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Mostrando conteúdo com a maior reputação desde 04-06-2019 em todas áreas

  1. 18 pontos
    Saudações! Há pouco compartilhei um relato sobre como foi viajar e viver na BR nos últimos dois anos e meio conhecendo um pouquinho de cada uma das cinco regiões do Brasil de carona, a pé e de bike. O relato não aborda roteiros, preços ou dicas mas busca compartilhar outras dimensões e aprendizados que tive (e você pode entender ao que me refiro aqui: https://www.mochileiros.com/topic/66973-sobre-a-coragem/ ). Como venho assimilando as informações vividas nesse intervalo entre ciclos que se encerram e se iniciam - e como todos sabemos que "happyness is only real when shared" -, percebi que outros dois assuntos são recorrentes no curioso imaginário da arte de viajar ~por aí e resolvi compartilhá-los também buscando somar. No outro post, os aprendizados foram compartilhados a partir da óptica da coragem necessária para seguir o coração a despeito de quaisquer garantias ou certezas que um mochileiro enfrenta no início, e automaticamente me lembrei das muitas mentiras que também temos que encarar. Acredito que a maior mentira que a humanidade perpetua a si e ao coletivo - de maneira quase socialmente institucionalizada - é o "não tenho/deu tempo", que é a maneira politizada de dizermos que não-queremos-tanto-assim-fazer-algo-como-dizemos-que-queremos. Mas, uma vez tendo vencido este autoengano, me deparei com aquela que considero a segunda maior mentira do universo das viagens: "para viajar precisa de dinheiro". Criada num contexto de classe média baixa onde as viagens feitas não ultrapassaram os dedos de uma mão (e envolveram exclusivamente a visita a algum parente distante ou um bate e volta à praia mais próxima) cresci com a crença de que viagem é luxo e que precisa de dinheiro para isso. Ao me dispor a encarar esta máxima e colocar a sua veracidade em cheque, descobri que é balela: para viajar precisa ter vontade - e disposição, claro! Não estou pregando que o "certo" ou "errado" é viajar com dinheiro ou sem, até porque ele é apenas uma ferramenta. O que busco salientar é que ele não é obrigatório como cresci acreditando que era. Ao escolher viajar sem dinheiro precisamos das mesmas coisas que ao viajar com dinheiro (ou até mesmo se ficarmos parados!): precisamos comer, tomar banho, dormir em um lugar minimamente seguro, etc, a única diferença é que se faz necessário encontrar maneiras alternativas de suprir tais necessidades, e daí vai da disposição e criatividade de cada um. Como diz o ditado "quem quer arranja um jeito, quem não quer uma desculpa". Outra mentira na qual tropecei antes mesmo de colocar a mochila nas costas foi "é perigoso mulheres viajarem sozinhas". Tantas são as fobias e "-ismos" fortemente enraizados em nossa cultura que reproduzimos sem nem ao menos questionarmos as origens que eu mesma muito me admirei ao notar o sutil machismo que me habitava por acreditar nessa idéia. No entanto, após pensar um pouco, concluí que uma mulher viajar sozinha não é mais perigoso que uma mulher ir comprar pão, andar no transporte público ou ir para o trabalho. A sociedade é patriarcal e o assédio, infelizmente, encontra-se em todas as esferas sociais, logo é uma mentira acreditar que uma mulher viajando está mais susceptível à riscos do que qualquer outra mulher em qualquer outro lugar fazendo qualquer outra coisa. Outra ideia que tinha como verdadeira, e que descobri ser mentira muito rapidamente, é a de que "todo maluco de BR é paz e amor". Fui muito ingênua por acreditar nisso? Fui! Romantizava a vida na BR? Sim! Mas não levou muito tempo para que compreendesse que essa é uma inverdade por motivos lógicos! Hoje dou risada da magnitude de minha inocência por acreditar nesse estereótipo romantizado e assumo que compreender isso foi como levar um balde de água fria - necessário. Roubos, drogas, disputas e desonestidade são apenas alguns exemplos da realidade que não esperava conhecer entre os mais variados malucos de BR. Antes achava que todos eram "hippies saídos do Hair" ou "Cheech & Chong", embora estes existam em processo de avançada extinção... Rsrsrs sabe de nada, inocente... Mas de todas as mentiras, a que mais me pegou foi "só dá para viajar com equipamentos ~adequados (lê-se, caros)". Sonho em ter uma mochila da Deuter? Sonho. No entanto, consegui muito bem me virar, entre remendos e adaptações alternativas de baixo custo (a.k.a. gambiarra) com uma comprada na loja do chinês por R$80. É claro que poder ter um equipamento de qualidade implica diretamente na relação entre conforto e rendimento, mas nada que não possamos nos adaptar. Digo que foi um ponto que me pegou pois também passei pela situação inversa: investi em um equipamento de marca e me ferrei! Por muito tempo, após ter passado por uma experiência de chuva muito intensa com uma barraquinha dessas de supermercado sem ter nem ao menos uma lona (amadora, rsrs), juntei dinheiro decidida a investir na minipak. Como passaria a viajar de bicicleta, ela era leve e apresentava uma excelente coluna d'água pelo que a julguei perfeita. Porém, ao adquirí-la e usá-la realizei que não era funcional para mim pois sentia falta de ser autoportante, é muito chata de guardar, o teto é muito baixo para o cocoruto, é pequena para visitas (ou sou muito espaçosa...), o alumínio entorta fácil e a vareta com 3 meses de uso quebrou! Passei um bom tempo pensando em como uma simples lona custando 10x menos já resolveria meus problemas... Rsrsrs Dessa forma, aprendi que equipamento bom é o que temos pois atende às nossas necessidades e temos intimidade com ele. Mas ainda hei de comprar uma mochila da Deuter! Rsrs Outro tema recorrente aos mochileiros são os tais dos perrengues! Ouso até dizer que, aos que ainda sucumbem ao medo, eles interessam mais do que as viagens em si! Rsrsrs Os perrengues e dificuldades são tão relativos quanto possíveis, variando de viajante para viajante assim como em intensidade. Para alguns o maior pesadelo pode ser perder a reserva de hotel, para outros pode ser um pernilongo. Dentro do que me propus a viver, por saber e confiar que nada que realmente precisasse faltaria, também carregava a consciência de que assim como recebo posso ter tirado de mim, afinal o conceito de posse já não mais me acompanha. Dessa forma, por não carregar eletrônicos, documentos ou ítens de valor comercial reconheço que fica mais fácil não se preocupar com perrengues. Ou não. Ao menos era nisso que acreditava até tomar A MAIOR CHUVA dessa vida numa passagem pela Chapada Diamantina. Pelo meu característico amadorismo e excessivo despreocupar no começo da vida mochileira, nem lona carregava, logo, a barraquinha de R$50 do mercadinho só serviu para canalizar o fluxo d'água numa cachoeira central que molhou a.b.s.o.l.u.t.a.m.e.n.t.e. TUDO. Compreendo que qualquer adversidade que surja é passível de adaptação, no entanto ficar completamente molhado nos traz a pior sensação de impotência possível já que não se tem o que fazer... O perrengue de tomar uma chuva e ficar completamente molhado ainda se agrava pois a questão não é solucionada com o fim da chuva! Mochila, barraca, roupas e pertences permanecem molhados por dias e isso significa que também ficam mais pesados, fedorentos e com grande possibilidade de embolorarem, além do risco momentâneo de hipotermia. Certamente, nunca passei por perrengue tão intenso quanto ficar completamente molhada pela chuva. Por dias. Embora menos intensa quanto aos desdobramentos porém potencialmente problemática é a situação no outro extremo: ficar sem água. Houveram períodos em que levei bem a sério o Alex Supertramp e fui morar um tempo com minha barraquinha no meio do mato. O desafio principal está no fato de que não só o ser humano busca água como toda a natureza. Dessa forma, dividir a fonte com outros animais, fofos ou peçonhentos, é inevitável e saber a sua hora de usar a fonte e a hora deles é uma urgente sabedoria. Mas também houveram situações em que não havia uma fonte de água próxima e esse também se torna um desafio de captação, transporte, armazenamento e racionamento dessa água. Momentos como este reforçaram a consciência ecológica do desperdício-nosso-de-todo-dia com algo tão sagrado. Mas o perrengue mesmo é quando a água de beber acaba no meio do nada! A desidratação é um perigo silencioso e intenso pois o corpo buscará compensar a perda hídrica envolvendo todas as funções biológicas e então atividades simples como andar, falar e pensar se transformam em desafios homéricos. Saber calcular e administrar a relação distância x peso x sede é fundamental para evitar este perrengue. Além de ficar hipotérmica ou desidratada, os únicos perrengues que considero ter enfrentado derivam de um único fator: cansaço. Não me refiro ao cansaço físico pois este se resolve com uma ciesta, me refiro ao cansaço mental. Ter que retornar por caminhos já conhecidos, e que envolviam grandes centros urbanos, ou estar acompanhada de alguém com prioridades diferentes ou que só fazia reclamar são exemplos do que me causava o cansaço emocional. Então, mais de uma vez, a pressa por sair logo de uma dessas situações fez com que me colocasse no que chamo de vulnerabilidade desnecessária. Viajar exige uma pré disposição em se expor mas existem situações em que aceitamos nos submeter a uma exposição de alto risco sem real necessidade. Posso citar aquela carona que se aceita próximo do anoitecer pela pressa de chegar logo ou atravessar algum lugar, ou quando por preguiça de darmos uma volta maior mas que apresente menos riscos cruzamos trechos perigosos (estradas sem acostamento em trechos de serra, túneis ou viadutos), ou quando escolhemos parar em lugares sabidamente arriscados (como um leito de Rio ou cachoeira em época de chuvas, na praia aberta durante uma tempestade, sobre folhas secas ou chão batido certamente território de cupins ou formigas noturnas) ou quando aceitamos aquela carona cujo motorista apresenta nitidamente ao menos um pé na psicopatia - é raro, mas a energia que emanamos atraímos de volta). Felizmente aprendi rápido que o único remédio para o cansaço é descansar! Estes são exemplos da vulnerabilidade desnecessária que o cansaço mental atrai e transforma em verdadeiros perrengues. Sinto que as balelas e perrengues são intrínsecos a todos viajantes e, embora não pertençam ao lado glamouroso da viagem, são parte do alicerce. Que este compartilhar possa minimamente suprir a curiosidade dos que ainda buscam apoio na literatura assim como me confortam ao externizá-las, validando de certa forma as experiências que tive. Mas mais do que isso, que estas palavras sirvam de fermento ao questionamento. Não acredite no que falo. Duvide. Busque ter sua própria experiência. Dedico este compartilhar a todas e todos que têm ao menos um perrengue para contar pois acredito que este seja, no mais profundo, o seu propósito: transformar a história em estória... PRABHU AAP JAGO
  2. 16 pontos
    Sempre começo dizendo pq desta viagem, deste destino, já que o mundo inteiro me interessa! Então vai lá: pq meus planos eram “Islândia” mas não deu ($$ - segundo ano consecutivo mudando o destino por falta de grana, rs). Pq eu li sem querer querendo um relato e depois mais um e depois mais dois, e depois todos, sobre “este destino” (compilei os relatos mais recentes neste tópico). Pq eu já queria ir. E agora estava apaixonada. Pq eu andei negligenciando a América do Sul. Pq AMAMOS natureza e paisagens. E estamos cada vez mais curtindo viagens de carro! Então por tudo isso, e pq passagens de avião estão caras demais e pq sim, decidimos partir de Londrina-PR com destino ao Atacama, no Chile, com lenta passagem pela Argentina! E rolou até Bolívia! “Noooooossa, mas que loucura, vcs vão de carro??? E ainda vão levar o filho???? Vão fazer o que num deserto??” 🤨 “[email protected], loucura pra mim é pagar 3 mil reais num celular!”🤦‍♀️ Apesar de ter bons relatos de carro pelo roteiro que me propus fazer, sempre muda alguma coisa, e tb é interessante atualizar valores e trazer informações mais recentes... e escrevo tb como forma de memória minha... o meu “livro de viagens” é aqui, rs! E em tempo, obrigada a todos que compartilharam aqui suas histórias e me fizeram sonhar além e rir muito! Roteiro Londrina > Foz do Iguaçu > Corrientes > San Salvador de Jujuy (e arredores) > San Pedro de Atacama (e arredores incluindo Bolívia, rs) > SSJ > Corrientes > Iguazu > Londrina. Em 17 dias, 6300km! Com esse tempo tem gente que vai mais longe, que vai pra Santiago, Mendoza e afins, mas gosto assim, com calma! E o mundo estará sempre lá pra gente voltar. Quem foi Até convidei um casal de amigos, mas as datas não bateram. Então fomos naquela formação original básica: Guilherme: marido e piloto; Juliana (eu): esposa, navegadora e co-pilota; e João Gui: filho (11 anos), comissário de bordo! Como De Nissan Versa 1.6 manual ano/modelo 2018/2018! Mandei pra revisão na concessionária antes de viajarmos apesar dele estar recém revisado. Como a gente sempre faz o que não deve com ele um monte de parafuso e proteção na parte debaixo do carro tinha quebrado/soltado. Tb me disseram que eu não precisava colocar nenhum fluido em nenhum lugar pra evitar congelamento, que o que estava lá era o correto, e assim fiz, mas verifique esta questão pq com o seu carro pode ser diferente. Equipamentos obrigatórios: 2 triângulos e extintor de incêndio. SÓ! (Além de cinto de segurança e estas coisas normais). Não tem cambão, mortalha e o carai... Por favor, leiam este tópico! Daqueles que dão orgulho do mochileiros.com!! Seguros obrigatórios: Carta Verde (Argentina) e Soapex (Chile). Mais detalhes abaixo. Documentos Passaportes: é bem mais prático do que levar o RG e a gente já tinha; PID: a gente já tinha, mas ninguém pediu; Carta verde: seguro argentino no nome do dono do veículo, que tem que estar dentro do carro, foi emitido gratuitamente pelo meu corretor de seguro do carro pq já estava incluído no seguro do meu carro (tem que ser impresso em papel verde, rs). Se vc não é o dono do carro tem que ter uma autorização do dono (seja da locadora ou do parente) pra dirigir o carro fora do Brasil. CARRO FINANCIADO está no seu nome e não precisa de autorização nenhuma; Soapex: seguro chileno para estrangeiros, comprado dias antes pelo site da HDI por 10,77 dólares. Na hora de comprar vc vai ter que informar o número do motor do carro, rs. Nem sabia que isso existia. Não é o chassi, é o motor. Procurei na internet onde tava o número do motor do Versa e fica no motor mesmo, kkkk. Foi só bater uma lanterninha lá e anotar! Extensão do seguro pela América do Sul (fale com seu corretor): incluso no seguro do meu carro; Seguro viagem: tive dificuldade em contratar, até pedi ajuda aqui. Eu nunca compro seguro pq uso o do cartão, mas desta vez como não compramos passagens, o cartão não oferecia. Quando comecei a cotar percebi que seguros “terrestres” quase não existiam, ou quando achava, eram super caros e se aplicavam apenas para viagens de ônibus. Depois de dar uma estudada e até falar com corretores, acabei contratando um aéreo mesmo, afinal, minha preocupação era ter algum problema de saúde em alguma cidade, tipo uma dor de dente ou cólica de rim, sei lá. Nestes casos não faria diferença eu estar de carro ou de avião. Compramos pela Mondial/Alianz por 235,00 para nós 3, para Argentina e Chile, por 17 dias. Estava com um cupom de 50% de desconto; Receitas dos meus medicamentos (#diabetica): como assisto muito “Fronteiras Perigosas da América Latina” kkkkk fiquei encanada de alguém cismar com meus medicamentos! Money Trocamos reais por pesos argentinos na fronteira (Foz do Iguaçu) e em Salta, e dólares por pesos chilenos em SPA. No relato aprofundo mais sobre as tarifas. Mas assim, câmbio é uma coisa que flutua tanto que vc tem que pesquisar exatamente na data da sua viagem. Via de regra compensa levar dólar pro Atacama pq lá não tem demanda por real, ao contrário de Santiago, em que a troca direta real x peso pode compensar ou empatar. Na Argentina costuma ser viável trocar direto... mas reparou no “costuma”? Pesquise na data da sua viagem! Internet Baixamos todos os mapas do google off-line e não compramos chip nem no Chile nem na Argentina! Usamos somente a internet dos bares/restaurantes e hospedagens e deu tudo certo! Na mala Calçado quente, confortável e impermeável, eu de botas vento titã (muito amor), os meninos de Quechua. Roupas em camada, pegamos de -10oC a 30oC. Soro de nariz, protetor labial (bepantol), protetor solar e óculos de sol são itens de SOBREVIVÊNCIA, a umidade relativa é zero e a neve cega. Medicamentos: eu já tinha abandonado a ideia de ficar levando remédio a toa, mas preferi levar alguns desta vez. Pra dor, anti-alérgico e Diamox. Falo mais sobre o mal de altitude no durante o relato. Hospedagens Airbnb do começo ao fim! Sou muito fã de Airbnb e mais uma vez tivemos muita sorte! Me sinto em casa, me sinto parte do lugar quando posso cozinhar, ir no mercado e interagir eventualmente! Sei que na maioria dos hostels tb é assim, mas no Airbnb sempre acho mais conforto, privacidade e preços melhores! Tivemos excelentes experiências e preços muito, mas MUITO, acessíveis, vou abordar melhor abaixo. As hospedagens escolhidas, bem como preços e qualidade foram as seguintes: Foz do Iguaçu (1 noite): Eu já tinha me hospedado duas vezes em Foz do Iguaçu pelo Airbnb, na casa da Adriana. A casa dela se aluga inteira e é enorme, super confortável, linda, show! Legal pra ir com mais gente! (Se alguém quiser indicação me manda MP). Mas desta vez era só uma noite, resolvi pegar uma casa menor, onde mora uma senhora, pertinho da Argentina! Sabe quanto? 68 reais pra nós 3, e com café da manhã! 21 reais por pessoa! Amo Airbnb! A Léo, nossa anfitriã, foi muito fofa, amamos! Casa simples e confortável, perfeita para uma noite! https://www.airbnb.com.br/rooms/29173885?guests=1&adults=1 Corrientes (1 noite): Mais uma experiência de ficar em um quarto na casa de alguém. Na verdade é uma dependência no fundo da casa do Cesar. Desta vez pagamos 93 reais pra nós 3, 31 reais para cada! O César foi super querido com a gente, tivemos uma ótima estadia! https://www.airbnb.com.br/rooms/14149168?guests=1&adults=1 San Salvador de Jujuy (5 noites): Eu tinha 200 reais de desconto quando paguei, então no total ficou 321 reais para 5 noites para nós 3, incríveis 20 reais por dia por pessoa, não é bom demais? Lugar super legal, a anfitriã mora nos fundos e dá muitas dicas, não poderia ter escolhido lugar melhor! Quem vai passar um tempo na região costuma hospedar em Salta, mas fiquem de olho, lá é bem mais caro! SSJ, Tilcara e Purmamarca além de serem puro charme tem opções bem mais em conta! AMEI. https://www.airbnb.com.br/rooms/26893928?guests=1&adults=1 San Pedro de Atacama (6 noites): Eu tinha 169 reais de desconto quando paguei, então no total ficou 970 reais para 6 noites para nós 3! Cerca de 55 reais por noite por pessoa! Apesar de ter ficado mais caro que a média, todo mundo sabe que em SPA as hospedagens são mais carinhas mesmo, ainda mais na alta temporada! Esta hospedagem consiste num quarto triplo com banheiro privativo e acesso a cozinha coletiva! Tinha mais um quarto semelhante nos fundos. Os anfitriões foram bem prestativos! Eles moram lá em SPA e alugam estes dois quartos nos fundos de uma casa, que me pareceu ser de parentes deles. Esta foi meio parecido com um hostel. https://www.airbnb.com.br/rooms/24290251?guests=1&adults=1 SSJ (1 noite): a ideia era hospedar em General Guemes e ficar mais na mão de voltar, ou em Salta... eu tinha uma reserva com cancelamento grátis pelo Booking em Salta, mas resolvemos retornar pra mesma casa onde ficamos na ida pq tinha umas plantas lá que eu queria muda, hahahahauaha! Desta vez pagamos 105 reais pra nós 3, 35 reais por pessoa! Corrientes (1 noite): eu queria ter pernoitado em Resistencia só pra ser uma cidade diferente, rs, mas faltando 2 meses para a viagem eu solicitei reserva no mesmo lugar que iria me hospedar na ida, só que estava indisponível. Achei um outro lugar do mesmo dono, mas no mesmo endereço... Achei estranho mas solicitei reserva. Me custaria míseros 73 reais para nós 3 por uma noite. Mas sabe quanto eu paguei? ZERO reais, pois tinha crédito de viagem! Esta segunda reserva aparentemente é de um outro cômodo dentro da casa dele, mais barato, mas acabamos ficando na mesma dependência do fundo e deu tudo certo, o cara é um gentleman! Vou deixar o link desta hospedagem abaixo apenas pq parece diferente da que ficamos na ida, mas foi o mesmo lugar, rs. https://www.airbnb.com.br/rooms/18043226?guests=1&adults=1 Puerto Iguazu (1 noite): última hospedagem da viagem! Quis ficar em Iguazu pra ser diferente da ida, rs, e pq antes de ir embora queria comprar cereja em conserva (pq todo o resto é caro e pega turista em Iguazu). Pra não ter que atravessar a fronteira de novo, resolvemos ficar do lado argentino mesmo. Quarto em casa compartilhada, MUITO simples e com problemas de higiene. Me custaria 52 reais a pernoite pra nós três, mas não paguei NADA pq tinha crédito de viagem! A anfitriã era gente boa mas não recomendo esta casa... poderia ter comprado a minha cereja e atravessado na mesma noite pro Brasil e dormido de novo na Léo que tava mais esquema! https://www.airbnb.com.br/rooms/26877281?guests=1&adults=1 TOTAL: 1557,00 reais, mais ou menos 33 reais por dia por pessoa, já que foram 16 noites! Achei MUITO bom! Se depois de tudo que vc leu, resolver experimentar o Airbnb, faça cadastro com o meu link que eu e vc ganhamos descontos! https://www.airbnb.com.br/c/jcarneiro3?currency=BRL IMPORTANTE: neste tópico, para quem interessar, há uma discussão bem legal que rolou aqui sobre os malefícios do Airbnb, principalmente para as pessoas que moram em cidades muito turísticas. Muito do que foi colocado neste tópico é BEM importante quando vc tem alguma preocupação com o impacto que causa em qualquer ocasião da sua vida, incluindo viajar. Tente escolher bem seus anfitriões de forma a minimizar os impactos negativos do Airbnb! Casas compartilhadas com o morador, anfitriões que só tem uma casa e idosos são uma boa. Clima Esta é uma viagem que pode ser feita a qualquer tempo, mas o cenário muda muito e há períodos em que certos passeios ficam fechados! As duas principais temporadas para nós, brasileiros, são inverno e verão, por conta de férias escolares e tals. E fomos no inverno, a mais ALTA temporada do Atacama! Pq... tem o João, rs! Ele está no sexto ano e ano passado não quis ir conosco pra África do Sul pra não perder aula e provas! Apoiei a responsa dele mas não queria deixa-lo de fora de novo... e já convenci ele que ano que vem a viagem vai ter que ser durante as aulas mesmo, rs. Mas qual é a do inverno e a do verão? Falando especificamente do Atacama... no verão é MUITO calor durante o dia e pode chover. Em janeiro, e principalmente fevereiro, o inverno altiplânico (chuvas intensas) podem estragar seus planos. Este ano várias rotas foram interrompidas por chuvas intensas e muitos passeios foram cancelados, dava pra ver marcas de alagamento em algumas partes de SPA ainda. Mas sabe quem ama o verão? Os flamingos! É nesta estação que vc corre o risco de vê-los fazendo aquela dancinha de corte sensacional! Só tenham atenção com FEVEREIRO. E o inverno?? O céu é maravilhosamente azul, é alta temporada (férias na Europa e América do Norte), não chove nem a pau, mas pra quem não curte, cuidado: a temperatura fica abaixo de zero a noite! Tudo bem pq a noite vc tá debaixo das cobertas quentinho certo? Errado! Tem tour que sai as 5h da manhã, nos Geyseres del Tatio o frio é extremo. Extremo mesmo, -15oC pra menos. O vento faz a sensação térmica te colocar no topo do Everest, rs! E hospedagem de mochileiro em SPA não tem calefação neah... FRIACA! Outros pontos negativos são: os flamingos se mandam pra bandas mais quentinhas e as nevascas podem interromper temporariamente os passeios de altitude e a ascensão aos vulcões (Lascar, Cerro Toco, Licancabur e etc). Mas pra quem, como eu, é apaixonada pelos topo de morro branquinhos e se amarra numa bochecha rosa queimada de vento, o inverno é a sua estação! ATENÇÃO para AGOSTO. Eles dizem que fim de julho, agosto e comecinho de setembro é o período da “última invernada”... neva muito e é a mais baixa temporada do Atacama, frio extremo e muitos passeios fechados! Se quiser curtir a primavera, melhor deixar pra segunda quinzena de setembro pra frente! Obs. Estas informações me foram contadas por moradores locais. Com certeza há quem tenha ido em fevereiro e agosto e tenha dado sorte, mas se vc puder evitar, fica a dica! E na véspera... Machuquei o pé. Sim, forte! No dia antes de viajar a marmota aqui cutucou uma unha! Fui parar na podóloga e não desejo pra ninguém a dor de cortar nacos de carne e unha sem anestesia, fiz força pra não fazer xixi! Por este motivo acabei levando antibióticos caso infeccionasse, antisséptico para curativo e antibiótico pomada para os primeiros dias! No fim... #spoiler super sarei e não tive maiores problemas, rs! Finalmente... Vou relatar tudinho, com muitas fotos e todos os custos. Por dia, eles serão divididos nas seguintes categorias: combustível, pedágio, alimentação (que inclui mercado, refeições diversas, bebidas), compras (que inclui coisas úteis e inúteis, vulgo "souvenires e regalos", assim como eventuais estacionamentos e uso de sanitários), diversão/entrada (inclui entradas em atrações e eventuais taxas de turismo) e câmbio. No fim farei um resumão de custos, e gente... esta viagem divide com a África do Sul a primeira posição de “minha viagem favorita no mundo”... mesmo que nem tudo tenha sido... FLORES. Prometo começar o relato em si, no próximo post! 😃
  3. 14 pontos
    Olá gente! Nem acredito que chegou a minha hora de deixar um relato de viagem haha eu pesquisei muito aqui nesse fórum e uma das grandes razões da viagem ter saído do papel e eu ter feito o meu primeiro mochilão sozinha foi as informações que encontrei por aqui. Primeiramente, a base da minha viagem foi o relato da @appriim que está completinho nesse link aqui. Encontrei ela aqui no Mochileiros e no fim somos da mesma cidade e temos vários amigos em comum (e em breve espero que saia o encontro pessoalmente né Ana? haha) Fiz algumas alterações porque eu tinha alguns dias a mais que ela, então segue abaixo uma visão geral do meu roteiro e depois nos comentários vou escrevendo dia a dia. 17/12/2019 - Florianópolis > Ushuaia 18/12/2019 - Ushuaia - Carimbei o passaporte, comprei o ônibus para Punta Arenas e fiquei andando na cidade sem rumo 19/12/2019 - Ushuaia - Passeio na Pinguinera + Canal Beagle e trilha no Glaciar Martial 20/12/2019 - Ushuaia - Laguna Esmeralda 21/12/2019 - Ushuaia - descanso e andei pela cidade sem rumo de novo 22/12/2019 - Ushuaia deslocamento > Punta Arenas - 12h de ônibus durante o dia 23/12/2019 - Punta Arenas - fiz o câmbio e andei pela cidade, pela orla, fui ao mirante e cemitério as 17h peguei o ônibus para > Puerto Natales - 3h 24/12/2019 - Puerto Natales - Aluguei um carro com o pessoal do hostel e fomos até o Parque Torres del Paine, fazendo o "Full Day" que vende em agências de forma privada 25/12/2019 - Puerto Natales - Descanso 26/12/2019 - Puerto Natales - Trilha Base de Torres del Paine 27/12/2019 - Puerto Natales deslocamento > El Calafate - 7h de ônibus durante o dia 28/12/2019 - El Calafate - Laguna Niemez, Lago Argentino e andei pela cidade 29/12/2019 - El Calafate - Mini Trekking no Glaciar Perito Moreno 30/12/2019 - El Calafate deslocamento > El Chalten - 3h de ônibus saindo as 8h 31/12/2019 - El Chalten - Laguna de los Três / Fitz Roy 01/01/2020 - El Chalten - Descanso 02/01/2020 - El Chalten - Chorrillo Del Salto 03/01/2020 - El Chalten - Mirador de Los Condores e Las Aguilas 04/01/2020 - El Chalten - Laguna Torres / Cerro Torre 05/01/2020 - El Chalten - Madre e Hija 06/01/2020 - El Chalten - Descanso 07/01/2020 - El Chalten deslocamento > El Calafate - 3h de ônibus, saindo as 8h, andei sem rumo pela cidade 08/01/2020 - El Calafate - Lago Argentino, andei pela cidade e meu voo saiu as 19:30h para Buenos Aires > Florianópolis 09/01/2020 - Chegada em Florianópolis Gastos aproximados: DESLOCAMENTO: R$ 3.000,00 R$ 2.139,00 passagem aérea Aerolíneas Argentinas | Ida: Floripa > Buenos Aires > Ushuaia | Volta: El Calafate > Buenos Aires > Floripa R$ 180,00 entre taxi, uber, transfer aos lugares R$ 530,00 deslocamentos de ônibus R$ 135,00 aluguel de carro por 1 dia em Puerto Natales (o carro foi dividido em 4 pessoas) HOSPEDAGEM: R$ 1.280,00 Ushuaia: ANTARCTICA HOSTEL Punta Arenas: HOSTEL ENTRE VIENTOS Puerto Natales: WE ARE PATAGONIA BACKPACKERS (pagamento em dólar estamos isentos de 19% do imposto) El Calafate: FOLK HOSTEL El Chalten: LO DE TRIVI El Calafate: FOLK SUITS Reservas feitas pelo Booking e HostelWorld PASSEIOS: R$ 1.650,00 Mini Trekking Perito Moreno - R$ 700,00 - comprado no Brasil valor com cartão de crédito e IOF Pinguinera + Canal Beagle - R$ 742,00 - pago no Brasil valor com cartão de crédito e IOF | observação importante: se fazer a caminhada com os Pinguins em Punta Arenas é metade do preço e rola reservar lá mesmo no próprio hostel pro dia seguinte. Entrada Parque Torres del Paine - R$ 185,00 (paguei o preço de 2019 ainda) ALIMENTAÇÃO: R$ 1.200,00 (tem mercado, cerveja, vinho e alfajor nessa conta haha) BAR: R$ 200,00 (isso são os extras dos dias que fui pro bar e só consumi álcool) SEGURO VIAGEM: R$ 215,00 TOTAL GASTO R$ 8.000,00 (contando souvenir, extras que eu possa ter esquecido de anotar e etc) Conversões realizadas: 1 real > 13,60 pesos argentinos (Aeroporto Ezeiza de Buenos Aires) 1 real > 185 pesos chilenos (Casa de Câmbio em Punta Arenas) 1 real > 16 pesos argentinos (Restaurante Casimiro em El Calafate) Fiz umas outras conversões zoadas porque tive perrengue de dinheiro que conto depois hahah mas essas três foram as principais que acho que vale citar. TOTAL QUE GASTEI EFETIVAMENTE: R$ 8.900,00 (perdi R$ 900,00 por um golpe na conversão do câmbio no Banco do Aeroporto Ezeiza, eu dei R$ 3.200,00 e eles me converteram como se eu tivesse trocando R$ 2.300,00, fui perceber só agora que já estava no Brasil, foi falta de atenção minha como recém mochileira que achava que tinha pensado em todos os detalhes, só que não... 💔💔) Aos poucos vou contando aqui sobre a viagem dia-a-dia, ah eu também fui postando tudo no meu Instagram (@anavoando), os stories estão salvos no destaques e fui escrevendo no feed também. Ah, leiam o post da Ana que citei lá no começo, eu li e reli um milhão de vezes e ela dá várias dias ótimas!! Espero que gostem! Continuarei aos poucos, Ana Caroline
  4. 14 pontos
    Fala Viageiros!!!!! Voltei de uma viagem sensacional para a Patagônia e vou compartilhar aqui com vocês um pouco dessa experiência! Mas antes, quem puder, segue a conta do meu blog no Instagram: @profissaoviageiro E vai lá no www.profissaoviageiro.com que tem mais detalhes e fotos desse rolê! Segue lá no blog que sempre tem coisa nova por lá!!!! Bom, hoje além de passar minhas impressões de Torres del Paine, vou tentar deixar algumas informações básicas para quem quer ir e ainda está cheio de dúvida, como eu estava quando ainda planejava a viagem. Tem coisa que parece óbvia quando se conta de uma viagem para as outras pessoas, mas que no fundo se você não sabe o funcionamento das coisas no lugar, fica impossível saber se seu roteiro vai dar certo ou não… E foi nisso que eu esbarrei na montagem do roteiro. Como sempre em meus roteiros, eu tenho pouquíssima margem de erro e isso me fez perder um bom tempo na pesquisa. Vou tentar deixar algumas informações aqui para quem quer visitar esse lugar maravilhoso! Vamos lá! O que é? O Parque Nacional de Torres del Paine foi criado em Maio de 1959 e está localizado na Pataônia Chilena, na região de Magallanes. As suas torres principais dão nome ao parque, que são imensas torres de granito modeladas pelo gelo glacial. Mas as belezas do parque não se resumem a suas torres. O lugar inteiro é sensacional! Como chegar? Existem dois aeroportos próximos de Torres del Paine: – Um fica em Puerto Natales, que é a cidade base para a maioria das pessoas que visitam Torres del Paine. A cidade está localizada a 80km do Parque. O problema é que só existem voos para Puerto Natales no verão, e mesmo assim não é todo dia. Isso faz com que contar com um voo para lá seja praticamente descartado logo de cara. – A melhor opção então é voar para Punta Arenas. Existem voos regulares de Santiago para Punta Arenas. Inclusive, se não me engano, lá é destino mais barato para se chegar na Patagônia (Argentina ou Chilena) Eu fiz isso. Saí de São Paulo em um voo com conexão em Santigo e chegada em Punta Arenas. Tudo bem tranquilo! -Para quem não for utilizar avião, tenha Puerto Natales como sua referencia de destino. Onde ficar? – Punta Arenas: A porta de entrada da maioria das pessoas que vão para TdP via o próprio Chile (Muitas outras pessoas vão para TdP via El Calafate, na Argentina) Cidade grande, com vida própria. Possui muitas atrações turísticas, shoppings, hotéis, hostels, restaurantes e tudo mais. Fica a 3 horas de ônibus de Puerto Natales. – Puerto Natales: Cidade pequena que gira em torno do turismo de TdP. Muitos turistas o ano inteiro por lá, consequentemente muitos restaurantes e vendinhas para as compras da galera que vai fazer os trekings. Como já falei é a base para a maioria das pessoas, pela sua proximidade e preços acessíveis. Comparado às hospedagens dentro ou ao lado do parque é muito mais barato ficar em Puerto Natales. – Hospedagens dentro do Parque: Existem muitas opções de hospedagem dentro do Parque, desde áreas de camping onde você é responsável por ter com você absolutamente tudo que vai usar e comer, até luxuosos hotéis com vistas deslumbrantes. Tudo dentro do parque é caro. Transporte, hospedagem, comida… Tudo! São três “empresas” que possuem hospedagens dentro do parque, e para dormir lá dentro você precisa ter reservado antes de chegar (mesmo que esteja levando todo equipamento com você e queira apenas reservar um espaço de camping), pois não se pode entrar sem reserva prévia. As empresas são: CONAF; Fantástico Sur; e Vertice. Quando ir? Torres del Paine pode ser visitado o ano inteiro, mas a alta temporada é no verão, quando as temperaturas estão mais agradáveis e as paisagens mais coloridas. Eu fui na primavera. Dei muita sorte com o tempo e achei que valeu muito a pena. Não estava lotado e não passei nenhum perrengue de frio ou vento a ponto de transformar algum rolê em algo penoso. Se tem alguma coisa que eu mudaria no meu rolê para deixar ele ainda mais perfeito, é que eu preferia ter visto o lago no Mirador Base de Torres del Paine descongelado. Quando eu fui ainda estava congelado. Não que eu ache isso um problema, mas acho que descongelado seria muito lindo também. Quanto custa? Caro! Não é um passeio barato. Mesmo fugindo o máximo que pude das hospedagens dentro do parque, é um passeio caro. Mas não é nada que não se possa dar um jeito. Aqui alguns exemplos de preços aproximados: – Entrada no Parque, válida por 3 dias de entrada: US$ 35,00 (se já estiver dentro do parque, não tem problema, pode ficar mais que 3 dias) – Aluguel de barraca completa no parque: US$ 70 – para 2 pessoas, por noite – Catamarã para Paine Grande: US$ 35,00 por pessoa, por trecho (Comprando ida e volta junto fica um pouquinho mais barato). IMPORTANTE: Não aceita cartão! Só dinheiro. – Ônibus interno do Parque: US$ 10,00 ida e volta – Ônibus Puerto Natales – Torress del Paine: US$ 25,00 ida e volta E por aí, vai… O que fazer??? Bate e volta, Circuito W, ou Circuito O? Eu escolhi o W! – No circuito W estão as principais atrações do parque na minha opinião. Claro que quem faz o Circuito O vê muito mais coisa, mas para isso é necessário muito mais tempo e preparo, pois as partes do parque que estão fora do W, são bem menos estruturadas, então depende muito mais de você e do equipamento e mantimento que você carrega. – No bate e volta de Puerto Natales, você consegue fazer o Mirador Base, que é a vista mais famosa de lá, mas depois que se faz o W, você vê que aquilo é só um pequeno pedaço das belezas daquele lugar. Também dá para fazer o lado do Glaciar Grey, ou até um trecho da trilha beirando o lindíssimo Lago Nordenskjold. IMPORTANTE! Nesses casos de bate e volta, você sempre vai ter seu tempo limitado ao horário dos transportes internos do parque, seja do ônibus ou do catamarã. Então controlar o tempo e seus objetivos no dia será algo muito importante. Os horários são fixos e limitados, não deixando margem para erros. – Uma outra opção, que eu jamais faria, é um bate e volta de El Calafate, como muitas agências de lá oferecem… Me parece um grande programa de índio. – Fazer um mix disso tudo aí também é possível! É só estudar direitinho o roteiro e partir para cima!!!! Bom, esse é o básico. Vou contando agora como foi o meu rolê e tentando explicar como tudo funcionou para mim! Vamos lá!!!!!!!! Dia 1: Bom, eu decidi fazer o W da seguinte forma… Fazer as 2 pernas externas no esquema de bate e volta, e a parte central do W dormindo uma noite no camping Francês. Dessa forma faria o rolê em 4 dias, que é bem puxado. A maioria das pessoas faz em 5 dias o W, que depois eu entendi o por quê! Como a entrada do parque vale por 3 dias, eu fiz as 2 pontas primeiro, e depois a parte interna, que daria certinho os 3 dias de entrada no parque. Para mim não fazia diferença por onde começar, então deixei o dia que a previsão do tempo estava melhor para fazer o Mirador Base e fui no primeiro dia, que o tempo estava pior, na perna do Glaciar Grey. E a parte interna eu fiz saindo de Las Torres e chegando no outro dia em Paine Grande. No final, deu tudo certo!!!! Como comentei, eu cheguei em Puerto Natales vindo de Punta Arenas. Como não sabia da estrutura da cidade, acabei fazendo compras do que iria comer no parque no dia seguinte em Punta Arenas mesmo. A viagem de ônibus entre Punta Arenas e Puerto Natales demora 3 horas. A passagem é bem fácil comprar. Os ônibus que fazem esse trajeto têm seus terminais no centro da cidade e todo mundo lá sabe indicar onde ficam esses terminais. Existem diversos horários de saída, então não precisa de stress quanto a reserva antecipada ou qualquer coisa. Em Puerto Natales as coisas são perto da rodoviária. A maioria dos lugares nem precisa de taxi… Dá para chegar andando. Já aproveitei que estava na rodoviária na chegada e comprei a passagem de ônibus para o dia seguinte de ida e volta para o parque. São algumas empresas que fazem o trajeto e todas fazem mais ou menos no mesmo horário, pois os transportes internos no parque são sincronizados com as chegadas dos ônibus de Puerto Natales. O horário de saída é por volta das 7 da manhã e o retorno por volta das 7:30 da noite saindo da Laguna Amarga (entrada do parque). São quase 3 horas de trajeto entre o parque e Puerto Natales. No dia seguinte estava lá bem cedinho na rodoviária aguardando meu ônibus sair. Chegando em Torres del Paine, a primeira coisa a se fazer é comprar o ticket de entrada. Havia uma pequena fila mas não demorou muito todo o tramite. Eles aceitam Pesos Chilenos e Dólares. Talvez aceitem Euros também, mas não tenho certeza. Depois é aguardar o ônibus interno que vai te levar para o Refúgio Las Torres (De onde sai a trilha para o Mirador Base e também a trilha em direção ao Refúgio Francês) e depois segue para Pudeto, de onde sai o Catamarã para Paine Grande (Onde começa a trilha para o Glaciar Grey). Como fui em direção ao Glaciar Grey nesse primeiro dia, segui no ônibus até Pudeto. Cheguei lá por volta das 10:30 e o catamarã só sai as 11hs. Assim aproveitei e tomei um reforço do café da manhã por lá enquanto aguardava a saída para Paine Grande. O catamarã é espaçoso e possui um deck em cima para quem quer ver a paisagem e tirar umas fotos. Duro é aguentar o frio, mas vale a pena! O trajeto é curto e em pouco mais de 20 minutos já estava em Paine Grande Muitas pessoas se hospedam no refugio, então já entram para seu check in. Eu não ia ficar lá, então só me arrumei, usei o banheiro e saí. Primeiro grande desafio da viagem: Aprender a usar os sticks de caminhada! Eu sei que parece ridículo, mas no começo é difícil coordenar! Mas depois de alguns minutos, vai que vai! Não sei como eu consegui voltar a andar sem eles quando voltei de viagem! Esse treco é bom demais!!!!! Bom, foi nesse primeiro dia que eu entendi por que a maioria das pessoas faz o W em 5 dias e não em 4… É porque o refúgio Grey é longe que dói! Eu tinha o meu tempo de trekking limitado pelo horário do catamarã. Não podia estar de volta depois das 18:30hs, que é o último horário de saída do catamarã no dia. As pessoas normalmente dormem no refúgio Grey e depois voltam no dia seguinte. Ou também vão até o refugio Grey e voltam para dormir em Paine Grande, sem grandes compromissos com o horário. Aí tudo faz mais sentido. No meu caso eu tive que ir até onde o relógio permitiu, e não consegui chegar até o refugio. Mas isso não tem muita importância… Pude apreciar a beleza do glaciar durante minha trilha sem nenhum problema! A trilha desse trecho não foi das piores do W. Existem outras partes com muito mais subidas e descidas. Isso foi bom, pois estava ainda aquecendo os motores! Eu que já tenho dois joelhos completamente destruídos, que me impedem de fazer algumas coisas, estava, para piorar, vindo de uma lesão no ligamento. Consequentemente minha condição física não era das melhores, vindo de um período de um mês sem poder exercitar minhas pernas. Bora caminhar!!!! A primeira parada, já para o almoço, foi na Laguna Los Patos. Uma lagoa bonita, que apesar do nome, não tinha tantos patos assim quando passei por lá! Sigo então em direção ao glaciar, tentando aproveitar o máximo essa paisagem linda! Daí a recompensa… O Glaciar Grey!!! Encontro um lugar para parar e apreciar essa vista! Depois de um tempo por lá o relógio me lembra que era preciso voltar, sem grandes possibilidades de paradas. A volta foi bem tranquila e cheguei a tempo inclusive de fazer um lanche e tirar umas fotos antes de embarcar Na fila do embarque percebo esse cara indo para um mergulho bem tranquilo nesse lago de degelo!!! Um mergulho com uma vista dessa não é nada mal!!!! Daí foram só mais uns 30 minutos de catamarã até Pudeto e já o imediato embarque no ônibus para Laguna Amarga. Dalí peguei o ônibus de volta para Puerto Natales. Chegando em Puerto Natales, foi só o tempo de passar em uma vendinha para comprar os mantimentos para o dia seguinte e correr para tomar banho, comer e dormir, pois sobram poucas horas de sono para quem tem que pegar o ônibus no outro dia as 7 da manhã!!! Dia 2 E lá vamos nós!!!! Acorda de madrugada, toma banho, toma café, corre para a rodoviária e tenta descansar um pouco no ônibus no caminho… No parque foi só mostrar que já tinha o ingresso e aguardar pela saída do ônibus para Las Torres. Lá em Las Torres se faz um breve registro de entrada para controle e já pode sair para a caminhada. Esse dia era o primeiro grande desafio. São 20km ida e volta, com muita montanha, incluindo um trecho matador no último quilômetro que faz você pensar seriamente que não vai conseguir! Mas consegue!!!! A caminhada começa com 2km bem tranquilos e planos ainda em uma área dentro do complexo de Las Torres. Depois…… Bom, depois é bom estar com a saúde em dia, porque não é fácil a brincadeira. O que sempre te dá forças em um lugar como esse são as paisagens… Elas vão nos lembrando por que estamos lá!!!! Vale cada gota de suor! E vai subindo… Subindo… Subindo mais… Até que chega no Km 9 e eu já estou esgotado, com muita dor e cansaço. E aí o negócio começa a ficar sério. A subida é bem no limite entre caminhar e escalar, inclusive passando pelo espaço onde a água do degelo desce, para ajudar ainda! Pelo menos quando dava sede era só abaixar e beber água! Eu acho que eu bobeei… Acho que tem um lugar para deixar o peso extra ali no km 9 antes de começar a subida. Eu não fui atrás disso e acabei subindo com tudo nas costas… Foi treta! Como eu não tinha forças nem para tirar foto, tenho poucos registros desse dia. Uma pena, porque o lugar é maravilhoso. Essa subida é terrível, e quando se acha que acabou você descobre que ainda falta um tanto! Todos os lugares por lá são assim… Você acha que chegou no final, mas não chegou!!!! Para de reclamar e continua andando!!!!! Realmente nem acreditei quando cheguei lá!!!! Mas o visual vale qualquer esforço!!! Infelizmente cheguei lá 15 minutos depois do horário que tinha que iniciar a descida! Isso limitou muito o quanto eu pude aproveitar lá em cima. Foi o tempo de comer alguma coisa, tirar meia dúzia de fotos e sair desesperado para baixo, quase com a certeza que não daria tempo. Isso foi a pior parte do rolê… Não consegui aproveitar quase nada a descida, forcei meus joelhos de um jeito que não poderia ter forçado e fiquei horas no stress de não ter ideia do que iria fazer se perdesse o transporte. Não sei explicar como, arrumei forças não sei da onde para sair em uma disparada nos últimos 2 quilómetros para tentar chegar no ônibus… E não é que consegui!!!!!!! O pessoal já estava quase todo embarcado! Aí pedi para o motorista para esperar uns 2 minutos até a Tati chegar e ele falou que beleza! Nossa, foi por pouco! Eu sentia tanta dor no meu corpo depois disso que nem sei explicar… Doía pé, tornozelo e principalmente meus joelhos… Achei que tinha comprometido todo o rolê… Chegando em Puerto Natales foi só a correria para deitar logo, depois do mercadinho, banho e janta. Dia 3 Esse dia tinha a ideia que seria mais tranquilo, pois além da distancia a se caminhar ser menor, não precisava me preocupar com horário, pois poderia chegar a qualquer hora no Camping Francês. Mas eu me enganei… Foi mais um dia puxado que no final minhas pernas já estavam esgotadas. Já no refugio Las Torres, comecei a caminhar para o Acampamento Francês. O inicio é tranquilo e ainda estava com a sensação que seria um dia de recuperação, e não de grandes esforços. Começo a encontrar alguns morros, mas nada de mais… A caminhada ainda está sob controle. Passados alguns quilômetros eu encontro um novo caso de amor!!!!! Se trata do Lago Nordenskjöld! Que visual maravilhoso! Andar com esse lago ao seu lado o dia inteiro foi lindo demais! As paradas para comer sempre eram em pontos estratégicos para comer apreciando aquele azul espetacular! O problema é que esse trecho tem muita montanha, subindo e descendo toda hora… Eu fui me cansando e já ficava perguntando pra galera que cruzava no caminho se estava muito longe ainda! Isso é claramente sinal de desespero!!!! E então já no final do dia chego no Acampamento Francês! O acampamento é bem bacana. O banheiro é bom e a água para tomar banho bem quente! Isso foi maravilhoso! Lá eles também têm um pequeno restaurante e uma “vendinha” que você pode comprar um refrigerante, por exemplo. Na recepção do camping eles tinham ovos para vender. Não estava tão caro. O problema é que eu não tinha onde cozinhar os ovos, pois não estava carregando um fogareiro comigo. A menina que estava lá foi bem gente boa e ofereceu de cozinhar os ovos para nós no fogareiro dela! Então já fechei negócio e consegui comer algo quente nessa noite, que estava programado apenas comida fria. Então depois de um ótimo banho já fui jantar meu sanduíche, ovos e um vinho que estava carregando para saborear na noite! A barraca estava montada. Não tive trabalho nenhum. É chegar, pular para dentro do saco de dormir e até amanhã!!!!! Dia 4 Depois de uma boa noite de sono que não passei nenhum tipo de problema na barraca, me preparei para partir. Nesse dia os objetivos eram Mirador Francês, Mirador Britânico e a chegada em Paine Grande para tomar o catamarã de volta no final da tarde. Então tomei meu ziriguidum e pé na estrada! Até o acampamento Italiano o caminho é curto mas já com algumas subidas chatinhas. No acampamento Italiano você pode deixar seu equipamento para fazer a subida para o Mirador Francês e Britânico só com o necessário. A subida até o Mirador Francês é de um nível médio… Dá para ir na boa. Acabei me perdendo um pouco no caminho… Ainda bem que olhei para trás e vi umas pessoas passando por outro lugar. Percebi que o errado era eu e voltei para a trilha certa! Lá é um lugar bem interessante. Existe uma geleira com pequenas avalanches a cada 10, 15 minutos… É muito legal ficar um tempo por lá vendo as avalanches e principalmente escutando os estrondos do gelo se rompendo. É um barulho de trovão bem alto! Muito bacana! Fiquei lá um tempo, fiz meu lanche e olhei para o caminho do mirador Britânico………… Que caminho???? O tempo fechou e não dava para ver nada lá para cima….. Então após algumas considerações decidi desistir de ir até o mirador Britânico. Ainda faltava uma boa pernada até lá e eu não queria gastar esse tempo e essa energia para ir até um mirador de onde não haveria nada para “mirar”. Bom, com isso pude desfrutar mais algum tempo no mirador Francês e fazer meu caminho de volta sem stress por conta do horário do catamarã. De volta ao acampamento Italiano não estava muito bem… Não sei bem o que era, mas preferi ficar por lá um tempo até me recuperar. Daí peguei minhas coisas e segui… O caminho a partir de lá é bem mais tranquilo. Não me lembro de ter nenhuma montanha bizarra para subir e descer depois de lá. Isso foi ótimo… Já estava cansado! (Calafate) Um dos pontos altos desse trecho da caminhada é o Lago Skottsberg! O mirador do lago tem uma vista que chega a ser indecente! Depois dessa parada, já estamos quase lá! É um trecho cheio de emoções boas! De que consegui cumprir o objetivo… De que vou completar o W! Isso parecia tão longe na minha vida há 6 meses atrás…. Pensar em cada pedra, cada montanha, cada arbusto, cada pássaro, cada lago, cada pessoa que cruzei, cada parte do meu corpo que doía, cada gole de água de cachoeiras de degelo, e cada sentimento delicioso de conquista com o visual que se abria na minha frente por tantas e tantas vezes nesses dias…….. Foi bom demais! Então a última parada antes da chegada triunfante! Dessa vez para admirar o Lago Pehoé, a poucos metros de chegar em Paine Grande. Não tem lugar melhor para comemorar a vitória!!!!!! E então a chegada! Exausto; Com dor; Realizado!!! Consegui, po**a!!!!!! Daí foi o roteiro já conhecido… Catamarã de Paine Grande para Pudeto, ônibus interno de Pudeto para Laguna Amarga (com parada em Las Torres), ônibus para Puerto Natales, pousada e cama! Hora de descansar, mas não muito, porque no dia seguinte embarcaria para El Chaltén pela manhã. Mas essa história fica para depois! É isso!!!! Quem quiser qualquer ajuda, pode escrever aqui que vou ajudar com todo prazer no que for possível! Críticas e elogios também são bem vindos!!!!! Não esqueçam de seguir lá no Instagram! @profissaoviageiro Valeu!!!!!!!!!!!!! Abraço, Felipe
  5. 13 pontos
    Olá, galera! Vou sair de mochilão pelo BR e América do Sul (roteiro incerto), sem data para voltar, estou com pouco dinheiro mas dinheiro não é o mais importante, podemos fazer grana pelo caminho, pedir caronas, dormir em albergues, acampar, etc. Sem mordomias. Quero mesmo é aventurar em todas as adrenalinas que puder, me divertir muito, amo cachoeiras, praias, natureza no geral. Sou de Minas Gerais, será meu primeiro mochilão roots. Adoraria companhia de pessoas dispostas a viver uma experiência apaixonante. Sempre com respeito e responsabilidade. Bora?
  6. 13 pontos
    Viagem feita em janeiro de 2020 em casal. Escrevi esse relato porque achei Noronha um lugar muito surreal: de lindo, de fantástico e de caro. Eu quero muito voltar em Noronha e quero ajudar quem quer viajar e deseja mais autonomia e economia financeira. Este relato está dividido da seguinte forma: Dicas e informações gerais Tabela de gastos Roteiro resumido Mapa Roteiro detalhado Restaurantes 1. DICAS E INFORMAÇÕES Preços de Noronha: é tudo surreal de caro. Eu entendo que é uma ilha longe, de difícil acesso o que encarece a chegada de alimentos e materiais por ter que incluir o frete nisso. Também entendo que devemos preservar a natureza e devemos investir dinheiro nisso. Mas não vamos ser ingênuos, não é só por isso que é caro. Esse lugar é uma máquina de fazer dinheiro tanto para o governo quanto para muitas pessoas. Só acho que essa grana tem que ser retornada em benefícios para o meio ambiente e para a população. Principais conselhos antes de viajar: Fique rico ou não seja fresco! Se não der para ficar rico, não seja fresco. É tudo bem caro! Mas sem frescura dá para economizar e viajar de boas. Seja independente! Faça os passeios sozinhos. Leia sobre o local e vá às praias sozinho. Não precisa de guia para a maior parte das coisas. Leve água e comida. Nós levamos uma bagagem inteira, 23kg, só de mantimentos. Levamos água mineral, Gatorade, Vinhos, queijos e demais coisas para lanchar e fazer café da manhã (nossa hospedagem não tinha café). Isso não foi suficiente, faz muito calor e bebemos muita água. Mas deu uma ajudinha. Repelente. tem muito mosquito, MUITO! Tênis velho ou aqueles sapatos próprios para molhar. Tem muitas trilhas por matas e por pedras, é muito desconfortável fazer com chinelo. Nós levamos chinelo e tênis todos os dias. Leve uma mochila grande para levar para a praia. Tamanho de Noronha - a ilha tem 23km2 e 3 mil moradores. Ou seja, é um ovo! Para ter noção, Ilha Grande-RJ tem 190km2. O que quero dizer é que é perfeitamente possível fazer tudo andando. É tudo muito perto! É claro que para otimizar o tempo e fugir do sol, é bom pegar ônibus as vezes. Mas, chegando lá, vocês vão ter a dimensão de quão pequena é. Passagem aérea - quando você olhar nossa tabela de gastos vai ver que o preço da passagem saiu bem barato (uns 650 para cada). Saiu esse preço porque ganhamos uma passagem grátis da Gol. Quem é Cliente Diamante da Smiles tem direito a uma passagem grátis por ano para qualquer lugar do Brasil. Na verdade, você compra uma passagem ida e volta e ganha um acompanhante de graça. O preço estava uns 1300 reais por pessoa, o que já é um preço bom, mas saiu pela metade disso ao ganhar a passagem grátis. Esse negócio de ser cliente Diamante é muito bom!!! Além da passagem grátis, tem acesso a sala vip com acompanhante nos aeroportos quando está voando de gol ou companhias aéreas parceiras. Eu não tenho maturidade para sala vip e sempre saio cheia dos drinks. Outro benefício é poder despachar 3 bagagens gratuitamente sempre, poder sentar nas cadeiras confortos e ter embarque prioritário. Por tudo isso, a gente sempre transfere as milhas do cartão de crédito para o Smiles. Para ter sempre muitas milhas eu compro tudo no cartão de crédito, até um cachorro quente vai no crédito sempre! Taxa de preservação - Custa cerca de R$75 por dia. Você pode preencher o formulário e pagar na hora que chegar no aeroporto. Ou pode fazer tudo online, imprimir e só mostrar no aeroporto. (Obs: suuuuuuper ecológico ter que imprimir esses papéis!!!) O site para fazer online: http://www.noronha.pe.gov.br/turPreservacao.php Taxa de acesso ao parque - Teoricamente, não é obrigatório. Mas, a maioria das praias exige, logo você vai ter que pagar. Custa R$111, e você pode fazer pessoalmente ou pagar online, imprimir (!!!) e retirar a carteirinha lá em Noronha. O site deles: https://www.parnanoronha.com.br/ingressos Palestras no projeto Tamar - todos os dias às 20h. Às quartas é sobre golfinhos. Terças eu acho que é sobre tartarugas. São todas gratuitas e duram 1 hora. Alugar carro - tudo depende do quanto você quer gastar. Um aluguel de um Buggy custa em torno de 300 reais a diária e a gasolina custa 7,70 o litro. Tem opção de outros carros também, mas o Buggy é o mais comum. É claro que um carro oferece mais autonomia, mas é a opção mais cara e te inviabiliza de beber, pois tem blitz de tarde e de noite frequentemente. Inclusive, é imprescindível estar com a CNH. Usa o Ônibus - foi a opção que escolhi. O ônibus custa 5 reais e passa de 30 em 30 minutos. Ele te leva para todos os lugares da ilha, mas é claro que não vai te deixar na porta, você vai ter que andar um pouquinho, coisa de 2, 5 ou no máximo 10 minutos. Taxi - o táxi tem o preço tabelado e é bem caro. Varia de 20 a 50 reais no máximo. Se você fizer uns 5 deslocamentos por dia, ainda vai sair mais barato que alugar um carro. Pegamos taxi algumas vezes também. Deslocamento do aeroporto para a sua pousada - primeira dica: NÃO USE O TRANSFER GRATUITO! Use o taxi que custa 30 reais e vai demorar 5 minutos. A maioria das pousadas oferece um transfer gratuito. Na verdade, é uma empresa de turismo que oferece esse serviço. E o que eles ganham com isso? Reserva de passeios! Eles vão tentar fechar todos os passeios com você, te encher o saco! Fora que eles precisam esperar a van encher, então só vão sair do aeroporto depois que TODOS os passageiros desembarcarem. E você pode dar o azar de ter que esperar um outro voo pousar. Além disso, vai ser aquela peregrinação, passando de pousada em pousada, para deixar todos. Sério, em relação a tudo que você vai gastar durante sua hospedagem na ilha, invista 30 reais e fuja desse transfer free. Passeio Ilha Tour - custa uns 250 reais. É um passeio que dura o dia inteiro e te leva em quase todas as praias. É uma espécie de reconhecimento da ilha. Acho que só vale a pena para quem chega na ilha completamente perdido, sem ter lido nada. Eu entendo, nem todo mundo tem tempo para programar a viagem e tal. Mas, no geral, eu acho um desperdício de tempo e dinheiro. Para quê vai conhecer um pouquinho de cada lugar e depois vai voltar nós mesmos lugares nos dias seguintes? Fora que é bom ter autonomia de ficar o tempo que quiser em cada praia... Passeio de canoa - custa em torno de 180 reais. O passeio sai às 5h da manhã da praia do Porto para ver o amanhecer. Vão 12 pessoas remando por 2 horas. Depois de ver o nascer do sol, remamos para a Praia de Conceição para ver os golfinhos. Então, vou contar a minha experiência! Estava muito animada para este passeio. Na verdade, foi o único que fiz. Vi várias fotos e relatos lindos do passeio. Eu amo nascer e pôr do sol, então estava muito animada. Reservei com antecedência e no dia.... Choveu pra kct!!!! O pior foi que não choveu em mais nenhum outro momento da minha estadia em Noronha. Além de chover muito, tinha muita nuvem e não deu para ver o nascer do sol. Ok! Demos meia volta e fomos ver os golfinhos na região onde eles passam. Ficamos uma hora esperando mas eles deram um "bolo" na gente e não apareceram. Não tem como ficar pior? Tem sim! O mar estava mega agitado, balançando muito o que me deu um enjôo terrível! Imagina só... Você no meio do mar, não podendo voltar, com chuva na cabeça, enjoada... Algumas pessoas aproveitaram para mergulhar no mar enquanto estávamos parados. Eu, obviamente, não mergulhei, fiquei com medo de estragar o mergulho deles vomitando na água. Fui firme e não vomitei. Eu nunca tinha remado na vida,acho que o ponto positivo foi aprender a remar em equipe. Bem, apesar da minha história não ter sido boa, eu tenho certeza que é um passeio de grande potencial. Mergulho de cilindro - eu ouvi que custa em torno de 500 reais. Acho que não vale muito a pena porque o mar de Noronha é muito claro, com ótima visibilidade. Diversas pessoas contaram que viram mais coisas e foi mais interessante o mergulho com snorkel em águas rasas. Fora que se você nunca mergulhou de cilindro na vida, é sempre bom avaliar. A pressão incomoda bastante e nem todo mundo se acostuma bem com a respiração. Eu não mergulhei, até porque achei que tinha mais coisas interessantes para ver em terra firme, nas praias, nas trilhas. Aluguel de equipamentos - levamos snorkel mas na maioria das praias eles alugam. Na praia do Sueste era 25 reais o kit (snorkel, nadadeira e colete). Deslocamento entre as praias - (olha para o mapa para você entender) você consegue ir andando da Praia Cacimba do Padre até a Praia da Conceição beirando a costa, andando pela areia e subindo as pedras. O que separa uma praia da outra são pedras. É tranquilo de passar na MARÉ BAIXA!!! Na maré alta não! É imprescindível olhar a tábua de marés para se guiar. Quando fomos, a maré baixa era na parte da tarde, o que se enquadrou bem no nosso roteiro. Massss, evite passar pelas pedras de chinelo porque escorrega, eu mesma levei um tombo. Também não vá descalço porque é muito quente, vai machucar seu pé e você pode pisar em algum bichinho. Se no percurso você gostar de uma praia e quiser terminar o dia nela, sem problemas, todas essas praias tem saída por trilha e são trilhas bem pequenas, super perto das estradas. O único trecho que não fiz porque parecia mais complexo é entre a Praia do Boldró e a Praia da Conceição. São cerca de 800 metros e leva 30 minutos para atravessar. Olha, eu não sou muito corajosa e só faço o que tenho bastante confiança e por isso não atravessei, mas muita gente vai achar tranquilo. Essa imagem acima é da Praia do Bode (inclusive, é daí que o pessoal fica para ver o pôr do sol lindíssimo), nessa parte fica uma piscininha natural. Essas pedras separam a Praia do Bode da Praia do Americano. É só para mostrar como são as pedras que separam uma praia da outra. Hospedagem - Esse é um ítem complexo. Lá é tudo caro e bem simples. É claro que tem umas pousadas chiques mais são absurdamente caras. É aquela lei básica: quanto mais você paga, melhor é a qualidade. Quanto a localização, é tudo bem pertinho. Não acho que esse seja um fator primordial. Nós optamos por ficar em uma suíte de uma casa de família. Não tinha café da manhã, a residência era humilde, mas os quartos têm uma vista para o mar incrível e que nos conquistou. Foi essa aqui: https://www.booking.com/hotel/br/suite-domiciliar-em-fernando-de-noronha.pt-br.html 2. TABELA DE GASTOS 2 pessoas 1 pessoa Passagem aérea 1270 635 Hospedagem 1600 800 Taxa ambiental 606 303 Parque 222 111 Táxi 170 85 Ônibus 120 60 Restaurante 820 410 Água 90 45 Cerveja 75 37 Passeio e equipamentos 410 205 TOTAL 5383 2691 2.1. TABELA DETALHADA DOS GASTOS Dia 1 2 pessoas 1 pessoa Táxi aeroporto 30 15 Ônibus 30 15 Cerveja 30 15 Jantar no Varanda 250 125 Táxi (volta do Varanda) 25 12 Dia 2 Táxi 85 42 Almoço no Bar das Gêmeas 150 75 Água 30 15 Ônibus 10 5 Dia 3 Ônibus 40 20 Aluguel de equipamentos 50 25 Almoço na Maezinha 60 30 Bebida 20 10 Jantar no Xica da Silva 220 110 Dia 4 Ônibus 40 20 Almoço no Emporio Sao Miguel 80 40 Cerveja 45 22 Dia 5 Passeio de Canoa 360 180 Almoço na Maezinha 60 30 Táxi aeroporto 30 15 Café no aeroporto 40 20 3. ROTEIRO RESUMIDO: Algumas coisas não saíram exatamente como eu tinha planejado, mas eu acho que o roteiro ideal e bem completinho é esse abaixo que eu vou mostrar: Dia 1: - chegada no aeroporto (16h) - malas na pousada - ida até a ICM Bio para pagar a taxa e para agendar o passeio do Pontal do Atalaia - pôr do sol na praia do Bode Dia 2: - Mirante dos Golfinhos - Mirante Dois irmãos - Praia do Sancho - Praia da Cacimba do Padre - Baía dos Porcos - Praia do Bode - Praia do Americano - Praia do Boldró - Pôr do Sol no Mirante do Boldró Dia 3: - Praia do Leão - Praia do Sueste - Praia do Cachorro - Buraco do Galego - Praia do Meio - Praia da Conceição - Por do sol: bar do meio ou na praia da Conceição Dia 4: - Trilha no Atalaia - Mirador Air France/ Capela / Praia do Tubarão / Enseada das Caieras - Praia do Porto - pôr do sol: Forte de Nossa Senhora dos Remédios Dia 5: - Nascer do sol de canoa 5h - dormir até o check out da pousada - almoço - aeroporto 4. MAPA No mapa abaixo estão localizados todos os pontos turísticos e separados por cor cada dia. Os restaurantes estão na cor vermelha. E os locais de pôr do sol na cor amarela . https://drive.google.com/open?id=1EAiu0X-cIhENWWRJyTV_6ZLGJpI6Gzhg&usp=sharing 5. ROTEIRO COMENTADO Agora, vou explicar e comentar o roteiro. Dia 1: - chegada no aeroporto (16h) - pegamos o táxi por 30 reais. Já expliquei a furada do transfer free. - malas na pousada - ida até a ICM Bio/Projeto Tamar para pagar a taxa e para agendar o passeio do Pontal do Atalaia: pegamos o ônibus que deixa bem na porta da ICM Bio. Já tínhamos realizado o pagamento pela internet, levamos os comprovantes e retiramos as carteirinhas. Lá é onde são agendados os passeios/trilhas que possuem limite de pessoas. Queria muito fazer o Atalaia mas infelizmente estava tudo lotado pelos próximos 5 dias. Então, não consegui agendar. - pôr do sol na praia do Bode. Na verdade, nós passamos o primeiro pôr do sol no Mirante do Boldró, mas por uma questão de logística, é mais inteligente inverter. Tanto a praia do Bode quanto o Boldró ficam próximos da ICMBio e dá para ir a pé tranquilo. A praia do Bode possui umas pedras em que dá para ver um belíssimo pôr do sol. No dia que fomos tinha dois casais fazendo fotos com fotógrafo. A praia possuía apenas uma pequena barraca vendendo bebidas naquele preço padrão: Cerveja long neck: 15 reais Refrigerante lata ou garrafa de água: 10 reais. Na volta, é só andar até a ICMBio e pegar o ônibus. Ou esperar e assistir as palestras do projeto Tamar que ocorrem todos os dias às 20h. Pôr do sol na Praia do Bode Dia 2: - Mirante dos Golfinhos: o melhor horário para ver golfinhos é em torno das 7h da manhã. Mas tem gente que foi às 10h e conseguiu ver. Chegamos às 9h e não vimos nada. Lá fica uma monitora do parque e disse que eles não haviam aparecido nem mais cedo. Entretanto, segundo ela, a taxa de aparecimento de golfinhos é de 90%. Ou seja, bem alta. Nós que demos azar mesmo. Ela empresta binóculos para observação. Ficamos uns 30 minutos esperando e decidimos seguir nosso roteiro. A partir do Mirante dos Golfinhos tem uma trilha que beira a encosta e é linda. Essa trilha vai até o Mirante dois irmãos. - Mirante Dois irmãos: você pode ir na praia do Sancho antes de ir nesse Mirante. Optamos por ir no Mirante primeiro porque tínhamos que esperar dar o horário de descida. Esse é o Mirante mais lindo de todos! É daqueles que você chega e fala "uauuuu!!!!". É o cartão postal de Noronha. - Praia do Sancho: acho que é a praia mais famosa de Noronha, talvez do Brasil. Ficamos muito tempo admirando a praia do alto e vendo os tubarões! Gente, que agonia! Como a água é muito clarinha, eles ficam bem visíveis. E eles ficam na parte rasa, do lado de banhistas. Os monitores juram que eles não atacam banhistas porque são muito bem alimentados com os cardumes. Outra informação importante. O acesso à essa praia é bem ingrime e apertado. Eu achei tranquilo, mas eu nunca levaria uma criança ali. É bom avaliar suas condições físicas. Outro ponto é que existem horários específicos para subir e para descer. A praia é maravilhosaaaaa!!! Mas não possui nenhuma infra estrutura, não tem aluguel de barraca ou venda de bebidas, por exemplo. Horários de descida e subida da Praia do Sancho - Praia da Cacimba do Padre: andando, em 15 min você chega na Cacimba do Padre, uma praia bem linda também. Tem uma faixa de areia bem extensa. No dia que fui, o mar estava agitado, com muitas ondas. - Baía dos Porcos: pela Cacimba do Padre você acessa essa área. Lá tem umas piscinas naturais lindaaaas, mas nós não fomos lá, só vimos do alto. A gente ficou com medo porque o mar estava um pouco agitado e o acesso é pelas pedras, mas acho que rolava ter descido sim. Nessas piscinas naturais não tinha faixa de areia (talvez tenha em outras épocas do ano), só pedras mesmo. Pelo mesmo acesso à Baia dos porcos tem um pico lindo, bem de frente para o morro dois irmãos. Nesse lugar você vai tirar a foto mais linda de Noronha, guarde bem esta informação!!!! Nós só fomos nesta parte e descemos. - Praia do Bode - ótima praia e com pôr do sol lindo. - Praia do Americano - também linda. Mas ela é mais recuada e não dá para ver o pôr do sol. Ela é uma praia mais deserta, não tem nenhuma barraquinha. A gente só passou por ela porque ela estava com muita onda. - Praia do Boldró - tem uma faixa de areia bem extensa, muitas piscinas naturais. Tem uma barzinho com drinks. - Pôr do Sol no Mirante do Boldró - lá tem um barzinho com música ao vivo. Fica bem cheio porque os passeios do Ilha Tour terminam lá. Mas conseguimos pegar um lugarzinho bom. Mirante Dois Irmãos Fotos das pedras que levam até a Baía dos Porcos Pôr do Sol no Mirante do Boldró Dia 3: - Praia do Leão - talvez seja a praia mais linda de todas. Nós chegamos na praia, olhamos do alto e não tinha ninguém! Olhei aquele mar translúcido e pensei que ia passar horas naquele "piscininha". Grande engano. Lá tem um posto de controle, onde você apresenta a carteirinha e tal. A mulher já foi logo avisando: "é para entrar e molhar, no máximo, até o joelho. Esse mar é super traiçoeiro, tem 7 correntezas de retorno, está rodeado de tubarões grandes, não temos nenhum salva vidas aqui, até a gente ligar e chamar alguém para ajudar, já era!". Ela falou exatamente isso. Eu fiquei chocada porque do alto parecia muito mansinha. Enfim, descemos para pelo menos tirar umas fotos na praia privativa. Realmente vimos que o mar puxava muito, a mulher não estava exagerando. Não tinha nenhuma sombra para sentar e apreciar a vista, então... Fomos embora depois de 10 minutos! Massss.... Dizem que tem épocas do ano que vira uma piscininha mesmo. Olha, uma pena não ter me banhado nessa praia tão linda. - Praia do Sueste - praia muito piscininha!!!! Ideal para ficar relaxado e curtir aquela água quente cheia de peixinhos. A praia tem uma divisão, sinalizada por uma bóia. Nessa parte estão os corais protegidos e você só pode entrar de colete salva vidas. Isso é para ninguém pisar nós corais, o local é raso... é difícil ficar boiando tanto tempo, o colete ajuda muito. Se quiser alugar só o colete custa 10 reais. Mas é bom ter nadadeiras para nadar mais facilmente, e o snorkel para ver os corais. No dia que fomos, estava com muita alga na parte mais rasa e a água estava um pouco turva. Por isso, para ver os corais precisava ir mais para o fundo. A nossa história foi assim: fomos lá alugar nadadeiras e colete (snorkel nós levamos) e também alugar um armário (10 reais). No raso, eu tinha visto um filhote de tubarão e fui perguntar para a atendente como era o lance dos tubarões. Ela disse que tinha muito mas eles não atacavam. Daí eu perguntei (mas não deveria ter perguntado....): Algum tubarão já atacou alguém aqui? Ela respondeu: sim, mas porque o banhista foi negligente, levou uma pau de selfie (é proibida, mas pode levar go pro) e colocou na cara do tubarão para tirar uma foto dele e por isso o tubarão atacou o braço dele. Mas eu, mais uma vez fiz uma pergunta que não deveria ter feito: "mas foi algo sério, o que aconteceu com o braço dele?". Ela respondeu: foi amputado, perdeu o braço! Eu gelei... Kkkkkk Ela sugeriu que fossemos com um guia porque ele nos levaria nos locais certos e tal. Os guias cobram 180 reais por casal. Decidimos não contratar o guia porque ele nos levaria muito afastado e a gente só ia olhar ali na parte mais rasa mesmo. Enfim, entramos na água e eu só ouvia as pessoas falando "passou um do meu lado de 2m". Conclusão: tenho medo de tubarão, não fiz snorkel com medo deles. Podem me julgar! Fora isso, o snorkel estava me dando uma agonia, eu não estava conseguindo respirar pela boca direito, pode ter sido pelo nervoso que eu estava sentindo, mas foi tudo ótimo! As paisagens terrestres me satisfazem sempre. - Praia do Cachorro - bom, saímos do Sueste e pegamos um ônibus para a praia do Cachorro. Essa praia é a mais central, mais próxima da Vila dos Remédios. Não sei se é sempre assim, mas não tinha nenhuma faixa de areia, só pedras. Logo, nenhum banhista! - Buraco do Galego - o acesso é pela praia do cachorro. Você vai enfrentar uma longa fila para poder desfrutar e/ou tirar foto no buraco. Informação importante: só é acessível na maré baixa. Eu vi um garoto fazendo um salto nele. Ali deve ter uns 4 metros de altura, mas o problema é que são muitas pedras, se você tropeça, erra o cálculo vai com a cabeça na pedra. O legal é que você não afunda nesse buraco. Uma força te empurra para cima, então é tranquilo de fazer a foto clássica boiando mesmo para quem não sabe boiar. - Praia do Meio - também estava sem faixa de areia, só com pedras. Nela você tem o famoso bar do meio que tem um por do sol bem bonito. Dizem que é caro, mas não sei porque não fui. - Praia da Conceição- praia linda e deliciosa. Amei ficar tomando banho nela e depois apreciando o pôr do sol. - Por do sol: bar do meio ou na praia da Conceição. Optamos pela praia porque era grátis... Kkkkkk No dia seguinte, o Bruno Gagliasso postou um vídeo (olha no Instagram dele) do pôr do sol no Bar do Meio. Ou seja, pode ser que você divida a mesa com um famoso. Praia do Leão Entardecer na Praia da Conceição Buraco do Galego Dia 4: - Trilha no Atalaia - a gente não fez porque não tinha vaga, mas dizem que é incrível. Nem por barco pode chegar nessa parte da ilha porque é uma reserva natural. Que bom que é assim, né? - Mirador Air France / Capela / Praia do Tubarão / Enseada das Caieras: todos esses locais ficam pertinhos um do outro e são todos para admirar apenas, não são áreas de banho. Inclusive, tem várias placas avisando que não pode descer na água. Nas Caieras tem o "Buraco da Raquel" que só pode ser visto do alto, não pode descer. - Praia do Porto: eu adorei essa praia! Dizem que praia de Porto tem sujeira e tal, mas nessa não havia, pelo menos nada aparente, a água era cristalina e tinha MUITO filhote de tubarão,bem na beirinha. Foi muito divertido ficar ali olhando. Fomos na parte da tarde, umas 14h e estava lotado. Além dos tubarões, ali perto tem um barco naufragado que é legal de mergulhar e olhar a vida marinha. Nessa praia também tem umas piscinas naturais na maré baixa, tudo uma delícia! - pôr do sol: Forte de Nossa Senhora dos Remédios. A gente chegou cedo e pegou um lugar de "camarote". O forte por si só já é bem bonito e o por do sol é incrível. Você consegue ver várias praias. Uma pena que a gente esqueceu de levar uns drinks para beber. Mas foi maravilhoso. Pôr do Sol no Forte Nossa Senhora dos Remédios Dia 5: - Nascer do sol de canoa 5h - já contei essa história no começo... - dormir até o check out da pousada - almoço - aeroporto 6. RESTAURANTES Mãezinha: fica bem no centro da vila dos remédios, em frente ao ponto de ônibus. É um restaurante self service e o quilo custa 80 reais. O local é bem simples mas foi a comida mais barata que achei em toda a ilha. Um prato saia em torno de 30 reais. Eu achei a comida boa. Não sei se abre para o jantar ou apenas para o almoço. Empório São Miguel: durante o almoço é self service e o quilo da comida custa 90 reais. Um prato sai em torno de 40 reais. De noite é a lá carte e os pratos custam entre 50 e 80 reais por pessoa. A comida estava boa. Xica da Silva: Que comida deliciosa! Pedimos um prato de peixe com purê de abóbora sobre uma cama de camarões (eu pedi sem o camarão porque sou alérgica) e estava sensacional. Esse prato custou 92 reais por pessoa. O valor dos pratos é basicamente esse. Tinha uma fila de espera na chegada, mas valeu cada tempo esperado e cada real gasto. Varandas: comida boa. Comi um peixe com frutas caramelizadas e arroz com leite de côco. O arroz era muito saboroso, o peixe com frutas achei apenas ok, valor: +-90 reais. Meu marido pediu o "prato da boa lembrança" que custa 120 reais e te dá de brinde um prato de cerâmica de recordação. O prato era camarões com purê de banana e cebola empanada, ele achou muito bom. Barraca das gêmeas: localizado na praia da cacimba do padre era onde tinha para almoçar. Comemos um peixe assado na folha de bananeira. Custo: 120 reais para duas pessoas. Achei bem mais ou menos. O peixe estava sem tempero e o peixe tinha muuuuuita espinha. Restaurante Zé Maria: fica dentro da pousada Zé Maria. Quartas e sábados rola um festival gastronômico. Recomendaram-me e disseram que precisava de reservas. Liguei para lá para saber qual seria o menu e o valor. O menu era um buffet livre com todas as opções que você pode imaginar e o valor??? 270 reais por pessoa! Isso mesmo, pessoal! Eu não imaginava que seria algo tão caro, mas é. É claro que não fomos...
  7. 13 pontos
    Amigo, lamento ouvir isso, mas tenho algo pra te dizer: se você é sozinho e depressivo, não é uma viagem que vai te curar. Invista primeiro em terapia. É muito utópico achar que você sendo infeliz em todos os âmbitos da vida, vai largar tudo e viajar e simplesmente a felicidade aparece. Felicidade é, acima de tudo, estar bem consigo mesmo. Faça primeira uma terapia, conheça a raiz dos seus problema, se conheça, e depois pense em viajar. Não é o momento para isso.
  8. 12 pontos
    Fala mochileiros desse mundão maravilhoso! Inicialmente, gostaria de agradecer a diversos relatos que li e aos grupos de whatsapp que estou, todos vocês ajudaram demais para essa viagem foda! Agora aqui estou eu, tentando passar um pouco da minha experiência para quem ainda vai, e posso dizer uma coisa: PESSOAL, SÓ VAI! Foram 23 dias viajando entre Bolívia, Chile e Peru, dias de muita aventura, emoções, perrengues e fome, muita fomeeee hahahahahah Conheci pessoas incríveis, culturas novas e sem dúvidas, voltei uma pessoa melhor de todos lugares que passei. Só de lembrar abro um sorriso largo, foi louco demais hahaha Já antecipo que gastei no total da viagem R$ 5350,00. Sendo U$ 500,00 + R$ 2000,00 + R$ 1100,00 (Avião SP x SCLS (Gol)) + R$ 250,00 (SCLS x Sucre (Amaszonas)) Preparativo: 8 - camisetas 1 - camiseta manga longa 1 - segunda pele 1 - jaqueta 1 - calça jeans (era bem de boa o tecido, por isso foi sussa) 1 - calça de trekking 1 - calça segunda pele 2 - shorts 5 - pares de meias 1- perfume 1 - luva 2 - toucas 1 - pacote de lenço umidecido 1 - protetor 1 - protetor labial 1 - sabonete 1 - shampoo 1 - escova de dente + pasta 1 - manteiga de cacau 1 - bota de trekking 1 - tênis mais confortável 9 - cuecas 1 - óculos de sol 1 - mochila de ataque 1 - caixa de barra de cereal 1 - doleira 1 - power bank 1 - adaptador universal (https://www.americanas.com.br/produto/9548884/adaptador-universal-de-tomada-padrao-internacional-eua-europa?opn=YSMESP&loja=30806668000191&epar=bp_pl_00_go_pla_casaeconst_geral_gmv&WT.srch=1&acc=e789ea56094489dffd798f86ff51c7a9&i=5b5bdd50eec3dfb1f8f3adeb&o=564f4ada6ed24cafb56419e2&gclid=EAIaIQobChMI58K9q_O54wIVCAaRCh0U7gcNEAQYAyABEgK9UPD_BwE) 1 - seguro viagem (isso é super necessário, não deixem de levar, paguei R$ 114,00 Allianz Travel, peguei uma promoção na Black Friday) 1 - carteirinha internacional de vacinação (não foi pedido em nenhum momento, mas é bom levar também, assim evitamos dores de cabeça) 1 - cartão de crédito internacional 1 - Mochilão 50L (https://www.decathlon.com.br/mochila-de-trekking-forclaz-50-litros-quechua/p?idsku=10178&utm_source=google&utm_medium=roi-smart&utm_campaign=20190528-roi-calda_longa-ecommerce-brasil-all_ages-fem_masc&gclid=EAIaIQobChMI1r3Xv66w4wIVgQyRCh0YjgFmEAQYAiABEgL8H_D_BwE) Adicionais: 1 - Câmera de ação (eu gostei bastante do resultado, perguntei para as pessoas antes, olhei vídeos no youtube, valeu a pena!) https://www.submarino.com.br/produto/31603267/camera-de-acao-sjcam-sj6-legend-touch-screen-4k-16mp-wifi-cor-preta?pfm_carac=sjcam sj6 legend&pfm_index=0&pfm_page=search&pfm_pos=grid&pfm_type=search_page &sellerId Infos: 1 - Qual moeda levar? Eu sinceramente acho que depende do valor do dolar, de um tempo para cá, estamos passando por cotações muito altas, então acho que vale sim levar real. 2 - Altitude > Não cheguei a passar mal em nenhum lugar, mas realmente as vezes dá uma dor de cabeça, nada que a folha de coca não ajude, o único lugar que mais senti, que mesmo parado era difícil, foi em La Paz, não sei o que tem naquele lugar hahaha, já havia passado por lugares mais alto durante a viagem, mas lá eu percebi bem diferente, mas foi de boas. 3 - Frio > Meuuuu Deeeeus, peguei bastante na Bolívia, nos demais lugares até que era suportável (como boas roupas haha), mas na Bolívia foi tenso rs, perguntei para o motorista que estava conosco em Uyuni, ele disse que nos próximos 2 meses, a temperatura cairia para uns -20ºC ..sem condições hahahahha, não tem Brasileiro que aguente hahahahahaha 4 - Internet > Eu não fiz questão de comprar chip nenhum, mas um Brasileiro que esteve comigo comprou e muitas vezes tinha sinal bom. Eu usava apenas wifi em hostel e restaurantes, as vezes é bom ficar sem esse tipo de coisa, te faz lembrar que não precisa disso, penso assim haha Roteiro (23 dias) 04/05 - SP - Santa Cruz - Sucre 05/05 - Sucre / Uyuni 06/05 - Uyuni 07/05 - Uyuni / Atacama 08/05 - Atacama / Arica (viagem noturna) 09/05 - Tacna / Arequipa / Ica (viajando) 10/05 - Ica (Huacachina) - Lima 11/05 - Lima / Huaraz (durante o dia) 12/05 - Huaraz 13/05 - Huaraz (descanso) x Lima 14/05 - Lima / Cusco (24h viajando) 15/05 - Cusco 16/05 - Montanha sete cores 17/05 - Hidrelétrica (Águas Calientes) 18/05 - Machu Picchu / Hidrelétrica 19/05 - Descanso / Puno 20/05 - Puno / Copacabana 21/05 - Copacabana / La Paz 22/05 - La Paz 23/05 - Downhill (La Paz) 24/05 - Chacaltaya / Valle de La Luna 25/05 - La Paz / Santa Cruz 26/05 - De volta pra minha terra 1º dia (04/05) - SP - Santa Cruz - Sucre Já passavam da 1h quando fui dormir, estava nervoso que só haha, pouco fechei os olhos, coloquei o cel pra despertar umas 4x pra não ter perigo kkkkkk Levantei às 03h30, tomei café já pra evitar gastos logo cedo, fui para Congonhas e depois para Guarulhos (bus gratuito). Chegando lá já estava naquele clima né, nervoso, mas super feliz. Gosto de aeroportos, nunca vi ninguém triste naquele lugar, pessoas viajando, as vezes a trabalho, férias, curtição, é muito bom! Olhem ai minhas companhias nos próximos dias. Pessoal, eu estava de FÉÉÉÉRIAS!!! Só eu sei o quanto esperei por aquele momento. Eu iria fazer essa trip em Março, já estava tudo certo, passagens compradas, tudo certo mesmo, só faltavam 10 dias para o famoso e espero 'até logo Brasil', mas pessoal do trabalho veio pedir para eu tirar férias depois, e a essa altura quebraram minha animação, não fui obrigado a nada, mas falei para eles que teriam que pagar as despesas de remarcação, eles aceitaram, então fui em Maio. O bom de ter ido em Maio, é que não peguei chuva, no entanto, sabia que não iria pegar o Uyuni alagado, ok né, estava com o pensamento de: São coisas para o bem, tudo tem seu motivo. Voltando a Maio rs Meu voo estava marcado para 10h15, com previsão de chegada às 12h15 (Na Bolívia, e lembrando que é 1h a menos que o Brasil). Eu não sei vocês, mas amo voar, é uma sensação de liberdade e isso me fascina. Durante o voo o pessoal do serviço de bordo entregam o papel para entrada no país, o preenchimento é tranquilo. E ao passar pela imigração foi tranquilo também. Dica importante: Guardem todos os papéis que receberem nos aeroportos! Chegando em Santa Cruz, fui procurar uma casa de câmbio pois no aeroporto de Sucre não tem, e tinha que pegar o táxi até a rodoviária. O voo estava marcado para 17h15, então fiquei andando pra lá e pra cá hahah, até que conheci um Brasileiro que estava no mesmo voo que eu, mas pouco falamos, foi coisa rápida mesmo. Ok, hora de embarcar para Sucre, o avião parece um teco teco, acho que tem uns 30 lugares hehe. Duração do voo 1h, super de boas. Ao chegar em Sucre, nota-se a queda de temperatura assim que deixa o avião, fui pegar o táxi e naquele momento já tinha encontrar o Brasileiro de novo (Rafael), dividimos o valor 30bols para cada. Mas até 3 pessoas podiam ir, então vale para compensar ainda mais o valor. Olhem ai o teco teco haha Chegando na rodoviária de Sucre, você já encontra aqueles mochileiros do mundo todo, geral roots haha, fui comprar a passagem de bus, pois o Rafael já havia comprado. Paguei 70bols, com saída do bus às 20h30. Tudo até então, eu tinha água que trouxe no mochilão haha, e barras de cereais, partiu Uyuni. Ao entrar no bus, até um cachorro foi de baixo do pé de uma mulher, isso, um cachorro kkkkkkkkkk e eu estava achando aquilo demais, por que o cachorro era grande hahaha A noite foi fria, o motorista parou no meio do caminho para irmos ao banheiro, era umas 00h00, minha nossa sra. que frioooo hahaha, mas valeu a pena sair, pois a noite estava toda estrelada, coisa linda demais! Gastos do dia: Cotação no aeroporto de Santa Cruz de dólar para Bols $ 6,68 (bem bosta, mas ok rs) Gastei U$ 20,00 Pessoal, logo tento continuar, abraços.
  9. 12 pontos
    Chegamos em San Pedro pelo aeroporto de Calama. Lá pegamos uma van que cruza parte do deserto e nos leva até o povoado. Nos hospedamos por 5 noites no Ckoi Atacama Lodge http://www.ckoiatacama.cl, uma ótima dica de hospedagem. Boa estrutura, atendimento super simpático, perto de tudo, mas longe o suficiente do barulho e com bom preço. O Atacama é uma viagem cara. Todos os passeios são feitos com agências e embora isso interfira na liberdade de quem é bicho solto, é de fato a única forma de preservar aquela natureza absoluta. Uma rua de terra principal com duas paralelas e quatro transversais formam o casco histórico de San Pedro de Atacama. E ali naquele pequeno povoado, naquele oásis perdido em meio a uma paisagem que muda de cor com o passar das horas, há uma efervescência, com mercadinhos, restaurantes e lojas que vão de um artesanato simples a joias de pedras preciosas. Não se pode dançar em San Pedro de Atacama. Sob os nossos pés, um imenso cemitério indígena, restos de um povo que acreditava que tudo aquilo o que víamos era o bem mais precioso que tínhamos. Um povo que sabia honrar cada pedaço daquela terra e extrair dela tudo o que precisávamos para existir. Um povo que tinha um enorme respeito pela nossa grande e única fonte de tudo, e entendia sobre o que realmente importava. Ouvir música é permitido, contanto que ela não desperte, no corpo e nos pés, a vontade de manifestar euforia e, por consequência, desrespeito sobre aqueles que nos ensinaram tudo o que jamais poderíamos ter esquecido. E mesmo com todas as fotos e vídeos e relatos que havíamos visto e ouvido, não fazíamos ideia da imensidão que nos aguardava e nem do tamanho que isso seria aqui dentro. Deserto do Atacama O deserto do Atacama não é real. É um outro planeta inventado num filme. É um sonho confuso que se divide ao acordar. É uma mentira contada sobre um paraíso. É uma miragem que nos faz duvidar, o tempo todo, se estamos acordados. Uma memória que temos certeza que está a nos enganar. Um medo constante dos olhos esquecerem a beleza, a imensidão e a intensidade do que veem. Uma emoção que faz chorar todos os dias diante da magnitude do que nos rodeia. O lugar mais especial que já pisamos. No deserto do Atacama há muitas possibilidades de passeios e dificilmente, por tempo e dinheiro, você fará todos. Pesquise bastante e escolha passeios diferentes e que se encaixem no seu gosto e no seu bolso. Optamos por fechar todos os passeios com a mesma empresa, Araya https://www.arayaatacama.com/, e adoramos. Pode não ser a agência mais barata, mas os guias são excelentes e pontuais, as vans são ótimas e nos pegam e nos deixam de volta no hotel e os lanches oferecidos em cada passeio, eram visivelmente melhores que o de outras empresas. Escolhemos os seguintes passeios: Lagunas Escondidas Três litros de água por dia é o que se recomenda beber no deserto. O corpo rapidamente sente a secura na boca, nas mãos, nos poros, na língua, na pele. A desidratação chega sutil, a saliva falta e a dor de cabeça se aponta lá no fundo dos olhos. Um mínimo gole de água resolve instantaneamente. Sentimos cada parte do nosso corpo reagir ao ambiente em que recebemos muito mais do que damos, como deveria ser sempre na natureza. Saímos às 8h da manhã para as Lagunas Escondidas, um conjunto de 7 lagoas formadas no meio da Cordilheira do Sal. Uma viagem de uns 20min de carro e uma caminhada de uns 15min nos levam à primeira delas, uma piscina natural com a água tão salgada que, se secarmos as mãos na roupa, uma capa branca se forma no mesmo instante. Dá pra ver pequenas bolhas brotarem do solo, indicando a nascente de água subterrânea, um fenômeno banal explicado pelos geólogos, mas impressionante para nós. Água verde clara, transparente e salgada. Seguimos a trilha adiante e, entre uma e outra lagoa verde, nos deparamos com a penúltima do conjunto. Falta ar e palavras para descrever o que os olhos não acreditavam ver. No meio de um concentrado de sal na superfície, rodeado de rochas de sal que vão escurecendo pelo horizonte até ficarem marrom, um pedaço do céu se abre no chão, de uma cor tão azul esverdeada, tão verde azulada, tão aturquezada, tão ainda sem nome, que os olhos se enchem de lágrimas e a boca saliva a vontade das mãos de toca-la. E o corpo desaba na pedra mais próxima e se rende, sem qualquer outra chance de alternativa, enquanto o silêncio e a suspensão são a única manifestação comum e possível dos sentidos. E ali, naquele instante mágico, naquele intervalo que a noção de tempo não consegue explicar, entendemos o nada que somos. Vale de La Luna e Vale de la Muerte É curioso e surpreendente perceber-se no lugar considerado o mais inóspito da Terra, o ambiente que temos de mais próximo à superfície da Lua. Por isso o nome, Vale de la Luna. 23 milhões de anos soam como um número perdido e vago, já que é humanamente incalculável para aqueles que vivem, quando muito, um mísero século por aqui. São 23 mil gerações da nossa família vivendo por um período acima da média. Um número impossível para nós. Mas não para a Terra. Não para a natureza. Não para aquele lugar onde tempo e espaço são conceitos que temos que ressignificar para tentar, com muitos esforços, começar a entender o início de nós. Cavernas no meio de cânions de um tamanho muito além do alcance dos olhos; gesso, argila, cristais de sal, granito, quartzo, infinitos minérios cuja explicação para aparecerem ali não existe; cinzas e pedaços de rochas espalhados por todo o vale; e o vento, que faz tudo aparecer e sumir conforme a sua vontade, moldando esculturas que os humanos, tão perdidos diante daquela fonte gigante de tudo, chamam de “Marias”; e a chuva que, raríssima, quando aparece vem imensa, abrindo caminhos em espaços invisíveis. Da mesma forma é o Vale de la Muerte, que era para ser Marte, pelo óbvio, mas a dramaticidade ocidental não permitiu. Do topo do vale vemos o horizonte rosa, as cordilheiras desenhadas, a terra vermelha, as fontes intermináveis de minérios, o sal, os vulcões, o tamanho daquilo tudo. Ali somos nós os estrangeiros, os extras do território, aqueles que não pertencem, achando que sabem alguma coisa, mas que não conseguem explicar quase nada do que se passa nesse outro planeta, que só parece nosso, mas que é ele muito mais o dono da gente. Laguna Céjar O céu do deserto do Atacama é de um azul firme, fixo, que de tão certo e forte faz os olhos duvidarem. E o horizonte de montanhas e cordilheiras de um colorido que vai do branco da neve nos cumes dos Andes, passa pelo avermelhado rosa da cordilheira do sal, depois pelas formações rochosas amarronzadas de sal seco, pelo bege do solo de pedras menores, até voltar ao branco do sal puro e, por fim, ao azulverde da água das lagoas. É como uma paleta cíclica de cores que só existem ali. A Laguna Céjar é um imenso de água no meio dessa esfera impossível. Começa rasa e transparente, tentadora aos pés, e aos poucos, ao passo lento e natural que a natureza impõe, vai passando pro verde, todos os tons, até chegar ao azul, confundindo o nosso olhar entre céu e água, entre cima e baixo, entre nós e a imensidão. Ali não se pode tocar. É preciso aprender a apalpar com os olhos. Ojos del Salar Acredita-se que há milhões de anos, não se sabe dizer quantos, contra toda e qualquer teoria geológica de probabilidade, dois meteoritos caíram na Terra, um ao lado do outro, bem ali no meio do deserto. E com menos explicação ainda, esses buracos formados se encheram de água, doce, limpa, onde se pode mergulhar. E mesmo com toda a seca que se vive lá, ano após ano, a água não diminui. Se evapora, é novamente alimentada por alguma nascente que não se sabe sequer de onde poderia vir. Os buracos possuem uma profundidade que máquina nenhuma inventada pelo homem consegue calcular. Eles te encaram, imensos, como que rindo da tentativa vã e sem propósito de entender o que não se pode explicar. Nos emocionamos entre os Ojos del Salar. Laguna Tebinquiche A Laguna Tebinquiche é a origem de tudo. No momento em que o mundo acabar e a Terra sucumbir às torturas que praticamos a cada segundo, é ali que tudo recomeça. As bactérias presentes nas pedras que rodeiam toda a lagoa são capazes de dar início ao ciclo da vida. A potência daquele lugar é assustadora. Há um caminho delimitado para caminhar, para que se tente não acabar com o nosso único possível recomeço. E após uma trilha no meio dessa fonte de vida tão invisível aos nossos olhos, tão possivelmente desacreditável a olho nu, chega-se a um ponto onde a luz do pôr do sol a oeste reflete nas montanhas a leste, mudando-as de cor. A beleza é tão arrebatadora que, ao não sabermos para onde olhar, se para o sol que se põe por trás das montanhas e vem até nós pelo reflexo na água ou para o horizonte que vai seguindo o movimento do olhar em amarelo claro, amarelo escuro, laranja claro, laranja escuro, rosa claro, rosa escuro, até atingir a cor púrpura do outro lado, a luz do dia acaba, deixando somente o silêncio daquela visão impossível. E pedimos, com lágrimas que escorrem em meio ao sorriso incessante, que os olhos não esqueçam o milagre que acabaram de ver. Termas de Puritama Há 3 mil metros de altitude cresce uma espécie de cacto que só existe em bando. Chegando aos 6 metros de altura e vivendo por cerca de 200 anos, esse tipo que sequer vinga diante da solidão, possui uma madeira porosa dentro de sua casca de espinhos perfeita para o artesanato. De tão esbelto e firme, é difícil crer que, assim como as rolinhas, não sabe e não suporta ser só. Mas gosta de topos, talvez para ter a certeza de avistar os seus a todo instante, como uma galinha que não perde seus pequenos de vista, mas todos sendo mãe e filho ao mesmo tempo. Num dos cânions em que vive essa espécie há um rasgo feito por um raio, há milhões de anos, que foi se abrindo com o movimento da Terra e formando um caminho. Por ali corre um rio, que não se sabe como, nasce dentro de um vulcão e vem correndo toda uma montanha até desaguar entre cactos carentes e rabos de raposa, planta que só cresce perto d’água e mais parece um capim dourado brilhando no meio da rocha seca e do céu azul. Pequenas cachoeiras de uma água inacreditavelmente morna, que quanto mais se sobe o caminho no cânion, mais quente fica. Ora na sombra, ora sob o sol fervente do deserto, quando as mãos encostam nessa água, o corpo inteiro arrepia a sensação inesperada daquela temperatura improvável. Caminhamos por 2 horas na abertura do cânion, às vezes ao lado das águas, às vezes na rocha laranja, avistando somente a vegetação que garantia que o rio estava ali. Com a boca seca e os olhos em choque, atingimos o cume e as famosas Termas de Puritama. 7 piscinas naturais desenhadas como que em andares, cada uma delas com formatos e temperaturas diferentes, que vão dos 23 aos 30 graus. A água é quente feito abraço, potável e de uma transparência que se confunde com as lágrimas, dando a impressão de que choramos cada gota daquele elixir que, se não cura doença, acalenta a alma. Quando o corpo emerge aquelas águas, o coração palpita; a boca não consegue não beber; as mãos correm os braços na tentativa de sentir ainda mais o abraço que envolve por inteiro; os olhos não conseguem se fechar para não perderem um segundo daquela sensação indescritível e choram ao mesmo tempo em que querem ver; e o sorriso vem, completamente involuntário, mais do que convidado e sem nenhum necessidade de ser chamado, aguçando cada poro e cada mínimo sentido e despertando a absoluta certeza de que a plenitude do amor está dentro e só pode ser isso. Esse passeio é o Termas da Puritama + trekking. Não deixe de ir caminhando. A sensação de chegar ao topo vivendo o caminho é incomparável do que alcançar as termas numa van. Tour Astronômico A altitude alta e as nuvens raríssimas fazem do céu do Atacama o ponto de observação mais limpo da Terra. É ali que estão os maiores e mais modernos telescópios da Nasa* e os mais competentes astrônomos. A realidade é que, para além das pesquisas, olha-se para cima após as 23h e tudo parece um filme. As estrelas são holofotes, dispensando qualquer luz artificial, e o céu parece tão baixo e tão perto que é possível ver o movimento da Terra em tempo real, com os planetas visíveis a olho nu mudando de lugar a cada segundo. A Via Láctea é um borrão branco nítido, grande, que prende os olhos ao tentarmos entender o inexplicável. Mas o que o telescópio mostra ao parar em Saturno beira o indescritível. O coração palpita quando os olhos se deparam com os anéis perfeitos e a nitidez do imaginário de toda uma vida. É preciso coragem para descer as escadas do imenso observador do céu e aceitar registrar aquele instante somente na memória, rezando pra que ele permaneça, forte, vivo e intenso, exatamente como o segundo em que os olhos perceberam o que viam. E num misto de felicidade e medo do que o tempo muitas vezes prega em nossa lembrança volátil, três estrelas cadentes rasgam o céu, roubando a respiração e deixando ainda mais claro que a gente é um pingo de absolutamente nada. Fizemos o tour astronômico com a Space Obs, porque lemos muitos relatos de que eles teriam os melhores telescópios. Não gostamos. Extremamente técnico. Grupos grandes, muita espera e filas para cada telescópio. Um casal de simpáticos astrônomos estrangeiros nos recebe e nos guia pelo tour. Observamos o céu a olho nu, com ela apontando estrelas, planetas e constelações. Seguimos para a observação nos telescópios e finalizamos com uma roda de chocolate quente e uma palestra bem entediante sobre física quântica, cálculos astronômicos e informações numéricas pouco interessantes e nada relevantes para quem, como nós, busca um pouco mais de magia. Nos arrependemos de não termos feito também esse passeio com a Araya. Algumas pessoas que fizeram com eles, amaram a experiência. O guia era um senhor nascido no Atacama e entendedor do céu, que em meio aos telescópios, contava sobre as crenças ancestrais do surgimento das constelações. Tudo acompanhado de chocolate quente ou de whisky. Preparem-se para o frio da noite do Atacama. Especialmente nesse passeio, que é feito na madrugada por razões óbvias, o frio é congelante. Gorros, cachecol, luvas e meias. Tudo é necessário. *O D FABIANO nos atualizou com a informação correta. Telescópios do ALMA Observatory. Passeios que não fizemos Salar de Tara - queríamos muito, mas estava fechado, com muita neve no acesso. Geyser el Tatio - era muito cedo, muito frio e estávamos mais interessadas nas belezas das lagoas. Vale do Arco-Íris - faltou tempo. Lagunas Antiplânicas - na seleção de cada passeio, optamos pelas outras lagunas. Onde comer? Não achamos tão tranquilo comer em San Pedro. Tentamos tudo. De restaurantes típicos locais a pizzarias. Destacamos somente a Pizzería El Charrúa, com pizzas crocantes e saborosas, e o Empório Andino, com empanadas de diferentes sabores. Também lemos muito sobre Las Delicias de Carmen. Comemos lá 2 vezes e não gostamos nenhuma. Dicas Na rodoviária há o precioso e pouco divulgado Mercado dos Produtores. Não deixe de caminhar até lá. É onde os artesão locais tem suas oficinas e lojas. Nos apaixonamos pela Dona Carmem, uma das mais antigas artesãs do Atacama e dona de mãos que tecem belíssimas peças, de uma lã natural que ela mesma prepara, monta em novelos e encaixa em seu tear. E também o Manolo, exímio ourives e conhecedor de cobre, mineral abundante na região. Suas joias são obras de arte. https://www.instagram.com/trip_se_/
  10. 12 pontos
    Esse é o meu relato de viagem sobre meu mochilão de 17 dias pela patagônia argentina e chilena. Não liguem pro tempo verbal, tem coisa que estou escrevendo ao vivo e tem coisa que estou escrevendo depois que aconteceu. Roteiro: 18/10 - Rio x Santiago (escala de madrugada em Santiago) 19/10 - Santiago x Punta Arenas x Puerto Natales 20/10 - Punta Arenas x Torres del Paine 21/10 - Torres del Paine 22/10 - Torres del Paine 23/10 - Torres del paine x Puerto Natales 24/10 - Puerto Natales x El Calafate 25/10 - El Calafate 26/10 - El Calafate x El Chalten 27/10 - El Chalten 28/10 - El Chalten 29/10 - El Chalten 30/10 - El Chalten x El Calafate 31/10 - El Calafate x ushuaia (avião) 01/11 - Ushuaia 02/11 - Ushuaia 03/11 - Ushuaia x Brasil A escolha do roteiro: Por que vou fazer nessa ordem, já que começar pela Argentina é mais barato? Meu motivo principal da viagem é conhecer Torres del Paine, então minha ideia foi começar por lá, já que eu chegaria com o corpo descansado pra fazer as trilhas do parque. Por que eu não vou direto para El Chalten depois de Torres, daí vou pra El Calafate de uma vez e pego o voo direto? Como calafate não tem trilhas seria o meu descanso entre as duas cidades que mais vou fazer trilhas. Então preferi colocar no meio para descansar (entre torres del Paine e El Chalten). O que eu reservei antes? Quanto paguei? Por que? 1 - Reservei os campings em maio, pq sou ansiosa e fico com medo de não conseguir depois. Reservei no cartão de crédito em única parcela (não lembro se dá pra parcelar), com a cotação pro real de 4,60 aproximadamente. Farei o circuito W, optei por 4 dias e escolhi reservar a barraca com eles. Camping Central - 25 dólares (21 dólares barraca alugada e montada) Camping Francês - 25 dólares (21dólares barraca alugada e montada) Camping Paine Grande - 11 (30 dólares barraca alugada e montada) Total aproximadamente: 611,80 reais. 2 - Paguei o mini trekking com a hielo y aventura no Brasil também: 6500 pesos argentinos, que no cartão de crédito veio por uma cotação de 4,60 e no final paguei 543,83 reais. Esse valor está incluso apenas o transfer e o mini trekking. Chegando no parque tenho que pagar minha entrada: 800 pesos argentinos. 3 - Paguei o passeio que vou fazer em ushuaia com a Piratur. Tá sentado? Total de 746,26 reais. Está incluso o transfer e pelo preço pensei que eu poderia levar um pinguim pra casa. Além do transfer tem a navegação do canal beagle e a entrada na estância. O nome do passeio é: caminhada + navegação. Os passeios 2 e 3 eu reservei com antecedência pelo motivo de eu ter pouco tempo nas cidades e roteiro apertado e eu não queria correr o risco de não ter vaga (apenas essas empresas fazem estes passeios, então não tem a opção de pesquisar preços). 4 - Ônibus que faz o trajeto Punta Arenas Aeroporto - Puerto Natales. Paguei 7400 CLP = 47 reais. Ou seja, se você não pretende ficar em Punta Arenas, faz esse caminho direto, o valor é o mesmo caso você pegasse o ônibus na rodoviária. Quanto estou levando de dinheiro? Troquei meu dinheiro duas vezes: 1 vez = 1684 reais = 400 dólares 2 vez = 1281 reais = 300 dólares O dólar estava super em alta esse ano então eu juntei o dinheiro e fiquei de olho na cotação todo dia, toda hora em desespero mode on. O site que eu uso pra acompanhar a cotação é melhorcambio.com e lá eu faço a proposta de quanto eu quero pagar no dólar. Planejamento Antes de iniciar a viagem eu fiz uma planilha com todos os gastos de hospedagens e transportes que eu achei na internet, fiz o câmbio pra dolar e decidi levar esse valor citado. Início do relato: 18/01 - A caminho Meu vôo tava marcado pra 17:10. Cheguei no aeroporto com bastante antecedência, pois eu tinha que consertar meu nome no bilhete de embarque do voo que eu faria no meio do mochilão (calafate-ushuaia). Separei meu líquidos no zip lock, mas como sempre ninguém viu. Tava na tensão sem saber se conseguiria embarcar com meu bastão de caminhada e meu pau de selfie, segundo as regras é proibido, mas coloquei eles na parte de dentro da minha mochila (50l _quechua) e deu tudo certo. Como meu voo estava cheio a companhia ofereceu despachar as bagagens, eu aceitei, não tava querendo procurar vaga pra ela no avião mesmo. Comi um bolinho Ana Maria na sala de embarque e esperei meu momento. Embarquei. Tô levando comigo alguns itens de comida, dizem que no Chile é um pouco chato a imigração. Então no papelzinho de imigração que a gente ganha no avião eu declarei que estava levando coisas de origem vegetal e/ou animal. O que eu levei de comida: 1 pacotinho de chá mate 1 pacote de cappuccino em sachês 2 pacotes de amendoim grandes 12 barras de proteína com bom valor nutricional 09 snickers 04 latas de atum 02 pacote de cookies integral 12 bananadas 03 pacotes de bolo Ana Maria 02 sopas com bom valor nutricional da essential nutrition (soup lift) 03 barras de cereal 01 pacote traquinas 01 pacote de biscoito de arroz 01 pacote de Club social 01 caixa do chocolate talento versão mini 09 quadradinhos de polenguinho 05 geleinhas estilo cesta de café da manhã 02 pacotinhos equilibri, estilo torradinhas Rolou tudo bem. Passei na parte de itens a declarar, a moça perguntou o que eu levava, eu contei, ela mandou passar no raio x e me liberou. Simples assim. Troquei 150 dólares no aeroporto de Santiago, pq tô com medo da cotação na patagônia ser pior. 150 dólares = 101.574 CLP Gastos do dia (a partir do momento que entrei no aeroporto): "Janta" de Mc donalds: 5640 CLP Dica: Sempre comprar voo com uma conexão grande, pra dar tempo de se alimentar, trocar dinheiro, fazer tudo sem pressa. Meu voo aterrissou as 21:50 e terminei de fazer tudo as 23:40. Agora estou aguardando o próximo voo no aeroporto.
  11. 12 pontos
    Olá mochileiros! Mais uma vez esse fórum me ajudou muito e minha viagem de 10 dias pelo Chile foi excelente, graças às ótimas dicas adquiridas por aqui. Nada mais justo que retribuir escrevendo meu relato, não é mesmo? Vou tentar detalhar o máximo possível todas as informações, pois é sempre bom ter novas atualizações sobre como andam as coisas em terras chilenas. A viagem foi realizada entre os dias 19/04/2019 e 28/04/2019 e fomos em duas pessoas, então alguns gastos serão colocados de forma individual e outros para duas pessoas. Primeiramente, gostaria de agradecer aos membros que responderam minhas dúvidas em alguns tópicos que criei pedindo ajuda, e alguns relatos que foram fundamentais para ajudar na montagem do meu roteiro.Em especial @filiperocha, @karinerribeiro e @Elder Walker, muito obrigado, seus respectivos relatos ajudaram muito. A viagem não foi a mais econômica, mas também não foi a mais cara. Estou de férias e não estava disposto a abrir mão de alguns confortos e apreciar uma boa comida típica (adoro experimentar a gastronomia local dos lugares), então seria possível sim fazer uma viagem mais barata. Uma breve introdução, eu marquei minhas férias em novembro do ano passado para abril deste ano e já comecei a pesquisar um destino para ir. Geografia e História são duas coisas que me fascinam desde criança e durante o Black Friday surgiu uma promoção de passagens para Santiago. Pensei: Por que não conhecer o país mais sísmico do mundo, poder ir a Cordilheira dos Andes e esticar até o Deserto de Atacama, que é geografia pura? Não deu outra: Comprei duas passagens, para mim e meu companheiro. A partir daí, começou o planejamento de roteiro, busca a hospedagens, leitura de relatos e uma ansiedade total para chegar logo o dia da viagem. Dividi a quantidade de dias de maneira justa e foi ótimo, pois conseguimos aproveitar bem os locais de maneira plena. Vamos aos detalhes! PASSAGENS Paguei R$ 645,00 em cada passagem com taxas para o trecho SP - SANTIAGO - ida e volta, no Black Friday (antes disso estava por volta de R$ 800,00), com a GOL. As passagens para Calama preferi comprar a parte, pois a opção múltiplos destinos encarecia muito o valor total. Os trechos entre Santiago e Calama sairam por R$ 225,00 ida e volta (tinha mais baratos, até por R$ 145,00, mas não atendia aos horários que eu queria) com a Latam, ou LAN CHILE. DICA: Compre as passagens para Calama diretamente no site da Sky Airlines Chile ou da LAN CHILE, pois são mais baratos que se compradas nos sites brasileiros das companhias. A única diferença é que o cartão de crédito usado na compra deve ser internacional obrigatoriamente e não é possível parcelar. O valor é à vista. DOCUMENTOS Muita gente tem dúvida sobre a entrada nos países somente com RG. Bom, não levei passaporte, fui apenas com RG e deu tudo certo, mas uma coisa é fato: a foto tem que estar reconhecível. Na imigração em Santiago perguntaram apenas o motivo da minha ida ao Chile e o local da hospedagem em Santiago. De resto, não houve qualquer problema com RG, peguei voo interno somente com ele e foi tranquilo. HOSPEDAGENS As hospedagens em Santiago são bem caras. Cotei alguns hostels e hotéis antes e os preços estavam além do que eu estava disposto a pagar para duas pessoas. Eis que surge a ideia de pesquisar no Airbnb e fechamos um apartamento no centro, próximo a maioria dos pontos turísticos, casas de cambio, restaurantes e mercados. Saiu R$ 607,00 para duas pessoas por cinco dias (R$ 60,00 a diária p/p). Apartamento confortável, com utensílios básicos de cozinha, recepção 24 horas. RECOMENDO pesquisar Airbnb antes de fechar hotel em Santiago. Em San Pedro de Atacama ficamos no Hostal Mamatierra (indicação do Filipe aqui no fórum): RECOMENDO, tão bom que parece até hotel. Café da manhã bem servido, camas confortáveis, staff atencioso, água disponível o dia todo (uma grande economia no deserto), chuveiros quentes, limpeza nota 10. Ressalto que hospedagem no Atacama, assim como tudo por lá, é caro devido a localização em uma região bem inóspita. Não lembro o valor total da hospedagem, mas não foi dos mais baratos. SEGURANÇA Li muito antes de ir sobre os famosos furtos em Santiago e os golpes de taxistas. Não usei taxi em nenhum momento justamente para prevenir. Sobre os furtos, em nenhum momento de senti inseguro em Santiago. Lógico que estive sempre de olho em meus pertences, mochila na frente, dinheiro e documentos na doleira, enfim, o negócio é não dar bobeira. Santiago é uma cidade grande e não ter acontecido comigo, não quer dizer que não ocorram casos de furtos. San Pedro de Atacama é um sossego total, andavámos tarde da noite pelas ruas e não vimos nada suspeito. TRANSFER PARA O SAN PEDRO Outro tópico que me deixou em dúvida. Li muitas reclamações sobre as empresas de transfer em relação ao cumprimento de horários. Várias pessoas se queixando que a empresa não passou no horário combinado no retorno a Calama, ou simplesmente passou antes, enfim, fiquei bastante preocupado porque meu voo de volta para Santiago no dia 28 era bem cedo (08:15) e depois do almoço já tinha meu voo de volta para o Brasil também (14:20). Acabei fechando aqui no Brasil com a Transfer Pampa e RECOMENDO. Cumpriram os horários com pontualidade e as vans eram confortáveis. O QUE LEVEI? Em uma viagem para o Chile deve-se levar um pouco de tudo, principalmente por conta do clima. No Atacama é tudo muito extremo e muda muito rápido, o frio de manhã e a noite é grande e durante a tarde o sol queima com facilidade. Em Santiago o clima estava fresco, com manhãs frias e tardes agradáveis. Resumindo, usei casaco todos os dias (mas repare que estou falando do clima especificamente de outono. Para o Atacama creio que sirva para o ano todo). 1 casaco grosso (usei muito) 1 blusa de moletom 1 jaqueta (tipo aquelas pretas de motoqueiro, bom para usar em final de tarde no Atacama) 1 fleece (SUPER ÚTIL no passeio dos geiseres e lagunas antiplânicas) 2 calças jeans 1 calça de moletom 2 calças de tactel (SUPER ÚTEIS nos passeios com muita areia, como o Valle de La Luna ou algum trajeto de bike) 7 camisetas, sendo 3 dry fit (boas no deserto, pois são frescas) 2 bermudas (uma jeans, que nem usei, e uma de tactel, que usei para pedalar) Meias e cuecas (quantidade vai de cada um) Luvas, cachecol, touca Protetor de rosto (ÚTIL, pegamos uma ventania no Valle de La Luna e isso que nos protegeu da areia) Boné Pasta para documentos Bolsinha de remédios (sempre levo de prevenção, usei eparema e neosaldina apenas) Sorine ou Rinosoro (necessário, tanto Santiago quanto o Atacama estavam bem secos) Protetor Labial e protetor solar (MUITO necessários, até agora minha boca está ferrada por causa da secura) Colirio (levei e nem usei. Leve apenas se tiver problema com olho seco) Itens de higiene pessoal Garrafinha de água de 1 L (no mínimo) Adaptador universal (importante, pois o carregador da minha câmera era com entrada diferente e tive que procurar um adaptador lá) Doleira Bota (comprei uma da timberland e super me atendeu). SEGURO VIAGEM Fiz por prevenção, mas felizmente não precisamos usar. Mondial, R$ 199,00 para duas pessoas. AGÊNCIAS PARA PASSEIOS Outro ponto que me preocupou bastante. Acho que todo mundo que faz uma viagem para um lugar mais distante não quer passar por perrengue em passeios, então pesquisei bem as agências para evitar qualquer tipo de estresse. Contratei passeios em 3 agências em Santiago e no Atacama e todas foram ótimas. Ressalto que no Atacama priorizamos os passeios mais clássicos, e foi um acerto, pois saímos bem satisfeitos com tudo. O Salar de Tara gostariamos de ter feito, mas a agência foi bem clara ao dizer que ele estava fechado e o passeio não estava sendo feito de forma completa. As lagunas que flutuam não eram prioridades, apenas se sobrasse tempo. Segue feedback: SANTIAGO - AGÊNCIA 321 CHILE: Fizemos com eles o passeio Cajon del Maipo/Embalse el Yeso e RECOMENDO. Preço justo, bom guia, picnic completo. ATACAMA - AGÊNCIA 123 ANDES: Fizemos todos os passeios no Atacama com eles. Havia pesquisado algumas antes, lido avaliações no Trip Advisor, mas essa foi a melhor que nos atendeu. RECOMENDO. Bons guias, vans novas, preço justo, pontualidade, café da manhã e almoço bons. ATACAMA - AGÊNCIA TIME TRAVEL ATACAMA: Fizemos o tour astronômico com eles. Cheguei a pesquisar a SPACE, mas não tinha mais vagas. No mais, RECOMENDO MUITO a Time Travel. Ótimo tour astronômico, pontuais, vou detalhar mais a frente. Mas adianto que foi sem dúvida uma das melhores experiências que já tive na vida. ROTEIRO Depois de muitos ajustes, assim ficou o roteiro final: 19/04/2019 - Chegada a Santiago e conhecimento da área 20/04/2019 - Centro de Santiago e Cerro San Cristóbal 21/04/2019 - Vinícola Undurraga 22/04/2019 - Cajon del Maipo/Embalse el Yeso 23/04/2019 - Valparaíso e Viña del Mar (se arrependimento matasse, tinha ido para o Atacama nesse dia) 24/04/2019 - Ida ao Atacama e agendar passeios 25/04/2019 - Lagunas Antiplanicas/mirador Piedras Rojas/Salar de Atacama 26/04/2019 - Geisers del Tatio, Valle de La Luna/La Muerte, Tour Astronômico 27/04/2019 - Pukará de Quitor, descanso a tarde. 28/04/2019 - Retorno ao Brasil Agora sim, vamos ao relato!!! (Juro que vou tentar escrever um tópico por dia kkkkkkkkkkk)
  12. 12 pontos
    Uau... sempre gostei de ler e escrever mas 'em todos estes anos nessa indústria vital, essa é a primeira vez que isso me acontece' rsrs olho para a tela em branco mas as palavras não saem. Várias foram as vezes em que esta cena se repetiu nas últimas semanas e noto uma resistência interna em ordenar as palavras e externizá-las, permanecendo em silêncio degustando-as. Conheço bem essa resistência: é apego! Comumente remetemos o apego aos bens materiais mas quase sempre ignoramos que eles não passam de um símbolo. O real apego é sempre a ideia por trás do símbolo. Venho apegada à ideia da vida que vivi nos últimos dois anos e meio e soltar essa ideia é assumir que ela agora faz parte do passado. No entanto, o novo só vem quando soltamos o velho. E para isso se faz necessário ter coragem... As palavras que se seguem são um ato de coragem. CO.RA.GEM. substantivo feminino: 1.força ou energia moral diante do perigo; 2.sentimento de segurança para enfrentar situação de dificuldade moral; 3.atributo de quem tem determinação para realizar atividades que exigem firmeza. (Dicionário Michaelis) Ou, como uma irmã me ensinou um dia: do prefixo cor (coração) e do sufixo agem (do verbo agir): coragem é agir com o coração. E foi totalmente seguindo o meu coração que ao completar 26 anos em janeiro de 2015 escolhi ir viver as coisas nas quais acreditava. Contexto: na época uma angústia muito forte me acompanhava no dia a dia de faculdade, trabalho e nas pequenas efemeridades que caracterizam o cotidiano. No fundo, a angústia podia ser descrita como um sentimento de não pertencimento e até mesmo uma profunda incompreensão generalizada, não entendia o sentido de fazer as coisas que fazia pois enxergava uma sociedade doente e me apoiava em discursos de liberdade contra um "sistema opressor". No meu aniversário de 26 anos cansei de falar (lê-se: pregar) no facebook sobre as coisas nas quais acreditava e resolvi ir viver as coisas nas quais acreditava. Foi num ato repentino da mais profunda coragem num misto com a mais profunda inconsequência que parti. Com cinquenta e cinco reais no bolso, uma tampa de caixa de pizza escrito 'Alto Paraíso' e uma mochila extremamente pesada contendo 75% de inutilidades, fui para a BR. A única experiência que tinha era de ter pego carona com uma amiga até a cidade vizinha (interior de São Paulo, coisa de 100km de distância) poucas semanas antes, mas desde então sabia que se havia conseguido uma carona, conseguiria quantas precisasse. Afinal, muitos podem passar mas só preciso que 1 pare! E foi com essa confiança que, acompanhada de outra amiga que nunca havia viajado de carona, fui rumo a Chapada dos Veadeiros. Não olhei no Google, não tinha mapa, referências ou distâncias. Tudo o que sabia era que queria chegar na tal da Chapada e que pediria carona para isso. Há pouco tempo ouvi a seguinte frase sobre cair na estrada: "não tem como se preparar para isso". Essa é a mais pura verdade, e esse foi o primeiro grande aprendizado. Também é verdade que um único dia de BR te ensina muito mais do que toda a literatura que possa já ter lido, sobre todos os assuntos. Aprendi sobre política vendo a histórica desigualdade social na vida fora dos grandes centros urbanos e fora dos telejornais; aprendi sobre geografia percorrendo as estradas que cortam as paisagens entre serras e planaltos; aprendi sobre língua portuguesa e sobre licença poética nas placas pintadas à mão oferecendo os mais diversos trabalhos Brasil adentro; aprendi sobre matemática com os preços dos postos de combustível e suas lojas de [in]conveniência; aprendi sobre a biologia do corpo que, como um camelo, cobre distâncias incríveis sem uma única gota d'água; aprendi sobre a química da arte de cada estado em misturar água quente, pó de café e açúcar de maneira tão única (e gratuita!); e, sobretudo, aprendi a física envolvida no equilibrar de uma mochila nas costas de forma que ela (como um motor de Kombi que vem atrás) ainda assim te impulsione para frente. Sempre para frente. A BR é uma exigente professora muito dinâmica, com metodologia autodidata e tudo conta como matéria dada. E é justamente este nível de exigência da entrega total ao momento que nos permite absorver todo o seu conteúdo tão eficazmente. Afinal, não dá para estar na BR pensando no boleto que vai vencer ou na ração do gato. A BR te exige por inteiro. Mas essa exigência não é a toa, pois a todo aquele que se entregar plenamente, nada faltará. Nem a carona impossível do último raio de sol do dia, nem o alimento ora como cortesia, ora como oferta da natureza, nem o cantinho maroto para montar a barraca ou o banho, seja num rio, cachoeira ou nos oito minutos mais deliciosos de sua vida num chuveiro de posto de gasolina. Nada faltará! Esse foi o segundo grande aprendizado. Portanto, é um fato que a BR supre a todas as necessidades daquele que se entrega à ela, mas isso não quer dizer que nossas necessidades serão atendidas como gostaríamos ou quando gostaríamos, mas certamente sempre que realmente precisarmos. Aceitar essa falta de controle sobre as situações e ainda assim confiar que nada nos faltará é um desafio proporcional à magnitude do milagre de ser atendido. Porque a verdade é que nós não controlamos absolutamente nada. Abrir mão da ilusão de controle foi o terceiro grande aprendizado. Depois de aprender que não há como se preparar para isso, que são necessárias confiança e entrega e de ter aberto mão da ilusão de controle, algumas virtudes certamente já se apresentam desenvolvidas das quais destaco duas: a paciência e a gratidão. Estas duas virtudes são os maiores presentes que a BR me deu. A paciência de esperar o dia in-tei-ro por aquela carona naquela estrada de terra que não passa nem vento ou naquele trecho urbano em que milhares passam mas não param por medo. A gratidão de receber o dia chuvoso como se recebe o ensolarado, de ser grata pelo jejum assim como se agradece o banquete de coração ofertado. Tendo desenvolvido a duras penas a paciência e a gratidão, aprendi que a verdade é que tudo está em nossas mãos. Com paciência e gratidão criamos o que quisermos. Esse foi o quarto grande aprendizado. Esse é um dos mais belos paradoxos humanos: não temos o controle de nada e criamos tudo o que quisermos. As palavras nem ao menos tangenciam os processos dessas compreensões e permanecem assim no campo das inefabilidades. Mas afirmo: é real. No entanto, não acredite em mim. Duvide e tenha sua própria experiência. Além dos impulsos de buscar viver as coisas nas quais acreditava, também ansiava por ser maior do que meus medos. No angustiante período que antecedeu a partida, já havia compreendido que a crença em nossos medos é o que nos limita. Na época, havia feito uma lista com todos os meus medos dos mais esdrúxulos aos nunca antes pronunciados. Levei algo próximo de três meses para terminá-la, e esta lista finalizada lembrava em muito um pergaminho dado comprimento. Em seguida os analisei. Considerei medos-meus aqueles que havia tido uma experiência direta, real e empírica e considerei medos-não-meus aqueles adquiridos por indução social e inconscientemente reproduzidos. Fiz isso pois compreendia que poderia lidar com os meus medos e os demais devia apenas soltá-los, afinal não eram meus e gastava muita energia com eles... E de todo o pergaminho, a lista se reduziu a poucos ítens contados nos dedos das mãos. Esses eram os que me interessavam vencer, os demais , como disse, abandonei. Simples assim. Junte a angústia existencial gerada por uma sociedade de consumo com a vontade de vencer os medos limitantes e algumas sessões de 'into the wild' e você tem uma pessoa disposta a rasgar documentos, dinheiro, diplomas, desapegar-se de bens materiais e referências psicoemocionais, além de cometer um "socialcídio" nas redes sociais. Toda a viagem à Chapada dos Veadeiros durou entorno de duas semanas e, ao retornar, abri mão de todos os ítens acima citados. Quando voltei para a estrada possuía apenas o meu corpo, meus conhecimentos e uma mochila com algumas roupas e alguns poucos apegos que ainda permaneciam. Queria ver o mundo como ele era sem referências. Queria ver como eu era sem referências. Compreendia que o dinheiro era uma forma de energia mas não era a única e me propus a viver da troca de conhecimentos e da força braçal, bem como do voluntariado. Mas num bom e honesto português o que me motivou foi querer ver se o mundo era mesmo como o Datena falava que era, rsrsrs É com alegria e gratidão que posso afirmar que ele possui uma visão muito limitada (e triste) do que é o mundo... Nesse período de viagens de carona que se sucedeu com trocas e voluntariado, regado à paciência e gratidão, aprendi que quanto mais a gente se doa mais a gente recebe. Esse foi o quinto grande aprendizado. Também foi um período em que muitos valores morais e crenças caíram por terra. Descobri, como diria um professor que tive, que sou o extrato-do-pó-do-peido-da-pulga no universo! Rsrs E viajei, e viajei e viajei. Curiosamente, curtos foram os momentos em que viajei sozinha. Já viajei em dupla, em trio, com criança e em quarteto. Viajar bem acompanhada é delicioso! Comunhão, cumplicidade, respeito, reciprocidade, apoio e alguém que olhe sua mochila para ir ao banheiro! Rsrsrs No entanto, só quem já viajou mal acompanhado sabe o valor de se andar só. Uma vez li em algum lugar que a solidão só pode ser realmente sentida em meio a outras pessoas. Hoje compreendo isso. E foi ao escolher passar a viajar exclusivamente sozinha que compreendi a diferença entre solitude e solidão. A solitude é sobre estar só e não sentir solidão. A solidão é sobre estar acompanhado e se sentir só. Esse foi o sexto grande aprendizado. E ao aprender a apreciar a minha companhia e a ouvir tudo o que o silêncio tinha para me falar, a vida de caronas passou a ser incompatível com minhas novas necessidades introspectivas pois bem sabemos que o pegar caronas implica em conversar e interagir (além de responder várias vezes no dia as mesmas perguntas clássicas "de onde você é?", "para onde você está indo?", "você não tem medo?", "o que sua família acha disso?", Etc rsrsrs). As trocas me garantiam apenas o mínimo ao mesmo tempo em que recebia muitas doações, e foi quando passei a me sentir sustentada ao invés de me sustentar. Essa nunca foi a proposta. Concluí que estava na hora de ser autossuficiente, decidi investir em artesanatos e passar a viajar de bicicleta para ter mais independência. Viajar de bicicleta é outro universo...! Viajando de carona o mundo já é solícito, mas de bicicleta ele é escancarado! Minha bicicleta (Kali- A Negra) é dessas padrão, sem marca, aro 26 e 21 marchas onde os maiores investimentos que fiz foi instalar bar ends de deiz real, um selim mais largo e o bagageiro no qual amarrei dois baldes como alforges, com uma garrafa pet de paralama. Junte a cara de pau de uma bicicleta dessas circulando por aí como se fosse uma Specialized, o fato de eu ser mulher e estar viajando sozinha e você terá a trinca de ouro das portas abertas na sociedade. Tenho plena consciência da sociedade patriarcal em que vivemos e de como é nascer mulher em meio a isso, mas nunca havia experienciado isso de forma tão latente pois não se admiravam por ser uma pessoa viajando de bicicleta, mas por ser uma mulher sozinha, o que claramente indica a noção do inconsciente coletivo de que o mundo é sim um lugar hostil para mulheres, já que a mesma admiração não é comum aos homens viajantes solos. Também sinto que a hiperbólica solicitude que a bicicleta proporciona vem do próprio símbolo de liberdade atrelado à ela, afinal todos temos alguma memória afetiva de infância relacionada à sensação de liberdade com alguma bicicleta. Uma metáfora não-tão-metáfora-assim que a bicicleta me ensinou nos primeiros 10 minutos de viagem foi que não importa o peso que se carrega, mas sim como o equilibramos... E pedalei, e pedalei, e pedalei. Tomei chuva, me queimei no sol, atolei na lama, empurrei serra acima e senti a "mão de Deus no guidão" ladeira abaixo a 56km/h. Fui abordada diversas vezes pela própria curiosidade das pessoas, fui recebida e convidada à hospedagens e banquetes, ganhei dinheiro e presentes, orações, abraços cheios de ternura e querer bem e, por mais delicioso que tudo isso seja, estava looonge da intenção inicial de passar despercebida... Ao mesmo tempo isso ajudou com a venda de artesanatos (mandalas de papel com beija-flores, logo, Ciclobeijaflorismo) e pude experienciar o sucesso na autossuficiência plena com dinheiro suficiente para me hospedar em campings e realizar os desejos mais supérfluos de meu ego. É nesse ápice entre a plena autossuficiência profissional e a crescente necessidade de introspecção e silêncio não compatíveis com a imprevisível vida na BR que, com a Graça Divina, tive o maior dos aprendizados. Tudo o que fizera até então era em busca da liberdade, de acordo com os conceitos que possuía de liberdade. No entanto, em dado momento pude compreender que sempre fui livre. E pela primeira vez compreendi o que Renato Russo quis dizer quando afirmou que 'disciplina é liberdade'. Todos somos livres, sempre fomos e sempre seremos. Inclusive para nos prendermos ao que desejarmos. Esse foi o sétimo e maior aprendizado de todos nesses dois anos e meio de vida nômade. Faz aproximadamente quatro meses que parei de viajar e isso se deu por uma série de fatores, compreensões e necessidades do momento. Tudo o que materialmente ainda possuo é a bicicleta e os baldes alforges (tá, e documentos. Tenho todos novamente, rsrsrs), no entanto a bagagem que estes dois anos e meio me gerou eu ainda mal consigo mensurar (e nem tenho tal pretensão!). A proposta do momento é encerrar pendências diversas que a impulsividade de outrora deixou e, tendo renovado inclusive a CNH, dar início ao projeto da casa própria sobre rodas, afinal sou uma jovem senhora de quase 30 anos que busca alguns confortos que viver de mochila não oferece, rsrs. No entanto, como ou quando isso acontecerá não me pertence mas sei que assim como a estrada me chamou uma vez, quando houver de retornar não será diferente. Coração cigano só bate na poeira da estrada! E o que ficou disso tudo? O brilho dos primeiros raios de sol pela manhã refletidos na superfície de um rio; O aroma da primeira chuva que cai e toca a terra encerrando a seca. Uma verdadeira oração silenciosa de alívio e gratidão onde não se ouve nada além das gotas; A suculência da fruta madura saboreada direto do pé; O farfalhar das folhas com o vento no dossel; O toque da pele em cada rosto que se toca em um abraço ou das mãos que se apertam. E os sorrisos! Ah, os sorrisos... As donas Marias e os seus Zés... Esse foi meu relato de dois anos e meio de viagens conhecendo um pedacinho de cada uma das cinco regiões do Brasil, de carona, a pé e de bike com muito pouco ou nenhum dinheiro vivendo a base de trocas e voluntariado, posteriormente com a venda de artesanatos. Este relato não envolve descrição de lugares, roteiros, valores, dicas ou distâncias. Aliás, quando me perguntam sobre a maior distância que já percorri digo que foi entre querer viajar e colocar a mochila nas costas. Esta certamente foi a maior distância. Este relato apenas compartilha outros aspectos de um mochilão. E embora eu tenha dito que este é o meu relato, estou ciente de que também é ou pode ser o seu, afinal, Eu Sou o Outro Você. Dedico a todas e todos que abraçaram e abraçam o desconhecido, escolhendo ir além dos próprios medos. Agradeço a todos e todas que compartilham seus relatos de viagem. Agradeço a todas e todos que compartilham. Agradeço. Trilha sonora da escrita: *Quinteto Armorial - do Romance ao galope (1974) *Alceu Valença e Orquestra Ouro Preto PRABHU AAP JAGO
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    Desde a minha adolescencia sempre quis conhecer dois lugares: Machu Pichu e Camboja. Mês passado consegui realizar um desses sonhos! Um dia antes de viajar, fiquei sabendo através de um grande amigo meu piloto que vários vôos estavam sendo cancelados por causa do tufão que passava pelo local justamente onde eu iria fazer conexão. Eu estava super nervosa com medo do meu vôo ser cancelado e com isso arruinar o meu planejamento. Cheguei no aeroporto, suando de nervosa, olhei para a atendente e estava tudo certo para minha viagem! Pra chegar ao meu destino dos sonhos passei por uma conexão em Taipei, no meio do tufão, mas nem por isso deixei de explorar a cidade e conhecer a linda Praça da Liberdade. De volta ao aeroporto, meu proximo destino seria Bangkok! 4 dias não foram suficientes para conhecer essa cidade incrível. Comida maravilhosa, rooftops de tirar o fôlego, tuk tuks pra todos os lados, templos incríveis e bares super animados. Aproveitei a oportunidade e com a ajuda de um grande amigo meu da minha terra natal consegui cantar em um live house. Com isso tive a oportunidade de conhecer excelentes músicos numa jam incrível com gente de vários países. Obrigada Caio pela noite maravilhosa (na verdade pelas duas noites!!!). Apesar de me despedir de Bangkok com desejo de ficar mais, eu também estava super ansiosa para chegar no meu proximo destino: Camboja. O Camboja é um país que sofreu muito com a guerra Khmer Vermelho, um dos maiores genocídios da história recente, matando grande parte da população e até hoje é possível ver as marcas deixadas dessa terrível catástrofe humana. Quando o avião pousou (graças a deus! Por que era um mini avião com hélice #medo), o calor estava de matar! Passei pela imigração e finalmente estava pisando em terras cambojanas. O motorista do hotel, seu Barang, estava lá me esperando e, apesar da dificuldade de comunicação, esbanjava simpatia. O carro deu partida e comecei a ver a cidade de Siem Riep através da janela. A cada quilômetro rodado, o cenário era o mesmo, muita pobreza. Cheguei no hotel e fui recebida com um delicioso chá e doces típicos do Camboja. Joguei minha mochila no quarto e fui rumo a Vila flutuante de pescadores que ficava a uma hora do centro. Na chegada à vila, a canoa passava pelas principais “ruas” onde é possível ver casas, igrejas e até uma escola suspensa. Pausa para o almoço num restaurante flutuante no meio de um enorme e importante lago para os pescadores. É ali que eles pescam e vendem para outros restaurantes no centro da cidade. Sentei à mesa e pedi o famoso Amok: um curry de peixe com toque de capim limão, prato típico do Camboja. Enquanto eu almoçava, uma criança linda dos olhos brilhantes não parava de me observar até que fui em direção a ela e começamos a nos comunicar através de sorrisos e olhares curiosos. Aprendi algumas frases em cambojano num pôr do sol lindo enquanto eu estava sentada à beira do lago com uma menina cheia de vida. Nesse momento, percebi a beleza do cenário e tirei uma das fotos mais lindas da vida! Dia seguinte, dia de visitar os templos do complexo Angkor, Patrimônio da Humanidade pela Unesco, com a ajuda de um super querido guia, Sohkom. Eu queria saber mais sobre a história do Camboja e sobre os detalhes dos templos. Fiquei horas caminhando na imensidão desse lugar abandonado no meio da selva. No meio do passeio, fui indo em direção a uma música e me deparo com uns homens tocando instrumentos típicos da região. Quando eu percebi estava no meio deles tocando percussão. Todos os músicos eram sobreviventes da guerra, mutilados, vítimas das minas terrestres. Foram horas de aprendizado e informações sobre essas ruínas do império Khmer. À noite, tive tempo pra beber uma cerveja local, fazer massagem por 1 dólar, curtir um pouco da Pub Street e cantar com uma banda de rock no Hard Rock Café. No dia seguinte, levantei as 6 horas da manha, aluguei um quadriciclo e fui desbravar Siem Riep. Eu acho que foi o passeio que mais me comoveu. Foram mais de 4 horas explorando a cidade. Parei num mercado e comprei algumas caixas de macarrão pra doar aos alunos de uma escola construida pelos japoneses❤️. Excelente trabalho dos professores, todos voluntários. De volta a minha moto, coloquei meu capacete e máscara pois havia muita poeira (as ruas não são asfaltadas) e comecei a distribuir comida pras crianças. O mais impressionante é que todas vinham com um baita sorriso no rosto e falavam obrigado. Até mesmo algumas que não falavam por timidez, os pais agradeciam por elas. Hora de voltar pro hotel, pegar uma piscina e esperar o pôr do sol. À noite, me deliciei com o meu ultimo jantar no estilo cambojano e depois fui a um bar de musica ao vivo onde conheci uma cantora de voz linda e serena cantando músicas típicas da região. Fiz questão de falar com ela que ficou encantada quando a elogiei. Muito linda! Vim embora com um aperto no coração de quem precisa voltar. Apesar da pobreza, dos conflitos civis, das atrocidades de um general que aniquilou grande parte da população no passado e de tantos outros problemas em que esse país ainda se encontra, o Camboja e seu povo vão ficar guardados pra sempre no meu coração! Instagram: Yumi_oficial ou Yumiaroundtheworld C581EB70-143E-4458-8CA0-93B5353330A3.MOV 5DEA23CB-8A9F-4EDD-88F6-D85B33E9D4B1.MOV 918A37ED-6D9D-4DD5-AAD2-58A752B49A6B.MOV
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    Relato de uma viagem feita de carro com um grande amigo entre os dias 12/02 e 22/02 antes da pandemia de coronavírus (espero no futuro ler isso e ver que conseguimos superar a crise). Muitas das informações apresentadas aqui já foram compartilhadas no meu Instagram de viagens: https://instagram.com/viajadon_/ - Antes de chegar à primeira cidade citada no relato - Jujuy - ficamos dois dias em San Pedro de Atacama (há algumas dicas no meu Intagram e posso passar outras caso deseje). Após o último atrativo citado no relato, ficamos dois dias em Córdoba e mais dois inteiros em Buenos Aires (não relatei nada no Instagram, mas posso passar dicas, caso deseje Obs: os preços informados estão em pesos argentinos. PRINCIPAIS CIDADES/REGIÕES VISITADAS (em ordem cronológica): San Salvador de Jujuy (ou apenas "Jujuy"), Maimara, Tilcara, Humahuaca, Iruya, Purmamarca, Salinas Grandes, San Antonio de los Cobres, Tolar Grande + Cono de Arita, Salta, Cachi, Angastaco, Cafayate, Amaicha del Valle (Museo Pachamama), Belén, Campo de Piedra Pomez, Parque Nacional de Talampaya, Baldecitos, Parque Provincial Ischigualasto MAPA GERAL DA ROTA * Está faltando Tolar Grande e Cono de Arita, pois o Google Maps dá uma volta muito grande para chegar até os pontos MAPA INTERATIVO NO GOOGLE MAPS: https://drive.google.com/open?id=1LtTF87I0L1GPBiNd1VGNPVgQESvfSJqs&usp=sharing * Arquivo em kmz: Norte da Argentina.kmz ITINERÁRIO RESUMIDO * Planilha editável: Roteiro norte argentina.docx INFORMAÇÕES BÁSICAS - Aluguel de carro: fizemos quase toda a viagem em carro alugado, exceto a viagem a Iruya em ônibus de linha regular e os tours a Tolar Grande + Cono de Arita e a Campo de Piedra Pomez realizados em carro 4x4 com motorista contratado. Alugamos um carro popular mesmo e ficamos satisfeito. Não era necessário um carro mais potente para a viagem da forma como a realizamos. Alugamos o veículo na Alma Rent a Car. Saiu por $43.900 ($29.900 aluguel por 13 dias + $14.000 taxa de devolução do carro em Córdoba). Gostamos tanto do atendimento, que depois escrevemos comentários positivos no Google. Segue o comentário que escrevi: " Bom preço e ótimo atendimento ao cliente. Foram super atenciosos e solícitos comigo e meu amigo. Nos receberam no terminal rodoviário com sorriso no rosto, mesmo após atraso e ausência de comunicação nossa por estarmos sem celular. Depois ainda nos levaram numa casa de câmbio com cotação ótima para trocarmos o nosso dinheiro. Todas as vezes que precisamos de nos comunicar com eles, nos atenderam prontamente pelo Whatsapp." - Câmbio: conforme citado acima, trocamos dinheiro inicialmente na casa de câmbio que o pessoal da Alma Rent a Car nos levou. Infelizmente demos mole e não anotamos o nome do local. Pelo pesquisei aqui, provavelmente fica do lado da Graffit Turismo. Depois trocamos mais um pouco com cambistas próximo da praça principal de Salta e em um quiosco na Plaza San Martín em Córdoba (caso vc vá passar por esta cidade antes). Em todas essas situações trocamos R$1 por $17 pesos, a mesma cotação da casa de câmbio Mais Brazucas de Buenos Aires, a qual costuma ser a mais recomendada nesta cidade. Em Salta e em Córdoba, não compensava trocar em casas de câmbio oficiais. Nesse período compensava muito mais trocar real por pesos do que trocar dólar. - Hospedagens: de forma geral, ficamos em hospedagens econômicas muito baratas. Demos preferência a hostels com quartos compartilhados, mas em San Antonio de los Cobres e Baldecitos não havia essa opção (mais detalhes no tópico "hospedagens" ao final do relato). O custo da hospedagem girou entre $350 (pouco mais de R$20) e $600 para cada um de nós dois. - Comida: a comida de forma geral é baseada na carne, mas se vc é ovolactovegetariano (eu sou pseudo...hahaha...não como carne no dia a dia, mas eventualmente como em viagem em caso de necessidade ou como um experiência cultural), basta negociar, que geralmente fazem alguma coisa tipo uma omelete. - Bebida: o vinho é super barato na Argentina e em alguns locais por onde passamos, especialmente na parte do roteiro após Salta, havia opções de vinhos da região. O litro da cerveja tinha um custo geralmente em torno de $200 nos restaurantes e $150 em mercados. Vc conseguirá menú (entrada + prato principal + sobremesa) por $300 em vários locais ou então conseguirá bons pratos entre $180 e $250. - Preços: já citei os valores de hospedagem, comida e bebida, vale dizer que o transporte coletivo também parece ser econômico pelo o que li em relatos. Não posso dar muitas informações a respeito, pois o único transporte coletivo que pegamos foi de Humahuaca a Iruya a $300 (cada trecho). Digo ainda que artesanato também é muitooo barato! - Viajando de carro - estradas e combustível: de forma geral, mesmo as estradas de terra, são ótimas. Bastante atenção e velocidade reduzida, pois muitos trechos são muito sinuosos e há bastante depressões nas estradas por onde passa água de rios temporários ou de chuva. É interessante como nessa região muitos vezes não há canalizações d'água ou pontes mesmo nas estradas com ótimo asfalto. A respeito do combustível, pagamos entre $58 e $64 pelo litro de gasolina normal. Não há muita variação de preço entre as cidades. No total, gastamos $7.600 (pouco mais de R$400), incluindo a viagem até Córdoba. Por últimos, há muitas blitz. Sendo assim, esteja com todos os documentos, inclusive o seguro do automóvel a mãos. Fomos parados apenas em uma por sorte. ROTEIRO DIA 1) SAN PEDRO DE ATACAMA - SAN SALVADOR DE JUJUY (JUJUY) Ao chegar na rodoviária às 16h30 aproximadamente e fomos muito bem recebidos por um dos funcionários da Alma Rent Car, onde alugamos um carro para percorrer uma boa parte do noroeste da Argentina. Depois de nos receber, fomos até o escritório da locadora e em seguida à uma casa de câmbio para trocar nosso dinheiro (detalhes sobre câmbio em tópico acima). Posteriormente, fomos até o Hostel Malala, onde relaxamos um pouquinho, tomamos um banho e depois saímos caminhando até a a Plaza Belgrano, onde estão a catedral, a Casa de Gobierno e outras atrações. Como já era noite, estava tudo fechado, mas deve ser um ponto interessante para se visitar durante o dia. Durante a caminhada, é interessante ver como os argentino são noturnos. Sério! Parece que a galera economiza bateria durante o dia para gastar depois das 19h, 20h. 🤣 Depois tivemos um jantar maravilhoso no restaurante Viracocha, recomendado pelo funcionário da locadora de carro. Comemos milanesa de quinua (que trem bom!) e milanesa de quesillo (tbm bem gostoso), um arroz especial delicioso e chuño (batata desidratada, super sem graça). De quebra ainda tomamos uma garrafa do gostoso vinho Alamos por $400. Por acaso, depois descobrimos que o restaurante é o n° 1 do TripAdvisor da cidade (e ainda assim bastante barato). DIA 2) MAIMARA - TILCARA - HUMAHUACA Saímos cedo rumo ao norte com primeiro destino em Maimara (a 75 km de distância de Jujuy). Ao longo do caminho, vamos margeando o RIo Grande e montanhas coloridas que podemos apreciar a partir de mirantes estrategicamente posicionados no acostamento. Maimara é uma cidade bem simples, sem muito para conhecer. Seu maior atrativo para mim, foi o seu cemitério (sim, sou o gótico (nem sou!) que se amarra em cemitérios! 🤪👻). Depois seguimos até a cidadezinha de Tilcara a 7 km de distância. Esta já tem bastante infraestrutura turística, com muitos hostels e restaurantes interessantes. Visitamos o Pucará de Tilcara - comunidade pré-hispânica reconstruída parcialmente por arqueólogos - que teve a sua construção iniciada no séc XVIII e alcançou maior esplendor com a ocupação inca no séc. XV. Bastante interessante, mas achamos a entrada de 350 pesos (cerca de 20 reais) um pouco cara. Por fim, chegamos a Humahuaca (a 45 km de distância de Tilcara). Cidadezinha super agradável, com uma praça central bonita, onde ficam muitos vendedores de artesanato. O seu maior atrativo é o Cerro Hornocal ou Serranias de 14 colores (na verdade fica a alguns km de distância) . Antes ir à Serrania, demos uma volta pela cidade e almoçamos Café e Restaurante Las Glorias. Comemos um menú de $300 que incluía um estofado de llama. Basicamente é uma sopa com carne de lhama e batatas. Não vi muita diferença entre a carne de lhama e a carne de vaca. Tudo bem que não sou a melhor pessoa para degustar carne, mas o Sávio também considerou o mesmo. Ah, e vale dizer que enquanto almoçávamos, fomos agraciados pela apresentação de um cantora e violonista chilena maravilhosa. Depois do almoço, seguimos até a Serranía de Hornocal ou Cerro de 14 Colores está situado a 4760 m de altura, a 25 km da cidade de Humahuaca. O caminho é feito em estrada de chão (no linguajar brasiliense ou de terra, se preferir). Na cidade fazem um terror danado com a qualidade da estrada e oferecem transporte de 4x4 para chegar ao local por 2 mil pesos (um absurdo!). Se estiver na cidade em um carro pequeno, não hesite em ir até o local. A estrada na verdade é bem tranquila, apesar de ser muito sinuosa. Apesar do nome alternativo de Cerro de 14 Colores, muitas fontes dizem que na verdade são 24 cores, enquanto outras dizem que são 33 tonalidades. Eu tentei contar e vou falar que não consegui definir quantas cores são. Isso vai mais da sua interpretação pessoal. hehehe As diferentes cores são resultado de processo de diferentes processos de intemperismo sobre rochas que têm desde 110 milhões a 40 milhões de anos. Há uma entrada de 80 pesos e vale a pena fazer o caminho do mirador até mais perto da serra. Desses lugares que nenhuma foto consegue captar a real beleza. Depois desse rolê, voltamos para Humahuaca e fomos procurar hospedagem. Decidimos ficar no Hostel Humahuaca (detalhes ao final do relato). Depois de relaxar um pouco no hostel, saímos para jantar no La Puerta Verde. Menú também a $300 com muitaaa comida. Comemos umas humitas (a pamonha dos nossos vizinhos) e uma tortilla de papas andinas. Ambos estavam razoáveis, nada de mais. E vale dizer também que mais uma vez tivemos música ao vivo no restaurante. Aqui no caso era um grupo, com alguns bolivianos, que tocava música regional e cantou chacarera e fez o povo dançar. DIA 3) IRUYA Dia de conhecer a cidadezinha de Iruya, situada na Serra de Santa Victoria, a 75 km da cidade de Humahuaca. Há saídas de ônibus diariamente às 8h20, 9h e 10h30, com último retorno garantido às 15h15. O preço de cada trecho é de $300 pesos (cerca de 18 reais) e a viagem dura quase 3h. Iruya teve sua construção iniciada em 1751 e há indícios de que os primeiros habitantes eram descendentes dos incas. A cidadezinha é bem pitoresca e pode ser toda percorrida rapidamente. Primeiro fomos até o cemitério e ao mirante na parte superior. Depois descemos até uma pracinha na parte inferior, onde almoçamos no restaurante Cachis. Eu comi uma tortilla de quinua com papas andinas (espécie de suflê com esses ingredientes), que estava gostosa e caprichada ($230). Retornamos no último ônibus. Antes de ir pro hostel, compramos umas deliciosas (muito...demais mesmo!) tortillas rellena perto do mercado municipal. Essa tortilla é bem diferente da tortilla citada em Iruya, parece mais um calzone. É uma das coisas mais gostosas que comi durante toda a viagem e é encontrada também em Purmamarca e Salinas Grandes. Não achei mais dela na parte mais ao sul da nossa rota. DIA 4) PURMAMARCA - CUESTA DEL LÍPAN (ruta 52) - SALINAS GRANDES - RUTA 40 (Tres Morros e El Mojón) - SAN ANTONIO DE LOS COBRES Saímos de Humahuaca con direção a Purmamarca, uma cidadezinha fotogênica com uma história centenária, tendo assentamentos humanos desde antes da chegada dos espanhóis. Na cidade destacam-se as suas casas de adobe, o centrinho com muitos vendedores de artesanato, uma igrejinha que data de 1648 e o principal: o Cerro de Los Siete Colores como "tela de fundo". Vale super a pena pagar 20 pesos para subir no mirante do Cerro de Los Siete Colores e também recomendo demais fazer uma caminhada pelo Paseo de los Colorados, uma rota circular de cerca de 3 km, que passa por trás do Cerro. Depois da nossa volta pela cidade, pegamos a Cuesta del Lipán ou ruta 52: uma estrada bastante sinuosa e bastante inclinada, de pouco mais de 60 km, com belíssimas vistas. Ao longo do caminho, paramos em acostamento para tirar fotos, No local estava um ciclista parado e para nossa surpresa era um brasileiro, o Vieira, que estava fazendo a subida sinistra com o seu amigo Felipe (galera cascuda da porra!). Eles estavam com um projeto massa de pedalar do Atlântico (mais especificamente de Paranaguá) até o Pacífico (Antofagasta), promovendo a doação de medula óssea (dá para encontrar eles no Instagram: @pedalando_para_vida). Depois de trocar umas ideias com os ciclistas brasileiros, seguimos pela ruta 52 com destino às Salinas Grandes. Localizada a cerca de 3400 m de altitude, na província de Jujuy, as Salinas Grandes ocupam uma superfície de 212 km². Muitos sites a colocam como a segunda maior salina do mundo, mas essa informação é errada já que depois de Uyuni, outras duas (pelos menos) são maiores: a do Atacama e a de Arizaro (mais a frente falarei sobre esta 😆). As salinas possuem acesso super fácil, pois a Ruta 52 atravessa o salar, tendo alguns pontos para se estacionar o carro e descer para curtir a paisagem. Ao pensar em salina, talvez imediatamente vc pense em mar, não é?! Porém, as Salinas Grandes não têm nenhuma relação com o mar. Elas foram formadas a partir da evaporação de água de origem vulcânica entre 5 a 10 milhões de anos atrás. Depois de conhecer as Salinas, seguimos rumo a San Antonio de los Cobres. Aqui vale contar uma história: quando pegamos o carro, a galera da locadora nos disse para não pegar a ruta 40 para ir até San Antonio de los Cobres porque estava em péssimas condições. Olhamos no Maps e vimos que essa ruta era afastada da estrada que pretendíamos pegar, a qual não tinha indicação de nome no app, e assim ficamos tranquilos. Pegamos essa estrada de terra e depois de dirigir um bocado, avistamos uma placa: ruta 40. Lasqueira! Pegamos outro braço dessa ruta danada. hahaha 😂 Realmente a estrada tinha muita costela de vaca e alguns trechos de travessia de rio, mas de boa para quem já teve um Celtinha "off-road", que enfiava em todas trilhas e que foi meu veículo de campos de pesquisas no Cerrado por um bom tempo. 😆 Na verdade, a estrada talvez só não seja viável para carro pequeno em situações de muita chuva quando os rios enchem. No final, valeu a pena demais pegar essa rodovia. Muitas paisagens bonitas, umas ruínas massa em um cenário meio Mad Max, incluindo um fundo com salar e montanhas, e ainda dois povoadinhos super pitorescos: Tres Morros e El Mojón. Este último é meio que um projeto de povoado modelo, com restaurante, museu, igreja e hospedagem. Infelizmente não havia ninguém no local e como as informações na internet são escassas e defasadas, não sabemos dizer a quantas anda o projeto. Por fim, chegamos em San Antonio de los Cobres, uma cidade a 3775 m de altura, baseada principalmente na atividade de mineração e que tem buscado desenvolver o turismo no entorno, no qual se destacam o Viaducto La Polvorilla, o passeio pelo Trem de las Nubes e para Tolar Grande e Cono de Arita (cenas dos próximos capítulos 😆). DIA 5) TOUR TOLAR GRANDE + CONO DE ARITA Segurem-se, que lá vem o tour que talvez seja o mais incrível que já fiz (no mesmo patamar do tour de 3 dias de Uyuni)! Fizemos o tour a Tolar Grande e Cono de Arita partindo de San Antonio de los Cobres com o motorista Jorge Olmos (+54 387 519 9112), uma pessoa super tranquila e atenciosa, que nos cobrou barato pelo passeio ($15 mil no total...daria para colocar mais uma pessoa no veículo para dividir e ainda fazer o passeio com qualidade). O tour é super cansativo. Durou um total de mais de 13 horas dentro de uma Duster para percorrer pouco mais de 500 km. Mas vou te falar que o cansaço foi muito bem recompensado. Cada paisagem que cê tá doido!!! Passamos por montanhas incríveis, ruínas de casas abandonadas, salares de Pocitos e Arizaro, pelas Coloradas e Deserto del Diablo, por olhos de água salina (Ojos del Mar), pela cidadezinha de Tolar Grande e por último pelo incrível Cono de Arita (uma pirâmide natural no meio do Salar de Arizaro). Seguem as principais atrações: Salar de Pocitos O primeiro salar do roteiro. Há poucas informações sobre ele na internet (para não dizer nenhuma boa 🤣). Há uma pequena vila na beirada do salar e há bastante extração de sal no local. Há ainda um trilho de trem de carga que o corta. Las Coloradas e Desierto del Diablo A primeira é um conjunto de formações de rochas metamórficas sedimentares constantemente erodidas pelo vento e por chuvas de verão. Simplesmente incrível! 😍 Já o Desierto del Diablo (está situado a 3700 m de altura e é rodeado por montanhas majestuosas da Serranía de Macón, que degelam e formam pequenos cursos d'água que chegam até o deserto. MAH04445.MP4 Tolar Grande Atualmente a cidade tem mais de 200 habitantes, mas no passado, no auge da atividade ferroviária devido à mineração nos arredores, chegou a ter cerca de 5 mil habitantes. Ojos del Mar Os Ojos del Mar são um conjunto de três pequenas lagoas, situadas pertinho de Tolar Grande, que afloram a partir de um lençol freático bem profundo. Abrigam estromatólitos - rochas fósseis formadas pela atividade de microorganismos - e possuem coloração que variam de azul a verde esmeralda dependendo da luz. Cono de Arita Este com certeza é um dos lugares mais incríveis que já vi em toda a minha vida! 😍 O Cono de Arita se situa a pouco mais de 80 km da cidade de Tolar Grande. É uma formação piramidal com quase 200 m de altura, praticamente perfeita, que está situada no meio do Salar de Arizaro, o terceiro maior do mundo, após o Salar de Uyuni e de San Pedro. Segundo alguns estudos geológicos, o Cono é um vulcão que já chegou a entrar em atividade. Nas suas proximidades foram encontrados alguns artefatos que indicam que o local era usado em cerimônias por povos pré-incas e assim poderia ser considerado um local sagrado para estes. E para não dizer que tudo são flores, que há contratempos que aumentam a aventura (ou te tiram um tampão hahaha), segue algumas fotinhas de perrengues ao longo do caminho. Fiquei com muita pena do motorista que tava no caminhão da terceira foto. Imagina o esporro que levou! E o pior não faço ideia como ele aprontou essa arte. 😂😂 DIA 6) VIADUCTO POLVORILLA (San Antonio de los Cobres) - SALTA Acordamos cedo e fomos conhecer o Viaducto Polvorilla. É um dos maiores viadutos de trem do mundo com 63 m de altura e 223 m de comprimento. É o viaduto mais icônico por onde passa o Trem de las Nubes, um trem turístico que passa por diversos lugares muito bonitos. . Depois seguimos pela belíssima ruta 51 até Salta. Ao longo do caminho, montanhas nevadas e belas paisagens, como a da Quebrada del Toro, e ainda o importante sítio arqueológico de Santa Rosa de Tastil, que acabou nos passando batido. 🤦‍♂️ As estradas que percorremos durante a viagem às vezes eram mais atrativas do que os próprios destinos. Depois de cerca de 3h de belas paisagens na estrada, chegamos a Salta, a capital da província de mesmo nome, fundada em 1582. O nosso maior objetivo na cidade era visitar os Museus de Antropologia e de Arqueologia de Alta Montanha, o qual tem as famosas múmias de Llullailaco. Porém chegamos na cidade na segunda, o dia oficial dos museus fechados em várias cidades do mundo. 😂 Bola para frente. Fomos curtir a cidade que tem belas igrejas, como a grande Catedral e as coloridas Iglesia de la Candelaria e Iglesia San Francisco; uma charmosa e movimentada praça central; e ainda um teleférico que vai até o alto do cerro San Bernardo, de onde se tem uma vista privilegiada da cidade. Nós subimos nele e depois descemos a pé. Depois do rolê pela cidade, ao fim da tarde paramos no Café Van Gogh para almoçar (sim, almoço oficial (ou já seria janta?!) às 17h30 🤣). Comemos um menú por $380 com um crepe de verduras de entrada, filé de merluza de prato principal e ainda um crepe de banana com doce de leite. Tudo muito gostoso! DIA 7) SALTA - CACHI - ANGASTACO - CAFAYATE Dia de um rolezão enorme! Não tanto pela distância percorrida (320 km), mas pelas estradas de chão muito sinuosas e pelas paradas que fizemos em lugares muito lindos. Saímos de Salta, pegando a ruta 33. Depois de alguns quilômetros, passamos pelo Parque Nacional Los Cardones (espécies de cactus). De acordo com as fotos que vimos, o Parque tem vistas de paisagens incríveis. Porém, para o nosso azar pegamos muita neblina neste trecho do Parque, que muitas serras e curvas, e assim pouco conseguimos ver da paisagem. Depois de passarmos por esse trecho nublado, chegamos à bela Recta del Tin Tin, uma retona ladeada por muitos cactus e morros bonitos, onde paramos para tirar umas fotos e apreciar os cardones. Depois seguimos com destino à Cachi: uma cidadezinha branca linda, super agradável, com várias opções de restaurantes. Curtimos demais essa cidade! 😍 Depois de um bom rolê pela cidade, compramos umas empanadas baratas em uma casinha em um rua subindo logo após a praça principal (a de frango estava bem gostosa...a de carne vermelha, o Sávio não curtiu) e seguimos rumo a Angastaco, uma cidadezinha minúscula, super agradável, em que eu poderia facilmente me hospedar por um dia para descansar. Ao longo do caminho até essa cidade, muitas casas de adobe com tetos de barro, que escorrem pelas paredes formando um visual de filme de terror e diversas paisagens lindas, mas o mais incrível de todo esse caminho viria logo após: a belíssima Quebrada de Las Flechas. Paramos em todos os mirantes desse trecho e curtimos uma paisagem mais bonita que a outra. > Quebrada de las Flechas: Por fim, chegamos até Cafayate, uma cidade que muitas pessoas visitam para fazer visitas a vinícolas. Vou ser sincero que esperava um pouquinho mais da cidade em si. Achei bem sem graça e com um aspecto de lugar que na década de 70 e 80 era muito visitado, mas que hj em dia ficou meio defasado. Jantamos no restaurante Chikan na praça principal. Pedi um ravioli de verduras que estava bem fraco e ainda veio com um pedaço de carne cozida horrível, que não constava no cardápio. DIA 8 ) QUEBRADAS DE CAFAYATE (ruta 68) - MUSEO PACHAMAMA - CAFAYATE Começamos o dia conhecendo as quebradas e paisagens próximas da cidade de Cafayate, na ruta 68. No caminho, paramos para dar carona para um casal super gente boa de russos. Acabou que depois eles conheceram todas as quebradas com a gente. hehehe Dar carona é legal, pois é uma oportunidade de contribuir com outros viajantes e ainda conhecer um pouco mais sobre suas culturas, pegar dicas de roteiros e ainda fazer amizades. Sempre quando viajo de carro, dou caronas. Também já peguei muitas! Foi massa ver como a cultura da carona é forte nessa parte da Argentina. Quebradas basicamente são caminhos estreitos que passam entre montanhas ou desfiladeiros. Nesse trecho se destaca a belíssima Quebrada de las Conchas, o mirante de Los Castillos e Las Ventanas. Depois desse rolê pelas quebradas, seguimos no carro com destino a Belén, fazendo um pequeno desvio para conhecer a cidadezinha de Amaicha del Valle e o seu Museo Pachamama. O museu traz informações sobre a geologia da região e faz uma interpretação de como poderia ser a vida dos primeiros habitantes pré-incas da região, além de ter obras de arte do artista que o fundou, Héctor Cruz. A parte de acervo e de informações no museu é meio fraquinha. O que chama atenção mesmo é a arquitetura, as esculturas e ornamentações da área comum que recriam símbolos dos povos originários. Entrada: 200 pesos (cerca de 12 reais na cotação atual do peso). Por fim, seguimos caminho até a cidade de Belén, que seria a nossa base para o passeio ao Campo de Piedra Pómez. Essa cidade, que não é nem um pouco turística, tem três agências de viagem onde se pode contratar o passeio. Depois da contratação (falo sobre a empresa no final do tópico abaixo), jantamos no restaurante Ateneo. Era o que tinha opções mais baratas e onde consegui ver um esquema vegetariano (ovos com batatas fritas 😝). Porém não recomendo, não. Demos o mole de comer duas vezes no lugar. No segundo dia, a comida estava horrível. DIA 9) CAMPO DE PIEDRA POMEZ Segure-se que lá vem mais um passeio pedrada! Saímos rumo ao Campo de Piedra Pomez (a cerca de 240 km de Belén) às 7h30, com o excelente guia e condutor Pierino na sua SW4 (4x4 é obrigatório para entrada no Campo). Ao longo do caminho até o Campo, passamos por formações incríveis, como Puerto Viejo (uma sequência de formações que parecem proas de barcos) e Cuesta de Randolfo (com dunas imersas em montanhas altas...muito louco!), e ainda tivemos o prazer de ver várias vicunhas, inclusive algumas cruzando a estrada. VID_20200220_092737.mp4 O Campo de Piedra Pomez (a cerca de 240 km de Belén) é uma área natural protegida de pouco mais de 75 mil hectares na província de Catamarca. É uma paisagem surreal formada por rochas originárias de eventos vulcânicos (especialmente no Vulcão Blanco) que inundaram a área de magma entre 20 milhões e 10 mil anos atrás. Posteriormente, essas rochas foram esculpidas pelo vento, dando origem a diferentes formas e relevos. Lugar único, incrível!!! Depois de conhecer o Campo, voltamos até a vila de El Peñon, praticamente na base do Campo, e almoçamos no restaurante Comedor La Pomez. Na verdade o restaurante é a casa de um morador da cidade, sendo a comida servida na sua sala. Comi uma tortilla de batata e o Sávio uma carne vermelha. Gostamos bastante da comida! Depois do almoço, já no nosso retorno a Belén, demos uma passadinha na Laguna Blanca. Situada na Reserva de Biosfera de mesmo nome infelizmente estava com pouca água e bastante turva. Segundo o Pierino, de uns anos para cá anda geralmente muito seca, mesmo em períodos de chuva. No local vimos alguns flamingos e vicunhas 😍. No total, o passeio durou 10h30. Fizemos com a empresa Fanayfil por 12 mil pesos (carro para até 4 pessoas, cerca de R$400...facada!). As outras empresas estavam negociando pelo mesmo preço. Há ainda a opção de partir de El Peñón, cidadezinha praticamente na base do Campo (assim deve sair mais em conta...seguem alguns contatos abaixo caso queiram verificar). DIA 10) EL SHINCAL - PARQUE NACIONAL DE TALAMPAYA Saímos de Belén com primeiro destino nas Ruínas de El Shincal e segundo no Parque Nacional de Talampaya. El Shincal, fica a pouco mais de 20 km de Belén, e é o principal sítio arqueológicos dos incas na Argentina. Infelizmente encontramos informações de horário de funcionamento conflitantes na internet e ainda erramos o caminho (não siga o Google Earth; vá pelas placas). Assim, perdemos um dos horários de saída da visita guiada obrigatória e não podíamos aguardar a saída do próximo grupo pq depois a gente poderia perder o passeio em Talampaya. Segue abaixo os horários desde o ano passado para não ter contratempos: Depois de cerca de 4h30 de viagem e pouco mais de 300 km percorridos (mais uma vez com alguns trechos incríveis), avistamos serras altas dos dois lados da estrada em uma região árida e com vegetação composta por arbustos e algumas árvores esparsas, características da ecorregião de Monte de Sierras y Bolsones. Chegamos a um dos patrimônios naturais da humanidade declarados pela UNESCO: o Parque Nacional de Talampaya (declarado em conjunto com o seu vizinho, o Parque Provincial Ischigualasto...ambos considerados uma mesma unidade geográfica). O parque possui cânions e formações geológicas incríveis e abriga cerca de 190 espécies de vertebrados, entre eles guanacos, o condor, serpentes e nandu. No passado, abrigou dinossauros répteis e protomamiferos do Triassico (precursores dos dinossauros dos grandes dinossauros do Jurássico), que podem ser estudados e reconstituídos a partir de fósseis bem conservados encontrados na região (vou falar pouco mais sobre isso no post seguinte sobre o parque vizinho Ischigualasto). 🚩 Passeios: são feitos com empresas concessionárias ou com permissionários da comunidade local. Optamos por fazer um dos mais famosos: o do Cañón de Talampaya ($1490 + $400 de entrada, cerca de R$120...verifique no site oficial do Parque os horários dos passeios). O passeio é feito em um microônibus 4x4, com acompanhamento de guia e tem uma duração de 2h30, com saídas em diferentes horários ao longo do dia. O ônibus sai da entrada do parque e depois de percorrer alguns quilômetros - em parte pelo leito de um rio seco, que se enche apenas temporariamente com enxurradas nos meses dezembro e janeiro -, chega ao primeiro ponto de parada: um sítio com petrogriflos, alguns com cerca de 2500 anos, que trazem representações de animais, pessoas e figuras geométricas. 🖖 Depois percorremos mais uns quilômetros no ônibus e adentramos no incrível Cañón de Talampaya, o ponto alto do parque. Um cânion com paredes serpenteantes e em algumas partes tão retas na sua projeção ao céu, que parecem que foram cortadas por uma grande faca. Maravilhoso! Depois de ouvir explicações do guia, tirar fotos, gritar e escutar o eco, apreciar os loros (papagaios) que fazem festa nas árvores e ainda tomar uns vinhos locais oferecidos pelo guia🥂, seguimos até a formação Catedral Gótica. Bem massa! Por fim, seguimos até a última parada para contemplar a formação o Monge, que fica em uma parte mais aberta do parque, com outras formações geológicas bem interessantes. Que passeio incrível! Sim, é caro, mas vale super a pena. Depois seguimos até a cidadezinha de Baldecitos, uma cidade minúscula com apenas duas ou três opções de hospedagens, onde nos hospedamos em uma hospedagem familiar logo na entrada da cidade, onde há também o Armazém e Restaurante Alba. À noite, jantamos nesse restaurante. Eu comi um macarrão improvisado feito na manteiga e com ovos (não foi uma boa invenção, mas como tava com fome, foi de boa 🤣). p.s : Se tiver mais tempo na região pode valer a pela fazer outros passeios no Parque Talampaya, como o do Cañón Arco Íris e o da Ciudad Perdida. DIA 11) PARQUE PROVINCIAL ISCHIGUALASTO Depois de conhecer o Parque de Talampaya, foi a vez o conhecer o seu vizinho, o igualmente fantástico Parque Provincial Ischigualasto. Famoso mundialmente por ser o local onde foram encontrados 5 das 7 espécies de dinossauros conhecidos mais antigos do mundo, datados do período Triassico (250 a 201 mi anos) entre elas ancestrais dos mamíferos, de crocodilos e dos dinossauros do Jurássico. Ischigualasto é o único lugar do mundo com uma sequência de rochas continentais triassicas completa e contínua, que permite estudar uma das transições de fauna mais importantes da história. O passeio no parque é feito em veículo particular próprio, que deve seguir um comboio em que um guia, funcionário do parque, segue no primeiro veículo. O passeio tem 3h de duração e o custo/ pessoa é de $600 (aprox. 35 reais). As saídas acontecem a cada hora, iniciando às 9h. São cinco pontos de paradas no passeio. O 1º no Valle Pintado, onde é possível ver as três formações do parque com suas características e cores próprias: Coloradas, Los Rastros e Ischigualasto. 2º: Cancha de Bochas: um local com pedras ovaladas, algumas lembram bolas de bocha. Ainda não há uma explicação definida para a origem e processo de formação, mas supõe-se que são provêm de blocos esféricos de rochas arsênicas, que depois foram englobadas por detritos e com o tempo, reveladas pela ação do vento. 3º: um pequeno museu de estrutura metálica, onde se encontra no seu centro fósseis de três espécies ainda presas ao solo. 4º e 5º: duas formações interessantes: Submarino e El Hongo. Curiosidade: o Submarino há 4 anos tinha dois telescópios, mas um foi derrubado por fortes ventos. Isso mostra como o parque está em constante evolução e como o que vemos hoje pode não ser o mesmo do que existirá no futuro. Por fim, voltamos, margeando as belas Coloradas, à entrada do parque, onde visitamos o ótimo museu (não perca!). Depois de conhecer o parque, seguimos até Córdoba, onde ficamos dois dias e entregamos o carro. Como fomos em época de Carnaval, com muitas coisas fechadas, e como a cidade é grande e com várias dicas na internet, prefiro encerrar por aqui o relato dessa viagem incrível! Espero que tenham curtido! >Veja abaixo os meus top 10 e as informações de hospedagens< TOP 10 DA VIAGEM 1 - Cono de Arita (tour de Tolar Grande) 2 - Campo de Piedra Pomez 3 - Coloradas e Desierto del Diablo (tour de Tolar Grande) 4 - Serranía del Hornocal (Humahuaca) 5 - Parque Nacional de Talampaya 6 - Parque Provincial Ischigualasto 7 - Quebrada de las Flechas (Angastaco) 8 - Ojos del Mar (tour de Tolar Grande) 9 - Quebradas de Cafayate 10 - Purmamarca HOSPEDAGENS - San Salvador de Jujuy: Malala Jujuy Hostel - bom. Hostel barato em uma casa antiga com bom ambiente, cama confortável, bom café da manhã (com pães gostosos e frutas) e atendentes atenciosos. O único problema para mim foi o banheiro externo com área de chuveiro muito apertada. A cortina ficava grudando no corpo. $350, quarto para 6 pessoas - Humahuaca: Humahuaca Hostal - satisfatório. Super econômico, com quartos não muito espaçosos no caso de quarto para seis, cama confortável, café simples (pães e geleia), ótima área de convivência (se não estiver chovendo) e banheiro limpo, mas um pouco meio sem privacidade. $300, quarto para 6 pessoas. - San Antonio de los Cobres: Hosteria La Esperanza - satisfatório. Quarto privativo com cama confortável, banheiro privado, boa localização e café simples (pães, geleia, manteiga e doce de leite). $1200 para os dois, quarto para duas pessoas. - Salta: Hostal Namasté - bom. Quarto privativo com cama confortável, excelente atendimento, ótima limpeza. Não tem café da manhã. Um pouquinho distante do centro. $1000 para os dois, quarto para duas pessoas. - Cafayate: Hostel Esperanto - Fraquinho. Café da manhã simples (pães, geleia e doce de leite), quarto muito quente e com cama estreita, cozinha meio desorganizada. $350, quarto para oito pessoas. - Belén: Hostel Bazetta - muito bom. É uma casa que foi transformada em hostel com três quartos com duas camas cada. Há boa cozinha, banheiro bom e tanque na área externa para lavar roupas. Sem café da manhã. $440 por pessoa pelo quarto duplo. - Baldecitos: infelizmente perdemos o nome da hospedagem, mas é uma familiar que fica logo na entrada da cidade, próximo de um armazém/restaurante. Achamos muito bom! Super limpa e confortável! Sem café da manhã. $1000 para os dois, quarto para duas pessoas.
  15. 11 pontos
    Antes de começar este relato gostaria de agradecer IMENSAMENTE ao ilustre @rodrigovix, um dos grandes responsáveis por tudo isso ter acontecido. Para quem não conhece acho difícil estar procurando estes relatos e não o conhecer, ele é um dos responsáveis por escrever um dos relatos mais lidos (se não o mais) aqui do Mochileiros. - Man, muito obrigado por me inspirar e me estimular a seguir o mesmo caminho para realizar a experiência mais foda que eu já realizei na vida até o momento. Cerca de 90% desta viagem foi baseada em seu roteiro e seguida A RODO, cada mínimo detalhe. Mas ok, agora vamos ao que interessa! Ajeita essa coluna na cadeira, pegue aquela pipoquinha, coloca a coca no copo e se senta que lá vem MUITA história! 😆 Tudo começou no início de 2016. Eu e meu amigo David (que por sinal será muito citado neste relato... grandes emoções nessa viagem ein, mano? HAHAH aguardem!) formulávamos o projeto da mochilar pela américa do sul. Após todo o processo de coleta de dados, ler 73 relatos e mudar de ideia 14x (vai pensando que planejar viagem é de boa, fiu) decidimos o que seria uma das melhores escolhas de nossas vidas: MOCHILAR pela BOLÍVIA, CHILE e o PERU por exatos: 21 dias. Loucura para alguns? Talvez. Mas era a loucura que a gente sonhou, planejou e imaginou por 1 ano. E ela finalmente iria acontecer. Créditos da foto ao Rodrigovix 04/01 – Vitória X São Paulo X Santa Cruz de la Sierra X Sucre X Uyuni 05/01 - Uyuni - Salar de Uyuni 06/01 - Salar de Uyuni 07/01 - Salar de Uyuni X San Pedro de Atacama 08/01 - San Pedro de Atacama 09/01 - San Pedro de Atacama X Arica 10/01 - Arica X Tacna X Arequipa 11/01 – Cañon Del Colca X Arequipa X Ica 12/01 – Huacachina 13/01 – Islas Ballestas + Paracas X Huacachina X Cusco 14/01 - Cusco 15/01 - Cusco – Valle Sagrado dos Incas 16/01 - Cusco X Águas Calientes 17/01 - Machu Picchu 18/01 - Águas Calientes X Cusco X Puno 19/01 – Puno (Uros) X Copacabana 20/01 – Copacabana x Isla Del Sol 21/01 – Isla Del Sol X Copacabana X La Paz 22/01 - La Paz - Downhill 23/01 - La Paz - Chacaltaya + Valle de la Luna 24/01 – Laz Paz – City tour 25/01 – La Paz – Tiwanaku 26/01 – La Paz X Santa Cruz de la Sierra X São Paulo X Rio de Janeiro A priori iríamos eu e o David. Mas faltando apenas 1 mês para o início meu primo João Paulo resolveu de última hora (DO NADA) comprar a passagem e embarcar nessa maluquice junto com a gente. Irei dividir este relato em várias partes. Procurarei descrever cada detalhe, mostrar as fotos de cada local e de cada situação e tentar passar um pouco para vocês de uma experiência totalmente ÚNICA. Entretanto, faz 4 anos que fiz essa viagem e não lembro exatamente dos valores de cada coisa (eu não anotei nada 😐), somente do valor total que gastei, então infelizmente isso não será um diferencial aqui neste relato, beleza? Mas vou me esforçar para lembrar os mais importantes ao longo da escrita. Não se incomode caso esse relato se assemelhe em váááários pontos com o do RodrigoVix. Vou pegar a estética do dele pois está muito foda, porém vou trazer a MINHA experiência o que foi totalmente diferente em vários pontos, fechou? Bom, seguindo o protocolo você deve estar se perguntando: Mas Luquinhas, primeiramente o que eu preciso para fazer um mochilão pela América do Sul? 🤔 A PRIMEIRA COISA QUE TODO MUNDO ME PERGUNTA E SEMPRE QUER SABER e foi a primeira coisa que eu quis saber antes de fazer o meu também rs você precisa: coragem para se desafiar e se conhecer, vontade de sair de uma bolha que as vezes nem imagina que vive e claro... a bendita grana! Tentamos fazer a melhor viagem, da forma mais econômica (dentro das nossas formas de curtir uma viagem) e foda possível. E o resultado: levamos 1200 dólares e ainda voltamos com 100 no bolso, GRUVA. TUDO. Mais uma vez, eu disse TUUUUUDO, desde um pão de queijo na rodoviária, a bota comprada na internet, tudo tudo tudo, saiu por aproximadamente 7.000 reais. Fruto de pessoas que sabem pechinchar e não ligavam pra comer bem e dormir em hotel HAHAHA Nossa grana era pra aproveitar a maior quantidade de passeios possível. Bom, mas além disso, aqui vai uma relação do que eu levei, anote aí! Com antecedência: - PASSAGEM BRASIL (São Paulo) X SANTA CRUZ | SANTA CRUZ X BRASIL - PASSAGEM AMASZONAS DE SANTA CRUZ X SUCRE - SEGURO VIAGEM - (Escolhi a MONDIAL TRAVEL) - INGRESSO PARA MACHU PICHU: Muitas pessoas falam que precisa comprar com antecedência. Isso porque o limite máximo de pessoas (por dia) em MP é de 2500 e, em períodos de alta estação esse número pode se esgotar rapidamente. Mas sinceramente eu acho muito difícil... relaxe, você vai conseguir comprar de boa. Chegamos em Cusco e na mesma hora já compramos para o dia seguinte, foi muito tranquilo. Antecedência Opcional: - RESERVA DO PASSEIO DO SALAR DE UYUNI COM A ESMERALDA TOURS: Aqui eu acho que vale a pena, apesar de ser muito tranquilo lá na hora, mas foi legal ver que tinha uma pessoa perguntando por meu nome na praça de Uyuni, me senti aqueles caras famosos chegando no aeroporto e um chofer esperando HAHAHAH. Mandamos um email uns 2 meses antes e fechamos por 850 bolivianos, preço média por lá mesmo. O que tinha dentro do meu mochilão: 7 camisetas 3 bermudas 8 cuecas 1 toca 1 par de luvas 1 toalha microfibra (secagem rápida) 1 Money Belt (doleira) 1 relógio 1 sabonete 1 shampoo médio 1 protetor solar grande 1 protetor labial 1 repelente 1 cadeado 1 escova de dentes 1 creme dental 1 barbeador elétrico 1 desodorante aerossol 1 perfume 1 cortador de unhas 1 bepantol creme 1 par de óculos de sol 1 celular 1 carregador 1 par de fones de ouvido 1 caneta 1 bloco de anotações 1 capa de chuva 1 pasta plástica para documentos 1 carteira com Identidade e Cartão de Crédito Internacional 1 mochilão + toalha de secagem rápida sdds minha toalha que perdi em um hostel em San Pedro do Atacama 😢 (comprei no site da Decathlon por R$352,00: os dois) 1 bota de Treking (comprei uma bem basicona na Centauro em um promoção por R$92,00... não recomendo porque estragou muito rápido, melhor investir e comprar uma melhor que dure bem mais!) NA PASTA DE DOCUMENTOS: · Cartões de embarque · Cartão internacional de vacina para Febre Amarela (ANVISA): dizem ser obrigatório, mas nunca pede pra ninguém. PORÉM FAÇA, custa nada! · Certificado do Seguro Viagem · Todos, eu disse TODOS os papéis que você receber durante a viagem!!! NO MONEY BELT: 1200 Dólares (na época comprei o dólar no Brasil por uns 3,76 salvo engano, bons tempos, saudades...) 300 Reais Passaporte ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 03/01 Adiós Brasil! Estava de férias no interior de minha avó. Eu e David seguimos de ônibus para Vitória no ES. De lá pegaríamos um voo para Sampa logo cedo umas 6am, onde encontraríamos com meu primo João Paulo e seguiríamos para Santa Cruz de La Sierra na Bolívia. Foi um longo trecho... zero saudades dormir nessa cadeira tããão confortável. O nosso voo em São Paulo era as 11:30 da manhã do dia 04/01. E aí já começou a bagaceira. Era 11:00 e João Paulo (que estava vindo de Salvador) ainda não tinha chegado no aeroporto de São Paulo. Pronto! JÁ COMEÇAMOS A VIAGEM BEM, JÁ IA DAR MERDA VEI. Por sorte, faltando poucos minutos ele chegou como se nada tivesse acontecido (calmo, para variar... vocês vão ver que esse ignóbio nunca liga para nada ao longo do relato) e embarcamos para LA PUTCHARIA! Momento CÓPIA RODRIGOVIX porque estou com preguiça de escrever rs No voo para Santa Cruz, os comissários nos entregam 2 formulários. Um para a Aduana, onde você declara os bens e valores que está levando, e o outro para a imigração (cuidado com as folhas carbono atrás dos formulários, não tire uma via de cima da outra). Preencha com calma. Se errar, eles te fazem preencher tudo de novo. Mas enfim, depois de um trecho não muito longo de SP x Santa Cruz: AGORA A PARADA VAI COMEÇAR DE VERDADE! HEHEH ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 04/01 OLÁ BOLÍVIA! Dedo no cu e gritaria! E, de lei, qual a primeira coisa a fazer? Cotação! Como em qualquer lugar do mundo, evitem ao máximo cambiar em aeroportos, shoppings ou zonas muito turísticas. Optem pelas regiões centrais, sempre que possível. Mais comércio, mais concorrência, melhores preços. Mas nesse caso iríamos fazer apenas uma escala para Sucre com a Amaszonas, então... se fudemos e tivemos que cambiar no aeroporto mesmo (estava caro p/ porra, mas é o jeito). Voozinho de boas, rápido... chegamos em Sucre. Sucre (2.810 m de altitude) é a capital oficial da Bolívia, diferente de La Paz (capital administrativa). Estava um frio do caralho e tínhamos uma única missão em Sucre: cambiar 100 dólares e seguir rumo a Uyuni, de ônibus. Aqui vai uma dica: ATENÇÃO PARA NÃO VACILAR COM OS TAXISTAS FILHAS DA PUTA!! Logo quando você vai na porta uns 200 vão vindo em sua direção falando um espanhol chato pra disgraça que te deixa nervoso. Resumindo: chore aquele desconto maroto e entre no carro do que achar mais confortável, vai na fé papai. Saindo da rodoviária de Sucre: Lá nos compramos o ticket da taxa terminal (Bs.1,50), obrigatório para embarcar. Essas taxas são bem comuns nas rodoviárias desses 3 países, fiquem sempre atentos a elas. E MAAAAAAANO, que rodoviária doida da porra man. Estava a 1 dia e meio sem tomar banho. Neste momento entrei em um banheiro e lavei foi o cabelo na pia mesmo, pivete! Uma gritaria da porra... nós 3 estávamos sem entender nada, UMA BAGUNÇA generalizada. Foram poucos minutos em Sucre: suficientes para não vermos a hora de chegar em Uyuni e sair daquele lugar HAHAHAH. (Ouvi relatos que Sucre não é ruim... tenho um amigo que foi e que curtiu a cidade. Minha experiência foi breve e ruim. Só queríamos entrar no ônibus e ir pra Uyuni logo rs.) Ao entrar no Ônibus conhecemos duas alemãs que estavam viajando também para o Salar do Uyuni. Pedimos água para se entupir de Dramin e aguentar a noite de sono (já estávamos enjoados com a altitude elevada e estava difícil dormir). Por um único momento fomos encarados como que estivéssemos consumindo drogas KKKKKKK Foi uma cena engraçada. Curioso que as encontramos no Chile depois, em uma longa história (que me dá raiva só em lembrar) que irei contar em breve. ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 05/01 - Chegando em Uyuni: aquele sobre o mistério do velhinho de capuz e guarda-chuva, o Cemitério de Trens e o maior Deserto de Sal do MUNDO! Eram umas 05:30 da manhã quando o Ônibus parou em uma rua deserta, chuvosa e sombria, com uma sensação térmica de 2ºC. Juro, parecia uma cena de terror. A nossa primeira experiência na Bolívia já não tinha sido das melhores. Pegamos nossos mochilões e seguimos pelas ruas a procura de um local para tomar café e se aquecer (estava um frio do CARAAAALHO mermão). Mendigos bêbados nos abordavam pedindo dinheiro, a chuva começava a engrossar, um silêncio de terror, até que... no canto da rua um moço de capuz e um guarda-chuva nos abordou e disse que tinha um bom lugar para nos acolher. MANO: tá no inferno abraça o capeta. Seguimos o velho debaixo do guarda-chuva e depois de poucos minutos nossos olhos brilharam: O VELINHO ERA O DONO DO SNACK NONIS! 😍 Simplesmente a lanchonete que o RodrigoVix disse que era para tomar café em seu relato. A gente riu feito a porra de felicidade e já foi logo entrando para comer, tirar aquela tralha toda e descansar um pouco antes de fechar os passeios. O Snack Nonis foi uma excelente parada. Se você tiver a oportunidade de ir lá nos mande uma foto do nosso post it que deixamos na parede (se é q ainda tem lá 😆). Carregamos nossos celulares, compramos gorros na rua, cambiamos mais uns dólares e fomos ao Esmeralda Tours para acertar o passeio ao Salar. Acabamos fechando com a Esmeralda Tours mesmo. Primeiro porque o atendimento foi muito bom (quem nos atendeu foi a Eva). Segundo porque a agência tinha boas referências. E terceiro porque era o melhor preço médio que havíamos encontrado. Estava saindo por Bs.800 para quem fosse retornar para Uyuni e Bs.850 para que os fossem seguir para San Pedro de Atacama (cobra-se Bs.50 pelo transfer, isso em qualquer agência). Uma dica é: Também procure pela Andrea Tours e a Cordillera para avaliar os preços... Mas é quase tudo igual. ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ O passeio pelo Salar do Uyuni dura 3 dias. No primeiro você visista o Cemitério de Trens. Pela tarde tira as fotos pelo Salar do Uyuni e durante a noite dorme no Hotel de Sal. No 2º dia você visita mais um tanto de plano de fundo do Windows, o Árbol de Piedra, e vários vales/montanhas... Já no 3º e último dia ou você pode voltar para Uyuni ou seguir direto para San Pedro do Atacama (o que foi o nosso caso), no Chile. Seguimos em um 4x4 somente de BRASILEIROS. Isso mesmo! Éramos 3 e a empresa nos colocou com mais 3 meninas brasileiras. Era uma mãe que viajava com suas duas filhas. São 3 dias juntos, dormindo junto e compartilhando histórias de vida. Ensinando e aprendendo. Impossível não sentir a primeira emoção de mochilar: compartilhar a vida de uma maneira que você nunca imaginou, em locais surreais, em diferentes situações. PRIMEIRA PARADA: CEMITÉRIO DE TRENS! Sinceramente: nada de mais. Um local legal para tirar fotos... mas não passa de uma pasto com ferragens, resumidamente HAHAHA. Ficamos uns 20-30 minutos, tiramos uma fotos e seguimos para O LOCAL MAIS FODA. No caminho para o Salar o carro ainda para em um poços lá, mas nada de mais também... acho que é um Geiser. Mermão, eu só sei que sai um fedorzão de ovo podre do caralho. mas numa viagem dessa, parceiro, até se a parada fosse pra ver uma galinha cagando eu não tava nem aí: TÔ NA BOLÍVIA MAAAAN! 🤩 Mais uns Km e TCHARAM! O maior deserto de sal do MUUUUUNDO, porra! Confesso, foi 200x mais incrível do que eu tinha em minha cabeça. O carro dá uma parada em um restaurante no meio DO NADA onde tem 47 empresas de turismo almoçando com seus clientes, tiramos foto no marco das bandeiras, e voltamos a andar pelo enorme Salar onde faríamos paradas para ver o pôr do sol (um dos momentos mais fodas), o salar espelhado (sorte em ter visto, só ocorre em poucos meses do ano), a Isla Del Pescado e, finalmente, voltar para o hostel onde passaríamos a noite. Segue algumas fotos de cada trecho: Marco das Bandeiras e eu achando o máximo fingindo que tava amarrando uma bandeira qualquer e a foto ia sair muito legal... Aqui já foi depois do almoço. Vamos para o meio do Salar tirar vária fotos e ficamos uns 30min pra admirar aquela coisa de outro mundo. Isla Del Pescado: um vale no meio do NADA. MUITO foda e bonito pra caralho esse momento. Não tem muito o que explicar com fotos, é só sentar e olhar aqui tudo! É foda! A chance de ver o Salar levemente espelhado. Pausa para um foto ridícula, mas vale a recordação HAHAHAH Finalizamos com um pôr do sol SINISTRO que não cabe em nenhuma foto, apenas na memória. PQP, só olhar para aquela imensidão e refletir coisa pra caralho. O processo de se conhecer em um mochilão está nos mínimos detalhes. Seguimos para o nosso hostel passar a noite mais fuuuuuudida que eu já passei na vida. E foi assim que fui pego pelo MAL DA ALTITUDE, é meus amigos... torça para não ter, por que parceeeeeeeeeiro: eu quis morrer vei. Taquicardia pra caramba, falta de ar e um mal estar dos infernos. Para variar, ainda tinha um grupo de holandeses bebendo vodka na sala fazendo um barulho da porra as 3 da manhã piorando ainda aquela noite que foi uma das piores da viagem. Os primeiros perregues estavam começando a chegar, em apenas 2 dias de viagem. VAMOS Q VAMO! Nota: Sim, o deserto é TODO de SAL. O chão, as paredes, as cadeiras KKKKKKKK ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 06/01 - Salar do Uyuni 2º dia: aquele sobre lagunas e mais lagunas! [Pausa para o flashback: VOLTEI , CARAI! Depois de quase 1 ano e meio parado sem escrever isso aqui, foi necessário uma PANDEMIA e uma quarentena para eu me situar e refletir mais uma vez no quanto a vida é feita de MOMENTOS e principalmente de PESSOAS. Em meio a todo esse caos, cá estou eu visitando novamente está página e me deparando com algumas poucas pessoas que me motivaram a continuar e concluir esse relato (prometo, agora vai!).] "Sabe aqueles cenários tipo fundo de tela do Windows, que você acha que não existe, de tão bonitos? Pois é, eles existem." E com essa frase eu ininio o segundo dia de viagem. Pensei aí numa laguna mais bonita que a outra, irmão! O esquema de visita a essas lagunas é basicamente chegar, ficar uns minutos, partir pra outra, que costuma ficar a menos de uma hora de distância, ficar mais uns minutos, almoçar, partir pra outra, ficar mais uns minutos, e depois segue viagem. Neste dia do passeio além das lagunas visitamos também Él Arbol de Piedra no Deserto de Siloli. A essa altura, estamos praticamente na porta de entrada da Reserva Nacional da Fauna Andina Eduardo Avaroa. É lá que pagamos a entrada de Bs.150 (preço fixo para estrangeiros). Lá fica a Laguna Colorada, lar daqueles trilhões de flamingos. E, ali mesmo, próximo à laguna, estava o hotel em que passaríamos nossa 2ª e última noite desse passeio. Não tivemos boas experiências neste dia, dividimos o quarto com as outras 3 meninas brasileiras e praticamente todo mundo estava com o mal da altitude. Parece que cada dia um ia ficando pior que o outro, na noite anterior foi eu, neste dia foi João Paulo... Mas nada que um bom jantar a noite não melhorasse! Ganhamos um vinho de presente, abrimos, falamos da vida e aproveitamos para tomar um chá de coca para ver se ajudava a dormir bem, não funcionou muito não, mas ok. Pasta, pollo, vinho e pão: uma das refeições mais sofisticada da viagem foi essa aí! HAHAHAHAHA O famoso chá de coca que não bate porra nenhuma (pelo menos em mim). ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 07/01 Salar do Uyuni 3º dia e SPA 1º dia: sobre acordar cheirando ovo podre em um país e terminar admirando o infinito em outro Levantamos muito cedo, ainda era escuro. O primeiro ponto de parada foram os Geisers que nada mais é do que uma [WIKIPEDIA ALERT] nascente termal que entra em erupção periodicamente, lançando uma coluna de água quente e vapor de ar com cheio de ovo podre, sim, ovo podre! Ficamos pouco tempo, tiramos umas fotos e logo fomos para as Aguas Termales, o que mais aguardávamos. Apesar de estar um friiiiio da porra e ter sido muito difícil para entrar não sabíamos que o pior estava por vir: o mais difícil era sair. Geisers del Tatio - Sol de la Mañana Aguas Termales Ps.: Minha recomendação é: ENTRE, GRANDÃO, SEM MEDO DE NADA! Não pense muito antes de entrar senão você desiste, sério. E posso te garantir, com 100% de certeza, que é uma experiência foda e você não vai querer mais sair de dentro. As outras meninas que estavam com a gente no carro não quiseram entrar, respeito, mas acredito que em oportunidades como essas só vivemos uma única vez, então se joga! Bom, saímos das Aguas Termales e seguimos em direção à fronteira. No caminho paramos para tirar uma foto com nosso guia (Ausguto) que foi muito brother e com certeza marcou esse início da viagem. Eu (em pé lá), João, David e Augusto (de vermelho, nosso guia). E o que acontece nessa fronteira? Então, você chega, tem uma filinha de pessoas que precisam passar por uma rápida vistoria. Basicamente você mostra seu passaporte, paga uma propina de Bs. 15 (não sabemos o porque disso, mas ele cobram) e estámos liberados para entrar no Bus e ir para o Chile. Fila para passar pela revista na fronteira Bolívia-Chile. CHI CHI CHI, LE LE LE! Meu amiiigo, logo nos primeiros passos já percebemos a diferença na organização do Chile. Estradas com um bom asfalto, toda sinalizada (talvez à "propina" seja para isso, não sei) e bem mais arrumada que a Bolívia. - Rapaz, o dia está apenas na METADE. Pense em um dos melhores dia de minha vida? Esse foi esse que você está lendo eu relatar aqui agora. Você não sabe o que estar por vir. Certo, voltando. Chegamos em San Pedro do Atacama por volta de 11h da manhã. A gente só sabia que tinha que achar logo um hostel para tomar um banho, deixar os mochilões, cambiar e aproveitar para ainda conseguir fazer mais um passei naquele dia. Passamos pela vistoria que tem no momento que chegamos na cidade e tínhamos a possibilidade de pegar um táxi ou ir andando para o centro. Você acha que 3 mochileiros vão escolher o que? Seguimos andando em direção ao centro da cidade (não era tão longe assim). Aqui a gente tinha um plano. Pensávamos em seguir para o Hostel de uma tal de Dona Maria que já tínhamos visto na internet e visto boas recomendações. A questão é que a gente não sabia que essa dona Maria era uma FILHA DA PUUUUUTA! E eu vou te contar o por que agora. Chegamos no hostel dela e perguntamos quanto seria a estadia para os 3 dias: ela disse 10.000 pesos chilenos (o que realmente era bem barato, o mais barato da cidade por sinal... mas não sabíamos, a gente tinha acabdo de chegar ali). Em compensação o local era podre, toda acabado, tinha uma VALA, mano... era muito fudido, sério. Beleza, pedimos um desconto (de lei, né?!), ela não aceitou e ainda ficou nervosa... falamos com ela que a gente ia dar uma conferida em outros hostels pois tinha acabado de chegar e de repente essa Dona Maria firou um foi um BIXO, full pistola com a gente. - COMO É QUE PODE VOCÊ REJEITAR O MEU NEGÓCIO!!! TODOS SABEM QUE EU SOU O HOSTEL MAIS BARATO DE SAN PEDRO, ISSO É UMA AUDÁCIA. VÁ E VOCÊ NÃO ENCONTRARÁ MAIS NENHUM MELHOR QUE O MEU. Como o nosso orçamento não era dos maiores, tivemos que ouvir isso na maior paz. Eu e David fomos cambiar uns dólares e deixamos João Paulo de cobaia para reservar nosso lugar. E quando voltamos... O CORO COMEU! HAHAHAHA Encontramos João Paulo no meio do caminho PUUUUTO dizendo que Dona Maria continuava xingando a gente e dizendo que não era mais para a gente ficar lá, que ela não permitia esse tipo de situação. HAHAHA Eu ainda tentei voltar para conversar com ela na maior paz, porém lembra daquelas meninas que deram água para a gente no ônibus de Sucre para Uyuni? Então, coincidentemente elas já tinham escolhido nosso quarto HAHAHAHA. Enfim, sem mais delongas... resolvemos procurar um outro hostel e acabamos escolhendo um mais caro (14.000 pesos chilenos) mas que porém foi uma das melhores escolhes que fizemos na viagem: dormimos bem em quarto privativo, banho quente, comida boa... enfim! Recarregamos literalmente as energias. Recomendação: Se eu não me engano foi o El Toconao. Vamos a parte boa do negócio logo então. Como funciona os passeios em SPA? Fechamos o Valle de la Luna + Valle de la Muerte no primeiro dia, Lagunas Altiplanicas + Piedras Rojas no segundo dia, e Salar de Tara no terceiro dia. Tem a possibilidade de ir para Uyuni no final também, depende de como você organiza sua trip. Como estávamos vindo de lá, fizemos os passeios clássicos saindo de lá, sem voltar. E para nossa felicidade, o Valle de La Luna + Valle de La Muerte saia por volta das 15h, tempo ideal para almoçarmos, tomarmos um banho, cambiar, e descansar um pouco. Seguindo em direção ao primeiro passeio eu realmente fiquei sem palavras. Era um plano de fundo do Windows atrás do outro... Valle de La Luna Em direção ao Valle de La Muerte Valle de La Muerte Cara... sabe a sensação de você acordar em um país e admirar o infinito em outro que eu disse no título desse capítulo? Então, foi a sensação que eu senti nesse momento. DICA: Esse lugar é realmente lindo. Quando você chega lá no alto e vê toda aquela imensidão, é difícil até descrever. A dica que eu quero dar é: APROVEITE o momento. VIVA a experiência. O que eu percebi foi uma imensidão de turistas fazendo fila para tirar foto na pedra e preocupado apenas se tinha ficado legal pra postar nas redes sociais, e com isso estavam perdendo o principal, que era aquele magnífico espetáculo do sol colorindo aquela imensidão toda do deserto. Então, tire as fotos que você quiser, mas reserve um bom momento para ficar ali parado, respirar fundo e admirar aquela beleza toda. Dificilmente você terá outra oportunidade dessas na sua vida, então não a desperdice preocupado com selfies. "Nesses pequenos momentos o mochilão vai nos ensinando muitas coisas, é algo muito além de uma imagem bonita... é sobre pessoas e todo o processo que você passou para chegar até ali" (parafraseando meu querido amigo David nessa frase que fez a gente se emocionar). Voltamos revigorados, compramos mais uma águas, comemos em um lugar qualquer que infelizmente depois de 3 anos não lembro mais (HAHAHAH) e fomos descansar para o próximo dia. ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 08/01 SPA 2º dia: aquele sobre Valentina e mais um plano de fundo do Windows Começamos o dia 8am. Seguimos em direção as Lagunas Antiplanicas e no meio do caminho uma pausa para admirar essa pintura: Laguna Antiplanicas: parece foto do Google... Imagine ver isso com os próprios olhos? Era uma sensação muito louca todo santo dia, a gente ficava sem acreditar que aquilo existia tão perto da gente. Uma pausa para fotos e seguimos para aquilo que era considerado um dos pontos turísticos mais fantásticos de San Pedro: Piedras Rojas. Nem vou falar muito, acho que as fotos falam por si só. Piedras Rojas Uma dica: JAMAIS deixem de incluir Piedras Rojas em seu roteiro de SPA. Infelizmente, no ano passado, eu soube que o local estava interditado por conta de vandalismo. Algumas pessoas picharam algumas das pedras e houve levantamento de Drones para a gravação de um comercial esportivo. Não sei como está a situação por agora, porém espero mesmo que eles tenham reaberto esse marco. Como de costume em quase todos os passeios a dinâmica funciona o seguinte: vai de Bus, pausa, tira umas fotos, entra no Bus, segue para outra paisagem fantástica, mais uma pausa para mais fotos, volto pro Bus, pausa para refeição, volta pro Bus e segue adiante. A questão que eu queria compartilhar com vocês neste momento do relato é que: APROVEITEM ao máximo as pessoas que vão junto com vocês nesses caminhos. Tem gente de todo lugar do mundo. E foi assim que para alegrar ainda mais nosso dia, tivemos a sorte de se bater com Valentina, que morava no Chile e estava aproveitando as férias para conhecer sua cidade viszinha (é para poucos ter esse roteiro mais perto de casa ainda, né). Essa figuraça veio a viagem toda resenhando com a gente HAHHAHAHA. Chega de palhaçada, de volta para o hostel onde a gente precisava de um bom banho, se alimentar melhor e descansar para o segundo dia de viagem. Curiosamente neste noite eu comecei a sentir uma coceira debaixo do braço... meio como se fosse uma alergia. Aquilo me incomodava bastante, chegava a doer um pouco. Comecei a pensar que tinha pegado alguma alergia ao desodorante. Mas enfim, ignorei e segui adiante. O que esse incômodo era? Cena para os próximo capítulos Aproveitamos para conhecer um pouco da noite de SPA. A cidade estava cheia e aqui eu quero comentar um ponto com vocÊs... realmente o Chile é BASTAAAANTE caro. Gastamos em 3 dias no Chile o que não gastamos em 10 dias no Peru, acredite. Mesmo assim, como só iríamos passar poucos dias e depois de todo o stress passado com a desgraçada Dona Maria, resolvemos nos presentar com um vinho e uma pizza perto da pracinha da Igreja. Foi uma noite muito atípica, na volta pela casa João Paulo ainda pegou o violão de uns meninos na rua e aproveitou para tocar umas músicas e fazer um gruoove sacanaaaagem HEHEH. Sinto saudade desses momentos, de conhecer a verdadeira cultura local, saca? De sair pelos bairros mais distantes, ver como funciona a cidade em vários horários distintos. Chegamos em casa, dormimos BEM PARA O CARALHO (ó hostel que renovou a alma ein, meu caros amigos) e ficamos no aguardo do 3º e último dia. ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  16. 11 pontos
    Saudações, pessoal viajante, admiradores e curiosos! Venho aqui deixar o meu primeiro relato no Mochileiros sobre o mochilão de carona na estrada que acabei de realizar com meu namorado, Manuh, para o Sul do Brasil e Uruguai. Ao todo, foram 21 dias na estrada, 25 caronas e 28 cidades, entre as quais vivemos experiências imprevisíveis, conhecemos pessoas maravilhosas e, claro, passamos pelos perrengues imprescindíveis de uma boa aventura, hehe. Nesse relato, contarei resumidamente nossa experiência com cada carona, dando dicas sobre como gastar pouco, sobre as diferenças que sentimos entre viajar assim dentro do Brasil e dentro do Uruguai e algumas considerações finais sobre o que funcionou e o que não funcionou. Viajar de carona é tudo de bom! Vamos lá! Desde o início, a ideia era fazer uma viagem extremamente baixo custo, pedindo carona na estrada o máximo possível e levando equipamento de camping (barraca, saco de dormir, fogareiro portátil com mini cartucho de gás para cozinhar, 1 pacote de arroz, 1 pacote de lentilha). Quanto a estadia, além de contarmos com a possibilidade de acampar nos lugares, utilizamos o aplicativo Couchsurfing (que, para quem não conhece, é uma rede de hospedagem solidária e de trocas culturais) e nos prontificamos a pedir abrigo previamente para conhecidos das cidades que faziam parte do nosso esboço de roteiro. Dessa forma, o objetivo foi destinar nossas economias unicamente para alimentação, transporte público dentro das cidades e, apenas em caso extraordinário, estadia. Ao todo, gastamos cerca de 650 reais cada um, sendo que, se estivéssemos com um espírito totalmente roots e se evitássemos alguns perrengues e confortos (confira a seguir), ainda seria possível reduzir bem esse número (até porque, sempre tem quem se aventure por aí zerado, não é?). Tentei incluir, ao longo do relato, anotações dos gastos que ainda me lembro. Então, decidimos ir rumo ao Sul e, como sempre flertamos com nosso querido vizinho Uruguai, quando começamos a planejar o mochilão, mais ou menos um mês antes de sairmos, fizemos um rascunho do roteiro, que foi: São Paulo-SP > Curitiba-PR > Florianópolis-SC > Porto Alegre - RS, Pelotas-RS, Chuy na fronteira, litoral do Uruguai e Montevideo como destino final. Agora, por que eu chamo o roteiro de "rascunho"? Quem escolhe viajar de carona sabe que não dá para criar um roteiro engessado e nem se apegar muito a uma idealização de rota, afinal, nunca se sabe o que exatamente vem pela frente em termos de opções de destino. Tendo isso em mente, guardamos esse plano de caminho principalmente para conhecermos os pontos de referência e um pouco das rodoviais no Sul do país e no Uruguai, mas nos mantivemos sempre abertos a alterações (que, diga-se de passagem, aconteceram mesmo). Quem nunca viajou de carona ou nunca leu relatos sobre esse jeito de viajar, acaba pensando que é coisa de maluco. "Arriscar a vida assim?! Você não tem medo?" Que nada! A verdade é que quem dá a carona tem o mesmo medo que quem pede a carona, por isso, construímos relações de confiança mútua e isso é super legal! Sempre digo que viajar pegando carona é muito, mas muito mais tranquilo do que parece, desde que tomemos algumas precauções básicas (tanto para a nossa segurança, quanto para facilitar a nossa vida no caminho). Esse foi o meu segundo mochilão pegando carona e muito do que aprendi sobre viajar assim está resumido nesse post aqui do Mochileiros e em outros blogs de viajantes aventureiros por aí, então, não entrarei em detalhes sobre o método em si, mas sim, sobre o que aconteceu no caminho. Basicamente, acrescento que evitamos sempre pegar carona de noite e a maioria delas foi com caminhoneiros muito gente fina! VID_20190718_090353.mp4 Por fim, o passo a passo da viagem: (dia 1) começamos no dia 11 de julho. Como somos de Campinas-SP, para chegar ao nosso ponto de partida oficial ainda pela manhã (para aumentar as chances de carona longa), a maneira mais prática foi pegar um Blablacar para São Paulo-SP saindo da rodoviária às 5h40 (20 reais). Chegando em São Paulo-SP, depois de um metrô para a rodoviária (4,30 reais), chegamos no Terminal Rodoviário Tietê (onde compramos um item muito importante do mochileiro caroneiro: canetão/pincel atômico). De lá, para sair da zona metropolitana, que inviabiliza conseguir carona, pegamos um ônibus para Juquitiba-SP (12 reais) e pedimos para descer no Posto 68, na BR 116, antes de Juquitiba. Postos de gasolina grandes, na rodovia, são sempre uma ótima pedida para pedir carona. Chegamos lá quase 11h, comemos alguma coisinha que levamos e pedimos papelão na conveniência para fazer uma plaquinha com o nome do próximo destino. (Carona 1, com seu Wanderlei) Carona 1: de Juquitiba-SP até Curitiba-PR - com seu Vanderlei, caminhoneiro. Pouco tempo depois de irmos até a saída do posto com nossa plaquinha, parou um caminhão para nós, o do seu Vanderlei. Seu Vanderlei é natural de Gaspar-SC e estava voltando para casa depois de ficar 35 dias na estrada, o máximo que já passou fora. O caminhoneiro, que estava cheio de saudade de casa e da família, nos falou sobre a distância e a solidão serem a parte difícil da profissão de caminhoneiro. Seu Vanderlei, que já viajou o país todo e gosta muito de viajar, nunca havia dado carona na estrada antes (e, coincidentemente, foi a primeira carona do Manuh também!). Nos deixou na saída de Curitiba, em São José dos Pinhais, onde pegamos 2 ônibus (5 reais + 4,50 reais) para o centro de Curitiba para chegarmos até a casa de um amigo que topou nos dar abrigo por duas noites! (em frente ao prédio histórico da UFPR, em Curitiba) (dia 3) Carona 2: de São José dos Pinhais-PR para Joinville-SC - com casal da Kombi. Depois de pernoitar duas noites em Curitiba-PR, cidade que amamos demais e onde a comida é muito barata, pegamos de manhãzinha um ônibus intermunicipal sentido São José dos Pinhais-PR para pararmos no Posto Tio Zico II, na BR 376, que o seu Vanderlei havia nos indicado de antemão para seguirmos pegando carona. No posto Tio Zico, nem tivemos tempo de pedir carona: enquanto eu estava no banheiro, um casal de idosos logo abordou o Manuh para nos oferecer carona em sua Kombi "motor home". Dona Iva e seu Luís, que estão aos poucos customizando sua kombi para viajar com mais conforto, se dirigiam para São Francisco do Sul-SC para procurar o filho hippie que parou de dar notícias havia uma semana. O casal, muito simpático, nos deixou em um posto grande na BR 101, onde seguimos viagem. (Dona Iva e seu Luís com a gente em frente a kombi) Carona 3: de Joinville-SC para Itajaí-SC - com ônibus do Grupo Explosão. Depois de almoçarmos petiscos que trouxemos de cada (castanhas e polenguinho), fizemos uma plaquinha para "Floripa" e fomos para a saída do posto pedir carona. Poucos minutos depois, parou para nós o ônibus da banda "Grupo Explosão" que, seguindo sentido Brusque-SC, poderiam nos deixar em Itajaí-SC. Aceitamos a carona e, por mais curioso que tenha sido pegar carona com a banda em turnê, fica o aviso para o caroneiro inexperiente que quer chegar à Floripa: parar em Itajaí vai te deixar i-lha-do! hahah A dificuldade é que, além de sermos deixados em um posto pequeno meio dentro da cidade, definitivamente, Itajaí não é um ponto de parada para quem está descendo para Floripa: outros caminhoneiros, com quem conversamos depois, disseram que, inclusive, evitam parar ali e perto de Floripa para evitar o trânsito da rodovia na região. Felizmente, conversando com um caminhoneiro de cada vez no posto em que paramos (e depois de um baita nervosismo vendo a noite chegar sem conseguirmos carona), achamos uma alma abençoada que aceitou nos dar carona para Balneário Camboriú-SC. Carona 4: de Itajaí-SC para Balneário Camboriú-SC - seu Paulo, caminhoneiro de mudanças. Já no fim da tarde, o seu. Paulo, que havia acabado de encontrar o irmão por coincidência no mesmo posto, topou nos levar a Camboriú. Nos contou que sempre faz o possível para ajudar os outros e já deu carona para outros viajantes. Nos contou que, certa vez, quando deu carona para uma moça chilena que viajava sozinha, ela havia lhe contado que os 3 últimos motoristas com os quais ela havia pego carona tentaram se engraçar com ela de alguma maneira e ele, ouvindo o relato da moça, fez de tudo para dizer que ela poderia ficar tranquila porque ele nunca faria nada a ela e, assim, rumo ao Rio de Janeiro, acabaram até pernoitando os dois na boleia do caminhão em uma relação de total confiança. Seu Paulo nos contou de sua noiva, com a qual namora a distância, e nos disse sobre o quão triste é o estereótipo que fazem dos caminhoneiros como homens que "tem várias mulheres", "que só querem saber de mulher" ou que "não se importam com família" e que não percebem o quanto esses trabalhadores, na verdade, tem uma vida sofrida. Carona 5: Balneário Camboriú-SC para Florianópolis-SC - Blablacar com Eloir. Chegamos no centro de Balneário Camboriú já muito no fim da tarde e, sem esperança de conseguir chegar a um posto de gasolina antes do anoitecer, avaliamos que o melhor custo benefício seria pegar um Blablacar para Florianópolis (20 reais), onde já tínhamos conhecidos esperando para nos receberem. Eloir é natural de Cascavel-PR e mora em Florianópolis, cidade que, segundo ele, não troca por nenhuma outra. Chegando na rodoviária de Floripa, pegamos dois ônibus para chegar a casa de nossos amigos (2x 4,40), no Campeche, onde pernoitamos por três noites para descansarmos da saga de caronas e conhecermos melhor o lugar, cheio de praias e belezas naturais. Ficamos chocados com o preço absurdo de todas as coisas e, ainda por cima, fora de temporada (ex: 1 pastel de queijo = 10 reais?!), mas, felizmente, estávamos bem equipados com nossos próprios alimentos. (fotos na praia do Campeche, Florianópolis) (dia 7) Carona 6: Palhoça-SC para pedágio na BR 101 - Gui, ex ator e diretor de teatro. Chegamos ao Posto Cambirela, na BR101, saída de Palhoça, depois de pegarmos dois ônibus saindo de Florianópolis (4,40 + 6,65 reais). No posto, fizemos nossa plaquinha de "Porto Alegre", quando Gui parou para nos oferecer carona. Gui estava indo ao seu sítio próximo a Paulo Lopes e contou que já viajou de carona pelo Brasil com sua antiga trupe de teatro - um de seus amigos, inclusive, ficou no Espírito Santo e nunca mais voltou. Contou que deixou o ofício para se "desurbanizar" e agora trabalha com a produção de brinquedos de madeira. Gui nos deixou em um pedágio, onde logo desistimos de ficar ao observarmos a ausência de acostamento para os carros/caminhões conseguirem parar em segurança. Assim, caminhamos um pouco mais de 2km e chegamos a um pequeno restaurante de beira de estrada. Carona 7: BR 101 (restaurante Três Barras) para Tubarão-SC - com Sandro, caminhoneiro. Sandro salvou a nossa pele no restaurante, de onde pensamos que seria quase impossível sairmos. Por sorte, ainda era hora do almoço e, apesar da plaquinha de "Porto Alegre", ficamos super gratos com a carona para Tubarão-SC. Sandro parou os estudos cedo e, por necessidade da família, trabalhou desde a infância com o seu pai na plantação de pinus. Os anos de trabalho pesado e precoce deixaram muitas marcas nos músculos de seu corpo. Sandro seguiria para Braço do Norte-SC e, apesar de nos ter dado a opção de seguirmos para a Serra Catarinense, decidimos continuar indo ao Sul e, assim, paramos em Tubarão-SC. (Carona 8, com Evandro) Carona 8: Tubarão-SC para Três Cachoeiras-RS - com seu Evandro, caminhoneiro. Paramos em Tubarão em um posto não muito grande na marginal da BR. Aparentemente, quanto mais ao Sul do país, menores são os postos de gasolina e é muito comum se localizarem na marginal da pista. Isso dificulta um pouco o processo de pedir carona, já que o fluxo do posto acaba sendo menor ou de moradores da própria cidade. Ficamos um tempo considerável tentando sair de Tubarão, falando com cada caminhoneiro que chegava, até que, já perto do fim da tarde, seu Evandro topa nos levar até Três Cachoeiras-RS. Lá, pernoitamos pela primeira vez em nossa barraca em um posto de gasolina bem grande e cheio de caminhoneiros, onde todos os frentistas foram extremamente solícitos e simpáticos. (dia 8 ) Carona 9: Três Cachoeiras-RS para Cachoeira do Sul-RS, com seu Roberto. Completando uma semana de viagem, chegou o momento de abandonarmos a plaquinha "Porto Alegre" e, enfim, alterarmos a rota planejada (como eu disse antes, era só o rascunho). Foi aí, também, que o universo começou a mostrar suas conexões cósmicas (os viajantes aventureiros entenderão do que se trata aqui). Acordamos bem cedo em Três Cachoeiras e logo partimos para a saída do posto, ainda com a antiga plaquinha. Momentos depois, um caminhão com um casal parou perto de nós: contaram que já haviam nos visto cerca de três vezes em outros pontos da estrada e que, portanto, decidiram finalmente parar para nos perguntarem o nosso destino. O casal seguia para oeste de porto alegre e, embora não tenham conseguido ajudar com a carona, pois não teriam como nos deixar em um ponto bom e seguro para seguirmos na estrada, nos ajudaram comentando sobre outras possíveis cidades de fronteira para entrar no Uruguai, como Santana do Livramento. Pouco depois, um outro caminhoneiro para e nos chama até seu caminhão, o seu Roberto. Seu Roberto passaria por Porto Alegre, no entanto, seguiria para Rosário do Sul, a cidade mais próxima da fronteira em Santana do Livramento, que nos havia sido apresentada pouquíssimo antes. Topamos, então, deixar PoA de lado e seguir para o destino final do seu Roberto, que tomou chimarrão conosco o trajeto todo e virou um grande amigo nosso! Ao pararmos para almoçar em Pantano Grande-RS, encontramos duas ciganas vendendo jaquetas de couro: umas delas, insistentemente, até mesmo ficou falando em ler o futuro do Manuh e, após esse encontro breve, o Manuh ficou meio atordoado com a forte presença das moças. Minutos depois, seu Roberto nos chamou para continuar viagem e nos comunicou que havia acabado de ser comunicado de uma alteração na sua rota e precisou nos deixar em Cachoeira do Sul-RS, no Posto Laranjeiras. Por um breve momento, o Manuh ficou encanadíssimo de ser mal olhado da cigana por ele não ter comprado a jaqueta, mas mal sabíamos o que aconteceria a seguir. (Carona 9, com seu Roberto) (Almoçando no caminhão do seu Roberto) Carona 10: Cachoeira do Sul-RS para Rosário do Sul-RS, com seu F, caminhoneiro medium. Por alguma razão, achei melhor ocultar o nome desse figura, que é realmente uma pessoa diferenciada em muitos sentidos. Poucos minutos depois de chegarmos ao Posto Laranjeiras, conversamos com seu F, que estava indo justamente para Rosário e topou nos levar, se não nos incomodássemos com a boleia um pouco apertada. Conversa vai, conversa vem, seu F. pergunta nossa religião e começamos a falar de espiritualidade quando ele diz ser espírita. Seu F. nos contou que é filho de pai indígena feiticeiro e cresceu junto de uma comunidade cigana da vizinhança, da qual conheceu a hierarquia. Seu F. nos explicou que é médium e é como um "receptor universal", que sente e percebe coisas quando olha nos olhos das pessoas. Além de nos contar histórias de coisas que já pressentiu, acabou nos dizendo uma série de coisas bastante pontuais e emocionantes sobre mim e sobre o Manuh, as quais, apesar de não revelar aqui, afirmo serem de uma precisão que deixa meu lado mais cético impressionado. Nos tornamos amigos e trocamos contato ao final da viagem, que, na verdade, sentimos como se fosse uma espécie de viagem astral. Seu F. disse que nos chamou até ele, o que é ainda mais curioso depois da série de combinações imprevistas que nos levaram a nos encontrarmos naquela tarde. Pernoitamos no posto em Rosário do Sul. (dia 9) Carona 11: Rosário do Sul-RS para Santana do Livramento-RS/Rivera-Uy, como sra. Janice e seu Jairo. Depois de um dia exaustivo, nos permitimos sair do modo roots e ter mais conforto, portanto, jantamos e tomamos café da manhã no posto (cerca de 40 reais para cada). Seguimos pela manhã de carona com um casal de Santa Maria-RS que ia até Santana. Disseram que pararam para nós não porque pensaram racionalmente, mas porque sentiram que precisavam ajudar. Nos deram a dica de não comprar comida do lado Uruguaio da fronteira porque é bem mais caro e logo isso ficou ba$tante evidente. Passamos o dia em Santana resolvendo questões mais "técnicas", como dar a entrada no Uruguai na aduana (nunca se esqueçam dessa parte), trocar o dinheiro por pesos e comprar chips uruguaios para o celular (um roubo no total de 40 reais cada, um gasto que eu preferiria ter evitado). Troquei 200 reais para pesos e a cotação estava 1 real = 9 pesos: você tem a falsa sensação de que seu dinheiro vale bastante mas, logo em seguida, descobre que tudo o que já te disseram sobre o Uruguai ser um país caríssimo era verdade. Passeamos em Santana/Rivera até o começo da noite, enquanto procurávamos lugar para ficar por ali: não encontramos hostels baratos, o albergue de Santana não estava aberto quando passamos por ele e ninguém nos respondia no Couchsurfing. Esse foi, talvez, o primeiro momento real de perrengue. Nossa próxima tentativa seria caminhar até o maior posto 24h na entrada da cidade, onde pediríamos para montar a barraca. Deixo aqui outra dica: sempre é uma opção, também, se apresentar e pedir abrigo para moradores locais - principalmente nas áreas mais periféricas da cidade -, no entanto, já havia anoitecido e não nos pareceu uma boa ideia naquela circunstância. Por sorte, quando estávamos já exaustos de andar sem rumo com as mochilas pesadas, uma alma bondosa aceitou nossa solicitação no Couchsurfing e, assim, ganhamos um abrigo e ótimos amigos: Emerson e Rodrigo, um casal incrível de Santana que usava o aplicativo pela primeira vez e pretende mochilar pela Europa em breve. (dia 10) Carona 12: Rivera-Uruguai para Tacuarembó-Uruguai, com Luís do grupo de rally de Tacuarembó. Depois de uma noite maravilhosa na casa dos anfitriões em Santana, pela manhã, Emerson nos deu carona até a saída de Rivera, onde paramos após uma grande rotatória para pedir carona com a plaquinha "Montevideo" na entrada da Ruta 5. Foi aí que, passados alguns minutos, conseguimos a carona mais amedrontadora da viagem: ao nosso lado, para uma caminhonete e o motorista diz que pode nos dar carona até Tacuarembó, mas que só tem lugar na caçamba. Lá fomos nós: nos segurando com as mochilas enormes na caçamba da caminhonete, tomando um vento desgraçado, enquanto o doido dirigia a uns 120km/h e ultrapassava todo mundo na pista. Acreditem ou não, meu maior medo na viagem toda foi sair voando daquela caçamba e me espatifar na estrada, o que, obviamente, não aconteceu. Na verdade, a sensação depois dessa carona foi uma adrenalina muito gostosa. Acontece que, em Tacuarembó, não tivemos a mesma sorte com caronas e, no início, não entendíamos o porque. A partir daqui, você saberá o que descobrimos, na prática, sobre como funciona viajar de carona no Uruguai. Em Tacuarembó, nos posicionamos em um posto de gasolina na saída da cidade para a continuação da Ruta 5 e esperamos alguém parar. Como todo caroneiro está sempre caçando pontos de redução de velocidade na rodovia, vale o comentário de que algo que ajuda a pedir carona nas Rutas uruguaias, por elas cortarem as cidades/pueblos no meio, é a existência de semáforos na própria rodovia, principalmente em rotatórias da entrada e saída, funcionando como pontos bons para pedir carona quando há acostamento. Esperamos alguma carona. Uma hora depois: nada. Começamos a nos questionar e lembramos que era sábado. Fica a dica para os caroneiros iniciantes: pedir carona é sempre mais fácil e rápido em dia de semana, pois o movimento das vias cai aos fins de semana e a maioria dos caminhoneiros fica parado para descarregar e carregar, só saindo novamente a partir de domingo de noite ou segunda-feira. Não é que não funcione viajar de carona nos fins de semana, apenas, pode ser mais demorado. Até aí, nada específico do Uruguai. Seguindo o conselho de dois moços uruguaios, decidimos caminhar até o próximo posto da Ruta 5, de onde costumam sair mais caminhões. Nos posicionamos nesse posto e, novamente, nada de carona. Não havia caminhoneiros saindo do posto e os carros que passavam indicavam estar entrando na própria cidade ou na próxima há poucos quilômetros. Caminhamos até um posto da Polícia Federal um pouco mais a frente. Conversando com os policiais - que foram extremamente hospitaleiros dizendo que poderíamos montar acampamento do lado do posto em segurança e, inclusive, usar o banheiro de lá - descobrimos que, apesar do movimento da Ruta estar baixo, não é muito maior nos dias de semana. Disseram, também, que não valeria a pena pegarmos carona para parar no meio da estrada nas próximas cidades já que, na verdade, elas são tão pequenas que não passam de "vilas" (e, aparentemente, a maioria das cidades do país se encaixa nessa descrição). Percebendo o quanto estávamos ilhados enquanto começava a anoitecer, achamos que seria inviável pedir carona de pueblo em pueblo (até por uma questão de tempo hábil para retornarmos ao Brasil) e, assim, julgamos que o mais prudente seria caminhar até a Rodoviária de Tacuarembó (cerca de 1h) e usar boa parte dos pesos que trocamos para pegar um ônibus da madrugada direto para Montevideo (448 pesos cada passagem + taxa por pessoa, algo como R$49,70). Assim fizemos e, partindo 00h15, chegamos as 5h em Montevideo. (dia 11) Ônibus Tacuarembó-Uruguai para Montevideo-Uruguai. Chegando em Montevideo, ainda antes de amanhecer, logo fomos informados de que não se pode passar muito tempo na rodoviária porque passam para conferir seu bilhete (se você não está de passagem, cai fora). Sendo assim, fomos ainda no escuro (literalmente) procurar um lugar barato para tomar café da manhã. Paramos em um local na praça em frente a rodoviária. Pedi duas empanadas, que nada mais são do que salgados assados de tamanho convencional (2x60 pesos, mais ou menos R$6,70 cada), e o Manuh pediu uma promoção de medialuna com café (100 pesos, aproximadamente R$11,10). Apesar de imaginarmos que não era um estabelecimento barato, por conta de sua localização, notamos depois que esses preços são a média da cidade. Agora já deu para ter uma noção do custo de vida, não? Mesmo preço de café da manhã em estabelecimento chique de São Paulo. Depois de comermos, saímos para explorar a cidade. Conhecemos várias praças, a feira de antiguidades da Ciudad Vieja (que indico fortemente) e quase toda Ciudad Vieja em si. Não tendo recebido respostas no Couchsurfing, decidimos procurar um Hostel mais em conta. Ficamos no Punto Berro Hostel, fechando a pernoite, depois de uma choradinha, por 300 pesos por pessoa no quarto compartilhado (algo como R$33,30). Compramos um vinho Faisan no mercado (150 pesos = R$16,70) e um pacote de lentilhas pequeno (200g por 37 pesos = R$4,10, mais do que pagamos por um de 500g no Brasil). Na manhã do dia seguinte, compramos duas medialunas (60 pesos cada = 2xR$6,70) e seguimos viagem. (dia 12) Pegamos um ônibus para um posto de gasolina grande na saída de Montevideo, na Ruta 8, e paramos lá com nossa plaquinha mais que otimista "Acegua o Chuy". Ainda não havíamos aprendido a lição sobre como pedir carona aos uruguaios. Uma hora depois: nada ainda. Todos os carros pareciam estar ficando pelas proximidades de Montevideo e não havia um ponto próximo mais a frente para pedirmos carona. "Será que pegar carona no Uruguai é tão difícil assim?" Lembrava-me de ter lido antes, em outros relatos de viagem, que pegar carona no Uruguai era fácil e que essa cultura era mais forte por lá do que no Brasil, no entanto, não somente não confirmamos isso, como percebemos, a medida que pedíamos informação para vários moradores locais e frentistas, que muitos deles são extremamente descrentes na viagem de carona e não parecem acostumados a ver mochileiros fazendo isso, diferente do que experimentamos no Brasil. É claro que muitas pessoas estranham a viagem de carona e sabemos disso, no entanto, enquanto no Brasil recebíamos incentivo de frentistas e de pessoas no caminho, no Uruguai, mesmo quando ajudavam com alguma informação, era comum acrescentarem algo como "creio que vai ser muito difícil, as pessoas tem medo de dar carona, mas podem até tentar, vai que...", opinião que não representa a realidade, mas sim, uma mentalidade. Continuamos esperando no posto, até que um moço veio até nós para avisar-nos que aquele ponto seria muito ruim para chegar até Montevideo porque, justo ali, fizeram um desvio de caminhões para reduzir o trânsito na Ruta. Nos contou que, em sua juventude, também precisou se locomover muito pedindo carona e que, por isso, sabia que depois da cidade de Pando, ainda na Ruta 8, conseguiríamos uma carona com muito mais facilidade. Sendo assim, pegamos ali mesmo um ônibus para Pando e, depois de atravessar essa cidade a pé, chegamos a uma rotatória na saída para a Ruta 8. Carona 13: Pando-Uruguai para mais a frente na Ruta 8 - com Hector, caminhoneiro. Depois de toda a dificuldade, aprendemos algo muito importante: parece muito mais fácil pegar carona no Uruguai com plaquinhas para destinos próximos, ainda que muito pequenos, porque não é comum que as pessoas viagem "longas" distâncias. Além de o combustível ser extremamente caro no país, nosso referencial de distâncias longas/pequenas é totalmente diferente do deles. Então, o que no início nos parecia perfeitamente factível e razoável, como tentar carona direto para Montevideo, para eles significa cruzar o país todo. Quando, por exemplo, eles falam de "150km" a frente, estão falando de um local distante e, para nós, soa o contrário. Não que seja impossível, afinal, há caminhões e empresas que fazem esses longos trajetos até a capital, mas é bem mais improvável do que ir pingando de cidade em cidade. Sendo assim, decidimos mudar nossa plaquinha para destinos mais realistas: "Minas o Treinta y Tres". Cinco minutos depois, Hector parou para nós, nos deixando alguns quilômetros adiante na rotatória de entroncamento para Atlântida. Dali caminhamos aproximadamente 3 km até chegar a um pedágio na Ruta. Paramos com nossa plaquinha no acostamento após o pedágio e, em poucos minutos, conseguimos nossa nova carona. (Carona 13, com Santiago) Carona 14: Pedágio Ruta 8 para rotatória na Ruta 8 - com Santiago, professor de dança. Um carro parou para nós: era Santiago, um moço muito animado que logo foi movendo os instrumentos de percussão que carregava consigo para o porta-malas, a fim de liberar espaço para nós no banco traseiro. Santiago nos ofereceu um pote cheio de flores de maconha, que plantou em sua casa, para o restante da viagem. Achamos a insistência do moço muito engraçada e até pensamos em aceitar, mas sabíamos que cruzaríamos a fronteira bem em breve. Além disso, ao contrário do que pensamos no início da viagem, nos mantivemos em estado de alerta o tempo todo e sequer nos sentimos a vontade para fumar no Uruguai. Santiago estava indo a Migues e nos deixou na rotatória para aquela saída da Ruta. Carona 15: rotatória na Ruta 8 para Minas-Uruguai - com Carlos, caminhoneiro. Logo que Santiago nos deixou na rotatória -que, aparentemente, não era um lugar tão bom assim para pedir carona, visto que os veículos não estavam reduzindo a velocidade -, avistamos, poucos metros adiante, um caminhoneiro parado no acostamento com seu caminhão. Antes mesmo de nos posicionarmos com nossa placa para continuar, o caminhoneiro nos chamou até ele. O Manuh correu para verificar o que era e, para nossa felicidade, ele nos ofereceu carona. Carlos estava indo a Minas e nos deixaria na entrada da cidade. Carlos havia parado no acostamento apenas para atender uma ligação, o que convergiu perfeitamente com o tempo em que chegamos lá com Santiago: viajar assim, de maneira imprevista, tem seus acontecimentos cósmicos mágicos. Carlos nos deixou em Minas, onde logo fomos procurar lugar para ficar. Como nem eu e nem o Manuh temos perfis verificados no Couchsurfing (o que é bem limitante, já que o aplicativo te dá somente direito de usar 10 solicitações de hospedagem por semana), não possuíamos mais solicitações para usar. Precisaríamos acampar e, assim, começamos a perguntar aos moradores locais onde havia um lugar relativamente seguro para armar nossa barraca. Nos indicaram um parque público aberto às margens de um rio, cortado por uma ponte. Ali, encontramos em seu lado mais arborizado um local aparentemente seguro para acampar, exceto pela placa em uma das árvores com os dizeres "prohibido acampar". Ficamos com medo de cometer uma infração e precisarmos pagar algum tipo de multa, por isso, antes de montar acampamento, ainda fomos caminhando até a delegacia no centro da cidade para pedir autorização à polícia. Explicamos a situação a um dos policiais, que foi muito bacana em nos compreender e dizer que fariam vista grossa. Compramos 10 alfajores de Minas por 110 pesos (mais ou menos R$1,20 cada). (Carona 16, com Javier) (dia 13) Carona 16: Minas-Uruguai para Aceguá (Uy/RS) - com Javier, caminhoneiro. Desmontamos acampamento ainda antes do dia amanhecer e consideramos que a melhor ideia para continuar com as caronas seria atravessar a cidade a pé para chegar em sua saída para a Ruta 8. Caminhamos por cerca de 1h30 e, quando finalmente chegamos a saída, nos deparamos com uma grande insegurança por causa do baixo movimento da Ruta. Além disso, estávamos congelando com o vento frio cortante daquela manhã. Mal conseguíamos ficar um momento sem luvas para olhar o mapa no celular. Estávamos já praticamente sem pesos para cogitar pegar algum ônibus dali para qualquer lugar. A saída era continuar pedindo carona e usar o que aprendemos sobre caronas no Uruguai ao longo do caminho. Fizemos uma nova plaquinha com as cidades próximas, "Treinta y Tres o Melo" e, mesmo desesperançosos, decidimos continuar ali por um tempo. Tentando nos fortalecer naquele momento, Manuh repetiu em voz alta o nosso mantra de caroneiros: "A carona certa virá na hora certa para o lugar certo". Eu, já com um tom de humor impaciente, retruquei que a hora certa era aquela mesma. Como num passe de mágica, nem um minuto depois, um caminhão encostou para nós. Era Javier, indo diretamente para o nosso sonhado destino "Acegua", na fronteira. Entramos as pressas no caminhão, eternamente gratos por sermos salvos por ele e, mais uma vez, por essas conexões do universo. Chegamos em Aceguá por volta das 17h, onde fizemos a saída do Uruguai na imigração e gastamos os últimos pesos em um mercadinho uruguaio antes de ir montar acampamento em um posto de gasolina na saída da cidade. Acontece que, em Aceguá, se iniciou o nosso momento de maior perrengue da viagem toda: enquanto montávamos nossa barraca no posto SIM, começou a chover cada vez mais forte, molhando todas as nossas coisas. O borracheiro do posto, que nos ajudou quando chegamos, sugeriu que dormíssemos em uma Ipanema abandonada ao invés de nos molharmos mais e passarmos mais frio na barraca. Assim fizemos. A Ipanema estava com os bancos abaixados, então, nos organizamos como possível com nossos sacos de dormir e mochilas lá dentro. Ao menos, tínhamos refrigerante e alfajores para amenizar o mau humor pós chuva. A pior coisa é passar frio estando molhado. (dormindo dentro da Ipanema abandonada, no Posto SIM de Aceguá-RS) (dia 14) Carona 17: Aceguá-RS para Bagé-RS - com seu Luís, caminhoneiro. Acordamos em Aceguá, com muito frio, ainda úmidos e ainda estava garoando. Não sabíamos como fazer para pegar carona com aquele tempo. Conversamos com os frentistas do posto, super hospitaleiros, que nos aconselharam a tentar pegar um ônibus para Bagé. O problema é que, como não parava de chover, mal conseguiríamos chegar ao ponto de ônibus a apenas alguns metros dali. Decidimos esperar no posto para ver se a chuva pararia. A decisão foi a mais acertada porque, pouco depois, um frentista nos avisou que um dos caminhoneiros que havia acabado de abastecer estava seguindo para Bagé. Nos prontificamos a falar com o caminhoneiro, seu Luís, que topou nos dar carona para lá numa boa. Pensamos que nossos pesadelos acabariam por aí, no entanto, também estava chovendo e muito frio em Bagé, por volta de 10ºC e uma sensação térmica de menos. A chuva não parava por nada. Paramos em mercadinho, de atendimento péssimo, para comprar uns pães franceses e frios de café da manhã/almoço/lanche da tarde. Pegamos um ônibus para o centro de Bagé e, de lá, também não conseguimos fazer muita coisa. Ainda não tínhamos solicitações disponíveis no Couchsurfing e não encontrávamos hostels na cidade olhando e ligando nos telefones do google. Caminhamos até um hotel próximo, que nos deu a indicação do hostel de preço mais acessível. Não havia carros do Uber disponíveis na cidade e, portanto, tivemos que comprar um guarda chuva (uma sombrinha pequena por 12 reais e os outros eram caríssimos) e ir caminhando para esse tal hostel por cerca de 40 minutos. Chegamos no Hostel da Campanha ensopados. Nossos casacos molhados, sapatos molhados e mochilas molhadas (inclusive, as roupas de dentro). Pegamos a acomodação mais barata, R$50 por pessoa, em um quarto com beliche para duas pessoas. Apesar do preço ainda meio salgado, pagar aquela estadia foi absolutamente necessária, caso contrário, precisaríamos bater de porta em porta ou morreríamos de hipotermia. Além disso, o Hostel da Campanha é de longe o melhor hostel que já fiquei na vida: além de incluir um café da manhã muito bom e com várias opções, é extremamente limpo, extremamente novo e confortável, fora o atendimento impecável de todos da recepção (estou reforçando essa parte porque quem viaja gastante pouco sabe como pode ser o frustrante pagar estadia para se deparar com um lugar precário). Como eu havia levado um rolo de fio de nylon, improvisamos varais por todo quarto e penduramos nossas coisas. (Varais no quarto do Hostel, em Bagé) (dia 15) Escolhemos, para a infelicidade do nosso bolso e para a alegria de nossos pertences pessoais, ficar mais uma noite no hostel. Isso porque não seria possível seguir viagem com as coisas todas molhadas, ainda mais com o tempo tão frio e chuvoso. De dia, pedimos indicação de uma lavanderia na recepção, para onde mandamos todas as nossas roupas. Aproveitamos um breve momento sem chuva durante a tarde para passear e, a noite, deixamos nossos sapatos secando em frente a lareira da sala. O gasto com a estadia no hostel poderia ter sido evitado, mas consideramos que existem situações emergenciais em que é realmente muito difícil não abrir mão de algumas economias para garantir nossa segurança e bem estar. Acabou sendo uma parada extremamente estratégica para nos recompormos e repararmos os danos do tempo chuvoso. (dia 16) Carona 18: do meio da cidade em Bagé-RS para saída de Bagé-RS, com Fabrício. Enquanto caminhávamos para a saída da cidade, Fabrício nos avistou e ofereceu carona para o posto de gasolina ao qual nos dirigíamos. Essa foi a carona mais curta de todas, menos de 4km, e a única que pegamos em zona urbana. Carona 19: Bagé-RS para Hulha Negra-RS, com Hosana. Desistimos de tentar carona no posto de gasolina, que não parecia ainda tão "na saída" para a rodovia. Caminhamos cerca de 1h até chegarmos, de fato, a BR 293, em uma rotatória. Estávamos com a plaquinha "São Gabriel", contudo, ao observarmos o movimento da rotatória, sentimos uma forte intuição de que teríamos mais êxito se pedíssemos no sentido contrário, para "Pelotas ou Porto Alegre" - e essa foi nossa nova plaquinha. Em menos de 10 minutos, Hosana parou para nós. Disse que não está acostumada a dar carona para mochileiros, mas que sempre ajuda os policiais que pedem carona. Hosana nos deixou na entrada de Hulha Negra, quilômetros a frente. (Carona 19, com Hosana) Carona 20: Hulha Negra-RS para Pinheiro Machado-RS, com sr. Paulo. Novamente, menos de 10 minutos depois, sr. Paulo, natural de Candiota-RS, nos salvou de passar frio na estrada e nos levou até a entrada de Pinheiro Machado. Viajamos juntos ao som de clássicos da música caipira enquanto observávamos as paisagens de campos. (Carona 20, com sr. Paulo) Carona 21: Pinheiro Machado-RS para Pelotas-RS, com Rose e Wal. Poucos minutos depois de esperarmos novamente no frio congelante, Rose e Wal nos ofereceram carona. Fomos tomando chimarrão e conversando sobre o que achamos das cidades que conhecemos ao longo da viagem. Conversamos bastante sobre como as cidades no sul e no Uruguai são, de modo geral, mais seguras que em São Paulo. Rose nos falou sobre a praça do Mercado Municipal de Pelotas e topamos parar por ali mesmo. Chegamos em Pelotas por volta das 15h e decidimos pernoitar por lá. Mais uma vez, começou a saga de procurar lugar para pousar, enquanto conhecíamos o mercado e prédios históricos dos arredores. Na praça em frente ao mercado, abordamos um moço com um violão nas costas para perguntar se poderia nos indicar um lugar barato para comer. O moço, chamado Marcelo, foi h extremamente hospitaleiro e nos acompanhou por um tempo em nossa busca e trocamos contato antes de nos despedirmos. Naquela noite, conseguimos abrigo na casa de uma amiga do Manuh, no bairro Porto. Por termos gostado muito da cidade, decidimos passar mais um dia em Pelotas. Convidamos Marcelo para uma volta pelo centro da cidade e acabamos, no fim das contas, pedindo abrigo para ele na casa de sua família. Depois de uma tour por Pelotas, guiados por Marcelo, almoçamos com sua família e fomos recebidos com carinho. Não deixamos de experimentar os doces de Pelotas e conhecer a bancada de discos do James na feira em frente ao Mercado Municipal. (Carona 21, com Rose e Wal) (dia 18) Carona 22: Blablacar de Pelotas-RS para Eldorado do Sul-RS, com Ezequiel. A escolha de pegar um Blablacar, a essa altura da viagem, foi bastante estratégica. O objetivo era chegar até o Posto SIM, na saída de Eldorado do Sul, para encontrarmos lá o nosso amigo caminhoneiro seu Roberto, o mesmo que conhecemos na carona de número 9. Combinamos com seu Roberto que nos encontraríamos lá por volta da hora do almoço, para que pudéssemos, então, seguir com ele até Jaraguá do Sul-SC. Carona 23: Eldorado do Sul-RS para Jaraguá do Sul-SC, com seu Roberto. De fato, conseguimos encontrar nosso amigo seu Roberto no posto e seguimos viajando juntos até por volta das 22h. Paramos em um posto de gasolina próximo a Florianópolis para pernoitarmos e partimos novamente por volta das 3h. Chegamos a entrada para Jaraguá por volta das 5h e esperamos em um posto de gasolina até o dia amanhecer. (dia 19) Carona 24:Jaraguá do Sul-SC para Curitiba-PR, com seu Alberí, caminhoneiro. No mesmo posto em que ficamos em Jaraguá, fizemos uma plaquinha para "Curitiba" e, coisa de meia hora depois, seu Alberí parou para nós. Seu Alberí, um caminhoneiro com 35 anos de estrada, nos contou vários histórias sobre subornos policiais no Rio de Janeiro, sobre o problema com bloqueios eletrônicos dos caminhões - que "só servem pra deixar caminhoneiro estressado e matar caminhoneiro", sobre seguradoras que querem traçar rotas para os caminhoneiros sem, ao menos, conhecerem o dia a dia deles nas rodovias. Seu Alberí nos deixou na entrada para São José dos Pinhais-PR, mesmo local onde paramos no início da viagem e, assim, pegamos os mesmos ônibus novamente para o centro de Curitiba. Almoçamos no buffet livre (R$11,50) e pernoitamos novamente na casa de nosso conhecido. No dia seguinte, preferimos continuar descansando em Curitiba, onde almoçamos novamente em outro buffet livre (R$7,50) e aproveitamos a companhia do pessoal da república. (dia 20) Carona 25: de São José dos Pinhais-PR para Taboão da Serra-SP, com seu Edimilson. Para sairmos de Curitiba, pegamos um ônibus intermunicipal de volta para São José. Fomos pedir carona em um posto grande recomendado pelo seu Alberí, "Posto Aldo Locatelli". No posto, tentamos carona na saída com a plaquinha "São Paulo ou Campinas", não obtendo sucesso por cerca de 1h. Fizemos uma pausa para comer na conveniência e usar o wifi. Na saída da conveniência, fomos abordados pelo seu Edimilson, que perguntou nosso destino e nos ofereceu carona até sua cidade, Taboão da Serra, limítrofe de São Paulo capital. Edimilson nos contou sobre várias viagens que fez pelo globo motivado pelo seu hobby: o mergulho. Nos contou sobre as melhores experiências e perrengues mergulhando, assim como sobre vários outros pontos turísticos, como as pirâmides no Egito. Em Taboão da Serra-SP, encerramos a viagem pegando um ônibus e um metrô para o nosso marco zero, São Paulo-SP. Lá, jantamos na rodoviária e pegamos um blablacar para nossa casa em Campinas-SP. No fim das contas, depois de contar um pouco dessa maravilhosa odisseia, deixo algumas considerações para quem se sente inspirado a procurar o mesmo tipo de aventura. Já ouvi dizer por aí que "pressa não combina com viajar de carona" e isso é verdade! É possível, sim, viajar durante poucos dias de carona - até mesmo para fazer só um bate-volta em um fim de semana-, porém, a verdade é que, se você tem dia prazo para "estar de volta", você acaba se sentindo mais pressionado pelas circunstâncias imprevisíveis da aventura. Hoje tenho a percepção de que viajar pedindo carona é mais confortável quando se tem tempo de sobra, ou indeterminado, para ficar na estrada e poder aproveitar mais dias nos lugares em que, de fato, se quer parar. Outra consideração é que viajar de carona e de maneira econômica te proporciona uma visão muito menos idealizada do que aquela adotada em uma viagem convencional: não se conhece os lugares pelo olhar de turista - até porque, é muito comum acabar desviando de rotas turísticas -, mas sim, pelo olhar das pessoas que vivem diariamente a realidade dos lugares e das rotas que os cercam. Antes de viajar de carona, leia sobre o passo a passo a se seguir e o memorize bem. Procure os melhores pontos do trajeto para pedir carona e mantenha o pensamento sempre positivo. Se atente, também, aos dias da semana. Algumas rotas, como rodovias com postos de gasolina grandes, facilitam mais do que outras, como pistas estreitas e pouco movimentas, contudo, sempre dá pra conseguir uma condução! Cada lugar tem uma cultura diferente e isso também afeta no processo de pedir/conseguir carona, como comentamos sobre a experiência no Uruguai, mas essa questão se resume apenas em entender as particularidades do ambiente. No caso de quem vai pedir carona no Uruguai, principalmente no interior do país, meu conselho é o de fazer plaquinhas com destinos próximos, ainda que pareçam distâncias pequenas, ou, mais prático ainda, se valer apenas do número da Ruta desejada (ex: Ruta 8). O movimento das vias é muito menor do que no Brasil, mas, como dito antes, isso não é sinônimo de não conseguir carona. Se estiver indo para o Sul, dê atenção especial aos postos de gasolina da rede SIM, que tem boa estrutura e costumam ser maiores e frequentados pelos caminhoneiros. Dito tudo isso, desejo boa viagem aos que se inspiraram! Aos que não se inspiraram, espero que tenham feito boa viagem, ao menos, durante a leitura. Até breve, mochileiros e curiosos!
  17. 11 pontos
    Quem nunca ouviu o ditado, ‘quem vê cara não vê coração’. Essa frase é excelente para traduzir as lutas, dores e dificuldades de uma conquista. Para o amor, não existe montanha alta o bastante, não existe caminho difícil demais, não existe desafio impossível, não existe um horizonte que não possa ser alcançado. Muitas vezes retratada e imortalizada diante um click de uma câmera, a alta montanha se assemelha ao amor. Não vou neste modesto texto desfocar o que disse o consagrado George Mallory que, ao ser indagado por qual motivo ele buscava o cume das montanhas, respondeu de forma simples e clara: “Porque ele está lá”, mas produzir uma metáfora com o tão buscado e verdadeiro amor. É tudo muito lindo quando fotos são postadas nos bastidores do Facebook, muitas delas nas alturas, a dezenas de graus célsius abaixo de zero, quilômetros acima das nuvens. Um difícil click que, muitas vezes, foram necessárias semanas de preparo, dias de aclimatação e uma caminhada árdua e que colocou a própria vida do protagonista em risco. Pelo caminho, muito além de flores, cenários deslumbrantes e pássaros, foram encontrados precipícios, temperaturas extremas, e as gretas traiçoeiras, que são as fendas no gelo, que podem ter dezenas de metros e que ficam encobertas por uma camada fina de neve, ocultas como um alçapão à espera do montanhista descuidado. É pisar, cair e morrer. Sim, muitas fotos trazem consigo o renascimento e a oferta de uma nova vida. O frio também cobra seu preço. Mesmo ‘mumificado’ com roupas especiais, temperaturas que podem chegar a 70 graus negativos costumam acometer as extremidades do corpo, sendo pontos vulneráveis os dedos e o nariz. Da mesma forma exemplifico o amor. Existem pessoas que nunca ousaram subir alto, admiram fotos e reportagens sobre a alta montanha e jamais se imaginam enfrentar tamanho desafio. Existem também os persistentes, insistentes e desafiadores, que enfrentam desafios para trazer para casa suas conquistas. Existem também aqueles que se contentam apenas em observar de camarim e aqueles que estendem uma toalha aos pés das altas montanhas, sem pretensão alguma de escalar. Seja lá a forma que você se enquadra, todas as opções refletem a busca pelo amor. Cada um em uma forma específica. Mas é aí que paramos para pensar, será que nos esforçamos de forma suficiente para encontrar o amor? Até onde preciso subir para que esse encontro se efetive? Por vezes, estamos no pé de uma montanha e lá estacionamos. Estagnados, permanecemos à espera do amor que pode estar poucos metros acima. Nos iludimos e nos conformamos com o fácil, acreditando que já estamos alto suficiente para encontrar o amor. O caminho do amor não se apresenta de forma fácil, muito pelo contrário, é árduo, perigoso e tal encontro não acontece por acaso, sem que você pare de sentir suas extremidades ou que sua respiração esteja beirando o impossível, diante o ar rarefeito e o despreparo para ver o que realmente o amor tem a lhe mostrar. Caminhos para o cume são vários e é você quem escolhe o que mais lhe convém, porém, visão do alto você não muda, existe apenas uma. Eu já estive lá em cima. Mas o que poucos, ou que quase ninguém sabe, é que por vezes quase não voltei. A neve faz o caminho desaparecer e, sem uma orientação eficiente, o seu retorno pode jamais acontecer. E lá está você, no alto da montanha, à espera do momento único de encontrar o seu amor. Sorriso no rosto ao perceber que superou adversidades e obstáculos que pareciam intransponíveis e, de repente, do nada, quando tudo parecia lindo, uma avalanche te surpreende. Você fica praticamente sem chão e seus pés tremem em uma base instável e sem sustentação. Todo seu esforço parece ruir, sua luta em busca do amor parece que de nada valeu. E em minutos você desce desgovernado sem entender o motivo que está te levando para baixo. Ao abrir os olhos, você percebe que está novamente aos pés da montanha e que só lhe resta juntar os destroços e, quem sabe, fazer uma nova tentativa, talvez, em uma outra montanha, sem ignorar as condições geográficas, climáticas, os perigos mortais e desafios muitas vezes ocultos. Ironia do destino, por mais bonito que pareça ser, ninguém pode viver no cume, que é um lugar para escalar, contemplar, deixar registrado uma marca e marcar sua história, e então descer e se preparar para arriscar montanhas mais altas e ter novas histórias para contar. Sim, eu já estive lá em cima. Por algum tempo, mas estive. Talvez não na mais alta montanha da minha vida, mas já estive lá. Tenha a consciência que você pode até mover montanhas e para isso precisa começar carregando pedras pequenas. Não espere a perfeição de imediato, pois essa é uma montanha que muitas vezes levará toda uma vida para ser escalada, um pouco a cada dia. Siga seu caminho, para o alto e avante. Lembre-se, nós não tropeçamos nas grandes montanhas, mas nas pequenas pedras. O amor realmente é uma montanha, e eu perdi o medo de altura. E por mais que saibamos que o cume é apenas um lugar de visitação, em uma destas aventuras podemos encontrar o amor bem lá no alto, em um lugar lindo e quente, e contra toda a regra da vida façamos desse lugar um lar eterno. Leve com você o ensinamento do provérbio chinês: não importa o tamanho da montanha, ela nunca poderá esconder o sol de sua vida. Bons Ventos!!! Luka Izzo
  18. 11 pontos
    Olá, Pessoal. Pra quem não sabe eu trabalho em uma agência de turismo em Cusco e recebo muitos brasileiros e estou criando este post aqui para relatar um grave e desconhecido problema que um dos meus clientes viveu aqui na última semana. Vou resumir bem para que fique registrada esta dica que é muito importante a todos que pretendem viajar a Cusco ou a qualquer outra cidade que está muito acima do mar. Peço para a moderação que mova o tópico para outra seção caso seja mais adequada. No segundo dia após a chegada o grupo (uma família) cancelou o tour que tinham agendado porque um deles sentia dores muito fortes na "barriga". Como foi piorando ao longo do dia eles buscaram uma clínica conveniada com o seguro que eles tinham. No dia seguinte, cancelaram o outro tour e o líder do grupo me comunicou que seu irmão estava com uma suspeita de complicações no baço e os médicos recomendavam uma cirurgia de emergência. Este cliente é médico, e apesar do problema sugerido pelos médicos locais não ter nada a ver com a área de especialização dele, ele começou a pesquisar e entrar em contato com seus colegas no Brasil e chegou até a uma complicação que é conhecida como "sequestro esplênico" (alguns chamam de "infarto no baço"). É uma complicação muito séria e que requer uma cirurgia de emergência bem delicada. Como Cusco não oferecia estrutura (confiável) eles precisaram levar o paciente em avião até Lima onde o rapaz passou pela cirurgia e deverá receber alta amanhã (dia 12/julho) para poder voltar ao Brasil. Causas desta complicação: o meu cliente, por ser médico, buscou diversos artigos e publicações nestes últimos dias e me disse que a altitude foi a causa de tudo. Descobriram ainda que seu irmão sofre de alterações sanguineas (não entrarei em detalhes pra não falar do que não conheço) e que não afetam a vida de ninguém que vive a nível do mar, mas que na altitude pode causar este problema no baço e aí sim se tornar algo realmente grave. Vou copiar e colar abaixo o que o cliente me enviou como sugestão para todos que vão viajar para altitude que nada mais é do que um exame simples de sangue que pode detectar estas alterações e a partir daí buscar um médico e decidir se quer viajar ou não. Há ainda alguns artigos (em inglês e espanhol) sobre esta complicação em altitudes (inclusive em Huaraz, no Perú). Sugestão para todas as empresas de turismo: sugerir que todos os visitantes de Cusco façam o exame de ELETROFORESE DE HEMOGLOBINA antes da visita. Se tiver alguma alteração, procurar um hematologista antes da viagem. Isto evitará possíveis problemas de saúde sérios que podem se manifestar na altitude de Cusco Esta alteração no exame é o TRAÇO FALCIFORME (ou rasgo falciforme, em espanhol) Meu irmão passou por uma situação muito crítica aí em Cusco, que poderiam ter sido evitada, caso soubéssemos desta alteração antes. Felizmente, agora está bem em Lima, receberá alta amanhã para voltar ao Brasil. Mas isto só ocorreu pq sou médico e contei com a ajuda de vários amigos médicos no Brasil e em Lima. Artigo sobre o caso que aconteceu em Huaraz http://www.scielo.org.pe/pdf/rgp/v29n2/a11v29n2
  19. 10 pontos
    Relato Caminho Português de Santiago de Compostela Primeira vez escrevendo um relato de viagem, e como toda primeira vez tem que ser especial, esse relato é sobre uma viagem muito especial. A experiência mais incrível até hoje, difícil, intensa, enriquecedora. Desde a primeira vez que ouvi falar sobre o Caminho de Santiago eu quis percorrê-lo e foram mais ou menos seis anos até que esse sonho pudesse ser realizado. Eu sempre gostei de caminhar, me dá a sensação de liberdade. E neste caso não seria apenas caminhar, seria uma longa jornada passando por muitas cidades e pequenas vilas que eu desconhecia completamente ou apenas ouvira falar de seus nomes. Seria muito mais do que caminhar ou querer apenas alcançar um destino, afinal, se a intenção fosse apenas chegar existiam maneiras mais fáceis do que andar centenas de quilômetros a pé. Percorrer o Caminho de Santiago tem um significado muito particular para cada um de seus peregrinos, cada pessoa com quem encontramos pelo caminho tem uma história de vida, uma história com o caminho e um porque só seu de estar ali. O Caminho de Santiago de Compostela é uma das peregrinações mais conhecidas em todo o mundo. A peregrinação tem como destino final a cidade de Santiago de Compostela na região da Galícia na Espanha, onde por volta do ano 830 d.C. foi encontrado o túmulo do apóstolo Tiago. A noticia dessa descoberta foi levada ao rei Afonso II de Astúrias que viajou até o local da descoberta partindo da sede de seu reino. Chegando lá e após confirmar a descoberta mandou construir uma capela e tornou-se o primeiro peregrino oficial. Dessa forma surgiu um dos mais importantes centros de peregrinação cristã. Ao longo dos séculos, milhares de pessoas têm percorrido os caminhos que levam a Santiago de Compostela em busca de reflexão, autoconhecimento e para professar a sua fé. Existem muitas rotas para se chegar até Santiago de Compostela e alguns pontos mais conhecidos e procurados para iniciar o percurso, porém na verdade cada um pode iniciar o seu caminho onde bem quiser. Após muita pesquisa, leitura sobre o caminho e planejamento., resolvi que dos muitos caminhos que levam a Santiago de Compostela iria percorrer o Caminho Português Central. O Caminho Português é a segunda rota mais utilizada para se chegar até Santiago de Compostela na Espanha, perdendo apenas para o famoso Caminho Francês, cujo percurso total tem aproximadamente 800 km e costuma ser feito de 30 a 40 dias passando por diversas regiões da Espanha. Ainda é um sonho caminhar esses 800 km, mas diversas razões me levaram a escolher para essa primeira vez o Caminho Português Central. A principal razão é que essa seria a minha primeira vez em uma experiência desse tipo, uma peregrinação que exige tantos dias de caminhada. Eu nunca tinha feito antes um trekking que durasse vários dias, por exemplo, então, mesmo não sendo uma pessoa sedentária eu não fazia idéia de como meu corpo reagiria a um esforço tão prolongado. Nos meses que antecederam a viagem me preparei fisicamente, fiz muitas trilhas em montanhas, caminhadas e musculação para fortalecer o corpo e isso tudo foi bem importante. Enquanto planejava me encantei pela idéia de caminhar pelo norte de Portugal e por parte da Galícia na Espanha e a viagem ia então tomando forma. Cada viajante faz seu próprio caminho. É o que se diz a respeito dos peregrinos. Oficialmente esse caminho inicia em Lisboa. Segundo muitos relatos não há muitos albergues peregrinos municipais entre o trecho Lisboa e Porto, por isso a grande maioria das pessoas opta por iniciar no Porto e foi o que decidi fazer também. Mas com certeza em outra oportunidade com mais tempo disponível gostaria de fazer esse Caminho iniciando em Lisboa. Partindo da Catedral da Sé no Porto até alcançar a Catedral de Santiago de Compostela foram 245 km de caminhada em 11 dias. Antes de detalhar cada etapa da minha peregrinação quero descrever um pouco os dias de viagem em Portugal que antecederam o seu inicio. Infelizmente não tenho uma planilha de gastos, pois sou péssima com isso. Em todas as viagens anoto os gastos nos primeiros dias e depois acabo deixando isso pra lá quando percebo que o dinheiro vai ser suficiente. (RS) Não vou detalhar muito essa parte da viagem, mas sim eu gostei bastante dessa etapa. Encantei-me com a hospitalidade dos portugueses desde o primeiro momento, a maioria com quem conversei demonstrou gostar dos brasileiros. Em Portugal tem muitos brasileiros também, nos restaurantes, hostel e em toda parte. A maioria bastante solicita com a recém chegada que era eu. Chegada em Portugal Não é toda hora que a gente pode fazer uma viagem à Europa em tempos de real tão desvalorizado, então antes de rumar a Santiago de Compostela a idéia era conhecer um pouco de Lisboa e Coimbra a ultima cidade a ser inclusa no roteiro. Cheguei a Lisboa no dia 13 de agosto no período da manhã. Vôos noturnos pra mim são bem cansativos, pois raramente consigo dormir, mas o vôo foi bem tranqüilo. Vôo da Cia aérea Azul, que saiu por um preço razoável após muitos dias de pesquisa (R$ 2850,00 aproximadamente ida e volta saindo de Viracopos para Lisboa e a volta do Porto para Lisboa). Ter comprado um vôo multitrip ( quando a ida e a volta são rotas diferentes, como nesse caso) foi ótimo para a logística da viagem, assim pude conhecer duas importantes cidades antes de fazer o caminho e no final não precisei voltar até Lisboa. A imigração em Lisboa foi bem tranquila, a funcionaria que me atendeu não perguntou nada sobre dinheiro ou seguro (embora o seguro seja obrigatório) me perguntou quanto tempo eu ficaria por lá e eu expliquei que faria o caminho e a moça me pareceu bem curiosa sobre isso. Em Lisboa é muito fácil se locomover com o transporte público, fui de metrô até o Brothers Hostel que já estava reservado. O hostel fica a poucos minutos de caminhada do centro e da Avenida Liberdade. Cheguei ao hostel por volta das 10 horas da manhã, o check-in seria somente às 15 horas, porém o local cobrava um valor por hora para deixar a mochila lá antes do check-in... Achei aquela recepção bem frustrante e claro, não paguei, fui dar uma volta pelas redondezas com meu mochilão nas costas. Fora isso a recepção do hostel nem sempre tinha pessoas que falassem português, apenas inglês, o quarto era um pouco apertado, o café da manhã era muito bom, tinha uma cozinha para esquentar comida e os banheiros estavam sempre limpos. Bom custo benefício. Apesar de bastante cansada, já nesse primeiro dia foi possível ver e me encantar com muita coisa. A famosa Praça do Comercio, os Arcos da Rua Augusta, o rio Tejo, que tanto me lembrou dos antigos poetas. A região central mais antiga é repleta de monumentos históricos e estatuas que homenageiem personagens importantes portugueses. Em agosto o verão europeu está no auge, nesses dias que passei por lá fez bastante calor, porém no fim da tarde sempre batia um vento gelado. É a alta temporada de férias dos europeus então havia turistas para todos os lados, pessoas com diferentes idiomas pelas ruas, restaurantes e praças. Apesar da cidade parecer bem cheia como a minha intenção não era pular de um ponto turístico a outro isso não foi um problema, mas a fila era notável em alguns locais. No segundo dia fui conhecer o bairro do Belém. Foi um dos lugares que mais gostei em Lisboa. Novamente usando o transporte público, metro e comboio (trem). Não fui a nenhuma atração paga e foi um dos dias mais proveitosos. Conheci o Padrão dos Descobrimentos, que com sua imponência homenageia os navegadores portugueses que desbravaram os mares ao longo da história. A famosa Torre de Belém que eu queria muito ver, em frente à torre tem um parque cujo nome não me lembro e seguindo em frente fica o museu do combatente. Após almoço no Café do Forte bem próximo a Torre de Belém, atravessando a avenida e caminhando um pouco fica o Centro Cultural do Belém e logo depois o Mosteiro dos Jerônimos, onde havia visitação gratuita, uma igreja imensa e muito bonita por dentro e por fora. Depois segui para um lugar bem tradicional onde foi inevitável pegar uma fila grande, Pastéis de Belém, o verdadeiro é feito nessa pastelaria, em todos os outros locais chamam de pastel de nata. Não é um lugar caro, cada pastel custa 1,15 euros. Comprei alguns e fui comer em outro parque bem pertinho dali com bastante sombra para descansar daquele calorão. Ainda no fim da tarde mais uma caminhada até o MAAT, Museu de arte, arquitetura e tecnologia, onde na área externa tem-se uma bonita vista do rio Tejo. Passei ainda pela Ponte 25 de Abril que liga a cidade de Lisboa com a cidade de Almada. Na ponte há uma visita guiada que eu queria ter feito, mas devido ao horário não foi possível. No dia seguinte fui conhecer outros bairros em Lisboa. Bairro Alto, Alto Chiado e Santa Maria Maior, no Bairro alto você pode chegar usando o elevador de Santa Justa, o tradicional bonde (eléctricos) ou apenas subir a ladeira que foi o que eu fiz. O almoço foi na Fabrica da Nata, uma pastelaria tradicional com preços acessíveis, além dos pastéis de nata que custa um euro, há diversas opções de sanduíches quentes ou frios e vinhos. Foi mais um dia batendo perna pela cidade. Encantei-me pelas paisagens na freguesia de Santa Maria Maior, onde fica o Castelo de São Jorge, À tarde, novamente na Baixa de Lisboa, resolvi provar o gelato na Amorino´s, na casquinha o gelato é servido em formato de flor. Dia seguinte parti para a cidade de Coimbra. Viagem de ônibus de quase duas horas que custou 14,50 euros (comprei a passagem no terminal de ônibus, mas comprando antecipadamente provavelmente sairia mais barato). Em Coimbra fiquei hospedada no NX Hostel que eu recomendo muito pela minha experiência lá. Todos os funcionários foram atenciosos e simpáticos. O hostel funciona em um antigo casarão reformado e as instalações não deixam a desejar em nada. O café da manhã tem muitas opções e é servido em uma área externa, local bem agradável para começar o dia. Fiquei em um quarto misto para 4 pessoas. O hostel fica na Praça da Republica e bem perto da Universidade. A famosa Universidade de Coimbra é a alma da cidade, uma das universidades mais importantes de Portugal e até do mundo é impensável ir a Coimbra e não visitar a Universidade. A visita é gratuita e pode-se circular por quase todos os complexos. Bem próximo dali fica o Jardim Botânico, um lugar enorme com inúmeras espécies de arvores e plantas. Coimbra é uma cidade grande com certo charme de cidade pequena. O centro histórico com suas ruas estreitas, a Catedral da Sé, O Seminário Maior onde se tem uma vista do alto da cidade e com certeza um passeio pela margem do rio Mondego não pode faltar. Coimbra foi a ultima cidade a ser incluída em meu roteiro. Não gosto da idéia de ficar pulando de cidade em cidade sem conhecer nada direito. Gosto de ter tempo para apreciar as coisas sem correria, andar e gastar mais tempo onde achar interessante. Por isso não parei em muitas cidades nesses dias antes do caminho e não me arrependo. Coimbra foi inclusa também por ser uma das mais importantes cidades no caminho entre Lisboa e a cidade do Porto, e a idéia era fazer um roteiro seguindo nessa direção. Foram dois dias ali e mais uma vez mochila nas costas, hora de partir para o Porto. A viagem de ônibus durou cerca de uma hora e custou 12,50 euros. Nessa primeira passagem pela cidade me hospedei no Alma Porto hostel, que fica a poucos minutos de caminhada do terminal de ônibus o que facilitou bastante a minha chegada. Afinal quem viaja de forma independente sempre tem aquela estranha sensação de chegar a um lugar novo e pensar “e agora pra onde vou?”. Nesse caso foi só caminhar algumas ruas. O hostel era também um grande e antigo casarão, com paredes de pedra, quartos grandes e espaçosos. Apenas o café da manhã era fraco, mas no geral um bom custo beneficio. E desde a chegada à cidade onde iniciaria minha peregrinação um misto de felicidade e ansiedade ia tomando conta de mim. Fiz o check-in no hostel me acomodei e fui em direção a Rua de Santa Catarina almoçar no Fabrica da Nata, além de já conhecer e gostar de lá não queria perder tempo procurando um lugar para comer. A Rua de Santa Catarina é uma importante região comercial, tem lojas, restaurantes shoppings e camelôs por toda sua extensão. Lembro que quando saí de Lisboa pensei em passar os próximos dias antes do caminho fazendo passeios mais pontuais, mas por mais que eu quisesse passar um tempo desacelerando antes de começar a peregrinar eu não conseguia. Não consegui não andar pra cima e pra baixo em Coimbra e tampouco consegui no Porto. Eu não esperava ver tudo em poucos dias, mas de qualquer forma era a minha primeira vez no velho continente, e em todos esses lugares por onde passei tinha a sensação de ter muita coisa para ser vista, muita coisa que valia a pena ser vista. Sempre gostei muito de história e em Portugal a história se mostra em toda parte, tudo é bastante antigo é um país que valoriza muito a sua história e como brasileira me identificava muito com essa história da qual estava conhecendo um pouco mais nessa viagem. Então tudo bem eu não desacelerei aproveitei o que foi possível desses dias no Porto enquanto tratava dos últimos preparativos para a minha grande jornada rumo a Galícia. Antes da viagem me disseram que o Porto tem uma atmosfera um pouco mágica e é verdade. No bairro da Ribeira às margens do Rio Douro, sentindo a brisa gelada do final de tarde eu tive essa mesma sensação sobre a cidade. Caminhei pelas estreitas ruas de paralelepípedo, algumas abarrotadas de turistas, fique impressionada com a estação São Bento, que de fora nem parecia uma estação de trem, visitei a torre dos Clérigos e o mercado Bolhão. Um dia antes do inicio do meu caminho era a hora dos últimos preparativos. Passei em um mercado perto do hostel e comprei algumas coisinhas pra comer durante o dia seguinte. Passei também em uma loja de produtos eletrônicos onde pedi pra darem uma olhada no meu celular que não estava carregando direito. Disseram-me que o problema era o cabo, então comprei outro cabo para carregar o celular e achei que o problema estava resolvido. Voltei ao hostel, deixei lá as coisas que havia comprado e parti em direção a Catedral da Sé. Tinha algumas dúvidas sobre o inicio do caminho então pretendia ir até o Centro de Acolhimento a Peregrinos do Caminho de Santiago, na Capela Nossa Senhora das Verdades que fica numa rua logo abaixo a Catedral, porém o local estava fechado. Fui então ao centro de informações turísticas onde uma funcionária muito solicita me deu um mapa do percurso do caminho na cidade do Porto e me explicou a diferença entre as setas que indicam o caminho central e as setas que indicam o caminho da Costa. Na verdade não teria como confundir os dois caminhos, mas só percebi depois. O caminho de Santiago é todo sinalizado por setas amarelas, então basicamente é só seguir na direção das setas até o próximo ponto de parada. Mas eu ainda não estava muito segura se seria realmente tão simples e se o caminho principalmente nessa região tão urbana seria bem sinalizado então com o mapa na mão resolvi seguir as primeiras setas do caminho para “estudar” esse inicio do percurso e confesso que me atrapalhei um pouco, num certo ponto a seta apontava para uma rua que teria que atravessar e depois eu não achava a outra seta. Claro, eu tinha o mapa, mas queria entender a lógica das setas. Não era mesmo difícil segui-las e fui treinando o percurso até chegar numa rua não muito longe da Catedral e que seguiria numa reta quase interminável e claro vi pelo mapa que dali era muito simples seguir. Em lugares que não conheço muito bem eu tenho a grande tendência de me perder e não tenho muito senso de direção, então um dos maiores medos que eu tinha era de me perder e acabar perdendo tempo indo na direção errada, mas verificando essa pequeno trecho do caminho eu me senti mais preparada para não cometer erros desse tipo. Faltava apenas comprar uma vieira de Santiago, uma concha com a cruz de Santiago que me disseram que eu encontraria na Torre dos Clérigos. Na verdade encontrei a vieira em uma loja de artigos religiosos quase em frente à torre que custou muito mais caro do que custa em qualquer outro lugar... Enfim, erros que a gente acaba cometendo em viagem, mas não pague mais do que 1 ou 1,50 euros por uma vieira. A vieira é um dos mais conhecidos símbolos do caminho de Santiago e eu queria sim tê-la na minha mochila no dia seguinte. Voltei cedo para o hostel naquela noite, deixei tudo o mais organizado possível para o dia seguinte e separei a roupa que ia usar. Eu raramente consigo dormir cedo, mas queria ao menos deitar cedo e descansar um pouco o corpo. Caminhando 1° dia. Do Porto até Vilarinho, 26,9km Acordei por volta das cinco e meia da manhã. Nunca fui fã de acordar cedo então já estava começando a superar um grande desafio. Como tinha deixado tudo organizado me arrumei bem rápido, tentando não fazer barulho e apenas com a luz de uma lanterna para não incomodar as outras pessoas do quarto. Em poucos minutos já estava na rua ainda com céu escuro, caminhando em direção a Catedral da Sé. Do hostel até a Catedral teria que caminhar mais ou menos 25 minutos e como queria ir por um caminho mais curto e diferente dos que tinha feito antes, pedi informação a um senhor na rua e o mesmo me disse que para ir a pé a catedral estava muito longe, mas me indicou o caminho de qualquer forma. Já que distancia não era um problema pra mim segui para o ponto zero da minha caminhada já com o dia amanhecendo. A imensa Catedral da Sé no Porto parece ainda mais imponente nas primeiras horas da manhã. Sem a multidão de turistas, o céu ainda adquirindo as cores daquele novo dia e naquele grande pátio em frente à catedral apenas algumas pessoas de mochila nas costas que tinham com certeza o mesmo destino que eu. Fiz ali uma oração, pedi a Deus para guiar meus passos no caminho. Sentei em um degrau, comi alguma coisa e tomei um suco. Logo em seguida comecei a seguir as setas amarelas. Como havia estudado esse primeiro trecho do caminho, não tive dificuldade. Caminhei firmemente, sem pressa, no meu ritmo. Quando o caminho chega à Rua de Cedofeita se estende numa reta quase sem fim e foi seguindo por ali que escutei o primeiro “Buen Camino” do meu caminho e aquilo encheu meu coração de alegria. Mais a frente, parei em um mercado para comprar água e me atrapalhei para voltar ao caminho certo... Nesse primeiro dia a paisagem é predominantemente urbana. Muitos carros, apenas ruas de asfalto e bairros industriais. Em alguns pontos mal havia acostamento para caminhar e era preciso tomar bastante cuidado com os carros. Ainda estava tudo bem diferente do caminho que imaginei. Apenas chegando a Moreira da Maia a paisagem urbana vai se distanciando dando lugar ao verde do interior. O calor era intenso, não havia muita sombra. No município de Araújo comecei a caminhar com o Ricardo, que é português e com quem conversei muito sobre muitas coisas. Fomos até a cidade de Vilarinho, onde nos hospedamos no albergue particular Casa de Laura por 12 euros (valor normalmente cobrado nos albergues particulares). O lugar era bem confortável e não havia muitas pessoas hospedadas lá. Após tomar um banho e lavar as roupas saímos para comer perto dali. Vilarinho é uma cidade bem pequena, não havia nada para fazer por ali. Como não estávamos cansados Ricardo e eu fomos até a praia de uber a poucos minutos dali. Um passeio bem inusitado e bem agradável. 2° dia. De Vilarinho a Barcelos 28,1km Acordei bem disposta, me alonguei como café da manhã, comi bolinhos que ainda tinha na mochila e pé na estrada novamente. A paisagem era completamente diferente do dia anterior e o caminho tomou outra forma. Muito verde, ruas de paralelepípedo, um rio bem tranqüilo que refletia a ponte sobre ele. O cenário ideal para caminhar e se conectar com o caminho e com você mesmo. Você pode escolher caminhar sozinho, mas sempre haverá no seu caminho boas companhias. A conversa sempre começa com um “buen camino”, a saudação oficial no caminho de Santiago e logo se tem um novo companheiro de jornada, ainda que seja apenas por algumas horas ou alguns quilômetros. Nessa manhã conheci um grupo de mulheres que estavam caminhando juntas desde a saída de seu albergue e me convidaram a caminhar junto com elas e claro, eu aceitei. Eram elas, Maria, de Portugal, Cecilie, uma jovem indonésia que mora na França e Katerine, uma senhora canadense. Conhecer pessoas tão diferentes de mim é certamente um dos presentes que o caminho nos oferece. Juntas nós quatro caminhamos alguns bons quilômetros naquele dia de baixo de um sol muito forte que parecia só piorar com o passar do dia. Cecilie eu na verdade já tinha visto no dia anterior em um café, andava rápido, estava sempre um pouco à frente, Maria foi com quem eu mais conversei, foi uma grande companheira nesse dia. Katerine, uma inspiração pra mim, estava fazendo o caminho aos 65 anos de idade, infelizmente não pode seguir conosco até o final naquele dia, pois estava bem cansada e precisou parar antes. Seguimos em frente, passando por plantações de milho, bosques, ruas de terra, ruas de asfalto, muitas igrejas e para minha felicidade vários campos de girassóis. Foram longos trechos sem sombra alguma, poucos lugares com água potável e depois do almoço foi ainda mais cansativo. Maria e eu paramos varias vezes para descansar. Cecilie sempre na frente até que a perdemos de vista. Levamos muitas horas até chegar a Barcelos. A cidade é bem turística, logo na entrada tem um enorme galo, um dos símbolos de Portugal. Infelizmente estava tão cansada que não consegui ver muita coisa da cidade. Chegando ao albergue Cidade de Barcelos, após um penoso dia o lugar estava lotado. A senhora responsável pelo local nos disse que só havia um pequeno quarto onde poderíamos dormir em colchões se não nos importássemos em dividir o lugar com uma garota que já estava lá. Não nos importamos e a garota era Cecilie que havia chegado um pouco antes. Nesse albergue não havia um valor específico para pagar, era só fazer uma doação com valor que pudesse pagar colocando o dinheiro em uma caixinha. Foi nesse dia que fiquei sem celular, pois meu aparelho quebrou. Não havia o que fazer sobre isso além de me conformar. Felizmente para tirar fotos tinha levado uma câmera e tinha um tablet então não fiquei completamente incomunicável. Maria teve muitas bolhas nos pés, teve que ir ao centro médico e infelizmente não iria seguir no caminho. O quartinho onde estávamos no albergue era bem abafado então para não passar tanto calor à noite pegamos nossos colchões e nossas coisas e aceitamos a sugestão da dona do local e dormimos na recepção do albergue. Simples assim, sem frescura, grata por mais um dia na jornada que eu havia escolhido. Na simplicidade você percebe que tem tudo àquilo que precisa. 3°dia De Barcelos até Portela de Tamel 10 km No caminho de Santiago nenhum dia é igual ao outro. A paisagem muda constantemente, o tipo de solo muda quase que a cada curva. Algumas pessoas você encontra varias vezes ao longo dos dias, outras caras novas vão surgindo. Com o passar dos dias o corpo vai sentindo o esforço prolongado também. Doem os pés, as pernas as costas... Às vezes alguma dor vai incomodar bastante. Tem dias em que é mais fácil se manter em movimento, em outros, você quer parar a todo instante. A única rotina consistia em acordar bem cedo, me arrumar, arrumar a mochila e partir. E ao chegar ao próximo local de descanso, tomar um banho, lavar a roupa e comer. Não dava pra fugir disso. Nesse terceiro dia Cecilie e eu seguimos juntas. Devido ao cansaço do dia anterior, fizemos uma das etapas em duas partes, caso contrario seria um percurso de quase 34 km e o calor estava fortíssimo. Não havia muitas opções de albergues antes de chegar a Ponte de Lima, então nesse dia o trajeto foi de apenas 10 km até Portela de Tamel, uma vila minúscula onde além do albergue havia uma igreja, um restaurante e mais nada. Por ter feito um trajeto mais curto que os outros dias foi relativamente mais fácil. Cecilie e eu conversamos bastante apesar do meu inglês não ser dos melhores. Nesse dia encontrei um casal de brasileiros, até então não havia encontrado ninguém do Brasil. Chegamos ao albergue por volta das 10 horas da manhã e o local só abria às 14 horas. Ficamos esperando abrir no restaurante em frente onde tomamos algumas cervejas. Não havia nada para fazer por ali então foi um dia de descanso. 4° Dia De Portela de Tamel até Ponte de Lima 23,7 km Mais um dia de lindas paisagens. O caminho te leva por bosques, trilhas, videiras. Provavelmente um dos dias mais bonitos em relação ao visual em todo o trajeto. A paisagem jamais te deixa entediado. Comecei o dia sozinha novamente. Em paz com meus pensamentos. Apreciando a minha companhia, com um longo caminho ainda pela frente, mas firme em cada passo. Ainda nas primeiras horas do dia conheci o Alberto, um italiano que me fez companhia durante todo esse dia. Alberto não falava muito bem inglês e eu também não, mas quando duas pessoas querem se comunicar elas dão um jeito de se entender e assim passamos o dia. Às vezes ele não me entendia e eu tinha que repetir alguma frase ou eu não o entendia e ele se esforçava pra me falar com outras palavras. Com o passar dos dias as suas pernas vão se acostumando com o esforço, mesmo assim ainda doem, principalmente quando você para por alguns minutos. Alberto às vezes caminhava junto comigo e às vezes eu acabava ficando para trás. Seguindo tranquilamente num percurso bastante agradável, com bastante sombra, cruzando pequenas vilas, trilhas em meio à natureza e nisso um sentimento de gratidão vai se intensificando. Gratidão por estar ali no caminho e tudo dar tão certo. Naquele dia já havia me acostumado bem a acordar tão cedo, pular da cama e em pouco tempo estar no meu caminho. Para muitas pessoas isso é simples, mas eu definitivamente não sou uma pessoa matinal, há anos trabalho no período da tarde, sempre tive o costume de dormir tarde, mas nessa jornada consegui transpor mais essa dificuldade e sim eu estava orgulhosa de cada pequena conquista durante todo o meu caminho. Eu que sempre me considerei muito distraída e avoada, aprendi a estar atenta. Por muitas vezes eu me perguntava se estava no caminho certo e quase sempre quando pensava isso logo via outra seta amarela para tirar minhas incertezas. Então logo eu pensava. Ok está tudo certo é só continuar seguindo, você está indo bem. Em muitos momentos eu sentia que o caminho é uma metáfora da vida. Na vida a gente às vezes fica confusa sem saber se está no lugar certo, no emprego certo, com as pessoas certas, a gente quase implora por um sinal, mas a falta de um sinal também pode indicar que estamos tomando o rumo errado. No caminho e na vida também. Nesse dia cheguei a Ponte de Lima por volta do meio dia. Quase não senti a caminhada, não senti o cansaço que geralmente sentia na chegada. Reencontrei o Alberto na ponte principal da cidade, ele já havia ido até o albergue público e como só abriria às 15 horas, procuramos um lugar para almoçar e tomar cerveja, porque aquele calor pedia uma cerveja gelada. Ponte de Lima é uma das cidades mais encantadoras desse caminho. Com certo ar medieval, construções muito antigas em paredes de pedra, banhada pelo rio Lima. Muitos peregrinos iniciam ali o seu caminho e a cidade estava também cheia de turistas. O albergue público ficava logo depois da ponte, em um edifício muito antigo como quase todos da cidade. No quarto onde fiquei havia uma varanda com uma linda vista da cidade e principalmente da ponte e do rio. O quarto era enorme com aproximadamente 30 camas, o único que não eram camas beliche e tinha um armário enorme para cada pessoa, um luxo para um albergue público. Foi ótimo ter chegado cedo à cidade, acabou sendo um dos dias mais proveitosos. Alberto e eu fomos passear no rio, tentei tomar sol, enquanto ele entrou na água que parecia gelada. É engraçado como em tão pouco tempo a gente se aproxima das pessoas que conhecemos em viagens a ponte de ter conversas tão sinceras e reflexivas sobre a vida, os planos, o futuro... Alberto é muito inteligente, mesmo sem falar inglês tão bem falava pelos cotovelos e naquela vibe boa praticamos um pouco de yóga. Saímos dali, novamente para sentar em um bar e tomar uma super bock, uma das cervejas mais tradicionais em Portugal. À noite jantamos junto com outros italianos e Alberto ia traduzindo a conversa toda para mim. 5° Dia de Ponte de Lima até Rubiães 17,9 km O caminho vai nos surpreendendo todo o tempo. No caminho português central não há muita dificuldade técnica, no geral basta ter disposição para caminhar bastante. Porém essa etapa foge bastante à regra. Nessa etapa temos muitas subidas por trilhas em meio à mata e muitas pedras nessas subidas. Foi de grande ajuda nesse trecho ter um bastão de caminhada. Mesmo onde só havia trilhas de pedras as setas amarelas estavam lá, mas é preciso ter mais atenção. Houve um momento em que quase segui errado e fui chamada de volta ao rumo certo pela Carie, australiana que conheci no primeiro dia e vira e mexe reencontrava. E esse foi o primeiro dia caminhando sozinha. No caminho nunca se está completamente só e nessa altura já havia muitas caras conhecidas com quem reencontrava frequentemente. Eu também já me tornara um rosto conhecido para muitos deles. Ainda que não pudesse me comunicar tão bem com todos devido principalmente as diferenças de idiomas, era como fazer parte de um grupo, andávamos quase no mesmo ritmo, parávamos nas mesmas cidades, dormíamos nos mesmos albergues e até no mesmo quarto que era sempre coletivo. Como mulher que frequentemente viaja sozinha, a minha principal preocupação é a segurança. Em nenhum momento em todo o caminho me senti insegura ou com medo. Obviamente estava sempre atenta, como brasileira, infelizmente a gente se acostuma com a sensação de que pode estar em risco em certos lugares ou situações, mas em todo meu percurso não houve nenhum momento que tivesse sentido algo assim, mesmo caminhando sozinha por muitos quilômetros. Havia muitas mulheres de todas as idades, também fazendo o caminho sozinhas. No Brasil ainda existe um grande tabu com relação a mulheres que viajam sozinhas. Entre europeus e em muitos países do mundo isso é completamente normal. Muita gente reage com estranheza quando digo que faço esse tipo de viagem sozinha, mas para mim isso já se tornou algo normal. Para mim é inconcebível não apreciar a minha própria companhia. Então estar ali caminhando sozinha, em paz, me parecia tão natural quanto respirar. Uma manhã de caminhada bem intensa, mesmo com calor e as subidas pesadas, o percurso praticamente todo teve a sombra dos bosques, o que no verão europeu é uma verdadeira benção. Chegando ao albergue de Rubiães faltava quase uma hora para o local abrir. Era um lugar no meio do nada. Bem em frente ao albergue havia um restaurante fechado. Cheguei a pensar que não haveria onde comer ali. Felizmente seguindo pela rodovia havia um restaurante e um pouco mais adiante um pequeno mercado. O albergue era bem agradável, com salas bem arejadas e até uma área externa com espreguiçadeiras e vista para as montanhas. Foi uma tarde tranquila com tempo de sobra para descansar. 6° Dia De Rubiães a Tuí 20 km Mais um dia cheio de grandes novidades nessa longa jornada. Deixando Rubiães para trás, caminhando entre bosques e trilhas, antes de encontrar um lugar para tomar o café da manhã encontrei com um peregrino alemão muito disposto a conversar e que me fez um milhão de perguntas. Felizmente ele parecia não se importar muito com meu inglês ainda mais travado devido à fome e o sono. A pergunta que um peregrino mais ouve é “Por que está fazendo o caminho?” E claro, o alemão me fez essa pergunta. Não há uma resposta única e exata para essa pergunta. Geralmente eu tentava simplificar a conversa dizendo que eu sempre quis fazê-lo. Mas havia muito mais do que isso. Aquele era o momento perfeito para fazer o caminho. Havia passado por algumas mudanças na vida, saí de um trabalho que já não me deixava feliz, me decepcionei com algumas pessoas. Não estava triste, deprimida, nem nada disso. Muito pelo contrario, eu me sentia leve, sentia que tinha tirado um peso das costas. Sentia-me rompendo com o que já não fazia sentido e fazer o caminho iria celebrar tudo isso. Era um momento para mim. Um momento de reflexão, e autoconhecimento. Uma forma de me afastar de tantas coisas e me aproximar de mim mesma. Desde o momento em que comprei as passagens uma semana depois de ser demitida eu me senti em paz. Não queria provar nada pra ninguém, era apenas eu sendo eu mesma, aquela que vai até o fim quando quer realizar algo. Eu queria apenas me re-conectar comigo mesma, restaurar a fé que eu sempre tive em mim, a minha coragem e a minha força pra continuar seguindo em frente. Quando contei que a viagem estava confirmada uma amiga me disse “essa viagem vai te re-equilibrar”. Não poderia estar mais certa. Não falei nada disso com o alemão, mas falei sobre planos para o futuro e desejos de mudança até chegarmos num local chamado São Bento da Porta Aberta, onde paramos para o café da manhã. Segui caminho envolta em meus pensamentos e me dei conta que naquele dia eu chegaria a Espanha e aquilo me deu um novo gás para caminhar. O clima estava mais ameno e isso sempre ajuda no caminhar. Estava tão animada que parecia que eu estava flutuando, principalmente depois que comecei a ouvir música. Mas não qualquer música, só as que me trouxessem energias positivas. Não era nada prático ouvir música com um tablet, mas era o que eu tinha depois que fiquei sem celular. Em algum ponto antes de chegar a Valença, um casal que estava passando de carro parou ao meu lado e me fez muitas perguntas sobre o caminho, quantos dias eu já havia caminhado, quantos quilômetros e coisas do tipo. Pareciam bastante interessados e curiosos. Me ofereceram uma garrafa de água e me desejaram felicidades no caminho. Já em Valença do Minho, ultima cidade portuguesa no caminho português, encontrei dois dos mais simpáticos amigos desta jornada, Paolo e seu pai Roberto ambos da Guatemala. Foi uma companhia muito agradável, sobretudo em um trecho tão emblemático no caminho, afinal adentraríamos em pouco tempo na sonhada região da Galícia na Espanha. Caminhamos sem pressa por Valença cuja parte histórica estava bem movimentada, havia muito comércio voltado ao turismo e um forte de onde se via o Rio Minho e a Ponte Internacional Tuí-Valença que separam os dois países. Vale à pena desviar-se um pouco do caminho para conhecer essa região de Valença. Paramos para uma cerveja no Fronteira, “ultimo bar português do Caminho de Santiago”. Atravessamos a Ponte Internacional Tuí-Valença e iniciamos uma nova etapa do caminho. Não mudava apenas a cidade dessa vez, agora seria outro idioma, já no país de destino, o fuso horário com uma hora a mais com relação ao horário de Portugal. Tuí é a ultima cidade para se iniciar o Caminho de Santiago nessa rota, já que para obter a compostela, o documento emitido na oficina de peregrinos que comprova que a pessoa percorreu o Caminho de Santiago, é preciso caminhar pelo menos 100 km (para quem faz o caminho de bicicleta é necessário ao menos 200 km). Em Tuí me senti na idade média. Com uma catedral românica, construções de muitos séculos atrás, ruas estreitas de pedra e suas ladeiras que desembocavam perto das margens do rio. Me senti privilegiada mais uma vez por estar no caminho e assim ter a chance de conhecer lugares tão peculiares que dificilmente eu visitaria se não o estivesse percorrendo. Era um domingo. Os dias de verão na Europa são longos, pois o sol se põe por volta das 21 horas. Então para quem está disposto a enfrentar as altas temperaturas é uma ótima época para fazer o caminho. Dá tempo de fazer o percurso do dia, descansar e conhecer as cidades antes de cair à noite. Após o almoço descansei em um parque na margem do rio, perambulei pelas ruazinhas da cidade, mandei mensagem para a família informando que já estava na Espanha. Sentei numa praça para tomar sorvete e pensar no quanto já havia percorrido do caminho e o quanto ainda faltava percorrer. 7° Dia De Tuí a O Porriño 15,6 km Acordei às 6 horas, dormi de novo e acordei uma hora depois, ainda confusa com o fuso horário diferente. Olhei em volta e vi que era a única pessoa ainda na cama. Tratei de pular de lá e me arrumar. Roberto quando me viu pronta para sair ficou impressionado com a minha rapidez. Encontrei um lugar para tomar café da manhã ainda antes de sair da região central da cidade. Logo depois encontrei com Franziska, uma jovem alemã que estava fazendo o caminho com a mãe e a tia e quase sempre nos encontrávamos-nos mesmos albergues. Nessa ultima etapa elas haviam pernoitado em Valença ao invés de Tuí. Nessa etapa já se observa um número muito maior de peregrinos, principalmente nos primeiros quilômetros, aos poucos com cada um no seu ritmo a pequena multidão vai se dispersando. Em Portugal o caminho sempre adentra em bosques, trilhas em meio à mata, estradas de terra ou de pedra. Quando havia alguma avenida ou rodovia, quase sempre você devia cruzá-la ou andar apenas alguns metros e já estaria novamente em meio à natureza. Mas essa primeira etapa já em solo espanhol se diferenciava bastante nesse sentido. Havia muitos trechos para percorrer em ruas de asfalto, ao lado de grandes veículos e nesses trechos em específico o caminho se torna um pouco maçante. Foi um percurso bem cansativo para mim. Além de caminhar em uma paisagem não tão convidativa em boa parte do trajeto, o calor estava cada vez mais intenso e eu senti nesse dia muita dor nas costas, provavelmente não havia arrumado as coisas muito bem na mochila. Sentia vontade de parar o tempo todo. Sentia certa inveja de algumas pessoas que carregavam mochilas minúsculas e pareciam estar passeando no bosque. Mas estas pessoas certamente haviam contratado o serviço que transporta bagagens até o próximo destino. O roteiro que eu estava seguindo no aplicativo Buen Camino indicava como próximo local de parada uma cidade chamada Mos, porém vi que seria outro lugar sem muita coisa para se ver ou fazer. Resolvi então adaptar essa parte do roteiro e decidi encerrar essa etapa um pouco antes de chegar a Mos, na cidade de O Porriño, além de aliviar um pouco o cansaço que foi grande nesse dia, simpatizei com a cidade assim que cheguei por lá. À tarde acabei encontrando novamente com Franziska, na avenida principal da cidade. Junto com sua mãe e sua tia tomamos uma cerveja ao estilo alemão. 8° Dia De O Porriño a Pontevedra 34,9 km A maior etapa desse meu caminho. E ficou ainda mais longa devido a ter encurtado a etapa do dia anterior. Poderia ter dividido essa etapa em duas parando em Redondela, mas isso renderia um dia a mais para chegar a Santiago. Além disso, o clima no período da manhã estava bem diferente dos dias anteriores, o céu muito cinza, temperatura ligeiramente mais baixa amenizando o calor. Não imaginei que seria tão difícil chegar a Pontevedra. Acordei às 7 horas, o que é bem tarde para quem teria tantos quilômetros pela frente. Me arrumei voltei ao caminho, parei num café na avenida principal da cidade e quando me pus novamente em marcha já eram 8 horas. Acabei perdendo muito tempo nessas primeiras horas da manhã. Claro, não poderia deixar de tomar café da manhã. Na maior parte do caminho se você não aproveitar e parar no primeiro café aberto para tomar café da manhã ou matar a fome durante o dia pode levar muito tempo e muitos quilômetros até encontrar outro lugar para comer ou comprar algo. Até chegar a Redondela foi razoavelmente tranqüilo, apesar das muitas descidas para testar os joelhos. No período da tarde ainda com muito chão pela frente viriam muitas subidas. Mas o caminho é bem interessante nesse trajeto, bosques, cidades, pontes, rios, trilhas de pedras, mata mais fechada, outro bosque, outra cidade, rodovias. Um caminho longo, mas, nada maçante como no dia anterior. Parei para almoçar em um local simples, porem com uma vista linda e um pouco escondida ao fundo e ao sair de lá o calor já era intenso. Estava aliviada, pois tinha andado um tempão com outro peregrino que parecia não desgrudar de mim, como demorei no almoço ele resolveu seguir na frente sozinho. Mais a frente, parei um pouco conversando com algumas garotas muito animadas, uma portuguesa e outra espanhola, essa ultima contou que havia caminhado 5 km a mais porque se perdeu... Como elas iriam ainda demorar por ali segui meu rumo novamente. Passei por uma auto-estrada onde tive que andar ao lado de enormes caminhões. Logo depois passei pela linda cidade de Pontesampaio, que parecia ter congelado no tempo. Ali, uma senhora estava em seu quintal enquanto eu passava em frente a sua casa, com muita vontade de conversar me falou sobre ter percorrido o caminho muitas vezes e contou da sua vida, perguntou se podia ajudar em algo. Andei depois por um bom tempo sem avistar mais ninguém e a animação foi se esvaindo. Ao menos tinha certeza do caminho, pois era bem demarcado e cheio de sobe e desce. Quando achei que já estava bem perto o mapa mostrava uma bifurcação onde entraria em um bosque ou iria pela auto-estrada. Fui pelo bosque, que mais parecia um labirinto sem fim. Embora o aplicativo indicasse que estava indo na direção certa a impressão que eu tinha era de andar em círculos. Ia margeando um pequeno fluxo de água quando encontrei um morador local que me disse que até o final daquele bosque seriam 2 km e pela auto-estrada seria mais rápido porem não havia acostamento. Eu não queria acreditar que ainda andaria tanto para sair daquele bosque infinito, mas não tinha o que fazer. No albergue publico em Pontevedra não havia mais vagas. Fui até outro albergue, o Aloxa Hostel que também não tinha mais vagas e o senhor na recepção me ajudou entrando em contato com outros dois albergues na cidade que também já estavam cheios. Ele me pediu para esperar e depois de atender outras pessoas que tinham feito reserva me disse que tinha uma cama, e perguntou se eu não me importaria de ficar no quarto junto com um grupo grande. Eu estava desde o inicio dormindo em albergues públicos então porque me importaria? Fiquei sim muito aliviada por ter um lugar para descansar, depois de tantas horas “na estrada”. Com certeza o senhor Pedro que me atendeu na recepção não tem idéia do quanto me ajudou naquele dia. Aquele foi o único momento em todo o caminho em que fiquei realmente preocupada. Se não tivesse conseguido ajuda lá talvez tivesse que ir a muitos outros lugares até conseguir um local para passar a noite ou gastar muito ficando em algum hotel. Ele me recomendou que eu fizesse reserva no meu próximo destino para não correr o risco de ter dificuldades com a hospedagem novamente, verifiquei as opções e ele ligou para mim e reservou. Me senti abençoada por ter encontrado tamanha ajuda no momento em que mais precisei. Senti naquilo tudo a magia do caminho. Eu não estaria abandonada no fim daquela jornada, eu teria um lugar para descansar, tomar um banho, lavar minhas roupas, enfim, cumprir meu ritual diário sempre que finalizava outra etapa. Eu senti o meu coração cheio de gratidão e a certeza de estar onde devia estar. Essa magia do caminho se manifesta das mais diferentes maneiras. Como nesse mesmo dia, quando eu caminhei quase 35 km e achei que não teria energia para mais nada além de dormir. Mas depois de tomar um banho e me alimentar eu me sentia renovada, eu me sentia leve novamente. E ainda fui presenteada naquele longo dia com outra cidade das mais encantadoras do caminho. Era como se todo o meu esforço fosse recompensado. Era mais uma vez o caminho como uma metáfora da vida. Naquele dia eu senti o caminho me ensinado que eu sempre tinha força para seguir em frente, por maiores que fossem as dificuldades. E os problemas que surgissem eu poderia contornar e eu precisava ter fé. Foi uma pena não ter tido muito tempo de conhecer direito a cidade de Pontevedra, pois a cidade é realmente encantadora. Com ruas de pedra, edifícios medievais, monumentos, praças e estreitas vielas, além da lindíssima Igreja da Virgem Peregrina À noite a cidade se torna ainda mais agradável. Muitos restaurantes, bares com mesas ao ar livre, uma combinação interessante entre a história tão viva em cada detalhe do centro histórico e a modernidade de uma pequena cidade turística. Andando por aquelas ruazinhas, já nem parecia que tinha caminhado mais do que nunca na minha vida. Me sentia relaxada, absorta por aquela cidade. Antes de voltar ao hostel, comprei um pedaço de pizza e um chá gelado, sentei na escada de uma igreja para comer e apreciar um pouco mais daquela noite. 9° Dia De Pontevedra a Caldas de Reis 21 km Saindo de Pontevedra, passando pela ultima vez por seu centro histórico, ainda dominada pelo sentimento de encantamento e gratidão por aquela cidade. Nos primeiros quilômetros o caminho me lembrava uma procissão, tamanha a quantidade de pessoas. Não foi uma etapa tão longa, mas para mim foi com certeza a mais sofrida. Talvez pelo esforço do dia anterior, meus pés doeram muito durante quase todo o trajeto. Cheguei a pensar que acabaria com bolhas, tão temidas por todos os peregrinos. Nunca senti tanto a sola dos meus pés. Para piorar a minha situação durante esse trajeto o caminho era em sua maior parte em estradas de terra com muitas pedras, grandes, pequenas, de todos os tipos, mas muitas pedras sob meus pés já cansados. Usei no caminho botas de trilha intensiva, que eram um tamanho maior que o meu e também meias específicas para trilhas e até aquele dia não tive problema algum com os pés. Por iisso acho que o problema não foi o calçado e sim o cansaço acumulado que não combinou com as pedras do meu caminho. Pela primeira vez eu tive que parar, sentar em um lugar qualquer, descalçar as botas e as meias e examinar a situação dos meus doloridos pés. Felizmente nenhum sinal de bolha e não houve bolha até o fim, mas aquela dor seguiu comigo. Em meio a esse sofrimento, me consolava o fato de ter feito uma reserva em um albergue particular, afinal seria uma preocupação a menos. Nas cidades mais próximas a Santiago era de se esperar que os albergues públicos ficassem logo sem vagas. Geralmente custam entre cinco e seis euros e os particulares custam normalmente o dobro disso, mas às vezes vale a pena gastar um pouco mais. Em Caldas de Reis fiquei no Albergue Timonel, que custou 10 euros. Fica logo na entrada da cidade próximo a ponte. Um lugar simples, porem do qual não tive do que reclamar. Dividi o quarto com apenas duas pessoas, uma jovem garota com sua mãe, que também eram peregrinas. Uma companhia bem tranquila. A cidade de Caldas de Reis é bem pequena e tranquila. Provavelmente se não fosse o fluxo constante de peregrinos, seria uma cidade muito pacata. Com uma ponte logo na entrada da cidade, como em quase todas as cidades da região, a cidade tem uma Fonte de água termal. Uma senhora que atendia em um restaurante em frente ao albergue me deu uma maçã e me recomendou que eu fosse até a fonte e ficasse com os pés na água por uns 30 minutos, disse que ajudaria a diminuir as dores das quais eu havia lhe falado. E lá fui eu meter os pés na água quente. Apesar de não haver muito a se fazer ou ver na cidade, dei umas voltas à tarde. O clima estava agradável. Voltei cedo para o albergue. Aproveitei que dessa vez teria um pouco mais de privacidade para descansar. 10° Dia De Caldas de Reis a Padrón 19,2 km Com os pés praticamente recuperados do dia anterior segui meu rumo. Sempre no meu ritmo, sem pressão, firme e forte. Após 10 dias a mochila nas costas já fazia parte de mim. Me acostumei a acordar bem cedo dia após dia e continuar em frente. Cada dia era único, cheio de surpresas. Cada dia trazia uma infinidade de paisagens que mudavam a cada curva. Queria ter fotografado tudo, cada vez que me deparava com algo novo, cada vez que a natureza me brindava com sua beleza de maneira diferente. Mas era importante manter-me caminhando. E foi o que eu fiz. E tentei guardar tudo aquilo em fotografias mentais, aquelas imagens que vem a cabeça e te trazem um sorriso ao rosto. Aquelas memórias que vem junto com a sensação de liberdade, sonho realizado e fé. Em determinado ponto daquela etapa parei em uma igreja, onde havia na parte de trás um cemitério vertical. Ali conheci uma simpática família de portugueses, mais adiante conheci alguns peregrinos que viviam nas Ilhas Tenerife. Eram pessoas de muitos lugares diferentes, historias e motivações diferentes e todos com um objetivo comum ali. Em Padrón parecia ser o meu dia de sorte. Não fiz reserva em albergue então fui direto ao albergue municipal. Chegando lá já havia uma fila grande, inclusive havia alguns brasileiros que eu tinha conhecido vários dias antes. Fiquei com a penúltima vaga do albergue para aquele dia, e como fui uma das ultimas a conseguir vaga, fiquei em um quarto menor, com apenas quatro camas e um banheiro exclusivo. Não parecia nada com um quarto de albergue publico, onde normalmente são dezenas de pessoas no mesmo ambiente. Mais uma vez tive sorte também com as companheiras de quarto, que nesse caso eram duas garotas portuguesas peregrinando juntas e no fim da tarde para minha surpresa depois de muitos dias Cecilie chegou para ficar com a ultima vaga no albergue. Quando saí para conhecer a cidade a mesma já estava em plena siesta ( horário no período da tarde em que os espanhóis tiram para descansar). Havia poucas pessoas na rua, alguns turistas ou peregrinos perdidos como eu. Padrón foi uma interessante surpresa após a tediosa Caldas de Reis. Com quase tudo fechado relaxei por um tempo no jardim botânico da cidade, visitei a igreja de Santiago de Padrón e descansei um pouco mais sob a sombra das arvores na margem do rio em mais um longuíssimo dia de verão espanhol. No fim da tarde a cidade pareceu se encher de vida novamente. Diversas ruas exclusivas para pedestres com mesas ao ar livre, muitos bares e restaurantes onde era servido o prato típico da cidade, Pimentos de padrón. A impressão que eu tive é que a cidade inspira certo entusiasmo ao peregrino, afinal chegar até ali significa ter superado muitos quilômetros, dificuldades, dores no corpo e todo tipo de imprevisto que possa ter surgido. Esse clima de ansiedade e animação era bem perceptível no albergue. Bastante gente reunida na cozinha até tarde, diferente do que costuma acontecer nos albergues, onde a ordem é o silencio e o respeito ao descanso de todos. Mas naquela noite observei uma agitação alegre e contagiante compartilhada por todos. Não poderia ser diferente afinal, estávamos muito perto do sonhado destino. 11° Dia de Padrón a Santiago de Compostela 24,5 km Acordei às 5 da manhã para iniciar a minha ultima etapa deste cainho. Acho que ninguém consegue dormir muito no ultimo dia. Tomei café da manhã bem perto do albergue, no café de D. Pepe que se despedia com abraços calorosos de cada peregrino que passava por lá. Saindo dali, caminhando pela primeira vez antes do sol nascer, conheci a Marta, uma portuguesa, muito querida que me fez companhia nesse dia. Eu estava há muitos dias sem falar muito português e quando comecei a conversar com a Marta parecia que estava falando sem parar. Falamos sobre viagens, sobre a vida e sobre o caminho. Ter a certeza da chegada mudou bastante o meu caminhar naquela manhã. Não sentia dores nas pernas ou nos pés. Não sentia o peso da mochila e não me incomodava com o calor. O dia foi amanhecendo calmamente enquanto seguia sem ver a hora passar. Mas ainda que anestesiada pela certeza da chegada, foi uma longa etapa. Eu me perguntava durante aqueles dias como seria a minha chegada e tive a sorte de ter nesse dia pessoas do bem e com boas energias dividindo comigo aquele momento. Em certo ponto da caminhada reencontrei a Márcia que fazia a peregrinação junto com seus pais e mora em Viana do Castelo, cidade próxima ao Porto. Estavam no mesmo albergue que eu no dia anterior. Contei a eles um pouco da minha história, de sair sozinha do Brasil e ir a Europa fazer o caminho de Santiago, que era um desejo antigo. Lembro que me disseram o quanto eu era corajosa por ter feito isso. Acho que realmente é preciso muita coragem para realizar um sonho. Não é fácil estar em um país estranho, percorrendo um caminho solitário durante tantos dias. Não é fácil tomar a decisão de fazer algo audacioso quando você está num momento de incertezas na vida. Então acho que fui bem corajosa. Foi pensando em tudo isso que as lágrimas vieram aos meus olhos quando já na cidade de Santiago de Compostela nos aproximávamos da catedral. A Praça do Obradoiro onde está situada a Catedral de Santiago de Compostela é certamente um lugar que reúne muitas emoções. Finalmente eu estava lá entre risos e lagrimas. Transbordando de alegria, fé e gratidão. É difícil descrever a sensação que tive naquela chegada, sem dizer muitas frases que seriam puro clichê ou que até parecessem obvias demais. Eu posso dizer que foi uma felicidade e uma realização imensa estar em Santiago de Compostela após um longo caminho. Estar ali era a recompensa pela minha coragem, pela minha determinação, por cada passo dado, cada dor que eu senti no meu corpo. Era a certeza de que Deus e o apóstolo Tiago me guiaram durante todo o meu caminho. A certeza de que a minha fé nos meus passos me levou até ali. Depois de curtir a chegada fomos até a oficina de atenção ao peregrino onde a espera era de pelo menos duas horas para apresentar a credencial com os devidos carimbos e receber a Compostela, atestando que a peregrinação foi concluída. São emitidos dois documentos, um deles com as informações de onde foi o inicio da peregrinação, qual rota foi feita e a quantidade de quilômetros e o outro documento que é opcional e de caráter religioso e todo escrito em latim. A Compostela custa 1,50 euros e ali também se pode comprar a vieira de Santiago e outras recordações da chegada. Em Santiago de Compostela No dia anterior havia feito reserva no albergue Sixtos no Caminho que para minha surpresa era de uma família de brasileiros. O albergue era excelente. Ambiente acolhedor, muito limpo e arejado. Cama bem confortável, tomada e lâmpada individual, além de uma cortininha para que cada um tenha um pouco de privacidade. A poucos minutos de caminhada da região central e também muito perto do terminal de ônibus, foi uma ótima escolha. Resolvi ficar dois dias na cidade. Depois de tantos dias eu merecia uma pequena pausa para conhecer um pouco da capital da Galícia. Uma das coisas interessantes nesses dois dias é que enquanto passeava pela cidade ia encontrando o tempo todo algum velho conhecido do caminho. Para todos os peregrinos, em especial aos católicos, um evento bem especial é assistir a missa do peregrino. O caminho todo é um até de fé e aquele era para mim um momento de agradecer por tantas bênçãos no meu caminho e na minha vida. A missa na época da minha peregrinação estava ocorrendo na igreja de São Francisco, que fica bem próxima a Praça de Obradoiro, devido às obras na catedral. Outro importante ritual é o abraço ao Apóstolo, a estátua românica que recebe os peregrinos está sobre a cripta que contém a urna com as relíquias do Apóstolo, este ritual simboliza o amável acolhimento do apóstolo após o esforço da peregrinação. Um lugar imperdível em minha opinião é o Museu das peregrinações e de Santiago, que conta com riqueza de detalhes a historia do caminho de Santiago através dos séculos, sua origem e as mudanças e transformações nos costumes dos peregrinos ao longo do tempo. É possível conhecer também a origem e o significado de cada um dos muitos símbolos do caminho. O museu apresenta também outras importantes rotas de peregrinação pelo mundo, Roma e Jerusalém, que junto com Santiago de Compostela formam as três grandes peregrinações Cristãs mais conhecidas. O museu é gratuito aos sábados à tarde, para minha sorte justamente quando eu estava lá e também aos domingos durante todo o dia. Outro ponto interessante na cidade, recomendado por uma moradora local, é o mercado de abastos, a segunda atração mais visitada na cidade, onde é possível comprar diversas iguarias da região e também se deliciar com a culinária local. A cidade é repleta de atrações para todos os gostos, igrejas, mosteiros, parques e museus. Acho que mais interessante do que ir de um ponto turístico a outro é se permitir explorar livremente a cidade, bater perna pelo centro histórico, relaxar sem compromisso. Sentar em um café ou em uma praça e observar o movimento da cidade. Escolhi fazer isso na tão emblemática Praça de Obradoiro, observar os grupos animados, tirando as mais criativas fotos, muitos peregrinos cansados tirando as mochilas das costas e descalçando as botas, algumas pessoas cantando e outras fazendo suas orações. A praça estava sempre cheia de gente durante todo o dia, formando uma egrégora de paz. Ao menos para mim o compromisso era cumprir a minha jornada. Feito isso, a idéia era apenas curtir os próximos dias, tanto em Santiago, quanto nas cidades que viriam depois. Inicialmente havia pensado em fazer a prolongação do caminho caminhando mais três dias até chegar a Finisterre e depois caminhar até Muxia, outra prolongação do caminho. Devido principalmente ao fato de ter poucos dias até a data da minha volta ao Brasil, resolvi manter os dois locais no roteiro, porém a prolongação do caminho ficaria para uma próxima ocasião. Finisterre A viagem de ônibus de Santiago até Finisterre dura pouco mais de uma hora. A cidade fica na região conhecida como Costa da Morte, na região costeira da Galícia. A região recebeu esse nome por causa dos muitos naufrágios ocorridos ao longo da costa rochosa e traiçoeira. Em Finisterre me hospedei no albergue Arasolis, que fica na rua com o mesmo nome. A cidade não tem terminal de ônibus, os mesmos param na rua principal onde fica também o guichê de venda de passagens. Após sair do ônibus é só entrar à direita e em poucos minutos encontrará o albergue. O proprietário do local recebe a todos de maneira muito amável e alegre, contando suas historias de vida e presenteando a todos com uma concha e um cartão postal da cidade e as meninas ganham também uma pulseira. Além disso, me deu ótimas dicas sobre o que fazer na cidade. O lugar tem uma cozinha de uso coletivo. Fica bem próximo á praia também. Fiquei dois dias na cidade, queria aproveitar a proximidade com o mar e relaxar. A principal atração da cidade é o Faro de Finisterre, o farol, onde termina o caminho para quem faz a prolongação do mesmo até a cidade de Finisterre. Ali fica o totem indicando o quilometro 0,0 para os peregrinos. O farol fica a três quilômetros do centro da cidade e para chegar é só seguir as indicações na cidade e depois seguir a estrada. Uma subida bem peculiar e bonita em minha opinião, do lado esquerdo avista-se o mar e em certo ponto do caminho tem uma estátua de um peregrino. Lá em cima tem também uma loja de suvenires e um restaurante que parecia ser bem caro. O farol do Cabo Finisterra, ainda ativo nos dias de hoje, é o farol localizado mais no oeste da Europa e tem grande importância para a navegação na região da Costa da Morte. Há uma tradição entre os peregrinos de prolongar o caminho até ali e queimar peças de roupa antes de regressarem as suas casas. Conforme me recomendou El gato, no albergue deixei para ir até lá ao anoitecer para poder ver o por do sol na encosta do Cabo e valeu muito à pena. Daquele ponto ver o sol se pondo no mar foi um espetáculo lindíssimo e até mesmo um privilégio para quem tem a chance de conhecer a cidade. É bom levar uma lanterna, pois na volta para a cidade, descendo a estrada a única luz vem dos poucos carros que passam por ali. No dia seguinte pela manhã caminhei até a praia de Langosteira, no outro extremo da cidade. Naquela manhã o vento era tão forte como eu só havia visto na Patagônia. Mesmo com a ventania a praia era muito bonita, as areias cheias de conchinhas e quase deserta a não ser pelos peregrinos que ali chegavam. À tarde, para minha surpresa, o tempo esquentou bastante, não havia nenhum sinal da ventania de algumas horas antes. Então aproveitei o clima favorável para tomar sol na pequena praia da Riveira. Conheci também o Museu da Pesca, bem próximo da praia, um museu pequeno, mas bem interessante que conta a história da pesca e da navegação na Costa da Morte. A cidade tem alguns cafés e restaurantes, e alguns destes especializados em peixes e frutos do mar. Um restaurante que eu gostei muito foi o Baleas, fui lá duas vezes, a especialidade são as massas, muito saborosas e os preços eram razoáveis. Outro restaurante muito bom e com atendimento acolhedor, o Frontera, em frente à parada de onibus, os dois locais tinham muitas opções vegetarianas, o que não era muito comum em algumas cidades por onde passei. Outro lugar com um visual incrível para apreciar o por do sol é a praia Mar de Fora. Cerca de quarenta minutos de caminhada do centro da cidade até lá, mas vale muito à pena. Muxia Outra cidade na Costa da Morte onde a fé e as tradições religiosas se ligam aos caminhos de Santiago é Muxia. Há cerca de 30 minutos de onibus saindo de Finistere, num caminho que deixou meu estomago embrulhado. Uma cidade pequena, porém muito simpática. O ultimo destino dessa empreitada pela Europa. Em Muxia me hospedei no albergue/hostel Bela Muxia. Mais uma vez a recepção foi excelente. Quando cheguei ao local ainda faltava uma hora para o horário de check-in, poderia esperar claro, mas comentei com o senhor na recepção que tinha ficado um pouco enjoada pela viagem de ônibus e o mesmo foi muito solicito comigo e me deixou ir para o quarto naquele mesmo instante. Além da ótima recepção o lugar era muito agradável, tinha uma cozinha bem grande e um lindo terraço com vista da cidade onde era possível avistar também o mar. Uma pena que fiquei somente um dia na cidade. A praia de A Cruz, indicação de um morador da cidade tem águas claras, mar calmo e um visual muito bonito. Passei horas ali aproveitando um dia lindo de muito sol. O principal ponto de interesse na cidade é o Santuário Virxe de La barca (Virgem da Barca) Segundo a lenda o apóstolo Tiago foi até Muxia, implorar a Deus que seus sermões tocassem as pessoas. Nesse momento então, a virgem teria aparecido a ele num barco de pedra puxado por anjos e lhe disse que voltasse a Jerusalém, pois a sua missão naquela terra havia terminado, Tiago retornou conforme a virgem lhe havia dito, porem havia plantado ali a semente da fé cristã que viria a florescer futuramente. Há também lendas sobre as pedras localizadas no rochedo de Muxia. As pedras teriam relação com o barco da virgem em sua aparição e também lendas sobre propriedades curativas. Ainda ali no rochedo, complementando de forma peculiar a paisagem o monumento “A Ferida”, dedicado aos voluntários que durante meses limparam as praias da Costa da Morte após um desastre que provocou o derramamento de óleo combustível naquela região. È uma das maiores esculturas de toda a Espanha, com mais de 11 metros de altura, é dividido em duas partes e simboliza a ruptura e o impacto que esse desastre causou a costa Galega. A obra pode ser vista de muito longe pelos bascos que se aproximam da costa. Ali no rochedo a vista do por do sol é belíssima. Infelizmente não fiquei para ver. Ainda faltava pelo menos duas horas para o sol se por quando voltei ao centro da cidade para meu ultimo jantar no meu restaurante favorito por ali.
  20. 10 pontos
    Preparativos A maioria dos brasileiros que escolhem a Colômbia como destino o faz devido as fotos incríveis de Cartagena ou de San Andres, que encontramos na internet. Talvez mais um ingrediente se adicione na motivação, devido ao sucesso das séries da Netflix sobre Pablo Escobar e El Chapo. No meu caso foi devido eu resolver fazer outra faculdade. Desta vez, Arquitetura e Urbanismo. Logo me veio a cabeça visitar Medellín, referência mundial em urbanismo. Viajar, principalmente para outro país é tão caro, que eu não poderia deixar de conhecer outras cidades. Sentei diante do computador e comecei a pesquisar. Certeza eram Medellín e Cartagena. San Andres nem fazia parte dos planos iniciais. Fontes de pesquisa foram o google e este site, além das comunidades no face. Encontrei também alguns grupos no WhatsApp que foram muito úteis. Comecei a monitorar os preços da passagem para Bogotá, que me pareceu a opção mais econômica, no começo de 2018. Finalmente comprei a passagem em meados de março pela Latam por 1400,00 mais 5mil pontos multiplus. A viagem seria dia 6 de junho com retorno dia 27. O roteiro ficou definido assim: Bogotá (bate e volta para Zipaquirá), Medellín, (bate e volta para Guatapé), Cartagena, San Andres, Santa Marta (bate e volta para Minca) e Tayrona. Grana: Reservei 2400 dólares em espécie, mais 3mil reais transferidos pela WU. Sobraram 1700 dólares. Outras despesas eu tive ainda no Brasil com reserva de alguns hostels e passagens aéreas pela low cost Colombiana. Brasil - Bogotá Saí da minha cidade, na noite do dia 05, rumo ao Rio de Janeiro de ônibus - 250km. Cheguei ao Rio na manhã do dia 06 e peguei o frescão (ônibus com ar) para o Galeão. O Voo partiu do Rio às 11h da manhã. A partida de São Paulo foi às 14:50h e a chegada em Bogotá às 19:10h - considerando as duas horas a menos do fuso horário. Fiz câmbio no aeroporto onde troquei 100 dólares. Peguei um táxi no aeroporto por 35 mil até a candelária (bairro histórico). Fiz reserva pela internet no Tip Top Backpackers, na carrera 1, com calle 12c. Preço 20 mil por noite. Como eu estava sozinho em quarto com banheiro, pude escolher a melhor cama. Lá conheci um brasileiro que estava viajando no esquema de 10 dólares por dia kkkk. Foto: Bogotá dia 07/06/2018. La candelária é o bairro histórico de Bogotá, mas todos dizem não ser muito seguro à noite. Não tive problemas, mas as ruas a noite são realmente escuras e é preciso ficar esperto. Dia 07/06: Bate e volta para Zipaquirá (Catedral de Sal) Saí bem cedo rumo ao Terminal Salitre Norte. Peguei um Bimodal (ônibus articulado) e me informei sobre o melhor local para descer, o mais próximo do terminal. Precisei caminhar uns 20 minutos até lá. Dica: Baixei todos os mapas do google, para acessar offline. Vacilo: Não levei câmera fotográfica. Pensei que o celular seria suficiente. Mas esqueci que seria necessário consultar o mapa toda hora e a bateria não daria conta de, além disso, fazer as fotos da viagem. No terminal, basta se informar sobre empresas que oferecem translado para Zipaquirá. Paguei 10mil. No caminho o ônibus vai pegando outros passageiros, mas ele mal para para o embarque. O trocador vai dependurado na porta, que fica aberta, gritando o destino sempre que vê alguém parado no caminho. Em Zipa desci na chegada da cidade. Avise ao trocador que pretende visitar a catedral que ele te indicará o melhor local para desembarcar, mas o ônibus nem para direito. Prepare-se para saltar, kkkkkk. Caminhei uns 15 minutos até o parque. Acho que foram 25 mil para entrar. Você recebe um aparelho com áudio gravado, no idioma que preferir, para que possa compreender o que significa cada local da visitação. A catedral foi esculpida em uma antiga mina subterrânea de sal. A via Crucis é representada por altares esculpidos pelo caminho, a medida que se adentra a mina. Foto: Via crucis - Catedaral de Sal - Zipaquirá Algumas surpresas visuais se apresentam diante de seus olhos e o que mais surpreende é a imensa nave com 16 metros de altura bem no fundo da mina. Também chama a atenção o comércio lá embaixo. Há de lanchonetes a lojas de artesanato e outras que até vendem esmeraldas. Foto: Nave da Catedaral de Sal - Zipaquirá Foto: Escultura de sal - Catedaral de Sal - Zipaquirá Lá dentro não se percebe o tempo passar e quando me dei conta já passava da hora de voltar para Bogotá, pois queria evitar de chegar a noite. Peguei um táxi que me deixou numa esquina da cidade por onde passava o ônibus para Bogotá. Não foi difícil identificar o ônibus, pois o trocador veio pendurado na porta e gritando o destino. Quando sinalizei, ele saltou do ônibus, e praticamente me empurrou lá pra dentro com o mesmo ainda em movimento kkkkk. Cheguei em Bogotá no final da tarde e parti para o ponto de ônibus, que fica a 20 minutos de caminhada do Terminal. Foi preciso consultar o mapa no celular que estava quase descarregado. peguei o bimodal e saltei na estação do museu. Eu deveria ter saltado uma estação adiante. Me guiei pela torre do edifício da primeira foto que postei, pois através dele eu conseguia me localizar. Caminhei de volta ao hostel e o celular estava sem carga. Estava escuro, e fiquei atento, sempre de olho em alguma rota de fuga kkkk. Passei em frente ao meu hostel mas nem percebi. Continuei caminhando até encontrar um guarda que segurava um pastor alemão. Pedi ajuda e ele me levou até o hostel. Bastou dar meia volta e caminhar uns 200 metros kkkkkk. Dia 08/06: Museus Acordei cedo e fomos para o museu nacional, eu e o brasileiro que estava neste hostel. Para o alívio dele a entrada foi barata, 2 mil, afinal ele não podia começar o dia causando um rombo no seu orçamento de 10 dólares/dia. Do museu nacional fomos para o museu Botero. A entrada é gratuita, outro alívio para o cara. Este museu é incrível e é quase impossível não sorrir a cada pintura ou escultura do artista. Foto: Museu Botero - Bogotá, Colômbia Ficamos neste museu até a hora do almoço. Há um restaurante lá dentro que me pareceu uma boa opção, mas pelo preço, não era a melhor opção para o meu amigo. Descemos a rua e ele escolheu um restaurante que servia Bandeja Paisa - o prato mais tradicional do país. Só que ele esqueceu de perguntar o preço e ri muito quando veio a conta. 25 mil kkkkk. Foto: Bandeja Paisa Depois do almoço, perambulei pela Candelária para conhecer o bairro. Fui até uma loja da Western Union e saquei metade da grana que havia enviado do Brasil. Por volta das 17h peguei um táxi (7 mil) e fui para o funicular. Dica: Táxi na Colômbia é barato, conforme relatarei mais adiante. Mas procure por taxistas com taxímetro (táxis amarelos). Esta carrera (corrida) de 7 mil custaria bem menos pela tabela. Meu destino era o Montserrate. Naquele horário, só havia a opção de subir pelo metrocable - 20mil. Vale a pena ver o por do sol lá de cima. Visual insano. Foto: Vista do alto do Monserrate - Bogotá Colômbia. Quando voltei, no dia anterior de Zipaquirá, no Terminal Salitre Norte, comprei passagem de ônibus para Medellín. Paguei 70 mil. A viagem seria às 23h, portanto era hora de voltar para o hostel e preparar tudo para partir. Foram só dois dias em Bogotá. Só me arrependi de não ter tido tempo de visitar o museu do ouro e o Andres Carne de Res (www.andrescarnederes.com/andres-dc) Partindo para Medellín: Programei viajar a noite para chegar em Medellín pela manhã do dia 9. Desse modo economizei na hospedagem, pois dormi no ônibus. A companhia foi a Brasilia. O ônibus era bom e foram 10h de viagem. Dia 09: A incrível Medellín Pesquisei o mapa offline que baixei para descobrir como deslocar do Terminal Norte (terminal rodoviário) até o bairro Poblado (bairro nobre de Medellín onde ficam os principais hostels e baladas). O terminal é interligado à estação de metrô Caribe. Me informei sobre qual lado da estação deveria esperar pelo trem para a estação Poblado. O metrô de superfície é super funcional e barato. Não se aguarda nem 5 minutos e o trem já aparece. Parti para a estação Poblado e de lá caminhei bairro a dentro subindo a calle 10. Não havia reservado hostel e pensei em ficar no Happy Buddah na Carrera 35, mas estava tão cansado, e com uma cargueira nas costas, que entrei no primeiro hostel que encontrei - Casa 10 na Calle 10 no Poblado. É um hostel mais tranquilo para quem não quer escutar a barulheira do bairro. Diária foi 35 mil. Lancei uma mensagem no grupo de brasileiros em Medellín no WhatsApp, dizendo que estava na área. Duas pessoas responderam e combinamos o encontro ali na muvuca do bairro. Encostei minhas coisas num canto do quarto (estava sozinho) e fui conhecer o bairro. Dica: El Poblado é o melhor lugar para se hospedar em Medellín. O bairro mistura boemia, hostels e edifícios da classe alta. Visite o supermercado Éxito, próximo a Samart Fit, na calle 10. Ali fiz compras de frutas, biscoitos e sucos que deixei na cozinha do hostel. Lá é possível até fazer câmbio, ou mesmo comprar roupas da Levis. Anoiteceu e parti para rua. São quarteirões de muita gente. Bares com baladinhas, um diferente do outro e muita gente circulando entre eles. Aguardei no ponto marcado pelos novos amigos: Juliana, uma brasileira que mora lá e o Fábio, que estava de turista assim como eu. Foto: Eu, Juliana e Fábio, no Poblado em Medellín. Noite em Poblado. O primeiro a chegar foi o Fábio, gente finíssima. O cara tinha quase dois metros de altura. Fomos encontrar a Juliana em um bar próximo ao Burger King. Ali tinha a cerveja mais barata que encontramos, 5 mil cops a longneck. Como boa cicerone a Juliana começou a nos apresentar alguns bares. Impossível conhecer todos, a não ser que reserve uma semana para um tour etílico. Todos os bares tinham muitas luzes e cores, e vários deles com Djs e turistas misturados com os locais. Nada por ali é barato. Mas dá pra curtir de boa, pois na maioria deles a entrada é gratuita, apesar de ter segurança controlando a entrada de pessoas, se tiver cara de turista o passe é livre, mesmo que o lugar já esteja com a lotação máxima. Você pode escolher se sentar em alguns bares, curtir as baladinhas de outros, ficar circulando pelas ruas ou descansar em algum bar tipo lounge. Tem para todos os gostos. Preferimos circular. Entramos em um bar que mais parecia uma casa velha adaptada. Controle na entrada mas passamos de boa. Estava cheio e a Juliana apontou para os fundos, então seguimos em frente. Nos deparamos com uma escada que levava ao porão da casa. Descemos e encontramos isso: Foto: Bar com baladinha na piscina de bolinhas, Poblado em Medellín. O Dj tocava regaton no talo, o povo pulava na piscina de bolinhas e só saia para encher o copo. Tinha umas mesinhas, mas o espaço era apertado para tanta gente. Dalí fomos para outro bar super lotado. Na TV rolava UFC ao vivo. Seguimos em frente e outro bar balada, lotado também. Vez ou outra voltávamos para o bar próximo ao Burger King para aproveitar a cerveja de 5 contos kkkkk. Bateu o cansaço e subimos para um bar lounge com tema de caverna. A escadas já pareciam a entrada de uma caverna. No terraço fiquei de cara com a decoração insana. Galhos de árvores com musgos, cascata de gelo, fogueiras etc. Foto: Bar lounge no terraço, Poblado em Medellín. Este é um bar mais para casal ou para bater papo com os amigos, pois na rua o som ensurdeci qualquer um. Os bares ficam competindo quem toca o regaton mais alto, então para nós três foi ótimo. Pedimos cerveja da BBQ, fabricada por uma cervejaria artesanal. A minha cerveja estava quente, então pedi para trocar, mas a moça trouxe gelo kkkkk. Dia 10: Medellin vista de cima Acordei cedo. Estava cheio de planos. Pretendia visitar o parque Arví pela manha, o parque Explorer e o Jardim Botânico a tarde. Fui a pé para a estação de metrô Poblado e segui até a estação Acevedo. Dali peguei o metro cable para estação Santo Domingo onde conheci mais um bando de brasileiros que eu viria a reencontrar em San Andres dias depois. A melhor vista de Medellin se tem nesse trajeto. Imperdível. Foto: Metrocalbe da estação Santo Domingo, Medellín. Na estação Santo Domingo é preciso pegar outro metrocable rumo a parque Arví. Fazendo uma comparação é como se pegasse um bondinho na Tijuca, no Rio de Janeiro até o meio do Parque Nacional da Tijuca. No parque Arví tem várias trilhas e vc pode alugar uma bicicleta. Na entrada do parque tem uma feira com artesanato, comidas típicas e café colombiano. Segui para um lugar que eles chamam de Piedras Brancas. Foram 3 km de caminhada, passando por uma pequena trilha no meio da mata, mas a maior parte da caminhada foi pela carrera 42, uma estrada asfaltado que atravessa a mata. Em Piedras Brancas não vi nada demais. Há belos jardins, algumas trilhas e uma grande lagoa. Me pareceu um lugar para famílias fazerem piquenique. Foto: Piedras Blancas no parque Arvi, em Medellín. Percebi que se não saísse logo dali não conseguiria visitar o parque explora e o jardim botânico, então caminhei de volta até a portaria e peguei o metrocable de volta a estação Santo Domingo. Deu ruim quando cheguei na estação pois dali pra frente o bondinho estava parado para manutenção. Já era meio da tarde e percebi que o resto da minha programação havia furado. Então resolvi conhecer a biblioteca Santo domingo que fica perto da estação. São três prédios em forma de monolito cravados na beira do morro, mas estava fechado para reforma 😪. Voltei, e em uma rua próxima à estação, vi duas gringas e mais um cara esperando um táxi. Havíamos descido juntos o bondinho vindo do parque Arvi, então perguntei para onde iam. Poblado responderam, e me ofereci para dividirmos o táxi. Andar de táxi em Medellín é por sua conta e risco. Quando o cara acelerou descendo as ladeiras, atropelando os quebra molas e ignorando os semáforos, percebi as gringas apertando firme qualquer coisa em que pudessem se segurar. Começamos a rir pela maneira insana que o cara dirigia. Parecia que ia tirar a mãe da forca kkkkk, e nessa hora dei valor ao meu seguro viagem kkkk. Acho que foram mais de 10km até o Poblado só que em poucos minutos. Chegamos vivos, mas já era tarde e não foi possível visitar o Explora e o Jardim Botânico. Voltei ao hostel, anoiteceu e repeti a noitada no bairro. Dia 11/06: Guatapé. Você precisa conhecer Quando cheguei em Medellín, ainda no terminal Salitre, pesquisei por empresas que ofereciam passagem para Guatapé. Há vários horários de duas empresas, mas a viagem é longa (mais ou menos 70km), cerca de duas horas, então como eu pretendia fazer um bate e volta optei por ir cedo. Peguei o ônibus das 8 por 10 mil a passagem. Pedi para descer na começo da estrada que leva à pedra do penol. Alí há vários tucs, tucs que te levam até o pé da montanha ou para a cidadezinha de Guatapé, mas cobram caro - 13 mil por pessoa para a cidadezinha e 5 mil até a pedra. Resolvi ir a pé. São apenas 400 metros de caminhada até o pé da montanha subindo uma ladeira. Depois você paga 20 mil para pagar seus pecados subindo os 700 degraus até o topo. A escada é apertada e como eu estava num ritmo mais acelerado ficava complicado passar pelas pessoas mais lentas. Pelo menos a descida é por outra escada ainda mais incrustada na fenda da pedra. Após dois terços de subida há um mirante onde pode-se descansar um pouco, mas eu o ignorei e segui em frente. Finalmente alcancei o topo. Lá em cima há lanchonetes, banheiros e vários mirantes com vista para a represa. Dizem que são centenas de ilhas e realmente a vista da represa impressiona, mas não chega a ser a vista mais bonita do mundo como eles dizem. Será que já foram ao pão de açúcar? Foto: Pedra do Penol, em Guatapé. Foto: Vista da represa do alto da pedra, em Guatapé. No pé da montanha há um forte comércio de quinquilharias, souvenirs, artesanato e restaurantes. Deste ponto você tem duas opções. Voltar para Medellín ou ir para a cidadezinha de Guatapé. Se preferir voltar para Medellín tem uma budega por ali que vende passagem, ou simplesmente retorne pelo mesmo caminho até a estrada. Daí basta aguardar o primeiro ônibus que passar. Mas a melhor opção é ir conhecer Guatapé. Do alto da montanha avistei a cidade e no olhômetro medi uns 3 a 4 km. Então no espírito mochileiro, resolvi meter o pé na estrada e economizar uns trocados. Caminhei a passos largos. Vez ou outra era preciso caminhar pela estrada, pois não havia canteiro para passar. Ignorei aqueles tucs tucs que me ofereciam carona ($$$) e rapidinho cheguei na pequena cidade. Foto: Guatape Guatapé parece uma cidade de boneca. As ruas são estreitas, as casas são coloridas, os postes são baixinhos e quase não há transito. Pelo menos nessa parte mais histórica da cidade. Parece uma cidade cenográfica. As casinhas possuem um barrado com mosaicos em relevo que parecem ter algum significado muito além de simples desenhos. São chamado de zócalos. A cidade renasceu após a primeira ter sido alagada pela represa, então foi possível desenhá-la de modo tão encantador, que atrai turistas do mundo inteiro. Foto: Guatape Outra característica são as floreiras penduradas nas fachadas, ruas de pedra e barraquinhas de artesanato. Aliás é um bom lugar para comprar aquelas bolsas coloridas da Colômbia. Eu não poderia voltar para o Brasil sem pelo duas delas, pois duas amigas minhas se juntariam para me esgoelar se retornasse sem os presentes.. kkkk. Foto: Guatapee As margens do lago são oferecidas várias atividades aquáticas e em algum lugar ouvi dizer que há uma tirolesa. O centrinho da cidade é onde os ambulantes se concentram. Há restaurantes, hostels e muita gente circulando. O prédio da prefeitura chama a atenção por ser tão singelo. Foto: Prefeitura de Guatape. Foto: Centrinho de Guatape. Vale a pena passar o dia, ou até um final de semana em Guatapé. Não sei se há o que fazer a noite, mas durante o dia ninguém ficará entediado. Foto: Guatape. Almocei e paguei só 10 mil com direito a suco. Comida simples, mas há opções para todos os bolsos. Para se Hospedar há dezenas de hostels ou hotéis. Os melhores hotéis ficam as margens da represa. Arrependimento foi de não ter passado a noite por lá para aproveitar melhor o dia e explorar todas as opções que a cidadezinha oferece. Como optei por um bate e volta, fui até terminal local comprar minha passagem de volta para Medellin. O terminal funciona improvisado em um bar na calle 32, às margens do lago. É facinho encontrar. Basta seguir à esquerda da igreja, na foto acima. Segue pela rua à esquerda até chegar na calle 32. São só alguns metros de caminhada. Se não me engano o bar se chama terminal, fica bem na esquina desta rua que citei com a calle 32. Voltando para Medellin, suspirei fundo e subi no micro ônibus. A vontade era de ficar, porém eu ainda tinha coisas pra fazer em Medellin e mesmo lá, os três dias eram pouco pro tanto que tinha pra conhecer. Cheguei no terminal de Medellin por volta das 16:30h. Peguei o metrô e parti para o terminal Universidad, mas cheguei tarde . Tanto o parque Explora quanto o Orquidário já não permitiam a entrada de mais ninguém. Então foto só pelo lado de fora. Foto: Parque Explora, Medellin Dica: Quem for a Medellin tente programar um dia para conhecer o parque Explora e o Orquidário. O parque Explora é repleto de atrações onde você pode passar horas aprendendo e se divertindo ao mesmo tempo. Uma mistura de brinquedos que mexem com a lei da física, tecnologias e experimentos científicos interativos. São quatro blocos recheados de diversão, além de contar com um viveiro e com o o maior aquário de água doce da América do Sul. Há também um planetário administrado pelo parque, mas este fica em outra praça em frente, o parque de Los Deseos. A entrada no parque é por volta de 27 mil. O orquidário também é imperdível, fica logo ao lado do Parque Explora. Perambulei pela região e aproveitei a muvuca que rola no calçadão do lado de fora do Parque. Ali tem muitas barraquinhas com comidas típicas e muita gente circulando. Parei para assistir uma roda de capoeira ao som de paranauê, paranauê paraná. kkkkk De volta ao hostel preparei as coisas para partir na manhã seguinte. Comprei passagem aérea pela Viva Colômbia direto para Cartagena, afinal a low cost colombiana é bem barata e vale a pena. Comprei ainda no Brasil através do edreams passagem aérea para Cartagena, San Andres e depois de Santa Marta para Bogotá. Nesta noite fiquei no hostel mesmo, apesar do Tinder ser tentador, pois nunca dei tanto like na vida quanto lá. kkkkk. Dica dois: Essa para os cuecas de plantão: Apesar de muitas meninas colombianas postarem fotos de lingerie, são todas conservadoras. São criadas para casar cedo, ter filhos e cuidar da casa, bem ao estilo brasileiro de décadas atrás. Então não pense que é festa. Logo abaixo da foto de lingerie vem a legenda... quero casar! kkkkk Dia 12/06 - Bye Bye Medellin, Cartagena me aguarda. Acordei cedo, peguei o metro rumo a estação Exposiciones. Desci da estação e subi a Calle 36 até a esquina com a Avenida El Poblado. Bem ali na esquina tem um ponto de ônibus para o Aeroporto da empresa Combuses. A passagem custa cerca de 10 mil. Chegando lá basta entrar no micro ônibus e aguardar a partida. A passagem será cobrada durante a viagem. A viagem dura cerca de 1h pois o aeroporto José María Córdova fica a mais de 40 km da cidade. Tem desses ônibus o dia todo partindo de Medellin para e aeroporto e vice e versa. Mais informações visite a página da empresa no facebook: www.facebook.com/Aeropuerto-combuses-712819882145813/ Meu voo foi por volta das 11h e a viagem durou cerca de 2h até Cartagena. Foto: Ponto de ônibus para o aeroporto perto do centro comercial San Diego, em Medellin. Em Cartagena deixei o aeroporto e resolvi, bem ao estilo mochileiro, caminhar 4km até a cidade amuralhada. Resolvi ir pela orla para ver o mar. As praias em Cartagena são completamente sem graça e a cor da água está longe de ser aquela que nos aguarda em San Andres. Além do uber e dos táxis há também os moto taxis que podem te levar do aeroporto até a cidade amuralhada. Cheguei na muralha, chequei o mapa no celular e localizei o meu hostel. El Viajero na Calle 38. Não confundir com o Hotel de mesmo nome em outra rua. No hostel fiquei em um quarto com 6 camas e banheiro privado. O staff é bem simpático e esse hostel tem uma vibe muito boa. Fui logo conhecendo duas brasileiras e mais tarde outro brasileiro que trabalhava no bar.Botei o pé na rua e logo descobri um supermercado Éxito ali perto...kkkkkk Foto: Cartagena A minha primeira impressão da cidade amuralhada é que ela é quente e abafada. Mais tarde pude perceber que a muralha barra o vento que passa por cima, portanto roupas leves e garrafinha de água são indispensáveis. A segunda impressão foi reparar na arquitetura espanhola colonial bem preservada, com as floreiras que escalam as fachadas das casas. Esta assinatura está presente em vários centros históricos de algumas cidades colombinas. Cenário para boas fotos para o Instagram não vão faltar. Mas sinceramente, quem já viu Guatapé, não se impressiona tanto com Cartagena. Foto: Cartagena Um ponto negativo, na minha opinião são os veículos transitando dentro da muralha. Devia ser proibido, embora os táxis sejam úteis depois de uma noite etílica. Pelo WhatsApp recebi uma mensagem do Fábio. O brasileiro que conheci em Medellin. Ele estava com outros dois brasileiros no Café del mar. Parti pra lá. Basta subir a calle 36 ou 35, rumo oeste. O cafe fica no forte da muralha. Chegando lá senti o vento, um alívio para o forno atrás dos muros. Foto: Café del mar - Cartagena. Conheci os outros dois caras, ambos do interior de São Paulo e com aquele sotaque típico. Os caras eram primos e muito comédia. Um, dono de um posto de gasolina e o outro, engenheiro agrônomo e fanho. Os caras costumam viajar juntos pra todo lado, sem falar inglês ou espanhol, só na cara de pau. Numa lanchonete um deles chegou a pedir pão de queijo para a atendente kkkkk. Como ela não entendeu, ele mandou um portunhol: pan de quêço. kkkkkkk. No final das contas ele apontou o dedo pra algo que mais era parecido com pão de queijo, e foi servido. Acho que era um puñoelo..kkkk. O Café del mar é o melhor lugar para passar o final da tarde e tomar umas brejas. Anoiteceu e voltei para o hostel. O Fábio passaria por lá mais tarde partiríamos para a Eivissa. A melhor balada de Cartagena que arrasta centenas de turistas para os 3 andares de festa. O point é o terraço. Foto: Cartagena No happy hour do bar do hostel teve música ao vivo. Entradas para a Eivissa, com direito a uma cerveja de cortesia estavam espalhadas pelas mesas para os hóspedes. Cortesia do hostel, na verdade cortesia da Eivissa. O Fábio apareceu fomos para o bar e depois a galera do hostel saiu junto para a balada. Foto: Terraço da Eivissa. A balada rola em um prédio com 3 andares de festa e um terraço com vista da cidade. Fica ao lado da praça do relógio perto do pub the clock. Estava lotado de gente do mundo todo. Duas meninas chamaram nossa atenção e chegamos gastando nosso portunhol... ? Hola como están; responderam em um bom e sonoro português. Duas brasileiras, nenhuma surpresa. Estava como umas cantadas em espanhol armadas, mas quebrou minhas pernas pois não tinha nada ensaiado em português kkkkk. Mais tarde as duas foram trocar selinho em um poste de poli dance para delírio dos gringos. Nem me lembro que horas sai de lá. Borracho (bêbado) atravessei a praça do relógio e fui abordado por algumas garotas de programa. Situação triste e engraçada por ali, como relatarei mais tarde. no final das contas, acho que encontrei o caminho do hostel, pois no dia seguinte acordei por lá. kkkk Dia 13/06 - Cartagena tem praia? Dia de praia. Como disse anteriormente Cartagena não possui nenhuma praia que valha muito a pena. Porém eu, o Fábio e os dois paulistas não queríamos ir em playa blanca - a praia mais próxima de Cartagena banhada pelo mar que mais se aproxima daquele de águas claras. A viagem dura mais de 1h e meia de carro. Há excursões todos os dias partindo da cidade amuralhada e várias agências espalhadas pelas ruas oferecem translado ida e volta. Então resolvemos arriscar uma praia mais próxima. Antes, passamos no supermercado Éxito - compramos cervejas, petiscos etc. Arrumamos uma sacola térmica que fornecem lá e compramos gelo. Partimos para a Playa Castilo grande no bairro Bocagrande. Dali alugamos um barco para nos levar a uma praia atrás da isla de tierra bomba. Porém como o mar estava um pouco agitado e com ventos fortes, mudamos de plano no meio da viagem e seguimos para uma praia mais próximo, na própria ilha, próxima ao hotel Tropica Inn. Alugamos um espaço com bancos de madeira e mesa, pedimos uma fritada de peixe e passamos a tarde ali. O Fábio alugou um jet para dar umas voltas por 125 mil. No final da tarde voltamos, comemos alguma coisa em bocagrande e pegamos um táxi. Os paulistas estavam hospedados em um hotel caro em bocagrande. Eles nunca haviam ouvido falar em hostel na vida kkkk. Quando contei como era o esquema, o cara, dono de um posto de gasolina, apontou o dedo para o primo e disse: Viu primo, "cê" me faz pagar caro em hotel cheio de "frufru" em vez de fazer reserva pra gente nesse tal de hostel. kkkkk. Então convidei os caras para irem ao El Viajero mais tarde para o happy hour. O Fábio desceu em Getsemani onde estava hospedado e eu segui para meu hostel. Foto: Praia na ilha A noite chegaram o Fábio e os dois paulistas. Fomos para o bar do hostel. Os caras ficaram admirados com as meninas bonitas, a galera interagindo e prometeram que dali em diante nada mais de hotel. Os caras até tentaram remarcar a viagem de volta, pois iriam embora no dia seguinte, e assim se hospedariam num hostel para curtir a experiência. Porém o prejuízo seria grande demais e desistiram. Foto: Na cidade amuralhada, durante a noite, algumas ruas não transmitem sensação de segurança. Partimos para rua depois de um tempo. Apesar de uma infinidade de baladas que poderíamos curtir naquela noite resolvemos ficar de boa com um programa mais light. Decidimos ir para o pub the clock. Foto: The clock pub - Eu, o Fábio, o paulista dono do posto e o agrônomo fanho. Bebemos chopp e pedimos uma porção de frango frito. As porções lá são gigantes. Foto: The Clock pub Saímos dali e paramos na praça do relógio. Sobre essa praça eu preciso falar. Ali é o principal ponto de prostituição de Cartagena. Muitas meninas, a maioria muito bonita e jovem, vindas de toda Colômbia marcam ponto ali. Era possível até perceber uma certa hierarquia, onde as mais antigas ficam sempre nos melhores lugares enquanto as novatas ficam atrás, nos cantos. O dono do posto, diabos, esqueci o nome dele, foi conversar com algumas meninas. Ele disse que tinha experiência com aquilo porque já foi cafetão kkkkkkkk. Foto: O paulista confraternizando com as garotas de programa kkkkk O cara é mesmo uma comédia. Deu selinho em um monte de garotas e segundo ele era amostra grátis kkkkk. Depois ele voltou e perguntou ao primo se ele havia feito fotos dele beijando geral. Fiz não primo. "Cê" num falou nada! - Seu jumento, agora como que eu vou provar pros amigos que eu peguei todas na Colômbia? kkkkk Dava dó de ver. Acho que é culpa do iphone. Muitas meninas tem fascínio por iphones. Lá na Colômbia, o jeito mais fácil delas conseguirem alcançar alguns sonhos de consumo é se prostituindo. Passaram duas garotas apressadas e olharam pra gente. O Fábio ficou maluco e partiu atrás delas. Fui no rastro. Os paulistas também vieram. Começamos a conversar. Muito simpáticas as garotas. Não dava pra entender como elas poderiam estar ali naquele lugar. Poderiam ser confundias com garotas de programa. Subimos para um bar num terraço; o papo vai papo e vem, eu de papo com uma e o Fábio de papo com outra, enquanto os primos ficavam só olhando. De repente o Fábio chega pra mim e fala na lata que descobriu que elas também eram garotas de programa, e nós ali inocentes kkkkkkkkkkkk. Saímos rápido do bar, decepcionados. Chegamos na praça e olhamos para a sacada. Os paulistas ocuparam nosso lugar e estavam de papo com as meninas kkkkkk. Passamos uma mensagem avisando da descoberta, mas acho que só foram ler quando chegaram no Brasil. Foto: Praça do relógio Dia 14/06 - Despedida de Cartagena No dia seguinte, enquanto os paulistas voavam de volta para o Brasil, o Fábio partiu para um passeio que ele havia comprado, para uma das dezenas de ilhas em torno de Cartagena. Eu fui bater perna pelas ruas da cidade amuralhada. Precisava fazer câmbio e sacar a última parcela da grana que havia enviado do Brasil pela Western Union. Fui na Giros y finanzas na Calle 35. Ali encontrei a melhor taxa. Foto: Câmbio e western union em Cartagena. Saquei cerca de 1,2 milhões de pesos colombianos e troquei uns 400 dólares. No resto do dia circulei pela cidade amuralhada fazendo fotos, visitei um museu com entrada franca e parei no Juan Valdez para um café. Foto: Cartagena Anoiteceu. O Fábio passou uma mensagem e combinamos de ir ao Hard Rock Café. Teria um showzinho de rock lá em comemoração ao aniversário da casa e a banda era realmente muito boa. Começou com uma versão rock de Take on me do A-ha e emendou uma do Jorney - Don't stop believin. Foto: Hard Rock Cafe O Fábio partiria para Barranquila no dia seguinte. Eu avisei que provavelmente ele não iria encontrar a Shakira, então que diabos ele faria lá? Por que não partir para San Andres? Ele respondeu que pesquisou a respeito e que Barranquila é muito bom para fazer compras e San Andres é um esquema mais para casal. kkkkkkkkkkkkkkk Depois eu conto o quanto ele estava equivocado. Dica: Cartagena é preciso apenas dois dias para conhecer toda cidade amuralhada. Ou um dia inteiro se dedicar seu tempo apenas pra isso. Cenário para fotos não irão faltar. Quem quiser conhecer o verdadeiro café colombiano esqueça a Juan Valdez que mais parece um mc donalds. Procure uma boa cafeteria com barista especializado. Uma pesquisa rápida na internet traz a experiência de vários viajantes a respeito. Outra opção durante o dia e partir para as belas ilhas ao redor de Cartagena. Basta procurar uma das várias agências de turismo espalhadas pela cidade amuralhada, ou no próprio hostel ou mesmo o hotel em que se hospedar, eles também costumam oferecer estes passeios. O Fábio que foi num desses, não curtiu tanto, porque o grupo do passeio que ele contratou, eram de pessoas idosas e ele ficou meio deslocado. Mas é a noite que o bicho pega. São infinitas opções e algumas até inusitadas como um ônibus balada. São oferecidos cuba com gelo enquanto músicos locais tocam ao vivo ritmos típicos colombiano. Tem o Mister Babila que é um restaurante com balada. Rola muito reggaeton e salsa e se der fome você vai estar no lugar certo. Outra boa opção é o O Café Havana onde rola muita salsa com músicos incríveis. Dia 15/06 - Partiu San Andres. Fiz checkout no hostel e eles chamaram um táxi pra mim. Não demorou muito e parti para o aeroporto. A carrera (corrida) custou uns 7mil. Era copa do mundo e de aeroporto em aeroporto fui assistindo alguns jogos. Nesse dia acho que o Uruguai estava jogando. As duas brasileiras que estavam no hostel iriam no mesmo voo. Cheguei em San Andres por volta das 14:00h. Paguei a taxa de entrada, uns 45 dollares, e fui a pé para o hostel. Fiz o mesmo esquema de Cartagena. Reservei pelo booking ainda no Brasil. Em San Andres o El Viajero é mais caro, paguei 60 mil por noite. Fui a pé do aeroporto até o hostel. Caminhei uns 800 metros no máximo. Cheguei no hostel praticamente ao mesmo tempo que as meninas que foram de táxi. Durante o checkin, as meninas foram abordadas por um cara que oferecia alguns passeios. Mais tarde descobri que ele era chileno e trabalhava ali no bar do hostel. Minha primeira impressão dele não foi boa e minha impressão só piorou com o passar dos dias. Fui para o quarto. Reservei um quarto misto com 8 camas e banheiro. Cheguei no quarto e não havia ninguém. Deixei minhas coisas lá e fui conhecer o centrinho da ilha. Foto: Cento de San Andres Antes de sair voltei a recepção e pedi para usar o cofre. Não há cofre individual neste hostel. O El Viajero de Cartagena tinha cofre individual dentro dos quartos, o que é muito útil. Porém prefiro quando há cofres individuais na recepção, pois além de câmeras, sempre há algum funcionário por ali oferecendo ainda mais segurança. No hostel Wild Rover em La Paz, o cofre individual fica na recepção e dentro dele há tomada para carregar celular - muito útil. No El Viajero em San Andres, sua grana fica num cofre único na recepção, onde apenas os funcionários tem acesso. Suas coisas vão dentro de um envelope identificado e conferem na hora quanta grana você está guardando. Te dão um recibo que você precisa apresentar toda vez que quer acessar o cofre. Se retirar alguma grana, eles te dão um novo recibo atualizado. Ainda sobre o quarto, as bicamas são de aço e possuem um ganchinho para pendurar roupas ou toalha. Há um compartimento em baixo das camas para colocar suas coisas e trancar com cadeado. Havia ar condicionado também. Abri o maps no celular e me localizei a partir do hostel. Escolhi a melhor rota e parti para o centro rumo a praia. Chegando no calçadão comecei a escutar sotaques do Brasil e minha impressão se confirmou ao chegar à praia. Parecia que eu estava no Brasil. Tinha brasileiros pra todos os lados. A praia Spratt Bight, além de ser a mais acessível na ilha, é também a mais bonita. Foto: Orla da praia Spratt Bight Depois de um tempo, voltei ao hostel e já tinha gente no quarto. Aos poucos foi chegando todo mundo que estava hospedado e outros novos que chegaram no mesmo dia que eu. O quarto era o 31 ou como dizem, habitacion 31. Éramos 7 brasileiros e uma colombiana. Duas meninas e um cara de São Paulo, um cara do Rio e outro de Búzios, um cara de fortaleza, eu de minas e uma menina de Medellin. Claro que ao longo dos dias, alguns foram embora mais cedo, outros chegaram, mas foi essa galera ai que fechou e nos tornamos amigos. Foto: amigos no quarto 31 e mais algumas pessoas do hostel. Faltam duas meninas que estavam no quarto. Começa o happy hour no bar do hostel. O Bar fica no terraço e o espaço não é tão grande, o que acaba favorecendo para conhecer mais gente. Reencontrei os brasucas que conheci no estação Santo Domingo em Medellin. No bar é ainda mais perceptível o domínios dos brasileiros na ilha. Gente de toda parte do país. Nesta noite o programa era encher a cara no bar do hostel e partir para a Cocoloco. Foto: Happy hour do hostel Partimos para a boate. Não me lembro quanta gente andava junto, mas no meio do grupo haviam um argentino e um chileno. O Argentino disse que conhecia o caminho, mas acredito que caminhamos o dobro até chegar lá. O chileno discordava das decisões do argentino e toda hora paravam para novamente discutir a rota. Se já era difícil entender o que o chileno falava, entender o sotaque porteño era impossível. Então quando recomeçavam a andar, todos seguíamos na mesma direção. Pausa para reabastecer. O chileno começou a tirar garrafas de tudo que é bebida de todo lugar, da sacola, do bolso, da cintura, apareceu até uma caixinha de suco pra fazer mistura...kkkkkkk Foto: O chileno e o argentino Segunda pausa para reabastecer. Passamos em frente uma casa onde rolava uma festa de aniversário. Perguntamos na "zueira" se vendiam bebidas e não demorou vieram com umas latas de cerveja. 5 mil cada kkkkkkk. Finalmente chegamos na Cocoloco - pelo caminho mais longo claro - bem em frente tem um boteco que é tão animado quanto a boate. Naquela noite mulheres não pagavam nada. Não me lembro quanto custou a entrada mas acho que era uns 20 mil e a cerveja - 13 mil uma corona. Por isso é importante já chegar chapado. A danceteria em si não é nada demais, paredes pretas que tira a noção de tamanho do espaço, acho que tinha um mezanino, uma pista lotada e um bar grande. A música predominante é o regaton. Como não sou muito chegado em baladinhas, durante minha estadia na ilha não voltei à Cocoloco, mas é praticamente a única coisa que se tem pra fazer durante as noites na ilha. Foto: Cocoloco - San Andres Foto: Gaúchas que conheci na Cocoloco - San Andres Dia 16/06 - Conhecer San Andres. Na véspera de partir para San Andres, contactei o Kramelo, um agente de passeios, cuja recomendação encontrei no grupo San Andres para Brasileiros no face. Esqueci de citar, mas por volta das 18h, no dia que cheguei, combinei com ele de passar no meu hostel para comprar alguns pacotes. Fechei apenas 3. Acuario e Johnny Cay por 40 mil, Parasail por 150 mil e snorkel por 60 mil. Acho que rolou um desconto, não me lembro mas paguei um pouco menos por tudo. Eu também queria Cayo bolivar, mas estava fechada para visitação e se bobear continua fechada até hoje. Ainda em Medellin eu havia contactado o David Guggenheim (super recomendo) para contratar um mergulho com cilindro. A principio, eu faria somente esses passeios, pois queria pelo menos um ou dois dias livres. Amanheceu, subi para o bar do hostel para o desayuno. O Café da manhã no hostel é muito bom. Sucos, café, leite, granola, iogurte, frios, frutas e pães. O primeiro passeio seria Acuario e Johnny Cay. Por volta das 9h eu deveria chegar ao ponto de partida, o porto dos pescadores na Avenida Colombia, próximo ao restaurante La Regata. Ali na areia há dezenas de comerciantes vendendo de tudo. Comprei uma capinha plástica para proteger o celular. ela permite mergulhar com o aparelho para fazer fotos, mas confesso que não tive coragem de testar. Usei apenas para proteger de respingos - 10 mil. Comprei também uma botinha, que é indicada para não se machucar nos corais - acho que uns 15 mil - usei só uma vez. Outra compra foi de um snorkel de plástico para fazer flutuação no acuario - 20 mil. Aguardei no local marcado, junto com outros turistas pela partida da lancha. Conheci mais um casal de brasileiros que eu viria reencontrar no passeio do Parasail. A lancha é perrengue total. Feita de fibra de vidro, desconfortável, muita gente e o desembarque pode ser tenso principalmente para idosos e crianças. Porém cumpre o objetivo de levar até as ilhas. Há outras opções para este passeio, me foi oferecido por 90 mil. Circula a ilha com paradas extras como West View e com buffet incluso, mas acho que a lancha é praticamente a mesma. A primeira parada foi em Johnny Cay, a bela ilha que dá pra ver da praia Spratt Bight. Lar de centenas de iguanas. Foto: Jhonny Cay Foto: Recepção na ilha pelas inofensivas iguanas Foto: Praia em Johnny Cay As iguanas são inofensivas e curiosas. Estão tão acostumadas com tanta gente que se você ficar parado elas costumam se aproximar, mas como qualquer animal, não se deve tocar nem alimentar. A praia é linda e a água incrivelmente transparente. A ilha é pequena e dá pra caminhar em volta em pouco tempo. Há algumas cabanas que servem petiscos, bebidas e almoço. Paguei 35mil por uma almoço honesto, mas nada demais. Em San Andres se come melhor pelo mesmo preço. Recomendo levar água, frutas e biscoitos para emergência, pois o passeio leva o dia todo. Por volta das 14h a lancha aguardava no porto improvisado para partirmos para o acuario. A viagem é rápida. O acuario, trata-se de um pequeno monte de areia, onde há um bar. Ali você pode alugar um armário para guardar suas coisas, mas havia uma alternativa mais barata. Um cara alugava uns sacos, que podiam ser compartilhados com outras pessoas. Você coloca suas coisas lá dentro do saco e o cara fica tomando conta..kkkk Compartilhei com outra turista e acho que ficou por uns 7 mil para cada. O Armário acho que era uns 20 mil. Peguei o snorkel e fui mergulhar em volta do areião. A profundidade varia de 1 a 3 metros no entorno e com sorte você vê algumas arraias por ali. Há uns caras que ficam jogando comida na água e acabam atraindo os peixes e arraias para os turistas, mas acho que deve rolar um troco pros caras. Do acuario dá pra ir caminhando até uma ilha próxima, mas não há nada demais lá além de um restaurante. Foto: Acuario com vista de outra ilha próximo. Partimos dali por volta das 16h. Quando se contrata o passeio há a opção de contratar junto o Mantarraya, algo que eu não queria, pois não acredito que as arraias se deixam pegar espontaneamente para os turistas fotografarem. Li um relato de turistas que dizem ter visto um dos guias esguicharem discretamente, algum liquido próximo delas enquanto eram atraídas com comida. Isso poderia deixá-las desnorteadas e dóceis. Mas fui surpreendido quando os caras da lancha resolveram oferecer esta opção durante a volta. Ofereceram como bônus, mediante uma gorjeta espontânea que nem todo mundo pagou, mas dei 5 mil, nem sei porque. A lancha parou em algum lugar onde o mar era raso e o guia mergulhou e logo voltou com uma arraia nas mãos. Duas ou três pessoas se animaram e pularam na água para fotografar. Deixei claro meu desinteresse não dando atenção ao show. Partimos dali para mais ao sul da ilha, para a região dos mangues. Isso também não estava previsto, mas neste caso tudo bem. Demos uma volta nos mangues (local que acho valer a pena conhecer a pé. Há trilhas com passarelas de madeira pelo meio da mangue. Não sei se a entrada é franca e nem se precisa de guia, mas vale a pena tentar ir por conta própria.) Voltamos ao porto, oportunidade para os caras pedirem mais uma gorjeta, desta vez ignorei e passei direto. Em frente ao hostel há um supermercado, onde comprei algumas coisas. Na cozinha do hostel você deve etiquetar com seu nome, as coisas que pretende armazenar na geladeira. A cozinha é completa e dá pra cozinhar lá, mas dependendo do horário ela é disputada e é preciso aguardar sua vez, caso não seja possível compartilhar o espaço. Preferi sair para comer. Descobri um monte de bares legais no entorno do Hotel Sunrise, apenas há 500m do hostel. Paguei uns 13 mil em um sanduíche em um boteco que escolhi. Depois de um tempo voltei para o hostel e fui curtir o happy hour com a galera. Dia 17/06 - Dia de Parasail e noite de festa O Parasail é um dos passeios mais caros, esperados e superestimados na minha opinião. Cheguei ao porto e reencontrei o casal de brasileiros do passeio do dia anterior. Conheci também uma brasileira que estava morando na Colômbia, em Bogotá, e resolvemos fazer o passeio juntos já que indicado fazê-lo em dupla. Naquele dia teria jogo da seleção e pelas minhas contas, daria tempo. Partimos na lancha, cerca de 10 pessoas, até o local apropriado. O céu estava limpo e propício para o parasail. Você veste um colete, que depois será atrelado a pipa que é conectada ao cabo de aço que fica enrolado em uma carretilha na traseira da lancha. A lancha então acelera e o vento contrário faz o trabalho de içar a pipa. Você sobe não mais do que uns 60m, altura suficiente para ver a barreira de corais e todo o mar de 7 cores da ilha. Então a lancha desacelera e você desce até tocar a água. Daí a lancha acelera novamente e você sobe outra vez. Essa brincadeira dura cerca de 10 minutos até você ser puxado de volta para a lancha. Na minha opinião é muito pouca adrenalina para 150 mil. Não recomendo. Voltamos ao porto a tempo de assistir ao jogo da seleção, mas caiu a ficha de que era dia de lei seca devido as eleições presidenciais da Colômbia. Então desistimos do jogo e eu e a brasileira resolvemos conhecer a Rocky Cay, uma ilha que dá pra ir caminhando até lá. Mas antes almoçamos em um restaurante frequentado mais por locais, 25 mil o rango e partimos rumo ao sul de busão - 2500 a passagem. Chegamos a praia e começamos a caminhada de cerca de 200m até a ilha. Há uma corda guia na água para ajudar. Foto: Rocky Cay, Google Não há nada demais na Rocky Cay. Uma pequena ilhota e o mais interessante é a ruína de um velho navio encalhado. Há regras e você não pode nadar em qualquer lugar. O lado leste, é proibido e nadar até o navio, nem pensar. Só pode ficar nesta área mais rasa que dá pra ver na imagem acima. Tem uma pequena cabana no meio dos coqueiros e em cima dela fica um sujeito com cara de adolescente gritando com todo mundo que desobedece as regras. Em vez de orientar, ele ameaça de expulsá-lo. Parecia o reizinho da ilhota. Era cômico de tão ridículo. Passamos a tarde ali. Parece que a lei seca não é tão levada a sério na ilha, pois descobri depois, que haviam bares no centro que venderam bebidas normalmente durante o jogo. De volta ao hostel a galera estava planejando uma room party. Já que não poderia beber na rua, fomos ao supermercado e compramos uma garrafa de 2 litros de whisky por 35mil kkkk. Outras bebidas, além de cerveja, gelo e snacks. Anoiteceu, subimos para o happy hour, oportunidade para divulgar a festa. Duas meninas que estavam no mesmo quarto, não botaram fé em nossa festa e resolveram ir para a Cocoloco. Após o esquenta no bar do hostel, voltamos para o quarto. Colocamos o celular dentro da lixeira para servir de amplificador. Regaton começou a rolar. Apagamos as luzes. Ligaram a lanterna intermitente do celular que fez a iluminação da festa. Começou a chegar gente, acho que foram umas 20 pessoas no total. Tinha uma gringa lá mas a maioria era de brasileiros. Até o chileno do bar apareceu e na cara de pau levou um isopor para vender cerveja (não vendeu nada, pois nossa festa era all inclusive kkkkkk). A medida que a galera foi ficando bêbada a festa foi ficando mais insana. Por volta das 2 da manhã. As duas meninas do quarto chegaram e não acreditaram na festa que estava rolando. Uma delas então, pegou a caixa de som e o regaton tocou ainda mais alto para desespero dos hóspedes do quartos vizinhos. Fiquei sabendo que esmurraram a parede a noite toda, pedindo em vão por silencio. kkkkkk. A festa só acabou quando metade da galera se foi e só sobraram apenas o pessoal do quarto e uma turminha de salvador que se recusava a sair. Nossa festa ficou famosa e "La habitacion 31" do El Viajero nunca mais será a mesma. 20180617_014632.mp4 Video: Room Party - Habitacion 31 Dia 18/06 - Dia de treino para o mergulho. Dia de Snorkel. Depois do desayuno fui para o porto encontrar com o Kramelo, ele me acompanhou até o Decameron hotel aquario para me apresentar ao cara que me guiaria neste passeio. O equipamento é fornecido, inclusive a máscara e respirador, pois aquele que comprei no porto era de plástico e não indicado para um mergulho de qualidade. Subi em uma espécime de jangada onde o cara ia manipulando a vela para se afastar do porto rumo ao leste. Chegamos no local do mergulho. Cerca de 400 a 500m do hotel. Foto: Local de partida para o Snorkel, no porto do hotel Decameron Aquario Foto:Vista da janguada, rumo ao ponto de megulho para o Snorkel Infelizmente não tenho mais fotos deste passeio, pois não tive coragem de colocar o celular na água..kkkkk. O cara mergulha e você o segue. É preciso ter um pouco de preparo físico, mas nada demais. A profundidade média no local do mergulho é de 3 a 4 m. Acho que é possível fazer esse passeio com um colete salva-vidas, assim, mesmo quem não tem preparo pode ir de boa, mas sem a possibilidade de mergulho neste caso, apenas flutuação. A ideia aqui é ficar com a cara dentro d'água para ver o fundo do mar, os corais e peixes. Se tiver segurança e fôlego basta prender a respiração e mergulhar, daí volta para a superfície e continua flutuando. Vez ou outra pode ser que entre água na máscara e tem de fazer um pouco de ginástica para tirar. O local do mergulho possui muitos peixes, arraias e neste dia, acho que foi sorte, havia um tubarão nos corais. Completamente inofensivo, segundo me disseram. Recomendo este passeio. É barato e divertido. Neste dia almocei no El Corral - bons sandubas por 20 mil em média. Passei o dia no centrinho e comprei um perfume La cost 175ml por uns 140 mil e voltei ao hostel. No quarto começaram as despedidas, pois algumas pessoas iriam embora. Troquei uma grana para o Pablo de Buzios, que estava arrumando as malas e precisaria de reais para quando chegasse ao Rio. Tomei banho e sai novamente. Tive a ideia de promover um beer pong no bar do hostel, então precisa comprar umas bolinhas de tenis de mesa e copos. Perto da praia me encontrei com um dos caras que estava no mesmo quarto que eu e resolvemos tomar umas cervejas. Foram duas coronas em dois bares diferentes na orla da Spratt Bight - 7 pilas cada. Depois das cervejas fomos procurar as bolinhas nas lojinhas do centro. Depois de muita procura encontramos. Ainda no centro dei falta do meu celular. Fiquei na dúvida se eu havia saído com ele ou se havia deixado no quarto. Voltei para o hostel com a pulga atrás da orelha. Cadê meu celular? No quarto constatei que o celular não estava lá. Também não vi a grana que eu havia trocado para o Pablo. Nessa hora fiquei ainda mais em dúvida se eu havia sido furtado, pois uma coisa é perder o celular na rua, outra coisa é a grana que tinha certeza ter deixado no quarto sumir. Um dos caras do quarto ligou para o meu número e nada. Nessa hora voltei ao centro. Fui em todas as lojas que eu havia passado procurando as bolinhas para comprar. Em cada um delas a resposta foi a mesma, nada de celular. Pensei em ir aos dois bares que eu havia comprado cerveja, mas já não me lembrava quais eram. Voltei ao hostel e fui direto à recepção. Pedi acesso às imagens da câmera que havia no corredor do meu quarto para me certificar se eu havia deixado o quarto com o celular na mão. Só para constar, com relação ao pessoal que estava hospedado no mesmo quarto eu tinha total confiança. A atendente disse que passaria minha demanda para a gerente que não estaria lá naquele momento, mas só poderia permitir meu acesso às imagens se eu fizesse uma denúncia à polícia. Na hora eu pensei que não haveria necessidade disso, pois eu só queria ter certeza. Mas como não permitiram eu ver as imagens, segui as instruções e fui atrás da polícia. Me informei com um guardinha no centro e ele disse que no meu caso eu precisaria procurar o pessoal que atende a queixas dos turistas. O prédio fica bem em frente ao restaurante La Regata na Avenida Colômbia. Fui muito bem atendido por um funcionário que ouviu meu relato. Daí ele ligou para o hostel e falou com a gerente, descobri então que ela estava no hostel o tempo todo. Poderia ter resolvido meu caso sem toda essa burocracia. A gerente disse que iria até lá para conversar. Levou mais de meia hora até ela aparecer com uma assistente e foi logo mostrando o termo que assinei no checkin onde constava que o hostel não se responsabilizava pelo sumiço de nada deixado no quarto. Daí o cara situou a gerente, dizendo que o hostel tinha sim responsabilidade. Eu fiquei ali só pensando que não precisava daquele constrangimento todo. Eu só queria ver as imagens e em nenhum momento até então, eu pensei em responsabilizar o hostel pelo sumiço do celular ou do dinheiro. Depois de muita conversa a gerente concordou em mostrar as imagens. Marcamos para o dia seguinte por volta das 14h. Anoiteceu e fui curtir o happy hour no bar do hostel. Foto: Galera no bar do hostel. Antes de continuar queria registrar uma situação engraçada numa noite que saímos e acabamos conhecendo um grupo de colombianos de Cali. Foto: Interagindo com alguns Colombianos O Johnny acabou saindo com a menina de short preto com bolinhas brancas ai na foto, e descobriu que existe motel na ilha (fica a dica). Só que o taxista cobrou 50mil pela corrida mais a dica. kkkkkk. Então pergunte a algum local onde é e na hora de pegar um táxi, você poderá negociar o preço. a Foto: Pessoal invadindo um busão no meio da noite. No meio da cachaçada (ainda vigorava a lei seca) e se aproveitando das ruas desertas na noite da ilha, o pessoal acabou invadino um busão que estava estacionado na rua... Só comédia. Acho que ninguém tranca os veículos, afinal se roubar vai levar pra onde? Dia 19/06 - Dia de mergulho e de resolver a questão do sumiço do celular. Conforme relatei, eu já havia contactado o David Guggenheim quando eu ainda estava em Medellin. Ele oferece mergulhos com cilindro em San Andres por um preço super acessível. Convenci outras duas pessoas a fazerem o mergulho comigo, Johnny e a Cila (foto abaixo). O David nos buscaria no hostel por volta das 16h. Pela manhã fui passear no centro, dei uma volta na praia e almocei no El Corral mais uma vez. Depois voltei ao hostel, pois estava marcado às 14h o pessoal da assistência ao turista comparecerem ao hostel para vermos juntos as imagens da câmera de segurança, só que neste horário eles não apareceram. Fiquei esperando até por volta das 16h quando finalmente chegaram, só que o David já estava nos aguardando na rua. Então conversei com os caras e disse que depois faria contato para saber do resultado da perícia. Saímos, eu o Johnny e a Cila. O David nos pediu para levar toalhas. A filmagem e as fotos, havia a opção de contratar com o próprio David por um adicional no orçamento. O mergulho custaria 140mil para cada um e com as fotos sairia por uns 160mil se não engano. Super barato. Durante o trajeto até o ponto de mergulho, do lado oeste da ilha, o David que fala português, foi dando algumas instruções de como se comunicar por sinais em baixo d'água. Chegamos ao local onde ele guardava o equipamento. Foto: Preparativos para o mergulho de cilindro Antes de entrarmos na água ele deu mais instruções. O equipamento seria operado por ele e por seu assistente que mergulharia com a gente. Em seu pulso ele tem um equipamento que mede a quantidade de oxigênio nos cilindros, assim ele tem controle total do tempo de mergulho. Durante as instruções, ele passava muita segurança e todos os temores vão sumindo. A Cila estava um pouco nervosa e até pensando em desistir, mas o David a tranquilizou e disse que não largaria sua mão durante o mergulho. Se ainda havia algum receio, eles sumiram quando entramos na água. Foto: Treinamento final, dentro d´água. Na água fizemos alguns exercícios para aprender, por exemplo, como tirar a água da máscara e controlar a pressão nos ouvidos. Finalmente submergimos. Aos poucos fomos mais fundo, devagar e sem movimentos bruscos, para que o oxigênio no cilindro fosse poupado. Através de sinais o David foi nos mostrando o que havia de mais interessante embaixo d'água. Foto: Mergulho em San Andres A visibilidade era incrível, sem explicação. Atingimos 11 ou 12 metros de profundidade. Este ponto do mergulho é próximo a margem, portanto não foi preciso uma lancha para deslocamento. Passamos embaixo de umas rochas e corais com muitos peixes. Foto: Mergulho em San Andres A medida que você se sente seguro e com total domínio das técnicas de descompressão de como se livrar da água que entra na máscara o Davi permite que você nade sozinho, sem se afastar é claro. Eu particularmente não tive nenhuma dificuldade ou medo. A Cila ficou o tempo todo de mão dadas com o David e estava calma curtindo o mergulho. O Jhonny chegou a ter um problema, não sei exatamente o que foi, mas o David e o seu assistente deram suporte e tudo correu tranquilamente. GH01314.mp4 Video: Mergulho em San Andres No video acima eu reduzi a qualidade HD para não ter problemas em carregá-lo, mas dá pra ter uma noção do espetáculo que é embaixo d'água. Dica: Em San Andres há uma vida em cima e outra embaixo d'água. Ir a ilha e não fazer este mergulho é um grande desperdício. Custa praticamente o mesmo que o Parasail e é infinitamente melhor. Não há motivos para temer ou achar que não vai conseguir respirar direito, ou sei lá, ter pânico embaixo d'água e se desesperar - nada disso vai acontecer. O David é super profissional e está preparado para qualquer emergência. O treinamento e as instruções vão dar a qualquer um a tranquilidade para mergulhar com confiança e segurança. O tempo do mergulho depende do tempo do oxigênio. Quanto menos ofegante e menos esforço fizer, menos irá consumir o oxigênio do cilindro e como consequência o mergulho irá durar mais tempo. O nosso durou cerca de 45 minutos. O David mergulha com no máximo 2 pessoas ou 4 quando o assistente o acompanha. Você precisa de pelo menos 24 horas de tempo antes de pegar um avião, portanto o mergulho não poderá ser feito em seu último dia na ilha. Aconselho a quem se interessar, contactar o David antes mesmo de desembarcar na ilha para agendar o melhor dia. Foto: Mergulho em San Andres. Saímos da água e nos secamos com as tolhas. O David nos levou de volta ao hostel. Devido a experiência incrível que eu acabara de ter vivido, me esqueci completamente dos meus problemas. Porém, durante o caminho de volta para o hostel o pessoal de Salvador (duas meninas e um cara) que acabaram se tornando parte da nossa galera na ilha, enviaram uma mensagem para o celular do Johnny que me avisou que haviam encontrado o meu celular. Ele estaria em um bar na orla (não me lembro o nome agora). Bingo! Só poderia ser um dos bares que eu havia frequentado no dia anterior para tomar uma corona. Assim que chegamos ao hostel eu meti o pé para o centro. Pesquisei pelo nome da bodega no maps e achei estranho o resultado da busca, pois apontava para algum lugar próximo a orla, mas não na orla. Porém o local me parecia familiar. Chegando lá, era uma loja. Eu me lembrei de ter passado naquela loja procurando por bolinhas de ping pong, então abordei uma vendedora e perguntei se alguém havia perdido um celular naquele local no dia anterior. Ela estranhou a pergunta, mas durante a explicação ela disse que havia outro comércio com o mesmo nome, que ficaria na orla próximo dali. Agora sim. Segui as instruções e cheguei em um bar, meio bar, meio armazém e fui logo perguntando sobre o tal celular. O cara me olhou e perguntou como seria o tal aparelho. Após a descrição, ele o tirou da gaveta e disse que se eu conseguisse o desbloquear estaria provado que era meu. Foi assim que finalmente encontrei o aparelho, então o cara me explicou o que aconteceu. Quando comprei a cerveja, fui tirar o dinheiro da carteira e coloquei o celular em cima do balcão. Paguei, peguei a cerveja e fui embora. Quando o cara percebeu que eu o havia esquecido já era tarde. Mas como me encontraram? No dia seguinte a turminha de Salvador estava bem em frente a essa bodega, quando o cara reconheceu a pulseira cor laranja do hostel El Viajero - a mesma que todos usamos enquanto estamos hospedados lá. Então ele perguntou pra eles, se conheciam alguém do hostel que havia perdido um celular kkkkkk. Parece incrível mas foi exatamente assim, uma sorte danada. O cara disse pra mim que até tentou ligar para o numero de emergência que aparecia em meu display, mas que não funcionava (numero residencial no Brasil). Desde esse dia, em vez de um numero eu deixo registrado no display o meu email. Agradeci muito o cara, principalmente pela honestidade e voltei feliz para o hostel. Cheguei em meu quarto e comecei a arrumar a bagunça quando vejo uma nota no chão, perto de uma botinhas (aquelas que a gente compra em SA para não se machucar nos corais), vou conferir e acabo descobrindo as outras por ali. Era o dinheiro que havia sumido. Provavelmente no dia que fiz a troca para o Pablo eu deixei o dinheiro em cima da cama ou algo parecido e o vento o arrastou para o canto do quarto. Foi assim que todo mistério foi resolvido de uma vez só. Apesar de feliz que a solução de todo mistério era um dia triste, pois a maioria da galera da habitacion 31 tinha ido embora, ou iria ainda naquela noite. Então fomos afogar a tristeza no bar do hostel. Dia 20/06 - Último chance para curtir a ilha. Minha despedida da ilha seria no dia 21. Sobramos eu e o Johnny, além de uma ou outra pessoa do hostel que se tornaram amigos. Novos hospedes chegaram ao quarto, mas não era a mesma coisa. Logo cedo voltei ao prédio da assistência ao turista e agradeci o apoio. Comuniquei que eu havia encontrado o aparelho e o cara confirmou que nas imagens eu havia deixado o quarto com o aparelho na mão. Ali perto resolvi alugar uma bike para contornar a ilha - 30 km pelas minhas estimativas - paguei 20 mil pela tarde toda. Afinal, eu ainda não conhecia o outro lado da ilha. Foto: Explorando a ilha de bike Resolvi partir rumo leste, sul. Assim meu retorno seria pela Spratt Bight. No meio do caminho choveu, mas nada que atrapalhasse. Foto: Pausa para uma cerveja A ilha é plana então a pedalada é suave. Parei em uma barraca qualquer, longe da muvuca do centro e tomei duas cervejas. Peguei a bike e continuei o passeio. Quando cheguei na ponta sul da ilha, vi a placa para o Hoyo soplador. Acho que não se paga para entrar, mas a galera, pelo pesquisei, bota pressão para você consumir. Li também sobre furtos, então resolvi ignorar e continuei em frente. Foto: Lado oeste da ilha. Do lado oeste nas praias não vi ninguém. Talvez devido as chuvas, mas não havia nenhuma ou muito pouco estrutura para os turistas. Havia muitas rochas em alguns lugares e somente em frente a alguns hotéis havia alguma estrutura para acessar o mar. Foto: lado oeste da ilha Podia-se mergulhar, mas teria de escalar de volta. Essas pedras são afiadas, então só pode pisar ou tocar, onde elas são desgastadas. Foto: lado oeste da ilha Passei por um local conhecido como La Piscinita - lugar ótimo para mergulhar, mas como o tempo não estava convidativo, segui adiante. Pedalei um pouco mais e cheguei em West View. Local do Aquanautas - onde você pode mergulhar com escafandro. Ali também tem um tubo água que te joga dentro do mar, além de um trampolim. Ótimo local para fazer flutuação, pois é riquíssimo em peixes. Do outro lado do asfalto tem um restaurante onde paguei uns 25 mil pelo almoço. Foto: Lado oeste da ilha O clima chuvoso emoldurou a paisagem de tal maneira que achei tão belo e pensei ter tido sorte por chover neste dia. Foto: Lado oeste da ilha Para se locomover pela ilha você pode usar o busão ou locar um daqueles veículos tipo carrinho de golfe. Alguns comportam até 6 pessoas. o preço varia, mas o preço começa em 150 mil, 200 mil. As motos a partir de 60, 80 mil. Para mim a opção melhor foi mesmo a bike. Paguei só 20 mil. Finalmente avistei a cabeceira da pista do aeroporto - o passeio estava terminando. Passei em frente ao clube las vegas, acho que era um prostíbulo. kkkkkk Uma das últimas fotos deste passeio foi quando vi um pescador solitário no mar. Foto: Pescador solitário Me senti como ele, e de repente eu estava triste. Respirei, continuei em frente e cheguei no centro. Percorri toda orla e devolvi a bike. Não me lembro o que fiz na última noite. Acho que fui comer algo e voltei para o hostel para arrumar as coisas para a partida no dia seguinte. Dicas: Acredito que o mínimo de dias para aproveitar a ilha seja de pelo menos 5. Há várias opções de hospedagem em hotéis com ou sem all inclusive, hostels e pousadas, mas o ideal é reservar antes da viagem através do booking ou similares, para aproveitar os melhores preços. Há casa de câmbio na ilha, mas considere enviar a grana pela Western Union e sacar na moeda local na ilha. Se preferir levar dólar, fará câmbio duas vezes, pois irá comprar caro aqui no Brasil e descontar na ilha num câmbio também desfavorável. Os passeios poderão ser contratados diretamente na ilha, mas se preferir tem o Kramelo, que fala português e é de confiança: 57 (315) 521-6236. Não deixe de fazer mergulho com o Davi: +57 3183706544 ou por aqui: https://www.facebook.com/david.s.guggenheim?hc_location=ufi .O comércio fecha pra almoço e abre depois das 15:30 h e fecha às 20:00 ou 21:00. Preços bons para perfumes, bebidas, relógios e óculos, então aproveite, mas cuidado com as falsificações. Procure por lojas de confiança como La Riviera. Compre um chip da Claro ou Movistar para ter internet de mais qualidade pois o da ilha e pelo menos a do hosetel que eu fiquei, não prestavam. Gastronomia - Pesquisando, alguns restaurantes a média de refeição era 25 a 40 pesos; - Tem uns na rua do el viajero de comida simples por 12/14 mil pesos; - Tem o Lá Corral que é bem parecido com Mac Donald's e o Beer Station logo ao lado; - La regatta: o lugar é bem diferente e bonito, mas o Peru work parece ser melhor. - La pizzeta florio: a melhor pizza!!!! Fica ao lado da Western Union; - Cafe café: não tem tantas opções. Mas a comida é boa; - Da vanni trattoria: a pizza é gostosa, e tem outras comidas italianas; - Capitan Mandy: comida bem em conta; - Bar 80s intersate: lugar legal! Vintage, com vários desenhos e coisas de época; - Cervejas em bares/restaur. entre 5mil e 8mil pesos , mas nos mercados, custam 2000/2500 mil. Muita gente leva bolsa térmica e gelo. Dia 21/06 - Adeus San Andres. Amanheceu e fui para o último desayuno no hostel. O Johnny também estava de malas prontas. Chegamos no mesmo dia e partiríamos também no mesmo dia e horário só que em voos diferentes. Fomos a pé para o aeroporto a cerca de 800m do hostel. Voei pela Viva Colômbia, e como dito antes, tudo comprado com antecedência no Brasil. Eu já havia impresso o bilhete para fugir daquela taxa abusiva que pegam os turistas de surpresa no balcão de embarque. Cheguei em Cartagena por volta das 14h. Eu já havia contactado o pessoal da Juan Ballena (https://pt.juanballena.com/products/cartagena-to-santa-marta-and-tayrona-shuttle-transfer) Custou 23 dólares de vã com um ar condicionado tão gelado que sugiro levar um moleton. Tocou roberto Carlos ao longo das 4h de viagem, então sugiro também levar um fone kkkk. No meio do caminho passamos por Barranquila e me lembrei do Fábio, o cara que conheci em Medellin e trocou San Andres por Barranquila kkkkkk. Passei o dia todo viajando e cheguei em Santa Marta bem no final da tarde, já estava escurecendo. Peguei um táxi e paguei 5 mil até Taganga - um bairro de pescadores. Fiz reserva pelo Booking no Hostal Casa Horizonte que fica no alto de um morro na chegada do bairro. Tive dificuldade para encontrar a estrada que dá acesso ao hostel, pois já estava escuro e não deu para ver a placa que fica pendurada em uma árvore. Uma consulta rápida ao maps do google ajudou nessa hora. A estradinha fica à esquerda da pista, pouco antes de chegar à Taganga e não possui calçamento e nem é iluminada direito. Há umas casas de ambos os lados da ladeira e você caminha uns 200m até o hostel que é praticamente a última edificação da viela. Mas valeu a pena chegar lá. Foto: Hostal Casa Horizonte em Taganga - Santa Marta Santa Marta é mais uma passagem para quem quer conhecer o Tayrona, uma reserva com praias selvagens. Paguei só 28 mil para me hospedar ai na parte de cima. Fiquei sozinho então eu revesava as camas e rede kkkkk. Foto: Piscina do hostel com vista para o mar. A dona do hostel e sua filha eram uma simpatia. O lugar é super tranquilo, não tinha muita gente durante minha estadia. No bar do hostel a proprietária prepara hambúgueres ou alguns pratos simples e o frezer fica a disposição para você beber a vontade. Paga tudo depois. Se precisar, oferecem serviço de lavanderia. No dia seguinte eu pretendia ir para Tayrona e minhas coisas ficariam no hostel. Meus planos seriam de voltar depois de 2 dias. Dia 22/06 - Tayrona a reserva com praias selvagens. Acordei cedo e fui até a praia, essa que aparece na foto acima. Dali partem os barcos para as diversas praias da reserva. Os caras quando veem um turista não largam do seu pé. Por esse motivo o primeiro que te aborda, faz de tudo para você fechar com ele, não dando espaço para outro cara chegar para fazer uma proposta. O primeiro que me abordou pediu 60 mil. Eu pretendia ir até Cabo San Juan que é a praia mais bonita. Pra me livrar dele e pesquisar com outros barcos, eu disse que iria comprar uma toalha e depois voltava, mas o cara me seguiu e foi logo apontando um lugar para comprar toalhas. Então eu disse que iria comprar uns biscoitos e água, daí precisei sair da praia e voltar à rua de cima para as compras. Só assim o cara largou do meu pé. Na volta me certifiquei de desviar do cara e fui ver com outro barco o preço. Pediram 45 mil. Nessa hora me lembrei que precisava ir à farmácia para comprar uma pomada a base de aloe vera. Na saída da farmácia o primeiro cara estava me aguardando kkkk. Disse que já iram partir e só faltava eu. Então renegociei o preço e fechei por 40 mil. Partimos. Acho que além de mim eram 3 gringas e uma colombiana. A viagem levou quase 1h e meia pois o mar estava agitado e o barco pulava muito. Foto: Praia em Cabo San Juan, Reserva Tayrona. A principal praia de Cabo de San Juan, são duas praias separadas por uma faixa de areia. Na ponta da faixa de areia há um rocha com um quiosque no topo. Foto: Praia em Cabo San Juan, Reserva Tayrona. Logo no desembarque, embaixo de um coqueiro há uma mesa com um cara onde você precisa comprar um passe. A entrada é 30mil por dia, então paguei 60 mil. Você recebe uma pulseira com a cor do dia. No dia seguinte você precisa solicitar uma nova pulseira que será de outra cor. Assim eles mantém o controle da arrecadação. Depois disso você precisa ir até uma Tenda, do outro lado, para alugar uma barraca já montada, ou uma rede para passar a noite, ambos por 30mil. Não há outra opção nesta praia. Foto: Área de Camping em Cabo San Juan, Reserva Tayrona. Na foto acima dá pra ver as barracas e a cabana onde ficam as redes. Há redes também no quiosque que fica no topo da rocha que dividi a praia e o visual de lá é incrível. Foto: Vista do quiosque em cima da rocha em Cabo San Juan, Reserva Tayrona. Fiquei com receio de passar frio a noite, então aluguei uma barraca. Grande erro. Passei muito calor. A melhor opção são as redes, de preferência no quiosque da rocha. Foto: Praia em Cabo San Juan, Reserva Tayrona. Neste paraíso não haviam brasileiros. A maioria eram europeus. Vi um cara com uma toalha do brasil, mas não era brasileiro. Na praia além da área de camping, há banheiros e um restaurante. A comida é descente e os preços variam de 17 mil a 35 mil. A ceveja custava 5 mil a Aguila e 6 mil a viva colombia. Deixei minhas coisas na barraca e fui explorar o lugar. Resolvi pegar uma tilha à esquerda. Essa da foto acima. Descobri outras duas praias. Foto: Outra praia em Cabo San Juan, Reserva Tayrona. Encontrei uma praia para chamar só de minha. Foto: Outra praia em Cabo San Juan, Reserva Tayrona. O mar de Tayrona não é tão azul quanto o de San Andres, mas quem procura uma avnetura estilo mochileiro e praias selvagnes sem badalação e muita gente, este é o lugar. Passei a tarde sozinho nesta praia. Não almocei neste dia então estava louco de fome. Voltei à praia principal e fui tomar cerveja enquanto esperava o jantar ficar pronto. O jantar é servido a partir das 18h e o menu é o mesmo do almoço. Usei de boa a internet no celular. Eu havia comprado o chip da claro em San Andres e ainda tinha muito crédito. A noite não há o que fazer no local, então fui dormir cedo. Foto: Praia em Cabo San Juan, Reserva Tayrona. Dia 23/06 - Dia de explorar novas praias. Acordei cedo, peguei a mochila de ataque, abasteci a garrafa de água e desta vez peguei a trilha da direita. A caminhada é por uma trilha na mata. Quem quiser pode contratar uma montaria, mas a trilha é de boa. Foto: Trilha para mais uma das praias de Cabo San Juan, Reserva Tayrona. Trata-se de uma caminhada de cerca de 1 km até a Playa La Piscina e para mim, uma das melhores para mergulhar e fazer flutuação. Sabe aquele snorkel de San Andres? Traga com você pois a locação aqui no parque é muito caro. Esta praia é toda cercada por uma barreira de arrecifes o que deixa as águas mais calmas. Foto: Playa La Piscina em Cabo San Juan, Reserva Tayrona. Esta praia também não é tão disputada quanto a praia principal na área de acampamento, além de ser bem maior. Então vai ser fácil encontrar um canto qualquer para se isolar. Foto: Playa La Piscina em Cabo San Juan, Reserva Tayrona. Há um boteco por ali próximo da trilha. Tirei umas fotos e segui em frente. Queria descobrir novas praias. São pouco mais de 300 metros caminhando pela mata até a próxima praia, sem contar pequenos oásis que você encontrará pelo caminho como no caso da foto abaixo. Foto: Pequena praia em Cabo San Juan, Reserva Tayrona. A praia seguinte possui uma faixa de areia mais larga, Há também umas barraquinas que moradores locais exoplram tomei um suco de laranja bem gelado e percebi umas meninas sem o top. Daí me lembrei que praticam nudismo por ali. Não fi nessa praia que vi meninas sem o top, mas parece que essa é a famosa pria nudista da reserva. Foto: Praia dos nudistas em Cabo San Juan, Reserva Tayrona. Segui em frente e escalei as pedras da foto acima. Foto: Praia dos nudistas em Cabo San Juan, Reserva Tayrona. Não arrisquei de chegar na pequena ilha desta foto acima. Apesar da faixa de areia chegar próximo a corrente por ali parecia forte. Logo à direita desta foto acima está a praia dos Arrecífes onde é proíbido entrar na água. Foto: Praia dos Arrecifes em Cabo San Juan, Reserva Tayrona. Esta é a praia com a maior faixa de areia e apesar do nome não é protegida pela barreira de arrecifes. Já ocorreram vários afogamentos nesta praia e por este motivo é proibido entrar na água. Foto: Mar de vegetação rasteira em Cabo San Juan, Reserva Tayrona. A natureza nos reserva algumas surpresas como este mar de vegetação rasteira. Deste ponto resovli voltar para almoçar no restaurante do acampamento. Foto: Sombra improvisada na Playa La Piscina em Cabo San Juan, Reserva Tayrona. Depois do almoço votei a a Playa La Piscina e resolvi ficar por lá. Então montei minha barraca (foto acima). Foto: Playa La Piscina em Cabo San Juan, Reserva Tayrona. No final da tarde voltei para o acampamento, fui tomar umas cervejas e aguardei servirem o jantar. Passei mais uma noite de muito calor dentro da barraca. No dia seguinte eu partiria então tentei dormir um pouco. Dia 24/06 - De volta a Santa Marta, Férias terminando. Acordei cedo, arrumei minhas coisas e parti. A volta para Santa Marta poderia ser de barco. São os mesmos barcos que trazem o pessoal de Taganga, mas eu estava disposto a atravessar a mata até a via do parque que leva à portaria na rodovia 90. Comecei a caminhada pela mesma trilha que leva à praia dos nudistas. Pelo caminho, sempre que encontrava algum morador local eu me informava sobre a direção correta. Não tem erro, pois basta seguir a trilha. Em alguns locais ela é estreita, há algumas subidas pelas pedras, pequenas passarelas, o que pode causar dúvidas se o caminho está correto. Mas não há muitos desvios ao longo do caminho e há também rastros de cavalos, o que te dá segurança de estar no caminho certo. Qualquer dúvida também basta consultar o maps e ver sua localização pelo gps. Minha companhia eram o macacos, pássaros e pequenos roedores que se tentavam se esconder quando me avistavam. Acho que foram uns 7km de caminhada pela mata em cerca de 2 horas. Quando cheguei à via, haviam alguns mototáxis por ali, então contratei um deles para me levar até a portaria. Valeu a pena pois são mais 4 km até lá. Na portaria do parque não demora muito aparecem os ônibus para Santa Marta. Acho que paguei uns 11 mil no total (mototáxi mais o ônibus para voltar). Em Santa Marta, peguei um busão para Taganga. Passei o resto do dia no hostal e assisti alguns jogos da copa na companhia da simpática proprietária. Jantei no hostel, rango bom e barato. Dia 25/06 - Explorando Santa Marta Nada demais nesta cidade portuária. A calle 19 é cheia de barzinhos e hostels mas não fui a noite para conferir. Santa Marta é mais uma passagem para quem quer conhecer o Tayrona. Foto: Ruas com arquitetura histórica em Santa Marta. Foto: Calle 11 onde rolam aguns agitos na noite de Santa Marta. Em alguma rua do centro encontrei as bolsas made in Colômbia que duas amigas aguardavam como presente. Paguei 110 mil nas duas. Foto: Bolsa made in Colômbia para presente. Pelas ruas do centro, encontrei um museu. A entrada era gratuita então fui conhecer. Pensei em visitar o Rodadero Sea Aquarium, mas ficava em Rodadero, um bairro, que assim como Taganga fica afastado da cidade, então desisti da ideia. Preferir caminhar pelas ruas da cidade e acabei econtrando mais um supermercado Éxito kkkk. Então comprei umas coisas para levar para o hostel. Foto: Catedral de Santa Marta Foto: Centro histórico de Santa Marta. Foto: Santa Marta No final da Tarde Voltei ao hostel. Eu havia deixado algumas roupas para lavar, paguei baratinho, não me lembro quanto. Tomei algumas cervejas e fui assistir TV no longe, enquanto aguardava o rango. Combinei com a dona do Hostel e ela me ajudou a contratar um passeio bate e volta para Minca por 120 mil. O transporte seria de táxi, ida e volta com direito a guia para explorar o lugar. Então precisava acordar cedo. Dia 25/06 - Conhecendo Minca. Na estrada de Taganga o táxi me aguardava. Nele, além do motorista haviam um inglês e um argentino. Partimos para Minca. São pouco mais de 20km. Minca é um vilarejo roots, bem ao estilo de mochileiros, com restaurantes e hostels. Um vilarejo que vem crescendo em função do turismo ecológico. O lugar é cercado pela floresta que rodeia o parque Nacional de Sierra Nevada. Foto: Minca Na chegada fomos apresentados a um Cara e sua filha. Ela nos acompanharia até a uma caheira próxima. Minca é uma regiçao úmida e no dia da visita não estava fazendo calor. Apesar disso, não perderímaos a chance de mergulhar em uma cachoeira. Foto: Minca Um pouco adiante havia um escorregador natural Foto: Minca A caminhada até a cachoeira foi curta e dali fomos conhecer uma propriedade onde foi servido o legítimo café colombiano. Nesta propriedade fomos apresentados a planta da coca Foto: Planta da coca Depois de um tempo fomos caminhando até a propriedade do nosso anfitrião, o pai da nossa guia. Essa caminhada foi um pouco mais longa. Foto: Chegada à propiedade do nosso Anfitrião Ali aguardamos o preparo do almoço que seria servido logo. Tudo incluso no pacote. Foto: Deck onde foi servido o almoço A propriedade está sendo ampliada para hospedar turistas. Muita da estrutura é feita de bambo. A casa principal também. Foto: O orgulhoso anfitrião contando histórias da Colômbia, seu povo e seus costumes Foto: Minca A foto acima é a vista do quintal da propriedade kkkkkkk. Nosso anfitrião, depois de servir o almoço e contar histórias, nos convidou a experimentar um chocolate orgânico. Voltamos ao deck onde nos serviu as sementes de um cacau. Deveríamos comer a goma que a envolve e depois depositar a castanha em um prato, que ficaria ali no tempo por alguns dias. Segundo ele as vespas fariam o resto da limpeza e o tempo amadureceria as castanhas. Ele pegou algumas castanhas maduras e as moeu em um moedor manual. O pó de cacau foi servido com água quente e um tipo de açucar orgânico. Tudo junto parecia nescau kkkkk. Já era volta de terminar nossa visita e a guia nos levou de volta ao vilarejo. A chuva vinha chegando, então apertamos o passo. A última parada foi em uma loja que vendia produtos orgânicos e artesanato. O Taxista já aguardava e voltamos para Santa Marta. Dia 26/06 - Último dia em Santa Marta Eu havia marcado minha volta para o Brasil justamente para dia 26, mas ainda no Brasil comecei a receber emails da Latam avisando que o voo da volta deveria ser remarcado pois o do dia 26 foi cancelado. Demorei para entrar em contato, mas fiz isso antes de viajar. Então remarquei para o dia 27 com partida de Bogotá para São Paulo por volta das 21h. Meu voo de Santa Marta para Bogotá, pela Viva Colômbia seria às 10h da manhã do dia 27. Então no dia 26 voltei ao centro de Santa Marta para conhecer um pouco mais da cidade. Foto: Monumento do fundador de Santa Marta Voltei para o hostel na parte da tarde e comi alguma coisa por lá mesmo. Tomei umas cervejas e fui assistir a copa. Dia 27/06 - Correria em Bogotá e quase perco o voo. Acordei cedo e imprimi a passagem de avião no hostel. Minha cargueira já estava arrumada desde a noite anterior e só peguei o resto das coisas. Eu já havia pesquisado sobre como chegar ao aeroporto e dá pra ir de ônibus urbano, apesar dele ficar a cerca de 20 km do centro. Pesquisei na internet e descobri dicas de onde pegar o ônibus. Cheguei em Bogotá por volta das 2 da tarde. Deixei minhas coisas em um bagageiro - acho que custou uns 15 mil e peguei um ônibus expresso direto para a candelária pela Av; Eldorado - decorei o número do bus, para pegá-lo na volta. Meu plano era visitar o museu do ouro, o que não deu tempo de fazer quando passei por lá no começo desta viagem. A entrada foi super barata acho que uns 2 mil apenas, não tenho certeza. Foto: Museu do ouro em Bogotá. O museu é muito interessante para quem gosta deste tipo de programa. Porém é preciso tempo para conhecer tudo e eu só tinha uma hora. Cheguei por volta das 15h e planejei sair dali por volta das 16h. Assim sobraria tempo para comer algo e voltar ao aeroporto. Meu voo para São Paulo seria por volta das 21h. Saí do museu e caminhei em direção a estação mais próxima. Alagumas estações de ôninbus expresso são subterrâneas, mas antes de chegar lá parei para comer alguma coisa. Foto: Museu do ouro em Bogotá. Finalmente cheguei a estação, pesquisei nos paineis de informações e caminhei até a plataforma onde passaria o meu ônibus. Ele demorou um pouco e já eram 5 da tarde quando finalmente apareceu. Entrei e observei as informações que aparecem no painel digital dentro do ônibus, que informava a próxima parada. Havia também informações sonoras avisando qual seria o destino final: estacion el dorado, que fica em frente ao aeroporto. Porém, enquanto o aeroporto ficava à noroeste, o bus seguia no sentido norte. O tempo passava e o bus não mudava de direção. Comecei a me preocupar. Quando o relógio marcou 18h resolvi descer e pegar um táxi. Nem sabia direito onde eu estava, mas estava longe do aeroporto. Bogotá é a cidade com maior número de taxis no mundo, mas justo naquela hora nenhum parava para mim. Percebi que o local onde eu desci era um cruzamento e o transito estava intenso - hora do rush. Para piorar começou a chuviscar. Percebi também que os carros iam na direção contrária para onde eu queria ir, mas não havia muito o que fazer. Devo ter aguardado mais de 20 minutos até conseguir um táxi. Como eu temia, o taxista teve ainda que dar uma volta para fazer o retorno e seguir para o aeroporto. Depois de meia hora dentro do taxi eu já estava pilhado pensando que seria apertado. O trânsito não evoluia. Olhei a tabela de preços da corrida. Os números iam de 2 em dois até 200 e poucos e cada número correspondia a uma tarifa. Depois de uma hora e 40 minutos finalmente chegamos. A tabela já tinha zerado e começado a contabilizar de novo kkkk. Apesar disso só custou 27 mil e se fosse no Brasil eu perderia o salário do mês. Tive de correr até a outra ponta do aeroporto para retirar a bagagem e eu não encontrava o ticket para retirada. Custou mas achei e corri com minha cargueira para o checkin. A moça da latam acelerou pra mim e corri para a área de embarque. Eu ainda precisava me livrar de 150 mil pesos colombianos então parei no freeshop e comprei um Carolina Herrera e um Lacost Blanc - precisei completar com alguns dolares. Só aliviei o estresse quando entrei dentro do avião. Dia 28/06 - A Saga para chegar em casa e mais perrengue no aeroporto Cheguei em São Paulo depois de 6 horas de viagem. Seria uma noite longa pois meu voo para o Rio seria às 9h da manhã. Fiquei caminhando pelo terminal aguardando a hora passar. Sentei em um canto qualquer para carregar o celular e o relógio ainda marcava 6 e meia. Então pensei em fazer o checkin de uma vez, foi quando a moça da Latam disse que eu estava atrasado, pensei, como? Olhei para algum relógio no terminal e me dei conta que esqueci de adiantar o relógio em duas horas. Eu ainda estava com o fuso horário da Colômbia em meu relógio. Precisei correr. A fila no portal de embarque estava enorme, então tive de pedir licença para cada um que estava na minha frente. Corri até o portão de embarque, cheguei ofegante e a moça foi logo dizendo que precisava embarcar logo pois o avião já ia decolar. Pediu os documentos e me disse, mas você não é o Carlos. Carlos? Que Carlos? Meu nome é Willian e estou indo para o Rio pelo voo nº tal. Desculpe senhor, estou aguardando um passageiro que se chama Carlos, o seu voo passou para o portão nº X, putz! Corri novamente e cheguei bem na hora que iam encerrar o embarque. Cheguei ao Rio de Janeiro. Peguei o frescão e parti para a Rodoviária. Minha cidade fica a 250km do Rio. Fui ao balcão da Unida e o próximo ônibus para minha cidade só no final da tarde. Então pensei em ir para Juiz de Fora, pois era caminho de casa e de lá partem vários ônibus que passam em minha cidade. Bingo! O próximo sairia em 45 minutos, por volta das 13h. Ainda dava tempo para comer alguma coisa. Depois do lanche fui para o embarque e vi um ônibus da "Unida" partindo para uma cidade que fica logo após a minha. Provavelmente não iria parar lá e eu precisaria pagar até o destino final, mas sem problema. Vacilo eu não ter perguntado se havia ônibus para algum destino que passasse por minha cidade. Fui de Util. Na altura de Três Rios - RJ, estava tudo parado na rodovia devido a um acidente com caminhão. Déjà vu! Pois é. De repente parece que voltei no tempo, pois em meu último Mochilão para a América do Sul aconteceu a mesma coisa e ficamos parados na estrada quase duas horas para liberarem a pista. Desta vez foram 90 minutos aproximadamente. Eu já estava viajando desde às 10h da manhã do dia anterior. Será que eu bateria meu recorde de 50h viajando, quando voltei de La Paz? Cheguei em JF depois das 19h e já estava saindo um ônbius para minha cidade, então corri e deu tempo de subir. Cheguei em casa por volta das 21:30h - mais de 35h viajando. Considerações finais A Colômbia é muito mais do que San Andres e muito mais do que Cartagena. Vale a pena conhecer outros lugares e cidades. Povo gentil, simpático e adoram receber turistas. Esqueça a violência retratada nas séries e filmes. Medellin por exemplo, é um sossego enorme e o mais importante, passa a sensação de segurança. Embora o tráfego de drogas hoje seja ainda maior do que nos tempos de Escobar, o povo conquistou a paz a duras penas, e valorizam isso. Não senti insegurança em nenhum lugar, mas claro é sempre bom estar atento e evitar se expor. Táxi em Medellin - praticamente a única cidade com taxímetro, não vale a pena. O metro dá conta de te levar em qualquer lugar, muito rápido e barato. Já em Bogotá, compensa procurar um com taxímetro, pois é bem mais barato do que combinar uma corrida de boca. Uber e táxi, praticamente o mesmo valor por aplicativo. Se possível, inclua Medellin e Guatapé em seu roteiro. Tente passar uma noite em Guatapé, pois lá não irão faltar cenários para belas fotos. Experimente voar pelo país pela low cost colombiana. Mas não se esqueça de sempre imprimir as passagens, pois cobram uma fortuna no balcão de embarque. Para finalizar vou deixar um videozinho de 2 minutos com um resumão das Férias, ao som de Bella - Maluma. Ferias 2018.mp4 Video: Resumão Colômbia Quem quiser ver mais fotos da viagem > insta: wriopomba. Quem quiser tirar dúvidas, basta perguntar.
  21. 10 pontos
    Em maio deste ano fizemos uma viagem de 13 dias para o Peru, sendo 04 noites em Lima, incluindo um bate e volta a Paracas e Ica, 07 noites em Cusco e 02 em Águas Calientes. Na parte de Cusco, a cronologia do roteiro é muito importante. Montamos o nosso, pensando na aclimatação a altitude, e evitar passeios muito pesados em dias seguidos. Nosso gasto total por casal, incluindo todas as despesas, até mesmo estacionamento no aeroporto no Brasil, foi de pouco menos de R$7.000,00 mais 72.000 milhas Múltiplos com passagens. Abaixo iremos resumir cada dia de nossa viagem, e tentar deixar algumas dicas úteis de cada lugar. Para isto, é importante deixar claro nosso estilo de viagem. Sempre viajamos mais no estilo “mochilão”, nos hospedamos em lugares simples, procuramos comer em lugares em que os locais comem e tentamos vivenciar ao máximo a cultura do lugar. Também gostamos bastante de aventuras, principalmente trilhas, em muitos locais para nós o percurso é tão importante quanto conhecer o lugar. · Dia 01 – Lima – Huaca Pucllana e Parque de La Reserva: Nosso voo chegou em Lima as 0:30, e como já havíamos reservado transfer pelo hostel devido ao horário de chegada, antes das 02:00 estávamos na hospedagem. Na manhã seguinte, em Miraflores, fizemos cambio, compramos chip de celular (vide dicas gerais) e fomos ao sítio arqueológico Huaca Pucllana. Huaca Pucllana é um sítio arqueológico pré-inca localizada bem no meio da cidade. A parte principal é uma pirâmide gigantesca, construída com tijolos de barro, estima-se que sua construção se iniciou por volta de 200 DC. A entrada no sítio com visita guiada custa 15 soles (estudante paga meia). Vale muito a visita, o sítio é bem diferente dos tantos outros que fomos no decorrer da viagem. (Info: http://huacapucllanamiraflores.pe/ Saindo do sítio fomos almoçar no restaurante Punto Azul em Miraflores, onde comemos nosso primeiro ceviche maravilhoso a um preço razoável. Após o almoço, fomos a praça no entorno no shopping Lacomar onde curtimos o pôr-do-sol na deslumbrante paisagem à beira-mar deste local. Deste mesmo local pegamos um Uber e fomos ao Parque de La Reserva (Circuito Mágico das águas). Se trata de um parque muito grande com inúmeras fontes de água. Este local certamente foi umas das melhores surpresas de Lima, ultrapassando nossas expectativas. Dentre as várias atrações do local, a principal e mais bela é a apresentação que é realizada em 03 horários: 19:15, 20:15 e 21:30. É um espetáculo de luz e imagens refletidas na cortina de água que dura 15 minutos e mostra um resumo da história peruana. Vale a pena chegar ao local com antecedência para garantir um bom local. A entrada para o parque custa apenas 4 soles. (https://www.circuitomagicodelagua.com.pe/) Dicas e Infos: 1) Hospedagem: Nos hospedamos em Miraflores, entre o parque Kenedy e o shopping Lacomar. Excelente local para ficar. Nossa hospedagem foi o Miraflores Guest House, local simples, porém com ótimo custo benefício. Tenha em mente que em Miraflores, apesar de ser o lugar mais recomendado para se hospedar, por lá tudo é mais caro (restaurantes, supermercados, etc). 2) O percurso do aeroporto a Miraflores dura em torno de 50 minutos sem transito. O translado por lá é relativamente barato, pagamos 50 soles reservando com antecedência. Porém com Uber sai ainda mais em conta. 3) Cambio: A maioria das casas de câmbio fica na Av. José Larco, av. que liga o parque Kenedy ao Lacomar. Além das casas de câmbio, há várias pessoas na rua que fazem cambio. Apesar de ser estranho fazer cambio com alguém na rua, estas pessoas são devidamente identificadas com colete e são legalizados, cada um tem um número de identificação, para que possa reclamar caso tenha qualquer problema. Cuidado para não pegar nota rasgada, mesmo que seja mínimo. Em Cusco não aceitaram uma nota minha devido a um rasgado de milímetro, e não faltava nenhum pedaço. 4) Celular: Comprei um chip na loja da Claro na Av. José Larco. O Chip com plano de 3GB para 30 dias custou 35 Soles, e funcionou muito bem em todos os lugares durante a viagem. 5) Taxi: Em Lima o que não falta é taxi. Basta sair caminhando na calçada que algum taxista já vai buzinar perto de você oferecendo corrida. Nos taxis não existe taxímetro e tem que negociar o preço antes da corrida. Devido a isto, preferimos usar o UBER, o que funcionou muito bem. Para economizar, utilizamos algumas vezes o UBER compartilhado (Uberpool), e não tivemos problemas. 6) Trânsito: O transito no Peru é um caos, em Lima, ainda pior que em outros lugares. Então alugar carro definitivamente não é uma boa opção · Dia 2 - Paracas e Ica: Queríamos muito conhecer esta região, porém como o tempo estava curto, pensamos que não seria não seria possível, até que descobrimos a opção de fazer o passeio bate e volta de Lima. O ponto de partida do passeio foi em frente ao Shopping Lacomar as 05:00. De lá viajamos de micro-ônibus até Paracas (3 a 4 horas) para fazer o tour das Ilhas Ballestas. Este tour é feito em barco de 40 pessoas, passa pelo famoso candelabro, um geoglifo a beira-mar muito misterioso de 40 metros feito a cerca de 2500 anos, algo diferente e bem interessante, principalmente para quem não vai visitar as linhas Nazcas. Após a parada para apreciar o candelabro seguimos para as Ilhas Ballestas, estas ilhas são um santuário ecológico, com muitos leões marinhos, pinguins e milhares de pássaros. O passeio é apenas panorâmico, por ser área de proteção não pode descer ou nadar no local. Por cerca de 40 minutos, o barco circunda as ilhas, com vistas de milhares de pássaros e centenas de leões marinhos. Belas paisagens. Após o retorno das ilhas, tem um tempo livre para almoço na própria vila onde se desembarca. O almoço não está incluso no passeio, e há vários restaurantes no local para escolha. Finalizado o almoço retornamos ao ônibus para mais aproximadamente 30 minutos de viagem até Huacachina. O Oasis de Huacachina é um mini vilarejo pertencente a cidade de Ica. Porém o grande destaque deste lugar é que ele tem um grande lago central cercado por vegetação, e isto bem em meio do deserto, formando realmente um verdadeiro Oasis entre dunas. Chegando ao local, conhecemos a vila e fomos fazer o passeio com os tubulares nas dunas. Este passeio é bem radical. Cada carro leva em torno de 12 pessoas, e o mesmo vai em alta velocidade nos sobe e desce das dunas, é praticamente uma montanha russa nas areias. No meio do passeio, o carro para fazer o sandboarding. Sandbording é a descida nas dunas escorregando deitado sobre uma prancha. Pode se fazer duas descidas (2 dunas), e após isto o carro pega as pessoas no final da segunda descida, para mais um pouco de adrenalina no retorno ao Oasis. Este passeio (incluso no Tour) foi certamente um dos pontos altos do dia. O último destino do tour, foi em uma vinícola, para provarmos os vinhos e vários tipos de Piscos. Sinceramente não gostei muito das bebidas deste local, mas valeu a experiência. Em resumo, este tour vale a pena para quem está em Lima e não tem tempo suficiente para passar mais de um dia na região de Ica. Certamente este dia foi o ponto alto dos 04 dias que permanecemos em Lima. Dicas e Infos: 1) Agência Picaflor Viajes, foi a que encontrei melhor custo benefício para o Tour, pagamos 165 soles na opção completa do passeio. Site: http://www.viajespicaflorperu.net/. Caso fechar com esta agência, o pagamento deve ser antecipado, então a maneira mais fácil e barata de transferir a grana, é via Wetern Union. Caso não conheça este sistema, a agência passa todas as informações por whatsapp. 2) Não saia sem um bom café da manhã. O Box Lunch prometido no tour não passa de um pacote de biscoito similar a um Club Social e uma caixinha de suco de 200 ml, e a única parada no caminho é rápida e em local caro. 3) Para o passeio das Ilhas Balestas, tente pegar lugar do lado esquerdo do barco. Neste lado terão as melhores vistas · Dia 03: Centro Histórico e Barrancos: Neste dia fomos conhecer o centro histórico de Lima. Iniciamos nosso passeio na Plaza San Martin. Desta praça há um calçadão de uns 900 metros até a Plaza de Armas que é coração do centro histórico de Lima. No meio do trajeto há uma igreja bonitinha (Igresia de la Merced). A Plaza de Armas é bem bonita, contornada com seus charmosos casarões amarelos com as tradicionais sacadas de madeira, em frente fica a bela catedral de Lima e a esquerda o prédio do Palácio do Governo. No dia que visitamos a praça estava fechada devido a ter protestos previstos para este dia, os turistas podiam entrar na praça, somente para passar, se parasse algum guarda já chamava atenção. Por um lado, foi até legal, que conseguimos algumas fotos com a praça quase vazia. Depois fomos até a igreja São Francisco, que fica junto ao convento São Francisco. Nós visitamos apenas a igreja, porém é bem famosa a visita ao museu do convento e as catatumbas que ficam no subsolo da igreja, onde tem cerca de 70.000 ossadas de pessoas sepultadas lá. Na própria igreja há algumas grades no piso que se tem a visão dos tuneis subterrâneos e destas ossadas, o que já é bem sinistro. Para quem quiser informações da visita, segue site oficial: www.museocatacumbas.com. Pretendíamos visitar e almoçar no Mercado Central, porém o mesmo estava fechado, então pedimos dicas para um morador de local para almoçar. Esta pessoa nos indicou uma quadra onde teria vários restaurantes. Chegando lá havia realmente vários restaurantes, porém, todos muito simples. Como gostamos de provar a comida dos locais escolhemos um restaurante e fizemos o pedido. O preço era em torno de 12,00 soles com entrada, prato principal e bebida. Para nossa surpresa quando recebemos os pratos, os mesmos eram muito bem produzidos e a comida muuiiito boa, não perdeu em nada para o almoço do primeiro dia no restaurante em Miraflores que custou 3x mais. Após almoçar fomos até o famoso bairro de Barrancos. É o bairro mais boêmio de Lima. Após andar pelo bairro, descemos até a praia, que ao invés de areias tem pedras, porém com um bonito visual dos barrancos margeando as praias. De lá avistamos o Lacomar que parecia estar perto, então resolvemos voltar caminhando pela praia. Somente “parecia” estar perto, foi bem mais de uma hora de caminhada até chegarmos, mas valeu a pena. Algo que nos impressionou em Lima foi a quantidade de cassinos, em algumas partes de Miraflores tem praticamente um a cada quadra. Como nunca havíamos ido em Cassino, decidimos fazer isto neste dia a noite. A experiência no cassino foi bem diferente do que esperávamos. Escolhemos um dos maiores e mais bonitos, chamado Atlantic City. No interior a princípio ficamos admirados com o tamanho e estrutura do local, comparamos 10 soles de fichas e brincamos um pouco. Após isto, fomos caminhar pelo cassino, o qual era composto na maioria do espaço por caça niqueis. Começamos a observar o semblante das pessoas nestas maquinas, o que não era de diversão, mas sim pareciam robotizadas em frente as mesmas, muitas inclusive jantando sobre estas e jogando ao mesmo tempo, ou seja, vício total. Percebendo este ambiente, sentimos o lugar realmente muito pesado e procuramos sair de lá o mais rápido possível. Valeu muito pela experiência, e após está espero que nunca liberem os cassinos em nosso país. Dia 04: Miraflores e viagem a Cusco. Neste dia como tínhamos voo à tarde deixamos a manhã para passear por Miraflores. O Malecon, é um calçadão que margeia a falésia a à beira mar. Caminhando por ele você segue uma sequência de vários parques abertos sendo mais famoso destes o Parque Del Amor. Estes parques são muito bonitos e bem cuidados e tem maravilhosas vistas do mar. Fomos de manhã, porém imagino que no pôr do sol deva ser ainda mais bonito. Após a caminhada do malecón continuamos caminhando pelo bairro e fomos até dois pequenos mercados perto do Parque Kennedy, Inka Market e Índia Market, onde compramos alguns souvenirs. Após isto almoçamos e fomos para o aeroporto, pois as 16:00 tínhamos voo para Cusco. O UBER de Miraflores ao aeroporto custou 38 soles. No avião já começamos nossos preparativos para enfrentar o temido Soroche (mal da altitude). Ainda em Lima compramos as Soroche Pills, um remédio vendido em farmácia para combater o mal da atitude, e assim que embarcamos já tomamos uma pílula. Vendo pela composição, não passa de vários remédios para dor de cabeça juntos e cafeína, porém não recomendo irem sem ele, me salvou no mínimo em uma ocasião. Em Cusco, ainda na área de desembarque, já há um pote de folhas de coca para pegar e mascar, o que ajuda muito com os efeitos da altitude. Podem mascar sem medo (ou esperança, rs), pois a folha de coca não tem nenhum efeito alucinógeno. Do aeroporto fomos direto ao hostel, e depois saímos para jantar, e demos uma passada na maravilhosa Plaza de Armas de Cusco. Neste dia sempre procurando andar o mais devagar possível, e para o jantar pedimos apenas 02 entradas, tudo isto para mitigar os efeitos do soroche. Referente a altitude, neste primeiro dia sentimos apenas uma leve tontura, nada demais. Dicas e Infos: 1 – No voo de Lima a Cusco vale a pena pegar janela, pois tem belas paisagens das montanhas dos Andes; 2 – Para ir do aeroporto de Cusco ao centro, terá dezenas de taxistas oferendo corridas no desembarque. Vão pedir em torno de 25 soles, negociem que o preço chega fácil a 10 soles. Neste caso o UBER era mais caro; 3 – Para evitar o Soroche, recomenda-se no primeiro dia evitar qualquer esforço físico e comida pesada; 4 – Sobre local para hospedagem em Cusco, quanto mais próximo da Plaza de melhor, consequentemente mais caro. O ideal é encontrar um meio termo, de acordo com o que pretende gastar. Nos hospedamos no Sumayaq Hostel, que é um casarão bem antigo, com estrutura simples e antiga também, porém bom atendimento e limpeza. A localização foi muito boa, pois ficava a uns 500 metros da Plaza de Aramas e próximo ao Mercado San Pedro, e sem nenhuma subida forte para chegar; 5 – Tudo próximo da Plaza de Armas é bem mais caro, então caso for comprar qualquer coisa, não compre nesta região. Afastando poucas quadras você encontrara preços bem mais baixos. Dia 05 – City Tour Cusco Nosso primeiro dia inteiro em Cusco, procuramos programar algo mais leve pela questão da aclimatação na altitude. Neste dia levantamos e fomos a Plaza de Armas, compramos nosso boleto turístico e fomos visitar o Museu Histórico Regional. Este museu é bem interessante, pois mostra um resumo da história peruana desde a pré-história até a época atual, e como é de se esperar o maior foco é na era dos Incas e da “colonização” espanhola. Após isso fomos procurar uma agencia para fechar nossos passeios (mais detalhes vide dicas). Já agendamos para esse mesmo dia no período da tarde o City Tour. Este passeio leva aos principais sítios arqueológicos ao redor da cidade. Visitamos Qoriqancha, Sacsayhuaman, Qenqo, Tambomachay e Pukapukara. O destaque é Sacsayhuaman, um sítio arqueológico bem interessante. Na visita, após as explicações do local, a guia nos deu 30 minutos livres e sugeriu o seguinte: se quiséssemos uma foto panorâmica do local subisse o morro do lado esquerdo, ou se quisesse visitar os principais pontos do sítio subir morro a direita. Como eu sempre quero ir em todos os lugares fui nos dois, subi bem rápido as escadas, o que creio que foi a causa de uma dor de cabeça terrível que tive a noite, fui salvo pela Soroche Pills. Este tour é melhor maneira de conhecer todos esses lugares em meio período. A parte ruim fica por conta de tempo livre limitado em cada local, problema comum em Tours. Por volta das 18:30 estávamos de volta na cidade. Para quem tem pouco tempo na cidade é possível conciliar este tour com algum outro passeio, exemplo, Maras y Moray ou Vale der Sur. Dicas e infos: 1 - Boleto turístico: Certamente em Cusco você vai necessitar comprar o boleto turístico. O completo custa 130 soles e dá direito a entrada em 16 lugares com validade de 10 dias. Há versões de 70 soles com acesso a apenas alguns lugares e válido por menos tempo. Caso vá ficar pouco tempo na cidade vale a pena avaliar qual é mais viável. 2 - Todos os passeios em Cusco (exceto Machu Picchu) são bem baratos e tem dezenas de agências no local que oferece as mesmas opções. Então vale a pena deixar para fechar quando chegar lá, não há risco de ficar sem vagas. Antes de ir, seguindo dica do pessoal do www.uaivambora.com.br, conversei com a Luz da agência Surco Peru Adventure’s. Porém somente quando estava lá negociamos os valores e fechei todo o pacote passeios por um bom preço. A Luz nos prestou excelente atendimento, nos auxiliando com tudo que necessitamos antes e durante nossa viagem. Para quem se interessar o contato dela é o seguinte: +51 984848674 (WhatsApp). Dia 06 – Maras Y Moray. Seguindo a estratégia de fazer os passeios mais leves nos primeiros dias para uma boa alimentação, nesse dia fomos a Maras y Morais. Este tour sai da Plaza de Armas às 8:30 e aproximadamente às 15:00 já está de volta em Cusco. A primeira parada Tour é no povoado de Chinchero. Nesse local visitamos uma associação de moradores que produzem diversos produtos artesanais para comercialização, principalmente de tecelagem com lã de Alpaca. Uma pessoa faz apresentação mostrando como são feitos os principais produtos, utilizando técnicas da época dos Incas. O próximo destino é o sitio arqueológico de Moray, que segundo historiadores era um laboratório agrícola dos Incas. O sitio tem uma série de plataformas circulares que parecem anfiteatros. Como há uma diferença de temperatura em cada nível, os Incas poderiam fazer experimentos e definir os melhores locais para produção de cada tipo de plantação. Em seguida fomos a salineira de Maras. Esta salineira é composta por mais de 3000 poças para produção de sal utilizando a água de uma fonte da montanha que, segundo nosso guia, tem 7 vezes mais sal que a agua do mar. A Salineira é localizada numa grande ladeira e compõe uma paisagem espetacular. As poças são divididas por mais 300 famílias e é passada de geração em geração não podendo ser vendidas. Os métodos utilizados para produção do sal são totalmente artesanais. O lugar é único diferente de qualquer outra coisa que já que já tinha visto. Retornamos para Cusco as 15:00, almoçamos e visitamos o Museu de Koricancha e Museo de Arte Popular, ambos bem menores e mais simples que o visitado no dia anterior. Dicas e Infos: 1 – Neste Tour, leve algo para comer, pois o retorno é as 15:00 e não há parada para almoço. 2 – A entrada em Moray esta inclusa no boleto turísticos, porém em Maras é necessário pagar 10 soles. 3 – Vale a pena pegar lugar na janela no ônibus, pois no caminho há espetaculares paisagens das plantações com as montanhas nevadas ao fundo, principalmente nas proximidades de Maras. Dia 07 – Pisac: Nesse dia optamos por fazer o passeio por conta, sem Tour. Pisac é uma cidade nas proximidades de Cusco que fica a 2800 m de altitude, porém o sítio arqueológico de Pisac fica em uma montanha ao lado a 3400 m. Para nós, com exceção de Machu Picchu, este foi o mais lindo Sítio Arqueológico da região. De manhã, passamos um pequeno susto. Minha esposa acordou mal, muita falta de ar, tonturas, dor de cabeça e sangramento pelo nariz. Eu já estava ligando para o seguro para encontrar o hospital mais próximo, mas uma funcionária do hostel procurou nos aclamar afirmando que tudo aquilo era apenas efeito do soroche. Decidimos ir para o passeio e observar até a tarde para avaliar a necessidade de ir em um hospital. Ela estava certa, minha esposa foi melhorando no decorrer do dia, e se tivéssemos ido ao hospital teria grandes chances de estragar o restante da viagem. Seguimos com a programação do dia, do nosso Hostel caminhamos pouco mais de meia hora até o ponto onde saem as vans para Pisac, que fica a 35 km de Cusco. Chegando na cidade pegamos um táxi para o sítio arqueológico as 11:30 já estávamos na portaria do mesmo. O taxista já queria combinar o horário para nos buscar, preferimos não combinar para ficar com tempo livre no local, e foi a melhor escolha possível. O sítio arqueológico de Pisac é muito grande e os tours visitam apenas uma pequena parte dele, onde estão os principais monumentos. Porém partindo dessa parte há uma trilha que segue pela crista da montanha até o final do sítio arqueológico. A trilha a conta com várias sobe e desce, normalmente por escadarias bem rusticas, então deve estar minimamente preparado fisicamente. Mas fazendo devagar é tranquilo, e as paradas são obrigatórias pois sempre há uma paisagem maravilhosa, com vistas do Vale Sagrado, escadas incas, tuneis, etc. Quase no final da trilha você se depara com o Templo do Sol, para mim a parte mais linda do sítio. Até aí já havíamos caminhado por mais 3 horas, com as idas e vindas e vários pontos, e teríamos que retornar a entrada do parque para chamar o táxi e voltar para a cidade. Porém sabíamos que havia uma trilha que descia pela montanha até a cidade, então perguntamos para um guia no local qual o tempo para chegar na cidade por essa trilha, o qual nos informou que era cerca de 40 minutos. Não restou dúvidas seguimos pela trilha. Lógico que gastamos bem mais de 40 minutos pois além do cansaço a cada a poucos metros parávamos para tirar lindas fotos. A Trilha desce a montanha em meio a mais ruínas e lindas vistas das montanhas. Chegamos na cidade de Pisac por volta das 17:00 horas. Almoçamos e pegamos a van de volta Cusco. Foi um dia espetacular e foi uma excelente escolha ir por conta deste lugar. Dicas e infos: 1 – A van de Cusco a Pisac custa 4 soles, e o ponto de saída fica a cerca de 15/20 minutos da Plaza de Armas. Se preferir ir de Uber/táxi pagará no máximo 5 soles. 2 – De Pisac ao sitio dá para subir pela trilha ou de táxi, porem subir e descer pela montanha pode ser bem cansativo. Se for para escolher apenas um trecho melhor subir de táxi e descer pela montanha. O táxi lá é bem caro, 30 soles, uma sugestão para economizar é esperar alguém para dividir. Dia 08 – Laguna Humantay Este era realmente nosso primeiro desafio físico da viagem. Subir até a Laguna com altitude superior a 4200 metros, pela trilha com aproximadamente 7 km (ida e volta), sendo destes, uns 2 km em subida bem íngreme. Esta lagoa fica aos pés do Nevado de Salkantay, e está no início da famosa trilha de Salkantay que leva até Machu Picchu. A lagoa é formada pelo desgelo desta montanha, e tem águas cristalinas com tons azulados e esverdeados (dependendo do sol) e suas águas espelham o nevado atrás, formando uma paisagem surreal. Primeiro vamos falar do passeio. Pagamos 55 soles incluindo transporte, guia, café da manhã e almoço, e mais 10 soles de taxa de entrada na Laguna. Valor muito baixo pelo que é oferecido. A van nos pegou no hostel as 4:30, viajamos por cerca de 2 horas até a parada para o café. O café da manhã é simples, porém muito bom. Depois seguimos por pouco mais de uma hora em estrada de terra e muitas curvas. Em torno das 09:00 chegamos ao ponto inicial da caminhada. Os primeiros 1,5 km são por uma estrada praticamente plana. Após este trecho começa realmente a subida. Há a opção de alugar cavalos para subir, para nós esta não era uma opção, pois tínhamos nos preparados muitos para estes desafios. Fomos subindo em nosso ritmo, devagar e sempre. Na trilha você não verá ninguém com expressão tranquila, exceto os locais, a altitude realmente pega todos. Compramos uma lata de oxigênio (vide dicas) por precaução, pois minha esposa tem bronquite. Não sei se foi devido a estarmos com o oxigênio, mas um menino que aluga os cavalos nos seguiu até mais da metade da trilha, ele acreditava que iriamos desistir, se deu mal. Apesar de cada grupo ter um guia, cada pessoa sobe no seu ritmo, então durante a trilha é por conta própria. Uma ressalva especial a nosso guia deste dia, o nome era Denis, e o cara era sensacional, muito simpático e sempre motivando a todos para conseguir. Após pouco menos de 2 horas do início da caminhada chegamos a Laguna, e neste momento qualquer cansaço simplesmente desaparece. Não queríamos perder nenhum segundo daquela vista surreal. Tínhamos 40 minutos de tempo lá em cima, mas ficamos por mais de uma hora, foi difícil o guia conseguir tirar todos daquele lugar. Durante a subida o tempo estava totalmente encoberto, imaginamos não íamos pegar sol na Laguna. Porem quando chegamos o tempo abriu parcialmente permitindo aproveitarmos os efeitos de cores da agua com o reflexo do sol. Assim que saímos o tempo fechou novamente, “Valeu São Pedro”. Em seguida descemos até as vans, e voltamos ao mesmo local do café da manhã para almoçarmos. Chegamos de volta em Cusco por volta das 18:30 da tarde. Dicas e infos: 1 – Procure não fazer este passeio nos primeiros dias de estadia em Cusco, faça boa aclimatação antes. Se se sentir melhor, leve uma lata de oxigênio que vendem em farmácias em Cusco. Para comprar o oxigênio, va a um apequena farmácia na calle Zetas, depois do templo de Qorinkancha, é a metade dos preços das farmácias mais próximas da Plaza de Armas. 2 – Leve água, 1 litro por pessoa é suficiente, e alimentos energéticos (chocolates, doces, etc.). Dia 09 – Viagem de Cusco a Aguas Calientes. Para visitar a Machu Picchu é necessário ir até Aguas Calientes, que é uma cidade criada apenas devido ao turismo neste local. Porém como não há estradas, o acesso a este local é somente por trem ou a pé. Sendo assim para fazer o percurso de Cusco a Aguas Calientes, se resume a 03 opções; -Trem, opção fácil, porém muito cara; -Trilhas, (cerca de 05 dias), opção também cara e necessário reserva com muita antecedência; -Van/caminhada, opção barata e com aventura. Quando inicie a pesquisa me assustei com os preços dos trens, que cobravam em torno de 70 dólares por trecho, cerca de 2 horas de viagem. Pesquisando outras opções encontrei as opções de van, que cobram em torno de 35 soles por trecho. Também recebi excelentes dicas do pessoal do blog www.uaivambora.com.br a respeito desta opção de transporte. No final de contas encontrei uma passagem promocional para o dia da volta de trem por 44 dólares, e para poder ganhar um dia no roteiro, visto que a opção da van toma praticamente um dia, optei por ir de van e voltar de trem. A van nos pegou no hostel as 07:30 da manhã, e saímos de Cusco umas 08:30, daí fomos até Ollantaytambo onde faz uma parada de uns 20 minutos para quem necessitar comprar algo ou comer. Neste momento estava tempo ruim e começou a chover, nos deixando um pouco preocupados, afinal teríamos que caminhar 15 km, o que com chuva poderia ser bem mais difícil. A partir deste ponto realmente começa a aventura, o próximo trecho é uma subida que parte de 2.800 até 4.400 metros em cerca de 40 KMs, (nem precisa dizer que é só curvas, né). Porém a paisagem na parte alta da montanha é muito bela, vale a pena pegar lugar na janela nesta viagem. Após isto desce pela montanha até nível de pouco mais de 1.000 metros, com mais curvas ainda, e mais paisagens lindas. Esta é a parte tranquila da viagem, porque após o vilarejo de Santa Maria, o caminho segue por estrada de terra estreita o tempo todo a beira de um precipício. O motorista da van vai buzinando nas curvas com o intuito de alertar caso venha algum carro na direção oposta. Este trecho tem por volta de 30 KM. Perto das 15:00, chegamos ao ponto final da Van, que é um restaurante que quem tinha o almoço incluso no translado iria almoçar. Próximo ao restaurante, uns 05 minutos de caminhada, tem uma cachoeira espetacular, bem alta, vale a pena ir. Neste momento a chuva havia parado (obrigado São Pedro 2), e já iniciamos nossa caminhada, pois estávamos preocupados em chegar antes de anoitecer. Chegando a estação de trem, vimos que muitas vans levavam os passageiros até lá, e no nosso caso já tínhamos caminhado quase 3 KM, incluindo a ida a cachoeira, por este motivo que nosso percurso deu 15 km, enquanto li vários relatos eram 12 km. Neste momento a fome apertou e percebemos que ir sem almoçar não seria boa ideia. Havia na estação alguns restaurantes bem simples, onde comemos um bom PF por 10 soles. A partir da estação deve caminhar por alguns metros na linha do trem e pega uma saída a direita com uma subida inclinada, mas com cerca de 300 metros apenas. Depois sai em nova linha de trem e segue pela mesma. A trilha não tem erro, é somente seguir a linha, e você nunca estará sozinho, muita gente faz este percurso. Chegando a Aguas Calientes, há uma saída a direita, caso chegue em um túnel, não atravesse, volte alguns metros porque você passou a saída. O percurso todo é entre montanhas muito íngremes de todo os lados, observando a geografia do local fica fácil perceber que os Incas queriam realmente esconder Machu Picchu. O trecho todo é quase plano, tranquilo de fazer. O que nos cansou no final da trilha foi o peso da mochila, pois por mais que reduzimos, iriamos passar 02 noites, como a previsão do tempo estava ruim tivemos que levar roupas para frio, e para caminhar mais de 03 horas cada quilo conta muito no final. O final da trilha foi a noite, mas como havia várias pessoas caminhando foi tranquilo. Chegando na cidade já compramos passagem do ônibus a Machu Picchu para próximo dia e fomos direto ao hostel para descansar, estávamos exaustos. Resumindo valeu muito a pena escolher esta opção. Para quem curte aventuras e considera que o percurso faz parte do passeio, esta com certeza será a melhor opção, e não é somente pela economia. As paisagens do percurso do trem são bonitas, mas nem se comparam com o percurso da van/trilha, e podemos afirmar isto, pois utilizamos as 2 opções. Dicas e infos: 1 – Leve alguns alimentos, pois somente poderá almoçar quando chegar ao ponto final da van, cerca de 15:00. 2 – Caso goste de emoção, sente na janela do lado esquerdo van, ficara no lado do precipício na última etapa do caminho, foi minha opção; 3 – Reforçando, leve o mínimo de peso possível na mochila para facilitar na trilha. Dia 10 – Machu Pichu Eis que chega um dos 2 dias mais esperados da viagem, (o outro é o da Rainbown Montain), a visita a Machu Picchu, uma das 7 maravilhas do mundo. Havíamos comprado trem para voltar até Ollantaytambo neste mesmo dia a noite, mas 2 dias antes ficamos sabendo de uma paralização geral que ocorreria na região neste dia e iria fechar todas as ferrovias e rodovias. Fomos até a Inca Rail e troquei as passagens para o próximo dia pela manhã, sendo então necessário passar 2 noites em Aguas Calientes. Este fato acabou sendo até melhor devido ao cansaço do dia. De acordo com informações de pessoas que conhecemos na viagem, os dois dias anteriores foram só chuva e nuvens em Machu Picchu, e a previsão para nosso dia era ainda mais chuva. A noite sonhei algumas vezes com as condições climáticas do dia, tamanha era a ansiedade. Quando acordamos a primeira coisa que ouvimos foi o barulho da chuva. Porém “para nossa alegria”, ao abrir a janela vimos que o barulho era das quedas das corredeiras do rio que corta Aguas Calientes. Apesar de nublado não chovia. Para ir de Aguas Calientes a Machu Picchu há 2 opções: - Ônibus: 20 minutos, pelo “precinho” de 12 dólares o trecho. - Trilha: Em torno de 3 km, sendo que 1,5 km é subida forte, praticamente toda em uma escadaria de pedras. Optamos por subir de ônibus, pois queríamos estar bem fisicamente para aproveitar o máximo, e a volta decidiríamos na hora. Uma pausa no relato para um breve resumo das regras de visitação do sitio: As entradas são com hora marcada, estando lá dentro ninguém ira controlar seu horário de saída, porém você deve manter o percurso sempre no sentido indicado, ou seja, há segurança em alguns pontos, os quais não permitem que ninguém retorne. Há opção de comprar ao ingresso somente para o sítio, ou incluir uma das 02 montanhas, Wayna Picchu ou Machu Picchu, as quais também tem hora marcada para subir, e no caso de quem for subir a montanha tem o direito de entrar 02 vezes no sítio. No nosso caso eu iria subir a Wayna Picchu e minha esposa não, então estávamos meio perdidos para definir a logística do passeio. Nossa entrada era as 08:00 e eu teria que subir a montanha as 10:00. Quando chegamos no hostel na véspera, a pessoa que nos atendeu já se ofereceu para auxiliar com o passeio e nos deu excelente sugestões. Sugeriu que entrássemos juntos e fossemos até um local chamado a casa do guardião, onde se tira as melhores fotos panorâmicas, e de lá eu fosse direto para a montanha, enquanto eu estivesse na Wayna Picchu minha esposa visitaria a ponte Inca ou porta do sol, e quando descesse já saísse direto entrasse novamente no sitio e encontraria minha esposa no mesmo lugar onde separamos e seguiríamos com a visita. Um pouco confuso, né? Também achamos quando recebemos a explicação, mas fizemos desta forma e foi perfeito. Entramos no sítio umas 8:30, ficamos juntos na primeira parte até 9 e pouco, e eu segui para a montanha. A subida da Wayna Picchu é por uma escadaria da época Inca, bem inclinada e estreita, e sempre a beira do precipício. E é o mesmo caminho para quem sobe e quem desce, então ao cruzar com pessoas, é necessário parar em algum ponto com mais espaço e esperar passar. Mas subindo com calma e usando sempre o bom senso pode ir tranquilamente. As 9:40 já liberaram o acesso do grupo das 10:00, e como eu já estava na entrada da montanha fui o primeiro a subir. A partir do meio da subida começa e ter excelentes vistas de Machu Picchu. Quando cheguei ao topo da montanha, contrariando todas as previsões climáticas, não havia mais nem nuvens, tempo lindo, e como o local estava vazio pois eu fui o primeiro a subir, então foi possível tirar excelentes fotos. No topo tem muito pouco espaço, então caso tenha muita gente creio que fica bem complicado, porém se isto ocorrer não se preocupe, a vista um pouco para baixo do topo é igual ou ainda melhor. Subi e desci num bom ritmo e fiz tudo com 1:40. Após descer me dirigi direto para a saída, fechei com uma guia para termos todas as explicações do sitio, pagamos 30 soles por pessoa em um grupo de 4 pessoas. Entrei novamente no sitio, encontramos minha esposa no local combinado, e fizemos o tour completo. O sitio arqueológico de Machu Picchu realmente é fantástico, não dá para chamar de ruinas, porque devido ao mesmo não ter sido encontrado pelos espanhóis, as construções estão em perfeitas condições. Seguimos no tour, e quando chegamos próximo a última parte do sítio, a guia nos perguntou se já iriamos sair ou queríamos permanecer mais tempo no local, pois se quisemos sair seguiríamos com ela na parte final e sairíamos, e caso quisemos ficar mais, ela daria ali as explicações da última parte e ficaríamos livres naquela região o quanto quiséssemos, pois se seguimos mais passaríamos por um dos pontos que ficam os seguranças e não pode retornar. Optamos pela segunda opção, e ficamos mais um bom tempo nesta parte do sítio, curtindo o lugar e tirando fotos com as llamas. Falando das llamas, estas são uma atração à parte em Machu Picchu estão espalhadas por todo o sitio, e realmente é fácil entender porque tem tantas fotos legais com llamas, realmente parece que o bicho faz pose para as câmeras. Muito legal a interação com elas. Após isto visitamos parte faltante do sitio com bastante calma e saímos. Outro ponto que demos sorte também, foi que devido paralisação citada no início do texto, Machu Picchu estava bem mais vazio que o normal para a época do ano. Saímos do sítio próximo das 16:00. A decisão da volta, como já era esperado, foi pela trilha. Logo ao iniciarmos a descido começou a chover, São Pedro foi realmente muito generoso conosco mais uma vez. Gastamos pouco mais de uma hora do sitio até o hostel, caminhando tranquilamente. Ao chegar confirmamos como realmente foi melhor a mudança do dia do trem, pois como estava ante teríamos que esperar até as 21:00 cansados e sem banho para pegar o trem e chegar as 23:00 em Ollantaytambo. Foi um dia mágico Machu Picchu correspondeu a nossas expectativas, fazendo jus a ser uma das 7 maravilhas do mundo. Dicas e infos: 1 – Compre ingressos para Machu Picchu com antecedência, pois o número de visitantes é limitado. Se for subir na Wayna Picchu, compre com muita antecedência. Eu comprei com 3 meses de antecedência. Um mês depois minha esposa mudou de ideia e queira ir na montanha também, verificamos e não tinha mais ingressos. Dia 11 – Ollantaytambo Neste dia, como tivemos que dormir mais uma noite em Águas Calientes, acordamos cedo, descansados, tomamos o café e pegamos o trem as 08:00 para Ollantaytambo. A viagem de trem durou cerca de 1:40, a linha acompanha o rio Urubamba. As paisagens durante o percurso são bonitas, mas como citado anteriormente nem se comparam com o caminho da opção de van/caminhada. Chegamos na estação guardamos as malas, as empresas de trem têm serviços de armazenamento de bagagem grátis para cliente, e já fomos para o Sitio Arqueológico de Ollantaytambo. Fizemos a visita sem guia e no nosso ritmo. Este sitio também é muito bonito, a maioria das pessoas o considerem o mais belo depois de Machu Picchu, mas para nós Pisac esta na frente, desde que faça a visita completa no mesmo. Em Ollantaytambo fizemos o segundo maior circuito, que passa em praticamente todo o sitio. Na parte da manhã o local fica bem mais vazio, pois os tours normalmente chegam no período da tarde, o que proporcionou ainda mais tranquilidade na visita. Com 2 horas é possível visitar todo o local sem pressa. Mesmo com vários pontos importantes para se conhecer no sítio; como o templo do sol, o rosto na montanha, etc; o que mais me encantou foi uma charmosa casinha encravada na parede da montanha, que aparece na foto a seguir (porque? Será que já morei lá? rs). Saímos do Sitio em torno de 13:30 e fomos para o centro da cidade almoçar, onde comemos o melhor aji de galiña da viagem. Ollantaytambo é uma cidadezinha muito aconchegante, te faz realmente sentir alguns séculos atrás no tempo. Afinal a cidade nunca ficou inabitada, desde a época inca, e dentro da cidade ainda há varias restos de construções incas. As ruas da cidade estão cheias dos famosos tuk-tuk , e é claro que não iriamos perder a oportunidade de andar em um destes charmosos carrinhos. Da praça central, por 4 soles, pegamos um Tuk-tuk táxi até a estação para pegar nossa mala e a van para Cusco. As vans para Cusco saem da estação de trem de acordo com que forem lotando, o preço não lembro exato, mas é em torno de 10 soles. Por volta das 18:00 já estávamos em Cusco. Dia 12 – Rainbown Montain / Montaña de las 7 colores Este era o segundo dos dias mais esperados da viagem. Os motivos para isto eram a paisagem única do local e o desafio de fazer a trilha, chegando a 5.200 metros de altitude. Havíamos nos preparado bem para isto, desde da parte do condicionamento físico no Brasil, como também da aclimatação nos dias anteriores. Mas ainda estávamos preocupados, ainda mais pelo fato de minha esposa ter bronquite, o que neste nível de altitude podia aumentar as dificuldades. A Rainbow Montain é uma montanha formada por várias faixas coloridas que parecem ter sido pintadas a mão. O turismo no local se iniciou recentemente, segundo os locais a mesma antes permanecia quase o tempo todo coberto de neve. Interessante que esta montanha era para ter sido destruída, uma empresa de mineração canadense iria explorar o local, porém os locais perceberam o potencial turístico da mesma e com muita luta/protesto conseguiram vencer a batalha, em 2018 a empresa abdicou da exploração de minério no local. Segue um site caso queiram conhecer um pouco mais da história desta atração: https://www.bbc.com/portuguese/geral-44620957. Para chegar até a montanha é necessária fazer uma trilha de pouco mais de 3 km (só ida), você irá encontrar vários relatos que dizer ser 7/8 km, mas recentemente mudaram o ponto final dos transportes o que facilitou a o acesso diminuindo a distância. Há também a opção de visitar o Vale Rojo (Vale vermelho), o que desvia a trilha na volta aumentando o tempo em uns 40 minutos. Porém o grande problema são os mais de 5.000 metros de altitude, é normal no caminho encontrar pessoas passando mal e desistindo. Outro ponto também é a temperatura, na época que fomos, segundo o guia varia entre -5 a -10 ºC. Então deve ir muito bem agasalhado. Referente ao passeio, o mesmo é muito similar ao da Laguna Humantay, pagamos também 55 soles incluindo transporte, guia, café da manhã e almoço e mais 10 soles de taxa de entrada. A van nos pegou no hostel as 4:30, viajamos por cerca de 2 horas até a parada para o café. O café da manhã. Depois seguimos por mais uma hora e pouco em estrada de terra e já com lindas paisagens dos campos a beira das montanhas com seus rebanhos de llamas Aqui também é necessário contar com a sorte, pois muitos dias a montanha fica coberta de neve impedindo logicamente que você veja o efeito de cores, e isto havia acontecido na véspera. E novamente São Pedro estava do nosso lado, fez um dia lindo e sem neve. Iniciamos a caminhada por volta da 09:00 da manhã. A paisagem durante todo o percurso é fantástica. Assim como na Laguna, há cavalo para locação, e como para nós o desafio é sempre parte do passeio, era opção era totalmente desconsiderada. A subida começa tranquila e vai ficando mais íngreme quando mais próxima do final. Na parte final a paisagem já começa a ficar colorida. Ao finalizar a última subida você chega bem no pé da montanha colorida, que estará a sua direita, e a esquerda há outra subida, formando um V com a montanha, que chamam de mirante. Muita gente se contenta de chegar no pé do mirante e devido ao cansaço não sobe. Recomendo que se tiver condições, vá até o topo do mirante, pois quanto mais sobe mais vivas ficam as cores da montanha. Além disto a Rainbown Mountain é só uma parte da extraordinária paisagem. Há o Nevado de Aunsgate, lindos vales de ambos os lados, e a Raiwnbow Montain com o Vale Rojo ao fundo, ou seja, é 360º de maravilhas. Quando chegamos ao topo foi um sentimento indescritível, um mix de alegria, admiração com a paisagem e sentimento de superação por termos chego ali. E alias chegamos muito bem fisicamente. Depois de admirar o local, decidíamos que iriamos também ao Vale Rojo. Encontramos nosso guia lá em cima, e dissemos que iríamos ao Vale Rojo, o mesmo não gostou muito, pois disse que ninguém do grupo iria e poderia atrasar o retorno. Afirmamos que estávamos bem e conseguiríamos cumprir o horário, e então partimos para lá. Descendo o primeiro morro abaixo da montanha, pega a esquerda e segue por outra subida. No meio do caminho descobrimos que teríamos que pagar mais 10 soles, o que não era nenhum problema. O interessante é que não tem nenhuma portaria, ou qualquer estrutura, somente 02 pessoas no meio do nada que recebe das pessoas na trilha. No final da subida, chega-se a um mirante com vista para o vale praticamente todo vermelho, mais uma linda paisagem. Após curtir o local tivemos que descer praticamente correndo para não atrasar o tour, e chegamos no ônibus em cima da hora. Em seguida retornamos, paramos para o almoço e chegamos em Cusco perto das 18:00. Dicas e infos: 1 – Va bem agasalhado, com roupas apropriadas para trilha. 2 – Leve alimentos para repor energia (chocolate é uma ótima opção) e agua. 3 – Suba no seu ritmo, sem se apressar. Dia 13 – Valle del Sur Nosso último dia em Cusco, nosso voo sairia as 19:00. Tínhamos planejado deixar este dia para curtir a cidade, comprar algo, etc. Mas mudamos de ideia e resolvemos “aproveitar até a última gota”, falei com a agencia se teriam algum tour que retornasse antes das 15:00. Me indicaram Valle del Sur. O passeio é aquele mesmo estilão dos tours “padrão”, micronibus, guia dando explicações no ônibus, tempo limitado, etc. O passeio se iniciou quase 09:00, depois de uma certa confusão para identificarmos nosso grupo, e fomos visitar os seguintes lugares: -Tipón: É mais um sitio arqueológico Inca, que tem várias terrassas, e um complexo sistema de irrigação ainda em funcionamento até hoje. O Lugar é mais simples e muito menor se comparamos com os sitios de Pisac ou Ollantaytambo, porém é bastante bonito. - Pikillaqta: É sitio arqueológico de uma civilização pré-inca chamada Wari, que viveram entre os séculos VI a IX. Então a arquitetura é bem diferente, e as construções também estão bem destruídas. O destaque é a organização urbanística da cidade, com ruas e avenidas perfeitamente alinhadas. Depois do sitio paramos em uma cidadezinha para provar um pão famoso por la, chamado “Chutas”, o interessante é que o guia disse que praticamente 100% das famílias da cidade sobrevive com a renda de fabricação e comercialização destes pães. -Andahuaylillas: A visita a esta cidade é especificamente para visitar a Igreja de São Pedro de Andahuaylillas. É uma igreja bem pequena e de fachada simples no exterior, porém devido a suas pinturas e decoração em ouro em todo o interior é conhecida como a Capela Sistina das Américas. A visita é rápida, pois a igreja é bem pequena. A entrada não esta inclusa no boleto turístico e custa 15 soles. Quem não quiser entrar na igreja há a opção de visitar um pequeno museu chamado Museu Ritos Andinos por 5 soles. Eu e minha esposa nos dividimos, eu fui na igreja e ela no museu. Na volta faz parada para almoço, não incluso no tour, em outro vilarejo que é especializado em chicharrones (carne de porco). Chegamos em Cusco as 15:00, tempo suficiente para tomarmos uma última Cusqueña (cerveja tradicional do Peru), pegar as malas no hostel e partir para o aeroporto. Resumo final: O Peru sempre esteve em minha lista dos lugares que eu queria conhecer, principalmente devido a Machupicchu. Porém este país superou muito nossas expectativas. Nos impressionou muito a riqueza cultural, histórica, natural e gastronômica do país. E também o país está investindo muito no turismo, é a receptividade dos locais com os turistas é ótima. Além disto se encontra preços ótimos para os passeios, alimentação e hospedagens, bem abaixo do praticado nas principais regiões turística brasileiras. Certamente irei retornar ao país, até mesmo porque ficou vários lugares que quero muito conhecer, como Huaraz, Puno e Arequipa. Espero que este relato possa auxiliar em algo quem estiver planejando ir para este fantástico país. Caso tenha qualquer dúvida fique à vontade para perguntar.
  22. 10 pontos
    Choquequirao – 4 dias e 3 noites Saída do hostel as 5:30 da manhã, com destino a São Pedro de Cachora. Embora se possa iniciar a caminhada já em Cachora, realizando um percurso de 12 km em uma estradinha “pendurada” nas montanhas, a trilha propriamente dita começa mesmo em Capulyoc, onde tem um posto de controle em que se registra a entrada junto ao Guarda Parque, paga a entrada (60 soles para brasileiros) e, se quiser, eles carimbam seu passaporte. Capulyoc se localiza a 2.915 metros de altitude e é muito lindo, pois de um lado se abre um amplo vale em que se vislumbram as típicas plantações em terraços dos moradores locais e em frente se pode admirar um bonito grupo de nevados do complexo Salkantay “o Padreyok”. Cerca de 500 metros após o vilarejo de Capulyoc é que inicia a descida, no “Camino de Herradura”, que desce em zig zag e já permite vislumbrar o Rio Apurimac, com suas águas muito verdes, no fundo do cânion. “Apurimac” em quechua significa “Deus que fala” em razão do rumor de suas corredeiras muito audível quando se começa a chegar mais perto do rio. Seguindo a descida, no KM 16 fica o acampamento Cocamasa que pode ser uma opção de estadia para quem inicia a caminhada no final da tarde. Mas nós seguimos a caminhada até o KM 19, ao acampamento Chikisca, que está localizado a 1.950 metros de altitude. Iniciamos a caminhada em Capulyoc cerca de 10:30 horas da manhã e chegamos em Chikisca perto das 13 horas. Caminhada tranquila, com muitas paradas para fotos, mas muito quente nesta época do ano (agosto) e com muita poeira. No acampamento, que é uma espécie de oásis verde, com muitas árvores frutíferas, como manga, abacate, limão, chirimóia e outras, e se destaca em meio à vegetação do vale muito mais seca nesta época do ano, nos refrescamos em uma ótima sombra e aguardamos o almoço, que foi preparado por moradores locais. Ali tem um pequeno mercadinho com itens básicos de higiene, bebidas e comidas. Como estava muito quente almoçamos e aguardamos até as 15 horas para retomar a caminhada. Dali se descemos em zig zag por mais 400 metros de desnível, cerca de uma hora de caminhada, até chegar a Playa Rosalina, as margens do Rio Apurimac, a 1.560 metros de altitude. Descemos até as margens do rio para molhar os pés em suas aguas geladas e ficamos curtindo o visual por cerca de uma hora. Reiniciando a caminhada, atravessamos a bonita ponte suspensa e iniciamos a subida pelo outro lado do vale, num interminável zig zag até o acampamento Santa Rosa,no KM 25,5 e a 2.115 metros de altitude. Chegamos já quase escurecendo. Neste acampamento tem água, banheiros, banho frio, mercadinho básico, local para cozinhar e bonitos platôs de frente para o vale, onde se acampa. Noite de lua quase cheia propiciando um vista espetacular do vale em frente. No segundo dia iniciamos a caminhada ainda no escuro, cerca de 4 horas da madrugada, até o Caserio Marampata, no KM 28,5 a 2.910 metros de altitude. É uma subida bem puxada, com altimetria de cerca de 800 metros e na parte final já se sente um pouco os efeitos da altitude. Em Marampata, sentido o vento frio daquela altirude, tomamos nosso café a manhã preparado por uma moradora local e as 8 horas da manhã partimos para a parte final da caminhada até Choquequirao, no KM 36, a 3.033 metros de altitude. A partir de Marampata a trilha deixa de ser íngreme e vai alternando entre trechos com retas, subidas e descidas e, após 500 metros de caminhada já se começam a divisar terraços “pendurados” nas encostas e a choquequirao muito ao longe. Cerca de um quilometro antes de chegar às ruínas há um desvio para o camping Raqaypata, que também é uma boa opção de estadia. A chegada às ruínas já impressiona pela grandiosidade dos terraços com suas pedras extremamente bem alinhadas. Choquequirao trem 12 setores, nem todos reconstruídos / escavados: Praça principal – local onde o pessoal costuma para descansar; Colcas – onde eram armazenados produtos alimentícios e vestuário; Terraços ou “andenes” – onde eram realizadas as plantações, com destaque para o setor de “llamas” com seus 440 degraus; Habitações dos sacerdotes – localizada na parte alta; Cemitério inca Kallancas – edifícios retangulares que serviam como oficinas, centro administrativo, espaço para reuniãos, etc. Ushnu – plataforma cerimonial no topo da colina. Chegamos às ruínas pelas 10 horas da manhã, não sem antes nos impressionarmos com dois setores de terraços já recuperados “pendurados” nos penhascos e visíveis de vários pontos do caminho. Chegando na Plaza Central descansamos alguns minutos na sombra de uma “arbol papel” ou polilépis, no meio de uma gramado muito verdinho curtindo o astral do local com apenas outros três turistas que estavam ali naquele momento. Depois, subimos por uma trilha a esquerda até o “Ushnu” ou platô cerimonial, de onde se tem uma bonita vista do cânion formado pelo Rio Apurimac, das ruínas e das montanhas nevadas, ou quatro “Apus” que cercam Choquequirao. Após, voltamos a Plaza Central e atravessamos para a parte de trás e seguimos a trilha que conduz ao setor de Llamas, numa descida com desnível de cerca de 200 metros até chegar a um mirante que permite ver este setor de frente. Na verdade o setor de “Llamas” se trata de terraços que “despencam” da montanha abaixo de forma quase vertiginosa, que tem em suas paredes de pedra incrustados desenhos de llamas em uma rocha branca, provavelmente quartizito branco. No retorno, ao invés de seguir a trilha, subimos a escadaria original, com infindáveis 440 degraus em meio aos terraços. Na parte alta dos terraços está incrustado desenho de a uma serpente. Após a cansativa subida retornamos a Plaza Mayor onde nosso cozinheiro nos esperava com uma marmita de almoço bem quentinho. Sentamos no gramado em uma área um pouco mais afastada para almoçar e descansar / cochilar um pouco. Depois fomos visitar o setor de colcas e o da residência dos sacerdotes, bem como observar o sistema hidráulico do complexo. Após as 16 horas iniciamos o retorno para o acampamento Marampata e na descida pudemos apreciar um lindo pôr do sol. Já no acampamento descobri que pagando 10 soles eu teria direito a um banho quente, em chuveiro a gás, o que vale ouro depois de tanta caminhada e do vento frio da noite. Tivemos outra noite fantástica, bem fria, mas agora com a lua um pouco mais cheia. No terceiro dia saímos cedinho, despencando cânion abaixo por cerca de 1400 metros de desnível. Após atravessar o Rio Apurimac reiniciamos a subida pelo outro lado e após 400 metros de desnível, chegamos em ChiKisca já com muito calor. Aguardamos o almoço e esperamos por bastante tempo, até as 15 horas, para reiniciar a caminhada, pois fazia muito calor. Chegamos ao final da tarde em Capulyoc. O acampamento fica num lugar sensacional, um platô com vista privilegiada do vale e dos nevados em frente. Consegui um banho quentinho, a 10 soles, num sistema de água aquecida no fogo. O jantar foi oferecido pelos donos do acampamento e a noite estava belíssima com a lua cheia e o visual montanhoso completamente iluminado. No quarto dia pudemos dormir um pouco mais e após o café da manhã, também oferecido pelos anfritriões, ficamos curtindo o visual em uma sacadinha de frente para as montanhas enquanto aguardamos o nosso transporte de retorno que chegou as 10 horas da manhã. E levou quase cinco horas para chegar em Cusco. Eu realizei o passeio com a agência Qorianka Tour – 084 505959, cel: +51 974-978771 e +51 974-739305 ou contato direto com Renato no watts +51 986-960796 e paguei USD 230,00 com tudo incluído (transporte de ida e volta a Cusco, alimentação, guia, mulas para levar equipamentos comuns e mais cinco quilos de bagagem individual, acampamento em barraca com isolante). Não incluído o saco de dormir, café da manhã do primeiro dia, almoço do último dia e bebidas adquiridas nos acampamentos. Recomendo ainda: Soncco Tours, com Evelin +51 964-289453 (USD 245,00) e Inkapal, com Rubens, +51 931-325 810 (USD 280,00), ambas ótimas agências que me atenderam super bem em outros roteiros. Querendo contratar direto se pode fazer contato com Choquequirao Wasi (tem página do facebook), watts app: +51 974-555258. Quando estive lá os valores eram os seguintes: 50 soles por dia para o cavalo; 50 soles por dia para o “ariero” (condutor do cavalo ou mula);10 soles por acampamento; de 30 a 40 soles pra retorno a Cusco nas vans que trazem os turistas das agências (sempre tem lugar) ou 60 soles em transporte local (táxi) até ramal de onde se pode pegar o ônibus para Cusco por cerca de 10 soles. A única coisa que não consegui verificar é como conseguir um transporte de van privado a partir de Cusco, mas o pessoal da Choquequirao Wasi deve ter essa informação. Se for de ônibus tem que pegar ônibus para Abancay e depois para Ramal e de lá conseguir transporte para Cachora ou Capuliok. Ou seja: é um trajeto que pode ser feito de várias maneiras. Com agência contratada em Cusco, se tem menos preocupações e está tudo incluído. Contratando cavalo/mula e ariero local é mais em conta e se privilegia a distribuição de renda aos efetivos moradores da região. Fazendo 100% solo é bem mais barato, mas é preciso atentar para o preparo físico, pois o desnível do percurso é de mais de 1500 metros, o que torna a caminhada bem pesada. Mas a distribuição dos acampamentos também permite fazer o caminho com mais calma, utilizando mais dias. Recomendações: tome muita água, pois o clima é muito seco e quente e procure organizar a caminhada para não estar na trilha nos horários mais quentes do dia. Os acampamentos de altitude (primeiro e último dia) são bem frios, então leve uma roupa bem quente. Observação: A partir de Cachora é possível fazer o Trekking até Machupichu. Ou seja, você vai até Choquequirao e não volta, mas segue até Santa Tereza / hidroelétrica e de lá pelo trilhos do trem até Águas Calientes. Me pareceu um maravilhoso passeio, mas leva de 07 a 08 dias e requer um bom planejamento, pois se precisa mais comida e não tenho informação acerca de possibilidades de comprar no caminho entre Choquequirao e Santa Tereza.
  23. 10 pontos
    Resolvi escrever este relato pois não vi muitos parecidos. A minha viagem foi sozinho, sem alugar carro (mas alugando bicicleta e pegando caronas) e sem fechar nada com agências antes de ir, em abril de 2019. Essa parte é importante: não precisa fechar nada com agência antes. Pois bem, antes de ir, pedi orçamentos para várias agências que achara na internet e o que eles me mandaram me espantou, era tudo extremamente caro! Coisas como: Circuito das Cachoeiras por R$220 + R$180 do transporte; R$320 o trecho Cuiabá-Chapada (sendo que o ônibus urbano custa R$18), queriam cobrar até por passeio no parque que é de graça! Não tive coragem de reservar nada antes, até viajei desanimado para resolver tudo na cidade. Felizmente, tudo deu certo e saiu bem mais barato do que se tivesse fechado com agência. Chegando ao aeroporto, que fica em Várzea Grande, peguei Uber até a rodoviária de Cuiabá, R$25. Na rodo, peguei um bus urbano da CMT (tem da Rubi tbm) por R$18 até a Chapada dos Guimarães (este é o nome do município, não é só do parque ou da região). Os ônibus saem a cada 1:30h. O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães fica antes da cidade com mesmo nome e desci lá, onde conheci três cachoeiras sem precisar de guia e sem pagar: Véu da Noiva (só mirante), dos Namorados e Cachoeirinha. A água estava barrenta, mas o poço era bom para banho e as quedas eram altas. Anda-se bem pouco para cada uma delas. Minha intenção era ir para cachoeira da Salgadeira, dali são 6km, mas achei arriscado andar pela estrada sem acostamento. Fiquei esperando o ônibus, pedi algumas caronas e quem acabou parando foi uma família que parou sem eu pedir, eles também estavam saindo do parque e haviam me visto lá. Pelo que percebi, pedir carona é comum lá, pois o parque fica a 12km da cidade. Fui pro hostel, onde me indicaram a guia Camila (65-996110587), entrei em contato com ela e com outras dos sites: http://www.chapadamt.com.br/guiasdeturismo.asp http://www.ecobooking.com.br/Relacao_guias_autorizados.php?XXtrE=v3vbnqw03mgj17ydlzef Isso foi bom, os preços direto com os guias eram MUITO mais baratos, inclusive se precisasse de transporte. Fiquei no Hostel Chapada, R$50 por noite, bem localizado, perto da praça. No dia seguinte, resolvi alugar uma bike na Bike e Cia, por R$30 o dia, para ir a cachoeira do Marimbondo e da Geladeira, que ficam próximas uma da outra e cerca de 15km, ida e volta, do centro. Pra ir foi tranquilo. Na cachoeira do Marimbondo, paga-se R$10 para entrar e anda bem pouco, uns 300 metros. Cachoeira larga, com um poço raso, mas gostosa. Fiquei 1h e fui pra da Geladeira, 1km dali, paga-se mais R$10 e anda uns 600m. É a cachoeira mais bonita que fui na chapada: água verde, queda gostosa, poço bom para banho. Fiquei um tempo. Pensei em ir até a Cachoeira Rica, mas descobri que, apesar do nome, não tem cachoeira! É só um vilarejo! Ainda bem que não fui, são uns 30km de lá. A volta foi um pouco cansativa mesmo nos pontos que não pareciam subida íngreme. Depois, ainda fui ao mirante Morro dos Ventos, tem uma bonita vista de campos e até uma cachoeira na lateral, entrada R$5. Rodei cerca de 20km de bike no total. Comi massa no Pomodori, muito boa (um pouco caro)! No 3º dia, peguei carona com um cara do hostel que havia alugado carro, aí baixou quinze reais no preço do passeio Circuito das Cachoeiras, no final, paguei R$85. Tinha agência cobrando R$220 pelo passeio mais R$180 pelo transporte! Transporte que era de apenas 12km! Este passeio, Circuito das Cachoeiras, ocorre no Parque Nacional (cuja entrada não é paga), mas só pode ser feita com guia. Consiste em 8km passando por várias cachoeiras (eles falam 7, mas acho que não...). A melhor é a última: das Andorinhas, super alta e bom poço pra banho. Vale a pena! Depois, ainda deu tempo de ir até a Salgadeira (R$15 por carro) de carona, esse lugar passou por uma demorada reforma e manipularam até a cachoeira concretando a parede dela. Comi pizza na Marguerita, muito boa, mas um pouco cara. Dia 4: no dia do Circuito das Cachoeiras, conheci um cara gente boa que também tinha alugado carro em Cuiabá. Aproveitei e fui junto com ele para a cachoeira da Martinha (R$10 o estacionamento). Neste caso, se não tivesse ido de carona, teria ido de ônibus urbano (o mesmo que sai de Cuiabá em direção a Campo Verde). Disseram que essa cachoeira é tipo um "piscinão de Ramos", farofada e tal, no dia que eu fui, sábado de manhã, estava bem vazio, mas parece quem muita gente faz churrasco lá, até porque é de graça. Cachoeira muito boa, grande, larga e super forte! Correnteza boa para boia-cross e para nadar. De lá, fomos para a cachoeira Jamacá (R$20 por pessoa), que no Glooglemaps aparece como Quilombo do Alemão. Esse alemão é o Mário, um naturalista que lutou pela demarcação do parque. A cachoeira é alta e forte com poço muito raso para nadar. Lugar bacana. Almoçamos, por volta das 14h, no restaurante Maná, comida bem simples, parece que o local nem abriu oficialmente. Esse dia terminou cedo. Jantei sozinho no Cavii, comi um ótimo hambúrguer com coalhada seca e pesto, entre outros. Domingo, último dia, fui até a bicicletaria e estava fechada. Resolvi ir a pé até a cachoeira gratuita do Nonhô (acho que é isso, se não, é Nhonhô), 5km, localizada próxima ao supermercado Pelé e a pastelaria Lhufas, entre a placa azul de "Bem-vindo" e um outdoor, a cerca está caída e tem uma trilha. Fui perguntando, perguntando e cheguei a trilha, desci até a cachoeira. É pequena e não muito alta, mas gostosa para se refrescar. Fiquei pouco tempo, pois queria ir até a cachoeira da Tartaruga. Na estrada, pedi carona e o segundo carro que passou parou prontamente. Ele passou pela bicicletaria, estava aberta (no domingo, ele abre quando liga pra ele), então resolvi descer. Mais R$30 pelo aluguel, andei 3,5km até a porteira do sítio (tem no Googlemaps), tive que passar a bike por cima e andar mais uns 3km. Obs: muitos guias me falaram que tem cachoeira em propriedade particular, mas pode pular a porteira, a cerca e ir tranquilamente, esta era uma delas. A cachoeira da Tartaruga fica quase no final da estrada de terra, quando começa o gramado, à direita. A cachoeira é alta, com pouco volume de água, poço bom para banho. Ainda deu tempo de comer no Trapiche Regionalíssimo, por kg, cerca de R$54, comida muito gostosa. Peguei bus para Cuiabá. De lá, peguei Uber para o aeroporto. A região tem muitas cachoeiras e muitas nem podem ser visitadas. Acredito também que algumas sejam pequenas e simples. Algumas que não precisam de guia e fiquei sem conhecer: do Segredo, da Bailarina, do Índio, Águas do Cerrados (trekking). Outros passeios que precisam de guia (mas não feche com agências antes, fale direto com os guias): São Jerônimo, Vale do Rio Claro, Cidade de Pedras, Águas do Cerrado, caverna Aroe-Jari. Se quiser ir para Nobres (bate e volta), aí tem que fechar com alguma agência, parece que custa R$250, ou se informar com guias.
  24. 10 pontos
    Salve, galera! Esse é o resumo de um mochilão radical que fiz há alguns meses, espero que gostem. Caso queiram mais informações, podem acessar meu blog Rediscovering the World ou o livro que acabei de lançar (Trekking Extremo no Himalaia: Acampamento Base do Everest + Gokyo). Dia 1 Em 17 de março de 2019, ao chegar ao aeroporto de Guarulhos, tomei uma sequência de voos pela Air China, cujo destino final seria Mumbai, na Índia. Compradas quase 5 meses antes, as passagens de ida e volta custaram 734 dólares. Dia 2 Após breve conexão em Madri, o avião grande seguiu até Pequim. Ambos voos foram bem-sucedidos. Como a espera até o voo final levaria o dia todo, decidi aproveitar que o visto não é necessário para permanecer até 144 horas na capital chinesa. Dessa forma, passei pela fila da imigração em uma hora, saquei yuans (1 real = 1,75 yuans) num dos caixas automáticos e deixei o aeroporto no metrô que me levou até o centro da cidade. O trajeto de meia hora custou 25 yuans. Deixei a linha do aeroporto para pegar outra, ao custo de 4 yuans. Logo me impressionei pelo desenvolvimento e pela limpeza de Pequim, tirando a névoa permanente que quase esconde o sol. Só a falta de educação dos chineses que seguiu conforme o esperado. O primeiro monumento visitado foi o do conjunto Templo do Céu (28 yuans). Numa área grande, fica um parque com as estruturas erguidas em 1420 para orar em busca de uma boa colheita. A construção principal é o maior templo redondo de madeira da China. Depois de uma boa caminhada, comprei 4 bolinhos (dumpling) de carne por 2,5 yuans cada, mesmo sem saber antecipadamente o que viria dentro. Segui então caminhando até chegar à sequência de postos de controle policial de onde ficam as principais atrações de Pequim. Primeiramente, o museu nacional. É em sua maioria gratuito, num prédio bastante amplo, mas com conteúdo quase todo em mandarim e poucas exposições realmente interessantes. Entre essas, os presentes recebidos pela China de todo o mundo. Em seguida, caminhei ao redor da Praça Tian'nanmen, a Praça Celestial. É famosa por um massacre que aqui ocorreu durante protesto da população. Também não se paga e há espaço de sobra, com um memorial a Mao Tse-tung e um monumento aos heróis chineses. Por fim, entrei na Cidade Proibida. Como estava faminto e o corpo já se entregando de cansaço, tive que almoçar ali mesmo, pagando 32 yuans num prato raso. Mais uma atração enorme: são dezenas de palácios, muralhas e portais. Para visitar em baixa temporada (agora), custou 40 yuans. Mesmo assim, é difícil conseguir uma foto boa, tamanha a quantidade de chineses que visitam o complexo. Na saída, tentaram me aplicar o golpe de bater um papo num bar e ser extorquido, mas como eu já sabia dessa, escapei. Esgotado, retornei ao aeroporto no final da tarde. À noite, voei num avião menos novo pra Mumbai, tirando um belo cochilo a bordo. Dia 3 Desembarquei já na madrugada seguinte. Passei pela imigração com o eVisa feito antecipadamente na internet e troquei dólares por rúpias (1 dólar = 66 rúpias) logo após a imigração. Por fim, pedi pra chamarem um Uber pra mim, pois o táxi até o hotel próximo custava 500 rúpias, enquanto o Uber saiu por 210. O problema foi achar o danado, escondido numa viela. Somente às 3 e meia eu entrei no Ahlan Dormitory. Pra ficar num quarto coletivo, gastei 250 rúpias por noite. Só que o lugar não era muito agradável, pois era barulhento, fedia, estava sujo e quase sem água. Algo me picou na cama e me deixou com marcas por semanas. Pelo menos o wi-fi, o ar e o guarda-volumes funcionavam. Pra piorar, fui acordado antes das 8h pelos hóspedes e funcionários, não conseguindo mais dormir - o que já tinha dado bastante trabalho antes, vide o jet lag. Levantei, tomei o “chai” (na Índia, o chá é misturado com leite) e parti pra luta. Caminhando um pouco já notei a diferença colossal na (falta de) limpeza, em relação a Pequim. Peguei o metrô recém inaugurado, com ar condicionado, a partir de 10 rúpias. Para começar a preparar meu estômago, tomei um suco natural por 40. Em seguida, entrei na estação de trem suburbano. Que caos! Gente correndo e se empurrando por tudo que é lado, pendurada nas portas dos vagões como nos filmes, e tal. Para vivenciar um pouco disso, e porque eu queria economizar, comprei um bilhete da 2ª classe de Andheri a Churchgate. Apenas 10 rúpias até ponto final, 22 km adiante! Ainda que estivesse bem quente, os indianos vestiam quase todos roupa social, nenhum (além de mim) de bermuda. Da estação, fui até o principal museu da cidade, de nome complicado: Chhatrapati Shivaji Maharaj Vastu Sangrahalaya. Construído pra homenagear o príncipe do País de Gales, hospeda hoje num edifício de arquitetura indo-sarracena uma porção de artefatos relacionados a Índia e além, contando sua história. Pena que o ingresso seja meio salgado: 500 rúpias + 100 pra usar câmera. Nessa hora, começaram a pedir pra tirar foto comigo, como se eu fosse famoso. O almoço foi no renomado Delhi Darbar. Fiquei com um picante mas apreciável prato de “angara chicken” por 550 rúpias. Saí cheio. Acabei optando por fazer um city tour de 3h por 3500 rúpias, bem mais do que eu deveria pagar. Nele, passei por vários locais interessantes, como uma lavanderia a céu aberto, diversos prédios públicos e privados com arquitetura colonial britânica, o museu-casa do Gandhi (Mani Bhavan), a orla de Marine Drive, a colina de alto padrão Malabar e o templo da religião jainismo. Depois, fiquei no mercado de rua, onde não consegui caminhar em paz, indo então de volta pro hotel através de outra linha de trem da estação central. Retornei pendurado na porta aberta do trem. Comi um negócio, antes de conhecer dois jovens ucranianos no dormitório. Fiquei papeando e dei uma volta com eles, pra conferir o movimento das ruas poluídas. Aproveitei para provar a sobremesa quase sem gosto chamada “falooda” (40 rúpias) e levar umas bananas (6 por 1 real). Dia 4 Com o feriado do Holi, o qual me gerou uma pintura facial, o transporte público ficou bem menos cheio, ainda que sua frequência também tenha diminuído. Peguei os mesmos 2 transportes da manhã anterior, mas quando cheguei à estação final, pedi um Uber até o monumento Gateway of India, de onde partem os barcos até Elephanta Island, por 200 rúpias ida e volta. A baía até a ilhota é entulhada de estruturas. O translado leva cerca de uma hora; no total da minha hospedagem até a ilha eu levei quase 4 horas de deslocamento! Ao chegar, peguei um trenzinho da alegria (10 rúpias). Almocei no restaurante Elephanta Port, escolhendo um prato de “biryani” por 275 rúpias. O “biryani” de frango viria a se tornar meu prato preferido no país. Depois, subi o morro em meio a inúmeras barracas de souvenires. Para acessar as cavernas de Elephanta, patrimônio da UNESCO, paga-se atualmente 600 rúpias. São 5 delas, entalhadas diretamente na rocha durante 1300 anos do século 6 até a invasão e destruição parcial pelos portugueses. Há colunas, santuários e muitas estátuas em homenagem à deusa Shiva. Pena que com a quantidade de visitantes, praticamente todos indianos, fica difícil sacar boas fotos. O guia local Krishna me encheu tanto o saco que acabei aceitando uma explicação de meia hora por 500 rúpias. Quando ele me chamou pra ir num bar depois, meu sensor de golpe apitou. E eu estava correto, pois ele tentou fazer com que eu pagasse a cerveja dele e ainda tomar meu dinheiro com a desculpa de que iria pagar minha parte, mas não teve sucesso quando eu o peguei fugindo… Essa cerveja Kingfisher, a mais popular da Índia, não é boa. Só poderia ser assim, já que leva açúcar e xarope de arroz e milho na fórmula. Depois desse fato lastimável, subi as escadarias até o topo do morro, com vista para o mar e cheio de macacos fofos (Macaca radiata) - até eles roubarem sua comida. Ali fiquei famoso de novo, visto a quantidade de gente que pediu foto comigo. Retornei à hospedagem, chegando após escurecer. Só comi algo salgado e repousei. Dia 5 Acordei cedo pra pegar uma condução até o terminal 1 do aeroporto (110 rúpias), onde voei de SpiceJet até Bangalore. Que bom que mesmo as companhias de baixo custo da Índia permitem despachar até 15 kg gratuitamente, já que meu mochilão cheio dificilmente passaria por bagagem de mão. Em Bangalore, embarquei logo num segundo voo da GoAir até Port Blair, a capital maior cidade do arquipélago isolado de Andaman e Nicobar. Como se já não estivesse quente o suficiente em Mumbai, a temperatura de Port Blair na chegada estava em escaldantes 34 graus. Peguei um tuk-tuk (100 rúpias) até a estação de ônibus principal. Como perdi o ônibus das 15h e o próximo partiria quase 2 horas depois (somente mais tarde eu descobri que havia mais ônibus no outro terminal chamado Aberdeen), aproveitei pra fazer um lanche ali e comprar mantimentos no supermercado Mubarak. O ônibus saiu cheio. Levou cerca de uma hora e 24 rúpias para chegar ao vilarejo de Wandoor. Lá me hospedei no Anugama Resort, numa suíte privada bem razoável. Só que de resort o lugar não tem nada, nem sequer uma piscina, bar ou internet funcionando. Ao menos, os funcionários são gentis. Na hora do jantar, em que fiquei com um curry de peixe (190 rúpias) no restaurante da hospedagem, conheci uma família de belgas e holandês, com quem bati um bom papo. Dia 6 Acordei várias vezes durante a noite e levantei pelas 6, sendo que já havia sol um bom tempo antes. Eu e um dos companheiros da noite anterior fomos a pé cedo ao escritório do Parque Nacional Marinho Mahatma Gandhi para tentar conseguir a permissão para adentrá-lo, mais especificamente na ilhota de Jolly Buoy. Lá, descobrimos que os barcos já estavam cheios, e que precisaríamos tanto agendar o passeio quanto conseguir a permissão no escritório de turismo em Port Blair. Sendo assim, barganhamos um táxi para nos levar, esperar e trazer de volta por 2 mil rúpias. Emiti a permissão (mil rúpias) e o bilhete do barco para Jolly Buoy (885 rúpias) na mesma hora. Detalhe é que é necessária uma fotocópia do passaporte - mas há um xerox próximo que o faz por míseras 2 rúpias! Depois, fomos ao píer de Phoenix Bay, fechado aos domingos, para comprar nossas passagens à ilha Neil (510 rúpias). Regressamos a Wandoor e eu almocei no próprio hotel. Meu prato de “biryani” de frango (240 rúpias) demorou pra ficar pronto, mas foi uma baita refeição. Em seguida, caminhei até a praia. No caminho, topei com algumas aves, como o martim-pescador. A praia de Wandoor é peculiar por um motivo ruim; não é permitido entrar na água devido à presença esporádica do crocodilo de água salgada (Crocodylus porosus), o maior do mundo. Há inclusive uma tela de proteção. Alguns quiosques vendem souvenires, alimentos e bebidas. Fiquei ali com o pessoal por umas horas, até que eles partiram enquanto eu esperava o pôr do sol. Logo depois, caminhei os poucos quilômetros de volta ao Anugama Resort. Banho, janta e cama. Dia 7 Às 7 e meia embarquei rumo a Jolly Buoy, no Parque Nacional Marinho Mahatma Gandhi. A duração do translado foi de pouco mais de uma hora, em meio a ilhotas desabitadas com floresta nativa intocada. Chegando em Jolly Buoy, tive um grande desapontamento. Não é mais permitido praticar snorkeling! Dá pra acreditar nisso? Se tivessem dito antes eu já estaria a caminho da ilha Neil, e não num lugar minúsculo onde você só pode se banhar num cercado minúsculo. Fiquei lá conversando com a única outra gringa do barco, uma húngara. A única atividade extra é um passeio de 1h num barco sujo e desconfortável, com vidro no fundo para ver os corais e peixes, a um custo extra de mil rúpias… Ao regressar pelas 13h, almocei e parti para Port Blair num ônibus musical. Ao chegar, fui atrás de algum hotel, já que minha reserva para essa noite seria para a outra ilha. Usando a internet de uma acomodação já cheia, encontrei um tal de Lalaji Bayview, com um quarto individual por 800 rúpias. Então fui até lá caminhando, pelo meio de uma comunidade. A internet é paga (60 a hora), mas ao menos existente. Já a suíte é a mais básica possível, enquanto que o restaurante no topo da edificação é bacana. Jantei um enroladão de camarão (250 rúpias) e fui pra cama. Dia 8 Seguindo a tradição de acordar cada vez mais cedo, peguei a balsa das 6:30h para a ilha Neil. Duas horas depois, aportei. Deixei a mochila na acomodação Kingfisher Hotel e fui caminhando até a praia do norte, chamada Bharatpur. Com um bocado de gente, um tanto suja e cheio de barracas vendendo conchas, passeio aquáticos e etc, não é bem o que eu pensava. Atravessei e tive que nadar certo tempo até localizar os recifes de coral. Aqui vi alguma qualidade, até mesmo havia corais que nunca havia observado antes. O ruim foi voltar desviando dos barcos e motos aquáticas. Para almoçar, tentei achar um restaurante que fosse um meio termo entre os dos hotéis chiques e os pés sujos. Acabei parando no Port Canteen, onde fiquei com um arroz frito com camarão (220 rúpias). Com o dinheiro acabando, precisei sacar no único ATM da ilha, que para variar estava indisponível no momento. Contando com que a máquina estaria operando novamente dentro de algumas horas, o próprio funcionário do banco me emprestou seu dinheiro para que eu pudesse pagar o depósito do aluguel da bicicleta! A respeito disso, escolhi uma magrela para me deslocar por essa pequena ilha. A velha bike era pequena demais pra mim, mas por apenas 100 rúpias a diária eu não podia querer muito. Uma scooter custava um pouco a mais (400 rúpias + combustível). Pedalando, cruzei o interior cultivável de Neil até a bonita praia Sitapur, famosa pelo nascer do sol. Ali eu mergulhei novamente, mas no ponto onde fui a visibilidade estava ruim, devido às ondas. Vi menos do que no snorkeling anterior. Consegui sacar grana ao retornar. Assim, segui para outra beleza natural, um arco de rocha que fica no oeste da ilha. Cheio de turistas indianos, para se chegar nele há de passar por cima de poças de maré. Vi o sol se pôr neste lugar e retornei. Peguei dois dos salgados fritos picantes “samosas” (20 pila) e um caldo de cana (30) na parte mais central, onde havia movimento naquela hora. De volta ao hotel, meio velho e sem internet, para dormir. Dia 9 Mesmo que quisesse, não poderia demorar muito a acordar, pois o check-out é às 7:30h! E esse parece ser um horário normal dos hotéis das ilhas Andamã. Definitivamente, não entendem de turismo para estrangeiros. Ainda com a bicicleta, toquei para a praia Lakshmanpur, onde também mergulhei. Só que nessa praia só havia dois pescadores, que logo foram embora, e mais ninguém. Fiquei quase 2 horas e meia me deliciando com a vida nos corais. De especial, vi o maior peixe não cartilaginoso que já presenciei na vida. O peixe-papagaio (Bolbometopon muricatum) era tão grande que pude até tocá-lo. Na volta, fui comprar o bilhete da balsa a Havelock, vendido só no mesmo dia e de forma presencial, tudo para dificultar sua vida. Almocei o prato típico indiano thali (180 rúpias) e peguei a balsa. Em Havelock, pensei em andar apenas de ônibus, mas a frequência é tão baixa (1 a 1:30h cada) que decidi alugar uma scooter (500 rúpias a diária) pela segunda vez na vida. Meio cambaleando, fui até o Emerald Gecko, hospedagem na praia nº5 onde eu fiquei. Paguei 1600 rúpias numa cabana rústica de frente pra praia. Aqui finalmente tive contato com vários estrangeiros, todos europeus. Saí para dar uma corrida na praia, de maré baixa durante o pôr do sol. Só que essa praia não é boa pra nadar. Jantei no restaurante da própria acomodação, um pouco mais caro do que estava pagando. Então fiquei com uma pizza de frutos do mar (300 rúpias). Para variar, a internet não estava funcionando, então depois de um papo fui dormir, em mais um colchão finíssimo padrão Andamã. Dia 10 Tive que esperar o café da manhã incluído pra depois pegar a estrada. Dirigi até o começo da trilha para a praia Elephant, assim nomeada devido aos bichões acorrentados na praia para satisfazer a vontade de turistas que querem passear neles. Só que não foi dessa vez que a conheci, pois ela estava fechada devido a um óbito no dia anterior! Assim sendo, continuei na estrada até a praia Radhanagar. Seguindo a dica de um indiano, parei em frente ao Hotel Taj, onde ficaria um belo ponto de mergulho. Com o tempo fechado, não havia ninguém na praia quando cheguei pelas 8 e meia. Caí na água calma e clara, sobre um fundo exclusivamente arenoso. Nadei mais de 200 metros, sem ver nada. Eis que quando pensava em mudar a localização, comecei a vislumbrar uma maravilha atrás da outra. Cansei de ir atrás de arraias, de contar quantos cardumes e corais enormes diferentes apareciam, assim como polvos e muitas outras criaturas. No final, ainda tive o prazer de ver algumas tartarugas-marinhas e de sofrer comensalismo por uma rêmora! No total, fiquei nadando por 3 horas! Parei na entrada principal da praia, cheia de indianos, para almoçar num dos diversos restaurantes. Fiquei com um “thali” de camarão a conta gotas, por 300 rúpias. Depois, caminhei pela praia no sentido contrário ao anterior, encontrando nesse caminho separadamente os dois casais que eu havia conhecido nessa ilha. Ê mundo pequeno. Com a chuva, a pista estreita ficou um sabão só. Voltei devagar pra não deslizar na moto como um cara que estava à minha frente. Guiei até Kalapathar, a praia mais ao sul acessível por estrada. Legal ela, mas nada de excepcional. Regressei e parei no restaurante Golden Spoon, para comer um prato de peixe e usar a internet. Depois disso, voltei a minha hospedagem. Dia 11 Um bando de infelizes começou a bater panela pelas 5 e pouco. Dormi mais uma hora, tomei o café e segui pro início da trilha da praia Elephant - que ainda estava fechada… Só me restou voltar ao ponto de mergulho do dia anterior. Só que dessa vez não vi nada de novo, além de estar me borrando de medo, agora que eu estava ciente que ali é território do maior crocodilo do mundo. Almocei em Vijay Nagar, no restaurante vegetariano Biswas. Pedi um “paneer butter masala” por 200 rúpias. “Paneer” é o tradicional queijo coalho indiano, enquanto que “masala” é uma mistura de temperos. Depois, devolvi a moto e fiquei matando tempo até a saída do barco para Port Blair. Acabei embarcando no navio errado, e só me dei conta quando ele tinha partido - ainda bem que o destino de ambos era o mesmo. Só que esse estava infestado de baratas. Ao desembarcar já era noite, então só me restou ir pro hotel Sunnyvale, pedir uma janta a tele-entrega, lavar minhas coisas e dormir. Exceto pela barata no banheiro, foi a melhor suíte até então. Dia 12 Café da manhã, seguido pelo voo da IndiGo a Chennai. O voo atrasou, então pude conferir todas as atrações do aeroporto: banheiro, bebedouro, caixa eletrônico, lanchonetes e 3 checagens de segurança obrigatórias. Fazia um inferno de 36 graus quando aterrissei. Do alto e pelas ruas se vê que o forte aqui é a arquitetura. Além de muitos prédios em estilo colonial britânico, as moradias são coloridas com diferentes cores, e há uma infinidade de templos de hinduísmo. Mas também se vê muita sujeira e pobreza no meio. Peguei o metrô até a estação central (50 rúpias). Já na estação de trem, provei o suco de um fruto novo pra mim, o marrom arredondado sapoti. Depois, embarquei no trem (5 rúpias!) para o famoso templo hinduísta Kapaleeswarar, cultuado a Shiva. Não se paga nada pra entrar, mas além de uma torre cheia de ídolos do hinduísmo, não há mais muito o que ver. Na saída do templo, um motorista me abordou com o intuito do famoso golpe do tour barato de tuk-tuk, conhecido em Bangkok. Aceitei a carona de 100 rúpias que me levou primeiro à Basílica de São Tomé, uma das 3 únicas no mundo erguidas sobre a tumba de um dos apóstolos de Jesus. Depois ele me levou a duas lojas caríssimas onde ele ganharia combustível grátis por me levar. Obviamente eu não comprei nada. Por fim, me deixou na Marina Beach, a maior e mais movimentada de Chennai, onde eu caminhei um pouco e tomei um caldo de cana (20 rúpias) naquele final de tarde. A seguir, tomei outro trem e tuk-tuk para chegar ao albergue Elliot's 11 Beach. Um leito no dormitório coletivo me custou 610 rúpias incluindo café da manhã. Dei uma volta na rua cheia que leva à praia. Curiosamente, estava ocorrendo uma missa católica em tâmil (idioma do estado) a céu aberto. Parei para jantar num restaurante barato, Classy - de classe não tinha nada. Provei o tal de frango “tandoori”, assado, marinado, apimentado e avermelhado (160 rúpias). Caminhada noturna breve no calçadão da praia. Ali me desfiz dos meus chinelos que não tinham mais conserto e comprei um par por 150 rúpias. Depois fui pro albergue relaxar. Dia 13 Acordei pro café e o recepcionista estava vestindo uma camiseta de Floripa! Dá pra acreditar que o indiano já morou em minha terra, e adorou? Uber até o terminal, e lá próximo peguei o ônibus #588 até Mamallapuram (43 rúpias), onde fica o conjunto monumental de Mahabalipuram, que é um Patrimônio da Humanidade. Aqui eu finalmente vi turistas estrangeiros. Me esquivei dos guias e vendedores e entrei no complexo, sob um sol de rachar. São diversos monumentos com motivos hinduístas entalhados em granito, como baixos relevos, cavernas, mirantes e templos. Almocei no Moonrakers uma porção de lulas fritas (350 rúpias) e um camarão-tigre (300 rúpias) que foi desnecessário, como eu já estava satisfeito. Saí de lá explodindo - e acho que foi esse almoço que me deixou mal depois. Caminhei até os dois templos pagos, sob um único bilhete de 600 rúpias. O que fica na praia se chama Shore Temple, enquanto o outro é o Five Rathas. Ambos interessantes. Prossegui pelo Sea Shell Museum, uma coleção de 40 mil conchas! Há de diversas espécies, formas, tamanhos e cores de várias partes do mundo. Pelo ingresso que combina uma seção especial das pérolas e outra com aquários (alguns pequenos demais pros peixes que os habitam), paguei 150. Continuando, vi o restante das ruínas na colina cheia de rochas do conjunto central de Mahabalipuram. Cansado, retornei de ônibus no final da tarde. Tomei um milk shake premium no Shakos e me retirei ao albergue. Dia 14 Já estava me acostumando com o tumulto na Índia, mas se tem uma coisa que me tira do sério é a falta de educação deles, tanto a respeito de jogarem lixo no chão e na água, dirigirem como loucos, atravessando em qualquer lugar e buzinando o tempo todo, e também furarem filas descaradamente. Voos de turbo-hélice da SpiceJet a Kochi e de lá a Malé, capital do arquipélago das Maldivas. Estavam me negando o embarque internacional porque eu não tinha como mostrar as reservas dos hotéis de cada dia que eu ficasse nas Maldivas. Só fui salvo porque um funcionário compartilhou sua conexão, já que meu chip estava sem sinal. Imigração tranquila, troquei a grana na parte de fora do aeroporto (15 rufias por dólar), bati um rango superfaturado e peguei o ônibus (10 rufias) que passa pela nova ponte que liga à ilha de Malé. Do ponto final, caminhei meio km até o terminal de balsas de Villingili, onde comprei meu bilhete pra Rasdhoo (53 rufias). De lá, caminhei mais meio km até a hospedagem Nap Corner. Paguei 28 dólares para dormir numa cápsula tecnológica futurista! Como estava me sentindo meio enjoado, não saí mais. Dia 15 Às 9h encontrei meu amigo Vinícius no terminal de balsas. Junto com outros poucos gringos, pegamos a barulhenta até Rasdhoo. Como leva 3 horas e ela foi quase vazia (assim como as seguintes), tiramos um cochilo no caminho até o atol. Fomos recebidos por um representante do Ras Village, hotel onde ficamos. Logo saímos para almoçar no Coffee Ole. Pedimos miojo de frango (fried chicken noodles), o prato mais em conta (55 rufias). À tarde, mergulhamos na praia ao sul da ilhota, destinada aos turistas. Só ali é permitido usar roupa de praia, já que Maldivas é um país islâmico e Rasdhoo é habitada. Com a maré baixa, tivemos certa dificuldade em atravessar o recife interno muito raso, até chegar ao externo, onde a beleza se fez presente. Não tanto pelos corais, pois eles estavam um tanto descoloridos, mas os peixes que os cercavam eram abundantes. Além de grandes cardumes, vimos alguns tubarões-de-ponta-negra-do-recife, uma arraia-chita, uma lula, dois peixes-leão e mais uns extras. Deixamos a água quase 3 horas depois, quando o sol já se punha. Uma pena que, saindo do lado oposto, descobrimos um depósito de lixo que termina no mar, bem desagradável. Vimos o belo pôr do sol no Oceano Índico. Depois, caímos na água novamente pra um mergulho noturno, coisa que nunca havia feito antes. Com lanternas à prova d'água, mergulhamos na escuridão completa. Dá um certo medo, pois é nessa hora que os tubarões saem pra caçar - e nós vimos vários deles! Para completar, também avistamos uma tartaruga e uma sépia, que evadiu com um poderoso jato de tinta. Os lírios do mar também ficam mais bonitos à noite, pois se abrem totalmente para captar os nutrientes. Uma das vantagens de se mergulhar à noite é que, letárgicos pelo sono ou ofuscados pela lanterna, os peixes te deixam chegar bem mais próximo que durante o dia. Curti a experiência. Finalmente, jantamos no mesmo lugar, que tocava umas músicas de reggaeton animadas. Mas nada de álcool, já que fora das ilhas privadas dos resorts é proibido. Dia 16 Após café da manhã razoável, meu amigo foi fazer um passeio de 30 dólares para um banco de areia próximo, enquanto eu fui nadar até o recife Giri, mais afastado do que do dia anterior. O caminho até lá são 300 metros de profundidade inalcançável. De novo, vi os tubarões-de-ponta-branca-do-recife. Também avistei um cardume de peixes-anjo. Almoçamos em outro restaurante, o Lemon Drop. O cardápio é parecido com o anterior, sendo alguns itens mais caros e outros mais baratos. Aqui não tem som, mas há um terraço pra compensar. À tarde, praticamos mais snorkeling ao redor do lado sudoeste de Rasdhoo. Uma arraia diferente, alguns tubarões, cardumes e um peixe-leão no raso foi o que vimos. De vez em quando se misturavam correntes extremamente quentes com as um pouco frias, gerando turbulência na visibilidade. Após, assistimos o pôr do sol, com peixes saltando e morcegos sobrevoando a área. Depois da janta, meu mal estar provavelmente adquirido na Índia revelou-se uma diarreia. Duas semanas de comidas típicas super condimentadas e pouco higiênicas não tiveram um bom resultado. Ainda bem que não durou mais de um dia, talvez devido às leveduras (Floratil) que tomei. Dia 17 Na manhã seguinte, tomamos a balsa de uma hora de duração para a ilha de Ukulhas (22 rufias). Ukulhas é mais limpa e sua praia tem uma areia tão branca que ofusca a vista e o mar tão claro que a visibilidade atinge dezenas de metros! Logo ao cairmos na água, percebemos o quanto esse lugar é especial. O recife externo, junto com o da ilha seguinte, é o melhor que presenciei nessa viagem. Cardumes variados, corais em melhor estado, tubarões, arraia e 3 tartarugas dóceis, das espécies de pente e verde. Nem se preocuparam conosco enquanto comiam as algas dos recifes. Mas como já estava com o sol a pino, fomos nos abrigar. Almoçamos na hospedagem em que dormiríamos, a Olhumati View Inn (55 dólares), com a suíte mais bacana. Para comer, escolhi um espaguete com peixe em estilo das Maldivas (6 dólares) e um suco natural de maracujá (2 dólares). Tirei umas fotos da praia enquanto o Vinícius dormia. Às 3h, mergulhamos uma vez mais, pelo resto da extensão do recife externo da ilha. Os corais na direção noroeste estão em melhor estado. Cansamos de ver tartarugas por lá. Trinta-réis pescavam os infinitos peixinhos que abundam. De espécies novas, vimos uma ou outra. Pena que o lado menos frequentado por turistas tenha sua parcela de lixo. Depois do pôr do sol, partimos pro terceiro snorkeling do dia, ou melhor, já era noite. Só que dessa vez foi curto, pois minha lanterna entrou em colapso, então ficamos usando só a do meu amigo. O mais interessante que vimos foram diversos tipos de plâncton. Quando desligamos as luzes, descobrimos que eram aqueles tais bioluminescentes, que brilhavam ao nosso toque! Um tempo depois, fomos jantar no SeaLaVie, restaurante um pouco menos em conta, mas com um som legal. Pagamos 8 dólares cada num prato razoável. Dia 18 Após o café de panquecas e suco, seguimos ao último mergulho nessa ilha. Na tentativa de vermos as gigantescas arraias-jamanta, voltamos ao ponto da manhã anterior. Não conseguimos, mas em compensação, vimos o dócil tubarão-enfermeiro-fulvo tirando um cochilo sob um recife. Escolhi um prato da comida típica “kotthu roshi” (6 dólares) de almoço, feito com pedaços de chapati. Em seguida, por 22 rufias, subimos na balsa até Rasdhoo e até Thoddoo, a ilha final. Essa é caracterizada por produzir a maior parte dos vegetais do país, principalmente mamão. Só a faixa central é ocupada pela área urbana. Fomos caminhando à praia do pôr do sol, para em meio a muitos turistas russos, observar o fenômeno. No caminho vimos as plantações e alguns dos animais nativos, como os morcegos gigantes, os lagartinhos coloridos e as aves terrestres. Há uma mesquita no centro que fica bonita iluminada à noite. Jantamos próximo a ela, no Maracuya. Mas não recomendo, pois os preços não são os melhores, não há música, a iluminação é fraca e eles ainda tentaram nos passar a perna na hora de pagar a conta. Antes de voltarmos ao hotel, demos uma volta para tirar fotos. Dormimos no Amazing View Guesthouse, um nível abaixo dos outros. Mas ao menos também conta com wi-fi e ar condicionado. Dia 19 Tomamos o café da manhã e saímos a mergulhar na praia do nascer do sol. Em Thoddoo o recife externo é mais distante, então é preciso nadar um pouco mais para atingi-lo. Mas vale a pena, pois os corais aqui são os melhores que vimos nas Maldivas. Começando por um pequeno nudibrânquio, atravessamos cardumes enormes de peixes-papagaio, um polvo, um grupo de arraias-chita, além do que já havíamos visto antes. Não tivemos sorte em encontrar um lugar aberto pra almoçar. Depois de uma bela pernada, é que sacamos que era sexta-feira, o dia sagrado do islã, então os restaurantes só abririam depois das 13:30h. Ficamos pelo Coffee Moon, onde nos deixaram assistindo TV trancados no restaurante, enquanto os atendentes iam rezar. Na hora marcada, pedimos o rango, aqui mais barato. Cinquenta mangos por um pratão de miojo com frango e a partir de 20 pelo suco natural. Só que não tenha pressa, porque aqui o negócio é meio devagar. À tarde, largamos do mesmo ponto inicial, mas seguimos mergulhando no sentido inverso. Só que não foi proveitoso, pois já fomos um tanto tarde e um temporal estragou o mar. Para compensar, vimos o melhor pôr do sol. Surgindo entre as nuvens, o círculo desceu até ser absorvido pelo mar. Jantamos no restaurante e café Seli Poeli, bem próximo da hospedagem. Com luzinhas de natal, toca um som legal, mas os preços não são tão bons - apesar de não cobrarem os impostos que chegam a 16% (e você só sabe se são cobrados na hora que vai pagar a conta). Dia 20 Ficamos boiando na linda praia pela manhã. Para o almoço, escolhemos outro restaurante, o Mint Garden. O ambiente é agradável e os preços também, mas (sempre tem um mas) os peixes que pedimos levaram mais de uma hora para ficarem prontos! À tarde, fizemos o último mergulho. Contando os que fiz nas Ilhas Andamã, totalizei 16 mergulhos! Dessa vez, fomos ao lado oeste de Thoddoo. Tivemos que nadar por quase meia hora para chegar ao fim do recife externo. Nesse caminho, vimos coisas novas, como camarões, outras espécies de arraias, além de espécies incomuns, como moreias marrons e poliquetas. Foi bem proveitoso, mas teve que se encerrar com o sol se pondo. À noite, voltamos ao Seli Poeli pra rangar. Depois, finalmente encontramos a loja de souvenir Ufaa aberta, já que os horários são meio bizarros nessas ilhas - essa fica disponível só das 20 às 21:30h! Dia 21 Acordamos bem cedo pra pegar a balsa das 6 e meia para Rasdhoo. A hospedagem nos fez a gentileza de adiantar o café da manhã e nos conseguir uma carona até o porto. Tivemos que aguardar umas horas até a seguinte de volta a Malé. Ficamos no café e restaurante Palm Shadow. Ao chegar à capital, almoçamos na praça de alimentação que fica bem em frente ao terminal de balsas. Em seguida, pegamos um ônibus até o aeroporto (10 rufias) e outro até Hulhumalé (20 rufias). Para pegar um ônibus direto custaria 20 pelo cartão não retornável + 20 pelo transporte (e não poderia levar bagagem). Hulhumalé é uma ilha mais nova onde mora a população de Malé - há inúmeros blocos de condomínio padrão. Demos uma volta por lá, incluindo o parque central, mas não vimos nada de tão interessante para turistas. Antes de ir para o hotel, tomamos um suco no Juice Corner (a partir de 20 rufias) e uns salgados. Nos hospedamos no Loona Hotel, em frente à praia urbana. Pagamos 50 dólares por um quarto com café e ficamos vendo TV. Tomamos o pequeno-almoço na correria e dividimos um táxi (100 rufias) com um indiano até o aeroporto. Vinícius trocou suas rufias restantes na mesma cotação da compra (15 por dólar). Voamos com a IndiGo até Bangalore, onde tivemos que aguardar mais umas tantas horas para o voo consequente de AirAsia a Jaipur. De volta à burrocracia indiana. Mesmo com o visto dentro do prazo de validade, vou precisar pedir um novo pra minha terceira entrada na Índia, ainda que seja pra ficar menos de 1 dia e não sair do aeroporto. Outra coisa, em Bangalore (e possivelmente nos demais aeroportos) não é possível sair depois que entrar nele, mesmo sendo no saguão do check-in. Meia hora, muita desinformação e uma permissão especial depois, conseguimos nos ver livres; caso contrário, passaríamos fome, já que havia onde almoçar lá dentro… Depois desse rolo, almoçamos na praça que fica bem na saída da área coberta do aeroporto. Escolhemos o Wok Shop Para a refeição principal e o Frozen Bottle para a sobremesa (249 rúpias por meio litro de milk shake). Depois de certa turbulência, descemos em Jaipur já com a noite surgindo. Seguimos diretamente ao albergue Jaipur Jantar Hostel de Uber por 190 rúpias, devido ao trânsito. No Uber daqui há opção até de moto ou tuk-tuk. No caminho, vi o quarto acidente de moto na Índia em 10 dias. O albergue é bacana, num prédio de arquitetura interessante. Largamos a mochila no guarda-volume do dormitório com triliches e fomos diretamente ao restaurante da hospedagem comer um prato variado de “thali”. Dia 22 Por 250 contos comemos e bebemos à vontade no café da manhã; valeu a pena. Depois, seguimos de Uber (190 rúpias) ao Forte de Amber, nas colinas áridas ao norte da cidade. A entrada individual para estrangeiro adulto é de 500 rúpias, mas escolhemos o ingresso combinado de 1000 para incluir outras atrações. É um baita complexo palaciano, cercado de muralhas longínquas que mais parecem as da China. No interior, pátios, mirantes e cômodos. Altamente turístico. Ao retornar de tuk-tuk, seguimos ao Museu Albert Hall. É um prédio de 2 andares em estilo indo-sarraceno, com arte indiana nas mais variadas formas, como estátuas, pinturas, moedas e armas. Almoçamos num lugar meio caído, o restaurante Ganesh, já dentro dos portões da rosada cidade velha. Pedi um “paneer butter masala” (190 rúpias) e um “onion naan” (95 rúpias). Continuando, caminhamos no sol infernal até o palácio Hawa Mahal. Famoso por sua fachada, também é permitida a visita em seu edifício de 5 andares. Em sequência, Jantar Mantar. Patrimônio da UNESCO, é uma série de instrumentos astronômicos antigos e grandes, incluindo o maior relógio de sol do mundo. Às 18h, na avenida do portão Tripoli, começou o desfile do Festival Gangaur, que tivemos sorte em presenciar com vista panorâmica da laje de uma loja. O desfile religioso foi composto por pessoas fantasiadas tocando instrumentos e dançando, bem como animais, incluindo um elefante. No caminho de volta, tomei na rua o caldo de cana mais barato do universo (10 rúpias, ou seja, 55 centavos de real!). À noite, jantei e fiquei conhecendo gente no albergue. Dia 23 Nos levantamos tranquilamente para pegar o trem das 11h. Compramos os bilhetes (75 rúpias cada) alguns minutos antes na confusa estação, e nos empurramos pra dentro do vagão do Ranthambore Express na hora em que ele chegou. Cerca de duas horas depois, descemos em Sawai Madhopur. Pegamos um tuk-tuk (150 rúpias) até a C. L. Saini Guesthouse, mas acabamos sendo despachados pra outra hospedagem, a Paridhi Niwas. Neste lugar, ficamos num quarto sem ar condicionado e com internet intermitente. Almoçamos lá mesmo, o melhor “thali” da viagem, por 250 rúpias. Depois, fomos conhecer o Forte de Ranthambore, que fica dentro do Parque Nacional Ranthambore, onde faríamos safáris no dia posterior. Pelo transporte até o forte, com a espera, tivemos que desembolsar mil rúpias. Só havia indianos lá, além de muitos macacos do tipo langur. Passamos mais tempo os fotografando do que as ruínas do forte em si, que em conjunto com os demais do estado de Rajastão, formam um Patrimônio da Humanidade. À noite fomos dormir cedo, pois teríamos que estar de pé às 5h da madruga! Dia 24 Apesar da reserva paga pela na internet (~1800 rúpias) afirmar a necessidade de se obter o bilhete no escritório do parque na noite anterior, ele fica fechado, então às 5 e meia já estávamos lá, os únicos estrangeiros entre várias dezenas de guias e motoristas, pois os turistas pagam pros hotéis fazerem essa função. Com mais 4 belgas de meia idade, fomos de jipe até a zona 10 do parque, bem distante. O caminho até lá exige uma máscara contra poeira. O ambiente é semidecidual, com morros e matas baixas, bastante seco nessa época. Vimos diversos langures, veados-sambar, veados-manchados, antílopes-azuis e aves, como pavões (nativos da Índia), no trajeto irregular. Estávamos chegando ao fim do safári de 3 horas e meia, quando atingimos o objetivo máximo, um tigre! Mais precisamente uma tigresa de 2 anos, estava deitada pegando um solzinho ardente. No máximo ela deu umas lambidas e fez umas caretas, mas mesmo assim foi muito legal ver. Almoçamos no próprio hotel mais um gostoso “thali”. A única coisa que não conseguimos comer/beber é a amarga coalhada. À tarde, mais um safári, das 3 às 6 e meia, desta vez na zona 4, mas em um veículo de 20 lugares. Essa zona possui paisagens mais belas que a outra. Quanto aos animais, vimos tanto quanto antes e até mais: chacais, outras aves, crocodilos. E no finzinho já com o sol se pondo, outra tigresa! Jantamos em nosso hotel. Depois, ficamos assistindo vídeo-clipes na MTV indiana até dormir. Dia 25 Café da manhã meio esquisito. Depois, seguimos à estação de trem. Para variar, só conseguimos comprar pra segunda classe (a pior), por 100 rúpias para um trecho de 4 horas e meia até Agra Fort. Como os compartimentos dessa classe estavam entupidos, seguimos caminhando em direção aos vagões posteriores, que são melhores. Passamos por vários com camas e ar condicionado, todas lotadas, até que chegamos à classe superior dos assentos, também sem uma vaga sequer. Como resultado, só nos restou ficar no limbo, no espaço apertado e fedido do banheiro entre vagões, numa mistura de ar quente de fora e frio de dentro. No fim, apareceu um fiscal querendo nos cobrar a diferença dos bilhetes, como se estivéssemos na classe 3AC, que custava 815 rúpias a mais cada! O cara não falava muito inglês, então foi bem difícil argumentar com ele. O melhor que conseguimos foi pagar metade desse valor cada, já que não estávamos em assentos adequados… Ao chegar em Agra, combinamos com um tuk-tuk para nos transportar até a hospedagem e de lá até o forte, depois ver o pôr do Taj Mahal e retornar, por 700 rúpias. O Forte de Agra, patrimônio UNESCO do século 16, ocupa uma área grande, só que há poucas construções no interior, pois os britânicos as destruíram. Mesmo assim, os detalhes e o tamanho da obra de arenito vermelho são impressionantes. Entrada de 600 rúpias. Alguns sikh pediram pra tirar foto, então aproveitei para aprender um pouco sobre essa religião. Para o pôr do sol, ficamos num jardim bem atrás do Taj Mahal, mas do outro lado do rio que corta a cidade. Há que se pagar 300 rúpias para essa vista, mas se você gosta de amoras e vier nessa época, dá pra recuperar a grana catando as infinitas frutas que estão nos pés do jardim. Jantamos no Bob Marley Café. É tão autêntico que, além da decoração e das músicas, a bebida deles vem aditivada com aquele ingrediente que vocês devem estar pensando. O Special Bob Marley Lassi ("lassi" é um tipo de iogurte indiano) custou 180 rúpias. Umas duas horas depois, começamos a sentir os efeitos da bebida. Foi uma comédia só. Dormimos no Yoga Guesthouse, só no ventilador e cercado de mosquitos, por 350 rúpias cada. O ambiente não é tão limpo, mas a pessoa que cuida não poderia ser mais solícita, visto que até levou os tênis do meu amigo para costurar sem cobrar. Dia 26 Taj Mahal pela manhã. Quanto mais cedo melhor, mas não fomos tanto. Pra chegar lá, só caminhando ou de riquixá. A entrada pra estrangeiros é abusiva: 1300 rúpias. Dentro, plantas, águas, mesquita, muita gente e o imponente mausoléu de mármore com a tumba da mulher preferida que foi presenteada pelo rei mugal. Na saída, compramos um souvenir, tomamos o café da manhã e corremos pro ônibus refrigerado da Ashok Travels, que nos levaria a Délhi por 400 rúpias cada. Três horas depois, desembarcamos na estação de metrô Akshardham, onde fica o maior templo hindu do país. Almoçamos umas misturas boas num restaurante da estação, seguindo então para a do albergue [email protected], por 30 rúpias. Deixamos as coisas lá, e como já era tarde e as atrações estavam fechadas, fomos às compras. Primeiro descemos no shopping Moments Mall, entrando no hipermercado More Mega Store. Lá eu pude comprar barras de proteína pro trekking no Nepal e o meu amigo alimentos típicos indianos (como a "chana") pra levar pro Brasil. Em seguida, o shopping Pacific Mall, para acessar a Decathlon (onde comprei meu calçado pra trilha) e jantar na praça de alimentação. Ao retornar pra dormir no quarto coletivo refrigerado de 635 rúpias cada, tive a maior ré da viagem. Meu voo para o Nepal com a porcaria da Jet Airways havia sido cancelado há alguns dias (falência da companhia) e eu nem tinha sido notificado! Para piorar, todos os voos de outras cias para os dias seguintes estavam absurdamente caros e não havia vaga nos ônibus que levam mais de um dia pra chegar! Acabei tendo que pagar uma fortuna no voo da IndiGo, caso contrário meu trekking no Everest ficaria comprometido... Dia 27 Havia levado minhas roupas na noite anterior pra lavanderia, ao custo de 30 rúpias por peça. Quase que fiquei sem elas, pois ficaram prontas no momento em que eu estava saindo, ainda que a lavagem tenha sido bem mal-feita. Para ir ao aeroporto eu fui de metrô, na linha expressa que custa 50. Na hora do check-in, conheci dois brasileiros (Lucas e Amanda) que fariam o mesmo trajeto que eu no Everest. Ao chegar em Catmandu, preenchi o formulário eletrônico, paguei o visto para um mês (40 dólares), passei a imigração e fiz o câmbio na cotação de 1 dólar pra 107 rúpias nepalesas. Estava chovendo ao deixar o terminal, mas isso não impediu que eu viesse caminhando até o hotel Sunaulo Inn, onde fiquei num quarto meia-boca por 1200 rúpias (doravante nepalesas). Jantei no próprio lugar, escolhendo um "biryani" de ovo por 280 rúpias. Apesar de ser mais barato que a Índia, cobraram sobre esse valor 23% de taxas! Depois das últimas pesquisas na internet, arrumei o mochilão pro dia seguinte e fui dormir cedo. Dia 28 Fui empolgado ao aeroporto, só pra descobrir que meu voo não sairia tão cedo. Cheguei às 9h e esperei… esperei… esperei, até que às 17h finalmente os voos para Lukla foram cancelados pelo tempo adverso e por um acidente fatal no dia anterior! Um dia inteiro perdido coçando o saco no saguão… Ao menos no final do dia consegui conhecer o complexo do templo hinduísta de Pashupatinath (mil rúpias). A arquitetura é interessante, com várias estupas e teto dourado. Ao longo de um rio, aqui ocorrem rituais de cremação como em Varanasi, na Índia. Tive sorte de presenciar uma dessas cremações, que começam com a cobertura do defunto com flores e o som de uma banda ao vivo. Em seguida, cobre-se de madeira e material inflamável e acende-se uma fogueira, que transforma o corpo em cinzas, que vão parar no rio. Meio macabro. Jantei um "chowmein" de frango, que é um macarrão chinês (250 rúpias), e repousei no mesmo hotel sujinho da noite anterior. Dia 29 Achei que não iria de novo, mas depois de 3 horas de tráfego aéreo (pra desafogar os atrasos dos dias anteriores), nos enviaram pro aviãozinho que recém havia pousado. E pensar que eu quase troquei por um caro helicóptero, como alguns dos turistas fizeram. Logo estávamos no ar, chacoalhando entre montanhas e terraços agrícolas. Pousamos uns 45 minutos depois, na pista minúscula e assustadora do aeroporto de Lukla. Dali já se vê um monte nevado. Comecei a caminhada às 13:40h pela cidade de Lukla a 2900 metros de altitude, onde se pode obter o que lhe faltou, como o dinheiro, que consegui sacar (ao contrário do aeroporto de Katmandu). Paguei as 2 mil rúpias pra entrar no parque rural de Khumbu, primeira etapa da trilha para o acampamento base do Everest. No começo, há muitos vilarejos, muitos turistas e carregadores (sherpas). E descidas, ao contrário do que se imagina. Essa região segue o budismo tibetano, então há muitos monumentos, como estupas, rochas com mantras e rodas "mani", além de alguns monastérios. Parei após duas horas, na metade do caminho que faria no dia, para pegar água duma bica e descansar por uns 10 minutos. Depois, foi só subida e descida. Suei um bocado. Algumas pontes pênseis cruzam um rio glacial turquesa lindo. Uma dessas, fica em Phakding, vilarejo badalado onde repousaram os demais trilheiros que largaram comigo. Eu prossegui até Monjo, onde cheguei no final da tarde, 4 horas depois do começo, e um tanto cansado. Fiquei com um quarto com banheiro, chuveiro quente e wi-fi por 500 rúpias, no Monjo Guesthouse. Estava vazio, então só encontrei um senhor francês pra conversar, enquanto esperava a janta vegetariana de "dal bhat", o prato mais típico nepalês, que consiste em arroz, lentilha, curry de vegetais aleatórios e um pedaço de algo salgado. É muito bem-servido, pois se pode repetir (500 rúpias). Após, continuei na sala comum com calefação, ouvindo músicas nepalesas e tomando "raksi", uma bebida alcoólica caseira de arroz e maçã, que o pessoal da pousada me ofereceu. Dia 30 Dormi relativamente bem. Comi uma barra de proteína e parti. Logo fica a entrada do Parque Nacional Sagarmatha. Mais 3 mil rúpias de pagamento. Depois de uma breve descida em Jorsalle, cercada por florestas de coníferas e cachoeiras, começa uma subida violenta até Namche Bazaar. Não há nenhum vilarejo no caminho. Quase 3 horas mais tarde, cheguei cansado da ascensão de 600 metros. Ao menos o tempo até então estava bom, tanto que eu ainda usava roupa de corrida - exceto pelo calçado. Namche Bazaar é a última cidade da trilha. No seu semicírculo de construções cravadas na montanha, há uma infinidade de hospedagens, restaurantes e lojas, onde se encontra de tudo para compra, a um certo preço. Entrei em 3 pousadas até encontrar uma que não estivesse cheia ou que cobrasse até para respirar. Fiquei na Pumori Guesthouse, por 500 rúpias, com banheiro compartilhado, recarga de aparelhos gratuita, bem como a internet. Só o banho é cobrado, mas nesse dia tomei na pia mesmo. Almocei ali uma pizza broto de cogumelo (550 dinheiros) e saí pra reconhecer a área. Só foi eu botar o pé pra fora que começou a chover e não parou mais. Rolou um fenômeno climático incomum também, uma precipitação monstruosa de granizo com neve! Enquanto isso, passei um tempo no bar The Hungry Yak, onde são transmitidos documentários sobre a montanha. Assisti a impressionante primeira ascensão do Everest, no filme "The Wildest Dream". Enquanto isso, tomei uma Nepal Ice, cerveja forte nepalesa, mas que chega aqui num preço salgado: 600 rúpias pelo latão de meio litro. Em seguida, passei por quase todas ruas, pelo Monastério Gomba, e, já escuro, voltei pra hospedagem para jantar. Ao comer meu bife de iaque (750 com acompanhamentos), gostoso mas meio fibroso, conheci um russo que quase chegou ao final da trilha com duas crianças de 8 e 6 anos! Fui dormir sob temperatura negativa, o que se repetiria até o retorno a Namche. Dia 31 Comi um omelete com pão tibetano (sem graça) e parti pra rua, para aproveitar o lindo dia ensolarado que fazia. Para ajudar na aclimatação, subi a íngreme rota que leva ao mirante do Monte Everest, mais de 400 metros acima de Namche. Lá em cima, coincidentemente, encontrei um grupo de trilheiros de Floripa, que estavam sendo guiados por nada menos que Waldemar Niclevicz, o maior montanhista brasileiro! Fiquei um tempo apreciando a vista do vale de Khumbu, por onde eu vim e para onde irei. Também estavam visíveis alguns dos picos mais elevados, como Ama Dablam e Lhotse. Infelizmente o Everest estava coberto por nuvens constantes. A temperatura não estava tão baixa, mas o vento estava de matar, então tive que descer. Visitei o Sherpa Cultural Museum & Mount Everest Documentation Center (250 rúpias). Há um modelo de residência Sherpa com seus utensílios típicos. Também há uma galeria com fotos, equipamentos e jornais a respeito das expedições ao Everest e sobre o povo das montanhas. Almocei lá mesmo um "dal bhat" (600 rúpias). A seguir, conheci o gratuito centro de visitantes do Parque Nacional Sagarmatha, onde fica essa trilha que estou seguindo. No centro há diversas informações a respeito do meio ambiente do parque. No final da tarde, fui em outro bar (Everest Burger & Steakhouse) para assistir outro filme, dessa vez "Everest". Também aproveitei pra provar outro prato típico, o "thukpa", que é uma sopa de macarrão com vegetais (450 rúpias). Jantei "momos" (bolinhos de massa fritos ou cozidos com recheio de vegetais ou carne em formato de meia-lua) em minha acomodação, agora cheia de chineses. Tomei um banho quente (400 rúpias), carreguei meus eletrônicos e fui dormir. Dia 32 Noite boa de sono, sinal da aclimatação funcionando. Café da manhã pago básico. Me livrei de 1 kg de roupa que não usaria adiante, deixando na hospedagem para pegar na volta. Às 9 e meia, comecei a leve subida e o contorno plano do vale de Khumbu, com vista pro Everest, Lhotse e picos vizinhos. Até aí tudo bem, mas quando o caminho desceu num bosque até a altura do rio no povoado de Phunki Thanga, começou uma subida chata de 550 metros em 2,4 km até Tengboche, onde pernoitei. Do final da subida, dá para ver uma morena, que são os detritos deixados por uma geleira que retrocedeu pelo aquecimento global. Já no topo, fica o pequeno povoado, centrado em um monastério interessante, que visitei. Lá reencontrei o grupo de Floripa, e troquei umas ideias com o Waldemar Niclevicz, um cara bem simpático e inspirador. Passei por 3 hospedagens até achar uma boa opção, pois a mais popular estava lotada, a que conta com uma padaria queria cobrar 1000 rúpias, mas a "teahouse" Tashi Delek cobrou 500 e até que era bacana. Para a internet, eu comprei um tal de Everest Link (2500 rúpias), que lhe dá direito a 10 GB em todas as hospedagens do caminho - e daqui pra frente o sinal do celular não pega. Dei um rolê pra passar o dia durante uma leve nevasca, e no final da tarde quando iria jantar em minha acomodação, encontrei um trio de brasileiros (Danniel, Samir e Felipe) descendo a montanha. Passei o resto do dia conversando com eles. Dia 33 Tomei o café junto, e logo nos despedimos, seguindo para lados diferentes. Às 9 e meia, desci um pouco dos 3860 metros até os povoados seguintes, ao redor do rio glacial Imja Khola. Fazia um baita frio, e às vezes o vento castigava. Botei um pano na cara para resolver essa questão. Ao passar Pangboche, que possui o monastério mais antigo da região, comi uma barra de proteína e recarreguei de água em Shomare, o vilarejo onde a maioria dos grupos almoçava. Com a diminuição de oxigênio disponível, meu ritmo de caminhada também decaiu. Outra coisa que decaiu foram as árvores. Ao passar dos 4 mil metros de altitude, só restaram arbustos. Passei por alguns campos só com plantas herbáceas e arbustivas até a bifurcação Pheriche-Dingboche, bem em frente aos restos de rochas brancas de uma geleira não mais visível. Após um esforço final de subida, cheguei 3 horas e 45 minutos depois na entrada de Dingboche, a mais de 4300 metros de elevação. Esse povoado é maior do que eu esperava. Novamente, minha hospedagem pretendida estava lotada, então acabei ficando com a Tashi Delek. Só que ao contrário desse hotel no vilarejo anterior, aqui não havia nem vaso sanitário… Paguei 500 mangos num quartinho duplo. Ainda bem que era duplo, pois precisei dos dois colchões, cobertores e travesseiros. Escolhi um restaurante aleatório para almoçar, e acabei me dando bem, pois os preços do Himalayan Culture Home Lodge, também hotel, são comparáveis com os de Namche Bazaar, um quilômetro abaixo em altitude. Tomei um chá de limão com gengibre e comi "momos" vegetarianos por 580 no total. Posteriormente, caminhei por Dingboche, só pra ver os campos marrons de plantação serem adubados com fezes. Tomei um banho quente no Tashi Delek (500 rúpias) e fiquei relaxando, já que a rua estava fria, com um neblina que impedia a visão de qualquer montanha, além do cheiro da bosta usada na calefação dos interiores já estar forte. Ao sol se pôr, jantei em meu hotel o clássico "dal bhat". Por fim fiquei debaixo das cobertas lendo um pouco em meu Kindle. Dia 34 Depois do café da manhã de pão, ovo e chá, usei meu dia de folga/aclimatação para subir o primeiro pico da viagem, o mais alto da minha vida. Sobre Dingboche, reina o árido Nangkartshang, com 5083 metros. Saí às 9 e meia como usual. O tempo estava bom, com algumas nuvens, mas não se via o cume por causa de uma névoa. A parte inicial é uma estupa, seguida de um mirante, numa altitude ainda não tão elevada. Depois, a inclinação fica severa. Entre rochas, poucas plantas miúdas, musgos e líquens. O vento aumentou a força, mas não incomodou tanto porque batia nas costas protegidas. Mais além, a fadiga muscular começou a bater, mas não pior que a respiração, já que o oxigênio estava bastante escasso. Conforme o gelo surgia no caminho, eu ia quase cambaleando para chegar logo ao topo. Duas horas e 15 depois, finalmente conquistei o cume! Só que meio atordoado pela falta de ar, acabei atirando minha GoPro ladeira abaixo! Ela bateu numa pedra e foi parar num banco de gelo em outro nível. E agora, perder todo registro da viagem ou arriscar minha vida? Ponderei o risco, e desci em direção à câmera, conseguindo recuperá-la. Ufa! Fiquei um tempo em cima tirando fotos, mas a névoa não deu muita trégua, então desci, faminto e sedento. Parei no Café 4410, que permite a recarga gratuita de aparelhos eletrônicos. Pedi um hambúrguer vegetariano, fritas e milk shake por 1200 rúpias. Enquanto aguardava a recarga, reencontrei um grupo de colombianos que havia conhecido no cume. Passei o resto da tarde conversando com eles; foram tão gentis que até me pagaram um lanche. Quem diria que eu comeria torta de maçã num vilarejo remoto desses! À noite, jantei "thukpa" (450 rúpias) no hotel, e relaxei. Dia 35 Café da manhã repetido. Parti para Lobuche. O início é um vale desolado e ventoso, cercado pela montanha que escalei e por outra nevada. Quando chegara o momento de cruzar o Rio Lobuche e começar uma inclinação foda, parei pra um lanche. Acontece que quando fui trocar o cartão de memória da GoPro, que estava cheio, ele se partiu no meio! Perdi a maioria dos vídeos e fotos que havia feito com ela, pois não havia feito backup. Parece que o que ocorreu na montanha no dia anterior foi uma premonição. Que lástima! Meio abatido, subi o caminho pedregoso com o fôlego no limite. Em cima, fica o memorial para os alpinistas mortos no Everest. Há dezenas de monumentos. Logo depois, já é possível ver um campo coberto de gelo. Mais além, fica o pequeno vilarejo de Lobuche. Aqui o preço mínimo é 700 rúpias. Consegui um quarto duplo e banheiro com privada, mas nada de pia (nessa altitude já não há encanamento), no Above the Clouds Lodge. Começou a nevar bastante, então parei na padaria mais alta do mundo para fazer outro lanche (doce+chá=550 rúpias). Em seguida, fui ao ar livre fotografar o cenário lindo que se formou com a neve acumulada. Até passarinhos estavam por lá. Com o tempo, a neve cessou e a névoa dissipou. Com isso, subi um morro para ter uma vista ainda melhor do vilarejo e do Glaciar de Khumbu, do outro lado. Com o fim do dia, o tempo piorou novamente, então voltei pra hospedagem, onde fiquei esperando um tempão pelo jantar, "dal bhat" (800 rúpias). O bom é que o refil tava incluído, então fiquei satisfeito. Banho de lenço umedecido e cama. Dia 36 Levantei mais cedo e tomei o café da manhã (omelete e chá - 750). Em seguida, subi até Gorak Shep, o assentamento mais elevado do mundo (5100 metros). O caminho estava com bastante trânsito e não foi tão fácil quanto pensei, pois há subidas e descidas sobre rochas. Quase na chegada, se vê o Glaciar de Khumbu, o pico Kala Patthar e o acampamento base do Everest. Em Gorak Shep, tive ainda mais dificuldade em achar um lugar pra ficar. Precisei dividir um quarto no Snow Land Highest Inn (500 rúpias pra cada). Deixei minhas coisas e parti pro acampamento base. O caminho é rochoso e passa ao lado da geleira. Entre as atrações, vi um casal da ave terrestre chamada de galo da neve tibetano, além de uma avalanche na montanha do lado oposto da geleira. Parecia um trovão o estrondo. Peguei ainda um tráfego de iaques carregadores. Ao chegar, há um marco com bandeiras onde todo mundo comemora. Mais uma etapa concluída com sucesso. Desci até a parte interior, lotada de barracas, onde os alpinistas ficam até um mês se aclimatando. Pisei no gelo e retornei, já que o tempo começava a piorar. Bati um rango violento quando voltei. O "dal bhat" da hospedagem veio com repetição, então fiquei cheio até a hora de dormir, a ponto de me deixar meio mal. Enquanto tentava fazer a digestão, um pessoal da Venezuela e Espanha sentou ao meu lado. Comecei a falar com eles; acabamos jogando cartas até a hora de se retirar - sem banho novamente, já que aqui custa mil rúpias! Também tive que recarregar o celular por 400 rúpias pra uma hora... Dia 37 Dormi mais ou menos, mesmo usando o saco de dormir pela primeira vez. Às 7 me levantei com leves sintomas de Mal de Altitude, mas isso não me deteve. Fui escalar o monte Kala Patthar. O começo é sobre terra, bem inclinado, cansa bastante. Depois que se contorna essa parte, percebe-se que o cume na verdade é mais distante e alto do que o que parecia ser visto de Gorak Shep. Continuei lentamente, agora sobre neve e rochas. Uma hora e meia depois, cheguei ao topo do ponto mais alto em minha jornada: 5650 metros! A vista do topo é sensacional. Ali fica o melhor mirante do imponente Monte Everest, bem como do Glaciar de Khumbu e diversas outras montanhas altas da região. Havia umas 10 pessoas essa hora no cume. Desci, almocei "momos" e, um pouco depois, segui o caminho de volta. A parte repetida até a bifurcação em Dughla foi meio monótona. De diferente, apenas um grupo que seguia na direção inversa em bicicletas! Quando atravessei o campo de gelo do acampamento base do Lobuche, não cruzei com mais ninguém. O trecho até Dzonghla é meio arriscado, pois segue à beira do precipício na maior parte do tempo. De vista compensa, pois passa em frente à baita montanha Cholatse e seu lago parcialmente congelado. Também vi uns tantos passarinhos. Quase na chegada, ultrapassei novamente o grupo de Cingapura cujo líder Saravanan foi até o EBC usando calçado minimalista. Na terceira tentativa, fiquei hospedado no Himalayan Lodge. Quinhentas rúpias pelo quarto duplo e banheiro com vaso, mas nada de pia. No mesmo lugar, ficaram os singapurenses e o espanhol Claudi, que eu havia conhecido em Gorak Shep. Jantei uma macarronada e passei o resto do tempo conversando com ambos. Todos foram dormir cedo para a travessia do dia seguinte. Dia 38 Pelas 5 da madruga os demais já estavam tomando café da manhã, enquanto eu pedi meu omelete e chá pras 6 e meia. Na primeira longuíssima subida, já passei um dos grupos. Tanto no dia anterior quanto nesse, alguns conhecidos tiveram que desistir da trilha pelos sintomas do Mal de Altitude. Um deles precisou até mesmo ser levado de helicóptero de volta. Estava com receio que tivesse que fazer essa travessia perigosa sozinho, já que a maioria vai cedo, mas acabei encontrando gente suficiente. Já cansou bastante a primeira elevação, que culminou em uma escalada entre rochas e neve. A paisagem, bem como as seguintes, fez valer a pena o esforço. O passo seguinte foi mais técnico do que cansativo - atravessar uma parede de neve sem proteção alguma contra o abismo que se seguia. Dei graças que Claudi me emprestou cravos para o tênis (crampons) na noite anterior, pois sem eles eu teria chance de despencar nessa etapa ou na seguinte. Passado o trecho sujeito a avalanches a nada menos que 5420 metros de altitude, veio a descida nesse meio escorregadio. Venci, chegando no vale seguinte, uma tundra alpina. Nova subida, seguida de nova descida, mais fáceis dessa vez. Por fim, seguindo o riacho originado numa dessas geleiras, cheguei no pequeno Dragnag, composto apenas de uns 7 alojamentos e nada mais. Desesperado por um banho, usei o próprio riacho para satisfazer meu desejo. Como eu estava aquecido da longa trilha de 6 horas, a temperatura não foi um grande problema. Aproveitei para lavar minhas roupas suadas também. Fiquei hospedado no Khumbi-la Hotel (500 rúpias). Tão básico quanto os demais. Almocei tardiamente "momos" fritos de batata (650 rúpias), botei minha GoPro para carregar (350 rúpias), e passei o resto da tarde entre conversas com os colegas e à toa. Jantei sopa, li um pouco e capotei. Antes, pedi quanto custava 1 mísero rolo de papel higiênico, já que o meu havia acabado: 550 contos! Dessa forma, peguei os guardanapos da sala de jantar pra resolver o problema... Dia 39 Comi e vazei em direção a Gokyo. O caminho é sobre a morena da maior geleira do Himalaia, a Ngozumpa, com 36 km! A caminhada dentro da geleira segue em ziguezague pra cima e pra baixo entre pedaços de rochas soltas, manchas de gelo e laguinhos congelados. Com uma subida final, chega-se a Gokyo. Meu corpo estava tão cansado que levei mais de duas horas para essa travessia, quando deveria levar menos. O povoado de Gokyo é único entre os da rota do trekking, pois fica na beira de um lago semicongelado lindo, cheio de aves e com montanhas nevadas próximas. Deixei minha mochila na Fitzroy Inn. São 500 rúpias, sendo que o banheiro possui vaso e pia, e o quarto é um pouco melhor. Comecei então a ascensão da última montanha da rota, a Gokyo Ri, com 5360 metros. Devido a meu estado precário, fui subindo a passos de tartaruga. Essa montanha é inclinada demais, pois possui 600 metros acima do lago, onde inicia. A paisagem do meio do caminho é sensacional, mas conforme eu subia o tempo ia fechando, pois já era o começo da tarde. De fato, fui o último a subir. Uma hora e 45 minutos depois, usando somente a força de vontade, cheguei ao cume. Lá em cima estavam uma argentina e meu colega Claudi. Descemos e fomos tomar um chá e conversar. Em seguida, jantei "dal bhat" em meu alojamento, com vista para o lago. Não estava me sentindo muito bem do estômago essa hora. Carreguei o celular (300 rúpias), comprei um rolo de papel higiênico (250 rúpias), um pão doce grande (600 rúpias), li um pouco e fui dormir cedo. Dia 40 Acordei com dor de garganta - também, todo esse tempo respirando ar frio e seco pela boca, só poderia acabar assim. Gastei minha última rúpia no check-out, mas pelo menos ganhei uns chocolates de brinde. Esse foi o dia mais longo de caminhada, pois tive que percorrer 24 km até Namche Bazaar. Ainda bem que em sua maioria, o trecho foi de descida. O começo foi passado ao lado dos lagos cênicos de Gokyo. Depois, acompanhando o rio glacial. Passei por alguns vilarejos, descansando, me hidratando e consumindo meus alimentos energéticos a cada cerca de 2 horas, sempre à beira de algum riacho. Encontrei meu colega Claudi nesse caminho, mas ele ficou em Dole, metade do trajeto que eu percorreria. Além desse povoado, as florestas começaram a ressurgir. Junto delas, uma parte lotada de cachoeiras. Já estava cansado, quando em frente a Phortse, uma elevação grande surgiu. Subi a passos lentos. Dali em diante, acelerei o possível no terreno irregular, quase torcendo meu tornozelo algumas vezes. Quase solitário, cheguei à bifurcação em Sanasa, quando entrei na trilha que já havia percorrido no quarto dia. Exausto, com dor nas costas, cheguei em Namche Bazaar às 16 horas, exatamente 8 horas depois de iniciar. Saquei dinheiro e fui pra hospedagem onde havia deixado uma pilha de roupas, a Pumori Guesthouse. Morrendo de fome, devorei uma macarronada (550 rúpias) enquanto carregava meus dispositivos. Por fim, apaguei. Dia 41 Acordei pior do que no dia anterior, dessa vez à dor de garganta, somou-se um resfriado. Não tive escolha; comi um omelete de queijo e tomate (400 rúpias) e vazei. O percurso inicial é de pura descida, mas isso não quer dizer que tenha sido rápido, já que há trânsito e o terreno é irregular. Em sequência, descidas e subidas intermináveis, enquanto atravessava de um lado do rio pro outro nas pontes pênseis. E o corpo reclamando. Mais além, passei pela vila de Phakding. Dali pra frente, foi o maior sofrimento: dor nas costas, nos ombros e nos pés. Eu ia cada vez mais devagar. O trecho final, majoritariamente de subida, foi um martírio, mas 6 horas e meia depois, cheguei ao portal de Lukla. Finalmente, 150 km de trilhas depois do começo, missão cumprida! Comemorei e fui pra alguma hospedagem, no caso a Alpine Lodge (500 rúpias). Tomei um banho (250 rúpias) e me joguei na cama, imprestável. Jantei outra macarronada e fui dormir. Dia 42 Comi uma panqueca com mel de manhã (400 rúpias) e fui cedo pro aeroporto. Precisei chegar lá às 7 e meia, mas não embarquei antes das 11… Me livrei dum dos aeroportos mais perigosos do mundo, descendo em Catmandu. Por 900 rúpias, tomei um táxi até o lar Laughing Buddha Home & Villa (5 dólares cada noite). No caminho pude constatar que o trânsito de Catmandu é do nível das cidades grandes indianas. E bem empoeirada. Desci pra conhecer as atrações recomendadas pela anfitriã, a começar pelo almoço na Army Canteen, lugar onde o exército vem rangar. Como o menu é em nepali, precisei apontar para o que havia na bancada: escolhi feijão, batata e cebola. Na hora de pagar a conta, fiquei de queixo caído… 50 rúpias (R$1,75)! O almoço mais barato da minha vida! Para a sobremesa, fui na padaria Best Choice. Realmente a melhor escolha, pois comi deliciosos doces a partir de 25 rúpias! Até levei uns pro café da manhã. Em seguida, entrei no museu de história natural (100 rúpias). É basicamente o depósito da seção biológica de uma universidade, contando centenas de animais empalhados, insetos, plantas e outros seres viventes no Nepal, com breves descrições. Prosseguindo, o templo do macaco (Swayambhunath). É um templo budista tibetano com algumas estupas, relíquias e muitos macacos sagrados. Entrei pela escadaria de acesso gratuito que os turistas desconhecem. Lá em cima há vendas de souvenires, mirante pra cidade toda e, na mata ao redor, bastante vida. Ao descer, mesmo sem muita fome, parei pra jantar no Chuden Shelzey. Optei por um "chowmein" de frango (120 rúpias). Para minha surpresa, um grupo de monges budistas estava ali jogando videogame! Retornei à tranquila hospedagem, onde fiquei à noite. Dia 43 Comecei o longo dia ingerindo meus doces da padaria. À continuação, pedi para que me chamassem um moto-táxi via Pathao, aplicativo tipo Uber. Até Bauddhanath custou apenas 170 rúpias. Já para a entrada desse Patrimônio da Humanidade, 400. Há uma grande estupa central, reconstruída após o terremoto de 2015, cercada de monastérios, templos, relíquias e lojas meio superfaturadas. Ao deixar o complexo budista que é o principal da capital, tomei um ônibus de 25 rúpias até Ratna Park, onde ficam as estações dos coletivos. Não quis pagar para entrar no parque, pois não me pareceu interessante, então segui até Ason, um bairro antigo central onde se vende de tudo a preços em conta. Aqui tentaram me aplicar o golpe do jovem aprendiz de inglês que quer treinar o idioma e o leva a um templo para benzê-lo e depois a uma loja de pinturas que só está aberta no dia do festival fictício que ocorria justamente naquele dia - não tiraram uma rúpia de mim. Almocei num muquifo um prato de "chowmein" vegetariano por somente 80 rúpias. Pensei em entrar na tradicional praça Durbar em seguida, mas o estado dos edifícios pós-terremoto e a exigência de que estrangeiros pagassem mil rúpias enquanto os nativos não pagavam nada, me fez mudar o rumo. Com o preço tão barato da comida, acabei tomando um caldo de cana por 30 rúpias e depois um "lassi" de banana por 100. Rapidamente adentrei o jardim Garden of Dreams, que cobra 200 pratas, mas é pequeno. Dessa forma, me embrenhei nas ruas apertadas e lotadas de comerciantes e turistas de Thamel. Procurava alguns equipamentos eletrônicos e pra trilhas, mas não encontrei nada de qualidade, já que aqui é quase tudo pirateado. Tomei um sorvete de Ferrero, que não era de Ferrero, e comprei em Ason dois souvenires (roda mani - 1500 rúpias e placa Namastê - 400). Me encontrei com Danniel, um dos brasileiros gente boa que conheci no caminho do Everest. Batemos um papo bom e tomamos um balde da cerveja artesanal Sherpa Red no bar Phat Khat. Depois jantamos "kebab" (225 cada) e eu peguei um táxi pra voltar à hospedagem (600 rúpias). Antes de dormir, conversei um pouco com o pessoal que se encontrava no Laughing Buddha. Dia 44 Acordei com os cães latindo e pessoas falando. Fui em direção aos museus, parando para ter um café da manhã no Vajra Café, já que o Chuden Shelzey não tinha nem ovo e nem vitamina naquela manhã. Acontece que esse café deixa bastante a desejar em comparação com a padaria de 2 dias atrás, além de estar cheio de moscas… Para meu desgosto, hoje era feriado do dia do trabalhador, então tanto o Military Museum quanto o National Museum estavam fechados! Não queria ir até a distante Bhaktapur, então caminhei até uma avenida onde pude pegar um ônibus à região central. Em Ason, fui às compras: relógio minimalista à prova d'água (3000 NPR=rúpias), carteira minimalista (375 NPR), boné minimalista c/ pescoceira (1000 NPR). Como os restaurantes turísticos de Thamel são meio caros, almocei numa birosca chamada Ravi Panipuri Chaat Shop. Fiquei com um tal de "papadi chaat" 70 NPR + "chicken egg roll" 100 NPR + Fanta amarela 40 NPR. Há uma infinidade de casas de câmbio em Thamel, mas como as raras que possuíam rial do Catar não tinham cotação boa, troquei o resto das minhas rúpias pelo famoso livro Into Thin Air na livraria Tibet Book Store (700 NPR). Enquanto procurava um transporte barato para retornar ao alojamento, tomei um suco de abacaxi grande (200 NPR). Depois, embarquei numa van (20 NPR). Me despedi e embarquei no voo da Nepal Airlines com destino a Doha. Havia lido que essa companhia era uma das piores do mundo, então fui sem expectativas, mas me surpreendi: avião grande e novo, entretenimento de bordo e alimentação decente - talvez eu tenha tido uma baita sorte, ou a companhia realmente melhorou. Dia 45 Com um pouco de atraso, desembarquei. A imigração sem visto foi ridiculamente rápida. Saquei dinheiro (1 rial do Catar = 1,07 reais), chamei um Uber até a hospedagem da vez (24 rials). O albergue Q Hostel, localizado num condomínio de casas de alto padrão, refrigerado, me custou 180 rials por 3 noites. Todos meus colegas de quarto eram de países islâmicos. Ao acordar, chamei um Uber pra me levar ao museu nacional (13 rials). A entrada individual custa 50 rials, mas o passe para 3 museus é 100, então o comprei no cartão de crédito. O Qatar National Museum já impressiona no exterior, inspirado na rosa do deserto. Por dentro, ainda mais. Com tecnologia de ponta, conta sobre a biodiversidade do país, bem como sua história, do passado remoto, passando pela conquista árabe, a era de ouro da coleta de pérolas e a atual do petróleo, que superdesenvolveu o Catar. Fiquei mais de 3 horas aqui. Almocei "chicken biryani" no Al Jazeera Kabab, bem em frente ao museu, por 12 rials. Há um ônibus gratuito rosa que passa uma vez a cada hora e leva aos dois outros museus. Peguei ele e desci no de arte islâmica. A construção é bem bacana também, mas por dentro não há tanto conteúdo. As obras de arte de várias localidades islâmicas são belas, mas nada excepcionais. Esperava um pouco mais. Uma hora depois, fui pro Mathaf, de arte moderna, que fica afastado dos demais. No caminho, pude notar as obras de infraestrutura e lazer pra Copa do Mundo de 2022. Havia apenas mais duas visitantes além de mim. Não consegui ficar nem uma hora vendo essas coisas estranhas que chamam de arte. Peguei o transporte de volta e fui passear pela Corniche, a avenida beira-mar. Ainda fazia calor pelas 5 e pouco, mas o sol já estava baixo no horizonte. Atravessei metade do semicírculo a lentos passos, admirando a arquitetura dos arranha-céus, que, assim como o resto da cidade, perdem pouco para Dubai. Tomei um "smoothie" meio caro de 25 rials no Costa Café, e segui por entre os prédios, que agora estavam com iluminação noturna variada. Entrei no shopping center City Center pra jantar (no Subway mesmo - 29 rials no Sabrina de 30 cm) e comprar mantimentos no completíssimo Carrefour, que só não tem cerveja com álcool. Gostei do preço do kiwi, 2,75 o kg. Voltei de ônibus #76 até o terminal de Al-Ghanim, onde pegaria outro busão até próximo da minha hospedagem. Um cartão para 2 viagens na cidade custa 10 rials e pode ser comprado com o próprio motorista. Pegaria, pois quando cheguei lá quase às 23h, já não havia mais linhas disponíveis para onde eu iria. Como não consegui sinal para chamar um Uber, convenci um táxi a aceitar a corrida por 15 rials. Dia 46 Como fui dormir tarde, acordei assim também. Tomei meu café da manhã de brownie + suco natural + frutas e tomei um Uber à estação de ônibus (12 rials). Chegando lá, fiquei sabendo que para embarcar no ônibus para fora de Doha, precisaria de um cartão ilimitado para 24 horas, ao custo de 20 rials. Então aproveitei para dar um rolê bom. Primeiro desci em Al Wakra. Como era o dia sagrado do islã, os "souqs" (mercados antigos) estavam fechados. Com isso, dei uma conferida na praia de água turquesa. Almocei logo no Alfanar Restaurant Yemeni Food, onde pedi um tal de "mandi chicken" por 25 rials, mesmo sem saber o que era - mas gostei. Caminhei mais um pouco e retornei à avenida, onde há uma estátua de ostra, uma mesquita bonita e um forte fechado ao público. A intenção era continuar pro sul até Mesaieed, mas eu acabei indo parar no ponto errado e só percebi quando o ônibus de volta estava passando, então decidi retornar ao centro. Fui então ao Souq Waqif, onde ficam as lojas tradicionais. Tentei comprar um souvenir decente, mas os feitos no Catar são caros demais. Ali também ocorria a feira internacional de tâmaras. Entrei e saí, pois eu nem gosto dessa fruta típica de países desérticos. Essa área revitalizada é a mais antiga da cidade. Visitei os museus Msheireb, que contam um pouco dessa história. Gratuitos, são 4 casarios antigos que também falam da escravidão na região e o desenvolvimento com a descoberta do petróleo. Fiquei algumas horas em seus interiores. Quando saí, já era noite. Fui à orla, um tanto escura, para admirar os arranha-céus coloridos do outro lado da baía. Ao retornar, parei num dos restaurantes/lanchonetes baratos ao lado da estação de ônibus para jantar. Comi um "biryani" de frango por somente 10 pilas no Taxi Land Restaurant. Depois, voltei à acomodação de ônibus. Doha tem um problema sério de trânsito no centro, mesmo a altas horas. Dia 47 Acordei uma vez às 4 e meia com o anúncio de Allah nos alto-falantes da mesquita mais próxima. Voltei a dormir. Fiz o check-out e deixei minha mochila na recepção enquanto passeava. Fui até a rodoviária, comprei outro cartão ilimitado e com o #104A através do deserto até Dukhan, o princípio da exploração petrolífera no país. O baita ônibus confortável é uma mudança e tanto pra caminhonete que levava os operários na caçamba. Em Zekreet, há umas formações geológicas tabulares interessantes. Pena eu não haver meio de explorá-las. Duas horas e meia depois, o ônibus parou na entrada de Dukhan, ao lado de uma refinaria. Almocei pizza na Domino's (29 rials pelo combo) enquanto aguardava o ônibus de retorno. Ao retornar, parei no Mall of Qatar, um shopping grandão e ligado à linha de metrô quase pronta. Aproveitei para a assistir o lançamento dos Vingadores. Acreditam que o ingresso mais barato pro cinema era de 45 reais o inteiro? Voltei com os ônibus. À noite, fui até o aeroporto, onde aguardei um bocado de horas até o voo das 4:40 com a IndiGo até Mumbai. Dia 48 Desembarquei sonolento, passei a imigração e peguei um Uber (180 rúpias) até a cápsula bacana onde eu passaria o dia, no Hotel Astropods Airport, por mil rúpias. De volta ao aeroporto, lanchei e embarquei na Air China para Pequim. Dia 49 Depois de umas 5 horas em voo, passei o resto do dia no aeroporto da capital chinesa, entre cochilos e eletrônicos. A comida é meio cara e há poucas opções de refeição, então fiquei à base de KFC e Costa Café. Dia 50 Na madrugada seguinte, fui com a mesma companhia para Frankfurt, onde desci para dar uma volta na cidade. Comprei um passe diário ilimitado pro transporte público (9,65 euros) e peguei o trem até a estação central. Como já conhecia a cidade, não mirei exatamente os pontos turísticos. Caminhei aleatoriamente, mas parei para fotografar a arquitetônica Römerplatz. Aproveitei o dia para ingerir algumas das delícias culinárias europeias, como queijos, cerveja, bagas e salsichão - a maioria comprado em supermercados. Fiz compras também: eletrônicos na Saturn, chocolates e outras comidas nos supermercados econômicos Penny e Aldi, e roupas na Primark. Final da tarde retornei e aguardei o bom voo da Lufthansa, que, junto com o trecho final da Gol até Floripa, concluiu a viagem, 3 dias depois!
  25. 9 pontos
    Olá pessoas, Em Outubro de 2019 fiz uma viagem de férias ao Cáucaso, 18 dias de viagem mais exatamente. Eu não sou de fazer relatos de viagem, mas, quando comecei a pesquisar de como viajar por lá, vi que existia muita pouca informação disponível, visto que são países não muito conhecidos por brasileiros. Então resolvi postar um relato da viagem para ajudar quem queira viajar por essas bandas. Vou dividir o post em duas partes, a primeira apenas com informações sobre como fazer turismo, a segunda o relato da viagem, bom, não sei ainda, eu não sou muito bom de escrever história, então pelo menos vou fazer a primeira parte. Cáucaso A primeira pergunta que me fiz foi, esses países estão na Europa ou na Ásia? A resposta que encontrei foi: Sim. Sim o quê? Foi uma pergunta "ou"... Ok, imagine você na ponte da amizade, entre Brasil e Paraguai, bem no meio dela você pisa um pé no lado paraguaio e o outro no brasileiro, ou seja, você está em dois solos ao mesmo tempo. O cáucaso é a mesma coisa mas em proporções paisescas gigantescas. Geograficamente, segundo a National Geographic, o continente Europeu termina na cordilheira do Cáucaso, que pega um pedaço da Geórgia e Azerbaijão, a Armênia fica de fora. Vale lembrar que Europa e Ásia são uma porção única de terra, então pode haver divergências também no que se define por área geografica. Sim, o oeste do Kazaquistão é na Europa. Culturamente os países se aproximam mais do estilo Europeu que do asiático, pois os três países faziam parte do Império Russo e posteriormente da União Soviética, então tiveram uma influência arquitetônica e cultural muito forte dos russos. Politicamente se torna mais complicado ainda, pois vai depender de que país o cientista político fez o mapa. Então não sei te responder. O Cáucaso em si abrange mais regiões que os três países, que inclui um pedaço da Rússia, da Turquia e do Irã, mas daí começa a complicar muito, então simplificando, dizemos que os três países são o Cáucaso. A indepedência deles foram feitas depois da queda da União Soviética, lá pelos anos 1991. De restante, não vou me aprofundar na questão histórica e política de cada país, vou apesar colocar informações básicas, pois o foco maior é da questão turística da região. Atenção: O texto a seguir não é um guia turístico, não tem o intuito de informar todos os pontos turísticos e dizer se vale a pena ou não. É baseado apenas nas minhas pesquisas do que eu achei interessante fazer. Azerbaijão Mapa pego do https://smartraveller.gov.au/Countries/europe/eastern/Pages/azerbaijan.aspx O Azerbaijão é um país de origem turca, a capital é Baku, que é praticamente a única cidade que tem um suporte melhor de turismo. Baku é uma cidade do petróleo, eles estão tentando fazer iguais os países Árabes como Dubai e Abu Dhabi, em que estão investindo pesado em estrutura para turismo, se vê muito prédio grande em construção, além de que já patrocinam com uma pista da F1. Eu estive apenas na capital, não achei interessante tentar viajar pelo interior. Mas em geral, a cidade em que alguns viajantes vão é Ganji, oeste perto da Geórgia, e/ou vão conhecer alguns vulcões de lama perto de Baku. A região em vermelho no mapa é uma terra em disputa com Armênia, na verdade está sob domínio do exército indepedente de origem armênica, mas por questões políticas, em qualquer mapa que você procurar, vai dizer que é Azerbaijão. Nas questões práticas, você só consegue acessar pela Armênia e, com um fator que, se você pisar ali, o Governo Azeri não vai deixar você entrar no país deles nunca mais (mais informações colocarei na parte Armênia). A fronteira com a Armênia é fechada. O país em geral é seguro. Ouvi dizer que locais mas afastados não é muito bom andar sozinho ou muito tarde, mas ao menos no centro se encontra bem seguro. - Visto Brasileiros e europeus necessitam de visto para entrar no país. Mas pelo menos é o e-visa, você faz online ( https://evisa.gov.az/en/ ). Custa cerca de 24 dólares, é válido por 30 dias. demora cerca de 3 dias para ficar pronto. O formulário é fácil de preencher e pagar. Não precisa ter receio na imigração, pra mim não fizeram nenhuma pergunta, olhou, viu no computador algumas coisas e carimbou. Cheguei a levar impresso o e-visa por garantia, mas nem olharam. Eles estão investindo em turismo, então eles querem que você entre, caso for um turista comum. - Câmbio A moeda local é o Manat (AZN). O câmbio, pelo que me parece, é controlado pelo Governo, portanto qualquer lugar que for trocar seu dinheiro, vai estar o mesmo valor (ao menos foi o que vi). Então, quando entrar numa casa de câmbio (até no aeroporto) aproveite e já troque a quantidade que você quer, pois vai ser tudo igual. A moedas que são aceitas em todos os lugares são Dólares, Euros e Rublos, o melhor é já vir com alguma das três moedas, que vai facilitar bastante. O Real não sei o quanto é aceito, pois eu já vim com Euros. Paguei no dia 1,89 Manat por Euro. - Locomoção interna Eu cheguei de avião, o aeroporto é perto do centro da cidade. Ao desembarcar, basta ir num centro de informação (o aeroporto é pequeno, então acha fácil) e perguntar como faz pra pegar o shuttle pra cidade. Na verdade é bem simples, do lado de fora tem uma máquina de ticket, é intuitivo comprar (se tiver dificuldade, vai ter um guarda ali do lado que vai te ajudar). O custo é de 1.50 Manat. Com o cartão de papel, basta olhar o estacionamento que vai encontrar o shuttle por perto, o motorista vai te espera caso vê que você está indo pra lá, eles são gente boa. basta passar o cartão na maquininha quando entrar. A viagem dura cerca de 30min, faz uma parada no caminho e chega no destino final da estação de trem / 28 de Maio, dura cerca de 30min. Caso esteja vindo de trem, vai parar no mesmo ponto. Da estação para o centro são cerca de 20min a pé, ou pode pegar o metrô que fica na mesma praça. Fico devendo essa informação porque eu fui a pé, gosto de caminhar para conhecer a cidade. A outra porta opção é de trem. Existem rotas internacionais que vem de Tbilisi e Moscou. De Teerã ouvi dizer que tem ônibus, mas devido a falta de estrutura e talvez problema na fronteira, não sei se realmente existe. Mas tem trem para Astara - AZ, que é na fronteira Para ir / vir de Tbilisi existe um trem noturno, custa entre 23 a 57 Manat (15 a 30 euros mais ou menos) , dependendo da classe (3 classes). Pra comprar o bilhete, vai na estação central, existe bilheteria tanto no térreo quanto no primeiro andar (de onde parte os trens). Os funcionários entendem um pouco de inglês, não tem muita dificuldade, basta falar pra onde você vai e dizer primeira, segunda ou terceira classe. Pode-se pagar com dinheiro ou com com cartão. A estação fica na 28 de Maio, onde também fica a parada de metrô. Pra não se confundir em qual entrar, entre no qual tem o prédio maior (uns 10 andares de altura, acho). O trem parte para Tbilisi às 20:40 (chegue 30min antes) todos os dias. A viagem não é lá tão confortável mas é bem mais barato que de avião. As 05:00 da manhã você vai precisar acordar, pois vai precisar passar na imigração, o trem para por uma hora, se recolhem todos os passaportes, chamam um a um na primeira cabine do vagão, e o policial/militar carimba e te devolve o passaporte. o trem anda por uns 10-20min e agora é a imigração da Geórgia, que também demora uma hora. Quando fui, apenas recolheram os passaportes e devolveram já carimbado, sem entrevista, sem nada. Depois de umas 2h de viagem chega em Tbilisi. Viagens para o interior, que não seja por linha férrea, é um desafio, pois não se encontra muita informação na internet (apesar de que também não tem muito o que fazer :p) - O que ver Baku é uma cidade grande e moderna com tem metrô e ônibus. A cidade nova é estilo europeu, com calçadões grandes no centro e prédio longos de 3 ou 4 andares padronizados. A cidade velha fica do lado da cidade nova, então se você está no centro, em poucos passos entra na antiga cidade murada. O custo das coisas são baratas para um europeu, como o Manat é quase 2 para 1, então um Kebap, por exemplo, custa 4 Manat, ou 2 euros. Ali se faz tudo a pé praticamente, então não tem muito trabalho de ficar pegando transporte público para conhecer os pontos distantes da cidade. O único lugar turístico que fica fora do centro é o templo do fogo, fica a 1h de ônibus do centro. Eu cheguei a programar a ir lá, mas acabei desistindo porque era um tanto longe só pra ver um pequeno templo com fogo. Tem transporte público para perto, e depois uma caminhada. Com 2 dias é suficiente para conhecer a cidade sem pressa. Centro de Baku Vulcões de lama são outras atrações para visitar, mas para esses não tem como ir de transporte público, ou vai com tour ou com carro. Como fiquei 2 dias na cidade, não tive tempo de ir atrás de preços, se pretende visitar, então recomendo um dia a mais na cidade A esquerda superior os vulcões de lama e a direita o templo de fogo - Clima O país é bem quente no verão, eu fui em Outubro e ainda sim estava 20 graus de noite, não menos. Em Agosto pode fazer 40 graus fácil. No inverno chega a fazer uns 5 graus. - Considerações finais É um país (a capital ao menos) interessante, pra mim valeu a pena visitar, pois é um país com bastante história, e o principal é a cidade velha murada, que tem muita coisa ainda preservada, como gosto de história eu recomendaria visitar. Mas, não espere muita coisa da cidade, pra quem vai visitar Geórgia, vale a pena dar um passeio de dois dias. Geórgia Abkhazia e Ossetia são regiões separatistas, Ajara (onde fica Batumi) é autônoma A Geórgia é o país mais turístico dos três, se vê muito russo, muito mesmo. Devido a ter sido parte da Rússia até 30 anos atrás, praticamente todos adultos falam russo, que é a língua franca da região. Mas hoje em dia estão se adaptando ao inglês, tendo assim duas línguas francas, inglês e russo. Também foi o país com menos dificuldade de comunicação, mesmo que usam alfabeto diferente, muita coisa está em inglês, como placa de trânsito, metrô e nome de ruas, e na parte turística a maioria falam inglês ou conseguem se comunicar. então dá pra passear sem muita dificuldade. Existem duas regiões separatistas no país e uma autônoma Abkhazia, no noroeste, que eles se consideram um país próprio. Apesar disso é possível atravessar a fronteira pela Geórgia, só não pode entrar pelo lado russo e tentar sair pelo sul. Mas a região não é segura, tem problema como sequestros. Ossetia do Sul, no norte já não é possível atravessar, só consegue pelo lado russo. A região tem a população maioria de russos, e eles querem se unir a Rússia. Também tem problemas de segurança. Ajara, no sudoeste, já é uma região controlada pela Geórgia, porém autônoma, é de livre acesso ( tem trem de Tbilisi a Batumi diário) O país tem seu próprio alfabeto e uma população bem antiga, sempre estiveram por lá. É uma região pobre, lembra bastante os países da ex-urss, trens velhos lentos, muitas casas arruinadas, as duas cidades mais ricas, e com melhor estrutura são Tbilisi e Batumi. A região norte é composta pela cadeia de montanhas, uma região muito bela, a região central é meio desértica e florestada. Os georgianos dizem que o Oeste até Tbilisi é o lado europeu do país, o Leste é o lado asiático. Geórgia até a revolução de 2004, era um país muito perigoso, com policiais corruptos e problemas de sequestro e roubo por toda parte. O presidente reformulou tudo, trocou e colocou policiamento em todo país e hoje é uma região bem segura, um georgiano que conheci disse que nem roubo de carro se escuta mais. Os únicos pontos a se considerar são as regiões isoladas perto da fronteira com a Ossétia e Abkhazia (as cidades na fronteiras não tem esse problema). O país tem alguns aeroportos, em Tibisli, Kutaisi, Mestia e Batumi são os principais. Internacional, acredito que só de Batumi e Tbilisi. A outra opção de entrada/saída é trem ou marshruktas (vans). Pra ir a Baku, deve pegar o trem diário (parte as 20:35), custa entre 30 a 70 GEL. É necessário comprar pessoalmente na estação (passaporte obrigatório, leve dinheiro em espécie). A bilheteria de trens fica no ultimo andar da estação de trem, então suba as escadas rolantes até o último andar. Pra Yerevan também existe trem noturno (entre Outubro e Maio só nos dias ímpares, no verão todo dia), que parte as 20:20, tem 1, 2 e 3 classe, custa entre 41 GEL a 115 GEL, e chega na capital da Armênia as 07:00 da manhã. A segunda opção é Marshrukta (da qual fiz), dura cerca de 6h, e entre 35 GEL a 40 GEL. A vantagem é que é mais rápido e você vê toda a paisagem no caminho, a desvantagem é que os motoristas não dirigem num modo tão seguro, se prepare para ver o motorista fumando e com telefone. A outra opção é avião, mas esse não sei os valores e destinos. - Visto Brasileiro e europeu são livres de visto. Quando entrei de trem por Azerbaijão, recolheram os passaportes e entregaram já carimbados, sem entrevista. - Câmbio Como Armênia e Azerbaijão, as principais moedas aceitas são dólar, euro e rublo. O euro estava em média 3.24 Lari. Na estação de trem em Tbilisi achei um dos melhores preços, mas em geral tem pouca diferença. Via entre 3.22 a 3.24. Estranhamente, quando fui a Mestia (cidade pequena nas montanhas) tinham uma cotação melhor ainda, 3.25. - Locomoção interna Grave bem esse nome: Marshrutka. É o principal meio de locomoção do país, tanto dentro da cidades quando viagens municipais e internacionais. Existe uma linha férrea do Leste a Oeste, fora disso, só com marashrutka. O grande problema pro turista é que essas vans (marshrutkas é basicamente uma van, nada de mais, tanto que vou chamá-las só de van porque é mais fácil escrever) não partem com horário marcado e não se encontra em site oficiais onde pegar, mas tenha certeza que vai ter van pra qualquer vilarejo, mas não é muito fácil decobri como. Os preços são meio tabelados, então todo mundo paga o mesmo preço, turista ou local. Devido a falta de horário pré-definido (que é baseado quando a van está completa, que parte) fica difícil planejar bate-volta pelo país. Que em geral vai ter uma disponibilidade maior de manhã, mas de noite já tem escasses. De linha férrea só é possível de Leste a Oeste em uma linha, com algumas cidades, as mais famosas como Batumi, Kutaisi, Tbilisi. É um tanto limitado, mas tem horário tabelado, pode-se comprar o bilhete online e custa pouco. A outra opção são os tours. Na cidade de Tbilisi existem dezenas deles, acredito que não faz diferença entre qual pegar, pois as empresas compartilham a mesma van, então é tudo igual. Quanto mais afastado do centro, mais barato fica (coisa de 5 a 10 GEL), fora de época também cai o preço. As vans ão confortáveis, e tem um guia. A vantagem do tour é que ele vai parar em lugares que com transporte público seria impossível, o custo vai ser em torno de 30GEL a 80 GEL (depende da distância, apenas de um dia). Existem até de 2 ou 3 dias. O tour lhe vai tomar o dia todo, então só é possível um por dia, pois mesmo para lugares relativamente perto, eles fazem outras paradas no caminho para 'preencher' o dia. Alguns vai ser de 6h e outros, como Vardzia, coisa de 10-12h. Devido a dificuldade do transporte público e do baixo valor do tour, acabei me rendendo a eles. Os princiapsi pontos, na minha opinião, do país - O que ver 1 - Tbilisi, que é a capital que, obviamente, é o principal destino do país. O centro não é muito grande, dá pra fazer tudo a pé. Existe metrô que passa na estação de trem e no centro da cidade. E possui alguns pontos de van que fazem trajetos intermunicipais. Dois dias é suficiente para conhecer a cidade. Em verde: Estação central, em vermelho: linha de metrô, em azul estação de ônibus (marshrukta) Se está chegando de avião, existe um ônibus que parte do aeroporto e chega ao centro de Tbilisi por 0,50 GEL, sim, é cinquenta centavos mesmo (ano 2019). Dura cerca de meia hora. Tem a opção de trem, que custa o mesmo tanto mas só tem duas vezes ao dia, uma as 8:35 e outr as 17:40, para na estação central Ou taxi, custa cerca de 25-30 GEL As estações de ônibus são: (vide mapa) 1 - Na estação central 2 - Estação de Avlabari 3 - Ortachala - O mais afastado, sem metrô por perto Pra usar o transporte, você chega na estação e sai perguntando pelo local que quer ir, alguém vai te direcionar pra van. É possível comprar o bilhete com antecedência, mas eu não sei onde compra. O detalhe é que as vans estão tudo escrito em georgiano ou russo, então a melhor forma mesmo é sair gritando o seu destino que alguém vai aparecer. Geralmente você vai pagar não direto ao motorista, mas a uma pessoa que cuida do caixa que está por lá, não tem bilhete ou comprovante, mas é tranquilo, e eles sabem que você pagou. Os horários vão depender pra onde vão, mas de manhã sempre tem, então se chegar lá pelas 08:00 vai conseguir embarcar pra alguem canto, as vezes é necessário esperar a van ficar cheia, e pode demorar ou não. O único horário que conheço é da van que vai pra Yerevan (Armenia), parte as 09:00 e 11:00 (tem de tarde também). Quando cheguei na estação de Avlabari, fui na direção das vans e já perguntaram se eu queria a ir Yerevan, disse sim, o rapaz perguntou se eu tinha uma reserva, disse que não, então ele me direcionou a uma van que faltava só um lugar para preencher, paguei 40GEL, apesar de que eu tinha lido que o valor é em geral 35. Como eu era o último e era 8:30 ainda, então aceitei. 2 - Mtskheta é a antiga capital da Geórgia, hoje se resume a um vilarejo com alguns monumentos históricos de mais de mil anos, a mais famosa é o Jvari Monastery, um monastério do século VI. A cidade fica a 20km de Tbilisi. Eu não cheguei a ir lá, mas se quiser ir por conta própria, dê uma olhada nesse site. Existem tours que passam lá. 3 - Telavi fica na região de Kakheti, famosa pelos seus vinhos (possuem mais de 500 tipos de tipo de uva!). A cidade tem uma igreja ( como em todo canto da Geórgia) e um forte, é um região bem calma, é bom para ficar tomando vinho e olhando a paisagem. Vans partem da estação de Ortachala, custam cerca de 10GEL. 4 - Sighnaghi é outra cidade famosa da região de Kakheti, e vai ser as mesmas coisas para se ver, um monastério por perto e uma cidade murada e experimentar vinhos. Vans partem de Samgori Station, três paradas de metrô depois de Avlabari, direção sul 5 - Kazbegi fica na região norte, divisa com a Rússia. A localização é famosa pelas montanhas, como o pròprio Kazbegi, com pouco mais de 5mil metros. Para ir, dê uma olhada nesse site. 6 - Gori é "famosa" porque é onde Stalin nasceu, tem um museu e o pessoal local realmente acha legal isso... Existe um forte na região. Para ir a Gori, pode ir com trem, que parte da estação central. 7 - Kutaisi é uma cidade a oeste onde tem o famoso Monastério de Gelati, Montsameta e a Catedral de Bragati. Também se encontra tours por aqui, mas os preços eram semelhantes de Tbilisi (mesmo estando perto de alguns lugares). Fica a 6h de Mestia e a 4h de Batumi, de van. A cidade em si não tem nada de interessante, serve mais para uma parada estratégica para acessar o lado oeste da Geórgia. Para chegar a Kutaisi basta pegar um trêm na estação central de Tbilisi, 5h de viagem, 9GEL (pode-se comprar online o ticket). o trem parte uma vez ao dia as 09:00 de Tbilisi, e as 12:20 de Kutaisi em direção a Tbilisi. Não possui ligação férrea com Zugdidi ou Batumi. Kutaisi - Em azul as igrejas, em vermelho P o centro da cidade, em Verde a estação de ônibus, em vermelho sul (Kutaisi I) a estação de trem de passageiros Para ir ao monastério de Gelati, tem uma van (2GEL) que parte do centro (a estação é atrás do Teatro) todo dia as 09:00, 11:00, 14:00 e 17:00. O monastério não é tão grande (basicamente uma igreja), em 30min você já visita todo ele. Então pra voltar é mais complicado, porque vai precisar esperar ou a próxima van chegar, ou pegar um taxi (cerca de 10GEL, mas dá pra negociar). Uma segunda opção é fazer a caminhada para Motsameta. São cerca de 2km. Na metade do caminho, tem duas possibilidades, pela estrada ou pela linha férrea (literalmente). A caminhada não é lá agradável, pois a vai precisar andar boa parte no acostamento da estrada. Mas ao menos economiza uns 5-10GEL de taxi. Se pretende fazer essa caminhada, recomendo fazer pela linha férrea, os trens que passam são lentos e barulhentos, então de longe já dá para vê-los e sair do caminho. Em verde pela estrada normal, em vermelho o atalho Para voltar a Kutaisi, deve retornar a estrada principal até um posto de gasolina (fica a uns 200m ao sul do Police Station). Todas vans que passam vão pra Kutaisi, basta acenar e entrar, custa 2GEL. Para visitar a Catedral de Bagrati, basta olhar para ela (fica no alto) e ir seguindo a rua que vai pareça que suba até lá, não tem muito mistério, é perto do centro. 8 - Batumi é uma cidade bem diferente da Geórgia, ela é voltada para turismo de Casinos e um pouco de praia. Alguns acham interessante, outros não. Se vê muitos prédios no centro. Para chegar, pode se pegar um trem direto de Tbilisi (esse é moderno) e dura cerca de 5h, duas vezes ao dia, as 08:00 e as 17:35. Custa cerca de 25 GEL. 9 - Mestia é a capital de Svaneti, é para cá que você vai se quiser visitar as montanhas e casas-torres famosas da Geórgia, o lugar é expetacular, se está vindo para Geórgia, tire uns dias para vir aqui. Existem vans que partem da estação central de Tbilisi as 06:00 da manhã, pois a viagem dura cerca de 9h, custa 30GEL. A segunda oção menos desconfortável é fazer boa parte do trajeto de trem. Para isso deve pegar rumo a Zugididi (no mapa em C). Existe um noturno e outro diurno. O noturno parte às 21:45, com custo entre 10GEL e 35 GEL, e chega as 06:00 da manhã. A grande vantagem é que, saíndo da estação já vai ver taxistas e motoristas de vans esperando os passageiros, ignore os taxistas e pegue qualquer van que vá a Mestia (os motoristas vão estar gritando "Mestia!"). Custa 20GEL e a viagem dura cerca de 3h a 4h, dependendo do clima. O trem diurno dura cerca de 6h, porém chega depois das 17:00, não sei se tem van a esse horário. Se você tiver dinheiro sobrando, pode vir de avião, custa cerca de 90 euros. A cidade em si é bem pequena, mas o que vale a pena é as trilhas para fazer nas montanhas clique aqui para ver as opções. Outros dois pontos famosos na Geórgia é o Davit Gareji Monastério (divisa com Azerbaijão, ponto A) e Vardzia Caves, que são as cavernas-casa que eram habitadas na idade média (ponto B). Para esses lugares não existe transporte público, deve fazer de carro ou excursões. - Clima O país é bem quente no verão, eu fui em Outubro e ainda sim estava 20 graus de noite, não menos. Em Agosto pode fazer 40 graus fácil. No inverno chega a fazer uns 5 graus. Nas montanhas obviamente tem um clima mais ameno, apesar de que eu fiz hiking numa montanha de uns 2.500m e não estava frio, talvez uns 15 graus, com vento. - Considerações finais O ponto alto da Geórgia é com certeza as montanhas piada não intencional. O país é o que tem mais a oferecer dos 3, recomendaria ao menos visitar Tbilisi, Sighnaghi e Mestia. Aqui eu acabei me rendendo aos tours, pois os preços eram acessíveis e eles fazem algumas paradas no meio do caminho que não seria possível com transporte público. A cidade não é tão moderna quanto Baku ou Yerevan, se vê mais facilmente casas e terrenos ao relento, mesmo perto do centro de Tbilisi. Se for uma apreciador de vinho, aproveite para comprar levar umas garrafas pra casa, pois são bons e não custam muito caro (vi preço médio entre 10GEL e 50GEL). Armênia Armênia e a Nagorno-Karabahk A Armênia tem menor PIB dentre os três, porém isso não o faz mais barato para turistas. Quando viajamos, obviamente não conhecemos os melhores lugares para comer, ou onde é mais barato, então acabamos indo a lugares mais turísticos e caros, e acabou me surpreendendo, pois foi onde eu tive o maior gasto por dia. Como a moeda tem uma conversão 525 dram para 1 euro (ou 118 para 1 Real), atrapalhou bastante a percepção de que se algo era caro ou barato, em comparação a Geórgia (1 Lari para 1,35 Reais, ou 0,30 euros) ou Azerbaijão (1 Manat para 2,35 Reais ou 0,50 euros) que dava para ter uma ideia melhor dos preços. Para se chegar na Armênia, tem a opção de avião, o aeroporto fica perto da cidade, uma corrida de taxi não deve sair mais que 5.000 dram (os taxis usam taximetro, exija que seja ligado, se não vão querer te cobrar o olho da cara, tipo taxista do Rio). A outra pção é por trem, vindo da Geórgia, e único país onde tem fronteira aberta com transporte público, e por último Marshrutka, como expliquei anteriormente como vir da Geórgia. Apesar de ter fronteira aberta com Irã, não tem transporte público entre os dois países. Ao Oeste o Kilikia Bus Station e ao Norte Yeravan Bus Station e ao sul a Estação central de trem A melhor opção de ir ao centro tanto da estação de ônibus quanto da de trem é com taxi, eles são baratos, não pague mais que 2.000 drams. Nagorno-Karabakh ou República de Artsakh é uma situação complicada, então não entro em detalhes políticos. A situação atual é que a região está sob domínio de população armênia, pois a região pertence ao território azeri, desde do cessar fogo de 1994 (É como se fosse uma região separatista do Azerbaijão). A única forma de entrar é pelo lado armênio, que tem fronteira normal entre dois países, com imigração e carimbos, mas nesse caso o carimbo é feito em um papel a parte, já que o país não é reconhecido por quase nenhum outro, entrar lá significa banimento no Azerbaijão. Existem outras fronteiras abertas com a Armênia, porém só a principal que tem controle. O país é montanhoso, o que significa pouco território plantável, o que acaba concentrando seus habitantes na capital, o restante são basicamente vilarejos, o que atrapalha bastante se locomer com transporte público. - Visto Brasileiro e europeu são livres de visto. A Armênia começou a facilitar a entrada de uns anos para cá, pois viram que o turismo é um bom negócio. Eles geralmente perguntam se já foi no Azerbaijão, mas se virem que foi apenas a turismo, não vão complicar. Uma das poucas exigências é ter o endereço do seu hotel/hostel, pois é anotado no sistema, e, em alguns casos mais estranhos (que li em um outro blog) as vezes pedem o endereço do hotel que ficou no Azerbaijão, então se já foi lá, melhor deixar em mãos. (Mas, convenhamos, entrando como brasileiro, eles vão estar mais contentes que desconfiados) - Câmbio Como Geórgia e Azerbaijão, as principais moedas aceitas são dólar, euro e rublo. O euro estava em média 525 Dram. Troquei poucas vezes o dinheiro aqui, mas me parece que as casas de câmbio tem um valor bem semelhante. - Locomoção interna Também é feita por marshrutkas, mas a frequência é bem pouca, comparado com a Geórgia, aqui também a melhor forma de conhecer o país é por tours ou carro alugado, com agravante que poucos falam inglês, então não é simples se locomover com transporte público. A Capital, apesar de seus 1 milhão de habitantes, se resume ao centro para os turistas, fora disso não tem muito pra ver, aqui se faz tudo a pé. Estrelas - em verde: Yerevan, capital, em azul: Vagharshapat, cidade religiosa, em roxo: Sevan, no lago, em amarelo: Jermuk, o vilarejo de águas naturais Em vermelho monastérios, em laranja o templo pagão - O que ver Yerevan (em verde) a capital do país e onde concentra 1/3 da população, obviamente o principal destino. A centro não é grande, se faz tudo a pé, em um dia dá para explorar bem a cidade. Ela é uma cidade bem moderna e organizada, diferente do que vi em Tbilisi. A cidade é do estilo que passear para descobrir, não tem nenhuma atração que diria imperdível, talvez só subir na escadaria, de onde você pode ver a cidade inteira por cima, e o monte Ararat. Também se vê muitas agências de turismo para conhecer o interior, mas achei bem caro 90% delas. A única que achei com preço em conta foi a One Way, (não estou ganhando por divulgação :p). Vagharshapat (em azul) é tipo o Vaticano dos armenios. Não é que um país separado, é só uma cidade, mas é porque é o centro religioso do país. É onde possui o mais antigo mosteiro do país, e outros monumentos relacionados. Para chegar com van, deve-se pegar na estação de ônibus de Kilikia, número 203. por ser uma região bem procurada, tem uma frequência alta. A viagem dura cerca de 45min e faz a parada final bem no centro. Sevan (em roxo) é a cidade que fica no lago, o que tem de interessante é a paisagem, um bom lugar pra relaxar. Deve se pegar a van na estação norte, mas não conheço os horários Jermuk (em amarelo) é a cidade das águas, a região tem spa e águas termais, é bem pequeno. Para ir deve-se pegar a van na Kilikia Bus Station, frequência muito baixa, uma ou duas vezes ao dia A segui a lista de outros lugares a visitar, mas com praticamente nenhuma forma de ir com transporte público. A opção mais em conta é ir com tours. 1 - Khor Virap é um monastério que tem a melhor visão do Ararat, além do ponto mais próximo do monte (que fica na Turquia), a região é muito bela, um lugar que vale a pena visitar. 2 - Templo di Gharni (laranja) é um antigo templo pagão do século I, o único que restou de templo não cristão. A pouca distância também tem a formação rochosa vulcânica em hexágono, A vista panorâmica é belíssima. Monastério de Gheghard (vermelho), como outros monastérios da Armênia, é um estilo que você vai encontrar em qualquer lugar. 3 - Saghmosavan é outro monastério famoso do país. 4 - Tsaghkazdor é uma cidade de resorts, a região é famosa pelo ski e fontes termais, devido ao clima, é uma cidade um pouco mais fria e muito verde e florida. 5 - Novarank Monastery, como podem ver, é mais um monastério antigo do país. 6 - Tatev é a outro monastério, mas esse tem um detalhe a parte, ela fica numas das regiões mais belas do país, e para chegar a ela, deve-se pegar um teleférico que atravessa as montanhas, que faz um trajeto de uns 5km, ou 12min. O único problema é que ela fica em uma região um tanto isolada para fazer com transporte público, tem pouco opção de hospedagem em torno. Porém eu achei tour de um dia para lá, são cerca de 12h o dia todo, custo em torno de 8.000 dram (cerca de 17 euros). 7 - Kari Lake é um lago aos pés do monte Aragat (não confundir com Ararat). Fica a 3.000 metros de altura e é uma região para fazer trekking. Devido a altura, é quase certo que encontrará gelo ou neve. Como é na montanha, não tem transporte público, a única forma é com tour ou com carro, são cerca de 1:30 de Yerevan. - Clima O país também é quente no verão, e frio no inverno, devido ser uma região motanhosa, será mais frio do que na Geórgia e Azerbaijão. Estive em meados de Outubro e peguei uma temperatura entre 15 e 25 graus. - Considerações finais O país me surpreendeu positivamente, imaginava uma capital pequena e subdesenvolvida, mas encontrei uma cidade grande, rica, bonita, arrumada e limpa. Também é um país em que, para conhecer o interior de forma mais rápida, é melhor ter um carro alugado ou fazer tours. Recomendo fortemente conhecer o interior leste do país, pois são paisagens belíssimas e muito diferente do que estamos acostumado (até para europeus), apesar de não ser tão simples viajar país adentro. O país também é conhecido pelos vinhos, com cultura milenar, aproveite para fazer degustação. Dentre as três capitais, foi o qual eu mais gostei. Aqui termina as informações básicas da região. Se quiserem fazer perguntas, basta responder o tópico me marcado, responderei com prazer.
  26. 9 pontos
    Resumo: Itinerário: Salvador a Recife Distância Aproximada Entre Origem e Destino (Google Maps): 784 km Distância Aproximada Percorrida Incluindo Passeios: 1.100 km Período: 24/07/2019 a 01/09/2019 (39 dias) Gasto Total: R$ 2.293,33 Gasto sem Transporte de Ida e Volta: R$ 1.779,43 - Média Diária: R$ 45,63 Ida: Voo de São Paulo (Congonhas) a Salvador pela Latam por R$ 212,95, sendo R$ 180,00 de passagem e R$ 32,95 de taxa de embarque. Volta: Voo de Recife a São Paulo (Guarulhos) pela Latam por R$ 300,95, sendo R$ 268,00 de passagem e R$ 32,95 de taxa de embarque. Paradas: 1- Salvador (Santo Antônio, próximo do Pelourinho): 1 dia 2- Salvador (Itapuã): 2 dias 3- Arembepe: 1 dia 4- Praia do Forte: 2 dias 5- Imbassaí: 1 dia 6- Subaúma: 1 dia 7- Baixio: 1 dia 8: Sítio do Conde: 1 dia 9: Costa Azul: 1 dia 10: Coqueiro - BA: 1 dia 11: Estância - SE: 1 dia 12: Aracaju: 3 dias 13: Pirambu: 1 dia 14: Ponta dos Mangues: 1 dia 15: Saramém - SE: 1 dia 16: Pontal do Peba - AL: 1 dia 17: Coruripe: 1 dia 18: Jequiá da Praia: 1 dia 19: Barra de São Miguel: 1 dia 20: Maceió: 3 dias 21: Paripueira: 1 dia 22: Barra do Camaragibe: 1 dia 23: Porto de Pedra: 1 dia 24: Maragogi - AL: 2 dias 25: Tamandaré - PE: 1 dia 26 Porto de Galinhas: 3 dias 27: Cabo de Santo Agostinho: 2 dias 28: Recife: 1 dia Considerações Gerais Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, rios a atravessar, meios de transporte e informações adicionais que eu achar importantes. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais: Em boa parte da viagem houve bastante sol e pancadas de chuva breves, geralmente fraca ou só garoa. Dias com chuva prolongada foram poucos (acho que só uns 3). Não houve raios. A chuva, quando me pegava nas praias, apesar de não ser tão forte, tornava-se mais sensível devido ao vento forte. As temperaturas estiveram bem razoáveis (para um paulistano), variando de 20 C a 30 C. A sensação térmica às vezes era mais baixa por causa da chuva ou mais alta por causa do asfalto ou da areia. As praias, o mar, as lagoas, a vegetação, as paisagens rurais, os mirantes, as construções históricas e típicas e as igrejas agradaram-me muito . Em alguns trechos de mar aberto, o mar estava muito bravo, com ondas fortes e enormes, com muita correnteza, algumas vezes com direções conflitantes. Derrubou-me várias vezes. Em Sergipe o mar tinha cor escura, barrenta. Dava aparência de poluição ou sujeira para um leigo como eu, mas provavelmente eram sedimentos vindos de rios (talvez o São Francisco e o Real principalmente) e da chuva. Nos outros locais, principalmente em Alagoas, o mar tinha uma cor verde linda . Peguei 4 cocos na praia e 1 banana no chão em um caminho. Encontrei muito lixo nas praias, principalmente plástico. Encontrei também algumas tartarugas e peixes mortos. A população de uma maneira geral foi cordial e gentil. Em Baixio a Pousada Espaço Litoral aparentemente não quis me hospedar devido à minha aparência (de mochileiro andarilho), mas foi um episódio isolado. Foi impressionante a generosidade dos donos de acomodações e comerciantes, sendo que vários ofereciam cafés da manhã que eu não havia contratado ou produtos adicionais nas minhas compras . Procurei ser o mais educado possível e recusei quase todos para não abusar da hospitalidade. Em áreas remotas de Sergipe houve alguns trechos em que foi difícil conseguir acomodação para pernoitar. Em muitas localidades pequenas o comércio e a recepção das pousadas fechava cedo, o primeiro entre 17h e 19h e a segunda perto de 20h. A caminhada no geral foi tranquila. Os maiores problemas foram os rios a atravessar. Mas acabei conseguindo as travessias em quase todos. Não tive nenhum problema de segurança (nenhuma abordagem indesejada) nas praias nem nas estradas nem nas cidades. Precisei desviar de um trecho em Barreiras (Alagoas), em que havia um rio a atravessar para chegar no Pontal de Coruripe, devido ao domínio da área por traficantes (Boca de Fumo). Vários disseram-me para não passar ali e eu resolvi atendê-los e ir este trecho pela estrada. Muitos aceitaram cartão de crédito, mas vários com acréscimo. Um número maior aceitava cartão de débito, poucos com acréscimo. Meus gastos foram R$ 299,73 com alimentação, R$ 1.378,00 com hospedagem, R$ 101,70 com transporte durante a viagem, R$ 65,90 com taxas de embarque de ida e volta e R$ 448,00 com as passagens aéreas de ida e volta. Mas considere que eu sou bem econômico. A Viagem: Minha viagem foi de SP (Aeroporto de Congonhas) a Salvador na 4.a feira 24/07/2019 pela Latam (https://www.latam.com). O voo saía às 10h30 e estava previsto para chegar às 12h55. Paguei em 4 parcelas com cartão de crédito. Não pude escolher o lugar gratuitamente e não fiquei na janela. Durante o voo conversei com uma analista ambiental sobre a situação do meio ambiente em SP e no Brasil. Ganhei um cappuccino 3 Corações de chocolate de cortesia da Latam e da 3 Corações. Ao chegar, saquei dinheiro e peguei o ônibus do aeroporto até o metrô e depois o trem até a estação Campo de Pólvora, perto do Pelourinho, por R$ 3,70 pagos em dinheiro. Fiquei na Casa 37 Guesthouse (https://www.facebook.com/Casa37Guesthouse), que havia reservado pelo Booking (https://www.booking.com). No caminho da estação até lá, passei por parte do centro e fui apreciando a cidade. Paguei R$ 18,00 a diária, em dinheiro, sem direito a café da manhã. A proprietária Gisélia estava com o pé machucado, tinha desabilitado novas reservas e só esperava a mim naquele dia. Fiquei só numa cama num quarto compartilhado, com banheiro dentro. Depois de me acomodar aproveitei a tarde para ir visitar as obras da Irmã Dulce (https://www.irmadulce.org.br). Fui bem atendido e o recepcionista abriu uma exceção para eu conhecer o santuário, que estava em reforma, acompanhando-me. Gostei bastante dos vários itens, incluindo memorial, capela e santuário, tudo mostrando a vida simples e dedicada dela. Na volta passei pelo mirante em Santo Antônio com vista para a Baía de Todos os Santos. Visitei também algumas igrejas no centro, perto do hostel e no caminho para as obras de Irmã Dulce. No fim da tarde e começo da noite fui visitar o Terreiro de Jesus, que havia sido revitalizado, com sua bela fonte e passei pela escadaria em que foi filmada a primeira versão de “O Pagador de Promessas”. Não encontrei espetáculos no Pelourinho. Jantei sanduíches e banana que tinha trazido de casa. Conversei com moças de Fortaleza que estavam no hostel e haviam vindo de ônibus e estavam trabalhando em casas de confecção. Elas falavam do frio e chuva de Salvador, diferente de Fortaleza naquela época do ano. Para as atrações de Salvador veja http://salvador-turismo.com, http://www.salvadorbahiabrasil.com/atracoes-salvador.htm e https://viagemeturismo.abril.com.br/cidades/salvador-7. Gosto bastante da cidade, mas já tinha estado nela antes. Meu objetivo nesta viagem não era conhecer muitos de seus atrativos, somente alguns que eu não conhecia e estavam perto dos meus pontos de parada. Na 5.a feira 25/07 tomei café da manhã com sanduíches que havia levado de casa, conversei com portuguesa hospedada no hostel e fui pegar o ferry boat para Bom Despacho por R$ 10,00 no cartão de crédito (ida e volta). Eu tinha levado parte das cinzas do meu pai para jogar na Baía de Todos os Santos e achei que a melhor opção era aquela. Peguei o barco das 8 horas. Falei com o Imediato Caetano e ele disse que eu poderia jogar sem problemas. Após o barco afastar-se razoavelmente do porto, joguei-as, de punhado em punhado. Pouco depois ele me encontrou na parte superior e perguntou se já tinha jogado. Disse-me que havia comunicado ao capitão e este perguntou se eu queria que ele parasse o barco um pouco para que eu jogasse (o barco tinha provavelmente mais de 100 passageiros). Dei um rápido passeio em Bom Despacho e voltei no barco das 10 horas. Cheguei de volta ao hostel pouco antes de meio dia e perguntei a Gisélia, que já estava melhor do pé, se poderia ficar um pouco a mais, para poder visitar o Centro de Convivência Irmã Dulce, que era ao lado. Ela disse que isso poderia abrir um precedente. Para guardar a mochila ela cobrava R$ 10,00, com direito a uso do banheiro e demais instalações até a noite. Preferi sair na hora então e fui visitar o Centro de Convivência carregando a mochila. Muito interessante o trabalho que eles faziam com atividades gratuitas para toda a comunidade. Depois de lá rumei a pé para Itapuã. Foram cerca de 18 km. Não tive nenhum problema de segurança e acertei o caminho, com nomes de ruas e indicações no papel e pedindo muitas informações. Muitos deram-me sugestões, às vezes querendo mudar o caminho base que eu tinha traçado, o que eu não fiz. No trecho final fui pela orla, admirando a praia e o mar a partir do calçadão. No caminho comprei pães normais por R$ 1,00 e um pão de queijo por R$ 1,00 pagos em dinheiro. Fiquei no Hostel Sal Bahia (https://www.facebook.com/hostelsalbahia), da proprietária Dil, que era paulista, por R$ 28,50 em dinheiro a diária, com direito a café da manhã. Lá estava uma família de Niterói, 1 rapaz de Sergipe sendo treinado em telefonia por outro de Recife (um deles se chamava Carlos) e uma dupla de profissionais de escolta armada, sendo que um era de Recife e torcia para o Náutico. À noite comprei pães por R$ 3,00 e vegetais (pepino, chuchu, batata, mandioca, tomate e laranja) por R$ 4,40 e fiz sanduíches para o jantar. Antes fui dar uma volta na orla e comi abará e tapioca com açúcar e canela por R$ 8,00. Todos os alimentos foram pagos em dinheiro. Na 6.a feira 26/07 tomei o café oferecido pelo hostel (2 pães, margarina, café, leite e abacaxi). Depois fui à Lagoa do Abaeté. Havia muitos seguranças. Haviam dito que poderia ser perigoso o local, em termos de assaltos, mas achei tranquilo. Porém não entrei nas trilhas no meio do mato. Achei as vistas da lagoa e da vegetação no entorno muito bonitas. Fiz 3 travessias pequenas e achei a água deliciosa. Voltei, almocei sanduíches e fui caminhar na praia. Comecei indo conhecer os monumentos às Sereias de Itapuã e a Vinicius de Moraes. Pela manhã, quando havia passado rapidamente para ver as Sereias, um morador local veio cumprimentar-me e falar comigo, imagino que para conhecer um viajante de fora dali. Depois fui até o Farol de Itapuã e depois parti rumo ao Sul, indo até o Jardim dos Namorados, já perto de Pituba. Depois, quando retornando ao hostel ainda tive tempo de visitar o Parque de Pituaçu, com seus lindos lagos, área verde e vistas. Um homem que estava sentado num banco com roupa social, a quem eu havia pedido informações sobre o parque, pediu para falar comigo sobre Jesus. Ficamos conversando alguns minutos. Voltei pela praia, admirando as lindas vistas do mar e da orla, de dia e após escurecer. Jantei um mini acarajé por R$ 1,00, um acarajé por R$ 5,00 (ambos em dinheiro) e salada (batata, mandioca, chuchu, pepino, tomate e cenoura – esta última tinha trazido de SP), com laranja de sobremesa comprados no dia anterior. Durante o jantar conversei com Bruno, sobrinho da Dil, e pessoal da escolta armada. Levei um acarajé da Dry (dona do ponto) para a Dil numa vasilha plástica, conforme ela havia pedido. No sábado 27/07 tomei o café da manhã oferecido pelo hostel (2 pães, margarina, café, leite, 2 pedaços de melão), despedi-me de todos (Dil levou-me ao portão) e parti rumo a Arembepe. Antes de entrar na areia da praia comprei 5 pães por R$ 1,00 em dinheiro. Entrei na praia na altura do Monumento às Sereias de Itapuã. O tempo estava bom pela manhã e a praia estava cheia. As paisagens pareceram-me lindas, embora as praias fossem bem urbanizadas, com muitos condomínios. Atravessei o Rio Joanes andando, orientado por salva-vidas e por praticantes e instrutores de kitesurf, que estavam dentro dele. Segui bancos de areia, mas no trecho final havia um canal que por um instante não deu pé, o que molhou levemente o fundo da mochila, mas a água não entrou. Havia várias pessoas praticando kitesurf na barra, conforme foto abaixo. Ocorreu uma rápida pancada de chuva no meio da tarde e eu me abriguei atrás de um coqueiro, posto que a chuva era lateral, devido ao vento. O mar estava bravo e o vento forte. Havia algumas bonitas paisagens com áreas de remanso criadas por barreiras de pedra um pouco distantes da praia nas quais o mar batia forte. Quando veio outra pancada de chuva, entrei embaixo de um quiosque e um segurança falou-me que eu não poderia abrigar-me naquela área privada, mas passou via rádio informação aos da frente para que me dessem abrigo. Pouco à frente fiquei debaixo de um coberto de madeira, atrás de uma tora. Quando a chuva amainou outro segurança veio conferir as informações, perguntar-me se eu ainda precisava de abrigo e me dar informações sobre como achar hostels ou hospedagem barata em Arembepe. Logo em seguida cheguei a Arembepe e fiquei no Hostel da Fá (https://www.facebook.com/hosteldafa), em cama de quarto compartilhado por R$ 25,00 em dinheiro, sem café da manhã, onde fui atendido originalmente por Benedita, mãe da Fá. O quarto estava vazio, então fiquei só. Uma pessoa havia dado uma referência negativa do hostel, mas eu fui muito bem atendido e fiquei satisfeito. Era simples, mas supriu tudo de que eu precisava. Comprei pães por R$ 3,00, chuchu e pepino por R$ 1,00 e abobrinha e laranja por R$ 1,22, tudo pago com cartão de crédito. Jantei sanduíches, com laranja e pão com goiabada de sobremesa. Houve várias pancadas de chuva depois que cheguei ao hostel, principalmente depois de escurecer. Fá ofereceu-me café e suco de jenipapo de cortesia, que eu educadamente recusei. Seu filho interessou-se pelo meu celular velho. Havia entrado um pequeno espinho ou objeto estranho no meu pé direito e eu o cavoquei para tirá-lo, deixando uma pequena parte do pé em carne viva , o que se mostrou desastroso alguns dias à frente. No meio da noite chegou um casal e ficou na área anexa ao quarto. Eu acordei com o barulho da chegada deles e fui tirar a mesa que havia colocado para escorar a porta do corredor que abria com o vento. No domingo 28/07 inicialmente dei um passeio pelo povoado, saquei dinheiro, comprei pães por R$ 3,00 com cartão de crédito e tomei café da manhã com sanduíches. Começou a chover com moderada intensidade e eu esperei passar para sair. Saí perto de 8h10, passei por uma área à beira-mar destruída pelas tempestades recentes e fui conhecer a Aldeia Hippie. Gostei bastante, principalmente do Centro de Artesanato, da lagoa e do rio. O morador Oz pediu-me uma força de R$ 5,00 em troca de um artesanato em clave de sol. Ao invés disso, ofereci a eles pães de milho, que não quiseram. Achei bela a vista do alto das dunas em que ficava parte da aldeia, estando de um lago a lagoa, o rio e a vegetação e de outro o mar. Havia uma pequena base do Projeto Tamar, cuja visita era paga. Não a visitei, pois pretendia ir para a Praia do Forte. Uma foto de uma praia em Arembepe está a seguir. Ao longo do caminho achei as praias belas. Tomei um banho de mar, que estava tão bravo e com correntes erráticas, que me levou para um buraco. Chegando à Barra do Jacuípe, um barqueiro atravessou-me por R$ 2,00 em dinheiro. Uma foto de lá segue abaixo. Caminhei de lá até a Barra do Pojuca, passando por praias que achei bonitas. Não consegui atravessar andando a Barra do Pojuca. Tentei sem a mochila, mas a forte correnteza me fez crer que com a mochila não conseguiria. Não havia mais barqueiros, pois era perto de 17h. Peguei a estrada então e fui até a cidade, mas não encontrei pousadas baratas. Resolvi pegar o ônibus para a Praia do Forte, onde sabia que tinha um hostel. Paguei R$ 3,00 em dinheiro pelo ônibus. No ônibus começou uma conversa exacerbada entre amigos sobre política, com um dizendo que o Brasil era socialista e por isso estava nesta situação e outro falando contra o presidente, o que confirmou a polarização existente atualmente. Fiquei no Praia do Forte Hostel (https://www.albergue.com.br), pagando R$ 70,00 em dinheiro por uma cama em quarto compartilhado, com direito a bufê de café da manhã. Comprei espaguete por R$ 2,40, legumes (chuchu, pepino) e laranja por R$ 1,91, tudo com cartão de crédito, cozinhei o espaguete e os jantei. De sobremesa comi biscoitos de maisena cortesia do hostel. Fiquei sabendo que meu primo havia sofrido um ataque cardíaco e partido inesperadamente deste mundo por volta de 11h da manhã. Na 2.a feira 29/07 comecei o dia tomando o excelente café da manhã oferecido em forma de bufê, com pães, ovo, banana assada, frutas, bolos, sucos (umbu, laranja), etc. Choveu bem cedo e depois a chuva retornou após as 13h30, parou perto de 15h e voltou no fim da tarde. Fui visitar o Projeto Tamar (https://www.tamar.org.br). Achei espetacular . Havia tartarugas de 4 espécies, tartarugas albinas, tubarões, arraias, vários tipos de peixes, tartarugas pequeninas recém-nascidas, esqueleto pré-histórico, carapaças, cinema referente ao projeto, exposições etc. Havia também momentos em que os tratadores iam alimentar os animais com a presença do público. Havia muita gente visitando, incluindo muitos estrangeiros e muitas crianças. O ingresso custava R$ 26,00, mas hóspedes do hostel tinham entrada gratuita a qualquer hora e dia em que estivesse aberto. Era permitido passar a mão nas arraias. Após conhecer boa parte e fazer a visita guiada pela manhã, fui à foz do Rio Pojuca, que não tinha conseguido atravessar. Pela praia era bem mais perto. Tomei um banho no mar bravo. Voltei para completar a visita ao Tamar e ver as alimentações da tarde, incluindo a dos tubarões. A vista do mar a partir dos fundos do Projeto Tamar também me pareceu muito boa. Havia também um farol para navegação e uma igreja antiga nas imediações. No hostel conheci franceses e brasilienses. Jantei espaguete com um pouquinho de arroz (peguei das comidas compartilhadas), pepino, chuchu, laranja e biscoitos de maisena. Na 3.a feira 30/07 depois do bufê no café da manhã, fui explorar outros pontos da região. Peguei a trilha do Parque Klaus Peters, com vegetação da restinga, com várias informações, de que muito gostei. Voltei pela avenida e fui visitar o Projeto Baleia Jubarte (http://baleiajubarte.org.br). A entrada custava R$ 10,00, mas também era gratuita para hóspedes do hostel. Gostei do projeto, embora não o tenha achado tão espetacular quanto o Tamar, pela falta de animais vivos. Mas havia muitas informações, exposições, cinema e um esqueleto de baleia. Depois de lá peguei a trilha para o castelo. Achei bonita a vista da lagoa urbana. Não entrei no castelo, que era pago (R$ 15,00, com 50% de desconto para hóspedes do hostel). Na volta, depois de fazer a saída do hostel, ainda passei no Projeto Tamar para rever alguns itens de que tinha gostado e tirei fotos das tartarugas albinas e de um dos tubarões lixa Após isso rumei para Imbassaí, que não era muito longe e onde havia outro hostel mais barato, até onde eu sabia. Comecei a caminhar perto de 15h e cheguei lá perto de 17h. Achei muito bonitas as praias do caminho. Tomei 2 banhos de mar. Elas pareciam ter pedras ou corais no fundo. O mar novamente era bravo e uma onda me pegou no raso e me fez dar um giro involuntário de 360 graus. Fiquei hospedado no Eco Hostel Lujimba (https://www.imbassaihostel.com.br/?lang=pt), por R$ 35,00 em dinheiro a cama em quarto compartilhado, sem café da manhã. O dono era o argentino Roberto, mas já bastante aclimatado ao Brasil. Lá fiquei no quarto com um casal que morava na Escócia, em Edimburgo, um deles brasileiro e o outro escocês, que estava ali fazendo trabalho voluntário no hostel. Havia também um húngaro que falava fluentemente português. O hostel era numa estrada de terra e tinha um bosque dentro de suas dependências. Tinha um espaço num andar superior com símbolos de várias religiões, principalmente orientais, e ambiente para ioga, meditação e descanso. Comprei espaguete por R$ 1,85 e vegetais (abobrinha, mandioca, limão e laranja) por R$ 2,73, ambos com cartão de crédito, cozinhei o espaguete e comi no jantar com os vegetais. Na 4.a feira 31/07 comi a laranja no café da manhã. Roberto contou 2 histórias. Disse que um rapaz estava caminhando por uma estrada, um carro passou por ele e percebeu que nos próximos 100 km não havia vestígios de civilização. O caminhante tinha barba e cabelo parecidos com os de Jesus. O homem do carro voltou os 100 km e deu carona para o caminhante até passar por aquele trecho deserto. Com isso ele andou 200 km a mais do que precisaria. A outra história foi de uma mulher negra de cerca de 60 anos que ele viu andando nua na estrada, equilibrando uma bandeja na cabeça. Ele falou que ela tinha a postura de uma rainha. Parecia um orixá. Depois do café fui conhecer o bosque interno e a área de meditação e ioga. Despedi-me deles e parti. Depois que saí comprei pães, comi 4 para complementar o café e guardei 5 para o decorrer do dia. Paguei R$ 3,00 com cartão de crédito por eles. O dia inteiro foi de sol e achei as praias muito bonitas. Passei pela Costa do Sauípe, com suas acomodações luxuosas. Sua praia estava cheia de pessoas. Quando cheguei ao canal para atravessar para Porto Sauípe, percebi que não dava para atravessar andando. Vi um homem do outro lado e gritei para ele, mas ele ou eu não conseguimos nos ouvir. Resolvi então atravessar a nado para poder conversar com ele. Ele era Jorge, dono de barraca da praia e de um barco. Perguntei se ele poderia me atravessar com o barco, mas ele me disse que o barco estava fundeado e que devido às chuvas, seria problemático liberá-lo e depois ancorá-lo novamente. Perguntei se tinha uma tábua ou algo parecido e ele me disse que cuidava das pranchas dos salva-vidas e que eu poderia usar uma. Achei a solução perfeita. Mas fazia muito tempo que eu não usava uma prancha e estava completamente sem experiência. De qualquer modo, peguei a prancha e atravessei em cima dela, com facilidade. Ele me alertou que ela estava de ponta cabeça, pois o leme estava aparente. Coloquei a mochila nas costas, virei a prancha e fui bem para a ponta perto do mar, onde ele recomendou, para aproveitar a corrente. Mas eu não parei para analisar direito a situação e segui o que ele falou sem pensar mais profundamente. A travessia ia indo bem, até que quase no fim eu vi o barco ancorado e vi que tinha que desviar dele e de suas cordas. Rapidamente tentei fazer isso antes de bater, mas as cordas pegaram no leme da prancha e ela quase virou. Eu, com minha falta de experiência com pranchas, estava muito à frente, o que dificultou ainda mais o equilíbrio. Depois de bater nas cordas e a prancha quase virar, consegui me reequilibrar e remei com as mãos para desviar das outras cordas e consegui chegar à margem. Jorge havia pulado na água, achando que eu não iria conseguir. Gritei para ele não fazer aquilo, mas acho que ele ficou preocupado. Depois de sair da água, agradeci, pedi desculpas pelo incômodo dele ter-se molhado e guardei a prancha onde a tinha pego. Quando a prancha quase virou, a mochila forçou minhas costelas e elas ficaram doloridas. Essa dor arrastou-se por vários dias. Segui pelas praias, que continuei achando muito bonitas. Peguei 3 cocos que estavam no chão, 2 com muita água e massa e o 3.o eu levei na mochila, após desbastar a parte externa. Passei por uma praia de nudismo, mas como estava deserta, pude ficar vestido. No entardecer tirei esta foto, já perto da chegada à cidade de Subaúma. Ao chegar, encontrei J Jr na praia e ele me recomendou ir à Pousada da Didi (http://pousadadadidi.com), que achava ser a mais barata da cidade. Fui até lá e apesar do preço regular ser R$ 60,00, ela me cobrou R$ 30,00 em dinheiro por quarto privativo, com banheiro interno e com café da manhã. Ainda me ofereceu o jantar, mas eu achei que era demais e somente comi um pouco do cozido que ela havia feito para não a deixar chateada. Douglas e Valdo foram os funcionários (afilhados) que me atenderam. Valdo abriu o coco para mim. Fui comprar banana e chuchu por R$ 0,85 em dinheiro para juntar com o resto do espaguete que eu tinha. Cozinhei o espaguete no fogão dela, misturei com o chuchu, banana e coco, e peguei um pouquinho do cozido de legumes que ela tinha feito. Ao ir fazer compras conheci um artista de Salvador que morava lá e pretendia pintar a partir de uma foto aérea da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim de Salvador. Douglas assistiu comigo o jogo do Flamengo com o Emelec pela Libertadores à noite. Ele era flamenguista e ficou feliz com a vitória nos pênaltis, apesar de ter sofrido um pouco, embora parecesse bastante confiante. Na 5.a feira 01/08 senti a dor nas costelas bem maior ao acordar. Tomei o café da manhã ofertado por Didi (5 pães com margarina e queijo tostados, cuscuz, café e leite em pó). Ela me contou que o médico disse que ela tinha 2 anos de vida, estava com cirrose hepática e anemia e não podia fazer transplante por ter 80 anos. Ela era diabética e tomava insulina. A situação me comoveu, mas faz parte da vida. Talvez a visita de um “nem tão jovem” estranho tenha alegrado um pouco aqueles momentos e a feito lembrar de seus filhos. Até por isso talvez ela tenha querido ser tão gentil e generosa. Saí perto de 8h30. Antes de começar a caminhada visitei a Igreja do Bonfim, simples, antiga e bonita. Encontrei o rio próximo na maré vazante, mas ainda bem cheio. Fiz um teste de travessia sem a mochila e consegui passar com água quase no pescoço. Fui então com a mochila na cabeça, tateando o chão com os pés e consegui passar sem molhar a mochila. Achei as praias do percurso muito extensas e bonitas. A foto de uma delas está a seguir. Começou a aparecer uma bolha no local do pé que eu havia cavocado e que tinha ficado com a carne exposta. Cheguei perto de 13h, pois a próxima parada era distante e achei que não valia a pena continuar. A Pousada Litoral, da proprietária Nete, aparentemente não quis me hospedar, provavelmente pela minha aparência de andarilho. Sua conhecida da Associação de Artesãos havia ligado para ela e ela disse que havia vaga a R$ 50,00 a diária. Mas quando cheguei lá, notei a cara de espanto da funcionária ao me ver, que disse que ela não estava, depois disse que não estava conseguindo falar com ela e por fim, o homem que estava na área da entrada subiu até onde ela estava e voltou dizendo que não estavam hospedando ninguém porque estavam em reforma. Propus-me a mostrar meus documentos, mas eles repetiram que estavam em reforma e eu me fui. Fiquei na Pousada Destaque (https://www.facebook.com/pousadadestaquebaixio) de Paulo, pagando R$ 60,00 com cartão de débito em quarto privado, sem direito a café da manhã. Depois de me acomodar saí para dar um passeio nas imediações, conheci a Associação dos Artesãos e fui andar na praia. Entrei levemente no mar, que estava muito bravo e depois nadei numa lagoa próxima. Vi o pôr do sol a partir da barra do rio que ficava após a cidade. Comprei chuchu e pepino por R$ 1,41 com cartão de crédito. Paulo deixou-me usar a cozinha e eu cozinhei espaguete e jantei com os legumes comprados. Conversei com ele sobre seu antigo trabalho de motorista de carreta, suas atividades atuais como mecânico e outras. Ele tinha 70 anos e estava aposentado há 22, mas achei que aparentava bem menos, com sua enorme vitalidade. Na 6.a feira 02/08 Paulo ofereceu-me café da manhã sem estar na diária. Perguntei-lhe se não iria dar prejuízo, mas ele fez questão. Comi ovo frito e cuscuz. Ele me ofereceu também pães e leite, mas eu procurei não abusar e fiquei só nos dois primeiros. Conversamos sobre minha viagem e ele falou das dificuldades com os rios e as travessias que eu iria encontrar à frente. Comprei pães por R$ 2,80 em dinheiro para complementar o café e usar ao longo do dia. Comecei a caminhada e logo de saída era necessário atravessar a barra do rio. Um morador local e pescadores orientaram-me sobre por onde ir. Fiz o teste sem a mochila, mas achei que não conseguiria, pois a água parecia que iria me encobrir, além da correnteza que poderia me desequilibrar. Voltei para margem no momento em que por coincidência chegavam pescadores que iriam atravessar o rio. Eles me deram carona em seu barco e me deixaram do outro lado, onde ficariam. Conversei com o filho de um deles de 13 anos, que parecia meio desmotivado com a escola, mas gostava de pescar. O pai desejava que ele estudasse. As praias do caminho eram longas e desertas e me pareceram belas. Quando cheguei na Barra do Itariri gritei para pessoas do outro lado para perguntar como atravessaria. Elas foram chamar o dono de um estabelecimento que me orientou onde eram os melhores pontos. Fiz teste sem a mochila por onde ele indicou, peguei bancos de areia e consegui, mas machuquei levemente minha perna numa pedra. Depois, com a mochila, consegui pegar um caminho um pouco melhor, sem pedras, e a travessia foi mais fácil. Parecia haver areia movediça no fundo em alguns trechos. Ao longo do dia tomei 2 banhos de mar, que continuava bravo. No segundo banho, com a maré subindo, o mar derrubou-me novamente, com a força das ondas e as correntezas sem direção definida. Peguei um coco na praia, que tinha água e um pouco de massa. Cheguei a Sítio do Conde perto de 16h. Fiquei na Pousada Santa Maria (https://www.cylex.com.br/conde/pousada-santa-maria-11111375.html) por R$ 30,00 em dinheiro, da proprietária Dulce e sua filha Márcia. O filho de Dulce tinha algum problema de deficiência mental e me perguntou repetidamente se eu era da Polícia Federal ou da Receita Federal ou da CIA. Tentei ainda sacar dinheiro num correspondente bancário do Bradesco indicado por Márcia, mas já havia fechado. Dei um passeio pela pracinha para conhecê-la. Jantei acarajé na mão por R$ 4,00 com cartão de crédito e 3 pães doces por R$ 1,00 em dinheiro. Quando fui entrar a porta estava trancada com um trinco por dentro e minha chave de nada adiantava. A atendente do restaurante foi chamar Dulce batendo em sua janela. Ela veio abrir a porta para mim e disse que pensou que eu já estava no quarto e por isso fechou o trinco. No sábado 03/08 logo cedo comprei pães para servir de café da manhã e peguei um táxi lotação para Conde para sacar dinheiro. Encontrei Márcia e possivelmente a atendente do restaurante anexo à pousada onde eu havia comido os pães na noite anterior, que estavam no ponto de ida também. Aproveitei que lá estava e fui à feira, comprei cerca de 2 kg de tomates por R$ 2,00 em dinheiro. Passeei pela praça e vi a igreja por fora. Peguei táxi lotação de volta, pagando R$ 8,00 em dinheiro por ida e volta. Comprei mais pães para levar para a viagem, somando R$ 5,00 em dinheiro com os comprados logo pela manhã. Deixei chave e papel higiênico com atendente do restaurante, pois Dulce não estava. Saí perto de 9h, mas parei logo a seguir para esperar uma pancada de chuva parar, abrigado numa barraca de praia que estava sem atendimento. Achei as praias bonitas e longas. Tomei vários banhos de mar e 1 banho de rio. Quando cheguei à Barra do Siribinha, um turista carioca, que havia contratado um barqueiro, estava saindo para uma sessão de fotos e depois ir pegar seu carro. Ele concordou em me atravessar e não quis que eu pagasse. O banho de rio foi depois da travessia e a água estava deliciosa e calma para nadar, mas o fundo parecia movediço. Cheguei na Costa Azul perto de 15h30. Era um local isolado, com casas de veranistas, em que as pessoas locais pareciam não estar acostumadas nem confortáveis com pessoas de fora. Geraldo, dono da única pousada aberta, tinha saído para o Conde e eu precisava falar com ele para negociar o preço, que era de R$ 120,00 a diária com café da manhã. Um cachorro seguiu-me até lá. Falei com Reginaldo da barraca, que se dispôs a me ajudar, mas achou problemático eu dormir no banheiro da barraca, pois os clientes poderiam se assustar. Conheci Gílson na praia, que me deu informações sobre a área e outras possíveis pousadas. Ele cuidou da minha mochila enquanto eu nadava e depois me falou que ficou surpreso em como fui longe naquele mar bravo, que novamente me derrubou na saída . Procurei pelas pousadas de que ele falou, mas nenhuma estava funcionando além da que eu já conhecia. Quando saí da Pousada Costa Azul e Geraldo ainda não havia chegado, Gílson convidou-me para ficar em um quarto de hóspedes na sua casa, sem pagar. Não queria abusar da hospitalidade e lhe disse que iria esperar Geraldo mais um pouco. Como ele não chegou e já estava começando a escurecer, resolvi aceitar o convite de Gílson. Informei Reginaldo e o hóspede soteropolitano da Pousada Costa Azul que tinha tentado me ajudar. Fiquei bem hospedado, num quarto nos fundos no 1.o andar com cama, colchão e banheiro anexo no térreo 🙏. Ele ainda me deu água potável. Ofereceu-me suco de goiaba, que experimentei e me emprestou um prato e uma faca para eu jantar sanduíches. Eu comprei pães por R$ 3,00 em dinheiro e juntei com os tomates. Assistimos televisão juntos e conversamos sobre a vida. Ele estava cuidando de alguns problemas de saúde. Sua mulher e parte da sua família moravam em Rio Real. Mostrou-me várias camisas de eventos de que tinha participado. Falou-me de uma baleia jubarte que havia encalhado e de como procederam. O céu noturno estrelado, com a pouca luminosidade do local, pareceu-me lindo. No domingo 04/08 apreciei a paisagem pouco após o nascer do sol, que me pareceu muito bonita vista do 1.o andar. Tomei café da manhã junto com Gílson com sanduíches de pães e tomates. Continuamos conversando sobre vários assuntos. Ao despedir-me ofereci pagar o que estava pagando nas pousadas mais baratas anteriores, mas Gílson não aceitou. Agradeci e parti. Não havia pães para vender, então não pude levá-los para comer ao longo do dia. As praias eram bem longas e retas, e as achei bonitas. Tomei 2 banhos de mar e achei o mar mais calmo em alguns trechos com maré baixa. Uma caminhonete passou correndo do meu lado e me assustou, pois eu só percebi quando ela estava quase a meu lado. Parei no Povoado do Coqueiro, pois sabia que Mangue Seco, logo à frente, provavelmente não teria opções baratas de hospedagem. Pareceu-me que as pessoas dali estavam bem mais acostumadas a viajantes e estranhos. O andarilho Fernando, meu xará, perguntou-me se eu era homem ou mulher. Respondi que era homem, mas tinha virado monge, porém não tinha qualquer tipo de discriminação contra homossexuais. Ele disse que também fazia caminhadas como andarilho e me ofereceu uma blusa de frio, que agradeci mas recusei, pois já tinha uma. Aurora, dona de restaurante e pousada, disse que estava com acomodações ocupadas, mas me ofereceu rede, galpão e banheiro para passar a noite. Ela recordou que seu filho havia ido ao Rio de Janeiro e tinha sido ajudado quando precisou. Eu agradeci, mas fui tentar achar uma pousada. E encontrei. Fiquei na Pousada do Mássimo, o gringo, um italiano de Milão que estava no Brasil há mais de 30 anos. Após ouvir a história da minha caminhada, ele me perguntou quanto eu estava disposto a pagar e eu não respondi, só mencionei quanto tinha pago nas paradas anteriores. Então ele me propôs R$ 30,00 em dinheiro a diária sem café da manhã e eu aceitei. Paguei em dinheiro. Ele me atendeu muito bem. Fui passear na praia e tomei mais um banho de mar. Achei belo o ambiente rural com gado, galinhas, árvores, vegetação, cabras, o caminho etc existente no povoado. Depois fui ao Rio Real, que era divisa entre Bahia e Sergipe. Achei muito bonito o mangue exposto (seco) com maré baixa visto a partir do trapiche sobre o mangue que ia até o rio. A vista a partir do calçadão e do local de embarque também agradou-me, principalmente do rio. Vi o pôr do sol a partir do rio. Começou a chover e eu me abriguei embaixo de uma árvore. Comprei pães por R$ 3,00 em dinheiro. Jantei sanduíches de tomate e pães doces, sendo que achei o pão de coco delicioso . Apareceram mais bolhas no pé direito. Ainda assisti o fim do jogo do campeonato brasileiro. Mássimo foi dormir cedo porque no dia seguinte iria pegar o barco às 4h ou 5h para ir à cidade buscar seu tablet. Dormi mal por causa dos pernilongos, sendo que esqueci de pedir um ventilador para espantá-los. Na segunda-feira 05/08 tomei café da manhã com 8 pães que comprei por R$ 2,00 em dinheiro. Como Mássimo havia saído cedo, deixei tudo como ele tinha pedido e fui embora. Houve chuva rápida na trilha para a praia e eu me escondi embaixo de um coqueiro. O percurso até Mangue Seco era curto. Achei a praia bonita, principalmente as dunas. Passei por pequenas áreas com água rasa e no final atravessei um canal com água pela cintura. Peguei um pouco de chuva quando dava volta no mangue e me abriguei nos arbustos. Achei bonitas as vistas de Sergipe e da foz do Rio Real a partir da curva de Mangue Seco e de cima das dunas. Também gostei da vista dos canais internos do rio e das praias a partir do alto das dunas. Uma foto destas áreas pode ser vista a seguir. Depois de chegar no povoado, apreciar a vista das dunas e a partir delas, tentei conseguir transporte para a Praia do Saco, do outro lado do rio em Sergipe, com frete de retorno de algum barco. Um grupo concordou, mas acabei indo com outro que voltaria antes, com o barqueiro Merreco e 2 paulistanas. Paguei R$ 20,00 em dinheiro pela travessia. Quando falava com o barqueiro do primeiro grupo, vimos botos 🐬 nadando perto da praia. O cruzamento foi com a maré subindo e o mar um pouco agitado, com a lancha batendo nas ondas. Foi desconfortável para mim, que estava no primeiro banco, bati várias vezes a costela e a dor, que estava quase desaparecendo, voltou . Depois de chegar na Praia do Saco, tentei achar uma hospedagem barata, mas não consegui. Peguei então a estrada pelo meio da vegetação de restinga, pois havia um trecho sem praia. Achei muito bela a vegetação e espetaculares as dunas. Num dado momento, saí da estrada e subi em algumas dunas altas para ter uma vista global. Gostei bastante da vista da costa e do rio. Mais para frente consegui voltar para a praia e segui em frente. Tomei um banho de mar, que parecia muito calmo, porém com uma coloração escura, que pensei que poderia ser poluição, mas que provavelmente era devido aos sedimentos, aumentados por causa das chuvas. Ocorreu nova chuva e fiquei abrigado atrás de um coqueiro. Cheguei até a Praia do Abaís, mas não consegui hospedagem barata lá. Comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro e comi como lanche. Resolvi então pegar o último ônibus (18h) até Estância por R$ 7,00 em dinheiro e me hospedar lá. O motorista tinha morado em SP e trabalhado como carreteiro em vários estados e países além de ter sido motorista da Viação Cometa em SP, Rio e Curitiba. Deu-me orientações de em que pousada ficar e como chegar lá. Fiquei na Pousada XPTO (https://www.tripadvisor.com.br/Restaurant_Review-g2344226-d8171017-Reviews-Restaurante_E_Hotel_Xpto-Estancia_State_of_Sergipe.html) por R$ 40,00 com cartão de crédito. Eles também trabalhavam com mecânica de bugues e pude ver algumas carcaças. Comprei pães e vegetais (limão, pepino, banana) por R$ 3,68 com cartão de crédito, juntei com tomates que ainda tinha e jantei sanduíches. As bolhas no pé direito tinham aumentado. Na 3.a feira 06/08 após pagar a diária fui comprar o café da manhã na Padaria Esquina do Pão com pães e queijadas por R$ 4,50 em dinheiro. Adorei a queijada, que era de coco e me lembrou as queijadinhas que comia na infância na Praia Grande em SP. Acrescido de pepino e banana comi os pães como sanduíches na mini rodoviária. Peguei o ônibus para a Praia do Abaís por R$ 7,00 em dinheiro, para continuar do ponto de onde havia parado. Comecei a caminhar cerca de 10h20. Achei as praias extensas e bonitas, em grande parte desertas. A água era escura, cor de terra, e me deixou confuso, pois quando a água é escura em SP eu sempre desconfio de poluição. Mas me explicaram que não era o caso e que eram sedimentos, acentuados pelas chuvas. O mar parecia mais calmo do que no norte na Bahia, mas eu não tomei banho de mar. Alguns bodes começaram a me seguir, mas eu procurei me esquivar, pois se eles se perdessem ou fossem para áreas urbanas achei que poderiam ser mortos ou sofrer algum problema. Cheguei à Praia de Caueira perto de 13h30. Aí era necessário pegar a estrada e passar pela ponte, pois havia o Rio Vaza-Barris, que era enorme e não havia como atravessar pela praia. Achei bonitas as paisagens rurais e a vegetação. Segue uma foto do caminho. Houve chuva em algumas ocasiões e eu me abriguei sob arbustos em duas delas. Encontrei homem com uma bicicleta e vários itens de uma casa, parado no acostamento e abrigado da chuva sob uma lona. Logo à frente, após a chuva parar, ele me passou. Vi araras e 2 arco-íris 🌈 no caminho. A bolha do pé em que havia entrado o estrepe, que eu havia desbastado, incomodou-me bastante , tanto que reduzi minha velocidade, principalmente após pegar a estrada. Achei espetacular a vista a partir da ponte, que cruzei já perto de 17 horas. Decidi então tomar um ônibus para a Praia do Atalaia. Um homem e um policial indicaram-me onde deveria pegá-lo. Para minha sorte vinha vindo um ônibus e mais alguns aparentes trabalhadores rurais ou de construção iriam pegar. Eles deram sinal mesmo fora do ponto e o motorista parou. Paguei R$ 4,00 em dinheiro pela passagem. A cobradora ajudou-me a saber onde descer. Após pesquisar alguns hostels, que me deram informações sobre localização de concorrentes, fiquei no Aracaju Hostel (https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g303638-d15584411-Reviews-Aracaju_Hostel-Aracaju_State_of_Sergipe.html), por R$ 35,00 a diária paga com cartão de crédito, sem café da manhã. Comprei legumes e frutas por R$ 4,62 e pães por R$ 4,22 com cartão de crédito e jantei sanduíches. Houve bastante chuva à noite quando eu já estava abrigado. Decidi estourar as bolhas do pé à noite, o que acho que deveria ter feito antes. Para as atrações de Aracaju veja http://visitearacaju.com.br/leitura/20, http://www.conhecasergipe.com.br/aracaju_pontos_turisticos.asp e https://www.feriasbrasil.com.br/se/aracaju/oqueverefazer.cfm. Os pontos de que mais gostei foram as construções e monumentos históricos e folclóricos, o estádio, os faróis, os parques, as praias, os rios e as histórias do Zé do Peixe e de Marcelo Deda. Na 4.a feira 07/08 tomei café da manhã com sanduíches. Choveu bastante de manhã. Fui conhecer a cidade. Peguei mapa gratuito em agência de turismo. Comecei caminhando pela orla e conhecendo suas atrações. Encontrei uma capivara numa pequena vegetação perto da praia. Visitei monumentos, áreas naturais, igrejas, museus, casas de cultura e arte, centros de artesanato, mercados regionais, Estádio Batistão, memoriais, mirante, faróis, Passarela do Caranguejo, Museu da Gente Sergipana (estava fechado e só vi os painéis de fora), Largo da Gente Sergipana e Espaço Zé do Peixe (já estava fechado, mas a atendente deixou-me visitar ao ver meu interesse). Gostei muito de conhecer a história de Zé do Peixe (https://pt.wikipedia.org/wiki/Z%C3%A9_Peixe) 💙, que me pareceu um exemplo típico de brasileiro simples e generoso, que tinha habilidades destacadas e especiais. Participei de visita monitorada no Palácio Museu Olímpio Campos, antigo palácio do governo. Seguem fotos do Largo da Gente Sergipana. Almocei acarajé por R$ 5,00 em dinheiro. Passei pelo Projeto TAMAR mas não fiz a visita, pois era semelhante ao da Praia do Forte e eu já estava satisfeito com ele. Choveu levemente no fim da tarde. Voltei a pé pela avenida lateral ao mangue. Comprei leite e laranja por R$ 3,83 num supermercado no caminho de volta e pão, queijo coalho e tomate no mercado próximo do hostel por R$ 10,00, ambos com cartão de crédito. Jantei sanduíches de pão, queijo coalho, tomate e mamão, com laranja de sobremesa. Chegou ao hostel um grupo de pessoas de uma empresa terceirizada da Petrobras para monitoramento ambiental de encalhe de animais nas praias do norte da Bahia ao sul de Alagoas. Eles me deram bastante informações sobre as próximas etapas, a maior parte delas bastante precisas e úteis, que me ajudaram bastante. Carlinhos, que havia sido da equipe de operações especiais das Forças Armadas e era responsável pela área do sul de Alagoas, disse-me que em Alagoas minha caminhada iria ficar mais difícil e perigosa. Na 5.a feira 08/08 tomei café da manhã com sanduíches de pão, queijo coalho, tomate, mamão e laranja. Conversei com mulher de 70 anos que saiu do Rio por causa da violência, mudou para Cabo Frio e agora, pela mesma razão, estava mudando para Aracaju. Ela caçoou de mim que estava preocupada, pois todas as vezes que me via eu estava comendo (o café da manhã ou jantar). Fui inicialmente visitar o Farol Cotinguiba e os Parques do Cajueiro e Sementeira. O farol era grande, mas estava pichado. Porém mesmo assim achei-o interessante. O Parque do Cajueiro era pequeno, mas gostei de sua área verde e da vista do rio que o margeava. Um guarda da polícia ambiental veio falar comigo sobre eu estar com calção de banho no parque, que algum pai com criança poderia reclamar e que não era adequado naquele ambiente. Disse-me também para tomar cuidado à noite naquele local. Eu estava de calção de banho porque pretendia ir à praia depois. Gostei do Parque da Sementeira, com sua ampla área, trilhas, lago e seus vários ambientes. Achei interessante o plantio das várias sementes para o futuro por várias pessoas de vários perfis diferentes. Gostei também das homenagens a Marcelo Deda ☝️, cuja história não conhecia bem. Quando saí de lá, dei sinal para 3 ônibus e nenhum parou para mim (tentei mudar a aparência com a camisa dentro e fora do calção, encobrindo-o). Até perguntei para a recepcionista de uma empresa próxima se era por causa da minha aparência com calção de banho, mas ela respondeu que não, que deveria ser alguma coincidência. Decidi ir andando então até o terminal para pegar um ônibus até a praia mais distante, perto do rio, onde 2 dias antes eu havia pego o ônibus para chegar na Praia do Atalaia. No caminho, num ponto mais movimentado havia uma moça esperando o mesmo ônibus que eu pretendia pegar para chegar ao terminal. Aí decidi esperar com ela e o ônibus parou para o sinal dela. Ela ofereceu-se para pagar a minha passagem e antes que eu agradecesse e recusasse, passou o cartão para mim. Fiz baldeação no terminal e pedi para o motorista me deixar no ponto mais distante da praia pelo qual ele iria passar. Deixou-me na Praia do Mosqueiro. De lá fui até a Foz do Rio Vaza-Barris e vi a ponte que eu havia atravessado, numa bela imagem. Havia um farol perto da foz e foi possível ver caranguejos e peixes. Tomei um banho na junção do rio com o mar, num local bem manso, e comecei a caminhar de volta pela praia. Demorei cerca de 3h30 da foz até a Praia do Atalaia. A praia era bem comprida e a água continuava escura, mas mesmo assim tomei banho de mar. Cheguei perto do pôr do sol e um manauara que lá morava, indicou-me o ponto de saída para chegar na rua que levava ao hostel. Comi acarajé num ponto que o vendia lá perto por R$ 5,00 em dinheiro e depois comprei pão, queijo coalho e banana por R$ 8,44 com cartão de crédito. Jantei sanduíches de pão, queijo, tomate, banana e mamão. Havia chegado um pernambucano chamado João, que iria embora de madrugada. Boa parte do pessoal do monitoramento ambiental já havia ido embora, só tendo ficado Carlinhos e outro rapaz da Bahia, que eram dos pontos mais distantes. Com isso alguns detalhes dos trechos futuros eu acabei perdendo. Não houve chuva neste dia. Na 6.a feira 09/08 tomei café com sanduíches, leite, mamão e bananas. Levei 3 sanduíches e 1 banana para almoçar no caminho. Saí pouco antes das 8h. Fui beirando a costa. Passei em trechos com barro, que sujou os pés, grudou no chinelo e dificultou a caminhada. Mas logo consegui limpá-lo em poças de água de chuva. Vi trechos da cidade que não havia visto antes, como parte da orla após a área turística. Vi chuva forte à minha frente e moderada atrás, mas não houve chuva em cima de mim ao longo do dia. Levei um susto quando repentinamente um homem saiu de dentro do mangue no momento em que eu iria tirar uma foto da ponte sobre o Rio Sergipe, mas aparentemente foi indevido, pois não houve nenhuma abordagem. Passei pela mini orla do Bairro Industrial e peguei a ponte. Uma foto da ponte segue. Achei muito boa a vista a partir da ponte. Uma parte dela, referente à parte da cidade de Aracaju está a seguir. Após cruzar a ponte e caminhar pela estrada, cheguei na Praia da Costa em Barra dos Coqueiros cerca de 12h30. Havia uma estátua de um caranguejo próximo à entrada da praia, parecida com a da Passarela do Caranguejo em Aracaju. Achei a praia longa e bonita. A água do mar continuava escura, parecendo barrenta. Tomei um banho de mar. Havia várias plataformas de petróleo ao longo do caminho. Vi também uma revoada de garças. Passei pelo Porto de Sergipe e por geradores de energia eólica. Pretendia ir até Pirambu, mas como atrasei muito em Aracaju, no barro e observando pontos que não havia visto, decidi parar em Jatobá, pois já estava indo para o fim da tarde. Enquanto procurava local para ficar, o zíper principal da mochila quebrou. Fiquei na Pousada das Mangabeiras (http://www.findglocal.com/BR/Barra-dos-Coqueiros/768962416519459/Recanto-das-Mangabeiras) pagando R$ 50,00 em dinheiro por quarto com banheiro sem café da manhã. Choveu um pouco à noite. Comprei pães por R$ 3,00 com cartão de débito e bananas por R$ 2,50 em dinheiro e fiz sanduíches com eles para o jantar. No sábado 10/08 houve chuva pela manhã. A dona da pousada ofereceu-me uma xícara de café com leite e um pão com margarina como cortesia, que aceitei. Saí então para comprar pães e vegetais para reforço do café da manhã e para o almoço. Paguei R$ 2,00 pelos pães com cartão de débito e R$ 1,70 por tomates e limões em dinheiro. Ao invés de fazer todo o caminho de volta pela rodovia para a praia, peguei uma estrada de terra que passava por dentro de um sítio. O dono, que estava trabalhando na beira da rodovia com uma foice, permitiu-me, dizendo que era local de passagem usado pelos moradores locais. Achei a estrada bonita, com lagos, vegetação e pássaros. No caminho encontrei um pai com seus 2 filhos a cavalo 🐎. Após chegar na praia rumei para Pirambu. Foi interessante ver vacas 🐄 pastando com o porto à frente e os geradores eólicos ao fundo. Pareceu-me um retrato da enorme diversidade do Brasil, nos mais variados sentidos. Achei a praia bonita, longa e reta. O mar pareceu-me bravo, mas não tanto quanto no norte da Bahia. Também já não era tão escuro. Comecei a caminhar perto de 9h30, cheguei na ponte do porto, por onde havia passado no dia anterior perto de 10h30 e em Pirambu perto de 13h30. Achei bonita a foz do rio que margeava a cidade e bonita a vista da cidade a partir da ponte. Antes de pegar a ponte passei na Comunidade Quilombola Porto da Barra. Depois de chegar na cidade de Pirambu visitei a Igreja Nossa Senhora de Lourdes, que também achei bela, incluindo uma estátua na praça. A cidade era típica do interior, com bode na rua. Agora, do outro lado do rio, a vista da foz pareceu-me muito bonita, com lagos, conforme fotos a seguir. Fiquei na Pousada Praia Bela (https://www.facebook.com/pages/Pousada-Praia-Bela/183709241981804) pagando R$ 50,00 em dinheiro por quarto com banheiro. Comprei pães por R$ 4,00 com cartão de débito, e tomate e pepino por R$ 4,00 em dinheiro. Na padaria a máquina de cartões disse que a senha do meu cartão de crédito estava bloqueada, o que me deu um susto, mas se revelou falso na compra seguinte. Comprei também limões por R$ 1,02 pagos com cartão de crédito. Depois fui dar um passeio na praia e na foz do rio. Como o tempo estava com ameaça de chuva, que mais tarde veio, apareceram 2 arco-íris 🌈 muito bonitos sobre o mar. Achei o pôr do sol muito bonito com todo este cenário ao redor. Tomei 2 banhos de mar ao longo do dia. Dois jogos de futebol de praia pararam para eu passar andando. Quando percebi, fiquei um pouco constrangido, fui em direção ao mar e disse que podiam continuar. A sede do projeto TAMAR para visitantes estava fechada, pois havia sido transferida para Aracaju. Consertei a mochila com corda de pesca pega na praia e linha que o dono da pousada me deu. Jantei sanduíches com o que havia comprado. No domingo 11/08 tomei café da manhã com sanduíches e preparei sanduíches para o almoço. Houve muita chuva de manhã. Saí por volta de 8h30 da manhã. Passei pela sede do Projeto TAMAR e confirmei que estava fechada. Vi uma possível plataforma de petróleo no mar. Pouco depois de iniciar a caminhada começou uma chuva de moderada intensidade 🌧️. Usei a capa de chuva pela 1.a vez na viagem para proteger a mochila e a mim. Depois de algum tempo a chuva passou e eu e a mochila estávamos razoavelmente secos. A maior parte do caminho foi pela praia da Reserva Biológica Santa Isabel. Achei muito bonita a paisagem da praia e da vegetação. Passei pela Lagoa Redonda, que achei muito bela. Seguem fotos dela. Encontrei uma família logo depois olhando uma possível água-viva ou similar, diferente das a que eu estava acostumado. O filho estava perguntando se dava choque. O pai logo a seguir pegou um siri 🦀 do chão para lhe mostrar e depois jogou no mar. Depois da Lagoa Redonda não encontrei quase mais ninguém. Ao longo do caminho foi possível ver aves, peixes, siris, várias lagoas e uma ampla área preservada com dunas e vegetação. Tomei 3 banhos de mar. O mar era bravo, verde em vários tons. Quando cheguei ao fim da praia, havia uma área elevada que permitia a vista da praia e da barra do rio, de que gostei muito. Uma foto do local segue. Havia árvores com garças lá. Não achei local para pernoitar na Boca da Barra. Fui perguntando e ninguém alugava quarto nem conhecia pousadas próximas abertas. Fui andando até Ponta dos Mangues e me indicaram o Tinha, que alugava quartos. Ele não estava e fui tentar outras opções enquanto esperava que ele voltasse. Não consegui nenhuma, voltei até a casa dele onde ele já havia chegado e lá fiquei por R$ 30,00 em dinheiro, num quarto privativo da casa dele com banheiro dentro. Ele me permitiu usar a cozinha e eu comprei espaguete por R$ 2,50 em dinheiro e cozinhei para o jantar com o resto dos legumes que possuía. Conversei com o Tinha sobre o povoado, a vida lá no presente e passado, e informações sobre a próxima etapa da viagem. Ele contou que o asfalto havia chegado em 1996 e logo depois chegou a água encanada e a energia elétrica, o que mudou muito a vida deles. Contou que os partos antes eram feitos por parteiras que iam às casas e quando era à noite usavam lampiões durante o procedimento. Houve muita chuva à noite. Na 2.a feira 12/08 comprei pães por R$ 3,00 em dinheiro e tomei o café da manhã com sanduíches. Houve muita chuva ao amanhecer. Tinha falou-me que não dava para ir pela praia porque havia estourado uma barra no mangue (costinha), segundo seu irmão. Pouco depois seu irmão estava passando pela rua a cavalo e ele o indicou para mim. Fui até ele e ele confirmou. Despedi-me do Tinha e fui ao porto para confirmar uma última vez a informação e decidir se iria pela estrada ou arriscaria ir pela praia. No porto os barqueiros confirmaram e então decidi ir pela estrada rural, que passava pelo pantanal de Sergipe, que achei muito belo, onde havia pássaros (acho que até alguns tuiuiús), área de mata, pequenos povoados e propriedades rurais simples. Uma foto pode ser vista a seguir. Na estrada senti cheiro de flores, havia muitas poças de água por causa da chuva e gado em áreas alagadas das propriedades rurais. Saí perto de 8h e cheguei perto de 13h em Saramém. Edileusa, professora ou diretora da escola, permitiu-me ficar numa casa que ela alugava, mas que estava sem móveis dentro, nem cama tinha, e não quis cobrar nada 🙏. Ela me emprestou uma esteira para eu poder dormir em cima. Comprei legumes (chuchu, pepino, tomate, cebola, cenoura e limão) por R$ 4,25 e encomendei pães para a noite por R$ 5,00 na Mercearia da Jane, ambos pagos em dinheiro. Fui conhecer o porto e parte da orla do Rio São Francisco. Achei linda a vista da foz. Os habitantes locais orientaram-me sobre o caminho a seguir. Encontrei homem que criava camarões perto do fim da estrada pública e conversamos sobre a vida ali e o trabalho deles. Tomei banho no rio e achei a correnteza forte. À noite dormi na esteira no chão, em que tive dificuldade de achar uma posição confortável. Houve muitos mosquitos, posto que não havia ventilador. Provavelmente um cachorro arranhou fortemente a porta da casa durante a noite. O barulho e as músicas cessaram às 22h. Na 3.a feira 13/08 comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro e tomei café da manhã com sanduíches. Arrumei a casa e devolvi a esteira e tudo mais para Edileusa que não quis aceitar pagamento nenhum. Ela me ofereceu lanche com batatas-doces cozidas, mas eu educadamente recusei. Fui então procurar uma forma de atravessar o Rio São Francisco. No dia anterior tinham-me dito que as vendedoras de cocada atravessavam o rio todas as manhãs e que eu poderia ir com elas. Mas antes apareceram algumas mulheres que iriam vender artesanato do outro lado e eu fui com uma delas e seu marido. Achei linda a foz do Rio São Francisco, vista do meio do rio. Dava também para ver o farol e o Povoado Cabeço, que o mar e o rio engoliram. O farol já estava bem rio adentro. O povoado tinha sido abandonado. Ainda bem que eu não fiz a caminhada pela praia no dia anterior, porque além da barra de mangue que havia estourado, eu não teria conseguido passar por ali. Paguei R$ 8,00 em dinheiro pela travessia, que era pouco mais da metade do que as vendedoras pagavam por ida e volta (R$ 15,00). Do outro lado da margem, já em Alagoas, achei a área linda, com coqueiros e lagoas. Seguem fotos de lá. Algumas pessoas esperavam turistas que viriam de barco para uma feira de artesanato. Houve uma chuva rápida e eu me abriguei num coqueiro. Depois caminhei em direção a Pontal do Peba. Achei lindo o trajeto pela praia, com dunas enormes em sequência, algumas somente de areia e outras com um pouco de vegetação. Encontrei uma tartaruga morta 🐢. Tomei banhos de mar. A água estava com aspecto verde-claro. Fiquei na Pousada O Samburá, de Dona Francisca, pagando R$ 60,00 em dinheiro por um quarto com banheiro interno e sem café da manhã. Assim que cheguei avisei Carlinhos, do monitoramento de animais, sobre a tartaruga morta, enviando-lhe a foto. Ele me falou para ir até a 1.a barraca da praia (Barraca Pôr do Sol) e encontrar Wellington quando estivesse chegando, mas eu respondi que já havia passado por lá e já estava instalado. De qualquer modo, perto do fim do dia passei por lá, não encontrei Wellington, mas deixei o recado com a barraca vizinha. Aproveitando que ainda era cedo, fui dar um passeio pelas dunas. Achei-o magnífico. Atravessei uma área na praia onde havia animais de criação e subi em uma delas. Depois andei por várias outras apreciando a paisagem do mar, da praia, de lagoas, das outras dunas, dos rebanhos bovino e caprino e do outro lado, em que havia uma plantação de coqueiros 🌴, além da vista que ia longe, mostrando bastante daquela região de Alagoas. A areia das dunas pareceu-me dura em vários pontos. Encontrei mais uma tartaruga morta e uma cobra do mar (ou peixe com formato de cobra) morta. Carlinhos disse-me que ali era uma área recordista em mortes de tartarugas marinhas. Comprei pães, queijada e legumes (tomate, cebola e banana) por R$ 9,66 com cartão de crédito para o jantar. Aproveitei e visitei a igreja. Interessante como a faixa de areia na maré baixa transformava-se em uma pista para motos, carros e até ônibus. Ao voltar para a pousada, conversei com o marido da Francisca, que estava insatisfeito com o Ibama e responsabilizava o povo pelas mudanças naturais que vinham ocorrendo. Jantei sanduíches. Na 4.a feira 14/08 tomei um banho de mar loga após acordar, pois a entrada da pousada era pela areia da praia. Tomei café da manhã com sanduíches. Comprei pães por R$ 2,00 com cartão de crédito. Parti rumo a Coruripe. Achei as praias muito bonitas, com muitos coqueiros. Tomei banho de mar. Havia várias pessoas pegando massunins (mariscos, moluscos) na beira do mar para comer. Houve chuva breve em alguns períodos pela manhã. A partir das 13h30 houve chuva contínua 🌧️, que engrossou em alguns momentos, o que se acentuou pelo vento. Num primeiro momento abriguei-me numa cabana de palha por algum tempo. Depois fui pela estrada a partir de Miai de Cima, porque várias pessoas locais, pescadores e moradores, disseram-me para não passar no mangue em Barreiras, pois havia um núcleo de tráfico de drogas e iriam incomodar-se com um estranho ou me assaltar. Ali havia um rio e eu precisaria cruzar o mangue para chegar à estrada. Achei bela a paisagem rural, tanto no pequeno caminho de terra como na rodovia principal. Havia canaviais e coqueirais intercalados. O mar tinha uma cor verde que achei linda. Achei bonitas as áreas verdes na periferia de Coruripe. A chuva persistiu no começo da noite. Fiquei na Pousada e Motel São João por R$ 30,00 com cartão de crédito, num quarto com banheiro privativo e TV. Comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro, laranja, tomate e batata-doce por R$ 1,21 com cartão de crédito e chuchu por R$ 1,00 em dinheiro para o jantar e café da manhã. Não pude cozinhar espaguete nem batata-doce porque a cozinha estava com roupas estendidas para secar e a responsável me disse que iria passar o cheiro para elas se eu cozinhasse. O atendente da tarde havia mostrado a cozinha para mim, que estava sem as roupas, e dito que eu poderia usá-la sem problemas. Nesta situação acabei jantando sanduíches. Na 5.a feira 15/08 comprei pães regulares e 2 pães de queijo por R$ 3,00 em dinheiro e comi sanduíches no café da manhã acrescidos dos pães de queijo, que achei deliciosos . Saí para ir até o outro lado da barra do rio por onde não havia passado devido ao problema da criminalidade. No caminho visitei Mirante da Imaculada Conceição e sua igreja. Fui até a praia do pontal e caminhei até a barra do rio. Achei a vista muito bela. Pena que não pude andar o trecho completo do outro lado por causa da criminalidade. Havia várias pessoas coletando massunins (mariscos, moluscos) na praia e, quando perguntei, disseram que poderia ir sem problemas até a margem do rio, mas que não era para atravessar devido à criminalidade. Comecei minha caminhada rumo às Dunas de Marapé perto de 10h. Achei as praias muito bonitas, curvas, com mar verde e coqueiros. Segue a foto da Praia de Minha Deusa em Coruripe. Disseram-me que havia possibilidade de cachorros 🐺 bravos soltos em uma casa na praia, mas aparentemente o dono os havia prendido naquele dia. Havia muitas rochas em vários trechos do mar, algumas cobertas com algas. Tomei banho de mar na barra de um rio (acho que era o Rio Poxinzinho). Verifiquei a possibilidade de travessia com a mochila e achei que não dava. Aí vi um casal pegando siris e gritei para eles. Achei que eles não me haviam ouvido e atravessei o rio a nado para conversar com eles. Mas eles me haviam ouvido e o homem já estava vindo em direção à canoa para me atravessar. Atravessei de volta a nado e o homem veio com a canoa atrás. Então atravessei com ele de canoa. Ofereci-lhe pagamento, mas ele não quis. Prossegui a caminhada e cheguei na margem do Rio Jequiá. Continuei achando as paisagens lindas, especialmente a do encontro do rio com o mar. Nadei novamente na foz do rio, que estava muito calmo e delicioso. Um barraqueiro e uma operadora de travessia do rio deram-me informações sobre a área. Pretendia hospedar-me ali, mas os valores eram altos, então resolvi ir até a cidade de Jequiá da Praia, a cerca de 4 km. Fui pela estrada, em que achei belas as paisagens rurais também. Lá fiquei na Pousada Thieta (https://www.facebook.com/pousada.thietadoagreste/timeline?lst=100005659626174%3A100004063516724%3A1570293269), da Rosângela, por R$ 40,00 em dinheiro, num quarto com banheiro e TV. Comprei pães por R$ 3,00, vegetais (tomate, laranja e pepino) por R$ 2,50, mais pães e uma brasileirinha por R$ 2,00, tudo pago em dinheiro. Jantei sanduíches. Na 6.a feira 16/08 comprei pão por R$ 2,00 em dinheiro e comi sanduíches no café da manhã. Saí perto de 8h e comecei minha caminhada. Fui por uma estrada de terra enlameada, devido às chuvas recentes, até a praia. Achei bonitas as paisagens rurais, com pequenas propriedades nas laterais. Lembrou-me o livro e o filme São Bernardo, de Graciliano Ramos. Chegando na praia resolvi voltar até a barra do Rio Jequiá e as Dunas de Marapé, pois não havia passado por este trecho. O responsável pelo receptivo turístico existente no local deixou-me subir no mirante para apreciar a vista. Segue uma foto de lá. Saí rumo à Barra de São Miguel perto de 9h30. Ao longo do dia houve chuva intermitente, com períodos de média intensidade, que parecia mais forte devido ao vento vindo do mar. Achei as paisagens bonitas até a Lagoa Azeda, com vegetação e mar verde. Daí em diante começaram falésias que achei espetaculares. Talvez tenham sido as paisagens de que mais gostei na viagem. Seguem algumas fotos de falésias deste trecho. Fiquei encantando com a diversidade de formas, muitas que a mente podia livremente associar ao que desejasse, com as cores múltiplas nas várias camadas, o tamanho e a extensão das falésias, que se estendiam por quilômetros. Com a chuva, a paisagem ficava ainda mais bela, pois em alguns pontos escorriam sedimentos, tornando a coloração dinâmica e misturada. É como se em alguns trechos fosse um bolo seco e em outros um bolo com calda multicolorida escorrendo. Em alguns pontos havia corredores de entrada e se podia ir ver mais de perto as estruturas das falésias, como se fossem clareiras. Em alguns pontos havia lagoas combinadas com as falésias, o que tornava a paisagem mais bela. Num determinado ponto, a chuva apertou 🌧️ e eu me abriguei num barracão de uma fazenda, na beira da praia, uma aparente construção sendo feita, que ficava num trecho entre duas cadeias de falésias. Abriguei-me por mais de meia hora, admirando a lagoa que ficava a seu lado. Após a chuva amainar, continuei e passei por um trecho em que havia um local elevado nas falésias, em que era possível subir para admirar a vista. Segue a foto de lá. Pouco mais para a frente, já perto da Praia do Gunga, cruzei com muitos quadriciclos com turistas fazendo passeios. Eles vinham pela estrada lateral e eu pela areia da praia, perto do mar. Cheguei à Praia do Gunga perto de 16h30. Achei-a bonita e também bela a vista do outro lado do enorme rio. Tomei um banho de mar em sua foz, pois ao longo do caminho havia muitas pedras no mar e eu não quis entrar. Não fui ao Mirante do Gunga, pois teria que pagar R$ 3,00 e eu já estava muito mais do que satisfeito com as paisagens espetaculares vistas ao longo do dia. Peguei a estrada para ir à Barra de São Miguel, pois o rio era enorme e era necessário pegar a ponte. Achei bonita a paisagem rural e pude ver o pôr do sol a partir da ponte, que me pareceu lindo. Caminhei um pouco no escuro, talvez perto de duas horas. Havia muito movimento na estrada, provavelmente para Maceió. A chuva voltou e apertou. Já bem adiantado, cruzei com algumas moças e lhes perguntei quanto faltava. Uma delas riu e disse que no meu “andandinho” demoraria 1 hora, mas que se acelerasse chegaria em meia hora. Fiquei no Natu’s Hostel (https://www.natushostel.com) por R$ 49,00 com cartão de débito, sem direito a café da manhã. Comprei legumes (tomate, beterraba, chuchu) para o jantar e o café da manhã e bolacha para o café da manhã por R$ 5,59 com cartão de crédito. Quando estava indo para o supermercado, numa rua escura, bati o pé numa estaca e caí. Só machuquei o dedo, pois me protegi da queda. Um carro que passava nem se importou com o ocorrido 😒. Jantei espaguete, batata-doce e legumes, sendo que os 2 primeiros já estavam a um bom tempo comigo, esperando a disponibilidade de um fogão. Conversei com Brasil, o dono do hostel, sobre minha viagem e locais de Alagoas e do Nordeste. Ele era vegano e fazia passeios personalizados exclusivos, por locais fora dos roteiros comuns. O hostel era voltado para preservação da natureza. Havia um cachorro 🐕 salsicha muito amoroso. Eu notei que perdi o pente, provavelmente o tinha esquecido na Pousada em Coruripe. No sábado 17/08 nadei na piscina do hostel logo após acordar. Depois tomei café da manhã com legumes e bolachas. Dei uma volta pelo hostel para conhecê-lo e saí perto de 9h. Comecei indo até a praia de onde se avistava a Praia do Gunga do outro lado do rio. Depois voltei e fui rumo a Maceió. Em vários pontos da caminhada havia trechos em que na maré baixa recifes ou rochas represavam o mar e quebravam a força das ondas, formando piscinas naturais. Achei as praias bonitas, com muita gente em alguns pontos, como na Praia do Francês. Comprei R$ 2,00 em pães para o almoço com dinheiro. Não consegui atravessar a 1.a lagoa andando. Tentei ir pelo mangue, mas na borda vi que não dava. Fui pela pista e pela ponte, da qual achei a vista muito bela. Tentei circundar a orla entre a 1.a e a 2.a lagoas, mas a maré alta impediu a partir de um certo ponto. Então fui pela avenida da orla e peguei a estrada para Maceió. No início o acostamento era na parte central da estrada. Achei interessante a paisagem com vegetação e áreas rurais, apesar do enorme movimento da estrada. Gostei muito da vista a partir da 2.a ponte, já na chegada a Maceió. Na avenida da orla de Maceió estava havendo uma corrida do exército, com muitos participantes e trânsito parcialmente interditado. Havia uma enorme instalação da Braskem na orla. Achei a orla bastante extensa. Fui em direção à Praia de Pajuçara. Lá perto um rapaz localizou pelo celular o hostel em que eu pretendia ficar. Fiquei no Paju Hostel (https://www.facebook.com/pajuhostel-107380930640086) pagando R$ 25,00 em dinheiro por cama em quarto compartilhado, com direito a café da manhã. No quarto estava um capixaba que fazia curso de cozinheiro embarcado, um paulistano que escrevia sobre pontos turísticos pouco conhecidos da cidade de São Paulo e mais um outro. Havia também uma família em outro quarto. Comprei vegetais (pepino, abobrinha, beterraba, chuchu, mandioca e banana) e macarrão por R$ 8,22, e pães por R$ 2,00, ambos com cartão de crédito. Jantei espaguete com legumes. banana e pães doces de sobremesa. Achei o efeito do ar-condicionado do quarto bem forte e a ventilação dele vinha diretamente em cima de mim, que estava na cama alta do beliche. Usei agasalho para dormir. Para as atrações de Maceió veja https://www.tripadvisor.com.br/Attractions-g303216-Activities-Maceio_State_of_Alagoas.html e https://guia.melhoresdestinos.com.br/o-que-fazer-em-maceio-143-1505-p.html. Os pontos de que mais gostei foram as praias, os itens culturais, folclóricos e históricos, os mirantes e a orla. No domingo 18/08 tomei o café da manhã ofertado pelo hostel, que achei excelente pelo preço (macaxeira, cuscuz, tapioca de coco, ovos, pão com margarina e queijo, mamão, melancia, sucos de manga e abacaxi, e iogurte). Saí para passear, peguei mapa turístico gratuitamente no quiosque, visitei Memorial Teotônio Vilela, vi as estátuas (Paulo Gracindo etc) e passei pelas jangadas com suas velas estilizadas com vários temas. Seguem fotos de algumas delas. Seguindo, li e apreciei a história e os desenhos no muro sobre a personagem folclórica Jaraguá, que era um fantasma com caveira de cavalo, protetor da natureza. Em seguida fui andar pelas praias até o extremo sul, onde era o encontro da lagoa com o mar, de onde eu tinha vindo, mas por onde não tinha passado, pois havia pego a estrada. Achei as praias muito boas. Fui tentar visitar a Estação Ecológica da Braskem que havia visto no dia anterior, mas estava fechada. Depois da ponte as praias estavam quase desertas, com uns poucos banhistas e pescadores. Havia uma enorme área da Marinha abandonada. Achei a lagoa muito bonita, agora vista do outro lado. Pude ver o trecho pelo qual havia passado no dia anterior, o ponto antes da 1.a lagoa em que tinha tentado atravessar pelo mangue e as partes em que não tinha podido andar por causa da maré alta. A distância até o outro lado pelo mar era pequena, bem menor do que a que eu tinha andado pela estrada. Tomei um banho delicioso na lagoa, porém afastando-se da margem a correnteza tornava-se forte. Tomei também um banho de mar. Voltei pela praia e já perto da área mais central saí para visitar o Memorial à República, o Museu Antropológico e Folclórico Théo Brandão, capela e praças. O museu tinha muitas imagens e itens e achei bastante interessante ☝️. Ao longo do dia vi as estátuas (leão, sereia e boi) nos diversos pontos da orla. Visitei também a feira e o pavilhão de artesanato. O mar ficava com uma cor verde linda ao entardecer . À noite voltei para dar um passeio na orla e vê-la com iluminação noturna. Jantei espaguete com legumes e banana. Na 2.a feira 19/08 tomei o café da manhã ofertado pelo hostel (cuscuz, pão, margarina, queijo, leite, Nescau, mamão, melancia, sucos de goiaba e outro). A cozinheira estava de folga, então não havia tapioca nem ovo. Fui conhecer o bairro histórico do Jaraguá e o centro. Visitei Museu da Imagem e do Som, Museu do Antigo Palácio de Governo, igrejas, mirantes, praças e monumentos. No bairro do Jaraguá havia várias casas e construções antigas. Na Igreja do Rosário dos Pretos pediram para que eu saísse por causa do calção (que não era de banho), após o atendente da loja ter autorizado a entrada depois de eu pedir várias vezes. Nas outras igrejas deixaram-me entrar sem problemas. Achei interessante a Igreja do Bonfim, com parte de seu formato circular. Achei a vista a partir dos mirantes muito boa, da orla, da costa, da lagoa, da cidade, do estádio e da vegetação mais distante. Passei por murais com história de pessoas famosas nascidas em Alagoas, algumas das quais eu não sabia que eram alagoanas. À tarde caminhei na orla runo ao norte, até o fim da quilometragem marcada para ciclistas e pedestres em Jacarecica (8,2 km). No caminho passei por um farol que com maré alta ficava parcialmente dentro do mar, passei pela Praça Coqueiro Gogó da Ema, que tinha a foto do antigo coqueiro, passei por uma linda lagoa, onde crianças nadavam e mais adiante desviei um pouco para conhecer o Corredor de Artes, que tinha estátuas e esculturas relacionadas a alagoanos, com respectivas explicações. Achei o mar verde e lindo. No fim do caminho tomei um banho de mar. Na orla havia muitos prédios modernos, sofisticados e altos. Na volta esperei o pôr do sol para ver a orla à noite. Gostei da vista das várias partes da orla durante o dia, no pôr do sol e depois de escurecer. Jantei espaguete com legumes, banana e bolacha oferecida pelo hostel como sobremesa. Conversei com André, o capixaba que estava fazendo o curso para ser cozinheiro embarcado, sobre as condições e dificuldades de trabalho embarcado e a diferença de ganho em relação aos cozinheiros regulares de restaurantes. Como 2 hóspedes do hostel haviam ido embora, mudei de cama e o vento do ar-condicionado não vinha mais diretamente em mim, o que tornou a noite mais agradável. Na 3.a feira 20/08 tomei o café da manhã ofertado pelo hostel igual ao do 1.o dia (domingo), substituindo alguns itens por outros. Saí perto de 8h30 depois de me despedir de todos. Fui caminhando pela areia. Quando fui tirar fotos das jangadas ouvi comentários de alguns que lá estavam, talvez jangadeiros ou trabalhadores relacionados à praia, provavelmente invejando a minha vida, achando que era só fumar maconha. Quando tirei o celular da mochila também comentaram e pareceram achar que os andarilhos haviam entrado na era digital 😀. Achei a vista da praia e da orla muito boas. A cor verde do mar parecia linda. Passei por vários rios, todos com a água abaixo da coxa, a maioria na canela, pois a maré estava baixa. Vi várias estátuas no caminho, como a da sereia com golfinho, a de Netuno e a da sereia no recife. Segue uma foto da Praia do Mirante da Sereia. Uma cobra do mar que estava no caminho me deu um bote quando passei perto dela, mas não me atingiu. Perguntei mais tarde a um habitante local e ele me disse que não era venenosa. Havia várias armadilhas para peixes no mar. Quando cheguei a Paripueira, uma catarinense de Bombinhas, que estava acompanhando familiares em um grupo de mais idade, tomou conta da minha mochila enquanto eu tomava um banho de mar. Agnaldo, que estava recolhendo as cadeiras de praia, indicou-me a Pousada Pantanal como a mais barata do local. Aí pesquisei uma outra, mas realmente fiquei lá (https://www.facebook.com/pages/Pousada-Pantanal/712112815506454), por R$ 30,00 em dinheiro num quarto com banheiro e TV, sem café da manhã. Comprei pães, brasileirinha e bolo de milho por R$ 6,50, legumes (tomate, chuchu, berinjela e cenoura) por R$ 2,80, ambos com cartão de crédito, e mamão por R$ 1,00 em dinheiro. Fui até a praia após o entardecer para ver as estrelas e o mar noturno, que achei lindos. Visitei a igreja, que estava em restauração. Perguntei a um homem sobre ida a Barra de Camaragibe e ele me deu instruções. Pouco depois, quando andava numa rua escura lateral à praia, ele parou de moto a meu lado e me deu um susto . Perguntou se lembrava dele e aí eu o reconheci. Ofereceu-me R$ 20,00 para comprar comida durante o trajeto, eu agradeci e recusei. Andei um pouco pela orla e pela areia, mas o lugar estava deserto, sem movimento. Voltei para a pousada e jantei sanduíches, mamão, pães doces e a brasileirinha. Na 4.a feira 21/08 tomei café da manhã com sanduíches e pães doces. Saquei dinheiro do Bradesco e comecei a caminhada perto de 9h15. O dia inteiro foi de sol. Achei as praias belas. A cor da água do mar foi mudando de verde para azul e depois para escura. Encontrei um capoeirista e seu amigo caminhando pela praia. Um cachorro preto latiu para mim e ameaçou atacar-me, mas uma mulher que estava no mar pescando ou coletando seres marinhos, chamou-o aos gritos e ele obedeceu e foi até ela dentro do mar. Cruzei rio raso e depois peguei ponte em Barra de Santo Antônio. Achei a vista a partir da ponte muito bonita. Tomei 2 banhos de mar ao longo do caminho, o primeiro num local quase sem ondas de mar verde. Havia vários trechos com pedras. Havia também vários pontos com armadilhas para peixes no mar. Várias pessoas estavam na areia separando os peixes pegos. Vi várias vezes barcos sendo movidos com toras cilíndricas de madeira embaixo, o que já tinha visto em dias anteriores também. Na Praia do Carro Quebrado vi 2 fuscas e uma Kombi em decomposição. Cruzei a Barra do Camaragibe de barco com 2 paulistas, 1 catarinense e 2 alagoanos, pagando R$ 2,00 em dinheiro. Achei a vista durante a travessia muito bonita. Achei também a Barra do Camaragibe muito bonita. Mara ofereceu casa do seu filho para eu ficar por R$ 30,00, mas a casa não tinha luz nem descarga. Preferi então ficar na Tiriri Guest House (http://www.tiririguesthouse.com), pertencente ao João pagando R$ 50,00 em dinheiro por um quarto com banheiro privativo e TV a cabo e com direito a café da manhã. Comprei pães na padaria por R$ 4,00 em dinheiro e depois a dona ofereceu-me rocambole e torta de doce de leite, que não consegui recusar, pois quando levantei a cabeça após pegar o dinheiro da carteira ela já os tinha colocado num saco e me estava oferecendo. Até falei “não” agradecendo, mas ela fez uma cara de decepção e perguntou porque eu não aceitava, que resolvi aceitar. Comprei também tomate, chuchu e limão por R$ 2,75 com cartão de crédito. Jantei sanduíches. Apreciei a vista noturna a partir da sacada da pousada. Esqueci de apagar a luz do restaurante que João havia pedido antes de dormir. Na 5.a feira 22/08 tomei o café da manhã oferecido pela pousada com frutas (manga, abacaxi, banana, melão e mamão), pães, manteiga, geleia, requeijão e suco. Saí por volta de 8h45. Achei as praias bonitas. A cor do mar voltou a ser verde. Atravessei o Rio Tatuamunha andando. Fiz um teste sem a mochila que foi bem-sucedido e voltei nadando. Achei a água deliciosa. Atravessei pela 2.a vez com a mochila e desta vez estava bem mais raso, o que mostra como pouco tempo de maré baixando pode fazer grande diferença. No encontro do rio com o mar, a cor da água de um lado era verde e de outro era azul. Uma foto desta área pode ser vista a seguir. O tempo virou e ocorreu uma pancada de chuva quando eu passava por Porto de Pedras. Devido a isso, como eu queria aproveitar bem o trecho até Maragogi, resolvi ficar ali aquele dia. Fiquei na Pousada Águas Belas, do Eliel. Paguei R$ 50,00 em dinheiro por um quarto com banheiro privativo sem direito a café da manhã. Aproveitei a tarde então para conhecer o Mirante do Farol, a igreja matriz, a fonte masculina, a orla e a capela histórica. No farol, Dinho deu-me informações históricas e culturais sobre a área. Tomei um banho de mar no caminho e outro no povoado, achei o mar calmo e boiei. No entardecer a chuva voltou, com picos de maior intensidade, mas na média ficou leve e prosseguiu assim à noite. Vi 2 arco-íris no céu. Comprei pães nas padarias por R$ 4,00 em dinheiro. Jantei sanduíches e pães doces. À noite vi um jogo de futebol no campo local ⚽. Na 6.a feira 23/08 comprei pães por R$ 3,00, tomate e banana por R$ 1,75, todos pagos em dinheiro e tomei o café da manhã com sanduíches. Depois peguei a balsa gratuita para Japaratinga. Comecei a caminhada perto de 9h e cheguei em Maragogi perto de 13h. Antes de começar o caminho voltei até a margem do rio pela praia e andei um pouco nela, quase dando a volta e chegando onde havia desembarcado da balsa. Achei as praias muito bonitas, com mar verde. Atravessei 2 rios com maré baixa e água abaixo do joelho. Uma moça falou-me que um homem havia sido encontrado morto no mangue e eu decidi atravessar um dos rios para não cruzar o mangue em direção à ponte nem voltar um trecho para sair na rua que continuava para a ponte. Em Maragogi fiquei no Mandala Hostel (https://www.facebook.com/Mandalahostelmaragogi) pagando R$ 22,00 a diária em dinheiro por uma cama em quarto compartilhado, com direito a café da manhã. Lá conheci a argentina Jamilia, que estava indo para Porto de Galinhas, o baiano Rômulo, que viajava de moto, tinha sido da Marinha e morava em Campina Grande, a mineira Késsia, que viajava 2 semanas de férias pelo nordeste, a mineira aposentada Sílvia e um casal de chilenos, de férias no Brasil. Aproveitei que era cedo e fui visitar o Mirante do Cruzeiro. A melhor vista era a partir de uma pousada e era necessário pagar uma pequena taxa. Eu não tinha levado dinheiro e o atendente me disse que havia uma área atrás do muro de onde se podia ter uma boa vista. Fui lá e concordei com ele, achando a vista muito bela, das várias partes da costa ☝️. No caminho de subida, que fiz dando enorme volta pela estrada, pude ver paisagens de coqueiros, de que muito gostei também. Na volta descobri que havia um caminho alternativo descendo por uma rua de terra que era muito mais curto. Quando descia conversei com um homem que trabalhava na construção de sua casa e que havia mudado para lá. Ele tinha gostado de lá e me falou da região. Depois de descer ainda tomei um banho de mar, deixando as roupas com um casal de argentinos, e depois fui conhecer uma área de artesanato e andar pela orla. Apreciei o entardecer à beira-mar. Comprei espaguete, tomate, chuchu, pepino, abóbora, cenoura e mamão por R$ 7,98 com cartão de crédito e 1 brasileirinha por R$ 1,00 em dinheiro. Jantei espaguete com legumes, mamão e a brasileirinha. À noite eu, Rômulo e Késsia fomos passear na orla. Neste dia comecei a sentir dor em uma das pernas , na região da canela. Para as atrações de Maragogi veja http://www.maragogi.tur.br/ e https://maragogionline.com.br. Os pontos de que mais gostei foram as praias, o mar verde e a vista a partir do mirante. No sábado 24/08 tomei o café da manhã oferecido pelo hostel (cuscuz, ovo, pão, queijo, manteiga, banana assada, melão, mamão, abacaxi e 2 tipos de bolos) e fui caminhando até as praias do Antunes e do Xaréu. Atravessei o rio logo na saída do centro de Maragogi com água no peito, pois a maré estava alta. Em determinado trecho tive que ir pela rua, pois com maré alta não era possível passar. Mas após andar cerca de 15 minutos a meia hora voltei à praia. Acabei ficando sentado o maior tempo na Praia do Xaréu admirando o panorama. Segue uma foto dela. Alguns destes barcos na foto ficavam tocando músicas com som alto e provavelmente forneciam algum tipo de serviço, pois várias pessoas iam caminhando até eles. Ficavam um pouco distantes da praia, mas isso não intimidava os interessados. Tomei 2 banhos de mar e achei a água deliciosa. O mar continuava com a cor verde que eu achava linda. Voltei no entardecer e com a maré baixa foi possível fazer quase todo o caminho pela areia à beira-mar. O rio perto do centro atravessei com água perto da canela. Apreciei o entardecer a partir da praia. Jantei espaguete com legumes acrescido de arroz, que Jamilia havia deixado antes de ir embora, cravo e queijo ralado, que me deram no hostel. Para sobremesa comi mamão. Durante o jantar o chileno sofreu muito para abrir um coco com uma faca comum e concluiu que era melhor pagar R$ 5,00 do que fazer aquele esforço. Conversamos sobre a viagem deles, o Chile, o Brasil e várias coisas. À noite dei novamente um passeio na orla. Chegou Evelin de SP e um baiano. Rômulo e Késsia foram embora. Despedi-me da gerente Gerline, que não trabalharia no domingo, quando ela foi embora à noite. No domingo 25/08 tomei o café oferecido pelo hostel igual ao do dia anterior, sem a banana e sem um dos bolos, conversei com casal de Jundiaí (Mairon e mulher) sobre dicas de viagem e com Marcelo sobre Caminho de Santiago. Eles também haviam chegado para ficarem no hostel. Saí perto de 9h15. Atravessei o rio perto do centro com água na cintura. Reencontrei Mairon, mulher e Evelin na Praia do Antunes, onde ele disse que talvez fossem. Achei lindo o mar verde até o fim de Alagoas . Atravessei rio com água abaixo da cintura na divisa entre Alagoas e Pernambuco. Atravessei outro rio com água na cintura depois de São José da Coroa Grande. O mar continuava verde e eu continuava achando o mar e as praias lindos. Na barra do Rio Una fui até o Povoado do Abreu. No caminho havia uma ponte de tábuas de madeira com um buraco no meio, o que fazia que algumas meninas que provavelmente queriam ir para a praia estivessem com medo. Passei, disse-lhes que dava para passar com cuidado e elas foram. No povoado encontrei barqueiros que me poderiam levar para o outro lado do rio. Alecsandro levou-me até a 2.a barra do rio, pois disse que havia estourado uma barra, com a ajuda da própria população, devido às enchentes, e que se apenas atravessasse a 1.a barra eu ficaria preso entre as duas. A viagem de barco foi bela, com bonitas paisagens do mangue, da vegetação, do rio e das praias. Seguem fotos do trajeto. O barco encalhou 2 vezes em bancos de areia. Choveu um pouco durante o trajeto. Ele trabalhava com construção durante a semana e fazia passeios nos fins de semana. Quando chegamos vimos que a 2.a barra não estava tão grande e teria dado para eu atravessar. Mesmo assim foi prudente a decisão dele de me levar até lá. Paguei R$ 10,00 em dinheiro pela travessia. Prosseguindo caminhei pelas praias até Tamandaré, sendo que algumas tinham trechos com pedras, mas só uma vez tive que sair da areia para dar a volta por trás delas. Segue uma foto da Praia do Porto no caminho. Na ponta desta praia havia pedras enormes, onde alguns pescavam. Achei o mar bravo neste trecho. Já chegando em Tamandaré atravessei o Rio Mamucabinhas com água abaixo dos joelhos. Cheguei no entardecer (no litoral de Pernambuco escurece cedo) e fiquei na Pousada São João, do proprietário João, pagando R$ 40,00 em dinheiro por um quarto com banheiro privativo. Comprei pães, tomate, pepino e laranja por R$ 5,02 com cartão de crédito e os jantei. Encontrei um condicionador de cabelos provavelmente deixado por algum hóspede no banheiro e o utilizei, pois meu cabelo estava totalmente desalinhado devido à falta de pente. Entrou água da chuva no quarto à noite e molhou o travesseiro. Na 2.a feira 26/08 comprei pão por R$ 3,00 e tomate e banana por R$ 2,00, tudo pago em dinheiro. Tomei o café da manhã com isso. Saí perto de 8h. Houve algumas pancadas de chuva ao longo de todo o dia. Achei as praias muito bonitas ao longo de todo o caminho. Na Praia de Carneiros havia peixes coloridos e escuros 🐟. Uma foto desta praia segue. Visitei a igreja histórica e depois Édson atravessou-me de lancha, cobrando R$ 15,00 em dinheiro. Contou-me que antigos donos da fazenda onde atualmente é Carneiros estão enterrados na igreja histórica, que é do século 18. Achei muito bela a vista durante a travessia. Após a travessia encontrei trechos com pedras em que não consegui passar com maré alta. Subi pela encosta e peguei a estrada. Achei bonita a paisagem rural. Mais à frente voltei à praia e fui pela areia até a Barra do Sirinhaém. Continuei achando as praias lindas. Quando cheguei na barra peguei um barco de linha por R$ 2,00 em dinheiro para fazer a travessia. Na saída houve uma revoada de garças 🕊️ e gostei bastante da paisagem vista durante a travessia. Do outro lado o segurança disse-me para ir pela praia até onde conseguisse e depois pegar a rua dentro do condomínio à beira-mar. Quando saí da praia o segurança André acompanhou-me gentilmente pela rua do condomínio até a portaria e me disse que eu conseguiria voltar para a praia mais à frente, pedindo autorização para algum proprietário de sítio. A estrada pareceu-me ter uma bela paisagem rural. Pedi autorização a um caseiro, ele concedeu e passei por dentro de seu sítio para voltar à praia. Continuei achando as praias lindas. Passei por extensa área com água rasa. Cheguei à Barra do Maracaípe pouco antes do entardecer e ainda havia barcos fazendo a travessia. Mas perguntando a pescadores antes, disseram que poderia atravessar andando. Vi uma mulher num banco de areia no meio do mar e resolvi ir até onde ela estava. Ela não sabia se era possível atravessar para o outro lado, pois não era dali. Havia 2 pescadores por ali e perguntei para eles, que também não sabiam, pois também não eram dali. Mas eles disseram que iriam verificar, entraram no trecho e me disseram que dava para ir. Eu fui por onde eles indicaram e a água não passou do peito. Segue uma foto desta área. Quando já estava na estava Praia de Maracaípe, um cachorro invocou com um homem, mas acabou ficando só na ameaça e ele não atacou. Fiquei no Palawan Hostel (https://www.facebook.com/palawanhostel), de Hugo e Ayanna, com sua filhinha recém nascida e seu cachorro Chico. Paguei R$ 30,00 em dinheiro por cama em quarto compartilhado, com direito a café da manhã. Lá conheci o belga Joseph, que viajava pelo Brasil e iria para SP. Comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro e espaguete, batata-doce, chuchu, pepino e banana por R$ 5,36 com cartão de crédito. Jantei espaguete com legumes, banana e pão doce. Esta praia era extensão de Porto de Galinhas. Na 3.a feira 27/08 tomei o café da manhã oferecido pelo hostel (cuscuz, ovo, melão, mamão, pão, margarina, leite com Nescau e bolachas). Saí às 8h30 para tentar ainda pegar maré baixa e ver peixes nas piscinas perto do centro de Porto de Galinhas. Havia muitos peixes (coloridos e escuros, pequenos e maiores) perto da praia, nas rochas ou recifes. Fui nadando até as piscinas 🏊‍♂️, pois a maré já havia subido um pouco, mas voltei porque estava sem chinelo, depois de perguntar a um barqueiro se era permitido e ele me responder que sim, mas me alertar quanto a usar chinelo naquela área devido aos ouriços. Resolvi então caminhar pelas praias no sentido norte. Andei por todas até o fim, incluindo um bom trecho da margem do rio que fazia a divisa com o Porto de Suape. Achei-as muito bonitas, cada qual a seu modo. A Praia de Muro Alto, a última antes do rio, represava a água do mar. Já a Praia de Cupe tinha mar bravo. Atravessei um trecho com água um pouco abaixo da cintura e me surpreendi com um sorveteiro que atravessava o mesmo trecho com seu carrinho. E ele teve sucesso. Achei bem interessante a vista do Porto de Suape e do rio que o separava das praias de Porto de Galinhas. Tomei banho de mar. Na volta havia uma água-viva na areia e algumas argentinas tentaram jogá-la no mar, para ver se sobrevivia. Elas não conheciam águas-vivas. Aproveitei para dar um passeio pelo centro de Porto de Galinhas e conhecer as praças, artesanato, obras de arte a céu aberto, capela e Projeto Eco das Tartarugas Marinhas por fora. Ocorreram pancadas de chuva no fim da tarde. Abriguei-me numa barraca numa das praças à beira-mar. Com isso acabei voltando no escuro pela praia para o hostel, um trajeto que durava cerca de meia hora. Comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro. Jantei espaguete com legumes, banana e pão doce. Josepth foi embora de manhã. Casal de donos do hostel tinha passado a noite anterior em claro (até as 3h da manhã) porque filha de 2 meses precisou ir à Emergência por estar com cólicas. Pedi-lhes para que o café da manhã do dia seguinte fosse perto de 11h, pois pretendia acordar cedo para ir ver os peixes nas piscinas naturais do centro e queria estar de estômago quase vazio para nadar se fosse necessário. Eles agradeceram, pois poderiam dormir mais 😀. Na 4.a feira 28/08 comi 2 pães comprados no dia anterior e saí perto de 6h50 para ver as piscinas naturais na maré baixa. Chegando lá no centro, peguei uma pulseira com a equipe municipal de meio ambiente. Com a maré baixa era possível ir andando, com a água chegando ao peito. Na borda das piscinas subia-se numa elevação rochosa ou de recifes e aí havia uma área com rochas ao lado de piscinas de água do mar. Vi muitos peixes 🐠, dos mais diversos tipos e tamanhos, coloridos, azuis, listrados, vermelhos, escuros, minúsculos, pequenos e maiores, vi também ouriços e uma espécie de centopeia laranja. Havia uma piscina que tinha formato semelhante ao mapa do Brasil e uma outra em que era possível nadar junto com os peixes. A água estava um pouco fria, pois o dia estava nublado. Houve uma pancada de chuva após voltar das piscinas para a praia. Depois de ficar lá e nas imediações por mais de 2 horas voltei para o hostel para tomar café da manhã. O casal já estava acordado e parecia bem disposto. Sua filhinha estava melhor. O café oferecido foi ovo frito com tomate, mandioca, pães, margarina, manteiga, bolacha e leite com Nescau. Passei pelo Projeto Hipocampus, mas não entrei, só apreciei de fora. Fui visitar o Atelier do Carcará 👨‍🎨 e conversei com Gilberto Carcará sobre sua filosofia de trabalho, história e obras. Achei bonitas suas esculturas e interessante sua ideia de arte com sustentabilidade. Ele me falou que havia uma exposição de suas obras “galinhas” na Alameda das Sombrinhas, no centro, e mais tarde fui ver. Falou-me também de um farol sendo construído por um dono de restaurante que seria um ponto turístico servindo como mirante e também fui ver a construção. Achei bonito o caminho ao lado do lago para chegar no seu atelier. Após voltar ao centro, visitei e gostei também da capela, em que esperei para poder entrar devido ao horário. Pareceu-me linda, recente e simples ⛪. Havia uma pequena plataforma na areia da praia, talvez de uso de salva-vidas, e aproveitei para subir e apreciar a vista a partir dela, que me pareceu muito boa. Então fui até o Pontal do Maracaípe para ver o pôr do sol. Antes caminhei um pouco na margem do rio até onde o mangue me permitiu para apreciar sua paisagem. Achei bela a vista do rio, principalmente no entardecer, e bonito o pôr do sol, apesar da nebulosidade. Comprei batata-doce e pepino por R$ 1,40 e pães por R$ 1,00, tudo em dinheiro. Jantei batata-doce, pepino, chuchu e pães doces. Na 5.a feira 29/08 tomei o café oferecido pelo hostel com pão, queijo branco, batata-doce, melão, mamão, bolacha e leite com Nescau. Saí perto de 8h30, saquei dinheiro e fui rumo a Cabo de Santo Agostinho. Fui pela praia até o Atelier do Carcará. Antes de sair da praia tomei um banho de mar. Depois peguei a estrada, com o lago e o mangue de um lado e propriedades rurais e vegetação do outro, cuja vista continuei achando bela. Passei por um acidente em que havia uma mulher deitada no chão e uma moto caída e a mulher falava que estava doendo muito. Esta cena me fez chorar 😢. A polícia já estava lá isolando a área. Só fui cruzar com a viatura do SAMU, que imagino iria socorrê-la, mais de meia hora depois 😒. Passei por Ipojuca e aproveitei para visitar a Praça do Baobá, onde havia uma enorme árvore deste tipo, e também a Igreja Nossa Senhora do Ó. Depois de cruzar a cidade peguei a estrada normal e depois a pedagiada. Achei uma banana verde no chão da estrada e comi. Errei o caminho. O mapa que eu havia visto me indicava para virar à direita num trevo, mas provavelmente eu não poderia caminhar muito naquela direção se tivesse virado, pois vários me disseram que era a entrada do porto e não poderia prosseguir. Segui em frente então e mais à frente perguntei a um rapaz que vendia lanches. Ele viu no GPS o novo trajeto, deu-me 2 opções e eu segui a que achei em que não iria me perder. Virei à direita onde haviam indicado e numa bifurcação logo após perguntei a um homem que vinha caminhando. Ele me indicou o caminho contrário ao que eu acreditava ser correto e vendo minha dúvida perguntamos a Fia e seu amigo que vinham voltando do trabalho. Eles me disseram que iriam para muito perto de onde eu estava indo e se dispuseram a ir comigo. Eu os atrasei, pois estavam de bicicleta e eu não conseguia ir muito rápido devido à dor na perna, que ainda continuava. Em alguns trechos Fia levou minha mochila e seu amigo me levou sentado na bicicleta 🚲. Ele sofreu em algumas subidas. A paisagem me pareceu bonita. Pegamos uma trilha muito bela no meio da mata e Fia me deixou no povoado de Suape. Dali para Nazaré, onde eu pretendia ficar, era bem próximo. Fui até lá e fiquei no Hostel Mujeres com Alas (https://www.facebook.com/mujeresconalasnazare) da Mary (ou Mere), pagando R$ 45,00 com cartão de crédito por uma cama em quarto compartilhado, sem café da manhã. Mas só havia eu no hostel como hóspede. Ela disse que aceitava homens após eu perguntar. Depois de me instalar ainda fui até o mirante atrás do farol apreciar a vista noturna. Apesar de um pouco escuro, ainda me pareceu bela, com destaque para as luzes dos povoados e navios 🚢. Então fui comprar mantimentos. Achei muito boa também a vista da descida de Nazaré para Suape, que acho que era do porto e de empresas vinculadas. Comprei espaguete, pães e leite por R$ 7,70 com cartão de crédito, tomate, cenoura, chuchu, pepino e mamão por R$ 9,50 em dinheiro e pães por R$ 3,00 em dinheiro. Jantei espaguete com legumes, mamão e pães doces. Conversei com Mary sobre sua origem boliviana, sua família, sua vida no Chile, Niterói e agora ali e suas experiências com hóspedes passados. Na 6.a feira 30/08 tomei café da manhã com sanduíches, mamão, pães doces e leite. Antes de eu sair pela manhã houve uma pancada de chuva e depois abriu o tempo. Aproveitei para passear por dentro do hostel e apreciar sua decoração interior, com fotos e itens de arte. Mary explicou-me sobre as trilhas e esboçou um mapa. Ela me levou pessoalmente para ver a entrada de 3 trilhas. Comecei conhecendo a igreja histórica, o convento e cemitério, vendo-os da porta. Fui ao farol atual e respectivo mirante. Achei a vista muito boa também durante o dia. Depois desci até o farol antigo e a Casa do Faroleiro. Gostei da vista também. Lá raspei a perna de leve. Depois vi ruínas da capela, Forte, Bica da Ferrugem e ruínas do quartel. Dois rapazes que estavam caminhando pelo forte explicaram-me o caminho para a Bica da Ferrugem e as ruínas do quartel. Dali fui à Praia do Paraíso, em que havia muitas pedras, quase sem faixa de areia. Subi a escada, passei pela ponte e fui à Praia do Suape, que achei boa, com mar bravo. Segui por ela até o rio ou canal que a separava do porto. Achei bonito o encontro do mar com o rio ou canal. Andei um pouco pela margem do rio ou canal e depois voltei, passei de novo pela praia e peguei a trilha para Nazaré de que a Mary tinha falado. No caminho havia outro mirante, com vista de que gostei, abrangendo a praia, o mar, o povoado e o porto. Chegando lá em cima peguei a trilha para a Praia de Calhetas que a Mary tinha mostrado. Achei bonita a trilha, com começo no meio da mata. No caminho encontrei Magda, que alugava kitnets no Vale da Lua. Ela deu-me explicações sobre a trilha e disse que era amiga da Mary. Achei linda a vista a partir da trilha, da orla, das praias, do mar e do povoado de Gaibu. Achei delicioso o mar em Calhetas . O mar era de tombo, mas sem correnteza, o que permitia um nado tranquilo em águas mais profundas, conforme o salva-vidas do local explicou-me. Depois de andar pela pequena orla e do banho de mar, fui para a Praia de Gaibu. A vista das paisagens durante o caminho continuaram belas. Lá, com a maré subindo, achei o mar bravo. Andei cerca de meia hora na areia da praia e depois acabei voltando pela pista. Passei pelo hostel, conheci a parte inicial do sítio que ficava nos fundos do hostel e suas árvores altas e largas, como a fruta-pão. Ainda deu tempo de ir ver o pôr do sol a partir do mirante que ia para a Praia do Paraíso. Seguem as fotos deste momento. De volta ao hostel, conheci a seu lado o Centro Cultural Esperantino, explicado pelo filho do homem que deu nome ao centro. Gostei e achei bonitas as várias trilhas feitas na mata ao longo do dia, a vegetação e relevo existentes ☝️. Comprei pães para café da manhã e sobremesa por R$ 3,00 em dinheiro e R$ 1,50 com cartão de crédito. Jantei espaguete com legumes, mamão e pães doces. No sábado 31/08 tomei café com sanduíches, mamão, pães doces e leite. Conversei com Mary sobre suas próximas hóspedes, que chegariam naquele dia, suas experiências de viagem, sua vida passada e minha viagem. Antes de sair ela pediu para tirar uma foto minha, que coloco a seguir. Saí perto de 9h30. Fui pela estrada até Gaibu e depois peguei a areia da praia. Achei as praias muito bonitas, porém a maioria bem mais urbanizada do que a média da viagem, posto que estava chegando a Recife. Havia muitas pedras em vários trechos. Após perguntar para várias pessoas sobre risco de ataque de tubarões 🦈 e todos dizerem que não havia, tomei um banho de mar. Depois de cerca de 500 m do local do banho vi a primeira placa de risco de ataque de tubarões. Se tivesse visto a placa antes não teria nadado. Desviei um pouco no caminho para conhecer a Ilha do Amor, fui até a curva e depois voltei para pegar a ponte, de onde a vista me pareceu muito bonita. Após a ponte houve um grande trecho com mato nas laterais da rua, que até me preocupou um pouco, apesar do movimento de carros, mas nada aconteceu. Voltei para a praia. Havia bastante gente, pois era sábado. No fim do dia começou a ameaçar chuva e já bem perto da chegada houve pancadas de chuva. Em Boa Viagem o mar estava bravo, chegando a espirrar água na calçada, após bater nos muros de contenção da praia. Fiquei no Hostel Estação do Mangue (https://www.estacaodomangue.com.br) por R$ 30,00 com cartão de crédito por uma cama em quarto compartilhado sem direito a café da manhã. Lá conheci mãe e filho que estavam a passeio e 2 transsexuais que tinham vindo trabalhar. Comprei pães por R$ 9,80 e bananas, abóbora, limão e chuchu por R$ 6,60, tudo com cartão de crédito. Jantei sanduíches, bananas e pães doces. No domingo 01/09 fui à praia antes de tomar café da manhã. Estava uma pequena garoa, mas nada que incomodasse. No caminho passei pela igreja ao lado do hostel e uma mulher disse que provavelmente não era permitido entrar naqueles trajes (camiseta regata e calção). Parecia tensa quando eu fui até a porta olhar. Já perto da praia, passei pela Igreja de Nossa Senhora de Boa Viagem, na Pracinha de Boa Viagem, e um homem disse que eu poderia entrar para visitar (“Claro que pode, é a casa de Deus”). A igreja já estava cheia para a missa e eu preferi ir só até a porta. Segui e fui dar um passeio pela orla. Um homem entrou no mar bravo, onde havia placas de risco de ataque de tubarão e eu até pensei que estivesse se suicidando. Mas depois perguntei e me disseram que era seu costume e ele já fazia parte do mar. Em seguida eu o vi nadando alguns metros depois da arrebentação. Entrei no mar uns 10 metros 🌊, somente para me despedir. Tomei café com sanduíches e fui andando até o aeroporto. Demorei 16 minutos do hostel até lá. Troquei de lugar no avião com um homem que preferia corredor para poder ficar na janela. Quando cheguei em Congonhas com o ônibus vindo de Guarulhos estava chovendo 🌧️ e tomei bastante chuva no caminho a pé para casa. Ainda bem que estava com a capa.
  27. 9 pontos
    Olá pessoal, Vou deixar meu relato sobre uma viagem que fiz agora no mês de Junho/2019 para Malta, um local muito bacana e que não há tantas informações aqui no fórum. Irei fazer uma apanhado em linhas gerais sem detalhar totalmente o que fiz em cada dia pois foram 10 dias lá e em alguns dias fiz bastante coisas e em outros tirei o dia pra ficar de bobeira sem fazer quase nada. Passagens Eu já cogitava ir para Malta desde o ano passado entao sempre pesquisava os preços e tinha noção dos valores que giram em torno de R$2500 a cima. Não há vôos direto do Brasil pra lá, então sempre será preciso fazer uma escala em algum país. Em meados de Abril eu vi uma promoçao saindo do Rio de Janeiro pela Swiss por R$1640 já com as taxas. Fiquei tentado a comprar porém pela Swiss não é possivel fazer o parcelamento da compra, entao aguardei mais uns dias e encontrei pelo mesmo valor saindo de Sao Paulo pela Lufthansa. Pela cia alemã foi possível fazer o parcelamento em até 5x, para isso foi preciso realizar a compra pelo site e logo em seguida ligar na central de atendimento solicitando o parcelamento. A atendente confirma as datas dos trechos, os nomes dos passeiros, a quantidade de vezes a ser parcelado, pega os dados do cartao e informa que em até 24hs eu receberia a confirmação se a compra havia sido aprovada ou não. Porém em 3hs já havia recebido a conformação da compra. O itinerário havia ficado assim: IDA: São Paulo – Zurique / Zurique – Malta, ambos os voos pela Swiss, e a VOLTA: Malta – Frankfurt / Frankfurt – Rio de Janeiro, ambos os voos pela Lufthansa. Fique super satisfeito por pagar um valor relativamente barato (R$1640 já com as taxas) e ainda por poder voar com boas cias. Dois dias antes do meu voo acordo com um email informando que meu voo de ida havia sido cancelado. Pouco tempo depois recebo um outro email informando que o voo havia sido remarcado para 4 dias depois da data inicial. Eu tinha duas opçoes, primeira, deixar da forma como estava e depois entrar na justiça pra tentar receber alguma indenização da cia pelo fato do voo ter sido cancelado em menos de 72hs, além do prejuízo com reservas de hotel, etc.., ou a segunda opção, ligar na central de atendimento e tentar uma realocação em outra cia. Optei pela segunda opçao, nao queria ter meus dias comprometidos lá, tendo que abrir mao de varias coisas por ter que ficar menos tempo. A atendente foi bem solícita e em poucos minutos remarcou meu voo para a data inicial indo com a Alitalia ao invés da Swiss. Vôo Como eu já havia feito o checkin pela internet, cheguei ao aeroporto apenas para despachar a bagagem da minha mulher pois eu viajei apenas com uma bagagem de mao, uma mochila de 30L. Com mais de 3hs de antecedência o checkin ja estava aberto e tinha uma fila muito pequena. Me livrei da bagagem, fui bater perna no aeroporto e comer algo antes do voo. O embarque iniciou na hora marcada e nao houve nenhum atraso na saída do voo. Antes da mudança de cia aerea eu iria para Zurique e teria uma janela de 7hs até o segundo voo, com a mudança eu fui direto para Roma, com o segundo voo saindo poucas horas após a minha chegada. Foi minha primeira vez que voei com a Alitalia e pra falar verdade nao gostei muito, a classe economica tinha os assentos na configuraçao 3-4-3, as poltronas tinham pouco espaço entre uma fileira e outra, tinha uma caixa de metal fixa em baixo da poltrona a minha frente e isso acabou atrapalhando esticar as pernas, (depois percebi que essa tal "caixa de metal" existia em outras fileiras tambem), o serviço de entreterimento deixou muito a desejar com poucas opçoes de filmes, alem da grande maioria serem filmes antigos. A maior parte dos filmes tinha legenda em ingles, alguns em portugues e a boa parte em italiano. O serviço de bordo achei bem simples tambem, antes da refeiçao quente foi servido somente uns snacks e antes do pouso, o cafe da manha. O voo chegou 20 minutos antes do previsto em Roma. Os procedimentos na imigração demoraram cerca de 40 minutos, tinha bastante gente na fila. O oficial só me perguntou o motivo da minha viagem e nao me pediu mais nada. O segundo voo até Malta tambem saiu na hora, e por incrivel que parece o aviao era menor e mais confortavel que o outro vindo do Brasil. MALTA O desembarque se deu de forma rápida assim como a restituição de bagagem. Como não foi preciso passar pelo controle de imigração novamente a saída do aeroporto tambem foi rápida e tranquila. Eu estava de planos de pegar um transporte público para chegar ao meu hotel porem minha mulher estava com bastante dor de cabeça sem falar da mala pesada, entao acabei sedendo a um taxi. Dentro do aeroporto tem um guichê onde voce paga antecipadamente a corrida e já existe o valor pre-determinado para canto da ilha. Eu fiquei hospedado em Sliema e o valor até lá custou 20€. Fiquei hospedado no Park Hotel, o mesmo tinha uma nota intermediária, as diárias tinham café da manha incluso e a localizaçao era muito boa, praticamente em frente ao mar. Porém o sinal de wifi no quarto era muito ruim, o cafe da manhã tinha poucas variedades e nenhuma fruta. O elevador é pequeno e antigo. Há uma piscina na cobertura e outra no subsolo, alem de academia. Obs.: As diárias em hostel nessa época do ano em quarto compartilhado giram à partir de 90 - 100 reais. Minha mulher trabalha na Azul cia aérea, entao ela tem bons descontos em vários hoteis, entao só por isso optei por ficar em hotel, porque o valor que pagaríamos numa cama em quarto compartilhado, juntamos e pagamos num quarto só nosso em um hotel. Nesse primeiro dia nao fiz quase nada, o jetlag tava matando, afinal lá são 5hs à frente do nosso horario. Juntando isso mais a noite mal dormida no voo a gente nao tem muito ânimo de fazer as coisas. Depois de dar uma descansada bati perna nas proximidades do hotel para ver o que tinha por perto (supermercado, locais pra comer) e bati perna no calçadão a beira mar. Num primeiro contato foi possível perceber o quanto a cidade é extremamente limpa. Na avenida beira mar há vários quiosques que oferecem variados tipos de ambiente, musica ou até mesmo piscina. Mesmo se tratando de uma praia no "centro" da cidade não há nenhum esgoto, nao ha nenhum lixo na agua. Há inumeros pontos de banho e em todos os lugares a agua é cristalina. Em Sliema há uns locais chamados de piscinas romanas, que sao piscinas construidas nas rochas a beira mar. piscinas romanas No dia seguinte levantei cedo pra bater perna e fui para Valleta, que é considerado a capital do país. Para se chegar lá é possível ir de onibus ou de barco. Eu optei pelo barco pois além de ser mais rápido (uns 7 min no máximo), já aproveitava e fazia o passeio em si pelas aguas. O barco parte de Sliema a cada 30 min e o valor do ticket custa 1.50€ cada perna, ou entao se comprar antecipado ida/volta o valor cai para 2.80€. Valetta É um local muito bonito, com construçoes bem antigas e com várias coisas pra se visitar. É aconselhável ir com calçado bem confortável pois a cidade é cheio de subidas, descidas, escadarias e cansa bastante a caminhada. Dentre as coisas pra se ver em Valetta podemos destacar: - Parlamento na Av da republica - Upper Barrakka Gardens - St Jhon's Co-Cathedral - Triq Merchants Nessa cidade foi onde percebi muitos turistas, muita coisa voltada exatamente pra tirar dinheiro do povo (bares, cafés, lojas de souvenir, passeios em carrinhos de golf, passeios de charrete, etc.) Vele muito a pena conhecer a cidade, com uma manhã é possivel ver praticamente tudo. Mas pra quem gosta de andar bem devagar, sentar e tomar um café, entrar em igrejas, museus, etc.. pode tirar o dia pra ficar por lá. ---> Continuarei o relato no próximo post..
  28. 9 pontos
    O clássico Chile-Bolívia-Peru, ou melhor, a Tríade Atacama-Salar-Cusco sempre esteve na minha lista de desejos. Dentre esses países, eu sempre tive uma vontade maior de conhecer a Bolívia. Como uma boa bióloga, eu sou apaixonada por parques nacionais e a Bolívia tem uns maravilhosos. Além disso, eu gosto muito de trekking em montanhas e estou planejando fazer em breve algumas montanhas bem altas, acima de 5.000 m, na África e na Ásia. Desde 2016 eu desenvolvi uma rara doença auditiva chamada Síndrome de Menière, que basicamente é pressão alta na cóclea. A doença é terrível, mas felizmente a medicação no meu caso ajuda a controlar bastante os sintomas da síndrome, exceto o zumbido e umas tonturas eventuais. O máximo de altura que eu já tinha ido até então foi 2.800 m no Monte Roraima em 2015 (que senti enjoo, mas darei mais detalhes depois). Porém como meu problema auditivo começou depois disso, eu queria saber como meus ouvidos iriam se comportar em altitudes maiores do que 2.800 m, antes de encarar por dias as montanhas que eu desejo na África e na Ásia. Daí juntou a fome com a vontade de comer. A Bolívia, que eu já queria muito conhecer, era um local ideal para ir, pois além de altitudes acima dos 4.000 m, é um país bem barato para se viajar. Então na Black Friday de 2018 eu consegui comprar minhas passagens pela Submarino Viagens por R$1641,00 chegando por Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) dia 16/09/19 e voltando por Cusco (Peru) dia 15/10/19 (mesmo pagando uma taxa para a empresa, ainda assim saiu mais barato do que comprar diretamente pelas cia aéreas. Tiveram dois problemas: o primeiro foi os horários loucos com mil pontes áreas e o segundo foi que eles trocaram os horários dos meus voos sem minha solicitação. Me mandaram só um e-mail pedindo a minha confirmação. Se eu não aceitasse eles iriam devolver o dinheiro, exceto o valor do serviço prestado pela Submarino). 16/09 (segunda): Depois de uma longa jornada de aeroportos (BH-Guarulhos-Santiago-Santa Cruz de la Sierra) que começou às 4:50h, cheguei no meu destino por volta das 20h. Passei pelo saguão do aeroporto pra trocar um pouco de dinheiro, mas as casas de câmbio estavam fechadas. Fui até o centro de informação ao turista e perguntei quanto dava um táxi em dólares até a Catedral, pois meu hostel ficava em frente (10 dólares). Peguei um táxi regular (branco com uma faixa azul. Eles ficam parados em frente ao desembarque). Por causa do trânsito, o trajeto demorou cerca de meia hora. O que não faltam nas cidades da Bolívia são táxis clandestinos. Em geral, todos os carros caem aos pedaços, literalmente. Sobretudo os taxistas clandestinos. Nenhum táxi, regular ou clandestino, tem taxímetro. Então sempre pergunte o preço da corrida antes de entrar. O trânsito na Bolívia é muito confuso e caótico (no Peru também, mas talvez um pouco menos do que na Bolívia. É uma loucura!). Não há placas de Pare. Os motoristas simplesmente embicam o carro na tora para passar nos cruzamentos. Eles não respeitam as faixas de pedestres, mesmo que o semáforo esteja aberto para os pedestres. Quase nunca dão seta, metem a mão na buzina a cada respiração, fazem fila dupla ou simplesmente param em qualquer lugar. A vida do pedestre é complicada. Para você atravessar a rua, vai ter que se enfiar na frente dos carros. Sinto de segurança é algo que praticamente não existe, inclusive nos ônibus que fazem as viagens intermunicipais. Ao chegar no hostel, deixei minhas coisas e fui dar uma volta de 10 minutos na praça da Catedral. Ela já é muito bonita, mas a iluminação a noite dá um toque especial. 17/08/19 (terça): fiquei no Nomad Hostel, que fica literalmente em frente à Catedral em uma rua lateral. O hostel é muito bom, mas não pode cozinhar. O que foi um problema pra mim. Fiquei duas noites lá e para a primeira noite tinha comprado vários legumes para fazer. Acabei conversando com o dono alegando que não fui informada sobre isso durante o meu check-in e que pelo aplicativo do Booking, por onde reservei, não havia essa observação lá. Acabou que ele permitiu que eu cozinhasse macarrão, pois era rápido e não faria sujeira. Fora isso, a estadia foi muito boa. A maioria dos comércios abriam a partir de 8:30h da manhã, fechando de 12 às 14h (isso serviu para toda a Bolívia, não apenas para Santa Cruz). Então não adianta sair mais cedo do que isso. Depois que tomei café da manhã no hostel, saí para trocar dinheiro. O câmbio para dólar estava 6,94 bs e reais estava 1,69 bs. Depois comecei a procurar agências de turismo para cotar passeios para o Parque Amboró. Para a minha infelicidade, praticamente não achei agências. E das raras agências que faziam o Parque, elas estavam querendo me cobrar entre 450 ou 550 DÓLARES (!!!) para me levar, uma vez que eu estava sozinha e era baixa temporada. Dá pra ir para o Parque de ônibus (mas você tem que dormir na cidade de Samaipata), mas exatamente por ser baixa temporada, achei que a probabilidade de conseguir guias lá seria menor porque Samaipata parece que não tem muita infraestrutura. Então não quis arriscar. Acabei ficando super frustrada pois queria demais ir ao parque fazer a trilha dos Helechos Gigantes. Enfim, me conformei. E acabei ficando um dia a toa em Santa Cruz, que tirando a Catedral, não tem nada de interessante. A cidade é bem grande e não achei ela muito segura, embora não tenha visto ou acontecido nada comigo. Mas em pleno centro durante o dia havia umas ruas vazias com aquele ar de suspeito em que seu sexto sentido diz: "não vai por aí". Curiosamente, depois me falaram que as cidades mais violentas aos turistas eram Santa Cruz e La Paz, que são as duas maiores cidades da Bolívia. Fui até a rodoviária para comprar passagens para Sucre. A rodoviária é uma zona. Tem gente gritando para tudo que é lado e você é abordado o tempo inteiro por pessoas querendo te vender passagens. Irritante. E a julgar pela aparência dos guichês das empresas, você acha que todos os ônibus serão uns cacarecos. Havia lido aqui no fórum as melhores empresas e mais confiáveis. Dentre elas, fui diretamente ao guichê da Transcopabana, que apesar de na sua faixada estar escrito que eles faziam o trajeto para Sucre, na prática eles não faziam. Fiquei então totalmente sem referência de qual empresa confiar e ir, pois até então tinha lido só coisa ruim sobre o transporte rodoviário, especialmente para o trajeto Santa Cruz-Sucre. Por sugestão de uma outra empresa que não fazia esse trajeto, acabei indo parar em uma empresa super escondida chamada Sin Fronteras. Lá eles me ofereceram um ônibus semi leito, de dois andares, sendo que no andar de cima havia 3 fileiras de poltronas (2 juntas e uma separada), com banheiro (coisa rara) e ar condicionado. De fato o ônibus tinha tudo o que oferecia, exceto Wi-Fi, mas tinha entrada Usb para carregar o celular. 18/09/19 (quarta): Basicamente enrolei o dia inteiro para pegar o ônibus para Sucre a noite. O ônibus não era novinho em folha, mas também não era ruim. Fui na fileira sozinha e a poltrona foi bem confortável para a viagem, que durou cerca de 12 h (saiu às 19h) e custou 100 bs. Antes de embarcar no ônibus a noite, eu estava bastante apreensiva por causa da qualidade do ônibus e por causa do trajeto em si. Havia lido que a estrada era péssima, extremamente perigosa por causa dos penhascos e que a maioria dos motoristas dirigem bêbados. Eu fiquei mais tranquila só depois que conversei com um outro passageiro que morava em Santa Cruz, mas estava indo fazer um trabalho em Sucre. Segundo ele, a estrada era nova e com guardrail, e que a empresa do ônibus era confiável. Para o nosso trajeto, ele também recomendou a empresa El Emperador, mas as passagens já haviam esgotado quando ele foi comprar e por isso acabou comprando da empresa Sin Fronteras. Antes de embarcar você deve pagar uma taxa de uso da rodoviária (não lembro se foi 2.50 ou 3.50 bs). O desconforto da viagem para mim foi que o trajeto tem muitas, mas muitas curvas fechadas. E pelo fato de estar no segundo andar do ônibus, a cada curva eu achava que o ônibus ia capotar. Então custei a relaxar. Se o ônibus que você pegar tiver banheiro, recomendo ir na parte de cima, pois o mal cheiro no primeiro andar é bem forte ao final da viagem. Recomendo também levar tampões de ouvido caso tenha dificuldade para dormir com barulho, como eu. Os bolivianos não usam fones de ouvido (uma senhorinha atrás de mim começou a tocar músicas às 5:30h da manhã. E quanto mais ela gostasse da música, maior era o volume. Eu queria matar a véia!). Leve também roupas de frio, pois de madrugada esfria bastante. Embora o ônibus que eu peguei tivesse banheiro, recomendo que não beba muita coisa antes de viajar. Um amigo meu viajou em um ônibus sem banheiro e o motorista não parou nenhum minuto. Segundo o relato dele, ele e os amigos tiveram que mijar da janela do ônibus em movimento. Imagina a cena! Também vi relatos de algumas meninas que também pegaram ônibus sem banheiro e tiveram que fazer xixi na estrada atrás do ônibus, depois de obrigar o motorista a parar ameaçando que iriam urinar dentro do ônibus. Fique esperto com as poucas paradas que o ônibus fizer na estrada. Tem alguns relatos contando situações inusitadas. No meu caso, depois de uns 10 minutos de ônibus parado em algum lugar, o motorista não conferiu os passageiros. Apenas gritou: "tá todo mundo aí?". Algumas pessoas responderam que sim e ele foi embora. 19/09/19 (quinta): Cheguei em Sucre por volta das 07:30h e todas as empresas na rodoviária estavam fechadas. Fui caminhando até o Condor hostel (subindo e descendo as inúmeras ladeiras da cidade) (40 minutos de caminhada lenta). Deixei minhas coisas no hostel e fui para a Praça 25 de Maio para pegar o ônibus (também chamado de Dinobus) para o Parque Cretáceo (15 bs ida e volta. De táxi dava cerca de 30 bs cada trajeto). O ônibus é vermelho e tem dois andares, escrito "Parque Cretáceo" na frente dele. Não tem como não ver. Ele para em frente a Catedral na praça 25 de Maio e passa às 09:30h, 11h, 12h, 14h e 15h. Eu peguei ele às 9:40h. Não achei casas de câmbio pelas ruas que andei em Sucre (certamente tem, eu que não vi). Os únicos lugares que eu vi que trocavam dinheiro foi em uma tenda logo na saída da rodoviária (dólar 6,92 bs, reais não aceitavam) ou uma farmácia 24 horas em uma esquina da praça 25 de Maio (dólar 6,84 bs). Eu achei Sucre bem bonitinha, principalmente o Centro. As praças são bem conservadas, os jardins bem cuidados. Na praça 25 de Maio tem Wi-Fi público, que não funciona muito bem, mas quebra um galho em emergências. O trânsito também era caótico, mas tive a impressão que era menos caótico do que em Santa Cruz. O Parque Cretáceo, embora pequeno, é sensacional! Lá pertence a uma fábrica de cimentos, que durante suas perfurações para extrair matéria prima descobriram pegadas de 4 grupos diferentes de dinossauros. São mais de 12 mil pegadas em um paredão (a maior coleção de pegadas do mundo) e por conta disso essa área foi tombada e é conservada como patrimônio (não tão bem conservada assim considerando que passam caminhões da fábrica na área o tempo todo, além das outras atividades). Então a fábrica de cimentos fez um parque dos dinossauros e possui várias réplicas em tamanho real (e muito bem produzidas), além de fóssils. O Parque funciona de terça a domingo, de 9 às 17h. Porém, para ir ao paredão ver as pegadas originais, os únicos horários são 12 e 13h. A entrada no parque custa 30 bs para estrangeiros e se você quiser tirar fotos, tem que pagar mais 5 bs, totalizando 35 bs (a visita ao paredão já está inclusa no ingresso). O clima em Sucre estava muito seco, mas no Parque Cretáceo estava pior ainda por causa do excesso de poeira. Se for visitar o paredão das pegadas originais, sugiro levar um lenço ou uma bataclava para proteger o nariz. Para ir ao paredão só pode entrar de sapato fechado. Saindo do Parque Cretáceo peguei novamente o Dinobus e pedi para descer na rodoviária para ver os horários de passagens para Potosí e Uyuni. Me indicaram a empresa Emperador (não é a El Emperador, que me indicaram como uma empresa confiável em Santa Cruz). Não tinha ninguém no guichê, mas na parede da empresa estava escrito os horários de saída para as duas cidades. Fui caminhando novamente até o centro e visitei a maioria dos museus. De longe o que eu mais gostei foi o Museu San Felipe de Neri (entrada 15 bs). Lá vc pode subir até o terraço e ver boa parte do centro. É bem bonito e rende fotos lindas da construção em si. A Catedral estava fechada para reformas. Depois de caminhar muito pelo centro, fui para o hostel descansar por volta das 17h. Comecei a sentir uma leve dor de cabeça, que atribui ao excesso de caminhada em um sol escaldante, à pouca ingestão de água e à noite mal dormida no ônibus de Santa Cruz. Porém a dor de cabeça começou a aumentar muito e comecei a ficar muito enjoada. Daí pensei que era algo que eu tinha comido (intoxicações alimentares na Bolívia são muito comuns. Cuidado com o que você come). Mas lá pelas 20h eu tava muito, mas muito mal. A dor de cabeça estava insuportavelmente forte, estava muito, mas muito enjoada, a ponto de vomitar toda a minha janta. 🤢 Já estava desconfiada de Soroche (que é o mal da altitude), mas não queria acreditar, pois não estava com dificuldade para respirar ou cansaço anormal. Comecei então a ler mais sobre o Soroche e uma informação crucial foi importante para que minha ficha caísse: você não começa a passar mal necessariamente assim que chega em uma determinada altitude (geralmente a partir de 2.400 metros algumas pessoas já passam mal). Algumas pessoas podem começar a se sentir mal com 20 minutos, mas outras pessoas podem levar até 10 horas para passar mal. Além disso, ao deitar, a frequência respiratória diminui, o que piora muitos os sintomas. E foi exatamente isso que aconteceu comigo. Comecei a me sentir mal cerca de 10h depois que eu cheguei em Sucre (que está a 2.800 m de altitude) e quando eu deitei para descansar. Quando eu levantava e começava a andar, o enjoo melhorava pois aumentava a circulação sanguínea no cérebro. E foi aí que minha ficha também caiu que eu tinha passado mal no Monte Roraima em 2015 por causa do Soroche, que na época atribuí a outros fatores. Mas a sintomatologia foi praticamente a mesma. Fui então até uma farmácia comprar Soroche Pills, que é um medicamento a base de ácido acetilsalicílico, e a vendedora disse para tomar a cada 8 horas por 3 dias, que é o período que geralmente as pessoas necessitam para aclimatar ( eu precisei tomar por 4 dias e no final da viagem tive que tomar de novo por mais 2 dias) . Cerca de 1 hora depois que eu tomei o remédio, comecei a sentir melhoras e consegui dormir. Cada pílula custou 5 bs. Importante destacar que não tem como você prever se sofrerá ou não com o Soroche. Os efeitos da altitude independem de sexo, idade, força ou resistência aeróbica. Só estando em altas altitudes para saber como seu corpo reagirá. O meu, mesmo depois de aclimatada, ainda assim não ficou 100%. 20/09/19 (sexta): acordei por volta das 7h da manhã com a minha cabeça começando a doer de novo e logo tomei outra Soroche pills. Tomei um café, peguei um táxi caindo aos pedaços até a rodoviária (5 bs) para pegar o ônibus para Uyuni às 12:30h, conforme eu tinha visto na parede da Empresa Emperador no dia anterior. Para a minha surpresa, a empresa não fazia o trajeto direto! Assim, tive que ir até Potosí (30 bs), desembarcar no cemitério (que é como eles chamam um terminal de ônibus antigo), pegar um táxi até um outro terminal para pegar outro ônibus da empresa até Uyuni. Isto é: nunca confie em nada que está escrito nas paredes. Sempre converse com o vendedor. Haviam outras poucas empresas que faziam o trajeto também, mas os ônibus saiam no final da tarde, chegando a Uyuni de madrugada (que segundo relatos de pessoas que conheci que fizeram essa viagem, não foi uma boa porque não tem nada aberto e você fica ao léu em um super frio - não tem nem uma rodoviária pra te proteger. Os ônibus param em uma rua no centro). Então preferi ir durante o dia, pois já não havia mais nada que eu quisesse fazer em Sucre. O ônibus era um ônibus convencional (1 andar com duas filas de cada lado). Não tinha ar, banheiro ou USB para carregar o celular. Ninguém conferiu a minha passagem. A taxa de uso do terminal foi de 2.50 bs. Foi muito bom ter pegado o ônibus durante o dia, pois pude apreciar a paisagem, que é deslumbrante. No início, a paisagem era mais bonita do lado esquerdo, mas a partir da metade da viagem o visual foi mais bonito do lado direito (que pega muito sol). O revelo dos Andes é muito maravilhoso. Geólogos ou entusiastas de geologia devem ficar doidos com a diversidade de rochas e paisagens. Você vê diversas formações, em diferentes ângulos e enxerga perfeitamente a influência da tectônica de placas e dos esculpimentos provocados pela água (nos passeios de Uyuni e Atacama são perfeitos para isso!). O clima é bem seco e o ar geladinho, mas nada que justifique as blusas de frio que os bolivianos usavam durante o dia pois o sol estava escaldante (e eu sou a pessoa mais friorenta do planeta!). Não sei se eles usam porque realmente sentem frio ou se é para proteger do sol. Embora eu acho que seja por causa do frio, pois quando mencionava em Santa Cruz ou Sucre que iria para Potosí, todos os bolivianos que conversei falaram: "Uh! Hace mucho frío!". Mas a medida que o sol foi se pondo, de fato começou a fazer frio. A estrada para Potosí é boa, mas realmente se der algum acidente e o ônibus sair da pista, já era. Os penhascos são gigantes. Fiquei um pouco apreensiva, mas não por causa dos penhascos em si, mas por causa da direção do motorista. Diversas vezes ele fez ultrapassagens em curvas que não se tinha boa visibilidade. Além disso, frequentemente o motorista metia a mão na buzina para outros automóveis na sua frente ou animais na pista, o que assustava bastante e me deixava as vezes apreensiva. Entre Sucre e Potosí passamos por apenas um pedágio, mas não consegui ver os preços. Na primeira metade da viagem há muitas curvas a maior parte do caminho é uma subida leve. Quando se atinge uma altura mais elevada, boa parte do caminho é plano e há mais retas. É interessante observar a vida de comunidades mais isoladas nos altiplanos. Há menos árvores e mais plantações (que não consegui identificar nenhuma). Chegamos em Potosí às 16h, porém o ônibus parou em um terminal novo, que não fazia viagens para Uyuni. Assim, tive que pegar um táxi (7 bs) até o terminal antigo (chamado por eles de Ex-terminal) e consegui um ônibus para Uyuni às 16:30h pela empresa Expresso 11 de Julho. O ônibus era ainda mais simples do que o ônibus Emperador que peguei em Sucre (que custava 40 bs). A taxa de uso do terminal foi de 1 bs. Foi impressionante como a questão da altitude é algo que realmente influencia o corpo. Assim que desci do ônibus em Potosí e andei uns 100 metros planos até a rua para pegar o táxi senti bastante cansaço. Parecia que tava correndo. Ao chegar ao antigo terminal fui ao banheiro, que fica no segundo andar. Como o ônibus para Uyuni já estava quase saindo, andei rápido e subi uns 40 degraus no máximo de escada. Parecia que eu tinha asma. Meu coração estava tão acelerado que eu tava tremendo e por mais que eu respirasse fundo, ainda era pouco. Antes de entrar no ônibus eu comprei um saquinho cheio de folha de coca no terminal (5 bs). E logo comecei a mascar e em pouco tempo senti diferença (que também foi influenciada por sentar no ônibus e ficar quieta. Nos dias seguintes depois que eu já tinha aclimatado, não senti diferença na respiração ao mascar folhas de coca. Só acelerava meus batimentos e me deixava um pouco enjoada. No Chile me indicaram a tomar chá de Chachacoma, que seria mais efetivo, mas não experimentei). Logo após sair de Potosí em direção a Uyuni paramos em uma provável barreira de pedágios, seguida logo após por uma barreira policial. Não sei se realmente era um pedágio, pois não vi placas com preços. E tanto no suposto pedágio, quanto na polícia, vi o motorista entregando um documento grande. A estrada para Uyuni também foi tranquila, em sua maior parte plana e mais reta. Em alguns pontos haviam Vicuñas cruzando a estrada (que é um animal que se parece com uma alpaca, mas menor e com menos pelos). Então tome cuidado a noite se for dirigir. Quando já estávamos quase entrando em Uyuni passamos por uma outra barreira de pedágio. Em Uyuni os táxis são melhorzinhos, mas a cidade é bem pequena e dependendo da localização da sua hospedagem, é melhor ir a pé. Depois de um longo dia de estrada, cheguei em Uyuni por volta das 21h e estava fazendo 5 graus (frio demais!!) Fui direto para o hotel (Le Ciel d'Uyuni) e tentei dormir (um dos sintomas que a altitude provoca é a insônia). De madrugada acordei com um pouco de dificuldade para respirar e com as narinas doendo bastante por causa do tempo seco (todas as cidades que tinha passado então eram muito secas, mas Uyuni e San Pedro de Atacama foram as piores). Só consegui dormir de novo depois de molhar um pedaço da toalha e deixar bem próximo ao nariz para ajudar a umedecer as vias aéreas. No dia seguinte meu nariz estava todo ferido por dentro e minhas melecas cheias de sangue (hemorragia nasal pode ser outro sintoma da altitude). 21/09/19 (sábado): Acordei cedo, tomei café da manhã no hotel (muito bom por sinal!) e comecei a procurar agências para o Salar. A maioria das agências ficam na Av. Ferroviária e o preço variou de 730 a 900 bs para um passeio de 3 dias (e duas noites com refeições inclusas) com destino final a San Pedro de Atacama, no Chile. Após pesquisar algumas agências acabei fechando com a Cordillera, que frequentemente é indicada aqui no fórum (embora também tenha várias não recomendações). Inicialmente a atendente me cobrou 900 bs, mas quando ela viu que eu não iria fechar, ela abaixou para 800 bs, aceitando o pagamento em dólares (116 dólares) (câmbio 6,90 bs) e ainda chorei um saco de dormir (que geralmente é alugado entre 40 ou 50 bs - e vi várias recomendações aqui no fórum para levar, principalmente para a segunda noite, onde o alojamento é no deserto a mais de 4 mil metros de altitude). Esse preço não inclui os valores que devem ser pagos no parque e na fronteira, que em geral somam cerca de 250 bs (somente bolivianos são aceitos). Todas as agências oferecem os mesmos passeios. O que parece que muda são os refúgios. Algumas agências também, principalmente as menores, terceirizam os passeios, encaixando-o em grupos de outras agências (isso aconteceu em praticamente em todos os meus passeios na Bolívia, no Peru e em San Pedro de Atacama no Chile. Isso é, você nuca sabe com qual agência de fato você estará indo e no final das contas o que muda é o preço). Os passeios das agências geralmente saem às 10:30h. Meu jipe saiu às 11:15h. Os carros levam até 8 pessoas, mas o mais comum é 7. No meu grupo tinha 6 pessoas (o motorista, mais 5 turistas - eu do Brasil, um casal da Alemanha, uma russa e uma húngara). Boa parte dos guias são bilíngues - inglês e espanhol. Inicialmente fomos ao cemitério de trens, que fica a 10 minutos da cidade. A estrada é de terra batida e é super tranquilo para um carro comum, mas vai trepidar bastante. Depois do cemitério, pegamos uma estrada asfaltada por uns 15 minutos e passamos por uma barreira de pedágios, que se eu não me engano é a mesma que relatei quando o ônibus estava chegando em Uyuni. Custou 5 bs, mas segundo o guia, você tem que pagar de acordo com a distância que irá. Não entendi muito bem como isso funciona, se é que eu entendi certo, pois ele explicou em um inglês que não tava entendendo quase nada por causa do sotaque dele. Saímos da estrada asfaltada e começou o chão de sal. Chegamos a uma fábrica de sal (entrada 10 bs) onde o processo é bem artesanal. Depois disso almoçamos (a comida estava muito boa e no local há banheiro por 2 bs) e fomos até o símbolo da Dakar, que também é onde tem as bandeiras dos países. De lá, entramos mais ainda para o deserto do salar e paramos para tirar as fotos em perspectiva. Sugiro levar uns brinquedos/bonecos pra brincadeira ficar mais legal e você ter umas fotos diferentes além das óbvias que todo mundo bate. A roupa suja bastante de branco ao sentar ou deitar no sal. Quando estávamos no caminho para a ilha dos cactos gigantes nosso jipe simplesmente parou. Teve algum problema elétrico e ficamos parados por quase uma hora, enquanto o guia e o alemão do meu grupo tentavam resolver. Sem solução, o nosso guia parou outros carros e nos colocou dentro de um para nos levar até a ilha enquanto eles rebocavam o carro até a ilha, pois teria outros jipeiros para ajudar a resolver o problema. A entrada na ilha dos cactos custou 30 bs e no local há banheiro (o uso já está incluído no preço do ingresso). O problema do nosso jipe foi solucionado e seguimos para o refúgio. Até um pouco antes de chegar ao refúgio o chão era de sal compactado, o que dá pra ir de carro normal sem problema. Porém perto dos refúgios o sal parece que estava molhado e somente carro 4x4 passava. Se alguém for tentar ir de carro próprio, sugiro que pesquise muito bem os mapas e tenha um GPS bom, pois o salar (e o deserto nos Andes nos dias seguintes) é tão grande que você fica totalmente sem referência pra que direção ir. O refúgio é bem legal. A construção é toda de sal, assim como o chão. A cama foi bem confortável, mas a noite foi bem fria. Além de todas as cobertas, tive que usar bastante roupa de frio. Os chuveiros tem água quente e o banho já estava incluso. Havia energia elétrica e tomadas nos quartos para carregar os equipamentos eletrônicos. Por volta das 19h eles serviram o jantar (e experimentei carne de Lhama, que é muito saborosa. Não é o meu caso, mas para vegetarianos a empresa prepara todas as refeições adaptadas). Uma dica de espanhol. Eu tinha esquecido o nome do guia e o chamei de "chico". O cara ficou extremamente emputecido. Pedi desculpa e falei que não sabia que era uma expressão ofensiva para ele (O que de fato não é! Inclusive o próprio guia nos chamava de chicos e chicas). Independentemente disso eu não curti nem um pouco nosso guia. Comparado com outros que eu vi, ele dava poucas explicações. Além disso, quando deixava a gente em algum lugar, de vez enquanto ele sumia. Quando perguntava alguma coisa pra ele, muitas vezes ele dava uma resposta bem seca e com bastante má vontade. 22/09/19 (domingo): o café da manhã foi servido às 7h e a programação era sair às 7:30h, mas saímos só às 7:50h. Andamos pelo chão de sal que necessita de 4x4 por uns 10 minutos e depois pegamos uma estrada de terra batida, que tem um pedágio e custa 10 bs. Andamos por mais ou menos uma hora e chegamos em um povoado chamado San Juan, onde tem uma casa cultural da quinoa, que mostra o trabalho artesanal da produção de diferentes tipos de quinoa. Eu achei bem sem graça pra falar a verdade. Na rota 701 paramos para observar alguns vulcões (em quase todo o caminho há vulcões a alguns deles saem fumaça). Nesse momento estávamos a mais de 4 mil metros, mas apesar disso não estava tão frio. O vento estava geladinho, mas o sol muito quente (deu até pra ficar de camiseta). Entramos no parque nacional (150 bs, e é válido por 4 dias. Guarde esse ingresso pois precisa dele para sair do parque). Fomos em duas lagoas com flamingos. A primeira era menor e tinha uma concentração maior de sal. A segunda, que é maior e bem mais bonita, tem um tom esverdeado e mais animais. Paramos para almoçar nessa segunda lagoa onde tem um restaurante e banheiro por 5 bs. Depois do almoço, indo em direção a árvore de pedra, passamos por uns rochedos cheios de vizcachas (que é tipo umas chinchilas). A última visita do dia antes de ir para o refúgio foi a laguna colorada, outro lugar maravilhoso. Chegamos no refúgio às 18h, que não era bom. Ele era muito, mas muito gelado e tinha energia elétrica só entre 19 às 22h. Dormi com 4 blusas de frio, touca, luvas, 3 calças, saco de dormir, mais as cobertas que eles forneceram. Não dava nem pra mexer e ainda assim senti um pouco de frio. De fato, se eu não tivesse o saco de dormir, talvez eu passasse aperto. 23/09/19 (segunda): Acordamos às 4:30h, com previsão de sair às 5h, mas saímos às 5:40h. Estava muito, mas muito frio (imagino que devia tá próximo a zero). Fomos para os gêiseires (muito doido! Ponto alto da viagem no deserto para mim. E também foi o ponto mais alto da viagem, literalmente, a mais de 5 mil metros de altitude). Depois fomos para as piscinas termais (6 bs para nadar), paramos para tirar umas fotos no deserto de Dalí e depois fomos para a laguna verde. Saímos do parque nacional e fomos para a fronteira Bolívia-Chile, já que eu iria para San Pedro de Atacama. Primeiro você passa pela aduana boliviana, entregando uma declaração de saída que eles fornecem na própria aduana. Depois de uns 5km, vc passa pela imigração, onde tem o carimbo de saída no passaporte e você precisa pagar 15 bs (em nenhuma outra aduana que passei no resto da viagem tive que pagar nada. Eu desconfio que esses 15 bs é uma espécie de propina que já está tão arraigada que é considerada como praxe). Dali, havia uma van da Cordillera nos esperando para seguir adiante. Depois de alguns quilômetros de estrada (não deu nem 5 minutos de van), chegamos ao posto de imigração e aduana do Chile. É engraçado como as instituições da Bolívia e do Chile são muito discrepantes! Os postos da Bolívia é caindo aos pedaços, poucos funcionários que não conferem nem seu nome direito no passaporte. Já no Chile eles são super sérios, tudo organizado, vários funcionários. Primeiro você passa pelo posto de imigração, onde eles batem o carimbo no seu passaporte. Duas coisas importantes: primeiro, eles te dão um papel que você deve guardar para sair do país. Segundo, você deve ter pelo menos uma hospedagem já garantida, pois você tem que fornecer os dados de onde irá se hospedar. Saindo da imigração você vai para a aduana, onde eles revistarão todas as suas malas. Não pode levar nada de origem animal ou vegetal (ele recolheram minhas batatas e ovos, mas deixaram minhas folhas de coca). Não deixe de declarar o que você está levando. Se eles pegarem, você será multado. Em nenhuma aduana ou posto de imigração tem banheiro. A van seguiu para San Pedro de Atacama e parou no terminal de ônibus. A cidade é bem pequena (pelo menos a área onde se concentram a maior parte das hospedagens, restaurantes e comércios) e simples, o que dá um clima muito legal. Fui para o hostel Mamatierra e eu recomendo demais. Hostel super limpo, confortável, café da manhã excelente, se você vai sair antes do horário do café eles separam um lanche pra você, não cobram pra lavar roupa, nem pra guardar suas malas na recepção caso faça o check-out e vá passear. Tomei um banho e saí para o Centro onde ficam as agências de câmbio e de passeios. Há diversas opções. É bom pesquisar os preços pois há uma variação, mas não é tão grande assim. Assim como em Uyuni, várias agências terceirizam os passeios e no final você geralmente acaba indo com uma empresa diferente da que você fechou (isso vale para Cusco também). Todos os passeios que eu fiz foi com a Star Travel, que me ofereceu os preços mais baratos, mas cada dia eu estava junto com uma agência diferente. Talvez a única coisa mais importante, pelo menos no meu ponto de vista, seja você buscar uma boa agência para fazer o tour astronômico. Esse sim realmente tem muita variação, mas do serviço e nem tanto do preço. Há agências que oferecem mais telescópios e/ou com potências diferentes (inclusive algumas oferecem explicações científicas e outras oferecem explicações esotéricas). A van do tour astronômico me pegou às 20:20h no hostel, pegou outros passageiros e fomos para a casa do René, nosso guia. Fomos literalmente para o quintal da casa dele. Lá ele colocou umas cadeiras com cobertas (faz um frio bom) e nos serviu vinho quente enquanto ele nos explicava e ensinava várias coisas sobre as estrelas. Foi muito legal! Ele entende bastante, é super divertido e muito didático. Depois de quase uma hora fazendo observações e explicações, ele tirou duas fotos e cada participante (éramos 5) e entramos para a casa dele, onde ele nos serviu vinho, achocolatado quente (com água!) e uns petiscos. Ele é uma pessoa muito interessante de se conhecer e nos contou sobre um serviço astronômico diferente que ele faz que chama Gastro, isto é, a junção de astronomia e gastronomia. Fiquei super curiosa! (O contato dele: [email protected]). A única coisa que eu não gostei muito é que só tinha um telescópio (e a agência me ofereceu 3), mas que foi compensada pela pouca quantidade de pessoas, o que tornou o serviço bem personalizado (há agências que oferecem mais telescópios, mas vão grupos grandes, como 16 ou 20 pessoas). Ao fim do tour, a van me deixou de novo no hostel. 24/09/19 (terça): Às 08:30h uma van de outra agência (Andes Travel) me pegou no hostel e fomos pra ir até os petróglifos e Vale do Arco-íris (até a van pegar todo mundo era umas 9h quando de fato saímos para a estrada. A entrada custou 3 mil pesos chilenos). Eu achei o vale do Arco-íris maravilhoso e achei que o tempo de passeio foi muito curto. Queria ter passado mais tempo caminhando por lá. Chegamos na cidade por volta das 13:30h. Fui para o hostel, descansei um pouco e às 16h saí para o passeio do Vale de la Luna (fui na van da empresa Iutitravel). Outro lugar espetacular e a entrada custou 3 mil pesos chilenos. Ao final da tarde fomos para um mirante (Mirador de Kari) ver o por do sol (que teria sido infinitamente vezes mais bonito se fosse no Vale de la Luna). Cheguei no hostel por volta das 20:30h. 25/09/19 (quinta): acordei super cedo para ir para os gêiseres (a van da empresa Ilari Expediciones me pegou às 5:35h no hostel). Lá nos gêiseres está há mais de 4 mil metros e por causa das montanhas que bloqueiam o sol faz muito frio (o sol custa a iluminar no lugar onde a gente anda). Na área dos gêiseres há uma piscina termal que pode nadar e já está incluso no preço do ingresso (10.000 pesos chilenos). A tarde fui para as Lagunas Escondidas (entrada 5.000 pesos chilenos). São 7 lagoas pequenas e extremamente cristalinas que ficam em uma área com muito sal. O teor de sal das lagoas é mais de 45% e você não consegue afundar. É muito legal ficar boiando na água sem fazer nenhum esforço! A água é muito gelada, mas se você ficar só boiando, dá pra ficar de boa durante um bom tempo (até porque o gelado da água é compensado pelo sol quente). Só pode nadar na primeira e na última lagoa. Recomendo primeiro ir ver as lagoas e bater fotos, deixando para entrar na primeira lagoa quando estiver voltando pois o corpo vai ser sal puro depois, o que incomoda bastante para andar. Antes de entrar na van para ir embora tem que tomar uma ducha. Então leve toalha e roupas limpas para trocar. Das lagunas fomos ver o por do sol no mirante. Bom, o que eu achei do passeio do Uyuni e do Atacama? São passeios diferentes e complementares. Se você fizer só os passeios de San Pedro de Atacama (que são bate e volta), para fazer todos você precisará de uns 7 dias cheios. No meu caso, eu já tinha visto muita coisa no passeio de Uyuni, então não fiz várias coisas no Atacama, como as Lagunas altiplânicas, vulcões e termas. Então dois dias cheios para mim foram suficientes. Se você estiver em San Pedro e quiser fazer o passeio do Uyuni não contrate o pacote em San Pedro, pois é muito mais caro (tudo no Chile é caro) e são 4 dias ao invés de 3 (sendo que o quarto dia é basicamente só a volta para San Pedro. E partindo de Uyuni você ganhará tempo, já que pode voltar para San Pedro). Se eu fosse fazer Uyuni de novo eu contrataria a Cordillera de novo? Não. Não que tenha sido ruim com a Cordillera, mas a grama dos vizinhos me pareceu mais verde. Outras agências maiores me pareceram oferecer um serviço melhor. Porém não vou saber indicar os nomes das empresas e nem os preços. Sobre os gêiseres, os do Atacama são bem diferentes dos gêiseres do passeio do Uyuni. Primeiro que tem muito mais gêiser (segundo a agência é o terceiro maior gêiser do mundo). Segundo que nos buracos há água, ao invés de lama. Terceiro que você não pode chegar tão perto das aberturas, pois há muretas e limites de segurança. Eu fui mais impactada pelo gêiseres do Uyuni. Achei disparadamente mais legal, apesar de menor. Mas isso vai de cada um. Conheci gente que fez os mesmos passeios que eu que gostaram mais dos gêiseres do Atacama. Sobre as termas, eu não fui nas termas puritamas do Atacama, mas fui na terma dos gêiseres. A água é morninha, mas não é tão quente quanto o banho termal do Uyuni (que dava até pra suar!). Em alguns momentos senti até frio. Dá para ir de carro normal? No Atacama com certeza. As estradas são na sua maioria de terra batida. O carro só vai trepidar muito. Além disso, há placas nas estradas indicando o caminho é distâncias para as atrações. Mas é bom estudar bem os mapas e ter um bom GPS também. E é interessante você ter um guia para explicações sobre a região e culturas, o que enriquece muito os passeios e você vê algumas atrações com outros olhos, como por exemplo os petróglifos. O passeio do Uyuni dá pra fazer de carro normal? Na estação seca você pode até arriscar se seu carro for mais alto, mas eu definitivamente não recomendo (e olha que eu viajo muito de carro e enfio ele sem dó em estradas que ninguém acredita). As estradas tem muita areia e pedras. A possibilidade de você atolar ou furar vários pneus é enorme. Só de manutenção remediativa com certeza você gastaria mais do que contratar o passeio. Além disso, como eu já disse, lá você fica totalmente sem referência de que direção seguir. Se você for viajar para algum desses lugares de carro não vá sozinho. Apesar de pouco tráfego, as estradas são perigosas pelas condições ambientais extremas. Lembre-se: você estará em desertos e há quilômetros de ajuda de qualquer espécie, médica, tecnológica ou mecânica. Além disso, em altas altitudes dá muito sono por causa da baixa oxigenação e é comum muitos motoristas dormirem no volante sem perceber que está com sono. Eu mesma me peguei dormindo sem perceber em vários trajetos. En San Pedro de Atacama você pode alugar bicicletas e fazer vários passeios de bike. Eu não fiz e deve ser muito cansativo pelas distâncias e pelo sol. (A partir desse momento o relato será mais superficial, pois eu parei de escrever durante a viagem). Dia 26/09/19 (quinta): Para ir para La Paz tive que ir para Uyuni de novo, para então pegar um outro ônibus para La Paz. Cheguei no hostel em La Paz por volta das 4h da manhã. Quando deu umas 8h fui para o centro para começar a olhar agências. Fechei todos os passeios com a agência Bolivia in Your Hands. Passei o dia andando por La Paz, o que foi bem cansativo, pois a cidade é gigante e a altitude não colabora. Dia 27/09/19 (sexta): Fiz o downhill de bike na estrada da morte. E foi uma experiência surreal! As paisagens são espetaculares e a adrenalina vai a mil, mas o caminho é muito, MAS MUITO PERIGOSO. Sério. Eu não sei como aquela estrada é usada até hoje. O caminho é todo de terra com pedras e é a conta de um carro de passeio normal trafegar. Se vier outro em direção contrária, fudeu. Poucos são os trechos em que é possível passar dois carros pequenos. São pelo menos 3h de descida (Eu gastei 3:30h). Os primeiros 20 km você desce na nova estrada, que é asfaltada e um caminho bem fácil de se fazer. Só tem que tomar cuidado com o tráfego de carros e ônibus. Depois chega de fato a estrada antiga, que é o caminho da morte. Essa estrada tem esse nome não é atoa. Todos os anos ocorrem acidentes com os turistas que resolvem fazer essa aventura e você está muito exposto ao risco. Se você cair na estrada (como eu caí), você irá se machucar bastante. Se você cair fora da estrada, já era. A borda da estrada não é um barranco. É um penhasco, literalmente. É uma parede reta. O chão está literalmente há mais de 2 mil km. É TENSO DEMAIS!! Embora eu goste, eu não sou uma pessoa que pratica esportes de aventura com regularidade. Para mim o caminho foi muito extenuante. Não por esforço físico de pedalar (raramente eu pedalei, afinal 99,9% do caminho é descida) e sim pelo excesso de trepidação do guidão. No final da descida eu já não tinha mais força na mão para segurar o guidão e nem apertar o freio. Meu punho estava doendo absurdamente. Teve uma mulher do meu grupo que desistiu na primeira hora da descida pelo mesmo motivo. Porém no meu grupo havia uma outra mulher que para ela foi de boa (mas ela é muito acostumada com esportes radicais e academia). Então, isso vai depender da resistência física e psicológica de cada um. Pelas preferências do trânsito, você deve descer pela esquerda, que é o lado do precipício. Eu não fazia isso, pois é muito perigoso. Sempre ia pelo meio ou pela direita e se vinha um carro, aí sim eu ia pela esquerda. E exatamente por ir pelo meio eu me safei de um acidente que poderia ter sido fatal. Eu estava descendo pela esquerda muito rápido, passei por um trecho com pedras mais salientes e comecei a perder o controle da bike por causa do excesso de trepidação. Então resolvi ir pelo meio porque comecei ver a merda que aquilo poderia dar. Justamente quando eu tava começando a jogar a bike pro meio, eu não sei exatamente o que aconteceu, mas eu fui ejetada da bike. Eu literalmente fiz um super man no ar. Como eu estava indo em direção ao meio da pista, eu fui ejetada nessa direção. Mas se eu tivesse do lado esquerdo, tinha caído penhasco abaixo. Foi tenso demais e por causa das pedras, eu machuquei muito, mesmo usando os EPIs. Por sorte não quebrei nada, mas na hora da queda eu achei que eu tinha rompido algum orgão interno, de tanta dor abdominal que eu senti. Não conseguia nem respirar. E isso é uma dica que eu dou para qualquer um. Vá no seu ritmo, procure uma agência que te permita ir no seu ritmo e vá pelo meio ou pela direta da pista. Existe uma certa pressão dos guias para que você desça muito rápido. E foi justamente por tentar acompanhar o guia que eu me fodi. Dia 28/09/19 (sábado): Fiz um bate e volta para a montanha Chacaltaya e a tarde o passeio do Valle de La Luna. Os dois são muito bonitos. Chacaltaya é surpreendente e você tem uma visão muito bonita da montanha Huayna Potosí, que é bem famosa entre os amantes do trekking, como eu. O Valle de La Luna também é bem bonito, mas não me surpreendeu tanto pois eu tinha visto paisagens bem semelhantes no Atacama. A maior dificuldade de Chacaltaya é a altitude (são 5,395 m). A van chega muito próximo ao topo e a caminhada é relativamente curta, mas muito cansativa. Na alta altitude cada passo dado é como se você tivesse subindo uma escada de 50 degraus. Você respira, respira, respira, mas o ar não é suficiente. Além disso, tava muito, muito frio. Aquele frio que a mão dói de tão gelada. Essa somatória de condições (alta altitude + frio intenso + esforço físico intenso) te deixa muito cansado. O caminho que a van percorre para chegar até o estacionamento próximo ao topo desafia as leis da física e da gravidade. Ao longo de toda a minha viagem passei por estradas que eu duvidava que o carro ia passar e que não iríamos cair penhasco abaixo. Mas mesmo já um pouco acostumada, o caminho até Chacaltaya foi o que me deu mais medo. Tinha hora que eu só fechava o olho pra não ter um ataque do coração! Dá um nervoso sem igual. Durante todo o dia eu estava sentindo um pouco a musculatura dos meus antebraços por causa do esforço muscular da bike no dia anterior. Mas bem de boa. Chegou a noite meu braço direito inteiro começou a formigar e a medida que a noite foi avançando comecei a sentir uma dor insuportável no meu antebraço direito. A dor tava tão grande que analgésico não tava segurando a onda e nem consegui dormir. Dia 29/09/19 (domingo): Assim que amanheceu, a dor tava tão grande que eu tive que desistir de um outro passeio que já tinha contratado e que exigiria um esforço físico maior do que em Chacaltaya. Acionei meu seguro de viagem e fui para a emergência de um hospital. Chegando lá fizeram alguns exames e chegaram a conclusão que eu estava com Epicondilite lateral, uma inflamação decorrente de microrrompimentos das fibras dos tendões extensores do antebraço devido ao excesso de trepidação do guidão na estrada da morte. Resultado: 5 dias de anti-inflamatório e analgésico, braço imobilizado e tive que evitar de fazer esforço físico. Voltei para o hostel e acabei ficando por lá a toa o resto do dia. Dia 30/09/19 (segunda): Por causa do braço, resolvi ficar quieta no hostel o dia todo. Dia 01/10/19 (terça): Peguei um ônibus para Copacabana, chegando lá por volta de meio dia. Deixei minhas coisas no hotel e fui fazer um bate e volta em uma ilha no lago Titicaca. O lago é sensacional e o passeio foi bom, mas não me surpreendeu tanto. Muitos relatos do fórum recomendam ficar na hospedado na ilha, mas tudo é caríssimo. Cheguei em Copacabana novamente por volta das 18h. O clima a noite em Copacabana é legalzinho e há vários restaurantes legais. As ruas ficam cheias de turistas andando a noite. Se você for comprar alguma lembrancinha de viagem recomendo comprar tudo na Bolívia, antes de atravessar para o Peru. Você encontra praticamente as mesmas lembrancinhas em ambos os países, mas no Peru é muito mais caro. Dia 02/10/19 (quarta): Peguei um ônibus cedo em direção à Puno, para então seguir viagem para Arequipa. Embora a distância seja relativamente curta, a viagem durou longas 14h. Foi muito cansativo. O caminho é muito sinuoso, boa parte é de terra, causando grande trepidação do ônibus em boa parte da viagem. Com frequência sobem vendedores ambulantes no ônibus. Um desses vendedores que entrou no meu ônibus foi um vendedor desses chás de ervas que prometem curar tudo o que você puder imaginar. O abençoado ficou 1 HORA E MEIA falando na nossa cabeça com o microfone dele. Irritante, mas engraçado também ao mesmo tempo. Cheguei em Arequipa a noite e a cidade renovou todo o meu cansaço da viagem de ônibus. A cidade é incrível! Muito bonita e com um clima muito agradável. Fiquei andando pelas ruas do centro e depois fui para o hostel. Há vários passeios ao redor de Arequipa. O mais famoso é o passeio pelo Vale do Colca, porém como eu cheguei muito tarde, não consegui reservar passeios para o dia seguinte. Dia 03/10/19 (quinta): Passei o dia caminhando pela cidade de Arequipa. A cidade é muito rica culturalmente e historicamente. Há vários museus interessantes e casarões antigos por toda a cidade. Ao mesmo tempo, a cidade também tem algumas construções mais modernas e uma melhor infraestrutura. O que foi ótimo para dar um alívio dos perrengues que se passa na Bolívia, que é muito desorganizada e sem infra. Dia 04/10/19 (sexta): Peguei um voo cedo da VivaAir para Lima (de ônibus seria mais de 30h de viagem). Essa companhia aérea é uma lowcost que faz vários voos dentro do Peru (outra cia lowcost é a SKY). No meu caso a passagem não saiu tão barata pois comprei no dia anterior e tive que comprar o despacho de bagagem. Existem duas malandragens da VivaAir para arrecadar dinheiro. Primeiro é sobre as dimensões das malas de mão: as dimensões e o peso que eles exigem eram menores do que geralmente as outras cias aéreas exigem (e no Peru eles são bem rigorosos com as medidas e medem mesmo). Se chegar no avião e sua mala estiver fora do padrão deles, você pagará uma FORTUNA (não lembro e posso estar enganada, mas era algo tipo 400 doletas). Então muita gente acaba tendo que comprar o despacho de bagagens, como eu, que tinha a minha mala de mão dentro das exigências da Latam. A segunda malandragem é sobre o check-in. Durante a compra da passagem eles oferecem um valor de 4,50 dólares para imprimir o check-in com eles. Eu não comprei porque achei um absurdo. Depois que eu fechei a compra eu fiquei com aquilo na cabeça do porquê eles iriam cobrar para emitir uma um documento que poderia ser apresentado no celular. Então fui ler os termos de condições que aceitei sem ler (como todos fazem!). E lá eles deixam muito claro que o check-in deve ser apresentado IMPRESSO. Eles NÃO ACEITAM O CHECK-IN NO CELULAR. Se você não levar o check-in impresso, eles cobram 60 DÓLARES na hora!!! Surreal. Muito gentilmente a recepcionista do meu hotel imprimiu o check-in para mim. Mas se ela não tivesse imprimido, eu tava ferrada pois só vi essa condição do termo muito tarde na noite anterior. Tirei a sexta para fazer um Networking em uma universidade que tenho o contato de alguns pesquisadores que trabalham também na minha área. Dia 05/10/19 (sábado): Encontrei com um amigo limenho que me levou nos principais pontos da cidade. Foi um dia muito legal! Lima é uma cidade gigantesca e com um trânsito caótico (mas pra falar a verdade eu achei menos pior do que o trânsito na Bolívia). Passamos o dia inteiro rodando a cidade de carro e fomos em muitos, mas muitos lugares, além de Miraflores, que é o bairro mais turístico da cidade. De todos os lugares, disparadamente, o lugar mais imperdível na minha opinião é o Parque das Águas. Chegamos lá no entardecer e ficamos até a noite. No parque há várias fontes de água dançantes, com shows de iluminação e músicas. É fantástico! Outro lugar muito interessante que fomos é nas ruínas Huaca Pucllana, que pertenceu a uma outra civilização peruana, com uma arquitetura diferente e datada de mais de 1.500 anos. Dia 06/10/19 (domingo): Meu amigo e eu saímos de novo e fomos fazer um trekking em uma montanha chamada Lomas de Lúcumo, que fica em Pachacámac (cerca de 1 hora de Lima de carro). O lugar é muito bonito pois é composto por um bioma que ocorre somente no litoral do Peru. Demoramos umas 4 horas para fazer o caminho completo e saímos de lá absolutamente sujos de lama. Não vá com tênis normal, pois você escorregará muito além do normal. Vá de bota para trekking e impermeável. Leve uma roupa extra para trocar, pois é inevitável se sujar muito de lama. Dia 07/10/19 (segunda): Meu voo para Cusco saiu a tarde e foi uma peleja para conseguir imprimir meu check-in da VivaAir. O Uber que eu peguei foi muito gentil comigo procurando um lugar para eu imprimir o documento. Ele não sabia onde poderíamos conseguir e começou a descer no comércio e perguntar por indicações. Demoramos uns 20 minutos para conseguir encontrar uma copiadora. O voo foi super rápido e tranquilo (de ônibus demoraria cerca de 24h de viagem). Cusco é sensacional! A cidade é muito bonita e eu era capaz de andar nela por horas. A altitude (3,400 m) pesa um pouco nas caminhadas. Ainda que eu estivesse aclimatada, parece que os 3 dias em Lima (que é litoral) fizeram o corpo desacostumar um pouco com a altitude. A cidade faz bastante frio, especialmente a noite. Dia 08/10/19 (terça): Passei boa parte do dia fazendo cotações de passeios. Existem várias opções de passeios. Os preços das agências não variam muito e é aquele mesmo esquema de todas as cidades por onde passei: você paga uma agência, mas no final das contas você nunca sabe com qual agência de fato irá. Dia 09/10/19 (quarta): Fiz o Vale Sagrado (Pisaq, Ollantaytambo e Chinchero) + Ruínas de Moray + Salineras de Maras. A excursão durou um dia inteiro e valeu a pena demais. Muitos lugares diferentes e MUITO bonitos. É IMPERDÍVEL esse passeio! Dia 10/10/19 (quinta): Fui para Machu Picchu. E quase não fui ao mesmo tempo. Eu estava com uma mala de mão de rodinhas e por conta disso eu resolvi que não iria dormir em Águas Calientes pois não teria como transportar minha mala nas caminhadas. Resultado: mesmo sendo muito mais caro, optei por comprar minha ida e volta de trem, ao invés de fazer todo aquele esquema de ir andando pela hidrelétrica (existem dezenas de relatos aqui no fórum e no YT ensinando a ir para Machu Picchu de uma forma mais econômica). O preço do trem varia de acordo com os horários de partida e com o tempo de antecedência que você compra as passagens. O valor mais barato que eu consegui, dentre as possibilidades de horários, foi saindo de Ollantaytambo às 05:30h e voltando às 00h (total 212 dólares, incluindo o ingresso de Machu Picchu e todos os transferes). De Cusco à Ollantaytambo são cerca de 2h de van. Isto é, para pegar o trem às 05:30h, a van teria que me buscar no hostel às 3h. Acontece que a agência simplesmente NÃO ME BUSCOU! Eu fiquei extremamente brava e frustrada. O tempo inteiro tentei falar com o número de telefone da moça da agência e nada. A raiva era tanta que nem conseguir dormir depois disso eu consegui. Por volta das 6h da manhã, assim que a moça da agência acordou e viu todas as minhas mensagens e ligações, ela me ligou imediatamente, assustada, sem graça e sem saber o que aconteceu. Em menos de 15 minutos ela chegou no meu hostel com uma cara que deu até dó de tão apavorada e sem graça que ela ficou (ficou muito claro que realmente foi um erro que nunca aconteceu). Ela me prometeu que iria me encaixar em um outro trem e que me iria pessoalmente me buscar. E assim o fez. Às 8h ela me buscou para pegar a van e segui para Ollantaytambo para pegar o trem às 10h (obviamente a agência pagou toda a diferença, que foi uns 80 dólares). Chegando em Águas Calientes, uma van estava me esperando e seguimos diretamente para Machu Picchu. Em frente à entrada do Parque estava uma confusão sem igual. Há centenas e centenas de turistas esperando seus guias para entrar no Parque, filas e mais filas para pegar as vans de volta a Águas Calientes... e no meio disso tudo tive que procurar meu guia. Era impossível encontrar. Acabei conversando com uns dois guias aleatórios e eles fizeram um rádio peão entre eles e encontraram o meu guia, que foi ao meu encontro. Entramos no Parque por volta das 13h e não tive nenhum problema com relação ao horário do meu ingresso, que estava programado para as 11h. Eles nem conferiram isso. Realmente Machu Pichu é muito legal, mas é muito lotado. Ao término do passeio, retornei para Águas Calientes. A cidade é bem charmosa e o clima a noite é muito legal. Dá realmente vontade de passar uma noite por lá, mas como meu trem de retorno ia sair bem tarde, deu para conhecer relativamente bem a cidade. Eu achei as comidas e serviços oferecidos em Águas Calientes bem mais caros do que em Cusco, que já é uma cidade cara. Cheguei no hostel por volta das 2h da manhã. Foi tudo bem cansativo, mas no final acabou dando certo. Dia 11/10/19 (sexta): Para completar o estresse do dia anterior, peguei uma infecção alimentar, o que é algo considerado normal em viagens pela Bolívia e Peru. Resultado: fiquei no trono o dia todo, vomitando e com febre. No final da tarde meu amigo de Lima chegou em Cusco para curtir o fds comigo. Dia 12/10/19 (sábado): Meu amigo e eu fomos para o passeio das Montanhas Coloridas. Por causa da altitude e da inclinação na parte final da trilha, a caminhada exige muito, mas muito da respiração. Parávamos com frequência, mas chegamos lá! O lugar também é lotado e é bonito. Particularmente eu achei que me surpreenderia mais, mas ainda assim foi bem legal. Dia 13/10/19 (domingo): Meu amigo e eu iríamos para a Laguna Humantay (que é mais alta do que a montanha colorida), mas ele estava MUITO, mas muito mal devido ao Soroche. Achei que ia ter que levar ele pro hospital. E eu também ainda estava meio fraca por causa da infecção alimentar. Assim, acabamos achando melhor abrir mão do passeio e ficamos de bobeira em Cusco mesmo. Dias 14, 15 e 16/10/19 (segunda a quarta): Meu amigo foi embora na segunda bem cedo e eu fiquei o resto do dia a toa ou organizando minha bagagem para o meu voo de retorno ao Brasil na terça de manhã. A viagem de volta foi super longa (24h) e fiquei muito cansada. Cheguei na quarta de manhã em BH. Total de gastos: R$1.641,00 (passagens BH-Santa Cruz, Cusco-BH) U$ 1.400,00 (comprei o dólar a R$4,34) = R$6.076,00 Aproximadamente R$1.000,00 (passagens áreas para Lima e Cusco, Uber e comidas em aeroporto). Para quem tem Síndrome de Menière, eu não tive nenhum problema com a altitude. Muito pelo contrário, a minha frequência de tonturas até diminuiu. Não sei se por coincidência ou por algum efeito que a altitude proporcionou (apesar de não ver muita lógica nisso). Mas a questão é: já que eu não tive nenhum problema, agora o céu é o limite! hahaha! Eu sempre digo que cada mochilão me transforma de alguma maneira. Nessa viagem aprendi muito mais sobre mim, especialmente sobre aprender a respeitar os limites físicos do meu corpo. De longe a Bolívia e o Peru são os países mais culturalmente diversos que eu visitei até hoje e a minha maior recomendação é: vá sem medo. Essa viagem encheu a minha vida de novas cores, novos sabores e novos amores 🥰.
  29. 9 pontos
    Pessoal, to fazendo esse post pois cansei da tamanha desinformação que encontro na internet a respeito dos itens obrigatórios exigidos nos carros em alguns países da América do Sul. Já fui parado pela polícia argentina em diferentes estradas mais de 20 vezes, portanto vou falar principalmente da Argentina, mas o procedimento vale para qualquer país. Primeira coisa: NÃO acredite em blogs de viagens e nem nos consulados de alguns países estabelecidos aqui no Brasil, se você quer saber o que é obrigatório ou não para o seu carro brasileiro circular em outros países, procura no Google por Ley de Tránsito + o país desejado + o ano vigente se deseja procurar o mais atualizado, apenas isso já abre um leque de informações, e todas oficiais do governo ou orgão responsável de cada país já na primeira página. Digo isso pois aqui no Brasil eles estão de sacanagem ou brincadeira com a população; se você acessar o site do Itamaraty do governo brasileiro, que sobre a Argentina está super desatualizado, você encontrará como item obrigatório a lendária mortalha (lençol ou sabana em espanhol, pra cubrir morto), que sempre foi um mito, aparentemente muito tempo atrás em algumas províncias isso constava como obrigatório, e dos anos 90 pra cá passou a ser usado pelos policiais corruptos como forma de extorquir o motorista argentino e estrangeiro. O portal G1 informando a população que cambão é obrigatório para circular na Argentina, e um monte de baboseira que já ví por aí. Agora recentemente (Junho 2019), mandei e-mail para diversos consulados argentinos aqui no Brasil (SP, RJ, Curitiba, Porto Alegre, Uruguaiana, Foz do Iguaçu) perguntando quais itens eram obrigatórios para o meu carro brasileiro poder circular na Argentina, e TODOS, todos os consulados me responderam prontamente em até 24h com diferentes anexos (pdf e doc) que o cambão e kit primeiros socorros eram obrigatórios junto com o extintor e dois triângulos. Eu argumentei de volta com todo meu conhecimento adquirido com as viagens e com o link oficial do governo argentino com a Ley Nacional de Tránsito 24449 Artículo 40, onde informa que apenas extintor (matafuego) e dois triângulos (dos balizas de sinalizacíon) eram obrigatórios, além claro, do encosto de cabeça para todos os passageiros presentes e a carta verde pra estrangeiro. Não consta nada de obrigatório o cambão (linga, cable de remolque ou barra de tiro que eles chamam) e nem kit primeiros socorros (botiquín de primeros auxilios). E NENHUM consulado me respondeu mais, parece que não estão interessados em passar as informações corretas a população. Em todas as vezes (2016 e 2018) nenhum policial argentino me solicitou cambão e kit primeiros socorros, apenas carta verde e extintor. Certa vez perguntei a um policial sobre o cambão e kit primeiros socorros e ele me disse que é recomendado, e não obrigatório. Depois conversando com alguns argentinos deu pra entender melhor, entre eles esses itens são bastante recomendado no trânsito, e entre os próprios argentinos há também aqueles que acham que são obrigatórios justamente pela tamanha desinformação e o famoso boca a boca. Portanto, se não está na lei não é passível de multa. No caso de ainda encontrar policiais corruptos exigindo qualquer item sem estar na lei, faça-o confeccionar a multa, não tem essa de pagar na hora só pra se livrar do problema e seguir viagem. Se você realmente estiver errado, no caso de uma multa por falta de extintor ou extintor vencido por exemplo, o procedimento de pagar a multa na hora com desconto é uma ação verídica e praticada legalmente entre os oficiais de trânsito na argentina, cabe a você escolher pagar na hora com desconto ou receber o ticket com o valor integral para pagar no Banco de LaNacion. As famosas histórias dos policiais corruptos se concentra basicamente nas províncias de Entre Ríos, Corrientes e Misiones, que são aqui próximos a fronteira do Brasil, Uruguay e Paraguay. Atualmente a prática tem diminuído bastante, o próprio governo argentino já é ciente da situação, alguns jornais locais como El Clarín já desmascarou esse problema, e ferramentas como o formulário de incidente do Ministério das Relaciones Exteriores y Culto enviado no post anterior pelo eniobeier, ajudam o cidadão comum. Em minha última passagem por lá (Dezembro 2018) fui de Uruguaiana a Mendoza, e Mendoza a Dionísio Cerqueira, notei vários policiais camineros bem novos, inclusive mulheres, e todos foram cordiais e apenas solicitaram o que estava na lei. Essa renovação na polícia caminera já estão vindo ciente de seus antepassados corruptos e a mudança para melhor é bastante significativa. Agora em Julho 2019 estarei fazendo Dionísio Cerqueira a Bariloche, percorrendo toda a Ruta14, se algum policial me permitir, irei gravar um vídeo com ele explicando o que é obrigatório ou não nos carros, aí quem sabe só assim para pararem de passar informações errôneas nos blogs de viagens e consulados. Enfim, pra resumir; Trânsito na Argentina: Ley 24449 Artículo 40 Extintor com validade, dois triângulos (se precisar usar no acostamento tem que usar um atrás do carro e um na frente do carro), encosto de cabeça para os passageiros e Carta Verde para estrangeiros. Ao se deparar com policial corrupto, procedimento é o seguinte: Leve a Ley de Tránsito impressa e argumente com o policial, seja cordial sempre. Mostre que você entende das coisas, se ele te pedir kit primeiros socorros diga que ele é obrigatório no Uruguay para todos os carros e no Chile apenas para veículos de carga e transporte, na Argentina não é obrigatório em nenhum carro, apenas recomendado. Se ele te pedir o cambão, diga também que não consta na Ley de Tránsito que você está segurando ali na mão. O policial corrupto irá querer dinheiro na hora, diga que tem Pesos somente para o pedágio (peaje) e que está viajando somente com cartão de crédito (tarjeta). Se ele insistir na multa corrupta, peça-o que confeccione o ticket e diga que você irá recorrer, e apresente o formulário de incidente para que ele anote suas credenciais e dados da multa, ele vai acabar cedendo pois seu trabalho estará em risco. Se a multa vier por radar móvel (eles operam em um lugar com radar móvel e um pouco a frente outro policial te pára pois recebeu um walkie talkie que você estava acima da velocidade, isso é comum em pequenas cidades e vilarejos ao longo da estrada, onde toda a estrada é 100km e somente próximo alguma entrada de vilarejo tem uma única placa de velocidade a 60km e se você passar acima disso vão te pegar), peça a contraprova da velocidade se você achar que não estava acima da velocidade, se eles não tiverem a prova peça para confeccionar a multa e você irá recorrer. O procedimento de pagar na hora a multa com desconto é opcional, faça isso somente se você tiver certeza que está errado. No geral, seja qualquer País em que for visitar, minha dica é; sempre desconfie de informações em blogs de viagens, seja auto critico em relação a informações que consulados e outros órgãos te passam. Sempre busque na internet informações direto na língua do país desejado, pesquise em sites oficiais do governo, seja o assunto trânsito ou qualquer outra coisa. Na normativa do Mercosul é explicado que os carros estrangeiros em circulação em outro país do Mercosul, deve seguir as leis de trânsito do país vigente, então o que vocês estão procurando em blogs de viagens e no boca a boca? Procura a Ley de Tránsito de cada país, verifica se é válido por todo o país ou província/estado tem divergências, traduza no Google Tradutor se não souber ou não ter certeza, e seja feliz viajando corretamente e sem gastos extras. Vou deixar em anexo um email da Seguridad Vial, orgão oficial de trânsito da Argentina, me respondendo quando questionei sobre o cambão e kit first aid. Abaixo mais algumas imagens, da Ley 24449 em sí e do site do governo mostrando quais províncias aderiram a Ley Nacional de Trânsito. Aqui deixo o pdf da Ley atualizado e o mesmo formulário de incidente do post anterior: Ley 24449 a febrero 2019.pdf form_argentina-incident report (1).pdf
  30. 9 pontos
    RELATO DE AVENTURA Já havia algum tempo que eu gostaria de levar minha filha para fazer trilhas mais selvagens. Com 8 meses de vida, na "carcunda" do papai, já estava alguns conhecendi alguns caminhos pela Ilha Grande, no estado do Rio de Janeiro. Aos 2 anos e meio colocou as perninhas pra trabalhar na trilha que leva à Piscina Natural de Caxadaço, em Trindade/RJ. Uma caminhada um tanto quanto longa para uma criança dessa idade. Ainda mais por se tratar de uma boa parte da caminhada ser sobre o solo arenoso e fofo das praias que antecedem Caxadaço. Mas, observando com atenção, notei que a parte onde a trilha segue por mata fechada, com chão repleto de raízes sobre a terra e folhas caídas formando tapetes, minha pequena sorria ao tocar e deslizar seus pequeninos pés descalços sobre a lama que havia pelo caminho. Ela segurava em minha mão e seguia sem medo de cair nas subidas e descidas escorregadias, enquanto crianças da mesma estatura chovavam querendo o colo de suas mães. Isso já era um grande sinal de que ela adorou e adoraria qualquer contato com a natureza a partir daquele instante. Seria pedir demais, para ela voltar caminhando. Cansada, retornou todo o percuso no colinho de papai, rs. Por conta dessas, e outras vivências, meu desejo era de levá-la logo para um acampamento selvagem, mas, era minha obrigação ter o bom senso de saber esperar o momento oportuno para isso. Pois, a cada pensamento de estar na mata com ela me deixava receoso... "Alergia causadas por picadas de insetos poderiam aparecer, medo por estar em um ambiente conhecido por ter animais de todas as espécies e peçonhas, estranheza, fadiga, frio durante a noite, etc e tal." Mas, algo me tranquilizava: toda vez que eu saia de casa para fazer alguma trilha, ou travessia, minha pequena pedia para que eu a levasse comigo para o mato. Eu sempre respondia que estava indo para lugares perigosos e difíceis de caminhar, mas, que algum dia eu a levaria para acampar na mata junto comigo. E essw dia chegou. Era Julho de 2019, o ápice da temporada de montanhas no Brasil, que se inicia em Abril e se estende até Setembro. As temperaturas baixíssimas no sul e sudeste do país (as vezes abaixo de zero) proporcionavam lindos dias de sol, e, longas noites geladas pelos pontos mais altos de cada região. Eu estudava a melhor maneira de como fazer uma "atividade pesada" se tornar divertida para uma criança de 4 anos e 9 meses. Primeiro, escolhi para qual montanha gostaria de levá-la. Em seguida, trabalhei uma forma de atrair seu interesse pelo lugar, monstrando fotos de vezes que estive na Pedra. Eu contornava o formato do sapo com a ponta do dedo para aguçar sua imaginação. E, quando lhe fiz a pergunta decisiva: filha quer que o papai leve você na Pedra do Sapo? A gente faz a trilha, escala as cordas e acampa do lado do Sapo. Quer? SIIIMMMMM!!!! foi a resposta que ela deu, com o sorriso mais radiante que ela poderia estampar no rosto. - onde a gente vai fazer cocô e tomar banho, papai? - indagava dando risada kkk A partir daí foi só ansiedade até chegar a data de nossa aventura, que ainda não estava com data definida. Parecia que eu era a criança que sairia para seu primeiro passeio. Cheio de nervosismos, receios e expectativas fui cuidando para não despertar os mesmos sentimentos nela. Eu fazia e refazia a lista de itens que deveria, ou não, levar para garantir o conforto, a segurança e a alegria dela. Decidi que o acampamento seria feito no final de semana do Dia dos Pais (10 e 11 de Agosto/2019). No sábado, às 14h, após a aula de Ballet, onde foi feita uma homenagem paternal que me fez suar pelos olhos, saímos às pressas para trocar de roupas e seguir a viagem de 1h30 até o Rancho da Dona Maria - estrutura base para quem vai caminhar pelas trilhas da região. Chegando lá às 15h50, só tivemos tempo para papear pouco tempo com a simpática senhorinha, que havia levado uma mordida de seu próprio cachorro, que causou um ferida enorme, e se encontrava sentada segurando uma bengala. Pude ver o medo se desennhando no rosto da Cristal, quando um bicho passou correndo entre nós, à mil por hora. Dona Maria mencionou ser um Preá. Cristal se enfiou entre minhas pernas e perguntou. - o que era aquilo, papai? - disse - é um Preá, filha. Igual a um coelhinho. Ele é bonzinho e não faz nada com a gente. - respondi sereno para tranquilizá-la. Coloquei minha cargueira de 70L nas costas, ela vestiu sua mochilinha de alça, cabendo apenas sua blusa de frio e sua garrafinha d'água, vestiu a lanterna de cabeça se sentindo pronta, e começamos a caminhada pela estrada de chão batido, às16h em ponto. Calculei que gastaríamos, entre paradas para descanso, lanches, beber água e fazer xixi, algo perto de 1h30 até o topo da Pedra. Tive medo de ela não gostar de adentrar a mata, chorar, fazer manhas e querer dar meia volta pedindo para retornarmos até o carro e ir embora dalí. Algo que seria muito comum vindo de uma criança daquele tamanho. Ao invés disso, ao primeiro sinal de insegurança, ela me pediu: segura na minha mão, papai. E, ao longo de todo o percurso, poucos foram os momentos em que sua pequenina mão não estava grudada na minha. Ela caminhava tranquila e alegre, questionando o porquê de os passarinhos não virem pousar em nossos dedos, igual nos fimes e desenhos. Ela desejava muito ver passarinhos voando perto de nós. Expliquei que para isso seria necessário ficarmos em silêncio, mas a matraquinha não parava de falar 1 minuto se quer, rs. Ela apontava as direções dos sons, querendo que eu varasse mato, pois, os cantos de passarinhos vinham de todos os lados, mas, o máximo que conseguimos foi avistar um pardalzinho há uns 10 metros a nossa frente. Logo em seguida paramos para beber água no riozinho que cruza a trilha. Sabendo que ali era nosso último ponto de coleta, fui obrigado a subir com 2,5 litros para passarmos a noite. Quando acabou o trecho mais estreito da estradinha, a trilha afunilou de vez, ganhado uma inclinação forte logo de cara. Começava ali o nosso desafio. Onde a subida rasga uma floresta de eucaliptos e segue forte. Uma subida que nos faz tropeçar em galhos que se escondem sob as folhas secas que estalam sob nossos pés, nos obrigando a andar mais devagar e parar para descansar mais vezes. A alegria da Cristal ainda seguia na mesma sintonia, mesmo estando na parte mais exaustiva da trilha (subir com o auxílio de cordas) que, consequentemente, seria a parte mais lúdica para ela. Minha pequena já foi metendo as mãos na corda e me olhando com a maior felicidade do mundo. Teve dificuldades para se equilibrar nos primeiros metros da ascensão, mas, com as orientações que passei, logo se familiarizou com a escalada, e pôde se equlibrar com facilidade. Se apoiva em raizes e pedras, debruçava sobre as rochas, escorregava vez ou outra, mas se sentia forte e confiante a ponto de não pedia ajuda. Quando se cansava, sentava em algum degrau da ladeira, pedia água e algo para comer. Bolinhos recheados e suco de caixinha eram seus "belisquetes" preferidos. Foram três paradas estratégicas, a quarta pausa foi feita no mirante, depois de não haver mais subidas fortes. Sentamos para puxar um pouco de fôlego, adimirar a linda vista de um final de tarde, com o sol colorindo de laranja as Pedras da Forquilha e do Sapo. Faltavam mais ou menos 15 min até o alto da Pedra. Expliquei para ela que dali pra frente não teríamos grandes dificuldades, a não ser as duas pequenas rampas cravejadas de raízes que servem de degraus. A quinzena de minutos passou rápido, pois apostamos corrida na parte plana da trilha, e, claro que ela ganhou, rs. Novamente escalando as raízes que saltam do solo, Cristal continuava animada, olhava para trás para saber se eu ainda estava por perto, pois a mata havia ficado um pouco escura no trecho mais fechado. E ela percebeu. Enquanto eu gravava pequenos vídeos, ela não perdia o pique, e me acelerava: AAANDA, Pai (rs). Quando a última ascensão permitiu um clarão de luz do sol mais à frente, ela bradou: CHEGAAAMOS o/ - uaall, que lindo. - disse. Estávamos aos pés do Sapo, onde há uma pequena clareira que comporta, bem juntas, duas barracas. Caminhamos mais uns 40 metros até o alto da Pedra, onde pude ouví-la dizer novamente: que lindo, papai. E não era pra menos! O sol já começaria seu espetáculo em instantes, mas já deixava o horizonte alaranjado sob um céu sem nuvens, e refletia seu brilho sobre as águas da Represa de Taiaçupeba. Ventava forte, mas, era um vento com ar quente - devido aos 29°C que fez naquele sábado. A vista de 360° para toda a região, possibilita avistar até o litoral de Bertioga. Eram 17h30, e, até o final do poente nos sobrou tempo para comer, beber, brincar e fotografar tudo. Ela, sentadinha na rocha, se encantou quando a bola de fogo que se deitou lentamente por trás das montanhas. E, quando a última pontinha de luz não pôde ser mais vista... - tchau sol. - disse minha pequena, balançando a mão. Quando começamos a montar a barraca, ela entrou em eudoria total ao ver que três gaivotas planavam sobre nós, há uns 4 metros de altura, no máximo. Quando terminamos, ela já me pedia para entrar e brincar com ela, mas, ainda havia muita coisa a ser organizada pelo lado de fora da casinha. Mas, não tardou, logo me vi lá dentro brincando com as massinhas e moldes de modelar que separamos para levar. Fizemos uma infinidade de bonequinhos, flores, bichinhos, montanhas e lanches, tudo de massinha. Ela me disse que queria ver as estrelas, mas, ainda não era possível. Não passava das 19h, e o crepúsculo ainda era predominante. Toda hora ela colova a cabeça para fora da barraca e perguntava: - Papai, já dá para ver as estrelas? Tem umas bolinhas aparecendo no céu. Tive que responder por umas quatro vezes que ainda não dava para vé-las, rs. Fiz macarrão para ela, depois fritei hambúrguer e preparei um lanche por que ela estava faminta. Quando bateu 21h, lá estávamos nós, trilhando o curto caminho até a parte mais alta. Dessa vez a surpresa se deu por conta das luzes das cidades vizinhas. Eram centenas de milhares de luzinhas acesas, na terra e no céu. A lua crescente nos iluminava a ponto de não usarmos nossas lanternas de cabeça. Fizemos do lugar nosso palco de apresentações. Cantamos e dançamos músicas infantis que tocavam no celular. Fizemos a festa. Quando paramos um pouco a figura deita no chão com as pernas dobradas, cruza as mãos na nuca e solta: - Papai, "tô de boa" vendo as estrelas e a lua. Eu ri demais, e fui obrigado a me juntar à ela nesse momento de relaxamento e contemplação, pois a noite estava perfeita, e eu tinha a melhor companhia. Por volta das 22h já estávamos dentro da barraca, ela brincando, eu fazendo seu "tetê com chocolarte." Meia hora depois já estávamos em sono profundo (eu, nem tanto). Acordei várias vezes para verificar se ela estava coberta e dormindo bem. Às 2h20 da chegou um pequeno grupo (talvez três), comemorando a chegada na Pedra àquela hora da madrugada. Fiquei em alerta, ouvi meia hora de conversas, depois o silêncio voltou a reinar. Deveriam estar fazendo bate e volta com navegação noturna para treinar, ou superar algum desafio pessoal. Sei lá. Com a intenção de ver o nascer do sol, programei o celular para despertar às 06h00, mas a previsão me pregou uma peça, e o que eu pude ver ao abrir o ziper da barraca foi muita neblina e garoa fina molhando o solo. Às 6h23, Cristal se espreguiçou como nunca, e acordou de prontidão pulando sobre meu peito, me abraçando e desejando bom dia. Em casa ela não acorda antes das 10h, rs. - Papai, vamos levantar pra brincar lá fora. Eu já acordei. - disse, toda animada, com os olhos cheios de remela, rs. Preparei o café da manhã, depois ficamos brincando por um longo tempo, lá dentro mesmo. Não dava para sair. Às 09h00, enquanto ela permanecia abrigada, comecei a ajeitar as coisas na mochila para poder iniciar logo o nosso retorno, que se deu 30 minutos depois. A descida foi menos cansativa, porém, muito divertida por conta dos escorregões sem quedas que dávamos. Ela sorria a cada um deles, tropeçava em tudo que era galho pelo chão e dizia que era engraçado, rs. Ela também estava mais atenta aos detalhes na volta. Apontava teias de aranha cobertas pelo orvalho, formigueirosem plena atividade, flores e pedras de cores e formatos diferentes ao seu conhecimento, e pedia para tirar foto de tudo. Às 11h00 chegamos ao Rancho da Dona Maria. Cuidei de trocar nossas roupas molhadas, que enxugaram a chuva que caiu sobre a mata da trilha. A levei ao banheiro, e, comemos mais algumas coisinhas antes de dar como encerrada nossa aventura do dia dos pais. Ao volante, olhando pelo retrovisor interno do carro, eu olhava minha pequena, cansada, dormindo toda torta em sua cadeirinha, com a cabeça balançando feito um pêndulo (coitadinha) estava super cansada)) Mas, acima de todo aquele cansaço, eu estava crente de que, a partir daquele momento, brotava um novo gostar no coraçãozinho de minha filhota. Pois o contato direto com a natureza só poderia estar fazendo dela uma criança ainda mais feliz e saudável, agregando valores e conhecimentos super válidos para lhe fazer crescer uma pessoa de bem. Eu, como papai coruja, pude sair de lá com o coração transbordando felicidade. Me sentia orgulhoso e satisfeito em ver que "minha continuidade" pôde me proporcionar um momento tão emocionante/marcante: o acampamento mais feliz de toda minha vida
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    O relato vai continuar pelo Atacama e um bate-e-volta maluco pela Bolívia. E claro, vamos passar pela Argentina de novo na volta. Mas importante dizer: o norte da Argentina é APAIXONANTE. 💗 É lindo, maravilhoso, o povo é querido, que quentinho estava meu coração. Penso que uma viagem desta sem carro fica muito comprometida e deve ser cara, pois andei vendo os preços de passeios desde Salta e me pareceram bem salgados. Visitem o norte da Argentina por favor! Tem outras atrações locais que não conheci, como o famoso trem das nuvens (não pesquisei muito, não sei como funciona), e com certeza muito mais de história e arqueologia pra explorar. A ruta que vamos pegar a seguir, que liga SSJ a SPA (ruta nacional 9, depois a 52, ainda na Argentina) é a estrada mais FODA que já estive na vida. A paisagem se transforma a cada minuto e vc não cansa de se espantar com a beleza, com a natureza... Eu não consigo ser tão exagerada a ponto de honrar tudo que vi, mesmo que pareça!
  32. 9 pontos
    DIA 1 – 6 DE JULHO, SÁBADO: O dia em que tudo começou! Londrina > Foz do Iguaçu, 510km, 7h de viagem (Estado do Paraná) Saímos pela manhã de Londrina-PR (com uma temperatura agradável de 1oC) rumo a Foz do Iguaçu. Acabamos dormindo na minha mãe pra facilitar a saída e café da manhã, pq qualquer par de dias longe do neto dela ela se despede como se ele estivesse partindo pra um intercâmbio. Na volta é aquela choradeira, falta correr pra abraçar o João... se a Astrid encontra a gente no “Chegadas e Partidas” vai achar que faz 10 anos que a gente não se vê, kk! #filmanoisastrid Partimos às 8h30 e seguimos com uma viagem tranquila cujo caminho já era nosso velho conhecido, os pedágios (6 no total) mais caros do Brasil e do mundo estão nesta rota. Como já fomos diversas vezes para Foz nossa estada na cidade foi só quebra de trecho mesmo. Mas quem tiver tempo, fique! A cidade está linda e bem cuidada nos últimos anos! Recomendo fortemente os passeios pela ITAIPÚ, as cataratas (do nosso lado e do lado argentino), marco das 3 fronteiras, entre tantos outros. Adoro Foz do Iguaçu. Mas voltando ao relato, chegamos em Foz numa friaca desgraçada, depois de muito pão de queijo e coquinha a bordo (e nossa garrafa inteirinha de café), conhecemos nossa anfitriã (a Léo) e fomos fazer uma trilha numa mata perto da casa dela em que quase congelamos (pq a gente já chega se enfiando no mato). Trilha perto da casa da Léo! De volta em casa e já a noite fomos ao Catuaí Shopping (londrinense não resiste né...), perto da casa da Léo tb, pra comer! Lá o João quis ir num parque que confesso, até eu queria ter ido. O Gui comprou uma camiseta, o João quis jantar Subway mas a gente não embalou não. Acabamos indo depois em um mercado (Super Muffato, pq londrinense não se aguenta parte 2, kkkk) onde jantamos (eu e Gui) e compramos umas bobeiras. No shopping também fizemos câmbio em um estabelecimento que ficava na saída de uma das garagens, a tarifa estava melhor (1 real x 10 pesos) que uma loja do saguão (1 real x 9,80 pesos). Trocamos pouco, só pro começo, pois estávamos na esperança de conseguir melhores taxas na Argentina. De volta pra casa fomos tomar um vinho comprado no mercado. A nossa anfitriã tinha ido num casamento, coitada, tava quase nevando! Logo adormecemos e nem vimos ela chegar! Detalhe que quebramos o abridor de vinho dela pra abrir nossa garrafa, eee laiá! Vinho na caneca, que claaasse! Gastos do dia (em reais) Combustível (ainda álcool): 128,80 Pedágio: 81,50 Alimentação: 75,58 Compras: 39,90 Diversão/Entradas: 37,00 Câmbio: 500,00 (5000,00 pesos argentinos) DIA 2 – 7 DE JULHO, DOMINGO: O dia em que tudo começou de verdade! Foz do Iguaçu > Corrientes, 602km, 9h30 de viagem (Províncias de Missiones e Corrientes) Acordamos bem cedinho, temperatura negativa e morri de dó da nossa anfitriã que levantou junto pra preparar um café da manhã bem regado. Cara, eu vi tudo que ela gastou naquele café, ela encomendou pães e bolos da vizinha... me pergunto se ela não hospeda gente só por diversão... Tb fizemos nosso café pra viagem (a gente toma muito café, rs) e logo partimos! Deixei 30 reais pra Léo comprar um abridor de garrafas novo. Depois de descongelar o carro (sério), saímos às 8h15 com aquele friozin na barriga (e no resto do corpo tb pq tava o carai de frio)... íamos cruzar uma fronteira por terra, de carro, assim, pra ir longe, pela primeira vez. Das outras foi só um “tô indo ali almoçar”. Foi difícil descongelar, tivemos que ir jogando água aos poucos pra não engrossar a crosta de gelo! Celular no modo avião... VALENDO! Na imigração argentina informamos que estávamos indo pro norte do país, o que não era mentira, mas não quis ficar dizendo que tb ia pra outros países. Rapaaaiz, rolou uma imigração de aeroporto europeu! O moço perguntou pra onde exatamente íamos (falei o nome das cidades) e na seguida pediu pra ver hospedagens (entreguei os recibos airbnb impressos). Além dos passaportes pediu o documento do carro, mas não solicitou carteira de motorista nem seguro. E poxa, ninguém me deu parabéns pela aventura que eu tinha planejado, hahahauaha, só carimbaram os passaportes e adelante! Pois bem, assim o fizemos. Adelante. Seguimos pela rota traçada nos mapas baixados do google e logo que pegamos a Ruta Nacional 12 (sentido Posadas) tinha lá um posto da Polícia Caminera, mas estava inativo. Ruta 12! Vamos fazer uma pausa pra apresentar a polícia argentina? Vamos! Nas estradas a gente encontra fiscalização da Polícia Caminera, que é local, daquela província ou cidade onde se está passando, e tb da Gendarmeria Nacional, equivalente à nossa PF. Se vc conversar com gente que transitou pelas estradas argentinas com certeza vai ouvir relatos de corrupção... aqui mesmo no fórum tem algumas histórias. Trata-se da Polícia Caminera! Principalmente na Província de Missiones, que é esta que faz fronteira com a gente. A Gendarmeria via de regra não tem esta prática. Mas atenção às datas das coisas que lêem... se repararem bem, os relatos de corrupção são um pouco antigos (de 3 anos atrás ou mais) e recentemente ouvi ou li quase nada sobre este tipo de problema! Prevenida que sou, e bem pouco propensa a participar desse abuso chamado corrupção (se estou certa não vou pagar propina, e se estou errada prefiro pagar a multa), segui à risca as dicas do @mateusmaps no tópico que indiquei no início do relato: li com atenção o código de trânsito argentino e imprimi partes importantes, imprimi o formulário para relatar abuso policial e procurei seguir todas as normas da estrada, além dos equipamentos obrigatórios. Passamos por inúmeros, acho que centenas, postos de fiscalizações e posso adiantar: polícia não foi problema em nenhum momento da viagem! No começo eu fui anotando cada posto de polícia do caminho, ativo ou inativo, se pararam a gente ou não, mas depois desisti, são MUITOS. TODOS os postos pelos quais passamos, sejam eles fixos ou móveis (com radares) estavam sinalizados. Todos, sem exceção! Tanto Caminera quanto Gendarmeria! Sempre que avistávamos atividade diminuíamos a velocidade, ligávamos o pisca alerta e baixávamos os vidros do motorista e traseiro, para verem quem estava dentro do carro. ISSO ME PARECEU MUITO IMPORTANTE, se o vidro está fechado eles mandam parar. Além de demonstrar respeito pelo trabalho de fiscalização deles. Em raríssimas ocasiões pararam o nosso carro (acho que umas 3 ou 4), mas sem mandar encostar nem nada, na fila de carro mesmo (nunca fomos parados sozinhos num posto, sempre tinha muito carro) e perguntavam de forma neutra ou até bastante educada onde estávamos indo! No que sempre respondíamos: ao norte, Salta e Jujuy! As vezes perguntavam de onde estávamos vindo, respondíamos a cidade em que tínhamos pernoitado na noite anterior! NINGUÉM revistou nosso carro, NINGUÉM foi grosseiro, não houve nenhuma ameaça ou suspeita de comportamento duvidoso. E novamente adianto: finalizando a viagem, já quase em Iguazu, neste mesmo posto policial Caminero que relatei estar inativo no início da viagem, um policial pediu que encostássemos (o carro estava num estado que realmente gerava curiosidade), pediu carta de motorista do Gui, documentos do carro e carta verde. Ao ver que estava tudo no meu nome pediu minha identificação, no que entreguei o passaporte. Perguntou de ontem estávamos vindo (respondemos que fomos ao norte e ao Chile) e para onde estávamos indo (Iguazu para dormir e retornar pro Brasil amanhã). Agradeceu e adelante. ÚNICO que solicitou documentos. Ou a gente tem cara de gente boa (o que é verdade, kkk) ou as coisas mudaram na Argentina (o que tb penso ser verdade)! Continuando! Mais alguns radares sinalizados e logo depois que passamos por este primeiro posto inativo da Caminera tinha um ativo da Gendarmeria. A policial nos parou, olhou e só pediu pro João Gui ajustar o cinto atrás (ele passa o cinto do meio e tira o braço da parte de cima pra conseguir dormir, ficamos mais atentos com isso pra ninguém pegar no pé). Até San Inácio Mini, nossa primeira parada, passamos por um pedágio de 70 pesos! Já era quase hora do almoço e fomos conhecer as famosas ruínas jesuíticas! Eu não vou aqui ficar me alongando na história, mas a visita foi BEM legal! A entrada custou 250 pesos por pessoa! Estas ruínas foram restauradas e abertas à visitação na década de 40 e estão entre as mais conservadas das 30 missões ou reduções do tipo, encontradas no Brasil, Paraguai e Argentina. E tem toda aquela história da “catequização” dos indígenas e tals. Acho que por ser domingo estava bem movimentado, mas focamos nas ruínas mesmo (tb tinha um museu que visitamos rapidamente) e depois fomos almoçar por perto. Ruínas de San Inácio Mini (missões jesuíticas) O almoço ficou em 400 pesos, uns sanduíches e um PF. Tb abastecemos por perto (1200 pesos, 49,98 por L) num posto Axion e seguimos viagem. A Gendarmeria nos abordou mais uma vez e perguntou onde estávamos indo... respostas de sempre. Pegamos mais 2 pedágios de 70 pesos cada e fomos acompanhando a diminuição do tamanho da floresta, que de mata atlântica nas proximidades da fronteira (Iguazu) foi ficando parecida com cerrado e entrando na água... os famosos “chacos” ou campos alagadiços! Campos alagadiços! Adoro! Tb fomos acompanhando a peculiaridade do "trânsito" de motocicletas... não existem regras! Qualquer um pode pilotar, em qualquer condição. Capacete não existe! Mas vamos lá! Chegamos sem problemas na casa do nosso anfitrião, que mais parecia um palácio. Um senhor elegantérrimo mora no local, bem central! Como já mencionei antes, nos acomodamos na dependência dos fundos da casa dele (César) a tempo de ver o segundo tempo do Jogo do Brasil que acabou campeão da Copa América sobre o Perú. Foi hilário ver o narrador argentino NÃO comemorando nossos gols, rs. Logo depois saímos pra comer e dar uma andadinha! Seguindo uma dica do anfitrião, fomos jantar num restaurante anexo a um posto SHELL bem próximo da casa dele (520 pesos), bem legal. A andadinha foi breve, não fomos pro lado certo da “praia” (Rio Paraná) e estava bem frio. Passamos no mercado (660,85 pesos) e fomos tomar nosso vinho sagrado de cada dia em casa! Gastos do dia (em peso argentino*) Combustível (nafta super): 1200 Pedágio: 210 Alimentação: 1580,85 Diversão/Entradas: 750 Léo: 30 reais (deixado de manhã pra ajudar no café) *embora a cotação tenha variado ligeiramente nos 3 câmbios que fiz, adotar 1x10 facilita bastante a conversão para reais! CONTINUA
  33. 8 pontos
    Um grupo específico para pessoas quem amam a Deus acima de qualquer coisa, gostam de viajar, fazer novas amizades e espalhar o amor de Jesus. Criei esse grupo para filtrar os locais que frequentaremos, costumes e praticas sem problemas com nossos princípios e divergências com aquilo que vai contra o que acreditamos. Sou novato procurando amizades para viajar, apenas querendo ingressar nessa vida de viajante
  34. 8 pontos
    ...ou as 5 coisas mais estúpidas que eu fiz em 5 dias na Nicaragua. porque dica do que fazer todo mundo dá. tudo é lindo nas fotos, nos textão. quero ver compartilhar as cagadas. só vou relembrar porque eu me prometo e tá escrito: NUNCA mais fazer umas cagadas dessas. (((até a proxima viagem))) 1. Naufragar de Kayak i love the smell of vai dar ruim in the morning. na minha última manhã em granada acordei cedo com siricutico e fui pro centro da cidade procurar um passeio pra ser o gran finale da estadia. já não bastava ter nadado em cratera de vulcão e cheirado enxofre do outro cuspindo lava, não. tinha que ter mais emoção, isso, tinha que ter mais aventura. tinha mesmo é que ter ficado quieta no meu canto mas... cheguei no centrinho e tava tudo fechado, a cidade só acorda 8h30. povo esperto esse povo da nicaragua, temos muito a aprender com eles. tudo aquilo que o sol toca, simba, é menos trouxa que você e só acorda as 8h30 da manhã bom, não vou esperar 1h sentada aqui no banco da praça né? volto pro hostel e arrumo as coisas, afinal, tenho que pegar um ônibus meio dia pra outra cidade. o universo sempre se comunica comigo. e eu devo falar aramaico. aproveitei o tempo ocioso pra conversar com a familia e tirar fotos da cidade vazia. tava tão vazia que rolou até um pau de selfie sem walk of shame. fechei um passeio de kayak pelas isletas e, como eu não sabia que ia andar de kayak quando acordei, tava com a minha sandalia que ocupa + espaço na mala, aquelas de gladiador romano. vocês acharem cafona é problema de vocês. na nicaragua faz sucesso. o motorista se ofereceu pra passar no meu hostel pra trocar. mas eu não queria fazer as outras 4 pessoas me esperarem. fora que minha malinha é organizada com o método tetris, se abrir tem que chamar esquadrão anti bomba pq pula roupa pelo quarto inteiro. então recusei. já que ia ficar dentro do kayak, não tinha pq me preocupar com sapato. (((nessa hora consigo mentalizar o universo, lá de longe, acenando negativamente em um facepalm))) o briefing antes de sairmos pro mar incluiu uma pergunta importantíssima de um alemão: "pq colete salva vidas? algum kayak já virou?" a resposta ficou marcada pra sempre em mim "apenas procedimento padrão de segurança pra não sermos multados. olha, posso te garantir, fizemos cerca de 600 tours e nunca aconteceu nada" tinhamos duas opções de kayak: duplo e individual. obviamente os 4 pegaram os duplos e eu sobrei ¯\_(ツ)_/¯ o kayak individual é bem mais punk que o duplo, ele é pesado e ruim de jogo, além de ser todo fechado. enquanto o duplo é aberto e de plastico (olha eu tentando dar desculpinha pra tentar justificar a cena rrrrrrridicula que vai se passar comigo alguns paragrafos abaixo) kayak nutella. duplo. molezinha. pra americano no spring break kayak raiz. individual. senhor com 35 anos de experiencia em alpinismo e sobrevivente de ataque de tubarão em moçambique além disso, começávamos o percurso na areia e pra chegar nas isletas, precisava passar a rebentação. isso ninguém te avisa antes de pegar seus dolares suadinhos. estava ventando. bastante. isso quer dizer que as ondas tavam boas. não pra nós,claramente. mas tinha gente surfando no lago. eu podia ter desistido nessa hora. mas não. a certeza que ia dar ruim eu já tinha, agora eu ia atrás da humilação REAL. e fui. o programa que acontece todos os dias nos mais de 600 tours é mais ou menos o seguinte: 9h - chegada na marina e briefing 9h15 - todo mundo com o kayak na areia rumo as isletas 9h50 - chegada as isletas 10h40 - visita ao forte 11h - retorno pra marina 11h30 - fim e agora uma imagem aérea de onde eu estava as 10:00 eu não conseguia, de jeito nenhum, quebrar as ondas e tava sendo jogada pras pedras. a cada estourada, entrava mais água no kayak (lembra que era fechadão? pois é). eu já tava com os braços e as pernas doloridas e o sol tava ardendo. tinha esquecido capa a prova dágua e meu celular tava em um ziplock de pão, agarrado no meu colete sendo submerso. olhei pro céu. alguém devia tá rindo de mim. lembrei dos mais de 3 mil kayaks que já tinham passado por ali e nunca tinham afundado, enquanto ia sentindo o meu ficando cada vez mais pesado, no nivel da água.tava a poucos minutos de virar estatística, podia sentir. eu ia mudar o curso da resposta pra pergunta do colete. parece triste, mas o pessoal do meu grupo que já tava no rio calmo, ria com respeito de mim e tentava gritar alguma coisa pra me ajudar. o guia, um nicaraguense de 19 anos, só falava frases de motivação tipo treinador de crossfit. as ondas vinham rasgando pra cima de mim. até que eu vi ela, e ela me viu. a onda veio e eu nem tentei lutar. o kayak virou, e eu, em câmera lenta com as duas perninhas arreganhadas pra cima, tentando segurar o celular com a boca tomei um caldo épico. se tivesse trilha sonora, seria a nona de beethoven (6:46 do video, mais precisamente), mas como não tinha, foi um grunhido sem graça e um "fuck i think i sank". o guia explodiu de rir. boiei até chegar o resgate. me trouxeram um novo kayak. um de criança. se fosse poesia terminaria com a foto do inicio do post como não é, termina com uma queimadura de sol de primeiro grau nas canelas com a silhueta da danada da sandalia de gladiador que eu não quis trocar amaldiçoados sejam os romanos. 2. Descer um vulcão a 75km/h... e quase morrer por isso Na lista das coisas que eu deixei nesse país, além de um pedaço do meu coração e da dignidade pós naufrágio de kayak, está um estão alguns tecos da minha perna e, surpreendentemente, nada além disso. A CNN colocou a descida do Cerro Negro na lista das 50 Coisas Mais Desafiadoras Que Você Pode Fazer Viajando. Está em segundo lugar, atrás apenas de pilotar um avião caça. Só pra entender, muito atrás, lá em oitavo lugar está pular de paraquedas no Everest.Achei bonito pra por no currículo. Fui. Depois de sobreviver a um rola que a minha cabeça quicou 7 vezes a 75km/h, olhando pro céu com medo de me mexer, ter fraturado alguma coisa (provavelmente tudo) e na tentativa de levantar, simplesmente me desmontar, decidi ficar afundadinha ali nas cinzas do vulcão por algum tempo agradecendo por estar viva. Será que eu tava viva mesmo??? Dos meus últimos momentos, lembrava de ter descido sem afobação, ganhando velocidade aos poucos até que sim, drummond, porra, tinha um caralho de uma pedra no meio do caminho. Que fez meu board voar. Interrompendo meu devaneio, surgiu uma cabeça entre o meu rosto e o sol: era o médico da cruz vermelha querendo falar comigo. Com aquela cara coberta de guerrilheiro, definitivamente não era São Pedro. Já que não tava no céu, resolvi levantar. O homem ficou assustado, como se tivesse vendo defunto ressuscitando. Queria saber se eu queria ajuda, falei que não uuuu ariana forte independente e logo me arrependi. Vi meu board a uns 5m ladeira acima e lembrei da regra suprema que o guia tinha frisado: "não importa o que aconteça, seu board é sua responsabilidade". No topo do vulcão é tranquilo andar, mas ali no meio a parada fica sinistra, a cada passo, a perna afunda até o joelho de pedra e cinza QUENTE. Num sol de 35º com um macacão de sarja de manga comprida do pescoço até o pé. tá feito o cozido de Mari al Bafo. no tutorial de make de hoje vamo ensinar a nunca arrastar a cara em cinza de vulcão Nessas horas lembrei da minha mãe falando pra eu não me meter em roubada que o seguro saúde não cobria. PQP mãe, eu sei que você avisou. Pra não dar o braço a torcer, apesar da vontade de ligar pra mamai e chorar, me prometi que só ia contar a história depois de ter ido embora de Leon. Quando cheguei no pé do vulcão tava geral incrédulo me cumprimentando, querendo saber se eu tava bem. Eu falava que sim, fingindo costume de aventureira, mas por dentro tava toda estrupiada. vocês tem apenas uma tentativa pra localizar o irlandês marrento Tinha um irlandês marrentinho que tava enchendo o saco desde o início do krl do tour que seria o mais rápido. O tempo dele tinha sido 72 km/h. Eu tava tão zureta que nem perguntei o meu. Na verdade, eu sentia que nem tinha ido tão rápido assim. Me falaram que fizeram um bolão porque acharam que eu tinha sido mais rápida. Hm, interessante... Perguntei. O cara com o velocímetro "You?" com o zoião e um sorrisão no rosto "Look - apontou pro tempo - 75, mas rapida" Senti aquele orgulho alheio. Só que era eu mesma. Krl como assim, tudo isso? E o pessoal que tava em volta ainda adicionou que os 75km foram graças a esse rola que me impediu de acelerar mais, porque ia passar de 80km/h tranquilo. imagina a merda que ia dar. #semfreio #quasesemfreio #cabeçaABS agora, papo sério: adrenalina é muito maneiro. me amarro, mas ser inconsequente não é legal. nós não somos intocáveis. não acontece só com os outros. E se serviu de alguma coisa essa história? Além de ter virado lenda na cidade por um dia e bio do tinder (é de cair o c da bunda o tanto de homem que prefere uma boa história no lugar de umas boas fotos) eu que antes não tinha medo de nada, comecei a ser mais consciente dos piriiigos que a gente se mete sem pensar duas vezes, o "só se vive uma vez". Agora até pra pular trampolim fico calculando onde que minha cabeça pode bater e dar ruim. Traumatico, não recomendo. cheia de bolha do remo do dia anterior, imagina como não ficou inflamadinho cheio de cinzas 😇 Apesar de tudo, a frase que encerra o artigo da CNN sobre o Cerro Negro consegue me levar de volta praquela boleia do caminhão na estrada rumo a Leon, a 5 mil km de casa, na selva, bebendo cerveja, cantando a todo pulmão as musicas do rádio com 30 estranhos que já tinham virado meus melhores amigos. sangrando, toda suja de terra e cinzas, eu só tinha a agradecer. "On the ride back to Leon I give silent thanks to the inspired people of the world: the ones whose minds run off on all manner of daring tangents, like the flanks of Cerro Negro. The ones who admire not just the aesthetics of the wilds, but the possibilities too. And most of all the ones who stare up at active volcanoes and think: "I wonder if I could ride my fridge down that?" e dá pra reclamar? 3. Fazer happy hour de rum... ...e conhecer a famigerada invalidez. na sexta, cheguei no hostel depois do vulcão e fui pesquisar sintomas de traumatismo craniano. Tinha que ir pra outra cidade no dia seguinte - san juan del sur - mais ""rústica"" fodida ainda, mas enjoada e com dor de cabeça, boa coisa essa viagem não ia dar. achei um artigo médico que descrevia o seguinte: Se a resposta for "sim" para alguma dessa questões, é necessário levar a vítima da batida ao pronto-atendimento. a minha era positiva pras perguntas 2 e 3. a 4 já veio de nascença. o pessoal tava preocupado, mas a real é que eu tinha duas opções: - passar a noite num hospital duvidoso na nicaragua e muito provavelmente voltar pra casa com diagnostico de virose. - aproveitar o happy hour e encher a a cara de cachaça pra esquecer a dor de cabeça. quantas doses de rum o corpo humano consegue aguentar? multiplica por 2. resumindo, ia rolar uma festa na praia las peñitas que foi cancelada, o gerente ficou maluco e resolveu compensar em león mesmo. 2 copos de rum com coca pelo preço de um. as vezes três copos, dependendo do humor do bar. (recomendações: fique o mais longe possivel de drinks que contenham as letras R U M, especialmente se do lado você encontrar essa formula matemática 2 X 1) como você tem que pegar todos os copos de uma vez, pra socializar pra não esquentar, muita gente te oferece o segundo. acabei ganhando alguns da carmelita*, minha amiga de quarto, outros muitos dos irlandeses malucos, algum por sobreviver ao capote, outro on the bar........... qualquer motivo era motivo. mas, se ainda faltava alguma desculpa: TOMA. lá pra algumas muitas da noite começou a final de rugby entre lions (da irlanda) e all blacks. É A FINAL DA COPA DO MUNDO ENTRE BRASIL E ARGENTINA. o hostel foi abaixo. eram cerca de 40 irlandeses. muitos litros de cerveja e rum foram misturados nesse intervalo de tempo e você não precisa ser professor de química pra saber que essa mistura heterogênea é mais danosa pro fígado e pra cabeça que ingerir ácido. não sei quem ganhou, mas lembro que nas comemorações, tinha uma menina pelada dançando em cima do balcão do bar. nada mais fazia sentido. resolvi deitar pra dormir. tava muito difícil sair da cadeira do balcão. era daquelas altas, sabe? nesse momento da noite, olhando pra baixo, parecia que eu tava a uns 2 metros do chão. blackout. evidências da noite anterior no rolo da câmera acordei 2 da tarde no dia seguinte, hora que o pessoal que foi descer o cerro negro no sábado tava voltando e fazendo festa. mal imaginam o que vai acontecer daqui umas horas. brace yourselves kids. tradição depois do vulcão é tomar um shot de pimenta. acordei no sábado com uma situação parecida com essa. pelo menos eu tava sem dor de cabeça, o que não fazia sentido nenhum. olhei pro lado e vi a carmelita na outra cama em estado de putrefação também. depois que eu fui dormir, ela emendou uma balada. evidências da noite anterior no instagram lembrando dos arrependimentos acontecimentos da noite com a carmelita, ela me fez reviver meus últimos momentos acordada da madrugada de sexta pra sábado.começava comigo tentando sair da cadeira. na primeira tentativa de levantar, o juan* um anjo que deus o abençoe e o tenha por me aguentar perguntou se eu precisava de ajuda. respondi queclaramente pfvr mim ajude não, conseguia me virar sozinha. na segunda, o gerente do hostel, o pablo*, pediu pro juan me acompanhar, porque eu já não sabia o que tava falando. pablo já tinha tomado pelo menos uns 20 copos de rum e tava se achando com moral. pablito ensinando irlandês beber na terceira eu decidi que ia, era meu momento, ia provar que tava certa caminhando sobriamente pra ir pro quarto. já tinha até ensaiado a cara de turn down for what. apoiei as duas palmas da mão nos cantos redondos do banco e fiz pressão pra dar equilíbrio pra tomar o impulso e sair. a pressão foi tanta que acabei fazendo peso na parte da frente do banco. se eu tivesse numa sala de primeira série, tinham gritado madeeeeeira. caí que nem bosta, de cara no chão. segurando os lados do banquinho com força. apaguei. a pancada deve ter sido exatamente do lado contrário da batida do vulcão pra equilibrar os chakras da cabeça. por isso que eu tava sem dor. pablo, juan e carmelita me ajudaram a ir pro quarto. ainda bem que eu não vou ver ninguém nunca mais. volta pra 2 da tarde de sábado porque eu e carmelita estamos famintas e precisamos procurar comida. primeira pessoa que encontro saindo do quarto, sentado lendo: juaniiito. "e aí bela adormecida, pensei que ia pra san juan hoje" EU TINHA ESQUECIDO DO KRL DA VIAGEM trajeto que eu tinha que fazer perguntei se eu ainda conseguia pegar um chicken bus a tempo. "esquece, 6h de até lá e vai ter que fazer baldeação sozinha a noite" bugou tudo. não sei direito o que aconteceu mas começamos a caminhar sem rumo pra achar comida e, por inércia, entramos na principal atração turística da cidade: A Catedral de Leon. eu tava sem celular. saí só com a roupa do corpo. tava num estado parecia que tinha tomado chá de fita cassete. triste, vendo scar matar mufasa num looping eterno. escorando em qualquer canto e pensando q q to fazendo com a minha vida na volta, experimentei a sensação de falência múltipla em vida: corpo, mente e bolso em estado irrecuperável. deitei no sofá e encarei o teto por tanto tempo, mas não vi passar. sabe quando a gente se irrita porque quer descansar e a cabeça não para de pensar? nesse momento eu não. eu só existia. eu o teto e mais nada. agora sei como vivem as amebas. a diferença é dentro do protoplasma delas você consegue encontrar o núcleo, dentro de mim, o cérebro tava boiando no rum. morri mas passo bem mal a pessoa que tá de ressaca, descalça, sem pentear o cabelo há 10 dias não quer guerra com ninguém * o nomes na história foram trocados pra preservar a integridade e dignidade de todos os envolvidos kkk menos a minha 4. Chegar em San Juan no domingo direto pro Sunday Funday... ...e quase perder a festa. por causa da lástima do item anterior, resolvi que ia pra san juan no domingo no shuttle do hostel - pra não ter nenhum problema com chicken bus e chegar a tempo. chicken bus são esses ônibus iradíssimos com tecnologia de primeira classe que garante que cinco corpos ocupem o mesmo lugar. sempre custam alguns centavos de dolar, e pelo que oferecem, posso te garantir que ainda tá caro minha ideia inicial era ficar no pachamama em san juan, onde começa o sunday funday ou no naked tiger, onde termina, mas obviamente eles tavam esgotados. os amigo do bigfoot, hostel que eu tava em leon, ficaram tudo compadecido com a minha situação e ligaram pro casa de olas, que é do lado do naked tiger, onde eles tinham ficado por duas semanas e acharam 10 x melhor. pelo menos lugar pra dormir e como chegar eu tinha agora. atualização: é mesmo 10 x melhor. tinha só um porém: o shuttle estava programado pra chegar as 3:30 em sjds.exatamente o mesmo horário que sai o ultimo carro pro sunday funday. já que o shuttle deixa na porta do hostel, é fazível né? antes de entrar no shuttle, o motorista pergunta a cidade e o hostel de destino de cada um. finalmente podia descansar antes do furacão em san juan. a viagem foi tranquila, fui vegetando. ressaca de 2 dias, já teve? já ouviu falar? paramos em todos esses lugares que fala aí no mapa de cima e eu não lembro de nada. só lembro do motorista encostando no meio da estrada e "NAKED TIGER, CASA DE OLAS" olhei pros lados, só mato. o motorista deve ter se confundido. continuei deitada fingindo que não era comigo. ele abriu a porta da van. "você! chegou! tem mala?" antes de achar que é tranquilo, lembre-se jove, olhe o tamaninho do ponto brancoque podia ser meu carro, pra comparação. depois entenda que o google maps da nicaragua tá em 2d ainda, essa estradinha que liga onde eu tava e o lugar que eu tinha que tá sobe uns 458 mil metros acima do mar. é um morrão, que no estado que eu tava, parecia o kilimanjaro pois é... tá vendo aquele asterisco ali embaixo de san juan del sur no roteiro do shuttle?"AT ANY HOSTEL*" eu era o asterisco. o motorista me explicou que como esses dois hostels estão fora de san juan e em cima de uma montanha com uma estradinha de terra, a van não passava. aquele era o lugar mais perto que ele conseguiria me deixar. já que não tinha alternativa, catei minha mochila e comecei a peregrinação morro acima. no pasa nada. literalmente nada passa nessa estrada. Deus me proteja. dava pra ouvir os grilinhos na mata. espero eu que sejam os grilos. depois de uns 10 min começo a ouvir um barulho de carro vindo. gelo. o barulho vai se aproximando e ficando muito mais alto. o carro para do meu lado. uma caminhonete com dois caras no banco da frente me oferece carona. já vi filmes de terror o suficiente pra saber onde isso ia acabar. recuso, fico em pânico e eles arrancam. um alívio. continuo subindo. nem sei quanto tempo se passa, e em alguns momentos da subida eu começo a duvidar que to no caminho certo. quando eu chego no meu limite do cansaço com a mochila nas costas, vejo o naked tiger. ALELUIA. procurando imagens da estradinha de terra pra escrever esse monte de bobagem, achei essa recomendação no site oficial do naked tiger. DO NOT WALK UP THE ROAD. kkkkk -rindo de nervoso cheguei finalmente no casa. estava estranhamente silencioso e só tinham três pessoas em volta da piscina. três hippies chapados. com cara de quem vai te dar um golpinho. a menina levanta e pergunta se eu quero fazer check in. ela explica que é voluntária no hostel. acho suspeito. falo que sim e que to atrasada pro sunday funday. ela muda de expressão na hora e começa a dizer pra eu deixar meu passaporte, meus cartões e minha mochila com ela e CORRER pro naked tiger porque eu não tenho mais tempo. eu entro num estado de pânico e não sei se devo confiar todas as minhas coisas nessa mina chapada. começo a tatear meus cartões e coloco na minha doleira pra levar comigo. ela se irrita a cada coisa que eu tento pegar e fica repetindo pra eu deixar com ela que ela vai cuidar. "YOU WONT NEED IT, GO". a tentação de não ir pro sunday funday e ficar no casa é grande apesar das suspeitas, deixei meu passaporte válido com ela, mas levei meu antigo comigo e todo meu dinheiro. fui pro naked tiger pagar o ticket. um dos donos do sunday funday tava lá, já travado. e aposto bastante que não tinha nem bebido ainda. ele falou que eu tinha muita sorte porque todos os carros já tinham saído, mas um voltou pra buscar uns israelenses e tava só me esperando agora. saí da recepção e vi a caminhonete que tinha passado por mim na estrada, com os dois caras no banco da frete. e os israelenses na caçamba. andei meia hora com peso nas costas a toa. agora eu precisava dos caras que poucos minutos antes me apavoraram sem intenção na estrada. eles só queriam ajudar. olhei pro céu. ri de nervoso. eles acabaram de salvar meu dia. irônica a vida. 5. Ficar sem dinheiro... ...e quase não conseguir voltar pra casa. precisei de um dia inteiro pra me recuperar do sunday funday. piscina do casa: dependendo do ângulo parece que você tá num barco em alto mar. não é exatamente o que o homem de ressaca procura, então fiquei nesse ângulo seguro aqui até que no casa, não é muito difícil a missão de caminhar de volta pro seu estado humano. o dono do lugar, um australiano que vive na nicaragua há uns 7 anos, parece o pai de todos. fred acorda cedo tomando umas pra ficar rindo da cara dos marmanjo jogado pelos cantos. conversa com todo mundo. todo mundo quer falar com ele. o cara tem muita história. e de quebra coleciona histórias de outros que passaram por lá. alguns highlander acordam 7 da manhã pra beber na piscina. na verdade, não sei nem se dormem. fui conferir minhas finanças na doleira. um susto. só sobraram 20 dolares e o hostel não aceita cartão. preciso ir pra cidade sacar dinheiro e comer. casa de olas, segunda, 7am. esse sujeito na piscina é um dos que passaram super bonder na mão e grudaram na latinha de cerveja. enquanto to me arrumando, alguém gira a roleta e ganha um drink. o fred avisa que vai fazer almoço pra todo mundo por conta da casa. SERIA UM SONHO??????? o café da manhã eu já tinha garantido, agora o almoço. Deus realmente abençoa os mochileiros depois de me entupir de comida, lá pras 3 da tarde desci pra cidade. parecia outra. o furacão insano de lotado do dia anterior, agora era uma silenciosa vila de pescador. ainda tem um ou outro gringo bêbado nas sarjetas. fico pensando no mal que o sunday funday causa pra quem mora lá. todo domingo a mesma história. vejo as lojinhas na rua e penso que talvez, no fim, seja bom. talvez eu esteja me enganando pra justificar. tem 3 caixas eletrônicos na cidade. vou que nem barata tonta de um pro outro. tão sem dinheiro. chamo um policial que tá sentado numa cadeira de plástico cochilando perto do banco. ele explica que é normal, as pessoas sacam muito dinheiro no domingo e geralmente segunda as máquinas ficam sem. memes brasileiro: maior produto de exportação. enzo já chegou na nicaragua me fodi. meu voo pro brasil é as 14h do dia seguinte saindo de managua e não apresento nenhuma condição de pegar chicken bus pra lá. alguns lugares oferecem shuttle por $25 pro aeroporto mas nenhum aceita cartão. fico desnorteada entrando de vendinha em vendinha perguntando, até que eu acho um surfshop de um francês, que cobra 10% pra passar cartão. a shuttle sai as 9:30 de san juan e a previsão de chegada é 13:00 no aeroporto internacional de managua. com a graça de Deus espero que dê tempo. não tenho outra opção. surfshop do francês amor que aceita cartão volto pro casa cabisbaixa e conto pro fred sobre os caixas eletrônicos. faltam $10 em dinheiro pra eu conseguir pagar minhas diárias. digo que posso transferir na hora via paypal, com juros. história do casa: and a lot of times a lot of guidance 😂 ele não quer. diz que eu sou a primeira brasileira que passa no casa e que eu era uma "menina boa" - vulgo não corri pelada em volta da piscina no dia anterior com as australianas - e me pede um favor em troca dos 10 dólares: que eu volte pra lá outra vez e traga mais amigos do brasil pra "pagar minha dívida". quando eu cheguei não entendi o social media free zone depois das 5:30. depois que vi o bicho pegando quando o sol baixa, fiz um ATA quase choro. agora que já passei por tanto nervoso pra conseguir o bendito do shuttle,não quero mais ir embora. outra regra que esqueceram de escrever nesse quadro é não se apegar. tem gente que vai passar 2 dias no casa, como eu, e fica dois meses. mas a maior regra de todas: não depender do krl do capitalismo eletrônico nas segundas. marx tava certo: ele vai te decepcionar. ---- é isso pessoal. se você tiver um pouquinho de noção que seja, não faça essas coisas todas aí quando chegar na nicaragua. se fizer, escreve uns post bem grandão pra gente dar risada de você... ...antes de ir pra lá e querer repetir mais uma vez as mesmas cagadas.
  35. 8 pontos
    Relato de uma viagem feita sozinho durante 58 dias no México entre os dias 02/05 e 28/06/2019. Muitas das informações aqui apresentadas já foram em parte compartilhadas no meu Instagram de viagens criado há pouco tempo: https://instagram.com/viajadon_/ Obs.: os preços informados são em peso mexicano. PRINCIPAIS CIDADES/REGIÕES VISITADAS: Cidade do México, Teotihuacan, Tepotzotlan, El Tajín, Papantla, Huasca de Ocampo, Mineral del Monte, Bernal, Querétaro, Jalpan, Huasteca Potosina, San Luis de Potosí, Real de Catorce (local mais ao norte), Guanajuato, San Miguel de Allende, Puebla, Atlixco, Cholula, Zacatlán, Chignahuapan, Cuetzalan, Orizaba, Oaxaca, Chiapa de Corzo, San Cristóbal de las Casas, Comitán de Dominguez, Laguna Miramar, Toniná, Palenque, Bacalar, Tulum, Cobá, Isla Mujeres, Holbox, Valladolid, Ek Balam, Las Coloradas/Río Lagartos, Chichén Itzá/Pisté, Mérida, Uxmal/Ruta Puuc. MAPA GERAL COM PONTOS DE REFERÊNCIA: - Local mais ao norte: Real de Catorce - Local mais ao "sul" (próximo da Guatemala): Lagos Montebello (em passeio partindo da cidade de Comitán Dominguez) Mapas interativos: https://drive.google.com/open?id=1fd9QocEx5PbMuHYldzdv9zf3LNjCAXjF&usp=sharing https://drive.google.com/open?id=1XZ6l1GJdttfU1UDeC8xXpW1izBhMntlK&usp=sharing https://drive.google.com/open?id=18fij8kYrSgXfXdRvMRBA5e3Jdq3ADbYQ&usp=sharing Arquivos Kmz: México - Estados de Hidalgo, Querétaro, San Luís Potosí, Guanajuato e cidades de interesse em Michoacan.kmz México - Estado do México, Veracruz, Puebla e Oaxaca.kmz México - Estados de Chiapas, Yucatan e Quintana Roo (sulleste).kmz ITINERÁRIO RESUMIDO: Planilha editável: Tabela de deslocamentos - realizado (espaçado).docx INFORMAÇÕES BÁSICAS POVO - Os mexicanos são muito acolhedores, honestos e simpáticos com o turista brasileiro de forma geral. - No país encontrará pessoas falando outras línguas, além do espanhol, como nahuatle (em El Tajín e em pueblos do estado de Puebla) e tsotsil (San Cristóbal de las Casas) e outras línguas da família maia. CÂMBIO - Não leve reais e muito menos leve pesos mexicanos comprados aqui no Brasil! - Apesar de ter lido em um relato que o euro era mais vantajoso do que o dólar na conversão para pesos mexicanos, não verifiquei isso em nenhuma casa de câmbio. Sendo assim, o conselho é levar dólares. - Melhores cotações ao longo de toda a viagem nas casas de câmbio do Terminal 1 do Aeroporto. Atenção que o seu voo chegará no Terminal 2, onde as casa de câmbio oferecem cotações menos favoráveis. Para ir ao 1 procure pelo Aerotrem (trem de conexão entre os terminais). Ao chegar no túnel de acesso ao Aerotrem, te pedirão a sua passagem. Informe que você acabou de chegar de viagem e que quer ir às casas de câmbio (deu certo comigo e acho que geralmente dá com qualquer um). - Nos mercados da rede Soriana (há em várias cidades do México) é possível pagar em dólar e receber troco em pesos por uma excelente taxa de conversão (troco a $18,80 enquanto em casa de câmbio estava a $18,25). PREÇOS - O México em geral é mais barato do que o Brasil. O preço de artesanato é absurdamente barato e os de transporte, hospedagem, alimentação e transporte serão discutidos nos tópicos a seguir. TRANSPORTE - O México é muito bem atendido por linhas de transporte. Mesmo entre cidades pequenas no interior costuma haver transporte regular (geralmente kombis) e entre várias cidades, há opções de ônibus executivos confortáveis do grupo de empresas da ADO, da Futura ou do grupo da Estrella Blanca, com preços mais ou menos correspondentes aos praticados no Brasil. - Para se locomover entre cidades do circuito turístico nos estados ao norte da Cidade do México (até San Luis de Potosí) ou entre a Cidade do México e Puebla ou Oaxaca, encontrará opções mais econômicas no Bla Bla Car (app de compartilhamento de carona). No app, muitas vezes a viagem sai por um terço do preço dos ônibus regulares e além disso, vc ainda pode conhecer pessoas massa, como aconteceu na viagem até Querétaro, em que conheci dois mexicanos e um belga super "chidos", que depois ainda tomaram uma cerveja comigo. - Para viajar para alguns pueblos, muitas vezes haverá apenas opção de colectivo (kombi ou van) ou em caso extremos haverá apenas opção de caminhão (pau de arara), como entre Laguna Miramar e Ocosingo. Às vezes a única opção de transporte regular (nos dois sentidos da palavra) pode ser também a carroceria de uma camionete, como para visitar Toniná partindo de Ocosingo. - Uma forma bastante popular de se viajar, especialmente em ou entre cidades pequenas é o táxi coletivo. São basicamente táxis que circulam meio que como vans ou ônibus pegando mais de um passageiro. Em algumas situações colocam até 5 passageiros, sendo dois na frente (sim, há um banco adaptado em cima do freio de mão 😂). - O transporte dentro das cidades costuma ser muito barato (ex. metrô a $5 na Cidade do México). Dicas para economizar: a) cheque o Bla Bla Car antes de comprar passagens de ônibus; b) nos estados de Chiapas, Campeche, Quintana Roo e Yucatán, verifique sempre se há opção de colectivo, além do ônibus (é mais desconfortável, mas às vezes muito mais em conta e com saídas mais frequentes); c) sempre quando for comprar passagem de alguma empresa do grupo ADO (OCC, AU e a própria ADO), cheque o site com 2-3 dias de antecedência, pois geralmente há cotas promocionais que reduzem o preço em até 40-50%; e c) ao comprar passagem em terminal rodoviário, cheque sempre se não outra empresa que faz o percurso, pois geralmente o atendente te informará apenas a com horário de saída mais próximo. Geralmente há outra empresas com ônibus simples, sem banheiros, porém com poltrona confortável, que fazem o mesmo trajeto das empresas mais caras. HOSPEDAGENS - O México é um país barato para se viajar. Peguei alguns hostels de boa qualidade com preços absurdamente baratos, como $85 com café da manhã no Torantelo em San Cristóbal de las Casas ou $30 no Lucky Traveller em Tulum. 🎉 De forma geral, encontrará bons hostels entre $120 e $240 na maior parte das cidades. - Em alguns pueblos e cidades menos turísticas pode ser que não encontre hostels. Neste caso, confira o Airbnb se quiser reservar com antecedência. ***Para fazer a sua primeira reserva pelo Airbnb, use o link abaixo, que vc ganhará desconto (e eu tbm e nós dois ficaremos felizes 😄) https://abnb.me/e/lJ7ccVuYnZ - Dica importante: caso esteja viajando em baixa temporada, sem muita preocupação com disponibilidade de hospedagens, deixe para pagar a diária do hostel a cada novo dia, sempre conferindo o preço no Booking. Direto aparecem promoções de diária para o local onde vc já está hospedado. Essa é a regra, porém quando o valor já está absurdamente barato ao se reservar inicialmente, pode ser melhor reservar logo por vários dias, com atenção a alterações nos valores das diárias por este maior período. ***Para fazer a sua reserva pelo Booking, use o link abaixo, que vc ganhará desconto (e eu tbm e nós dois ficaremos felizes 😄) https://booking.com/s/67_6/andes019 p.s.: Ao final do relato, encontrará a lista de todas as minhas hospedagens. COMIDAS E BEBIDAS - É bom ter um glossário de comidas mexicanas! Muitas coisas são bem parecidas. Às vezes só de acrescentar um item em alguma coisa, esta já recebe outro nome. - Ser vegetariano no México às vezes é um pouquinho complicado se você não está na pilha de fazer sua própria comida. - Comidas de rua e refeições em mercados (tipo os nossos mercados municipais) são bem econômicas e em geral os restaurantes chiques custam menos do que muitos restaurantes razoáveis do Brasil. - Um outro atrativo do México para mim são suas simpáticas padarias. Muitas delas vendem apenas opções de pães doces com preços geralmente super em conta! Em Orizaba, por exemplo, paguei $5 (!) por três tipos diferentes de pães doces. - Pimenta! 🌶️ Sim, os mexicanos realmente amam pimenta. Tudo o que você pede pode levar pimenta no seu preparo, até mesmo uma raspadinha de gelo ou frutas no copo. É comum também ter à disposição molhos de pimenta verde ou vermelho de preparo próprio. Caso vc não curta pimenta, relaxa que geralmente as comidas não vêm apimentadas da cozinha (exceto o "mole" ou alguns pratos típicos que são feitos à base de pimenta), mas é sempre bom perguntar. - Outra coisa interessante é que nos menus (combos de comidas), o arroz às vezes pode vir como opção de segundo prato, após a entrada (geralmente uma sopa ou caldo) e antes do prato principal. - Ah, e esqueça o tradicional arroz nos pratos. Os mexicanos muitas vezes usam as tortillas como base dos seus pratos. Às vezes quando o prato vem com arroz, eles inclusive misturam o arroz com o acompanhamento e colocam na tortilla. hahaha - Há diversos tipos de antojitos (classe do comidas dos tacos e quesadillas). Tive dificuldade para diferenciar um de outro algumas vezes, mas tranquilo, já que os próprios mexicanos quando questionados sobre as diferenças fazem confusão. hahahaha - Em relação à bebida, o preço da cerveja é mais ou menos o mesmo do Brasil (aqui é um pouco mais barato). Uma garrafa de 1,5 L de água custa geralmente entre $9 e $14. Refrigerante eu não lembro, mas dado o alto consumo mexicano (mais do que 6x a média mundial), acho que é bem barato. - Os mexicanos também são doidos por suco! Nas ruas geralmente há várias banquinhas de suco. Na verdade, o suco lá geralmente é feito com fruta em infusão durante um bom tempo e se chama "agua (de sabor)". Já os sucos de pura fruta, sem adição de água, que são chamados de "jugo". - Outra coisa que os mexicanos amam é tamarindo. Há inclusive um preparo tipo uma calda muito popular à base de tamarindo e pimenta, chamado "chamoy", que eles usam em diversos alimentos. Os doces feitos com a fruta, especialmente os picantes, são deliciosos! 🤤 - Paleta! Sim, o termo "paleta" não é invenção de empreendedor brasileiro. Os picolés mexicanos realmente se chamam "paletas". Os de fruta são deliciosos! Mesmo aqueles baratinhos de carrinhos de rua são super saborosos. Eu costumava curtir mais as paletas de fruta (especialmente as com pimenta) do que os sorvetes ("helado" se for à base de leite ou "nieve" se for à base de água). Bem acho que é isso... segue aí uma listinha de coisas que comi ou bebi com um breve comentário: - Camote - doce de batata doce vendido em Puebla - Cemita - pão tipo "brioche" (desses com gergelim usados para sanduíches). Também é o nome do sanduíche em si, muito popular em Puebla, o qual leva carne de porco, queijo, abacate e pode levar pimenta. É bom, mas é só um sanduíche em torno do qual o povo local cria todo um "hype". - Chalupas: massa de milho frita recoberta depois com um molho e ingredientes a gosto. Parece com salbute. - Chamoyada - raspadinha de gelo com pimenta - Chapulines - grilos - Chicatanas: formigas - Elotes e esquites - milho com limão, pimenta, maionese e queijo. Esquites é a versão com o milho no copo. Uma delícia! - Flor de calabaza - flor de abóbora refogada. É bem gostosa e geralmente é servida em tortillas. - Gordita - tem a versão de nata, que é tipo um pãozinho doce feito à base de nata e que pode ser recheado com geleias, doce de leite ou nutella. Tem a versão salgada que é massa de milho frita e recheada. Ambos eu achei bem gostosos. - Habas - favas grandes salgadas, vende-se em lugares que tbm vendem amendoim - Huaraches e sopes: para mim são iguais, mas têm um formato diferente. Tortilla de milho, com feijão, alface e queijo. - Huazontle - empanado recheado com queijo feito com uma folha fibrosa (o próprio huazontle) que se parece brócolis . Não curti muito! - Huitlacoches - fungo que dá no agave. Uma delícia nas tortillas. - Memela: massa de milho frita coberta com feijão e molho verde ou vermelho. O que eu comi perto do Balneario Axocopan em Atlixco foi o antojito mais gostoso de toda a viagem. - Molletes - pão com queijo, tomate, alface, que lembra uma bruschetta. - Molote - tipo de antojito frito parecido com quesadilla. Gostoso! - Nopales - folha de palma mto negligenciada aqui no Brasil, mas super populares no México. São servidas em antojitos ou em pratos. Eu adoro! - Palanqueta - parecem barrinhas de cereais feitas com semente de amaranto. Eu acho gostosas. - Pan de espelon: tamal com feijão preto e lomitos (carne assada). Muitooo bom! Popular em Yucatan. - Panucho: taco com feijão colado frito em óleo de banha de porco. Leva em cima alface, tomate e abacate no caso do pedido sem carne de porco. Bem gostoso! Popular em Yucatan. - Papadzules: parecem panquecas recheadas com ovo duro e com molho de tomate por cima. Não curti muito! Popular em Yucatan. - Pipián - molho a base de semente de abóbora. Popular em Cuetzalan. - Polcanes: espécies de bolinhos de milho fritos recheados com carne de porco desfiada. Não curti! Popular em Yucatan. - Relleno negro: parece um caldo feito com carne de perú, com tomate, feijão adocicado, salsa e queijo. Sabor forte. Muito gostoso! Popular em Yucatan. - Salbute: parece o panucho, mas não se coloca o feijão na hora de fritar - Sopa de lima: sopa rala de frango, com tomate, cheiro verde e lima - Tamal chachacua: tamal feito enterrado em chão com pedras quentes, geralmente recheado com carne de porco e frango. Muito bom! Popular em Yucatan. - Tamal de macalun: com hoja santa, semente de abóbora. Muitooo, muito bom! Popular em Yucatan. - Tamal vaporcito: feito no vapor. Gostoso.Popular em Yucatan. - Tlacoyos de requesón - um dos antojitos mais gostosos que comi. São encontrados na Cidade do México. - Tlayuda - massa de milho verde frita com cobertura de feijão e outras coisas que são vendidas nas ruas de Cidade do México. Essa eu achei ruim. Já a tlayuda de Oaxaca são gostosas, parecem tortillas grandes dobradas e recheadas com feijão, alface, abacate, tomate e queijo (e carne). Frutas: - Huaya: frutinha verde que parece pitomba, também conhecida como mamomcillo - Mamey: fruta grande cujo sabor lembra um pouquinho o de mamão. Achei deliciosa - Nanche: murici - Tuna: fruta do cactus que eu não curti Bebidas: - Atole - bebida feita a base de milho; a de cacahuate (amendoim) é uma delícia - Pozol: é uma bebida de milho com cacao parecida com o tascalate. É gostosa, mas é enjoativa. Há também a versão branca, com coco, que não achei gostosa. Popular nos estados de Chiapas e encontrada também em Quintana Roo e Yucatan. - Pulque: bebida alcoolica meio azeda feita a partir da fermentação do agave. Eu gostei da versão com fruta. - Rusas: bebida de água gaseificada ou refri de limão ou sangria com limão, pimenta e sal. É uma delícia! - Tascalate é uma bebida de chocolate feita a partir de uma mistura de milho torrado, chocolate, pinhão moído, achiote, baunilha e açúcar. Bem gostosa, mas o gosto é forte e enjoativo. Popular em Chiapas. - Tepache: bebida fermentada geralmente de abacaxi - Yolixpa: bebida alcoólica indígena a base de 23 ervas vendida em Cuetzalan. Achei gostosa. ROTEIRO DIA 1) BRASÍLIA - CIDADE DO MÉXICO De antemão, já deixo registrado que a Cidade do México é incrível, com diversas atrações interessantes. Se possível reserve ao menos uma semana para curtir a cidade. Ah, e se liga em duas coisas importantes: a) muito atrativos da Cidade do México (e de outras cidades) são fechados na segunda-feira; e b) a entrada em muitos museus é gratuita aos domingos. Bem, agora vamos ao relato. Comecei bem a viagem: sendo parado na imigração. Deve ter sido pq a atendente na triagem inicial me fez uma pergunta em espanhol rapidamente e eu não entendi, para não dizer que tenho cara de gringo querendo migrar para os EUA ou de narcotraficante árabe (e olha que minha barba tava curta). Fiquei um tempo aguardando e depois o funcionário que me atendeu fez uma chuva de perguntas: quanto tempo ia ficar, quanto dinheiro tinha, se já tinha viajado para outros países, qual meu emprego e salário, se tinha outro passaporte (estava com um novinho), se tinha visto pros EUA (perguntou duas vezes), quais minhas intenções no México, se conhecia alguém no país. Uma penca de perguntas. Acho que consegui me desvencilhar da encheção principalmente depois de mostrar o meu roteiro e a passagem de volta de Mérida a Cidade do México e depois para Brasília. Dicas para se dar bem na imigração: tenha seu passaporte antigo em mãos, passagem de volta impressa, tenha uma quantia considerável de dinheiro e se for empregado, leve o seu contracheque. Depois de uma hora e meia na migração, peguei minha mochila, fui ao terminal 1, troquei os meus dólares e euros (ver tópico câmbio mais acima) e peguei o metrô rumo ao hostel (relação das hospedagens ao final do relato). O metrô fica praticamente contíguo ao terminal 1, basta sair na porta mais à esquerda (olhando para a rua) e andar uns 200 m. Esse foi um dia basicamente de uma volta no Zócalo e conhecer a grandiosa catedral e de fazer o reconhecimento do centro histórico, caminhando meio que sem propósito até chegar na Plaza Garibaldi (praça que reúne vários barzinho e onde se concentram vários grupos de mariachis). O Zocálo citado por si só já é uma grande atração. É comum ver apresentações de grupos de dança mexica, jogo de pelota e nos finais de semana há uma movimentação louca de gente com vários vendedores e pessoas com trajes indígenas benzendo e defumando quem tiver interesse. DIA 2) CIDADE DO MÉXICO Dia de caminhar para caramba (bem uns 17 km)! Primeiro fui de metrô até a Universidade Nacional do México - UNAM, onde visitei primeiramente o Museo Universitário de Arte Contemporáneo. Lá estava rolando uma exposição do Ai Weiwei, que fazia um paralelo entre a destruição de patrimônio histórico chinês e o assassinato em massa de estudantes mexicanos em Iguala em 2014 promovido por cartéis em parceria com forças paramilitares e polícias. Pesado! Em seguida peguei um ônibus gratuito interno no campus com destino à Reitoria e à Biblioteca (com direito a pulinho no MUCA - Museo Universitario de Ciencia y Arte...vale a pena se tiver com tempo sobrando). Depois segui caminhando até o Museo Soumaya Plaza Loreto. Após a visita segui até o Museo El Carmen, passando no caminho pelo Mercado Melchor Musquiz (recomendo demais todo esse trajeto a pé). Depois iniciei o que seria um trajeto super agradável pela região de Coyoacán, com belas ruas e praças. Primeiro fui ao parque Viveros (dispensável no roteiro), passando pela charmosa Fonoteca Nacional, e segui até a movimentada e agradável praça da Igreja San Juan Baptista (adorei o clima desta parte da Cidade do México e recomendo demais ir no final da tarde!). Por fim, fui no ótimo Museu Nacional de Culturas Populares e dei um rolê no bairro caminhando até a entrada do Museu da Frida. Nesta última parte do trajeto, há várias barraquinhas de comida para matar a fome. - Museu Universitário de Arte Contemporáneo: museu com excelente estrutura com exposições temporárias interessante (como a do Ai Weiwei). Entrada $40 - quinta-feira a sábado e $20 quarta e domingo. Segunda e terça não abre. - Reitoria e Biblioteca da UNAM: possuem lindos e grandiosos painéis dedicados à cultura mexicana. São tantas informações nestes painéis que há algumas visitas guiadas para apresentá-los. - Museo Soumaya Plaza Loreto: (atenção que já mais de um Soumaya!) o museu está inserido em um complexo com diversos restaurantes e em que frequentemente há apresentações de música e feiras temáticas. O museu em si têm uma coleção de peças artísticas de calendário, exposição sobre 100 anos da Constituição mexicana, pinturas do séc XVII e XIX e alguns artefatos da história da fotografia no país. Particularmente, achei legalzinho, mas acho que é dispensável. Entrada gratuita. - Museo El Carmen: antigo convento que abriga algumas múmias. Visita interessante! Entrada $60. - Fonoteca Nacional: local charmoso e agradável para quem está de bobeira, com tempo de sobra. Entrada gratuita. - Museu Nacional de Culturas Populares: grande museu com boa coleção e ótimas exposições temporárias. Curti demais! DIA 3) CIDADE DO MÉXICO Dia de rolê por atrações no Centro Histórico. - Templo Mayor: o coração da sociedade mexica (erroneamente chamada de "asteca") de Tenochtitlan, que continha em seu centro uma grande pirâmide de mais de 40 m de altura dedicada às cerimônias com sacrifícios humanos. A visita ao Templo Mayor contempla um museu incrível com diversos artefatos mexicas. Entrada $75. - Palácio Nacional: com belo interior e 10 painéis de Diego Rivera. Vale a pena fazer a visita guiada passando pelos painéis. Entrada gratuita - Museu Nacional de Arte do México: belo prédio com uma grande coleção de artistas dos séculos XVIII e XIV (para mim, é o tipo de arte que depois de uma tempo cansa, mas vale a pena a visita). Entrada $60. - - Torre Latinoamericana: na década de 50 esteve entre um dos 50 prédios mais altos do mundo. Tem uma incrível vista panorâmica e um museu legalzinho com a história de algumas estátuas espalhadas na cidade. Entrada $110 (cara demais!) DIA 4) CIDADE DO MÉXICO Mais um dia de rolê na parte central da Cidade do México. Segue abaixo a relação dos locais visitados e como não teria mais tempo depois para conhecer outros atrativos nessa parte central, fica o registro de ainda faltou conhecer a Secretaria de Educação, que tem vários painéis de Diego Rivera; o grandioso Museo Memoria y Tolerância; Museu de la Ciudad de Mexico, Museo de Las Culturas e vários outros museus na região. - Palácio Postal: do ladinho do Museu de Bellas Artes. Acaba passando batido na visita de muita gente, mas é um prédio com um interior maravilhoso. - Museu de Bellas Artes: incrível tanto por fora pela sua grandiosidade arquitetônica quanto por dentro, com exposições temporárias maravilhosas e os painéis de Diego Rivera, Rufino Tamayo, David Alfaro Siqueiros, e José Clemente Orozco. Entrada $70. - Museu Painel Diego Rivera: abriga um grande painel do artista, com placas informativas sobre o que representa cada figura exposta. Entrada $35. VID_20190505_135126.mp4 - Teatro de la Ciudad Esperanza Iris: teatro lindo em que eu pude ver uma bela apresentação de marimbas do Mario Nadayapa Quartet e convidados (a quarta postagem no Instagram é sobre este rolê especial). DIA 5) CIDADE DO MÉXICO/TEOTIHUACÁN Dia longo iniciado dividido em três partes: 1) visita a Tlatelolco/Praça de las Tres Culturas e em seguida caminhada pelo interessante bairro onde se situa o sítio até a estação de metrô Tlatelolco; 2) deslocamento até Teotihuacán e visita de todo o sítio arqueológico; e 3) retorno à Cidade do México com visita à Biblioteca Vasconcelos, Kiosko Morisco e uma cervejinha artesanal boa no barzinho Estanquillo El 32. Parte 1) Tlatelolco/Praça de las Tres Culturas: Tlatelolco foi um importante centro da civilização mexica, onde se desenvolveu um rico comércio e relações de intercâmbio com Tenochtitlan. Atualmente assim como o Templo Mayor, possui apenas vestígios, como corredores e bases das pirâmides, que testemunharam a destruição espanhola, aqui representada pelo convento franciscano (erguido em 1537) e Templo de Santiago Apostol (1609). A terceira cultura representada seria a do México contemporâneo, com construções como a da Secretaria de Relações Exteriores, que atualmente abriga um museu em memória aos estudantes que foram massacrados pelo Estado mexicano na praça durante uma manifestação em 1968 (até hoje não se sabe o número exato de mortos, girando entre 300 e 400). Parte 2) Teotihuacán: destino básico em qualquer viagem à Cidade do México. Fica a aproximadamente 1h30 de ônibus da Cidade do México, mais exatamente da estação de ônibus Autobuses del Norte. Não há a menor necessidade de ir em tour para esse sítio arqueológico. Basta pegar um metrô até a referida estação e depois comprar a passagem na loja da empresa Teotihuacán, que fica no final do lado esquerdo . A passagem custa $104 pesos ida e volta e ônibus sai a cada meia hora mais ou menos. Teotihuacán começou a ser desenvolvida aproximadamente a 200 a.C. Teve o seu apogeu entre os séculos II e VI, chegando a ter aproximadamente 175 mil habitantes. Depois entrou em declínio e por volta de 750, a sua estrutura social já havia sido extinta. O nome Teotihuacán na verdade foi dado pelos mexicas, séculos depois do seu declínio. Ainda não se sabe qual o nome original da civilização, que construiu o complexo de pirâmides, entre as quais se destacam a enorme Piramide del Sol, com 65 m de altura, e a Piramide de la Luna, geralmente visitadas por todas as pessoas. Porém o Templo Quetzacoatl, situado no sentido oposto da Piramide de la Luna na desembocadura na Calzada de los Muertos, também é uma visita fundamental pela sua riqueza arquitetônica (foto abaixo com esculturas nas pirâmides). Dica para conhecer bem o sítio: recomendo ir com pelo menos 3h livres para fazer todo o trajeto. Leve muita água, chapéu e não economize no protetor solar porque o sol lá é de rachar. E por último: as lojinhas de lá vendem coisas mais ou menos pelo mesmo preço de mercados da Cidade do México. Parte 3) - Biblioteca Vasconcelos, uma biblioteca pública em que qualquer pessoa, inclusive estrangeiros, pode pegar livros emprestados para consulta local e pessoas registradas podem fazer empréstimos por 21 dias. A biblioteca é enorme e sua arquitetura é arrojada. Foi criada em 2006, conta com mais de 575 mil livros e é uma das mais frequentadas da América Latina. - Kiosko Morisco, que fica no agradável e charmoso bairro de Santa Maria de la Ribera. É uma construção bem bonita em ferro e madeira desmontável, que foi criada em 1884 para uma exposição internacional em New Orleans. O Kiosko fica bastante cheio no final da tarde, quando muitas pessoas o frequentam para dançar, praticar atividade física ou relaxar. O caminho da estação de metrô até a biblioteca pela rua Mosqueta é um atrativo à parte com os seus prédios grafitados. E quem curte cerveja artesanal, recomendo ir num barzinho que se chama Estanquillo El 32, que fica perto do Kiosko. Super recomendo pelo atendimento (troquei várias ideias com o dono), pelo ambiente acolhedor e pela diversidade de cervejas! DIA 6) CIDADE DO MÉXICO Dia de rolê em Chapultepec. A região é meio que um grande parque e reúne algumas das melhores atrações da Cidade do México, entre elas a mais incrível para mim: o Museu de Antropologia. Se vc estiver hospedado perto do Zócalo, vale a pena ir caminhando pelo Paseo de la Reforma até a região, curtindo os prédios modernos ao longo da avenida. Seguem os atrativos visitados: - Museu de Antropologia: puta que pariu que museu sinistro! O museu mais incrível que já visitei na vida. Logo na entrada, vc dá de cara com um guarda-chuva lindo (foto 4),mas, apesar da arquitetura imponente, o grande destaque está na sua coleção distribuída ao longo de 53 salas. Diversos artefatos de diferentes culturas pré-hispânicas com destaque para o calendário asteca, que na verdade não é um calendário e é melhor chamar aquele povo de "mexica". Toda essa coleção se encontra no térreo e nas salas no subsolo. Há ainda um primeiro andar dedicado aos povos indígenas atuais. Eu cheguei às 16h30, peguei a explicação da guia do museu e acabou que tive só 1h30 para percorrer tudo por conta própria. Claro que faltou um monte de coisas e o primeiro andar eu basicamente ignorei por falta de tempo. Dá para ficar um dia todo facilmente no museu. Entrada 10h às 19h, $75. - Castelo/Museu Nacional de História: um belo castelo, construído entre os anos 1778 a 1788. Tem uma coleção sobre a história da Nova Espanha e muitos quartos abertos para visitação, além de um belo jardim e uma vista incrível do Paseo de la Reforma. Entrada 9h às 17h, $75. - Museu de Arte Moderna: ótimo museu com esculturas na parte externa e três alas internas, uma dedicada a uma exposição temporária, outro para artistas modernos e a última dedicada aos grandes nomes da arte do México, como María Izquierdo, Orozco, Diego Rivera, Frida e outros. Tem visita guiada às 12h e 13h. Vale muito a pena! Entrada de 10h às 17h, $75. Muitas coisas?! Pois é, ainda faltou conhecer na área: Museu de História Natural, Museu Tamayo e quatro centro culturais. E depois de tudo isso ainda curti uma luta-livre à noite no Arena México. A arena tem uma putaaa estrutura e eu achei massa a experiência de assistir à luta. Para mim é basicamente mim é uma dança acrobática, muito bem ensaiada de caras fortes (espero que os fãs do esporte não leiam isso hahaha). Os mexicanos deliram com as lutas, tanto que são até transmitidas na TV para o grande público. Confira os ingressos em site de venda, pois eu acho que sai mais em conta do que pagar na hora. A cadeira que peguei custou $140 na hora (era a segunda categoria mais barata). DIA 7) CIDADE DO MÉXICO/TEPOTZOTLAN A cidade é um pueblo mágico com várias construções antigas em cor ocre e vermelho. Fica a quase 40 km da estação de metrô Autobuses del Norte na Cidade do México. Para chegar lá é fácil: pegue um metrô até a referida estação e depois pegue um ônibus (camion) da empresa Autora na plataforma (andén) D lado norte. Acho que saí a cada 30 min . Apesar da cidade ser próxima, as condições de trânsito fazem com que a viagem dure mais de 1h. Passagem: $20 O ônibus vai te deixar bem no centro da cidade. Ali está a sua maior atração: o Museu del Virreinato. Logo mais eu falarei dele. Antes vou explicar o que é um pueblo mágico, já que isso aparecerá várias vezes por aqui. Pueblo mágico é uma cidade credenciada pela Secretaria de Turismo, que oferece aos visitantes uma experiência mágica, devido ao seu folclore, culinária, patrimônio arquitetônico e artístico, relevância histórica e hospitalidade. Atualmente são 83 pueblos mágicos registrados no país. Dito isso, vamos às atrações: - Arcos del Sítio (Acuedutos de Xalpa): a 30 km do centro da cidade fica o incrível aqueduto formado por um conjunto de arcos 43 arcos, 61 m de altura e 438 m de comprimento que teve sua construção iniciada no séc XVII e finalizado apenas em 1854. Foi considerada a maior obra do tipo na época. É possível ir de táxi ($150 a 250) ou ônibus ($16). Optei por esta opção. Vi em fóruns que só havia uma opção de ônibus até lá, o com destino a San José Piedra Gorda, com apenas 3 horários de saída ( 8h, 12h, 16h). Lá descobri que havia outra opção com destino a Cabanas Dolores, mas com parada mais longe (20 min de caminhada). Acabou que eu peguei o San José já às 13h. Demorou 1h para chegar lá por conta da estrada. Chegando perguntei ao motorista quando haveria um para voltar e ele me disse que em 40 min. Me programei para voltar neste tempo, para não correr riscos. - Museu del Virreinato: caramba, que museu em um dos complexos religiosos mais incríveis que já visitei na minha vida. Abrange o antigo Colégio Franciscano San Francisco Javier, com construção iniciada em 1580, e a incrível igreja anexa. Considere 2h pelo menos para a visita porque são várias salas com esculturas, pinturas e fachadas de tirar o folego. Por fim, recomendo almoço no mercado perto da praça central. DIA EL TAJÍN E PAPANTLA Esse foi um dia de rolezão enorme. Primeiro acordar cedinho para estar no metrô às 5h e tentar pegar o ônibus com destino a Poza Rica de 6h para uma viagenzinha de 5h de duração. Depois pegar outro ônibus até El Tajín (40 min). El Tajín é um sítio arqueológico que tem como pirâmide de maior destaque a Pirâmide dos Nichos. Acredita-se que começou a ser construída no século I e que foi ocupada até o século XIII, tendo seu apogeu entre os anos 800 e 1100. Foi a capital do povo totonaca. Possui um grande número de campos para o jogo da pelota, 17 no total. Acredita-se que tinham importante função na estabilidade social. A entrada custa $75 e o passeio completo pelo complexo Duran entre 1h30 e 2h. Na frente do sítio tem uma apresentação da Danza de los Voladores (vídeo), que surgiu na região como uma cerimônia relacionada no início da primavera para garantir uma boa colheita. Consiste em uma marcha dos dançarinos até o mastro, depois uma série de movimentos em torno dele ao som de flauta e tambor e depois sobem e fazem mais uns movimentos antes de se arremessaram para executar 13 voltas em torno do mastro. Eu peguei só um pedacinho da apresentação, que tem cerca de 25 min de duração total, mas não liguei muito para isso, pois depois veria a apresentação em Papantla, onde se localiza o maior mastro para a dança do México (37m de altura). Fui para Papantla em um táxi coletivo ($20). A cidade tem um centro movimentado no qual se destaca a sua igreja e ao fundo o Momento al Volador. Acabou que eu não consegui assistir à dança porque aconteceria apenas às 17h e eu tinha que pegar um táxi coletivo a Poza Rica e em seguida um ônibus às 18h com destino a Pachuca, onde me hospedaria para visitar Huasca de Ocampo e Mineral del Monte. Nesta viagem a Pachuca, tive uma grata surpresa com a bela paisagem montanhosa ao longo do caminho. DIA 9) HUASCA DE OCAMPO E MINERAL DEL MONTE Huasca de Ocampo e Real del Monte (ou Mineral del Monte) são dois charmosos pueblos mágicos próximos de Pachuca, uma cidade de porte médio no estado de Hidalgo a aproximadamente 90 km da cidade do México. Para chegar em ambas as cidades, basta pegar uma van em Pachuca no mercado Benito Juarez. Fui primeiro a Huasca (50 min de viagem e passagem a $29). Ao chegar na última parada (Hacienda San Miguel Regla), eu e outras duas passageiras negociamos com o motorista para nos deixar nas Prismas Basalticas por $20 a mais. As Primas são consideradas uma das 13 maravilhas naturais do México. É um conjunto de colunas de basalto com até 40 m formadas pelo resfriamento da lava vulcânica em contato com a água. Realmente a formação em si é fantástica, mas PQP quantas intervenções artificiais no local! Restaurante na beira do leito do rio, leito pavimentado até a cascata e o pior: a própria cascata é formada por água canalizada! Difícil de saber como ela era no passado. Tudo isso acaba tirando em muito a sua beleza. Beta para não pagar absurdos $100 de entrada nas Prismas: caminhe pela calçada na rua lateral aos Prismas. Uma hora o muro vai ficar mais baixo e vai ter uma janela onde se pode observar as cachoeiras. O único problema é que assim vc não terá a vista da Hacienda Santa Maria Regla de cima como na foto abaixo. A 600 m das Primas, está a Hacienda Santa María Regla, para mim o ponto alto de Huasca. A Hacienda, que atualmente é um hotel, no século XVIII foi dedicada ao beneficiamento de ouro e prata e foi um das haciendas mais imponentes do mundo. É um lugar incrível, com um bela capela e uma série de túneis, salões e quartos que serviram para diferentes propósitos no passado. Conta ainda com uma bela cachoeira formada pela desembocadura do mesmo rio que forma as Prismas Basálticas. Reserve pelo menos 2h para percorrer todos os seus túneis e ir até a cachoeira. Entrada $85. Acho que vale a pena contratar um guia (não fiz isso e fiquei muito perdido). Outro local destaque é a Hacienda San Miguel Regla. Assim como a anterior, hoje tbm é um hotel. Já está bastante descaracterizada, mas a visita ainda vale pela bela estrutura na orla do lago. Entrada $50, passeio de 50 min. Depois de conhecer esses locais, fui curtir o centro de Huasca. Em seguida peguei uma van até Real del Monte. Real del Monte é uma cidadezinha simpática, muito visitada por turistas mexicanos. Tem um centrinho legal e muitas lanchonetes de pastes (espécie de pastel de forno delicioso). Recomendo não deixar de comê-los na visita à cidade. Recomendo também conhecer a Cerveceria La Viscaina e tomar um dos seus chopps artesanais e trocar uma boa ideia com o seu dono super gente boa. Pude conferir que há van de volta de Mineral a Pachuca pelo menos até 21h (passagem a $11,50). DIA 10) BERNAL E QUERÉTARO Cheguei na rodoviária de Querétaro e já fui direto a Bernal. Para ir ao pueblo, basta pegar ônibus da Coordenados no edifício B da rodoviária (preço $49) com saída a toda hora. Na volta, o ônibus sai de hora em hora com último às 18h ($51). O pueblo mágico de Bernal é bem bonitinho e tem como sua maior atração a Peña de Bernal, um monolito de 433 m de altura, um dos mais altos do mundo, considerado uma das 13 maravilhas naturais do México (mais uma!). É possível subir até próximo do topo da Peña, sem equipamentos de escalada. A subida é um pouco cansativa e inclinada em algumas partes, tendo uma duração de 40 min a 1 hora. Depois de conhecer Bernal, retornei a Querétaro (detalhes da cidade no próximo tópico). DIA 11) QUERÉTARO Querétaro (Santiago de Querétaro) é a capital do estado de mesmo nome. É uma cidade de médio porte (mais de 700 mil habitantes), localizada a 180 km da Cidade do México. Possui um centro histórico lindo e vibrante (pelo menos nos finais de semana), que foi decretado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1996. Os melhores rolês na cidade são: a) andar pelas suas ruas, algumas delas exclusivas para pedestres, apreciando as fachadas dos edifícios e as belas praças; b) entrar em cada uma das suas igrejas, com destaque para o templo de Santa Rosa de Viterbo e Templo de la Merced, o qual se destaca pelo seu belo interior; e c) ir até o mirador do aqueduto para apreciar essa grande obra arquitetônica. Fui tbm em três museus na cidade. O primeiro deles, o MACØ (Museu de Arte Contemporânea), tem uma coleção legal que eu curti bastante (entrada gratuita). O segundo foi a Casa de la Zacatecana, que é simples, mas é legal para ver como eram as casas da elite do século XVIII (entrada $45). O terceiro foi o Museo Regional de Querétaro, que eu esperava mais da sua coleção, mas é interessante pela sua arquitetura, com pátios com fontes e chafarizes, e pelo seu histórico de ocupações com diferentes propósitos (entrada $60). DIA 12) JALPAN E XILITLA Dia de sair de Querétaro e ir até Ciudad Valles, passando por Jalpan e Xilita. Primeiro peguei um ônibus econômico da empresa Vencedor até Jalpan ($270, enquanto nas outras empresas era $400). O caminho é feito por estradas sinuosas, passando por barrancos profundos e paisagens da Sierra Gorda de tirar o fôlego. Jalpan, seria a princípio apenas um local de passagem, mas depois de ver uma bela reprodução da fachada da sua igreja, Misión de Jalpan, no Museu Regional de Querétaro, me deu uma grande vontade de conhecê-la. A igreja, construída por franciscanos entre os anos 1751 e 1758, realmente tem uma fachada barroca linda em que está representada a busca pela fé. O seu interior ao contrário é bastante simples. Para conhecê-la, desça do ônibus na parada perto do centro. Depois da igreja, peguei um táxi colectivo até o terminal, onde peguei um ônibus da Vencedor até Xilitla (2h de viagem). A cidade marca o início das minhas andanças pela Huasteca Potosina, uma região com várias cachoeiras lindas, dolinas profundas e cavernas. O meu interesse na cidade era apenas conhecer o Castelo Surrealista de Edward James (Las Pozas), um lugar com umas esculturas surreais (óbvio!) imersas na mata, escadas sem fim e ainda uma cachoeira lindíssima. Edward era poeta, artista plástico e foi mecenas de Salvador Dali e René Magritte. Conheceu Xilitla em 1945 e a partir de 1947 começou a criar orquídeas na propriedade que adquiriu. Depois de uma forte geada, em que perdeu toda sua plantação, decidiu começar a construir o castelo em 1962. Em 1984, ele faleceu, deixando a obra inconclusa. O Castelo é interessante, mas vou ser sincero que não correspondeu às minhas expectativas. Fiquei muito incomodado com as faixas coloridas bloqueando acesso, com os funcionários de colete no meio das esculturas e também fiquei um pouco frustrado com muitas das esculturas em si e com o excesso de pavimentação na parte mais natural. Acabei gostando mais da cachoeira do que das esculturas em si. O valor de entrada é $100 e o passeio dura pelo menos 1h40. Por fim, peguei um ônibus até Ciudad Valles ($143, 2h de viagem), a cidade que serviria de base para os meus passeio pela Huasteca Potosina. DIA 13) HUASTECA POTOSINA A Huasteca Potosina é a parte da região da Huasteca no estado de San Luis Potosí. Abrange 20 municípios. Já citei ela aqui quando falei do Castelo Surrealista. É uma região cheia de cachoeiras, cavernas, nascentes de rios de águas cristalinas e sótanos (dolinas - buracos profundos formados com o colapso da parte superficial do relevo). A melhor forma de conhecer a Huasteca Potosina é com carro próprio, pulando de cidade em cidade. Caso não possa alugar um, o melhor é se hospedar em Ciudad Valles e usar a cidade como base de apoio para os passeios. Muitos deles podem ser feitos sem agência. Como é o caso de todos abaixo, exceto Minas Viejas. No primeiro dia fui para o município de Tamasopo de ônibus ($128 ida e volta com a empresa Vencedor, 1h30 de viagem), onde conheci Puente de Dios e Cascadas de Tamasopo. Puente de Dios tem um poço lindo no qual desembocam cachoeiras e uma pequena gruta de água azul-turquesa. Para chegar lá, o táxi cobra $70 ou pode-se tentar uma carona. Já as Cascadas Tamasopo são duas cachoeiras: uma com uma grande parede e várias quedas d'água e outra mais simples, mas com um belo poço onde rola de fazer pêndulo ou saltar de trampolins. São bem bonitas e de fácil acesso a partir da cidade, mas tem uma intervenção humana pesada, com muita pavimentação, barragens e piscinas artificiais. VID_20190514_174348.mp4 DIA 14) HUASTECA POTOSINA Dia de conhecer conhecer Minas Viejas e Cascada El Meco de carona com amigos que fiz no hostel. Minas Viejas é bem afastada e não sei como seria o acesso por conta própria. É um complexo lindão de cachoeiras com bons poços para tomar banho. Já El Meco é uma cachoeira enorme, maravilhosa (!!!), em cidade (El Naranjo) acessível por transporte coletivo. No local há três opções de passeio: um de lancha até a base da cachoeira, outro que envolve saltar as cachoeiras acima do El Meco e outra que é um trekking até El Salto (um conjunto de poços acima no rio). Acabei optando pelos saltos de cachoeira, que foi bem legal e bonito, mas talvez eu recomendaria mais o passeio de lancha. Atenção: o último ônibus da cidade volta às 19h para Ciudad Valles. Acabei o perdendo, mas por sorte encontrei com duas amigas que conheci no dia anterior em Tamasopo e pude aproveitar uma carona de volta. DIA 15) HUASTECA POTOSINA E LAGUNA DE LA MEDIA LUNA No período da manhã, fui na Cascada de Los Micos, que fica pertinho de Ciudad Valles e é possível ir de táxi coletivo até lá ($30). Tem uma entrada paga, mas não é preciso desembolsar nada para conhecê-la. Basta descer por umas escadas que ficam no estacionamento onde o táxi te deixará e que cruzar a pista por baixo. Ao descer, vc verá a sequência de cachoeiras a partir de baixo. Depois volte pra pista e ande cerca de 700m até uma pequena central hidrelétrica. Logo depois da sua entrada de acesso, há umas escadas em que vc poderá descer e curtir a paisagem lindona mostrada em fotos abaixo. Foi um lugar que eu curti demais por ser mais natural e sem muitas intervenções como nos demais. Depois de curtir a Huasteca, peguei um ônibus até Rio Verde. O meu objetivo era conhecer a Laguna de la Media Luna, a cerca de 14 km da cidade. Para chegar lá, peguei um táxi colectivo até El Refugio ($14) e depois fui caminhando pela estrada rumo ao atrativo, pedindo caronas. Acabei andando bastante, mas consegui caronas em dois trechos, que me auxiliaram bastante a chegar no destino antes do anoitecer. A Laguna é bonita e tem uma série de canais onde se pode tomar banho em uma água de temperatura agradável. Porém a ocupação é muito intensa. Fui numa quinta e tinham muitas famílias acampando e fazendo churrasco lá, o que por um lado é legal pq mostra que os mexicanos curtem esses programas, mas por outro lado é ruim, pois significa lugares cheios. Passei a noite lá, acampado em uma barraca que aluguei no local ($170 com colchão). A infraestrutura de banheiros não é das melhores, com apenas uma pia, e vi apenas um local para lavar louça (disponibilidade de água potável e para este tipo de atividade é um ponto negativo no México de forma geral). DIA 16) ESTACIÓN DE CATORCE Curti parte da manhã no laguna e depois fui para estrada para tentar um carona com destino a estação de ônibus de Rio Verde para seguir até os meus próximos destinos: San Luis de Potosí e Real de Catorce. Acabou que consegui uma carona super rápido e ainda com direito a ganhar de presente uma garrafa de mezcal...os mexicanos são hospitaleiros demais! Chegando no terminal de Rio Verde, comprei a primeira passagem a San Luis de Potosí. Depois de de 2 h de viagem, ao chegar na rodoviária de San Luis, verifiquei se ainda era possível comprar passagem de ônibus para Matehuala, chegando a tempo para um conexão a Real de Catorce, mas não era mais possível. Com isso, comprei uma passagem a Estación de Catorce, cidade mais próxima de Real de Catorce, na esperança de ainda conseguir transporte até este destino nesse dia. Porém, chegando a Estación, descobri que há transporte regular - feito em Jeep Willys - entre as duas cidades apenas cedo pela manhã, a depender de demanda. Estación de Catorce é um pueblo no meio do deserto e assim como Real de Catorce, fazia parte da lucrativa rota de extração de prata que floresceu na região no séc XVIII. A cidade tem uma cara de "parada no tempo" e é uma interessante base de apoio para depois de se conhecer Real de Catorce. DIA 17) REAL DE CATORCE Real de Catorce é um pueblo mágico no meio do deserto a 250 km ao norte da cidade de San Luis Potosí. Tem aproximadamente 1000 habitantes regulares e tem atraído turistas pelas suas construções de pedras, por uma certa áurea e mística e pela disponibilidade nos arredores de peyote (cactus com substâncias psicoativas, ou melhor dizendo, alucinógenas hehehe). Conforme citei no tópico anterior, para chegar ao pueblo em transporte coletivo há 2 opções: uma indo por Matehuala (aprox. $410 no total) e outra indo para cidade de Estación 14 ($270) e depois seguindo em um Jeep Willys até Real de Catorce ($50-80). Eu acabei não tendo que usar o Jeep, pois consegui carona com uma galera muito massaaa que estava de passagem por Estación Catorce, indo comemorar o aniversário de um deles em Real. Eu curti demais toda a experiência de conhecer Real de Catorce. Primeiro porque a ida de Estación até lá passa por paisagens desérticas lindas. Segundo porque a experiência de entrar na cidade por si só já é massa, pois envolve a passagem por um túnel antigo por onde passava o trem que escorria a prata da região. Terceiro porque a cidade tem meio que um clima de cidade fantasma. DIA 18) SAN LUIS POTOSÍ Depois de conhecer Real de Catorce, voltei a San Luis Potosí. A cidade é legalzinha, mas não tem muitos atrativos. Tem uma praça bonita onde está a Catedral; o Museu das Máscaras, que é legal, mas não tem nada de mais; e tem uma atração que por si só já vale a ida a cidade: o incrível Centro de las Artes com o Museo Leonora Carrington. O centro parece um castelo. No passado foi uma penitenciária, onde foram aprisionados inclusive alguns ilustres presos políticos. Hoje o lugar é um espaço cultural que, além de abrigar o Museo Leonora Carrington, também abriga teatro, espaço de dança e outras exposições artísticas. Leonora foi uma importante artista surrealista e se relacionou com importantes nomes do movimento, como Max Ernst, Remedios Varo, André Breton e Luis Buñuel. Ela pintou muitos quadros e escreveu livros. Apenas nos anos 2000, nos seus últimos 10 anos de vida que se dedicou às esculturas. DIA 19) GUANAJUATO Guanajuato é uma cidade a 195 km San Luis Potosí e 360 km da Cidade do México. É uma cidade linda, colorida, construída ao longo de uma serra. O melhor a se fazer na cidade é percorrer o seu centro histórico, meio que sem preocupações, apreciando os seus edifícios e cada detalhe das suas vívidas ruas estreitas. A cidade possui belas igrejas, de arquitetura impactante, como a Iglesia de San Diego e o Templo de la Compañia de Jesus. Possui ainda alguns museus que devem ser interessantes, mas eu infelizmente estava na cidade na segunda-feira,o "Dia Nacional dos Museus Fechados no México", e só pude conhecer o Museo de las Momias e as exposições da Universidade de Guanajuato. Não recomendo ir no Museo de las Momias. O preço de entrada é caro ($100), a coleção não é lá das mais interessantes (as múmias são do século XX!) e há poucas informações disponíveis para os visitantes. O maior atrativo no local é a múmia de um recém-nascido, que morreu junto com a mãe durante uma cesária (macabro!). O museu da universidade é gratuito e tinha uma exposição linda de uma fotógrafa chamada Florecen Leyret. Valeu muito a visita! Um outro lugar interessante na cidade é o Funicular, de onde se tem a vista da primeira foto. E uma curiosidade: embaixo da cidade tem um sistema de túneis sinistro 🦇, onde há estacionamentos pagos e por onde circulam inclusive ônibus de linhas regulares. Eu e meu amigo Luca, que estava dirigindo a van em que fui de carona, nos perdemos algumas vezes nesses túneis. DIA 20) SAN MIGUEL DE ALLENDE San Miguel de Allende é uma bela cidade no estado de Guanajuato, considerada Patrimônio Cultural da Humanidade, com casas de cor ocre, vermelho e amarelo (as cores lembram bastante as de Tepotzotlan). A cidade possui a maravilhosa Parroquia de San Miguel Arcángel, que teve a sua construção nos moldes atuais iniciada no ano de 1685, e algumas outras belas igrejas dos séculos XVII e XVIII, como o Templo del Oratorio de San Felipe Neri e Templo de la Purísima Concepción. Uma outra atração interessante na cidade é o Museo La Esquina (del Juguete Popular Mexicano) (entrada $50). É um museu de brinquedos que se iniciou a partir de uma coleção particular. Atualmente o museu realiza um concurso anual de brinquedos artesanais. Os premiados são gratificados e depois passam a compor a coleção em exposição. Vou ser sincero que não tinha muitas expectativas para este museu (caretismo puro meu!), mas fui surpreendido. Muitos brinquedos são verdadeiras obras de arte! Também fui no Museu Casa de Allende (entrada $55), que foi a casa de Ignácio de Allende, um dos primeiros revolucionários da independência mexicana. Foi bom para saber um pouco da história mexicana, mas vou falar que o museu é bem simples e a visita não vale a pena para nós gringos. Nos arredores de San Miguel há também algumas atrações interessantes, como a Galeria Jimmy Ray, a Galeria Atotonilco e a Zona Arqueológica Cañada de la Virgen. Infelizmente não tive tempo para conhecê-las. DIA 21 E 22) PUEBLA Depois de curtir Guanajuato e San Miguel de Allende, o meu destino estava em outro estado, o primeiro ao sul da Cidade do México: Puebla, no estado de mesmo nome. Para chegar na cidade, eu peguei dois Bla Bla Car. O primeiro de San Miguel Allende a Querétaro em carro ($50) e o segundo de Querétaro a Puebla ($250) em ônibus. Puebla em si não é uma cidade muito bonita, comparada com outras por onde passei no México. Porém tem um atrativo super curioso - Cuexcomate, o menor vulcão do mundo (detalhe: é possível descer em seu interior por $12,50) (foto 1 e 2) - e tem ainda outros quatro atrativos incríveis sobre os quais falarei abaixo. - Catedral de Puebla: um pouco parecida com a catedral da Cidade do México, porém achei o seu interior ainda mais bonito - Capilla del Rosario: construída entre 1650 e 1690, é um anexo do Templo de San Domingo e é um dos maiores marcos do barroco novo-hispânico. Maravilhosa demais! - Museo Amparo: grande museu com uma boa coleção de artes pré-hispânicas, com ambientes virrenais bem decorados e uma exposição de arte contemporânea muito boa! - Museu Internacional del Barroco. Um museu enorme com uma arquitetura super moderna, com muitos recursos multimídias e com uma boa coleção artística. Ainda dei sorte de ter duas coleções temporárias ótimas em exposição: uma de obras do Rembrandt e outra de bordados de Carlos Arias. Esse museu é demais! Fui ainda em várias igrejas, no Paseo de los Gigantes (parque com miniaturas de prédios icônicos do mundo) e andei nas ruas das Artes, dos Doces e aleatoriamente por várias outras ruas da cidade. Conheci muitos lugares, mas ainda faltou conhecer o parque em que está inserido o Forte Loreto, que parece ser uma região bem bacana da cidade. Para comer, recomendo ir no Mercado de Sabores, onde há várias opções de bancas com comida regional, incluindo o famoso sanduíche "cemita". DIA 23) CHOLULA Cholula é um pueblo mágico, que fica coladinho em Puebla, 10 km de distância. É um pueblo com um belo centro, onde se destaca o grande convento de San Gabriel Arcángel. Porém os destaques de Cholula não estão bem no centro da cidade. Dois deles estão bem próximos - Pirâmide de Tepanapa e Iglesia de Nuestra Señora de los Remedios - e outros dois - Templo San Francisco Acatepec e Templo de Santa María Tonantzintla - um pouco mais afastados. Vou começar falando destes dois últimos porque muita gente os desconsidera na passagem pela cidade. O Templo San Francisco Acatepec começou a ser construído em 1560 e foi finalizado em 1760. É uma igreja barroca com ornamentações em folha de ouro. Maravilhosa! O Templo de Santa María Tonantzintla é menor do que o anterior e possui uma fachada externa mais simples, porém em sua parte interior é ainda mais ornamentada. É diferente de todas as igrejas que já vi, pois foi construída pelos indígenas com várias referências a Tonantzin, divindade ligada ao milho, e com anjos morenos e muitas ornamentações muito coloridas. Incrível! (infelizmente não é permitido tirar fotos no interior). Vamos agora às atrações mais populares. A Iglesia de Nuestra Señora de los Remedios teve construção iniciada no ano de 1594 e se encontra sobre um templo da Pirâmide de Tepanapa. Foi destruída por um terremoto em 1864 e em seguida foi reconstruída. A pirâmide de Tepanapa é a maior pirâmide em largura e volume do mundo. Teve construção iniciada a em aproximadamente 300 a.c e finalizada entre 200 a 700 d.C. Tem um grande sistema de túneis que podem em parte ser percorridos pelos turistas. DIA 24) ATLIXCO Na verdade, Atlixco consta aqui no dia 23 apenas por uma questão de organização, pois na verdade cheguei na cidade na noite do dia 21 e ela foi a base de saída para Cholula. É mais um pueblo mágico pertinho (1h15 aprox.) da cidade de Puebla. A cidade por ser uma grande produtora de flores é conhecida como Atlixco de las Flores. Possui uma praça central bem bonita da qual se irradiam ruas com vários vasos de flores, bares e lojinhas de artesanato. Atlixco possui ainda um belo morro ("cerro") bem próximo de seu centro, no qual está uma pequena igreja. Segundo os mitos populares, o morro é uma pirâmide que foi enterrada no passado para evitar os saques de espanhóis. Dele é possível avistar bem a cidade, vários pequenos pueblos próximos, um belo conjunto de morros e vulcões, incluindo o grande e belo Popocatépetl, o qual consegui ver com nitidez, sem nuvens encobrindo-o, apenas no meu último dia na cidade. Ah, tem que subir cedinho para conseguir ter uma boa vista do horizonte. Eu subi para ver o nascer do sol de lá e foi um espetáculo! Na cidade conheci ainda a área dos viveiros, o nacimiento (olho d'água) perto do Balneario Axocopan e a Cascada Altimeyaya. A cidade foi uma ótima surpresa, que não estava no meu roteiro inicialmente. Um lugar que ficará no coração, especialmente pelo acolhimento do amigo Maho e de sua família, que me receberam de braços abertos em seu lar. p.s.: Caso queira se hospedar pagando pouco na cidade, há um hostel na rua Hidalgo chamado Hostal San Martin. DIA 25) ZACATLÁN Zacatlán de las Manzanas se situa a aprox. 100 km de Puebla. É conhecida por esse nome não à toa. Em vários lugares da cidade há lojinhas com produtos feitos de maçã: suco, licor, refresco, vinho, cerveja e a deliciosa Manzana rellena (maçã cozida coberta com pão doce e recheada com queijo, noz e passas). Que trem gostoso da gota! A cidade possui um centro bem bonito com o Templo Parroquial San Pedro e um jardim com o Reloj Floral, um relógio elaborado com elementos florais. Por sinal, Zacatlán é também a cidade dos relógios por conta da empresa Centenário, responsável pela construção de relógios monumentais que foram exportados para diversos países, inclusive o Brasil. Na fábrica da empresa há um museu bacaninha e barato (só $10), onde é possível ver o processo de fabricação dos relógios e vários modelos antigos e atuais expostos. Além disso, a cidade possui uma vista maravilhosa para a Barranca de Los Jilgueros, um grande vale verde onde é possível avistar duas cachoeiras, e um belo mural com mosaicos de ícones culturais da cidade. Um pueblo bem bonito! DIA 26) ZACATLÁN/CHIGNAHUAPAN Comecei o dia conhecendo o incrível complexo de cachoeiras Cascadas Tuliman, que fica entre as cidades de Zacatlán e Chignahuapan (entrada a $100). Para me deslocar até próximo da entrada do local, peguei uma kombi na esquina do Museu Regional del Vino "La Primavera" (passagem $9). Dica: pague mais $35 pelo transporte dentro do complexo, já que as estradas internas são bem íngremes (não paguei na ida, mas paguei na volta). Depois outro coletivo até Chignahuapan (passagem $9), pueblo a 14 km de Zacatlánn conhecido como a cidade das esferas (bolas de árvore de Natal), já que se encontra esse objeto à venda durante todo o ano em várias lojinhas. A cidade também tem um centro bem bonito, com destaque para a Parroquia de Santiago Apóstol e para o Belo Kiosko Mudéjar, que me lembrou o Kiosko Morisco de Cidade do México. Vale a pena ainda ir até a Casa Esmeralda, espaço que reúne a Casa del Axolote, dedicada a exibição de axolotes (grupo de salamandras criticamente ameaçados), e outros espaços, como a oficina de artesanato de barro e outro oficina em que é possível ver o processo de fabricação da esfera (entrada $50). E por último recomendo, conhecer a Basílica de Imaculada Concepción com sua enorme escultura em madeira, considerada a maior escultura da América Latina no interior de um ambiente fechado. DIA 27) CUETZALAN Dia de uma viagem com muitas baldeações. Achei que duraria um total de 2h30, mas acabou durando mais de 5h. Primeiro peguei uma kombi até a cidade de Zapotitlán ($50). Depois peguei uma outra ($35) até uma espécie de entroncamento de rodovias (La Cumbre). Por fim, peguei minha última kombi até o destino final ($18). Detalhe importante: em La Cumbre não deixe de apreciar o visual do vale, onde verá uma bela cachoeira. Cuetzalan é bem charmosa e tem bastante cara de cidade histórica pequena. Algumas ruas me lembraram um pouco Diamantina/MG. Primeiro pelas casa históricas e segundo pela inclinação do relevo. Tem um centrinho bem bacana, com a bela Iglesia de San Francisco, grandes casas históricas, um jardim grande e muita gente sentada conversando e curtindo o desenrolar da vida naquele ritmo pacato de uma cidade do interior. Do centro parte uma ruazinha com alguns restaurantes familiares bem econômicos. Isso é meio que raridade por aqui, já que os centros daqui são muito bem cuidada e neles costumam estar os restaurantes mais caros. Próximo de Cuetzalan, está o povoado de Yohualichan, onde há um sítio arqueológico com características parecidas com as do sítio de El Tajín (para chegar no povoado pegue um coletivo na esquina da Coppel- $10). O sítio foi fundado em 400 d.C pelos totonacas até o ano 800. Depois foi ocupado pelo toltecas até 1200 e em seguida pelos chichimecas. É interessante que o sítio está totalmente imerso no pueblo atual, onde muitas das suas atuais casas residenciais foram assentadas sobre construções que faziam parte dessa civilização no passado. Dicas de comida e de goró, experimente alguma comida com molho pipián rojo, feito a partir de chiles secos, tomate e sementes de abóbora, e bebida tradicional indígena Yolixpa, feita a partir de 23 ervas (santo remédio!). Uma curiosidade: Cuetzalan tem aproximadamente 60% da sua população composta por indígenas. É comum ouvir o idioma náhuatl nas ruas. Curti demais esse pueblito. Valeu a pena todo o rolê para chegar e depois a contramão para ir até o meu próximo destino: Orizaba. DIAS 28 e 29) ORIZABA Mais um pueblo mágico na viagem. Inclui no roteiro muitos dos pueblos a partir de listas como "10 pueblos más bonitos", "Top 10 de los pueblos mágicos" e "Los 16 pueblos mágicos favoritos". Este último coloca Orizaba como favorito. Definitivamente não foi o meu favorito, porém Orizaba tem um lugar especial nas minhas memórias de viagens por uma série de motivos. A cidade é rodeada por vários morros, é muito limpa, sendo considerada a mais limpa do México, e é super bem organizada, com placas voltadas ao pedestre, praças lindas com wi-fi livre e ruas com prioridade ao pedestre. Os seus atrativos principais do meu ponto de vista são: 1) Ex-convento de San Juan de la Cruz: último convento construído por jesuítas espanhóis no México no século XIX (1803-1828), que pouco depois teve que ser abandonado por conta das reformas da independência da independência. A partir de 1860, passou a ser a ser um Conic da vida (brasilienses entenderão), sendo abrigo de prostitutas, loja maçônica, escola protestante, entre outras, até 1993. Hoje poderia ser facilmente uma locação de filmes de terror trash envolvendo freiras malignas 🤣. Entrada $50. 2) Palácio de Hierro + Catedral: um do ladinho do outro, ambos com praças com belos jardins e belas construções . 3) Palácio Municipal: atualmente um edifício com diversos órgãos do governo municipal e com o primeiro painel de Orozco, que enfoca a luta pela independência. Vale a ida também pela rua com preferência ao pedestre em frente ao palácio. 4) Teleférico: acima do Cerro del Bodego é possível ter uma visão maravilhosa da cidade. Pena que o tempo estava um pouco nublado e nesta época está pairando no céu meio que uma neblina ou smog. Entrada $30. 5) Museu de Arte de Veracruz: fica em um belo prédio, com uma boa coleção virreinal e uma ótima coleção de obras de Diego Rivera mostrando diferentes fases do artista. Entrada gratuita 6) Poliforum Mier y Pesado: um prédio da segunda metade do séc XX, porém com cara de palácio do século XIX. 7) Paseo del Río: este vale um tópico especial logo abaixo. Dica de restaurante: recomendo demais o restaurante Pozolazo (próximo do Museu de Arte de Veracruz). É bem econômico e tem uma comida gostosa, bem temperada Paseo del Rio O Paseo são calçadas nas duas margens do rio Orizaba, que cruzam a cidade de norte a sul e que passa ao longo de pracinhas charmosas, casas, quiosques de comida, paredes com grafites e do teleférico (já citado aqui). Há pontes suspensas cruzando o rio, tirolesa e é comum ver gente correndo ou caminhando para ir de um lugar a outro da cidade ou apenas namorando e curtindo o ambiente. Até aí tudo bem, né?! Seria super interessante do ponto de vista da mobilidade urbana, do direito à cidade e do ponto de vista ambiental, de construção de cidades mais verdes e integradas com o meio ambiente. Mas aí vem mais um detalhe: ao longo do Paseo tbm há uma reserva animal, uma espécie de zoológico urbano, com cativeiros, serpentários e aviários abrigando cerca de 300 espécies. Por um lado a reserva tem um grande efeito na educação ambiental. Imagina só toda uma população com um zoológico super acessível em que se pode encontrar informações sobre as espécies e sobre conservação ambiental. Por outro lado fiquei pensando nos animais ali abrigados. Muitos estão em espaços super pequenos, com pouca sombra e recursos (carentes de um bom enriquecimento ambiental), e sem contar que estão completamente imersos no espaço urbano, com trânsito e poluição sonora muito próxima. Sem contar que a proximidade com as pessoas é muito grande. Uma criança pode facilmente esticar o braço e alcançar a grade das onças, por exemplo. O nível de stress dos bichos deve ser muito alto. Vi o urso e outros animais realizando pacing (movimento estereotipado de um lado ao outro), comportamento que costuma ser indicativo de stress. O Paseo é um lugar super interessante sob diversos pontos de vista e me deixou com vários questionamentos e reflexões. DIA 30) OAXACA Cheguei cedo e depois de deixar as coisas no hostel, fui a Monte Albán, um sítio arqueológico bastante próximo da cidade de Oaxaca, facilmente acessível por coletivos de transporte. Começou a ser construído em 500 a.C e foi capital dos zapotecas até aprox 800 d.C, sendo depois ocupado pelos mixtecos. Foi construído em cima de um dos morros do vale de Oaxaca e em seu ápice chegou a ter cerca de 35.000 habitantes. Monte Albán é um lugar incrível, com muita história, lindas vistas do vale de Oaxaca e um museu com uma boa coleção de esculturas e artefatos antigos. Entrada $75 e transporte $60 (ida e volta). A cidade de Oaxaca por sua vez pode ser dividida em duas partes: uma abaixo da sua Catedral e outra acima. A primeira parte é caótica e feia, com muita movimentação de pessoas e barracas por todos os lados. Já a segunda parte é o lindo centro histórico, que foi tombado como Patrimônio Cultural da Humanidade, juntamente com o Monte Albán, em 1987. Os grandes destaques do centro histórico são o Templo de Santo Domingo de Guzmán e o seu anexo, o Museo de las Culturas. O templo começou a ser construído em 1551. Possui uma linda fachada e muitas ornamentações em estilo barroco. Já o Museo de las Culturas faz parte do ex-convento de Santo Domingo de Guzmán e possui diversas salas, com um incrível acervo pré-hispânico, no qual se destaca a coleção da Tumba 7. A Tumba 7 foi encontrada em Monte Albán em 1932. Com diversos artefatos de ouro e outros metais preciosos,é considerada um dos maiores achados do México. O museu ainda tem salas dedicadas ao Virreinato, aos povos indígenas e à modernidade do México. DIA 31) OAXACA Dia de passeio em tour. Eu costumo ter um pouco de preguiça com tours. Primeiro pela falta de autonomia para tudo (local de comida, tempo nos atrativos, rotas etc); segundo, porque pode ser uma furada dependendo do seu grupo e do guia; e terceiro, pq geralmente saem mais caros do que se vc fizer o passeio por conta própria. Porém, resolvi fazer um tour com a empresa Lascas, partindo de Oaxaca, considerando o excelente preço que tinha ($200) e o número de atrativos a serem conhecidos (em ordem): Árbol de Tule, destilaria de mezcal (com degustação 🤤), casa de produção artesanal de tapetes em Teotitlán del Valle, sítio arqueológico de Mitla e Hierve el Agua (cascadas petrificadas). Árbol de Tule é uma árvore da espécie ahuehuete, que tem 2000 anos de idade e é considerada a mais larga do mundo com 58 metros de circunferência. É impressionante (entrada $10)! Mitla, por sua vez, é um sítio arqueológico de origem zapoteca muito interessante por seu formato trapezoidal e por suas ornamentações nas paredes (18 padrões geométricos diferentes) (entrada $65). Já Hierve el Agua é um balneário com uma formação natural muito diferente que emergiu a partir de escorrimento de água carbonatada. Parece uma formação de caverna, porém a céu aberto (entrada $25). Interessante também que no local há uns pequenos canais de irrigação que foram feitos pelos zapotecas há mais de 2000 anos. Além desses atrativos maravilhosos, o ateliê de tapetes de Teotitlán é incrível e foi bem legal conhecer o processo de produção de mezcal (e é claro o melhor: degustar muitos tipos diferentes da bebida hehehe). No final, valeu muito a pena fazer o passeio, mesmo com o tempo corrido especialmente em Mitla e Hierve. DIA 32) TUXTLA GUTIERREZ E CHIAPA DE CORZO Dia de passeio maravilhoso no incrível Canon del Sumidero. O passeio parte da cidade de Chiapa de Corzo de dois embacaderos. Ambos oferecem o mesmo preço para o passeio ($250). Se estiver hospedado em algum hotel na cidade, é possível encontrar mais barato. O Canion é uma falha geológica com altura máxima de pouco mais de 1000 m e com profundidade de rio de mais de 250m. No passado o rio Grijalva não era navegável, porém se tornou depois da construção de um hidrelétrica. Ao longo do passeio é possível avistar animais como macaco-aranha e crocodilos. A cidade de partida do passeio, Chiapa de Corzo, foi a primeira construída no estado de Chiapas e no passado foi a capital deste estado. Tem um centro bem bonitinho, com destaque para a fonte em estilo mudéjar construída no séc XVII. A cidade ainda foi o berço do fundador do grupo Mario Nadayapa Quartet (citado no dia 4) e tem um museu dedicado a marimbas, que acabei não visitando. Depois de conhecer o Canion e Chiapa de Corzo, peguei uma kombi na praça central com letreiro "Soriana" ($15) e depois uma outra kombi ($55) para chegar ao meu próximo destino: San Cristóbal de las Casas. DIA 33) SAN CRISTÓBAL DE LAS CASAS San Cristóbal é um pueblo mágico do estado de Chiapas, que tem um centro bem charmoso com bastantes casas históricas e uma rua para pedestres com muitos bares e restaurantes (caros de forma geral), incluindo muitas opções vegetarianas (raridade no México). Infelizmente como podem perceber pelas fotos, o tempo estava bastante ruim no dia que cheguei, com muita neblina e chuva. Uma experiência super interessante na cidade foi conhecer o mercado de Santo Domingo, com muitas roupas e artesanatos bonitos a preços bastante acessíveis, e logo ao lado conhecer o Mercado Viejo, com várias frutas, legumes e comidas de vários tipos. Nas proximidades do Mercado Viejo saem kombis com destino ao pueblo San Juan Chamula, uma comunidade pequena com população predominantemente de chamulaa: indígenas da etnia tzotzil, de família Maya. Na segunda-feira que fui, estava havendo uma procissão religiosa, com pessoas em trajes típicos tocando instrumentos, cantando como em ritmo de lamúrias e soltando muitos fogos de artifício que alguns deles mesmo confeccionavam na hora. Ao adentrarem na igreja (da foto 8), fizeram uma cerimônia de troca de roupas de um dos vários santos ricamente ornamentados, expostos nas laterais da igreja. Ao entrar na igreja parece que se é transportado a outra realidade. No seu interior há um forte cheiro de incenso natural no ar. Não há luz artificial, sendo iluminada apenas por velas e não há cadeiras. As pessoas se sentam no chão sobre um tapete de folhas de Pinus, acendem muitas velas, colocam garrafas de Coca Cola e outras bebidas no chão, como se fossem oferendas, e fazem orações geralmente com o corpo curvado como se estivessem murmurando. Após o ritual tomam as bebidas. É um sincretismo religioso muito diferente que mescla o misticismo indígena com o catolicismo. Uma experiência incrível que recomendo fortemente. . Mais infos: a entrada na igreja custa $25. Não é permitido tirar fotos ou fazer vídeos no seu interior. Por sinal, os chamulas não gostam desses registros por acreditarem que roubam a alma ou trazem azar. DIA 34) COMITÁN DE DOMINGUEZ Comitán é uma cidade situada a pouco mais de 90 km de San Cristobal. Possui um belo centro com uma bela igreja e algumas opções de restaurantes e de comida de rua (infelizmente não o visitei apenas à noite. A cidade foi a minha base para conhecer a famosa cachoeira El Chiflón e os Lagos Montebello. Pela manhã antes a El Chiflón (entrada $50 + $70 de kombi ida e volta, que peguei na Av. Boulevard). Um conjunto de cascatas e cachoeiras, sendo que a principal tem 70m de altura. Na época de seca, as cascatas e cachoeiras tem uma cor azul-turquesa/verde lindona, como podem ver na foto abaixo tirada na internet. Infelizmente fui no dia seguinte a uma forte chuva e o rio estava super caudaloso com cor marrom. Segundo um funcionário do local, já fazia 5 dias que a água estava com aquela coloração por conta das chuvas. Triste, mas pelo lado positivo fica um motivo para querer voltar a esta região em viagens futuras. Depois de conhecer El Chiflón, voltei para a cidade para pegar um kombi na Av. Guadaloupe, 30020 (passagem a $60) até os Lagos Montebello (ou Lagunas de Montebello). O atrativo é um parque nacional com mais de 50 lagos situado a cerca de 1h30 da cidade de Comitán de Domínguez (entrada $25). Os lagos são cenotes (cavidades naturais ou dolinas...vcs ainda vão ver esse nome algumas outras vezes por aqui) que se comunicam através do lençol freático. Alguns tem mais de 50m de profundidade.Como os lagos ficam relativamente longe um do outro se recomenda fazer o passeio em carro próprio ou com algum dos motoristas locais que ficam na entrada do parque. Eu paguei $250 em um passeio que segundo o motorista custa $700 ou $800 na alta temporada. No passeio de cerca de 2h, o motorista me levou ao Lago Caracol, 5 Lagos (o único onde as empresas de turismo de San Cristóbal costumam levar), Lago Pojoj, Lago Tziscao e Lago Internacional. Este último tem esse nome por estar na fronteira entre México e Guatemala. Passeio maravilhoso demais, que incluiu ainda uma parada em um quiosque para almoçar queso fundido (queijo na chapa com cogumelo, acompanhado de feijão, salada e tortilhas). Depois de conhecer os lagos, fui à estrada e consegui uma carona com caminhoneiros de volta a Comitán. 🥳 Faltou apenas conhecer o sítio de Tenam Puente, que estava programado para este dia. DIAS 35, 36 e 37) LAGUNA MIRAMAR Já antecipo dizendo que este é lugar mais maravilhoso que conheci no México e certamente também um dos mais lindos em que já estive em toda a minha vida. E o lugar foi ainda mais especial para mim, porque foi onde comemorei o meu aniversário.🥳🎉 A Laguna Miramar é uma lagoa com muitos estromatólitos em suas margens, cercada por morros, vegetação nativa preservada e com água com coloração azulada e esverdeada em diferentes tonalidades. Vc, por exemplo, sai de um local com água verde cristalina e em poucas remadas chega em um local com água azul-turquesa, que forma um espelho do céu e da vegetação. O local fica no leste do estado de Chiapas, relativamente próximo da fronteira com a Guatemala. Para chegar há duas opções: a) pegar uma van ($100) em Margaritas (próximo da cidade de Comitán Domínguez) com destino a Emiliano Zapata e fazer uma viagem de 5h30, sendo 3h30 em estrada de chão em más condições de conservação e com muitas curvas, ou b) pegar um caminhão em Ocosingo e fazer uma viagem de 4h em estradas em melhor estado de conservação, porém com muito menor conforto na carroceria do caminhão, com bancos de madeira duros. Para pegar a Kombi a Margaritas ($18, primeira saída às 6h, com tempo de viagem de 40 min), se deslocar até a Praça Central de Ocosingo, descer duas quadras pela Primeira Avenida Sur e depois virar a esquerda e andar duas quadras e meia pela 3a Sur. Já pagar pegar a kombi até Emiliano, caminhar 2 ou 3 quadras depois da praça de Margaritas até as kombis a San Quintín/Emiliano Zapata. Saídas teoricamente às 6h30, 8h, 10h, 12h e 13h, porém não seguem a risca esses horários. Em Emiliano Zapata, descerá em um centro de visitantes onde será muito bem recebido e onde poderá deixar algumas coisas que não precisará na laguna. Aí realizará o pagamento pela entrada ($50) e por tempo de hospedagem ($50 por dia). No local também poderá alugar botas em caso de chuva ($40), barraca para acampar ($130 para uma pessoa ou $250 para duas), rede para dormir ($40), cobertor entre outras coisas. Tenha em conta que as duas únicas opções de estadia na laguna são rede ou barraca. Depois dos pagamentos, há uma caminhada até a laguna de aprox. 4,5 km. O caminho é plano e será feito em aprox. 1h45 em período de seca ou em até umas 3h em período de chuva, por tempo do lamaçal que vira a trilha. No local há duas opções de passeio em barco para explorar aos arredores. O primeiro envolve conhecer duas estátuas maias e ainda ir a ilhas de vegetação no lago. O segundo envolve conhecer pinturas rupestres em paredões e busca de tartarugas em caverna (importante levar lantrena). Ambos passeios são legais, mas recomendo mais fortemente o passeio às ilhas (imperdível!). Custam $400 para grupo de 4 pessoas (grupos maiores têm um preço individual mais em conta). Leve comida! Há panelas disponíveis e geralmente há água potável na torneira. Porém dei um certo azar e no meu segundo dia no local houve problema no encanamento e assim tive que ferver água da lago para beber. Transporte de retorno: kombis a Las Margatiras a 0h, 2h, 7h, 9h30, 11h e 13h; caminhões a Ocosingo às 0h, 1h, 2h, 3h e 4h (da madruga mesmo...tenso!). DIA 38) TONINÁ E CASCADAS DE AGUA AZUL Depois de conhecer a maravilhosa Laguna Miramar o meu próximo era Palenque, mas antes, no mesmo dia, havia uma viagem longa e desconfortável em caminhão de madrugada e em seguida a primeira ruína maia do roteiro - Tonina - e as belas Cascadas de Agua Azul. O transporte da base de recepção da Laguna Miramar a Ocosingo pode ser resumido em uma palavra: TENSO! Foram 4 horas de estrada ruim na carroceria de um caminhão, sentado em uma banco de madeira duro, que estava meio solto; passando frio com o vento; e ainda estava apertado ao lado de uma mina que desmaiou e que o tempo todo vinha com a cabeça no meu ombro. Ela era baixa e magra, mas tinha a capacidade de se transformar em um peso de 30kg sobre meu ombro. VID_20190608_040931.mp4 Cheguei em Ocosingo 5h da manhã no meio de uma feira. Às 6h30 peguei uma camionete ($15, mais uma carroceria no dia e, sim, este é o transporte regular) com destino a Tonina. Passagem a $15. Tonina é uma bela e pouco visitada cidade maia. Foi construída ao longo de um morro e se considerar toda a sua extensão é bastante alta (260 degraus para subir!). Teve construção iniciada em 300 d.C e apogeu em 900. Em seguida voltei a Ocosingo e paguei mais $25 pro motorista da camionete me deixar no terminal de Ocosingo. Do terminal, peguei uma van ($50) até um entrocamento na estrada e aí peguei um táxi coletivo até às Cascadas de Agua Azul ($25). As Cascadas são uma sequência linda de cachoeiras com várias piscinas boas para banho. Evite ir em fds! O lugar fica mto cheio. As Cascadas são lindas, mas sofrem de um problema como outros locais naturais do México: ocupação bastante intensa, que no caso acontece com várias barraquinhas de artesanato e de comida. Depois de curtir esse atrativo segui rumo a Palenque em outra van colectivo ($50) DIA 39) PALENQUE Pense num lugar quente! Cêtádoido! Derreti em um suor em Palenque! Agora sobre o destino: a cidade em si não tem nenhuma atração relevante. Na verdade nem achei a cidade bonita. Porém a poucos quilômetros do centro da cidade estão as maravilhosas ruínas de Palenque e um pouquinho mais afastado, mas acessível em tour estão os incríveis sítios de Yaxchilán e Bonampak. O tour dura o dia todo e sai cedinho. Paguei $800, com almoço incluso. Yaxchilán fica a mais de 160 km de Palenque no lado mexicano da fronteira com a Guatemala. Para chegar, é preciso se deslocar por cerca de 20 min em canoa pelo rio Usumacinta, o qual é muitas vezes atravessado por guatemaltecos em busca de uma vida melhor no norte, e depois caminhar através da floresta. O sítio era um importante ponto de controle de comércio no rio Usumacinta e é muito conhecido pelos seus edifícios com painéis superiores (cresteria) super bem preservados. Bonampak por sua vez significa "Muros Pintados" e é conhecido exatamente pelas paredes pintadas ainda super bem conservadas em que se retratam guerras, sacrifícios humanos e festividades maiais. É uma experiência incrível ver os painéis com mais de 1000 anos de idade (estima-se que foram pintados entre 580 e 800 d.C) super bem preservados. DIA 40) PALENQUE Dia de conhecer o sítio arqueológico de Palenque. O sítio é é bem grande, com várias ruínas imersas na paisagem florestal. Destaca-se pela sua arquitetura e por suas esculturas ainda em parte bem preservadas. Acredita-se que a cidade começou a ser construída em 100 a.C, tendo o seu apogeu nos 600 e declínio no final dos anos 800. Uma coisa que achei interessante em Palenque foi percorrer um caminho através da floresta, passando por cachoeiras e casa de banho maias. Infelizmente fui em uma segunda (dia nacional dos museus fechados) e assim não pude conhecer o acervo no seu museu, mas acho que é bem bacana. Entrada: $75 + $36 (taxa do Parque Nacional) Depois de conhecer o sítio, retornei à cidade para almoçar e matar tempo até a saída do meu ônibus a Chetumal. Recomendo o restaurante El Oasis na praça central. Tem muitas opções de comida, inclusive vegetarianas, por um bom preço. DIA 41) BACALAR Depois de conhecer Palenque e seus atrativos próximos, o meu próximo destino - Bacalar - estava um pouquinho longe: 8h de viagem em ônibus até Chetumal e depois mais 40 min até Bacalar. Bacalar é um pueblo mágico conhecido pela sua laguna. É realmente maravilhosa! De uma coloração esverdeada incrível. Infelizmente Bacalar sofre de um problema comum no México: a restrição de acesso a um local público por conta da ocupação privada de seu entorno. Porém é possível acessar a laguna por algumas passarelas/decks de madeira e curtir a água deliciosa. Eu fiquei em uma barraca em um hostel chamado Magic Bacalar e minha experiência foi muito boa! Conheci uma galera massa, com a qual ainda tenho contato, e tomei muita cerveja e joguei conversa "dentro" no deck do hostel. Também conheci o centrinho da cidade, com o belo forte San Felipe Bacalar (não conheci por dentro porque achei a entrada de $108 cara e porque li que havia poucas coisas no interior), e dei uma boa caminhada durante o dia do hostel até o Cenote Azul. Caminhei ao longo da laguna, curtindo os grafites nos muros da cidade e refletindo sobre a falta de acessibilidade e observando as variações na cor da laguna quando abria uma brechinha entre os muros. O Cenote Azul é legal, mas eu não recomendo fortemente, já que é basicamente uma lagoa com um entorno de vegetação florestal. Enfim, amei Bacalar! Foi um dos meus lugares favoritos no México. p.s1: Para economizar no rango (caro de forma geral na cidade) e ainda se divertir, recomendo o restaurante da Alberta (do lado do Galeón Pirata), uma senhora figuraça, que faz uma comidinha gostosa. p.s2: Rolam uns passeios de lancha ($200), que levam até dois cenotes dentro da lagoa e para o Canal de los Piratas. Acho que é legal, mas acabei não fazendo. DIA 42) TULUM As pessoas costumam falar super bem de Tulum. Eu particularmente não achei a cidade lá grandes coisas. Achei meio gourmetizada e cara. Os grandes atrativos de Tulum são cenotes, praias e obviamente o seu sítio arqueológico à beira-mar. Nas fotos que circulam na internet, as ruínas resplandecem sobre uma falésia, com um fundo de mar azul-turquesa. Lindo demais! Bem, até uns anos atrás (seis anos talvez), era exatamente assim o ano todo, mas de alguns anos para isso mudou. Agora, em boa parte do ano, o sargaço está tomando conta das praias caribenhas desde Belize até Cancún. Esse fenômeno tem acontecido com maior intensidade entre os meses de abril a setembro, mas com as mudanças climáticas e com o lançamento de fertilizantes no mar, nunca se sabe como será o ano seguinte. Tenha isso em consideração quando planejar a sua viagem pro Caribe. Eu mesmo alterei muita coisa no meu roteiro por conta da grande quantidade de sargaço nas praias. DIA 43) TULUM/COBÁ Dia de ir a Cobá em um dos ônibus da empresa Mayab, que partem frequentemente da estação da ADO ou do Palácio Municipal da cidade ($100 ida e volta). O sítio de Cobá se encontra a cerca de 50 km de Tulum e teve o seu início de construção entre 100 a.C e 300 d.C, atingindo o período de auge construtivo entre os anos 800 e 1000. Agrupou diversas construções ligadas através de caminhos de pedra e que se conectavam a outros sítios maiais, como Yaxuná a 100 km de distância. A parte de visita geral agrupa ruínas imersas na floresta, com três centros principais e a pirâmide mais alta da península de Yucatán que ainda pode ser escalada. Muitas pessoas recomendam alugar bicicleta para percorrer o sítio. Porém o aluguel é caro ($100) e do meu ponto de vista, dispensável para uma pessoa com saúde plena e sem problemas de locomoção. Percorremos todo o sítio em 2h30 de caminhada. Depois de conhecer o sítio arqueológico, aluguei bicicleta ($50) em uma mercadinho antes do sítio de Cobá, para conhecer dois cenotes a cerca de 6,5 km do sítio: Tamcach-Ha e Multun-Ha. Ambos os cenotes são cavernas fechadas com amplos salões e algumas estalactites. Estão próximos um do outro (3 km) e cada um tem o preço de entrada de $100. Achei os dois bastante parecidos. Acho que pelo valor não compensa visitar ambos. Se for visitar apenas um, acho que Tamcach-Ha é mais divertido por ter duas plataformas de salto (5m e 11m). Iuhuuu! Nas proximidades há também o cenote Choo-Ha, mais raso e menos amplo e pelas fotos na internet parece ter água mais clara. Bizú: os cenotes ficam cheios à tarde com a chegada de grupos em tours. Tente ir o mais cedo possível. DIA 44) TULUM Era um dia que eu pretendia conhecer o cenote Gran Cenote e depois ir até a praia Xcacel, mas acabou que choveu bastante no dia e eu me enrolei, tendo tempo de conhecer apenas o cenote. Tulum tem vários cenotes ao seu redor. Gran Cenote, Carwash, Calavera, Nicte-Ha, Sac Actun e Dos Ojos são alguns deles. Porém, como a cidade é super turística, os preços de entrada nesses atrativos não são lá muito atraentes. Hehehe Como eu já iria conhecer muitos cenotes nas proximidades de Valladolid e como eu não queria gastar tanto - para ter ideia o preço de entrada no Dos Ojos é $340 e no Sac Actun é mais de $600 -, acabei optando por conhecer apenas o Gran Cenote cujo preço de entrada é de $180. E que escolha boa! O cenote a pouco mais de 5 km de Tulum (na estrada sentido Cobá) possui a água bem clara e duas ilhas conectadas por um túnel com formação parecida com a de uma caverna. Na água transparente é possível ver peixinhos e cágados (não confundir com tartarugas), que parecem não se incomodar com a grande quantidade de visitantes. Pena que tive problemas com a GoPro que levei e não tenho fotos boas para mostrá-los. DIA 45) ISLA MUJERES Saí de Tulum e cheguei a Cancún: o destino sonho de muitos brasileiros, com resorts all-inclusive na beira da praia, hotéis luxuosos, cassinos, baladas animadas e restaurantes xiques. O lugar que tenho menos vontade de conhecer na vida hahaha . Não é tipo de turismo que me atrai nem um pouco. Sendo assim, não fui na parte dos hotéis e na praia que a galera frequenta. Passei longe. Fui só até o centro (sem graça), peguei um ônibus (ruta 6 - $10) em frente ao mercado Soriana (ótimo lugar para comprar em dólares e conseguir troco em peso em cotação muito melhor do que a de qualquer casa de câmbio...leia o tópico "câmbio") e segui até o Puerto Juárez, para pegar o ferry mais barato ($275 ida e volta) para Isla Mujeres. A ilha não estava sofrendo com o sargaço e li vários relatos dizendo que a sua Playa Norte é uma das mais lindas do México. Fui com alguma expectativa, mas sem tanta assim porque imaginava que era muito cheia. Percorrendo as ruas da ilha, fui surpreendido pela tranquilidade, mas ao mesmo tempo confirmei que a ilha é bastante cara e mesmo com algumas lojinhas e ruas agradáveis, tem meio que uma cara de cidade turística padrão, meio estéril. Ao chegar à Playa Norte, que decepção da porra! Praia lotada, muitos barcos, ocupação desenfreada da estreita faixa de areia e muitas barricadas, acredito eu que feitas para evitar a retração da praia. Sim, a água é azulzinha e gostosa. Mas para mim, não é só a cor da água que faz a praia. Enfim, depois das decepção, resolvi alugar uma bicicleta ($70 a hora) e dar uma volta na ilha, que tem cerca de 8 km de extensão. Aí sim, conheci uns cantinhos bonitos e agradáveis, como a parte do Parque Garrafón, onde a galera faz snorkelings (caros pácaceta) com tartarugas e onde é possível avistar golfinhos de vez em quando; a Punta Sur, onde há um templo maia ($30 para andar poucos metros e conhecê-lo); e o lado voltado pro oceano com praias tranquilas e gostosas. Valeu muito a pena o rolê ! Pena que fiz mto rápido pq queria pagar só 1h de aluguel. DIAS 46 e 47) HOLBOX Saí de uma ilha e fui à outra: de Isla Mujeres a Holbox. De uma ilha que não curti muito para outra que amei. Fui pra Holbox meio com o pé atrás depois de ler uma matéria sobre os impactos do turismo na ilha. Em suma: há pouco mais de 5 anos não havia ferry boat até a ilha e ela era um povoado de 20 quadras e cerca de 1500 habitantes, entre os quais muitos pescadores. Com a chegada dos ferries, o turismo cresceu de forma acelerada. Hoje são cerca de 20.000 pessoas na ilha na temporada alta. Os resultados são degradação desenfreada dos mangues, crescimento desordenado da vila e da rede hoteleira, problemas hídricos, grande quantidade de resíduos que não tem disposição adequada e impactos na fauna. Os tubarões que chegavam próximo da praia agora passam longe. A pesca foi reduzida. Vôos de helicóptero estão destruindo áreas de nidificação. E por aí vai a lista de problemas. Porém apesar disso tudo a ilha continua linda. A água, que não estava com sua usual coloração esverdeada, ainda estava bem clarinha, livre de sargaço e em uma temperatura deliciosa. A verdade é os problemas não chegam aos olhos do turista que vão apenas à praia. Para percebê-los, é necessário uma caminhada pela rua por trás da faixa de hotéis e uma conversa com os moradores tradicionais. Na ilha ainda é possível avistar flamingos, ver o fenômeno da bioluminescência (fora da lua cheia) e fazer passeios até às 3 Islas e snorkelings com tubarão-baleia. Eu fiz esse passeio com tubarão-baleia e que experiência incrível! Foi cara ($2.200), mas valeu cada centavo investido. O passeio sai às 7h e tem uma duração de aprox. 8h. É possível chegar bem pertinho dos animais. Além disso o passeio inclui a passagem pelas maravilhosas 3 Islas e ainda um snorkeling em um ponto onde se pode avistar arraias e outros peixes de diferentes espécies, além de ter almoço de ceviche com peixe fresco, lanchinhos e água à disposição. p.s.: A balsa tanto de Chiquila quanto de Holbox sai a cada meia hora e tem custo de $150 (cada trecho). DIA 48) VALLADOLID Valladolid é um pueblo mágico fundado em 1543, que possui diversos edifícios coloniais. Um dos grandes destaques na cidade é o grande ex-convento San Bernardino de Siena, onde diariamente às 21h acontece um video mapping mostrando a história da cidade. No interior do ex-convento há um antigo acesso, atualmente fechado, para um cenote, no qual foram achados diversos artefatos dos espanhóis. Outros destaques são a bela rua Calzada de Los Frailes com muitas casas históricas preservadas e o agradável centro onde se encontra a catedral, o bazar municipal e muitos restaurantes. Eu curti demais o eixo histórico da cidade e o clima de tranquilidade que permeia toda a cidade Valladolid ainda possui um belo cenote - Cenote Zaci - praticamente no seu centro e nas suas redondezas há diversos outros cenotes. A cidade ainda funciona bem como base para conhecer as ruínas de Ek Balam e de Chichen Itza. No primeiro dia peguei uma bicicleta no hostel e conheci o ex-convento San Bernardino de Siena e três cenotes: Xkeken, Samula e San Lorenzo Oxman. Xkeken e Samula fazem parte do complexo Dzitnup a uns 6 km de Valladolid. Cada um tem preço individual de $80 individual ou ambos podem ser visitados por $125. Eu recomendo fortemente o ingresso para ambos. Fui primeiro no Xkeken. É um cenote fechado, com uma abertura no teto.. No horário que visitei, entre 10 e 11h, um feixe de luz entra por essa abertura e ilumina o local parcialmente. A outra parte é iluminada por luz artificial. Xkeken é incrível pelo seu conjunto da obra. Há uma boa diversidade de formações espeleológicas, raízes que se projetam do teto rumo à água e a água tem coloração azul-turquesa. Foi o meu cenote favorito de toda a viagem. Samula, por sua vez, é um cenote também fechado, porém com com um salão mais amplo e muito mais alto e com uma abertura maior no teto por onde penetra mais luz e andorinhas que fazem um belo espetáculo à parte no interior do cenote. Lindão também! E fechando o dia de cenotes com chave de ouro: fui ao cenote San Lorenzo Oxman. O cenote fica em uma hacienda ("fazenda" em tradução literal, mas que no caso aqui parece mais uma chácara) e tem custo de $80 (ou $150 convertidos em consumação e com direito a uso de uma piscina no local). É um cenote do tipo aberto, sendo meio que um poço profundo no solo circundado por paredes rochosas sobre ás quais há árvores que projetam suas raízes em direção à água. É lindão também e é super divertido por ter um pêndulo para se lançar na água. VID_20190618_145529.mp4 p.s.: Os meios de transporte para os cenotes são táxi ou bicicleta, sendo que este foi o que eu usei por ter disponível no hostel. DIA 49) VALLADOLID/EK BALAM O sítio Ek Balam fica a aproximadamente 30km do centro de Valladolid. Como não tem transporte público até o local, fui até lá de bicicleta. O caminho é bastante plano, mas o calor de 36°, a bicicleta pesada e sem marchas e o sedentarismo não contribuíram muito com o desempenho. Ek Balam foi um dos últimos sítios descobertos na região, com escavações iniciadas em 1998. O sítio maia começou a ser construído entre 100 a.C. e 300d.C e teve seu apogeu entre 700 e 900 d.C. O seu grande destaque é a sua pirâmide principal super larga e com cerca de 32 m de altura, na qual se encontra uma tumba que era acessível por uma entrada, atualmente restaurada, ornamentada por uma boca de jaguar e figuras como a de guerreiros com asas. Por sinal, Ek Balam é muito conhecida por sua arte bastante refinada em comparação com outros sítios maias. Do alto da pirâmide, após uma subida de 106 degraus, se tem uma boa visão da floresta e de outras estruturas que compõem o sítio. O sítio tem um custo absurdo de $413 ($75 do Instituto Nacional de Antropologia e História e o restante cobrado pelo governo estadual). Foi a primeira vez que paguei mais de $75 para visitar um sítio arqueológico. Colado nas ruínas está o Cenote de Xcanche (entrada a $80). Bom para se refrescar no calor danado. O cenote tem uma formação parecida com a de San Lorenzo Oxman, sendo um pouco mais largo do que este. Após conhecer o sítio arqueológico e Xcanche, segui de volta pela estrada rumo a Valladolid. A cerca de 15 km da cidade, fiz um desvio para conhecer o cenote Hubiku. O cenote possui um salão enorme e tem um bom poço para tomar banho se vc gosta de água fria. hehehe Porém o local tem poucas formações espeleológicas e tem boa parte de sua beleza sequestrada pelo excesso de pavimentação, além de ser bastante caro ($100). Imagino que pela estrutura de estacionamento, loja e restaurante gigante na entrada, o cenote seja ponto de parada de vários tours. Felizmente no horário que cheguei, às 16h30, estava bem vazio. DIA 50) VALLADOLID/PISTÉ (CHICHÉN ITZÁ) A capital dos maias em Yucatán e uma das sete maravilhas do mundo, Chichén Itzá, é realmente fantástica. Para chegar, há ônibus com saídas regulares do terminal da ADO em Valladolid (passagem $35). O sítio começou a ser construído em 525 e teve alguns ciclos de ocupação, sendo que o mais importante foi o que ocorreu entre 900 e 1200, encabeçado pela liga de Mayapán (esse nome aparecerá de novo em outra postagem à frente). Chichén Itzá é famosa pela sua pirâmide de Kukulcán (Serpente Emplumada), que durante os equinócios da primavera e outono projeta a imagem da deusa-serpente maia sobre o chão, indicando o grande conhecimento astronômico dos maias. Porém, Chichén Itzá guarda outros grandes tesouros, como o Caracol, um observatório em uma construção circular e La Casa de las Monjas, uma pirâmide com diversos quartos (cuidado para não deixar esses dois locais passar batido, como eu deixei hahaha); a enorme quadra de jogo de pelota; Templo de Los Guerreros, com suas mil colunas; e diversas esculturas e artes entalhadas nas rochas do sítio. A entrada custa absurdos $481 (se lascar governo de Yucatán) e a dica do Don é chegar o mais cedo possível, pois às 10h30, 11h chegam em peso os ônibus de tour vindos de Cancún. Depois de conhecer o sítio arqueológico, fui até o cenote Il-Kil a 4 km de Chichén Itzá (entrada $80). Há coletivos frequentes na rodovia ($15) com destino ao local. O cenote é do tipo aberto e lembra em partes Oxman, porém é mais fundo e tem uma vegetação diferente que se projeta sobre a água. Por ser próximo de Chichén Itzá, está incluído no pacote de tours que saem de Cancún. O cenote é bonito e vale a visita, apesar da grande quantidade de pessoas. Depois de conhecer esse cenote, fui até a cidade de Pisté ($20 em táxi coletivo), onde caminhei até o restaurante Zac Seh, a cerca de 5 quadras do centro. De frente ao restaurante saem táxis coletivos com destino a Yaxunah (passagem a $30), povoado a cerca de 20 km de Pisté. Este cenote é bem bonito tbm! É do tipo aberto, assim como Il Kil, porém é bastante vazio e tem uma boa vegetação em seu entorno. A água é de um tom azul escuro e é muito boa para tomar banho. Eu e meu amigo finlandês Kristoffer ficamos lá cerca de 1h30 e não chegou ninguém. Entrada a $50. Há estrutura de banheiro ao lado. Yaxunah ainda tem um sítio arqueológico simples nas proximidades, porém acabamos optando por não conhecê-lo. Depois de curtir o cenote, voltamos a Pisté, onde almoçamos numa espécie de mercado com alguns restaurantes, na beira da rua principal. Comi um Papadzule (não recomendo!). Em seguida, pegamos um ônibus em Pisté de volta a Valladolid ($35). Dica: como Yaxunah é bem pequeninha, combine com o motorista um horário de volta. Sugiro ficar ao menos uma hora no cenote. DIA 51) VALLADOLID/LAS COLORADAS Na internet circulam fotos de lugares que te fisgam e imediatamente vão parar naquela wishlist de destinos a conhecer. Este foi o caso de Las Coloradas. Vi algumas fotos do local e logo pensei "que lugar incrível! Preciso conhecer!". Quando sou capturado assim, nem procuro pesquisar muito a respeito do local para não criar muitas expectativas e atrapalhar a minha vivência pessoal. Porém não posso negar que fui até o destino com uma certa expectativa, a qual infelizmente foi um pouco frustrada. Primeiro porque achava que no local havia uma lagoa natural com água rosa e na verdade havia apenas uma salina (piscina artificial para extração de sal). Segundo porque queriam cobrar $50 para chegar um pouquinho mais perto da salina. Claro que não pagamos! No final, curtimos mais a bela praia (de águas muito salgadas) que aparece na foto abaixo. O passeio incluiu ainda uma ida até um rio com mina de água na cidadezinha de Rio Lagartos, que foi ótimo para tirar o sal do corpo. Na região há também a opção de se fazer um passeio de lancha para avistar flamingos e áreas de mangue, mas a galera não estava muito na pilha de desembolsar $150, $200 pelo passeio. Se quiser fazê-lo, vá até Rio Lagartos, espere a galera abordar e negocie. Las Coloradas é acessível por tours que partem da cidade de Valladolid ou por meio de taxis, que partem da cidade próxima de Rio Lagartos ou de Tizimín (um pouco mais distante, a 50 min de ônibus de Valladolid - passagem a $31). Acabei escolhendo ir por meio desta última opção com dois amigos que conheci no hostel, já que o valor de $600 pelo táxi saindo Tizimín (passeio completo) não seria caro, dividido por nós três. DIAS 52 e 53) VALLADOLID E MÉRIDA No período da manhã em Valladolid, ainda curti o cenote Zaci. Um grande cenote localizado praticamente no centro da cidade. Tem um paredão rochoso, com algumas formas espeleológicas (poderia considerar assim, geólogos? hehehe), que forma meio que uma concha sobre o grande poço de água margeado imediatamente também por algumas árvores. Depois de uma horinha, curtindo o cenote, segui ao meu próximo destino: Mérida. A cidade fundada em 1542 é uma das mais antigas do México e possui o segundo maior centro histórico do país, com diversos casarões e edifícios coloniais bem conservados. No centro, agradável de se percorrer a pé (desconsiderando o calor de 40º que enfrentei), destaca-se a praça central, onde se encontra a catedral, que é bastante movimentada e é palco de apresentações de dança, de partidas de jogo de pelota e no domingo recebe várias barraquinhas de comidas típicas. Por sinal, no domingo também se fecham algumas ruas da cidade aos automóveis para a alegria de pedestres, ciclistas e vendedores ambulantes (amo ruas vivas!). Na praça, vale ainda destacar o pequenininho, mas bonito Museo Casa Montejo e o museu de arte moderna e contemporânea Museo Fernando Garcia Ponce Macay. Ainda na parte histórica, um pouquinho afastada dessa parte mais central, encontra-se o Paseo de Montejo, com belos casarões. Um dos grandes destaques do Paseo é o Palacio Cantón. Construído entre 1904 e 1911 o palácio foi moradia do então governador de Yucatán e desde 1966 é um museu (entrada $60), que atualmente abriga uma boa coleção de esculturas maias e faz um bom apanhado da história das pirâmides mexicanas (ótima revisão de informações no final da viagem). Falando em acervo maia, na cidade encontra-se também o monumental Gran Museo del Mundo Maya. O moderno museu possui uma boa coleção de esculturas e artefatos antigos, possui muitas informações sobre a cultura maia em diferentes formatos multimídia e é massa também que traz diversos dados sobre a organização e cultura dos atuais descendentes maias. Nos arredores de Mérida, estão o pueblo mágico de Izamal - que infelizmente não visistei, mas que parece ser maravilhoso -, povoados com vários cenotes e ainda diversas zonas arqueológicas, com destaque para Dzibilchaltún (não visitei), Mayapán, Uxmal e a Ruta Puuc (temas dos próximos tópicos). DIA 54) MÉRIDA/UXMAL E RUTA PUUC Antecipo já dizendo que Uxmal foi a minha zona arqueológica favorita em toda a viagem! 💚 Explico os motivos: 1) A cidade maia construída entre os anos 600 e 1000 e que chegou a ter uma população de 25000 habitantes, abriga a Piramide del Adivino, uma grande pirâmide diferentona, com bordas ovaladas;. 2) Possui muitos edifícios com ricas ornamentações, como o Palacio del Gobernador e suas ornamentações do Deus Chaac (associado à água e chuva) e os edifícios do Cuadrangulo de las Monjas e suas variações ornamentações envolvendo serpentes, aves, macacos, humanos e formas geométricas; 3) Possui a Gran Piramide, talvez tão alta quanto a Piramide del Adivino, onde ainda é permitida a subida até o topo, do qual se tem uma boa vista da zona; 4) Possui exemplos de edifícios com cresteria conservada (elemento da arquitetura maia construído sobre o teto dos edifícios e que os projetam ao céu); 5) Há muitas andorinhas, que fazem um belo espetáculo; 6) E por último, não tem vendedores ambulantes te assediando constantemente e não é visitado por muitas pessoas. O único problema é o custo de acesso - absurdos $413 (mesmo valor de Ek Balam) - e não haver muitas linhas de ônibus para retorno (cheque no terminal os horários de retorno). Para ida, há ônibus regular da Sur ($76), que sai do terminal da ADO em Mérida às 8h, 9h05, 10h40, 12h05, 14h e 14h30. Se estiver de carro, recomendo tirar o dia para conhecer também as outas atrações da Ruta Puuc, todas mais simples que Uxmal. Eu não estava de carro, mas mesmo assim contando com a sorte, acabei conseguindo uma carona na estrada e pude conhecer a Ruta. RUTA PUUC) "Puuc" no idioma maia significa "morro" e se refere a pequenos morros na plana Península de Yucatán, sobre os quais foram construídos os sítios arqueológicos que no passados eram conectados por sacbés (calçadas maias). Em uma concepção ampla, a Ruta abrange os seguintes sítios: Uxmal, Kabáh, Sayil, Xlapak, Labná e Grutas de Loltún (esta por ser mais distante, não foi visitada). 1) Kabáh é o mais impressionante entre os quatro, especialmente pelas grande dimensão de seus edifícios e pela riqueza de detalhes nas esculturas que ornamentam as suasconstruções. Vale também conhecer o Arco Triunfal, que marca o começo do sacbé até Uxmal; 2) Sayil é um sítio mais extenso em que se destacam o Palácio, um dos edifícios mais notáveis da ruta, com seus ao menos três andares com formas geométricas e colunas circulares; e a escultura do Deus da Fertilidade; 3) Xlapak possui um conjunto de edifícios, entre os quais se destaca o Palácio, com uma fachada recheada de formas geométricas e esculturas de Chaak (Deus da Chuva); e 4) Labná é um sítio simples com duas construções que chamam bastante atenção: El Mirador, uma construção bem elevada, e o Arco, com bela arquitetura maia. DIA 55) MAYAPÁN Cidade a 45 km de Mérida construída à semelhança de Chichén Itzá. Alcançou seu esplendor entre os anos 1200 e 1450, quando foi capital política e cultural do povo maia. Chegou a ter uma população de aproximadamente 12 mil pessoas, as quais contribuíram com a construção de cerca de 4000 estruturas em uma área de pouco mais de 4 km quadrados. A cidade teve seu declínio com a revolta de grupos sociais que opunham aos Cocom, à família nobre governadora. Como resultado, os líderes Cocom foram mortos e a cidade foi saqueada, queimada e abandonada. Além de sua importância histórica, uma coisa bacana em Mayapán é a diversidade de edifícios representativos da cultura maia em uma área compacta e ainda a existência de painéis com pintura bem conservados. Cheguei ao sítio de ônibus ($27 partindo do terminal Noreste com rumo a Telchaquillo). A ideia era conhecer o local e depois seguir rumo aos cenotes Kankirixche e Yaal-Utzil a cerca de 20 km de distância. Infelizmente não há transporte regular nesta rota. Teria que pegar um táxi coletivo e depois um táxi normal para chegar até os cenotes. Como ficaria muito caro, acabei desistindo da ideia. 😞 DIA 56) CIDADE DO MÉXICO Dia de retorno à Cidade do México em voo low-cost da Viva Aerobus. Na cidade fiz compras no Mercado de la Ciudadela, um ótimo local para comprar artesanatos e depois fui ao museu Soumaya do bairro chique e moderno de Polanco (fiquei com medo de pela minha aparência, ser abordado pela polícia no caminho do metrô até o museu hahaha 🤣). O Museu Soumaya é um museu com arquitetura arrojada com fachada revestida por 16.000 pastilhas de alumínio. São seis andares que reúne obras de grandes mestres mexicanos, arte em marfim chinês, muitas pinturas renascentistas e de grandes mestres europeus dos séc XIX e XX e o seu sexto (e último) andar agrupa várias esculturas de importantes artistas, especialmente de Rodin. Um museu incrível que exige ao menos duas horas para uma boa visita (o Wikipedia em português tem boas informações do museu para atiçar ainda mais a sua curiosidade). Ao seu lado fica o Museo Jumex, que também tem exposições incríveis. Acabei não o conhecendo, pois ia encontrar com uma amiga. À noite, a minha amiga me levou no Monumento a la Revolución, considerado o arco triunfal mais alto do mundo, localizado na Plaza de la Republica. Acho que vale super a pena uma visita durante o dia para apreciar melhor a construção. DIA 57) CIDADE DO MÉXICO Último dia da minha viagem. 😕 Acabei fazendo passeios em direções opostas da Cidade do México. O primeiro deles foi conhecer o Santuário da Basílica de Guadalupe. que é a segundo santuário católico mais visitado do mundo, perdendo apenas a Basílica de São Pedro no Vaticano. O Santuário agrupa a moderna basílica e outras igrejas, entre elas a antiga Basílica, que foi a primeira igreja do México dedicada à Virgem de Guadalupe. (espaço que seria dedicado a fotos, mas acho que perdi minhas fotos da Basílica 😥) Depois desse rolê, fui fazer o percurso de barco nos canais de Xochimilco. O melhor ponto para o contratá-lo é o Porto de Nativitas, pois é onde há mais opções de embarcações e onde há maior fluxo de gente. Assim vc pode se juntar a um grupo para baratear os custos. Foi o que fiz e acabei me juntando a uma simpática família colombiana, que me acolheu super bem, inclusive me dando alguns copos de cerveja. O passeio de 2h, dessa maneira, saiu por $150. O passeio é feito em trajineras, pequenos barcos muito coloridos e geralmente com nomes de mulheres (esposas dos donos), que são considerados Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. Os seu condutores usam bastões de madeira para empurrar o leito e projetá-los pelos canais. As origens de Xochimilco remontam aos tempos pré-coloniais, quando os mexicas construíram canais e chinampas, ilhas artificiais onde se desenvolvia a agricultura. Ainda hoje há várias hortas e floriculturas na região. É comum os mexicanos realizarem comemorações de aniversário e de formatura nos passeios. Há muitas traineiras com estudantes bebaços, curtindo som alto. Muitos mariachis aproveitam também para tocar nas trajineras e animar ainda mais os passeios. O passeio passa por uma ilha onde há uma reprodução da Ilha das Bonecas (original), onde um senhor solitário juntava bonecas e as pendurava para, segundo as diferentes versões, espantar os maus espíritos ou para entreter o espírito de uma criança que foi encontrada afogada. O passeio para essa ilha é caro ($2000) e mais longo, 8h no total. Valeu super a pena como uma curiosidade cultural! DIA 58) RETORNO Fim da viagem! 😥 HOSPEDAGENS - Cidade do México: Mexico City Hostel (booking) - excelente hostel, muito bem localizado com boa estrutura e bom café da manhã! Meu único porém é o excesso de controle no uso da cozinha. - Pachuca de Soto: Airbnb Happy place (anfitrião Ignacio) - cama confortável, quarto espaçoso, anfitrião super gente boa, porém não há água quente no chuveiro, sendo preciso esquentar água em cuia usando uma resistência. - Ciudad Valles (Huasteca Potosina): Hostal Casa Huasteca (booking) - excelente hostel, com cama confortável, quarto espaçoso, ótimo café da manhã e atendimento super atencioso. O único e grande problema do meu ponto de vista é a cobrança por água potável do filtro. - Querétaro: Jirafa Roja (booking) - hostel bem localizado, porém achei o quarto sujo e tive problemas para fazer o check-out por não haver ninguém na recepção cedo. - Estacion de Catorce: Hotel San Jose (no local) - hotel simples com cama grande e confortável e consegui um ótimo preço depois de conversar com a dona - San Luis de Potosi: Sukha Hostel (booking) - hostel super em conta, com uma boa área para interação e banheiros limpos. - Guanajuato: Hostal Seis 7 (booking) - hostel muito simples, bem localizado. Porém não há cozinha, o banheiro é apertado e o do meu andar estava com um cheiro péssimo. - San Miguel de Allende: Black and White (conferir no Google) - eu acabei parando nesta hospedagem porque o que eu havia reservado pelo Booking estava em reformas e sua dona era irmã da dona destre outro. Não é bem um hostel, é mais um esquema Airbnb, com quarto com beliches. Gostei do local e especialmente da atenção da proprietária. O único problema é que é um pouquinho mais distante do centro. - Puebla: Gente de Más (booking) - excelente hostel. Quarto espaçoso, banheiro limpo e boa cozinha. - Atlixco: casa de uma pessoa que conheci aleatoriamente - Zacatlán de las Manzanas: Airbnb Hostal Zacatlán - o proprietário é super gente boa. Porém tive problemas por a localização informada no Airbnb ser diferente da localização real, por ter imaginado que era um hostel com recepção e ser apenas uma casa e no período em que fiquei o chuveiro elétrico não estava esquentando a água. Tirando isso, o quarto era bom e a cozinha era ótima. - Cuetzalan: Posada los Abuelos (no local) - pousada super simples, com quarto espaçoso e cama confortável, porém com um cheiro forte de parede de cimento. - Orizaba: Airbnb - Hostal Tlachichilco - na verdade não é um hostel. É um quarto anexo à casa da proprietária, que é bastante atenciosa. Cama ótima e banheiro dentro do quarto.