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Mostrando conteúdo com a maior reputação desde 20-11-2018 em todas áreas

  1. 16 pontos
    TORRES DEL PAINE 15 A 24 DE NOVEMBRO 2018 Vou fazer meu relato sobre o Circuito O de Torres Del Paine, na Patagônia Chilena. Foram 9 dias de trilha, sendo 8 de caminhada. Um total de 97 km, porque não fiz algumas partes, como o Mirador Britânico ou a ascensão a Base das Torres em si, por dois motivos, que vou explicar mais pra frente no relato. Eu não tinha nenhuma experiência com trilha, ou acampamento, ou viajar sozinha. Sempre fui sedentária, não sou de praticar esportes ou exercícios físicos. Então esse é um relato de uma pessoa que foi fazer o Circuito O, sem nenhuma experiência, com praticamente nenhum treino, só com a força de vontade. Se você sonha em fazer, mas tem medo ou não tem preparação, esse relato é pra você mesmo. DIA 1 HOSTEL – TORRES DEL PAINE GUARDERIA/CAMPAMENTO CENTRAL – CAMPAMENTO SERÓN Dificuldade: Média (considerada fácil para a maioria das pessoas) Distância: 13 km Saí do Hostel em que eu estava às 6h40 da manhã, com muita pressa e quase correndo, porque teria que andar 500m de pura subida (até com escadas na calçada), com minha mochila de 12.720kg e o ônibus saía da Rodoviária às 7h! Cheguei até com tempo de sobra, acho que acabei me desesperando tanto que fui mais rápido do que precisava, peguei o ônibus. Paguei 15.000 pesos chilenos, passagem de ida e volta, eu comprei as passagem dois dias antes, assim que cheguei em Puerto Natales, justamente porque sabia que o tempo seria curto, porém comprei pela Bus Sur que tem horário fixo de volta, ou seja, se eu comprei para o ônibus das 13h, não posso embarcar no ônibus das 19h e mais tarde acabei descobrindo que outras companhias dão a possibilidade de embarcar em qualquer ônibus desde que seja no mesmo dia da passagem compra, o que é uma idéia melhor, visto que imprevistos podem (E VÃO) acontecer. Embarcada no ônibus, a caminho de Torres Del Paine, a ansiedade estava a mil, no pensamento só o medo de não conseguir completar o circuito. A paisagem é maravilhosa, muito linda, com montanhas e pastos verdes, com ovelhas e guanacos que são tão fofos quanto parecem ser pelas fotos. Chegando ao Parque desci na portaria que ia começar a trilha, a Laguna Amarga. Eu já tinha compro o ingresso do Parque online, então fiquei em uma fila para fazer meu registro, apresentar o ingresso e meu documento, e pegar minha autorização e mapa para entrar. Com essa autorização, pude pegar um transfer que paguei 3.000 pesos até a entrada da trilha (é possível já ir andando desde a portaria laguna amarga, muita gente faz isso, mas eu queria evitar a fadiga) onde tem uma recepção. Tive que mostrar as reservas de acampamentos, e preencher uma ficha com alguns dados, incluindo numero de contato de emergência, só assim pude começar na trilha. Uma informação útil: é possível se conectar ao wifi nessa recepção, desde que você tenha uma conta PayPal ou cartão de crédito, você paga por hora ou minuto. Depois de todo esse processo, as 10h30min comecei oficialmente a trilha. Nos primeiros 15 minutos caminhando, já tinha uma subida (que eu considerei terrível), não deu tempo nem de esquentar o corpo e essa subida logo de cara. Comecei a subir pensando “o que eu to fazendo? Eu deveria voltar antes que seja tarde demais! Eu não vou conseguir, isso é loucura” com esses pensamentos negativos já vem as lagrimas, dois anos de planejamento, 2 anos sonhando com isso e eu já pensando em desistir antes do primeiro quilometro. Mas continuei andando, um passo na frente do outro, sempre pensando “mais um passo, só mais um passo” e parando a cada 10 minutos. Chegou a um ponto, que a subida não acabava eu parei e pensei “chega, vou voltar”, mas então olhei para trás, e p*ta merda, já tinha andando demais. Então eu continuei, o caminho é bonito, não é lindo de tirar seu fôlego, mas é bonito, tem muitas arvores, tem SIM um sobe e desce sem fim, e o dia estava meio chuvoso como era de se esperar para essa época do ano. Andei pra caramba, e quando eu pensava “to chegando” via uma placa de localização, falando que estava na metade, eu queria morrer quando isso acontecia. Então andei e andei, passei por uns vales, por subidas e descidas, todo mundo da trilha passou por mim, passei por algumas pessoas também, que passaram por mim novamente. Tem muitos rios pelo caminho, então não precisa se preocupar com carregar peso de água. Por fim, fica plaino e você começa a caminhar em um bosque, cheio de arvores e um caminho que parece acessível de carro. AH! Também vi cavalos selvagens nesse dia, eles ficam andando no caminho, tranquilamente, como se as pessoas sequer estivessem ali, simplesmente maravilhoso. Depois de andar muito, com nada maravilhosamente especial no dia (a não ser os cavalos, e o vento patagônico que te desafia), cheguei ao acampamento, as 16h30m. Gastei 6 horas para caminhar o que no mapa e na maioria dos relatos que li, são 4 horas. Mas cheguei, que alivio. O psicológico pesa muito, depois de montar minha barraca, entrei e chorei. Me senti isolada, sem saída, pensava “para eu ir embora e desistir, tenho que andar isso tudo de novo, o que eu vou fazer?” seguindo em frente, no segundo dia seriam 18km, se eu sofri pra 13, imagina pra 18! No Serón, tem banho quente, o que pulei porque estava exausta até pra isso (risos), tem um lugar para cozinhar, e não é permitido cozinhar fora dos lugares indicados. A salvação pro psicológico é encontrar pessoas para conversar quando se está no acampamento. E nesse quesito tive sorte, encontrei um grupo de brasileiros maravilhosos, que me incentivaram, e me deram uma força gigantesca psicologicamente, falando “relaxa, você vai conseguir, é só ir com calma”. Aquilo foi ouro de se ouvir, fiquei mais tranqüila e fui dormir, porque estava extremamente cansada e o dia seguinte seria longo, literalmente, já que na patagônia nessa época amanhece as 05h30min e escurece depois das 22h! Informação útil: no acampamento Serón também tem internet wifi, mesmo esquema do da recepção, pago por hora ou minutos; você faz check in, e eles meio que sabem que você vai passar lá, isso da uma sensação de segurança maravilhosa e segue por todo o percurso; eu montei minha barraca perto de uma lixeira, no outro dia vi que tinha um ratinho lá, por sorte ele não tentou invadir minha casa rsrs mas vale a atenção; a vista do Séron já é maravilhosa e SÓ FICA MELHOR A CADA DIA, SÉRIO! Vou continuar os relatos dos outros dias nos comentários. Pode demorar um tempo. Esse é meu primeiro relato, então não deve ser muito maravilhoso, mas eu quero mesmo é ajudar com informações que eu não encontrei quando estava me planejando. Qualquer dúvida que tiverem, informações que precisarem, sintam-se a vontade para me perguntar, será um prazer ajudar com o que eu puder.
  2. 11 pontos
    Quem nunca ouviu o ditado, ‘quem vê cara não vê coração’. Essa frase é excelente para traduzir as lutas, dores e dificuldades de uma conquista. Para o amor, não existe montanha alta o bastante, não existe caminho difícil demais, não existe desafio impossível, não existe um horizonte que não possa ser alcançado. Muitas vezes retratada e imortalizada diante um click de uma câmera, a alta montanha se assemelha ao amor. Não vou neste modesto texto desfocar o que disse o consagrado George Mallory que, ao ser indagado por qual motivo ele buscava o cume das montanhas, respondeu de forma simples e clara: “Porque ele está lá”, mas produzir uma metáfora com o tão buscado e verdadeiro amor. É tudo muito lindo quando fotos são postadas nos bastidores do Facebook, muitas delas nas alturas, a dezenas de graus célsius abaixo de zero, quilômetros acima das nuvens. Um difícil click que, muitas vezes, foram necessárias semanas de preparo, dias de aclimatação e uma caminhada árdua e que colocou a própria vida do protagonista em risco. Pelo caminho, muito além de flores, cenários deslumbrantes e pássaros, foram encontrados precipícios, temperaturas extremas, e as gretas traiçoeiras, que são as fendas no gelo, que podem ter dezenas de metros e que ficam encobertas por uma camada fina de neve, ocultas como um alçapão à espera do montanhista descuidado. É pisar, cair e morrer. Sim, muitas fotos trazem consigo o renascimento e a oferta de uma nova vida. O frio também cobra seu preço. Mesmo ‘mumificado’ com roupas especiais, temperaturas que podem chegar a 70 graus negativos costumam acometer as extremidades do corpo, sendo pontos vulneráveis os dedos e o nariz. Da mesma forma exemplifico o amor. Existem pessoas que nunca ousaram subir alto, admiram fotos e reportagens sobre a alta montanha e jamais se imaginam enfrentar tamanho desafio. Existem também os persistentes, insistentes e desafiadores, que enfrentam desafios para trazer para casa suas conquistas. Existem também aqueles que se contentam apenas em observar de camarim e aqueles que estendem uma toalha aos pés das altas montanhas, sem pretensão alguma de escalar. Seja lá a forma que você se enquadra, todas as opções refletem a busca pelo amor. Cada um em uma forma específica. Mas é aí que paramos para pensar, será que nos esforçamos de forma suficiente para encontrar o amor? Até onde preciso subir para que esse encontro se efetive? Por vezes, estamos no pé de uma montanha e lá estacionamos. Estagnados, permanecemos à espera do amor que pode estar poucos metros acima. Nos iludimos e nos conformamos com o fácil, acreditando que já estamos alto suficiente para encontrar o amor. O caminho do amor não se apresenta de forma fácil, muito pelo contrário, é árduo, perigoso e tal encontro não acontece por acaso, sem que você pare de sentir suas extremidades ou que sua respiração esteja beirando o impossível, diante o ar rarefeito e o despreparo para ver o que realmente o amor tem a lhe mostrar. Caminhos para o cume são vários e é você quem escolhe o que mais lhe convém, porém, visão do alto você não muda, existe apenas uma. Eu já estive lá em cima. Mas o que poucos, ou que quase ninguém sabe, é que por vezes quase não voltei. A neve faz o caminho desaparecer e, sem uma orientação eficiente, o seu retorno pode jamais acontecer. E lá está você, no alto da montanha, à espera do momento único de encontrar o seu amor. Sorriso no rosto ao perceber que superou adversidades e obstáculos que pareciam intransponíveis e, de repente, do nada, quando tudo parecia lindo, uma avalanche te surpreende. Você fica praticamente sem chão e seus pés tremem em uma base instável e sem sustentação. Todo seu esforço parece ruir, sua luta em busca do amor parece que de nada valeu. E em minutos você desce desgovernado sem entender o motivo que está te levando para baixo. Ao abrir os olhos, você percebe que está novamente aos pés da montanha e que só lhe resta juntar os destroços e, quem sabe, fazer uma nova tentativa, talvez, em uma outra montanha, sem ignorar as condições geográficas, climáticas, os perigos mortais e desafios muitas vezes ocultos. Ironia do destino, por mais bonito que pareça ser, ninguém pode viver no cume, que é um lugar para escalar, contemplar, deixar registrado uma marca e marcar sua história, e então descer e se preparar para arriscar montanhas mais altas e ter novas histórias para contar. Sim, eu já estive lá em cima. Por algum tempo, mas estive. Talvez não na mais alta montanha da minha vida, mas já estive lá. Tenha a consciência que você pode até mover montanhas e para isso precisa começar carregando pedras pequenas. Não espere a perfeição de imediato, pois essa é uma montanha que muitas vezes levará toda uma vida para ser escalada, um pouco a cada dia. Siga seu caminho, para o alto e avante. Lembre-se, nós não tropeçamos nas grandes montanhas, mas nas pequenas pedras. O amor realmente é uma montanha, e eu perdi o medo de altura. E por mais que saibamos que o cume é apenas um lugar de visitação, em uma destas aventuras podemos encontrar o amor bem lá no alto, em um lugar lindo e quente, e contra toda a regra da vida façamos desse lugar um lar eterno. Leve com você o ensinamento do provérbio chinês: não importa o tamanho da montanha, ela nunca poderá esconder o sol de sua vida. Bons Ventos!!! Luka Izzo
  3. 10 pontos
    Salve Salve Mochileiros! Segue o relato do mochilão realizado no Sudeste da Ásia em 2018 batizado de The Spice Boys and the Girl. 1º Dia: Partida - 04/11/18 - 19h05min - São Paulo x Madrid - Empresa AirChina - R$3.680,00 Reais Partimos do Aeroporto de Guarulhos - GRU em São Paulo por volta das 19:30 do dia 04 de Novembro de 2018, fizemos um check-in tranquilo com a empresa AirChina e embarcamos para nossas primeiras 9 horas de vôo até Madrid na Espanha onde fizemos conexão. O vôo foi bem tranquilo, até conseguimos dormir, porém a comida do avião não é das melhores mas acabei comendo assim mesmo e já começava ali a sentir o cheiro e o gosto da Ásia hahahahah. Chegamos em Madrid na Espanha por volta das 5:00am e fizemos uma conexão de 3 horas, deu tempo de dar uma volta no Free Shop, banheiro, comer alguma coisa (caríssima), fazer os procedimentos burocráticos e embarcar novamente pois teríamos a China ainda pela frente. 2º Dia: Partida - 04/11/18 - 8h15min - Madrid x Pequim - Empresa AirChina Chegamos em Pequim ainda de madrugada com uma temperatura de 7º, quem se deu bem foi quem ficou com as cobertinhas que a empresa AirChina empresta para as pessoas no avião, pois não esperávamos passar tanto frio no aeroporto da China como passamos naquela conexão rss. Assim que descemos do avião caminhamos um longo caminho até os terminais eletrônicos onde se inicia os procedimentos burocráticos de conexão da China. Finalizamos depois de alguns minutos os procedimentos e dormimos um pouco em bancos do aeroporto sendo acordados e presenteados por um lindo nascer do sol no Aeroporto de Beijing. Procedimentos concluídos no Aeroporto de Beijing partimos para o nosso tão desejado e esperado destino final daquela cansativa viagem de aproximadamente 23 horas, a capital da Tailândia, a grandiosa Banguecoque. 3º Dia: Chegada - 06/11/18 - 15h15min - Pequim x Banguecoque - Tailândia (Taxi ฿1.000 Baht, Chip ฿600,00 Baht, Hostel ฿340,00 Baht) Chegamos por volta das 15:00 pelo horário local, fizemos os procedimentos de imigração, primeiro o health control depois na fila de imigração, carimbamos nossos passaportes, pegamos nossas mochilas e pronto, lá estávamos livres para explorar Banguecoque. Trocamos $100,00 dólares no aeroporto com um câmbio de $1,00 dólar = ฿31,60 baht, depois compramos um chip para o telefone por ฿600,00 baht com 6 Gigas por um período de 30 dias e chamamos um Graab, como se fosse o Uber no Brasil, onde pegamos na parte superior do Aeroporto Internacional Suvarnabhumi por ฿400,00 baht em torno de R$40,00 reais que nos levou em 30 minutos até o nosso hostel, o The Mixx Hostel. Ficamos hospedados na rua Ram Buttri que fica do lado da rua mais famosa de Banguecoque, a Kaoh San Road onde rola a grande noite da cidade, uma ótima opção para mochileiros. Muita comida típica e exótica boa e barata, cervejas baratas, diversos bares, baladas, artistas de rua, drogas, sexo e tudo que uma bela noite de Banguecoque pode te oferecer pra se divertir. Vale a pena conferir! Na hospedagem pagamos por dois dias ฿340,00 baht, ficamos em um quarto com quatro camas/beliche, ar condicionado, banheiro compartilhado e café da manhã incluso, o hostel é simples mas atende as necessidades com uma ótima localização. Conhecemos alguns templos na capital, alguns fomos a pé mesmo pois são muito próximos um do outro. Wat Pho (Buda reclinado), Wat Saket (Monte dourado) e Wat Arun (Templo do amanhecer). A cidade é bem frenética mas andar a pé pelas suas ruas foi uma bela escolha. caminhamos muito por essas ruas, muito das vezes sem um rumo certo, mas logo nos achávamos pelo google maps. A cada esquina que se vira na Tailândia você vê uma foto do rei. Embora o já tenha falecido, o povo Thai tem muito respeito pelo rei Bhumibol Adulyadej que morreu em Outubro de 2016 com 88 anos de idade após 70 anos no poder que hoje tem como rei o seu filho Maha Vajiralongkorn. A culinária asiática é muito exótica, a cada comida que você experimenta é uma surpresa de sabores. Experimentei o famoso prato típico de rua tailandesa Pad Thai, uma espécie de macarrão de arroz frito com frutos do mar ou carne de porco ou de frango, acompanhado de castanhas com pimenta que custa em média ฿100,00 Baths e se encontra em todo lugar da Tailândia, experimentei também o Thai Mango Sticky Rice, uma sobremesa tradicional tailandesa feita de arroz glutinoso, manga fresca e leite de coco, ambos baratos e deliciosos, mas existem uma infinidades de comidas para serem saboreadas na Tailândia. Ficamos 3 dias na capital Banguecoque e além de conhecer templos tentamos entrar na rotina das pessoas locais. No terceiro dia para chegar em um templo tivemos que pegar um transporte público BTS Skytrain no rio Chao Phraya. Passamos por alguns pontos e depois retornamos até chegar no templo Wat Arun. As passagens são muito baratas, pagamos por volta de ฿80,00 baths tanto ida quanto volta, então vale muito mais a pena o tour por conta e ainda tivemos uma vista maravilhosa totalmente diferente da cidade vista pelo rio. Ficamos no templo Wat Arun até fechar por volta das 19:00pm, depois fomos de barco pelo rio Chao Phraya até o porto que da acesso ao grande mercado Asiatique, um maravilhoso complexo de lojas e restaurantes, um verdadeiro shopping ao céu aberto localizado às margens do rio Chao Phraya situado nas antigas docas de uma empresa que realizava comércio na região portuária no século passado. Em função da sua localização e história, seu layout é temático e apresenta uma decoração especial com tema inspirado no reinado do Rei Chulalongkorn (1868-1910) e na atividade marítima. Ficamos umas boas horas comendo, bebendo e curtindo o local, depois pegamos um táxi por ฿200,00 baht para o hostel pois no outro dia logo de manhã tínhamos o nosso vôo para as belas praias da Tailândia. Assim que chegamos no hostel deixamos reservado nosso táxi para o aeroporto Don Mueang - DMK por ฿400,00 baht pois sairíamos bem cedo para o aeroporto. Acordamos por volta das 5:00am da manhã e o táxi já estava nos esperando na porta do hostel no horário combinado, após 30 minutos chegamos no aeroporto. Partiu praias... 6º Dia: Praia - 09/11/18 - 7h25min - Banguecoque x Krabi x Ao Nang - Empresa Air Asia - R$148,00 Reais (((((Continua no próximo post))))) Facebook: https://www.facebook.com/tadeuasp Instagram: https://www.instagram.com/tadeuasp/
  4. 9 pontos
    Fiz uma viagem incrível pôs países: Bolívia, Chile e Peru. Quem se interessar pode deixar seu contato para mandar o Roteiro. Essa viagem eu fiz sozinho e posso garantir que foi a melhor viagem da minha vida. Quero muito fazer Uruguai - Argentina - Chile - Colômbia. Talvez em 2020. Esse ano irei ficar pelo Brasil. Chapada dos Veadeiros. Quem tiver de boa e quiser vir junto ao chamar. abracos
  5. 9 pontos
    Parte 4 - Do Brasil para a Argentina "Oh! Oh! Seu Moço! Do Disco Voador Me leve com você Pra onde você for Oh! Oh! Seu moço! Mas não me deixe aqui Enquanto eu sei que tem Tanta estrela por aí" S.O.S, Raul Seixas Logo que chegamos no posto já fomos sondar os caminhoneiros que haviam pernoitado por ali. Vinte minutos depois fui conversar com um caminhoneiro que estava escovando os dentes em frente ao seu caminhão. Me apresentei e expliquei rapidamente a viagem. Quando ele começou a falar só vi um monte de pasta de dente voando na minha direção. Tentei desviar. Porém, fui derrotado e como prêmio recebi uma enxurrada de saliva misturada com creme dental no rosto. O sangue subiu, mas quando eu ouvi o caminhoneiro dizer "Estou partindo agora, se quiser ir tem que ser já" engoli o orgulho e abri um sorriso, e respondi "Bora". Corri chamar o Matheus. Ajeitamos nossas coisas na cabine e partimos rumo a Itaqui. Foto 4.1 - Os arredores do posto Foto 4.2 - O caminhão vermelho no fundo foi o que viajamos O início da viagem foi esquisito demais. Wagner, o caminhoneiro, fazia diversas perguntas que mais se parecia com uma entrevista de um sequestro. "Vocês tem dinheiro ai?", "Alguém de suas famílias sabem que vocês estão aqui agora?", "Precisa ter muito dinheiro pra viajar assim!", "Vocês sabem que tem muito louco pela estrada!", "Já sofreram algum tipo de violência com um caminhoneiro?". Essas foram algumas das frases que me lembro, mas foram meia hora desse tipo de conversa. O Matheus ficou mudo, não dizia nada. Por alguns segundos pensei em pular do caminhão (risos). Aos poucos fui tentando levar a conversa pra outro rumo. Até que começou a tocar Raul Seixas. Caralho! Tinha até esquecido do quanto eu gostava de ouvir aquelas músicas. Comecei a cantar. O Wagner também começou a cantar. O som da música foi para as alturas. A cara carrancuda do Wagner começou a esboçar os primeiros sorrisos. Quando começou tocar S.O.S. e troquei o trecho "Oh! Oh! Seu Moço! Do disco voador me leve com você pra onde você for" por "Oh! Oh! Seu Moço! Do caminhão me leve com você pra onde você for" ele deu risada e nesse momento as conversas tomaram um rumo diferente. E assim, começamos a conhecer as teorias de Wagner. Foto 4.3 - O caminho A primeira teoria ele nos explicou quando tocava Cowboy Fora da Lei, no trecho que diz "Oh, coitado, foi tão cedo. Deus me livre, eu tenho medo. Morrer dependurado numa cruz" o Wagner logo emendou "Foi brincar com o Homem e logo morreu, claro que tem ligação!". Depois começamos falar de política (assunto perigoso quando se é caroneiro!) e ele começou a introduzir sua frase típica, pra qualquer político ele sempre dava mesma resposta: "O Lula aquele Zé Buceta! Nem sabe que eu existo, vou ter que continuar trabalhando do mesmo jeito.", "O Bolsonaro aquele Zé Buceta! Nem sabe que eu existo, vou ter que continuar trabalhando do mesmo jeito.". Depois foi a vez do futebol, e ele era assertivo na sua frase: "Jogadores de futebol são tudo Zé Buceta! Nem sabem que eu existo, pra que vou torcer se vou ter que continuar trabalhando do mesmo jeito." (risos). A sua opinião de mundo se resumia nisso "Zé Buceta! Nem sabe que existo, vou ter que continuar trabalhando do mesmo jeito", confesso que é uma boa visão de mundo, mas tornava o Wagner previsível até então. Foto 4.4 - Mais um pouco do caminho Quando começou tocar Quando Acabar o Maluco Sou Eu, o Wagner começou se autodenominar como maluco, mas logo fez uma mea culpa falando que era o único da família assim. E assim, começamos a conhecer o Wagner de verdade. Disse que tinha muitos irmãos e que a maioria era estudado e falava com orgulho de um irmão que morava e trabalhava na Alemanha. Depois, contou a história de sua mãe e como ele sentia ter perdido ela tão cedo. Falou da sua esposa e da sua filhinha. Disse que jogou futebol e foi da base do Santos junto com o Robinho. Seu pai era da aeronáutica e por agora ele estava tirando brevê de voo, mas logo emendou com a seguinte frase "Aqueles Zé Buceta cobram caro demais por aula! Ai tenho que trabalhar muito mais". Disse também que quase não parava na sua casa e que estava trabalhando muito, emendando uma carga na outra. E nos contou de quando era caminhoneiro em outra empresa e viajava pela Argentina rumo a Terra do Fogo. Ele não gostava de argentinos de jeito nenhum, não entendi o porque, mas toda vez que ele falava de argentinos ele se referia como aqueles Zé Buceta (risos). Quando acabou as músicas do Raulzito, começou a tocar Astronauta de Mármore do Nenhum de Nós e nesse momento ele disse "Vocês não tem fome não, sobe ali e pega um pacote de bolacha pra nós comermos.". Foto 4.5 - O carro vermelho no caminho Comemos. A distração do Wagner é buzinar pra pessoas distraídas na pista. Ele dava risada com isso e eu também. Nos cagamos de dar risada quando o Wagner disse "Olha que vaca rica!" ao vermos uma vaca sozinha num pasto imenso. Agora nós três eramos bons amigos e as conversas rolavam naturalmente. A partir daqui o tom das conversas foi mais para as brincadeiras e risadas, e a música acompanhou, nesse momento começou tocar só música de balada. Wagner deixou o volume no máximo. Tocou até Harlem Shake e seu "Con los terroristas". Foi engraçada e perplexa toda aquela situação. Confesso, que estava curtindo aquela balada ambulante pela qual viajávamos. Ai o caminhão parou, ele nos disse que ali deixaria nós. Era a entrada de Itaqui (cidade distante 100km de Uruguaiana). Ele seguiria para a Camil carregar o caminhão com arroz. E assim, nos despedimos dessa figura que é o Wagner e voltamos para a rodovia. Wagner foi um cara que lembraríamos por toda a viagem. Seu jeito esquisito no início deu lugar a um cara gente boa demais. A sua maneira ele é um cara de coração grande. Tanto que para mim a música tema dessa viagem é S.O.S. do Raul Seixas, toda vez que eu tinha uma chance eu colocava essa música durante a viagem. Creio que seu jeito esquisito de início foi uma defesa natural por dar carona para dois caras, ele estava em desvantagem naquela situação. Se nos sentimos em perigo por um momento, ele também deve ter se sentido em perigo também, apesar de nossas caras de bobos (risos). Gosto de gente como o Wagner, de fala fácil, sem papas na língua e que sai do comum e fala o que pensa (mesmo que isso resuma o resto do mundo em Zé Buceta). Depois seguimos caminhando pela rodovia. Toda vez que um veículo passava por nós erguíamos o dedão da esperança. E assim fomos até chegar num posto rodoviário. O movimento de caminhões e carros era baixo. Sondamos os caminhoneiros parados, mas a maioria iria carregar o caminhão de arroz ali perto. Tava quente demais. O Matheus deu uma olhada no BlaBlaCar e tinha um carro saindo por aquela hora para Uruguaiana. Era baratinho, acho que estava dez reais e resolvemos seguir de BlaBlaCar. Uns minutos depois do meio dia o Guilherme parou no posto rodoviário e seguimos viagem com ele. Foto 4.6 - A saída do posto Fiquei na parte de trás esmagado pelos mochilões. Matheus dessa vez tomou a dianteira das conversas. Eu pouco conversei e só ouvia a conversa dos dois. Guilherme é um ex militar que agora é vendedor da Convex. Estava se acostumando com essa nova vida. Tinha descoberto o BlaBlaCar no dia anterior, que sorte a nossa. E seguia para Uruguaiana para tentar fazer algumas vendas e fechar melhor o mês de novembro. Geralmente, eu não falava sobre o meu mestrado, mas nesse dia com o Guilherme eu descobri que falar o que eu fazia criava uma confiança entre a pessoa que nos dava carona, além de criar uma curiosidade e deixar a pessoa meio sem entender porque viajava daquele jeito. Enfim, fiz mestrado em inteligência artificial. Guilherme ficou bastante curioso conosco e sua conversa com o Matheus fluía bem. O caminho ao redor não muda nada de São Miguel das Missões até Uruguaiana. Muitos silos e plantações de arroz pelo caminho. Guilherme falou bastante sobre sua vida no exército. Ele é um cara articulado e fala muito bem, acho que a profissão de vendedor tem tudo haver com ele. Falou das suas muitas viagens e missões como militar. O curioso que ele se autodenominava ex milico, sempre achei que milico era um termo pejorativo pra militar. Ele é viajante também e está preparando uma viagem de moto até Ushuaia. Estava com saudades da mulher e da filha e depois de Uruguaiana seguiria direto pra sua cidade rever as duas. Atravessamos uma ponte com sinaleiro, onde só da pra passar carros por apenas um sentido por vez. Depois disso nos aproximamos de Uruguaiana. A viagem foi bem legal, o Guilherme é um cara gente boa demais. Ele nos deixou próximo a casa de câmbio e nos explicou por onde teríamos que seguir para atravessar a fronteira. Demos um abraço de despedida no Guilherme e seguimos nosso caminho. Foto 4.7 - A tal ponte Cambiamos parte do nosso dinheiro. A ideia era levar todo o dinheiro em espécie para melhor controlar ele e saber o momento de voltar. Assim, com uma parte em pesos argentinos e outra em reais, para cambiar no futuro, seguimos para a fronteira. Estávamos com fome e no meio do caminho paramos pra comer um lanche. Aproveitamos e compramos um adaptador universal para carregar os celulares na Argentina. Ficamos sabendo que não se pode cruzar a pé a ponte que une Brasil e Argentina. Quando eu conversava com o tiozinho do lanche para pegar mais informações das maneiras possíveis de atravessar a fronteira, um senhor veio falar comigo. Seu nome é Jadir e se ofereceu para nos levar até a aduana argentina. Colocamos as mochilas na caçamba e entramos na sua caminhonete. O trecho não durou dez minutos, mas deu pra conversar bastante com o Jadir. Ele é representante de produtos hospitalares e ficou bastante preocupado com a nossa viagem, dizia que a Argentina era um país muito perigoso atualmente. A conversa foi boa e ele no final parecia nosso pai, cheio de conselhos sobre segurança e ainda deixou seu cartão comigo caso precisássemos de algo por aquele dia ou no futuro. Que satisfação conhecer o Jadir, que ao ver nós com uma necessidade não hesitou em nos ajudar. Demos um tempo na aduana antes de cruzar a fronteira, pois ainda tínhamos internet no celular. Cruzar a fronteira foi bem tranquilo. Enfim, estávamos na Argentina. Agora caminhavamos por Paso de los Libres e assim, seguimos para a rodoviária da cidade. A cidade parece mais um bairro. Ouvimos dizer que a cidade é violenta, não sei ao certo, mas a cidade é bem pobre. Chegamos na rodoviária e todos guichês estavam fechados. Esperamos mais um pouco e logo os guichês começaram a abrir. Pesquisamos os preços dos ônibus para Buenos Aires. Na Argentina tem-se desconto pagando em dinheiro e somado que naquele final de semana começaria o G20 na capital (e ninguém queria estar na sitiada Buenos Aires), conseguimos um desconto de quase 50% no valor da passagem. Ficamos horas e horas na rodoviária da diferente Paso de los Libres. Com o passar das horas já estava acostumado com o espanhol. No meio da noite chegou o nosso ônibus. Agora a viagem seguiria para Buenos Aires. Esse dia foi um bom dia. Conseguimos duas caronas e uma carona por BlaBlaCar, além de pagar bem baratinho para chegar até Buenos Aires. Percorremos muitos quilômetros em companhia de diferentes pessoas e de muita conversa. Estar na Argentina era simbólico para nós, pois parecia que só agora a busca pelo fim do mundo tinha começado. Nesse momento o frio na barriga começou a me dominar. Agradeço de coração ao Wagner, Guilherme e Jadir pelas caronas. E como falei muito do Raulzito nessa parte, queria terminar com um pedaço de sua música Por Quem os Sinos Dobram (nome tirado do livro de mesmo nome do Ernest Hemingway): "Nunca se vence uma guerra lutando sozinho Cê sabe que a gente precisa entrar em contato Com toda essa força contida e que vive guardada O eco de suas palavras não repercutem em nada É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro Evita o aperto de mão de um possível aliado, é Convence as paredes do quarto, e dorme tranqüilo Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz Coragem, coragem, eu sei que você pode mais" Por quem os sinos sobram, Raul Seixas
  6. 8 pontos
    Desde a minha adolescencia sempre quis conhecer dois lugares: Machu Pichu e Camboja. Mês passado consegui realizar um desses sonhos! Um dia antes de viajar, fiquei sabendo através de um grande amigo meu piloto que vários vôos estavam sendo cancelados por causa do tufão que passava pelo local justamente onde eu iria fazer conexão. Eu estava super nervosa com medo do meu vôo ser cancelado e com isso arruinar o meu planejamento. Cheguei no aeroporto, suando de nervosa, olhei para a atendente e estava tudo certo para minha viagem! Pra chegar ao meu destino dos sonhos passei por uma conexão em Taipei, no meio do tufão, mas nem por isso deixei de explorar a cidade e conhecer a linda Praça da Liberdade. De volta ao aeroporto, meu proximo destino seria Bangkok! 4 dias não foram suficientes para conhecer essa cidade incrível. Comida maravilhosa, rooftops de tirar o fôlego, tuk tuks pra todos os lados, templos incríveis e bares super animados. Aproveitei a oportunidade e com a ajuda de um grande amigo meu da minha terra natal consegui cantar em um live house. Com isso tive a oportunidade de conhecer excelentes músicos numa jam incrível com gente de vários países. Obrigada Caio pela noite maravilhosa (na verdade pelas duas noites!!!). Apesar de me despedir de Bangkok com desejo de ficar mais, eu também estava super ansiosa para chegar no meu proximo destino: Camboja. O Camboja é um país que sofreu muito com a guerra Khmer Vermelho, um dos maiores genocídios da história recente, matando grande parte da população e até hoje é possível ver as marcas deixadas dessa terrível catástrofe humana. Quando o avião pousou (graças a deus! Por que era um mini avião com hélice #medo), o calor estava de matar! Passei pela imigração e finalmente estava pisando em terras cambojanas. O motorista do hotel, seu Barang, estava lá me esperando e, apesar da dificuldade de comunicação, esbanjava simpatia. O carro deu partida e comecei a ver a cidade de Siem Riep através da janela. A cada quilômetro rodado, o cenário era o mesmo, muita pobreza. Cheguei no hotel e fui recebida com um delicioso chá e doces típicos do Camboja. Joguei minha mochila no quarto e fui rumo a Vila flutuante de pescadores que ficava a uma hora do centro. Na chegada à vila, a canoa passava pelas principais “ruas” onde é possível ver casas, igrejas e até uma escola suspensa. Pausa para o almoço num restaurante flutuante no meio de um enorme e importante lago para os pescadores. É ali que eles pescam e vendem para outros restaurantes no centro da cidade. Sentei à mesa e pedi o famoso Amok: um curry de peixe com toque de capim limão, prato típico do Camboja. Enquanto eu almoçava, uma criança linda dos olhos brilhantes não parava de me observar até que fui em direção a ela e começamos a nos comunicar através de sorrisos e olhares curiosos. Aprendi algumas frases em cambojano num pôr do sol lindo enquanto eu estava sentada à beira do lago com uma menina cheia de vida. Nesse momento, percebi a beleza do cenário e tirei uma das fotos mais lindas da vida! Dia seguinte, dia de visitar os templos do complexo Angkor, Patrimônio da Humanidade pela Unesco, com a ajuda de um super querido guia, Sohkom. Eu queria saber mais sobre a história do Camboja e sobre os detalhes dos templos. Fiquei horas caminhando na imensidão desse lugar abandonado no meio da selva. No meio do passeio, fui indo em direção a uma música e me deparo com uns homens tocando instrumentos típicos da região. Quando eu percebi estava no meio deles tocando percussão. Todos os músicos eram sobreviventes da guerra, mutilados, vítimas das minas terrestres. Foram horas de aprendizado e informações sobre essas ruínas do império Khmer. À noite, tive tempo pra beber uma cerveja local, fazer massagem por 1 dólar, curtir um pouco da Pub Street e cantar com uma banda de rock no Hard Rock Café. No dia seguinte, levantei as 6 horas da manha, aluguei um quadriciclo e fui desbravar Siem Riep. Eu acho que foi o passeio que mais me comoveu. Foram mais de 4 horas explorando a cidade. Parei num mercado e comprei algumas caixas de macarrão pra doar aos alunos de uma escola construida pelos japoneses❤️. Excelente trabalho dos professores, todos voluntários. De volta a minha moto, coloquei meu capacete e máscara pois havia muita poeira (as ruas não são asfaltadas) e comecei a distribuir comida pras crianças. O mais impressionante é que todas vinham com um baita sorriso no rosto e falavam obrigado. Até mesmo algumas que não falavam por timidez, os pais agradeciam por elas. Hora de voltar pro hotel, pegar uma piscina e esperar o pôr do sol. À noite, me deliciei com o meu ultimo jantar no estilo cambojano e depois fui a um bar de musica ao vivo onde conheci uma cantora de voz linda e serena cantando músicas típicas da região. Fiz questão de falar com ela que ficou encantada quando a elogiei. Muito linda! Vim embora com um aperto no coração de quem precisa voltar. Apesar da pobreza, dos conflitos civis, das atrocidades de um general que aniquilou grande parte da população no passado e de tantos outros problemas em que esse país ainda se encontra, o Camboja e seu povo vão ficar guardados pra sempre no meu coração! Instagram: Yumi_oficial ou Yumiaroundtheworld C581EB70-143E-4458-8CA0-93B5353330A3.MOV 5DEA23CB-8A9F-4EDD-88F6-D85B33E9D4B1.MOV 918A37ED-6D9D-4DD5-AAD2-58A752B49A6B.MOV
  7. 8 pontos
    Salve, galera! Esse é o resumo de um mochilão radical que fiz há alguns meses, espero que gostem. Caso queiram mais informações, podem acessar meu blog Rediscovering the World ou o livro que acabei de lançar (Trekking Extremo no Himalaia: Acampamento Base do Everest + Gokyo). Dia 1 Em 17 de março de 2019, ao chegar ao aeroporto de Guarulhos, tomei uma sequência de voos pela Air China, cujo destino final seria Mumbai, na Índia. Compradas quase 5 meses antes, as passagens de ida e volta custaram 734 dólares. Dia 2 Após breve conexão em Madri, o avião grande seguiu até Pequim. Ambos voos foram bem-sucedidos. Como a espera até o voo final levaria o dia todo, decidi aproveitar que o visto não é necessário para permanecer até 144 horas na capital chinesa. Dessa forma, passei pela fila da imigração em uma hora, saquei yuans (1 real = 1,75 yuans) num dos caixas automáticos e deixei o aeroporto no metrô que me levou até o centro da cidade. O trajeto de meia hora custou 25 yuans. Deixei a linha do aeroporto para pegar outra, ao custo de 4 yuans. Logo me impressionei pelo desenvolvimento e pela limpeza de Pequim, tirando a névoa permanente que quase esconde o sol. Só a falta de educação dos chineses que seguiu conforme o esperado. O primeiro monumento visitado foi o do conjunto Templo do Céu (28 yuans). Numa área grande, fica um parque com as estruturas erguidas em 1420 para orar em busca de uma boa colheita. A construção principal é o maior templo redondo de madeira da China. Depois de uma boa caminhada, comprei 4 bolinhos (dumpling) de carne por 2,5 yuans cada, mesmo sem saber antecipadamente o que viria dentro. Segui então caminhando até chegar à sequência de postos de controle policial de onde ficam as principais atrações de Pequim. Primeiramente, o museu nacional. É em sua maioria gratuito, num prédio bastante amplo, mas com conteúdo quase todo em mandarim e poucas exposições realmente interessantes. Entre essas, os presentes recebidos pela China de todo o mundo. Em seguida, caminhei ao redor da Praça Tian'nanmen, a Praça Celestial. É famosa por um massacre que aqui ocorreu durante protesto da população. Também não se paga e há espaço de sobra, com um memorial a Mao Tse-tung e um monumento aos heróis chineses. Por fim, entrei na Cidade Proibida. Como estava faminto e o corpo já se entregando de cansaço, tive que almoçar ali mesmo, pagando 32 yuans num prato raso. Mais uma atração enorme: são dezenas de palácios, muralhas e portais. Para visitar em baixa temporada (agora), custou 40 yuans. Mesmo assim, é difícil conseguir uma foto boa, tamanha a quantidade de chineses que visitam o complexo. Na saída, tentaram me aplicar o golpe de bater um papo num bar e ser extorquido, mas como eu já sabia dessa, escapei. Esgotado, retornei ao aeroporto no final da tarde. À noite, voei num avião menos novo pra Mumbai, tirando um belo cochilo a bordo. Dia 3 Desembarquei já na madrugada seguinte. Passei pela imigração com o eVisa feito antecipadamente na internet e troquei dólares por rúpias (1 dólar = 66 rúpias) logo após a imigração. Por fim, pedi pra chamarem um Uber pra mim, pois o táxi até o hotel próximo custava 500 rúpias, enquanto o Uber saiu por 210. O problema foi achar o danado, escondido numa viela. Somente às 3 e meia eu entrei no Ahlan Dormitory. Pra ficar num quarto coletivo, gastei 250 rúpias por noite. Só que o lugar não era muito agradável, pois era barulhento, fedia, estava sujo e quase sem água. Algo me picou na cama e me deixou com marcas por semanas. Pelo menos o wi-fi, o ar e o guarda-volumes funcionavam. Pra piorar, fui acordado antes das 8h pelos hóspedes e funcionários, não conseguindo mais dormir - o que já tinha dado bastante trabalho antes, vide o jet lag. Levantei, tomei o “chai” (na Índia, o chá é misturado com leite) e parti pra luta. Caminhando um pouco já notei a diferença colossal na (falta de) limpeza, em relação a Pequim. Peguei o metrô recém inaugurado, com ar condicionado, a partir de 10 rúpias. Para começar a preparar meu estômago, tomei um suco natural por 40. Em seguida, entrei na estação de trem suburbano. Que caos! Gente correndo e se empurrando por tudo que é lado, pendurada nas portas dos vagões como nos filmes, e tal. Para vivenciar um pouco disso, e porque eu queria economizar, comprei um bilhete da 2ª classe de Andheri a Churchgate. Apenas 10 rúpias até ponto final, 22 km adiante! Ainda que estivesse bem quente, os indianos vestiam quase todos roupa social, nenhum (além de mim) de bermuda. Da estação, fui até o principal museu da cidade, de nome complicado: Chhatrapati Shivaji Maharaj Vastu Sangrahalaya. Construído pra homenagear o príncipe do País de Gales, hospeda hoje num edifício de arquitetura indo-sarracena uma porção de artefatos relacionados a Índia e além, contando sua história. Pena que o ingresso seja meio salgado: 500 rúpias + 100 pra usar câmera. Nessa hora, começaram a pedir pra tirar foto comigo, como se eu fosse famoso. O almoço foi no renomado Delhi Darbar. Fiquei com um picante mas apreciável prato de “angara chicken” por 550 rúpias. Saí cheio. Acabei optando por fazer um city tour de 3h por 3500 rúpias, bem mais do que eu deveria pagar. Nele, passei por vários locais interessantes, como uma lavanderia a céu aberto, diversos prédios públicos e privados com arquitetura colonial britânica, o museu-casa do Gandhi (Mani Bhavan), a orla de Marine Drive, a colina de alto padrão Malabar e o templo da religião jainismo. Depois, fiquei no mercado de rua, onde não consegui caminhar em paz, indo então de volta pro hotel através de outra linha de trem da estação central. Retornei pendurado na porta aberta do trem. Comi um negócio, antes de conhecer dois jovens ucranianos no dormitório. Fiquei papeando e dei uma volta com eles, pra conferir o movimento das ruas poluídas. Aproveitei para provar a sobremesa quase sem gosto chamada “falooda” (40 rúpias) e levar umas bananas (6 por 1 real). Dia 4 Com o feriado do Holi, o qual me gerou uma pintura facial, o transporte público ficou bem menos cheio, ainda que sua frequência também tenha diminuído. Peguei os mesmos 2 transportes da manhã anterior, mas quando cheguei à estação final, pedi um Uber até o monumento Gateway of India, de onde partem os barcos até Elephanta Island, por 200 rúpias ida e volta. A baía até a ilhota é entulhada de estruturas. O translado leva cerca de uma hora; no total da minha hospedagem até a ilha eu levei quase 4 horas de deslocamento! Ao chegar, peguei um trenzinho da alegria (10 rúpias). Almocei no restaurante Elephanta Port, escolhendo um prato de “biryani” por 275 rúpias. O “biryani” de frango viria a se tornar meu prato preferido no país. Depois, subi o morro em meio a inúmeras barracas de souvenires. Para acessar as cavernas de Elephanta, patrimônio da UNESCO, paga-se atualmente 600 rúpias. São 5 delas, entalhadas diretamente na rocha durante 1300 anos do século 6 até a invasão e destruição parcial pelos portugueses. Há colunas, santuários e muitas estátuas em homenagem à deusa Shiva. Pena que com a quantidade de visitantes, praticamente todos indianos, fica difícil sacar boas fotos. O guia local Krishna me encheu tanto o saco que acabei aceitando uma explicação de meia hora por 500 rúpias. Quando ele me chamou pra ir num bar depois, meu sensor de golpe apitou. E eu estava correto, pois ele tentou fazer com que eu pagasse a cerveja dele e ainda tomar meu dinheiro com a desculpa de que iria pagar minha parte, mas não teve sucesso quando eu o peguei fugindo… Essa cerveja Kingfisher, a mais popular da Índia, não é boa. Só poderia ser assim, já que leva açúcar e xarope de arroz e milho na fórmula. Depois desse fato lastimável, subi as escadarias até o topo do morro, com vista para o mar e cheio de macacos fofos (Macaca radiata) - até eles roubarem sua comida. Ali fiquei famoso de novo, visto a quantidade de gente que pediu foto comigo. Retornei à hospedagem, chegando após escurecer. Só comi algo salgado e repousei. Dia 5 Acordei cedo pra pegar uma condução até o terminal 1 do aeroporto (110 rúpias), onde voei de SpiceJet até Bangalore. Que bom que mesmo as companhias de baixo custo da Índia permitem despachar até 15 kg gratuitamente, já que meu mochilão cheio dificilmente passaria por bagagem de mão. Em Bangalore, embarquei logo num segundo voo da GoAir até Port Blair, a capital maior cidade do arquipélago isolado de Andaman e Nicobar. Como se já não estivesse quente o suficiente em Mumbai, a temperatura de Port Blair na chegada estava em escaldantes 34 graus. Peguei um tuk-tuk (100 rúpias) até a estação de ônibus principal. Como perdi o ônibus das 15h e o próximo partiria quase 2 horas depois (somente mais tarde eu descobri que havia mais ônibus no outro terminal chamado Aberdeen), aproveitei pra fazer um lanche ali e comprar mantimentos no supermercado Mubarak. O ônibus saiu cheio. Levou cerca de uma hora e 24 rúpias para chegar ao vilarejo de Wandoor. Lá me hospedei no Anugama Resort, numa suíte privada bem razoável. Só que de resort o lugar não tem nada, nem sequer uma piscina, bar ou internet funcionando. Ao menos, os funcionários são gentis. Na hora do jantar, em que fiquei com um curry de peixe (190 rúpias) no restaurante da hospedagem, conheci uma família de belgas e holandês, com quem bati um bom papo. Dia 6 Acordei várias vezes durante a noite e levantei pelas 6, sendo que já havia sol um bom tempo antes. Eu e um dos companheiros da noite anterior fomos a pé cedo ao escritório do Parque Nacional Marinho Mahatma Gandhi para tentar conseguir a permissão para adentrá-lo, mais especificamente na ilhota de Jolly Buoy. Lá, descobrimos que os barcos já estavam cheios, e que precisaríamos tanto agendar o passeio quanto conseguir a permissão no escritório de turismo em Port Blair. Sendo assim, barganhamos um táxi para nos levar, esperar e trazer de volta por 2 mil rúpias. Emiti a permissão (mil rúpias) e o bilhete do barco para Jolly Buoy (885 rúpias) na mesma hora. Detalhe é que é necessária uma fotocópia do passaporte - mas há um xerox próximo que o faz por míseras 2 rúpias! Depois, fomos ao píer de Phoenix Bay, fechado aos domingos, para comprar nossas passagens à ilha Neil (510 rúpias). Regressamos a Wandoor e eu almocei no próprio hotel. Meu prato de “biryani” de frango (240 rúpias) demorou pra ficar pronto, mas foi uma baita refeição. Em seguida, caminhei até a praia. No caminho, topei com algumas aves, como o martim-pescador. A praia de Wandoor é peculiar por um motivo ruim; não é permitido entrar na água devido à presença esporádica do crocodilo de água salgada (Crocodylus porosus), o maior do mundo. Há inclusive uma tela de proteção. Alguns quiosques vendem souvenires, alimentos e bebidas. Fiquei ali com o pessoal por umas horas, até que eles partiram enquanto eu esperava o pôr do sol. Logo depois, caminhei os poucos quilômetros de volta ao Anugama Resort. Banho, janta e cama. Dia 7 Às 7 e meia embarquei rumo a Jolly Buoy, no Parque Nacional Marinho Mahatma Gandhi. A duração do translado foi de pouco mais de uma hora, em meio a ilhotas desabitadas com floresta nativa intocada. Chegando em Jolly Buoy, tive um grande desapontamento. Não é mais permitido praticar snorkeling! Dá pra acreditar nisso? Se tivessem dito antes eu já estaria a caminho da ilha Neil, e não num lugar minúsculo onde você só pode se banhar num cercado minúsculo. Fiquei lá conversando com a única outra gringa do barco, uma húngara. A única atividade extra é um passeio de 1h num barco sujo e desconfortável, com vidro no fundo para ver os corais e peixes, a um custo extra de mil rúpias… Ao regressar pelas 13h, almocei e parti para Port Blair num ônibus musical. Ao chegar, fui atrás de algum hotel, já que minha reserva para essa noite seria para a outra ilha. Usando a internet de uma acomodação já cheia, encontrei um tal de Lalaji Bayview, com um quarto individual por 800 rúpias. Então fui até lá caminhando, pelo meio de uma comunidade. A internet é paga (60 a hora), mas ao menos existente. Já a suíte é a mais básica possível, enquanto que o restaurante no topo da edificação é bacana. Jantei um enroladão de camarão (250 rúpias) e fui pra cama. Dia 8 Seguindo a tradição de acordar cada vez mais cedo, peguei a balsa das 6:30h para a ilha Neil. Duas horas depois, aportei. Deixei a mochila na acomodação Kingfisher Hotel e fui caminhando até a praia do norte, chamada Bharatpur. Com um bocado de gente, um tanto suja e cheio de barracas vendendo conchas, passeio aquáticos e etc, não é bem o que eu pensava. Atravessei e tive que nadar certo tempo até localizar os recifes de coral. Aqui vi alguma qualidade, até mesmo havia corais que nunca havia observado antes. O ruim foi voltar desviando dos barcos e motos aquáticas. Para almoçar, tentei achar um restaurante que fosse um meio termo entre os dos hotéis chiques e os pés sujos. Acabei parando no Port Canteen, onde fiquei com um arroz frito com camarão (220 rúpias). Com o dinheiro acabando, precisei sacar no único ATM da ilha, que para variar estava indisponível no momento. Contando com que a máquina estaria operando novamente dentro de algumas horas, o próprio funcionário do banco me emprestou seu dinheiro para que eu pudesse pagar o depósito do aluguel da bicicleta! A respeito disso, escolhi uma magrela para me deslocar por essa pequena ilha. A velha bike era pequena demais pra mim, mas por apenas 100 rúpias a diária eu não podia querer muito. Uma scooter custava um pouco a mais (400 rúpias + combustível). Pedalando, cruzei o interior cultivável de Neil até a bonita praia Sitapur, famosa pelo nascer do sol. Ali eu mergulhei novamente, mas no ponto onde fui a visibilidade estava ruim, devido às ondas. Vi menos do que no snorkeling anterior. Consegui sacar grana ao retornar. Assim, segui para outra beleza natural, um arco de rocha que fica no oeste da ilha. Cheio de turistas indianos, para se chegar nele há de passar por cima de poças de maré. Vi o sol se pôr neste lugar e retornei. Peguei dois dos salgados fritos picantes “samosas” (20 pila) e um caldo de cana (30) na parte mais central, onde havia movimento naquela hora. De volta ao hotel, meio velho e sem internet, para dormir. Dia 9 Mesmo que quisesse, não poderia demorar muito a acordar, pois o check-out é às 7:30h! E esse parece ser um horário normal dos hotéis das ilhas Andamã. Definitivamente, não entendem de turismo para estrangeiros. Ainda com a bicicleta, toquei para a praia Lakshmanpur, onde também mergulhei. Só que nessa praia só havia dois pescadores, que logo foram embora, e mais ninguém. Fiquei quase 2 horas e meia me deliciando com a vida nos corais. De especial, vi o maior peixe não cartilaginoso que já presenciei na vida. O peixe-papagaio (Bolbometopon muricatum) era tão grande que pude até tocá-lo. Na volta, fui comprar o bilhete da balsa a Havelock, vendido só no mesmo dia e de forma presencial, tudo para dificultar sua vida. Almocei o prato típico indiano thali (180 rúpias) e peguei a balsa. Em Havelock, pensei em andar apenas de ônibus, mas a frequência é tão baixa (1 a 1:30h cada) que decidi alugar uma scooter (500 rúpias a diária) pela segunda vez na vida. Meio cambaleando, fui até o Emerald Gecko, hospedagem na praia nº5 onde eu fiquei. Paguei 1600 rúpias numa cabana rústica de frente pra praia. Aqui finalmente tive contato com vários estrangeiros, todos europeus. Saí para dar uma corrida na praia, de maré baixa durante o pôr do sol. Só que essa praia não é boa pra nadar. Jantei no restaurante da própria acomodação, um pouco mais caro do que estava pagando. Então fiquei com uma pizza de frutos do mar (300 rúpias). Para variar, a internet não estava funcionando, então depois de um papo fui dormir, em mais um colchão finíssimo padrão Andamã. Dia 10 Tive que esperar o café da manhã incluído pra depois pegar a estrada. Dirigi até o começo da trilha para a praia Elephant, assim nomeada devido aos bichões acorrentados na praia para satisfazer a vontade de turistas que querem passear neles. Só que não foi dessa vez que a conheci, pois ela estava fechada devido a um óbito no dia anterior! Assim sendo, continuei na estrada até a praia Radhanagar. Seguindo a dica de um indiano, parei em frente ao Hotel Taj, onde ficaria um belo ponto de mergulho. Com o tempo fechado, não havia ninguém na praia quando cheguei pelas 8 e meia. Caí na água calma e clara, sobre um fundo exclusivamente arenoso. Nadei mais de 200 metros, sem ver nada. Eis que quando pensava em mudar a localização, comecei a vislumbrar uma maravilha atrás da outra. Cansei de ir atrás de arraias, de contar quantos cardumes e corais enormes diferentes apareciam, assim como polvos e muitas outras criaturas. No final, ainda tive o prazer de ver algumas tartarugas-marinhas e de sofrer comensalismo por uma rêmora! No total, fiquei nadando por 3 horas! Parei na entrada principal da praia, cheia de indianos, para almoçar num dos diversos restaurantes. Fiquei com um “thali” de camarão a conta gotas, por 300 rúpias. Depois, caminhei pela praia no sentido contrário ao anterior, encontrando nesse caminho separadamente os dois casais que eu havia conhecido nessa ilha. Ê mundo pequeno. Com a chuva, a pista estreita ficou um sabão só. Voltei devagar pra não deslizar na moto como um cara que estava à minha frente. Guiei até Kalapathar, a praia mais ao sul acessível por estrada. Legal ela, mas nada de excepcional. Regressei e parei no restaurante Golden Spoon, para comer um prato de peixe e usar a internet. Depois disso, voltei a minha hospedagem. Dia 11 Um bando de infelizes começou a bater panela pelas 5 e pouco. Dormi mais uma hora, tomei o café e segui pro início da trilha da praia Elephant - que ainda estava fechada… Só me restou voltar ao ponto de mergulho do dia anterior. Só que dessa vez não vi nada de novo, além de estar me borrando de medo, agora que eu estava ciente que ali é território do maior crocodilo do mundo. Almocei em Vijay Nagar, no restaurante vegetariano Biswas. Pedi um “paneer butter masala” por 200 rúpias. “Paneer” é o tradicional queijo coalho indiano, enquanto que “masala” é uma mistura de temperos. Depois, devolvi a moto e fiquei matando tempo até a saída do barco para Port Blair. Acabei embarcando no navio errado, e só me dei conta quando ele tinha partido - ainda bem que o destino de ambos era o mesmo. Só que esse estava infestado de baratas. Ao desembarcar já era noite, então só me restou ir pro hotel Sunnyvale, pedir uma janta a tele-entrega, lavar minhas coisas e dormir. Exceto pela barata no banheiro, foi a melhor suíte até então. Dia 12 Café da manhã, seguido pelo voo da IndiGo a Chennai. O voo atrasou, então pude conferir todas as atrações do aeroporto: banheiro, bebedouro, caixa eletrônico, lanchonetes e 3 checagens de segurança obrigatórias. Fazia um inferno de 36 graus quando aterrissei. Do alto e pelas ruas se vê que o forte aqui é a arquitetura. Além de muitos prédios em estilo colonial britânico, as moradias são coloridas com diferentes cores, e há uma infinidade de templos de hinduísmo. Mas também se vê muita sujeira e pobreza no meio. Peguei o metrô até a estação central (50 rúpias). Já na estação de trem, provei o suco de um fruto novo pra mim, o marrom arredondado sapoti. Depois, embarquei no trem (5 rúpias!) para o famoso templo hinduísta Kapaleeswarar, cultuado a Shiva. Não se paga nada pra entrar, mas além de uma torre cheia de ídolos do hinduísmo, não há mais muito o que ver. Na saída do templo, um motorista me abordou com o intuito do famoso golpe do tour barato de tuk-tuk, conhecido em Bangkok. Aceitei a carona de 100 rúpias que me levou primeiro à Basílica de São Tomé, uma das 3 únicas no mundo erguidas sobre a tumba de um dos apóstolos de Jesus. Depois ele me levou a duas lojas caríssimas onde ele ganharia combustível grátis por me levar. Obviamente eu não comprei nada. Por fim, me deixou na Marina Beach, a maior e mais movimentada de Chennai, onde eu caminhei um pouco e tomei um caldo de cana (20 rúpias) naquele final de tarde. A seguir, tomei outro trem e tuk-tuk para chegar ao albergue Elliot's 11 Beach. Um leito no dormitório coletivo me custou 610 rúpias incluindo café da manhã. Dei uma volta na rua cheia que leva à praia. Curiosamente, estava ocorrendo uma missa católica em tâmil (idioma do estado) a céu aberto. Parei para jantar num restaurante barato, Classy - de classe não tinha nada. Provei o tal de frango “tandoori”, assado, marinado, apimentado e avermelhado (160 rúpias). Caminhada noturna breve no calçadão da praia. Ali me desfiz dos meus chinelos que não tinham mais conserto e comprei um par por 150 rúpias. Depois fui pro albergue relaxar. Dia 13 Acordei pro café e o recepcionista estava vestindo uma camiseta de Floripa! Dá pra acreditar que o indiano já morou em minha terra, e adorou? Uber até o terminal, e lá próximo peguei o ônibus #588 até Mamallapuram (43 rúpias), onde fica o conjunto monumental de Mahabalipuram, que é um Patrimônio da Humanidade. Aqui eu finalmente vi turistas estrangeiros. Me esquivei dos guias e vendedores e entrei no complexo, sob um sol de rachar. São diversos monumentos com motivos hinduístas entalhados em granito, como baixos relevos, cavernas, mirantes e templos. Almocei no Moonrakers uma porção de lulas fritas (350 rúpias) e um camarão-tigre (300 rúpias) que foi desnecessário, como eu já estava satisfeito. Saí de lá explodindo - e acho que foi esse almoço que me deixou mal depois. Caminhei até os dois templos pagos, sob um único bilhete de 600 rúpias. O que fica na praia se chama Shore Temple, enquanto o outro é o Five Rathas. Ambos interessantes. Prossegui pelo Sea Shell Museum, uma coleção de 40 mil conchas! Há de diversas espécies, formas, tamanhos e cores de várias partes do mundo. Pelo ingresso que combina uma seção especial das pérolas e outra com aquários (alguns pequenos demais pros peixes que os habitam), paguei 150. Continuando, vi o restante das ruínas na colina cheia de rochas do conjunto central de Mahabalipuram. Cansado, retornei de ônibus no final da tarde. Tomei um milk shake premium no Shakos e me retirei ao albergue. Dia 14 Já estava me acostumando com o tumulto na Índia, mas se tem uma coisa que me tira do sério é a falta de educação deles, tanto a respeito de jogarem lixo no chão e na água, dirigirem como loucos, atravessando em qualquer lugar e buzinando o tempo todo, e também furarem filas descaradamente. Voos de turbo-hélice da SpiceJet a Kochi e de lá a Malé, capital do arquipélago das Maldivas. Estavam me negando o embarque internacional porque eu não tinha como mostrar as reservas dos hotéis de cada dia que eu ficasse nas Maldivas. Só fui salvo porque um funcionário compartilhou sua conexão, já que meu chip estava sem sinal. Imigração tranquila, troquei a grana na parte de fora do aeroporto (15 rufias por dólar), bati um rango superfaturado e peguei o ônibus (10 rufias) que passa pela nova ponte que liga à ilha de Malé. Do ponto final, caminhei meio km até o terminal de balsas de Villingili, onde comprei meu bilhete pra Rasdhoo (53 rufias). De lá, caminhei mais meio km até a hospedagem Nap Corner. Paguei 28 dólares para dormir numa cápsula tecnológica futurista! Como estava me sentindo meio enjoado, não saí mais. Dia 15 Às 9h encontrei meu amigo Vinícius no terminal de balsas. Junto com outros poucos gringos, pegamos a barulhenta até Rasdhoo. Como leva 3 horas e ela foi quase vazia (assim como as seguintes), tiramos um cochilo no caminho até o atol. Fomos recebidos por um representante do Ras Village, hotel onde ficamos. Logo saímos para almoçar no Coffee Ole. Pedimos miojo de frango (fried chicken noodles), o prato mais em conta (55 rufias). À tarde, mergulhamos na praia ao sul da ilhota, destinada aos turistas. Só ali é permitido usar roupa de praia, já que Maldivas é um país islâmico e Rasdhoo é habitada. Com a maré baixa, tivemos certa dificuldade em atravessar o recife interno muito raso, até chegar ao externo, onde a beleza se fez presente. Não tanto pelos corais, pois eles estavam um tanto descoloridos, mas os peixes que os cercavam eram abundantes. Além de grandes cardumes, vimos alguns tubarões-de-ponta-negra-do-recife, uma arraia-chita, uma lula, dois peixes-leão e mais uns extras. Deixamos a água quase 3 horas depois, quando o sol já se punha. Uma pena que, saindo do lado oposto, descobrimos um depósito de lixo que termina no mar, bem desagradável. Vimos o belo pôr do sol no Oceano Índico. Depois, caímos na água novamente pra um mergulho noturno, coisa que nunca havia feito antes. Com lanternas à prova d'água, mergulhamos na escuridão completa. Dá um certo medo, pois é nessa hora que os tubarões saem pra caçar - e nós vimos vários deles! Para completar, também avistamos uma tartaruga e uma sépia, que evadiu com um poderoso jato de tinta. Os lírios do mar também ficam mais bonitos à noite, pois se abrem totalmente para captar os nutrientes. Uma das vantagens de se mergulhar à noite é que, letárgicos pelo sono ou ofuscados pela lanterna, os peixes te deixam chegar bem mais próximo que durante o dia. Curti a experiência. Finalmente, jantamos no mesmo lugar, que tocava umas músicas de reggaeton animadas. Mas nada de álcool, já que fora das ilhas privadas dos resorts é proibido. Dia 16 Após café da manhã razoável, meu amigo foi fazer um passeio de 30 dólares para um banco de areia próximo, enquanto eu fui nadar até o recife Giri, mais afastado do que do dia anterior. O caminho até lá são 300 metros de profundidade inalcançável. De novo, vi os tubarões-de-ponta-branca-do-recife. Também avistei um cardume de peixes-anjo. Almoçamos em outro restaurante, o Lemon Drop. O cardápio é parecido com o anterior, sendo alguns itens mais caros e outros mais baratos. Aqui não tem som, mas há um terraço pra compensar. À tarde, praticamos mais snorkeling ao redor do lado sudoeste de Rasdhoo. Uma arraia diferente, alguns tubarões, cardumes e um peixe-leão no raso foi o que vimos. De vez em quando se misturavam correntes extremamente quentes com as um pouco frias, gerando turbulência na visibilidade. Após, assistimos o pôr do sol, com peixes saltando e morcegos sobrevoando a área. Depois da janta, meu mal estar provavelmente adquirido na Índia revelou-se uma diarreia. Duas semanas de comidas típicas super condimentadas e pouco higiênicas não tiveram um bom resultado. Ainda bem que não durou mais de um dia, talvez devido às leveduras (Floratil) que tomei. Dia 17 Na manhã seguinte, tomamos a balsa de uma hora de duração para a ilha de Ukulhas (22 rufias). Ukulhas é mais limpa e sua praia tem uma areia tão branca que ofusca a vista e o mar tão claro que a visibilidade atinge dezenas de metros! Logo ao cairmos na água, percebemos o quanto esse lugar é especial. O recife externo, junto com o da ilha seguinte, é o melhor que presenciei nessa viagem. Cardumes variados, corais em melhor estado, tubarões, arraia e 3 tartarugas dóceis, das espécies de pente e verde. Nem se preocuparam conosco enquanto comiam as algas dos recifes. Mas como já estava com o sol a pino, fomos nos abrigar. Almoçamos na hospedagem em que dormiríamos, a Olhumati View Inn (55 dólares), com a suíte mais bacana. Para comer, escolhi um espaguete com peixe em estilo das Maldivas (6 dólares) e um suco natural de maracujá (2 dólares). Tirei umas fotos da praia enquanto o Vinícius dormia. Às 3h, mergulhamos uma vez mais, pelo resto da extensão do recife externo da ilha. Os corais na direção noroeste estão em melhor estado. Cansamos de ver tartarugas por lá. Trinta-réis pescavam os infinitos peixinhos que abundam. De espécies novas, vimos uma ou outra. Pena que o lado menos frequentado por turistas tenha sua parcela de lixo. Depois do pôr do sol, partimos pro terceiro snorkeling do dia, ou melhor, já era noite. Só que dessa vez foi curto, pois minha lanterna entrou em colapso, então ficamos usando só a do meu amigo. O mais interessante que vimos foram diversos tipos de plâncton. Quando desligamos as luzes, descobrimos que eram aqueles tais bioluminescentes, que brilhavam ao nosso toque! Um tempo depois, fomos jantar no SeaLaVie, restaurante um pouco menos em conta, mas com um som legal. Pagamos 8 dólares cada num prato razoável. Dia 18 Após o café de panquecas e suco, seguimos ao último mergulho nessa ilha. Na tentativa de vermos as gigantescas arraias-jamanta, voltamos ao ponto da manhã anterior. Não conseguimos, mas em compensação, vimos o dócil tubarão-enfermeiro-fulvo tirando um cochilo sob um recife. Escolhi um prato da comida típica “kotthu roshi” (6 dólares) de almoço, feito com pedaços de chapati. Em seguida, por 22 rufias, subimos na balsa até Rasdhoo e até Thoddoo, a ilha final. Essa é caracterizada por produzir a maior parte dos vegetais do país, principalmente mamão. Só a faixa central é ocupada pela área urbana. Fomos caminhando à praia do pôr do sol, para em meio a muitos turistas russos, observar o fenômeno. No caminho vimos as plantações e alguns dos animais nativos, como os morcegos gigantes, os lagartinhos coloridos e as aves terrestres. Há uma mesquita no centro que fica bonita iluminada à noite. Jantamos próximo a ela, no Maracuya. Mas não recomendo, pois os preços não são os melhores, não há música, a iluminação é fraca e eles ainda tentaram nos passar a perna na hora de pagar a conta. Antes de voltarmos ao hotel, demos uma volta para tirar fotos. Dormimos no Amazing View Guesthouse, um nível abaixo dos outros. Mas ao menos também conta com wi-fi e ar condicionado. Dia 19 Tomamos o café da manhã e saímos a mergulhar na praia do nascer do sol. Em Thoddoo o recife externo é mais distante, então é preciso nadar um pouco mais para atingi-lo. Mas vale a pena, pois os corais aqui são os melhores que vimos nas Maldivas. Começando por um pequeno nudibrânquio, atravessamos cardumes enormes de peixes-papagaio, um polvo, um grupo de arraias-chita, além do que já havíamos visto antes. Não tivemos sorte em encontrar um lugar aberto pra almoçar. Depois de uma bela pernada, é que sacamos que era sexta-feira, o dia sagrado do islã, então os restaurantes só abririam depois das 13:30h. Ficamos pelo Coffee Moon, onde nos deixaram assistindo TV trancados no restaurante, enquanto os atendentes iam rezar. Na hora marcada, pedimos o rango, aqui mais barato. Cinquenta mangos por um pratão de miojo com frango e a partir de 20 pelo suco natural. Só que não tenha pressa, porque aqui o negócio é meio devagar. À tarde, largamos do mesmo ponto inicial, mas seguimos mergulhando no sentido inverso. Só que não foi proveitoso, pois já fomos um tanto tarde e um temporal estragou o mar. Para compensar, vimos o melhor pôr do sol. Surgindo entre as nuvens, o círculo desceu até ser absorvido pelo mar. Jantamos no restaurante e café Seli Poeli, bem próximo da hospedagem. Com luzinhas de natal, toca um som legal, mas os preços não são tão bons - apesar de não cobrarem os impostos que chegam a 16% (e você só sabe se são cobrados na hora que vai pagar a conta). Dia 20 Ficamos boiando na linda praia pela manhã. Para o almoço, escolhemos outro restaurante, o Mint Garden. O ambiente é agradável e os preços também, mas (sempre tem um mas) os peixes que pedimos levaram mais de uma hora para ficarem prontos! À tarde, fizemos o último mergulho. Contando os que fiz nas Ilhas Andamã, totalizei 16 mergulhos! Dessa vez, fomos ao lado oeste de Thoddoo. Tivemos que nadar por quase meia hora para chegar ao fim do recife externo. Nesse caminho, vimos coisas novas, como camarões, outras espécies de arraias, além de espécies incomuns, como moreias marrons e poliquetas. Foi bem proveitoso, mas teve que se encerrar com o sol se pondo. À noite, voltamos ao Seli Poeli pra rangar. Depois, finalmente encontramos a loja de souvenir Ufaa aberta, já que os horários são meio bizarros nessas ilhas - essa fica disponível só das 20 às 21:30h! Dia 21 Acordamos bem cedo pra pegar a balsa das 6 e meia para Rasdhoo. A hospedagem nos fez a gentileza de adiantar o café da manhã e nos conseguir uma carona até o porto. Tivemos que aguardar umas horas até a seguinte de volta a Malé. Ficamos no café e restaurante Palm Shadow. Ao chegar à capital, almoçamos na praça de alimentação que fica bem em frente ao terminal de balsas. Em seguida, pegamos um ônibus até o aeroporto (10 rufias) e outro até Hulhumalé (20 rufias). Para pegar um ônibus direto custaria 20 pelo cartão não retornável + 20 pelo transporte (e não poderia levar bagagem). Hulhumalé é uma ilha mais nova onde mora a população de Malé - há inúmeros blocos de condomínio padrão. Demos uma volta por lá, incluindo o parque central, mas não vimos nada de tão interessante para turistas. Antes de ir para o hotel, tomamos um suco no Juice Corner (a partir de 20 rufias) e uns salgados. Nos hospedamos no Loona Hotel, em frente à praia urbana. Pagamos 50 dólares por um quarto com café e ficamos vendo TV. Tomamos o pequeno-almoço na correria e dividimos um táxi (100 rufias) com um indiano até o aeroporto. Vinícius trocou suas rufias restantes na mesma cotação da compra (15 por dólar). Voamos com a IndiGo até Bangalore, onde tivemos que aguardar mais umas tantas horas para o voo consequente de AirAsia a Jaipur. De volta à burrocracia indiana. Mesmo com o visto dentro do prazo de validade, vou precisar pedir um novo pra minha terceira entrada na Índia, ainda que seja pra ficar menos de 1 dia e não sair do aeroporto. Outra coisa, em Bangalore (e possivelmente nos demais aeroportos) não é possível sair depois que entrar nele, mesmo sendo no saguão do check-in. Meia hora, muita desinformação e uma permissão especial depois, conseguimos nos ver livres; caso contrário, passaríamos fome, já que havia onde almoçar lá dentro… Depois desse rolo, almoçamos na praça que fica bem na saída da área coberta do aeroporto. Escolhemos o Wok Shop Para a refeição principal e o Frozen Bottle para a sobremesa (249 rúpias por meio litro de milk shake). Depois de certa turbulência, descemos em Jaipur já com a noite surgindo. Seguimos diretamente ao albergue Jaipur Jantar Hostel de Uber por 190 rúpias, devido ao trânsito. No Uber daqui há opção até de moto ou tuk-tuk. No caminho, vi o quarto acidente de moto na Índia em 10 dias. O albergue é bacana, num prédio de arquitetura interessante. Largamos a mochila no guarda-volume do dormitório com triliches e fomos diretamente ao restaurante da hospedagem comer um prato variado de “thali”. Dia 22 Por 250 contos comemos e bebemos à vontade no café da manhã; valeu a pena. Depois, seguimos de Uber (190 rúpias) ao Forte de Amber, nas colinas áridas ao norte da cidade. A entrada individual para estrangeiro adulto é de 500 rúpias, mas escolhemos o ingresso combinado de 1000 para incluir outras atrações. É um baita complexo palaciano, cercado de muralhas longínquas que mais parecem as da China. No interior, pátios, mirantes e cômodos. Altamente turístico. Ao retornar de tuk-tuk, seguimos ao Museu Albert Hall. É um prédio de 2 andares em estilo indo-sarraceno, com arte indiana nas mais variadas formas, como estátuas, pinturas, moedas e armas. Almoçamos num lugar meio caído, o restaurante Ganesh, já dentro dos portões da rosada cidade velha. Pedi um “paneer butter masala” (190 rúpias) e um “onion naan” (95 rúpias). Continuando, caminhamos no sol infernal até o palácio Hawa Mahal. Famoso por sua fachada, também é permitida a visita em seu edifício de 5 andares. Em sequência, Jantar Mantar. Patrimônio da UNESCO, é uma série de instrumentos astronômicos antigos e grandes, incluindo o maior relógio de sol do mundo. Às 18h, na avenida do portão Tripoli, começou o desfile do Festival Gangaur, que tivemos sorte em presenciar com vista panorâmica da laje de uma loja. O desfile religioso foi composto por pessoas fantasiadas tocando instrumentos e dançando, bem como animais, incluindo um elefante. No caminho de volta, tomei na rua o caldo de cana mais barato do universo (10 rúpias, ou seja, 55 centavos de real!). À noite, jantei e fiquei conhecendo gente no albergue. Dia 23 Nos levantamos tranquilamente para pegar o trem das 11h. Compramos os bilhetes (75 rúpias cada) alguns minutos antes na confusa estação, e nos empurramos pra dentro do vagão do Ranthambore Express na hora em que ele chegou. Cerca de duas horas depois, descemos em Sawai Madhopur. Pegamos um tuk-tuk (150 rúpias) até a C. L. Saini Guesthouse, mas acabamos sendo despachados pra outra hospedagem, a Paridhi Niwas. Neste lugar, ficamos num quarto sem ar condicionado e com internet intermitente. Almoçamos lá mesmo, o melhor “thali” da viagem, por 250 rúpias. Depois, fomos conhecer o Forte de Ranthambore, que fica dentro do Parque Nacional Ranthambore, onde faríamos safáris no dia posterior. Pelo transporte até o forte, com a espera, tivemos que desembolsar mil rúpias. Só havia indianos lá, além de muitos macacos do tipo langur. Passamos mais tempo os fotografando do que as ruínas do forte em si, que em conjunto com os demais do estado de Rajastão, formam um Patrimônio da Humanidade. À noite fomos dormir cedo, pois teríamos que estar de pé às 5h da madruga! Dia 24 Apesar da reserva paga pela na internet (~1800 rúpias) afirmar a necessidade de se obter o bilhete no escritório do parque na noite anterior, ele fica fechado, então às 5 e meia já estávamos lá, os únicos estrangeiros entre várias dezenas de guias e motoristas, pois os turistas pagam pros hotéis fazerem essa função. Com mais 4 belgas de meia idade, fomos de jipe até a zona 10 do parque, bem distante. O caminho até lá exige uma máscara contra poeira. O ambiente é semidecidual, com morros e matas baixas, bastante seco nessa época. Vimos diversos langures, veados-sambar, veados-manchados, antílopes-azuis e aves, como pavões (nativos da Índia), no trajeto irregular. Estávamos chegando ao fim do safári de 3 horas e meia, quando atingimos o objetivo máximo, um tigre! Mais precisamente uma tigresa de 2 anos, estava deitada pegando um solzinho ardente. No máximo ela deu umas lambidas e fez umas caretas, mas mesmo assim foi muito legal ver. Almoçamos no próprio hotel mais um gostoso “thali”. A única coisa que não conseguimos comer/beber é a amarga coalhada. À tarde, mais um safári, das 3 às 6 e meia, desta vez na zona 4, mas em um veículo de 20 lugares. Essa zona possui paisagens mais belas que a outra. Quanto aos animais, vimos tanto quanto antes e até mais: chacais, outras aves, crocodilos. E no finzinho já com o sol se pondo, outra tigresa! Jantamos em nosso hotel. Depois, ficamos assistindo vídeo-clipes na MTV indiana até dormir. Dia 25 Café da manhã meio esquisito. Depois, seguimos à estação de trem. Para variar, só conseguimos comprar pra segunda classe (a pior), por 100 rúpias para um trecho de 4 horas e meia até Agra Fort. Como os compartimentos dessa classe estavam entupidos, seguimos caminhando em direção aos vagões posteriores, que são melhores. Passamos por vários com camas e ar condicionado, todas lotadas, até que chegamos à classe superior dos assentos, também sem uma vaga sequer. Como resultado, só nos restou ficar no limbo, no espaço apertado e fedido do banheiro entre vagões, numa mistura de ar quente de fora e frio de dentro. No fim, apareceu um fiscal querendo nos cobrar a diferença dos bilhetes, como se estivéssemos na classe 3AC, que custava 815 rúpias a mais cada! O cara não falava muito inglês, então foi bem difícil argumentar com ele. O melhor que conseguimos foi pagar metade desse valor cada, já que não estávamos em assentos adequados… Ao chegar em Agra, combinamos com um tuk-tuk para nos transportar até a hospedagem e de lá até o forte, depois ver o pôr do Taj Mahal e retornar, por 700 rúpias. O Forte de Agra, patrimônio UNESCO do século 16, ocupa uma área grande, só que há poucas construções no interior, pois os britânicos as destruíram. Mesmo assim, os detalhes e o tamanho da obra de arenito vermelho são impressionantes. Entrada de 600 rúpias. Alguns sikh pediram pra tirar foto, então aproveitei para aprender um pouco sobre essa religião. Para o pôr do sol, ficamos num jardim bem atrás do Taj Mahal, mas do outro lado do rio que corta a cidade. Há que se pagar 300 rúpias para essa vista, mas se você gosta de amoras e vier nessa época, dá pra recuperar a grana catando as infinitas frutas que estão nos pés do jardim. Jantamos no Bob Marley Café. É tão autêntico que, além da decoração e das músicas, a bebida deles vem aditivada com aquele ingrediente que vocês devem estar pensando. O Special Bob Marley Lassi ("lassi" é um tipo de iogurte indiano) custou 180 rúpias. Umas duas horas depois, começamos a sentir os efeitos da bebida. Foi uma comédia só. Dormimos no Yoga Guesthouse, só no ventilador e cercado de mosquitos, por 350 rúpias cada. O ambiente não é tão limpo, mas a pessoa que cuida não poderia ser mais solícita, visto que até levou os tênis do meu amigo para costurar sem cobrar. Dia 26 Taj Mahal pela manhã. Quanto mais cedo melhor, mas não fomos tanto. Pra chegar lá, só caminhando ou de riquixá. A entrada pra estrangeiros é abusiva: 1300 rúpias. Dentro, plantas, águas, mesquita, muita gente e o imponente mausoléu de mármore com a tumba da mulher preferida que foi presenteada pelo rei mugal. Na saída, compramos um souvenir, tomamos o café da manhã e corremos pro ônibus refrigerado da Ashok Travels, que nos levaria a Délhi por 400 rúpias cada. Três horas depois, desembarcamos na estação de metrô Akshardham, onde fica o maior templo hindu do país. Almoçamos umas misturas boas num restaurante da estação, seguindo então para a do albergue [email protected], por 30 rúpias. Deixamos as coisas lá, e como já era tarde e as atrações estavam fechadas, fomos às compras. Primeiro descemos no shopping Moments Mall, entrando no hipermercado More Mega Store. Lá eu pude comprar barras de proteína pro trekking no Nepal e o meu amigo alimentos típicos indianos (como a "chana") pra levar pro Brasil. Em seguida, o shopping Pacific Mall, para acessar a Decathlon (onde comprei meu calçado pra trilha) e jantar na praça de alimentação. Ao retornar pra dormir no quarto coletivo refrigerado de 635 rúpias cada, tive a maior ré da viagem. Meu voo para o Nepal com a porcaria da Jet Airways havia sido cancelado há alguns dias (falência da companhia) e eu nem tinha sido notificado! Para piorar, todos os voos de outras cias para os dias seguintes estavam absurdamente caros e não havia vaga nos ônibus que levam mais de um dia pra chegar! Acabei tendo que pagar uma fortuna no voo da IndiGo, caso contrário meu trekking no Everest ficaria comprometido... Dia 27 Havia levado minhas roupas na noite anterior pra lavanderia, ao custo de 30 rúpias por peça. Quase que fiquei sem elas, pois ficaram prontas no momento em que eu estava saindo, ainda que a lavagem tenha sido bem mal-feita. Para ir ao aeroporto eu fui de metrô, na linha expressa que custa 50. Na hora do check-in, conheci dois brasileiros (Lucas e Amanda) que fariam o mesmo trajeto que eu no Everest. Ao chegar em Catmandu, preenchi o formulário eletrônico, paguei o visto para um mês (40 dólares), passei a imigração e fiz o câmbio na cotação de 1 dólar pra 107 rúpias nepalesas. Estava chovendo ao deixar o terminal, mas isso não impediu que eu viesse caminhando até o hotel Sunaulo Inn, onde fiquei num quarto meia-boca por 1200 rúpias (doravante nepalesas). Jantei no próprio lugar, escolhendo um "biryani" de ovo por 280 rúpias. Apesar de ser mais barato que a Índia, cobraram sobre esse valor 23% de taxas! Depois das últimas pesquisas na internet, arrumei o mochilão pro dia seguinte e fui dormir cedo. Dia 28 Fui empolgado ao aeroporto, só pra descobrir que meu voo não sairia tão cedo. Cheguei às 9h e esperei… esperei… esperei, até que às 17h finalmente os voos para Lukla foram cancelados pelo tempo adverso e por um acidente fatal no dia anterior! Um dia inteiro perdido coçando o saco no saguão… Ao menos no final do dia consegui conhecer o complexo do templo hinduísta de Pashupatinath (mil rúpias). A arquitetura é interessante, com várias estupas e teto dourado. Ao longo de um rio, aqui ocorrem rituais de cremação como em Varanasi, na Índia. Tive sorte de presenciar uma dessas cremações, que começam com a cobertura do defunto com flores e o som de uma banda ao vivo. Em seguida, cobre-se de madeira e material inflamável e acende-se uma fogueira, que transforma o corpo em cinzas, que vão parar no rio. Meio macabro. Jantei um "chowmein" de frango, que é um macarrão chinês (250 rúpias), e repousei no mesmo hotel sujinho da noite anterior. Dia 29 Achei que não iria de novo, mas depois de 3 horas de tráfego aéreo (pra desafogar os atrasos dos dias anteriores), nos enviaram pro aviãozinho que recém havia pousado. E pensar que eu quase troquei por um caro helicóptero, como alguns dos turistas fizeram. Logo estávamos no ar, chacoalhando entre montanhas e terraços agrícolas. Pousamos uns 45 minutos depois, na pista minúscula e assustadora do aeroporto de Lukla. Dali já se vê um monte nevado. Comecei a caminhada às 13:40h pela cidade de Lukla a 2900 metros de altitude, onde se pode obter o que lhe faltou, como o dinheiro, que consegui sacar (ao contrário do aeroporto de Katmandu). Paguei as 2 mil rúpias pra entrar no parque rural de Khumbu, primeira etapa da trilha para o acampamento base do Everest. No começo, há muitos vilarejos, muitos turistas e carregadores (sherpas). E descidas, ao contrário do que se imagina. Essa região segue o budismo tibetano, então há muitos monumentos, como estupas, rochas com mantras e rodas "mani", além de alguns monastérios. Parei após duas horas, na metade do caminho que faria no dia, para pegar água duma bica e descansar por uns 10 minutos. Depois, foi só subida e descida. Suei um bocado. Algumas pontes pênseis cruzam um rio glacial turquesa lindo. Uma dessas, fica em Phakding, vilarejo badalado onde repousaram os demais trilheiros que largaram comigo. Eu prossegui até Monjo, onde cheguei no final da tarde, 4 horas depois do começo, e um tanto cansado. Fiquei com um quarto com banheiro, chuveiro quente e wi-fi por 500 rúpias, no Monjo Guesthouse. Estava vazio, então só encontrei um senhor francês pra conversar, enquanto esperava a janta vegetariana de "dal bhat", o prato mais típico nepalês, que consiste em arroz, lentilha, curry de vegetais aleatórios e um pedaço de algo salgado. É muito bem-servido, pois se pode repetir (500 rúpias). Após, continuei na sala comum com calefação, ouvindo músicas nepalesas e tomando "raksi", uma bebida alcoólica caseira de arroz e maçã, que o pessoal da pousada me ofereceu. Dia 30 Dormi relativamente bem. Comi uma barra de proteína e parti. Logo fica a entrada do Parque Nacional Sagarmatha. Mais 3 mil rúpias de pagamento. Depois de uma breve descida em Jorsalle, cercada por florestas de coníferas e cachoeiras, começa uma subida violenta até Namche Bazaar. Não há nenhum vilarejo no caminho. Quase 3 horas mais tarde, cheguei cansado da ascensão de 600 metros. Ao menos o tempo até então estava bom, tanto que eu ainda usava roupa de corrida - exceto pelo calçado. Namche Bazaar é a última cidade da trilha. No seu semicírculo de construções cravadas na montanha, há uma infinidade de hospedagens, restaurantes e lojas, onde se encontra de tudo para compra, a um certo preço. Entrei em 3 pousadas até encontrar uma que não estivesse cheia ou que cobrasse até para respirar. Fiquei na Pumori Guesthouse, por 500 rúpias, com banheiro compartilhado, recarga de aparelhos gratuita, bem como a internet. Só o banho é cobrado, mas nesse dia tomei na pia mesmo. Almocei ali uma pizza broto de cogumelo (550 dinheiros) e saí pra reconhecer a área. Só foi eu botar o pé pra fora que começou a chover e não parou mais. Rolou um fenômeno climático incomum também, uma precipitação monstruosa de granizo com neve! Enquanto isso, passei um tempo no bar The Hungry Yak, onde são transmitidos documentários sobre a montanha. Assisti a impressionante primeira ascensão do Everest, no filme "The Wildest Dream". Enquanto isso, tomei uma Nepal Ice, cerveja forte nepalesa, mas que chega aqui num preço salgado: 600 rúpias pelo latão de meio litro. Em seguida, passei por quase todas ruas, pelo Monastério Gomba, e, já escuro, voltei pra hospedagem para jantar. Ao comer meu bife de iaque (750 com acompanhamentos), gostoso mas meio fibroso, conheci um russo que quase chegou ao final da trilha com duas crianças de 8 e 6 anos! Fui dormir sob temperatura negativa, o que se repetiria até o retorno a Namche. Dia 31 Comi um omelete com pão tibetano (sem graça) e parti pra rua, para aproveitar o lindo dia ensolarado que fazia. Para ajudar na aclimatação, subi a íngreme rota que leva ao mirante do Monte Everest, mais de 400 metros acima de Namche. Lá em cima, coincidentemente, encontrei um grupo de trilheiros de Floripa, que estavam sendo guiados por nada menos que Waldemar Niclevicz, o maior montanhista brasileiro! Fiquei um tempo apreciando a vista do vale de Khumbu, por onde eu vim e para onde irei. Também estavam visíveis alguns dos picos mais elevados, como Ama Dablam e Lhotse. Infelizmente o Everest estava coberto por nuvens constantes. A temperatura não estava tão baixa, mas o vento estava de matar, então tive que descer. Visitei o Sherpa Cultural Museum & Mount Everest Documentation Center (250 rúpias). Há um modelo de residência Sherpa com seus utensílios típicos. Também há uma galeria com fotos, equipamentos e jornais a respeito das expedições ao Everest e sobre o povo das montanhas. Almocei lá mesmo um "dal bhat" (600 rúpias). A seguir, conheci o gratuito centro de visitantes do Parque Nacional Sagarmatha, onde fica essa trilha que estou seguindo. No centro há diversas informações a respeito do meio ambiente do parque. No final da tarde, fui em outro bar (Everest Burger & Steakhouse) para assistir outro filme, dessa vez "Everest". Também aproveitei pra provar outro prato típico, o "thukpa", que é uma sopa de macarrão com vegetais (450 rúpias). Jantei "momos" (bolinhos de massa fritos ou cozidos com recheio de vegetais ou carne em formato de meia-lua) em minha acomodação, agora cheia de chineses. Tomei um banho quente (400 rúpias), carreguei meus eletrônicos e fui dormir. Dia 32 Noite boa de sono, sinal da aclimatação funcionando. Café da manhã pago básico. Me livrei de 1 kg de roupa que não usaria adiante, deixando na hospedagem para pegar na volta. Às 9 e meia, comecei a leve subida e o contorno plano do vale de Khumbu, com vista pro Everest, Lhotse e picos vizinhos. Até aí tudo bem, mas quando o caminho desceu num bosque até a altura do rio no povoado de Phunki Thanga, começou uma subida chata de 550 metros em 2,4 km até Tengboche, onde pernoitei. Do final da subida, dá para ver uma morena, que são os detritos deixados por uma geleira que retrocedeu pelo aquecimento global. Já no topo, fica o pequeno povoado, centrado em um monastério interessante, que visitei. Lá reencontrei o grupo de Floripa, e troquei umas ideias com o Waldemar Niclevicz, um cara bem simpático e inspirador. Passei por 3 hospedagens até achar uma boa opção, pois a mais popular estava lotada, a que conta com uma padaria queria cobrar 1000 rúpias, mas a "teahouse" Tashi Delek cobrou 500 e até que era bacana. Para a internet, eu comprei um tal de Everest Link (2500 rúpias), que lhe dá direito a 10 GB em todas as hospedagens do caminho - e daqui pra frente o sinal do celular não pega. Dei um rolê pra passar o dia durante uma leve nevasca, e no final da tarde quando iria jantar em minha acomodação, encontrei um trio de brasileiros (Danniel, Samir e Felipe) descendo a montanha. Passei o resto do dia conversando com eles. Dia 33 Tomei o café junto, e logo nos despedimos, seguindo para lados diferentes. Às 9 e meia, desci um pouco dos 3860 metros até os povoados seguintes, ao redor do rio glacial Imja Khola. Fazia um baita frio, e às vezes o vento castigava. Botei um pano na cara para resolver essa questão. Ao passar Pangboche, que possui o monastério mais antigo da região, comi uma barra de proteína e recarreguei de água em Shomare, o vilarejo onde a maioria dos grupos almoçava. Com a diminuição de oxigênio disponível, meu ritmo de caminhada também decaiu. Outra coisa que decaiu foram as árvores. Ao passar dos 4 mil metros de altitude, só restaram arbustos. Passei por alguns campos só com plantas herbáceas e arbustivas até a bifurcação Pheriche-Dingboche, bem em frente aos restos de rochas brancas de uma geleira não mais visível. Após um esforço final de subida, cheguei 3 horas e 45 minutos depois na entrada de Dingboche, a mais de 4300 metros de elevação. Esse povoado é maior do que eu esperava. Novamente, minha hospedagem pretendida estava lotada, então acabei ficando com a Tashi Delek. Só que ao contrário desse hotel no vilarejo anterior, aqui não havia nem vaso sanitário… Paguei 500 mangos num quartinho duplo. Ainda bem que era duplo, pois precisei dos dois colchões, cobertores e travesseiros. Escolhi um restaurante aleatório para almoçar, e acabei me dando bem, pois os preços do Himalayan Culture Home Lodge, também hotel, são comparáveis com os de Namche Bazaar, um quilômetro abaixo em altitude. Tomei um chá de limão com gengibre e comi "momos" vegetarianos por 580 no total. Posteriormente, caminhei por Dingboche, só pra ver os campos marrons de plantação serem adubados com fezes. Tomei um banho quente no Tashi Delek (500 rúpias) e fiquei relaxando, já que a rua estava fria, com um neblina que impedia a visão de qualquer montanha, além do cheiro da bosta usada na calefação dos interiores já estar forte. Ao sol se pôr, jantei em meu hotel o clássico "dal bhat". Por fim fiquei debaixo das cobertas lendo um pouco em meu Kindle. Dia 34 Depois do café da manhã de pão, ovo e chá, usei meu dia de folga/aclimatação para subir o primeiro pico da viagem, o mais alto da minha vida. Sobre Dingboche, reina o árido Nangkartshang, com 5083 metros. Saí às 9 e meia como usual. O tempo estava bom, com algumas nuvens, mas não se via o cume por causa de uma névoa. A parte inicial é uma estupa, seguida de um mirante, numa altitude ainda não tão elevada. Depois, a inclinação fica severa. Entre rochas, poucas plantas miúdas, musgos e líquens. O vento aumentou a força, mas não incomodou tanto porque batia nas costas protegidas. Mais além, a fadiga muscular começou a bater, mas não pior que a respiração, já que o oxigênio estava bastante escasso. Conforme o gelo surgia no caminho, eu ia quase cambaleando para chegar logo ao topo. Duas horas e 15 depois, finalmente conquistei o cume! Só que meio atordoado pela falta de ar, acabei atirando minha GoPro ladeira abaixo! Ela bateu numa pedra e foi parar num banco de gelo em outro nível. E agora, perder todo registro da viagem ou arriscar minha vida? Ponderei o risco, e desci em direção à câmera, conseguindo recuperá-la. Ufa! Fiquei um tempo em cima tirando fotos, mas a névoa não deu muita trégua, então desci, faminto e sedento. Parei no Café 4410, que permite a recarga gratuita de aparelhos eletrônicos. Pedi um hambúrguer vegetariano, fritas e milk shake por 1200 rúpias. Enquanto aguardava a recarga, reencontrei um grupo de colombianos que havia conhecido no cume. Passei o resto da tarde conversando com eles; foram tão gentis que até me pagaram um lanche. Quem diria que eu comeria torta de maçã num vilarejo remoto desses! À noite, jantei "thukpa" (450 rúpias) no hotel, e relaxei. Dia 35 Café da manhã repetido. Parti para Lobuche. O início é um vale desolado e ventoso, cercado pela montanha que escalei e por outra nevada. Quando chegara o momento de cruzar o Rio Lobuche e começar uma inclinação foda, parei pra um lanche. Acontece que quando fui trocar o cartão de memória da GoPro, que estava cheio, ele se partiu no meio! Perdi a maioria dos vídeos e fotos que havia feito com ela, pois não havia feito backup. Parece que o que ocorreu na montanha no dia anterior foi uma premonição. Que lástima! Meio abatido, subi o caminho pedregoso com o fôlego no limite. Em cima, fica o memorial para os alpinistas mortos no Everest. Há dezenas de monumentos. Logo depois, já é possível ver um campo coberto de gelo. Mais além, fica o pequeno vilarejo de Lobuche. Aqui o preço mínimo é 700 rúpias. Consegui um quarto duplo e banheiro com privada, mas nada de pia (nessa altitude já não há encanamento), no Above the Clouds Lodge. Começou a nevar bastante, então parei na padaria mais alta do mundo para fazer outro lanche (doce+chá=550 rúpias). Em seguida, fui ao ar livre fotografar o cenário lindo que se formou com a neve acumulada. Até passarinhos estavam por lá. Com o tempo, a neve cessou e a névoa dissipou. Com isso, subi um morro para ter uma vista ainda melhor do vilarejo e do Glaciar de Khumbu, do outro lado. Com o fim do dia, o tempo piorou novamente, então voltei pra hospedagem, onde fiquei esperando um tempão pelo jantar, "dal bhat" (800 rúpias). O bom é que o refil tava incluído, então fiquei satisfeito. Banho de lenço umedecido e cama. Dia 36 Levantei mais cedo e tomei o café da manhã (omelete e chá - 750). Em seguida, subi até Gorak Shep, o assentamento mais elevado do mundo (5100 metros). O caminho estava com bastante trânsito e não foi tão fácil quanto pensei, pois há subidas e descidas sobre rochas. Quase na chegada, se vê o Glaciar de Khumbu, o pico Kala Patthar e o acampamento base do Everest. Em Gorak Shep, tive ainda mais dificuldade em achar um lugar pra ficar. Precisei dividir um quarto no Snow Land Highest Inn (500 rúpias pra cada). Deixei minhas coisas e parti pro acampamento base. O caminho é rochoso e passa ao lado da geleira. Entre as atrações, vi um casal da ave terrestre chamada de galo da neve tibetano, além de uma avalanche na montanha do lado oposto da geleira. Parecia um trovão o estrondo. Peguei ainda um tráfego de iaques carregadores. Ao chegar, há um marco com bandeiras onde todo mundo comemora. Mais uma etapa concluída com sucesso. Desci até a parte interior, lotada de barracas, onde os alpinistas ficam até um mês se aclimatando. Pisei no gelo e retornei, já que o tempo começava a piorar. Bati um rango violento quando voltei. O "dal bhat" da hospedagem veio com repetição, então fiquei cheio até a hora de dormir, a ponto de me deixar meio mal. Enquanto tentava fazer a digestão, um pessoal da Venezuela e Espanha sentou ao meu lado. Comecei a falar com eles; acabamos jogando cartas até a hora de se retirar - sem banho novamente, já que aqui custa mil rúpias! Também tive que recarregar o celular por 400 rúpias pra uma hora... Dia 37 Dormi mais ou menos, mesmo usando o saco de dormir pela primeira vez. Às 7 me levantei com leves sintomas de Mal de Altitude, mas isso não me deteve. Fui escalar o monte Kala Patthar. O começo é sobre terra, bem inclinado, cansa bastante. Depois que se contorna essa parte, percebe-se que o cume na verdade é mais distante e alto do que o que parecia ser visto de Gorak Shep. Continuei lentamente, agora sobre neve e rochas. Uma hora e meia depois, cheguei ao topo do ponto mais alto em minha jornada: 5650 metros! A vista do topo é sensacional. Ali fica o melhor mirante do imponente Monte Everest, bem como do Glaciar de Khumbu e diversas outras montanhas altas da região. Havia umas 10 pessoas essa hora no cume. Desci, almocei "momos" e, um pouco depois, segui o caminho de volta. A parte repetida até a bifurcação em Dughla foi meio monótona. De diferente, apenas um grupo que seguia na direção inversa em bicicletas! Quando atravessei o campo de gelo do acampamento base do Lobuche, não cruzei com mais ninguém. O trecho até Dzonghla é meio arriscado, pois segue à beira do precipício na maior parte do tempo. De vista compensa, pois passa em frente à baita montanha Cholatse e seu lago parcialmente congelado. Também vi uns tantos passarinhos. Quase na chegada, ultrapassei novamente o grupo de Cingapura cujo líder Saravanan foi até o EBC usando calçado minimalista. Na terceira tentativa, fiquei hospedado no Himalayan Lodge. Quinhentas rúpias pelo quarto duplo e banheiro com vaso, mas nada de pia. No mesmo lugar, ficaram os singapurenses e o espanhol Claudi, que eu havia conhecido em Gorak Shep. Jantei uma macarronada e passei o resto do tempo conversando com ambos. Todos foram dormir cedo para a travessia do dia seguinte. Dia 38 Pelas 5 da madruga os demais já estavam tomando café da manhã, enquanto eu pedi meu omelete e chá pras 6 e meia. Na primeira longuíssima subida, já passei um dos grupos. Tanto no dia anterior quanto nesse, alguns conhecidos tiveram que desistir da trilha pelos sintomas do Mal de Altitude. Um deles precisou até mesmo ser levado de helicóptero de volta. Estava com receio que tivesse que fazer essa travessia perigosa sozinho, já que a maioria vai cedo, mas acabei encontrando gente suficiente. Já cansou bastante a primeira elevação, que culminou em uma escalada entre rochas e neve. A paisagem, bem como as seguintes, fez valer a pena o esforço. O passo seguinte foi mais técnico do que cansativo - atravessar uma parede de neve sem proteção alguma contra o abismo que se seguia. Dei graças que Claudi me emprestou cravos para o tênis (crampons) na noite anterior, pois sem eles eu teria chance de despencar nessa etapa ou na seguinte. Passado o trecho sujeito a avalanches a nada menos que 5420 metros de altitude, veio a descida nesse meio escorregadio. Venci, chegando no vale seguinte, uma tundra alpina. Nova subida, seguida de nova descida, mais fáceis dessa vez. Por fim, seguindo o riacho originado numa dessas geleiras, cheguei no pequeno Dragnag, composto apenas de uns 7 alojamentos e nada mais. Desesperado por um banho, usei o próprio riacho para satisfazer meu desejo. Como eu estava aquecido da longa trilha de 6 horas, a temperatura não foi um grande problema. Aproveitei para lavar minhas roupas suadas também. Fiquei hospedado no Khumbi-la Hotel (500 rúpias). Tão básico quanto os demais. Almocei tardiamente "momos" fritos de batata (650 rúpias), botei minha GoPro para carregar (350 rúpias), e passei o resto da tarde entre conversas com os colegas e à toa. Jantei sopa, li um pouco e capotei. Antes, pedi quanto custava 1 mísero rolo de papel higiênico, já que o meu havia acabado: 550 contos! Dessa forma, peguei os guardanapos da sala de jantar pra resolver o problema... Dia 39 Comi e vazei em direção a Gokyo. O caminho é sobre a morena da maior geleira do Himalaia, a Ngozumpa, com 36 km! A caminhada dentro da geleira segue em ziguezague pra cima e pra baixo entre pedaços de rochas soltas, manchas de gelo e laguinhos congelados. Com uma subida final, chega-se a Gokyo. Meu corpo estava tão cansado que levei mais de duas horas para essa travessia, quando deveria levar menos. O povoado de Gokyo é único entre os da rota do trekking, pois fica na beira de um lago semicongelado lindo, cheio de aves e com montanhas nevadas próximas. Deixei minha mochila na Fitzroy Inn. São 500 rúpias, sendo que o banheiro possui vaso e pia, e o quarto é um pouco melhor. Comecei então a ascensão da última montanha da rota, a Gokyo Ri, com 5360 metros. Devido a meu estado precário, fui subindo a passos de tartaruga. Essa montanha é inclinada demais, pois possui 600 metros acima do lago, onde inicia. A paisagem do meio do caminho é sensacional, mas conforme eu subia o tempo ia fechando, pois já era o começo da tarde. De fato, fui o último a subir. Uma hora e 45 minutos depois, usando somente a força de vontade, cheguei ao cume. Lá em cima estavam uma argentina e meu colega Claudi. Descemos e fomos tomar um chá e conversar. Em seguida, jantei "dal bhat" em meu alojamento, com vista para o lago. Não estava me sentindo muito bem do estômago essa hora. Carreguei o celular (300 rúpias), comprei um rolo de papel higiênico (250 rúpias), um pão doce grande (600 rúpias), li um pouco e fui dormir cedo. Dia 40 Acordei com dor de garganta - também, todo esse tempo respirando ar frio e seco pela boca, só poderia acabar assim. Gastei minha última rúpia no check-out, mas pelo menos ganhei uns chocolates de brinde. Esse foi o dia mais longo de caminhada, pois tive que percorrer 24 km até Namche Bazaar. Ainda bem que em sua maioria, o trecho foi de descida. O começo foi passado ao lado dos lagos cênicos de Gokyo. Depois, acompanhando o rio glacial. Passei por alguns vilarejos, descansando, me hidratando e consumindo meus alimentos energéticos a cada cerca de 2 horas, sempre à beira de algum riacho. Encontrei meu colega Claudi nesse caminho, mas ele ficou em Dole, metade do trajeto que eu percorreria. Além desse povoado, as florestas começaram a ressurgir. Junto delas, uma parte lotada de cachoeiras. Já estava cansado, quando em frente a Phortse, uma elevação grande surgiu. Subi a passos lentos. Dali em diante, acelerei o possível no terreno irregular, quase torcendo meu tornozelo algumas vezes. Quase solitário, cheguei à bifurcação em Sanasa, quando entrei na trilha que já havia percorrido no quarto dia. Exausto, com dor nas costas, cheguei em Namche Bazaar às 16 horas, exatamente 8 horas depois de iniciar. Saquei dinheiro e fui pra hospedagem onde havia deixado uma pilha de roupas, a Pumori Guesthouse. Morrendo de fome, devorei uma macarronada (550 rúpias) enquanto carregava meus dispositivos. Por fim, apaguei. Dia 41 Acordei pior do que no dia anterior, dessa vez à dor de garganta, somou-se um resfriado. Não tive escolha; comi um omelete de queijo e tomate (400 rúpias) e vazei. O percurso inicial é de pura descida, mas isso não quer dizer que tenha sido rápido, já que há trânsito e o terreno é irregular. Em sequência, descidas e subidas intermináveis, enquanto atravessava de um lado do rio pro outro nas pontes pênseis. E o corpo reclamando. Mais além, passei pela vila de Phakding. Dali pra frente, foi o maior sofrimento: dor nas costas, nos ombros e nos pés. Eu ia cada vez mais devagar. O trecho final, majoritariamente de subida, foi um martírio, mas 6 horas e meia depois, cheguei ao portal de Lukla. Finalmente, 150 km de trilhas depois do começo, missão cumprida! Comemorei e fui pra alguma hospedagem, no caso a Alpine Lodge (500 rúpias). Tomei um banho (250 rúpias) e me joguei na cama, imprestável. Jantei outra macarronada e fui dormir. Dia 42 Comi uma panqueca com mel de manhã (400 rúpias) e fui cedo pro aeroporto. Precisei chegar lá às 7 e meia, mas não embarquei antes das 11… Me livrei dum dos aeroportos mais perigosos do mundo, descendo em Catmandu. Por 900 rúpias, tomei um táxi até o lar Laughing Buddha Home & Villa (5 dólares cada noite). No caminho pude constatar que o trânsito de Catmandu é do nível das cidades grandes indianas. E bem empoeirada. Desci pra conhecer as atrações recomendadas pela anfitriã, a começar pelo almoço na Army Canteen, lugar onde o exército vem rangar. Como o menu é em nepali, precisei apontar para o que havia na bancada: escolhi feijão, batata e cebola. Na hora de pagar a conta, fiquei de queixo caído… 50 rúpias (R$1,75)! O almoço mais barato da minha vida! Para a sobremesa, fui na padaria Best Choice. Realmente a melhor escolha, pois comi deliciosos doces a partir de 25 rúpias! Até levei uns pro café da manhã. Em seguida, entrei no museu de história natural (100 rúpias). É basicamente o depósito da seção biológica de uma universidade, contando centenas de animais empalhados, insetos, plantas e outros seres viventes no Nepal, com breves descrições. Prosseguindo, o templo do macaco (Swayambhunath). É um templo budista tibetano com algumas estupas, relíquias e muitos macacos sagrados. Entrei pela escadaria de acesso gratuito que os turistas desconhecem. Lá em cima há vendas de souvenires, mirante pra cidade toda e, na mata ao redor, bastante vida. Ao descer, mesmo sem muita fome, parei pra jantar no Chuden Shelzey. Optei por um "chowmein" de frango (120 rúpias). Para minha surpresa, um grupo de monges budistas estava ali jogando videogame! Retornei à tranquila hospedagem, onde fiquei à noite. Dia 43 Comecei o longo dia ingerindo meus doces da padaria. À continuação, pedi para que me chamassem um moto-táxi via Pathao, aplicativo tipo Uber. Até Bauddhanath custou apenas 170 rúpias. Já para a entrada desse Patrimônio da Humanidade, 400. Há uma grande estupa central, reconstruída após o terremoto de 2015, cercada de monastérios, templos, relíquias e lojas meio superfaturadas. Ao deixar o complexo budista que é o principal da capital, tomei um ônibus de 25 rúpias até Ratna Park, onde ficam as estações dos coletivos. Não quis pagar para entrar no parque, pois não me pareceu interessante, então segui até Ason, um bairro antigo central onde se vende de tudo a preços em conta. Aqui tentaram me aplicar o golpe do jovem aprendiz de inglês que quer treinar o idioma e o leva a um templo para benzê-lo e depois a uma loja de pinturas que só está aberta no dia do festival fictício que ocorria justamente naquele dia - não tiraram uma rúpia de mim. Almocei num muquifo um prato de "chowmein" vegetariano por somente 80 rúpias. Pensei em entrar na tradicional praça Durbar em seguida, mas o estado dos edifícios pós-terremoto e a exigência de que estrangeiros pagassem mil rúpias enquanto os nativos não pagavam nada, me fez mudar o rumo. Com o preço tão barato da comida, acabei tomando um caldo de cana por 30 rúpias e depois um "lassi" de banana por 100. Rapidamente adentrei o jardim Garden of Dreams, que cobra 200 pratas, mas é pequeno. Dessa forma, me embrenhei nas ruas apertadas e lotadas de comerciantes e turistas de Thamel. Procurava alguns equipamentos eletrônicos e pra trilhas, mas não encontrei nada de qualidade, já que aqui é quase tudo pirateado. Tomei um sorvete de Ferrero, que não era de Ferrero, e comprei em Ason dois souvenires (roda mani - 1500 rúpias e placa Namastê - 400). Me encontrei com Danniel, um dos brasileiros gente boa que conheci no caminho do Everest. Batemos um papo bom e tomamos um balde da cerveja artesanal Sherpa Red no bar Phat Khat. Depois jantamos "kebab" (225 cada) e eu peguei um táxi pra voltar à hospedagem (600 rúpias). Antes de dormir, conversei um pouco com o pessoal que se encontrava no Laughing Buddha. Dia 44 Acordei com os cães latindo e pessoas falando. Fui em direção aos museus, parando para ter um café da manhã no Vajra Café, já que o Chuden Shelzey não tinha nem ovo e nem vitamina naquela manhã. Acontece que esse café deixa bastante a desejar em comparação com a padaria de 2 dias atrás, além de estar cheio de moscas… Para meu desgosto, hoje era feriado do dia do trabalhador, então tanto o Military Museum quanto o National Museum estavam fechados! Não queria ir até a distante Bhaktapur, então caminhei até uma avenida onde pude pegar um ônibus à região central. Em Ason, fui às compras: relógio minimalista à prova d'água (3000 NPR=rúpias), carteira minimalista (375 NPR), boné minimalista c/ pescoceira (1000 NPR). Como os restaurantes turísticos de Thamel são meio caros, almocei numa birosca chamada Ravi Panipuri Chaat Shop. Fiquei com um tal de "papadi chaat" 70 NPR + "chicken egg roll" 100 NPR + Fanta amarela 40 NPR. Há uma infinidade de casas de câmbio em Thamel, mas como as raras que possuíam rial do Catar não tinham cotação boa, troquei o resto das minhas rúpias pelo famoso livro Into Thin Air na livraria Tibet Book Store (700 NPR). Enquanto procurava um transporte barato para retornar ao alojamento, tomei um suco de abacaxi grande (200 NPR). Depois, embarquei numa van (20 NPR). Me despedi e embarquei no voo da Nepal Airlines com destino a Doha. Havia lido que essa companhia era uma das piores do mundo, então fui sem expectativas, mas me surpreendi: avião grande e novo, entretenimento de bordo e alimentação decente - talvez eu tenha tido uma baita sorte, ou a companhia realmente melhorou. Dia 45 Com um pouco de atraso, desembarquei. A imigração sem visto foi ridiculamente rápida. Saquei dinheiro (1 rial do Catar = 1,07 reais), chamei um Uber até a hospedagem da vez (24 rials). O albergue Q Hostel, localizado num condomínio de casas de alto padrão, refrigerado, me custou 180 rials por 3 noites. Todos meus colegas de quarto eram de países islâmicos. Ao acordar, chamei um Uber pra me levar ao museu nacional (13 rials). A entrada individual custa 50 rials, mas o passe para 3 museus é 100, então o comprei no cartão de crédito. O Qatar National Museum já impressiona no exterior, inspirado na rosa do deserto. Por dentro, ainda mais. Com tecnologia de ponta, conta sobre a biodiversidade do país, bem como sua história, do passado remoto, passando pela conquista árabe, a era de ouro da coleta de pérolas e a atual do petróleo, que superdesenvolveu o Catar. Fiquei mais de 3 horas aqui. Almocei "chicken biryani" no Al Jazeera Kabab, bem em frente ao museu, por 12 rials. Há um ônibus gratuito rosa que passa uma vez a cada hora e leva aos dois outros museus. Peguei ele e desci no de arte islâmica. A construção é bem bacana também, mas por dentro não há tanto conteúdo. As obras de arte de várias localidades islâmicas são belas, mas nada excepcionais. Esperava um pouco mais. Uma hora depois, fui pro Mathaf, de arte moderna, que fica afastado dos demais. No caminho, pude notar as obras de infraestrutura e lazer pra Copa do Mundo de 2022. Havia apenas mais duas visitantes além de mim. Não consegui ficar nem uma hora vendo essas coisas estranhas que chamam de arte. Peguei o transporte de volta e fui passear pela Corniche, a avenida beira-mar. Ainda fazia calor pelas 5 e pouco, mas o sol já estava baixo no horizonte. Atravessei metade do semicírculo a lentos passos, admirando a arquitetura dos arranha-céus, que, assim como o resto da cidade, perdem pouco para Dubai. Tomei um "smoothie" meio caro de 25 rials no Costa Café, e segui por entre os prédios, que agora estavam com iluminação noturna variada. Entrei no shopping center City Center pra jantar (no Subway mesmo - 29 rials no Sabrina de 30 cm) e comprar mantimentos no completíssimo Carrefour, que só não tem cerveja com álcool. Gostei do preço do kiwi, 2,75 o kg. Voltei de ônibus #76 até o terminal de Al-Ghanim, onde pegaria outro busão até próximo da minha hospedagem. Um cartão para 2 viagens na cidade custa 10 rials e pode ser comprado com o próprio motorista. Pegaria, pois quando cheguei lá quase às 23h, já não havia mais linhas disponíveis para onde eu iria. Como não consegui sinal para chamar um Uber, convenci um táxi a aceitar a corrida por 15 rials. Dia 46 Como fui dormir tarde, acordei assim também. Tomei meu café da manhã de brownie + suco natural + frutas e tomei um Uber à estação de ônibus (12 rials). Chegando lá, fiquei sabendo que para embarcar no ônibus para fora de Doha, precisaria de um cartão ilimitado para 24 horas, ao custo de 20 rials. Então aproveitei para dar um rolê bom. Primeiro desci em Al Wakra. Como era o dia sagrado do islã, os "souqs" (mercados antigos) estavam fechados. Com isso, dei uma conferida na praia de água turquesa. Almocei logo no Alfanar Restaurant Yemeni Food, onde pedi um tal de "mandi chicken" por 25 rials, mesmo sem saber o que era - mas gostei. Caminhei mais um pouco e retornei à avenida, onde há uma estátua de ostra, uma mesquita bonita e um forte fechado ao público. A intenção era continuar pro sul até Mesaieed, mas eu acabei indo parar no ponto errado e só percebi quando o ônibus de volta estava passando, então decidi retornar ao centro. Fui então ao Souq Waqif, onde ficam as lojas tradicionais. Tentei comprar um souvenir decente, mas os feitos no Catar são caros demais. Ali também ocorria a feira internacional de tâmaras. Entrei e saí, pois eu nem gosto dessa fruta típica de países desérticos. Essa área revitalizada é a mais antiga da cidade. Visitei os museus Msheireb, que contam um pouco dessa história. Gratuitos, são 4 casarios antigos que também falam da escravidão na região e o desenvolvimento com a descoberta do petróleo. Fiquei algumas horas em seus interiores. Quando saí, já era noite. Fui à orla, um tanto escura, para admirar os arranha-céus coloridos do outro lado da baía. Ao retornar, parei num dos restaurantes/lanchonetes baratos ao lado da estação de ônibus para jantar. Comi um "biryani" de frango por somente 10 pilas no Taxi Land Restaurant. Depois, voltei à acomodação de ônibus. Doha tem um problema sério de trânsito no centro, mesmo a altas horas. Dia 47 Acordei uma vez às 4 e meia com o anúncio de Allah nos alto-falantes da mesquita mais próxima. Voltei a dormir. Fiz o check-out e deixei minha mochila na recepção enquanto passeava. Fui até a rodoviária, comprei outro cartão ilimitado e com o #104A através do deserto até Dukhan, o princípio da exploração petrolífera no país. O baita ônibus confortável é uma mudança e tanto pra caminhonete que levava os operários na caçamba. Em Zekreet, há umas formações geológicas tabulares interessantes. Pena eu não haver meio de explorá-las. Duas horas e meia depois, o ônibus parou na entrada de Dukhan, ao lado de uma refinaria. Almocei pizza na Domino's (29 rials pelo combo) enquanto aguardava o ônibus de retorno. Ao retornar, parei no Mall of Qatar, um shopping grandão e ligado à linha de metrô quase pronta. Aproveitei para a assistir o lançamento dos Vingadores. Acreditam que o ingresso mais barato pro cinema era de 45 reais o inteiro? Voltei com os ônibus. À noite, fui até o aeroporto, onde aguardei um bocado de horas até o voo das 4:40 com a IndiGo até Mumbai. Dia 48 Desembarquei sonolento, passei a imigração e peguei um Uber (180 rúpias) até a cápsula bacana onde eu passaria o dia, no Hotel Astropods Airport, por mil rúpias. De volta ao aeroporto, lanchei e embarquei na Air China para Pequim. Dia 49 Depois de umas 5 horas em voo, passei o resto do dia no aeroporto da capital chinesa, entre cochilos e eletrônicos. A comida é meio cara e há poucas opções de refeição, então fiquei à base de KFC e Costa Café. Dia 50 Na madrugada seguinte, fui com a mesma companhia para Frankfurt, onde desci para dar uma volta na cidade. Comprei um passe diário ilimitado pro transporte público (9,65 euros) e peguei o trem até a estação central. Como já conhecia a cidade, não mirei exatamente os pontos turísticos. Caminhei aleatoriamente, mas parei para fotografar a arquitetônica Römerplatz. Aproveitei o dia para ingerir algumas das delícias culinárias europeias, como queijos, cerveja, bagas e salsichão - a maioria comprado em supermercados. Fiz compras também: eletrônicos na Saturn, chocolates e outras comidas nos supermercados econômicos Penny e Aldi, e roupas na Primark. Final da tarde retornei e aguardei o bom voo da Lufthansa, que, junto com o trecho final da Gol até Floripa, concluiu a viagem, 3 dias depois!
  8. 8 pontos
    O relato vai continuar pelo Atacama e um bate-e-volta maluco pela Bolívia. E claro, vamos passar pela Argentina de novo na volta. Mas importante dizer: o norte da Argentina é APAIXONANTE. 💗 É lindo, maravilhoso, o povo é querido, que quentinho estava meu coração. Penso que uma viagem desta sem carro fica muito comprometida e deve ser cara, pois andei vendo os preços de passeios desde Salta e me pareceram bem salgados. Visitem o norte da Argentina por favor! Tem outras atrações locais que não conheci, como o famoso trem das nuvens (não pesquisei muito, não sei como funciona), e com certeza muito mais de história e arqueologia pra explorar. A ruta que vamos pegar a seguir, que liga SSJ a SPA (ruta nacional 9, depois a 52, ainda na Argentina) é a estrada mais FODA que já estive na vida. A paisagem se transforma a cada minuto e vc não cansa de se espantar com a beleza, com a natureza... Eu não consigo ser tão exagerada a ponto de honrar tudo que vi, mesmo que pareça!
  9. 8 pontos
    Hostil...analfabetos...peixeira...é osso ver que em pleno 2019 o sertão ainda carregue tais estigmas. Quanta bobagem! O sertão nordestino é uma vasta e imensa região com atrativos os mais múltiplos possíveis, para todos os gostos, bolsos, dificuldade ou facilidade de acesso e turismo. Das rotas consolidadas o colega já citou aí acima a rota do cangaço e os cânions do São Francisco entre Alagoas, Sergipe e Bahia. Tem ainda perto Paulo Afonso/BA com vários atrativos legais. Em Pernambuco tem cidades muito legais e festivais culturais que vão muito além do forró como Pajeú, Arcoverde, Caruaru, Garanhuns, Serra Talhada e o belíssimo Parque Nacional da Serra do Catimbau (2a maior concentração de sitios arqueológicos do país). No Piauí tem a já famosa e belíssima Serra da Capivara, um dos maiores sítios arqueológicos do mundo e o maior do Brasil, com infraestrutura de dar inveja a parques estrangeiros. Além disso tem os parques nacionais de Sete Cidades e Serra das Confusões. No Rio Grande do Norte tem o Lajedo da Soledade em Apodi, pertinho de Mossoró. Na Paraíba tem o Lajedo do Pai Mateus, Boqueirão, Cabeceiras - a Roliúde Nordestina, cidade cenário de vários filmes e séries como Auto da Compadecida, Cinemas Aspirinas e Urubus, Onde os Fracos não tem Vez. Tem ainda Patos com o seu Vale dos Dinossauros, parque com vestígios de dinos. Em Ingá tem a misteriosa Pedra do Ingá. Em Monteiro tem festivais culturais e feiras literárias, onde nasceu a literatura de cordel. No Ceará tem a enorme cidade de Juazeiro do Norte com turismo além do religioso (padim ciço) e todo o entorno com cidades coloniais e a belíssima Chapada do Araripe e suas cachoeiras e sítios arqueológicos. Na Bahia tem as cidades e vilas da região de Canudos, com ecoturismo e turismo cultural forte. Sobradinho e seu imenso lago, Petrolina em Pernambuco e Juazeiro da Bahia. Morro do chapéu e a chapada Diamantina. Enfim..Tem um universo de coisas para todos os gostos. Mas esqueça a cena de faroeste que o colega aí acima colocou. O sertão é muito mais além ❤️ P.s. tem ainda o sertão de Minas que também é enorme e rico em natureza e cultura. Procure sobre o parque Nacional do grande sertão veredas.
  10. 8 pontos
    Observei que há poucos relatos sobre o Marrocos de carro e eu estava em débito quanto a contar a história desta viagem, então resolvi escrever agora. E também pela gratidão ao povo marroquino pela hospitalidade, gentileza e simpatia. Escolhemos viajar em março por ser o fim do inverno e porque gostaríamos de ver neve. As temperaturas oscilaram entre 2º e 13ºC, com exceção do Sahara onde foi de 16° a 22°C. Ah, e é um destino muito seguro e bastante econômico, que são palavras mágicas para mim. O Marrocos por todo o exotismo povoa minha mente há décadas, então quando soube que tinha surgido uma empresa aérea que fazia voos diretos e em 9 horas, achei que era a hora. A cotação do dólar e euro começou a subir sem parar, isso sempre ocorre quando estou prestes a viajar, e só faltavam as passagens. Decidimos minha esposa e eu, que tinha que ser naquele momento. Por sorte durante a viagem o dólar e euro baixaram e a Royal Air Marroc devolveu-me a diferença, que foram uns R$ 800, nas duas passagens. Um probleminha era que os idiomas oficiais eram o francês, árabe e berbere. Meu inglês é capenga, mas soube que dava para se virar bem com o espanhol, então com a cara e coragem, nós fomos. Tratei de escolher apenas hospedagens nas quais falassem espanhol (tem lá embaixo no Booking). A aventura começou ao entrar no avião com a tripulação falando francês, alguns homens usando roupas típicas, todas as mulheres usando lenço (hijab) e músicas árabes de fundo, me parecia que só tinha nós dois de brasileiros. O voo atrasou uma hora e meia, devido a um temporal em Guarulhos. E ao chegarmos a Casablanca vimos o quanto é rigorosa a imigração, sendo nós e outro casal separado para a revista, mas deu tudo certo e nem perguntaram sobre o chimarrão e cinco quilos de erva-mate que levávamos. Incluímos neste roteiro as quatro cidades imperiais que são Marrakech, Fez, Meknes e Rabat. E acrescentamos Chefchaouen, Ifrane, Ouarzazate, Merzouga, Tinghir e Casablanca todas de grande importância turística. Coloquei abaixo com as fotos um mapa de nosso roteiro. Visão geral sobre turismo no Marrocos O Marrocos é um país de enormes contrastes. O país tem praias, montanhas, neve, deserto, cidades históricas e culturais. A cada 50 km a paisagem muda totalmente. Nas cidades grandes convive a mistura de modernidade e tradição. Não é todo lugar que se pode almoçar em um restaurante fundado em 1150 ou dormir em um hotel do ano 1348. E por falar em neve, as Montanhas Atlas têm neves eternas, ou seja, neves permanentes no topo, lindas. É um país seguro e de pessoas alegres, amáveis e que respeitam o turista. A polícia é muito educada e eficiente. São muito tolerantes e respeitadores quanto a outras religiões. Não há problemas para que mulheres viajem sozinhas, claro que devem se cobrir mais e não usar roupas muito justas por respeito a seus costumes. Também não precisam usar o lenço (hijab). Podem até ouvir uma cantada, tipo “quer casar comigo?” ou “quero casar com uma garota brasileira” e não se admire se em português. Todas suas fotos parecerão profissionais, porque além dos cenários incríveis a iluminação é perfeita. Por isso que Ouarzazate é chamada de Hollywood do Marrocos. Ocorrem muitas filmagens e não só de filmes com a temática árabe ou com deserto, mas até com temas europeus ou chineses por exemplo. Você vai ouvir muito as palavras: -Medina – É a cidade antiga que fica dentro das muralhas, ou seja, uma fortificação. Os portões das medinas são chamados de Bab, por exemplo, em Meknes tem a Bab El Mansour. -Souk, zoco, (espanhol), souq (inglês) – que se refere à zona comercial ou bazar dentro da medina. Há o souk dos couros, dos frutos secos, das joias, dos calçados, etc. -Riad – São mansões ou palacetes tradicionais sem janelas para o exterior, as salas e quartos abertos para o pátio interno ajardinado que muitas vezes tem árvores e fonte para refrescar. Abrigavam famílias numerosas e endinheiradas, hoje é uma palavra para hospedagem, ou seja, é um pequeno hotel sempre com decoração típica. Hospedagem que recomendo e é quase obrigatória, pela experiência, em Chefchaouen, Fes e Marrakech entre as cidades deste roteiro. -Kasbah – são palácios fortificados. Normalmente são de adobe (mistura de terra e palha) é um tipo de arquitetura muito comum no Marrocos. Tanto que, entre Ouarzazate e Thingir é chamado de Vale dos Mil Kasbahs. Alguns atualmente servem como hotéis. -Ksar – é uma cidadela fortificada e pode conter vários kasbahs. O mais famoso é o Ksar Ait Bem Haddou em Ouarzazate. -Bérbere – são os habitantes originais do Marrocos e de seus vizinhos Argélia, Mali, Tunísia antes da chegada dos árabes no ano 681. São diversos grupos ou tribos e sua cultura é muito forte e influente no dia a dia. Não confundir com índios, como li alguém citar. Tem uma cultura com escrita bem antiga derivada dos fenícios. Tiveram também influencia grega e romana. O grupo mais conhecido pelo cinema são os touaregs. -Djellaba - é o traje típico masculino. -Kaftan – é o vestido típico feminino. Assim como os trajes masculinos, tem para o inverno, o verão, para o dia a dia e para festas. Aliás, as mulheres vão ficar encantadas com a beleza dos mais festivos em exposição nas lojas. -Hijab – é o lenço feminino. Não é obrigatório. Também chamado nas lojas de pashmina. É uma boa opção de presente. Bem baratos e de boa qualidade. Baboucha ou babouche – São chinelos típicos. Tem para homens e para mulheres. São muito decorativos. Outra boa opção para presente. Também são bem baratos. -Dirham – É a moeda (abreviação MAD), que vale 10 a 11 por um Euro. Euros também circulam muito bem no comércio e hotéis. Bem fácil de converter, até de cabeça, para reais. Por exemplo, 200 MAD. Tire um zero e multiplique por 10 ou 11 (como preferir), o resultado é 20 Euros. -Hamman – É o conhecido banho turco. É um ritual de banho, esfoliação e massagem. Nós fizemos os dois juntos em Marrakech em nosso riad. Adoramos! Creio ser uma experiência obrigatória. E a moça que fez tinha mãos de fada, nada daquela coisa bruta que se vê em filmes. Coloquei os hotéis que ficamos para referência de preços (ver no Booking) e de localização, que no caso das cidades grandes também incluía o problema de chegar de carro. Isso porque dirigir dentro das medinas como em Marrakech e Fez é um problema. Todos tinham nota acima de 8 na época. Muitas atrações são livres ou muito baratas. Apenas mais caros foram os ingressos com guia na Mesquita Hassan em Casablanca e o Jardim Marjorelle em Marrakech. Mas valem todos os centavos. Estes não se comparam aos valores na Europa, são muito menores. Se for comprar algo mais caro tenha uma noção de preços antes de entrar em uma negociação. É uma experiência marcante que pode levar horas. Nós compramos um lindo casaco de couro de camelo para minha esposa. O preço começou em umas três vezes mais, saímos, voltamos umas duas vezes e novas discussões de valores. Então soube quanto era a faixa de preços lá no riad e também com outro vendedor e no final quando já estávamos quase brigando fechamos em 80 Euros, ficamos amigos, nos abraçamos e conversamos. Para mais informações veja no site:http://www.marrocos.com/ A culinária Mundialmente famosa e exótica com muitos temperos, mas nada que desagrade a maioria dos paladares (ah..., tem o cominho) e há também muitos pratos vegetarianos. Não tem esquisitices. Não estranhamos e gostamos muito. É bem variada e os mais populares são: -Cuscuz – Que é feito com sêmola um tipo de trigo duro. Quem gosta do cuscuz paulista vai gostar porque é semelhante, mas melhor. -Tajine – Costuma ser alguma carne bovina, cordeiro, frango, peixe. É como uma carne de panela muito macia. São cozidos lentamente em uma panela de barro com o mesmo nome. -Mechui – Cordeiro assado lentamente e muito macio. -Sopas – As mais comuns são a harira e baissa de habas (favas). Tomávamos todos os dias e muitíssimo barata. -Paella – Espanhola. Servida no litoral. Como em Rabat. -Pastella ou pastilla – É um prato bastante exótico com uma carne como frango ou pombo com ameixas, amêndoas e mel, cobertos por uma fina massa folhada e cobertos com açúcar de confeiteiro. Mistura salgado e doce. É bem gostoso e bonito. -Pinchito – são espetinhos. Semelhantes aos que conhecemos. -Kebab – são espetinhos de carne moída. Bem conhecidos por aqui. -Amlou – é conhecida como a “Nutella marroquina”. É deliciosa, mas não achamos semelhança, é bem fluída, não pastosa. Confeccionada com amêndoas, mel e óleo de argan. Todos os pratos são acompanhados com pão à vontade. Nas cidades maiores há também várias opções de comida internacional, de mexicana a tailandesa. Muitas vezes, como estávamos em dois, um pedia um cuscuz e outro um tajine e cada um comia um pouco de cada. Em todos os lugares são pratos muito fartos. Só em Marrakech são um pouco menores, mas nunca faltou comida. Todos os cardápios são pelo menos em francês, inglês e espanhol e tem foto da comida, além da descrição. Não deixe de entrar em uma pâtisserie (confeitaria) para fazer um lanche e ficará encantado com a variedade de doces. São de um sabor delicado e não muito doces. Usam mel, amêndoas, gergelim. E não deixe de tomar o suco ou batido de amêndoas, que é fantástico, vem quase copo de liquidificador. Mesmo assim foi um para cada. Vai se esbaldar comendo tâmaras e tem uma grande variedade. Procurei comprar embaladas. São deliciosas. Azeitonas, eu nem imaginava que havia tantas variedades. Servem até no café da manhã. E na maioria das vezes antes de qualquer refeição já colocam na mesa pão e azeitonas. Como é dirigir no Marrocos Dirigir no Marrocos é fácil e uma experiência incrível que te faz sentir na pele os lugares por onde passa, viajando no teu ritmo e desfrutando do trajeto, não só dos destinos. Nosso roteiro deu uns 2000 km, mas rodamos um total de 3600 km. Alugamos o carro pela internet pelo site https://www.economycarrentals.com que apresentou os melhores preços (até a metade de outros) e não tinha taxas extras. A locadora foi a Europcar, e escolhemos um i30, na falta nos ofereceram como upgrade o Qaskay que é uma SUV do porte do Jeep Compass. Um detalhe maravilhoso que era a diesel, o que fez a diferença, porque fez 22,5 km/l. Pagamos pela diferença R$ 120 (convertidos). Então, lá escolha o diesel. Uma coisa que não entendi é que no ticket da máquina de cartão apresentou a palavra débito, apesar de ter escolhido o crédito. E no fim das contas saiu mesmo no crédito na fatura do cartão. Não entenderia mesmo em português, muito menos em francês. Mas na próxima vez lá, já sei e tudo bem. Portanto, não se preocupem com isso. Se quiseres saber o preço dos combustíveis lá para planejamento veja em https://www.globalpetrolprices.com/gasoline_prices/ que mostra a média dos valores praticados em todos os países. Evite dirigir nas grandes cidades que pode ser confuso e também para não perder a vaga do estacionamento, que em geral é na rua com “flanelinhas” licenciados, custou 2 Euros por noite em todos os lugares. Pode ficar tranquilo que ninguém mexe. Não vá deixar coisas de valor à vista, é claro. Nestas use táxis que são baratos. As placas de sinalização são em árabe e alfabeto ocidental. Verá algumas em bérbere nas autoestradas (escrita que lembra a dos fenícios). Não é necessária a PID (Permissão Internacional para Dirigir). As estradas são de ótima pavimentação e poucas têm pedágios sendo a maioria baratos (foram valores como 6, 8 ou13 MAD, ou seja, 1 Euro), a exceção é a que vai de Marrakech à Casablanca. A polícia é bastante simpática, então também seja. Não ultrapasse os limites de velocidade que com 90% de chances você trará como “souvenir” uma multa. Têm radares em todas as estradas inclusive as mais desertas. Minha principal atenção foi com a placa Ralentir (desacelere) que é uma pegadinha no sentido literal mesmo. Leia neste post https://www.tempodeviajar.com/como-escapar-gendarmerie-royale-marrocos/ lá tem todas as informações necessárias para dirigir com tranquilidade no Marrocos. Chefchaouen nos mapas pode aparecer El Aiún. Por sinal, no Google mostra no menú a opção El Aiún, Chefchaouen, Marrocos. É esta mesmo. SAINDO DE CASABLANCA Total: 2000 km 1º Dia 05/3- Chegada a Casablanca Chegada ao hotel no final da tarde, por conta dos atrasos. Então, o previsto para fazer não deu certo e ficaram várias atrações para outra viagem. Pernoite em Casablanca – Le Trianon Luxury Hotel & SPA. Escolhi pela nota no Booking na época superior à 8 e pela localização perto de várias atrações e junto ao Twin Center que é uma referência. O custo-benefício dos hotéis em Casablanca é baixo. Neste mesmo, o café da manhã era a parte e custava 7 Euros por pessoa. Tomamos café em uma lanchonete. 2º Dia 06/3- Casablanca – Rabat – 85 km – 1:00 h - Mausoléu de Mohammed V - Torre Hassan - Kasbah dos Oudaias. É uma fortaleza cheia de residências ainda usadas atualmente. Não é necessário guia, mas se quiser combine, inclusive se entrar em uma casa vão querer te cobrar a parte, então trate antes. - Jardim Andaluz - Chellah (antiga necrópole que foi construída fora das muralhas pelos Merenidas no século XIII, que abriga as ruínas da antiga cidade romana). Hoje é um bonito jardim que dá vontade de passar uma tarde. É cheio de cegonhas e seus ninhos. - Palácio Real. Não pode tirar fotos. Almoçamos na praia junto ao Kasbah dos Oudaias 180 MAD (para dois) Pernoite em Rabat – Riad Meftaha 3º Dia 07/3- Rabat – Chefchaouen – 250 km – 3:35 h Chefchaouen é imperdível! Conhecida como “cidade azul”, é uma das cidades mais coloridas do mundo, muito fotogênica e autêntica. Você se sente voltando mil anos no tempo. Parece que todos os moradores usam roupas tradicionais, até os meninos usam a jelaba e com capuz parecem magos de um filme de Harry Potter. Quem gosta de gatos vai adorar, porque são muitos pelas ruas e todos bem tratados, estes tendo sido até objeto de um estudo de universidade. São muitas as opções para refeições e também bem econômicas, na praça é uma pechincha. Pernoite em Chefchaouen – Dar Zambra. Este hotel fica dentro da medina, bem no alto, então tem que contratar carregadores (combine antes) ou terá que subir pelas ruelas e escadas com tudo nas costas. Todas as atrações na cidade estão listadas abaixo. 4º Dia 08/3- Chefchaouen -Cidade antiga e medina. Exige muito das pernas para percorrer os labirintos de ruelas e escadarias. É o que mais se faz lá, olhar, descobrir e encantar-se. -Castelo central -Mesquita com minarete octogonal -Lavanderia pública Rass Elma Pernoite em Chefchaouen – Dar Zambra 5º Dia 09/3 –Chefchaouen – Volubilis 165 km– Méknes Total: 200 km – Volubilis – Méknes 34,3 Km 44 min. Volubilis - Volubilis (imensas ruínas romanas datando de 28 A.C). Nós paramos junto a uma cerca e avistamos de longe. Não tivemos tempo para visitar. Meknes Meknes é uma cidade surpreendentemente linda. Quando estávamos chegando a gente começou a ficar de boca aberta. Os roteiros turísticos não lhe dão a devida importância, mas é uma das cidades que o guia Lonely Planet recomenda para a visita em 2019. Nós moraríamos lá, se pudéssemos. - "Tour des remparts", circuito das muralhas, que passa pelas diversas portas ("babs") da cidade; fizemos com uma carruagem. A cidade antiga é cercada por três conjuntos de muralhas, sendo uma dentro da outra e a externa com 12 metros de largura. - Mausoléu de Moulay Ismail (construtor da fortaleza, que teve 500 mulheres e 800 filhos!), uma das poucas mesquitas que podem ser visitadas, exibindo trabalhos decorativos riquíssimos; - Bab El Mansour - Medersa Bou Inania - Palácio Real, com seus fantásticos estábulos, com capacidade para 12.000 cavalos e respectivos cavaleiros, os silos, com capacidade de armazenagem de 2 anos, o reservatório com uma "nouria" (monjolo), apto a alimentar de água tanto o palácio, quanto a "medina", além dos jardins suspensos com oliveiras. Uma obra de engenharia militar. Um guarda se ofereceu por um pequeno valor nos servir de guia. - Ville Nouvelle (cidade nova), onde estão localizados os hotéis e restaurantes, mais parecendo um "mercado persa". Quanto ao artesanato, seu forte são os "damasquinados": semelhantes aos trabalhos encontrados em Toledo (Espanha), só que elaborados com ferro e prata. Pernoite em Meknes – Riad Yacout, este fica dentro da muralha, uma localização privilegiada e perto de tudo. O riad era lindo e com uma decoração muito autêntica. O ano de fundação era por volta de 1750 se não me engano. 6º Dia 10/3 - Méknes – Fez 64 km Fez é uma das cidades mais antigas do Marrocos, sua fundação foi 789. É misteriosa e cultural, é maior medina que não entram carros do mundo. Percorrer suas ruas e ruelas é a principal atração. E ficará impressionado com a qualidade dos objetos de couro, com as cerâmicas, dos ladrilhos, com as portas, bem, a lista é longa. Porque você vai se surpreender a todo o momento. Precisaríamos ter ficado mais uns dois dias pelo menos. - Bab Boujloud – o portão azul, principal entrada para a Medina - Medersa Bou Inania (medersa ou madrassa) - Dar-el-Makhzen (Palácio Real) - Bairro judeu Fez Mellah - Santuário de Moulay Idriss I - Padaria comunitária. São bem comuns até hoje. As pessoas levam o seu pão para assar lá. - Medina - Jardin Jnan Sbil - Palacio Glaoui - Al-Karaouine University – Foi fundada em 859 por Fatima Al-Fihri e é a mais antiga universidade ainda em funcionamento contínuo do mundo de acordo com a UNESCO. Mas não se pode entrar, pena. - Museu de Artes e Ofícios de Madeira de Nejarine - Tombeaux merinides (Tumbas dos Merenitas)- Vista da cidade - Quartier tanneurs – quarteirão de tingimento de couros -Borj Nord (Museu das Armas) Fortaleza no alto de uma colina -Dar-el-Makhzen (Palácio Real) Observação: Serviço Oficial de Guias em Fez é tabelado: Meio- dia: 200 MAD inclui apenas visita a medina. Nós contratamos um guia que foi chamado pelo gerente de nosso riad para otimizar o tempo, então nosso tour começou por volta das onze horas até lá pelas quatro e meia da tarde. Foi meio corrido e com muita informação. Depois ande sem guia, então vai se perder e se achar entre as 10.000 ruelas (isso mesmo) que compõem esta medina. Nós tínhamos como referência a Bab Boujloud, o portão azul, já que nosso riad ficou próximo. No outro dia era sexta-feira e no Marrocos que é muçulmano, equivale ao domingo. Então, dentro da medina a maioria do comércio estava fechado. Utilizamos o serviço de um guia para conhecer a parte fora da medina. Ele foi com uma van, e este sim foi maravilhoso, com muitas explicações inclusive sobre sua religião. Esta hospedagem merece uma referência especial, já que nunca na vida fomos tão bem acolhidos em um hotel quando lá. O gerente nos colocou sob os cuidados do Hassan, e tudo que precisamos, ele nos auxiliou. Levou o carro que estava com pneu furado para conserto, conseguiu os guias, a compra de remédio para tosse (gripei) e um monte de coisas. Este riad é um palácio literalmente e nos deram uma suíte enorme que tinha até sala com sofás e o ambiente finamente decorado. Daria para passar um dia só fotografando os detalhes de tudo. Este riad foi construído em 1373. Bem antigo, mas reformado e belíssimo. Pernoite em Fez – Riad Al Makan – creio que melhor localização é impossível. 7º Dia 11/3 – Fez Pernoite em Fez – Riad Al Makan 8º Dia 12/3 - Fez – Ifrane 72 km Ifrane é chamada de “Suíça Marroquina” e os tours normalmente só fazem uma passagem de umas horas, ela é mais “ocidental”, mas a natureza em volta é belíssima. Mas nós queríamos ver neve, por isso resolvemos ficar um pouco e ter um tempo para descansar. Fizemos até bonecos de neve e interagimos bastante com as pessoas. -Estação de esqui. -Bosques de cedro com os macacos de Gibraltar, são a mesma espécie e bem mansos. Podemos nos aproximar sem que agridam. Entramos em uma estrada ao lado do hotel e ao longo do percurso víamos as pessoas fazendo pic-nic. -Nascentes de água -Parque das Cascatas de Vitel -Termas Naturais de Ras El Ma Pernoite em Ifrane – Hôtel Relais El Maa, sem café da manhã. Tinha uma lanchonete junto, mas comemos todas as refeições em um restaurante a poucas quadras. 9º Dia 13/3 – Ifrane Pernoite em Ifrane - Hôtel Relais El Maa 10º Dia 14/3 - Ifrane – Merzouga 400 km – tempo estimado de viagem 6:00h Atenção ao tempo de viagem, que pode ser maior dependendo das paradas. Leve água e coisas para comer, porque não dará tempo para almoço se você quiser chegar até às quatro da tarde para ir de dromedário ao acampamento no deserto. Este horário tinha sido combinado por e-mail com nosso riad, e a finalidade é estar no acampamento ao por do sol. Foi o trecho mais longo que dirigimos e é demorado por conta das várias cidadezinhas que passamos. Muitas gostaríamos de ter parado um pouquinho. O passeio com dromedários até o acampamento no deserto foi uma experiência e tanto. Levamos em torno de uma hora e meia de dromedário. O jantar foi preparado no acampamento e o desjejum quando retornamos ao riad. Creio não ser necessário falar o quanto isso foi emocionante. Ah, e era nosso aniversário de 24 anos de casamento. Pernoite em Merzouga no deserto em uma tenda 11º Dia 15/3– Merzouga -Tour das dunas (visita a aldeia Khamlia, Minas Mfiss e oásis Tissardmine. Preço 500 MAD por pessoa (+- R$ 200,x2), achamos meio caro, mas cômodo pois tínhamos combinado tudo antes por e-mail. Foi em torno de quatro horas. Visitamos: -Aldeia e oásis de Hassilabied, aldeia e oásis de Merzouga, músicos Gnawa na aldeia de Khamlia, Dunas de Iqri, aldeia de Tisserdmine, nas dunas, visitar o Depôt Nomade (loja de tapetes e museu), planalto negro de cobalto vulcânico da Hamada du Ghir. Passa pelos caminhos de uma antiga rota do Paris Dakar, também verá nômades acampados junto às dunas. À tarde fomos à Rissani para ver o mercado. Andamos por dentro de um kasbah que tinha várias famílias morando. Faltou conhecer o centro de Merzouga. Pernoite em Merzouga - Kasbah Azalay Merzouga. Esta hospedagem tem uma linda vista para o deserto e você vai querer ver o sol nascer. O traslado até o acampamento, o acampamento e jantar no deserto foram organizados por eles e combinado por e-mail. Creio que todos os hotéis ou riads também façam. 12º Dia 16/3 – Merzouga – Tinghir - Boumalne Dades 252 km Em Tinghir (ou Tinerhir), dê uma parada obrigatória e contemple a cidade oásis. -Gargantas do Dadés. É um desfiladeiro incrível e que vai render umas fotos impressionantes. Não deixe de dirigir até o alto. -A Garganta de Todra, é outro desfiladeiro, com paredes com mais de 200m de altura. -Vale das Rosas em Kelaat-M’Gouna, Jbel Saghro, La Vallée Des Figues, Vale das rochas Dedos de Macaco, Vale dos Pássaros. Para chegar nas Gargantas de Dadés: Em Boumalne pegar a R 704. E para ir à Garganta de Todra pegar a R 703 e andar uns 17 km. -Kelaat M’Gouna – Entrada para o Vale das Rosas. Aproveite para olhar as lojinhas e comprar uns perfumes, que são de excelente qualidade e com essências locais (influência francesa), são lembrancinhas boas e baratas. Pernoite em Boumalne Dades – Maison D’Hotes Restaurant Chez L’Habitant Amazigh 13º Dia 17/3 - Boulmane – Skoura – Ouarzazate Este trajeto é conhecido como o Vale dos Mil Kasbahs” e realmente são muitos. - Em Skoura com Kasbah Amerhidil e Sidi El Mati. Ouarzazate é uma maravilhosa cidade com vários atrativos onde dá para sentir o dia a dia das pessoas e também pode servir de base para visitar os arredores até 100 km. É conhecida como a “Hollywood do Marrocos” devido à produção de filmes. Em Ouarzazate: - Kasbah Tifoultoute - Kasbah Taourirt - Kasbah des Cigognes - Ksar de Ait Ben Haddou. Impressionante. É uma cidade fortificada fundada em 757 e ainda vivem lá algumas famílias. Lá foram feitos muitos filmes como Lawrence da Arábia, O Gladiador, A múmia, Alexandre, etc. Fica a 30 km da cidade em direção de Marrakech. Indo pela N9 e depois pegar P1506 e andar uns 9 km. Nós preferimos ir e voltar para Ouarzazate. - Museu do Cinema - Estúdios de Cinema Atlas. Não foi possível entrar porque estava acontecendo uma filmagem. - Estúdios de Cinema CLA. Vá, só se tiver tempo. Eram objetos de cenários bem velhos, mas rendem boas fotos. - Bairro típico de Taourirt - Bairro típico de Tassoumaat, - Oásis Fint. Passamos umas horas e é muito relaxante estar entre as tamareiras. -Museu do cinema. Fica junto ao Kasbah Taourit. Aproveite para entrar nas lojinhas em volta. Lá encontrará peças incríveis, inclusive antiguidades. Pernoite em Ouarzazate – Hotel Dar Rita. Ela, a Rita é portuguesa e tem um excelente site com informações sobre o Marrocos: http://www.darrita.com/hotel-marrocos/. Mais informações também com: http://www.joaoleitao.com/viagens/marrocos/ (é irmão da Rita) 14º Dia 18/3 – Ouarzazate Pernoite em Ouarzazate - Hotel Dar Rita 15º Dia 19/3 - Ouarzazate – Marrakech 196 km O tempo de viagem de Ouarzazate à Marrakech é em torno de 4 a 5 horas, mas depende das paradas. Uma coisa que eu tinha muita vontade era de cruzar as Montanhas Atlas, e foi realmente fantástico com cenários de indescritível beleza. Todas as atrações de Marrakech custam em torno de 10 MAD (1 Euro). É melhor usar táxis para se locomover para fora da medina e negocie antes. Nós fomos ao Jardim Marjorelle de Tuk tuk. Não se hospede muito longe da praça, pois ela será sua referência para tudo. - Jemaa el Fna. De dia é uma coisa, e à noite se transforma numa mistura de magia com luzes, cores e aromas. Falta-me talento literário para descrever melhor o que se sente e vê. É a principal praça de Marrakech e uma das mais famosas do mundo e é onde a vida pública acontece. É bem movimentada durante o dia, mas ao cair da noite é quando tudo acontece. Parece que toda a população e turistas vão para lá e é impossível não sorrir o tempo todo ao ver todo mundo tão alegre e se divertindo, comendo, assistindo os vários espetáculos que estão acontecendo (como encantadores de cobras, malabaristas, etc). Nas ruas da medina chega a acontecer congestionamento de gente a pé. Sério, eu vi, então já esteja por lá ao entardecer e fique até lá pelas nove da noite quando o movimento diminui. E a gente tem que ter cuidado são com as motos tipo “mobiletes” que andam a toda entre as pessoas dentro da medina. - Mesquita Koutoubia com minarete de 70 m. - Tumbas Saadianas - Palácio Real - Palácio Bahia que é lindo - Palacio El Badi em ruínas, pois foi saqueado para construir Méknes - Medersa Ben Youssef - Museu Dar si Said – Museu de artes de Marrakech (vale mais pela arquitetura) - Museu de Marrakech - Qoubba Almorávida – fica perto da Medersa Bem Yousef - Jardim Majorelle (entrada 20 MAD + 15 para o Museu Berbere). Superou todas as expectativas. Não dá para deixar de ir. Está junto a uma casa que pertenceu a Yves Sain Lawrent e é inspirado nos jardins islâmicos, tem uma coleção de cactos e palmeiras de todo o mundo, tudo com descrição. Lá vimos, do Brasil buriti e butiá. Reserve umas três horas pelo menos, porque é enorme e cheio de coisas para ver. Imperdível também é o Museu Bérbere, e isso que não sou muito de museus. - Gueliz e Ville Nouvelle (parte mais moderna, tem até um Carrefour (onde dá para comprar bebidas alcoólicas) - Cyber Park. Fica bem próximo da entrada da medina. É bonito, mas vá se tiver tempo ou na volta do Jardim Marjorelle se quiser dar uma parada. - Muralha da Medina. Ver os portões Bab Agnou (mais importante) e Babe Rob além de Bab Debbagh, que dá acesso aos curtumes, e também no Bab Aghmat. - Souk do Ouro, souk das frutas, Souk Semmarine (sandálias, babouches, jóias, puffs), Souk Ableuh (especiairias, azeitonas), Souk Kchacha (frutos secos), souk dos instrumentos musicais, Souk do tapetes, Souk Mouassine, Souk El Khemis, Souk Siyyaghin (jóias, ouro), Souk Smata (babouches, cintos). - Maison de la Photographie Pernoite em Marrakech – Riad El Wiam 16º Dia 20/3 – Marrakech Pernoite em Marrakech – Riad El Wiam 17º Dia 21/3 – Pernoite em Marrakech – Riad El Wiam 18º Dia 22/3 - Marrakech – Casablanca 242 km Tempo estimado 3:30h Gastamos a manhã neste trecho, que é uma autopista, com pedágio caro. Fizemos check-in adiantado no hotel em Casablanca. Deixamos o carro estacionado na frente do hotel e à tarde pegamos um táxi para ir ao Morocco Mall. Este é o maior shopping center da África e nosso objetivo foi ver um aquário gigante no qual tem um elevador que passa por dentro. É maravilhosa a sensação que “lembra um mergulho”. Se paga uma pequena taxa e pode fotografar, mas sem usar flash. Nem vimos lojas, porque eram só daquelas grifes bem esnobes como Chanel, Louis Vuitton e Cartier. Depois demos uma caminhada pela Boulevard de la Corniche, que é uma avenida na beira-mar. Voltamos para o hotel. Casablanca é uma cidade muito bonita que tem a mistura de arquitetura do tempo da colonização francesa e a modernidade. O trajeto do aeroporto ao hotel, os arredores do hotel, o percurso até a Mesquita e ao Morocco Mall foi o que vimos e nos deixou uma ótima impressão e desejo de quando retornar ver o que faltou. Pernoite em Casablanca – Le Trianon Luxury Hotel & SPA. 19º Dia 23/3 – Casablanca Entregar o carro no aeroporto. Retorno – Partida 12:20h Vídeo do Youtube sobre as experiências no Marrocos: https://www.youtube.com/watch?time_continue=178&v=awQEEEWLYq0 Nossos custos (2 pessoas) foram 2116 Euros assim discriminados: -Almoço e jantar – 630 -Lanches - 112 -Hotéis/riads - 876 (alguns mais simples outros bem legais, mas todos muito bons) Atrações - 50 Aluguel do Carro - 265 (para todo o período) Diesel - 183 Para ter uma ideia dos custos de um destino uso o https://www.numbeo.com/cost-of-living/ pode conferir que é bem aproximado e em média gastei sempre um pouco menos. Frases úteis em Francês, expressões francesas do dia-a-dia que ajudam a parecer mais simpático. Sim = Oui Não = Non Obrigado = Merci Salut = Oi / Tchau Ça va = Tudo bem (pode ser pergunta ou resposta) Bom dia = Bonjour (usado o dia inteiro) Boa tarde = Bonsoir (aos finais de tarde) Boa noite = Bonne Nuit Adeus = Au revoir Palavras em árabe Saudações: -As-salam alaykom = “que a paz esteja com você”, pronúncia: assalam-aleicûm -Responda a esta saudação padrão com "Wa Alykom As-salam, pronúncia aleicûm-assalam,= que a paz esteja com você também, pronúncia: aleicûm-assalam -Salam = Oi! – cumprimento informal - Shukran = Obrigado -Agradecendo o chá de menta: antes de beber, olhando nos olhos do anfitrião dizer: bi saha Foram nossas experiências mais incríveis: -Visitar os mercados e souks sentindo suas cores e aromas -Passar a noite em um acampamento no deserto do Sahara -Ir até o acampamento de dromedário -Percorrer a gigantesca medina de Fez -Conhecer Chefchaouen, a cidade azul -Andar e se encantar à noite pela Praça Jemaa el Fna em Marrakech -Dirigir. Subindo para as Montanhas Riff, passando por lugares indescritíveis como a Garganta Dades, ir ao deserto, se emocionar ao chegar em cidades como Méknes e tantos outros lugares -Cruzar as Montanhas Atlas e ver neves eternas, vales e vilarejos -Maravilhar-se com os vales verdejantes no deserto e o aproveitamento de toda terra fértil. -Conhecer as pessoas, com um pouco de sua cultura e religião e ter a oportunidade de interagir com elas. Fizemos amigos lá. Levamos as melhores lembranças.
  11. 8 pontos
    Só um comentário, "filhadaputagem" é o pessoal embarcar com malas e mochilas enormes, fora do padrão, ocupar todo o espaço e depois os últimos passageiros se f.. por que não tem mais espaço dentro do avião. Ai começa toda a confusão, demora para os passageiros se acomodarem, tem tirar bagagens do avião e despachar no porão, o que por sua vez só causa mais confusão, brigas e atrasos. Então antes de chamar de "filhadaputagem", parem de pensar no seu próprio umbigo, atitudes como estas, tentar ficar burlando as regras, só prejudicam todos os demais passageiros, que estão viajando com a sua mala/mochila dentro dos limites e que querem que o seu voo saia na hora sem que seja atrasado por que meia-duzia de "f.d.p." resolveu levar uma mochilas enormes dentro do avião e está atrapalhando um monte de gente com a sua mochila enorme e fora dos limites permitidos.
  12. 7 pontos
    Relato de uma viagem feita sozinho durante 58 dias no México entre os dias 02/05 e 28/06/2019. Muitas das informações aqui apresentadas já foram em parte compartilhadas no meu Instagram de viagens criado há pouco tempo: https://instagram.com/viajadon_/ Obs.: os preços informados são em peso mexicano. PRINCIPAIS CIDADES/REGIÕES VISITADAS: Cidade do México, Teotihuacan, Tepotzotlan, El Tajín, Papantla, Huasca de Ocampo, Mineral del Monte, Bernal, Querétaro, Jalpan, Huasteca Potosina, San Luis de Potosí, Real de Catorce (local mais ao norte), Guanajuato, San Miguel de Allende, Puebla, Atlixco, Cholula, Zacatlán, Chignahuapan, Cuetzalan, Orizaba, Oaxaca, Chiapa de Corzo, San Cristóbal de las Casas, Comitán de Dominguez, Laguna Miramar, Toniná, Palenque, Bacalar, Tulum, Cobá, Isla Mujeres, Holbox, Valladolid, Ek Balam, Las Coloradas/Río Lagartos, Chichén Itzá/Pisté, Mérida, Uxmal/Ruta Puuc. MAPA GERAL COM PONTOS DE REFERÊNCIA: - Local mais ao norte: Real de Catorce - Local mais ao "sul" (próximo da Guatemala): Lagos Montebello (em passeio partindo da cidade de Comitán Dominguez) Mapas interativos: https://drive.google.com/open?id=1fd9QocEx5PbMuHYldzdv9zf3LNjCAXjF&usp=sharing https://drive.google.com/open?id=1XZ6l1GJdttfU1UDeC8xXpW1izBhMntlK&usp=sharing https://drive.google.com/open?id=18fij8kYrSgXfXdRvMRBA5e3Jdq3ADbYQ&usp=sharing Arquivos Kmz: México - Estados de Hidalgo, Querétaro, San Luís Potosí, Guanajuato e cidades de interesse em Michoacan.kmz México - Estado do México, Veracruz, Puebla e Oaxaca.kmz México - Estados de Chiapas, Yucatan e Quintana Roo (sulleste).kmz ITINERÁRIO RESUMIDO: Planilha editável: Tabela de deslocamentos - realizado (espaçado).docx INFORMAÇÕES BÁSICAS POVO - Os mexicanos são muito acolhedores, honestos e simpáticos com o turista brasileiro de forma geral. - No país encontrará pessoas falando outras línguas, além do espanhol, como nahuatle (em El Tajín e em pueblos do estado de Puebla) e tsotsil (San Cristóbal de las Casas) e outras línguas da família maia. CÂMBIO - Não leve reais e muito menos leve pesos mexicanos comprados aqui no Brasil! - Apesar de ter lido em um relato que o euro era mais vantajoso do que o dólar na conversão para pesos mexicanos, não verifiquei isso em nenhuma casa de câmbio. Sendo assim, o conselho é levar dólares. - Melhores cotações ao longo de toda a viagem nas casas de câmbio do Terminal 1 do Aeroporto. Atenção que o seu voo chegará no Terminal 2, onde as casa de câmbio oferecem cotações menos favoráveis. Para ir ao 1 procure pelo Aerotrem (trem de conexão entre os terminais). Ao chegar no túnel de acesso ao Aerotrem, te pedirão a sua passagem. Informe que você acabou de chegar de viagem e que quer ir às casas de câmbio (deu certo comigo e acho que geralmente dá com qualquer um). - Nos mercados da rede Soriana (há em várias cidades do México) é possível pagar em dólar e receber troco em pesos por uma excelente taxa de conversão (troco a $18,80 enquanto em casa de câmbio estava a $18,25). PREÇOS - O México em geral é mais barato do que o Brasil. O preço de artesanato é absurdamente barato e os de transporte, hospedagem, alimentação e transporte serão discutidos nos tópicos a seguir. TRANSPORTE - O México é muito bem atendido por linhas de transporte. Mesmo entre cidades pequenas no interior costuma haver transporte regular (geralmente kombis) e entre várias cidades, há opções de ônibus executivos confortáveis do grupo de empresas da ADO, da Futura ou do grupo da Estrella Blanca, com preços mais ou menos correspondentes aos praticados no Brasil. - Para se locomover entre cidades do circuito turístico nos estados ao norte da Cidade do México (até San Luis de Potosí) ou entre a Cidade do México e Puebla ou Oaxaca, encontrará opções mais econômicas no Bla Bla Car (app de compartilhamento de carona). No app, muitas vezes a viagem sai por um terço do preço dos ônibus regulares e além disso, vc ainda pode conhecer pessoas massa, como aconteceu na viagem até Querétaro, em que conheci dois mexicanos e um belga super "chidos", que depois ainda tomaram uma cerveja comigo. - Para viajar para alguns pueblos, muitas vezes haverá apenas opção de colectivo (kombi ou van) ou em caso extremos haverá apenas opção de caminhão (pau de arara), como entre Laguna Miramar e Ocosingo. Às vezes a única opção de transporte regular (nos dois sentidos da palavra) pode ser também a carroceria de uma camionete, como para visitar Toniná partindo de Ocosingo. - Uma forma bastante popular de se viajar, especialmente em ou entre cidades pequenas é o táxi coletivo. São basicamente táxis que circulam meio que como vans ou ônibus pegando mais de um passageiro. Em algumas situações colocam até 5 passageiros, sendo dois na frente (sim, há um banco adaptado em cima do freio de mão 😂). - O transporte dentro das cidades costuma ser muito barato (ex. metrô a $5 na Cidade do México). Dicas para economizar: a) cheque o Bla Bla Car antes de comprar passagens de ônibus; b) nos estados de Chiapas, Campeche, Quintana Roo e Yucatán, verifique sempre se há opção de colectivo, além do ônibus (é mais desconfortável, mas às vezes muito mais em conta e com saídas mais frequentes); c) sempre quando for comprar passagem de alguma empresa do grupo ADO (OCC, AU e a própria ADO), cheque o site com 2-3 dias de antecedência, pois geralmente há cotas promocionais que reduzem o preço em até 40-50%; e c) ao comprar passagem em terminal rodoviário, cheque sempre se não outra empresa que faz o percurso, pois geralmente o atendente te informará apenas a com horário de saída mais próximo. Geralmente há outra empresas com ônibus simples, sem banheiros, porém com poltrona confortável, que fazem o mesmo trajeto das empresas mais caras. HOSPEDAGENS - O México é um país barato para se viajar. Peguei alguns hostels de boa qualidade com preços absurdamente baratos, como $85 com café da manhã no Torantelo em San Cristóbal de las Casas ou $30 no Lucky Traveller em Tulum. 🎉 De forma geral, encontrará bons hostels entre $120 e $240 na maior parte das cidades. - Em alguns pueblos e cidades menos turísticas pode ser que não encontre hostels. Neste caso, confira o Airbnb se quiser reservar com antecedência. ***Para fazer a sua primeira reserva pelo Airbnb, use o link abaixo, que vc ganhará desconto (e eu tbm e nós dois ficaremos felizes 😄) https://abnb.me/e/lJ7ccVuYnZ - Dica importante: caso esteja viajando em baixa temporada, sem muita preocupação com disponibilidade de hospedagens, deixe para pagar a diária do hostel a cada novo dia, sempre conferindo o preço no Booking. Direto aparecem promoções de diária para o local onde vc já está hospedado. Essa é a regra, porém quando o valor já está absurdamente barato ao se reservar inicialmente, pode ser melhor reservar logo por vários dias, com atenção a alterações nos valores das diárias por este maior período. ***Para fazer a sua reserva pelo Booking, use o link abaixo, que vc ganhará desconto (e eu tbm e nós dois ficaremos felizes 😄) https://booking.com/s/67_6/andes019 p.s.: Ao final do relato, encontrará a lista de todas as minhas hospedagens. COMIDAS E BEBIDAS - É bom ter um glossário de comidas mexicanas! Muitas coisas são bem parecidas. Às vezes só de acrescentar um item em alguma coisa, esta já recebe outro nome. - Ser vegetariano no México às vezes é um pouquinho complicado se você não está na pilha de fazer sua própria comida. - Comidas de rua e refeições em mercados (tipo os nossos mercados municipais) são bem econômicas e em geral os restaurantes chiques custam menos do que muitos restaurantes razoáveis do Brasil. - Um outro atrativo do México para mim são suas simpáticas padarias. Muitas delas vendem apenas opções de pães doces com preços geralmente super em conta! Em Orizaba, por exemplo, paguei $5 (!) por três tipos diferentes de pães doces. - Pimenta! 🌶️ Sim, os mexicanos realmente amam pimenta. Tudo o que você pede pode levar pimenta no seu preparo, até mesmo uma raspadinha de gelo ou frutas no copo. É comum também ter à disposição molhos de pimenta verde ou vermelho de preparo próprio. Caso vc não curta pimenta, relaxa que geralmente as comidas não vêm apimentadas da cozinha (exceto o "mole" ou alguns pratos típicos que são feitos à base de pimenta), mas é sempre bom perguntar. - Outra coisa interessante é que nos menus (combos de comidas), o arroz às vezes pode vir como opção de segundo prato, após a entrada (geralmente uma sopa ou caldo) e antes do prato principal. - Ah, e esqueça o tradicional arroz nos pratos. Os mexicanos muitas vezes usam as tortillas como base dos seus pratos. Às vezes quando o prato vem com arroz, eles inclusive misturam o arroz com o acompanhamento e colocam na tortilla. hahaha - Há diversos tipos de antojitos (classe do comidas dos tacos e quesadillas). Tive dificuldade para diferenciar um de outro algumas vezes, mas tranquilo, já que os próprios mexicanos quando questionados sobre as diferenças fazem confusão. hahahaha - Em relação à bebida, o preço da cerveja é mais ou menos o mesmo do Brasil (aqui é um pouco mais barato). Uma garrafa de 1,5 L de água custa geralmente entre $9 e $14. Refrigerante eu não lembro, mas dado o alto consumo mexicano (mais do que 6x a média mundial), acho que é bem barato. - Os mexicanos também são doidos por suco! Nas ruas geralmente há várias banquinhas de suco. Na verdade, o suco lá geralmente é feito com fruta em infusão durante um bom tempo e se chama "agua (de sabor)". Já os sucos de pura fruta, sem adição de água, que são chamados de "jugo". - Outra coisa que os mexicanos amam é tamarindo. Há inclusive um preparo tipo uma calda muito popular à base de tamarindo e pimenta, chamado "chamoy", que eles usam em diversos alimentos. Os doces feitos com a fruta, especialmente os picantes, são deliciosos! 🤤 - Paleta! Sim, o termo "paleta" não é invenção de empreendedor brasileiro. Os picolés mexicanos realmente se chamam "paletas". Os de fruta são deliciosos! Mesmo aqueles baratinhos de carrinhos de rua são super saborosos. Eu costumava curtir mais as paletas de fruta (especialmente as com pimenta) do que os sorvetes ("helado" se for à base de leite ou "nieve" se for à base de água). Bem acho que é isso... segue aí uma listinha de coisas que comi ou bebi com um breve comentário: - Camote - doce de batata doce vendido em Puebla - Cemita - pão tipo "brioche" (desses com gergelim usados para sanduíches). Também é o nome do sanduíche em si, muito popular em Puebla, o qual leva carne de porco, queijo, abacate e pode levar pimenta. É bom, mas é só um sanduíche em torno do qual o povo local cria todo um "hype". - Chalupas: massa de milho frita recoberta depois com um molho e ingredientes a gosto. Parece com salbute. - Chamoyada - raspadinha de gelo com pimenta - Chapulines - grilos - Chicatanas: formigas - Elotes e esquites - milho com limão, pimenta, maionese e queijo. Esquites é a versão com o milho no copo. Uma delícia! - Flor de calabaza - flor de abóbora refogada. É bem gostosa e geralmente é servida em tortillas. - Gordita - tem a versão de nata, que é tipo um pãozinho doce feito à base de nata e que pode ser recheado com geleias, doce de leite ou nutella. Tem a versão salgada que é massa de milho frita e recheada. Ambos eu achei bem gostosos. - Habas - favas grandes salgadas, vende-se em lugares que tbm vendem amendoim - Huaraches e sopes: para mim são iguais, mas têm um formato diferente. Tortilla de milho, com feijão, alface e queijo. - Huazontle - empanado recheado com queijo feito com uma folha fibrosa (o próprio huazontle) que se parece brócolis . Não curti muito! - Huitlacoches - fungo que dá no agave. Uma delícia nas tortillas. - Memela: massa de milho frita coberta com feijão e molho verde ou vermelho. O que eu comi perto do Balneario Axocopan em Atlixco foi o antojito mais gostoso de toda a viagem. - Molletes - pão com queijo, tomate, alface, que lembra uma bruschetta. - Molote - tipo de antojito frito parecido com quesadilla. Gostoso! - Nopales - folha de palma mto negligenciada aqui no Brasil, mas super populares no México. São servidas em antojitos ou em pratos. Eu adoro! - Palanqueta - parecem barrinhas de cereais feitas com semente de amaranto. Eu acho gostosas. - Pan de espelon: tamal com feijão preto e lomitos (carne assada). Muitooo bom! Popular em Yucatan. - Panucho: taco com feijão colado frito em óleo de banha de porco. Leva em cima alface, tomate e abacate no caso do pedido sem carne de porco. Bem gostoso! Popular em Yucatan. - Papadzules: parecem panquecas recheadas com ovo duro e com molho de tomate por cima. Não curti muito! Popular em Yucatan. - Pipián - molho a base de semente de abóbora. Popular em Cuetzalan. - Polcanes: espécies de bolinhos de milho fritos recheados com carne de porco desfiada. Não curti! Popular em Yucatan. - Relleno negro: parece um caldo feito com carne de perú, com tomate, feijão adocicado, salsa e queijo. Sabor forte. Muito gostoso! Popular em Yucatan. - Salbute: parece o panucho, mas não se coloca o feijão na hora de fritar - Sopa de lima: sopa rala de frango, com tomate, cheiro verde e lima - Tamal chachacua: tamal feito enterrado em chão com pedras quentes, geralmente recheado com carne de porco e frango. Muito bom! Popular em Yucatan. - Tamal de macalun: com hoja santa, semente de abóbora. Muitooo, muito bom! Popular em Yucatan. - Tamal vaporcito: feito no vapor. Gostoso.Popular em Yucatan. - Tlacoyos de requesón - um dos antojitos mais gostosos que comi. São encontrados na Cidade do México. - Tlayuda - massa de milho verde frita com cobertura de feijão e outras coisas que são vendidas nas ruas de Cidade do México. Essa eu achei ruim. Já a tlayuda de Oaxaca são gostosas, parecem tortillas grandes dobradas e recheadas com feijão, alface, abacate, tomate e queijo (e carne). Frutas: - Huaya: frutinha verde que parece pitomba, também conhecida como mamomcillo - Mamey: fruta grande cujo sabor lembra um pouquinho o de mamão. Achei deliciosa - Nanche: murici - Tuna: fruta do cactus que eu não curti Bebidas: - Atole - bebida feita a base de milho; a de cacahuate (amendoim) é uma delícia - Pozol: é uma bebida de milho com cacao parecida com o tascalate. É gostosa, mas é enjoativa. Há também a versão branca, com coco, que não achei gostosa. Popular nos estados de Chiapas e encontrada também em Quintana Roo e Yucatan. - Pulque: bebida alcoolica meio azeda feita a partir da fermentação do agave. Eu gostei da versão com fruta. - Rusas: bebida de água gaseificada ou refri de limão ou sangria com limão, pimenta e sal. É uma delícia! - Tascalate é uma bebida de chocolate feita a partir de uma mistura de milho torrado, chocolate, pinhão moído, achiote, baunilha e açúcar. Bem gostosa, mas o gosto é forte e enjoativo. Popular em Chiapas. - Tepache: bebida fermentada geralmente de abacaxi - Yolixpa: bebida alcoólica indígena a base de 23 ervas vendida em Cuetzalan. Achei gostosa. ROTEIRO DIA 1) BRASÍLIA - CIDADE DO MÉXICO De antemão, já deixo registrado que a Cidade do México é incrível, com diversas atrações interessantes. Se possível reserve ao menos uma semana para curtir a cidade. Ah, e se liga em duas coisas importantes: a) muito atrativos da Cidade do México (e de outras cidades) são fechados na segunda-feira; e b) a entrada em muitos museus é gratuita aos domingos. Bem, agora vamos ao relato. Comecei bem a viagem: sendo parado na imigração. Deve ter sido pq a atendente na triagem inicial me fez uma pergunta em espanhol rapidamente e eu não entendi, para não dizer que tenho cara de gringo querendo migrar para os EUA ou de narcotraficante árabe (e olha que minha barba tava curta). Fiquei um tempo aguardando e depois o funcionário que me atendeu fez uma chuva de perguntas: quanto tempo ia ficar, quanto dinheiro tinha, se já tinha viajado para outros países, qual meu emprego e salário, se tinha outro passaporte (estava com um novinho), se tinha visto pros EUA (perguntou duas vezes), quais minhas intenções no México, se conhecia alguém no país. Uma penca de perguntas. Acho que consegui me desvencilhar da encheção principalmente depois de mostrar o meu roteiro e a passagem de volta de Mérida a Cidade do México e depois para Brasília. Dicas para se dar bem na imigração: tenha seu passaporte antigo em mãos, passagem de volta impressa, tenha uma quantia considerável de dinheiro e se for empregado, leve o seu contracheque. Depois de uma hora e meia na migração, peguei minha mochila, fui ao terminal 1, troquei os meus dólares e euros (ver tópico câmbio mais acima) e peguei o metrô rumo ao hostel (relação das hospedagens ao final do relato). O metrô fica praticamente contíguo ao terminal 1, basta sair na porta mais à esquerda (olhando para a rua) e andar uns 200 m. Esse foi um dia basicamente de uma volta no Zócalo e conhecer a grandiosa catedral e de fazer o reconhecimento do centro histórico, caminhando meio que sem propósito até chegar na Plaza Garibaldi (praça que reúne vários barzinho e onde se concentram vários grupos de mariachis). O Zocálo citado por si só já é uma grande atração. É comum ver apresentações de grupos de dança mexica, jogo de pelota e nos finais de semana há uma movimentação louca de gente com vários vendedores e pessoas com trajes indígenas benzendo e defumando quem tiver interesse. DIA 2) CIDADE DO MÉXICO Dia de caminhar para caramba (bem uns 17 km)! Primeiro fui de metrô até a Universidade Nacional do México - UNAM, onde visitei primeiramente o Museo Universitário de Arte Contemporáneo. Lá estava rolando uma exposição do Ai Weiwei, que fazia um paralelo entre a destruição de patrimônio histórico chinês e o assassinato em massa de estudantes mexicanos em Iguala em 2014 promovido por cartéis em parceria com forças paramilitares e polícias. Pesado! Em seguida peguei um ônibus gratuito interno no campus com destino à Reitoria e à Biblioteca (com direito a pulinho no MUCA - Museo Universitario de Ciencia y Arte...vale a pena se tiver com tempo sobrando). Depois segui caminhando até o Museo Soumaya Plaza Loreto. Após a visita segui até o Museo El Carmen, passando no caminho pelo Mercado Melchor Musquiz (recomendo demais todo esse trajeto a pé). Depois iniciei o que seria um trajeto super agradável pela região de Coyoacán, com belas ruas e praças. Primeiro fui ao parque Viveros (dispensável no roteiro), passando pela charmosa Fonoteca Nacional, e segui até a movimentada e agradável praça da Igreja San Juan Baptista (adorei o clima desta parte da Cidade do México e recomendo demais ir no final da tarde!). Por fim, fui no ótimo Museu Nacional de Culturas Populares e dei um rolê no bairro caminhando até a entrada do Museu da Frida. Nesta última parte do trajeto, há várias barraquinhas de comida para matar a fome. - Museu Universitário de Arte Contemporáneo: museu com excelente estrutura com exposições temporárias interessante (como a do Ai Weiwei). Entrada $40 - quinta-feira a sábado e $20 quarta e domingo. Segunda e terça não abre. - Reitoria e Biblioteca da UNAM: possuem lindos e grandiosos painéis dedicados à cultura mexicana. São tantas informações nestes painéis que há algumas visitas guiadas para apresentá-los. - Museo Soumaya Plaza Loreto: (atenção que já mais de um Soumaya!) o museu está inserido em um complexo com diversos restaurantes e em que frequentemente há apresentações de música e feiras temáticas. O museu em si têm uma coleção de peças artísticas de calendário, exposição sobre 100 anos da Constituição mexicana, pinturas do séc XVII e XIX e alguns artefatos da história da fotografia no país. Particularmente, achei legalzinho, mas acho que é dispensável. Entrada gratuita. - Museo El Carmen: antigo convento que abriga algumas múmias. Visita interessante! Entrada $60. - Fonoteca Nacional: local charmoso e agradável para quem está de bobeira, com tempo de sobra. Entrada gratuita. - Museu Nacional de Culturas Populares: grande museu com boa coleção e ótimas exposições temporárias. Curti demais! DIA 3) CIDADE DO MÉXICO Dia de rolê por atrações no Centro Histórico. - Templo Mayor: o coração da sociedade mexica (erroneamente chamada de "asteca") de Tenochtitlan, que continha em seu centro uma grande pirâmide de mais de 40 m de altura dedicada às cerimônias com sacrifícios humanos. A visita ao Templo Mayor contempla um museu incrível com diversos artefatos mexicas. Entrada $75. - Palácio Nacional: com belo interior e 10 painéis de Diego Rivera. Vale a pena fazer a visita guiada passando pelos painéis. Entrada gratuita - Museu Nacional de Arte do México: belo prédio com uma grande coleção de artistas dos séculos XVIII e XIV (para mim, é o tipo de arte que depois de uma tempo cansa, mas vale a pena a visita). Entrada $60. - - Torre Latinoamericana: na década de 50 esteve entre um dos 50 prédios mais altos do mundo. Tem uma incrível vista panorâmica e um museu legalzinho com a história de algumas estátuas espalhadas na cidade. Entrada $110 (cara demais!) DIA 4) CIDADE DO MÉXICO Mais um dia de rolê na parte central da Cidade do México. Segue abaixo a relação dos locais visitados e como não teria mais tempo depois para conhecer outros atrativos nessa parte central, fica o registro de ainda faltou conhecer a Secretaria de Educação, que tem vários painéis de Diego Rivera; o grandioso Museo Memoria y Tolerância; Museu de la Ciudad de Mexico, Museo de Las Culturas e vários outros museus na região. - Palácio Postal: do ladinho do Museu de Bellas Artes. Acaba passando batido na visita de muita gente, mas é um prédio com um interior maravilhoso. - Museu de Bellas Artes: incrível tanto por fora pela sua grandiosidade arquitetônica quanto por dentro, com exposições temporárias maravilhosas e os painéis de Diego Rivera, Rufino Tamayo, David Alfaro Siqueiros, e José Clemente Orozco. Entrada $70. - Museu Painel Diego Rivera: abriga um grande painel do artista, com placas informativas sobre o que representa cada figura exposta. Entrada $35. VID_20190505_135126.mp4 - Teatro de la Ciudad Esperanza Iris: teatro lindo em que eu pude ver uma bela apresentação de marimbas do Mario Nadayapa Quartet e convidados (a quarta postagem no Instagram é sobre este rolê especial). DIA 5) CIDADE DO MÉXICO/TEOTIHUACÁN Dia longo iniciado dividido em três partes: 1) visita a Tlatelolco/Praça de las Tres Culturas e em seguida caminhada pelo interessante bairro onde se situa o sítio até a estação de metrô Tlatelolco; 2) deslocamento até Teotihuacán e visita de todo o sítio arqueológico; e 3) retorno à Cidade do México com visita à Biblioteca Vasconcelos, Kiosko Morisco e uma cervejinha artesanal boa no barzinho Estanquillo El 32. Parte 1) Tlatelolco/Praça de las Tres Culturas: Tlatelolco foi um importante centro da civilização mexica, onde se desenvolveu um rico comércio e relações de intercâmbio com Tenochtitlan. Atualmente assim como o Templo Mayor, possui apenas vestígios, como corredores e bases das pirâmides, que testemunharam a destruição espanhola, aqui representada pelo convento franciscano (erguido em 1537) e Templo de Santiago Apostol (1609). A terceira cultura representada seria a do México contemporâneo, com construções como a da Secretaria de Relações Exteriores, que atualmente abriga um museu em memória aos estudantes que foram massacrados pelo Estado mexicano na praça durante uma manifestação em 1968 (até hoje não se sabe o número exato de mortos, girando entre 300 e 400). Parte 2) Teotihuacán: destino básico em qualquer viagem à Cidade do México. Fica a aproximadamente 1h30 de ônibus da Cidade do México, mais exatamente da estação de ônibus Autobuses del Norte. Não há a menor necessidade de ir em tour para esse sítio arqueológico. Basta pegar um metrô até a referida estação e depois comprar a passagem na loja da empresa Teotihuacán, que fica no final do lado esquerdo . A passagem custa $104 pesos ida e volta e ônibus sai a cada meia hora mais ou menos. Teotihuacán começou a ser desenvolvida aproximadamente a 200 a.C. Teve o seu apogeu entre os séculos II e VI, chegando a ter aproximadamente 175 mil habitantes. Depois entrou em declínio e por volta de 750, a sua estrutura social já havia sido extinta. O nome Teotihuacán na verdade foi dado pelos mexicas, séculos depois do seu declínio. Ainda não se sabe qual o nome original da civilização, que construiu o complexo de pirâmides, entre as quais se destacam a enorme Piramide del Sol, com 65 m de altura, e a Piramide de la Luna, geralmente visitadas por todas as pessoas. Porém o Templo Quetzacoatl, situado no sentido oposto da Piramide de la Luna na desembocadura na Calzada de los Muertos, também é uma visita fundamental pela sua riqueza arquitetônica (foto abaixo com esculturas nas pirâmides). Dica para conhecer bem o sítio: recomendo ir com pelo menos 3h livres para fazer todo o trajeto. Leve muita água, chapéu e não economize no protetor solar porque o sol lá é de rachar. E por último: as lojinhas de lá vendem coisas mais ou menos pelo mesmo preço de mercados da Cidade do México. Parte 3) - Biblioteca Vasconcelos, uma biblioteca pública em que qualquer pessoa, inclusive estrangeiros, pode pegar livros emprestados para consulta local e pessoas registradas podem fazer empréstimos por 21 dias. A biblioteca é enorme e sua arquitetura é arrojada. Foi criada em 2006, conta com mais de 575 mil livros e é uma das mais frequentadas da América Latina. - Kiosko Morisco, que fica no agradável e charmoso bairro de Santa Maria de la Ribera. É uma construção bem bonita em ferro e madeira desmontável, que foi criada em 1884 para uma exposição internacional em New Orleans. O Kiosko fica bastante cheio no final da tarde, quando muitas pessoas o frequentam para dançar, praticar atividade física ou relaxar. O caminho da estação de metrô até a biblioteca pela rua Mosqueta é um atrativo à parte com os seus prédios grafitados. E quem curte cerveja artesanal, recomendo ir num barzinho que se chama Estanquillo El 32, que fica perto do Kiosko. Super recomendo pelo atendimento (troquei várias ideias com o dono), pelo ambiente acolhedor e pela diversidade de cervejas! DIA 6) CIDADE DO MÉXICO Dia de rolê em Chapultepec. A região é meio que um grande parque e reúne algumas das melhores atrações da Cidade do México, entre elas a mais incrível para mim: o Museu de Antropologia. Se vc estiver hospedado perto do Zócalo, vale a pena ir caminhando pelo Paseo de la Reforma até a região, curtindo os prédios modernos ao longo da avenida. Seguem os atrativos visitados: - Museu de Antropologia: puta que pariu que museu sinistro! O museu mais incrível que já visitei na vida. Logo na entrada, vc dá de cara com um guarda-chuva lindo (foto 4),mas, apesar da arquitetura imponente, o grande destaque está na sua coleção distribuída ao longo de 53 salas. Diversos artefatos de diferentes culturas pré-hispânicas com destaque para o calendário asteca, que na verdade não é um calendário e é melhor chamar aquele povo de "mexica". Toda essa coleção se encontra no térreo e nas salas no subsolo. Há ainda um primeiro andar dedicado aos povos indígenas atuais. Eu cheguei às 16h30, peguei a explicação da guia do museu e acabou que tive só 1h30 para percorrer tudo por conta própria. Claro que faltou um monte de coisas e o primeiro andar eu basicamente ignorei por falta de tempo. Dá para ficar um dia todo facilmente no museu. Entrada 10h às 19h, $75. - Castelo/Museu Nacional de História: um belo castelo, construído entre os anos 1778 a 1788. Tem uma coleção sobre a história da Nova Espanha e muitos quartos abertos para visitação, além de um belo jardim e uma vista incrível do Paseo de la Reforma. Entrada 9h às 17h, $75. - Museu de Arte Moderna: ótimo museu com esculturas na parte externa e três alas internas, uma dedicada a uma exposição temporária, outro para artistas modernos e a última dedicada aos grandes nomes da arte do México, como María Izquierdo, Orozco, Diego Rivera, Frida e outros. Tem visita guiada às 12h e 13h. Vale muito a pena! Entrada de 10h às 17h, $75. Muitas coisas?! Pois é, ainda faltou conhecer na área: Museu de História Natural, Museu Tamayo e quatro centro culturais. E depois de tudo isso ainda curti uma luta-livre à noite no Arena México. A arena tem uma putaaa estrutura e eu achei massa a experiência de assistir à luta. Para mim é basicamente mim é uma dança acrobática, muito bem ensaiada de caras fortes (espero que os fãs do esporte não leiam isso hahaha). Os mexicanos deliram com as lutas, tanto que são até transmitidas na TV para o grande público. Confira os ingressos em site de venda, pois eu acho que sai mais em conta do que pagar na hora. A cadeira que peguei custou $140 na hora (era a segunda categoria mais barata). DIA 7) CIDADE DO MÉXICO/TEPOTZOTLAN A cidade é um pueblo mágico com várias construções antigas em cor ocre e vermelho. Fica a quase 40 km da estação de metrô Autobuses del Norte na Cidade do México. Para chegar lá é fácil: pegue um metrô até a referida estação e depois pegue um ônibus (camion) da empresa Autora na plataforma (andén) D lado norte. Acho que saí a cada 30 min . Apesar da cidade ser próxima, as condições de trânsito fazem com que a viagem dure mais de 1h. Passagem: $20 O ônibus vai te deixar bem no centro da cidade. Ali está a sua maior atração: o Museu del Virreinato. Logo mais eu falarei dele. Antes vou explicar o que é um pueblo mágico, já que isso aparecerá várias vezes por aqui. Pueblo mágico é uma cidade credenciada pela Secretaria de Turismo, que oferece aos visitantes uma experiência mágica, devido ao seu folclore, culinária, patrimônio arquitetônico e artístico, relevância histórica e hospitalidade. Atualmente são 83 pueblos mágicos registrados no país. Dito isso, vamos às atrações: - Arcos del Sítio (Acuedutos de Xalpa): a 30 km do centro da cidade fica o incrível aqueduto formado por um conjunto de arcos 43 arcos, 61 m de altura e 438 m de comprimento que teve sua construção iniciada no séc XVII e finalizado apenas em 1854. Foi considerada a maior obra do tipo na época. É possível ir de táxi ($150 a 250) ou ônibus ($16). Optei por esta opção. Vi em fóruns que só havia uma opção de ônibus até lá, o com destino a San José Piedra Gorda, com apenas 3 horários de saída ( 8h, 12h, 16h). Lá descobri que havia outra opção com destino a Cabanas Dolores, mas com parada mais longe (20 min de caminhada). Acabou que eu peguei o San José já às 13h. Demorou 1h para chegar lá por conta da estrada. Chegando perguntei ao motorista quando haveria um para voltar e ele me disse que em 40 min. Me programei para voltar neste tempo, para não correr riscos. - Museu del Virreinato: caramba, que museu em um dos complexos religiosos mais incríveis que já visitei na minha vida. Abrange o antigo Colégio Franciscano San Francisco Javier, com construção iniciada em 1580, e a incrível igreja anexa. Considere 2h pelo menos para a visita porque são várias salas com esculturas, pinturas e fachadas de tirar o folego. Por fim, recomendo almoço no mercado perto da praça central. DIA EL TAJÍN E PAPANTLA Esse foi um dia de rolezão enorme. Primeiro acordar cedinho para estar no metrô às 5h e tentar pegar o ônibus com destino a Poza Rica de 6h para uma viagenzinha de 5h de duração. Depois pegar outro ônibus até El Tajín (40 min). El Tajín é um sítio arqueológico que tem como pirâmide de maior destaque a Pirâmide dos Nichos. Acredita-se que começou a ser construída no século I e que foi ocupada até o século XIII, tendo seu apogeu entre os anos 800 e 1100. Foi a capital do povo totonaca. Possui um grande número de campos para o jogo da pelota, 17 no total. Acredita-se que tinham importante função na estabilidade social. A entrada custa $75 e o passeio completo pelo complexo Duran entre 1h30 e 2h. Na frente do sítio tem uma apresentação da Danza de los Voladores (vídeo), que surgiu na região como uma cerimônia relacionada no início da primavera para garantir uma boa colheita. Consiste em uma marcha dos dançarinos até o mastro, depois uma série de movimentos em torno dele ao som de flauta e tambor e depois sobem e fazem mais uns movimentos antes de se arremessaram para executar 13 voltas em torno do mastro. Eu peguei só um pedacinho da apresentação, que tem cerca de 25 min de duração total, mas não liguei muito para isso, pois depois veria a apresentação em Papantla, onde se localiza o maior mastro para a dança do México (37m de altura). Fui para Papantla em um táxi coletivo ($20). A cidade tem um centro movimentado no qual se destaca a sua igreja e ao fundo o Momento al Volador. Acabou que eu não consegui assistir à dança porque aconteceria apenas às 17h e eu tinha que pegar um táxi coletivo a Poza Rica e em seguida um ônibus às 18h com destino a Pachuca, onde me hospedaria para visitar Huasca de Ocampo e Mineral del Monte. Nesta viagem a Pachuca, tive uma grata surpresa com a bela paisagem montanhosa ao longo do caminho. DIA 9) HUASCA DE OCAMPO E MINERAL DEL MONTE Huasca de Ocampo e Real del Monte (ou Mineral del Monte) são dois charmosos pueblos mágicos próximos de Pachuca, uma cidade de porte médio no estado de Hidalgo a aproximadamente 90 km da cidade do México. Para chegar em ambas as cidades, basta pegar uma van em Pachuca no mercado Benito Juarez. Fui primeiro a Huasca (50 min de viagem e passagem a $29). Ao chegar na última parada (Hacienda San Miguel Regla), eu e outras duas passageiras negociamos com o motorista para nos deixar nas Prismas Basalticas por $20 a mais. As Primas são consideradas uma das 13 maravilhas naturais do México. É um conjunto de colunas de basalto com até 40 m formadas pelo resfriamento da lava vulcânica em contato com a água. Realmente a formação em si é fantástica, mas PQP quantas intervenções artificiais no local! Restaurante na beira do leito do rio, leito pavimentado até a cascata e o pior: a própria cascata é formada por água canalizada! Difícil de saber como ela era no passado. Tudo isso acaba tirando em muito a sua beleza. Beta para não pagar absurdos $100 de entrada nas Prismas: caminhe pela calçada na rua lateral aos Prismas. Uma hora o muro vai ficar mais baixo e vai ter uma janela onde se pode observar as cachoeiras. O único problema é que assim vc não terá a vista da Hacienda Santa Maria Regla de cima como na foto abaixo. A 600 m das Primas, está a Hacienda Santa María Regla, para mim o ponto alto de Huasca. A Hacienda, que atualmente é um hotel, no século XVIII foi dedicada ao beneficiamento de ouro e prata e foi um das haciendas mais imponentes do mundo. É um lugar incrível, com um bela capela e uma série de túneis, salões e quartos que serviram para diferentes propósitos no passado. Conta ainda com uma bela cachoeira formada pela desembocadura do mesmo rio que forma as Prismas Basálticas. Reserve pelo menos 2h para percorrer todos os seus túneis e ir até a cachoeira. Entrada $85. Acho que vale a pena contratar um guia (não fiz isso e fiquei muito perdido). Outro local destaque é a Hacienda San Miguel Regla. Assim como a anterior, hoje tbm é um hotel. Já está bastante descaracterizada, mas a visita ainda vale pela bela estrutura na orla do lago. Entrada $50, passeio de 50 min. Depois de conhecer esses locais, fui curtir o centro de Huasca. Em seguida peguei uma van até Real del Monte. Real del Monte é uma cidadezinha simpática, muito visitada por turistas mexicanos. Tem um centrinho legal e muitas lanchonetes de pastes (espécie de pastel de forno delicioso). Recomendo não deixar de comê-los na visita à cidade. Recomendo também conhecer a Cerveceria La Viscaina e tomar um dos seus chopps artesanais e trocar uma boa ideia com o seu dono super gente boa. Pude conferir que há van de volta de Mineral a Pachuca pelo menos até 21h (passagem a $11,50). DIA 10) BERNAL E QUERÉTARO Cheguei na rodoviária de Querétaro e já fui direto a Bernal. Para ir ao pueblo, basta pegar ônibus da Coordenados no edifício B da rodoviária (preço $49) com saída a toda hora. Na volta, o ônibus sai de hora em hora com último às 18h ($51). O pueblo mágico de Bernal é bem bonitinho e tem como sua maior atração a Peña de Bernal, um monolito de 433 m de altura, um dos mais altos do mundo, considerado uma das 13 maravilhas naturais do México (mais uma!). É possível subir até próximo do topo da Peña, sem equipamentos de escalada. A subida é um pouco cansativa e inclinada em algumas partes, tendo uma duração de 40 min a 1 hora. Depois de conhecer Bernal, retornei a Querétaro (detalhes da cidade no próximo tópico). DIA 11) QUERÉTARO Querétaro (Santiago de Querétaro) é a capital do estado de mesmo nome. É uma cidade de médio porte (mais de 700 mil habitantes), localizada a 180 km da Cidade do México. Possui um centro histórico lindo e vibrante (pelo menos nos finais de semana), que foi decretado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1996. Os melhores rolês na cidade são: a) andar pelas suas ruas, algumas delas exclusivas para pedestres, apreciando as fachadas dos edifícios e as belas praças; b) entrar em cada uma das suas igrejas, com destaque para o templo de Santa Rosa de Viterbo e Templo de la Merced, o qual se destaca pelo seu belo interior; e c) ir até o mirador do aqueduto para apreciar essa grande obra arquitetônica. Fui tbm em três museus na cidade. O primeiro deles, o MACØ (Museu de Arte Contemporânea), tem uma coleção legal que eu curti bastante (entrada gratuita). O segundo foi a Casa de la Zacatecana, que é simples, mas é legal para ver como eram as casas da elite do século XVIII (entrada $45). O terceiro foi o Museo Regional de Querétaro, que eu esperava mais da sua coleção, mas é interessante pela sua arquitetura, com pátios com fontes e chafarizes, e pelo seu histórico de ocupações com diferentes propósitos (entrada $60). DIA 12) JALPAN E XILITLA Dia de sair de Querétaro e ir até Ciudad Valles, passando por Jalpan e Xilita. Primeiro peguei um ônibus econômico da empresa Vencedor até Jalpan ($270, enquanto nas outras empresas era $400). O caminho é feito por estradas sinuosas, passando por barrancos profundos e paisagens da Sierra Gorda de tirar o fôlego. Jalpan, seria a princípio apenas um local de passagem, mas depois de ver uma bela reprodução da fachada da sua igreja, Misión de Jalpan, no Museu Regional de Querétaro, me deu uma grande vontade de conhecê-la. A igreja, construída por franciscanos entre os anos 1751 e 1758, realmente tem uma fachada barroca linda em que está representada a busca pela fé. O seu interior ao contrário é bastante simples. Para conhecê-la, desça do ônibus na parada perto do centro. Depois da igreja, peguei um táxi colectivo até o terminal, onde peguei um ônibus da Vencedor até Xilitla (2h de viagem). A cidade marca o início das minhas andanças pela Huasteca Potosina, uma região com várias cachoeiras lindas, dolinas profundas e cavernas. O meu interesse na cidade era apenas conhecer o Castelo Surrealista de Edward James (Las Pozas), um lugar com umas esculturas surreais (óbvio!) imersas na mata, escadas sem fim e ainda uma cachoeira lindíssima. Edward era poeta, artista plástico e foi mecenas de Salvador Dali e René Magritte. Conheceu Xilitla em 1945 e a partir de 1947 começou a criar orquídeas na propriedade que adquiriu. Depois de uma forte geada, em que perdeu toda sua plantação, decidiu começar a construir o castelo em 1962. Em 1984, ele faleceu, deixando a obra inconclusa. O Castelo é interessante, mas vou ser sincero que não correspondeu às minhas expectativas. Fiquei muito incomodado com as faixas coloridas bloqueando acesso, com os funcionários de colete no meio das esculturas e também fiquei um pouco frustrado com muitas das esculturas em si e com o excesso de pavimentação na parte mais natural. Acabei gostando mais da cachoeira do que das esculturas em si. O valor de entrada é $100 e o passeio dura pelo menos 1h40. Por fim, peguei um ônibus até Ciudad Valles ($143, 2h de viagem), a cidade que serviria de base para os meus passeio pela Huasteca Potosina. DIA 13) HUASTECA POTOSINA A Huasteca Potosina é a parte da região da Huasteca no estado de San Luis Potosí. Abrange 20 municípios. Já citei ela aqui quando falei do Castelo Surrealista. É uma região cheia de cachoeiras, cavernas, nascentes de rios de águas cristalinas e sótanos (dolinas - buracos profundos formados com o colapso da parte superficial do relevo). A melhor forma de conhecer a Huasteca Potosina é com carro próprio, pulando de cidade em cidade. Caso não possa alugar um, o melhor é se hospedar em Ciudad Valles e usar a cidade como base de apoio para os passeios. Muitos deles podem ser feitos sem agência. Como é o caso de todos abaixo, exceto Minas Viejas. No primeiro dia fui para o município de Tamasopo de ônibus ($128 ida e volta com a empresa Vencedor, 1h30 de viagem), onde conheci Puente de Dios e Cascadas de Tamasopo. Puente de Dios tem um poço lindo no qual desembocam cachoeiras e uma pequena gruta de água azul-turquesa. Para chegar lá, o táxi cobra $70 ou pode-se tentar uma carona. Já as Cascadas Tamasopo são duas cachoeiras: uma com uma grande parede e várias quedas d'água e outra mais simples, mas com um belo poço onde rola de fazer pêndulo ou saltar de trampolins. São bem bonitas e de fácil acesso a partir da cidade, mas tem uma intervenção humana pesada, com muita pavimentação, barragens e piscinas artificiais. VID_20190514_174348.mp4 DIA 14) HUASTECA POTOSINA Dia de conhecer conhecer Minas Viejas e Cascada El Meco de carona com amigos que fiz no hostel. Minas Viejas é bem afastada e não sei como seria o acesso por conta própria. É um complexo lindão de cachoeiras com bons poços para tomar banho. Já El Meco é uma cachoeira enorme, maravilhosa (!!!), em cidade (El Naranjo) acessível por transporte coletivo. No local há três opções de passeio: um de lancha até a base da cachoeira, outro que envolve saltar as cachoeiras acima do El Meco e outra que é um trekking até El Salto (um conjunto de poços acima no rio). Acabei optando pelos saltos de cachoeira, que foi bem legal e bonito, mas talvez eu recomendaria mais o passeio de lancha. Atenção: o último ônibus da cidade volta às 19h para Ciudad Valles. Acabei o perdendo, mas por sorte encontrei com duas amigas que conheci no dia anterior em Tamasopo e pude aproveitar uma carona de volta. DIA 15) HUASTECA POTOSINA E LAGUNA DE LA MEDIA LUNA No período da manhã, fui na Cascada de Los Micos, que fica pertinho de Ciudad Valles e é possível ir de táxi coletivo até lá ($30). Tem uma entrada paga, mas não é preciso desembolsar nada para conhecê-la. Basta descer por umas escadas que ficam no estacionamento onde o táxi te deixará e que cruzar a pista por baixo. Ao descer, vc verá a sequência de cachoeiras a partir de baixo. Depois volte pra pista e ande cerca de 700m até uma pequena central hidrelétrica. Logo depois da sua entrada de acesso, há umas escadas em que vc poderá descer e curtir a paisagem lindona mostrada em fotos abaixo. Foi um lugar que eu curti demais por ser mais natural e sem muitas intervenções como nos demais. Depois de curtir a Huasteca, peguei um ônibus até Rio Verde. O meu objetivo era conhecer a Laguna de la Media Luna, a cerca de 14 km da cidade. Para chegar lá, peguei um táxi colectivo até El Refugio ($14) e depois fui caminhando pela estrada rumo ao atrativo, pedindo caronas. Acabei andando bastante, mas consegui caronas em dois trechos, que me auxiliaram bastante a chegar no destino antes do anoitecer. A Laguna é bonita e tem uma série de canais onde se pode tomar banho em uma água de temperatura agradável. Porém a ocupação é muito intensa. Fui numa quinta e tinham muitas famílias acampando e fazendo churrasco lá, o que por um lado é legal pq mostra que os mexicanos curtem esses programas, mas por outro lado é ruim, pois significa lugares cheios. Passei a noite lá, acampado em uma barraca que aluguei no local ($170 com colchão). A infraestrutura de banheiros não é das melhores, com apenas uma pia, e vi apenas um local para lavar louça (disponibilidade de água potável e para este tipo de atividade é um ponto negativo no México de forma geral). DIA 16) ESTACIÓN DE CATORCE Curti parte da manhã no laguna e depois fui para estrada para tentar um carona com destino a estação de ônibus de Rio Verde para seguir até os meus próximos destinos: San Luis de Potosí e Real de Catorce. Acabou que consegui uma carona super rápido e ainda com direito a ganhar de presente uma garrafa de mezcal...os mexicanos são hospitaleiros demais! Chegando no terminal de Rio Verde, comprei a primeira passagem a San Luis de Potosí. Depois de de 2 h de viagem, ao chegar na rodoviária de San Luis, verifiquei se ainda era possível comprar passagem de ônibus para Matehuala, chegando a tempo para um conexão a Real de Catorce, mas não era mais possível. Com isso, comprei uma passagem a Estación de Catorce, cidade mais próxima de Real de Catorce, na esperança de ainda conseguir transporte até este destino nesse dia. Porém, chegando a Estación, descobri que há transporte regular - feito em Jeep Willys - entre as duas cidades apenas cedo pela manhã, a depender de demanda. Estación de Catorce é um pueblo no meio do deserto e assim como Real de Catorce, fazia parte da lucrativa rota de extração de prata que floresceu na região no séc XVIII. A cidade tem uma cara de "parada no tempo" e é uma interessante base de apoio para depois de se conhecer Real de Catorce. DIA 17) REAL DE CATORCE Real de Catorce é um pueblo mágico no meio do deserto a 250 km ao norte da cidade de San Luis Potosí. Tem aproximadamente 1000 habitantes regulares e tem atraído turistas pelas suas construções de pedras, por uma certa áurea e mística e pela disponibilidade nos arredores de peyote (cactus com substâncias psicoativas, ou melhor dizendo, alucinógenas hehehe). Conforme citei no tópico anterior, para chegar ao pueblo em transporte coletivo há 2 opções: uma indo por Matehuala (aprox. $410 no total) e outra indo para cidade de Estación 14 ($270) e depois seguindo em um Jeep Willys até Real de Catorce ($50-80). Eu acabei não tendo que usar o Jeep, pois consegui carona com uma galera muito massaaa que estava de passagem por Estación Catorce, indo comemorar o aniversário de um deles em Real. Eu curti demais toda a experiência de conhecer Real de Catorce. Primeiro porque a ida de Estación até lá passa por paisagens desérticas lindas. Segundo porque a experiência de entrar na cidade por si só já é massa, pois envolve a passagem por um túnel antigo por onde passava o trem que escorria a prata da região. Terceiro porque a cidade tem meio que um clima de cidade fantasma. DIA 18) SAN LUIS POTOSÍ Depois de conhecer Real de Catorce, voltei a San Luis Potosí. A cidade é legalzinha, mas não tem muitos atrativos. Tem uma praça bonita onde está a Catedral; o Museu das Máscaras, que é legal, mas não tem nada de mais; e tem uma atração que por si só já vale a ida a cidade: o incrível Centro de las Artes com o Museo Leonora Carrington. O centro parece um castelo. No passado foi uma penitenciária, onde foram aprisionados inclusive alguns ilustres presos políticos. Hoje o lugar é um espaço cultural que, além de abrigar o Museo Leonora Carrington, também abriga teatro, espaço de dança e outras exposições artísticas. Leonora foi uma importante artista surrealista e se relacionou com importantes nomes do movimento, como Max Ernst, Remedios Varo, André Breton e Luis Buñuel. Ela pintou muitos quadros e escreveu livros. Apenas nos anos 2000, nos seus últimos 10 anos de vida que se dedicou às esculturas. DIA 19) GUANAJUATO Guanajuato é uma cidade a 195 km San Luis Potosí e 360 km da Cidade do México. É uma cidade linda, colorida, construída ao longo de uma serra. O melhor a se fazer na cidade é percorrer o seu centro histórico, meio que sem preocupações, apreciando os seus edifícios e cada detalhe das suas vívidas ruas estreitas. A cidade possui belas igrejas, de arquitetura impactante, como a Iglesia de San Diego e o Templo de la Compañia de Jesus. Possui ainda alguns museus que devem ser interessantes, mas eu infelizmente estava na cidade na segunda-feira,o "Dia Nacional dos Museus Fechados no México", e só pude conhecer o Museo de las Momias e as exposições da Universidade de Guanajuato. Não recomendo ir no Museo de las Momias. O preço de entrada é caro ($100), a coleção não é lá das mais interessantes (as múmias são do século XX!) e há poucas informações disponíveis para os visitantes. O maior atrativo no local é a múmia de um recém-nascido, que morreu junto com a mãe durante uma cesária (macabro!). O museu da universidade é gratuito e tinha uma exposição linda de uma fotógrafa chamada Florecen Leyret. Valeu muito a visita! Um outro lugar interessante na cidade é o Funicular, de onde se tem a vista da primeira foto. E uma curiosidade: embaixo da cidade tem um sistema de túneis sinistro 🦇, onde há estacionamentos pagos e por onde circulam inclusive ônibus de linhas regulares. Eu e meu amigo Luca, que estava dirigindo a van em que fui de carona, nos perdemos algumas vezes nesses túneis. DIA 20) SAN MIGUEL DE ALLENDE San Miguel de Allende é uma bela cidade no estado de Guanajuato, considerada Patrimônio Cultural da Humanidade, com casas de cor ocre, vermelho e amarelo (as cores lembram bastante as de Tepotzotlan). A cidade possui a maravilhosa Parroquia de San Miguel Arcángel, que teve a sua construção nos moldes atuais iniciada no ano de 1685, e algumas outras belas igrejas dos séculos XVII e XVIII, como o Templo del Oratorio de San Felipe Neri e Templo de la Purísima Concepción. Uma outra atração interessante na cidade é o Museo La Esquina (del Juguete Popular Mexicano) (entrada $50). É um museu de brinquedos que se iniciou a partir de uma coleção particular. Atualmente o museu realiza um concurso anual de brinquedos artesanais. Os premiados são gratificados e depois passam a compor a coleção em exposição. Vou ser sincero que não tinha muitas expectativas para este museu (caretismo puro meu!), mas fui surpreendido. Muitos brinquedos são verdadeiras obras de arte! Também fui no Museu Casa de Allende (entrada $55), que foi a casa de Ignácio de Allende, um dos primeiros revolucionários da independência mexicana. Foi bom para saber um pouco da história mexicana, mas vou falar que o museu é bem simples e a visita não vale a pena para nós gringos. Nos arredores de San Miguel há também algumas atrações interessantes, como a Galeria Jimmy Ray, a Galeria Atotonilco e a Zona Arqueológica Cañada de la Virgen. Infelizmente não tive tempo para conhecê-las. DIA 21 E 22) PUEBLA Depois de curtir Guanajuato e San Miguel de Allende, o meu destino estava em outro estado, o primeiro ao sul da Cidade do México: Puebla, no estado de mesmo nome. Para chegar na cidade, eu peguei dois Bla Bla Car. O primeiro de San Miguel Allende a Querétaro em carro ($50) e o segundo de Querétaro a Puebla ($250) em ônibus. Puebla em si não é uma cidade muito bonita, comparada com outras por onde passei no México. Porém tem um atrativo super curioso - Cuexcomate, o menor vulcão do mundo (detalhe: é possível descer em seu interior por $12,50) (foto 1 e 2) - e tem ainda outros quatro atrativos incríveis sobre os quais falarei abaixo. - Catedral de Puebla: um pouco parecida com a catedral da Cidade do México, porém achei o seu interior ainda mais bonito - Capilla del Rosario: construída entre 1650 e 1690, é um anexo do Templo de San Domingo e é um dos maiores marcos do barroco novo-hispânico. Maravilhosa demais! - Museo Amparo: grande museu com uma boa coleção de artes pré-hispânicas, com ambientes virrenais bem decorados e uma exposição de arte contemporânea muito boa! - Museu Internacional del Barroco. Um museu enorme com uma arquitetura super moderna, com muitos recursos multimídias e com uma boa coleção artística. Ainda dei sorte de ter duas coleções temporárias ótimas em exposição: uma de obras do Rembrandt e outra de bordados de Carlos Arias. Esse museu é demais! Fui ainda em várias igrejas, no Paseo de los Gigantes (parque com miniaturas de prédios icônicos do mundo) e andei nas ruas das Artes, dos Doces e aleatoriamente por várias outras ruas da cidade. Conheci muitos lugares, mas ainda faltou conhecer o parque em que está inserido o Forte Loreto, que parece ser uma região bem bacana da cidade. Para comer, recomendo ir no Mercado de Sabores, onde há várias opções de bancas com comida regional, incluindo o famoso sanduíche "cemita". DIA 23) CHOLULA Cholula é um pueblo mágico, que fica coladinho em Puebla, 10 km de distância. É um pueblo com um belo centro, onde se destaca o grande convento de San Gabriel Arcángel. Porém os destaques de Cholula não estão bem no centro da cidade. Dois deles estão bem próximos - Pirâmide de Tepanapa e Iglesia de Nuestra Señora de los Remedios - e outros dois - Templo San Francisco Acatepec e Templo de Santa María Tonantzintla - um pouco mais afastados. Vou começar falando destes dois últimos porque muita gente os desconsidera na passagem pela cidade. O Templo San Francisco Acatepec começou a ser construído em 1560 e foi finalizado em 1760. É uma igreja barroca com ornamentações em folha de ouro. Maravilhosa! O Templo de Santa María Tonantzintla é menor do que o anterior e possui uma fachada externa mais simples, porém em sua parte interior é ainda mais ornamentada. É diferente de todas as igrejas que já vi, pois foi construída pelos indígenas com várias referências a Tonantzin, divindade ligada ao milho, e com anjos morenos e muitas ornamentações muito coloridas. Incrível! (infelizmente não é permitido tirar fotos no interior). Vamos agora às atrações mais populares. A Iglesia de Nuestra Señora de los Remedios teve construção iniciada no ano de 1594 e se encontra sobre um templo da Pirâmide de Tepanapa. Foi destruída por um terremoto em 1864 e em seguida foi reconstruída. A pirâmide de Tepanapa é a maior pirâmide em largura e volume do mundo. Teve construção iniciada a em aproximadamente 300 a.c e finalizada entre 200 a 700 d.C. Tem um grande sistema de túneis que podem em parte ser percorridos pelos turistas. DIA 24) ATLIXCO Na verdade, Atlixco consta aqui no dia 23 apenas por uma questão de organização, pois na verdade cheguei na cidade na noite do dia 21 e ela foi a base de saída para Cholula. É mais um pueblo mágico pertinho (1h15 aprox.) da cidade de Puebla. A cidade por ser uma grande produtora de flores é conhecida como Atlixco de las Flores. Possui uma praça central bem bonita da qual se irradiam ruas com vários vasos de flores, bares e lojinhas de artesanato. Atlixco possui ainda um belo morro ("cerro") bem próximo de seu centro, no qual está uma pequena igreja. Segundo os mitos populares, o morro é uma pirâmide que foi enterrada no passado para evitar os saques de espanhóis. Dele é possível avistar bem a cidade, vários pequenos pueblos próximos, um belo conjunto de morros e vulcões, incluindo o grande e belo Popocatépetl, o qual consegui ver com nitidez, sem nuvens encobrindo-o, apenas no meu último dia na cidade. Ah, tem que subir cedinho para conseguir ter uma boa vista do horizonte. Eu subi para ver o nascer do sol de lá e foi um espetáculo! Na cidade conheci ainda a área dos viveiros, o nacimiento (olho d'água) perto do Balneario Axocopan e a Cascada Altimeyaya. A cidade foi uma ótima surpresa, que não estava no meu roteiro inicialmente. Um lugar que ficará no coração, especialmente pelo acolhimento do amigo Maho e de sua família, que me receberam de braços abertos em seu lar. p.s.: Caso queira se hospedar pagando pouco na cidade, há um hostel na rua Hidalgo chamado Hostal San Martin. DIA 25) ZACATLÁN Zacatlán de las Manzanas se situa a aprox. 100 km de Puebla. É conhecida por esse nome não à toa. Em vários lugares da cidade há lojinhas com produtos feitos de maçã: suco, licor, refresco, vinho, cerveja e a deliciosa Manzana rellena (maçã cozida coberta com pão doce e recheada com queijo, noz e passas). Que trem gostoso da gota! A cidade possui um centro bem bonito com o Templo Parroquial San Pedro e um jardim com o Reloj Floral, um relógio elaborado com elementos florais. Por sinal, Zacatlán é também a cidade dos relógios por conta da empresa Centenário, responsável pela construção de relógios monumentais que foram exportados para diversos países, inclusive o Brasil. Na fábrica da empresa há um museu bacaninha e barato (só $10), onde é possível ver o processo de fabricação dos relógios e vários modelos antigos e atuais expostos. Além disso, a cidade possui uma vista maravilhosa para a Barranca de Los Jilgueros, um grande vale verde onde é possível avistar duas cachoeiras, e um belo mural com mosaicos de ícones culturais da cidade. Um pueblo bem bonito! DIA 26) ZACATLÁN/CHIGNAHUAPAN Comecei o dia conhecendo o incrível complexo de cachoeiras Cascadas Tuliman, que fica entre as cidades de Zacatlán e Chignahuapan (entrada a $100). Para me deslocar até próximo da entrada do local, peguei uma kombi na esquina do Museu Regional del Vino "La Primavera" (passagem $9). Dica: pague mais $35 pelo transporte dentro do complexo, já que as estradas internas são bem íngremes (não paguei na ida, mas paguei na volta). Depois outro coletivo até Chignahuapan (passagem $9), pueblo a 14 km de Zacatlánn conhecido como a cidade das esferas (bolas de árvore de Natal), já que se encontra esse objeto à venda durante todo o ano em várias lojinhas. A cidade também tem um centro bem bonito, com destaque para a Parroquia de Santiago Apóstol e para o Belo Kiosko Mudéjar, que me lembrou o Kiosko Morisco de Cidade do México. Vale a pena ainda ir até a Casa Esmeralda, espaço que reúne a Casa del Axolote, dedicada a exibição de axolotes (grupo de salamandras criticamente ameaçados), e outros espaços, como a oficina de artesanato de barro e outro oficina em que é possível ver o processo de fabricação da esfera (entrada $50). E por último recomendo, conhecer a Basílica de Imaculada Concepción com sua enorme escultura em madeira, considerada a maior escultura da América Latina no interior de um ambiente fechado. DIA 27) CUETZALAN Dia de uma viagem com muitas baldeações. Achei que duraria um total de 2h30, mas acabou durando mais de 5h. Primeiro peguei uma kombi até a cidade de Zapotitlán ($50). Depois peguei uma outra ($35) até uma espécie de entroncamento de rodovias (La Cumbre). Por fim, peguei minha última kombi até o destino final ($18). Detalhe importante: em La Cumbre não deixe de apreciar o visual do vale, onde verá uma bela cachoeira. Cuetzalan é bem charmosa e tem bastante cara de cidade histórica pequena. Algumas ruas me lembraram um pouco Diamantina/MG. Primeiro pelas casa históricas e segundo pela inclinação do relevo. Tem um centrinho bem bacana, com a bela Iglesia de San Francisco, grandes casas históricas, um jardim grande e muita gente sentada conversando e curtindo o desenrolar da vida naquele ritmo pacato de uma cidade do interior. Do centro parte uma ruazinha com alguns restaurantes familiares bem econômicos. Isso é meio que raridade por aqui, já que os centros daqui são muito bem cuidada e neles costumam estar os restaurantes mais caros. Próximo de Cuetzalan, está o povoado de Yohualichan, onde há um sítio arqueológico com características parecidas com as do sítio de El Tajín (para chegar no povoado pegue um coletivo na esquina da Coppel- $10). O sítio foi fundado em 400 d.C pelos totonacas até o ano 800. Depois foi ocupado pelo toltecas até 1200 e em seguida pelos chichimecas. É interessante que o sítio está totalmente imerso no pueblo atual, onde muitas das suas atuais casas residenciais foram assentadas sobre construções que faziam parte dessa civilização no passado. Dicas de comida e de goró, experimente alguma comida com molho pipián rojo, feito a partir de chiles secos, tomate e sementes de abóbora, e bebida tradicional indígena Yolixpa, feita a partir de 23 ervas (santo remédio!). Uma curiosidade: Cuetzalan tem aproximadamente 60% da sua população composta por indígenas. É comum ouvir o idioma náhuatl nas ruas. Curti demais esse pueblito. Valeu a pena todo o rolê para chegar e depois a contramão para ir até o meu próximo destino: Orizaba. DIAS 28 e 29) ORIZABA Mais um pueblo mágico na viagem. Inclui no roteiro muitos dos pueblos a partir de listas como "10 pueblos más bonitos", "Top 10 de los pueblos mágicos" e "Los 16 pueblos mágicos favoritos". Este último coloca Orizaba como favorito. Definitivamente não foi o meu favorito, porém Orizaba tem um lugar especial nas minhas memórias de viagens por uma série de motivos. A cidade é rodeada por vários morros, é muito limpa, sendo considerada a mais limpa do México, e é super bem organizada, com placas voltadas ao pedestre, praças lindas com wi-fi livre e ruas com prioridade ao pedestre. Os seus atrativos principais do meu ponto de vista são: 1) Ex-convento de San Juan de la Cruz: último convento construído por jesuítas espanhóis no México no século XIX (1803-1828), que pouco depois teve que ser abandonado por conta das reformas da independência da independência. A partir de 1860, passou a ser a ser um Conic da vida (brasilienses entenderão), sendo abrigo de prostitutas, loja maçônica, escola protestante, entre outras, até 1993. Hoje poderia ser facilmente uma locação de filmes de terror trash envolvendo freiras malignas 🤣. Entrada $50. 2) Palácio de Hierro + Catedral: um do ladinho do outro, ambos com praças com belos jardins e belas construções . 3) Palácio Municipal: atualmente um edifício com diversos órgãos do governo municipal e com o primeiro painel de Orozco, que enfoca a luta pela independência. Vale a ida também pela rua com preferência ao pedestre em frente ao palácio. 4) Teleférico: acima do Cerro del Bodego é possível ter uma visão maravilhosa da cidade. Pena que o tempo estava um pouco nublado e nesta época está pairando no céu meio que uma neblina ou smog. Entrada $30. 5) Museu de Arte de Veracruz: fica em um belo prédio, com uma boa coleção virreinal e uma ótima coleção de obras de Diego Rivera mostrando diferentes fases do artista. Entrada gratuita 6) Poliforum Mier y Pesado: um prédio da segunda metade do séc XX, porém com cara de palácio do século XIX. 7) Paseo del Río: este vale um tópico especial logo abaixo. Dica de restaurante: recomendo demais o restaurante Pozolazo (próximo do Museu de Arte de Veracruz). É bem econômico e tem uma comida gostosa, bem temperada Paseo del Rio O Paseo são calçadas nas duas margens do rio Orizaba, que cruzam a cidade de norte a sul e que passa ao longo de pracinhas charmosas, casas, quiosques de comida, paredes com grafites e do teleférico (já citado aqui). Há pontes suspensas cruzando o rio, tirolesa e é comum ver gente correndo ou caminhando para ir de um lugar a outro da cidade ou apenas namorando e curtindo o ambiente. Até aí tudo bem, né?! Seria super interessante do ponto de vista da mobilidade urbana, do direito à cidade e do ponto de vista ambiental, de construção de cidades mais verdes e integradas com o meio ambiente. Mas aí vem mais um detalhe: ao longo do Paseo tbm há uma reserva animal, uma espécie de zoológico urbano, com cativeiros, serpentários e aviários abrigando cerca de 300 espécies. Por um lado a reserva tem um grande efeito na educação ambiental. Imagina só toda uma população com um zoológico super acessível em que se pode encontrar informações sobre as espécies e sobre conservação ambiental. Por outro lado fiquei pensando nos animais ali abrigados. Muitos estão em espaços super pequenos, com pouca sombra e recursos (carentes de um bom enriquecimento ambiental), e sem contar que estão completamente imersos no espaço urbano, com trânsito e poluição sonora muito próxima. Sem contar que a proximidade com as pessoas é muito grande. Uma criança pode facilmente esticar o braço e alcançar a grade das onças, por exemplo. O nível de stress dos bichos deve ser muito alto. Vi o urso e outros animais realizando pacing (movimento estereotipado de um lado ao outro), comportamento que costuma ser indicativo de stress. O Paseo é um lugar super interessante sob diversos pontos de vista e me deixou com vários questionamentos e reflexões. DIA 30) OAXACA Cheguei cedo e depois de deixar as coisas no hostel, fui a Monte Albán, um sítio arqueológico bastante próximo da cidade de Oaxaca, facilmente acessível por coletivos de transporte. Começou a ser construído em 500 a.C e foi capital dos zapotecas até aprox 800 d.C, sendo depois ocupado pelos mixtecos. Foi construído em cima de um dos morros do vale de Oaxaca e em seu ápice chegou a ter cerca de 35.000 habitantes. Monte Albán é um lugar incrível, com muita história, lindas vistas do vale de Oaxaca e um museu com uma boa coleção de esculturas e artefatos antigos. Entrada $75 e transporte $60 (ida e volta). A cidade de Oaxaca por sua vez pode ser dividida em duas partes: uma abaixo da sua Catedral e outra acima. A primeira parte é caótica e feia, com muita movimentação de pessoas e barracas por todos os lados. Já a segunda parte é o lindo centro histórico, que foi tombado como Patrimônio Cultural da Humanidade, juntamente com o Monte Albán, em 1987. Os grandes destaques do centro histórico são o Templo de Santo Domingo de Guzmán e o seu anexo, o Museo de las Culturas. O templo começou a ser construído em 1551. Possui uma linda fachada e muitas ornamentações em estilo barroco. Já o Museo de las Culturas faz parte do ex-convento de Santo Domingo de Guzmán e possui diversas salas, com um incrível acervo pré-hispânico, no qual se destaca a coleção da Tumba 7. A Tumba 7 foi encontrada em Monte Albán em 1932. Com diversos artefatos de ouro e outros metais preciosos,é considerada um dos maiores achados do México. O museu ainda tem salas dedicadas ao Virreinato, aos povos indígenas e à modernidade do México. DIA 31) OAXACA Dia de passeio em tour. Eu costumo ter um pouco de preguiça com tours. Primeiro pela falta de autonomia para tudo (local de comida, tempo nos atrativos, rotas etc); segundo, porque pode ser uma furada dependendo do seu grupo e do guia; e terceiro, pq geralmente saem mais caros do que se vc fizer o passeio por conta própria. Porém, resolvi fazer um tour com a empresa Lascas, partindo de Oaxaca, considerando o excelente preço que tinha ($200) e o número de atrativos a serem conhecidos (em ordem): Árbol de Tule, destilaria de mezcal (com degustação 🤤), casa de produção artesanal de tapetes em Teotitlán del Valle, sítio arqueológico de Mitla e Hierve el Agua (cascadas petrificadas). Árbol de Tule é uma árvore da espécie ahuehuete, que tem 2000 anos de idade e é considerada a mais larga do mundo com 58 metros de circunferência. É impressionante (entrada $10)! Mitla, por sua vez, é um sítio arqueológico de origem zapoteca muito interessante por seu formato trapezoidal e por suas ornamentações nas paredes (18 padrões geométricos diferentes) (entrada $65). Já Hierve el Agua é um balneário com uma formação natural muito diferente que emergiu a partir de escorrimento de água carbonatada. Parece uma formação de caverna, porém a céu aberto (entrada $25). Interessante também que no local há uns pequenos canais de irrigação que foram feitos pelos zapotecas há mais de 2000 anos. Além desses atrativos maravilhosos, o ateliê de tapetes de Teotitlán é incrível e foi bem legal conhecer o processo de produção de mezcal (e é claro o melhor: degustar muitos tipos diferentes da bebida hehehe). No final, valeu muito a pena fazer o passeio, mesmo com o tempo corrido especialmente em Mitla e Hierve. DIA 32) TUXTLA GUTIERREZ E CHIAPA DE CORZO Dia de passeio maravilhoso no incrível Canon del Sumidero. O passeio parte da cidade de Chiapa de Corzo de dois embacaderos. Ambos oferecem o mesmo preço para o passeio ($250). Se estiver hospedado em algum hotel na cidade, é possível encontrar mais barato. O Canion é uma falha geológica com altura máxima de pouco mais de 1000 m e com profundidade de rio de mais de 250m. No passado o rio Grijalva não era navegável, porém se tornou depois da construção de um hidrelétrica. Ao longo do passeio é possível avistar animais como macaco-aranha e crocodilos. A cidade de partida do passeio, Chiapa de Corzo, foi a primeira construída no estado de Chiapas e no passado foi a capital deste estado. Tem um centro bem bonitinho, com destaque para a fonte em estilo mudéjar construída no séc XVII. A cidade ainda foi o berço do fundador do grupo Mario Nadayapa Quartet (citado no dia 4) e tem um museu dedicado a marimbas, que acabei não visitando. Depois de conhecer o Canion e Chiapa de Corzo, peguei uma kombi na praça central com letreiro "Soriana" ($15) e depois uma outra kombi ($55) para chegar ao meu próximo destino: San Cristóbal de las Casas. DIA 33) SAN CRISTÓBAL DE LAS CASAS San Cristóbal é um pueblo mágico do estado de Chiapas, que tem um centro bem charmoso com bastantes casas históricas e uma rua para pedestres com muitos bares e restaurantes (caros de forma geral), incluindo muitas opções vegetarianas (raridade no México). Infelizmente como podem perceber pelas fotos, o tempo estava bastante ruim no dia que cheguei, com muita neblina e chuva. Uma experiência super interessante na cidade foi conhecer o mercado de Santo Domingo, com muitas roupas e artesanatos bonitos a preços bastante acessíveis, e logo ao lado conhecer o Mercado Viejo, com várias frutas, legumes e comidas de vários tipos. Nas proximidades do Mercado Viejo saem kombis com destino ao pueblo San Juan Chamula, uma comunidade pequena com população predominantemente de chamulaa: indígenas da etnia tzotzil, de família Maya. Na segunda-feira que fui, estava havendo uma procissão religiosa, com pessoas em trajes típicos tocando instrumentos, cantando como em ritmo de lamúrias e soltando muitos fogos de artifício que alguns deles mesmo confeccionavam na hora. Ao adentrarem na igreja (da foto 8), fizeram uma cerimônia de troca de roupas de um dos vários santos ricamente ornamentados, expostos nas laterais da igreja. Ao entrar na igreja parece que se é transportado a outra realidade. No seu interior há um forte cheiro de incenso natural no ar. Não há luz artificial, sendo iluminada apenas por velas e não há cadeiras. As pessoas se sentam no chão sobre um tapete de folhas de Pinus, acendem muitas velas, colocam garrafas de Coca Cola e outras bebidas no chão, como se fossem oferendas, e fazem orações geralmente com o corpo curvado como se estivessem murmurando. Após o ritual tomam as bebidas. É um sincretismo religioso muito diferente que mescla o misticismo indígena com o catolicismo. Uma experiência incrível que recomendo fortemente. . Mais infos: a entrada na igreja custa $25. Não é permitido tirar fotos ou fazer vídeos no seu interior. Por sinal, os chamulas não gostam desses registros por acreditarem que roubam a alma ou trazem azar. DIA 34) COMITÁN DE DOMINGUEZ Comitán é uma cidade situada a pouco mais de 90 km de San Cristobal. Possui um belo centro com uma bela igreja e algumas opções de restaurantes e de comida de rua (infelizmente não o visitei apenas à noite. A cidade foi a minha base para conhecer a famosa cachoeira El Chiflón e os Lagos Montebello. Pela manhã antes a El Chiflón (entrada $50 + $70 de kombi ida e volta, que peguei na Av. Boulevard). Um conjunto de cascatas e cachoeiras, sendo que a principal tem 70m de altura. Na época de seca, as cascatas e cachoeiras tem uma cor azul-turquesa/verde lindona, como podem ver na foto abaixo tirada na internet. Infelizmente fui no dia seguinte a uma forte chuva e o rio estava super caudaloso com cor marrom. Segundo um funcionário do local, já fazia 5 dias que a água estava com aquela coloração por conta das chuvas. Triste, mas pelo lado positivo fica um motivo para querer voltar a esta região em viagens futuras. Depois de conhecer El Chiflón, voltei para a cidade para pegar um kombi na Av. Guadaloupe, 30020 (passagem a $60) até os Lagos Montebello (ou Lagunas de Montebello). O atrativo é um parque nacional com mais de 50 lagos situado a cerca de 1h30 da cidade de Comitán de Domínguez (entrada $25). Os lagos são cenotes (cavidades naturais ou dolinas...vcs ainda vão ver esse nome algumas outras vezes por aqui) que se comunicam através do lençol freático. Alguns tem mais de 50m de profundidade.Como os lagos ficam relativamente longe um do outro se recomenda fazer o passeio em carro próprio ou com algum dos motoristas locais que ficam na entrada do parque. Eu paguei $250 em um passeio que segundo o motorista custa $700 ou $800 na alta temporada. No passeio de cerca de 2h, o motorista me levou ao Lago Caracol, 5 Lagos (o único onde as empresas de turismo de San Cristóbal costumam levar), Lago Pojoj, Lago Tziscao e Lago Internacional. Este último tem esse nome por estar na fronteira entre México e Guatemala. Passeio maravilhoso demais, que incluiu ainda uma parada em um quiosque para almoçar queso fundido (queijo na chapa com cogumelo, acompanhado de feijão, salada e tortilhas). Depois de conhecer os lagos, fui à estrada e consegui uma carona com caminhoneiros de volta a Comitán. 🥳 Faltou apenas conhecer o sítio de Tenam Puente, que estava programado para este dia. DIAS 35, 36 e 37) LAGUNA MIRAMAR Já antecipo dizendo que este é lugar mais maravilhoso que conheci no México e certamente também um dos mais lindos em que já estive em toda a minha vida. E o lugar foi ainda mais especial para mim, porque foi onde comemorei o meu aniversário.🥳🎉 A Laguna Miramar é uma lagoa com muitos estromatólitos em suas margens, cercada por morros, vegetação nativa preservada e com água com coloração azulada e esverdeada em diferentes tonalidades. Vc, por exemplo, sai de um local com água verde cristalina e em poucas remadas chega em um local com água azul-turquesa, que forma um espelho do céu e da vegetação. O local fica no leste do estado de Chiapas, relativamente próximo da fronteira com a Guatemala. Para chegar há duas opções: a) pegar uma van ($100) em Margaritas (próximo da cidade de Comitán Domínguez) com destino a Emiliano Zapata e fazer uma viagem de 5h30, sendo 3h30 em estrada de chão em más condições de conservação e com muitas curvas, ou b) pegar um caminhão em Ocosingo e fazer uma viagem de 4h em estradas em melhor estado de conservação, porém com muito menor conforto na carroceria do caminhão, com bancos de madeira duros. Para pegar a Kombi a Margaritas ($18, primeira saída às 6h, com tempo de viagem de 40 min), se deslocar até a Praça Central de Ocosingo, descer duas quadras pela Primeira Avenida Sur e depois virar a esquerda e andar duas quadras e meia pela 3a Sur. Já pagar pegar a kombi até Emiliano, caminhar 2 ou 3 quadras depois da praça de Margaritas até as kombis a San Quintín/Emiliano Zapata. Saídas teoricamente às 6h30, 8h, 10h, 12h e 13h, porém não seguem a risca esses horários. Em Emiliano Zapata, descerá em um centro de visitantes onde será muito bem recebido e onde poderá deixar algumas coisas que não precisará na laguna. Aí realizará o pagamento pela entrada ($50) e por tempo de hospedagem ($50 por dia). No local também poderá alugar botas em caso de chuva ($40), barraca para acampar ($130 para uma pessoa ou $250 para duas), rede para dormir ($40), cobertor entre outras coisas. Tenha em conta que as duas únicas opções de estadia na laguna são rede ou barraca. Depois dos pagamentos, há uma caminhada até a laguna de aprox. 4,5 km. O caminho é plano e será feito em aprox. 1h45 em período de seca ou em até umas 3h em período de chuva, por tempo do lamaçal que vira a trilha. No local há duas opções de passeio em barco para explorar aos arredores. O primeiro envolve conhecer duas estátuas maias e ainda ir a ilhas de vegetação no lago. O segundo envolve conhecer pinturas rupestres em paredões e busca de tartarugas em caverna (importante levar lantrena). Ambos passeios são legais, mas recomendo mais fortemente o passeio às ilhas (imperdível!). Custam $400 para grupo de 4 pessoas (grupos maiores têm um preço individual mais em conta). Leve comida! Há panelas disponíveis e geralmente há água potável na torneira. Porém dei um certo azar e no meu segundo dia no local houve problema no encanamento e assim tive que ferver água da lago para beber. Transporte de retorno: kombis a Las Margatiras a 0h, 2h, 7h, 9h30, 11h e 13h; caminhões a Ocosingo às 0h, 1h, 2h, 3h e 4h (da madruga mesmo...tenso!). DIA 38) TONINÁ E CASCADAS DE AGUA AZUL Depois de conhecer a maravilhosa Laguna Miramar o meu próximo era Palenque, mas antes, no mesmo dia, havia uma viagem longa e desconfortável em caminhão de madrugada e em seguida a primeira ruína maia do roteiro - Tonina - e as belas Cascadas de Agua Azul. O transporte da base de recepção da Laguna Miramar a Ocosingo pode ser resumido em uma palavra: TENSO! Foram 4 horas de estrada ruim na carroceria de um caminhão, sentado em uma banco de madeira duro, que estava meio solto; passando frio com o vento; e ainda estava apertado ao lado de uma mina que desmaiou e que o tempo todo vinha com a cabeça no meu ombro. Ela era baixa e magra, mas tinha a capacidade de se transformar em um peso de 30kg sobre meu ombro. VID_20190608_040931.mp4 Cheguei em Ocosingo 5h da manhã no meio de uma feira. Às 6h30 peguei uma camionete ($15, mais uma carroceria no dia e, sim, este é o transporte regular) com destino a Tonina. Passagem a $15. Tonina é uma bela e pouco visitada cidade maia. Foi construída ao longo de um morro e se considerar toda a sua extensão é bastante alta (260 degraus para subir!). Teve construção iniciada em 300 d.C e apogeu em 900. Em seguida voltei a Ocosingo e paguei mais $25 pro motorista da camionete me deixar no terminal de Ocosingo. Do terminal, peguei uma van ($50) até um entrocamento na estrada e aí peguei um táxi coletivo até às Cascadas de Agua Azul ($25). As Cascadas são uma sequência linda de cachoeiras com várias piscinas boas para banho. Evite ir em fds! O lugar fica mto cheio. As Cascadas são lindas, mas sofrem de um problema como outros locais naturais do México: ocupação bastante intensa, que no caso acontece com várias barraquinhas de artesanato e de comida. Depois de curtir esse atrativo segui rumo a Palenque em outra van colectivo ($50) DIA 39) PALENQUE Pense num lugar quente! Cêtádoido! Derreti em um suor em Palenque! Agora sobre o destino: a cidade em si não tem nenhuma atração relevante. Na verdade nem achei a cidade bonita. Porém a poucos quilômetros do centro da cidade estão as maravilhosas ruínas de Palenque e um pouquinho mais afastado, mas acessível em tour estão os incríveis sítios de Yaxchilán e Bonampak. O tour dura o dia todo e sai cedinho. Paguei $800, com almoço incluso. Yaxchilán fica a mais de 160 km de Palenque no lado mexicano da fronteira com a Guatemala. Para chegar, é preciso se deslocar por cerca de 20 min em canoa pelo rio Usumacinta, o qual é muitas vezes atravessado por guatemaltecos em busca de uma vida melhor no norte, e depois caminhar através da floresta. O sítio era um importante ponto de controle de comércio no rio Usumacinta e é muito conhecido pelos seus edifícios com painéis superiores (cresteria) super bem preservados. Bonampak por sua vez significa "Muros Pintados" e é conhecido exatamente pelas paredes pintadas ainda super bem conservadas em que se retratam guerras, sacrifícios humanos e festividades maiais. É uma experiência incrível ver os painéis com mais de 1000 anos de idade (estima-se que foram pintados entre 580 e 800 d.C) super bem preservados. DIA 40) PALENQUE Dia de conhecer o sítio arqueológico de Palenque. O sítio é é bem grande, com várias ruínas imersas na paisagem florestal. Destaca-se pela sua arquitetura e por suas esculturas ainda em parte bem preservadas. Acredita-se que a cidade começou a ser construída em 100 a.C, tendo o seu apogeu nos 600 e declínio no final dos anos 800. Uma coisa que achei interessante em Palenque foi percorrer um caminho através da floresta, passando por cachoeiras e casa de banho maias. Infelizmente fui em uma segunda (dia nacional dos museus fechados) e assim não pude conhecer o acervo no seu museu, mas acho que é bem bacana. Entrada: $75 + $36 (taxa do Parque Nacional) Depois de conhecer o sítio, retornei à cidade para almoçar e matar tempo até a saída do meu ônibus a Chetumal. Recomendo o restaurante El Oasis na praça central. Tem muitas opções de comida, inclusive vegetarianas, por um bom preço. DIA 41) BACALAR Depois de conhecer Palenque e seus atrativos próximos, o meu próximo destino - Bacalar - estava um pouquinho longe: 8h de viagem em ônibus até Chetumal e depois mais 40 min até Bacalar. Bacalar é um pueblo mágico conhecido pela sua laguna. É realmente maravilhosa! De uma coloração esverdeada incrível. Infelizmente Bacalar sofre de um problema comum no México: a restrição de acesso a um local público por conta da ocupação privada de seu entorno. Porém é possível acessar a laguna por algumas passarelas/decks de madeira e curtir a água deliciosa. Eu fiquei em uma barraca em um hostel chamado Magic Bacalar e minha experiência foi muito boa! Conheci uma galera massa, com a qual ainda tenho contato, e tomei muita cerveja e joguei conversa "dentro" no deck do hostel. Também conheci o centrinho da cidade, com o belo forte San Felipe Bacalar (não conheci por dentro porque achei a entrada de $108 cara e porque li que havia poucas coisas no interior), e dei uma boa caminhada durante o dia do hostel até o Cenote Azul. Caminhei ao longo da laguna, curtindo os grafites nos muros da cidade e refletindo sobre a falta de acessibilidade e observando as variações na cor da laguna quando abria uma brechinha entre os muros. O Cenote Azul é legal, mas eu não recomendo fortemente, já que é basicamente uma lagoa com um entorno de vegetação florestal. Enfim, amei Bacalar! Foi um dos meus lugares favoritos no México. p.s1: Para economizar no rango (caro de forma geral na cidade) e ainda se divertir, recomendo o restaurante da Alberta (do lado do Galeón Pirata), uma senhora figuraça, que faz uma comidinha gostosa. p.s2: Rolam uns passeios de lancha ($200), que levam até dois cenotes dentro da lagoa e para o Canal de los Piratas. Acho que é legal, mas acabei não fazendo. DIA 42) TULUM As pessoas costumam falar super bem de Tulum. Eu particularmente não achei a cidade lá grandes coisas. Achei meio gourmetizada e cara. Os grandes atrativos de Tulum são cenotes, praias e obviamente o seu sítio arqueológico à beira-mar. Nas fotos que circulam na internet, as ruínas resplandecem sobre uma falésia, com um fundo de mar azul-turquesa. Lindo demais! Bem, até uns anos atrás (seis anos talvez), era exatamente assim o ano todo, mas de alguns anos para isso mudou. Agora, em boa parte do ano, o sargaço está tomando conta das praias caribenhas desde Belize até Cancún. Esse fenômeno tem acontecido com maior intensidade entre os meses de abril a setembro, mas com as mudanças climáticas e com o lançamento de fertilizantes no mar, nunca se sabe como será o ano seguinte. Tenha isso em consideração quando planejar a sua viagem pro Caribe. Eu mesmo alterei muita coisa no meu roteiro por conta da grande quantidade de sargaço nas praias. DIA 43) TULUM/COBÁ Dia de ir a Cobá em um dos ônibus da empresa Mayab, que partem frequentemente da estação da ADO ou do Palácio Municipal da cidade ($100 ida e volta). O sítio de Cobá se encontra a cerca de 50 km de Tulum e teve o seu início de construção entre 100 a.C e 300 d.C, atingindo o período de auge construtivo entre os anos 800 e 1000. Agrupou diversas construções ligadas através de caminhos de pedra e que se conectavam a outros sítios maiais, como Yaxuná a 100 km de distância. A parte de visita geral agrupa ruínas imersas na floresta, com três centros principais e a pirâmide mais alta da península de Yucatán que ainda pode ser escalada. Muitas pessoas recomendam alugar bicicleta para percorrer o sítio. Porém o aluguel é caro ($100) e do meu ponto de vista, dispensável para uma pessoa com saúde plena e sem problemas de locomoção. Percorremos todo o sítio em 2h30 de caminhada. Depois de conhecer o sítio arqueológico, aluguei bicicleta ($50) em uma mercadinho antes do sítio de Cobá, para conhecer dois cenotes a cerca de 6,5 km do sítio: Tamcach-Ha e Multun-Ha. Ambos os cenotes são cavernas fechadas com amplos salões e algumas estalactites. Estão próximos um do outro (3 km) e cada um tem o preço de entrada de $100. Achei os dois bastante parecidos. Acho que pelo valor não compensa visitar ambos. Se for visitar apenas um, acho que Tamcach-Ha é mais divertido por ter duas plataformas de salto (5m e 11m). Iuhuuu! Nas proximidades há também o cenote Choo-Ha, mais raso e menos amplo e pelas fotos na internet parece ter água mais clara. Bizú: os cenotes ficam cheios à tarde com a chegada de grupos em tours. Tente ir o mais cedo possível. DIA 44) TULUM Era um dia que eu pretendia conhecer o cenote Gran Cenote e depois ir até a praia Xcacel, mas acabou que choveu bastante no dia e eu me enrolei, tendo tempo de conhecer apenas o cenote. Tulum tem vários cenotes ao seu redor. Gran Cenote, Carwash, Calavera, Nicte-Ha, Sac Actun e Dos Ojos são alguns deles. Porém, como a cidade é super turística, os preços de entrada nesses atrativos não são lá muito atraentes. Hehehe Como eu já iria conhecer muitos cenotes nas proximidades de Valladolid e como eu não queria gastar tanto - para ter ideia o preço de entrada no Dos Ojos é $340 e no Sac Actun é mais de $600 -, acabei optando por conhecer apenas o Gran Cenote cujo preço de entrada é de $180. E que escolha boa! O cenote a pouco mais de 5 km de Tulum (na estrada sentido Cobá) possui a água bem clara e duas ilhas conectadas por um túnel com formação parecida com a de uma caverna. Na água transparente é possível ver peixinhos e cágados (não confundir com tartarugas), que parecem não se incomodar com a grande quantidade de visitantes. Pena que tive problemas com a GoPro que levei e não tenho fotos boas para mostrá-los. DIA 45) ISLA MUJERES Saí de Tulum e cheguei a Cancún: o destino sonho de muitos brasileiros, com resorts all-inclusive na beira da praia, hotéis luxuosos, cassinos, baladas animadas e restaurantes xiques. O lugar que tenho menos vontade de conhecer na vida hahaha . Não é tipo de turismo que me atrai nem um pouco. Sendo assim, não fui na parte dos hotéis e na praia que a galera frequenta. Passei longe. Fui só até o centro (sem graça), peguei um ônibus (ruta 6 - $10) em frente ao mercado Soriana (ótimo lugar para comprar em dólares e conseguir troco em peso em cotação muito melhor do que a de qualquer casa de câmbio...leia o tópico "câmbio") e segui até o Puerto Juárez, para pegar o ferry mais barato ($275 ida e volta) para Isla Mujeres. A ilha não estava sofrendo com o sargaço e li vários relatos dizendo que a sua Playa Norte é uma das mais lindas do México. Fui com alguma expectativa, mas sem tanta assim porque imaginava que era muito cheia. Percorrendo as ruas da ilha, fui surpreendido pela tranquilidade, mas ao mesmo tempo confirmei que a ilha é bastante cara e mesmo com algumas lojinhas e ruas agradáveis, tem meio que uma cara de cidade turística padrão, meio estéril. Ao chegar à Playa Norte, que decepção da porra! Praia lotada, muitos barcos, ocupação desenfreada da estreita faixa de areia e muitas barricadas, acredito eu que feitas para evitar a retração da praia. Sim, a água é azulzinha e gostosa. Mas para mim, não é só a cor da água que faz a praia. Enfim, depois das decepção, resolvi alugar uma bicicleta ($70 a hora) e dar uma volta na ilha, que tem cerca de 8 km de extensão. Aí sim, conheci uns cantinhos bonitos e agradáveis, como a parte do Parque Garrafón, onde a galera faz snorkelings (caros pácaceta) com tartarugas e onde é possível avistar golfinhos de vez em quando; a Punta Sur, onde há um templo maia ($30 para andar poucos metros e conhecê-lo); e o lado voltado pro oceano com praias tranquilas e gostosas. Valeu muito a pena o rolê ! Pena que fiz mto rápido pq queria pagar só 1h de aluguel. DIAS 46 e 47) HOLBOX Saí de uma ilha e fui à outra: de Isla Mujeres a Holbox. De uma ilha que não curti muito para outra que amei. Fui pra Holbox meio com o pé atrás depois de ler uma matéria sobre os impactos do turismo na ilha. Em suma: há pouco mais de 5 anos não havia ferry boat até a ilha e ela era um povoado de 20 quadras e cerca de 1500 habitantes, entre os quais muitos pescadores. Com a chegada dos ferries, o turismo cresceu de forma acelerada. Hoje são cerca de 20.000 pessoas na ilha na temporada alta. Os resultados são degradação desenfreada dos mangues, crescimento desordenado da vila e da rede hoteleira, problemas hídricos, grande quantidade de resíduos que não tem disposição adequada e impactos na fauna. Os tubarões que chegavam próximo da praia agora passam longe. A pesca foi reduzida. Vôos de helicóptero estão destruindo áreas de nidificação. E por aí vai a lista de problemas. Porém apesar disso tudo a ilha continua linda. A água, que não estava com sua usual coloração esverdeada, ainda estava bem clarinha, livre de sargaço e em uma temperatura deliciosa. A verdade é os problemas não chegam aos olhos do turista que vão apenas à praia. Para percebê-los, é necessário uma caminhada pela rua por trás da faixa de hotéis e uma conversa com os moradores tradicionais. Na ilha ainda é possível avistar flamingos, ver o fenômeno da bioluminescência (fora da lua cheia) e fazer passeios até às 3 Islas e snorkelings com tubarão-baleia. Eu fiz esse passeio com tubarão-baleia e que experiência incrível! Foi cara ($2.200), mas valeu cada centavo investido. O passeio sai às 7h e tem uma duração de aprox. 8h. É possível chegar bem pertinho dos animais. Além disso o passeio inclui a passagem pelas maravilhosas 3 Islas e ainda um snorkeling em um ponto onde se pode avistar arraias e outros peixes de diferentes espécies, além de ter almoço de ceviche com peixe fresco, lanchinhos e água à disposição. p.s.: A balsa tanto de Chiquila quanto de Holbox sai a cada meia hora e tem custo de $150 (cada trecho). DIA 48) VALLADOLID Valladolid é um pueblo mágico fundado em 1543, que possui diversos edifícios coloniais. Um dos grandes destaques na cidade é o grande ex-convento San Bernardino de Siena, onde diariamente às 21h acontece um video mapping mostrando a história da cidade. No interior do ex-convento há um antigo acesso, atualmente fechado, para um cenote, no qual foram achados diversos artefatos dos espanhóis. Outros destaques são a bela rua Calzada de Los Frailes com muitas casas históricas preservadas e o agradável centro onde se encontra a catedral, o bazar municipal e muitos restaurantes. Eu curti demais o eixo histórico da cidade e o clima de tranquilidade que permeia toda a cidade Valladolid ainda possui um belo cenote - Cenote Zaci - praticamente no seu centro e nas suas redondezas há diversos outros cenotes. A cidade ainda funciona bem como base para conhecer as ruínas de Ek Balam e de Chichen Itza. No primeiro dia peguei uma bicicleta no hostel e conheci o ex-convento San Bernardino de Siena e três cenotes: Xkeken, Samula e San Lorenzo Oxman. Xkeken e Samula fazem parte do complexo Dzitnup a uns 6 km de Valladolid. Cada um tem preço individual de $80 individual ou ambos podem ser visitados por $125. Eu recomendo fortemente o ingresso para ambos. Fui primeiro no Xkeken. É um cenote fechado, com uma abertura no teto.. No horário que visitei, entre 10 e 11h, um feixe de luz entra por essa abertura e ilumina o local parcialmente. A outra parte é iluminada por luz artificial. Xkeken é incrível pelo seu conjunto da obra. Há uma boa diversidade de formações espeleológicas, raízes que se projetam do teto rumo à água e a água tem coloração azul-turquesa. Foi o meu cenote favorito de toda a viagem. Samula, por sua vez, é um cenote também fechado, porém com com um salão mais amplo e muito mais alto e com uma abertura maior no teto por onde penetra mais luz e andorinhas que fazem um belo espetáculo à parte no interior do cenote. Lindão também! E fechando o dia de cenotes com chave de ouro: fui ao cenote San Lorenzo Oxman. O cenote fica em uma hacienda ("fazenda" em tradução literal, mas que no caso aqui parece mais uma chácara) e tem custo de $80 (ou $150 convertidos em consumação e com direito a uso de uma piscina no local). É um cenote do tipo aberto, sendo meio que um poço profundo no solo circundado por paredes rochosas sobre ás quais há árvores que projetam suas raízes em direção à água. É lindão também e é super divertido por ter um pêndulo para se lançar na água. VID_20190618_145529.mp4 p.s.: Os meios de transporte para os cenotes são táxi ou bicicleta, sendo que este foi o que eu usei por ter disponível no hostel. DIA 49) VALLADOLID/EK BALAM O sítio Ek Balam fica a aproximadamente 30km do centro de Valladolid. Como não tem transporte público até o local, fui até lá de bicicleta. O caminho é bastante plano, mas o calor de 36°, a bicicleta pesada e sem marchas e o sedentarismo não contribuíram muito com o desempenho. Ek Balam foi um dos últimos sítios descobertos na região, com escavações iniciadas em 1998. O sítio maia começou a ser construído entre 100 a.C. e 300d.C e teve seu apogeu entre 700 e 900 d.C. O seu grande destaque é a sua pirâmide principal super larga e com cerca de 32 m de altura, na qual se encontra uma tumba que era acessível por uma entrada, atualmente restaurada, ornamentada por uma boca de jaguar e figuras como a de guerreiros com asas. Por sinal, Ek Balam é muito conhecida por sua arte bastante refinada em comparação com outros sítios maias. Do alto da pirâmide, após uma subida de 106 degraus, se tem uma boa visão da floresta e de outras estruturas que compõem o sítio. O sítio tem um custo absurdo de $413 ($75 do Instituto Nacional de Antropologia e História e o restante cobrado pelo governo estadual). Foi a primeira vez que paguei mais de $75 para visitar um sítio arqueológico. Colado nas ruínas está o Cenote de Xcanche (entrada a $80). Bom para se refrescar no calor danado. O cenote tem uma formação parecida com a de San Lorenzo Oxman, sendo um pouco mais largo do que este. Após conhecer o sítio arqueológico e Xcanche, segui de volta pela estrada rumo a Valladolid. A cerca de 15 km da cidade, fiz um desvio para conhecer o cenote Hubiku. O cenote possui um salão enorme e tem um bom poço para tomar banho se vc gosta de água fria. hehehe Porém o local tem poucas formações espeleológicas e tem boa parte de sua beleza sequestrada pelo excesso de pavimentação, além de ser bastante caro ($100). Imagino que pela estrutura de estacionamento, loja e restaurante gigante na entrada, o cenote seja ponto de parada de vários tours. Felizmente no horário que cheguei, às 16h30, estava bem vazio. DIA 50) VALLADOLID/PISTÉ (CHICHÉN ITZÁ) A capital dos maias em Yucatán e uma das sete maravilhas do mundo, Chichén Itzá, é realmente fantástica. Para chegar, há ônibus com saídas regulares do terminal da ADO em Valladolid (passagem $35). O sítio começou a ser construído em 525 e teve alguns ciclos de ocupação, sendo que o mais importante foi o que ocorreu entre 900 e 1200, encabeçado pela liga de Mayapán (esse nome aparecerá de novo em outra postagem à frente). Chichén Itzá é famosa pela sua pirâmide de Kukulcán (Serpente Emplumada), que durante os equinócios da primavera e outono projeta a imagem da deusa-serpente maia sobre o chão, indicando o grande conhecimento astronômico dos maias. Porém, Chichén Itzá guarda outros grandes tesouros, como o Caracol, um observatório em uma construção circular e La Casa de las Monjas, uma pirâmide com diversos quartos (cuidado para não deixar esses dois locais passar batido, como eu deixei hahaha); a enorme quadra de jogo de pelota; Templo de Los Guerreros, com suas mil colunas; e diversas esculturas e artes entalhadas nas rochas do sítio. A entrada custa absurdos $481 (se lascar governo de Yucatán) e a dica do Don é chegar o mais cedo possível, pois às 10h30, 11h chegam em peso os ônibus de tour vindos de Cancún. Depois de conhecer o sítio arqueológico, fui até o cenote Il-Kil a 4 km de Chichén Itzá (entrada $80). Há coletivos frequentes na rodovia ($15) com destino ao local. O cenote é do tipo aberto e lembra em partes Oxman, porém é mais fundo e tem uma vegetação diferente que se projeta sobre a água. Por ser próximo de Chichén Itzá, está incluído no pacote de tours que saem de Cancún. O cenote é bonito e vale a visita, apesar da grande quantidade de pessoas. Depois de conhecer esse cenote, fui até a cidade de Pisté ($20 em táxi coletivo), onde caminhei até o restaurante Zac Seh, a cerca de 5 quadras do centro. De frente ao restaurante saem táxis coletivos com destino a Yaxunah (passagem a $30), povoado a cerca de 20 km de Pisté. Este cenote é bem bonito tbm! É do tipo aberto, assim como Il Kil, porém é bastante vazio e tem uma boa vegetação em seu entorno. A água é de um tom azul escuro e é muito boa para tomar banho. Eu e meu amigo finlandês Kristoffer ficamos lá cerca de 1h30 e não chegou ninguém. Entrada a $50. Há estrutura de banheiro ao lado. Yaxunah ainda tem um sítio arqueológico simples nas proximidades, porém acabamos optando por não conhecê-lo. Depois de curtir o cenote, voltamos a Pisté, onde almoçamos numa espécie de mercado com alguns restaurantes, na beira da rua principal. Comi um Papadzule (não recomendo!). Em seguida, pegamos um ônibus em Pisté de volta a Valladolid ($35). Dica: como Yaxunah é bem pequeninha, combine com o motorista um horário de volta. Sugiro ficar ao menos uma hora no cenote. DIA 51) VALLADOLID/LAS COLORADAS Na internet circulam fotos de lugares que te fisgam e imediatamente vão parar naquela wishlist de destinos a conhecer. Este foi o caso de Las Coloradas. Vi algumas fotos do local e logo pensei "que lugar incrível! Preciso conhecer!". Quando sou capturado assim, nem procuro pesquisar muito a respeito do local para não criar muitas expectativas e atrapalhar a minha vivência pessoal. Porém não posso negar que fui até o destino com uma certa expectativa, a qual infelizmente foi um pouco frustrada. Primeiro porque achava que no local havia uma lagoa natural com água rosa e na verdade havia apenas uma salina (piscina artificial para extração de sal). Segundo porque queriam cobrar $50 para chegar um pouquinho mais perto da salina. Claro que não pagamos! No final, curtimos mais a bela praia (de águas muito salgadas) que aparece na foto abaixo. O passeio incluiu ainda uma ida até um rio com mina de água na cidadezinha de Rio Lagartos, que foi ótimo para tirar o sal do corpo. Na região há também a opção de se fazer um passeio de lancha para avistar flamingos e áreas de mangue, mas a galera não estava muito na pilha de desembolsar $150, $200 pelo passeio. Se quiser fazê-lo, vá até Rio Lagartos, espere a galera abordar e negocie. Las Coloradas é acessível por tours que partem da cidade de Valladolid ou por meio de taxis, que partem da cidade próxima de Rio Lagartos ou de Tizimín (um pouco mais distante, a 50 min de ônibus de Valladolid - passagem a $31). Acabei escolhendo ir por meio desta última opção com dois amigos que conheci no hostel, já que o valor de $600 pelo táxi saindo Tizimín (passeio completo) não seria caro, dividido por nós três. DIAS 52 e 53) VALLADOLID E MÉRIDA No período da manhã em Valladolid, ainda curti o cenote Zaci. Um grande cenote localizado praticamente no centro da cidade. Tem um paredão rochoso, com algumas formas espeleológicas (poderia considerar assim, geólogos? hehehe), que forma meio que uma concha sobre o grande poço de água margeado imediatamente também por algumas árvores. Depois de uma horinha, curtindo o cenote, segui ao meu próximo destino: Mérida. A cidade fundada em 1542 é uma das mais antigas do México e possui o segundo maior centro histórico do país, com diversos casarões e edifícios coloniais bem conservados. No centro, agradável de se percorrer a pé (desconsiderando o calor de 40º que enfrentei), destaca-se a praça central, onde se encontra a catedral, que é bastante movimentada e é palco de apresentações de dança, de partidas de jogo de pelota e no domingo recebe várias barraquinhas de comidas típicas. Por sinal, no domingo também se fecham algumas ruas da cidade aos automóveis para a alegria de pedestres, ciclistas e vendedores ambulantes (amo ruas vivas!). Na praça, vale ainda destacar o pequenininho, mas bonito Museo Casa Montejo e o museu de arte moderna e contemporânea Museo Fernando Garcia Ponce Macay. Ainda na parte histórica, um pouquinho afastada dessa parte mais central, encontra-se o Paseo de Montejo, com belos casarões. Um dos grandes destaques do Paseo é o Palacio Cantón. Construído entre 1904 e 1911 o palácio foi moradia do então governador de Yucatán e desde 1966 é um museu (entrada $60), que atualmente abriga uma boa coleção de esculturas maias e faz um bom apanhado da história das pirâmides mexicanas (ótima revisão de informações no final da viagem). Falando em acervo maia, na cidade encontra-se também o monumental Gran Museo del Mundo Maya. O moderno museu possui uma boa coleção de esculturas e artefatos antigos, possui muitas informações sobre a cultura maia em diferentes formatos multimídia e é massa também que traz diversos dados sobre a organização e cultura dos atuais descendentes maias. Nos arredores de Mérida, estão o pueblo mágico de Izamal - que infelizmente não visistei, mas que parece ser maravilhoso -, povoados com vários cenotes e ainda diversas zonas arqueológicas, com destaque para Dzibilchaltún (não visitei), Mayapán, Uxmal e a Ruta Puuc (temas dos próximos tópicos). DIA 54) MÉRIDA/UXMAL E RUTA PUUC Antecipo já dizendo que Uxmal foi a minha zona arqueológica favorita em toda a viagem! 💚 Explico os motivos: 1) A cidade maia construída entre os anos 600 e 1000 e que chegou a ter uma população de 25000 habitantes, abriga a Piramide del Adivino, uma grande pirâmide diferentona, com bordas ovaladas;. 2) Possui muitos edifícios com ricas ornamentações, como o Palacio del Gobernador e suas ornamentações do Deus Chaac (associado à água e chuva) e os edifícios do Cuadrangulo de las Monjas e suas variações ornamentações envolvendo serpentes, aves, macacos, humanos e formas geométricas; 3) Possui a Gran Piramide, talvez tão alta quanto a Piramide del Adivino, onde ainda é permitida a subida até o topo, do qual se tem uma boa vista da zona; 4) Possui exemplos de edifícios com cresteria conservada (elemento da arquitetura maia construído sobre o teto dos edifícios e que os projetam ao céu); 5) Há muitas andorinhas, que fazem um belo espetáculo; 6) E por último, não tem vendedores ambulantes te assediando constantemente e não é visitado por muitas pessoas. O único problema é o custo de acesso - absurdos $413 (mesmo valor de Ek Balam) - e não haver muitas linhas de ônibus para retorno (cheque no terminal os horários de retorno). Para ida, há ônibus regular da Sur ($76), que sai do terminal da ADO em Mérida às 8h, 9h05, 10h40, 12h05, 14h e 14h30. Se estiver de carro, recomendo tirar o dia para conhecer também as outas atrações da Ruta Puuc, todas mais simples que Uxmal. Eu não estava de carro, mas mesmo assim contando com a sorte, acabei conseguindo uma carona na estrada e pude conhecer a Ruta. RUTA PUUC) "Puuc" no idioma maia significa "morro" e se refere a pequenos morros na plana Península de Yucatán, sobre os quais foram construídos os sítios arqueológicos que no passados eram conectados por sacbés (calçadas maias). Em uma concepção ampla, a Ruta abrange os seguintes sítios: Uxmal, Kabáh, Sayil, Xlapak, Labná e Grutas de Loltún (esta por ser mais distante, não foi visitada). 1) Kabáh é o mais impressionante entre os quatro, especialmente pelas grande dimensão de seus edifícios e pela riqueza de detalhes nas esculturas que ornamentam as suasconstruções. Vale também conhecer o Arco Triunfal, que marca o começo do sacbé até Uxmal; 2) Sayil é um sítio mais extenso em que se destacam o Palácio, um dos edifícios mais notáveis da ruta, com seus ao menos três andares com formas geométricas e colunas circulares; e a escultura do Deus da Fertilidade; 3) Xlapak possui um conjunto de edifícios, entre os quais se destaca o Palácio, com uma fachada recheada de formas geométricas e esculturas de Chaak (Deus da Chuva); e 4) Labná é um sítio simples com duas construções que chamam bastante atenção: El Mirador, uma construção bem elevada, e o Arco, com bela arquitetura maia. DIA 55) MAYAPÁN Cidade a 45 km de Mérida construída à semelhança de Chichén Itzá. Alcançou seu esplendor entre os anos 1200 e 1450, quando foi capital política e cultural do povo maia. Chegou a ter uma população de aproximadamente 12 mil pessoas, as quais contribuíram com a construção de cerca de 4000 estruturas em uma área de pouco mais de 4 km quadrados. A cidade teve seu declínio com a revolta de grupos sociais que opunham aos Cocom, à família nobre governadora. Como resultado, os líderes Cocom foram mortos e a cidade foi saqueada, queimada e abandonada. Além de sua importância histórica, uma coisa bacana em Mayapán é a diversidade de edifícios representativos da cultura maia em uma área compacta e ainda a existência de painéis com pintura bem conservados. Cheguei ao sítio de ônibus ($27 partindo do terminal Noreste com rumo a Telchaquillo). A ideia era conhecer o local e depois seguir rumo aos cenotes Kankirixche e Yaal-Utzil a cerca de 20 km de distância. Infelizmente não há transporte regular nesta rota. Teria que pegar um táxi coletivo e depois um táxi normal para chegar até os cenotes. Como ficaria muito caro, acabei desistindo da ideia. 😞 DIA 56) CIDADE DO MÉXICO Dia de retorno à Cidade do México em voo low-cost da Viva Aerobus. Na cidade fiz compras no Mercado de la Ciudadela, um ótimo local para comprar artesanatos e depois fui ao museu Soumaya do bairro chique e moderno de Polanco (fiquei com medo de pela minha aparência, ser abordado pela polícia no caminho do metrô até o museu hahaha 🤣). O Museu Soumaya é um museu com arquitetura arrojada com fachada revestida por 16.000 pastilhas de alumínio. São seis andares que reúne obras de grandes mestres mexicanos, arte em marfim chinês, muitas pinturas renascentistas e de grandes mestres europeus dos séc XIX e XX e o seu sexto (e último) andar agrupa várias esculturas de importantes artistas, especialmente de Rodin. Um museu incrível que exige ao menos duas horas para uma boa visita (o Wikipedia em português tem boas informações do museu para atiçar ainda mais a sua curiosidade). Ao seu lado fica o Museo Jumex, que também tem exposições incríveis. Acabei não o conhecendo, pois ia encontrar com uma amiga. À noite, a minha amiga me levou no Monumento a la Revolución, considerado o arco triunfal mais alto do mundo, localizado na Plaza de la Republica. Acho que vale super a pena uma visita durante o dia para apreciar melhor a construção. DIA 57) CIDADE DO MÉXICO Último dia da minha viagem. 😕 Acabei fazendo passeios em direções opostas da Cidade do México. O primeiro deles foi conhecer o Santuário da Basílica de Guadalupe. que é a segundo santuário católico mais visitado do mundo, perdendo apenas a Basílica de São Pedro no Vaticano. O Santuário agrupa a moderna basílica e outras igrejas, entre elas a antiga Basílica, que foi a primeira igreja do México dedicada à Virgem de Guadalupe. (espaço que seria dedicado a fotos, mas acho que perdi minhas fotos da Basílica 😥) Depois desse rolê, fui fazer o percurso de barco nos canais de Xochimilco. O melhor ponto para o contratá-lo é o Porto de Nativitas, pois é onde há mais opções de embarcações e onde há maior fluxo de gente. Assim vc pode se juntar a um grupo para baratear os custos. Foi o que fiz e acabei me juntando a uma simpática família colombiana, que me acolheu super bem, inclusive me dando alguns copos de cerveja. O passeio de 2h, dessa maneira, saiu por $150. O passeio é feito em trajineras, pequenos barcos muito coloridos e geralmente com nomes de mulheres (esposas dos donos), que são considerados Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. Os seu condutores usam bastões de madeira para empurrar o leito e projetá-los pelos canais. As origens de Xochimilco remontam aos tempos pré-coloniais, quando os mexicas construíram canais e chinampas, ilhas artificiais onde se desenvolvia a agricultura. Ainda hoje há várias hortas e floriculturas na região. É comum os mexicanos realizarem comemorações de aniversário e de formatura nos passeios. Há muitas traineiras com estudantes bebaços, curtindo som alto. Muitos mariachis aproveitam também para tocar nas trajineras e animar ainda mais os passeios. O passeio passa por uma ilha onde há uma reprodução da Ilha das Bonecas (original), onde um senhor solitário juntava bonecas e as pendurava para, segundo as diferentes versões, espantar os maus espíritos ou para entreter o espírito de uma criança que foi encontrada afogada. O passeio para essa ilha é caro ($2000) e mais longo, 8h no total. Valeu super a pena como uma curiosidade cultural! DIA 58) RETORNO Fim da viagem! 😥 HOSPEDAGENS - Cidade do México: Mexico City Hostel (booking) - excelente hostel, muito bem localizado com boa estrutura e bom café da manhã! Meu único porém é o excesso de controle no uso da cozinha. - Pachuca de Soto: Airbnb Happy place (anfitrião Ignacio) - cama confortável, quarto espaçoso, anfitrião super gente boa, porém não há água quente no chuveiro, sendo preciso esquentar água em cuia usando uma resistência. - Ciudad Valles (Huasteca Potosina): Hostal Casa Huasteca (booking) - excelente hostel, com cama confortável, quarto espaçoso, ótimo café da manhã e atendimento super atencioso. O único e grande problema do meu ponto de vista é a cobrança por água potável do filtro. - Querétaro: Jirafa Roja (booking) - hostel bem localizado, porém achei o quarto sujo e tive problemas para fazer o check-out por não haver ninguém na recepção cedo. - Estacion de Catorce: Hotel San Jose (no local) - hotel simples com cama grande e confortável e consegui um ótimo preço depois de conversar com a dona - San Luis de Potosi: Sukha Hostel (booking) - hostel super em conta, com uma boa área para interação e banheiros limpos. - Guanajuato: Hostal Seis 7 (booking) - hostel muito simples, bem localizado. Porém não há cozinha, o banheiro é apertado e o do meu andar estava com um cheiro péssimo. - San Miguel de Allende: Black and White (conferir no Google) - eu acabei parando nesta hospedagem porque o que eu havia reservado pelo Booking estava em reformas e sua dona era irmã da dona destre outro. Não é bem um hostel, é mais um esquema Airbnb, com quarto com beliches. Gostei do local e especialmente da atenção da proprietária. O único problema é que é um pouquinho mais distante do centro. - Puebla: Gente de Más (booking) - excelente hostel. Quarto espaçoso, banheiro limpo e boa cozinha. - Atlixco: casa de uma pessoa que conheci aleatoriamente - Zacatlán de las Manzanas: Airbnb Hostal Zacatlán - o proprietário é super gente boa. Porém tive problemas por a localização informada no Airbnb ser diferente da localização real, por ter imaginado que era um hostel com recepção e ser apenas uma casa e no período em que fiquei o chuveiro elétrico não estava esquentando a água. Tirando isso, o quarto era bom e a cozinha era ótima. - Cuetzalan: Posada los Abuelos (no local) - pousada super simples, com quarto espaçoso e cama confortável, porém com um cheiro forte de parede de cimento. - Orizaba: Airbnb - Hostal Tlachichilco - na verdade não é um hostel. É um quarto anexo à casa da proprietária, que é bastante atenciosa. Cama ótima e banheiro dentro do quarto. Os únicos problemas são o sinal do wi-fi é fraco e não haver cozinha disponível (e logo não haver filtro de fácil acesso). - Oaxaca: Hostal de las Americas (booking) - excelente hostel! Quarto confortável, bem localizado e com staff atencioso. - San Cristobál: Torantelo B&B (booking) - hostel super barato, com cama confortável e com excelente café da manhã. - Comitán de Dominguez: Airbnb Casa Calli - quarto privado com cama meio desconfortável e janela sem cortina. O dono é super gente boa. - Palenque: Casa Janaab (booking) - excelente hostel, com estrutura maravilhosa! - Bacalar: Magic Bacalar (booking) - fiquei na barraca deles no camping. Achei ótima com uma cama super confortável. O hostel tem também um ótimo café da manhã e fica na beira do lago com um deck bom para se fazer amizades (tomei muita cerveja ali com os amigos que fiz no local). - Tulum: Lucky Traveller Hostel (booking) - hostel gigantesco, que já foi um hotel all-inclusive. Super econômico, com excelentes quartos e com algumas bicicletas disponíveis para empréstimo gratuito. Problemas: a cozinha é usada apenas por eles para fazer as refeições que são vendidas no hostel e distância grande do centro. - Isla Mujeres: Hostel Azucar (booking) - hostel bem simples com staff super atencioso e cama confortável, porém o quarto é meio apertado. - Holbox: Be Holbox (booking) - hostel bom, com quartos bastante ventilados e banheiros limpos. - Valladolid: a) Hostal Casa Chauac ha (booking) - excelente hostel com quarto amplo, banheiros limpos, bom café da manhã e com bicicletas gratuitas à disposição (só é um pouquinho caro); b) Hostal Casa Don Alfonso (booking) - ótimo hostel com dono super gente boa e com ovos no café da manhã. Único problema é que desligam o ar-condicionado após 3h e o quarto acaba ficando um pouco quente. - Mérida: Hostel Le Luj (booking) - excelente hostel com bom café da manhã incluso e com uma ótima cozinha! Único problema foi a grande quantidade de muriçoca na área de convivência e na cozinha. TOP, TOP CENOTES (todos que conheci) 1ª) Cenote Xkeken - complexo Dzitnup a uns 6 km de Valladolid ($80 individual ou $125 com o cenote Samula) 2º) Gran Cenote - a uns 6 km de Tulum na pista com sentido a Cobá ($180) 3º) Cenote San Lorenzo Oxman - a uns 3 km de Valladolid, no mesmo sentido do complexo Dzitnup ($80) 4º) Cenote Samula - complexo Dzitnup a uns 6 km de Valladolid 5º) Cenote Lol - Ha - no povoado de Yaxunah a 20 km de Pisté ($50) 6º) Cenote Il Kil - a 4 km de Chichen Itza ($80) 7º) Cenote Xcanche - no sítio arqueológico de Ek Balam a uns 28 km de Valladolid ($70) 8º) Cenote Zaci - dentro da cidade de Valladolid ($30) 9º) Cenote Hubiku - na pista no sentido de Ek Balam a 16 km de Valladolid ($100) 10º) Cenote Tamkach Ha - a 6,5 km de Cobá ($100) 11º) Cenote Multum Ha - a 1,5 km do anterior ($100) TOP, TOP ATRAÇÕES RELIGIOSAS 1º) Templo de Santa María Tonantzintla - Cholula 2º) Museu del Virreinato - Tepotzotlan 3º) Templo San Francisco Acatepec - Cholula 4º) Capilla del Rosario (Templo de San Domingo) - Puebla 5º) Templo de Santo Domingo de Guzmán - Oaxaca 6º) Iglesia de San Juan Bautista - San Juan Chamula 7º) Parroquia de San Miguel Arcángel - San Migue de Allende 8º) Catedral de Puebla - Puebla 9º) Santuário da Basílica de Guadalupe - Cidade do México 10º) Catedral da Cidade do México - Cidade do México TOP, TOP MUSEUS 1º) Museu de Antropologia - Cidade do México 2º) Templo Mayor - Cidade do México 3º) Museo de las Culturas - Oaxaca 4º) Museu Amparo - Puebla 5º) Museu de Bellas Artes - Cidade do México 6º) Gran Museo del Mundo Maya - Mérida 7º) Museo Internacional del Barroco - Puebla 8º) Museo Soumaya de Polanco - Cidade do México 9º) Centro de las Artes - San Luis Potosí 10º) Museo de Arte Moderna - Cidade do México TOP, TOP SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS 1º) Uxmal 2º) Teotihuacan 3º) Chichén Itzá 4º) Palenque 5º) Bonampak 6º) Monte Álban 7º) Toniná 8º) El Tajín 9º) Ek Balam 10º) Mitla TOP, TOP PUEBLOS MÁGICOS 1º) Real de Catorce 2º) Bacalar 3º) Cuetzalán 4º) Orizaba 5º) Tepotzotlán 6º) Bernal 7º) Zacatlán 8º) San Miguel de Allende 9º) San Cristobál de las Casas 10º) Valladolid
  13. 7 pontos
    ---> Continuação do relato... St Peter’s Pool É um dos locais mais conhecidos quando se fala de Malta, muito provável que voce já tenha visto um vídeo de um cachorrinho pulando dentro d'água, pois então, este lugar é lá. St Peter's pool é o que podemos chamar de piscina natural feita nas rochas. Este belo lugar fica na cidadezinha chamada Marsaxlokk, uma cidade de pescadores. Para se chegar a Peter's pool existem algumas opçoes como: - Pegar um transporte público até Marsaxlokk e fazer uma caminhada (boas subidas) de uns 30 min até chegar ao mar. Há algumas sinalizaçoes pelo caminho indicando a direçao. - Outra opçao é chegar até Marsaxlokk e pagar algum barqueiro pra ti levar até Peter's pool de barco. Normalmente o valor cobrado é de 10€ ida/volta, mas se voce quiser ir a pé e voltar de barco também é possível. - Pra quem está com carro alugado ou pretende ir de táxi também é possível chegar lá, porém será preciso pegar um trecho de estrada de chão e passar por uma estradinha bem ruim e estreita. No local não há nenhuma infraestrutura, não há cadeiras, não há guarda sol e só vi um ambulante vendendo algumas coisas nas proximidades (mas com preços mais elevados), então é válido levar um lanche e sua própria bebida. Chegando ao local as pessoas procuram alguma sombra nas encostas dos paredões de terra, mas a maioria fica sentado/deitado no sol mesmo. Mesmo já sendo clima de verão a agua do mar estava extremamente gelada, foi o local onde senti a agua mais fria se comparado ao outro locais do país. Não é um local indicado para quem nao sabe nadar pois em todos os pontos onde se pula dentro d'agua sao profundos, há apenas um cantinho onde é possivel entrar no mar caminhando. O local onde é comum ver as pessoas pulando tem cerca de uns 5 - 6 mts de altura aproximadamente e é bem fundo. Pra sair da agua é preciso subir nas rochas, entao quem tem alguma dificuldade nisso não é aconselhável saltar. Blue Lagoon Com toda certeza é a cereja do bolo pra quem visita Malta, todo mundo espera chegar lá e se deparar com aquela agua extremamente azul e que em alguns pontos vai mudando a tonalidade. Para ter a melhor experiência possível recomendo ir num dia de sol aberto (eu peguei o dia assim), mas vi pessoas que nao tiveram a melhor experiencia possivel pelo fato do dia estar nublado. Blue lagoon fica na ilha de Comino, uma ilha pequena entre a ilha de Malta e a ilha de Gozo. O local recebe diariamente dezenas de embarcações que despejam lá suas centenas de turistas, até parece um formigueiro. Há uma pequena faixa de areia onde as pessoas colocam as cadeiras/guarda sol (pode-se alugar), um praticamente em cima do outro e há tambem vendas de bebidas e lanches, tudo com precinho salgadinho. Como há muita gente e pouco espaço na faixa de areia as pessoas ficam nas rochas nas proximidades onde as embarcaçoes chegam. Pra todo lado que vc olha a vista é incrivel e agua muito agradável. A única observação que eu faço é que com exceção do local onde 99% dos turistas ficam, nos outros locais há MUUUUUIIIITA AGUA VIVA, mas é MUUUIIIIITA MESMO!! Entao antes de pular na agua veja bem onde vai meter o nariz pra nao se queimar. Para se chegar a Blue Lagoon existem duas opçoes: - Pegar um transporte público até Cirkewwa no extremo norte da ilha de Malta e de lá pegar um ferry até Comino. - Contratar um tour para tal. Em Sliema é de onde as embarcaçoes partem e lá voce pode encontrar dezenas de empresas diferentes oferecendo o passeio. Na intenet voce encontra opções de fazer a compra do bilhete antecipado, mas eu nao acho que valha a pena visto que voce pode até negociar um desconto la na hora. Como sao muitas agencias, o pessoal fica em cima ti abordando tentando vender o seu peixe. Eu comprei lá na hora o tour com a empresa Captain Morgan Cruises, paguei 25€ e estava incluso um open bar de agua, chopp, refrigerante e comida. O passeio parte por volta das 10hs e demora cerca de 1:30h pra chegar a blue lagoon. Logo depois da partida é começado e servir as bebidas, e apesar de não serem de ótima qualidade serve para entreter por algumas horas. A refeição é servida somente em um curto intervalo de tempo, no qual os turistas nem estão no barco para comer visto que ao chegarem na ilha estao todos ansiosos para descer do barco e curtir o mar. Então deveria ter um intervalo maior para quem quisesse retornar ao barco poder se alimentar. Na volta para Malta o open bar continua. Blue Grotto É outro local pra se ficar de boca aberta com a tonalidade da água. A gruta fica na costa sul da ilha de Malta, o oposto da regiao de St Julian's / Sliema. Pra se chegar lá é muito fácil, basta pegar um dos ônibus linha 74 ou 201. O passeio custa de barco custa 8€ adulto / 4€ crianças, os barcos partem num intervalo curto entre um e outro e o passeio dura cerca de uns 20 minutos. Além da gruta azul o barco passa por outras grutas tambem e em todas elas é possível ver o quão a água é azul! Dica 1: Fazer o passeio no meio da manhã por volta das 10hs é um dos melhores horários, devido à posição do sol e a incidência de luminosidade na água. Dica 2: Ao entrar no barquinho sente-se do lado esquerdo, este é o lado onde é possível ter a melhor vista e pra tirar fotos sem pegar braços e cabeças de outros turistas. CORAL LAGOON É uma das belezas da parte norte da ilha de Malta. Não é um local tão falado e nem tão visitado como as outras atrações do país. Pra quem ta de carro o acesso é fácil, basta jogar no GPS e seguir em frente. Pra quem vai de transporte público a jornada é árdua pois leva-se mais de 1hr pra quem parte da região de Sliema até o ultimo ponto da parada de ônibus, dali em diante é preciso andar cerca de 1hr até chegar na lagoa. Nao tem erro, ao jogar no gps voce encontrará facilmente o caminho que passará no meio de algumas vilas, numa area privada de um resort e por uma praia "pública" também. Pra quem olha de longe nunca encontrará a lagoa pois ela fica dentro de um buraco no alto de um rochedo. A caminhada vai ficando dificil quando vai se aproximando da lagoa pois o solo é muito pontiagudo. Andar descalço é impossível, e pra quem vai de chinela tem que tomar cuidado para nao arrebenta-la. Quando voce chega à lagoa a sua primeira impressão será UAU! Se deparará com um buraco enorme e lá no fundo encontrará uma agua totalmente transparente que até pode enganar quanto à sua profundidade. Nem todo mundo tem coragem de pular la embaixo, nem se compara ao salto da St Peter's pool pois nesse local a altura pode passar dos 10mt!! Para os que têm coragem de saltar, é preciso nadar por uma passagem subterrânea até o mar e subir a encosta novamente. Pra quem vai de chinela e pretende saltar recomendo veemente jogar a chinela antes ou pular com ela para poder subir a encosta novamente pois se nao seus pé vão pro saco, vai fatia-lo no chão pontiagudo. Pra quem vai de ônibus e fica pensando na caminhada de volta até o ponto, há uma lanchonete próxima à lagoa em que um tiozão cobra 20€ para fazer o translado de lá até ao ponto de ônibus. >> a foto acima peguei da internet apenas para mostrar como é o lugar << >> pra quem vai de bus, o ponto final é onde está apontando a seta, dali pra frente é caminhada << ---> Continuarei o relato no próximo post..
  14. 7 pontos
    A Tailândia era meu sonho, lendo o blog da Vida Mochileira vi os valores em detalhes em uma planilha e cheguei a conclusão que para um mês na Tailândia teria que ter o mínimo de R$10.000 pra fazer tudo que queria. Blog que pesquisei valores https://vidamochileira.com.br/tag/tailandia/ Adoro os blogs que detalham todas as despesas de uma viagem porque facilita muito para quem está se planejando. Realmente passei a achar que poderia ter condições de realizar o que tanto desejava após ver os relatos da Mari e tirar todas as dúvidas possíveis em seu blog. Como achava meio impossível ir à Tailândia sem um mínimo de 2 anos economizando ,e fiz em 1 ano, quero relatar meu planejamento considerando meu salário que em 2017 era R$ 1.500. A primeira coisa que fiz foi fazer uma tabela com todos os locais que gostaria de ir, depois vi as passagens e procurei alguém pra ir, meu namorado não quis, pois seria um ano complicado pra ele no trabalho, então me programei pra ir só. Moro com meus pais e minha renda é para meus gastos pessoais, isso facilita muito. Pra quem tem família e é responsável pelo seu sustento, a realidade é outra e bem mais difícil –eu sei . Em resumo, minha renda era pra pagar meu curso de inglês, internet e alimentação, conta do celular e poupar. Teria que conseguir economizar R$ 1000,00 por mês pra conseguir viajar em um ano e foi essa minha meta, mas viver com R$ 500,00 seria complicado tendo em vista que só meu inglês era R$ 400,00. Poupei por 3 meses 1000 e vi que seria possível. Sempre fui muito boa em economizar e não gasto dinheiro com coisas superficiais, teria só que apertar mais um pouco as contas e foi o que fiz. Pra continuar o curso de inglês comecei a dar banca para crianças da minha rua e aulas para pessoas que estudavam EAD e tinham dificuldades com o uso do computador, também me voluntariei em uma rádio da cidade que tinha a possibilidade de conseguir patrocínios e ganhar porcentagem, conseguir algumas propagandas e isso deixou que o ano fosse mais tranquilo. Em 12 meses tinha os 10 mil, no meio desse percurso meu namorado resolveu que também conseguiria ir, reservei hotéis e passagens e lá estava eu realizando meu sonho. Não contei meus planos para ninguém, pois achava difícil conseguir em ano, e quando contei minha mãe não acreditou, ora, era Ásia por 1 mês. Além da Tailândia, passei um dia na Alemanha perdidona fazendo turismo e meu maior medo era me perder sem saber falar inglês e não conseguir voltar para o aeroporto, mas fui e fiz um super tour sozinha. Sou tão prolixa, esse texto ficou enorme, mas era pra falar que é possível com foco e determinação, você não precisa ganhar 3, 4 ou 5.000 pra realizar um sonho grandão!
  15. 6 pontos
    Achei da hora sua reflexão. A vida sendo um jogo impossível de se ganhar e nós sempre insatisfeitos - e preocupados. Sabe que foi isso que me motivou a viajar? Eu tenho um problema de visão e nos últimos anos perdi muita acuidade visual. Agora que estou estável quero aproveitar cada instante, estar nos lugares e ver a vida das pessoas, conversar, sentir tudo... e deixar o amanhã pra amanhã, pois o futuro é invencível... Comecei esse ano. Primeira viagem sozinho para Ubatuba em Abril, 4 dias. Mês que vem estarei pela Argentina por VINTE! Sozinho também, pois descobri em mim um grande companheiro! Grande abraço!
  16. 6 pontos
    Oi, meus confrades Mochileiros de todo o Brasil. Pra mim é uma felicidade, uma enorme satisfação tá tendo a vontade de vir aqui novamente fazendo um post de uma aventura. A última vez que fiz isso foi em 2015, quando percorri a Bolívia de norte a sul. Hoje começo mais uma loucura de ir até Portugal e fazer o caminho de Santiago de Compostela...
  17. 6 pontos
    Voltei gente, desculpem a demora rs 2º dia (05/05) - Salar de Uyuni Chegamos em Uyuni às 04h00, estava um frio, mas um frio da peste rsrs, e já tinha pessoas de agências na rua, ao pegar as malas no ônibus, Rafael e Eu notamos uma brasileira que não estava conseguindo pegar o mochilão dela pois havia perdido o ticket de "guarda-volumes", e logo falamos 'deu ruim pra ela', então vimos uma Sra oferendo passeios, mesmo sabendo das mais conhecidas, fomos com ela, afinal, estava um frio que não era possível ficar na rua até às 06h00, ela nos levou para um lugar quente, apresentou o passeio e valores, mas não fechamos nada, então ela nos dispensou hahahaha, então vimos outra pessoa e voltamos a ir para um lugar quente hahaha Quando estavamos chegando nesse lugar, chega quem? A Brasileira que quase ficou sem a mala haha, mulher de Brasília, chamada Fran, super viajava e gente boa, e como ela mesma disse, "vive perdendo as coisas" hahahaha Ok, entramos no local, era um restaurante chamado Breakfast Noñis, que tem com parceiro a empresa Betto Tours, conversamos com a Fran sobre essa agência, ela pegou indicação e nos indicou, perguntamos o preço e decidimos fechar. Então tomamos café da manhã simples (pão, manteiga, geleia, café e chá), conversando o dia foi amanhecendo, e fomos comprar coisas para os 3 dias no Salar de Uyuni e também cambiar dinheiro, infelizmente com a correria do primeiro dia, não consegui cambiar em Sucre, e lá o câmbio era bem melhor, sem dúvidas. A cidadezinha de Uyuni é bem simples, estava tendo feira no dia, e vende diversas coisas, papel higiênico, sabonete, tudo no meio da rua mesmo rs. Comprei água, pacote de bolacha clube social e um salgado na rua, então cambiei dinheiro, voltei para o restaurante e fechei o passeio (tudo incluso, tours de 3 dias, com café da manhã, almoço, janta, dormitório e transfer para Atacama) Partimos por volta das 10h00, e paramos em um hostel para pegar 3 pessoas, uma Holandesa (Danique), e um casal de Australianos (Jamie e sua esposa (esqueci o nome)), todos super gente boa! Eu não falo taaaanto inglês assim, mas deu pra dar boas risadas com eles. Partiuuuuu Uyuni A primeira parada e muito próxima (da pra ir a pé hahaha) é o cemitério de trens, é muito legal gente, coisa simples sabe, mas pelo menos eu não vejo um trem abandonado todo dia hahahaha, tiramos umas fotos e tals, abaixo comento de onde são as fotos, pois quando vai se conhecendo algumas pessoas, acabam que tirando de seus aparelhos e passando depois, mas vou mencionar do meu celular e também da minha SJCAM. Cemitério de trem, valeu a pena!! E alí o clima já é auto astral total, geral curtindo, porra é muito bom mesmo!!! Saudade! Foto da SJCAM: Foto da SJCAM: Foto da câmera da Fran (não lembro qual é, mas é show, e a mulher era bem fotogênica haha) Então, já eram umas 12h30 quando paramos para almoçar. Comemos carne (medo de comer e passar mal, mas estava aparentemente normal rs), alpaca, salada, banana e batata. E após o almoço o Rafael me pergunta: Gosta de whisky Kamilo? Eu: Whisky? Gosto muito hahahahahahah Ele tirou uma garrafa e começamos a beber hahahaha Mas ai fica uma dica, muitas pessoas gostam de beber e tals, e como a altitude é diferente lá, é bom tomar cuidado, mas vamos nessa hahaha Dali partimos realmente para o Uyuni, e é legal por que o carro está andando, e de repente você está em uma imensidão branca, é top demais, que coisa linda, o dia estava um espetáculo, céu azul e um deserto todo branco ao redor, EU ESTAVA NO SALAR DE UYUNI Então paramos no monumento da Bolívia, acho muito bonito, tiramos uma fotos e fomos andando até onde ficam as bandeiras, também super da hora... ali eu me via vendo fotos na internet, é tão bom ter o prazer e conquista de poder admirar certas coisas de perto, fico feliz por mim mesmo, de poder sair do país, ver paisagens, conhecer aventureiros, histórias, ser feliz! Espero que todos vocês possam sentir sensações assim em suas viagens! Foto da SJCAM: Saindo de lá, andamos um caminho e paramos bem no meio do deserto para tirar as famosas fotos clássicas rs, foi uma diversão só, pulando, de ponta cabeça, com dinossauro, em cima do 4x4, a Fran tirou até de biquini hahahahahah Foto da SJCAM: Seguimos viagem para a ilha dos cactos, esse passeio tem que ser paga a parte, mas vale muito a pena, além de ver os cactos bem de perto, eles são conhecidos por crescerem 1 cm por ano, e podem ter altura de 12 mts, é só fazer uma continha rs, e quando você visita essa ilha, pode-se ter uma visão show do Salar, bonito demais. Partimos para ver o pôr do sol e fechar o passeio do dia, e meus amigos, que pôr do sol, OH MY GOD! Como havia dito antes eu estava convicto que não iria pegar o deserto alagado, mas de repente, o carro entra em uma região de água, na hora eu pedi para descer, "Eu quero descer", "Deixa eu descer" hahahahahahah Gente, é sério, ver aquele lugar espelhado é foda demais, aquelas montanhas, o sol caindo, que luz, que vibe. Foto da SJCAM: Foto do meu celular (Moto G4): Então fomos para o hostel, era um hostel de sal, haha bem diferente. Pra variar eu estava com fome rs, antes de tomar banho, jantamos, sopa, frango, salada e batata. Ai fui para o banho, e gente que banho haha, quando eu falo o título do roteiro é porque realmente sou mochileiro pobre louco hahaha, a noite já tinha chego e com ela a baixa da temperatura, e o banho estava muito, mas muito gelado meeeesmo, e o melhor, era 30segs de água quente, e 1min de água fria então pense em um banho kkkkkkk, mas é normal, nesses mochilões não podem exigir ne, estamos ali para isso, é a vida, e isso que causa graça no role e o valor das coisas. Essa noite eu dormi bem, as cobertas que eles oferecem são suficientes, no entanto acordei algumas vezes, pois é tão frio, mas tão frio que só do rosto estar descoberto, você acorda rs, mas ok, vamos nessa... Gastos do dia: Cambiei R$ 800,00 - Cotação 1,55 bols Café da manhã - 15 bols Água (galão de 6lts) - 12 bols Salgado - 3 bols Pacote de clube social - 12 bols Passeio do Uyuni - 750 bols Entrada para ver os cactos - 30 bols Pessoal, ainda hoje posto o dia seguinte!
  18. 6 pontos
    VIAGEM JUNHO/219!!! OLÁ PESSOAL, VOU RESUMIR UMA VIAGEM QUE FIZ DE CAXIAS DO SUL A BARILOCHE E MENDOZA (total 7.500km) FOI EU E MINHA ESPOSA NUMA CAMIONETE FRONTIER DIESEL 4x4. HOTEIS EM BARILOCHE e MENDOZA FIZ DIRETAMENTE PELO SITE DO HOTEL, QUE ESTÃO MAIS EM CONTA QUE RESERVAR PELO BOOKING. O RESTANTE DO PERCUSSO IRIA PARANDO CONFORME CONSEGUIA PERCORRER ANTES DE ANOITECER. NESSA EPOCA O DIA AMANHECE POR VOLTA DAS 9hrs E COMEÇA ESCURECER AS 18hrs. CARTA VERDE C/PORTO SEGURO R$ 124,82 (15 DIAS) SOAPEX QUE FIZ DIRETAMENTE NA ADUANA ARG./CHI R$ 50,00 (10 DIAS QUE É O MINIMO) O RESTANTE DA DOCUMENTAÇÃO SÃO SEMPRE AS MESMAS CNH, CARTEIRA DE MOTORISTA, IDENTIDADE ATUALIZADA (EM NENHUM MOMENTO DA VIAGEM NOS PARARAM OU PEDIRAM A CARTA VERDE E A SOAPEX) MAS VAMOS AO RELATO! 01/06/19 – Caxias a Paso de Los Libres - 749km Saímos as 8:30 e chegamos as 17:30h Diesel S10 Shell/Alegrete R$ 3,80l Pedágio Boa Vista do Sul R$ 7,00 Pedágio Cruzeiro do Sul R$ 7,00 Pedágio Venâncio Aires R$ 7,00 Libres Cambio R$ 1,00 = AR$ 10,00 (único da cidade) Kit Viagem AR$ 1000,00 (extintor, triangulo, cambão, kit 1º socorros e adesivo 110) Hotel Casino Rio Uruguay AR$ 2.500,00 (muito bom!!!) 02/06/19 – Paso de Los Libres a Nueve de Julio - 861km Saímos as 9:00 e chegamos as 19:00h Diesel Infinia 10 YPF/Concepción del Uruguay AR$ 52,72l Pedágio Piedritas AR$ 80,00 Pedágio Yeruá AR$ 80,00 Pedágio Colônia Elía AR$ 80,00 Pedágio Zarate AR$ 100,00 Pedágio Solis AR$ 15,00 Pedágio 9 de Julio AR$ 45,00 Hotel Cla Lauquen AR$ 2.350,00 (bom!!) 03/06/19 – Nueve de Julio a Neuquén - 912km Saímos as 9:00 e chegamos as 20:00h Diesel Infinia 10 YPF/Nueve de Julio AR$ 51,77l Pedágio Trenque Launquen AR$ 70,00 Diesel V-Power Nitro Shell/Chacharramendi AR$ 47,39l Hotel Del Rio Cipolleti AR$ 3.100,00 (Ótimo!!!!) 04/06/19 – Neuquén a Bariloche - 436km Saímos as 9:00 e chegamos as 15:00h Diesel Infinia 10 YPF/Piedra del Águila AR$ 50,21l Hotel Tirol AR$ 14.900,00 p/5 dias (Muito Bom!!!) 05/06/19 – Passeio Circuito de Chico e Cerro Otto - 79km Saímos as 10:00 e chegamos as 15:00 Teleférico Otto (fechado, muito vento) Teleférico La Campiña (fechado, muito vento) Caminhar pela cidade Erni Cambio R$ 1,00 = AR$ 10,30 (melhor cotação que encontrei) 06/06/19 – Passeio Cerro Catedral - 40km (o melhor de todos!!!!) Saímos as 10:00 e chegamos as 18:00 Teleférico p/2 pessoas AR$ 1.250,00 (neve e temperatura 2°) Aluguel de Roupas p/2 pessoas AR$ 1.500,00 (calça, casaco, luvas e botas impermeáveis) 07/06/19 – Passeio 7 lagos/San Martin de Los Andes - 384km Saímos as 10:00 e chegamos as 19:00 Villa La Angostura (muito parecido com Gramado/RS) San Martin de Los Andes (1200 de altitude, neve e temperatura 0°) Diesel Infinia 10 YPF/San Martin de Los Andes AR$ 50,21l 08/06/19 – Passeio Cerro Tronador - 305km Saímos as 10:00 e chegamos as 18:00 Ingresso para o parque p/2 pessoas AR$ 800,00 (40km estrada de chão horrível) 09/06/19 – Bariloche a Buta Ranquil - 665km Saímos as 10:00 e chegamos as 19:30h Diesel Infinia 10 YPF/Bariloche AR$ 50,21l Ruta 40 (paisagens muito bonitas, começa a se ver as cordilheiras com muita neve!!!) Diesel Infinia 10 YPF/Las Lajas AR$ 43,00l Vulcão Tromen Hotel El Porton AR$ 2.000,00 (Razoável!!) 10/06/19 – Buta Ranquil a Mendoza - 648km Saímos as 9:30 e chegamos as 17:00h Ruta 40 de Ranquil del Norte a Bardas Blancas (78km estrada de chão boa, mas muita poeira) Diesel Infinia 10 YPF/Malargüe AR$ 44,45l Hotel Fuente Mayor AR$ 15.000,00 p/5 dias (Muito Bom!!!) 11/06/19 – Passeio Vinícolas (www.busvitivinicola.com) Saímos as 14:15 e chegamos as 19:00 (pelos comentários do pessoal do hotel o dia inteiro é cansativo) Passeio pela cidade de manhã Cambio Express R$ 1,00 = AR$ 10,80 (melhor cotação que encontrei) Ônibus p/2 pessoas AR$ 1.800,00 Bodega Norton p/2 pessoas AR$ 660,00 (visita/degustação, 3 provas) Bodega Renacer p/2 pessoas AR$ 700,00 (visita/degustação, 3 provas) 12/06/19 – Passeio Aconcágua e Caracoles Los Andes - 562km Saímos as 9:00 e chegamos as 20:00 Diesel Infinia 10 YPF/USPALLATA AR$ 48,18l Parque Aconcágua p/2 pessoas AR$ 400,00 (não conseguimos fazer o tour de 2km até o vale, estava nevando muito) Cristo Redentor de Los Andes (10km de estrada de chão, só abre no verão) Túnel das Cordilheiras (5km extensão) Cambio Aduana R$ 1,00 = CH$ 150,00 Ski Portillo (começa a descida de 25km, espetacular!!!) Los Andes (começa o retorno para Mendoza, nessa época a aduana fecha as 19:30h) 13/06/19 – Passeio Vinícolas Saímos as 14:15 e chegamos as 19:00 Passeio pela cidade de manhã Ônibus p/2 pessoas AR$ 1.800,00 Bodega Trapiche p/2 pessoas AR$ 770,00 (visita/degustação, 3 provas) Bodega La Rural p/2 pessoas AR$ 580,00 (visita/degustação, 3 provas) 14/06/19 – Passeio Vinícolas Saímos as 14:15 e chegamos as 19:00 Passeio pela cidade de manhã Ônibus p/2 pessoas AR$ 1.800,00 Bodega Chandon p/2 pessoas AR$ 640,00 (visita/degustação, 3 provas) Bodega Casarena p/2 pessoas AR$ 600,00 (visita/degustação, 4 provas) 15/06/19 – Mendoza a Pozo del Molle - 716km Saímos as 9:30 e chegamos as 18:00h Diesel Infinia 10 YPF/Las Catitas AR$ 46,16l Pedágio La Paz AR$ 80,00 Pedágio Desaguadero AR$ 115,00 Pedágio La Cumbre AR$ 50,00 Pedágio Sampacho AR$ 80,00 Diesel V-Power Nitro Shell/Pozo del Molle AR$ 52,09l Hotel Del Centro AR$ 1.500,00 (Bom!!) 16/06/19 – Mendoza a Paso de Los Libres - 686km Saímos as 9:30 e chegamos as 16:30h Diesel Infinia 10 YPF/El Pingo AR$ 52,72l Pedágio Franck AR$ 80,00 Hotel Casino Rio Uruguay AR$ 2.500,00 (muito bom!!!) 17/06/19 – PASO DE LOS LIBRES a CAXIAS - 748km Saímos as 10:30 e chegamos as 20:00h Diesel S10 Ipiranga/Alegrete R$ 3,50l Pedágio Venâncio Aires R$ 7,00 Pedágio Cruzeiro do Sul R$ 7,00 Pedágio Boa Vista do Sul R$ 7,00 Espero ter ajudado, qualquer dúvida estou à disposição.
  19. 6 pontos
    Salve mochileiros!!!🤙 Aqui de novo pra relatar mais uma viagem, dessa vez pela parte sul da terra do Chaves, Chapolin, Maná, Maria del Barrio, Catrina, mariachis, tequila, mezcal, pimenta, enchiladas, marquesitas, esquites, micheladas e tantas outras cositas más... Os objetivos desse relato são ajudar viajantes a planejar suas viagens, por isso procuro colocar os preços dos passeios, transporte, hospedagens, alguns pontos positivos e negativos de alguma coisa e minhas impressões pessoais; e também documentar minha viagem, como se fosse um diário de bordo, para que daqui a um tempo, quando bater saudade da viagem eu possa voltar aqui e lembrar os lugares onde passei, as coisas que fiz e as pessoas que conheci, por isso costumo colocar nomes das pessoas que conheci pelo caminho. Escrever um relato é também uma forma de agradecer aos que fizeram seus relatos e assim me inspiraram a viajar. Então aqui estou tentando escrever um relato bem detalhado no melhor estilo novela mexicana e contribuir para o crescimento dessa magnífica rede de solidariedade que é o Mochileiros.com ROTEIRO: Ciudad de México, Puebla, Oaxaca, San Cristóbal de Las Casas, Palenque, Valladolid, Bacalar, Tulum, Playa del Carmen, Isla Mujeres e Ciudad de México de novo [emoji28] CUSTO: Não fiz um cálculo certo, mas estimo por volta de 6 mil reais. Claro que isso varia de pessoa pra pessoa. Os gastos com alimentação, bebedeiras e presentinhos/lembranças/quinquilharias são coisas muito pessoais. No relato vou focar mais nos valores dos gastos com hospedagens, passeios, ingressos e transportes que são mais comuns a todo mundo. A passagem BH-CDMX eu comprei ida e volta por 1800 reais e o voo Cancun-CDMX comprei por 190 reais. Esse voo de Cancun pra Cidade do México eu queria comprar pro final da viagem e assim voltar de Cancun já pro Brasil mas os voos na Semana Santa estavam absurdamente caros a partir da quinta-feira então acabei comprando na quarta-feira e alterei meu roteiro que seria ficar os 4 primeiros dias na Cidade do México pra ficar 2 dias no inicio e 2 no final. Levei 4 mil reais que troquei tudo no aeroporto da Cidade do México. Aí você me pergunta: MAS VC LEVOU REAIS PRO MÉXICO??? Sim, e digo que valeu a pena. Por que? As casas de cambio estavam com o dólar em torno de 18 pesos mexicanos e o real entre 4 e 4,20 mas tinha uma casa de câmbio no aeroporto que tava trocando reais a 4,50. Aí foi a felicidade!!! Se você fizer a conta da razão de 18 por 4,50 dá exatamente 4, ou seja, vale levar dólar se você comprar dólar aqui no Brasil a menos de 4 reais, o que ultimamente não era possível. Eu levei também 300 dólares que eu tinha comprado aqui por 4,09. Esses dólares voltaram comigo porque eles foram só por precaução, assim como o cartão do banco pra saque, pois eu ia viajar pelo interior do México e se eu fosse roubado ou meu dinheiro acabasse eu não ia conseguir fazer NADA com reais por lá. O único lugar que vi trocar reais no México é no aeroporto da Cidade do México e eu até achei boa a cotação de 4,50 então se você for levar reais, procure o melhor cambio no aeroporto e troque TUDO lá. Também usei cartão de crédito pra pagar as hospedagens que aceitavam cartão sem adicional por isso e algumas passagens de ônibus também. A cotação no cartão de crédito já com IOF ficou muito perto dos 4,50, geralmente entre 4,45 e 4,48 Vou colocar no relato os valores em pesos mexicanos, pra converter pra real é só dividir por 4,50. Como eu não ia andar o dia todo com o celular na mão fazendo contas (nem você vai fazer enquanto lê) eu dividia por 5 e pensava que era um pouquinho mais do que o resultado. Se algo era 50 pesos, era pouco mais de 10 reais e assim por diante… HOSPEDAGEM: fiquei toda a viagem em hostel, que eu reservava pelo Booking ou Hostelworld, pois se tem uma coisa que não combina comigo é chegar num lugar e ficar caçando onde ficar, gosto de já ir direto ao ponto [emoji38] Então no dia anterior quando eu decidia que realmente ali já deu e tava na hora de partir pra outro lugar eu entrava no app e reservava um hostel na próxima cidade. Ao longo do relato vou dizendo onde fiquei e o que achei. SEGURANÇA: O México parece um pouco com o Brasil, sempre saem notícias de grupo de narcotraficantes tacando o terror em algum lugar, existem sim lugares perigosos...mas pra mim a sensação foi de tranquilidade. Me senti sempre como se eu estivesse na minha cidade, que é uma cidade do interior “relativamente” tranquila. Claro que eu passei pelos pontos mais turísticos e obviamente mais policiados. Creio que você deve andar com a cautela comum que você deve ter em qualquer lugar do mundo, aquela velha história de não ostentar nada e observar ao seu redor. No mais aproveite o México que eu achei bem de boa. CLIMA: Taí uma coisa a ser observada sempre. Uma boa época pode ajudar bastante nos seus planos, então manda um Google no mês que você vai pra saber se não é uma furada. Parece que o pior é a época mais chuvosa entre junho e outubro. Agora em abril tava perfeito. Cidade do México, Puebla e Oaxaca com tempo seco e certo friozinho pela manhã, entre 12 e 15 graus e calor de tarde entre 25 e 30 graus e interessante que nessa região o povo adora um agasalho, tudo bem que até faz um friozinho de manhã mas no calor do meio da tarde eles não tiram o agasalho E adoram vestir um coletinho também[emoji1] Peninsula de Yucatan com o tempo abafado de sempre, temperaturas entre 20 e 30 graus. Vi apenas duas chuvas nesses 22 dias, quase sempre muito ensolarado, é um mês bem aproveitável. 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  20. 6 pontos
    INTRODUÇÃO E PREPARATIVOS para quem quiser, tem a versão mais bonitinha em PDF aqui -> RELATO TRIP - @der_wanderlust .pdf PROMESSA FEITA, PROMESSA CUMPRIDA... Fala galera mochileira e não-mochileira, Depois de ter colocado o pézinho pra fora desse Brasilzão pela primeira vez na vida na minha primeira trip internacional, me sinto na obrigação moral de retribuir a toda ajuda que eu recebi de outros mochileiros que já tinham feito esse rolê antes, e que compartilharam suas experiências de viagem, para que pessoas como eu, que nunca tinham comprado sequer uma passagem aérea antes, pudessem viver uma das experiências mais incríveis da vida: mochilar!!! Então, cumprindo a promessa que fiz antes de viajar, cá estou eu, escrevendo este relato, que também espero que inspire muitas outras pessoas a pegarem sua mochila e partirem pro mundo, porque viajar é preciso!!! RESUMÃO O clássico mochilão pelos três países, 40 dias, desembarcando em Lima, indo pra Ica, Arequipa, acampando com escoteiros do mundo todo em Cusco, depois indo pra Puno, passando por Copacabana, La Paz, fazendo a travessia do Salar do Uyuni e chegando no Atacama e descendo até a capital chilena para pegar o voo de volta para casa. Tudo realizado entre julho e agosto de 2018, rodando mais de 5.000 km, só andando de bus entre cidades (porque pobre tem que fazer o dinheiro render kkkk). E por falar de dinheiro, vamos a parte interessante. João, quanto custou essa brincadeira toda? Pois bem, vamos por partes: Comida, transportes, hospedagens e passeios fora do acampamento (30 dias) R$ 4743 (1000 euros) Lembrancinhas e bugigangas pra família toda R$ 667 (parte em dólar, parte em reais) Passagens Áereas (Londrina-Lima/Santiago-Londrina) R$ 1476 (em reais mesmo) Acampamento em Cusco (10 dias, tudo incluso) R$ 1409 (exclua isso da sua planilha) Chip Internacional EasySIM4U R$ 120 (e ganha 6 revistas super tops) Seguro Viagem (40 dias) R$ 110 (economizei 500 dólares com ele) Excluindo o monte de blusa, chaveiro, cobertor, poncho que eu comprei lá (tudo é muito barato no Peru e na Bolívia), foram R$ 7850 tudinho mesmo. O que mais me pesou foram as passagens aéreas, por eu ter que sair do meu país Londrina-PR (pequena Londres com preços de Suíça), que só tem um aeroporto regional, as passagens saíram uns 300 reais mais caras do que se saísse de Guarulhos, só que ai gastaria com ônibus até São Paulo e no fim das contas daria na mesma. Então, considerando os 30 dias que eu estava na viagem “regular”, ou seja, que eu não estava acampado, minha média foi de R$ 163 por dia (alimentação, passeios, ingressos, hospedagem e transporte). Saiu um pouco caro, mas muito mais barato do que se eu tivesse ido de pacote de agência de viagem que se vende aqui no Brasil. O ROTEIRO O roteiro eu mostro detalhado aí embaixo com o mapa do My Maps (usem o My Maps, é muito bom pra quando você está planejando que lugares quer conhecer, ver quais cidades são próximas, quanto tempo de deslocamento e coisas assim). O roteiro por cidades ficou desse jeito: 20 jun – Londrina/Lima 21 jun – Lima - (City Tour) 22 jun – Lima/Ica - (Miraflores) 23 jun – Paracas/Huacachina - (Reserva Nacional e Islas Ballestas) 24 jun – Arequipa - (City Tour) 25 jun – Arequipa - (Trekking Canion del Colca) 26 jun – Arequipa/Cusco - (Trekking Canion del Colca) 27 jun/05 ago - Acampamento Vale Sagrado 06 ago – Cusco - (Maras e Moray) 07 ago – Cusco - (Dia no Hospital) 08 ago – Cusco/Águas Calientes - (Trilha hidrelétrica) 09 ago – Machu Picchu - (Huayna Picchu) 10 ago – Águas Calientes/Cusco - (Trilha de volta) 11 ago – Cusco - (Montanha Colorida) 12 ago – Cusco - (Laguna Humantay) 13 ago – Cusco/Puno - (Mercado San Pedro) 14 ago – Puno/Copacabana - (Islas Flotantes de Uros) 15 ago – Copacabana/La Paz - (Isla del Sol e Isla de la Luna) 16 ago – La Paz - (City Tour) 17 ago – La Paz - (Downhill Estrada da Morte) 18 ago – La Paz/Uyuni - (Chacaltaya e Vale de la Luna) 19 ago – Uyuni -(Salar 3 dias) 20 ago – Uyuni - (Salar 3 dias) 21 ago – Uyuni/San Pedro de Atacama - (Salar e Vale de la Luna) 22 ago – San Pedro de Atacama - (Lagunas Escondidas e Tour Astronomico) 23 ago – San Pedro de Atacama/Santiago - (Geyseres del Tatio) 24 ago – Santiago - (1700 km rodados pelo Chile) 25 ago – Santiago - (City Tour) 26 ago – Viña del Mar/Valparaíso - (Bate e volta) 27 ago – Santiago - (Cajón del Maipo) 28 ago – Santiago/Londrina Quando eu sai do Brasil, planejava ficar mais dias em Huacachina e menos em Arequipa, planejava fazer o tour do Vale Sagrado Sul em Cusco, assim como outros passeios em San Pedro de Atacama, mas como não viajei com o roteiro amarrado, ou seja, não tinha comprado passagem de bus nenhuma, nem reservado passeios ou hostels (exceto por Machu Picchu), pude muda-lo na hora, seja por amizades que fiz no caminho, ou por perrengues como o dia 07/08 que eu passei no hospital (isso eu conto depois). Por isso eu não recomendo comprar nada daqui do Brasil, nem reservar passeios, nem passagens de ônibus, nem hospedagem, tudo você consegue lá na hora, pechinchando e barganhando, assim você consegue preços melhores e não fica com o roteiro amarrado, você tem mais flexibilidade caso mude de ideia ou aconteça alguma coisa. Não tem segredo, tem que pesquisar, na internet, em blogs de viagens, no Mochileiros.com, em relatos de quem já foi, no meu caso, peguei um roteiro de 20 dias num blog, e fui adaptando, adicionando cidades e passeios, vendo os ônibus e hostels que eu poderia usar. Para os passeios, eu procurava nos relatos do Mochileiros.com e via as agências que a galera recomendava e já ia anotando o nome e o preço que pagaram pelos passeios. Para a hospedagem, eu procurava no Booking.com o nome da cidade, ordenava pelo menor preço, e ia vendo as avaliações da galera, se tinham curtido o lugar, mas sem reservar nada, só anotava o nome, o preço da diária, e quando chegava na cidade, ia direto nele (muitas vezes reservava o hostel pelo Booking quando chegava na cidade, pra não ter que pagar em caso de cancelamento). Para os transportes entre cidades, procurava no Rome2Rio as empresas que faziam o trajeto, o preço médio das passagens e já deixava anotado, mas também comprava só quando chegava na cidade, teve alguns que deixei pra comprar no dia da viagem mesmo. Para a alimentação, era na raça mesmo, perguntava para os locais mesmo onde tinha lugar bom e barato para comer, mas para planejamento, calculava R$ 40,00 por dia com comida. Tinha vez que gastava R$ 10,00, tinha dia que gastava R$ 50,00, mas fome não passava kkk. QUANTO LEVAR? Depois de definir o roteiro, ia anotando numa planilha no Excel mesmo, o roteiro por dia, os preços médios dos passeios, dos ônibus, das hospedagens, mais uns R$ 40,00 por dia pra comer, somei tudo e levei uns 20% a mais, só pra garantir. Funcionou bem, pelas minhas contas, eu precisava levar 1400 euros, trouxe 400 de volta, que já estão guardados para a próxima trip. Mas ainda levei meu cartão de crédito internacional, já desbloqueado para operações no exterior, só para uma possível emergência. Felizmente não precisei usá-lo. PREPARATIVOS Passagens Aéreas As duas piores partes da viagem são: comprar passagens aéreas e comprar moeda estrangeira, porque independentemente do quanto você pesquisa, parece que sempre você tá perdendo dinheiro. As passagens eu recomendo comprar uns 4 ou 5 meses antes da viagem. As minhas, comecei a procurar em janeiro, comprei em março, pra uma viagem para julho. Como eu tinha definido o roteiro primeiro, sabia que queria chegar por Lima e sair por Santiago, então procurava em todos os sites de busca possível na vida. Usei a opção “Múltiplos Destinos” ou “Várias Cidades”, passagens Londrina-Lima (20/07) e Santiago-Londrina (27/08), o Skyscanner tinha os melhores preços, mas ainda assim estava meio caro (R$1600). No site da Latam, Avianca, tudo acima de R$1800. Aí por acaso eu fui andar no centro da cidade um dia e passei em frente a agência da CVC, estava com sede, aí pensei, vou entrar, fingir que quero um orçamento e tomar uma água né? Tinha certeza que na agência de turismo seria o lugar mais caro. A atendente fez a busca no sistema dela, aí me disse: “R$ 1500 e pouco com bagagem despachada”, e eu: “como assim???? Mais barato que no site da Latam”. Acabei comprando lá, e como paguei a vista, teve um descontinho lá e saiu por R$1476 (comprei a passagem em março, minha viagem era em julho). Depois, de vez em quando eu olhava nos sites de busca e o preço não abaixava mais, então acredito que peguei a passagem com o preço mais barato possível kkk. A única coisa, é que em junho, a Latam trocou as escalas do meu voo de volta, ai a CVC me ligou para avisar que se eu voltasse no dia 27/08, teria uma escala noturna gigante no Rio de Janeiro, e acabaria chegando no dia 28/08, então ela me propôs voltar dia 28/08 num voo que eu pegaria escalas menores e chegaria no mesmo dia. Aceitei, o que foi a melhor coisa, porque ganhei um dia extra no fim da viagem. Chip Internacional Vou ser bem sincero, eu queria muito não ter comprado, mas como estava com tudo sem reservar, não conhecia nada, e queria dar um up no meu Instagram, fazer uns stories legais e postar tudo (pobre quando viaja tem que mostrar pra meio mundo, né?), e ainda por cima apareceu uma promoção da Revista Aprendiz de Viajante, que na compra de 6 revistas por R$ 120,00, de brinde ganhava um chip da EasySIM4U, com 4G ilimitado por 30 dias em todos os países, acabei comprando, não me arrependo, a internet funcionou muito bem mesmo, nas cidades, em alguns passeios, até em Machu Picchu funcionava, só no Salar do Uyuni que não tinha sinal nenhum. Também é possível comprar os chips nos países, não custa caro, mas tem que por crédito, troca o número, e tem franquia limitada, além de trocar o chip sempre que troca de país. Esse chip internacional funcionou nos 3 países, mas não servia pra ligações, apenas dados móveis. Além disso, como viagem era de 39 dias, e o chip só funcionaria por 30 dias, coloquei sua data de ativação para a partir do 9° dia, assim teria internet nos últimos 30 dias. Nos primeiros dias teria que me virar pedindo “la contraseña del wifi”. Usar chip brasileiro no exterior é pedir para pagar absurdos no fim do mês. Moeda Estrangeira Essa parte é com certeza a mais complicada, como levar dinheiro para a viagem? Reais, dólar, euro, cartão internacional, tele sena? Primeiramente, o cartão, mesmo sendo mais seguro, cobrava muitas taxas, fora os impostos que eram altíssimos para uso no exterior, além disso, muitos lugares não aceitam, então já risquei da minha lista. Bem, a moeda do Peru é o Novo Sol (S/)(PEN), da Bolívia é o Boliviano (Bs.)(BOB), e do Chile é o Peso Chileno ($)(CLP), por serem moedas “fracas”, suas cotações para compra no Brasil são as piores, então, ou compre dólar/euro no Brasil para trocar lá, ou leve real e troque lá. No meu caso, depois de muitas contas, cheguei à conclusão de que compensaria levar dólar ou euro, ao invés de reais. Para saber se compensa é só usar a formulinha que eu desenvolvi kkk (Quanto consigo em Soles levando Dólares) / (Quanto consigo em Soles levando Reais * Preço do Dólar em Reais) Se essa conta for maior do que 1, leve dólar, caso contrário, leve reais. Essa fórmula serve para todas as outras moedas, substituindo Soles por Bolivianos, Pesos, ou qualquer outra moeda fraca. Também pode ser substituído o Dólar por Euro, ou Libra, ou outra moeda forte. País Peru Bolívia Chile Real 0,77 PEN 1,65 BOB 152 CLP Euro 3,80 PEN 8,00 BOB 753 CLP Dólar 3,25 PEN 6,90 BOB 650 CLP As cotações estavam assim, então preferi comprar euros. No Banco do Brasil a cotação estava melhor que nas casas de câmbio, e para funcionários, não é cobrada a taxa de operação, então se você tem algum parente ou conhecido que trabalhe lá...#ficaadica. Enfim, comprei 1400 euros por R$4,72 para levar, depois comprei mais 250 dólares por R$4,04, e na véspera, minha tia ainda me deu mais R$300 para comprar um poncho de lhama kkk. Toda essa grana devidamente guardada num saquinho de plástico com um papelão no meio para não amassar, dentro de uma doleira que eu usava amarrada na coxa (na cintura é muito manjada) por baixo da calça, com medo de alguém roubar aquilo assim que eu saísse do aeroporto. Importante, não dobrar as notas de dólar ou euro, lá eles são bem chatos com isso. Voltei para casa com R$200,00, 400 euros e 20 dólares. Seguro Viagem Aproveitei a Black Friday de 2017 e comprei o seguro viagem da Allianz Mondial, por R$109, plano América do Sul Standart, para 30 dias, estava com 50% OFF. Aí, em março, quando comprei a passagem para mais de 30 dias, liguei lá, expliquei a situação, aí cancelaram minha apólice, devolveram todo meu dinheiro, e fizeram uma nova apólice de 40 dias por R$110, pasmem. E pelo menos no meu caso, não foi um gasto, foi um investimento muito bem usado. Certificado Internacional de Vacinação Essa porc%#** desse certificado, teoricamente é obrigatório para entrar na Bolívia ou Amazônia Peruana, aí todo mundo se mata pra conseguir, tendo que ir em algum posto da ANVISA para tirar (é de graça), aí chega na hora da viagem e ninguém nem pede (ninguém me pediu). Mas é a famosa Lei de Murphy, se você viajar sem, tenha certeza de que te pedirão, então não arrisque, procure onde é o posto da ANVISA mais próximo da sua casa e faça esse certificado. Ingresso para Machu Picchu O famoso ingresso, como eu ia na alta temporada (junho a agosto) e queria subir a Huayna Picchu (aquela montanha que aparece no fundo de MP), tive que comprar o ingresso em abril para poder subir em agosto. Caso você não queira subir nenhuma montanha ou vá na baixa temporada, não precisa de tanta antecipação. O acesso ao parque é limitado a 2000 pessoas por dia. Pedi para um guia turístico que mora em Cusco que conheci num grupo de viagens do Whatsapp, para que ele comprasse para mim, para que eu conseguisse o desconto de estudante. Mandei foto da minha carteirinha (ISIC e normal) e ele conseguiu comprar com desconto, de 200 soles, paguei 125. Mas caso você não tenha carteirinha, pode comprar pelo site oficial http://www.machupicchu.gob.pe/, ou pode deixar para comprar lá em Cusco mesmo. Mochilas De bagagem de mão, eu levei uma mochila de ataque de 30 L daquelas da Decathlon (comprem essas coisas na Decathlon que é top e barato), com uma pastinha com o passaporte, certificado de vacinação, passagens aéreas e minha caderneta de anotações. Já pra despachar foram: uma cargueira de 85 L da Conquista que eu já tinha há anos, com praticamente tudo dentro, além de um saco de dormir para -15° (emprestado de um amigo), um isolante térmico inflável (também da Decathlon e também emprestado de um amigo) e minha barraca Azteq Katmandu 2/3. Para não despachar esse monte de coisa amarrado e correr o risco de perder tudo ou alguém enfiar drogas na minha mochila cheia de zíperes (minha mãe assiste aquelas séries de aeroportos no NetGeo e ficou morrendo de medo kkk), eu pedi pra um amigo que trabalha com tapeçaria e ele costurou um saco para colocar tudo dentro e com um zíper só para poder passar um cadeado e deixar a mãe tranquila (ficou parecido com uma bolsa de academia). O que levar? Para detalhar melhor, tá aí uma lista completinha de tudo que eu levei: · 1 bota impermeável (Yellow Boot Timberland), 1 tênis (All Star velho), 1 par de chinelos e 1 par de alpargatas. · 2 toalhas de banho (1 normal e 1 daquelas da Decathlon que seca rápido) e 1 toalha de rosto, Kit banho (shampoo, condicionador, sabonete e bucha). · 1 estojo (pasta, escova, fio dental, desodorante, perfume, repelente). · Hidratante e protetor labial (levem, senão a boca e o rosto de vocês esfarelam no deserto). · 4 calças (2 jeans, 1 de sarja com elástico e 1 de moletom) e 2 bermudas (1 jeans e 1 de praia). · 8 camisetas. · 12 cuecas e 7 pares de meia. · 2 camisetas segunda pele. · 3 blusas (2 de lã e 1 de moletom). · 1 casaco impermeável corta-vento (R$199 na Decathlon, melhor investimento). · Pacote de lenços umedecidos. · Remédios usuais (antialérgico, sal de fruta, band-aid, para dor de garganta, Dramin) · Pasta com os documentos. · Doleira com a grana (dólar e euro). · Carteira com a grana trocada, cartão de crédito internacional para emergências, carteirinha de estudante. · Celular, carregador, fones de ouvido, bateria extra, adaptador. · 2 cadeados e algumas sacolinhas plásticas. · Caderneta e caneta. · 1 óculos de sol e relógio de pulso. · 1 rolo de papel higiênico. · 1 pacote de paçoca rolha e 1 saco de bala de banana (pra fazer a alegria da gringaiada). Me arrependi de levar tantas blusas porque lá acabei comprando mais (Mercado São Pedro em Cusco é sucesso), luvas, toucas e cachecóis não compensa levar daqui, porque lá tem mais bonitos e mais baratos. Devia ter levado e acabei me esquecendo, protetor solar, lá é caríssimo, aí tinha que ficar pedindo emprestado pros outros, e não esqueçam que nos Andes o Sol é mais forte, fora o vento e a secura do ar, então levem creme, hidratante para o rosto e lábios porque vão usar e muito! DIÁRIO DE BORDO Nos capítulos seguintes, vou contar como que foram os passeios, dia por dia, tentei lembrar e ser o mais fiel possível com todos os fatos passados, contando os perrengues, minhas impressões, também tentei contar tudo do modo mais descontraído que eu consigo ser (uiii ele é superdescontraído ele hehe). Coloquei algumas fotos para tentar ilustrar o que eu vivi, os lugares por onde passei, a grande maioria delas foi tirada do meu celular mesmo, como não tenho câmeras profissionais, nem GoPro, tive que me virar nos trinta com meu Galaxy S7 Edge, mas felizmente, a câmera dele é bem razoável, algumas poucas fotos, lá na parte do Atacama, foram tiradas com um iPhone X de um desconhecido que eu pedi para tirar do celular dele, porque o meu estava sem bateria e ele me mandou pelo Whatsapp depois. O relato em si acabou ficando mais longo do que o planejado, então, caso você não esteja com muita paciência para ler tudo, ou queira só um resumo, no final de cada dia eu coloquei um quadrado cinza com todos meus gastos diários, nome das empresas de bus, de algumas agências, dos hostels onde fiquei hospedado. Além disso, coloquei também algumas caixas coloridas com informações importantes em destaque, deem uma olhada nelas. Do mais, é isso, espero que curtam, e qualquer coisa, pergunta, dúvida, me chamem no Instagram @der_wanderlust que eu respondo com o maior prazer. Bora lá!!!
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    20/02 Para os três dias seguintes, optei por contratar um pacote de viagens com a empresa “Info de Ushuaia”. Paguei cerca de R$ 1000,00, individual, pelos três dias full de passeios. Nesse primeiro dia, logo pela manhã fomos até ao Parque do Fim do Mundo, com passeio pelo Trem do Fim do Mundo. Não desembolsamos mais nada, se não me falhe a memória. Renderam algumas fotos.. o passeio é monótono também. Cansa, mas a vista compensa. Depois, rodamos no ônibus em outros pontos turísticos. Fui sozinho, pois a chuva deu uma apertada. Prejudicou até o uso da câmera.. molhava a lente e era horrível pra limpar depois. Ai tirei umas pelo celular. Fomos até a Bahia Lapataia, ao lago Acigami e, por ultimo, na “agencia” dos correios do fim do mundo – aqui, vários brasileiros de moto chegando no local. Finalizamos pela manhã o passeio e fizemos uma rápida refeição no local chamado “MARCOPOLLO FREE LIFE”. Local barato, de comida leve. Depois, começaríamos talvez o passeio que mais me chamaria a atenção, porém o tempo não deu a devida colaboração. Por volta das 15h, entramos num catamarã rumo as Islas Lobo, Pajaro e Tierra del Fuego, além do farol do fim do mundo. Durou umas 04 horas de passeio e, mesmo com chuva, foi sensacional. Um frio de rasgar, ventando muito, mas o contato com a natureza daquele lugar foi top. Leões marinhos, aves nativas da região, pinguins e até uma baleia que deu o ar da graça bem próximo à orla, navegando lentamente há menos de 100 metros da embarcação. Mesmo com o mau tempo, iria de novo sem problema. Apreciamos tudo que pudemos. Ao desembarcarmos, fomos até a lanchonete MARCOPOLLO novamente. Preço bom, comida boa.. melhor alternativa hehe. Fizemos a janta por lá mesmo, e depois fomos para o hotel por volta das 21h30min. Pinguins de Madagascar? Intruso Kattegat ao fundo.
  22. 6 pontos
    Olá Mochileiros!!!!! Após alguns meses vou relatar meu mochilão..... Sempre quis viajar sozinha, fazer um mochilão e finalmente tive coragem e dinheiro . Ano novo VIDA NOVA.....conversando com minha amiga Debora s2 pensei Por que não ir!!! Comecei a procurar relatos aqui no mochileiros, e no Google e achei vários relatos maravilhoso, todos detalhados.... Rodrigo Vix melhor relato ever!!! TEMOS UM GRUPO NO WHAT´s (e a maioria virou amigo) que acompanhou meu mochilão ao vivo praticamente, todos os meus perrengues, choros, risadas, fotos, desafios!! não seria ninguém se não fosse o Márcio e o Leo ao me colocarem nesse grupo do zap....... obrigada!!!!! A minha mamis que cuidou do meu pequeno para eu fazer essa loucura!!!! Bom vamos começar.... Viajar sozinha - é difícil, não é fácil mas apenas VÁ!!!!! Você nunca fica sozinho, sempre tem alguém para te fazer companhia, sempre tem um brasileiro (encontrei poucos na minha viagem mas esses poucos fizeram toda a diferença), nunca fale para taxista ou pessoas que está sozinha, diga que tem alguém te esperando no hostel ou que irá chegar mais tarde. em Lima e Cusco a primeira coisa que os taxistas perguntam é se você está sozinha, se tem marido ou namorado. diga que sim..... não sabemos o que eles podem fazer. Vacina FEBRE AMARELA: É obrigatória!!!!! Pessoal li em relatos que a galera teve que voltar pois não tinha a vacina, Não custa NADA, NÂO Dói, então tomem! Muitos dizem que chega na fronteira os policiais não pedem mas até ai pode ter sido sorte! Em fevereiro por conta da "epidemia! de ZIKA e DENGUE aqui no Brasil eles estavam olhando todas as carteirinhas, Vá ao posto de saúde, depois é so ir em algum posto para pegar o certificado internacional! link da ANVISA http://portal.anvisa.gov.br/noticias/-/asset_publisher/FXrpx9qY7FbU/content/quais-paises-exigem-vacina-de-febre-amarela-/219201?inheritRedirect=false Passaporte : Quem não tem ok pode ir somente com o RG pois os países do Mercosul (link http://www.brasil.gov.br/turismo/2012/04/mercosul-com-rg) não precisa apresentar o passaporte ..... Mas nada como colecionar os carimbos no seu passaporte ...... saber o idioma - Não se preocupe, mimica, apontar e falar devagar ajuda muito Seguro Viagem: FAÇAM! tem da Mondial, tem dos bancos, tem de vários jeitos e formar ...... Relatos da galera do grupo que passaram mal e utilizaram.... Eu não usei mas fiz pela Mondial, liguei lá pois no site não tinha promoção, paguei R$ 169 para 23 dias nos 3 países. Esse seguro não é só para quem passa mal, ele cobre várias coias como por exemplo perda de mochila , dinheiro - Eu levei apenas real..... na época o dólar estava $3,45, não valia a pena.... tem muitos relatos, fóruns (inclusive eu fiz um) e não me ajudou kkkkkkkkk, perder todos irão perder, ninguém sai ganhando..... então faça a conta.... e se valer a pena leve dólar se não leve real.... troquei com facilidade em todas as cidades grandes e com bom cambio.... apenas em Arequipa pagaram uma merreca e em Huaraz não trocavam então troquem sempre nas cidades grandes ou em aeroporto.... Levei R$ 5 mil em notas de 50, separei por bolinhos de mil.... deixei na doleira.... (horrível de levar no corpo então deixei dentro da mochila de ataque e fui com uma bolsinha de lado e deixava o dinheiro que iria usar no dia ali.... a doleira, a mochila de ataque ficava com cadeado e sempre comigo ou dentro de um locker (locker é um cofre grande que cabe um mochila ) . Onde comprar a doleira - 25 de março, revista da avon, decathlon, sites de vendas. Tomadas e voltagem : A maioria das tomadas pelo mundo é diferente, lá é a tomada de dois pinos ( igual a do celular) então se não for levar nada que tenha 3 pinos , não precisa levar adaptador.... Eu levei uma extensão que foi muito util pois em alguns hostel (quase todos ) tem poucas tomadas então minha extensão tinha 3 entradas para meu celular e minha maquina e um adaptador se precisasse e claro pra quem estivesse no quarto também poderia compartilhar. Levei meu SECADOR Siiiiiiiiiiiiiiim, por que odeio ficar com o cabelo molhado comprei um secador bivolt nas lojas americanas, pequeno , lindo compacto por R$70. (marca PHILCO). Internet : Eu usei apenas o WIFI dos restaurantes e hostel..... queria me desligar, então avisava quando tinha.... mas quem quiser compra o chip eles vendem, com pacote de dados e precisa do RG ou passaporte..... Roteiro... O roteiro eu copiei quase tudo do Rodrigo Vix e 3 dias antes eu li o relato da Mariana que tinha ido para Huaraz (foi ai que tudo mudou kkkkkk), mas chegando lá deixei de fazer alguns lugares para conhecer outros que achei mais interessante . A chegada por Santa Cruz de la Sierra, seguindo pra Uyuni, depois Atacama, subindo pro Peru e fechando a volta até La Paz. Sobre a altitude: não senti os efeitos, no primeiro dia no UYUNI eu tomei o chá de soroche e tomei apenas um soroche pills, Levei NEOSALDINA e tomei quando sentia dor de cabeça, bebi muita água (não muita pois nos 3 dias de UYUNI não tem banheiro toda hora ahah ), não corram, não ande rápido, vá no seu tempo..... que esperem você chegar o que faz passar mal é a falta de oxigenação no cérebro por isso passamos mal. Quase 4.500 km rodados em 23 dias, de ônibus, Van, a pé...de táxi e avião Roteiro por dia..... 25/02 - SP - SUCRE - STL 26/02 - UYUNI 27/02 - UYUNI 28/02 - UYUNI/ATACAMA 01/03 - ATACAMA 02/03 - ATACAMA - CALAMA (21:30h saída) 03/03 - ARICA -TACNA-AREQUIPA (viajando) 04/03 - viajando - ICA (HUACACHINA) 05/03 - PARACAS - LIMA 06/03 - LIMA - HUARAZ 07/03 - HUARAZ 08/03 - LIMA - CUSCO (24h viajando) 09/03 - VIAJANDO 10/03 - CUSCO 11/03 - VALE SAGRADO (CUSCO) 12/03 - HIDROELTRICA (PARA ÁGUAS CALIENTES) 13/03 - MACHU PICCHU 14/03 - HIDROELÉTRICA - CUSCO 15/03 PUNO - COPACABANA - LA PAZ 16/03 - LA PAZ 17/03 - DOWHILL (LA PAZ) - STL 18/03 - RETORNO A SP Passagens: Comprei minha passagem pela GOL , Ida e volta por Santa Cruz de la Sierra .... saindo de GRU dica 1 - Se eu soubesse teria comprado ida por STL e a volta por la paz (a GOL não tem voos que fazem esse trecho ) mas poderia ter feito por outra companhia. As pessoas acham que comprando os voos mais baratos vão sair ganhando mas acabei gastando com passagem de STL a Sucre ( R$ 170 ) e mais R$ 35 de bus de SUCRE ao Salar do Uyuni e na volta acabei comprando a passagem de La Paz para STL..... pois não iria ter tempo de fazer o dohwill =/ Sobre as taxas que o pessoal sempre tem duvidas, eu paguei a taxa do aeroporto da Bolívia com a passagem, estava descrito no meu voucher. Dica 2 - Pense no seu roteiro.... muitas pessoas compram passagem para Santiago para ir até o Atacama e depois subir para La Paz pu Cusco (vejam a distancia mais de 1000 km) ou você terá que comprar uma passagem aérea para fazer esse trecho ou ir de bus (24h). Sobre as Roupas Comprei minha mochila na Decathon 50 litros ..... link: http://www.decathlon.com.br/trilha-e-trekking/mochilas-de-trekking-de-varios-dias/mochilas-de-50-a-90-litros/mochila-de-trekking-forclaz-50-litros-feminina-quechua?skuId=2021263 Ela foi perfeita..... Perfeita para um mochilão pois não é tão grande nem pequena, a quantidade de roupa que você vai precisar não é muita pois em todos os países tem lavanderia. Lavam e passam a roupa, eles cobram por peso. Lavei 3 kg de roupa em Cusco após 15 dias de viagem paguei 6 soles. Levei a minha mochila de ataque também ( A que eu uso para levar meu note no trabalho kkkkk). Comprei também a capa para a mochila na decathlon... peguei muita chuva ahahahha SIM, mas ela protege muito quando você despacha ela no aeroporto e no bus.... ela protege bem! As bandeirinhas dos países comprei no mercado livre...... mas lá tem para vender.... Minha bota também comprei na Decathlon em promoção..... da Quechua paguei R$159. quentinha , a prova ´d'água (claro que não afoguei minha bota) mas ela serviu e não estrago, está pronta para a próxima trilha. lista do que levei: -passaporte -carteirinha de vacina -RG -xerox do seguro viagem -xerox das passagens -caderno de anotações/caneta -mini pasta para documentos -doleira -capa de chuva - celular - carregador de celular - maquina fotográfica Cannon / carregador / cartão de memoria -remédios (NEOSALDINA, POLARAMINE, DORFLEX, POMADA NEBACETIN, REMÉDIO PRA DOR DE ESTOMAGO) -repelente -protetor solar -óculos de sol -cadeado para a mochila e para o locker -creme para o corpo -pasta de dente/escova de dente/escova de cabelo -sabonete/shampoo/condicionador/desodorante/perfume -LENÇO UMEDECIDO ------- SEU MELHOR AMIGO!!! -Papel higiênico -pinça/lixa de unha -biquini - 14 calcinhas - 2 sutiã - 1 blusa de frio básica - 3 calça leggin - 1 shorts jeans - luva/lenço/toca (mas acabei comprando lá pois é mega barato) - 10 meias (la vende meias quentinhas) - chinelo - bota -rasteirinha -jaqueta corta vento (A jaqueta corta vento ela também é hemipermeável, comprei na decathlon para ir nas cataratas em 2009). - 5 blusinhas básicas - 1 FLEECE - A minha comprei na loja....por R$29,99 não achei no site ela mas segue o link para que possam ver como ela é..... http://www.decathlon.com.br/search/dept/roupas-femininas-de-trilha-e-trekking/fleece%20femo - 1 toalha de banho http://www.decathlon.com.br/fitness/bolsas-e-acessorios/outros-acessorios/toalha-fitness-feminino-rosa - 1 canga (para Paracas) Cheguei lá e comprei blusa... lá é tudo muito barato , pois na Bolívia o real vale o dobro kkkkkkkkk Sobre o Frio .... Faz muito frio a noite, na época que eu fui Fevereiro e Março estava chovendo muito, muito mesmo..... peguei neve no SAlar e na fronteira do Atacama, Choveu no Deserto do Atacama, perdi o tour astronômico (Que não é feito em dia de lua cheia por causa da luminosidade ) mas eu perdi por conta da chuva..... Mas peguei um lindo Arco Iris. "Provavelmente nunca serei rica, mas sempre terei as minhas lembranças e é isso que importa. Alguns dias são mais difíceis que os outros , mas de vez em quando aparece um arco-íris para lembrar que sempre há um pote de ouro , nem que seja um pote cheio de sonhos e esperanças de que dias melhores sempre virão ! E ele sempre vem" Borá para a viagem mais louca da minha vida!!!
  23. 6 pontos
    Parte 8 - O anjo do carro vermelho "Qual é a sua estrada, homem? - a estrada do místico, a estrada do louco, a estrada do arco-íris, a estrada dos peixes, qualquer estrada... Há sempre uma estrada em qualquer lugar, para qualquer pessoa, em qualquer circunstância. Como, onde, por quê?" On the Road, Jack Kerouac Conversamos com os caminhoneiros parados, nenhum sucesso. Fomos para a saída do posto da YPF, por ali erguemos o dedão e ficamos. Era um domingo bem cedo em Puerto Madryn, quase não havia fluxo de carros e caminhões. Estávamos animados e nos divertíamos ali na estrada. Os minutos passavam e o que eu mais via eram motoqueiros viajando no sentido contrário. Possivelmente, eles estavam voltando de Ushuaia. Caminhamos um pouco mais avante, quem sabe não daria sorte um novo lugar. Depois de mais alguns minutos um ônibus vazio passou por nós, ergui o dedão com um sorriso no rosto. O ônibus parou e o motorista nos convidou a subir. Foto 8.1 - Tentando carona na Ruta 3 na saída de Puerto Madryn José, o motorista, nos avisou que iria até Trelew, uma cidade vizinha a quase 70km ao sul de Puerto Madryn. Sentamos no ônibus vazio. José logo passou seu tereré com suco de laranja. Caralho, como estava bom aquele tereré. Logo ele nos explicou que estava indo buscar os engenheiros da Aluar que vivem em Trelew para um dia mais de trabalho. A Aluar é uma empresa de alumínio argentina, sua filial em Puerto Madryn é a principal geradora de empregos da cidade. Ele falou que é prestador de serviço da Aluar e os seus dois ônibus trabalham diariamente na rota Puerto Madryn/Trelew transportando os funcionários da empresa. Foto 8.2 - A visão do Matheus no ônibus O José é um cara bacana demais. Como eu gostei dele, sei lá, ele transmite uma buena onda. Ele já foi caminhoneiro por muitos anos, morou no Paraguai e Itália, e conhecia a Argentina toda. O tereré era herança dos seus dias de Paraguai. Ele gostava de falar sobre o vento patagônico, dizia "Aqui venta forte 330 dias por ano". O vento de Puerto Madryn era forte até, mas me abstenho de falar dos ventos por enquanto. Toda vez que José falava, ele falava sorrindo. Ele começou a nos contar sobre os dinossauros da Patagônia. Disse que os maiores dinossauros que existiram viveram pelas terras patagônicas. Enfim, a Patagônia é a terra dos gigantes, primeiro os dinossauros gigantes e depois os homens gigantes que assustaram Fernão de Magalhães. Falava com orgulho dos dinossauros, disse para visitarmos o Museu Paleontológico de Trelew. Quase na chegada de Trelew tem uma estátua de tamanho real de um Titanossauro, o maior dinossauro de que se tem notícia, com mais de 20 metros de altura e 40 metros de largura. José parou o ônibus para que pudéssemos conhecer o maior dinossauro já descoberto. Foto 8.3 - Titanossauro Foto 8.4 - Titanossauro por outro ângulo (Não ter ninguém ao lado do Titanossauro não dá a noção exata do seu tamanho gigantesco) Depois seguimos viagem até chegarmos em Trelew. Já era quase a hora dele recolher os funcionários e voltar para Puerto Madryn. Mesmo assim, o José cortou toda a cidade e nos deixou no posto da Axion na saída para Comodoro Rivadavia. A porta do busão se abriu, nos despedimos do José com um abraço. Pulamos para a fora do ônibus, com uma buzinada o José se despediu pela última vez. Foto 8.5 - Eu, Matheus e o José O tempo com o José foi curto, não mais que uma hora e meia, mas foi daqueles momentos que depois que passam você diz "Mano, que cara gente boa da porra!". Não bastou ele dar uma carona pra gente, ele desviou o caminho para conhecermos o Titanossauro, depois foi até a saída da cidade para facilitar a nossa vida. Tenho quase certeza que ele chegou atrasado para buscar os funcionários da Aluar. Sabendo disso as atitudes dele se tornam muito mais especiais para mim. O objetivo agora era conseguir uma carona para a próxima cidade que era Comodoro Rivadavia, distante a 400km de Trelew. Começamos pelo começo e fomos conversar com os caminhoneiros que estavam estacionados no posto. Algumas boas conversas surgiram disso, mas nenhum êxito em relação a carona. Fomos para a saída do posto e ali começamos o revezamento de dedões erguidos. Meia hora cada um a beira pista. Só tinha nós pedindo carona. A rodovia estava meio deserta. Os poucos carros que passavam, paravam logo adiante num campeonato de futebol infantil que estava tendo naquela tarde. Eu tinha certeza que um carro vermelho nos daria carona naquele dia e repetia isso toda hora. Foto 8.6 - As mochilas na saída do posto da Axion em Trelew Nessa tarde começamos elaborar algumas teorias sobre as caronas para passar o tempo na beira da estrada. A primeira delas é que toda pessoa que não pode mesmo dar carona faz questão de expor isso de alguma forma, acho que isso alivia um pouco a consciência. Tipo uma pessoa com carro cheio faz o gesto com a mão que está cheio ou uma pessoa que vai parar logo adiante indica com o dedo que vai parar logo ali. Ninguém tem obrigação de parar o carro, mas ver pessoas precisando de ajuda e saber que não pode mesmo ajudar deve fazer bem para o ego, mesmo não tendo a intenção de ajudar se pudesse. Já as pessoas que realmente poderiam dar carona e não tem a intenção de dar evitam olhar para os pedintes de beira de pista. A segunda teoria boba que elaboramos é que caminhonetes nunca param para caroneiros. Depois fizemos uma lista de tipo de carros que eram mais propícios a parar, mas para mim, desde a Península Valdés, que eu tinha certeza que algum carro vermelho nos salvaria. Elaborar essas bobeiras e conversar sobre elas faziam a longa espera ser mais leve na quente Trelew. As horas passavam. O dia era muito quente, quem não estava pedindo carona ficava dentro do posto se escondendo do sol e tentando a abordagem direta. Esse dia era o dia da final entre River x Boca em Madrid. O posto começou a se encher de torcedores dos dois times. Pensei por um momento abortar a tentativa de carona, por um tempinho, para ver o jogo, mas decidimos melhor continuar. De vez em quando eu ia espiar o placar. Na hora do jogo a deserta pista ficou mais deserta ainda. Raramente, passava alguém pela Ruta 3. No máximo algumas pessoas correndo ou pedalando. Aliás, toda pessoa que passava por nós dizia "Suerte", era bem bom ouvir isso. Todo carro que erguíamos o dedão, ao saber que o carro não pararia, cumprimentávamos o motorista com um sinal de mão. Essa era outra forma de deixar mais leve as horas pedindo carona. Já estávamos torrados de sol. Nesse dia não desanimamos por nenhum momento, mesmo com fome. Já era quase sete horas da noite, resolvemos sair dali, mas não sabíamos se iriamos armar acampamento no posto ou caminhar pela cidade ou tentar seguir de ônibus. Decidimos colocar nossas mochilas e fazer qualquer coisa diferente, pois ali já nenhum carro passava mais. Estávamos tranquilos, tínhamos tentado por todo o dia seguir de carona. Apenas não tinha rolado. Coloquei a mochila nas costas. Quando comecei andar, surgiu um carro vermelho na minha frente. Por que não tentar? Ergui o dedo pela última vez naquele dia. O carro parou. Corri até o motorista, ele perguntou "Vas a Comodoro Rivadavia?" e eu sem acreditar disse "Si, si, si". Incrédulos e meio estabanados tentávamos colocar nossas coisas no carro, o senhor achando graça da situação disse "Calma, calma, no me voy sin los dos". E assim, o carro vermelho (leia-se anjo vermelho) da minha premonição veio nos salvar naquele dia. Não consigo traduzir a alegria daquele momento. Como aconteceu na Península Valdés, novamente éramos salvos no último instante possível. Parecia até uma pegadinha do além ou uma provação qualquer. Nos últimos dias tinha enchido tanto o saco do Matheus com a história do carro vermelho e agora ver nós dois em movimento dentro de um carro vermelho era no mínimo curioso. Não tinha sonhado e nem tido visão nenhuma, comecei a falar do carro vermelho sem pretensão alguma. Acho que era uma forma de manter a esperança da carona viva. Assim, ficava sempre a espera do carro vermelho. A espera tinha acabado e fiquei meio abobado com a força do pensamento. Sentei no banco da frente, o Matheus ficou na parte de trás. O motorista logo se apresentou como Juan Carlos, e começou perguntando se estávamos a muito tempo ali esperando, eu disse que fazia quase oito horas que estávamos ali na beira da pista. Ele disse que escolhemos um dia ruim, que domingo era difícil mesmo. Ele estava voltando de uma visita a um amigo. A conversa seguiu ou melhor a partir dali começou o monólogo do Juan. Foto 8.7 - Juan e Eu Falar deste trecho é meio complicado para mim, pois é complexo demais falar dessa carona, em especifico do Juan Carlos. Toda vez que me recordo desses momentos junto do Juan vivo um dilema. Sou muito grato a tudo o que ele fez por mim e pro Matheus, mas ao mesmo tempo não consigo gostar dele. Me sinto mal por falar isso, pois dá a impressão de ingratidão da minha parte. Pelo contrário, como disse sou grato demais ao Juan, mas ficar na sua companhia por quase cinco horas foi das coisas mais difíceis que já fiz na vida. Juan é soldador subaquático, dono de uma vinícola em Mendoza, ex militar que lutou na Guerra das Malvinas e se dizia um caçador de mão cheia, sempre repetia "Não morro de fome em lugar nenhum, aqui mesmo se eu for caminhado por qualquer canto, horas depois te trago comida". As falas do Juan se estendiam por muitos minutos, no início ele nem percebeu que eramos estrangeiros, assim falava num espanhol rápido e de difícil compreensão. Ele não pausava entre um raciocínio e outro, emendava tudo e não dava espaço para nós falarmos. Creio que ele tinha uma necessidade de mostrar quem era o Juan e qual era sua visão de mundo antes de tudo. No início era interessante isso, mas passado uma hora minha cabeça estava para explodir. O Matheus estava tranquilo atrás, mas eu tinha estar ali atento nas frases que eram ditas rapidamente e a todo momento. Manter a atenção exigiu muito mentalmente de minha pessoa. O pior foi quando eu comecei a compreender com mais clareza seu espanhol atropelado e consegui entender sua visão turva de mundo. Bom, vou me abster de tentar reproduzir suas falas intermináveis que eram carregadas de muito preconceito e tentar resumir mais ou menos o Juan. Pra começar digo que ele é um cara com uma visão simplista de tudo e um tanto contraditório. O maniqueísmo é forte em seu pensar, então tudo é dividido entre bem e mal, não existe meio termo pra ele. Assim, ele divide as pessoas em úteis e inúteis. Repetia quase sempre que o problema da Argentina era que a maioria da população era composta de inúteis. Ele enchia o peito para se dizer nacionalista, mas ao mesmo tempo só denegria a imagem de seu país para nós, o famoso complexo de vira-lata. Ele contou a sua versão da higienização social que ocorreu na Coréia do Sul, onde fizeram uma limpa nos corruptos e bandidos antes de reconstruir o país. Emendou com a seguinte frase "Agora no Brasil vai acontecer o mesmo, vocês escolherem um bom presidente.". Era a primeira vez que topávamos com algum argentino que era favorável a decisão tomada no Brasil. Falava com saudosismo da ditadura militar argentina e da Guerra das Malvinas. Porém, pediu baixa do exército, assim que acabou a guerra. Perdeu muitos amigos ali no campo de batalha. Pelo que eu entendi, ele foi totalmente contrário de a maior parte do soldados argentinos que foram para a guerra serem do norte do país e em sua maioria garotos. Na Guerra das Malvinas, a maior parte dos soldados não estava acostumado com o frio patagônico. Assim, frio, vento e fome mataram mais soldados argentinos que as armas inglesas, importante frisar que o exército nem cedia roupas adequadas a esses soldados. Enfim, os fazedores da guerra (os engravatados) não estavam nas trincheiras e quem morria era a população pobre do norte do país. Esse tipo de pensamento do Juan que me deixava confuso. Ele era favorável do extermínio de parte da população para "reconstruir" um "país melhor", mas logo depois se solidarizava com os pobres coitados que foram jogados em uma guerra para defender um país que nunca deu bola para eles. Se solidarizou a ponto de largar o exército. Eu me considero um sujeito meio contraditório, mas ao conhecer o Juan passei parar de achar isso de mim mesmo. Lembro que, em algum momento, tentei desviar o assunto para algo mais leve, disse uma frase do tipo "A mulherada aqui na Argentina é show de bola né?". Antes mesmo de eu terminar a frase ele já emendou "Algumas até que são bonitas, mas são tudo burra. Não dá pra conversar com mulher na Argentina.". Logo ele fez uma mea culpa e disse "No Brasil é diferente né? As mulheres são mais inteligentes, não são umas portas como aqui.". Dei um sorriso amarelo nesse momento. Ele continuou com sua linha de raciocínio, dizendo: "Só dei caronas para vocês porque são homens, se fossem mulheres não daria não. Com homem da pra ir conversando a viagem toda, assim como nós estamos conversando. Se fosse mulher não dava pra conversar não". Imaginei comigo, devo ter dito umas dez palavras ao todo até agora (risos). A misoginia era evidente nele. Pensei em abrir a porta do carro e me jogar diversas vezes. Na verdade eu só pensava nisso em determinado momento. Eu ficava olhando a velocidade do carro e tentava calcular o quão machucado sairia daquela queda. Depois de mais de duas horas e meia de viagem, paramos em um posto. Aproveitei para dar uma mijada. Depois fui na loja de conveniência para ver qual tinha sido o desfecho do jogo. River campeão. Eu e o Matheus fomos sentar numa mesa do lado de fora. Logo depois o Juan chegou com uns pacotes de bolacha e uns lanches para nós comermos. Juan estava feliz com o resultado do jogo. Pela primeira vez comemos a bolacha Macucas, que depois seria nossa companheira diária. Nessa hora a conversa foi bem mais agradável e menos unilateral. O Juan se propôs a ouvir um pouco. Até então ele não tinha tido a curiosidade em saber sobre nossas vidas, de onde viemos ou mesmo o que fazíamos. Nessa hora ele perguntou sobre tudo, falamos quem era Diego e Matheus. Depois quis chutar quantos anos tínhamos. Ele me deu 19 anos (risos). Falou da sua cirurgia que tinha feito pouco tempo antes e que os médicos desacreditavam que ele sobreviveria. Mostrou a cicatriz gigantesca nas costas que é a marca que ele carrega da operação. Falou da sua filha com bastante orgulho, ela faz mestrado em Mendoza. Disse que estava feliz que sua mulher pela primeira vez, depois de mais de trinta anos de casados, foi acompanha-lo numa pescaria. Parecia que o cara que estava ali não era o mesmo que estava dirigindo o carro minutos antes. Ele ainda foi comprar água quente para preparar um mate. Fizemos uma roda de mate e conversamos um pouco mais. Eu fiquei preocupado que ele nos associa-se na sua divisão de mundo com os inúteis e nos deixasse ali. Pelo contrário, agora ele parecia mais um pai cheio de conselhos e entendia a nossa necessidade de viajar mesmo que com pouco dinheiro. Confesso que essa parada no posto foi muito agradável. Voltamos a pista e o Juan voltou a ser o que era. Voltou com suas filosofias erradas de vida (isso no meu entender). Não consegui não associar ele com aquele episódio do Pateta que se transforma ao entrar no carro. Pateta é todo tranquilão e respeitoso, mas quando entra no carro vira um nervosão, briguento e mal educado. Sei que pode ser inocência minha, mas pode até ser que o Juan queria passar uma imagem de machão incorrigível, apesar de não acreditar muito nisso. A viagem prosseguiu. O legal do trecho Trelew/Comodoro Rivadavia é que ele é um pouco diferente de todo o resto da Ruta 3. Por este trecho tem algumas curvas sinuosas, no caminho é possível se avistar cânions e tem muitas elevações na rodovia. A natureza é muito bonita em volta também, é possível avistar um montão de guanacos e alguns zorros pelo caminho. O Juan era bom em avistar zorros, mesmo os bichinhos estando longe ele conseguia identifica-los. Já os guanacos ficam em bandos a beira da pista, e com isso tem muitas acidentes, creio que vi uns três guanacos atropelados neste trecho. Foto 8.8 - O caminho até Comodoro Rivadavia Foto 8.9 - Mais um pouco do caminho Cada vez que descíamos mais pela Argentina o sol se punha mais tarde. Em Claromecó o sol se escondia um pouco depois das nove da noite. Em Puerto Madryn e Trelew isso acontecia quase as dez da noite. Agora indo para Comodoro Rivadavia já tinha passado das dez da noite e ainda o céu estava claro. A viagem continuava. Eu tinha muito sono, não conseguia mais dar muita atenção ao Juan. Ouvimos rádio por um tempo. Escureceu. A viagem prosseguia. Juan continuava com suas afirmações erradas sobre tudo. Eu só queria chegar, a cabeça estava a ponto de explodir. Quando chegamos em Comodoro Rivadavia o Juan disse que era de uma cidade chamada Caleta Olivia, uns 70 km mais ao sul. Deixou a opção de nos deixar ali em Comodoro ou em Caleta Olivia. Preferimos ficar em Comodoro. Ele foi bastante bacana em nos deixar em um posto mais seguro possível para acamparmos. Paramos num posto da Petrobras, já era madrugada. Entramos na loja de conveniência e o Juan pegou um café pra ele. O Juan voltou a ser aquele cara bacana da outra parada. Conversou sem pretensão de impor seus pensamentos. Foi gentil ao passar seu telefone caso tivéssemos problemas no decorrer da viagem. Ainda quis pagar uma janta para nós, mas recusamos, pois ele já havia feito muito por nós. Deu a impressão que ele não queria ir embora, queria ficar ali conversando conosco. Não sei ao certo, mas acho que ele estava bastante carente de conversas e de amigos. Nos despedimos do Juan com alguns abraços. Antes de partir ele ainda tomou outro café. Depois fomos montar a barraca para dormir atrás do posto. O vento que estava naquela noite, naquela cidade era surreal de tão forte. Comecei a montar a barraca, mas não tinha como, a chance dela voar para longe era muito maior de eu ter sucesso na montagem. Depois de algum tempo conseguimos montar a barraca. Eu estava capotado, só queria dormir. Usei o banheiro da loja de conveniência e em seguida capotei na barraca. Foto 8.10 - Eu, Juan e o Matheus Agora aqui em casa, relembro toda a trajetória com o Juan e não sei o que achar dele. A sua visão de mundo é totalmente contrária da minha. Me chateou bastante ficar ao lado dele ouvindo um monte de baboseiras e não poder falar nada, uma porque ele não dava espaço pra eu falar e outra porque tinha receio de falar algo que ele não gostasse e perder aquela carona que tanto precisávamos. Me senti um merda por isso. Por outro lado, me senti injusto em certos momentos em não aceitá-lo e ver nele um cara carente que queria falar, conversar e ter contato com outras pessoas. Ele sentia muita necessidade em falar. Também tem que ele conosco foi muito bom mesmo. Foi a única pessoa que confiou na gente e parou seu carro. Percebeu que não tínhamos comido, não hesitou em compartilhar sua comida. Também se preocupou com nossa segurança passando por diversos postos, analisando qual seria o mais seguro para nós pernoitarmos. Sei lá, é tudo muito confuso para mim. Me pego muitas vezes pensando nesse trecho da viagem. O anjo do carro vermelho não tinha nada de anjo, na verdade esse carro vermelho tornou-se uma pegadinha ou qualquer coisa do tipo, pois foi a parte de maior complexidade da viagem. Mas e ai? O que pensar quando uma pessoa com ideias esquisitíssimas te ajuda a ponto de você questionar a si próprio? De qualquer forma, sou muito grato ao Juan e a sua carona salvadora. Acordamos assim que o sol nasceu. Desfiz a barraca, mas foi muito difícil dobra-la, o vento era intenso. Usei o banheiro do posto para me limpar um pouco e escovar os dentes. Fomos pedir água para fazer o mate e percebemos que tínhamos perdido nossa bomba. A atendente nos deu água quente, ainda nos presenteou com uma bomba novinha. Foi bem legal isso. Tomamos o mate e comemos um último pacote de bolacha que tínhamos. Seguimos caminhando para a saída da cidade. A caminhada durou mais ou menos uma hora até um bom ponto para pedir carona na Ruta 3. Paramos e começamos a pedir carona. Enquanto, um pedia carona o outro tentava se proteger das rajadas de areia que o vento não cansava de criar. Passamos horas e horas ali. Nada de caronas. Ficar ali era uma prova de resistência, ainda mais com fome. Tentamos e tentamos. No meio da tarde eu já não estava mais aguentado aquele misto de calor insuportável, ventos fortíssimos junto com terra e areia. Minha cara estava áspera de tanta terra que tinha grudada nela. Matheus estava só o pó também. O dia anterior tinha sido pesado fisicamente e mentalmente. Então, resolvemos ir para rodoviária e seguir aquele trecho de ônibus. Foto 8.11 - Caminhando até um ponto bom para pedir carona em Comodoro Rivadavia Foto 8.12 - Ruta 3 Foto 8.13 - Enfim, um ponto que todos os carros seguiriam para o sul e passavam devagarinho Foto 8.14 - Revezamento, vez do Matheus pedir carona Foto 8.15 - Revezamento, minha vez Chegamos na rodoviária, compramos passagens para Rio Gallegos, o ônibus só sairia pela madrugada. Fomos caminhar pela cidade. Comemos um choripan na rua. Nesse dia quase morri de lombriga. No lugar em que comemos o choripan, tinha um lanche que eles chamam de lomito que tava bonito demais, mas era muito caro. Olhei as pessoas comendo o lomito e fiquei com muita lombriga de comer aquilo, mas me segurei e comi o choripan que era infinitamente mais barato. Depois achamos uma sombra na orla de uma praia, ficamos o resto do dia por ali. Foi bem gostosa essa tarde, fazia tempo que não ficávamos debaixo de uma sombra só descansando, pois os últimos dias tínhamos sido torrados pelo sol nas rodovias. Depois fomos no mercado, vimos a bolacha Macucas que o Juan havia dado para nós. Um pacote de bolacha na Argentina gira em torno de 3 e 4 reais, mas a Macucas era menos de um real e mais gostosa. Compramos um monte de pacotes de Macucas para o restante da viagem. Foto 8.16 - Centro de Comodoro Rivadavia Foto 8.17 - A avenida Foto 8.18 - A orla da cidade Foto 8.19 - O outro lado da orla Voltamos para rodoviária e conhecemos o caroneiro Sergio. Ele é argentino da cidade de Corrientes e estava trabalhando de garçom por todas as cidades que passava. Agora iria pra Puerto Madryn de ônibus, depois seguiria de carona até Corrientes, tinha esperança de chegar antes do Natal para passar com a família. O que me chamou atenção do Sergio foi que ele tava viajando de carona com mais dois brasileiros. Eram três. Eu já achava difícil viajar de carona em dois. Imagine eles em três. Os dois brasileiros tinham acabado de seguir pro Brasil. Sergio tava sem comida, demos uns pacotes de bolacha Macucas para ele e subimos no ônibus. Comodoro Rivadavia foi a única cidade da qual eu não gostei nessa viagem. O vento é muito forte, do tipo que quando eu estava andando e ao erguer o pé de apoio para caminhar, senti como se fosse um chute na perna, virei xingando o Matheus "Porra, por que tá me chutando?", vi que ele estava a uns vinte metros de distância. O vento havia me "chutado". A cidade é toda envolta de areia e terra. A mistura de terra e vento é terrível, a cada cinco minutos tirava uma bolota de areia da minha orelha. O ambiente na cidade é bem esquisito também, não sei se é por causa de ser uma cidade petroleira. Entretanto, das cidades da Patagônia, Comodoro Rivadavia é o único lugar que eu não me senti cem por cento seguro. José e Juan Carlos, duas caronas e duas pessoas completamente diferentes. O José me identifiquei com ele mesmo antes dele começar a falar, o Juan até hoje não sei o que sentir por ele. Uma viagem foi rápida, tranquila e leve, a outra foi longa, demorada e pesada. Enquanto um era só sorrisos, o outro não sorria nunca. Duas caronas distintas, mas as duas tiveram a mesma importância e nos deixaram mais próximos do final do mundo. Enfim, o resumo da estrada é isso: você nunca vai saber quem irá abrir a próxima porta. Assim, algumas experiências vão ser bem legais, outras nem tanto. No fim, tudo é aprendizado.
  24. 5 pontos
    Patagônia - El Calafate, El Chaltén, Puerto Natales, Punta Arenas, Ushuaia - Fevereiro/2019 - 20 dias Planejamento para viagem Meu planejamento para a Patagônia aconteceu com uma antecedência de uns 6 meses, quando achei promoção de passagem pela Aerolíneas Argentinas. Comprei a chegada por El Calafate e a saída por Ushuaia, mas eu penso que o melhor itinerário para conhecer a região seja fazer o inverso, terminando por El Calafate. Acho interessante a viagem ir surpreendendo a gente cada vez mais de forma crescente, para a gente se encantar por cada lugar, sem achar que é mais do mesmo ou que o anterior tenha sido melhor. As hospedagens eu reservei pelo Booking, mas antes eu comparei com o Airbnb, mas não estavam assim tão vantajosos para compensar ficar em casa dos outros, tendo o trabalho de ter que combinar a chegada. De qualquer forma, achei essa parte de gastos um pouco alta, com diárias um pouco acima da média. E além disso, os lugares com melhor localização ou avaliação já não tinham mais vagas. Penso que a reserva para a região tenha que ser feita com maior antecedência. A melhor forma de se vestir na Patagônia, pelo menos para o período que fui, é usando umas 3 camadas. A primeira camada, com uma camiseta dry fit, porque ela absorve o suor e não fica encharcada, não deixando esfriar ainda mais em contato com a pele. A segunda camada, com uma blusa térmica (a minha preferida é um modelo que não seja tão aderente ao corpo, como a marca Wed’ze que encontrei na Decathlon). A terceira camada, um casaco que proteja por dentro e com material impermeável por fora, de preferência com capuz e que não seja tão volumoso, porque a gente tira em vários momentos e incomoda carregar na mão. Na parte de baixo, eu usava só a calça térmica primeiro e uma outra calça por cima. Não usei calça jeans nos passeios, levei essas com bolsos dos lados (achei uma que gostei demais numa loja de produtos para pesca). Levei também um par de luvas de couro fino, sem ser volumosas, gorro, cachecol, bota tipo tênis para trilha. Em alguns momentos eu pensei em comprar uma proteção para o rosto, estilo balaclava, mas eu fui adiando e depois já não compensava mais no final, mas eu tive muitas oportunidades para usar nos diversos passeios com vento gelado. Como eu faria conexão em Buenos Aires, a maior parte do dinheiro que levei foi o nosso real, para comprar pesos argentinos no banco do aeroporto. Algumas cédulas de reais que estavam com algum risco de caneta ou um leve rasgadinho eles não aceitaram e me devolveram. Eu também levei alguns dólares por precaução, para outros gastos que fossem necessários, que eu só usei para pagar algumas hospedagens (muitas cobravam 5% a mais se fosse pagar no cartão) e também para trocar por alguns pesos chilenos quando mudei de país. Para os passeios, é bom ter uma mochila para carregar lanche e água, além de ter as mãos livres quando a gente precisa se apoiar sempre durante as trilhas cotidianas. Óculos escuros também são essenciais para proteção do reflexo da neve. Quanto aos bastões para trilha, eu particularmente não tinha e não achei assim tão essenciais, mas muita gente que usa gosta, já que eles apoiam em caminhadas mais difíceis, além de diminuir um pouco o esforço dos joelhos. Na primeira cidade que cheguei, uma providência que tomei no primeiro dia foi comprar um chip para celular. Fiz um plano pré-pago para 20 dias na Claro, com 3gb por cerca de 30 reais. No entanto, não usei na viagem toda porque em El Chaltén não havia sinal (disseram que a Movistar poderia funcionar lá) e no Chile teria que pagar roaming. Para diminuir a quantidade de dinheiro que eu levaria, preferi reservar e pagar antecipadamente a maioria dos passeios que faria. Para um ou outro passeio, eu vi recomendação que era bom deixar reservado, podendo haver maior procura durante a alta temporada, correndo o risco de não ter vaga se comprado na véspera. Mas eu vi gente comprando lá mesmo, daí não sei se essa recomendação faz muito sentido. El Calafate Minitrekking Perito Moreno No primeiro dia, eu já havia deixado comprado o passeio do minitrekking ao Perito Moreno diretamente no site da Hielo & Aventura. Pelo que fiquei sabendo, somente esta empresa está autorizada a fazer o trekking no gelo. Quando outras empresas comercializam esse passeio, na verdade elas estão intermediando a venda, que terá a Hielo & Aventura como prestadora de serviços. Portanto, é bom comparar os preços para ver o melhor. No dia do passeio, a van da empresa passou no hotel no horário combinado e passou em alguns outros hotéis para pegar mais alguns turistas. Um tempinho depois, a van foi substituída por um ônibus com maior capacidade de pessoas e assim partimos para o Parque Nacional de Los Glaciares. Um funcionário do Parque entra no ônibus e faz a cobrança da taxa de visitação de todos os visitantes. Caso vá fazer outro passeio dentro do Parque outro dia, é concedido desconto, ficando mais barato comprar, por exemplo, para dois dias na mesma compra do que comprar separadamente a cada dia que for visitar. No dia em que fui no passeio, o grupo fez primeiramente o trekking na geleira e só depois que explorou as passarelas. No entanto, vi outras pessoas que fizeram o inverso, começando pelas passarelas e finalizando pelo trekking. Não sei dizer se é devido às condições climáticas, coisa que pode favorecer uma mudança na ordem das coisas, mas se trata do mesmo passeio e se vê a mesma coisa. Dentro do Parque, o ônibus estacionou e os turistas puderam usar o banheiro antes de pegar o barco para ir ao encontro do Perito Moreno. Enquanto o barco avança, a geleira vai se descortinando à frente e todo mundo quer ir para fora para fotografar de todos os ângulos porque realmente é lindo e não é todo dia que a gente vê esse cenário. Mas o vento gelado do lado de fora realmente é bem intenso. Chegando na outra margem, há uma edificação de madeira, com banheiro e área para se sentar, onde também podemos deixar nossos pertences enquanto dura a caminhada sobre o gelo. Depois de atravessar umas passarelas meio rústicas e andar um pouco nas margens do Lago Argentino, chegamos no lugar onde são colocados os crampones sob nosso calçado e começamos a caminhada na geleira, com algumas instruções do guia sobre a melhor forma de pisar. O circuito que fazemos no minitrekking não é difícil, não é cansativo, levando entre 1h30 e 2h. Todos andam em um ritmo parecido, em fila, com todos praticamente pisando um no rastro do outro. É necessário que todos usem luvas (de qualquer tipo serve) porque, se alguém escorrega e bate a mão no gelo, pode se cortar. Mais uma vez, a gente quer tirar foto de tudo quanto é jeito e a experiência é incrível. Ao final da trilha, os guias oferecem bombom e preparam uma bebida com gelo do glaciar para brindar àquele momento. Após retirar os crampones, retornamos ao local onde deixamos os pertences e ficamos um tempo livres para explorar o lugar e fazer um lanche. É importante frisar que na margem onde se encontra a geleira não são vendidos alimentos e o barco demora um pouco para retornar para o outro lado. Eu havia deixado guardado na geladeira da pousada desde o dia anterior um sanduíche para levar, além de bastante água. É bom levar também outras coisas para petiscar ao longo do dia, tipo barra de cereais, frutas ou biscoitos. No meio da tarde, o barco nos levou de volta para a outra margem para a continuação do passeio. Pegamos o mesmo ônibus do início e rumamos em direção às passarelas de contemplação do Perito Moreno. As passarelas são extensas e há bastante para andar por elas, num sobe e desce de escadas para tirar fotos em vários ângulos. Para quem já caminhou pelas passarelas das Cataratas do Iguaçu, vai ver certa semelhança. Nesses pontos também presenciamos momentos em que pedaços da geleira despencam na água, gerando um espetáculo bem estrondoso. Próximo das passarelas, existe estrutura com banheiro e venda de comida e bebida, mas o monopólio deixa sempre os preços um pouco salgados. No final, todos se reúnem no local e horário estipulados previamente e são levados aos respectivos hotéis ou ficam no centro, como preferirem. Navegação Rios de Gelo Para o segundo dia, eu havia comprado previamente o passeio pela empresa Patagónia Chic. A van passou na pousada e rumamos para o porto para fazer a navegação Rios de Gelo. Recomendo gravar bem a van e o motorista, porque quando a gente volta é uma confusão de vans que fica difícil saber qual é a nossa. Como eu já tinha a entrada do Parque Nacional, comprada no dia anterior para dois dias, não precisei pegar a fila para pagar e já fui direto para a embarcação. Pelo frio e chuva que estava lá fora, achei o interior do catamarã bem aconchegante, e no começo achei até meio monótono. Como é um passeio bem confortável, em que a gente não precisa andar ou se esforçar, achei bem numerosa a quantidade de pessoas idosas. Em alguns momentos, eu me senti numa espécie de cruzeiro da terceira idade, com velhinhos cochilando, enquanto a guia falava num ritmo que embalava feito canção de ninar. Um tempo depois de navegação, a gente começa a passar por icebergs e se aproxima de montanhas nevadas que deixam qualquer um extasiado. Já não havia mais chuva e muita gente já se arriscava a sair do conforto para tirar umas fotos do lado de fora. Como a embarcação diminui a velocidade em vários momentos, apesar do frio no exterior, dá para sair em alguns momentos e gastar espaço no cartão de memória. A navegação também se aproxima das grandes geleiras Upsala e Spegazzini, além de ir contando aspectos sobre a região, deixando o passeio bem informativo. É incrível a dimensão que essas geleiras alcançam e o espetáculo visual que produzem. A todo momento todos querem fotografar e tem hora que fica difícil achar um espaço sem ninguém para gente também levar recordações desse passeio incrível. O catamarã tem serviço de comida e bebida, mas muita gente leva o seu próprio lanche. Como é um passeio que dura a manhã toda e um pedaço da tarde, é bom estar preparado para isso. Glaciarium, Glaciobar, Laguna Nimez Saindo do estacionamento da Secretaria de Turismo Provincial, no Centro da cidade, há vans gratuitas de ida e volta ao Glaciarium com regularidade a cada meia hora a partir das 11h. Como a quantidade de assentos na van é limitada, é bom chegar um pouco antes para conseguir sentar, senão terá que esperar o próximo horário (aconteceu isso com os últimos da fila quando fui). O acesso é rápido e a visão do Lago Argentino pelo caminho é linda. O Glaciarium é um centro de interpretação com exposição de painéis, vídeos e outros recursos sobre as geleiras, com um arsenal de informações sobre o clima daquela região. De modo geral, a maioria das informações sobre o clima e as geleiras está distribuída em painéis e infográficos em espanhol e em inglês ao longo das paredes do lugar. Como vi muita gente falando bem das exposições, eu até achei que fosse gostar mais, mas a verdade é que achei meio monótono e de interesse para quem deseja conhecer de maneira mais a fundo do assunto. Como em alguns passeios a gente acaba ouvindo dos guias algumas informações sobre as geleiras, a ida ao Glaciarium acaba sendo repetitiva e, ouso dizer, até dispensável para quem não tem muito tempo na cidade. O Glaciobar fica no mesmo prédio do Glaciarium, com acesso na portaria do lado por uma pequena escada que leva ao subterrâneo. O ambiente é praticamente todo em gelo internamente, inclusive os copos em que as bebidas são servidas. A temperatura é perto de -10°C e na entrada são oferecidas roupas e luvas térmicas para suportar o frio intenso. O ingresso dá direito a consumir as bebidas disponíveis no local por 25 minutos. É uma experiência curiosa e talvez seja interessante só para fotos, mais do que pelas bebidas, já que eu procurei algumas vezes pelo garçom para repor a bebida e ele estava cuidando de outras coisas, demorando um pouco a reaparecer. Na volta da van do Glaciarium, fui a pé até a Laguna Nimez, que está próxima da região central. Trata-se de uma reserva natural, onde há uma trilha curta para percorrer ao redor da pequena lagoa. Lá se avistam pequenas aves e vegetação típica, com algumas placas informativas pelo caminho. Basicamente é isso e não achei interessante, já que nos outros passeios vi as mesmas coisas, mas em dimensões maiores. Para quem curte mais a contemplação de patos e algumas outras aves, talvez o passeio possa ser melhor proveitoso. El Chaltén Chegada na cidade Peguei o ônibus às 8h da manhã em El Calafate e cheguei a El Chaltén às 11h. Como eu havia feito a compra com antecedência pela internet no site da empresa Chaltén Travel (plim-plim! olha o merchandise), pude escolher a primeira poltrona na parte superior, de onde se tem uma bela e ampla visão. E o cenário quando está perto de chegar na cidade é mesmo de encher os olhos, já que El Chaltén fica cercada por montanhas nevadas. Já na entrada da cidade, antes do ônibus chegar no terminal, ele passa pelo Centro de Visitantes e todos descem para ouvir as instruções sobre as trilhas e a segurança dos visitantes. São separados dois grupos, cada um para um idioma (espanhol ou inglês), pega-se um mapa das trilhas ao final e daí todos estão liberados para voltar ao ônibus para finalmente chegar no terminal. El Chaltén é uma cidade pequena, onde se faz praticamente tudo a pé, então chegar nas hospedagens é rápido. Além disso, as trilhas são muito bem sinalizadas e não dependem de auxílio de guia, podendo qualquer pessoa fazê-las de forma independente. Como eu tinha uma tarde livre pela frente, resolvi fazer duas trilhas curtas, cujo ponto de partida é o Centro de Visitantes, na entrada da cidade. A caminhada mais curta é para o Mirador de los Cóndores, com 1 quilômetro para ser percorrido em cerca de 45 minutos (ida + volta = 2km, 1h30). O início da trilha é plano e fácil, mas depois vira uma subida em uma pequena montanha, que faz a gente se cansar um tantinho. No final, a gente é brindado com uma visão panorâmica da cidade, dos rios que passam por ela e das montanhas ao redor. Como no meio do caminho para o Mirador de los Cóndores havia uma bifurcação com uma placa indicativa para outra trilha, cheguei até esse ponto e daí parti para o Mirador de las Águilas. É uma trilha de 2 quilômetros a serem percorridos em cerca de 1 hora (ida + volta = 4km, 2h). Como sempre, a gente se cansa mais na última parte, subindo um pequeno morro. Lá de cima, a gente tem a visão dos montes mais famosos vizinhos da cidade, Cerro Torre e Fitz Roy, um pouco envolvidos nas nuvens, mas uma vista linda. Laguna Torre/Cerro Torre Para o segundo dia, minha intenção era pegar a van para a Hostería El Pilar e, a partir dali, fazer a trilha para a Laguna de los Tres, na base do Cerro Fitz Roy. Como não havia mais vaga na van, deixei comprado o bilhete para fazer essa trilha no dia seguinte. Então mudei os planos e parti para a trilha rumo à Laguna Torre, aos pés do Cerro Torre. São cerca de 9 quilômetros a serem percorridos em cerca de 3 horas (ida + volta = 18km, 6h). Munido de sanduíche, alguns bilisquetes e água na mochila, parti para o início da trilha no final da Av. Antonio Rojo, lado oposto à entrada da cidade. Depois de subir uma escadaria bem acessível, precisamos vencer uma subida bem íngreme num pequeno monte, de onde se inicia a sinalização para a Laguna Torre. Ao longo do caminho, vi mais turistas europeus do que latinos e muita gente simpática que sempre se cumprimenta quando se cruza. Perto do início da trilha, já precisamos dar a volta em algumas montanhas, passando por um caminho próximo ao despenhadeiro, onde vemos rios correndo lá embaixo. Os momentos mais difíceis são quando as subidas são insistentes, somadas com grande irregularidade do terreno, de forma que precisamos achar a pisada que nos impulsione cada vez mais para cima. Como em vários pontos das trilhas há riachos com água potável, é fácil repor a água que levamos. Quanto a banheiro, só em dois momentos: no Mirador del Torre e quando passamos pelo acampamento D’Agostini, que fica já bem próximo à Laguna Torre. O banheiro nada mais é que uma cabine fechada com um buraco no chão, bem nojentinho mesmo. Uns poucos minutinhos depois do acampamento, a gente já se depara com a Laguna Torre à nossa frente, emoldurada pela geleira que desce até a base das montanhas que a margeiam. Dentro da pequena lagoa, alguns blocos de gelo de vários tamanhos conferem uma maior beleza ao cenário. Ao redor da lagoa, pelo lado direito, a trilha sobre o monte leva ao Mirador Maestri, com mais 2 quilômetros a serem feitos em cerca de 1 hora. É uma caminhada puxada, com subida e bastante pedra de todo tamanho pelo caminho e a gente sua no frio para fazer. A vista nesse ponto é do fundo da lagoa, onde a gente consegue ter uma visão mais ampla da geleira tocando a água. Laguna de los Tres/Cerro Fitz Roy Com o transporte para a Hostería El Pilar já comprado, a van me pegou na pousada cerca de 8h da manhã e mais alguns turistas em outras hospedagens. Eram quase 9h quando desembarcamos no início da trilha, de onde começamos a caminhada rumo à Laguna de los Tres, aos pés do Cerro Fitz Roy, maior montanha de El Chaltén, um grande paredão de granito com inclinação vertical que desafia muitos escaladores. A trilha tradicional de El Chaltén até a Laguna de los Tres é de 10 quilômetros, com tempo estimado de 4 horas (ida + volta = 20km, 8h), sendo levemente abreviada quando partimos da Hostería El Pilar. Além disso, indo por um lugar e voltando pelo outro, o caminho proporciona duas visões diferentes para o passeio. Há mirantes distintos para o Fitz Roy em ambos os caminhos, então certamente haverá também lembranças fotográficas em maior quantidade de ângulos. Ambos os caminhos possuem subidas cansativas em alguns trechos que fazem a gente suar mesmo no frio. O ponto onde as duas trilhas se encontram é no acampamento Poincenot. Logo após o acampamento, identificamos uma placa no pé de uma subida, informando que a partir dali está o último quilômetro para a trilha em um nível difícil, com tempo estimado em 1 hora. À medida que caminhamos, a subida vai exigindo cada vez mais esforço, com degraus, pedras, inclinações variadas, neve, gelo, pequenos arbustos, água derretida da neve, enfim, precisamos tomar fôlego em vários momentos para continuar. Quando olhamos para trás, vemos que a inclinação do morro é bem íngreme, que dá certo medo. Mas ao mesmo tempo, a visão ao redor é linda e bem fotogênica, com toda a vegetação coberta por neve, cercada por montanhas também nevadas ali do lado. Depois de muito esforço e várias paradas, suando um tanto, a chegada ao topo proporciona uma das visões mais lindas que vi na viagem. Se eu fosse escolher apenas uma trilha para fazer, de todas as que fiz, essa é a que eu escolheria como preferida. A Laguna de los Tres tem uma cor linda e estava toda cercada pela neve. Do Mirador Maestri, que é o ponto onde chegamos após a cansativíssima subida, avistamos neve em todo o nosso redor. Adicionalmente, de todas as visões que tive do Fitz Roy dos diversos lugares na cidade, este foi onde consegui enxergá-lo inteiramente, sem o manto de neblina encobrindo parte dele. Após um tempo de deslumbramento, a descida do morro cansa um pouco, mas agora é mais rápido e a gente já sabe o que esperar no fim da caminhada de volta. Em certo ponto no caminho para El Chaltén, haverá uma bifurcação onde a gente pode escolher ir pelo mirador ou pela Laguna Capri. Escolhi a Laguna e achei linda a cor esmeralda de suas águas contrastando com o branco da neve das montanhas ao redor. Bem próximo da Laguna, está o acampamento Capri, onde também existe banheiro. Como não há ônibus saindo direto de El Chaltén para Puerto Natales, no dia seguinte voltei para El Calafate para ficar mais um dia na cidade e pegar o ônibus que saía para o meu próximo destino. Foi um dia perdido, que não quis fazer muito esforço, então me hospedei do lado do terminal para não ter muito trabalho. Puerto Natales Chegada na cidade Com passagem já comprada pela internet com antecedência na empresa Cootra, peguei o ônibus em El Calafate às 7h30 da manhã. Como a viagem atravessa a fronteira da Argentina para entrar no Chile, é necessário apresentar passaporte no guichê da empresa no terminal. A chegada em Puerto Natales estava prevista para às 13h, então levei também alguns belisquetes para não morrer de fome. Na fronteira do lado argentino, todos descem do ônibus para carimbar a saída do país na imigração. Como tem fila e nem todos cabem dentro do pequeno espaço de atendimento, a fila do lado de fora vai sofrendo com o vento gelado até terminar o processo. Com todos de volta ao ônibus, rapidamente chegamos no território chileno, em que todos descem novamente para carimbar o passaporte, mas desta vez a bagagem também é inspecionada. Após o atendimento no guichê, passamos malas e mochilas no raio-x e, se houver produtos in-natura de origem animal ou vegetal, não é autorizado levar. As pessoas têm que jogar fora inclusive frutas, mesmo que seja uma unidade para consumo imediato. Com todos devidamente autorizados, chegamos ao terminal de Puerto Natales no início da tarde. Após me instalar na pousada, saí com uns dólares em mão para trocar por pesos chilenos em alguma casa de câmbio no centro. Um fato que achei curioso na cidade foi que muitos estabelecimentos comerciais fecham para o almoço e só abrem às 15h, como foi o caso das casas de câmbio que me indicaram na hospedagem. E as refeições na cidade eu achei bastante caras, de modo que eu revezava entre pratos e comidas rápidas para ficar dentro do orçamento. Puerto Natales é uma cidade pequena, com um centro cujo ponto de referência é uma praça principal, a Plaza de Armas, e nos seus arredores estão algumas pequenas atrações turísticas, como a catedral, o museu histórico, a região portuária, uma ou outra escultura em pequenas praças ao longo da costa, o mercado de artesanato, que achei minúsculo e com muita pouca opção de produtos. É uma cidade tranquila, basta essa parte da tarde para conhecê-la, não mais que isso. Na verdade, o que me levou até ali foi ter a cidade como base para conhecer o Parque Nacional Torres del Paine, onde estão as famosas montanhas de mesmo nome. Full day Torres del Paine Para o primeiro dia, eu havia reservado pela internet com a empresa Patagonia Adventure o passeio Full day Torres del Paine. A van passou na pousada às 7h30 da manhã, pegou mais alguns turistas e iniciou o passeio com visita ao Monumento Natural Cueva del Milodón. Trata-se de uma grande caverna onde foram encontrados vestígios de um animal pré-histórico de cerca de 3 metros de altura, semelhante a uma preguiça gigante. É um passeio curto, onde recebemos informações sobre a fauna extinta da região, além de entrar na caverna e ver a estátua que reproduz o milodón. Logo após, a van ruma para o parque nacional, onde pagamos entrada e iniciamos a exploração aos principais atrativos naturais. Tivemos a sorte de encontrar um grupo de guanacos (parentes da lhama) e avestruzes na beira da estrada. O passeio passa por alguns mirantes com rios e lagoas emoldurados por belíssimas montanhas nevadas, faz uma parada numa área com mais estrutura, próximo ao Lago Grey, onde há restaurante, em que podemos comprar alimentos e bebidas, claro que um pouco mais caros do que na cidade, então muita gente leva o seu sanduíche. Nessa área do Lago Grey, ficamos livres durante um tempo para ir até a praia de areia grossa ou cascalho, passando por uma ponte de madeira e cordas, que balança um pouco, mas é bem segura e resistente, e podemos avistar o Glaciar Grey um pouco ao longe. Apesar de no dia eu não ter visto, podem aparecer blocos de gelo flutuando na água. Durante essa caminhada na praia de cascalhos, em vários momentos o vento era tão forte que muitas pessoas precisavam firmar os pés no chão para não ser derrubadas. As montanhas principais, que são as torres, com os três “cornos” verticais, a gente vê a uma certa distância, a partir de diversos pontos e mirantes, que eu achei melhor fazer um passeio no dia seguinte para complementar a visão mais de perto, com uma trilha exaustiva de um dia. Trekking mirador base das Torres del Paine No segundo dia na cidade, eu havia reservado com a mesma empresa do dia anterior (Patagonia Adventure) o tour guiado até a base das Torres del Paine. É um passeio de dia inteiro e com muita exigência de vigor para seguir o ritmo dos dois guias que lideram o grupo. Como não há lugar para comprar comida ou bebida pelo caminho, já deixei comprado meu sanduíche desde o dia anterior e guardei na geladeira da hospedagem. Água é bom levar bastante também, além de lanchinhos para aguentar o dia inteiro quase sem parar. Achei ótimo levar frutas secas e castanhas que encontrei no centro da cidade. A van passou na pousada às 6h30, pegou outros passageiros e rumou para o Parque Nacional. O ingresso que pagamos no dia anterior vale para esse dia também, mas é necessário colocar nome e número de documento quando fazemos a compra no primeiro dia, além de solicitar o carimbo na recepção do parque. Algumas pessoas que esqueceram de pegar o carimbo no dia anterior conseguiram mostrar que estiveram lá no dia mostrando fotos, mas é bom não correr o risco de se prejudicar tendo que pagar duas vezes. A van para no estacionamento do parque, onde há banheiros, e os guias oferecem bastões de trekking para quem quiser usar e daí iniciamos a caminhada de cerca de 11 quilômetros (ida + volta = 22km). Para não correr o risco de demorar demais a ir e voltar, eles impõem um ritmo moderado à trilha, indo um na frente e outro atrás do grupo. Em pouco tempo já estamos subindo ladeiras cansativas e praticamente sem parar durante um longo tempo. Ao longo do caminho, paramos no acampamento El Chileno, onde é possível usar o banheiro mediante pagamento (1 dólar/500 pesos chilenos). A caminhada tem momentos de terreno plano, ficando mais fácil seguir o mesmo ritmo da maioria, mas tem também momentos que a subida vai diminuindo nosso ritmo e a gente precisa recuperar o fôlego muitas vezes. A última parte da trilha é mais pesada, onde a gente vai serpenteando montanha acima, passando por muitas pedras de diversas alturas, servindo de degraus pra gente impulsionar a próxima pisada pra vencer os obstáculos. A dificuldade é alta nessa última parte, mas não é tão longa quanto o trekking para a Laguna de los Tres, na base do Fitz Roy. O visual das três torres de perto é muito lindo, e lá na sua base a gente encontra muitos mochileiros que se sacrificaram por dias em acampamentos para fazer os circuitos por todo o seu entorno. Esta é outra opção para conhecer o lugar e vivenciar por mais tempo aquela experiência, mas é bom estar muito bem equipado, porque as condições climáticas não são das mais fáceis de encarar. Em relação ao trekking guiado, comparando com as trilhas que a gente faz por conta própria em El Chaltén, eu achei um pouco mais pesado a que fiz em Torres del Paine, já que eu não ditava o meu ritmo e, por isso, permanecia cansado por mais tempo. Mas como o Parque Nacional fica distante de Puerto Natales, cerca de 2 horas de carro, a gente acaba precisando do transporte muito cedo para chegar até ali. Só por isso que eu achei vantajoso contratar o passeio, mas para quem está em grupo e aluga carro, pode ser interessante fazer a caminhada até a base das torres por conta própria, já que o caminho é sinalizado e a gente encontra muita gente fazendo o trajeto. Punta Arenas Atrações na cidade Peguei o ônibus de 8h30 saindo de Puerto Natales a Punta Arenas, com passagem comprada antecipadamente pela internet na empresa Bus-Sur. São 3 horas de viagem. O terminal da empresa fica no centro da cidade, bem próximo à Plaza de Armas, a principal praça da cidade. Então é fácil ir a pé até a hospedagem se estiver perto dessa região. Punta Arenas é uma cidade bem charmosinha, com um centro muito bem organizado e bonito, com algumas atrações interessantes para visitar. A Plaza de Armas tem uma enorme escultura do português Fernão de Magalhães, responsável pela primeira navegação ao estreito de Magalhães, onde está localizada a cidade. O índio que compõe a escultura no centro da praça é a maior atração entre os turistas, já que se acredita que tocar o seu pé traz sorte. Ao redor da praça, as edificações são muito bonitas, e dentre elas está o Museu Regional de Magalhães, um lugar suntuoso em que o piso original, para ser conservado, precisa que usemos sobre ele protetores de tecidos nos pés, oferecidos na entrada. O que achei muito ruim foi o horário de funcionamento do museu, somente até às 14h, quando tive que sair rapidamente de lá, quase expulso pelos funcionários impacientes em encerrar as atividades do dia. Próximo dali, está o Museu Maggiorino Borgatello, com uma grande quantidade de informações sobre a região e que vale a visita. Um pouco mais adiante, próximo ao cemitério da cidade, há o Monumento al Ovejero, uma obra em tamanho natural a céu aberto, representando um trabalhador rural com suas ovelhas, cavalo e cachorro. Algumas quadras acima da Plaza de Armas, está localizado o Cerro de la Cruz, um ponto mais alto que serve como mirante, acessível por uma grande escadaria. De lá, é possível ter uma vista panorâmica da cidade e do Estreito de Magalhães. Outra atração, mas um pouco mais distante, já na saída da cidade, é o Museo Nao Victoria, a réplica da embarcação usada por Fernão de Magalhães no século 16 para a primeira viagem de circunavegação feita pelo português no Estreito que recebeu seu nome. Achei a chegada ao lugar meio complicada porque a motorista do Uber se perdeu e teve que dar uma volta grande para finalmente conseguir localizar. É possível subir e explorar a embarcação por dentro, assim como outra réplica que está do lado, usada no século 19 para a tomada do Estreito de Magalhães. O vento lá em cima é forte e gelado. Em Punta Arenas, há uma região comercial com zona franca, livre de impostos, com shopping e alguns grandes mercados multidepartamentais. O shopping eu não achei grande coisa, apesar de livre de impostos, os produtos encarecem para chegar à cidade pelo transporte. Achei até interessante um grande mercado que entrei, onde há de tudo um pouco, inclusive souvenirs, mas comprei só umas poucas coisinhas pequenas e baratas para não sofrer com o peso na mala e no orçamento. Islas Marta e Magdalena O principal passeio que me levou à cidade foi a navegação até as ilhas Marta e Magdalena. Reservei o passeio pela internet na empresa Solo Expediciones, mas esse foi o único que o pagamento ficou para ser feito no próprio dia. Às 6h30 da manhã me apresentei no escritório da empresa, bem próximo à Plaza de Armas, fiz o pagamento e entrei no ônibus que levava ao porto, que fica próximo. Todos desembarcamos do ônibus e entramos no catamarã em um dia chuvoso, mas a chuva só estava na cidade e não durante a navegação. Ao longo da navegação pelo Estreito de Magalhães, o guia em espanhol e inglês dá algumas informações, enquanto podemos avistar o espetáculo das barbatanas das baleias subindo até a superfície da água para respirar. Como a água é mais escura, não dá para vê-las abaixo da superfície, então não dava para saber onde elas apareceriam para registrar o momento. Um tempo depois, chegamos próximo da margem da Isla Marta, que é bem pequena, um rochedo com uma enorme quantidade de leões marinhos. Nessa ilha, contemplamos somente à distância, não é autorizado desembarcar nela por razões de proteção do ambiente dos animais. Como a embarcação fica parada por um tempo em frente à ilha, é possível ir para fora, sem o incômodo do vento muito forte, para registrar os leões marinhos em seu descanso matinal. Na ilha os animais estão protegidos das baleias, seus predadores, e podem nadar no seu entorno, protegidos por uma camada de algas que envolve o ambiente. Em seguida, fomos para a ilha Magdalena, onde todos desembarcamos para uma caminhada de cerca de 1 quilômetro no ambiente dos pinguins. O caminho é delimitado por um corredor de cordas, para não ultrapassarmos, que leva até um farol mais adiante na ilha. Como temos 1 hora para explorar o lugar, é bem tranquilo, sobra tempo, além de ser uma caminhada bem leve e sem dificuldades. Há uma grande colônia de pinguins na ilha Magdalena, que passam cerca de 6 meses por ali, durante primavera e verão, a temporada mais quente para troca de penas. Uma ressalva: só é quente no ponto de vista deles. Uma grande quantidade de buracos no chão, usados como ninho pelos pinguins, está espalhada pelo caminho onde andamos. Além de se protegerem do frio com a troca da plumagem, os ninhos também deixam filhotes a salvo dos predadores que rondam a todo momento, pássaros oportunistas, esperando algum descuido de um pai desatento. O passeio termina cerca de 12h e o ônibus nos leva de volta ao ponto de partida, no centro da cidade. Achei muito agradável, além de leve e não durar um dia inteiro, não precisando sacrificar o almoço. Ushuaia Chegada na cidade A saída de Punta Arenas foi às 8h15 da manhã pela Bus-Sur, com bilhete comprado pela internet. Como iria sair da Argentina para entrar no Chile, necessário apresentar passaporte no guichê antes de embarcar no ônibus. A previsão de chegada em Ushuaia era às 20h15, mas chegou cerca de18h30, mesmo assim foi uma viagem muito cansativa. Como não há paradas em lugares onde há comida, é bom levar o arsenal porque é praticamente um dia inteiro na estrada. Cerca de 2 horas depois de sair de Punta Arenas, o ônibus chega na travessia de balsa no Estreito de Magalhães, todos descem e embarcam na balsa, assim como todos os veículos que estão em fila aguardando. A travessia foi tranquila e rápida, menos de 30 minutos, mas já ouvi falar que pode ser mais demorada, dependendo da agitação das águas. Ao embarcar novamente no ônibus, como pode haver vários outros parecidos, é bom saber diferenciar qual o nosso. Eu mesmo quase entrei em outro, imagina onde iria parar. Um bom tempo de viagem depois, chegamos na fronteira, onde recebemos o carimbo de saída do Chile. Um pouco mais adiante, pegamos mais uma vez o carimbo de entrada na Argentina. Diferentemente da imigração no Chile uns dias atrás, na Argentina não pediram para fiscalizar a bagagem, foi um processo burocrático mais rápido. Depois de um longo tempo, finalmente chegando próximo a Ushuaia, o ônibus vai passando por uma região de montanhas, com curvas fechadas, mas com um cenário lindo. Achei que o assento do lado direito é beneficiado com a melhor vista. A melhor localização para se hospedar em Ushuaia é o mais próximo possível da Av. San Martí, que é a rua principal, longa e plana. As ruas que cruzam a San Martí em direção contrária à costa ficam em subidas bem cansativas. Os passeios partem dessas proximidades, onde está a zona portuária, as agências de turismos, pontos de vans e táxis, alguns museus, a placa do “fim do mundo”, a Secretaria de Turismo, onde tem internet gratuita e informações diversas aos turistas, bem útil. Na Secretaria também podemos carimbar o passaporte com dois modelos de estampa, é grátis. Pinguinera e Navegação pelo Canal Beagle Deixei reservado com antecedência pela internet no site da empresa Piratour o passeio desse dia. A Piratour é a única empresa que tem autorização para desembarcar na Isla Martillo, então qualquer outra empresa que também ofereça a caminhada com os pinguins na ilha apenas intermedeia a venda, tendo como responsável pela prestação do serviço a Piratour. O passeio iniciava com os turistas se apresentando no quiosque da empresa às 7h30 no píer. Como dura até o meio da tarde, é bom levar um lanche reforçado. Pegamos o ônibus com guia em inglês e espanhol e tivemos uma parada junto à floresta de árvores que sofrem a ação do vento muito forte e crescem para um lado, por isso sendo chamadas de “árvores bandeiras”. Logo após, chegamos na Estancia Harberton, onde há um pequeno museu de ossos de baleias e outros animais marinhos. O grupo de turistas é dividido em duas partes, enquanto uns vão direto para a Pinguinera, os demais ficam na Estancia na visita guiada; logo depois, revezam os grupos. O bote para a Isla Martillo leva um grupo reduzido de cerca de 20 pessoas, não podendo haver grande quantidade de gente por vez na ilha. É uma travessia curta, logo desembarcamos na Isla Martillo. Como visto na Isla Magdalena, ali também é um lugar onde há grande quantidade de buracos que servem de ninhos para os pinguins e o caminho para os turistas percorrerem é delimitado. Mas diferentemente da Isla Magdalena, na Isla Martillo não há um caminho para seguir por conta própria até o final da visita. Durante todo o tempo, a guia estava com o grupo e sempre chamava atenção quando havia muita proximidade com os animais. Na Isla Martillo, eu vi uma quantidade maior de pinguins concentrados em grupos, seja descansando próximos aos ninhos, seja na beira da água para pescar peixes. Dá para ver mais de uma espécie de pinguins, todos muito simpáticos. O frio era intenso por causa do vento insistente, então depois de uma quantidade de fotos, acho que muita gente já estava pronta para voltar até mesmo antes da 1 hora disponível na ilha. No meu caso, como eu já havia feito a visita na Isla Magdalena anteriormente, comparando com a Isla Martillo, eu preferi a primeira porque tinha maior liberdade para explorar a área maior e usar o tempo andando e vendo um pouco além do que a guia mostrava. Logo que voltamos à Estancia Harberton, os dois pequenos grupos que revezaram na Isla Martillo se juntaram de novo em um só e todos embarcaram num catamarã para a navegação no Canal Beagle. Em alguns pontos do Canal, navegamos em águas que dividem Argentina e Chile, sendo possível enxergar inclusive o povoado mais austral do mundo, Porto Williams, no Chile, o último do hemisfério sul. O passeio guiado é bem informativo, passando por lugares de destaque, como a Isla de los Lobos, um rochedo em forma de ilha com enorme quantidade de lobos marinhos estirados ao sol. Passamos também pelo Farol les Eclaireurs, o “farol do fim do mundo”, em uma pequena ilha com muitos pássaros aquáticos. Nesses pontos, o catamarã fica parado por uns minutos para ser possível ir até o lado de fora sem um vento tão hostil. Parque Nacional Tierra del Fuego Contratei esse passeio em uma agência aleatória que entrei no dia anterior na Av. San Martí. Não me lembro do nome, mas o passeio é bem padrão entre todas as agências que vemos pela cidade. A duração é de apenas meio dia. A van passou na minha pousada às 8h da manhã e levou todos para a estação do “Trem do Fim do Mundo”. Para aqueles que iriam fazer o passeio de trem, esses pagaram algo como 120 reais para um trajeto de cerca 1 hora a uma velocidade de uns 20 km/h. Como eu achei bem desinteressante, segui com os demais que preferiram fazer o trajeto na van, conhecendo alguns recantos do Parque Nacional enquanto o trem não chegava. No passeio do Parque Nacional, fazemos algumas trilhas rápidas e fáceis com um guia com vistas para vários lugares, como lagos, bosques, montanhas, mar. Muitas das vezes, o guia deixa o grupo explorar por um tempo o lugar, até a van nos levar para o próximo. Há lugares bem bonitos, com mirantes para as belezas naturais da região, mas eu acho que eu apreciaria ainda mais se já não tivesse visto tantos outros lugares ainda mais lindos, daí a gente acaba comparando um pouco. É no Parque Nacional onde está o “Correio do Fim do Mundo”, uma casinha charmosa de madeira sobre estacas no Canal Beagle que funciona durante o verão. Lá são vendidos cartões postais, selos e outros souvenirs, sendo possível ao viajante enviar correspondência do correio mais austral do mundo. Pena que os itens vendidos no correio são sempre bem mais caros do que na cidade. Também no correio é possível ser atendido pelo “carteiro do fim do mundo” para levar estampado no passaporte o selo e o carimbo do lugar por 3 dólares. A foto contida no selo é do próprio carteiro que atende ali, mas a gente percebe que já se passaram muitos anos desde quando ele passou a figurar no souvenir que levamos com sua cara no fim do mundo. Trekking Laguna Esmeralda Nesse dia pela manhã, fui até a Secretaria de Turismo me informar sobre as formas de chegar até o início da trilha para a Laguna Esmeralda. Procurei também uma loja de aluguel de roupas e acessórios para os passeios no frio. Escolhi uma bota impermeável cano alto. Depois de ver o estado da trilha, cheia de lama por todos os lados, sem opção de desviar da sujeira, achei um ótimo investimento que salvou meu calçado. Os meios de transporte que considerei para chegar no início da trilha foram táxi ou van. O táxi cobrava um valor equivalente a uns 110 reais (somente ida), enquanto a van cobrava cerca de 45 reais (ida e volta), então fui para o ponto em que as vans saem e esperei por cerca de uma hora, já que o serviço funciona com no mínimo 3 passageiros. O trajeto até o início da trilha é na estrada, cerca de 18 km. Encontrei alguém anteriormente na cidade que havia falado que fez esse percurso inteiro saindo da cidade a pé, mas eu preferi poupar um pouco o esforço. O lugar onde chegamos para iniciar a trilha fica num ponto mais alto e nesse dia fui surpreendido pela neve caindo nesse lugar, um cenário lindo, com uma cobertura branca pelo chão e vegetação, numa temperatura de 2°C. A trilha tem cerca de 4 quilômetros, com tempo estimado de 2 horas (fiz em 1,5 hora). Grande parte da caminhada é feita dentro de um bosque, com marcações em azul nos troncos das árvores, indicando o caminho para que a gente não se perca. Ao longo do caminho, como havia chovido durante a noite anterior, era impossível fugir da lama. Há também alguns pontos de subidas que cansam um pouco, mas não são tão extensos, dá para andar em uma toada bem constante. Quando a gente sai do meio do bosque e começa a andar por um descampado, a marcação do caminho passa a ser por estacas amarelas. Nesse trajeto, a lama e a terra mais fofa estão por todo lado e não dá para contornar o caminho. Em alguns pontos, até afunda um pouco, daí é bom ter cuidado onde se pisa, sendo útil procurar troncos e pedras para dar maior segurança. Mas depois que a gente se livra, segue ao longo de um riacho e já está pertinho da lagoa. A Laguna Esmeralda fica bem no pé de montanhas nevadas e é muito bonita. A cor das águas no dia que fiz o passeio não estavam na cor esmeralda porque o sol não saiu hora nenhuma, mas com sorte de um pouco de sol no dia do passeio, o passeio será ainda mais fotogênico. Saí com a bota muito enlameada, aliviado por não precisar permanecer com ela pelo resto da viagem. Peguei o transporte de volta e fui devolver o calçado na loja e restituir o meu, que havia ficado por lá. Atrações para um dia tranquilo na cidade No último dia em Ushuaia, eu só partiria à noite, então deixei a mala pronta na pousada, fiz check-out e aproveitei para fazer passeios mais leves, que não precisavam de deslocamentos por carro. Fui ao museu do presídio, onde também funciona galeria de arte e museu marítimo, no final da Av. San Martí. O lugar funcionou como prisão, quando os presos argentinos eram enviados para trabalhar e construir a cidade, onde os cidadãos comuns não tinham interesse em morar, dado o seu isolamento e frio constante. Achei meio cara a entrada para o museu, em torno de 60 reais, acaba não sendo um estímulo para todos visitarem. A primeira parte do museu traz uma grande quantidade de maquetes de embarcações de países diversos, muito bem feitas e detalhadas, com suas histórias que as fizeram importantes para a navegação. A segunda ala é maior e lá constam a história do presídio, seus presos mais famosos e uma variedade de artigos que fazia parte daquela realidade. Existe visita guiada, mas não coincidiu com o horário que eu estava lá. Mais adiante, há também o museu de arte, mas essa ala só abriria às 16h, então não visitei. Perto dali, visitei a Galeria Temática de História Fueguina, um prédio bonitinho, onde funciona um bar, a galeria mesmo fica nos andares de cima. É um museu de visita rápida, com reprodução de cenários e pessoas em tamanho natural, numa sequência fácil de percorrer, ao mesmo tempo em que a gente vai ouvindo o audioguia (idioma a escolha, inclusive português). São histórias que envolvem os elementos que estamos visualizando, e sua relação com o mundo da época que o cenário retrata. Acaba sendo um bom resumo de muita coisa que a gente viu nos diversos passeios na região.
  25. 5 pontos
    Para melhor entendimento do roteiro que fiz, é preciso explicar que cheguei em Barcelona pelo mar, de navio, em uma terça-feira e ficamos hospedados em uma cidade vizinha a Barcelona, chamada Badalona há cerca de uma hora do centro, na casa de um familiar, o que nos fez economizar bastante. Fomos eu e minha namorada, com três malas ao total. Assim surgiu o primeiro problema, tínhamos bagagem, mas não valia a pena ir até a casa de meu primo, deixar as malas e voltar para o centro, perderíamos tempo demias. A solução que encontramos foi deixar as malas em um locker na Praça Catalunha. Dia 1 - Centro Atracamos no Porto de Barcelona por volta das 08h da manhã, mas só conseguimos de fato estar prontos para iniciar a viagem por volta das 12h (Nossas malas demoraram uma eternidade para aparecer na esteira). Assim que pegamos as malas, pegamos um taxi do Porto até a Praça Catalunha (cerca de 10 euros), deixamos nossas malas no Locker (pagamos cerca de 15 euros e podia ficar até as 20h salvo engano) e começamos o passeio pela Praça Catalunha, que é IMENSA, muito bonita e com pombos até umas horas (pense numa praga kk). Continuamos o passeio subindo a Avenida até a Casa Battló Gaudí, que na época estava em reforma, por isso sua aparência era diferente do que vimos nas fotos antes de irmos. Seguimos caminhada pela Avenida até a Casa Millá (tudo muito perto), esta sim estava linda como esperávamos. Praça Catalunha Casa Batlló Casa Mílla Após tirarmos algumas muitas fotos, demos meia volta e seguimos sentido Praça da Catalunha novamente. Onde se inicia a famosa La Rambla, um calçadão com vários bares no meio da rua e comércio a toda parte que vai desde a Praça Catalunha até o Monumento a Colón, uma estátua gigante, no meio de uma bela praça em homenagem ao descobridor Cristovão Colombo. Las Ramblas Monumento a Colón Depois das fotos, já estávamos morrendo de fome. Até tínhamos comidos umas frutinhas que levamos do navio na mochila durante o passeio, mas já não dava mais conta. Fomos pela La Rambla novamente procurar algum lugar bom e barato. (Importante: TUDO lá é mais caro que o normal e certamente não é o melhor possível, visto que é o ponto mais turístico da cidade. Estávamos ciente disto, mas não tínhamos o que fazer, pois nosso tour continuava pela área). Encontramos um bar que oferecia entrada, prato principal e uma bebida por 15 euros, achamos, em conta comparado aos outros. Dividimos o Menu e comemos uns "Nachos" com queijo (com aspas pois na verdade era Doritos), uma "Paella" tradicional (arroz com alçafrão) e tomamos uma cerveja (com certeza a melhor coisa do almoço. A paella era relativamente grande e deu pra dividir, então saiu 15 euros para os dois o almoço. Não foi dos melhores, mas pelo preço e local, foi a melhor opção. Após almoçar, só tínhamos mais um ponto, para ir, o Mercado La Boqueria, mas como havia tempo, decidimos sair andando pela La Rambla e percebemos as placas indicando uma Biblioteca da Catalunha, a maior bibioteca que vi na minha vida, era imensa, tentamos entrar, mas desistimos pela ignorância da atendente (pode entrar 0800), mas tiramos muitas fotos no hall de entrada e por fora kk. Voltamos para a Rambla no sentido do Mercado La Boqueria. Um mercadão muito grande, com muita variedade, muita coisa diferente, muitos frutos do mar, morangos gigantes. Vimos ouriço sendo descascado para ser refeição, lula e polvos bombados de grande, ostras muuuito grandes (como amante de ostra, tive que experimentar, pelo valor de 3 euros). Mercado La Boqueria Ostra gigante Depois do Mercado já eram por volta das 4h, voltamos a Praça Catalunha, pegamos nossas malas, paramos na Mc Donalds da praça para usar o Wifi e ver no Google Maps a melhor forma de chegar a casa do meu primo em Badalona (O metro é a melhor forma de se locomover em Barcelona, sem dúvidas). Compramos o T-10 por cerca de 10 euros que dá direito a 10 viagens nos transportes públicos de Barcelona (metro, bus e trem). OBS: O google Maps nos ajudou muito, nos guiamos por ele e sempre nos dava a melhor opção. Depois de uma hora no metro em hoário de pico, corre corre, cheio de mala grande, um ônibus, ter parado algumas descidas depois do que deveríamos e uma andadinha de leve com mala até umas horas, chegamos a casa de meu primo, onde comemos uma pizza com ele, tomamos um vinho, planejamos o dia seguinte e formos dormir, mortos de cansados. Dia 2 - Sagrada Família, Parc Guel, Bairro Gracia Acordamos por volta das 8h, tomamos um café da manhã reforçado e partimos. Desta vez sem malas!! kkk Da casa de meu primo até a estação de metro é uma caminhada de cerca de 10 minutos descendo, preferimos ir andando para se ambientar do que pegar um busão. Pegamos o metrô e descemos na estação Sagrada Família (como disse, o Metrô de BCN é fantástico). Tiramos muitas fotos da impressionante Igreja que nunca ficou pronta (previsão para 2022 salvo engano), mas não entramos pois as filas são enormes. Dizem que vale muito a pena, mas como tínhamos poucos dias na cidade e muita coisa a conhecer vimos apenas por fora. Por lá, achamos um wifi grátis e vimos no Maps como ir ao Parc Guell. La Sagrada Família O Parc Guell é gigante, em um morro muito alto com uma vista linda de toda a cidade de Barcelona. Para chegar, ao descer do metrô subimos eternamente por uma escada e depois ladeira até de fato chegar. Lá em cima é lindo, muito grande, cheio de árvores, muitos turistas, ambulantes e nativos fazendo e exercícios. Há uma parte paga no Parc, onde tem os famosos bancos de mármore coloridos, mas estavam em obras e assim apenas facilitou nossa escolha de não pagar. Tiramos muitas fotos, sentamos em banco com mesa e comemos umas frutinhas que levamos da casa de meu primo. Após descansar um pouco já era por volta das 13h, descemos o morro e pegamos o metrô para o bairro de Gracia. Bairro dos estudantes estrangeiros, muito bonito, aconchegante e, principalmente, boêmio. Por indicação de meu primo, que já havia morado por lá, após fazer um passeio pelas ruas e praças, fomos a um restaurante brasileiro delicioso naquele bairro. Pagamos cerca de 22 euros cada um, em um menu completo com bebida perfeito de baum. O nome do restaurante é Miriot, valeu muito a pena e o pessoal de lá é super gente boa. Parc Guel Entradas do Restaurante Miriot, no bairro de Gracia Um outro primo que também mora por Barcelona, marcou de nos encontrar no final da tarde em uma Casa de Jamóns, típico presunto de Barcelona, perto da Praça Catalunha. Fomos andando do Bairro Gracia até lá (cerca de 20 min) e como tínhamos tempo, na caminhada entramos em um Museu 0800 muito legal que estava com exposição sobre o futuro de Barcelona. Encontramos meu primo e fizemos um passeio pelo bairro Eixample, próximo a Praça Catalunha que tem uma estética peculiar (todos as esquinas são em formato de quinas). Já pelo início da noite, paramos em um bar de tapas e tomamos uma cerveja comendo os deliciosos Mexilhões no vapor (pense num troço gostoso). Ao fim, fizemos uma boa de uma caminhada até o Arco do Triunfo, que há noite fica lindo, encontramos o outro primo e pegamos um trem de lá mesmo em direção a Badalona. Ao descer do trem, fizemos aquela andadinha básica de 10min, mortos de cansados, com o frio já pegando, até em chegar em casa e capotarmos. Arco do Triunfo Dia 3 - Ciutadella, La Barceloneta e Mountjuic Começamos o terceiro dia exatamente de onde paramos o segundo. Depois de (claro) um belo café da manhã, pegamos o trem de Badalona até a estação do Arco do Triunfo, onde começamos o mais cansativo dos dias. O Arco do Triunfo fica na "entrada" do Parc de la Ciutadella. Bonito parque onde estão localizados várias estátuas, monumentos e até o Parlamento da Catalunha. Tiramos várias fotos por lá, curtimos o parque, caminhamos ao ar livre e partimos para La Barceloneta, a famosa praia de Barcelona. Para chegarmos lá, demos uma bela de uma caminhada (cerca de 20min). Sentamos em um banco de frente para o mar e comemos nossas frutinhas de lei, conversando besteira, vendo o povo surfar numa água gelada da gota e uma turma jogar um vôlei. Parc de La Ciutadella La Barceloneta Calle de La Barcelonetta Depois de uns 30min relaxando na beira da praia, fomos para a pizzaria NAP em Barceloneta mesmo. Pizza boa, grande e muito em conta. 6 euros a mais barata e 500ml de cerveja foi cerca de 3 euros. NAP Pizza em La Barceloneta Comemos bastante, cientes de que tínhamos muito a fazer ainda naquele dia. De barceloneta, pegamos um busão e descemos na Praça da Espanha (todo o deslocamento com a ajuda do Google Maps, óbvio kkk). Onde pegamos outro bus subindo em direção ao Castelo de Montjuic. Esta área foi construída para as Olimpíadas de 1992. Tendo vários pontos turísticos em sequencia. O ônibus para em cada uma delas (Fonte Mágica, Vila Olímpica, Estádio Olímpico, Jardim Botânico, Fundação Juan Miró e por fim, o Castelo). Tivemos que fazer escolhas tendo em vista o curto tempo (já eram umas 15h da tarde). Então descemos na Fundação Juan Miró e enquanto ela foi admirar as artes (cerca de 16 euros e dura mais ou menos 1h a visita) eu voltei andando até o estádio Olímpico. Nos encontramos após uma hora e pouca, pegamos o ônibus novamente e enfim subimos até o Castelo. Estádio Olímpico O famoso "Poema 3" na Fundação Juan Miró Nesta hora, fiz o maior erro da viagem e deixei minha mulé muito estressada kkk. Assim que chegamos no Castelo tiramos fotos no jardim da frente e na entrda principal e fomos em um caminhinho ao lado, momento em que tive a brilhante ideia de dar a VOLTA no Castelo andando por esse caminho. Não escutei as orientações dela e... andamos 30min e não chegamos a canto algum. (O castelo era imenso e não tinha fim, a curva nunca chegou). Dei a volta e depois de uma hora perdida chegamos no topo com o sol se pondo. Ai foi minha hora de me redimir "Ta vendo? Foi tudo planejado para vermos o pôr do sol daqui". Importante dizer que só fomos na parte 0800 mesmo, não vimos muita necessidade de ir na parte paga pois era apenas para poder subir um andar a cima na vista. O valor não valia a pena. No 0800 não se deixa de ver NADA. O Castelo é muito grande, muito lindo e tem uma puta vista para a cidade e principalmente para o porto de Barcelona. Ficou melhor ainda por termos a honra de ver o pôr do sol lá comendo umas batatinhas que compramos no mercado. Castelo de Mountjuic Pôr do Sol no Castelo Voltando para pegar o último ônibus descendo de volta a Praça da Espanha, minha mulher viu o teleférico e decidiu que no outro dia iria voltar ali para conhecer. Descemos de ônibus até a Fonte Mágica de Mountjuic e chegamos na hora certa para assistir o show da fonte, tudo, de fato, saiu como planejamos. Apesar da perda de tempo tentando dar a volta no Castelo kkk. O show da Fonte Mágica de Mountjuic é completamente INCRÍVEL e IMPERDÍVEL. Você tem que assitir. Dura uma hora e tem dias e horas certas para acontecer. Só buscar no google que acha. Quando estávamos lá, só acontecia de quinta à domingo, sempre às 20h. Assistimos o espetáculo bem na frente (batendo água da fonte na gente) e ficamos de queixo caído, foi lindo. O Castelo e esse show foram pontos muito altos de Barcelona. Show da Fonte Mágica de Mountjuic Após assistir grande parte do show, voltamos a praça da Espanha e fomos ao Shopping que tem lá. O Shopping tem estrutura antiga, era uma arena de touradas antigamente. Hoje em dia é um shopping, mas a fachada continua a mesma. Já estavam fechando tudo, só a praça de alimentação ficou aberta, para nossa sorte. Achei um restaurante que já tinha lido sobre e fomos lá. O nome é Gustos é há em outras localidades também. Dessa vez dividimos um arroz negro e tomamos uma sangria. Sensacional de gostoso e muito em conta, visto que o prato é grande e deu para dividir para nós 2. Arroz Negro com Sangria no Gustos BCN Ao fim, ainda tomamos uma cerveja em um barzinho na calçada da praça, para fechar o dia com chave de ouro. Por volta das 23h pegamos o metrô (que fechava as 00h e não sabíamos, ou seja, demos muita sorte) e uma hora depois, estávamos em Badalona. Ainda fizemos uma caminhada de 10min subindo ladeira, pois os ônibus de Badalona já haviam parado. Já estava muuuito frio também. Então pegamos um sufoco grande no fim desse dia. Dia 4 - Camp Nou, Teleférico, Bairro Gótico e Poblenou Neste dia, dormimos um pouco mais, devido ao intenso dia anterior. Só saímos de casa por volta das 10h da manhã. E os caminhos se dividiram. Eu queria muito ir ao Camp Nou e ela ao Teleférico de Mountjuic. Pegamos o metrô em Badalona e descemos em paradas diferentes. Fiz o tour que todo amante de futebol tem vontade de fazer um dia, entrei no campo onde Messi e Suarez fazem gols e desfrutem do bom Museu Interativo do club. Foi salgado o preço, mas valeu muito a pena. Me custou cerca de 30 euros, com a duração de 1h30min/2h. Camp Nou Enquanto isso ela, foi até a praça da Espanha, subiu de ônibus até o Castelo, e de lá desceu de Teleférico até Barceloneta (vista incrível). Teleférico de Mountjuic Nos encontramos na Praça Catalunha, almoçamos no 100 montaditos (muito ecônomico e gostoso. A cerveja é 1 euro) mais uma vez e fomos para o bairro Gótico, a única coisa que faltava no nosso cansativo roteiro. Chegamos a Catedral de Barcelona, tiramos algumas fotos e demos uma passeada em sua grande dimensão, mas o cansaço acumulado bateu. Vimos um Irish Pub e não pensamos duas vezes. Passamos a tarde tomando Guiness e descansando um pouco. No final da tarde, um de meus primos chegou por lá e fomos com ele conhecer o bairro gótico. Ainda bem que fomos, é muito lindo, ruas bem estreitinhas, muito charmoso. Passamos pela praça onde está localizado o Prédio da Presidência da Catalunha. O palácio da música é um 10, muito bonito por fora e por dentro. Catedral de Barcelona Bar irlândes Calles do Bairro Gótico Palácio da Musica da Catalunha Já à noite, demos uma senhora andada até o o bairro Poblenou (cerca de 30min). Onde encontramos o outro primo e fizemos um pubcrawl pelo bairro. Jantamos em um bar de tapas muito bom da região, onde comemos umas tapas (dentre elas o mexilhões ao vapor, é claro kkk) e tomamos um vinho. Já tarde, ainda fomos parando em alguns bares até chegarmos a casa de um deles. Quando nos despedimos e pegamos o metrô com o outro de volta a Badalona. Mexilhões ao vapor Tapas Dia 5 Praia de Badalona No útimo dia, depos de termos tomado algumas na sexta-feira. Dormimos mais novamente. Tomamos café por volta das 11h e fomos para a praia de Badalona mesmo com meus primos, sua esposas,a filhinha de cada um deles. Levamos comida e cerveja e ficamos na areia da praia de Badalona relaxando um pouco depois de dias corridos. Ainda passeamos pelas Calles centrais de Badalona, perto da praia e voltamos em casa por volta das 15h para nos arrumamos. Praia de Badalona Meu primo nos deixou no Aeroporto e partimos para Lisboa. O post ficou imenso, mas muitooooo detalhado. Espero ter ajudado quem ta se programando para ir a essa cidade fantástica. Para mim, na Europa, está pau a pau com Amsterdan. Com certeza não fui, até agora, em nenhuma melhor que elas. Qualquer dúvida é só falar!
  26. 5 pontos
    Na primeira semana de outubro, fui com um amigo conhecer Arraial d'Ajuda e cidadezinhas próximas: Trancoso e Caraíva. Fomos do Rio de Janeiro de GOL (vôo com escala em Brasília), chegamos em Porto Seguro às 11:20h. Não alugamos carro, fizemos tudo por conta própria. Vou detalhar tudo para vocês. Fiquei hospedada em 2 hotéis da Rede Porto Firme: Saint Tropez e Arraial Bangalô. Do dia 02 a 04 no primeiro, e do dia 04 a 07 no segundo. Ambos são MARAVILHOSOS! O Saint Tropez tem um ar de sofisticação e o atendimento foi perfeito, a praia do Parracho, que fica em frente, é tranquila e muito bonita. Andando 800m para a direita, praia da Pitinga, e 800m para a esquerda, praia do Mucugê. Fiz ambos os trajetos andando pela areia. Tranquilo! A localização é um pouco afastada do centro, mas taxis levam e trazem por R$20 o trecho. Fui em dupla, então, R$10 pra cada (as vans custam R$3,50). OBS.: Para ir ao centro, o hotel oferece uma van às 18h para os hóspedes. Super recomendo para quem gosta de glamour, sofisticação, sossego e pé na areia! O Arraial Bangalô é todo cercado de árvores e pé na areia mesmo (cadeiras de sol na areia dentro do hotel). A praia em frente é a Apaga Fogo, que possui em algumas épocas do ano, desova de tartarugas bem em frente ao hotel. Quando a maré está baixa se formam algumas piscinas naturais em frente ao hotel. E por possuir muitos recifes de corais e pedras em frente (com ouriços e peixinhos), basta andar 30 metros para direita ou esquerda, para conseguir entrar no mar. A praia é deserta, muito tranquila! Ponto positivo: O hotel fica muito perto da balsa que leva a Porto Seguro e mais perto do centro. Vans passam a todo instante e rodam a noite toda. R$3,50 é o preço. PRIMEIRO DIA (02/10 - terça-feira): Chegamos em Porto Seguro pela GOL às 11:20h. Do aeroporto pegamos um táxi até a balsa de Porto - Arraial d"Ajuda (R$30 reais). Atravessamos de balsa (R$4,50) e do outro lado pegamos uma van que fica parada logo ao lado da balsa (R$6,00). Encheu, saiu. A van nos deixou em frente ao nosso hotel (Saint Tropez). Fizemos nosso check in e fomos almoçar na Cabana Uikí, que fica ao lado do hotel (melhor acesso pela areia). Tinha uma banda ao vivo, muito animada. Pedimos uma moqueca de frutos do mar para dois (R$119), que servia três. Muito saborosa. Aproveitamos o resto do dia no hotel, tomando nosso drink de boas vindas e tirando fotos da paisagem e atrativos. A Praia do Parracho é bem tranquila e bonita. À noite, pegamos a van do hotel (exatamente às 18h eles disponibilizam para os hóspedes uma van para levar ao centro) e fomos conhecer a Rua Mucugê e o Beco das Cores. Depois, fomos à Pizzaria Paolo, localizada próximo à Rua Mucugê, no coração de Arraial D'Ajuda. O restaurante é muito aconchegante e acolhedor, com mesas em volta de uma gigantesca árvore. As opções de pizza são inúmeras. Pizza de massa feita NA HORA e bem fina, assada em forno à lenha, muito saborosa. Você vê sendo feita, um charme a parte! Uma pizza grande serve tranquilamente 4 pessoas e tem preço justo! No sabor, há opções para todos os gostos, inclusive combinações de ingredientes, com toque especial do Chef Paolo, uma figura muito simpática e acolhedora. Escolhemos metade Portuguesa Especial e metade Caprese (com mussarela de búfala, rúcula e tomate cereja), uma delícia. Pedimos cerveja para acompanhar. Uma das melhores pizzas que já comi! Super recomendo o restaurante pelo ambiente (que é uma graça), pela comida e pelo excelente atendimento. SEGUNDO DIA (03/10 - quarta-feira): Tentamos fechar um passeio para Trancoso + Praia de Taípe, mas não haveria saída na quarta. Então, resolvemos conhecer Trancoso por conta própria. Pegamos um táxi para o centro (R$20), e esperamos a van para Trancoso (R$12). Uma hora depois, chegamos à Praia dos Coqueiros. Lá, ficamos na Cabana Enseada Beach Trancoso. Tomamos uma Original 600ml (R$20) e só. Achamos os valores bem altos. O espaço tem chuveirão e banheiro. Além de rede para descanso junto ao restaurante. Andamos um pouco até a Praia dos Nativos (tem que atravessar o rio) e voltamos para conhecer o Quadrado. O vilarejo é muito tranquilo e traduz a paz. Lá tomamos um açaí de 500ml na Açaiteria Trancoso. Delicioso! Pegamos a van de volta à Arraial d"Ajuda às 14:30h (R$12), visitamos o Centro Histórico (igreja, mirante das fitas e lojinhas para comprar lembrancinhas) e depois paramos na Rua Mucugê para um "almojanta" PF de respeito (no Varanda Mucugê) e depois aproveitamos o finzinho de tarde no hotel. TERCEIRO DIA (04/10 - quinta-feira): Este dia foi um pouco corrido, já que precisaríamos fazer check out e check in no hotel novo. Acordamos cedo e fomos conhecer a Praia da Pitinga. Praia linda com falésias e mar calmo. Voltamos umas 10h, arrumamos nossas coisas e fizemos check out no Saint Tropez. Deixamos a mala na recepção e fomos almoçar na Cabana La Plage, na Praia de Mucugê (800m do hotel pela areia). O ambiente é lindo e acolhedor, tem espreguiçadeiras, redes e lounges para uso dos clientes, um excelente lugar para passar o dia e tirar muitas fotos lindas. Pedi uma cerveja assim que cheguei, e já agendei meu almoço. Fiquei relaxando no lounge, curtindo a música e olhando o mar. O almoço é servido em mesas dentro do ambiente. Sem problemas deixar os pertences longe. Mesmo para uma Carioca acostumada com a violência, confiei e me surpreendi. Almocei uma moqueca de camarão para dois (que serviu duas pessoas duas vezes, rs), bem temperada e muito saborosa, e, para acompanhar, uma cerveja, que estava super gelada. O preço é abaixo de outras cabanas que conheci. Voltaria, com certeza e indiquei para todos os amigos! Destaque para o DJ pelas ótimas escolhas musicais, tocou de rock à eletrônico. Dancei e cantei junto. Parabéns ao dono, Laurent, pela administração do local, e aos seus funcionários pela simpatia e cordialidade! Quando vier, não deixe de passar por aqui. Voltamos para pegar nossas malas e pedimos um táxi até o Arraial Bangalô (R$35). Fizemos check in e passamos o resto da tarde aproveitando a piscina do hotel tomando um drink de morango delicioso. À noite, novamente, fomos à Rua Mucugê e comemos um hambúrguer artesanal na Hamburgueria Mucugê. Super recomendo! O pão se assemelha com o do Madero e paguei apenas R$18 num hambúrguer artesanal e muito gostoso. Pedimos meia porção de fritas e um refrigerante para acompanhar. Neste dia, queríamos ir à Quintaneja do Morocha Club, mas começava as 23h e tínhamos passeio no dia seguinte. Voltamos! QUARTO DIA (05/10 - sexta-feira): Fechamos o passeio para a Praia do Espelho com a Portal Turismo (R$60 no dinheiro) e eles passaram pra pegar a gente às 8:10h. O guia Fernando e o motorista baiano que me fugiu o nome agora, são muito atenciosos e divertidos. Nota 10 para o serviço! No caminho passamos por uma aldeia indígena, a Aldeia de Imbiriba. Descemos para tirar fotos e comprar utensílios. Dica: as crianças deixam você tirar foto com as aves, dois reais e elas ficam felizes da vida. Entre para ver os preços das peças e se surpreenda positivamente. Chegamos na Praia do Espelho às 10:30h e lá ficamos no Bar e Restaurante Aconchego do Espelho. Não nos cobraram consumação mínima porque eles são parceiros da Agência, mas consumimos uma carne de sol com mandioca (R$60) e uma Brahma 600ml (R$12). Voltamos no horário combinado (15:30h) e passamos para dar outra volta em Trancoso (40min). Tomamos um sorvete na Sorveteria Mucugê, no Quadrado. A loja tem uma árvore imensa dentro, saindo pelo seu telhado. Incrível! Chegamos às 18h no hotel. Cansados! rs Pedimos um hamburguer do hotel e dormimos cedo, amanhã tem mais passeio! QUINTO DIA (06/10 - sábado): Queríamos conhecer Caraíva, mas ficamos com receio de ir por conta própria, mas depois vimos que seria tranquilo, porém mais demorado. Então fechamos um passeio com a Cacau Tour (já que a Portal não tinha fechado grupo) - (R$70 no dinheiro). Passaram pra buscar a gente também às 8:10h. O motorista Nando é um amor! Às 10h chegamos para atravessar o rio. Ao chegar em Caraíva há estacionamento "do lado de cá" do rio (não sei o valor). Dali é só cruzar de canoa (R$5) e em menos de cinco minutos você já estará na vila, onde não circulam carros. A Vila é toda de areia fofa. Fomos direto para a praia e nos largamos no bar da Casa da Praia, que possui puffs da Corona muito confortáveis e colchões com almofadas coloridas. É pra relaxar MESMO! Conhecemos a praia e tomamos banho no rio ao lado esquerdo no final e depois voltamos para petiscar uma batata-frita (R$29). O atendente Junior é super atencioso. Infelizmente (ou não), em Caraíva não tem fácil acesso a internet. Fiquei o dia inteiro sem redes sociais! rs Às 16:30h atravessamos de volta (R$5) e esperamos o Nando para voltar para Arraial d'Ajuda. Chegamos no hotel ainda com sol e degustamos um espumante para já ir nos despedindo do paraíso! À noite fomos jantar no Cantinho Mineiro (na Brodway). Comi um contra-filé acebolado (R$24) e uma Brahma 600ml. Muito gostoso! SEXTO DIA (07/10 - domingo): Nosso vôo era cedo, infelizmente. Tomamos café da manhã e fomos para a balsa de van (R$3,50), atravessamos o rio (a volta é de graça) e pegamos um táxi até o aeroporto (R$30). Escala em Confins. Chegamos no RJ às 14:50h. DICAS: • Se tiverem mais tempo, conheçam Taípe e Araçaípe. • Sempre perguntem se as cabanas e bares das praias possuem consumação mínima. • Não tenham medo de andar de transporte púbico.
  27. 5 pontos
    Basicamente estes foram os gastos que antecederam a viagem. Em relação aos passeios pagos, eu basicamente faço questão de apenas um. Tive que comprar com antecedência por se esgotar muito rápido. Vou deixar uma imagem como dica, hahahaha. Custou £ 45.00 (R$ 255,90).
  28. 5 pontos
    DIA 20/04/2019 - Centro de Santiago e Cerro San Cristóbal Neste dia acordamos cedo para aproveitar ao máximo nosso primeiro dia "completo" em Santiago. Por volta das 08:00 já estávamos de pé, tomamos café da manhã no apartamento, preparamos alguns lanches para deixar na mochila e saímos para a rua. Uma sugestão para quem quiser economizar com comida no Chile, além de cozinhar na acomodação, é levar algum lanche com frios, barras de cereais e chocolates para os passeios que sejam de dia e deixar para jantar "comida" em algum restaurante que seja um pouco mais caro. Indo em direção ao centro da cidade, nossa primeira parada foi na Rua Agustinas para fazer câmbio. Aqui um detalhe importante: apenas troque no aeroporto o necessário para o primeiro dia caso chegue após o horário comercial, pois a cotação de lá é sempre péssima. Trocamos 200 reais a 156 pesos no aeroporto (horrível) e o restante trocamos na Rua Agustinas a 167 pesos (não muito bom também, mas foi a melhor cotação que encontramos durante nossa estadia por lá, por incrível que pareça). No Atacama a cotação é ainda pior: chegamos a ver 1 real por 140 pesos 😣 Então se não passar por Santiago, leve dólares para o deserto, o prejuízo talvez seja um pouco menor. Site para verificar o câmbio no Chile: https://www.cambiosantiago.cl/ Na rua Agustinas sempre estará nessa média do site ou pouco maior que isso. As melhores casas de câmbio estão entre os pasos Bandera e Ahumada. Seguimos nosso rumo e paramos no paso Bandera, famosa rua de Santiago que possui várias artes coloridas e alguns artistas de rua tocando música, exibindo quadros, muito legal e diferente, vale a visita. Fomos ao Palacio de La Moneda, que é a sede do governo chileno. Muito bonito e imponente, naquele dia não haveria a famosa troca de guarda. Seguimos adiante e paramos na Plaza de Armas, que é o marco zero da capital e possui uma série de edifícios históricos ao seu redor, incluindo a belíssima catedral de Santiago. Há alguns museus e locais com exposições culturais também, mas não entramos devido estarem fechados. Entramos na catedral e estava sendo rezada uma missa, então sentamos por cerca de meia hora e ficamos acompanhando um pouco. Não sou religioso, mas acho interessante vivenciar a vida de cada lugar, incluindo nessa âmbito. Saindo da catedral, fomos ao Mercado Central de Santiago e se você quiser comprar lembrancinhas para levar ao Brasil, aqui é o lugar! Diversos chaveiros, bibelôs, canetas, camisetas a preços bons e com descontos se levados em certa quantidade. Ao lado do Mercado, paramos no Empório Zunino para comer a famosa empanada que é típica de países como Chile e Argentina. Achei parecida com a nossa esfiha 🤣 Mas com a massa um pouco mais seca. Experimentamos os sabores de pino (carne, ovo) e queijo, ambos são bons, mas ainda prefiro a nossa esfiha 🤣🤣 A essa hora da passava das 13hrs, voltamos ao apartamento para usar o banheiro (os banheiros públicos em Santiago são difíceis de encontrar! Havia alguns no centro, mas todos fechados). Saímos novamente e fomos em direção a estação de metrô Parque Almagro, que era a mais próxima de onde estávamos hospedados. Mais uma ressalva aqui: é muito fácil e eficiente andar de metrô em Santiago. Todos os pontos turísticos são facilmente acessíveis por ele. Ou seja, achei o Uber bem dispensável, a não ser que esteja com crianças pequenas. Pegamos o metrô e descemos na estação Baquedano, que é a mais próxima do Cerro San Cristóbal (ou parque metropolitano). Chegamos ao parque pouco depois das 15hrs e estava uma fila enorme para subir o cerro através do funicular, demoraria provavelmente uma hora para que chegasse nossa vez. Se você não fizer questão de subir de funicular, há uma opção mais rápida e barata que é pegar o ônibus do parque que parte de 15 em 15 minutos e te deixa no cumbre. Foi o que escolhemos. Os ônibus partem à esquerda da fila do funicular. Pouco mais de 10 minutos depois, chegamos ao cume do cerro. O lugar é lindo! É possível avistar Santiago por completo lá em cima e as cordilheiras. Infelizmente, Santiago é uma das cidades mais poluídas no mundo e quase sempre está com uma fumaça no horizonte chamada "smog", o que impede a visualização completa das cordilheiras. Isso só melhora quando chove. Ficamos no parque até por volta das 18hrs, quando resolvemos descer, mas dessa vez de teleférico. Vale muuuuuito a pena! O ingresso custou 4.400 pesos para duas pessoas e conseguimos ver o pôr do sol durante a descida, o Sky Costanera imponente sendo a torre mais alta da América Latina e uma visão privilegiada de Santiago. Gratidão! Ainda demos um pulo no Sky Costanera para vê-lo de baixo (é possível subir, mas não achei que valesse a pena pelo valor cobrado), tamanho impressionante. E voltamos ao apartamento para jantar, descansar e nos prepararmos para o próximo dia, que seria de tour a vinícola.
  29. 5 pontos
    5 Dias em Alter do Chão. Como economizar o máximo possível. Outubro de 2018 Chegando ao aeroporto de Santarém, fui diretamente ao lado que fica a parada do ônibus que leva até o centro da cidade. O ideal, é ficar 2 paradas após a estrada que liga a Santarém a Alter do Chão, pois de meia em meia hora, passa um desses ônibus que leva até a Vila de Alter. Pode também ir até o centro da cidade e pegar o busão até a Vila, porém é uma imensa perca de tempo. Se gasta aproximadamente 5 reais nas 2 passagens de ônibus, (Aeroporto a entrada da estrada a Vila e o outro ônibus da entrada até a Vila). Em Alter do Chão, já na Vila, já deve ter feito a reserva da pousada, hotel, hostel ou quarto, reserve pelo AIRBNB, é muito mais barato e se tem muitas dicas das pessoas que do local me deram. 1 dia, foi a chegada na Vila, fui direto para a Praia, atravessei de canoa, paguei 1 real, pois dividi com mais 3 pessoas a travessia. Tomei uma cerveja para melhor contemplar aquele espetáculo inacreditável que estava vendo, Alter é simplesmente FANTÁSTICO, lindo mesmo. Após degustar a cerveja, fui dar um mergulho, naquela água azul esverdeada. Estava morna, é isso mesmo, a água é morna, gostosa e não dá vontade de sair nem para comer, e olha que eu estava varado de fome. Lá pelas 15 hora, a fome apertou e pedi para o garçom trazer 1/4 de tambaqui, (pensa em um peixe saboroso), e mais 1 cerveja. paguei 20 reais pelo almoço (1/4 de tambaqui, arroz, feijão, farofa, molho + a cerveja). No jantar, a atendente da pousada, me falou que era para ir no CAT, no final da rua e lá tinha sopa por um bom preço, eu diria, excelente peço, 10 reais com direito a 3 ovos, não dei conta de comer tudo, era muita comida, provavelmente para 2 ou 3 pessoas. 2 dia, fui a praia e lá tinha um passeio para outra praia, Ponta de Pedras, em um barco regional, 25 reais por pessoa com direito a uns lanches que dão a cada 15 a 20 minutos, comi muito, que na hora do almoço, (não incluso), não estava com fome, e no retorno, paramos para apreciar um belíssimo por do sol em outra praia, Ponta do Cururu. O jantar foi o mesmo do dia anterior 3 dia, fui a Ponta do Cururu, pois tinha achado muito linda e queria passar o dia lá, não tem onde comprar nada, tem de levar de Alter do Chão. Como dividi com mais 5 pessoas o valor do passeio, 15 reais para cada, levamos refri, cerveja, bolachas e frangos assados, foi diversão maravilhosa, pois as pessoas que foram em outras lanchas ou barcos, se juntaram a nós e todos comeram e beberam de tudo, pois todos levaram comidas e bebidas, era como se fossemos conhecidos a longos tempos. 4 dia. fui a Pindobal, o grupo do dia anterior, todos juntos em lanchas, 4 lanchas se não me fala a memória, só que em Pindobal, já na cidade de Belterra, tem uma boa infra estrutura, não como de Alter do Chão, porém tem o que comer e beber, como também pousadas. Diversão garantida. 5 dia, fiquei em alter mesmo, queria ficar naquela água abençoada pelos deuses, passeio horas e horas, até me lembrar que o voo saia pela tarde Gasto total, sem as passagens: 600 reais, tinha levado 2 mil. O segredo foi dividir TUDO, tem pessoas indo e vindo ao mesmo lugar que você quer ir. Se você não dividir com outras pessoas, os passeios ou a travessia a ilha, vais gastar muito mais.
  30. 5 pontos
    Parte 6 - O começo da Ruta 3 e o mar de Claromecó "Exageramos sempre as coisas que não conhecemos." O Estrangeiro, Albert Camus Quando convidei o Matheus a encarar essa viagem comigo, ele ainda estava na ecovila em Piracanga. Nessa ecovila moram alguns argentinos e já passaram outros diversos hermanos por lá. Assim, os argentinos da ecovila sabendo da viagem, que o Matheus logo iniciaria, resolveram ajudar com contatos pela Argentina. A Silvina conversou com sua mãe e tivemos hospedagem em Buenos Aires. Depois o pessoal passou contato de um casal, Carlos e Ana, que haviam morado na ecovila e que hoje moram em Tres Arroyos. Pegamos o ônibus com destino a Tres Arroyos, pagamos bem baratinho pela passagem. Tres Arroyos fica a quase 500 km de distância de Buenos Aires, seria uma longa viagem. Entramos no ônibus e agora sim a nossa busca pelo fim do mundo tinha começado. Quando pela janela do bus eu avistei pela primeira vez a quilometragem da Ruta 3 o coração disparou. Até então a viagem estava sendo boa demais, demais mesmo, mas eu sentia que estávamos adiando o nosso principal objetivo e agora o adiamento tinha terminado. A Ruta 3 nos levaria para Ushuaia e agora viajávamos sobre ela. A Ruta 3 é uma rodovia que tem 3079 km de extensão. A rodovia se inicia nos arredores de Buenos e termina na Bahia de Lapataia em Ushuaia. Ela corta toda a Patagônia Argentina margeando o Oceano Atlântico. A Ruta 3 é uma (a outra é a Ruta 40) das duas mais importantes rodovias da argentina. A Ruta 3 se caracteriza por ser reta e plana em quase todo o trajeto. A viagem foi tranquila, ganhamos uma caixinha com alguns doces de café da tarde. Tinha um alfajor de morango sensacional. Uma guria que estava sentada do nosso lado ao ver nossas caras de esfomeados deu sua caixinha para nós. Depois fiquei a olhar pela janela do ônibus. O sol estava descendo na direção da minha janela. Peguei o sol de frente toda viagem, mas mesmo assim não parava de ver aquela belezura dos pampas. Eu vejo muita beleza na imensidão, e o pampas é isso, uma imensidão de mesmos cenários por milhares de quilômetros. Mas que lindeza é o descer do sol nesse lugar. Sol que se pôs apenas as nove horas da noite. Quando a noite tomou conta, já não sentia mais meu rosto que estava todo queimado de sol. Pouco depois de escurecer totalmente chegamos em Tres Arroyos. Foto 6.1 - Os Pampas pela janela do ônibus Foto 6.2 - A Ruta 3 Foto 6.3 - Um pouco mais da vista do ônibus Foto 6.4 - Mais um pouco Foto 6.5 - O descer do sol nos pampas argentinos No dia anterior o Carlos por mensagem tinha nos perguntado se queríamos conhecer Claromecó, uma cidade praiana perto de Tres Arroyos. Respondemos "Bora" ou melhor, como estávamos na argentina tivemos que adaptar e respondemos "Buera". Assim, chegamos em Tres Arroyos e conhecemos o Carlos, já em seguida entramos na sua caminhonete e partimos para Claromecó. O Matheus e o Carlos conversavam na frente. Eu me desconectei do mundo ao avistar pela janela da caminhonete o mar de estrelas no céu. Que lindo estava aquele céu. Fazia algum tempo que não via um céu tão bonito. Das coisas que mais gosto de fazer é ficar paralisado olhando o céu. A paixão surgiu na adolescência quando eu queria ser astronauta, ficava imaginando eu sendo o explorador daquele montão de desconhecido. Depois o céu foi a forma que encontrei de matar a saudade das pessoas que não estão mais entre nós. Assumi aquela história que é contada na infância como verdade e passei a acreditar que quando uma pessoa amada se vai ela vira uma estrelinha. Quantas boas lembranças me veio naquele momento. Os olhos marejaram e fiquei com vontade de ter um corda de tamanho infinito pra puxar de volta aquelas estrelinhas que tanta falta faziam para mim. Depois de quase uma hora de viagem chegamos na casa do Carlos e da Ana em Claromecó. Com um sorriso gigante e um abraço apertado a Ana nos recebeu. Não tinha como não sorrir com aquela alegria que ela estava ao nos receber. Ela tinha preparado uma jantar de recepção. Não tínhamos comido o dia todo, além daqueles doces no ônibus. Então, comemos como dois cães famintos. Só depois as conversas se reiniciaram. Carlos e Ana são terapeutas holísticos e vivem entre Tres Arroyos e Claromecó. Eles atendem nas duas cidades, mas preferem a calmaria de Claromecó. São seguidores do Prem Baba e apaixonados pelo Brasil, já estiveram diversas vezes pelo país e moraram em Piracanga por uma temporada. Até então estávamos alheio as notícias do mundo, de propósito por sinal. Nesse dia perguntei aonde seria a final da Libertadores da América e fiquei surpreso em saber que foi Madrid a cidade escolhida para o épico River x Boca. O campeonato de futebol do nosso continente, que em seu nome homenageia nossos libertadores do colonialismo europeu, teria seu maior capítulo na capital espanhola ou seja a capital dos colonizadores. San Martin e Simon Bolívar devem ter se revirado em seus túmulos. Parecia uma piada de mal gosto essa escolha. Carlos era pontual em dizer: "Não tem mais graça essa final". Ficamos até altas horas conversando e tomando mate. Fiquei surpreso em saber que os dois eram fãs do Porta dos Fundos. Conversamos sobre o vídeo do Porta, que tinha saído a pouco tempo, que satiriza o então candidato a presidência (que naquele dia já era presidente eleito) que acredita que os africanos foram os únicos responsáveis pela época da escravidão. O vídeo fez a conversa seguir para o tema do racismo no Brasil e a Argentina. Concluímos que a propagação dessas teorias absurdas sobre a escravidão brasileira mostram o quanto vivemos num país com um racismo enraizado e ao mesmo tempo velado. Sempre acreditei que a escravidão na Argentina foi feita em sua grande maioria com indígenas, mas o Carlos explicou o passado do seu país. A Argentina chegou a ter 50% de população negra, mas com a abolição da escravatura os negros foram usados como "bucha de canhão" na Guerra do Paraguai, depois foram largados a margem da sociedade e hoje são apenas 3% da população argentina. Diferente do racismo velado do Brasil, na Argentina o racismo é mais explícito. A ironia de toda essa história é que o símbolo da cultura argentina, o Tango, foi inventado pelos negros. No outro dia já no café da manhã começamos as conversas. Ficamos um bom tempo na mesa batendo papo sobre tudo. O assunto desse momento que me vem a memória é sobre a paixão incondicional dos argentinos pelos seus ídolos. Na verdade essa paixão exacerbada sempre me encantou, não existe meio amor lá. Carlos não gosta muito desse amor todo, dizia que tira um pouco da racionalidade. Evita, Che, Mafalda, Maradona e agora o Papa Francisco são os ídolos master desse país chamado Argentina. Mas me diz, como o Maradona não seria "Dios" aqui? Em 1982 a Argentina declarou guerra contra a Inglaterra, nesse momento o país era uma ditadura e o nacionalismo tomava conta da população. Assim, o governo achou que era hora de recuperar a posse das ilhas Malvinas, que estavam sob o domínio inglês. A guerra não durou 2 meses e a Argentina saiu derrotada. Em 1986, quartas de final da Copa do Mundo, Argentina e Inglaterra estão frente a frente novamente. Agora no campo de batalha do futebol. Talvez esse é o único campo de batalha que os sulamericanos lutam de igual pra igual com os europeus. Nesse jogo épico Maradona se transforma em Deus. Primeiro faz um gol de mão e logo em seguida dribla o time todo inglês pra fazer o gol mais emblemático de todos os tempos. No final do jogo ao ser perguntado sobre o gol de mão, resumiu em "Foi a mão de Deus" (risos). Dando a entender que aquele fato era um reparação histórica, só não da pra entender se quando ele se referia a Deus era sobre ele mesmo ou sobre o divino. Foto 6.6 - Nosso novo lar Saímos para caminhar pela orla. Primeiro passamos em frente do Castillo de Claromecó. Essa é uma construção que lembra um castelo medieval, mas por falta de recursos o dono não terminou a construção. O Carlos contou que o Castillo foi uma prova de amor do dono com a mulher, ele queria que a mulher vivesse como uma rainha. Porém, o dinheiro acabou antes da esposa virar uma nobre. O Castillo é todo bonitão e quebra a paisagem da orla de Claromecó composta de uma infinidade de areia. Foto 6.7 - A lateral do Castillo de Claromecó Foto 6.8 - O Castillo de Claromecó Foto 6.9 - O Castillo na paisagem Depois caminhamos horas e horas pela orla. As conversas seguiam. A Ana precisava fazer um atendimento e nos deixou no meio da caminhada. Continuamos o caminhar. Era a minha primeira vez em uma praia argentina. Molhei os pés e água estava congelante. A praia é toda charmosa e não tinha quase ninguém. Claromecó é como uma cidade fantasma, fica vazia quase todo o ano, e somente no verão a galera vai para lá, mas em dias ensolarados a Ana disse que a cidade de Tres Arroyos se muda inteira para Claromecó. Foto 6.10 - O mar Foto 6.11 - Ana e Carlos Foto 6.12 - O farol Foto 6.13 - Matheus, Ana e Carlos Foto 6.14 - A orla Enquanto caminhávamos pela areia da praia de Claromecó surgiu um cachorro todo engraçadinho. Ele não tirava os olhos dos nossos pés. O Carlos já o conhecia e disse que ele gostava de comer areia (risos). Ai o Carlos foi lá e chutou um pouco de areia pra cima, o dog ficou maluquinho e pulou em direção da areia voadora com a boca aberta. Eu chorei de dar risada. E assim ele nos acompanhava na esperança que chutássemos areia pro alto. Chutei várias vezes e o bichinho não cansava. A melhor parte foi quando sai correndo chutando areia e ele veio atrás como louco, só fomos parar com a correria na água gelada do mar, e põe gelada nisso. Foto 6.15 - O cachorro maluquinho Foto 6.16 - A praia Uma coisa que Carlos nos contou que me chamou a atenção foi que a maior paixão do argentino é o automobilismo e não o futebol. Não sei o quanto isso é verdade, mas nunca tinha prestado a atenção nisso. Nos contou sobre os diversos eventos de automobilismo que ocorrem no país. Disse também que em determinada época o país se dividia entre GM versus Ford, tamanha era a rivalidade dos amantes de automobilismo. E toda vez que saímos para caminhar mostrava os Claromachines, que são carros adaptados que não podem circulam nas cidades, mas circulam em lugares como Claromecó. Os Claromachines são como as gaiolas aqui no Brasil, mas tem uma diversidade muito maior, principalmente esteticamente falando. Tinha uns bem engraçados. Foto 6.17 - Claromachine Foto 6.18 - Outro Claromachine No fim da orla a Ana estava nos esperando de carro. Entramos no carro e fomos conhecer a reserva florestal de Claromecó. O lugar é bem bonito, mas dois anos antes teve um incêndio que quase exterminou a floresta. As marcas são bem visíveis ainda hoje. Depois do incêndio a prefeitura liberou a população a cortar madeira na região morta da floresta. Essa madeira é utilizada pela população para abastecer o sistema de calefação das casas. Foto 6.19 - A floresta de Claromecó Foto 6.20 - Mais um pouco da floresta Foto 6.21 - Un pouquito más Voltamos para casa. O Carlos e a Ana prepararam um almoço vegano sensacional. Foi demais aquela comida. Logo depois eles foram tirar a famosa "siesta". Eu e o Matheus voltamos pra praia e ficamos por lá o resto da tarde. Ficamos trocando ideia a beira mar. Depois subimos até o farol da cidade, lugar que se tem a melhor vista da cidade. Foto 6.22 - De frente ao farol Foto 6.23 - O farol e eu Foto 6.24 - Claromecó Foto 6.25 - O pôr do sol Foto 6.26 - Matheus e o mate No caminho de volta estávamos conversando distraídos. Passamos por um ônibus e depois de uns 10 segundos olhei de novo para o busão e me recordei do filme Na Natureza Selvagem. O ônibus lembrava muito o "Magic Bus" do filme. Só pensei naquela hora em tirar a foto característica do Chris McCandless vulgo Alex Supertramp. Foto 6.27 - O Magic Bus Foto 6.28 - Foto referência Na Natureza Selvagem Voltamos e as boas conversas continuaram. A noite chegou e estava frio. As madeiras queimando na lareira iluminavam o ambiente. A essa altura já estávamos viciados em mate argentino e o Matheus já dominava a arte de preparar o mate. Ficamos o resto da noite assim, tomando mate e conversando sobre tudo. Desde de temas complexos até bobeirinhas do cotidiano. Ana e Carlos falaram sobre a volta de Piracanga até Tres Arroyos de carro. Carlos tem descendência holandesa e nessa viagem quis passar por Holambra para conhecer um pouco mais de suas raízes. Holambra fica cerca de cem quilômetros da minha cidade, é tão pertinho, mas eu não conheço. Eles gostaram bastante de Holambra. Depois seguiram para região de Blumenau para a Ana conhecer um pouco mais de sus raízes alemã. Ela ficou feliz em saber que as tiaras floridas que ela usa por achar bonito, era algo tradicional da cultura alemã. Depois tiramos uma foto todo mundo junto e fomos dormir. Foto 6.29 - Carlos, Ana, Matheus e Eu Acordamos cedo e a Ana preparou um bom café da manhã. Tomamos mate. Arrumamos as mochilas e colocamo-as na caminhonete. Entramos no carro e seguimos para Tres Arroyos. Dentro do carro o silêncio tomava conta. Agora conseguia ver o caminho que dias antes tinha percorrido no escuro. Tudo muito bonito por sinal. O Carlos chamou a atenção pelo fato que na Argentina os terrenos a beira pista não são colados na pista como no Brasil. As cercas se iniciam mais ou menos a uma distância de quinze metros da rodovia. Depois notei que por toda a Argentina é assim. Ele não soube explicar o porque daquilo. Talvez seja pensando numa futura ampliação das rodovias. Chegamos em Tres Arroyos e o Carlos nos deixou num posto da YPF na saída da cidade sentido Bahia Blanca. Ana e Carlos iriam trabalhar pela cidade em seguida. Despedimos dos dois com abraços apertados. Ana não parava de sorrir. Assim, eles se foram e ficamos mais uma vez em companhia da estrada. Claromecó é um lugar que nunca imaginei conhecer, na realidade nem sabia de sua existência. Estar ali em suas ruas vazias me fez pensar o quão bom é não ter planos. A falta de planos tinha me levado ali, e estava muito feliz em poder conhecer aquele lugar mágico na companhia da Ana, Carlos e do Matheus. Como eu gostei de estar ali. Tenho muitas saudades daqueles momentos. O Carlos sempre pontual em suas observações, me fez refletir sobre muita coisa. Ele é um cara inteligente demais e com uma visão aberta de mundo. Ana se destaca por sua alegria e por sempre estar sorrindo, me fez sentir em casa. Conhecer um pouco mais da história argentina pelo olhar da Ana e do Carlos me enriqueceu bastante. Buenos Aires, Tres Arroyos e Claromecó são três cidades que tive a oportunidade de conhecer por causa da distante Piracanga. Nesses primeiros dias de Argentina, ouvi quase sempre o nome de Piracanga. Fiquei com muita vontade de conhecer o lugar que de alguma forma estava conectando nossa viagem em terras argentinas.
  31. 5 pontos
    É... Viajar de carona requer uma boa dose de coragem e outra de paciência. Recentemente saí de Fortaleza em direção ao RS pegando carona. Foram 18 dias de viagem. * Mulher sozinha pegando carona é algo realmente complicado, mas acompanhada de outro homem (ideal), é tranquilo; * Postos fiscais até servem para se pedir carona, mas a Polícia Rodoviária complica tudo e até te impede de pedir carona na frente do posto. Em Pernambuco, por exemplo, não só não deixavam pegar carona perto do posto, como me vigiaram em alguns trechos; * Procurar sempre lombadas ou outras coisas que façam o veículo reduzir bastante a velocidade. Se o carinha estiver a milhão, não vai nem te perceber à beira da estrada; * Pedir carona no dedão até dá certo, mas precisa de mais paciência ainda. Procure sempre postos de gasolina, converse com frentistas. Se a carona seguinte for te deixar no meio da estrada, peça para ficar em algum posto, mesmo que isso signifique perder 50 km de carona; * A cara-de-pau é a ferramenta mais necessária. Se tiver vergonha, não tente viajar assim. Você precisa estar pronto para o que der e vier. Abraço! Don
  32. 4 pontos
    Olá amigos viageiros! Aqui vai o relato de minha visita à Chernobyl! Mais detalhes lá no: www.profissaoviageiro.com Para me seguir lá no Insta… Instagram: @profissaoviageiro Só um aviso, se apagar a luz você vai perceber que esse relato brilha no escuro!!! Visitar Chernobyl foi algo sensacional! Um passeio único com muitas experiências diferentes e histórias da União Soviética que são incríveis! O que me levou a visitar um lugar desse? Aquilo é uma amostra do que aconteceria com a Terra se do dia para a noite os humanos simplesmente fossem embora daqui. A natureza voltaria a tomar conta do que é dela, engolindo a bagunça que deixamos para trás. Impressionante ver um lugar daqueles e ouvir tantas e tantas histórias do que rolou naquele lugar. Essa visita foi feita em 23/11/2017 Esse tour só é permitido com uma agência de turismo regulamentada. Existem algumas que oferecem o passeio. Não tem tanta diferença de uma para outra e a maioria delas oferece a opção também de passar a noite dentro da zona de exclusão. Bom, vamos lá… Para quem não sabe, em 26 de Abril de 1986 o reator 4 da Usina Nuclear de Chernobyl explodiu e causou o pior acidente nuclear do mundo até hoje. O governo soviético tentou esconder o ocorrido até que outros países da Europa, como a Suécia (beeeem longe de lá), por exemplo, perceberam que algo estava bem errado. Só aí eles admitiram o acidente. Tinha muita coisa acontecendo completamente fora do controle deles. Após alguns dias eles evacuaram as cidades vizinhas à usina e posteriormente criaram 2 áreas de exclusão. Em um raio de 30km da usina inicia a primeira área de exclusão. A segunda a 10km da usina, com uma contaminação bem pior. São tantas histórias insanas que escutamos lá que nem sei se consigo reproduzir todas aqui… Mas o negócio foi bem tenso. A usina ficava a menos de 3km da cidade de Pripyat, uma cidade modelo que a União Soviética usava como exemplo de como o patético regime socialista “funcionava muito bem”. O Governo sempre levava delegações de outros países para se hospedarem lá, tentando impressionar com a estrutura da cidade. Morar em Pripyat era muito bom mesmo. Segundo a nossa guia, lá surgiu o primeiro supermercado da União Soviética inteira e era o único lugar que o governo sempre abastecia para não deixar faltar alimentos e outros itens. Inclusive isso estava causando algum desconforto para os moradores de Pripyat, pois pessoas de outras cidades da União Soviética viajavam centenas de quilômetros para fazer compras lá, o que gerava filas intermináveis nesse mercado que se alongavam pelo meio da cidade! Como em todo bom regime socialista/comunista as pessoas não tinham nada em suas cidades e preferiam isso a passar fome ou necessidade de itens básicos. O governo demorou mais de 24 horas para iniciar a evacuação de Pripyat, e só fez isso quando a radiação já estava em níveis absurdos. O governo preferiu não falar a verdade para a população. Os moradores foram informados que a evacuação era temporária e por isso alguns não levaram muito mais do que a roupa do corpo… Nunca mais voltaram para casa. Por isso que ainda se vê muitos itens pessoais nas casas do jeito que foram deixados a mais de 30 anos atrás. As histórias do que se refere ao controle do acidente, como conter as chamas do reator e isolar a radiação, são bizarras. As pessoas ainda não entendiam muito bem os efeitos da radiação. Esse trabalho foi feito por voluntários e membros do exército (que não tinham muita escolha). Impossível imaginar que algum deles saiu sem sequelas desse trabalho. As pessoas responsáveis por esse trabalho receberam o nome de Liquidadores. Diziam que a radiação era tão forte que até a cor dos olhos mudava nos trabalhadores que ficavam dentro da usina depois de algumas horas de trabalho. Máquinas chegavam a quebrar devido a exposição da radiação. Foi algo absurdo! Bom, vamos à visita… O Tour começa em Kiev logo cedo. Pegamos uma van e vamos em direção norte. O primeiro check point é para entrada na zona de exclusão do raio de 30 Km. Temos que parar, descer e sermos identificados pelos membros do exército que ficam lá. Dentro dessa parte da zona de exclusão a radiação ainda não muda muito no ar. O principal problema está no solo. Durante todo o tour não podemos apoiar nossas coisas no chão, encostar em plantas ou qualquer outra coisa. Vamos então parando em alguns vilarejos no caminho para ver o que sobrou deles. Basicamente todas as casas que eram feitas de madeira foram demolidas e enterradas. Não é possível descontaminar madeira, então o jeito foi demolir e enterrar. As de alvenaria ainda estão de pé. Existem alguns cachorros soltos dentro da zona de exclusão que são alimentados basicamente pelos turistas e trabalhadores de lá. Também existem muitos outros animais soltos, inclusive se não me engano lá é um dos poucos lugares do mundo que existem cavalos selvagens. Eu não vi nada além de cachorros e pássaros. Aqui as tábuas de madeira foram arrancadas. Aparentemente até boas tábuas de madeira não era fácil de conseguir, então elas podem ter sido tiradas para serem reutilizadas em outro lugar. Outra explicação é que as pessoas na época não colocavam seu dinheiro no banco, pois o justíssimo sistema socialista poderia confisca-lo sem grandes explicações. Então as pessoas escondiam o seu dinheiro em baixo do piso de suas casas. Como durante a evacuação muitos saíram correndo e nem levaram seus pertences, algumas pessoas voltaram paras as casas abandonadas e tentavam achar dinheiro em baixo dos pisos para roubá-lo. Paramos em umas 2 ou 3 vilas antes de chegar na cidade de Chernobyl. Lá até que está conservada, porque as pessoas que trabalham dentro da zona de exclusão usam Chernobyl como base, além do hotel que se pode passar a noite também ficar lá. Então é um visual um pouco diferente do que se vê no resto do passeio. Chernobyl até que está “arrumadinha”. A foto está péssima, mas esse é um monumento onde cada uma das vilas dentro da zona de exclusão está representada por esses círculos. Na verdade o resto do monumento está atrás de mim. Aqui estão os nomes de todos os moradores de Chernobyl que tiveram que deixar a cidade durante a evacuação. Nosso almoço foi servido aqui, no refeitório de uma “pousada”. Não se pode comer nada ao ar livre aqui. Toda a comida que é servida tem que vir de fora da zona de exclusão. Só por garantia deixei meu medidor de radiação (Contador Geiger) ligado do lado das coisas que estava comendo! Depois do almoço fomos tirar umas fotos com os uniformes e equipamentos do pessoal da nossa agência. No meu tour também estava incluído dirigir o carro deles, um Lada top de linha que um Ucraniano que estava no passeio contou que um modelo daquele na época da União Soviética tinha fila de espera de até 20 anos!!! Viva o socialismo!!!! Bom, pisaram na bola e não teve o rolê no Lada. No final do tour eu reclamei formalmente sobre isso. Mas pelo menos tirei umas fotos no carro! Bom, depois disso que começa a parte mais tensa do passeio. Entrando dentro da zona de exclusão do raio de 10Km. Mais um lugar que temos que sair do veículo e o pessoal do exército de novo confere um por um. Desse ponto para frente a radiação no ar já aumenta, e sobe muito em determinados lugares. Muito mesmo! Vamos em direção a Pripyat, fazendo algumas paradas no caminho. Esse é um lugar bem famoso, onde sempre vemos fotos sobre Chernobyl. Aqui era uma escola primária. É um dos lugares mais tristes de se visitar. Depois paramos em um lugar já pertinho de Pripyat onde conseguimos ver os reatores da usina que estavam em funcionamento e também do outro lado os 2 outros reatores que estavam sendo construídos. Essa imensa estrutura metálica é o sarcófago novinho em folha que serve para conter a radiação do reator 4. Ele foi construído para substituir o primeiro sarcófago que havia sido construído para durar 30 anos. Esse novo sarcófago foi criado para durar 100 anos e o que eles esperam é que até lá já se tenha descoberto novas formas de conter essa radiação de uma forma mais eficaz e definitiva. Com o conhecimento e tecnologia de hoje, acho que isso era o melhor que dava para fazer! Aqui dá para ver as chaminés dos outros reatores… O 1 e o 2, da direita para a esquerda, são essas chaminezinhas lado a lado com uma chaminé grande entre eles. O 3 está dentro dessa casinha e o 4 dentro do sarcófago. Aqui as obras nunca terminadas dos reatores 5 e 6. Chegamos então na entrada de Pripyat! A cidade foi inaugurada em 1970 e evacuada em 1986. Tinha aproximadamente 48.000 habitantes na época. Quando entramos na cidade é algo realmente muito louco. A guia ia mostrando as fotos de como era a cidade e nós vamos vendo como está agora… É impressionante! Esse que é o primeiro supermercado da União Soviética! Vamos entrando em diversos prédios com muito cuidado para não cair em um buraco ou o piso ceder com a gente em cima. Aqui material político dos soviéticos!!!! Imagina entrar em um lugar desses de noite!!!!!!! Esse era o ginásio de esportes da cidade! Fomos então para o famoso parque de diversões. Essa é a roda gigante que nunca foi utilizada. Sua inauguração estava marcada para alguns dias após o acidente nuclear. Hoje ela é um dos grandes símbolos de Pripyat e ninguém nunca deu uma volta nela! Essa aqui é a avenida principal da cidade… Assistimos um vídeo dentro da van de como era isso aqui antes… Não dá para acreditar que estamos no mesmo lugar! Aqui era um outro complexo esportivo. Depois disso fomos para o ponto mais próximo do reator. Ficamos a 300 metros de distância da usina que causou o maior acidente nuclear da história!!!!!! Isso é muito louco!!!! Quando saímos de lá passamos pela área mais contaminada por radiação do planeta terra: A Red Forest. Eu realmente não queria que nossa van quebrasse alí! Quando estamos chegando perto, a nossa guia sem falar nada só liga o medidor de radiação dela e fica mostrando para nós. Meio que sem entender muito todo mundo deixa o próprio medidor ligado… De repente ela começa a fazer a leitura e todos os alarmes dos nossos medidores começam a apitar… E ela vai lendo… Dois ponto três… Cinco……. Doze……… Quatorze………. Dezessete…….. Dezoito……… Vinte e dois……….. E o negócio não parava de subir… Isso tudo no meio daqueles alarmes tocando sem parar. Foi insano! Só como referência, uma radiação considerada “normal” é de 0,1 nessa unidade que nossos aparelhos mediam. Mas foi tudo muito rápido. De repente já tínhamos passado a Floresta Vermelha e tudo voltou ao normal! Pena que ela não avisou antes e preferiu fazer o mistério, se não teria filmado isso! Sério, foi bem louco! Mas foi bacana também o suspense!!!!! Isso porque estávamos dentro da van. O veículo protege muito da radiação. As diferenças que eu media de dentro para fora da van eram imensas nos lugares que descíamos. Mesmo dentro das casas o nível de radiação já caía bastante. Eu fico imaginando a radiação desse lugar, mesmo mais de 30 anos depois do acidente….. De lá partimos para a última grande parada do tour… Uma antena! Mas não era qualquer antena… Era a DUGA, ou DUGA 3! Essa anteninha foi construída com propósitos militares em um esquema ultra secreto do governo soviético. O local nem endereço tinha e na estrada que levava até o local da antena eles tentaram dar a impressão que se tratava de um local de acampamento estudantil. É como se aqueles filmes de espionagem começassem a ganhar vida! Para eles aquela história toda era muito real… Realmente se alguém descobrisse aquilo, ia ser difícil de convencer que era só uma anteninha tentando captar uma rádio de sertanejo universitário aqui no Brasil, por exemplo!!!! Olha o ponto de ônibus perto de lá com um ursinho desenhado! A entrada era só esse portão, para não chamar muito a atenção. Essa antena também ficou conhecida como o pica-pau russo, pois causava interferência de rádio em ondas curtas com um som parecido de um pica-pau por todo o hemisfério norte! Algumas teorias de conspiração achavam que eram os russos tentando entrar na mente das pessoas!!! Na verdade ela servia (ou deveria servir) para identificar lançamentos de mísseis de países inimigos a uma longa distancia, dando tempo de se prepararem para sua defesa. Aparentemente ela não funcionava muito bem, dando alarmes falsos, por exemplo, o que não deixou o pessoal de lá nada satisfeito, uma vez que o custo para construir aquilo foi algo estratosférico! Eu é que não queria ser o responsável pelo projeto em uma hora dessas !!!!! No final das contas o que eles deixaram foi uma estrutura bem bonita e imponente, ainda mais em um dia ensolarado de outono!!! Essa placa de radiação é só enfeite… O local não possui contaminação especialmente significativa! Aqui a nossa guia e o atual guardião da antena! Mesmo sendo Outono estava muito frio e já nevava bastante por lá. Após as instalações ultra secretas do governo soviético, foram só mais duas paradas rápidas…. Uma para ver algumas máquinas utilizadas no trabalho de isolamento do reator na época da explosão: E um monumento em homenagem aos liquidadores e bombeiros que foram responsáveis por todo o trabalho de combater o incêndio e conter a propagação da radiação: Depois disso só paramos nos check points para medição de radiação em nosso corpo e roupas… Eram máquinas muito velhas! Espero que estivessem funcionando bem e não deixaram eu voltar para casa com um tênis cheio de radiação! E foi isso! Foi assim meu dia em Chernobyl. Um dia cheio de experiências, histórias e aprendizado! Valeu demais o passeio!!!!!! Nota 10!!! Se alguém tiver alguma dúvida ou quiser alguma dica, é só falar! Abraço!!!!! Felipe www.profissaoviageiro.com Instagram: @profissaoviageiro Enjoy Chernobyl… … Die Later!
  33. 4 pontos
    Fazer uma trip de motorhome por toda europa.
  34. 4 pontos
    Vim trazer o meu relato pessoal e algumas dicas para quem for a Cusco. Foram 8 dias inesquecíveis. Meu voo foi dia 27 de setembro, de Salvador na Bahia a Cusco foram 2 conexões (em Guarulhos e em Santiago do Chile), um total de 14 horas de viagem com conexões curtas (a maior foi 3 horas em SP, suficiente apenas para comer alguma coisa e seguir). Minhas passagens não incluíam bagagem, portanto viajei apenas com bagagem de mão, mas despachei ainda em Salvador pq não tinha espaço no avião (para meu alívio, a mala chegou sã e salva em Cusco). Cheguei em Cusco as 16h, peguei um taxi no aeroporto por 20 soles (o hotel chegou a pedir meus dados para o transfer, mas não confirmou e nem foi me buscar). Nesse primeiro momento fiquei no hotel Qolqampta, indico fortemente, local agradável, café da manhã ok, quarto confortável. A única desvantagem foi a localização, apesar de perto da plaza de armas, o prédio fica no topo de uma ladeira (tudo em Cusco é ladeira!), e num primeiro momento de aclimatação, seu corpo pode reclamar um pouco. Ainda no Brasil eu contratei a empresa Qorianka para fazer o passeio de Machu Picchu (o único que contratei antes de chegar la, dado a disponibilidade de ingressos). A noite Max da empresa estava me esperando para explicar como funcionaria o passeio mais aguardado da vida. Eu super indico a empresa. Preço ok, responsabilidade, compromisso, serviço de excelência. Foi ele que me indicou um lugar com melhor câmbio para comprar soles, os melhores lugares para comer, foram eles que compraram meu boleto turístico. Literalmente, fazem de tudo para nos sentirmos confortáveis e seguros. Acabei comprando os outros passeios com eles. Dia 28 - reservei o dia para me adaptar a Cusco, conheci o mercado San Blas, o Mercado São Pedro, comprei soles e orcei os outros passeios. Dica importante: usem protetor solar! O clima em Cusco no geral é frio, a noite e pela manhã é muito, muito frio (entre 5 e 10 graus), mas no decorrer do dia vai esquentando e o sol queima (estou bronzeada como se tivesse ido para alguma praia do nordeste). Fiz a cotação de preços dos passeios e a sensação que tive foi a seguinte: nos lugares confiáveis o preço parece ser tabelado. Descartei os mais baratos e os mais caros por motivos óbvios, e recorri à Qorianka. Como já tinha fechado MP com eles, pedi um desconto e funcionou. Primeiro vou descrever meu roteiro e a seguir passo minhas impressões e conselhos. Plaza de Armas Dia 29: contratei o passeio Vale Sagrado + MP, com a Qorianka incluia traslado do hotel + passeio pelo Vale Sagrado dos Incas (Pisac, Ollantaytambo) + trem voyager inca rail de ida e volta + ônibus de subida e descida a MP + ingresso de entrada da cidadela, com montanha machu pichu (que eu escolhi subir) + almoço do dia 29 + diária no povoado de águas calientes + traslado de volta Ollanta - Cusco. Sai as 8h do hotel fiz checkout (como ia ficar uma noite em aguas calientes, encerrei no qolqampta e reservei o hostel milhouse a partir do dia 30. a Qorianka cuidou de pegar minhas malas em um hotel e levar para o outro), passamos por pisac, almoçamos em um restaurante buffet muito bom, seguimos para ollantaytambo, e depois do city tuor peguei o trem para Aguas Calientes. São 1h30 de viagem, chegando no povoado já tinha um rapaz do hotel me aguardando com meu nome. Esse hotel terrazas de luna é um espetáculo à parte, muito confortável, o banheiro tem até banheira, o café da manha sensacional. A noite uma representante da Qorianka foi me encontrar para me explicar como funcionaria a subida a MP no dia seguinte. Ollantaytambo Dia 30: sai cedo do hotel, peguei o ônibus de subida a MP. Entrei na cidadela as 7h, fiz um tour guiado até 7h50, e subi a montanha (o ingresso da montanha era de 7h as 8h). A subida é, para dizer o mínimo, extenuante. São necessárias cerca de 3 horas para ir e voltar, a subida é íngreme e toda em escadarias. É cansativo, mas vale muito a pena. A vista panorâmica de MP é sensacional!!! Subi as 7h55 e as 10h50 estava de volta. Aquela história de que para descer todo santo ajuda é balela, sofri demais na descida, joelhos e tornozelos doeram bastante. Fiquei em MP até as 12h, peguei o ônibus as 12h30, cheguei em águas calientes, almocei e peguei minha mochila no hotel. Meu trem de retorno foi as 15h. Chegando em Ollantaytambo já tinha uma pessoa segurando meu nome em um cartaz, pronto para me levar de volta a Cusco. Chegando em Cusco me deixaram no hostel Milhouse, minha mala já estava lá. Fiz o checkin e aproveitei o bar e restaurante de la (maravilhosos, por sinal). Vista da cidadela de cima da montanha Machu Picchu Dia 1: reservei Laguna Humantay. O traslado da Qorianka foi me buscar pontualmente as 4h15 no hostel. O pacote inclui: traslado + café da manhã + guia + almoço. O trajeto é um pouco longo, mas como é cedo, aproveitei para dormir. Tomamos café num hostel de uma cidadezinha q fica no caminho e seguimos viagem. Percorremos cerca de 1h30 até o lugar que a van nos deixa e começamos a caminhada. Percorri o trajeto de ida em 1h45, sofri um pouco nesse trajeto. A subida até a laguna é em terreno acidentado e cerca de 80% subida, chegamos a mais de 4.000 metros de altitude, o que deixa o ar rarefeito e causa o temido mal da montanha. Quem quiser, ou não aguentar, pode fazer mais da metade desse trajeto a cavalo, eu percorri caminhando mesmo. Dentre as sensações está o cansaço extremo, a frequente falta de ar e a dor de cabeça, mas para mim, nada insuportável. Ao chegar no destino, vc esquece toda essa dor. É lindo demais. Lindo e muito, muito frio. Aproveite para tirar muitaas fotos em ângulos diferentes (a cor da água muda conforme a incidência da luz). Ficamos cerca de 30 minutos e retornamos. A descida foi mais tranquila, alguns trechos consegui correr um pouco em zig zag, oq ameniza um pouco o esforço do joelho. Chegamos na van, percorremos cerca de 1h30 e paramos para o almoço estilo buffet, depois retornamos a Cusco. Chegando por volta das 16h. Novamente, aproveitei o bar e restaurante do milhouse. Laguna Humantay Dia 2: Salineras de Maras e Moray. Esse passeio é de meio dia e incluia: traslado + guia. A van da Qorianka me pegou no hotel pontualmente as 8h. Passamos em Chinchero, onde vc vai ter a explicação completa de como os tecidos são produzidos, vai ser muito bem recebido com um chá delicioso, poder tirar belas fotos e fazer algumas comprinhas. Depois segue para Moray, um laboratório de experimentação agrícola lindissimo. O último ponto da viagem são as salineras, que custa 10 soles a entrada, e n está incluida no pacote, que também vai te render fotos maravilhosas. Chegamos em Cusco as 14h. Já em Cusco aproveitei o mercado São Pedro para fazer compras (considerei o melhor preço), tomei café numa lanchonete e fui dormir. Moray Dia 3: Montaña Colorida. O passeio da Qorianka incluia: traslado + guia + café da manhã + entradas + almoço. A van me pegou as 4h30 pontualmente. Seguimos viagem por cerca de 1h30 e paramos para tomar um belo café em estilo buffet. O guia nos passou as explicações gerais de como seria a subida, cuidados a tomar, dificuldades que poderíamos encontrar. Depois do café seguimos viagem por cerca de 1h e chegamos ao local q as vans ficam e começa a caminhada. A subida da Montaña é menos íngreme do que a da Laguna, mas a altitude é bem maior (chegamos a 5.200 metros no topo do deck para tirar as fotos), e por isso algumas pessoas sofrem muito mais. Eu me senti bem mais disposta. Realmente não senti nenhum desconforto, nem na subida nem na descida, mas fiz o trajeto no meu tempo (cerca de 3h entre subida e descida dos 8km total). Tem a opção de subir a cavalo, mas dispensei. existem 3 pontos q fornecem banheiros, ao custo de 1 soles. A vista é simplesmente fenomenal. A montanha é tudo aquilo que vemos nas fotos e mais um pouco. mas só conseguimos ficar no topo por cerca de 20 minutos devido ao frio. É realmente congelante. Algumas pessoas do grupo passaram mal na descida. Voltamos, paramos para almoçar no mesmo local do café, depois seguimos viagem. Chegamos em Cusco as 16h. Já em Cusco o meu corpo sentiu tudo que não tinha sentido nos outros dias. Tive o mal da montanha no último dia da viagem e passei muito mal o resto do dia. Montaña Dia 4: meu voo saiu as 10h. Max da Qorianka me deu de brinde o traslado até o aeroporto. Me pegaram as 8h em ponto no hostel, cheguei no aeroporto as 8h20. Meu voo de volta incluia 2 conexões (em Lima e em Guarulhos). Como a ida, a volta durou 14h de Cusco a Salvador. Cheguei na Bahia as 2h45. Gente, Machu Pichu é tudo que dizem, e mais um pouco. É maravilhoso. A sensação de subir a Montanha e ver a cidadela la de cima é indescritível. No fim das contas, considerei meu roteiro apertado, acredito que o ideal para não levar meu corpo à exaustão, deveria ter sido 10 dias (incluindo os 2 necessários para a ida e volta). A Qorianka foi sensacional. Indico fortemente! A logística toda funcionou perfeitamente, não tive nenhum imprevisto e eles estavam sempre disponíveis para me ajudar. Considerando que viajei sozinha, não ter qualquer preocupação com roteiros e imprevistos foi muito importante. Os 10 soles que a gente paga para entrar na salineras fica retido com a empresa que é responsável pela compra e beneficiamento do sal, nada desse valor é destinado às famílias responsáveis por retirar o sal (a elas cabe apenas o valor pago pelos sacos). Juro que se soubesse disso, não teria entrado. Eu acredito em um turismo que ajuda a fortalecer a população local, não uma empresa especifica. Comam em restaurantes peruanos, comprem dos peruanos. Os guias de Cusco são extremamente organizados e politizados, além de serem excelentes no que fazem. A comida peruana é muito boa. Os restaurantes tem o menu turistico: por 20 a 25 soles vc desfruta de uma refeição completa- entrada, prato principal, sobremesa e/ou bebida. Indico experimentar o ceviche peruano, a trucha, a sopa crioula (maravilhosa), a chicha morada, o pisco sour e o lomo saltado. Comprei vitamina C efervescente la em Cusco, e tomava 1 pela manha e 1 a noite. Considero que foi essencial para manter minha imunidade ok. O frio em Cusco é cruel. As mudanças de temperatura são drásticas. Para quem tem rinite, sinusite e amidalite, não ter sentido absolutamente nada, foi uma bênção. Estou à disposição para dúvidas. Esses relatos me ajudaram demais a montar a viagem perfeita!!
  35. 4 pontos
    E aí galera, meu relato de hoje vai ser sobre Aurora Boreal de um jeito que quase ninguém fala por aqui e em lugar nenhum, já que ta na época dela e não é tão fácil assim de ver igual td mundo acha. Eu vi na Islândia ano passado e vou contar meu relato. Primeiramente, pra ver essa coisa linda você depende de alguns fatores como: tempo, dinheiro e sorte. Nessa ordem. Tempo você precisa tanto do seu tempo e paciência pra esperar como o tempo meteorológico, pq se não estiver com as condições legais, pode ter a grana que quiser que não vai ver. Dinheiro, pq você pode escolher do jeito mais barato (igual eu escolhi por 70 euros) e sair em excursão com várias pessoas que vai pra um lugar que nem vai ta rolando, ou pode pegar um 4x4 (300 a 400 euros) que vai te levar lá onde ela ta rolando seja uma beira de estrada, seja na pqp da trilha com neve. Sorte, pq se vc tiver e vc estiver no lugar certo e na hora certa, ela vai ta la e as vezes não vai gastar nada. No meu caso eu não tinha tempo (pq fiquei uma semana), não tinha dinheiro e tive uma sorte nos acréscimos do segundo tempo, e aí que começa meu relato: Cheguei na Islândia em dezembro do ano passado (20180 e peguei a excursão mais barata (70 euros) pra ir atrás da aurora de busão com umas 30 pessoas onde eles saiam da capital Reikjavik as 20:00 e ficava até 2 da manha parando em beira de estrada procurando. O tempo tava ótimo, mas como o busão não podia entrar mais pro meio das trilhas, não deu pra ver tão bem, mesmo ela estando lá e dando pra ver muito fraquinha, que foi onde eu tirei essa primeira foto super bonita. As vezes ela ta la e vc não consegue ver, mas a camera sim. Detalhe que eu fui o único que conseguiu uma foto dessas pq eu quebrei os protocolos e sai andando no meio do nada enquanto a galera ficou dentro do busao com frio. O bom das agências é que se vc não vê a aurora, você pode continuar indo nos próximos até conseguir, é só mandar um email. E foi isso que fiz. Na segunda vez, ninguém viu nada. Tirei dois dias pra fazer um road trip pelo país (super recomendo) e nesse tempo td mundo da excursão viu a aurora. Remarquei pro meu último dia no país, ficamos até tarde atrás dela e nada. Já era quase 2 da manhã qdo estávamos indo embora já e o guia do busão deu um grito "ela chegou". O busão parou e quando descemos ela estava lá, toda linda. A parte ruim é que eu estava sozinho, todo mundo ficava passando na frente da minha câmera (isso que é foda de excursão) e não consegui uma foto boa. A parte legal é que eu desencanei de fotos e fiquei sentado lá só vendo ela dançando pelo céu. Por mais que nas fotos ela fique bem mais linda, ao vivo não tem explicação No final, deu tudo certo, e dei check na lista -> Aurora Boreal É isso, quem tiver dúvidas sobre esse role ou algo da Islândia eu tenho tdas as informações de agências e aluguel de carro. Me chama no insta que aqui chega como spam e eu nunca vejo ->@raonitoratti É isso.. espero que tenham gostado.
  36. 4 pontos
    E quando se imagina ir pra Amsterdam o que vem na sua cabeça??!! Na minha era uma cidade linda e cheia de gente louca ! Vou falar que me surpreendi..a beleza realmente é real, a loucura também, mas é pra quem procura isso ! Se você quiser simplesmente sentir a atmosfera europeia, Amsterdam é o local certo ! Quando eu imaginava Europa, aquela de filmes, é justamente como vi em Amsterdam ! Friozinho (beeem friozinho), casas e ruas organizadas, árvores típicas, pessoas bem vestidas e educadas, transporte bom e seguro e por ai vai... Claro que se você quiser ficar louco e viver uma noite louca (ou dia) você também vai encontrar lá ! Mas então, pra começar nas dicas... Translado ! Apesar dos nomes estranhos que confundem nas ideias, se locomover em Amsterdam é bem fácil. No aeroporto Schiphol é só procurar as maquininhas amarelas e você mesmo comprar seu ticket de trem para a Estação Centraal. Ou se quiser pode comprar no guichê. O preço do bilhete é 4,10 €. Chegando na Estação Centraal é só pegar umtram (do lado de fora da estação) pro seu hostel, ou ônibus que também saem de lá ! Eu acabei me enrolando e errei o endereço do hostel.. Como fiquei na rede Stayokay, existem 3 em Amsterdam..com isso fui pro lado oposto.. acabei perdendo tempo e ficando p. da vida !! Mas chegando no meu hostel, o Stayokay Amsterdam Zeeburg eu fiquei feliz, porque mesmo um pouco distante do centro, a vizinhança é linda e o hostel tem uma estrutura incrível ! Keukenhof Quem tem a sorte, ou pode viajar pra Holanda na primavera, não pode deixar de conhecer o maior parque de flores do mundo !! O Parque de Tulipas de Keukenhofé fantástico e imperdível ! Confesso que foi uma das coisas mais bonitas que já vi na vida ! Não tem como não se apaixonar por todas aquelas flores..o parque é muito bem cuidado e impressiona pela tamanho e variedade de tulipas que não da pra imaginar... O cenário parece de conto de fadas e você vai se perder no tempo, não tenha duvidas ! O que incomoda um pouco, pra quem não esta acostumado, é o frio.. Vá bem agasalhado pra poder curtir com mais conforto ! O parque conta com restaurantes, cafés e lojinhas de souvenir ! Keukenhof fica situado em Lisse, entre Amsterdam e Haia. Você pode fazer um bate e volta tranquilamente, saindo do aeroporto de Schiphol. Endereço: Stationsweg 166A, 2161 Lisse aberto somente na primavera (consulte o site oficial para saber o período exato do próximo ano) de 8h às 19h30. Valor da entrada: 16 € e os ingressos podem ser comprados na bilheteria do local ou no site (http://www.keukenhof.nl/en/). Como chegar: Do aeroporto Schiphol procure o Arrivals 4 e de la saia na direção do bus station, então pegue o ônibus 858 da companhia Conexxion que sai de 15 em 15 minutos em direção a Lisse. A viagem dura cerca de 40 minutos. Canais Não há duvidas que os canais de Amsterdam são atrações turísticas incríveis, e sim são uma das principais da cidade, tanto que oscanais mais antigos estão na lista de Patrimônio Mundial da Unesco. Os canais foram obras feitas pelo homem para ajudar no replanejamento da cidade devido seu crescimento, mas quem ganhou também fomos nós, porque são lindos e com certeza você vai tirar um montão de fotos como eu !! Zaanse Schans Se você quer a Holanda como se imagina, esse é o lugar !! Uma cidadezinha que mais parece um cenário de filme, bem pertinho de Amsterdam.. Lá a gente encontra os tão famosos moinhos de vento holandeses, casinhas de madeira, vaquinhas pastando, queijos e sapatos típicos ! Pra mim valeu super a pena fazer esse passeio ! Mas vá preparado para o frio.. devido a proximidade com o mar, o lugar congela.. Lá além o cenário em si você encontra: fabrica de sapatinhos de madeira, deliciosos queijos de cabra de tudo que é tipo, chocolate e lojinhas de souvenir. Endereço: Schansend 7 – 1509 AW Zaandam Como chegar: É bem simples ir de transporte público, de ônibus o número 391 da empresa Conexxion, que saem da parte de trás da Estação Centraal. A viagem dura cerca de 40 minutos e o ponto final é em Zaanse Schans, sem erro. A viagem pode ser feita de trem também, que sai da Estação Centraal e vai para Koog-Zaandijk. A viagem dura cerca de 17 minutos, mais você vai ter que caminhar uns 20 min até Zaanse Schans. Red Light District O mais famoso bairro da Holanda, o bairro da luz vermelha! Onde tem as meninas ficam expostas nas vitrines (a prostituição é considerada uma profissão e assim é legalizada na Holanda),vários sexy shops e famosos coffee shops (onde é permitido legalmente vender e utilizar drogas), tudo isso é atração turística nesse bairro ! Mas claro que não fica só por ai, o bairro tem diversos Pubs e restaurantes bacanas, pra curtir a noite e durante o dia também. A quantidade de turistas, de todos os tipos e idades, é enorme ! Mas uma dica, é proibido fotografar as moças mesmo que elas estejam sempre dançando e chamando os rapazes pelas vitrines ! Endereço: O bairro fica próximo ao centro da cidade, pertinho da estação Centraal, mas as principais ruas são a Oudezijds Achterburgwal e Oudezijds Voorburgwaal. Heineken Experience Quem ama cerveja levanta a mão !o/ O passeio é pra você gosta de cerveja e gosta da Heineken, ou acha interessante passeios em museus, ou também pra você que só quer conhecer esse ponto turístico da cidade ! Lá você vai conhecer a história da Heineken vendo fotos, propagandas antigas, logomarcas e claro, vaibeber cerveja !! Além disso, o tour passa por alguns ambientes, como o processo de fabricação de cerveja e você vai se sentir uma legitima Heineken simulador cinema 3D. Endereço: Stadhouderskade, 78. Aberto de 11h às 19h30 de segunda a quinta e de 11h às 20h30 de sexta a domingo. Valor da entrada: 18 € podendo ser comprado na bilheteria ou no site https://www.heineken.com Como chegar: Pegar os trans elétricos 16, 24 ou 25 e descer na parada Marie Heinekenplein. Begijnhof Um cantinho silencioso e repleto de paz em meio ao centro de Amsterdam.. Parece uma parte do interior.. casinhas parecidas, uma igreja e uma capela. Antigamente era um retiro de mulheres entre viúvas e solteiras que se dedicavam aos trabalhos de caridade na época antiga, hoje é como um refugio para quem quer tranquilidade numa cidade agitada. Endereço: Nieuwezijds Voorburgwal, 373. Aberto diariamente das 09h às 17h e não se paga para entrar. Como chegar: Pegar trans 1, 2 ou 5 para a Praça Spui e procure ar a American Book Center, pois você entra em Begijnhof por uma porta que fica do lado. Bloemenmarkt Mercado flutuante de flores que fica no canal Singel. Além de uma variedade de flores e sementes, é ótimo para comprar lembranças. Endereço: Canal Singel. Aberto diariamente de 09h às 17h. Como chegar: Pegue os trams 1,2 ou 5 e desça em Koningsplein, ou trams 4,9,14,16 ou 24 e desça em Muntplein. Dam Square A principal e mais antiga praça da cidade ! Ao redor da praça existem muitos restaurantes legais, lojas de souvenir e compras em geral, além do famoso museu de cera Madame Tussauds. Além de histórica, a praça é hoje palco de grandes eventos, feiras e artistas de rua. Endereço: Damrak Como chegar: Pegar os trams 1, 2, 4, 5, 9, 13, 14, 16, 17, 24 ou 25. Vondelpark O parque mais famoso de Amsterdam é parada obrigatória para quem quer descansar depois de uma longa caminhada, para curtir um pouco a natureza ou quem quer pedalar com tranquilidade sem correr o risco de ser atropelado por dezenas de ciclistas que andam como loucos apenas tocando uma buzina pela cidade. Como chegar: Próximo à Leidseplein e à Museumplein, pode pegar o tram 1 ou 2. Het Museumplein É a praça dos museus. É lá onde ficam os principais museus da cidade e também é nesta praça onde está o letreiro mais famoso da Europa: I AMSTERDAM. Museu Van Gogh – Com um acervo gigante de obras do artista, não teria como não atrair muitos turistas. Endereço: Paulus Portter straat, 7. Aberto de 10h às 18h (sexta feira até 22h) Valor da entrada: 17€ (Site oficial) Rijksmuseum - Um dos maiores e mais importantes museus de Amsterdam e um ponto turístico obrigatório, mesmo se você não for entrar, passar por ele já é legal ! Mas se você gostar de arte, recomendo fazer o tour ! Endereço: Jan Luijkenstraat, 1. Aberto de 9h às 17h. Valor da entrada: 17,5€ (Site oficial) Stedelijk Museum – Museu urbano de arte moderna. Endereço: Museumplein, 10. Aberto de 10h às 18h, exceto quinta feira que fecha às 22h. Valor da entrada: 15€ (Site oficial) Casa de Anne Frank A garotinha judia que viveu durante o período de perseguição nazista e contou sua história pro mundo ! Eu acabei não indo (terei que voltar), mas acredito que vale muito. Endereço: Prinsengracht, 267. Aberto de 9h às 19h (Julho e Agosto até às 22h) Valor da entrada: 9 € (Site oficial). É bom comprar o ingresso pelo site, e agendar horário para evitar filas. Como chegar: Pegue os trams 13, 14 ou 17, ou de ônibus 170, 172 ou 174 e desça na parada Westermarkt.
  37. 4 pontos
    Olá mochileiros! Estava fazendo o meu relato em tópicos, mas agora que já cheguei em casa, chegou a hora de contar tudo de uma vez, enquanto ainda está fresco na memória. O inicio do Relato e da viagem, foi em Roma, e lá mesmo fiz meu primeiro post sobre esta viagem. Segue o link para quem desejar começar do começo rs https://www.mochileiros.com/topic/84446-roma-3-dias-3-pessoas-fotos-preços-e-itinerário Resumindo o inicio da viagem - Voo saindo de Florianópolis com escala em Guarulhos e chegando em Roma, Imigração foi uma piada - tanta preparação pra nada. Média de troca de euro foi 4,50, Comprei as passagens com MaxMilhas, Alugamos AirBnb. Monumentos maravilhosos, a cada esquina uma nova maravilha que nem estava na lista. Comida gostosa e farta, museus lindos! No relato acima tem, é claro, muito mais detalhes, com fotos e gastos que tivemos por lá. Saindo de Roma, foi a vez de irmos a Santorini, na Grécia. Dia 13/04 Voo marcado para 12h45, a partir do aeroporto de Fiumicino. Atrasou um pouco, e o voo em si demorou 1h45. Adicionando 1 hora a mais pelo fuso horario de Santorini, chegamos no aeroporto de Thera por volta de 16h15. Ficamos no hotel San Giorgio, que acima de 2 diárias oferecia transfer grátis de e para o aeroporto. Chegamos lá e o encanto foi imediato. Quarto recém reformado, cheiroso e super confortável! Deixamos as malas e saímos pra comer em um restaurante próximo (aliás, tudo é proximo, Thera é super pequena e tudo é de fácil acesso) chamado Greek Bites. Super delicioso, comida regional, maravilhosa! Passamos no mercado e compramos algumas coisas para o café, além de água, que não é potável na ilha. [agua 0,50 ; croissant 1 ; suco 1,50, snacks 1] Passeamos um pouco pelo centro (uma rua rs) e voltamos pro hotel para um merecido descanso. Dia 14/04 Acordamos cedo e fomos para o terminal de onibus. Vi em muitos relatos e sites que é indispensável alugar carro quando vier para Santorini; e discordo completamente. Não era viavel alugar carro pois ficariamos apenas 2 dias e não dirigimos, mas mesmo que esse não fosse o caso, achei suuper tranquilo andar de onibus. O terminal é bem localizado, onibus de viagem limpos e baratos. [1,80 a 2,40 dependendo do destino] Segue fotos dos horarios de onibus, não tem muitos, mas são precisos. Nosso destino nesse dia foi a maravilhosa Oia. Como saimos cedo, ainda estava bem vazio, e conseguimos aproveitar bem o lugar, sem multidões. Voltamos para Thera e almoçamos no restaurante Pelican Kipos. A decoração e ambiente encantam logo de primeira, e a comida fecha a experiencia com chave de ouro. Descansamos um pouco depois do almoço e no fim da tarde seguimos para uma igrejinha próxima, chamada Virgin Mary Church, pra ver o tão falado por do sol. Bom, não tem o que falar.. As fotos dizem tudo. Na volta, jantamos em uma lanchonete meio vintage, chamada D’s Burgers. Super gostoso e um ótimo atendimento! [Burger 6, Fritas 4, Refri 2] Dia 15/04 Café da manhã no Our Corner, no centro de Thera [waffle 10, sanduiche 6] De lá fomos até o terminal pegar um onibus para Perissa, a famosa praia de areia preta. Lá almoçamos e bebemos em um barzinho também chamado de Corner - Food and Drinks. O sol abriu e nos deu uma manhã maravilhosa de presente. No fim da tarde saimos pra ver a caldeira pela ultima vez, porém com o céu nublado não conseguimos aproveitar o por do sol novamente. Jantamos no Lucky’s Souvlakis, bem bom e barato, ótimo pra aproveitar a cozinha local. Dia 16/04 De manhã tomamos café em uma lanchonete próxima, chamada Crepe House. Também gostoso, porém demoradinho. De lá, voltamos pro hotel pra fazer o checkout e pegar novamente o transfer de volta pro aeroporto. E assim acabou nossa mágica viagem a Santorini, curta porém inesquecível. Links Hotel - https://bit.ly/2Jgv117 Preços para 3 dias, 3 pessoas Voo Roma - Santorini - 269 euros Hotel - 196 euros Almoço Greek Bites - 40 euros Mercado - 50 euros Onibus - 25 euros Pelican Kipos - 50 euros D's Burgers - 30 euros Our Corner - 30 euros Corner Food Perissa - 60 euros Lucky's Souvlakis - 30 euros Impressões e Dicas Sempre levem um casaco. O tempo foi completamente imprevisivel, mudando em questão de 1 hora, mas o vento era sempre constante. Cidade super calma, bem rural, estilo praia. Todas as lojas e supermercado ficam em apenas uma rua principal, tudo fácil de achar. Transito tranquilo, porém ninguém usa capacete, principalmente quem aluga quadriciclo rs Os pratos vinham sempre bem fartos, e sempre pedíamos pra dividir e provar de tudo. Continua em Atenas..
  38. 4 pontos
    DIA 3 - 20/04 - Dia 1 PADI Open Water - Utila Dive Center - Teoria pra sorte de quem tá lendo, esse dia é bem curto. 😂 acordamos as 6h da manhã na exata posição que tínhamos apagado na noite anterior. nem um centímetro a mais ou a menos. a janela do quarto é fechada com uma cortininha bem vagabunda que seria equivalente ao papel higiênico folha única que minha vó gostava de comprar. ô ódio! por isso, todos os dias acordávamos junto com o sol nesse quarto do mango inn. aproveitando a deixa, vou comentar minhas impressões sobre o lugar. primeiro, as expectativas eu tinha pesquisado bastante antes de fechar o curso com o udc, e um dos motivos que me levou a isso era que em todos os lugares que eu lia, eram só elogios ao mango inn resort convenhamos que resort eles tão forçando beeeeeem a barra, lugar que os estudantes do udc se hospedam de graça em dormitórios compartilhados de no max 4 pessoas. a localização a maior parte dos elogios era justamente sobre a localização. por não ser na rua principal, teoricamente daria pra dormir tranquilo, longe da bagunça. teoricamente porque apesar de não ficar na zuera da rua principal, tem um restaurante/bar que fica aberto até 2h da manhã e toooooodo dia rolava um furdúncio. nosso quarto era bem na boca do bar. outra coisa que não é positiva pra não dizer que é uma merda é que quando você esquece qualquer coisa, perde pelo menos 20 min pra ir até lá pegar, não é prático de novo, é uma merda. o quarto a cama é confortável e tem ventilador que dá conta do recado. nossos companheiros de quarto eram um sueco e um canadense que estavam no curso de divemaster. o sueco era bem na dele e o canadense conversava com a gente. tem cofre no quarto (levem cadeado) mas não me senti insegura em nenhum momento e acabamos deixando camera/celular pra fora do cofre várias vezes e não aconteceu nada. antes de chegar lá, li que pagando $16 dolares por dia você poderia se mudar pra um quarto privado. os gauchos que estavam com a gente fizeram isso mas tiveram que pagar não $16 mas $40 (!) por dia. já falei que a cortina era só decorativa, o quarto fica completamente claro a partir das 6h da manhã. o nosso quarto (esse da porta debaixo) tinha um problema com a fechadura. no primeiro dia foi só chato, nos seguintes ficou insuportável. tivemos que chamar a recepcionista, que não conseguiu, aí chamou o zelador, que ficou uns 10 min intercalando com o thomas, até que um dos dois conseguiu. eu já ficava agoniada voltando da aula cansada porque sabia que se a porta tivesse trancada, ia ser aquele auê pra conseguir entrar. os banheiros não fui nenhuma vez no banheiro que não tivesse uma moça limpando lá. eles tem bastante cuidado com isso mas, apesar do cuidado, o banheiro tava SEMPRE entupido ou sem tampa e um chuveiro tava sempre estragado. mensagem pro thomas de demonstração diária de amor por esse hotel que conheço bem e ja odeio pakas o restaurante tinha lido que aquele restaurante tinha a melhor pizza de roatan, já tava animada pra chegar lá e dar aquela arrastada. custa 400 lempiras a pizza. vinte dolares! passamos. voltando a programação normal terminamos de assistir o 3o vídeo do curso tomando café da manhã (doritos com coca, férias né gente ¯\_(ツ)_/¯) e fomos pro udc. conhecemos nossa sala (eu, thomas, os gauchos, uma canadense e uma havaiana) e nossos intrutores (cali e constantin). meu erro épico lá pra 100a questão, os neurônios já tavam operando no modo avião estava chovendo e passamos o dia fazendo provinhas do padi numa sala. a parte mais legal foiquando o cali ensinou a montar todas as partes do equipamento e fez a gente repetir duas vezes sozinhos pra ver nossa evolução. terminamos com um um recado: se continuasse chovendo amanhã, teríamos que fazer nossa primeira aula prática confinada na piscina do mango inn. ah pronto, era só o que faltava! se fosse pra fazer em piscina, me avisava que eu fazia o curso aqui em belford roxo.
  39. 4 pontos
    Defendo um sub-fórum apenas de humor de viajante para que mais histórias assim sejam compartilhadas 😂😂😂😂 Vc não existe, meu, muito bom oh! E a forma como escreveu, definitivamente do jeitinho brasileiro!!!!! fez minha quarta menos cinzenta, parabéns....por estar viva e pronta pra próxima! kk
  40. 4 pontos
    @Silnei "Alguns empregos no Brasil pagam menos que catar sucata na rua ou vender brigadeiro de porta em porta e não haverá um ser que diga pra vc não se empregar em uma vaga assim. " Você tem toda razão, vou contar uma das inúmeras histórias que conheci nas minhas viagens à pé : Estávamos atravessando a balsa em São Francisco do Sul-SC, nisso vi uma caminhonete com uma carretinha atrás com um montão de conjunto de bacias de plástico(essas que são usadas para lavar roupa e na cozinha). Desceram 4 homens enquanto a balsa atravessava, fomos conversar com eles, ver a história deles (eles não eram "mochileiros" mas vendedores). Contaram tudo, deveriam ter uns 500 jogos para vender. .. perguntei isso aí dá dinheiro, vcs vão ficar quantos meses para vender..., ....eles falaram: Meses, que meses.....isso tudo vamos vender em no máximo uma semana ..esperamos ganhar cada um, em média uns $2000 eu...como assim, vendendo bacias......kkkk A balsa atracou eles entraram na caminhonete e nós continuamos nossa jornada à pé. Depois de umas duas horas reencontramos eles num bairro vendendo as danadas das bacias.....e o tonto aqui perguntou, e aí já venderam alguma.....eles, já ganhamos $(não lembro, pois faz muito tempo, só sei que era mais de $100 cada) em 2 horas. Kkkkkkkk E os bonitoes dos escritórios, dos shoppings, ganhando $2 mil por mês ou menos..... com horário rigoroso para cumprir, alguns trabalham aos domingos, um monte de chefe estressado. .e alguns clientes chatos que tem que atender sorrindo... Na rua não, eles vendem para quem eles querem, se algum tratar mal eles simplesmente viram as costas e vão atrás de outros clientes mais gentis. ..
  41. 4 pontos
    Olás! Segue abaixo um breve relato sobre a subida do Pico Agudo, norte do Paraná, no Vale do Rio Tibagi. Já tem algumas informações aqui no site sobre este destino, mas são mais antigas, e este é um ótimo lugar pra quem quer começar a se aventurar em trilhas e montanhas. Fomos pra lá dia 23 de dezembro de 2018. DADOS SOBRE O LOCAL O Pico Agudo é a segunda elevação mais alta do norte do Paraná, perdendo de Pedra Branca, na Serra do Cadeado. Tem cerca de 1100 metros de altura. Seu acesso é pela cidade de Sapopema, Fazenda Zamarian, e por enquanto o funcionamento é das 7h às 19h aos sábados, domingos e feriados. Contato com a administração: 43 98462-5977 O Pico Agudo fica em uma propriedade particular (RPPN: reserva particular do patrimônio natural) e como o passar do tempo tem trazido cada vez mais gente ao local, o impacto ambiental já é visível. As trilhas estão alargadas, tem lixo espalhado e babaca escrevendo nome em pedra e árvore. Por estas razões ouvi dizer que acampar no local não será mais possível a partir de 2019, terá cobrança de entrada e estão construindo um pequeno centro de visitantes na entrada da Fazenda, pois hoje não há nenhuma estrutura. QUEM FOI O Antônio, amigo e guia de alta montanha, seu irmão e amigo (de 18 anos cada, sem experiência em trilhas), eu (enferrujada), marido (acostumado a correr), meu filho de 10 anos (iniciado em trilhas na mata) e nosso primo, de tb 10 anos, que nunca tinha feito trilha. A ESTRADA Quando se deixa a estrada de asfalto tem uns 20km de estrada de chão até chegar na entrada da Fazenda. Fomos de carro sedan (o Antonio de Jipe), mas apesar da estrada estar boa, em época de chuva não se recomenda nem a montanha* nem a estrada. Nessa estrada tem duas pequenas vilas, aproveite pra ir ao banheiro em alguma lanchonete do caminho, pois como já relatado, na Fazenda não tem banheiro (ainda). Tem kilos de dicas sobre o caminho exato na internet! *Geologicamente não é montanha, mas vamos chamar assim pra ficar mais fácil! Pois bem, como moramos relativamente perto do local (140km), saímos de Londrina às 5h30 e chegamos ao local cerca de 7h30. Paramos pra ir ao banheiro e comer lanches que tínhamos trazido de casa. Tb trouxemos água e suco. É muito importante começar a subir a montanha com pelo menos 1,5L de água por pessoa pq faz MUITO calor, a subida é íngreme e nem sempre uma bica que tem na trilha tem água, e as vezes está barrenta. A TRILHA A subida começa por mata aberta, depois fecha e no fim abre novamente. A subida de fato é de uns 350m (altura) por uns 2km. Tem um caminho que vai direto ao cume, mas é só pros montanistas mais experientes, pois é difícil. Os demais seguem pela trilha que contorna a subida. Mesmo assim há trechos bastante íngremes e 3 locais que a subida tem auxílio de cordas. Eu tinha bastante prática em trilha na mata quando era mais nova, mas faz algum tempo que estou enferrujada e fora de forma. E a inclinação do terreno ajuda a cansar, e muito. Pelo fato de ter conseguido subir mesmo estando fora de forma e com tênis de corrida (nem um pouco indicado), digo que a trilha é fácil, acessível, e dependendo do ritmo de quem sobe o tempo de caminhada pode variar de 30 minutos à 1h30. Mas não é um passeio no shopping! Na volta tinha uma senhora de mais idade e acima do peso esperando uma maca buscá-la no meio do morro pq tinha torcido o pé. Um tênis de trilha e fôlego suficiente são fundamentais! As crianças e o Antônio, que trabalha guiando em alta montanha, subiram sem nenhum esforço. O resto cansou bastante, hahaha! PRECISA IR COM GUIA? Não. A maioria vai por conta, o Antônio tava com a gente na amizade! Mas tem que prestar atenção na descida pq tem algumas “pseudo-entradas” na trilha que não dão em lugar nenhum, e é MUITO comum gente se perder por lá. Inclusive tem um local pra pouso de helicóptero no cume para possíveis resgates. Então mais uma vez: não é difícil mas não é super fácil tb! Estar com o Antônio foi ótimo, pq ele obviamente tem muito conhecimento do local, da melhor forma de subir pelas cordas, da trilha e tudo o mais. Como ele trabalha com isso super indico o site dele pra quem quiser se aventurar pelas montanhas da Argentina, Brasil e Bolívia principalmente: http://www.gaiamontanhismo.com.br/ E A VISTA? As fotos falam por si! Chegando na Fazenda Zamarian, café da manhã com vista! Começo da trilha, os bastões ajudam bem na descida! Os bastões ajudam na descida! Começo da trilha aberta... Depois mata adentro! Trilha na mata! O caminho vai subindo e a vista vai ficando linda! Paradinha pra descanso! Começa o trecho com cordas... São 3 trechos com cordas na parte final... E subindo... Mais e mais cordas... E a recompensa! Antonio solitário! Gui estilo Karate Kid! Escrevendo o nome do livro da montanha que é pra continuar sempre subindo! Os meninos e contemplação. Descanso com vista, ventava bastante. Tudo meu! Tibagi ao fundo, vista linda! A família! Descemos o Pico cerca de 15hs pq o tempo começou a fechar e é bem perigoso pegar chuva na montanha. Trocamos de roupa pq as nossas estavam molhadas e seguimos viagem de volta, chegando em Londrina 17h30. Na própria estrada que dá acesso à Fazenda do Pico Agudo tem acesso a várias cachoeiras (pelo menos duas) e a região de Sapopema tá recheada delas... Lageado Liso ou Salto das Orquídeas é das mais famosas. Então fica a dica de uma aventurina de fim de semana pra quem estiver por perto. Nós não fomos em cachoeiras pq tínhamos compromissos a noite e precisávamos estar vivos! Eles sobem correndo mas depois desmontam, hahahaha! Que o ano novo (2019) daqui uns dias nos traga desertos, cachoeiras, trilhas e montanhas! Abraços!
  42. 4 pontos
    25/04/2019 - LAGUNAS ANTIPLÂNICAS, MIRADOR PIEDRAS ROJAS, LAGUNA TUYAJTO, SOCAIRE, SALAR DE ATACAMA, TOCONAO Primeiro dia de passeios no Atacama e a euforia era enorme 😍 Acordamos às 05:30 da manhã e começamos a nos arrumar para o passeio, mas já adianto desde já: vá muito bem agasalhado para este passeio. Alguns pontos passam dos 4.200 m de altitude, a temperatura é baixa e o vento forte é constante, com vezes que chega a te desequilibrar. Fomos até a cozinha do hostal para pegar nosso lanche (o Mamatierra pergunta no dia anterior se você vai sair antes das 07 para algum passeio. Caso positivo, eles preparam um kit lanche para você levar) e ficamos do lado de fora esperando a van da 123 Andes chegar. Por volta das 06:40 ela chegou e embarcamos em direção as Lagunas Antiplânicas. O nosso guia nesse dia foi o Victor, excelente pessoa e muito conhecedor do Atacama. Explicou com detalhes vários tópicos importantes sobre história, clima, fauna, flora do deserto e parou em alguns lugares que pedimos para tirar fotos ou simplesmente contemplar a paisagem. A van passou em mais um hotel para pegar mais um casal e o passeio foi feito em um grupo de seis pessoas, todos brasileiros e muito gente boa. Todo mundo se entrosou muito rápido e foi fundamental para o passeio ser excelente. Seguindo, o Victor explicou que nossa primeira parada seria nas Lagunas Miscanti e Meniques, que ficam aos pés dos vulcões de mesmo nome. Cerca de uma hora e meia de estrada, chegamos a portaria do parque, onde pagamos 2.500 pesos por pessoa na entrada. Seguimos por cinco minutos na van e chegamos a uma parada onde há banheiros e já é possível visualizar as duas lagunas. MARAVILHOSAS. O guia disse que poderíamos usar os banheiros e logo após encontra-lo em um mirador a 100 metros dali, onde estaria sendo preparado o café da manhã. Uma senhora explicou que a água da descarga dos banheiros estava congelada devido a temperatura (marcava -2 no dia), então após usar o banheiro, deveríamos jogar a água que tinha em uma bacia para dar a "descarga" 🤣 Após o uso do banheiro, fomos todos para o mirador. Aqui é importante beber bastante água por causa da altitude, eu não senti nenhum mal-estar. Digo sem medo: melhor café da manhã que já tomei. A paisagem era de tirar o fôlego e eu me sentia realizado por estar ao pé e tão próximo de um vulcão, em um lugar tão único e tão belo. Tomamos café da manhã (muito farto, diga-se de passagem, tinha um doce de leite MARAVILHOSO) em frente a Laguna Miscanti, com um vento cortante e gelado, mas felizes pela realização de um sonho. Depois do café, seguimos para a Laguna Miscanti, tão linda quanto a anterior. Saindo das Lagunas, seguimos pela estrada e paramos em um mirador para avistar a beleza e imponência do vulcão Meniques, todo nevado. A próxima parada foi no Mirador Piedras Rojas (como todos sabem, está fechado para visitação pela população local pois estava sendo depredado) e na Laguna Tuyajto, que é o ponto mais distante de San Pedro de Atacama deste passeio. Ambos lugares maravilhosos e com características únicas. As montanhas ao redor parecem ter sido pintadas a mão. Perfeição define. Foi durante este percurso que vimos animais da fauna local, como vicuñas e emus (parentes do avestruz). É importante destacar que a natureza na região do Atacama é muito bem preservada e em todas os passeios há trilhas bem demarcadas e que devem ser respeitadas. Por volta das 13:00, paramos no vilarejo de Socaire, um povoado muito antigo que ainda guarda a cultura de seu povo. As agências param por lá para mostrar a igreja local, muito antiga, e para m apresentar o artesanato feito pelas mulheres que moram no povoado. Peças muito lindas. Por aqui também foi onde almoçamos, em um restaurante local. Comida boa e já incluso no pacote do passeio. Devidamente almoçados e após mais uma parada para o banheiro, seguimos o passeio. Pedimos para o guia que parasse na estrada para tirarmos aquelas famosas fotos no meio do nada e também no trópico de capricórnio. Ele parou e ficamos cerca de 20 minutos em cada local livres para aproveitar. As montanhas nevadas e vulcões ao redor são completamente cenário de filme. 😍 O sol não favoreceu muito as fotos abaixo 😑 Nossa penúltima parada, já por volta das 15:00 foi no Salar de Atacama, onde descemos e pagamos mais uma taxa de 2.000 pesos por pessoa. Aqui o sol já estava bem forte e foi necessário passar protetor solar, pois queimava e o vento já não era tão forte (praticamente tirei todos os agasalhos). Seguimos a trilha demarcada e o salar é algo totalmente incrível. Você olha para o horizonte e só vê branco! Só sal! Surreal! Pudemos observar também os flamingos na Laguna Chaxa (não é permitido fazer sons altos para não incomodar os flamingos), além de lagartos menores entre as pedras de sal. Natureza pura! A nossa última parada foi no povoado de Toconao, muito sossegado e que possui também algumas lojas com artesanato local e roupas como luvas, meias. Comprei um chaveiro com o nome da cidade, como faço em todos os lugares que passo. Em Toconao também existe a torre de uma igreja secular, que foi a única coisa que sobrou dela com os terremotos que assolam a região. Por volta das 17:30 estávamos de volta a San Pedro de Atacama. Sentimento de realização e felicidade. Tomamos banho, descansamos um pouco e fomos para o centro procurar algum lugar para jantar. Foi aí que encontramos o lugar que viraria o nosso templo até o dia da partida: O restaurante "La Pica'da Del Indio", na rua Tocopilla. EXCELENTE. Preço justo, comida ótima, atendimento de primeira. O salmão deles é um dos melhores que já comi. Fica a dica: Se for a San Pedro, comam o salmão da Pica'da Del Indio. Depois, voltamos ao hostal e fomos dormir, pois o próximo dia seria o mais intenso da viagem: madrugar para ver os Gêiseres.
  43. 4 pontos
    @Silnei Nós aqui esperando o final da nossa vida e vem você nos motivar a escrever um livro. Se realmente for para motivar as pessoas, principalmente os idosos, e coloborar para consolidação das trilhas de longo curso no Brasil, podemos sim escrever um livro sobre o assunto, isso depende muito do custo. E vc sabe que cada centavo pra nós vale muito, já estamos correndo atrás de dinheiro pra próxima viagem. Você pode perceber nos meus relatos, que dificilmente criticamos hospedagens.... .... nos caminhos que passamos, pois sabemos da dificuldade que é tocar alguma coisa neste país. Se for pra ajudar essas pessoas que estão lá no interior aguardando os peregrinos na maior boa vontade....acho que pode sair um livro mesmo...
  44. 4 pontos
    Penso que ao se fazer um planejamento de viagem a pessoa ja tenha em mente o que pretende fazer em cada lugar. Uma rapida googlada é possivel ter noçao dos valores das atraçoes pagas e com isso a pessoa consegue tranquilamente saber por alto quanto gastará com hospedagem, passeios, deslocamentos e o que vai faltar será alimentaçao, que nao da pra dizer quanto será o gasto pq depende da barriga de cada um. Independente da estimativa inicial é sempre recomendado ter uma margem de segurança para imprevistos e gastos adicionais. Nao tem coisa pior do que fazer um viagem, querer fazer algo e nao poder pois a grana está curta e poderá fazer falta la na frente. O que nao dá é fazer uma estimativa de x euros por dia e ja sair do Brasil com (x-30%) e achar que ao chegar lá a grana vai se multiplicar.
  45. 4 pontos
    É uma questão de conceito, prefiro ganhar um dias a mais na viagem do que comer em um restaurante em Paris.
  46. 4 pontos
    Meu Deus! Caminhar para vocês é quase uma obsessão! Desfrute e faça ser a melhor idade! Estou sempre acompanhando suas postagens e são um modelo. Eu farei 60 em setembro, estou aposentado há um ano e minha esposa com 56 e acabou de aposentar-se, então agora nada segura.
  47. 4 pontos
    02/11 - Perito Moreno - El Chalten Saímos de Perito Moreno por volta das 10:30, depois de um café da manhã bem gostoso, feito pelos próprios proprietários do hotel. Tínhamos visto um folheto da Cueva de Las Manos e como era a caminho, resolvemos dar uma passada por lá. Andamos por volta de 90km e chegou a entrada, indicava 27km de ripio. Algumas partes da estrada estavam bem ruins, com aquelas costeletas que tive que andar a 20km/h pra não desmontar o carro. Chegamos as 13:00 em ponto e pagamos 200 pesos por pessoa para uma visita guiada. Considerado Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, a Cueva de Las Manos abriga pinturas de 9 mil anos atrás feitas por ancestrais do povo Tehuelche. Bem bonito de se ver e indica alguns costumes que esse povo tinha antigamente. No final da visita perguntei pra guia: quanto tempo estamos de El Chaltén? Ela disse: umas 8 horas. Eu fiquei assustado, pois eu não esperava tanto tempo assim e já eram 14:30, chegaríamos muito tarde na cidade. Seguimos adiante e começa os 70 km de ripio da Ruta 40. Na maior parte do percurso estava tranquilo, mas num determinado ponto eu tava um pouco rápido, apareceu um coelho na frente e um carro na mão contrária, o único lugar que eu pude desviar foi uma pedra, que pegou no meio do carro e amassou o escapamento. O ronco do carro ficou diferente, mas eu já sabia o que tinha acontecido porque já não era a primeira vez. Asfalto novamente, que alívio! As placas já indicavam "poucos" km para El Chaltén. Chegamos na cidade por volta das 22h. Logo na entrada, um caixa eletrônico e sacamos dinheiro. Só faltava o sinal de internet para procurar algum hotel. Achamos mais fácil ir jantar em algum lugar que tivesse wi-fi. Fomos na hamburgueria Monte Rojo. Comemos bem e conseguimos achar um hotel de ultima hora, achei bem caro por ser um quarto com banheiro compartilhado, mas foi a única opção que nos restou. Fizemos o check-in quase meia noite. Nessa volta que fizemos na cidade, achamos que valeria gastar mais uma diária lá. Aproveitando o Wi-Fi do hotel, consegui fazer o seguro SOAPEX para o Chile. Fiz o pagamento online com cartão de crédito e deixei salvo no computador para uma oportunidade de imprimir. KM rodados: 753 Duração da viagem: 11:00 Combustível: $900 ($33.85/L) + $850.65 ($32.24/L) Hospedagem: USD 54.45 (Nothofagus Bed & Breakfast)
  48. 4 pontos
    Ola mochileiros! Bom, quando eu e uma amiga decidimos fazer o Circuito W de Torres del Paine foi um pouco complicado conseguir informacoes precisas sobre como fazer esse trekking de modo beeeem barato e beeeem mochileiro, por isto resolvi deixar aqui um relato sobre como fizemos o Circuito W gastando muito pouco! Boa Leitura, bom circuito W! Informacoes gerais! O Parque Nacional Torres del Paine encontra-se a 112 km ao norte de Puerto Natales e a 312 km da cidade de Punta Arenas, no extremo sul chileno. É um dos maiores e mais importantes parques chilenos e o terceiro com mais visitas anuais. Foi também considerado uma das 8 maravilhas do mundo em 2013. O parque possui 227.297 hectares e recebe aproximadamente 155.000 pessoas por ano. A temporada inicia-se em outubro e termina em março, período de calor e preços mais elevados. Eu fui em outubro e ainda fazia muito frio, recomendo ir em finais de novembro/inicio de dezembro, quando está mais quente mas ainda não está super lotado como nos meses de janeiro e fevereiro. Eu fiz o Circuito W de Torres del Paine, uma caminhada que tem duração de 4/5 dias e aproximadamente 80 km. Aqui explico com detalhes como chegar, o que fazer, o que conhecer e outras informações, tudo do modo mais roots e barato possível, portanto, se você gosta de fazer trekkings mas prefere um pouco mais de conforto e praticidade te recomendo ler outras páginas: o site oficial de Torres del Paine: http://www.torresdelpaine.com e o site da empresa que gerencia hostels e vende passeios e traslados: http://www.fantasticosur.com Bom Circuito W! Como chegar: Saímos de Puerto Natales por volta das 8:30h da manhã, e para quem ia de carona até a entrada do Parque, saímos tarde. Para chegar ao Parque de carona a partir de Puerto Natales, vá até a costaneira da cidade e faça carona no sentido do Cerro Castor (para a direita de quem está em frente ao mar). O parque fica a 112 km de Puerto Natales (entrada pela Laguna Amarga) e foi bastante fácil fazer carona nesse trajeto. Se você não está tão na pobreza, existem milhares de transfers que fazem esse percurso, basta contratar um. De qualquer forma saia cedo de casa. Chegando no Parque pagamos 18.000 pesos chilenos de entrada, (aproximadamente 90 reais) e recemos um mapa e algumas poucas orientações. Primeiro dia! Entrada Laguna Amarga - Hotel las Torres - Camping Torres - Mirador las Torres A caminhada do primeiro dia inclui 7km da entrada do parque (Laguna Amarga) até o Hotel las Torres, caminho que também pode ser feito em automóvel (existem vans que fazem o percurso e que ficam estacionadas na entrada do Parque). A partir do Hotel Torres começa a caminhada efetivamente e são mais 8 km até o acampamento do primeiro dia, o Torres, que é grátis (para ver mais informações sobre campings grátis leia a legenda de uma foto minha com minha barraca). O ponto alto do primeiro dia é o Mirador las Torres que fica depois do acampamento. O ideal é chegar cedo no acampamento, montar a barraca, descansar e subir até lá. Entre o camping e o Mirador está a trilha mais difícil e cansativa do primeiro dia, é apenas 1 km, mas a caminhada é pesada, a vantagem é que você vai sem mochila. Total de km percorridos no primeiro dia: Entrada Laguna Amarga - Hotel las Torres: 7km Hotel las Torres - Acampamento Torres : 8 km Acampamento Torres Mirador las Torres: 2 km (ida e volta) Segundo dia! Acampamento Torres - Acampamento Italiano. Saímos cedo do acampamento Torres rumo ao acampamento Italiano, mais ou menos as 8h da manhã. O caminho é longo e difícil e gastei um total de quase 10h para percorre-lo, isso considerando umas paradinhas para tirar fotos e descansar. É um dia tão cansativo quanto o primeiro, mas com vistas mais lindas, o lago Nordernskjöld por exemplo é incrivelmente lindo! O acampamento também é grátis (leia mais sobre acampamentos grátis em minha foto com minha barraca). Total de km percorridos no segundo dia: 19 km. Terceiro dia! Acampamento Italiano - Mirador Britânico - Acampamento Italiano No terceiro dia deixamos barraca e mochila no acampamento Italiano (onde se dorme duas noites) para irmos conhecer o Mirador Britânico e depois voltar para lá. É um dos percursos mais difíceis de todo o Circuito W porque nos quilômetros finais há uma junção de pedras, areia fina e escorregadia e montanha super inclinada, dificultando a caminhada e facilitando as lesões. Foi nesse dia que lesionei os meniscos do meu joelho esquerdo. O percurso são de 10 km ida e volta, e embora seja difícil existe a vantagem de não carregar mochila. O Glaciar e o Mirador são lindos, mas depois de um treeking tão árduo eu esperava mais. Total de quilometros caminhados no terceiro dia: 10km Quarto dia! Acampamento Italiano - Guarderia Paine Grande - Mirador Glaciar Grey - Acampamento Las Carretas Seria o nosso dia de maior caminhada então acordamos por volta das 6h da manhã para seguirmos rumo a Guarderia Paine Grande. A ideia era deixar nossas mochilas aí para irmos ao Glaciar Grey sem peso, mas os guarda parques não deixaram, então fomos até a hosteria Paine Grande e nos permitiram deixar as mochilas lá (é cobrado um valor de 3000 pesos chilenos por este serviço mas não nos cobraram nada). De lá fomos ao Mirante do Glaciar Grey. A ideia era chegar até o Glaciar mesmo mas como íamos dormir no acampamento Las Carretas, que é grátis mas é muito longe dali, resolvemos ir só até o Mirante. A vista daí não é ideal mas preferimos fazer isto a pagar para dormir no acampamento Paine Grande. Depois que voltamos do Grey seguimos para o acampamento Las Carretas. A primeira parte do caminho é super pesada, mas depois é só um caminho reto e largo. Total de quilômetros caminhados no quarto dia: 21,5km Quinto dia: Acampamento Las Carretas - Sede Administrativa do Parque Dia de ir embora, chega de caminhar tanto e ficar sem banho! Do acampamento Las Carretas até a sede administrativa são aproximadamente 8km, ao contrário do que consta no mapinha que me entregaram. Somente até a estrada são 7km e até a sede um pouco mais. De qualquer forma é uma caminhada tranquila, a única de todo o Circuito W. Depois de chegar na sede administrativa conseguimos carona para a entrada Laguna Amarga e daí seguimos para Punta Arenas, onde haviamos deixado algumas coisas que não íamos usar no trekking! Acampamentos gratuitos! No Parque Nacional Torres del Paine existem três acampamentos grátis, o Torres, o Italiano e o Las Carretas. O acampamento Torres é onde se dorme a primeira noite no parque e possui basicamente uma área para você colocar sua barraca; uma cozinha (um cercado de madeira com umas prateleiras para apoiar utensilios e alguns troncos de árvores para se sentar); dois banheiros com vaso sanitário; um riacho onde se pode beber água e lavar vazilhas e uma casinha do guarda parque. Não existe chuveiro e muito menos energia elétrica. Já o acampamento Italiano é onde se dorme a segunda e terceira noite do Circuito W e tem as mesmas instalações que o acampamento Torres, a única diferença é que no Italiano faz menos frio e tem sempre mais gente, por estar no meio do Circuito. E por fim nossa sacada de mestre, o acampamento Las Carretas, onde dormimos nossa última noite. O que a maioria das pessoas faz é acampar de graça no Torres e no Italiano e no último dia acampam no Paine Grande (que é pago) e na manhã seguinte voltam pra entrada do parque de catamarã (que também é pago e é caro) para irem embora. Nós nao fizemos isso, mas sim passar direto pelo Paine Grande para acampar no Las Carretas, que tem como diferença o fato de não haver guarda parque e de quase ninguém comentar sobre ele ou acampar lá, mas nós ficamos e havia mais umas cinco barracas por lá. Portanto, é possível fazer o Circuito W de Torres del Paine sem gastar com acomodação, você só vai precisar andar uns km a mais. Galera, espero ter ajudado a mocada que estava buscando informacoes sobre o Circuito W, e principalmente a galera que viaja com pouca grana mas que nao perde uma boa mochilada por nada desse mundo! Tenho uma pagina no facebook onde conto mais sobre minha viagem e sobre as cidades e países por onde passo. Curtam la! www.facebook.com/rosadosventos1503
  49. 4 pontos
    Dia 4 Salta/ARG x San Pedro de Atacama/CHI 594km O dia mais esperado chegou: meu primeiro contato com montanhas deste porte, altitude e estradas de tirar o fôlego! Acordamos cedo, após mais uma boa noite de sono, tomamos café no hotel, carregamos as mochilas e partimos. Optamos por não pegar a famosa estradinha conhecida como "camino de Cornisa" e retornamos em diração a Gen. Güemes. Abastecemos num YPF bem grande no trevo e seguimos para San Salvador de Jujuy. A estrada é boa, porém bastante movimentada, em especial próximo aos acessos de Jujuy. Após contornar a cidade, as montanhas vão surgindo e vamos margeando um riozinho, começando a compor belas paisagens. Conforme começávamos as primeiras grandes subidas, ainda antes de Purmamarca, um sorriso brotava em meu rosto. Saímos da RN-9 e entramos na RN-52 em Purmamarca, de onde se vê algumas das montanhas coloridas que viraram cartão postal da região do NOA. A estrada continua e começamos a subir a "Cuesta de Lipán" que, para mim, foi talvez o ponto mais marcante da viagem toda e uma das maiores decepções: simplesmente não parei para tirar fotos! Uma hora estava concentrado na direção, noutra estava boquiaberto com todo aquele cenário... fomos indo e indo, apreciando, curtindo... mas não paramos durante toda a subida. Apenas quando chegamos no ponto mais alto, conhecido como "Abra de Potrerillos", é que paramos num mirante onde existem alguns vendedores de artesanato. Ali foi que desci do carro e senti os efeitos da altitude pela primeira vez: uma tontura imediata ao subir poucos metros do barranco com a pedra indicando a altitude, uma leve falta de ar, além do vento gelado da altitude. Mas, novamente, reforço: é inacreditavelmente bonito esse trajeto. Cada curva é uma surpresa. Continuamos a descida da Cuesta de Lipán e encontramos o restaurante La Pekana que foi quase um oásis para nós. É meio engraçado porque, mesmo após ter cruzado o Chaco, você não percebe como a civilização vai ficando para trás a cada kilômetro rodado após San Salvador de Jujuy. Nenhum posto, nem nada. Estávamos dois dias "pulando" o almoço, então resolvemos parar para comer mais tranquilos neste dia. O lugar estava lotado de motos, a maioria de brasileiros. Comemos umas "milanesas" e seguimos viagem. Logo a frente, a estrada vai retomando o esquema de longas retas e é possível ir avistando as "Salinas Grandes". Fomos andando e apreciando a paisagem. Paramos em dois mirantes nas salinas. É possível acessar a planície de sal e curtimos um pouco o local. Mais um pouco adiante, tivemos a companhia selvagem mais aguardada da viagem: diversos grupos de lhamas e de burros selvagens. Ainda bem que vimos eles de perto por aqui, pois na região de San Pedro de Atacama, que era onde pensávamos encontrar eles, vimos praticamente apenas vicuñas. Mas nesta região aqui, ainda antes de fronteira com o Chile, elas devem ser muito populosas. Digo isso pois um caminhoneiro passou buzinando e jogando o caminhão no acostamento para assustar um grupo de lhamas que estávamos fotografando, então imagino que devam ter problemas com elas (freadas bruscas, desvios ou acidentes) com relativa frequência. A estrada continua, belíssima. Longas retas e depois mais uma pequena serra próximo a Susques. O movimento nessa altura da estrada já é quase zero. É possível parar para fotos no meio da rodovia por vários minutos sem ninguém aparecer. E assim fomos, andando e parando para fotos, até chegar no Paso de Jama propriamente dito. O esquema das alfândegas é integrado e demos sorte de chegar antes de um grupo maior de motoqueiros. Não devemos ter perdido mais do que 30min em todos os trâmites (acho que eram 6 cabines separadas, cada uma com seu carimbo! haha). No final, como declaramos ter alimentos no carro, a fiscal nos acompanhou e coletou uma banana e uma maçã que tínhamos sobrando e nos liberou. Aqui tive um pequeno susto: na chegada ao Paso de Jama (alguns metros antes de quem vem da Argentina e vai entrar no Chile), existe um posto bem arrumadinho da YPF. Eu havia pesquisado e sabia que era a última chance de abastecer antes de San Pedro. Acontece que, chegando lá, ele estava sem combustível! Minha espinha quase congelou! Eram mais de 150km até San Pedro e cerca de 110km voltando para Susques. A minha sorte foi que, na altitude, o consumo do carro despencou, e a autonomia que eu tinha naquele momento era de mais de 250km, suficiente para seguir viagem. Eu estava preocupado com a perda de potência na altitude (que é uma verdade), mas o fato da menor resistência do ar compensou e até superou esse problema. Nos trechos de reta "normal" onde meu carro faz uma média de 13~14 km/l, meu carro passou a fazer 19~20 km/l nessa altitude elevada. A média desse dia, considerando todas as subidas de serra etc, foi a mais alta de toda a viagem: 15,5km/l. Passada a fronteira, já no Chile, as paisagens continuam inacreditavelmente bonitas. É difícil demonstrar em fotos a grandiosidade e as belezas destes locais. A Ruta 27 corta a Reserva Nacional Los Flamencos. Aliás, o passeio para o Salar de Tara está dentro desta reserva, e o acesso é feito por essa estrada até próximo a fronteira, então já pudemos ir apreciando boa parte do visual que retornaríamos alguns dias adiante no passeio com agência. A estrada continua subindo e alcança a altitude máxima, não lembro o número exato, mas é na casa dos 4800m s.n.m. Logo após, segue numa descida bastante forte até a cidade de San Pedro. Quando digo descida forte, é forte mesmo: meu carro tem 6 marchas e, mesmo colocando uma terceira para usar freio-motor, o carro ganhava velocidade. Existem várias saídas de emergência para caminhões (caixas de brita). Mas não tem muito mistério, é só controlar a velocidade, usar um pouco de freio-motor para não sobrecarregar os freios e ir contornando as curvas com calma. Quase no final da descida e já relativamente perto de San Pedro, a estrada passa bem pertinho do vulcão Licancabur, o mais "fotogênico" dos diversos vulcões da região. É aquele todo perfeitinho, com formato bem característico em cone, e que é possível ser avistado de quase todos os passeios e cidades da redondeza. Seguimos mais alguns kilômetros e chegamos a cidade de San Pedro. O asfalto acaba, tão logo se entra no vilarejo. Ruas de terra e construções bem rústicas vão dando o clima do local. Fomos direto para o nosso hostel, Illauca de Atacama. Optamos por ele por ser uma construção nova, num bairro novo e mais afastado do centrinho. Justamente por ser mais afastado, ele não é tão caro e oferece um nível de conforto e limpeza um pouco melhor que a maioria dos hostels. Como estávamos de carro, nenhum problema com a localização. Mas para quem quiser encostar o carro, também nada que uns 20 minutos de caminhada não resolvam. San Pedro é uma cidade simpática, o pessoal é extremamente receptivo e acolhedor. Existem muitas dicas sobre restaurantes, casas de câmbio, agências de viagem etc. Vou relatar as minhas experiências e indicações nos relatos diários que seguem abaixo.
  50. 4 pontos
    Então, depois de tirar muitas informações do Mochileiros, achei que era hora de contribuir um pouco. Percebi que há poucas informações sobre Israel/Jordânia aqui e muitas encontram-se desatualizadas. O objetivo do post é passar informações que eu não achei na internet (e descobri lá) e dar um ideia dos valores gastos e mostrar que, apesar de muitas pessoas acharem esta uma viagem complicada de ser feita, na verdade foi tudo bem tranquilo. Câmbio para outubro/2017 US$1 = NIS 3,50 (shekel) e US$ 1 = 0,70 JOD (dinar jordaniano), sim, a Jordânia usa uma moeda louca que vale mais que libra (não me pergunte como ) Passagem aérea: conseguimos emitir o trecho BR-Frankfurt com milhas pela Latam, que eu achei boa para vôos internacionais. O aperto na classe econômica é o de sempre, mas o serviço de um modo geral é bom. Só tem um porém: o vôo GRU-Frankfurt dura 12 horas e só são servidas duas refeições um jantar após uma hora de vôo aproximadamente e o café da manhã umas duas horas antes de chegar ao destino, então se você não consegue dormir no avião (como eu), é bom se precaver e levar água e lanche ou vai morrer de fome na madrugada. De Frankfurt para Tel Aviv, fomos de Turkish Airlines com escala em Istambul. Aqui tem outro problema: no Aeroporto de Istambul (Ataturk), para acessar o wi-fi, é necessário fazer um cadastro e receber um SMS com um código de autorização que estou esperando até agora. Então, caso aconteça o mesmo e vc não receba o SMS, como aconteceu comigo (normal), é bom ter um plano B para passar um tempo, um livro, músicas baixadas offline, etc. Achei a Turkish muito boa, boas refeições (mesmo em vôos de 2 ou 3 horas), bom espaço para as pernas (peguei um avião com 2, 3 e 2 lugares), sistema de entretenimento em todos os trechos (exceto TLV-IST na volta). Roteiro e hospedagem: 4 noites em Tel Aviv (Abraham Hostel), 2 noites em Eilat (HI Hostel), 2 noites em Petra (Peace Way Hotel), 1 noite no deserto Wadi Rum e 5 noites em Jerusalém (Abraham Hostel). A hospedagem, como quase tudo em Israel, é bem cara, beira R$ 100/cama/dia em Tel Aviv e Eilat e R$ 90 em Jerusalém, mas todos os hostels são muito bons, quartos espaçosos, camas confortáveis, bom café da manhã e boa localização. Tem uma questão positiva e, de certo modo, surpreendente, em todos tem água de graça. Apesar de ser tranquilo beber água da torneira em Israel, os hostels tinham bebedouro com água filtrada e gelada, o que dá um boa economia depois de alguns dias. Em Petra, duas noites de hospedagem em quarto saíram por JOD44 (JOD11 por pessoa por dia). O hotel era razoável, no centro de Wasi Musa (cidade base de Petra) e tinha bom café da manhã, mas a internet era ruim, fica caindo toda hora, mas, tirando isso, era bem justo pelo preço. Visto/imigração/certificado de vacinação: Para Israel, não é necessário certificado de vacinação nem visto para brasileiros e a permanência máxima autorizada é de 90 dias. A imigração foi surpreendentemente fácil, não me perguntaram NADA, absolutamente nada. Suspeito que foi pelo fato do último carimbo no passaporte ser de Frankfurt. Foi muito mais difícil entrar na Alemanha do que em Israel, me perguntaram onde eu ia, o que eu ia fazer, e o agente tava com uma cara de poucos amigos pro meu passaporte em branco (renovei no meio do ano para essa viagem). Minha vida só melhorou quando mostrei o passaporte antigo com carimbo de entrada na Europa, então, caso o passaporte seja recente, recomendo levar o antigo (imigração em Lisboa não é referência pro resto da Europa). Em Israel, o passaporte não é carimbado para evitar problemas em viagens futuras para países árabes, eles emitem um tíquete à parte com o nome, número do passaporte e sua foto. Sugiro colocar o tíquete com um clipe dentro do passaporte, ESSE TÍQUETE É SUA VIDA EM ISRAEL .. Meu amigo teve que fazer imigração na Turquia e eles fizeram as perguntas de praxe para ele, nada demais. Surpresa boa. O problema é, por incrível que pareça, é sair de Israel. Antes de fazer o check-in no aeroporto, você tem que passar por uma "checagem de segurança" dependendo do destino. Eles perguntam onde vc esteve, o que foi fazer em Israel e na Jordânia, se tem parentes ou conhecidos na Jordânia, quem estava com vc, se era possível confirmar essas informações, nome e dados do meu amigo (falei que estava com ele na viagem)...Aprovado na checagem de segurança, você segue para despachar a bagagem, mas não pode trancar a mala, caso alguém suspeite de alguma coisa e necessite abrir sua mala . Ok, aceitar, despachar a mala destrancada e rezar para tudo aparecer intacto no destino. Em seguida, passa-se pelos procedimentos de segurança, onde há mais perguntas, tirar casaco, cinto, sapato, ... abrir mochila, mostrar o que tem lá dentro, etc... É tensa a coisa toda, mas é mais cansativo que tenso, pq demora muito para fazer todo o procedimento e, depois de tudo, fui "autorizado" a deixar Israel, momento em que devolvem o passaporte ( o passaporte fica com os agentes enquanto vc, suas roupas e pertences passam pelo procedimento de segurança). Continua...
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