{"id":24101,"date":"2017-03-28T06:43:43","date_gmt":"2017-03-28T09:43:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/?p=24101"},"modified":"2017-03-28T06:44:16","modified_gmt":"2017-03-28T09:44:16","slug":"estudos-revelam-que-o-estado-de-sao-paulo-ja-foi-coberto-pelo-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/estudos-revelam-que-o-estado-de-sao-paulo-ja-foi-coberto-pelo-mar","title":{"rendered":"Estudos revelam que o Estado de S\u00e3o Paulo j\u00e1 foi coberto pelo mar"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 260 milh\u00f5es de anos, no per\u00edodo Permiano m\u00e9dio, boa parte do Estado de S\u00e3o Paulo era coberta pelas \u00e1guas do mar Irati. Uma das evid\u00eancias mais fascinantes desse antigo mundo marinho est\u00e1 em Santa Rosa do Viterbo, na regi\u00e3o de Ribeir\u00e3o Preto. L\u00e1, o trabalho de extra\u00e7\u00e3o em uma mina de calc\u00e1rio revelou a exist\u00eancia de diversos <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Estromat%C3%B3lito\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estromat\u00f3litos<\/a> gigantes.<\/p>\n<p>Estromat\u00f3litos s\u00e3o estruturas sedimentares formadas pela atividade de microalgas em \u00e1guas rasas. As algas vivem em \u201ctapetes\u201d, que crescem verticalmente ao longo de milhares de anos para formar estromat\u00f3litos, assim como ocorre com os recifes de coral.<\/p>\n<p>Estromat\u00f3litos est\u00e3o presentes em todo o mundo, mas quase sempre s\u00e3o pequenos. Em Santa Rosa do Viterbo n\u00e3o \u00e9 assim. L\u00e1 h\u00e1 um excepcional campo de estromat\u00f3litos gigantes, com at\u00e9 3 metros de altura. O local \u00e9 \u00fanico no planeta e um dos 142 geoss\u00edtios selecionados para compor o Patrim\u00f4nio Geol\u00f3gico do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<div id=\"attachment_24102\" style=\"width: 809px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/20170324_02_campo-b.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-24102\" class=\"wp-image-24102 size-full\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/20170324_02_campo-b.png\" alt=\"\" width=\"799\" height=\"551\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/20170324_02_campo-b.png 799w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/20170324_02_campo-b-300x207.png 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/20170324_02_campo-b-1024x706.png 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/20170324_02_campo-b-767x529.png 767w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/20170324_02_campo-b-1536x1059.png 1536w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/20170324_02_campo-b-2048x1412.png 2048w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/20170324_02_campo-b-218x150.png 218w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/20170324_02_campo-b-100x69.png 100w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/20170324_02_campo-b-508x350.png 508w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/20170324_02_campo-b-788x543.png 788w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/20170324_02_campo-b-768x530.png 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/20170324_02_campo-b-313x216.png 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/20170324_02_campo-b-20x14.png 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 799px) 100vw, 799px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-24102\" class=\"wp-caption-text\">Foram selecionados e classificados de acordo com valor cient\u00edfico e risco de degrada\u00e7\u00e3o 142 s\u00edtios para compor o Patrim\u00f4nio Geol\u00f3gico do Estado \u2013 Foto: campo de estromat\u00f3lito gigante de Santa Rosa do Viterbo (SP)\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>O trabalho de sele\u00e7\u00e3o dos s\u00edtios geol\u00f3gicos levou tr\u00eas anos, de 2012 a 2015, e foi liderado por Maria da Gl\u00f3ria Motta Garcia, professora no Instituto de Geoci\u00eancias (IGc) da USP e coordenadora do projeto de pesquisa apoiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp). Ela teve assessoria do ge\u00f3logo portugu\u00eas Jos\u00e9 Brilha, do Instituto de Ci\u00eancias da Terra da Universidade do Minho, em Braga, Portugal.<\/p>\n<p>O levantamento envolveu uma equipe de 16 pesquisadores, composta de geocientistas da USP, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal da S\u00e3o Carlos (UFSCar), Instituto Florestal e Instituto Geol\u00f3gico do Estado de S\u00e3o Paulo e da Universidade Federal do Paran\u00e1 \u2013 al\u00e9m de 13 outros profissionais da \u00e1rea de geoci\u00eancias.<\/p>\n<p>Resultados do invent\u00e1rio do Patrim\u00f4nio Geol\u00f3gico do Estado de S\u00e3o Paulo foram publicados no peri\u00f3dico <em>GeoHeritage<\/em>.<\/p>\n<p>Coube aos coordenadores fazer o levantamento dos s\u00edtios com potencial para integrar o invent\u00e1rio, explica Maria da Gl\u00f3ria Garcia. \u201cChegou-se assim a um total de 193 geoss\u00edtios, dos quais foram selecionados os 142 mais relevantes\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cOs s\u00edtios foram classificados de acordo com uma lista com 11 marcos de refer\u00eancia geol\u00f3gica, como, por exemplo, terrenos pr\u00e9-cambrianos, riftes continentais, unidades geomorfol\u00f3gicas e formas de relevo, ou cavernas e sistemas de carste, entre outra categorias\u201d, disse a pesquisadora, que \u00e9 coordenadora do N\u00facleo de Apoio \u00e0 Pesquisa em Patrim\u00f4nio Geol\u00f3gico e Geoturismo (GeoHereditas).<\/p>\n<p>O objetivo final do trabalho foi classificar os s\u00edtios geol\u00f3gicos pelo valor cient\u00edfico e risco de degrada\u00e7\u00e3o, \u201cde modo a estabelecer prioridades de manejamento e geoconserva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Entre os 142 geoss\u00edtios selecionados h\u00e1 locais importantes do ponto de vista tanto cient\u00edfico quanto tur\u00edstico. Exemplos que aliam ambas as perspectivas s\u00e3o duas grutas. Uma delas \u00e9 a caverna da Tapagem, popularmente conhecida como Caverna do Diabo, a maior gruta do Estado de S\u00e3o Paulo, no Parque Estadual de Jacupiranga, munic\u00edpio de Eldorado, no sul do Estado.<\/p>\n<p>A segunda caverna fica na mesma regi\u00e3o. Trata-se da Caverna Santana, no Parque Estadual Tur\u00edstico do Alto Ribeira (Petar), uma das mais significativas do Brasil em raz\u00e3o dos seus espeleotemas (estalagmites, estalactites e forma\u00e7\u00f5es rochosas similares).<\/p>\n<p>Outro geoss\u00edtio de import\u00e2ncia geomorfol\u00f3gica e tur\u00edstica \u00e9 o Pico do Itapeva, de 2.025 metros de altura, na divisa entre Pindamonhangaba e Campos do Jord\u00e3o. A montanha, na Serra da Mantiqueira, \u00e9 formada por granitos e gnaisses muito antigos, pr\u00e9-cambrianos, portanto com mais de 550 milh\u00f5es de anos. Do seu cume avista-se o Vale do Para\u00edba e, ao fundo, a Serra do Mar, o que d\u00e1 o toque tur\u00edstico ao geoss\u00edtio.<\/p>\n<p>O Vale do Para\u00edba, ali\u00e1s, \u00e9 um vale de rifte, aberto por for\u00e7as tect\u00f4nicas que culminaram na forma\u00e7\u00e3o da Serra da Mantiqueira e da Serra do Mar. No per\u00edodo Oligoceno, todo o vale era coberto por um paleolago, o lago Trememb\u00e9, que tem este nome por causa dos terrenos que o formam, pertencentes \u00e0 forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica Trememb\u00e9.<\/p>\n<p>O geoss\u00edtio a ser preservado, neste caso, fica na mina de argila da Sociedade Extrativa Santa F\u00e9, em Trememb\u00e9.<\/p>\n<p>Trata-se do mais importante s\u00edtio fossil\u00edfero do per\u00edodo Pale\u00f3geno (entre 66 e 23 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s) brasileiro. Foi nas argilas da mina que o doutor Herculano Alvarenga, diretor do Museu de Hist\u00f3ria Natural de Taubat\u00e9, descobriu em 1982 os f\u00f3sseis quase completos de uma ave do terror \u2013 <em>terror birds<\/em>, classificadas nas ordens Gastornithiformes e Cariamiformes \u2013, o predador de topo do paleolago h\u00e1 22 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<h3>Deserto no Jur\u00e1ssico<\/h3>\n<figure id=\"attachment_74669\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-74669\" src=\"http:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/20170324_01_campo-a.png\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" srcset=\"http:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/20170324_01_campo-a.png 637w, http:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/20170324_01_campo-a-300x207.png 300w\" alt=\"Pedreira de Trememb\u00e9: fundo do lago de Trememb\u00e9 - Foto: Via Ag\u00eancia Fapesp\" width=\"600\" height=\"414\" data-id=\"74669\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Pedreira de Trememb\u00e9: fundo do lago de Trememb\u00e9 \u2013 Foto: Via Ag\u00eancia Fapesp<\/figcaption><\/figure>\n<p>.<br \/>\nOutro registro de lagos, s\u00f3 que muito mais antigo, fica em Itu. O Parque do Varvito foi criado onde ficava a Pedreira Itu, onde por mais de um s\u00e9culo se extra\u00edram lajes de varvito para a pavimenta\u00e7\u00e3o das cal\u00e7adas da cidade.<\/p>\n<p>O varvito \u00e9 uma rocha sedimentar composta de argila e silte. Neste caso, a pedreira era o fundo de um lago glacial, quando S\u00e3o Paulo era coberto por geleiras em algum momento do Permo-Carbon\u00edfero.<\/p>\n<p>No quesito geomorfol\u00f3gico, um dos geoss\u00edtios selecionados foi o Morro do Diabo, no parque estadual hom\u00f4nimo, em Teodoro Sampaio, no extremo oeste do Estado, divisa com o Paran\u00e1. O morro de 600 metros de altura \u00e9 formado por dep\u00f3sitos de arenito das antigas dunas do deserto Caiu\u00e1.<\/p>\n<p>Trata-se de um enorme deserto que cobria o centro-sul do Brasil no per\u00edodo Jur\u00e1ssico, h\u00e1 170 milh\u00f5es de anos, quando a Am\u00e9rica do Sul encontrava-se colada \u00e0 \u00c1frica e o nosso pa\u00eds ficava no centro do supercontinente Gondwana.<\/p>\n<p>Segundo Maria da Gl\u00f3ria Garcia, o levantamento seguiu a metodologia criada por Jos\u00e9 Brilha, por ele empregada na elabora\u00e7\u00e3o do invent\u00e1rio do Patrim\u00f4nio Geol\u00f3gico de Portugal.<\/p>\n<p>\u201cDiversos pa\u00edses europeus est\u00e3o realizando ou j\u00e1 possuem o invent\u00e1rio dos seus patrim\u00f4nios geol\u00f3gicos, como \u00e9 o caso de Portugal. No momento, Portugal e Espanha est\u00e3o dando um passo al\u00e9m, selecionando o melhor dos seus invent\u00e1rios para estabelecer o Patrim\u00f4nio Geol\u00f3gico da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica\u201d, disse.<\/p>\n<p>No Brasil, o trabalho da Comiss\u00e3o Brasileira de S\u00edtios Geol\u00f3gicos e Paleobiol\u00f3gicos (Sigep) merece destaque. Foram publicadas listas com algumas dezenas de geoss\u00edtios no Pa\u00eds, destacados na s\u00e9rie <em>S\u00edtios<\/em> <em>Geol\u00f3gicos e Paleontol\u00f3gicos do Brasil<\/em>, em que os pesquisadores nacionais sugeriram s\u00edtios geologicamente importantes.<\/p>\n<p>\u201cO invent\u00e1rio completo e sistem\u00e1tico, utilizando m\u00e9todos bem definidos, dos geoss\u00edtios do Estado de S\u00e3o Paulo \u00e9 um trabalho pioneiro no Brasil e na Am\u00e9rica do Sul. Esperamos que, no futuro, mais Estados realizem o levantamento do seu patrim\u00f4nio geol\u00f3gico, permitindo assim que, aos poucos, seja criado um invent\u00e1rio brasileiro\u201d, disse.<\/p>\n<p>Entre os pr\u00f3ximos passos do trabalho as prioridades s\u00e3o passar os dados do invent\u00e1rio ao Instituto Geol\u00f3gico do Estado de S\u00e3o Paulo e criar um site na internet com informa\u00e7\u00f5es dos 142 geoss\u00edtios.<\/p>\n<p>\u201cA lista completa foi entregue apenas como relat\u00f3rio t\u00e9cnico \u00e0 Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes). \u00c9 importante que este invent\u00e1rio sirva de subs\u00eddio para que o patrim\u00f4nio geol\u00f3gico seja inclu\u00eddo na gest\u00e3o do territ\u00f3rio, seja na cria\u00e7\u00e3o de leis adequadas de prote\u00e7\u00e3o, no geoturismo e na populariza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia\u201d, disse Maria da Gl\u00f3ria Garcia.<\/p>\n<p>Os artigos <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s12371-016-0215-y\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>The Inventory of Geological Heritage of the State of S\u00e3o Paulo, Brazil: Methodological Basis, Results and Perspectives<\/em> (doi:10.1007\/s12371-016-0215-y)<\/a>, de Maria da Gl\u00f3ria Motta Garcia e outros, e <em><a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s12371-014-0139-3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Inventory and Quantitative Assessment of Geosites and Geodiversity Sites: a Review<\/a><\/em>, de Jos\u00e9 Brilha, foram publicados na revista <em>Geoheritage<\/em>.<\/p>\n<p><em>FONTE: Peter Moon \/ Ag\u00eancia Fapesp<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 260 milh\u00f5es de anos, no per\u00edodo Permiano m\u00e9dio, boa parte do Estado de S\u00e3o Paulo era coberta pelas \u00e1guas do mar Irati. 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