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Conteúdo Popular

Mostrando conteúdo com a maior reputação desde 20-05-2018 em todas áreas

  1. 7 pontos
    Sempre quis sair da bolha e explorar um mundo que ia além da minha janela. Assim, embarquei em rumo à uma aventura com a mochila nas costas e fui vagar por um país vizinho, afim de me deliciar com o que a vida prepara pra gente. Enquanto me planejava, era questionado diversas vezes do porquê de ir à Bolivia; porque não para outro país “melhor”; o que fazer num país que não havia nada ou até mesmo se não havia outro país mais bacana mesmo com a moeda mais desvalorizadaem relação à nossa. Hoje vejo com mais clareza o preconceito e o estereótipo que ronda sobre a Bolívia, porém, no fundo, nada disso me importava. Sem nada reservado nem comprado com antecedência, adquiri a passagem aodesconhecido. Então, o sentimento de liberdade descomunal reinou. É libertador sentar ao lado de pessoas que nunca se tenha visto e as ver te ajudar com todo amor e disposição, cuidar de você como se fosse da família e escutar sobre suas histórias, seus romances, suas dificuldades, suas dores e – principalmente – seus sonhos. Entender sua história e sobretudo, deixar as ignorâncias e preconceitos de lado com essas experiências, mostra como, independente do canto do mundo, todo ser humano é igual. Sempre há um trauma, uma dor, uma necessidade de ser amado e de buscar a felicidade, da maneira que te faz bem. Ver o humano que existe dentro de cada uma destas pessoas, me fez ter a noção exata do espaço que eu ocupo neste vasto mundo e perceber o que é necessário carregar no peito e o que se deve deixar pra lá. Olhar pra dentro das pessoas é aprender ao mesmo tempo, sobre o outro e sobre si mesmo. A Bolívia é o país mais pobre da América do Sul e já seria evidente pelos perrengues e principalmente pelos aprendizados. A singeleza estampada no rosto das pessoas, nas roupas e no modo de viver é um choque de realidade absurdo e o aspecto que torna esse país rico é sem duvidas, a simplicidade com que se leva a vida. As barracas de pano, as tendas de sanduiche no meio das ruas, a infraestrutura básica, pessoas comendo sentadas na calçada, os ônibus velhos sem cinto de segurança, os táxis e micros – que se parecem teletransportados dos anos 60 – caindo aos pedaços ou os rostos queimados devido às altitudes elevadas e à falta de condições para comprar protetor solar. Percebi como nesse país se leva as coisas da maneira que se pode levar, sem status exacerbados ou superficialidades desnecessárias; simplesmente de uma forma singela de garantir o básico da vida: a felicidade e o bem estar. Uma das sensações que mais me atinge quando bate a saudade desse país e gente que amo, é a insignificância e o anonimato. No nosso microcosmo cotidiano, nos afogamos num pires com frequência. Nos sentimos perseguidos por coisas que, muitas vezes, não possuem sentido ou sem nem saber o que realmente nos persegue. Viajar sozinho para outro país, com um idioma que eu não dominava, uma cultura completamente oposta e um preparo – quase nulo – de mochileiro de primeira viagem, me fez enxergar melhor esses incômodos e me proporcionou a autopercepção de ser só mais um cara vagando por aí, buscando ser feliz e realizar os sonhos do coração, como todos os outros 7 bilhões. Caminhar sem rumo no meio de um deserto onde só se vê vulcões de um lado e mais paisagens surreais do outro; absorver a beleza do céu refletido no Salar; perambular sem destino pelas vielas de Sucre e nas ruas de La Paz; interiorizar o silêncio das montanhas ou a laucura das buzinas desenfreadas de Santa Cruz, além de ficar em uma rodoviária com 27 pessoas por metro quadrado; tudo isso me trouxe uma noção exata do espaço que eu – e meus problemas diários – ocupam nesse mundão: basicamente zero. Nada melhor. Essa passagem pela Bolívia me conectou com a essência que se via aprisionada pela padronização de ideias e costumes. Essência essa de viver apenas com o que é essencial, sem se importar tanto com que pensam sobre nós, sabendo que a sua vida é apenas sua. A não carregar julgamentos, preconceitos ou ignorâncias nas costas, e entender que todos somos seres humanos buscando as mesmas coisas em todos os lugares do mundo. A ser mais simples, porque existem pessoas que nem isso possuem; e tentar levar a vida de uma forma mais leve e simplificada, procurando sempre a melhor versão de mim e ter empatia pelo próximo: pessoas como nós. E enxergar que o que há de mais precioso no mundo, é o que existe no coração de cada um. Ali eu soube como queria viajar e de que maneira caminhar. A Bolívia foi o começo de tudo. - se alguém quiser coloco detalhes de roteiro, custos ou dicas
  2. 2 pontos
    Salve galera, tudo tranquilo? Sou Adão, moro a 60km de Maceió, em São Miguel dos Campos.. ano passado mochilei durante 4 meses junto a um projeto de um irmão do Sul, numa kombizinha, onde se resumia em uma "feira de livros" (venda/troca/arrecadação/doação), aprendi bastante durante esse tempo, mas ainda me sentia preso por conta que tinha todo o processo de firmar parcerias, e acabava demorando cerca de 3 semanas em cada cidade. Em novembro voltei em casa e me acomodei até hoje, mas sinto a necessidade de voltar para a estrada, sem compromissos, em liberdade, saca? E de uma maneira roots, sem dependência de "terceiros"... tô sem muita grana, e tudo que eu tenho é uma barraca guerreira e coragem de sobra, tô na procura de companhia p essa trip, a intenção é conhecer o nordeste, mas tb disposto a novos lugares/ideias. Vamo compartilhar essa trip?! 82 993156153
  3. 1 ponto
    O ‘Caminho da Mata Atlântica’ (CMA) é uma trilha de longa distância que terá cerca de 3.000Km passando e passará pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, conectando áreas naturais e Unidades de Conservação. A informação está no site do caminho que é uma iniciativa do […] The post Trilha pela Mata Atlântica terá 3.000Km e percorrerá 5 estados brasileiros appeared first on Mochileiros.com/Blog. Visualizar artigo completo
  4. 1 ponto
    Alguem com interesse em trip pela california em setembro de 2018?
  5. 1 ponto
    Olá pessoal, Vou passar um breve resumo da viagem à San Pedro de Atacama que eu e minha irmã fizemos em agosto/2017. Compramos voo da Avianca saindo de São Paulo para Santiago e de Santiago à Calama compramos com a Sky Airline, quando compramos as passagens compensou comprar trechos separados, mas deixamos um tempo de mais ou menos 4 horas entres os voos, para não correr o risco de perder a conexão, já que compramos separados. Importante: compramos voos separados e deixamos um intervalo de 4h entre a conexão, foi a sorte, porque além do atraso da Avianca ficamos um bom tempo na fila para fazer a migração, então se for comprar trechos separados, deixe um intervalo de 4h a 5h ou compre a passagem daqui do Brasil até Calama, a Latam faz esse trecho e não precisa se preocupar se perder a conexão. Em Calama tem várias empresas que fazem o transfer para San Pedro do Atacama e todas têm praticamente o mesmo valor $12.000 ida ou $20.000 ida e volta, todos os transfer te deixa na frente do hostel e a viagem dura em média 1h20min. Chegamos em San Pedro de Atacama no dia 19/08 por volta das 22h e como estávamos com fome, fomos ao centro para comer e comprar água, pois como o deserto é muito seco seu corpo pede por água. No centro tem muitas opções de restaurantes, é até difícil de escolher. Nosso hostal ficava umas 8 quadras até a praça principal, mas como SPA é uma cidade tranquila, não tem perigo andar tarde da noite pelas ruas. No dia 20/08 pela manhã voltamos ao centro para pesquisar os passeios. Primeiro fomos na Grado 10 que já tínhamos pesquisado aqui pelo Brasil e gostamos, porque os passeios é feito em um caminhão adaptado (tipo safári) e algumas outras vantagens, porém a atendente nos avisou que o caminhão iria entrar em manutenção no outro dia, então acabou o encanto, mas também não escolhemos eles devido terem apenas 4 passeios e o preço não era atraente, por isso desistimos deles. Passamos em outras agências, algumas os preços eram mais baratos, mas a que mais chamou nossa atenção foi a Agência Flamingo, por vários motivos: 1º Atendimento, quem nos atendeu foi a Sandy, ela foi muito atenciosa e fez um roteiro para nós conforme já havíamos planejado. 2º Eles tem o motorista e o guias, geralmente as outras agência tem apenas o motorista. Nosso guia foi o Leonardo, super atencioso, explicava toda parte de geologia e curiosidade do deserto, ele fala espanhol, mas dá para entender perfeitamente. 3º Café da manhã, escolhemos a agência pelo café da manhã rsrsrsrs, acreditem é muito importante ter um pão baguete e crossaint (amo de paixão o Chile e já fui outras vezes, mas o pãozinho deles é difícil...rsrsrsr). No dia 20/08 no período da tarde fizemos o Valle del Luna, não vou entrar a fundo sobre cada passeio, pois todos tem suas particularidades e beleza, cada um tem uma visão diferentes, eu em particular jamais imaginei que um dia veria tamanha beleza. Por isso é importante o guia, ele nos contava cada detalhe dos lugares. O Por do sol no final desse passeio é deslumbrante. Dia 21/08 fizemos Piedra Rojas, o passeio foi o dia todo, portanto tivemos café da manhã e almoço. No mesmo dia no período da noite fizemos o Tour Astronômico, esse passeio não tenho palavras para descrever o quão maravilhoso foi, nunca imaginei ver o céu como eu vi, era tão estrelado e tão magnifico você poder enxergar tudo aquilo. Dia 22/08 fizemos o famoso Geysers Del Tatio, é impressionante o poder da natureza, de como ela consegue te surpreender, o que impressiona também é o frio, nunca senti tanto frio e olha que estávamos com muita roupa, quando chegamos nos Geysers estava -12° sensação térmica de -30°, só posso dizer que era muitoooo frio, mas não demorou muito para o sol nascer e dai deu uma amenizada e não ficou tão ruim assim, mas sem dúvida a natureza viva e respirando a sua frente compensa todo o frio. No dia 22/08 a tarde fomos relaxar nas Termas de Puritana, esse é outro lugar perfeito, com aquela água quente, cachoeiras e uma vista perfeita. Dia 23/08 fizemos o Salar de Tara, esse é mais um dos lugares que você se sente tão pequeno, pois os lugares são tão grandiosos e tão perfeitos que a gente acaba achando que é uma miragem do deserto. Em SPA tem outros passeios, mas infelizmente não podíamos fazer mais nenhum devido ao tempo que planejamos. Tivemos o prazer de conhecer pessoas do bem e poder compartilhar dos mesmos sonhos e que ficamos amigos. Dicas importantes: Compre roupa segunda pele, ela será praticamente sua 1ª pele…rsrsrsrs Leve touca, luva, cachecol, lenço e uma boa jaqueta que corta o vento. A pele resseca muito, então não adianta manteiga de cacau, leve pomada mesmo, nós levamos Bepantol e outras pomadas, foi o que nos salvou. O nariz arde muito devido o tempo seco, então leve alguma coisa para hidratar. Não tenha frescura com pó, é o que mais tem lá. Beba muita água. Alguns passeios o banheiro é ao natural, então carregue papel para se limpar. Hospedagem - Hostal Sol y Viento - Quarto duplo com banheiro privado. De 19/08 a 23/08 pagamos aproximadamente $130.000 (+ ou – R$ 660,00) Quarto sempre limpo e chuveiro a gás, muito bom. Transfer de Calama SPA Calama – Pampa Agência de Turismo – Flamingo. San Pedro de Atacama foi algo surpreendente e inesperado, tínhamos um pouco de noção de como era, mas as característica dos lugares foi surreal. Vale muito a pena conhecer. Espero ter contribuído um pouquinho. Bjos
  6. 1 ponto
    Passagem de avião não tem segredo, só entrar no www.skyscanner.com e ver qual empresa está oferecendo os melhores preços e horários nos dias que você precisa, e depois é só comprar uns 60 ou 90 dias antes, para garantir os melhores preços. Só tente evitar voo saindo muito cedo, antes das 08:00 da manhã, ou chegando ao destino depois das 23:00, por que nestes horários não há mais transporte publico para o aeroporto, e você tem que pagar caro num táxi, que muitas vezes custa mais caro que a passagem de avião. E se possível evite o aeroporto de Beauvais em Paris, e barato, mas fica lá na pqp, 3 horas e 25 Euros para chegar no centro de ônibus...
  7. 1 ponto
    Bom dia Galera!! Sou do Rio de Janeiro e quero fazer a minha primeira viagem para fora do Brasil, agora em 2018. Por enquanto estou sozinha. Me apaixonei pelas propostas de chile, Bolivia e Peru. Tenho um roteiro sendo montado, quero algumas aventuras nesses países. A principio serão de 10 a 15 dias. Dentre os destinos já amorizei o deserto do Atacama, Downhill na Bolivia, chacaltaya e deserto de uyuni. Se alguém quiser fazer parte ou dar dicas do que posso estar incluindo nesse roteiro, agradeço e será muito bem vindo.
  8. 1 ponto
    Voei ontem de Cusco a Lima com passagem classe ECONO comprada no site da Latam Peru e foi tudo normal, sem taxas.
  9. 1 ponto
    Estive em Curitiba e arredores no último feriado e adorei demais a cidade. Fiz um relato com algumas dicas de roteiro e valores, se quiserem ler para ajudar em algo: https://www.mochileiros.com/topic/75112-curitiba-litoral-do-paraná-estrada-da-graciosa-morretes-e-antonina-fotos-e-valores/
  10. 1 ponto
    Fala gentem, eu nunca peguei carona em veleiro mas ainda vou fazer isso. Conheci algumas pessoas q fizeram isso. Inclusive tem um site - na verdade tem mais mas eu nao conheco - especializado nisso. chama findacrew.net q vc ve la em q lugar do mundo esta e pra onde quer ir e acha um veleiro indo naquela direcao. Nao precisa necessariamente saber velejar, mas ajuda com certeza. A graaaande maioria eh nao remunerado ou vc tem q pagar rango a as vezes ate estadia. Logico q eh um tipo de carona pra quem tempo nao eh problema. To querendo ir pra africa ano q vem passar de 3 a 6 meses e estou pensando seriamente em ir de carona movida a vento. Fora o glamour de pensar q vc esta se deslocando grandes distancias sem emitir uma grama de carbono vindo de combustiveis fosseis. Sabiam q os avioes sao um dos principais responsaveis pelo aquecimento global? E o veleiro nao faz barulho, os unicos barulhos sao a agua no casco e o vento na vela. Isso eh demais!! Se alguem tiver algum tipo de experiencia, sugestoes ou opinioes manda ver!
  11. 1 ponto
    Olá,busco cia se possível acima do 30 para viagem no mês de Setembro ou Outubro,tenho disponibilidade de 30 dias. Não montei roteiro ainda,porem alguns lugares que gostaria de conhecer África do sul + Ilhas Mauricius ou Zanzibar. Egito + Marrocos México + EUA. Meu estilo de viagem e curtir bem o dia , Fotografar e a noite,descansar.
  12. 1 ponto
    Iae mano, animo toda hora sou Mineiro e ja tenho um roteiro todo arrumado c quiser envio para vcs, vou levar um ukulele pra ver c rende uma grana na estrada, e dormir em barracas não albergues, mais poderei ir somente no final do ano, c animarem me esperar, ou tiverem na estrada ainda podemos nos encontrar.
  13. 1 ponto
    Ótimo relato! Realmente as agências estão cobrando um preço bem alto. Sem contar que alem de tudo tem que dar uma "vaquinha" para os guias e cozinheiros ahaha Alguém vai fazer essa trilha em Agosto?
  14. 1 ponto
    Fomos!!! Estava tudo ok perfeito!!! Depois irei postar aqui. Obrigada!
  15. 1 ponto
    Bem amigos do Mochileiros, crio este tópico com a intenção de facilitar ao máximo o planejamento de quem pretende viajar para a Itália (com um bônus na Suíça) e nunca foi antes, como era o meu caso. Não sei se chamo isso de Guia, FAQ, perguntas e respostas, etc...mas como dizem que o diabo mora nos detalhes, resolvi compartilhar com vocês todos os detalhes que não encontrei em nenhum site/blog de viagens enquanto estava planejando a minha viagem (embora alguns tenham sido bem prestativos de fato e irei mencioná-los ao longo do relato). Não vou entrar em detalhes sobre as atrações em si, a internet já está inundada de informações quanto a isso e a grande verdade é que a experiência de ver monumentos de mais de 2 milênios de idade é muito melhor do que qualquer foto possa proporcionar. O que vou procurar mencionar é o que vi nelas e/ou no entorno delas que seria legal eu ter sabido de antemão e não encontrei informação prévia. Porém fico desde já à disposição para tirar alguma dúvida sobre algum lugar que tenha estado, basta perguntarem. Como vai ficar muito grande isso aqui, e não estou com tempo de digitar tudo em uma tacada só, vou criar um post para cada um dos temas abaixo: 1 - Preparativos gerais / Roteiro 2 - Cia aérea / Vôo 3 - Aeroportos e Imigração 4 - Hospedagem 5 - Transporte Público 6 - Alimentação 7 - Atrações 8 - Segurança e sociedade Em cada seção haverá o maior detalhamento possível de preços/horários/localização dos serviços. Bom, vamos lá.
  16. 1 ponto
    Levar Dolár é fazer economia de palito, no final nao faz diferença nenhuma entre o Dolar e o Real !
  17. 1 ponto
    Torre na ponta oeste do Cânion do Espraiado O tracklog desta travessia está aqui: Travessia do Campo dos Padres e Cânion do Espraiado (SC).gpx Para visualizar no Google Earth: Travessia do Campo dos Padres e Cânion do Espraiado (SC).kmz Esse extenso relato descreve uma travessia pelo setor norte da Serra Geral, começando no povoado de Pedra Branca (município de Alfredo Wagner-SC), passando pelo Campo dos Padres e Cânion do Espraiado e terminando no belo vale do Rio Canoas, a 30km do centro de Urubici-SC. Levei oito dias para completar esse roteiro pois não conhecia o caminho e tinha relatos e tracklogs apenas de alguns trechos. A ligação entre esses trechos foi feita através de caminhos desenhados no Google Earth e gravados no gps. Mas na hora H valeu muito a navegação visual também, e para isso tive muita sorte com o tempo, com quase todos os dias limpos e abertos. Porém nada disso me livrou de alguns caminhos errados, o que me fez perder bastante tempo. Explorações de possíveis atalhos e outras trilhas também me tomaram um tempo considerável. Certamente é possível fazer esse roteiro em menos tempo tendo o tracklog completo e correto na mão. Ou ainda eliminando algum local (ou mais de um) do roteiro que signifique um desvio na rota principal. Antes de partir para o texto, é bom saber que: . as estradas que cito a partir do segundo dia são na maioria restos de antigas estradinhas, todas abandonadas e sem a menor possibilidade de trafegar carro ou mesmo 4x4 pois são muito precárias e em algum ponto estreitam e viram trilha . as trilhas são na maioria caminhos abertos pelo gado que pasta pelos campos de cima da serra já que todo esse percurso que descrevo está dentro de grandes fazendas . as poucas casas e currais que vi pelo caminho estavam desertos, não encontrei uma alma viva a partir do segundo dia (exceto alguns boiadeiros com quem cruzei rapidamente no 4º dia), mas vi algum gado pastando . os nomes de rios e riachos que coloco no texto são baseados nas cartas topográficas do IBGE (links abaixo, nas informações adicionais) e podem não bater com as denominações dadas pelas pessoas da região ou podem mesmo estar incorretos 1º DIA: DO TREVO DE LOMBA ALTA AO SOPÉ DO MORRO DA PEDRA BRANCA As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaDaSerraGeralCampoDosPadresECanionDoEspraiadoSC1DiaAbr13. Paredões do extremo norte da Serra Geral Na rodoviária de Floripa peguei o ônibus das 12h da empresa Reunidas para Lages e desci às 14h35 no acesso ao distrito de Lomba Alta, no km 114 da rodovia BR-282, 10km depois da parada em Alfredo Wagner. A única placa de Lomba Alta na estrada fica virada para quem vem de Lages e isso causou uma certa dúvida em mim e no motorista, mas desci no lugar certo. Altitude de 770m. Caminhei pela rodovia mais 270m, cruzando a ponte sobre o Rio São João, e entrei na primeira estrada de terra à esquerda, junto à placa "Pedra Branca". A estradinha passa por algumas casas aqui e acolá, sobe um pouco e às 15h33 tomo a direita na primeira bifurcação que aparece, subindo um pouco mais e tendo a primeira visão dos paredões do extremo norte da Serra Geral. Vista magnífica! A trilha que sobe esses paredões fica bem no meio do conjunto rochoso e o Morro da Pedra Branca está ligeiramente à esquerda dela. Mas primeiro a estradinha vai percorrer todo o vale do Rio das Águas Frias e depois subir o Rio Santa Bárbara até suas nascentes. Havia muito chão ainda até chegar próximo aos paredões. Após algumas subidas e descidas, passei por um local onde estava acontecendo um ruidoso e animado rodeio, diversão de fim de semana do povo local, com direito a boi bravo dando trabalho e diversas crianças montadas e vestidas a caráter. Às 16h55 fui à esquerda numa bifurcação e com mais 200m passei pela igreja do bairro Pedra Branca, que fica no alto à direita (Capela de São João, segundo a carta). Logo depois encontrei um ponto de água na estrada, fui para a esquerda em outra bifurcação e passei por mais outra fonte de água (essas águas ficam próximas a áreas de reflorestamento e preferi não pegá-las). Às 17h20 sou surpreendido por uma pousada nesse lugar de tão poucos habitantes, a Hospedaria das Montanhas (48-8412-4383), onde parei alguns minutos para um dedo de prosa. Menos de 200m depois alcanço o pequeno cemitério gramado do vilarejo. Até aqui percorri o vale do Rio das Águas Frias. Uns 50m depois de uma ponte de madeira (sobre o Rio Santa Bárbara), fui para a direita na bifurcação às 17h39 e adentrei o vale do Rio Santa Bárbara, um dos formadores do Águas Frias. Cruzei uma porteira, uma casa de madeira vazia à esquerda e logo passo a caminhar pela margem direita do pedregoso Rio Santa Bárbara, por um gramadão com cavalos e vacas. Na porteira seguinte uma placa: "Propriedade particular - acesso mediante autorização do proprietário", que ignorei. Na próxima bifurcação fui para a esquerda pois a direita leva diretamente a algumas casas. Na porteira seguinte, às 18h12, a noite já caía e tratei de arranjar um espaço plano no gramado que margeia o rio para montar a barraca. Do local onde acampei podia ver os paredões claros do Morro da Pedra Branca. Altitude de 887m. Nesse dia caminhei 12,9km. 2º DIA: DO SOPÉ DO MORRO DA PEDRA BRANCA AO EXTREMO NORTE DO CAMPO DOS PADRES As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaDaSerraGeralCampoDosPadresECanionDoEspraiadoSC2DiaAbr13. Paredões do vale do Rio Santa Bárbara Desmontei acampamento e comecei a caminhar às 7h58. Com 200m me deparo com um galpão à frente mas a estradinha continua subindo à esquerda dele. Estradinha essa que vai se tornando um gramado ralo e se transformando numa trilha. Às 8h27 um grande portão de ferro trancado e uma nova placa tentam intimidar quem pensa em passar: "acesso restrito ao proprietário e funcionários - não insista!". Mas insisti. Na bifurcação seguinte fui para a direita, cruzei um riacho, me mantive na esquerda na próxima bifurcação e cruzei mais dois riachos espantando as vacas que estavam por ali sossegadas. Na subida pelo pasto após esse último riacho a trilha desapareceu no capim e me aproximei da mata à frente para tentar encontrar a continuação. Não havia trilha batida ali no final do pasto, então voltei um pouco na direção do riacho e encontrei a trilha à direita, bastante discreta (nas fotos do Picasa fiz uma marcação do início dela). A trilha logo entra na mata e é larga e batida, correndo bem próxima a um riacho (à esquerda) que é um dos tributários do Rio Santa Bárbara. Água nesse início de dia não foi problema (embora a presença do gado a torne meio suspeita), porém é melhor abastecer todos os cantis nesse riacho pois a subida é cansativa e a água só reapareceu para mim no final do dia. Após uma cerca começou às 10h22 a tão aguardada subida da Serra Geral, feita em ziguezagues, na cota dos 1178m. À medida que ganho altitude a visão do caminho percorrido e das escarpas da serra vai se ampliando, cada vez mais bonita. Até que às 11h16 me deparo com uma cerca improvisada de troncos e galhos, nos 1480m. Atravessei-a pensando que o caminho para o Campo dos Padres continuasse depois dela, mas não. Ao cruzá-la atingi a borda da serra, com visual de 360º de tirar o fôlego, e o que encontrei à frente foi o caminho para o Morro da Pedra Branca, que fica à esquerda (norte) de quem sobe a serra. O Campo dos Padres fica ao sul. Como o topo do Morro da Pedra Branca não estava muito perto, descartei a idéia de subi-lo e passei a procurar uma trilha para o lado oposto (sul). Eu estava na beirada da serra e podia ver os imensos paredões da face leste da Serra Geral, mas e a trilha para chegar a eles? Voltei até a cerca de troncos, cruzei-a de volta e percebi uma trilha quase fechada pelas plantas saindo para a esquerda. Entrei nela e galguei uma crista florestada que me lançou às 12h08 num extenso campo, o extremo norte do Campo dos Padres, finalmente. Altitude de 1553m. Ali, próximo aos paredões, tive meu primeiro contato com o urtigão-da-serra (Gunnera manicata), uma planta impressionante, de folhas imensas, nativa da Serra Geral. E também não demorei muito a rever as famosas turfeiras, nome local para um tipo de vegetação rasteira, "esponjosa", que acumula água e é o terror de quem caminha pelos altos da serra catarinense e gaúcha por significarem botas e pés molhados. Os grandes campos de cima da serra parecem a distância locais fáceis de caminhar, mas não é bem assim. Quase sempre são terrenos úmidos ou mesmo alagados, o que causa uma certa dificuldade e cansaço. Junto à borda da serra, na parte mais alta dos campos, costuma ser mais fácil andar pois o solo é menos encharcado e há até trilhas abertas pelo gado que pasta solto ali. Pois bem, atingido o alto da serra passo a caminhar pelo campo sempre próximo à beirada dos paredões e aos focos de mata (pelos motivos acima). O primeiro morrinho que surgiu tentei transpor por cima, mas a vegetação fechou no alto. Voltei e o contornei pela direita mas dei de cara com um precipício. Voltei devagar contornando o morro novamente e encontrei às 16h33 um caminho bem largo à direita, bem junto ao pé do morro. Largo, encharcado e enlameado, um corredor entre as árvores que me lançou em outro campo onde o abismo de um pequeno cânion me obrigou a ir para a direita, encontrando um longo muro de pedra. Cruzei-o por um colchete e comecei a subir o alto morro à frente. A certa altura dessa subida a trilha se divide. Tentei primeiro à direita mas topei com mata fechada, voltei e fui para a esquerda, terminando a subida do morro e reencontrando água logo a seguir, às 17h49. Como sempre, para diminuir o esforço da caminhada fui em direção a um foco de mata junto à borda da serra, a leste. Pelo horário, já estava na hora de montar a casa. Altitude de 1649m. Nesse dia caminhei 9,7km (já excluídos os caminhos errados que tomei e tive de voltar) 3º DIA: DO EXTREMO NORTE DO CAMPO DOS PADRES AO MORRO DO CHAPÉU (OU MORRO DA BELA VISTA DO GHIZONI) As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaDaSerraGeralCampoDosPadresECanionDoEspraiadoSC3DiaAbr13. Morro do Chapéu (ou Morro da Bela Vista do Ghizoni) Desmontei acampamento e comecei a caminhar às 7h46. Tinha um novo morro pela frente e sem muita certeza da direção a seguir quando estivesse no seu topo. Atravessei todo o cansativo campo de turfa até ele, com uma parada para descansar junto a uma fonte de água no caminho. Atingi o sopé do morro bem abaixo de uma faixa de capim que descia do topo, por onde subi e segui uma trilha de boi para a esquerda, subindo mais. Assim, no alto, às 9h22, tive a primeira visão do Morro da Bela Vista do Ghizoni, ou Morro do Chapéu (conhecido pelo formato de seio de mulher), e do Morro da Boa Vista à direita dele, respectivamente terceiro e primeiro pontos mais altos do estado de Santa Catarina (segundo o Anuário Estatístico do Brasil 2012, do IBGE - http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/20/aeb_2012.pdf). Porém entre mim e eles havia o imenso cânion do Rio Kuhl, cujo vértice fica do lado esquerdo. Fui então para a esquerda (leste) e comecei a procurar algum caminho na mata do meu lado direito que me levasse na direção do vértice desse grande cânion. Acabei encontrando um totem de pedras que sinalizava uma trilha de vacas que descia e adentrava a mata. Ótimo! Mas antes aproveitei a proximidade do Morro Perdido (assim chamado no site Wikimapia) e fui subi-lo, bastando continuar no sentido leste/nordeste. No topo, às 10h20, encontrei um marco geodésico e o penhasco da borda da Serra Geral. 1760m de altitude. Porém gastei mais de uma hora ali na expectativa de a neblina se dissipar para ter uma paisagem melhor para as fotos e poder navegar visualmente, planejando o melhor caminho até o Morro do Chapéu entre campos e focos de mata. Só às 11h40 voltei ao totem e entrei na trilha que me levaria ao vértice do cânion. Ela está bem marcada pela passagem das vacas mas com a vegetação um pouco fechada, com muitas samambaias num certo trecho. Saí da mata às 12h17 e me aproximei da beirada da serra (à esquerda) novamente para mais fotos, agora com neblina zero. Acompanhei a borda por uma trilha e cheguei às 13h08 a um muro de pedra pequeno onde desci, atravessando um trecho de mata de pouco mais de 100m sem dificuldade. Lá embaixo mais um campo de turfeira me esperava. Procurei contorná-lo pela esquerda, mas não era melhor do que pelo meio, ou seja, tudo afundando e encharcado mesmo. Só ao me aproximar da beirada do paredão é que encontrei um caminho seco. No alto à minha frente visualizava uma longa crista que deveria subir para alcançar o Morro do Chapéu, que se eleva na extremidade direita dela. Mas para chegar lá parei um pouco para estudar o melhor caminho entre as extensas faixas de mata da encosta dessa crista. Subi ao primeiro platô pela única passagem existente e prossegui para a direita em nível por um 400m, passando por três fontes de água (as últimas desse dia). Voltei a subir forte à esquerda por uma língua de capim baixo que descia do topo, seguindo em parte trilhas de vaca. Às 15h26 alcanço o alto da longa crista (do Morro do Chapéu) e continuo caminhando em direção ao outro lado dela, onde passo a ter visão de um novo e imenso vale e de mais uma porção da borda da Serra Geral, um pouco mais ao sul, com predomínio de campos, pastagens e alguns morros, incluído aí o Morro do Campo dos Padres (1790m). Mas o que me chama mesmo a atenção nesse momento são os gritos de um boiadeiro direcionando o gado já que não via ninguém desde a tarde do primeiro dia da travessia. Esse local é o vale do Rio Campo Novo do Sul, mas ainda não conseguia ver o rio propriamente dito, teria de caminhar mais um pouco para sudoeste para conseguir vê-lo serpenteando lá embaixo. Tomei a direção do Morro do Chapéu (lembrando aqui que eu já estava na crista dele) e mais no alto pude ver às 16h06 uma casa de fazenda bem aos pés do Morro do Campo dos Padres, e também o Morro da Boa Vista a sudoeste. Aproximei-me do Morro do Chapéu, terceiro ponto mais elevado do estado, e o contornei pela esquerda, não o subi. Ao contorná-lo me aproximei da beirada dessa crista e pude visualizar lá embaixo as curvas do Rio Campo Novo do Sul, cortado pela estradinha precária que leva à casa da fazenda. A seguir eu deveria descer até essa estradinha, caminhar um pouco por ela na direção da casa e subir a crista seguinte tendo como objetivo o Morro da Boa Vista. Havia ainda cerca de uma hora de luz natural mas resolvi parar ali no alto mesmo pois corria o risco de acampar ou me aproximar muito da casa da fazenda e talvez não ser bem-recebido. Montei a barraca então aos pés da face sul do Morro do Chapéu. Altitude de 1745m. Nesse dia caminhei 8,8km (na verdade, andei um pouco mais pois tomei alguns caminhos errados). Importante dizer que a estradinha que avistei continua para oeste e liga a fazenda à cidade de Bom Retiro, servindo portanto como um acesso mais rápido ao Morro do Chapéu ou mesmo uma rota de fuga para essa minha travessia. Mas são 30km dali até Bom Retiro. 4º DIA: DO MORRO DO CHAPÉU (OU MORRO DA BELA VISTA DO GHIZONI) ÀS NASCENTES DO RIO CANOAS As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaDaSerraGeralCampoDosPadresECanionDoEspraiadoSC4DiaAbr13. Morro do Campo dos Padres e Rio Canoas Desmontei acampamento e comecei a caminhar às 8h. O meu primeiro objetivo desse dia era o Morro da Boa Vista, que eu podia ver claramente do local onde acampei, porém o imenso vale do Rio Campo Novo do Sul se colocava entre nós. Seria preciso contorná-lo pela esquerda (leste). Para ter acesso ao vale eu deveria descer toda a encosta sul da crista do Morro do Chapéu, porém toda ela é recoberta de mata. Procurei um local onde a passagem pela mata fosse menos extensa e encontrei uma descida formada de capim baixo com uma faixa mais estreita de árvores abaixo e depois um pasto com cavalos. Fui por ali e cruzei menos de 150m de mata, sem grandes dificuldades. No pasto com cavalos notei que a estradinha vista ontem saía para a esquerda e passei a caminhar por ela (na verdade, ela atravessa o pasto e continua para a direita, sendo o caminho que vai dar na cidade de Bom Retiro e que pode ser uma rota de fuga, como já mencionei). Mas não andei nem 50m pela tal estradinha precária que fui obrigado a subir o barranco e liberar o caminho pois os boiadeiros vinham na minha direção tocando um grupo grande de vacas e me pediram para sair pois poderia assustá-las. Esse foi o único momento em que cruzei com gente em toda a travessia (sem contar as pessoas do povoado de Pedra Branca, antes de entrar na trilha). Voltei em seguida a caminhar pela estradinha e às 9h05 cruzei o Rio Campo Novo do Sul, largo e raso, saltando pelas pedras. Porém abandonei a estradinha ali mesmo e segui por uma trilha junto ao rio, à direita. Nesse ponto o terreno por onde o Rio Campo Novo do Sul desliza deixa de ser suave e passa a ter cortes abruptos, prenunciando o estreito cânion que irá emparedá-lo logo abaixo. Nesses cortes lindas cachoeiras despencam de uma altura e tanto. Passei por baixo de uma cerca e logo comecei a subir o morro à direita (sul), tendo como meta a crista do Morro da Boa Vista. Atingido o primeiro platô, contornei o morrinho seguinte pela direita e logo pude ver a casa da fazenda abaixo à esquerda, já ficando para trás. Subi um pouco mais e alcancei a crista que culmina no Morro da Boa Vista a sudoeste. Dessa crista, nova e espetacular visão dos campos e morros mais ao sul, junto à borda da Serra Geral, com destaque para o grandioso vale do Rio Canoas e suas nascentes. Para o Morro da Boa Vista, bastou continuar subindo pela crista na direção sudoeste até um grupo de grandes pedras, onde deixei a cargueira para o ataque ao cume, um pouco mais ao sul. Vacas pastavam na encosta do Boa Vista, cujo topo alcancei às 11h34. Altitude de 1823m. Dois marcos geodésicos guardam o ponto culminante do estado de Santa Catarina. Dali tinha visão impressionante do vale do Rio Canoas bem junto à borda da Serra Geral a leste, do Morro do Campo dos Padres a nordeste, do Morro do Chapéu e Morro Perdido ao norte, além dos morros e picos da Serra do Corvo Branco, do Parque Estadual da Serra Furada e o Morro da Igreja, bem distantes ao sul. Notei também uma trilha larga (ou estradinha abandonada) passando logo abaixo do morro e indo para o sul, como uma continuação das trilhas de boi que eu havia pego até ali, e foi para ela que me dirigi ao descer do Morro da Boa Vista, às 12h20. No grupo de pedras onde tinha deixado a cargueira, havia sinal de celular e consegui enviar uma mensagem pela Claro. Depois de um lanche, retomei a caminhada pela trilha larga e bastante encharcada passando às 14h50 por um ponto de água, o segundo do dia, considerando como primeiro o Rio Campo Novo do Sul. Eu abandonei essa trilha larga logo em seguida mas é importante destacar que ela alcança uma outra estrada de terra 5km à frente, a qual leva a Urubici em mais 36,6km, podendo ser um acesso mais rápido ao Campo dos Padres (já que boa parte dela deve ser trafegável) ou uma segunda rota de fuga dessa travessia. Como disse, 130m depois da água deixei a trilha larga em favor de um trilho de boi à esquerda que descia até outro riacho já que meu próximo objetivo era chegar ao Rio Canoas. Mais 50m e passo pelos restos de uma antiga cerca, tendo o vértice de um pequeno cânion à esquerda. Procurei o melhor caminho para a descida até o Rio Canoas e encontrei uma trilha de gado que descia na direção de um cocho, mas antes de chegar a ele saí para a direita, diretamente para o Rio Canoas, que alcancei às 16h36. Aqui ele está muito próximo das nascentes porém já é um rio "de respeito", com alguns metros de largura, mas de travessia fácil pelas pedras. A primeira coisa que me atraiu foi o barulho de uma cachoeira e caminhei 50m para a direita para fotografá-la. Aqui também o relevo plano e suave do leito do rio sofre um corte súbito, fazendo-o despencar em forma de bela queda-d'água. Em seguida subi a encosta de capim e me aproximei da borda da Serra Geral, da qual eu havia me afastado desde a tarde do dia anterior. Com o dia limpo, sem nenhuma nuvem, aproveitei para fotos da paisagem catarinense a se perder no horizonte. Encontrei uma trilha bem marcada correndo junto à borda e segui por ela para a direita (sul), mas às 17h50, com o sol já se escondendo, tratei de arranjar um lugar para dormir. E fiz questão de ficar junto aos paredões para ter a mesma paisagem de manhã, com oportunidade de fotografar tudo de novo com outra luz. Altitude de 1553m. Nesse dia caminhei 10,7km da travessia propriamente dita (mais alguns desvios para explorações). 5º DIA: DAS NASCENTES À GRANDE CACHOEIRA DO RIO CANOAS As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaDaSerraGeralCampoDosPadresECanionDoEspraiadoSC5DiaAbr13. Vale do Rio Canoas e Morro do Campo dos Padres Nesse quinto dia me afastei novamente das bordas da Serra Geral e tive como referência o vale do Rio Canoas, tendo o rio ora bem próximo ora um pouco mais afastado. Só retornaria à borda da serra no final do dia seguinte. Só porque eu pernoitei próximo à borda da serra e seus belos mirantes, o dia amanheceu totalmente encoberto, sem visão nenhuma por causa da neblina. Como eu não tinha pressa e queria fotografar a paisagem, fiquei enrolando na barraca. Quase 10h da manhã o sol deu as caras e começou a dispersar aquele nevoeiro todo. Desmontei acampamento e comecei a caminhar às 10h42, já com céu limpo, o que me permitiu tirar boas fotos. Continuei pela trilha bem marcada na direção sul com a beirada dos penhascos à minha esquerda. Logo atravessei um trecho de mata fácil de uns 80m e desci ao vale do Rio Canoas contornando o morro à frente pela direita por trilha de gado. Cruzei um colchete e sem querer botei algumas vacas para correr. Aproveitei a aproximação do Rio Canoas às 11h53 para pegar água e fazer um lanchinho rápido num local bem agradável. Pelos restos de fogueira que havia ali na margem, não fui o primeiro a ter essa idéia. É que a Trilha dos Índios, um acesso a partir da zona rural de Anitápolis, alcança o Campo dos Padres muito próximo dali. Fica então como dica esse outro caminho, a Trilha dos Índios, que pode servir como um acesso mais rápido ao Campo dos Padres ou como uma terceira rota de fuga dessa travessia. Continuo pela margem esquerda do Rio Canoas mas me afasto um pouco dele, cruzando alguns riachinhos seus tributários e um colchete logo depois de um cocho. Uns 500m antes de uma casa azul que aparece no meio do nada, subo um morrinho à direita sem trilha para conhecer às 13h05 o antigo cemitério de pedra, que conserva os muros e apenas três cruzes de ferro quase completamente enterradas. Bem bonita a vista dali para o Rio Canoas, na direção das suas nascentes, com o Morro do Campo dos Padres ao fundo. Desci pelo mesmo caminho e retomei a trilha principal até a casa azul e o grande (e interessante) curral de pedra que a antecede. A casa parecia nova e desocupada, não havia viva alma. A partir dali, caí numa estradinha bem precária, cruzei uma cerca de arame farpado fechando a estrada e às 14h15 desci a encosta gramada do lado direito para me aproximar de uma bela queda do Rio Canoas, com grande poço para banho e bonita vista do vale para leste e oeste. Continuando, a estradinha virou trilha com os arbustos prestes a fechá-la de vez, sinal de que nenhum tipo de veículo passa mesmo por ali. Quando abriu novamente e voltou a ser uma estradinha, topei às 14h47 com uma bifurcação em T com uma casa à direita, a cerca de 600m, do outro lado do Rio Canoas. Mas fui para a esquerda, caminhando em meio ao pasto com vacas, até que alcancei o final da estradinha, exatamente numa cerca de arame, que cruzei por baixo. Uns 50m à direita vi alguma coisa diferente e fui conferir: era a carcaça de uma espécie de trator pequeno e comprido que se usa na região. Carcomido e enferrujado, estava sendo engolido pelo mato. Voltando à cerca continuei pela estradinha, que logo virou uma trilha entre as árvores. Uns 300m depois da cerca, às 15h30, surge uma outra trilha descendo à direita e vou explorar (observação: nesse momento saio do caminho da travessia, mas voltarei mais tarde a esse mesmo ponto para continuar). Era uma outra trilha larga (ou resto de estrada antiga) que me lançou de volta ao Rio Canoas, o qual cruzei pelas pedras sem dificuldade, apesar de um pouco largo. Seguiu-se uma subida forte e 250m depois do rio fui à esquerda numa bifurcação. Importante: subindo à direita nessa bifurcação a estradinha precária continua e bifurca de novo: a direita leva à última casa avistada e a esquerda é um acesso para Urubici, distante 39km dali. Fica então mais uma dica de caminho alternativo, que pode servir tanto como um acesso mais rápido ao Campo dos Padres (já que boa parte dela deve ser trafegável) quanto como uma quarta rota de fuga dessa travessia. Na bifurcação em que tomei a esquerda, a estradinha mais à frente vira uma trilha na mata e desce. No primeiro campo que surge à esquerda desço pelo capim baixo atraído pelo som da água. Na beira desse campo, às 16h17, a surpresa é o Rio Canoas correndo num vale profundo e, mais que isso, uma espetacular cachoeira despencando do paredão à esquerda, resultado do grande desnível do leito do rio. Longa pausa para contemplação pois o lugar é mágico. Durante o retorno à trilha principal da travessia, após cruzar de volta o Rio Canoas, subi pouco mais de 200m pela estradinha e entrei no campo à direita. Procurei até que encontrei uma trilha que corria paralela ao rio, bem acima dele, e que me proporcionou ótima vista de uma outra cachoeira, bem menor que a anterior, mas bem bonita também, com queda tripla. Voltei à trilha principal da travessia e fui para a direita. Menos de 400m à frente me deparo com uma cerca de arame farpado sem passagem fácil. Já eram 18h e precisava arranjar algum lugar para passar a noite. Voltei um pouco nessa procura e deixei para cruzar a cerca no dia seguinte. Altitude de 1485m. Água nesse dia não foi problema, cruzei pelo menos oito riachinhos bons para abastecer os cantis, todos pequenos afluentes do Rio Canoas, sem contar o próprio Rio Canoas, onde peguei água também. Nesse dia caminhei 9,7km, contando os desvios para conhecer as cachoeiras. 6º DIA: DA GRANDE CACHOEIRA DO RIO CANOAS AO MORRO DA CRUZ (OU MORRO DA ANTENA) As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaDaSerraGeralCampoDosPadresECanionDoEspraiadoSC6DiaAbr13. Cânion do Espraiado Nesse dia me afastei do Rio Canoas e me aproximei da borda da Serra Geral novamente. O Rio Canoas a partir daquela grande cachoeira corre encaixotado num profundo vale e só fui reencontrá-lo no finalzinho da travessia. Desmontei acampamento e comecei a caminhar às 8h11. Cruzei por baixo a cerca encontrada ontem e 140m depois dela uma outra cerca (junto a um riacho), que atravessei também por baixo, caindo numa estradinha abandonada. O caminho à esquerda leva a uma casa a uns 200m, porém eu fui para a direita. Pouco mais de 150m depois entrei numa trilha à direita que penetra na mata pois o caminho pela estradinha logo começaria a ficar mais fechado, com árvores caídas. A surpresa ali foram alguns quatis passeando pelas árvores e que gostaram de fazer pose para a minha câmera. Logo a trilha me devolveu à estradinha, num ponto já melhor para caminhar. Às 9h16 a estradinha se alarga e encontro três caminhos possíveis. Podia ter pego o da direita mas o mato invadindo a trilha começou a incomodar. Voltei e avancei pelo caminho da frente da trifurcação, que estava bem mais aberto (o terceiro ramo dessa trifurcação, o da esquerda, volta para o vale do Canoas). Atravessei um ótimo gramado para acampamento e caí numa trilha larga que devia ser continuação daquele ramo da direita que eu rejeitei. Fui para a esquerda e 40m depois à esquerda de novo em outra estradinha abandonada. Esquerda novamente na próxima bifurcação, subo um pouco e desço até uma outra estrada abandonada às 10h06, onde opto pela direita e imediatamente cruzo um riacho pelas pedras, afluente do Arroio Comprido, por sua vez afluente do Rio Canoas, segundo a carta topográfica. Às 10h43 saltei pelas pedras o próprio Arroio Comprido, espantando algumas vacas, e em seguida passo por um colchete. Nesse local resolvi explorar algumas trilhas que poderiam servir de atalho para a travessia mas não tive muito êxito. Gastei 3 horas nessa investigação e voltei à estradinha, cruzando em seguida um outro afluente do Arroio Comprido às 14h. Depois de outro riacho (a última água do dia) peguei a esquerda na bifurcação seguinte e encontrei uma búfala com filhote bem no caminho. Já sabia da criação desses animais na região mas não conhecia o comportamento deles, se são como bois e vacas ou mais agressivos. Bom, essa pelo menos saiu correndo ao me ver e desapareceu. Às 15h topei com uma estradinha mais larga e segui para a esquerda, subindo sob a sombra de uma pequena floresta de araucárias. Quando a paisagem se abriu à esquerda, pude ver o grande e profundo vale que abriga o Rio Canoas depois daquela cachoeira visitada ontem. Um verdadeiro cânion verdejante. E também avistei pela primeira vez o Morro da Igreja, bem distante no horizonte, mas com a enorme e inconfundível antena do Cindacta. Às 15h35 alcanço a estrada de terra que leva ao Morro da Cruz, ou Morro da Antena, e nessa há marcas de passagem de veículo. Como esse morro era parte do meu roteiro, subi à esquerda. Se descesse à direita estaria tomando a estrada que desce diretamente ao Rio Canoas e é o caminho mais usado por quem visita o Cânion do Espraiado. Aqui temos então a quinta rota de fuga dessa travessia, numa distância de 9km até o Albergue Rio Canoas. Como disse, subi à esquerda, e logo vi mais búfalos pastando bem próximo. No alto a estrada faz uma curva para a direita e uma estradinha secundária sai à esquerda, descendo, mas segui em frente (direita). Mais búfalos, uma porteira e mais acima larguei a mochila e caminhei campo adentro (à direita) para me aproximar da borda da crista onde eu me encontrava para a primeira visão do espetacular Cânion do Espraiado. À direita dele, a continuação da borda da Serra Geral, parte dela ainda a ser trilhada nessa travessia. E mais além a paisagem de morros e picos da Serra do Corvo Branco e do Parque Estadual da Serra Furada, conjunto que eu já havia avistado muito longe a partir do Morro da Boa Vista, no 4º dia. Depois de várias fotos e explorar algumas trilhas que poderiam descer dali diretamente ao cânion (exploração sem sucesso), continuei pela estradinha e cheguei à antena às 17h22. Porém fui surpreendido por uma enorme antena... no chão! Depois me disseram que o dono das terras mandou derrubá-la com um caminhão. Explorei por ali também uma possível descida direta ao cânion mas toda a encosta sul é recoberta de mata alta e sem trilha. Pelo menos eu não encontrei nenhuma. Já era hora de pensar num lugar para acampar, porém ventava muito e fazia bastante frio. A melhor opção foi montar a barraca dentro da estrutura de metal que servia de apoio à manutenção da antena, hoje vazia, sem nenhum equipamento, mas com algum lixo. A diferença de temperatura dentro e fora desse alojamento era brutal, então não tive dúvida de pernoitar ali dentro mesmo. O vento forte fazia qualquer peça solta das portas e paredes ficar batendo e fazendo barulho, então tive de prender todas para poder dormir. Altitude de 1606m. A visão do Cânion do Espraiado e dos paredões da Serra Geral a partir da antena é muito bonita também, porém mais distante do que a partir daquele mirante que explorei mais abaixo no caminho. Nesse dia caminhei 10,7km (na realidade caminhei bem mais pois explorei sem sucesso alguns atalhos). 7º DIA: DO MORRO DA CRUZ (OU MORRO DA ANTENA) À ARAUCÁRIA SOLITÁRIA As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaDaSerraGeralCampoDosPadresECanionDoEspraiadoSC7DiaAbr13. Cânion do Espraiado e Serra do Corvo Branco ao fundo Logo cedo, subi o morrinho ao lado da antena para checar a altitude máxima do Morro da Cruz e é de 1629m. A visão para todos os lados é sensacional, tanto dos paredões ao norte, quanto os do sul e a imensidão das terras abaixo, na direção do mar. Destaque para o Morro da Boa Vista e o Morro do Chapéu bem distantes ao norte. Havia sinal da Vivo e consegui fazer uma ligação para casa para dizer que estava bem. Comecei a caminhar às 9h13 e às 10h passei pela bifurcação que me trouxe da parte norte do Campo dos Padres, continuando pela estrada principal (esquerda), que, como disse, desce diretamente ao Rio Canoas e é o caminho mais usado por quem visita o Cânion do Espraiado. Mais 15 minutos e me deparei com uma casa grande de madeira com quatro janelas largas e até pensei que fosse ali o local da cobrança para visita ao cânion, mas estava deserta. Em frente à casa, abandonei essa estrada e peguei uma secundária que sobe à esquerda. Na sequência ela desce e já proporciona vista do cânion bem perto. Cruzei dois riachos e uma porteira e me aproximei de uma outra casa às 10h48, esta deserta também porém com cachorros para alardear a minha presença. Nessa casa é que é cobrada a entrada para visitar o cânion, porém nem sei quanto se paga pois não havia ninguém para cobrar. Cruzei um colchete à direita da casa e fui na direção da mata, encontrando uma trilha por onde desci. Quando saí da mata, me deparei com uma estradinha vindo da esquerda, que deve ser um acesso mais usado do que a trilha que peguei. Às 11h10 alcancei o vértice do Cânion do Espraiado, na cota dos 1376m, e a paisagem é de cair o queixo. Do vértice, avista-se entre os paredões do cânion a estradinha sinuosa da Serra do Corvo Branco. Não explorei o lado leste do cânion, parti direto para o lado oeste pois seria o meu caminho para chegar ao Albergue Rio Canoas no final do dia seguinte. Cruzei então uma cerca e caminhei junto à beirada do paredão, atravessando três riachos que poucos metros à esquerda despencam no precipício. Caminhei sem pressa até a extremidade da face oeste e às 12h27 fiquei de frente para a impressionante torre de pedra, com magnífica paisagem de fundo. Dali em diante meu caminho seria junto à borda da serra (sudoeste/sul) até o ponto certo onde descer ao albergue. O primeiro passo foi encontrar uma trilha para vencer a mata na encosta do morro a oeste, mas não foi difícil e a faixa de árvores devia ter uns 50m apenas, porém subindo bastante. Alcançado o campo num nível acima do cânion às 13h30, passei a caminhar tendo a borda do penhasco bem próxima à minha esquerda e desviando dos minicânions que surgem. Às 14h02 passei pelo último ponto de água desse dia e do restante da travessia, por isso é bom abastecer todos os cantis. Aliás esse singelo riachinho também despenca na forma de uma alta e bonita cachoeira no penhasco poucos metros à esquerda. Subindo um pouco mais, destacam-se à frente grandes elevações bem à beira da serra, enormes morros cortados abruptamente na face leste formando paredões gigantes a pique. E é pela beira desses altos morros que a travessia seguirá amanhã. É bom ter essa referência visual para tomar o caminho certo ao chegar lá. Às 14h40 atravessei por trilha um outro cinturão de mata, este mais extenso que o anterior, e volto a caminhar pelo campo por mais uns 300m, quando um outro segmento de mata me obstrui o caminho. Não encontrei trilha para atravessá-lo, então a melhor solução foi descer à direita diretamente em direção a uma araucária solitária, onde encontrei uma trilha larga e bem marcada. Gastei um bom tempo explorando o lado direito dessa trilha, subindo um pouco (como se estivesse voltando), e depois o lado esquerdo, descendo (e depois subindo) na direção da continuação da travessia. Com isso o dia findou e resolvi acampar próximo à mencionada araucária. Altitude de 1314m. Nesse dia caminhei 10,3km da travessia em si (e mais alguns km de explorações de outros caminhos). 8º DIA: DA ARAUCÁRIA SOLITÁRIA AO ALBERGUE RIO CANOAS, FINALMENTE As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaDaSerraGeralCampoDosPadresECanionDoEspraiadoSC8DiaAbr13. Cânion do Espraiado Desmontei acampamento e comecei a caminhar às 8h. Uns 70m abaixo da araucária há uma bifurcação onde desci à direita, entrando na mata. Ao se aproximar de uma cerca, a trilha fecha e parece não haver continuação do outro lado. Mesmo assim, atravessei a cerca e a matinha curta e alcancei um final de estradinha abandonada. Subi por ela e, mais acima, ao atingir um primeiro platô, ela se dirige para a direita, bordejando o morro à frente. Aqui é preciso cuidado para não errar o caminho. Seguir por essa estradinha contornando o morro pela direita não me levou a lugar nenhum, só a mato fechado. O melhor mesmo é abandonar a estradinha ao atingir esse primeiro platô e se aproximar da beirada da serra à esquerda para subir todo o morro à frente pelos campos meio sem trilha mesmo (ou com alguma trilha de vaca). Manter-se próximo à borda aqui evita tomar caminho errado e de quebra proporciona uma visão espetacular dos penhascos ao sul e ao norte. Atingido o topo do morro mais alto, a 1473m, avistam-se novamente ao sul os morros e picos da Serra do Corvo Branco, do Parque Estadual da Serra Furada e o Morro da Igreja, agora um pouco mais próximos. A sudoeste, no vale do Rio Canoas, já se vê o Albergue/Pousada Rio Canoas e a Pedra da Águia, porém esta num ângulo muito diferente, como continuação de uma crista que inicia no próprio morro onde se está. Ao começar a descer desse morro mais alto, o caminho natural é contornar a borda do penhasco e ir em direção a uma cerca num platô logo abaixo, onde se encontra uma trilha bem marcada. Cruzando a cerca por um colchete, em menos de 100m começa uma descida com muita lama e pedras de quase 300m de extensão. No meio dessa ladeira escorregadia se destaca à esquerda, entre as árvores, uma ponta mais alta dos paredões. Procurando bem, encontrei uma trilha que saiu da principal e subiu toda essa ponta até o topo, onde a visão do vale do Rio Espraiado com o imenso cânion à esquerda foi de cair o queixo! Voltei à trilha principal e desci até encontrar uma cerca, que tive de cruzar por baixo. Estava bem na beira dos paredões novamente e pela última vez nessa travessia, então parei um instante para contemplar a extensa vista para leste, na direção do litoral, como sempre espetacular. Altitude de 1282m. Esse local, bem próximo à cerca, tem como referência uma árvore um pouco isolada das demais coberta de um líquen comprido parecendo uma barba. Depois dela a borda da serra volta a subir na direção sul. Mas o meu caminho foi quebrar 90º à direita na árvore e descer pelo vale que me levaria de volta ao Rio Canoas. Passei por um colchete e quase 700m depois da árvore a trilha bem marcada começa a se transformar numa estradinha interna do sítio, cuja casa de madeira meio abandonada e vazia não demora a aparecer. Logo abaixo dela uma porteira, mais à frente dois riachos que atravessei pelas pedras (a primeira água fácil desde ontem às 14h02) e quase no final outra porteira, seguida do último riacho. Mais alguns metros e desemboco numa rua: 100m à direita está o Rio Canoas, já adulto, muito maior do que quando o deixei no 5º dia da caminhada. Mas o meu destino final também estava perto, 200m à esquerda, subindo a rua: o Albergue Rio Canoas, onde fui muito bem recebido pelo Mauro (que cuida do lugar) e um casal ali hospedado, que se desdobraram para me arranjar algo para matar a fome já que a minha comida havia acabado e não há nenhum lugar para comer por ali. Altitude de 1033m. Nesse dia caminhei 6,3km em cerca de 4 horas. Total da travessia: 79,1km. Ainda deu tempo de conhecer um famoso atrativo local nesse dia, a Pedra da Águia. Para isso caminhei até a estradinha que margeia o Rio Canoas (a 250m do albergue) e fui para a direita, cruzando um afluente do Canoas pelas pedras e uma porteira. Caminhei apenas 600m pela estrada e já tinha o melhor ângulo para fotografar a famosa pedra. No dia seguinte, o Mauro conseguiu para mim uma oportuna carona já que sair desse local de ônibus iria me obrigar a caminhar 7km de estrada até o ponto final do circular para Urubici, que sai apenas duas vezes por dia. Informações adicionais: Horários de ônibus: . Florianópolis-Lomba Alta: http://www.reunidas.com.br (R$ 28,37) . vale do Rio Canoas-Urubici: 6h e 12h30 (somente seg a sex) . Urubici-vale do Rio Canoas: 11h30 e 18h (somente seg a sex) Hospedagem em: . Pedra Branca: Hospedaria das Montanhas - 48-8412-4383 (Oi) . vale do Rio Canoas: Albergue/Pousada Rio Canoas - http://www.riocanoas.com.br - [email protected] - no albergue a diária é R$30 no quarto coletivo sem café, mas com cozinha disponível Cartas topográficas de: . Alfredo Wagner-SC (http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS%20-%20RJ/SG-22-Z-D-IV-1.jpg) . Bom Retiro-SC (http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS%20-%20RJ/SG-22-Z-D-IV-3.jpg) . Aiurê-SC (http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS%20-%20RJ/SH-22-X-B-I-1.jpg) Repetindo as possíveis rotas de fuga dessa travessia: . do Morro do Chapéu a Bom Retiro (30km) . do Morro da Boa Vista a Urubici (36,6km) . do Campo dos Padres a Anitápolis pela Trilha dos Índios (5,6km de trilha + 22km de estrada) . da grande cachoeira do Rio Canoas a Urubici (39km) . da bifurcação do Morro da Cruz ao Albergue Rio Canoas (9km) Rafael Santiago abril/2013
  18. 1 ponto
    @VIVIANE CRISTINA DE SOUZA Quando você vai Viviane?! E vai fazer o mesmo trajeto do Otavio?!
  19. 1 ponto
    Olá pessoa!!! Tô dentro! Tenho férias no mês de Julho inteiro. Moro em São Paulo no ABC. Já tem um roteiro? Me add (11) 99585 1911.
  20. 1 ponto
    Junho é um pouco chuvoso aqui na Bahia, mas o tempo é bem imprevisível. Aconselho entre Setembro a Março.
  21. 1 ponto
    Olá! Pretendo ir em setembro 2018, mais ou menos uns 15 dias (quero seguir pro Japão na sequência). Posso adaptar... Ideia a princípio é desembarcar em San Francisco, fazer uma road trip pela Highway 1 tendo como destino (quase) final o Grand Canyon. Quero muito encaixar Deserto de Mojave nisso tudo e tenho minhas dúvidas sobre LA e San Diego...
  22. 1 ponto
    Impulsionado por algum relato lido aqui, na procura de um lugar pra passar as férias depois de um ano bem atribulado no trabalho, resolvi passear no final do mundo. Primeiro, ia fazer a trilha até Plaza de Mulas, no Aconcágua. Muito caro. Ushuaia. Pareceu urbano demais. Torres del Paine. Estava melhorando. Mas será que tem algo além disso? Tinha... Preparação: Navarino, pra quem está acostumado a fazer trilhas ou travessias de alguns dias, não apresenta dificuldade técnica. Não há grandes relevos nem trechos de escalada. Há dificuldade de orientação em alguns momentos, mas meu pior inimigo foi o clima. Levei tudo dentro sacos estanques e tudo tem que estar em algum recipiente impermeável. Escolha bem sua roupa de chuva, porque você vai estar com ela o dia todo, leve um par de meias pra cada dia e um par extra (mantenha os pés secos!) e muda de roupas pra dormir. Tive problemas com a barraca, que vou explicar mais além. Obs.: Todos os guias de viagem recomendam fazer em cinco dias. Acho que quatro são suficiente, podendo fazer até em três se gostar de andar bastante (emendando dias 1-2, 3-4 e o 5 sozinho). No verão você tem por volta de dezoito horas de luz diárias, se considerar uma média de 6-7 horas de caminhada por trecho, emendando dois trechos ainda sobra luz ao final do dia. Na verdade, não estava muito afim de chegar duas, três da tarde nos acampamentos e ficar oito horas fazendo vários nadas dentro da barraca, debaixo de chuva até a hora de dormir. Conheci no hostel um francês que fez a travessia em DOIS dias, mas acho meio insano e... sinceramente, depois do trabalho que deu pra chegar lá você quer fazer tudo correndo? Orientação: Levei um Garmin eTrex 30x com mapa do Proyecto Mapear e track do wikiloc, procurei a mais detalhada. Até dá pra se virar sem ele se não tiver neve no caminho, mas alguns trechos são um pouco confusos. Também foi junto o Guia de Trilhas Trekking (Vol. 2) da ed. Kalapalo como backup, caso ficasse sem baterias. Acabei consultando os dois em algumas horas... Vale lembrar que só nevou no último dia. Vi que muitos gringos usavam bastante o aplicativo MAPS.ME no celular. Usei o Strava pra registrar a caminhada, mas no final do terceiro dia fiquei sem bateria, mesmo com power bank. Acho que esqueci de carregar completamente antes de sair. Comida: Liofilizado para 6 dias (sou meio paranóico com ficar perdido e achar que vou ficar isolado do mundo por dias até ser resgatado, então levo comida extra sempre) - usei aquela dica de fazer a refeição principal antes de sair, de manhã, e deu super bem. Fiz sempre o equivalente a duas porções/dia (1 refeição pra 2 pessoas ou misturava 2 porções individuais). Um sachê de capuccino pra cada manhã e um envelope de sopa de caneca pra cada noite. Além disso, comprei no mercadinho um pacote de frutas secas pra comer no caminho, meia dúzia de pão sírio pra comer com a sopa e um salame. Água: o primeiro dia é meio escasso, então saí do hostel com 2l (1l na garrafa e 1l no reservatório). Do primeiro acampamento em diante a água é abundante e limpa, não precisa se preocupar em estocar muito. Pegue água dos córregos e degelos, evite das lagoas (pode haver cocô de animais, eles nadam, moram lá, etc). Levei pílulas de cloro mas não utilizei. Algumas coisas que falaram pra levar porque ia ser importante e não usei: Repelente: Falaram que tem insetos mil, era indispensável, leve litros, existem nuvens voadoras que fazem o céu ficar preto, aquele exagero todo. De fato tem bastante insetos próximo ao lago e nos bosques, mas eles não incomodaram nem fui picado. Lanternas: nem de cabeça nem de barraca - como tive só 4 horas de escuridão lá e não escurece 100%, só ocupou espaço... Protetor Solar: a radiação é terrível neste ponto do planeta, mas os dias estavam sempre nublados (quando não chovendo). Como estava coberto da cabeça aos pés com capa de chuva, só haveria necessidade de passar no rosto. Usei no primeiro dia e só. Fora isso, kit de primeiros socorros, kit de costura e reparos, kit de higiene, kit banheiro. Usei pouco esses, felizmente. Ah, não esqueça da garrafa de gatorade pro pipi móvel... Acesso: Existem três formas de chegar à Isla Navarino e Puerto Williams: Via Ushuaia, marítimo: Existem agências que fazem a travessia do canal, se não me engano custa uns US$ 120 e eles te deixam em Puerto Navarino (cerca de 50km de Puerto Williams, leva umas duas horas de carro porque a estrada é péssima). Uma van vai passar lá pra levar vc até a cidade e tem que marcar depois o transfer pra volta. Não sei muitos detalhes, mas o brasileiro que encontrei no hostel me disse que a agência obrigou a fazer uma venda casada e comprar uns pacotes de passeios junto. Isso e mais além de ter que fazer duas vezes aquele trâmite de fronteira não muito amigável não me agradam. Além disso, ele disse que teve que sair atrás dos carabineros porque não tinha ninguém no atracadouro… enfim, preferiria por outros métodos; Via Punta Arenas, aéreo: A DAP (https://dapairline.com/) possui voos regulares de Punta Arenas para Puerto Williams (Aeropuerto Guardia Marina Zañartu - WPU). A informação que tive à época da pesquisa (maio/16) foi: Voos de segunda à sábado saindo de Punta Arenas às 10h e retorno às 11:30. Ida e volta: CLP 143.000 Somente Punta Arenas - Puerto Williams: CLP 75.000 Somente Puerto Williams - Punta Arenas: CLP 68.000 Franquia de bagagem: 10kg As desvantagens são: poucos assentos - normalmente é um Cessna bimotor ou, se não me engano, uma vez por mês vai um jato BAe que tem maior capacidade; e o limite de carga. Dá pra negociar o excesso de bagagem, mas como estava com 22kg de mochila e mais uma a tiracolo, não quis arriscar. Optei pelo próximo serviço, que é… Via Punta Arenas, marítimo: Mais detalhes no post que fiz separado: http://www.mochileiros.com/de-punta-arenas-a-puerto-williams-30-horas-no-yaghan-fotos-t140661.html Cidade: Puerto Williams é uma cidade minúscula (cerca de 2200 habitantes), que está em processo de modernização. Há várias obras de pavimentação e percebe-se que mais ao fundo da cidade as casas são novas. Boa parte dos moradores têm alguma relação com as forças armadas, visto que é um ponto estratégico de defesa chileno (frequentemente você vai encontrar algum navio da marinha patrulhando a região). Lá tem um de cada. Um banco, uma agência dos correios, uma agência de turismo, um hospital, alguns mercadinhos, alguns restaurantes… assim vai. A cidade parece ser movida a lenha, por onde você andar vai ver pilhas e pilhas estocadas para os aquecedores. Hospedagem: os estabelecimentos são, em sua maioria, casas convertidas em pousada. São estabelecimentos simples e confortáveis. Fiquei hospedado no Pusaki, onde a Patty, uma senhora adorável que visitou várias vezes a Europa nas suas férias, entende um pouco de francês, enrola um italiano, mas não sabe nada de inglês. A pedido, ela faz um jantar com centolla fresca que parece sensacional (eu estava no modo econômico, então só fiquei vendo o pessoal deglutindo o crustáceo enquanto roía meu miojo trilheiro). Paguei CLP 15.000 pela cama em um quarto para seis pessoas e há opção por quarto duplo com banho separado (CLP 45.000). Café da manhã simples incluído, normalmente ela não faz almoço pros hóspedes. Jantar CLP 12.000, jantar com centolla CLP 15.000. P.S> Se souber arranhar um francês ou quiser trocar uma idéia sobre europa, vai ajudar a ganhar a simpatia dela. Cheguei na virada de 30 para 31/12 à meia-noite. Fui direto ao hostel, dia seguinte fui me registrar nos carabineros, passei no mercadinho ao lado pra comprar pão, comprei uns postais pra escrever no caminho, voltei pro hostel pra revisar o equipamento, fechar a mochila e deixar no hostel as coisas que não ia usar. O tempo não deu muita trégua, nublado por volta de 5-10 graus e às vezes caía uma chuva fininha bem chata. Fiquei meio apreensivo de achar que ia pegar o tempo todo assim, mas paciência. Como era ano novo, rolou um jantar especial, churrasco e vinho. Fui dormir cedo porque amanhã começava a aventura. Continua...
  23. 1 ponto
    oi. sou velejador ,tenho um veleiro de 37 pês fis a costa agora estou querendo 4 tripulantes para ir comigo ate Cartagena no mês de junho pois e o melhor mês para subir novamente ,teria que ser pessoas sem compromisso pois a viagem e sem pressa sobe a costa toda parando e conhecendo , a vês que eu fis foi com 3 velejadoras e um velejador as meninas faziam artesanato,e eu e o outro cara fazíamos mergulho para pequenas embarcações enfim pessoas que curtem mesmo,sou de SP mas moro em SC a 7 anos e o barco fica em Floripa também gostaria de algumas ideias sua pois alem de mergulho faço fotos também derre pente achar uma turma para esta aventura ,o barco e um MC confortável de ferro projeto do cabinho. [email protected] 048 98205045
  24. 1 ponto
    Obrigada Gustavo!! A máquina ajuda bem!! haha
  25. 1 ponto
    Eu já havia lido estudos sobre a diminuição do impacto sobre os joelhos causada pelo uso dos bastões, então resolvi comprá-los para fazer o teste. No feriado da semana santa, após ter corrido a cidade atrás de dois bastões e só ter encontrado um, segui para a Serra Fina com um bastão de fibra de carbono da aztec. Confeço que não era o que eu desejava, mas posso afirmar, com certeza, que foi muito útil. Além da notável diminuição do esforço sobre as pernas e joelhos, o bastão foi muito útil no equilíbrio, impulso, e também na estabilização em terrenos escorregadios (lama pura). Era evidente que, em descidas de grande aclividade, onde os outros praticamente "desciam sentados", eu descia de pé, sendo que o bastão agia praticamente como um corrimão. Bem, é isso, maior estabilização, diminuição do esforço, ajuda para abrir caminho por entre o capim alto e não cair em buracos, etc... Não fico mais sem bastões!!! Porém tenho algumas observações a fazer: Dois bastões devem diminuir ainda mais os esforços, porém, em terrenos mais técnicos, como com trechos de escalaminhada, provavelmente atrapalharão um pouco. Deve-se atentar para a alça do bastão. No começo, eu fazia muita força com a mão para segurá-lo, até perceber que a transferência do peso deve ser feita através da alça em torno da região da base da palma da mão. Quando percebi esse detalhe, não tive mais a preocupação de ter que fechar a mão, fazendo força, e diminuí o atrito da mão com o bastão, que passou a ficar praticamente solto, e automaticamente empregado como, por exemplo, no caso de uma perda da estabilidade. Sobre esse bastão da aztec, o que me assustou de início foi a pegada praticamente lisa, mas como dito acima, depois percebi que isso não fazia diferença. Porém, a alça é um pouco desconfortável e de difícil ajuste, além disso, como é de velcro, acredito que sua efetividade se perderá rapidamente. Espero ter ajudado.
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