{"id":35110,"date":"2018-01-23T20:42:37","date_gmt":"2018-01-23T23:42:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/?p=35110"},"modified":"2018-09-14T06:29:56","modified_gmt":"2018-09-14T09:29:56","slug":"aventura-mais-longa-cansativa-e-perigosa-da-minha-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/aventura-mais-longa-cansativa-e-perigosa-da-minha-vida","title":{"rendered":"A aventura mais longa, cansativa e perigosa da minha vida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">Um dia voc\u00ea acorda e decide fazer uma trilha em um vulc\u00e3o ativo, o que voc\u00ea n\u00e3o sabe \u00e9 que essa vai ser a aventura mais longa, mais exaustiva, mais dif\u00edcil e mais perigosa da sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Se voc\u00ea tem problemas nos joelhos, nos tornozelos ou n\u00e3o quer sujar sua roupa \u00e9 melhor n\u00e3o <strong>continuar lendo<\/strong>&#8230;<\/p><div id=\"ez-toc-container\" class=\"ez-toc-v2_0_82_2 counter-hierarchy ez-toc-counter ez-toc-grey ez-toc-container-direction\">\n<div class=\"ez-toc-title-container\">\n<p class=\"ez-toc-title\" style=\"cursor:inherit\">\u00cdndice<\/p>\n<span class=\"ez-toc-title-toggle\"><a href=\"#\" class=\"ez-toc-pull-right ez-toc-btn ez-toc-btn-xs ez-toc-btn-default ez-toc-toggle\" aria-label=\"Alternar tabela de conte\u00fado\"><span class=\"ez-toc-js-icon-con\"><span class=\"\"><span class=\"eztoc-hide\" style=\"display:none;\">Toggle<\/span><span class=\"ez-toc-icon-toggle-span\"><svg style=\"fill: #999;color:#999\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" class=\"list-377408\" width=\"20px\" height=\"20px\" viewBox=\"0 0 24 24\" fill=\"none\"><path d=\"M6 6H4v2h2V6zm14 0H8v2h12V6zM4 11h2v2H4v-2zm16 0H8v2h12v-2zM4 16h2v2H4v-2zm16 0H8v2h12v-2z\" fill=\"currentColor\"><\/path><\/svg><svg style=\"fill: #999;color:#999\" class=\"arrow-unsorted-368013\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"10px\" height=\"10px\" viewBox=\"0 0 24 24\" version=\"1.2\" baseProfile=\"tiny\"><path d=\"M18.2 9.3l-6.2-6.3-6.2 6.3c-.2.2-.3.4-.3.7s.1.5.3.7c.2.2.4.3.7.3h11c.3 0 .5-.1.7-.3.2-.2.3-.5.3-.7s-.1-.5-.3-.7zM5.8 14.7l6.2 6.3 6.2-6.3c.2-.2.3-.5.3-.7s-.1-.5-.3-.7c-.2-.2-.4-.3-.7-.3h-11c-.3 0-.5.1-.7.3-.2.2-.3.5-.3.7s.1.5.3.7z\"\/><\/svg><\/span><\/span><\/span><\/a><\/span><\/div>\n<nav><ul class='ez-toc-list ez-toc-list-level-1 eztoc-toggle-hide-by-default' ><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-1\" href=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/aventura-mais-longa-cansativa-e-perigosa-da-minha-vida\/#Dados_gerais_da_trilha\" >Dados gerais da trilha<\/a><\/li><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-2\" href=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/aventura-mais-longa-cansativa-e-perigosa-da-minha-vida\/#Entendendo_a_aventura\" >Entendendo a aventura:<\/a><\/li><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-3\" href=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/aventura-mais-longa-cansativa-e-perigosa-da-minha-vida\/#A_companhia_inesperada\" >A companhia inesperada<\/a><\/li><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-4\" href=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/aventura-mais-longa-cansativa-e-perigosa-da-minha-vida\/#A_trilha\" >A trilha<\/a><\/li><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-5\" href=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/aventura-mais-longa-cansativa-e-perigosa-da-minha-vida\/#A_escalada\" >A escalada<\/a><\/li><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-6\" href=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/aventura-mais-longa-cansativa-e-perigosa-da-minha-vida\/#A_volta\" >A volta<\/a><\/li><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-7\" href=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/aventura-mais-longa-cansativa-e-perigosa-da-minha-vida\/#Fotos\" >Fotos<\/a><\/li><\/ul><\/nav><\/div>\n\n<h2><span class=\"ez-toc-section\" id=\"Dados_gerais_da_trilha\"><\/span>Dados gerais da trilha<span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2>\n<p><strong>*Localiza\u00e7\u00e3o<\/strong>: <a href=\"https:\/\/www.google.com.ni\/maps\/place\/Volcan+Concepcion\/@11.5397428,-85.6301437,15z\/data=!3m1!4b1!4m5!3m4!1s0x8f74588ae68a7515:0xd80db4aa733c53e7!8m2!3d11.5397222!4d-85.6213889?hl=pt-BR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vulc\u00e3o Concepcion (sul da Nicar\u00e1gua)<\/a><\/p>\n<p>*<strong>Percurso total:<\/strong>\u00a0 13km [ida e volta]<\/p>\n<p>*<strong>Dura\u00e7\u00e3o subida:<\/strong> 5h00<\/p>\n<p>*<strong>Dura\u00e7\u00e3o descida:<\/strong> 5h00<\/p>\n<p>*<strong>Ponto mais baixo:<\/strong> 150m<\/p>\n<p>*<strong>Ponto mais alto:<\/strong> 1500m<\/p>\n<p>*<strong>N\u00edvel de esfor\u00e7o f\u00edsico:<\/strong> M\u00e1ximo<\/p>\n<p>*<strong>N\u00edvel de dificuldade de orienta\u00e7\u00e3o:<\/strong> Alto<\/p>\n<p>*<strong>N\u00edvel de beleza da paisagem:<\/strong> M\u00ednimo<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1586 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.tomatechines.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/20180119_171939-400x225.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"225\"><\/p>\n<h2><span class=\"ez-toc-section\" id=\"Entendendo_a_aventura\"><\/span>Entendendo a aventura:<span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2>\n<p>Ometepe \u00e9 uma pequena ilha no sul da Nicar\u00e1gua que abriga dois vulc\u00f5es (um ativo), florestas tropicais e muita natureza\u2026 enfim um prato cheio para quem gosta de aventura.<\/p>\n<p>Desde o momento que eu entrei naquele barco e avistei o vulc\u00e3o longe no horizonte eu sabia:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cN\u00e3o posso sair dessa ilha sem subir l\u00e1\u201d, durante toda a viagem eu s\u00f3 pensava o quanto o dia estava lindo e como a o vulc\u00e3o tornava aquela paisagem perfeita, era com certeza o vulc\u00e3o mais lindo que eu j\u00e1 tinha visto na minha vida.<\/p><\/blockquote>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1585 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.tomatechines.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Sem-t\u00edtulo-400x195.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"195\"><\/p>\n<p>T\u00e3o logo me acomodei no povoado comecei a buscar as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a trilha (tanto localmente quanto pela internet). As informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram muito agrad\u00e1veis, todos eram muito enf\u00e1ticos sobre a necessidade de um guia, as ag\u00eancias e guias aut\u00f4nomos n\u00e3o ofereciam nenhum benef\u00edcio adicional (\u00e1gua, comida ou transporte) e cobravam a partir de 25 d\u00f3lares pelo servi\u00e7o.<\/p>\n<blockquote><p>Gostaria de abrir um par\u00eantese neste relato para deixar claro que eu respeito muito o trabalho dos guias, seja em turismo de aventura ou em passeios mais tranquilos. E as minhas decis\u00f5es a seguir n\u00e3o tem nada a ver com a experi\u00eancia ou a qualidade do trabalho destes profissionais.<\/p><\/blockquote>\n<p>Mesmo para grupos maiores o valor n\u00e3o melhorava, todos os guias da ilha cobravam este valor por pessoa inviabilizando qualquer tipo de barganha.<\/p>\n<p>Pode parecer pouco, mas para a realidade da Nicar\u00e1gua 25 d\u00f3lares \u00e9 bastante dinheiro. Para fazer uma compara\u00e7\u00e3o eu gasto aqui por dia: 5 d\u00f3lares hospedagem, 2 d\u00f3lares uma refei\u00e7\u00e3o (arroz, feij\u00e3o, frango, batata frita, salada e suco) e mais 1 d\u00f3lar para \u00e1gua e um lanche\u2026 total 10 d\u00f3lares por dia.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c<em>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que todo mundo pague isso! Vou procurar uma galera e ir por conta pr\u00f3pria!\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Eis que eu me deparo com um conflito cultural desagrad\u00e1vel:<\/p>\n<p>A maior parte dos turistas na am\u00e9rica do sul s\u00e3o europeus (voc\u00eas n\u00e3o t\u00eam ideia de como eu fico indignado de nossa gente preferir ir a Europa do que explorar as maravilhas que temos aqui, mas isso \u00e9 um desabafo para outro texto). E se algu\u00e9m diz a um europeu que ele <strong>PRECISA <\/strong>pagar algo, ele n\u00e3o questiona nem pechincha, paga e segue a vida. Sendo assim eu n\u00e3o achei ningu\u00e9m disposto a seguir a aventura comigo, pois o argumento dos guias era bem objetivo:<\/p>\n<p>\u201c<em>Voc\u00ea n\u00e3o pode escalar o vulc\u00e3o sem guia, \u00e9 ilegal\u201d<\/em><\/p>\n<p>P\u00e3o duro convicto e determinado a n\u00e3o pagar por uma \u201ccompanhia de caminhada\u201d mais do que eu pago por todo o resto, comprei comida e \u00e1gua e me preparei para partir sozinho no dia seguinte.<\/p>\n<h2><span class=\"ez-toc-section\" id=\"A_companhia_inesperada\"><\/span>A companhia inesperada<span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2>\n<p>O primeiro \u00f4nibus p\u00fablico em dire\u00e7\u00e3o ao vulc\u00e3o sa\u00ed as 5h da manh\u00e3 e o segundo apenas as 8h, sendo assim dormir um pouco mais n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, considerando que a trilha tem previs\u00e3o de dura\u00e7\u00e3o de 10 horas e come\u00e7ar \u00e0s 8h poderia resultar em ainda estar no vulc\u00e3o ap\u00f3s escurecer, incorrendo em mais perigo desnecessariamente.<\/p>\n<p>As 4h30 me sentei naquela parada de \u00f4nibus e junto comigo vieram todos os cachorros da ilha. Eu ainda n\u00e3o entendi o que aconteceu, eu n\u00e3o fiz barulho nem brinquei com eles, mas enquanto caminhava na rua todos os cachorros resolveram acordar e me seguir, alguns brincando entre si e outros brincando comigo.<\/p>\n<p>Quando o \u00f4nibus chegou, sem pedir licen\u00e7a ou sequer pagar a passagem um dos cachorros decidiu entrar comigo. Apesar do meu espanto o motorista reagiu normalmente, falou que este cachorro est\u00e1 acostumado a subir a montanha e podia at\u00e9 ser meu guia.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1593 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.tomatechines.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/20180121_063612-e1516750472710-225x400.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"400\"><\/p>\n<h2><span class=\"ez-toc-section\" id=\"A_trilha\"><\/span>A trilha<span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2>\n<p>O \u00f4nibus me deixou bem na entrada da trilha e apesar de ainda estar escuro n\u00e3o foi dif\u00edcil encontr\u00e1-la. A trilha come\u00e7a em uma fazenda e mesmo com pouqu\u00edssima sinaliza\u00e7\u00e3o o primeiro km \u00e9 bem tranquilo, praticamente plano e sem nenhum desafio.<\/p>\n<p>Depois desse aquecimento a trilha entra em \u00e1rea de floresta, o dia j\u00e1 est\u00e1 clareando, macacos gritam de todos os lados e de vez em quando meu cachorro guia corre atr\u00e1s deles, mas sempre regressa ao seu posto de trabalho.<\/p>\n<p>A partir deste ponto a trilha vai se tornando mais dif\u00edcil, o caminho enlameado e escorregadio em alguns momentos preciso me apoiar nas \u00e1rvores para n\u00e3o cair. O ganho de altitude \u00e9 cada vez mais intenso e as pausas para descansar mais frequentes.<\/p>\n<p>Duas horas depois de come\u00e7ada a trilha chegamos a um abrigo improvisado, ali estamos a 900m de altitude, aproveito o local para fazer um lanche e recuperar as energias\u2026 divido minha \u00e1gua com Gabriel, o agora batizado guia canino, e seguimos para a segunda metade da trilha.<\/p>\n<h2><span class=\"ez-toc-section\" id=\"A_escalada\"><\/span>A escalada<span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2>\n<p>20 minutos ap\u00f3s a cabana a floresta acaba, estamos em um campo totalmente aberto composto por rochas vulc\u00e2nicas, areia e vegeta\u00e7\u00e3o rasteira. Na cidade os guias falam que 50% das pessoas chegam at\u00e9 aqui e decidem voltar; e n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender o porqu\u00ea: o vento \u00e9 frio, forte e as rajadas s\u00fabitas quase me derrubam algumas vezes, a trilha se torna inexistente \u00e9 preciso caminhar sobre as rochas com muito cuidado para n\u00e3o escorregar ou causar uma avalanche. Esse \u00e9 o ponto que separa os meninos dos homens, ou melhor <strong><em>os homens dos malucos.<\/em><\/strong><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-35144 size-large\" src=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/20180121_093013-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/20180121_093013-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/20180121_093013-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/20180121_093013-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/20180121_093013-313x176.jpg 313w, https:\/\/www.mochileiros.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/20180121_093013-20x11.jpg 20w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><br \/>\nGabriel n\u00e3o se mostra intimidado, e num sentimento de: <strong><em>\u201cse ele consegue eu tamb\u00e9m consigo\u201d, <\/em><\/strong>decido seguir em frente.<\/p>\n<p>Deste ponto em diante o mapa que tenho comigo, um bom senso de orienta\u00e7\u00e3o e Gabriel foram fundamentais para seguir o caminho. N\u00e3o existe qualquer indica\u00e7\u00e3o da trilha a cada passo \u00e9 preciso analisar qual o passo seguinte. E por falar em passos neste momento estou andando semelhante a um <strong><em>gorila, <\/em><\/strong>utilizando os p\u00e9s e as m\u00e3o para consegui um pouco de apoio e n\u00e3o escorregar. N\u00e3o resta d\u00favida do porqu\u00ea todos s\u00e3o t\u00e3o incisivos ao dizer que esta \u00e9 uma trilha perigosa.<\/p>\n<blockquote><p>Seguimos devagar, eu sempre preocupado com ele e com como seria o caminho de volta, e ele com aquela cara inocente de quem diz \u201c<strong><em>vamos lerdo, voc\u00ea consegue!<\/em><\/strong>\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o tenho mais no\u00e7\u00e3o nenhuma de a que altura estamos ou qu\u00e3o pior pode ficar, mas pelo meu mapa pare\u00e7o estar mais perto que longe e me agarro neste pensamento para conseguir seguir em frente.<\/p>\n<p>Por duas vezes me perco da trilha original e sou for\u00e7ado a voltar um pouco para reencontra-la, na segunda vez eu estive prestes a desistir, mas a falha de comunica\u00e7\u00e3o entre mim e meu guia fez com que ele seguisse em frente e eu tive que ir atr\u00e1s para n\u00e3o abandona-lo.<\/p>\n<p>Duas horas e meia depois de iniciada esta fase da trilha, percebo que o ch\u00e3o est\u00e1 ficando quente (como uso as m\u00e3os para me apoiar \u00e9 f\u00e1cil perceber a diferen\u00e7a), o cheiro de enxofre fica mais forte e tudo indica que estamos chegando ao final. Neste ponto cansa\u00e7o, dor, frio, medo e ansiedade se transformam em determina\u00e7\u00e3o e ganho um impulso final para conseguir terminar.<\/p>\n<p>Quando finalmente chegamos ao topo do vulc\u00e3o come\u00e7a a chover, o vento \u00e9 frio e o enxofre sufocante, precisamos descansar r\u00e1pido porque \u00e9 perigoso passar muito tempo ali.<\/p>\n<h2><span class=\"ez-toc-section\" id=\"A_volta\"><\/span>A volta<span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2>\n<p>A primeira parte do retorno \u00e9 a mais dif\u00edcil e eu estou o tempo todo agachado deslizando devagar. Neste ponto encontro dois outros grupos subindo, todos ficam muito surpresos em eu estar caminhando sem guia e mais ainda de ter um cachorro comigo, mas um dos guias o reconhece e conversamos um pouco.<\/p>\n<p>Levei cerca de 3 horas para chegar at\u00e9 o abrigo no final da floresta, mas mesmo sabendo que ainda teria mais 2 horas de caminhada at\u00e9 o ponto de \u00f4nibus me senti aliviado porque o caminho final era menos perigoso e sem riscos de me perder.<\/p>\n<h2><span class=\"ez-toc-section\" id=\"Fotos\"><\/span>Fotos<span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2>\n<p>Esta \u00e9 a parte mais ir\u00f4nica da aventura. Em geral ap\u00f3s caminhar horas ou fazer travessias dif\u00edceis somos recompensados com paisagens de tirar o folego, onde os mochileiros se orgulham de tirar fotos e mostrar para os amigos. O vulc\u00e3o Concepcion n\u00e3o te permite isso.<\/p>\n<p>N\u00e3o importa em que \u00e9poca do ano voc\u00ea vai, ou qu\u00e3o ensolarado est\u00e1 o dia. Existe algum fen\u00f4meno clim\u00e1tico que eu desconhe\u00e7o (se algu\u00e9m souber por favor me explique) que torna o topo do vulc\u00e3o sempre encoberto por nuvens. Estive durante uma semana na ilha e houve dias que as \u00fanicas nuvens no c\u00e9u estavam ao redor do vulc\u00e3o parecia que havia um im\u00e3 ali.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia direta disto nenhuma das minhas fotos ficou boa. Esta \u00e9 definitivamente uma aventura pela satisfa\u00e7\u00e3o pessoal de superar meus limites e saber que sou capaz do que propriamente para admirar a natureza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dia voc\u00ea acorda e decide fazer uma trilha em um vulc\u00e3o ativo, o que voc\u00ea n\u00e3o sabe \u00e9 que essa vai ser a aventura mais longa, mais exaustiva, mais dif\u00edcil e mais perigosa da sua vida. 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