{"id":27312,"date":"2017-06-21T11:10:42","date_gmt":"2017-06-21T14:10:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/?p=27312"},"modified":"2018-08-22T19:12:03","modified_gmt":"2018-08-22T22:12:03","slug":"atacama-de-carro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/atacama-de-carro","title":{"rendered":"Do Brasil ao Atacama, gastando pouco, de carro 1.0. Sim, \u00e9 poss\u00edvel."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>A SOBERANIA DE QUEM ROUBA O AR DE DEUS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Uma road trip at\u00e9 o Atacama com declara\u00e7\u00f5es de amor \u00e0 Argentina andina.<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 sobre o prazer de fazer hist\u00f3ria em povoados como Pampa del Infierno, cravado no umbigo do Chaco argentino, num corredor \u201cbioce\u00e2nico\u201d aberto numa reta de intermin\u00e1veis 500 quil\u00f4metros. Seja para uma foto na placa que anuncia o vilarejo de batismo pouco convencional, ou para o descanso no acostamento, ao lado das incont\u00e1veis l\u00e1pides vermelhas e simpl\u00f3rias armadas em homenagem \u00e0 lenda local, Gauchito Gil; viajar de carro, al\u00e9m de aventureiro, \u00e9 uma permiss\u00e3o para fazer as mais importantes coisas bobas da vida: fazer o que queremos, com o dinheiro que temos, na hora que d\u00e1 vontade. Sobre viajar de carro? N\u00e3o, mais que isso. Sobre ser soberano, eu diria.<\/p>\n<p>Celso \u00e9 mais um na centena de cambistas que perambulam do lado de l\u00e1 do parque que limita a fronteira seca entre Dion\u00edsio Cerqueira (SC), no Brasil, e Bernardo de Irigoyen, nas Misiones da Argentina. Assim de cara o malandro pode parecer mais um do bando de picaretas, redistribuindo dinheiro de uma regi\u00e3o fant\u00e1stica para o tr\u00e1fico de armas e drogas, por meio de c\u00e2mbio favor\u00e1vel e ilegal. Mas n\u00e3o, ele \u00e9 apenas um sujeito simples e querido pelos comerciantes locais; de pele brugra e portugu\u00eas fronteiri\u00e7o, vende um peso argentino por 0,19 centavos de real no meio da rua. \u00c9 um bom sujeito que carrega bolos de dinheiro nas m\u00e3os. Um sujeito necess\u00e1rio quando o controle de recursos \u00e9 fator preponderante para viajantes duros, por\u00e9m, dur\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p><script>(function(d, s, id) {  var js, fjs = d.getElementsByTagName(s)[0];  if (d.getElementById(id)) return;  js = d.createElement(s); js.id = id;  js.src = 'https:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/sdk.js#xfbml=1&version=v3.1';  fjs.parentNode.insertBefore(js, fjs);}(document, 'script', 'facebook-jssdk'));<\/script><\/p>\n<div class=\"fb-video\" data-href=\"https:\/\/www.facebook.com\/mochilacronica\/videos\/588670084660743\/\" data-width=\"740\">\n<blockquote cite=\"https:\/\/www.facebook.com\/mochilacronica\/videos\/588670084660743\/\" class=\"fb-xfbml-parse-ignore\"><p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/mochilacronica\/videos\/588670084660743\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A soberania de quem rouba o ar de Deus<\/a><\/p>\n<p>Pessoal, saiu o teaser da nossa road trip pelo ATACAMA. A ideia \u00e9 que disso surja um document\u00e1rio ou narrativa cheio de imagens bacanas que fizemos durante a viagem e que nem sabemos que temos, n\u00e3o deu pra ver tudo ainda. Espero que gostem, comentem, marquem seus amigos e compartilhem pela bandeira do bom conte\u00fado na internet. Tem uma simpatia que diz: quem compartilha Mochila Cr\u00f4nica far\u00e1 uma linda viagem em breve. Agradecimentos especiais aos parceiros da Invictus Tactical &amp; Outdoor, do Moka Clube e da Acryflon Acr\u00edlicos.Pra quem ainda n\u00e3o leu a mat\u00e9ria sobre a trip, t\u00e1 aqui: https:\/\/mochilacronica.com\/2017\/01\/30\/atacama-de-carro\/#chile #argentina #jujuy #sata #atacama #roadtrip #trip #travel #viagem #viajar #adventure<\/p>\n<p>Posted by <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/mochilacronica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mochila Cr\u00f4nica<\/a> on Monday, February 13, 2017<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Confira os conte\u00fados do Mochila Cr\u00f4nica tamb\u00e9m no Insta<\/em> <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/mochilacronica\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">@mochilacronica<\/a>\u00a0<em>ou na fan page<\/em> <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/mochilacronica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mochila Cr\u00f4nica<\/a>.<\/p>\n<p>Haviam me dito certa vez que a Gendarmer\u00eda Nacional, a pol\u00edcia argentina, era uma das mais nojentas e corruptas da Am\u00e9rica Latina e, qui\u00e7\u00e1, do mundo. Eu mesmo j\u00e1 tinha provado desse gosto de p\u00f3lvora amarga numa viagem a Buenos Aires. Mas a caminho do norte do Pa\u00eds, numa rota de pessoas mais humildes e provincianas \u2013 no melhor e mais puro sentido da palavra \u2013 a \u00fanica ordem que se recebe nas constantes blitze \u00e9 \u201c<em>adelante<\/em>, por favor\u201d, sempre munida de sorrisos; despreocupada com inspe\u00e7\u00f5es de Seguro Carta Verde, dois tri\u00e2ngulos, mortalhas brancas para cobrir poss\u00edveis cad\u00e1veres e o kit de primeiros socorros com tesoura sem ponta. Itens que fazem algumas leis <em>hermanas<\/em> coexistirem em bestialidade siamesa com as nossas, escancarando espa\u00e7o para o pagamento de propina por desavisados.<\/p>\n<p><strong>Argentina andina<\/strong><\/p>\n<p>Existem diversas na\u00e7\u00f5es dentro desse Pa\u00eds muitas vezes visto de forma rasa como \u201ca mini Europa da Am\u00e9rica do Sul\u201d, geralmente pelos tolos que pagam fortunas numa experi\u00eancia porte\u00f1a regada a shows de tango, restaurantes finos e jogatina em cassinos de Puerto Madero. Ou ent\u00e3o para aquela gente cafona que v\u00ea na neve um charme e nas roupas de frio uma oportunidade de ser chique por uma semana de ski em Bariloche. Bem, a Argentina andina \u00e9 daqueles casos que devem mesmo ser isolados numa quarentena contra esse cl\u00e1ssico e f\u00fatil nicho de tur\u00edstico. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a Prov\u00edncia de Salta \u00e9, para os \u00edntimos, \u201cSalta, la linda\u201d; como toda bela e elegante mulher de respeito, seu \u00e2mago pertence a poucos e bons amantes.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que o motor faz mais for\u00e7a para escalar os primeiros metros acima do n\u00edvel do mar, deixando a plan\u00edcie infinita do Chaco para tr\u00e1s, repentinamente vacas s\u00e3o trocadas por lhamas e gomas de mascar viram folhas de coca. O relevo ganha curvas mais atraentes. Todo homem deveria pilotar por alguma daquelas estradas pitorescas e esburacadas e chacoalhantes pelo menos uma vez. Deveria fazer parte de um ritual de passagem para uma nova fase da vida. Daquelas coisas que os tios fazem com os sobrinhos: \u201cv\u00e1 l\u00e1, tome essa cerveja\u201d ou ent\u00e3o, \u201cquando voc\u00ea completar 15 anos, vou te levar \u00e0 zona\u201d, isso deveria incluir tamb\u00e9m \u201cdirija por uma estrada argentina, l\u00e1 por Salta, e assim estar\u00e1s separado dos meninos, \u00f3, meu grande homem\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_27313\" style=\"width: 682px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-27313\" class=\"wp-image-27313 size-full\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/271f6126-5bfc-4ab7-a72d-73fcb72ba3ec.jpg\" alt=\"\" width=\"672\" height=\"504\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/271f6126-5bfc-4ab7-a72d-73fcb72ba3ec.jpg 672w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/271f6126-5bfc-4ab7-a72d-73fcb72ba3ec-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/271f6126-5bfc-4ab7-a72d-73fcb72ba3ec-313x235.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/271f6126-5bfc-4ab7-a72d-73fcb72ba3ec-20x15.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 672px) 100vw, 672px\" \/><p id=\"caption-attachment-27313\" class=\"wp-caption-text\">\u201cObispo\u201d e seus pag\u00e3os.<\/p><\/div>\n<p>E de repente \u00e1rvores viram cactos gigantes na Cuesta del Obispo, ou Ruta Nacional 33; e dos rios s\u00f3 sobra a secura das pedras; e pra matar a sede, o mate tem a concorr\u00eancia dos maravilhosos, arom\u00e1ticos e alco\u00f3licos vinhos de altitude drenados dos vinhedos de Payogasta, Cach\u00ed, Cafayate e todo o lunar Valle Calchaqu\u00ede; da Quebrada* de Las Flechas \u00e0 Quebrada de Las Conchas; fazendo o contorno em \u201cV\u201d, na uni\u00e3o da metade poeirenta da RN* 40 com a ardente febre asf\u00e1ltica da RN 68. Um prato cheio para quem gosta de peregrinar salivando em busca de pratos t\u00edpicos \u00e0 base de carne de carneiro e piment\u00f5es ou tradicionais empanadas estufadas de um guisado perfumado de cominho, misturado a batatas e ovos, tudo coberto por uma massa carinhosamente sovada em gordura animal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dali, um pouco mais pra cima, onde os suspiros roubam oxig\u00eanio e os humanos culpam a altitude, um tit\u00e3 de a\u00e7o desliza urrando por trilhos a 4.200 metros. \u00c9 debaixo das arma\u00e7\u00f5es do viaduto ferrovi\u00e1rio \u201cLa Polvorilla\u201d, perto de San Antonio de Los Cobres, que damos um at\u00e9 breve \u00e0 hospitalidade e simpatia incompar\u00e1vel dos salte\u00f1os margeando o caminho do Trem das Nuvens. Cheirando mu\u00f1a para amenizar os efeitos da falta de ar, buscamos no des\u00e9rtico, e desaconselhado por guias de viagem, Paso de Sico, o portal de entrada no Atacama. Quase 600 quil\u00f4metros sem postos de gasolina e escassas almas vivas, tanto na estrada, quanto no primeiro embate com a g\u00e9lida cordialidade chilena. \u00d4nus compensados por vistas incr\u00edveis.<\/p>\n<div id=\"attachment_27314\" style=\"width: 682px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-27314\" class=\"wp-image-27314 size-full\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/2.jpg\" alt=\"\" width=\"672\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/2.jpg 672w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/2-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/2-313x210.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/2-20x13.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 672px) 100vw, 672px\" \/><p id=\"caption-attachment-27314\" class=\"wp-caption-text\">O viaduto La Polvorilla \u00e9 o ponto final de passageiros que cavoucam paisagens de tirar o f\u00f4lego a 4.200 metros de altitude.<\/p><\/div>\n<p><strong>Mal venidos a Chile<\/strong><\/p>\n<p>A hostilidade fronteiri\u00e7a parece ser disciplina universal em cursos que formam fiscais de fronteira. Durante a averigua\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria, alho e cebolas confiscados, e tom amea\u00e7ador quanto um pequeno carregamento de vinho. \u201cMas, \u00e9 para o jantar\u201d, tentei convenc\u00ea-lo da estupidez apreendida em suas m\u00e3os. \u201cCompre em San Pedro\u201d, retrucou sem piedade, carregando os vegetais para jogar numa lixeira da oficina aduaneira. Menos mal, o puro n\u00e9ctar da uva ainda estava garantido para a noite. O fiscal da jaqueta verde e mau humor gratuito n\u00e3o podia imaginar que, naquele entardecer, ser\u00edamos lobos cordiais \u00e0s vicunhas, uivando ao testemunhar uma lua minguante e poente \u00e0s 9 da noite; no resqu\u00edcio avermelhado deixado pelo p\u00f4r do sol numa aquarela despejada no horizonte, aproveitando o assovio do vento como can\u00e7\u00e3o de ninar.<\/p>\n<div id=\"attachment_27315\" style=\"width: 682px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-27315\" class=\"wp-image-27315 size-full\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/3.jpg\" alt=\"\" width=\"672\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/3.jpg 672w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/3-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/3-313x210.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/3-20x13.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 672px) 100vw, 672px\" \/><p id=\"caption-attachment-27315\" class=\"wp-caption-text\">Um quintal chamado Salar de \u00c1guas Calientes.<\/p><\/div>\n<p>Clandestinamente, o dia e noite mais baratos aconteceram sob um dos c\u00e9us mais estrelados do mundo, numa barraca com varanda para o Salar de \u00c1guas Calientes e seus flamingos cor de rosa. \u00c0 luz do fogareiro, o jantar foi servido: o melhor macarr\u00e3o ao molho branco, sem alhos e cebolas, que um viajante poderia comer. Uns 200 quil\u00f4metros antes de finalmente chegar ao <em>hipster<\/em> e cenogr\u00e1fico povoado de San Pedro de Atacama, \u00e9 poss\u00edvel visitar as Piedras Rojas e outras infinidades de paisagens guardadas por montanhas e vulc\u00f5es onipresentes como o Licancabur. H\u00e1 ainda vilarejos mais modestos como Socaire e o complexo das Lagunas Altipl\u00e2nicas com a dupla Mi\u00f1iques e Miscanti.<\/p>\n<p>Est\u00e1 tudo cravado no caminho aberto pelo \u201cdesaconselh\u00e1vel\u201d Paso de Sico, antes de chegar \u00e0 car\u00edssima Saint Peter of Atacama. O observat\u00f3rio astron\u00f4mico internacional a perder de vista no acostamento \u00e0 direita; o Tr\u00f3pico de Capric\u00f3rnio; a entrada para a Laguna Cejar \u00e0 esquerda e, pra frente dela, duas crateras paralelas originadas pelo impacto de um meteorito deram forma aos \u201cOjos del Salar\u201d, cheios da \u00e1gua verde que tonifica o olhar natural da paisagem. \u00c9 bom lembrar que a Cejar, famosa por sua alta concentra\u00e7\u00e3o de sal, impedindo a imers\u00e3o completa do corpo, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o atraente assim. O banho foi impedido ap\u00f3s a descoberta da forte presen\u00e7a de ars\u00eanico. Tudo bem, n\u00e3o \u00e9 o mais importante.<\/p>\n<div id=\"attachment_27318\" style=\"width: 682px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-27318\" class=\"wp-image-27318 size-full\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/6.jpg\" alt=\"\" width=\"672\" height=\"504\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/6.jpg 672w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/6-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/6-313x235.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/6-20x15.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 672px) 100vw, 672px\" \/><p id=\"caption-attachment-27318\" class=\"wp-caption-text\">Agora sim, um mergulho no Atacama.<\/p><\/div>\n<p>San Pedro de Atacama \u00e9 apenas um lugar cheio de sorte, um filho mimado do deserto mais seco e mais alto do planeta. Sorte de ser ponto de parada aclamado e caro e exclusivo no meio de uma natureza gr\u00e1tis, ou quase de gra\u00e7a. San Pedro de Atacama n\u00e3o deve ser confundido com o Deserto do Atacama em sua plenitude, mas apenas uma parte microsc\u00f3pica. Com alguns trocados \u00e9 poss\u00edvel explorar atra\u00e7\u00f5es justas como o Valle de la Luna, onde seus pared\u00f5es de pedra salgada estalam dando a impress\u00e3o de que vir\u00e3o abaixo; ou apreciar o lindo assassinato solar di\u00e1rio na Piedra del Coyote. Um \u201cp\u00falpito\u201d natural suspenso sobre o Valle de la Muerte que, hoje, tamb\u00e9m tem acesso impedido \u2013 salvo em casos de desobedi\u00eancia e coragem.\u00a0 H\u00e1 tamb\u00e9m atra\u00e7\u00f5es um pouco mais quentes, s\u00f3dicas no pre\u00e7o e molhadas no deserto, como as Termas de Puritama. \u00c1guas vulc\u00e2nicas que formam piscinas margeadas por vegeta\u00e7\u00e3o bonita, um bom lugar para relaxar.<\/p>\n<div id=\"attachment_27316\" style=\"width: 682px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-27316\" class=\"wp-image-27316 size-full\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/4.jpg\" alt=\"\" width=\"672\" height=\"530\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/4.jpg 672w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/4-300x237.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/4-313x247.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/4-20x16.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 672px) 100vw, 672px\" \/><p id=\"caption-attachment-27316\" class=\"wp-caption-text\">Testemunhas de um assassinato di\u00e1rio, a \u201cPiedra del Coyote\u201d \u00e9 o local de um crime cotidiano.<\/p><\/div>\n<p>Fora isso e outros destinos como o boliviano e incompar\u00e1vel Salar de Uyuni (que do lado de l\u00e1, claro, \u00e9 mais barato), os G\u00eaiseres del Tatio, a cidade fantasma de Machuca e as ru\u00ednas de Pukar\u00e1 de Quitor, o resto pode ser resolvido quando a saudade da Argentina bater \u2013 o que n\u00e3o demora. Basta pegar a estrada em dire\u00e7\u00e3o ao Paso de Jama e descobrir o Salar de Tara de forma gratuita, o que contrasta com os pre\u00e7os cartelizados praticados pelas ag\u00eancias de turismo de San Pedro. No mais, a \u201ccapital\u201d do Atacama, tem sua igrejinha hist\u00f3rica com telhado barro e tronco de cacto, um cemit\u00e9rio colorido, uma pequena feira de frutas e verduras; ruas charmosas, casinhas de adobe coladas umas \u00e0s outras, pratos nada econ\u00f4micos e humor local digno de quem j\u00e1 n\u00e3o precisa mais ser receptivo e cordial para continuar vivendo de turismo carniceiro. Talvez por esse conjunto de leg\u00edtimo glamour atacamenho, comer nos p\u00e9s sujos das velhas atr\u00e1s do Mercado Artesanal seja mais justo, digno e um pouco mais imersivo na cultura nativa.<\/p>\n<p><strong>Respire aliviado voc\u00ea est\u00e1 de volta \u00e0 Argentina<\/strong><\/p>\n<p>Ainda que a altitude seja a mesma, a prov\u00edncia de Jujuy, na Argentina, permite al\u00edvio ao bolso e alento ao cora\u00e7\u00e3o com sorrisos f\u00e1ceis e intera\u00e7\u00f5es calorosas. Rasgada pela RN 52, as Salinas Grandes formam uma plan\u00edcie de sal de 12 mil hectares e \u00e9 administrada por povos nativos. Com cerca de vinte reais um guia local e bem informado te leva pra dirigir na infinidade branca \u2013 como em um comercial de carro importado \u2013 e conhecer po\u00e7os azuis com bordas de sal cristalizado \u2013 isso sem falar nas fotos tradicionais que brincam com a profundidade de campo. Com tanta mat\u00e9ria prima para tempero, fica imposs\u00edvel n\u00e3o provar tamb\u00e9m as tortilhas assadas e abanadas em brasa por algumas senhoras em casebres de blocos de sal, cobertos por telhas de zinco, uma esp\u00e9cie de iglu latinoamericano.<\/p>\n<div id=\"attachment_27319\" style=\"width: 677px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-27319\" class=\"wp-image-27319 \" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/7.jpg\" alt=\"\" width=\"667\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/7.jpg 960w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/7-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/7-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/7-313x235.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/7-20x15.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 667px) 100vw, 667px\" \/><p id=\"caption-attachment-27319\" class=\"wp-caption-text\">Salinas Grandes.<\/p><\/div>\n<p>O caminho sinuoso da Cuesta del Lipan tem como ponto final o povoado de Purmamarca, com seu morro que revela sete cores distintas avivadas pelos primeiros raios de sol da manh\u00e3. O artesanato ind\u00edgena fica ainda mais forte em feiras como a de Tilcara, com ponchos, gorros e pantufas que exaltam lhamas. Lhamas presentes no formato \u201cfil\u00e9\u201d em pratos deliciosos feitos \u00e0 milanesa incompar\u00e1vel, excelente para ser devorado ao som da pe\u00f1as, a m\u00fasica ao vivo, geralmente em voz e viol\u00e3o. Para a sobremesa uma tira de queijo branco, o quesillo, \u00e9 facilmente encontrada nos acostamentos e pode (deve), ser saboreada acompanhada de doce de cayote. Um fruto local fibroso de gosto \u00fanico, fisicamente semelhante \u00e0 ab\u00f3bora, ado\u00e7ado com mela\u00e7o.<\/p>\n<p>Mais ao norte, sentindo o cheirinho da Bol\u00edvia, a Quebrada Humauaca, na vila que leva o mesmo nome, est\u00e1 o Cerro Hornocal. Uma montanha gigante com 14 cores, apelidada de \u201cPaleta del Pintor\u201d. S\u00e3o tonalidades de vermelho, verde e cinza, riscadas por uma divindade de dotes art\u00edsticos bastante agu\u00e7ados, em movimentos que se parecem com frequ\u00eancias de batimentos card\u00edacos. E realmente, aquilo \u00e9 de fazer o cora\u00e7\u00e3o palpitar, tanto pela beleza, quanto pelo esfor\u00e7o aplicado para subir e descer a colina que esconde esse colorido monstro de min\u00e9rio.<\/p>\n<div id=\"attachment_27317\" style=\"width: 681px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-27317\" class=\"wp-image-27317 \" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/5.jpg\" alt=\"\" width=\"671\" height=\"449\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/5.jpg 672w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/5-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/5-313x210.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/5-20x13.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 671px) 100vw, 671px\" \/><p id=\"caption-attachment-27317\" class=\"wp-caption-text\">Cerro Hornocal e suas 14 \u201ccolores\u201d.<\/p><\/div>\n<p>Ent\u00e3o, \u00e9 sobre isso. Sobre a infinidade de sabores e humores; sobre o flerte do m\u00edstico com o sacro. \u00c9 sobre lendas que transbordam da natureza em ritos \u00e0 Pachamama como um Deus; sobre mitos pol\u00edticos europeus que, por meio de padres jesu\u00edtas estupraram uma cultura origin\u00e1ria; sobre bandeirolas vermelhas que exaltam uma esp\u00e9cie de anti-her\u00f3i \u00e0 sarjeta de estradas nacionais, um cangaceiro de Corrientes devoto de Santa Morte, um Gauchito original chamado \u201cGil\u201d. \u00c9 sobre saber sentir o verdadeiro significado da palavra \u201cmilagre\u201d destronando qualquer tipo de santidade de barro. Porque viajar \u00e9, na maioria dos casos, um acontecimento fora do comum e sem explica\u00e7\u00f5es naturais. \u00c9 indom\u00e1vel, ato praticado apenas por aqueles que s\u00e3o soberanos de si mesmos.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Desempenho do carro \u2013 Curitiba x Atacama (ida e volta)<\/strong><\/p>\n<p><em>Autom\u00f3vel:<\/em> Clio 1.0 \u2013 2014\/2015<\/p>\n<p><em>Quilometragem total:<\/em> 6.553<\/p>\n<p><em>Litros de combust\u00edvel:<\/em> 473<\/p>\n<p><em>M\u00e9dia de consumo:<\/em> 13.8 km por litro<\/p>\n<p><em>Velocidade m\u00e9dia:<\/em> 59.4 km por hora<\/p>\n<p>*Troca de \u00f3leo e pneus realizada antes da viagem.<\/p>\n<p>**Apenas um pneu furado durante a jornada.<\/p>\n<p><strong>Documenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Documento: em nome do propriet\u00e1rio.<\/p>\n<p>Carta verde para mais de 15 dias na Argentina: R$ 80,00, em Bernardo de Irigoyen, fronteira.<\/p>\n<p>Seguro <a href=\"http:\/\/www.soapex.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">SOAPEX<\/a> para 5 dias no Chile: R$ 34,00 via internet.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Confira mais aventuras do Mochila Cr\u00f4nica no blog <a href=\"https:\/\/mochilacronica.com\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">www.mochilacronica.com,<\/a>\u00a0pelo Insta <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/mochilacronica\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">@mochilacronica<\/a>\u00a0ou na fan page <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/mochilacronica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mochila Cr\u00f4nica<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A SOBERANIA DE QUEM ROUBA O AR DE DEUS Uma road trip at\u00e9 o Atacama com declara\u00e7\u00f5es de amor \u00e0 Argentina andina. \u00c9 sobre o prazer de fazer hist\u00f3ria em povoados como Pampa del Infierno, cravado no umbigo do Chaco argentino, num corredor \u201cbioce\u00e2nico\u201d aberto numa reta de intermin\u00e1veis 500 quil\u00f4metros. 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