{"id":23565,"date":"2017-03-09T00:03:34","date_gmt":"2017-03-09T03:03:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/blog\/peru-uma-experiencia-de-turismo-vivencial"},"modified":"2017-03-30T22:01:45","modified_gmt":"2017-03-31T01:01:45","slug":"peru-uma-experiencia-de-turismo-vivencial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/peru-uma-experiencia-de-turismo-vivencial","title":{"rendered":"Peru &#8211; uma experi\u00eancia de turismo vivencial"},"content":{"rendered":"<p>Certa vez, durante o mochil\u00e3o que durou oito meses de carona pela Am\u00e9rica do Sul, por &#8220;coincid\u00eancias&#8221; da vida fui parar em um lugar chamado Huilloc, no Peru, com mais quatro amigos que conheci ao longo da viagem.<\/p>\n<p>O lugar era incr\u00edvel! Uma comunidade de pouco mais de trezentas fam\u00edlias que ainda seguiam as tradi\u00e7\u00f5es Incas, protegida por montanhas enormes e com o rio Patachancha cortando a cidade. N\u00e3o havia hot\u00e9is\/hostels ou ag\u00eancias de turismos, tinha apenas um restaurante e umas poucas casas de fam\u00edlia que serviam comida e ofereciam hospedaria. Tamb\u00e9m n\u00e3o se via muita movimenta\u00e7\u00e3o tur\u00edstica por l\u00e1, eu mesma s\u00f3 vi dois ou tr\u00eas europeus fazendo o chamado \u201cTurismo Vivencial\u201d. Ali todos se conheciam e suas rendas provinham quase que exclusivamente da agricultura e artesanato que eram vendidos na cooperativa.<\/p>\n<p>Depois de rodar pelas poucas ruas do lugar decidimos montar acampamento em um campo no meio da cidade. Estava frio pra caramba e de tarde come\u00e7ou a chover. De noite, na tentativa de nos aquecermos, dormimos todos na mesma barraca.<\/p>\n<p>No dia seguinte levantei bem cedo e agoniada com o pouco espa\u00e7o onde dormiamos decidi sair para tomar um ar, quando fui abordada por uma cholita falando em Quechua comigo.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o entendia um A do que ela falava, apenas os \u201cdesayuno\u201d que soltava entre as palavras que n\u00e3o me faziam sentido nenhum. Imaginava que estava tentando me vender o caf\u00e9 da manh\u00e3, e na tentativa de me guiar, ela com um olhar amistoso me pegou pelo bra\u00e7o e me levou at\u00e9 sua casa.\u00a0 Era um c\u00f4modo de ch\u00e3o batido, com um fogo de ch\u00e3o fervendo algo. Havia v\u00e1rios cuys correndo de um lado para o outro. No canto uma cama com alguns cobertores e duas crian\u00e7as pequenas rec\u00e9m-acordadas nos olhando com curiosidade.O amigo que chamei para me acompanhar logo come\u00e7ou a registrar tudo em fotos, enquanto eu observava a &#8220;av\u00f3 e a m\u00e3e&#8221; timidas, preparando a refei\u00e7\u00e3o matinal. Elas nos recebiam como se fossemos seres ilustres. Nos deram sopa e ch\u00e1 para aquecer o frio e muitos sorrisos que eram a mistura de acanhamento com curiosidade.<\/p>\n<p>At\u00e9 o pai da fam\u00edlia voltar da cidade n\u00e3o hav\u00edamos tido nenhuma comunica\u00e7\u00e3o verbal com aquelas mulheres. Ele era o \u00fanico que falava castelhano e quando chegou nos falou que iriam nos receber em sua casa que estava em constru\u00e7\u00e3o ali perto, pois estava muito frio para ficarmos acampados. Ah, ent\u00e3o era isso que ela queria me dizer o tempo todo!<\/p>\n<p>Ficamos com eles dois dias e uma noite. Um teto oferecido por uma fam\u00edlia que n\u00e3o nos conhecia. Uma fam\u00edlia humilde que nos ofereceu caf\u00e9 da manh\u00e3, almo\u00e7o, caf\u00e9 da tarde e o membro mais novo da fam\u00edlia para apadrinharmos. Saulo \u00e9 seu nome. Ele estava completando um ano de idade, e foi feita uma cerim\u00f4nia onde seus cabelos eram cortados pela primeira vez por seus padrinhos, no caso, n\u00f3s cinco.<\/p>\n<p>No plano concreto eu ganhei um teto, comida e um afilhado, mas por dentro ganhei infinitamente mais que isso. Aquela situa\u00e7\u00e3o que parecia cena de um filme me deu a percep\u00e7\u00e3o do bem gratuito (mesmo desconfiando que nos pediriam &#8220;propina&#8221; em algum momento. Sim, cabe\u00e7a capitalista nossa de cada dia).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Naqueles momentos, o medo das pessoas, da estrada, do sonho que podia se tornar real, se dissolveu por completo diante da flu\u00eddez da vida. Me senti t\u00e3o viva! Foi como em meus devaneios, quando aquilo tudo ainda era inalcan\u00e7\u00e1vel. Fiquei sem op\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o ser me entregar ao presente e usufruir da d\u00e1diva do sentir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Certa vez, durante o mochil\u00e3o que durou oito meses de carona pela Am\u00e9rica do Sul, por &#8220;coincid\u00eancias&#8221; da vida fui parar em um lugar chamado Huilloc, no Peru, com mais quatro amigos que conheci ao longo da viagem. O lugar era incr\u00edvel! 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