, Oriente médio, África e Ásia


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Bom pessoal,

 

Vou começar a utilizar este tópico para colocar alguns capítulos do meu mochilão pelo mundo. Espero que as histórias descritas aqui sirvam de estímulo e inspiração para que mais brasileiros se tornem mochileiros. Quero muito poder não só encontrar Australianos, Alemães e Franceses mas Brasileiros em grandes aventuras.

 

Só um resumo do plano da minha viagem: Visitar de mochilão 3 continentes (Europa, África e Ásia). Cada continente tenho um tempo previsto de +/-8 meses. Já fiz Europa, cruzei o oriente médio e agora estou na África. Todo o percurso com raras excessões é feito por terra. Ônibus, trem, barco, moto, van, carro, bicicleta, andando, rastejando... seja como for, tento sempre ir por terra. Afinal, avião foi feito para chegar a destinos e não para conhecer lugares.

 

Quem tem medo de mochilar sozinho e quer fazer uma loucura como esta, está convidado a se juntar na viagem.

 

Abraços,

 

Perdido por aí.

 

Para quem sabe inglês, mantenho também um blog no travelblog.org. meu nick lá é 2brothers3continents. O endereço html está no meu perfil.

 

Sudão, atravessando de ônibus

 

Um pouco da minha aventura no deserto do Sahara.

 

Como um pequeno trecho da nossa viagem nós estavamos saindo de Aswan, sul do Egito e indo para a Khartoun, capital do Sudão. Esta viagem se resumia a pegar uma balça no rio Nilo e um ônibus da fronteira até a capital. Quão difícil isso poderia ser?

 

A balsa semanal tinha num horário previsto de partir as 4 horas da tarde, mas por recomendações da própria agencia que nos vendeu o ticket, deveríamos chegar lá as 9 horas da manhã. Nada mais óbvio.... hehehe. Depois de lutar para manter nosso lugar por mais de 7 horas, a balça partiu. A balça era ótima, cada passageiro trazia consigo 500 kilos de bagagem. Primeiro a bagagem foi para os compartimentos de cabeça, depoois para os corredores, depois para as janelas (pequenas escotilhas), depois para as saídas de emergência, depois para o colo das pessoas (só no meu colo tinha três malas de origem desconhecida). A viagem foi de apenas 18 horas para chegar em Waldi Halfa, fronteira do Sudão. Do porto, se é que podemos chamar aquilo de porto, nós pegamos um taxi Land Rover (pela idade e estado, concluimos que provavelmente foi esquecido pela colonização Inglesa... hehehe) até a rodoviária, ou melhor, casinha de barro no meio do deserto.

 

Bom, como o ônibus para Khartoun também era semanal, nós não podíamos se dar ao luxo de descansar, tinhamos de pegar o ônibus logo depois do ferry. Nosso ônibus levaria apenas um dia para chegar em Khartoun (tempo de viagem é expresso em dias não em horas). O "ônibus" não era bem um ônibus mas um caminhão adaptado (mais uma tentativa de adaptação) para carregar gente. Só depois, nós decobrimos porque não haviam reais ônibus, porque não haviam reais estradas. O motorista achava o caminho dele entra as duas e pedras. Logo que que viagem começou sabíamos que não seria fácil.

 

Então decidimos fazer um diário:

16:00 horáio de saída programado

18:45 horário de saída real

19:45 retorno para buscar bagagem que havia caído no deserto do teto do ônibus.

20:40 Parada para reza (país muçulmano, esqueceu???)15 min

21:50 1a vez que os faróis quebraram 35min

22:35 2a vez que os faróis quebraram 10min

23:05 faróis novamente e pressão dos pneus 20min

23:45 Parada de descanço!! 30min

02:15 Jantar e reza noturna 1h

06:30 Reza do nascer do sol 30min

07:45 Claudio já cansado, dolorido (de tanto bater a cabeça no teto do ônibus por causa da viagem macia) e entediado fala: "É o ápice da estupides humana escolher um lugar na trazeira do ônibus!"

8:30 Verificação do passaporte no posto militar (duas vezes na sequência) 45 min

11:50 descanso e água 20min

12:00 Atolado na areia 1h

13:15 Comemoração do asfalto (A pessoas começaram a cantar no ônibus)!!!!!!!!

14:00 Reza novamente..... e refrigerantes! (Nossa água havia acabado horas atrás...)

15:50 Verificação do passaporte 20 min

16:50 Verificação do passaporte novamente 10min

17:20 Verificação do passaporte novamente e novamente 10min

17:40 Advinhe... Verificação do passaporte 5 min (esta foi rápida hehehe)

20:10 Reza do por do sol 30 min

01:00 Chegada em Khartoum!!

 

Para completar nossa viagem, nós não encontramos o hotel que tínhamos planejado de ficar (Não estávamos nem um pouco casados e tínhamos toda pasciência do mundo para procurar hotéis no meio da madrugada). Porém, o que nos salvou é que encontramos um Japônes que falava árabe e inglês e que nos ajudou.

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Passei por lá pois estou indo de norte a sul da África. Comecei no Egito e estou indo por terra até a África do Sul. Os países do meu roteiro na África são: Egito, Sudão, Ethiópia, Quenia, Uganda, Rwanda, Rep democrática do Congo, Tanzania, Madagascar, Zambia, Naníbia, África do Sul, Moçambique, Zimbabwe, Lesotho, Swaziland. :wink:

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Congo, escalando um vulcão em atividade

 

Como todo mochileiro sem escrúpulos, nossa aventura foi contra todos os princípios de sanidade mental... hehehe. Durante época de eleicões na República Democrática do Congo, a primeira em 35 anos, nós fomos fazer uma pequena visita ao país. Claro, na região leste, onde todos os exércitos rebéis do país estão situados. Além disso, para adicionar um pouco mais de emoção nós escalamos o vulcão em atividade Myiragongo, aquele que destruiu uma cidade inteira em 2002 na sua última erupção.

 

Depois de passar a polícia de imigração (muito simpáticos, ao contrário do que imaginamos), nos indicaram um escritório, chamado DGM, que deveríamos ir, com o objetivo de obter um papél que nos permitiria retornar a Rwanda, sem ter de fazer um novo visto. Que para nós, Brasilieros, custa 60 dólares. Esta foi a primeira experiência com a enorme corrupção do país, ao invés de fazer o documento como esperado os "oficiais" começaram a falar que deveríamos pagar 100 dólares por uma permissão "política" para visitar a cidade e o vulcão. Caso contrário estariamos com problemas de segurança com o exército (???). De qualquer maneira, conseguimos inventar uma história e sairmos do escritório sem pagar a taxa.

 

Goma, a cidade que ficamos é base para várias operações da ONU. Logo o que existe de mais abundande na cidade são: lava seca (da erupção de 2002) e bases da ONU.

 

No mesmo dia em que entramos no país, logo após a nossa ida ao "escritório" fomos ao parque nacional e fizemos nossa escalada do vulcão. Foram 5 horas de subida extremamente íngrime até o topo. Quase que não conseguimos, a mala estava pesando umas cinco toneladas perdo da chegada. A trilha é uma linha quase reta da base do vulcão até o topo. Acho que os congolenses realmente levam a risca a teoría que o melhor caminho entre dois pontos é uma reta. Mas, apesar da escalada exaustiva, a possibilidade de olhar dentro da cratera do vulcão vale qualquer esforço. Logo que chegamos (já de noite) a neblina se dissipou por 5 minutos e pudemos ver a piscina de lava explodindo e jogando lava a vários metros de altura. Um espetáculo sem igual. Como estávamos contra o vento, pudemos montar as nossas barracas apenas a dois metros da borda da cratera do vulcão, sem medo de morrer com os gases tóxicos expelidos.

 

No dia seguinte a neblina estava muito intensa, impossibilitando de ver qualquer coisa muito de longe. Porém, logo antes da nossa descida programada, o vento nos deu um presente de dez minutos, dissipou a neblina e os gases do vulcão, possibilitado que nós vissemos novamente a piscina de lava, porém agora durante o dia. A lava é localizada fundo dentro da cratera, mais ou menos um kilometro abaixo da borda, porém mesmo assim o barulho das explosões davam a impressão de que estava realmente próximo.

 

A descida foi relativamente tranquila. Após chegarmos na base do vulcão nos dirigimos diretamente para a fronteira com a Rwanda. Uma vez feita a emigração, surgiu um ser do além e começou a nos dizer que tinhamos que lhe acompanhar até o escritório pois estávamos sem nossa permissão política. Mas desta vez o próprio oficial da imigração mandou ele embora.... hehehe.

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Eu sempre dou uma olhada em relatos de viagem, a gente sempre acha uns relatos meio loucos, mas Perdidos por ai(nick meio loucoi também), aproveite e coloque individual nos tópicos da Africa etc as inf que vc tem, é por que nestes tópicos asia, africa etc tem poucas informações. Mauro

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Nossa!

É inacreditável!

Você poderia falar mais um pouco sobre você e sua viagem? Quando irá voltar? O que te levou a fazer essa viagem? Você é algum milhonário que estava um pouco entediado e resolveu fazer isso (rsrsrsr, creio que não dê para fazer isso enquanto está de férias, devido ao tempo necessário). Conte o que achar interessantes.

Muito bom o relato. É o primeiro relato de viagem que leio e acho que agora vou querer ler todos. :)

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Ronaldo,

 

Fiquei muito feliz com o feedback.

 

Aqui vai um pouco da minha história:

Minha viagem começou quando tive meu primeiro mês de férias do trabalho. Organizei com meu irmão para fazer um mochilão pela Europa por um mês. Afinal fazer um mochilão era um grande sonho nosso, e a Europa era o destino mais desejado de todos e, claro, mais fácil para iniciantes (apesar de ser de longe o mais caro $$$). Fiz esta viagem de mochilão com meu irmão de um mês e adorei. Quando eu voltei para o trabalho e a vida real não conseguia mais pensar em outra coisa, peguei o que se chama de virus viajandus muitos... hehehe.

 

Meu irmão permaneceu na Europa para estudar e começou a visitar lugares que eu não tinha ido, mandando fotos o tempo todo. Logo, não resisti, entrei em contato com ele e decidimos que tinha muito mais do mundo a ser descoberto. Montamos um roteiro para mochilar 3 continentes, comprei uma passagem para frança e três meses depois la estava eu (minha viagem atual) de mochila nas costas pela europa novamente.

 

A respeito do dinheiro, mochilar de verdade (nada de resorts e hotéis caríssimos) é muito mais barato do que todos imaginam. Eu gasto menos viajando o mundo todo do que eu gastava para morar em São Paulo. Exemplo: Hotel em Dahab/Egito de frente para praia custa 5 reais por noite. O que você pode fazer para ter uma idéia mais próxima é adquirir os guias Lonely Planet, lá tem o custo de cada ônibus, refeição e hotel ou hostel que você vai precisar no mundo inteiro. O guia "África in a Shoestring" é o meu atual guia de viagem. :wink:

 

Abração,

 

Perdido por aí

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  • 2 semanas depois...
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Líbano; 2 semanas antes da primeira bomba

 

Não sabemos se foi bom ou ruim ter estado lá apenas duas semans antes de tudo começar novamente. Por um lado nós pudemos visitar o país, mas de outro nós sabemos que o que nós vimos não existe mais.

 

Beirut realmente nos impressionou, uma cidade moderna com prédios futurísticos ao lado de outros bombardeados (cicatrizes de guerra). A cidade realmente tem um estilo bem ocidental, com um toque da cultura árabe. No mesmo lugar onde você pode tomar um café numa das lojas Star Bucks, do outro lado da rua pode-se experimentar o tradicional Narguilé (cachimbo estranho de água).

 

Saindo da capital, nós fizemos o que muitos não teriam coragem de fazer, principalmente nos dias de hoje. Alugamos um carro e fomos explorar o sul do país. No caminho estava o antigo presídio que agora é uma base e museu do Hezbollah (acho que já não é mais), o Castelo Beaufort, outra base do Hezbollah e Fatima's Gate, a froteira entre Israel e Líbano.

 

Para começar a viagem, nós precisamos pegar uma autorização emitida pelo excército, pois estas são áreas militares. O museu foi uma aula de hitória viva. Os guias são tanto militantes do Hesbollah assim como ex-prisioneiros do próprio presíodio. O presídio em si, foi contruído no alto de um morro de onde podem se ver a fronteira entre Síria, Israel e Líbano. Mais do que isso o guia nos explicou toda a situação do ponto de vista do Hesbollah.

 

Estar conversando sobre terrorismo, homens-bomba e sequestro com um dos "terroristas", pode ser realmente assustador no começo, mais depois de um tempo você percebe que eles são apenas pessoas com sonhos e esperanças assim como nós.

 

Depois do museu, nós dirigimos até o Fatima's Gate. Quanto mais perto você chega da fronteira, mais barreiras militares você tem de cruzar. Depois de mais ou menos quatro delas, nós percebemos uma mudança no cenário. Não tinha mais pessoas nas casas, somente sacos de arreia bloqueando as portas e bandeiras pretas asteadas por todos os lados (indicando zona em guerra). Poucos kilometros dali chegamos até a cerca, neste ponto tinha uma base do Hesbollah a direita com soldados apontando armas em nossa direção, a esquerda apenas a pouco metros atrás da cerca, uma base Israelence, também apontando armas em nossa direção, e no centro uma base da ONU. Esta pelo menos não estava nos apontando armas.

 

Eu realmente fiquei com medo de mirar a minha máquina fotográfica para eles e ser confundido e fusilado.

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  • 1 mês depois...

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