{"id":26847,"date":"2017-06-13T16:03:44","date_gmt":"2017-06-13T19:03:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/?p=26847"},"modified":"2017-06-14T15:01:34","modified_gmt":"2017-06-14T18:01:34","slug":"um-trekking-mistico-sob-sol-e-chuva-na-chapada-diamantina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/um-trekking-mistico-sob-sol-e-chuva-na-chapada-diamantina","title":{"rendered":"Um trekking m\u00edstico sob sol e chuva na Chapada Diamantina"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">Dez meses se passaram da \u00faltima vez que trilhamos juntos. Somos cinco: Eu (Djair), Daniel, Jo\u00e3o, Luciano e Wilson unidos pelo \u00a0mesmo prazer: a natureza. Nossa miss\u00e3o \u00e9 ir ao encontro dela com nossas cargueiras nas costas percorrendo trilhas, subindo e descendo \u00a0os mais variados \u00a0terrenos \u00a0na busca de belas paisagens. Nosso gosto \u00e9 pela imensid\u00e3o dos grandes vales, pelo frio e sil\u00eancio das montanhas, pelo nascer e p\u00f4r do sol, o brilho das estrelas, \u00e9 de se sentir pequeno diante de algo maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Nosso derradeiro encontro ocorreu na Serra da Mantiqueira, na famosa trilha da Serra Fina, considerado por muitos um dos trekking mais duros, um dos mais dif\u00edceis do Brasil. Sei que h\u00e1 controv\u00e9rsias, mas a verdade \u00e9 que conclu\u00ed-la exige muito do corpo e da cabe\u00e7a; em especial quando a natureza resolve mostrar for\u00e7a mandando a chuva que \u00a0molha e alaga tudo, e tamb\u00e9m o \u00a0frio soprando com toda vontade dos deuses. \u00a0\u00c9 pauleira!<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Decidimos que nossa pr\u00f3xima hist\u00f3ria deveria ocorrer na Chapada Diamantina. Planejamos tudo com anteced\u00eancia. Contratamos um guia especializado no roteiro, compramos as passagens a\u00e9reas, reservamos a pousada, o resgate etc. \u00a0Nossa programa\u00e7\u00e3o inclu\u00eda \u00a05 dias para essa travessia num circuito de cachoeiras mais \u201cescondidas\u201d, um conjunto que envolve maior esfor\u00e7o e cuidado: FUND\u00c3O , VINTE E UM, \u00a0FUMA\u00c7A DE FRENTE, CAPIVARA, FUMA\u00c7A POR BAIXO, CAPIVARI. PO\u00c7\u00c3O E MIXILA. A trilha deveria come\u00e7ar na segunda-feira (27) \u00a0e ser conclu\u00edda \u00a0sexta-feira (31) de mar\u00e7o de 2017. \u00a0Mas nem tudo aconteceu exatamente como esper\u00e1vamos. \u00a0Na semana do embarque tomamos conhecimento que nosso companheiro, o Jo\u00e3o, \u00a0n\u00e3o poderia realizar \u00a0a trilha. N\u00e3o quis o destino que ele nos acompanhasse. Seguimos sabendo que o time dessa vez estava desfalcado. Ele sofreu \u00a0um corte no p\u00e9 \u00a0dias antes e sem a cicatriza\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria se viu impedido. \u00a0Contudo, mesmo com o ferimento, ele quis\u00a0ir at\u00e9 Len\u00e7\u00f3is e l\u00e1 ficar at\u00e9 nossa volta na sexta-feira (31). Fiel escudeiro seu JO\u00c3O!<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">No s\u00e1bado (25), \u00e0 noite, eu ainda estava fazendo os ajustes na mochila. Confesso que\u00a0\u00e9 sempre um \u201csofrimento\u201d fazer as escolhas certas do que devo ou n\u00e3o levar. Mais coisas significa mais peso, \u00a0menos mobilidade, maior desgaste f\u00edsico. \u00a0Como estava levando equipamento de filmagem, tive que deixar minha c\u00e2mera fotogr\u00e1fica de fora, sofri com isso porque sou um apaixonado por fotografia de natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Nossa op\u00e7\u00e3o de chegar at\u00e9 a cidade de Len\u00e7\u00f3is \u00a0foi por via a\u00e9rea. \u00a0Todas as quintas e domingos a companhia Azul oferece a op\u00e7\u00e3o \u00a0Recife-Len\u00e7\u00f3is com escala em Salvador. \u00a0\u00c0s 09h15 do domingo (26) partimos com destino a capital baiana. L\u00e1 fizemos conex\u00e3o em um turbo\u00e9lice para a cidade de Len\u00e7\u00f3is, que \u00e9 uma das principais cidades da Chapada Diamantina. O v\u00f4o dura apenas 50 minutos e, por volta das 15h, \u00a0eu, Luciano, Jo\u00e3o e Wilson j\u00e1 est\u00e1vamos deixando nossos trecos dentro da Pousada Raio de Sol, que fica bem no centro da bela cidadezinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Corremos pra almo\u00e7ar e encontrar com o parceiro Daniel,\u00a0que j\u00e1 se estava na cidade desde a quinta-feira (23). \u00a0Paramos no restaurante da Zilda. Entre uma conversa e outra, na hora do rango, Daniel adiantou ter feito umas trilhas na sexta e s\u00e1bado e que a Chapada estava passando por um per\u00edodo de seca. Todas as cachoeiras estariam praticamente secas. Algumas, totalmente. Ficamos abismados: Chapada sem \u00e1gua?<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">No final da tarde, fomos juntos com o nosso guia Marquinhos Soledade (@expedi\u00e7ao_chapada) fazer uma \u201cfeira\u201d coletiva. \u00a0A id\u00e9ia era comprar tudo que ir\u00edamos consumir nos cinco dias de trilhas e ratear os custos e os pesos nas cargueiras de cada um. \u00a0Compras feitas, voltamos para a pousada. \u00a0Utilizando uma balan\u00e7a port\u00e1til fizemos a pesagem de cada \u201ckit\u201d de modo que cada um recebesse \u00a0pesos iguais ou aproximados para levarmos \u00e0 expedi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_26878\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26878\" class=\"wp-image-26878 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170425-WA0021-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170425-WA0021-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170425-WA0021-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170425-WA0021-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170425-WA0021-313x235.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170425-WA0021-20x15.jpg 20w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170425-WA0021.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-26878\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Os aventureiros<\/strong><br \/> <em>(da esquerda pra direita: Luciano, Djair, Wilson, Daniel e o guia Marquinhos)<\/em><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">Com a id\u00e9ia de evitar o sol forte, levantamos \u00e0s 5h30 na segunda-feira. N\u00e3o pudemos esperar o caf\u00e9 da manh\u00e3 oferecido pela pousada que s\u00f3 sairia \u00e0s 7h30. Ent\u00e3o coube ao parceiro Daniel agilizar nosso rango matinal. Comemos. O guia chegou, \u00a0o brother Jo\u00e3o nos levou at\u00e9 o port\u00e3o, \u00a0nos saudou e ficou para tr\u00e1s. \u00c0s 7h15 sa\u00edmos pelas ruas de \u00a0ladeiras \u00a0do centro de Len\u00e7\u00f3is com destino ao in\u00edcio da trilha<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Os primeiros passos s\u00e3o de adapta\u00e7\u00e3o, o corpo precisa se acostumar com os 18 kg, 20 kg \u00a0nas costas. \u00c9 sempre assim, e como os m\u00fasculos est\u00e3o frios, as articula\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m, tudo precisa entrar em sincronia. \u00a0Ali\u00e1s, \u00e9 preciso muito considerar a qualidade da mochila que voc\u00ea escolhe para fazer trekking longos. \u00a0Ela tem que ser confort\u00e1vel, leve e pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>PRIMEIRO DIA (27\/03)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Sair da cidade para pegar a trilha \u00e9 literalmente um bom treino de aquecimento. H\u00e1 uma acentuada subida pelo bairro que te faz lembrar que a brincadeira come\u00e7ou. Entramos na trilha. A cidade vai ficando para tr\u00e1s. \u00a0O cheiro da mata vai tomando conta \u00a0do ar. Seguimos nos adaptando aquele terreno. Cora\u00e7\u00e3o e pulm\u00e3o s\u00e3o exigidos. A mochila vai se encaixando ao corpo e nesse momento cabe fazer os ajustes das fitas e al\u00e7as. Seguimos firme. Alguns degraus<\/p>\n<div id=\"attachment_26871\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26871\" class=\"wp-image-26871 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_082018247-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_082018247-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_082018247-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_082018247-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_082018247-313x176.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_082018247-20x11.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-26871\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Mirante de Len\u00e7\u00f3is<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">de pedras, \u00e1rvores verdes, matos. Chegamos ao Mirante de Len\u00e7\u00f3is \u00a0uns 30 minutos depois. Pequena parada, algumas fotos. \u00a0Continuamos e as \u00a09h paramos na <strong>Cachoeira do Grisante<\/strong>. O suor j\u00e1 se fazia presente. O calor tomava conta. Sab\u00edamos que n\u00e3o ia ser f\u00e1cil. Ali paramos e nos refrescamos na pouca \u00e1gua que descia na rocha. Fizemos algumas fotos. \u00a0Jogamos \u00e1gua sobre nossas cabe\u00e7as, lavamos bra\u00e7os e sentamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Acontece que esse momento trouxe um epis\u00f3dio inimagin\u00e1vel para o grupo. Luciano Rocha aproveitando aqueles instantes de descanso e contempla\u00e7\u00e3o se aproximou do grupo e falou que n\u00e3o iria continuar a trilha. Todo, sem exce\u00e7\u00e3o, considerou que tudo n\u00e3o passava de uma brincadeira de mau gosto. Mas a repeti\u00e7\u00e3o da frase nos fez prestar mais aten\u00e7\u00e3o \u2013 Galera, n\u00e3o irei fazer a trilha! \u00a0Todos estavam incr\u00e9dulos. Repetiu: &#8211; N\u00e3o estou na \u201cvibe\u201d, estou com um mau pressentimento\u2026 n\u00e3o sinto uma energia boa&#8230; Relutamos, argumentamos. Ele continuou firme. \u00a0Lembrou que quando sente isso n\u00e3o costuma desacreditar nos instintos. Disse que n\u00e3o se sentia bem. Ficamos parados, boquiabertos. \u00a0Ele abriu a mochila, tirou o \u201ckit\u201d com parte da \u201cfeira coletiva\u201d \u00a0entregou ao grupo. E, como quisesse se livrar de tudo aquilo, se virou, desejou sorte e \u00a0retornou pela trilha sozinho at\u00e9 perdermos ele de vista. N\u00e3o foi f\u00e1cil entender. \u00a0Agora \u00e9ramos 3 na miss\u00e3o: Eu, Daniel e Wilson. Seguimos calados, mas esse epis\u00f3dio abriu nossos olhos para algo misterioso que ocorreu nesse trekking.<\/p>\n<div id=\"attachment_26872\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26872\" class=\"wp-image-26872 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_103024111-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_103024111-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_103024111-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_103024111-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_103024111-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_103024111-scaled.jpg 2048w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_103024111-267x150.jpg 267w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_103024111-100x56.jpg 100w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_103024111-622x350.jpg 622w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_103024111-788x443.jpg 788w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_103024111-313x176.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_103024111-20x11.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-26872\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>A caminho do C\u00e2nion do Fund\u00e3o<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">Nossa meta era a <strong>Cachoeira do Fund\u00e3o<\/strong>. \u00a0Depois de quase 2 horas de caminhada paramos \u00e0s <em>10h50 \u00e0s margens do Rio Ribeir\u00e3o<\/em> (<strong>Vale do Ribeir\u00e3o)<\/strong><em>.<\/em> \u00a0O volume n\u00e3o era dos grandes. Algumas piscinas. A \u00e1gua gelada nos convidou para um bom banho. Escutamos algumas hist\u00f3rias de Marquinhos. Tomamos conhecimento \u00a0que h\u00e1 um espanhol desaparecido naquelas trilhas desde dezembro de 2015 e que at\u00e9 hoje ningu\u00e9m tem not\u00edcias, apesar das in\u00fameras buscas empreendidas por volunt\u00e1rios e Corpo de Bombeiros com utiliza\u00e7\u00e3o de c\u00e3es farejadores. O que ter\u00e1 ocorrido? Estaria ainda vivo? Ser\u00e1 que fora ele arrastado por uma tromba d\u2019\u00e1gua? Ser\u00e1 que caiu em um abismo?<\/p>\n<div id=\"attachment_26863\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26863\" class=\"wp-image-26863 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/G0055913-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/G0055913-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/G0055913-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/G0055913-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/G0055913-313x235.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/G0055913-20x15.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-26863\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Vale do Ribeir\u00e3o<\/strong> <\/em>&#8211;<em> uma parada para se refrescar.<\/em><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">No Vale do Ribeir\u00e3o fizemos um bom lanche: p\u00e3o com pasta de atum com cenoura. Recarregamos os reservat\u00f3rios de \u00e1gua. Energias renovadas, continuamos. A entrada no C\u00e2nion do Fund\u00e3o me deixou maravilhado. Repeti in\u00fameras vezes em alta voz e no pensamento \u00a0como era bonito tudo aquilo. Muito verde, muitas pedras. D\u00e1 pra ver a for\u00e7a das \u00e1guas nos cortes entalhados naquelas paredes colossais de milhares de anos. \u00c9 um caminho por entre pedras. Ali\u00e1s, \u00e9 um desafio porque h\u00e1 sempre o risco de les\u00e3o. O esfor\u00e7o \u00a0e aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o grandes em especial com o peso que carregamos. \u00a0O resultado do esfor\u00e7o f\u00edsico trouxe, minutos depois, c\u00e2imbras para o companheiro Wilson e assim \u00e0s 13h25 paramos um pouco pra ele se recuperar. Nossa pausa revelou os mosquitos que atacam sem cerim\u00f4nia, at\u00e9 mesmo por cima das camisas. Dessa forma at\u00e9 as c\u00e2imbras do companheiro sumiram.<\/p>\n<div id=\"attachment_26873\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26873\" class=\"wp-image-26873 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_123157039-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_123157039-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_123157039-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_123157039-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_123157039-313x176.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_123157039-20x11.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-26873\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Bel\u00edssimo trecho por dentro do C\u00e2nion do Fund\u00e3o<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">Depois de percorrer um longo caminho dentro do C\u00e2nion do Fund\u00e3o, por entre muitas e muitas pedras \u00a0alcan\u00e7amos a Cachoeira do Fund\u00e3o. \u00a0Pra ser sincero, n\u00e3o est\u00e1vamos diante exatamente da cachoeira, mas sim da queda por onde deveria descer a \u00e1gua. Era ent\u00e3o apenas um c\u00e2nion retalhado.. A beleza \u00e9 indiscut\u00edvel. Mas n\u00e3o havia o barulho de \u00e1guas caindo, n\u00e3o havia. Deve ser lindo v\u00ea-la transbordar. Agora s\u00f3 restava a imagina\u00e7\u00e3o. Diante dela fiquei \u00a0tenso em saber que o local de acampamento \u00e9 no topo e que ter\u00edamos que escalar. \u00a0Acredito que deve ter uns 90 metros. Senti muito medo mas seguimos. Eu com maior tens\u00e3o que os outros. Embora enfrente a altura confesso ser um desafio pessoal. Daniel seguia acompanhando de perto o guia, eu em terceiro recebia suas orienta\u00e7\u00f5es e ajuda quando &#8220;travava&#8221;. Wilson, \u00a0logo atr\u00e1s, registrava tudo com uma GoPro colada ao peito. Adrenalina a mil. As imagens n\u00e3o nos deixam mentir.<\/p>\n<div id=\"attachment_26983\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26983\" class=\"wp-image-26983 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.27.19-2-1024x768.jpeg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.27.19-2-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.27.19-2-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.27.19-2-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.27.19-2-313x235.jpeg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.27.19-2-20x15.jpeg 20w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.27.19-2.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-26983\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Parede da Cachoeira do Fund\u00e3o &#8211; o guia Marquinhos Soledade ao centro<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-26986 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.28.42-1024x587.jpeg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"573\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.28.42-1024x587.jpeg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.28.42-300x172.jpeg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.28.42-768x440.jpeg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.28.42-313x179.jpeg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.28.42-20x11.jpeg 20w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.28.42.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-26985 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.28.42-1-1024x647.jpeg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"632\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.28.42-1-1024x647.jpeg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.28.42-1-300x190.jpeg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.28.42-1-768x485.jpeg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.28.42-1-313x198.jpeg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.28.42-1-20x13.jpeg 20w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.28.42-1.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_26984\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26984\" class=\"wp-image-26984 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.27.19-1024x768.jpeg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.27.19-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.27.19-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.27.19-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.27.19-313x235.jpeg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.27.19-20x15.jpeg 20w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.27.19.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-26984\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Escalando a parede da Cachoeira do Fund\u00e3o (momento de perigo real)<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_26852\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26852\" class=\"wp-image-26852 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3363-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3363-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3363-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3363-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3363-313x235.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3363-20x15.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-26852\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Depois da dura subida &#8211; A comemora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">Foi muito dura aquela escalaminhada. Eu diria que imprudente tamb\u00e9m. Dever\u00edamos ter tomado o caminho mais seguro e n\u00e3o o mais r\u00e1pido. Mas deu tudo certo e dentro do programado descansamos no ch\u00e3o as mochilas e montamos as barracas. \u00a0O local fica uns quatro metros acima do leito do rio numa \u00e1rea com vegeta\u00e7\u00e3o batida. O guia n\u00e3o levou \u00a0barraca \u00a0e como bom baiano esticou uma rede entre duas \u00e1rvores. Havia mosquitos. Muitos. Marquinhos tenta afast\u00e1-los com uma fuma\u00e7a produzida com muito cuidado sobre uma pedra e algumas folhas verdes. Deu certo. Montamos as barracas. Marquinhos passou a cozinhar usando 2 fogareiros. \u00c0s 17h20, \u00a0a comida estava pronta. O menu: macarronada e lingui\u00e7a defumada. Comemos maravilhosamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_26861\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26861\" class=\"wp-image-26861 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/G0014733-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/G0014733-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/G0014733-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/G0014733-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/G0014733-313x235.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/G0014733-20x15.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-26861\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Local de acampamento no topo da Cachoeira do Fund\u00e3o<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_26874\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26874\" class=\"wp-image-26874 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_143313564-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_143313564-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_143313564-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_143313564-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_143313564-313x176.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_20170327_143313564-20x11.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-26874\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>As paredes do C\u00e2nion do Fund\u00e3o<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">Chega noite e ela se apresenta deslumbrante com o c\u00e9u repleto de estrelas. \u00a0Dentro da barraca um calor grande. \u00a0Deduzi que o guia Marquinhos iria dormir melhor ao ar livre. Aproveitando a beleza da noite, abandonou a ideia da rede e colocou o isolante t\u00e9rmico diretamente no ch\u00e3o perto da fogueira, deitou olhando para o alto \u00a0e passou a \u00a0identificar o que via no c\u00e9u. Daniel fez o mesmo e falava da beleza de tudo aquilo. Eu, dentro da barraca, escrevia esse di\u00e1rio, mas queria mesmo era dormir. Sa\u00ed em seguida para contemplar aquele momento raro de total escurid\u00e3o e beleza estrelar. Passei n\u00e3o mais que 10 minutos. Voltei para a barraca, torci para que o cansa\u00e7o me tomasse e eu apagasse. Mas n\u00e3o foi bem assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>SEGUNDO DIA (28\/03)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A noite n\u00e3o foi das melhores. Acho que dormi no m\u00e1ximo tr\u00eas horas. Acordamos \u00e0s 5h30, tomamos o caf\u00e9 da manh\u00e3 e logo desmontamos o acampamento para seguir at\u00e9 a <strong>Cachoeira Vinte e Um,<\/strong> que fica bem pr\u00f3xima a do Fund\u00e3o. Belo pared\u00e3o forma a <strong>Cachoeira 21, <\/strong>mas esta tamb\u00e9m se apresentou sem o esplendor da \u00a0\u00e1gua caindo. Olhamos para ela e Marquinhos nos apresentou o caminho para chegar ao topo. Seguimos e nos deparamos com uma passagem bem exposta. \u00c9 preciso cautela. H\u00e1 uma chance das coisas darem errado e terminar muito mal. A vis\u00e3o do topo que temos do c\u00e2nion \u00e9 deslumbrante. Conversamos um pouco l\u00e1 no alto sentindo toda aquela energia e brincamos com o eco de nossas vozes em meio aos pared\u00f5es.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-26854 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3418-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3418-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3418-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3418-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3418-313x235.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3418-20x15.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/p>\n<div id=\"attachment_26853\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26853\" class=\"wp-image-26853 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3416-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3416-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3416-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3416-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3416-313x235.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3416-20x15.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-26853\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Topo da Cachoeira Vinte e Um<\/strong><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">Deixando <strong>a Cachoeira 21 <\/strong>pra tr\u00e1s, \u00a0tomamos o terreno do <strong>C\u00f3rrego Verde<\/strong> . \u00c9 um lugar bonito que parece cen\u00e1rio desses filmes de gnomos. H\u00e1 muitas pedras, muitas \u00e1rvores atravessadas no caminho,\u00a0resultado de trombas d&#8217;\u00e1guas e do inc\u00eandio que ocorrera meses atr\u00e1s que fragilizou as \u00e1rvores das encostas. \u00c0s 10h50 paramos para descansar um pouco no final do C\u00f3rrego Verde. \u00a0\u00a0Cabe dizer que transpor todo terreno \u00e9 muito duro. Agora j\u00e1 est\u00e1 claro que essa trilha \u00a0exige muito do condicionamento e da aten\u00e7\u00e3o. Andar sobre pedras aumenta o risco de dobrar o p\u00e9, de ter les\u00f5es s\u00e9rias que podem comprometer a expedi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_26877\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26877\" class=\"wp-image-26877 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170409-WA0033-1024x652.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"637\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170409-WA0033-1024x652.jpg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170409-WA0033-300x191.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170409-WA0033-768x489.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170409-WA0033-313x199.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170409-WA0033-20x13.jpg 20w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170409-WA0033.jpg 1367w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-26877\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>C\u00f3rrego Verde<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">Interessante \u00e9 que nesse percurso dever\u00edamos abastecer nossos reservat\u00f3rios em um local apropriado, com \u00e1gua pot\u00e1vel, mas pra nossa surpresa esse ponto estava seco. Tivemos ent\u00e3o que racionar \u00e1gua. \u00a0A essa altura, saindo do c\u00f3rrego verde, nos deparamos com o sol forte e a necessitar ainda mais do precioso l\u00edquido que come\u00e7ava a acabar.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Seguimos a trilha \u00a0e depois de longa jornada est\u00e1vamos diante da imensid\u00e3o, da grandeza e da beleza do <strong>c\u00e2nion onde fica a Cachoeira da Fuma\u00e7a<\/strong>. Profundo c\u00e2nion, majestoso c\u00e2nion. \u00a0S\u00e3o 400 metros de abismo. Paramos. Olhamos em dire\u00e7\u00e3o de onde deveria ser a Cachoeira da Fuma\u00e7a, com seus 380 metros de queda, mas s\u00f3 havia o pared\u00e3o. Nada de \u00e1gua. \u00a0Do <strong>Mirante da Fuma\u00e7a de Frente<\/strong> descobrimos que a seca roubou parte da beleza c\u00eanica que eu esperava encontrar. Foi frustrante. Pela primeira vez colocamos em pauta a id\u00e9ia de n\u00e3o descer e fazer a <strong>Fuma\u00e7a por Baixo<\/strong>, haja vista n\u00e3o existir queda d\u2019\u00e1gua. Seria um esfor\u00e7o sem grande recompensa. Ainda assim contemplamos brevemente tudo aquilo e seguimos para alcan\u00e7ar a <strong>Serra do Palmital.<\/strong> \u00a0A essa hora j\u00e1 est\u00e1vamos muito desidratados. Passamos um longo per\u00edodo n\u00e3o ingerindo a quantidade de l\u00edquido que o corpo perdia \u00a0durante a caminhada sob o sol. \u00a0N\u00e3o pod\u00edamos ficar muito tempo ali.<\/p>\n<div id=\"attachment_26855\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26855\" class=\"wp-image-26855 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3458-1024x196.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"191\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3458-1024x196.jpg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3458-300x58.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3458-768x147.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3458-313x60.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3458-20x4.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-26855\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Mirante da Fuma\u00e7a de Frente &#8211; impressionante ver a rocha sem a queda d&#8217;\u00e1gua<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">Seguimos em frente. O sol de rachar. Calor infernal. Nossa <strong>chegada ao Rio Palmital,<\/strong> mais uma vez, evidenciou a grande seca que assola a chapada nesses dias. \u00a0Mortos de calor e sede, corremos para se refrescar em alguns pontos de \u00e1gua parada. J\u00e1 passava das 13h quando decidimos \u00a0ficar uns instantes na \u00e1rea verde e com sombra chamada de \u201cacampamento da Cachoeira do Palmital\u201d. Tudo seco. Nessa altura do campeonato Marquinhos, o guia, confessou que aquele calor o fazia mal. Demos mais um pouco de nossa \u00e1gua a ele. Cheios de determina\u00e7\u00e3o seguimos em dire\u00e7\u00e3o <strong>a Cachoeira da Capivara.<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_26876\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26876\" class=\"wp-image-26876 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170401-WA0058-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170401-WA0058-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170401-WA0058-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170401-WA0058-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170401-WA0058-313x235.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170401-WA0058-20x15.jpg 20w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170401-WA0058.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-26876\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Momento de abastecer os reservat\u00f3rios<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">No caminho, sa\u00edmos da trilha para abastecer os reservat\u00f3rios. Marquinhos nos levou at\u00e9 um o\u00e1sis, que fica \u00e0 esquerda da trilha. num pared\u00e3o de onde a \u00e1gua fria e l\u00edmpida descia encosta abaixo. Com aux\u00edlio de uma folha \u00a0imitando um funil tent\u00e1vamos facilitar o enchimento das garrafas e camelbak. Depois seguimos e j\u00e1 \u00e0s 14h est\u00e1vamos na cachoeira. \u00a0Com pouca \u00e1gua caindo, tiramos as roupas e fomos tomar banho e fazer fotos. O lugar \u00e9 deslumbrante. O local onde cai a \u00e1gua forma um lago profundo de \u00e1gua escura. \u00a0Ali\u00e1s, sinto falta do movimento das \u00e1guas. \u00a0Tomamos muito banho. Est\u00e1vamos esturricados. A sede parecia n\u00e3o acabar.<\/p>\n<div id=\"attachment_26856\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26856\" class=\"wp-image-26856 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3507-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3507-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3507-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3507-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3507-313x235.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3507-20x15.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-26856\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Banho na Cachoeira da Capivara<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_26982\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26982\" class=\"wp-image-26982 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.27.19-1-1024x768.jpeg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.27.19-1-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.27.19-1-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.27.19-1-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.27.19-1-313x235.jpeg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.27.19-1-20x15.jpeg 20w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/WhatsApp-Image-2017-06-11-at-10.27.19-1.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-26982\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Momento de se refrescar<\/strong> <\/em><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">Marquinhos preparou arroz com lentilha, farofa, e ling\u00fci\u00e7a defumada. Espet\u00e1culo. Enquanto preparava a comida, notamos que uma cobra estava bem pr\u00f3ximo. Ela bebia \u00a0\u00e1gua a uns 3 metros do grupo. Era uma Cobra Cip\u00f3, que num sil\u00eancio sinuoso partiu pra dentro das rochas e sumiu. \u00a0Comemos e subimos pelo lado direito com nossas coisas para \u00e1rea onde ir\u00edamos montar acampamento para passar a noite. \u00a0Deixamos as mochilas numa grande pedra que parece uma mesa. E fomos procurar madeira seca no leito do rio pra fazer uma fogueira sobre as pedras para afugentar bichos e mosquitos. \u00a0O fogo foi aceso e jantamos a sobra do almo\u00e7o com algumas adapta\u00e7\u00f5es feitas por Daniel. Show de bola garooooto!.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Eu, Daniel e Wilson resolvemos \u201ccopiar\u201d Marquinhos e dormir sob o manto das estrelas. N\u00e3o ir\u00edamos armar nossas barracas. Sobre a grande pedra, lado a lado colocamos nossos isolantes e sacos de dormir. \u00a0Aproveitamos e numa conversa reiteramos que n\u00e3o era interessante fazer a Fuma\u00e7a por Baixo, j\u00e1 que ela se apresentava sem \u00e1gua como hav\u00edamos testemunhado no mirante de frente. Deitamos. \u00a0Passei a ficar cismado com a imagem da cobras. \u00a0Liguei a lanterna. Desliguei. Liguei outra vez, deixei \u00a0ligada. Via \u00a0Marquinhos de tempo em tempo levantar para alimentar o fogo. Wilson se revirava. \u00a0Apaguei depois e nem sei quanto tempo. \u00a0Contudo, exatamente \u00e0s 3h da madrugada \u00a0gotas de chuva tocavam nossos rostos e de sobressalto nos pomos a agilizar a fuga e buscar abrigo no corte do c\u00e2nion . \u00a0Mudamo-nos com tudo e fomos dormir embaixo de uma parede curvada da rocha do c\u00e2nion. \u00a0A chuva chegou de vez e n\u00e3o parou at\u00e9 amanhecer. \u00a0Noite terr\u00edvel.<\/p>\n<div id=\"attachment_26862\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26862\" class=\"wp-image-26862 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/G0045430-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/G0045430-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/G0045430-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/G0045430-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/G0045430-313x235.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/G0045430-20x15.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-26862\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Local onde nos abrigamos da chuva no topo da Cachoeira da Capivara<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>TERCEIRO DIA (29\/03)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00c0s 8h10, \u00a0o guia Marquinhos ainda preparava o caf\u00e9 da manh\u00e3. Comemos ali embaixo no pared\u00e3o, abrigados. Est\u00e1vamos no topo da Cachoeira da Capivara, que apesar da chuva constante durante a madrugada n\u00e3o teve o volume aumentado \u00a0de modo consider\u00e1vel. \u00a0Mastigamos cachorro quente com caf\u00e9 e leite em p\u00f3 e, \u00e0s 10h, \u00a0descemos pelo leito do Rio Capivara: pedras, pedras, pedras gigantes, molhadas, escorregadias. H\u00e1 riscos claros de tor\u00e7\u00e3o e queda. \u00a0Natural redobrar as aten\u00e7\u00f5es. Seguimos o rio por dentro do c\u00e2nion at\u00e9 o encontro do Rio Capivari e seu bel\u00edssimo c\u00e2nion.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-26859 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3625-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3625-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3625-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3625-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3625-313x235.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3625-20x15.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/p>\n<div id=\"attachment_26858\" style=\"width: 778px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26858\" class=\"wp-image-26858 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3619-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3619-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3619-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3619-313x417.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3619-15x20.jpg 15w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><p id=\"caption-attachment-26858\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Um trilha que exige muito &#8211; h\u00e1 muitos riscos<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">A chuva fina nos acompanhava. \u00a0Medo de escorregar traz tens\u00e3o. A caminhada, ora por dentro do leito, ora pelas margens onde temos que subir e descer encosta, \u00a0pular troncos, se agachar, subir outras pedras marginais, afastar galhos, isso tudo consome muita energia e a sede \u00e9 grande. Depois de longa e exaustiva jornada, passamos pelo C\u00f3rrego da Muri\u00e7oca, \u00a0onde lavamos o rosto. Todos, apesar da chuva, \u00a0suavam incessantemente \u00a0devido ao caminho \u00e1rduo.<\/p>\n<div id=\"attachment_26875\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26875\" class=\"wp-image-26875 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170330-WA0041-1024x575.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"562\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170330-WA0041-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170330-WA0041-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170330-WA0041-768x431.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170330-WA0041-313x176.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170330-WA0041-20x11.jpg 20w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG-20170330-WA0041.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-26875\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>No alto do C\u00e2nion Capivari<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">Nuvens \u00a0pesadas, criavam sobre n\u00f3s um cen\u00e1rio tenebroso e tamb\u00e9m bonito sobre nossas cabe\u00e7as. Subimos a intermin\u00e1vel <strong>Serra do Capivari<\/strong>. Uma subida \u00edngreme com areia preta \u00a0e vegeta\u00e7\u00e3o t\u00edpica. A inclina\u00e7\u00e3o \u00e9 das grandes e seu corpo vai sentir, e pra ser redundante digo que \u00e9 bem dura em especial devido ao peso das cargueiras. \u00a0No topo da serra paramos, fizemos outros registros aproveitando as cenas das nuvens pairando sobre o grande c\u00e2nion, depois seguimos.<\/p>\n<div id=\"attachment_26860\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26860\" class=\"wp-image-26860 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3645-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3645-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3645-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3645-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3645-313x235.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3645-20x15.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-26860\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Cachoeira do Capivari com pouqu\u00edssima \u00e1gua<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">Tomamos a trilha e decidimos ir direto para <strong>Cachoeira do Capivari<\/strong>. Deixamos as cargueiras na parte de cima da cachoeira e descemos sem nada. S\u00f3 pra tomar um banho e v\u00ea-la. Deve ter uns 70 metros o pared\u00e3o. Apesar do volume da queda acho que at\u00e9 o momento \u00e9 a que mais me chamou aten\u00e7\u00e3o. <strong>Bel\u00edssima Capivari.<\/strong> \u00a0Eu e Daniel entramos na \u00e1gua. Wilson ficou filmando. Mergulhei . Tomei um tombo que fez uma ferida na canela. \u00a0Passamos apenas uns 40 minutos l\u00e1 e subimos. Agora dever\u00edamos seguir para a <strong>Cachoeira do Po\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_26857\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26857\" class=\"wp-image-26857 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3617-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3617-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3617-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3617-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3617-313x235.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN3617-20x15.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-26857\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Daniel, Marquinhos, Djair e Wilson (esquerda pra direita)<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">N\u00e3o chovia. O tempo permanecia nublado, pesado amea\u00e7ando mandar chuva a qualquer momento.. Seguimos o leito do Rio Capivari. Confesso que todo aquele terreno j\u00e1 estava me irritando. \u00a0Leito de rio, pedras. Pula, sobe, desce. Depois de algumas horas chegamos \u00e0 <strong>Cachoeira do Po\u00e7\u00e3o<\/strong> que tamb\u00e9m se apresentava com pouco t\u00edmida queda d\u2019\u00e1gua. Pela margem direita alcan\u00e7amos o topo. Deixamos o material pra fazer o almo\u00e7o com Marquinhos do lado direito e fomos pra o lado esquerdo onde h\u00e1 um espa\u00e7o em terra batida bom para acampar. \u00c9 um lugar seguro. Dif\u00edcil ser surpreendido por uma tromba d\u2019\u00e1gua .<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Ali o terreno estava molhado. Tudo molhado. \u00a0Armamos as barracas e separamos material pra fazer uma fogueira. \u00a0Era um lugar absolutamente seguro para produzir fogo, em cima de uma Rocha sem contato com a vegeta\u00e7\u00e3o de modo a evitar um inc\u00eandio. \u00a0N\u00e3o tivemos \u00eaxito. Por mais de 1 hora tentamos. Suamos e desistimos. \u00a0Descemos pra almo\u00e7ar. \u00a0O melhor almo\u00e7o do mundo. Arroz, farofa e charque com tomate. Minha nossa!!! Comida de verdade. Na trilha tamb\u00e9m comemos bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Tomamos banho no rio e j\u00e1 \u00e0 noite por volta da 20h, descemos pra ficar conversando com o companheiro Marquinhos, que iria bivacar na margem direita do rio que alimenta a Cachoeira do Po\u00e7\u00e3o. Sa\u00ed da barraca com uma lanterna de m\u00e3o \u00a0pra emprestar para ele e com a minha de cabe\u00e7a presa \u00e0 testa. \u00a0Daniel e Wilson tamb\u00e9m foram e l\u00e1 tomamos um ch\u00e1 de hortel\u00e3. \u00a0Sugeri que apag\u00e1ssemos as luzes pra sentir a noite \u00a0e ter o som da \u00e1gua que corria. Daniel tava confortavelmente deitado. Eu , Wilson e Marquinhos, sentados. Conversamos sobre v\u00e1rias coisas. Soubemos que ali mesmo onde est\u00e1vamos quase ocorrera uma trag\u00e9dia com um grupo de amigos de nosso guia. Contou ele que, \u00a0certa vez, percebendo o volume da \u00e1gua aumentar pediu para \u00a0que todos buscassem abrigo, mas alguns duvidaram e foram surpreendidos instantes depois \u00a0por uma enorme tromba d\u2019\u00e1gua que por pouco n\u00e3o acabou com a vida dos mesmos, mas que resultou em ferimentos s\u00e9rios em um deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Bateu sono. Disse que iria me recolher. Wilson falou em me acompanhar. Daniel titubeou , mas decidiu vir conosco. O guia ficou l\u00e1 e atravessamos o leito em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s barracas. Cada um entrou na sua e uns 8 minutos depois escutamos um grito, um alerta distante. \u00a0Era Marquinhos!! Ele gritava: &#8211; Tromba d&#8217;\u00e1gua (embora o barulho e a dist\u00e2ncia n\u00e3o nos deixasse saber o que exatamente \u00a0ele bradava). \u00a0Abrimos o z\u00edper de nossas barracas, corremos com lanternas pra beira ao mesmo tempo e notamos o que era. O rio estava recebendo uma grande quantidade de \u00e1gua repentinamente. O guia do outro lado da margem iluminava uma rota de fuga pra ele. Do nosso lado, est\u00e1vamos mais seguro. Ainda n\u00e3o era necessariamente uma tromba d\u2019\u00e1gua, mas seu pren\u00fancio. Era certo que ela estava vindo. Filmamos esperando o momento exato de registrar a \u00e1gua arrastando tudo. \u00a0O volume agora era outro e \u00a0constante.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Buscamos uma comunica\u00e7\u00e3o verbal com o guia, mas o barulho da \u00e1gua impedia total compreens\u00e3o. \u00a0Depois de alguns minutos ali vimos \u00a0Marquinhos se alojar \u00a0na parte mais alta sob um corte do c\u00e2nion de modo a evitar ser levado pela \u00e1gua caso, de fato, um enorme \u00a0volume chegasse de modo r\u00e1pido. Com todos em seguran\u00e7a voltamos pra tentar dormir. Logo ap\u00f3s entrar na barraca, a chuva castigou insistentemente. Apaguei e posso dizer que foi a melhor noite que tive. Feliz com essa proeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>QUARTO DIA (30\/03)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Despertei \u00e0s 5h com o barulho da chuva sobre a barraca. O som da chuva faz voc\u00ea ficar preocupado com a resist\u00eancia do equipamento. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a nenhuma gota de \u00e1gua adentrava. \u00a0A essa altura o \u201cpiso\u201d da barraca estava inflado pela \u00e1gua que se acumulava no piso. Parecia um colch\u00e3o de \u00e1gua. Destaco o modelo pela rela\u00e7\u00e3o custo\/benef\u00edcio (Barraca Nord \u2013 2 lugares) e que por sinal \u00e9 tamb\u00e9m a mesma que Daniel usava. Wilson utilizava uma diferente e n\u00e3o teve a mesma sorte j\u00e1 que teve o interior invadido pela \u00e1gua da chuva.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00c0s 7h30 da manh\u00e3, a chuva ainda persistia. N\u00e3o t\u00ednhamos \u00a0ideia de como seria nosso dia. \u00a0J\u00e1 era chuva demais. \u00a0Ser\u00e1 que ir\u00edamos manter o cronograma? O plano era ir at\u00e9 a <strong>Cachoeira do Mixila <\/strong>naquele dia. \u00a0Wilson aproveitava os intervalos da chuva para organizar as coisas. Daniel e eu n\u00e3o sa\u00edamos. \u00a0Parecia que ter\u00edamos que rever os planos do dia. O tempo continuou fechado. Cinza. Tomamos caf\u00e9 j\u00e1 bem tarde num ponto mais elevado do c\u00e2nion onde Marquinhos dormiu. Um caf\u00e9 da manh\u00e3 fraco: s\u00f3 p\u00e3o e queijo. Depois seguimos para desmontar o acampamento que estava emporcalhado, sujo com tanta \u00e1gua que caiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O tempo era ruim. Parecia que o mundo estava prestes a se acabar em \u00e1gua. Nosso guia e amigo Marquinhos Soledade narrou que havia chances enormes de deparar com uma tromba d\u00b4\u00e1gua. Ir at\u00e9 a Mixila parecia arriscada. Ele, com experi\u00eancia e seguran\u00e7a, apontava na dire\u00e7\u00e3o de onde a chuva parecia cair com maior for\u00e7a no horizonte e \u00e9 l\u00f3gico que ela deveria chegar no leito dos rios e, certamente, de forma repentina O prel\u00fadio que j\u00e1 hav\u00edamos presenciado na noite anterior, era uma evid\u00eancia dos riscos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Nesse contexto coube uma conversa franca. \u00a0Eu coloquei que pra fazer a Mixila sob riscos era melhor n\u00e3o prosseguir. Daniel e Wilson assinalaram que para eles o preju\u00edzo era menor uma vez que ambos j\u00e1 conheciam a cachoeira, eu n\u00e3o. Mas sem vaidade assinalei que n\u00e3o fazia quest\u00e3o sob aquelas condi\u00e7\u00f5es. No fundo gostaria de seguir, mas n\u00e3o era mesmo razo\u00e1vel. \u00a0Dessa forma consideramos que nossa Expedi\u00e7\u00e3o estava encerrada. Restava o caminhos de volta. Era a despedida de uma aventura programada para ser vivida em cinco dias pelos 5 amigos do grupo, mas que estava sendo conclu\u00edda apenas por tr\u00eas e com 1 dia a menos. Foi como Deus quis. Interessante \u00a0\u00e9 que desistimos de duas cachoeira (Fuma\u00e7a por Baixo e Mixila) \u00a0por motivos antag\u00f4nicos: falta e \u00a0excesso de \u00e1gua, respectivamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">J\u00e1 era mais de nove da manh\u00e3 quando tomamos \u00e0 trilhas de volta. \u00a0Dever\u00edamos conseguir uma \u00e1rea com sinal de celular pra ver se o resgate que contratamos para nos apanhar na sexta (31) poderia nos pegar no local marcado s\u00f3 que 1 dias antes. \u00a0Seguimos a trilha para sair da Cachoeira do Po\u00e7\u00e3o. O terreno n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o duro quanto andar pelos leitos dos rios. N\u00e3o h\u00e1 pedras pra ficar pulando e h\u00e1 \u00a0um bom trecho reto com terra batida. A descida complicada ocorre pela Serra do Bode, que o declive cria condi\u00e7\u00f5es para grandes escorreg\u00f5es e acidentes se n\u00e3o estiver atento. Depois de algumas horas \u00a0alcan\u00e7amos \u00a0\u00e1rea com sinal de celular. Wilson conseguiu fazer contato \u00a0com Carlos, dono da Toyota, que \u00a0sinalizou ser poss\u00edvel seguir e nos apanha l\u00e1 embaixo. Ufa! Boa not\u00edcia. Isso nos pouparia de ter que andar \u00a08 km at\u00e9 \u00a0Len\u00e7\u00f3is.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Aproveitando o sinal de internet, eu e Daniel sacamos nossos smartphones e vimos as mensagens de nossas redes sociais \u201ccarregar\u201d velozmente na tela, afinal, \u00a0foram quatro dias desconectados. Eram mensagens do trabalho e familiares. \u00a0Eu n\u00e3o recebia tantas, mas \u00a0Daniel falou rindo ter mais de mil. \u00a0N\u00e3o era o momento e nem havia tempo de ler nada. Eram a centenas que Daniel recebeu no whatsapp havia um recado deixado por sua m\u00e3e que iria aumentar o aspecto m\u00edstico dessa \u00a0trilha. Guardamos os aparelhos. T\u00ednhamos alguns minutos de caminhada ainda \u00a0at\u00e9 cruzar o s\u00edtio de <em>Gyodai <\/em>e chegar no ponto de encontro com Carlos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Apressadamente continuamos a descida. \u00a0Finalizada a Serra do Bode, entramos por entre s\u00edtios de nativos. Latidos de c\u00e3es mostravam que est\u00e1vamos em \u00e1rea privada e dessa forma encontramos com o tal <em>Gyodai <\/em>na sua propriedade e seus 5 cachorros. No caminho mais f\u00e1cil e plano Daniel tomou um tombo e quase torceu o p\u00e9, mas ele se levantou e seguimos. Chegamos no local de encontro e mal dando tempo de colocar as cargueiras no ch\u00e3o escutamos o barulho do motor do ve\u00edculo 4&#215;4 que se aproximava. Carlos agora nos levava de volta para Len\u00e7\u00f3is. Chega de peso, precisamos agora de um banho, um bom almo\u00e7o caseiro e descansar da longa jornada.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_26849\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26849\" class=\"wp-image-26849 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN0005-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN0005-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN0005-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN0005-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN0005-313x235.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN0005-20x15.jpg 20w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/DSCN0005.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-26849\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Trilha conclu\u00edda!<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>O CONTE\u00daDO DA MENSAGEM<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Na tarde da sexta-feira (31) est\u00e1vamos Daniel e eu na casa de Marquinhos quando a m\u00e3e de Daniel, do Recife, liga para ele e emocionada diz ter enviado uma mensagem via whatsapp na quarta (29), \u00e0s 4h49, e que at\u00e9 o momento n\u00e3o parecia visualizada. Pelo telefone, agora, \u00a0ela pedia pra que ele lesse a mensagem depois, mas \u00a0adiantou que o seu conte\u00fado foi redigido ap\u00f3s um pesadelo aterrador em que todos \u00e9ramos varridos por uma \u201conda branca\u201d e lan\u00e7ados contra grandes pedras. No sonho, seu filho era o primeiro a sofrer naquela trag\u00e9dia. A conversa toda p\u00f4de ser ouvida por mim e pelo guia Marquinhos, j\u00e1 que Daniel, at\u00f4nito, quis compartilhar tudo pelo viva-voz do aparelho. Todos ficamos abismados e as l\u00e1grimas, nenhum dos tr\u00eas, conseguiu evitar. Foi muito tenso ouvir aquilo, coisa de filme. Existe premoni\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Daniel p\u00f4de, depois, entrar no whatsapp e verificar que a mensagem existia. Ela estava l\u00e1: <strong><em>\u201c&#8230; CUIDADO DANIEL, VOC\u00ca ENFRENTA PERIGO, \u00a0N\u00c3O PROSSIGA\u2026 N\u00c3O SEI O QUE \u00c9 MAS VOC\u00caS CORREM PERIGO\u2026\u201d (<\/em><\/strong><strong>quarta-feira, 29 de Mar\u00e7o \u00e0s 4h49). <\/strong>Agora n\u00e3o restava mais d\u00favidas que algo m\u00edstico tinha nos acompanhado durante a trilha.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Interessante \u00e9 que foi exatamente da quarta-feira \u00e0s 3h da madrugada que tivemos os primeiros sinais de chuva na Chapada Diamantina. Est\u00e1vamos na Cachoeira da Capivara quando sa\u00edmos \u00e0s pressas, fugindo das chuva, indo buscar abrigo sob a parede do c\u00e2nion. Talvez esse hor\u00e1rio tenha sido \u00a0o mesmo em que a m\u00e3e de Daniel tenha despertada apavorada.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Tudo que relatei, acho que t\u00e1 bem claro, indica que a quest\u00e3o meteorol\u00f3gica definiu os rumos de nossa expedi\u00e7\u00e3o. Afinal, foi o risco de ser surpreendido por uma tromba d&#8217;\u00e1gua que motivou nossa desist\u00eancia \u00a0da Cachoeira da Mixila.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Como se explica isso? E o sentimento de Luciano? Que afirmou pra todos ouvir que n\u00e3o continuaria a trilha, pois estava sentindo uma energia ruim, um \u201cmau pressentimento\u201d \u00a0que o fez literalmente abandonar o grupo e voltar sozinho? E sem falar no caso de Jo\u00e3o que com um corte inusitado no p\u00e9 se viu inacreditavelmente impedido de colocar as botas para fazer a trilha com o grupo? \u00a0Tudo isso pra cada um de cinco membros faz muito sentido agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Essa trilha foi diferente. At\u00e9 breve amigos!!!<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong><em>PS1.:<\/em><\/strong><em> \u00a0No dia 14 de abril, doze dias depois que sa\u00edmos da trilha, um guia local encontrou uma mochila imperme\u00e1vel com pertences do espanhol HUGO FERRARA TORMO de 27 anos. Nela al\u00e9m de alguns equipamentos eletr\u00f4nicos havia um passaporte\u00a0 bem como uma esp\u00e9cie de di\u00e1rio da trilha.\u00a0\u00a0 A partir dos manuscritos deixados foi poss\u00edvel ter conhecimento que ele sofrera um acidente grave ao cair de uma cachoeira que comprometeu sua capacidade de andar.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>No dia 11 de maio, de posse dos relatos, bombeiros e guias refizeram os passos do rapaz e\u00a0 num ponto entre Cachoeira da Fuma\u00e7a<\/em><em>\u00a0e a trilha para a cachoeira 21, se depararam com \u00a0uma ossada que, ao que tudo indica, \u00a0seja \u00a0os restos mortais de Hugo Ferrara Tormo de 27 anos.\u00a0 Exames de DNA devem encerrar as duvidas acerca da identidade daquele material.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong><em>PS2<\/em><\/strong><em>: ESSA TRILHA N\u00c3O \u00c9 BRINCADEIRA<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dez meses se passaram da \u00faltima vez que trilhamos juntos. Somos cinco: Eu (Djair), Daniel, Jo\u00e3o, Luciano e Wilson unidos pelo \u00a0mesmo prazer: a natureza. Nossa miss\u00e3o \u00e9 ir ao encontro dela com nossas cargueiras nas costas percorrendo trilhas, subindo e descendo \u00a0os mais variados \u00a0terrenos \u00a0na busca de belas paisagens. Nosso gosto \u00e9 pela [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1383,"featured_media":26872,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"googlesitekit_rrm_CAoiELM5mIOjYRN0nfylq3_9r-8:productID":"","_crdt_document":"","_daim_seo_power":"","_daim_enable_ail":"","footnotes":""},"categories":[168,1193],"tags":[23,32,1375,1161,1029],"class_list":["post-26847","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","category-brasil","tag-bahia","tag-chapada-diamantina","tag-relatos-de-viagem","tag-trekking","tag-trilhas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26847","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1383"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26847"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26847\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26872"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26847"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26847"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26847"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}