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Exibindo conteúdo com a maior reputação em 04-04-2019 em todas áreas

  1. 1 ponto
    Olá galera mochileira, Volto aqui para tentar retribuir de alguma forma toda a informação que aqui consegui. Este foi meu 1º mochilão e graças a esta plataforma me senti segura para montar todo o meu roteiro e ir de forma (quase) completamente independente. Vocês fazem parecer tão fácil!!! E foi! E foi uma delícia também! *já faz um tempo que comecei a escrever esse relato e tinha abandonado por causa de correrias da vida, mas quero terminar antes que o facebook pare de me lembrar que eu fiz essa viagem foda há 1 ano! PARTE 0 - Planejamento e preparativos Viajar ao continente africano sempre foi um de meus maiores sonhos e ele começou a se tornar verdade há 4 anos, quando ouvindo uma discussão sobre quanto se gastaria para assistir a 1ª fase da copa do mundo na Rússia eu pensei “com esse dinheiro vou conhecer a África”. E eu tinha a companhia perfeita: minha grande amiga (e na época roommate) Camila estava disposta a encarar a aventura comigo, se eu provasse a ela que viajaríamos por 1 mês com relativo conforto e não gastaríamos mais de R$10mil... E eu provei! *imprevisto: a viagem ficou mais cara (não dá pra comparar dólar de 2014 com de 2018!), durou 39 dias e incluiu aventuras que até agora não acreditamos que vivenciamos! (Parênteses: certeza que é possível fazer este roteiro gastando menos, mas tínhamos algumas premissas que não queríamos abrir mão. Estas seriam as primeiras férias em algum tempo para nós 2 e já estávamos em ritmo de corta-tudo-e-tira-leite-de-pedra para economizarmos para A viagem, então queríamos ter algum conforto e, muito importante: queríamos tomar cerveja todo final de tarde! :D) Logo no início das pesquisas a África do Sul se mostrou o país que melhor se encaixava nos nossos planos, seja pelo custo benefício ou mesmo pela facilidade de encontrar informações. Nem sempre nossa ideia foi de planejar tudo e ir sozinhas, até mesmo pelo fato de que nenhuma de nós 2 dirige, e lendo (milhares de) blogs, cheguei ao site Pangea Trails, de um cara que tem um roteiro de van por todo o país que dura 21 dias. Esse era o plano inicial. Chegada a época que íamos realmente afinar tudo e colocar o plano em prática, os custo deste pacote já estava tomando quase todo o nosso orçamento e começamos a pesquisar a coisa toda independentemente, mas ainda assim com o roteiro dele como base, pois já sonhávamos com muitos locais por onde a Pangea Trails passava. Tínhamos então os locais que queríamos passar e mais ou menos definidos quantos dias ficar em cada um, quando a história começou a tomar outro rumo: um perfil de turismo da África do Sul que eu seguia no instagram, publicou por 5 dias seguidos fotos da Otter Trail, uma travessia de 5 dias e 4 noites que acompanha a costa selvagem do Tsitsikamma National Park através de paisagens cênicas e eu fiquei completamente obcecada. Pronto! A paisagem era tão espetacular que eu tinha que presenciar aquilo! E eu devo ser muito mais persuasiva do que imagino, pois eu, que de travessia tinha apenas feito a Salcantay para Macchu Picchu, mas que contava com uma equipe que levava a bagagem mais pesada e provia comida e acampamento (foi um esquema meio princesa mesmo), queria levar comigo nesta trilha totalmente independente a minha amiga Camila, que nunca tinha feito trilha na vida. Bom, nem sei bem como, mas a convenci! Foi a primeira reserva que fizemos. E quase choramos de emoção quando recebemos a confirmação! A questão é que esta é uma trilha bem exclusiva e as reservas se esgotam com cerca de 1 ano de antecedência, pois apenas 12 pessoas por dia podem percorrê-la. Comecei a monitorar o site do parque e checar todas as condições de tempo e maré (o caminho inclui algumas travessias de rio que podem ser bem perigosas a depender da maré do dia) para conseguir a data ideal para as nossas férias. Feito isso, o resto da viagem começou a se desenhar melhor em torno da trilha. Alguns destinos que queríamos tiveram que ser cortados, pois a logística para a Otter Trail precisava de 6 dias da nossa viagem. Numa destas decisões, cortamos Drakensberg, pois esta parada era principalmente para fazermos algumas trilhas e este assunto já estaria muito bem garantido! Na sequência compramos as passagens, fechamos o overland tour para o trecho que passaria pelo Kruger Park e a Suazilândia e compramos nosso ticket de ônibus Baz Bus. A Baz Bus oferece um serviço de vans que funcionam no estilo hop-on hop-off com foco em mochileiros que atravessam o país, recolhendo os passageiros na porta do hostel e deixando no seu próximo destino. A logística é bem bacana e a rota vai desde Joanesburgo até Cape Town, com paradas obrigatórias em Durban e Port Elizabeth, pois as vans só circulam de dia. Eles têm uma lista de hostels que são atendidos pelo roteiro e diversas opções de tickets, a depender da quantidade de dias que se quer viajar, se viaja apenas em uma direção, etc... O valor dos tickets não é muito barato, mas pela comodidade e segurança achamos que valeu a pena. Quando já estávamos lá ficamos sabendo de outra empresa que presta o mesmo tipo de serviço, tem uma rota semelhante e parece ser um pouco mais barata, a Mzansi. O roteiro então ficou mais ou menos assim: 10.03 a 15.03.18 Chegada por Joanesburgo e estadia em Maboneng; 16.03 a 22.03.18 Overland pela região do Kruger Park, Rota Panorâmica, Suazilândia, Greater St Lucia, chegando a Durban; 23.03 a 01.04.18 Seguimos de Baz Buz pela costa passando por Coffee Bay, Chintsa, Port Elizabeth e Jeffreys Bay até Storms River; 02.04 a 06.04.18 Estabelecemos base em Storms River para percorrer a Otter Trail; 07.04 a 10.04.18 Seguimos novamente de Baz Buz pela Garden Route passando por Wilderness e Mossel Bay; 11.04 a 16.04.18 Exploramos Cape Town, de onde voltamos para São Paulo. mapinha das nossas andanças.... MEDICINA DO VIAJANTE Já tinha lido algumas vezes sobre este serviço público (e totalmente gratuito) de avaliação e orientação de acordo com o local de destino e áreas de risco para doenças, mas nunca tinha utilizado. Resolvi testar e não me arrependi! O atendimento em São Paulo é no Instituto de Infectologia Emílio Ribas e o agendamento é feito por e-mail. No dia da consulta é necessário levar documento com foto e carteira de vacinação. Então começa uma entrevista na qual você conta qual o destino e as características da viagem, com a maior quantidade de detalhes possível. Daí eles te dão todas as orientações em relação à sua saúde durante a viagem e atualização de vacinas. Aproveite para tirar todas as dúvidas! Saindo da consulta já te encaminham para as vacinas e pronto. Quem precisa do Certificado Internacional de Vacinação da Febre Amarela (CIVP) deverá antecipadamente acessar o site da Anvisa para realizar seu pré-cadastro, necessário para a emissão da CIVP. A preocupação principal da maioria das pessoas que viaja à África do Sul, em especial à região do Kruger, é em relação à malária. Não existe vacina e a melhor profilaxia é evitar o contato com o mosquito através de barreiras físicas (roupas protegendo a maior parte do corpo, tela mosquiteira sobre a cama, etc..). Existe também um repelente (exposis) que foi recomendado e também os comprimidos, embora não tenham garantia total. A orientação que recebi foi: usar o repelente para a pele e para a roupa (existe um spray específico para passar na roupa e dura algumas lavagens) e tomar os comprimidos (aqui vale uma observação que o médico só indicou os comprimidos pois passaríamos pelas regiões de incidência no início da viagem e depois ainda teríamos um período longo antes de retornar ao Brasil, passando por áreas remotas e o receio era termos qualquer sintoma e não conseguirmos atendimento imediato.. se fossemos apenas ao Kruger e voltássemos em seguida, o médico não indicaria o remédio porque em qualquer emergência conseguiríamos atendimento fácil em SP). O que de fato aconteceu: levamos o exposis, mas não comprei o spray para roupa e tomamos os comprimidos que compramos em uma farmácia em Joanesburgo (parece que o melhor é comprar no próprio aeroporto, mas esquecemos e enfrentamos uma pequena burocracia para conseguirmos o remédio, que é controlado e não é barato). No início do overland, o guia fez um terrorismo de que nenhum repelente trazido de países que não tem malária é eficaz e sugeriu comprar outro, o peaceful sleep, que acabamos comprando também. Não sei se foi o remédio ou a mistura disso tudo com sol e suor, mas tive uma alergia forte na pele (rosto, pescoço e costas) que só foi sumir mesmo em Cape Town. Camila ficou enjoada nos primeiros dias do overland, o que logo relacionamos com o remédio também. Para mais informações sobre a Medicina do Viajante: http://www.emilioribas.sp.gov.br/pacientes-e-acompanhantes/medicina-do-viajante/ MOCHILA, O DRAMA... A principal dificuldade neste tema foi: precisaríamos de uma mochila que aguentasse o tranco e boa o suficiente para utilizar na trilha (tenho problema na cervical e essa era minha maior preocupação) e isso costuma ser bem caro! No final das contas: uma amiga que estava de mudança para a Austrália tinha uma mochila usada Trilhas & Rumos Crampon 72L e deu pra gente. Camila acabou ficando com esta, pois eu não queria uma mochila tão grande. Outra amiga ofereceu a mochila dela emprestada, uma Deuter Futura Vario 45 + 10, que eu me neguei a pegar até quase a véspera da viagem. Mas de tanto ela insistir e de tanto faltar dinheiro, aceitei.. Resultado: olha, quando estava pesquisando pra comprar uma cargueira pra esta viagem, li muita coisa positiva sobre a T&R, então simplesmente não sei dizer o que aconteceu, mas a mochila praticamente se desfez durante a viagem. Na arrumação ela já rasgou um teco (o que levou Camila ao desespero antes mesmo da gente ir pro aeroporto) e no restante da viagem ela se rasgou inteira! Tentamos remendar com um bocado de fita e nada adiantou... enfim, outro ponto fraco que percebi é que ela ficava visivelmente desestruturada nas costas. Quanto à que eu levei, ela foi perfeita. Nas 1ªs horas da trilha precisei fazer alguns ajustes, mas ela segurou bem! O que levei: Confesso que não sou nem de longe aquelas pessoas bem compactas para viajar e foi bem difícil ficar nisso aí... mas era tudo que cabia na mochila, então... (na verdade cabia mais mas jurei pra mim mesma que não queria partir com a mochila no limite pra conseguir trazer umas coisinhas depois) Ainda, como tínhamos a trilha no meio da viagem e eu já tinha pensado mais ou menos em um cardápio, levei daqui coisas que por algum motivo tinha receio de não encontrar pra comprar ou que precisava de apenas uma quantidade pequena, etc.. 7 calcinhas 2 pares de meia para trilha 3 pares de meia de algodão 2 sutiãs 2 tops 2 biquinis 2 calças legging 1 calça-bermuda 1 calça jeans 2 camisetas dryfit 7 camisetas 1 blusa térmica (fleece) 1 jaqueta impermeável 2 blusinhas manga longa 1 shorts de corrida 2 shorts 1 saia jeans 2 vestidos 1 pijama 1 canga de praia 2 lenços 1 toalha microfibra 1 capa de chuva 1 chinelo 1 sandália kit de higiene / cuidados pessoais maquiagem básica kit primeiros socorros (com umas coisas bem específicas pra trilha, mas que não precisamos usar.. ufa!) saco de dormir lanterna de cabeça + pilhas 2 cantil + tabletes para purificação da água 1 canivete 1 bastão de trilha 1 capa protetora mochilão (comprei uma Arienti www.territorioonline.com.br/bolsa-para-transporte-arienti-m para despachar a cargueira, que até por ser emprestada merecia um cuidado mais especial e também porque precisávamos de uma bolsa pra deixar nossas coisas no hostel durante a trilha) 1 binóculo Confesso que não sou nem de longe aquelas pessoas bem compactas para viajar e foi bem difícil ficar nisso aí... mas era tudo que cabia na mochila, então... (na verdade cabia mais mas jurei pra mim mesma que não queria partir com a mochila no limite pra conseguir trazer umas coisinhas depois) Ainda, como tínhamos a trilha no meio da viagem e eu já tinha pensado mais ou menos em um cardápio, levei daqui coisas que por algum motivo tinha receio de não encontrar pra comprar ou que precisava de apenas uma quantidade pequena, etc.. leite em pó (levei em saquinho zip lock apenas o necessário pra preparar 5 canecas de manhã) *confesso que quando estava separando o leite em pó no saquinho pra levar na mochila me bateu uma sensação mega ruim de que aquilo podia dar muito errado no aeroporto, mas deu em nada não... toddy (2 colheres de sopa / dia - levei em saquinho zip lock) geléia (aquelas individuais de cestas de café da manhã) castanhas semente de girassol cuscuz marroquino (em zip lock) quinoa (em zip lock) arroz + lentilha (em zip lock) temperos: sal (aqueles saquinhos de restaurante), pimenta do reino (não vivo sem!), azeite barras de cereais e proteínas 2 pratos plásticos rígidos, 1 caneca alumínio + kit talher de plástico Esta lista era basicamente para o meu café da manhã (com alguns itens complementares que compraria fresco na véspera da trilha) e jantar para nós 2! A Camila levou com ela o que iria precisar para o café da manhã dela e levaria o kit de panela. Além disso levei uma pequena mochila de ataque (aquelas dobráveis da decathlon, que viram uma bolinha compacta) com pasta completa de documentos e comprovantes de reservas impressas, bloco de anotação, travesseiro de viagem (meio dispensável pra mim, mas até que garantiu um conforto quando acampamos), carregador de celular, 2 power banks, câmera (uma véia digital que tenho, levei mais como garantia se a memória do celular faltasse). Acho que foi isso. A maioria das coisas que não tiveram utilidade durante a viagem foi levada por alguma indicação específica para a trilha e não acho que deixaríamos de levar (mesmo sabendo agora que não usamos), pois poderiam ter sido necessárias.. mas confesso que daria pra ter cortado umas peças de roupa e a sandália.... No final deu isso aí.. mochila pronta... O relato diário irei postando em partes para não ficar tãããão comprido... Até!
  2. 1 ponto
    Prezados, Como há muitos relatos sobre o turismo de praia e pontos turísticos de interesse geral, resolvi escrever este relato para as pessoas que têm interesse em conhecer a história da independência de Cuba e da conseguinte Revolução Cubana de 1959, a fim de que saibam quais lugares seriam indispensáveis para que se faça uma viagem pela honrada história de Cuba. De início, sugiro a leitura do livro A Revolução Cubana, de Luis Fernando Azevedo. Leitura fluida, contextualizada com o panorama internacional e com a história da independência. É bem fininho! rs... Se vc tiver essa leitura prévia, garanto que sua viagem ficará mais rica e interessante. Vou colocar aqui um roteiro de lugares indispensáveis para visitar em Cuba com o fim de fazer esse recorrido histórico, mas é óbvio que Cuba possui outros atrativos indispensáveis para conhecer. Aqui vai constar apenas o que não pode faltar para quem se interessa pela história. Minha viagem foi em março de 2019. Havana: 1) Introdução: Museu da Revolução - indispensável que a visita seja guiada. 2) Período Colonial Espanhol e movimento de independência: Museu dos Capitães Generais na Plaza de Armas - indispensável que a visita seja guiada. Prestem muita atenção nas informações sobre Jose Marti, Cespedes (preste atenção no porquê dele ser considerado o Pai da Pátria) e Antonio Maceo (a tropa rebelde feminina chamada Mariana Grajales (vc terá visto no Museu da Revolução) adotou esse nome para homenagear a mãe de Antonio Maceo) Santiago: Sugiro ir de avião - passagem em torno de 135 dólares. Necessário comprar com bastante antecedência no site da Cubana Aviación (uns 2 meses), porque esgota. Não é teco-teco. Avião comercial comum. Mesmo sendo voo nacional, eles pedem para chegar com 3 horas de antecedência. O terminal de voos domésticos é muito diferente do internacional. 1) Museu Emílio Bacardi: é muito eclético, mas aqui vc vai ter uma noção de que pessoas muito poderosas e de extrema cultura em Cuba eram abolicionistas e investiram pesado na independência Cubana. Emílio Bacardi alforriou todos os seus escravos. Sim, é o cara do rum Bacardi, do morceguinho! rs.... Não é um museu indispensável do ponto de vista histórico, mas é muito interessante. O Emílio Barcardi foi uma figura muito interessante e de muita nobreza com seu país. Até múmia egípcia vc verá no acervo que foi de Emílio Bacardi. 2) Museu da Luta Clandestina - indispensável que a visita seja guiada. Neste museu, vc vai conhecer a gênese da Revolução de 1959. Esse museu é essencial. Aqui vc vai se lembrar de Jose Marti. O revolucionários do centenário de Marti. 3) Museu do Carnaval - é pequeno e a visita rápida, mas é interessante ler os recortes de jornais nas paredes. O ataque ao Quartel Moncada foi planejado para o dia do carnaval de Santiago e é a partir daí que nasce o Movimento 26 de Julio, que vc vai ter visto inúmeras vezes o patch vermelho e preto no Museu da Revolução lá em Havana. Ele fica pertinho do Museu Emílio Bacardi. Então, para não ter que andar muito, vale a pena visitar logo depois do Museu Bacardi. 4) Museu do Quartel Moncada - no dia que fui, não sei se tinha guia, mas acho indispensável. Como eu já estava andando com historiadores de Santiago, tive uma guiagem independente e foi essencial. Lá tem uma mochila de Fidel, repare no detalhe da sigla estampada! rs... Esse museu é bem chocante. Aqui vc terá uma ideia do episódio do assalto ao Cuartel Moncada e da crueldade do regime ditatorial de Fulgêncio Batista. Uma coisa é matar um rebelde em um conflito, outra coisa é prendê-lo dias depois e torturá-lo da forma mais cruel possível ou matar em emboscada. 5) Museu Granjita Siboney - indispensável a guiagem . Fica a uns 10km de distância do centro de Santiago. Nesta granja, foi preparado o assalto ao Moncada. É um museu muito legal e os guias são muito preparados. Vale muito a pena. Ao lado dele, há um outro museu do período colonial, como vc já chegou até lá, vale a pena conhecer tb. Se caminhar mais 2km , vai chegar a uma praia frequentada por 99% de cubanos. Não espere boa estrutura como nas praias brasileiras e não se assuste com as pessoas jogando lixo na areia. Há como alugar guarda-sol. A praia é bonita, mas tem muita pedra na faixa de areia por causa dos ciclones. Repare que algumas casas mantêm tapumes de madeira protegendo os vidros das janelas mesmo fora do alerta. E também há atividade sísmica na região. Obs.: Você vai sentir muita diferença entre os cubanos de Havana e os do Oriente. Em Havana, lidamos praticamente com pessoas ligadas ao turismo e, nesse ponto, acho que há uma atmosfera de artificialidade e interesse na sua grana. Eu comecei a amar o povo cubano depois que saí de Havana. As pessoas me pareceram mais cultas, inteligentes, solícitas, simpáticas, nacionalistas e menos interessadas no dinheiro do turista. Bayamo: Base para você visitar La Comandancia de La Plata em Sierra Maestra. Contratei um passeio. Cerca de 75 dólares, com almoço ao final. Vc sai às 8h para santo Domingo e chega umas 16h/16h30 a Bayamo. Te buscam na porta da sua casa. Carro novo, confortável e com ar. No carro, eram 3 turistas. Na trilha, 5 pessoas. Quem acertou para mim foi o pessoal da casa particular. Tem como ir por menos, contratando o táxi diretamente e rateando com outras pessoas. Mas como eu só tinha um dia em Bayamo, eu não quis arriscar que algo desse errado. Dá para sair direto de Santiago também, mas aí sai bem mais cedo, é bem mais caro e mais difícil de formar o grupo para o carro encher. Indico muito a casa particular da Kenia Guevara: [email protected], [email protected] Ela é uma médica muito simpática, acolhedora e com uma energia muito boa. Conversávamos muito e sobre diversos assuntos. Combinei de jantar na casa dela e a comida era muito boa. A casa é bem ampla, com boa estrutura e o quarto que fiquei era independente e grande, com banheiro privativo e entrada separada direto para a rua. Fica relativamente perto da rodoviária da ViaAzul e pertinho da rua peadonal onde há comércio. La Comandancia de La Plata: local onde Fidel montou um QG nas montanhas. É uma trilha de 6km (total - ida e volta). Não é muito fácil, porque é sempre muito úmida e o solo escorrega, além de ser bem íngreme. Não tem mosquito. Vá com roupas e sapatos adequados. Leve água. Vc vai se sujar bastante. O guia foi excelente. Uma pessoa super inteligente e antenada com a política internacional. Fomos conversando a trilha toda. Diga que vc quer ir até a rádio rebelde e onde ficava a antena. Acho que deve ser só uns 200 metros a mais da casinha de Fidel, mas é muito íngreme e esse pedacinho é matador. Mas, não desista, camarada! Vale muito a pena! Vc vai se pegar refletindo sobre o porquê de um civil, advogado, de família abastada, como Fidel ter passado por tudo aquilo para lutar pelo direito dos mais pobres. Ele poderia ter tido uma vida tranquila e confortável. Vc ficará chocado com a astúcia de Fidel. Vc terminará a viagem fã de Fidel. Vc ficará se perguntando sobre o que vc já fez de relevante para o seu país, para sua comunidade. Santa Clara: Pegue uma visita guiada que envolva todos os pontos turísticos, porque, do contrário, muita coisa não fará sentido, como, por exemplo, a estátua de Che e o Menino, que é cheia de significado. Sugiro assistir na véspera da viagem ao filme Che, interpretado por Benicio del Toro. Sua visita vai ter outra emoção! Lugares para vistar: Praça da batalha contra os policiais de Fulgêncio (esqueci o nome). Tem homenagens ao Vaquerito. Monumento ao trem blindado Mausoleu de Che (entre tb onde estão os restos mortais de Che) Estátua de Che e o Menino Playa Girón Recomendo fortemente a casa da Tania. Ela trabalha no museu. Uma das casas com melhor estrutura que fiquei em Cuba. A Tania conseguiu uma bike para eu alugar e ir à praia. Praia lindíssima. Caleta Buena. 10km da casa. Tudo plano e margeando o mar. Não é asfaltado, tem que ter um pouco de atenção. Quase não passa carro nenhum. A casa dela fica relativamente perto da Viazul. Uns 600m. Cheguei andando. O Museu fica em frente à Via Azul (wi-fi só na Via Azul). A Tania é muito atenciosa e vc se sente em casa. Para entrar em contato com a casa particular Tania e Richard: [email protected] Museu Girón - indispensável a visita guiada. Neste museu, vc vai conhecer a tentativa de invasão mercenária patrocinada pelos EUA à Baía dos Porcos, bem como conhecer a realidade daquela região até a Revolução de 1959. É muuuito interessante e imperdível! Sugiro que você primeiro assista a um filme de 15 minutos que passa lá repetidas vezes (ruim , mas informativo), depois faça a visita guiada e depois leia com calma todo o material do Museu. Tem até a lei da reforma agrária feita por Fidel proibindo o latifúndio. O museu funciona de 9h às 17h. Espero que a turma que gosta de história aproveite algo deste roteiro.
  3. 1 ponto
    TORRES DEL PAINE 15 A 24 DE NOVEMBRO 2018 Vou fazer meu relato sobre o Circuito O de Torres Del Paine, na Patagônia Chilena. Foram 9 dias de trilha, sendo 8 de caminhada. Um total de 97 km, porque não fiz algumas partes, como o Mirador Britânico ou a ascensão a Base das Torres em si, por dois motivos, que vou explicar mais pra frente no relato. Eu não tinha nenhuma experiência com trilha, ou acampamento, ou viajar sozinha. Sempre fui sedentária, não sou de praticar esportes ou exercícios físicos. Então esse é um relato de uma pessoa que foi fazer o Circuito O, sem nenhuma experiência, com praticamente nenhum treino, só com a força de vontade. Se você sonha em fazer, mas tem medo ou não tem preparação, esse relato é pra você mesmo. DIA 1 HOSTEL – TORRES DEL PAINE GUARDERIA/CAMPAMENTO CENTRAL – CAMPAMENTO SERÓN Dificuldade: Média (considerada fácil para a maioria das pessoas) Distância: 13 km Saí do Hostel em que eu estava às 6h40 da manhã, com muita pressa e quase correndo, porque teria que andar 500m de pura subida (até com escadas na calçada), com minha mochila de 12.720kg e o ônibus saía da Rodoviária às 7h! Cheguei até com tempo de sobra, acho que acabei me desesperando tanto que fui mais rápido do que precisava, peguei o ônibus. Paguei 15.000 pesos chilenos, passagem de ida e volta, eu comprei as passagem dois dias antes, assim que cheguei em Puerto Natales, justamente porque sabia que o tempo seria curto, porém comprei pela Bus Sur que tem horário fixo de volta, ou seja, se eu comprei para o ônibus das 13h, não posso embarcar no ônibus das 19h e mais tarde acabei descobrindo que outras companhias dão a possibilidade de embarcar em qualquer ônibus desde que seja no mesmo dia da passagem compra, o que é uma idéia melhor, visto que imprevistos podem (E VÃO) acontecer. Embarcada no ônibus, a caminho de Torres Del Paine, a ansiedade estava a mil, no pensamento só o medo de não conseguir completar o circuito. A paisagem é maravilhosa, muito linda, com montanhas e pastos verdes, com ovelhas e guanacos que são tão fofos quanto parecem ser pelas fotos. Chegando ao Parque desci na portaria que ia começar a trilha, a Laguna Amarga. Eu já tinha compro o ingresso do Parque online, então fiquei em uma fila para fazer meu registro, apresentar o ingresso e meu documento, e pegar minha autorização e mapa para entrar. Com essa autorização, pude pegar um transfer que paguei 3.000 pesos até a entrada da trilha (é possível já ir andando desde a portaria laguna amarga, muita gente faz isso, mas eu queria evitar a fadiga) onde tem uma recepção. Tive que mostrar as reservas de acampamentos, e preencher uma ficha com alguns dados, incluindo numero de contato de emergência, só assim pude começar na trilha. Uma informação útil: é possível se conectar ao wifi nessa recepção, desde que você tenha uma conta PayPal ou cartão de crédito, você paga por hora ou minuto. Depois de todo esse processo, as 10h30min comecei oficialmente a trilha. Nos primeiros 15 minutos caminhando, já tinha uma subida (que eu considerei terrível), não deu tempo nem de esquentar o corpo e essa subida logo de cara. Comecei a subir pensando “o que eu to fazendo? Eu deveria voltar antes que seja tarde demais! Eu não vou conseguir, isso é loucura” com esses pensamentos negativos já vem as lagrimas, dois anos de planejamento, 2 anos sonhando com isso e eu já pensando em desistir antes do primeiro quilometro. Mas continuei andando, um passo na frente do outro, sempre pensando “mais um passo, só mais um passo” e parando a cada 10 minutos. Chegou a um ponto, que a subida não acabava eu parei e pensei “chega, vou voltar”, mas então olhei para trás, e p*ta merda, já tinha andando demais. Então eu continuei, o caminho é bonito, não é lindo de tirar seu fôlego, mas é bonito, tem muitas arvores, tem SIM um sobe e desce sem fim, e o dia estava meio chuvoso como era de se esperar para essa época do ano. Andei pra caramba, e quando eu pensava “to chegando” via uma placa de localização, falando que estava na metade, eu queria morrer quando isso acontecia. Então andei e andei, passei por uns vales, por subidas e descidas, todo mundo da trilha passou por mim, passei por algumas pessoas também, que passaram por mim novamente. Tem muitos rios pelo caminho, então não precisa se preocupar com carregar peso de água. Por fim, fica plaino e você começa a caminhar em um bosque, cheio de arvores e um caminho que parece acessível de carro. AH! Também vi cavalos selvagens nesse dia, eles ficam andando no caminho, tranquilamente, como se as pessoas sequer estivessem ali, simplesmente maravilhoso. Depois de andar muito, com nada maravilhosamente especial no dia (a não ser os cavalos, e o vento patagônico que te desafia), cheguei ao acampamento, as 16h30m. Gastei 6 horas para caminhar o que no mapa e na maioria dos relatos que li, são 4 horas. Mas cheguei, que alivio. O psicológico pesa muito, depois de montar minha barraca, entrei e chorei. Me senti isolada, sem saída, pensava “para eu ir embora e desistir, tenho que andar isso tudo de novo, o que eu vou fazer?” seguindo em frente, no segundo dia seriam 18km, se eu sofri pra 13, imagina pra 18! No Serón, tem banho quente, o que pulei porque estava exausta até pra isso (risos), tem um lugar para cozinhar, e não é permitido cozinhar fora dos lugares indicados. A salvação pro psicológico é encontrar pessoas para conversar quando se está no acampamento. E nesse quesito tive sorte, encontrei um grupo de brasileiros maravilhosos, que me incentivaram, e me deram uma força gigantesca psicologicamente, falando “relaxa, você vai conseguir, é só ir com calma”. Aquilo foi ouro de se ouvir, fiquei mais tranqüila e fui dormir, porque estava extremamente cansada e o dia seguinte seria longo, literalmente, já que na patagônia nessa época amanhece as 05h30min e escurece depois das 22h! Informação útil: no acampamento Serón também tem internet wifi, mesmo esquema do da recepção, pago por hora ou minutos; você faz check in, e eles meio que sabem que você vai passar lá, isso da uma sensação de segurança maravilhosa e segue por todo o percurso; eu montei minha barraca perto de uma lixeira, no outro dia vi que tinha um ratinho lá, por sorte ele não tentou invadir minha casa rsrs mas vale a atenção; a vista do Séron já é maravilhosa e SÓ FICA MELHOR A CADA DIA, SÉRIO! Vou continuar os relatos dos outros dias nos comentários. Pode demorar um tempo. Esse é meu primeiro relato, então não deve ser muito maravilhoso, mas eu quero mesmo é ajudar com informações que eu não encontrei quando estava me planejando. Qualquer dúvida que tiverem, informações que precisarem, sintam-se a vontade para me perguntar, será um prazer ajudar com o que eu puder.
  4. 1 ponto
    Uau... sempre gostei de ler e escrever mas 'em todos estes anos nessa indústria vital, essa é a primeira vez que isso me acontece' rsrs olho para a tela em branco mas as palavras não saem. Várias foram as vezes em que esta cena se repetiu nas últimas semanas e noto uma resistência interna em ordenar as palavras e externizá-las, permanecendo em silêncio degustando-as. Conheço bem essa resistência: é apego! Comumente remetemos o apego aos bens materiais mas quase sempre ignoramos que eles não passam de um símbolo. O real apego é sempre a ideia por trás do símbolo. Venho apegada à ideia da vida que vivi nos últimos dois anos e meio e soltar essa ideia é assumir que ela agora faz parte do passado. No entanto, o novo só vem quando soltamos o velho. E para isso se faz necessário ter coragem... As palavras que se seguem são um ato de coragem. CO.RA.GEM. substantivo feminino: 1.força ou energia moral diante do perigo; 2.sentimento de segurança para enfrentar situação de dificuldade moral; 3.atributo de quem tem determinação para realizar atividades que exigem firmeza. (Dicionário Michaelis) Ou, como uma irmã me ensinou um dia: do prefixo cor (coração) e do sufixo agem (do verbo agir): coragem é agir com o coração. E foi totalmente seguindo o meu coração que ao completar 26 anos em janeiro de 2015 escolhi ir viver as coisas nas quais acreditava. Contexto: na época uma angústia muito forte me acompanhava no dia a dia de faculdade, trabalho e nas pequenas efemeridades que caracterizam o cotidiano. No fundo, a angústia podia ser descrita como um sentimento de não pertencimento e até mesmo uma profunda incompreensão generalizada, não entendia o sentido de fazer as coisas que fazia pois enxergava uma sociedade doente e me apoiava em discursos de liberdade contra um "sistema opressor". No meu aniversário de 26 anos cansei de falar (lê-se: pregar) no facebook sobre as coisas nas quais acreditava e resolvi ir viver as coisas nas quais acreditava. Foi num ato repentino da mais profunda coragem num misto com a mais profunda inconsequência que parti. Com cinquenta e cinco reais no bolso, uma tampa de caixa de pizza escrito 'Alto Paraíso' e uma mochila extremamente pesada contendo 75% de inutilidades, fui para a BR. A única experiência que tinha era de ter pego carona com uma amiga até a cidade vizinha (interior de São Paulo, coisa de 100km de distância) poucas semanas antes, mas desde então sabia que se havia conseguido uma carona, conseguiria quantas precisasse. Afinal, muitos podem passar mas só preciso que 1 pare! E foi com essa confiança que, acompanhada de outra amiga que nunca havia viajado de carona, fui rumo a Chapada dos Veadeiros. Não olhei no Google, não tinha mapa, referências ou distâncias. Tudo o que sabia era que queria chegar na tal da Chapada e que pediria carona para isso. Há pouco tempo ouvi a seguinte frase sobre cair na estrada: "não tem como se preparar para isso". Essa é a mais pura verdade, e esse foi o primeiro grande aprendizado. Também é verdade que um único dia de BR te ensina muito mais do que toda a literatura que possa já ter lido, sobre todos os assuntos. Aprendi sobre política vendo a histórica desigualdade social na vida fora dos grandes centros urbanos e fora dos telejornais; aprendi sobre geografia percorrendo as estradas que cortam as paisagens entre serras e planaltos; aprendi sobre língua portuguesa e sobre licença poética nas placas pintadas à mão oferecendo os mais diversos trabalhos Brasil adentro; aprendi sobre matemática com os preços dos postos de combustível e suas lojas de [in]conveniência; aprendi sobre a biologia do corpo que, como um camelo, cobre distâncias incríveis sem uma única gota d'água; aprendi sobre a química da arte de cada estado em misturar água quente, pó de café e açúcar de maneira tão única (e gratuita!); e, sobretudo, aprendi a física envolvida no equilibrar de uma mochila nas costas de forma que ela (como um motor de Kombi que vem atrás) ainda assim te impulsione para frente. Sempre para frente. A BR é uma exigente professora muito dinâmica, com metodologia autodidata e tudo conta como matéria dada. E é justamente este nível de exigência da entrega total ao momento que nos permite absorver todo o seu conteúdo tão eficazmente. Afinal, não dá para estar na BR pensando no boleto que vai vencer ou na ração do gato. A BR te exige por inteiro. Mas essa exigência não é a toa, pois a todo aquele que se entregar plenamente, nada faltará. Nem a carona impossível do último raio de sol do dia, nem o alimento ora como cortesia, ora como oferta da natureza, nem o cantinho maroto para montar a barraca ou o banho, seja num rio, cachoeira ou nos oito minutos mais deliciosos de sua vida num chuveiro de posto de gasolina. Nada faltará! Esse foi o segundo grande aprendizado. Portanto, é um fato que a BR supre a todas as necessidades daquele que se entrega à ela, mas isso não quer dizer que nossas necessidades serão atendidas como gostaríamos ou quando gostaríamos, mas certamente sempre que realmente precisarmos. Aceitar essa falta de controle sobre as situações e ainda assim confiar que nada nos faltará é um desafio proporcional à magnitude do milagre de ser atendido. Porque a verdade é que nós não controlamos absolutamente nada. Abrir mão da ilusão de controle foi o terceiro grande aprendizado. Depois de aprender que não há como se preparar para isso, que são necessárias confiança e entrega e de ter aberto mão da ilusão de controle, algumas virtudes certamente já se apresentam desenvolvidas das quais destaco duas: a paciência e a gratidão. Estas duas virtudes são os maiores presentes que a BR me deu. A paciência de esperar o dia in-tei-ro por aquela carona naquela estrada de terra que não passa nem vento ou naquele trecho urbano em que milhares passam mas não param por medo. A gratidão de receber o dia chuvoso como se recebe o ensolarado, de ser grata pelo jejum assim como se agradece o banquete de coração ofertado. Tendo desenvolvido a duras penas a paciência e a gratidão, aprendi que a verdade é que tudo está em nossas mãos. Com paciência e gratidão criamos o que quisermos. Esse foi o quarto grande aprendizado. Esse é um dos mais belos paradoxos humanos: não temos o controle de nada e criamos tudo o que quisermos. As palavras nem ao menos tangenciam os processos dessas compreensões e permanecem assim no campo das inefabilidades. Mas afirmo: é real. No entanto, não acredite em mim. Duvide e tenha sua própria experiência. Além dos impulsos de buscar viver as coisas nas quais acreditava, também ansiava por ser maior do que meus medos. No angustiante período que antecedeu a partida, já havia compreendido que a crença em nossos medos é o que nos limita. Na época, havia feito uma lista com todos os meus medos dos mais esdrúxulos aos nunca antes pronunciados. Levei algo próximo de três meses para terminá-la, e esta lista finalizada lembrava em muito um pergaminho dado comprimento. Em seguida os analisei. Considerei medos-meus aqueles que havia tido uma experiência direta, real e empírica e considerei medos-não-meus aqueles adquiridos por indução social e inconscientemente reproduzidos. Fiz isso pois compreendia que poderia lidar com os meus medos e os demais devia apenas soltá-los, afinal não eram meus e gastava muita energia com eles... E de todo o pergaminho, a lista se reduziu a poucos ítens contados nos dedos das mãos. Esses eram os que me interessavam vencer, os demais , como disse, abandonei. Simples assim. Junte a angústia existencial gerada por uma sociedade de consumo com a vontade de vencer os medos limitantes e algumas sessões de 'into the wild' e você tem uma pessoa disposta a rasgar documentos, dinheiro, diplomas, desapegar-se de bens materiais e referências psicoemocionais, além de cometer um "socialcídio" nas redes sociais. Toda a viagem à Chapada dos Veadeiros durou entorno de duas semanas e, ao retornar, abri mão de todos os ítens acima citados. Quando voltei para a estrada possuía apenas o meu corpo, meus conhecimentos e uma mochila com algumas roupas e alguns poucos apegos que ainda permaneciam. Queria ver o mundo como ele era sem referências. Queria ver como eu era sem referências. Compreendia que o dinheiro era uma forma de energia mas não era a única e me propus a viver da troca de conhecimentos e da força braçal, bem como do voluntariado. Mas num bom e honesto português o que me motivou foi querer ver se o mundo era mesmo como o Datena falava que era, rsrsrs É com alegria e gratidão que posso afirmar que ele possui uma visão muito limitada (e triste) do que é o mundo... Nesse período de viagens de carona que se sucedeu com trocas e voluntariado, regado à paciência e gratidão, aprendi que quanto mais a gente se doa mais a gente recebe. Esse foi o quinto grande aprendizado. Também foi um período em que muitos valores morais e crenças caíram por terra. Descobri, como diria um professor que tive, que sou o extrato-do-pó-do-peido-da-pulga no universo! Rsrs E viajei, e viajei e viajei. Curiosamente, curtos foram os momentos em que viajei sozinha. Já viajei em dupla, em trio, com criança e em quarteto. Viajar bem acompanhada é delicioso! Comunhão, cumplicidade, respeito, reciprocidade, apoio e alguém que olhe sua mochila para ir ao banheiro! Rsrsrs No entanto, só quem já viajou mal acompanhado sabe o valor de se andar só. Uma vez li em algum lugar que a solidão só pode ser realmente sentida em meio a outras pessoas. Hoje compreendo isso. E foi ao escolher passar a viajar exclusivamente sozinha que compreendi a diferença entre solitude e solidão. A solitude é sobre estar só e não sentir solidão. A solidão é sobre estar acompanhado e se sentir só. Esse foi o sexto grande aprendizado. E ao aprender a apreciar a minha companhia e a ouvir tudo o que o silêncio tinha para me falar, a vida de caronas passou a ser incompatível com minhas novas necessidades introspectivas pois bem sabemos que o pegar caronas implica em conversar e interagir (além de responder várias vezes no dia as mesmas perguntas clássicas "de onde você é?", "para onde você está indo?", "você não tem medo?", "o que sua família acha disso?", Etc rsrsrs). As trocas me garantiam apenas o mínimo ao mesmo tempo em que recebia muitas doações, e foi quando passei a me sentir sustentada ao invés de me sustentar. Essa nunca foi a proposta. Concluí que estava na hora de ser autossuficiente, decidi investir em artesanatos e passar a viajar de bicicleta para ter mais independência. Viajar de bicicleta é outro universo...! Viajando de carona o mundo já é solícito, mas de bicicleta ele é escancarado! Minha bicicleta (Kali- A Negra) é dessas padrão, sem marca, aro 26 e 21 marchas onde os maiores investimentos que fiz foi instalar bar ends de deiz real, um selim mais largo e o bagageiro no qual amarrei dois baldes como alforges, com uma garrafa pet de paralama. Junte a cara de pau de uma bicicleta dessas circulando por aí como se fosse uma Specialized, o fato de eu ser mulher e estar viajando sozinha e você terá a trinca de ouro das portas abertas na sociedade. Tenho plena consciência da sociedade patriarcal em que vivemos e de como é nascer mulher em meio a isso, mas nunca havia experienciado isso de forma tão latente pois não se admiravam por ser uma pessoa viajando de bicicleta, mas por ser uma mulher sozinha, o que claramente indica a noção do inconsciente coletivo de que o mundo é sim um lugar hostil para mulheres, já que a mesma admiração não é comum aos homens viajantes solos. Também sinto que a hiperbólica solicitude que a bicicleta proporciona vem do próprio símbolo de liberdade atrelado à ela, afinal todos temos alguma memória afetiva de infância relacionada à sensação de liberdade com alguma bicicleta. Uma metáfora não-tão-metáfora-assim que a bicicleta me ensinou nos primeiros 10 minutos de viagem foi que não importa o peso que se carrega, mas sim como o equilibramos... E pedalei, e pedalei, e pedalei. Tomei chuva, me queimei no sol, atolei na lama, empurrei serra acima e senti a "mão de Deus no guidão" ladeira abaixo a 56km/h. Fui abordada diversas vezes pela própria curiosidade das pessoas, fui recebida e convidada à hospedagens e banquetes, ganhei dinheiro e presentes, orações, abraços cheios de ternura e querer bem e, por mais delicioso que tudo isso seja, estava looonge da intenção inicial de passar despercebida... Ao mesmo tempo isso ajudou com a venda de artesanatos (mandalas de papel com beija-flores, logo, Ciclobeijaflorismo) e pude experienciar o sucesso na autossuficiência plena com dinheiro suficiente para me hospedar em campings e realizar os desejos mais supérfluos de meu ego. É nesse ápice entre a plena autossuficiência profissional e a crescente necessidade de introspecção e silêncio não compatíveis com a imprevisível vida na BR que, com a Graça Divina, tive o maior dos aprendizados. Tudo o que fizera até então era em busca da liberdade, de acordo com os conceitos que possuía de liberdade. No entanto, em dado momento pude compreender que sempre fui livre. E pela primeira vez compreendi o que Renato Russo quis dizer quando afirmou que 'disciplina é liberdade'. Todos somos livres, sempre fomos e sempre seremos. Inclusive para nos prendermos ao que desejarmos. Esse foi o sétimo e maior aprendizado de todos nesses dois anos e meio de vida nômade. Faz aproximadamente quatro meses que parei de viajar e isso se deu por uma série de fatores, compreensões e necessidades do momento. Tudo o que materialmente ainda possuo é a bicicleta e os baldes alforges (tá, e documentos. Tenho todos novamente, rsrsrs), no entanto a bagagem que estes dois anos e meio me gerou eu ainda mal consigo mensurar (e nem tenho tal pretensão!). A proposta do momento é encerrar pendências diversas que a impulsividade de outrora deixou e, tendo renovado inclusive a CNH, dar início ao projeto da casa própria sobre rodas, afinal sou uma jovem senhora de quase 30 anos que busca alguns confortos que viver de mochila não oferece, rsrs. No entanto, como ou quando isso acontecerá não me pertence mas sei que assim como a estrada me chamou uma vez, quando houver de retornar não será diferente. Coração cigano só bate na poeira da estrada! E o que ficou disso tudo? O brilho dos primeiros raios de sol pela manhã refletidos na superfície de um rio; O aroma da primeira chuva que cai e toca a terra encerrando a seca. Uma verdadeira oração silenciosa de alívio e gratidão onde não se ouve nada além das gotas; A suculência da fruta madura saboreada direto do pé; O farfalhar das folhas com o vento no dossel; O toque da pele em cada rosto que se toca em um abraço ou das mãos que se apertam. E os sorrisos! Ah, os sorrisos... As donas Marias e os seus Zés... Esse foi meu relato de dois anos e meio de viagens conhecendo um pedacinho de cada uma das cinco regiões do Brasil, de carona, a pé e de bike com muito pouco ou nenhum dinheiro vivendo a base de trocas e voluntariado, posteriormente com a venda de artesanatos. Este relato não envolve descrição de lugares, roteiros, valores, dicas ou distâncias. Aliás, quando me perguntam sobre a maior distância que já percorri digo que foi entre querer viajar e colocar a mochila nas costas. Esta certamente foi a maior distância. Este relato apenas compartilha outros aspectos de um mochilão. E embora eu tenha dito que este é o meu relato, estou ciente de que também é ou pode ser o seu, afinal, Eu Sou o Outro Você. Dedico a todas e todos que abraçaram e abraçam o desconhecido, escolhendo ir além dos próprios medos. Agradeço a todos e todas que compartilham seus relatos de viagem. Agradeço a todas e todos que compartilham. Agradeço. Trilha sonora da escrita: *Quinteto Armorial - do Romance ao galope (1974) *Alceu Valença e Orquestra Ouro Preto PRABHU AAP JAGO
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    Olá amigos, voltei este ano com mais uma viagem e de volta à Patagônia. A primeira foi Ushuaia e agora foi a vez de El Calafate (ARG), El Chaltén (ARG) e Torres Del Paine (CHI). Foi uma viagem para a liberdade das trilhas, mesmo sabendo que algumas seriam dolorosas já que tenho problemas no joelho, mas valeu cada dorzinha. Para quem gosta de estar ao ar livre, vendo a natureza na sua forma mais pura e linda, recomendo esta viagem, mais especificamente El Chaltén 👣👣 Vamos às dicas e narração dos fatos mais importante que vivenciei. Fotos não são tá importantes, já que se pesquisae no Google encontra mais bonitas que as minhas, mas colocarei algumas no final da narração. Saímos de Florianópolis para El Cafalte pelas Aerolíneas Argentinas. Cabe uma observação aqui em relação a essa companhia aérea: é uma empresa que trata seus passageiros com muito respeito. Ocorrem imprevistos sim, porém são solucionados da melhor forma possível sem causar stress aos seus clientes. Não ficamos nem um minuto no limbo sem saber o que fazer devido a algum problema de mudança de horário ou cancelamento. Eles realocam de forma a não perder teus próximos vôos e se não houver essa possibilidade, acham uma solução nem que seja bancar estadia em hotel com refeição e táxi de/para aeroporto. EL CALAFATE Voltando, Chegamos em El Calafate para conhecer a cidade e o tão falado Glaciar Perito Moreno. Ficamos num Hostel (De Las Manos) e a cidade ficou sendo nossa base para as idas e vindas das outras cidades. O Hostel é bom em termos de acomodação, mas o café da manhã foi o pior que já comi em toda minha vida e o wi-fi é bem fraco. São dados que podem ser importantes para uns e não importantes para outros, por isso achei melhor colocar aqui. A cidade é limpa, bonita e com muitas opções de restaurante e suas famosas parrilhas. Os preços são similares em todos os restaurantes, mas a opção econômica continua sendo cozinha no hostel. Muitos cachorros nas ruas e dos grandes, o menos era um pastor alemão ... kkkk ... cada um mais lindo que o outro. Achei que só veria isso em São Pedro de Atacama, mas não pelo jeito na região Patagônica também estão na rua e são alimentados pelos restos dos restaurantes e açougues ... passam muito bem e são acariciados pelos turistas constantemente. No próprio hostel fechamos o transfer para a ida para Perito Moreno (lá nós ficamos livres, sem necessidade de seguir guias). Também fechamos o ônibus para El Chaltén e Puerto Natales (Chile - base para Torres Del Paine). Também há o transfer para o aeroporto que sai bem mais em conta do que táxi. Lá no aeroporto todos cobram $900,00 (hoje em torno de R$ 90,00) e da cidade para o aeroporto cobram $700,00. Com o transfer do hostel foi $400,00 para os dois ($200,00 cada). GLACIAR PERITO MORENO Dia de ir à Perito Moreno. Paga-se para entrar no Parque dos Glaciares não me recordo do valor, mas é um valor justo. O Glaciar Perito Moreno é uma maravilha que a natureza nos deu e ainda consegui tirar uma sequência de fotos de um pedaço de uns 50 m de altura se desprendendo do glaciar. Vibrei! 😱😱 o som de pedaços se desprendendo é contínuo e faz um estrondo ao cair. O caminho que se faz vendo o Glaciar de frente é perfeito. Não vi necessidade de fazer o passeio de barco ... do barco você vê de longe (o barco não pode chegar perto do glaciar) e de frente. Não tem a visão da parte de cima do glaciar que é fantástico. Dá tempo de fazer os dois se quiser. Há outras opções de passeios mais caras e que não me interessou em fazer, mas se procurar na internet ou lá mesmo nas agências vai ver todas as possibilidades. Passamos um dia percorrendo El Calafate, suas ruas, seu lago, enfim, muito tranquilo e agradável. Ficamos 3 dias em El Calafate. EL CHALTÉN Depois fomos para El Chaltén, onde ficamos 6 dias e ficaria mais se fosse possível. A vontade de volta se deu logo que saímos de lá. Peguem um mapa da cidadezinha e vejam as trilhas que possui, são inúmeras, mas em 5 dias consegue fazer a maior parte delas que estão mais próximas e parte da cidade mesmo. É tudo muito próximo. A cidade é uma graça, respira natureza e trilhas. Muitos bares e restaurantes charmosos e em todos um som de rock´n roll rolando. Ambiente pra lá de agradável e cercada de montanhas a o famoso Fitz Roy coroando a cidade, objetivo de todo caminhante. Não vou discursar de todas as trilhas que fizemos, porque seria só elogios, prefiro dar algumas dicas que acho ser importante. FITZ ROY: trilha de nível DIFÍCIL e é verdade. Bastante difícil, principalmente para quem tem problemas nos joelhos, devido aos últimos 1 km serem de subida intensa, forte. Não há quem chegue com cara de que foi mole. Eu tenho problemas e a descida pra mim foi um castigo, mas fiz e faria de novo (mas, não façam o que eu faço por favor). Valeu a pena? cada segundo, cada dorzinha que senti depois, cada suor ... suor SIM! na Patagônia você consegue ficar suado! 😓😓 A trilha normal é ida e volta pela mesma trilha. São 10 km só de ida. Eu recomendo reservar um transfer (no hostel mesmo) e ir bem cedo para a a trilha do Glaciar Piedras Blancas que fica na Ruta 41 a uns 30 km de El Chaltén. De lá vai para Laguna de Los Três (base do Fitz Roy). Além de conhecer outra trilha, ela já está um pouco mais acima, economizando um pouco de energia. A volta faz pelo trajeto normal que dá na cidade de El Chaltén. Ao chega na base da montanha, na laguna de Los três, à direita sobe mais um pouquinho que terá uma linda surpresa: outra laguna. Através das fotografias ou vídeos não se consegue mostrar o que nossos olhos captam ... é simplesmente lindo! Uma coisa importante é ter um dia limpo e sem vento de preferencia (muitas vezes difícil na Patagônia). Pode dar o azar de chegar lá na base e não ver as torres do Fitz Roy ... nós pegamos um dia inigualável. LAGUNAS MADRE Y HIJA: trilha deliciosa de ser feita, vistas incríveis, trechos de trilha diferentes um do outro, variação de vegetação (lá é tudo praticamente uma única árvore que é a Lenga. Você pode começar indo para a Laguna Torre e no meio do caminho desvia para esta. São ao todo em torno de 15 km só de ida, mas vc nem sente ... 😛😛 Em outro dia você faz a Laguna Torre. LAGUNA TORRE: são 12 km só de ida, mas também é um visual deslumbrante, vale a distância percorrida. Há diversas trilhas curtas para se fazer no entorno como de Las Águilas, Del Condor, Rio de Las Vueltas (belíssimo), Chorrillo Del Salto e andar à esmo pela cidade, seu rio e pontes. Ver os alpinistas subindo os paredões que cercam a cidade. Ficamos num Hotel pelo Booking com um café da manhã que foi pra gente esquecer do café de El Calafate, digno de caminhante que terá um longo dia de gastos de energia pela frente. O nome do Hotel é Lago Del Desierto. Próximo da rodoviária (qualquer lugar fica perto da rodoviária ... rsrsr). Local para comer barato: EL MURO DELICATESSEN ... há El Muro restaurante que tem preços normais de restaurante. A Delicatessen tem a comida do dia e vc compra ou por kg ou pelo pedaço, que é bem grande. Economizará pelo menos a metade do que gastaria num restaurante. Mas, cozinhar no hostel ainda é o mais barato. Como ficamos em hotel, não tivemos essa opção então foi delicatessen El Muro, que nos atendeu super bem. Não esqueçam do super lanche, chocolates, barrinhas de cereais, etc para as trilhas, vão precisar e muita água. Se der, podem levar algumas coisas daqui do Brasil para lá, mas se forem só de mochila, como nós, não vale ocupar espaço com isso. Comprem lá mesmo. Não se paga nada para fazer as trilhas, não precisa de guias porque é tudo muito bem cuidado e sinalizado e as saídas para as trilha partem de dentro da cidade mesmo. PUERTO NATALES _ TORRES DEL PAINE Para entrar no Chile não devem levar nada de frutas ou queijos ou presuntos. Só produtos industrializados podem entrar. Se pegarem terão que pagar multas. Não esqueçam disso. De El Chaltén voltamos para El Calafate por uma noite e partimos no dia seguinte para Puerto Natales, Chile, cidade mais próxima de Torres Del Paine. Fica a 2 horas de ônibus, isso parece ser uma dificuldade, mas não foi. Aqui ficamos no Hostel Alkázar. Um bom hostel, mas muito barulhento as descargas, chuveiros e torneiras ... o primeiro a acordar, acordava o hostel todo. Porque optei por não fazer o Circuito "W" ou "O" e acampar em Torres del Paine? por causa do joelho. Ficar nos Refúgios existentes dentro do parque é caríssimo e acampar significa carregar peso e caminhar muito com eles. Se seu tivesse qualquer problema, não teria opção a não ser continuar andando por dias. Para fazer o circuito W necessita-se de 3 a 4 dias dentro do parque.Daí vai a minha opção de ter Puerto Natales como base. Para ir à Torres del Paine saem diariamente de Puerto Natales inúmeros ônibus em diversos horários. Eu comprei um que saía mais cedo (7:00hr) e voltava mais tarde (19:45hr). Há duas entradas no parque: Pudeto e Laguna Amarga (esta é a entrada para subir até a base das Torres del Paine). Para entrar no parque paga-se em torno de R$ 170,00 e vale para 3 dias. Tem que avisar na entrada que você virá no dia seguinte. CAIAQUE: Nós já tínhamos fechado um pacote para fazer Caiaque na Laguna Grey e chegar perto de icebergs. Foram 5 horas de caiaque fora deslocamento, treino, enfim. Eles fornecem toda a roupa e equipamento necessário (claro que está embutido no preço que não é barato, mas era uma vontade que tínhamos e acabamos arcando com esse gasto a mais). Foi um dia fantástico, perfeito para caiaque, sem ventos e visual a cada curva do rio e do lago. Rodeamos icebergs azuis de doer os olhos. Nesse dia pagamos nossa entrada no parque onde retornaríamos pelo dois dias seguintes. Os lanches e almoço preparado pelos guias dos caiaques num local sensacional de vista magnífica. Este dia entramos no parque com a Van do pessoal do caiaque. FULL DAY: fizemos o Full Day para conhecer mais um pouco do parque, já que não iríamos fazer o circuito W, mas tá valendo fazer uma perna do circuito W, tipo entrar por Pudeto e subir Laguna Grey (vejam o mapa do W para entender melhor). Para quem pode caminhar, talvez seja uma opção mais interessante do que Tour. Foi muito legal, vimos lugares fantásticos e a caverna del Milodón que é um animal pré-histórico, herbívoro que habitava a caverna. Você verá muitas réplicas destes animais na cidade. Neste dia entramos no parque com a Van do Tour. TORRES DEL PAINE: finalmente o grande dia de subir até a base das Torres 🤩😍 ... preparadíssimos, acordamos bem cedo e rumo à rodoviária (nosso hostel ficava próximo à rodoviária propositalmente, já que tínhamos que estar cedo lá), Já estávamos com tudo pronto, lanches e roupas para frio e chuva. Começamos efetivamente a subir por volta das 9:30 hr. E dá-lhe subir. Praticamente você sobe o tempo todo. Passa pelos refúgios, rios, montanhas. Trechos que a trilha dá até medo, embora larga, você vê o rio de uma altura que pode dar tonturas.E sobe, e sobe, e sobe e quando vc acha que até que tá indo bem ... 😱🤬 ... você o que realmente tem que subir de verdade. São ao todo 9 km só de ida, sendo que o último km é somente pedras e muito vertical. Bem, não preciso dizer que todos chegam exaustos lá em cima, mas a visão que se abre para nós é tão linda que não há como lembrar de cansaço (só na volta ...😖) Depois de andar por aí, se deliciar com a visão que é única, voltamos e aí começou meu real martírio ... já com o joelho magoado por causa do Fitz Roy, agora era encarar a descida das Torres. Resumindo: cheguei ... hoje fui ao ortopedista 🤨🤨 ... kkkkkk Levem ou aluguem um par de bastões, ajuda muito. Eu não levei daqui senão teria que despachar minha mochila. Acabei alugando um par bem baratinho. Voltamos da trilha para espera do ônibus às 18:30, portanto o tempo foi mais do que suficiente, já que peguei o último. E isso que desci muuuuito devagar devido às dores .... portanto não se preocupem que dá tempo tranquilo, mesmo que o cara do hotel diga para vocês pegarem um grupo fechado. É muito mais caro, não precisa de guia e o tempo dá para fazer na boa. E assim voltamos para El Calafate mais uma noite e dia seguinte rumo à Florianópolis. Caso queiram mais alguma informação estou à disposição de vcs, tem meu e-mail e vamos cair no mundo galera ... ah! eu tenho 62 anos e fiz isso tudo, vc que tem idade para no mínimo meu filho, consegue fácil fazer qualquer coisa que deseje!
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    @joshilton Eu fui até Quito e voltei a Santiago,mas odiei a pobreza de Peru,talvez por ter nascido e crescido com tudo,me dá uma pena ver pobreza como lá.
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    @joshilton Também fiz esse trajeto,desci em Assis Brasil, achei um horror ,muita pobreza, mas no Chile é pequeno mesmo,uma cidade daquelas é uma capital lá,por isso só tem ônibus 2 ou 3 vezes por semana no verão.
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    @_Umpdy Ônibus, não posso dirigir devido a meu problema na perna, amplamente divulgado aqui. [email protected] O problema é esse,cidades que dão menos que a população de um condomínio da zona Sul,como vai ter público para tornar viável uma viagem de ônibus? Tortel, por exemplo, para mim foi uma decepção, sempre ouvi falar bem de lá.Tem 500 habitantes, se tanto.
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    Nosso papo hoje é sobre Gent na Bélgica! A Bélgica ainda é um destino pouco explorado pelos brasileiros. Portanto é comum a dúvida sobre o que conhecer no país. Primeiramente, vale lembrar que além da Capital existem pelo menos mais três cidades que valem muito a pena visitar. Começamos aqui uma série de artigos dedicados as quatro cidades mais visitadas na Bélgica. Escolhemos para começar a cidade de Gent porque, além dos seus encantos, também pode servir de base para um visita ao país inteiro. Confira o post completo aqui: https://naviagemdeviajar.com.br/gent-belgica/
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    Há tempos que eu maturava a ideia de conhecer Mendoza. Já estivemos em alguns cantos argentinos, Mendoza ainda não. Sabia que era terra do vinho e da alta montanha. E sabia também do espetáculo que é a estrada para Santiago do Chile. Daí comecei a bolar uma viagem que começasse por Mendoza e terminasse em Santiago, para justamente aproveitar o trajeto pela janela do ônibus. Tal roteiro cabia, portanto, no feriadão de 5 dias de Carnaval. Tentei isso no ano passado, mas não consegui promoção. Para este ano rolou. Viva! A Gol anda fazendo voos direto de São Paulo em alguns dias da semana, e, salvo engano, em temporadas específicas. Mas os horários não são muito convenientes, com voos no meio do dia. Pegamos uma ida de madrugada para Santiago, conectando para Mendoza pela manhã de sábado. E o voo de volta de Santiago de noite. Ideal para aproveitar ao máximo os dias. Fechada a logística, reservei a 3ª-feira para a viagem de busum para Santiago. Comprei antecipadamente as passagens, fomos na frente. Mas... tinha um raio de uma propaganda bem no vidro da frente, o que atrapalhava a visão frontal. De todo modo, a visão lateral, de onde quer que seja, é espetacular. Com a 3ª-feira bloqueada para a viagem, restaram dois dias cheios para Mendoza, mais duas partes – na chegada e na partida. Até considerei de fazer o tradicional passeio à Alta Montanha, mas logo desisti: era muito tempo de estrada, e na mesma estrada que percorreríamos na ida a Santiago. E tenho pra mim que o Parque do Aconcágua merece maior dedicação. Um dia espero voltar. Decidi então que os dois dias cheios seriam dedicados aos vinhos. Estamos muito bem habituados a incursões pelo Vale dos Vinhedos (e arredores), onde já degustamos alguns dos melhores vinhos do Brasil. É um ritual que muito nos agrada, de modo que a ideia era repetir em Mendoza. Um tanto perto da viagem (faltava pouco mais de um mês), fui buscar esquemas de transporte e descobri que tinha de reservar os locais, e com horários. Meio chato isso, mas imaginei que a demanda fosse grande. Em termos de logística, havia a opção de bicicleta (tour ou por conta própria), que a galera que foi comigo não iria topar. Havia o esquema guerreiro total, de busum. E havia o esquema patrão, com motorista dedicado e disponível para o dia inteiro. O esquema patrão ainda incluía a reserva nas vinícolas. Rapidamente achei o contato do Fernando Verá (+54 9 261 545 1540), recomendado por diversos outros brasileiros. Mandei msg para ele por whatsapp, e ele logo retornou me ligando, para saber melhor o que me interessava. Disse que preferia vinícolas menores, mais familiares, não famosas. Ele avisou que era alta temporada (juntava Carnaval, com brasileiros invadindo geral, com vindima). Pra dificultar ainda mais, nossos dias eram num domingo e numa 2ª-feira, dias em que algumas bodegas fechavam. Mas ele arrumou lugares ótimos para nós – nunca tinha ouvido falar de nenhum deles. E todos foram ótimos. Esquema-patrão é outra coisa! Em geral, os preços para esse esquema patrão são cerca de 130 USD por carro para as duas regiões mais próximas a Mendoza (Maipu, Lujan de Cuyo), e 160 USD se for para esticar para Valle de Uco, que fica mais afastada. São 3 degustações por dia, sendo a terceira já com almoço. Além do motorista, vc tem de pagar pelas degustações, diretamente às bodegas. Salvo engano, são ao menos 4 degustações. Dependendo do lugar, vc pode repetir, eventualmente recebe mais degustações do que o programa, etc. Escolados por diversas visitas ao Vale dos Vinhedos, eu bem que gostaria de redesenhar o formato, sobretudo cortando almoço e incluindo mais vinícolas. Mas aí eu teria que organizar logística e reservar bodegas, coisa que não fiz. Topei o esquema patrão completo. Depois de ajustar aceitar o roteiro proposto (pedi ao Fernando para retirar duas bodegas cujos vinhos eu já conhecia), recebi por whapp o roteiro com horários e preços. Muito bom! Nossa chegada a Mendoza já me proporcionou algo novo: viajar de dia. Estamos tão acostumados aos voos noturnos que até me esqueci de reservar assento na janela para observar os Andes no rápido trajeto aéreo entre Santiago e Mendoza. Mas pude ver o espetáculo ao longe, ao menos. O comandante sequer desliga o sinal de apertar os cintos, em função da permanente possibilidade de turbulência ao cruzar os Andes. Chegamos a Mendoza e logo pegamos um taxi (270 ARS, lembrando que esse valor rapidamente estará defasado em função da alta inflação argentina) para nosso albergue. Apenas deixamos as mochilas por lá e partimos para passear pela cidade. Ideia era andar um pouco e pegar o ônibus Vitivinícola, que percorre algumas vinícolas pela tarde. O céu estalava de azul. Fomos numa agência e não tinha mais ingresso para o Vitivinícola. Mas eles nos ofereceram um outro tour, de van, que tbm passaria por algumas vinícolas. Mais barato que o busão e já com o ingresso das degustações incluso. Pareceu ótimo negócio, e topamos. Sairia no começo da tarde. Fomos então fazer câmbio e forrar um pouco o estômago. Nosso tour começou pela vinícola Dante Robino. Lugar muito bonito. Mas achei os vinhos meio marromeno... Em seguida fomos na Don Arturo. Tbm achei tudo marromeno... Além de considerar que era pouco vinho para degustar. Fiquei com medo de aquele ser o padrão dos dias seguintes (mas na verdade era correspondente ao preço que estávamos pagando). Os vinhos tinham preços muito bons para quem quisesse comprar – não era nosso caso, queríamos apenas degustar mesmo. Dante Robino Um lugar muito bacana desse primeiro passeio foi a parada numa Olivícola, ou coisa parecida. Pasrai é o nome do lugar. Lugar de azeites. Uma bela e farta prova de sabores diversos. Galera saiu comprando azeites, que me pareceram muito bons (com a ressalva de que, se já mal conheço vinhos, imagine azeites). No fim ainda paramos numa vinícola especializada em vinhos doces, Florio. Azeites na Pasrai Vinhos doces na Florio Encerrado o tour, voltamos para nossa base. Ficamos bem perto da Avenida bacana da cidade, a Arístides. Com acento no primeiro i. É onde estão os bares e restaurantes, é onde rola o agito noturno da turistada. Muitas cervejarias artesanais, talvez para compensar os dias de vinho. Rodamos pela área e ainda demos a sorte de ter um evento naqueles dias, a Megadegustación. Várias bodegas traziam seus vinhos para que a galera experimentasse. Evento de rua mesmo. Não era grátis, claro, vc comprava uma cartela que dava direito a meia dúzia de provas. E ganhava uma taça. Tinha a degustação normal e a premium. Compramos a normal. Vinhos em geral marromeno, valia pela diversão e pelo evento, que era bem bacana. Tinha uma bodega que servia de graça, não marcava na cartela, então bati ponto por lá, ahahahah. O preço era de 350 ARS por 6 provas de 50ml cada. Ou 500 ARS por 4 provas premium, que, salvo engano, eram mais do que os 50 ml cada. Tinha algumas áreas para a galera sentar e relaxar, e recostamos numa delas. Um casal local puxou conversa e ficamos de papo por um tempo. Bacana ver que o evento não era para turistas somente. Jantamos muito bem (carne!) e depois voltamos. Era meia noite e o evento estava cheio. A Av. Arístides também cheia. Era sábado à noite! Mas fomos dormir. Dia seguinte encararíamos nossa empreitada vinícola. Domingo. Nosso motorista foi nos buscar no horário previsto. Primeira bodega a visitar foi a Benegas. Em todas elas tem a parte de contar a história do local, e na Benegas foi bacana. Provamos um suco do vinho ainda em fermentação, o que foi interessante. No fim do tour vem o que (nos) interessa, que é provar os vinhos. Tudo é feito com cerimônia e parcimônia, mesmo que vc não entenda muito de vinhos – como nós, que geralmente avaliamos de forma simplória: gostei, não gostei. E então eu finalmente tive aquela sensação de conforto: os vinhos eram muito bons! Estava com receio de que fossem meio nhé, tal qual os do dia anterior. Não eram, eram muito melhores. Chamada gama alta. Amem. A primeira visita atrasou um pouco, então chegamos atrasados na seguinte, que era longe. Levamos uma horinha até lá. A bodega agora era a Solocontigo, que ficava no meio de uma região bem árida, repleta de parreiras. Era uma construção moderna meio que isolada naquela área. Havia outras bodegas por lá tbm. Eu sei o seguinte: o lugar é muito bonito. Um jardim daqueles que vc quer passar uma tarde (um dia? uma temporada?) inteira, ainda mais depois de bebericar umas taças, e ainda mais com o céu azul que estalava novamente naquele dia. Nessa bodega já fomos direto para degustação. Um vinho melhor que o outro, um sommelier (ou guia?) que engrena uma conversa muito bacana (e que ainda nos trouxe extras!), aquele cenário, enfim, um momento de felicidade. Não tenho dúvidas de que o (bom) vinho, o álcool, influencia nessa avaliação. Dividimos a mesa com uma família brasileira de São Paulo que também conhecia os vinhos do Vale dos Vinhedos, o que permitiu uma rápida conversa entre supostos conhecedores de vinhos. Uma coisa que me angustiava era o sommelier jogando fora (restos de) vinho. Um pecador. Felizes da vida pelos bons momentos, e pelo vinho na veia e na cabeça, partimos para a terceira e última do dia. Com almoço. Outro lugar de visual estonteante, na Monteviejo. Primeiro curtimos o visual, depois fomos almoçar. No processo do almoço somos apresentados aos vinhos para degustar. A experiência é toda muito boa, mas eu preferiria experimentar os vinhos sem almoço. Minhas papilas (de?)gustativas são limitadas e têm as atenções divididas. Enfim, comemos bem, bebemos bem (e muito), e voltamos. Chapei na viagem de volta. Nesse dia demos um relax no albergue e depois fomos passear pela Arístides. Era domingo, último dia da Megadegustación, e lá fomos nós encarar mais provas de vinho, usando o restante da nossa cartela do dia anterior. Fomos dormir tarde novamente. 2af. Mesmo esquema do dia anterior, mas hoje em bodegas mais próximas. Primeira parada foi na RJ Viñedos. Desde que recebi o programa que fiquei na cabeça com essa coisa de RJ, que me remete imediatamente ao Rio de Janeiro. Mas no caso são as iniciais do patriarca da bodega, Raul Joffre. A bodega é pequena, familiar, bem do jeito que eu tinha pedido. Mesmo scrpit de outras, vc conhece a história e depois faz degustação. Nesse caso havia algumas opções de degustação, e todos escolhemos provar os malbecs. Foi ótimo. Nossa segunda bodega foi na Alandes, outra pequena e com um jardim muito aconchegante. Lá juntamos com um casal chileno com quem papeamos (eles passavam férias no Rio, mas desistiram nos últimos vários anos em função da perspectiva de guerra civil permanente que exportamos ao mundo). Novamente o script, agora com direito a prova do vinho ainda em ‘desenvolvimento’ no barril. E depois as provas, generosas eu diria. Um dos grandes baratos dessa coisa é deixar ser guiado pelo sommelier (guia?), em meio a conversas eventualmente de outros temas. Ótimo novamente, curtimos muito. A terceira do dia era a do almoço. Finca Agostino era o nome. Outro lugar belíssimo (um padrão da região). Salão de almoço estava mais cheio, e de alguma forma achei a experiência aqui melhor. O chef foi até nós se apresentar, comida muito saborosa, momento feliz (e consegui ao menos saborear os vinhos antes de comer!). A receita das degustações sucessivas e mais o almoço tem resultado direto: chapei na viagem de volta. Era coisa de meia hora, mas pareceu uma longa sesta para mim. Depois de um descanso no albergue, saímos novamente para passear pela Arístides. Fomos comer uma carne (sempre!) antes de dormir. Nesse dia não tinha mais a Megadegustación, fomos dormir mais cedo. Atividade na Arístides caiu bastante naquela 2ª-feira. 3af. Choveu bastante de noite, o que nos disseram ser incomum. Mendoza é tipicamente um lugar seco, inclusive com antigo e ainda utilizado sistema de irrigação que aproveita água das montanhas. Sem isso seria complicado para as bodegas. Amanheceu nublado e nossa programação para a manhã era passear pelo Parque San Martin. E assim fomos. O parque é bonito e grande, tem inclusive um mirante. Rodamos por lá, chuvinha chegou a cair fininha novamente. Depois de uma pausa para um café bem transado, partimos para a Rodoviária. Como falei, comprei com antecedência os tíquetes desse ônibus. Queria que fosse de dia, e queria ir na frente. Ideia era mesmo curtir o visual. Na rodoviária foi necessário fazer meio que um check in, afinal cruzaríamos fronteira. A viagem é mesmo um espetáculo. Logo em Potrerillos já tem um lago que é de cair o queixo. Melhor ainda foi ver o sol abrindo conforme avançávamos para o Chile. Vimos raros lugares com neve pelo caminho, por conta da temporada. Ao longo de boa parte do trajeto, trilhos de trem vão acompanhando (e eventualmente cruzando) a estrada. Estão abandonados, tal qual diversas (ou todas) as estações que vimos pelo caminho. Passamos por diversos túneis também. Vimos estações de esqui sem uso, teleféricos esperando pela nova temporada de inverno. A famosa Puente Inca, que faz parte do passeio da Alta Montanha, fica do lado esquerdo, mas não dá pra ver. Vimos cicloturistas fazendo o percurso – isso deve ser sensacional. Sobre lados, eu diria que no começo o lado direito é mais privilegiado. Depois muda para o esquerdo, se não me engano após Uspallata. De maneira que qq lado é bom. Num determinado momento, logo após a entrada no Chile, há uma longa sequencia de curvas que proporciona democraticamente um visual sensacional para ambos os lados. Lembrou muito a descida da Serra do Rio do Rastro (SC), outra estrada de beleza ímpar. Trata-se da famosa estrada de Los Caracoles. O ônibus era confortável, semi-leito (mas eu mal reclinei a cadeira). Servem um sanduba, café, suco e biscoitos. Infelizmente tem TV com filme e som. Coloquei um headphone como antídoto e melhorou. Carregadores USB não funcionavam. A aduana chilena é um ponto sacal da viagem. Não tivemos registro de saída da Argentina (ao menos não tive carimbo de saída), e a parte de imigração no Chile é tranquila. Mas a parte de aduana, PQP, segue a mesma de sempre. Já cruzei fronteira para o Chile em outras ocasiões (Torres del Paine, e voltando de Uyuni), e foi sempre um processo demorado e chato. Continua assim. Levou cerca de uma hora para vencer essa etapa. Chegamos a Santiago de noite, quase 21hs. Tínhamos partido de Mendoza às 13hs. Pegamos o metrô para nosso albergue na Bellavista, largamos as mochilas e fomos curtir a noite na região. 4af. Ficamos flanando pela cidade, revendo lugares onde já estivemos outras vezes, e conhecendo outros tantos. De tarde batemos ponto no sempre excelente Boulevard Lavaud antes de seguir para o aeroporto e encerrar a viagem. Mais um feriadão explorando algum canto do planeta! Dicas gerais de Mendoza: - Como em qq outro canto que conheço da Argentina, aproveite as happy hours! Os preços das cervejas caem bem, geralmente pela metade ou uns 40%. - Se eu voltar, ficarei novamente nos arredores da Av. Arístides, que é onde rola o agito noturno. Além de ser uma parte muito charmosa da cidade. - Em geral achei os preços mais baratos em Mendoza do que eu outros cantos argentinos, sobretudo Buenos Aires. Mas pode ser a corrosão da inflação também. - Não se engane: vinhos de alta qualidade (alta gama) terão preços correspondentes. O tour baratinho que percorre x vinícolas e que tem preço das entradas incluso vai ter vinhos mais guerreiros. - As degustações de vinhos, acho que em qq canto do mundo, partem geralmente do mais leve para o mais forte. - Preços variam conforme bodega e conforme programa. Eventualmente vc tem degustação simples, degustação somente de malbecs, degustação premium, etc. E cada uma tem um valor; você escolhe. A do almoço é preço fixo, e nos dois casos foi meio que bebida liberada (mas vc não dá conta, vai por mim). - Li isso em vários lugares e duvidei, mas agora atesto: depois do almoço vc não quer mais saber de vinho. - Faça o que eu digo, não faça o que eu faço: vc não precisa beber tudo nas degustações. Mas eu bebia. Era bom demais. - Para todas as dicas ref vnhos acima, levem em consideração o seguinte: não somos enochatos, queremos apenas diversão e bons momentos, somos fáceis de se conquistar (mas se o padrão de Mendoza fosse as bodegas do primeiro dia, seria decepcionante pra mim).
  11. 1 ponto
    Boa tarde. Sobre o roteiro tenho as seguintes opiniões: Roma: 4 dias já com Vaticano incluso. Florença: se hospede em Florença e faça bate e volta na região. Eu fiquei 5 dias e fiz Florença, Pisa, Luca, San Giminiano, Siena, região da Val Dorcia. Se interessar me avise que passo detalhes de meu roteiro nesta região. -Veneza. 2 dias e o suficiente. Os demais lugares não visitei.
  12. 1 ponto
    Olá Casal100! Primeiramente, que incrível relato! Muito ajudam pormenorizando dessa forma os trechos, distâncias, locais para hospedagem (quero viajar sem barraca, daí é complicado não ter lugar para hospedar). Gostaria de saber se vocês encontraram cachoeiras ao longo do caminho. Sei que em Piri é uma região que tem mais, mas pelo restante do percurso vocês conseguiram encontrar outras? Abraços!
  13. 1 ponto
    @Marcia Maya dê uma procurada no hostelworld
  14. 1 ponto
    Sucesso na jornada! Nunca é tarde para viver um sonho. Tenho certeza que irá realizar.. 😄
  15. 1 ponto
    @_Umpdy Você não conheceu a Carretera, ela é justamente as cidades que pulou,a partir de Puerto Montt,passando por muitas cidades de menos de 5000 pessoas. Para começar tem que ir em barco,pois não tem estrada, que começa mesmo aos pés dos vulcões Chaiten e Corcovado,continua por La Junta,Puyuhaph e chega a Cohiayque,a capital de Aisen.A partir dali é aventura, a estrada se torna nenhuma em Cerro Castillo,passa por Cochrane,Tortel e termina em Villa OHiggins. Tinha ido a todo Chile menos a Carretera,pois vivi ali por anos,hoje em dia conheço tudo,tudo mesmo.
  16. 1 ponto
    Ghent é demais, foi meu local favorito na Bélgica. Vibe boa, cervejas ótimas e arquitetura incrível.
  17. 1 ponto
    Amigo, Ushuaia (fim do mundo) fica na Argentina. 🤔 Essas cidades que citei ficam no Sul do Chile. Posso estar enganado.. mas para realizar essa viagem que pretende tem duas opções. A que o @D FABIANO citou, pela Carretera Austral no verão.. sendo que terá que pegar balsas para algumas travessias! Precisa um pouco mais de logística para isso. Ou pode tirar como base esse roteiro: Ushuaia (fim do mundo / Argentina) > Rio Galegos (Argentina) > Punta Arenas (Chile) > Puerto Natales (Chile) > El Calafate (Argentina) > El Chaltén (Argentina) > Bariloche (Argentina) > Puerto Varas (Chile) > Pucon (Chile) > Santiago (Chile). - Vice e versa. Entre algumas cidades a distancias são muito longas.. que você pode encaixar pequenas cidades para explorar! E ai sim, é possível fazer no inverno.
  18. 1 ponto
    Fala pessoal, tudo bem? @D FABIANO fez de carro a carretera? Ou nos ônibus? E realmente.. quando se diz sobre a Carretera o ideal é fazer no verão. Acredito que os ônibus que já são escassos no verão, nem deve ter no inverno. Eu acabei de voltar de uma trip de 50 dias.. fiz de Punta Arenas até Huaraz no Peru. Muitas cidades citadas aqui no tópico eu não passei por falta de interesse mesmo.. sendo que inicialmente foi Punta Arenas > Puerto Natales > El Calafate > El Chalten > Bariloche > Puerto Varas > Pucon > Santiago e assim foi até o norte do Peru.
  19. 1 ponto
    Hmm, entendi. Vou fazer isso de simular tudo para ter uma ideia como você disse. Mas já me ajudou bastante, muito obrigado Davi!
  20. 1 ponto
    Por 2000 acho que já consegue uma folga boa. Para ter uma ideia mais exata do valor que gastará, entre nos sites de compra de bilhete e simule os valores dos trajetos. Do custo diário sem contar transporte, na Itália se encontra hostel entre 20/30 euros (depende da cidade), o custo de comida, se não for em zona turística, consegue almoçar por menos de 10 euros. Custo de entrada de museu/galeria/etc é entre 10 e 15 euros em geral.
  21. 1 ponto
    @joshilton Esquece neve,só em Bariloche e em Puerto Varas,na Carretera ela torna qualquer viagem impraticável,pois a estrada não é toda asfaltada,por isso esse tramo é ruim após março. A beleza do lugar é justamente esta,quando descongela,de novembro a março,e aparece a natureza.Do que adianta ver tudo branco?
  22. 1 ponto
    @joshilton 60 DIAS no verão é até muito,Fiz toda a Carretera,até Villa O Higgins em menos de 30 dias.Agora, no inverno,corre o risco de ficar dias dentro de algum hotel que funcione o ano todo.Em Cochrane,por exemplo,disseram me que a neve chega a 20m,não se ve nada.Lá fiz amizade com a dona do hotel em que fiquei,uma descendente de alemães,que só fica lá até março e depois volta como a grande maioria.Ela levou me a conhecer cada ponto que deixa qualquer um de boca aberta,como o Parque Patagônia.
  23. 1 ponto
    @Larissa Speranza Zamboni Errei por ver aqui que euro era melhor,mas se perde muito na cotação,seja lá do que for. Há caixas eletrônicos até em cidades pequenas,criei um tópico aqui porém ninguém respondeu. Saque com seu cartão,2000 reais lhe dão 500 CUC,ou seja 4/1.
  24. 1 ponto
    Se couber em baixo do banco da frente acho que nao tem problema não. Vão encher o saco se você quiser por as duas em cima.
  25. 1 ponto
    Para 11 dias acredito que fica mais factível, dá cerca de 70 euros o dia. Uma coisa que precisa ver são os preços de passagem de Roma Até Milão, porque não costumam ser muito baratos. Preço de hostel na Itália vai girar em torno de 25 euros a média, com 20 euros dá para almoçar e jantar (se quiser economizar, dá pra fazer com 10, Kebap), mais uns 15 para gastos extras, como ônibus e entrada em alguns lugares. Que dá cerca de 60 euros por dia, e os outros 10 para ir a outra cidade.
  26. 1 ponto
    @joshilton Vá no verão, o problema é que as pessoas não ficam lá no inverno, as cidades então ficam vazias e a maioria dos passeios fecha.Por isso não dá para prever onibus nem aonde ficar,veja o que escrevo ão longo dos anos nos tópicos do fórum,sem conhecer a Carretera. Agora que conheço, só reforço o que sempre disse.
  27. 1 ponto
    Acho que vai ser complicado levar a mochila de 60L... Tenta levar 50L... Minha mochila é Curtlo 40L + 5 e já viajei com ela como bagagem de mão muitas vezes...
  28. 1 ponto
    Temos um grupo no whats em torno de 100 pessoas, quem quiser participar basta add 71 98119 4402
  29. 1 ponto
    Assim que chegar minha barraca e mochila, vou fazer um mochilao nesse estilo roots mesmo, sem dinheiro. envia msg caso queira viajar tambem. estou partindo final desse mes.
  30. 1 ponto
    Estou pra fazer um mochilão roots em Abril do ano que vem começando pela Europa. Mas bem desse jeito aí, me chama no Facebook : José Carlos da Costa
  31. 1 ponto
    Amsterdan não tem muito pra onde correr.... já que não tinha como gastar muito pouco, optei por ficar num apartamento inteiro pelo Airbnb em Jordaan. Excelente experiência. Bruxelas fiquei no Hotel de Moon pertinho da Gare Central e a 100 metros da Grand-Place. Bom custo-benefício.
  32. 1 ponto
    Oii Lucas, adorei seu roteiro.. é mais ou menos o que eu penso também. Se tiver interesse me chama para conversarmos sobre. 11 963585213
  33. 1 ponto
    Valeu! Se não me engano, o nome era “Viajes y Hoteles Chiapas”. Todo mundo vende, mas só duas empresas fazem o trajeto. Eles recebem os clientes das outras. Não é bem transporte público. Tu contrata na agências. Eles juntam um bando de turistas e levam. Não ouvi, nem vi nada a respeito de transporte público na Guatemala. No México e em Belize, fiz com transporte público sim. Nao tive problema nenhum em nenhuma das migrações. Tem só esse detalhe dos valores que é obrigado pagar em Belize e que pode pagar no Mexico dependendo de quantos dias tu for ficar lá. Eu tinha lido que em Belize às vezes dava problema com brasileiros. Na entrada, três franceses tavam sem o endereço de onde iriam ficar, aí deram uma encrespada lá. Mas nada de muito especial. Arrumaram o endereço e tudo certo. Na saída, o cara viu meu nome no passaporte e começou a falar do jogador do Real Madrid. Virou piada e nem perguntaram nada. É um roteiro massa! Boa viagem e qualquer dúvida, só jogar aqui.
  34. 1 ponto
    @Camila Rodriguez Hospedagem em Amsterdam é caro mesmo!! Eu sempre indico o StayOkay Vondelpark e todo mundo gosta! Localização excelente, faz tudo andando, reformado em 2017... fica praticamente dentro de Vondelpark e a 5 min de Leidseplein.
  35. 1 ponto
    Oi Camila, fui para Amsterdam e Bruxelas, caso vá para Bruxelas e ainda não reservou hostel, posso indicar o Jacques Brel Youth Hostel, excelente, quartos com 6 pessoas e banheiro no quarto (o que eu fiquei pelo menos) parecia de hotel 5 estrelas, locker, com ótimo café da manhã incluso, super de boa. Não foi tão barato, mas foi uma só noite, então pegamos uma melhorzinho, acho que paguei 29 Euros. Em Amsterdam foi mais barato, a diária foi 20 Euros, com café da manhã muito bom também, melhor que em Bruxelas até. Os quartos são maiores, com bastante gente, tem locker também, homem e mulher ficam em quartos separados. Chama Shelter Jordan Christian Hostel, fica perto casa Casa da Anne Frank. É um hostel cristão, apesar do nome só descobri isso lá, hehe, então, não pode levar bebida, tem algumas regras. Mas pelo preço, foi ok.
  36. 1 ponto
    Pode até passar sem despachar se vc não levar ela cheia como a colega aqui falou. Mas eu não recomendaria. Mochilas com essas litragens sempre ultrapassam a altura máxima permitida (largura e comprimento é difícil extrapolarem). Fora que se trata de viagem internacional, não sei se o rigor aumenta (mesmo vc viajando pela LATAM). Mas como eu sempre falo. Use e abuse do item pessoal que a latam permite que seja levado, no site deles eles especificam que pode ser uma mochila menor, onde, no caso, pode ficar parte do volume da cargueira, deixando ela mais leve e soltinha pra caber em qualquer lugar. Em todo o caso, se quiser economizar, pq despachar é uma M... leve uma de 40 ou 45L, seria melhor.
  37. 1 ponto
    A minha é de 50 litros, apesar de ser maior do que o tamanho permitido eu não costumo despachar, mas também não viajo com ela cheia...
  38. 1 ponto
    quer dizeeeer agostooooo
  39. 1 ponto
    Meu roteiro tá assim pra julho, qualquer coisa falaí!! 😃 Berlin 04 - 09 Polônia (Varsóvia e Cracóvia) 09 - 14 Budapeste 14 - 16 Praga 16 - 19 Amsterdam 19 - 21
  40. 1 ponto
    Desculpa a falta de conhecimento do linguajar dos viajantes. O que vem a ser 6K? rsrs
  41. 1 ponto
    PARTE 2: QUERIA UM TITULO TÃO LEGAL QUANTO SUCRE É, MAS NÃO PENSEI EM NADA. NÃO DESISTAM DE MIM NEM DO TÓPICO, QUANDO AS COISAS ACALMAREM NO TRAMPO TEREI MAIS TEMPO PRA ATUALIZAR MAIS RÁPIDO. Particularmente falando, odeio acordar cedo. Sempre travo uma batalha de proporções medievais com minha cama quando tenho que acordar com despertador. Mas no dia 14/12/2018 isso foi beeem diferente, mesmo acordando as 03:00 da manhã. Como disse na parte 1, nós optamos por ir de avião (R$1053,00 ida e volta pela GOL, pesquisei todo dia por diferentes sites e apps e esta foi a melhor oferta em que achei desde fevereiro para época que eu precisava. Se eu não fosse em dezembro, poderia ter pago bem menos, achei passagens por até R$618,00 ida e volta) porém ir de avião não implica que tínhamos ou temos dinheiro, muito pelo contrário. Assim sendo, fomos da maneira mais econômica que existe até o aeroporto de guarulhos: Trenzão. Há 3 maneiras de chegar no aeroporto de Guarulhos de trem: Você vai até a estação da Luz, onde há um trem expresso até Cumbica, cujo qual custava R$8,00 (descartado por nós pelo preço e horários limitados). Você vai até o Brás e de lá pega um trem até Cumbica (também descartado por conta dos horários de partida dele que não encaixavam com o que precisávamos). Você vai até o Brás, pega um trem na Linha 12 Safira e desce na estação Engenheiro Goulart. De lá, sai o trem da Linha 13, Jade, que irá até Cumbica. Como nosso voo tinha saída programada para as 10:15, pegamos o primeiro trem sentido Jundiaí - Luz, as 04:10 da manhã e gastando apenas R$4,00, chegamos no aeroporto as 07:30 da manhã \o/ Um dos segredos de uma boa viagem para a Bolívia é saber que perrengues podem sim acontecer. Sabíamos e esperávamos por isso, mas não esperávamos perrengue ainda no Brasil. Acontece que um dia antes de nossa partida, uma chuva digna de filmes apocalípticos caiu em São Paulo e isso afetou muito os aeroportos, muitos voos cancelados, atrasados, pessoas dormindo no aeroporto e filas quilométricas para despachar bagagens. Isso causou um efeito dominó que chegou em nosso voo, que partiu com mais de 2 horas de atraso, e isso afetou diretamente nosso planejamento. Se tivéssemos decolados na hora prevista, teríamos chegados em Santa Cruz de La Sierra as 11:20 (horário local), porém chegamos praticamente as 14 horas e tivemos que cortar Santa Cruz do primeiro dia (sem problemas, pois voltaríamos no ultimo dia). Deixando isso de lado, o voo foi bem tranquilo, preenchemos no avião mesmo o formulário de entrada na Bolívia, tivemos uma fila de 10 minutos para sermos atendidos (ler: ter seu passaporte carimbado para que entre no país) e pronto: estávamos na Bolívia. A cotação no aeroporto estava muito abaixo (na época que fomos o real tava em baixa, não pegamos boas cotações), sendo trocado 1,60 BOBs por R$1,00, ainda sim, troquei uma Garoupa lá. Primeira coisa que fiz com os 160 BOBs: comprar um chip da Entel. No aeroporto mesmo vendem, paguei 10 BOBs no chip e coloquei 10 BOBs de crédito. A própria funcionária da Entel configura o chip no seu celular e te ensina a comprar pacotes. Comprei só pacote de dados e como fiz a recarga em data promocional, ganhei mais 10 BOBs de crédito, que foram o suficiente para toda a viagem. A Entel é a melhor operadora de celular na Bolívia (gostaria que fosse propaganda e eu estivesse recebendo por isso, mas não é :c) e tem torre dela em praticamente todo lugar, até no meio do deserto do Uyuni tinha sinal, então se você estava na duvida, não esteja mais: compre um chip deles. Segundo passo era chegar no centro de Santa cruz para trocar mais dinheiro numa cotação melhor e de lá, irmos para a rodoviária pega o busão para Sucre. Para isso, normalmente se pega táxi, mas não precisa: ônibus na Bolívia (vans e micros, na verdade) funcionam muito bem e o ônibus que sai do aeroporto te deixa na Av. Ayacucho, que dá mais ou menos 5 minutos de caminhada para a Plaza central. Foi esse meio de transporte que escolhemos, e pagamos 4 BOBs cada (se não me engano) no trajeto, que de táxi seria 40 BOBs no mínimo, com muito choro ainda para ter esse desconto. Assim sendo, poucos minutos depois, estávamos na plaza 24 de Septiembre, uma belíssima praça com vários presépios espalhados, decorada com muitas luzes de natal, cheia de pessoas e pombas (mais pombas que pessoas, proporção de gols da Alemanha para gol do Brasil), com uma linda igreja de fundo e a gente sem tempo para aprecia-la 💔 Caçamos uma casa de cambio, e a escolhida após a equação confiança transmitida x melhor cotação foi a Dubai, onde trocamos R$1,00 por impressionantes 1,75 BOBs, e essa foi a melhor cotação que encontramos na viagem (como eu disse, real tava uma porcaria quando fomos). De lá, fomos ao mercado Tia comprar água, e pegamos um ônibus até o terminal rodoviário bimodal (como disse, essas vans e micros funcionam muito bem na Bolívia). Viram que não disse almoçamos em tal lugar? Pois é, não almoçamos. O atraso do voo deu uma quebradinha no planejamento, mas estávamos com lanches provindos do Brasil para suprir a falta do almoço. Chegando no bimodal tivemos o primeiro contato com as inesquecíveis rodoviárias bolivianas. Ah, o que dizer sobre aquele caos de pessoas andando pra lá e pra cá, umas gritando por destinos (vendendo passagens) outras vendendo seus quitutes e sucos de sacola (seria o verdadeiro sacolé?), crianças e cachorros rolando no chão, com pombas e o que mais tivesse, uma garotinha fazendo seu xixi da tarde no chão mesmo, e ainda raspando no chão pra limpar o fazedor de xixi... Que saudades desse caos organizado e divertido, de verdade. Namorada pra um lado, eu pro outro, partimos em busca de passagens boas e baratas para Sucre (pra quem ja foi, ressalto aqui um chamado: SUCRÊ, SUCRÊ, SUCRÊÊÊ), já tínhamos umas empresas em mente mas resolvemos procurar por mais em conta, sempre pedindo para ver o ônibus antes, e achamos uma a 70 BOBs, com banco cama, 100% limpa, sem perrengue nenhum, um espetáculo, tirando o fato de que mostraram um ônibus dizendo que ele sairia as 18 horas, deu o horário e nada dele aparecer e o pessoal sumiu do guichê onde compramos as passagens, ficamos uma hora procurando eles e o ônibus, achamos o benditos que estavam tentando nos evitar a qualquer custo, só foram querer resolver a situação quando dissemos que ia a policia, nos levaram a um ônibus que não era o que foi nos mostrado e esse mesmo tinha algumas janelas faltando (1º perrengue em solo boliviano sobrevivido com sucesso). Não me lembro o nome da empresa, minha mente apagou eles da viagem, mas tirando a confusão de cima, foi tudo de boas, o ônibus era cama sim, dormi igual uma princesa com meus dois bancos (o ônibus foi enchendo mas graças a Deus alguns bancos ficaram livres e pude aproveitar um espacinho a mais, bem como minha namorada, apesar de eu ter passado um pouco de frio por não ter janela onde sentei, protegido apenas pela cortina), dizem que a estrada de Santa Cruz para Sucre é perigosa e cheia de curvas, mas eu vi foi é nada, dormi super bem. Momentos que acordei antes de chegar a Sucre: Momento 1: ônibus parou e entrou uma galera num ponto que acredito que seja do forte Samaipata, ai como já tinha dormido "muito" achei que já era de madrugada (lembrando que o busão saiu as 19:20 de Santa Cruz) e estava chegando, mas eram 23 horas ainda, entraram uns austríacos (mãe,filha e filho) e a mãe pediu ajuda para fechar a janela, coisa que não conseguimos, mas isso foi o suficiente para puxarmos papo todo mundo (mozão até acordou com a conversa kkk), e ai descobrimos que pessoal cobrou a passagem deles bem mais caro que a nossa, só porque eles vieram da Europa, mas que eles já sabiam disso e fizeram um pequeno barraco para ter o dinheiro a mais devolvido, coisa que aconteceu.Essa foi a primeira vez que conversei em inglês com alguém que não é brasileiro, então foi uma tremenda vitória pra mim e pra minha primeira dama, que também conversou com eles. Momento 2: dessa vez era sim de manhã e estávamos bem pertinho da cidade branca, o motorista parou para o glorioso banho inca. Percebi que a família do motorista entrou no ônibus em algum momento da viagem e foram deitados no chão mesmo (lembrando que ainda tinham bancos disponíveis). Fiquei muito na duvida sobre usar ou não o banho, porque faltavam menos de duas horas para chegar (DICA DO MAPS OFFLINE, DA PARA ACOMPANHAR O TRAJETO ATÉ), mas no fim fui vencido pela vontade matinal, escolhi um lugar isolado, a beira de um barranco, tirei o instrumento e comecei a aliviar. Tava tão tranquilo e all by myself que nem tava usando as mãos, e essa informação estou dando pois é muito importante para o momento a seguir: ouvi um pequeno barulho na minha frente e sabe Deus da onde foi que levantaram umas bolivianas que provavelmente estavam usando o banho inca também, mas muito escondidas, porque eu não tinha visto ninguém no local que escolhi. Ai não tinha o que fazer, não dava mais pra esconder, tudo que pude fazer é dizer "Hola", que elas educadamente responderam (olhando para meu rosto, quero acreditar), e virar para o lado para que minhas partes mais intimas saísse do campo de visão delas. Dica do tio: se não quiser que ninguém veja suas intimidades durante o uso do banho inca, não basta só olhar e não ver ninguém, melhor achar uma pedra e se esconder mesmo. Passado minha primeira experiencia com o banho inca, chegamos em Sucre e uma coisa é você ver por foto, outra coisa é estar lá. Mesmo com o tempo nublado, era uma coisa magnifica de linda, prédio branco pra onde olhava, praça central muito linda, igrejas com estilos de séculos passados, prédio do governo... uma pena que isso se restringe ao centro apenas, pois nos outros lugares é tudo simples como é em toda a Bolívia. Como não tínhamos almoçado nem jantado, apenas comido lanchinhos e bolachas (é bolacha, não biscoito, mude minha opinião), decidimos pegar um táxi para o centro afim de escolhermos logo um hostel e comermos algo no desayuno, sendo essa uma das únicas vezes que usamos táxi na Bolivia (usamos 3 vezes, na verdade), a corrida ficou em 10 BOBs (lembrem-se sempre de combinar o valor antes amiguinho, e ficarem espertos quanto a isso, como verão um tico mais pra frente) e descemos na praça central. Tinhamos uma lista de hostels para vermos, e o primeiro que fomos foi o SPANISH FRIENDS. Nosso limite de estadia era R$90,00 para os dois (157,50 BOBs) e queríamos um lugar limpo e com cama, mas lá encontramos muito mais. Pegamos um quarto com duas camas de solteiro, desayuno incluso, por 117 BOBs o dia, banheiro compartilhado. O negócio desse hostel não é nem luxo (até porque não é um hotel 5 estrelas) mas tudo o que ele nos trouxe. De funcionárias mais simpáticas que tudo, hospedes todos igualmente simpáticos e as atividades extras que o hostel oferece diariamente, recomendo do fundo do meu coração, foi maravilhoso o final de semana que passamos lá. Agora vamos ao que interessa, o que fizemos lá: Foi difícil ter só dois dias lá, se pudesse refazer e reviver o roteiro, com certeza aumentaria isso, nem que tirasse Potosi (não gostei muito não), até porque gostaria de conhecer a cidade, o Parque Cretáceo e ir na feira de Tarabuco, que é só de domingo. Sábado, após nos acomodarmos, conversamos com a Gabi, a dona do local, perguntando sobre as atrações, descobrimos que o melhor jeito de ver as pegadas do Parque cretáceo é estar lá as 12 hrs e com Sol, coisa que não estava acontecendo (estava até chovendo um tico) então acabou que não conheci o parque :c Sendo assim, saímos de lá e fomos ao mercado central, confesso que fui esperando um mercado mesmo kk mas os mercadões lá são bem típicos, me lembram muito o mercadão de SP e o mercado Modelo de Salvador (cidade que tanto amo, diga-se de passagem), tem de tudo: carne (é rapaz, açougue não é algo comum não. Imagine uma barraca onde você compraria banana? As que vendem carnes são bem por ai), quitutes, doces, feijão, arroz, flores... Lá comprei uma capa de chuva, 5 BOBs e tenho até hoje ela (até porque mal usei), e um bolo que estava lindão, mas não gostei muito (foi cincão também), além de frutas, que achei relativamente baratas. Saindo de lá, fomos á igrejas, almoçamos num restaurante em frente a praça (45 BOBs mas não foi a culinária tipica ainda, era massa) e subimos ao mirador la recoleta, onde conheci Thomaz, um Golden que viaja a América com seus tutores e é a simpatia em cachorro. O mirador fornece uma vista incrível, depois de você subir uma ladeira. A arquitetura do local enriquece ainda mais a vista de Sucre, e ele tem ainda lojinhas (primeiras compras \o/) e um barzinho com a melhor vista da cidade. Ao descer, já com a noite chegando, lembramos do convite da Gabi quanto a uma aula de cozinha boliviana que teria no hostel, ao custo de 8 BOBs cada, onde aprenderíamos/ajudaríamos a fazer um prato tipico e ainda poderíamos janta-lo, e fomos lá. E foi ai que começou nosso caso de amor com o Hostel. Muitas pessoas toparam participar e isso proporcionou uma bela socialização. Imagina pra mim, que nunca nem tinha saído do Brasil, estar cortando batatas com pessoas da Inglaterra, Canadá, França, Alemanha, Bolívia... e ainda jogamos um dos jogos que levei, the resistance, e cidade dorme, que incrivelmente parece ser um jogo universal, pois todos sabiam jogar (na versão lobisomem). Após as jogatinas e a preparações dos ingrediente, comemos nosso primeiro prato tipico boliviano, cujo nome não consegui pronunciar no dia e por isso não me lembro (vou descreve-lo para ver se alguém sabe o nome: batatas cozidas, molho picante, molho não picante, ovo cozido, tomate, cebola, queijo e alface) Por somente 8 BOBs tivemos esse jantão, sem um pingo de carne para alegria da minha namorada, e com toda uma alegria que não da para descrever. Não bastasse isso, pessoal do hostel ainda nos convidou a ir a praça de noite, pois haveriam várias apresentações navideñas, nós fomos e vimos a praça cheia de pessoas, famílias, crianças brincando, uma cena que nunca vi por onde moro e que realmente encheu meu coração de alegria. Quanto as apresentações, fiquei encantado pelo empenho e alegria dos jovens nas danças (musica da viagem: Niño Manuelito), se não me engano o estilo de dança se chama chuntunquis. Essa foi a primeira noite em solo boliviano (não vamos contar dentro do ônibus, né?) e não poderia ser melhor. Antes de voltarmos ao hostel, passamos na Farmacop, farmacia 24 horas que vende de tudo e tem um jingle que vai grudar na sua mente o resto da vida , e compramos nossa agua e lanchinhos, pois no dia seguinte, iriamos para Tarabuco. A parte 2 se encerra por aqui, vou me esforçar para fazer a parte 3 mais rapidamente que fiz essa, onde contarei sobre a feira de Tarabuco, Potosí e Uyuni. For now, that's all, folks (mentira, tem as fotos ainda). PRIMEIRO CONTATO COM O THE WALKING DOG (EXPLICAÇÕES NA FOTO 10) PESSOAL LÁ É IMORTAL, AQUI SE A GENTE PEGAR UM RATO QUE AVUA NA MÃO A GENTE VIRA UM TAMBÉM. AS IGREJAS ❤️ A PLAZA 25 DE MAYO ❤️ ESSA CRIANÇA NOS VIU E VEIO DAR UM BEIJINHO A TROCO DE SIMPLESMENTE SER FOFA MESMO PRAÇA CENTRAL (25 DE MAYO) A NOITE ❤️ THEY SEE ME ROOLIN' THEY HATIN' TEM VÁRIOS POEMAS ESPALHADOS NOS PRÉDIOS DE SUCRE. ENNNNTÃO, O DOGUINHO DA FOTO DE BAIXO TÁ MUITO MORTO, SÓ QUE DE SONO KKK FICOU HORAS ASSIM, NO MÁXIMO RECLAMAVA SE VOCE TOCASSE NELE, MAS NÃO SAIA DAI NÃO. ATÉ QUE UMA HORA CANSOU DE DORMIR E FOI ANDAR E AS CALLES DE SUCRE? REGIÃO DO MIRADOR RECOLETA CENTRO TA LÁÁÁÁÁ EMBAIXO, TEM QUE SUBIR ATÉ AQUI PRA CHEGAR NO RECOLETA MAIS DA REGIÃO DO RECOLETA THOMAZ, O DOG VIAJANTE OS POUCOS CHARMOSOS ÔNIBUS DA CIDADE UM POUCO DA VISTA DO RECOLETA O PRATO DELICIA QUE NÃO LEMBRO O NOME OSTENTAÇÃO FORA DO NORMAL
  42. 1 ponto
    4 dias no Uruguai, só seria viável da seguinte forma, mesmo assim não é meu tipo de viagem que eu faria. 2 dias em Montevidéu 1 dia Colonia ( bate e volta ) 1 dia em Punta ( bate e volta ) Isso tudo considerando se você tivesse um voo que chegasse em Montevidéu as 6 da manhã, para chegar as 9 na hospedagem no centro e de lá já sair para conhecer a cidade e o voo de volta na noite do quarto dia. Isso que você pretende fazer não dá nem tempo de tirar fotos, é muito rápido, tem os deslocamentos, podem ocorrer atrasos, revise suas intenções desta viagem.
  43. 1 ponto
    agosto é temporada média para baixa, bem mais tranquilo..... e preços melhores😀
  44. 1 ponto
    @malibo Eu vou pra Bariloche em agosto, pensei em passar nessa estação também.
  45. 1 ponto
    O SALAR Quando entrei no carro dei de cara com o grupo que seriam meus companheiros pelos próximos dias de viagem pelo salar, o motorista Carlos, boliviano que ganha à vida trabalhando como guia já a um bom tempo, no princípio um tanto calado e na dele, mas foi fundamental para todo o passeio ter transcorrido perfeitamente, além de mandar bem na cozinha foi o responsável por nossas fotos panorâmicas em perspectiva, além da melhor playlist possível. Ao seu lado o navegador Renato, brazuca, que não era bem um navegador como num rally, ele era turista igual nós, mas um cara com uma energia lá em cima, muito viajado e comunicativo, e com uma força de palavra muito grande. Como fui ao meio atrás, ao meu lado tive a companhia de duas mulheres incríveis, a Sinara – moradora da capital paulista super conectada e pró ativa – e a Neuza, uma portuguesa que estava em um mochilão de oito meses até então, começou pela Ásia e terminaria no Brasil, quando então voltaria para casa, todos falantes da língua portuguesa, quando nos demos conta da mais que feliz coincidência foi uma alegria geral, não só porque éramos todos lusófonos, mas nosso grupo estava em uma energia muito bacana, na mesma sintonia mesmo, tanto que não tivemos nenhum tipo de problema de interação nem convivência, pelo contrário, viramos amigos de infância e viagem, pelo menos enquanto durou, ainda haviam dois integrantes que iriam se juntar a nós nesse dia ao longo do salar, um casal francês de amigos, e que foram uma grata surpresa, mais a frente revelo o por quê do grata. O primeiro ponto de parada foi o cemitério de trens, um lugar aos arredores da cidade onde ficaram depositados vários vagões e locomotivas já em avançado estado de deterioração devido estarem expostos às intempéries, apesar de não ter nada de especial na atração e não haver por parte dos guias nenhuma explicação voluntária do porque daquilo tudo, é um bom lugar para tirar algumas fotos, mesmo estando repleto de turistas, tipo, muitos mesmo, vale o registro e é uma primeira forma de interação do grupo. Nesse momento me dei conta que havia deixado meu celular carregando na agência, por sorte ainda estávamos perto da cidade e o dono da agência prontamente atendeu ao pedido de Carlos para trazer o celular até ali, mas isso era só um prenuncio do que aguardava meu parceiro de viagem. Acabou que ainda deu tempo de tirar umas fotos do lugar e não deixar passar em branco. De volta ao carro agora era hora de começarmos a adentrar o salar, num primeiro momento de transição é uma mistura das cores de terra e o branco do sal, mas quanto mais avançamos mais o branco vai dominando a paisagem até que a sensação é como se estivéssemos em meio a mais pura neve até onde a vista alcança. Primeiro fizemos uma rápida parada obrigatória em um vilarejo onde se vendem de tudo para turistas com um pouco mais de grana, coisa obrigatória mesmo e tão logo olhamos por olhar uns suvenires e tiramos algumas fotos, já demos seguimento à viagem. Ainda em meio a essa área de transição paramos rapidamente para observarmos uma espécie de mina d’água em meio ao deserto de sal, com propriedades curativas, mas não recomendáveis, claro que como bons turistas que somos aproveitamos mais do que a explicação de Carlos e provamos para ver se a água que brotava era salgada mesmo, e é era, tipo de parar os rins e cair à língua, mas estamos todos vivos para contar a história. Depois dessa rápida experiência que pode nem ser vivida a depender do motorista, a próxima parada era um ponto de apoio onde faríamos nossa refeição de almoço, o local é muito bacana, conta com banheiros e mesas onde cada grupo é servido, o preparo da comida fica por conta do guia que nos liberou para conhecer os arredores enquanto ele preparava tudo. Nesse ponto há um monumento do Rally Dakar, além da praça das bandeiras de todos os países que por ali, alguém passou, e claro que a brasileira estava mais que presente, e apesar da concorrência e disputa, deu pra todo mundo fazer seu registro, nem que para isso tenha que ser no grito e correria, ainda bem que estava muito bem acompanhado porque não sou muito disso, ou melhor, não era. A comida era simples e gostosa, acho que pela primeira vez comi carne de lhama, mesmo o guia tendo dito que não, com um riso sínico na cara, mas a menos que os bois da região – que nem existem, diga-se de passagem – mudem de gosto devido a altitude, aquilo era lhama, e como comi lhama sabendo que era lhama depois, aquilo era lhama, ou melhor, alpaca. A tarde foi para conhecer o salar, agora já éramos um ponto naquele infinito branco, em dado momento começamos a puxar assunto com nosso motorista calado, ai nosso navegador de bordo indagou o que ocorreria se ocorresse algum imprevisto como um pneu furado – já que estávamos em meio a um deserto de verdade, mas ao invés de areia como logo pensaríamos, era sal que tínhamos em nosso arredor – acho que deu tempo para o Carlos responder e bingo, um pneu furou, não foi por acaso que disse que Renato tem um grande poder de palavra, apesar de um constrangimento inicial e muito riso, rapidamente nosso motorista resolveu o problema com a ajuda de outro carro que estava por perto, tática que eles usam para evitar problemas como de se perderem na imensidão do salar. Problema resolvido, demos seguimento ao passeio pelo deserto branco, até que paramos para fazer a tomada de fotos obrigatória desse momento, por ser muito plano e só ter o azul do céu e o branco do sal como tela de fundo, basta um pouco de imaginação e um bom fotografo para criarmos vários cenários diferentes e brincar com as perspectivas e objetos a mão, no nosso caso, o Carlos desempenhou as funções de fotografo já que estávamos apanhando um bocado para pegar as manhas, e ainda usamos um dinossauro de brinquedo e um rolo de papel higiênico, não sei quanto tempo durou toda aquela brincadeira, mas acredito ter sido para todos do grupo, o ponto alto do passeio naquele dia, claro que vimos muita coisa linda, paisagens de tirar o folego, mas essa interação em grupo foi algo simplesmente sensacional. DICA: Capriche no protetor solar, protetor labial e não esqueça os óculos de sol, apesar de ventar muito e dar uma sensação de frio constante, o sol também não da trégua e queima, muito. Fotos tiradas, agora seguimos para o próximo ponto de parada, a Isla Incahuasi, também conhecida como ilha dos cactos gigantes, é um lugar muito intrigante, onde algumas plantas conseguem se desenvolver há algumas centenas de anos, o local é o topo de um vulcão que ficou submerso no processo de formação do salar. Depois de pagarmos a entrada para a trilha e que também da acesso aos banheiros, podemos percorrer um caminho demarcado que leva no seu ponto mais alto ao mirante da Plaza 1º de Agosto, de lá podemos ver todo o salar e a cordilheira ao fundo, além da Ilha do Pescado, os carros e pessoas na entrada, outros carros ao longe cruzando a imensidão do salar, enfim, o caminho é muito tranquilo e o guia nos dá o tempo necessário para percorrermos o percurso no nosso ritmo até voltar a base, junto a trilha também há estruturas que lembram ou são corais petrificados, muito interessantes e que provam as transformações que nosso planeta sofreu e continua sofrendo no seu processo de formação. Nesse ponto recebemos a companhia do casal de franceses que completariam nosso grupo, no começo eles estavam meio na deles, mas tem que ser muito chato pra não se contagiar com um bando de brasileiros juntos, e bingo, eles estavam vibrando na mesma sintonia que nós, apesar do idioma ser uma barreira, com exceção de mim, todos arranhavam um inglês então deu pra fazer uma comunicação bacana e interagirmos mutuamente. Quando disse lá atrás sobre eles serem uma grata surpresa, é pela fama que os franceses carregam de serem um tanto metidos para nossos padrões tupiniquins, o que não era o caso, pelo menos não com eles. Da Ilha dos cactos seguimos para outro ponto no salar para apreciar o pôr do sol, momento de mais fotos, tentar brincar com o sol em perspectiva, mas sem o Carlos para nos guiar, acabou que a tentativa de segurar o sol ou relembrar o Dragon Ball Z não ficou das melhores, mas rendeu muitas risadas. Depois que o sol se pôs, fomos conhecer nossa hospedagem onde passaríamos a noite, um hotel de sal em meio ao salar, agora não me recordo se tudo era de sal, mas o quarto era desde o chão até á cama. Uma vez instalados, além de uma deliciosa refeição que incluiu vinho, salsichas com batata e sopa, pode-se pagar por um banho quente, o que é aconselhável, tendo em vista que na noite seguinte essa opção se quer existe. O dia começou cedo, café da manhã tomado, mochilões em cima da caminhonete e começamos o segundo dia pelo salar, na verdade a partir desse ponto já começamos deixar o branco do salar para avançarmos em direção a Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, o primeiro ponto de parada foram os trilhos de trem que um dia já cortaram toda a região, rápido momento para fotos e para apreciarmos os picos que circundam toda a paisagem, depois fomos convidados a explorar algumas formações rochosas esculpidas pela erosão do vento, a visão dos vários picos de montanhas e vulcões com o céu e sol logo acima dão uma perspectiva de dimensões únicas, nesse dia também começou a visita nas lagoas da região, são várias, no entanto estavam já bem secas devido a época do ano, o período de chuvas só teria início na próxima estação e os picos das montanhas quase já não tinham mais neve que após o período de chuvas são responsáveis por manterem os lagos cheios de água e vida devido ao degelo. Nosso almoço foi junto à Laguna Hedionda, nela havia um bom grupo de flamingos, além do cheiro forte por conta dos elementos minerais que compõe toda sua formação, na verdade são a misturas de diferentes elementos que dão as diferentes colorações as lagoas da região, além da lagoa, o local conta com uma estrutura receptiva aos turistas, o que inclui restaurantes, banheiros e locais para pernoite, tudo muito colorido, nesse dia nada de lhama, o almoço foi frango e acho que tivemos arroz também, comida boa e deliciosa e o melhor, sem dores de barriga. Depois do almoço descansamos um pouco em algum ponto longe do sol que castigava, ou simplesmente fomos apreciar a vista da enorme lagoa. À tarde o ponto alto do passeio foi a Arbol de Piedra no deserto de Siloli, já próximo a entrada da Reserva, ali além do monumento principal, podemos escalar as formações ao redor e tirar algumas fotos, antes, no trajeto ao longo do deserto, nosso motorista nos incentivou a descer e caminhar por um “labirinto de pedras” onde além das enormes rochas de ambos os lados, encontramos gelo, tipo do nada e derretendo ao sol da tarde, e também roedores conhecidos como Vizcachas, que nos rendeu boas fotos e risadas. Tiveram outras lagoas das quais não vou me lembrar do nome, tanto neste dia quanto na manhã seguinte, mas são várias mesmo, no entanto o destaque fica para as principais, já as fotos não, qualquer poça – e se tinha um flamingo então – já era motivo de uma paradinha pra esticarmos as pernas e dar utilidade aos nossos celulares, já que sinal não existe. Por fim chegamos ao posto de controle de entrada das pessoas para acesso a Reserva, ali todos descem, pagam a entrada e podem carimbam o passaporte, já que é de graça, por que não. Depois seguimos até chegarmos ao ponto onde dormiríamos, junto a esse ponto fica a Laguna Colorada, de um vermelho lindo e nessa altura misturada ao branco de algum elemento mineral que estava aparente devido a seca, ao longe haviam alguns flamingos e o que o grupo foi fazer – descansar como os demais é que não foi – seguindo a liderança dos franceses, fomos um a um atrás do outro, a princípio a ideia era contornar a lagoa, mas chegamos em um terço dela e logo o sol iria se pôr, como ainda tínhamos que voltar, fomos um a um retornando – na verdade subestimamos seu tamanho e tivemos que admitir a derrota, além do que o vento forte e cada vez mais frio era bem convincente – de volta aos alojamentos, podemos enfim descansar um pouco até a hora do jantar, óbvio que como bons brasileiros que somos, pensamos em fazer uma fogueira ou pelo menos uma festa – coisa da Sinara, eu só dei o apoio imoral necessário –, mas essa possibilidade logo foi frustrada por nosso guia, dormir cedo era a única opção possível já que antes das cinco deveríamos estar em pé para iniciarmos o último dia de passeio. Foi a noite mais fria de toda a viagem, menos dez Celsius, apesar de não ter sentido o frio, passamos uma noite bem agasalhados e saímos preparados para o primeiro ponto do passeio – os Gêiseres Sol de Mañana, o motivo de sairmos tão cedo é que a atividade dos gêiseres é mais intensa pela manhã, antes do sol nascer –, ainda no local de pernoite tomamos um quente café da manhã e nos preparamos para dividir o grupo, como Renato e nosso casal francês não seguiria para o Chile eles iriam em outro carro, neste primeiro momento apenas seus mochilões, nossa separação só ocorreria depois. Nosso caminho até os gêiseres foi ao som de musica brasileira dos anos 90 e 2000, axé, sertanejo e Gabi Amarantos, acho que aqueles europeus nunca viram um bando de gente mais sem futuro que nós brasileiros, até prometer de fazer a coreografia da Joelma se tocasse Calipso foi prometido – não preciso nem dizer de quem partiu as ideias e animação, meu apoio era apenas imoral mesmo. O caminho até os gêiseres é feito mais ou menos em comboio pelos motoristas, e mesmo assim a chance de errar era grande, mas logo chegamos ao ponto de apreciação desse interessante fenômeno, apesar de estar bem escuro e não podermos avançar muito por entre as rochas esfumaçantes, foi muito valida essa experiência. Depois seguimos em direção aos banhos termais, que é opcional para cada um, dessa vez não entrei, apenas as meninas, e foi nesse ponto onde nosso grupo se dividiu, nos despedimos de nossos amigos de Salar que retornariam para Uyuni enquanto nós continuaríamos em direção ao Chile, eles ainda percorreriam os mesmos pontos que nós antes de encerrar o passeio, mas devido a logística, em outro carro que não iria até a fronteira. De volta ao carro, seguimos agora na companhia de duas belgas para o Desierto de Dalí, o pintor espanhol – algumas de suas obras lembram muito as magnificas paisagens locais, mesmo ele nunca tendo estado ali. Um dos últimos pontos de parada antes da fronteira foi a Laguna Verde, aos pés do Vulcão Licancabur que divide Bolívia e Chile, a vista é indescritível de verdade, passados o momento de contemplação já era hora de começarmos a preparar os espíritos para a despedida dessa jornada, agora era encarar os tramites fronteiriços entre os dois países e seguir para uma nova etapa da viagem, San Pedro do Atacama. DICA: O processo de saída da Bolívia é relativamente simples, antes de irmos em direção as vans que nos levam da fronteira para a cidade chilena, temos que dar baixa da nossa entrada no país, o escritório boliviano é bem simples, e o processo é apenas de carimbar o documento emitido na entrada, no entanto o agente de imigração boliviano cobra uma taxa para tal baixa, essa pratica é irregular, uma vez que tal cobrança não existe nem para a entrada, nem para a saída, em nenhum país por qual passei, diga-se de passagem. Como havia lido a respeito dessa ação já bem conhecida, combinei com a Sinara que não pagaríamos e que até falaríamos que éramos jornalistas se fosse necessário, algo que não foi preciso, no entanto fica a dica, apesar de ser um valor muito baixo, quinze bolivianos a época, o ato é ilegal e um exemplo claro de corrupção contra estrangeiros. MOMENTO DESABAFO: A Sinara estava na minha frente no momento de passar pela imigração, dentro do escritório forma-se uma fila de quatro ou cinco pessoas, a desculpa dela para não pagar foi exigir um comprovante do pagamento da taxa, algo que se quer se cogita existir, pois é irregular, segundo ela o agente coçou a cabeça e a mandou embora sem pagar a taxa. Como fui logo em seguida, entreguei o passaporte e o papel de entrada emitido pela imigração em Guayaramerín, o agente sequer olha pra conferir se a gente é a gente mesmo, apenas pede o dinheiro enquanto prepara os papéis, como resposta ao seu pedido eu disse que era brasileiro e que minha embaixada não havia instruído em nada sobre pagamentos para saída da Bolívia – em um espanhol relativamente entendível e preparado com muita calma, mano – nesse momento o agente me fuzilou com os olhos e se levantou da cadeira, eu só pensei, tô fu****, vou ficar preso nos confins da Bolívia por conta de míseros quinze bolivianos. O agente foi até a fila e mandou todos esperarem do lado de fora e só entrarem um por vez após a saída de quem estava lá dentro – foram os segundos mais tensos de toda a viagem, naquele momento tinha certeza que seria preso ou no mínimo levaria umas cacetadas –, mas ele apenas se sentou com ódio, carimbou meu passaporte e mandou-me sumir dali, assim que voltei a respirar consegui sacar um sorriso de alívio na minha cara. Na verdade o que ele queria era que ninguém mais ouvisse para evitar novas recusas em pagar a propina. Mas além desse relato, acabei por ler outro onde um brasileiro quase fora preso por policiais bolivianos em meio ao trajeto por uma das estradas do país, mesmo estando com toda a documentação correta, o que os policiais queriam eram dinheiro para não criar problemas, enfim, ter sorte também é necessário para evitar esses tipos de situação na viagem por países com problemas institucionalizados de corrupção, depois desse momento, só torço para que nossos agentes de polícia e fronteira não ajam como alguns de nossos vizinhos, nem contra nós brasileiros – algo que nunca vi – e ainda menos contra estrangeiros, porque é o momento de maior fragilidade e impotência de um turista, estar no meio do nada, sem acesso aos meios de comunicação ou imprensa e ter que lidar com pessoas de baixo valor moral e humano. GASTOS: Dia 20.09 (quinta-feira). Entrada Isla Incahuasi = Bs 30,00 Banho Quente = Bs 10,00 GASTOS: Dia 21.09 (sexta-feira). Entrada Reserva Eduardo Avaroa = Bs 150,00 GASTOS: Dia 22.09 (sábado pela manhã). Bs 0,00 TOTAL DOS GASTOS – Bs 190,00 / R$ 122,85 no Salar. Cemitério de Trens. Nascente d'água em meio ao salar. Praça das bandeiras. Interior do ponto de parada para o primeiro dia de almoço. Bastidores das fotografias em meio ao salar. Ilha dos cactos. Vista do salar a partir do mirante no topo da Ilha. Pôr do sol na companhia do melhor grupo possível (a esquerda o casal de amigos franceses, ao fundo a portuguesa Nelza, e os brasileiros Renato e Sinara. Vista da Laguna Hedionda. Vizcacha do deserto. Arbol de Piedra. Laguna Colorada. Gêiseres Sol de Mañana Nascer do sol junto as termas. Laguna Verde e o Vulcão Licancabur ao fundo.
  46. 1 ponto
    E então galera, beleza? De começo já vou informar que essa viagem foi realizada em Junho de 2017. SIM, 2017! Porém fiquei de fazer o relato e sempre enrolava, enrolava e agora estou com tempo e consigo fazer .. a viagem foi tão f*d que até hoje eu não consigo esquecer NENHUMA parte dela e vou passar minha experiência para todos vocês! (exceto a maioria dos gastos L) A minha viagem foi inspirada no relato do @RodrigoVix, com algumas alterações .. desde já agradeço @rodrigovix, seu relato foi inspirador e espero conseguir passar para outras pessoas também a minha experiência e dicas. ROTEIRO Rota “famosinha” aqui no site, fiz o mochilão entre 3 países, iniciando em Santa Cruz de La Sierra (BOLÍVIA), logo depois Atacama (CHILE), Peru e depois voltando à Bolívia. Tem pessoas que preferem o inverso, porém, pesquisando prós e contras, preferi dessa forma e foi TOP! 13/05 - Rio de Janeiro x São Paulo x Santa Cruz de La Sierra x Sucre 14/05 - Sucre x Uyuni 14/05, 15/05 e 16/05 – Salar de Uyuni 17/05, 18/05 e 19/05 – Atacama 20/05 – Atacama x Arica x Tacna 21/05 – Tacna x Arequipa 22/05 – Arequipa 23/05 – Arequipa x Ica x Huacachina 24/05 / Huacachina x Ica x Cusco 25/05, 26/07 – Cusco 27/05 – Cusco x Águas Calientes 28/05 – Águas Calientes 29/05 – Águas Calientes x Cusco x Puno 31/05 – Puno x Copacabana 01/06 – Copacabana 02/06 – Copacabana x La Paz 03/06 – La Paz 04/06 – La Paz x Santa Cruz de La Sierra x São Paulo x Rio de Janeiro O QUE LEVEI ? Fui com uma mochila de 45L qualquer, deu bastante coisa galera! Levei também uma mochila pequena, que serviu para usar em passeios rápidos, etc. (INDICO) Não lembro o número exato de camisas, tênis, etc. Mas levei o suficiente! Tente levar o máximo possível, NÃO ESQUEÇA CASACO (de preferência impermeável)! Antes de ir passei na farmácia e comprei MUITO REMÉDIO, e usei apenas 1, sério, gastei mais de R$ 100,00 em remédios, etc e usei nem 10%. Porém compraria novamente, uma viagem dessas pode haver diversos acontecimentos e se precisasse de algum remédio, já estaria na mão. Levei também uma pasta que serviu para guardar todos os meus documentos (Cartões de embarque, ingressos Machu picchu + huayna, cartão internacional de vacinação, seguro viagem e serviu para guardar todos os papéis de imigrações, entre outras coisas) .. INDISPENSÁVEL! PREPARATIVOS PARA A VIAGEM Bem, era +/- janeiro daquele ano, minhas férias estavam marcadas para maio e a meta seria viajar .. logo depois me questionei .. “viajar pra onde?”, “sozinho?” . Foi aí que eu comecei a procurar destinos na América do Sul .. encontrei um lugar chamado PUCÓN, fica no Chile, MEU DEUS! TOP DEMAIS! Decidi que iria para Pucón, comecei a ver passagens, relatos de viagens, entre outras coisas e tinha decido: VOU SOZINHO MERMO! Até que .. conversando com o Pietro, um amigo do trabalho, vi que ele iria tirar férias na mesma época e decidimos juntar idéias e mochilar juntos .. Falei de Pucon para ele e ele curtiu, mas vi que não levou muita fé .. depois de um tempo ele veio com papo de ROTA DAS EMOÇÕES, no nordeste .. NÃO! QUERIA IR PARA A AMÉRICA DO SUL, ele tentou ainda me enviar orçamentos, entre outras coisas, prontamente negado, estava centrado em mochilar .. hahahaha Até que navegando pelo mochileiros, vi o relato do @rodrigovix, sobre a viagem Bolívia x Chile x Peru, foi amor à primeira vista por esse roteiro, logo mostrei para o Pietro e ele curtiu a idéia, estava aí a viagem marcada e destino definido. Fizemos que nem o Rodrigo e garantimos somente algumas coisas antecipadas: · Passagens aéreas BRASIL X BOLÍVIA X BRASIL (R$ 1.119,00) e Santa Cruz de La Sierra x Sucre ($ 30) · Seguro Viagem Assist-Med 24 dias (peguei com um desconto de 30% na época) – R$ 189,71 · Machu Picchu + Huayna – +/- $90 · Ônibus Sucre x Uyuni - $15 O resto foi na marra e ficaria para acertar na hora mesmo! (melhor coisa que fizemos) Sobre o cartão de vacinação: Como na época teve surto de febre amarela aqui no Rio de Janeiro, foi HORRÍVEL de conseguir uma vaga, eu consegui a ÚLTIMA vacina do dia que eu fui (tinha sido a 3ª tentativa), isso mostrando passagem comprada, entre outras coisas. Pietro não teve essa sorte, tentou tomar e não conseguiu, FOI NA CARA E NA CORAGEM SEM O CERTIFICADO e deu sorte, não pediram em nenhum momento.
  47. 1 ponto
    Opa, aproveitando esse post, minha dúvida não é sobre a mochila, mas sim sobre o circuito... 😬 Tu fe o O? Fez tudo acampando? Os acampamentos é só em camping ou pode acampar onde quiser? Levou comida pra todos os dias desde o início ou comprou algo no caminho? Obrigado.😁 Tava olhando sobre ela semana passada, mas só superficialmente, pensando em fazer ano que vem.
  48. 1 ponto
    Eu já tinha postado aqui um texto sobre como a Bolivia mudou a minha vida, então resolvi relatar o roteiro, os custos e algumas dicas. Entaaao: Janeiro/2018 - saída 12/01 e chegada 02/02 Roteiro: Campo Grande > Corumbá > Puerto Quijarro > Sta Cruz > Sucre > Potosí > Uyuni > La Paz > Copacabana/Isla del Sol > La Paz > Cochabamba > Sta. Cruz > Puerto Quijarro > Corumbá > Campo Grande. Cotação: R$ 1 = BOB 2 Custo total dentro da Bolívia = USD 600/R$ 1800,00 - pouco dinheiro, mas fiz tudo o que planejei (custos totais por categoria no final do relato) Vou relatando por partes, porque é muita coisa (tentando colocar o máximo de dicas) haha e vou colocando os custos mais importantes e os que lembro, pois não me recordo dos minimos detalhes rsrs Meu primeiro mochilão e iniciei minha viagem em rumo à Campo Grande. Sou do interior de Minas, e toda a minha viagem de ida e volta fui rodando de onibus, sem nenhum trecho por avião (o que em um certo trecho me arrependi kkkkkk), todos os custos de transporte incluem onibus e vans. CAMPO GRANDE - CORUMBÁ Cheguei em Campo Grande no dia 13/01 em torno de 13h e já fui comprar minha passagem das 23h para Corumbá. Eu preferi pegar nesse ho´rario pelo fato de ir menos pessoas do que no de 00h, mas no final não faz diferença alguma kkkkkk os dois vão mais vazios. Uma dica que dou para ficar na rodoviária de CP é levar comida, meu Deussssss tudo lá é ridiculamente caro e em volta não tem nada (quando digo nada é realmente nada, porque fica na avenida de entrada da cidade, uma avenida linda mas muito extensa e meio deserta de pessoas, pois só se passa carros nessa avenida) só encontrei um restaurante que custava R$ 12,00 o prato feito. É bom até, da pra satisfazer bem, quando estiver saindo da rodoviraria pelo corredor da entrada, é só perguntar os mototaxistas onde é o restaurante mais próximo, ou já vai ter uma moça lá que vai te abordar te perguntando se está com fome kkkkkkkkkkkkkk. O bom da rodoviária é que tem WIFI e guarda volumes, além de banho de graça. Eu dormiria lá (o que por pouco não aconteceu) hahaha 🤭 Aqui conheci um rapaz da minha idade (18 anos) que estava acabando de voltar de um mochilão de lá e que me deu seu roteiro impresso, fiquei grato demaaaaaaaaaais. Eu literalmente abordei ele por estar com a mochila tipica nas costas (primeira viagem sozinho, então mesmo que já estva em CP ainda tava inseguro, porque tudo era novo incluindo as sensações, masssss logo acostuma e já se deixa levar rsrsrs) ele me deu muita informação essencial pra passar meu medo e duvidas, ele foi importante demaaaaaaaaaaaaais rsrs. Detalhe: basicamente não vi outros mochileiros como pensei que veria. Perto do horário do onibus conheci um casal de bolivianos mais velhos já (pelos 40 anos) e que iriam pelo mesmo caminho que o meu, ali já viraram quase meus pais e cuidaram demais de mim, principalmente no Espanhol, sabia bem básico pois eu tinha estudado uns 50% pelo Duolingo kkkkkk (ajuda demais) CORUMBÁ - PUERTO QUIJARRO Aqui começou a saga rsrsrs Chegando em Corumbá conheci a Livia, outra boliviana que também era de Santa Cruz. Loucaaaaaa e o máximo de pessoa. Estava fazendo mochilão pelo Brasil, também era mais velha, em torno dos 45, com aquela mochila imeeeeeensa nas costas kkkkkk então juntamos nós três e fomos juntos direto pr fronteira. Eu super extasiado por me forçar a falar espanhol por conta dos 3 😂😂. Pra chegar a fronteira desde a rodoviária de Corumbá por meio de ônibus, é só sair e atravessar a rua, tem um ponto bem em frente à rodoviraria, ele deve passar de 20 em 20 minutos: via Cristo Redentor. Depois disso, ele vai parar no terminal onde ficam todos os outros onibus, é só descer e esperar o via Fronteira chegar. Depois disso demora alguns minutos e já está na receita federal. Eu cheguei na Receita Federal no domingo 14/01 e também era horario de verão, então tinha uma diferença de hora quando atravessei a fornteira, 2 horas de diferença, sendo que quando não é epoca de horário de verão é apenas 1 hora de diferença. Dei saida do Brasil bem rápido só com a identidade e já fomos nós tres para a Anduana Boliviana. Aí sim, demorou kkkkk fiquei TRES HORAS na fila em pé com chuviscos kkkkkkkk acabei perdendo o trem da morte :ccc . Não me recordo muito bem a hora que abre a receita federal brasileira, se não me engano creio que as 8h ou 9h. Na parte boliviana abre às 7h ❤️ Guardar os dois papeis que se recebe, o do brasil e da bolivia, um é verde e o outro branco, é super importante. Sem eles vocÊ não sai ou não entra dos países e também precisa pra mostrar na entrada da Reserva Nacional Eduardo de Avaroa. Ninguem me pediu a Carteira Internacional de Vacina, mesmo sendo obrigatório a vacina de febre amarela para entrar na Bolivia, porém por precaução, é melhor providenciar. Todos foram bem camaradas comigo, só os agentes brasileiros que são extremamente rudes com os bolivianos, até eu fiquei ofendido pra caramba. Os agentes bolivianos não tratam ninguém de maneira diferente. Do lado da Aduana tem muitas "tiendas" hahaha lá tinha um cambio e troquei meu dinheiro e comprei um chip da Bolivia da operadora TIGO por uns BOB 12 eu acho, muitoooooooooooooo boooooooooom , bate de 100 vezes nas do Brasil cara kkkkk, coloquei BOB 25 de créditos e continuei com eles por uma semana toda usando internet, sem nenhum problema, super fácil e simples ( fica a dica se alguém vai viajar sozinho por lá e não quer depender de WIFI pra acalmar a familia aqui, o que só existe nos hostels e nas rodoviárias rsrs). Saindo da fronteira graças a Deussssss, já se entra em Puerto Quijarro e já ve como é a cultura boliviana. Eu ficava em extase kkkkkkkkkkk meses e meses planejando e pesquisando tudo, e depois chegar e viver de fato aquilo é emocionante, eu me empolgava cm tudooooo, com as pessoas, os carros velhos, a comida (pollo pollo pollo) kkkkk almoçamos, batemos muito papo com muita risada (principalmente com os pernilongos fomos para a Rodoviária e compramos a passagem das 19h por BOB 70. Gastos do dia: BOB 70 - onibus p/ Santa Cruz BOB 5 - carregar celular / BOB 7 - banho BOB 25 - créditos TIGO/BOB 12 - chip TIGO TOTAL: +- BOB 120/R$ 60,00 SANTA CRUZ DE LA SIERRA Chegamos em Santa Cruz lá pelas 5h e fiquei na rodoviaria esperando ela abrir (até hj não entendi o porquê daquilo fechar, uma cidade daquele tamanho kkkk) nos separamos com tristeza, perdi o contato do casal :c e fiquei na casa da Livia na ida e na volta :)))) Quando vi os micros e o fuzuê de Santa Cruz fiquei loucooooo kkkk muito louca aquela cidade kkkkk aqui gastei muito com Transporte, porque a casa da Livia era bem proxima da Plazza 24 de Septiembre (bem no centro) e a rodoviária é bem longe. Eu peguei Micro pra carambaaaaaaa uns 4 ou 5, sendo que peguei um errado e fui parar num bairro tão longe que as ruas nem eram asfaltadas 😂 😂 me desesperei kkkkk mas deu tudo certo no final. Encontrei um Restaurante Cubano andando na rua atoa e a comida era maravilhosaaaaaa, pena que não tinha nada de fora mostrando que era um restaurante, então não tem como por o nome aqui :c paguei BOB 35 no prato + salada e suco, o que é caro para o valor das comidas bolivianas, mas eu ainda não tinha muita noção dos preços então ok haha Gostei de Santa Cruz, é linda do seu modo de ser, mas não carrega muita história e nem muita cultura, já que é a cidade mais 'modernizada da bolivia', então de todas foi a que menos gostei. Por isso tanto na ida quanto na volta, eu não me hospedei. Acabei curtindo o dia todo (da ida e da volta) com a Livia, passeamos muito, fui fazer compras com ela, conhecer as lojas, as comidas, bebidas e tudo mais kkkk ela foi essencial pra que eu aprendesse mais o idioma, pois ela sabia o básico de português e tirava minhas duvidas haha. Comprei a passagem pra Sucre por BOB 100 e mais uns biscoitos e água (sempre carregue água, ninguem lá toma agua da torneira, nem as proprias pessoas que morar lá.) Outra questão é que as pessoas lá falaram que Santa Cruz é muito perigosa, com umas historias bem sinistras kkkkk me disseram pra nunca sentar na janela do micro com o celular na mão e muito menos com ele na rua, pois quando ele para, alguem enfia a mão na janela e te rouba ele num piscar de olhos. Achei bem louco, mas né, fiquei atento haha. Eu fiquei um pouco sismado com tantas pessoas falarem que era perigoso, mas sinceramente, não vi nada demais. O país TODO, é muito seguro, não existe assalto, nem nada do tipo. O máximo é um furto se estiver dando bobeira, mas isso existe no mundo inteiro. Creio que para O PADRÃO DELES Sta Cruz é perigosa, mas para nós brasileiros, não. Já que estamos muito acostumados com violencia e assaltos, então somos muito atenciosos com nossas coisas e sabemos reconhecer situações de perigo, o que é natural e espontâneo. Por isso em momento algum da viagem, me senti inseguro, aliás, me senti mais seguro lá que em qualquer parte que ja fui no Brasil rsrsrsrs CUSTOS: BOB 100 - passagem Sucre - 19h BOB 35 - almoço BOB 10 - micros (BOB 2 a passagem de micro) BOB 15 - lanches e água TOTAL: +- 160 BOB/R$ 80,00 SANTA CRUZ x SUCRE Essa rodovira merece atenção cara rsrs eu sabia que era ruim e perigosa por ler sobre, mas não sabia que era tantooo kkkk eu tomei DOIS remédios para dormir já imaginando o q viria, mas sem exageros, eu não dormia profundamente. Cochilava e a cada curva (que são várias, pois sai de Sta Cruz de 400 metros para Sucre de 2800 metros acima do nivel do mar, vai subindo em torno das montanhas) eu acabava acordando, olhava da janela e via o despenhadeiro e o contorno das montanhas pela luz do céu. Era aterrorizante olhar pra aquele abismo cara, eu simplesmente não ficava relaxado, e ficava putassoooooooooooooooo por que todos os outros dormiam igual criança e eu com o olho na nuca 😂 😂 foi a pior viagem da vida cara kkkkk. Uma alternativa é pegar um avião de Sta Cruz para Sucre, mas sai bem caro se comparado ao valor dos onibus. Porém tem outra opçãp bem viável, pode se comprar uma passagem para Cochabamba (que fica no centro da Bolivia) e de lá para Sucre, só vai demorar um pouco mais, mas em compensação, vai dormir bem e não vai passar medo, além de poder sair mais barato também. O onibus chacoalhava muito, pois parte da estrada era de terra. No final acabei perdendo meus tenis, pois chegando em Sucre fui calçar eles e simplesmente não estavam debaixo do meu assento!! Ai eu irei o desespero em pessoa, pois só levei um par de tenis e um de chinelo kkkkkkkkkk todos ficaram rindo da minha cara, acabei ficando um pouco bravo e me ajudaram a procurar hahaha. Hoje, dou razão pra eles, pois a cena deve ser sido hilária kkkkkkkkkk eu louco gritando "donde están mis zapatos? Mis zapatos!!" 😂 😂 😂 😂 SUCRE Euforia passada, cheguei em Sucre às 7h, num frio de uns 11°C em pleno verão, gelando até meu cérebro hahahaha paguei uns BOB 1,50 (não me lembro ao certo, pois to confundindo todos os valores dos micros) até a Plazza 22 de Mayo. Sucre é lindaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, a cidade mais linda da bolivia, só não mais cultural que Potosí e La Paz, mas mesmo assim maravilhosa. Toda branca, muito branco, super limpa, tranquila, com gente alegre, frio, comida boa... eu viveria lá cara. Parece que eu tava na Europa, na moral kkkkkk fiquei 3 dias hospedado la. Fiquei no Hostal Clavel Blanco, calle Loa (rua paralela à Plazza 25 de Mayo) que era extremamente próximo de tudo!!!!!! Recomendo demais o lugar, lá conheci a Rosa da Holanda e a Manon da França, minhas colegas de quarto, dali ficamos tão amigos que viajamos o resto do país juntos ❤️❤️ misturando ingles com espanhol + mímica, mas com boas risadas deu tudo certo hahaha. Paguei BOB 55 o quarto com 10 camas misto + desayuno = café da manhã rsrs. Fora que a proprietária era um amor, mas não me lembro bem o nome dela, acho que era Angela. Conheci a Laura que era da Argentina, também ficamos super amigos e nos reencontramos em La Paz ❤️ Aproveitei muitooo Sucre. Fui no Mercado Campesino, no Mercado Central, comprei blusas de frio (pois havia levado somente uma, e perdi em Campo Grande rsrsrs, subi no terraço de uma igreja com uma vista maravilhosa de Sucre, conheci gente demais, cada uma de um canto do mundo, me perdi vaaaaaaaaarias vzes pelas ruas de Sucre, pois são muito iguais, sendo a arquitetura colonial em todas e tudo branco hahahaha, mas amava me perder kkkkk ficava na praça central, observando a vida passar, o q mais amavaaaaaaa!! Tomei um negocio de Oreo que era maravilhoso, não me recordo o lugar mas sei que era na mesma rua do hostel, um pouco mais para baixo. Comi um prato com a Rosa em lugar que acabamos encontrando por conta da carne assada que nos chamou haha. Acabei ficando mais no centro, então não fui à Recoleta, o que me arrependi depois. Sucre é uma cidade que guardo comigo cara, queria muito ter ficado mais tempo, a cidade é extremamente tranquila, super jovem, sério tem muitos universitarios, então é uma cidade super viva e gostosa de passear.
  49. 1 ponto
    CONCLUSÕES - A travessia era muito mais difícil do que eu imaginava ou estava preparada. Ainda assim, foi incrível e só foi possível porque o guia Efraim era MUITO paciente. :'> Sempre que eu precisava, parava para descansar. Ele tinha um ritmo de caminhada bem tranquilo e sempre me animava quando eu estava cansada, fazendo eu perceber que estava num lugar fantástico. Além disso, tive o maior tratamento de dondoca: ele não deixava eu sequer montar a barraca onde eu ia dormir. Ele fazia simplesmente TUDO, com muita boa vontade e disposição. - Se eu tivesse tomado o Diamox todos os dias pela manhã, não teria tido os problemas com altitude e a caminhada por dois dias teria sido infinitamente melhor. - Não levei calça e bota impermeáveis e me arrependi MUITO. - Não levei um saco de dormir adequado e passei bastante frio à noite. - É preciso levar roupas bem apropriadas para FRIO, principalmente para dormir à noite. - Levei algumas coisas pra comer e praticamente não comi nada, só o que o guia preparava. Mas levei alguns chocolates em barra e acabei com todos, porque também dividi com o guia e faziam um bom efeito pra continuar a caminhar. - Levei coisas para tomar banho - toalha, sabonete ( ) e nem preciso dizer que não há nada parecido com um banho durante os seis dias. Ou seja, nem leve porque é um peso desnecessário. Leve lenço umedecido e papel higiênico. Só! - Leve muita paz, pra ter uma boa caminhada e aproveitar os lugares incríveis pelos quais passar. - Acima de tudo, aproveite esses dias para aprender muito sobre humildade e garra na convivência tão próxima com o guia e o muleiro, verdadeiras lições de vida.
  50. 1 ponto
    E.Costa, olá. Olha, acho que Janeiro é perfeito para Punta. Nem cheguei a ir para lá, porque fui ao Uruguai em um frio brabo e achei que combinaria mais gastar o tempo em Montevideo e Colônia, sabendo que Punta estaria vazia e desanimada por ser costeira e praieira. Dá sim para conhecer em 4 dias. Dois em Montevideo, 1 em Punta e 1 em Colônia. Em Montevideo vá almoçar no Mercado do Ponto, ande pelas ramblas e vá ao Centenário se gostar de futebol. Se estiver em galera talvez prefira Punta. Em Colônia um casal iria ficar mais feliz, mas recomendo ver as fotos e os relatos mais específicos de cada um.
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