{"id":25617,"date":"2017-05-10T11:46:59","date_gmt":"2017-05-10T14:46:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/?p=25617"},"modified":"2017-07-24T12:54:52","modified_gmt":"2017-07-24T15:54:52","slug":"salar-de-uyuni-um-outro-mundo-a-um-pulo-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/salar-de-uyuni-um-outro-mundo-a-um-pulo-do-brasil","title":{"rendered":"Salar de Uyuni, um outro mundo a um pulo do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>O maior deserto de sal do mundo, localizado na regi\u00e3o sudoeste da Bol\u00edvia, \u00e9 um dos destinos mais surpreendentes da Am\u00e9rica Latina. Natureza em estado bruto, o Salar de Uyuni \u00e9 a porta de entrada para um passeio de tr\u00eas dias que te leva a paisagens des\u00e9rticas exuberantes e lagoas coloridas bel\u00edssimas, com direito a banho em um po\u00e7o de \u00e1gua quente vulc\u00e2nica em meio a temperaturas congelantes e a um fedorento g\u00eaiser a quase cinco mil metros de altitude (prepare as roupas de frio).<\/p>\n<p>Minha visita ao Salar de Uyuni fez parte de uma viagem incr\u00edvel de 15 dias que se iniciou em Cusco, no Peru, e terminou no Deserto do Atacama, no Chile.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Salar-01-1.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"625\"><\/p>\n<p>A viagem pela Bol\u00edvia come\u00e7ou pela bela cidade de <strong>Copacabana<\/strong>, \u00e0 beira do Lago Titicaca. De l\u00e1 parti em um confort\u00e1vel \u00f4nibus de turismo at\u00e9 a capital do pa\u00eds, <strong>La Paz<\/strong>, que \u00e9 de uma feiura estonteante. Passei apenas uma noite na capital localizada a 3.600 metros de altitude e, no dia seguinte, tomei um avi\u00e3o da companhia <a href=\"https:\/\/www.amaszonas.com\/pt-br\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Amaszonas<\/a> para a cidade de Uyuni \u2013 base para o passeio pelo deserto de sal para quem parte da Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>A passagem \u00e1rea para Uyuni custou, com as taxas, menos de R$ 350 (com o d\u00f3lar ent\u00e3o cotado em R$ 2,50). O v\u00f4o tranquilo de pouco menos de uma hora substituiu com louvor uma longa e (dizem) desconfort\u00e1vel viagem de \u00f4nibus de quase oito horas de La Paz at\u00e9 o sudeste do pa\u00eds. V\u00e1 por cima!<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Salar-02-1.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"625\"><\/p>\n<p>O min\u00fasculo aeroporto de Uyuni fica colado \u00e0 des\u00e9rtica e desolada cidade. Fui de taxi at\u00e9 a rua onde se encontram as empresas que fazem o passeio pelo Salar \u2013 s\u00e3o diversas op\u00e7\u00f5es e rola um certo desconforto na forma r\u00edspida como o pessoal das ag\u00eancias tenta cooptar os turistas. Estava acompanhado por minha esposa e um casal de amigos e acabamos decidindo pela <a href=\"http:\/\/expedicionesempexsa.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Expediciones Empexsa<\/a> muito por conta do relato favor\u00e1vel de um brasileiro no livro de visitas da empresa.<\/p>\n<blockquote><p><em>O pre\u00e7o por pessoa para o passeio completo, com hospedagem e refei\u00e7\u00f5es inclu\u00eddas? Pouco mais de US$ 100. Partindo do Atacama tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel conhecer o Salar, mas por um pre\u00e7o maior<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Antes de iniciar a viagem compramos muita \u00e1gua mineral (j\u00e1 hav\u00edamos nos abastecido com salgadinhos e bolachas em La Paz) e ajudamos nosso guia, o calado Johny, a empilhar as bagagens no carro. Pelo que vimos depois, especialmente ao chegar nas hospedagens onde dormimos, a impress\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o faz muita diferen\u00e7a qual empresa voc\u00ea escolhe: o roteiro b\u00e1sico do passeio \u00e9 o mesmo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Salar-03-1.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"625\"><\/p>\n<p>A primeira parada do passeio \u00e9 no <strong>cemit\u00e9rio de trens\u00a0<\/strong>localizado ainda na cidade de Uyuni. A regi\u00e3o foi por muito tempo um importante ramal ferrovi\u00e1rio boliviano, levando min\u00e9rios da regi\u00e3o de Potos\u00ed at\u00e9 o porto de Antofagasta, no Oceano Pac\u00edfico, mas viu seu movimento cessar quando as impressionantes riquezas minerais da Bol\u00edvia foram finalmente sugadas at\u00e9 a extin\u00e7\u00e3o. Os trens, in\u00fateis, foram abandonados e se tornaram um s\u00edmbolo da (m\u00e1) sorte de Uyuni e da pr\u00f3pria Bol\u00edvia. Pausa obrigat\u00f3ria para fotos num cen\u00e1rio p\u00f3s-apocal\u00edptico no estilo Mad Max\u2026<\/p>\n<blockquote><p><em>A Bol\u00edvia, pa\u00eds mais pobre da Am\u00e9rica do Sul, vive sob o signo da injusti\u00e7a: depois de ter quantidades abissais de prata e cobre roubadas por espanh\u00f3is e ingleses por s\u00e9culos, viu sua sa\u00edda para o mar tomada pelos chilenos no s\u00e9culo XIX. A regi\u00e3o de Antofagasta (onde est\u00e1 localizado o Deserto do Atacama e as cidades de San Pedro de Atacama e Calama), parte do territ\u00f3rio boliviano explorada por empresas mineradoras chilenas com capital ingl\u00eas, foi anexada em 1879 pelo Chile, dando in\u00edcio \u00e0 Guerra do Pac\u00edfico. Com a vit\u00f3ria militar em 1883, os chilenos tomaram definitivamente a \u00e1rea, reclamada at\u00e9 hoje pelos bolivianos\u2026<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A cidade de Uyuni fica na borda do salar, que se assemelha a um grande mar de sal entre os meses de abril e novembro \u2013 no ver\u00e3o, com a chegada do per\u00edodo de chuvas e derretimento de geleiras nos Andes, parte da \u00e1rea fica alagada e cria um imenso espelho d\u2019\u00e1gua. O maior salar do planeta tem mais de 12 mil km\u00b2 de \u00e1rea (mais da metade da extens\u00e3o do Estado do Sergipe) e foi formado pela evapora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua salgada de um enorme lago.<\/p>\n<p>A maior atra\u00e7\u00e3o do Salar de Uyuni \u00e9 a <strong>Isla Incahuasi<\/strong>. Ela se destaca por ser uma das poucas \u00e1reas elevadas do salar, permitindo uma vista fant\u00e1stica do deserto, e tamb\u00e9m por seus belos cactos gigantes que dizem ter mil anos de idade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Salar-06.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"625\"><\/p>\n<p>Ao fim do primeiro dia de passeio pelo salar, ficamos hospedados em um interessante hotel constru\u00eddo com blocos de sal. T\u00ednhamos at\u00e9 acesso a \u00e1gua quente (banho de cinco minutos) e o jantar foi saboroso \u2013 hav\u00edamos almo\u00e7ado na parada de Isla Incahuasi: uma refei\u00e7\u00e3o com legumes, quinoa e frango levada pelo nosso guia Johny. Nada de perrengue!<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Salar-09.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"625\"><\/p>\n<p>O segundo dia de passeio \u00e9 o mais puxado, com muitas horas de chacoalh\u00f5es dentro do carro \u2013 n\u00e3o existem estradas propriamente ditas nesta regi\u00e3o e \u00e9 incr\u00edvel acompanhar a habilidade dos guias em encontrar os caminhos certos (n\u00e3o \u00e9 preciso nem dizer que, para algu\u00e9m de fora, seria estupidez tentar dirigir por estas trilhas).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Salar-07.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"625\"><\/p>\n<p>J\u00e1 fora do deserto de sal propriamente dito, nesta parte do roteiro passamos por <strong>lagoas coloridas<\/strong> bel\u00edssimas e <strong>paisagens des\u00e9rticas<\/strong> pontilhadas de curiosas forma\u00e7\u00f5es rochosas. Depois de encarar muita poeira, chegamos na hospedaria localizada no meio do nada que tanto assustava nosso grupo. Esque\u00e7a as comodidades da vida moderna por aqui: os banheiros n\u00e3o possu\u00edam \u00e1gua quente (numa altitude de cerca de 4 mil metros, voc\u00ea pode imaginar como era frio) e os quartos coletivos eram muito r\u00fasticos, bons apenas para uma noite mal-dormida\u2026<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Salar-08.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"625\"><\/p>\n<p>Acordamos antes do sol nascer para o \u00faltimo dia do roteiro, que come\u00e7ou com uma visita ao <strong>G\u00eaiser Sol de Ma\u00f1ana<\/strong>, localizado a cinco mil metros de altura. Apesar do frio congelante da manh\u00e3, do barulho e do cheiro de ovo podre inesquec\u00edvel, \u00e9 uma atra\u00e7\u00e3o sensacional: ao caminhar com cuidado entre os jatos de vapor quente que emanam das profundezas da Terra, voc\u00ea se sente como um astronauta explorando mundos alternativos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Salar-10.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"625\"><\/p>\n<p>Ap\u00f3s o g\u00eaiser, a parada \u00e9 nas <strong>\u00c1guas Termales de Polques<\/strong>. A piscina natural quente, cercada de \u00e1gua congelada e ventos frios andinos por todos os lados, \u00e9 um desafio para os friorentos: muitos turistas preferem manter as cal\u00e7as, blusas e gorros e s\u00f3 apreciam a vista da piscina e do entorno. Quem entra, por outro lado, n\u00e3o se arrepende \u2013 a sensa\u00e7\u00e3o de curtir um banho quente ao ar livre neste cen\u00e1rio \u00e9 \u00fanica. Pena que a parada \u00e9 r\u00e1pida, de cerca de 30 minutos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Salar-12.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"925\"><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a imers\u00e3o nas \u00e1guas termais, passamos por uma regi\u00e3o apelidada de <strong>Deserto Dal\u00ed<\/strong>, por conta da paisagem des\u00e9rtica pontilhada por pedras que remetem \u00e0s pinturas do espanhol Salvador Dal\u00ed. A \u00faltima parada \u00e9 na <strong>Laguna Verde<\/strong>, com o belo vulc\u00e3o Licancabur ao fundo. A divisa com o Chile fica a poucos minutos do local e de l\u00e1 nos despedimos de nosso guia, tomando uma van que nos levou a San Pedro do Atacama.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter snax-figure-content attachment-large size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Salar-11.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"625\"><\/p>\n<blockquote><p>A regi\u00e3o do Salar de Uyuni pode n\u00e3o ter uma estrutura de primeira linha para os turistas mais exigentes, mas compensa isso com uma beleza estonteante e a prestatividade de seu povo. Sem d\u00favida \u00e9 um dos melhores destinos tur\u00edsticos do mundo, e est\u00e1 a um pulo e poucos reais de dist\u00e2ncia do Brasil.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O maior deserto de sal do mundo, localizado na regi\u00e3o sudoeste da Bol\u00edvia, \u00e9 um dos destinos mais surpreendentes da Am\u00e9rica Latina. 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