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Exibindo conteúdo com a maior reputação em 30-01-2019 em todas áreas

  1. 3 pontos
    Parte 7 - Frustrações na estrada e a beleza de Puerto Madryn "A viagem não começa quando se percorrem distâncias, mas quando se atravessam as nossas fronteiras interiores. A viagem acontece quando acordamos fora do corpo, longe do último lugar onde podemos ter casa." O Outro Pé da Sereia, Mia Couto Fomos para a saída do posto da YPF em Tres Arroyos na Ruta 3. Ficamos com o dedão erguido por pouco mais de uma hora. Até que escutamos alguém gritando, olhamos para trás e tinha um carro parado, uma moça quase saindo pela janela fazia sinal para irmos com eles. Pegamos nossas coisas e saímos correndo rapidamente com medo que o carro partisse sem nós. Entramos no carro e conhecemos o German e a Micaela, pai e filha. O Matheus logo se ofereceu para preparar o mate. Olhei do lado e ele tinha derrubado um monte de erva no carro, era a primeira vez que preparava mate numa carona. Depois que a cuia passeou por todos nós e recebemos a aprovação do mate, a conversa começou. Foto 7.1 - Mochilas em Tres Arroyos Os dois estavam indo pra Bahia Blanca, a Micaela tinha acabado de se formar em bioquímica e estava indo buscar seu diploma. Mal começou a conversa e a pergunta já veio "Brasil, como puede eligir Bolsonaro?". Demos risada, afinal todo mundo perguntava isso. A conversa prosseguiu e descobrimos que o German é educador físico. Ele faz todo tipo de esportes e é torcedor do River Plate. O assunto girou em torno de futebol por um tempo. A Mica é torcedora do San Lorenzo. Depois falamos o que fazíamos da vida e explicamos a nossa viagem, German ficou bastante curioso com a inteligência artificial. A Micaela nos contou sobre a sua viagem caronando pela Patagônia antes de entrar na faculdade. Falaram dos planos de conhecer o Brasil, em especifico Balneário Camboriú (Balneário faz muito sucesso na Argentina). German gosta de subir montanhas e no final de ano ia subir um vulcão perto da divisa com o Chile. Foto 7.2 - German, Matheus, Micaela e Eu O German sempre buzinava quando passava na frente de uma mini estátua cercada de aparatos e bandeiras vermelhas na estrada. Como a curiosidade é grande perguntei o porquê daquilo. Ele contou que a estátua se referia ao Gauchito Gil, esse gaúcho é tipo um santo protetor (ou companheiro) de quem está dirigindo na estrada. A adoração é visível, em todos os lugares a beira pista tem esses santuários e todos os motoristas buzinam ao ver a imagem de Gauchito Gil na estrada. Foto 7.3 - Gauchito Gil (Foto tirada em Rio Gallegos, coloquei aqui só pra ilustrar) Depois de quase três horas de viagem e de boas conversas, chegamos em Bahia Blanca. A Micaela desceu do carro para ir em busca do seu diploma. Só deu tempo de falar tchau. Nós seguimos com o German que foi mais avante na cidade para facilitar nossa vida. Demos um abraço bem forte no German e o Matheus presenteou-o com duas fitinhas do Senhor do Bonfim. Nos despedimos do German e seguimos caminhando até a Ruta 3 novamente. Caminhamos por mais de uma hora para chegar numa bifurcação que diziam que era o melhor caminho para pedir carona. Era um ótimo lugar, pois tem um posto da Axion gigante e tinha centenas de caminhões parados ali. Tinha certeza que seria fácil prosseguir dali. A ideia era seguir adiante, não importava qual cidade iríamos ser deixados, desde que fosse caminho para o sul. Assim, fomos primeiro conversar com os caminhoneiros parados. Recebemos um monte de não. Uns diziam que o caminhão era rastreado. Outros diziam que iam no sentido contrário, mas minutos depois seguiam rumo ao sul. As conversas só renderam com os caminhoneiros que realmente seguiriam sentido Buenos Aires. Fizemos amizade com um caminhoneiro que a mulher dele é brasileira. Depois fomos para a pista, havia umas três pessoas que também tentavam seguir pro sul. Ficamos um pouco ali, mas como fizemos fila a nossa chance era pequena. Voltamos para o posto e tentamos a abordagem direta novamente. O curioso que tinha um caminhoneiro maratonista no posto, ele saiu do caminhão de shortinho e tênis de corrida e ficava correndo em círculos no posto. Não entendi bem porque ele andava em círculos, ele poderia seguir pela pista e depois voltar, mas ele rodava como dentro de um autorama. Era engraçada essa cena. Continuamos com as abordagens e não obtivemos sucesso. Logo começou uma chuva bem forte, o que nos forçou a continuar por ali dentro do posto. A chuva prosseguiu por toda a tarde. Já era quase noite e resolvemos desistir das caronas e prosseguir de ônibus. Nesse ponto é importante fazer algumas reflexões. Eu acredito muito em energia, dessas que você sente ao estar do lado de uma pessoa. Quando fomos para a pista pedir carona, tinha um cara lá pedindo carona também. Conversei um pouco com ele e senti que ele transmitia uma energia muito ruim. Não quis ficar perto dele e por isso abortamos pedir carona na pista, pois ele meio que seguia a gente. Quando a chuva veio com força ele se abrigou dentro do posto também, mais uma vez conversei com ele e dessa vez me senti pior ainda ao lado dele. O Matheus disse que sentiu o mesmo. Não gosto de fazer diferença com ninguém, mas aquele cara me passava algo muito ruim. Eu e o Matheus tínhamos combinado que dormiríamos ali mesmo no posto naquele dia. Tinha um monte de caroneiro ali, ninguém conseguiu sucesso naquela tarde e já estava pra escurecer. Assim, as chances de prosseguir com carona eram mínimas. Não quis dormir no mesmo lugar que aquele cara e decidimos ir para rodoviária e seguir de ônibus noturno para Puerto Madryn. O pouco de dinheiro que tínhamos nos tornou conservadores naquele momento. Esse nosso conservadorismo fez ficarmos frustados no caminho até a rodoviária. Talvez tenha sido a maior frustração da viagem, pois sabíamos que dali uma hora a carona ia surgir. Era questão de tempo apenas. Mas nessa hora resolvemos deixar a racionalidade de lado e ouvir o coração. Coração que dizia pra sairmos correndo dali. Chegamos na rodoviária e tivemos sorte, pois compramos a passagem para Puerto Madryn com outro super desconto. Depois fui no mercado comprar uns pães para comermos de janta. Voltei e sentamos para comer num lugar isolado da rodoviária. Uns cachorros gigantes vieram conosco. Dava uma dó comer em volta dos pidões. Cada mordida que eu dava eles avançavam um pouco mais em minha direção. Pareciam esfomeados. Então, joguei pão para eles, mas se mostraram frescos por não ter quase recheio e não comeram (risos). Foto 7.4 - Dois dos famintos Foto 7.5 - Moço dá um pedaço O ônibus chegou já era quase uma hora da manhã. Subimos no ônibus e segundos depois de me sentar na poltrona já estava dormindo. Acordei era noite ainda. Olhei o céu pela janela e o céu estava estrelado demais. Que maravilha. Paramos em Viedma para mais passageiros entrar. Agora oficialmente estávamos na Patagônia. A viagem prosseguiu. Depois de passarmos por Las Grutas o dia já se anunciava. O busão acelerava e agora só ia no sentido sul. Pela janela via guanacos correndo pela paisagem. Eram muitos guanacos. No meio da manhã o ônibus estacionou na rodoviária de Puerto Madryn. Enfim, pisei com meus próprios pés na tão esperada Patagônia. Foto 7.6 - A Ruta 3 pela janela frontal do ônibus A Argentina é um país dividido em vinte e três províncias (semelhante aos estados brasileiros) e mais a cidade autônoma de Buenos Aires. Cinco dessas províncias estão localizadas na Patagônia e são elas: Rio Negro, Néuquen, Chubut, Santa Cruz, Tierra del Fuego. O território patagônico corresponde a metade do território argentino. Quando passamos por Viedma e Las Grutas cortávamos a província de Rio Negro, ao cruzar para Puerto Madryn ingressamos na província de Chubut. A Patagônia tem esse nome por causa do Fernão de Magalhães. Como se sabe Fernão de Magalhães foi o homem que planejou circum-navegar o globo terrestre. Essa viagem foi a primeira circum-navegação da história da humanidade. Porém, Fernão morreu antes de terminar essa façanha, faleceu nas Filipinas. Entretanto, foi o primeiro homem a navegar pela Patagônia e posteriormente pelo Estreito de Magalhães. Quando atracou na Patagônia (ainda não tinha esse nome a região) pela primeira vez, avistou os ameríndios da região e pensou que fossem gigantes (pois a média européia naquela época era de 155 cm e os ameríndios da patagônia mediam mais de 180 cm). Ao escrever essa experiência para a coroa espanhola, descreveu aqueles seres como patagão, ou seja, aqueles que tem pés grandes. E assim, foi que a região foi batizada como Patagônia, a terra dos gigantes ou a terra do pé grande. A rodoviária de Puerto Madryn é muito bonita e organizada. Estava um calor do cão. Ficamos sentados um pouco nos bancos, planejando os próximos passos. Precisávamos de internet e o wifi da rodoviária estava fora do ar. Caminhamos até o shopping. Antes caminhamos pela orla da cidade. Que mar maravilhoso, uma das colorações mais bonitas que já vi. Chegamos no shopping e conseguimos acessar a internet e mandar mensagem para o Carlos avisando que havíamos chegado. O Carlos estava pelo centro e falou que já passava pra nos buscar. Cinco minutos depois ele parou com o carro na frente do shopping. Entramos no carro e logo começamos a conversar. Ele nos levou para o mirante da cidade, bem bonito por sinal. Depois nos levou para a casa dele. Ele teria que trabalhar pela tarde. Foto 7.7 - O mirante Foto 7.8 - As bandeiras Encontramos o Carlos pelo couchsurfing, fazia alguns dias que estávamos em contato com ele. Não sabíamos o dia exato que iriamos chegar, mas por sermos brasileiros ele sempre foi muito solicito. Não tínhamos 3g no celular, então depois que saímos de Claromecó não conseguimos mais falar com o Carlos. Ele sabia que podíamos chegar a qualquer momento. Nisso ele hospedou uma francesa sob a condição se nós chegássemos ela teria que procurar outro lugar pra ficar. Só fui saber disso depois. A francesa partiu para um hostel e nós chegamos. Ao menos ela ficou na casa do Carlos por alguns dias. Carlos é professor de inglês do ensino público. Ele é um cara que já morou em tudo que é lugar da Argentina, desde do extremo sul da argentina (Ushuaia) até o norte, na realidade ele é do norte argentino. Ele é o cara mais apaixonado pelo Brasil que já conheci. Os programas televisivos que assiste são brasileiros, as músicas que ouve são brasileiras, as comidas que mais gosta são do Brasil. Ele fala muito bem português e o motivo principal de ter nos aceitado em sua casa era pra treinar o seu português. Pela tarde fomos caminhar pela orla. Levamos nossa térmica e ficamos boa parte da tarde mateando a beira mar. Depois fomos até o cais, onde os cruzeiros atracam. Tava rolando um protesto com algum desses navios, mas eu não entendi o porquê do protesto, queria ter compreendido aquela situação. Depois fomos até o Museu Oceanográfico. O museu é todo organizadinho e cheio de boas informações da rica fauna marítima de Puerto Madryn. A cidade é o principal ponto de estudo da baleia franca no mundo, pois nessa região é onde ocorre o acasalamento desses mamíferos, em consequência disso a baleia franca é o grande símbolo da região. Uma coisa que me chamou atenção nesse museu é que dizia que o aumento de lixo, aumentou o número de gaivotas cocineras por ali e com o aumento dessas gaivotas começou a diminuir o número de baleias francas. Fiquei uns minutos tentando adivinhar o porquê disso. Não achava uma relação entre gaivotas e baleias. Desisti de encontrar as resposta por mim mesmo e li a explicação. O motivo era que as gaivotas atacavam as baleias causando ferimentos que infeccionam e levam essas baleias ao óbito. Nunca iria imaginar isso. Diziam que quando era poucas as gaivotas elas bicavam as baleias mortas somente, para retirar algum nutriente, mas com o excesso da população de gaivotas elas começaram a atacar as vivas também. Achei bizarra essa situação, nem na minha imaginação fértil iria supor que uma população de gaivotas colocaria em risco a sobrevivência das baleais franca na Terra. Foto 7.9 - O lado B de Puerto Madryn Foto 7.10 - A orla de Puerto Madryn Foto 7.11 - Eu e o mar Foto 7.12 - A visão do cais Depois fomos olhar os preços dos rolês mais famosos de Puerto Madryn. Tudo caro demais. Acho que o lugar mais caro da Patagônia. Os dois passeios mais famosos são Península Valdés e Punta Tombo. Peninsula Valdés é uma reserva ambiental onde a fauna é riquíssima e concentra todo os tipos de animais da região, além de ser o principal ponto de observação das baleias francas. Punta Tombo é um local que abriga uma gigantesca colônia de Pinguins de Magalhães, onde vivem mais de um milhão de pinguins em determinada época. Por agências não havia chance de nós conhecermos nenhum dos dois lugares. O interessante de Puerto Madryn é que tem bandeiras do País de Gales por todo o canto da cidade. A cidade foi colonizada e fundada por galeses, assim como as cidades vizinhas Trelew e Rawson. Voltamos para a casa do Carlos já era noite. Carlos apresentou sua playlist de música só com músicas brasileiras. Tocou desde É o Tchan até IZA. Ele prefere as músicas mais animadas. Ivete Sangalo quase sempre aparecia na lista. Enquanto a música rolava, eu e o Matheus começamos a preparar a lentilha para a janta. Carlos ficava meio tímido em falar português, mesmo sabendo a palavra que usar ele nos perguntava antes para ver se tava certo. Sempre tava certo. Ele conhece gírias que nem eu conheço. A lentilha ficou pronta. Carlos comeu conosco e elogiou bastante a comida. E tava muito boa mesmo. Comemos muito nessa noite. Depois falamos com o Carlos sobre os altos preços das agências. Ele nos aconselhou a tentar a sorte por carona. Decidimos ir até a entrada da Península Valdés no dia seguinte e ficar ali esperando uma carona. A península é gigantesca e só tem como fazer de carro, pois de um ponto para outro tem mais de cem quilômetros. Para chegar na Península Valdés é necessário ir até Puerto Pyramides uma cidadela distante cem quilômetros de Puerto Madryn. Ainda era noite quando caminhamos rumo a rodoviária. Seis horas da manhã e já estávamos partindo para Puerto Pyramides. Dormi boa parte do trajeto. Uma hora o guarda me acordou para eu pagar o valor da entrada, por estar adentrando numa reserva ambiental. Seguimos até o ponto final em Puerto Pyramides. Caminhamos até a orla e água tinha uma cor lindíssima. Conseguia ser mais bonita que de Puerto Madryn. Depois ficamos sabendo que teríamos que voltar muitos quilômetros para a bifurcação que leva na Península Valdés. Caminhamos de volta. O sol estava muito quente. Não havia nuvens no céu. Continuamos a caminhada. Erguíamos o dedão da esperança pra quem passava de carro. Depois de caminhar por mais de meia hora a Luciana parou seu carro. Ela achava que estávamos indo para Puerto Madryn, explicamos que queria irmos pra entrada da península. Ela é muito simpática. Depois de alguns minutos nos deixou na bifurcação. Despedimos-nos da Luciana e fomos tentar a sorte ali, na esperança que alguém se solidarizasse conosco e assim, teríamos a oportunidade de conhecer a Península Valdés. Foto 7.13 - O início do dia em Puerto Pyramides Foto 7.14 - Caminhando no sentido contrário de Puerto Pyramides Ficamos postados na frente da placa que indica o início da península. O calor estava insuportável, mas o vento estava muito forte. Assim, não dava para tirar o corta vento. Os carros que passavam por ali eram poucos. Alguns carros até paravam para conversar, mas nada de sucesso. O misto de calor e vento tava infernal. Para amenizar a espera, ficávamos imaginando qual seria o carro que pararia para nós. Eu tinha certeza que seria um carro vermelho. Todo carro vermelho que passava eu ia com mais gana pedir carona, mas nada. Com o tempo aquela famosa frase "O não você já tem, só falta a humilhação" fez valer. Tentávamos de todas as formas (nem todas, risos) chamar a atenção dos motoristas para conseguir uma carona. Foto 7.15 - A cara da derrota O passeio na península é demorado, precisa de no mínimo umas seis horas. Já era quase meio dia e o fluxo de carros ali já não existia mais. Decidimos ir pra orla Puerto Pyramides e aproveitar o resto do dia na praia. Quando estávamos saindo avistamos um motorhome vindo em nossa direção. Tentamos uma última vez. Para nossa surpresa eles pararam. Antes de falarmos algo, o motorista perguntou se queríamos seguir com eles. Não me contive de felicidade naquele momento. Agora pela primeira vez viajaria em um motorhome. Foto 7.16 - A serenidade no olhar de quem viajaria de motorhome pela primeira vez O casal dono do motorhome é o Facu e a Cynthia. Facu é argentino e a Cynthia alemã, se conheceram em Santigado do Chile enquanto a Cynthia tirava seu tempo sabático e viajava o mundo, e Facu trabalhava por lá. Depois disso ela voltou algumas vezes para Argentina para rever o Facu. Quando o dinheiro acabou foi a vez do Facu ir pra Alemanha ver a Cynthia. Depois disso nunca mais se separaram. Eles já viveram em diversos países por quase todos os continentes. A forma deles viajar é trabalhar por um tempo, ajuntar dinheiro e depois viver outro tempo viajando. Agora estavam iniciando uma viagem de motorhome (recém comprado) que sairiam da Patagônia e terminaria na Península de Yucatán, no México. Tem um terceiro integrante nessa casa ambulante, é o Chihuahua Seymour. Eu e o Matheus estávamos animados de estar ali. Facu e Cynthia são gente boa demais. O Facu estava dirigindo bem devagarinho, pois era a primeira vez que o motorhome era posto num terreno daquele. Assim, fomos devagarinho e conversando. O cenário em volta pouco mudava. Vegetação rasteira por todos os lados. De vez em quando avistávamos alguns guanacos no caminho. Quando isso acontecia a Cynthia ficava toda animada. Depois paramos, pois o Facu queria testar seu drone. Acho que não pode drone ali, mas mesmo assim o Facu ergueu voo. Foto 7.17 - Facu e Cynthia Foto 7.18 - O caminho Foto 7.19 - O olhar, do gente boa, do Seymour Foto 7.20 - Eu fazendo amizade com o Seymour e a Cynthia Foto 7.21 - Facu levantando voo Foto 7.22 - A foto aérea Foto 7.23 - Matheus e o motorhome Foto 7.24 - Hahahaha Foto 7.25 - Viagem que segue A viagem continuou. Lembro de uma cena bacana demais. Estávamos todos quietos e a Cynthia começou gritar para o Facu parar. No primeiro momento achei que tinha acontecido algo, mas logo que saímos a Cyhthia apontou para um montão de aves (parecido com avestruz) correndo. Subimos em cima do motorhome para ver melhor. Aquele momento me lembrou aquele cena de Jurassic Park que os dinossauros correm pelo parque. Foi demais aquilo. Foto 7.26 - Facu, Eu, Matheus e Cynthia (Eu e o Matheus parecemos dois cachorrinhos, horrível a foto) Depois de mais de uma hora de viagem chegamos a Punta Delgada. A entrada fica do lado de um restaurante. Quando começamos caminhar com o Seymour, veio uns guardas falar que não era permitido cachorros. Foi uma choradeira até permitirem a entrada do Seymour na condição que ele sempre estaria no colo de alguém. Fomos até o mirante. Aquele mar é magnífico. Hoje olho para as fotos daquele lugar e de forma alguma as imagens conseguem descrever a beleza que tenho guardada nos olhos. Colocando o óculos de sol do Facu o cenário ficava mais encantador ainda, tudo ficava fluorescente. Foto 7.27 - O caminho Foto 7.28 - Punta Delgada Depois seguimos viagem. No interior do motorhome não tinha ventilação e toda areia que entrava no carro ficava alojada por ali, então viajávamos num poeirão. Vimos mais um monte de guanacos pelo caminho. Pouco tempo depois chegamos na Punta Cantor. Saímos para conhecer o lugar. Fiquei junto com o Seymour e ficamos bem amigos, algo que surpreendeu a Cynthia, pois ele era bem grudado com ela. Não tivemos sorte em relação as baleias, não conseguimos ver nenhuma. Por dezembro elas seguem para a Antártida e começam a voltar para Puerto Madryn entre junho e julho. Foto 7.29 - Punta Cantor Continuamos a viagem e uns cinco minutos depois chegamos em uma Pinguinera. A Cynthia estava maluca para ver pela primeira vez os pinguins, na verdade acho que todos nós estávamos. Conseguimos chegar bem pertinho deles, era possível ver eles dentro das tocas. O jeito de caminhar do Pinguim de Magalhães é bem engraçado e ver aquilo ao vivo é demais. Lembro que um pinguim chegou pertinho de um grupo de turistas e todos os turistas ficaram se derretendo por ele, o pinguim se agachou, virou a bunda pra cima e deu um cagão que mais parecia um tiro. Dei muita risada. A sensação de estar ali naquela natureza intocada, vendo a vida selvagem em seu esplendor é de encher os olhos. Eu era só risos e sorrisos ali. Foto 7.30 - A Pinguinera Foto 7.31 - Pinguins ao fundo e a natureza do lugar Foto 7.32 - Outra visão do lugar Foto 7.33 - O pinguim Foto 7.34 - A chegada do pinguim Foto 7.35 - Matheus na Pinguinera Foto 7.36 - A pose do pinguim Ficamos por ali perto e comemos. Tava quente demais, a sorte que eles tinham muita água gelada, pois a nossa água já tinha acabado fazia um tempo. Esse dia estava lindo, não havia nem sinal de nuvens no céu. Eu procurava nuvens e não encontrava, dos céus mais bonitos que já vi na vida. Descansamos um pouco e antes de partimos de volta para Puerto Pyramides tiramos a foto oficial do grupo. Foto 7.37 - Seymour, o motorista Foto 7.38 - Eu, Seymour, Facu, Cynthia e Matheus A volta foi tranquila. Facu nos disse que só costuma dar carona para pessoas que não têm cara de maluco, mas que no nosso caso abriu uma exceção (risos). Chegamos em Puerto Pyramides e era hora de se despedir desse trio que nos proporcionou um dia fora de série. Já nos referíamos um ao outro como irmão ou hermano. E foi com um "Gracias, hermano!" que abri os braços para dar um forte abraço no Facu. Ele ainda disse "Viajero ayuda viajero, siempre!". Depois fui dar o forte abraço na Cynthia. Por fim, fui me despedir do meu parceirinho Seymour. Facu e Cynthia iriam ajeitar suas coisas, pois partiriam no outro dia cedo para Esquel e depois Bariloche. Nós seguimos para aproveitar um pouco da praia de Puerto Pyramides. Foto 7.39 - Puerto Pyramides Foto 7.40 - A praia Foto 7.41 - O mar Foto 7.42 - Puerto Pyramides de frente Foto 7.43 - Belezura de lugar Voltamos para Puerto Madryn e os efeitos do sol já era visível em nossas peles. Não havíamos passado protetor solar. O Matheus estava rosa. Descobri que a exposição solar na Patagônia é muito mais danosa do que em outros lugares. A Patagônia está localizada sob um grande buraco na camada de ozônio. Assim, quase não existe proteção natural contra raios ultra violetas. Os índices de pessoas com câncer de pele na Patagônia Argentina é muito maior do que nas outras partes do país. Nesse dia nunca vou me esquecer do presente que o Carlos me deu. Pela noite queria sair até a orla para fugir da iluminação e assim conseguir ver as estrelas na Patagônia. Carlos olhou meio cético dessa minha ideia. Ele tinha planejado sair com uns amigos nessa noite. Por diversas vezes ele disse que levaria nós de carro até a praia, não queria que ele mudasse seus planos pra seguir uma ideia boba minha. Enfim, acabamos cedendo e entramos no carro do Carlos. Visitamos toda a orla de Puerto Madryn e para minha surpresa a orla é mais iluminada que o interior da cidade, ai entendi o ceticismo do Carlos. Foi bem legal ver a orla e observar que toda a cidade vai para lá nas noites de calor. Já era onze horas da noite e tinha centenas de rodas de mate por toda praia, famílias inteiras reunidas, crianças brincando, muita conversa e risadas por todos os cantos. Foi bonito de se ver aquilo. A população aproveitando a cidade. No carro o som que nos acompanhava era do Queen. Depois o Carlos seguiu pela rodovia, cada vez mais o escuro ficava mais escuro. Tocava Radio Ga Ga e aumentamos o som no máximo. Não fazia ideia para onde estávamos indo, mas a energia do momento estava boa demais. Mais alguns minutos cortando o escuro de carro e o Carlos parou o carro no meio do nada. Não entendi direito o porquê daquilo. Ai ele me disse para sair. Quando sai nada entendi, não via nada. Até que eu olhei pro céu. Tinha até me esquecido das estrelas. Que belezura de cena. O céu tava tão tão povoado. O Carlos ainda teve a sensibilidade de desligar o som do carro. Fiquei por alguns minutos ali de cabeça pra cima olhando o céu estrelado. Tão bonito tudo aquilo. Dei um abraço no Carlos como forma de agradecimento e voltamos pro carro. O Queen voltou a tocar no rádio e o volume foi no máximo. Agora enquanto avançávamos na pista as luzes de Puerto Madryn ficavam mais intensas. Voltamos pra casa. Carlos se arrumou e ainda deu tempo de encontrar seus amigos. Fui dormir felizão. Na manhã seguinte o Carlos comprou faturas para comermos de café da amanhã. Faturas são como os nossos pães doces, mas com uma variedade maior e vem tudo misturado os sabores. Fizemos café que havíamos trazido do Brasil para complementar o desayuno. Ele nos contou que quando morava num apartamento a beira mar ali em Puerto Madryn, na estação das baleias era possível escutar o esguichar das baleias por toda a noite. Deve ser demais vivenciar aquilo. O dia estava muito quente e decidimos passar a tarde na praia. Fomos pro mercado comprar umas cervejas, gelo e uns salgadinhos. Seguimos para uma praia fora da cidade, a preferida do Carlos. Chegamos e tive uma surpresa em ver que a praia toda era de pedras e pra completar tinha um navio naufragado na nossa frente. Primeira vez que estava num lugar como aquele. Foto 7.44 - Eu, Matheus e o Carlos (nunca imaginei que tiraria uma foto no supermercado rsrs) Foto 7.45 - O caminho da praia Foto 7.46 - O caminho da praia [2] Colocamos nossas cadeiras de praia no lugar. Havia muita gente. O legal é que cada pessoa se protegia de um jeito. Muitas pessoas levavam barracas pra se proteger do sol e do vento. Outros ficavam dentro das cabines das caminhonetes. O sol castigava, devia estar uns quarenta graus. Nunca imaginei que estaria sentado numa cadeira de praia num sol tipico brasileiro no meio da Patagônia. Ai fui pro mar, molhei os pés e congelei. Desisti da ideia do mar e voltei a sentar. Pouco tempo depois o Matheus foi pra água, com mais coragem ele mergulhou naquele mar glacial. Meio segundo depois ele se levantou e saiu correndo do mar. Não parava de tremer. Dizia que doía até os ossos. Eu só dava risada com aquela cena e me senti o espertão em abortar o mergulho. Foto 7.47 - A chegada na praia Foto 7.48 - A praia e o náufrago Foto 7.49 - Nós e a praia Horas depois chegou uma família amiga do Carlos. Um casal com três crianças. Eles trouxeram uma bebida bem boa, era tipo uma ice de limão e vodka muito comum na Argentina, mas não me recordo o nome. Com gelo ficava melhor ainda. Ficamos ali trocando ideia por muito tempo e a temperatura cada vez ficava mais quente. De repente o tempo mudou completamente. Uma tempestade de areia começou. O vento era forte demais. Juntamos nossas coisas e nos protegemos no carro. A tempestade durou uma hora mais ou menos. Naquela hora fiquei feliz que aquela praia era de pedras, pois nas praias de areia no centro de Puerto Madryn aquela tempestade deve ter sido terrível. Seguimos de volta. Paramos no topo de um morro onde avistamos toda a praia por ângulo diferente. Chegamos na casa do Carlos e ficamos de bobeira pelo resto da noite. Foto 7.50 - Matheus e a praia de pedras Foto 7.51 - A praia Conversamos com o Facu uns dias depois e descobrimos que eles estavam na estrada no momento daquela tempestade. O motorhome saiu da pista. Eles ficaram bem assustados com a situação e decidiram que aquele carro não estava preparado para os ventos da patagônia. Abortaram a ida para Esquel e Bariloche, estavam retornando para Buenos Aires. De lá começariam a subida para o México. Fiquei triste em saber disso. Facu e a Cynthia estavam animados com a Patagônia e deve ter sido difícil para eles tomarem essa decisão. Porém, a viagem tem que continuar. Era uma segunda-feira, acordamos e comemos o resto das faturas. Fizemos as plaquinhas de papelão para os nossos próximos destinos. Tomamos mate e café. Terminamos de arrumar as mochilas. Carlos nos deu uma carona até o posto YPF na saída de Puerto Madryn. Demos um abraço forte no Carlos e mais uma vez eramos nós e a estrada. Recordar este trecho da viagem é muito bom para mim. Tanta coisa aconteceu nesse intervalo de poucos dias. Primeiro tivemos a oportunidade de conhecer e viajar com o German e a Mica. Quanta gratidão por isso. Em seguida, assumimos os riscos (mesmo que imaginários) e não bancamos os cabeçudos, deixamos a viagem flexível e mais uma vez mudamos os planos. Adentrar a Patagônia para mim era pagar uma dívida com o passado. Muitas vezes tinha planejado e me imaginado ali, mas agora realmente pude colocar os meus pés na terra dos ventos. E que bom que foi nesse momento. Conhecer o Carlos e seu coração gigantesco foi demais. Não tenho palavras para agradecer tudo o que ele fez por nós e por ter sido nossa companhia em nossos dias em Puerto Madryn. Depois no 45 minutos do segundo tempo na Península Valdés apareceu o trio Cynthia, Facu e Seymour. Tento não ser repetitivo, mas quanta gratidão por tudo isso. Pela primeira vez (sei que digo isso toda hora!) me desconectei de todo o passado recente e fui só presente. Presente no presente. Esses dias foi um presente do presente. Na pista novamente eu compreendi o que estava escancarado desde o início, as pessoas que estavam surgindo no caminho eram as melhores de cada lugar. E tinha que ser assim, quebrando a cara num momento para ser presenteado com o melhor depois. German, Mica, Carlos, Cynthia e Facu muito obrigado por tudo, um beijo na alma de cada um de vocês. Para o pequeno Seymour desejo uma vida cheia de carinho em forma de cafunés.
  2. 2 pontos
    Descobrindo as maravilhas, histórias e superação pessoal na travessia a pé de 316 km - Cora Coralina Novembro de 2018. Mauro César Vieira Vitor Entrada do museu de Cora Coralina Inspirado em Santiago de Compostela, trajeto passa por oito cidades de Goiás. Pensando em reviver os passos de uma das maiores poetas brasileiras, pirei, hora de equipar o mochilão e rasgar trilha adentro, foi à proposta imposta por mim para a realização do Caminho de Cora Coralina. Aberto ao público em abril de 2018, atravessando cerca de 316 km, oito cidades históricas, três parques estaduais, sete vilarejos em Goiás. O primeiro caminhante com a tentativa de fazer o percurso completo sem hospedagem, apenas com modalidade de camping. (Vide observação no relato). Diante da curiosidade, resolvi pesquisar, me preparar e então, dar inicio a um propósito mais que especial. Acompanhem essa aventura: Data marcada. É hora de se aprontar, 03/11/2018. Saindo de Brasília-DF em direção a Corumbá de Goiás-GO, passagem baratinha, apenas R$23,00, onde pernoitei. Dia seguinte, hora de dar inicio, mas antes... Interessante àquela voltinha na cidade e apreciação do lugar. 1° dia – Corumbá de Goiás x Cocalzinho, 04/11 Domingo Com inicio ás 09:00 do dia 04/11 comecei a trilha bastante empolgado. Feito algumas vezes de mountain bike, já conhecia o percurso com chegada até Pirenópolis. Clima agradável, bastões firmes e mochilão lotado, 22kg para alegria das minhas costas e pernas, entretanto, a emoção contida me dava forças. Passando pelo portal dando inicio a trilha fechada, bastante sombra, em seguida pegando o asfalto, foi percorrida neste dia 23 km até Cocalzinho onde pernoitei, a caminhada foi de 12 horas, sinalização ótima. Momento de montar camping e relaxar, acampei as margens do parque logo na saída da cidade, antes passei em um Hotel (SÃO JORGE) para higiene pessoal, o que era feito em paradas antes de dormir ao longo do percurso, isso quando não havia possibilidades de me lavar em lugares nas proximidades ao local escolhido para acampar... Muita fome! Portal – Início da trilha Cidade de Corumbá de Goiás Frutas no caminho 2° dia – Cocalzinho x Pirenópolis, 05/11 Segunda–Feira Descanso para dar inicio a subida Sai ás 06h00 da manhã, tomei café reforçado e o tempo indicando que seria um dia favorável, em direção ao pico do Pireneus, lugar maravilhoso. Um dos trechos mais ricos em paisagens e o mais bem estruturado em apoios aos caminhantes, foi possível ver o espetáculo da natureza, são exemplos os cachorros do mato, tucanos, araras, varias espécies de aves e seus cantos, somado à vista sendo apreciada da capela Santíssima Trindade dos Pirineus, próximo de 1340m de altitude. O maior pico de todo caminho. Uma parcela deste percurso não faz parte do trajeto de Cora, o desvio foi feito devido minha ida à Cocalzinho, percorrido em média 11Km a mais do previsto. Dando continuidade a trilha segui sentido a Pirenópolis, um banho na cachoeira (Abade) e descanso no morro com vista à cidade, foi uma caminhada tranquila apesar da chuva no final do trecho, seguindo as sinalizações que ainda estavam muito bem orientadas, cheguei por volta das 17h40, um percurso de 24km um banho de rio para refrescar um pouco e encontrar repouso. Acampei em uma das margens do rio, lugar muito seguro para camping, muito seguro e bonito. Hora do jantar, imagine uma sopa gostosa! Obs: Dentro do parque não tem hospedagem, pode acampar, mas antes é preciso fazer contato com a administração. Frase de Cora Acampamento em Cocalzinho de Goiás Chegando ao Pico dos Pireneus Pico dos Pireneus Vista para a Cidade de Pirenópolis 3° dia – Pirenópolis x Caxambú, 06/11 Terça – Feira Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário Outras Até aquele momento o caminho era desconhecido, dando a sensação de que a trilha havia começado naquele instante, grandes fazendas, trecho de muita mata, entre outros. O percurso desse trecho exige umpouco de cuidado, até por que próximo à passagem tem um rio em que a água é forte, acredito que em toda época do ano, mais a frente há sinalização mostrando o sentido, porém deve-se atravessar saltando à cerca e dar continuidade a estrada de terra. “Que morro é esse?” Parte final até a chegada a cidade de Caxambu, nível de subida difícil, exigiu muito de mim até chegar ao topo, sensação de alivio ao ver a vista da cidade, muito cuidado com a descida também, trata-se de um terreno muito íngreme, se tornando pesada a descida. Dando sequência e com o dia próximo de escurecer, a caminho da cidade para cuidar do corpo, dei de frente com um carro onde o condutor me parou, mas que alegria! Sr.Kinzinho, o que dizer dessa pessoa? Feito o convite para me hospedar em sua casa, não tinha como não aceitar, a forma em que fui abordado foi irrecusável, naquela noite estava muito cansado e fraco, foram percorridos 28 km de percurso bem difíceis. Então aquele convite veio em um bom momento, em meio a muitas conversas, o jantar então, estava maravilhoso, feito à lenha tudo muito fresquinho e muito bem temperado, a cama muito aconchegante e quentinha, ao acordar aquele delicioso café da manhã feito pela dona Cleusa. Se recomendo? Super-recomendo. Casa do Sr. Kinzinho O percurso de Pirenópolis ao povoado de Caxambu é o último trecho de relevo mais acentuado, cruza remanescentes de mata primária e transpõe as serras Paraíso e Caxambu esta última com mais de mil metros de altitude. Percorre partes do antigo caminho dos escravos, que ligava a Fazenda Babilônia (1800) a Pirenópolis. 4° dia Caxambu x Radiolândia 07/11 Quarta – feira O percurso de Caxambu a Radiolândia cruza a BR-153 (Belém-PA – Brasília-DF), até atingir a Rodovia Bernardo Sayão, próximo ao povoado de Radiolândia. Acordei por volta das 05h00, sai ás 06h00, trilha adentro, em média 5 km o povoado de Caxambu, na saída da cidade à esquerda, sinalização muito boa, sem chances de erro, trecho onde passa por meio de muitas fazendas, tornando o acesso mais curioso e atrativo, decidi então fazer o percurso até Radiolândia, dia seguinte já sabia o grau de dificuldades para chegar até Jaraguá. Era melhor evitar esforços. O caminho foi tranquilo, completei em 09h40 até a cidade, caminhei em média 14 km depois do povoado a procura de um lugar para o camping, com o total de 32 km neste dia, estava formando chuva, o lugar de escolha para acampamento era aberto, a situação piorava a cada instante, muito vento e para completar veio àquela chuva das mais pesadas, nada que um bom material pra este fim não suprisse a situação. Dormi que foi uma beleza. Interessante visitar o principal atrativo desse trecho, fazenda Babilônia, não conheci, porem, segundo relatos vale muito a pena. 5° dia Radiolândia /São Francisco x Jaraguá, 08/11 Quinta-Feira Um dos dias mais difíceis da caminhada, sai do quilômetro 14 depois de Radiolândia até Jaraguá ás 04h00 da manhã com chegada ás 20h10 na cidade em destino, percorri 52 km passando por centro de produtores, por trechos de matas, inúmeras fazendas. A sinalização para este trecho ajudou muito. Em sequencia segue-se passando por estradas rurais até chegar à cidade de São Francisco. No caminho oportunidade para ver as Serras de Loredo e Chibio. O trecho entre São Francisco e Jaraguá de Goiás começa com aproximadamente 6,5 km todo em asfalto, quando entram na trilha as margens do Rio Pari, para deslumbrar a vista de um gigante chamado SERRA DO JARAGUAR, um monstro de morro, com mais de 610m de altitude, local para pratica de voo livre. A trilha cruza-se a BR-070, Os últimos quilômetros são feitos por uma trilha antiga que transpõe a porção Norte, o caminhante é contemplado de um maravilhoso visual da cidade de Jaraguá, uma pena o clima não está favorável para esta ocasião, finalizando o percurso na Igreja Nossa Senhora do Rosário. Hora do almoço Confesso que estava em uma situação complicada, muita chuva, cansado, exausto. Pensei em desistir, tinha que reabastecer com mantimentos, organizar a mochila e lavar umas mudas de roupas, depois de tudo organizado os ânimos e forças reaparecem, vou continuar, era só o que pensava, não poderia desistir, era questão de honra. Descansei o suficiente para dar continuidade, minha moral estava altíssima. Serra + Chuva 6° dia Jaraguá x Vila Aparecida, 09/11 Sexta–Feira Tudo ok, equipamento, mantimentos e muita energia, sai de Jaraguá ás 09h00, peguei o trecho sentido Vila Aparecida pelo asfalto, foram apenas 21 km neste dia. Atentar para a saída, dando inicio da Igreja Nossa Senhora do Rosário, contornando a serra percorrendo 1,5 km pela cidade até tomar a saída em estrada de terra em volta da serra com 3,2 km até o ponto mais baixo do trajeto no cruzamento da ponte sobre o rio Pari. Em seguida vira à esquerda, retornando pelo mesmo traçado sentido a São Francisco de Goiás, após 4,3 km da travessia da ponte, segue-se à direita sentido ao povoado de Vila Aparecida. Tive um pouco de dificuldade, pois no ponto de partida não existe sinalização ao longo de 2km. Região de grande cultivo de bananas, muitos pássaros, retorna a boa sinalização, bem tranquilas para prosseguir, acampei em um lugar fantástico, uma pequena serra a 3 km da cidade, queria ver o sol nascer, mais uma vez não fui contemplado com o mesmo, muita neblina e a danada da chuva continuava, fiquei encharcado, mais deu para aproveitar. Percorridos 21 km, cheguei à região por volta de 16h50 da tarde. 7° dia Vila Aparecida x Itaguari, 10/11 Sábado Coisas de lá Passando por Alvelândia e Palestina sentido a Itaguari, Região forte em agricultura e pecuária, destacando-se áreas de cultivo de bananeiras. Um trajeto curto e bem sinalizado até chegar ao povoado de Alvelândia nas margens BR-070. As vistas de grandes áreas e túneis de árvores entre as matas tornam um lugar surpreendente. Destacando a Fazenda Estaca, de valor histórico grandíssimo, diversos viajantes cruzaram essa região nos séculos XVIII e XIX. Acordei cedo esse dia, por volta das 04h00 da manhã, não consegui dormir direito, sai ás 05h00 mata adentro, O tempo estava nublado, mas sem chuva, os pássaros mais uma vez deram um show. O sol resolveu aparecer, estava bem animado, já havia completado mais da metade do caminho e queria muito chegar ao destino final. Levei algumas carreiras de bois e vacas nesse caminho hehe, correr com mochila nas costas não é tão agradável. O acesso passa por muitos currais e propriedades particulares onde tem criação de gados e outros. 48 km em 15h30 em movimento, acampamento montado a 2 km da cidade em uma propriedade de um novo amigo, Sr.Gumercindo, uma pessoa de muita graça. Achei esse trecho bem tranquilo com algumas subidas e descidas bem leves. Itaguari - GO 8° dia Itaguari x São Benedito, 10/11 Domingo Com saída ás 07h00, sem sinal de chuva para me abençoar, sentido a terra do polvilho. Os pés estavam bem judiados neste dia. Tudo estava perfeito, o sol radiante e muito barulho de Quero-quero. Trajeto feito em 14h00, com o total de 44 km. Tive um pouco de estorvo neste percurso, o cansaço voltou a incomodar, cheguei um momento em que dormi caminhando, nada melhor que um banho para relaxar em um pequeno córrego nas imediações, mas que valeu muito a pena, resolvi aproveitar e preparar o almoço ali mesmo, sem contar que em todos os dias pós almoço o cafezinho era preparado. Nesta parte passei por varias fazendas, trecho de muitas retas, o sol escaldante, região sem muita sombra, de volta a estrada, ânimo renovado continuei a trilha seguindo sempre a direção, bom ressaltar que não tive nenhum problema com sinalização nesse caminho, somente com os cachorros e a boiada novamente. ? Cheguei à cidade em plena tarde de domingo e por sinal não encontrei comércio aberto e comprar alguns mantimentos. Nenhuma pousada para coleta de informações e programar posteriores vindas, acredito que somente em casas de moradores, nenhumas das pessoas em que perguntei souberam responder. Percorri cerca de 5 a 6 km de asfalto, deve-se tomar bastante cuidado, foi um dos trechos que achei mais perigoso (em asfalto) devido ao grande fluxo de veículos, depois do asfalto a esquerda uns 400 m cheguei em um lugar, um bar, bem simples próximo a uma ponte, segundo o proprietário, os organizadores do caminho de Cora tiveram no local e informou que pode ser um lugar para repouso, o forte deles será o camping, até por que o lugar é muito confortável para este fim, esta passando por algumas reformas, mas que já comporta uma boa dormida. Acampei no local, próximo a esta ponte citada anteriormente, o barulho da água descendo rio abaixo foi uma maravilha, banho tomado, a água estava uma delicia, preparei o jantar e logo era hora de dormir. Coisas do Lugar 9° dia, São Benedito x Calcilândia x Ferreiro, 11/11 Segunda –feira Penúltimo dia de travessia, 36 km percorridos, a trilha passa por fazendas com poucas porteiras comparando com outras em que passei, muito estradão de terra batida e mais uma vez a natureza fez seu papel, o nível desse percurso foi muito puxado, tive dificuldades devido ao inchaço no pé esquerdo, mais era parte final e nada tirava mais a minha vontade de chegar, veio a chuva, não tão forte assim. Um dia bem agradável, por mais uma vez a receptividade do povo goiano me cativou, em parada não programada, tive o prazer de conhecer Dona Madalena em Calcilândia, onde me recebeu com bastante alegria, aproveitei para descansar, me serviu um almoço delicioso, café e um bom bate papo. Pé na trilha, saindo de Calcilândia. À direita, é possível visualizar a Serra de São Pedro que guarda muito de suas características naturais cheio de histórias e mitos. Percorri uns 2,4 km de asfalto até chegar na estrada e pegar sentido à esquerda estrada rural de terra. Nesse pequeno trecho, há um tráfego de caminhões considerável e por isso importante redobrar a atenção. Seguindo em media uns 7,5 km até chegar a uma pousada, aparentemente muito confortável. Com mais 10 km, passando por várias fazendas e paisagens perfeitas com vista da Serra Dourada, chega-se as ruínas de Ouro Fino. Foi uma das etapas em que a sinalização mais cooperou, lugar passa por matas fechadas e desertas. Passando pelas serras, fiquei encantado pela beleza rara do ambiente. Na reta final desse percurso veio uma pancada de chuva, porem, passageiras. Estava chegando à fase final da travessia, emoção e o sentimento de gratidão me deixavam mais forte. Chegando às proximidades de Ferreiro, acampei em uma serra pequena naquela noite. Tudo parecia muito calmo, até que o barulho e ruídos dos animais noturnos me intimidaram, sono chegou bem tarde por volta das 02h00, próximo à hora de levantar e concluir o percurso. Onde faltava apenas 8 km. 10° dia Ferreiro x Goiás Velho, 12/11 Terça–feira Museu da Cidade de Goiás O grande dia, reta final, trilha fácil, com algumas subidinhas de leve a passagem toma conta do lugar entre histórias de filhos ocultos e suas particularidades. Foram os quilômetros mais envolventes de toda travessia, comecei bem cedo em menos de 02h00, tinha que retornar a Brasília ainda aquele dia, pegando o asfalto a vista da cidade começa a aparecer anunciando que estava próximo de concluir. Enfim, a chegada depois de 8 km de muita emoção. Cidade maravilhosa, restaurada, cheia de encantos e suas histórias. Visitei dois museus, centro histórico, algumas igrejas e por fim uma casa em restauração. Considerações finais: · A intenção era de fazer o percurso todo com a modalidade de camping; · Foram coletados contatos para apoio, porém não publicados, entrar em contato caso tenham interesse; · As marcações em quilômetros foram marcadas não exatamente como os registros entre cidades, mas sempre próximas às imediações; · Alimentação foi transportada toda na mochila. Agradecimentos: · Familiares; · Filhos – João Vitor Neves, Mayara Neves; · Amigos, em especial Andreia Olivo, Nara Niuma, Aline, Gary, Etiene e Lidiano Pereira. · Workshop Trekking Brasília. · Aos apoiadores ao longo do Percurso Para maiores esclarecimentos entre em contato: E-mail – [email protected] https://www.facebook.com/profile.php?id=100004813188325&ref=bookmarks https://www.instagram.com/mauro_cesar_trekker/?hl=pt-br Fone: (61) 99100-3001 https://documentcloud.adobe.com/link/track?uri=urn%3Aaaid%3Ascds%3AUS%3A6d592790-a29d-4c62-b959-dd2a232c443f “Se temos de esperar, que seja para colher a semente boa que lançamos hoje no solo da vida. Se for para semear, então que seja para produzir milhões de sorrisos, de solidariedade e amizade.” “O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.” Cora Coralina
  3. 2 pontos
    Com certeza, com esta grana e tempo da pra dar uma bela viajada, inclusive no que você citou, Tailândia, Indonésia também são opções. Mas como ele falou Europa, tem muito destino ai...
  4. 2 pontos
    Ainda por cima Países como França, Alemanha, Holanda .. Porém se ele manter o foco na exploração como citado, Albânia, Macedônia, Bulgária, Croácia deva ser mais em conta ..
  5. 2 pontos
    Acredito que com transporte, alimentação e acomodação seja apertado, tenta subir para 120 euros o dia considerando isto, e diminua o tempo de estadia na Europa.
  6. 1 ponto
    Oi pessoal, em janeiro, eu, Bruno, minha namorada, Karine, e um casal de grandes amigos, Matheus e Sara, fizemos um mochilão pela Bolívia,Peru e Chile, durou 22 dias e fizemos varias cidades. Nos apresentando : Esse mais da direito sou eu, Bruno, do meu lado a Karine, Sara e Matheus respectivamente, somos estudantes e moramos no Acre, na cidade de Rio Branco. Agora nosso trajeto : Como somos do Acre, ficou fácil pra gente sair ou pela Bolivia ou pelo Peru, mas como moramos muito perto dos destinos principais, para não repetir cidades escolhemos pegar um voo de Cobija, na fronteira Brasil-Bolivia até o Uyuni, que foi onde começou nossa viagem. No final das contas, se você nao quiser ver o mapa no link que deixei, o que fizemos foi o seguinte : Cobija > Uyuni por vôo Uyuni > Atacama de van, direto do fim do passeio do Uyuni Atacama > Calama > Iquique de ônibus ( Calama como conexão) Iquique > Arica de ônibus Arica > Tacna > Arequipa de ônibus (Tacna como conexão) Arequipa > Puno de ônibus Puno > Cusco de onibus Cusco > Puerto maldonado de ônibus Puerto maldonado até a fronteira de van Fronteira pra Rio Branco em táxi lotação Esse mapa tá disponível no Google My Maps se vocês quiserem utiliza-lo, podem copia-lo e editar de forma conveniente, ta ai o link : https://drive.google.com/open?id=1FCoC3J21DVm5miZ0E23D5eIupodRbs0z&usp=sharing Começando no aeroporto de Cobija, chegamos lá num dia anterior, um amigo nosso mora na fronteira e deixou a gente ficar na casa dele, no dia seguinte pegamos um táxi e fomos pro aeroporto cedo, porque estávamos com medo de ter algo de errado com a passagem que foi comprada em um site muito suspeito da companhia BOA, mas no final tudo correu bem e o voo foi de boas, pode comprar lá no site que da certo kkk Apresentados e trajeto traçado, aqui vão os gastos médios da viagem , por uma infelicidade eu acabei perdendo meu celular logo no inicio da viagem e não anotei os meus gastos especificamente, mas nenhum de nós 4 gastou mais de 3500 reais durante todo o passeio. ( não inclui a passagem que foi 750 reais ) . ESSES VALORES SÃO POR PESSOA !! COBIJA (Dia 06 e 07 ) Hotel: 0 Comida ( refeições e lanches ) : 45 bol Passeios: 0 Transporte: 15 reais Câmbio : 750 reais = 1320 bol (1 REAL PARA 1.75 BOL ) Cambiamos esses 750 reais e foi só isso que gastamos cada um na Bolivia até sairmos dela, ainda sobrou um pouco. UYUNI (07,08,09,10) HOTEL : 62 bol ( apenas para o dia de chegada do voo) COMIDA: 20 bol ( somente besteiras e agua pois o passeio do uyuni ja inclui comida) PASSEIOS : 870 bol ( 3 DIAS E 2 NOITES, ENTRADAS DE PARQUES ,BANHEIRO E TUDO MAIS) TRANSPORTE: 85 bol ( taxis e onibus para san pedro) SAN PEDRO DO ATACAMA (10,11,12,13) HOTEL: 51.000 PESOS ( 4 DIARIAS) PASSEIOS: 48.000 PESOS ( ENTRADAS E PASSEIOS) COMIDA: 15.000 TRANSPORTE: 12.300 PESOS ( ÔNIBUS PARA IQUIQUE) CÂMBIO TOTAL NO CHILE : CERCA DE 1100 REAIS > 200.200 PESOS ( CAMBIO DE 1 REAL PRA 180 PESOS ) IQUIQUE ( 13,14,15) HOTEL : 75 reais ( valor em real porque foi reservado no airbnb e pago no cartão) PASSEIOS: 2.500 pesos ( somente um passeio de barco pelo porto ) TRANSPORTE: 11.600 pesos ( táxis e onibus pra Arica) COMIDA: 11.800 ( o chile é cara pra carai...) ARICA (15,16,17) HOTEL: 90 REAIS ( também reservado pelo airbnb) PASSEIOS: 0 TRANSPORTE: 9.000 pesos (onibus tacna e arequipa e taxis) COMIDA : 10.000. AREQUIPA ( 17,18,19,20) HOTEL: 55 soles PASSEIOS: 80 soles ( CITY TOUR, MONASTÉRIO E ENTRADAS DOS PONTOS DO CITY TOUR) TRANSPORTE: 25 soles (táxis e onibus para Puno) COMIDA : 110 soles CÂMBIO : 2400 soles ( MAS SOBRARAM CERCA DE 1100 PRA CADA UM ) PUNO ( 20,21,22) HOTEL: 17 soles ( uma diaria) PASSEIOS: 110 soles ( passeio no titicaca com dormida inclusa e "gorgetas" obrigatorias pros nativos) COMIDA: 65 soles TRANSPORTE: 40 soles ( taxis e onibus pra cusco ) CUSCO ( 23,24,25,26) HOTEL : 86 soles PASSEIOS: 195 soles ( VALE SAGRADO, MARAS E MORAY, HUMANTAY, BOLETO TURISTICO E ENTRADAS ) COMIDA: 95 soles TRANSPORTE: 35 soles ( onibus para puerto e taxis ) (27) PUERTO MALDONADO TRANSPORTE : 25 SOLES VAN PARA INAPARI COMIDA : 5 SOLES CAFÉ DA MANHÃ (27) INAPARI TRANSPORTE: 110 REAIS TAXI ATÉ RIO BRANCO. COMIDA : 20 REAIS ALMOÇO ( CHURRASCO, FINALMENTE !!!). MOCHILA A gente pediu de lugares diferentes, a ka pediu uma 45l da treebo e eu uma de 50l da quechua Não tenho certeza se é a melhor opção para compra, uma vez que moramos em Rio Branco, não tínhamos muitas opções a não ser pedir da internet. a Ka comprou a dela na Netshoes eu na Decathlon e os meninos nas Americanas, seguem os links ( 29/01/2018) Bruno: https://www.decathlon.com.br/mochila-de-trekking-forclaz-50-litros-quechua/p [ 300 reais ] Karine: https://www.netshoes.com.br/mochila-treebo-caravelas-45l-azul-N03-0042-042 [ 200 reais ] Matheus e Sara: https://www.americanas.com.br/produto/22387454/mochila-camping-cargueira-60-litros-denlex?DCSext.recom=RR_search_page.rr1-SolrSearchToView&nm_origem=rec_search_page.rr1-SolrSearchToView&nm_ranking_rec=3&pfm_carac=produtos relacionados à sua busca&pfm_index=2&pfm_page=search&pfm_pos=search_page.rr1&pfm_type=vit_recommendation [ 090 reais ] Todas resistiram tranquilamente sem quebrar nada, as mochilas de ataque foram as que usamos pra faculdade mesmo ! O que levamos : Vou exemplificar comigo e a ka, que aí fica um exemplo pra homem e outro pra mulher. Ka : 3 camisas de manga longa (lã) 5 camisas de manga curta 2 regatas 1 camisa térmica 1 calça térmica 2 leggings 1 calça 1 toalha 1 gorros 1 par de luvas 1 boné 4 cachecóis 1 havaiana 1 rasteira 8 meias 3 biquinis 12 calcinhas 2 shorts 1 babyliss 3 óculos (um de grau) 2 cintos 1 desodorante 1 shampoo a seco 1 perfume 1 frasco de shampoo 2 de condicionador 1 leite de rosas pequeno 1 pacote de lenços umedecidos 1 protetor solar 1 repelente Maquiagem Brincos/ Colar Bruno : 3 blusas de manga longa 10 camisas de manga curta 3 regatas 1 camisa térmica 1 calça térmica 2 calças jeans 1 toalha 1 gorro 1 boné 1 havaiana 8 meias 1 sunga 12 cuecas 2 shorts 1 óculos 1 canivete 1 Go pro 1 desodorante 1 perfume 2 casacos impermeáveis corta vento. Na minha mochila também foi a minha farmacinha que era da ká também, levamos tudo quanto é remédio que podiamos precisar. Se tiverem em casa, levem cadeados, sabiamos que era necessário mas esquecemos de comprar, tivemos que comprar na viagem. Agora que ja falei do que todo mundo procura saber, vou deixar os gastos específicos da Sara anexados nesse link aqui , aqui você pode ver o quão bem ou mal nós comemos, eu particularmente poderia dizer que comemos o que queríamos, claro que tudo no seu limite, se queria um cachorro quente ou um ceviche, comíamos, mas buscávamos o mais barato, tudo era assim , com passeios, hotel comida e transporte. PRIMEIRO DIA COBIJA Chegamos logo pela tarde na fronteira e fomos logo atrás de um restaurante, comemos em um dos melhores de cobija que fica bem perto da praça principal, chama Las Palmas e cada prato saiu por cerca de 30 bolivianos e tem de tudo. Almoçados, fomos para casa do nosso amigo Vitinho que fica do lado Brasileiro da fronteira e ficamos até o dia seguinte, tomamos um táxi e fomos pro aeroporto as 09, o voo era as 11, comemos algumas besteiras e partiu. Nois no aero de Cobija, voo com conexão de 4 horas em La Paz. LA PAZ E O VOO Chegamos em La Paz em um voo curto e tranquilo, tremia um pouco mas ninguém morreu, o avião da BOA era meio barulhento e tinha um aspecto velho, mas voou como qualquer outro. O aeroporto de La Paz é bem grande e tem tudo que você precisa caso vá ficar muito tempo lá, é meio caro pra comprar besteira, mas tem comida barata e uma vista legal . O voo que pegamos era daqueles do tamanho de um jatinho com 20 cadeiras e pra nós que não temos o costume de viajar nesse tipo de avião, foi bem assustador kkkk. UYUNI Chegamos no Uyuni pela noite, o aeroporto é bem pequeno mas ainda é maior que o de Cobija, o voo foi tranquilo, até tremeu menos do que o pra La Paz, pegamos um taxi ( QUE EU ESQUECI MEU LINDO CELULARZINHO ) até o hotel que havíamos reservado pelo booking, um dos poucos que fizemos com antecedência pois era em dia que poderíamos prever nossa chegada. O nome do Hostel é Chostel B&B, não vimos muitas pessoas lá, mas a recepcionista era OK, o quarto estava limpinho, banheiros com agua quente, e café da manhã bom, o preço também ajudava muito. O café é o de sempre, ja sabem né : Decidimos ir amanhã bem cedinho procurar o tour, ja que tínhamos informação que saiam do Uyuni por volta das 10 am , então não nos preocupamos muito em esquentar cabeça logo no dia que chegássemos. Eu e o Matheus saímos umas 07:30 do hotel no dia seguinte e fomos em uma direção aleatória em busca de agencias, são dezenas delas no mesmo lugar com diferenças minimas de preço, fechamos com uma agência que não anotei o nome🤦‍♂️ mas que você pode ficar tranquilo, a grande maioria conta com o mesmo tipo de carro, guia caladão, uns almoços que os próprios guias preparam, fotos em perspectiva com seus dinossauros e valores que cabem no teu bolso, encontramos algumas pessoas ao longo da viagem e sempre falavam sobre os guias do Uyuni, e diziam que geralmente as paisagens eram autoexplicativas, porque o guia não explicava muita coisa kkkk Fechamos o passeio de 3 dias e 2 noites que saiu por cerca de 350 reais para cada pessoa, com tudo incluso, 2 dormidas, almoço, café, janta, turismo e tudo mais. Nossa van ia com 7 pessoas ( com o guia) e por incrivel que pareça, as 2 pessoas alheias ao nosso grupo eram dois Acrianos, supeeer gente boas, pai e filha, o Alex e a Lu, que aparecem nas fotos do Salar com a gente. No primeiro dia fomos ao cemitério de trens e ao salar propriamente dito, é gente pra caral*o, centenas dessas camionetes enfileiradas que você acha que não vai saber mais qual o seu. o visual é esplendor. A gente ficava constantemente buscando lugares sem pessoas pra poder tirar nossas fotinhas, por isso as fotos com a gente nao mostra o cemiterio completo, se não só ia aparecer pessoas kkkk. Antes de irmos para o Salar, paramos numa feirinha onde podemos fazer umas comprinhas de artesanato e essas coisas, almoçamos por alí perto, em um restaurante que so foi usado pra servir a comida que o Diego, nosso guia, preparou pra gente, Diego cozinhava até bem galera. Depois de almoçarmos em cerca de uma hora um frangão com arroz e legumes, partiu Salar. Apesar de termos ido em uma época em que o Salar estava ALAGADO, e era possível ver o espelho dagua, não pegamos chuva em nenhum momento que estavamos lá . O Diego sempre fazia as recomendações das poses e tal kkkkkk. Eu tirei minha bota pra testar a "quentura" da agua e tava gelada que só. Ah, aconselho pra quem vai pro Salar nessa época, levar na mochila de ataque uma havaiana, como nem todos nós temos grana pra uma botona impermeavel de 1000 reais, o salar alagado pede um chinelão e quem sabe até um short pra nao molhar a barra da calça. Todas as agencias fazem o mesmo trajeto, no mesmo espaço de tempo, infelizmente eu achei que, no primeiro dia, poderíamos sair mais tarde, apesar de os lugares visitados no primeiro dia serem coisa de outro mundo, você dificilmente ficará 4 horas no mesmo lugar tirando fotos, ficamos muito tempo parados no salar a espera do por do sol, neste primeiro dia, após o por do sol, voltamos pra cidade do Uyuni e dormimos em um hostel que a agencia oferece, o nosso tinha quarto privativo pro casal, banheiro compartilhado com água quente e bem limpinho, adoramos ! Por do sol no salar. Dormimos e as 6:00 levantamos. Um menininho a cerca de 8 da manhã aparece no hotel e pede pra que a gente siga ele para o desayuno. Umas 4 quadras dalí era uma padaria, tomamos café lá, o Diego havia reservado pra gente. Tinha o basico de sempre, pão, geleia,manteiga,chá e essas coisas. Tomado o café voltamos ao hotel, pegamos nossa mochila e partiu laguna colorada. Na paisagem da janela, um visual mais " Atacama " já é visto, deixando pra trás a do salar. Paramos em um vilarejo no caminho para almoçarmos, teve um bife a milanesa, arroz, salada e até uma coca cola. Nesse vilarejo tinha um mercadinho com umas moças que vendiam suas plantinhas e umas bebidas. Ganhamos umas Pacenãs do Alex ❤️ Depois do almoço, mais 2 ou 3 horas de viagem até a laguna e com uma vista que UAU ! umas 3 ou 4 paradas se não me engano, primeiro em um rochedo e depois em 3 lagunas, uma mais bonita que a outra. No caminho o Diego foi passar em uma possa gigante de agua e a placa do carro dele caiu, eu e o Matheus fomos procurar kkkkk. Passado o grande e belíssimo caminho até a laguna e encontrada a placa do Diego , finalmente chegamos, precisamos apresentar documento de identificação e pagar a entrada, passamos cerca de 40 minutos por lá até irmos pro hotel bem pertinho também. Chegamos no hotel rapidinho depois de ter tirado algumas fotos na laguna, nessa minha segunda foto lá atrás, como nao tinhamos camera profissional, nao saiu muito nitido, mas esses vários pontinhos na água são flamingos, não são as melhores fotos que tiramos, mas como disse, perdi meu celular e não tenho todas as fotos do grupo comigo, todas tenho que pegar com a Ka O hotel é um grande corredor, com alguns quartos , um banheiro compartilhado unisex, uma cozinha lá atras e uma salinha de jantar que pertence ao corredor, lá tivemos pra janta uma deliciosa macarronada que o mestre Diego preparou pra gente, a Sara e a Ka comeram pelo resto do mochilão. Ainda sobre o hotel, lá tem água quente, você paga 5 bols pra poder tomar, fica um velinho alí do lado do box controlando o aquecimento que é feito a gás, voce entra no box tira suas roupinhas e grita LISTO SEÑOOOOOOOOOOOOOR dai ele grita QUE DICEEEEEEEEEEEEES ? LISTOOOOOOOOOOOOOOOO Dai ele abre o chuveiro e você pode ficar quanto tempo quiser, depois você grita pra ele de novo pra poder fechar o chuveiro pra você. Não só de dia, mas durante a noite é bem louco de frio, leve roupas leves e quentes pra dormir confortável. Saímos durante a noite com 30 agasalhos pra conferirmos o céu, é lindo. Depois de jantar, tomar um vinho que os guias levam pra gente, dormimos e levantamos as 4 da manhã, ainda escuro, pra irmos em direção aos 5k de altitude, visitar os gêisers. Para os gêiseres levamos cerca de 2 horas, a paisagem é linda e extrema. Só desceu eu e a Sara, a Karine e o Matheus estavam mal demais pra descer. Depois dos gêiseres partimos pra uma especie de clube, o Alex gravou um video pra mim, o mochileiro fajuto que nao entrou na agua kkkkk Saindo do clube, nos despedimos do Alex e da Lu e fomos para o Chile, o Diego simplesmente seguiu deserto a dentro como numa viagem normal que fizemos no salar e do nada chegamos na barreira com a bolivia, lá a gente ja tinha os tickets, apenas demos saída, os meninos apresentaram o papelzinho lá de saida e partiu, ressaltando a importância de guardarem os papeizinhos de entrada !!! e pra sair da Bolivia se paga uns 10 bols, acho que é ilegal, mas ou paga ou vaza kkk. Até o Atacama de van leva umas 2 horas, se vocês nao ficarem presos na alfandega que nem a gente umas 3 hs. Tinha uma fila enorme de vans e como o Chile tem uma politica de controle de pragas bem rigorosa, todos da van tem que ter suas mochilas revistadas Portanto nao leve nada de origem vegetal ou animal não processada da Bolivia pro Chile. você corre o risco de ser multado caso pegue um agente chatinho ou acabe declarando algo errado no papelzinho que vão te entregar. Chegamos no ATACAMA Ca estamos, o onibus nos deixou a cerca de 6 quadras do grande centro do Atacama, que nada mais é que um grande labirinto de agencias, restaurantes e umas quitandas que vendem maçãs a preço de caviar. Sem internet, hotel, com fome e sede resolvemos ir em busca de um restaurante com WI-FI para tentarmos reservar um hostel bom e barato sem andar muito. Convertemos o dinheiro depois de pesquisar umas duas ou tres casas de cambio e partimos em busca da comida com wifi. Depois de procurarmos por horas, algo barato e que nos parecia gostoso e com o plus do wifi, optamos por um restaurante que ficou lembrado como o Trucho e a grande desilusão de ter pedido uma grande coxa de frango mal assada na esperança de que fosse uma truta deliciosa por 3.000 pesos. Nossa cara de felizão, mal sabiamos que seria a pior comida de toda a viagem, sentimos muito pelo dinheiro. Eu não lembro o nome do restaurante, ele parecia servir boas comidas, apesar de termos errado no pedido. O Booking só tinha opções caras e até o momento nao tinhamos o Airbnb como uma opção valida para reservas. Comemos com certo desgosto e desilusão vosso frango e seguimos na busca de um hostel. Depois de cerca de 2 horas novamente procurando por algo Encontramos um hostel, o preço nao era o ideal, mas foi o mais barato e bem localizado que encontramos disponivel no dia. Claro que teria mais barato e com certeza vocês podem encontrar, mas ficamos felizes com a escolha, o hostel era muito agradavel e oferecia uma estrutura top. Eu infelizmente nao tenho vocabulario de seja lá qual lingua essa seja para escrever ou pronunciar o nome desse Hostel, mas era algo muito perto de Corvatsch, la na sala de tv tinham alguns recortes de jornais que falavam algo sobre suiça e chile, então acredito que seja de suiços ou algo assim. Cerveja na area de lazer do hostel. Assim que chegamos no hostel, organizamos nossas coisas e partimos pra fechar logo os passeios. Pesquisamos em umas 20 agencias, literalmente, e todas ofereciam preços muitíssimo semelhantes, eu nao falei no uyuni, mas lembrei de falar aqui que NÃO VALE A PENA RESERVAR NENHUM PASSEIO PELA INTERNET ANTECIPADAMENTE, OS PREÇOS SÃO ABSURDAMENTE MAIS CAROS. Resolvemos fechar com a segunda mais barata, era com uma portuguesa e ela nos passou bastante confiança. A empresa chamava Adventure e ficava lá na rua Caracoles, lá tem muita agencia de BR, uma das que mais ouvi recomendações foi a Flamingo, apesar de não ter fechado com ela. Fechamos três passeios, Vale de la Luna, Lagunas Escondidas e Lagunas altiplanicas, os preços eu ja citei la em cima ❤️ Ficou assim, lagunas, vale e altiplanicas a ordem, e só de citar isso aí ja bate a dor no coração de descobrir que nos fomos os responsaveis por essa escolha de ordem e acabamos inconscientemente fazendo uma escolha ruim. As lagunas altiplanicas são o maior ponto turistico do atacama e optamos por fazer ela por ultimo mas só pelo fato de que " precisariamos de tempo pra secar nossas roupas de banho" e o vale de la luna nao teríamos que nos molhar kkkkk. Acontece que como as lagunas altiplanicas ficaram pro final de semana, o parque lotou e a gente simplesmente foi impedido pela agencia, a qual foi impedida pelo parque, de visitar o local. Resumindo, a gente só descobriu isso no dia, quando chegamos na agencia, a qual tambem tinha acabado de descobrir também e um dos nossos principais destinos do mochilão foi resumido em 2 passeios A gente nao quis fazer geisers nem a Cejar porque eram paisagens muito parecidas ao Uyuni e não queriamos gastar nossa graninha pra ver coisas muito repetitivas, apesar de depois ter ouvido de brasileiros que mesmo tendo feito o Uyuni disseram que Cejar vale muuuito a pena. Bom, façam suas apostas ! Para as lagunas escondidas, saimos de tarde, não demora muito acho que uma hora ou uma hora e meia até lá, paga-se uma entrada e você pode escolher entre a primeira ou a ultima lagoa, das sete para se banhar, as outras lagunas nao estao abertas ao banho, vale muito a pena porque você boia, devido a grande quantidade de sal, o visual também é lindo e unico. Matheus, que fez questão de apontar onde estava a verdadeira beleza da foto kkkkkk A gente toma um banho lá na ultima ( mas eu recomendo que você tome na primeira, apesar do contra de que voce terá que percorrer as 6 lagunas todo cheio de sal, a primeira nem se compara a ultima, que é funda, não é cristalina e vai ta cheiaa de gente) Eu até mostraria pra vocês o quão vale mais a pena a primeira com um video, mas as meninas ficariam bravas comigo porque elas tão bem descontraídas se divertindo na agua que não afunda. Depois a gente vai pra um banheiro compartilhado com ducha de agua doce pra tirar o sal não molhem o rosto na laguna galera !!! E seguimos, paramos por um tempo em meio ao nada, onde tem um onibus abandonado no deserto, tiramos algumas fotos e seguimos para ver o por do sol em um mirante que se nao me engano se chama pedra do coiote ou algo muito perto. Lá rola umas azeitoninhas, pisco souer, um salaminho e um visual foda pra carai. Também tem uma galera que vende umas empanadas la, eu comprei uma de uns menininhos e tava uma delicia. Voltamos cerca de 8 horas pro hostel. É meio dificil lembrar tudo com exatidão, mas acho que foi nessa noite que saímos pra comprar uma pizza carissima mas que meu deus do ceu valeu muito a pena. No dia seguinte, o passeio também é de tarde. Leva um tempinho pra chegar no valle a estrada é em sua maioria de asfalto até entrar no valle, depois é de chão, mas é de boa, melhor que das lagunas. Passamos primeiro numa especie de guarita com conveniência e tudo para pagar os ingressos e seguimos, no caminho você ve uma galera que faz isso de bike, eu nao sei como faz pra fazer, mas que dá, dá, tinha muita gente fazendo desse jeito. Lá a gente chega em um ponto e o guia deixa a gente andar, tem tipo umas trilhas que são moldadas com pedrinhas fazendo o caminho, a gente sobe, depois desce alguns morros de areia e depois vamos até uma caverna conhecer, é interessante que as pedras tem tipo uns cristais que são feitos de sal. o Valle de la luna é isso : Areia, pedra e deserto, mas é a melhor passeio que se pode ter pra quem quer ver o deserto em si, foi muito legal, adoramos a caverna e uma especie de ruína de cidade que tinha em um determinado ponto do passeio. Eu adorei, no caso, ja a Sara e a Karine adoravam qualquer pedra grande que tinha no caminho que dava pra subir em cima e tirar uma foto kkkk. Eu não sou muito de tirar foto, quase sempre tirei para registro, mas pessoas que gostam de foto conseguem excelentes cliques, esse lugar é unico. Fiz um pequeno video pra mostrar como é mais ou menos o passeio durante a caminhada livre : Eu também tenho umas fotos na caverna, mas não vou postar para preservar o Matheus com a identidade heterossexual que ele tenta passar kakakakakka. O terceiro dia ia ser as lagunas, mas infelizmente aconteceu o que aconteceu, simplesmente pegamos nossa grana de volta e ficamos atoa no hotel, esse dia foi o daquela foto minha tomando uma na área pra acalmar a dor de não fazer o melhor passeio. No dia seguinte fomos pela manhã para a rodoviária, com os tickets ja em mãos que o Matheus foi em um determinado dia qualquer até lá comprar e partir para Iquique, cidade a qual decidimos comprar todas as passagens para a próxima cidade já na chegada, então ao chegar já compramos a passagem pra Arica. IQUIQUE Chegando de onibus, tomamos um taxi direto pro hostel, antes compramos as passagens pra Arica, ja que ja sabiamos quantos dias ficariamos. Em Iquique nos reservamos um Hostel que parecia uma coisa de terror, kkkkkk, apesar de termos nos dado super bem com o pessoal de lá, e termos depois sentido como em casa, o hotel a primeira vista era bem assustador, ele tinha o teto muito alto, as paredes tinham um pouco de mofo na parte alta e a decoração era cheia de coisas infantis a moda antiga, tipo umas bonecas de pano e uns "apanhadores de sonho" se é que se chamam assim mesmo. Foi bem barato e o Hostel se chamava Hostal BVC, ficava bem pertinho da praia, o preço foi absurdo de bom e as pessoas atenciosíssimas, inclusive a dona de lá lavou nossas roupas por um total de 0 reais. Iquique nao foi uma cidade de muitos passeios, e além do mais ficamos pouco tempo, dedicamos os dias para andar pela cidade, curtir uma praia, comer algo gostoso e conhecer um pouco da cultura. No dia em que chegamos tava tendo como se fosse um desfile, semelhante a um carnaval menos colorido kkkk, o festival tinha como ponto marcante a união dos paises andinos e ele lotou a orla de pessoas e varias banquinhas que vendiam churros e uma bebida que chamam de mote, apesar de eu nao ter gostado muito, você deve provar, é uma bebida feita de suco de pêssego e tem uns grãos de milho no fundo que você pode comer, é até bom mas bastante enjoativo. Iquique foi a cidade que definitivamente a gente mais andou, mas foi muito bom, a cidade é muito agradável, tem muita coisa pra fazer e a praia é top. O único passeio que fizemos em Iquique foi um que fica disponível lá pelo porto, é um passeio a barco que da uma volta por entre os navios que estão no porto e por umas pedras com uns lobinhos marinhos, alí do lado você pode comer ceviche fresquinho a nada mais nada menos que 1500 pesos ❤️❤️❤️ ( lá na parte de baixo, não vão na de cima pq é pra rico e é caro) Potinho de ceviche por 1500 Passeio de barco pelo porto ( dura cerca de 1 hora e se você enjoa facil não aconselho) Orla de Iquique, super agradavel Em frente a orla tem vários desses cactos gigantes e umas fontes, lá pro final da orla movimentada tem uma especie de peninsula, onde tem vários restaurantes e um cassino que se paga pra visitar. Sobre os lugares em que fizemos as refeições em Iquique foram bem simples, todos muito bons, mas como a gente andou pra todo canto na cidade, não saberia dizer nem qual direção está cada restaurante, o que eu poderia dizer é que ficamos em um determinado dia horas e horas procurando comida e depois de quase morrer de fome encontramos esse lugar que serve pizza de metro e compramos uma, muito felizes, não tenho foto da pizza, mas tenho do Bilz, nosso companheiro de toda refeição, o melhor e mais barato refri de todos, Lindão 😍 Passamos o dia de bobeira pela cidade, voltamos pro hotel, dormimos e pela manhã ja era hora de partir pra Arica, onde ja tínhamos reservado com nosso amigo Patricio uma acomodação que não iria agradar a todos. Uma viagem meio longa, de Iquique pra Arica. Cerca de 3 horas ou 4 e estavamos lá. Tomamos um taxi da rodoviaria até a casa do Patricio, nosso anfitrião do Airbnb. Sobre o fato da acomodação nao agradar a todos explico : Veja nesse print do mapa de Arica a playa chinchorro A maior parte da cidade, o movimento e tudo mais se encontra perto de todas as praias, com exceção da nossa. Apesar da playa de chincorro ser a mais visada para banho e lazer, ela não é a mais bem localizada, ela so fica perto de uns condominios. Você tem que ir de taxi ou onibus para todos os lugares movimentados da cidade No primeiro dia ao chegarmos na casa do patricio, fomos andando até a praia e seguimos a orla até onde deu. Encontramos no maximo uns restaurantes e banquinhas de cachorro quente, foi meio decepcionante, mas depois vimos que nao era um grande problema, até porque ficariamos só dois dias na cidade e nao doeria no bolso ir de taxi até o centro uma ou duas vezes. No primeiro dia durante a noite os meninos ficaram em casa depois de voltarmos da praia. Eu e a Ka fomos até o centro, entramos num cassino e ganhamos o equivalente a 40 reais. Desde então começou o incrivel vicio em jogos e desde então perdemos toda nossa grana e voltamos zerados pra casa que se estendeu até o cusco como passatempo preferido kakakak Depois do cassino fomos até o centro, a 21 de maio, visitamos uns bares e algumas boates, so de passagem mesmo, era tudo muito caro. Voltamos pra casa e no dia seguinte voltamos ao centro, so que com os meninos, passamos a manha e a tarde toda lá, subimos o morro para o mirante, comemos um ceviche no potinho igual em iquique ( um pouco mais caro ) e até ganhamos um city tour grátis de uma familia chilena super top gente finissima que paramos para pedir informação e eles simplesmente nos botaram dentro do carro e levou pra ver a orla e até o topo do morro que caminharíamos por cerca de 1 hora para chegar. Passados nossos poucos dias em Arica, aqui vamos nós rumo ao Peru, Arequipa seria nossa primeira parada peruana, lugar que fizemos poucos passeios e reservamos alguns dias pro bom e velho "fazer nada" Como eu sou vacilao ( e a partir dessa parte ) nao lembro com exatidao detalhes de valores e dias porque enrolei quase 6 meses pra voltar a escrever o post, me perdoem a queda de qualidade 😩. Chegada em Arequipa em um inicio supeeeer conturbado e muito "????" Haviamos reservado o Hotel pelo Air BNB, ja comentei sobre ele aqui mas vou dar mais detalhes pra poder contar a historia. A gente fechou um quarto de hostel pra nos 4 pelo app, funciona assim, como qualquer pessoa pode colocar um quarto pra alugar pelo app, vc encontra de hotel a quartos em casas normais, o anunciante anuncia o quarto pelo valor x , vc pesquisa e solicita a vaga pelo valor anunciado, se ele aceitar, voce ja tem sua reserva pras datas solicitadas. Acontece que, solicitamos a vaga, foi aceita, descontou do cartao do Matheus e tcharam : Quando chegamos lá o dono do hostel se negou a hosperdar a gente pq disse que o valor era mto baixo ( mas ele que anunciou o valor e aceitou a solicitacao), nao o bastante, ele se negou a nos devolver o dinheiro porque dizia ele que o app nao o pagava ha meses. la foi nois, policia, buscamos um posto até que encontramos, ta lá a gente tentando explicar num espanhol mal falado pra pessoas que nao sabiam como o app funcionava que estavamos sendo roubados. 1 hora depois esperando a boa vontade dos nossos policiais peruanos partimos junto com um deles em direcao ao hostel, chegando lá, o dono deu sua versao mal contada e no fim das contas disse que ja tinh devolvido nosso dinheiro, que so veio cair 30 dias dps. Olá Arequipa, 10 kg nas costas depois de 8 hs de viagem, vamos em busca de um hotel. ( a proposito o nome do hostel é Casona arequipa) Encontramos um backpackers na mesma rua que foi top, fechamos um quarto pra nos e foi inclusive melhor do que se ficassemos naquele outro. O peru tem mtas coisas parecidas em suas grandes cidades, reservamos o primeiro dia, ja que estavamos puuutos e mto cansados pra passear pela plaza e comer algo. Eu sei, eu sei, o canion del colca é foda e com certeza nos perdemos muito em deixar de visita-lo mas pra mochileiros de primeira viagem e em suas respectivas parcelas de Nutella estavamos muito cansados desse tipo de rolê e queriamos algo mais easy, optamos por nao ir. Passamos o dia rolezando, indo em cassinos, comendo as maravilhosas comidas do peru extremamente baratas e aproveitamos pra conhecer o vilarejo das freiras que com o perdão da palavra, pqp, é grande pra porra !!! serio, a gente lê sobre e nao consegue imaginar a dimensao, vc precisa andar sem parar por horas, e isso fica no meio da cidade. Vale muito a pena, o ingresso, n lembro com exatidao, mas foi cerca de 40 soles, mas pra quem gosta de historia, o sentimento é de estar na era medieval. Sao varios quartos e comodos, que ja nao sao mais habitados pelas freiras ( que hoje continuam confinadas porém em uma area inacessivel aos turistas) tem moveis e objetos, tipo remedios e especiarias beeeem antigas, muito interessante, jardins e etc, fomos infelizes nas fotos e nao pensamos nos relatos na hora de tirar, esquecemos de fotografar os objetos ( desculpa ) kkk So tem essa da Ka vulgarizando o patrimonio publico peruano. ( era um pinico das freiras) Terceiro dia, fazendo jus a nossa preguica e no intuito de maximizar nosso aproveitamento do dia, contratamos aquele bus tour por 30 soles, que passa nos principais pontos "De nuestra ciudad A RE QUI PA" ( contrate o serviço e entenda a piada ) Visitamos o museu de lã Pontos de visão dos vulcoes ( tinha mta neblina e n deu p ver nda ) Alem de conhecer os bairros paramos em varios outros lugares historicos que pagava pra entrar, e a gnt n quis pagar. Fomos aqueles caras que vao pra perto do estadio ouvir o show de fora. Kkk Ka alimentando as vicunhas ou lhamas ( n aprendi direito) na fabrica de lã Arequipa é uma cidade muito grande, tem muitas coisas pra se fazer, tem paisagens naturais incriveis, sei que fizemos muito pouco, mas fomos felizes em fazer nda, as vezes é so o que precisamos.
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    Olá pessoal, começando aqui mais um relato da minha segunda viagem pela América do Sul, rodamos 30 dias, saímos de casa dia 22/12 e chegamos dia 21/01, somos eu, minha esposa e minha filha de 13 anos, vou tentar detalhar o que for mais relevante para os viajantes. Em relação a preços, por onde passamos tem hotéis, hostels e campings para todos os gostos e preços, então esta parte aconselho uma boa pesquisa para adequar melhor o orçamento ao estilo da viagem, o que foi bom e barato pra mim talvez não seja para outra pessoa e vice-e-versa, todas as minhas reservas foram feitas pelo Booking e pelo AirBnB, e outros não reservei, cheguei na hora e procurei ou pesquisei antes pela internet e já fui como uma referência. Vale lembrar que viajo com criança, então todo meu planejamento tento considerar no máximo 2 dias seguidos de estrada, senão fica desgastante demais, na parte final da viagem tocamos 6 dias direto, mas não tivemos muita alternativa e vou contar no decorrer do relato. Todos os valores que eu colocar serão em reais, abaixo algumas informações: Equipamentos: cambão, extintor, kit primeiros socorros, 2 triângulos, carta verde(Argentina e Uruguai, fiz com a Sul América, 156,00 para 30 dias), Soapex(Chile, faz no site da HDI, super tranquilo a 11 dólares) e colete reflexivo, levem todos, fui roubado em 100,00 por causa do colete, situação que vou narrar abaixo. Gasolina: Na minha região o preço estava 4,79 o litro, abasteci em São Paulo a 3,83, em Gramado o preço chegou a 5,00, então não abasteci lá, voltei a abastecer novamente a 4,69 depois de descer a serra. Na Argentina região de Federación 4,59 e descendo rumo a patagônia por volta de 3,35, na patagônia o governo dá um subsídio para a gasolina, então é mais barata. Nossa rota principal foi : Gramado/Canela, Federación, Bariloche, Pucón, Puerto Varas, El Chaltén e El Calafate, mas ao longo de toda a rota tivemos diversos lugares interessantes. 1º dia 22/12 – Cons. Lafaiete – MG X Curitiba – 1000km – Apenas deslocamento, sem nada de atrativo na estrada, ficamos preocupados em passar por São Paulo sendo véspera de feriado, mas correu bem, sem congestionamento que era o meu medo. Basicamente saindo da minha cidade pego a Fernão Dias em Carmópolis de Minas e depois de São Paulo a Régis até Curitiba. 2º dia 23/12 – Curitiba X Canela – 734 km – Dia também para deslocamento, sem muita coisa, apenas estrada. 3º dia 24/12 – Canela – Coloquei no planejamento ficar em Canela e passear em Gramado que estava espetacular por causa do Natal Luz, conseguimos uma apartamento montado por 710,00 as 2 diárias, pela época o preço foi razoável, e o lugar muito bom. Subimos a serra que é muito bonita e pouco antes de Canela a estrada começa e ficar florida com belas plantações de hortênsias. Apart em canela https://booki.ng/2G1d7yq
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    Há cerca de um ano atrás, ao ver uma foto do Parque Nacional Torres del Paine, disse ao meu filho de 21 anos: “Meu Deus, precisamos conhecer este lugar!”. Desde então, passei a pesquisar tudo sobre o Parque e sobre a Patagônia Chilena e Argentina: principais locais a serem visitados, parques, cidades, atrações. Foi a partir daí que comecei a fazer o roteiro dessa que, sem dúvida alguma, foram as melhores férias da minha vida! Em primeiro lugar: para fazer nossa primeira viagem de mochilão, precisávamos de roupas e equipamentos que não tínhamos, então, bora pra Decatlon. Abaixo, nossas principais compras: - Duas Mochilas Quechua Scape 50 l e 70 l (Simplesmente maravilhosas e práticas! Cabe o mundo lá dentro!) - Duas jaquetas 3x1 da Quechua - Que já vem com uma jaqueta de fleece por baixo da jaqueta impermeável (Não sei o que seria de nós sem ela! Usamos direto e nos protegeu bem da chuva e do frio cortante.) - 1 calça de trekking pro filhote (eu usei sempre minhas duas leggings pretas) - 2 blusas segunda-pele para cada um de nós - 1 blusa fechada de fleece pra mim - 2 Camisetas dry-fit para cada um (Comprem! Fiz um dos trekkings com uma blusa básica de algodão por baixo e ela ficou encharcada de suor) - Pescoceira (Comprem! Comprei uma pro meu filho e tentei fazer trekking de cachecol mas é horrível. A pescoceira é bem mais prática, protege do frio e não sai voando com o vento patagônico) -Toucas básicas - Bastões de Trekking (um para para cada um e agradecemos a Deus todos os dias o fato de temos investido nisso. Não sei o que seria da minha vida sem os bastões para me dar apoio nos momentos mais difíceis. Eles foram meus melhores amigos nesta caminhada – depois do meu filho, claro! - Duas Garrafas de água de 1 l (Ótimas! Nunca bebi tanta água na vida quanto nos trekkings que fizemos! Detalhe, como elas eram de um material parecido com alumínio ou metal, mantinham a água que pegávamos nos riachos bem fresca!) - Botas de trekking impermeáveis da Quechua (Comprem!!! Não deixaram nossos pés molhados ao pisar nos riachos – e creiam, vocês pisarão em muitos - e nem suados e são bem confortáveis – mas usamos algumas vezes antes da viagem para ir se acomodando aos nossos pés.) - Meias de trekking (Parece um gasto desnecessário mas realmente, não deixam nossos pés suados, mesmo andando kms e kms de distância) - Luvas próprias para trekking (Confortáveis e práticas) A viagem: fomos dia 30 de dezembro de 2018 e retornamos a São Paulo dia 18 de janeiro de 2019. Roteiro: São Paulo – Ushuaia (de avião, com escala de 14h em Buenos Aires) ; de Ushuaia a Punta Arenas (10h de ônibus); de Punta Arenas a Puerto Natales (3h de ônibus); de Puerto Natales a El Calafate (3h de ônibus) e de El Calafate a El Chalten (2h de ônibus) – esse trajeto foi feito no mesmo dia com algumas horas de espera em El Calafate antes de pegar o ônibus para El Chalten); de El Chalten para El Calafate (2h de ônibus); de El Calafate para Buenos Aires (3h30 de avião); de Buenos Aires para São Paulo (2h30 de avião). Paguei R$ 3700,00 para duas pessoas em todos os trajetos de avião, pela Aerolíneas Argentinas. As passagens eu comprei pelo site Busbud antes de viajar, todas pelo cartão de crédito e a que paguei mais cara foi de Ushuaia para Punta Arenas, cerca de R$ 240,00 cada. Dia 30/12/2018 – domingo Saímos do Aeroporto Internacional de Guarulhos as 10h e chegamos a Buenos Aires por volta do meio dia. Como era domingo, tivemos que trocar reais por peso no Banco de La Nación do Aeroporto a 9,20 pesos por real. (Péssima cotação, embora em todas as cidades da Patagônia Argentina por onde passei, o peso estava apenas 9. Ou seja: se sua escala em Buenos Aires for longa e for dia de semana, vá até a Rua Sarmiento, no centro de Buenos Aires. Lá a cotação esta 10,20 por real. - Como nossa escala era longa, pegamos um táxi até o hotel onde ficaríamos hospedados no final da aventura patagônica e deixamos nossas mochilas guardadas lá, enquanto aproveitamos o dia para mostrarmos Buenos Aires para um rapaz do Brasil que também estava numa escala longa em B.A. Como já conhecemos a cidade, o levamos nos principais locais turísticos do centro pra ele conhecer. A noite, quase meia noite, seguimos de volta para o Aeroparque para pegar nosso avião, que só sairia para Ushuaia as 4h. Juro que tentei dormir no chão do aeroporto enquanto esperava mas não consegui...Já meu filho, dormiu e sonhou com os anjos enquanto eu ficava ali, cansada mas ansiosa demais com a viagem para conseguir sequer cochilar. 31/12/2018 – segunda-feira Ùltimo dia do ano e às 8h00 da manhã, desembarcamos em Ushuaia. Do aeroporto ao hotel, que foi um trajeto bem rápido, já deu para ficarmos de olhos arregalados com a beleza daquele lugar. Montanhas e mais montanhas com seus picos nevados, apesar do verão e um frio que...nossa! Deixamos nossas coisas no hotel e partimos para fazer compras de belisquetes, laches e bebidas para levarmos nos passeios e para nossa “ceia” de reveillon.Gastamos 100 reais no mercado de Ushuaia, que tinha longas filas e preços bem maiores do que os daqui. Depois de deixarmos nossas compras no hotel, partimos para marcarmos nossos passeios por Ushuaia. Agendamos o passeio pelo Canal de Beagle até a Pinguinera (mas sem passeio com os pinguins) por R$ 380,00, nós dois, para o dia seguinte às 16h. Tivemos um desconto por pagarmos em dinheiro. Como estávamos cansados da viagem, tiramos o dia para conhecermos a pequena e acolhedora cidade de Ushuaia. Neste mesmo dia, à tarde, visitamos o Museu do Presídio e Museu Marítimo. Para quem gosta de museus como eu e meu filho, é uma boa pedida. Á noite, abrimos nossa garrafa de vinho no quarto de hotel e ficamos olhando pela janela para ver se fariam festa no Reveillon. Doce ilusão! O máximo que ouvimos da “comemoração”, foram uma meia dúzia de buzinas de carro e uma buzina bem mais alta que cremos ser do navio que estava ancorado no porto. Meia noite e lá estávamos nós brindando e vendo as festas de reveillon pela internet. Estranho mas, ao mesmo tempo, um modo diferente de comemorarmos a chegada do novo ano. 01/01/2019 Começamos o dia indo ao Glaciar Martial. Pegamos um táxi por volta das 9h, até o começo da trilha e chegamos lá rapidamente. No caminho já nos encantamos com a beleza das montanhas com picos nevados. Grandes e lindas. Devido ao meu sedentarismo e kgs a mais, nos primeiros cem metros de trilha já fiquei ofegante mas segui em frente. Ainda bem! Depois de um tempo subindo, começou a nevar. Gente, pense numa mulher feliz, que ficou feito uma criança ao ganhar um baita presente. Fiquei eufórica! Era a primeira vez que víamos neve e fiquei encantada. Continuamos a subir o Glaciar e a neve ia aumentando. Eu até achei a subida um pouco difícil mas mal sabia eu o que me aguardava na minha viagem à Patagônia. rs. Valeu muito a pena! Foi lindo e o primeiro trekking da vida a gente nunca esquece. Voltamos para o hotel por volta das 13h. Almoçamos, demos uma descansada e partimos para nossa segunda aventura do dia. As 16h pegamos o barco para conhecermos o Canal de Beagle. Que passeio mais lindo! Cada paisagem linda! Vimos comoranes, leões marinhos e os encantadores pinguins...o Farol Les Eclairs, as montanhas ao redor...o frio nunca antes sentido da vida! rs. Realmente, um passeio imperdível e emocionante. Voltamos ao porto às 20h. 02/01/2019 No nosso último dia em Ushuaia, pegamos uma van no Porto, R$ 45,00 por pessoa (ida e volta) e fomos até a Laguna Esmeralda. Levamos duas horas pra chegar naquele cenário de sonho e quase o mesmo tempo pra voltar. O percurso é puxado em algumas partes mas é cada paisagem que vale a pena cada passo dado. Tem alguns lugares do caminho que são bem “encardidos”. Na volta, ao atravessar um dos lamaçais, o tronco onde eu estava passando virou e cai de costas, afundando minhas pernas no lamaçal. Bendidas roupas impermeáveis. Apesar da sujeira, foi bem fácil limpar o estrago depois. Muito cuidado e atenção nesses lugares. Terminei o trekking cansada, ferida em meu orgulho (quando caí, tinham vários gringos por perto vendo o meu tombo cinematográfico. rs) mas profundamente feliz por presenciar tanta beleza! Que lugar!!! No final da tarde voltamos ao hotel e preparamos nossas coisas para viajarmos no dia seguinte. 03/01/2019 Dia de pegar o bus rumo a Punta Arenas. O começo do percurso é lindo, repleto de belas paisagens. Depois de algumas horas, começamos a viajar no meio do nada e é um longo percurso no meio deste nada. Tirando as paradas nas fronteiras (saída da Argentina e entrada no Chile), o ônibus não para em lugar nenhum. Portanto, viagem preparados com lanches e bebidas. Eles servem um suco com bolachas mas não é suficiente para matar nossa fome. Na hora de atravessarmos o Estreito de Magalhães, somos obrigados a descer do ônibus e ficarmos na balsa. Fomos ao ar livre e quase congelamos a alma. Um frio cortante mas, o lado bom: conseguimos ver uma pequena baleia brincando na àgua e foi emocionante. Após a travessia, voltamos para o ônibus e seguimos nossa viagem no ônibus. Apesar da previsão de 12 horas de viagem, levamos umas 10h30 para chegarmos. Ficamos na pousada Tragaluz, que mais parecia uma casa de bonecas. Que lugarzinho lindo...e caro. Ao pagarmos com cartão, o calor aumenta consideravelmente. Dali pra frente, decidi pagar minhas estadias em dinheiro para fugir das taxas do cartão. Como era meu aniversário, saímos pra comer uma pizza no centro da cidade. Foi um dia cansativo pela longa viagem e, neste dia, dormimos cedo. 04/01/19 Saimos cedo para conhecermos a cidade. Fomos ao Museu Regional de Magallanes e no Museu Marítimo. Passeios interessantes para quem curte museus...mas o que eu gostei, mesmo, foi da orla. Dava pra ver vários pássaros, cenários interessantes,belos monumentos, praças…Fomos ao mirante da cidade onde tivemos uma linda vida de Punta Arenas. A cidade é graciosa mas em um dia, conseguimos conhecer absolutamente tudo de interessante que existe por lá. Vale a pena conhecer apenas se você não tiver outra coisa pra você. Se eu voltasse pra lá, agora, não me hospedaria em Punta Arenas. Achei muito caro pra pouca coisa, apesar da graciosidade do lugar. 05/01/19 Partimos para Puerto Natales logo cedo, Confesso que minha ansiedade estava a mil pois era exatamente lá perto que estava o motivo da minha ida à Patagônia: o Parque Nacional Torres del Paine. Ficamos hospedados no Hostel El Sendero. Lugar super simples, bacana, acolhedor e o Juan, responsável pelo lugar é super querido. Lá mesmo fechamos o full day a Torres del Paine no dia seguinte. Saímos para conhecer a cidade, trocar $ e almoçar. Lá tem uma pizzaria chamada Pizzaria de Napoli e eles servem a melhor pizza que comi na vida! Bem pertinho dela, tem um pequeno comércio que troca reais por pesos. Cotação 1500 pesos por real. Cotação ruim mas em toda a cidade estava este valor. Achamos a cidadezinha pequena, gelada e bem acolhedora. Fomos conhecer a orla e quase fomos carregados pelo vento patagônico. Estava frio...frio...extremamente frio...mas valeu a pena o passeio e as fotos que tiramos. Depois fomos ao mercado comprar as coisas para fazer nossos lanches para levarmos ao passeio do dia seguinte. 06/01/19 Full day ao Parque Nacional Torres del Paine. Gente, nada do que eu havia visto em fotos e vídeos me prepararam para a beleza absurda deste lugar! As montanhas, as lagoas, o céu azul, as nuvens em formatos diferentes, os guanacos, lebres, emas...Que maravilha é aquilo! Confesso que quase chorei ao ver tudo aquilo. Eu havia sonhado muito em estar ali e a realidade era ainda melhor...muito melhor. Quando fomos até o lago Grey, começou a chover e fizemos o trajeto embaixo de uma chuva bem gelada, mas valeu muito o passeio. Antes de voltarmos a Puerto Natales, fomos conhecer a Cueva do Milodon. A caverna é bacana mas o que mais gostei de lá foi o cenário do lado de fora. Simplesmente lindo! Tirei tantas fotos...mas tantas! rs. Dizem que o full day ao Parque Torres del Paine não vale à pena mas vale sim e muito. Principalmente, para quem quer levar crianças ou idosos ao Parque. É seguro e não é cansativo. Muito bom para quem não tem experiência em acampamentos e longos trekkings. 07/01/19 Eu e meu filho pegamos um ônibus na rodoviária e partimos para Torres del Paine novamente. Desta vez, faríamos o ataque ás Torres. Dica: no dia anterior, ao pagarmos a entrada do parque (cerca de R$ 120,00 reais, carimbamos o bilhete da entrada e o usamos para entrar no parque no dia seguinte sem pagar. Se você carimbar a entrada, parece que você tem mais dois dias pra voltar lá sem pagar uma nova entrada). Chegamos a portaria laguna Amarga, onde um outro ônibus nos levou para o começo da trilha, próximo ao Hotel Las Torres. Começamos o trajeto encantados com a vista e com os caminhos. Depois, quando começou a subida rumo ao Vale do Ascêncio, descobrimos que a subida era “a subida”. Rs. Eu parei muito no caminho e bebia muita água. Nunca deixem suas garrafas vazias. Creiam: vocês vão precisar. Achei o trajeto lindo até o Camping Chileno. Aliás, o local do camping é encantador. Me arrependi imensamente não ter reservado um pernoite lá. Aconselho imensamente que passem uma noite lá pra que a ida ás Torres não se torne uma doce tortura, como foi pra mim. O caminho é lindo, repleto de bosques, riachos...Um sonho...Mas eu já estava extremamente cansada e sofrendo com dores nas pernas durante o trajeto. Quando chegamos na famosa e temida subida às Torres, ao olhar para cima e ver pessoas lááá em cima como se fossem formiguinhas, ao ver o quanto faltava a té chegar às Torres, me desesperei e pensei em desistir, aí meu filho disse: “Vc sonhou tanto com isso e vai desistir taõ perto? Vamos que você consegue!” - Gente...subi. Consegui chegar lá e chorei de alegria por ter conseguido e por ver tamanha beleza. Ao chegar à base das Torres, valeu a pena as dores nas pernas, o caminho difícil, íngreme e perigoso.O lugar é simplesmente sensacional! Como tínhamos que pegar o ônibus às 19h perto do Hotel para irmos até a entrada da laguna Amarga e pegarmos o ônibus de volta a Puerto Natales e como eu levei 5h10 para chegar na base das Torres, ficamos lá por uns 15min e começamos a volta. Gente...não pensem que a descida é mais fácil que a subida. Pra descer é bem mais complicado, muitas vezes eu sentava nas pedras para conseguir descer. Minhas pernas já não se aguentavam e demoramos muito a voltar. Ao conseguimos chegar perto do Hotel Las Torres, só haviamos eu, meu filho, e um casal que havia subido a montanha com sua filhinha de 5 anos nas costas. Éramos os últimos a chegar lá e o ônibus que levava á portaria já havia partido. Estávamos mais de meia hora atrasados. Resumo da ópera: pagamos uma van do hotel par anos levar até a portaria da Laguna Amarga onde, graças a Deus, todos os ônibus estavam atrasados. Ufa! Conseguimos pegar nosso ônibus e voltarmos para Puerto Natales. Minhas pernas doíam infinitamente mas a sensação de superação por ter conseguido chegar lá e por ter presenciado tamanha beleza, fazia com que minha dor diminuísse e um misto de orgulho e sensação de sonho realizado tomou conta de mim. Que dia, meus amigos! Que dia! Jamais vou esquecer. Juro!!! 08/01/2019 Pegamos o ônibus logo cedo rumo a El Calafate. Passamos pela fronteira e ficamos cerca de uma hora numa fila que não andava, para darmos entrada na Argentina. Essas fronteiras são bem cansativas, principalmente em alta temporada quando a quantidade de turistas é grande. Chegamos lá perto da hora do almoço e compramos a passagem para o mesmo dia, às 18h, rumo a El Chalten. Fomos até uma casa de câmbio em El Calafate trocar pesos, almoçamos e fizemos hora até embarcarmos rumo á nossa próxima aventura. Chegamos em El Chalten por volta das 20h e fomos direto para nossa pousada Nunataks, que fica bem ao lado do início da Senda do Fitz Roy. Ôh pousadinha gostosa! As meninas super receptivas e atenciosas. Fizeram com que nos sentíssemos em casa! Recomendo demais este lugar e, com certeza, voltando pra El Chalten, me hospedarei lá novamente. Como ainda estávamos muito cansados da noite anterior, dormimos cedo. 09/01/2019 O dia amanheceu lindo, com céu azul apesar do vento gelado. Saímos para os Miradores Los Condores e Las Águilas, que ficam próximos a entrada da cidade e que não são trekkings tão puxados assim. Qualquer um pode fazer e vale a pena. As paisagens são de sonho e o lindo e mágico Fitz Roy pode ser visto em quase todo o trajeto. Se o Parque Torres del paine me deixou encantada, o Fitz Roy me fascinou. Já na estrada rumo a El Chalten, quando começamos a enxergar as montanhas, é de arrepiar! É tanta beleza, tanta grandiosidade que não dá pra explicar. Já a cidadezinha de El Chalten, é um encanto. Minúscula, linda e hospitaleira, com certeza, é um lugar onde eu queria viver. Ah, lá não pega 3g de jeito nenhum! Portanto, pegue um hostel ou hotel com wi-fi para poder postar as fotos incríveis que, com certeza , vocês vão querer compartilhar nas redes sociais. Ah, comer em El Chalten é bem carinho, viu?! Mas descobrimos um lugar, perto de nossa pousada com uma comida ótima e preço justo: o Rancho Grande. Foi lá que comemos o melhor chorizo da nossa viagem. 10/01/2019 O dia que escolhemos para fazer o trekking ao Fitz Roy amanheceu nublado, com um vento extremamente gelado e forte. Conforme havíamos nos informado, decidimos pegar um táxi até a Hosteria el Pilar para começarmos nossa caminhada. Creiam: vale muito a pena pagar um táxi ou van para iniciar o trekking ali. Você evita uma subida extremamente íngreme de dois kms, que é a forma de se chegar ao Fotz Roy pela cidade. Começamos nosso trajeto sozinhos. Demoramos muito a começar a encontrar com mochileiros que vinham no caminho contrário. Quando chegamos ao Mirador Piedras Blancas, ficamos encantados com o cenário. Parecia um quadro pintado à mão. Decidimos fazer o trajeto pelo mirador e voltar pela Laguna Capri. Andamos uns 8km até chegarmos no camping Poincinot. O Treking é puxado mas nada comparado a Torres del Paine. No camping só tem um banheiro e daqueles com um buraco no chão. Pensa no malabarismo para poder fazer um pipi ali. rs. Só por Deus! Haviam alguma ṕessoas ali que, como nós, queriam subir no Fitz Roy mas, devido ao mau tempo, chuva e um vento extremamente fortes, pessoas experientes que ali estavam alertavam do perigo de subir na Laguna de Los Três. Com dor no coração, decidimos não subir e partimos com a certeza de que voltaremos lá em breve para concluirmos nossa aventura. Mas o passeio valeu muito a pena. Cada cenário!!! Sempre com o Fitz Roy ali, majestoso, abençoando nossa caminhada. Ô coisa linda que são essas montanhas, meu povo!!!Voltamos á El Chalten pela Laguna Capri. Gente...a volta foi puxada, viu?! Foram mais oito kms até a cidade e a gordinha aqui sofreu. A descida até a cidade é longa e cansativa, apesar da linda vista do Rio de Las Vueltas. Vocês se lembram daquele vento forte que decidiu aparecer este dia? Pois é. Ele chegou a nos empurrar na descida. Definitivamente, este negócio de vento patagônico é bem perigoso. Não o subestime. Durante a descida, vi muitas pessoas subindo aqueles dois kms que eu falei no início do post deste dia. Muitas dessas pessoas com enormes mochilas nas costas. Decididamente, não sei como conseguiam. Achei uma loucura e extremamente puxado. Como disse, e repito: iniciem seu trekkling pela Hosteria El Pilar. Vocês vão agradecer. 11/01/2019 Dia de partirmos para El Calafate. Confesso que parti com uma baita dor no coração! Me apaixonei por El Chalten num grau que vocês não tem idéia. Queria ter ficado ali por muito mais tempo. De preferência, a vida toda. rs. Ah, um dia antes de ir para El Calafate, recebi um e-mail do Hostel Bla Guesthouse porque, segundo eles, havia tido um vazamento e precisavam consertá-lo, não sendo possível ficarmos hospedados lá. Pensem numa pessoa que ficou brava, pois tive que entrar no Booking,Com e resercar outro lugar aos 47min do segundo tempo. Obviamente não tinham mais hospedagens boas e baratas disponíveis e reservei estadia no Hotel Upsala. Ótima localização, café da manhã justo mas um hotel extremamente antiquado. Não que eu ligue para luxo mas não foi um lugar que me senti bem. Tinha banheira, chuveiro bacana (que só esquentava quando queria) e cama e cobertas bem antigas. Parecia que estávamos numa casa de fazenda bem antiga. Os muitos corredores me faziam sentir no filme O Iluminado do Stephan King. Apesar disso, os senhores que nos atenderam foram extremamente gentis. Saíamos para conhecer El Calafate e fecharmos nosso mini-trekking na Hielo y Aventura para o dia seguinte. Doce ilusão. Até o dia 14 não tinham mais vagas para o mini-trekking, ou seja: sempre reservem seus passeios antes de ir, principalmente, se vocês forem ficar poucos dias em El Calafate. Fomos à empresa de Turismo Criollo (a mesma com as quais fizemos nosso passeio em Ushuaia) e fechamos a navegação e passeio no Perito Moreno. O passeio ficou uns R$ 240 para nós dois. 12/01/19 Dia de Perito Moreno! A paisagem pelo caminho já é um espetáculo a parte. Quando a própria geleira, que grandiosidade! Que coisa linda!!! Impossível definir em palavras a beleza que nós vimos ali. O parque é lindo, aquelas passarelas intermináveis nos levam a diversos cenários para fotos divinas! Vale muito a pena conhecer o Parque Los Glaciares! A navegação de cerca de uma hora nos leva mais próximos às paredes de gelo, onde vez ou outra se desprendiam blocos que caiam no lago e faziam um barulho imenso. Era um oh pra cá...um oh pra lá...Todos encantados com a visão de algo tão incrível. Apenas vão! Vale á pena conhecer um dos maiores e mais belos glaciares do mundo! 13/01/19 a 18/01/19 Dia de darmos adeus a nossa aventura patagônica e partir para 5 dias em Buenos Aires, onde, além de descansarmos, conheceríamos lugares que não havíamos conhecido em nossa última viagem para lá. Ficamos em Buenos Aires de 13/01 a 18/01 de 2019, quando voltamos para Guarulhos e terminamos a viagem mais incrível de nossas vidas. Jamais esquecerei a magia da Patagônia, a beleza sem igual daquele lugar e toda minha superação em andar 16...18 km por dia, subindo e descendo montanhas, dando fim ao meu sedentarismo de longos anos. Voltei pra casa 4kg mais magra e com uma sensação maravilhosa de sonhos realizados. A única dor no peito, é a saudade que já sinto daquele lugar. Não deixem de conhecer a Patagônia. É um passeio caro, é, mas com jeitinho, uma boa pesquisa e força de vontade, vocês também podem sentir a alegria que senti em fazer esta viagem tão incrível! Desculpem o longo depoimento mas sempre li vários depoimentos super bacanas neste site e foram eles que me inspiraram e me deram dicas super úteis para que esta minha viagem fosse perfeita.
  9. 1 ponto
    Creio que todo mundo que mora em Brasília sabe disso, mas quem vem em Brasília a passeio, ou de passagem para explorar o entorno, Chapada dos Veadeiros ou outros pontos no estado de Goiás, geralmente não sabe. Taxi é uma das coisas mais caras em Brasília, mas existe uma rede de taxi que cobra 30% menos que as outras. Geralmente são carros mais velhos mais não tem nada de mais, oferecem o mesmo serviço. Quem chegar no aeroporto, tiver pressa e precisar pegar um taxi, pode economizar bem pegando essa rede de taxis. Basta sair do aeroporto no desembarque, no andar inferior, olhando para a rua e ir andando até o lado esquerdo, em frente à casa lotérica, do outro lado da rua, ficam esses taxis com 30% de desconto. O nome da rede é Radio Taxi Alvorada e caso não tenha nenhum taxi lá quando você chegar, basta chamar pelo telefone 61-3321-3030. No taxímetro roda o valor normal. Quando chegar o destino basta perguntar o preço com desconto que eles fazem o cálculo e fica 30% mais barato. Em corridas longas isso dá uma bela diferença.
  10. 1 ponto
    Oi pessoal, Deixo aqui a cópia do relato e dicas para as Maldivas. Espero que gostem. No blog (detantoandarblog.com) tem mais fotos. Onde fica e como chegar As Maldivas se tornaram o destino de praia queridinho do momento, em parte graças ao número expressivo de famosos e pseudo-famosos que escolheram o país para mostrar o quão ricos eles são. Embora os globais necessitem de luxo extremo para serem felizes em suas férias, isso não é a realidade da maior parte dos brasileiros que conseguem se endividar o suficiente para chegar até aqui. O país está localizado no Oceano Índico, perto da Índia e Sri Lanka, e sua capital se chama Malé. Sim, é muito longe do Brasil. As ilhas que formam as Maldivas estão agrupadas em 26 atóis. Um atol é definido como uma ilha oceânica em forma de anel que forma uma lagoa em seu interior. Na prática, os atóis poderiam ser entendidos como agrupamentos de ilhas que ajudam a dividir o país, algo como os nosso estados no Brasil. Eu não sou muito fã de praia, mas confesso que, em termos de natureza, as Maldivas me tocaram de uma forma muito forte. A cor da água e especialmente a vida debaixo dela me deixaram impressões inesquecíveis. As Maldivas foram um adendo da viagem para a Índia, uma forma de conciliar desejos meus e do meu marido e também descansar do batidão de um mês de retiro espiritual e turismo. Compramos nossa passagem na modalidade open jaw ou multi destinos. Com essa estratégia, você pode chegar por um destino e voltar por outro. É possível, inclusive, ficar uns dias a mais em uma cidade onde faria uma escala e muitas vezes não paga nada mais por isso. Consegui fazer o roteiro São Paulo – Déli (com escala em Frankfurt) com a Lufthansa e a Volta Malé – São Paulo (com escala em Frankfurt e Zurich) com a Swiss. Eu emiti todas as passagens com a Lufthansa e o valor foi o mesmo que teria pago caso chegasse e voltasse por Déli. Se você for vir somente para as Maldivas, você terá que fazer escala no Oriente Médio ou Europa. Combinando com a Índia ou não, espere pagar algo em torno de 5000 reais somente pela passagem. Como escolher o hotel Planejar uma viagem para o país foi, para mim, muito difícil. Além de pesquisar bastante uma forma de chegar lá sem pagar mais que o voo para a Índia já me custaria, eu passei muito tempo buscando um hotel que não me custasse um rim. Tanta pesquisa não surtiu muito efeito, mas devo dizer que ter um rim só está sendo OK. Os hotéis são, em geral, uma propriedade que ocupa uma ilha toda e você passará o tempo quase todo ou absolutamente todo lá, então tem que pesquisar bastante. A escolha da acomodação deverá considerar, basicamente, três fatores: a distância da capital (Malé), plano de alimentação e o tipo de quarto. 1.Distância de Malé Sua primeira decisão deverá ser se está disposto a se hospedar em um hotel distante da capital, o que implica em pegar um outro voo, desta vez de hidroavião e pagar mais uma fortuna. O barco para um hotel próximo de Malé Custa por volta de USS 130, já o avião para um hotel mais distante USS 500. A vantagem de voar será ter uma vista incrível de várias ilhas durante o voo. Na boa, o país é um paraíso na terra. 2,Plano de alimentação Os hotéis costumam ter tarifas muito diferentes que oferecem somente café da manhã ou que incluem almoço, jantar e que também podem ser all inclusive, o que facilita porque você não tem que se preocupar com o preço de nada, nem das bebidas. Você também pode entrar no site do hotel e ver se eles disponibilizam os cardápios para ter uma ideia se vale a pena ou não. Outra alternativa é procurar fotos dos cardápios no TripAdvisor ou mandar email pedindo para o próprio hotel te informar. 3.Tipo de quarto Em geral, você poderá ficar em um quarto sem vista, no meio da ilha, na beira da praia ou num bangalô na água. Também tem hotéis com quartos com piscina e até escorregador do quarto para o oceano. O problema é que os preços variam absurdamente e quando você faz a pesquisa em um site de reserva de hotéis eles te mostram primeiro a tarifa mais barata. Ao clicar no hotel, eles vão te dar as mil opções de quartos diferentes, tipos de plano de alimentação e também tarifas reembolsáveis ou não. Ou seja, se você decidiu, como eu, que queria um quarto na água, em regime all inclusive, o valor inicial mostrado não vai te ajudar muito. Muitas vezes, um hotel com a melhor tarifa no TripAdvisor para um quarto no meio da ilha tinha um preço monstruoso para um quarto na água. Assim, tive que abrir milhões de abas no navegador, com diversas opções, até decidir. Onde eu fiquei Primeiro, fizemos uma reserva com cancelamento grátis no Meeru, num quarto na água e all inclusive. Esse hotel costuma ter as melhores tarifas para quartos sobre a água e fica perto de Malé, de maneira que você chega de barco. Acabamos cancelando a reserva e escolhemos o Adaaran Prestige Vadoo, que também era próximo de Malé. Nesse hotel, todos os quartos são sobre a água. Fiquei muito satisfeito com a escolha. O quarto era enorme, tinha banheira, piscina e uma parte do chão feita de vidro, o que te deixava ver os peixinhos nadando. Com acesso direto ao oceano, você só precisava de descer a escada e pronto! Não consigo descrever a beleza de acordar com a vista para o mar azul e poder nadar com os peixes todos os dias. Porém, o que eu acho que fez mais diferença na escolha foi que a comida era a la carte e divina! No Meruu, a comida era self service. Tudo bem que eu geralmente fico em hotéis fuleiros, então estranhei os luxos. Por exemplo, nós tínhamos um mordomo que algumas vezes ao dia vinha até nós para ver se estava tudo bem. Para agendar excursões e marcar horário no restaurante japonês, nós precisávamos falar com ele. É uma tendência no mercado de luxo personalizar o serviço, mas para mim que não sou o perfil do mercado achei foi bem estranho. Enfim, mais história para contar. Na verdade, a única desse tipo de experiência. Estarei pagando ainda por muito tempo. E se eu não quero ou não posso gastar baldes de dinheiro????? Embora não muito comentadas, há alternativas para gastar muito menos. Algumas ilhas maiores têm vida local e pousadas com ótimo preços. De lá, você pode pegar excursões de barco para visitar ilhas paradisíacas próximas. No hotel onde eu fiquei, conheci um pessoal que estava na ilha de Maafushi e foi somente passar o dia (day use – USS 100) e pôde usar a piscina, praia e comer no hotel. A comida era feita especificamente para esse público e era mais simples, mas parecia ser excelente também. Tem também uns cruzeiros com a Costa Cruise que podem também custar menos que os hotéis de luxo. Por fim, você pode combinar uma pousada numa ilha maior durante uns dias e ficar na vida boa no final. Também pode mesclar uns dias em um quarto mais barato em um hotel luxuoso com outros em um bangalô sobre a água. Seja como for, você vai se encantar!
  11. 1 ponto
    Galera fizemos um confere em Formosa-GO onde visitamos o respeitado Salto do Itiquira. Vez ou outra fazemos esse bate e volta por ser bem próximo e achamos legal descrever um pouco para quem procura algo em família. O Salto do Itiquira é uma queda de água de 168 metros de altura, localizada no município de Formosa, em Goiás. Aqui seguem algumas informações. O trajeto de Brasília até o Parque demora em torno de 1 hora e 30 minutos, onde ao chegar em Formosa passamos pelo centro da cidade que é bem estruturada e possui vários lugares para almoço e comprinhas. Continuando pela principal ( via GPS ou perguntando todos explicam o trajeto além de ter placas indicativas ). Ao terminar a cidade continua-se em outra via por mais 30 Km até chegar na entrada do Parque ( isso a pista termina literalmente na entrada do parque) ao Paga-se um valor na época ( MAR2018 ) pagamos 12$ de entrada e o estacionamento(NÃO PRECISA PAGAR) fina na frente do parque, tudo muito bem organizado. TRILHA ATÉ O TOPO Para os mais aventureiros o parque tem uma Triha que vai até o topo da cachoeira, recomenda-se ir calçado e precisa assinar um termo de responsabilidade em baixo com um dos informantes do parque, existe também horário para fazer esse trecho. Outra recomendação além do tempo é ter um moderado preparo físico pois a subida é bem puxada. ONDE ALMOÇAR Sempre que vamos no Itiquira procuramos almoçar em lugares diferentes o caminho de ida e dentro da cidade recomendo um bom lugar e com baixo custo "Restaurante Casarão" ele fica bem na frente da praça principal onde situa-se a Catedral Imaculada Conceição que também é um dos maiores pontos turísticos da cidade, vale a pena conferir. Serve balança live (15 a 20$) e no peso (25$) valores bem baratos com churrasco simples, lugar bem organizado e atende muito bem. Outro lugar que super recomendo é o Dom Fernando Restaurante Rural este lugar vale super a pena se você estiver com um tempinho a mais... lá custa em média 50$ por pessoa com buffet livre ( sem balança) a gastronomia é estilo de Fazenda. O melhor desse lugar é o ambiente que te proporciona um cochilo dos melhores nos redários que possuem por lá, e não precisa levar rede... rs Caso optem na saída do Parque do Itiquira também tem um restaurante muito bom que serve sem balança também, este não tenho como descrever o local pois ainda não entramos mas é uma das opções.
  12. 1 ponto
    7º dia 28/12 – Santa Rosa X El Chocón – 625km – Saímos de Santa Rosa por volta das 8 da manhã, estrada boa até o cruzamento da Ruta 143 com a 152, o GPS me mandou para a 152 em direção a Casa de Piedra, mas assim que entrei vi a placa buracos pelos próximos 50km, dei a volta na hora e continuei na 143 até 25 de Mayo, são 230 de km de muitas retas sem nada, em 25 de Mayo quando se pega a 151 tem um posto Petrobrás com boa estrutura, esta opção acho que aumenta em 20km a distância, mas evitamos os buracos pois a pista é top. A partir dali seguimos para Neuquém pela 151, ao chegar na cidade tem que ter paciência, aproximadamente 45min para atravessar a cidade e começar a desenvolver, muitos sinais e pelo que vi não tem como passar por fora da cidade, segui o GPS e me levou corretamente para a Ruta 22 em direção a El Chocón. Chegamos em El Chocón e fomos direto para a vila, não tínhamos reservado nada lá, então fomos procurar, na vila os hotéis/cabanas são top, para quem está disposto a gastar acho até que vale a pena pois a vista para o lago é show. Como não era o nosso caso, saímos da vila fomos para El Chocón, basicamente um vilarejo 3km abaixo com estrutura simples de casas e hotéis(sem muitas opções), acabamos ficando no Hotel Del Chocón, muito simples mas nos atendeu bem, pagamos 198,00 para 3 pessoas, o café da manhã foi basicamente café com leite e medialunas feitas na hora e nos serviram quentinhas, simplesmente deliciosas, às vezes não precisamos de luxo, o simples bem feito é o suficiente. Lá serve refeição, basicamente 3 opções, espaguete, chuleta ou bisteca e bife empanado, muito bom também, preço até razoável, pagamos 90,00 para nós 3 2 porções com refri e uma cerveja. Visitamos o museu paleontológico, barato e vale a pena 3,30 por pessoa. Centro de Neuquém
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    @Dan Wollker on earth. Kkkk. Mas a maioria é Europa. Seja bem vindo.
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    Olá. Estou indo em Maio para a fazer um mochilão de 2/3 meses, ou mais, dependendo de onde vou ficar contando com couchsurfing e worldpackers vou só com uma parte do trajeto planejado e só com a passagem de ida comprada, de resto, é até o dinheiro acabar mesmo, e existe uma grande chance de ficar mais de 3 meses, já que a cidadania europeia permite. Mas minha dúvida vem em relação as mochilas, minha viagem vai ser constituir de cidades e trilhas, principalmente em países mais próximos aos nórdicos, ou os menos explorados como a Albânia, pensei em pegar uma 50L, já que não me importo em ter que lavar a roupa regularmente e precisarei levar como bagagem de mão em alguns voos de baixo custo. Estou ainda pensando na possibilidade, ou não, de levar minha Aztec Nepal, que é leve e ocuparia pouco espaço, do lado de fora, mas essa não é a questão principal porque pode ser deixada no Brasil sem problemas. Me surgiram duas opções que pareceram viáveis e gostaria da opinião/dica de vocês, são elas: Scape 50L da Quechua https://www.decathlon.com.br/mochila-de-trekking-viagem-escape-50-l-masculina-quechua/p e Easyfit 50L da Quechua também https://www.decathlon.com.br/mochila-de-trekking-easyfit-50-litros-quechua/p Existe uma terceira opção, inviável ao meu ver, que é ir com uma 55L da T&R que tem lá seus 14 anos de uso, da época dos escoteiros e comprar uma Deuter 45L por lá. Grato pela ajuda de vocês.
  15. 1 ponto
    Pessoal, nem todos os posts aqui no Mochileiros estão atualizados sobre o tema "bagagem de mão em low cost". A Ryanair está cobrando pela bagagem de mão. Às vezes compensa mais despachar. https://observador.pt/2018/10/29/ryanair-a-partir-de-novembro-levar-bagagem-de-mao-custara-mais-6-euros/
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    6º dia 27/12 – Federación X Santa Rosa – 1000km – Mais um dia e deslocamento preocupados com a polícia ao longo da Ruta 14, vimos muitos postos policiais mas tivemos sorte e não nos pararam, a 14 até Zarate é toda duplicada, muito boa mesmo. Na região de Lujan um bom mapa de GPS ajuda bastante pois é bem confuso. Ficamos em um hotel na Ruta 5, estratégico pra quem não quer entrar na cidade de Santa Rosa, pagamos para 3 pessoas 202,00 no cartão, em dinheiro estava 250,00 por causa do IVA, então foi no cartão mesmo, normalmente eu evitaria o cartão mas diferença estava grande. Café da manhã, quarto grande e confortável, jantamos no restaurante ao lado, muito bom, depois de 1000km tudo que queremos é andar o mínimo possível de carro, então estava tudo do lado, posto e restaurante. Após Lujan pega-se a Ruta 5, no começo duplicada e com velocidade máxima de 130km/h, neste trecho dá pra render bem a viagem, tem um YPF Full que não lembro em que ponto da 5, mas quem estiver rodando por lá irá vê-lo com certeza e vale a pena parar, tem internet e tudo mais. Fotos de alguns trechos da estrada até lá. Hotel em Santa Rosa : https://booki.ng/2HDScDh
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    E dinheiro pra zorra!! Cara ficando a vontade, considerando os países de menor no custo na maior parte do tempo, uns 145 dias. Como no leste vai gastar menos... da sim 160 dias. Na minha opinião não precisa nem economizar muito e nem ficar preocupado em passar pouco tempo em países com custo mais elevado! Eu ficaria 120 dias passando bem. Ate pq muito tempo fora de casa é meio cansativo. Tenho um grupo de viagem onde trocamos dicas de cidades, pontos turísticos e promovemos encontros de Brasileiros fora do pais. Uma das administradoras passou 7 meses rodando Europa, Asia e States... tem uma galera bem experiente em viagens e com muita informação para compartilhar. Se quiser entrar no nosso grupo é só add meu whats , que te coloco no grupo - 71 98119 4402
  18. 1 ponto
    Vc já comprou os deslocamentos internos?
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    @GreciaAugusta Achei o trecho Veneza-Florença apertado. Se vc puder fique ao menos 2 noites em Veneza, pois dessa forma vc não vai conseguir conhecer muita coisa. O dia 20 é praticamente perdido em função do deslocamento. Florença, depende se vc quer conhecer outras cidades da região como Pisa, Lucca e Siena, então são necessários mais dias (vale a pena). Paris e Roma estão com quantidade de dias suficientes.
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    @Dan Wollker A ideia é passar o minimo de tempo possível em países de alto custo, pretendo passar em paris apenas 3 ou 4 dias, incluindo um domingo (Louvre de graça), indo pra Belgica, querendo passar em Bruges e Bruxelas e passando na Holanda uns 3 dias para visitar Amsterdam, depois o foco seria explorar mesmo, talvez pare uns dias em Berlim por questões de logística. Ainda estou na dúvida entre ir, ou não para os países nórdicos, que são muito caros. Mas grato pelas dicas, vou pesquisar em dar um giro na Europa em pontos principais e depois explorar outros pontos que não sejam tão caros quanto.
  21. 1 ponto
    @RodrigoDigão Vou fazer isso, achar um voo de Paris a Faro e tentar me virar de ônibus por lá.. Valeeuu
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    @Dan Wollker kkkkkkkkkk já arrumei, tô perdidinha hahaha Acho que vou pegar um voo de Paris até Faro e seguir de ônibus até Lagos, acredito que seja viável, não sei..
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    Você não citou isso acima a questão da cidadania , enfim o gasto vai de cada um .. isso é bem hipotético, com essa grana daria p passar um bom tempo. Particularmente com essa grana, Passaria um tempo na India, indonesia, Tailandia etc .. pela cultura e custo mesmo .. EUROPA É CARO PACAS HEHE
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    @RodrigoDigão Pensei a mesma que você sobre Veneza, como mochilão solitário acho que passa batido e mais corrido que em companhia tal.. Vou analisar a cidade de Mestre. Quanto você acha um preço médio/custo benefício bom para hostel? Estou vendo que beira entre 25-30 euros, tudo com café da manhã, no orçamento entraria. E custo diário total, está entre 70-80 euros, é meio que uma média? Abraços e Obrigado!
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    @Rafael_Salvador Sua opinião sobre Copacabana está um pouco certa,mas faltou dizer uma coisa, é um bairro envelhecido, há muita gente de 3 e 4 idade nas ruas com suas bengalas e problemas de saúde.Trocaria Copa pela Barra mas lá é muito caro,hoje em dia,o bairro mais elitizado do Rio.Quanto a Leblon e Ipanema são lugares que não gosto.Saiu da Vieira Souto e da Delfim Moreira, aonde morar vale milhões, não há muito para conhecer. Sua opinião é de turista,a minha é de um local.Quanto a Salvador,lembrando sempre que o ex prefeito e o atual são os grandes destruidores do Porto da Barra,aonde não se pode mais entrar carro.Não vou a cidade há tempos,um dos motivos é esse.Falta me vontade de ver a prefeitura do PFL,que lutei tanto contra,na eleição perdida por Walter Pinheiro em 2008.
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    Obrigadoo, até você viajar acho que ja terminei ! você sai da onde ?
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    Viajando entre os países que fazem parte do tratado vc não passará pela imigração novamente porém não tem como afirmar que vc nao será abordado por algum policial em alguma fronteira ou em alguma blitz pelas estradas. Caso seja parado e nao tenha uma passagem de volta para o Brasil ou uma passagem de saída do tratado dentro do seu período de visto permitido você poderá ter problemas pois subentende-se que seus planos seja de ficar ilegal mesmo que afirme o contrário. Analise bem se vale a pena correr o risco ou se é melhor ao menos fazer um planejamento prévio pra saber até quando conseguirá ficar por lá com seu orçamento e com isso remarcar a passagem ou comprar outra com uma data mais pra frente e poder andar despreocupado.
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    Agradeço pela resposta, @lobo_solitário ! Sobre essa locomoção entre os países e cidades, você acha que tem algum problema caso eu não tenha essa passagem de volta? Supondo que eu seja abordado por alguém, ele verá que tenho visto de turista, provavelmente perguntará sobre a passagem de volta... o que eu poderia alegar? Enquanto eu não comprar ela? Obrigado.
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    @Érica Martins na grande maioria das vezes essas agencias de viagem exibem um valor bem baixo, bem atrativo, e bem inferior ao das cia aéreas exatamente pra fisgar o comprador. Mas lá no final da compra, em 99% das vezes inserem taxas e encargos que acabam tornando o valor da passagem quase igual ou mais caro do que se tivesse comprado direto com a cia aerea. Sem falar que comprando com agencias como essa Zupper, submarino viagens, ou qualquer outra, caso ocorra qualquer problema com seu bilhete a cia aerea nao vai resolver pra vc, ela ti encaminhará pra tratar direto com o emissor do bilhete, que na maioria das vezes vai ti dar uma dor de cabeça danada. Entao pense bem antes de decidir onde comprar.
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    @Pietro Bampi concordo com a colocaçao do _Umpdy, o melhor a se fazer é ir numa loja do gênero e ver como as mochilas ficam no corpo antes de bater o martelo sobre qual mochila comprar. Veja como é o acabamento da marca pretendida, os ajustes, o conforto, garantia, etc. Comprar pela net normalmente é mais barato que em loja física. Independente do periodo que vc for ficar viajando, seja vinte dias, um mês, dois, seis meses ou um ano, o ideal é vc levar roupa para 1 semana e a medida que for sujando vai lavando. Pesquise o clima dos seus destinos pra ter ideia se pegará muito frio ou nao. Infelizmente viajando no inverno vc carregará roupas mais grossas que consequentemente ocuparão mais espaço. Penso que com esse levantamento prévio de clima e roupas que vc leverá, será possivel ter noçao do tamanho da mochila necessária. Nao se esqueça de que quanto maior a mochila, mais coisas desnecessárias vc tente a levar. Eu ja viz uma rtw por um ano e levei uma mochila de 50L. Minha viagem vou acompanhando o verao e peguei frio em poucos lugares. Peguei neve e climas em torno de 0 grau mas nada que me obrigasse a comprar roupas de frio extremo.
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    A partir de hoje, 29/01/2019, não é necessário mais de dirigir ao escritório da Anvisa para requerer o Certificado Internacional de Vacinação contra febre amarela. Basta acessar o site abaixo e fazer sua solicitação: https://www.servicos.gov.br/servico/obter-o-certificado-internacional-de-vacinacao-e-profilaxia?campaign=destaque Ótima notícia!
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    Oi Kely, Obrigado por compartilhar sua experiência. Seu relato me ajudou a organizar o meu roteiro por El Chaltén! 😁 Muito obrigado e bons ventos. o/
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    Que bacana, Wesley! Eu que agradeço. Já vi que vai ser um relato DAQUELES!!! Manda ver aí. Sucesso!
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    Oi Vitória tudo bem? Também irei para o Peru agora em 2019, e estava procurando exatamente uma bota que me atendesse para essa viagem e que fosse feita sem materiais de origem animal. Foi então que conheci a marca Vento https://botasvento.com.br/ (antiga Nômade), do nosso amigo @fabiomon , as botas da Vento têm todas essas características, as botas da Vento utilizam um material chamado Nanox ao invés do couro animal, este material é bem mais leve e muito mais resistente que o couro, e de quebra faz com que a bota fique muito mais leve e confortável por conta disso. Ela tem excelente aderência a maioria dos solos devido a solado de borracha (material proveniente de pneus), e além disso a bota utiliza uma membrana CLIMATEX que a torna impermeável e ainda sim permite que seu pé respire evitando que ele úmido. Da uma olhada neste modelo, acho que ele pode te atender. https://botasvento.com.br/bota-impermeavel-finisterre-nanox-marrom Agora tem o principal, e que foi o principal motivo que me fez escolher a Vento. Empresa Brasileira que atua neste mercado há anos, e fazendo equipamento de ponta, o atendimento do pessoal é sensacional, tanto na pré venda quanto no pós venda, e você não vai se sentir desamparada por não ter garantia de um equipamento caso tenha algum problema. Espero que tenha ajudado, de um viajante para outro 😉
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    Parte 4 - Do Brasil para a Argentina "Oh! Oh! Seu Moço! Do Disco Voador Me leve com você Pra onde você for Oh! Oh! Seu moço! Mas não me deixe aqui Enquanto eu sei que tem Tanta estrela por aí" S.O.S, Raul Seixas Logo que chegamos no posto já fomos sondar os caminhoneiros que haviam pernoitado por ali. Vinte minutos depois fui conversar com um caminhoneiro que estava escovando os dentes em frente ao seu caminhão. Me apresentei e expliquei rapidamente a viagem. Quando ele começou a falar só vi um monte de pasta de dente voando na minha direção. Tentei desviar. Porém, fui derrotado e como prêmio recebi uma enxurrada de saliva misturada com creme dental no rosto. O sangue subiu, mas quando eu ouvi o caminhoneiro dizer "Estou partindo agora, se quiser ir tem que ser já" engoli o orgulho e abri um sorriso, e respondi "Bora". Corri chamar o Matheus. Ajeitamos nossas coisas na cabine e partimos rumo a Itaqui. Foto 4.1 - Os arredores do posto Foto 4.2 - O caminhão vermelho no fundo foi o que viajamos O início da viagem foi esquisito demais. Wagner, o caminhoneiro, fazia diversas perguntas que mais se parecia com uma entrevista de um sequestro. "Vocês tem dinheiro ai?", "Alguém de suas famílias sabem que vocês estão aqui agora?", "Precisa ter muito dinheiro pra viajar assim!", "Vocês sabem que tem muito louco pela estrada!", "Já sofreram algum tipo de violência com um caminhoneiro?". Essas foram algumas das frases que me lembro, mas foram meia hora desse tipo de conversa. O Matheus ficou mudo, não dizia nada. Por alguns segundos pensei em pular do caminhão (risos). Aos poucos fui tentando levar a conversa pra outro rumo. Até que começou a tocar Raul Seixas. Caralho! Tinha até esquecido do quanto eu gostava de ouvir aquelas músicas. Comecei a cantar. O Wagner também começou a cantar. O som da música foi para as alturas. A cara carrancuda do Wagner começou a esboçar os primeiros sorrisos. Quando começou tocar S.O.S. e troquei o trecho "Oh! Oh! Seu Moço! Do disco voador me leve com você pra onde você for" por "Oh! Oh! Seu Moço! Do caminhão me leve com você pra onde você for" ele deu risada e nesse momento as conversas tomaram um rumo diferente. E assim, começamos a conhecer as teorias de Wagner. Foto 4.3 - O caminho A primeira teoria ele nos explicou quando tocava Cowboy Fora da Lei, no trecho que diz "Oh, coitado, foi tão cedo. Deus me livre, eu tenho medo. Morrer dependurado numa cruz" o Wagner logo emendou "Foi brincar com o Homem e logo morreu, claro que tem ligação!". Depois começamos falar de política (assunto perigoso quando se é caroneiro!) e ele começou a introduzir sua frase típica, pra qualquer político ele sempre dava mesma resposta: "O Lula aquele Zé Buceta! Nem sabe que eu existo, vou ter que continuar trabalhando do mesmo jeito.", "O Bolsonaro aquele Zé Buceta! Nem sabe que eu existo, vou ter que continuar trabalhando do mesmo jeito.". Depois foi a vez do futebol, e ele era assertivo na sua frase: "Jogadores de futebol são tudo Zé Buceta! Nem sabem que eu existo, pra que vou torcer se vou ter que continuar trabalhando do mesmo jeito." (risos). A sua opinião de mundo se resumia nisso "Zé Buceta! Nem sabe que existo, vou ter que continuar trabalhando do mesmo jeito", confesso que é uma boa visão de mundo, mas tornava o Wagner previsível até então. Foto 4.4 - Mais um pouco do caminho Quando começou tocar Quando Acabar o Maluco Sou Eu, o Wagner começou se autodenominar como maluco, mas logo fez uma mea culpa falando que era o único da família assim. E assim, começamos a conhecer o Wagner de verdade. Disse que tinha muitos irmãos e que a maioria era estudado e falava com orgulho de um irmão que morava e trabalhava na Alemanha. Depois, contou a história de sua mãe e como ele sentia ter perdido ela tão cedo. Falou da sua esposa e da sua filhinha. Disse que jogou futebol e foi da base do Santos junto com o Robinho. Seu pai era da aeronáutica e por agora ele estava tirando brevê de voo, mas logo emendou com a seguinte frase "Aqueles Zé Buceta cobram caro demais por aula! Ai tenho que trabalhar muito mais". Disse também que quase não parava na sua casa e que estava trabalhando muito, emendando uma carga na outra. E nos contou de quando era caminhoneiro em outra empresa e viajava pela Argentina rumo a Terra do Fogo. Ele não gostava de argentinos de jeito nenhum, não entendi o porque, mas toda vez que ele falava de argentinos ele se referia como aqueles Zé Buceta (risos). Quando acabou as músicas do Raulzito, começou a tocar Astronauta de Mármore do Nenhum de Nós e nesse momento ele disse "Vocês não tem fome não, sobe ali e pega um pacote de bolacha pra nós comermos.". Foto 4.5 - O carro vermelho no caminho Comemos. A distração do Wagner é buzinar pra pessoas distraídas na pista. Ele dava risada com isso e eu também. Nos cagamos de dar risada quando o Wagner disse "Olha que vaca rica!" ao vermos uma vaca sozinha num pasto imenso. Agora nós três eramos bons amigos e as conversas rolavam naturalmente. A partir daqui o tom das conversas foi mais para as brincadeiras e risadas, e a música acompanhou, nesse momento começou tocar só música de balada. Wagner deixou o volume no máximo. Tocou até Harlem Shake e seu "Con los terroristas". Foi engraçada e perplexa toda aquela situação. Confesso, que estava curtindo aquela balada ambulante pela qual viajávamos. Ai o caminhão parou, ele nos disse que ali deixaria nós. Era a entrada de Itaqui (cidade distante 100km de Uruguaiana). Ele seguiria para a Camil carregar o caminhão com arroz. E assim, nos despedimos dessa figura que é o Wagner e voltamos para a rodovia. Wagner foi um cara que lembraríamos por toda a viagem. Seu jeito esquisito no início deu lugar a um cara gente boa demais. A sua maneira ele é um cara de coração grande. Tanto que para mim a música tema dessa viagem é S.O.S. do Raul Seixas, toda vez que eu tinha uma chance eu colocava essa música durante a viagem. Creio que seu jeito esquisito de início foi uma defesa natural por dar carona para dois caras, ele estava em desvantagem naquela situação. Se nos sentimos em perigo por um momento, ele também deve ter se sentido em perigo também, apesar de nossas caras de bobos (risos). Gosto de gente como o Wagner, de fala fácil, sem papas na língua e que sai do comum e fala o que pensa (mesmo que isso resuma o resto do mundo em Zé Buceta). Depois seguimos caminhando pela rodovia. Toda vez que um veículo passava por nós erguíamos o dedão da esperança. E assim fomos até chegar num posto rodoviário. O movimento de caminhões e carros era baixo. Sondamos os caminhoneiros parados, mas a maioria iria carregar o caminhão de arroz ali perto. Tava quente demais. O Matheus deu uma olhada no BlaBlaCar e tinha um carro saindo por aquela hora para Uruguaiana. Era baratinho, acho que estava dez reais e resolvemos seguir de BlaBlaCar. Uns minutos depois do meio dia o Guilherme parou no posto rodoviário e seguimos viagem com ele. Foto 4.6 - A saída do posto Fiquei na parte de trás esmagado pelos mochilões. Matheus dessa vez tomou a dianteira das conversas. Eu pouco conversei e só ouvia a conversa dos dois. Guilherme é um ex militar que agora é vendedor da Convex. Estava se acostumando com essa nova vida. Tinha descoberto o BlaBlaCar no dia anterior, que sorte a nossa. E seguia para Uruguaiana para tentar fazer algumas vendas e fechar melhor o mês de novembro. Geralmente, eu não falava sobre o meu mestrado, mas nesse dia com o Guilherme eu descobri que falar o que eu fazia criava uma confiança entre a pessoa que nos dava carona, além de criar uma curiosidade e deixar a pessoa meio sem entender porque viajava daquele jeito. Enfim, fiz mestrado em inteligência artificial. Guilherme ficou bastante curioso conosco e sua conversa com o Matheus fluía bem. O caminho ao redor não muda nada de São Miguel das Missões até Uruguaiana. Muitos silos e plantações de arroz pelo caminho. Guilherme falou bastante sobre sua vida no exército. Ele é um cara articulado e fala muito bem, acho que a profissão de vendedor tem tudo haver com ele. Falou das suas muitas viagens e missões como militar. O curioso que ele se autodenominava ex milico, sempre achei que milico era um termo pejorativo pra militar. Ele é viajante também e está preparando uma viagem de moto até Ushuaia. Estava com saudades da mulher e da filha e depois de Uruguaiana seguiria direto pra sua cidade rever as duas. Atravessamos uma ponte com sinaleiro, onde só da pra passar carros por apenas um sentido por vez. Depois disso nos aproximamos de Uruguaiana. A viagem foi bem legal, o Guilherme é um cara gente boa demais. Ele nos deixou próximo a casa de câmbio e nos explicou por onde teríamos que seguir para atravessar a fronteira. Demos um abraço de despedida no Guilherme e seguimos nosso caminho. Foto 4.7 - A tal ponte Cambiamos parte do nosso dinheiro. A ideia era levar todo o dinheiro em espécie para melhor controlar ele e saber o momento de voltar. Assim, com uma parte em pesos argentinos e outra em reais, para cambiar no futuro, seguimos para a fronteira. Estávamos com fome e no meio do caminho paramos pra comer um lanche. Aproveitamos e compramos um adaptador universal para carregar os celulares na Argentina. Ficamos sabendo que não se pode cruzar a pé a ponte que une Brasil e Argentina. Quando eu conversava com o tiozinho do lanche para pegar mais informações das maneiras possíveis de atravessar a fronteira, um senhor veio falar comigo. Seu nome é Jadir e se ofereceu para nos levar até a aduana argentina. Colocamos as mochilas na caçamba e entramos na sua caminhonete. O trecho não durou dez minutos, mas deu pra conversar bastante com o Jadir. Ele é representante de produtos hospitalares e ficou bastante preocupado com a nossa viagem, dizia que a Argentina era um país muito perigoso atualmente. A conversa foi boa e ele no final parecia nosso pai, cheio de conselhos sobre segurança e ainda deixou seu cartão comigo caso precisássemos de algo por aquele dia ou no futuro. Que satisfação conhecer o Jadir, que ao ver nós com uma necessidade não hesitou em nos ajudar. Demos um tempo na aduana antes de cruzar a fronteira, pois ainda tínhamos internet no celular. Cruzar a fronteira foi bem tranquilo. Enfim, estávamos na Argentina. Agora caminhavamos por Paso de los Libres e assim, seguimos para a rodoviária da cidade. A cidade parece mais um bairro. Ouvimos dizer que a cidade é violenta, não sei ao certo, mas a cidade é bem pobre. Chegamos na rodoviária e todos guichês estavam fechados. Esperamos mais um pouco e logo os guichês começaram a abrir. Pesquisamos os preços dos ônibus para Buenos Aires. Na Argentina tem-se desconto pagando em dinheiro e somado que naquele final de semana começaria o G20 na capital (e ninguém queria estar na sitiada Buenos Aires), conseguimos um desconto de quase 50% no valor da passagem. Ficamos horas e horas na rodoviária da diferente Paso de los Libres. Com o passar das horas já estava acostumado com o espanhol. No meio da noite chegou o nosso ônibus. Agora a viagem seguiria para Buenos Aires. Esse dia foi um bom dia. Conseguimos duas caronas e uma carona por BlaBlaCar, além de pagar bem baratinho para chegar até Buenos Aires. Percorremos muitos quilômetros em companhia de diferentes pessoas e de muita conversa. Estar na Argentina era simbólico para nós, pois parecia que só agora a busca pelo fim do mundo tinha começado. Nesse momento o frio na barriga começou a me dominar. Agradeço de coração ao Wagner, Guilherme e Jadir pelas caronas. E como falei muito do Raulzito nessa parte, queria terminar com um pedaço de sua música Por Quem os Sinos Dobram (nome tirado do livro de mesmo nome do Ernest Hemingway): "Nunca se vence uma guerra lutando sozinho Cê sabe que a gente precisa entrar em contato Com toda essa força contida e que vive guardada O eco de suas palavras não repercutem em nada É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro Evita o aperto de mão de um possível aliado, é Convence as paredes do quarto, e dorme tranqüilo Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz Coragem, coragem, eu sei que você pode mais" Por quem os sinos sobram, Raul Seixas
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    Parte 3 - O casal das ruínas de São Miguel das Missões “Pretender-se que a vida dos homens seja sempre dirigida pela razão é destruir toda a possibilidade de vida.” Guerra e Paz, Leon Tolstoi Quando ainda estávamos em Urubici decidimos cruzar a fronteira entre Brasil/Argentina por Uruguaiana. Com isso quis passar por São Miguel das Missões. Eu já conhecia a cidade (e curto demais esse lugar), mas o Matheus não conhecia ainda. Assim, quis colocar uma cidade histórica no roteiro e de alguma forma presentear o meu amigo que parou sua vida na Bahia para me acompanhar nessa aventura aleatória até o fim do mundo. O problema que eu não tinha nenhum contato em São Miguel, somente em cidades vizinhas das quais não queria parar por agora. Tentei couchsurfing e nada. Resolvi entrar em contato com uma das pessoas cadastradas pelo facebook. Mandei uma mensagem explicando nossa viagem e pedindo um quintal no qual poderíamos acampar. Recebi uma resposta com o nome de um casal que poderiam nos receber. Entrei em contato com o casal e o inesperado aconteceu, eles iriam nos abrigar na nossa estadia por São Miguel. Confesso que fiquei com receio de usar essa tática do facebook e a pessoa me entender errado. Em contrapartida, fiquei mais feliz da conta com essa inesperada hospedagem. Chegamos em Lages pelo meio da tarde. A rodoviária é bem organizada e espaçosa. Um bom lugar para se dormir. Iriamos pegar um ônibus de madrugada para Vacaria. Então, passaria meu aniversário dentro da rodoviária de Lages. Sai caminhar pela cidade, enquanto o Matheus cuidava das mochilas. Lages impressionou pela quantidade de pessoas bonitas. Quando eu voltei o Matheus estava sendo interrogado pelo chefe de segurança da rodoviária. Queriam saber quem eram nós e o que era aqueles isolantes térmicos que carregávamos, depois que viram que tínhamos passagens deram uma sossegada. Logo, eu fiquei cuidando das mochilas, enquanto era a vez do Matheus caminhar pela cidade. Fiquei deitado num canto da rodoviária e por todo aquele tempo um segurança não tirava os olhos de mim. Achei engraçada essa higienização dentro da rodoviária e assim tirar baderneiros, indigentes ou pessoas que perturbem a "paz" da rodoviária, só deixar quem for embarcar. Não vou entrar no mérito se é certo ou errado. O que chamou a atenção foi um acampamento indígena Kaingang (acho que eram Kaingang, mas podem ser Xokleng) na parte de fora da rodoviária. A cidade faz um grande esforço para manter a ordem num espaço público como a rodoviária, mas fecha os olhos para um problema real como a dos indígenas que vivem no relento na fria Lages. Assim, preferem sitiar a rodoviária para que os índios não perambulem ou durmam por lá do que realmente resolver o problema. Já vi esse tipo de situação em diversas cidades do oeste de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Não sou muito fã de fazer aniversário. Pra mim estar ali aguardando na rodoviária e esquecer que fazia aniversário era o ideal. Quando a noite chegou o frio veio junto. As duas da madrugada seguimos para Vacaria. Chegamos era quatro horas da manhã. Na hora que sai do ônibus senti o maior frio da minha vida. Chegava a doer. A rodoviária de Vacaria estava fechada e não estava com a vestimenta mais adequada. Que frio da porra. Já não conseguia mais raciocinar. Até que achamos um hotel/bar que estava aberto e fomos até lá para nos abrigar. Pedimos um café e ficamos sentados tremendo. Permanecemos no local até quase oito horas da manhã. Depois fomos para a rodoviária e pegamos o ônibus para Santo Ângelo. A viagem foi tranquila. Pela janela ou eu via pastos ou eu via plantações de arroz. No fim da tarde chegamos em Santo Ângelo e seguimos para São Miguel das Missões. São Miguel das Missões é uma cidadela de quase dez mil habitantes. A cidade teve origem nas reduções jesuíticas presentes na região pelo século XVII conhecidas como os sete povos das missões. Os setes povos das missões são São Borja, São Nicolau, São Miguel, São Lourenço, São João, São Luiz Gonzaga e Santo Ângelo. Esses setes povos são o berço da colonização do Rio Grande do Sul. São Miguel das Missões abriga o sítio arqueológico de São Miguel do Arcanjo, que é um patrimônio mundial declarado pela UNESCO, que acomoda as ruínas das reduções jesuíticas daquela época. Chegamos em São Miguel já era mais de sete horas da noite. Caminhamos rumo a casa da Karine e do Mário. Passamos pelas ruínas. A casa deles ficam muito perto da entrada das ruínas. Batemos na casa e o quarteto de cachorros veio nos recepcionar. Todos latiam. Logo a Karine chegou com seu sorriso característico. Sentamos pra conversar e nos conhecer. O quarteto peludo foi apresentado, são três shitzus (Marley, Maia e Zeca) e a poodle Laica. Gostei de todos, mas o Zeca é um cachorrinho especial, ele é amoroso, companheiro, farrista, engraçadinho e quando você está sentado ao bater palmas ele pula no seu colo e fica só no chamego. A conversa com a Karine foi bem boa. Ela contou sobre a sua história e explicamos melhor nossa viagem. O tempo estava meio chuvoso e a previsão era que para o dia seguinte seria chuva o dia todo. A Karine disse para aproveitarmos e já ir assistir o espetáculo Som e Luz nesse mesmo dia. Então, fomos. O espetáculo Som e Luz é algo realmente diferente, é uma belezura de espetáculo. Todos os dias pela noite é contada a história das missões jesuíticas na região com apenas luzes apontadas nas ruínas e com narração da Fernanda Montenegro. Tudo isso ao ar livre. Saber um pouco mais sobre a relação de dominação dos jesuítas com o povo guarani e depois a resistência guarani com os colonizadores é de encher os olhos. É a verdadeira história do nosso país contada de uma forma magistral e bela. Gosto demais da forma que é contada, alçando verdadeiros heróis da nossa história como o índio Sepe Tiaraju, o líder da resistência guarani. Vou copiar aqui o trecho que explico melhor o motivo da guerra, esse texto fiz no outro mochilão que passei por São Miguel. "A ruína na verdade é o sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo (patrimônio mundial da UNESCO), na época das missões jesuítas foram instauradas várias "comunidades" onde viviam os evangelizadores (jesuítas) com os ameríndios, que nesse caso foram os Guaranis, com propósito de impor a crença cristã e os costumes de vida do europeu. Vale a pena dizer que nessa época esse território era espanhol, e depois de dezenas de anos vivendo em "harmonia" (jesuítas e guaranis), os espanhóis queriam restaurar o domínio de Colônia do Sacramento e assim "trocaram" a região das missões por Colônia com os portugueses, assim as comunidades teriam que ser esvaziadas. Os guaranis não aceitaram sair de onde, agora, eram suas terras. Guerra-pós-guerra os portugueses dizimaram os guaranis da região e reassumiram a "ordem", mas não sem antes criar um herói entre os guaranis, Sepé Tiaraju, líder da resistência guarani. As guerras também foram às responsáveis por deixar em ruína o lugar." Caminhando por quase todo o Brasil, Uruguai e um pouco de Venezuela em seis meses de estrada, Diego Minatel Foto 3.1 - O espetáculo Som e Luz no sítio arqueológico São Miguel de Arcanjo Voltamos já era quase onze horas da noite. Conhecemos o Mário, marido da Karine, e o filho do casal, o João que tinham acabado de voltar do futebol. Nessa noite a pacata São Miguel teve um capítulo que tirou a tranquilidade da cidade. Enquanto eu, Matheus, Karine e Mário conversávamos pela noite, os vizinhos do lado bebiam mais além da conta e ficaram badernando a noite toda. O problema que um deles saiu de carro bêbado e atropelou uma senhora e saiu sem prestar socorros. No outro dia só se ouviu falar sobre esse acontecimento pela cidade. Acordamos cedo (já virou redundante escrever isso). Dormimos no ateliê do Mário. Mário e Karine são artesões e boa parte dos artesanatos vendidos nas lojinhas que ficam em frente da entrada do sítio arqueológico são feitos por eles. O Mário ainda trabalha como segurança nas ruínas pelas noites. Ou seja, eles tem uma relação direta com as ruínas, mas isso é história pra depois. Nesse dia, ao acordar o Marião já veio com sua térmica do Internacional e com a cuia de chimarrão. Fizemos uma roda de mate ao som de música gaúcha. Gosto de música gaúcha. Ficamos ali conversando mais um pouco e se conhecendo melhor. Acho interessante a função social do chimarrão. As pessoas se reúnem em volta dele e aproveitam para colocar a conversa em dia. Enquanto tem água na térmica a conversa continua. E a roda de chimarrão é feita várias vezes ao dia. Gosto de chimarrão, mas gosto mais de estar numa roda de chimarrão jogando conversa fora. E foi numa dessas rodas de chimarrão com o Mário que ele se mostrou um cara todo participativo na vida da cidade. Ele é treinador de futebol de salão da garotada da cidade e também na comunidade indígena. Ainda é presidente de associação de turismo de São Miguel. Acompanha o grupo de dança do centro de tradições. Eu e o Matheus brincávamos com ele dizendo que ele seria o próximo prefeito da cidade, mas de verdade, seria uma boa. Depois fomos para as ruínas. A entrada custa quatorze reais. Não vou falar muito sobre as ruínas, vou deixar as imagens falarem por si. É uma belezura de lugar. A energia que o lugar transmite é demais. Apesar do passado relacionado as missões jesuíticas, as ruínas de São Miguel das Missões também é um símbolo da resistência guarani contra os colonizadores. E isso que me encanta. Afinal, máximo respeito aos guaranis. Foto 3.2 - As Ruínas de São Miguel das Missões ou Sítio Arqueológico de São Miguel de Arcanjo Foto 3.3 - Que belezura Foto 3.4 - Tentando o enquadramento perfeito Foto 3.5 - Sou a resistência, todo respeito ao povo guarani Foto 3.6 - A vista do interior Foto 3.7 - A minha foto favorita Foto 3.8 - Matheus e as ruínas Foto 3.9 - A porta Foto 3.10 - O fundo Foto 3.11 - O topo Foto 3.12 - Outro ângulo Foto 3.13 - Minha cara amassada e a beleza das ruínas Não fomos os primeiros viajantes que a Karine e o Mário hospedaram. Por incrível que pareça eles hospedaram por duas oportunidades pessoas que também estavam viajando para Ushuaia. Nessas duas ocasiões eram casais que viajavam de Kombi. Porém, foram situações diferentes de hospedagem. No nosso caso fomos cara de pau ao extremo entrando em contato no facebook. Com esse pessoal de Kombi a Karine conheceu pela cidade enquanto os mesmos turistavam e assim, trouxe-os para casa. Karine tem um coração gigantesco. O curioso é que essas duas viagens de Kombi tiveram problemas mecânicos no meio da viagem, com isso os viajantes tiveram que desistir de Ushuaia e voltar pra casa ou mudar o rumo da viagem. Confesso que fiquei com um pouco de medo desse histórico da Karine (risos). Brincávamos que tiraríamos essa zica dela. Depois de voltar das ruínas almoçamos com a Karine. Conversamos mais um pouco com ela. Sempre bom conversar com a Karine. Um tempo depois caminhamos para conhecer a fonte missioneira. Fomos caminhando devagarzinho. Chegamos na fonte e ficamos trocando ideia por bastante tempo. Quando estávamos voltando veio um temporal. Tomamos muita chuva. Encontrávamos abrigo, secávamos e quando achávamos que dava pra seguir, chuva novamente. E foi assim, tomamos chuva umas quatro vezes. Nesse dia a Karine nos contou a história dela e do Mário. Quando ela era estudante do ensino médio em Constantina/RS veio numa excursão escolar conhecer as ruínas em São Miguel das Missões. Nessa viagem ela conheceu alguns meninos da cidade de São Miguel e um deles, chamado Lucas, se encantou por ela e ficou todo o dia pentelhando ela. Eles acabaram se beijando e trocando telefones. Por meses trocaram cartas, mas depois veio um hiato de mais de um ano. Num dia o Lucas ligou para Karine convicto que queria voltar a vê-la. Ele viajou até Constantina e conheceu toda sua família. Assim, os dois foram estreitando as relações. Em um dia foi a vez da Karine ir visitar o Lucas em São Miguel. Nesse dia ela descobriu que ele não se chamava Lucas, e sim Mário (risos). Mário quando era moleque aproveitava o fluxo de turistas nas ruínas para paquerar as gurias de outras cidades, e sua tática em conjunto com os amigos era trocar de nome ao se apresentar pras gurias, e Lucas foi o usado com a Karine. Ele só não imaginou que se apaixonaria naquele dia. E depois continuou com a mentira para não se passar por mentiroso (risos). No fim, ele se explicou para a Karine e se acertaram de vez. E estão juntos a quase vinte anos e são o casal símbolo das ruínas de São Miguel. Foto 3.14 - Karine e Mário, o casal das Missões (foto que peguei no facebook da Karine) E o mais curioso de tudo é que naquele dia faziam exatos vinte anos que os dois se conheceram. Eles iam sair numa noite romântica, mas no inicio da noite o Mário nos chamou pra tomar umas cervejas. Fiquei meio encabulado a principio. No fim, eles decidiram passar essa noite conosco. Que honra a nossa. Na frente da casa tomamos umas brejas, e eu não parava de rir com o Mário contando a sua versão da história do Lucas. O Mário é um cara gente boa demais. Depois saímos de carro, ao som de Raça Negra e do desafinado coral dentro do carro conhecemos um pouco mais do interior da cidade. Raça Negra une os povos (risos). Foi bom demais esse momento. Depois voltamos e comemos umas pizzas pra comemorar. No final do jantar, eu e o Matheus agradecemos a Karine e ao Mário por aqueles dias mais que especiais. Na verdade, não há palavras para agradecer tudo que eles fizeram por nós, mas tentamos. Terminamos o dia assistindo o final do jogo do Atlético Parananense contra o Fluminense pela semifinal da sulamericana. Antes de dormir eu e o Matheus conversamos sobre como tudo aquilo tinha sido bom demais. Estávamos atraindo coisas melhores que imaginávamos e tínhamos certeza que no dia seguinte as caronas aconteceriam. Foto 3.15 - João, Mário, Laica (no chão), Karine, Zeca (escondido entre a Karine e o Matheus), Matheus, Marley, Maia e eu. Antes das sete da manhã saímos de São Miguel das Missões. O Mário nos deixou no posto que fica no trevo que dá acesso a cidade (mais ou menos 15km). Nos despedimos pela última vez do Marião e agora outra vez iriamos tentar seguir nosso caminho por meio de caronas. Nunca imaginaria que voltaria para São Miguel tão cedo. Três anos depois estava eu lá, novamente. Da outra vez foi só uma visita, já dessa vez vivi um pouquinho a cidade e tive o prazer de conhecer o casal que as ruínas uniu. Karine e Mário, não consigo traduzir em palavras o que vocês significaram para mim nessa viagem ou o quanto gosto de cada um de vocês. Nada do que eu falar vai equiparar o quão bom vocês foram, o que eu tenho que fazer é aprender com o exemplo de vocês e tentar ser um cara melhor daqui pra frente. Muito obrigado por tudo, de coração.
  39. 1 ponto
    @Diego Minatel, sempre gosto de ver como você narra a experiência humana das suas viagens, a marca das pessoas que você encontrou pelo caminho. As fotos ficaram incríveis! E gostei da legenda da foto 2.5!
  40. 1 ponto
    Parte 2 - A Serra Catarinense vista por Urubici “Nunca temamos com os ladrões nem os assassinos. Estes são perigos externos, pequenos perigos. Temamos a nós mesmos. Os preconceitos, esses são os ladrões; os vícios, esses são os assassinos. Os grandes perigos estão dentro de nós. Que importa o que ameaça nossa vida ou nossas bolsas?! Preocupemo-nos apenas com o que ameaça nossa alma.” Os Miseráveis, Victor Hugo Ficamos a manhã toda na rodovia em Indaial na tentativa de pegar uma primeira carona pra Ibirama. Caminhamos pela rodovia a procura de um bom lugar pra pedir carona, esse lugar não surgiu. A estrada estava entupida de caminhões. A primeira vista parecia que seria fácil conseguir, mas era só impressão. No fim da manhã começou a chover e vimos que não seria fácil chegar em Urubici nesse mesmo dia. Não queria perder o couchsurfing, tinha muita vontade de conhecer Urubici. As palavras do Luis estavam frescas na memória e parecia mais uma premonição, então decidimos desistir das caronas e ir de ônibus. Figura 2.1 - O insucesso das caronas em Indaial Uma coisa que me irrita um pouco tanto em Santa Catarina como no Rio Grande do Sul é a falta de informação de linhas e horários de busões pelo estado, além dos atendentes também não saberem informar nada mais do que os horários de saída na própria cidade. Assim, as únicas informações que tínhamos pra chegar em Urubici era por Floripa. Eu sabia que se seguíssimos para Ibirama a chance de termos sucesso e pegar algum ônibus que chegasse próximo de Urubici era grande, mas a falta de informação nos tornou conservadores e optamos de ir por Floripa, isso faria a gente dar uma volta bem maior. Voltamos pra Blumenau e de lá conseguimos um BlaBlaCar até Floripa. O interessante nesse ponto da viagem é que a guria que nos levou até Floripa faz um tipo de Uber nesse trajeto Blumenau/Floripa pelo BlaBlaCar. Ela coloca dois horários fixos todos os dias neste trajeto e se dá um número mínimo de pessoas ela segue viagem. Não sei bem o que acho sobre isso, porque a chance dela desmarcar a viagem é grande demais. A viagem foi engraçada, a moça só falava de tragédias que havia acontecido naquela rodovia, só estava eu e o Matheus como passageiros. Rezei para a lei da atração não se fazer valer (risos). As rodovias por Santa Catarina nunca decepcionam e este trecho é lindo demais. Porém, o que mais me chamou a atenção foi a guria da direção. O valor que ela cobra por pessoa neste trecho é de trinta reais, sendo que por trecho ela pode receber um valor bruto de cento e vinte reais. Em um dia ela faz duas viagens Blumenau/Floripa, o que equivale a quatro trechos, o que dá um valor bruto de 480 reais por dia. Isso parece uma boa grana, mas quase nunca o carro vai cheio e o maior agravante é que o carro não é dela. Ela aluga o carro por um valor de 120 reais o dia, fora o seguro, pedágio e a gasolina. Sai do carro naquele dia com a impressão que aquele negócio dela não era uma boa ideia. Anos antes quando eu fiz meu mochilão pelo Brasil não consegui couchsurfing e refuguei conhecer a serra catarinense, e acabei indo para a região dos cânions na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Com isso, a serra virou um assunto mal resolvido. Queria muito estar lá. Por isso, deu um certo alívio chegar na rodoviária de Floripa e ter a certeza que manteríamos o combinado com a Leandra e chegaríamos naquele mesmo dia em Urubici. Urubici é uma pequenina cidade de pouco mais de dez mil habitantes situada na serra catarinense. As principais atividades da cidade são o turismo e a produção de frutas. A cidade se destaca por ter registrado a temperatura mais fria da história de nosso país (-17,8 graus registrado no Morro da Igreja no ano de 1996). Chegamos em Urubici já era quase meia noite, saímos caminhando pela cidade a procura da casa da Leandra. Mesmo com o horário, a Leandra nos recebeu com o sorriso no rosto, já a Kalyssa nos recebeu com suas lambidas e mordidas intermináveis. Conversamos bastante antes de dormir e a Leandra se mostrou muito alegre e alto astral. Faz pouco tempo que a Leandra está no couchsurfing, mas o que me chamou a atenção foi que ela estava meio desacreditada com a plataforma até então, porque vinha diversos pedidos de hospedagem para ela onde a galera (geralmente casais) fazia exigências pensando que a casa dela era um hotel. Não sei bem ao certo o que as pessoas acham o que é o couchsurfing, mas me entristece ver isso, porque uma má experiência para quem hospeda pode ser motivo da pessoa sair da plataforma e assim, tirar a oportunidade de muitas pessoas de conhecer um lugar por uma ótica diferente. A casa da Leandra é uma belezura de lugar. Hoje em dia ela ganha a vida alugando dois quartos de sua casa no Airbnb. Recentemente ela reservou um quartinho para disponibilizar no couchsurfing. A casa é toda aconchegante. A ideia da Leandra com o Airbnb é de se dar a oportunidade de viver viajando no futuro. Ela sente muita necessidade de sair de Urubici para conhecer novos lugares e novas pessoas. Acredito que ela esteja naquela fase de amarras e insegurança, e que falta apenas um impulso para sair viajando. Ela virou mãe muito cedo e teve que ralar muito pra criar os filhos. Hoje seus dois filhos já vivem suas próprias vidas. Creio que as amarras se foram, mas ainda é preciso superar a insegurança pra partir. Vou falar um pouco da minha experiência de partida. Só fiz meu primeiro mochilão com 27 anos, mas desde os 16 ou 17 anos sentia vontade de mochilar, principalmente para Machu Picchu. Os anos foram passando e sempre colocava outra coisa na frente da mochilada. Primeiro foi uma olimpíada do conhecimento, depois o trabalho, mais tarde o vestibular, graduação e trabalho novamente. Na graduação tive um descolamento entre pensamentos. Eu era muito convicto do que queria pra mim, pois sou de família humilde e ouvi a minha vida inteira que só estudando seria alguém na vida. Então, o que eu fiz foi estudar. Estudei muito. Tive muitas oportunidades com o estudo, mas ao mesmo tempo conforme ia ampliando o conhecimento técnico eu sentia um vazio dentro de mim. Estava ganhando muita coisa de um lado e de outro estava perdendo muitas outras coisas. A balança da vida é algo complicado. E esse vazio começou a desaparecer quando comecei a participar dos projetos sociais, como o Projeto Rondon e a TETO. A causa social que sempre esteve junto a mim ganhou prioridade e aquilo me fazia bem. Comecei a me contextualizar dentro da sociedade e queria de alguma forma ajudar. Estar no interior do Brasil ou dentro de favelas, me fez ser uma pessoa melhor, pois me fez perder diversos preconceitos. Ahh, como esses projetos me faziam bem. Quando a graduação terminou e me distanciei destes projetos, sentia a necessidade de viver o diferente novamente, de injetar vida em minha vida e a forma que encontrei foi mochilando. Por isso para mim, mais importante que viajar é como se viaja. Demorei dez anos para conseguir partir, agora pra mim a partida é fácil, pois quando vejo que endureço com a vida é hora de lembrar a quantidade de coisas boas que existem no mundo e o quanto que tenho a aprender com essa legião de boas pessoas que te ajudam sem mesmo saber quem é você. Não sou hipócrita de achar que essa é a única forma, para mim é a que funciona hoje, mas certamente num futuro próximo terei que buscar outras formas de não deixar a vida se escapar de mim. Acredito que cada pessoa que anseia mochilar, ao menos uma vez, terá que enfrentar seus próprios medos e encontrar a sua maneira de vivenciar esse mundo louco, mas cheio de belezas humanas e naturais. Acordamos cedo, como de costume. Pegamos umas dicas de lugares pra conhecer com a Leandra e decidimos seguir a pé para a cachoeira do Avencal. A cachoeira fica distante uns 8km da casa da Leandra. O acesso se dá na rodovia que liga Urubici com São Joaquim. Caminhamos na esperança de conseguir uma carona até a entrada do parque onde fica a cachoeira. O dia estava quente demais. Caminhamos e caminhamos. Para todo veículo que passava nós esticávamos o dedão na esperança de conseguir uma carona. Que saudades das Chapadas nessa hora, que mesmo sem pedir as pessoas ofereciam carona. A frase do Luis estava na cabeça e decidimos seguir caminhando sem pedir carona, e foi muito bom apesar do sol. Existem dois parques para avistar a Cachoeira do Avencal, fomos direto pro segundo, conforme conselho da Leandra. No primeiro mirante se paga cinco reais para entrar e se tem uma visão bem ruim da cachoeira. Sorte que a Leandra nos preveniu. No segundo mirante, que é o mais antigo, se paga sete reais na entrada e se tem uma bela vista da cachoeira. Ficamos um bom tempo ali, comemos nosso lanche e voltamos caminhando. Na volta o caminho é só descida e a visão da serra é lindíssima. Foto 2.2 - O início da caminhada Foto 2.3 - Na esperança de uma carona Foto 2.4 - Subindo Foto 2.5 - Não entre nessa Foto 2.6 - Quase lá Foto 2.7 - A cachoeira do Avencal Foto 2.8 - A cachoeira do Avencal Foto 2.9 - A cachoeira do Avencal Foto 2.10 - Para além da cachoeira Voltamos para a casa da Leandra, ainda era meio da tarde. Ela nos emprestou duas bicicletas e partimos para o Morro do Campestre. A pedalada foi boa. Tivemos que acelerar algumas vezes por causa de cachorros que estavam louquinhos para morder nossos pés. É possível avistar o morro de longe e quanto mais se aproxima mais lindo ele vai ficando. Depois de pouco mais de uma hora de pedalada chegamos ao pé do morro. Pagamos acho que dez reais de entrada e deixamos as bikes na entrada para subir a pé. Mais vinte minutos de caminhada e chegamos. Exploramos todo o morro. Pela tarde o tempo começou a fechar e as nuvens pintaram o céu. Por muito tempo foi somente eu e o Matheus no Morro do Campestre. Que belezura de lugar Foto 2.11 - .A subida de a pé até o Morro do Campestre Foto 2.12 - O bonitão do Campestre se anunciando Foto 2.13 - Matheus fazendo seu desejo após atravessar o portal Foto 2.14 - O cenário visto do topo do Morro do Campestre Foto 2.15 - Eu e o portal Foto 2.16 - E o céu se fechou Foto 2.17 - Explorando um pouco mais Foto 2.18 - Eu e a pose de sempre Na volta pedalamos mais tranquilamente. Caraca, como é bom pedalar. Cheguei a pensar em fazer essa viagem de bicicleta, foi a ideia que mais ficou em minha mente, mas não foi dessa vez, entretanto só de estar ali pedalando aquele trechinho a sensação de liberdade e autonomia era grande demais. Chegamos e cozinhamos um macarrão com atum, ficou meio bosta, mas a Leandra mentiu dizendo que estava bem bom. O dia foi bem corrido, bem cedinho já estávamos dormindo. Foto 2.19 - Matheus e a volta de bike Acordamos e vimos que chovia muito e a previsão era que choveria o dia todo. Assim, tiramos o dia pra tentar ajeitar alguma carona no futuro. Neste dia conversamos com muitos frentistas, donos de restaurante, etc. Todos diziam que seria muito fácil se fosse pelo meio de dezembro, na época de colheita das frutas, mas que por agora seria difícil. Fizemos o nosso dever de casa, tentamos. Era um sábado, dia de final de libertadores e eu e o Matheus estávamos muito afim de assistir o épico River x Boca. Foi difícil demais achar um boteco para ver o jogo. Sentamos e ficamos acompanhando a história do apedrejamento do ônibus do Boca. Fiquei bem chateado com tudo aquilo, queria demais que rolasse aquele jogo. Voltamos para casa da Leandra e o Matheus cozinhou uma lentilha bem encorpada. Ficou boa demais. Dessa vez a Leandra elogiou com razão. O Aílton irmão da Leandra jantou conosco nesse dia também. Foto 2.20 - A Catedral de Urubici A Leandra sabia que nossa principal intenção na cidade era conhecer o Cânion Espraiado. O Cânion fica mais de 40km do centro da cidade, então não daria pra ir caminhando. Caronas seria quase impossível, a cidade estava vazia naquele final de semana e os poucos que trafegavam por lá não se mostraram muito receptivos em oferecer carona. Neste sábado a Leandra conseguiu um carro emprestado para o dia seguinte nos levar até a entrada do Espraiado. O Aílton se prontificou de ir dirigindo, pois nem eu, nem Leandra e Matheus dirigem. Cara, nesse dia fui dormir mais que feliz, ver a Leandra e o Aílton se mobilizando para que nos dois tivéssemos a oportunidade de conhecer o Espraiado é das coisas mais bonitas que aconteceu nessa viagem. Acordamos cedo e partimos para o Espraiado. O dia se anunciou todo ensolarado, com pouquíssimas nuvens no céu. O caminho até a entrada é bem bonito, primeiro pega-se um rodovia asfaltada e depois um pista toda de terra. A Kalyssa foi junto e fez a festa dentro do carro. Chegamos cedo na entrada da trilha, nesta parte seguiu somente eu e o Matheus. A Leandra e o Aílton voltaram pra Urubici e combinamos um horário pra nos encontrarmos no mesmo lugar. Deste ponto até o Espraiado são 8km, e seguimos caminhando. O caminho é uma belezura, todo envolto de montanhas, árvores, flores e um rio para embelezar ainda mais o cenário. A caminhada foi tranquila. Quando chegamos no ponto mais alto era possível avistar o Cânion Espraiado. Quando eu o avistei sai correndo. A neblina estava subindo e começando a esconder o Espraiado. Pela minha experiência com cânions, sabia que era questão de minutos para que a neblina tomasse conta de todo o cânion. Enfim, corri. Chegamos na borda do cânion e ainda era possível ver o seu contorno. Seguimos caminhando pela borda. Como tinha chovido no dia anterior, o terreno parecia um brejo e atolamos umas duas vezes pelo caminho. A neblina dominava. Sentamos para comer. Quando terminamos tudo estava encoberto por neblina, não era possível enxergar mais que um metro na frente. Nessa hora o respeito a natureza tem que existir, e assim cuidadosamente seguimos o caminho para longe da fenda do cânion. Ainda ficamos um tempo no topo de uma cachoeira. No inicio da tarde iniciamos a trilha de volta ao ponto de encontro. A volta foi tranquila. Quando avistamos o ponto de encontro a Kalyssa estava junto da Leandra caminhando. Foto 2.21 - O ponto inicial Foto 2.22 - Que belezura! Foto 2.23 - Matheus caminhando Foto 2.24 - Eu e essa beleza de lugar Foto 2.25 - Matheus e essa foto show Foto 2.26 - O caminho pro Espraiado Foto 2.27 - O momento que decido correr Foto 2.28 - O Espraiado e a invasão de nuvens Foto 2.29 - A chegada na fenda Foto 2.30 - Eu e o Espraiado Foto 2.31 - Uma pose desnecessária Foto 2.32 - A nuvem Foto 2.33 - Matheus desaparecendo na neblina Foto 2.34 - O único lugar que não estava tomado por neblina Foto 2.35 - Que agora estava começando a ser tomado pela neblina Foto 2.36 - O topo da cachoeira Foto 2.37 - A cachoeira vista de cima Foto 2.38 - O caminho de volta Foto 2.39 - O caminho de volta [2] Foto 2.40 - Leandra e Kalyssa No caminho de volta pra casa da Leandra paramos na Gruta Nossa Senhora de Lourdes. A gruta abriga uma mini igreja ao ar livre com direito a uma cascatinha que deságua do lado do altar. Coisa linda de se ver. Nunca tinha visto nada parecido. Depois eu e o Matheus fomos para o mercado e compramos os ingredientes para fazer cachorro quente e também umas cervejas, afinal meu aniversário era no dia seguinte. Pela noite comemos e bebemos. Demos risadas e a despedida já marcava o tom da conversa. Foto 2.41 - Gruta Nossa Senhora de Lourdes Foto 2.42 - Gruta Nossa Senhora de Lourdes Foto 2.43 - Eu, Matheus, Kalyssa, Leandra e Thayran (filho da Leandra) Acordamos cedo, fizemos uns lanches para levar na viagem. Resolvemos seguir de ônibus até o nosso próximo destino. Nos despedimos da Leandra e seguimos para Bom Retiro e depois Lages. Essa etapa da viagem foi das mais importantes. Eu e o Matheus conversamos bastante sobre como estava dando certo a viagem até aqui e que só faltava encaixar algumas caronas para tudo ficar perfeito. Nos dias em Urubici também conversamos muito sobre a necessidade de ter raiz em algum lugar e tentar fazer algo por esse lugar, e de alguma forma retribuir as oportunidades que tivemos nessa vida. Outra coisa da qual filosofamos um pouco foi que era fácil encontrar beleza em qualquer lugar enquanto se é viajante, mas que o principal desafio é ter essa mesma perspectiva no lugar em que estamos no dia a dia. Leandra, como eu te disse pessoalmente, muito obrigado por ter me dado a oportunidade de conhecer sua cidade e essa beleza que é a serra catarinense. Espero, de coração, que você consiga realizar esse seu sonho de conhecer novos lugares, de conhecer a visão de mundo de novas pessoas e de caminhar pelo desconhecido. Espero também que nunca perca sua alegria e que deixe as coisas acontecerem no seu devido tempo, mas quando partir for uma necessidade insuportável, apenas vá. Afinal, haverá diversas Leandras por ai de coração aberto para te ajudar em seu caminho. Novamente, obrigado e um beijo na alma.
  41. 1 ponto
    Parte 1 - De Rio Claro até Timbó: o mesmo início de outra vez "Somos assim. Sonhamos o voo, mas tememos as alturas. Para voar é preciso amar o vazio. Porque o voo só acontece se houver o vazio. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Os homens querem voar, mas temem o vazio. Não podem viver sem certezas. Por isso trocam o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram." Religião e Repressão, Rubem Alves Desde que comecei o mestrado, eu sabia que no final iria viajar pela patagônia. Em duas oportunidades havia planejado conhecer a terra dos ventos e nessas duas vezes refuguei para ver outros lugares. Dessa vez não tinha como fugir, seria a patagônia. Porém, não sabia como seria essa viagem. Não havia nada planejado, somente recordações de planejamentos passados. Depois do turbilhão, pelo qual passei, contatei o Matheus e disse somente: - Bora viajar até Ushuaia com pouca grana?. Não fazia ideia de como seria, nem sei mesmo se tinha certeza da viagem, mas ele topou e agora tinha que ir. Matheus é um amigo que conheci na graduação. A proximidade entre nós veio a partir de trabalhos sociais dos quais participávamos. Depois disso, fizemos estágio na mesma empresa, dividimos um apartamento e fizemos o nosso primeiro mochilão juntos após o fim da faculdade. Depois cada um seguiu sua vida em lugares distintos do Brasil. Antes da viagem o Matheus estava morando em uma ecovila em Piracanga na Bahia. Costumeiramente, toda sexta-feira noite o pessoal de casa toma umas cervejas em frente de casa. Numa destas sextas o Leandro e Flávia pararam para conversar. A Flávia trabalhou muitos anos com minha mãe e o Leandro é caminhoneiro. Conversando com o Leandro, ele disse que estava sempre fazendo o trajeto até Joinville. Na hora já perguntei se teria como dar carona pra duas pessoas. Prontamente, ele disse que sim, mas que não necessariamente seria ele o caminhoneiro que iria nos levar. Assim, de maneira inusitada a viagem ganhou forma. Iriamos começar por Joinville. Depois de definido a primeira parada da viagem, veio em mente um destino que eu sempre tinha muita curiosidade em conhecer, a Serra Catarinense. Dei uma pesquisada rápida no couchsurfing e entrei em contato com a Leandra. Desde o princípio ela mostrou-se disposta a nos receber e, consequentemente, marcamos a data da nossa chegada em Urubici conforme a disponibilidade da Leandra. Entre a data de chegada em Joinville e o início dos dias em Urubici tinha cerca de quatro dias. Precisava preencher esses dias. Anos antes tinha iniciado meu mochilão solo pelo Brasil por Timbó, uma pequena cidade próxima de Blumenau, e tinha sido muito bem recebido pela família Nasato nesses dias, além de ter sido muito feliz ao lado deles. Tinha saudades daqueles dias. Assim, entrei em contato com a Brunê e expliquei a minha nova viagem que se iniciava e da minha vontade de estar ali de novo. Ela topou nos receber também. Agora o início do mochilão estava definido, sabíamos que iriamos pra Joinville, Timbó, Urubici e em algum momento Ushuaia. Era um domingo, dia 18 de novembro, acordei cedo e arrumei a mochila. Fiquei a manhã toda ouvindo música, pois sabia que sentiria falta disso. (Nas minhas viagens não levo música no celular e muito menos fones de ouvido. O motivo disso é porque gosto de estar em contato em todo momento com o lugar que estou, observando cada detalhe.) Almocei e fiquei aguardando o Matheus chegar de Piracicaba. Creio que era umas duas horas da tarde quando o Matheus chegou junto a seu pai. Nos cumprimentamos e ele parecia muito animado pela viagem que se anunciava. Depois de uns vinte minutos o Leandro chegou. O Leandro não seria o caminhoneiro que ia conosco até Joinville, mas ele veio nos buscar para levar até a empresa que sairia o caminhão. Colocamos nossas mochilas no carro, me despedi da minha mãe e partimos. Chegamos na transportadora e logo o Leandro nos apresentou ao Capitão, o caminhoneiro que iria nos levar. Ficamos um tempo conversando. Ajeitamos nossas mochilas junto a carga. O Matheus nunca havia viajado de caminhão e estava todo animado com tudo aquilo. Subimos na gigantesca cabine do caminhão e pela janela demos o último adeus para o Leandro. Foto 1.1 - A transportadora Acho que o Leandro é o personagem mais importante desta viagem. Se não fosse ele e seu pontapé inicial, talvez nem tivéssemos saído de casa. Mesmo não viajando por aquela rota nesses dias, ele foi atrás de alguém que faria o trajeto e conseguiu nos colocar naquele caminhão. Nos dias que antecederam a viagem eu e o Matheus pouco nos falamos, pois eu estava recluso pela perda da minha vó. Apesar de ter fechado passar por Timbó e Urubici, a partida não era certa. Quando recebi a ligação do Leandro com a confirmação do caminhão, senti que tinha que partir e deixar a estrada me levar. Só nesse momento tive a certeza que partiria. Leandro, muito obrigado por tudo e por fazer acontecer essa viagem. Estamos na estrada e vamos percorrendo a Washington Luís. Logo seguimos pela Anhanguera sentido São Paulo. A excitação de todo começo de mochilada me contamina. O clima dentro do caminhão é muito bom. Seguimos o caminho dando risadas. O Capitão é um cara gente boa demais, mineiro que há muito tempo vive em Rio Claro, é chamado de Capitão por causa do futebol, diz ele que fala bastante durante o jogo e sempre é o capitão dos times que joga. Os assuntos orbitavam entre futebol e mulheres. Clima leve, pista sem congestionamento. Entramos na Régis Bittencourt e, em seguida, paramos pra tomar um café e aproveitamos pra ver um pouco do jogo do tricolor. Seguimos na estrada. Chovia muito. Paramos pra outro café e comemos a torta feita pela minha mãe. Antes da meia noite chegamos em Curitiba. Paramos em um galpão da transportadora e arrumamos nossas coisas pra dormir ali, lá pelas quatro/cinco da manhã pegaríamos carona com outro caminhão até Joinville. Foto 1.2 - A estrada Quase não dormi nessa noite, até ali estava sem isolante térmico e dormi direto no chão e estava frio, mas não foi esse o motivo de eu não pregar o olho. Tinha uma cadela no cio no galpão e com isso uns vintes cachorros estavam na frente do galpão do lado de fora. A algazarra era grande. Eles ficavam se batendo no portão, enquanto a cadela uivava. Quando o silêncio tomou conta do galpão, já era hora de partir. Nos despedimos do Capitão e pegamos carona com o José. José é um cara muito tranquilo e que gosta muito de música sertaneja. Apesar de estar com muito sono, consegui conversar bastante com o José. Gostei bastante dele. A viagem foi tranquila. Foto 1.3 - O galpão Chegamos em Joinville e nos despedimos do José. Fomos até a rodoviária e checamos que não havia mais linhas que faziam Joinville/Timbó, com isso teríamos que ir pra Blumenau e depois Timbó. Compramos nossas passagens para o início da tarde e fomos até a Decatlhon comprar algumas coisas que faltavam. Comprei uma calça e uma camiseta segunda pele e também o isolante térmico. Na rodoviária vimos ônibus saindo para a cidade de Doutor Pedrinho (risos), já vi muitos nomes ruins de cidade, mas acho que Doutor Pedrinho é o pior deles, se alguém me falasse que era de Doutor Pedrinho (antes de saber da existência da cidade) eu ia achar que ela morava em um clínica ou estava de favor na casa do Pedrinho. Fomos pra Blumenau e chegando na rodoviária já estava saindo o bus para Timbó. Entramos no ônibus. No final da tarde estávamos em Timbó. Saímos caminhando pela cidade e todo carro que passava por nós buzinava ao nos ver com aquelas mochilas. Imaginamos naquele momento que seria muito fácil pegar carona, ledo engano. Sentados no meio fio esperando a Brunê (que estava voltando de um camping) viramos atração turística e os carros continuavam com o buzinaço. Depois de um tempo a Brunê surgiu na rua, que saudades eu estava. Foto 1.4 - Única foto de Joinville que tiramos Brunê é uma guria cheia de talentos. Hoje em dia junto com a Mel, comanda um restaurante vegano em Timbó chamado Aruanda. Ela está sempre sorrindo e coloca em prática quase todas as ideias que tem, enfim, ela tem atitude. Seguimos pra casa dela e fomos recepcionados pela Mog e suas lambidas. De longe vi a Rose (mãe da Brunê) e eu abri o sorriso nesse momento, parece clichê ou repetição, mas tinha muitas saudades. Na outra vez que estive na casa dos Nasatos, passei boa parte do meu tempo conversando com a Rose, é muito fácil ficar horas jogando conversa com a Rose. Dei um abraço forte e logo estávamos conversando na mesa da cozinha. Em seguida o Pini (pai da Bruna) apareceu também pela cozinha. Pini é um cara gente boa demais e logo que soube que nossa próxima parada seria Urubici tentou verificar com seus contatos se havia algum caminhão que podia nos levar pra lá. Não havia nenhum caminhão, mas só a atitude dele querer ajudar me deixou muito feliz naquele momento, fez eu ter mais certeza que tinha tomado a decisão correta de ter partido. Foto 1.5 - Grafite mais que bacana no quintal da casa da Brunê Timbó é uma cidade de pouco mais de quarenta mil habitantes. A maioria dos seus habitantes dormem com o portão aberto e quase não há problemas de violência na cidade. Apesar de ser pequena, Timbó tem um importante polo industrial com diversos tipos de industrias. Diferentemente do restante do Brasil, a cidade tem empregos de sobra e a saúde familiar instaurada no município funciona muito bem. Resumidamente, é um lugar calmo e cheio de oportunidades, e com certeza eu moraria ali. Foto 1.6 - Belezura de casa em Timbó No outro dia, acordamos cedo e fomos para o centro de Timbó. Resolvemos a questão de banco para o restante da viagem e sacamos o dinheiro que levaríamos em espécie. Depois compramos uma panela com tampa para cozinhar na estrada. De resto ficamos na frente do rio Benedito apreciando o cartão postal da cidade, que é uma ponte que atravessa o mesmo rio. No meio da tarde fomos pra Aruanda apreciar a gastronomia das meninas. Que comida boa. Nesse dia tinha um feijão com beterraba que era mais que bom. Depois voltamos para casa dos Nasatos e ficamos proseando com o Pini pelo resto da noite, ele ainda nos apresentou a iguaria pão com presunto, queijo e picles. Gostei bastante. Foto 1.7 - Cartão Postal de Timbó Foto 1.8 - Rio Benedito e a casa enxaimel Foto 1.9 - Matheus modelando No dia seguinte o Matheus acordou cedo e foi ajudar as meninas no restaurante. Ele trabalhou um pouco com gastronomia vegana na ecovila que ele morava e havia comentado sobre uma receita de lasanha que conhecia, as meninas gostaram da ideia e resolveram colocar no cardápio neste dia. Enquanto Brunê, Matheus e Mel trabalhavam no restaurante, eu fiquei na casa e coloquei a prosa em dia com a Rose, ficamos quase a manhã toda conversando e depois fui para a Aruanda almoçar. Aruanda é uma quebra de paradigma em Timbó, pois numa cidade onde há dois grandes frigoríficos e pouca gente conhece a alimentação vegana é um negócio arriscado abrir um restaurante vegano, mas as meninas abraçaram a ideia e abriram o primeiro restaurante vegano de Timbó. E nos dias que fiquei pelo restaurante muita gente comeu por lá, parece que está dando muito certo. Foto 1.10 - Entrada da Aruanda Foto 1.11 - Aruanda Foto 1.12 - Aruanda Foto 1.13 - Aruanda Foto 1.14 - Aruanda Depois do almoço eu e o Matheus fomos caminhar até o jardim botânico da cidade. O lugar é bem longe do centro da cidade. Paramos por um momento pra tomar o primeiro Laranjinha da viagem. Sou viciado nesse refrigerante que mais se parece com um líquido radioativo e que só acho por Santa Catarina. O jardim botânico é um lugar bem bonito e como é de se esperar cheio de verde. Esse dia estava muito quente. Passamos boa parte da tarde ali e voltamos para a Aruanda. Foto 1.15 - Jardim Botânico de Timbó Foto 1.16 - Jardim Botânico de Timbó Foto 1.17 - Jardim Botânico de Timbó Na volta para a Aruanda, a Brunê perguntou se queríamos ir para Rio dos Cedros, pois ela iria levar uns equipamentos no centro holístico de lá. Dissemos "Bora". Aqui pela primeira vez minha vista ficou encharcada de tanta beleza nesta viagem. O caminho entre Timbó e Rio dos Cedros é lindo demais, cheio de morros, rios e verde, é coisa de cinema. Fiquei em silêncio e como um cachorrinho coloquei a cabeça pra fora do carro pra ficar admirando aquela belezura de caminho. Chegamos no centro holístico, caminhamos um pouco pelos arredores e conhecemos o Luis. Foto 1.18 - Matheus, Mel, Brunê e eu (foto tirado momentos antes de irmos para Rio dos Cedros) Foto 1.19 - Centro holístico em Rio dos Cedros Luis é um uruguaio de uns quarenta e cinco anos (um chute!) e que vive no Brasil desde o segundo Rock in Rio. Ele é um artista plástico que utiliza materiais recicláveis em suas obras. Sua história com o Brasil é meio maluca. Ele viajou para o Brasil de carona para assistir o Rock in Rio. Chegando em Porto Alegre ele teve algum problema e não conseguiu viajar para o Rio, e teve que ver numa televisão o show. Depois seguiu até Santa Catarina de carona, ao cruzar o estado ele ficou uns três dias na pista sem conseguir carona, ele queria chegar em Balneário Camboriú. De saco cheio resolveu ir caminhando e depois de trinta dias ele chegou em Balneário e é onde está até hoje. Ele enfatizava que caminhava 7km a cada período, ou seja, 7km pela manhã, 7km a tarde e 7km de noite, todos os dias. Luis é um sujeito peculiar e nos cantou a bola dizendo: - Aqui em Santa Catarina é muito difícil conseguir carona. Foto 1.20 - A belezura de casa em Rio dos Cedros Foto 1.21 - Matheus, Brunê e Luis Foto 1.22 - Eu camuflado no verde de Rio dos Cedros Foto 1.23 - O centro holístico Ficamos a noite vendo as obras do Luis. Confesso que fiquei fascinado por uma que era o desenho de uma rua comum cheia de casas em volta, mas com a diferença que a faixa de pedestre ocupava toda a rua. Quando ele explicou que a intenção da obra era dizer que a rua é dos pedestres e não dos carros, nesse momento eu só podia sorrir. Na volta paramos em um bar no centro de Timbó. Bebemos umas brejas, filosofamos sobre a vida e a situação política do país, e demos muitas risada também. Chegamos de madrugada na casa dos Nasatos, arrumamos nossas mochilas, pois queríamos sair bem cedo para a rodovia. Tinhamos que chegar em Urubici no dia seguinte e a ideia era fazer o trajeto de carona, então decidimos sair o mais cedo possível. Acordamos bem cedo e seguimos para Indaial. Saímos sem se despedir da Rose e o Pini (eles estavam dormindo), isso me deixou meio mal. A Brunê nos deixou na pista. Acho que dei uns três abraços de despedida nela. Agora era eu, o Matheus e a rodovia. Nesta parte da viagem eu ainda estava meio travado por tudo que havia me acontecido. Não conseguia aproveitar com plenitude a viagem, mas estar junto da família Nasato me fez mais que bem. As conversas com a Rose me fizeram pensar muito sobre como encarar toda aquela bagunça na qual estava minha mente. Sou só gratidão a Brunê, Rose e Pini por ter me recebido mais uma vez e dessa vez com o Matheus. Muito obrigado de coração, e espero que tenham muita vida nessa vida maluca. Um beijo na alma.
  42. 1 ponto
    @NeideBen muito obrigada! ❤️ Quanto você gastou em média? Acha que é preciso levar barraca de camping? Só faltam essas informações para eu me jogar de cara nessa aventura!
  43. 1 ponto
    https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2018/12/25/corpo-de-quinta-vitima-de-tromba-dagua-em-rapel-e-enterrado-bombeiros-retomam-buscas.ghtml
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    Obrigada @D FABIANO e @lobo_solitário. Eu pensei no seguinte roteiro, a ideia é aproveitar os passeios mais históricos e ao ar livre mesmo. Bebidas e baladas estão fora do roteiro, hospedagem vai ser hostel com quarto compartilhado mesmo e alimentação vai rolar uns miojos haha. - Bolívia Santa Cruz Sucre Salar de Uyuni (3 dias) Laguna coloroda - Chile San Pedro de Atacama Tour do vinho Por do sol na Laguna Chaxa Tour astronomico - Peru Arequipa Chivay Vale do Colca Águas calientes Machu Picchu Vale sagrado dos incas Cusco - Bolívia Copacana - Isla del sol e Titicaca La Paz - Tiwanaky e Killi Killi Santa Cruz Eu só estou insegura porque parece muita coisa pra 25 dias, não sei bem como vai ser o tempo de deslocamento de um lugar pro outro.
  45. 1 ponto
    @Viviane Pedrosa nao da pra afirmar com precisão se o valor será suficiente ou nao, tudo vai depender do seu estilo de viagem (tipo de hospedagem, tipo de alimentaçao, quantidade de passeios, se vai curtir balada, bebidas, etc). Faça uma estimativa do tipo de hospedagem que pretende ficar, procure o valor dos passeios que pretende fazer juntamente com os deslocamentos entre as cidades. Fazendo isso vc ja terá uma certa noçao do quanto irá sobrar desses 3k e de toda forma tenha uma cartao de credito para alguma emergência, mesmo que vc nao vá utiliza-lo é bom ter caso imprevistos aconteçam.
  46. 1 ponto
    @Viviane Pedrosa Peru é o mesmo preço do país e Chile um pouco mais caro.Você sabe do estilo de viagem que gosta,então saberá quanto vai gastar,fazendo as contas como estivesse no Brasil.
  47. 1 ponto
    Modelo A Arábia Saudita, Aruba, Bahamas, Bangladesh, Barbados, Bermudas, Bolívia, Brasil, Cambodja, Canadá, China (com barras metálicas nos plugs ligeiramente mais curtas do que as utilizadas nos outros países), Colômbia, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Equador, Estados Unidos, Filipinas, Guam, Guatemala, Guianas (as três), Haiti, Honduras, Ilhas Cayman, Jamaica, Japão, Laos, Líbano, Libéria, Maldivas, Nicarágua, Nigéria, Panamá, Peru, Porto Rico, Tailândia, Taiti, Taiwan, Venezuela, Vietnam e Yemen. Modelo B os mesmos países que adotam o tipo A, exceto Bangladesh, Bolívia, Cambodja, China, Maldivas, Peru, Tailândia, Taiti, Vietnam e Yemen. Também é encontrado nos Açores, Belize e Trinidad e Tobago. Modelo C Açores, Albânia, Alemanha, Algéria, Angola, Argentina, Áustria, Bangladesh, Bélgica, Bolívia, Bósnia, Brasil, Bulgária, Burundi, Cabo Verde, Casaquistão, Chile, Congo, Coréia, Croácia, Dinamarca, Djibuti, Egito, El Salvador, Eritréia, Espanha, Filipinas, Finlândia, Gabão, Gibraltar, Grécia, Guadalupe, Guinéia, Hungria, Ilhas Canárias, Ilhas Madeira, Índia, Indonésia, Irã, Iraque, Israel, Iugoslávia, Kuwait, Laos, Líbano, Lituânia, Luxemburgo, Macedônia, Madagascar, Marrocos, Martinica, Mauritânia, Mauritus, Moçambique, Mônaco, Nepal, Netherlands, Nigéria, Noroega, Omânia, Paquistão, Paraguai, Peru, Polônia, Portugal, Romênia, Ruanda, Rússia, Senegal, Síria, Somália, Sudao, Suécia, Suíça, Surinane, Tailândia, Togo, Tunísia, Turquia, Uruguai, Vietnam, Zaire, Zâmbia. Modelo D Afeganistão, Bangladesh, Benin, Botswana, Camarões, Chad, El Salvador, Emirados Árabes, Equador, Etiópia, Gana, Grécia, Guadalupe, Hong-Kong, Índia, Iraque, Israel (Jerusalém), Jordânia, Kênia, Líbano, Líbia, Macau, Madagascar, Maldivas, Martinica, Mônaco, Namíbia, Nepal, Níger, Nigéria, Paquistão, Quatar, Senegal, Serra Leoa, Sri Lanka, Sudão, Tanzânia, Yemen, Zâmbia, Zimbabwe. Modelo E Bélgica, Burundi, Camarões, Chad, Congo, Djibuti, El Salvador, Eslováquia, Guiné Equatorial, França, Guiana Francesa, Grécia, Guadalupe, Ilhas Canárias, Indonésia, Laos, Lituânia, Madagascar, Mali, Martinica, Mônaco, Marrocos, Nigéria, Polônia, Senegal, Síria, Taiti, Tunísia. Neste tipo de tomada é possível encaixar plugs do tipo C. Modelo F Açores, Alemanha, Algéria, Aruba, Áustria, Bulgária, Cabo Verde, Chad, Coréia, Croácia, El Salvador, Finlândia, França, Grécia, Guiné, Hungria, Ilhas Madeira, Indonésia, Itália, Jordânia, Laos, Luxemburgo, Moçambique, Mônaco, Netherlands, Nigéria, Noroega, Portugal, Romênia, Samoa, Suécia, Surinane, Turquia, Uruguai. Neste tipo de tomada é possível encaixar plugs do tipo C. Modelo G Arábia Saudita, Bangladesh, Belize, Botswana, Brunei, Camarões, China, El Salvador, Emirados Árabes, Gâmbia, Gana, Gibraltar, Granada, Guatemala, Guianas (as três), Hong Kong, Ilhas Seychelles, Inglaterra, Iraque, Irlanda, Jordânia, Kuwait, Líbano, Macau, Malásia, Malawi, Maldivas, Malta, Mauritus, Nigéria, Oman, Quatar, Serra Leoa, Singapura, Tanzânia, Uganda, Vietnam, Zâmbia, Zimbabwe. Modelo H Gaza, Israel. Modelo I Argentina, Austrália, China, El Salvador, Guatemala, Ilhas Fiji, Nova Zelândia, Okinawa, Panamá, Papua, Tadjiquistão, Tonga, Uruguai. Modelo J El Salvador, Etiópia, Madagascar, Maldivas, Ruanda, Suíça.(brasil) Modelo K Bangladesh, Dinamarca, Groelândia, Guiné, Madagascar, Maldivas, Senegal, Tunísia. Modelo L Chile, Cuba, El Salvador, Etiópia, Itália, Maldivas, Síria, Tunísia, Uruguai. Modelo M África do Sul, Moçambique, Suécia (esse modelo possui os pinos mais grossos).
  48. 1 ponto
    Lembro no meu íntimo quando assisti pela primeira vez Na Natureza Selvagem. Na época, eu era um balde transbordando sonhos. Nunca antes tinha me aventurado. Viagens só aconteciam por trabalho ou férias familiares. A vida era uma linha a ser seguida. Nunca antes um filme tinha me perturbado tanto. A minha primeira reação foi admirar a beleza das imagens. A cena dele correndo na orla da praia ou entre os cavalos é de uma boniteza sem tamanho. Meus olhos suam nestes momentos do filme e ainda tem a trilha sonora do Eddie Vedder. O Sean Penn é de uma sensibilidade sem tamanho neste filme. Tudo é belo. Porém, ao me deitar neste dia as perguntas vieram na minha cabeça. Porque essa porra de Alasca? Porque não o deserto de Mojave? Porque não o Himalaia? Porque não qualquer floresta? Acordei apressado no dia seguinte, revi o filme e nada de respostas. Voltei a assistir ao filme várias vezes. No fim a pergunta sempre voltava na minha cabeça: - Porque essa porra de Alasca? Volta e meia essa pergunta retornava. Anos depois comprei o livro de mesmo nome para tentar responder essa maldita pergunta que tanto me perturbava. O livro é escrito por Jon Krakauer que é jornalista e montanhista. Ele é autor do livro No Ar Rarefeito que conta a história de uma trágica subida ao Monte Everest, na qual ele estava presente. No Ar Rarefeito, na minha opinião, é um livro muito melhor que Na Natureza Selvagem. No entanto, ler na Natureza Selvagem foi um misto de sentimentos. O livro é um trabalho jornalístico onde o autor tenta entender os passos e os porquês do Alex. O livro de nada tem de poesia e de beleza como visto no filme. Alex era um leitor assíduo e conhecer um pouco das suas preferências literárias ajuda entender um pouco suas atitudes. David Thoreau, Jack London, Leon Tolstoi, Mark Twain eram de seus autores favoritos. Fácil perceber a influência de Thoreau e Tolstoi na sua negação do status quo e do seu rompimento inevitável com seu cotidiano. Porém, a pergunta do Alasca ainda não estava respondida. Para isso tive que conhecer Jack London, autor que nunca havia lido anteriormente. Jack London na sua vida viveu algumas aventuras e viajou para o Alasca na época da febre do ouro. Enfim, uma pista. Em um dos seus livros mais famosos, O Chamado Selvagem, London conta a história do cachorro Buck. Buck era um cão doméstico que vivia na quente Los Angeles cheio de mimos e facilidades. Num dia qualquer foi roubado e levado para o gelado Alasca para trabalhar como cão de trenó na corrida pelo ouro. Com o tempo Buck vai se transformando e voltando as suas origens. Perdido no Alasca precisa se sustentar e evocar seus instintos primitivos para conseguir sobreviver em terras desconhecidas e selvagens. Esse processo elimina todo o seu passado domesticado e o torna um selvagem, ou em outras palavras um lobo. Alex via no Chamado Selvagem um chamado para ele. Se Buck o cão doméstico do livro se tornou um lobo porque ele também não se tornaria um selvagem vivendo nesse mesmo Alasca? Buck era feliz em sua ignorância. Creio que Alex também era feliz em sua ignorância de mundo. Buck resgatando sua origem selvagem também resgatava a vida que não havia vivido até ali. Alex acreditava que isso aconteceria com ele também. No momento, em que ele começou a negar a sua vida atual, ele se apegou no Buck e consequentemente no Alasca para sua salvação. Fez como Thoreau e Tolstói e largou a comodidade de sua vida para viver com quase nada e assim, viveu histórias de aventuras como nos livros de Mark Twain para que no fim encontrasse a ruptura final, do seu antigo-eu para o seu novo-eu, no Alasca, como o Buck de London. A não ser que você seja o Paulo Coelho no caminho de Santiago de Compostela onde tudo que acontece é um significado para reforçar seu pensamento de mundo. Em Diário de um Mago, Paulo Coelho percorre o Caminho de Compostela para recuperar sua espada e tornar-se um mago. Todos os seus dias no caminho são cheios de significados e aprendizados que só servem para reafirmar seus pensamentos. Alex não era um mago. E como toda pessoa comum que vai em busca de respostas, ele encontrou mais perguntas que respostas. E as respostas encontradas são sempre para questionar as certezas que temos. Alex ao chegar no Alasca não tinha mais certeza de torna-se lobo, ao olhar para seu caminho ele questionou a sua busca, mas a tragédia da vida não deixou-o saber se aquele Alex, que escreveu em seu leito de morte "A felicidade só é real quando compartilhada", era o Alex que ele buscava para si. Antes via o Alex como um messias mochileiro, uma inspiração. Hoje revejo Na Natureza Selvagem e ainda vejo muita beleza no filme. Porém, não sei ao certo o que pensar. Às vezes acho o Alex um tanto quanto egoísta em sua inflexibilidade. Outras vezes acho ele muito foda. A intermitência de sentimento deve-se muito ao meu estado de espírito. Entretanto, nunca mais questionei o porquê do Alasca. Não por ter encontrado uma explicação plausível para o significado do Alasca para ele. E sim, porque na busca por entender o Alasca, entendi que nos apegamos em uma coisa qualquer para poder percorrer um caminho. O Alasca foi o caminho do Chris para torna-se Alex. Um dia Machu Picchu foi meu Alasca, em outro dia foi o Roraima e cada dia surge novos Alascas. Para algumas pessoas o Alasca é Aurora Boreal, para outras é o Caminho de Santiago de Compostela, para outras a Disney, para muitas outras é o Nepal ou a India. A inspiração pode surgir na literatura, numa fotografia, numa conversa ou num filme. Agora ao terminar de ver o filme, a pergunta que fica é: - Se Alex estivesse vivo, qual seria o próximo Alasca que ele iria buscar?
  49. 1 ponto
    Em relação a barracas leves e compactas para trekking ou montanhismo com com custo e benefício, eu indico as seguintes: - Nepal - Azteq - Minipack - Azteq - Hiby 2/3 - Naturehike A Nepal eu usei com um amigo no Trekking Huayhuash. O local tem ventos moderados a intensos e baixa temperatura - A barraca se saiu bem no quesito regulação térmica e resistência a ventos. O espaço interno é bom para duas pessoas que querem economizar peso e sacrificar um pouco do conforto. As duas portas laterais são muito práticas para duas pessoas terem mobilidade independente de invadir o espaço um do outro. A falta de um vestíbulo (avanço) decente prejudica muito na hora de fazer comida, pois os ventos, chuvas e neve impedem que se faça ao ar livre. Cozinhar dentro da barraca é ariscado demais para se fazer, ainda mais em uma situação como essa. Outro defeito é o fato de não ser autoportante, o que prejudica a montagem em local em que não é possível fixar estacas. Não é impossível, mas torna muito mais difícil e demorado. A Minipack eu usei na patagônia, em Torrel Del Paine. No local os ventos são de intensos a extremos e a temperatura é bem baixa - A barraca se saiu muito bem na resistência e com relação à temperatura. Suportou neve com eficiência. O espaço é muito pequeno, o que torna a estadia por longo tempo (em caso de chuvas e etc..) bastante desconfortável. Assim como a Nepal, ou ainda mais grave, ela não conta com avanço que permita cozinhar ou guardar mochila. Também não é autoportante. A Hiby 2/3 eu usei no Trekking Dentes de Navarino. A ilha é assolada por ventos antárticos intensos a extremos e a temperatura é muito baixa. A barraca foi impecável! Resistiu a ventos muito fortes, a peso de muita neve e chuvas bem pesadas e duradouras. Peguei quatro dias de tempestade de neve severa. O vestíbulo é imenso! Dá espaço para cozinhas com segurança e sobra! Se quiser pode armazenar umas duas mochilas de 70L com sobra de espaço para cozinhar. O espaço interno é muito grande! Fiquei preso na barraca por praticamente um dia inteiro sem me sentir claustrofóbico. Para uma barraca que pesa 2Kg tá excelente até para uma só pessoa carregar (o que foi que fiz). O melhor custo e benefício do mercado atual de longe!!!! Minha preferida entre as três!!!!! Colocando algumas fotos dela para ilustrar o relato. *Entre as barracas disponíveis no mercado, na minha opinião, essas três podem ser usadas como quatro estações e são mais baratas que as similares. As gringas com mesmas características são muito caras! As com preços menores não são tão versáteis, ou seja, não são tão boas para uso tanto em locais frios quanto quentes. Barraca é o tipo de coisa que o barato sai caro! Sua vida vira um inferno se não tiver boa qualidade. Mas claro... são conclusões subjetivas!
  50. 1 ponto
    Roger, Deve dar de uns R$15 a R$25 estou desatualizado dos preços de lá. quando for utilize esse taxi, fone: 3321-3030 é o mais barato.
Líderes está configurado para São Paulo/GMT-03:00


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