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Exibindo conteúdo com a maior reputação em 26-05-2018 em todas áreas

  1. 3 pontos
    Depois de alguns meses estou aqui de novo, sem destino. Desde outubro de 2017 até abril de 2018 estava em San Pedro de Atacama, trabalhando e com um quarto/casa fixo, que dividia com amigos que fiz durante esse tempo. Para quem não leu e quer saber o início do meu mochilão, a história está aqui https://www.mochileiros.com/topic/72717-recomecei-novos-caminhos-estao-me-levando-para-uma-nova-história/ Antes disso viajei por três meses com um menino que conheci em um grupo de mochileiros. Nos conhecemos em Buenos Aires e viajamos pela patagônia argentina e chilena até chegar em San Pedro de Atacama, onde nossa viagem juntos terminou, mas isso não vem ao caso. Viajar também é aprender a lidar com as pessoas e isto ficou como mais uma lição. Assim como em todo momento tem alguém lá em cima cuidando de mim e de toda a minha viagem, tratou logo de arrumar uma pessoa muito especial pra viajar comigo, minha melhor amiga de infância Fran, que chegou no Atacama em janeiro/2018. Não satisfeito com isso, colocou mais um rapaz que conhecemos em sua viagem turística em fevereiro, o Rodrigo. Ele voltou ao Brasil, largou tudo e em março já juntou sua mochila com a nossa. Por fim, dois dias antes de sair a Aline, uma brasileira que também estava vivendo por lá, decidiu seguir viagem com a gente. E não terminou aí, encontramos uma cachorrinha de alguns meses na rua e decidimos adotá-la e levá-la conosco mundo a fora. (os país da pequena terremoto) Nesta vida de mochila não existe nada programado mesmo, uma viagem que faria sozinha quase virou uma excursão, hahahaha. Saímos então do Chile em 4 brasileiros e uma cachorrinha, a Lola. Era a primeira vez que os três estavam saindo para mochilar, estavam empolgados e como eles diziam: “preparados para passar perrengues”, hahaha. A ideia inicial era nos dividirmos pra pegar carona, mas logo na primeira tivemos a sorte de pegar um ônibus vazio até Calama e pudemos ir todos juntos. Em Calama nos separamos e nos encontramos no final do dia em uma praia em Arica, armamos nossas Barracas na areia e dormimos por lá. Pegamos um ônibus para atravessar a fronteira com o Peru porque ouvimos ser bem complicado por ali, porém não adiantou muito porque o ônibus nos deixou na fronteira, devido aos trâmites para entrar com a Lola no país, mas não teve problema, perdemos alguns minutos ali felizes por ter dado certo. Nossa sorte foi que passou um caminhoneiro brasileiro e nos levou até Tacna, mais uma vez todos juntos. Estávamos viajando sem destino certo, sem saber o próximo passo e muito menos sem saber aonde iríamos terminar ao final de cada dia. De Tacna decidimos de última hora ir para uma praia, assim poderíamos acampar. Fomos parar em Boca del Río às 20h e encontramos uma cidade toda escura, com apenas poucas luzes amarelas em algumas ruas e sem iluminação nenhuma na orla. Não havia absolutamente ninguém na rua e estava parecendo um filme de terror. Caminhamos enquanto decidíamos o que fazer com a nossa coragem, pensávamos em acampar na praia e revezar de 2 em 2 para ficar acordado para nos proteger de algum possível serial killer, Hahaha. Depois de quase 20 minutos caminhando no escuro encontramos um homem e pedimos informações sobre um hostal e ele nos explicou que só tinha 2 hotéis na cidade que abria aos finais de semana, pois era quando havia turistas na cidade (infelizmente estávamos numa terça-feira). Assim ele nos ofereceu para dormir na sua casa, porém estava em construção, então o banho foi em água fria e dormimos em saco de dormir no chão. Mas nem reclamamos e agradecemos por ter aparecido uma alma caridosa naquela cena de filme de terror. Do jeito que acordamos já saímos para ver a praia, linda e vazia... mas como o cenário já estava completamente diferente, cogitamos até ficar mais um dia por lá. Encontramos um restaurante, almoçamos e decidimos seguir pra uma praia próxima, Ilo, onde acampamos de novo na praia. Ficamos por 4 dias em Ilo, vimos muitos leões marinhos e pelicanos. E foi lá onde senti algumas conseqüências da diferença de cultura. Nos lugares que passamos no Peru observamos uma falta de higiene bem grande com os alimentos, principalmente as carnes vermelhas que ficavam expostas no chão, sem refrigeração nenhuma, em meio a cachorros que passavam pelas ruas. Como vida de mochileiro não é fácil e a economia sempre vem primeiro, não era difícil imaginar que pegaria uma intoxicação alimentar. Fiquei com febre, diarréia e dores no corpo. Minha dignidade foi ficando em cada banheiro que passava pelo caminho, Hahahaha. Depois seguimos de ônibus para Arequipa, onde o Couchsurfing falhou mais uma vez, ficamos por 3 noites em um hostal que cobrava 8 soles por pessoa, era um pouco afastado da cidade, com um cheiro forte de tempero, mas com pessoas muito boas. Os tres dias que ficamos lá, conhecemos a cidade, a praça de armas, o calçadão, onde encontramos um brasileiro tocando e cantando, decidimos parar por lá e curtir um pouco com ele, foi ótimo. Ajudei uma senhora por 40 minutos mais ou menos a andar uma quadra e meia, fomos conversando, e nesse tempo ela me perguntou umas 3 vezes o que eu fazia por ali, contei sobre a viajem todas as vezes, e quando a deixei em uma doceira, ela disse pra eu seguir conhecendo o mundo mas sempre com muito cuidado, disse que o faria. Depois pegamos um ônibus para Puno, onde tínhamos um Couchsurfing para os 4, era um francês, fomos até seu restaurante e ele nos levou pra sua casa, nessa altura, ainda com intoxicação alimentar, me sentia muito fraca, estava há mais de 4 dias assim, Rodrigo e a Aline começaram a sentir sinais da intoxicação, pensávamos estar com sorte, porém estávamos errados, pra começar, também nao tinha água quente para um banho e para terminar, as 20:30h o couch me enviou uma mensagem dizendo que não podíamos dormir lá porque seu amigo chegaria de viagem e precisava de privacidade. Arrumamos nossas coisas e logo saímos sem rumo, com uma temperatura de +- 4ºC. Reservei o hostal mais barato que encontrei pela internet e seguimos sentido a ele. Enquanto os 3 me xingavam interna e externamente, subíamos uma longa rua íngreme, mas como tudo que acontece tem seu motivo, era um hostal súper arrumadinho, um quarto só pra gente (e no Couchsurfing íamos dormir nos sacos de dormir, no chão). Ficamos lá por uma noite e no dia seguinte conseguimos um Couchsurfing para todos, dessa vez podemos ficar 🙌🏽 porém estava super frio e não tinha banho quente, ou seja, pagávamos um lugar para tomar banho um dia sim e outro não (onde foi o nosso primeiro banho quente no Perú). Como a casa dele era 1 cômodo só, com uma cama de casal, ele nos deixou sozinhos e foi dormir em outro lugar, Rodrigo e Aline dormiam na cama, eu e a Fran no chão com os sacos de dormir. Andamos em pedalinhos e conhecemos as ilhas flutuantes, é bem legal como eles constroem as ilhas e as casas, porém acho muito teatro por ser turístico. Passamos bons dias por lá, cozinhando nossa própria comida pra se recuperar. Hahaha Seguimos para Cusco, onde mais uma pessoa muito especial se juntou a nós, a Paulinha, meu enrosco há quase 1 ano, Hahaha. Ficamos alguns dias em Cusco e neste tempo fizemos um bate e volta para Machu Picchu, dormindo somente uma noite em Águas Calientes. Optamos por fazer a trilha da hidrelétrica para Machu Picchu, então viajamos de van por 7 horas (por 50 sólis depois de muita pechincha) até o início da trilha e caminhamos 13 km pelos trilhos do trem. Todo mundo dizia ser uma trilha fácil por ser plana e que era feita em até 2h30, mas foi cansativo andar pelas pedras e a caminhada parecia não render. Uma das meninas se cansou bastante e precisamos parar várias vezes. Com isso escureceu e ficamos um pouco perdidas porque em determinado momento existe um túnel e não é possível andar nos trilhos. Andamos uns 20 minutos num breu total, rezando pra estar no rumo certo. Quando finalmente chegamos tínhamos a sensação de ter andado por 5 horas, mas foram só 3h30 mesmo, hahaha. O interessante é que na volta fizemos a trilha em 2 horas e foi super tranqüilo, talvez por estarmos descansadas. Dormimos em Águas Calientes e no outro dia saímos às 5h30 da manhã para subir as escadarias até Machu Picchu. Subimos eu, a Paulinha e a Fran; a Aline decidiu ir de ônibus por conta do cansaço e o Rodrigo já conhecia Machu Picchu e então decidiu fazer um outro trekking com a Lola. Mais uma vez subestimamos o caminho e subimos a escadaria em 2h30, 1 hora a mais do que disseram ser o tempo médio. Porém, estávamos embaixo de muita chuva e neblina e toda a roupa que estava na mochila ficou encharcada. A sorte é que quando chegamos à entrada do parque a chuva parou, logo o tempo se abriu e saiu um sol lindo. Depois de todo o esforço, a energia daquele lugar valeu a pena, foi mais um sonho realizado. Como estávamos com muita dor nas pernas e no pé, decidimos voltar pra Águas Calientes de ônibus, 12 dólares suados. Chegamos em Águas Calientes às 13h30 e tínhamos o transporte da Hidrelétrica as 15h, não estávamos em condições de andar mais 13 km, e por mais “fácil” que pareça ser, andar nas pedras cansa muito. Decidimos sabiamente ficar um dia a mais, assim poderia curtir um pouco da cidadezinha aconchegante de Águas Calientes. No dia seguinte chegamos em Cusco às 21h sem ter onde dormir, pois o dia a mais em Águas Calientes custou a perda da reserva em Cusco. Isso não foi problema, com internet e todos esses apps que resolvem nossa vida, reservamos um hostel rapidinho e acabamos descobrindo um lado da cidade bem bonito onde vimos pela primeira vez uma lhama bebê. Depois de alguns dias seguimos eu e Paulinha até Ica, para conhecer Huacachina. Foi uma experiência única, o lugar é uma delícia, pena não poder ficar um dia a mais. Tentamos pegar carona até Lima no dia seguinte para encontrar todos os outros porque não tínhamos muito tempo, já que tínhamos as passagens compradas para San Andres e a ideia era subir até Cartagena de carona. Em menos de 5 minutos um caminhão parou, mas logo que subimos percebi que não tinha sido uma boa idéia: o caminhoneiro fez uma “brincadeira” e disse que iríamos dormir com ele aquela noite. Ele foi a viagem toda fazendo esse tipo de comentário, e nós duas pensando qual seria a melhor saída para aquela situação. Foi a primeira vez que tirei meu canivete da mochila, fiquei realmente com medo. Mas não aconteceu nada, graças a Deus. O que fica é um sentimento muito ruim de revolta e indignação por viver em um mundo super machista, onde os homens se sentem no direito de desrespeitarem as mulheres e tratá-las como objeto ou até mesmo cometerem coisas mais graves que julgam “normais”. Infelizmente este fato acabou inibindo nossa ideia de continuar o trajeto de carona. Além disso, quando chegamos em Lima (sã e salvas, ufa!), nos demos conta de que não daria tempo de chegar em Cartagena por terra e teríamos que pegar um avião de última hora, pois ainda era preciso fazer os papéis da Lola para entrar na Colômbia e isso requer tempo, e claro, dinheiro. Paulinha tinha 20 dias de férias e nossa viagem terminaria em San Andrés na Colômbia. Todos nós nos encontramos em Lima, mas ficamos separados: Paulinha e eu ficamos em um Couchsurfing, em um bairro classe média baixa, Fran e Aline ficaram do outro lado do planeta com a Lola e Rodrigo ficou em um Couchsurfing em um bairro nobre da cidade. Estávamos todos no extremo da cidade, para nos encontrarmos demorava 2h no mínimo (o trânsito é caótico). Conseguimos nos reunir e pensar sobre o que fazer da vida, hahaha. Naquela altura todo mundo já estava sem dinheiro e por isso a Fran desistiu de ir pra Colômbia e decidiu ir pra Santiago para trabalhar; como ia ficar fixa em um país, ficou com a Lola. Rodrigo também desistiu e decidiu ficar mais um tempo no Peru e a Aline desistiu e voltou pro Brasil. 😞 Eu e Paulinha seguimos então para Cartagena, fizemos escala em Bogotá e dormimos no aeroporto. Passamos dois dias em Cartagena. Acabamos ficando só no centro histórico porque estávamos prestes a ir a San Andrés e decidimos poupar nosso dinheiro. Conhecemos a cidade amuralhada e alguns barzinhos por ali. Ficamos 7 dias em San Andrés, e acreditem, choveu todos os dias! O sol dava as caras em breves momentos e quando a gente começava a ficar animada, lá vinha a chuva de novo (foi triste!!!). Mesmo assim conseguimos aproveitar bastante, realmente lá é maravilhoso, praias lindas e um calor absurdo. O único ponto negativo (e muito, principalmente pra nós) é que nos sentíamos como carne fresca ambulante e os homens uns animais famintos. Todo o tempo cruzávamos com homens na rua que buzinavam, diminuíam a velocidade, faziam cantadas, e quase nos comiam com os olhos. Respirávamos fundo e tentávamos não ligar, mas confesso que meu humor muitas vezes foi abalado, Hahaha. Nos assustamos um pouco com os preços na Colômbia, porque pelo que pesquisamos as coisas eram extremamente baratas e demoramos um pouco pra encontrar restaurantes que não ficassem acima de 60.000 COP para duas pessoas (isto porque além dos 10% é cobrado um imposto e pra ajudar o real está desvalorizado). Com as taxas, os 60.000 viravam 70.000, que em reais se transformava em 90,00. Isto não é caro se for a turismo, mas como estávamos mochilando e com pouca grana, 45 reais por refeição pesava bastante. No terceiro dia encontramos restaurantes em conta, com comida simples, boa, bem servida e sem taxas (uhuuu). Comíamos bem e nossa conta dava 24.000 COP para as duas (aproximadamente 15 reais pra cada). De forma geral, conseguimos curtir bastante San Andrés e a vontade era de morar por lá mesmo. Agora chegou o dia da Paulinha ir embora, faz 2 horas que ela se foi e eu continuo aqui no aeroporto, com o coração apertado. Meu vôo é só amanhã, mas como estou com pouca grana, vou dormir por aqui hoje. Moral da história: a vida sempre está em constante mudança, mas pra quem é mochileiro e está solto no mundo, isso acontece de uma forma muito mais radical, hahaha. As coisas mudaram de maneira tão rápida, que há um mês saímos do Chile em 4 pessoas e uma cachorrinha rumo à Colômbia; em determinado momento éramos em 5 e a Lola e acabamos ficando em 2 pessoas. Hoje estou aqui, sozinha, com a mesma sensação de quando saí do Brasil, com um pouco de medo e insegurança, e ao mesmo tempo com uma ansiedade boa de saber que vem coisa nova pela frente, tendo a certeza de que o cara lá de cima sabe o que será de mim amanhã. https://www.instagram.com/jevalcazara
  2. 1 ponto
    Estava montando meu relato sobre Dientes de Navarino (daqui a pouco sai!), quando achei que só a parte da viagem de Punta Arenas a Puerto Williams talvez desse um roteiro à parte. Vejamos.... Para ir até Isla Navarino, resolvi ir (e voltar) via marítima. O serviço é feito pela TABSA - Transbordadora Austral Broom S.A. (http://www.tabsa.cl/portal/index.php/en/), a bordo do ferry Yaghan 2-3 vezes por semana. O preço é salgado: por volta de CLP 106.000 (R$512) a poltrona semileito e CLP 148.000 (R$714) o leito. O preço é por trecho, convertido em 15/02/2017. Considerando que a passagem aérea ida e volta deve custar só uma ida de leito, sai bem caro. Mas pra quem tem tempo, não quer ficar arriscando excesso de bagagem, quer curtir um ar fresco (afinal, já foram tantas horas na janelinha do avião) e tem mais coisa junto (tipo bicicleta), é uma opção. Resolvi embarcar, já que estava levando mais de 25kg nas costas. Além disso, já fazia parte do meu planejamento desde o início. O Ferry foi construído em 2011 e possui capacidade para 184 passageiros e 70 automóveis. As poltronas semileito normalmente são reservadas prioritariamente para os moradores locais até 24h antes do embarque, então espere pagar pelo menos a tarifa leito. A diferença de conforto não é tão grande, é tipo o ônibus interestadual executivo e leito. Atenção: Leve tudo que for usar a bordo consigo, pois uma vez colocada a mala (no meu caso, a mochilona) no compartimento de carga, ela só poderá ser retirada no destino! Poltrona leito: Zarpando de Punta Arenas: É uma viagem espetacular de 30h (sim, TRINTA horas), passando por entre os tortuosos canais e ilhotas chilenas e dá pra ver focas e golfinhos acompanhando o navio esporadicamente, uma vez que acesso ao convés é livre a qualquer hora. Recomendo pelo menos o trajeto de ida, na volta você vai passar pelas geleiras tarde da noite e não vai ver muita coisa. Recebi uma relação de pontos de interesse quando retirei minha passagem em Punta Arenas, com o horário estimado de passagem por eles. O barco parou no Ventisquero Italia por uns 15 minutos, deu pra tirar muitas fotos que não fazem jus à imponência e a beleza da massa de gelo: O encontro das águas da geleira, cheia de minerais (esquerda) com a água do mar (direita): Ventisquero Italia: São fornecidas quatro refeições: jantar, café da manhã, almoço e segundo jantar, mas coisa bem simples. Café (nescafé) e chá estão disponíveis (quase) sempre. Não há venda de comida a bordo, então se quiser comer ou beber mais alguma coisa, traga consigo - lembrando que é expressamente proibido o consumo de bebidas alcoólicas a bordo. É possível, na hora da reserva, fazer alguma observação especial sobre a dieta - para diabéticos e vegetarianos. Mas não espere grandes soluções, pelo que eu vi ali pra um dos passageiros eles só tiraram a carne e completaram com mais arroz.. Há tomadas em vários pontos e dois banheiros e dois chuveiros para cada classe.São oferecidos cobertores para dormir e o navio tem calefação, então ninguém passa frio dentro. Tem até entretenimento a bordo, fica passando uns filmes na tv (acho que assisti 2012 umas 3 vezes ãã2::'> ). Muita gente levou laptops e ipods, eu como não tinha nada disso, fiquei zanzando pelo convés, fazendo palavras cruzadas e fazendo anotações no meu diário de bordo Café da manhã: 2 mini muffins, um pacote de cookies, um misto frio e suco Almoço: Arroz, frango ensopado, sopa, pão, laranja e suco Jantar: Empanadas, pão, sopa, iogurte e suco No começo do Canal Beagle, o ferry faz uma escala rápida em Yendegaia, que virou um parque nacional recentemente. Só desceram meia dúzia de militares ali. Na leitura do Transpatagônia, o Guilherme Cavallari não conseguiu ir muito além por causa do clima que não ajudou, então não faço ideia se é possível descer e explorar a região. Parece mais um entreposto militar montado pelo Chile pra defender a fronteira próxima... DICA 1: O ferry chega perto da meia-noite, tanto em Puerto Williams como Punta Arenas. Pra quem quiser economizar uma diária de hostel, há a opção de dormir à bordo e sair de manhã cedo. A moça do guichê quando fui pagar os bilhetes disse que não há possibilidade de dormir na volta, mas bastante gente ficou a bordo. Como tinha feito reserva pelo Booking e ia acabar pagando de qualquer jeito, desci DICA 2: No último fim de semana do mês, depois de descarregar em Puerto Williams, o navio segue para Puerto Toro para abastecer a vila e volta. Infelizmente só descobri isso quando cheguei lá, mas é um passeio gratuito que pode ser reservado junto com a passagem. Deve ser curioso visitar a última vila do planeta antes do continente gelado, uma localidade remota com seus 30 e poucos habitantes… Bônus: Pôr do sol no canal Beagle (às 22:30! )
  3. 1 ponto
    Torre na ponta oeste do Cânion do Espraiado O tracklog desta travessia está aqui: Travessia do Campo dos Padres e Cânion do Espraiado (SC).gpx Para visualizar no Google Earth: Travessia do Campo dos Padres e Cânion do Espraiado (SC).kmz Esse extenso relato descreve uma travessia pelo setor norte da Serra Geral, começando no povoado de Pedra Branca (município de Alfredo Wagner-SC), passando pelo Campo dos Padres e Cânion do Espraiado e terminando no belo vale do Rio Canoas, a 30km do centro de Urubici-SC. Levei oito dias para completar esse roteiro pois não conhecia o caminho e tinha relatos e tracklogs apenas de alguns trechos. A ligação entre esses trechos foi feita através de caminhos desenhados no Google Earth e gravados no gps. Mas na hora H valeu muito a navegação visual também, e para isso tive muita sorte com o tempo, com quase todos os dias limpos e abertos. Porém nada disso me livrou de alguns caminhos errados, o que me fez perder bastante tempo. Explorações de possíveis atalhos e outras trilhas também me tomaram um tempo considerável. Certamente é possível fazer esse roteiro em menos tempo tendo o tracklog completo e correto na mão. Ou ainda eliminando algum local (ou mais de um) do roteiro que signifique um desvio na rota principal. Antes de partir para o texto, é bom saber que: . as estradas que cito a partir do segundo dia são na maioria restos de antigas estradinhas, todas abandonadas e sem a menor possibilidade de trafegar carro ou mesmo 4x4 pois são muito precárias e em algum ponto estreitam e viram trilha . as trilhas são na maioria caminhos abertos pelo gado que pasta pelos campos de cima da serra já que todo esse percurso que descrevo está dentro de grandes fazendas . as poucas casas e currais que vi pelo caminho estavam desertos, não encontrei uma alma viva a partir do segundo dia (exceto alguns boiadeiros com quem cruzei rapidamente no 4º dia), mas vi algum gado pastando . os nomes de rios e riachos que coloco no texto são baseados nas cartas topográficas do IBGE (links abaixo, nas informações adicionais) e podem não bater com as denominações dadas pelas pessoas da região ou podem mesmo estar incorretos 1º DIA: DO TREVO DE LOMBA ALTA AO SOPÉ DO MORRO DA PEDRA BRANCA As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaDaSerraGeralCampoDosPadresECanionDoEspraiadoSC1DiaAbr13. Paredões do extremo norte da Serra Geral Na rodoviária de Floripa peguei o ônibus das 12h da empresa Reunidas para Lages e desci às 14h35 no acesso ao distrito de Lomba Alta, no km 114 da rodovia BR-282, 10km depois da parada em Alfredo Wagner. A única placa de Lomba Alta na estrada fica virada para quem vem de Lages e isso causou uma certa dúvida em mim e no motorista, mas desci no lugar certo. Altitude de 770m. Caminhei pela rodovia mais 270m, cruzando a ponte sobre o Rio São João, e entrei na primeira estrada de terra à esquerda, junto à placa "Pedra Branca". A estradinha passa por algumas casas aqui e acolá, sobe um pouco e às 15h33 tomo a direita na primeira bifurcação que aparece, subindo um pouco mais e tendo a primeira visão dos paredões do extremo norte da Serra Geral. Vista magnífica! A trilha que sobe esses paredões fica bem no meio do conjunto rochoso e o Morro da Pedra Branca está ligeiramente à esquerda dela. Mas primeiro a estradinha vai percorrer todo o vale do Rio das Águas Frias e depois subir o Rio Santa Bárbara até suas nascentes. Havia muito chão ainda até chegar próximo aos paredões. Após algumas subidas e descidas, passei por um local onde estava acontecendo um ruidoso e animado rodeio, diversão de fim de semana do povo local, com direito a boi bravo dando trabalho e diversas crianças montadas e vestidas a caráter. Às 16h55 fui à esquerda numa bifurcação e com mais 200m passei pela igreja do bairro Pedra Branca, que fica no alto à direita (Capela de São João, segundo a carta). Logo depois encontrei um ponto de água na estrada, fui para a esquerda em outra bifurcação e passei por mais outra fonte de água (essas águas ficam próximas a áreas de reflorestamento e preferi não pegá-las). Às 17h20 sou surpreendido por uma pousada nesse lugar de tão poucos habitantes, a Hospedaria das Montanhas (48-8412-4383), onde parei alguns minutos para um dedo de prosa. Menos de 200m depois alcanço o pequeno cemitério gramado do vilarejo. Até aqui percorri o vale do Rio das Águas Frias. Uns 50m depois de uma ponte de madeira (sobre o Rio Santa Bárbara), fui para a direita na bifurcação às 17h39 e adentrei o vale do Rio Santa Bárbara, um dos formadores do Águas Frias. Cruzei uma porteira, uma casa de madeira vazia à esquerda e logo passo a caminhar pela margem direita do pedregoso Rio Santa Bárbara, por um gramadão com cavalos e vacas. Na porteira seguinte uma placa: "Propriedade particular - acesso mediante autorização do proprietário", que ignorei. Na próxima bifurcação fui para a esquerda pois a direita leva diretamente a algumas casas. Na porteira seguinte, às 18h12, a noite já caía e tratei de arranjar um espaço plano no gramado que margeia o rio para montar a barraca. Do local onde acampei podia ver os paredões claros do Morro da Pedra Branca. Altitude de 887m. Nesse dia caminhei 12,9km. 2º DIA: DO SOPÉ DO MORRO DA PEDRA BRANCA AO EXTREMO NORTE DO CAMPO DOS PADRES As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaDaSerraGeralCampoDosPadresECanionDoEspraiadoSC2DiaAbr13. Paredões do vale do Rio Santa Bárbara Desmontei acampamento e comecei a caminhar às 7h58. Com 200m me deparo com um galpão à frente mas a estradinha continua subindo à esquerda dele. Estradinha essa que vai se tornando um gramado ralo e se transformando numa trilha. Às 8h27 um grande portão de ferro trancado e uma nova placa tentam intimidar quem pensa em passar: "acesso restrito ao proprietário e funcionários - não insista!". Mas insisti. Na bifurcação seguinte fui para a direita, cruzei um riacho, me mantive na esquerda na próxima bifurcação e cruzei mais dois riachos espantando as vacas que estavam por ali sossegadas. Na subida pelo pasto após esse último riacho a trilha desapareceu no capim e me aproximei da mata à frente para tentar encontrar a continuação. Não havia trilha batida ali no final do pasto, então voltei um pouco na direção do riacho e encontrei a trilha à direita, bastante discreta (nas fotos do Picasa fiz uma marcação do início dela). A trilha logo entra na mata e é larga e batida, correndo bem próxima a um riacho (à esquerda) que é um dos tributários do Rio Santa Bárbara. Água nesse início de dia não foi problema (embora a presença do gado a torne meio suspeita), porém é melhor abastecer todos os cantis nesse riacho pois a subida é cansativa e a água só reapareceu para mim no final do dia. Após uma cerca começou às 10h22 a tão aguardada subida da Serra Geral, feita em ziguezagues, na cota dos 1178m. À medida que ganho altitude a visão do caminho percorrido e das escarpas da serra vai se ampliando, cada vez mais bonita. Até que às 11h16 me deparo com uma cerca improvisada de troncos e galhos, nos 1480m. Atravessei-a pensando que o caminho para o Campo dos Padres continuasse depois dela, mas não. Ao cruzá-la atingi a borda da serra, com visual de 360º de tirar o fôlego, e o que encontrei à frente foi o caminho para o Morro da Pedra Branca, que fica à esquerda (norte) de quem sobe a serra. O Campo dos Padres fica ao sul. Como o topo do Morro da Pedra Branca não estava muito perto, descartei a idéia de subi-lo e passei a procurar uma trilha para o lado oposto (sul). Eu estava na beirada da serra e podia ver os imensos paredões da face leste da Serra Geral, mas e a trilha para chegar a eles? Voltei até a cerca de troncos, cruzei-a de volta e percebi uma trilha quase fechada pelas plantas saindo para a esquerda. Entrei nela e galguei uma crista florestada que me lançou às 12h08 num extenso campo, o extremo norte do Campo dos Padres, finalmente. Altitude de 1553m. Ali, próximo aos paredões, tive meu primeiro contato com o urtigão-da-serra (Gunnera manicata), uma planta impressionante, de folhas imensas, nativa da Serra Geral. E também não demorei muito a rever as famosas turfeiras, nome local para um tipo de vegetação rasteira, "esponjosa", que acumula água e é o terror de quem caminha pelos altos da serra catarinense e gaúcha por significarem botas e pés molhados. Os grandes campos de cima da serra parecem a distância locais fáceis de caminhar, mas não é bem assim. Quase sempre são terrenos úmidos ou mesmo alagados, o que causa uma certa dificuldade e cansaço. Junto à borda da serra, na parte mais alta dos campos, costuma ser mais fácil andar pois o solo é menos encharcado e há até trilhas abertas pelo gado que pasta solto ali. Pois bem, atingido o alto da serra passo a caminhar pelo campo sempre próximo à beirada dos paredões e aos focos de mata (pelos motivos acima). O primeiro morrinho que surgiu tentei transpor por cima, mas a vegetação fechou no alto. Voltei e o contornei pela direita mas dei de cara com um precipício. Voltei devagar contornando o morro novamente e encontrei às 16h33 um caminho bem largo à direita, bem junto ao pé do morro. Largo, encharcado e enlameado, um corredor entre as árvores que me lançou em outro campo onde o abismo de um pequeno cânion me obrigou a ir para a direita, encontrando um longo muro de pedra. Cruzei-o por um colchete e comecei a subir o alto morro à frente. A certa altura dessa subida a trilha se divide. Tentei primeiro à direita mas topei com mata fechada, voltei e fui para a esquerda, terminando a subida do morro e reencontrando água logo a seguir, às 17h49. Como sempre, para diminuir o esforço da caminhada fui em direção a um foco de mata junto à borda da serra, a leste. Pelo horário, já estava na hora de montar a casa. Altitude de 1649m. Nesse dia caminhei 9,7km (já excluídos os caminhos errados que tomei e tive de voltar) 3º DIA: DO EXTREMO NORTE DO CAMPO DOS PADRES AO MORRO DO CHAPÉU (OU MORRO DA BELA VISTA DO GHIZONI) As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaDaSerraGeralCampoDosPadresECanionDoEspraiadoSC3DiaAbr13. Morro do Chapéu (ou Morro da Bela Vista do Ghizoni) Desmontei acampamento e comecei a caminhar às 7h46. Tinha um novo morro pela frente e sem muita certeza da direção a seguir quando estivesse no seu topo. Atravessei todo o cansativo campo de turfa até ele, com uma parada para descansar junto a uma fonte de água no caminho. Atingi o sopé do morro bem abaixo de uma faixa de capim que descia do topo, por onde subi e segui uma trilha de boi para a esquerda, subindo mais. Assim, no alto, às 9h22, tive a primeira visão do Morro da Bela Vista do Ghizoni, ou Morro do Chapéu (conhecido pelo formato de seio de mulher), e do Morro da Boa Vista à direita dele, respectivamente terceiro e primeiro pontos mais altos do estado de Santa Catarina (segundo o Anuário Estatístico do Brasil 2012, do IBGE - http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/20/aeb_2012.pdf). Porém entre mim e eles havia o imenso cânion do Rio Kuhl, cujo vértice fica do lado esquerdo. Fui então para a esquerda (leste) e comecei a procurar algum caminho na mata do meu lado direito que me levasse na direção do vértice desse grande cânion. Acabei encontrando um totem de pedras que sinalizava uma trilha de vacas que descia e adentrava a mata. Ótimo! Mas antes aproveitei a proximidade do Morro Perdido (assim chamado no site Wikimapia) e fui subi-lo, bastando continuar no sentido leste/nordeste. No topo, às 10h20, encontrei um marco geodésico e o penhasco da borda da Serra Geral. 1760m de altitude. Porém gastei mais de uma hora ali na expectativa de a neblina se dissipar para ter uma paisagem melhor para as fotos e poder navegar visualmente, planejando o melhor caminho até o Morro do Chapéu entre campos e focos de mata. Só às 11h40 voltei ao totem e entrei na trilha que me levaria ao vértice do cânion. Ela está bem marcada pela passagem das vacas mas com a vegetação um pouco fechada, com muitas samambaias num certo trecho. Saí da mata às 12h17 e me aproximei da beirada da serra (à esquerda) novamente para mais fotos, agora com neblina zero. Acompanhei a borda por uma trilha e cheguei às 13h08 a um muro de pedra pequeno onde desci, atravessando um trecho de mata de pouco mais de 100m sem dificuldade. Lá embaixo mais um campo de turfeira me esperava. Procurei contorná-lo pela esquerda, mas não era melhor do que pelo meio, ou seja, tudo afundando e encharcado mesmo. Só ao me aproximar da beirada do paredão é que encontrei um caminho seco. No alto à minha frente visualizava uma longa crista que deveria subir para alcançar o Morro do Chapéu, que se eleva na extremidade direita dela. Mas para chegar lá parei um pouco para estudar o melhor caminho entre as extensas faixas de mata da encosta dessa crista. Subi ao primeiro platô pela única passagem existente e prossegui para a direita em nível por um 400m, passando por três fontes de água (as últimas desse dia). Voltei a subir forte à esquerda por uma língua de capim baixo que descia do topo, seguindo em parte trilhas de vaca. Às 15h26 alcanço o alto da longa crista (do Morro do Chapéu) e continuo caminhando em direção ao outro lado dela, onde passo a ter visão de um novo e imenso vale e de mais uma porção da borda da Serra Geral, um pouco mais ao sul, com predomínio de campos, pastagens e alguns morros, incluído aí o Morro do Campo dos Padres (1790m). Mas o que me chama mesmo a atenção nesse momento são os gritos de um boiadeiro direcionando o gado já que não via ninguém desde a tarde do primeiro dia da travessia. Esse local é o vale do Rio Campo Novo do Sul, mas ainda não conseguia ver o rio propriamente dito, teria de caminhar mais um pouco para sudoeste para conseguir vê-lo serpenteando lá embaixo. Tomei a direção do Morro do Chapéu (lembrando aqui que eu já estava na crista dele) e mais no alto pude ver às 16h06 uma casa de fazenda bem aos pés do Morro do Campo dos Padres, e também o Morro da Boa Vista a sudoeste. Aproximei-me do Morro do Chapéu, terceiro ponto mais elevado do estado, e o contornei pela esquerda, não o subi. Ao contorná-lo me aproximei da beirada dessa crista e pude visualizar lá embaixo as curvas do Rio Campo Novo do Sul, cortado pela estradinha precária que leva à casa da fazenda. A seguir eu deveria descer até essa estradinha, caminhar um pouco por ela na direção da casa e subir a crista seguinte tendo como objetivo o Morro da Boa Vista. Havia ainda cerca de uma hora de luz natural mas resolvi parar ali no alto mesmo pois corria o risco de acampar ou me aproximar muito da casa da fazenda e talvez não ser bem-recebido. Montei a barraca então aos pés da face sul do Morro do Chapéu. Altitude de 1745m. Nesse dia caminhei 8,8km (na verdade, andei um pouco mais pois tomei alguns caminhos errados). Importante dizer que a estradinha que avistei continua para oeste e liga a fazenda à cidade de Bom Retiro, servindo portanto como um acesso mais rápido ao Morro do Chapéu ou mesmo uma rota de fuga para essa minha travessia. Mas são 30km dali até Bom Retiro. 4º DIA: DO MORRO DO CHAPÉU (OU MORRO DA BELA VISTA DO GHIZONI) ÀS NASCENTES DO RIO CANOAS As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaDaSerraGeralCampoDosPadresECanionDoEspraiadoSC4DiaAbr13. Morro do Campo dos Padres e Rio Canoas Desmontei acampamento e comecei a caminhar às 8h. O meu primeiro objetivo desse dia era o Morro da Boa Vista, que eu podia ver claramente do local onde acampei, porém o imenso vale do Rio Campo Novo do Sul se colocava entre nós. Seria preciso contorná-lo pela esquerda (leste). Para ter acesso ao vale eu deveria descer toda a encosta sul da crista do Morro do Chapéu, porém toda ela é recoberta de mata. Procurei um local onde a passagem pela mata fosse menos extensa e encontrei uma descida formada de capim baixo com uma faixa mais estreita de árvores abaixo e depois um pasto com cavalos. Fui por ali e cruzei menos de 150m de mata, sem grandes dificuldades. No pasto com cavalos notei que a estradinha vista ontem saía para a esquerda e passei a caminhar por ela (na verdade, ela atravessa o pasto e continua para a direita, sendo o caminho que vai dar na cidade de Bom Retiro e que pode ser uma rota de fuga, como já mencionei). Mas não andei nem 50m pela tal estradinha precária que fui obrigado a subir o barranco e liberar o caminho pois os boiadeiros vinham na minha direção tocando um grupo grande de vacas e me pediram para sair pois poderia assustá-las. Esse foi o único momento em que cruzei com gente em toda a travessia (sem contar as pessoas do povoado de Pedra Branca, antes de entrar na trilha). Voltei em seguida a caminhar pela estradinha e às 9h05 cruzei o Rio Campo Novo do Sul, largo e raso, saltando pelas pedras. Porém abandonei a estradinha ali mesmo e segui por uma trilha junto ao rio, à direita. Nesse ponto o terreno por onde o Rio Campo Novo do Sul desliza deixa de ser suave e passa a ter cortes abruptos, prenunciando o estreito cânion que irá emparedá-lo logo abaixo. Nesses cortes lindas cachoeiras despencam de uma altura e tanto. Passei por baixo de uma cerca e logo comecei a subir o morro à direita (sul), tendo como meta a crista do Morro da Boa Vista. Atingido o primeiro platô, contornei o morrinho seguinte pela direita e logo pude ver a casa da fazenda abaixo à esquerda, já ficando para trás. Subi um pouco mais e alcancei a crista que culmina no Morro da Boa Vista a sudoeste. Dessa crista, nova e espetacular visão dos campos e morros mais ao sul, junto à borda da Serra Geral, com destaque para o grandioso vale do Rio Canoas e suas nascentes. Para o Morro da Boa Vista, bastou continuar subindo pela crista na direção sudoeste até um grupo de grandes pedras, onde deixei a cargueira para o ataque ao cume, um pouco mais ao sul. Vacas pastavam na encosta do Boa Vista, cujo topo alcancei às 11h34. Altitude de 1823m. Dois marcos geodésicos guardam o ponto culminante do estado de Santa Catarina. Dali tinha visão impressionante do vale do Rio Canoas bem junto à borda da Serra Geral a leste, do Morro do Campo dos Padres a nordeste, do Morro do Chapéu e Morro Perdido ao norte, além dos morros e picos da Serra do Corvo Branco, do Parque Estadual da Serra Furada e o Morro da Igreja, bem distantes ao sul. Notei também uma trilha larga (ou estradinha abandonada) passando logo abaixo do morro e indo para o sul, como uma continuação das trilhas de boi que eu havia pego até ali, e foi para ela que me dirigi ao descer do Morro da Boa Vista, às 12h20. No grupo de pedras onde tinha deixado a cargueira, havia sinal de celular e consegui enviar uma mensagem pela Claro. Depois de um lanche, retomei a caminhada pela trilha larga e bastante encharcada passando às 14h50 por um ponto de água, o segundo do dia, considerando como primeiro o Rio Campo Novo do Sul. Eu abandonei essa trilha larga logo em seguida mas é importante destacar que ela alcança uma outra estrada de terra 5km à frente, a qual leva a Urubici em mais 36,6km, podendo ser um acesso mais rápido ao Campo dos Padres (já que boa parte dela deve ser trafegável) ou uma segunda rota de fuga dessa travessia. Como disse, 130m depois da água deixei a trilha larga em favor de um trilho de boi à esquerda que descia até outro riacho já que meu próximo objetivo era chegar ao Rio Canoas. Mais 50m e passo pelos restos de uma antiga cerca, tendo o vértice de um pequeno cânion à esquerda. Procurei o melhor caminho para a descida até o Rio Canoas e encontrei uma trilha de gado que descia na direção de um cocho, mas antes de chegar a ele saí para a direita, diretamente para o Rio Canoas, que alcancei às 16h36. Aqui ele está muito próximo das nascentes porém já é um rio "de respeito", com alguns metros de largura, mas de travessia fácil pelas pedras. A primeira coisa que me atraiu foi o barulho de uma cachoeira e caminhei 50m para a direita para fotografá-la. Aqui também o relevo plano e suave do leito do rio sofre um corte súbito, fazendo-o despencar em forma de bela queda-d'água. Em seguida subi a encosta de capim e me aproximei da borda da Serra Geral, da qual eu havia me afastado desde a tarde do dia anterior. Com o dia limpo, sem nenhuma nuvem, aproveitei para fotos da paisagem catarinense a se perder no horizonte. Encontrei uma trilha bem marcada correndo junto à borda e segui por ela para a direita (sul), mas às 17h50, com o sol já se escondendo, tratei de arranjar um lugar para dormir. E fiz questão de ficar junto aos paredões para ter a mesma paisagem de manhã, com oportunidade de fotografar tudo de novo com outra luz. Altitude de 1553m. Nesse dia caminhei 10,7km da travessia propriamente dita (mais alguns desvios para explorações). 5º DIA: DAS NASCENTES À GRANDE CACHOEIRA DO RIO CANOAS As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaDaSerraGeralCampoDosPadresECanionDoEspraiadoSC5DiaAbr13. Vale do Rio Canoas e Morro do Campo dos Padres Nesse quinto dia me afastei novamente das bordas da Serra Geral e tive como referência o vale do Rio Canoas, tendo o rio ora bem próximo ora um pouco mais afastado. Só retornaria à borda da serra no final do dia seguinte. Só porque eu pernoitei próximo à borda da serra e seus belos mirantes, o dia amanheceu totalmente encoberto, sem visão nenhuma por causa da neblina. Como eu não tinha pressa e queria fotografar a paisagem, fiquei enrolando na barraca. Quase 10h da manhã o sol deu as caras e começou a dispersar aquele nevoeiro todo. Desmontei acampamento e comecei a caminhar às 10h42, já com céu limpo, o que me permitiu tirar boas fotos. Continuei pela trilha bem marcada na direção sul com a beirada dos penhascos à minha esquerda. Logo atravessei um trecho de mata fácil de uns 80m e desci ao vale do Rio Canoas contornando o morro à frente pela direita por trilha de gado. Cruzei um colchete e sem querer botei algumas vacas para correr. Aproveitei a aproximação do Rio Canoas às 11h53 para pegar água e fazer um lanchinho rápido num local bem agradável. Pelos restos de fogueira que havia ali na margem, não fui o primeiro a ter essa idéia. É que a Trilha dos Índios, um acesso a partir da zona rural de Anitápolis, alcança o Campo dos Padres muito próximo dali. Fica então como dica esse outro caminho, a Trilha dos Índios, que pode servir como um acesso mais rápido ao Campo dos Padres ou como uma terceira rota de fuga dessa travessia. Continuo pela margem esquerda do Rio Canoas mas me afasto um pouco dele, cruzando alguns riachinhos seus tributários e um colchete logo depois de um cocho. Uns 500m antes de uma casa azul que aparece no meio do nada, subo um morrinho à direita sem trilha para conhecer às 13h05 o antigo cemitério de pedra, que conserva os muros e apenas três cruzes de ferro quase completamente enterradas. Bem bonita a vista dali para o Rio Canoas, na direção das suas nascentes, com o Morro do Campo dos Padres ao fundo. Desci pelo mesmo caminho e retomei a trilha principal até a casa azul e o grande (e interessante) curral de pedra que a antecede. A casa parecia nova e desocupada, não havia viva alma. A partir dali, caí numa estradinha bem precária, cruzei uma cerca de arame farpado fechando a estrada e às 14h15 desci a encosta gramada do lado direito para me aproximar de uma bela queda do Rio Canoas, com grande poço para banho e bonita vista do vale para leste e oeste. Continuando, a estradinha virou trilha com os arbustos prestes a fechá-la de vez, sinal de que nenhum tipo de veículo passa mesmo por ali. Quando abriu novamente e voltou a ser uma estradinha, topei às 14h47 com uma bifurcação em T com uma casa à direita, a cerca de 600m, do outro lado do Rio Canoas. Mas fui para a esquerda, caminhando em meio ao pasto com vacas, até que alcancei o final da estradinha, exatamente numa cerca de arame, que cruzei por baixo. Uns 50m à direita vi alguma coisa diferente e fui conferir: era a carcaça de uma espécie de trator pequeno e comprido que se usa na região. Carcomido e enferrujado, estava sendo engolido pelo mato. Voltando à cerca continuei pela estradinha, que logo virou uma trilha entre as árvores. Uns 300m depois da cerca, às 15h30, surge uma outra trilha descendo à direita e vou explorar (observação: nesse momento saio do caminho da travessia, mas voltarei mais tarde a esse mesmo ponto para continuar). Era uma outra trilha larga (ou resto de estrada antiga) que me lançou de volta ao Rio Canoas, o qual cruzei pelas pedras sem dificuldade, apesar de um pouco largo. Seguiu-se uma subida forte e 250m depois do rio fui à esquerda numa bifurcação. Importante: subindo à direita nessa bifurcação a estradinha precária continua e bifurca de novo: a direita leva à última casa avistada e a esquerda é um acesso para Urubici, distante 39km dali. Fica então mais uma dica de caminho alternativo, que pode servir tanto como um acesso mais rápido ao Campo dos Padres (já que boa parte dela deve ser trafegável) quanto como uma quarta rota de fuga dessa travessia. Na bifurcação em que tomei a esquerda, a estradinha mais à frente vira uma trilha na mata e desce. No primeiro campo que surge à esquerda desço pelo capim baixo atraído pelo som da água. Na beira desse campo, às 16h17, a surpresa é o Rio Canoas correndo num vale profundo e, mais que isso, uma espetacular cachoeira despencando do paredão à esquerda, resultado do grande desnível do leito do rio. Longa pausa para contemplação pois o lugar é mágico. Durante o retorno à trilha principal da travessia, após cruzar de volta o Rio Canoas, subi pouco mais de 200m pela estradinha e entrei no campo à direita. Procurei até que encontrei uma trilha que corria paralela ao rio, bem acima dele, e que me proporcionou ótima vista de uma outra cachoeira, bem menor que a anterior, mas bem bonita também, com queda tripla. Voltei à trilha principal da travessia e fui para a direita. Menos de 400m à frente me deparo com uma cerca de arame farpado sem passagem fácil. Já eram 18h e precisava arranjar algum lugar para passar a noite. Voltei um pouco nessa procura e deixei para cruzar a cerca no dia seguinte. Altitude de 1485m. Água nesse dia não foi problema, cruzei pelo menos oito riachinhos bons para abastecer os cantis, todos pequenos afluentes do Rio Canoas, sem contar o próprio Rio Canoas, onde peguei água também. Nesse dia caminhei 9,7km, contando os desvios para conhecer as cachoeiras. 6º DIA: DA GRANDE CACHOEIRA DO RIO CANOAS AO MORRO DA CRUZ (OU MORRO DA ANTENA) As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaDaSerraGeralCampoDosPadresECanionDoEspraiadoSC6DiaAbr13. Cânion do Espraiado Nesse dia me afastei do Rio Canoas e me aproximei da borda da Serra Geral novamente. O Rio Canoas a partir daquela grande cachoeira corre encaixotado num profundo vale e só fui reencontrá-lo no finalzinho da travessia. Desmontei acampamento e comecei a caminhar às 8h11. Cruzei por baixo a cerca encontrada ontem e 140m depois dela uma outra cerca (junto a um riacho), que atravessei também por baixo, caindo numa estradinha abandonada. O caminho à esquerda leva a uma casa a uns 200m, porém eu fui para a direita. Pouco mais de 150m depois entrei numa trilha à direita que penetra na mata pois o caminho pela estradinha logo começaria a ficar mais fechado, com árvores caídas. A surpresa ali foram alguns quatis passeando pelas árvores e que gostaram de fazer pose para a minha câmera. Logo a trilha me devolveu à estradinha, num ponto já melhor para caminhar. Às 9h16 a estradinha se alarga e encontro três caminhos possíveis. Podia ter pego o da direita mas o mato invadindo a trilha começou a incomodar. Voltei e avancei pelo caminho da frente da trifurcação, que estava bem mais aberto (o terceiro ramo dessa trifurcação, o da esquerda, volta para o vale do Canoas). Atravessei um ótimo gramado para acampamento e caí numa trilha larga que devia ser continuação daquele ramo da direita que eu rejeitei. Fui para a esquerda e 40m depois à esquerda de novo em outra estradinha abandonada. Esquerda novamente na próxima bifurcação, subo um pouco e desço até uma outra estrada abandonada às 10h06, onde opto pela direita e imediatamente cruzo um riacho pelas pedras, afluente do Arroio Comprido, por sua vez afluente do Rio Canoas, segundo a carta topográfica. Às 10h43 saltei pelas pedras o próprio Arroio Comprido, espantando algumas vacas, e em seguida passo por um colchete. Nesse local resolvi explorar algumas trilhas que poderiam servir de atalho para a travessia mas não tive muito êxito. Gastei 3 horas nessa investigação e voltei à estradinha, cruzando em seguida um outro afluente do Arroio Comprido às 14h. Depois de outro riacho (a última água do dia) peguei a esquerda na bifurcação seguinte e encontrei uma búfala com filhote bem no caminho. Já sabia da criação desses animais na região mas não conhecia o comportamento deles, se são como bois e vacas ou mais agressivos. Bom, essa pelo menos saiu correndo ao me ver e desapareceu. Às 15h topei com uma estradinha mais larga e segui para a esquerda, subindo sob a sombra de uma pequena floresta de araucárias. Quando a paisagem se abriu à esquerda, pude ver o grande e profundo vale que abriga o Rio Canoas depois daquela cachoeira visitada ontem. Um verdadeiro cânion verdejante. E também avistei pela primeira vez o Morro da Igreja, bem distante no horizonte, mas com a enorme e inconfundível antena do Cindacta. Às 15h35 alcanço a estrada de terra que leva ao Morro da Cruz, ou Morro da Antena, e nessa há marcas de passagem de veículo. Como esse morro era parte do meu roteiro, subi à esquerda. Se descesse à direita estaria tomando a estrada que desce diretamente ao Rio Canoas e é o caminho mais usado por quem visita o Cânion do Espraiado. Aqui temos então a quinta rota de fuga dessa travessia, numa distância de 9km até o Albergue Rio Canoas. Como disse, subi à esquerda, e logo vi mais búfalos pastando bem próximo. No alto a estrada faz uma curva para a direita e uma estradinha secundária sai à esquerda, descendo, mas segui em frente (direita). Mais búfalos, uma porteira e mais acima larguei a mochila e caminhei campo adentro (à direita) para me aproximar da borda da crista onde eu me encontrava para a primeira visão do espetacular Cânion do Espraiado. À direita dele, a continuação da borda da Serra Geral, parte dela ainda a ser trilhada nessa travessia. E mais além a paisagem de morros e picos da Serra do Corvo Branco e do Parque Estadual da Serra Furada, conjunto que eu já havia avistado muito longe a partir do Morro da Boa Vista, no 4º dia. Depois de várias fotos e explorar algumas trilhas que poderiam descer dali diretamente ao cânion (exploração sem sucesso), continuei pela estradinha e cheguei à antena às 17h22. Porém fui surpreendido por uma enorme antena... no chão! Depois me disseram que o dono das terras mandou derrubá-la com um caminhão. Explorei por ali também uma possível descida direta ao cânion mas toda a encosta sul é recoberta de mata alta e sem trilha. Pelo menos eu não encontrei nenhuma. Já era hora de pensar num lugar para acampar, porém ventava muito e fazia bastante frio. A melhor opção foi montar a barraca dentro da estrutura de metal que servia de apoio à manutenção da antena, hoje vazia, sem nenhum equipamento, mas com algum lixo. A diferença de temperatura dentro e fora desse alojamento era brutal, então não tive dúvida de pernoitar ali dentro mesmo. O vento forte fazia qualquer peça solta das portas e paredes ficar batendo e fazendo barulho, então tive de prender todas para poder dormir. Altitude de 1606m. A visão do Cânion do Espraiado e dos paredões da Serra Geral a partir da antena é muito bonita também, porém mais distante do que a partir daquele mirante que explorei mais abaixo no caminho. Nesse dia caminhei 10,7km (na realidade caminhei bem mais pois explorei sem sucesso alguns atalhos). 7º DIA: DO MORRO DA CRUZ (OU MORRO DA ANTENA) À ARAUCÁRIA SOLITÁRIA As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaDaSerraGeralCampoDosPadresECanionDoEspraiadoSC7DiaAbr13. Cânion do Espraiado e Serra do Corvo Branco ao fundo Logo cedo, subi o morrinho ao lado da antena para checar a altitude máxima do Morro da Cruz e é de 1629m. A visão para todos os lados é sensacional, tanto dos paredões ao norte, quanto os do sul e a imensidão das terras abaixo, na direção do mar. Destaque para o Morro da Boa Vista e o Morro do Chapéu bem distantes ao norte. Havia sinal da Vivo e consegui fazer uma ligação para casa para dizer que estava bem. Comecei a caminhar às 9h13 e às 10h passei pela bifurcação que me trouxe da parte norte do Campo dos Padres, continuando pela estrada principal (esquerda), que, como disse, desce diretamente ao Rio Canoas e é o caminho mais usado por quem visita o Cânion do Espraiado. Mais 15 minutos e me deparei com uma casa grande de madeira com quatro janelas largas e até pensei que fosse ali o local da cobrança para visita ao cânion, mas estava deserta. Em frente à casa, abandonei essa estrada e peguei uma secundária que sobe à esquerda. Na sequência ela desce e já proporciona vista do cânion bem perto. Cruzei dois riachos e uma porteira e me aproximei de uma outra casa às 10h48, esta deserta também porém com cachorros para alardear a minha presença. Nessa casa é que é cobrada a entrada para visitar o cânion, porém nem sei quanto se paga pois não havia ninguém para cobrar. Cruzei um colchete à direita da casa e fui na direção da mata, encontrando uma trilha por onde desci. Quando saí da mata, me deparei com uma estradinha vindo da esquerda, que deve ser um acesso mais usado do que a trilha que peguei. Às 11h10 alcancei o vértice do Cânion do Espraiado, na cota dos 1376m, e a paisagem é de cair o queixo. Do vértice, avista-se entre os paredões do cânion a estradinha sinuosa da Serra do Corvo Branco. Não explorei o lado leste do cânion, parti direto para o lado oeste pois seria o meu caminho para chegar ao Albergue Rio Canoas no final do dia seguinte. Cruzei então uma cerca e caminhei junto à beirada do paredão, atravessando três riachos que poucos metros à esquerda despencam no precipício. Caminhei sem pressa até a extremidade da face oeste e às 12h27 fiquei de frente para a impressionante torre de pedra, com magnífica paisagem de fundo. Dali em diante meu caminho seria junto à borda da serra (sudoeste/sul) até o ponto certo onde descer ao albergue. O primeiro passo foi encontrar uma trilha para vencer a mata na encosta do morro a oeste, mas não foi difícil e a faixa de árvores devia ter uns 50m apenas, porém subindo bastante. Alcançado o campo num nível acima do cânion às 13h30, passei a caminhar tendo a borda do penhasco bem próxima à minha esquerda e desviando dos minicânions que surgem. Às 14h02 passei pelo último ponto de água desse dia e do restante da travessia, por isso é bom abastecer todos os cantis. Aliás esse singelo riachinho também despenca na forma de uma alta e bonita cachoeira no penhasco poucos metros à esquerda. Subindo um pouco mais, destacam-se à frente grandes elevações bem à beira da serra, enormes morros cortados abruptamente na face leste formando paredões gigantes a pique. E é pela beira desses altos morros que a travessia seguirá amanhã. É bom ter essa referência visual para tomar o caminho certo ao chegar lá. Às 14h40 atravessei por trilha um outro cinturão de mata, este mais extenso que o anterior, e volto a caminhar pelo campo por mais uns 300m, quando um outro segmento de mata me obstrui o caminho. Não encontrei trilha para atravessá-lo, então a melhor solução foi descer à direita diretamente em direção a uma araucária solitária, onde encontrei uma trilha larga e bem marcada. Gastei um bom tempo explorando o lado direito dessa trilha, subindo um pouco (como se estivesse voltando), e depois o lado esquerdo, descendo (e depois subindo) na direção da continuação da travessia. Com isso o dia findou e resolvi acampar próximo à mencionada araucária. Altitude de 1314m. Nesse dia caminhei 10,3km da travessia em si (e mais alguns km de explorações de outros caminhos). 8º DIA: DA ARAUCÁRIA SOLITÁRIA AO ALBERGUE RIO CANOAS, FINALMENTE As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaDaSerraGeralCampoDosPadresECanionDoEspraiadoSC8DiaAbr13. Cânion do Espraiado Desmontei acampamento e comecei a caminhar às 8h. Uns 70m abaixo da araucária há uma bifurcação onde desci à direita, entrando na mata. Ao se aproximar de uma cerca, a trilha fecha e parece não haver continuação do outro lado. Mesmo assim, atravessei a cerca e a matinha curta e alcancei um final de estradinha abandonada. Subi por ela e, mais acima, ao atingir um primeiro platô, ela se dirige para a direita, bordejando o morro à frente. Aqui é preciso cuidado para não errar o caminho. Seguir por essa estradinha contornando o morro pela direita não me levou a lugar nenhum, só a mato fechado. O melhor mesmo é abandonar a estradinha ao atingir esse primeiro platô e se aproximar da beirada da serra à esquerda para subir todo o morro à frente pelos campos meio sem trilha mesmo (ou com alguma trilha de vaca). Manter-se próximo à borda aqui evita tomar caminho errado e de quebra proporciona uma visão espetacular dos penhascos ao sul e ao norte. Atingido o topo do morro mais alto, a 1473m, avistam-se novamente ao sul os morros e picos da Serra do Corvo Branco, do Parque Estadual da Serra Furada e o Morro da Igreja, agora um pouco mais próximos. A sudoeste, no vale do Rio Canoas, já se vê o Albergue/Pousada Rio Canoas e a Pedra da Águia, porém esta num ângulo muito diferente, como continuação de uma crista que inicia no próprio morro onde se está. Ao começar a descer desse morro mais alto, o caminho natural é contornar a borda do penhasco e ir em direção a uma cerca num platô logo abaixo, onde se encontra uma trilha bem marcada. Cruzando a cerca por um colchete, em menos de 100m começa uma descida com muita lama e pedras de quase 300m de extensão. No meio dessa ladeira escorregadia se destaca à esquerda, entre as árvores, uma ponta mais alta dos paredões. Procurando bem, encontrei uma trilha que saiu da principal e subiu toda essa ponta até o topo, onde a visão do vale do Rio Espraiado com o imenso cânion à esquerda foi de cair o queixo! Voltei à trilha principal e desci até encontrar uma cerca, que tive de cruzar por baixo. Estava bem na beira dos paredões novamente e pela última vez nessa travessia, então parei um instante para contemplar a extensa vista para leste, na direção do litoral, como sempre espetacular. Altitude de 1282m. Esse local, bem próximo à cerca, tem como referência uma árvore um pouco isolada das demais coberta de um líquen comprido parecendo uma barba. Depois dela a borda da serra volta a subir na direção sul. Mas o meu caminho foi quebrar 90º à direita na árvore e descer pelo vale que me levaria de volta ao Rio Canoas. Passei por um colchete e quase 700m depois da árvore a trilha bem marcada começa a se transformar numa estradinha interna do sítio, cuja casa de madeira meio abandonada e vazia não demora a aparecer. Logo abaixo dela uma porteira, mais à frente dois riachos que atravessei pelas pedras (a primeira água fácil desde ontem às 14h02) e quase no final outra porteira, seguida do último riacho. Mais alguns metros e desemboco numa rua: 100m à direita está o Rio Canoas, já adulto, muito maior do que quando o deixei no 5º dia da caminhada. Mas o meu destino final também estava perto, 200m à esquerda, subindo a rua: o Albergue Rio Canoas, onde fui muito bem recebido pelo Mauro (que cuida do lugar) e um casal ali hospedado, que se desdobraram para me arranjar algo para matar a fome já que a minha comida havia acabado e não há nenhum lugar para comer por ali. Altitude de 1033m. Nesse dia caminhei 6,3km em cerca de 4 horas. Total da travessia: 79,1km. Ainda deu tempo de conhecer um famoso atrativo local nesse dia, a Pedra da Águia. Para isso caminhei até a estradinha que margeia o Rio Canoas (a 250m do albergue) e fui para a direita, cruzando um afluente do Canoas pelas pedras e uma porteira. Caminhei apenas 600m pela estrada e já tinha o melhor ângulo para fotografar a famosa pedra. No dia seguinte, o Mauro conseguiu para mim uma oportuna carona já que sair desse local de ônibus iria me obrigar a caminhar 7km de estrada até o ponto final do circular para Urubici, que sai apenas duas vezes por dia. Informações adicionais: Horários de ônibus: . Florianópolis-Lomba Alta: http://www.reunidas.com.br (R$ 28,37) . vale do Rio Canoas-Urubici: 6h e 12h30 (somente seg a sex) . Urubici-vale do Rio Canoas: 11h30 e 18h (somente seg a sex) Hospedagem em: . Pedra Branca: Hospedaria das Montanhas - 48-8412-4383 (Oi) . vale do Rio Canoas: Albergue/Pousada Rio Canoas - http://www.riocanoas.com.br - [email protected] - no albergue a diária é R$30 no quarto coletivo sem café, mas com cozinha disponível Cartas topográficas de: . Alfredo Wagner-SC (http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS%20-%20RJ/SG-22-Z-D-IV-1.jpg) . Bom Retiro-SC (http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS%20-%20RJ/SG-22-Z-D-IV-3.jpg) . Aiurê-SC (http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS%20-%20RJ/SH-22-X-B-I-1.jpg) Repetindo as possíveis rotas de fuga dessa travessia: . do Morro do Chapéu a Bom Retiro (30km) . do Morro da Boa Vista a Urubici (36,6km) . do Campo dos Padres a Anitápolis pela Trilha dos Índios (5,6km de trilha + 22km de estrada) . da grande cachoeira do Rio Canoas a Urubici (39km) . da bifurcação do Morro da Cruz ao Albergue Rio Canoas (9km) Rafael Santiago abril/2013
  4. 1 ponto
    Olá pessoal! Tenho planos de cruzar a fronteira dia 25/12 por Uruguaiana rumo a Bariloche, depois região dos lagos e vulcões no Chile, Puerto Montt, Frutillar, Puerto Varas e Pucón. Retornando depois para Argentina e descendo a Ruta 40 até El Chaltén e El Calafate, depois começando o retorno pela Ruta 3.Se alguém tiver estes planos podemos nos encontrar pelo caminho. Minha rota já está pronto, se não aparecer nenhum contratempo só estou contando os dias , saio da minha cidade dia 22/12. Sou de Cons. Lafaiete MG. Irei eu, minha esposa e minha filha de 14 anos.
  5. 1 ponto
    CARRETERA AUSTRAL 2017 EXPEDIÇÃO DOIS IRMÃOS COYHAIQUE a VILLA O’HIGGINS – 20 a 31 OUT 2017 1. ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DA VIAGEM - PASSAGENS AÉREAS IDA Guarulhos – Santiago – 20 Out 17 às 19 hr Santiago – Balmaceda – 21 Out 17 às 07 hr VOLTA Balmaceda – Santiago – 30 Out 17 às 17:18 hr Santiago – Guarulhos – 31 Out 17 às 04 hr Valor por pessoa R$ 1.345,00 com as taxas - ALUGUEL DE VEÍCULO Camionete S-10 DMAX pela Europcar (cabine dupla – Gas) 21 Out 10:30 hr até 30 Out 10:30 hr Valor do aluguel R$ 1.680,00 - CÂMBIO DE MOEDA (OUT/2017) Peso chileno em espécie 400.000 (equivalente a R$ 2.200,00) Dólar americano U$ 500 (equivalente a R$ 1.655,00) - RESERVA DE HOSPEDAGENS Não fizemos - BAGAGEM Uma mala de viagem com roupa de frio para suportar até -10C, dois calçados tipo tênis, uma calça impermeável, artigos pessoais, 2 blusas de lã, gorro, luvas...uma bagagem de mão tipo mochila. 2. RELATO DA VIAGEM Eu e Rogério, meu irmão, decidimos dar continuidade a viagem pela Carretera Austral que fizemos em 2014 e que está relatada no endereço https://www.tripadvisor.com.br/ShowTopic-g294291-i1357-k7953189-Viagem_de_carro_alugado_pela_carretera_austral_no_sul_do_chi-Chile.html. Só que desta vez iríamos ser só nós dois, já que os demais não poderiam ir. A ideia era terminar o percurso de 2014 chegando até Villa O’Higgins, onde termina a Carretera 7, chamada de Carretera Austral, no sul do Chile. 20 OUT 17 - SEXTA Nos encontramos em SP no dia 20 Out 17, já que moro em Brasília e ele em Mogi Guaçu-SP, pegamos o vôo até Santiago regado a cerveja, vinho e whisky, acompanhado de um pequeno mas suficiente jantar, já sabíamos que a escala na capital chilena seria demorada, e pior, sem chance de sair do aeroporto por ser de noite e não valer a pena, já que tivemos de retirar as bagagens por conta da imigração, aliada à falta de transporte rápido e de massa naquele terminal, à semelhança de Guarulhos, Brasília e nossas principais capitais. Sendo assim, jantamos num dos restaurantes do aeroporto mesmo, após o jantar e terminada a primeira das muitas garrafas de vinho que tomaríamos, nos deitamos nos bancos acolchoados de uma área fechada do próprio restaurante e cochilamos até as 2 da manhã, pois a LAN só permite despachar as bagagens 3 horas antes do vôo. 21 OUT 17 - SÁBADO Despachamos as malas e continuamos a cochilar próximo ao portão de embarque. Vôo tranquilo e bonito até Balmaceda, aconselho a sentar na janela porque a paisagem é desbundante e não tem nada pra fazer. Há, o serviço de bordo é pago. Desembarque feito, passamos para o processo de pegar o carro no totem da Europcar dentro do terminal, onde o atendimento do Marcos foi simples, rápido e eficiente. É sempre bom tirar fotos do carro na hora do recebimento, principalmente da pintura, pneus, para brisas e lentes dos faróis e luzes traseiras, já que iríamos percorrer estrada de rípio, um tipo de cascalho, na maior parte do trajeto. COYHAIQUE Se você olhar no mapa, de Balmaceda já dá pra seguir direto rumo ao sul sem passar por Coyhaique, porém, como em Balmaceda não tem nada além do aeroporto e de um restaurante, fomos à capital da XI Região Chilena – Región de Aysén – para abastecer de víveres (cerveja e vinho) e completar o tanque de diesel, pois alugamos a S-10 a gasolina mas nos deram uma a diesel, são adoráveis esses chilenos. Coyhaique é a Capital da Região, mas nada parecida com nenhuma Capital brasileira, pequena, arrumada, limpa e organizada, tem um grande supermercado e vários outros bem menores, parecidos com as nossas mercearias de bairro; opera o único hospital de toda a XI Região (que abriga cerca de 150.000 almas, 1/5 desses habitantes residindo em Coyhaique) e uns 03 postos de combustível que competem mais ou menos nesses preços: Gasolina 93 octanagem – 767 pesos chilenos (R$ 4,22) Gasolina 95 octanagem – 800 pesos chilenos (R$ 4,40) Gasolina 97 octanagem – 833 pesos chilenos (R$ 4,58) Diesel – 541 pesos chilenos (R$ 2,97) Por volta das 13 hr seguimos rumo sul em direção à Villa Cerro Castillo, distante 93 km, numa Carretera asfaltada que passa pela Reserva Nacional de Cerro Castillo; esse percurso é lindo por conta das montanhas nevadas que a estrada cruza tão próxima que dá pra por a cerveja no gelo que se acumula perto do acostamento; pela possibilidade de avistar os tais Huemul, animais parecidos com cervos só que bem maiores e ameaçados de extinção; além de durar somente cerca de uma hora. VILLA CERRO CASTILLO Cerro Castillo é um vilarejo onde residem umas 500 pessoas, mas tem uns 4 ou 5 restaurantes, várias cabanas pra alugar e algumas mercearias ou mini mercados, como eles chamam. Estivemos lá na viagem de 2014, onde nos hospedamos nas cabanas do Tropero, do seu Eduardo e dona Eliana, mas dessa vez pretendíamos chegar logo a Villa O’Higgins e deixamos Cerro Castillo após um bom almoço de carne com batatas. Pra você que é fã de comida e bebida como nós, no sul do Chile se come sempre uma proteína (carne de gado, frango, porco ou peixe, menos oferecido e quase sempre salmão) e um carbohidrato (quase sempre batata), mas que em alguns lugares dá pra substituir por salada (alface e tomate). VILLA PUERTO RIO TRANQUILO Saímos de Cerro por volta das 14:30 hr e seguimos para Villa Puerto Rio Tranquilo, a 120 km de estrada de rípio, na sua maior parte larga e lisa que percorremos em cerca de 2 horas, vislumbrando montanhas congeladas, rios bravios e lagos serenos de águas límpidas e cristalinas, principalmente o Lago General Carrera, um dos maiores da América do Sul. Em Puerto Rio Tranquilo procuramos por cabanas (chalés aqui no Brasil) e alugamos uma por 30.000 pesos chilenos (R$ 150,00) a diária pra duas pessoas. Clima frio, perto de 0C, fogo na lareira, saca rolhas na mão e paisagem do lago General Carrera na frente de casa. Mais tarde comemos uma pizza num trailer com o sugestivo nome de “Truco e Mate” que seduziu esses dois mineiros, onde a anfitriã Helena demonstrou toda a simpatia e bom acolhimento dos chilenos a nós brasileiros (a pizza custou 9.000 pesos chilenos – cerca de R$ 45,00 – e é você que escolhe os ingredientes). 22 OUT 17 - DOMINGO Cordamos cedo, após um pernoite quentinho dentro da cabana aquecida pela lareira a lenha, ouvindo o forte vento que soprou noite adentro e alguns locais borrachos batendo papo até tarde na bodega ao lado, porém só levantamos por volta das 8 horas; café tomado, abasteci novamente a S-10, por 621 pesos chilenos o litro de diesel, pagamos pela hospedagem e pé na estrada com destino a Caleta Tortel, distante 238 km em estrada totalmente de rípio. PASSANDO POR COCHRANE Percorremos uns 115 km e chegamos a Cochrane, Capital da Província de Capitán Pratt, pertencente também à Região de Aisén, ondem residem mais ou menos 3.000 habitantes, conta com posto de combustível (onde completamos o tanque a 618 pesos chilenos o litro) alguns mini mercados, um mercado um pouco maior, bonita e grande escola, banco, padaria, açougue, etc. Mas decidimos não ficar por ainda ser 10:30 hr e para adiantarmos a viagem, na volta exploraríamos a cidade com calma. CALETA TORTEL – CIDADE SEM RUAS De Cochrane a Caleta Tortel foram 130 km, chegamos às 13 hr debaixo de uma chuva fina e inconstante e um frio de 3C. Nessa pequena vila, onde moram cerca de 600 pessoas, não circula carro, pois as ruas são feitas de passarelas de uma madeira. No início, o Ciprés (Cipreste Chileno) ou Alerce da Patagônia, era abundante e foi um dos motivos da ocupação humana do local, pela sua extração, sendo também muito utilizado como material para a construção de Tortel; agora, já bastante explorado, as casas e passarelas estão bastante desgastadas e são reformadas e construídas com madeira menos nobre. Deixamos a S-10 no estacionamento central e público e fomos percorrer a vila em busca de paisagens, comida, bebida e local para pernoitar. Sobe e desce danado percorrendo as várias escadarias de madeira que nos deixaram de boca aberta e suando, apesar do frio, mas as fotos valeram o esforço. Acabamos por encontrar um pitoresco e agradável restaurante com vista para a baía, onde pedimos cerveja das mais baratas, já que as artesanais à venda eram caras demais; ficamos bebericando e nada do cara voltar a nos atender, vimos duas mesas cheias com uns oficiais da Armada chilena que aguardavam o almoço solicitado momentos antes da gente chegar, eles eram do navio que víramos na chegada a Tortel. Acontece que o garçom também era o cozinheiro e o dono do lugar, percebemos que ele estava na merda, bebemos as bandidas e fomos atrás de lugar pra ficar. Depois de percorrer a vila toda, literalmente, optamos pela hospedaria da Marcella Cruces, que só tem duas suítes, mais sala de jantar e sala de TV integradas. Alugamos uma suíte por 35.000 pesos chilenos (R$ 192,00), buscamos a bagagem, nos alojamos e voltamos pro El Mirador, o restaurante pitoresco que nos agradou. Agora já mais calmo e sem as autoridades pra servir, o Diego nos atendeu pedindo desculpas e apresentando a esposa Sílvia que tinha chegado pra dar uma mão. Eles tinham arrendado o lugar fazia 03 dias e ainda estavam se adaptando ao serviço. Comemos carne com batatas e salada, que nos foi oferecida como cortesia, vinho chileno que o Diego nos ensinou o modo certo de ser servido, bom bate papo com o dono bebendo conosco, calor da lareira, afago no estômago e na alma. Depois disso, sobe e desce nas escadas, chegada na hospedaria, cuja porta fica destrancada dia e noite, e bons sonhos. 23 OUT – SEGUNDA Dormimos até tarde, pois estava chovendo e fazia frio, além do mais, para chegar no nosso próximo destino, Villa O’Higgins, teríamos que atravessar uma balsa que só sai 02 vezes por dia na baixa estação, ao meio dia e às 15 hr, retornando às 13 e às 16 hr. Tomamos nosso café da manhã, nada mais que pão, manteiga, presunto, queijo, café e leite, juntamos as coisas e partimos. PUERTO YUNGAI A estrada nessa parte da Carretera fica muito mais estreita, sinuosa e perigosa, se bem que a probabilidade de encontrar um veículo em sentido contrário é baixa, pois não tem cidades antes da balsa, mesmo assim demos de cara duas vezes com carros no sentido contrário, deviam ser moradores das poucas e pequenas propriedades existentes. De Caleta a Puerto Yungai, de onde sai a tal balsa, são 43 km, mas reserve de 60 a 90 minutos por causa da estrada. Chegamos às 10:40 hr e ficamos aguardando o embarque que só seria próximo ao meio dia. Travessia tranquila, 40 minutos de navegação de graça, serviço subsidiado pelo Governo. Mas atenção, a balsa embora limpa, conservada e super arrumada, só atende 14 carros por travessia, no máximo. Melhor chegar cedo e esperar, senão somente na viagem das 15 hr e concorrendo com os caminhões. Há, na alta estação, que vai de Dez a Mar, tem mais uma saída às 10 hr com retorno às 11 hr. O desembarque é feito em Puerto Rio Bravo, que também não oferece nenhum serviço, só tem um casa de madeira, sem banheiro. Em Puerto Yungai tem um bar/restaurante que só deve abrir na alta estação. VILLA O’HIGGINS Percorremos mais 110 km e, por volta das 14 hr, chegamos na cidade mais ao sul da viagem – Villa O’Higgins. Entramos no restaurante San Gabriel, pedimos o prato de sempre e um bom tinto. O preço praticado foi o normal pra toda a viagem, entre 6 a 10.000 pesos chilenos por pessoa (R$ 33 a 55) e os vinhos desde 2.300 pesos nos mercados (R$ 12,00), até 12.000 pesos nos restaurantes (R$ 66,00), sendo que o normal era pagarmos 30.000 pesos chilenos (R$ 165,00) por refeição para dois, incluindo o vinho e a gorjeta. No entanto existem opções mais baratas como pizza, lanches, cozinhar nas cabanas que são completas e até mesmo economizar nas bebidas. Depois do lauto almoço, fomos atrás de lugar pra ficar e achamos as Cabanas San Gabriel a 40.000 pesos chilenos a diária (R$ 200,00). Como iríamos permanecer 02 dias, decidimos ficar à toa no resto da tarde, passeando de carro até o embarcadouro 3 km ao sul da cidade, onde realmente termina a Carretera Austral. Dali em diante nada de estrada no sul do Chile, somente ruas e estradas vicinais em Punta Arenas, nosso objetivo havia sido alcançado e estávamos felizes e gratos por isso. Voltamos à cidade e passamos no mercado San Gabriel (sic), parece que muita coisa pertence ao mesmo dono...vinho na cabana já aquecida pela lareira, futebol americano na TV e cama. 24 OUT – TERÇA Amanheceu frio, mas com tempo bom e só um pouquinho nublado, bom para uma caminhada, já que ir ao Glaciar O’Higgins estava fora de cogitação pelo preço cobrado (U$ 250 por pessoa) e por somente ter saída aos sábados. Optamos por ir a pé, e de graça, até o sendero Mirador Del Vale, cuja entrada fica dentro do Parque Nacional, bem atrás da Plaza de Armas da cidade, tudo pertinho, fácil de encontrar e trilha muito bem sinalizada. Não se assuste ao ver as placas dizendo que o percurso dura de 1 ½ hora a 2 ½ horas, eu e Rogério subimos em 40 minutos e estamos bem fora de forma. A vista lá de cima é magnífica, vê-se toda a cidade (o que não é tão difícil assim), os lagos, o rio e o canal de degelo que ele faz, as montanhas próximas...até neve caiu enquanto tomávamos uma Escudo, cerveja chilena de boa aceitação e custo. Dá ainda pra seguir adiante e ir até o Glaciar Mosco, que dizem ser imperdível, mas a placa nos assustou informando o percurso de 21 km e 1 ½ dia de caminhada, desistimos porque só tínhamos levado Escudo suficientes pra chegar até ali. Descemos e conjecturamos entre subir ao Mirador La Bandera (mais uma hora de subida e meia hora pra descer), ou ir ao restaurante San Gabriel, que nos aguardava com comida e bebida, essa segunda opção ganhou sem resistência. Passamos antes na biblioteca pra tentar contato com a família, pois somente lá tem wi-fi público e de graça. Contatos feitos, biblioteca aquecida, limpa, arrumada, com atendentes agradáveis e atenciosos, o Chile é adorável e o modo de vida da sua gente também. Almoçamos e tiramos um belo cochilo no calor da cabana. O resto do dia e à noite também permanecemos curtindo a cabana e o lugar que almejáramos estar desde tanto tempo...melhor só se as mulheres tivessem ido. 25 OUT – QUARTA Como a balsa só sairia às 13 hr, acordamos preguiçosamente, botei mais lenha na lareira, tomamos café e ficamos de bate papo. Pagamos a Cabana San Gabriel no restaurante de mesmo nome e às 10:30 hr saímos rumo norte. TRAVESSIA PUERTO RIO BRAVO – PUERTO YUNGAI Às 11:50 hr e aguardamos a balsa chegar junto com mais 03 camionetes e 01 caminhão pequeno. Meia hora depois foram chegando mais 03 carros, uma Van e por último um caminhão caçamba enorme. Comento com Rogério que se chegar mais alguém pode dar rolo. A balsa chega lotada, os diversos veículos desembarcam e começa o embarque das 13 hr por ordem de chegada, todos respeitando quem chegou primeiro numa civilidade de dar inveja. Na nossa vez o funcionário da balsa pede pra esperarmos e darmos a vez pra uma Van de passageiros, eu como brasileiro já achando que iria ser passado pra trás, sabe como é, o cara da Van é conhecido e deve ter algum arranjo com os da balsa. Fico esperto e posiciono a S-10 pra não dar chance a mais ninguém ser embarcado logo depois da Van a não ser nós. Bobagem minha, era só por questão de balanceamento da carga, no final couberam todos, até mesmo o caminhão enorme que lotou o carregamento. Ainda fico imaginando se aparecessem mais veículos o que ocorreria. E se alguém resolve furar a fila? Pensamentos típicos de um brasileiro acostumado a viver num país sem respeito dos seres humanos aos seus próprio pares, deixa pra lá. Mais 40 minutos de travessia e desembarcamos em Puerto Yungai, dali até Cochrane, nosso destino naquele dia, seriam mais 120 km. COCHRANE Chegamos por volta das 15 hr e fomos logo abastecer a S-10 e buscar cabana pra alugar. Escolhemos as Cabanas Rogeri, pelo sugestivo nome, pelo preço de 40.000 pesos chilenos a diária e por ficar bem no centro dessa pequena comuna. Comemos umas empanadas na padaria, um tipo de pastel, trocamos U$ 200 no banco só pra garantir, fomos ao mercado, e ficamos bebericando e lendo na cabana, já que o ritmo deles é diferente do nosso. Normalmente o povo acorda tarde (acho que por causa do frio), o comércio só abre às 10 hr, almoço a partir das 13 hr, no meio da tarde tem o excelente costume da siesta, vida noturna a partir das 21 hr. Pelo que vi, é assim que funciona por lá. Depois das 21 hr fomos ao Pub em frente à cabana – um dos motivos de termos escolhido o pernoite ali – jantamos boa comida regada a vinho, embora eles produzam a sua própria cerveja. Local agradável, ambiente interno decorado com madeira, como é em todo restaurante que fomos, aquecimento à lenha, serviço bem feito e preço justo, pagamos 33.000 pesos chilenos. 26 OUT – QUINTA Rumo norte, mas sem destino pré-definido, na ida tínhamos passado por um vilarejo chamado Puerto Bertrand, 48 km a norte de Cochrane, onde vimos algumas opções de hospedagem bem atraentes margeando o rio Baker e queríamos dar uma olhada nos tais Lodges. CONFLUÊNCIA RIOS BAKER E NEFF Uns 30 km entre Cochrane e Puerto Bertrand tem uma pequena entrada, sinalizada com uma placa, que indica a confluência dos rios Baker e Neff. Aproveitamos o tempo disponível e paramos na porteira ao lado do acostamento. Caminhada de 15 minutos por entre uma larga e plana trilha e demos de cara com um rio engolindo outro. O rio Baker, muito maior, com águas de degelo e corredeiras nervosas, recebe e assimila sem esforço o rio Neff, de águas marrons e mais tranquilas. Lindo lugar pra tirar fotos e sentir a exuberância da natureza na Patagônia. LODGES EM PUERTO BERTRAND Seguimos adiante e, bem próximo a Puerto Bertrand entramos nos tais Lodges pra sondar o preço, U$ 138 a diária pra dois em uma cabana bem bonita e elegante. Fomos em outro Lodge, 90.000 pesos chilenos a diária pra dois, mas a cabana era simples. Tudo bem, ainda nem era meio dia, fomos no vilarejo e vimos que não tinha movimento algum, que tal irmos a Puerto Guadal? PUERTO GUADAL Seguimos rumo norte uns 35 km de Bertrand, passando a entrada pra Guadal e Chile Chico, pra darmos uma olhada em outros Lodges à beira de um bonito lago chamado Lago Negro. A Hacienda Tres Lagos é uma propriedade linda e charmosa, com preço nada elegante, 100.000 pesos chilenos a diária de uma cabana. Voltamos e entramos pra Guadal, vilarejo um pouco maior que Bertrand à beira do Lago General Carrera, lugar bonito, mas com infra estrutura ainda a desejar; até paramos num Lodge chamado El Mirador de Guadal pra sondar o preço e, como não apareceu ninguém pra nos atender, decidimos ir embora, passando no mercado local pra abastecer dos víveres que já nos faltavam. PATAGÔNIA BAKER LODGE – PUERTO BERTRAND Como é bom sair sem destino marcado, optamos por voltar no Patagônia Baker Lodge, perto de Bertrand. Tínhamos U$ 400 cada um pra torrar e um presente pra carcaça sempre é bem vindo. Decisão pra lá de acertada, o Lodge vale o preço por conta da estrutura montada naqueles locais tão isolados. Nos alojamos, tiramos várias fotos do lugar, aquela mão no rio Baker pra sentir a temperatura da água, rafting nem pensar, canoagem fora de cogitação, tirolesa pra quê? Esquece! Essa viagem foi bolada pra dois irmãos passarem um tempo juntos, sozinhos, apreciando a comida e a bebida e conhecendo os lugares sem stress. O preço do jantar no Lodge era salgado demais, U$ 25 por pessoa com bebidas à parte, daí que vamos ao vilarejo e paramos num dos 03 restaurantes abertos de Bertrand, a dona/garçonete/cozinheira nos diz que só abre às 20 hr, ainda eram umas 18:30 hr, dissemos que iríamos querer comer uma carne de vacuno (boi) e cerdo (porco) mas que voltaríamos às 20 hr, assim despretensiosamente. Descemos a ladeira em direção ao rio Baker, compramos um vinho no mercadinho e fomos sentar num banco perto do rio. A dona do mercado disse que não poderíamos ficar degustando nosso tinto na frente do estabelecimento porque era considerado local público e, se os carabineiros passassem nos levaríamos presos, só que a 20 metros dali, debaixo da árvore naquele banco pode...vai entender, né! O vinho estava delicioso. Voltamos ao tal restaurante às 20:15 hr e, pra nossa surpresa, os pratos que havíamos sugeridos comer já estavam no final do preparo!!! Olhamos um pro outro, risadas contidas, garfo e faca na mão e bora comer. 27 OUT – SEXTA Feriado no Chile, perguntamos de quê era e ninguém sabia, rs. Depois de uma olhada na folhinha no escritório do Lodge vimos que era dia de São Gustavo, o nome do filho do Rogério e meu sobrinho, legal, vamos aproveitar o dia. VALE DOS EXPLORADORES – PUERTO TRANQUILO Saímos do Lodge já perto das 11 hr, depois do café da manhã que estava incluso na diária, seguimos rumo norte direto pra Puerto rio Tranquilo. De Bertrand a Tranquilo são uns 60 km, bem pertinho, e é lá que fica a entrada para o Vale dos Exploradores, local onde tem um Glaciar que queríamos dar uma olhada. Em Rio Tranquilo tomamos uma sinuosa e estreita estradinha de terra/rípio por exatos 52 km para poder chegar ao Parque Nacional dos Exploradores; nossa ideia era observar o Glaciar dos Exploradores e tirar fotos, talvez caminhar sobre ele. Dirigindo nessa estradinha por cerca de 01 hora, vislumbrando paisagens de lagos semi congelados, línguas de gelo descendo das montanhas, cachoeiras de águas cristalinas, pinheiros e ciprestes, margeando sempre um rio bravio pelo degelo, chegamos, sendo muito bem recebidos pelo guarda parque que nos explicou o funcionamento. Para caminhar sobre o gelo do glaciar, as saídas ocorrem das 09 às 11 hr e o retorno tem que ser até as 17 horas, com a presença obrigatória de guias cadastrados que podem ser contratados em Rio Tranquilo. São 02 horas de caminhada até o glaciar, 02 hr caminhando sobre o gelo e 02 horas pro retorno. Já eram 13 hr, como nós nem queríamos mesmo andar em cima de gelo, nos contentamos em seguir por 20 minutos em uma picada na mata densa e úmida e chegar num mirante que, pra nós foi suficiente. Pra mim passeios de graça me deixam sempre mais contente; o cara ainda disponibilizou um estagiário pra nos levar até o mirante, tratamento VIP. VILLA CERRO CASTILLO Fotos tiradas, retorno sossegado até Tranquilo, pizza na Helena de novo e pé na estrada pra Cerro Castillo, onde chegamos por volta das 17 hr. Era festa de aniversário de 50 anos do vilarejo e o lugar estava lotado (pros padrões patagônicos), iria até haver uma festa no ginásio novinho. Demoramos um tempão pra conseguir uma cabana, o Sr Amim nos alugou uma ainda por terminar por 40.000 pesos chilenos. Deixamos as coisas na cabana e fomos ver a tal festa que começou às 20 hr e tinha danças típicas chamadas de rancheiras, todos dançarinos vestidos à caráter, bonito de se ver e de se ouvir. Ficamos uma meia hora e, com sede, fomos jantar e tomar aquele tinto, já que no ginásio não se vendia bebidas alcoólicas, só que pela quantidade de jovens meio borrachos eu desconfio que eles camuflam o goró em algum lugar...essas leis só servem pra proibir o que é bom! 28 OUT – SÁBADO Choveu e nevou a noite inteira, mas como dormimos no quentinho da cabana e sua lareira a todo vapor, nem sentimos o frio que fazia lá fora. Café da manhã tomado e partimos rumo a Coyhaique, eram 10 hr. COYHAIQUE A S-10 atravessou de novo o Parque Nacional de Cerro Castillo, só que dessa vez a paisagem era bem mais congelada e bonita, fazendo com que essa dupla de mineiros do sul de MG descesse do carro e desse uma boa caminhada sobre o gelo e neve que se acumulou ali bem ao lado da estrada. Sensação boa essa de andar sobre a neve fofa, nem precisa dos tais grampões de que ouvimos falar, na verdade nossos calcanhares afundavam o tempo todo e, quando o pé começou gelar e a brincadeira ficar sem graça voltamos pro carro, deixa isso pra quem estiver mais bem preparado. Chegamos a Coyhaique ao meio dia. Depois de uma hora percorrendo a cidade, seguimos em direção ao aeródromo da cidade e encontramos um argentino de Santa Cruz que tem uma propriedade chamada Cabañas Don Joaquin. Alugamos uma a 45.000 pesos chilenos a diária pra dois e foi a melhor opção que encontramos, pois está na beira do rio Simpson, é arrumada, limpa, completa e o atendimento super afável mesmo pra um argentino. Já alojados, seguimos a indicação do Sr Joaquim e fomos almoçar ali perto mesmo, e foi a melhor carne que comemos em toda a viagem, costela de gado muito bem cozida e temperada por um casal de idosos donos de um restaurante que esqueci o nome, mas que fica ao lado do restaurante El Conejo, a verdadeira indicação do Joaquim, não tem errada. À noite fomos no El Tropero, uma cervejaria que fabrica suas próprias birras e serve umas hamburguesas muito boas, embora o preço seja um tanto salgado. 29 OUT – DOMINGO Mais um dia pra ficar à toa, fomos ao mercado, compramos carne (que não é muito boa, acho que por causa da raça do gado) e arriscamos um churrasco na varanda da cabana pra mostrar pro argentino como é que se faz isso direito, hehe. Embora mineiro, morei no sul do Brasil por algum tempo e acho que aprendi a queimar uma carne! Passamos o dia entre a comida, bebida e os causos do Joaquim. À noite fomos de pizza na cabana mesmo. Dia de descanso total pra enfrentar a maratona que seria a viagem de volta. 30 OUT – SEGUNDA Saímos às 9 hr da cabana deixando o pagamento e as chaves debaixo da porta do Joaquim, que devia estar dormindo ainda. Teríamos que devolver o carro até as 10:30 hr no aeroporto de Balmaceda, distante 01 hr. Ao chegar no aeroporto, não havia ninguém no totem da Europcar, os caras só aparecem mais perto dos vôos que chegam o que, naquela manhã, só aconteceria às 12:30 hr. Tudo bem, nosso vôo só seria às 17:18 hr mesmo. Matamos o tempo ficando no hall do aeroporto conversando com estrangeiros, até tentamos comer e beber algo, mas os preço eram abusivos. Entregamos o carro sem problemas e sem muita burocracia, de mão, conseguimos adiantar o vôo para as 15:00 hr, chegando em Santiago às 18 hr, onde comemos bem e degustamos a derradeira garrafa de tinto no Chile, pelo menos nessa viagem. Ficamos no mesmo restaurante da ida e também descansamos um pouco no mesmo banco acolchoado. Às 4 da manhã embarcamos de volta pro Brasil. Esse relato objetiva encorajar principalmente brasileiros a sair do turismo tradicional e de massa que as operadoras divulgam o tempo todo. Evitar as grandes metrópoles que nos roubam o tempo no trânsito sempre caótico, o movimento estressado da enorme população residente e os mesmos locais que já estão por demais batidos na mídia. Inspirar as pessoas para visitar lugares de gente acolhedora, simples e honesta. As paisagens que presenciamos e o convívio com esse povo agradável valeram cada centavo gasto. No final, utilizei R$ 6.000,00 por 10 dias no sul do Chile, com um excelente carro alugado, vivendo em cabanas mobiliadas e completas, comendo e bebendo sem ter que olhar muito no lado direito do cardápio, mas também sem ser imprudente. Percorremos exatos 1.594,3 km numa das regiões mais inóspitas e interessantes do nosso continente e, o melhor de tudo, acompanhado dessa figura que amo tanto, meu irmão Rogério ao qual agradeço pela iniciativa e os ótimos momentos passados. Gratidão a todos vocês que tiveram paciência pra ler. Deixo meu e-mail pra contato e mais alguma informação que queiram: [email protected]
  6. 1 ponto
    Depois de 2 anos aproveitando o Carnaval na Itália, não houve promoção para 2018. Quer dizer, até houve, mas nem perto daqueles patamares de 2k e para o período exato dos 5 dias de Carnaval. Nem para a Itália, nem para os vários outros cantos que busquei. Ao menos nos momentos em que busquei. Então começamos a olhar para dentro. Via de regra, o NE era um local a ser evitado. Preços nas alturas e gente transbordando. Tudo o que não queremos. Dentre as opções restantes, um certo dia a passagem ideal para Santarém bateu na casa dos 400 ida e volta e decidimos fechar com Alter. Mesmo sabendo que tem o CarnAlter, a informação que tinha era de que a cidade não ficava tão cheia nessa época. Alter do Chão é parte de Santarém, mas na prática é um bairro/distrito relativamente distante. São 40 km desde o aeroporto, dá cerca de meia hora de madrugada sem trânsito (somente quebra molas). Consta que é muito utilizada pelos moradores de Santarém em fins de semana. A parte urbana é relativamente pequena, podendo ser facilmente percorrida a pé. Se vc fica no chamado centrinho, mal anda. Há ainda muitas ruas não asfaltadas que, com água das chuvas, ficam bem ruins de transitar. Reservei uma pousada um pouco afastada do centro, imaginando que a festa de carnaval se dava por lá, no centro. Errei. A festa de carnaval se dava exatamente na praça ao lado da nossa pousada! :0 Do que pude identificar, o Carnaval em Alter é mais ou menos assim (em 2018): tem a festa “limpa”, em que a galera curte um showzinho na praça principal, praticamente na Beira Rio. O show acaba relativamente cedo. E tem a festa “suja”, que rola nessa enorme praça ao lado da nossa pousada, com um palco com música e outros carros de som tbm com música. Todos em alto volume, ao mesmo tempo. Parece estranho, mas é assim. De longe vc ouve vários sons (2, 3 às vezes mais) ao mesmo tempo agora. É considerado “sujo” porque lá é liberado jogar espuma e maisena nos outros. Na área “limpa” não pode. Um dia eu entrei na tal parte “suja” de noite para comprar umas cervejas, foi quando presenciei essa peculiaridade de um palco com um som e outros carros de som na mesma praça com outros sons, todos muito altos. Ninguém me jogou espuma, nem maisena. Amem. Mas volta e meia víamos pessoas “maisenadas” pela cidade. Um dia, acho que domingo de carnaval, foi o ápice da confusão de sons. Além dos sons se digladiando na praça, a casa ao lado tbm promoveu um show (claro, com volume nas alturas). Ainda assim, eu dormia numa boa. Era deitar e dormir. Amem (2). Apesar dessa proximidade, só tenho a elogiar a pousada (Serra da Lua). Simples, aconchegante, simpática, com piscininha para relaxar no fim do dia, e um delicioso café da manhã. Pacote de carnaval saiu por 900 / casal. Dia 1 Chegamos em Santarém na madrugada de sexta para sábado. Já tínhamos agendado transfer com uma recomendação da própria pousada (90 pratas) e ele estava lá. Em mais meia hora, chegávamos à pousada. Direto dormir! Horas depois acordamos para o café. Dia nublado, tinha chovido de madrugada. O esquema da viagem era relax, então decidimos primeiro fazer uma caminhada de reconhecimento geral e depois morgar na Ilha do Amor. E assim fizemos. Eu tinha dúvidas se em fevereiro ainda existiria Ilha do Amor. Isso pq a ilha surge no 2º semestre com o “inverno” local (quando chove menos e o rio “abaixa”), mas as águas voltam a subir na virada de ano. Aquela famosa faixa de areia que é a Ilha do Amor desaparece. O que eu descobri é que não desaparece por completo, as barracas são transferidas para mais para dentro, onde é mais alto e “sobrevive” à cheia do rio. Mas a charmosa ponta de areia some. Na seca é até possível ir a pé (cuidado com as arraias!) da Beira Rio para a ilha. Na época em que fomos, tinha de pegar barco (ou arriscar ir nadando). Custa 5 reais pelo barco, leva poucos minutos. A ilha estava lá, ainda. Amem. Depois de brevemente explorada a parte urbana, seguimos para a Ilha do Amor. Buscamos uma barraca mais distante, achando que ficaria cheio. Estava tudo beeeem vazio. Tempo nublado, ok. Mas era um sábado de carnaval. Seguiu vazio assim até irmos embora. Estacionamos numa barraca e ficamos lá de relax. Depois trocamos de barraca em busca de cervas mais geladas (Tijucas de 600 ml a 8 reais em todas as barracas; uma semana antes nós fomos em Balneário Camboriú, onde se cobrava o dobro por Heinekens do mesmo tamanho). Rumo à Ilha do Amor Tinha lido no relato da Letícia sobre barcos que paravam lá com som nas alturas. Vi campanhas contra isso pela cidade, vi placas sinalizando proibição de som alto. Como vejo em tudo quanto é canto do país, aliás. E não ouvi som automotivo na ilha do amor nesse primeiro dia. Amem. Bolinhos de Piracuí são o petisco mais característico da região. Parecem esteticamente com bolinho de bacalhau. Comemos todos os dias. Além disso, várias pessoas passam vendendo coisas na praia. Geralmente comidinhas (castanha, ovos de codorna, doces, queijo), mas também tinham umas venezuelanas oferecendo massagem. Fizemos. É meio desconfortável, vc faz sentado na cadeira, mas... massagem é sempre bom. Elas cobram 20-25 por 15-20 minutos de massagem. Ficamos batendo papo com uma delas, bem simpática. Situação na Venezuela anda cada vez pior, galera está se virando do jeito que pode. Relax na Ilha do Amor No meio do dia fomos fazer a trilha para o alto da Serra da Piroca (sim, é esse nome mesmo que está escrito), que eventualmente também é descrita como Serra da Pira-Oca. A trilha é bem tranquila, mas fomos ajudados pelo tempo nublado daquela ocasião. Subir com o sol a pino ao meio dia deve ser mais torturante. De todo modo, vc vai suar muito. Antes de subirmos, o sol deu uma breve abertura para nos mostrar o óbvio mandamento: praia com o sol é sempre muito mais bonita. Partiu? Mirante do alto da serra Subimos, registramos, curtimos, descemos, curtimos mais praia e depois pegamos o barco de volta. Passamos o resto da tarde na Praia do Cajueiro, que fica logo em frente. Gostei demais dessa praia. Possivelmente gostei ainda mais pq o sol abriu nesse fim de tarde. Fomos andando para o deck local, de onde curtimos nosso 1º pôr do sol da viagem, já pelas 19hs. Pôr do sol no Rio Tapajós, um espetáculo. Curtir pôr do sol passou a ser escala obrigatória no fim do dia. Relax na Praia do Cajueiro Pôr do sol em Alter do Chão Voltamos para a pousada e fomos curtir um relax na piscina. Fui comprar umas cervas na praça do lado, a do carnaval “sujo”, mas ainda estavam montando as estrutura. Vi que um dos blocos de lá chama-se “Há jacu do pau”, e isso ficou martelando nossa cabeça durante a viagem. Depois do relax e de um bom banho, voltamos para o centrinho para jantar. Fomos no Piracuí, com boa vista para a galera nas mesinhas lá embaixo, e um showzinho que rolava. Bem bacana. Comemos muito bem no Piracuí! Na volta, como em todos os outros dias, rolava um som altíssimo do carnaval “sujo”. Mesmo assim, chapamos na cama. Dia 2 Acordamos cedo, sob chuva. Sem chance de fazer nada decente. A ideia era fazer passeio de barco. A chuva só amenizou às 9:30, que foi quando saímos. Em frente à ilha do Amor, na Beira Rio mesmo, tem a associação dos barqueiros. É lá que vale a pena verificar e negociar passeios (e preços). Os preços são inicialmente tabelados, mas rola negociação. Como estávamos em quatro, sempre negociávamos o pacote. Mas imagino ser mais complicado para quem estiver sozinho ou em dupla. No dia anterior um barqueiro, o Moisés (93-9175-8441), nos contatou. Não estávamos na vibe de fazer passeios no 1º dia, mas queríamos ouvir as opções e preços. Tinha um passeio para o Canal do Jari + Praia Ponta de Pedras que saía por 400 para o grupo. Ele fazia por 350. Voltamos lá no 2º dia, mas teve de rolar negociação. “Hoje é domingo, o desconto era pra ontem”, e tal. Fechamos em 370. Partimos. O barco foi batendo um pouco na ida até o Canal do Jari. É lancha rápida, então vai batendo mesmo. Chegando lá as águas se acalmaram. E nisso pudemos tentar observar alguns bichos, majoritariamente pássaros. A chuvinha eventualmente voltava, mas beeeem de leve. Fora isso víamos casinhas aqui e ali, comunidades ribeirinhas que dependem integralmente do transporte fluvial. Ali já tem as águas mais barrentas do Rio Amazonas. Fomos então ver Vitórias Régias. A que fomos fica numa das casinhas ribeirinhas, que tbm era um mercadinho. Custou 10 por pessoa. Além do barato das plantas, vc acaba conhecendo um pouco as pessoas de lá e a vida delas. É bem bacana. Mas não pode pisar! Depois fomos para outro local, onde fizemos uma trilha na selva (15 por pessoa). Trilha na selva é passeio clássico da região amazônica. Vimos e ouvimos pica paus, vimos uma enorme jiboia enroscada no alto de uma enorme árvore, algumas preguiças tb lá no alto, muitos macaquinhos etc. É bacana, mas vai sempre depender da natureza pra ver os bichos. Ainda dava pra fazer a pé (eles providenciam botas), mas dias depois estaria alagado, e aí só de barco. Uma coisa que estava realmente pesada por lá eram os mosquitos. Tomamos banho de repelente, e ainda assim alguns descobriam partes vulneráveis e atacavam. Uma menina na minha frente (que não quis repelente) tinha as costas cobertas de mosquitos toda vez que eu via. Meio difícil de ver, mas era uma Jiboia no alto da árvore Curtida a trilha, fomos para a Ponta das Pedras curtir praia. E o sol abriu de vez. Já eram mais de 14 hs, ficamos lá de relax até o fim da tarde. Curtimos o por do sol, sem sol dessa vez (havia nuvens no horizonte), na famosa Ponta do Cururu, mas dentro do barco mesmo, pq uma chuva se aproximava de nós – e nos alcançou assim que chegamos em terra firme. Vimos botos enquanto curtíamos o pôr do sol. Aliás, vimos botos quase todos os dias. Ponta de Pedras Pôr do sol na Ponta do Cururu Fomos pra pousada, curtimos a piscininha de início da noite, antes de voltar para o centrinho. Nesse dia vimos vários ônibus em fila partido para Santarém. Maior galera na fila para entrar nos ônibus. Até hoje não sei se iam ou voltavam. Curtimos o showzinho de Carnaval que rolava na praça perto do rio, jantamos e voltamos. Dia 3 Esse dia seria o do passeio à FLONA (Floresta Nacional do Tapajós), mas a mulherada amarelou. O barco batendo na água no dia anterior impôs algum receio. (não se iludam, não é nada de mais, depende muito do grau de cada em relação a passeios de barco em rio – seja em relação a medo, seja em relação a enjoo). Dia estava nublado de manhã, mas ao menos não chovia. Foi o melhor amanhecer até então! Acertamos com nosso barqueiro Moisés um passeio alternativo: Lago verde, alguns igarapés e Praia do Pindobal, pra morgar. Saiu por 250. Fomos primeiro para o Lago verde, que fica logo “do lado”. É bem bonito, passeio bacana. Só de barco, embora eventualmente vc possa descer em alguma praia e/ou mergulhar. A floresta encantada, que compõe um dos passeios de barco, ainda não “existia” na época, só quando o rio estivesse mais cheio. Anotei que ali era Cuicuera, mas agora não me lembro se era o nome da floresta ou de alguma outra coisa. Falha minha. Foi visita relax e relativamente rápida. Partimos para Pindobal. Antes ainda passamos rapidamente pela Ponta do Muretá. Paramos no Pindobal, sem praticamente ninguém, e estacionamos de vez. Fiz uma longa caminhada em direção ao sul da praia e voltei. De resto, morgamos o dia todo. Tijucas, Piracuí, tambaqui desossado, águas calminhas (eventualmente até quentes!). Amem. E sol, a partir de uma determinada hora até o fim do dia. Barquejando pelo lago verde Praia do Pindobal Pôr do sol do dia foi na Ponta do Muretá. Dessa vez ele se pôs atrás de nuvens ao horizonte. Ainda assim, o espetáculo persiste. Pôr do sol na Ponta do Muretá De volta à cidade, repetimos o programa anterior de piscina + assistir ao showzinho na praça principal + jantar. Dia 4 Esse foi o dia da FLONA, finalmente. Mulherada aquiesceu. Choveu forte de noite, fazia sol de manhã. De barco até a comunidade Jamaraquá dá +- 1 hora. Ida foi tranquila. Chegando lá, o Moisés nos levou ao guia pela floresta, o Seu Lourenço. Ele assava uma tartaruga para posterior refeição. Dele, não nossa. Tradições diversas. Antes da trilha, conhecemos um pouco da comunidade, muito rapidamente. E aproveitamos para pedir nosso almoço. Escolhemos peixe. Tinha filhote e pirarucu. Tá ótimo, é o que buscamos mesmo. A trilha é coisa de 10km pela floresta, leva 4 hs no máximo (condições normais). Programa muito semelhante ao que tem em hotéis de selva na Amazônia, tem o barato de conhecer fauna e flora, e com o atrativo de uma Samaúma no meio da trilha. Tínhamos visto uma Samaúma enorme meses antes na Ilha de Santana, nos arredores de Macapá. Mas é sempre bacana. Como é floresta tropical, vc sua o que houver de líquido no corpo. Bichos da Floresta Um cogumelo chamado "Véu de Noiva"... A Samaúma centenária Terminamos a trilha por volta das 14hs e fomos para o almoço relax. Muito farto, muito saboroso. Escolhemos uma mesa bem no meio do vento para tentar espantar as moscas, mas nem assim (moscas eram figuras constantes nas refeições diurnas da região). Pratiquei o pecado da gula, comi muito, deu bode. Depois disso fizemos um passeio de canoa (a remo) pelo igapó local. Foi uma delícia de passeio, belíssimo, mas que não consegui curtir na plenitude por conta de fatores externos (desconforto na pequena canoa, sol a pino na cabeça, sono pós comilança). A paz, o silêncio, os pássaros, o rio praticamente imóvel... toda essa paz foi quebrada por um barco a motor, e com som de música alta, que entrou no igapó, mas felizmente logo zarpou. Amem. O passeio levou cerca de 1 hora. De barco a remo navegando por entre a paz e o silêncio da FLONA Fizemos os acertos com a galera. Guia saiu por 100 para o grupo. Almoço também (e não sei se era 25 por cada um, ou se era 20 e pagamos o do guia; sei que foi barato pela qualidade e quantidade). Barco a 60 para o grupo. E partimos de volta. Ainda dava tempo de curtir o pôr do sol em algum canto bacana. Já eram 18hs! Primeira pausa foi na Ponta do Maguari. Espetáculo. Lindo lugar. Excelente pra curtir pôr do sol. Mas nosso pôr do sol do dia foi mais adiante, na Cajatuba. Outro lugar espetacular. Eventualmente nesses lugares havia algum barco sem noção com som nas alturas quebrando o clima de paz, mas pelo menos havia espaço para fugir do som. Ponta do Maguari Pôr do Sol na Cajatuba E enveredamos por nossa longa volta, chegamos de volta à cidade já de noite. Barco veio quicando. Tanto na ida quanto na volta vimos botos nadando. Na chegada, a chuva. De novo. Amem, que bom que não foi ao longo do dia! Assim que a chuva arrefeceu, fomos direto comer o carpaccio de pirarucu do restaurante logo em frente, muito saboroso! Tínhamos comido no dia anterior e adoramos. Dessa vez voltamos só pra comer o carpaccio, de gula, pq já estávamos mais que satisfeitos com a comilança do almoço. Nesse dia não teve showzinho na praça perto do rio, mas na praça “suja” a barulheira rolou como sempre. De noite fui lá na praça da festa “suja” comprar cerveja, em meio à festança. Foi quando observei melhor como era a festa e a coisa de ter um palco com um som e outros carros de som na mesma praça com outros sons, todos muito altos. Acho estranha aquela mistura, mas presumo que cada um curta o seu som. Ninguém me jogou espuma, nem maisena. Amem. Dia 5 Nosso último dia foi relax, meio que um repeteco do primeiro. Com o adianto de ter sido um dia de sol! Ficamos de bobs na Ilha do Amor e na Praia do Cajueiro ao longo de todo o dia. Andamos de caiaque, fomos para longe e o mais bacana disso foi ver botos nadando perto de nós. Comemos mais bolinhos de piracuí, nadamos muito nas águas quentes e calmas. Pôr do sol foi atrás das nuvens novamente, além de eu ter chegado atrasado para o evento. A cidade estava meio morta na Quarta de Cinzas, restaurantes fechados (alguns abririam mais tarde). Acabamos jantando na praça central, hamburguer de filhote. Muito bom. Sol, praia e relax na Ilha do Amor Último dia foi o de mais sol na viagem Nesse dia voltamos mais cedo para tentar dormir alguma coisa. Nosso transfer nos pegaria no começo da madrugada para o périplo da volta. Santarém – Brasília – Rio, direto para o trabalho. E assim foi mais um feriadão desbravando algum canto pelo Brasil! ------------ [Fotos majoritariamente do instagram da Katia]
  7. 1 ponto
    Bem amigos do Mochileiros, crio este tópico com a intenção de facilitar ao máximo o planejamento de quem pretende viajar para a Itália (com um bônus na Suíça) e nunca foi antes, como era o meu caso. Não sei se chamo isso de Guia, FAQ, perguntas e respostas, etc...mas como dizem que o diabo mora nos detalhes, resolvi compartilhar com vocês todos os detalhes que não encontrei em nenhum site/blog de viagens enquanto estava planejando a minha viagem (embora alguns tenham sido bem prestativos de fato e irei mencioná-los ao longo do relato). Não vou entrar em detalhes sobre as atrações em si, a internet já está inundada de informações quanto a isso e a grande verdade é que a experiência de ver monumentos de mais de 2 milênios de idade é muito melhor do que qualquer foto possa proporcionar. O que vou procurar mencionar é o que vi nelas e/ou no entorno delas que seria legal eu ter sabido de antemão e não encontrei informação prévia. Porém fico desde já à disposição para tirar alguma dúvida sobre algum lugar que tenha estado, basta perguntarem. Como vai ficar muito grande isso aqui, e não estou com tempo de digitar tudo em uma tacada só, vou criar um post para cada um dos temas abaixo: 1 - Preparativos gerais / Roteiro 2 - Cia aérea / Vôo 3 - Aeroportos e Imigração 4 - Hospedagem 5 - Transporte Público 6 - Alimentação 7 - Atrações 8 - Segurança e sociedade Em cada seção haverá o maior detalhamento possível de preços/horários/localização dos serviços. Bom, vamos lá.
  8. 1 ponto
    O calendário marcava 17 de Julho de 2017 quando entrei no grande passáro denominado DT 745 da TAAG Linhas Aéreas de Angola (Boeing 777-300), Linhas Aéreas de Angola, rumo ao país que há muito quis colocar os meus pés. Era o culminar de um processo não tão longo mas que demandava um pilha de documentos para que nesta data tudo corresse ao meu favor. Depois de horas em espera, o voo começou, para minha alegria. Não houve turbulência nem sono capaz de dissipar a ansiedade de aterrar na “Pátria Amada e Idolatrada”, não só pelos nativos mas por muitos povos espalhados mundo a fora. Antes do dia amanhecer, a assistente de bordo anunciava a descida de aproximação à cidade de São Paulo, lugar onde o avião fazia escala. Depois de todos os passagairos que terminariam a viagem naquela cidade terem descidos, seguimos ao ponto final onde os restantes passageiros à bordo desceriam. Quando o sol envergonhadamente aparecia, os altos montes atravessavam as nuvens, denunciando a Cidade Maravilhosa que há muito gostava de conhecer. As 6h, hora local, acabávamos então de diminuir o tempo útil daqueles pnéus que deixavam mais uma vez a sua marca naquele pavimento. “Bem vindos a cidade do Rio de Janeiro”, dizia a assistente que teve sua fala acompanhada de uma salva de palmas. Era perceptível a minha emoção, pelo que, não tirava os olhos da janela do avião para contemplar a cidade que estava a minha inteira disposição. Um aeroporto magnífico me recebera de braços abertos, representando a grande estátua conhecida. Para quem nunca tinha saído do país, era um mundo totalmente novo à minha frente. Junto de um amigo, Bráulio que esperava por mim no aeroporto, nos dirigimos então de taxi ao hotel onde ficaria por três dias. Olhando pela janela do hotel, cumprimentava a cidade com uma viva e emocionante voz: Bom dia, Rio de Janeiro!! O primeiro dia resumiu-se em olhar da sacada do hotel a linda baia de Guanabara, localizada na Ilha do Governador. Uma lugar calmo e gente educada. O dia ganhou destaque quando voltando ao hotel, depois de acompanhar o Bráulio, perdi o caminho, pois as ruelas pareciam totalmente iguais. Não podia me dirigir pelo aplicativo do celular, pois havia deixado no hotel, tampouco pegar um taxi, uma vez que havia também deixado a carteira. Mas como diz o velho adágio, quem tem boca vai China, consegui chegar após 30 minutos andando em cículo. O mau tempo impedia-me de sair daquela porção de terra para conhecer o Rio que via pela televisão. Ventos e chuva se faziam presentes naquele primeiro dia, o que impedia a travessia da ponte que ligava a ilha da grande parte da cidade. No dia seguinte o tempo havia melhorado, mas ainda era notável alguns chuviscos. Como era meu último dia pra curtir a cidade, visto que no dia seguinte partiria pra Anápolis, não pude esperar e liguei de imediato para o amigo pedindo que me levasse pelo menos à Copacabana, no Calçadão mais famoso do país. Ele apareceu e de seguida pegamos o ónibus em direção ao Campus Universitário da UFRJ e de lá um outro para o nosso destino. Enquanto passávamos as ruas do centro da cidade, pude apreciá-las com tremenda emoção. Conheci o Sambódromo, onde desfilam as grandes Escolas de Samba da cidade, o campo do Fluminense Futebol Clube, a orla da praia do Botafogo, linda por sinal, onde pudemos ver de longe o famoso Pão-de-Açúcar, e finalmente chegamos a um dos bairros mais nobres do Rio, locação constante de filmes e novelas. Copacabana! Descendo do ónibus, andamos algumas ruas e logo avistei a magnífica orla daquele bairro. Uma sensação única, indescritível. O concretizar de uma sonho. E para fechar com chave de ouro, não podia deixar de tomar uma água de coco e pisar na areia daquela praia linda. De volta à Ilha, já no hotel, não tirava os olhos do celular para rever as imagens daquele momento ímpar. Era o fim de minha estada na Cidade Maravilhosa. Despedia a cidade enquanto me dirigia à Rodaviária rumo a Anápolis. Passagem e passaporte em mãos, subi no ónibus e começámos a viagem que duraria aproximadamente 24hs pela Companhia Util, com uma paragem em Brasília. Depois de passar em algumas cidades mineiras e goianas, chegamos na capital do Distrito Federal. Já na rodoviária, linda por sinal, desci e comprei do outro lado um lanche, pois a fome batia. Sem saber que teria de pegar um outro ónibus. O ónibus que me trouxera já não estava no local, havia ido com todas as minhas coisas. Fiquei deseperado. Corria de um lado pro outro para tentar resolver os problemas que afinal eram dois. Primeiro é que havia deixado as malas, segundo é que não tinha em mãos o papel da conexão (erro do vendedor lá no RJ). Me dirigi à agência da transportadora e expliquei a situação. Depois de muitos minutos de pura adrenalina, trouxeram as minhas coisas e deram-me a passagem da conexão. Já descansado e dentro do ónibus para a cidade de Anápolis, pude descansar ainda mais e estar em constante comunicação com o André, um amigo brasileiro que aceitou em me pegar em uma BR isolada. Correu tudo como planejado. Mas antes de ir pra casa, fui desviado para um rodízio de todo tipo de comida e sobremesas. Já em casa do Ernesto um outro amigo angolano que abriu as portas de sua casa pra me receber, pude dormir, mas depois de muitas horas de prosa, juntamente com outras pessoas que lá estavam e que pude conhecer. Foi uma semana incrível, cheia de atracções com pessoas mais que especiais. Guardarei bem lá no fundo do coração as marcas positivas que esta cidade deixou em mim. Não era uma cidade grande, como as principais capitais do Brasil, mas fui cativado pela imensurável bondade das pessoas que lá encontrei. Eram amigos já conhecidos e desconhecidos, familiares de amigos e muitos conterrâneos que escolheram aquele país para a sua formação académica. Não podia deixar de citar a Cícera amiga brasileira que saiu de Brasília para passar o final de semana em Anápolis quando eu ali estive. Já no finalzinho da minha estada na cidade, fui levado a conhecer a capital do estado onde me encontrava, Goiânia. Que cidade alta! Edifícios bem maiores que os do Rio de Janeiro. Antes de desfrutar da cidade, fomos recebidos em casa de uma família acolhedora e muita simpática com um almoço delicioso, com uma dose de alegria. Como tínhamos apenas um dia pra estarmos ali, saímos em direcção ao Shopping Flamboyant, onde pudemos passear, saborear alguns sorvetes e fazer amigos em um momento inusitado. Entramos sem qualquer intenção de compra em uma loja de roupas caríssimas. Não compramos peça alguma pelo alto valor, entretanto, fizemos uma festa com os vendedores da loja. Nos apresentamos, contamos nossas histórias e eles as suas, trocamos contatos e criamos um grupo no WhatsApp, onde por algumas semanas trocamos mensagens e partilhamos momentos divertidos. Que momento! Aquelas pessoas puderam muito bem representar o povo daquela cidade. Ainda no Shopping, tiramos algumas fotos e de seguida partimos para o parque próximo do lugar onde estávamos. Deu pra passear e apreciar a linda Goiânia. Era então o fim daquela visita. Voltamos pra humilde Anápolis, mas a capital de Goiás ainda reservava algo a mais pra mim. Dia depois, voltei sozinho pra Goiânia para pegar o ónibus pra cidade de Joinville (Santa Catarina), a convite de um amigo angolano que lá mora. Estando já Rodoviária de Goiânia, esperava sentado o meu ónibus pra a cidade destino. Sem saber que os ónibus da Kaissara e Itapemirim fossem da mesma empresa, eu esperava pela Kaissara, que era o nome que constava na minha passagem e pelo fato de que o vendedor lá em Anápolis afirmou que deveria eu esperar pelo mesmo. Cinco minutos depois do horário previsto, estacionou o ónibus da Itapemirim na plataforma 26 onde deveria estar o esperado. Como a organização era o que caracterizava o Brasil, pelo menos o que me parecia, achei o que não fosse o meu ónibus e esperei mais um pouco até que chegasse o Kaissara. Nada! Esperei tanto que tive de perguntar pra quase todos os trabalhadores da Rodoviária para que alguma informação concreta me fosse dada, pois já eram quase meia-noite, e o horário da viagem seria 22h:40. Foi então que um moço me disse que o ónibus já tinha saído. Não conseguia acreditar, pois não tinha cochilado em nenhum instante. O guiché da empresa já havia encerrado e quase todos já tinham embarcado para seus inúmeros destinos. Fiquei desesperado, mas consegui manter a calma. Rs. Entrei em contacto com uma amiga, Eufrásia (que seria de mim sem ela), que depois de uns momentos de risos, não acreditando no que ouvia, ligou pra Ana, amiga dela angolana que prontamente aceitou em me receber em sua casa para passar a noite. Chamei um Uber (saudades do Uber) e fui pra casa dela. A Ana foi super gente boa comigo. No dia seguinte, junto de um amigo dela fomos a Rodoviária pra resolver a situação. Foi então que o vendedor da Itapemirim nos explicou que os dois ónibus eram da mesma companhia. Nem querer fazer confusão ou processar a mesma, paguei uma multa por não ter embarcado e remarquei para a noite do mesmo dia. Desta vez mais atento, subi no ónibus e seguimos viagem. Pude ver algumas cidadezinhas ao longo da viagem, como Lins, Jacarezinho, Marília. Horas depois chegamos em Curitiba. Achei que não iria conhecer a cidade, mas mais uma vez o futuro me reservava algo que mais pra frente será explicado (rs). Era apenas uma paragem de escala, pois pra mim, o destino era a charmosa cidade de Joinville. Era uma noite fria quando cheguei a Santa Catarina. Já na paragem, me dirigi a um posto de gasolina onde deveria ser pego pelo amigo. Coloco crédito no celular e ligo para o amigo que me convidara, o Pármenas. Houve uma confusão no endereço. Ele não sabia em que posto eu me encontrava. Para piorar, o celular ficou sem bateria. Dava pra piorar mais? Dava sim. Era a hora de encerrar o Posto. Desligaram tudo, fecharam a loja de conveniência e por fim apagaram todas as luzes. Já se fazia tarde e na rua só passava carros e motos. Só não me apavorei pois dois funcionários não haviam deixado ainda o local até eu ser pego pelo Pármenas e sua linda namorada, a Nicole. Isso alguns minutos depois. Mais de 40 minutos pra ser mais preciso. E lá fomos nós à casa. Pude descansar confortavelmente. Muitas horas depois acordei com uma linda vista do centro da cidade holandesa no Brasil. Cinco dias à inteira disposição para apreciar a lindeza de cidade. Como não podia deixar de fazer, revi amigos, conheci gente fantástica e visitei o Mirante de Joinville, lugar incrível onde pode-se observar do alto a grande cidade e experimentar a sensação de pisar sob uma grelha montada no alto do mirante e ter as árvores bem debaixo dos pés. Momentos iguais aqueles eu preciso sempre. Rs Não podia deixar de conhecer uma das praias mais lindas do Brasil, situada na cidade vizinha. Balneário Camboriú. Era a sétima cidade grande que eu colocava os meus pés. Orla fascinante, prédios altíssimos e paisagens de tirar o fôlego. Pena que tivemos de voltar à Joinville no mesmo dia. Não seria nada mal se passássemos por lá a noite só pra ter o gostinho de amanhecer e dar um mergulho naquele mar. Mas antes de voltarmos, visitamos o luxuoso Balneário Shopping. Tinha mais dois dias para dizer adeus à Joinville, uma cidade que há muito via passar pelos canais brasileiros. A despedida não foi assim tão fácil. Houve problema financeiro gravíssimo que quase me impedira de sair. Tudo resolvido a última da hora. Passagem em mãos em direção a Curitiba, onde pegaria outro ónibus para o primeiro amor, Rio de Janeiro, onde a partir de lá pegaria o Avião de volta a Angola. Enquanto saíamos da cidade a caminho de Curitiba, eis que nosso motorista embate ligeiramente no veículo de uma senhora. Ficamos parados mais de uma hora. Mesmo desesperado, pelo facto de perder a conexão, nada podia fazer, visto que estávamos relativamente longe da Rodoviária de Joinville. Não sei o que resolveram, seguimos viagem com o mesmo ónibus e chegamos a Curitiba muito atrasados, e como já era esperado, perdi a conexão. Que desespero!! Parecia que esta palavra era uma acompanhante fiel nas viagens Brasil a dentro. Peguei nos últimos trocados e paguei novamente a multa por não embarcar e remarquei a viagem para o dia seguinte no final da tarde. E o que faria em Curitiba das 20h:30 até as 17h do dia seguinte? Eis que a Eufrásia, que conseguira um lugar pra eu passar a noite em Goiânia entrou novamente em operação e conseguiu mais uma vez um local para eu dormir em Curitiba. Quase meia-noite, me pegaram na rodoviária e fui levado pra casa de um casal que jamais me esquecerei. Ruth e Manuel Catala. Parecia até que eu era uma visita muito aguardada. Me senti constrangido com tamanha hospitalidade que as palavras de agradecimento eram e ainda são insuficientes para expressar o que sentia. Já de manhã, visto que a viagem pro Rio seria no final da tarde, fui levado pelo Moisés a conhecer a cidade onde é a sede da Polícia Federal, aquela que tem trabalhado para colocar o Brasil aos eixos. A admiração por aquela cidade era notória. Tudo bem organizado. As ruas, os parques, as faixas especiais para ónibus, os Shoppings. Pena que não conheci o famoso Jardim Botânico por falta de tempo, mas ainda assim, valeu a pena ter perdido o ónibus, pois posso já dizer que conheço a cidade de Curitiba. Malas prontas, Uber chegando, me despedi daquela família e segui pra Rodoviária. 25 Minutos depois do horário previsto, a Penha chega para ser nossa moradia por mais de 12 horas até ao Rio de Janeiro. Quando eram 8 horas da manhã, já me encontrava na Rodoviária Novo Rio, esperando o Bráulio pra juntos seguirmos ao Aeroporto. Não queria ir sozinho pra não correr o risco de pegar o ónibus errado até ao aeroporto. Chegando no final daquela linha, descemos e pegamos um BRT até ao aeroporto. Era um misto de alegria e tristeza. Alegria porque conseguira chegar a tempo para o Check-in, e tristeza por não querer que aquela viagem terminasse. Momento depois, começava a longa viagem de regresso à casa. Dentro do Avião a saudade já doía, como se uma parte de mim ficasse naquele belo país. Obrigado, Brasil!
  9. 1 ponto
    @LF Brasilia Olá LF! Eu não cheguei a olhar para trás para checar se estava sendo seguido hahaha, mas em alguns lugares eu me senti vulnerável. Como a iluminação da cidade é bem ruim e em alguns lugares as calçadas são inexistentes, me senti bastante exposto. Mas nada que uma atenção redobrada não sirva @romualdo.dropa Romualdo, minha média de gastos era de 1000 rublos. Não dá para ter grandes luxos, mas é suficiente Abraços!
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    Obrigado Henrique! Sim, Lima me parece bem mais atraente do que La Paz. Estou pensando também também em fazer Santiago e Mendoza de onibus, dessa forma, atravessaria a cordilheira dos andes, que parece bem legal.
  11. 1 ponto
    Capítulo 4: Roby, o motorista mais gente boa de Bali. 4º dia (14 de outubro) As 4h15 do voo de Bangkok a Bali passaram com tranquilidade. Para quem havia experimentado as intermináveis horas do Brasil até aqui, isso era como um passeio no parque. A ilha vista de cima é tão deslumbrante quanto sua fama. E, considerando que o piloto precisou dar várias voltas por ela até obter autorização para o pouso, pudemos constatar isso com propriedade. Quando descemos do avião, o famoso por do sol de Bali já estava em seus instantes finais. Conseguimos uma rápida selfie, e partimos para os trâmites de bagagem e imigração. No nosso roteiro original, não fosse o imprevisto da chuva em Bangkok e o voo perdido, estaríamos naquele momento curtindo a hora dourada no templo de Uluwatu, depois de passar a tarde toda desbravando a região nas scooters alugadas. Preenchemos os formulários de imigração e fomos pra fila. Cães farejadores inspecionavam cada passageiro, cada bagagem, e, na nossa vez, bateu aquele paranoico medo de "e se alguém colocou droga escondido na minha mochila?". Para a minha sorte, não foi o caso. Fosse isso, eu nem estaria aqui escrevendo esse relato. O tráfico de drogas é punido com a morte na Indonésia. Seguimos para trocar alguns dólares. Bastou uma nota de 100 para nos tornarmos milionários pela primeira vez na vida. (VIU, MÃE? EU DISSE QUE CONSEGUIRIA!!!). Com a cotação de Rp. 13.100 por dólar, pegamos Rp. 1.310.000, mais que o suficiente para o Uber até o hotel, a diária e o jantar. Eu disse Uber? Que inocência a minha. A gente não conseguia localizar o ponto de encontro nem por decreto. Não bastasse isso, cerca de setecentos e vinte e nove motoristas ficavam nos abordando num frenesi diabólico oferecendo corrida. Mas não era uma simples oferta, era uma aporrinhação do c*ralho. Eles enchem o saco com FORÇA. Ficam te seguindo, insistindo, e quando você se livra de um, vem outro. Eu e Antenor já estávamos a ponto de cair na porrada com um deles, quando enfim nos demos por vencidos. Não seria possível achar o Uber. Fechamos por Rp. 120.000 o trecho do aeroporto até o nosso hotel em Uluwatu (não era um trecho muito pequeno), um pouco mais caro que o que pagaríamos no Uber, porém não reclamamos depois que nos demos conta da distância percorrida. Chegando no nosso hotel, o Batu Kandik Homestay (simples, prático, e que nos serviria apenas para uma noite), pagamos a diária de Rp. 305.490, conforme reserva do booking (reservamos praticamente todas as hospedagens dessa viagem pelo booking, e todas com a opção de cancelamento gratuito). Pedimos um jantar na recepção, e eles foram a um restaurante buscar para a gente. Junto com uma Bitang 600ml, a famosa cerveja balinesa, ficou por Rp. 134.000 o casal. Fomos para a área da piscina relaxar e tomar nossa cerveja. O céu completamente estrelado. Aquela cerveja gelada. A noite quente, mas com uma brisa agradável. "Meu Deus, eu estou em Bali". Foi um daqueles bons momentos em que nos damos conta do quão abençoados somos por essas experiências vividas num mundo tão injusto e desigual. "O jantar de vocês chegou", disse o garoto da recepção num inglês de sotaque engraçado. Seguimos para o quarto e abrimos as sacolas de comida. Isso mesmo, SACOLAS haha. Como pedimos às escuras, sem saber o que cada nome daquele significava no cardápio, nos deparamos com algumas sopas rs. Se a apresentação não estava lá essas coisas, o gosto estava. Bem apimentado, porém delicioso. Aliás, "apimentado, porém delicioso" seria uma constante em nossas refeições durante essa viagem rs. Era hora de dormir. Havíamos combinado com o Roby, nosso motorista, de nos levar cedo para um passeio pelos principais templos e praias daquela região da ilha. E não poderíamos ter escolhido pessoa melhor para isso. SALDO DOS DIAS (dividido por pessoa): Rp. 60.000 - Táxi Rp. 152.745 - 1 diária no Batu Kandik Homestay Rp. 67.000 - Jantar e cerveja TOTAL: Rp. 279.745 (USD 21) _______________________________________________ Roby, o motorista mais gente boa de Bali. Eu precisava fazer um capítulo a parte para esse cara. Durante o planejamento dessa viagem, eu me convenci de que, devido ao tempo que tínhamos disponível e a quantidade de coisas que queríamos fazer, precisaríamos contratar um motorista/guia privado em Bali. Pesquisando bastante pela internet, cheguei ao nome/e-mail de uns três que eu julguei confiáveis, dados os relatos apresentados. Apenas dois me deram o retorno. Nas negociações, o Roby foi o que me transpareceu mais confiança. E como eu estava certo! Roby é um balinês como eu quero guardar na memória. Solícito, atencioso, esforçado, trabalhador e sorridente. Tratou a gente com a máxima educação, honestidade e cuidado. O melhor de tudo foi quando, de repente, ele começou a arriscar um português com a gente. Quase não acreditamos. Mas logo depois lembramos que estávamos em Bali, o paraíso dos surfistas, e o Brasil é bem forte no surf, então muitos brasileiros vem pra cá. Fazia sentido. Com isso, Roby acabou se tornando um motorista e guia particular especializado em viajantes brasileiros e portugueses. Isso mesmo! Não bastasse conhecer a ilha como a palma de sua mão, ser um excelente profissional, ainda se esforçava para se comunicar em português. Detalhe: aprendeu por conta própria, de tanto atender a brasileiros e portugueses. Nós, que havíamos planejado apenas 1 dia de motorista privado, decidimos contratar 2, de tão satisfeito que ficamos. Ele nos deu altas dicas de roteiro, indicando os melhores lugares, melhores caminhos e a ordem que deveria ser feito, mas isso sem jamais querer forçar um lugar que a gente não queria ir. Ele fez de tudo para atender nossas vontades. Porém, como o trânsito em Bali pode ser caótico nos horários de pico, ele sabia exatamente que ordem seguir e quais horários evitar em determinadas regiões, pois isso poderia resultar em horas preciosas perdidas em engarrafamentos. O preço médio para as diárias de um motorista particular em Bali é de 50 dólares americanos. E isso inclui o carro 4x4 confortável, com ar condicionado (ESSENCIAL EM BALI), gasolina e etc. Foi o que pagamos (Rp. 650.000) na diária do primeiro dia, vez que visitaríamos a região Uluwatu, depois passaríamos por várias praias subindo pela costa, até terminarmos o dia com um por do sol no famoso Tanah Lot (templo do mar), e ele ainda nos deixaria no nosso hotel em Ubud, região central da ilha. Isso totalizaria umas 10 horas de serviço. No dia que nos despedimos de Roby, disse a ele que o indicaria para os demais viajantes brasileiros. Ele me agradeceu como se eu tivesse fazendo um favor filhos dele. Achei aquilo bem bacana. Já aqui no Brasil, perguntei a ele se ele toparia uma parceria. Eu indicaria os serviços dele, e ele, em contrapartida, ofereceria um preço mais camarada para os leitores aqui no mochileiros. Ele topou na hora!!! E não apenas me ofereceu preços mais baixos, como disse que fará um desconto de 10% para os que mostrarem a ele essa imagem abaixo: Isso mesmo!!! Se vocês forem a Bali e quiserem contratar o Roby como motorista e guia particular (um guia de verdade, que explica as coisas em detalhes, e não apenas finge ser guia), ele cobrará Rp. 600.000 pela diária que envolva distâncias maiores (apresentando essa imagem-cupom, o preço ainda cai pra Rp.550.000), e Rp. 500.000 para diárias em locais mais próximos ou de direção única (e com o desconto do cupom, cai pra Rp. 450.000). É muito mais barato do que o que eu mesmo paguei!!! Para entrar em contato com ele, é só procurar por Wayan Roby Parwanto Roby no facebook. O e-mail dele é o [email protected] Eu não vou ganhar 1 centavo sequer com isso. Apenas a certeza de estar indicando um excelente profissional para a galera mochileira, e ajudando um cara super trabalhador a sustentar sua família. Quem por acaso tiver a chance de conhecer o Roby e usar o cupom, não esquece de avisar aqui no tópico. Aproveitem pra me dizer como foi a viagem de vocês. Até a próxima! PRÓXIMO CAPÍTULO: Templos e praias de Bali, a ilha mágica.
  12. 1 ponto
    @LF Brasilia Por sorte, quando fui atualizar os dados do título de eleitor, acabei colocando o nome antigo da minha mãe, sendo assim permaneceu o mesmo da certidão de nascimento. Mas foi por pura sorte e costume de usar o nome anterior dela. Meu novo passaporte ainda não chegou e realmente o anterior era de antes de 2016; não sabia que agora consta a filiação. Já editei meu comentário lá para não gerar confusão com outras pessoas. Obrigado :D Realmente no seu caso foi pior, e pensar que isso tudo é pensado milimetricamente só para gerar receita é de dar raiva. Evitaríamos todos esses problemas com o documento único que já é usado em diversos países.
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    Olá, Stanlley. Em média eu não saberia dizer, mas vamos lá com os custos em geral: Passagens Rio-STM-Rio = 800 pp Transfer aeroporto-Alter = 90 por trecho e por carro Pousada = 900 casal para os 5 dias Passeios variam de 200 a 400 por barco Comida varia como em qq canto Cerveja Tijuca de 600 ml a 8 pratas!
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    DIA 18 – 04/10 - Playa del Carmen Acordei cedo, tomei café e logo fui em direção ao píer comprar as passagens para Cozumel, óbvio que fui no quiosque azul que era mais barato, o ferry saia do mesmo lugar e aparentemente era igual ao outro. Passagem comprada, fui até o local de embarque e acabei encontrando o Danilo e sua tia, também estavam indo pra lá. Ele disse que havia alugado um carro e que buscaria no aeroporto de Cozumel, e eu nem sabia como faria ainda kkk O ferry era bom e confortável, o ar condicionado era bem forte, a travessia durou 35 minutos e lá estava eu na paradisíaca Cozumel. Saindo do terminal, comecei a caçar bicicletas pra alugar, já que não poderia alugar nem carro nem nada, pois no dia anterior descobri que pra poder alugar algum veículo precisa da carteira de motorista, e eu não havia levado a minha imaginando que não precisaria dela. Cozumel é uma ilha onde a parte habitada fica no lado do terminal, tem uma avenida cheia de hotéis, bares e restaurantes, além de várias agências de mergulho, lá é um ótimo lugar pra quem curte isso, pois em Cozumel fica o segundo maior coral de recifes do mundo (atrás de Fernando de Noronha), e também várias lojas de locação daqueles carrinhos de golfe e motos que o pessoal usa pra circular a ilha. Digo circular porque a magia mesmo está do outro lado, na parte inabitada. As praias perfeitas ficam lá, e pra chegar só de veículo, pois a ilha toda tem uns 70km e fazer a pé é impossível. Saindo da avenida da praia, cheguei a uma praça com uma igreja e encontrei um lugar que alugava bicicletas, resolvi pegar ali mesmo, não queria perder muito tempo. Escolhi uma mais ou menos (parecia ser a menos ruim kkk), paguei e mesmo cabreiro tive que deixar o passaporte, era regra lá, pegaria de volta quando devolvesse. Estava muito sol e logo peguei uma espécie de estrada, ao longo do percurso vi poucas casas e algumas vendinhas, parei em uma pra comprar água e um isotônico, a pedalada seria longa. A bike não era muito boa, e levei 1h pra chegar no final da estrada, avistando a primeira praia, o percurso foi de 14Km, andei mais um tanto e parei numa praia que achava ser Chen Rio, uma das mais conhecidas de lá. Era uma praia bonita, tinha uns quiosquezinhos na areia, prendi a bike na entrada (no aluguel veio incluso um cadeado e uma corrente), desci as escadas e me sentei num quiosque, entrei no mar e de repente o tempo fechou, do nada, armou um puta temporal. Pensei, “ferrou”, logo arriou uma água das boas, eu me abriguei num dos quiosques, e após alguns minutos ela parou. Montei na bike e segui pela ciclovia, não havia quase ninguém por lá, só os carrinhos de golfe e as motos que cruzavam a estrada e acenavam ou buzinavam pra mim, provavelmente pensando “que maluco, um tempo desses e o cara fazendo o percurso todo de bike kkk” Logo cheguei em outra praia, e esse sim era Chen Rio (depois me liguei que tem placas indicando o nome na entrada delas). Que baita praia linda, estava sol mas com cara de que poderia chover a qualquer momento, tempo totalmente louco. Tanto que várias vezes choveu, parou e abriu sol. Andei mais um pouco e resolvi voltar, era umas 15h30 e tinha que devolver a bike até às 18h, mas como estava cansado, pois a bike era meio pesada e baixa para mim, quis voltar na manha. Quem for pra lá, recomendo levar a carta e alugar um veículo, compensa muito, tem muita coisa bonita pra se ver lá. Cheguei pro volta das 17h e devolvi a bike, peguei meu passaporte de volta e como estava meio dolorido e bastante sujo e molhado, acabei pegando já o ferry de volta pra Playa. Estava bem ardido do sol (sempre esqueço de passar o raio do protetor) e ainda vim sentado do lado do sol. Tomei um bom banho, e enquanto jantava fiquei conversando com o pessoal, o francês contou que estava já há 2 anos zanzando pela América, só no México estava há uns meses, e contou também algumas histórias escabrosas de corrupção sobre a polícia mexicana. sai pra bater perna na 5ª Avenida, novamente entrei numa conveniência pra comprar e breja e... não podia. Olhei no relógio e eram uma nove e pouco, e aí que o rapaz me informou que era uma lei, acho que local, que era proibido venda de bebida alcoólica após às 21h. Eu pessoalmente acho que isso devia ser para obrigar a consumir dos bares, e como era o único jeito, depois de rodar toda a 5ª Avenida, sentei em um e pedi um combo de duas bebidas pelo valor de uma, lembro que pedi um mojito e não me recordo a outra, mas não eram muito boas não, fora que pensei em enrolar com os gorós, mas o garçom meio que, de um modo sutil, apressava pra consumir logo. VID_20171004_190931192.mp4 GASTOS DO DIA Ferryboat (ida e volta): 90,00 Bicicleta: 200,00 Água + isotônico: 8,00 + 16,00 = 24,00 Sorvete (2 bolas): 98,00 Gorós (2x1): 90,00 Coca (500 ml): 10,00 Continua...
  15. 1 ponto
    DIA 17 – 03/10 - Playa del Carmen A tormenta havia passado e o sol apareceu com toda sua intensidade, a roupa que não havia secado direito estava seca e finalmente pegaria uma boa praia caribenha com tempo bom. Subi ao terraço onde serviam o café da manhã, que era muito bom: café, leite, chá, frutas cortadas, cereal, pão, geléia, manteiga, uma torradeira, tinha uma mina que servia. Sentei com a galera e ficamos resenhando enquanto comíamos. Terminado o café, parti rumo à praia, segui caminhando conhecendo ela toda, primeiro segui direção à Playa Mamitas (indo pro lado esquerdo), andei bastante, o sol estava muito forte, dei uma boa mergulhada, a praia é bonita mas tem aquele raio daquelas algas que tinha em Tulum, pelo jeito é comum nas praias de lá. Depois caminhei sentido contrário, rumo à Playa Playacar, ela fica depois do embarcadouro para Cozumel, é uma praia mais tranquila e vazia (estava quase deserta) e na minha opinião melhor também, tinha menos algas que a outra e o mar é calmo, é muito bonita. Também entrei no mar e fiquei um bom tempo lá. Estava com fome, resolvi sair pra comer. Como estava calor demais e eu estava imundo, fui ao hostel primeiro tomar uma ducha e quando estava saindo encontrei o francês e disse que ia procurar um lugar pra comer. Ele também ia comer e colamos numa lanchonete que ficava quase em frente ao hostel que ele costumava frequentar, comi uns tacos e ele mandou um puta sanduíche (a tal da torta). De lá segui novamente pra praia, dei mais umas voltar e resolvi começar a pegar informações sobre Cozumel, peguei panfletos com os horários e me informaram que os bilhetes podem ser comprados no dia mesmo, pois tem muitas saídas, não é necessário garantir antes. No final da tarde caiu mais um temporal, como de costume, e depois de voltar ao hostel, tomar outro banho e jantar, sai pra dar um rolê, estava muito calor, e ao passar em frente a uma daquelas lojas de conveniência resolvi comprar uma cerveja, mas quando peguei a lata e fui até o balcão, o caixa se recusou a cobrar e disse que eu não poderia comprar. Questionei o porquê e ele só dizia que era proibido por causa do horário. Eram pouco depois das 23h e mesmo indo em outras lojas, a negativa era a mesma, inclusive em algumas a geladeira tinha até corrente e cadeado. Vai entender! VID_20171003_152643517.mp4 GASTOS DO DIA Taco + refrigerante: 48,00 + 14,00 = 62,00 Chocolate + bolinho "Ana Maria": 36,00 Cerveja: 14,00 Continua...
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    DIA 16 – 02/10 - Tulum / Playa del Carmen Acordei umas 9h, ainda chovia pra burro, a rua era de terra e tinha um pequeno lago formado na esquina, achei que me lascaria para ir embora, mas lá pra umas 10h30 parou de chover e aproveitei pra sair rumo ao terminal, o ônibus saia às 12h. Pensa num terminal cheio! O ônibus partiu no horário, e no caminho caiu um dilúvio, tinha até pontos de alagamento (nada de absurdo) na pista já próximo a entrada de Playa del Carmen. Graças a Deus, quando desembarquei no terminal, tinha parado a chuva, e como meu hostel era próximo fui caminhando, só que na rua dele tava bem cheio de água, sorte que minha bota era impermeável. Depois de fazer o check in, fui para o quarto e conversei um tempo com um argentino que tava lá, era gente boa e engraçado. Depois sai para explorar a cidade, o meu hostel ficava a só duas quadras da 5ª Avenida, a principal da cidade. Lá é onde tudo acontece: lojas, bares, restaurantes, baladas, gente, turistas, tudo fica ali, ela é bem comprida e segue paralela a praia, na verdade começa numa praça em frente à praia e vai subindo, no final dela fica mais afastada da praia. Durante todo o dia ficou um chove e para, mas nada muito forte, andei toda a avenida até o fim e voltei, aproveitei para pegar informações sobre Cozumel, tem os ferry boat's que vão pra lá, mas o curioso é a diferença de preços. Tem uma empresa que fica com uns quiosques e lojas espalhadas, chama-se Mexico Waterjets, o quiosque é azul, que custava 45 pesos, enquanto que outra empresa custava bem mais (não lembro agora o valor mas era bem mais alto), tem bastante horário de saída, uma diferença que reparei é que a mais cara tem saídas de Cozumel até mais tarde, acho que lá pra umas 20h30 se não me engano, ou 21h, não lembro; já a azulzinha era até às 18h se não me engano. Olhei em umas casas de câmbio e o dólar estava entre 16.80 e 17.15, e até cotação em real eu achei, mas era bem baixo, em torno de 3,50. Voltando pro hostel, conheci um português que estava no meu quarto, ele era bombeiro no Canadá, pensem num coroa engraçado, eu rachava o bico com ele. Durante a conversa, ele me disse que o tempo estava ruim por conta de uma tormenta que passou pela região (por isso a chuva em Tulum), mas que no dia seguinte ficaria melhor. Sai pra procurar um mercado e achei um Walmart enorme umas ruas pra trás do hostel, comprei as coisas pra fazer minha janta e voltei, e enquanto cozinhava na “imensa” cozinha (só cabia um por vez cozinhando), um francês (pra variar, não lembro o nome), que ainda era mais engraçado que os outros e também estava no meu quarto, passou por lá dando shot de tequila para todos, inclusive para mim. Uma coisa engraçada no hostel é que quando se dá a descarga, o chuveiro dá uma parada kkk Dei um peão pela 5ª avenida de noite e aproveitei para trombar o Danilo, que havia feito o percurso contrário ao meu e estava em Playa com a tia dele, conversamos por um tempo e voltei para o hostel, o argentino , o francês e o portuga estavam bebendo cerveja no terraço e me juntei a eles, ficamos até 1h30 da manhã. GASTOS DO DIA Hostel: 517,00 Mercado: 122,00 Subway: 78,00 + 20,00 = 98,00 Cerveja: 17,00 Continua...
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    Faaaala, galera. Desculpa o "sumiço". Tava colocando umas coisas em ordem, e agora acho que dá pra continuar escrevendo o relato (cada capítulo me consome o tempo livre de um dia inteiro ou mais rs). Comecei a escrever aqui, e acho que amanhã já consigo postar o Capítulo 4. Abraços!!!
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    DIA 7 – 23/09 - Oaxaca de Juarez Lembram quando disse que na CDMX o beliche balançava tanto que não saberia diferenciar de um terremoto? Pois bem, estou eu dormindo de boa e começo a acordar com a cama chacoalhando, logo me irritei porque assim como na Cidade do México não teria paz com o cara da cama de cima... mas pera, NÃO TEM NINGUÉM NA CAMA DE CIMA , eu tava sozinho no beliche. Abri os olhos e vi a cama balançando para um lado e para o outro, olhei para a cama do lado e ela também estava balançando assim como o ventilador de pedestal que ficava no meio do quarto. Olhei para o celular, eram 7h55 da manhã, sentei na cama e logo as outras pessoas que estavam no quarto também sentaram, um deles disse: terremoto, terremoto. Sim, era um terremoto, uma réplica do que ocorreu em 07/09, antes da minha viagem. Apesar do susto, foi muito rápido, durou uns 10 ou 15 segundos eu creio (pelo menos do tempo que percebi), e quando parou levantei e fui até fora do quarto, a moça da recepção disse que às 5h da manhã já tinha ocorrido um, ela acordou com a porta do seu quarto batendo. Voltei para a cama, eram 8h ainda, sabadão e aproveitei para dar uma fuçada no celular. Por volta de umas 8h25, senti um leve movimento para frente e para trás da cama, foram 2 balançadas muito sutis, quase imperceptíveis, mas eu senti. Nesse dia eu iria para o sítio arqueológico de Monte Álban, uma cidade vizinha a Oaxaca, esse passeio é feito por agências de lá mas pode ser feito por conta própria, é muito fácil ir pra lá. Para isso, basta ir em direção ao Hotel Angel de Rivera (descendo a Calle Francisco Javier Mina), bem na frente partem os ônibus para lá (não tem como errar, na frente do ônibus tem uma faixa enorme escrito “Monte Álban), eles tem bastante horário de saída. Tem uma agência que fica na frente do hotel onde comprar as passagens, custa 55 pesos ida e volta, a agência tem Wi-Fi liberado e logo partiu meu ônibus. Era um micro-ônibus bem velho, mas pra quem é tava bom. A cidade fica no alto de um morro, a medida que vai subindo vai ficando uma vista legal de Oaxaca pelo alto, a viagem é rápida, acho que uma meia hora, ele para num estacionamento e de lá você caminha alguns metros até a entrada. Cheguei num horário bom, comprei a entrada e logo que passa a catraca tem um museu interessante. De lá comecei a explorar o local, era bem grande e tinha bastante coisas pra ver. Infelizmente não dá pra subir nas pirâmides, mas o rolê é bem legal, devo ter ficado lá umas 2h pelo menos, por volta do meio dia decidi ir embora pois sairia um ônibus aquela hora, o próximo era só ás 13h e como só faltavam umas tumbas que ficavam bem longe (tem uma réplica delas no Museu da Antropologia na CDMX) e depois ficaria lá sem fazer nada deixei quieto e parti pro estacionamento, fora que o calor era bem forte e estava cansado. Quando o ônibus parou na agência de onde havia partido, dei uma entrada rápida na Internet pelo Wi-Fi de lá e descobri que o tremor que senti de manhã foi um terremoto de 6.1 que foi sentido até na Cidade do México, o epicentro inclusive era uma cidade há 300 km de onde eu estava. As 5h40 havia tido um de 5.8 em Chiapas (o que a moça da recepção sentiu), esse de 6.1 às 7h52 e duas réplicas: 8h24 e 8h25 de 5.8 e 5.4 ( o tremor leve que senti na cama depois). Tratei de ligar pra minha irmã pra avisar que estava tudo bem antes que eu virasse órfão e continuei meu rolê pela cidade. Era um dia bem ensolarado e o calor era bem forte, até mais que na CDMX, parei pra tomar uma raspadinha (não curti muito, tinha gosto de gelo com açúcar) enquanto rolava outra apresentação de noivos com os bonecões e a banda, devia ser costume local quando alguém casa. Fiz mais algumas degustações de mezcal , fechei o tour para o dia por 180 pesos (os preços eram em média de 200 pesos mas vi por mais que isso); dei uma volta pelo Zócalo, onde estava tendo uma apresentação bem bacana e voltei para o hostel. No caminho ainda flagrei algumas casa que tinham sofrido avarias por causa do terremoto. Já no hostel, um australiano que trabalhava no hostel disse que haveria um churrasco à noite e perguntou se eu queria participar, topei, lógico . Aproveitei pra fechar o hostel em San Cristobal e quando a rotineira chuva de final da tarde (sim, todo o dia no mesmo horário chovia) sai pra comprar cerveja (lá o vasilhame também custa 6 pesos, mas o hostel tem alguns pra emprestar). Enquanto lá fora o mundo desabava, o churras rolava lá dentro, mas é aquele churrasco padrão gringo, o cara assa uma carne com um molho meio adocicado (muito bom) e serve individualmente, aí tem um tipo de uma maionese só que sem maionese (não sei explicar melhor), uma guacamole (picaaaaaanteeeee) e um arroz. A noite com a galera tomando uma gelada e trocando um ideia, inclusive fiquei conversando com uma finlandesa chamada Pinha (pelo menos entendi isso) que falava bem espanhol e disse que viria ao Brasil esse ano. GASTOS DO DIA Onibus: 55,00 (ida e volta) Monte Alban: 70,00 Lanchinho (sanduíche e iogurte): 40,00 Raspadinha: 15,00 Doce na rua: 10,00 Sal de gusano: 20,00 Cartões Postais: 15,00 (3) Tour: 180,00 Cerveja: 48,00 (2) BBQ: 100,00 Continua...
  20. 1 ponto
    DIA 6 – 22/09 - Cidade do México / Oaxaca de Juarez Levantei por volta das 5h, já tinha deixado a mochila pronta e logo sai, peguei o metrô vazio e rapidamente cheguei ao Terminal TAPO, fiz hora usando o WI-FI (todos os terminais da ADO no México tem Wi-Fi disponível e muito bom por sinal) e embarquei rumo à Oaxaca, seriam umas 7h de viagem. O ônibus até era bom, a viagem foi tranquila (tirando uma mulher com uma criança sentada ao meu lado que me dava alguns chutes durante a viagem), o motorista colocou filme pra passar, a estrada era boa e o tempo também estava bom, só peguei um pouco de transito na entrada de Puebla e também na entrada de Oaxaca mas de resto foi tranquilo, e após 7h lá estava eu em Oaxaca de Juarez, capital do estado de Oaxaca. Aproveitei que estava no terminal para ver o preço da passagem para San Cristobal de Las Casas e estava bem abaixo do que eu havia cotado, decidi já comprar, pois ficaria só dois dias em Oaxaca. Comprei para domingo à noite, pois como seriam umas 10h de estrada aproveitaria para dormir no ônibus. Olhando pelo mapa no celular não era muito longe do terminal até o hostel e fui andando mesmo, estava um baita sol e muito calor mas fui assim mesmo. O único problema é que me confundi e comecei a ir para o outro lado, quando notei havia andando um bocado, tive que voltar até o terminal, andei mais que o devido mas não foi nada de muito absurdo. O centrinho era bem bonitinho, tinha uma carinha de Paraty, e meu hostel ficava bem no centro histórico. O problema foi achar ele, pois olhava o endereço, olhava no mapa, e na altura do número indicado tinha uma casa meio velha sem identificação, toquei a campainha e era lá mesmo. A moça da recepção fez o check in, me mostrou o hostel, deu um papel onde tinha o regulamento do lugar e cobrou uma taxa de 50 pesos pela chave, que seria devolvido no check out. O hostel era bacana, tinha um clima meio “vibe positiva”, uma redes e umas almofadas no chão; a cozinha era bem equipada (me arrisco a dizer que foi a mais equipada que encontrei em todos os hostels que fiquei até hoje), o quarto era bem grande, a cama tinha um esquema de tomadas e lâmpada individual em cada uma; tinha bastante banheiro e o que eu usava tinha prateleira dentro do box pra por as coisas. Perguntei a moça como fazia para ir a Monte Álban e ela me deu um panfleto com informações de horários e onde pegava o ônibus. Como de costume sai pra bater pernas, a cidade era bem bonitinha mesmo e segui pelo Andador Turístico, uma rua bem comprida que fica fechada só para pedestres. Nela tinha uma loja de mezcal e resolvi ter meu primeiro contato com a bebida típica da região e que, mesmo desconhecida pelos brasileiros, é uma bebida que vem crescendo muito em mercado no México. Ele é uma espécie de primo da tequila, é feito de agave (o nome do cactus usado na fabricação da tequila), mas seu processo é totalmente artesanal. É como se a tequila fosse uma pinga industrial e o mezcal fosse uma pinga artesanal, de alambique. A moça da loja me explicou todos esses detalhes e me deu algumas amostras, tinha o mezcal comum (joven e reposado) e tinha as “cremas”, um tipo de licor feito de mezcal mas com sabores dos mais variados tipos. Quando ia continuar meu rolê, do nada virou o tempo e caiu um puta de um toró, tipo chuva de verão, me abriguei numa espécie de mercado de artesanatos, aproveitei pra dar uma bisbilhotada mas os preços eram absurdamente caros. Fachada de uma casa atingida pelo terremoto de 7 de setembro. Depois de uma meia hora mais ou menos a chuva parou e voltei a andar, aproveitei para dar uma fuçada no preços de passeios, pretendia fazer o tour Arbol de Tule / Mitla / Hierve El Agua, já que Monte Álban eu faria por conta própria. Entrei em umas 3 agências, marquei os preços e fiquei de estudar, já que só faria no domingo. Ainda caminhando pelo andador turístico, vi uma coisa curiosa: uma bandinha tocando, dois bonecos estilo boneco de Olinda vestidos de noivo e um casal de noivos dançando, tava bem animado o negócio. VID_20170922_181012048.mp4 Fui até o Zocalo (é o nome da maioria das praças principais das cidades mexicanas, tipo Plaza de Armas aqui na América do Sul), tinha umas barraquinhas de comida e bebidas por lá, mesmo com o tempo feio estava bem movimentado, e vi uma mezcaleria ao lado e resolvi fazer mais algumas degustações da bebida local (fingindo que não a conhecia ainda). Conheci também dois mercados públicos: o Benito Juarez e o 20 de Noviembre, eles ficam um de frente pro outro e vale a pena dar uma fuçada. O primeiro tem mais cara de mercadão mesmo: frutas, lembranças, bugigangas em geral; e no outro ficam as praças de alimentação, tem de tudo lá. Ainda fiz mais duas degustações de mezcal em lugares diferentes, já devia ter tomado mais de 30 doses de mezcal, mas estava bem até kkk De noite caiu outra chuva forte, mesmo assim sai pra procurar um mercado e achei um Oxxo bem grande na própria avenida do hostel, mas andei umas boas quadras. Fiz meu rango e fui dormir, o hostel estava meio parado aquele dia. GASTOS DO DIA Comida no ônibus: 41,00 Passagem p/ San Cristobal: 356,00 Hostel: 300,00 Doce na rua: 10,00 Cartões Postais: 15,00 Mercado: 32,40 Continua...
  21. 1 ponto
    Ótimo relato! Realmente as agências estão cobrando um preço bem alto. Sem contar que alem de tudo tem que dar uma "vaquinha" para os guias e cozinheiros ahaha Alguém vai fazer essa trilha em Agosto?
  22. 1 ponto
    Levar Dolár é fazer economia de palito, no final nao faz diferença nenhuma entre o Dolar e o Real !
  23. 1 ponto
    Cada um tem seu foco na viagem. Por isso vc tem que saber para onde vai. No meu caso leio muito antes de ir. E toda vez que viajo para pais Sub desenvolvido. Sei os problemas que vou enfrentar. No meu caso o foco era o Mar e mergulho. Nessa parte foi muito bom. O Snorkel e mergulho de Cilindro em Providencia e coisa de louco. Conheço vários países do Caribe. Inclusive o Caribe Mexicano. Prefiro mil vezes San Andres ou Providencia do que Cancun, tanto cidade quanto o mar. Agora Playa del Carmen dá de mil em San Andres (a cidade). Pq o Mar de San Andres é muito mais bonito. O local tem seus problemas que enche bem o saco. A maioria causada pelo povo que trabalha com turismo. Como em qlq pais de terceiro mundo. Fui em Chichen Itza e aquilo era uma baderna, parecia uma feira-livre. Fora que são ruinas históricas, onde os mexicanos faziam necessidades dentro do complexo. No aeroporto de Cancun tentaram me aplicar um golpe, junto com funcionários do Aeroporto. As abordagens dos Mexicanos a turistas eram mil vezes mais chatas e irritantes que em qlq lugar que eu fui. Resumindo gostei de San Andres. O mar é lindo, gostei muito de Jonny Key. Mas lembrando que nunca viajo em alta temporada, quase todos os passeios que fiz tinha pouca gente. Mas o que achei mais bonito foi Providencia, ainda não vi um mar igual aquele. Nem em Cozumel, nem em Trinidad no Caribe Cubano. Lembrando não existe uma parte Cultural na ilhota. Por isso os turistas fazem San Andres junto Cartagena. San Andres e Providencia é pitoresco. Principalmente Providencia, parece uma Jamaica de filme americano. O povo lá é comédia, falam igual aqueles povo de bairro violento de filme americano da década de 80.
  24. 1 ponto
    Impulsionado por algum relato lido aqui, na procura de um lugar pra passar as férias depois de um ano bem atribulado no trabalho, resolvi passear no final do mundo. Primeiro, ia fazer a trilha até Plaza de Mulas, no Aconcágua. Muito caro. Ushuaia. Pareceu urbano demais. Torres del Paine. Estava melhorando. Mas será que tem algo além disso? Tinha... Preparação: Navarino, pra quem está acostumado a fazer trilhas ou travessias de alguns dias, não apresenta dificuldade técnica. Não há grandes relevos nem trechos de escalada. Há dificuldade de orientação em alguns momentos, mas meu pior inimigo foi o clima. Levei tudo dentro sacos estanques e tudo tem que estar em algum recipiente impermeável. Escolha bem sua roupa de chuva, porque você vai estar com ela o dia todo, leve um par de meias pra cada dia e um par extra (mantenha os pés secos!) e muda de roupas pra dormir. Tive problemas com a barraca, que vou explicar mais além. Obs.: Todos os guias de viagem recomendam fazer em cinco dias. Acho que quatro são suficiente, podendo fazer até em três se gostar de andar bastante (emendando dias 1-2, 3-4 e o 5 sozinho). No verão você tem por volta de dezoito horas de luz diárias, se considerar uma média de 6-7 horas de caminhada por trecho, emendando dois trechos ainda sobra luz ao final do dia. Na verdade, não estava muito afim de chegar duas, três da tarde nos acampamentos e ficar oito horas fazendo vários nadas dentro da barraca, debaixo de chuva até a hora de dormir. Conheci no hostel um francês que fez a travessia em DOIS dias, mas acho meio insano e... sinceramente, depois do trabalho que deu pra chegar lá você quer fazer tudo correndo? Orientação: Levei um Garmin eTrex 30x com mapa do Proyecto Mapear e track do wikiloc, procurei a mais detalhada. Até dá pra se virar sem ele se não tiver neve no caminho, mas alguns trechos são um pouco confusos. Também foi junto o Guia de Trilhas Trekking (Vol. 2) da ed. Kalapalo como backup, caso ficasse sem baterias. Acabei consultando os dois em algumas horas... Vale lembrar que só nevou no último dia. Vi que muitos gringos usavam bastante o aplicativo MAPS.ME no celular. Usei o Strava pra registrar a caminhada, mas no final do terceiro dia fiquei sem bateria, mesmo com power bank. Acho que esqueci de carregar completamente antes de sair. Comida: Liofilizado para 6 dias (sou meio paranóico com ficar perdido e achar que vou ficar isolado do mundo por dias até ser resgatado, então levo comida extra sempre) - usei aquela dica de fazer a refeição principal antes de sair, de manhã, e deu super bem. Fiz sempre o equivalente a duas porções/dia (1 refeição pra 2 pessoas ou misturava 2 porções individuais). Um sachê de capuccino pra cada manhã e um envelope de sopa de caneca pra cada noite. Além disso, comprei no mercadinho um pacote de frutas secas pra comer no caminho, meia dúzia de pão sírio pra comer com a sopa e um salame. Água: o primeiro dia é meio escasso, então saí do hostel com 2l (1l na garrafa e 1l no reservatório). Do primeiro acampamento em diante a água é abundante e limpa, não precisa se preocupar em estocar muito. Pegue água dos córregos e degelos, evite das lagoas (pode haver cocô de animais, eles nadam, moram lá, etc). Levei pílulas de cloro mas não utilizei. Algumas coisas que falaram pra levar porque ia ser importante e não usei: Repelente: Falaram que tem insetos mil, era indispensável, leve litros, existem nuvens voadoras que fazem o céu ficar preto, aquele exagero todo. De fato tem bastante insetos próximo ao lago e nos bosques, mas eles não incomodaram nem fui picado. Lanternas: nem de cabeça nem de barraca - como tive só 4 horas de escuridão lá e não escurece 100%, só ocupou espaço... Protetor Solar: a radiação é terrível neste ponto do planeta, mas os dias estavam sempre nublados (quando não chovendo). Como estava coberto da cabeça aos pés com capa de chuva, só haveria necessidade de passar no rosto. Usei no primeiro dia e só. Fora isso, kit de primeiros socorros, kit de costura e reparos, kit de higiene, kit banheiro. Usei pouco esses, felizmente. Ah, não esqueça da garrafa de gatorade pro pipi móvel... Acesso: Existem três formas de chegar à Isla Navarino e Puerto Williams: Via Ushuaia, marítimo: Existem agências que fazem a travessia do canal, se não me engano custa uns US$ 120 e eles te deixam em Puerto Navarino (cerca de 50km de Puerto Williams, leva umas duas horas de carro porque a estrada é péssima). Uma van vai passar lá pra levar vc até a cidade e tem que marcar depois o transfer pra volta. Não sei muitos detalhes, mas o brasileiro que encontrei no hostel me disse que a agência obrigou a fazer uma venda casada e comprar uns pacotes de passeios junto. Isso e mais além de ter que fazer duas vezes aquele trâmite de fronteira não muito amigável não me agradam. Além disso, ele disse que teve que sair atrás dos carabineros porque não tinha ninguém no atracadouro… enfim, preferiria por outros métodos; Via Punta Arenas, aéreo: A DAP (https://dapairline.com/) possui voos regulares de Punta Arenas para Puerto Williams (Aeropuerto Guardia Marina Zañartu - WPU). A informação que tive à época da pesquisa (maio/16) foi: Voos de segunda à sábado saindo de Punta Arenas às 10h e retorno às 11:30. Ida e volta: CLP 143.000 Somente Punta Arenas - Puerto Williams: CLP 75.000 Somente Puerto Williams - Punta Arenas: CLP 68.000 Franquia de bagagem: 10kg As desvantagens são: poucos assentos - normalmente é um Cessna bimotor ou, se não me engano, uma vez por mês vai um jato BAe que tem maior capacidade; e o limite de carga. Dá pra negociar o excesso de bagagem, mas como estava com 22kg de mochila e mais uma a tiracolo, não quis arriscar. Optei pelo próximo serviço, que é… Via Punta Arenas, marítimo: Mais detalhes no post que fiz separado: http://www.mochileiros.com/de-punta-arenas-a-puerto-williams-30-horas-no-yaghan-fotos-t140661.html Cidade: Puerto Williams é uma cidade minúscula (cerca de 2200 habitantes), que está em processo de modernização. Há várias obras de pavimentação e percebe-se que mais ao fundo da cidade as casas são novas. Boa parte dos moradores têm alguma relação com as forças armadas, visto que é um ponto estratégico de defesa chileno (frequentemente você vai encontrar algum navio da marinha patrulhando a região). Lá tem um de cada. Um banco, uma agência dos correios, uma agência de turismo, um hospital, alguns mercadinhos, alguns restaurantes… assim vai. A cidade parece ser movida a lenha, por onde você andar vai ver pilhas e pilhas estocadas para os aquecedores. Hospedagem: os estabelecimentos são, em sua maioria, casas convertidas em pousada. São estabelecimentos simples e confortáveis. Fiquei hospedado no Pusaki, onde a Patty, uma senhora adorável que visitou várias vezes a Europa nas suas férias, entende um pouco de francês, enrola um italiano, mas não sabe nada de inglês. A pedido, ela faz um jantar com centolla fresca que parece sensacional (eu estava no modo econômico, então só fiquei vendo o pessoal deglutindo o crustáceo enquanto roía meu miojo trilheiro). Paguei CLP 15.000 pela cama em um quarto para seis pessoas e há opção por quarto duplo com banho separado (CLP 45.000). Café da manhã simples incluído, normalmente ela não faz almoço pros hóspedes. Jantar CLP 12.000, jantar com centolla CLP 15.000. P.S> Se souber arranhar um francês ou quiser trocar uma idéia sobre europa, vai ajudar a ganhar a simpatia dela. Cheguei na virada de 30 para 31/12 à meia-noite. Fui direto ao hostel, dia seguinte fui me registrar nos carabineros, passei no mercadinho ao lado pra comprar pão, comprei uns postais pra escrever no caminho, voltei pro hostel pra revisar o equipamento, fechar a mochila e deixar no hostel as coisas que não ia usar. O tempo não deu muita trégua, nublado por volta de 5-10 graus e às vezes caía uma chuva fininha bem chata. Fiquei meio apreensivo de achar que ia pegar o tempo todo assim, mas paciência. Como era ano novo, rolou um jantar especial, churrasco e vinho. Fui dormir cedo porque amanhã começava a aventura. Continua...
  25. 1 ponto
    E vamo que vamo! Dia 01: Puerto Williams - Laguna del Salto (12.8km; distância dada pelo GPS) 01/01. Feliz ano novo! Estava tudo pronto, então levantei, tomei meu último banho por uns dias (ou o primeiro do ano) e pé na estrada. Do hostel até o começo da trilha (cascada robalo), é uma caminhada de mais ou menos uma hora. A trilha até o Cerro Bandera é fácil e bem demarcada, tirando que eu fui pro lado errado, peguei a rota do lado esquerdo, que é mais longa. Mas depois da bandeira, você segue a trilha pelo lado direito da encosta. Encontrei alguns desmoronamentos pelo caminho, mas é só seguir com cuidado que não tem problema. A dica aqui é estar sempre acima da linha das árvores que não tem erro, ao final vc desce até a lagoa. Este é o trecho com menos oportunidades de água, então achei melhor sair com a garrafa cheia (1l) e mais 1l no reservatório. Vista desde o Cerro Bandera: Lengas. Eu odeio lengas: Há duas possibilidades de acampamento: na beira do lago e outra depois, subindo o morro. A segunda opção é possível caso não tenha lugar no lago. É um terreno menos úmido, mas mais duro. E a vista não é tão legal Laguna del Salto: Dia 02: Laguna del Salto - Laguna Escondida (9km) O dia começou subindo ao lado da cascata, passando pelo Paso Primero, Paso Australia, Paso de Los Dientes, contornando a Laguna de los Dientes. Aos pés da laguna está o Cerro Gabriel, um monte rochoso triangular piramidal. É possível fazer um ataque ao cume, mas resolvi seguir reto. Atravessei o vale e cheguei até Laguna Escondida. É nesse trecho que se encontram as vistas mais bonitas viradas para o sul, onde é possível avistar o lago Windhond, Cerro Bettinelli e dizem que dá pra ver até o lendário Cabo de Hornos num dia bom. Cerro Bettinelli (à esquerda): Paso de Los Dientes - Laguna del Pinacho: Cerro Gabriel: Laguna Escondida. Encobertos, los Dientes: Dia 03 - Laguna Escondida - Laguna Martillo - Laguna Los Guanacos (19.8km) Esse foi o dia! Aviso: Começa aqui a ~~~~~LONGA NARRATIVA DRAMÁTICA do dia 3, se você não tiver saco é só pular. Resumo: Fiquei todo molhado, tive hipotermia e cheguei na Laguna Los Guanacos debaixo de neve e ventando forte. Então. Pra começar: saí de casa com a barraca errada. No meio desse planejamento da viagem, tinha esquecido da barraca, atualmente só tenho uma de quatro estações de parede única. E daí? Quatro estações deve aguentar primavera, verão, outono, inverno, certo? Errado. Não sei quem foi o energúmeno que inventou essa denominação, mas as quatro estações de uma barraca desse tipo são: frio, neve, vento e altitude (?). O pessoal mais experiente sabe que barracas de parede única, em tempo úmido (e chuvoso, vai), condensam por dentro por causa da diferença de temperatura. E descobri que o saco de dormir também condensa! E isolantes infláveis também condensam por entre as ranhuras! Enfim, quando percebi era tarde demais e acabei indo com ela mesmo. Já meio que sabia o risco que corria (crianças, não tentem repetir). A noite na Laguna del Salto foi tranquila, só teve um pouco de umidade. Na Laguna Escondida choveu bastante. Imaginem a minha alegria de acordar com a barraca toda empoçada, saco de dormir úmido (com recheio de pena, imaginem a merd* que ficou), tendo que empilhar e ajeitar as coisas pra não molhar mais ainda. Saí com o dia nublado e não tive como secar nada. Baseado nisso, resolvi tentar maximizar o tempo de trilha, tentando caminhar o máximo possível pra tentar cortar talvez um dia. Às vezes as nuvens davam uma brecha e mostravam um projeto de sol durante a manhã. Castorera + chuva: Saí no mesmo horário dos outros dois dias, por volta de 8:30. Depois de muito sobe e desce, chego à Laguna Martillo cedo, lá pelas 14h. Baseado na experiência dos outros dias, sabendo que tem luz praticamente até as 22h, resolvi seguir em frente. Ignorando a rota que manda passar pelo acampamento, segui costeando o lago. O caminho não é muito óbvio algumas horas. O dia foi inclemente. Começou nublado, abriu o sol, fechou, choveu, abriu, granizo, chuva, granizo e mais chuva até o começo do infame Paso Virginia. No último trecho antes de chegar lá, você faz uma escalaminhada no bosque entre raízes e poças de lama que vão te afundar até o joelho, se não enxergar onde está pisando. Tudo isso debaixo de chuva. Depois de tudo isso, começa a subida ao Cerro Virginia. E aí começou a bater um vento forte muito gelado e vem a neve pelas costas. A subida, a essa altura, é extenuante, ainda mais depois do último trecho no bosque. Depois de tanto chove e venta, ensopado e gelado, somado com uma noite ruim (ou duas), o cansaço começa a bater. Eu não estava mais raciocinando direito. As pontas dos pés e das mãos começaram a congelar, perdi a força pra segurar os bastões, a boca secou. "Hipotermia", pensei. Estava já sem água, apesar de estar ao lado de um córrego, proveniente do degelo de um campo de neve próximo. O cansaço não me deixava parar pra descer a mochila e alcançar a garrafa d’água, só pensava em chegar à laguna. Comecei a andar em linha reta, ignorando os totens que estão ora pra lá, ora pra cá. Vi um círculo de pedras onde provavelmente foi feito um acampamento de emergência. Paro pra respirar, sento numa pedra e penso. A neve caindo e o vento batendo. A essa hora já desisti da câmera, porque é todo aquele ritual de senta, encosta a mochila, tira a capa, abre a mochila, pega a câmera, fecha a mochila, fotografa, coloca de volta, fecha, bota a capa, apóia a mochila, sobe nas costas. Fico olhando pro círculo. Acampo aqui ou não? Não sei se falta pouco. Olho pro GPS. Deviam faltar uns dois quilômetros em linha reta, o que não queria dizer absolutamente nada. Olho pra frente. Só subida num caminho árido, o Cerro Virginia deste lado é uma paisagem marciana. A musculatura estava começando a esfriar e precisava decidir rápido. Minha cabeça estava pregando uma peça e devia seguir em frente porque, se ficasse aqui, ia ser uma fria (literalmente), porque não tinha abrigo nenhum contra vento. Não pensei no pior que podia me acontecer, só queria chegar ao local pré-definido pra acampar e trocar de roupa. Sigo em frente, mas ainda olho três ou quatro vezes pra trás, como se fosse um cachorro que tivesse abandonado e estivesse arrependido. Ando mais um tanto arrastando os pés e as mãos não têm mais forças pra fazer o grip de segurar o bastão quando vejo o Hito 34, que marca o fim do Paso e o começo da descida. O visual é lindo, de todas as lagunas por onde passei acho que essa é tem a vista mais fantástica. As imagens ficaram na memória, porque sem bateria no celular e com a câmera na mochila, só voltando lá (será que volto?). Lembrei da dica do guia do Cavallari de não chegar próximo à borda e ir escorregando. A descida é fácil, você vai descendo-deslizando-patinando a encosta íngreme. Alguns vários tombos se seguiram, pela falta de forças nas pernas, mas o objetivo está próximo. Contorno a lagoa pelo lado esquerdo e chego até um pequeno palanque de observação, onde já há duas barracas montadas atrás. A neve começa a cair mais forte, empurrada pelo vento. Tento montar a barraca o mais rápido possível porque estou congelando, mas o vento e as mãos sem força não ajudam. Mesmo ancorando nas pedras, levo uns 20 minutos pra conseguir armar a barraca. Pela primeira vez na trilha experimentei o infame vento polar patagônico, que vinha rugindo lá do paso onde estava, descia a montanha e explodia com tudo na barraca. Dava pra ouvir o ribombar do alto do morro e contar até a hora que ele batia na lona. Tão logo ficou pronta, atirei-me (literalmente) na barraca e fiquei tremendo lá dentro. Lembrei da água. Enchi a garrafa no lago e corri de volta a tirar as roupas molhadas. Não tinha mais NADA seco, à exceção de umas peças de roupa (meias, uma camiseta e fleece) que estavam dentro do saco estanque mais reforçado, e estavam um pouco úmidas de condensação. Com o saco de dormir molhado, dei graças por ter trazido um cobertor de emergência aluminizado. Coloquei entre meu corpo e o saco de dormir, na esperança de reter calor enquanto cozinhava algo quente. Ajudou em termos, mas ajudou. Depois de esquentar a água, deixei o fogareiro ligado entre as pernas cruzadas um pouco mais pra ver se descongelava as extremidades. Enquanto isso, descubro que os ocupantes das duas barracas são todos do mesmo grupo (vou descobrir depois que são todos estrangeiros morando em NY), mas os da barraca menor desistiram por medo dos ventos. Desmontaram acampamento e foram procurar um lugar mais abrigado abaixo. Foi uma noite terrível, dormi pouco porque estava tremendo de frio. Desci dois antigripais pra ver se ajudavam e apaguei. Mas estava bem porque sabia que havia feito a coisa certa, não parando naquele campo aberto no alto do paso e faltava só mais um dia. ~~~~~~~~~~~~~~~~ FIM DO DRAMA Patinhos pra descontrair: Manhã cedo na Laguna Los Guanacos: Último dia: Laguna Los Guanacos - Pesquera MacLean - Puerto Williams (13.2km) Acordei com os vizinhos desmontando acampamento. Botei a cara pra fora da janela e estava tudo coberto de neve. Resolvi enrolar um pouco mais, fiz café, comi e enfim saí da barraca. Por causa da neve que caiu até a manhã e me acompanhou por mais um tanto, a temperatura despencou. Complementei o look do dia (que era o mesmo do dia anterior e do outro) com o fleece, balaclava e gorro. O último dia é basicamente descida, você passa pela Laguna Las Guanacas, alguns bosques e um longo trecho da coisa que eu mais odeio em trilhas (já desde aqui no brasil): pular troncos. E são centenas deles, ao longo do rio. E são troncos enormes. Caminhar com uma mochila enorme e pesada por si só já é difícil. Transpor um obstáculo com ela é um desafio: você não tem noção das dimensões da mesma e a sua mobilidade e equilíbro estão restritos. Resultado: Algumas horas tinha que parar, jogar uma perna, jogar o corpo e olhar cuidadosamente onde iria cair. Vários muitos tombos depois (que foram progressivamente ficando mais artísticos - pra descontrair comecei a dar notas para mim mesmo e tentar ver qual queda arrancaria mais risadas em um programa de videocassetadas), cheguei a um descampado. Já conseguia ver o canal Beagle ao fundo: era só descer reto que alguma hora, de qualquer forma, chegaria ao meu destino. Vários muitos terrenos alagados, vários muitas quedas, incluindo um buraco onde afundei até a cintura na lama e quase deixei as botas e sem trilhas definidas depois, sempre descendo, você chega onde estão as fazendas - creio eu, porque não vi viva alma a não ser os gringos que estavam acampando lá em cima, e um labirinto de trilhos de gado, cocô de gado, poças de água com cocô de gado, pilhas de cocô de gado, charco alagado com cocô de gado. Acho que até hoje tem esterco grudado nas polainas... Curiosamente, não vi nenhum gado. Mas segue-se descendo até chegar num galpão velho, abandonado. Este é o Pesquero MacLean. De lá, são aproximadamente oito quilômetros intermináveis até a cidade e fim da aventura. Cheguei no hostel, larguei tudo pelo caminho, enlameado mesmo (disse a Patty que não tinha problema, devia acontecer com frequência) e corri direto pra aquecedor. Se pudesse, teria dado um abraço nele. Vi a expressão dos recém-chegados que vão se aventurar ao me ver nesse estado e dei risada. Tomei um banho quente demorado, abri uma cerveja, dei uma volta sem que ter que carregar 25kg nas costas, me atirei na cama quente e macia. E no dia seguinte passei nos carabineros pra dar baixa. Pula tronco, pula!
  26. 1 ponto
    Puerto Varas Como chegar Fomos de Pucón a Puerto Varas de ônibus com a empresa JAC, pagamos 9.500 pesos por pessoa (aproximadamente R$47,00) e compramos a passagem uns 3 dias antes de ir, quando estávamos em Pucón. É uma viagem curta, de umas 4h, fizemos de manhã e foi tranquilo. Para voltarmos à Santiago também fomos de ônibus, pela empresa ETM, mas há outras, como a Pullman. Compre a passagem com antecedência, pois deixamos para a última hora e quase não havia mais. São 12h de viagem. A cidade A cidade é linda, a vista do lago com o vulcão ao fundo é incrível e rende ótimas fotos, principalmente ao entardecer. Andar pela cidade é fácil, fizemos tudo à pé. A dica é caminhar na beira do lago (ou na calçada próxima a ele) para os dois lados da cidade, a partir do centro. Fomos ao Cerro Phillip e gostamos muito, é uma pequena subida em um morro e que vale muito a pena, vista fenomenal do lago, da cidade e do vulcão. Hospedagem Ficamos no Hostal Magouya Patagonia e gostamos. Trata-se de um casarão antigo, de quase 100 anos, em estilo alemão. Parece mais um bed &breakfast do que um hostel, tirando que não há café da manhã incluso, mas você pode pagar entre 2.000 e 3.000 pesos e ter o café da manhã. São alguns poucos quartos, a maioria para duas pessoas, e apenas 3 banheiros para todo o hostel. Esse foi o ponto fraco, porém, não me atrapalhou muito. Só de manhã e à noite que era necessário esperar um pouco para usar o banheiro, mas nada muito terrível. A cozinha é ótima, bem limpa, mas pequena. Fizemos compras em um mercado próximo e fizemos nosso próprio café da manhã. O hostel também organiza passeios. Fica perto do centro, basta descer algumas quadras. Comida A comida é mais barata do que em Pucón, e a base são os frutos do mar. É possível comer salmão a um preço razoável. Recomendo três restaurantes em que fomos: - Dane´s: esse foi meu preferido. Não dá para ir em Puerto Varas e não experimentar a empanada de forno do Dane´s! Tem dois sabores, carne e verdura. É simplesmente delicioso, imperdível. Também comemos a Kuchel, torta típica alemã, gostamos mas nada demais, m as o strudel deles é muuuuito bom!! Bem molhadinho, diferente desses que costumamos ver no Brasil. Pedi com uma bola de sorvete de creme. - Mesa Tropera: esse foi uma bela surpresa, não esperávamos um lugar tão incrível. Fica em cima do lago, literalmente, e tem várias aberturas no chão com vidro em que dá para ver o lago por baixo. É bem romântico o lugar, mas também vimos famílias, amigos, pessoas sozinhas, porque é uma pizzaria e cervejaria artesanal. Se chegar cedo, dá para pegar uma mesa bem na ponta e ver o pôr-do-sol, é perfeito. As pizzas não são caras, porém são pequenas, massa fina e 6 pedaços. As sobremesas são incríveis e as bebidas valem a pena. Adoramos a atendimento. - Costumbrista: ótimo lugar para comer bem e não pagar muito. O menu custa 5.000 pesos (aprox. R$25,00) e é composto por salada, pãezinhos com patê (aliás, no Chile quase sempre servem isso antes de trazerem o prato) e o prato principal. O salmão estava ótimo. Também fomos no El Retorno, tem muitas opções, é um restaurante mediano. E o Cassis fica bem próximo ao lago, tem WiFi, muitas sobremesas. Pedimos hambúrguer, estava bom, mas acho que o preço é superestimado. Muito caro para o que oferece, é mais pelo lugar ser bonito do que pela comida em si. Passeios Pela cidade, gratuitamente, fomos até o Cerro Phillip, fácil e bonito. Além disso, fomos à Frutillar de ônibus, que pegamos na cidade mesmo, sem agência. Custou 2.000 pesos (só ida) por pessoa. Olha, sinceramente, não achamos que valeu a pena ir até Frutillar. É perto, não gasta muito tempo, mas não achamos tão diferente de Puerto Varas. Tem uma ponte bonita, dá para tira fotos do vulcão, mas nada demais. A arquitetura alemã também é bacana, mas tem muito disso em Puerto Varas. Quando fomos era umas 11h da manhã, e parecia uma cidade fantasma. Não havia quase ninguém na rua, tudo vazio, os restaurantes fechados... Acho que o movimento maior é mais tarde e nos fins de semana. Achamos meio deprê. O que realmente valeu a pena foi ir até Saltos del Petrohué e o Lago Todos Los Santos. Pegamos um ônibus na cidade mesmo, custou 2.500 por pessoa, e descemos no ponto final (1h30 mais ou menos), no Lago todos los Santos. O lago é lindoooo!!! A cor é indescritível. Andamos pela beira do lago um tempão, cada hora aprecia uma paisagem mais incrível. É possível pagar um passeio curto de barco, mas não quisemos. Encontramos no caminho muitos casais (parece que essa é uma viagem típica de lua de mel) que tinham alugado carro. Nos arrependemos de não ter feito isso, porque com o ônibus é muito barato, dá para fazer, mas o caminho de Puerto Varas até lá é lindo, dava vontade de parar toda hora para tirar foto, e era um ônibus normal, de linha. Creio que pagando um passeio por agência também seja melhor. Enfim, saiu barato e conseguimos fazer, andamos pelo lago (a dica é levar chinelo e shorts, ou aquela calça que vira bermuda) por mais ou menos 1h e depois voltamos para pegar o mesmo ônibus e depois descemos no Parque Nacional Vicente Pérez Rosales, que fica a uns 6km do lago todos los santos. Para entrar, pagamos 4.000 pesos. Esse parque é lindo!! E tem os Saltos del Petrohué, cachoeiras com vulcão ao fundo, imperdível. Tem algumas trilhas para fazer nesse parque, são lindas também. O lago e esse parque foi o que mais gostamos em Puerto Varas. Não fizemos mais passeios porque choveu, e assim como Pucón, dá para percebeu que Puerto Varas tem seu auge no verão, a maior parte dos passeios é nessa época. Não fomos ao vulcão Osorno, porque estávamos traumatizados com o vulcão Villarrica e não quisemos saber de subir, nem de teleférico. Em Puerto Varas, ficamos uns dois dias sem conseguir fazer nada porque não tínhamos força para andar depois de subir o Villarrica.
  27. 1 ponto
    Simplesmente incrível!! Acho que é uma viagem que todos deveriam fazer, é incrível o tamanho do Rio Negro, o encontro das águas, até a bagunça do centro de Manaus é incrível (não sei como o povo consegue trabalhar naquelas ruas abarrotadas de gente e mercadorias, tudo misturado, com aquele calor...rs) Minha impressão sobre a cidade: por ser uma capital é bem movimentada, muitos carros, e apesar das ruas serem largas o transito é bem confuso nos horários de pico. O centro é realmente tudo muito apertado, as lojas colocam as mercadorias para fora e em todas as calçadas existem ambulantes, para todos os lados!!! Os prédios históricos, que visitei, estão bem conservados. Não consegui entrar em 2 deles, não sei se foi pelo horário ou se eram fechados para visitação mesmo. Os manauaras: São fechados, a grande maioria fala rápido e baixo. São prestativos para informar, apesar de serem bem secos, respondem o que você perguntou e ponto. Primeiro dia: Fui conhecer o Parque Municipal do Mindu, pelo que eu já tinha lido não esperava muito do local, mas fiquei triste de ver o descaso. Um local que poderia ser um bom local para passar o dia, está completamente abandonado e com muita, mas muita sujeira. Foi triste de ver! A tarde fui andar pelas ruas do centro histórico, apesar de não ter muito tempo, devo ter ficado uma hora andando pelas ruas do centro para ver como tudo funcionava. Quando cheguei próximo ao teatro amazonas, fui ao centro de informação ao turista e peguei algumas dicas e um mapa com a atendente. Fui ao: Teatro Amazonas (vale a pena pagar e conhecer por dentro) Palacete Provincial (a entrada é gratuita e os guias são ótimos) Passei pelos: Largo e Igreja São Sebastião, Praça da Polícia, Palácio da Justiça (não consegui entrar), Catedral (não consegui entrar), Alfandega, Relógio Municipal, Praça da Saudade... Infelizmente não consegui ir ao Palácio Rio Negro e ao Paço da Liberdade. As 16h o Ygor Martins, tinha programado um passeio de barco com direito a ir ao encontro das águas, Lago Janauari, casas flutuantes...o básico de um passeio desses. Foi muito bom, fiquei mais impressionada ainda com os rios e a beleza e diversidade da selva amazônica. Cada pedacinho tem sua particularidade e vale muito a pena contratar um guia que saiba da história é essencial para entender algumas coisas. Ahh..e ainda tive direito ao por do sol no Rio Negro. Amanhã conto dos outros dois dias!
  28. 1 ponto
    Tenho uma Nikon D60, ela saiu de linha, a substituta dela seria a D3000. E tenho duas lentes a do kit, 18-55mm e a 55-300mm. Todas duas são lentes escuras, mas para fotos ao ar livre são ótimas!
  29. 1 ponto
    Parabéns Sara pelo relato e pelas belíssimas fotos.. Estive em Manaus em 2008 e realmente a região é espetacular. Curiosidade: que câmera você usou para fazer as fotos? Gostei bastante do resultado. Marcos.
  30. 1 ponto
    Outra dica para quem estiver hospedado no centro de Manaus e pegar um jatinho no porto de Manaus ate o Cacau Pereira custa 7 reais e uns 15 minutos de viagem, muito mais rápido do que ir de ônibus.
  31. 1 ponto
    Parabéns pela trip!! Poucos dias, mas super bem aproveitados!! Bjo grande!
  32. 1 ponto
    Obrigada Gustavo!! A máquina ajuda bem!! haha
  33. 1 ponto
  34. 1 ponto
    Segundo dia os botos!! \o/ Sai de casa por volta das 7 horas e depois de alguns desvios no caminho, chegamos (Ygor e eu) no Porto de São Raimundo. Pegamos um "jatinho" (5 reais) para Cacau Pirêra e lá esperamos o taxi lotação (35 reais por pessoa) encher para sairmos em direção a Novo Airão. Ao chegar em Novo Airão, por volta de 13h e pouca, o taxista nos deixou em frente ao local que alimentam os botos. Mas como a próxima alimentação seria somente as 15h resolvemos ir almoçar. Almoçamos em um restaurante que fica na rua principal de Novo Airão, demorou um pouco mas o Tucunaré frito estava delicioso. Pagamos 15 reais para os dois, muito barato!! Um pouco antes das 14h voltamos para ver os botos. É uma experiência incrível, ver todos eles nadando a sua frente e se deixando serem acariciados. É emocionante mesmo. Por volta das 16h resolvemos voltar para Manaus. Pegamos um taxi lotação, voltamos para Cacau Pirêra e de lá "jatinho" até Manaus. Tudo pelo mesmo valor da ida. A noite foi meio quebradeira...rs. Fui com meus amigos ao Alambique, um forró até que bonzinho (apesar de não gostar!! rs), mas o bom mesmo eram as companhias. Um dos meu amigos tinha mais de 12 anos que não o via e o outro pelo menos 7 anos sem encontrar para uma boa conversa! Terceiro dia: Presidente Figueiredo Acordamos cedo e seguimos em direção a Pres. Figueiredo, paramos para tomar um café reforçado no Café Regional Priscila. Fomos direto para a Cachoeira Iracema, pagamos 10 reais de entrada. Almoçamos no próprio local, que tem a espécie de uma pousada e restaurante, pagamos +- 25 reais por pessoa, com comida farta na mesa. Depois foi voltar pra casa e descansar um pouco para aproveitar a última noite. Para a despedida fomos a Cachaçaria do Dedé, é realmente bem caro (tudo), mas é um local bem agradável, com bastante opção de comes e bebes!! A minha vontade é voltar para conhecer mas a cidade de Manaus e também algumas cidades que ficam perto de lá. Gosto quando faço uma viagem e fico com essa vontade de voltar!!! É sempre uma sensação boa! Não coloquei muitas fotos para não tirar a graça de quem vai, mas se alguém quiser ver tem mais algumas aqui http://www.flickr.com/photos/sara_pereira/
  35. 1 ponto
    Bacana o primeiro dia da viagem Sara, so não entendi pq vc trocou o IMPA pelo Parque do Mindu, qual o dia que vc foi visitar o Palacio da Justiça, era no meio da semana? pq final de semana não abre para visitação.
  36. 1 ponto
    ficou no hotel tropical, com carro e ainda reclamou?!..... ñ sabe o q é essa cidade!!
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