{"id":25501,"date":"2017-05-07T14:28:33","date_gmt":"2017-05-07T17:28:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/?p=25501"},"modified":"2017-05-07T14:28:33","modified_gmt":"2017-05-07T17:28:33","slug":"marrocos-onde-tudo-pode-acontecer-de-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/marrocos-onde-tudo-pode-acontecer-de-verdade","title":{"rendered":"Marrocos: onde tudo pode acontecer (de verdade!)"},"content":{"rendered":"<p><em>No primeiro post sobre o Marrocos, um pouco dos perrengues e surpresas que encaramos desde a travessia do Estreito de Gibraltar at\u00e9 a cidade imperial de Fez.<\/em><\/p>\n<p><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"602\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/51dff011-d227-4fb1-838c-22d5a91a3219-1024x616.jpg\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\"><\/em><\/p>\n<p>Entrada do porto de Algeciras, Espanha<\/p>\n<p><strong>Fez, quinta-feira, 3 de novembro de 2016 (7\u00b0 dia).<\/strong><\/p>\n<p>Pegamos o \u00f4nibus em M\u00e1laga, na Espanha, pontualmente e dentro do per\u00edodo previsto desembarcamos na cidade portu\u00e1ria de Algeciras, de onde partiria o <em>ferry boat<\/em> que nos levaria at\u00e9 o Marrocos. A travessia feita com a empresa espanhola <strong><a rel=\"nofollow noopener\" href=\"https:\/\/www.balearia.com\/\" target=\"_blank\">Bale\u00e0ria<\/a>,&nbsp;<\/strong>al\u00e9m de ter sido a op\u00e7\u00e3o mais econ\u00f4mica (sem levar em conta o card\u00e1pio a bordo que \u00e9 \u201cuma facada\u201d)<strong>,<\/strong> foi bem tranquila e em menos de duas horas j\u00e1 atrac\u00e1vamos no porto de <strong><a rel=\"nofollow noopener\" href=\"http:\/\/www.tangermed-passagers.com\/\" target=\"_blank\">Tanger Med<\/a><\/strong>.<\/p>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"602\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/c68453fc-769e-444a-968c-281a7bbcc677-1024x616.jpg\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\">\n<p>Poeta L\u00f3pez Anglada, o ferry que nos levaria (teoricamente) a T\u00e2nger<\/p>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"563\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_20161103_101046605-1024x576.jpg\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\">\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"563\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_20161103_101213325-1024x576.jpg\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\">\n<p>Panorama de Algeciras: a cidade portu\u00e1ria n\u00e3o tem muitos atrativos<\/p>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"563\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_20161103_100047853-1024x576.jpg\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\">\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"602\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/8d1850ec-7a23-47ca-82f2-4ef41831a964-1024x616.jpg\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\">\n<p>Chegada ao porto Tanger Med<\/p>\n<p>Atravessamos o Estreito de Gibraltar sem grandes problemas, mas bastou pisar em solo marroquino para coisas ins\u00f3litas come\u00e7arem a acontecer. Fabricio quase foi barrado na imigra\u00e7\u00e3o por um agente mal-encarado que cismou com a mochila dele (minha cara de \u00e1rabe me fez passar batido pela primeira vez), a comunica\u00e7\u00e3o era dif\u00edcil (a maioria das pessoas s\u00f3 fala \u00e1rabe ou franc\u00eas) e descobrimos depois de algum tempo que o PORTO de Tanger Med ficava a quase uma hora de dist\u00e2ncia da CIDADE de T\u00e2nger, de onde dever\u00edamos pegar um trem para Fez. Depois de muita m\u00edmica de um motorista insistente, pegamos um t\u00e1xi compartilhado com mais duas pessoas e fomos escutando calorosas conversas em \u00e1rabe durante todo o trajeto (Ainda me pergunto qual era a pauta daquela conversa. Pol\u00edtica, certamente).<\/p>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_20161103_120643951_HDR-576x1024.jpg\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\">\n<p>Motorista do nosso t\u00e1xi compartilhado e a conversa animada. Pena que n\u00e3o entend\u00edamos nada!<\/p>\n<p>Na Esta\u00e7\u00e3o de T\u00e2nger perdemos o trem para Fez por cinco minutos (cinco malditos minutos!) e descobrimos que o pr\u00f3ximo s\u00f3 passaria dali a quatro horas! Pegamos outro t\u00e1xi com um motorista gente boa chamado Youssef at\u00e9 o terminal da empresa <strong><a rel=\"nofollow noopener\" href=\"http:\/\/www.ctm.ma\/\" target=\"_blank\">CTM<\/a><\/strong> para pegarmos um \u00f4nibus mais \u201ctur\u00edstico\u201d. Segundo Youssef os \u00f4nibus tradicionais da rodovi\u00e1ria, apesar de baratos, s\u00e3o antigos e pouco confi\u00e1veis.<\/p>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"602\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/9c286adf-016c-4640-a0e7-ea8cfa55daf9-1024x616.jpg\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\">\n<p>Esta\u00e7\u00e3o Ferrovi\u00e1ria de T\u00e2nger<\/p>\n<p>No intervalo entre a chegada no terminal e a espera do \u00f4nibus (dali a tr\u00eas horas&#8230;), fomos beber um ch\u00e1 de hortel\u00e3 (h\u00e1bito adquirido em Granada) e conhecemos um figura\u00e7a chamado Mustaf que falava \u00e1rabe, franc\u00eas e espanhol (s\u00f3 que tudo ao mesmo tempo!). Para passar o tempo, Mustaf, que era careca e tinha um bigode respeit\u00e1vel, nos levou at\u00e9 seu carro (que parecia algo mais ou menos da d\u00e9cada de 30) e nos mostrou uma penca de fotos antigas de sua fam\u00edlia em todos os pontos maravilhosos do Marrocos: Chefchaouen, Fez, Marrakech e mais um monte de lugares que n\u00e3o faz\u00edamos ideia de onde ficava. \u201cVoc\u00eas tem que conhecer!\u201d Mal sabia ele que t\u00ednhamos apenas cinco dias e est\u00e1vamos correndo contra o rel\u00f3gio.<\/p>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_20161103_135829109-576x1024.jpg\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\">\n<p>Tradicional ch\u00e1 de hortel\u00e3<\/p>\n<p>Mustaf me viu fumando um cigarro e lan\u00e7ou aquele olhar internacional de desaprova\u00e7\u00e3o: \u201cIsso faz mal, meu filho! Bom mesmo \u00e9 isso aqui!\u201d E tirou de dentro do porta luvas um cachimbo fino de uns trinta cent\u00edmetros (que provavelmente estava recheado com aquela famosa erva marroquina). \u201cQuerem experimentar?\u201d P\u00f4, Mustaf, se n\u00e3o fosse o medo ser sequestrado, ter meus \u00f3rg\u00e3os retirados e vendidos no mercado negro (al\u00e9m claro, do risco de perder o \u00f4nibus) eu at\u00e9 iria&#8230; (Risos)<\/p>\n<p>No terminal da empresa (n\u00e3o \u00e9 uma rodovi\u00e1ria, \u00e9 como se fosse a garagem de uma \u00fanica empresa) tivemos o primeiro contato com o tradicional banheiro marroquino (\u00e9, aquele mesmo com um furo no ch\u00e3o) e com os orat\u00f3rios mu\u00e7ulmanos reservados para as cinco ora\u00e7\u00f5es di\u00e1rias.<\/p>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_20161103_133930357-576x1024.jpg\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\">\n<p>Um banheiro que exige uma \u00f3tima mira!<\/p>\n<p>Depois de ter passado duas das cinco horas de viagem at\u00e9 Fez, o super recomendado \u00f4nibus \u201ctur\u00edstico\u201d resolveu pifar. Sim, no meio do nada, j\u00e1 anoitecendo e sem ningu\u00e9m que falasse, pelo menos, ingl\u00eas! A medida em que as pessoas iam descendo do \u00f4nibus para checar o que estava havendo, a tens\u00e3o aumentava&#8230; Discuss\u00f5es em \u00e1rabe, o motorista atr\u00e1s do \u00f4nibus falando no celular, curiosos parando para ver o que tinha acontecido, uma senhora esbravejava com os outros passageiros, amea\u00e7ava come\u00e7ar a chover, uma verdadeira cilada! Vendo que n\u00e3o \u00e9ramos dali, alguns passageiros tentaram uma comunica\u00e7\u00e3o (Como eu me arrependo de n\u00e3o ter me dedicado a aprender decentemente franc\u00eas). At\u00e9 que algu\u00e9m arriscou algumas palavras em ingl\u00eas e (ufa!) est\u00e1vamos salvos! Pelo que entendi, demoraria trinta minutos para a chegada do pr\u00f3ximo \u00f4nibus. Por fim, ficamos mais DUAS HORAS esperando&#8230;<\/p>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_20161103_153143965-3-576x1024.jpg\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\">\n<p>As estradas marroquinas<\/p>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"602\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/7676f71d-7376-4ec5-81e9-4a5fb6508b5e-1024x616.jpg\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\">\n<p>\u00d4nibus quebrado no meio do nada!<\/p>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"602\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/4ef5a2fb-9f20-47da-b503-ed304a2f7447-1024x616.jpg\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\">\n<p>O motorista pedindo socorro<\/p>\n<p>Chegamos \u00e0 Fez depois da meia-noite e descobrimos, com a ajuda de nossos sol\u00edcitos novos amigos marroquinos do \u00f4nibus que nosso <em>hostel<\/em> estava fechado. Sim, isso tudo inacreditavelmente estava acontecendo no mesmo dia! Eles nos colocaram em um t\u00e1xi e indicaram ao motorista que nos deixasse em um hotel bem localizado e barato.<\/p>\n<p>Chegamos ao <strong>Hotel National<\/strong> quase uma hora da manh\u00e3 e fomos recebidos pelo simp\u00e1tico Mohammed, o recepcionista noturno. O ambiente exterior era hostil e amedrontador \u00e0quela hora mas, por total falta de op\u00e7\u00e3o, fechamos uma noite por 7,5 euros cada. Que dia!<\/p>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"616\" height=\"1024\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/ae9719f4-dd17-41af-adc0-7e7118081eb2-616x1024.jpg\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\">\n<p>Hotel National: nosso muquifo favorito!<\/p>\n<p><strong>4 aprendizados dessa hist\u00f3ria:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>O porto de Tanger Med N\u00c3O fica no centro de T\u00e2nger! Mas a paisagem costeira do caminho \u00e9 bel\u00edssima.<\/li>\n<li>Por que cargas d\u2019\u00e1gua voc\u00ea vai querer viajar de \u00f4nibus no Marrocos se os trens atendem de modo eficiente a quase todo o territ\u00f3rio? N\u00e3o, n\u00e3o fa\u00e7a isso! V\u00e1 de trem! Compre as passagens antes e em hip\u00f3tese alguma se atrase. Conselho dado.<\/li>\n<li>Como assim voc\u00ea vai para um pa\u00eds onde a primeira l\u00edngua \u00e9 \u00e1rabe, a segunda \u00e9 franc\u00eas e voc\u00ea n\u00e3o sabe pedir socorro em nenhuma das duas?! Amiguinhos, aprendam pelo menos o b\u00e1sico (\u00e9 s\u00e9rio!).<\/li>\n<li>Marroquinos de uma forma geral s\u00e3o carrancudos e desconfiados, mas no fundo s\u00e3o todos boa pra\u00e7a. Se n\u00e3o fossem nossos amigos do \u00f4nibus, passar\u00edamos por maus bocados procurando um <em>hostel<\/em> fechado, tarde da noite, no meio da medina.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Esse \u00e9 o primeiro post sobre o Marrocos, em breve mais detalhes sobre <strong>Fez<\/strong> e <strong>Marrakech<\/strong>!<\/p>\n<p>Link para o <a rel=\"nofollow noopener\" href=\"https:\/\/superandarilho.com\/2016\/11\/03\/marrocos-onde-tudo-pode-acontecer-de-verdade\/#more-10803\" target=\"_blank\">post original<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No primeiro post sobre o Marrocos, um pouco dos perrengues e surpresas que encaramos desde a travessia do Estreito de Gibraltar at\u00e9 a cidade imperial de Fez. Entrada do porto de Algeciras, Espanha Fez, quinta-feira, 3 de novembro de 2016 (7\u00b0 dia). 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