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  1. 8 pontos
    Há cerca de um ano atrás, ao ver uma foto do Parque Nacional Torres del Paine, disse ao meu filho de 21 anos: “Meu Deus, precisamos conhecer este lugar!”. Desde então, passei a pesquisar tudo sobre o Parque e sobre a Patagônia Chilena e Argentina: principais locais a serem visitados, parques, cidades, atrações. Foi a partir daí que comecei a fazer o roteiro dessa que, sem dúvida alguma, foram as melhores férias da minha vida! Em primeiro lugar: para fazer nossa primeira viagem de mochilão, precisávamos de roupas e equipamentos que não tínhamos, então, bora pra Decatlon. Abaixo, nossas principais compras: - Duas Mochilas Quechua Scape 50 l e 70 l (Simplesmente maravilhosas e práticas! Cabe o mundo lá dentro!) - Duas jaquetas 3x1 da Quechua - Que já vem com uma jaqueta de fleece por baixo da jaqueta impermeável (Não sei o que seria de nós sem ela! Usamos direto e nos protegeu bem da chuva e do frio cortante.) - 1 calça de trekking pro filhote (eu usei sempre minhas duas leggings pretas) - 2 blusas segunda-pele para cada um de nós - 1 blusa fechada de fleece pra mim - 2 Camisetas dry-fit para cada um (Comprem! Fiz um dos trekkings com uma blusa básica de algodão por baixo e ela ficou encharcada de suor) - Pescoceira (Comprem! Comprei uma pro meu filho e tentei fazer trekking de cachecol mas é horrível. A pescoceira é bem mais prática, protege do frio e não sai voando com o vento patagônico) -Toucas básicas - Bastões de Trekking (um para para cada um e agradecemos a Deus todos os dias o fato de temos investido nisso. Não sei o que seria da minha vida sem os bastões para me dar apoio nos momentos mais difíceis. Eles foram meus melhores amigos nesta caminhada – depois do meu filho, claro! - Duas Garrafas de água de 1 l (Ótimas! Nunca bebi tanta água na vida quanto nos trekkings que fizemos! Detalhe, como elas eram de um material parecido com alumínio ou metal, mantinham a água que pegávamos nos riachos bem fresca!) - Botas de trekking impermeáveis da Quechua (Comprem!!! Não deixaram nossos pés molhados ao pisar nos riachos – e creiam, vocês pisarão em muitos - e nem suados e são bem confortáveis – mas usamos algumas vezes antes da viagem para ir se acomodando aos nossos pés.) - Meias de trekking (Parece um gasto desnecessário mas realmente, não deixam nossos pés suados, mesmo andando kms e kms de distância) - Luvas próprias para trekking (Confortáveis e práticas) A viagem: fomos dia 30 de dezembro de 2018 e retornamos a São Paulo dia 18 de janeiro de 2019. Roteiro: São Paulo – Ushuaia (de avião, com escala de 14h em Buenos Aires) ; de Ushuaia a Punta Arenas (10h de ônibus); de Punta Arenas a Puerto Natales (3h de ônibus); de Puerto Natales a El Calafate (3h de ônibus) e de El Calafate a El Chalten (2h de ônibus) – esse trajeto foi feito no mesmo dia com algumas horas de espera em El Calafate antes de pegar o ônibus para El Chalten); de El Chalten para El Calafate (2h de ônibus); de El Calafate para Buenos Aires (3h30 de avião); de Buenos Aires para São Paulo (2h30 de avião). Paguei R$ 3700,00 para duas pessoas em todos os trajetos de avião, pela Aerolíneas Argentinas. As passagens eu comprei pelo site Busbud antes de viajar, todas pelo cartão de crédito e a que paguei mais cara foi de Ushuaia para Punta Arenas, cerca de R$ 240,00 cada. Dia 30/12/2018 – domingo Saímos do Aeroporto Internacional de Guarulhos as 10h e chegamos a Buenos Aires por volta do meio dia. Como era domingo, tivemos que trocar reais por peso no Banco de La Nación do Aeroporto a 9,20 pesos por real. (Péssima cotação, embora em todas as cidades da Patagônia Argentina por onde passei, o peso estava apenas 9. Ou seja: se sua escala em Buenos Aires for longa e for dia de semana, vá até a Rua Sarmiento, no centro de Buenos Aires. Lá a cotação esta 10,20 por real. - Como nossa escala era longa, pegamos um táxi até o hotel onde ficaríamos hospedados no final da aventura patagônica e deixamos nossas mochilas guardadas lá, enquanto aproveitamos o dia para mostrarmos Buenos Aires para um rapaz do Brasil que também estava numa escala longa em B.A. Como já conhecemos a cidade, o levamos nos principais locais turísticos do centro pra ele conhecer. A noite, quase meia noite, seguimos de volta para o Aeroparque para pegar nosso avião, que só sairia para Ushuaia as 4h. Juro que tentei dormir no chão do aeroporto enquanto esperava mas não consegui...Já meu filho, dormiu e sonhou com os anjos enquanto eu ficava ali, cansada mas ansiosa demais com a viagem para conseguir sequer cochilar. 31/12/2018 – segunda-feira Ùltimo dia do ano e às 8h00 da manhã, desembarcamos em Ushuaia. Do aeroporto ao hotel, que foi um trajeto bem rápido, já deu para ficarmos de olhos arregalados com a beleza daquele lugar. Montanhas e mais montanhas com seus picos nevados, apesar do verão e um frio que...nossa! Deixamos nossas coisas no hotel e partimos para fazer compras de belisquetes, laches e bebidas para levarmos nos passeios e para nossa “ceia” de reveillon.Gastamos 100 reais no mercado de Ushuaia, que tinha longas filas e preços bem maiores do que os daqui. Depois de deixarmos nossas compras no hotel, partimos para marcarmos nossos passeios por Ushuaia. Agendamos o passeio pelo Canal de Beagle até a Pinguinera (mas sem passeio com os pinguins) por R$ 380,00, nós dois, para o dia seguinte às 16h. Tivemos um desconto por pagarmos em dinheiro. Como estávamos cansados da viagem, tiramos o dia para conhecermos a pequena e acolhedora cidade de Ushuaia. Neste mesmo dia, à tarde, visitamos o Museu do Presídio e Museu Marítimo. Para quem gosta de museus como eu e meu filho, é uma boa pedida. Á noite, abrimos nossa garrafa de vinho no quarto de hotel e ficamos olhando pela janela para ver se fariam festa no Reveillon. Doce ilusão! O máximo que ouvimos da “comemoração”, foram uma meia dúzia de buzinas de carro e uma buzina bem mais alta que cremos ser do navio que estava ancorado no porto. Meia noite e lá estávamos nós brindando e vendo as festas de reveillon pela internet. Estranho mas, ao mesmo tempo, um modo diferente de comemorarmos a chegada do novo ano. 01/01/2019 Começamos o dia indo ao Glaciar Martial. Pegamos um táxi por volta das 9h, até o começo da trilha e chegamos lá rapidamente. No caminho já nos encantamos com a beleza das montanhas com picos nevados. Grandes e lindas. Devido ao meu sedentarismo e kgs a mais, nos primeiros cem metros de trilha já fiquei ofegante mas segui em frente. Ainda bem! Depois de um tempo subindo, começou a nevar. Gente, pense numa mulher feliz, que ficou feito uma criança ao ganhar um baita presente. Fiquei eufórica! Era a primeira vez que víamos neve e fiquei encantada. Continuamos a subir o Glaciar e a neve ia aumentando. Eu até achei a subida um pouco difícil mas mal sabia eu o que me aguardava na minha viagem à Patagônia. rs. Valeu muito a pena! Foi lindo e o primeiro trekking da vida a gente nunca esquece. Voltamos para o hotel por volta das 13h. Almoçamos, demos uma descansada e partimos para nossa segunda aventura do dia. As 16h pegamos o barco para conhecermos o Canal de Beagle. Que passeio mais lindo! Cada paisagem linda! Vimos comoranes, leões marinhos e os encantadores pinguins...o Farol Les Eclairs, as montanhas ao redor...o frio nunca antes sentido da vida! rs. Realmente, um passeio imperdível e emocionante. Voltamos ao porto às 20h. 02/01/2019 No nosso último dia em Ushuaia, pegamos uma van no Porto, R$ 45,00 por pessoa (ida e volta) e fomos até a Laguna Esmeralda. Levamos duas horas pra chegar naquele cenário de sonho e quase o mesmo tempo pra voltar. O percurso é puxado em algumas partes mas é cada paisagem que vale a pena cada passo dado. Tem alguns lugares do caminho que são bem “encardidos”. Na volta, ao atravessar um dos lamaçais, o tronco onde eu estava passando virou e cai de costas, afundando minhas pernas no lamaçal. Bendidas roupas impermeáveis. Apesar da sujeira, foi bem fácil limpar o estrago depois. Muito cuidado e atenção nesses lugares. Terminei o trekking cansada, ferida em meu orgulho (quando caí, tinham vários gringos por perto vendo o meu tombo cinematográfico. rs) mas profundamente feliz por presenciar tanta beleza! Que lugar!!! No final da tarde voltamos ao hotel e preparamos nossas coisas para viajarmos no dia seguinte. 03/01/2019 Dia de pegar o bus rumo a Punta Arenas. O começo do percurso é lindo, repleto de belas paisagens. Depois de algumas horas, começamos a viajar no meio do nada e é um longo percurso no meio deste nada. Tirando as paradas nas fronteiras (saída da Argentina e entrada no Chile), o ônibus não para em lugar nenhum. Portanto, viagem preparados com lanches e bebidas. Eles servem um suco com bolachas mas não é suficiente para matar nossa fome. Na hora de atravessarmos o Estreito de Magalhães, somos obrigados a descer do ônibus e ficarmos na balsa. Fomos ao ar livre e quase congelamos a alma. Um frio cortante mas, o lado bom: conseguimos ver uma pequena baleia brincando na àgua e foi emocionante. Após a travessia, voltamos para o ônibus e seguimos nossa viagem no ônibus. Apesar da previsão de 12 horas de viagem, levamos umas 10h30 para chegarmos. Ficamos na pousada Tragaluz, que mais parecia uma casa de bonecas. Que lugarzinho lindo...e caro. Ao pagarmos com cartão, o calor aumenta consideravelmente. Dali pra frente, decidi pagar minhas estadias em dinheiro para fugir das taxas do cartão. Como era meu aniversário, saímos pra comer uma pizza no centro da cidade. Foi um dia cansativo pela longa viagem e, neste dia, dormimos cedo. 04/01/19 Saimos cedo para conhecermos a cidade. Fomos ao Museu Regional de Magallanes e no Museu Marítimo. Passeios interessantes para quem curte museus...mas o que eu gostei, mesmo, foi da orla. Dava pra ver vários pássaros, cenários interessantes,belos monumentos, praças…Fomos ao mirante da cidade onde tivemos uma linda vida de Punta Arenas. A cidade é graciosa mas em um dia, conseguimos conhecer absolutamente tudo de interessante que existe por lá. Vale a pena conhecer apenas se você não tiver outra coisa pra você. Se eu voltasse pra lá, agora, não me hospedaria em Punta Arenas. Achei muito caro pra pouca coisa, apesar da graciosidade do lugar. 05/01/19 Partimos para Puerto Natales logo cedo, Confesso que minha ansiedade estava a mil pois era exatamente lá perto que estava o motivo da minha ida à Patagônia: o Parque Nacional Torres del Paine. Ficamos hospedados no Hostel El Sendero. Lugar super simples, bacana, acolhedor e o Juan, responsável pelo lugar é super querido. Lá mesmo fechamos o full day a Torres del Paine no dia seguinte. Saímos para conhecer a cidade, trocar $ e almoçar. Lá tem uma pizzaria chamada Pizzaria de Napoli e eles servem a melhor pizza que comi na vida! Bem pertinho dela, tem um pequeno comércio que troca reais por pesos. Cotação 1500 pesos por real. Cotação ruim mas em toda a cidade estava este valor. Achamos a cidadezinha pequena, gelada e bem acolhedora. Fomos conhecer a orla e quase fomos carregados pelo vento patagônico. Estava frio...frio...extremamente frio...mas valeu a pena o passeio e as fotos que tiramos. Depois fomos ao mercado comprar as coisas para fazer nossos lanches para levarmos ao passeio do dia seguinte. 06/01/19 Full day ao Parque Nacional Torres del Paine. Gente, nada do que eu havia visto em fotos e vídeos me prepararam para a beleza absurda deste lugar! As montanhas, as lagoas, o céu azul, as nuvens em formatos diferentes, os guanacos, lebres, emas...Que maravilha é aquilo! Confesso que quase chorei ao ver tudo aquilo. Eu havia sonhado muito em estar ali e a realidade era ainda melhor...muito melhor. Quando fomos até o lago Grey, começou a chover e fizemos o trajeto embaixo de uma chuva bem gelada, mas valeu muito o passeio. Antes de voltarmos a Puerto Natales, fomos conhecer a Cueva do Milodon. A caverna é bacana mas o que mais gostei de lá foi o cenário do lado de fora. Simplesmente lindo! Tirei tantas fotos...mas tantas! rs. Dizem que o full day ao Parque Torres del Paine não vale à pena mas vale sim e muito. Principalmente, para quem quer levar crianças ou idosos ao Parque. É seguro e não é cansativo. Muito bom para quem não tem experiência em acampamentos e longos trekkings. 07/01/19 Eu e meu filho pegamos um ônibus na rodoviária e partimos para Torres del Paine novamente. Desta vez, faríamos o ataque ás Torres. Dica: no dia anterior, ao pagarmos a entrada do parque (cerca de R$ 120,00 reais, carimbamos o bilhete da entrada e o usamos para entrar no parque no dia seguinte sem pagar. Se você carimbar a entrada, parece que você tem mais dois dias pra voltar lá sem pagar uma nova entrada). Chegamos a portaria laguna Amarga, onde um outro ônibus nos levou para o começo da trilha, próximo ao Hotel Las Torres. Começamos o trajeto encantados com a vista e com os caminhos. Depois, quando começou a subida rumo ao Vale do Ascêncio, descobrimos que a subida era “a subida”. Rs. Eu parei muito no caminho e bebia muita água. Nunca deixem suas garrafas vazias. Creiam: vocês vão precisar. Achei o trajeto lindo até o Camping Chileno. Aliás, o local do camping é encantador. Me arrependi imensamente não ter reservado um pernoite lá. Aconselho imensamente que passem uma noite lá pra que a ida ás Torres não se torne uma doce tortura, como foi pra mim. O caminho é lindo, repleto de bosques, riachos...Um sonho...Mas eu já estava extremamente cansada e sofrendo com dores nas pernas durante o trajeto. Quando chegamos na famosa e temida subida às Torres, ao olhar para cima e ver pessoas lááá em cima como se fossem formiguinhas, ao ver o quanto faltava a té chegar às Torres, me desesperei e pensei em desistir, aí meu filho disse: “Vc sonhou tanto com isso e vai desistir taõ perto? Vamos que você consegue!” - Gente...subi. Consegui chegar lá e chorei de alegria por ter conseguido e por ver tamanha beleza. Ao chegar à base das Torres, valeu a pena as dores nas pernas, o caminho difícil, íngreme e perigoso.O lugar é simplesmente sensacional! Como tínhamos que pegar o ônibus às 19h perto do Hotel para irmos até a entrada da laguna Amarga e pegarmos o ônibus de volta a Puerto Natales e como eu levei 5h10 para chegar na base das Torres, ficamos lá por uns 15min e começamos a volta. Gente...não pensem que a descida é mais fácil que a subida. Pra descer é bem mais complicado, muitas vezes eu sentava nas pedras para conseguir descer. Minhas pernas já não se aguentavam e demoramos muito a voltar. Ao conseguimos chegar perto do Hotel Las Torres, só haviamos eu, meu filho, e um casal que havia subido a montanha com sua filhinha de 5 anos nas costas. Éramos os últimos a chegar lá e o ônibus que levava á portaria já havia partido. Estávamos mais de meia hora atrasados. Resumo da ópera: pagamos uma van do hotel par anos levar até a portaria da Laguna Amarga onde, graças a Deus, todos os ônibus estavam atrasados. Ufa! Conseguimos pegar nosso ônibus e voltarmos para Puerto Natales. Minhas pernas doíam infinitamente mas a sensação de superação por ter conseguido chegar lá e por ter presenciado tamanha beleza, fazia com que minha dor diminuísse e um misto de orgulho e sensação de sonho realizado tomou conta de mim. Que dia, meus amigos! Que dia! Jamais vou esquecer. Juro!!! 08/01/2019 Pegamos o ônibus logo cedo rumo a El Calafate. Passamos pela fronteira e ficamos cerca de uma hora numa fila que não andava, para darmos entrada na Argentina. Essas fronteiras são bem cansativas, principalmente em alta temporada quando a quantidade de turistas é grande. Chegamos lá perto da hora do almoço e compramos a passagem para o mesmo dia, às 18h, rumo a El Chalten. Fomos até uma casa de câmbio em El Calafate trocar pesos, almoçamos e fizemos hora até embarcarmos rumo á nossa próxima aventura. Chegamos em El Chalten por volta das 20h e fomos direto para nossa pousada Nunataks, que fica bem ao lado do início da Senda do Fitz Roy. Ôh pousadinha gostosa! As meninas super receptivas e atenciosas. Fizeram com que nos sentíssemos em casa! Recomendo demais este lugar e, com certeza, voltando pra El Chalten, me hospedarei lá novamente. Como ainda estávamos muito cansados da noite anterior, dormimos cedo. 09/01/2019 O dia amanheceu lindo, com céu azul apesar do vento gelado. Saímos para os Miradores Los Condores e Las Águilas, que ficam próximos a entrada da cidade e que não são trekkings tão puxados assim. Qualquer um pode fazer e vale a pena. As paisagens são de sonho e o lindo e mágico Fitz Roy pode ser visto em quase todo o trajeto. Se o Parque Torres del paine me deixou encantada, o Fitz Roy me fascinou. Já na estrada rumo a El Chalten, quando começamos a enxergar as montanhas, é de arrepiar! É tanta beleza, tanta grandiosidade que não dá pra explicar. Já a cidadezinha de El Chalten, é um encanto. Minúscula, linda e hospitaleira, com certeza, é um lugar onde eu queria viver. Ah, lá não pega 3g de jeito nenhum! Portanto, pegue um hostel ou hotel com wi-fi para poder postar as fotos incríveis que, com certeza , vocês vão querer compartilhar nas redes sociais. Ah, comer em El Chalten é bem carinho, viu?! Mas descobrimos um lugar, perto de nossa pousada com uma comida ótima e preço justo: o Rancho Grande. Foi lá que comemos o melhor chorizo da nossa viagem. 10/01/2019 O dia que escolhemos para fazer o trekking ao Fitz Roy amanheceu nublado, com um vento extremamente gelado e forte. Conforme havíamos nos informado, decidimos pegar um táxi até a Hosteria el Pilar para começarmos nossa caminhada. Creiam: vale muito a pena pagar um táxi ou van para iniciar o trekking ali. Você evita uma subida extremamente íngreme de dois kms, que é a forma de se chegar ao Fotz Roy pela cidade. Começamos nosso trajeto sozinhos. Demoramos muito a começar a encontrar com mochileiros que vinham no caminho contrário. Quando chegamos ao Mirador Piedras Blancas, ficamos encantados com o cenário. Parecia um quadro pintado à mão. Decidimos fazer o trajeto pelo mirador e voltar pela Laguna Capri. Andamos uns 8km até chegarmos no camping Poincinot. O Treking é puxado mas nada comparado a Torres del Paine. No camping só tem um banheiro e daqueles com um buraco no chão. Pensa no malabarismo para poder fazer um pipi ali. rs. Só por Deus! Haviam alguma ṕessoas ali que, como nós, queriam subir no Fitz Roy mas, devido ao mau tempo, chuva e um vento extremamente fortes, pessoas experientes que ali estavam alertavam do perigo de subir na Laguna de Los Três. Com dor no coração, decidimos não subir e partimos com a certeza de que voltaremos lá em breve para concluirmos nossa aventura. Mas o passeio valeu muito a pena. Cada cenário!!! Sempre com o Fitz Roy ali, majestoso, abençoando nossa caminhada. Ô coisa linda que são essas montanhas, meu povo!!!Voltamos á El Chalten pela Laguna Capri. Gente...a volta foi puxada, viu?! Foram mais oito kms até a cidade e a gordinha aqui sofreu. A descida até a cidade é longa e cansativa, apesar da linda vista do Rio de Las Vueltas. Vocês se lembram daquele vento forte que decidiu aparecer este dia? Pois é. Ele chegou a nos empurrar na descida. Definitivamente, este negócio de vento patagônico é bem perigoso. Não o subestime. Durante a descida, vi muitas pessoas subindo aqueles dois kms que eu falei no início do post deste dia. Muitas dessas pessoas com enormes mochilas nas costas. Decididamente, não sei como conseguiam. Achei uma loucura e extremamente puxado. Como disse, e repito: iniciem seu trekkling pela Hosteria El Pilar. Vocês vão agradecer. 11/01/2019 Dia de partirmos para El Calafate. Confesso que parti com uma baita dor no coração! Me apaixonei por El Chalten num grau que vocês não tem idéia. Queria ter ficado ali por muito mais tempo. De preferência, a vida toda. rs. Ah, um dia antes de ir para El Calafate, recebi um e-mail do Hostel Bla Guesthouse porque, segundo eles, havia tido um vazamento e precisavam consertá-lo, não sendo possível ficarmos hospedados lá. Pensem numa pessoa que ficou brava, pois tive que entrar no Booking,Com e resercar outro lugar aos 47min do segundo tempo. Obviamente não tinham mais hospedagens boas e baratas disponíveis e reservei estadia no Hotel Upsala. Ótima localização, café da manhã justo mas um hotel extremamente antiquado. Não que eu ligue para luxo mas não foi um lugar que me senti bem. Tinha banheira, chuveiro bacana (que só esquentava quando queria) e cama e cobertas bem antigas. Parecia que estávamos numa casa de fazenda bem antiga. Os muitos corredores me faziam sentir no filme O Iluminado do Stephan King. Apesar disso, os senhores que nos atenderam foram extremamente gentis. Saíamos para conhecer El Calafate e fecharmos nosso mini-trekking na Hielo y Aventura para o dia seguinte. Doce ilusão. Até o dia 14 não tinham mais vagas para o mini-trekking, ou seja: sempre reservem seus passeios antes de ir, principalmente, se vocês forem ficar poucos dias em El Calafate. Fomos à empresa de Turismo Criollo (a mesma com as quais fizemos nosso passeio em Ushuaia) e fechamos a navegação e passeio no Perito Moreno. O passeio ficou uns R$ 240 para nós dois. 12/01/19 Dia de Perito Moreno! A paisagem pelo caminho já é um espetáculo a parte. Quando a própria geleira, que grandiosidade! Que coisa linda!!! Impossível definir em palavras a beleza que nós vimos ali. O parque é lindo, aquelas passarelas intermináveis nos levam a diversos cenários para fotos divinas! Vale muito a pena conhecer o Parque Los Glaciares! A navegação de cerca de uma hora nos leva mais próximos às paredes de gelo, onde vez ou outra se desprendiam blocos que caiam no lago e faziam um barulho imenso. Era um oh pra cá...um oh pra lá...Todos encantados com a visão de algo tão incrível. Apenas vão! Vale á pena conhecer um dos maiores e mais belos glaciares do mundo! 13/01/19 a 18/01/19 Dia de darmos adeus a nossa aventura patagônica e partir para 5 dias em Buenos Aires, onde, além de descansarmos, conheceríamos lugares que não havíamos conhecido em nossa última viagem para lá. Ficamos em Buenos Aires de 13/01 a 18/01 de 2019, quando voltamos para Guarulhos e terminamos a viagem mais incrível de nossas vidas. Jamais esquecerei a magia da Patagônia, a beleza sem igual daquele lugar e toda minha superação em andar 16...18 km por dia, subindo e descendo montanhas, dando fim ao meu sedentarismo de longos anos. Voltei pra casa 4kg mais magra e com uma sensação maravilhosa de sonhos realizados. A única dor no peito, é a saudade que já sinto daquele lugar. Não deixem de conhecer a Patagônia. É um passeio caro, é, mas com jeitinho, uma boa pesquisa e força de vontade, vocês também podem sentir a alegria que senti em fazer esta viagem tão incrível! Desculpem o longo depoimento mas sempre li vários depoimentos super bacanas neste site e foram eles que me inspiraram e me deram dicas super úteis para que esta minha viagem fosse perfeita.
  2. 7 pontos
    Salve Salve Mochileiros! Segue o relato do mochilão batizado de The Spice Boys and the Girl pelo Sudeste da Ásia. 1º Dia: Partida - 04/11/18 - 19h05min - São Paulo x Madrid - Empresa AirChina - R$3.680,00 Partimos do Aeroporto de Guarulhos - GRU em São Paulo por volta das 19:30 do dia 04 de Novembro de 2018, fizemos um check-in tranquilo com a empresa AirChina e embarcamos para nossas primeiras 9 horas de vôo até Madrid na Espanha onde fizemos conexão. O vôo foi bem tranquilo, até conseguimos dormir, porém a comida do avião não é das melhores mas acabei comendo assim mesmo e já começava ali a sentir o cheiro e o gosto da Ásia hahahahah. Chegamos em Madrid na Espanha por volta das 5:00am e fizemos uma conexão de 3 horas, deu tempo de dar uma volta no Free Shop, banheiro, comer alguma coisa (caríssima), fazer os procedimentos burocráticos e embarcar novamente pois teríamos a China ainda pela frente. 2º Dia: Partida - 04/11/18 - 8h15min - Madrid x Pequim - Empresa AirChina Chegamos em Pequim ainda de madrugada com uma temperatura de 7º, quem se deu bem foi quem ficou com as cobertinhas que a empresa AirChina empresta para as pessoas no avião, pois não esperávamos passar tanto frio no aeroporto da China como passamos naquela conexão rss. Assim que descemos do avião caminhamos um longo caminho até os terminais eletrônicos onde se inicia os procedimentos burocráticos de conexão da China. Finalizamos depois de alguns minutos os procedimentos e dormimos um pouco em bancos do aeroporto sendo acordados e presenteados por um lindo nascer do sol no Aeroporto de Beijing. Procedimentos concluídos no Aeroporto de Beijing partimos para o nosso tão desejado e esperado destino final daquela cansativa viagem de aproximadamente 23 horas, a capital da Tailândia, a grandiosa Banguecoque. 3º Dia: Chegada - 06/11/18 - 15h15min - Pequim x Banguecoque - Tailândia (Taxi 1.000baht, Chip 600baht, Hostel 340baht) Chegamos por volta das 15:00 pelo horário local, fizemos os procedimentos de imigração, primeiro o health control depois na fila de imigração, carimbamos nossos passaportes, pegamos nossas mochilas e pronto, lá estávamos livres para explorar Banguecoque. Trocamos $100,00 dólares no aeroporto com um câmbio de $1,00 dólar = 31,60 baht, depois compramos um chip para o telefone por 600 baht com 6 Gigas por um período de 30 dias e chamamos um Graab, como se fosse o Uber no Brasil, onde pegamos na parte superior do Aeroporto Internacional Suvarnabhumi por 400 baht em torno de R$40,00 reais que nos levou em 30 minutos até o nosso hostel, o The Mixx Hostel. Ficamos hospedados na rua Ram Buttri que fica do lado da rua mais famosa de Banguecoque, a Kaoh San Road onde rola a grande noite da cidade, uma ótima opção para mochileiros. Muita comida típica e exótica boa e barata, cervejas baratas, diversos bares, baladas, artistas de rua, drogas, sexo e tudo que uma bela noite de Banguecoque pode te oferecer pra se divertir. Vale a pena conferir! Na hospedagem pagamos por dois dias 340 baht, ficamos em um quarto com quatro camas/beliche, ar condicionado, banheiro compartilhado e café da manhã incluso, o hostel é simples mas atende as necessidades com uma ótima localização. Conhecemos alguns templos na capital, alguns fomos a pé mesmo pois são muito próximos um do outro. Wat Pho (Buda reclinado), Wat Saket (Monte dourado) e Wat Arun (Templo do amanhecer). A cidade é bem frenética mas andar a pé pelas suas ruas foi uma bela escolha. caminhamos muito por essas ruas, muito das vezes sem um rumo certo, mas logo nos achávamos pelo google maps. A cada esquina que se vira na Tailândia você vê uma foto do rei. Embora o já tenha falecido, o povo Thai tem muito respeito pelo rei Bhumibol Adulyadej que morreu em Outubro de 2016 com 88 anos de idade após 70 anos no poder que hoje tem como rei o seu filho Maha Vajiralongkorn. A culinária asiática é muito exótica, a cada comida que você experimenta é uma surpresa de sabores. Experimentei o famoso prato típico de rua tailandesa Pad Thai, uma espécie de macarrão de arroz frito com frutos do mar ou carne de porco ou de frango, acompanhado de castanhas com pimenta que custa em média 100 Baths e se encontra em todo lugar da Tailândia, experimentei também o Thai Mango Sticky Rice, uma sobremesa tradicional tailandesa feita de arroz glutinoso, manga fresca e leite de coco, ambos baratos e deliciosos, mas existem uma infinidades de comidas para serem saboreadas na Tailândia. Ficamos 3 dias na capital Banguecoque e além de conhecer templos tentamos entrar na rotina das pessoas locais. No terceiro dia para chegar em um templo tivemos que pegar um transporte público BTS Skytrain no rio Chao Phraya. Passamos por alguns pontos e depois retornamos até chegar no templo Wat Arun. As passagens são muito baratas, pagamos por volta de 80 Baths tanto ida quanto volta, então vale muito mais a pena o tour por conta e ainda tivemos uma vista maravilhosa totalmente diferente da cidade vista pelo rio. Ficamos no templo Wat Arun até fechar por volta das 19:00pm, depois fomos de barco pelo rio Chao Phraya até o porto que da acesso ao grande mercado Asiatique, um maravilhoso complexo de lojas e restaurantes, um verdadeiro shopping ao céu aberto localizado às margens do rio Chao Phraya situado nas antigas docas de uma empresa que realizava comércio na região portuária no século passado. Em função da sua localização e história, seu layout é temático e apresenta uma decoração especial com tema inspirado no reinado do Rei Chulalongkorn (1868-1910) e na atividade marítima. Ficamos umas boas horas comendo, bebendo e curtindo o local, depois pegamos um táxi por 200 Baht para o hostel pois no outro dia logo de manhã tínhamos o nosso vôo para as belas praias da Tailândia. Assim que chegamos no hostel deixamos reservado nosso táxi para o aeroporto Don Mueang - DMK por 400 baht pois sairíamos bem cedo para o aeroporto. Acordamos por volta das 5:00am da manhã e o táxi já estava nos esperando na porta do hostel no horário combinado, após 30 minutos chegamos no aeroporto. Partiu praias... 6º Dia: Praia - 09/11/18 - 7h25min - Banguecoque x Krabi x Ao Nang - Empresa Air Asia - R$148,00 (((((Continua no próximo post)))))
  3. 7 pontos
    Parte 7 - Frustrações na estrada e a beleza de Puerto Madryn "A viagem não começa quando se percorrem distâncias, mas quando se atravessam as nossas fronteiras interiores. A viagem acontece quando acordamos fora do corpo, longe do último lugar onde podemos ter casa." O Outro Pé da Sereia, Mia Couto Fomos para a saída do posto da YPF em Tres Arroyos na Ruta 3. Ficamos com o dedão erguido por pouco mais de uma hora. Até que escutamos alguém gritando, olhamos para trás e tinha um carro parado, uma moça quase saindo pela janela fazia sinal para irmos com eles. Pegamos nossas coisas e saímos correndo rapidamente com medo que o carro partisse sem nós. Entramos no carro e conhecemos o German e a Micaela, pai e filha. O Matheus logo se ofereceu para preparar o mate. Olhei do lado e ele tinha derrubado um monte de erva no carro, era a primeira vez que preparava mate numa carona. Depois que a cuia passeou por todos nós e recebemos a aprovação do mate, a conversa começou. Foto 7.1 - Mochilas em Tres Arroyos Os dois estavam indo pra Bahia Blanca, a Micaela tinha acabado de se formar em bioquímica e estava indo buscar seu diploma. Mal começou a conversa e a pergunta já veio "Brasil, como puede eligir Bolsonaro?". Demos risada, afinal todo mundo perguntava isso. A conversa prosseguiu e descobrimos que o German é educador físico. Ele faz todo tipo de esportes e é torcedor do River Plate. O assunto girou em torno de futebol por um tempo. A Mica é torcedora do San Lorenzo. Depois falamos o que fazíamos da vida e explicamos a nossa viagem, German ficou bastante curioso com a inteligência artificial. A Micaela nos contou sobre a sua viagem caronando pela Patagônia antes de entrar na faculdade. Falaram dos planos de conhecer o Brasil, em especifico Balneário Camboriú (Balneário faz muito sucesso na Argentina). German gosta de subir montanhas e no final de ano ia subir um vulcão perto da divisa com o Chile. Foto 7.2 - German, Matheus, Micaela e Eu O German sempre buzinava quando passava na frente de uma mini estátua cercada de aparatos e bandeiras vermelhas na estrada. Como a curiosidade é grande perguntei o porquê daquilo. Ele contou que a estátua se referia ao Gauchito Gil, esse gaúcho é tipo um santo protetor (ou companheiro) de quem está dirigindo na estrada. A adoração é visível, em todos os lugares a beira pista tem esses santuários e todos os motoristas buzinam ao ver a imagem de Gauchito Gil na estrada. Foto 7.3 - Gauchito Gil (Foto tirada em Rio Gallegos, coloquei aqui só pra ilustrar) Depois de quase três horas de viagem e de boas conversas, chegamos em Bahia Blanca. A Micaela desceu do carro para ir em busca do seu diploma. Só deu tempo de falar tchau. Nós seguimos com o German que foi mais avante na cidade para facilitar nossa vida. Demos um abraço bem forte no German e o Matheus presenteou-o com duas fitinhas do Senhor do Bonfim. Nos despedimos do German e seguimos caminhando até a Ruta 3 novamente. Caminhamos por mais de uma hora para chegar numa bifurcação que diziam que era o melhor caminho para pedir carona. Era um ótimo lugar, pois tem um posto da Axion gigante e tinha centenas de caminhões parados ali. Tinha certeza que seria fácil prosseguir dali. A ideia era seguir adiante, não importava qual cidade iríamos ser deixados, desde que fosse caminho para o sul. Assim, fomos primeiro conversar com os caminhoneiros parados. Recebemos um monte de não. Uns diziam que o caminhão era rastreado. Outros diziam que iam no sentido contrário, mas minutos depois seguiam rumo ao sul. As conversas só renderam com os caminhoneiros que realmente seguiriam sentido Buenos Aires. Fizemos amizade com um caminhoneiro que a mulher dele é brasileira. Depois fomos para a pista, havia umas três pessoas que também tentavam seguir pro sul. Ficamos um pouco ali, mas como fizemos fila a nossa chance era pequena. Voltamos para o posto e tentamos a abordagem direta novamente. O curioso que tinha um caminhoneiro maratonista no posto, ele saiu do caminhão de shortinho e tênis de corrida e ficava correndo em círculos no posto. Não entendi bem porque ele andava em círculos, ele poderia seguir pela pista e depois voltar, mas ele rodava como dentro de um autorama. Era engraçada essa cena. Continuamos com as abordagens e não obtivemos sucesso. Logo começou uma chuva bem forte, o que nos forçou a continuar por ali dentro do posto. A chuva prosseguiu por toda a tarde. Já era quase noite e resolvemos desistir das caronas e prosseguir de ônibus. Nesse ponto é importante fazer algumas reflexões. Eu acredito muito em energia, dessas que você sente ao estar do lado de uma pessoa. Quando fomos para a pista pedir carona, tinha um cara lá pedindo carona também. Conversei um pouco com ele e senti que ele transmitia uma energia muito ruim. Não quis ficar perto dele e por isso abortamos pedir carona na pista, pois ele meio que seguia a gente. Quando a chuva veio com força ele se abrigou dentro do posto também, mais uma vez conversei com ele e dessa vez me senti pior ainda ao lado dele. O Matheus disse que sentiu o mesmo. Não gosto de fazer diferença com ninguém, mas aquele cara me passava algo muito ruim. Eu e o Matheus tínhamos combinado que dormiríamos ali mesmo no posto naquele dia. Tinha um monte de caroneiro ali, ninguém conseguiu sucesso naquela tarde e já estava pra escurecer. Assim, as chances de prosseguir com carona eram mínimas. Não quis dormir no mesmo lugar que aquele cara e decidimos ir para rodoviária e seguir de ônibus noturno para Puerto Madryn. O pouco de dinheiro que tínhamos nos tornou conservadores naquele momento. Esse nosso conservadorismo fez ficarmos frustados no caminho até a rodoviária. Talvez tenha sido a maior frustração da viagem, pois sabíamos que dali uma hora a carona ia surgir. Era questão de tempo apenas. Mas nessa hora resolvemos deixar a racionalidade de lado e ouvir o coração. Coração que dizia pra sairmos correndo dali. Chegamos na rodoviária e tivemos sorte, pois compramos a passagem para Puerto Madryn com outro super desconto. Depois fui no mercado comprar uns pães para comermos de janta. Voltei e sentamos para comer num lugar isolado da rodoviária. Uns cachorros gigantes vieram conosco. Dava uma dó comer em volta dos pidões. Cada mordida que eu dava eles avançavam um pouco mais em minha direção. Pareciam esfomeados. Então, joguei pão para eles, mas se mostraram frescos por não ter quase recheio e não comeram (risos). Foto 7.4 - Dois dos famintos Foto 7.5 - Moço dá um pedaço O ônibus chegou já era quase uma hora da manhã. Subimos no ônibus e segundos depois de me sentar na poltrona já estava dormindo. Acordei era noite ainda. Olhei o céu pela janela e o céu estava estrelado demais. Que maravilha. Paramos em Viedma para mais passageiros entrar. Agora oficialmente estávamos na Patagônia. A viagem prosseguiu. Depois de passarmos por Las Grutas o dia já se anunciava. O busão acelerava e agora só ia no sentido sul. Pela janela via guanacos correndo pela paisagem. Eram muitos guanacos. No meio da manhã o ônibus estacionou na rodoviária de Puerto Madryn. Enfim, pisei com meus próprios pés na tão esperada Patagônia. Foto 7.6 - A Ruta 3 pela janela frontal do ônibus A Argentina é um país dividido em vinte e três províncias (semelhante aos estados brasileiros) e mais a cidade autônoma de Buenos Aires. Cinco dessas províncias estão localizadas na Patagônia e são elas: Rio Negro, Néuquen, Chubut, Santa Cruz, Tierra del Fuego. O território patagônico corresponde a metade do território argentino. Quando passamos por Viedma e Las Grutas cortávamos a província de Rio Negro, ao cruzar para Puerto Madryn ingressamos na província de Chubut. A Patagônia tem esse nome por causa do Fernão de Magalhães. Como se sabe Fernão de Magalhães foi o homem que planejou circum-navegar o globo terrestre. Essa viagem foi a primeira circum-navegação da história da humanidade. Porém, Fernão morreu antes de terminar essa façanha, faleceu nas Filipinas. Entretanto, foi o primeiro homem a navegar pela Patagônia e posteriormente pelo Estreito de Magalhães. Quando atracou na Patagônia (ainda não tinha esse nome a região) pela primeira vez, avistou os ameríndios da região e pensou que fossem gigantes (pois a média européia naquela época era de 155 cm e os ameríndios da patagônia mediam mais de 180 cm). Ao escrever essa experiência para a coroa espanhola, descreveu aqueles seres como patagão, ou seja, aqueles que tem pés grandes. E assim, foi que a região foi batizada como Patagônia, a terra dos gigantes ou a terra do pé grande. A rodoviária de Puerto Madryn é muito bonita e organizada. Estava um calor do cão. Ficamos sentados um pouco nos bancos, planejando os próximos passos. Precisávamos de internet e o wifi da rodoviária estava fora do ar. Caminhamos até o shopping. Antes caminhamos pela orla da cidade. Que mar maravilhoso, uma das colorações mais bonitas que já vi. Chegamos no shopping e conseguimos acessar a internet e mandar mensagem para o Carlos avisando que havíamos chegado. O Carlos estava pelo centro e falou que já passava pra nos buscar. Cinco minutos depois ele parou com o carro na frente do shopping. Entramos no carro e logo começamos a conversar. Ele nos levou para o mirante da cidade, bem bonito por sinal. Depois nos levou para a casa dele. Ele teria que trabalhar pela tarde. Foto 7.7 - O mirante Foto 7.8 - As bandeiras Encontramos o Carlos pelo couchsurfing, fazia alguns dias que estávamos em contato com ele. Não sabíamos o dia exato que iriamos chegar, mas por sermos brasileiros ele sempre foi muito solicito. Não tínhamos 3g no celular, então depois que saímos de Claromecó não conseguimos mais falar com o Carlos. Ele sabia que podíamos chegar a qualquer momento. Nisso ele hospedou uma francesa sob a condição se nós chegássemos ela teria que procurar outro lugar pra ficar. Só fui saber disso depois. A francesa partiu para um hostel e nós chegamos. Ao menos ela ficou na casa do Carlos por alguns dias. Carlos é professor de inglês do ensino público. Ele é um cara que já morou em tudo que é lugar da Argentina, desde do extremo sul da argentina (Ushuaia) até o norte, na realidade ele é do norte argentino. Ele é o cara mais apaixonado pelo Brasil que já conheci. Os programas televisivos que assiste são brasileiros, as músicas que ouve são brasileiras, as comidas que mais gosta são do Brasil. Ele fala muito bem português e o motivo principal de ter nos aceitado em sua casa era pra treinar o seu português. Pela tarde fomos caminhar pela orla. Levamos nossa térmica e ficamos boa parte da tarde mateando a beira mar. Depois fomos até o cais, onde os cruzeiros atracam. Tava rolando um protesto com algum desses navios, mas eu não entendi o porquê do protesto, queria ter compreendido aquela situação. Depois fomos até o Museu Oceanográfico. O museu é todo organizadinho e cheio de boas informações da rica fauna marítima de Puerto Madryn. A cidade é o principal ponto de estudo da baleia franca no mundo, pois nessa região é onde ocorre o acasalamento desses mamíferos, em consequência disso a baleia franca é o grande símbolo da região. Uma coisa que me chamou atenção nesse museu é que dizia que o aumento de lixo, aumentou o número de gaivotas cocineras por ali e com o aumento dessas gaivotas começou a diminuir o número de baleias francas. Fiquei uns minutos tentando adivinhar o porquê disso. Não achava uma relação entre gaivotas e baleias. Desisti de encontrar as resposta por mim mesmo e li a explicação. O motivo era que as gaivotas atacavam as baleias causando ferimentos que infeccionam e levam essas baleias ao óbito. Nunca iria imaginar isso. Diziam que quando era poucas as gaivotas elas bicavam as baleias mortas somente, para retirar algum nutriente, mas com o excesso da população de gaivotas elas começaram a atacar as vivas também. Achei bizarra essa situação, nem na minha imaginação fértil iria supor que uma população de gaivotas colocaria em risco a sobrevivência das baleais franca na Terra. Foto 7.9 - O lado B de Puerto Madryn Foto 7.10 - A orla de Puerto Madryn Foto 7.11 - Eu e o mar Foto 7.12 - A visão do cais Depois fomos olhar os preços dos rolês mais famosos de Puerto Madryn. Tudo caro demais. Acho que o lugar mais caro da Patagônia. Os dois passeios mais famosos são Península Valdés e Punta Tombo. Peninsula Valdés é uma reserva ambiental onde a fauna é riquíssima e concentra todo os tipos de animais da região, além de ser o principal ponto de observação das baleias francas. Punta Tombo é um local que abriga uma gigantesca colônia de Pinguins de Magalhães, onde vivem mais de um milhão de pinguins em determinada época. Por agências não havia chance de nós conhecermos nenhum dos dois lugares. O interessante de Puerto Madryn é que tem bandeiras do País de Gales por todo o canto da cidade. A cidade foi colonizada e fundada por galeses, assim como as cidades vizinhas Trelew e Rawson. Voltamos para a casa do Carlos já era noite. Carlos apresentou sua playlist de música só com músicas brasileiras. Tocou desde É o Tchan até IZA. Ele prefere as músicas mais animadas. Ivete Sangalo quase sempre aparecia na lista. Enquanto a música rolava, eu e o Matheus começamos a preparar a lentilha para a janta. Carlos ficava meio tímido em falar português, mesmo sabendo a palavra que usar ele nos perguntava antes para ver se tava certo. Sempre tava certo. Ele conhece gírias que nem eu conheço. A lentilha ficou pronta. Carlos comeu conosco e elogiou bastante a comida. E tava muito boa mesmo. Comemos muito nessa noite. Depois falamos com o Carlos sobre os altos preços das agências. Ele nos aconselhou a tentar a sorte por carona. Decidimos ir até a entrada da Península Valdés no dia seguinte e ficar ali esperando uma carona. A península é gigantesca e só tem como fazer de carro, pois de um ponto para outro tem mais de cem quilômetros. Para chegar na Península Valdés é necessário ir até Puerto Pyramides uma cidadela distante cem quilômetros de Puerto Madryn. Ainda era noite quando caminhamos rumo a rodoviária. Seis horas da manhã e já estávamos partindo para Puerto Pyramides. Dormi boa parte do trajeto. Uma hora o guarda me acordou para eu pagar o valor da entrada, por estar adentrando numa reserva ambiental. Seguimos até o ponto final em Puerto Pyramides. Caminhamos até a orla e água tinha uma cor lindíssima. Conseguia ser mais bonita que de Puerto Madryn. Depois ficamos sabendo que teríamos que voltar muitos quilômetros para a bifurcação que leva na Península Valdés. Caminhamos de volta. O sol estava muito quente. Não havia nuvens no céu. Continuamos a caminhada. Erguíamos o dedão da esperança pra quem passava de carro. Depois de caminhar por mais de meia hora a Luciana parou seu carro. Ela achava que estávamos indo para Puerto Madryn, explicamos que queria irmos pra entrada da península. Ela é muito simpática. Depois de alguns minutos nos deixou na bifurcação. Despedimos-nos da Luciana e fomos tentar a sorte ali, na esperança que alguém se solidarizasse conosco e assim, teríamos a oportunidade de conhecer a Península Valdés. Foto 7.13 - O início do dia em Puerto Pyramides Foto 7.14 - Caminhando no sentido contrário de Puerto Pyramides Ficamos postados na frente da placa que indica o início da península. O calor estava insuportável, mas o vento estava muito forte. Assim, não dava para tirar o corta vento. Os carros que passavam por ali eram poucos. Alguns carros até paravam para conversar, mas nada de sucesso. O misto de calor e vento tava infernal. Para amenizar a espera, ficávamos imaginando qual seria o carro que pararia para nós. Eu tinha certeza que seria um carro vermelho. Todo carro vermelho que passava eu ia com mais gana pedir carona, mas nada. Com o tempo aquela famosa frase "O não você já tem, só falta a humilhação" fez valer. Tentávamos de todas as formas (nem todas, risos) chamar a atenção dos motoristas para conseguir uma carona. Foto 7.15 - A cara da derrota O passeio na península é demorado, precisa de no mínimo umas seis horas. Já era quase meio dia e o fluxo de carros ali já não existia mais. Decidimos ir pra orla Puerto Pyramides e aproveitar o resto do dia na praia. Quando estávamos saindo avistamos um motorhome vindo em nossa direção. Tentamos uma última vez. Para nossa surpresa eles pararam. Antes de falarmos algo, o motorista perguntou se queríamos seguir com eles. Não me contive de felicidade naquele momento. Agora pela primeira vez viajaria em um motorhome. Foto 7.16 - A serenidade no olhar de quem viajaria de motorhome pela primeira vez O casal dono do motorhome é o Facu e a Cynthia. Facu é argentino e a Cynthia alemã, se conheceram em Santigado do Chile enquanto a Cynthia tirava seu tempo sabático e viajava o mundo, e Facu trabalhava por lá. Depois disso ela voltou algumas vezes para Argentina para rever o Facu. Quando o dinheiro acabou foi a vez do Facu ir pra Alemanha ver a Cynthia. Depois disso nunca mais se separaram. Eles já viveram em diversos países por quase todos os continentes. A forma deles viajar é trabalhar por um tempo, ajuntar dinheiro e depois viver outro tempo viajando. Agora estavam iniciando uma viagem de motorhome (recém comprado) que sairiam da Patagônia e terminaria na Península de Yucatán, no México. Tem um terceiro integrante nessa casa ambulante, é o Chihuahua Seymour. Eu e o Matheus estávamos animados de estar ali. Facu e Cynthia são gente boa demais. O Facu estava dirigindo bem devagarinho, pois era a primeira vez que o motorhome era posto num terreno daquele. Assim, fomos devagarinho e conversando. O cenário em volta pouco mudava. Vegetação rasteira por todos os lados. De vez em quando avistávamos alguns guanacos no caminho. Quando isso acontecia a Cynthia ficava toda animada. Depois paramos, pois o Facu queria testar seu drone. Acho que não pode drone ali, mas mesmo assim o Facu ergueu voo. Foto 7.17 - Facu e Cynthia Foto 7.18 - O caminho Foto 7.19 - O olhar, do gente boa, do Seymour Foto 7.20 - Eu fazendo amizade com o Seymour e a Cynthia Foto 7.21 - Facu levantando voo Foto 7.22 - A foto aérea Foto 7.23 - Matheus e o motorhome Foto 7.24 - Hahahaha Foto 7.25 - Viagem que segue A viagem continuou. Lembro de uma cena bacana demais. Estávamos todos quietos e a Cynthia começou gritar para o Facu parar. No primeiro momento achei que tinha acontecido algo, mas logo que saímos a Cyhthia apontou para um montão de aves (parecido com avestruz) correndo. Subimos em cima do motorhome para ver melhor. Aquele momento me lembrou aquele cena de Jurassic Park que os dinossauros correm pelo parque. Foi demais aquilo. Foto 7.26 - Facu, Eu, Matheus e Cynthia (Eu e o Matheus parecemos dois cachorrinhos, horrível a foto) Depois de mais de uma hora de viagem chegamos a Punta Delgada. A entrada fica do lado de um restaurante. Quando começamos caminhar com o Seymour, veio uns guardas falar que não era permitido cachorros. Foi uma choradeira até permitirem a entrada do Seymour na condição que ele sempre estaria no colo de alguém. Fomos até o mirante. Aquele mar é magnífico. Hoje olho para as fotos daquele lugar e de forma alguma as imagens conseguem descrever a beleza que tenho guardada nos olhos. Colocando o óculos de sol do Facu o cenário ficava mais encantador ainda, tudo ficava fluorescente. Foto 7.27 - O caminho Foto 7.28 - Punta Delgada Depois seguimos viagem. No interior do motorhome não tinha ventilação e toda areia que entrava no carro ficava alojada por ali, então viajávamos num poeirão. Vimos mais um monte de guanacos pelo caminho. Pouco tempo depois chegamos na Punta Cantor. Saímos para conhecer o lugar. Fiquei junto com o Seymour e ficamos bem amigos, algo que surpreendeu a Cynthia, pois ele era bem grudado com ela. Não tivemos sorte em relação as baleias, não conseguimos ver nenhuma. Por dezembro elas seguem para a Antártida e começam a voltar para Puerto Madryn entre junho e julho. Foto 7.29 - Punta Cantor Continuamos a viagem e uns cinco minutos depois chegamos em uma Pinguinera. A Cynthia estava maluca para ver pela primeira vez os pinguins, na verdade acho que todos nós estávamos. Conseguimos chegar bem pertinho deles, era possível ver eles dentro das tocas. O jeito de caminhar do Pinguim de Magalhães é bem engraçado e ver aquilo ao vivo é demais. Lembro que um pinguim chegou pertinho de um grupo de turistas e todos os turistas ficaram se derretendo por ele, o pinguim se agachou, virou a bunda pra cima e deu um cagão que mais parecia um tiro. Dei muita risada. A sensação de estar ali naquela natureza intocada, vendo a vida selvagem em seu esplendor é de encher os olhos. Eu era só risos e sorrisos ali. Foto 7.30 - A Pinguinera Foto 7.31 - Pinguins ao fundo e a natureza do lugar Foto 7.32 - Outra visão do lugar Foto 7.33 - O pinguim Foto 7.34 - A chegada do pinguim Foto 7.35 - Matheus na Pinguinera Foto 7.36 - A pose do pinguim Ficamos por ali perto e comemos. Tava quente demais, a sorte que eles tinham muita água gelada, pois a nossa água já tinha acabado fazia um tempo. Esse dia estava lindo, não havia nem sinal de nuvens no céu. Eu procurava nuvens e não encontrava, dos céus mais bonitos que já vi na vida. Descansamos um pouco e antes de partimos de volta para Puerto Pyramides tiramos a foto oficial do grupo. Foto 7.37 - Seymour, o motorista Foto 7.38 - Eu, Seymour, Facu, Cynthia e Matheus A volta foi tranquila. Facu nos disse que só costuma dar carona para pessoas que não têm cara de maluco, mas que no nosso caso abriu uma exceção (risos). Chegamos em Puerto Pyramides e era hora de se despedir desse trio que nos proporcionou um dia fora de série. Já nos referíamos um ao outro como irmão ou hermano. E foi com um "Gracias, hermano!" que abri os braços para dar um forte abraço no Facu. Ele ainda disse "Viajero ayuda viajero, siempre!". Depois fui dar o forte abraço na Cynthia. Por fim, fui me despedir do meu parceirinho Seymour. Facu e Cynthia iriam ajeitar suas coisas, pois partiriam no outro dia cedo para Esquel e depois Bariloche. Nós seguimos para aproveitar um pouco da praia de Puerto Pyramides. Foto 7.39 - Puerto Pyramides Foto 7.40 - A praia Foto 7.41 - O mar Foto 7.42 - Puerto Pyramides de frente Foto 7.43 - Belezura de lugar Voltamos para Puerto Madryn e os efeitos do sol já era visível em nossas peles. Não havíamos passado protetor solar. O Matheus estava rosa. Descobri que a exposição solar na Patagônia é muito mais danosa do que em outros lugares. A Patagônia está localizada sob um grande buraco na camada de ozônio. Assim, quase não existe proteção natural contra raios ultra violetas. Os índices de pessoas com câncer de pele na Patagônia Argentina é muito maior do que nas outras partes do país. Nesse dia nunca vou me esquecer do presente que o Carlos me deu. Pela noite queria sair até a orla para fugir da iluminação e assim conseguir ver as estrelas na Patagônia. Carlos olhou meio cético dessa minha ideia. Ele tinha planejado sair com uns amigos nessa noite. Por diversas vezes ele disse que levaria nós de carro até a praia, não queria que ele mudasse seus planos pra seguir uma ideia boba minha. Enfim, acabamos cedendo e entramos no carro do Carlos. Visitamos toda a orla de Puerto Madryn e para minha surpresa a orla é mais iluminada que o interior da cidade, ai entendi o ceticismo do Carlos. Foi bem legal ver a orla e observar que toda a cidade vai para lá nas noites de calor. Já era onze horas da noite e tinha centenas de rodas de mate por toda praia, famílias inteiras reunidas, crianças brincando, muita conversa e risadas por todos os cantos. Foi bonito de se ver aquilo. A população aproveitando a cidade. No carro o som que nos acompanhava era do Queen. Depois o Carlos seguiu pela rodovia, cada vez mais o escuro ficava mais escuro. Tocava Radio Ga Ga e aumentamos o som no máximo. Não fazia ideia para onde estávamos indo, mas a energia do momento estava boa demais. Mais alguns minutos cortando o escuro de carro e o Carlos parou o carro no meio do nada. Não entendi direito o porquê daquilo. Ai ele me disse para sair. Quando sai nada entendi, não via nada. Até que eu olhei pro céu. Tinha até me esquecido das estrelas. Que belezura de cena. O céu tava tão tão povoado. O Carlos ainda teve a sensibilidade de desligar o som do carro. Fiquei por alguns minutos ali de cabeça pra cima olhando o céu estrelado. Tão bonito tudo aquilo. Dei um abraço no Carlos como forma de agradecimento e voltamos pro carro. O Queen voltou a tocar no rádio e o volume foi no máximo. Agora enquanto avançávamos na pista as luzes de Puerto Madryn ficavam mais intensas. Voltamos pra casa. Carlos se arrumou e ainda deu tempo de encontrar seus amigos. Fui dormir felizão. Na manhã seguinte o Carlos comprou faturas para comermos de café da amanhã. Faturas são como os nossos pães doces, mas com uma variedade maior e vem tudo misturado os sabores. Fizemos café que havíamos trazido do Brasil para complementar o desayuno. Ele nos contou que quando morava num apartamento a beira mar ali em Puerto Madryn, na estação das baleias era possível escutar o esguichar das baleias por toda a noite. Deve ser demais vivenciar aquilo. O dia estava muito quente e decidimos passar a tarde na praia. Fomos pro mercado comprar umas cervejas, gelo e uns salgadinhos. Seguimos para uma praia fora da cidade, a preferida do Carlos. Chegamos e tive uma surpresa em ver que a praia toda era de pedras e pra completar tinha um navio naufragado na nossa frente. Primeira vez que estava num lugar como aquele. Foto 7.44 - Eu, Matheus e o Carlos (nunca imaginei que tiraria uma foto no supermercado rsrs) Foto 7.45 - O caminho da praia Foto 7.46 - O caminho da praia [2] Colocamos nossas cadeiras de praia no lugar. Havia muita gente. O legal é que cada pessoa se protegia de um jeito. Muitas pessoas levavam barracas pra se proteger do sol e do vento. Outros ficavam dentro das cabines das caminhonetes. O sol castigava, devia estar uns quarenta graus. Nunca imaginei que estaria sentado numa cadeira de praia num sol tipico brasileiro no meio da Patagônia. Ai fui pro mar, molhei os pés e congelei. Desisti da ideia do mar e voltei a sentar. Pouco tempo depois o Matheus foi pra água, com mais coragem ele mergulhou naquele mar glacial. Meio segundo depois ele se levantou e saiu correndo do mar. Não parava de tremer. Dizia que doía até os ossos. Eu só dava risada com aquela cena e me senti o espertão em abortar o mergulho. Foto 7.47 - A chegada na praia Foto 7.48 - A praia e o náufrago Foto 7.49 - Nós e a praia Horas depois chegou uma família amiga do Carlos. Um casal com três crianças. Eles trouxeram uma bebida bem boa, era tipo uma ice de limão e vodka muito comum na Argentina, mas não me recordo o nome. Com gelo ficava melhor ainda. Ficamos ali trocando ideia por muito tempo e a temperatura cada vez ficava mais quente. De repente o tempo mudou completamente. Uma tempestade de areia começou. O vento era forte demais. Juntamos nossas coisas e nos protegemos no carro. A tempestade durou uma hora mais ou menos. Naquela hora fiquei feliz que aquela praia era de pedras, pois nas praias de areia no centro de Puerto Madryn aquela tempestade deve ter sido terrível. Seguimos de volta. Paramos no topo de um morro onde avistamos toda a praia por ângulo diferente. Chegamos na casa do Carlos e ficamos de bobeira pelo resto da noite. Foto 7.50 - Matheus e a praia de pedras Foto 7.51 - A praia Conversamos com o Facu uns dias depois e descobrimos que eles estavam na estrada no momento daquela tempestade. O motorhome saiu da pista. Eles ficaram bem assustados com a situação e decidiram que aquele carro não estava preparado para os ventos da patagônia. Abortaram a ida para Esquel e Bariloche, estavam retornando para Buenos Aires. De lá começariam a subida para o México. Fiquei triste em saber disso. Facu e a Cynthia estavam animados com a Patagônia e deve ter sido difícil para eles tomarem essa decisão. Porém, a viagem tem que continuar. Era uma segunda-feira, acordamos e comemos o resto das faturas. Fizemos as plaquinhas de papelão para os nossos próximos destinos. Tomamos mate e café. Terminamos de arrumar as mochilas. Carlos nos deu uma carona até o posto YPF na saída de Puerto Madryn. Demos um abraço forte no Carlos e mais uma vez eramos nós e a estrada. Recordar este trecho da viagem é muito bom para mim. Tanta coisa aconteceu nesse intervalo de poucos dias. Primeiro tivemos a oportunidade de conhecer e viajar com o German e a Mica. Quanta gratidão por isso. Em seguida, assumimos os riscos (mesmo que imaginários) e não bancamos os cabeçudos, deixamos a viagem flexível e mais uma vez mudamos os planos. Adentrar a Patagônia para mim era pagar uma dívida com o passado. Muitas vezes tinha planejado e me imaginado ali, mas agora realmente pude colocar os meus pés na terra dos ventos. E que bom que foi nesse momento. Conhecer o Carlos e seu coração gigantesco foi demais. Não tenho palavras para agradecer tudo o que ele fez por nós e por ter sido nossa companhia em nossos dias em Puerto Madryn. Depois no 45 minutos do segundo tempo na Península Valdés apareceu o trio Cynthia, Facu e Seymour. Tento não ser repetitivo, mas quanta gratidão por tudo isso. Pela primeira vez (sei que digo isso toda hora!) me desconectei de todo o passado recente e fui só presente. Presente no presente. Esses dias foi um presente do presente. Na pista novamente eu compreendi o que estava escancarado desde o início, as pessoas que estavam surgindo no caminho eram as melhores de cada lugar. E tinha que ser assim, quebrando a cara num momento para ser presenteado com o melhor depois. German, Mica, Carlos, Cynthia e Facu muito obrigado por tudo, um beijo na alma de cada um de vocês. Para o pequeno Seymour desejo uma vida cheia de carinho em forma de cafunés.
  4. 6 pontos
    Oi pessoal, em janeiro, eu, Bruno, minha namorada, Karine, e um casal de grandes amigos, Matheus e Sara, fizemos um mochilão pela Bolívia,Peru e Chile, durou 22 dias e fizemos varias cidades. Nos apresentando : Esse mais da direito sou eu, Bruno, do meu lado a Karine, Sara e Matheus respectivamente, somos estudantes e moramos no Acre, na cidade de Rio Branco. Agora nosso trajeto : Como somos do Acre, ficou fácil pra gente sair ou pela Bolivia ou pelo Peru, mas como moramos muito perto dos destinos principais, para não repetir cidades escolhemos pegar um voo de Cobija, na fronteira Brasil-Bolivia até o Uyuni, que foi onde começou nossa viagem. No final das contas, se você nao quiser ver o mapa no link que deixei, o que fizemos foi o seguinte : Cobija > Uyuni por vôo Uyuni > Atacama de van, direto do fim do passeio do Uyuni Atacama > Calama > Iquique de ônibus ( Calama como conexão) Iquique > Arica de ônibus Arica > Tacna > Arequipa de ônibus (Tacna como conexão) Arequipa > Puno de ônibus Puno > Cusco de onibus Cusco > Puerto maldonado de ônibus Puerto maldonado até a fronteira de van Fronteira pra Rio Branco em táxi lotação Esse mapa tá disponível no Google My Maps se vocês quiserem utiliza-lo, podem copia-lo e editar de forma conveniente, ta ai o link : https://drive.google.com/open?id=1FCoC3J21DVm5miZ0E23D5eIupodRbs0z&usp=sharing Começando no aeroporto de Cobija, chegamos lá num dia anterior, um amigo nosso mora na fronteira e deixou a gente ficar na casa dele, no dia seguinte pegamos um táxi e fomos pro aeroporto cedo, porque estávamos com medo de ter algo de errado com a passagem que foi comprada em um site muito suspeito da companhia BOA, mas no final tudo correu bem e o voo foi de boas, pode comprar lá no site que da certo kkk Apresentados e trajeto traçado, aqui vão os gastos médios da viagem , por uma infelicidade eu acabei perdendo meu celular logo no inicio da viagem e não anotei os meus gastos especificamente, mas nenhum de nós 4 gastou mais de 3500 reais durante todo o passeio. ( não inclui a passagem que foi 750 reais ) . ESSES VALORES SÃO POR PESSOA !! COBIJA (Dia 06 e 07 ) Hotel: 0 Comida ( refeições e lanches ) : 45 bol Passeios: 0 Transporte: 15 reais Câmbio : 750 reais = 1320 bol (1 REAL PARA 1.75 BOL ) Cambiamos esses 750 reais e foi só isso que gastamos cada um na Bolivia até sairmos dela, ainda sobrou um pouco. UYUNI (07,08,09,10) HOTEL : 62 bol ( apenas para o dia de chegada do voo) COMIDA: 20 bol ( somente besteiras e agua pois o passeio do uyuni ja inclui comida) PASSEIOS : 870 bol ( 3 DIAS E 2 NOITES, ENTRADAS DE PARQUES ,BANHEIRO E TUDO MAIS) TRANSPORTE: 85 bol ( taxis e onibus para san pedro) SAN PEDRO DO ATACAMA (10,11,12,13) HOTEL: 51.000 PESOS ( 4 DIARIAS) PASSEIOS: 48.000 PESOS ( ENTRADAS E PASSEIOS) COMIDA: 15.000 TRANSPORTE: 12.300 PESOS ( ÔNIBUS PARA IQUIQUE) CÂMBIO TOTAL NO CHILE : CERCA DE 1100 REAIS > 200.200 PESOS ( CAMBIO DE 1 REAL PRA 180 PESOS ) IQUIQUE ( 13,14,15) HOTEL : 75 reais ( valor em real porque foi reservado no airbnb e pago no cartão) PASSEIOS: 2.500 pesos ( somente um passeio de barco pelo porto ) TRANSPORTE: 11.600 pesos ( táxis e onibus pra Arica) COMIDA: 11.800 ( o chile é cara pra carai...) ARICA (15,16,17) HOTEL: 90 REAIS ( também reservado pelo airbnb) PASSEIOS: 0 TRANSPORTE: 9.000 pesos (onibus tacna e arequipa e taxis) COMIDA : 10.000. AREQUIPA ( 17,18,19,20) HOTEL: 55 soles PASSEIOS: 80 soles ( CITY TOUR, MONASTÉRIO E ENTRADAS DOS PONTOS DO CITY TOUR) TRANSPORTE: 25 soles (táxis e onibus para Puno) COMIDA : 110 soles CÂMBIO : 2400 soles ( MAS SOBRARAM CERCA DE 1100 PRA CADA UM ) PUNO ( 20,21,22) HOTEL: 17 soles ( uma diaria) PASSEIOS: 110 soles ( passeio no titicaca com dormida inclusa e "gorgetas" obrigatorias pros nativos) COMIDA: 65 soles TRANSPORTE: 40 soles ( taxis e onibus pra cusco ) CUSCO ( 23,24,25,26) HOTEL : 86 soles PASSEIOS: 195 soles ( VALE SAGRADO, MARAS E MORAY, HUMANTAY, BOLETO TURISTICO E ENTRADAS ) COMIDA: 95 soles TRANSPORTE: 35 soles ( onibus para puerto e taxis ) (27) PUERTO MALDONADO TRANSPORTE : 25 SOLES VAN PARA INAPARI COMIDA : 5 SOLES CAFÉ DA MANHÃ (27) INAPARI TRANSPORTE: 110 REAIS TAXI ATÉ RIO BRANCO. COMIDA : 20 REAIS ALMOÇO ( CHURRASCO, FINALMENTE !!!). MOCHILA A gente pediu de lugares diferentes, a ka pediu uma 45l da treebo e eu uma de 50l da quechua Não tenho certeza se é a melhor opção para compra, uma vez que moramos em Rio Branco, não tínhamos muitas opções a não ser pedir da internet. a Ka comprou a dela na Netshoes eu na Decathlon e os meninos nas Americanas, seguem os links ( 29/01/2018) Bruno: https://www.decathlon.com.br/mochila-de-trekking-forclaz-50-litros-quechua/p [ 300 reais ] Karine: https://www.netshoes.com.br/mochila-treebo-caravelas-45l-azul-N03-0042-042 [ 200 reais ] Matheus e Sara: https://www.americanas.com.br/produto/22387454/mochila-camping-cargueira-60-litros-denlex?DCSext.recom=RR_search_page.rr1-SolrSearchToView&nm_origem=rec_search_page.rr1-SolrSearchToView&nm_ranking_rec=3&pfm_carac=produtos relacionados à sua busca&pfm_index=2&pfm_page=search&pfm_pos=search_page.rr1&pfm_type=vit_recommendation [ 090 reais ] Todas resistiram tranquilamente sem quebrar nada, as mochilas de ataque foram as que usamos pra faculdade mesmo ! O que levamos : Vou exemplificar comigo e a ka, que aí fica um exemplo pra homem e outro pra mulher. Ka : 3 camisas de manga longa (lã) 5 camisas de manga curta 2 regatas 1 camisa térmica 1 calça térmica 2 leggings 1 calça 1 toalha 1 gorros 1 par de luvas 1 boné 4 cachecóis 1 havaiana 1 rasteira 8 meias 3 biquinis 12 calcinhas 2 shorts 1 babyliss 3 óculos (um de grau) 2 cintos 1 desodorante 1 shampoo a seco 1 perfume 1 frasco de shampoo 2 de condicionador 1 leite de rosas pequeno 1 pacote de lenços umedecidos 1 protetor solar 1 repelente Maquiagem Brincos/ Colar Bruno : 3 blusas de manga longa 10 camisas de manga curta 3 regatas 1 camisa térmica 1 calça térmica 2 calças jeans 1 toalha 1 gorro 1 boné 1 havaiana 8 meias 1 sunga 12 cuecas 2 shorts 1 óculos 1 canivete 1 Go pro 1 desodorante 1 perfume 2 casacos impermeáveis corta vento. Na minha mochila também foi a minha farmacinha que era da ká também, levamos tudo quanto é remédio que podiamos precisar. Se tiverem em casa, levem cadeados, sabiamos que era necessário mas esquecemos de comprar, tivemos que comprar na viagem. Agora que ja falei do que todo mundo procura saber, vou deixar os gastos específicos da Sara anexados nesse link aqui , aqui você pode ver o quão bem ou mal nós comemos, eu particularmente poderia dizer que comemos o que queríamos, claro que tudo no seu limite, se queria um cachorro quente ou um ceviche, comíamos, mas buscávamos o mais barato, tudo era assim , com passeios, hotel comida e transporte. PRIMEIRO DIA COBIJA Chegamos logo pela tarde na fronteira e fomos logo atrás de um restaurante, comemos em um dos melhores de cobija que fica bem perto da praça principal, chama Las Palmas e cada prato saiu por cerca de 30 bolivianos e tem de tudo. Almoçados, fomos para casa do nosso amigo Vitinho que fica do lado Brasileiro da fronteira e ficamos até o dia seguinte, tomamos um táxi e fomos pro aeroporto as 09, o voo era as 11, comemos algumas besteiras e partiu. Nois no aero de Cobija, voo com conexão de 4 horas em La Paz. LA PAZ E O VOO Chegamos em La Paz em um voo curto e tranquilo, tremia um pouco mas ninguém morreu, o avião da BOA era meio barulhento e tinha um aspecto velho, mas voou como qualquer outro. O aeroporto de La Paz é bem grande e tem tudo que você precisa caso vá ficar muito tempo lá, é meio caro pra comprar besteira, mas tem comida barata e uma vista legal . O voo que pegamos era daqueles do tamanho de um jatinho com 20 cadeiras e pra nós que não temos o costume de viajar nesse tipo de avião, foi bem assustador kkkk. UYUNI Chegamos no Uyuni pela noite, o aeroporto é bem pequeno mas ainda é maior que o de Cobija, o voo foi tranquilo, até tremeu menos do que o pra La Paz, pegamos um taxi ( QUE EU ESQUECI MEU LINDO CELULARZINHO ) até o hotel que havíamos reservado pelo booking, um dos poucos que fizemos com antecedência pois era em dia que poderíamos prever nossa chegada. O nome do Hostel é Chostel B&B, não vimos muitas pessoas lá, mas a recepcionista era OK, o quarto estava limpinho, banheiros com agua quente, e café da manhã bom, o preço também ajudava muito. O café é o de sempre, ja sabem né : Decidimos ir amanhã bem cedinho procurar o tour, ja que tínhamos informação que saiam do Uyuni por volta das 10 am , então não nos preocupamos muito em esquentar cabeça logo no dia que chegássemos. Eu e o Matheus saímos umas 07:30 do hotel no dia seguinte e fomos em uma direção aleatória em busca de agencias, são dezenas delas no mesmo lugar com diferenças minimas de preço, fechamos com uma agência que não anotei o nome mas que você pode ficar tranquilo, a grande maioria conta com o mesmo tipo de carro, guia caladão, uns almoços que os próprios guias preparam, fotos em perspectiva com seus dinossauros e valores que cabem no teu bolso, encontramos algumas pessoas ao longo da viagem e sempre falavam sobre os guias do Uyuni, e diziam que geralmente as paisagens eram autoexplicativas, porque o guia não explicava muita coisa kkkk Fechamos o passeio de 3 dias e 2 noites que saiu por cerca de 350 reais para cada pessoa, com tudo incluso, 2 dormidas, almoço, café, janta, turismo e tudo mais. Nossa van ia com 7 pessoas ( com o guia) e por incrivel que pareça, as 2 pessoas alheias ao nosso grupo eram dois Acrianos, supeeer gente boas, pai e filha, o Alex e a Lu, que aparecem nas fotos do Salar com a gente. No primeiro dia fomos ao cemitério de trens e ao salar propriamente dito, é gente pra caral*o, centenas dessas camionetes enfileiradas que você acha que não vai saber mais qual o seu. o visual é esplendor. A gente ficava constantemente buscando lugares sem pessoas pra poder tirar nossas fotinhas, por isso as fotos com a gente nao mostra o cemiterio completo, se não só ia aparecer pessoas kkkk. Antes de irmos para o Salar, paramos numa feirinha onde podemos fazer umas comprinhas de artesanato e essas coisas, almoçamos por alí perto, em um restaurante que so foi usado pra servir a comida que o Diego, nosso guia, preparou pra gente, Diego cozinhava até bem galera. Depois de almoçarmos em cerca de uma hora um frangão com arroz e legumes, partiu Salar. Apesar de termos ido em uma época em que o Salar estava ALAGADO, e era possível ver o espelho dagua, não pegamos chuva em nenhum momento que estavamos lá . O Diego sempre fazia as recomendações das poses e tal kkkkkk. Eu tirei minha bota pra testar a "quentura" da agua e tava gelada que só. Ah, aconselho pra quem vai pro Salar nessa época, levar na mochila de ataque uma havaiana, como nem todos nós temos grana pra uma botona impermeavel de 1000 reais, o salar alagado pede um chinelão e quem sabe até um short pra nao molhar a barra da calça. Todas as agencias fazem o mesmo trajeto, no mesmo espaço de tempo, infelizmente eu achei que, no primeiro dia, poderíamos sair mais tarde, apesar de os lugares visitados no primeiro dia serem coisa de outro mundo, você dificilmente ficará 4 horas no mesmo lugar tirando fotos, ficamos muito tempo parados no salar a espera do por do sol, neste primeiro dia, após o por do sol, voltamos pra cidade do Uyuni e dormimos em um hostel que a agencia oferece, o nosso tinha quarto privativo pro casal, banheiro compartilhado com água quente e bem limpinho, adoramos ! Por do sol no salar. Dormimos e as 6:00 levantamos. Um menininho a cerca de 8 da manhã aparece no hotel e pede pra que a gente siga ele para o desayuno. Umas 4 quadras dalí era uma padaria, tomamos café lá, o Diego havia reservado pra gente. Tinha o basico de sempre, pão, geleia,manteiga,chá e essas coisas. Tomado o café voltamos ao hotel, pegamos nossa mochila e partiu laguna colorada. Na paisagem da janela, um visual mais " Atacama " já é visto, deixando pra trás a do salar. Paramos em um vilarejo no caminho para almoçarmos, teve um bife a milanesa, arroz, salada e até uma coca cola. Nesse vilarejo tinha um mercadinho com umas moças que vendiam suas plantinhas e umas bebidas. Ganhamos umas Pacenãs do Alex Depois do almoço, mais 2 ou 3 horas de viagem até a laguna e com uma vista que UAU ! umas 3 ou 4 paradas se não me engano, primeiro em um rochedo e depois em 3 lagunas, uma mais bonita que a outra. No caminho o Diego foi passar em uma possa gigante de agua e a placa do carro dele caiu, eu e o Matheus fomos procurar kkkkk. Passado o grande e belíssimo caminho até a laguna e encontrada a placa do Diego , finalmente chegamos, precisamos apresentar documento de identificação e pagar a entrada, passamos cerca de 40 minutos por lá até irmos pro hotel bem pertinho também. Chegamos no hotel rapidinho depois de ter tirado algumas fotos na laguna, nessa minha segunda foto lá atrás, como nao tinhamos camera profissional, nao saiu muito nitido, mas esses vários pontinhos na água são flamingos, não são as melhores fotos que tiramos, mas como disse, perdi meu celular e não tenho todas as fotos do grupo comigo, todas tenho que pegar com a Ka O hotel é um grande corredor, com alguns quartos , um banheiro compartilhado unisex, uma cozinha lá atras e uma salinha de jantar que pertence ao corredor, lá tivemos pra janta uma deliciosa macarronada que o mestre Diego preparou pra gente, a Sara e a Ka comeram pelo resto do mochilão. Ainda sobre o hotel, lá tem água quente, você paga 5 bols pra poder tomar, fica um velinho alí do lado do box controlando o aquecimento que é feito a gás, voce entra no box tira suas roupinhas e grita LISTO SEÑOOOOOOOOOOOOOR dai ele grita QUE DICEEEEEEEEEEEEES ? LISTOOOOOOOOOOOOOOOO Dai ele abre o chuveiro e você pode ficar quanto tempo quiser, depois você grita pra ele de novo pra poder fechar o chuveiro pra você. Não só de dia, mas durante a noite é bem louco de frio, leve roupas leves e quentes pra dormir confortável. Saímos durante a noite com 30 agasalhos pra conferirmos o céu, é lindo. Depois de jantar, tomar um vinho que os guias levam pra gente, dormimos e levantamos as 4 da manhã, ainda escuro, pra irmos em direção aos 5k de altitude, visitar os gêisers. Para os gêiseres levamos cerca de 2 horas, a paisagem é linda e extrema. Só desceu eu e a Sara, a Karine e o Matheus estavam mal demais pra descer. Depois dos gêiseres partimos pra uma especie de clube, o Alex gravou um video pra mim, o mochileiro fajuto que nao entrou na agua kkkkk Saindo do clube, nos despedimos do Alex e da Lu e fomos para o Chile, o Diego simplesmente seguiu deserto a dentro como numa viagem normal que fizemos no salar e do nada chegamos na barreira com a bolivia, lá a gente ja tinha os tickets, apenas demos saída, os meninos apresentaram o papelzinho lá de saida e partiu, ressaltando a importância de guardarem os papeizinhos de entrada !!! e pra sair da Bolivia se paga uns 10 bols, acho que é ilegal, mas ou paga ou vaza kkk. Até o Atacama de van leva umas 2 horas, se vocês nao ficarem presos na alfandega que nem a gente umas 3 hs. Tinha uma fila enorme de vans e como o Chile tem uma politica de controle de pragas bem rigorosa, todos da van tem que ter suas mochilas revistadas Portanto nao leve nada de origem vegetal ou animal não processada da Bolivia pro Chile. você corre o risco de ser multado caso pegue um agente chatinho ou acabe declarando algo errado no papelzinho que vão te entregar. Chegamos no ATACAMA Ca estamos, o onibus nos deixou a cerca de 6 quadras do grande centro do Atacama, que nada mais é que um grande labirinto de agencias, restaurantes e umas quitandas que vendem maçãs a preço de caviar. Sem internet, hotel, com fome e sede resolvemos ir em busca de um restaurante com WI-FI para tentarmos reservar um hostel bom e barato sem andar muito. Convertemos o dinheiro depois de pesquisar umas duas ou tres casas de cambio e partimos em busca da comida com wifi. Depois de procurarmos por horas, algo barato e que nos parecia gostoso e com o plus do wifi, optamos por um restaurante que ficou lembrado como o Trucho e a grande desilusão de ter pedido uma grande coxa de frango mal assada na esperança de que fosse uma truta deliciosa por 3.000 pesos. Nossa cara de felizão, mal sabiamos que seria a pior comida de toda a viagem, sentimos muito pelo dinheiro. Eu não lembro o nome do restaurante, ele parecia servir boas comidas, apesar de termos errado no pedido. O Booking só tinha opções caras e até o momento nao tinhamos o Airbnb como uma opção valida para reservas. Comemos com certo desgosto e desilusão vosso frango e seguimos na busca de um hostel. Depois de cerca de 2 horas novamente procurando por algo Encontramos um hostel, o preço nao era o ideal, mas foi o mais barato e bem localizado que encontramos disponivel no dia. Claro que teria mais barato e com certeza vocês podem encontrar, mas ficamos felizes com a escolha, o hostel era muito agradavel e oferecia uma estrutura top. Eu infelizmente nao tenho vocabulario de seja lá qual lingua essa seja para escrever ou pronunciar o nome desse Hostel, mas era algo muito perto de Corvatsch, la na sala de tv tinham alguns recortes de jornais que falavam algo sobre suiça e chile, então acredito que seja de suiços ou algo assim. Cerveja na area de lazer do hostel. Assim que chegamos no hostel, organizamos nossas coisas e partimos pra fechar logo os passeios. Pesquisamos em umas 20 agencias, literalmente, e todas ofereciam preços muitíssimo semelhantes, eu nao falei no uyuni, mas lembrei de falar aqui que NÃO VALE A PENA RESERVAR NENHUM PASSEIO PELA INTERNET ANTECIPADAMENTE, OS PREÇOS SÃO ABSURDAMENTE MAIS CAROS. Resolvemos fechar com a segunda mais barata, era com uma portuguesa e ela nos passou bastante confiança. A empresa chamava Adventure e ficava lá na rua Caracoles, lá tem muita agencia de BR, uma das que mais ouvi recomendações foi a Flamingo, apesar de não ter fechado com ela. Fechamos três passeios, Vale de la Luna, Lagunas Escondidas e Lagunas altiplanicas, os preços eu ja citei la em cima Ficou assim, lagunas, vale e altiplanicas a ordem, e só de citar isso aí ja bate a dor no coração de descobrir que nos fomos os responsaveis por essa escolha de ordem e acabamos inconscientemente fazendo uma escolha ruim. As lagunas altiplanicas são o maior ponto turistico do atacama e optamos por fazer ela por ultimo mas só pelo fato de que " precisariamos de tempo pra secar nossas roupas de banho" e o vale de la luna nao teríamos que nos molhar kkkkk. Acontece que como as lagunas altiplanicas ficaram pro final de semana, o parque lotou e a gente simplesmente foi impedido pela agencia, a qual foi impedida pelo parque, de visitar o local. Resumindo, a gente só descobriu isso no dia, quando chegamos na agencia, a qual tambem tinha acabado de descobrir também e um dos nossos principais destinos do mochilão foi resumido em 2 passeios A gente nao quis fazer geisers nem a Cejar porque eram paisagens muito parecidas ao Uyuni e não queriamos gastar nossa graninha pra ver coisas muito repetitivas, apesar de depois ter ouvido de brasileiros que mesmo tendo feito o Uyuni disseram que Cejar vale muuuito a pena. Bom, façam suas apostas ! Para as lagunas escondidas, saimos de tarde, não demora muito acho que uma hora ou uma hora e meia até lá, paga-se uma entrada e você pode escolher entre a primeira ou a ultima lagoa, das sete para se banhar, as outras lagunas nao estao abertas ao banho, vale muito a pena porque você boia, devido a grande quantidade de sal, o visual também é lindo e unico. Matheus, que fez questão de apontar onde estava a verdadeira beleza da foto kkkkkk A gente toma um banho lá na ultima ( mas eu recomendo que você tome na primeira, apesar do contra de que voce terá que percorrer as 6 lagunas todo cheio de sal, a primeira nem se compara a ultima, que é funda, não é cristalina e vai ta cheiaa de gente) Eu até mostraria pra vocês o quão vale mais a pena a primeira com um video, mas as meninas ficariam bravas comigo porque elas tão bem descontraídas se divertindo na agua que não afunda. Depois a gente vai pra um banheiro compartilhado com ducha de agua doce pra tirar o sal não molhem o rosto na laguna galera !!! E seguimos, paramos por um tempo em meio ao nada, onde tem um onibus abandonado no deserto, tiramos algumas fotos e seguimos para ver o por do sol em um mirante que se nao me engano se chama pedra do coiote ou algo muito perto. Lá rola umas azeitoninhas, pisco souer, um salaminho e um visual foda pra carai. Também tem uma galera que vende umas empanadas la, eu comprei uma de uns menininhos e tava uma delicia. Voltamos cerca de 8 horas pro hostel. É meio dificil lembrar tudo com exatidão, mas acho que foi nessa noite que saímos pra comprar uma pizza carissima mas que meu deus do ceu valeu muito a pena. No dia seguinte, o passeio também é de tarde. Leva um tempinho pra chegar no valle a estrada é em sua maioria de asfalto até entrar no valle, depois é de chão, mas é de boa, melhor que das lagunas. Passamos primeiro numa especie de guarita com conveniência e tudo para pagar os ingressos e seguimos, no caminho você ve uma galera que faz isso de bike, eu nao sei como faz pra fazer, mas que dá, dá, tinha muita gente fazendo desse jeito. Lá a gente chega em um ponto e o guia deixa a gente andar, tem tipo umas trilhas que são moldadas com pedrinhas fazendo o caminho, a gente sobe, depois desce alguns morros de areia e depois vamos até uma caverna conhecer, é interessante que as pedras tem tipo uns cristais que são feitos de sal. o Valle de la luna é isso : Areia, pedra e deserto, mas é a melhor passeio que se pode ter pra quem quer ver o deserto em si, foi muito legal, adoramos a caverna e uma especie de ruína de cidade que tinha em um determinado ponto do passeio. Eu adorei, no caso, ja a Sara e a Karine adoravam qualquer pedra grande que tinha no caminho que dava pra subir em cima e tirar uma foto kkkk. Eu não sou muito de tirar foto, quase sempre tirei para registro, mas pessoas que gostam de foto conseguem excelentes cliques, esse lugar é unico. Fiz um pequeno video pra mostrar como é mais ou menos o passeio durante a caminhada livre : Eu também tenho umas fotos na caverna, mas não vou postar para preservar o Matheus com a identidade heterossexual que ele tenta passar kakakakakka. O terceiro dia ia ser as lagunas, mas infelizmente aconteceu o que aconteceu, simplesmente pegamos nossa grana de volta e ficamos atoa no hotel, esse dia foi o daquela foto minha tomando uma na área pra acalmar a dor de não fazer o melhor passeio. No dia seguinte fomos pela manhã para a rodoviária, com os tickets ja em mãos que o Matheus foi em um determinado dia qualquer até lá comprar e partir para Iquique, cidade a qual decidimos comprar todas as passagens para a próxima cidade já na chegada, então ao chegar já compramos a passagem pra Arica. IQUIQUE Chegando de onibus, tomamos um taxi direto pro hostel, antes compramos as passagens pra Arica, ja que ja sabiamos quantos dias ficariamos. Em Iquique nos reservamos um Hostel que parecia uma coisa de terror, kkkkkk, apesar de termos nos dado super bem com o pessoal de lá, e termos depois sentido como em casa, o hotel a primeira vista era bem assustador, ele tinha o teto muito alto, as paredes tinham um pouco de mofo na parte alta e a decoração era cheia de coisas infantis a moda antiga, tipo umas bonecas de pano e uns "apanhadores de sonho" se é que se chamam assim mesmo. Foi bem barato e o Hostel se chamava Hostal BVC, ficava bem pertinho da praia, o preço foi absurdo de bom e as pessoas atenciosíssimas, inclusive a dona de lá lavou nossas roupas por um total de 0 reais. Iquique nao foi uma cidade de muitos passeios, e além do mais ficamos pouco tempo, dedicamos os dias para andar pela cidade, curtir uma praia, comer algo gostoso e conhecer um pouco da cultura. No dia em que chegamos tava tendo como se fosse um desfile, semelhante a um carnaval menos colorido kkkk, o festival tinha como ponto marcante a união dos paises andinos e ele lotou a orla de pessoas e varias banquinhas que vendiam churros e uma bebida que chamam de mote, apesar de eu nao ter gostado muito, você deve provar, é uma bebida feita de suco de pêssego e tem uns grãos de milho no fundo que você pode comer, é até bom mas bastante enjoativo. Iquique foi a cidade que definitivamente a gente mais andou, mas foi muito bom, a cidade é muito agradável, tem muita coisa pra fazer e a praia é top. O único passeio que fizemos em Iquique foi um que fica disponível lá pelo porto, é um passeio a barco que da uma volta por entre os navios que estão no porto e por umas pedras com uns lobinhos marinhos, alí do lado você pode comer ceviche fresquinho a nada mais nada menos que 1500 pesos ( lá na parte de baixo, não vão na de cima pq é pra rico e é caro) Potinho de ceviche por 1500 Passeio de barco pelo porto ( dura cerca de 1 hora e se você enjoa facil não aconselho) Orla de Iquique, super agradavel Em frente a orla tem vários desses cactos gigantes e umas fontes, lá pro final da orla movimentada tem uma especie de peninsula, onde tem vários restaurantes e um cassino que se paga pra visitar. Sobre os lugares em que fizemos as refeições em Iquique foram bem simples, todos muito bons, mas como a gente andou pra todo canto na cidade, não saberia dizer nem qual direção está cada restaurante, o que eu poderia dizer é que ficamos em um determinado dia horas e horas procurando comida e depois de quase morrer de fome encontramos esse lugar que serve pizza de metro e compramos uma, muito felizes, não tenho foto da pizza, mas tenho do Bilz, nosso companheiro de toda refeição, o melhor e mais barato refri de todos, Lindão Passamos o dia de bobeira pela cidade, voltamos pro hotel, dormimos e pela manhã ja era hora de partir pra Arica, onde ja tínhamos reservado com nosso amigo Patricio uma acomodação que não iria agradar a todos. Uma viagem meio longa, de Iquique pra Arica. Cerca de 3 horas ou 4 e estavamos lá. Tomamos um taxi da rodoviaria até a casa do Patricio, nosso anfitrião do Airbnb. Sobre o fato da acomodação nao agradar a todos explico : Veja nesse print do mapa de Arica a playa chinchorro A maior parte da cidade, o movimento e tudo mais se encontra perto de todas as praias, com exceção da nossa. Apesar da playa de chincorro ser a mais visada para banho e lazer, ela não é a mais bem localizada, ela so fica perto de uns condominios. Você tem que ir de taxi ou onibus para todos os lugares movimentados da cidade No primeiro dia ao chegarmos na casa do patricio, fomos andando até a praia e seguimos a orla até onde deu. Encontramos no maximo uns restaurantes e banquinhas de cachorro quente, foi meio decepcionante, mas depois vimos que nao era um grande problema, até porque ficariamos só dois dias na cidade e nao doeria no bolso ir de taxi até o centro uma ou duas vezes. No primeiro dia durante a noite os meninos ficaram em casa depois de voltarmos da praia. Eu e a Ka fomos até o centro, entramos num cassino e ganhamos o equivalente a 40 reais. Desde então começou o incrivel vicio em jogos e desde então perdemos toda nossa grana e voltamos zerados pra casa que se estendeu até o cusco como passatempo preferido kakakak Depois do cassino fomos até o centro, a 21 de maio, visitamos uns bares e algumas boates, so de passagem mesmo, era tudo muito caro. Voltamos pra casa e no dia seguinte voltamos ao centro, so que com os meninos, passamos a manha e a tarde toda lá, subimos o morro para o mirante, comemos um ceviche no potinho igual em iquique ( um pouco mais caro ) e até ganhamos um city tour grátis de uma familia chilena super top gente finissima que paramos para pedir informação e eles simplesmente nos botaram dentro do carro e levou pra ver a orla e até o topo do morro que caminharíamos por cerca de 1 hora para chegar. [ termino até o fds galera ]
  5. 5 pontos
    Tudo começou numa linda manhã de sol do dia 29 de setembro de 1986... Nasci ! E no meu DNA veio escrito o seguinte código genético EBC (confesso que, biologicamente falando, não sei se faz sentido, achava as aulas de biologia enfadonhas). Para quem não sabe, EBC, é como o Acampamento Base do Everest é conhecido pelos íntimos. Que ainda não é meu caso, mas em breve será. Diferente de todos os relatos de viagem que fiz até o momento, resolvi começar esse previamente, 33 dias antes da partida pra ser precisa. Pq? Quando descobrir conto! Mas suponha que seja a ansiedade, talvez seja uma forma de já está viajando e de acalentar a alma. Imaginava que essa viagem só fosse ocorrer após 2020, contudo, viagens sempre são um ótimo incentivo para entrar em forma, seja para se exibir nas belas praias da Tailândia ou para não passar vergonha durante um trekking pelo Himaláia. E eu precisava urgentemente entrar em forma, não que eu não tivesse uma forma definida, mas barril não é minha predileta. Então dei uma antecipada nos planos. Em janeiro de 2018 dei o ponta pé inicial (clichêzona ), comecei com os treinos e em paralelo as buscas superficiais. Encontrei logo de cara o site da agência Morgado Expedições, engoli as dicas e informações contidas nele com a ferocidade de papagaio. Contudo o preço desanimava! Sabia que seria a melhor opção para mim, já que Morgado é um guia renomado, além disso, o público alvo da agência são os brasileiros, o que facilitaria muito minha vida já que não falo inglês. Ehhh pessoal, não falo nem entendo. Mas isso nunca me impediu de viajar, na verdade isso torna a viagem até mais interessante (para os outros rs não para mim, que se acabam de rir com algumas situações inusitadas que acabei relatado nas redes sociais). Melhor época do ano? Confesso que me baseei nas datas do Morgado. Meu plano era, passear serelepe e pimpona pelas ruas de Carmandu, me esbarrar “acidentalmente” no grupo de brasileiros conduzido por ele. Mostrar toda minha simpatia e ser convidada a me juntar ao grupo por um preço acessível ao meu bolso. Mas para aqueles que não se baseiam em algo tão louco, informo que a primavera (março e abril) e o outono (outubro e novembro) são as melhores escolhas, já que a visibilidade é boa e a temperatura tb (na medida do possível, podendo chegar a -12°C). Compra das passagens Gosto de comprar as passagens aéreas logo, isso me dá a sensação de inalterabilidade. Claro que sei que isso não passa de uma sensação, são vários os fatores envolvidos que podem jogar nossos planos no lixo. Percebi que os vôos direto para Catmandu estavam absurdamente caros, então coloquei alguns alertas de preço no Google Flight tanto para Catmandu quanto para Delhi. Esperei pacientemente uma oportunidade e ela surgiu em junho. O preço não era perfeito, mas não quis arriscar esperar mais. Ainda era possível fazer um stopover nos Emirados Árabes Unidos. Não pensei duas vezes, comprei! Aproveitei a deixa e comprei as passagens de ida e volta Delhi x Catmandu e Salvador x Guarulhos. Alguns custos: Passagens Salvador x GRU (ida e volta + bagagens): 684,72 BRL Passagens Emirates GRU x Dubai x Delhi (ida e volta): 4.136,79 BRL Passagem Jet Airway Delhi x Catmandu: 74 USD Passagem Nepal Airline Catmandu Delhi: 348,29 BRL Mala Gosto de arrumar as malas, é tipo um hobby. Então comecei bem cedo dessa vez. Peguei a lista disponível no site da Morgado Expedições através desse link https://www.morgadoexpedicoes.com.br/trek-ao-everest/lista-de-equipamentos e usei como base para as compras. Boa parte das coisas eu já havia adquirido durante o trekking do Monte Roraima na Venezuela, reduzindo um pouco meu custo com as compras. Dei um pouco mais de atenção para as botas e não economizei com elas. Por sorte, achei um anúncio no Mercado Livre, cujo vendedor tinha o último par de uma bota Salomon, no modelo e tamanho que eu precisava e com o preço 20% abaixo das lojas brasileiras especializadas em produtos para trekking. Comprei com bastante antecedência, para poder amaciá-las. Aqui vão algumas fotos das malas já prontas, kkkkkkk já estão assim a mais de 5 meses, vou fazendo simulações de como arrumar e do que é possível retirar ou colocar. Dividi em 4 categorias: Vestuário: - 3 calças de trekking (Decathlon) - 1 Calça de moleton para dormir(Centauro) - 2 calças segunda pele (Decathlon) - 1 bermuda (Decathlon) - casaco pele de ganso (Decathlon) - 1 casaco moleton (made in China) - 2 casacos fleece (Decathlon) - 2 blusas segunda pele (Decathlon) - 5 blusas dry fit - 9 calcinhas - 1 par de botas impermeáveis (Mercado Livre) - 2 bandanas tubulares (Decathlon) - 1 Gorro (Decathlon) - 3 pares de luvas de diferentes materiais (Decathlon) - 6 pares de meias ( Decathlon, Pé na Trilha) - 5 Tops *Além do que pode ser visto na foto, levarei: sandália, chinelo, tênis, par de bastões de caminhada e cachecol. Percebam que não existe nenhum casado pesado na lista, isso pq a empresa que contratei fornecerá tanto o casaco quanto o saco de dormir apropriados para essa atividade. Higiene: - 1 necessaire - lenços umedecidos (também conhecidos como duchas) - lenços de papel - 40 pastilhas de Clorin (para purificar a água durante a trilha) - sabonete líquido - hidratante - shampoo - condicionador - cotonete e algodão - repelente - protetor solar - desodorante - enxágue bucal - creme dental - micropore (para minimizar as bolhas nos pés) - creme de pentear - escova de dente - pente - sabonete - suvacador - espelho - álcool - perfume *Além do que pode ser visto na foto, levarei: minâncora (para o chulé) Variedade: - 2 garrafas de 1 litro cada - caderninho e caneta para anotações - kindle - carregador portátil de 20.000mA - passaporte - adaptador universal de tomada - benjamim - balança - lente - pasta com documentos (reservas de vôos, agências, hospedagem, visto, seguro, contratos, etc) - bastão Gopro - fone de ouvido - 2 carregadores - óculos - cadeado - Gopro - relógio - lanterna de cabeça - acessório gopro - cabos - pilhas extras para lanterna - estojo para eletrônicos - pochete - saco impermeável - tapa olhos - kit costura - almofada inflável de pescoço - kit de primeiros socorros - mochila Curtlo de 63 litros (porter) - mochila Nautika de 40l (ataque) -mochila Curtlo de 17l (passeios) Esqueci de apresentar o mocinho aí do lado. Esse é o Grelhado, meu fiel companheiro de viagens. obs.: A quarta categoria está ainda em construção, será a de medicamentos. Na segunda semana do mês de fevereiro marcarei uma consulta médica para ver o que de fato levarei. Vistos Nepal: o visto de turista para o Nepal pode ser obtido no momento da chegada no aeroporto internacional de Catmandu. Bastando para isso o passaporte com validade mínima de 6 meses e pelo menos uma página em branco. Pagamento da taxa que varia de acordo com o tempo de permanência no país e permite entradas múltiplas. Preenchimento de formulário específico. Além de 1 foto 3x4. Índia: permite que o visto seja tirado eletronicamente (e-visa). Basta entrar nesse site https://indianvisaonline.gov.in/ e seguir as instruções desse outro aqui https://casalwanderlust.com.br/como-solicitar-o-visto-para-a-india-atraves-da-internet-passo-a-passo/ , escrito pela Camila e que está bastante didático! Já reserve uma foto com fundo branco e uma cópia do passaporte em PDF. Emirados Árabes Unidos: Desde 2018 não há mais exigência de visto de turista para brasileiros. Alguns Custos: Visto Nepal: 15 dias / 25 USD – 30 dias / 40 USD – 90 dias / 100 USD Visto Índia: 60 dias / 82 USD Seguro Não estamos falando de qq viagem de “fundo de quintal” né galera? Logo, o seguro precisa estar à altura da façanha. Lendo bastante, percebi que a melhor opção nesse caso seria fazer o seguro da world Nomads, na modalidade Explorer que cobre resgate de helicóptero. Infelizmente só aceitam pagamento a vista! Alguns Custos: Seguro viagem (33 dias): 640 BRL Certificado Internacional de vacinação Alguns países exigem de seus visitantes um certificado internacional que comprove a vacinação contra a febre amarela. É o caso do Nepal e da Índia. Facílimo a obtenção. Basta se dirigir a uma unidade da Anvisa, após tomar a vacina e preencher um pré cadastro no site https://viajante.anvisa.gov.br , levando consigo a cartão nacional de vacinação e documento pessoal. Ahh, a boa notícia é que isso pode ser feito online também. Dá uma googlada pra saber mais!
  6. 5 pontos
    Sou nova aqui e procuro companhia pra viajar pelo sul do Brasil em janeiro/fevereiro, se pá até fazer travessia para outros países, com pouca grana, trocando trabalho por hospedagens, conhecendo gente nova, gente do bem e de confiança, experiências enriquecedoras!
  7. 4 pontos
    Fiz uma viagem incrível pôs países: Bolívia, Chile e Peru. Quem se interessar pode deixar seu contato para mandar o Roteiro. Essa viagem eu fiz sozinho e posso garantir que foi a melhor viagem da minha vida. Quero muito fazer Uruguai - Argentina - Chile - Colômbia. Talvez em 2020. Esse ano irei ficar pelo Brasil. Chapada dos Veadeiros. Quem tiver de boa e quiser vir junto ao chamar. abracos
  8. 4 pontos
    alguem planejando viajar em 2019, sem data de volta, usando barraca, estilo roots, porem com dinheiro pra emergencias....
  9. 4 pontos
    Descobrindo as maravilhas, histórias e superação pessoal na travessia a pé de 316 km - Cora Coralina Novembro de 2018. Mauro César Vieira Vitor Entrada do museu de Cora Coralina Inspirado em Santiago de Compostela, trajeto passa por oito cidades de Goiás. Pensando em reviver os passos de uma das maiores poetas brasileiras, pirei, hora de equipar o mochilão e rasgar trilha adentro, foi à proposta imposta por mim para a realização do Caminho de Cora Coralina. Aberto ao público em abril de 2018, atravessando cerca de 316 km, oito cidades históricas, três parques estaduais, sete vilarejos em Goiás. O primeiro caminhante com a tentativa de fazer o percurso completo sem hospedagem, apenas com modalidade de camping. (Vide observação no relato). Diante da curiosidade, resolvi pesquisar, me preparar e então, dar inicio a um propósito mais que especial. Acompanhem essa aventura: Data marcada. É hora de se aprontar, 03/11/2018. Saindo de Brasília-DF em direção a Corumbá de Goiás-GO, passagem baratinha, apenas R$23,00, onde pernoitei. Dia seguinte, hora de dar inicio, mas antes... Interessante àquela voltinha na cidade e apreciação do lugar. 1° dia – Corumbá de Goiás x Cocalzinho, 04/11 Domingo Com inicio ás 09:00 do dia 04/11 comecei a trilha bastante empolgado. Feito algumas vezes de mountain bike, já conhecia o percurso com chegada até Pirenópolis. Clima agradável, bastões firmes e mochilão lotado, 22kg para alegria das minhas costas e pernas, entretanto, a emoção contida me dava forças. Passando pelo portal dando inicio a trilha fechada, bastante sombra, em seguida pegando o asfalto, foi percorrida neste dia 23 km até Cocalzinho onde pernoitei, a caminhada foi de 12 horas, sinalização ótima. Momento de montar camping e relaxar, acampei as margens do parque logo na saída da cidade, antes passei em um Hotel (SÃO JORGE) para higiene pessoal, o que era feito em paradas antes de dormir ao longo do percurso, isso quando não havia possibilidades de me lavar em lugares nas proximidades ao local escolhido para acampar... Muita fome! Portal – Início da trilha Cidade de Corumbá de Goiás Frutas no caminho 2° dia – Cocalzinho x Pirenópolis, 05/11 Segunda–Feira Descanso para dar inicio a subida Sai ás 06h00 da manhã, tomei café reforçado e o tempo indicando que seria um dia favorável, em direção ao pico do Pireneus, lugar maravilhoso. Um dos trechos mais ricos em paisagens e o mais bem estruturado em apoios aos caminhantes, foi possível ver o espetáculo da natureza, são exemplos os cachorros do mato, tucanos, araras, varias espécies de aves e seus cantos, somado à vista sendo apreciada da capela Santíssima Trindade dos Pirineus, próximo de 1340m de altitude. O maior pico de todo caminho. Uma parcela deste percurso não faz parte do trajeto de Cora, o desvio foi feito devido minha ida à Cocalzinho, percorrido em média 11Km a mais do previsto. Dando continuidade a trilha segui sentido a Pirenópolis, um banho na cachoeira (Abade) e descanso no morro com vista à cidade, foi uma caminhada tranquila apesar da chuva no final do trecho, seguindo as sinalizações que ainda estavam muito bem orientadas, cheguei por volta das 17h40, um percurso de 24km um banho de rio para refrescar um pouco e encontrar repouso. Acampei em uma das margens do rio, lugar muito seguro para camping, muito seguro e bonito. Hora do jantar, imagine uma sopa gostosa! Obs: Dentro do parque não tem hospedagem, pode acampar, mas antes é preciso fazer contato com a administração. Frase de Cora Acampamento em Cocalzinho de Goiás Chegando ao Pico dos Pireneus Pico dos Pireneus Vista para a Cidade de Pirenópolis 3° dia – Pirenópolis x Caxambú, 06/11 Terça – Feira Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário Outras Até aquele momento o caminho era desconhecido, dando a sensação de que a trilha havia começado naquele instante, grandes fazendas, trecho de muita mata, entre outros. O percurso desse trecho exige umpouco de cuidado, até por que próximo à passagem tem um rio em que a água é forte, acredito que em toda época do ano, mais a frente há sinalização mostrando o sentido, porém deve-se atravessar saltando à cerca e dar continuidade a estrada de terra. “Que morro é esse?” Parte final até a chegada a cidade de Caxambu, nível de subida difícil, exigiu muito de mim até chegar ao topo, sensação de alivio ao ver a vista da cidade, muito cuidado com a descida também, trata-se de um terreno muito íngreme, se tornando pesada a descida. Dando sequência e com o dia próximo de escurecer, a caminho da cidade para cuidar do corpo, dei de frente com um carro onde o condutor me parou, mas que alegria! Sr.Kinzinho, o que dizer dessa pessoa? Feito o convite para me hospedar em sua casa, não tinha como não aceitar, a forma em que fui abordado foi irrecusável, naquela noite estava muito cansado e fraco, foram percorridos 28 km de percurso bem difíceis. Então aquele convite veio em um bom momento, em meio a muitas conversas, o jantar então, estava maravilhoso, feito à lenha tudo muito fresquinho e muito bem temperado, a cama muito aconchegante e quentinha, ao acordar aquele delicioso café da manhã feito pela dona Cleusa. Se recomendo? Super-recomendo. Casa do Sr. Kinzinho O percurso de Pirenópolis ao povoado de Caxambu é o último trecho de relevo mais acentuado, cruza remanescentes de mata primária e transpõe as serras Paraíso e Caxambu esta última com mais de mil metros de altitude. Percorre partes do antigo caminho dos escravos, que ligava a Fazenda Babilônia (1800) a Pirenópolis. 4° dia Caxambu x Radiolândia 07/11 Quarta – feira O percurso de Caxambu a Radiolândia cruza a BR-153 (Belém-PA – Brasília-DF), até atingir a Rodovia Bernardo Sayão, próximo ao povoado de Radiolândia. Acordei por volta das 05h00, sai ás 06h00, trilha adentro, em média 5 km o povoado de Caxambu, na saída da cidade à esquerda, sinalização muito boa, sem chances de erro, trecho onde passa por meio de muitas fazendas, tornando o acesso mais curioso e atrativo, decidi então fazer o percurso até Radiolândia, dia seguinte já sabia o grau de dificuldades para chegar até Jaraguá. Era melhor evitar esforços. O caminho foi tranquilo, completei em 09h40 até a cidade, caminhei em média 14 km depois do povoado a procura de um lugar para o camping, com o total de 32 km neste dia, estava formando chuva, o lugar de escolha para acampamento era aberto, a situação piorava a cada instante, muito vento e para completar veio àquela chuva das mais pesadas, nada que um bom material pra este fim não suprisse a situação. Dormi que foi uma beleza. Interessante visitar o principal atrativo desse trecho, fazenda Babilônia, não conheci, porem, segundo relatos vale muito a pena. 5° dia Radiolândia /São Francisco x Jaraguá, 08/11 Quinta-Feira Um dos dias mais difíceis da caminhada, sai do quilômetro 14 depois de Radiolândia até Jaraguá ás 04h00 da manhã com chegada ás 20h10 na cidade em destino, percorri 52 km passando por centro de produtores, por trechos de matas, inúmeras fazendas. A sinalização para este trecho ajudou muito. Em sequencia segue-se passando por estradas rurais até chegar à cidade de São Francisco. No caminho oportunidade para ver as Serras de Loredo e Chibio. O trecho entre São Francisco e Jaraguá de Goiás começa com aproximadamente 6,5 km todo em asfalto, quando entram na trilha as margens do Rio Pari, para deslumbrar a vista de um gigante chamado SERRA DO JARAGUAR, um monstro de morro, com mais de 610m de altitude, local para pratica de voo livre. A trilha cruza-se a BR-070, Os últimos quilômetros são feitos por uma trilha antiga que transpõe a porção Norte, o caminhante é contemplado de um maravilhoso visual da cidade de Jaraguá, uma pena o clima não está favorável para esta ocasião, finalizando o percurso na Igreja Nossa Senhora do Rosário. Hora do almoço Confesso que estava em uma situação complicada, muita chuva, cansado, exausto. Pensei em desistir, tinha que reabastecer com mantimentos, organizar a mochila e lavar umas mudas de roupas, depois de tudo organizado os ânimos e forças reaparecem, vou continuar, era só o que pensava, não poderia desistir, era questão de honra. Descansei o suficiente para dar continuidade, minha moral estava altíssima. Serra + Chuva 6° dia Jaraguá x Vila Aparecida, 09/11 Sexta–Feira Tudo ok, equipamento, mantimentos e muita energia, sai de Jaraguá ás 09h00, peguei o trecho sentido Vila Aparecida pelo asfalto, foram apenas 21 km neste dia. Atentar para a saída, dando inicio da Igreja Nossa Senhora do Rosário, contornando a serra percorrendo 1,5 km pela cidade até tomar a saída em estrada de terra em volta da serra com 3,2 km até o ponto mais baixo do trajeto no cruzamento da ponte sobre o rio Pari. Em seguida vira à esquerda, retornando pelo mesmo traçado sentido a São Francisco de Goiás, após 4,3 km da travessia da ponte, segue-se à direita sentido ao povoado de Vila Aparecida. Tive um pouco de dificuldade, pois no ponto de partida não existe sinalização ao longo de 2km. Região de grande cultivo de bananas, muitos pássaros, retorna a boa sinalização, bem tranquilas para prosseguir, acampei em um lugar fantástico, uma pequena serra a 3 km da cidade, queria ver o sol nascer, mais uma vez não fui contemplado com o mesmo, muita neblina e a danada da chuva continuava, fiquei encharcado, mais deu para aproveitar. Percorridos 21 km, cheguei à região por volta de 16h50 da tarde. 7° dia Vila Aparecida x Itaguari, 10/11 Sábado Coisas de lá Passando por Alvelândia e Palestina sentido a Itaguari, Região forte em agricultura e pecuária, destacando-se áreas de cultivo de bananeiras. Um trajeto curto e bem sinalizado até chegar ao povoado de Alvelândia nas margens BR-070. As vistas de grandes áreas e túneis de árvores entre as matas tornam um lugar surpreendente. Destacando a Fazenda Estaca, de valor histórico grandíssimo, diversos viajantes cruzaram essa região nos séculos XVIII e XIX. Acordei cedo esse dia, por volta das 04h00 da manhã, não consegui dormir direito, sai ás 05h00 mata adentro, O tempo estava nublado, mas sem chuva, os pássaros mais uma vez deram um show. O sol resolveu aparecer, estava bem animado, já havia completado mais da metade do caminho e queria muito chegar ao destino final. Levei algumas carreiras de bois e vacas nesse caminho hehe, correr com mochila nas costas não é tão agradável. O acesso passa por muitos currais e propriedades particulares onde tem criação de gados e outros. 48 km em 15h30 em movimento, acampamento montado a 2 km da cidade em uma propriedade de um novo amigo, Sr.Gumercindo, uma pessoa de muita graça. Achei esse trecho bem tranquilo com algumas subidas e descidas bem leves. Itaguari - GO 8° dia Itaguari x São Benedito, 10/11 Domingo Com saída ás 07h00, sem sinal de chuva para me abençoar, sentido a terra do polvilho. Os pés estavam bem judiados neste dia. Tudo estava perfeito, o sol radiante e muito barulho de Quero-quero. Trajeto feito em 14h00, com o total de 44 km. Tive um pouco de estorvo neste percurso, o cansaço voltou a incomodar, cheguei um momento em que dormi caminhando, nada melhor que um banho para relaxar em um pequeno córrego nas imediações, mas que valeu muito a pena, resolvi aproveitar e preparar o almoço ali mesmo, sem contar que em todos os dias pós almoço o cafezinho era preparado. Nesta parte passei por varias fazendas, trecho de muitas retas, o sol escaldante, região sem muita sombra, de volta a estrada, ânimo renovado continuei a trilha seguindo sempre a direção, bom ressaltar que não tive nenhum problema com sinalização nesse caminho, somente com os cachorros e a boiada novamente. ? Cheguei à cidade em plena tarde de domingo e por sinal não encontrei comércio aberto e comprar alguns mantimentos. Nenhuma pousada para coleta de informações e programar posteriores vindas, acredito que somente em casas de moradores, nenhumas das pessoas em que perguntei souberam responder. Percorri cerca de 5 a 6 km de asfalto, deve-se tomar bastante cuidado, foi um dos trechos que achei mais perigoso (em asfalto) devido ao grande fluxo de veículos, depois do asfalto a esquerda uns 400 m cheguei em um lugar, um bar, bem simples próximo a uma ponte, segundo o proprietário, os organizadores do caminho de Cora tiveram no local e informou que pode ser um lugar para repouso, o forte deles será o camping, até por que o lugar é muito confortável para este fim, esta passando por algumas reformas, mas que já comporta uma boa dormida. Acampei no local, próximo a esta ponte citada anteriormente, o barulho da água descendo rio abaixo foi uma maravilha, banho tomado, a água estava uma delicia, preparei o jantar e logo era hora de dormir. Coisas do Lugar 9° dia, São Benedito x Calcilândia x Ferreiro, 11/11 Segunda –feira Penúltimo dia de travessia, 36 km percorridos, a trilha passa por fazendas com poucas porteiras comparando com outras em que passei, muito estradão de terra batida e mais uma vez a natureza fez seu papel, o nível desse percurso foi muito puxado, tive dificuldades devido ao inchaço no pé esquerdo, mais era parte final e nada tirava mais a minha vontade de chegar, veio a chuva, não tão forte assim. Um dia bem agradável, por mais uma vez a receptividade do povo goiano me cativou, em parada não programada, tive o prazer de conhecer Dona Madalena em Calcilândia, onde me recebeu com bastante alegria, aproveitei para descansar, me serviu um almoço delicioso, café e um bom bate papo. Pé na trilha, saindo de Calcilândia. À direita, é possível visualizar a Serra de São Pedro que guarda muito de suas características naturais cheio de histórias e mitos. Percorri uns 2,4 km de asfalto até chegar na estrada e pegar sentido à esquerda estrada rural de terra. Nesse pequeno trecho, há um tráfego de caminhões considerável e por isso importante redobrar a atenção. Seguindo em media uns 7,5 km até chegar a uma pousada, aparentemente muito confortável. Com mais 10 km, passando por várias fazendas e paisagens perfeitas com vista da Serra Dourada, chega-se as ruínas de Ouro Fino. Foi uma das etapas em que a sinalização mais cooperou, lugar passa por matas fechadas e desertas. Passando pelas serras, fiquei encantado pela beleza rara do ambiente. Na reta final desse percurso veio uma pancada de chuva, porem, passageiras. Estava chegando à fase final da travessia, emoção e o sentimento de gratidão me deixavam mais forte. Chegando às proximidades de Ferreiro, acampei em uma serra pequena naquela noite. Tudo parecia muito calmo, até que o barulho e ruídos dos animais noturnos me intimidaram, sono chegou bem tarde por volta das 02h00, próximo à hora de levantar e concluir o percurso. Onde faltava apenas 8 km. 10° dia Ferreiro x Goiás Velho, 12/11 Terça–feira Museu da Cidade de Goiás O grande dia, reta final, trilha fácil, com algumas subidinhas de leve a passagem toma conta do lugar entre histórias de filhos ocultos e suas particularidades. Foram os quilômetros mais envolventes de toda travessia, comecei bem cedo em menos de 02h00, tinha que retornar a Brasília ainda aquele dia, pegando o asfalto a vista da cidade começa a aparecer anunciando que estava próximo de concluir. Enfim, a chegada depois de 8 km de muita emoção. Cidade maravilhosa, restaurada, cheia de encantos e suas histórias. Visitei dois museus, centro histórico, algumas igrejas e por fim uma casa em restauração. Considerações finais: · A intenção era de fazer o percurso todo com a modalidade de camping; · Foram coletados contatos para apoio, porém não publicados, entrar em contato caso tenham interesse; · As marcações em quilômetros foram marcadas não exatamente como os registros entre cidades, mas sempre próximas às imediações; · Alimentação foi transportada toda na mochila. Agradecimentos: · Familiares; · Filhos – João Vitor Neves, Mayara Neves; · Amigos, em especial Andreia Olivo, Nara Niuma, Aline, Gary, Etiene e Lidiano Pereira. · Workshop Trekking Brasília. · Aos apoiadores ao longo do Percurso Para maiores esclarecimentos entre em contato: E-mail – [email protected] https://www.facebook.com/profile.php?id=100004813188325&ref=bookmarks https://www.instagram.com/mauro_cesar_trekker/?hl=pt-br Fone: (61) 99100-3001 https://documentcloud.adobe.com/link/track?uri=urn%3Aaaid%3Ascds%3AUS%3A6d592790-a29d-4c62-b959-dd2a232c443f “Se temos de esperar, que seja para colher a semente boa que lançamos hoje no solo da vida. Se for para semear, então que seja para produzir milhões de sorrisos, de solidariedade e amizade.” “O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.” Cora Coralina
  10. 4 pontos
    INTRODUÇÃO E PREPARATIVOS para quem quiser, tem a versão mais bonitinha em PDF aqui -> RELATO TRIP - @der_wanderlust .pdf PROMESSA FEITA, PROMESSA CUMPRIDA... Fala galera mochileira e não-mochileira, Depois de ter colocado o pézinho pra fora desse Brasilzão pela primeira vez na vida na minha primeira trip internacional, me sinto na obrigação moral de retribuir a toda ajuda que eu recebi de outros mochileiros que já tinham feito esse rolê antes, e que compartilharam suas experiências de viagem, para que pessoas como eu, que nunca tinham comprado sequer uma passagem aérea antes, pudessem viver uma das experiências mais incríveis da vida: mochilar!!! Então, cumprindo a promessa que fiz antes de viajar, cá estou eu, escrevendo este relato, que também espero que inspire muitas outras pessoas a pegarem sua mochila e partirem pro mundo, porque viajar é preciso!!! RESUMÃO O clássico mochilão pelos três países, 40 dias, desembarcando em Lima, indo pra Ica, Arequipa, acampando com escoteiros do mundo todo em Cusco, depois indo pra Puno, passando por Copacabana, La Paz, fazendo a travessia do Salar do Uyuni e chegando no Atacama e descendo até a capital chilena para pegar o voo de volta para casa. Tudo realizado entre julho e agosto de 2018, rodando mais de 5.000 km, só andando de bus entre cidades (porque pobre tem que fazer o dinheiro render kkkk). E por falar de dinheiro, vamos a parte interessante. João, quanto custou essa brincadeira toda? Pois bem, vamos por partes: Comida, transportes, hospedagens e passeios fora do acampamento (30 dias) R$ 4743 (1000 euros) Lembrancinhas e bugigangas pra família toda R$ 667 (parte em dólar, parte em reais) Passagens Áereas (Londrina-Lima/Santiago-Londrina) R$ 1476 (em reais mesmo) Acampamento em Cusco (10 dias, tudo incluso) R$ 1409 (exclua isso da sua planilha) Chip Internacional EasySIM4U R$ 120 (e ganha 6 revistas super tops) Seguro Viagem (40 dias) R$ 110 (economizei 500 dólares com ele) Excluindo o monte de blusa, chaveiro, cobertor, poncho que eu comprei lá (tudo é muito barato no Peru e na Bolívia), foram R$ 7850 tudinho mesmo. O que mais me pesou foram as passagens aéreas, por eu ter que sair do meu país Londrina-PR (pequena Londres com preços de Suíça), que só tem um aeroporto regional, as passagens saíram uns 300 reais mais caras do que se saísse de Guarulhos, só que ai gastaria com ônibus até São Paulo e no fim das contas daria na mesma. Então, considerando os 30 dias que eu estava na viagem “regular”, ou seja, que eu não estava acampado, minha média foi de R$ 163 por dia (alimentação, passeios, ingressos, hospedagem e transporte). Saiu um pouco caro, mas muito mais barato do que se eu tivesse ido de pacote de agência de viagem que se vende aqui no Brasil. O ROTEIRO O roteiro eu mostro detalhado aí embaixo com o mapa do My Maps (usem o My Maps, é muito bom pra quando você está planejando que lugares quer conhecer, ver quais cidades são próximas, quanto tempo de deslocamento e coisas assim). O roteiro por cidades ficou desse jeito: 20 jun – Londrina/Lima 21 jun – Lima - (City Tour) 22 jun – Lima/Ica - (Miraflores) 23 jun – Paracas/Huacachina - (Reserva Nacional e Islas Ballestas) 24 jun – Arequipa - (City Tour) 25 jun – Arequipa - (Trekking Canion del Colca) 26 jun – Arequipa/Cusco - (Trekking Canion del Colca) 27 jun/05 ago - Acampamento Vale Sagrado 06 ago – Cusco - (Maras e Moray) 07 ago – Cusco - (Dia no Hospital) 08 ago – Cusco/Águas Calientes - (Trilha hidrelétrica) 09 ago – Machu Picchu - (Huayna Picchu) 10 ago – Águas Calientes/Cusco - (Trilha de volta) 11 ago – Cusco - (Montanha Colorida) 12 ago – Cusco - (Laguna Humantay) 13 ago – Cusco/Puno - (Mercado San Pedro) 14 ago – Puno/Copacabana - (Islas Flotantes de Uros) 15 ago – Copacabana/La Paz - (Isla del Sol e Isla de la Luna) 16 ago – La Paz - (City Tour) 17 ago – La Paz - (Downhill Estrada da Morte) 18 ago – La Paz/Uyuni - (Chacaltaya e Vale de la Luna) 19 ago – Uyuni -(Salar 3 dias) 20 ago – Uyuni - (Salar 3 dias) 21 ago – Uyuni/San Pedro de Atacama - (Salar e Vale de la Luna) 22 ago – San Pedro de Atacama - (Lagunas Escondidas e Tour Astronomico) 23 ago – San Pedro de Atacama/Santiago - (Geyseres del Tatio) 24 ago – Santiago - (1700 km rodados pelo Chile) 25 ago – Santiago - (City Tour) 26 ago – Viña del Mar/Valparaíso - (Bate e volta) 27 ago – Santiago - (Cajón del Maipo) 28 ago – Santiago/Londrina Quando eu sai do Brasil, planejava ficar mais dias em Huacachina e menos em Arequipa, planejava fazer o tour do Vale Sagrado Sul em Cusco, assim como outros passeios em San Pedro de Atacama, mas como não viajei com o roteiro amarrado, ou seja, não tinha comprado passagem de bus nenhuma, nem reservado passeios ou hostels (exceto por Machu Picchu), pude muda-lo na hora, seja por amizades que fiz no caminho, ou por perrengues como o dia 07/08 que eu passei no hospital (isso eu conto depois). Por isso eu não recomendo comprar nada daqui do Brasil, nem reservar passeios, nem passagens de ônibus, nem hospedagem, tudo você consegue lá na hora, pechinchando e barganhando, assim você consegue preços melhores e não fica com o roteiro amarrado, você tem mais flexibilidade caso mude de ideia ou aconteça alguma coisa. Não tem segredo, tem que pesquisar, na internet, em blogs de viagens, no Mochileiros.com, em relatos de quem já foi, no meu caso, peguei um roteiro de 20 dias num blog, e fui adaptando, adicionando cidades e passeios, vendo os ônibus e hostels que eu poderia usar. Para os passeios, eu procurava nos relatos do Mochileiros.com e via as agências que a galera recomendava e já ia anotando o nome e o preço que pagaram pelos passeios. Para a hospedagem, eu procurava no Booking.com o nome da cidade, ordenava pelo menor preço, e ia vendo as avaliações da galera, se tinham curtido o lugar, mas sem reservar nada, só anotava o nome, o preço da diária, e quando chegava na cidade, ia direto nele (muitas vezes reservava o hostel pelo Booking quando chegava na cidade, pra não ter que pagar em caso de cancelamento). Para os transportes entre cidades, procurava no Rome2Rio as empresas que faziam o trajeto, o preço médio das passagens e já deixava anotado, mas também comprava só quando chegava na cidade, teve alguns que deixei pra comprar no dia da viagem mesmo. Para a alimentação, era na raça mesmo, perguntava para os locais mesmo onde tinha lugar bom e barato para comer, mas para planejamento, calculava R$ 40,00 por dia com comida. Tinha vez que gastava R$ 10,00, tinha dia que gastava R$ 50,00, mas fome não passava kkk. QUANTO LEVAR? Depois de definir o roteiro, ia anotando numa planilha no Excel mesmo, o roteiro por dia, os preços médios dos passeios, dos ônibus, das hospedagens, mais uns R$ 40,00 por dia pra comer, somei tudo e levei uns 20% a mais, só pra garantir. Funcionou bem, pelas minhas contas, eu precisava levar 1400 euros, trouxe 400 de volta, que já estão guardados para a próxima trip. Mas ainda levei meu cartão de crédito internacional, já desbloqueado para operações no exterior, só para uma possível emergência. Felizmente não precisei usá-lo. PREPARATIVOS Passagens Aéreas As duas piores partes da viagem são: comprar passagens aéreas e comprar moeda estrangeira, porque independentemente do quanto você pesquisa, parece que sempre você tá perdendo dinheiro. As passagens eu recomendo comprar uns 4 ou 5 meses antes da viagem. As minhas, comecei a procurar em janeiro, comprei em março, pra uma viagem para julho. Como eu tinha definido o roteiro primeiro, sabia que queria chegar por Lima e sair por Santiago, então procurava em todos os sites de busca possível na vida. Usei a opção “Múltiplos Destinos” ou “Várias Cidades”, passagens Londrina-Lima (20/07) e Santiago-Londrina (27/08), o Skyscanner tinha os melhores preços, mas ainda assim estava meio caro (R$1600). No site da Latam, Avianca, tudo acima de R$1800. Aí por acaso eu fui andar no centro da cidade um dia e passei em frente a agência da CVC, estava com sede, aí pensei, vou entrar, fingir que quero um orçamento e tomar uma água né? Tinha certeza que na agência de turismo seria o lugar mais caro. A atendente fez a busca no sistema dela, aí me disse: “R$ 1500 e pouco com bagagem despachada”, e eu: “como assim???? Mais barato que no site da Latam”. Acabei comprando lá, e como paguei a vista, teve um descontinho lá e saiu por R$1476 (comprei a passagem em março, minha viagem era em julho). Depois, de vez em quando eu olhava nos sites de busca e o preço não abaixava mais, então acredito que peguei a passagem com o preço mais barato possível kkk. A única coisa, é que em junho, a Latam trocou as escalas do meu voo de volta, ai a CVC me ligou para avisar que se eu voltasse no dia 27/08, teria uma escala noturna gigante no Rio de Janeiro, e acabaria chegando no dia 28/08, então ela me propôs voltar dia 28/08 num voo que eu pegaria escalas menores e chegaria no mesmo dia. Aceitei, o que foi a melhor coisa, porque ganhei um dia extra no fim da viagem. Chip Internacional Vou ser bem sincero, eu queria muito não ter comprado, mas como estava com tudo sem reservar, não conhecia nada, e queria dar um up no meu Instagram, fazer uns stories legais e postar tudo (pobre quando viaja tem que mostrar pra meio mundo, né?), e ainda por cima apareceu uma promoção da Revista Aprendiz de Viajante, que na compra de 6 revistas por R$ 120,00, de brinde ganhava um chip da EasySIM4U, com 4G ilimitado por 30 dias em todos os países, acabei comprando, não me arrependo, a internet funcionou muito bem mesmo, nas cidades, em alguns passeios, até em Machu Picchu funcionava, só no Salar do Uyuni que não tinha sinal nenhum. Também é possível comprar os chips nos países, não custa caro, mas tem que por crédito, troca o número, e tem franquia limitada, além de trocar o chip sempre que troca de país. Esse chip internacional funcionou nos 3 países, mas não servia pra ligações, apenas dados móveis. Além disso, como viagem era de 39 dias, e o chip só funcionaria por 30 dias, coloquei sua data de ativação para a partir do 9° dia, assim teria internet nos últimos 30 dias. Nos primeiros dias teria que me virar pedindo “la contraseña del wifi”. Usar chip brasileiro no exterior é pedir para pagar absurdos no fim do mês. Moeda Estrangeira Essa parte é com certeza a mais complicada, como levar dinheiro para a viagem? Reais, dólar, euro, cartão internacional, tele sena? Primeiramente, o cartão, mesmo sendo mais seguro, cobrava muitas taxas, fora os impostos que eram altíssimos para uso no exterior, além disso, muitos lugares não aceitam, então já risquei da minha lista. Bem, a moeda do Peru é o Novo Sol (S/)(PEN), da Bolívia é o Boliviano (Bs.)(BOB), e do Chile é o Peso Chileno ($)(CLP), por serem moedas “fracas”, suas cotações para compra no Brasil são as piores, então, ou compre dólar/euro no Brasil para trocar lá, ou leve real e troque lá. No meu caso, depois de muitas contas, cheguei à conclusão de que compensaria levar dólar ou euro, ao invés de reais. Para saber se compensa é só usar a formulinha que eu desenvolvi kkk (Quanto consigo em Soles levando Dólares) / (Quanto consigo em Soles levando Reais * Preço do Dólar em Reais) Se essa conta for maior do que 1, leve dólar, caso contrário, leve reais. Essa fórmula serve para todas as outras moedas, substituindo Soles por Bolivianos, Pesos, ou qualquer outra moeda fraca. Também pode ser substituído o Dólar por Euro, ou Libra, ou outra moeda forte. País Peru Bolívia Chile Real 0,77 PEN 1,65 BOB 152 CLP Euro 3,80 PEN 8,00 BOB 753 CLP Dólar 3,25 PEN 6,90 BOB 650 CLP As cotações estavam assim, então preferi comprar euros. No Banco do Brasil a cotação estava melhor que nas casas de câmbio, e para funcionários, não é cobrada a taxa de operação, então se você tem algum parente ou conhecido que trabalhe lá...#ficaadica. Enfim, comprei 1400 euros por R$4,72 para levar, depois comprei mais 250 dólares por R$4,04, e na véspera, minha tia ainda me deu mais R$300 para comprar um poncho de lhama kkk. Toda essa grana devidamente guardada num saquinho de plástico com um papelão no meio para não amassar, dentro de uma doleira que eu usava amarrada na coxa (na cintura é muito manjada) por baixo da calça, com medo de alguém roubar aquilo assim que eu saísse do aeroporto. Importante, não dobrar as notas de dólar ou euro, lá eles são bem chatos com isso. Voltei para casa com R$200,00, 400 euros e 20 dólares. Seguro Viagem Aproveitei a Black Friday de 2017 e comprei o seguro viagem da Allianz Mondial, por R$109, plano América do Sul Standart, para 30 dias, estava com 50% OFF. Aí, em março, quando comprei a passagem para mais de 30 dias, liguei lá, expliquei a situação, aí cancelaram minha apólice, devolveram todo meu dinheiro, e fizeram uma nova apólice de 40 dias por R$110, pasmem. E pelo menos no meu caso, não foi um gasto, foi um investimento muito bem usado. Certificado Internacional de Vacinação Essa porc%#** desse certificado, teoricamente é obrigatório para entrar na Bolívia ou Amazônia Peruana, aí todo mundo se mata pra conseguir, tendo que ir em algum posto da ANVISA para tirar (é de graça), aí chega na hora da viagem e ninguém nem pede (ninguém me pediu). Mas é a famosa Lei de Murphy, se você viajar sem, tenha certeza de que te pedirão, então não arrisque, procure onde é o posto da ANVISA mais próximo da sua casa e faça esse certificado. Ingresso para Machu Picchu O famoso ingresso, como eu ia na alta temporada (junho a agosto) e queria subir a Huayna Picchu (aquela montanha que aparece no fundo de MP), tive que comprar o ingresso em abril para poder subir em agosto. Caso você não queira subir nenhuma montanha ou vá na baixa temporada, não precisa de tanta antecipação. O acesso ao parque é limitado a 2000 pessoas por dia. Pedi para um guia turístico que mora em Cusco que conheci num grupo de viagens do Whatsapp, para que ele comprasse para mim, para que eu conseguisse o desconto de estudante. Mandei foto da minha carteirinha (ISIC e normal) e ele conseguiu comprar com desconto, de 200 soles, paguei 125. Mas caso você não tenha carteirinha, pode comprar pelo site oficial http://www.machupicchu.gob.pe/, ou pode deixar para comprar lá em Cusco mesmo. Mochilas De bagagem de mão, eu levei uma mochila de ataque de 30 L daquelas da Decathlon (comprem essas coisas na Decathlon que é top e barato), com uma pastinha com o passaporte, certificado de vacinação, passagens aéreas e minha caderneta de anotações. Já pra despachar foram: uma cargueira de 85 L da Conquista que eu já tinha há anos, com praticamente tudo dentro, além de um saco de dormir para -15° (emprestado de um amigo), um isolante térmico inflável (também da Decathlon e também emprestado de um amigo) e minha barraca Azteq Katmandu 2/3. Para não despachar esse monte de coisa amarrado e correr o risco de perder tudo ou alguém enfiar drogas na minha mochila cheia de zíperes (minha mãe assiste aquelas séries de aeroportos no NetGeo e ficou morrendo de medo kkk), eu pedi pra um amigo que trabalha com tapeçaria e ele costurou um saco para colocar tudo dentro e com um zíper só para poder passar um cadeado e deixar a mãe tranquila (ficou parecido com uma bolsa de academia). O que levar? Para detalhar melhor, tá aí uma lista completinha de tudo que eu levei: · 1 bota impermeável (Yellow Boot Timberland), 1 tênis (All Star velho), 1 par de chinelos e 1 par de alpargatas. · 2 toalhas de banho (1 normal e 1 daquelas da Decathlon que seca rápido) e 1 toalha de rosto, Kit banho (shampoo, condicionador, sabonete e bucha). · 1 estojo (pasta, escova, fio dental, desodorante, perfume, repelente). · Hidratante e protetor labial (levem, senão a boca e o rosto de vocês esfarelam no deserto). · 4 calças (2 jeans, 1 de sarja com elástico e 1 de moletom) e 2 bermudas (1 jeans e 1 de praia). · 8 camisetas. · 12 cuecas e 7 pares de meia. · 2 camisetas segunda pele. · 3 blusas (2 de lã e 1 de moletom). · 1 casaco impermeável corta-vento (R$199 na Decathlon, melhor investimento). · Pacote de lenços umedecidos. · Remédios usuais (antialérgico, sal de fruta, band-aid, para dor de garganta, Dramin) · Pasta com os documentos. · Doleira com a grana (dólar e euro). · Carteira com a grana trocada, cartão de crédito internacional para emergências, carteirinha de estudante. · Celular, carregador, fones de ouvido, bateria extra, adaptador. · 2 cadeados e algumas sacolinhas plásticas. · Caderneta e caneta. · 1 óculos de sol e relógio de pulso. · 1 rolo de papel higiênico. · 1 pacote de paçoca rolha e 1 saco de bala de banana (pra fazer a alegria da gringaiada). Me arrependi de levar tantas blusas porque lá acabei comprando mais (Mercado São Pedro em Cusco é sucesso), luvas, toucas e cachecóis não compensa levar daqui, porque lá tem mais bonitos e mais baratos. Devia ter levado e acabei me esquecendo, protetor solar, lá é caríssimo, aí tinha que ficar pedindo emprestado pros outros, e não esqueçam que nos Andes o Sol é mais forte, fora o vento e a secura do ar, então levem creme, hidratante para o rosto e lábios porque vão usar e muito! DIÁRIO DE BORDO Nos capítulos seguintes, vou contar como que foram os passeios, dia por dia, tentei lembrar e ser o mais fiel possível com todos os fatos passados, contando os perrengues, minhas impressões, também tentei contar tudo do modo mais descontraído que eu consigo ser (uiii ele é superdescontraído ele hehe). Coloquei algumas fotos para tentar ilustrar o que eu vivi, os lugares por onde passei, a grande maioria delas foi tirada do meu celular mesmo, como não tenho câmeras profissionais, nem GoPro, tive que me virar nos trinta com meu Galaxy S7 Edge, mas felizmente, a câmera dele é bem razoável, algumas poucas fotos, lá na parte do Atacama, foram tiradas com um iPhone X de um desconhecido que eu pedi para tirar do celular dele, porque o meu estava sem bateria e ele me mandou pelo Whatsapp depois. O relato em si acabou ficando mais longo do que o planejado, então, caso você não esteja com muita paciência para ler tudo, ou queira só um resumo, no final de cada dia eu coloquei um quadrado cinza com todos meus gastos diários, nome das empresas de bus, de algumas agências, dos hostels onde fiquei hospedado. Além disso, coloquei também algumas caixas coloridas com informações importantes em destaque, deem uma olhada nelas. Do mais, é isso, espero que curtam, e qualquer coisa, pergunta, dúvida, me chamem no Instagram @der_wanderlust que eu respondo com o maior prazer. Bora lá!!!
  11. 4 pontos
    Realmente man, acontece muito isso, os bancos bloqueiam mesmo liberado as vezes por MOTIVO DE SEGURANÇA KKKKKK, quando a bandidagem vão clonar cartão, pega empréstimos não acontece o tal bloqueio .. e cada vez mais colocam empecilhos para os usuários e não pra bandidagem
  12. 4 pontos
    Esqueci de dizer que essa trip ocorreu de 23/12/18 a 8/1/19. A viagem de ônibus foi tranquila, dormi praticamente toda. Passado umas 4 horas da viagem, o ônibus parou e escutei o motorista dizer: Pausa para 15 minutos de Banõ. Que maravilha, estava bem precisando... para minha surpresa descemos no meio do nada. Só tinha a estrada e o mato. Nenhuma luz, o banheiro era a modo Inca.. Ou seja... Dica 3: Carregue e valorize o papel higiênico tanto quanto seu passaporte. Acredite, você precisará muito disso... Só depois desse momento é que passei a valorizar... O bus chegou no horário previsto, 4 da manhã. UYUNi não tem rodoviária, é uma rua comum. É chegar, descer e boa sorte, as pessoas se espalham. Fui para o hostel que tinha reservado, e fui super mal atendida. Era cuidado por uma família muito estranha e não quis me deixar entrar ao menos que pagasse mais uma diária. Meu intuito era ficar em uma sala, algo do tipo, até dar a hora... Detalhe, o check in era as 10, então paguei por 6 horas, já que sozinha, não ficaria na rua. É bom se certificar quando chega de madrugada, se tem onde ficar , e tals. Depois encontrei um grupo de brasileiros que foram direto para um café que está aberto justamente para esse povo que chega, quer tomar um banho e entre 10 / 11 horas embarca para o deserto. Ai aqui cometi um erro, fiquei com medo do ônibus não chegar a tempo e deixei o dia livre. Genteeee, não façam isso, da p fechar passeios na hora. Exemplo, você chega as 4, procura onde ficar, e as 8 você fecha com alguma agência e fica lá até a hora de começar o passeio... Mas, é vivendo e aprendendo... Eu deveria ter feito isso, e ganho um dia em outro lugar mais legal, mas enfim, foi..... O problema é que além da praça, não tem onde você ir. Algumas feiras ao redor, mas nada mais do que isso. Aqui foi o único lugar que almocei em restaurante. Tinha tempo sobrando, achei um restaurante aparentemente limpinho e muita vontade de comer um arroz. Valeu a pena. Gastei 30 soles, mas comi muito. Durante a noite choveu muito. Choveu horrores na verdade e fiquei triste, achando que estragaria o passeio que tanto queria fazer. A agencia que contratei, chamava Esmeralda, paguei 350 soles os 3 dias, já havia contatado por whats aqui do Brasil. Porém, eles me colocaram junto a um grupo de outra agência. Fiquei chateada , pois haviam vários brasileiros, tipo, uns 10 que compraram lá também... Como não domino o inglês , seria o ideal, mas vamos lá.... A chuva cessou. Passeio começa pelo cemitério de trem, o guia ficou explicando uns 40 minutos e deu só 15 para caminharmos entre os trens e tirar foto.... affff … O lance foi respirar fundo, parecia que tudo estava contra mim.... saindo, fomos rumo ao deserto de sal.... tome chão ! As paisagens já começavam a aparecer.... Paramos em um vilarejo que vive de artesanato e tem um pequeno museu. Meu Deus, que pobreza, não sei como ser humano pode viver com tamanha precariedade.... Mais chão, até que chegamos ao MAIOR DESERTO DE SAL DO MUNDO. Ah como eu fiquei feliz.. Sabe aquele lugar que você olha em fotos e diz: “Um dia estarei lá”, assim foi. Paramos em frente ao monumento do DAKAR e ai foi livre para andar, bater fotos, visitar o hotel de sal e aquele monumento as bandeiras. É praticamente indescritível, única coisa que vinha na minha mente é a capacidade de Deus criar tudo isso, que maravilha. Os guias prepararam um almoço bem gostoso, mas o sol estava de torrar. Comecei a tirar as roupas que protegiam do frio... E da-le protetor solar. Uma pausinha para descanso e mais chão.... em minutos começou aparecer água, mas era bem ralinha.... Eu pensei, que frustração, vim aqui e não ver o efeito “espelhado”, mas como uma boa brasileira aproveitei as poças para tirar fotos, querendo ou não, decidi me dar por satisfeita e agradecida... Voltamos ao carro e para minha surpresa e realização, em um trecho havia água o suficiente para cobrir o pé. Dica 4: Levem botas impermeáveis. Chorei de emoção, aquele momento estava simplesmente se eternizando no meu coração. Foi exatamente do jeito que eu gostaria que estivesse. O guia insistiu em dizer que tínhamos sorte, pois em dezembro, janeiro, dificilmente chove o suficiente.... E eu respondia: “ Não é sorte. É Deus”.... E depois de 4513211 fotos, seguimos para a Ilha de Cactus. Olha, se minha viagem acabasse ali, naquele momento, eu daria por satisfeita. Hahahaha... A Isla Incahuasi fica no meio do deserto de sal, foi plantada pelos Incas é muito bonita, tem cactus bem grandes e você tem que pagar um ingresso a parte para manutenção, 30 soles se não me foge a memoria. È bem estruturada, com banheiros e restaurante, além do caminho entre os cactus, feito de pedra. Fica fácil andar, mas exige folego, já que é alto e grande. Seguimos rumo ao Hotel, mas no meio do caminho paramos para ver o por sol do sol. I.N.C.R.I.V.E.L. Os guias serviram batatas (tipo ruffles) e vinho. Se existe dia perfeito, esse foi um.
  13. 4 pontos
    Parte 4 - Do Brasil para a Argentina "Oh! Oh! Seu Moço! Do Disco Voador Me leve com você Pra onde você for Oh! Oh! Seu moço! Mas não me deixe aqui Enquanto eu sei que tem Tanta estrela por aí" S.O.S, Raul Seixas Logo que chegamos no posto já fomos sondar os caminhoneiros que haviam pernoitado por ali. Vinte minutos depois fui conversar com um caminhoneiro que estava escovando os dentes em frente ao seu caminhão. Me apresentei e expliquei rapidamente a viagem. Quando ele começou a falar só vi um monte de pasta de dente voando na minha direção. Tentei desviar. Porém, fui derrotado e como prêmio recebi uma enxurrada de saliva misturada com creme dental no rosto. O sangue subiu, mas quando eu ouvi o caminhoneiro dizer "Estou partindo agora, se quiser ir tem que ser já" engoli o orgulho e abri um sorriso, e respondi "Bora". Corri chamar o Matheus. Ajeitamos nossas coisas na cabine e partimos rumo a Itaqui. Foto 4.1 - Os arredores do posto Foto 4.2 - O caminhão vermelho no fundo foi o que viajamos O início da viagem foi esquisito demais. Wagner, o caminhoneiro, fazia diversas perguntas que mais se parecia com uma entrevista de um sequestro. "Vocês tem dinheiro ai?", "Alguém de suas famílias sabem que vocês estão aqui agora?", "Precisa ter muito dinheiro pra viajar assim!", "Vocês sabem que tem muito louco pela estrada!", "Já sofreram algum tipo de violência com um caminhoneiro?". Essas foram algumas das frases que me lembro, mas foram meia hora desse tipo de conversa. O Matheus ficou mudo, não dizia nada. Por alguns segundos pensei em pular do caminhão (risos). Aos poucos fui tentando levar a conversa pra outro rumo. Até que começou a tocar Raul Seixas. Caralho! Tinha até esquecido do quanto eu gostava de ouvir aquelas músicas. Comecei a cantar. O Wagner também começou a cantar. O som da música foi para as alturas. A cara carrancuda do Wagner começou a esboçar os primeiros sorrisos. Quando começou tocar S.O.S. e troquei o trecho "Oh! Oh! Seu Moço! Do disco voador me leve com você pra onde você for" por "Oh! Oh! Seu Moço! Do caminhão me leve com você pra onde você for" ele deu risada e nesse momento as conversas tomaram um rumo diferente. E assim, começamos a conhecer as teorias de Wagner. Foto 4.3 - O caminho A primeira teoria ele nos explicou quando tocava Cowboy Fora da Lei, no trecho que diz "Oh, coitado, foi tão cedo. Deus me livre, eu tenho medo. Morrer dependurado numa cruz" o Wagner logo emendou "Foi brincar com o Homem e logo morreu, claro que tem ligação!". Depois começamos falar de política (assunto perigoso quando se é caroneiro!) e ele começou a introduzir sua frase típica, pra qualquer político ele sempre dava mesma resposta: "O Lula aquele Zé Buceta! Nem sabe que eu existo, vou ter que continuar trabalhando do mesmo jeito.", "O Bolsonaro aquele Zé Buceta! Nem sabe que eu existo, vou ter que continuar trabalhando do mesmo jeito.". Depois foi a vez do futebol, e ele era assertivo na sua frase: "Jogadores de futebol são tudo Zé Buceta! Nem sabem que eu existo, pra que vou torcer se vou ter que continuar trabalhando do mesmo jeito." (risos). A sua opinião de mundo se resumia nisso "Zé Buceta! Nem sabe que existo, vou ter que continuar trabalhando do mesmo jeito", confesso que é uma boa visão de mundo, mas tornava o Wagner previsível até então. Foto 4.4 - Mais um pouco do caminho Quando começou tocar Quando Acabar o Maluco Sou Eu, o Wagner começou se autodenominar como maluco, mas logo fez uma mea culpa falando que era o único da família assim. E assim, começamos a conhecer o Wagner de verdade. Disse que tinha muitos irmãos e que a maioria era estudado e falava com orgulho de um irmão que morava e trabalhava na Alemanha. Depois, contou a história de sua mãe e como ele sentia ter perdido ela tão cedo. Falou da sua esposa e da sua filhinha. Disse que jogou futebol e foi da base do Santos junto com o Robinho. Seu pai era da aeronáutica e por agora ele estava tirando brevê de voo, mas logo emendou com a seguinte frase "Aqueles Zé Buceta cobram caro demais por aula! Ai tenho que trabalhar muito mais". Disse também que quase não parava na sua casa e que estava trabalhando muito, emendando uma carga na outra. E nos contou de quando era caminhoneiro em outra empresa e viajava pela Argentina rumo a Terra do Fogo. Ele não gostava de argentinos de jeito nenhum, não entendi o porque, mas toda vez que ele falava de argentinos ele se referia como aqueles Zé Buceta (risos). Quando acabou as músicas do Raulzito, começou a tocar Astronauta de Mármore do Nenhum de Nós e nesse momento ele disse "Vocês não tem fome não, sobe ali e pega um pacote de bolacha pra nós comermos.". Foto 4.5 - O carro vermelho no caminho Comemos. A distração do Wagner é buzinar pra pessoas distraídas na pista. Ele dava risada com isso e eu também. Nos cagamos de dar risada quando o Wagner disse "Olha que vaca rica!" ao vermos uma vaca sozinha num pasto imenso. Agora nós três eramos bons amigos e as conversas rolavam naturalmente. A partir daqui o tom das conversas foi mais para as brincadeiras e risadas, e a música acompanhou, nesse momento começou tocar só música de balada. Wagner deixou o volume no máximo. Tocou até Harlem Shake e seu "Con los terroristas". Foi engraçada e perplexa toda aquela situação. Confesso, que estava curtindo aquela balada ambulante pela qual viajávamos. Ai o caminhão parou, ele nos disse que ali deixaria nós. Era a entrada de Itaqui (cidade distante 100km de Uruguaiana). Ele seguiria para a Camil carregar o caminhão com arroz. E assim, nos despedimos dessa figura que é o Wagner e voltamos para a rodovia. Wagner foi um cara que lembraríamos por toda a viagem. Seu jeito esquisito no início deu lugar a um cara gente boa demais. A sua maneira ele é um cara de coração grande. Tanto que para mim a música tema dessa viagem é S.O.S. do Raul Seixas, toda vez que eu tinha uma chance eu colocava essa música durante a viagem. Creio que seu jeito esquisito de início foi uma defesa natural por dar carona para dois caras, ele estava em desvantagem naquela situação. Se nos sentimos em perigo por um momento, ele também deve ter se sentido em perigo também, apesar de nossas caras de bobos (risos). Gosto de gente como o Wagner, de fala fácil, sem papas na língua e que sai do comum e fala o que pensa (mesmo que isso resuma o resto do mundo em Zé Buceta). Depois seguimos caminhando pela rodovia. Toda vez que um veículo passava por nós erguíamos o dedão da esperança. E assim fomos até chegar num posto rodoviário. O movimento de caminhões e carros era baixo. Sondamos os caminhoneiros parados, mas a maioria iria carregar o caminhão de arroz ali perto. Tava quente demais. O Matheus deu uma olhada no BlaBlaCar e tinha um carro saindo por aquela hora para Uruguaiana. Era baratinho, acho que estava dez reais e resolvemos seguir de BlaBlaCar. Uns minutos depois do meio dia o Guilherme parou no posto rodoviário e seguimos viagem com ele. Foto 4.6 - A saída do posto Fiquei na parte de trás esmagado pelos mochilões. Matheus dessa vez tomou a dianteira das conversas. Eu pouco conversei e só ouvia a conversa dos dois. Guilherme é um ex militar que agora é vendedor da Convex. Estava se acostumando com essa nova vida. Tinha descoberto o BlaBlaCar no dia anterior, que sorte a nossa. E seguia para Uruguaiana para tentar fazer algumas vendas e fechar melhor o mês de novembro. Geralmente, eu não falava sobre o meu mestrado, mas nesse dia com o Guilherme eu descobri que falar o que eu fazia criava uma confiança entre a pessoa que nos dava carona, além de criar uma curiosidade e deixar a pessoa meio sem entender porque viajava daquele jeito. Enfim, fiz mestrado em inteligência artificial. Guilherme ficou bastante curioso conosco e sua conversa com o Matheus fluía bem. O caminho ao redor não muda nada de São Miguel das Missões até Uruguaiana. Muitos silos e plantações de arroz pelo caminho. Guilherme falou bastante sobre sua vida no exército. Ele é um cara articulado e fala muito bem, acho que a profissão de vendedor tem tudo haver com ele. Falou das suas muitas viagens e missões como militar. O curioso que ele se autodenominava ex milico, sempre achei que milico era um termo pejorativo pra militar. Ele é viajante também e está preparando uma viagem de moto até Ushuaia. Estava com saudades da mulher e da filha e depois de Uruguaiana seguiria direto pra sua cidade rever as duas. Atravessamos uma ponte com sinaleiro, onde só da pra passar carros por apenas um sentido por vez. Depois disso nos aproximamos de Uruguaiana. A viagem foi bem legal, o Guilherme é um cara gente boa demais. Ele nos deixou próximo a casa de câmbio e nos explicou por onde teríamos que seguir para atravessar a fronteira. Demos um abraço de despedida no Guilherme e seguimos nosso caminho. Foto 4.7 - A tal ponte Cambiamos parte do nosso dinheiro. A ideia era levar todo o dinheiro em espécie para melhor controlar ele e saber o momento de voltar. Assim, com uma parte em pesos argentinos e outra em reais, para cambiar no futuro, seguimos para a fronteira. Estávamos com fome e no meio do caminho paramos pra comer um lanche. Aproveitamos e compramos um adaptador universal para carregar os celulares na Argentina. Ficamos sabendo que não se pode cruzar a pé a ponte que une Brasil e Argentina. Quando eu conversava com o tiozinho do lanche para pegar mais informações das maneiras possíveis de atravessar a fronteira, um senhor veio falar comigo. Seu nome é Jadir e se ofereceu para nos levar até a aduana argentina. Colocamos as mochilas na caçamba e entramos na sua caminhonete. O trecho não durou dez minutos, mas deu pra conversar bastante com o Jadir. Ele é representante de produtos hospitalares e ficou bastante preocupado com a nossa viagem, dizia que a Argentina era um país muito perigoso atualmente. A conversa foi boa e ele no final parecia nosso pai, cheio de conselhos sobre segurança e ainda deixou seu cartão comigo caso precisássemos de algo por aquele dia ou no futuro. Que satisfação conhecer o Jadir, que ao ver nós com uma necessidade não hesitou em nos ajudar. Demos um tempo na aduana antes de cruzar a fronteira, pois ainda tínhamos internet no celular. Cruzar a fronteira foi bem tranquilo. Enfim, estávamos na Argentina. Agora caminhavamos por Paso de los Libres e assim, seguimos para a rodoviária da cidade. A cidade parece mais um bairro. Ouvimos dizer que a cidade é violenta, não sei ao certo, mas a cidade é bem pobre. Chegamos na rodoviária e todos guichês estavam fechados. Esperamos mais um pouco e logo os guichês começaram a abrir. Pesquisamos os preços dos ônibus para Buenos Aires. Na Argentina tem-se desconto pagando em dinheiro e somado que naquele final de semana começaria o G20 na capital (e ninguém queria estar na sitiada Buenos Aires), conseguimos um desconto de quase 50% no valor da passagem. Ficamos horas e horas na rodoviária da diferente Paso de los Libres. Com o passar das horas já estava acostumado com o espanhol. No meio da noite chegou o nosso ônibus. Agora a viagem seguiria para Buenos Aires. Esse dia foi um bom dia. Conseguimos duas caronas e uma carona por BlaBlaCar, além de pagar bem baratinho para chegar até Buenos Aires. Percorremos muitos quilômetros em companhia de diferentes pessoas e de muita conversa. Estar na Argentina era simbólico para nós, pois parecia que só agora a busca pelo fim do mundo tinha começado. Nesse momento o frio na barriga começou a me dominar. Agradeço de coração ao Wagner, Guilherme e Jadir pelas caronas. E como falei muito do Raulzito nessa parte, queria terminar com um pedaço de sua música Por Quem os Sinos Dobram (nome tirado do livro de mesmo nome do Ernest Hemingway): "Nunca se vence uma guerra lutando sozinho Cê sabe que a gente precisa entrar em contato Com toda essa força contida e que vive guardada O eco de suas palavras não repercutem em nada É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro Evita o aperto de mão de um possível aliado, é Convence as paredes do quarto, e dorme tranqüilo Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz Coragem, coragem, eu sei que você pode mais" Por quem os sinos sobram, Raul Seixas
  14. 3 pontos
    Olá pessoal, começando aqui mais um relato da minha segunda viagem pela América do Sul, rodamos 30 dias, saímos de casa dia 22/12 e chegamos dia 21/01, somos eu, minha esposa e minha filha de 13 anos, vou tentar detalhar o que for mais relevante para os viajantes. Em relação a preços, por onde passamos tem hotéis, hostels e campings para todos os gostos e preços, então esta parte aconselho uma boa pesquisa para adequar melhor o orçamento ao estilo da viagem, o que foi bom e barato pra mim talvez não seja para outra pessoa e vice-e-versa, todas as minhas reservas foram feitas pelo Booking e pelo AirBnB, e outros não reservei, cheguei na hora e procurei ou pesquisei antes pela internet e já fui como uma referência. Vale lembrar que viajo com criança, então todo meu planejamento tento considerar no máximo 2 dias seguidos de estrada, senão fica desgastante demais, na parte final da viagem tocamos 6 dias direto, mas não tivemos muita alternativa e vou contar no decorrer do relato. Todos os valores que eu colocar serão em reais, abaixo algumas informações: Equipamentos: cambão, extintor, kit primeiros socorros, 2 triângulos, carta verde(Argentina e Uruguai, fiz com a Sul América, 156,00 para 30 dias), Soapex(Chile, faz no site da HDI, super tranquilo a 11 dólares) e colete reflexivo, levem todos, fui roubado em 100,00 por causa do colete, situação que vou narrar abaixo. Gasolina: Na minha região o preço estava 4,79 o litro, abasteci em São Paulo a 3,83, em Gramado o preço chegou a 5,00, então não abasteci lá, voltei a abastecer novamente a 4,69 depois de descer a serra. Na Argentina região de Federación 4,59 e descendo rumo a patagônia por volta de 3,35, na patagônia o governo dá um subsídio para a gasolina, então é mais barata. Nossa rota principal foi : Gramado/Canela, Federación, Bariloche, Pucón, Puerto Varas, El Chaltén e El Calafate, mas ao longo de toda a rota tivemos diversos lugares interessantes. 1º dia 22/12 – Cons. Lafaiete – MG X Curitiba – 1000km – Apenas deslocamento, sem nada de atrativo na estrada, ficamos preocupados em passar por São Paulo sendo véspera de feriado, mas correu bem, sem congestionamento que era o meu medo. Basicamente saindo da minha cidade pego a Fernão Dias em Carmópolis de Minas e depois de São Paulo a Régis até Curitiba. 2º dia 23/12 – Curitiba X Canela – 734 km – Dia também para deslocamento, sem muita coisa, apenas estrada. 3º dia 24/12 – Canela – Coloquei no planejamento ficar em Canela e passear em Gramado que estava espetacular por causa do Natal Luz, conseguimos uma apartamento montado por 710,00 as 2 diárias, pela época o preço foi razoável, e o lugar muito bom. Subimos a serra que é muito bonita e pouco antes de Canela a estrada começa e ficar florida com belas plantações de hortênsias. Apart em canela https://booki.ng/2G1d7yq
  15. 3 pontos
    Introdução Planejei uma viagem de carro saindo de São Paulo, capital, com destino ao Ushuaia, saindo do Brasil por Foz do Iguaçu, porém, para evitar a Ruta 14 com medo dos policiais corruptos, entraria no Brasil novamente em São Borja/RS para chegar em Uruguaiana/RS e assim descer até Gualeguaychu pelo Uruguai. Em seguida seguir para o lado oeste e descer a Ruta 40, entrar em Torres del Paine no Chile e continuar descendo até o Ushuaia. Na bagagem: barraca Quechua Arpenaz 4.1 Fresh & Black, duas cadeiras de praia, um fogareiro Nautika ceramik, uma mesa portátil, colchão inflável de casal, um saco de dormir, um cobertor, tapete em EVA (aqueles de montar) e manta térmica para forrar o chão da barraca. Além de utensílios de cozinha, um cooler, grelha para churrasco e uma caixa de mantimentos básicos como macarrão, miojo e alguns temperos. A barraca é grande, espaçosa e bem simples de montar (são apenas 3 varetas assim como qualquer outra). No quarto cabe o colchão de casal e sobra espaço para mais um de solteiro, como não era o caso, era usado para guardar as mochilas. O fogareiro acho que foi a melhor aquisição que fiz. Achei muito bom e a lata de gás durou por uns 3 dias com a gente. Fomos com 12 latas pra lá, porque eu não sabia o quanto rendia. Sobrou bastante e de qualquer forma, a gente encontrava facilmente em supermercados por lá. Fomos em 2 pessoas, com um Peugeot 208 1.5, suspensão esportiva (mais baixa que a original), rodas aro 17 com pneus 215/45 e insulfilm g20 em todo o carro, inclusive parabrisa. (Só mencionei isso pelo fato de ainda haver dúvidas quanto ao tipo de carro que consegue fazer esse tipo de viagem). Comprei o chip da EasySIM4U para conseguir sinal de internet no celular (somente dentro das cidades tinha sinal). O caminho todo me guiei pelo Google Maps, meu carro tem a central multimídia com Android, então bastava eu compartilhar a internet do celular e tudo certo (pelo menos quando tinha sinal). Para procurar hotéis usei o Booking.com (consegui pegar bons descontos com o Genius) e para campings usei o iOverlander. Apesar de ajudar muito, o iOverlander é um pouco desatualizado, infelizmente a colaboração não é tanta no aplicativo. Existem muitas outras opções de campings no caminho que a gente acaba encontrando só depois de ter dado entrada em algum. No total foram 14.730km em 28 dias de estrada, sem nenhum perrengue ou problemas maiores. Obs: - O tempo de viagem relatado é o total do tempo do momento em que saímos de um hotel/camping até chegarmos no próximo destino. Contando as paradas na estrada. - Os gastos coloquei na moeda local, pois fica mais fácil caso alguém precise consultar em outro momento para ter uma noção melhor de custos. - A viagem inteira abasteci com gasolina/nafta super. Se quiserem me acompanhar no instagram: @fore.jpg
  16. 3 pontos
    Muitas pessoas perguntaram: porque escolheram o Marrocos? Pesquisamos vários destinos, mas estamos numa vibe de conhecer lugares e coisas diferentes e não me arrependi nem um pouco de ter escolhido esse país exótico e fascinante. Como chegar ao Marrocos: Saímos de Recife em um voo direto para Madri (pela Air Europa e resumidamente a viagem foi tranquila, durou 8h e a cia aérea está aprovada). Em Madri pegamos um voo para Marrakesh, pela Ryanair e durou aproximadamente 2h. Chegando em Marraquexe: O aeroporto é muito lindo e moderno. A segurança lá é bem rígida, tudo seu é revistado nos mínimos detalhes, inclusive não pode nem entrar com drone no país. O aeroporto fica vazio, só pode entrar quem realmente vai pegar voo. As pessoas que estão esperando os passageiros, ficam na parte de fora. Como havíamos contratado um guia, ele estava já nos esperando. Contratando uma agência de turismo marroquina: Pesquisamos bastante como seria nosso roteiro pelo Marrocos. Tentamos fazer como de costume, tudo por conta própria, com mapa na mão e desvendando os lugares escolhidos. Depois de muitas pesquisas, decidimos fechar um roteiro com a agência Vamos a Marruecos e, sinceramente, foi a melhor decisão que tomamos. Vi que essa era a maneira mais segura e rápida. Com certeza aproveitaríamos melhor o pouco tempo que tínhamos. O Marrocos é um país bem diferente do nosso, com outras culturas e costumes. É um lugar famoso pela abordagem aos turistas, ou seja, constantemente aparecem pessoas e comerciantes querendo te vender algo ou te cobrando até por alguma informação que você peça na rua. Enfim, uns dos motivos pelo qual entramos em contato com algumas agências e fechamos com a que mais nos agradou. Fechamos um roteiro de 7 dias (virou 6 devido ao voo que perdemos), com motorista e guia o tempo todo a nossa disposição. Eles falam português muito bem, são muito simpáticos e prestativos e nos levaram a lugares maravilhosos. A propósito, todas as hospedagens foram escolhas deles. Sobre a agência Vamos a Marruecos: Pagamos um valor fechado, por uma excursão privada, que incluía transporte, ida e volta ao aeroporto, todas as hospedagens, guia local em todos os lugares visitados, algumas refeições e todo o passeio pelo deserto. Mais uma vez digo: foi a melhor escolha que fizemos. Foi tudo incrivelmente bom. Ficamos hospedados em lugares excelentes com os melhores atendimentos possíveis. O valor do pacote varia de acordo com suas preferências, pode até deixar claro se prefere ficar em hotéis mais sofisticados, quantos dias você vai querer ficar no total, etc. Nosso guia se chamava Mustapha. Assim que entramos em contato com ele, nos mandou um roteiro de acordo com a quantidade de dias que iríamos ficar e falamos mais ou menos nossas preferências, como por exemplo, fazíamos questão de dormir no deserto e queríamos ficar hospedados em Riads dentro das medinas (parte mais antiga das cidades). Para encontrar eles no TripAdvisor, é só clicar aqui. • Dia 1 Marraquexe: onde se hospedar Infelizmente tivemos um dia a menos no nosso roteiro (perdemos o voo em Madri e só conseguimos embarcar no outro dia a noite) e não conseguimos explorar Marraquexe como queríamos. Ficamos hospedados no Riad Bijoux. Explicando melhor o que é um Riad: são casas marroquinas que foram transformadas em locais para hospedar pessoas. Esse que ficamos é todo lindo, com detalhes apaixonantes e se falar que fomos recepcionados de uma forma bem alegre e acolhedora por Hassan, que toma conta do local. Como chegamos a noite, ele nos serviu um delicioso jantar com vinho. Ah, antes do jantar, tomamos um chá e comemos biscoitinhos, isso é bem comum quando você é recebido nos lugares (chá de boas vindas). Não conseguimos conhecer a medina, como estava programado, mas acordamos cedo, andamos um pouco pelas ruas e fomos conhecer a famosa praça Djemaa El Fna, aquela que fica uma loucura de tanta gente e turista. Tem povo com cobras, macacos (nem gostei do que vi, eles deixam os bichos acorrentados e presos em caixas), barracas de comida, entre outras coisas. Fomos até a frente da mesquita, tiramos umas fotos e depois pegamos o carro para continuar a viagem em direção a Ouarzazate. • Dia 2: Passando pelo Alto atlas: muita beleza e muita neve Cada paisagem de tirar o fôlego! Montanhas com muita neve e um céu bem ensolarado pra completar a perfeição. Durante o percurso, paramos para tomar um café em um lugar com uma vista linda. Depois, mais uma parada no ponto mais alto da viagem, Tizi-N-Tichka com 2260m de altitude e estava ventado bastante. Pense num frio! Também paramos pra conhecer uma cooperativa dos produtores de óleo de argan. Eles explicam todo o processo e lá vende vários produtos tanto para beleza quanto para comer. Compramos um mel com argan muito gostoso. Ait Benhaddou: patrimônio da UNESCO O Ksar mais famoso, uma aldeia fortificada, onde as casas são feitas de barro. Atualmente, poucas famílias ainda moram na região, mas encontramos lojas e vários artigos marroquinos sendo vendidos. Esse lugar serviu de cenário para algumas produções cinematográficas como: A Múmia, Gladiador, Alexandre, Príncipe da Pérsia, Indiana Jones, Game of Thrones entre outros. Não deixe de visitar esse lugar e vá com um guia. Você vai caminhar por ruas estreitas e cheias de detalhes até chegar ao ponto mais alto, na fortaleza, onde tem uma vista belíssima. Seguimos em direção a nossa próxima hospedagem, o Hotel Xaluca Dades. Grande, com uma decoração belíssima por toda parte. Jantamos com buffet livre e o café da manha também era no mesmo esquema. • Dia 3: Parada nas Gargantas do Todra: Desfiladeiros que chegam até 300m de altura São cânions de grande beleza, onde muita gente faz trilha e escalada nessa região. Fizemos apenas uma parada pra conhecer esse lugar que é realmente muito lindo. Tem bastante turistas e você encontra barraquinhas vendendo souvenirs. Seguimos em direção a Merzouga: Agora sim, chegamos na parte que me gerou mais ansiedade: conhecer o deserto do Saara e dormir no meio do nada. Antes de pegarmos os dromedários e seguirmos para o acampamento, decidimos fazer um passeio de quadriciclo pelas dunas e foi simplesmente uma experiência eletrizante (recomendo muito, pra quem curte aventura). Uma noite no deserto do Saara: dormindo em acampamento Pegamos os dromedários e seguimos viagem. No meio do caminho, uma parada estratégica para apreciar o belo por do sol (parecia uma pintura de tão linda que ficou a paisagem). Chegando no acampamento, fomos recebidos com chá de boas vindas e biscoitinhos. Depois, encaminhados a nossa tenda. Simplesmente me surpreendi com a estrutura. Como podem observar na foto, parecia um quarto de hotel, muito organizado e limpo. O banheiro tem todo estruturado, com pia, vaso sanitário e até banho quente. Fomos jantar numa tenda específica e estava tudo uma delícia. Mustapha (nosso guia), não estava presente no acampamento, mas nos mandou um vinho marroquino de presente e a noite foi ótima. Depois da janta, fomos pro meio do acampamento onde tinha uma fogueira. A noite foi bem animada com muita música, batuque e dança. Todos os funcionários foram maravilhosos, simpáticos e atenciosos. Havia um grupo de italianas, além de nós. Ainda fomos presenteados com um céu sem nuvem e muito estrelado. A dormida: confesso que não dormi direito, mas o fator foi o frio. Sim, fez um frio fora do normal de madrugada e não tinham mantas nem roupas que dessem jeito. A cama era confortável, tinham vários lençóis e mantas. Acordamos cedinho pra apreciar o nascer do sol (graças a Deus a temperatura já estava melhor). Tomamos um café e nos preparamos pra sair do deserto e encontrar nosso guia. Obs.: Existem vários tipos de acampamentos, dos mais rústicos aos quase comparados a um hotel 5 estrelas. Veja bem sua preferência. Nesse que ficamos, achei ideal: confortável, tinha uma estrutura ótima, energia elétrica, funcionários excelentes e levaram todas as nossas malas no carro deles (tem alguns que você leva apenas uma mochila com poucas coisas). Fomos e voltamos de dromedário, mas tem a opção de ir com eles de 4×4 (aviso logo que andar de dromedário não é muito confortável, porém queríamos vivenciar tudo intensamente). • Dia 4: Rumo ao norte do Marrocos atravessamos o palmeiral de Tafilalet até chegar ao vale de Ziz, onde paramos pra apreciar uma bela vista. A viagem de carro nos proporcionou cada cenário! Do nada, saímos do deserto e em poucas horas nos deparamos com neve. Tudo simplesmente apaixonante. Dessa vez estávamos passando pelo médio Atlas (midelt). Paramos em uma região que haviam uns macacos no meio da neve. Eles ficam loucos atrás de comida. E lá mesmo tem gente vendendo amendoim, pra quem quiser alimentá-los. Seguimos viagem até parar numa cidade muito linda, chamada Ifrane, a Suíça Marroquina. Estava cena de filme, toda coberta por neve. Foi apenas uma parada, mas achei tão fofa a cidade, que queria ter ficado hospedada pelo menos um dia (acho que preciso voltar ao Marrocos). Fes: A capital cutural do Marrocos Nos hospedamos Riad Dar Tafilalet. Já de cara amei o lugar que tem uma decoração linda. Ahmed, o cara que toma conta do Riad, é simplesmente uma figura que está sempre de bom humor e divertindo os hóspedes. Fomos recepcionados com chá de boas vindas e jantamos ali mesmo (estava tudo gostoso). • Dia 5: Conhecendo a medina de Fes, fábrica de cerâmica, tanques de tingir couro. Mustapha nos apresentou a um guia local, que também falava português. Primeiro, fomos conhecer a fachada do palácio real e saber mais sobre suas histórias. Seguimos para um mirante, que mostra uma vista panorâmica da cidade. Muito linda por sinal. Depois, fomos conhecer o lugar que produz as famosas cerâmicas. Vimos todas as etapas e confesso que fiquei impressionada com o trabalho e a delicadeza de tudo. Não deu pra sair sem levar nada, não é? Muita coisa linda e você fica até na dúvida nas escolhas. Hora de percorrer as várias ruas da medina. Lugar fácil de se perder, por isso, sem dúvidas, vá com um guia. As ruas são estreitas e não passa nenhum transporte, apenas burrinhos transportando cargas e mesmo assim, tem lugares que nem eles podem passar. É um mundo dentro da medina. Você encontra de tudo: moradias, todo tipo comércio, hospedagem (como o nosso Riad), restaurantes, mesquitas, a universidade mais antiga do mundo… Fizemos uma parada especial nos tanques de tingimento de couro. Aquele cenário da novela o clone (que é uma novela bem famosa e querida pelo povo marrooquino). Você entra por uma loja que vende vários artigos de couro e lá tem uma varanda que dá para tanques, onde tem várias pessoas trabalhando e o cheiro é bem forte, logo na entrada lhe dão um galhinho de hortelã pra ficar cheirando. Outra parada foi numa loja que vendia artigos de prata com um preço bem em conta. Não resistimos e compramos até um bule lindinho e outras coisinhas. Almoçamos em um restaurante dentro da medina e seguimos andando pelos corredores até chegarmos no nosso Riad. Foi um passeio muito bom e as explicações do guia foram excelentes. A tarde, fomos com Mustapha conhecer a parte nova, mais moderna da cidade. Uma cidade grande como qualquer outra, com casas, prédio, shopping, restaurantes, avenidas largas… • Dia 6: Ultimo dia nesse país africano chamado Marrocos Passamos a manha no Riad. Arriscamos até uma andada, sem guia, pelas ruas da medina, mas não fomos muito longe com medo de ficar perdidos. A tarde, nos deixaram no aeroporto e pegamos um voo com destino a Sevilla. Dicas: Culinária: não deixe de experimentar o couscous marroquino e tajines, foram os pratos que mais gostei. Os docinhos deles são bem gostosinhos, o chá é fantástico (amo chá) e o suco de laranja é maravilhoso. A moeda é o dirham marroquino. Levamos euro (1 euro valia uns 11 dirham). Pode trocar no aeroporto ou pela cidade. Não é permitido entrar em nenhuma mesquita, só quem segue o islamismo. No Marrocos, apenas em Casa Blanca é permitido entrar em uma mesquita, a maior do país. Quando for comprar algo, negocie bastante os preços (sempre consegue um desconto bom). Dá uma olhada no roteiro do S2tation, tem várias dicas legais com uma visão diferente da nossa! Impressões: Achei o povo marroquino muito simpático. Inclusive me impressionei com a quantidade de gente que desenrola português e muitos falam espanhol, ou seja, a comunicação por lá, não achei um problema. Você pode escolher se hospedar dentro da medina e sentir mais como é a cultura local, ou há hotéis muito bons em todas as cidades. Em relação a segurança, achei tudo muito tranquilo. Porém, quando percebem que é turista, muitos mercadores ficam atrás de você, de forma bem insistente, tentando vender algo. Como estávamos com guia, sempre, isso não ocorreu com a gente. Também não me senti “estranha” por ser mulher. Já tinha ouvido relatos que não havia muito respeito, mas acho que pelo fato de estar com guia o tempo todo não fomos a nenhum lugar que me fez sentir mal. As medinas são muito grandes e confusas pra quem não conhece. Então, a melhor forma é ir com guia. Vi um povo perdido, durante o passeio e é difícil se achar. A gastronomia: gostei de tudo que comi, porém só comemos comida marroquina a viagem toda e no final estava sentindo falta do tempero brasileiro kkk. Então, foi demais conhecer esse país tão exótico com gente simpática. Passamos muito tempo viajando de carro, com nosso guia e foi simplesmente incrível. Passar por tantos lugares diferentes e lindos, com paisagens que pareciam cenas de filme, dava vontade de ficar tirando foto o tempo inteiro. Não quer ter dor de cabeça, nem perder tempo e conhecer o máximo de detalhes possíveis? Feche um roteiro personalizado com uma agência. Indico a que fomos sem medo de errar e chegamos nela, pela excelente nota no trip advisor e por tantos brasileiros já terem fechado com ela. Deixo aqui meu agradecimento especial a Mustapha, que sempre vinha falando com a gente desde o Brasil, nos recepcionou da melhor maneira possível, é um cara muito de bem com a vida, alto astral e ainda virou nosso amigo marroquino. Link de nosso blog e www.melhorviajar.com.br Link de agencia e www.vamosamarruecos.com Whatsapp Mustapha , 00212676461644
  17. 3 pontos
    6º dia 27/12 – Federación X Santa Rosa – 1000km – Mais um dia e deslocamento preocupados com a polícia ao longo da Ruta 14, vimos muitos postos policiais mas tivemos sorte e não nos pararam, a 14 até Zarate é toda duplicada, muito boa mesmo. Na região de Lujan um bom mapa de GPS ajuda bastante pois é bem confuso. Ficamos em um hotel na Ruta 5, estratégico pra quem não quer entrar na cidade de Santa Rosa, pagamos para 3 pessoas 202,00 no cartão, em dinheiro estava 250,00 por causa do IVA, então foi no cartão mesmo, normalmente eu evitaria o cartão mas diferença estava grande. Café da manhã, quarto grande e confortável, jantamos no restaurante ao lado, muito bom, depois de 1000km tudo que queremos é andar o mínimo possível de carro, então estava tudo do lado, posto e restaurante. Após Lujan pega-se a Ruta 5, no começo duplicada e com velocidade máxima de 130km/h, neste trecho dá pra render bem a viagem, tem um YPF Full que não lembro em que ponto da 5, mas quem estiver rodando por lá irá vê-lo com certeza e vale a pena parar, tem internet e tudo mais. Fotos de alguns trechos da estrada até lá. Hotel em Santa Rosa : https://booki.ng/2HDScDh
  18. 3 pontos
    A partir de hoje, 29/01/2019, não é necessário mais de dirigir ao escritório da Anvisa para requerer o Certificado Internacional de Vacinação contra febre amarela. Basta acessar o site abaixo e fazer sua solicitação: https://www.servicos.gov.br/servico/obter-o-certificado-internacional-de-vacinacao-e-profilaxia?campaign=destaque Ótima notícia!
  19. 3 pontos
    Parte 6 - O começo da Ruta 3 e o mar de Claromecó "Exageramos sempre as coisas que não conhecemos." O Estrangeiro, Albert Camus Quando convidei o Matheus a encarar essa viagem comigo, ele ainda estava na ecovila em Piracanga. Nessa ecovila moram alguns argentinos e já passaram outros diversos hermanos por lá. Assim, os argentinos da ecovila sabendo da viagem, que o Matheus logo iniciaria, resolveram ajudar com contatos pela Argentina. A Silvina conversou com sua mãe e tivemos hospedagem em Buenos Aires. Depois o pessoal passou contato de um casal, Carlos e Ana, que haviam morado na ecovila e que hoje moram em Tres Arroyos. Pegamos o ônibus com destino a Tres Arroyos, pagamos bem baratinho pela passagem. Tres Arroyos fica a quase 500 km de distância de Buenos Aires, seria uma longa viagem. Entramos no ônibus e agora sim a nossa busca pelo fim do mundo tinha começado. Quando pela janela do bus eu avistei pela primeira vez a quilometragem da Ruta 3 o coração disparou. Até então a viagem estava sendo boa demais, demais mesmo, mas eu sentia que estávamos adiando o nosso principal objetivo e agora o adiamento tinha terminado. A Ruta 3 nos levaria para Ushuaia e agora viajávamos sobre ela. A Ruta 3 é uma rodovia que tem 3079 km de extensão. A rodovia se inicia nos arredores de Buenos e termina na Bahia de Lapataia em Ushuaia. Ela corta toda a Patagônia Argentina margeando o Oceano Atlântico. A Ruta 3 é uma (a outra é a Ruta 40) das duas mais importantes rodovias da argentina. A Ruta 3 se caracteriza por ser reta e plana em quase todo o trajeto. A viagem foi tranquila, ganhamos uma caixinha com alguns doces de café da tarde. Tinha um alfajor de morango sensacional. Uma guria que estava sentada do nosso lado ao ver nossas caras de esfomeados deu sua caixinha para nós. Depois fiquei a olhar pela janela do ônibus. O sol estava descendo na direção da minha janela. Peguei o sol de frente toda viagem, mas mesmo assim não parava de ver aquela belezura dos pampas. Eu vejo muita beleza na imensidão, e o pampas é isso, uma imensidão de mesmos cenários por milhares de quilômetros. Mas que lindeza é o descer do sol nesse lugar. Sol que se pôs apenas as nove horas da noite. Quando a noite tomou conta, já não sentia mais meu rosto que estava todo queimado de sol. Pouco depois de escurecer totalmente chegamos em Tres Arroyos. Foto 6.1 - Os Pampas pela janela do ônibus Foto 6.2 - A Ruta 3 Foto 6.3 - Um pouco mais da vista do ônibus Foto 6.4 - Mais um pouco Foto 6.5 - O descer do sol nos pampas argentinos No dia anterior o Carlos por mensagem tinha nos perguntado se queríamos conhecer Claromecó, uma cidade praiana perto de Tres Arroyos. Respondemos "Bora" ou melhor, como estávamos na argentina tivemos que adaptar e respondemos "Buera". Assim, chegamos em Tres Arroyos e conhecemos o Carlos, já em seguida entramos na sua caminhonete e partimos para Claromecó. O Matheus e o Carlos conversavam na frente. Eu me desconectei do mundo ao avistar pela janela da caminhonete o mar de estrelas no céu. Que lindo estava aquele céu. Fazia algum tempo que não via um céu tão bonito. Das coisas que mais gosto de fazer é ficar paralisado olhando o céu. A paixão surgiu na adolescência quando eu queria ser astronauta, ficava imaginando eu sendo o explorador daquele montão de desconhecido. Depois o céu foi a forma que encontrei de matar a saudade das pessoas que não estão mais entre nós. Assumi aquela história que é contada na infância como verdade e passei a acreditar que quando uma pessoa amada se vai ela vira uma estrelinha. Quantas boas lembranças me veio naquele momento. Os olhos marejaram e fiquei com vontade de ter um corda de tamanho infinito pra puxar de volta aquelas estrelinhas que tanta falta faziam para mim. Depois de quase uma hora de viagem chegamos na casa do Carlos e da Ana em Claromecó. Com um sorriso gigante e um abraço apertado a Ana nos recebeu. Não tinha como não sorrir com aquela alegria que ela estava ao nos receber. Ela tinha preparado uma jantar de recepção. Não tínhamos comido o dia todo, além daqueles doces no ônibus. Então, comemos como dois cães famintos. Só depois as conversas se reiniciaram. Carlos e Ana são terapeutas holísticos e vivem entre Tres Arroyos e Claromecó. Eles atendem nas duas cidades, mas preferem a calmaria de Claromecó. São seguidores do Prem Baba e apaixonados pelo Brasil, já estiveram diversas vezes pelo país e moraram em Piracanga por uma temporada. Até então estávamos alheio as notícias do mundo, de propósito por sinal. Nesse dia perguntei aonde seria a final da Libertadores da América e fiquei surpreso em saber que foi Madrid a cidade escolhida para o épico River x Boca. O campeonato de futebol do nosso continente, que em seu nome homenageia nossos libertadores do colonialismo europeu, teria seu maior capítulo na capital espanhola ou seja a capital dos colonizadores. San Martin e Simon Bolívar devem ter se revirado em seus túmulos. Parecia uma piada de mal gosto essa escolha. Carlos era pontual em dizer: "Não tem mais graça essa final". Ficamos até altas horas conversando e tomando mate. Fiquei surpreso em saber que os dois eram fãs do Porta dos Fundos. Conversamos sobre o vídeo do Porta, que tinha saído a pouco tempo, que satiriza o então candidato a presidência (que naquele dia já era presidente eleito) que acredita que os africanos foram os únicos responsáveis pela época da escravidão. O vídeo fez a conversa seguir para o tema do racismo no Brasil e a Argentina. Concluímos que a propagação dessas teorias absurdas sobre a escravidão brasileira mostram o quanto vivemos num país com um racismo enraizado e ao mesmo tempo velado. Sempre acreditei que a escravidão na Argentina foi feita em sua grande maioria com indígenas, mas o Carlos explicou o passado do seu país. A Argentina chegou a ter 50% de população negra, mas com a abolição da escravatura os negros foram usados como "bucha de canhão" na Guerra do Paraguai, depois foram largados a margem da sociedade e hoje são apenas 3% da população argentina. Diferente do racismo velado do Brasil, na Argentina o racismo é mais explícito. A ironia de toda essa história é que o símbolo da cultura argentina, o Tango, foi inventado pelos negros. No outro dia já no café da manhã começamos as conversas. Ficamos um bom tempo na mesa batendo papo sobre tudo. O assunto desse momento que me vem a memória é sobre a paixão incondicional dos argentinos pelos seus ídolos. Na verdade essa paixão exacerbada sempre me encantou, não existe meio amor lá. Carlos não gosta muito desse amor todo, dizia que tira um pouco da racionalidade. Evita, Che, Mafalda, Maradona e agora o Papa Francisco são os ídolos master desse país chamado Argentina. Mas me diz, como o Maradona não seria "Dios" aqui? Em 1982 a Argentina declarou guerra contra a Inglaterra, nesse momento o país era uma ditadura e o nacionalismo tomava conta da população. Assim, o governo achou que era hora de recuperar a posse das ilhas Malvinas, que estavam sob o domínio inglês. A guerra não durou 2 meses e a Argentina saiu derrotada. Em 1986, quartas de final da Copa do Mundo, Argentina e Inglaterra estão frente a frente novamente. Agora no campo de batalha do futebol. Talvez esse é o único campo de batalha que os sulamericanos lutam de igual pra igual com os europeus. Nesse jogo épico Maradona se transforma em Deus. Primeiro faz um gol de mão e logo em seguida dribla o time todo inglês pra fazer o gol mais emblemático de todos os tempos. No final do jogo ao ser perguntado sobre o gol de mão, resumiu em "Foi a mão de Deus" (risos). Dando a entender que aquele fato era um reparação histórica, só não da pra entender se quando ele se referia a Deus era sobre ele mesmo ou sobre o divino. Foto 6.6 - Nosso novo lar Saímos para caminhar pela orla. Primeiro passamos em frente do Castillo de Claromecó. Essa é uma construção que lembra um castelo medieval, mas por falta de recursos o dono não terminou a construção. O Carlos contou que o Castillo foi uma prova de amor do dono com a mulher, ele queria que a mulher vivesse como uma rainha. Porém, o dinheiro acabou antes da esposa virar uma nobre. O Castillo é todo bonitão e quebra a paisagem da orla de Claromecó composta de uma infinidade de areia. Foto 6.7 - A lateral do Castillo de Claromecó Foto 6.8 - O Castillo de Claromecó Foto 6.9 - O Castillo na paisagem Depois caminhamos horas e horas pela orla. As conversas seguiam. A Ana precisava fazer um atendimento e nos deixou no meio da caminhada. Continuamos o caminhar. Era a minha primeira vez em uma praia argentina. Molhei os pés e água estava congelante. A praia é toda charmosa e não tinha quase ninguém. Claromecó é como uma cidade fantasma, fica vazia quase todo o ano, e somente no verão a galera vai para lá, mas em dias ensolarados a Ana disse que a cidade de Tres Arroyos se muda inteira para Claromecó. Foto 6.10 - O mar Foto 6.11 - Ana e Carlos Foto 6.12 - O farol Foto 6.13 - Matheus, Ana e Carlos Foto 6.14 - A orla Enquanto caminhávamos pela areia da praia de Claromecó surgiu um cachorro todo engraçadinho. Ele não tirava os olhos dos nossos pés. O Carlos já o conhecia e disse que ele gostava de comer areia (risos). Ai o Carlos foi lá e chutou um pouco de areia pra cima, o dog ficou maluquinho e pulou em direção da areia voadora com a boca aberta. Eu chorei de dar risada. E assim ele nos acompanhava na esperança que chutássemos areia pro alto. Chutei várias vezes e o bichinho não cansava. A melhor parte foi quando sai correndo chutando areia e ele veio atrás como louco, só fomos parar com a correria na água gelada do mar, e põe gelada nisso. Foto 6.15 - O cachorro maluquinho Foto 6.16 - A praia Uma coisa que Carlos nos contou que me chamou a atenção foi que a maior paixão do argentino é o automobilismo e não o futebol. Não sei o quanto isso é verdade, mas nunca tinha prestado a atenção nisso. Nos contou sobre os diversos eventos de automobilismo que ocorrem no país. Disse também que em determinada época o país se dividia entre GM versus Ford, tamanha era a rivalidade dos amantes de automobilismo. E toda vez que saímos para caminhar mostrava os Claromachines, que são carros adaptados que não podem circulam nas cidades, mas circulam em lugares como Claromecó. Os Claromachines são como as gaiolas aqui no Brasil, mas tem uma diversidade muito maior, principalmente esteticamente falando. Tinha uns bem engraçados. Foto 6.17 - Claromachine Foto 6.18 - Outro Claromachine No fim da orla a Ana estava nos esperando de carro. Entramos no carro e fomos conhecer a reserva florestal de Claromecó. O lugar é bem bonito, mas dois anos antes teve um incêndio que quase exterminou a floresta. As marcas são bem visíveis ainda hoje. Depois do incêndio a prefeitura liberou a população a cortar madeira na região morta da floresta. Essa madeira é utilizada pela população para abastecer o sistema de calefação das casas. Foto 6.19 - A floresta de Claromecó Foto 6.20 - Mais um pouco da floresta Foto 6.21 - Un pouquito más Voltamos para casa. O Carlos e a Ana prepararam um almoço vegano sensacional. Foi demais aquela comida. Logo depois eles foram tirar a famosa "siesta". Eu e o Matheus voltamos pra praia e ficamos por lá o resto da tarde. Ficamos trocando ideia a beira mar. Depois subimos até o farol da cidade, lugar que se tem a melhor vista da cidade. Foto 6.22 - De frente ao farol Foto 6.23 - O farol e eu Foto 6.24 - Claromecó Foto 6.25 - O pôr do sol Foto 6.26 - Matheus e o mate No caminho de volta estávamos conversando distraídos. Passamos por um ônibus e depois de uns 10 segundos olhei de novo para o busão e me recordei do filme Na Natureza Selvagem. O ônibus lembrava muito o "Magic Bus" do filme. Só pensei naquela hora em tirar a foto característica do Chris McCandless vulgo Alex Supertramp. Foto 6.27 - O Magic Bus Foto 6.28 - Foto referência Na Natureza Selvagem Voltamos e as boas conversas continuaram. A noite chegou e estava frio. As madeiras queimando na lareira iluminavam o ambiente. A essa altura já estávamos viciados em mate argentino e o Matheus já dominava a arte de preparar o mate. Ficamos o resto da noite assim, tomando mate e conversando sobre tudo. Desde de temas complexos até bobeirinhas do cotidiano. Ana e Carlos falaram sobre a volta de Piracanga até Tres Arroyos de carro. Carlos tem descendência holandesa e nessa viagem quis passar por Holambra para conhecer um pouco mais de suas raízes. Holambra fica cerca de cem quilômetros da minha cidade, é tão pertinho, mas eu não conheço. Eles gostaram bastante de Holambra. Depois seguiram para região de Blumenau para a Ana conhecer um pouco mais de sus raízes alemã. Ela ficou feliz em saber que as tiaras floridas que ela usa por achar bonito, era algo tradicional da cultura alemã. Depois tiramos uma foto todo mundo junto e fomos dormir. Foto 6.29 - Carlos, Ana, Matheus e Eu Acordamos cedo e a Ana preparou um bom café da manhã. Tomamos mate. Arrumamos as mochilas e colocamo-as na caminhonete. Entramos no carro e seguimos para Tres Arroyos. Dentro do carro o silêncio tomava conta. Agora conseguia ver o caminho que dias antes tinha percorrido no escuro. Tudo muito bonito por sinal. O Carlos chamou a atenção pelo fato que na Argentina os terrenos a beira pista não são colados na pista como no Brasil. As cercas se iniciam mais ou menos a uma distância de quinze metros da rodovia. Depois notei que por toda a Argentina é assim. Ele não soube explicar o porque daquilo. Talvez seja pensando numa futura ampliação das rodovias. Chegamos em Tres Arroyos e o Carlos nos deixou num posto da YPF na saída da cidade sentido Bahia Blanca. Ana e Carlos iriam trabalhar pela cidade em seguida. Despedimos dos dois com abraços apertados. Ana não parava de sorrir. Assim, eles se foram e ficamos mais uma vez em companhia da estrada. Claromecó é um lugar que nunca imaginei conhecer, na realidade nem sabia de sua existência. Estar ali em suas ruas vazias me fez pensar o quão bom é não ter planos. A falta de planos tinha me levado ali, e estava muito feliz em poder conhecer aquele lugar mágico na companhia da Ana, Carlos e do Matheus. Como eu gostei de estar ali. Tenho muitas saudades daqueles momentos. O Carlos sempre pontual em suas observações, me fez refletir sobre muita coisa. Ele é um cara inteligente demais e com uma visão aberta de mundo. Ana se destaca por sua alegria e por sempre estar sorrindo, me fez sentir em casa. Conhecer um pouco mais da história argentina pelo olhar da Ana e do Carlos me enriqueceu bastante. Buenos Aires, Tres Arroyos e Claromecó são três cidades que tive a oportunidade de conhecer por causa da distante Piracanga. Nesses primeiros dias de Argentina, ouvi quase sempre o nome de Piracanga. Fiquei com muita vontade de conhecer o lugar que de alguma forma estava conectando nossa viagem em terras argentinas.
  20. 3 pontos
    Olá,mochileiros!Meu propósito é deixar a rotina e viver o meu sonho de viajar.A idéia é ir para SC dia 31/01/19,me hospedar em Airbnb e vender brigadeiros durante o mochilão para custear a viagem.Tenho a mochila,400 reais e a passagem,agora só falta a coragem!Acham que seria possível?Me ajudem....
  21. 3 pontos
    Parte 3 - O casal das ruínas de São Miguel das Missões “Pretender-se que a vida dos homens seja sempre dirigida pela razão é destruir toda a possibilidade de vida.” Guerra e Paz, Leon Tolstoi Quando ainda estávamos em Urubici decidimos cruzar a fronteira entre Brasil/Argentina por Uruguaiana. Com isso quis passar por São Miguel das Missões. Eu já conhecia a cidade (e curto demais esse lugar), mas o Matheus não conhecia ainda. Assim, quis colocar uma cidade histórica no roteiro e de alguma forma presentear o meu amigo que parou sua vida na Bahia para me acompanhar nessa aventura aleatória até o fim do mundo. O problema que eu não tinha nenhum contato em São Miguel, somente em cidades vizinhas das quais não queria parar por agora. Tentei couchsurfing e nada. Resolvi entrar em contato com uma das pessoas cadastradas pelo facebook. Mandei uma mensagem explicando nossa viagem e pedindo um quintal no qual poderíamos acampar. Recebi uma resposta com o nome de um casal que poderiam nos receber. Entrei em contato com o casal e o inesperado aconteceu, eles iriam nos abrigar na nossa estadia por São Miguel. Confesso que fiquei com receio de usar essa tática do facebook e a pessoa me entender errado. Em contrapartida, fiquei mais feliz da conta com essa inesperada hospedagem. Chegamos em Lages pelo meio da tarde. A rodoviária é bem organizada e espaçosa. Um bom lugar para se dormir. Iriamos pegar um ônibus de madrugada para Vacaria. Então, passaria meu aniversário dentro da rodoviária de Lages. Sai caminhar pela cidade, enquanto o Matheus cuidava das mochilas. Lages impressionou pela quantidade de pessoas bonitas. Quando eu voltei o Matheus estava sendo interrogado pelo chefe de segurança da rodoviária. Queriam saber quem eram nós e o que era aqueles isolantes térmicos que carregávamos, depois que viram que tínhamos passagens deram uma sossegada. Logo, eu fiquei cuidando das mochilas, enquanto era a vez do Matheus caminhar pela cidade. Fiquei deitado num canto da rodoviária e por todo aquele tempo um segurança não tirava os olhos de mim. Achei engraçada essa higienização dentro da rodoviária e assim tirar baderneiros, indigentes ou pessoas que perturbem a "paz" da rodoviária, só deixar quem for embarcar. Não vou entrar no mérito se é certo ou errado. O que chamou a atenção foi um acampamento indígena Kaingang (acho que eram Kaingang, mas podem ser Xokleng) na parte de fora da rodoviária. A cidade faz um grande esforço para manter a ordem num espaço público como a rodoviária, mas fecha os olhos para um problema real como a dos indígenas que vivem no relento na fria Lages. Assim, preferem sitiar a rodoviária para que os índios não perambulem ou durmam por lá do que realmente resolver o problema. Já vi esse tipo de situação em diversas cidades do oeste de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Não sou muito fã de fazer aniversário. Pra mim estar ali aguardando na rodoviária e esquecer que fazia aniversário era o ideal. Quando a noite chegou o frio veio junto. As duas da madrugada seguimos para Vacaria. Chegamos era quatro horas da manhã. Na hora que sai do ônibus senti o maior frio da minha vida. Chegava a doer. A rodoviária de Vacaria estava fechada e não estava com a vestimenta mais adequada. Que frio da porra. Já não conseguia mais raciocinar. Até que achamos um hotel/bar que estava aberto e fomos até lá para nos abrigar. Pedimos um café e ficamos sentados tremendo. Permanecemos no local até quase oito horas da manhã. Depois fomos para a rodoviária e pegamos o ônibus para Santo Ângelo. A viagem foi tranquila. Pela janela ou eu via pastos ou eu via plantações de arroz. No fim da tarde chegamos em Santo Ângelo e seguimos para São Miguel das Missões. São Miguel das Missões é uma cidadela de quase dez mil habitantes. A cidade teve origem nas reduções jesuíticas presentes na região pelo século XVII conhecidas como os sete povos das missões. Os setes povos das missões são São Borja, São Nicolau, São Miguel, São Lourenço, São João, São Luiz Gonzaga e Santo Ângelo. Esses setes povos são o berço da colonização do Rio Grande do Sul. São Miguel das Missões abriga o sítio arqueológico de São Miguel do Arcanjo, que é um patrimônio mundial declarado pela UNESCO, que acomoda as ruínas das reduções jesuíticas daquela época. Chegamos em São Miguel já era mais de sete horas da noite. Caminhamos rumo a casa da Karine e do Mário. Passamos pelas ruínas. A casa deles ficam muito perto da entrada das ruínas. Batemos na casa e o quarteto de cachorros veio nos recepcionar. Todos latiam. Logo a Karine chegou com seu sorriso característico. Sentamos pra conversar e nos conhecer. O quarteto peludo foi apresentado, são três shitzus (Marley, Maia e Zeca) e a poodle Laica. Gostei de todos, mas o Zeca é um cachorrinho especial, ele é amoroso, companheiro, farrista, engraçadinho e quando você está sentado ao bater palmas ele pula no seu colo e fica só no chamego. A conversa com a Karine foi bem boa. Ela contou sobre a sua história e explicamos melhor nossa viagem. O tempo estava meio chuvoso e a previsão era que para o dia seguinte seria chuva o dia todo. A Karine disse para aproveitarmos e já ir assistir o espetáculo Som e Luz nesse mesmo dia. Então, fomos. O espetáculo Som e Luz é algo realmente diferente, é uma belezura de espetáculo. Todos os dias pela noite é contada a história das missões jesuíticas na região com apenas luzes apontadas nas ruínas e com narração da Fernanda Montenegro. Tudo isso ao ar livre. Saber um pouco mais sobre a relação de dominação dos jesuítas com o povo guarani e depois a resistência guarani com os colonizadores é de encher os olhos. É a verdadeira história do nosso país contada de uma forma magistral e bela. Gosto demais da forma que é contada, alçando verdadeiros heróis da nossa história como o índio Sepe Tiaraju, o líder da resistência guarani. Vou copiar aqui o trecho que explico melhor o motivo da guerra, esse texto fiz no outro mochilão que passei por São Miguel. "A ruína na verdade é o sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo (patrimônio mundial da UNESCO), na época das missões jesuítas foram instauradas várias "comunidades" onde viviam os evangelizadores (jesuítas) com os ameríndios, que nesse caso foram os Guaranis, com propósito de impor a crença cristã e os costumes de vida do europeu. Vale a pena dizer que nessa época esse território era espanhol, e depois de dezenas de anos vivendo em "harmonia" (jesuítas e guaranis), os espanhóis queriam restaurar o domínio de Colônia do Sacramento e assim "trocaram" a região das missões por Colônia com os portugueses, assim as comunidades teriam que ser esvaziadas. Os guaranis não aceitaram sair de onde, agora, eram suas terras. Guerra-pós-guerra os portugueses dizimaram os guaranis da região e reassumiram a "ordem", mas não sem antes criar um herói entre os guaranis, Sepé Tiaraju, líder da resistência guarani. As guerras também foram às responsáveis por deixar em ruína o lugar." Caminhando por quase todo o Brasil, Uruguai e um pouco de Venezuela em seis meses de estrada, Diego Minatel Foto 3.1 - O espetáculo Som e Luz no sítio arqueológico São Miguel de Arcanjo Voltamos já era quase onze horas da noite. Conhecemos o Mário, marido da Karine, e o filho do casal, o João que tinham acabado de voltar do futebol. Nessa noite a pacata São Miguel teve um capítulo que tirou a tranquilidade da cidade. Enquanto eu, Matheus, Karine e Mário conversávamos pela noite, os vizinhos do lado bebiam mais além da conta e ficaram badernando a noite toda. O problema que um deles saiu de carro bêbado e atropelou uma senhora e saiu sem prestar socorros. No outro dia só se ouviu falar sobre esse acontecimento pela cidade. Acordamos cedo (já virou redundante escrever isso). Dormimos no ateliê do Mário. Mário e Karine são artesões e boa parte dos artesanatos vendidos nas lojinhas que ficam em frente da entrada do sítio arqueológico são feitos por eles. O Mário ainda trabalha como segurança nas ruínas pelas noites. Ou seja, eles tem uma relação direta com as ruínas, mas isso é história pra depois. Nesse dia, ao acordar o Marião já veio com sua térmica do Internacional e com a cuia de chimarrão. Fizemos uma roda de mate ao som de música gaúcha. Gosto de música gaúcha. Ficamos ali conversando mais um pouco e se conhecendo melhor. Acho interessante a função social do chimarrão. As pessoas se reúnem em volta dele e aproveitam para colocar a conversa em dia. Enquanto tem água na térmica a conversa continua. E a roda de chimarrão é feita várias vezes ao dia. Gosto de chimarrão, mas gosto mais de estar numa roda de chimarrão jogando conversa fora. E foi numa dessas rodas de chimarrão com o Mário que ele se mostrou um cara todo participativo na vida da cidade. Ele é treinador de futebol de salão da garotada da cidade e também na comunidade indígena. Ainda é presidente de associação de turismo de São Miguel. Acompanha o grupo de dança do centro de tradições. Eu e o Matheus brincávamos com ele dizendo que ele seria o próximo prefeito da cidade, mas de verdade, seria uma boa. Depois fomos para as ruínas. A entrada custa quatorze reais. Não vou falar muito sobre as ruínas, vou deixar as imagens falarem por si. É uma belezura de lugar. A energia que o lugar transmite é demais. Apesar do passado relacionado as missões jesuíticas, as ruínas de São Miguel das Missões também é um símbolo da resistência guarani contra os colonizadores. E isso que me encanta. Afinal, máximo respeito aos guaranis. Foto 3.2 - As Ruínas de São Miguel das Missões ou Sítio Arqueológico de São Miguel de Arcanjo Foto 3.3 - Que belezura Foto 3.4 - Tentando o enquadramento perfeito Foto 3.5 - Sou a resistência, todo respeito ao povo guarani Foto 3.6 - A vista do interior Foto 3.7 - A minha foto favorita Foto 3.8 - Matheus e as ruínas Foto 3.9 - A porta Foto 3.10 - O fundo Foto 3.11 - O topo Foto 3.12 - Outro ângulo Foto 3.13 - Minha cara amassada e a beleza das ruínas Não fomos os primeiros viajantes que a Karine e o Mário hospedaram. Por incrível que pareça eles hospedaram por duas oportunidades pessoas que também estavam viajando para Ushuaia. Nessas duas ocasiões eram casais que viajavam de Kombi. Porém, foram situações diferentes de hospedagem. No nosso caso fomos cara de pau ao extremo entrando em contato no facebook. Com esse pessoal de Kombi a Karine conheceu pela cidade enquanto os mesmos turistavam e assim, trouxe-os para casa. Karine tem um coração gigantesco. O curioso é que essas duas viagens de Kombi tiveram problemas mecânicos no meio da viagem, com isso os viajantes tiveram que desistir de Ushuaia e voltar pra casa ou mudar o rumo da viagem. Confesso que fiquei com um pouco de medo desse histórico da Karine (risos). Brincávamos que tiraríamos essa zica dela. Depois de voltar das ruínas almoçamos com a Karine. Conversamos mais um pouco com ela. Sempre bom conversar com a Karine. Um tempo depois caminhamos para conhecer a fonte missioneira. Fomos caminhando devagarzinho. Chegamos na fonte e ficamos trocando ideia por bastante tempo. Quando estávamos voltando veio um temporal. Tomamos muita chuva. Encontrávamos abrigo, secávamos e quando achávamos que dava pra seguir, chuva novamente. E foi assim, tomamos chuva umas quatro vezes. Nesse dia a Karine nos contou a história dela e do Mário. Quando ela era estudante do ensino médio em Constantina/RS veio numa excursão escolar conhecer as ruínas em São Miguel das Missões. Nessa viagem ela conheceu alguns meninos da cidade de São Miguel e um deles, chamado Lucas, se encantou por ela e ficou todo o dia pentelhando ela. Eles acabaram se beijando e trocando telefones. Por meses trocaram cartas, mas depois veio um hiato de mais de um ano. Num dia o Lucas ligou para Karine convicto que queria voltar a vê-la. Ele viajou até Constantina e conheceu toda sua família. Assim, os dois foram estreitando as relações. Em um dia foi a vez da Karine ir visitar o Lucas em São Miguel. Nesse dia ela descobriu que ele não se chamava Lucas, e sim Mário (risos). Mário quando era moleque aproveitava o fluxo de turistas nas ruínas para paquerar as gurias de outras cidades, e sua tática em conjunto com os amigos era trocar de nome ao se apresentar pras gurias, e Lucas foi o usado com a Karine. Ele só não imaginou que se apaixonaria naquele dia. E depois continuou com a mentira para não se passar por mentiroso (risos). No fim, ele se explicou para a Karine e se acertaram de vez. E estão juntos a quase vinte anos e são o casal símbolo das ruínas de São Miguel. Foto 3.14 - Karine e Mário, o casal das Missões (foto que peguei no facebook da Karine) E o mais curioso de tudo é que naquele dia faziam exatos vinte anos que os dois se conheceram. Eles iam sair numa noite romântica, mas no inicio da noite o Mário nos chamou pra tomar umas cervejas. Fiquei meio encabulado a principio. No fim, eles decidiram passar essa noite conosco. Que honra a nossa. Na frente da casa tomamos umas brejas, e eu não parava de rir com o Mário contando a sua versão da história do Lucas. O Mário é um cara gente boa demais. Depois saímos de carro, ao som de Raça Negra e do desafinado coral dentro do carro conhecemos um pouco mais do interior da cidade. Raça Negra une os povos (risos). Foi bom demais esse momento. Depois voltamos e comemos umas pizzas pra comemorar. No final do jantar, eu e o Matheus agradecemos a Karine e ao Mário por aqueles dias mais que especiais. Na verdade, não há palavras para agradecer tudo que eles fizeram por nós, mas tentamos. Terminamos o dia assistindo o final do jogo do Atlético Parananense contra o Fluminense pela semifinal da sulamericana. Antes de dormir eu e o Matheus conversamos sobre como tudo aquilo tinha sido bom demais. Estávamos atraindo coisas melhores que imaginávamos e tínhamos certeza que no dia seguinte as caronas aconteceriam. Foto 3.15 - João, Mário, Laica (no chão), Karine, Zeca (escondido entre a Karine e o Matheus), Matheus, Marley, Maia e eu. Antes das sete da manhã saímos de São Miguel das Missões. O Mário nos deixou no posto que fica no trevo que dá acesso a cidade (mais ou menos 15km). Nos despedimos pela última vez do Marião e agora outra vez iriamos tentar seguir nosso caminho por meio de caronas. Nunca imaginaria que voltaria para São Miguel tão cedo. Três anos depois estava eu lá, novamente. Da outra vez foi só uma visita, já dessa vez vivi um pouquinho a cidade e tive o prazer de conhecer o casal que as ruínas uniu. Karine e Mário, não consigo traduzir em palavras o que vocês significaram para mim nessa viagem ou o quanto gosto de cada um de vocês. Nada do que eu falar vai equiparar o quão bom vocês foram, o que eu tenho que fazer é aprender com o exemplo de vocês e tentar ser um cara melhor daqui pra frente. Muito obrigado por tudo, de coração.
  22. 3 pontos
    Oi gente! Vamos viajar juntas! Sempre aquele rolo pra conseguir juntar um pessoal pra viajar, né? Grana, tempo, gente enrolada hahah Vamos montar um grupo de gente que realmente tá interessada em viajar por aí e planejar juntas de um jeito que seja legal e seguro pra gente Bora lá? Link para o grupo: https://chat.whatsapp.com/KM7DJGEaWDd1ldT8HovNKL
  23. 2 pontos
    Ainda por cima Países como França, Alemanha, Holanda .. Porém se ele manter o foco na exploração como citado, Albânia, Macedônia, Bulgária, Croácia deva ser mais em conta ..
  24. 2 pontos
    Campo Base do Everest Algumas dicas e orientações para planejar seu trekking solo no Nepal MELHOR ÉPOCA . Outubro e novembro são o pico da temporada de trekking no Nepal. As chuvas trazidas pelas monções terminam em setembro e o céu fica mais limpo nesse período seguinte. Porém espere por trilhas e lodges lotados nos trekkings do Everest e Annapurna, os mais populares. Em dezembro, já perto do inverno, é possível fazer caminhadas também mas é melhor escolher altitudes mais baixas como o trekking do campo base do Annapurna. . Março e abril são o segundo período mais procurado. A grande atração desses meses é caminhar pelas florestas de rododendros em época de floração, o que deve ser um lindo espetáculo. HOSPEDAGEM E ALIMENTAÇÃO DURANTE O TREKKING Não há nenhuma necessidade de levar barraca para a grande maioria dos trekkings no Nepal. Ao longo do caminho dezenas de lodges e guest houses oferecem hospedagem simples e alimentação completa (café da manhã, almoço e janta). Para os trilheiros independentes é usual negociar o preço do quarto desde que se façam as refeições (café da manhã e janta) no próprio lodge, que sempre tem refeitório. Na maioria das vezes o quarto acaba saindo de graça (dependendo da negociação) uma vez que a comida custa duas ou três vezes o preço pago nas cidades. E o preço aumenta junto com a altitude e a distância das cidades. Para mostrar a variação de preços das refeições em cada povoado ao longo dos trekkings vou colocar nos relatos, ao final de cada dia, o preço do dal bhat e do veg chowmein, dois pratos bastante pedidos. Como referência esses pratos em Kathmandu custam por volta de Rs 250 (US$2,17) e Rs 160 (US$1,39), respectivamente. Em quase todos os vilarejos os moradores têm um pedaço de terra para trabalhar e cultivar os legumes e verduras para seu consumo e para suprir a demanda do restaurante. A dieta deles é basicamente vegetariana, inclusive pela dificuldade de armazenamento de qualquer tipo de carne. E para o trilheiro é bastante recomendável seguir essa dieta pensando no seguinte: os legumes são sempre frescos, a carne não. E ninguém quer ter uma infecção intestinal ou uma diarréia num lugar tão distante. Todos os lodges têm um caderno onde são anotados (pelo dono ou pelo hóspede) os pedidos para o jantar e café da manhã. Para o jantar costumam pedir que se anote até as 17h para eles se organizarem. Para o café da manhã geralmente pedem que se escreva o pedido no dia anterior, principalmente se houver necessidade de tomar o café muito cedo. Mesmo havendo refeição em todas as vilas do caminho é preciso ter algum lanche de trilha para os dias em que se sobe alguma montanha mais demorada (como o Tsergo Ri) ou se atravessa um passo de montanha, algo que leva bastante tempo e onde a distância entre os vilarejos é grande. CUSTOS DURANTE O TREKKING Os custos durante as caminhadas dependem diretamente do que se consome nos lodges pois a comida é bastante cara em comparação com o preço pago nas cidades, ao passo que a hospedagem pode ser negociada. Se você for econômico e pedir veg chowmein no café da manhã (você acostuma...), veg fried rice no almoço e dal bhat na janta, o custo diário com comida vai ser de US$8 a US$20 (o preço aumenta com a distância). Se for possível negociar o quarto sem custo, o valor acima vai ser a sua despesa diária durante o trekking. Um café da manhã completo com pão, geléia, omelete e café/chá vai aumentar bastante essa despesa. No meu trekking de 23 dias de Shivalaya ao Campo Base do Everest e Gokyo o custo total, seguindo o menu econômico acima e sempre barganhando o preço do quarto, foi de US$345. A média foi de US$15 por dia. Lembrando que eu não contratei nenhum serviço de guia ou carregador. Nessa conta entram apenas alimentação e hospedagem, não entram as permissões e as passagens de ônibus e avião. HOSPEDAGEM EM KATHMANDU O bairro mais conveniente para se hospedar em Kathmandu é o Thamel pois concentra todos os serviços que um trilheiro necessita: hotéis para todos os bolsos e exigências, restaurantes variados, casas de câmbio, padarias, mercadinhos, livrarias, farmácias, lavanderias, agências de trekking, lojas de equipamentos e roupas técnicas, etc. Além disso muitos atrativos turísticos da cidade estão a curta distância a pé a partir do Thamel. Mas prepare-se para dividir as ruas estreitas e sem calçada com muitas motos e carros buzinando o tempo todo. Sim, o Thamel é uma ilha da fantasia para turistas, repleta de lojinhas de todo tipo, e para ter a experiência de uma Kathmandu mais real vai ser preciso caminhar fora dali. Isso é verdade, mas o Thamel não deixa de ser o bairro mais conveniente para as necessidades de um viajante. Rua no Thamel ROUPAS E FRIO A temperatura interna durante a noite medida pelo meu termômetro chegou à mínima de -8,6ºC. Isso foi dentro do quarto em Gorak Shep. Normalmente ela está entre -3ºC e 3ºC à noite e de manhã dentro do quarto. Por isso é preciso ter um saco de dormir sempre na mochila pois o cobertor do lodge pode não ser suficiente. Eu levei um saco Marmot Helium (temperatura limite -9ºC) e usei em algumas noites apenas. Os quartos costumam ter duas camas com um cobertor bem grosso parecido com um edredom em cada uma. Como eu dormia sozinho no quarto podia pegar o outro cobertor e não precisava usar o saco de dormir. Para vestir recomendável levar uma blusa grossa de fleece, uma jaqueta de pluma (a única blusa que realmente esquenta naquele frio todo) e uma jaqueta impermeável que serve como corta-vento durante as caminhadas. Para as pernas importante levar uma calça de fleece ou ceroula térmica pois com frio nas pernas não se consegue dormir. Uma calça impermeável serve como corta-vento e eu usei em vários dias mesmo caminhando sob o sol pois o vento é gelado. Uma faixa para o pescoço que possa ser esticada para a boca e nariz também é fundamental para não expor tanto a garganta ao vento frio. Mesmo com isso eu tive infecção na garganta, tive que ir ao médico em Kathmandu e tomar antibiótico por 3 dias. Os lodges costumam ter um aquecedor no refeitório e esse é o único lugar para se refugiar do frio. Mas ele fica aceso somente do início da noite até os últimos hóspedes saírem do refeitório. Não é aceso de manhã, quando faz muito frio também (entre -3ºC e 3ºC, como disse). Para acender o aquecedor se usa lenha onde há árvores e esterco de iaque onde não há. O QUE PODE SER COMPRADO EM KATHMANDU Kathmandu tem ótimas livrarias onde se pode comprar mapas e guias de todos os trekkings do Nepal. E tem dezenas de lojas de equipamentos e roupas técnicas onde se deve pesquisar os preços pois variam muito de uma loja para outra. Há lojas de marcas famosas como The North Face e Mountain Hardwear que vendem produtos originais. Nas outras mil lojas vale o preço e não necessariamente a qualidade. Mas pelo que já li nos relatos é possível encontrar bons produtos a preços bem atrativos. Na hora da compra vale pechinchar também, e comprar vários itens na mesma loja (ao invés de um item em várias lojas) ajuda na negociação do valor total. Muitos itens podem ser alugados também. MAPAS Nas livrarias há mapas para todos os trekkings do Nepal, porém eu e outras pessoas encontramos muitos erros na marcação das altitudes, o que atrapalha um pouco o planejamento. Para ser mais prático, uma idéia é fotografar o mapa todo com o celular para ter acesso rápido a ele durante a caminhada sem ter que ficar dobrando e desdobrando o original toda hora. Dal bhat ACLIMATAÇÃO O Mal Agudo da Montanha (em inglês AMS, Acute Mountain Sickness) é um problema muito sério que não deve ser ignorado. Durante a caminhada do Everest eu soube que um japonês morreu em Gorak Shep porque não queria descer mesmo se sentindo mal em consequência da altitude (matéria aqui). É preciso ficar atento aos sinais do corpo e a melhor solução sempre é descer. Aconteceu comigo também. Fiquei quatro noites praticamente sem dormir, apesar de não ter nenhum outro sintoma, e precisei baixar dos 5160m aos 3800m para poder dormir, me recuperar do cansaço e dar um tempo maior para o meu corpo se adaptar à altitude. O Mal Agudo da Montanha atinge tanto atletas e esportistas de condição física perfeita quanto trilheiros de primeira viagem. E pode atingir também trilheiros já acostumados a caminhar na altitude. O processo de aclimatação é condição necessária para todos. Os sintomas mais leves a partir dos 3000m de altitude são dor de cabeça, tontura, náusea, perda de apetite, falta de ar, cansaço, irritabilidade e dificuldade para dormir. Nesse caso o corpo está dando sinais que não devem ser ignorados e o melhor é parar de subir, subir mais devagar (dormindo mais noites na mesma altitude) ou descer se não houver melhora. Do contrário pode-se desenvolver os sintomas mais graves do AMS. Os sintomas mais graves são perda de coordenação enquanto caminha e falta de ar mesmo em repouso. O primeiro sintoma pode levar a um edema cerebral e o segundo a um edema pulmonar. Nesse caso é preciso descer imediatamente. As regras básicas para que o organismo se adapte gradativamente à altitude (leia-se: aclimatação) acima dos 3000m são: . não dormir 500m acima do local onde se dormiu na noite anterior . fazer caminhadas de bate-volta até uma altitude superior àquela em que vai dormir (walk high, sleep low) . de preferência dormir duas (ou mais) noites na mesma altitude e fazer caminhadas a pontos mais altos durante o dia . beber no mínimo 3 litros de água por dia Por fim, a polêmica do Diamox. Alguns médicos são contra o uso desse medicamento para reduzir os sintomas da altitude, mas no Nepal quase todo mundo tem na mochila e até o médico em Kathmandu me receitou na consulta que fiz (sem eu pedir). Mas mesmo usando Diamox deve-se seguir as regras de aclimatação acima para não desenvolver os sintomas mais graves do mal de altitude. Muita gente faz uso mas não posso falar dos efeitos e benefícios porque não tomei. Quando tive quatro noites de insônia não tinha Diamox para testar se resolveria o meu problema. O que é consenso entre os médicos no caso de insônia é não tomar remédios para dormir. Máscara para enfrentar a poluição e poeira de Kathmandu TRATAMENTO DA ÁGUA A água mineral é vendida no Nepal em garrafas de 1 litro ou menores. Essa água, que custa Rs20 ou Rs30 em Kathmandu, chega a custar Rs450 em Gokyo. Além desse preço absurdo, o grande problema é a acumulação de garrafas pet nos lixões dos vilarejos e ao longo das trilhas. Comprar água mineral é a pior das soluções para matar a sede. O que fazer? Tratar a água de torneira dos vilarejos ou a água dos riachos, ambas abundantes e de fácil acesso em todos os trekkings. Há várias maneiras: 1. ferver a água . vantagem: o gosto não é alterado, custo muito baixo . desvantagem: não é tão prático e rápido, a água demora a ferver e a esfriar para colocar nas garrafas pet; quanto maior a altitude, menor a temperatura de ebulição da água, por isso é preciso ferver por mais de 5 minutos em altitudes mais elevadas 2. filtro Sawyer ou LifeStraw . vantagem: o gosto não é alterado, muito mais prático que ferver . desvantagem: filtra bactérias e protozoários, mas os vírus passam; não pode ficar exposto a temperaturas muito baixas 3. pastilha de cloro (Clorin) ou dióxido de cloro (Micropur) . vantagem: muito mais prático que ferver . desvantagem: o gosto é horrível, demora de 30 minutos a 4 horas para purificar completamente dependendo do tipo de pastilha 4. Steripen . vantagem: método muito prático e rápido (leva apenas 90 segundos para purificar 1 litro de água), o gosto não é alterado . desvantagem: custo alto, a água deve ser cristalina, dependência de um aparelho eletrônico (que dá bastante problema segundo as críticas no site amazon.com) 5. pastilha de iodo: não acho esse método recomendável pois não é eficaz contra o protozoário Cryptosporidium, não pode ser usado por um longo período (mais que 6 semanas) e não pode ser usado por pessoas com problema de tireóide Minha experiência: eu não tenho Steripen, então usei os 3 primeiros métodos sempre combinando dois deles. Levei um fogareiro e comprei cartuchos de gás em Kathmandu. Toda noite eu filtrava a água, depois fervia e esperava esfriar durante a noite. Ou eu filtrava e usava a pastilha de dióxido de cloro (Micropur), mas isso apenas se eu não pudesse ferver pois o gosto final era de sabão. Levei um filtro Sawyer Squeeze e nos lodges onde a temperatura no quarto poderia ser abaixo de 0ºC eu dormia com ele junto ao corpo. Conheci trilheiros que estavam tratando a água apenas com filtro Sawyer ou LifeStraw e não tiveram problema. Geralmente as pessoas usavam apenas um dos métodos que mencionei. É possível também comprar água fervida nos lodges, mas o custo ainda é alto. Vaquinhas sagradas TELEFONIA E INTERNET Vou colocar em cada relato de trekking no Nepal o nome das operadoras de celular que funcionam na maioria dos vilarejos. As mais comuns são NCell (www.ncell.axiata.com), NTC/Namaste, Sky e Smart (www.smarttel.com.np). A NCell tem lojas próprias em Kathmandu onde se pode comprar o chip e fazer a carga pelos preços oficiais, bem mais baixos que nas lojas turísticas do Thamel. A loja que eu ia fica na Durbar Marg, mas há outra perto da Praça Durbar (segundo o site). Para comprar o chip é preciso levar passaporte, uma foto 3x4 e preencher um formulário na loja. Para fazer a recarga não necessita de nada disso. Eles mesmos configuram o celular, mas é bom conferir se o chip está funcionando antes de sair da loja. Eu paguei Rs 100 (US$ 0,87) pelo chip e Rs 355 (US$ 3,08) pelo pacote de 1,3 GB por 30 dias (há muitos outros pacotes). Para as outras operadoras não vi lojas próprias, mas segundo o site a Smart possui lojas (esta é uma operadora que funciona em pouquíssimos lugares). Muitos lodges e cafés ao longo dos trekkings têm wifi mas é sempre pago e vale a mesma regra: o preço sobe junto com a altitude e distância das cidades. Para recarregar as baterias, alguns poucos lodges têm tomada no quarto, na maioria deles é preciso pagar pela carga. Levar alguns power banks a mais é uma boa idéia para não gastar muito com recargas. Lembrando que o frio descarrega as baterias mais rápido do que o habitual, por isso eu costumava colocar o power bank dentro da blusa na hora de usá-lo para recarregar o celular. No trekking do Everest há dois serviços de cartão pré-pago que dão acesso ao wifi dos lodges em diversas vilas: 1. Everest Link (www.everestlink.com.np) - custa Rs 1999 (US$ 17,35) por 10GB em um período de 30 dias (há outros pacotes); segundo o site funciona nas principais localidades ao norte de Lukla, inclusive no Kala Pattar e no Campo Base do Everest 2. Nepal Airlink (www.nepalairlink.com.np) - custa Rs 1260 (US$ 10,94) por um período de 30 dias (há outros pacotes); o site estava fora do ar quando publiquei esse relato mas pelo que pude entender o Nepal Airlink funciona apenas no trekking Shivalaya-Lukla e só no trecho entre as vilas de Junbesi e Kharte, e também em Phaplu. Não cheguei a usar nenhum desses dois serviços porque não sabia da existência e já tinha comprado o chip da NCell. PERMISSÕES A seguintes permissões podem ser obtidas no Tourist Service Center, próximo ao Ratna Park, em Kathmandu: 1. TIMS card - levar passaporte, 2 fotos 3x4 e preencher um formulário (importante: segundo a funcionária desde 16/11/2018 é obrigatório ter seguro-viagem para obter o TIMS card e deve-se fornecer o número da apólice no formulário). Valor: Rs2000 (US$17,36). O TIMS card é necessário para todos os trekkings exceto para o Everest (desde outubro de 2017) e válido apenas para um trekking específico, ou seja, no meu caso tive de pagar o TIMS para Langtang e depois para o Annapurna, num total de Rs4000 (US$34,72). Para o Everest o TIMS card foi substituído em out/2017 por uma permissão local que pode ser obtida em Lukla ou Monjo (não em Kathmandu) pelo valor de Rs2000 (US$17,36) e sem foto. 2. permissão de entrada do Parque Nacional Langtang - levar somente passaporte. Valor: Rs3400 (US$29,51) 3. permissão ACAP para o Annapurna Conservation Area - levar passaporte, 2 fotos 3x4 e preencher um formulário. Valor: Rs3000 (US$26,04) 4. permissão de entrada do Parque Nacional Sagarmatha - eu obtive essa permissão em Monjo, durante o trekking do Everest, mas há um balcão no Tourist Service Center em Kathmandu que a emite. Pediram apenas passaporte, nenhuma foto.Valor: Rs3000 (US$26,04) 5. permissão de entrada do Gaurishankar Conservation Area - eu obtive essa permissão em Shivalaya, durante o trekking do Everest, mas há um balcão no Tourist Service Center em Kathmandu que a emite. Pediram apenas passaporte, nenhuma foto.Valor: Rs3000 (US$26,04) Horário do Tourist Service Center em Kathmandu: . balcão Annapurna, Manaslu e Gaurishankar: diário das 9 às 13h e das 14h às 15h . balcão Everest e Langtang: de domingo a sexta-feira das 9h às 14h . balcão TIMS card: não havia horário afixado Esses horários mudam frequentemente. Banheiro ao estilo "limpo" (os outros melhor não publicar) BANHEIROS AO ESTILO OCIDENTAL E ORIENTAL Durante todos os trekkings é mais comum encontrar o banheiro ao estilo oriental, quer dizer, uma peça de louça no chão com um buraco no meio e lugares para colocar os pés nas laterais. A descarga quase sempre é com um balde ou caneca que fica ao lado. Quando raramente se encontra um vaso sanitário, a descarga normalmente é com o balde ou caneca mesmo. Nos lodges de maior altitude é preciso ter cuidado com a água congelada de manhã no piso do banheiro e ao redor do buraco. Papel higiênico deve ser comprado e levado sempre na mochila pois os nepaleses não usam e não se encontra em nenhum banheiro. Prefira comprar nas cidades pois nos lodges é bem mais caro. BANHO É possível tomar banho de ducha em muitos lodges durante os trekkings. Se não houver ducha eles preparam um banho de balde. Em ambos os casos é preciso pagar à parte e o preço aumenta à medida que se distancia mais das cidades. A água da ducha pode ser aquecida a gás ou por energia solar. Se for a gás o banho é ótimo, com a água bem quentinha. Se for com energia solar a água fica morna ou quase fria no fim da tarde ou em dias de céu encoberto. VACINAS Nenhuma vacina é obrigatória para entrar no Nepal porém é bastante recomendável tomar/atualizar as vacinas de febre tifóide e hepatite A pois a transmissão dessas doenças se dá por água e alimentos contaminados. Nenhuma das duas está disponível na rede pública no Brasil, é preciso pagar em um clínica particular. Eu aproveitei para atualizar todas as outras vacinas recomendáveis: tétano, difteria, hepatite B, gripe, antirrábica e febre amarela. VIAJANDO DE ÔNIBUS NO NEPAL Os ônibus em que viajei no Nepal eram genericamente chamados de "local bus". Parece que há os tipos express, super express, mas não sei dizer a diferença. Todos eram muito lentos, apertados e sem banheiro. A dica que quero dar aqui é sempre pedir um assento no meio do ônibus. Os bancos do fundo pulam demais por conta das estradas de terra cheias de buracos e pedras. O último banco é muito mais desconfortável que qualquer outro - evite! Os bancos da frente não são muito convenientes porque é um entra-e-sai constante de pessoas, bagagens, sacos, etc. São feitas algumas paradas para banheiro durante as longas viagens, mas é bom não tomar muito líquido para não passar aperto. Em todas as viagens a mochila sempre ia comigo, o que era também um transtorno. Ônibus para Jiri e Shivalaya no terminal do Ratna Park PEDINDO INFORMAÇÃO DURANTE O TREKKING Não quero generalizar sobre esse assunto mas vou falar da minha experiência. Concluí que não é muito útil pedir informação aos nepaleses durante a caminhada. Ao necessitar de informação sobre o caminho o melhor é perguntar aos trilheiros, melhor ainda aos trilheiros independentes pois estes estudaram os mapas e sabem o nome das vilas de onde vieram e para onde estão indo. Trilheiros com guia muitas vezes não sabem nada também. Por que não perguntar aos nepaleses já que vivem ali? Em geral eles são bem confusos na explicação, alguns dão informação errada, muitos não entendem a pergunta e falam qualquer coisa. Geralmente eles sabem só o inglês necessário para falar sobre o quarto e a comida, ao serem questionados sobre as condições do caminho não entendem e não sabem explicar. Além disso, nepaleses têm a tendência de responder sim a tudo por cortesia (um não pode ser considerado indelicado), portanto não se deve perguntar: o caminho para a próxima vila é este? pois eles provavelmente vão responder sim. É melhor perguntar: qual é o caminho para a próxima vila? nesse caso eles não podem responder simplesmente sim. Depois confira a informação com outras pessoas, não confie na primeira informação que obtiver. CALENDÁRIO O Nepal usa um calendário diferente chamado Sambat. Neste ano de 2018 do calendário gregoriano eles estão no ano 2075. Em algumas situações eles podem usar a data do calendário Sambat em lugar do gregoriano. Comigo aconteceu de preencherem uma passagem de ônibus com essa data. NAMASTÊ O cumprimento habitual no Nepal é a palavra namastê. Questionei algumas pessoas sobre o significado dessa palavra e eles respondem que é somente um olá. Mas namastê tem um significado mais espiritual e literalmente quer dizer: Eu saúdo o divino dentro de você, Eu me curvo ao divino em você, O sagrado em mim reconhece o sagrado em você, O divino em mim se curva ao divino dentro de você, entre outros significados. Rafael Santiago dezembro/2018 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  25. 2 pontos
    PLAY Antes de prosseguirem, devo avisar que na época, agosto de 2018, tinha montado um roteiro saindo de Rondônia ondo moro, depois seguiria até Cusco no Peru pelo Acre, então faria Ayacucho, Ica, Arequipa e Puno – Peru, atravessando o Titicaca e já em terras bolivianas tinha pretensão de fazer Cobacabana, La Paz, Potosi e Uyuni onde atravessaria o salar até chegar ao Chile para fazer o Atacama e terminaria em Santiago onde já havia me aplicado como worldpackers para o começo de outubro pelo período de um mês, até então não tinha ideia de como voltaria para o Brasil, mas para iniciar a viagem marquei a data quase para o fim de agosto, tinha a intensão de ficar dois meses viajando, mas na verdade não tinha data certa pra voltar, ela seria quando o dinheiro, R$ 7.000,00, chegasse ao fim, mas o que ocorreu foi bem diferente do que “planejei” inicialmente. A viajem durou 45 dias e o roteiro foi bem mais enxuto, pode parecer loucura mas além de acreditar em algo como “o destino” haha, as coisas estaticamente planejadas nunca funcionaram muito bem pra mim, hoje depois de meses findados o mochilão, não alteraria em nada o que fiz, mas não recomendo a ninguém que saia sem um norte bem definido pra países onde não dominam a língua e costumes, tenha em mente um bom e detalhado planejamento que tudo ficará muito mais seguro e fácil. Foi na manhã de 13 de setembro, uma quente quinta-feira, que acordei decidido, comprei minha mochila de ataque, já que a quê escolhida na internet ainda não havia chegado – acabei comprando uma mochila porta notebook com três repartições, uma para os remédios, a outra para os produtos de higiene e a maior para roupas, minha pasta de papéis e documentos além do caderno –, como a previsão de entrega dela e de outras duas blusas de frio estavam marcadas apenas para a próxima semana, resolvi que aquele seria o dia de iniciar o mochilão, pois cada vez mais as chances de pegar Machu Picchu sem chuvas diminuíam e tinha data marcada para estar em Santiago, ao chegar em casa foi o tempo de montar o mochilão e a mochila seguindo uma lista já determinada em outros relatos, tomar um bom banho, recontar o dinheiro e colocar na doleira presa ao corpo, calçar o coturno ainda bem desengonçado e pedir pro meu irmão me levar até a rodoviária logo após o almoço. Enquanto ele dirigia, e só nesse momento, bateu aquela incerteza e eu exclamei em voz alta: - Mano o que eu estou fazendo! O coração deu aquela acelerada básica, mas meu sorriso não conseguia desaparecer dos lábios, acho que no fundo, sabemos que é algo pleno, realmente mochilar é único e incrível. Cheguei à rodoviária por volta das 13h30min, o objetivo era pegar o primeiro ônibus rumo a capital Porto Velho, tinha que parar por lá para pegar um embrulho com uma amiga, nele estavam minha jaqueta corta vento, o gorro e as luvas – como só na capital tem uma loja física de uma grande rede de produtos esportivos no qual fiz o pedido pela internet, e a retirada na loja incluía frete grátis e rápido, já entenderam a escolha, – achei que conseguiria arranjar tudo até as 21h00min no máximo, quando pretendia sair de Porto Velho rumo a Rio Branco e de lá em outro ônibus rumo a Assis Brasil, divisa com o Peru, de Assis iria para Iñapari de moto-táxi e de lá para Porto Maldonado, aonde em outro ônibus chegaria a Cusco ao amanhecer, (esse roteiro de Rio Branco para Cusco vou explicar com detalhes só ao fim do mochilão, porque meus planos se alteraram completamente). Extremamente ao contrário do que ocorre com frequência, não havia ônibus saindo com horários quase imediatos para a capital, o próximo ônibus só sairia às 15h30min e era o que fazia o percurso mais longo por conta das paradas, muito bem, as coisas ainda não estavam completamente perdidas, pois de Rio Branco para Assis poderia pegar um táxi e conseguiria compensar o tempo perdido. Quando cheguei à capital eram 22h30min, mandei mensagem pra minha amiga e nada, ela estava em um tratamento onde os remédios muito fortes a faziam apagar por completo, tinha a opção de seguir sem os produtos e sem minha identidade, que tinha deixado com ela para poder fazer a retira na loja, ou esperar e esperar e esperar mais um pouco, e foi o que eu fiz. Não posso dizer que dormi na rodoviária, mas quase, quando amanheceu só consegui falar com minha amiga as 07h00min, as 07h20min estava na casa dela pegando tudo e já retornei pra rodoviária, antes passei no banco pra fazer um depósito de R$ 400,00, já prevendo que precisaria ter alguns centavos na conta pra quando voltasse ao Brasil, olha um quase planejamento ai de novo, mas acho que era mais instinto mesmo. Pois bem, ainda durante a noite tinha avaliado a situação, eram duas opções coerentes e uma nem tanto, na primeira poderia seguir para a fronteira e pousar por lá mesmo, uma vez que só chegaria a Assis Brasil a noite, então seguiria para o Peru e depois Cusco onde deveria chegar apenas no sábado pelo anoitecer, algo do qual não me atraia nem um pouco, não só por ser de noite, mas também, pelo fato de ter que excluir parte das cidades que queria conhecer no Peru e Bolívia, uma vez que tinha data certa para estar em Santiago e a perda de alguns dias com o atraso em começar a viagem já me tinham feito cortar Ayacucho, Puno e Potosí do roteiro original, agora teria que novamente readaptar o roteiro e cortar alguns dias em La Paz ou no Atacama, detalhe, se quer havia comprado as entradas para Machu Picchu, pois esperava deixar para ir à cidade perdida dos incas nos dois últimos dias, dos nove, que pretendia ficar em Cusco. Mas isso era muito arriscado, porque em determinadas épocas do ano há uma grande procura pelos bilhetes que também são vendidos pela internet, e há um limite diário de pessoas que podem adentrar a cidadela junto com uma das montanhas – que era meu objetivo – se quer uma noção, os bilhetes para subir conjuntamente a montanha de Machu Picchu já estavam reservados até o mês de outubro, só restando à possibilidade de encontrar ingressos conjunto para Huayna Picchu. Dica: Desde o começo deste ano, 1 de janeiro de 2019, novas regras entraram em vigor para a entrada em Machu Picchu e arredores, por isso informe-se antes da viagem em sites e relatos atualizados, pois essas mudanças ocorrem frequentemente, logo um relato de dois ou três anos atrás talvez não sirva mais como base para conseguir os ingressos e acessar a cidadela e arredores, neste link do site Viaje na Janela há informações das mudanças recentes, vale muito a pena conferir. A segunda opção, ainda dentro dessa lógica, era chegar a Cusco pela manhã de domingo, mas ao invés de ir trocando de ônibus e parando em Rio Branco, Assis, Iñapari e Porto Maldonado até chegar a Cusco, poderia esperar até as 22h00min e pegar o Expresso Ormeño, um ônibus que sai do Rio de Janeiro e corta o Brasil de leste a oeste passando por Rondônia e Cusco até parar em Lima, é a mais longa viagem de ônibus do mundo, no entanto ainda há poucas informações por parte da própria empresa que é peruana, e que possui poucos guichês em rodoviárias pontuais apenas, Rio de Janeiro, São Paulo, Campo Grande, Cuiabá, Porto Velho e Rio Branco, sendo que em Porto Velho não consegui localizar o espaço físico deles, apenas o número para contato, também a uma Pagina no Facebook e o home page com domínio peruano, ainda assim os relatos que li sobre a empresa e as condições da viagem não eram os mais favoráveis, acabou que nem segui adiante com a ideia de pegar o ônibus, por isso não posso detalhar sobre valores, condições e nem sobre a estrutura da viagem. A terceira e última opção era a mais absurda e coincidentemente atrativa para mim, antes de detalhá-la vou me justificar, nessa altura estávamos acabando de iniciar a campanha eleitoral e o dólar subia a galope desvalorizando ainda mais o real, meu único compromisso fixo era em Santiago, não havia comprado os ingressos pra Machu Picchu, e já estava batendo de ombros para a época de chuvas, e por fim, ao invés de começar minha viagem pelo Peru agora teria a opção de terminar ela por esse país, assim não precisaria cortar as cidades que tinha listado e conseguiria fazer um percurso de volta para o Brasil, mais ou menos de forma triangular, ao invés de uma linha não reta, mas que findaria em Santiago e de lá teria que me virar para voltar e certamente não teria dinheiro para isso, a solução era óbvia, se ao invés de iniciar minha viagem pelo Peru eu o fizesse pela Bolívia, eu resolveria todos os problemas de uma única vez, e por acaso, uma semana antes essa possibilidade se tornou viável, mesmo que se quer eu a cogitasse então. Em uma das pesquisas sobre La Paz, descobri o @Ronaldo Buh – obrigado por postar seu relato mano – um mochileiro aqui do meu estado que havia feito a rota a partir da fronteira de Rondônia até a capital boliviana – até então eu nem imaginava que isso era possível – claro que não há almoço grátis, e o relato do Ronaldo era bem realista e intimidador a princípio, uma estrada de terra, ônibus nada confortáveis, aliados a curvas e abismos interessantes no mínimo, mas isso me parecia muito tentador, então não é nem preciso dizer que não pensei muito e fui até o guichê de uma das duas empresas que faziam a rota para a cidade fronteiriça com a Bolívia a leste do estado, assim como também baixei rapidinho o relato para refrescar a memória e servir de base, o ônibus só partiria as 10h00min com previsão de chegada em Guajará Mirim as 16h00min, enquanto não dava o horário de partida, partiu tomar um café da manhã e esperar. Ao chegar à rodoviária de Guajará-mirim estava ainda bem atrapalhado com o mochilão, a mochila de ataque e a sacola com os produtos que peguei com minha amiga e não consegui arrumar nas mochilas, de cara um taxista se ofereceu pra me levar até o porto, e o gênio aceitou na hora, sem pelo menos sair dos arredores e pegar um táxi fora da rodoviária, já sabem a facada que foi, mas de boa. Chegando ao terminal portuário a uma sala reservada para a Polícia Federal, assim como para a Receita, mas a Polícia ainda não havia se transferido para lá, muito bem, voltei para o ponto e peguei um moto-táxi até o a delegacia da PF, por sorte ainda estava em funcionamento, já eram quase seis horas da tarde – na delegacia entreguei meu passaporte e a identidade, o procedimento é rápido e gratuito, acredito que para fins de controle apenas, é informado no sistema e carimbado a data no passaporte –, com o mesmo moto-táxi retornei para o porto comprei o bilhete e fiz a travessia em um dos barcos até o lado boliviano, onde agora não estava como comprador de fim de semana ou paciente de consulta médica, pela primeira vez desde que comecei a viagem, me sentia um mochileiro de verdade, passaporte carimbado, e prestes a entrar em terras não brasileiras, a aventura estava apenas começando. GASTOS: Dias 13.09 e 14.09 Passagem de Ji-Paraná para Porto Velho – R$ 102,00 Lanche (rodoviária de Ariquemes) – R$ 7,50 Óculos de sol e cadeado (na pressa esqueci meu óculos de sol em casa e precisava de um cadeado pro mochilão, o jeito foi comprar ambos em uma lojinha na rodoviária aos quarenta e cinco do segundo tempo) – R$ 50,00 Guarda volumes (além da espera na rodoviária, não ia até a casa da minha amiga – até então sem saber onde era – com o mochilão nas costas) – R$ 5,00 Água – R$ 3,00 Caridade (leia-se uma travesti muito pimpona que queria fugir comigo) = 7,00 Café da manhã – R$ 15,00 Passagem de Porto Velho para Guajará-Mirim – R$ 70,00 Táxi da rodoviária de Guajará até o terminal portuário – R$ 20,00 Moto-táxi do terminal portuário até o posto da PF e da PF ao terminal – R$ 10,00 Bilhete de travessia pluvial para Guayaramerín – R$ 8,00 Total dos gastos – R$ 297,50 até a chegada na Bolívia.
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