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Mostrando conteúdo com a maior reputação desde 13-08-2019 em todas áreas

  1. 19 pontos
    Saudações! Há pouco compartilhei um relato sobre como foi viajar e viver na BR nos últimos dois anos e meio conhecendo um pouquinho de cada uma das cinco regiões do Brasil de carona, a pé e de bike. O relato não aborda roteiros, preços ou dicas mas busca compartilhar outras dimensões e aprendizados que tive (e você pode entender ao que me refiro aqui: https://www.mochileiros.com/topic/66973-sobre-a-coragem/ ). Como venho assimilando as informações vividas nesse intervalo entre ciclos que se encerram e se iniciam - e como todos sabemos que "happyness is only real when shared" -, percebi que outros dois assuntos são recorrentes no curioso imaginário da arte de viajar ~por aí e resolvi compartilhá-los também buscando somar. No outro post, os aprendizados foram compartilhados a partir da óptica da coragem necessária para seguir o coração a despeito de quaisquer garantias ou certezas que um mochileiro enfrenta no início, e automaticamente me lembrei das muitas mentiras que também temos que encarar. Acredito que a maior mentira que a humanidade perpetua a si e ao coletivo - de maneira quase socialmente institucionalizada - é o "não tenho/deu tempo", que é a maneira politizada de dizermos que não-queremos-tanto-assim-fazer-algo-como-dizemos-que-queremos. Mas, uma vez tendo vencido este autoengano, me deparei com aquela que considero a segunda maior mentira do universo das viagens: "para viajar precisa de dinheiro". Criada num contexto de classe média baixa onde as viagens feitas não ultrapassaram os dedos de uma mão (e envolveram exclusivamente a visita a algum parente distante ou um bate e volta à praia mais próxima) cresci com a crença de que viagem é luxo e que precisa de dinheiro para isso. Ao me dispor a encarar esta máxima e colocar a sua veracidade em cheque, descobri que é balela: para viajar precisa ter vontade - e disposição, claro! Não estou pregando que o "certo" ou "errado" é viajar com dinheiro ou sem, até porque ele é apenas uma ferramenta. O que busco salientar é que ele não é obrigatório como cresci acreditando que era. Ao escolher viajar sem dinheiro precisamos das mesmas coisas que ao viajar com dinheiro (ou até mesmo se ficarmos parados!): precisamos comer, tomar banho, dormir em um lugar minimamente seguro, etc, a única diferença é que se faz necessário encontrar maneiras alternativas de suprir tais necessidades, e daí vai da disposição e criatividade de cada um. Como diz o ditado "quem quer arranja um jeito, quem não quer uma desculpa". Outra mentira na qual tropecei antes mesmo de colocar a mochila nas costas foi "é perigoso mulheres viajarem sozinhas". Tantas são as fobias e "-ismos" fortemente enraizados em nossa cultura que reproduzimos sem nem ao menos questionarmos as origens que eu mesma muito me admirei ao notar o sutil machismo que me habitava por acreditar nessa idéia. No entanto, após pensar um pouco, concluí que uma mulher viajar sozinha não é mais perigoso que uma mulher ir comprar pão, andar no transporte público ou ir para o trabalho. A sociedade é patriarcal e o assédio, infelizmente, encontra-se em todas as esferas sociais, logo é uma mentira acreditar que uma mulher viajando está mais susceptível à riscos do que qualquer outra mulher em qualquer outro lugar fazendo qualquer outra coisa. Outra ideia que tinha como verdadeira, e que descobri ser mentira muito rapidamente, é a de que "todo maluco de BR é paz e amor". Fui muito ingênua por acreditar nisso? Fui! Romantizava a vida na BR? Sim! Mas não levou muito tempo para que compreendesse que essa é uma inverdade por motivos lógicos! Hoje dou risada da magnitude de minha inocência por acreditar nesse estereótipo romantizado e assumo que compreender isso foi como levar um balde de água fria - necessário. Roubos, drogas, disputas e desonestidade são apenas alguns exemplos da realidade que não esperava conhecer entre os mais variados malucos de BR. Antes achava que todos eram "hippies saídos do Hair" ou "Cheech & Chong", embora estes existam em processo de avançada extinção... Rsrsrs sabe de nada, inocente... Mas de todas as mentiras, a que mais me pegou foi "só dá para viajar com equipamentos ~adequados (lê-se, caros)". Sonho em ter uma mochila da Deuter? Sonho. No entanto, consegui muito bem me virar, entre remendos e adaptações alternativas de baixo custo (a.k.a. gambiarra) com uma comprada na loja do chinês por R$80. É claro que poder ter um equipamento de qualidade implica diretamente na relação entre conforto e rendimento, mas nada que não possamos nos adaptar. Digo que foi um ponto que me pegou pois também passei pela situação inversa: investi em um equipamento de marca e me ferrei! Por muito tempo, após ter passado por uma experiência de chuva muito intensa com uma barraquinha dessas de supermercado sem ter nem ao menos uma lona (amadora, rsrs), juntei dinheiro decidida a investir na minipak. Como passaria a viajar de bicicleta, ela era leve e apresentava uma excelente coluna d'água pelo que a julguei perfeita. Porém, ao adquirí-la e usá-la realizei que não era funcional para mim pois sentia falta de ser autoportante, é muito chata de guardar, o teto é muito baixo para o cocoruto, é pequena para visitas (ou sou muito espaçosa...), o alumínio entorta fácil e a vareta com 3 meses de uso quebrou! Passei um bom tempo pensando em como uma simples lona custando 10x menos já resolveria meus problemas... Rsrsrs Dessa forma, aprendi que equipamento bom é o que temos pois atende às nossas necessidades e temos intimidade com ele. Mas ainda hei de comprar uma mochila da Deuter! Rsrs Outro tema recorrente aos mochileiros são os tais dos perrengues! Ouso até dizer que, aos que ainda sucumbem ao medo, eles interessam mais do que as viagens em si! Rsrsrs Os perrengues e dificuldades são tão relativos quanto possíveis, variando de viajante para viajante assim como em intensidade. Para alguns o maior pesadelo pode ser perder a reserva de hotel, para outros pode ser um pernilongo. Dentro do que me propus a viver, por saber e confiar que nada que realmente precisasse faltaria, também carregava a consciência de que assim como recebo posso ter tirado de mim, afinal o conceito de posse já não mais me acompanha. Dessa forma, por não carregar eletrônicos, documentos ou ítens de valor comercial reconheço que fica mais fácil não se preocupar com perrengues. Ou não. Ao menos era nisso que acreditava até tomar A MAIOR CHUVA dessa vida numa passagem pela Chapada Diamantina. Pelo meu característico amadorismo e excessivo despreocupar no começo da vida mochileira, nem lona carregava, logo, a barraquinha de R$50 do mercadinho só serviu para canalizar o fluxo d'água numa cachoeira central que molhou a.b.s.o.l.u.t.a.m.e.n.t.e. TUDO. Compreendo que qualquer adversidade que surja é passível de adaptação, no entanto ficar completamente molhado nos traz a pior sensação de impotência possível já que não se tem o que fazer... O perrengue de tomar uma chuva e ficar completamente molhado ainda se agrava pois a questão não é solucionada com o fim da chuva! Mochila, barraca, roupas e pertences permanecem molhados por dias e isso significa que também ficam mais pesados, fedorentos e com grande possibilidade de embolorarem, além do risco momentâneo de hipotermia. Certamente, nunca passei por perrengue tão intenso quanto ficar completamente molhada pela chuva. Por dias. Embora menos intensa quanto aos desdobramentos porém potencialmente problemática é a situação no outro extremo: ficar sem água. Houveram períodos em que levei bem a sério o Alex Supertramp e fui morar um tempo com minha barraquinha no meio do mato. O desafio principal está no fato de que não só o ser humano busca água como toda a natureza. Dessa forma, dividir a fonte com outros animais, fofos ou peçonhentos, é inevitável e saber a sua hora de usar a fonte e a hora deles é uma urgente sabedoria. Mas também houveram situações em que não havia uma fonte de água próxima e esse também se torna um desafio de captação, transporte, armazenamento e racionamento dessa água. Momentos como este reforçaram a consciência ecológica do desperdício-nosso-de-todo-dia com algo tão sagrado. Mas o perrengue mesmo é quando a água de beber acaba no meio do nada! A desidratação é um perigo silencioso e intenso pois o corpo buscará compensar a perda hídrica envolvendo todas as funções biológicas e então atividades simples como andar, falar e pensar se transformam em desafios homéricos. Saber calcular e administrar a relação distância x peso x sede é fundamental para evitar este perrengue. Além de ficar hipotérmica ou desidratada, os únicos perrengues que considero ter enfrentado derivam de um único fator: cansaço. Não me refiro ao cansaço físico pois este se resolve com uma ciesta, me refiro ao cansaço mental. Ter que retornar por caminhos já conhecidos, e que envolviam grandes centros urbanos, ou estar acompanhada de alguém com prioridades diferentes ou que só fazia reclamar são exemplos do que me causava o cansaço emocional. Então, mais de uma vez, a pressa por sair logo de uma dessas situações fez com que me colocasse no que chamo de vulnerabilidade desnecessária. Viajar exige uma pré disposição em se expor mas existem situações em que aceitamos nos submeter a uma exposição de alto risco sem real necessidade. Posso citar aquela carona que se aceita próximo do anoitecer pela pressa de chegar logo ou atravessar algum lugar, ou quando por preguiça de darmos uma volta maior mas que apresente menos riscos cruzamos trechos perigosos (estradas sem acostamento em trechos de serra, túneis ou viadutos), ou quando escolhemos parar em lugares sabidamente arriscados (como um leito de Rio ou cachoeira em época de chuvas, na praia aberta durante uma tempestade, sobre folhas secas ou chão batido certamente território de cupins ou formigas noturnas) ou quando aceitamos aquela carona cujo motorista apresenta nitidamente ao menos um pé na psicopatia - é raro, mas a energia que emanamos atraímos de volta). Felizmente aprendi rápido que o único remédio para o cansaço é descansar! Estes são exemplos da vulnerabilidade desnecessária que o cansaço mental atrai e transforma em verdadeiros perrengues. Sinto que as balelas e perrengues são intrínsecos a todos viajantes e, embora não pertençam ao lado glamouroso da viagem, são parte do alicerce. Que este compartilhar possa minimamente suprir a curiosidade dos que ainda buscam apoio na literatura assim como me confortam ao externizá-las, validando de certa forma as experiências que tive. Mas mais do que isso, que estas palavras sirvam de fermento ao questionamento. Não acredite no que falo. Duvide. Busque ter sua própria experiência. Dedico este compartilhar a todas e todos que têm ao menos um perrengue para contar pois acredito que este seja, no mais profundo, o seu propósito: transformar a história em estória... PRABHU AAP JAGO
  2. 14 pontos
    Viagem feita em janeiro de 2020 em casal. Escrevi esse relato porque achei Noronha um lugar muito surreal: de lindo, de fantástico e de caro. Eu quero muito voltar em Noronha e quero ajudar quem quer viajar e deseja mais autonomia e economia financeira. Este relato está dividido da seguinte forma: Dicas e informações gerais Tabela de gastos Roteiro resumido Mapa Roteiro detalhado Restaurantes 1. DICAS E INFORMAÇÕES Preços de Noronha: é tudo surreal de caro. Eu entendo que é uma ilha longe, de difícil acesso o que encarece a chegada de alimentos e materiais por ter que incluir o frete nisso. Também entendo que devemos preservar a natureza e devemos investir dinheiro nisso. Mas não vamos ser ingênuos, não é só por isso que é caro. Esse lugar é uma máquina de fazer dinheiro tanto para o governo quanto para muitas pessoas. Só acho que essa grana tem que ser retornada em benefícios para o meio ambiente e para a população. Principais conselhos antes de viajar: Fique rico ou não seja fresco! Se não der para ficar rico, não seja fresco. É tudo bem caro! Mas sem frescura dá para economizar e viajar de boas. Seja independente! Faça os passeios sozinhos. Leia sobre o local e vá às praias sozinho. Não precisa de guia para a maior parte das coisas. Leve água e comida. Nós levamos uma bagagem inteira, 23kg, só de mantimentos. Levamos água mineral, Gatorade, Vinhos, queijos e demais coisas para lanchar e fazer café da manhã (nossa hospedagem não tinha café). Isso não foi suficiente, faz muito calor e bebemos muita água. Mas deu uma ajudinha. Repelente. tem muito mosquito, MUITO! Tênis velho ou aqueles sapatos próprios para molhar. Tem muitas trilhas por matas e por pedras, é muito desconfortável fazer com chinelo. Nós levamos chinelo e tênis todos os dias. Leve uma mochila grande para levar para a praia. Tamanho de Noronha - a ilha tem 23km2 e 3 mil moradores. Ou seja, é um ovo! Para ter noção, Ilha Grande-RJ tem 190km2. O que quero dizer é que é perfeitamente possível fazer tudo andando. É tudo muito perto! É claro que para otimizar o tempo e fugir do sol, é bom pegar ônibus as vezes. Mas, chegando lá, vocês vão ter a dimensão de quão pequena é. Passagem aérea - quando você olhar nossa tabela de gastos vai ver que o preço da passagem saiu bem barato (uns 650 para cada). Saiu esse preço porque ganhamos uma passagem grátis da Gol. Quem é Cliente Diamante da Smiles tem direito a uma passagem grátis por ano para qualquer lugar do Brasil. Na verdade, você compra uma passagem ida e volta e ganha um acompanhante de graça. O preço estava uns 1300 reais por pessoa, o que já é um preço bom, mas saiu pela metade disso ao ganhar a passagem grátis. Esse negócio de ser cliente Diamante é muito bom!!! Além da passagem grátis, tem acesso a sala vip com acompanhante nos aeroportos quando está voando de gol ou companhias aéreas parceiras. Eu não tenho maturidade para sala vip e sempre saio cheia dos drinks. Outro benefício é poder despachar 3 bagagens gratuitamente sempre, poder sentar nas cadeiras confortos e ter embarque prioritário. Por tudo isso, a gente sempre transfere as milhas do cartão de crédito para o Smiles. Para ter sempre muitas milhas eu compro tudo no cartão de crédito, até um cachorro quente vai no crédito sempre! Taxa de preservação - Custa cerca de R$75 por dia. Você pode preencher o formulário e pagar na hora que chegar no aeroporto. Ou pode fazer tudo online, imprimir e só mostrar no aeroporto. (Obs: suuuuuuper ecológico ter que imprimir esses papéis!!!) O site para fazer online: http://www.noronha.pe.gov.br/turPreservacao.php Taxa de acesso ao parque - Teoricamente, não é obrigatório. Mas, a maioria das praias exige, logo você vai ter que pagar. Custa R$111, e você pode fazer pessoalmente ou pagar online, imprimir (!!!) e retirar a carteirinha lá em Noronha. O site deles: https://www.parnanoronha.com.br/ingressos Palestras no projeto Tamar - todos os dias às 20h. Às quartas é sobre golfinhos. Terças eu acho que é sobre tartarugas. São todas gratuitas e duram 1 hora. Alugar carro - tudo depende do quanto você quer gastar. Um aluguel de um Buggy custa em torno de 300 reais a diária e a gasolina custa 7,70 o litro. Tem opção de outros carros também, mas o Buggy é o mais comum. É claro que um carro oferece mais autonomia, mas é a opção mais cara e te inviabiliza de beber, pois tem blitz de tarde e de noite frequentemente. Inclusive, é imprescindível estar com a CNH. Usa o Ônibus - foi a opção que escolhi. O ônibus custa 5 reais e passa de 30 em 30 minutos. Ele te leva para todos os lugares da ilha, mas é claro que não vai te deixar na porta, você vai ter que andar um pouquinho, coisa de 2, 5 ou no máximo 10 minutos. Taxi - o táxi tem o preço tabelado e é bem caro. Varia de 20 a 50 reais no máximo. Se você fizer uns 5 deslocamentos por dia, ainda vai sair mais barato que alugar um carro. Pegamos taxi algumas vezes também. Deslocamento do aeroporto para a sua pousada - primeira dica: NÃO USE O TRANSFER GRATUITO! Use o taxi que custa 30 reais e vai demorar 5 minutos. A maioria das pousadas oferece um transfer gratuito. Na verdade, é uma empresa de turismo que oferece esse serviço. E o que eles ganham com isso? Reserva de passeios! Eles vão tentar fechar todos os passeios com você, te encher o saco! Fora que eles precisam esperar a van encher, então só vão sair do aeroporto depois que TODOS os passageiros desembarcarem. E você pode dar o azar de ter que esperar um outro voo pousar. Além disso, vai ser aquela peregrinação, passando de pousada em pousada, para deixar todos. Sério, em relação a tudo que você vai gastar durante sua hospedagem na ilha, invista 30 reais e fuja desse transfer free. Passeio Ilha Tour - custa uns 250 reais. É um passeio que dura o dia inteiro e te leva em quase todas as praias. É uma espécie de reconhecimento da ilha. Acho que só vale a pena para quem chega na ilha completamente perdido, sem ter lido nada. Eu entendo, nem todo mundo tem tempo para programar a viagem e tal. Mas, no geral, eu acho um desperdício de tempo e dinheiro. Para quê vai conhecer um pouquinho de cada lugar e depois vai voltar nós mesmos lugares nos dias seguintes? Fora que é bom ter autonomia de ficar o tempo que quiser em cada praia... Passeio de canoa - custa em torno de 180 reais. O passeio sai às 5h da manhã da praia do Porto para ver o amanhecer. Vão 12 pessoas remando por 2 horas. Depois de ver o nascer do sol, remamos para a Praia de Conceição para ver os golfinhos. Então, vou contar a minha experiência! Estava muito animada para este passeio. Na verdade, foi o único que fiz. Vi várias fotos e relatos lindos do passeio. Eu amo nascer e pôr do sol, então estava muito animada. Reservei com antecedência e no dia.... Choveu pra kct!!!! O pior foi que não choveu em mais nenhum outro momento da minha estadia em Noronha. Além de chover muito, tinha muita nuvem e não deu para ver o nascer do sol. Ok! Demos meia volta e fomos ver os golfinhos na região onde eles passam. Ficamos uma hora esperando mas eles deram um "bolo" na gente e não apareceram. Não tem como ficar pior? Tem sim! O mar estava mega agitado, balançando muito o que me deu um enjôo terrível! Imagina só... Você no meio do mar, não podendo voltar, com chuva na cabeça, enjoada... Algumas pessoas aproveitaram para mergulhar no mar enquanto estávamos parados. Eu, obviamente, não mergulhei, fiquei com medo de estragar o mergulho deles vomitando na água. Fui firme e não vomitei. Eu nunca tinha remado na vida,acho que o ponto positivo foi aprender a remar em equipe. Bem, apesar da minha história não ter sido boa, eu tenho certeza que é um passeio de grande potencial. Mergulho de cilindro - eu ouvi que custa em torno de 500 reais. Acho que não vale muito a pena porque o mar de Noronha é muito claro, com ótima visibilidade. Diversas pessoas contaram que viram mais coisas e foi mais interessante o mergulho com snorkel em águas rasas. Fora que se você nunca mergulhou de cilindro na vida, é sempre bom avaliar. A pressão incomoda bastante e nem todo mundo se acostuma bem com a respiração. Eu não mergulhei, até porque achei que tinha mais coisas interessantes para ver em terra firme, nas praias, nas trilhas. Aluguel de equipamentos - levamos snorkel mas na maioria das praias eles alugam. Na praia do Sueste era 25 reais o kit (snorkel, nadadeira e colete). Deslocamento entre as praias - (olha para o mapa para você entender) você consegue ir andando da Praia Cacimba do Padre até a Praia da Conceição beirando a costa, andando pela areia e subindo as pedras. O que separa uma praia da outra são pedras. É tranquilo de passar na MARÉ BAIXA!!! Na maré alta não! É imprescindível olhar a tábua de marés para se guiar. Quando fomos, a maré baixa era na parte da tarde, o que se enquadrou bem no nosso roteiro. Massss, evite passar pelas pedras de chinelo porque escorrega, eu mesma levei um tombo. Também não vá descalço porque é muito quente, vai machucar seu pé e você pode pisar em algum bichinho. Se no percurso você gostar de uma praia e quiser terminar o dia nela, sem problemas, todas essas praias tem saída por trilha e são trilhas bem pequenas, super perto das estradas. O único trecho que não fiz porque parecia mais complexo é entre a Praia do Boldró e a Praia da Conceição. São cerca de 800 metros e leva 30 minutos para atravessar. Olha, eu não sou muito corajosa e só faço o que tenho bastante confiança e por isso não atravessei, mas muita gente vai achar tranquilo. Essa imagem acima é da Praia do Bode (inclusive, é daí que o pessoal fica para ver o pôr do sol lindíssimo), nessa parte fica uma piscininha natural. Essas pedras separam a Praia do Bode da Praia do Americano. É só para mostrar como são as pedras que separam uma praia da outra. Hospedagem - Esse é um ítem complexo. Lá é tudo caro e bem simples. É claro que tem umas pousadas chiques mais são absurdamente caras. É aquela lei básica: quanto mais você paga, melhor é a qualidade. Quanto a localização, é tudo bem pertinho. Não acho que esse seja um fator primordial. Nós optamos por ficar em uma suíte de uma casa de família. Não tinha café da manhã, a residência era humilde, mas os quartos têm uma vista para o mar incrível e que nos conquistou. Foi essa aqui: https://www.booking.com/hotel/br/suite-domiciliar-em-fernando-de-noronha.pt-br.html 2. TABELA DE GASTOS 2 pessoas 1 pessoa Passagem aérea 1270 635 Hospedagem 1600 800 Taxa ambiental 606 303 Parque 222 111 Táxi 170 85 Ônibus 120 60 Restaurante 820 410 Água 90 45 Cerveja 75 37 Passeio e equipamentos 410 205 TOTAL 5383 2691 2.1. TABELA DETALHADA DOS GASTOS Dia 1 2 pessoas 1 pessoa Táxi aeroporto 30 15 Ônibus 30 15 Cerveja 30 15 Jantar no Varanda 250 125 Táxi (volta do Varanda) 25 12 Dia 2 Táxi 85 42 Almoço no Bar das Gêmeas 150 75 Água 30 15 Ônibus 10 5 Dia 3 Ônibus 40 20 Aluguel de equipamentos 50 25 Almoço na Maezinha 60 30 Bebida 20 10 Jantar no Xica da Silva 220 110 Dia 4 Ônibus 40 20 Almoço no Emporio Sao Miguel 80 40 Cerveja 45 22 Dia 5 Passeio de Canoa 360 180 Almoço na Maezinha 60 30 Táxi aeroporto 30 15 Café no aeroporto 40 20 3. ROTEIRO RESUMIDO: Algumas coisas não saíram exatamente como eu tinha planejado, mas eu acho que o roteiro ideal e bem completinho é esse abaixo que eu vou mostrar: Dia 1: - chegada no aeroporto (16h) - malas na pousada - ida até a ICM Bio para pagar a taxa e para agendar o passeio do Pontal do Atalaia - pôr do sol na praia do Bode Dia 2: - Mirante dos Golfinhos - Mirante Dois irmãos - Praia do Sancho - Praia da Cacimba do Padre - Baía dos Porcos - Praia do Bode - Praia do Americano - Praia do Boldró - Pôr do Sol no Mirante do Boldró Dia 3: - Praia do Leão - Praia do Sueste - Praia do Cachorro - Buraco do Galego - Praia do Meio - Praia da Conceição - Por do sol: bar do meio ou na praia da Conceição Dia 4: - Trilha no Atalaia - Mirador Air France/ Capela / Praia do Tubarão / Enseada das Caieras - Praia do Porto - pôr do sol: Forte de Nossa Senhora dos Remédios Dia 5: - Nascer do sol de canoa 5h - dormir até o check out da pousada - almoço - aeroporto 4. MAPA No mapa abaixo estão localizados todos os pontos turísticos e separados por cor cada dia. Os restaurantes estão na cor vermelha. E os locais de pôr do sol na cor amarela . https://drive.google.com/open?id=1EAiu0X-cIhENWWRJyTV_6ZLGJpI6Gzhg&usp=sharing 5. ROTEIRO COMENTADO Agora, vou explicar e comentar o roteiro. Dia 1: - chegada no aeroporto (16h) - pegamos o táxi por 30 reais. Já expliquei a furada do transfer free. - malas na pousada - ida até a ICM Bio/Projeto Tamar para pagar a taxa e para agendar o passeio do Pontal do Atalaia: pegamos o ônibus que deixa bem na porta da ICM Bio. Já tínhamos realizado o pagamento pela internet, levamos os comprovantes e retiramos as carteirinhas. Lá é onde são agendados os passeios/trilhas que possuem limite de pessoas. Queria muito fazer o Atalaia mas infelizmente estava tudo lotado pelos próximos 5 dias. Então, não consegui agendar. - pôr do sol na praia do Bode. Na verdade, nós passamos o primeiro pôr do sol no Mirante do Boldró, mas por uma questão de logística, é mais inteligente inverter. Tanto a praia do Bode quanto o Boldró ficam próximos da ICMBio e dá para ir a pé tranquilo. A praia do Bode possui umas pedras em que dá para ver um belíssimo pôr do sol. No dia que fomos tinha dois casais fazendo fotos com fotógrafo. A praia possuía apenas uma pequena barraca vendendo bebidas naquele preço padrão: Cerveja long neck: 15 reais Refrigerante lata ou garrafa de água: 10 reais. Na volta, é só andar até a ICMBio e pegar o ônibus. Ou esperar e assistir as palestras do projeto Tamar que ocorrem todos os dias às 20h. Pôr do sol na Praia do Bode Dia 2: - Mirante dos Golfinhos: o melhor horário para ver golfinhos é em torno das 7h da manhã. Mas tem gente que foi às 10h e conseguiu ver. Chegamos às 9h e não vimos nada. Lá fica uma monitora do parque e disse que eles não haviam aparecido nem mais cedo. Entretanto, segundo ela, a taxa de aparecimento de golfinhos é de 90%. Ou seja, bem alta. Nós que demos azar mesmo. Ela empresta binóculos para observação. Ficamos uns 30 minutos esperando e decidimos seguir nosso roteiro. A partir do Mirante dos Golfinhos tem uma trilha que beira a encosta e é linda. Essa trilha vai até o Mirante dois irmãos. - Mirante Dois irmãos: você pode ir na praia do Sancho antes de ir nesse Mirante. Optamos por ir no Mirante primeiro porque tínhamos que esperar dar o horário de descida. Esse é o Mirante mais lindo de todos! É daqueles que você chega e fala "uauuuu!!!!". É o cartão postal de Noronha. - Praia do Sancho: acho que é a praia mais famosa de Noronha, talvez do Brasil. Ficamos muito tempo admirando a praia do alto e vendo os tubarões! Gente, que agonia! Como a água é muito clarinha, eles ficam bem visíveis. E eles ficam na parte rasa, do lado de banhistas. Os monitores juram que eles não atacam banhistas porque são muito bem alimentados com os cardumes. Outra informação importante. O acesso à essa praia é bem ingrime e apertado. Eu achei tranquilo, mas eu nunca levaria uma criança ali. É bom avaliar suas condições físicas. Outro ponto é que existem horários específicos para subir e para descer. A praia é maravilhosaaaaa!!! Mas não possui nenhuma infra estrutura, não tem aluguel de barraca ou venda de bebidas, por exemplo. Horários de descida e subida da Praia do Sancho - Praia da Cacimba do Padre: andando, em 15 min você chega na Cacimba do Padre, uma praia bem linda também. Tem uma faixa de areia bem extensa. No dia que fui, o mar estava agitado, com muitas ondas. - Baía dos Porcos: pela Cacimba do Padre você acessa essa área. Lá tem umas piscinas naturais lindaaaas, mas nós não fomos lá, só vimos do alto. A gente ficou com medo porque o mar estava um pouco agitado e o acesso é pelas pedras, mas acho que rolava ter descido sim. Nessas piscinas naturais não tinha faixa de areia (talvez tenha em outras épocas do ano), só pedras mesmo. Pelo mesmo acesso à Baia dos porcos tem um pico lindo, bem de frente para o morro dois irmãos. Nesse lugar você vai tirar a foto mais linda de Noronha, guarde bem esta informação!!!! Nós só fomos nesta parte e descemos. - Praia do Bode - ótima praia e com pôr do sol lindo. - Praia do Americano - também linda. Mas ela é mais recuada e não dá para ver o pôr do sol. Ela é uma praia mais deserta, não tem nenhuma barraquinha. A gente só passou por ela porque ela estava com muita onda. - Praia do Boldró - tem uma faixa de areia bem extensa, muitas piscinas naturais. Tem uma barzinho com drinks. - Pôr do Sol no Mirante do Boldró - lá tem um barzinho com música ao vivo. Fica bem cheio porque os passeios do Ilha Tour terminam lá. Mas conseguimos pegar um lugarzinho bom. Mirante Dois Irmãos Fotos das pedras que levam até a Baía dos Porcos Pôr do Sol no Mirante do Boldró Dia 3: - Praia do Leão - talvez seja a praia mais linda de todas. Nós chegamos na praia, olhamos do alto e não tinha ninguém! Olhei aquele mar translúcido e pensei que ia passar horas naquele "piscininha". Grande engano. Lá tem um posto de controle, onde você apresenta a carteirinha e tal. A mulher já foi logo avisando: "é para entrar e molhar, no máximo, até o joelho. Esse mar é super traiçoeiro, tem 7 correntezas de retorno, está rodeado de tubarões grandes, não temos nenhum salva vidas aqui, até a gente ligar e chamar alguém para ajudar, já era!". Ela falou exatamente isso. Eu fiquei chocada porque do alto parecia muito mansinha. Enfim, descemos para pelo menos tirar umas fotos na praia privativa. Realmente vimos que o mar puxava muito, a mulher não estava exagerando. Não tinha nenhuma sombra para sentar e apreciar a vista, então... Fomos embora depois de 10 minutos! Massss.... Dizem que tem épocas do ano que vira uma piscininha mesmo. Olha, uma pena não ter me banhado nessa praia tão linda. - Praia do Sueste - praia muito piscininha!!!! Ideal para ficar relaxado e curtir aquela água quente cheia de peixinhos. A praia tem uma divisão, sinalizada por uma bóia. Nessa parte estão os corais protegidos e você só pode entrar de colete salva vidas. Isso é para ninguém pisar nós corais, o local é raso... é difícil ficar boiando tanto tempo, o colete ajuda muito. Se quiser alugar só o colete custa 10 reais. Mas é bom ter nadadeiras para nadar mais facilmente, e o snorkel para ver os corais. No dia que fomos, estava com muita alga na parte mais rasa e a água estava um pouco turva. Por isso, para ver os corais precisava ir mais para o fundo. A nossa história foi assim: fomos lá alugar nadadeiras e colete (snorkel nós levamos) e também alugar um armário (10 reais). No raso, eu tinha visto um filhote de tubarão e fui perguntar para a atendente como era o lance dos tubarões. Ela disse que tinha muito mas eles não atacavam. Daí eu perguntei (mas não deveria ter perguntado....): Algum tubarão já atacou alguém aqui? Ela respondeu: sim, mas porque o banhista foi negligente, levou uma pau de selfie (é proibida, mas pode levar go pro) e colocou na cara do tubarão para tirar uma foto dele e por isso o tubarão atacou o braço dele. Mas eu, mais uma vez fiz uma pergunta que não deveria ter feito: "mas foi algo sério, o que aconteceu com o braço dele?". Ela respondeu: foi amputado, perdeu o braço! Eu gelei... Kkkkkk Ela sugeriu que fossemos com um guia porque ele nos levaria nos locais certos e tal. Os guias cobram 180 reais por casal. Decidimos não contratar o guia porque ele nos levaria muito afastado e a gente só ia olhar ali na parte mais rasa mesmo. Enfim, entramos na água e eu só ouvia as pessoas falando "passou um do meu lado de 2m". Conclusão: tenho medo de tubarão, não fiz snorkel com medo deles. Podem me julgar! Fora isso, o snorkel estava me dando uma agonia, eu não estava conseguindo respirar pela boca direito, pode ter sido pelo nervoso que eu estava sentindo, mas foi tudo ótimo! As paisagens terrestres me satisfazem sempre. - Praia do Cachorro - bom, saímos do Sueste e pegamos um ônibus para a praia do Cachorro. Essa praia é a mais central, mais próxima da Vila dos Remédios. Não sei se é sempre assim, mas não tinha nenhuma faixa de areia, só pedras. Logo, nenhum banhista! - Buraco do Galego - o acesso é pela praia do cachorro. Você vai enfrentar uma longa fila para poder desfrutar e/ou tirar foto no buraco. Informação importante: só é acessível na maré baixa. Eu vi um garoto fazendo um salto nele. Ali deve ter uns 4 metros de altura, mas o problema é que são muitas pedras, se você tropeça, erra o cálculo vai com a cabeça na pedra. O legal é que você não afunda nesse buraco. Uma força te empurra para cima, então é tranquilo de fazer a foto clássica boiando mesmo para quem não sabe boiar. - Praia do Meio - também estava sem faixa de areia, só com pedras. Nela você tem o famoso bar do meio que tem um por do sol bem bonito. Dizem que é caro, mas não sei porque não fui. - Praia da Conceição- praia linda e deliciosa. Amei ficar tomando banho nela e depois apreciando o pôr do sol. - Por do sol: bar do meio ou na praia da Conceição. Optamos pela praia porque era grátis... Kkkkkk No dia seguinte, o Bruno Gagliasso postou um vídeo (olha no Instagram dele) do pôr do sol no Bar do Meio. Ou seja, pode ser que você divida a mesa com um famoso. Praia do Leão Entardecer na Praia da Conceição Buraco do Galego Dia 4: - Trilha no Atalaia - a gente não fez porque não tinha vaga, mas dizem que é incrível. Nem por barco pode chegar nessa parte da ilha porque é uma reserva natural. Que bom que é assim, né? - Mirador Air France / Capela / Praia do Tubarão / Enseada das Caieras: todos esses locais ficam pertinhos um do outro e são todos para admirar apenas, não são áreas de banho. Inclusive, tem várias placas avisando que não pode descer na água. Nas Caieras tem o "Buraco da Raquel" que só pode ser visto do alto, não pode descer. - Praia do Porto: eu adorei essa praia! Dizem que praia de Porto tem sujeira e tal, mas nessa não havia, pelo menos nada aparente, a água era cristalina e tinha MUITO filhote de tubarão,bem na beirinha. Foi muito divertido ficar ali olhando. Fomos na parte da tarde, umas 14h e estava lotado. Além dos tubarões, ali perto tem um barco naufragado que é legal de mergulhar e olhar a vida marinha. Nessa praia também tem umas piscinas naturais na maré baixa, tudo uma delícia! - pôr do sol: Forte de Nossa Senhora dos Remédios. A gente chegou cedo e pegou um lugar de "camarote". O forte por si só já é bem bonito e o por do sol é incrível. Você consegue ver várias praias. Uma pena que a gente esqueceu de levar uns drinks para beber. Mas foi maravilhoso. Pôr do Sol no Forte Nossa Senhora dos Remédios Dia 5: - Nascer do sol de canoa 5h - já contei essa história no começo... - dormir até o check out da pousada - almoço - aeroporto 6. RESTAURANTES Mãezinha: fica bem no centro da vila dos remédios, em frente ao ponto de ônibus. É um restaurante self service e o quilo custa 80 reais. O local é bem simples mas foi a comida mais barata que achei em toda a ilha. Um prato saia em torno de 30 reais. Eu achei a comida boa. Não sei se abre para o jantar ou apenas para o almoço. Empório São Miguel: durante o almoço é self service e o quilo da comida custa 90 reais. Um prato sai em torno de 40 reais. De noite é a lá carte e os pratos custam entre 50 e 80 reais por pessoa. A comida estava boa. Xica da Silva: Que comida deliciosa! Pedimos um prato de peixe com purê de abóbora sobre uma cama de camarões (eu pedi sem o camarão porque sou alérgica) e estava sensacional. Esse prato custou 92 reais por pessoa. O valor dos pratos é basicamente esse. Tinha uma fila de espera na chegada, mas valeu cada tempo esperado e cada real gasto. Varandas: comida boa. Comi um peixe com frutas caramelizadas e arroz com leite de côco. O arroz era muito saboroso, o peixe com frutas achei apenas ok, valor: +-90 reais. Meu marido pediu o "prato da boa lembrança" que custa 120 reais e te dá de brinde um prato de cerâmica de recordação. O prato era camarões com purê de banana e cebola empanada, ele achou muito bom. Barraca das gêmeas: localizado na praia da cacimba do padre era onde tinha para almoçar. Comemos um peixe assado na folha de bananeira. Custo: 120 reais para duas pessoas. Achei bem mais ou menos. O peixe estava sem tempero e o peixe tinha muuuuuita espinha. Restaurante Zé Maria: fica dentro da pousada Zé Maria. Quartas e sábados rola um festival gastronômico. Recomendaram-me e disseram que precisava de reservas. Liguei para lá para saber qual seria o menu e o valor. O menu era um buffet livre com todas as opções que você pode imaginar e o valor??? 270 reais por pessoa! Isso mesmo, pessoal! Eu não imaginava que seria algo tão caro, mas é. É claro que não fomos...
  3. 14 pontos
    Olá gente! Nem acredito que chegou a minha hora de deixar um relato de viagem haha eu pesquisei muito aqui nesse fórum e uma das grandes razões da viagem ter saído do papel e eu ter feito o meu primeiro mochilão sozinha foi as informações que encontrei por aqui. Primeiramente, a base da minha viagem foi o relato da @appriim que está completinho nesse link aqui. Encontrei ela aqui no Mochileiros e no fim somos da mesma cidade e temos vários amigos em comum (e em breve espero que saia o encontro pessoalmente né Ana? haha) Fiz algumas alterações porque eu tinha alguns dias a mais que ela, então segue abaixo uma visão geral do meu roteiro e depois nos comentários vou escrevendo dia a dia. 17/12/2019 - Florianópolis > Ushuaia 18/12/2019 - Ushuaia - Carimbei o passaporte, comprei o ônibus para Punta Arenas e fiquei andando na cidade sem rumo 19/12/2019 - Ushuaia - Passeio na Pinguinera + Canal Beagle e trilha no Glaciar Martial 20/12/2019 - Ushuaia - Laguna Esmeralda 21/12/2019 - Ushuaia - descanso e andei pela cidade sem rumo de novo 22/12/2019 - Ushuaia deslocamento > Punta Arenas - 12h de ônibus durante o dia 23/12/2019 - Punta Arenas - fiz o câmbio e andei pela cidade, pela orla, fui ao mirante e cemitério as 17h peguei o ônibus para > Puerto Natales - 3h 24/12/2019 - Puerto Natales - Aluguei um carro com o pessoal do hostel e fomos até o Parque Torres del Paine, fazendo o "Full Day" que vende em agências de forma privada 25/12/2019 - Puerto Natales - Descanso 26/12/2019 - Puerto Natales - Trilha Base de Torres del Paine 27/12/2019 - Puerto Natales deslocamento > El Calafate - 7h de ônibus durante o dia 28/12/2019 - El Calafate - Laguna Niemez, Lago Argentino e andei pela cidade 29/12/2019 - El Calafate - Mini Trekking no Glaciar Perito Moreno 30/12/2019 - El Calafate deslocamento > El Chalten - 3h de ônibus saindo as 8h 31/12/2019 - El Chalten - Laguna de los Três / Fitz Roy 01/01/2020 - El Chalten - Descanso 02/01/2020 - El Chalten - Chorrillo Del Salto 03/01/2020 - El Chalten - Mirador de Los Condores e Las Aguilas 04/01/2020 - El Chalten - Laguna Torres / Cerro Torre 05/01/2020 - El Chalten - Madre e Hija 06/01/2020 - El Chalten - Descanso 07/01/2020 - El Chalten deslocamento > El Calafate - 3h de ônibus, saindo as 8h, andei sem rumo pela cidade 08/01/2020 - El Calafate - Lago Argentino, andei pela cidade e meu voo saiu as 19:30h para Buenos Aires > Florianópolis 09/01/2020 - Chegada em Florianópolis Gastos aproximados: DESLOCAMENTO: R$ 3.000,00 R$ 2.139,00 passagem aérea Aerolíneas Argentinas | Ida: Floripa > Buenos Aires > Ushuaia | Volta: El Calafate > Buenos Aires > Floripa R$ 180,00 entre taxi, uber, transfer aos lugares R$ 530,00 deslocamentos de ônibus R$ 135,00 aluguel de carro por 1 dia em Puerto Natales (o carro foi dividido em 4 pessoas) HOSPEDAGEM: R$ 1.280,00 Ushuaia: ANTARCTICA HOSTEL Punta Arenas: HOSTEL ENTRE VIENTOS Puerto Natales: WE ARE PATAGONIA BACKPACKERS (pagamento em dólar estamos isentos de 19% do imposto) El Calafate: FOLK HOSTEL El Chalten: LO DE TRIVI El Calafate: FOLK SUITS Reservas feitas pelo Booking e HostelWorld PASSEIOS: R$ 1.650,00 Mini Trekking Perito Moreno - R$ 700,00 - comprado no Brasil valor com cartão de crédito e IOF Pinguinera + Canal Beagle - R$ 742,00 - pago no Brasil valor com cartão de crédito e IOF | observação importante: se fazer a caminhada com os Pinguins em Punta Arenas é metade do preço e rola reservar lá mesmo no próprio hostel pro dia seguinte. Entrada Parque Torres del Paine - R$ 185,00 (paguei o preço de 2019 ainda) ALIMENTAÇÃO: R$ 1.200,00 (tem mercado, cerveja, vinho e alfajor nessa conta haha) BAR: R$ 200,00 (isso são os extras dos dias que fui pro bar e só consumi álcool) SEGURO VIAGEM: R$ 215,00 TOTAL GASTO R$ 8.000,00 (contando souvenir, extras que eu possa ter esquecido de anotar e etc) Conversões realizadas: 1 real > 13,60 pesos argentinos (Aeroporto Ezeiza de Buenos Aires) 1 real > 185 pesos chilenos (Casa de Câmbio em Punta Arenas) 1 real > 16 pesos argentinos (Restaurante Casimiro em El Calafate) Fiz umas outras conversões zoadas porque tive perrengue de dinheiro que conto depois hahah mas essas três foram as principais que acho que vale citar. TOTAL QUE GASTEI EFETIVAMENTE: R$ 8.900,00 (perdi R$ 900,00 por um golpe na conversão do câmbio no Banco do Aeroporto Ezeiza, eu dei R$ 3.200,00 e eles me converteram como se eu tivesse trocando R$ 2.300,00, fui perceber só agora que já estava no Brasil, foi falta de atenção minha como recém mochileira que achava que tinha pensado em todos os detalhes, só que não... 💔💔) Aos poucos vou contando aqui sobre a viagem dia-a-dia, ah eu também fui postando tudo no meu Instagram (@anavoando), os stories estão salvos no destaques e fui escrevendo no feed também. Ah, leiam o post da Ana que citei lá no começo, eu li e reli um milhão de vezes e ela dá várias dias ótimas!! Espero que gostem! Continuarei aos poucos, Ana Caroline
  4. 14 pontos
    Fala Viageiros!!!!! Voltei de uma viagem sensacional para a Patagônia e vou compartilhar aqui com vocês um pouco dessa experiência! Mas antes, quem puder, segue a conta do meu blog no Instagram: @profissaoviageiro E vai lá no www.profissaoviageiro.com que tem mais detalhes e fotos desse rolê! Segue lá no blog que sempre tem coisa nova por lá!!!! Bom, hoje além de passar minhas impressões de Torres del Paine, vou tentar deixar algumas informações básicas para quem quer ir e ainda está cheio de dúvida, como eu estava quando ainda planejava a viagem. Tem coisa que parece óbvia quando se conta de uma viagem para as outras pessoas, mas que no fundo se você não sabe o funcionamento das coisas no lugar, fica impossível saber se seu roteiro vai dar certo ou não… E foi nisso que eu esbarrei na montagem do roteiro. Como sempre em meus roteiros, eu tenho pouquíssima margem de erro e isso me fez perder um bom tempo na pesquisa. Vou tentar deixar algumas informações aqui para quem quer visitar esse lugar maravilhoso! Vamos lá! O que é? O Parque Nacional de Torres del Paine foi criado em Maio de 1959 e está localizado na Pataônia Chilena, na região de Magallanes. As suas torres principais dão nome ao parque, que são imensas torres de granito modeladas pelo gelo glacial. Mas as belezas do parque não se resumem a suas torres. O lugar inteiro é sensacional! Como chegar? Existem dois aeroportos próximos de Torres del Paine: – Um fica em Puerto Natales, que é a cidade base para a maioria das pessoas que visitam Torres del Paine. A cidade está localizada a 80km do Parque. O problema é que só existem voos para Puerto Natales no verão, e mesmo assim não é todo dia. Isso faz com que contar com um voo para lá seja praticamente descartado logo de cara. – A melhor opção então é voar para Punta Arenas. Existem voos regulares de Santiago para Punta Arenas. Inclusive, se não me engano, lá é destino mais barato para se chegar na Patagônia (Argentina ou Chilena) Eu fiz isso. Saí de São Paulo em um voo com conexão em Santigo e chegada em Punta Arenas. Tudo bem tranquilo! -Para quem não for utilizar avião, tenha Puerto Natales como sua referencia de destino. Onde ficar? – Punta Arenas: A porta de entrada da maioria das pessoas que vão para TdP via o próprio Chile (Muitas outras pessoas vão para TdP via El Calafate, na Argentina) Cidade grande, com vida própria. Possui muitas atrações turísticas, shoppings, hotéis, hostels, restaurantes e tudo mais. Fica a 3 horas de ônibus de Puerto Natales. – Puerto Natales: Cidade pequena que gira em torno do turismo de TdP. Muitos turistas o ano inteiro por lá, consequentemente muitos restaurantes e vendinhas para as compras da galera que vai fazer os trekings. Como já falei é a base para a maioria das pessoas, pela sua proximidade e preços acessíveis. Comparado às hospedagens dentro ou ao lado do parque é muito mais barato ficar em Puerto Natales. – Hospedagens dentro do Parque: Existem muitas opções de hospedagem dentro do Parque, desde áreas de camping onde você é responsável por ter com você absolutamente tudo que vai usar e comer, até luxuosos hotéis com vistas deslumbrantes. Tudo dentro do parque é caro. Transporte, hospedagem, comida… Tudo! São três “empresas” que possuem hospedagens dentro do parque, e para dormir lá dentro você precisa ter reservado antes de chegar (mesmo que esteja levando todo equipamento com você e queira apenas reservar um espaço de camping), pois não se pode entrar sem reserva prévia. As empresas são: CONAF; Fantástico Sur; e Vertice. Quando ir? Torres del Paine pode ser visitado o ano inteiro, mas a alta temporada é no verão, quando as temperaturas estão mais agradáveis e as paisagens mais coloridas. Eu fui na primavera. Dei muita sorte com o tempo e achei que valeu muito a pena. Não estava lotado e não passei nenhum perrengue de frio ou vento a ponto de transformar algum rolê em algo penoso. Se tem alguma coisa que eu mudaria no meu rolê para deixar ele ainda mais perfeito, é que eu preferia ter visto o lago no Mirador Base de Torres del Paine descongelado. Quando eu fui ainda estava congelado. Não que eu ache isso um problema, mas acho que descongelado seria muito lindo também. Quanto custa? Caro! Não é um passeio barato. Mesmo fugindo o máximo que pude das hospedagens dentro do parque, é um passeio caro. Mas não é nada que não se possa dar um jeito. Aqui alguns exemplos de preços aproximados: – Entrada no Parque, válida por 3 dias de entrada: US$ 35,00 (se já estiver dentro do parque, não tem problema, pode ficar mais que 3 dias) – Aluguel de barraca completa no parque: US$ 70 – para 2 pessoas, por noite – Catamarã para Paine Grande: US$ 35,00 por pessoa, por trecho (Comprando ida e volta junto fica um pouquinho mais barato). IMPORTANTE: Não aceita cartão! Só dinheiro. – Ônibus interno do Parque: US$ 10,00 ida e volta – Ônibus Puerto Natales – Torress del Paine: US$ 25,00 ida e volta E por aí, vai… O que fazer??? Bate e volta, Circuito W, ou Circuito O? Eu escolhi o W! – No circuito W estão as principais atrações do parque na minha opinião. Claro que quem faz o Circuito O vê muito mais coisa, mas para isso é necessário muito mais tempo e preparo, pois as partes do parque que estão fora do W, são bem menos estruturadas, então depende muito mais de você e do equipamento e mantimento que você carrega. – No bate e volta de Puerto Natales, você consegue fazer o Mirador Base, que é a vista mais famosa de lá, mas depois que se faz o W, você vê que aquilo é só um pequeno pedaço das belezas daquele lugar. Também dá para fazer o lado do Glaciar Grey, ou até um trecho da trilha beirando o lindíssimo Lago Nordenskjold. IMPORTANTE! Nesses casos de bate e volta, você sempre vai ter seu tempo limitado ao horário dos transportes internos do parque, seja do ônibus ou do catamarã. Então controlar o tempo e seus objetivos no dia será algo muito importante. Os horários são fixos e limitados, não deixando margem para erros. – Uma outra opção, que eu jamais faria, é um bate e volta de El Calafate, como muitas agências de lá oferecem… Me parece um grande programa de índio. – Fazer um mix disso tudo aí também é possível! É só estudar direitinho o roteiro e partir para cima!!!! Bom, esse é o básico. Vou contando agora como foi o meu rolê e tentando explicar como tudo funcionou para mim! Vamos lá!!!!!!!! Dia 1: Bom, eu decidi fazer o W da seguinte forma… Fazer as 2 pernas externas no esquema de bate e volta, e a parte central do W dormindo uma noite no camping Francês. Dessa forma faria o rolê em 4 dias, que é bem puxado. A maioria das pessoas faz em 5 dias o W, que depois eu entendi o por quê! Como a entrada do parque vale por 3 dias, eu fiz as 2 pontas primeiro, e depois a parte interna, que daria certinho os 3 dias de entrada no parque. Para mim não fazia diferença por onde começar, então deixei o dia que a previsão do tempo estava melhor para fazer o Mirador Base e fui no primeiro dia, que o tempo estava pior, na perna do Glaciar Grey. E a parte interna eu fiz saindo de Las Torres e chegando no outro dia em Paine Grande. No final, deu tudo certo!!!! Como comentei, eu cheguei em Puerto Natales vindo de Punta Arenas. Como não sabia da estrutura da cidade, acabei fazendo compras do que iria comer no parque no dia seguinte em Punta Arenas mesmo. A viagem de ônibus entre Punta Arenas e Puerto Natales demora 3 horas. A passagem é bem fácil comprar. Os ônibus que fazem esse trajeto têm seus terminais no centro da cidade e todo mundo lá sabe indicar onde ficam esses terminais. Existem diversos horários de saída, então não precisa de stress quanto a reserva antecipada ou qualquer coisa. Em Puerto Natales as coisas são perto da rodoviária. A maioria dos lugares nem precisa de taxi… Dá para chegar andando. Já aproveitei que estava na rodoviária na chegada e comprei a passagem de ônibus para o dia seguinte de ida e volta para o parque. São algumas empresas que fazem o trajeto e todas fazem mais ou menos no mesmo horário, pois os transportes internos no parque são sincronizados com as chegadas dos ônibus de Puerto Natales. O horário de saída é por volta das 7 da manhã e o retorno por volta das 7:30 da noite saindo da Laguna Amarga (entrada do parque). São quase 3 horas de trajeto entre o parque e Puerto Natales. No dia seguinte estava lá bem cedinho na rodoviária aguardando meu ônibus sair. Chegando em Torres del Paine, a primeira coisa a se fazer é comprar o ticket de entrada. Havia uma pequena fila mas não demorou muito todo o tramite. Eles aceitam Pesos Chilenos e Dólares. Talvez aceitem Euros também, mas não tenho certeza. Depois é aguardar o ônibus interno que vai te levar para o Refúgio Las Torres (De onde sai a trilha para o Mirador Base e também a trilha em direção ao Refúgio Francês) e depois segue para Pudeto, de onde sai o Catamarã para Paine Grande (Onde começa a trilha para o Glaciar Grey). Como fui em direção ao Glaciar Grey nesse primeiro dia, segui no ônibus até Pudeto. Cheguei lá por volta das 10:30 e o catamarã só sai as 11hs. Assim aproveitei e tomei um reforço do café da manhã por lá enquanto aguardava a saída para Paine Grande. O catamarã é espaçoso e possui um deck em cima para quem quer ver a paisagem e tirar umas fotos. Duro é aguentar o frio, mas vale a pena! O trajeto é curto e em pouco mais de 20 minutos já estava em Paine Grande Muitas pessoas se hospedam no refugio, então já entram para seu check in. Eu não ia ficar lá, então só me arrumei, usei o banheiro e saí. Primeiro grande desafio da viagem: Aprender a usar os sticks de caminhada! Eu sei que parece ridículo, mas no começo é difícil coordenar! Mas depois de alguns minutos, vai que vai! Não sei como eu consegui voltar a andar sem eles quando voltei de viagem! Esse treco é bom demais!!!!! Bom, foi nesse primeiro dia que eu entendi por que a maioria das pessoas faz o W em 5 dias e não em 4… É porque o refúgio Grey é longe que dói! Eu tinha o meu tempo de trekking limitado pelo horário do catamarã. Não podia estar de volta depois das 18:30hs, que é o último horário de saída do catamarã no dia. As pessoas normalmente dormem no refúgio Grey e depois voltam no dia seguinte. Ou também vão até o refugio Grey e voltam para dormir em Paine Grande, sem grandes compromissos com o horário. Aí tudo faz mais sentido. No meu caso eu tive que ir até onde o relógio permitiu, e não consegui chegar até o refugio. Mas isso não tem muita importância… Pude apreciar a beleza do glaciar durante minha trilha sem nenhum problema! A trilha desse trecho não foi das piores do W. Existem outras partes com muito mais subidas e descidas. Isso foi bom, pois estava ainda aquecendo os motores! Eu que já tenho dois joelhos completamente destruídos, que me impedem de fazer algumas coisas, estava, para piorar, vindo de uma lesão no ligamento. Consequentemente minha condição física não era das melhores, vindo de um período de um mês sem poder exercitar minhas pernas. Bora caminhar!!!! A primeira parada, já para o almoço, foi na Laguna Los Patos. Uma lagoa bonita, que apesar do nome, não tinha tantos patos assim quando passei por lá! Sigo então em direção ao glaciar, tentando aproveitar o máximo essa paisagem linda! Daí a recompensa… O Glaciar Grey!!! Encontro um lugar para parar e apreciar essa vista! Depois de um tempo por lá o relógio me lembra que era preciso voltar, sem grandes possibilidades de paradas. A volta foi bem tranquila e cheguei a tempo inclusive de fazer um lanche e tirar umas fotos antes de embarcar Na fila do embarque percebo esse cara indo para um mergulho bem tranquilo nesse lago de degelo!!! Um mergulho com uma vista dessa não é nada mal!!!! Daí foram só mais uns 30 minutos de catamarã até Pudeto e já o imediato embarque no ônibus para Laguna Amarga. Dalí peguei o ônibus de volta para Puerto Natales. Chegando em Puerto Natales, foi só o tempo de passar em uma vendinha para comprar os mantimentos para o dia seguinte e correr para tomar banho, comer e dormir, pois sobram poucas horas de sono para quem tem que pegar o ônibus no outro dia as 7 da manhã!!! Dia 2 E lá vamos nós!!!! Acorda de madrugada, toma banho, toma café, corre para a rodoviária e tenta descansar um pouco no ônibus no caminho… No parque foi só mostrar que já tinha o ingresso e aguardar pela saída do ônibus para Las Torres. Lá em Las Torres se faz um breve registro de entrada para controle e já pode sair para a caminhada. Esse dia era o primeiro grande desafio. São 20km ida e volta, com muita montanha, incluindo um trecho matador no último quilômetro que faz você pensar seriamente que não vai conseguir! Mas consegue!!!! A caminhada começa com 2km bem tranquilos e planos ainda em uma área dentro do complexo de Las Torres. Depois…… Bom, depois é bom estar com a saúde em dia, porque não é fácil a brincadeira. O que sempre te dá forças em um lugar como esse são as paisagens… Elas vão nos lembrando por que estamos lá!!!! Vale cada gota de suor! E vai subindo… Subindo… Subindo mais… Até que chega no Km 9 e eu já estou esgotado, com muita dor e cansaço. E aí o negócio começa a ficar sério. A subida é bem no limite entre caminhar e escalar, inclusive passando pelo espaço onde a água do degelo desce, para ajudar ainda! Pelo menos quando dava sede era só abaixar e beber água! Eu acho que eu bobeei… Acho que tem um lugar para deixar o peso extra ali no km 9 antes de começar a subida. Eu não fui atrás disso e acabei subindo com tudo nas costas… Foi treta! Como eu não tinha forças nem para tirar foto, tenho poucos registros desse dia. Uma pena, porque o lugar é maravilhoso. Essa subida é terrível, e quando se acha que acabou você descobre que ainda falta um tanto! Todos os lugares por lá são assim… Você acha que chegou no final, mas não chegou!!!! Para de reclamar e continua andando!!!!! Realmente nem acreditei quando cheguei lá!!!! Mas o visual vale qualquer esforço!!! Infelizmente cheguei lá 15 minutos depois do horário que tinha que iniciar a descida! Isso limitou muito o quanto eu pude aproveitar lá em cima. Foi o tempo de comer alguma coisa, tirar meia dúzia de fotos e sair desesperado para baixo, quase com a certeza que não daria tempo. Isso foi a pior parte do rolê… Não consegui aproveitar quase nada a descida, forcei meus joelhos de um jeito que não poderia ter forçado e fiquei horas no stress de não ter ideia do que iria fazer se perdesse o transporte. Não sei explicar como, arrumei forças não sei da onde para sair em uma disparada nos últimos 2 quilómetros para tentar chegar no ônibus… E não é que consegui!!!!!!! O pessoal já estava quase todo embarcado! Aí pedi para o motorista para esperar uns 2 minutos até a Tati chegar e ele falou que beleza! Nossa, foi por pouco! Eu sentia tanta dor no meu corpo depois disso que nem sei explicar… Doía pé, tornozelo e principalmente meus joelhos… Achei que tinha comprometido todo o rolê… Chegando em Puerto Natales foi só a correria para deitar logo, depois do mercadinho, banho e janta. Dia 3 Esse dia tinha a ideia que seria mais tranquilo, pois além da distancia a se caminhar ser menor, não precisava me preocupar com horário, pois poderia chegar a qualquer hora no Camping Francês. Mas eu me enganei… Foi mais um dia puxado que no final minhas pernas já estavam esgotadas. Já no refugio Las Torres, comecei a caminhar para o Acampamento Francês. O inicio é tranquilo e ainda estava com a sensação que seria um dia de recuperação, e não de grandes esforços. Começo a encontrar alguns morros, mas nada de mais… A caminhada ainda está sob controle. Passados alguns quilômetros eu encontro um novo caso de amor!!!!! Se trata do Lago Nordenskjöld! Que visual maravilhoso! Andar com esse lago ao seu lado o dia inteiro foi lindo demais! As paradas para comer sempre eram em pontos estratégicos para comer apreciando aquele azul espetacular! O problema é que esse trecho tem muita montanha, subindo e descendo toda hora… Eu fui me cansando e já ficava perguntando pra galera que cruzava no caminho se estava muito longe ainda! Isso é claramente sinal de desespero!!!! E então já no final do dia chego no Acampamento Francês! O acampamento é bem bacana. O banheiro é bom e a água para tomar banho bem quente! Isso foi maravilhoso! Lá eles também têm um pequeno restaurante e uma “vendinha” que você pode comprar um refrigerante, por exemplo. Na recepção do camping eles tinham ovos para vender. Não estava tão caro. O problema é que eu não tinha onde cozinhar os ovos, pois não estava carregando um fogareiro comigo. A menina que estava lá foi bem gente boa e ofereceu de cozinhar os ovos para nós no fogareiro dela! Então já fechei negócio e consegui comer algo quente nessa noite, que estava programado apenas comida fria. Então depois de um ótimo banho já fui jantar meu sanduíche, ovos e um vinho que estava carregando para saborear na noite! A barraca estava montada. Não tive trabalho nenhum. É chegar, pular para dentro do saco de dormir e até amanhã!!!!! Dia 4 Depois de uma boa noite de sono que não passei nenhum tipo de problema na barraca, me preparei para partir. Nesse dia os objetivos eram Mirador Francês, Mirador Britânico e a chegada em Paine Grande para tomar o catamarã de volta no final da tarde. Então tomei meu ziriguidum e pé na estrada! Até o acampamento Italiano o caminho é curto mas já com algumas subidas chatinhas. No acampamento Italiano você pode deixar seu equipamento para fazer a subida para o Mirador Francês e Britânico só com o necessário. A subida até o Mirador Francês é de um nível médio… Dá para ir na boa. Acabei me perdendo um pouco no caminho… Ainda bem que olhei para trás e vi umas pessoas passando por outro lugar. Percebi que o errado era eu e voltei para a trilha certa! Lá é um lugar bem interessante. Existe uma geleira com pequenas avalanches a cada 10, 15 minutos… É muito legal ficar um tempo por lá vendo as avalanches e principalmente escutando os estrondos do gelo se rompendo. É um barulho de trovão bem alto! Muito bacana! Fiquei lá um tempo, fiz meu lanche e olhei para o caminho do mirador Britânico………… Que caminho???? O tempo fechou e não dava para ver nada lá para cima….. Então após algumas considerações decidi desistir de ir até o mirador Britânico. Ainda faltava uma boa pernada até lá e eu não queria gastar esse tempo e essa energia para ir até um mirador de onde não haveria nada para “mirar”. Bom, com isso pude desfrutar mais algum tempo no mirador Francês e fazer meu caminho de volta sem stress por conta do horário do catamarã. De volta ao acampamento Italiano não estava muito bem… Não sei bem o que era, mas preferi ficar por lá um tempo até me recuperar. Daí peguei minhas coisas e segui… O caminho a partir de lá é bem mais tranquilo. Não me lembro de ter nenhuma montanha bizarra para subir e descer depois de lá. Isso foi ótimo… Já estava cansado! (Calafate) Um dos pontos altos desse trecho da caminhada é o Lago Skottsberg! O mirador do lago tem uma vista que chega a ser indecente! Depois dessa parada, já estamos quase lá! É um trecho cheio de emoções boas! De que consegui cumprir o objetivo… De que vou completar o W! Isso parecia tão longe na minha vida há 6 meses atrás…. Pensar em cada pedra, cada montanha, cada arbusto, cada pássaro, cada lago, cada pessoa que cruzei, cada parte do meu corpo que doía, cada gole de água de cachoeiras de degelo, e cada sentimento delicioso de conquista com o visual que se abria na minha frente por tantas e tantas vezes nesses dias…….. Foi bom demais! Então a última parada antes da chegada triunfante! Dessa vez para admirar o Lago Pehoé, a poucos metros de chegar em Paine Grande. Não tem lugar melhor para comemorar a vitória!!!!!! E então a chegada! Exausto; Com dor; Realizado!!! Consegui, po**a!!!!!! Daí foi o roteiro já conhecido… Catamarã de Paine Grande para Pudeto, ônibus interno de Pudeto para Laguna Amarga (com parada em Las Torres), ônibus para Puerto Natales, pousada e cama! Hora de descansar, mas não muito, porque no dia seguinte embarcaria para El Chaltén pela manhã. Mas essa história fica para depois! É isso!!!! Quem quiser qualquer ajuda, pode escrever aqui que vou ajudar com todo prazer no que for possível! Críticas e elogios também são bem vindos!!!!! Não esqueçam de seguir lá no Instagram! @profissaoviageiro Valeu!!!!!!!!!!!!! Abraço, Felipe
  5. 13 pontos
    Olá, galera! Vou sair de mochilão pelo BR e América do Sul (roteiro incerto), sem data para voltar, estou com pouco dinheiro mas dinheiro não é o mais importante, podemos fazer grana pelo caminho, pedir caronas, dormir em albergues, acampar, etc. Sem mordomias. Quero mesmo é aventurar em todas as adrenalinas que puder, me divertir muito, amo cachoeiras, praias, natureza no geral. Sou de Minas Gerais, será meu primeiro mochilão roots. Adoraria companhia de pessoas dispostas a viver uma experiência apaixonante. Sempre com respeito e responsabilidade. Bora?
  6. 12 pontos
    Esse é o meu relato de viagem sobre meu mochilão de 17 dias pela patagônia argentina e chilena. Não liguem pro tempo verbal, tem coisa que estou escrevendo ao vivo e tem coisa que estou escrevendo depois que aconteceu. Roteiro: 18/10 - Rio x Santiago (escala de madrugada em Santiago) 19/10 - Santiago x Punta Arenas x Puerto Natales 20/10 - Punta Arenas x Torres del Paine 21/10 - Torres del Paine 22/10 - Torres del Paine 23/10 - Torres del paine x Puerto Natales 24/10 - Puerto Natales x El Calafate 25/10 - El Calafate 26/10 - El Calafate x El Chalten 27/10 - El Chalten 28/10 - El Chalten 29/10 - El Chalten 30/10 - El Chalten x El Calafate 31/10 - El Calafate x ushuaia (avião) 01/11 - Ushuaia 02/11 - Ushuaia 03/11 - Ushuaia x Brasil A escolha do roteiro: Por que vou fazer nessa ordem, já que começar pela Argentina é mais barato? Meu motivo principal da viagem é conhecer Torres del Paine, então minha ideia foi começar por lá, já que eu chegaria com o corpo descansado pra fazer as trilhas do parque. Por que eu não vou direto para El Chalten depois de Torres, daí vou pra El Calafate de uma vez e pego o voo direto? Como calafate não tem trilhas seria o meu descanso entre as duas cidades que mais vou fazer trilhas. Então preferi colocar no meio para descansar (entre torres del Paine e El Chalten). O que eu reservei antes? Quanto paguei? Por que? 1 - Reservei os campings em maio, pq sou ansiosa e fico com medo de não conseguir depois. Reservei no cartão de crédito em única parcela (não lembro se dá pra parcelar), com a cotação pro real de 4,60 aproximadamente. Farei o circuito W, optei por 4 dias e escolhi reservar a barraca com eles. Camping Central - 25 dólares (21 dólares barraca alugada e montada) Camping Francês - 25 dólares (21dólares barraca alugada e montada) Camping Paine Grande - 11 (30 dólares barraca alugada e montada) Total aproximadamente: 611,80 reais. 2 - Paguei o mini trekking com a hielo y aventura no Brasil também: 6500 pesos argentinos, que no cartão de crédito veio por uma cotação de 4,60 e no final paguei 543,83 reais. Esse valor está incluso apenas o transfer e o mini trekking. Chegando no parque tenho que pagar minha entrada: 800 pesos argentinos. 3 - Paguei o passeio que vou fazer em ushuaia com a Piratur. Tá sentado? Total de 746,26 reais. Está incluso o transfer e pelo preço pensei que eu poderia levar um pinguim pra casa. Além do transfer tem a navegação do canal beagle e a entrada na estância. O nome do passeio é: caminhada + navegação. Os passeios 2 e 3 eu reservei com antecedência pelo motivo de eu ter pouco tempo nas cidades e roteiro apertado e eu não queria correr o risco de não ter vaga (apenas essas empresas fazem estes passeios, então não tem a opção de pesquisar preços). 4 - Ônibus que faz o trajeto Punta Arenas Aeroporto - Puerto Natales. Paguei 7400 CLP = 47 reais. Ou seja, se você não pretende ficar em Punta Arenas, faz esse caminho direto, o valor é o mesmo caso você pegasse o ônibus na rodoviária. Quanto estou levando de dinheiro? Troquei meu dinheiro duas vezes: 1 vez = 1684 reais = 400 dólares 2 vez = 1281 reais = 300 dólares O dólar estava super em alta esse ano então eu juntei o dinheiro e fiquei de olho na cotação todo dia, toda hora em desespero mode on. O site que eu uso pra acompanhar a cotação é melhorcambio.com e lá eu faço a proposta de quanto eu quero pagar no dólar. Planejamento Antes de iniciar a viagem eu fiz uma planilha com todos os gastos de hospedagens e transportes que eu achei na internet, fiz o câmbio pra dolar e decidi levar esse valor citado. Início do relato: 18/01 - A caminho Meu vôo tava marcado pra 17:10. Cheguei no aeroporto com bastante antecedência, pois eu tinha que consertar meu nome no bilhete de embarque do voo que eu faria no meio do mochilão (calafate-ushuaia). Separei meu líquidos no zip lock, mas como sempre ninguém viu. Tava na tensão sem saber se conseguiria embarcar com meu bastão de caminhada e meu pau de selfie, segundo as regras é proibido, mas coloquei eles na parte de dentro da minha mochila (50l _quechua) e deu tudo certo. Como meu voo estava cheio a companhia ofereceu despachar as bagagens, eu aceitei, não tava querendo procurar vaga pra ela no avião mesmo. Comi um bolinho Ana Maria na sala de embarque e esperei meu momento. Embarquei. Tô levando comigo alguns itens de comida, dizem que no Chile é um pouco chato a imigração. Então no papelzinho de imigração que a gente ganha no avião eu declarei que estava levando coisas de origem vegetal e/ou animal. O que eu levei de comida: 1 pacotinho de chá mate 1 pacote de cappuccino em sachês 2 pacotes de amendoim grandes 12 barras de proteína com bom valor nutricional 09 snickers 04 latas de atum 02 pacote de cookies integral 12 bananadas 03 pacotes de bolo Ana Maria 02 sopas com bom valor nutricional da essential nutrition (soup lift) 03 barras de cereal 01 pacote traquinas 01 pacote de biscoito de arroz 01 pacote de Club social 01 caixa do chocolate talento versão mini 09 quadradinhos de polenguinho 05 geleinhas estilo cesta de café da manhã 02 pacotinhos equilibri, estilo torradinhas Rolou tudo bem. Passei na parte de itens a declarar, a moça perguntou o que eu levava, eu contei, ela mandou passar no raio x e me liberou. Simples assim. Troquei 150 dólares no aeroporto de Santiago, pq tô com medo da cotação na patagônia ser pior. 150 dólares = 101.574 CLP Gastos do dia (a partir do momento que entrei no aeroporto): "Janta" de Mc donalds: 5640 CLP Dica: Sempre comprar voo com uma conexão grande, pra dar tempo de se alimentar, trocar dinheiro, fazer tudo sem pressa. Meu voo aterrissou as 21:50 e terminei de fazer tudo as 23:40. Agora estou aguardando o próximo voo no aeroporto.
  7. 11 pontos
    Desde a minha adolescencia sempre quis conhecer dois lugares: Machu Pichu e Camboja. Mês passado consegui realizar um desses sonhos! Um dia antes de viajar, fiquei sabendo através de um grande amigo meu piloto que vários vôos estavam sendo cancelados por causa do tufão que passava pelo local justamente onde eu iria fazer conexão. Eu estava super nervosa com medo do meu vôo ser cancelado e com isso arruinar o meu planejamento. Cheguei no aeroporto, suando de nervosa, olhei para a atendente e estava tudo certo para minha viagem! Pra chegar ao meu destino dos sonhos passei por uma conexão em Taipei, no meio do tufão, mas nem por isso deixei de explorar a cidade e conhecer a linda Praça da Liberdade. De volta ao aeroporto, meu proximo destino seria Bangkok! 4 dias não foram suficientes para conhecer essa cidade incrível. Comida maravilhosa, rooftops de tirar o fôlego, tuk tuks pra todos os lados, templos incríveis e bares super animados. Aproveitei a oportunidade e com a ajuda de um grande amigo meu da minha terra natal consegui cantar em um live house. Com isso tive a oportunidade de conhecer excelentes músicos numa jam incrível com gente de vários países. Obrigada Caio pela noite maravilhosa (na verdade pelas duas noites!!!). Apesar de me despedir de Bangkok com desejo de ficar mais, eu também estava super ansiosa para chegar no meu proximo destino: Camboja. O Camboja é um país que sofreu muito com a guerra Khmer Vermelho, um dos maiores genocídios da história recente, matando grande parte da população e até hoje é possível ver as marcas deixadas dessa terrível catástrofe humana. Quando o avião pousou (graças a deus! Por que era um mini avião com hélice #medo), o calor estava de matar! Passei pela imigração e finalmente estava pisando em terras cambojanas. O motorista do hotel, seu Barang, estava lá me esperando e, apesar da dificuldade de comunicação, esbanjava simpatia. O carro deu partida e comecei a ver a cidade de Siem Riep através da janela. A cada quilômetro rodado, o cenário era o mesmo, muita pobreza. Cheguei no hotel e fui recebida com um delicioso chá e doces típicos do Camboja. Joguei minha mochila no quarto e fui rumo a Vila flutuante de pescadores que ficava a uma hora do centro. Na chegada à vila, a canoa passava pelas principais “ruas” onde é possível ver casas, igrejas e até uma escola suspensa. Pausa para o almoço num restaurante flutuante no meio de um enorme e importante lago para os pescadores. É ali que eles pescam e vendem para outros restaurantes no centro da cidade. Sentei à mesa e pedi o famoso Amok: um curry de peixe com toque de capim limão, prato típico do Camboja. Enquanto eu almoçava, uma criança linda dos olhos brilhantes não parava de me observar até que fui em direção a ela e começamos a nos comunicar através de sorrisos e olhares curiosos. Aprendi algumas frases em cambojano num pôr do sol lindo enquanto eu estava sentada à beira do lago com uma menina cheia de vida. Nesse momento, percebi a beleza do cenário e tirei uma das fotos mais lindas da vida! Dia seguinte, dia de visitar os templos do complexo Angkor, Patrimônio da Humanidade pela Unesco, com a ajuda de um super querido guia, Sohkom. Eu queria saber mais sobre a história do Camboja e sobre os detalhes dos templos. Fiquei horas caminhando na imensidão desse lugar abandonado no meio da selva. No meio do passeio, fui indo em direção a uma música e me deparo com uns homens tocando instrumentos típicos da região. Quando eu percebi estava no meio deles tocando percussão. Todos os músicos eram sobreviventes da guerra, mutilados, vítimas das minas terrestres. Foram horas de aprendizado e informações sobre essas ruínas do império Khmer. À noite, tive tempo pra beber uma cerveja local, fazer massagem por 1 dólar, curtir um pouco da Pub Street e cantar com uma banda de rock no Hard Rock Café. No dia seguinte, levantei as 6 horas da manha, aluguei um quadriciclo e fui desbravar Siem Riep. Eu acho que foi o passeio que mais me comoveu. Foram mais de 4 horas explorando a cidade. Parei num mercado e comprei algumas caixas de macarrão pra doar aos alunos de uma escola construida pelos japoneses❤️. Excelente trabalho dos professores, todos voluntários. De volta a minha moto, coloquei meu capacete e máscara pois havia muita poeira (as ruas não são asfaltadas) e comecei a distribuir comida pras crianças. O mais impressionante é que todas vinham com um baita sorriso no rosto e falavam obrigado. Até mesmo algumas que não falavam por timidez, os pais agradeciam por elas. Hora de voltar pro hotel, pegar uma piscina e esperar o pôr do sol. À noite, me deliciei com o meu ultimo jantar no estilo cambojano e depois fui a um bar de musica ao vivo onde conheci uma cantora de voz linda e serena cantando músicas típicas da região. Fiz questão de falar com ela que ficou encantada quando a elogiei. Muito linda! Vim embora com um aperto no coração de quem precisa voltar. Apesar da pobreza, dos conflitos civis, das atrocidades de um general que aniquilou grande parte da população no passado e de tantos outros problemas em que esse país ainda se encontra, o Camboja e seu povo vão ficar guardados pra sempre no meu coração! Instagram: Yumi_oficial ou Yumiaroundtheworld C581EB70-143E-4458-8CA0-93B5353330A3.MOV 5DEA23CB-8A9F-4EDD-88F6-D85B33E9D4B1.MOV 918A37ED-6D9D-4DD5-AAD2-58A752B49A6B.MOV
  8. 11 pontos
    Relato de uma viagem feita de carro com um grande amigo entre os dias 12/02 e 22/02 antes da pandemia de coronavírus (espero no futuro ler isso e ver que conseguimos superar a crise). Muitas das informações apresentadas aqui já foram compartilhadas no meu Instagram de viagens: https://instagram.com/viajadon_/ - Antes de chegar à primeira cidade citada no relato - Jujuy - ficamos dois dias em San Pedro de Atacama (há algumas dicas no meu Intagram e posso passar outras caso deseje). Após o último atrativo citado no relato, ficamos dois dias em Córdoba e mais dois inteiros em Buenos Aires (não relatei nada no Instagram, mas posso passar dicas, caso deseje Obs: os preços informados estão em pesos argentinos. PRINCIPAIS CIDADES/REGIÕES VISITADAS (em ordem cronológica): San Salvador de Jujuy (ou apenas "Jujuy"), Maimara, Tilcara, Humahuaca, Iruya, Purmamarca, Salinas Grandes, San Antonio de los Cobres, Tolar Grande + Cono de Arita, Salta, Cachi, Angastaco, Cafayate, Amaicha del Valle (Museo Pachamama), Belén, Campo de Piedra Pomez, Parque Nacional de Talampaya, Baldecitos, Parque Provincial Ischigualasto MAPA GERAL DA ROTA * Está faltando Tolar Grande e Cono de Arita, pois o Google Maps dá uma volta muito grande para chegar até os pontos MAPA INTERATIVO NO GOOGLE MAPS: https://drive.google.com/open?id=1LtTF87I0L1GPBiNd1VGNPVgQESvfSJqs&usp=sharing * Arquivo em kmz: Norte da Argentina.kmz ITINERÁRIO RESUMIDO * Planilha editável: Roteiro norte argentina.docx INFORMAÇÕES BÁSICAS - Aluguel de carro: fizemos quase toda a viagem em carro alugado, exceto a viagem a Iruya em ônibus de linha regular e os tours a Tolar Grande + Cono de Arita e a Campo de Piedra Pomez realizados em carro 4x4 com motorista contratado. Alugamos um carro popular mesmo e ficamos satisfeito. Não era necessário um carro mais potente para a viagem da forma como a realizamos. Alugamos o veículo na Alma Rent a Car. Saiu por $43.900 ($29.900 aluguel por 13 dias + $14.000 taxa de devolução do carro em Córdoba). Gostamos tanto do atendimento, que depois escrevemos comentários positivos no Google. Segue o comentário que escrevi: " Bom preço e ótimo atendimento ao cliente. Foram super atenciosos e solícitos comigo e meu amigo. Nos receberam no terminal rodoviário com sorriso no rosto, mesmo após atraso e ausência de comunicação nossa por estarmos sem celular. Depois ainda nos levaram numa casa de câmbio com cotação ótima para trocarmos o nosso dinheiro. Todas as vezes que precisamos de nos comunicar com eles, nos atenderam prontamente pelo Whatsapp." - Câmbio: conforme citado acima, trocamos dinheiro inicialmente na casa de câmbio que o pessoal da Alma Rent a Car nos levou. Infelizmente demos mole e não anotamos o nome do local. Pelo pesquisei aqui, provavelmente fica do lado da Graffit Turismo. Depois trocamos mais um pouco com cambistas próximo da praça principal de Salta e em um quiosco na Plaza San Martín em Córdoba (caso vc vá passar por esta cidade antes). Em todas essas situações trocamos R$1 por $17 pesos, a mesma cotação da casa de câmbio Mais Brazucas de Buenos Aires, a qual costuma ser a mais recomendada nesta cidade. Em Salta e em Córdoba, não compensava trocar em casas de câmbio oficiais. Nesse período compensava muito mais trocar real por pesos do que trocar dólar. - Hospedagens: de forma geral, ficamos em hospedagens econômicas muito baratas. Demos preferência a hostels com quartos compartilhados, mas em San Antonio de los Cobres e Baldecitos não havia essa opção (mais detalhes no tópico "hospedagens" ao final do relato). O custo da hospedagem girou entre $350 (pouco mais de R$20) e $600 para cada um de nós dois. - Comida: a comida de forma geral é baseada na carne, mas se vc é ovolactovegetariano (eu sou pseudo...hahaha...não como carne no dia a dia, mas eventualmente como em viagem em caso de necessidade ou como um experiência cultural), basta negociar, que geralmente fazem alguma coisa tipo uma omelete. - Bebida: o vinho é super barato na Argentina e em alguns locais por onde passamos, especialmente na parte do roteiro após Salta, havia opções de vinhos da região. O litro da cerveja tinha um custo geralmente em torno de $200 nos restaurantes e $150 em mercados. Vc conseguirá menú (entrada + prato principal + sobremesa) por $300 em vários locais ou então conseguirá bons pratos entre $180 e $250. - Preços: já citei os valores de hospedagem, comida e bebida, vale dizer que o transporte coletivo também parece ser econômico pelo o que li em relatos. Não posso dar muitas informações a respeito, pois o único transporte coletivo que pegamos foi de Humahuaca a Iruya a $300 (cada trecho). Digo ainda que artesanato também é muitooo barato! - Viajando de carro - estradas e combustível: de forma geral, mesmo as estradas de terra, são ótimas. Bastante atenção e velocidade reduzida, pois muitos trechos são muito sinuosos e há bastante depressões nas estradas por onde passa água de rios temporários ou de chuva. É interessante como nessa região muitos vezes não há canalizações d'água ou pontes mesmo nas estradas com ótimo asfalto. A respeito do combustível, pagamos entre $58 e $64 pelo litro de gasolina normal. Não há muita variação de preço entre as cidades. No total, gastamos $7.600 (pouco mais de R$400), incluindo a viagem até Córdoba. Por últimos, há muitas blitz. Sendo assim, esteja com todos os documentos, inclusive o seguro do automóvel a mãos. Fomos parados apenas em uma por sorte. ROTEIRO DIA 1) SAN PEDRO DE ATACAMA - SAN SALVADOR DE JUJUY (JUJUY) Ao chegar na rodoviária às 16h30 aproximadamente e fomos muito bem recebidos por um dos funcionários da Alma Rent Car, onde alugamos um carro para percorrer uma boa parte do noroeste da Argentina. Depois de nos receber, fomos até o escritório da locadora e em seguida à uma casa de câmbio para trocar nosso dinheiro (detalhes sobre câmbio em tópico acima). Posteriormente, fomos até o Hostel Malala, onde relaxamos um pouquinho, tomamos um banho e depois saímos caminhando até a a Plaza Belgrano, onde estão a catedral, a Casa de Gobierno e outras atrações. Como já era noite, estava tudo fechado, mas deve ser um ponto interessante para se visitar durante o dia. Durante a caminhada, é interessante ver como os argentino são noturnos. Sério! Parece que a galera economiza bateria durante o dia para gastar depois das 19h, 20h. 🤣 Depois tivemos um jantar maravilhoso no restaurante Viracocha, recomendado pelo funcionário da locadora de carro. Comemos milanesa de quinua (que trem bom!) e milanesa de quesillo (tbm bem gostoso), um arroz especial delicioso e chuño (batata desidratada, super sem graça). De quebra ainda tomamos uma garrafa do gostoso vinho Alamos por $400. Por acaso, depois descobrimos que o restaurante é o n° 1 do TripAdvisor da cidade (e ainda assim bastante barato). DIA 2) MAIMARA - TILCARA - HUMAHUACA Saímos cedo rumo ao norte com primeiro destino em Maimara (a 75 km de distância de Jujuy). Ao longo do caminho, vamos margeando o RIo Grande e montanhas coloridas que podemos apreciar a partir de mirantes estrategicamente posicionados no acostamento. Maimara é uma cidade bem simples, sem muito para conhecer. Seu maior atrativo para mim, foi o seu cemitério (sim, sou o gótico (nem sou!) que se amarra em cemitérios! 🤪👻). Depois seguimos até a cidadezinha de Tilcara a 7 km de distância. Esta já tem bastante infraestrutura turística, com muitos hostels e restaurantes interessantes. Visitamos o Pucará de Tilcara - comunidade pré-hispânica reconstruída parcialmente por arqueólogos - que teve a sua construção iniciada no séc XVIII e alcançou maior esplendor com a ocupação inca no séc. XV. Bastante interessante, mas achamos a entrada de 350 pesos (cerca de 20 reais) um pouco cara. Por fim, chegamos a Humahuaca (a 45 km de distância de Tilcara). Cidadezinha super agradável, com uma praça central bonita, onde ficam muitos vendedores de artesanato. O seu maior atrativo é o Cerro Hornocal ou Serranias de 14 colores (na verdade fica a alguns km de distância) . Antes ir à Serrania, demos uma volta pela cidade e almoçamos Café e Restaurante Las Glorias. Comemos um menú de $300 que incluía um estofado de llama. Basicamente é uma sopa com carne de lhama e batatas. Não vi muita diferença entre a carne de lhama e a carne de vaca. Tudo bem que não sou a melhor pessoa para degustar carne, mas o Sávio também considerou o mesmo. Ah, e vale dizer que enquanto almoçávamos, fomos agraciados pela apresentação de um cantora e violonista chilena maravilhosa. Depois do almoço, seguimos até a Serranía de Hornocal ou Cerro de 14 Colores está situado a 4760 m de altura, a 25 km da cidade de Humahuaca. O caminho é feito em estrada de chão (no linguajar brasiliense ou de terra, se preferir). Na cidade fazem um terror danado com a qualidade da estrada e oferecem transporte de 4x4 para chegar ao local por 2 mil pesos (um absurdo!). Se estiver na cidade em um carro pequeno, não hesite em ir até o local. A estrada na verdade é bem tranquila, apesar de ser muito sinuosa. Apesar do nome alternativo de Cerro de 14 Colores, muitas fontes dizem que na verdade são 24 cores, enquanto outras dizem que são 33 tonalidades. Eu tentei contar e vou falar que não consegui definir quantas cores são. Isso vai mais da sua interpretação pessoal. hehehe As diferentes cores são resultado de processo de diferentes processos de intemperismo sobre rochas que têm desde 110 milhões a 40 milhões de anos. Há uma entrada de 80 pesos e vale a pena fazer o caminho do mirador até mais perto da serra. Desses lugares que nenhuma foto consegue captar a real beleza. Depois desse rolê, voltamos para Humahuaca e fomos procurar hospedagem. Decidimos ficar no Hostel Humahuaca (detalhes ao final do relato). Depois de relaxar um pouco no hostel, saímos para jantar no La Puerta Verde. Menú também a $300 com muitaaa comida. Comemos umas humitas (a pamonha dos nossos vizinhos) e uma tortilla de papas andinas. Ambos estavam razoáveis, nada de mais. E vale dizer também que mais uma vez tivemos música ao vivo no restaurante. Aqui no caso era um grupo, com alguns bolivianos, que tocava música regional e cantou chacarera e fez o povo dançar. DIA 3) IRUYA Dia de conhecer a cidadezinha de Iruya, situada na Serra de Santa Victoria, a 75 km da cidade de Humahuaca. Há saídas de ônibus diariamente às 8h20, 9h e 10h30, com último retorno garantido às 15h15. O preço de cada trecho é de $300 pesos (cerca de 18 reais) e a viagem dura quase 3h. Iruya teve sua construção iniciada em 1751 e há indícios de que os primeiros habitantes eram descendentes dos incas. A cidadezinha é bem pitoresca e pode ser toda percorrida rapidamente. Primeiro fomos até o cemitério e ao mirante na parte superior. Depois descemos até uma pracinha na parte inferior, onde almoçamos no restaurante Cachis. Eu comi uma tortilla de quinua com papas andinas (espécie de suflê com esses ingredientes), que estava gostosa e caprichada ($230). Retornamos no último ônibus. Antes de ir pro hostel, compramos umas deliciosas (muito...demais mesmo!) tortillas rellena perto do mercado municipal. Essa tortilla é bem diferente da tortilla citada em Iruya, parece mais um calzone. É uma das coisas mais gostosas que comi durante toda a viagem e é encontrada também em Purmamarca e Salinas Grandes. Não achei mais dela na parte mais ao sul da nossa rota. DIA 4) PURMAMARCA - CUESTA DEL LÍPAN (ruta 52) - SALINAS GRANDES - RUTA 40 (Tres Morros e El Mojón) - SAN ANTONIO DE LOS COBRES Saímos de Humahuaca con direção a Purmamarca, uma cidadezinha fotogênica com uma história centenária, tendo assentamentos humanos desde antes da chegada dos espanhóis. Na cidade destacam-se as suas casas de adobe, o centrinho com muitos vendedores de artesanato, uma igrejinha que data de 1648 e o principal: o Cerro de Los Siete Colores como "tela de fundo". Vale super a pena pagar 20 pesos para subir no mirante do Cerro de Los Siete Colores e também recomendo demais fazer uma caminhada pelo Paseo de los Colorados, uma rota circular de cerca de 3 km, que passa por trás do Cerro. Depois da nossa volta pela cidade, pegamos a Cuesta del Lipán ou ruta 52: uma estrada bastante sinuosa e bastante inclinada, de pouco mais de 60 km, com belíssimas vistas. Ao longo do caminho, paramos em acostamento para tirar fotos, No local estava um ciclista parado e para nossa surpresa era um brasileiro, o Vieira, que estava fazendo a subida sinistra com o seu amigo Felipe (galera cascuda da porra!). Eles estavam com um projeto massa de pedalar do Atlântico (mais especificamente de Paranaguá) até o Pacífico (Antofagasta), promovendo a doação de medula óssea (dá para encontrar eles no Instagram: @pedalando_para_vida). Depois de trocar umas ideias com os ciclistas brasileiros, seguimos pela ruta 52 com destino às Salinas Grandes. Localizada a cerca de 3400 m de altitude, na província de Jujuy, as Salinas Grandes ocupam uma superfície de 212 km². Muitos sites a colocam como a segunda maior salina do mundo, mas essa informação é errada já que depois de Uyuni, outras duas (pelos menos) são maiores: a do Atacama e a de Arizaro (mais a frente falarei sobre esta 😆). As salinas possuem acesso super fácil, pois a Ruta 52 atravessa o salar, tendo alguns pontos para se estacionar o carro e descer para curtir a paisagem. Ao pensar em salina, talvez imediatamente vc pense em mar, não é?! Porém, as Salinas Grandes não têm nenhuma relação com o mar. Elas foram formadas a partir da evaporação de água de origem vulcânica entre 5 a 10 milhões de anos atrás. Depois de conhecer as Salinas, seguimos rumo a San Antonio de los Cobres. Aqui vale contar uma história: quando pegamos o carro, a galera da locadora nos disse para não pegar a ruta 40 para ir até San Antonio de los Cobres porque estava em péssimas condições. Olhamos no Maps e vimos que essa ruta era afastada da estrada que pretendíamos pegar, a qual não tinha indicação de nome no app, e assim ficamos tranquilos. Pegamos essa estrada de terra e depois de dirigir um bocado, avistamos uma placa: ruta 40. Lasqueira! Pegamos outro braço dessa ruta danada. hahaha 😂 Realmente a estrada tinha muita costela de vaca e alguns trechos de travessia de rio, mas de boa para quem já teve um Celtinha "off-road", que enfiava em todas trilhas e que foi meu veículo de campos de pesquisas no Cerrado por um bom tempo. 😆 Na verdade, a estrada talvez só não seja viável para carro pequeno em situações de muita chuva quando os rios enchem. No final, valeu a pena demais pegar essa rodovia. Muitas paisagens bonitas, umas ruínas massa em um cenário meio Mad Max, incluindo um fundo com salar e montanhas, e ainda dois povoadinhos super pitorescos: Tres Morros e El Mojón. Este último é meio que um projeto de povoado modelo, com restaurante, museu, igreja e hospedagem. Infelizmente não havia ninguém no local e como as informações na internet são escassas e defasadas, não sabemos dizer a quantas anda o projeto. Por fim, chegamos em San Antonio de los Cobres, uma cidade a 3775 m de altura, baseada principalmente na atividade de mineração e que tem buscado desenvolver o turismo no entorno, no qual se destacam o Viaducto La Polvorilla, o passeio pelo Trem de las Nubes e para Tolar Grande e Cono de Arita (cenas dos próximos capítulos 😆). DIA 5) TOUR TOLAR GRANDE + CONO DE ARITA Segurem-se, que lá vem o tour que talvez seja o mais incrível que já fiz (no mesmo patamar do tour de 3 dias de Uyuni)! Fizemos o tour a Tolar Grande e Cono de Arita partindo de San Antonio de los Cobres com o motorista Jorge Olmos (+54 387 519 9112), uma pessoa super tranquila e atenciosa, que nos cobrou barato pelo passeio ($15 mil no total...daria para colocar mais uma pessoa no veículo para dividir e ainda fazer o passeio com qualidade). O tour é super cansativo. Durou um total de mais de 13 horas dentro de uma Duster para percorrer pouco mais de 500 km. Mas vou te falar que o cansaço foi muito bem recompensado. Cada paisagem que cê tá doido!!! Passamos por montanhas incríveis, ruínas de casas abandonadas, salares de Pocitos e Arizaro, pelas Coloradas e Deserto del Diablo, por olhos de água salina (Ojos del Mar), pela cidadezinha de Tolar Grande e por último pelo incrível Cono de Arita (uma pirâmide natural no meio do Salar de Arizaro). Seguem as principais atrações: Salar de Pocitos O primeiro salar do roteiro. Há poucas informações sobre ele na internet (para não dizer nenhuma boa 🤣). Há uma pequena vila na beirada do salar e há bastante extração de sal no local. Há ainda um trilho de trem de carga que o corta. Las Coloradas e Desierto del Diablo A primeira é um conjunto de formações de rochas metamórficas sedimentares constantemente erodidas pelo vento e por chuvas de verão. Simplesmente incrível! 😍 Já o Desierto del Diablo (está situado a 3700 m de altura e é rodeado por montanhas majestuosas da Serranía de Macón, que degelam e formam pequenos cursos d'água que chegam até o deserto. MAH04445.MP4 Tolar Grande Atualmente a cidade tem mais de 200 habitantes, mas no passado, no auge da atividade ferroviária devido à mineração nos arredores, chegou a ter cerca de 5 mil habitantes. Ojos del Mar Os Ojos del Mar são um conjunto de três pequenas lagoas, situadas pertinho de Tolar Grande, que afloram a partir de um lençol freático bem profundo. Abrigam estromatólitos - rochas fósseis formadas pela atividade de microorganismos - e possuem coloração que variam de azul a verde esmeralda dependendo da luz. Cono de Arita Este com certeza é um dos lugares mais incríveis que já vi em toda a minha vida! 😍 O Cono de Arita se situa a pouco mais de 80 km da cidade de Tolar Grande. É uma formação piramidal com quase 200 m de altura, praticamente perfeita, que está situada no meio do Salar de Arizaro, o terceiro maior do mundo, após o Salar de Uyuni e de San Pedro. Segundo alguns estudos geológicos, o Cono é um vulcão que já chegou a entrar em atividade. Nas suas proximidades foram encontrados alguns artefatos que indicam que o local era usado em cerimônias por povos pré-incas e assim poderia ser considerado um local sagrado para estes. E para não dizer que tudo são flores, que há contratempos que aumentam a aventura (ou te tiram um tampão hahaha), segue algumas fotinhas de perrengues ao longo do caminho. Fiquei com muita pena do motorista que tava no caminhão da terceira foto. Imagina o esporro que levou! E o pior não faço ideia como ele aprontou essa arte. 😂😂 DIA 6) VIADUCTO POLVORILLA (San Antonio de los Cobres) - SALTA Acordamos cedo e fomos conhecer o Viaducto Polvorilla. É um dos maiores viadutos de trem do mundo com 63 m de altura e 223 m de comprimento. É o viaduto mais icônico por onde passa o Trem de las Nubes, um trem turístico que passa por diversos lugares muito bonitos. . Depois seguimos pela belíssima ruta 51 até Salta. Ao longo do caminho, montanhas nevadas e belas paisagens, como a da Quebrada del Toro, e ainda o importante sítio arqueológico de Santa Rosa de Tastil, que acabou nos passando batido. 🤦‍♂️ As estradas que percorremos durante a viagem às vezes eram mais atrativas do que os próprios destinos. Depois de cerca de 3h de belas paisagens na estrada, chegamos a Salta, a capital da província de mesmo nome, fundada em 1582. O nosso maior objetivo na cidade era visitar os Museus de Antropologia e de Arqueologia de Alta Montanha, o qual tem as famosas múmias de Llullailaco. Porém chegamos na cidade na segunda, o dia oficial dos museus fechados em várias cidades do mundo. 😂 Bola para frente. Fomos curtir a cidade que tem belas igrejas, como a grande Catedral e as coloridas Iglesia de la Candelaria e Iglesia San Francisco; uma charmosa e movimentada praça central; e ainda um teleférico que vai até o alto do cerro San Bernardo, de onde se tem uma vista privilegiada da cidade. Nós subimos nele e depois descemos a pé. Depois do rolê pela cidade, ao fim da tarde paramos no Café Van Gogh para almoçar (sim, almoço oficial (ou já seria janta?!) às 17h30 🤣). Comemos um menú por $380 com um crepe de verduras de entrada, filé de merluza de prato principal e ainda um crepe de banana com doce de leite. Tudo muito gostoso! DIA 7) SALTA - CACHI - ANGASTACO - CAFAYATE Dia de um rolezão enorme! Não tanto pela distância percorrida (320 km), mas pelas estradas de chão muito sinuosas e pelas paradas que fizemos em lugares muito lindos. Saímos de Salta, pegando a ruta 33. Depois de alguns quilômetros, passamos pelo Parque Nacional Los Cardones (espécies de cactus). De acordo com as fotos que vimos, o Parque tem vistas de paisagens incríveis. Porém, para o nosso azar pegamos muita neblina neste trecho do Parque, que muitas serras e curvas, e assim pouco conseguimos ver da paisagem. Depois de passarmos por esse trecho nublado, chegamos à bela Recta del Tin Tin, uma retona ladeada por muitos cactus e morros bonitos, onde paramos para tirar umas fotos e apreciar os cardones. Depois seguimos com destino à Cachi: uma cidadezinha branca linda, super agradável, com várias opções de restaurantes. Curtimos demais essa cidade! 😍 Depois de um bom rolê pela cidade, compramos umas empanadas baratas em uma casinha em um rua subindo logo após a praça principal (a de frango estava bem gostosa...a de carne vermelha, o Sávio não curtiu) e seguimos rumo a Angastaco, uma cidadezinha minúscula, super agradável, em que eu poderia facilmente me hospedar por um dia para descansar. Ao longo do caminho até essa cidade, muitas casas de adobe com tetos de barro, que escorrem pelas paredes formando um visual de filme de terror e diversas paisagens lindas, mas o mais incrível de todo esse caminho viria logo após: a belíssima Quebrada de Las Flechas. Paramos em todos os mirantes desse trecho e curtimos uma paisagem mais bonita que a outra. > Quebrada de las Flechas: Por fim, chegamos até Cafayate, uma cidade que muitas pessoas visitam para fazer visitas a vinícolas. Vou ser sincero que esperava um pouquinho mais da cidade em si. Achei bem sem graça e com um aspecto de lugar que na década de 70 e 80 era muito visitado, mas que hj em dia ficou meio defasado. Jantamos no restaurante Chikan na praça principal. Pedi um ravioli de verduras que estava bem fraco e ainda veio com um pedaço de carne cozida horrível, que não constava no cardápio. DIA 8 ) QUEBRADAS DE CAFAYATE (ruta 68) - MUSEO PACHAMAMA - CAFAYATE Começamos o dia conhecendo as quebradas e paisagens próximas da cidade de Cafayate, na ruta 68. No caminho, paramos para dar carona para um casal super gente boa de russos. Acabou que depois eles conheceram todas as quebradas com a gente. hehehe Dar carona é legal, pois é uma oportunidade de contribuir com outros viajantes e ainda conhecer um pouco mais sobre suas culturas, pegar dicas de roteiros e ainda fazer amizades. Sempre quando viajo de carro, dou caronas. Também já peguei muitas! Foi massa ver como a cultura da carona é forte nessa parte da Argentina. Quebradas basicamente são caminhos estreitos que passam entre montanhas ou desfiladeiros. Nesse trecho se destaca a belíssima Quebrada de las Conchas, o mirante de Los Castillos e Las Ventanas. Depois desse rolê pelas quebradas, seguimos no carro com destino a Belén, fazendo um pequeno desvio para conhecer a cidadezinha de Amaicha del Valle e o seu Museo Pachamama. O museu traz informações sobre a geologia da região e faz uma interpretação de como poderia ser a vida dos primeiros habitantes pré-incas da região, além de ter obras de arte do artista que o fundou, Héctor Cruz. A parte de acervo e de informações no museu é meio fraquinha. O que chama atenção mesmo é a arquitetura, as esculturas e ornamentações da área comum que recriam símbolos dos povos originários. Entrada: 200 pesos (cerca de 12 reais na cotação atual do peso). Por fim, seguimos caminho até a cidade de Belén, que seria a nossa base para o passeio ao Campo de Piedra Pómez. Essa cidade, que não é nem um pouco turística, tem três agências de viagem onde se pode contratar o passeio. Depois da contratação (falo sobre a empresa no final do tópico abaixo), jantamos no restaurante Ateneo. Era o que tinha opções mais baratas e onde consegui ver um esquema vegetariano (ovos com batatas fritas 😝). Porém não recomendo, não. Demos o mole de comer duas vezes no lugar. No segundo dia, a comida estava horrível. DIA 9) CAMPO DE PIEDRA POMEZ Segure-se que lá vem mais um passeio pedrada! Saímos rumo ao Campo de Piedra Pomez (a cerca de 240 km de Belén) às 7h30, com o excelente guia e condutor Pierino na sua SW4 (4x4 é obrigatório para entrada no Campo). Ao longo do caminho até o Campo, passamos por formações incríveis, como Puerto Viejo (uma sequência de formações que parecem proas de barcos) e Cuesta de Randolfo (com dunas imersas em montanhas altas...muito louco!), e ainda tivemos o prazer de ver várias vicunhas, inclusive algumas cruzando a estrada. VID_20200220_092737.mp4 O Campo de Piedra Pomez (a cerca de 240 km de Belén) é uma área natural protegida de pouco mais de 75 mil hectares na província de Catamarca. É uma paisagem surreal formada por rochas originárias de eventos vulcânicos (especialmente no Vulcão Blanco) que inundaram a área de magma entre 20 milhões e 10 mil anos atrás. Posteriormente, essas rochas foram esculpidas pelo vento, dando origem a diferentes formas e relevos. Lugar único, incrível!!! Depois de conhecer o Campo, voltamos até a vila de El Peñon, praticamente na base do Campo, e almoçamos no restaurante Comedor La Pomez. Na verdade o restaurante é a casa de um morador da cidade, sendo a comida servida na sua sala. Comi uma tortilla de batata e o Sávio uma carne vermelha. Gostamos bastante da comida! Depois do almoço, já no nosso retorno a Belén, demos uma passadinha na Laguna Blanca. Situada na Reserva de Biosfera de mesmo nome infelizmente estava com pouca água e bastante turva. Segundo o Pierino, de uns anos para cá anda geralmente muito seca, mesmo em períodos de chuva. No local vimos alguns flamingos e vicunhas 😍. No total, o passeio durou 10h30. Fizemos com a empresa Fanayfil por 12 mil pesos (carro para até 4 pessoas, cerca de R$400...facada!). As outras empresas estavam negociando pelo mesmo preço. Há ainda a opção de partir de El Peñón, cidadezinha praticamente na base do Campo (assim deve sair mais em conta...seguem alguns contatos abaixo caso queiram verificar). DIA 10) EL SHINCAL - PARQUE NACIONAL DE TALAMPAYA Saímos de Belén com primeiro destino nas Ruínas de El Shincal e segundo no Parque Nacional de Talampaya. El Shincal, fica a pouco mais de 20 km de Belén, e é o principal sítio arqueológicos dos incas na Argentina. Infelizmente encontramos informações de horário de funcionamento conflitantes na internet e ainda erramos o caminho (não siga o Google Earth; vá pelas placas). Assim, perdemos um dos horários de saída da visita guiada obrigatória e não podíamos aguardar a saída do próximo grupo pq depois a gente poderia perder o passeio em Talampaya. Segue abaixo os horários desde o ano passado para não ter contratempos: Depois de cerca de 4h30 de viagem e pouco mais de 300 km percorridos (mais uma vez com alguns trechos incríveis), avistamos serras altas dos dois lados da estrada em uma região árida e com vegetação composta por arbustos e algumas árvores esparsas, características da ecorregião de Monte de Sierras y Bolsones. Chegamos a um dos patrimônios naturais da humanidade declarados pela UNESCO: o Parque Nacional de Talampaya (declarado em conjunto com o seu vizinho, o Parque Provincial Ischigualasto...ambos considerados uma mesma unidade geográfica). O parque possui cânions e formações geológicas incríveis e abriga cerca de 190 espécies de vertebrados, entre eles guanacos, o condor, serpentes e nandu. No passado, abrigou dinossauros répteis e protomamiferos do Triassico (precursores dos dinossauros dos grandes dinossauros do Jurássico), que podem ser estudados e reconstituídos a partir de fósseis bem conservados encontrados na região (vou falar pouco mais sobre isso no post seguinte sobre o parque vizinho Ischigualasto). 🚩 Passeios: são feitos com empresas concessionárias ou com permissionários da comunidade local. Optamos por fazer um dos mais famosos: o do Cañón de Talampaya ($1490 + $400 de entrada, cerca de R$120...verifique no site oficial do Parque os horários dos passeios). O passeio é feito em um microônibus 4x4, com acompanhamento de guia e tem uma duração de 2h30, com saídas em diferentes horários ao longo do dia. O ônibus sai da entrada do parque e depois de percorrer alguns quilômetros - em parte pelo leito de um rio seco, que se enche apenas temporariamente com enxurradas nos meses dezembro e janeiro -, chega ao primeiro ponto de parada: um sítio com petrogriflos, alguns com cerca de 2500 anos, que trazem representações de animais, pessoas e figuras geométricas. 🖖 Depois percorremos mais uns quilômetros no ônibus e adentramos no incrível Cañón de Talampaya, o ponto alto do parque. Um cânion com paredes serpenteantes e em algumas partes tão retas na sua projeção ao céu, que parecem que foram cortadas por uma grande faca. Maravilhoso! Depois de ouvir explicações do guia, tirar fotos, gritar e escutar o eco, apreciar os loros (papagaios) que fazem festa nas árvores e ainda tomar uns vinhos locais oferecidos pelo guia🥂, seguimos até a formação Catedral Gótica. Bem massa! Por fim, seguimos até a última parada para contemplar a formação o Monge, que fica em uma parte mais aberta do parque, com outras formações geológicas bem interessantes. Que passeio incrível! Sim, é caro, mas vale super a pena. Depois seguimos até a cidadezinha de Baldecitos, uma cidade minúscula com apenas duas ou três opções de hospedagens, onde nos hospedamos em uma hospedagem familiar logo na entrada da cidade, onde há também o Armazém e Restaurante Alba. À noite, jantamos nesse restaurante. Eu comi um macarrão improvisado feito na manteiga e com ovos (não foi uma boa invenção, mas como tava com fome, foi de boa 🤣). p.s : Se tiver mais tempo na região pode valer a pela fazer outros passeios no Parque Talampaya, como o do Cañón Arco Íris e o da Ciudad Perdida. DIA 11) PARQUE PROVINCIAL ISCHIGUALASTO Depois de conhecer o Parque de Talampaya, foi a vez o conhecer o seu vizinho, o igualmente fantástico Parque Provincial Ischigualasto. Famoso mundialmente por ser o local onde foram encontrados 5 das 7 espécies de dinossauros conhecidos mais antigos do mundo, datados do período Triassico (250 a 201 mi anos) entre elas ancestrais dos mamíferos, de crocodilos e dos dinossauros do Jurássico. Ischigualasto é o único lugar do mundo com uma sequência de rochas continentais triassicas completa e contínua, que permite estudar uma das transições de fauna mais importantes da história. O passeio no parque é feito em veículo particular próprio, que deve seguir um comboio em que um guia, funcionário do parque, segue no primeiro veículo. O passeio tem 3h de duração e o custo/ pessoa é de $600 (aprox. 35 reais). As saídas acontecem a cada hora, iniciando às 9h. São cinco pontos de paradas no passeio. O 1º no Valle Pintado, onde é possível ver as três formações do parque com suas características e cores próprias: Coloradas, Los Rastros e Ischigualasto. 2º: Cancha de Bochas: um local com pedras ovaladas, algumas lembram bolas de bocha. Ainda não há uma explicação definida para a origem e processo de formação, mas supõe-se que são provêm de blocos esféricos de rochas arsênicas, que depois foram englobadas por detritos e com o tempo, reveladas pela ação do vento. 3º: um pequeno museu de estrutura metálica, onde se encontra no seu centro fósseis de três espécies ainda presas ao solo. 4º e 5º: duas formações interessantes: Submarino e El Hongo. Curiosidade: o Submarino há 4 anos tinha dois telescópios, mas um foi derrubado por fortes ventos. Isso mostra como o parque está em constante evolução e como o que vemos hoje pode não ser o mesmo do que existirá no futuro. Por fim, voltamos, margeando as belas Coloradas, à entrada do parque, onde visitamos o ótimo museu (não perca!). Depois de conhecer o parque, seguimos até Córdoba, onde ficamos dois dias e entregamos o carro. Como fomos em época de Carnaval, com muitas coisas fechadas, e como a cidade é grande e com várias dicas na internet, prefiro encerrar por aqui o relato dessa viagem incrível! Espero que tenham curtido! >Veja abaixo os meus top 10 e as informações de hospedagens< TOP 10 DA VIAGEM 1 - Cono de Arita (tour de Tolar Grande) 2 - Campo de Piedra Pomez 3 - Coloradas e Desierto del Diablo (tour de Tolar Grande) 4 - Serranía del Hornocal (Humahuaca) 5 - Parque Nacional de Talampaya 6 - Parque Provincial Ischigualasto 7 - Quebrada de las Flechas (Angastaco) 8 - Ojos del Mar (tour de Tolar Grande) 9 - Quebradas de Cafayate 10 - Purmamarca HOSPEDAGENS - San Salvador de Jujuy: Malala Jujuy Hostel - bom. Hostel barato em uma casa antiga com bom ambiente, cama confortável, bom café da manhã (com pães gostosos e frutas) e atendentes atenciosos. O único problema para mim foi o banheiro externo com área de chuveiro muito apertada. A cortina ficava grudando no corpo. $350, quarto para 6 pessoas - Humahuaca: Humahuaca Hostal - satisfatório. Super econômico, com quartos não muito espaçosos no caso de quarto para seis, cama confortável, café simples (pães e geleia), ótima área de convivência (se não estiver chovendo) e banheiro limpo, mas um pouco meio sem privacidade. $300, quarto para 6 pessoas. - San Antonio de los Cobres: Hosteria La Esperanza - satisfatório. Quarto privativo com cama confortável, banheiro privado, boa localização e café simples (pães, geleia, manteiga e doce de leite). $1200 para os dois, quarto para duas pessoas. - Salta: Hostal Namasté - bom. Quarto privativo com cama confortável, excelente atendimento, ótima limpeza. Não tem café da manhã. Um pouquinho distante do centro. $1000 para os dois, quarto para duas pessoas. - Cafayate: Hostel Esperanto - Fraquinho. Café da manhã simples (pães, geleia e doce de leite), quarto muito quente e com cama estreita, cozinha meio desorganizada. $350, quarto para oito pessoas. - Belén: Hostel Bazetta - muito bom. É uma casa que foi transformada em hostel com três quartos com duas camas cada. Há boa cozinha, banheiro bom e tanque na área externa para lavar roupas. Sem café da manhã. $440 por pessoa pelo quarto duplo. - Baldecitos: infelizmente perdemos o nome da hospedagem, mas é uma familiar que fica logo na entrada da cidade, próximo de um armazém/restaurante. Achamos muito bom! Super limpa e confortável! Sem café da manhã. $1000 para os dois, quarto para duas pessoas.
  9. 11 pontos
    Quem nunca ouviu o ditado, ‘quem vê cara não vê coração’. Essa frase é excelente para traduzir as lutas, dores e dificuldades de uma conquista. Para o amor, não existe montanha alta o bastante, não existe caminho difícil demais, não existe desafio impossível, não existe um horizonte que não possa ser alcançado. Muitas vezes retratada e imortalizada diante um click de uma câmera, a alta montanha se assemelha ao amor. Não vou neste modesto texto desfocar o que disse o consagrado George Mallory que, ao ser indagado por qual motivo ele buscava o cume das montanhas, respondeu de forma simples e clara: “Porque ele está lá”, mas produzir uma metáfora com o tão buscado e verdadeiro amor. É tudo muito lindo quando fotos são postadas nos bastidores do Facebook, muitas delas nas alturas, a dezenas de graus célsius abaixo de zero, quilômetros acima das nuvens. Um difícil click que, muitas vezes, foram necessárias semanas de preparo, dias de aclimatação e uma caminhada árdua e que colocou a própria vida do protagonista em risco. Pelo caminho, muito além de flores, cenários deslumbrantes e pássaros, foram encontrados precipícios, temperaturas extremas, e as gretas traiçoeiras, que são as fendas no gelo, que podem ter dezenas de metros e que ficam encobertas por uma camada fina de neve, ocultas como um alçapão à espera do montanhista descuidado. É pisar, cair e morrer. Sim, muitas fotos trazem consigo o renascimento e a oferta de uma nova vida. O frio também cobra seu preço. Mesmo ‘mumificado’ com roupas especiais, temperaturas que podem chegar a 70 graus negativos costumam acometer as extremidades do corpo, sendo pontos vulneráveis os dedos e o nariz. Da mesma forma exemplifico o amor. Existem pessoas que nunca ousaram subir alto, admiram fotos e reportagens sobre a alta montanha e jamais se imaginam enfrentar tamanho desafio. Existem também os persistentes, insistentes e desafiadores, que enfrentam desafios para trazer para casa suas conquistas. Existem também aqueles que se contentam apenas em observar de camarim e aqueles que estendem uma toalha aos pés das altas montanhas, sem pretensão alguma de escalar. Seja lá a forma que você se enquadra, todas as opções refletem a busca pelo amor. Cada um em uma forma específica. Mas é aí que paramos para pensar, será que nos esforçamos de forma suficiente para encontrar o amor? Até onde preciso subir para que esse encontro se efetive? Por vezes, estamos no pé de uma montanha e lá estacionamos. Estagnados, permanecemos à espera do amor que pode estar poucos metros acima. Nos iludimos e nos conformamos com o fácil, acreditando que já estamos alto suficiente para encontrar o amor. O caminho do amor não se apresenta de forma fácil, muito pelo contrário, é árduo, perigoso e tal encontro não acontece por acaso, sem que você pare de sentir suas extremidades ou que sua respiração esteja beirando o impossível, diante o ar rarefeito e o despreparo para ver o que realmente o amor tem a lhe mostrar. Caminhos para o cume são vários e é você quem escolhe o que mais lhe convém, porém, visão do alto você não muda, existe apenas uma. Eu já estive lá em cima. Mas o que poucos, ou que quase ninguém sabe, é que por vezes quase não voltei. A neve faz o caminho desaparecer e, sem uma orientação eficiente, o seu retorno pode jamais acontecer. E lá está você, no alto da montanha, à espera do momento único de encontrar o seu amor. Sorriso no rosto ao perceber que superou adversidades e obstáculos que pareciam intransponíveis e, de repente, do nada, quando tudo parecia lindo, uma avalanche te surpreende. Você fica praticamente sem chão e seus pés tremem em uma base instável e sem sustentação. Todo seu esforço parece ruir, sua luta em busca do amor parece que de nada valeu. E em minutos você desce desgovernado sem entender o motivo que está te levando para baixo. Ao abrir os olhos, você percebe que está novamente aos pés da montanha e que só lhe resta juntar os destroços e, quem sabe, fazer uma nova tentativa, talvez, em uma outra montanha, sem ignorar as condições geográficas, climáticas, os perigos mortais e desafios muitas vezes ocultos. Ironia do destino, por mais bonito que pareça ser, ninguém pode viver no cume, que é um lugar para escalar, contemplar, deixar registrado uma marca e marcar sua história, e então descer e se preparar para arriscar montanhas mais altas e ter novas histórias para contar. Sim, eu já estive lá em cima. Por algum tempo, mas estive. Talvez não na mais alta montanha da minha vida, mas já estive lá. Tenha a consciência que você pode até mover montanhas e para isso precisa começar carregando pedras pequenas. Não espere a perfeição de imediato, pois essa é uma montanha que muitas vezes levará toda uma vida para ser escalada, um pouco a cada dia. Siga seu caminho, para o alto e avante. Lembre-se, nós não tropeçamos nas grandes montanhas, mas nas pequenas pedras. O amor realmente é uma montanha, e eu perdi o medo de altura. E por mais que saibamos que o cume é apenas um lugar de visitação, em uma destas aventuras podemos encontrar o amor bem lá no alto, em um lugar lindo e quente, e contra toda a regra da vida façamos desse lugar um lar eterno. Leve com você o ensinamento do provérbio chinês: não importa o tamanho da montanha, ela nunca poderá esconder o sol de sua vida. Bons Ventos!!! Luka Izzo
  10. 11 pontos
    Uau... sempre gostei de ler e escrever mas 'em todos estes anos nessa indústria vital, essa é a primeira vez que isso me acontece' rsrs olho para a tela em branco mas as palavras não saem. Várias foram as vezes em que esta cena se repetiu nas últimas semanas e noto uma resistência interna em ordenar as palavras e externizá-las, permanecendo em silêncio degustando-as. Conheço bem essa resistência: é apego! Comumente remetemos o apego aos bens materiais mas quase sempre ignoramos que eles não passam de um símbolo. O real apego é sempre a ideia por trás do símbolo. Venho apegada à ideia da vida que vivi nos últimos dois anos e meio e soltar essa ideia é assumir que ela agora faz parte do passado. No entanto, o novo só vem quando soltamos o velho. E para isso se faz necessário ter coragem... As palavras que se seguem são um ato de coragem. CO.RA.GEM. substantivo feminino: 1.força ou energia moral diante do perigo; 2.sentimento de segurança para enfrentar situação de dificuldade moral; 3.atributo de quem tem determinação para realizar atividades que exigem firmeza. (Dicionário Michaelis) Ou, como uma irmã me ensinou um dia: do prefixo cor (coração) e do sufixo agem (do verbo agir): coragem é agir com o coração. E foi totalmente seguindo o meu coração que ao completar 26 anos em janeiro de 2015 escolhi ir viver as coisas nas quais acreditava. Contexto: na época uma angústia muito forte me acompanhava no dia a dia de faculdade, trabalho e nas pequenas efemeridades que caracterizam o cotidiano. No fundo, a angústia podia ser descrita como um sentimento de não pertencimento e até mesmo uma profunda incompreensão generalizada, não entendia o sentido de fazer as coisas que fazia pois enxergava uma sociedade doente e me apoiava em discursos de liberdade contra um "sistema opressor". No meu aniversário de 26 anos cansei de falar (lê-se: pregar) no facebook sobre as coisas nas quais acreditava e resolvi ir viver as coisas nas quais acreditava. Foi num ato repentino da mais profunda coragem num misto com a mais profunda inconsequência que parti. Com cinquenta e cinco reais no bolso, uma tampa de caixa de pizza escrito 'Alto Paraíso' e uma mochila extremamente pesada contendo 75% de inutilidades, fui para a BR. A única experiência que tinha era de ter pego carona com uma amiga até a cidade vizinha (interior de São Paulo, coisa de 100km de distância) poucas semanas antes, mas desde então sabia que se havia conseguido uma carona, conseguiria quantas precisasse. Afinal, muitos podem passar mas só preciso que 1 pare! E foi com essa confiança que, acompanhada de outra amiga que nunca havia viajado de carona, fui rumo a Chapada dos Veadeiros. Não olhei no Google, não tinha mapa, referências ou distâncias. Tudo o que sabia era que queria chegar na tal da Chapada e que pediria carona para isso. Há pouco tempo ouvi a seguinte frase sobre cair na estrada: "não tem como se preparar para isso". Essa é a mais pura verdade, e esse foi o primeiro grande aprendizado. Também é verdade que um único dia de BR te ensina muito mais do que toda a literatura que possa já ter lido, sobre todos os assuntos. Aprendi sobre política vendo a histórica desigualdade social na vida fora dos grandes centros urbanos e fora dos telejornais; aprendi sobre geografia percorrendo as estradas que cortam as paisagens entre serras e planaltos; aprendi sobre língua portuguesa e sobre licença poética nas placas pintadas à mão oferecendo os mais diversos trabalhos Brasil adentro; aprendi sobre matemática com os preços dos postos de combustível e suas lojas de [in]conveniência; aprendi sobre a biologia do corpo que, como um camelo, cobre distâncias incríveis sem uma única gota d'água; aprendi sobre a química da arte de cada estado em misturar água quente, pó de café e açúcar de maneira tão única (e gratuita!); e, sobretudo, aprendi a física envolvida no equilibrar de uma mochila nas costas de forma que ela (como um motor de Kombi que vem atrás) ainda assim te impulsione para frente. Sempre para frente. A BR é uma exigente professora muito dinâmica, com metodologia autodidata e tudo conta como matéria dada. E é justamente este nível de exigência da entrega total ao momento que nos permite absorver todo o seu conteúdo tão eficazmente. Afinal, não dá para estar na BR pensando no boleto que vai vencer ou na ração do gato. A BR te exige por inteiro. Mas essa exigência não é a toa, pois a todo aquele que se entregar plenamente, nada faltará. Nem a carona impossível do último raio de sol do dia, nem o alimento ora como cortesia, ora como oferta da natureza, nem o cantinho maroto para montar a barraca ou o banho, seja num rio, cachoeira ou nos oito minutos mais deliciosos de sua vida num chuveiro de posto de gasolina. Nada faltará! Esse foi o segundo grande aprendizado. Portanto, é um fato que a BR supre a todas as necessidades daquele que se entrega à ela, mas isso não quer dizer que nossas necessidades serão atendidas como gostaríamos ou quando gostaríamos, mas certamente sempre que realmente precisarmos. Aceitar essa falta de controle sobre as situações e ainda assim confiar que nada nos faltará é um desafio proporcional à magnitude do milagre de ser atendido. Porque a verdade é que nós não controlamos absolutamente nada. Abrir mão da ilusão de controle foi o terceiro grande aprendizado. Depois de aprender que não há como se preparar para isso, que são necessárias confiança e entrega e de ter aberto mão da ilusão de controle, algumas virtudes certamente já se apresentam desenvolvidas das quais destaco duas: a paciência e a gratidão. Estas duas virtudes são os maiores presentes que a BR me deu. A paciência de esperar o dia in-tei-ro por aquela carona naquela estrada de terra que não passa nem vento ou naquele trecho urbano em que milhares passam mas não param por medo. A gratidão de receber o dia chuvoso como se recebe o ensolarado, de ser grata pelo jejum assim como se agradece o banquete de coração ofertado. Tendo desenvolvido a duras penas a paciência e a gratidão, aprendi que a verdade é que tudo está em nossas mãos. Com paciência e gratidão criamos o que quisermos. Esse foi o quarto grande aprendizado. Esse é um dos mais belos paradoxos humanos: não temos o controle de nada e criamos tudo o que quisermos. As palavras nem ao menos tangenciam os processos dessas compreensões e permanecem assim no campo das inefabilidades. Mas afirmo: é real. No entanto, não acredite em mim. Duvide e tenha sua própria experiência. Além dos impulsos de buscar viver as coisas nas quais acreditava, também ansiava por ser maior do que meus medos. No angustiante período que antecedeu a partida, já havia compreendido que a crença em nossos medos é o que nos limita. Na época, havia feito uma lista com todos os meus medos dos mais esdrúxulos aos nunca antes pronunciados. Levei algo próximo de três meses para terminá-la, e esta lista finalizada lembrava em muito um pergaminho dado comprimento. Em seguida os analisei. Considerei medos-meus aqueles que havia tido uma experiência direta, real e empírica e considerei medos-não-meus aqueles adquiridos por indução social e inconscientemente reproduzidos. Fiz isso pois compreendia que poderia lidar com os meus medos e os demais devia apenas soltá-los, afinal não eram meus e gastava muita energia com eles... E de todo o pergaminho, a lista se reduziu a poucos ítens contados nos dedos das mãos. Esses eram os que me interessavam vencer, os demais , como disse, abandonei. Simples assim. Junte a angústia existencial gerada por uma sociedade de consumo com a vontade de vencer os medos limitantes e algumas sessões de 'into the wild' e você tem uma pessoa disposta a rasgar documentos, dinheiro, diplomas, desapegar-se de bens materiais e referências psicoemocionais, além de cometer um "socialcídio" nas redes sociais. Toda a viagem à Chapada dos Veadeiros durou entorno de duas semanas e, ao retornar, abri mão de todos os ítens acima citados. Quando voltei para a estrada possuía apenas o meu corpo, meus conhecimentos e uma mochila com algumas roupas e alguns poucos apegos que ainda permaneciam. Queria ver o mundo como ele era sem referências. Queria ver como eu era sem referências. Compreendia que o dinheiro era uma forma de energia mas não era a única e me propus a viver da troca de conhecimentos e da força braçal, bem como do voluntariado. Mas num bom e honesto português o que me motivou foi querer ver se o mundo era mesmo como o Datena falava que era, rsrsrs É com alegria e gratidão que posso afirmar que ele possui uma visão muito limitada (e triste) do que é o mundo... Nesse período de viagens de carona que se sucedeu com trocas e voluntariado, regado à paciência e gratidão, aprendi que quanto mais a gente se doa mais a gente recebe. Esse foi o quinto grande aprendizado. Também foi um período em que muitos valores morais e crenças caíram por terra. Descobri, como diria um professor que tive, que sou o extrato-do-pó-do-peido-da-pulga no universo! Rsrs E viajei, e viajei e viajei. Curiosamente, curtos foram os momentos em que viajei sozinha. Já viajei em dupla, em trio, com criança e em quarteto. Viajar bem acompanhada é delicioso! Comunhão, cumplicidade, respeito, reciprocidade, apoio e alguém que olhe sua mochila para ir ao banheiro! Rsrsrs No entanto, só quem já viajou mal acompanhado sabe o valor de se andar só. Uma vez li em algum lugar que a solidão só pode ser realmente sentida em meio a outras pessoas. Hoje compreendo isso. E foi ao escolher passar a viajar exclusivamente sozinha que compreendi a diferença entre solitude e solidão. A solitude é sobre estar só e não sentir solidão. A solidão é sobre estar acompanhado e se sentir só. Esse foi o sexto grande aprendizado. E ao aprender a apreciar a minha companhia e a ouvir tudo o que o silêncio tinha para me falar, a vida de caronas passou a ser incompatível com minhas novas necessidades introspectivas pois bem sabemos que o pegar caronas implica em conversar e interagir (além de responder várias vezes no dia as mesmas perguntas clássicas "de onde você é?", "para onde você está indo?", "você não tem medo?", "o que sua família acha disso?", Etc rsrsrs). As trocas me garantiam apenas o mínimo ao mesmo tempo em que recebia muitas doações, e foi quando passei a me sentir sustentada ao invés de me sustentar. Essa nunca foi a proposta. Concluí que estava na hora de ser autossuficiente, decidi investir em artesanatos e passar a viajar de bicicleta para ter mais independência. Viajar de bicicleta é outro universo...! Viajando de carona o mundo já é solícito, mas de bicicleta ele é escancarado! Minha bicicleta (Kali- A Negra) é dessas padrão, sem marca, aro 26 e 21 marchas onde os maiores investimentos que fiz foi instalar bar ends de deiz real, um selim mais largo e o bagageiro no qual amarrei dois baldes como alforges, com uma garrafa pet de paralama. Junte a cara de pau de uma bicicleta dessas circulando por aí como se fosse uma Specialized, o fato de eu ser mulher e estar viajando sozinha e você terá a trinca de ouro das portas abertas na sociedade. Tenho plena consciência da sociedade patriarcal em que vivemos e de como é nascer mulher em meio a isso, mas nunca havia experienciado isso de forma tão latente pois não se admiravam por ser uma pessoa viajando de bicicleta, mas por ser uma mulher sozinha, o que claramente indica a noção do inconsciente coletivo de que o mundo é sim um lugar hostil para mulheres, já que a mesma admiração não é comum aos homens viajantes solos. Também sinto que a hiperbólica solicitude que a bicicleta proporciona vem do próprio símbolo de liberdade atrelado à ela, afinal todos temos alguma memória afetiva de infância relacionada à sensação de liberdade com alguma bicicleta. Uma metáfora não-tão-metáfora-assim que a bicicleta me ensinou nos primeiros 10 minutos de viagem foi que não importa o peso que se carrega, mas sim como o equilibramos... E pedalei, e pedalei, e pedalei. Tomei chuva, me queimei no sol, atolei na lama, empurrei serra acima e senti a "mão de Deus no guidão" ladeira abaixo a 56km/h. Fui abordada diversas vezes pela própria curiosidade das pessoas, fui recebida e convidada à hospedagens e banquetes, ganhei dinheiro e presentes, orações, abraços cheios de ternura e querer bem e, por mais delicioso que tudo isso seja, estava looonge da intenção inicial de passar despercebida... Ao mesmo tempo isso ajudou com a venda de artesanatos (mandalas de papel com beija-flores, logo, Ciclobeijaflorismo) e pude experienciar o sucesso na autossuficiência plena com dinheiro suficiente para me hospedar em campings e realizar os desejos mais supérfluos de meu ego. É nesse ápice entre a plena autossuficiência profissional e a crescente necessidade de introspecção e silêncio não compatíveis com a imprevisível vida na BR que, com a Graça Divina, tive o maior dos aprendizados. Tudo o que fizera até então era em busca da liberdade, de acordo com os conceitos que possuía de liberdade. No entanto, em dado momento pude compreender que sempre fui livre. E pela primeira vez compreendi o que Renato Russo quis dizer quando afirmou que 'disciplina é liberdade'. Todos somos livres, sempre fomos e sempre seremos. Inclusive para nos prendermos ao que desejarmos. Esse foi o sétimo e maior aprendizado de todos nesses dois anos e meio de vida nômade. Faz aproximadamente quatro meses que parei de viajar e isso se deu por uma série de fatores, compreensões e necessidades do momento. Tudo o que materialmente ainda possuo é a bicicleta e os baldes alforges (tá, e documentos. Tenho todos novamente, rsrsrs), no entanto a bagagem que estes dois anos e meio me gerou eu ainda mal consigo mensurar (e nem tenho tal pretensão!). A proposta do momento é encerrar pendências diversas que a impulsividade de outrora deixou e, tendo renovado inclusive a CNH, dar início ao projeto da casa própria sobre rodas, afinal sou uma jovem senhora de quase 30 anos que busca alguns confortos que viver de mochila não oferece, rsrs. No entanto, como ou quando isso acontecerá não me pertence mas sei que assim como a estrada me chamou uma vez, quando houver de retornar não será diferente. Coração cigano só bate na poeira da estrada! E o que ficou disso tudo? O brilho dos primeiros raios de sol pela manhã refletidos na superfície de um rio; O aroma da primeira chuva que cai e toca a terra encerrando a seca. Uma verdadeira oração silenciosa de alívio e gratidão onde não se ouve nada além das gotas; A suculência da fruta madura saboreada direto do pé; O farfalhar das folhas com o vento no dossel; O toque da pele em cada rosto que se toca em um abraço ou das mãos que se apertam. E os sorrisos! Ah, os sorrisos... As donas Marias e os seus Zés... Esse foi meu relato de dois anos e meio de viagens conhecendo um pedacinho de cada uma das cinco regiões do Brasil, de carona, a pé e de bike com muito pouco ou nenhum dinheiro vivendo a base de trocas e voluntariado, posteriormente com a venda de artesanatos. Este relato não envolve descrição de lugares, roteiros, valores, dicas ou distâncias. Aliás, quando me perguntam sobre a maior distância que já percorri digo que foi entre querer viajar e colocar a mochila nas costas. Esta certamente foi a maior distância. Este relato apenas compartilha outros aspectos de um mochilão. E embora eu tenha dito que este é o meu relato, estou ciente de que também é ou pode ser o seu, afinal, Eu Sou o Outro Você. Dedico a todas e todos que abraçaram e abraçam o desconhecido, escolhendo ir além dos próprios medos. Agradeço a todos e todas que compartilham seus relatos de viagem. Agradeço a todas e todos que compartilham. Agradeço. Trilha sonora da escrita: *Quinteto Armorial - do Romance ao galope (1974) *Alceu Valença e Orquestra Ouro Preto PRABHU AAP JAGO
  11. 10 pontos
    Sou do RJ estou cansada de viver no sistema e queria saber se alguém topa sair pelo Brasil montar esse projeto e fazer companhia porque é tudo melhor quando temos alguém para compartilhar, me chamo Nicolle eu sou bartender iniciante e se alguém se interessar comenta aqui se for passar pelo rj e quiser companhia para seguir essa vida nômade! Obrigada pela atenção de quem leu até aqui s2. Ideias e dicas são sempre bem vindas, pazz e amor
  12. 10 pontos
    Relato Caminho Português de Santiago de Compostela Primeira vez escrevendo um relato de viagem, e como toda primeira vez tem que ser especial, esse relato é sobre uma viagem muito especial. A experiência mais incrível até hoje, difícil, intensa, enriquecedora. Desde a primeira vez que ouvi falar sobre o Caminho de Santiago eu quis percorrê-lo e foram mais ou menos seis anos até que esse sonho pudesse ser realizado. Eu sempre gostei de caminhar, me dá a sensação de liberdade. E neste caso não seria apenas caminhar, seria uma longa jornada passando por muitas cidades e pequenas vilas que eu desconhecia completamente ou apenas ouvira falar de seus nomes. Seria muito mais do que caminhar ou querer apenas alcançar um destino, afinal, se a intenção fosse apenas chegar existiam maneiras mais fáceis do que andar centenas de quilômetros a pé. Percorrer o Caminho de Santiago tem um significado muito particular para cada um de seus peregrinos, cada pessoa com quem encontramos pelo caminho tem uma história de vida, uma história com o caminho e um porque só seu de estar ali. O Caminho de Santiago de Compostela é uma das peregrinações mais conhecidas em todo o mundo. A peregrinação tem como destino final a cidade de Santiago de Compostela na região da Galícia na Espanha, onde por volta do ano 830 d.C. foi encontrado o túmulo do apóstolo Tiago. A noticia dessa descoberta foi levada ao rei Afonso II de Astúrias que viajou até o local da descoberta partindo da sede de seu reino. Chegando lá e após confirmar a descoberta mandou construir uma capela e tornou-se o primeiro peregrino oficial. Dessa forma surgiu um dos mais importantes centros de peregrinação cristã. Ao longo dos séculos, milhares de pessoas têm percorrido os caminhos que levam a Santiago de Compostela em busca de reflexão, autoconhecimento e para professar a sua fé. Existem muitas rotas para se chegar até Santiago de Compostela e alguns pontos mais conhecidos e procurados para iniciar o percurso, porém na verdade cada um pode iniciar o seu caminho onde bem quiser. Após muita pesquisa, leitura sobre o caminho e planejamento., resolvi que dos muitos caminhos que levam a Santiago de Compostela iria percorrer o Caminho Português Central. O Caminho Português é a segunda rota mais utilizada para se chegar até Santiago de Compostela na Espanha, perdendo apenas para o famoso Caminho Francês, cujo percurso total tem aproximadamente 800 km e costuma ser feito de 30 a 40 dias passando por diversas regiões da Espanha. Ainda é um sonho caminhar esses 800 km, mas diversas razões me levaram a escolher para essa primeira vez o Caminho Português Central. A principal razão é que essa seria a minha primeira vez em uma experiência desse tipo, uma peregrinação que exige tantos dias de caminhada. Eu nunca tinha feito antes um trekking que durasse vários dias, por exemplo, então, mesmo não sendo uma pessoa sedentária eu não fazia idéia de como meu corpo reagiria a um esforço tão prolongado. Nos meses que antecederam a viagem me preparei fisicamente, fiz muitas trilhas em montanhas, caminhadas e musculação para fortalecer o corpo e isso tudo foi bem importante. Enquanto planejava me encantei pela idéia de caminhar pelo norte de Portugal e por parte da Galícia na Espanha e a viagem ia então tomando forma. Cada viajante faz seu próprio caminho. É o que se diz a respeito dos peregrinos. Oficialmente esse caminho inicia em Lisboa. Segundo muitos relatos não há muitos albergues peregrinos municipais entre o trecho Lisboa e Porto, por isso a grande maioria das pessoas opta por iniciar no Porto e foi o que decidi fazer também. Mas com certeza em outra oportunidade com mais tempo disponível gostaria de fazer esse Caminho iniciando em Lisboa. Partindo da Catedral da Sé no Porto até alcançar a Catedral de Santiago de Compostela foram 245 km de caminhada em 11 dias. Antes de detalhar cada etapa da minha peregrinação quero descrever um pouco os dias de viagem em Portugal que antecederam o seu inicio. Infelizmente não tenho uma planilha de gastos, pois sou péssima com isso. Em todas as viagens anoto os gastos nos primeiros dias e depois acabo deixando isso pra lá quando percebo que o dinheiro vai ser suficiente. (RS) Não vou detalhar muito essa parte da viagem, mas sim eu gostei bastante dessa etapa. Encantei-me com a hospitalidade dos portugueses desde o primeiro momento, a maioria com quem conversei demonstrou gostar dos brasileiros. Em Portugal tem muitos brasileiros também, nos restaurantes, hostel e em toda parte. A maioria bastante solicita com a recém chegada que era eu. Chegada em Portugal Não é toda hora que a gente pode fazer uma viagem à Europa em tempos de real tão desvalorizado, então antes de rumar a Santiago de Compostela a idéia era conhecer um pouco de Lisboa e Coimbra a ultima cidade a ser inclusa no roteiro. Cheguei a Lisboa no dia 13 de agosto no período da manhã. Vôos noturnos pra mim são bem cansativos, pois raramente consigo dormir, mas o vôo foi bem tranqüilo. Vôo da Cia aérea Azul, que saiu por um preço razoável após muitos dias de pesquisa (R$ 2850,00 aproximadamente ida e volta saindo de Viracopos para Lisboa e a volta do Porto para Lisboa). Ter comprado um vôo multitrip ( quando a ida e a volta são rotas diferentes, como nesse caso) foi ótimo para a logística da viagem, assim pude conhecer duas importantes cidades antes de fazer o caminho e no final não precisei voltar até Lisboa. A imigração em Lisboa foi bem tranquila, a funcionaria que me atendeu não perguntou nada sobre dinheiro ou seguro (embora o seguro seja obrigatório) me perguntou quanto tempo eu ficaria por lá e eu expliquei que faria o caminho e a moça me pareceu bem curiosa sobre isso. Em Lisboa é muito fácil se locomover com o transporte público, fui de metrô até o Brothers Hostel que já estava reservado. O hostel fica a poucos minutos de caminhada do centro e da Avenida Liberdade. Cheguei ao hostel por volta das 10 horas da manhã, o check-in seria somente às 15 horas, porém o local cobrava um valor por hora para deixar a mochila lá antes do check-in... Achei aquela recepção bem frustrante e claro, não paguei, fui dar uma volta pelas redondezas com meu mochilão nas costas. Fora isso a recepção do hostel nem sempre tinha pessoas que falassem português, apenas inglês, o quarto era um pouco apertado, o café da manhã era muito bom, tinha uma cozinha para esquentar comida e os banheiros estavam sempre limpos. Bom custo benefício. Apesar de bastante cansada, já nesse primeiro dia foi possível ver e me encantar com muita coisa. A famosa Praça do Comercio, os Arcos da Rua Augusta, o rio Tejo, que tanto me lembrou dos antigos poetas. A região central mais antiga é repleta de monumentos históricos e estatuas que homenageiem personagens importantes portugueses. Em agosto o verão europeu está no auge, nesses dias que passei por lá fez bastante calor, porém no fim da tarde sempre batia um vento gelado. É a alta temporada de férias dos europeus então havia turistas para todos os lados, pessoas com diferentes idiomas pelas ruas, restaurantes e praças. Apesar da cidade parecer bem cheia como a minha intenção não era pular de um ponto turístico a outro isso não foi um problema, mas a fila era notável em alguns locais. No segundo dia fui conhecer o bairro do Belém. Foi um dos lugares que mais gostei em Lisboa. Novamente usando o transporte público, metro e comboio (trem). Não fui a nenhuma atração paga e foi um dos dias mais proveitosos. Conheci o Padrão dos Descobrimentos, que com sua imponência homenageia os navegadores portugueses que desbravaram os mares ao longo da história. A famosa Torre de Belém que eu queria muito ver, em frente à torre tem um parque cujo nome não me lembro e seguindo em frente fica o museu do combatente. Após almoço no Café do Forte bem próximo a Torre de Belém, atravessando a avenida e caminhando um pouco fica o Centro Cultural do Belém e logo depois o Mosteiro dos Jerônimos, onde havia visitação gratuita, uma igreja imensa e muito bonita por dentro e por fora. Depois segui para um lugar bem tradicional onde foi inevitável pegar uma fila grande, Pastéis de Belém, o verdadeiro é feito nessa pastelaria, em todos os outros locais chamam de pastel de nata. Não é um lugar caro, cada pastel custa 1,15 euros. Comprei alguns e fui comer em outro parque bem pertinho dali com bastante sombra para descansar daquele calorão. Ainda no fim da tarde mais uma caminhada até o MAAT, Museu de arte, arquitetura e tecnologia, onde na área externa tem-se uma bonita vista do rio Tejo. Passei ainda pela Ponte 25 de Abril que liga a cidade de Lisboa com a cidade de Almada. Na ponte há uma visita guiada que eu queria ter feito, mas devido ao horário não foi possível. No dia seguinte fui conhecer outros bairros em Lisboa. Bairro Alto, Alto Chiado e Santa Maria Maior, no Bairro alto você pode chegar usando o elevador de Santa Justa, o tradicional bonde (eléctricos) ou apenas subir a ladeira que foi o que eu fiz. O almoço foi na Fabrica da Nata, uma pastelaria tradicional com preços acessíveis, além dos pastéis de nata que custa um euro, há diversas opções de sanduíches quentes ou frios e vinhos. Foi mais um dia batendo perna pela cidade. Encantei-me pelas paisagens na freguesia de Santa Maria Maior, onde fica o Castelo de São Jorge, À tarde, novamente na Baixa de Lisboa, resolvi provar o gelato na Amorino´s, na casquinha o gelato é servido em formato de flor. Dia seguinte parti para a cidade de Coimbra. Viagem de ônibus de quase duas horas que custou 14,50 euros (comprei a passagem no terminal de ônibus, mas comprando antecipadamente provavelmente sairia mais barato). Em Coimbra fiquei hospedada no NX Hostel que eu recomendo muito pela minha experiência lá. Todos os funcionários foram atenciosos e simpáticos. O hostel funciona em um antigo casarão reformado e as instalações não deixam a desejar em nada. O café da manhã tem muitas opções e é servido em uma área externa, local bem agradável para começar o dia. Fiquei em um quarto misto para 4 pessoas. O hostel fica na Praça da Republica e bem perto da Universidade. A famosa Universidade de Coimbra é a alma da cidade, uma das universidades mais importantes de Portugal e até do mundo é impensável ir a Coimbra e não visitar a Universidade. A visita é gratuita e pode-se circular por quase todos os complexos. Bem próximo dali fica o Jardim Botânico, um lugar enorme com inúmeras espécies de arvores e plantas. Coimbra é uma cidade grande com certo charme de cidade pequena. O centro histórico com suas ruas estreitas, a Catedral da Sé, O Seminário Maior onde se tem uma vista do alto da cidade e com certeza um passeio pela margem do rio Mondego não pode faltar. Coimbra foi a ultima cidade a ser incluída em meu roteiro. Não gosto da idéia de ficar pulando de cidade em cidade sem conhecer nada direito. Gosto de ter tempo para apreciar as coisas sem correria, andar e gastar mais tempo onde achar interessante. Por isso não parei em muitas cidades nesses dias antes do caminho e não me arrependo. Coimbra foi inclusa também por ser uma das mais importantes cidades no caminho entre Lisboa e a cidade do Porto, e a idéia era fazer um roteiro seguindo nessa direção. Foram dois dias ali e mais uma vez mochila nas costas, hora de partir para o Porto. A viagem de ônibus durou cerca de uma hora e custou 12,50 euros. Nessa primeira passagem pela cidade me hospedei no Alma Porto hostel, que fica a poucos minutos de caminhada do terminal de ônibus o que facilitou bastante a minha chegada. Afinal quem viaja de forma independente sempre tem aquela estranha sensação de chegar a um lugar novo e pensar “e agora pra onde vou?”. Nesse caso foi só caminhar algumas ruas. O hostel era também um grande e antigo casarão, com paredes de pedra, quartos grandes e espaçosos. Apenas o café da manhã era fraco, mas no geral um bom custo beneficio. E desde a chegada à cidade onde iniciaria minha peregrinação um misto de felicidade e ansiedade ia tomando conta de mim. Fiz o check-in no hostel me acomodei e fui em direção a Rua de Santa Catarina almoçar no Fabrica da Nata, além de já conhecer e gostar de lá não queria perder tempo procurando um lugar para comer. A Rua de Santa Catarina é uma importante região comercial, tem lojas, restaurantes shoppings e camelôs por toda sua extensão. Lembro que quando saí de Lisboa pensei em passar os próximos dias antes do caminho fazendo passeios mais pontuais, mas por mais que eu quisesse passar um tempo desacelerando antes de começar a peregrinar eu não conseguia. Não consegui não andar pra cima e pra baixo em Coimbra e tampouco consegui no Porto. Eu não esperava ver tudo em poucos dias, mas de qualquer forma era a minha primeira vez no velho continente, e em todos esses lugares por onde passei tinha a sensação de ter muita coisa para ser vista, muita coisa que valia a pena ser vista. Sempre gostei muito de história e em Portugal a história se mostra em toda parte, tudo é bastante antigo é um país que valoriza muito a sua história e como brasileira me identificava muito com essa história da qual estava conhecendo um pouco mais nessa viagem. Então tudo bem eu não desacelerei aproveitei o que foi possível desses dias no Porto enquanto tratava dos últimos preparativos para a minha grande jornada rumo a Galícia. Antes da viagem me disseram que o Porto tem uma atmosfera um pouco mágica e é verdade. No bairro da Ribeira às margens do Rio Douro, sentindo a brisa gelada do final de tarde eu tive essa mesma sensação sobre a cidade. Caminhei pelas estreitas ruas de paralelepípedo, algumas abarrotadas de turistas, fique impressionada com a estação São Bento, que de fora nem parecia uma estação de trem, visitei a torre dos Clérigos e o mercado Bolhão. Um dia antes do inicio do meu caminho era a hora dos últimos preparativos. Passei em um mercado perto do hostel e comprei algumas coisinhas pra comer durante o dia seguinte. Passei também em uma loja de produtos eletrônicos onde pedi pra darem uma olhada no meu celular que não estava carregando direito. Disseram-me que o problema era o cabo, então comprei outro cabo para carregar o celular e achei que o problema estava resolvido. Voltei ao hostel, deixei lá as coisas que havia comprado e parti em direção a Catedral da Sé. Tinha algumas dúvidas sobre o inicio do caminho então pretendia ir até o Centro de Acolhimento a Peregrinos do Caminho de Santiago, na Capela Nossa Senhora das Verdades que fica numa rua logo abaixo a Catedral, porém o local estava fechado. Fui então ao centro de informações turísticas onde uma funcionária muito solicita me deu um mapa do percurso do caminho na cidade do Porto e me explicou a diferença entre as setas que indicam o caminho central e as setas que indicam o caminho da Costa. Na verdade não teria como confundir os dois caminhos, mas só percebi depois. O caminho de Santiago é todo sinalizado por setas amarelas, então basicamente é só seguir na direção das setas até o próximo ponto de parada. Mas eu ainda não estava muito segura se seria realmente tão simples e se o caminho principalmente nessa região tão urbana seria bem sinalizado então com o mapa na mão resolvi seguir as primeiras setas do caminho para “estudar” esse inicio do percurso e confesso que me atrapalhei um pouco, num certo ponto a seta apontava para uma rua que teria que atravessar e depois eu não achava a outra seta. Claro, eu tinha o mapa, mas queria entender a lógica das setas. Não era mesmo difícil segui-las e fui treinando o percurso até chegar numa rua não muito longe da Catedral e que seguiria numa reta quase interminável e claro vi pelo mapa que dali era muito simples seguir. Em lugares que não conheço muito bem eu tenho a grande tendência de me perder e não tenho muito senso de direção, então um dos maiores medos que eu tinha era de me perder e acabar perdendo tempo indo na direção errada, mas verificando essa pequeno trecho do caminho eu me senti mais preparada para não cometer erros desse tipo. Faltava apenas comprar uma vieira de Santiago, uma concha com a cruz de Santiago que me disseram que eu encontraria na Torre dos Clérigos. Na verdade encontrei a vieira em uma loja de artigos religiosos quase em frente à torre que custou muito mais caro do que custa em qualquer outro lugar... Enfim, erros que a gente acaba cometendo em viagem, mas não pague mais do que 1 ou 1,50 euros por uma vieira. A vieira é um dos mais conhecidos símbolos do caminho de Santiago e eu queria sim tê-la na minha mochila no dia seguinte. Voltei cedo para o hostel naquela noite, deixei tudo o mais organizado possível para o dia seguinte e separei a roupa que ia usar. Eu raramente consigo dormir cedo, mas queria ao menos deitar cedo e descansar um pouco o corpo. Caminhando 1° dia. Do Porto até Vilarinho, 26,9km Acordei por volta das cinco e meia da manhã. Nunca fui fã de acordar cedo então já estava começando a superar um grande desafio. Como tinha deixado tudo organizado me arrumei bem rápido, tentando não fazer barulho e apenas com a luz de uma lanterna para não incomodar as outras pessoas do quarto. Em poucos minutos já estava na rua ainda com céu escuro, caminhando em direção a Catedral da Sé. Do hostel até a Catedral teria que caminhar mais ou menos 25 minutos e como queria ir por um caminho mais curto e diferente dos que tinha feito antes, pedi informação a um senhor na rua e o mesmo me disse que para ir a pé a catedral estava muito longe, mas me indicou o caminho de qualquer forma. Já que distancia não era um problema pra mim segui para o ponto zero da minha caminhada já com o dia amanhecendo. A imensa Catedral da Sé no Porto parece ainda mais imponente nas primeiras horas da manhã. Sem a multidão de turistas, o céu ainda adquirindo as cores daquele novo dia e naquele grande pátio em frente à catedral apenas algumas pessoas de mochila nas costas que tinham com certeza o mesmo destino que eu. Fiz ali uma oração, pedi a Deus para guiar meus passos no caminho. Sentei em um degrau, comi alguma coisa e tomei um suco. Logo em seguida comecei a seguir as setas amarelas. Como havia estudado esse primeiro trecho do caminho, não tive dificuldade. Caminhei firmemente, sem pressa, no meu ritmo. Quando o caminho chega à Rua de Cedofeita se estende numa reta quase sem fim e foi seguindo por ali que escutei o primeiro “Buen Camino” do meu caminho e aquilo encheu meu coração de alegria. Mais a frente, parei em um mercado para comprar água e me atrapalhei para voltar ao caminho certo... Nesse primeiro dia a paisagem é predominantemente urbana. Muitos carros, apenas ruas de asfalto e bairros industriais. Em alguns pontos mal havia acostamento para caminhar e era preciso tomar bastante cuidado com os carros. Ainda estava tudo bem diferente do caminho que imaginei. Apenas chegando a Moreira da Maia a paisagem urbana vai se distanciando dando lugar ao verde do interior. O calor era intenso, não havia muita sombra. No município de Araújo comecei a caminhar com o Ricardo, que é português e com quem conversei muito sobre muitas coisas. Fomos até a cidade de Vilarinho, onde nos hospedamos no albergue particular Casa de Laura por 12 euros (valor normalmente cobrado nos albergues particulares). O lugar era bem confortável e não havia muitas pessoas hospedadas lá. Após tomar um banho e lavar as roupas saímos para comer perto dali. Vilarinho é uma cidade bem pequena, não havia nada para fazer por ali. Como não estávamos cansados Ricardo e eu fomos até a praia de uber a poucos minutos dali. Um passeio bem inusitado e bem agradável. 2° dia. De Vilarinho a Barcelos 28,1km Acordei bem disposta, me alonguei como café da manhã, comi bolinhos que ainda tinha na mochila e pé na estrada novamente. A paisagem era completamente diferente do dia anterior e o caminho tomou outra forma. Muito verde, ruas de paralelepípedo, um rio bem tranqüilo que refletia a ponte sobre ele. O cenário ideal para caminhar e se conectar com o caminho e com você mesmo. Você pode escolher caminhar sozinho, mas sempre haverá no seu caminho boas companhias. A conversa sempre começa com um “buen camino”, a saudação oficial no caminho de Santiago e logo se tem um novo companheiro de jornada, ainda que seja apenas por algumas horas ou alguns quilômetros. Nessa manhã conheci um grupo de mulheres que estavam caminhando juntas desde a saída de seu albergue e me convidaram a caminhar junto com elas e claro, eu aceitei. Eram elas, Maria, de Portugal, Cecilie, uma jovem indonésia que mora na França e Katerine, uma senhora canadense. Conhecer pessoas tão diferentes de mim é certamente um dos presentes que o caminho nos oferece. Juntas nós quatro caminhamos alguns bons quilômetros naquele dia de baixo de um sol muito forte que parecia só piorar com o passar do dia. Cecilie eu na verdade já tinha visto no dia anterior em um café, andava rápido, estava sempre um pouco à frente, Maria foi com quem eu mais conversei, foi uma grande companheira nesse dia. Katerine, uma inspiração pra mim, estava fazendo o caminho aos 65 anos de idade, infelizmente não pode seguir conosco até o final naquele dia, pois estava bem cansada e precisou parar antes. Seguimos em frente, passando por plantações de milho, bosques, ruas de terra, ruas de asfalto, muitas igrejas e para minha felicidade vários campos de girassóis. Foram longos trechos sem sombra alguma, poucos lugares com água potável e depois do almoço foi ainda mais cansativo. Maria e eu paramos varias vezes para descansar. Cecilie sempre na frente até que a perdemos de vista. Levamos muitas horas até chegar a Barcelos. A cidade é bem turística, logo na entrada tem um enorme galo, um dos símbolos de Portugal. Infelizmente estava tão cansada que não consegui ver muita coisa da cidade. Chegando ao albergue Cidade de Barcelos, após um penoso dia o lugar estava lotado. A senhora responsável pelo local nos disse que só havia um pequeno quarto onde poderíamos dormir em colchões se não nos importássemos em dividir o lugar com uma garota que já estava lá. Não nos importamos e a garota era Cecilie que havia chegado um pouco antes. Nesse albergue não havia um valor específico para pagar, era só fazer uma doação com valor que pudesse pagar colocando o dinheiro em uma caixinha. Foi nesse dia que fiquei sem celular, pois meu aparelho quebrou. Não havia o que fazer sobre isso além de me conformar. Felizmente para tirar fotos tinha levado uma câmera e tinha um tablet então não fiquei completamente incomunicável. Maria teve muitas bolhas nos pés, teve que ir ao centro médico e infelizmente não iria seguir no caminho. O quartinho onde estávamos no albergue era bem abafado então para não passar tanto calor à noite pegamos nossos colchões e nossas coisas e aceitamos a sugestão da dona do local e dormimos na recepção do albergue. Simples assim, sem frescura, grata por mais um dia na jornada que eu havia escolhido. Na simplicidade você percebe que tem tudo àquilo que precisa. 3°dia De Barcelos até Portela de Tamel 10 km No caminho de Santiago nenhum dia é igual ao outro. A paisagem muda constantemente, o tipo de solo muda quase que a cada curva. Algumas pessoas você encontra varias vezes ao longo dos dias, outras caras novas vão surgindo. Com o passar dos dias o corpo vai sentindo o esforço prolongado também. Doem os pés, as pernas as costas... Às vezes alguma dor vai incomodar bastante. Tem dias em que é mais fácil se manter em movimento, em outros, você quer parar a todo instante. A única rotina consistia em acordar bem cedo, me arrumar, arrumar a mochila e partir. E ao chegar ao próximo local de descanso, tomar um banho, lavar a roupa e comer. Não dava pra fugir disso. Nesse terceiro dia Cecilie e eu seguimos juntas. Devido ao cansaço do dia anterior, fizemos uma das etapas em duas partes, caso contrario seria um percurso de quase 34 km e o calor estava fortíssimo. Não havia muitas opções de albergues antes de chegar a Ponte de Lima, então nesse dia o trajeto foi de apenas 10 km até Portela de Tamel, uma vila minúscula onde além do albergue havia uma igreja, um restaurante e mais nada. Por ter feito um trajeto mais curto que os outros dias foi relativamente mais fácil. Cecilie e eu conversamos bastante apesar do meu inglês não ser dos melhores. Nesse dia encontrei um casal de brasileiros, até então não havia encontrado ninguém do Brasil. Chegamos ao albergue por volta das 10 horas da manhã e o local só abria às 14 horas. Ficamos esperando abrir no restaurante em frente onde tomamos algumas cervejas. Não havia nada para fazer por ali então foi um dia de descanso. 4° Dia De Portela de Tamel até Ponte de Lima 23,7 km Mais um dia de lindas paisagens. O caminho te leva por bosques, trilhas, videiras. Provavelmente um dos dias mais bonitos em relação ao visual em todo o trajeto. A paisagem jamais te deixa entediado. Comecei o dia sozinha novamente. Em paz com meus pensamentos. Apreciando a minha companhia, com um longo caminho ainda pela frente, mas firme em cada passo. Ainda nas primeiras horas do dia conheci o Alberto, um italiano que me fez companhia durante todo esse dia. Alberto não falava muito bem inglês e eu também não, mas quando duas pessoas querem se comunicar elas dão um jeito de se entender e assim passamos o dia. Às vezes ele não me entendia e eu tinha que repetir alguma frase ou eu não o entendia e ele se esforçava pra me falar com outras palavras. Com o passar dos dias as suas pernas vão se acostumando com o esforço, mesmo assim ainda doem, principalmente quando você para por alguns minutos. Alberto às vezes caminhava junto comigo e às vezes eu acabava ficando para trás. Seguindo tranquilamente num percurso bastante agradável, com bastante sombra, cruzando pequenas vilas, trilhas em meio à natureza e nisso um sentimento de gratidão vai se intensificando. Gratidão por estar ali no caminho e tudo dar tão certo. Naquele dia já havia me acostumado bem a acordar tão cedo, pular da cama e em pouco tempo estar no meu caminho. Para muitas pessoas isso é simples, mas eu definitivamente não sou uma pessoa matinal, há anos trabalho no período da tarde, sempre tive o costume de dormir tarde, mas nessa jornada consegui transpor mais essa dificuldade e sim eu estava orgulhosa de cada pequena conquista durante todo o meu caminho. Eu que sempre me considerei muito distraída e avoada, aprendi a estar atenta. Por muitas vezes eu me perguntava se estava no caminho certo e quase sempre quando pensava isso logo via outra seta amarela para tirar minhas incertezas. Então logo eu pensava. Ok está tudo certo é só continuar seguindo, você está indo bem. Em muitos momentos eu sentia que o caminho é uma metáfora da vida. Na vida a gente às vezes fica confusa sem saber se está no lugar certo, no emprego certo, com as pessoas certas, a gente quase implora por um sinal, mas a falta de um sinal também pode indicar que estamos tomando o rumo errado. No caminho e na vida também. Nesse dia cheguei a Ponte de Lima por volta do meio dia. Quase não senti a caminhada, não senti o cansaço que geralmente sentia na chegada. Reencontrei o Alberto na ponte principal da cidade, ele já havia ido até o albergue público e como só abriria às 15 horas, procuramos um lugar para almoçar e tomar cerveja, porque aquele calor pedia uma cerveja gelada. Ponte de Lima é uma das cidades mais encantadoras desse caminho. Com certo ar medieval, construções muito antigas em paredes de pedra, banhada pelo rio Lima. Muitos peregrinos iniciam ali o seu caminho e a cidade estava também cheia de turistas. O albergue público ficava logo depois da ponte, em um edifício muito antigo como quase todos da cidade. No quarto onde fiquei havia uma varanda com uma linda vista da cidade e principalmente da ponte e do rio. O quarto era enorme com aproximadamente 30 camas, o único que não eram camas beliche e tinha um armário enorme para cada pessoa, um luxo para um albergue público. Foi ótimo ter chegado cedo à cidade, acabou sendo um dos dias mais proveitosos. Alberto e eu fomos passear no rio, tentei tomar sol, enquanto ele entrou na água que parecia gelada. É engraçado como em tão pouco tempo a gente se aproxima das pessoas que conhecemos em viagens a ponte de ter conversas tão sinceras e reflexivas sobre a vida, os planos, o futuro... Alberto é muito inteligente, mesmo sem falar inglês tão bem falava pelos cotovelos e naquela vibe boa praticamos um pouco de yóga. Saímos dali, novamente para sentar em um bar e tomar uma super bock, uma das cervejas mais tradicionais em Portugal. À noite jantamos junto com outros italianos e Alberto ia traduzindo a conversa toda para mim. 5° Dia de Ponte de Lima até Rubiães 17,9 km O caminho vai nos surpreendendo todo o tempo. No caminho português central não há muita dificuldade técnica, no geral basta ter disposição para caminhar bastante. Porém essa etapa foge bastante à regra. Nessa etapa temos muitas subidas por trilhas em meio à mata e muitas pedras nessas subidas. Foi de grande ajuda nesse trecho ter um bastão de caminhada. Mesmo onde só havia trilhas de pedras as setas amarelas estavam lá, mas é preciso ter mais atenção. Houve um momento em que quase segui errado e fui chamada de volta ao rumo certo pela Carie, australiana que conheci no primeiro dia e vira e mexe reencontrava. E esse foi o primeiro dia caminhando sozinha. No caminho nunca se está completamente só e nessa altura já havia muitas caras conhecidas com quem reencontrava frequentemente. Eu também já me tornara um rosto conhecido para muitos deles. Ainda que não pudesse me comunicar tão bem com todos devido principalmente as diferenças de idiomas, era como fazer parte de um grupo, andávamos quase no mesmo ritmo, parávamos nas mesmas cidades, dormíamos nos mesmos albergues e até no mesmo quarto que era sempre coletivo. Como mulher que frequentemente viaja sozinha, a minha principal preocupação é a segurança. Em nenhum momento em todo o caminho me senti insegura ou com medo. Obviamente estava sempre atenta, como brasileira, infelizmente a gente se acostuma com a sensação de que pode estar em risco em certos lugares ou situações, mas em todo meu percurso não houve nenhum momento que tivesse sentido algo assim, mesmo caminhando sozinha por muitos quilômetros. Havia muitas mulheres de todas as idades, também fazendo o caminho sozinhas. No Brasil ainda existe um grande tabu com relação a mulheres que viajam sozinhas. Entre europeus e em muitos países do mundo isso é completamente normal. Muita gente reage com estranheza quando digo que faço esse tipo de viagem sozinha, mas para mim isso já se tornou algo normal. Para mim é inconcebível não apreciar a minha própria companhia. Então estar ali caminhando sozinha, em paz, me parecia tão natural quanto respirar. Uma manhã de caminhada bem intensa, mesmo com calor e as subidas pesadas, o percurso praticamente todo teve a sombra dos bosques, o que no verão europeu é uma verdadeira benção. Chegando ao albergue de Rubiães faltava quase uma hora para o local abrir. Era um lugar no meio do nada. Bem em frente ao albergue havia um restaurante fechado. Cheguei a pensar que não haveria onde comer ali. Felizmente seguindo pela rodovia havia um restaurante e um pouco mais adiante um pequeno mercado. O albergue era bem agradável, com salas bem arejadas e até uma área externa com espreguiçadeiras e vista para as montanhas. Foi uma tarde tranquila com tempo de sobra para descansar. 6° Dia De Rubiães a Tuí 20 km Mais um dia cheio de grandes novidades nessa longa jornada. Deixando Rubiães para trás, caminhando entre bosques e trilhas, antes de encontrar um lugar para tomar o café da manhã encontrei com um peregrino alemão muito disposto a conversar e que me fez um milhão de perguntas. Felizmente ele parecia não se importar muito com meu inglês ainda mais travado devido à fome e o sono. A pergunta que um peregrino mais ouve é “Por que está fazendo o caminho?” E claro, o alemão me fez essa pergunta. Não há uma resposta única e exata para essa pergunta. Geralmente eu tentava simplificar a conversa dizendo que eu sempre quis fazê-lo. Mas havia muito mais do que isso. Aquele era o momento perfeito para fazer o caminho. Havia passado por algumas mudanças na vida, saí de um trabalho que já não me deixava feliz, me decepcionei com algumas pessoas. Não estava triste, deprimida, nem nada disso. Muito pelo contrario, eu me sentia leve, sentia que tinha tirado um peso das costas. Sentia-me rompendo com o que já não fazia sentido e fazer o caminho iria celebrar tudo isso. Era um momento para mim. Um momento de reflexão, e autoconhecimento. Uma forma de me afastar de tantas coisas e me aproximar de mim mesma. Desde o momento em que comprei as passagens uma semana depois de ser demitida eu me senti em paz. Não queria provar nada pra ninguém, era apenas eu sendo eu mesma, aquela que vai até o fim quando quer realizar algo. Eu queria apenas me re-conectar comigo mesma, restaurar a fé que eu sempre tive em mim, a minha coragem e a minha força pra continuar seguindo em frente. Quando contei que a viagem estava confirmada uma amiga me disse “essa viagem vai te re-equilibrar”. Não poderia estar mais certa. Não falei nada disso com o alemão, mas falei sobre planos para o futuro e desejos de mudança até chegarmos num local chamado São Bento da Porta Aberta, onde paramos para o café da manhã. Segui caminho envolta em meus pensamentos e me dei conta que naquele dia eu chegaria a Espanha e aquilo me deu um novo gás para caminhar. O clima estava mais ameno e isso sempre ajuda no caminhar. Estava tão animada que parecia que eu estava flutuando, principalmente depois que comecei a ouvir música. Mas não qualquer música, só as que me trouxessem energias positivas. Não era nada prático ouvir música com um tablet, mas era o que eu tinha depois que fiquei sem celular. Em algum ponto antes de chegar a Valença, um casal que estava passando de carro parou ao meu lado e me fez muitas perguntas sobre o caminho, quantos dias eu já havia caminhado, quantos quilômetros e coisas do tipo. Pareciam bastante interessados e curiosos. Me ofereceram uma garrafa de água e me desejaram felicidades no caminho. Já em Valença do Minho, ultima cidade portuguesa no caminho português, encontrei dois dos mais simpáticos amigos desta jornada, Paolo e seu pai Roberto ambos da Guatemala. Foi uma companhia muito agradável, sobretudo em um trecho tão emblemático no caminho, afinal adentraríamos em pouco tempo na sonhada região da Galícia na Espanha. Caminhamos sem pressa por Valença cuja parte histórica estava bem movimentada, havia muito comércio voltado ao turismo e um forte de onde se via o Rio Minho e a Ponte Internacional Tuí-Valença que separam os dois países. Vale à pena desviar-se um pouco do caminho para conhecer essa região de Valença. Paramos para uma cerveja no Fronteira, “ultimo bar português do Caminho de Santiago”. Atravessamos a Ponte Internacional Tuí-Valença e iniciamos uma nova etapa do caminho. Não mudava apenas a cidade dessa vez, agora seria outro idioma, já no país de destino, o fuso horário com uma hora a mais com relação ao horário de Portugal. Tuí é a ultima cidade para se iniciar o Caminho de Santiago nessa rota, já que para obter a compostela, o documento emitido na oficina de peregrinos que comprova que a pessoa percorreu o Caminho de Santiago, é preciso caminhar pelo menos 100 km (para quem faz o caminho de bicicleta é necessário ao menos 200 km). Em Tuí me senti na idade média. Com uma catedral românica, construções de muitos séculos atrás, ruas estreitas de pedra e suas ladeiras que desembocavam perto das margens do rio. Me senti privilegiada mais uma vez por estar no caminho e assim ter a chance de conhecer lugares tão peculiares que dificilmente eu visitaria se não o estivesse percorrendo. Era um domingo. Os dias de verão na Europa são longos, pois o sol se põe por volta das 21 horas. Então para quem está disposto a enfrentar as altas temperaturas é uma ótima época para fazer o caminho. Dá tempo de fazer o percurso do dia, descansar e conhecer as cidades antes de cair à noite. Após o almoço descansei em um parque na margem do rio, perambulei pelas ruazinhas da cidade, mandei mensagem para a família informando que já estava na Espanha. Sentei numa praça para tomar sorvete e pensar no quanto já havia percorrido do caminho e o quanto ainda faltava percorrer. 7° Dia De Tuí a O Porriño 15,6 km Acordei às 6 horas, dormi de novo e acordei uma hora depois, ainda confusa com o fuso horário diferente. Olhei em volta e vi que era a única pessoa ainda na cama. Tratei de pular de lá e me arrumar. Roberto quando me viu pronta para sair ficou impressionado com a minha rapidez. Encontrei um lugar para tomar café da manhã ainda antes de sair da região central da cidade. Logo depois encontrei com Franziska, uma jovem alemã que estava fazendo o caminho com a mãe e a tia e quase sempre nos encontrávamos-nos mesmos albergues. Nessa ultima etapa elas haviam pernoitado em Valença ao invés de Tuí. Nessa etapa já se observa um número muito maior de peregrinos, principalmente nos primeiros quilômetros, aos poucos com cada um no seu ritmo a pequena multidão vai se dispersando. Em Portugal o caminho sempre adentra em bosques, trilhas em meio à mata, estradas de terra ou de pedra. Quando havia alguma avenida ou rodovia, quase sempre você devia cruzá-la ou andar apenas alguns metros e já estaria novamente em meio à natureza. Mas essa primeira etapa já em solo espanhol se diferenciava bastante nesse sentido. Havia muitos trechos para percorrer em ruas de asfalto, ao lado de grandes veículos e nesses trechos em específico o caminho se torna um pouco maçante. Foi um percurso bem cansativo para mim. Além de caminhar em uma paisagem não tão convidativa em boa parte do trajeto, o calor estava cada vez mais intenso e eu senti nesse dia muita dor nas costas, provavelmente não havia arrumado as coisas muito bem na mochila. Sentia vontade de parar o tempo todo. Sentia certa inveja de algumas pessoas que carregavam mochilas minúsculas e pareciam estar passeando no bosque. Mas estas pessoas certamente haviam contratado o serviço que transporta bagagens até o próximo destino. O roteiro que eu estava seguindo no aplicativo Buen Camino indicava como próximo local de parada uma cidade chamada Mos, porém vi que seria outro lugar sem muita coisa para se ver ou fazer. Resolvi então adaptar essa parte do roteiro e decidi encerrar essa etapa um pouco antes de chegar a Mos, na cidade de O Porriño, além de aliviar um pouco o cansaço que foi grande nesse dia, simpatizei com a cidade assim que cheguei por lá. À tarde acabei encontrando novamente com Franziska, na avenida principal da cidade. Junto com sua mãe e sua tia tomamos uma cerveja ao estilo alemão. 8° Dia De O Porriño a Pontevedra 34,9 km A maior etapa desse meu caminho. E ficou ainda mais longa devido a ter encurtado a etapa do dia anterior. Poderia ter dividido essa etapa em duas parando em Redondela, mas isso renderia um dia a mais para chegar a Santiago. Além disso, o clima no período da manhã estava bem diferente dos dias anteriores, o céu muito cinza, temperatura ligeiramente mais baixa amenizando o calor. Não imaginei que seria tão difícil chegar a Pontevedra. Acordei às 7 horas, o que é bem tarde para quem teria tantos quilômetros pela frente. Me arrumei voltei ao caminho, parei num café na avenida principal da cidade e quando me pus novamente em marcha já eram 8 horas. Acabei perdendo muito tempo nessas primeiras horas da manhã. Claro, não poderia deixar de tomar café da manhã. Na maior parte do caminho se você não aproveitar e parar no primeiro café aberto para tomar café da manhã ou matar a fome durante o dia pode levar muito tempo e muitos quilômetros até encontrar outro lugar para comer ou comprar algo. Até chegar a Redondela foi razoavelmente tranqüilo, apesar das muitas descidas para testar os joelhos. No período da tarde ainda com muito chão pela frente viriam muitas subidas. Mas o caminho é bem interessante nesse trajeto, bosques, cidades, pontes, rios, trilhas de pedras, mata mais fechada, outro bosque, outra cidade, rodovias. Um caminho longo, mas, nada maçante como no dia anterior. Parei para almoçar em um local simples, porem com uma vista linda e um pouco escondida ao fundo e ao sair de lá o calor já era intenso. Estava aliviada, pois tinha andado um tempão com outro peregrino que parecia não desgrudar de mim, como demorei no almoço ele resolveu seguir na frente sozinho. Mais a frente, parei um pouco conversando com algumas garotas muito animadas, uma portuguesa e outra espanhola, essa ultima contou que havia caminhado 5 km a mais porque se perdeu... Como elas iriam ainda demorar por ali segui meu rumo novamente. Passei por uma auto-estrada onde tive que andar ao lado de enormes caminhões. Logo depois passei pela linda cidade de Pontesampaio, que parecia ter congelado no tempo. Ali, uma senhora estava em seu quintal enquanto eu passava em frente a sua casa, com muita vontade de conversar me falou sobre ter percorrido o caminho muitas vezes e contou da sua vida, perguntou se podia ajudar em algo. Andei depois por um bom tempo sem avistar mais ninguém e a animação foi se esvaindo. Ao menos tinha certeza do caminho, pois era bem demarcado e cheio de sobe e desce. Quando achei que já estava bem perto o mapa mostrava uma bifurcação onde entraria em um bosque ou iria pela auto-estrada. Fui pelo bosque, que mais parecia um labirinto sem fim. Embora o aplicativo indicasse que estava indo na direção certa a impressão que eu tinha era de andar em círculos. Ia margeando um pequeno fluxo de água quando encontrei um morador local que me disse que até o final daquele bosque seriam 2 km e pela auto-estrada seria mais rápido porem não havia acostamento. Eu não queria acreditar que ainda andaria tanto para sair daquele bosque infinito, mas não tinha o que fazer. No albergue publico em Pontevedra não havia mais vagas. Fui até outro albergue, o Aloxa Hostel que também não tinha mais vagas e o senhor na recepção me ajudou entrando em contato com outros dois albergues na cidade que também já estavam cheios. Ele me pediu para esperar e depois de atender outras pessoas que tinham feito reserva me disse que tinha uma cama, e perguntou se eu não me importaria de ficar no quarto junto com um grupo grande. Eu estava desde o inicio dormindo em albergues públicos então porque me importaria? Fiquei sim muito aliviada por ter um lugar para descansar, depois de tantas horas “na estrada”. Com certeza o senhor Pedro que me atendeu na recepção não tem idéia do quanto me ajudou naquele dia. Aquele foi o único momento em todo o caminho em que fiquei realmente preocupada. Se não tivesse conseguido ajuda lá talvez tivesse que ir a muitos outros lugares até conseguir um local para passar a noite ou gastar muito ficando em algum hotel. Ele me recomendou que eu fizesse reserva no meu próximo destino para não correr o risco de ter dificuldades com a hospedagem novamente, verifiquei as opções e ele ligou para mim e reservou. Me senti abençoada por ter encontrado tamanha ajuda no momento em que mais precisei. Senti naquilo tudo a magia do caminho. Eu não estaria abandonada no fim daquela jornada, eu teria um lugar para descansar, tomar um banho, lavar minhas roupas, enfim, cumprir meu ritual diário sempre que finalizava outra etapa. Eu senti o meu coração cheio de gratidão e a certeza de estar onde devia estar. Essa magia do caminho se manifesta das mais diferentes maneiras. Como nesse mesmo dia, quando eu caminhei quase 35 km e achei que não teria energia para mais nada além de dormir. Mas depois de tomar um banho e me alimentar eu me sentia renovada, eu me sentia leve novamente. E ainda fui presenteada naquele longo dia com outra cidade das mais encantadoras do caminho. Era como se todo o meu esforço fosse recompensado. Era mais uma vez o caminho como uma metáfora da vida. Naquele dia eu senti o caminho me ensinado que eu sempre tinha força para seguir em frente, por maiores que fossem as dificuldades. E os problemas que surgissem eu poderia contornar e eu precisava ter fé. Foi uma pena não ter tido muito tempo de conhecer direito a cidade de Pontevedra, pois a cidade é realmente encantadora. Com ruas de pedra, edifícios medievais, monumentos, praças e estreitas vielas, além da lindíssima Igreja da Virgem Peregrina À noite a cidade se torna ainda mais agradável. Muitos restaurantes, bares com mesas ao ar livre, uma combinação interessante entre a história tão viva em cada detalhe do centro histórico e a modernidade de uma pequena cidade turística. Andando por aquelas ruazinhas, já nem parecia que tinha caminhado mais do que nunca na minha vida. Me sentia relaxada, absorta por aquela cidade. Antes de voltar ao hostel, comprei um pedaço de pizza e um chá gelado, sentei na escada de uma igreja para comer e apreciar um pouco mais daquela noite. 9° Dia De Pontevedra a Caldas de Reis 21 km Saindo de Pontevedra, passando pela ultima vez por seu centro histórico, ainda dominada pelo sentimento de encantamento e gratidão por aquela cidade. Nos primeiros quilômetros o caminho me lembrava uma procissão, tamanha a quantidade de pessoas. Não foi uma etapa tão longa, mas para mim foi com certeza a mais sofrida. Talvez pelo esforço do dia anterior, meus pés doeram muito durante quase todo o trajeto. Cheguei a pensar que acabaria com bolhas, tão temidas por todos os peregrinos. Nunca senti tanto a sola dos meus pés. Para piorar a minha situação durante esse trajeto o caminho era em sua maior parte em estradas de terra com muitas pedras, grandes, pequenas, de todos os tipos, mas muitas pedras sob meus pés já cansados. Usei no caminho botas de trilha intensiva, que eram um tamanho maior que o meu e também meias específicas para trilhas e até aquele dia não tive problema algum com os pés. Por iisso acho que o problema não foi o calçado e sim o cansaço acumulado que não combinou com as pedras do meu caminho. Pela primeira vez eu tive que parar, sentar em um lugar qualquer, descalçar as botas e as meias e examinar a situação dos meus doloridos pés. Felizmente nenhum sinal de bolha e não houve bolha até o fim, mas aquela dor seguiu comigo. Em meio a esse sofrimento, me consolava o fato de ter feito uma reserva em um albergue particular, afinal seria uma preocupação a menos. Nas cidades mais próximas a Santiago era de se esperar que os albergues públicos ficassem logo sem vagas. Geralmente custam entre cinco e seis euros e os particulares custam normalmente o dobro disso, mas às vezes vale a pena gastar um pouco mais. Em Caldas de Reis fiquei no Albergue Timonel, que custou 10 euros. Fica logo na entrada da cidade próximo a ponte. Um lugar simples, porem do qual não tive do que reclamar. Dividi o quarto com apenas duas pessoas, uma jovem garota com sua mãe, que também eram peregrinas. Uma companhia bem tranquila. A cidade de Caldas de Reis é bem pequena e tranquila. Provavelmente se não fosse o fluxo constante de peregrinos, seria uma cidade muito pacata. Com uma ponte logo na entrada da cidade, como em quase todas as cidades da região, a cidade tem uma Fonte de água termal. Uma senhora que atendia em um restaurante em frente ao albergue me deu uma maçã e me recomendou que eu fosse até a fonte e ficasse com os pés na água por uns 30 minutos, disse que ajudaria a diminuir as dores das quais eu havia lhe falado. E lá fui eu meter os pés na água quente. Apesar de não haver muito a se fazer ou ver na cidade, dei umas voltas à tarde. O clima estava agradável. Voltei cedo para o albergue. Aproveitei que dessa vez teria um pouco mais de privacidade para descansar. 10° Dia De Caldas de Reis a Padrón 19,2 km Com os pés praticamente recuperados do dia anterior segui meu rumo. Sempre no meu ritmo, sem pressão, firme e forte. Após 10 dias a mochila nas costas já fazia parte de mim. Me acostumei a acordar bem cedo dia após dia e continuar em frente. Cada dia era único, cheio de surpresas. Cada dia trazia uma infinidade de paisagens que mudavam a cada curva. Queria ter fotografado tudo, cada vez que me deparava com algo novo, cada vez que a natureza me brindava com sua beleza de maneira diferente. Mas era importante manter-me caminhando. E foi o que eu fiz. E tentei guardar tudo aquilo em fotografias mentais, aquelas imagens que vem a cabeça e te trazem um sorriso ao rosto. Aquelas memórias que vem junto com a sensação de liberdade, sonho realizado e fé. Em determinado ponto daquela etapa parei em uma igreja, onde havia na parte de trás um cemitério vertical. Ali conheci uma simpática família de portugueses, mais adiante conheci alguns peregrinos que viviam nas Ilhas Tenerife. Eram pessoas de muitos lugares diferentes, historias e motivações diferentes e todos com um objetivo comum ali. Em Padrón parecia ser o meu dia de sorte. Não fiz reserva em albergue então fui direto ao albergue municipal. Chegando lá já havia uma fila grande, inclusive havia alguns brasileiros que eu tinha conhecido vários dias antes. Fiquei com a penúltima vaga do albergue para aquele dia, e como fui uma das ultimas a conseguir vaga, fiquei em um quarto menor, com apenas quatro camas e um banheiro exclusivo. Não parecia nada com um quarto de albergue publico, onde normalmente são dezenas de pessoas no mesmo ambiente. Mais uma vez tive sorte também com as companheiras de quarto, que nesse caso eram duas garotas portuguesas peregrinando juntas e no fim da tarde para minha surpresa depois de muitos dias Cecilie chegou para ficar com a ultima vaga no albergue. Quando saí para conhecer a cidade a mesma já estava em plena siesta ( horário no período da tarde em que os espanhóis tiram para descansar). Havia poucas pessoas na rua, alguns turistas ou peregrinos perdidos como eu. Padrón foi uma interessante surpresa após a tediosa Caldas de Reis. Com quase tudo fechado relaxei por um tempo no jardim botânico da cidade, visitei a igreja de Santiago de Padrón e descansei um pouco mais sob a sombra das arvores na margem do rio em mais um longuíssimo dia de verão espanhol. No fim da tarde a cidade pareceu se encher de vida novamente. Diversas ruas exclusivas para pedestres com mesas ao ar livre, muitos bares e restaurantes onde era servido o prato típico da cidade, Pimentos de padrón. A impressão que eu tive é que a cidade inspira certo entusiasmo ao peregrino, afinal chegar até ali significa ter superado muitos quilômetros, dificuldades, dores no corpo e todo tipo de imprevisto que possa ter surgido. Esse clima de ansiedade e animação era bem perceptível no albergue. Bastante gente reunida na cozinha até tarde, diferente do que costuma acontecer nos albergues, onde a ordem é o silencio e o respeito ao descanso de todos. Mas naquela noite observei uma agitação alegre e contagiante compartilhada por todos. Não poderia ser diferente afinal, estávamos muito perto do sonhado destino. 11° Dia de Padrón a Santiago de Compostela 24,5 km Acordei às 5 da manhã para iniciar a minha ultima etapa deste cainho. Acho que ninguém consegue dormir muito no ultimo dia. Tomei café da manhã bem perto do albergue, no café de D. Pepe que se despedia com abraços calorosos de cada peregrino que passava por lá. Saindo dali, caminhando pela primeira vez antes do sol nascer, conheci a Marta, uma portuguesa, muito querida que me fez companhia nesse dia. Eu estava há muitos dias sem falar muito português e quando comecei a conversar com a Marta parecia que estava falando sem parar. Falamos sobre viagens, sobre a vida e sobre o caminho. Ter a certeza da chegada mudou bastante o meu caminhar naquela manhã. Não sentia dores nas pernas ou nos pés. Não sentia o peso da mochila e não me incomodava com o calor. O dia foi amanhecendo calmamente enquanto seguia sem ver a hora passar. Mas ainda que anestesiada pela certeza da chegada, foi uma longa etapa. Eu me perguntava durante aqueles dias como seria a minha chegada e tive a sorte de ter nesse dia pessoas do bem e com boas energias dividindo comigo aquele momento. Em certo ponto da caminhada reencontrei a Márcia que fazia a peregrinação junto com seus pais e mora em Viana do Castelo, cidade próxima ao Porto. Estavam no mesmo albergue que eu no dia anterior. Contei a eles um pouco da minha história, de sair sozinha do Brasil e ir a Europa fazer o caminho de Santiago, que era um desejo antigo. Lembro que me disseram o quanto eu era corajosa por ter feito isso. Acho que realmente é preciso muita coragem para realizar um sonho. Não é fácil estar em um país estranho, percorrendo um caminho solitário durante tantos dias. Não é fácil tomar a decisão de fazer algo audacioso quando você está num momento de incertezas na vida. Então acho que fui bem corajosa. Foi pensando em tudo isso que as lágrimas vieram aos meus olhos quando já na cidade de Santiago de Compostela nos aproximávamos da catedral. A Praça do Obradoiro onde está situada a Catedral de Santiago de Compostela é certamente um lugar que reúne muitas emoções. Finalmente eu estava lá entre risos e lagrimas. Transbordando de alegria, fé e gratidão. É difícil descrever a sensação que tive naquela chegada, sem dizer muitas frases que seriam puro clichê ou que até parecessem obvias demais. Eu posso dizer que foi uma felicidade e uma realização imensa estar em Santiago de Compostela após um longo caminho. Estar ali era a recompensa pela minha coragem, pela minha determinação, por cada passo dado, cada dor que eu senti no meu corpo. Era a certeza de que Deus e o apóstolo Tiago me guiaram durante todo o meu caminho. A certeza de que a minha fé nos meus passos me levou até ali. Depois de curtir a chegada fomos até a oficina de atenção ao peregrino onde a espera era de pelo menos duas horas para apresentar a credencial com os devidos carimbos e receber a Compostela, atestando que a peregrinação foi concluída. São emitidos dois documentos, um deles com as informações de onde foi o inicio da peregrinação, qual rota foi feita e a quantidade de quilômetros e o outro documento que é opcional e de caráter religioso e todo escrito em latim. A Compostela custa 1,50 euros e ali também se pode comprar a vieira de Santiago e outras recordações da chegada. Em Santiago de Compostela No dia anterior havia feito reserva no albergue Sixtos no Caminho que para minha surpresa era de uma família de brasileiros. O albergue era excelente. Ambiente acolhedor, muito limpo e arejado. Cama bem confortável, tomada e lâmpada individual, além de uma cortininha para que cada um tenha um pouco de privacidade. A poucos minutos de caminhada da região central e também muito perto do terminal de ônibus, foi uma ótima escolha. Resolvi ficar dois dias na cidade. Depois de tantos dias eu merecia uma pequena pausa para conhecer um pouco da capital da Galícia. Uma das coisas interessantes nesses dois dias é que enquanto passeava pela cidade ia encontrando o tempo todo algum velho conhecido do caminho. Para todos os peregrinos, em especial aos católicos, um evento bem especial é assistir a missa do peregrino. O caminho todo é um até de fé e aquele era para mim um momento de agradecer por tantas bênçãos no meu caminho e na minha vida. A missa na época da minha peregrinação estava ocorrendo na igreja de São Francisco, que fica bem próxima a Praça de Obradoiro, devido às obras na catedral. Outro importante ritual é o abraço ao Apóstolo, a estátua românica que recebe os peregrinos está sobre a cripta que contém a urna com as relíquias do Apóstolo, este ritual simboliza o amável acolhimento do apóstolo após o esforço da peregrinação. Um lugar imperdível em minha opinião é o Museu das peregrinações e de Santiago, que conta com riqueza de detalhes a historia do caminho de Santiago através dos séculos, sua origem e as mudanças e transformações nos costumes dos peregrinos ao longo do tempo. É possível conhecer também a origem e o significado de cada um dos muitos símbolos do caminho. O museu apresenta também outras importantes rotas de peregrinação pelo mundo, Roma e Jerusalém, que junto com Santiago de Compostela formam as três grandes peregrinações Cristãs mais conhecidas. O museu é gratuito aos sábados à tarde, para minha sorte justamente quando eu estava lá e também aos domingos durante todo o dia. Outro ponto interessante na cidade, recomendado por uma moradora local, é o mercado de abastos, a segunda atração mais visitada na cidade, onde é possível comprar diversas iguarias da região e também se deliciar com a culinária local. A cidade é repleta de atrações para todos os gostos, igrejas, mosteiros, parques e museus. Acho que mais interessante do que ir de um ponto turístico a outro é se permitir explorar livremente a cidade, bater perna pelo centro histórico, relaxar sem compromisso. Sentar em um café ou em uma praça e observar o movimento da cidade. Escolhi fazer isso na tão emblemática Praça de Obradoiro, observar os grupos animados, tirando as mais criativas fotos, muitos peregrinos cansados tirando as mochilas das costas e descalçando as botas, algumas pessoas cantando e outras fazendo suas orações. A praça estava sempre cheia de gente durante todo o dia, formando uma egrégora de paz. Ao menos para mim o compromisso era cumprir a minha jornada. Feito isso, a idéia era apenas curtir os próximos dias, tanto em Santiago, quanto nas cidades que viriam depois. Inicialmente havia pensado em fazer a prolongação do caminho caminhando mais três dias até chegar a Finisterre e depois caminhar até Muxia, outra prolongação do caminho. Devido principalmente ao fato de ter poucos dias até a data da minha volta ao Brasil, resolvi manter os dois locais no roteiro, porém a prolongação do caminho ficaria para uma próxima ocasião. Finisterre A viagem de ônibus de Santiago até Finisterre dura pouco mais de uma hora. A cidade fica na região conhecida como Costa da Morte, na região costeira da Galícia. A região recebeu esse nome por causa dos muitos naufrágios ocorridos ao longo da costa rochosa e traiçoeira. Em Finisterre me hospedei no albergue Arasolis, que fica na rua com o mesmo nome. A cidade não tem terminal de ônibus, os mesmos param na rua principal onde fica também o guichê de venda de passagens. Após sair do ônibus é só entrar à direita e em poucos minutos encontrará o albergue. O proprietário do local recebe a todos de maneira muito amável e alegre, contando suas historias de vida e presenteando a todos com uma concha e um cartão postal da cidade e as meninas ganham também uma pulseira. Além disso, me deu ótimas dicas sobre o que fazer na cidade. O lugar tem uma cozinha de uso coletivo. Fica bem próximo á praia também. Fiquei dois dias na cidade, queria aproveitar a proximidade com o mar e relaxar. A principal atração da cidade é o Faro de Finisterre, o farol, onde termina o caminho para quem faz a prolongação do mesmo até a cidade de Finisterre. Ali fica o totem indicando o quilometro 0,0 para os peregrinos. O farol fica a três quilômetros do centro da cidade e para chegar é só seguir as indicações na cidade e depois seguir a estrada. Uma subida bem peculiar e bonita em minha opinião, do lado esquerdo avista-se o mar e em certo ponto do caminho tem uma estátua de um peregrino. Lá em cima tem também uma loja de suvenires e um restaurante que parecia ser bem caro. O farol do Cabo Finisterra, ainda ativo nos dias de hoje, é o farol localizado mais no oeste da Europa e tem grande importância para a navegação na região da Costa da Morte. Há uma tradição entre os peregrinos de prolongar o caminho até ali e queimar peças de roupa antes de regressarem as suas casas. Conforme me recomendou El gato, no albergue deixei para ir até lá ao anoitecer para poder ver o por do sol na encosta do Cabo e valeu muito à pena. Daquele ponto ver o sol se pondo no mar foi um espetáculo lindíssimo e até mesmo um privilégio para quem tem a chance de conhecer a cidade. É bom levar uma lanterna, pois na volta para a cidade, descendo a estrada a única luz vem dos poucos carros que passam por ali. No dia seguinte pela manhã caminhei até a praia de Langosteira, no outro extremo da cidade. Naquela manhã o vento era tão forte como eu só havia visto na Patagônia. Mesmo com a ventania a praia era muito bonita, as areias cheias de conchinhas e quase deserta a não ser pelos peregrinos que ali chegavam. À tarde, para minha surpresa, o tempo esquentou bastante, não havia nenhum sinal da ventania de algumas horas antes. Então aproveitei o clima favorável para tomar sol na pequena praia da Riveira. Conheci também o Museu da Pesca, bem próximo da praia, um museu pequeno, mas bem interessante que conta a história da pesca e da navegação na Costa da Morte. A cidade tem alguns cafés e restaurantes, e alguns destes especializados em peixes e frutos do mar. Um restaurante que eu gostei muito foi o Baleas, fui lá duas vezes, a especialidade são as massas, muito saborosas e os preços eram razoáveis. Outro restaurante muito bom e com atendimento acolhedor, o Frontera, em frente à parada de onibus, os dois locais tinham muitas opções vegetarianas, o que não era muito comum em algumas cidades por onde passei. Outro lugar com um visual incrível para apreciar o por do sol é a praia Mar de Fora. Cerca de quarenta minutos de caminhada do centro da cidade até lá, mas vale muito à pena. Muxia Outra cidade na Costa da Morte onde a fé e as tradições religiosas se ligam aos caminhos de Santiago é Muxia. Há cerca de 30 minutos de onibus saindo de Finistere, num caminho que deixou meu estomago embrulhado. Uma cidade pequena, porém muito simpática. O ultimo destino dessa empreitada pela Europa. Em Muxia me hospedei no albergue/hostel Bela Muxia. Mais uma vez a recepção foi excelente. Quando cheguei ao local ainda faltava uma hora para o horário de check-in, poderia esperar claro, mas comentei com o senhor na recepção que tinha ficado um pouco enjoada pela viagem de ônibus e o mesmo foi muito solicito comigo e me deixou ir para o quarto naquele mesmo instante. Além da ótima recepção o lugar era muito agradável, tinha uma cozinha bem grande e um lindo terraço com vista da cidade onde era possível avistar também o mar. Uma pena que fiquei somente um dia na cidade. A praia de A Cruz, indicação de um morador da cidade tem águas claras, mar calmo e um visual muito bonito. Passei horas ali aproveitando um dia lindo de muito sol. O principal ponto de interesse na cidade é o Santuário Virxe de La barca (Virgem da Barca) Segundo a lenda o apóstolo Tiago foi até Muxia, implorar a Deus que seus sermões tocassem as pessoas. Nesse momento então, a virgem teria aparecido a ele num barco de pedra puxado por anjos e lhe disse que voltasse a Jerusalém, pois a sua missão naquela terra havia terminado, Tiago retornou conforme a virgem lhe havia dito, porem havia plantado ali a semente da fé cristã que viria a florescer futuramente. Há também lendas sobre as pedras localizadas no rochedo de Muxia. As pedras teriam relação com o barco da virgem em sua aparição e também lendas sobre propriedades curativas. Ainda ali no rochedo, complementando de forma peculiar a paisagem o monumento “A Ferida”, dedicado aos voluntários que durante meses limparam as praias da Costa da Morte após um desastre que provocou o derramamento de óleo combustível naquela região. È uma das maiores esculturas de toda a Espanha, com mais de 11 metros de altura, é dividido em duas partes e simboliza a ruptura e o impacto que esse desastre causou a costa Galega. A obra pode ser vista de muito longe pelos bascos que se aproximam da costa. Ali no rochedo a vista do por do sol é belíssima. Infelizmente não fiquei para ver. Ainda faltava pelo menos duas horas para o sol se por quando voltei ao centro da cidade para meu ultimo jantar no meu restaurante favorito por ali.
  13. 10 pontos
    O clássico Chile-Bolívia-Peru, ou melhor, a Tríade Atacama-Salar-Cusco sempre esteve na minha lista de desejos. Dentre esses países, eu sempre tive uma vontade maior de conhecer a Bolívia. Como uma boa bióloga, eu sou apaixonada por parques nacionais e a Bolívia tem uns maravilhosos. Além disso, eu gosto muito de trekking em montanhas e estou planejando fazer em breve algumas montanhas bem altas, acima de 5.000 m, na África e na Ásia. Desde 2016 eu desenvolvi uma rara doença auditiva chamada Síndrome de Menière, que basicamente é pressão alta na cóclea. A doença é terrível, mas felizmente a medicação no meu caso ajuda a controlar bastante os sintomas da síndrome, exceto o zumbido e umas tonturas eventuais. O máximo de altura que eu já tinha ido até então foi 2.800 m no Monte Roraima em 2015 (que senti enjoo, mas darei mais detalhes depois). Porém como meu problema auditivo começou depois disso, eu queria saber como meus ouvidos iriam se comportar em altitudes maiores do que 2.800 m, antes de encarar por dias as montanhas que eu desejo na África e na Ásia. Daí juntou a fome com a vontade de comer. A Bolívia, que eu já queria muito conhecer, era um local ideal para ir, pois além de altitudes acima dos 4.000 m, é um país bem barato para se viajar. Então na Black Friday de 2018 eu consegui comprar minhas passagens pela Submarino Viagens por R$1641,00 chegando por Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) dia 16/09/19 e voltando por Cusco (Peru) dia 15/10/19 (mesmo pagando uma taxa para a empresa, ainda assim saiu mais barato do que comprar diretamente pelas cia aéreas. Tiveram dois problemas: o primeiro foi os horários loucos com mil pontes áreas e o segundo foi que eles trocaram os horários dos meus voos sem minha solicitação. Me mandaram só um e-mail pedindo a minha confirmação. Se eu não aceitasse eles iriam devolver o dinheiro, exceto o valor do serviço prestado pela Submarino). 16/09 (segunda): Depois de uma longa jornada de aeroportos (BH-Guarulhos-Santiago-Santa Cruz de la Sierra) que começou às 4:50h, cheguei no meu destino por volta das 20h. Passei pelo saguão do aeroporto pra trocar um pouco de dinheiro, mas as casas de câmbio estavam fechadas. Fui até o centro de informação ao turista e perguntei quanto dava um táxi em dólares até a Catedral, pois meu hostel ficava em frente (10 dólares). Peguei um táxi regular (branco com uma faixa azul. Eles ficam parados em frente ao desembarque). Por causa do trânsito, o trajeto demorou cerca de meia hora. O que não faltam nas cidades da Bolívia são táxis clandestinos. Em geral, todos os carros caem aos pedaços, literalmente. Sobretudo os taxistas clandestinos. Nenhum táxi, regular ou clandestino, tem taxímetro. Então sempre pergunte o preço da corrida antes de entrar. O trânsito na Bolívia é muito confuso e caótico (no Peru também, mas talvez um pouco menos do que na Bolívia. É uma loucura!). Não há placas de Pare. Os motoristas simplesmente embicam o carro na tora para passar nos cruzamentos. Eles não respeitam as faixas de pedestres, mesmo que o semáforo esteja aberto para os pedestres. Quase nunca dão seta, metem a mão na buzina a cada respiração, fazem fila dupla ou simplesmente param em qualquer lugar. A vida do pedestre é complicada. Para você atravessar a rua, vai ter que se enfiar na frente dos carros. Sinto de segurança é algo que praticamente não existe, inclusive nos ônibus que fazem as viagens intermunicipais. Ao chegar no hostel, deixei minhas coisas e fui dar uma volta de 10 minutos na praça da Catedral. Ela já é muito bonita, mas a iluminação a noite dá um toque especial. 17/08/19 (terça): fiquei no Nomad Hostel, que fica literalmente em frente à Catedral em uma rua lateral. O hostel é muito bom, mas não pode cozinhar. O que foi um problema pra mim. Fiquei duas noites lá e para a primeira noite tinha comprado vários legumes para fazer. Acabei conversando com o dono alegando que não fui informada sobre isso durante o meu check-in e que pelo aplicativo do Booking, por onde reservei, não havia essa observação lá. Acabou que ele permitiu que eu cozinhasse macarrão, pois era rápido e não faria sujeira. Fora isso, a estadia foi muito boa. A maioria dos comércios abriam a partir de 8:30h da manhã, fechando de 12 às 14h (isso serviu para toda a Bolívia, não apenas para Santa Cruz). Então não adianta sair mais cedo do que isso. Depois que tomei café da manhã no hostel, saí para trocar dinheiro. O câmbio para dólar estava 6,94 bs e reais estava 1,69 bs. Depois comecei a procurar agências de turismo para cotar passeios para o Parque Amboró. Para a minha infelicidade, praticamente não achei agências. E das raras agências que faziam o Parque, elas estavam querendo me cobrar entre 450 ou 550 DÓLARES (!!!) para me levar, uma vez que eu estava sozinha e era baixa temporada. Dá pra ir para o Parque de ônibus (mas você tem que dormir na cidade de Samaipata), mas exatamente por ser baixa temporada, achei que a probabilidade de conseguir guias lá seria menor porque Samaipata parece que não tem muita infraestrutura. Então não quis arriscar. Acabei ficando super frustrada pois queria demais ir ao parque fazer a trilha dos Helechos Gigantes. Enfim, me conformei. E acabei ficando um dia a toa em Santa Cruz, que tirando a Catedral, não tem nada de interessante. A cidade é bem grande e não achei ela muito segura, embora não tenha visto ou acontecido nada comigo. Mas em pleno centro durante o dia havia umas ruas vazias com aquele ar de suspeito em que seu sexto sentido diz: "não vai por aí". Curiosamente, depois me falaram que as cidades mais violentas aos turistas eram Santa Cruz e La Paz, que são as duas maiores cidades da Bolívia. Fui até a rodoviária para comprar passagens para Sucre. A rodoviária é uma zona. Tem gente gritando para tudo que é lado e você é abordado o tempo inteiro por pessoas querendo te vender passagens. Irritante. E a julgar pela aparência dos guichês das empresas, você acha que todos os ônibus serão uns cacarecos. Havia lido aqui no fórum as melhores empresas e mais confiáveis. Dentre elas, fui diretamente ao guichê da Transcopabana, que apesar de na sua faixada estar escrito que eles faziam o trajeto para Sucre, na prática eles não faziam. Fiquei então totalmente sem referência de qual empresa confiar e ir, pois até então tinha lido só coisa ruim sobre o transporte rodoviário, especialmente para o trajeto Santa Cruz-Sucre. Por sugestão de uma outra empresa que não fazia esse trajeto, acabei indo parar em uma empresa super escondida chamada Sin Fronteras. Lá eles me ofereceram um ônibus semi leito, de dois andares, sendo que no andar de cima havia 3 fileiras de poltronas (2 juntas e uma separada), com banheiro (coisa rara) e ar condicionado. De fato o ônibus tinha tudo o que oferecia, exceto Wi-Fi, mas tinha entrada Usb para carregar o celular. 18/09/19 (quarta): Basicamente enrolei o dia inteiro para pegar o ônibus para Sucre a noite. O ônibus não era novinho em folha, mas também não era ruim. Fui na fileira sozinha e a poltrona foi bem confortável para a viagem, que durou cerca de 12 h (saiu às 19h) e custou 100 bs. Antes de embarcar no ônibus a noite, eu estava bastante apreensiva por causa da qualidade do ônibus e por causa do trajeto em si. Havia lido que a estrada era péssima, extremamente perigosa por causa dos penhascos e que a maioria dos motoristas dirigem bêbados. Eu fiquei mais tranquila só depois que conversei com um outro passageiro que morava em Santa Cruz, mas estava indo fazer um trabalho em Sucre. Segundo ele, a estrada era nova e com guardrail, e que a empresa do ônibus era confiável. Para o nosso trajeto, ele também recomendou a empresa El Emperador, mas as passagens já haviam esgotado quando ele foi comprar e por isso acabou comprando da empresa Sin Fronteras. Antes de embarcar você deve pagar uma taxa de uso da rodoviária (não lembro se foi 2.50 ou 3.50 bs). O desconforto da viagem para mim foi que o trajeto tem muitas, mas muitas curvas fechadas. E pelo fato de estar no segundo andar do ônibus, a cada curva eu achava que o ônibus ia capotar. Então custei a relaxar. Se o ônibus que você pegar tiver banheiro, recomendo ir na parte de cima, pois o mal cheiro no primeiro andar é bem forte ao final da viagem. Recomendo também levar tampões de ouvido caso tenha dificuldade para dormir com barulho, como eu. Os bolivianos não usam fones de ouvido (uma senhorinha atrás de mim começou a tocar músicas às 5:30h da manhã. E quanto mais ela gostasse da música, maior era o volume. Eu queria matar a véia!). Leve também roupas de frio, pois de madrugada esfria bastante. Embora o ônibus que eu peguei tivesse banheiro, recomendo que não beba muita coisa antes de viajar. Um amigo meu viajou em um ônibus sem banheiro e o motorista não parou nenhum minuto. Segundo o relato dele, ele e os amigos tiveram que mijar da janela do ônibus em movimento. Imagina a cena! Também vi relatos de algumas meninas que também pegaram ônibus sem banheiro e tiveram que fazer xixi na estrada atrás do ônibus, depois de obrigar o motorista a parar ameaçando que iriam urinar dentro do ônibus. Fique esperto com as poucas paradas que o ônibus fizer na estrada. Tem alguns relatos contando situações inusitadas. No meu caso, depois de uns 10 minutos de ônibus parado em algum lugar, o motorista não conferiu os passageiros. Apenas gritou: "tá todo mundo aí?". Algumas pessoas responderam que sim e ele foi embora. 19/09/19 (quinta): Cheguei em Sucre por volta das 07:30h e todas as empresas na rodoviária estavam fechadas. Fui caminhando até o Condor hostel (subindo e descendo as inúmeras ladeiras da cidade) (40 minutos de caminhada lenta). Deixei minhas coisas no hostel e fui para a Praça 25 de Maio para pegar o ônibus (também chamado de Dinobus) para o Parque Cretáceo (15 bs ida e volta. De táxi dava cerca de 30 bs cada trajeto). O ônibus é vermelho e tem dois andares, escrito "Parque Cretáceo" na frente dele. Não tem como não ver. Ele para em frente a Catedral na praça 25 de Maio e passa às 09:30h, 11h, 12h, 14h e 15h. Eu peguei ele às 9:40h. Não achei casas de câmbio pelas ruas que andei em Sucre (certamente tem, eu que não vi). Os únicos lugares que eu vi que trocavam dinheiro foi em uma tenda logo na saída da rodoviária (dólar 6,92 bs, reais não aceitavam) ou uma farmácia 24 horas em uma esquina da praça 25 de Maio (dólar 6,84 bs). Eu achei Sucre bem bonitinha, principalmente o Centro. As praças são bem conservadas, os jardins bem cuidados. Na praça 25 de Maio tem Wi-Fi público, que não funciona muito bem, mas quebra um galho em emergências. O trânsito também era caótico, mas tive a impressão que era menos caótico do que em Santa Cruz. O Parque Cretáceo, embora pequeno, é sensacional! Lá pertence a uma fábrica de cimentos, que durante suas perfurações para extrair matéria prima descobriram pegadas de 4 grupos diferentes de dinossauros. São mais de 12 mil pegadas em um paredão (a maior coleção de pegadas do mundo) e por conta disso essa área foi tombada e é conservada como patrimônio (não tão bem conservada assim considerando que passam caminhões da fábrica na área o tempo todo, além das outras atividades). Então a fábrica de cimentos fez um parque dos dinossauros e possui várias réplicas em tamanho real (e muito bem produzidas), além de fóssils. O Parque funciona de terça a domingo, de 9 às 17h. Porém, para ir ao paredão ver as pegadas originais, os únicos horários são 12 e 13h. A entrada no parque custa 30 bs para estrangeiros e se você quiser tirar fotos, tem que pagar mais 5 bs, totalizando 35 bs (a visita ao paredão já está inclusa no ingresso). O clima em Sucre estava muito seco, mas no Parque Cretáceo estava pior ainda por causa do excesso de poeira. Se for visitar o paredão das pegadas originais, sugiro levar um lenço ou uma bataclava para proteger o nariz. Para ir ao paredão só pode entrar de sapato fechado. Saindo do Parque Cretáceo peguei novamente o Dinobus e pedi para descer na rodoviária para ver os horários de passagens para Potosí e Uyuni. Me indicaram a empresa Emperador (não é a El Emperador, que me indicaram como uma empresa confiável em Santa Cruz). Não tinha ninguém no guichê, mas na parede da empresa estava escrito os horários de saída para as duas cidades. Fui caminhando novamente até o centro e visitei a maioria dos museus. De longe o que eu mais gostei foi o Museu San Felipe de Neri (entrada 15 bs). Lá vc pode subir até o terraço e ver boa parte do centro. É bem bonito e rende fotos lindas da construção em si. A Catedral estava fechada para reformas. Depois de caminhar muito pelo centro, fui para o hostel descansar por volta das 17h. Comecei a sentir uma leve dor de cabeça, que atribui ao excesso de caminhada em um sol escaldante, à pouca ingestão de água e à noite mal dormida no ônibus de Santa Cruz. Porém a dor de cabeça começou a aumentar muito e comecei a ficar muito enjoada. Daí pensei que era algo que eu tinha comido (intoxicações alimentares na Bolívia são muito comuns. Cuidado com o que você come). Mas lá pelas 20h eu tava muito, mas muito mal. A dor de cabeça estava insuportavelmente forte, estava muito, mas muito enjoada, a ponto de vomitar toda a minha janta. 🤢 Já estava desconfiada de Soroche (que é o mal da altitude), mas não queria acreditar, pois não estava com dificuldade para respirar ou cansaço anormal. Comecei então a ler mais sobre o Soroche e uma informação crucial foi importante para que minha ficha caísse: você não começa a passar mal necessariamente assim que chega em uma determinada altitude (geralmente a partir de 2.400 metros algumas pessoas já passam mal). Algumas pessoas podem começar a se sentir mal com 20 minutos, mas outras pessoas podem levar até 10 horas para passar mal. Além disso, ao deitar, a frequência respiratória diminui, o que piora muitos os sintomas. E foi exatamente isso que aconteceu comigo. Comecei a me sentir mal cerca de 10h depois que eu cheguei em Sucre (que está a 2.800 m de altitude) e quando eu deitei para descansar. Quando eu levantava e começava a andar, o enjoo melhorava pois aumentava a circulação sanguínea no cérebro. E foi aí que minha ficha também caiu que eu tinha passado mal no Monte Roraima em 2015 por causa do Soroche, que na época atribuí a outros fatores. Mas a sintomatologia foi praticamente a mesma. Fui então até uma farmácia comprar Soroche Pills, que é um medicamento a base de ácido acetilsalicílico, e a vendedora disse para tomar a cada 8 horas por 3 dias, que é o período que geralmente as pessoas necessitam para aclimatar ( eu precisei tomar por 4 dias e no final da viagem tive que tomar de novo por mais 2 dias) . Cerca de 1 hora depois que eu tomei o remédio, comecei a sentir melhoras e consegui dormir. Cada pílula custou 5 bs. Importante destacar que não tem como você prever se sofrerá ou não com o Soroche. Os efeitos da altitude independem de sexo, idade, força ou resistência aeróbica. Só estando em altas altitudes para saber como seu corpo reagirá. O meu, mesmo depois de aclimatada, ainda assim não ficou 100%. 20/09/19 (sexta): acordei por volta das 7h da manhã com a minha cabeça começando a doer de novo e logo tomei outra Soroche pills. Tomei um café, peguei um táxi caindo aos pedaços até a rodoviária (5 bs) para pegar o ônibus para Uyuni às 12:30h, conforme eu tinha visto na parede da Empresa Emperador no dia anterior. Para a minha surpresa, a empresa não fazia o trajeto direto! Assim, tive que ir até Potosí (30 bs), desembarcar no cemitério (que é como eles chamam um terminal de ônibus antigo), pegar um táxi até um outro terminal para pegar outro ônibus da empresa até Uyuni. Isto é: nunca confie em nada que está escrito nas paredes. Sempre converse com o vendedor. Haviam outras poucas empresas que faziam o trajeto também, mas os ônibus saiam no final da tarde, chegando a Uyuni de madrugada (que segundo relatos de pessoas que conheci que fizeram essa viagem, não foi uma boa porque não tem nada aberto e você fica ao léu em um super frio - não tem nem uma rodoviária pra te proteger. Os ônibus param em uma rua no centro). Então preferi ir durante o dia, pois já não havia mais nada que eu quisesse fazer em Sucre. O ônibus era um ônibus convencional (1 andar com duas filas de cada lado). Não tinha ar, banheiro ou USB para carregar o celular. Ninguém conferiu a minha passagem. A taxa de uso do terminal foi de 2.50 bs. Foi muito bom ter pegado o ônibus durante o dia, pois pude apreciar a paisagem, que é deslumbrante. No início, a paisagem era mais bonita do lado esquerdo, mas a partir da metade da viagem o visual foi mais bonito do lado direito (que pega muito sol). O revelo dos Andes é muito maravilhoso. Geólogos ou entusiastas de geologia devem ficar doidos com a diversidade de rochas e paisagens. Você vê diversas formações, em diferentes ângulos e enxerga perfeitamente a influência da tectônica de placas e dos esculpimentos provocados pela água (nos passeios de Uyuni e Atacama são perfeitos para isso!). O clima é bem seco e o ar geladinho, mas nada que justifique as blusas de frio que os bolivianos usavam durante o dia pois o sol estava escaldante (e eu sou a pessoa mais friorenta do planeta!). Não sei se eles usam porque realmente sentem frio ou se é para proteger do sol. Embora eu acho que seja por causa do frio, pois quando mencionava em Santa Cruz ou Sucre que iria para Potosí, todos os bolivianos que conversei falaram: "Uh! Hace mucho frío!". Mas a medida que o sol foi se pondo, de fato começou a fazer frio. A estrada para Potosí é boa, mas realmente se der algum acidente e o ônibus sair da pista, já era. Os penhascos são gigantes. Fiquei um pouco apreensiva, mas não por causa dos penhascos em si, mas por causa da direção do motorista. Diversas vezes ele fez ultrapassagens em curvas que não se tinha boa visibilidade. Além disso, frequentemente o motorista metia a mão na buzina para outros automóveis na sua frente ou animais na pista, o que assustava bastante e me deixava as vezes apreensiva. Entre Sucre e Potosí passamos por apenas um pedágio, mas não consegui ver os preços. Na primeira metade da viagem há muitas curvas a maior parte do caminho é uma subida leve. Quando se atinge uma altura mais elevada, boa parte do caminho é plano e há mais retas. É interessante observar a vida de comunidades mais isoladas nos altiplanos. Há menos árvores e mais plantações (que não consegui identificar nenhuma). Chegamos em Potosí às 16h, porém o ônibus parou em um terminal novo, que não fazia viagens para Uyuni. Assim, tive que pegar um táxi (7 bs) até o terminal antigo (chamado por eles de Ex-terminal) e consegui um ônibus para Uyuni às 16:30h pela empresa Expresso 11 de Julho. O ônibus era ainda mais simples do que o ônibus Emperador que peguei em Sucre (que custava 40 bs). A taxa de uso do terminal foi de 1 bs. Foi impressionante como a questão da altitude é algo que realmente influencia o corpo. Assim que desci do ônibus em Potosí e andei uns 100 metros planos até a rua para pegar o táxi senti bastante cansaço. Parecia que tava correndo. Ao chegar ao antigo terminal fui ao banheiro, que fica no segundo andar. Como o ônibus para Uyuni já estava quase saindo, andei rápido e subi uns 40 degraus no máximo de escada. Parecia que eu tinha asma. Meu coração estava tão acelerado que eu tava tremendo e por mais que eu respirasse fundo, ainda era pouco. Antes de entrar no ônibus eu comprei um saquinho cheio de folha de coca no terminal (5 bs). E logo comecei a mascar e em pouco tempo senti diferença (que também foi influenciada por sentar no ônibus e ficar quieta. Nos dias seguintes depois que eu já tinha aclimatado, não senti diferença na respiração ao mascar folhas de coca. Só acelerava meus batimentos e me deixava um pouco enjoada. No Chile me indicaram a tomar chá de Chachacoma, que seria mais efetivo, mas não experimentei). Logo após sair de Potosí em direção a Uyuni paramos em uma provável barreira de pedágios, seguida logo após por uma barreira policial. Não sei se realmente era um pedágio, pois não vi placas com preços. E tanto no suposto pedágio, quanto na polícia, vi o motorista entregando um documento grande. A estrada para Uyuni também foi tranquila, em sua maior parte plana e mais reta. Em alguns pontos haviam Vicuñas cruzando a estrada (que é um animal que se parece com uma alpaca, mas menor e com menos pelos). Então tome cuidado a noite se for dirigir. Quando já estávamos quase entrando em Uyuni passamos por uma outra barreira de pedágio. Em Uyuni os táxis são melhorzinhos, mas a cidade é bem pequena e dependendo da localização da sua hospedagem, é melhor ir a pé. Depois de um longo dia de estrada, cheguei em Uyuni por volta das 21h e estava fazendo 5 graus (frio demais!!) Fui direto para o hotel (Le Ciel d'Uyuni) e tentei dormir (um dos sintomas que a altitude provoca é a insônia). De madrugada acordei com um pouco de dificuldade para respirar e com as narinas doendo bastante por causa do tempo seco (todas as cidades que tinha passado então eram muito secas, mas Uyuni e San Pedro de Atacama foram as piores). Só consegui dormir de novo depois de molhar um pedaço da toalha e deixar bem próximo ao nariz para ajudar a umedecer as vias aéreas. No dia seguinte meu nariz estava todo ferido por dentro e minhas melecas cheias de sangue (hemorragia nasal pode ser outro sintoma da altitude). 21/09/19 (sábado): Acordei cedo, tomei café da manhã no hotel (muito bom por sinal!) e comecei a procurar agências para o Salar. A maioria das agências ficam na Av. Ferroviária e o preço variou de 730 a 900 bs para um passeio de 3 dias (e duas noites com refeições inclusas) com destino final a San Pedro de Atacama, no Chile. Após pesquisar algumas agências acabei fechando com a Cordillera, que frequentemente é indicada aqui no fórum (embora também tenha várias não recomendações). Inicialmente a atendente me cobrou 900 bs, mas quando ela viu que eu não iria fechar, ela abaixou para 800 bs, aceitando o pagamento em dólares (116 dólares) (câmbio 6,90 bs) e ainda chorei um saco de dormir (que geralmente é alugado entre 40 ou 50 bs - e vi várias recomendações aqui no fórum para levar, principalmente para a segunda noite, onde o alojamento é no deserto a mais de 4 mil metros de altitude). Esse preço não inclui os valores que devem ser pagos no parque e na fronteira, que em geral somam cerca de 250 bs (somente bolivianos são aceitos). Todas as agências oferecem os mesmos passeios. O que parece que muda são os refúgios. Algumas agências também, principalmente as menores, terceirizam os passeios, encaixando-o em grupos de outras agências (isso aconteceu em praticamente em todos os meus passeios na Bolívia, no Peru e em San Pedro de Atacama no Chile. Isso é, você nuca sabe com qual agência de fato você estará indo e no final das contas o que muda é o preço). Os passeios das agências geralmente saem às 10:30h. Meu jipe saiu às 11:15h. Os carros levam até 8 pessoas, mas o mais comum é 7. No meu grupo tinha 6 pessoas (o motorista, mais 5 turistas - eu do Brasil, um casal da Alemanha, uma russa e uma húngara). Boa parte dos guias são bilíngues - inglês e espanhol. Inicialmente fomos ao cemitério de trens, que fica a 10 minutos da cidade. A estrada é de terra batida e é super tranquilo para um carro comum, mas vai trepidar bastante. Depois do cemitério, pegamos uma estrada asfaltada por uns 15 minutos e passamos por uma barreira de pedágios, que se eu não me engano é a mesma que relatei quando o ônibus estava chegando em Uyuni. Custou 5 bs, mas segundo o guia, você tem que pagar de acordo com a distância que irá. Não entendi muito bem como isso funciona, se é que eu entendi certo, pois ele explicou em um inglês que não tava entendendo quase nada por causa do sotaque dele. Saímos da estrada asfaltada e começou o chão de sal. Chegamos a uma fábrica de sal (entrada 10 bs) onde o processo é bem artesanal. Depois disso almoçamos (a comida estava muito boa e no local há banheiro por 2 bs) e fomos até o símbolo da Dakar, que também é onde tem as bandeiras dos países. De lá, entramos mais ainda para o deserto do salar e paramos para tirar as fotos em perspectiva. Sugiro levar uns brinquedos/bonecos pra brincadeira ficar mais legal e você ter umas fotos diferentes além das óbvias que todo mundo bate. A roupa suja bastante de branco ao sentar ou deitar no sal. Quando estávamos no caminho para a ilha dos cactos gigantes nosso jipe simplesmente parou. Teve algum problema elétrico e ficamos parados por quase uma hora, enquanto o guia e o alemão do meu grupo tentavam resolver. Sem solução, o nosso guia parou outros carros e nos colocou dentro de um para nos levar até a ilha enquanto eles rebocavam o carro até a ilha, pois teria outros jipeiros para ajudar a resolver o problema. A entrada na ilha dos cactos custou 30 bs e no local há banheiro (o uso já está incluído no preço do ingresso). O problema do nosso jipe foi solucionado e seguimos para o refúgio. Até um pouco antes de chegar ao refúgio o chão era de sal compactado, o que dá pra ir de carro normal sem problema. Porém perto dos refúgios o sal parece que estava molhado e somente carro 4x4 passava. Se alguém for tentar ir de carro próprio, sugiro que pesquise muito bem os mapas e tenha um GPS bom, pois o salar (e o deserto nos Andes nos dias seguintes) é tão grande que você fica totalmente sem referência pra que direção ir. O refúgio é bem legal. A construção é toda de sal, assim como o chão. A cama foi bem confortável, mas a noite foi bem fria. Além de todas as cobertas, tive que usar bastante roupa de frio. Os chuveiros tem água quente e o banho já estava incluso. Havia energia elétrica e tomadas nos quartos para carregar os equipamentos eletrônicos. Por volta das 19h eles serviram o jantar (e experimentei carne de Lhama, que é muito saborosa. Não é o meu caso, mas para vegetarianos a empresa prepara todas as refeições adaptadas). Uma dica de espanhol. Eu tinha esquecido o nome do guia e o chamei de "chico". O cara ficou extremamente emputecido. Pedi desculpa e falei que não sabia que era uma expressão ofensiva para ele (O que de fato não é! Inclusive o próprio guia nos chamava de chicos e chicas). Independentemente disso eu não curti nem um pouco nosso guia. Comparado com outros que eu vi, ele dava poucas explicações. Além disso, quando deixava a gente em algum lugar, de vez enquanto ele sumia. Quando perguntava alguma coisa pra ele, muitas vezes ele dava uma resposta bem seca e com bastante má vontade. 22/09/19 (domingo): o café da manhã foi servido às 7h e a programação era sair às 7:30h, mas saímos só às 7:50h. Andamos pelo chão de sal que necessita de 4x4 por uns 10 minutos e depois pegamos uma estrada de terra batida, que tem um pedágio e custa 10 bs. Andamos por mais ou menos uma hora e chegamos em um povoado chamado San Juan, onde tem uma casa cultural da quinoa, que mostra o trabalho artesanal da produção de diferentes tipos de quinoa. Eu achei bem sem graça pra falar a verdade. Na rota 701 paramos para observar alguns vulcões (em quase todo o caminho há vulcões a alguns deles saem fumaça). Nesse momento estávamos a mais de 4 mil metros, mas apesar disso não estava tão frio. O vento estava geladinho, mas o sol muito quente (deu até pra ficar de camiseta). Entramos no parque nacional (150 bs, e é válido por 4 dias. Guarde esse ingresso pois precisa dele para sair do parque). Fomos em duas lagoas com flamingos. A primeira era menor e tinha uma concentração maior de sal. A segunda, que é maior e bem mais bonita, tem um tom esverdeado e mais animais. Paramos para almoçar nessa segunda lagoa onde tem um restaurante e banheiro por 5 bs. Depois do almoço, indo em direção a árvore de pedra, passamos por uns rochedos cheios de vizcachas (que é tipo umas chinchilas). A última visita do dia antes de ir para o refúgio foi a laguna colorada, outro lugar maravilhoso. Chegamos no refúgio às 18h, que não era bom. Ele era muito, mas muito gelado e tinha energia elétrica só entre 19 às 22h. Dormi com 4 blusas de frio, touca, luvas, 3 calças, saco de dormir, mais as cobertas que eles forneceram. Não dava nem pra mexer e ainda assim senti um pouco de frio. De fato, se eu não tivesse o saco de dormir, talvez eu passasse aperto. 23/09/19 (segunda): Acordamos às 4:30h, com previsão de sair às 5h, mas saímos às 5:40h. Estava muito, mas muito frio (imagino que devia tá próximo a zero). Fomos para os gêiseires (muito doido! Ponto alto da viagem no deserto para mim. E também foi o ponto mais alto da viagem, literalmente, a mais de 5 mil metros de altitude). Depois fomos para as piscinas termais (6 bs para nadar), paramos para tirar umas fotos no deserto de Dalí e depois fomos para a laguna verde. Saímos do parque nacional e fomos para a fronteira Bolívia-Chile, já que eu iria para San Pedro de Atacama. Primeiro você passa pela aduana boliviana, entregando uma declaração de saída que eles fornecem na própria aduana. Depois de uns 5km, vc passa pela imigração, onde tem o carimbo de saída no passaporte e você precisa pagar 15 bs (em nenhuma outra aduana que passei no resto da viagem tive que pagar nada. Eu desconfio que esses 15 bs é uma espécie de propina que já está tão arraigada que é considerada como praxe). Dali, havia uma van da Cordillera nos esperando para seguir adiante. Depois de alguns quilômetros de estrada (não deu nem 5 minutos de van), chegamos ao posto de imigração e aduana do Chile. É engraçado como as instituições da Bolívia e do Chile são muito discrepantes! Os postos da Bolívia é caindo aos pedaços, poucos funcionários que não conferem nem seu nome direito no passaporte. Já no Chile eles são super sérios, tudo organizado, vários funcionários. Primeiro você passa pelo posto de imigração, onde eles batem o carimbo no seu passaporte. Duas coisas importantes: primeiro, eles te dão um papel que você deve guardar para sair do país. Segundo, você deve ter pelo menos uma hospedagem já garantida, pois você tem que fornecer os dados de onde irá se hospedar. Saindo da imigração você vai para a aduana, onde eles revistarão todas as suas malas. Não pode levar nada de origem animal ou vegetal (ele recolheram minhas batatas e ovos, mas deixaram minhas folhas de coca). Não deixe de declarar o que você está levando. Se eles pegarem, você será multado. Em nenhuma aduana ou posto de imigração tem banheiro. A van seguiu para San Pedro de Atacama e parou no terminal de ônibus. A cidade é bem pequena (pelo menos a área onde se concentram a maior parte das hospedagens, restaurantes e comércios) e simples, o que dá um clima muito legal. Fui para o hostel Mamatierra e eu recomendo demais. Hostel super limpo, confortável, café da manhã excelente, se você vai sair antes do horário do café eles separam um lanche pra você, não cobram pra lavar roupa, nem pra guardar suas malas na recepção caso faça o check-out e vá passear. Tomei um banho e saí para o Centro onde ficam as agências de câmbio e de passeios. Há diversas opções. É bom pesquisar os preços pois há uma variação, mas não é tão grande assim. Assim como em Uyuni, várias agências terceirizam os passeios e no final você geralmente acaba indo com uma empresa diferente da que você fechou (isso vale para Cusco também). Todos os passeios que eu fiz foi com a Star Travel, que me ofereceu os preços mais baratos, mas cada dia eu estava junto com uma agência diferente. Talvez a única coisa mais importante, pelo menos no meu ponto de vista, seja você buscar uma boa agência para fazer o tour astronômico. Esse sim realmente tem muita variação, mas do serviço e nem tanto do preço. Há agências que oferecem mais telescópios e/ou com potências diferentes (inclusive algumas oferecem explicações científicas e outras oferecem explicações esotéricas). A van do tour astronômico me pegou às 20:20h no hostel, pegou outros passageiros e fomos para a casa do René, nosso guia. Fomos literalmente para o quintal da casa dele. Lá ele colocou umas cadeiras com cobertas (faz um frio bom) e nos serviu vinho quente enquanto ele nos explicava e ensinava várias coisas sobre as estrelas. Foi muito legal! Ele entende bastante, é super divertido e muito didático. Depois de quase uma hora fazendo observações e explicações, ele tirou duas fotos e cada participante (éramos 5) e entramos para a casa dele, onde ele nos serviu vinho, achocolatado quente (com água!) e uns petiscos. Ele é uma pessoa muito interessante de se conhecer e nos contou sobre um serviço astronômico diferente que ele faz que chama Gastro, isto é, a junção de astronomia e gastronomia. Fiquei super curiosa! (O contato dele: [email protected]). A única coisa que eu não gostei muito é que só tinha um telescópio (e a agência me ofereceu 3), mas que foi compensada pela pouca quantidade de pessoas, o que tornou o serviço bem personalizado (há agências que oferecem mais telescópios, mas vão grupos grandes, como 16 ou 20 pessoas). Ao fim do tour, a van me deixou de novo no hostel. 24/09/19 (terça): Às 08:30h uma van de outra agência (Andes Travel) me pegou no hostel e fomos pra ir até os petróglifos e Vale do Arco-íris (até a van pegar todo mundo era umas 9h quando de fato saímos para a estrada. A entrada custou 3 mil pesos chilenos). Eu achei o vale do Arco-íris maravilhoso e achei que o tempo de passeio foi muito curto. Queria ter passado mais tempo caminhando por lá. Chegamos na cidade por volta das 13:30h. Fui para o hostel, descansei um pouco e às 16h saí para o passeio do Vale de la Luna (fui na van da empresa Iutitravel). Outro lugar espetacular e a entrada custou 3 mil pesos chilenos. Ao final da tarde fomos para um mirante (Mirador de Kari) ver o por do sol (que teria sido infinitamente vezes mais bonito se fosse no Vale de la Luna). Cheguei no hostel por volta das 20:30h. 25/09/19 (quinta): acordei super cedo para ir para os gêiseres (a van da empresa Ilari Expediciones me pegou às 5:35h no hostel). Lá nos gêiseres está há mais de 4 mil metros e por causa das montanhas que bloqueiam o sol faz muito frio (o sol custa a iluminar no lugar onde a gente anda). Na área dos gêiseres há uma piscina termal que pode nadar e já está incluso no preço do ingresso (10.000 pesos chilenos). A tarde fui para as Lagunas Escondidas (entrada 5.000 pesos chilenos). São 7 lagoas pequenas e extremamente cristalinas que ficam em uma área com muito sal. O teor de sal das lagoas é mais de 45% e você não consegue afundar. É muito legal ficar boiando na água sem fazer nenhum esforço! A água é muito gelada, mas se você ficar só boiando, dá pra ficar de boa durante um bom tempo (até porque o gelado da água é compensado pelo sol quente). Só pode nadar na primeira e na última lagoa. Recomendo primeiro ir ver as lagoas e bater fotos, deixando para entrar na primeira lagoa quando estiver voltando pois o corpo vai ser sal puro depois, o que incomoda bastante para andar. Antes de entrar na van para ir embora tem que tomar uma ducha. Então leve toalha e roupas limpas para trocar. Das lagunas fomos ver o por do sol no mirante. Bom, o que eu achei do passeio do Uyuni e do Atacama? São passeios diferentes e complementares. Se você fizer só os passeios de San Pedro de Atacama (que são bate e volta), para fazer todos você precisará de uns 7 dias cheios. No meu caso, eu já tinha visto muita coisa no passeio de Uyuni, então não fiz várias coisas no Atacama, como as Lagunas altiplânicas, vulcões e termas. Então dois dias cheios para mim foram suficientes. Se você estiver em San Pedro e quiser fazer o passeio do Uyuni não contrate o pacote em San Pedro, pois é muito mais caro (tudo no Chile é caro) e são 4 dias ao invés de 3 (sendo que o quarto dia é basicamente só a volta para San Pedro. E partindo de Uyuni você ganhará tempo, já que pode voltar para San Pedro). Se eu fosse fazer Uyuni de novo eu contrataria a Cordillera de novo? Não. Não que tenha sido ruim com a Cordillera, mas a grama dos vizinhos me pareceu mais verde. Outras agências maiores me pareceram oferecer um serviço melhor. Porém não vou saber indicar os nomes das empresas e nem os preços. Sobre os gêiseres, os do Atacama são bem diferentes dos gêiseres do passeio do Uyuni. Primeiro que tem muito mais gêiser (segundo a agência é o terceiro maior gêiser do mundo). Segundo que nos buracos há água, ao invés de lama. Terceiro que você não pode chegar tão perto das aberturas, pois há muretas e limites de segurança. Eu fui mais impactada pelo gêiseres do Uyuni. Achei disparadamente mais legal, apesar de menor. Mas isso vai de cada um. Conheci gente que fez os mesmos passeios que eu que gostaram mais dos gêiseres do Atacama. Sobre as termas, eu não fui nas termas puritamas do Atacama, mas fui na terma dos gêiseres. A água é morninha, mas não é tão quente quanto o banho termal do Uyuni (que dava até pra suar!). Em alguns momentos senti até frio. Dá para ir de carro normal? No Atacama com certeza. As estradas são na sua maioria de terra batida. O carro só vai trepidar muito. Além disso, há placas nas estradas indicando o caminho é distâncias para as atrações. Mas é bom estudar bem os mapas e ter um bom GPS também. E é interessante você ter um guia para explicações sobre a região e culturas, o que enriquece muito os passeios e você vê algumas atrações com outros olhos, como por exemplo os petróglifos. O passeio do Uyuni dá pra fazer de carro normal? Na estação seca você pode até arriscar se seu carro for mais alto, mas eu definitivamente não recomendo (e olha que eu viajo muito de carro e enfio ele sem dó em estradas que ninguém acredita). As estradas tem muita areia e pedras. A possibilidade de você atolar ou furar vários pneus é enorme. Só de manutenção remediativa com certeza você gastaria mais do que contratar o passeio. Além disso, como eu já disse, lá você fica totalmente sem referência de que direção seguir. Se você for viajar para algum desses lugares de carro não vá sozinho. Apesar de pouco tráfego, as estradas são perigosas pelas condições ambientais extremas. Lembre-se: você estará em desertos e há quilômetros de ajuda de qualquer espécie, médica, tecnológica ou mecânica. Além disso, em altas altitudes dá muito sono por causa da baixa oxigenação e é comum muitos motoristas dormirem no volante sem perceber que está com sono. Eu mesma me peguei dormindo sem perceber em vários trajetos. En San Pedro de Atacama você pode alugar bicicletas e fazer vários passeios de bike. Eu não fiz e deve ser muito cansativo pelas distâncias e pelo sol. (A partir desse momento o relato será mais superficial, pois eu parei de escrever durante a viagem). Dia 26/09/19 (quinta): Para ir para La Paz tive que ir para Uyuni de novo, para então pegar um outro ônibus para La Paz. Cheguei no hostel em La Paz por volta das 4h da manhã. Quando deu umas 8h fui para o centro para começar a olhar agências. Fechei todos os passeios com a agência Bolivia in Your Hands. Passei o dia andando por La Paz, o que foi bem cansativo, pois a cidade é gigante e a altitude não colabora. Dia 27/09/19 (sexta): Fiz o downhill de bike na estrada da morte. E foi uma experiência surreal! As paisagens são espetaculares e a adrenalina vai a mil, mas o caminho é muito, MAS MUITO PERIGOSO. Sério. Eu não sei como aquela estrada é usada até hoje. O caminho é todo de terra com pedras e é a conta de um carro de passeio normal trafegar. Se vier outro em direção contrária, fudeu. Poucos são os trechos em que é possível passar dois carros pequenos. São pelo menos 3h de descida (Eu gastei 3:30h). Os primeiros 20 km você desce na nova estrada, que é asfaltada e um caminho bem fácil de se fazer. Só tem que tomar cuidado com o tráfego de carros e ônibus. Depois chega de fato a estrada antiga, que é o caminho da morte. Essa estrada tem esse nome não é atoa. Todos os anos ocorrem acidentes com os turistas que resolvem fazer essa aventura e você está muito exposto ao risco. Se você cair na estrada (como eu caí), você irá se machucar bastante. Se você cair fora da estrada, já era. A borda da estrada não é um barranco. É um penhasco, literalmente. É uma parede reta. O chão está literalmente há mais de 2 mil km. É TENSO DEMAIS!! Embora eu goste, eu não sou uma pessoa que pratica esportes de aventura com regularidade. Para mim o caminho foi muito extenuante. Não por esforço físico de pedalar (raramente eu pedalei, afinal 99,9% do caminho é descida) e sim pelo excesso de trepidação do guidão. No final da descida eu já não tinha mais força na mão para segurar o guidão e nem apertar o freio. Meu punho estava doendo absurdamente. Teve uma mulher do meu grupo que desistiu na primeira hora da descida pelo mesmo motivo. Porém no meu grupo havia uma outra mulher que para ela foi de boa (mas ela é muito acostumada com esportes radicais e academia). Então, isso vai depender da resistência física e psicológica de cada um. Pelas preferências do trânsito, você deve descer pela esquerda, que é o lado do precipício. Eu não fazia isso, pois é muito perigoso. Sempre ia pelo meio ou pela direita e se vinha um carro, aí sim eu ia pela esquerda. E exatamente por ir pelo meio eu me safei de um acidente que poderia ter sido fatal. Eu estava descendo pela esquerda muito rápido, passei por um trecho com pedras mais salientes e comecei a perder o controle da bike por causa do excesso de trepidação. Então resolvi ir pelo meio porque comecei ver a merda que aquilo poderia dar. Justamente quando eu tava começando a jogar a bike pro meio, eu não sei exatamente o que aconteceu, mas eu fui ejetada da bike. Eu literalmente fiz um super man no ar. Como eu estava indo em direção ao meio da pista, eu fui ejetada nessa direção. Mas se eu tivesse do lado esquerdo, tinha caído penhasco abaixo. Foi tenso demais e por causa das pedras, eu machuquei muito, mesmo usando os EPIs. Por sorte não quebrei nada, mas na hora da queda eu achei que eu tinha rompido algum orgão interno, de tanta dor abdominal que eu senti. Não conseguia nem respirar. E isso é uma dica que eu dou para qualquer um. Vá no seu ritmo, procure uma agência que te permita ir no seu ritmo e vá pelo meio ou pela direta da pista. Existe uma certa pressão dos guias para que você desça muito rápido. E foi justamente por tentar acompanhar o guia que eu me fodi. Dia 28/09/19 (sábado): Fiz um bate e volta para a montanha Chacaltaya e a tarde o passeio do Valle de La Luna. Os dois são muito bonitos. Chacaltaya é surpreendente e você tem uma visão muito bonita da montanha Huayna Potosí, que é bem famosa entre os amantes do trekking, como eu. O Valle de La Luna também é bem bonito, mas não me surpreendeu tanto pois eu tinha visto paisagens bem semelhantes no Atacama. A maior dificuldade de Chacaltaya é a altitude (são 5,395 m). A van chega muito próximo ao topo e a caminhada é relativamente curta, mas muito cansativa. Na alta altitude cada passo dado é como se você tivesse subindo uma escada de 50 degraus. Você respira, respira, respira, mas o ar não é suficiente. Além disso, tava muito, muito frio. Aquele frio que a mão dói de tão gelada. Essa somatória de condições (alta altitude + frio intenso + esforço físico intenso) te deixa muito cansado. O caminho que a van percorre para chegar até o estacionamento próximo ao topo desafia as leis da física e da gravidade. Ao longo de toda a minha viagem passei por estradas que eu duvidava que o carro ia passar e que não iríamos cair penhasco abaixo. Mas mesmo já um pouco acostumada, o caminho até Chacaltaya foi o que me deu mais medo. Tinha hora que eu só fechava o olho pra não ter um ataque do coração! Dá um nervoso sem igual. Durante todo o dia eu estava sentindo um pouco a musculatura dos meus antebraços por causa do esforço muscular da bike no dia anterior. Mas bem de boa. Chegou a noite meu braço direito inteiro começou a formigar e a medida que a noite foi avançando comecei a sentir uma dor insuportável no meu antebraço direito. A dor tava tão grande que analgésico não tava segurando a onda e nem consegui dormir. Dia 29/09/19 (domingo): Assim que amanheceu, a dor tava tão grande que eu tive que desistir de um outro passeio que já tinha contratado e que exigiria um esforço físico maior do que em Chacaltaya. Acionei meu seguro de viagem e fui para a emergência de um hospital. Chegando lá fizeram alguns exames e chegaram a conclusão que eu estava com Epicondilite lateral, uma inflamação decorrente de microrrompimentos das fibras dos tendões extensores do antebraço devido ao excesso de trepidação do guidão na estrada da morte. Resultado: 5 dias de anti-inflamatório e analgésico, braço imobilizado e tive que evitar de fazer esforço físico. Voltei para o hostel e acabei ficando por lá a toa o resto do dia. Dia 30/09/19 (segunda): Por causa do braço, resolvi ficar quieta no hostel o dia todo. Dia 01/10/19 (terça): Peguei um ônibus para Copacabana, chegando lá por volta de meio dia. Deixei minhas coisas no hotel e fui fazer um bate e volta em uma ilha no lago Titicaca. O lago é sensacional e o passeio foi bom, mas não me surpreendeu tanto. Muitos relatos do fórum recomendam ficar na hospedado na ilha, mas tudo é caríssimo. Cheguei em Copacabana novamente por volta das 18h. O clima a noite em Copacabana é legalzinho e há vários restaurantes legais. As ruas ficam cheias de turistas andando a noite. Se você for comprar alguma lembrancinha de viagem recomendo comprar tudo na Bolívia, antes de atravessar para o Peru. Você encontra praticamente as mesmas lembrancinhas em ambos os países, mas no Peru é muito mais caro. Dia 02/10/19 (quarta): Peguei um ônibus cedo em direção à Puno, para então seguir viagem para Arequipa. Embora a distância seja relativamente curta, a viagem durou longas 14h. Foi muito cansativo. O caminho é muito sinuoso, boa parte é de terra, causando grande trepidação do ônibus em boa parte da viagem. Com frequência sobem vendedores ambulantes no ônibus. Um desses vendedores que entrou no meu ônibus foi um vendedor desses chás de ervas que prometem curar tudo o que você puder imaginar. O abençoado ficou 1 HORA E MEIA falando na nossa cabeça com o microfone dele. Irritante, mas engraçado também ao mesmo tempo. Cheguei em Arequipa a noite e a cidade renovou todo o meu cansaço da viagem de ônibus. A cidade é incrível! Muito bonita e com um clima muito agradável. Fiquei andando pelas ruas do centro e depois fui para o hostel. Há vários passeios ao redor de Arequipa. O mais famoso é o passeio pelo Vale do Colca, porém como eu cheguei muito tarde, não consegui reservar passeios para o dia seguinte. Dia 03/10/19 (quinta): Passei o dia caminhando pela cidade de Arequipa. A cidade é muito rica culturalmente e historicamente. Há vários museus interessantes e casarões antigos por toda a cidade. Ao mesmo tempo, a cidade também tem algumas construções mais modernas e uma melhor infraestrutura. O que foi ótimo para dar um alívio dos perrengues que se passa na Bolívia, que é muito desorganizada e sem infra. Dia 04/10/19 (sexta): Peguei um voo cedo da VivaAir para Lima (de ônibus seria mais de 30h de viagem). Essa companhia aérea é uma lowcost que faz vários voos dentro do Peru (outra cia lowcost é a SKY). No meu caso a passagem não saiu tão barata pois comprei no dia anterior e tive que comprar o despacho de bagagem. Existem duas malandragens da VivaAir para arrecadar dinheiro. Primeiro é sobre as dimensões das malas de mão: as dimensões e o peso que eles exigem eram menores do que geralmente as outras cias aéreas exigem (e no Peru eles são bem rigorosos com as medidas e medem mesmo). Se chegar no avião e sua mala estiver fora do padrão deles, você pagará uma FORTUNA (não lembro e posso estar enganada, mas era algo tipo 400 doletas). Então muita gente acaba tendo que comprar o despacho de bagagens, como eu, que tinha a minha mala de mão dentro das exigências da Latam. A segunda malandragem é sobre o check-in. Durante a compra da passagem eles oferecem um valor de 4,50 dólares para imprimir o check-in com eles. Eu não comprei porque achei um absurdo. Depois que eu fechei a compra eu fiquei com aquilo na cabeça do porquê eles iriam cobrar para emitir uma um documento que poderia ser apresentado no celular. Então fui ler os termos de condições que aceitei sem ler (como todos fazem!). E lá eles deixam muito claro que o check-in deve ser apresentado IMPRESSO. Eles NÃO ACEITAM O CHECK-IN NO CELULAR. Se você não levar o check-in impresso, eles cobram 60 DÓLARES na hora!!! Surreal. Muito gentilmente a recepcionista do meu hotel imprimiu o check-in para mim. Mas se ela não tivesse imprimido, eu tava ferrada pois só vi essa condição do termo muito tarde na noite anterior. Tirei a sexta para fazer um Networking em uma universidade que tenho o contato de alguns pesquisadores que trabalham também na minha área. Dia 05/10/19 (sábado): Encontrei com um amigo limenho que me levou nos principais pontos da cidade. Foi um dia muito legal! Lima é uma cidade gigantesca e com um trânsito caótico (mas pra falar a verdade eu achei menos pior do que o trânsito na Bolívia). Passamos o dia inteiro rodando a cidade de carro e fomos em muitos, mas muitos lugares, além de Miraflores, que é o bairro mais turístico da cidade. De todos os lugares, disparadamente, o lugar mais imperdível na minha opinião é o Parque das Águas. Chegamos lá no entardecer e ficamos até a noite. No parque há várias fontes de água dançantes, com shows de iluminação e músicas. É fantástico! Outro lugar muito interessante que fomos é nas ruínas Huaca Pucllana, que pertenceu a uma outra civilização peruana, com uma arquitetura diferente e datada de mais de 1.500 anos. Dia 06/10/19 (domingo): Meu amigo e eu saímos de novo e fomos fazer um trekking em uma montanha chamada Lomas de Lúcumo, que fica em Pachacámac (cerca de 1 hora de Lima de carro). O lugar é muito bonito pois é composto por um bioma que ocorre somente no litoral do Peru. Demoramos umas 4 horas para fazer o caminho completo e saímos de lá absolutamente sujos de lama. Não vá com tênis normal, pois você escorregará muito além do normal. Vá de bota para trekking e impermeável. Leve uma roupa extra para trocar, pois é inevitável se sujar muito de lama. Dia 07/10/19 (segunda): Meu voo para Cusco saiu a tarde e foi uma peleja para conseguir imprimir meu check-in da VivaAir. O Uber que eu peguei foi muito gentil comigo procurando um lugar para eu imprimir o documento. Ele não sabia onde poderíamos conseguir e começou a descer no comércio e perguntar por indicações. Demoramos uns 20 minutos para conseguir encontrar uma copiadora. O voo foi super rápido e tranquilo (de ônibus demoraria cerca de 24h de viagem). Cusco é sensacional! A cidade é muito bonita e eu era capaz de andar nela por horas. A altitude (3,400 m) pesa um pouco nas caminhadas. Ainda que eu estivesse aclimatada, parece que os 3 dias em Lima (que é litoral) fizeram o corpo desacostumar um pouco com a altitude. A cidade faz bastante frio, especialmente a noite. Dia 08/10/19 (terça): Passei boa parte do dia fazendo cotações de passeios. Existem várias opções de passeios. Os preços das agências não variam muito e é aquele mesmo esquema de todas as cidades por onde passei: você paga uma agência, mas no final das contas você nunca sabe com qual agência de fato irá. Dia 09/10/19 (quarta): Fiz o Vale Sagrado (Pisaq, Ollantaytambo e Chinchero) + Ruínas de Moray + Salineras de Maras. A excursão durou um dia inteiro e valeu a pena demais. Muitos lugares diferentes e MUITO bonitos. É IMPERDÍVEL esse passeio! Dia 10/10/19 (quinta): Fui para Machu Picchu. E quase não fui ao mesmo tempo. Eu estava com uma mala de mão de rodinhas e por conta disso eu resolvi que não iria dormir em Águas Calientes pois não teria como transportar minha mala nas caminhadas. Resultado: mesmo sendo muito mais caro, optei por comprar minha ida e volta de trem, ao invés de fazer todo aquele esquema de ir andando pela hidrelétrica (existem dezenas de relatos aqui no fórum e no YT ensinando a ir para Machu Picchu de uma forma mais econômica). O preço do trem varia de acordo com os horários de partida e com o tempo de antecedência que você compra as passagens. O valor mais barato que eu consegui, dentre as possibilidades de horários, foi saindo de Ollantaytambo às 05:30h e voltando às 00h (total 212 dólares, incluindo o ingresso de Machu Picchu e todos os transferes). De Cusco à Ollantaytambo são cerca de 2h de van. Isto é, para pegar o trem às 05:30h, a van teria que me buscar no hostel às 3h. Acontece que a agência simplesmente NÃO ME BUSCOU! Eu fiquei extremamente brava e frustrada. O tempo inteiro tentei falar com o número de telefone da moça da agência e nada. A raiva era tanta que nem conseguir dormir depois disso eu consegui. Por volta das 6h da manhã, assim que a moça da agência acordou e viu todas as minhas mensagens e ligações, ela me ligou imediatamente, assustada, sem graça e sem saber o que aconteceu. Em menos de 15 minutos ela chegou no meu hostel com uma cara que deu até dó de tão apavorada e sem graça que ela ficou (ficou muito claro que realmente foi um erro que nunca aconteceu). Ela me prometeu que iria me encaixar em um outro trem e que me iria pessoalmente me buscar. E assim o fez. Às 8h ela me buscou para pegar a van e segui para Ollantaytambo para pegar o trem às 10h (obviamente a agência pagou toda a diferença, que foi uns 80 dólares). Chegando em Águas Calientes, uma van estava me esperando e seguimos diretamente para Machu Picchu. Em frente à entrada do Parque estava uma confusão sem igual. Há centenas e centenas de turistas esperando seus guias para entrar no Parque, filas e mais filas para pegar as vans de volta a Águas Calientes... e no meio disso tudo tive que procurar meu guia. Era impossível encontrar. Acabei conversando com uns dois guias aleatórios e eles fizeram um rádio peão entre eles e encontraram o meu guia, que foi ao meu encontro. Entramos no Parque por volta das 13h e não tive nenhum problema com relação ao horário do meu ingresso, que estava programado para as 11h. Eles nem conferiram isso. Realmente Machu Pichu é muito legal, mas é muito lotado. Ao término do passeio, retornei para Águas Calientes. A cidade é bem charmosa e o clima a noite é muito legal. Dá realmente vontade de passar uma noite por lá, mas como meu trem de retorno ia sair bem tarde, deu para conhecer relativamente bem a cidade. Eu achei as comidas e serviços oferecidos em Águas Calientes bem mais caros do que em Cusco, que já é uma cidade cara. Cheguei no hostel por volta das 2h da manhã. Foi tudo bem cansativo, mas no final acabou dando certo. Dia 11/10/19 (sexta): Para completar o estresse do dia anterior, peguei uma infecção alimentar, o que é algo considerado normal em viagens pela Bolívia e Peru. Resultado: fiquei no trono o dia todo, vomitando e com febre. No final da tarde meu amigo de Lima chegou em Cusco para curtir o fds comigo. Dia 12/10/19 (sábado): Meu amigo e eu fomos para o passeio das Montanhas Coloridas. Por causa da altitude e da inclinação na parte final da trilha, a caminhada exige muito, mas muito da respiração. Parávamos com frequência, mas chegamos lá! O lugar também é lotado e é bonito. Particularmente eu achei que me surpreenderia mais, mas ainda assim foi bem legal. Dia 13/10/19 (domingo): Meu amigo e eu iríamos para a Laguna Humantay (que é mais alta do que a montanha colorida), mas ele estava MUITO, mas muito mal devido ao Soroche. Achei que ia ter que levar ele pro hospital. E eu também ainda estava meio fraca por causa da infecção alimentar. Assim, acabamos achando melhor abrir mão do passeio e ficamos de bobeira em Cusco mesmo. Dias 14, 15 e 16/10/19 (segunda a quarta): Meu amigo foi embora na segunda bem cedo e eu fiquei o resto do dia a toa ou organizando minha bagagem para o meu voo de retorno ao Brasil na terça de manhã. A viagem de volta foi super longa (24h) e fiquei muito cansada. Cheguei na quarta de manhã em BH. Total de gastos: R$1.641,00 (passagens BH-Santa Cruz, Cusco-BH) U$ 1.400,00 (comprei o dólar a R$4,34) = R$6.076,00 Aproximadamente R$1.000,00 (passagens áreas para Lima e Cusco, Uber e comidas em aeroporto). Para quem tem Síndrome de Menière, eu não tive nenhum problema com a altitude. Muito pelo contrário, a minha frequência de tonturas até diminuiu. Não sei se por coincidência ou por algum efeito que a altitude proporcionou (apesar de não ver muita lógica nisso). Mas a questão é: já que eu não tive nenhum problema, agora o céu é o limite! hahaha! Eu sempre digo que cada mochilão me transforma de alguma maneira. Nessa viagem aprendi muito mais sobre mim, especialmente sobre aprender a respeitar os limites físicos do meu corpo. De longe a Bolívia e o Peru são os países mais culturalmente diversos que eu visitei até hoje e a minha maior recomendação é: vá sem medo. Essa viagem encheu a minha vida de novas cores, novos sabores e novos amores 🥰.
  14. 10 pontos
    Em maio deste ano fizemos uma viagem de 13 dias para o Peru, sendo 04 noites em Lima, incluindo um bate e volta a Paracas e Ica, 07 noites em Cusco e 02 em Águas Calientes. Na parte de Cusco, a cronologia do roteiro é muito importante. Montamos o nosso, pensando na aclimatação a altitude, e evitar passeios muito pesados em dias seguidos. Nosso gasto total por casal, incluindo todas as despesas, até mesmo estacionamento no aeroporto no Brasil, foi de pouco menos de R$7.000,00 mais 72.000 milhas Múltiplos com passagens. Abaixo iremos resumir cada dia de nossa viagem, e tentar deixar algumas dicas úteis de cada lugar. Para isto, é importante deixar claro nosso estilo de viagem. Sempre viajamos mais no estilo “mochilão”, nos hospedamos em lugares simples, procuramos comer em lugares em que os locais comem e tentamos vivenciar ao máximo a cultura do lugar. Também gostamos bastante de aventuras, principalmente trilhas, em muitos locais para nós o percurso é tão importante quanto conhecer o lugar. · Dia 01 – Lima – Huaca Pucllana e Parque de La Reserva: Nosso voo chegou em Lima as 0:30, e como já havíamos reservado transfer pelo hostel devido ao horário de chegada, antes das 02:00 estávamos na hospedagem. Na manhã seguinte, em Miraflores, fizemos cambio, compramos chip de celular (vide dicas gerais) e fomos ao sítio arqueológico Huaca Pucllana. Huaca Pucllana é um sítio arqueológico pré-inca localizada bem no meio da cidade. A parte principal é uma pirâmide gigantesca, construída com tijolos de barro, estima-se que sua construção se iniciou por volta de 200 DC. A entrada no sítio com visita guiada custa 15 soles (estudante paga meia). Vale muito a visita, o sítio é bem diferente dos tantos outros que fomos no decorrer da viagem. (Info: http://huacapucllanamiraflores.pe/ Saindo do sítio fomos almoçar no restaurante Punto Azul em Miraflores, onde comemos nosso primeiro ceviche maravilhoso a um preço razoável. Após o almoço, fomos a praça no entorno no shopping Lacomar onde curtimos o pôr-do-sol na deslumbrante paisagem à beira-mar deste local. Deste mesmo local pegamos um Uber e fomos ao Parque de La Reserva (Circuito Mágico das águas). Se trata de um parque muito grande com inúmeras fontes de água. Este local certamente foi umas das melhores surpresas de Lima, ultrapassando nossas expectativas. Dentre as várias atrações do local, a principal e mais bela é a apresentação que é realizada em 03 horários: 19:15, 20:15 e 21:30. É um espetáculo de luz e imagens refletidas na cortina de água que dura 15 minutos e mostra um resumo da história peruana. Vale a pena chegar ao local com antecedência para garantir um bom local. A entrada para o parque custa apenas 4 soles. (https://www.circuitomagicodelagua.com.pe/) Dicas e Infos: 1) Hospedagem: Nos hospedamos em Miraflores, entre o parque Kenedy e o shopping Lacomar. Excelente local para ficar. Nossa hospedagem foi o Miraflores Guest House, local simples, porém com ótimo custo benefício. Tenha em mente que em Miraflores, apesar de ser o lugar mais recomendado para se hospedar, por lá tudo é mais caro (restaurantes, supermercados, etc). 2) O percurso do aeroporto a Miraflores dura em torno de 50 minutos sem transito. O translado por lá é relativamente barato, pagamos 50 soles reservando com antecedência. Porém com Uber sai ainda mais em conta. 3) Cambio: A maioria das casas de câmbio fica na Av. José Larco, av. que liga o parque Kenedy ao Lacomar. Além das casas de câmbio, há várias pessoas na rua que fazem cambio. Apesar de ser estranho fazer cambio com alguém na rua, estas pessoas são devidamente identificadas com colete e são legalizados, cada um tem um número de identificação, para que possa reclamar caso tenha qualquer problema. Cuidado para não pegar nota rasgada, mesmo que seja mínimo. Em Cusco não aceitaram uma nota minha devido a um rasgado de milímetro, e não faltava nenhum pedaço. 4) Celular: Comprei um chip na loja da Claro na Av. José Larco. O Chip com plano de 3GB para 30 dias custou 35 Soles, e funcionou muito bem em todos os lugares durante a viagem. 5) Taxi: Em Lima o que não falta é taxi. Basta sair caminhando na calçada que algum taxista já vai buzinar perto de você oferecendo corrida. Nos taxis não existe taxímetro e tem que negociar o preço antes da corrida. Devido a isto, preferimos usar o UBER, o que funcionou muito bem. Para economizar, utilizamos algumas vezes o UBER compartilhado (Uberpool), e não tivemos problemas. 6) Trânsito: O transito no Peru é um caos, em Lima, ainda pior que em outros lugares. Então alugar carro definitivamente não é uma boa opção · Dia 2 - Paracas e Ica: Queríamos muito conhecer esta região, porém como o tempo estava curto, pensamos que não seria não seria possível, até que descobrimos a opção de fazer o passeio bate e volta de Lima. O ponto de partida do passeio foi em frente ao Shopping Lacomar as 05:00. De lá viajamos de micro-ônibus até Paracas (3 a 4 horas) para fazer o tour das Ilhas Ballestas. Este tour é feito em barco de 40 pessoas, passa pelo famoso candelabro, um geoglifo a beira-mar muito misterioso de 40 metros feito a cerca de 2500 anos, algo diferente e bem interessante, principalmente para quem não vai visitar as linhas Nazcas. Após a parada para apreciar o candelabro seguimos para as Ilhas Ballestas, estas ilhas são um santuário ecológico, com muitos leões marinhos, pinguins e milhares de pássaros. O passeio é apenas panorâmico, por ser área de proteção não pode descer ou nadar no local. Por cerca de 40 minutos, o barco circunda as ilhas, com vistas de milhares de pássaros e centenas de leões marinhos. Belas paisagens. Após o retorno das ilhas, tem um tempo livre para almoço na própria vila onde se desembarca. O almoço não está incluso no passeio, e há vários restaurantes no local para escolha. Finalizado o almoço retornamos ao ônibus para mais aproximadamente 30 minutos de viagem até Huacachina. O Oasis de Huacachina é um mini vilarejo pertencente a cidade de Ica. Porém o grande destaque deste lugar é que ele tem um grande lago central cercado por vegetação, e isto bem em meio do deserto, formando realmente um verdadeiro Oasis entre dunas. Chegando ao local, conhecemos a vila e fomos fazer o passeio com os tubulares nas dunas. Este passeio é bem radical. Cada carro leva em torno de 12 pessoas, e o mesmo vai em alta velocidade nos sobe e desce das dunas, é praticamente uma montanha russa nas areias. No meio do passeio, o carro para fazer o sandboarding. Sandbording é a descida nas dunas escorregando deitado sobre uma prancha. Pode se fazer duas descidas (2 dunas), e após isto o carro pega as pessoas no final da segunda descida, para mais um pouco de adrenalina no retorno ao Oasis. Este passeio (incluso no Tour) foi certamente um dos pontos altos do dia. O último destino do tour, foi em uma vinícola, para provarmos os vinhos e vários tipos de Piscos. Sinceramente não gostei muito das bebidas deste local, mas valeu a experiência. Em resumo, este tour vale a pena para quem está em Lima e não tem tempo suficiente para passar mais de um dia na região de Ica. Certamente este dia foi o ponto alto dos 04 dias que permanecemos em Lima. Dicas e Infos: 1) Agência Picaflor Viajes, foi a que encontrei melhor custo benefício para o Tour, pagamos 165 soles na opção completa do passeio. Site: http://www.viajespicaflorperu.net/. Caso fechar com esta agência, o pagamento deve ser antecipado, então a maneira mais fácil e barata de transferir a grana, é via Wetern Union. Caso não conheça este sistema, a agência passa todas as informações por whatsapp. 2) Não saia sem um bom café da manhã. O Box Lunch prometido no tour não passa de um pacote de biscoito similar a um Club Social e uma caixinha de suco de 200 ml, e a única parada no caminho é rápida e em local caro. 3) Para o passeio das Ilhas Balestas, tente pegar lugar do lado esquerdo do barco. Neste lado terão as melhores vistas · Dia 03: Centro Histórico e Barrancos: Neste dia fomos conhecer o centro histórico de Lima. Iniciamos nosso passeio na Plaza San Martin. Desta praça há um calçadão de uns 900 metros até a Plaza de Armas que é coração do centro histórico de Lima. No meio do trajeto há uma igreja bonitinha (Igresia de la Merced). A Plaza de Armas é bem bonita, contornada com seus charmosos casarões amarelos com as tradicionais sacadas de madeira, em frente fica a bela catedral de Lima e a esquerda o prédio do Palácio do Governo. No dia que visitamos a praça estava fechada devido a ter protestos previstos para este dia, os turistas podiam entrar na praça, somente para passar, se parasse algum guarda já chamava atenção. Por um lado, foi até legal, que conseguimos algumas fotos com a praça quase vazia. Depois fomos até a igreja São Francisco, que fica junto ao convento São Francisco. Nós visitamos apenas a igreja, porém é bem famosa a visita ao museu do convento e as catatumbas que ficam no subsolo da igreja, onde tem cerca de 70.000 ossadas de pessoas sepultadas lá. Na própria igreja há algumas grades no piso que se tem a visão dos tuneis subterrâneos e destas ossadas, o que já é bem sinistro. Para quem quiser informações da visita, segue site oficial: www.museocatacumbas.com. Pretendíamos visitar e almoçar no Mercado Central, porém o mesmo estava fechado, então pedimos dicas para um morador de local para almoçar. Esta pessoa nos indicou uma quadra onde teria vários restaurantes. Chegando lá havia realmente vários restaurantes, porém, todos muito simples. Como gostamos de provar a comida dos locais escolhemos um restaurante e fizemos o pedido. O preço era em torno de 12,00 soles com entrada, prato principal e bebida. Para nossa surpresa quando recebemos os pratos, os mesmos eram muito bem produzidos e a comida muuiiito boa, não perdeu em nada para o almoço do primeiro dia no restaurante em Miraflores que custou 3x mais. Após almoçar fomos até o famoso bairro de Barrancos. É o bairro mais boêmio de Lima. Após andar pelo bairro, descemos até a praia, que ao invés de areias tem pedras, porém com um bonito visual dos barrancos margeando as praias. De lá avistamos o Lacomar que parecia estar perto, então resolvemos voltar caminhando pela praia. Somente “parecia” estar perto, foi bem mais de uma hora de caminhada até chegarmos, mas valeu a pena. Algo que nos impressionou em Lima foi a quantidade de cassinos, em algumas partes de Miraflores tem praticamente um a cada quadra. Como nunca havíamos ido em Cassino, decidimos fazer isto neste dia a noite. A experiência no cassino foi bem diferente do que esperávamos. Escolhemos um dos maiores e mais bonitos, chamado Atlantic City. No interior a princípio ficamos admirados com o tamanho e estrutura do local, comparamos 10 soles de fichas e brincamos um pouco. Após isto, fomos caminhar pelo cassino, o qual era composto na maioria do espaço por caça niqueis. Começamos a observar o semblante das pessoas nestas maquinas, o que não era de diversão, mas sim pareciam robotizadas em frente as mesmas, muitas inclusive jantando sobre estas e jogando ao mesmo tempo, ou seja, vício total. Percebendo este ambiente, sentimos o lugar realmente muito pesado e procuramos sair de lá o mais rápido possível. Valeu muito pela experiência, e após está espero que nunca liberem os cassinos em nosso país. Dia 04: Miraflores e viagem a Cusco. Neste dia como tínhamos voo à tarde deixamos a manhã para passear por Miraflores. O Malecon, é um calçadão que margeia a falésia a à beira mar. Caminhando por ele você segue uma sequência de vários parques abertos sendo mais famoso destes o Parque Del Amor. Estes parques são muito bonitos e bem cuidados e tem maravilhosas vistas do mar. Fomos de manhã, porém imagino que no pôr do sol deva ser ainda mais bonito. Após a caminhada do malecón continuamos caminhando pelo bairro e fomos até dois pequenos mercados perto do Parque Kennedy, Inka Market e Índia Market, onde compramos alguns souvenirs. Após isto almoçamos e fomos para o aeroporto, pois as 16:00 tínhamos voo para Cusco. O UBER de Miraflores ao aeroporto custou 38 soles. No avião já começamos nossos preparativos para enfrentar o temido Soroche (mal da altitude). Ainda em Lima compramos as Soroche Pills, um remédio vendido em farmácia para combater o mal da atitude, e assim que embarcamos já tomamos uma pílula. Vendo pela composição, não passa de vários remédios para dor de cabeça juntos e cafeína, porém não recomendo irem sem ele, me salvou no mínimo em uma ocasião. Em Cusco, ainda na área de desembarque, já há um pote de folhas de coca para pegar e mascar, o que ajuda muito com os efeitos da altitude. Podem mascar sem medo (ou esperança, rs), pois a folha de coca não tem nenhum efeito alucinógeno. Do aeroporto fomos direto ao hostel, e depois saímos para jantar, e demos uma passada na maravilhosa Plaza de Armas de Cusco. Neste dia sempre procurando andar o mais devagar possível, e para o jantar pedimos apenas 02 entradas, tudo isto para mitigar os efeitos do soroche. Referente a altitude, neste primeiro dia sentimos apenas uma leve tontura, nada demais. Dicas e Infos: 1 – No voo de Lima a Cusco vale a pena pegar janela, pois tem belas paisagens das montanhas dos Andes; 2 – Para ir do aeroporto de Cusco ao centro, terá dezenas de taxistas oferendo corridas no desembarque. Vão pedir em torno de 25 soles, negociem que o preço chega fácil a 10 soles. Neste caso o UBER era mais caro; 3 – Para evitar o Soroche, recomenda-se no primeiro dia evitar qualquer esforço físico e comida pesada; 4 – Sobre local para hospedagem em Cusco, quanto mais próximo da Plaza de melhor, consequentemente mais caro. O ideal é encontrar um meio termo, de acordo com o que pretende gastar. Nos hospedamos no Sumayaq Hostel, que é um casarão bem antigo, com estrutura simples e antiga também, porém bom atendimento e limpeza. A localização foi muito boa, pois ficava a uns 500 metros da Plaza de Aramas e próximo ao Mercado San Pedro, e sem nenhuma subida forte para chegar; 5 – Tudo próximo da Plaza de Armas é bem mais caro, então caso for comprar qualquer coisa, não compre nesta região. Afastando poucas quadras você encontrara preços bem mais baixos. Dia 05 – City Tour Cusco Nosso primeiro dia inteiro em Cusco, procuramos programar algo mais leve pela questão da aclimatação na altitude. Neste dia levantamos e fomos a Plaza de Armas, compramos nosso boleto turístico e fomos visitar o Museu Histórico Regional. Este museu é bem interessante, pois mostra um resumo da história peruana desde a pré-história até a época atual, e como é de se esperar o maior foco é na era dos Incas e da “colonização” espanhola. Após isso fomos procurar uma agencia para fechar nossos passeios (mais detalhes vide dicas). Já agendamos para esse mesmo dia no período da tarde o City Tour. Este passeio leva aos principais sítios arqueológicos ao redor da cidade. Visitamos Qoriqancha, Sacsayhuaman, Qenqo, Tambomachay e Pukapukara. O destaque é Sacsayhuaman, um sítio arqueológico bem interessante. Na visita, após as explicações do local, a guia nos deu 30 minutos livres e sugeriu o seguinte: se quiséssemos uma foto panorâmica do local subisse o morro do lado esquerdo, ou se quisesse visitar os principais pontos do sítio subir morro a direita. Como eu sempre quero ir em todos os lugares fui nos dois, subi bem rápido as escadas, o que creio que foi a causa de uma dor de cabeça terrível que tive a noite, fui salvo pela Soroche Pills. Este tour é melhor maneira de conhecer todos esses lugares em meio período. A parte ruim fica por conta de tempo livre limitado em cada local, problema comum em Tours. Por volta das 18:30 estávamos de volta na cidade. Para quem tem pouco tempo na cidade é possível conciliar este tour com algum outro passeio, exemplo, Maras y Moray ou Vale der Sur. Dicas e infos: 1 - Boleto turístico: Certamente em Cusco você vai necessitar comprar o boleto turístico. O completo custa 130 soles e dá direito a entrada em 16 lugares com validade de 10 dias. Há versões de 70 soles com acesso a apenas alguns lugares e válido por menos tempo. Caso vá ficar pouco tempo na cidade vale a pena avaliar qual é mais viável. 2 - Todos os passeios em Cusco (exceto Machu Picchu) são bem baratos e tem dezenas de agências no local que oferece as mesmas opções. Então vale a pena deixar para fechar quando chegar lá, não há risco de ficar sem vagas. Antes de ir, seguindo dica do pessoal do www.uaivambora.com.br, conversei com a Luz da agência Surco Peru Adventure’s. Porém somente quando estava lá negociamos os valores e fechei todo o pacote passeios por um bom preço. A Luz nos prestou excelente atendimento, nos auxiliando com tudo que necessitamos antes e durante nossa viagem. Para quem se interessar o contato dela é o seguinte: +51 984848674 (WhatsApp). Dia 06 – Maras Y Moray. Seguindo a estratégia de fazer os passeios mais leves nos primeiros dias para uma boa alimentação, nesse dia fomos a Maras y Morais. Este tour sai da Plaza de Armas às 8:30 e aproximadamente às 15:00 já está de volta em Cusco. A primeira parada Tour é no povoado de Chinchero. Nesse local visitamos uma associação de moradores que produzem diversos produtos artesanais para comercialização, principalmente de tecelagem com lã de Alpaca. Uma pessoa faz apresentação mostrando como são feitos os principais produtos, utilizando técnicas da época dos Incas. O próximo destino é o sitio arqueológico de Moray, que segundo historiadores era um laboratório agrícola dos Incas. O sitio tem uma série de plataformas circulares que parecem anfiteatros. Como há uma diferença de temperatura em cada nível, os Incas poderiam fazer experimentos e definir os melhores locais para produção de cada tipo de plantação. Em seguida fomos a salineira de Maras. Esta salineira é composta por mais de 3000 poças para produção de sal utilizando a água de uma fonte da montanha que, segundo nosso guia, tem 7 vezes mais sal que a agua do mar. A Salineira é localizada numa grande ladeira e compõe uma paisagem espetacular. As poças são divididas por mais 300 famílias e é passada de geração em geração não podendo ser vendidas. Os métodos utilizados para produção do sal são totalmente artesanais. O lugar é único diferente de qualquer outra coisa que já que já tinha visto. Retornamos para Cusco as 15:00, almoçamos e visitamos o Museu de Koricancha e Museo de Arte Popular, ambos bem menores e mais simples que o visitado no dia anterior. Dicas e Infos: 1 – Neste Tour, leve algo para comer, pois o retorno é as 15:00 e não há parada para almoço. 2 – A entrada em Moray esta inclusa no boleto turísticos, porém em Maras é necessário pagar 10 soles. 3 – Vale a pena pegar lugar na janela no ônibus, pois no caminho há espetaculares paisagens das plantações com as montanhas nevadas ao fundo, principalmente nas proximidades de Maras. Dia 07 – Pisac: Nesse dia optamos por fazer o passeio por conta, sem Tour. Pisac é uma cidade nas proximidades de Cusco que fica a 2800 m de altitude, porém o sítio arqueológico de Pisac fica em uma montanha ao lado a 3400 m. Para nós, com exceção de Machu Picchu, este foi o mais lindo Sítio Arqueológico da região. De manhã, passamos um pequeno susto. Minha esposa acordou mal, muita falta de ar, tonturas, dor de cabeça e sangramento pelo nariz. Eu já estava ligando para o seguro para encontrar o hospital mais próximo, mas uma funcionária do hostel procurou nos aclamar afirmando que tudo aquilo era apenas efeito do soroche. Decidimos ir para o passeio e observar até a tarde para avaliar a necessidade de ir em um hospital. Ela estava certa, minha esposa foi melhorando no decorrer do dia, e se tivéssemos ido ao hospital teria grandes chances de estragar o restante da viagem. Seguimos com a programação do dia, do nosso Hostel caminhamos pouco mais de meia hora até o ponto onde saem as vans para Pisac, que fica a 35 km de Cusco. Chegando na cidade pegamos um táxi para o sítio arqueológico as 11:30 já estávamos na portaria do mesmo. O taxista já queria combinar o horário para nos buscar, preferimos não combinar para ficar com tempo livre no local, e foi a melhor escolha possível. O sítio arqueológico de Pisac é muito grande e os tours visitam apenas uma pequena parte dele, onde estão os principais monumentos. Porém partindo dessa parte há uma trilha que segue pela crista da montanha até o final do sítio arqueológico. A trilha a conta com várias sobe e desce, normalmente por escadarias bem rusticas, então deve estar minimamente preparado fisicamente. Mas fazendo devagar é tranquilo, e as paradas são obrigatórias pois sempre há uma paisagem maravilhosa, com vistas do Vale Sagrado, escadas incas, tuneis, etc. Quase no final da trilha você se depara com o Templo do Sol, para mim a parte mais linda do sítio. Até aí já havíamos caminhado por mais 3 horas, com as idas e vindas e vários pontos, e teríamos que retornar a entrada do parque para chamar o táxi e voltar para a cidade. Porém sabíamos que havia uma trilha que descia pela montanha até a cidade, então perguntamos para um guia no local qual o tempo para chegar na cidade por essa trilha, o qual nos informou que era cerca de 40 minutos. Não restou dúvidas seguimos pela trilha. Lógico que gastamos bem mais de 40 minutos pois além do cansaço a cada a poucos metros parávamos para tirar lindas fotos. A Trilha desce a montanha em meio a mais ruínas e lindas vistas das montanhas. Chegamos na cidade de Pisac por volta das 17:00 horas. Almoçamos e pegamos a van de volta Cusco. Foi um dia espetacular e foi uma excelente escolha ir por conta deste lugar. Dicas e infos: 1 – A van de Cusco a Pisac custa 4 soles, e o ponto de saída fica a cerca de 15/20 minutos da Plaza de Armas. Se preferir ir de Uber/táxi pagará no máximo 5 soles. 2 – De Pisac ao sitio dá para subir pela trilha ou de táxi, porem subir e descer pela montanha pode ser bem cansativo. Se for para escolher apenas um trecho melhor subir de táxi e descer pela montanha. O táxi lá é bem caro, 30 soles, uma sugestão para economizar é esperar alguém para dividir. Dia 08 – Laguna Humantay Este era realmente nosso primeiro desafio físico da viagem. Subir até a Laguna com altitude superior a 4200 metros, pela trilha com aproximadamente 7 km (ida e volta), sendo destes, uns 2 km em subida bem íngreme. Esta lagoa fica aos pés do Nevado de Salkantay, e está no início da famosa trilha de Salkantay que leva até Machu Picchu. A lagoa é formada pelo desgelo desta montanha, e tem águas cristalinas com tons azulados e esverdeados (dependendo do sol) e suas águas espelham o nevado atrás, formando uma paisagem surreal. Primeiro vamos falar do passeio. Pagamos 55 soles incluindo transporte, guia, café da manhã e almoço, e mais 10 soles de taxa de entrada na Laguna. Valor muito baixo pelo que é oferecido. A van nos pegou no hostel as 4:30, viajamos por cerca de 2 horas até a parada para o café. O café da manhã é simples, porém muito bom. Depois seguimos por pouco mais de uma hora em estrada de terra e muitas curvas. Em torno das 09:00 chegamos ao ponto inicial da caminhada. Os primeiros 1,5 km são por uma estrada praticamente plana. Após este trecho começa realmente a subida. Há a opção de alugar cavalos para subir, para nós esta não era uma opção, pois tínhamos nos preparados muitos para estes desafios. Fomos subindo em nosso ritmo, devagar e sempre. Na trilha você não verá ninguém com expressão tranquila, exceto os locais, a altitude realmente pega todos. Compramos uma lata de oxigênio (vide dicas) por precaução, pois minha esposa tem bronquite. Não sei se foi devido a estarmos com o oxigênio, mas um menino que aluga os cavalos nos seguiu até mais da metade da trilha, ele acreditava que iriamos desistir, se deu mal. Apesar de cada grupo ter um guia, cada pessoa sobe no seu ritmo, então durante a trilha é por conta própria. Uma ressalva especial a nosso guia deste dia, o nome era Denis, e o cara era sensacional, muito simpático e sempre motivando a todos para conseguir. Após pouco menos de 2 horas do início da caminhada chegamos a Laguna, e neste momento qualquer cansaço simplesmente desaparece. Não queríamos perder nenhum segundo daquela vista surreal. Tínhamos 40 minutos de tempo lá em cima, mas ficamos por mais de uma hora, foi difícil o guia conseguir tirar todos daquele lugar. Durante a subida o tempo estava totalmente encoberto, imaginamos não íamos pegar sol na Laguna. Porem quando chegamos o tempo abriu parcialmente permitindo aproveitarmos os efeitos de cores da agua com o reflexo do sol. Assim que saímos o tempo fechou novamente, “Valeu São Pedro”. Em seguida descemos até as vans, e voltamos ao mesmo local do café da manhã para almoçarmos. Chegamos de volta em Cusco por volta das 18:30 da tarde. Dicas e infos: 1 – Procure não fazer este passeio nos primeiros dias de estadia em Cusco, faça boa aclimatação antes. Se se sentir melhor, leve uma lata de oxigênio que vendem em farmácias em Cusco. Para comprar o oxigênio, va a um apequena farmácia na calle Zetas, depois do templo de Qorinkancha, é a metade dos preços das farmácias mais próximas da Plaza de Armas. 2 – Leve água, 1 litro por pessoa é suficiente, e alimentos energéticos (chocolates, doces, etc.). Dia 09 – Viagem de Cusco a Aguas Calientes. Para visitar a Machu Picchu é necessário ir até Aguas Calientes, que é uma cidade criada apenas devido ao turismo neste local. Porém como não há estradas, o acesso a este local é somente por trem ou a pé. Sendo assim para fazer o percurso de Cusco a Aguas Calientes, se resume a 03 opções; -Trem, opção fácil, porém muito cara; -Trilhas, (cerca de 05 dias), opção também cara e necessário reserva com muita antecedência; -Van/caminhada, opção barata e com aventura. Quando inicie a pesquisa me assustei com os preços dos trens, que cobravam em torno de 70 dólares por trecho, cerca de 2 horas de viagem. Pesquisando outras opções encontrei as opções de van, que cobram em torno de 35 soles por trecho. Também recebi excelentes dicas do pessoal do blog www.uaivambora.com.br a respeito desta opção de transporte. No final de contas encontrei uma passagem promocional para o dia da volta de trem por 44 dólares, e para poder ganhar um dia no roteiro, visto que a opção da van toma praticamente um dia, optei por ir de van e voltar de trem. A van nos pegou no hostel as 07:30 da manhã, e saímos de Cusco umas 08:30, daí fomos até Ollantaytambo onde faz uma parada de uns 20 minutos para quem necessitar comprar algo ou comer. Neste momento estava tempo ruim e começou a chover, nos deixando um pouco preocupados, afinal teríamos que caminhar 15 km, o que com chuva poderia ser bem mais difícil. A partir deste ponto realmente começa a aventura, o próximo trecho é uma subida que parte de 2.800 até 4.400 metros em cerca de 40 KMs, (nem precisa dizer que é só curvas, né). Porém a paisagem na parte alta da montanha é muito bela, vale a pena pegar lugar na janela nesta viagem. Após isto desce pela montanha até nível de pouco mais de 1.000 metros, com mais curvas ainda, e mais paisagens lindas. Esta é a parte tranquila da viagem, porque após o vilarejo de Santa Maria, o caminho segue por estrada de terra estreita o tempo todo a beira de um precipício. O motorista da van vai buzinando nas curvas com o intuito de alertar caso venha algum carro na direção oposta. Este trecho tem por volta de 30 KM. Perto das 15:00, chegamos ao ponto final da Van, que é um restaurante que quem tinha o almoço incluso no translado iria almoçar. Próximo ao restaurante, uns 05 minutos de caminhada, tem uma cachoeira espetacular, bem alta, vale a pena ir. Neste momento a chuva havia parado (obrigado São Pedro 2), e já iniciamos nossa caminhada, pois estávamos preocupados em chegar antes de anoitecer. Chegando a estação de trem, vimos que muitas vans levavam os passageiros até lá, e no nosso caso já tínhamos caminhado quase 3 KM, incluindo a ida a cachoeira, por este motivo que nosso percurso deu 15 km, enquanto li vários relatos eram 12 km. Neste momento a fome apertou e percebemos que ir sem almoçar não seria boa ideia. Havia na estação alguns restaurantes bem simples, onde comemos um bom PF por 10 soles. A partir da estação deve caminhar por alguns metros na linha do trem e pega uma saída a direita com uma subida inclinada, mas com cerca de 300 metros apenas. Depois sai em nova linha de trem e segue pela mesma. A trilha não tem erro, é somente seguir a linha, e você nunca estará sozinho, muita gente faz este percurso. Chegando a Aguas Calientes, há uma saída a direita, caso chegue em um túnel, não atravesse, volte alguns metros porque você passou a saída. O percurso todo é entre montanhas muito íngremes de todo os lados, observando a geografia do local fica fácil perceber que os Incas queriam realmente esconder Machu Picchu. O trecho todo é quase plano, tranquilo de fazer. O que nos cansou no final da trilha foi o peso da mochila, pois por mais que reduzimos, iriamos passar 02 noites, como a previsão do tempo estava ruim tivemos que levar roupas para frio, e para caminhar mais de 03 horas cada quilo conta muito no final. O final da trilha foi a noite, mas como havia várias pessoas caminhando foi tranquilo. Chegando na cidade já compramos passagem do ônibus a Machu Picchu para próximo dia e fomos direto ao hostel para descansar, estávamos exaustos. Resumindo valeu muito a pena escolher esta opção. Para quem curte aventuras e considera que o percurso faz parte do passeio, esta com certeza será a melhor opção, e não é somente pela economia. As paisagens do percurso do trem são bonitas, mas nem se comparam com o percurso da van/trilha, e podemos afirmar isto, pois utilizamos as 2 opções. Dicas e infos: 1 – Leve alguns alimentos, pois somente poderá almoçar quando chegar ao ponto final da van, cerca de 15:00. 2 – Caso goste de emoção, sente na janela do lado esquerdo van, ficara no lado do precipício na última etapa do caminho, foi minha opção; 3 – Reforçando, leve o mínimo de peso possível na mochila para facilitar na trilha. Dia 10 – Machu Pichu Eis que chega um dos 2 dias mais esperados da viagem, (o outro é o da Rainbown Montain), a visita a Machu Picchu, uma das 7 maravilhas do mundo. Havíamos comprado trem para voltar até Ollantaytambo neste mesmo dia a noite, mas 2 dias antes ficamos sabendo de uma paralização geral que ocorreria na região neste dia e iria fechar todas as ferrovias e rodovias. Fomos até a Inca Rail e troquei as passagens para o próximo dia pela manhã, sendo então necessário passar 2 noites em Aguas Calientes. Este fato acabou sendo até melhor devido ao cansaço do dia. De acordo com informações de pessoas que conhecemos na viagem, os dois dias anteriores foram só chuva e nuvens em Machu Picchu, e a previsão para nosso dia era ainda mais chuva. A noite sonhei algumas vezes com as condições climáticas do dia, tamanha era a ansiedade. Quando acordamos a primeira coisa que ouvimos foi o barulho da chuva. Porém “para nossa alegria”, ao abrir a janela vimos que o barulho era das quedas das corredeiras do rio que corta Aguas Calientes. Apesar de nublado não chovia. Para ir de Aguas Calientes a Machu Picchu há 2 opções: - Ônibus: 20 minutos, pelo “precinho” de 12 dólares o trecho. - Trilha: Em torno de 3 km, sendo que 1,5 km é subida forte, praticamente toda em uma escadaria de pedras. Optamos por subir de ônibus, pois queríamos estar bem fisicamente para aproveitar o máximo, e a volta decidiríamos na hora. Uma pausa no relato para um breve resumo das regras de visitação do sitio: As entradas são com hora marcada, estando lá dentro ninguém ira controlar seu horário de saída, porém você deve manter o percurso sempre no sentido indicado, ou seja, há segurança em alguns pontos, os quais não permitem que ninguém retorne. Há opção de comprar ao ingresso somente para o sítio, ou incluir uma das 02 montanhas, Wayna Picchu ou Machu Picchu, as quais também tem hora marcada para subir, e no caso de quem for subir a montanha tem o direito de entrar 02 vezes no sítio. No nosso caso eu iria subir a Wayna Picchu e minha esposa não, então estávamos meio perdidos para definir a logística do passeio. Nossa entrada era as 08:00 e eu teria que subir a montanha as 10:00. Quando chegamos no hostel na véspera, a pessoa que nos atendeu já se ofereceu para auxiliar com o passeio e nos deu excelente sugestões. Sugeriu que entrássemos juntos e fossemos até um local chamado a casa do guardião, onde se tira as melhores fotos panorâmicas, e de lá eu fosse direto para a montanha, enquanto eu estivesse na Wayna Picchu minha esposa visitaria a ponte Inca ou porta do sol, e quando descesse já saísse direto entrasse novamente no sitio e encontraria minha esposa no mesmo lugar onde separamos e seguiríamos com a visita. Um pouco confuso, né? Também achamos quando recebemos a explicação, mas fizemos desta forma e foi perfeito. Entramos no sítio umas 8:30, ficamos juntos na primeira parte até 9 e pouco, e eu segui para a montanha. A subida da Wayna Picchu é por uma escadaria da época Inca, bem inclinada e estreita, e sempre a beira do precipício. E é o mesmo caminho para quem sobe e quem desce, então ao cruzar com pessoas, é necessário parar em algum ponto com mais espaço e esperar passar. Mas subindo com calma e usando sempre o bom senso pode ir tranquilamente. As 9:40 já liberaram o acesso do grupo das 10:00, e como eu já estava na entrada da montanha fui o primeiro a subir. A partir do meio da subida começa e ter excelentes vistas de Machu Picchu. Quando cheguei ao topo da montanha, contrariando todas as previsões climáticas, não havia mais nem nuvens, tempo lindo, e como o local estava vazio pois eu fui o primeiro a subir, então foi possível tirar excelentes fotos. No topo tem muito pouco espaço, então caso tenha muita gente creio que fica bem complicado, porém se isto ocorrer não se preocupe, a vista um pouco para baixo do topo é igual ou ainda melhor. Subi e desci num bom ritmo e fiz tudo com 1:40. Após descer me dirigi direto para a saída, fechei com uma guia para termos todas as explicações do sitio, pagamos 30 soles por pessoa em um grupo de 4 pessoas. Entrei novamente no sitio, encontramos minha esposa no local combinado, e fizemos o tour completo. O sitio arqueológico de Machu Picchu realmente é fantástico, não dá para chamar de ruinas, porque devido ao mesmo não ter sido encontrado pelos espanhóis, as construções estão em perfeitas condições. Seguimos no tour, e quando chegamos próximo a última parte do sítio, a guia nos perguntou se já iriamos sair ou queríamos permanecer mais tempo no local, pois se quisemos sair seguiríamos com ela na parte final e sairíamos, e caso quisemos ficar mais, ela daria ali as explicações da última parte e ficaríamos livres naquela região o quanto quiséssemos, pois se seguimos mais passaríamos por um dos pontos que ficam os seguranças e não pode retornar. Optamos pela segunda opção, e ficamos mais um bom tempo nesta parte do sítio, curtindo o lugar e tirando fotos com as llamas. Falando das llamas, estas são uma atração à parte em Machu Picchu estão espalhadas por todo o sitio, e realmente é fácil entender porque tem tantas fotos legais com llamas, realmente parece que o bicho faz pose para as câmeras. Muito legal a interação com elas. Após isto visitamos parte faltante do sitio com bastante calma e saímos. Outro ponto que demos sorte também, foi que devido paralisação citada no início do texto, Machu Picchu estava bem mais vazio que o normal para a época do ano. Saímos do sítio próximo das 16:00. A decisão da volta, como já era esperado, foi pela trilha. Logo ao iniciarmos a descido começou a chover, São Pedro foi realmente muito generoso conosco mais uma vez. Gastamos pouco mais de uma hora do sitio até o hostel, caminhando tranquilamente. Ao chegar confirmamos como realmente foi melhor a mudança do dia do trem, pois como estava ante teríamos que esperar até as 21:00 cansados e sem banho para pegar o trem e chegar as 23:00 em Ollantaytambo. Foi um dia mágico Machu Picchu correspondeu a nossas expectativas, fazendo jus a ser uma das 7 maravilhas do mundo. Dicas e infos: 1 – Compre ingressos para Machu Picchu com antecedência, pois o número de visitantes é limitado. Se for subir na Wayna Picchu, compre com muita antecedência. Eu comprei com 3 meses de antecedência. Um mês depois minha esposa mudou de ideia e queira ir na montanha também, verificamos e não tinha mais ingressos. Dia 11 – Ollantaytambo Neste dia, como tivemos que dormir mais uma noite em Águas Calientes, acordamos cedo, descansados, tomamos o café e pegamos o trem as 08:00 para Ollantaytambo. A viagem de trem durou cerca de 1:40, a linha acompanha o rio Urubamba. As paisagens durante o percurso são bonitas, mas como citado anteriormente nem se comparam com o caminho da opção de van/caminhada. Chegamos na estação guardamos as malas, as empresas de trem têm serviços de armazenamento de bagagem grátis para cliente, e já fomos para o Sitio Arqueológico de Ollantaytambo. Fizemos a visita sem guia e no nosso ritmo. Este sitio também é muito bonito, a maioria das pessoas o considerem o mais belo depois de Machu Picchu, mas para nós Pisac esta na frente, desde que faça a visita completa no mesmo. Em Ollantaytambo fizemos o segundo maior circuito, que passa em praticamente todo o sitio. Na parte da manhã o local fica bem mais vazio, pois os tours normalmente chegam no período da tarde, o que proporcionou ainda mais tranquilidade na visita. Com 2 horas é possível visitar todo o local sem pressa. Mesmo com vários pontos importantes para se conhecer no sítio; como o templo do sol, o rosto na montanha, etc; o que mais me encantou foi uma charmosa casinha encravada na parede da montanha, que aparece na foto a seguir (porque? Será que já morei lá? rs). Saímos do Sitio em torno de 13:30 e fomos para o centro da cidade almoçar, onde comemos o melhor aji de galiña da viagem. Ollantaytambo é uma cidadezinha muito aconchegante, te faz realmente sentir alguns séculos atrás no tempo. Afinal a cidade nunca ficou inabitada, desde a época inca, e dentro da cidade ainda há varias restos de construções incas. As ruas da cidade estão cheias dos famosos tuk-tuk , e é claro que não iriamos perder a oportunidade de andar em um destes charmosos carrinhos. Da praça central, por 4 soles, pegamos um Tuk-tuk táxi até a estação para pegar nossa mala e a van para Cusco. As vans para Cusco saem da estação de trem de acordo com que forem lotando, o preço não lembro exato, mas é em torno de 10 soles. Por volta das 18:00 já estávamos em Cusco. Dia 12 – Rainbown Montain / Montaña de las 7 colores Este era o segundo dos dias mais esperados da viagem. Os motivos para isto eram a paisagem única do local e o desafio de fazer a trilha, chegando a 5.200 metros de altitude. Havíamos nos preparado bem para isto, desde da parte do condicionamento físico no Brasil, como também da aclimatação nos dias anteriores. Mas ainda estávamos preocupados, ainda mais pelo fato de minha esposa ter bronquite, o que neste nível de altitude podia aumentar as dificuldades. A Rainbow Montain é uma montanha formada por várias faixas coloridas que parecem ter sido pintadas a mão. O turismo no local se iniciou recentemente, segundo os locais a mesma antes permanecia quase o tempo todo coberto de neve. Interessante que esta montanha era para ter sido destruída, uma empresa de mineração canadense iria explorar o local, porém os locais perceberam o potencial turístico da mesma e com muita luta/protesto conseguiram vencer a batalha, em 2018 a empresa abdicou da exploração de minério no local. Segue um site caso queiram conhecer um pouco mais da história desta atração: https://www.bbc.com/portuguese/geral-44620957. Para chegar até a montanha é necessária fazer uma trilha de pouco mais de 3 km (só ida), você irá encontrar vários relatos que dizer ser 7/8 km, mas recentemente mudaram o ponto final dos transportes o que facilitou a o acesso diminuindo a distância. Há também a opção de visitar o Vale Rojo (Vale vermelho), o que desvia a trilha na volta aumentando o tempo em uns 40 minutos. Porém o grande problema são os mais de 5.000 metros de altitude, é normal no caminho encontrar pessoas passando mal e desistindo. Outro ponto também é a temperatura, na época que fomos, segundo o guia varia entre -5 a -10 ºC. Então deve ir muito bem agasalhado. Referente ao passeio, o mesmo é muito similar ao da Laguna Humantay, pagamos também 55 soles incluindo transporte, guia, café da manhã e almoço e mais 10 soles de taxa de entrada. A van nos pegou no hostel as 4:30, viajamos por cerca de 2 horas até a parada para o café. O café da manhã. Depois seguimos por mais uma hora e pouco em estrada de terra e já com lindas paisagens dos campos a beira das montanhas com seus rebanhos de llamas Aqui também é necessário contar com a sorte, pois muitos dias a montanha fica coberta de neve impedindo logicamente que você veja o efeito de cores, e isto havia acontecido na véspera. E novamente São Pedro estava do nosso lado, fez um dia lindo e sem neve. Iniciamos a caminhada por volta da 09:00 da manhã. A paisagem durante todo o percurso é fantástica. Assim como na Laguna, há cavalo para locação, e como para nós o desafio é sempre parte do passeio, era opção era totalmente desconsiderada. A subida começa tranquila e vai ficando mais íngreme quando mais próxima do final. Na parte final a paisagem já começa a ficar colorida. Ao finalizar a última subida você chega bem no pé da montanha colorida, que estará a sua direita, e a esquerda há outra subida, formando um V com a montanha, que chamam de mirante. Muita gente se contenta de chegar no pé do mirante e devido ao cansaço não sobe. Recomendo que se tiver condições, vá até o topo do mirante, pois quanto mais sobe mais vivas ficam as cores da montanha. Além disto a Rainbown Mountain é só uma parte da extraordinária paisagem. Há o Nevado de Aunsgate, lindos vales de ambos os lados, e a Raiwnbow Montain com o Vale Rojo ao fundo, ou seja, é 360º de maravilhas. Quando chegamos ao topo foi um sentimento indescritível, um mix de alegria, admiração com a paisagem e sentimento de superação por termos chego ali. E alias chegamos muito bem fisicamente. Depois de admirar o local, decidíamos que iriamos também ao Vale Rojo. Encontramos nosso guia lá em cima, e dissemos que iríamos ao Vale Rojo, o mesmo não gostou muito, pois disse que ninguém do grupo iria e poderia atrasar o retorno. Afirmamos que estávamos bem e conseguiríamos cumprir o horário, e então partimos para lá. Descendo o primeiro morro abaixo da montanha, pega a esquerda e segue por outra subida. No meio do caminho descobrimos que teríamos que pagar mais 10 soles, o que não era nenhum problema. O interessante é que não tem nenhuma portaria, ou qualquer estrutura, somente 02 pessoas no meio do nada que recebe das pessoas na trilha. No final da subida, chega-se a um mirante com vista para o vale praticamente todo vermelho, mais uma linda paisagem. Após curtir o local tivemos que descer praticamente correndo para não atrasar o tour, e chegamos no ônibus em cima da hora. Em seguida retornamos, paramos para o almoço e chegamos em Cusco perto das 18:00. Dicas e infos: 1 – Va bem agasalhado, com roupas apropriadas para trilha. 2 – Leve alimentos para repor energia (chocolate é uma ótima opção) e agua. 3 – Suba no seu ritmo, sem se apressar. Dia 13 – Valle del Sur Nosso último dia em Cusco, nosso voo sairia as 19:00. Tínhamos planejado deixar este dia para curtir a cidade, comprar algo, etc. Mas mudamos de ideia e resolvemos “aproveitar até a última gota”, falei com a agencia se teriam algum tour que retornasse antes das 15:00. Me indicaram Valle del Sur. O passeio é aquele mesmo estilão dos tours “padrão”, micronibus, guia dando explicações no ônibus, tempo limitado, etc. O passeio se iniciou quase 09:00, depois de uma certa confusão para identificarmos nosso grupo, e fomos visitar os seguintes lugares: -Tipón: É mais um sitio arqueológico Inca, que tem várias terrassas, e um complexo sistema de irrigação ainda em funcionamento até hoje. O Lugar é mais simples e muito menor se comparamos com os sitios de Pisac ou Ollantaytambo, porém é bastante bonito. - Pikillaqta: É sitio arqueológico de uma civilização pré-inca chamada Wari, que viveram entre os séculos VI a IX. Então a arquitetura é bem diferente, e as construções também estão bem destruídas. O destaque é a organização urbanística da cidade, com ruas e avenidas perfeitamente alinhadas. Depois do sitio paramos em uma cidadezinha para provar um pão famoso por la, chamado “Chutas”, o interessante é que o guia disse que praticamente 100% das famílias da cidade sobrevive com a renda de fabricação e comercialização destes pães. -Andahuaylillas: A visita a esta cidade é especificamente para visitar a Igreja de São Pedro de Andahuaylillas. É uma igreja bem pequena e de fachada simples no exterior, porém devido a suas pinturas e decoração em ouro em todo o interior é conhecida como a Capela Sistina das Américas. A visita é rápida, pois a igreja é bem pequena. A entrada não esta inclusa no boleto turístico e custa 15 soles. Quem não quiser entrar na igreja há a opção de visitar um pequeno museu chamado Museu Ritos Andinos por 5 soles. Eu e minha esposa nos dividimos, eu fui na igreja e ela no museu. Na volta faz parada para almoço, não incluso no tour, em outro vilarejo que é especializado em chicharrones (carne de porco). Chegamos em Cusco as 15:00, tempo suficiente para tomarmos uma última Cusqueña (cerveja tradicional do Peru), pegar as malas no hostel e partir para o aeroporto. Resumo final: O Peru sempre esteve em minha lista dos lugares que eu queria conhecer, principalmente devido a Machupicchu. Porém este país superou muito nossas expectativas. Nos impressionou muito a riqueza cultural, histórica, natural e gastronômica do país. E também o país está investindo muito no turismo, é a receptividade dos locais com os turistas é ótima. Além disto se encontra preços ótimos para os passeios, alimentação e hospedagens, bem abaixo do praticado nas principais regiões turística brasileiras. Certamente irei retornar ao país, até mesmo porque ficou vários lugares que quero muito conhecer, como Huaraz, Puno e Arequipa. Espero que este relato possa auxiliar em algo quem estiver planejando ir para este fantástico país. Caso tenha qualquer dúvida fique à vontade para perguntar.
  15. 10 pontos
    Olá pessoas, Em Outubro de 2019 fiz uma viagem de férias ao Cáucaso, 18 dias de viagem mais exatamente. Eu não sou de fazer relatos de viagem, mas, quando comecei a pesquisar de como viajar por lá, vi que existia muita pouca informação disponível, visto que são países não muito conhecidos por brasileiros. Então resolvi postar um relato da viagem para ajudar quem queira viajar por essas bandas. Vou dividir o post em duas partes, a primeira apenas com informações sobre como fazer turismo, a segunda o relato da viagem, bom, não sei ainda, eu não sou muito bom de escrever história, então pelo menos vou fazer a primeira parte. Cáucaso A primeira pergunta que me fiz foi, esses países estão na Europa ou na Ásia? A resposta que encontrei foi: Sim. Sim o quê? Foi uma pergunta "ou"... Ok, imagine você na ponte da amizade, entre Brasil e Paraguai, bem no meio dela você pisa um pé no lado paraguaio e o outro no brasileiro, ou seja, você está em dois solos ao mesmo tempo. O cáucaso é a mesma coisa mas em proporções paisescas gigantescas. Geograficamente, segundo a National Geographic, o continente Europeu termina na cordilheira do Cáucaso, que pega um pedaço da Geórgia e Azerbaijão, a Armênia fica de fora. Vale lembrar que Europa e Ásia são uma porção única de terra, então pode haver divergências também no que se define por área geografica. Sim, o oeste do Kazaquistão é na Europa. Culturamente os países se aproximam mais do estilo Europeu que do asiático, pois os três países faziam parte do Império Russo e posteriormente da União Soviética, então tiveram uma influência arquitetônica e cultural muito forte dos russos. Politicamente se torna mais complicado ainda, pois vai depender de que país o cientista político fez o mapa. Então não sei te responder. O Cáucaso em si abrange mais regiões que os três países, que inclui um pedaço da Rússia, da Turquia e do Irã, mas daí começa a complicar muito, então simplificando, dizemos que os três países são o Cáucaso. A indepedência deles foram feitas depois da queda da União Soviética, lá pelos anos 1991. De restante, não vou me aprofundar na questão histórica e política de cada país, vou apesar colocar informações básicas, pois o foco maior é da questão turística da região. Atenção: O texto a seguir não é um guia turístico, não tem o intuito de informar todos os pontos turísticos e dizer se vale a pena ou não. É baseado apenas nas minhas pesquisas do que eu achei interessante fazer. Azerbaijão Mapa pego do https://smartraveller.gov.au/Countries/europe/eastern/Pages/azerbaijan.aspx O Azerbaijão é um país de origem turca, a capital é Baku, que é praticamente a única cidade que tem um suporte melhor de turismo. Baku é uma cidade do petróleo, eles estão tentando fazer iguais os países Árabes como Dubai e Abu Dhabi, em que estão investindo pesado em estrutura para turismo, se vê muito prédio grande em construção, além de que já patrocinam com uma pista da F1. Eu estive apenas na capital, não achei interessante tentar viajar pelo interior. Mas em geral, a cidade em que alguns viajantes vão é Ganji, oeste perto da Geórgia, e/ou vão conhecer alguns vulcões de lama perto de Baku. A região em vermelho no mapa é uma terra em disputa com Armênia, na verdade está sob domínio do exército indepedente de origem armênica, mas por questões políticas, em qualquer mapa que você procurar, vai dizer que é Azerbaijão. Nas questões práticas, você só consegue acessar pela Armênia e, com um fator que, se você pisar ali, o Governo Azeri não vai deixar você entrar no país deles nunca mais (mais informações colocarei na parte Armênia). A fronteira com a Armênia é fechada. O país em geral é seguro. Ouvi dizer que locais mas afastados não é muito bom andar sozinho ou muito tarde, mas ao menos no centro se encontra bem seguro. - Visto Brasileiros e europeus necessitam de visto para entrar no país. Mas pelo menos é o e-visa, você faz online ( https://evisa.gov.az/en/ ). Custa cerca de 24 dólares, é válido por 30 dias. demora cerca de 3 dias para ficar pronto. O formulário é fácil de preencher e pagar. Não precisa ter receio na imigração, pra mim não fizeram nenhuma pergunta, olhou, viu no computador algumas coisas e carimbou. Cheguei a levar impresso o e-visa por garantia, mas nem olharam. Eles estão investindo em turismo, então eles querem que você entre, caso for um turista comum. - Câmbio A moeda local é o Manat (AZN). O câmbio, pelo que me parece, é controlado pelo Governo, portanto qualquer lugar que for trocar seu dinheiro, vai estar o mesmo valor (ao menos foi o que vi). Então, quando entrar numa casa de câmbio (até no aeroporto) aproveite e já troque a quantidade que você quer, pois vai ser tudo igual. A moedas que são aceitas em todos os lugares são Dólares, Euros e Rublos, o melhor é já vir com alguma das três moedas, que vai facilitar bastante. O Real não sei o quanto é aceito, pois eu já vim com Euros. Paguei no dia 1,89 Manat por Euro. - Locomoção interna Eu cheguei de avião, o aeroporto é perto do centro da cidade. Ao desembarcar, basta ir num centro de informação (o aeroporto é pequeno, então acha fácil) e perguntar como faz pra pegar o shuttle pra cidade. Na verdade é bem simples, do lado de fora tem uma máquina de ticket, é intuitivo comprar (se tiver dificuldade, vai ter um guarda ali do lado que vai te ajudar). O custo é de 1.50 Manat. Com o cartão de papel, basta olhar o estacionamento que vai encontrar o shuttle por perto, o motorista vai te espera caso vê que você está indo pra lá, eles são gente boa. basta passar o cartão na maquininha quando entrar. A viagem dura cerca de 30min, faz uma parada no caminho e chega no destino final da estação de trem / 28 de Maio, dura cerca de 30min. Caso esteja vindo de trem, vai parar no mesmo ponto. Da estação para o centro são cerca de 20min a pé, ou pode pegar o metrô que fica na mesma praça. Fico devendo essa informação porque eu fui a pé, gosto de caminhar para conhecer a cidade. A outra porta opção é de trem. Existem rotas internacionais que vem de Tbilisi e Moscou. De Teerã ouvi dizer que tem ônibus, mas devido a falta de estrutura e talvez problema na fronteira, não sei se realmente existe. Mas tem trem para Astara - AZ, que é na fronteira Para ir / vir de Tbilisi existe um trem noturno, custa entre 23 a 57 Manat (15 a 30 euros mais ou menos) , dependendo da classe (3 classes). Pra comprar o bilhete, vai na estação central, existe bilheteria tanto no térreo quanto no primeiro andar (de onde parte os trens). Os funcionários entendem um pouco de inglês, não tem muita dificuldade, basta falar pra onde você vai e dizer primeira, segunda ou terceira classe. Pode-se pagar com dinheiro ou com com cartão. A estação fica na 28 de Maio, onde também fica a parada de metrô. Pra não se confundir em qual entrar, entre no qual tem o prédio maior (uns 10 andares de altura, acho). O trem parte para Tbilisi às 20:40 (chegue 30min antes) todos os dias. A viagem não é lá tão confortável mas é bem mais barato que de avião. As 05:00 da manhã você vai precisar acordar, pois vai precisar passar na imigração, o trem para por uma hora, se recolhem todos os passaportes, chamam um a um na primeira cabine do vagão, e o policial/militar carimba e te devolve o passaporte. o trem anda por uns 10-20min e agora é a imigração da Geórgia, que também demora uma hora. Quando fui, apenas recolheram os passaportes e devolveram já carimbado, sem entrevista, sem nada. Depois de umas 2h de viagem chega em Tbilisi. Viagens para o interior, que não seja por linha férrea, é um desafio, pois não se encontra muita informação na internet (apesar de que também não tem muito o que fazer :p) - O que ver Baku é uma cidade grande e moderna com tem metrô e ônibus. A cidade nova é estilo europeu, com calçadões grandes no centro e prédio longos de 3 ou 4 andares padronizados. A cidade velha fica do lado da cidade nova, então se você está no centro, em poucos passos entra na antiga cidade murada. O custo das coisas são baratas para um europeu, como o Manat é quase 2 para 1, então um Kebap, por exemplo, custa 4 Manat, ou 2 euros. Ali se faz tudo a pé praticamente, então não tem muito trabalho de ficar pegando transporte público para conhecer os pontos distantes da cidade. O único lugar turístico que fica fora do centro é o templo do fogo, fica a 1h de ônibus do centro. Eu cheguei a programar a ir lá, mas acabei desistindo porque era um tanto longe só pra ver um pequeno templo com fogo. Tem transporte público para perto, e depois uma caminhada. Com 2 dias é suficiente para conhecer a cidade sem pressa. Centro de Baku Vulcões de lama são outras atrações para visitar, mas para esses não tem como ir de transporte público, ou vai com tour ou com carro. Como fiquei 2 dias na cidade, não tive tempo de ir atrás de preços, se pretende visitar, então recomendo um dia a mais na cidade A esquerda superior os vulcões de lama e a direita o templo de fogo - Clima O país é bem quente no verão, eu fui em Outubro e ainda sim estava 20 graus de noite, não menos. Em Agosto pode fazer 40 graus fácil. No inverno chega a fazer uns 5 graus. - Considerações finais É um país (a capital ao menos) interessante, pra mim valeu a pena visitar, pois é um país com bastante história, e o principal é a cidade velha murada, que tem muita coisa ainda preservada, como gosto de história eu recomendaria visitar. Mas, não espere muita coisa da cidade, pra quem vai visitar Geórgia, vale a pena dar um passeio de dois dias. Geórgia Abkhazia e Ossetia são regiões separatistas, Ajara (onde fica Batumi) é autônoma A Geórgia é o país mais turístico dos três, se vê muito russo, muito mesmo. Devido a ter sido parte da Rússia até 30 anos atrás, praticamente todos adultos falam russo, que é a língua franca da região. Mas hoje em dia estão se adaptando ao inglês, tendo assim duas línguas francas, inglês e russo. Também foi o país com menos dificuldade de comunicação, mesmo que usam alfabeto diferente, muita coisa está em inglês, como placa de trânsito, metrô e nome de ruas, e na parte turística a maioria falam inglês ou conseguem se comunicar. então dá pra passear sem muita dificuldade. Existem duas regiões separatistas no país e uma autônoma Abkhazia, no noroeste, que eles se consideram um país próprio. Apesar disso é possível atravessar a fronteira pela Geórgia, só não pode entrar pelo lado russo e tentar sair pelo sul. Mas a região não é segura, tem problema como sequestros. Ossetia do Sul, no norte já não é possível atravessar, só consegue pelo lado russo. A região tem a população maioria de russos, e eles querem se unir a Rússia. Também tem problemas de segurança. Ajara, no sudoeste, já é uma região controlada pela Geórgia, porém autônoma, é de livre acesso ( tem trem de Tbilisi a Batumi diário) O país tem seu próprio alfabeto e uma população bem antiga, sempre estiveram por lá. É uma região pobre, lembra bastante os países da ex-urss, trens velhos lentos, muitas casas arruinadas, as duas cidades mais ricas, e com melhor estrutura são Tbilisi e Batumi. A região norte é composta pela cadeia de montanhas, uma região muito bela, a região central é meio desértica e florestada. Os georgianos dizem que o Oeste até Tbilisi é o lado europeu do país, o Leste é o lado asiático. Geórgia até a revolução de 2004, era um país muito perigoso, com policiais corruptos e problemas de sequestro e roubo por toda parte. O presidente reformulou tudo, trocou e colocou policiamento em todo país e hoje é uma região bem segura, um georgiano que conheci disse que nem roubo de carro se escuta mais. Os únicos pontos a se considerar são as regiões isoladas perto da fronteira com a Ossétia e Abkhazia (as cidades na fronteiras não tem esse problema). O país tem alguns aeroportos, em Tibisli, Kutaisi, Mestia e Batumi são os principais. Internacional, acredito que só de Batumi e Tbilisi. A outra opção de entrada/saída é trem ou marshruktas (vans). Pra ir a Baku, deve pegar o trem diário (parte as 20:35), custa entre 30 a 70 GEL. É necessário comprar pessoalmente na estação (passaporte obrigatório, leve dinheiro em espécie). A bilheteria de trens fica no ultimo andar da estação de trem, então suba as escadas rolantes até o último andar. Pra Yerevan também existe trem noturno (entre Outubro e Maio só nos dias ímpares, no verão todo dia), que parte as 20:20, tem 1, 2 e 3 classe, custa entre 41 GEL a 115 GEL, e chega na capital da Armênia as 07:00 da manhã. A segunda opção é Marshrukta (da qual fiz), dura cerca de 6h, e entre 35 GEL a 40 GEL. A vantagem é que é mais rápido e você vê toda a paisagem no caminho, a desvantagem é que os motoristas não dirigem num modo tão seguro, se prepare para ver o motorista fumando e com telefone. A outra opção é avião, mas esse não sei os valores e destinos. - Visto Brasileiro e europeu são livres de visto. Quando entrei de trem por Azerbaijão, recolheram os passaportes e entregaram já carimbados, sem entrevista. - Câmbio Como Armênia e Azerbaijão, as principais moedas aceitas são dólar, euro e rublo. O euro estava em média 3.24 Lari. Na estação de trem em Tbilisi achei um dos melhores preços, mas em geral tem pouca diferença. Via entre 3.22 a 3.24. Estranhamente, quando fui a Mestia (cidade pequena nas montanhas) tinham uma cotação melhor ainda, 3.25. - Locomoção interna Grave bem esse nome: Marshrutka. É o principal meio de locomoção do país, tanto dentro da cidades quando viagens municipais e internacionais. Existe uma linha férrea do Leste a Oeste, fora disso, só com marashrutka. O grande problema pro turista é que essas vans (marshrutkas é basicamente uma van, nada de mais, tanto que vou chamá-las só de van porque é mais fácil escrever) não partem com horário marcado e não se encontra em site oficiais onde pegar, mas tenha certeza que vai ter van pra qualquer vilarejo, mas não é muito fácil decobri como. Os preços são meio tabelados, então todo mundo paga o mesmo preço, turista ou local. Devido a falta de horário pré-definido (que é baseado quando a van está completa, que parte) fica difícil planejar bate-volta pelo país. Que em geral vai ter uma disponibilidade maior de manhã, mas de noite já tem escasses. De linha férrea só é possível de Leste a Oeste em uma linha, com algumas cidades, as mais famosas como Batumi, Kutaisi, Tbilisi. É um tanto limitado, mas tem horário tabelado, pode-se comprar o bilhete online e custa pouco. A outra opção são os tours. Na cidade de Tbilisi existem dezenas deles, acredito que não faz diferença entre qual pegar, pois as empresas compartilham a mesma van, então é tudo igual. Quanto mais afastado do centro, mais barato fica (coisa de 5 a 10 GEL), fora de época também cai o preço. As vans ão confortáveis, e tem um guia. A vantagem do tour é que ele vai parar em lugares que com transporte público seria impossível, o custo vai ser em torno de 30GEL a 80 GEL (depende da distância, apenas de um dia). Existem até de 2 ou 3 dias. O tour lhe vai tomar o dia todo, então só é possível um por dia, pois mesmo para lugares relativamente perto, eles fazem outras paradas no caminho para 'preencher' o dia. Alguns vai ser de 6h e outros, como Vardzia, coisa de 10-12h. Devido a dificuldade do transporte público e do baixo valor do tour, acabei me rendendo a eles. Os princiapsi pontos, na minha opinião, do país - O que ver 1 - Tbilisi, que é a capital que, obviamente, é o principal destino do país. O centro não é muito grande, dá pra fazer tudo a pé. Existe metrô que passa na estação de trem e no centro da cidade. E possui alguns pontos de van que fazem trajetos intermunicipais. Dois dias é suficiente para conhecer a cidade. Em verde: Estação central, em vermelho: linha de metrô, em azul estação de ônibus (marshrukta) Se está chegando de avião, existe um ônibus que parte do aeroporto e chega ao centro de Tbilisi por 0,50 GEL, sim, é cinquenta centavos mesmo (ano 2019). Dura cerca de meia hora. Tem a opção de trem, que custa o mesmo tanto mas só tem duas vezes ao dia, uma as 8:35 e outr as 17:40, para na estação central Ou taxi, custa cerca de 25-30 GEL As estações de ônibus são: (vide mapa) 1 - Na estação central 2 - Estação de Avlabari 3 - Ortachala - O mais afastado, sem metrô por perto Pra usar o transporte, você chega na estação e sai perguntando pelo local que quer ir, alguém vai te direcionar pra van. É possível comprar o bilhete com antecedência, mas eu não sei onde compra. O detalhe é que as vans estão tudo escrito em georgiano ou russo, então a melhor forma mesmo é sair gritando o seu destino que alguém vai aparecer. Geralmente você vai pagar não direto ao motorista, mas a uma pessoa que cuida do caixa que está por lá, não tem bilhete ou comprovante, mas é tranquilo, e eles sabem que você pagou. Os horários vão depender pra onde vão, mas de manhã sempre tem, então se chegar lá pelas 08:00 vai conseguir embarcar pra alguem canto, as vezes é necessário esperar a van ficar cheia, e pode demorar ou não. O único horário que conheço é da van que vai pra Yerevan (Armenia), parte as 09:00 e 11:00 (tem de tarde também). Quando cheguei na estação de Avlabari, fui na direção das vans e já perguntaram se eu queria a ir Yerevan, disse sim, o rapaz perguntou se eu tinha uma reserva, disse que não, então ele me direcionou a uma van que faltava só um lugar para preencher, paguei 40GEL, apesar de que eu tinha lido que o valor é em geral 35. Como eu era o último e era 8:30 ainda, então aceitei. 2 - Mtskheta é a antiga capital da Geórgia, hoje se resume a um vilarejo com alguns monumentos históricos de mais de mil anos, a mais famosa é o Jvari Monastery, um monastério do século VI. A cidade fica a 20km de Tbilisi. Eu não cheguei a ir lá, mas se quiser ir por conta própria, dê uma olhada nesse site. Existem tours que passam lá. 3 - Telavi fica na região de Kakheti, famosa pelos seus vinhos (possuem mais de 500 tipos de tipo de uva!). A cidade tem uma igreja ( como em todo canto da Geórgia) e um forte, é um região bem calma, é bom para ficar tomando vinho e olhando a paisagem. Vans partem da estação de Ortachala, custam cerca de 10GEL. 4 - Sighnaghi é outra cidade famosa da região de Kakheti, e vai ser as mesmas coisas para se ver, um monastério por perto e uma cidade murada e experimentar vinhos. Vans partem de Samgori Station, três paradas de metrô depois de Avlabari, direção sul 5 - Kazbegi fica na região norte, divisa com a Rússia. A localização é famosa pelas montanhas, como o pròprio Kazbegi, com pouco mais de 5mil metros. Para ir, dê uma olhada nesse site. 6 - Gori é "famosa" porque é onde Stalin nasceu, tem um museu e o pessoal local realmente acha legal isso... Existe um forte na região. Para ir a Gori, pode ir com trem, que parte da estação central. 7 - Kutaisi é uma cidade a oeste onde tem o famoso Monastério de Gelati, Montsameta e a Catedral de Bragati. Também se encontra tours por aqui, mas os preços eram semelhantes de Tbilisi (mesmo estando perto de alguns lugares). Fica a 6h de Mestia e a 4h de Batumi, de van. A cidade em si não tem nada de interessante, serve mais para uma parada estratégica para acessar o lado oeste da Geórgia. Para chegar a Kutaisi basta pegar um trêm na estação central de Tbilisi, 5h de viagem, 9GEL (pode-se comprar online o ticket). o trem parte uma vez ao dia as 09:00 de Tbilisi, e as 12:20 de Kutaisi em direção a Tbilisi. Não possui ligação férrea com Zugdidi ou Batumi. Kutaisi - Em azul as igrejas, em vermelho P o centro da cidade, em Verde a estação de ônibus, em vermelho sul (Kutaisi I) a estação de trem de passageiros Para ir ao monastério de Gelati, tem uma van (2GEL) que parte do centro (a estação é atrás do Teatro) todo dia as 09:00, 11:00, 14:00 e 17:00. O monastério não é tão grande (basicamente uma igreja), em 30min você já visita todo ele. Então pra voltar é mais complicado, porque vai precisar esperar ou a próxima van chegar, ou pegar um taxi (cerca de 10GEL, mas dá pra negociar). Uma segunda opção é fazer a caminhada para Motsameta. São cerca de 2km. Na metade do caminho, tem duas possibilidades, pela estrada ou pela linha férrea (literalmente). A caminhada não é lá agradável, pois a vai precisar andar boa parte no acostamento da estrada. Mas ao menos economiza uns 5-10GEL de taxi. Se pretende fazer essa caminhada, recomendo fazer pela linha férrea, os trens que passam são lentos e barulhentos, então de longe já dá para vê-los e sair do caminho. Em verde pela estrada normal, em vermelho o atalho Para voltar a Kutaisi, deve retornar a estrada principal até um posto de gasolina (fica a uns 200m ao sul do Police Station). Todas vans que passam vão pra Kutaisi, basta acenar e entrar, custa 2GEL. Para visitar a Catedral de Bagrati, basta olhar para ela (fica no alto) e ir seguindo a rua que vai pareça que suba até lá, não tem muito mistério, é perto do centro. 8 - Batumi é uma cidade bem diferente da Geórgia, ela é voltada para turismo de Casinos e um pouco de praia. Alguns acham interessante, outros não. Se vê muitos prédios no centro. Para chegar, pode se pegar um trem direto de Tbilisi (esse é moderno) e dura cerca de 5h, duas vezes ao dia, as 08:00 e as 17:35. Custa cerca de 25 GEL. 9 - Mestia é a capital de Svaneti, é para cá que você vai se quiser visitar as montanhas e casas-torres famosas da Geórgia, o lugar é expetacular, se está vindo para Geórgia, tire uns dias para vir aqui. Existem vans que partem da estação central de Tbilisi as 06:00 da manhã, pois a viagem dura cerca de 9h, custa 30GEL. A segunda oção menos desconfortável é fazer boa parte do trajeto de trem. Para isso deve pegar rumo a Zugididi (no mapa em C). Existe um noturno e outro diurno. O noturno parte às 21:45, com custo entre 10GEL e 35 GEL, e chega as 06:00 da manhã. A grande vantagem é que, saíndo da estação já vai ver taxistas e motoristas de vans esperando os passageiros, ignore os taxistas e pegue qualquer van que vá a Mestia (os motoristas vão estar gritando "Mestia!"). Custa 20GEL e a viagem dura cerca de 3h a 4h, dependendo do clima. O trem diurno dura cerca de 6h, porém chega depois das 17:00, não sei se tem van a esse horário. Se você tiver dinheiro sobrando, pode vir de avião, custa cerca de 90 euros. A cidade em si é bem pequena, mas o que vale a pena é as trilhas para fazer nas montanhas clique aqui para ver as opções. Outros dois pontos famosos na Geórgia é o Davit Gareji Monastério (divisa com Azerbaijão, ponto A) e Vardzia Caves, que são as cavernas-casa que eram habitadas na idade média (ponto B). Para esses lugares não existe transporte público, deve fazer de carro ou excursões. - Clima O país é bem quente no verão, eu fui em Outubro e ainda sim estava 20 graus de noite, não menos. Em Agosto pode fazer 40 graus fácil. No inverno chega a fazer uns 5 graus. Nas montanhas obviamente tem um clima mais ameno, apesar de que eu fiz hiking numa montanha de uns 2.500m e não estava frio, talvez uns 15 graus, com vento. - Considerações finais O ponto alto da Geórgia é com certeza as montanhas piada não intencional. O país é o que tem mais a oferecer dos 3, recomendaria ao menos visitar Tbilisi, Sighnaghi e Mestia. Aqui eu acabei me rendendo aos tours, pois os preços eram acessíveis e eles fazem algumas paradas no meio do caminho que não seria possível com transporte público. A cidade não é tão moderna quanto Baku ou Yerevan, se vê mais facilmente casas e terrenos ao relento, mesmo perto do centro de Tbilisi. Se for uma apreciador de vinho, aproveite para comprar levar umas garrafas pra casa, pois são bons e não custam muito caro (vi preço médio entre 10GEL e 50GEL). Armênia Armênia e a Nagorno-Karabahk A Armênia tem menor PIB dentre os três, porém isso não o faz mais barato para turistas. Quando viajamos, obviamente não conhecemos os melhores lugares para comer, ou onde é mais barato, então acabamos indo a lugares mais turísticos e caros, e acabou me surpreendendo, pois foi onde eu tive o maior gasto por dia. Como a moeda tem uma conversão 525 dram para 1 euro (ou 118 para 1 Real), atrapalhou bastante a percepção de que se algo era caro ou barato, em comparação a Geórgia (1 Lari para 1,35 Reais, ou 0,30 euros) ou Azerbaijão (1 Manat para 2,35 Reais ou 0,50 euros) que dava para ter uma ideia melhor dos preços. Para se chegar na Armênia, tem a opção de avião, o aeroporto fica perto da cidade, uma corrida de taxi não deve sair mais que 5.000 dram (os taxis usam taximetro, exija que seja ligado, se não vão querer te cobrar o olho da cara, tipo taxista do Rio). A outra pção é por trem, vindo da Geórgia, e único país onde tem fronteira aberta com transporte público, e por último Marshrutka, como expliquei anteriormente como vir da Geórgia. Apesar de ter fronteira aberta com Irã, não tem transporte público entre os dois países. Ao Oeste o Kilikia Bus Station e ao Norte Yeravan Bus Station e ao sul a Estação central de trem A melhor opção de ir ao centro tanto da estação de ônibus quanto da de trem é com taxi, eles são baratos, não pague mais que 2.000 drams. Nagorno-Karabakh ou República de Artsakh é uma situação complicada, então não entro em detalhes políticos. A situação atual é que a região está sob domínio de população armênia, pois a região pertence ao território azeri, desde do cessar fogo de 1994 (É como se fosse uma região separatista do Azerbaijão). A única forma de entrar é pelo lado armênio, que tem fronteira normal entre dois países, com imigração e carimbos, mas nesse caso o carimbo é feito em um papel a parte, já que o país não é reconhecido por quase nenhum outro, entrar lá significa banimento no Azerbaijão. Existem outras fronteiras abertas com a Armênia, porém só a principal que tem controle. O país é montanhoso, o que significa pouco território plantável, o que acaba concentrando seus habitantes na capital, o restante são basicamente vilarejos, o que atrapalha bastante se locomer com transporte público. - Visto Brasileiro e europeu são livres de visto. A Armênia começou a facilitar a entrada de uns anos para cá, pois viram que o turismo é um bom negócio. Eles geralmente perguntam se já foi no Azerbaijão, mas se virem que foi apenas a turismo, não vão complicar. Uma das poucas exigências é ter o endereço do seu hotel/hostel, pois é anotado no sistema, e, em alguns casos mais estranhos (que li em um outro blog) as vezes pedem o endereço do hotel que ficou no Azerbaijão, então se já foi lá, melhor deixar em mãos. (Mas, convenhamos, entrando como brasileiro, eles vão estar mais contentes que desconfiados) - Câmbio Como Geórgia e Azerbaijão, as principais moedas aceitas são dólar, euro e rublo. O euro estava em média 525 Dram. Troquei poucas vezes o dinheiro aqui, mas me parece que as casas de câmbio tem um valor bem semelhante. - Locomoção interna Também é feita por marshrutkas, mas a frequência é bem pouca, comparado com a Geórgia, aqui também a melhor forma de conhecer o país é por tours ou carro alugado, com agravante que poucos falam inglês, então não é simples se locomover com transporte público. A Capital, apesar de seus 1 milhão de habitantes, se resume ao centro para os turistas, fora disso não tem muito pra ver, aqui se faz tudo a pé. Estrelas - em verde: Yerevan, capital, em azul: Vagharshapat, cidade religiosa, em roxo: Sevan, no lago, em amarelo: Jermuk, o vilarejo de águas naturais Em vermelho monastérios, em laranja o templo pagão - O que ver Yerevan (em verde) a capital do país e onde concentra 1/3 da população, obviamente o principal destino. A centro não é grande, se faz tudo a pé, em um dia dá para explorar bem a cidade. Ela é uma cidade bem moderna e organizada, diferente do que vi em Tbilisi. A cidade é do estilo que passear para descobrir, não tem nenhuma atração que diria imperdível, talvez só subir na escadaria, de onde você pode ver a cidade inteira por cima, e o monte Ararat. Também se vê muitas agências de turismo para conhecer o interior, mas achei bem caro 90% delas. A única que achei com preço em conta foi a One Way, (não estou ganhando por divulgação :p). Vagharshapat (em azul) é tipo o Vaticano dos armenios. Não é que um país separado, é só uma cidade, mas é porque é o centro religioso do país. É onde possui o mais antigo mosteiro do país, e outros monumentos relacionados. Para chegar com van, deve-se pegar na estação de ônibus de Kilikia, número 203. por ser uma região bem procurada, tem uma frequência alta. A viagem dura cerca de 45min e faz a parada final bem no centro. Sevan (em roxo) é a cidade que fica no lago, o que tem de interessante é a paisagem, um bom lugar pra relaxar. Deve se pegar a van na estação norte, mas não conheço os horários Jermuk (em amarelo) é a cidade das águas, a região tem spa e águas termais, é bem pequeno. Para ir deve-se pegar a van na Kilikia Bus Station, frequência muito baixa, uma ou duas vezes ao dia A segui a lista de outros lugares a visitar, mas com praticamente nenhuma forma de ir com transporte público. A opção mais em conta é ir com tours. 1 - Khor Virap é um monastério que tem a melhor visão do Ararat, além do ponto mais próximo do monte (que fica na Turquia), a região é muito bela, um lugar que vale a pena visitar. 2 - Templo di Gharni (laranja) é um antigo templo pagão do século I, o único que restou de templo não cristão. A pouca distância também tem a formação rochosa vulcânica em hexágono, A vista panorâmica é belíssima. Monastério de Gheghard (vermelho), como outros monastérios da Armênia, é um estilo que você vai encontrar em qualquer lugar. 3 - Saghmosavan é outro monastério famoso do país. 4 - Tsaghkazdor é uma cidade de resorts, a região é famosa pelo ski e fontes termais, devido ao clima, é uma cidade um pouco mais fria e muito verde e florida. 5 - Novarank Monastery, como podem ver, é mais um monastério antigo do país. 6 - Tatev é a outro monastério, mas esse tem um detalhe a parte, ela fica numas das regiões mais belas do país, e para chegar a ela, deve-se pegar um teleférico que atravessa as montanhas, que faz um trajeto de uns 5km, ou 12min. O único problema é que ela fica em uma região um tanto isolada para fazer com transporte público, tem pouco opção de hospedagem em torno. Porém eu achei tour de um dia para lá, são cerca de 12h o dia todo, custo em torno de 8.000 dram (cerca de 17 euros). 7 - Kari Lake é um lago aos pés do monte Aragat (não confundir com Ararat). Fica a 3.000 metros de altura e é uma região para fazer trekking. Devido a altura, é quase certo que encontrará gelo ou neve. Como é na montanha, não tem transporte público, a única forma é com tour ou com carro, são cerca de 1:30 de Yerevan. - Clima O país também é quente no verão, e frio no inverno, devido ser uma região motanhosa, será mais frio do que na Geórgia e Azerbaijão. Estive em meados de Outubro e peguei uma temperatura entre 15 e 25 graus. - Considerações finais O país me surpreendeu positivamente, imaginava uma capital pequena e subdesenvolvida, mas encontrei uma cidade grande, rica, bonita, arrumada e limpa. Também é um país em que, para conhecer o interior de forma mais rápida, é melhor ter um carro alugado ou fazer tours. Recomendo fortemente conhecer o interior leste do país, pois são paisagens belíssimas e muito diferente do que estamos acostumado (até para europeus), apesar de não ser tão simples viajar país adentro. O país também é conhecido pelos vinhos, com cultura milenar, aproveite para fazer degustação. Dentre as três capitais, foi o qual eu mais gostei. Aqui termina as informações básicas da região. Se quiserem fazer perguntas, basta responder o tópico me marcado, responderei com prazer.
  16. 10 pontos
    Choquequirao – 4 dias e 3 noites Saída do hostel as 5:30 da manhã, com destino a São Pedro de Cachora. Embora se possa iniciar a caminhada já em Cachora, realizando um percurso de 12 km em uma estradinha “pendurada” nas montanhas, a trilha propriamente dita começa mesmo em Capulyoc, onde tem um posto de controle em que se registra a entrada junto ao Guarda Parque, paga a entrada (60 soles para brasileiros) e, se quiser, eles carimbam seu passaporte. Capulyoc se localiza a 2.915 metros de altitude e é muito lindo, pois de um lado se abre um amplo vale em que se vislumbram as típicas plantações em terraços dos moradores locais e em frente se pode admirar um bonito grupo de nevados do complexo Salkantay “o Padreyok”. Cerca de 500 metros após o vilarejo de Capulyoc é que inicia a descida, no “Camino de Herradura”, que desce em zig zag e já permite vislumbrar o Rio Apurimac, com suas águas muito verdes, no fundo do cânion. “Apurimac” em quechua significa “Deus que fala” em razão do rumor de suas corredeiras muito audível quando se começa a chegar mais perto do rio. Seguindo a descida, no KM 16 fica o acampamento Cocamasa que pode ser uma opção de estadia para quem inicia a caminhada no final da tarde. Mas nós seguimos a caminhada até o KM 19, ao acampamento Chikisca, que está localizado a 1.950 metros de altitude. Iniciamos a caminhada em Capulyoc cerca de 10:30 horas da manhã e chegamos em Chikisca perto das 13 horas. Caminhada tranquila, com muitas paradas para fotos, mas muito quente nesta época do ano (agosto) e com muita poeira. No acampamento, que é uma espécie de oásis verde, com muitas árvores frutíferas, como manga, abacate, limão, chirimóia e outras, e se destaca em meio à vegetação do vale muito mais seca nesta época do ano, nos refrescamos em uma ótima sombra e aguardamos o almoço, que foi preparado por moradores locais. Ali tem um pequeno mercadinho com itens básicos de higiene, bebidas e comidas. Como estava muito quente almoçamos e aguardamos até as 15 horas para retomar a caminhada. Dali se descemos em zig zag por mais 400 metros de desnível, cerca de uma hora de caminhada, até chegar a Playa Rosalina, as margens do Rio Apurimac, a 1.560 metros de altitude. Descemos até as margens do rio para molhar os pés em suas aguas geladas e ficamos curtindo o visual por cerca de uma hora. Reiniciando a caminhada, atravessamos a bonita ponte suspensa e iniciamos a subida pelo outro lado do vale, num interminável zig zag até o acampamento Santa Rosa,no KM 25,5 e a 2.115 metros de altitude. Chegamos já quase escurecendo. Neste acampamento tem água, banheiros, banho frio, mercadinho básico, local para cozinhar e bonitos platôs de frente para o vale, onde se acampa. Noite de lua quase cheia propiciando um vista espetacular do vale em frente. No segundo dia iniciamos a caminhada ainda no escuro, cerca de 4 horas da madrugada, até o Caserio Marampata, no KM 28,5 a 2.910 metros de altitude. É uma subida bem puxada, com altimetria de cerca de 800 metros e na parte final já se sente um pouco os efeitos da altitude. Em Marampata, sentido o vento frio daquela altirude, tomamos nosso café a manhã preparado por uma moradora local e as 8 horas da manhã partimos para a parte final da caminhada até Choquequirao, no KM 36, a 3.033 metros de altitude. A partir de Marampata a trilha deixa de ser íngreme e vai alternando entre trechos com retas, subidas e descidas e, após 500 metros de caminhada já se começam a divisar terraços “pendurados” nas encostas e a choquequirao muito ao longe. Cerca de um quilometro antes de chegar às ruínas há um desvio para o camping Raqaypata, que também é uma boa opção de estadia. A chegada às ruínas já impressiona pela grandiosidade dos terraços com suas pedras extremamente bem alinhadas. Choquequirao trem 12 setores, nem todos reconstruídos / escavados: Praça principal – local onde o pessoal costuma para descansar; Colcas – onde eram armazenados produtos alimentícios e vestuário; Terraços ou “andenes” – onde eram realizadas as plantações, com destaque para o setor de “llamas” com seus 440 degraus; Habitações dos sacerdotes – localizada na parte alta; Cemitério inca Kallancas – edifícios retangulares que serviam como oficinas, centro administrativo, espaço para reuniãos, etc. Ushnu – plataforma cerimonial no topo da colina. Chegamos às ruínas pelas 10 horas da manhã, não sem antes nos impressionarmos com dois setores de terraços já recuperados “pendurados” nos penhascos e visíveis de vários pontos do caminho. Chegando na Plaza Central descansamos alguns minutos na sombra de uma “arbol papel” ou polilépis, no meio de uma gramado muito verdinho curtindo o astral do local com apenas outros três turistas que estavam ali naquele momento. Depois, subimos por uma trilha a esquerda até o “Ushnu” ou platô cerimonial, de onde se tem uma bonita vista do cânion formado pelo Rio Apurimac, das ruínas e das montanhas nevadas, ou quatro “Apus” que cercam Choquequirao. Após, voltamos a Plaza Central e atravessamos para a parte de trás e seguimos a trilha que conduz ao setor de Llamas, numa descida com desnível de cerca de 200 metros até chegar a um mirante que permite ver este setor de frente. Na verdade o setor de “Llamas” se trata de terraços que “despencam” da montanha abaixo de forma quase vertiginosa, que tem em suas paredes de pedra incrustados desenhos de llamas em uma rocha branca, provavelmente quartizito branco. No retorno, ao invés de seguir a trilha, subimos a escadaria original, com infindáveis 440 degraus em meio aos terraços. Na parte alta dos terraços está incrustado desenho de a uma serpente. Após a cansativa subida retornamos a Plaza Mayor onde nosso cozinheiro nos esperava com uma marmita de almoço bem quentinho. Sentamos no gramado em uma área um pouco mais afastada para almoçar e descansar / cochilar um pouco. Depois fomos visitar o setor de colcas e o da residência dos sacerdotes, bem como observar o sistema hidráulico do complexo. Após as 16 horas iniciamos o retorno para o acampamento Marampata e na descida pudemos apreciar um lindo pôr do sol. Já no acampamento descobri que pagando 10 soles eu teria direito a um banho quente, em chuveiro a gás, o que vale ouro depois de tanta caminhada e do vento frio da noite. Tivemos outra noite fantástica, bem fria, mas agora com a lua um pouco mais cheia. No terceiro dia saímos cedinho, despencando cânion abaixo por cerca de 1400 metros de desnível. Após atravessar o Rio Apurimac reiniciamos a subida pelo outro lado e após 400 metros de desnível, chegamos em ChiKisca já com muito calor. Aguardamos o almoço e esperamos por bastante tempo, até as 15 horas, para reiniciar a caminhada, pois fazia muito calor. Chegamos ao final da tarde em Capulyoc. O acampamento fica num lugar sensacional, um platô com vista privilegiada do vale e dos nevados em frente. Consegui um banho quentinho, a 10 soles, num sistema de água aquecida no fogo. O jantar foi oferecido pelos donos do acampamento e a noite estava belíssima com a lua cheia e o visual montanhoso completamente iluminado. No quarto dia pudemos dormir um pouco mais e após o café da manhã, também oferecido pelos anfritriões, ficamos curtindo o visual em uma sacadinha de frente para as montanhas enquanto aguardamos o nosso transporte de retorno que chegou as 10 horas da manhã. E levou quase cinco horas para chegar em Cusco. Eu realizei o passeio com a agência Qorianka Tour – 084 505959, cel: +51 974-978771 e +51 974-739305 ou contato direto com Renato no watts +51 986-960796 e paguei USD 230,00 com tudo incluído (transporte de ida e volta a Cusco, alimentação, guia, mulas para levar equipamentos comuns e mais cinco quilos de bagagem individual, acampamento em barraca com isolante). Não incluído o saco de dormir, café da manhã do primeiro dia, almoço do último dia e bebidas adquiridas nos acampamentos. Recomendo ainda: Soncco Tours, com Evelin +51 964-289453 (USD 245,00) e Inkapal, com Rubens, +51 931-325 810 (USD 280,00), ambas ótimas agências que me atenderam super bem em outros roteiros. Querendo contratar direto se pode fazer contato com Choquequirao Wasi (tem página do facebook), watts app: +51 974-555258. Quando estive lá os valores eram os seguintes: 50 soles por dia para o cavalo; 50 soles por dia para o “ariero” (condutor do cavalo ou mula);10 soles por acampamento; de 30 a 40 soles pra retorno a Cusco nas vans que trazem os turistas das agências (sempre tem lugar) ou 60 soles em transporte local (táxi) até ramal de onde se pode pegar o ônibus para Cusco por cerca de 10 soles. A única coisa que não consegui verificar é como conseguir um transporte de van privado a partir de Cusco, mas o pessoal da Choquequirao Wasi deve ter essa informação. Se for de ônibus tem que pegar ônibus para Abancay e depois para Ramal e de lá conseguir transporte para Cachora ou Capuliok. Ou seja: é um trajeto que pode ser feito de várias maneiras. Com agência contratada em Cusco, se tem menos preocupações e está tudo incluído. Contratando cavalo/mula e ariero local é mais em conta e se privilegia a distribuição de renda aos efetivos moradores da região. Fazendo 100% solo é bem mais barato, mas é preciso atentar para o preparo físico, pois o desnível do percurso é de mais de 1500 metros, o que torna a caminhada bem pesada. Mas a distribuição dos acampamentos também permite fazer o caminho com mais calma, utilizando mais dias. Recomendações: tome muita água, pois o clima é muito seco e quente e procure organizar a caminhada para não estar na trilha nos horários mais quentes do dia. Os acampamentos de altitude (primeiro e último dia) são bem frios, então leve uma roupa bem quente. Observação: A partir de Cachora é possível fazer o Trekking até Machupichu. Ou seja, você vai até Choquequirao e não volta, mas segue até Santa Tereza / hidroelétrica e de lá pelo trilhos do trem até Águas Calientes. Me pareceu um maravilhoso passeio, mas leva de 07 a 08 dias e requer um bom planejamento, pois se precisa mais comida e não tenho informação acerca de possibilidades de comprar no caminho entre Choquequirao e Santa Tereza.
  17. 9 pontos
    Um grupo específico para pessoas quem amam a Deus acima de qualquer coisa, gostam de viajar, fazer novas amizades e espalhar o amor de Jesus. Criei esse grupo para filtrar os locais que frequentaremos, costumes e praticas sem problemas com nossos princípios e divergências com aquilo que vai contra o que acreditamos. Sou novato procurando amizades para viajar, apenas querendo ingressar nessa vida de viajante
  18. 9 pontos
    Chegamos em San Pedro pelo aeroporto de Calama. Lá pegamos uma van que cruza parte do deserto e nos leva até o povoado. Nos hospedamos por 5 noites no Ckoi Atacama Lodge http://www.ckoiatacama.cl, uma ótima dica de hospedagem. Boa estrutura, atendimento super simpático, perto de tudo, mas longe o suficiente do barulho e com bom preço. O Atacama é uma viagem cara. Todos os passeios são feitos com agências e embora isso interfira na liberdade de quem é bicho solto, é de fato a única forma de preservar aquela natureza absoluta. Uma rua de terra principal com duas paralelas e quatro transversais formam o casco histórico de San Pedro de Atacama. E ali naquele pequeno povoado, naquele oásis perdido em meio a uma paisagem que muda de cor com o passar das horas, há uma efervescência, com mercadinhos, restaurantes e lojas que vão de um artesanato simples a joias de pedras preciosas. Não se pode dançar em San Pedro de Atacama. Sob os nossos pés, um imenso cemitério indígena, restos de um povo que acreditava que tudo aquilo o que víamos era o bem mais precioso que tínhamos. Um povo que sabia honrar cada pedaço daquela terra e extrair dela tudo o que precisávamos para existir. Um povo que tinha um enorme respeito pela nossa grande e única fonte de tudo, e entendia sobre o que realmente importava. Ouvir música é permitido, contanto que ela não desperte, no corpo e nos pés, a vontade de manifestar euforia e, por consequência, desrespeito sobre aqueles que nos ensinaram tudo o que jamais poderíamos ter esquecido. E mesmo com todas as fotos e vídeos e relatos que havíamos visto e ouvido, não fazíamos ideia da imensidão que nos aguardava e nem do tamanho que isso seria aqui dentro. Deserto do Atacama O deserto do Atacama não é real. É um outro planeta inventado num filme. É um sonho confuso que se divide ao acordar. É uma mentira contada sobre um paraíso. É uma miragem que nos faz duvidar, o tempo todo, se estamos acordados. Uma memória que temos certeza que está a nos enganar. Um medo constante dos olhos esquecerem a beleza, a imensidão e a intensidade do que veem. Uma emoção que faz chorar todos os dias diante da magnitude do que nos rodeia. O lugar mais especial que já pisamos. No deserto do Atacama há muitas possibilidades de passeios e dificilmente, por tempo e dinheiro, você fará todos. Pesquise bastante e escolha passeios diferentes e que se encaixem no seu gosto e no seu bolso. Optamos por fechar todos os passeios com a mesma empresa, Araya https://www.arayaatacama.com/, e adoramos. Pode não ser a agência mais barata, mas os guias são excelentes e pontuais, as vans são ótimas e nos pegam e nos deixam de volta no hotel e os lanches oferecidos em cada passeio, eram visivelmente melhores que o de outras empresas. Escolhemos os seguintes passeios: Lagunas Escondidas Três litros de água por dia é o que se recomenda beber no deserto. O corpo rapidamente sente a secura na boca, nas mãos, nos poros, na língua, na pele. A desidratação chega sutil, a saliva falta e a dor de cabeça se aponta lá no fundo dos olhos. Um mínimo gole de água resolve instantaneamente. Sentimos cada parte do nosso corpo reagir ao ambiente em que recebemos muito mais do que damos, como deveria ser sempre na natureza. Saímos às 8h da manhã para as Lagunas Escondidas, um conjunto de 7 lagoas formadas no meio da Cordilheira do Sal. Uma viagem de uns 20min de carro e uma caminhada de uns 15min nos levam à primeira delas, uma piscina natural com a água tão salgada que, se secarmos as mãos na roupa, uma capa branca se forma no mesmo instante. Dá pra ver pequenas bolhas brotarem do solo, indicando a nascente de água subterrânea, um fenômeno banal explicado pelos geólogos, mas impressionante para nós. Água verde clara, transparente e salgada. Seguimos a trilha adiante e, entre uma e outra lagoa verde, nos deparamos com a penúltima do conjunto. Falta ar e palavras para descrever o que os olhos não acreditavam ver. No meio de um concentrado de sal na superfície, rodeado de rochas de sal que vão escurecendo pelo horizonte até ficarem marrom, um pedaço do céu se abre no chão, de uma cor tão azul esverdeada, tão verde azulada, tão aturquezada, tão ainda sem nome, que os olhos se enchem de lágrimas e a boca saliva a vontade das mãos de toca-la. E o corpo desaba na pedra mais próxima e se rende, sem qualquer outra chance de alternativa, enquanto o silêncio e a suspensão são a única manifestação comum e possível dos sentidos. E ali, naquele instante mágico, naquele intervalo que a noção de tempo não consegue explicar, entendemos o nada que somos. Vale de La Luna e Vale de la Muerte É curioso e surpreendente perceber-se no lugar considerado o mais inóspito da Terra, o ambiente que temos de mais próximo à superfície da Lua. Por isso o nome, Vale de la Luna. 23 milhões de anos soam como um número perdido e vago, já que é humanamente incalculável para aqueles que vivem, quando muito, um mísero século por aqui. São 23 mil gerações da nossa família vivendo por um período acima da média. Um número impossível para nós. Mas não para a Terra. Não para a natureza. Não para aquele lugar onde tempo e espaço são conceitos que temos que ressignificar para tentar, com muitos esforços, começar a entender o início de nós. Cavernas no meio de cânions de um tamanho muito além do alcance dos olhos; gesso, argila, cristais de sal, granito, quartzo, infinitos minérios cuja explicação para aparecerem ali não existe; cinzas e pedaços de rochas espalhados por todo o vale; e o vento, que faz tudo aparecer e sumir conforme a sua vontade, moldando esculturas que os humanos, tão perdidos diante daquela fonte gigante de tudo, chamam de “Marias”; e a chuva que, raríssima, quando aparece vem imensa, abrindo caminhos em espaços invisíveis. Da mesma forma é o Vale de la Muerte, que era para ser Marte, pelo óbvio, mas a dramaticidade ocidental não permitiu. Do topo do vale vemos o horizonte rosa, as cordilheiras desenhadas, a terra vermelha, as fontes intermináveis de minérios, o sal, os vulcões, o tamanho daquilo tudo. Ali somos nós os estrangeiros, os extras do território, aqueles que não pertencem, achando que sabem alguma coisa, mas que não conseguem explicar quase nada do que se passa nesse outro planeta, que só parece nosso, mas que é ele muito mais o dono da gente. Laguna Céjar O céu do deserto do Atacama é de um azul firme, fixo, que de tão certo e forte faz os olhos duvidarem. E o horizonte de montanhas e cordilheiras de um colorido que vai do branco da neve nos cumes dos Andes, passa pelo avermelhado rosa da cordilheira do sal, depois pelas formações rochosas amarronzadas de sal seco, pelo bege do solo de pedras menores, até voltar ao branco do sal puro e, por fim, ao azulverde da água das lagoas. É como uma paleta cíclica de cores que só existem ali. A Laguna Céjar é um imenso de água no meio dessa esfera impossível. Começa rasa e transparente, tentadora aos pés, e aos poucos, ao passo lento e natural que a natureza impõe, vai passando pro verde, todos os tons, até chegar ao azul, confundindo o nosso olhar entre céu e água, entre cima e baixo, entre nós e a imensidão. Ali não se pode tocar. É preciso aprender a apalpar com os olhos. Ojos del Salar Acredita-se que há milhões de anos, não se sabe dizer quantos, contra toda e qualquer teoria geológica de probabilidade, dois meteoritos caíram na Terra, um ao lado do outro, bem ali no meio do deserto. E com menos explicação ainda, esses buracos formados se encheram de água, doce, limpa, onde se pode mergulhar. E mesmo com toda a seca que se vive lá, ano após ano, a água não diminui. Se evapora, é novamente alimentada por alguma nascente que não se sabe sequer de onde poderia vir. Os buracos possuem uma profundidade que máquina nenhuma inventada pelo homem consegue calcular. Eles te encaram, imensos, como que rindo da tentativa vã e sem propósito de entender o que não se pode explicar. Nos emocionamos entre os Ojos del Salar. Laguna Tebinquiche A Laguna Tebinquiche é a origem de tudo. No momento em que o mundo acabar e a Terra sucumbir às torturas que praticamos a cada segundo, é ali que tudo recomeça. As bactérias presentes nas pedras que rodeiam toda a lagoa são capazes de dar início ao ciclo da vida. A potência daquele lugar é assustadora. Há um caminho delimitado para caminhar, para que se tente não acabar com o nosso único possível recomeço. E após uma trilha no meio dessa fonte de vida tão invisível aos nossos olhos, tão possivelmente desacreditável a olho nu, chega-se a um ponto onde a luz do pôr do sol a oeste reflete nas montanhas a leste, mudando-as de cor. A beleza é tão arrebatadora que, ao não sabermos para onde olhar, se para o sol que se põe por trás das montanhas e vem até nós pelo reflexo na água ou para o horizonte que vai seguindo o movimento do olhar em amarelo claro, amarelo escuro, laranja claro, laranja escuro, rosa claro, rosa escuro, até atingir a cor púrpura do outro lado, a luz do dia acaba, deixando somente o silêncio daquela visão impossível. E pedimos, com lágrimas que escorrem em meio ao sorriso incessante, que os olhos não esqueçam o milagre que acabaram de ver. Termas de Puritama Há 3 mil metros de altitude cresce uma espécie de cacto que só existe em bando. Chegando aos 6 metros de altura e vivendo por cerca de 200 anos, esse tipo que sequer vinga diante da solidão, possui uma madeira porosa dentro de sua casca de espinhos perfeita para o artesanato. De tão esbelto e firme, é difícil crer que, assim como as rolinhas, não sabe e não suporta ser só. Mas gosta de topos, talvez para ter a certeza de avistar os seus a todo instante, como uma galinha que não perde seus pequenos de vista, mas todos sendo mãe e filho ao mesmo tempo. Num dos cânions em que vive essa espécie há um rasgo feito por um raio, há milhões de anos, que foi se abrindo com o movimento da Terra e formando um caminho. Por ali corre um rio, que não se sabe como, nasce dentro de um vulcão e vem correndo toda uma montanha até desaguar entre cactos carentes e rabos de raposa, planta que só cresce perto d’água e mais parece um capim dourado brilhando no meio da rocha seca e do céu azul. Pequenas cachoeiras de uma água inacreditavelmente morna, que quanto mais se sobe o caminho no cânion, mais quente fica. Ora na sombra, ora sob o sol fervente do deserto, quando as mãos encostam nessa água, o corpo inteiro arrepia a sensação inesperada daquela temperatura improvável. Caminhamos por 2 horas na abertura do cânion, às vezes ao lado das águas, às vezes na rocha laranja, avistando somente a vegetação que garantia que o rio estava ali. Com a boca seca e os olhos em choque, atingimos o cume e as famosas Termas de Puritama. 7 piscinas naturais desenhadas como que em andares, cada uma delas com formatos e temperaturas diferentes, que vão dos 23 aos 30 graus. A água é quente feito abraço, potável e de uma transparência que se confunde com as lágrimas, dando a impressão de que choramos cada gota daquele elixir que, se não cura doença, acalenta a alma. Quando o corpo emerge aquelas águas, o coração palpita; a boca não consegue não beber; as mãos correm os braços na tentativa de sentir ainda mais o abraço que envolve por inteiro; os olhos não conseguem se fechar para não perderem um segundo daquela sensação indescritível e choram ao mesmo tempo em que querem ver; e o sorriso vem, completamente involuntário, mais do que convidado e sem nenhum necessidade de ser chamado, aguçando cada poro e cada mínimo sentido e despertando a absoluta certeza de que a plenitude do amor está dentro e só pode ser isso. Esse passeio é o Termas da Puritama + trekking. Não deixe de ir caminhando. A sensação de chegar ao topo vivendo o caminho é incomparável do que alcançar as termas numa van. Tour Astronômico A altitude alta e as nuvens raríssimas fazem do céu do Atacama o ponto de observação mais limpo da Terra. É ali que estão os maiores e mais modernos telescópios da Nasa* e os mais competentes astrônomos. A realidade é que, para além das pesquisas, olha-se para cima após as 23h e tudo parece um filme. As estrelas são holofotes, dispensando qualquer luz artificial, e o céu parece tão baixo e tão perto que é possível ver o movimento da Terra em tempo real, com os planetas visíveis a olho nu mudando de lugar a cada segundo. A Via Láctea é um borrão branco nítido, grande, que prende os olhos ao tentarmos entender o inexplicável. Mas o que o telescópio mostra ao parar em Saturno beira o indescritível. O coração palpita quando os olhos se deparam com os anéis perfeitos e a nitidez do imaginário de toda uma vida. É preciso coragem para descer as escadas do imenso observador do céu e aceitar registrar aquele instante somente na memória, rezando pra que ele permaneça, forte, vivo e intenso, exatamente como o segundo em que os olhos perceberam o que viam. E num misto de felicidade e medo do que o tempo muitas vezes prega em nossa lembrança volátil, três estrelas cadentes rasgam o céu, roubando a respiração e deixando ainda mais claro que a gente é um pingo de absolutamente nada. Fizemos o tour astronômico com a Space Obs, porque lemos muitos relatos de que eles teriam os melhores telescópios. Não gostamos. Extremamente técnico. Grupos grandes, muita espera e filas para cada telescópio. Um casal de simpáticos astrônomos estrangeiros nos recebe e nos guia pelo tour. Observamos o céu a olho nu, com ela apontando estrelas, planetas e constelações. Seguimos para a observação nos telescópios e finalizamos com uma roda de chocolate quente e uma palestra bem entediante sobre física quântica, cálculos astronômicos e informações numéricas pouco interessantes e nada relevantes para quem, como nós, busca um pouco mais de magia. Nos arrependemos de não termos feito também esse passeio com a Araya. Algumas pessoas que fizeram com eles, amaram a experiência. O guia era um senhor nascido no Atacama e entendedor do céu, que em meio aos telescópios, contava sobre as crenças ancestrais do surgimento das constelações. Tudo acompanhado de chocolate quente ou de whisky. Preparem-se para o frio da noite do Atacama. Especialmente nesse passeio, que é feito na madrugada por razões óbvias, o frio é congelante. Gorros, cachecol, luvas e meias. Tudo é necessário. *O D FABIANO nos atualizou com a informação correta. Telescópios do ALMA Observatory. Passeios que não fizemos Salar de Tara - queríamos muito, mas estava fechado, com muita neve no acesso. Geyser el Tatio - era muito cedo, muito frio e estávamos mais interessadas nas belezas das lagoas. Vale do Arco-Íris - faltou tempo. Lagunas Antiplânicas - na seleção de cada passeio, optamos pelas outras lagunas. Onde comer? Não achamos tão tranquilo comer em San Pedro. Tentamos tudo. De restaurantes típicos locais a pizzarias. Destacamos somente a Pizzería El Charrúa, com pizzas crocantes e saborosas, e o Empório Andino, com empanadas de diferentes sabores. Também lemos muito sobre Las Delicias de Carmen. Comemos lá 2 vezes e não gostamos nenhuma. Dicas Na rodoviária há o precioso e pouco divulgado Mercado dos Produtores. Não deixe de caminhar até lá. É onde os artesão locais tem suas oficinas e lojas. Nos apaixonamos pela Dona Carmem, uma das mais antigas artesãs do Atacama e dona de mãos que tecem belíssimas peças, de uma lã natural que ela mesma prepara, monta em novelos e encaixa em seu tear. E também o Manolo, exímio ourives e conhecedor de cobre, mineral abundante na região. Suas joias são obras de arte. https://www.instagram.com/trip_se_/
  19. 9 pontos
    Resumo: Itinerário: Salvador a Recife Distância Aproximada Entre Origem e Destino (Google Maps): 784 km Distância Aproximada Percorrida Incluindo Passeios: 1.100 km Período: 24/07/2019 a 01/09/2019 (39 dias) Gasto Total: R$ 2.293,33 Gasto sem Transporte de Ida e Volta: R$ 1.779,43 - Média Diária: R$ 45,63 Ida: Voo de São Paulo (Congonhas) a Salvador pela Latam por R$ 212,95, sendo R$ 180,00 de passagem e R$ 32,95 de taxa de embarque. Volta: Voo de Recife a São Paulo (Guarulhos) pela Latam por R$ 300,95, sendo R$ 268,00 de passagem e R$ 32,95 de taxa de embarque. Paradas: 1- Salvador (Santo Antônio, próximo do Pelourinho): 1 dia 2- Salvador (Itapuã): 2 dias 3- Arembepe: 1 dia 4- Praia do Forte: 2 dias 5- Imbassaí: 1 dia 6- Subaúma: 1 dia 7- Baixio: 1 dia 8: Sítio do Conde: 1 dia 9: Costa Azul: 1 dia 10: Coqueiro - BA: 1 dia 11: Estância - SE: 1 dia 12: Aracaju: 3 dias 13: Pirambu: 1 dia 14: Ponta dos Mangues: 1 dia 15: Saramém - SE: 1 dia 16: Pontal do Peba - AL: 1 dia 17: Coruripe: 1 dia 18: Jequiá da Praia: 1 dia 19: Barra de São Miguel: 1 dia 20: Maceió: 3 dias 21: Paripueira: 1 dia 22: Barra do Camaragibe: 1 dia 23: Porto de Pedra: 1 dia 24: Maragogi - AL: 2 dias 25: Tamandaré - PE: 1 dia 26 Porto de Galinhas: 3 dias 27: Cabo de Santo Agostinho: 2 dias 28: Recife: 1 dia Considerações Gerais Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, rios a atravessar, meios de transporte e informações adicionais que eu achar importantes. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais: Em boa parte da viagem houve bastante sol e pancadas de chuva breves, geralmente fraca ou só garoa. Dias com chuva prolongada foram poucos (acho que só uns 3). Não houve raios. A chuva, quando me pegava nas praias, apesar de não ser tão forte, tornava-se mais sensível devido ao vento forte. As temperaturas estiveram bem razoáveis (para um paulistano), variando de 20 C a 30 C. A sensação térmica às vezes era mais baixa por causa da chuva ou mais alta por causa do asfalto ou da areia. As praias, o mar, as lagoas, a vegetação, as paisagens rurais, os mirantes, as construções históricas e típicas e as igrejas agradaram-me muito . Em alguns trechos de mar aberto, o mar estava muito bravo, com ondas fortes e enormes, com muita correnteza, algumas vezes com direções conflitantes. Derrubou-me várias vezes. Em Sergipe o mar tinha cor escura, barrenta. Dava aparência de poluição ou sujeira para um leigo como eu, mas provavelmente eram sedimentos vindos de rios (talvez o São Francisco e o Real principalmente) e da chuva. Nos outros locais, principalmente em Alagoas, o mar tinha uma cor verde linda . Peguei 4 cocos na praia e 1 banana no chão em um caminho. Encontrei muito lixo nas praias, principalmente plástico. Encontrei também algumas tartarugas e peixes mortos. A população de uma maneira geral foi cordial e gentil. Em Baixio a Pousada Espaço Litoral aparentemente não quis me hospedar devido à minha aparência (de mochileiro andarilho), mas foi um episódio isolado. Foi impressionante a generosidade dos donos de acomodações e comerciantes, sendo que vários ofereciam cafés da manhã que eu não havia contratado ou produtos adicionais nas minhas compras . Procurei ser o mais educado possível e recusei quase todos para não abusar da hospitalidade. Em áreas remotas de Sergipe houve alguns trechos em que foi difícil conseguir acomodação para pernoitar. Em muitas localidades pequenas o comércio e a recepção das pousadas fechava cedo, o primeiro entre 17h e 19h e a segunda perto de 20h. A caminhada no geral foi tranquila. Os maiores problemas foram os rios a atravessar. Mas acabei conseguindo as travessias em quase todos. Não tive nenhum problema de segurança (nenhuma abordagem indesejada) nas praias nem nas estradas nem nas cidades. Precisei desviar de um trecho em Barreiras (Alagoas), em que havia um rio a atravessar para chegar no Pontal de Coruripe, devido ao domínio da área por traficantes (Boca de Fumo). Vários disseram-me para não passar ali e eu resolvi atendê-los e ir este trecho pela estrada. Muitos aceitaram cartão de crédito, mas vários com acréscimo. Um número maior aceitava cartão de débito, poucos com acréscimo. Meus gastos foram R$ 299,73 com alimentação, R$ 1.378,00 com hospedagem, R$ 101,70 com transporte durante a viagem, R$ 65,90 com taxas de embarque de ida e volta e R$ 448,00 com as passagens aéreas de ida e volta. Mas considere que eu sou bem econômico. A Viagem: Minha viagem foi de SP (Aeroporto de Congonhas) a Salvador na 4.a feira 24/07/2019 pela Latam (https://www.latam.com). O voo saía às 10h30 e estava previsto para chegar às 12h55. Paguei em 4 parcelas com cartão de crédito. Não pude escolher o lugar gratuitamente e não fiquei na janela. Durante o voo conversei com uma analista ambiental sobre a situação do meio ambiente em SP e no Brasil. Ganhei um cappuccino 3 Corações de chocolate de cortesia da Latam e da 3 Corações. Ao chegar, saquei dinheiro e peguei o ônibus do aeroporto até o metrô e depois o trem até a estação Campo de Pólvora, perto do Pelourinho, por R$ 3,70 pagos em dinheiro. Fiquei na Casa 37 Guesthouse (https://www.facebook.com/Casa37Guesthouse), que havia reservado pelo Booking (https://www.booking.com). No caminho da estação até lá, passei por parte do centro e fui apreciando a cidade. Paguei R$ 18,00 a diária, em dinheiro, sem direito a café da manhã. A proprietária Gisélia estava com o pé machucado, tinha desabilitado novas reservas e só esperava a mim naquele dia. Fiquei só numa cama num quarto compartilhado, com banheiro dentro. Depois de me acomodar aproveitei a tarde para ir visitar as obras da Irmã Dulce (https://www.irmadulce.org.br). Fui bem atendido e o recepcionista abriu uma exceção para eu conhecer o santuário, que estava em reforma, acompanhando-me. Gostei bastante dos vários itens, incluindo memorial, capela e santuário, tudo mostrando a vida simples e dedicada dela. Na volta passei pelo mirante em Santo Antônio com vista para a Baía de Todos os Santos. Visitei também algumas igrejas no centro, perto do hostel e no caminho para as obras de Irmã Dulce. No fim da tarde e começo da noite fui visitar o Terreiro de Jesus, que havia sido revitalizado, com sua bela fonte e passei pela escadaria em que foi filmada a primeira versão de “O Pagador de Promessas”. Não encontrei espetáculos no Pelourinho. Jantei sanduíches e banana que tinha trazido de casa. Conversei com moças de Fortaleza que estavam no hostel e haviam vindo de ônibus e estavam trabalhando em casas de confecção. Elas falavam do frio e chuva de Salvador, diferente de Fortaleza naquela época do ano. Para as atrações de Salvador veja http://salvador-turismo.com, http://www.salvadorbahiabrasil.com/atracoes-salvador.htm e https://viagemeturismo.abril.com.br/cidades/salvador-7. Gosto bastante da cidade, mas já tinha estado nela antes. Meu objetivo nesta viagem não era conhecer muitos de seus atrativos, somente alguns que eu não conhecia e estavam perto dos meus pontos de parada. Na 5.a feira 25/07 tomei café da manhã com sanduíches que havia levado de casa, conversei com portuguesa hospedada no hostel e fui pegar o ferry boat para Bom Despacho por R$ 10,00 no cartão de crédito (ida e volta). Eu tinha levado parte das cinzas do meu pai para jogar na Baía de Todos os Santos e achei que a melhor opção era aquela. Peguei o barco das 8 horas. Falei com o Imediato Caetano e ele disse que eu poderia jogar sem problemas. Após o barco afastar-se razoavelmente do porto, joguei-as, de punhado em punhado. Pouco depois ele me encontrou na parte superior e perguntou se já tinha jogado. Disse-me que havia comunicado ao capitão e este perguntou se eu queria que ele parasse o barco um pouco para que eu jogasse (o barco tinha provavelmente mais de 100 passageiros). Dei um rápido passeio em Bom Despacho e voltei no barco das 10 horas. Cheguei de volta ao hostel pouco antes de meio dia e perguntei a Gisélia, que já estava melhor do pé, se poderia ficar um pouco a mais, para poder visitar o Centro de Convivência Irmã Dulce, que era ao lado. Ela disse que isso poderia abrir um precedente. Para guardar a mochila ela cobrava R$ 10,00, com direito a uso do banheiro e demais instalações até a noite. Preferi sair na hora então e fui visitar o Centro de Convivência carregando a mochila. Muito interessante o trabalho que eles faziam com atividades gratuitas para toda a comunidade. Depois de lá rumei a pé para Itapuã. Foram cerca de 18 km. Não tive nenhum problema de segurança e acertei o caminho, com nomes de ruas e indicações no papel e pedindo muitas informações. Muitos deram-me sugestões, às vezes querendo mudar o caminho base que eu tinha traçado, o que eu não fiz. No trecho final fui pela orla, admirando a praia e o mar a partir do calçadão. No caminho comprei pães normais por R$ 1,00 e um pão de queijo por R$ 1,00 pagos em dinheiro. Fiquei no Hostel Sal Bahia (https://www.facebook.com/hostelsalbahia), da proprietária Dil, que era paulista, por R$ 28,50 em dinheiro a diária, com direito a café da manhã. Lá estava uma família de Niterói, 1 rapaz de Sergipe sendo treinado em telefonia por outro de Recife (um deles se chamava Carlos) e uma dupla de profissionais de escolta armada, sendo que um era de Recife e torcia para o Náutico. À noite comprei pães por R$ 3,00 e vegetais (pepino, chuchu, batata, mandioca, tomate e laranja) por R$ 4,40 e fiz sanduíches para o jantar. Antes fui dar uma volta na orla e comi abará e tapioca com açúcar e canela por R$ 8,00. Todos os alimentos foram pagos em dinheiro. Na 6.a feira 26/07 tomei o café oferecido pelo hostel (2 pães, margarina, café, leite e abacaxi). Depois fui à Lagoa do Abaeté. Havia muitos seguranças. Haviam dito que poderia ser perigoso o local, em termos de assaltos, mas achei tranquilo. Porém não entrei nas trilhas no meio do mato. Achei as vistas da lagoa e da vegetação no entorno muito bonitas. Fiz 3 travessias pequenas e achei a água deliciosa. Voltei, almocei sanduíches e fui caminhar na praia. Comecei indo conhecer os monumentos às Sereias de Itapuã e a Vinicius de Moraes. Pela manhã, quando havia passado rapidamente para ver as Sereias, um morador local veio cumprimentar-me e falar comigo, imagino que para conhecer um viajante de fora dali. Depois fui até o Farol de Itapuã e depois parti rumo ao Sul, indo até o Jardim dos Namorados, já perto de Pituba. Depois, quando retornando ao hostel ainda tive tempo de visitar o Parque de Pituaçu, com seus lindos lagos, área verde e vistas. Um homem que estava sentado num banco com roupa social, a quem eu havia pedido informações sobre o parque, pediu para falar comigo sobre Jesus. Ficamos conversando alguns minutos. Voltei pela praia, admirando as lindas vistas do mar e da orla, de dia e após escurecer. Jantei um mini acarajé por R$ 1,00, um acarajé por R$ 5,00 (ambos em dinheiro) e salada (batata, mandioca, chuchu, pepino, tomate e cenoura – esta última tinha trazido de SP), com laranja de sobremesa comprados no dia anterior. Durante o jantar conversei com Bruno, sobrinho da Dil, e pessoal da escolta armada. Levei um acarajé da Dry (dona do ponto) para a Dil numa vasilha plástica, conforme ela havia pedido. No sábado 27/07 tomei o café da manhã oferecido pelo hostel (2 pães, margarina, café, leite, 2 pedaços de melão), despedi-me de todos (Dil levou-me ao portão) e parti rumo a Arembepe. Antes de entrar na areia da praia comprei 5 pães por R$ 1,00 em dinheiro. Entrei na praia na altura do Monumento às Sereias de Itapuã. O tempo estava bom pela manhã e a praia estava cheia. As paisagens pareceram-me lindas, embora as praias fossem bem urbanizadas, com muitos condomínios. Atravessei o Rio Joanes andando, orientado por salva-vidas e por praticantes e instrutores de kitesurf, que estavam dentro dele. Segui bancos de areia, mas no trecho final havia um canal que por um instante não deu pé, o que molhou levemente o fundo da mochila, mas a água não entrou. Havia várias pessoas praticando kitesurf na barra, conforme foto abaixo. Ocorreu uma rápida pancada de chuva no meio da tarde e eu me abriguei atrás de um coqueiro, posto que a chuva era lateral, devido ao vento. O mar estava bravo e o vento forte. Havia algumas bonitas paisagens com áreas de remanso criadas por barreiras de pedra um pouco distantes da praia nas quais o mar batia forte. Quando veio outra pancada de chuva, entrei embaixo de um quiosque e um segurança falou-me que eu não poderia abrigar-me naquela área privada, mas passou via rádio informação aos da frente para que me dessem abrigo. Pouco à frente fiquei debaixo de um coberto de madeira, atrás de uma tora. Quando a chuva amainou outro segurança veio conferir as informações, perguntar-me se eu ainda precisava de abrigo e me dar informações sobre como achar hostels ou hospedagem barata em Arembepe. Logo em seguida cheguei a Arembepe e fiquei no Hostel da Fá (https://www.facebook.com/hosteldafa), em cama de quarto compartilhado por R$ 25,00 em dinheiro, sem café da manhã, onde fui atendido originalmente por Benedita, mãe da Fá. O quarto estava vazio, então fiquei só. Uma pessoa havia dado uma referência negativa do hostel, mas eu fui muito bem atendido e fiquei satisfeito. Era simples, mas supriu tudo de que eu precisava. Comprei pães por R$ 3,00, chuchu e pepino por R$ 1,00 e abobrinha e laranja por R$ 1,22, tudo pago com cartão de crédito. Jantei sanduíches, com laranja e pão com goiabada de sobremesa. Houve várias pancadas de chuva depois que cheguei ao hostel, principalmente depois de escurecer. Fá ofereceu-me café e suco de jenipapo de cortesia, que eu educadamente recusei. Seu filho interessou-se pelo meu celular velho. Havia entrado um pequeno espinho ou objeto estranho no meu pé direito e eu o cavoquei para tirá-lo, deixando uma pequena parte do pé em carne viva , o que se mostrou desastroso alguns dias à frente. No meio da noite chegou um casal e ficou na área anexa ao quarto. Eu acordei com o barulho da chegada deles e fui tirar a mesa que havia colocado para escorar a porta do corredor que abria com o vento. No domingo 28/07 inicialmente dei um passeio pelo povoado, saquei dinheiro, comprei pães por R$ 3,00 com cartão de crédito e tomei café da manhã com sanduíches. Começou a chover com moderada intensidade e eu esperei passar para sair. Saí perto de 8h10, passei por uma área à beira-mar destruída pelas tempestades recentes e fui conhecer a Aldeia Hippie. Gostei bastante, principalmente do Centro de Artesanato, da lagoa e do rio. O morador Oz pediu-me uma força de R$ 5,00 em troca de um artesanato em clave de sol. Ao invés disso, ofereci a eles pães de milho, que não quiseram. Achei bela a vista do alto das dunas em que ficava parte da aldeia, estando de um lago a lagoa, o rio e a vegetação e de outro o mar. Havia uma pequena base do Projeto Tamar, cuja visita era paga. Não a visitei, pois pretendia ir para a Praia do Forte. Uma foto de uma praia em Arembepe está a seguir. Ao longo do caminho achei as praias belas. Tomei um banho de mar, que estava tão bravo e com correntes erráticas, que me levou para um buraco. Chegando à Barra do Jacuípe, um barqueiro atravessou-me por R$ 2,00 em dinheiro. Uma foto de lá segue abaixo. Caminhei de lá até a Barra do Pojuca, passando por praias que achei bonitas. Não consegui atravessar andando a Barra do Pojuca. Tentei sem a mochila, mas a forte correnteza me fez crer que com a mochila não conseguiria. Não havia mais barqueiros, pois era perto de 17h. Peguei a estrada então e fui até a cidade, mas não encontrei pousadas baratas. Resolvi pegar o ônibus para a Praia do Forte, onde sabia que tinha um hostel. Paguei R$ 3,00 em dinheiro pelo ônibus. No ônibus começou uma conversa exacerbada entre amigos sobre política, com um dizendo que o Brasil era socialista e por isso estava nesta situação e outro falando contra o presidente, o que confirmou a polarização existente atualmente. Fiquei no Praia do Forte Hostel (https://www.albergue.com.br), pagando R$ 70,00 em dinheiro por uma cama em quarto compartilhado, com direito a bufê de café da manhã. Comprei espaguete por R$ 2,40, legumes (chuchu, pepino) e laranja por R$ 1,91, tudo com cartão de crédito, cozinhei o espaguete e os jantei. De sobremesa comi biscoitos de maisena cortesia do hostel. Fiquei sabendo que meu primo havia sofrido um ataque cardíaco e partido inesperadamente deste mundo por volta de 11h da manhã. Na 2.a feira 29/07 comecei o dia tomando o excelente café da manhã oferecido em forma de bufê, com pães, ovo, banana assada, frutas, bolos, sucos (umbu, laranja), etc. Choveu bem cedo e depois a chuva retornou após as 13h30, parou perto de 15h e voltou no fim da tarde. Fui visitar o Projeto Tamar (https://www.tamar.org.br). Achei espetacular . Havia tartarugas de 4 espécies, tartarugas albinas, tubarões, arraias, vários tipos de peixes, tartarugas pequeninas recém-nascidas, esqueleto pré-histórico, carapaças, cinema referente ao projeto, exposições etc. Havia também momentos em que os tratadores iam alimentar os animais com a presença do público. Havia muita gente visitando, incluindo muitos estrangeiros e muitas crianças. O ingresso custava R$ 26,00, mas hóspedes do hostel tinham entrada gratuita a qualquer hora e dia em que estivesse aberto. Era permitido passar a mão nas arraias. Após conhecer boa parte e fazer a visita guiada pela manhã, fui à foz do Rio Pojuca, que não tinha conseguido atravessar. Pela praia era bem mais perto. Tomei um banho no mar bravo. Voltei para completar a visita ao Tamar e ver as alimentações da tarde, incluindo a dos tubarões. A vista do mar a partir dos fundos do Projeto Tamar também me pareceu muito boa. Havia também um farol para navegação e uma igreja antiga nas imediações. No hostel conheci franceses e brasilienses. Jantei espaguete com um pouquinho de arroz (peguei das comidas compartilhadas), pepino, chuchu, laranja e biscoitos de maisena. Na 3.a feira 30/07 depois do bufê no café da manhã, fui explorar outros pontos da região. Peguei a trilha do Parque Klaus Peters, com vegetação da restinga, com várias informações, de que muito gostei. Voltei pela avenida e fui visitar o Projeto Baleia Jubarte (http://baleiajubarte.org.br). A entrada custava R$ 10,00, mas também era gratuita para hóspedes do hostel. Gostei do projeto, embora não o tenha achado tão espetacular quanto o Tamar, pela falta de animais vivos. Mas havia muitas informações, exposições, cinema e um esqueleto de baleia. Depois de lá peguei a trilha para o castelo. Achei bonita a vista da lagoa urbana. Não entrei no castelo, que era pago (R$ 15,00, com 50% de desconto para hóspedes do hostel). Na volta, depois de fazer a saída do hostel, ainda passei no Projeto Tamar para rever alguns itens de que tinha gostado e tirei fotos das tartarugas albinas e de um dos tubarões lixa Após isso rumei para Imbassaí, que não era muito longe e onde havia outro hostel mais barato, até onde eu sabia. Comecei a caminhar perto de 15h e cheguei lá perto de 17h. Achei muito bonitas as praias do caminho. Tomei 2 banhos de mar. Elas pareciam ter pedras ou corais no fundo. O mar novamente era bravo e uma onda me pegou no raso e me fez dar um giro involuntário de 360 graus. Fiquei hospedado no Eco Hostel Lujimba (https://www.imbassaihostel.com.br/?lang=pt), por R$ 35,00 em dinheiro a cama em quarto compartilhado, sem café da manhã. O dono era o argentino Roberto, mas já bastante aclimatado ao Brasil. Lá fiquei no quarto com um casal que morava na Escócia, em Edimburgo, um deles brasileiro e o outro escocês, que estava ali fazendo trabalho voluntário no hostel. Havia também um húngaro que falava fluentemente português. O hostel era numa estrada de terra e tinha um bosque dentro de suas dependências. Tinha um espaço num andar superior com símbolos de várias religiões, principalmente orientais, e ambiente para ioga, meditação e descanso. Comprei espaguete por R$ 1,85 e vegetais (abobrinha, mandioca, limão e laranja) por R$ 2,73, ambos com cartão de crédito, cozinhei o espaguete e comi no jantar com os vegetais. Na 4.a feira 31/07 comi a laranja no café da manhã. Roberto contou 2 histórias. Disse que um rapaz estava caminhando por uma estrada, um carro passou por ele e percebeu que nos próximos 100 km não havia vestígios de civilização. O caminhante tinha barba e cabelo parecidos com os de Jesus. O homem do carro voltou os 100 km e deu carona para o caminhante até passar por aquele trecho deserto. Com isso ele andou 200 km a mais do que precisaria. A outra história foi de uma mulher negra de cerca de 60 anos que ele viu andando nua na estrada, equilibrando uma bandeja na cabeça. Ele falou que ela tinha a postura de uma rainha. Parecia um orixá. Depois do café fui conhecer o bosque interno e a área de meditação e ioga. Despedi-me deles e parti. Depois que saí comprei pães, comi 4 para complementar o café e guardei 5 para o decorrer do dia. Paguei R$ 3,00 com cartão de crédito por eles. O dia inteiro foi de sol e achei as praias muito bonitas. Passei pela Costa do Sauípe, com suas acomodações luxuosas. Sua praia estava cheia de pessoas. Quando cheguei ao canal para atravessar para Porto Sauípe, percebi que não dava para atravessar andando. Vi um homem do outro lado e gritei para ele, mas ele ou eu não conseguimos nos ouvir. Resolvi então atravessar a nado para poder conversar com ele. Ele era Jorge, dono de barraca da praia e de um barco. Perguntei se ele poderia me atravessar com o barco, mas ele me disse que o barco estava fundeado e que devido às chuvas, seria problemático liberá-lo e depois ancorá-lo novamente. Perguntei se tinha uma tábua ou algo parecido e ele me disse que cuidava das pranchas dos salva-vidas e que eu poderia usar uma. Achei a solução perfeita. Mas fazia muito tempo que eu não usava uma prancha e estava completamente sem experiência. De qualquer modo, peguei a prancha e atravessei em cima dela, com facilidade. Ele me alertou que ela estava de ponta cabeça, pois o leme estava aparente. Coloquei a mochila nas costas, virei a prancha e fui bem para a ponta perto do mar, onde ele recomendou, para aproveitar a corrente. Mas eu não parei para analisar direito a situação e segui o que ele falou sem pensar mais profundamente. A travessia ia indo bem, até que quase no fim eu vi o barco ancorado e vi que tinha que desviar dele e de suas cordas. Rapidamente tentei fazer isso antes de bater, mas as cordas pegaram no leme da prancha e ela quase virou. Eu, com minha falta de experiência com pranchas, estava muito à frente, o que dificultou ainda mais o equilíbrio. Depois de bater nas cordas e a prancha quase virar, consegui me reequilibrar e remei com as mãos para desviar das outras cordas e consegui chegar à margem. Jorge havia pulado na água, achando que eu não iria conseguir. Gritei para ele não fazer aquilo, mas acho que ele ficou preocupado. Depois de sair da água, agradeci, pedi desculpas pelo incômodo dele ter-se molhado e guardei a prancha onde a tinha pego. Quando a prancha quase virou, a mochila forçou minhas costelas e elas ficaram doloridas. Essa dor arrastou-se por vários dias. Segui pelas praias, que continuei achando muito bonitas. Peguei 3 cocos que estavam no chão, 2 com muita água e massa e o 3.o eu levei na mochila, após desbastar a parte externa. Passei por uma praia de nudismo, mas como estava deserta, pude ficar vestido. No entardecer tirei esta foto, já perto da chegada à cidade de Subaúma. Ao chegar, encontrei J Jr na praia e ele me recomendou ir à Pousada da Didi (http://pousadadadidi.com), que achava ser a mais barata da cidade. Fui até lá e apesar do preço regular ser R$ 60,00, ela me cobrou R$ 30,00 em dinheiro por quarto privativo, com banheiro interno e com café da manhã. Ainda me ofereceu o jantar, mas eu achei que era demais e somente comi um pouco do cozido que ela havia feito para não a deixar chateada. Douglas e Valdo foram os funcionários (afilhados) que me atenderam. Valdo abriu o coco para mim. Fui comprar banana e chuchu por R$ 0,85 em dinheiro para juntar com o resto do espaguete que eu tinha. Cozinhei o espaguete no fogão dela, misturei com o chuchu, banana e coco, e peguei um pouquinho do cozido de legumes que ela tinha feito. Ao ir fazer compras conheci um artista de Salvador que morava lá e pretendia pintar a partir de uma foto aérea da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim de Salvador. Douglas assistiu comigo o jogo do Flamengo com o Emelec pela Libertadores à noite. Ele era flamenguista e ficou feliz com a vitória nos pênaltis, apesar de ter sofrido um pouco, embora parecesse bastante confiante. Na 5.a feira 01/08 senti a dor nas costelas bem maior ao acordar. Tomei o café da manhã ofertado por Didi (5 pães com margarina e queijo tostados, cuscuz, café e leite em pó). Ela me contou que o médico disse que ela tinha 2 anos de vida, estava com cirrose hepática e anemia e não podia fazer transplante por ter 80 anos. Ela era diabética e tomava insulina. A situação me comoveu, mas faz parte da vida. Talvez a visita de um “nem tão jovem” estranho tenha alegrado um pouco aqueles momentos e a feito lembrar de seus filhos. Até por isso talvez ela tenha querido ser tão gentil e generosa. Saí perto de 8h30. Antes de começar a caminhada visitei a Igreja do Bonfim, simples, antiga e bonita. Encontrei o rio próximo na maré vazante, mas ainda bem cheio. Fiz um teste de travessia sem a mochila e consegui passar com água quase no pescoço. Fui então com a mochila na cabeça, tateando o chão com os pés e consegui passar sem molhar a mochila. Achei as praias do percurso muito extensas e bonitas. A foto de uma delas está a seguir. Começou a aparecer uma bolha no local do pé que eu havia cavocado e que tinha ficado com a carne exposta. Cheguei perto de 13h, pois a próxima parada era distante e achei que não valia a pena continuar. A Pousada Litoral, da proprietária Nete, aparentemente não quis me hospedar, provavelmente pela minha aparência de andarilho. Sua conhecida da Associação de Artesãos havia ligado para ela e ela disse que havia vaga a R$ 50,00 a diária. Mas quando cheguei lá, notei a cara de espanto da funcionária ao me ver, que disse que ela não estava, depois disse que não estava conseguindo falar com ela e por fim, o homem que estava na área da entrada subiu até onde ela estava e voltou dizendo que não estavam hospedando ninguém porque estavam em reforma. Propus-me a mostrar meus documentos, mas eles repetiram que estavam em reforma e eu me fui. Fiquei na Pousada Destaque (https://www.facebook.com/pousadadestaquebaixio) de Paulo, pagando R$ 60,00 com cartão de débito em quarto privado, sem direito a café da manhã. Depois de me acomodar saí para dar um passeio nas imediações, conheci a Associação dos Artesãos e fui andar na praia. Entrei levemente no mar, que estava muito bravo e depois nadei numa lagoa próxima. Vi o pôr do sol a partir da barra do rio que ficava após a cidade. Comprei chuchu e pepino por R$ 1,41 com cartão de crédito. Paulo deixou-me usar a cozinha e eu cozinhei espaguete e jantei com os legumes comprados. Conversei com ele sobre seu antigo trabalho de motorista de carreta, suas atividades atuais como mecânico e outras. Ele tinha 70 anos e estava aposentado há 22, mas achei que aparentava bem menos, com sua enorme vitalidade. Na 6.a feira 02/08 Paulo ofereceu-me café da manhã sem estar na diária. Perguntei-lhe se não iria dar prejuízo, mas ele fez questão. Comi ovo frito e cuscuz. Ele me ofereceu também pães e leite, mas eu procurei não abusar e fiquei só nos dois primeiros. Conversamos sobre minha viagem e ele falou das dificuldades com os rios e as travessias que eu iria encontrar à frente. Comprei pães por R$ 2,80 em dinheiro para complementar o café e usar ao longo do dia. Comecei a caminhada e logo de saída era necessário atravessar a barra do rio. Um morador local e pescadores orientaram-me sobre por onde ir. Fiz o teste sem a mochila, mas achei que não conseguiria, pois a água parecia que iria me encobrir, além da correnteza que poderia me desequilibrar. Voltei para margem no momento em que por coincidência chegavam pescadores que iriam atravessar o rio. Eles me deram carona em seu barco e me deixaram do outro lado, onde ficariam. Conversei com o filho de um deles de 13 anos, que parecia meio desmotivado com a escola, mas gostava de pescar. O pai desejava que ele estudasse. As praias do caminho eram longas e desertas e me pareceram belas. Quando cheguei na Barra do Itariri gritei para pessoas do outro lado para perguntar como atravessaria. Elas foram chamar o dono de um estabelecimento que me orientou onde eram os melhores pontos. Fiz teste sem a mochila por onde ele indicou, peguei bancos de areia e consegui, mas machuquei levemente minha perna numa pedra. Depois, com a mochila, consegui pegar um caminho um pouco melhor, sem pedras, e a travessia foi mais fácil. Parecia haver areia movediça no fundo em alguns trechos. Ao longo do dia tomei 2 banhos de mar, que continuava bravo. No segundo banho, com a maré subindo, o mar derrubou-me novamente, com a força das ondas e as correntezas sem direção definida. Peguei um coco na praia, que tinha água e um pouco de massa. Cheguei a Sítio do Conde perto de 16h. Fiquei na Pousada Santa Maria (https://www.cylex.com.br/conde/pousada-santa-maria-11111375.html) por R$ 30,00 em dinheiro, da proprietária Dulce e sua filha Márcia. O filho de Dulce tinha algum problema de deficiência mental e me perguntou repetidamente se eu era da Polícia Federal ou da Receita Federal ou da CIA. Tentei ainda sacar dinheiro num correspondente bancário do Bradesco indicado por Márcia, mas já havia fechado. Dei um passeio pela pracinha para conhecê-la. Jantei acarajé na mão por R$ 4,00 com cartão de crédito e 3 pães doces por R$ 1,00 em dinheiro. Quando fui entrar a porta estava trancada com um trinco por dentro e minha chave de nada adiantava. A atendente do restaurante foi chamar Dulce batendo em sua janela. Ela veio abrir a porta para mim e disse que pensou que eu já estava no quarto e por isso fechou o trinco. No sábado 03/08 logo cedo comprei pães para servir de café da manhã e peguei um táxi lotação para Conde para sacar dinheiro. Encontrei Márcia e possivelmente a atendente do restaurante anexo à pousada onde eu havia comido os pães na noite anterior, que estavam no ponto de ida também. Aproveitei que lá estava e fui à feira, comprei cerca de 2 kg de tomates por R$ 2,00 em dinheiro. Passeei pela praça e vi a igreja por fora. Peguei táxi lotação de volta, pagando R$ 8,00 em dinheiro por ida e volta. Comprei mais pães para levar para a viagem, somando R$ 5,00 em dinheiro com os comprados logo pela manhã. Deixei chave e papel higiênico com atendente do restaurante, pois Dulce não estava. Saí perto de 9h, mas parei logo a seguir para esperar uma pancada de chuva parar, abrigado numa barraca de praia que estava sem atendimento. Achei as praias bonitas e longas. Tomei vários banhos de mar e 1 banho de rio. Quando cheguei à Barra do Siribinha, um turista carioca, que havia contratado um barqueiro, estava saindo para uma sessão de fotos e depois ir pegar seu carro. Ele concordou em me atravessar e não quis que eu pagasse. O banho de rio foi depois da travessia e a água estava deliciosa e calma para nadar, mas o fundo parecia movediço. Cheguei na Costa Azul perto de 15h30. Era um local isolado, com casas de veranistas, em que as pessoas locais pareciam não estar acostumadas nem confortáveis com pessoas de fora. Geraldo, dono da única pousada aberta, tinha saído para o Conde e eu precisava falar com ele para negociar o preço, que era de R$ 120,00 a diária com café da manhã. Um cachorro seguiu-me até lá. Falei com Reginaldo da barraca, que se dispôs a me ajudar, mas achou problemático eu dormir no banheiro da barraca, pois os clientes poderiam se assustar. Conheci Gílson na praia, que me deu informações sobre a área e outras possíveis pousadas. Ele cuidou da minha mochila enquanto eu nadava e depois me falou que ficou surpreso em como fui longe naquele mar bravo, que novamente me derrubou na saída . Procurei pelas pousadas de que ele falou, mas nenhuma estava funcionando além da que eu já conhecia. Quando saí da Pousada Costa Azul e Geraldo ainda não havia chegado, Gílson convidou-me para ficar em um quarto de hóspedes na sua casa, sem pagar. Não queria abusar da hospitalidade e lhe disse que iria esperar Geraldo mais um pouco. Como ele não chegou e já estava começando a escurecer, resolvi aceitar o convite de Gílson. Informei Reginaldo e o hóspede soteropolitano da Pousada Costa Azul que tinha tentado me ajudar. Fiquei bem hospedado, num quarto nos fundos no 1.o andar com cama, colchão e banheiro anexo no térreo 🙏. Ele ainda me deu água potável. Ofereceu-me suco de goiaba, que experimentei e me emprestou um prato e uma faca para eu jantar sanduíches. Eu comprei pães por R$ 3,00 em dinheiro e juntei com os tomates. Assistimos televisão juntos e conversamos sobre a vida. Ele estava cuidando de alguns problemas de saúde. Sua mulher e parte da sua família moravam em Rio Real. Mostrou-me várias camisas de eventos de que tinha participado. Falou-me de uma baleia jubarte que havia encalhado e de como procederam. O céu noturno estrelado, com a pouca luminosidade do local, pareceu-me lindo. No domingo 04/08 apreciei a paisagem pouco após o nascer do sol, que me pareceu muito bonita vista do 1.o andar. Tomei café da manhã junto com Gílson com sanduíches de pães e tomates. Continuamos conversando sobre vários assuntos. Ao despedir-me ofereci pagar o que estava pagando nas pousadas mais baratas anteriores, mas Gílson não aceitou. Agradeci e parti. Não havia pães para vender, então não pude levá-los para comer ao longo do dia. As praias eram bem longas e retas, e as achei bonitas. Tomei 2 banhos de mar e achei o mar mais calmo em alguns trechos com maré baixa. Uma caminhonete passou correndo do meu lado e me assustou, pois eu só percebi quando ela estava quase a meu lado. Parei no Povoado do Coqueiro, pois sabia que Mangue Seco, logo à frente, provavelmente não teria opções baratas de hospedagem. Pareceu-me que as pessoas dali estavam bem mais acostumadas a viajantes e estranhos. O andarilho Fernando, meu xará, perguntou-me se eu era homem ou mulher. Respondi que era homem, mas tinha virado monge, porém não tinha qualquer tipo de discriminação contra homossexuais. Ele disse que também fazia caminhadas como andarilho e me ofereceu uma blusa de frio, que agradeci mas recusei, pois já tinha uma. Aurora, dona de restaurante e pousada, disse que estava com acomodações ocupadas, mas me ofereceu rede, galpão e banheiro para passar a noite. Ela recordou que seu filho havia ido ao Rio de Janeiro e tinha sido ajudado quando precisou. Eu agradeci, mas fui tentar achar uma pousada. E encontrei. Fiquei na Pousada do Mássimo, o gringo, um italiano de Milão que estava no Brasil há mais de 30 anos. Após ouvir a história da minha caminhada, ele me perguntou quanto eu estava disposto a pagar e eu não respondi, só mencionei quanto tinha pago nas paradas anteriores. Então ele me propôs R$ 30,00 em dinheiro a diária sem café da manhã e eu aceitei. Paguei em dinheiro. Ele me atendeu muito bem. Fui passear na praia e tomei mais um banho de mar. Achei belo o ambiente rural com gado, galinhas, árvores, vegetação, cabras, o caminho etc existente no povoado. Depois fui ao Rio Real, que era divisa entre Bahia e Sergipe. Achei muito bonito o mangue exposto (seco) com maré baixa visto a partir do trapiche sobre o mangue que ia até o rio. A vista a partir do calçadão e do local de embarque também agradou-me, principalmente do rio. Vi o pôr do sol a partir do rio. Começou a chover e eu me abriguei embaixo de uma árvore. Comprei pães por R$ 3,00 em dinheiro. Jantei sanduíches de tomate e pães doces, sendo que achei o pão de coco delicioso . Apareceram mais bolhas no pé direito. Ainda assisti o fim do jogo do campeonato brasileiro. Mássimo foi dormir cedo porque no dia seguinte iria pegar o barco às 4h ou 5h para ir à cidade buscar seu tablet. Dormi mal por causa dos pernilongos, sendo que esqueci de pedir um ventilador para espantá-los. Na segunda-feira 05/08 tomei café da manhã com 8 pães que comprei por R$ 2,00 em dinheiro. Como Mássimo havia saído cedo, deixei tudo como ele tinha pedido e fui embora. Houve chuva rápida na trilha para a praia e eu me escondi embaixo de um coqueiro. O percurso até Mangue Seco era curto. Achei a praia bonita, principalmente as dunas. Passei por pequenas áreas com água rasa e no final atravessei um canal com água pela cintura. Peguei um pouco de chuva quando dava volta no mangue e me abriguei nos arbustos. Achei bonitas as vistas de Sergipe e da foz do Rio Real a partir da curva de Mangue Seco e de cima das dunas. Também gostei da vista dos canais internos do rio e das praias a partir do alto das dunas. Uma foto destas áreas pode ser vista a seguir. Depois de chegar no povoado, apreciar a vista das dunas e a partir delas, tentei conseguir transporte para a Praia do Saco, do outro lado do rio em Sergipe, com frete de retorno de algum barco. Um grupo concordou, mas acabei indo com outro que voltaria antes, com o barqueiro Merreco e 2 paulistanas. Paguei R$ 20,00 em dinheiro pela travessia. Quando falava com o barqueiro do primeiro grupo, vimos botos 🐬 nadando perto da praia. O cruzamento foi com a maré subindo e o mar um pouco agitado, com a lancha batendo nas ondas. Foi desconfortável para mim, que estava no primeiro banco, bati várias vezes a costela e a dor, que estava quase desaparecendo, voltou . Depois de chegar na Praia do Saco, tentei achar uma hospedagem barata, mas não consegui. Peguei então a estrada pelo meio da vegetação de restinga, pois havia um trecho sem praia. Achei muito bela a vegetação e espetaculares as dunas. Num dado momento, saí da estrada e subi em algumas dunas altas para ter uma vista global. Gostei bastante da vista da costa e do rio. Mais para frente consegui voltar para a praia e segui em frente. Tomei um banho de mar, que parecia muito calmo, porém com uma coloração escura, que pensei que poderia ser poluição, mas que provavelmente era devido aos sedimentos, aumentados por causa das chuvas. Ocorreu nova chuva e fiquei abrigado atrás de um coqueiro. Cheguei até a Praia do Abaís, mas não consegui hospedagem barata lá. Comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro e comi como lanche. Resolvi então pegar o último ônibus (18h) até Estância por R$ 7,00 em dinheiro e me hospedar lá. O motorista tinha morado em SP e trabalhado como carreteiro em vários estados e países além de ter sido motorista da Viação Cometa em SP, Rio e Curitiba. Deu-me orientações de em que pousada ficar e como chegar lá. Fiquei na Pousada XPTO (https://www.tripadvisor.com.br/Restaurant_Review-g2344226-d8171017-Reviews-Restaurante_E_Hotel_Xpto-Estancia_State_of_Sergipe.html) por R$ 40,00 com cartão de crédito. Eles também trabalhavam com mecânica de bugues e pude ver algumas carcaças. Comprei pães e vegetais (limão, pepino, banana) por R$ 3,68 com cartão de crédito, juntei com tomates que ainda tinha e jantei sanduíches. As bolhas no pé direito tinham aumentado. Na 3.a feira 06/08 após pagar a diária fui comprar o café da manhã na Padaria Esquina do Pão com pães e queijadas por R$ 4,50 em dinheiro. Adorei a queijada, que era de coco e me lembrou as queijadinhas que comia na infância na Praia Grande em SP. Acrescido de pepino e banana comi os pães como sanduíches na mini rodoviária. Peguei o ônibus para a Praia do Abaís por R$ 7,00 em dinheiro, para continuar do ponto de onde havia parado. Comecei a caminhar cerca de 10h20. Achei as praias extensas e bonitas, em grande parte desertas. A água era escura, cor de terra, e me deixou confuso, pois quando a água é escura em SP eu sempre desconfio de poluição. Mas me explicaram que não era o caso e que eram sedimentos, acentuados pelas chuvas. O mar parecia mais calmo do que no norte na Bahia, mas eu não tomei banho de mar. Alguns bodes começaram a me seguir, mas eu procurei me esquivar, pois se eles se perdessem ou fossem para áreas urbanas achei que poderiam ser mortos ou sofrer algum problema. Cheguei à Praia de Caueira perto de 13h30. Aí era necessário pegar a estrada e passar pela ponte, pois havia o Rio Vaza-Barris, que era enorme e não havia como atravessar pela praia. Achei bonitas as paisagens rurais e a vegetação. Segue uma foto do caminho. Houve chuva em algumas ocasiões e eu me abriguei sob arbustos em duas delas. Encontrei homem com uma bicicleta e vários itens de uma casa, parado no acostamento e abrigado da chuva sob uma lona. Logo à frente, após a chuva parar, ele me passou. Vi araras e 2 arco-íris 🌈 no caminho. A bolha do pé em que havia entrado o estrepe, que eu havia desbastado, incomodou-me bastante , tanto que reduzi minha velocidade, principalmente após pegar a estrada. Achei espetacular a vista a partir da ponte, que cruzei já perto de 17 horas. Decidi então tomar um ônibus para a Praia do Atalaia. Um homem e um policial indicaram-me onde deveria pegá-lo. Para minha sorte vinha vindo um ônibus e mais alguns aparentes trabalhadores rurais ou de construção iriam pegar. Eles deram sinal mesmo fora do ponto e o motorista parou. Paguei R$ 4,00 em dinheiro pela passagem. A cobradora ajudou-me a saber onde descer. Após pesquisar alguns hostels, que me deram informações sobre localização de concorrentes, fiquei no Aracaju Hostel (https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g303638-d15584411-Reviews-Aracaju_Hostel-Aracaju_State_of_Sergipe.html), por R$ 35,00 a diária paga com cartão de crédito, sem café da manhã. Comprei legumes e frutas por R$ 4,62 e pães por R$ 4,22 com cartão de crédito e jantei sanduíches. Houve bastante chuva à noite quando eu já estava abrigado. Decidi estourar as bolhas do pé à noite, o que acho que deveria ter feito antes. Para as atrações de Aracaju veja http://visitearacaju.com.br/leitura/20, http://www.conhecasergipe.com.br/aracaju_pontos_turisticos.asp e https://www.feriasbrasil.com.br/se/aracaju/oqueverefazer.cfm. Os pontos de que mais gostei foram as construções e monumentos históricos e folclóricos, o estádio, os faróis, os parques, as praias, os rios e as histórias do Zé do Peixe e de Marcelo Deda. Na 4.a feira 07/08 tomei café da manhã com sanduíches. Choveu bastante de manhã. Fui conhecer a cidade. Peguei mapa gratuito em agência de turismo. Comecei caminhando pela orla e conhecendo suas atrações. Encontrei uma capivara numa pequena vegetação perto da praia. Visitei monumentos, áreas naturais, igrejas, museus, casas de cultura e arte, centros de artesanato, mercados regionais, Estádio Batistão, memoriais, mirante, faróis, Passarela do Caranguejo, Museu da Gente Sergipana (estava fechado e só vi os painéis de fora), Largo da Gente Sergipana e Espaço Zé do Peixe (já estava fechado, mas a atendente deixou-me visitar ao ver meu interesse). Gostei muito de conhecer a história de Zé do Peixe (https://pt.wikipedia.org/wiki/Z%C3%A9_Peixe) 💙, que me pareceu um exemplo típico de brasileiro simples e generoso, que tinha habilidades destacadas e especiais. Participei de visita monitorada no Palácio Museu Olímpio Campos, antigo palácio do governo. Seguem fotos do Largo da Gente Sergipana. Almocei acarajé por R$ 5,00 em dinheiro. Passei pelo Projeto TAMAR mas não fiz a visita, pois era semelhante ao da Praia do Forte e eu já estava satisfeito com ele. Choveu levemente no fim da tarde. Voltei a pé pela avenida lateral ao mangue. Comprei leite e laranja por R$ 3,83 num supermercado no caminho de volta e pão, queijo coalho e tomate no mercado próximo do hostel por R$ 10,00, ambos com cartão de crédito. Jantei sanduíches de pão, queijo coalho, tomate e mamão, com laranja de sobremesa. Chegou ao hostel um grupo de pessoas de uma empresa terceirizada da Petrobras para monitoramento ambiental de encalhe de animais nas praias do norte da Bahia ao sul de Alagoas. Eles me deram bastante informações sobre as próximas etapas, a maior parte delas bastante precisas e úteis, que me ajudaram bastante. Carlinhos, que havia sido da equipe de operações especiais das Forças Armadas e era responsável pela área do sul de Alagoas, disse-me que em Alagoas minha caminhada iria ficar mais difícil e perigosa. Na 5.a feira 08/08 tomei café da manhã com sanduíches de pão, queijo coalho, tomate, mamão e laranja. Conversei com mulher de 70 anos que saiu do Rio por causa da violência, mudou para Cabo Frio e agora, pela mesma razão, estava mudando para Aracaju. Ela caçoou de mim que estava preocupada, pois todas as vezes que me via eu estava comendo (o café da manhã ou jantar). Fui inicialmente visitar o Farol Cotinguiba e os Parques do Cajueiro e Sementeira. O farol era grande, mas estava pichado. Porém mesmo assim achei-o interessante. O Parque do Cajueiro era pequeno, mas gostei de sua área verde e da vista do rio que o margeava. Um guarda da polícia ambiental veio falar comigo sobre eu estar com calção de banho no parque, que algum pai com criança poderia reclamar e que não era adequado naquele ambiente. Disse-me também para tomar cuidado à noite naquele local. Eu estava de calção de banho porque pretendia ir à praia depois. Gostei do Parque da Sementeira, com sua ampla área, trilhas, lago e seus vários ambientes. Achei interessante o plantio das várias sementes para o futuro por várias pessoas de vários perfis diferentes. Gostei também das homenagens a Marcelo Deda ☝️, cuja história não conhecia bem. Quando saí de lá, dei sinal para 3 ônibus e nenhum parou para mim (tentei mudar a aparência com a camisa dentro e fora do calção, encobrindo-o). Até perguntei para a recepcionista de uma empresa próxima se era por causa da minha aparência com calção de banho, mas ela respondeu que não, que deveria ser alguma coincidência. Decidi ir andando então até o terminal para pegar um ônibus até a praia mais distante, perto do rio, onde 2 dias antes eu havia pego o ônibus para chegar na Praia do Atalaia. No caminho, num ponto mais movimentado havia uma moça esperando o mesmo ônibus que eu pretendia pegar para chegar ao terminal. Aí decidi esperar com ela e o ônibus parou para o sinal dela. Ela ofereceu-se para pagar a minha passagem e antes que eu agradecesse e recusasse, passou o cartão para mim. Fiz baldeação no terminal e pedi para o motorista me deixar no ponto mais distante da praia pelo qual ele iria passar. Deixou-me na Praia do Mosqueiro. De lá fui até a Foz do Rio Vaza-Barris e vi a ponte que eu havia atravessado, numa bela imagem. Havia um farol perto da foz e foi possível ver caranguejos e peixes. Tomei um banho na junção do rio com o mar, num local bem manso, e comecei a caminhar de volta pela praia. Demorei cerca de 3h30 da foz até a Praia do Atalaia. A praia era bem comprida e a água continuava escura, mas mesmo assim tomei banho de mar. Cheguei perto do pôr do sol e um manauara que lá morava, indicou-me o ponto de saída para chegar na rua que levava ao hostel. Comi acarajé num ponto que o vendia lá perto por R$ 5,00 em dinheiro e depois comprei pão, queijo coalho e banana por R$ 8,44 com cartão de crédito. Jantei sanduíches de pão, queijo, tomate, banana e mamão. Havia chegado um pernambucano chamado João, que iria embora de madrugada. Boa parte do pessoal do monitoramento ambiental já havia ido embora, só tendo ficado Carlinhos e outro rapaz da Bahia, que eram dos pontos mais distantes. Com isso alguns detalhes dos trechos futuros eu acabei perdendo. Não houve chuva neste dia. Na 6.a feira 09/08 tomei café com sanduíches, leite, mamão e bananas. Levei 3 sanduíches e 1 banana para almoçar no caminho. Saí pouco antes das 8h. Fui beirando a costa. Passei em trechos com barro, que sujou os pés, grudou no chinelo e dificultou a caminhada. Mas logo consegui limpá-lo em poças de água de chuva. Vi trechos da cidade que não havia visto antes, como parte da orla após a área turística. Vi chuva forte à minha frente e moderada atrás, mas não houve chuva em cima de mim ao longo do dia. Levei um susto quando repentinamente um homem saiu de dentro do mangue no momento em que eu iria tirar uma foto da ponte sobre o Rio Sergipe, mas aparentemente foi indevido, pois não houve nenhuma abordagem. Passei pela mini orla do Bairro Industrial e peguei a ponte. Uma foto da ponte segue. Achei muito boa a vista a partir da ponte. Uma parte dela, referente à parte da cidade de Aracaju está a seguir. Após cruzar a ponte e caminhar pela estrada, cheguei na Praia da Costa em Barra dos Coqueiros cerca de 12h30. Havia uma estátua de um caranguejo próximo à entrada da praia, parecida com a da Passarela do Caranguejo em Aracaju. Achei a praia longa e bonita. A água do mar continuava escura, parecendo barrenta. Tomei um banho de mar. Havia várias plataformas de petróleo ao longo do caminho. Vi também uma revoada de garças. Passei pelo Porto de Sergipe e por geradores de energia eólica. Pretendia ir até Pirambu, mas como atrasei muito em Aracaju, no barro e observando pontos que não havia visto, decidi parar em Jatobá, pois já estava indo para o fim da tarde. Enquanto procurava local para ficar, o zíper principal da mochila quebrou. Fiquei na Pousada das Mangabeiras (http://www.findglocal.com/BR/Barra-dos-Coqueiros/768962416519459/Recanto-das-Mangabeiras) pagando R$ 50,00 em dinheiro por quarto com banheiro sem café da manhã. Choveu um pouco à noite. Comprei pães por R$ 3,00 com cartão de débito e bananas por R$ 2,50 em dinheiro e fiz sanduíches com eles para o jantar. No sábado 10/08 houve chuva pela manhã. A dona da pousada ofereceu-me uma xícara de café com leite e um pão com margarina como cortesia, que aceitei. Saí então para comprar pães e vegetais para reforço do café da manhã e para o almoço. Paguei R$ 2,00 pelos pães com cartão de débito e R$ 1,70 por tomates e limões em dinheiro. Ao invés de fazer todo o caminho de volta pela rodovia para a praia, peguei uma estrada de terra que passava por dentro de um sítio. O dono, que estava trabalhando na beira da rodovia com uma foice, permitiu-me, dizendo que era local de passagem usado pelos moradores locais. Achei a estrada bonita, com lagos, vegetação e pássaros. No caminho encontrei um pai com seus 2 filhos a cavalo 🐎. Após chegar na praia rumei para Pirambu. Foi interessante ver vacas 🐄 pastando com o porto à frente e os geradores eólicos ao fundo. Pareceu-me um retrato da enorme diversidade do Brasil, nos mais variados sentidos. Achei a praia bonita, longa e reta. O mar pareceu-me bravo, mas não tanto quanto no norte da Bahia. Também já não era tão escuro. Comecei a caminhar perto de 9h30, cheguei na ponte do porto, por onde havia passado no dia anterior perto de 10h30 e em Pirambu perto de 13h30. Achei bonita a foz do rio que margeava a cidade e bonita a vista da cidade a partir da ponte. Antes de pegar a ponte passei na Comunidade Quilombola Porto da Barra. Depois de chegar na cidade de Pirambu visitei a Igreja Nossa Senhora de Lourdes, que também achei bela, incluindo uma estátua na praça. A cidade era típica do interior, com bode na rua. Agora, do outro lado do rio, a vista da foz pareceu-me muito bonita, com lagos, conforme fotos a seguir. Fiquei na Pousada Praia Bela (https://www.facebook.com/pages/Pousada-Praia-Bela/183709241981804) pagando R$ 50,00 em dinheiro por quarto com banheiro. Comprei pães por R$ 4,00 com cartão de débito, e tomate e pepino por R$ 4,00 em dinheiro. Na padaria a máquina de cartões disse que a senha do meu cartão de crédito estava bloqueada, o que me deu um susto, mas se revelou falso na compra seguinte. Comprei também limões por R$ 1,02 pagos com cartão de crédito. Depois fui dar um passeio na praia e na foz do rio. Como o tempo estava com ameaça de chuva, que mais tarde veio, apareceram 2 arco-íris 🌈 muito bonitos sobre o mar. Achei o pôr do sol muito bonito com todo este cenário ao redor. Tomei 2 banhos de mar ao longo do dia. Dois jogos de futebol de praia pararam para eu passar andando. Quando percebi, fiquei um pouco constrangido, fui em direção ao mar e disse que podiam continuar. A sede do projeto TAMAR para visitantes estava fechada, pois havia sido transferida para Aracaju. Consertei a mochila com corda de pesca pega na praia e linha que o dono da pousada me deu. Jantei sanduíches com o que havia comprado. No domingo 11/08 tomei café da manhã com sanduíches e preparei sanduíches para o almoço. Houve muita chuva de manhã. Saí por volta de 8h30 da manhã. Passei pela sede do Projeto TAMAR e confirmei que estava fechada. Vi uma possível plataforma de petróleo no mar. Pouco depois de iniciar a caminhada começou uma chuva de moderada intensidade 🌧️. Usei a capa de chuva pela 1.a vez na viagem para proteger a mochila e a mim. Depois de algum tempo a chuva passou e eu e a mochila estávamos razoavelmente secos. A maior parte do caminho foi pela praia da Reserva Biológica Santa Isabel. Achei muito bonita a paisagem da praia e da vegetação. Passei pela Lagoa Redonda, que achei muito bela. Seguem fotos dela. Encontrei uma família logo depois olhando uma possível água-viva ou similar, diferente das a que eu estava acostumado. O filho estava perguntando se dava choque. O pai logo a seguir pegou um siri 🦀 do chão para lhe mostrar e depois jogou no mar. Depois da Lagoa Redonda não encontrei quase mais ninguém. Ao longo do caminho foi possível ver aves, peixes, siris, várias lagoas e uma ampla área preservada com dunas e vegetação. Tomei 3 banhos de mar. O mar era bravo, verde em vários tons. Quando cheguei ao fim da praia, havia uma área elevada que permitia a vista da praia e da barra do rio, de que gostei muito. Uma foto do local segue. Havia árvores com garças lá. Não achei local para pernoitar na Boca da Barra. Fui perguntando e ninguém alugava quarto nem conhecia pousadas próximas abertas. Fui andando até Ponta dos Mangues e me indicaram o Tinha, que alugava quartos. Ele não estava e fui tentar outras opções enquanto esperava que ele voltasse. Não consegui nenhuma, voltei até a casa dele onde ele já havia chegado e lá fiquei por R$ 30,00 em dinheiro, num quarto privativo da casa dele com banheiro dentro. Ele me permitiu usar a cozinha e eu comprei espaguete por R$ 2,50 em dinheiro e cozinhei para o jantar com o resto dos legumes que possuía. Conversei com o Tinha sobre o povoado, a vida lá no presente e passado, e informações sobre a próxima etapa da viagem. Ele contou que o asfalto havia chegado em 1996 e logo depois chegou a água encanada e a energia elétrica, o que mudou muito a vida deles. Contou que os partos antes eram feitos por parteiras que iam às casas e quando era à noite usavam lampiões durante o procedimento. Houve muita chuva à noite. Na 2.a feira 12/08 comprei pães por R$ 3,00 em dinheiro e tomei o café da manhã com sanduíches. Houve muita chuva ao amanhecer. Tinha falou-me que não dava para ir pela praia porque havia estourado uma barra no mangue (costinha), segundo seu irmão. Pouco depois seu irmão estava passando pela rua a cavalo e ele o indicou para mim. Fui até ele e ele confirmou. Despedi-me do Tinha e fui ao porto para confirmar uma última vez a informação e decidir se iria pela estrada ou arriscaria ir pela praia. No porto os barqueiros confirmaram e então decidi ir pela estrada rural, que passava pelo pantanal de Sergipe, que achei muito belo, onde havia pássaros (acho que até alguns tuiuiús), área de mata, pequenos povoados e propriedades rurais simples. Uma foto pode ser vista a seguir. Na estrada senti cheiro de flores, havia muitas poças de água por causa da chuva e gado em áreas alagadas das propriedades rurais. Saí perto de 8h e cheguei perto de 13h em Saramém. Edileusa, professora ou diretora da escola, permitiu-me ficar numa casa que ela alugava, mas que estava sem móveis dentro, nem cama tinha, e não quis cobrar nada 🙏. Ela me emprestou uma esteira para eu poder dormir em cima. Comprei legumes (chuchu, pepino, tomate, cebola, cenoura e limão) por R$ 4,25 e encomendei pães para a noite por R$ 5,00 na Mercearia da Jane, ambos pagos em dinheiro. Fui conhecer o porto e parte da orla do Rio São Francisco. Achei linda a vista da foz. Os habitantes locais orientaram-me sobre o caminho a seguir. Encontrei homem que criava camarões perto do fim da estrada pública e conversamos sobre a vida ali e o trabalho deles. Tomei banho no rio e achei a correnteza forte. À noite dormi na esteira no chão, em que tive dificuldade de achar uma posição confortável. Houve muitos mosquitos, posto que não havia ventilador. Provavelmente um cachorro arranhou fortemente a porta da casa durante a noite. O barulho e as músicas cessaram às 22h. Na 3.a feira 13/08 comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro e tomei café da manhã com sanduíches. Arrumei a casa e devolvi a esteira e tudo mais para Edileusa que não quis aceitar pagamento nenhum. Ela me ofereceu lanche com batatas-doces cozidas, mas eu educadamente recusei. Fui então procurar uma forma de atravessar o Rio São Francisco. No dia anterior tinham-me dito que as vendedoras de cocada atravessavam o rio todas as manhãs e que eu poderia ir com elas. Mas antes apareceram algumas mulheres que iriam vender artesanato do outro lado e eu fui com uma delas e seu marido. Achei linda a foz do Rio São Francisco, vista do meio do rio. Dava também para ver o farol e o Povoado Cabeço, que o mar e o rio engoliram. O farol já estava bem rio adentro. O povoado tinha sido abandonado. Ainda bem que eu não fiz a caminhada pela praia no dia anterior, porque além da barra de mangue que havia estourado, eu não teria conseguido passar por ali. Paguei R$ 8,00 em dinheiro pela travessia, que era pouco mais da metade do que as vendedoras pagavam por ida e volta (R$ 15,00). Do outro lado da margem, já em Alagoas, achei a área linda, com coqueiros e lagoas. Seguem fotos de lá. Algumas pessoas esperavam turistas que viriam de barco para uma feira de artesanato. Houve uma chuva rápida e eu me abriguei num coqueiro. Depois caminhei em direção a Pontal do Peba. Achei lindo o trajeto pela praia, com dunas enormes em sequência, algumas somente de areia e outras com um pouco de vegetação. Encontrei uma tartaruga morta 🐢. Tomei banhos de mar. A água estava com aspecto verde-claro. Fiquei na Pousada O Samburá, de Dona Francisca, pagando R$ 60,00 em dinheiro por um quarto com banheiro interno e sem café da manhã. Assim que cheguei avisei Carlinhos, do monitoramento de animais, sobre a tartaruga morta, enviando-lhe a foto. Ele me falou para ir até a 1.a barraca da praia (Barraca Pôr do Sol) e encontrar Wellington quando estivesse chegando, mas eu respondi que já havia passado por lá e já estava instalado. De qualquer modo, perto do fim do dia passei por lá, não encontrei Wellington, mas deixei o recado com a barraca vizinha. Aproveitando que ainda era cedo, fui dar um passeio pelas dunas. Achei-o magnífico. Atravessei uma área na praia onde havia animais de criação e subi em uma delas. Depois andei por várias outras apreciando a paisagem do mar, da praia, de lagoas, das outras dunas, dos rebanhos bovino e caprino e do outro lado, em que havia uma plantação de coqueiros 🌴, além da vista que ia longe, mostrando bastante daquela região de Alagoas. A areia das dunas pareceu-me dura em vários pontos. Encontrei mais uma tartaruga morta e uma cobra do mar (ou peixe com formato de cobra) morta. Carlinhos disse-me que ali era uma área recordista em mortes de tartarugas marinhas. Comprei pães, queijada e legumes (tomate, cebola e banana) por R$ 9,66 com cartão de crédito para o jantar. Aproveitei e visitei a igreja. Interessante como a faixa de areia na maré baixa transformava-se em uma pista para motos, carros e até ônibus. Ao voltar para a pousada, conversei com o marido da Francisca, que estava insatisfeito com o Ibama e responsabilizava o povo pelas mudanças naturais que vinham ocorrendo. Jantei sanduíches. Na 4.a feira 14/08 tomei um banho de mar loga após acordar, pois a entrada da pousada era pela areia da praia. Tomei café da manhã com sanduíches. Comprei pães por R$ 2,00 com cartão de crédito. Parti rumo a Coruripe. Achei as praias muito bonitas, com muitos coqueiros. Tomei banho de mar. Havia várias pessoas pegando massunins (mariscos, moluscos) na beira do mar para comer. Houve chuva breve em alguns períodos pela manhã. A partir das 13h30 houve chuva contínua 🌧️, que engrossou em alguns momentos, o que se acentuou pelo vento. Num primeiro momento abriguei-me numa cabana de palha por algum tempo. Depois fui pela estrada a partir de Miai de Cima, porque várias pessoas locais, pescadores e moradores, disseram-me para não passar no mangue em Barreiras, pois havia um núcleo de tráfico de drogas e iriam incomodar-se com um estranho ou me assaltar. Ali havia um rio e eu precisaria cruzar o mangue para chegar à estrada. Achei bela a paisagem rural, tanto no pequeno caminho de terra como na rodovia principal. Havia canaviais e coqueirais intercalados. O mar tinha uma cor verde que achei linda. Achei bonitas as áreas verdes na periferia de Coruripe. A chuva persistiu no começo da noite. Fiquei na Pousada e Motel São João por R$ 30,00 com cartão de crédito, num quarto com banheiro privativo e TV. Comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro, laranja, tomate e batata-doce por R$ 1,21 com cartão de crédito e chuchu por R$ 1,00 em dinheiro para o jantar e café da manhã. Não pude cozinhar espaguete nem batata-doce porque a cozinha estava com roupas estendidas para secar e a responsável me disse que iria passar o cheiro para elas se eu cozinhasse. O atendente da tarde havia mostrado a cozinha para mim, que estava sem as roupas, e dito que eu poderia usá-la sem problemas. Nesta situação acabei jantando sanduíches. Na 5.a feira 15/08 comprei pães regulares e 2 pães de queijo por R$ 3,00 em dinheiro e comi sanduíches no café da manhã acrescidos dos pães de queijo, que achei deliciosos . Saí para ir até o outro lado da barra do rio por onde não havia passado devido ao problema da criminalidade. No caminho visitei Mirante da Imaculada Conceição e sua igreja. Fui até a praia do pontal e caminhei até a barra do rio. Achei a vista muito bela. Pena que não pude andar o trecho completo do outro lado por causa da criminalidade. Havia várias pessoas coletando massunins (mariscos, moluscos) na praia e, quando perguntei, disseram que poderia ir sem problemas até a margem do rio, mas que não era para atravessar devido à criminalidade. Comecei minha caminhada rumo às Dunas de Marapé perto de 10h. Achei as praias muito bonitas, curvas, com mar verde e coqueiros. Segue a foto da Praia de Minha Deusa em Coruripe. Disseram-me que havia possibilidade de cachorros 🐺 bravos soltos em uma casa na praia, mas aparentemente o dono os havia prendido naquele dia. Havia muitas rochas em vários trechos do mar, algumas cobertas com algas. Tomei banho de mar na barra de um rio (acho que era o Rio Poxinzinho). Verifiquei a possibilidade de travessia com a mochila e achei que não dava. Aí vi um casal pegando siris e gritei para eles. Achei que eles não me haviam ouvido e atravessei o rio a nado para conversar com eles. Mas eles me haviam ouvido e o homem já estava vindo em direção à canoa para me atravessar. Atravessei de volta a nado e o homem veio com a canoa atrás. Então atravessei com ele de canoa. Ofereci-lhe pagamento, mas ele não quis. Prossegui a caminhada e cheguei na margem do Rio Jequiá. Continuei achando as paisagens lindas, especialmente a do encontro do rio com o mar. Nadei novamente na foz do rio, que estava muito calmo e delicioso. Um barraqueiro e uma operadora de travessia do rio deram-me informações sobre a área. Pretendia hospedar-me ali, mas os valores eram altos, então resolvi ir até a cidade de Jequiá da Praia, a cerca de 4 km. Fui pela estrada, em que achei belas as paisagens rurais também. Lá fiquei na Pousada Thieta (https://www.facebook.com/pousada.thietadoagreste/timeline?lst=100005659626174%3A100004063516724%3A1570293269), da Rosângela, por R$ 40,00 em dinheiro, num quarto com banheiro e TV. Comprei pães por R$ 3,00, vegetais (tomate, laranja e pepino) por R$ 2,50, mais pães e uma brasileirinha por R$ 2,00, tudo pago em dinheiro. Jantei sanduíches. Na 6.a feira 16/08 comprei pão por R$ 2,00 em dinheiro e comi sanduíches no café da manhã. Saí perto de 8h e comecei minha caminhada. Fui por uma estrada de terra enlameada, devido às chuvas recentes, até a praia. Achei bonitas as paisagens rurais, com pequenas propriedades nas laterais. Lembrou-me o livro e o filme São Bernardo, de Graciliano Ramos. Chegando na praia resolvi voltar até a barra do Rio Jequiá e as Dunas de Marapé, pois não havia passado por este trecho. O responsável pelo receptivo turístico existente no local deixou-me subir no mirante para apreciar a vista. Segue uma foto de lá. Saí rumo à Barra de São Miguel perto de 9h30. Ao longo do dia houve chuva intermitente, com períodos de média intensidade, que parecia mais forte devido ao vento vindo do mar. Achei as paisagens bonitas até a Lagoa Azeda, com vegetação e mar verde. Daí em diante começaram falésias que achei espetaculares. Talvez tenham sido as paisagens de que mais gostei na viagem. Seguem algumas fotos de falésias deste trecho. Fiquei encantando com a diversidade de formas, muitas que a mente podia livremente associar ao que desejasse, com as cores múltiplas nas várias camadas, o tamanho e a extensão das falésias, que se estendiam por quilômetros. Com a chuva, a paisagem ficava ainda mais bela, pois em alguns pontos escorriam sedimentos, tornando a coloração dinâmica e misturada. É como se em alguns trechos fosse um bolo seco e em outros um bolo com calda multicolorida escorrendo. Em alguns pontos havia corredores de entrada e se podia ir ver mais de perto as estruturas das falésias, como se fossem clareiras. Em alguns pontos havia lagoas combinadas com as falésias, o que tornava a paisagem mais bela. Num determinado ponto, a chuva apertou 🌧️ e eu me abriguei num barracão de uma fazenda, na beira da praia, uma aparente construção sendo feita, que ficava num trecho entre duas cadeias de falésias. Abriguei-me por mais de meia hora, admirando a lagoa que ficava a seu lado. Após a chuva amainar, continuei e passei por um trecho em que havia um local elevado nas falésias, em que era possível subir para admirar a vista. Segue a foto de lá. Pouco mais para a frente, já perto da Praia do Gunga, cruzei com muitos quadriciclos com turistas fazendo passeios. Eles vinham pela estrada lateral e eu pela areia da praia, perto do mar. Cheguei à Praia do Gunga perto de 16h30. Achei-a bonita e também bela a vista do outro lado do enorme rio. Tomei um banho de mar em sua foz, pois ao longo do caminho havia muitas pedras no mar e eu não quis entrar. Não fui ao Mirante do Gunga, pois teria que pagar R$ 3,00 e eu já estava muito mais do que satisfeito com as paisagens espetaculares vistas ao longo do dia. Peguei a estrada para ir à Barra de São Miguel, pois o rio era enorme e era necessário pegar a ponte. Achei bonita a paisagem rural e pude ver o pôr do sol a partir da ponte, que me pareceu lindo. Caminhei um pouco no escuro, talvez perto de duas horas. Havia muito movimento na estrada, provavelmente para Maceió. A chuva voltou e apertou. Já bem adiantado, cruzei com algumas moças e lhes perguntei quanto faltava. Uma delas riu e disse que no meu “andandinho” demoraria 1 hora, mas que se acelerasse chegaria em meia hora. Fiquei no Natu’s Hostel (https://www.natushostel.com) por R$ 49,00 com cartão de débito, sem direito a café da manhã. Comprei legumes (tomate, beterraba, chuchu) para o jantar e o café da manhã e bolacha para o café da manhã por R$ 5,59 com cartão de crédito. Quando estava indo para o supermercado, numa rua escura, bati o pé numa estaca e caí. Só machuquei o dedo, pois me protegi da queda. Um carro que passava nem se importou com o ocorrido 😒. Jantei espaguete, batata-doce e legumes, sendo que os 2 primeiros já estavam a um bom tempo comigo, esperando a disponibilidade de um fogão. Conversei com Brasil, o dono do hostel, sobre minha viagem e locais de Alagoas e do Nordeste. Ele era vegano e fazia passeios personalizados exclusivos, por locais fora dos roteiros comuns. O hostel era voltado para preservação da natureza. Havia um cachorro 🐕 salsicha muito amoroso. Eu notei que perdi o pente, provavelmente o tinha esquecido na Pousada em Coruripe. No sábado 17/08 nadei na piscina do hostel logo após acordar. Depois tomei café da manhã com legumes e bolachas. Dei uma volta pelo hostel para conhecê-lo e saí perto de 9h. Comecei indo até a praia de onde se avistava a Praia do Gunga do outro lado do rio. Depois voltei e fui rumo a Maceió. Em vários pontos da caminhada havia trechos em que na maré baixa recifes ou rochas represavam o mar e quebravam a força das ondas, formando piscinas naturais. Achei as praias bonitas, com muita gente em alguns pontos, como na Praia do Francês. Comprei R$ 2,00 em pães para o almoço com dinheiro. Não consegui atravessar a 1.a lagoa andando. Tentei ir pelo mangue, mas na borda vi que não dava. Fui pela pista e pela ponte, da qual achei a vista muito bela. Tentei circundar a orla entre a 1.a e a 2.a lagoas, mas a maré alta impediu a partir de um certo ponto. Então fui pela avenida da orla e peguei a estrada para Maceió. No início o acostamento era na parte central da estrada. Achei interessante a paisagem com vegetação e áreas rurais, apesar do enorme movimento da estrada. Gostei muito da vista a partir da 2.a ponte, já na chegada a Maceió. Na avenida da orla de Maceió estava havendo uma corrida do exército, com muitos participantes e trânsito parcialmente interditado. Havia uma enorme instalação da Braskem na orla. Achei a orla bastante extensa. Fui em direção à Praia de Pajuçara. Lá perto um rapaz localizou pelo celular o hostel em que eu pretendia ficar. Fiquei no Paju Hostel (https://www.facebook.com/pajuhostel-107380930640086) pagando R$ 25,00 em dinheiro por cama em quarto compartilhado, com direito a café da manhã. No quarto estava um capixaba que fazia curso de cozinheiro embarcado, um paulistano que escrevia sobre pontos turísticos pouco conhecidos da cidade de São Paulo e mais um outro. Havia também uma família em outro quarto. Comprei vegetais (pepino, abobrinha, beterraba, chuchu, mandioca e banana) e macarrão por R$ 8,22, e pães por R$ 2,00, ambos com cartão de crédito. Jantei espaguete com legumes. banana e pães doces de sobremesa. Achei o efeito do ar-condicionado do quarto bem forte e a ventilação dele vinha diretamente em cima de mim, que estava na cama alta do beliche. Usei agasalho para dormir. Para as atrações de Maceió veja https://www.tripadvisor.com.br/Attractions-g303216-Activities-Maceio_State_of_Alagoas.html e https://guia.melhoresdestinos.com.br/o-que-fazer-em-maceio-143-1505-p.html. Os pontos de que mais gostei foram as praias, os itens culturais, folclóricos e históricos, os mirantes e a orla. No domingo 18/08 tomei o café da manhã ofertado pelo hostel, que achei excelente pelo preço (macaxeira, cuscuz, tapioca de coco, ovos, pão com margarina e queijo, mamão, melancia, sucos de manga e abacaxi, e iogurte). Saí para passear, peguei mapa turístico gratuitamente no quiosque, visitei Memorial Teotônio Vilela, vi as estátuas (Paulo Gracindo etc) e passei pelas jangadas com suas velas estilizadas com vários temas. Seguem fotos de algumas delas. Seguindo, li e apreciei a história e os desenhos no muro sobre a personagem folclórica Jaraguá, que era um fantasma com caveira de cavalo, protetor da natureza. Em seguida fui andar pelas praias até o extremo sul, onde era o encontro da lagoa com o mar, de onde eu tinha vindo, mas por onde não tinha passado, pois havia pego a estrada. Achei as praias muito boas. Fui tentar visitar a Estação Ecológica da Braskem que havia visto no dia anterior, mas estava fechada. Depois da ponte as praias estavam quase desertas, com uns poucos banhistas e pescadores. Havia uma enorme área da Marinha abandonada. Achei a lagoa muito bonita, agora vista do outro lado. Pude ver o trecho pelo qual havia passado no dia anterior, o ponto antes da 1.a lagoa em que tinha tentado atravessar pelo mangue e as partes em que não tinha podido andar por causa da maré alta. A distância até o outro lado pelo mar era pequena, bem menor do que a que eu tinha andado pela estrada. Tomei um banho delicioso na lagoa, porém afastando-se da margem a correnteza tornava-se forte. Tomei também um banho de mar. Voltei pela praia e já perto da área mais central saí para visitar o Memorial à República, o Museu Antropológico e Folclórico Théo Brandão, capela e praças. O museu tinha muitas imagens e itens e achei bastante interessante ☝️. Ao longo do dia vi as estátuas (leão, sereia e boi) nos diversos pontos da orla. Visitei também a feira e o pavilhão de artesanato. O mar ficava com uma cor verde linda ao entardecer . À noite voltei para dar um passeio na orla e vê-la com iluminação noturna. Jantei espaguete com legumes e banana. Na 2.a feira 19/08 tomei o café da manhã ofertado pelo hostel (cuscuz, pão, margarina, queijo, leite, Nescau, mamão, melancia, sucos de goiaba e outro). A cozinheira estava de folga, então não havia tapioca nem ovo. Fui conhecer o bairro histórico do Jaraguá e o centro. Visitei Museu da Imagem e do Som, Museu do Antigo Palácio de Governo, igrejas, mirantes, praças e monumentos. No bairro do Jaraguá havia várias casas e construções antigas. Na Igreja do Rosário dos Pretos pediram para que eu saísse por causa do calção (que não era de banho), após o atendente da loja ter autorizado a entrada depois de eu pedir várias vezes. Nas outras igrejas deixaram-me entrar sem problemas. Achei interessante a Igreja do Bonfim, com parte de seu formato circular. Achei a vista a partir dos mirantes muito boa, da orla, da costa, da lagoa, da cidade, do estádio e da vegetação mais distante. Passei por murais com história de pessoas famosas nascidas em Alagoas, algumas das quais eu não sabia que eram alagoanas. À tarde caminhei na orla runo ao norte, até o fim da quilometragem marcada para ciclistas e pedestres em Jacarecica (8,2 km). No caminho passei por um farol que com maré alta ficava parcialmente dentro do mar, passei pela Praça Coqueiro Gogó da Ema, que tinha a foto do antigo coqueiro, passei por uma linda lagoa, onde crianças nadavam e mais adiante desviei um pouco para conhecer o Corredor de Artes, que tinha estátuas e esculturas relacionadas a alagoanos, com respectivas explicações. Achei o mar verde e lindo. No fim do caminho tomei um banho de mar. Na orla havia muitos prédios modernos, sofisticados e altos. Na volta esperei o pôr do sol para ver a orla à noite. Gostei da vista das várias partes da orla durante o dia, no pôr do sol e depois de escurecer. Jantei espaguete com legumes, banana e bolacha oferecida pelo hostel como sobremesa. Conversei com André, o capixaba que estava fazendo o curso para ser cozinheiro embarcado, sobre as condições e dificuldades de trabalho embarcado e a diferença de ganho em relação aos cozinheiros regulares de restaurantes. Como 2 hóspedes do hostel haviam ido embora, mudei de cama e o vento do ar-condicionado não vinha mais diretamente em mim, o que tornou a noite mais agradável. Na 3.a feira 20/08 tomei o café da manhã ofertado pelo hostel igual ao do 1.o dia (domingo), substituindo alguns itens por outros. Saí perto de 8h30 depois de me despedir de todos. Fui caminhando pela areia. Quando fui tirar fotos das jangadas ouvi comentários de alguns que lá estavam, talvez jangadeiros ou trabalhadores relacionados à praia, provavelmente invejando a minha vida, achando que era só fumar maconha. Quando tirei o celular da mochila também comentaram e pareceram achar que os andarilhos haviam entrado na era digital 😀. Achei a vista da praia e da orla muito boas. A cor verde do mar parecia linda. Passei por vários rios, todos com a água abaixo da coxa, a maioria na canela, pois a maré estava baixa. Vi várias estátuas no caminho, como a da sereia com golfinho, a de Netuno e a da sereia no recife. Segue uma foto da Praia do Mirante da Sereia. Uma cobra do mar que estava no caminho me deu um bote quando passei perto dela, mas não me atingiu. Perguntei mais tarde a um habitante local e ele me disse que não era venenosa. Havia várias armadilhas para peixes no mar. Quando cheguei a Paripueira, uma catarinense de Bombinhas, que estava acompanhando familiares em um grupo de mais idade, tomou conta da minha mochila enquanto eu tomava um banho de mar. Agnaldo, que estava recolhendo as cadeiras de praia, indicou-me a Pousada Pantanal como a mais barata do local. Aí pesquisei uma outra, mas realmente fiquei lá (https://www.facebook.com/pages/Pousada-Pantanal/712112815506454), por R$ 30,00 em dinheiro num quarto com banheiro e TV, sem café da manhã. Comprei pães, brasileirinha e bolo de milho por R$ 6,50, legumes (tomate, chuchu, berinjela e cenoura) por R$ 2,80, ambos com cartão de crédito, e mamão por R$ 1,00 em dinheiro. Fui até a praia após o entardecer para ver as estrelas e o mar noturno, que achei lindos. Visitei a igreja, que estava em restauração. Perguntei a um homem sobre ida a Barra de Camaragibe e ele me deu instruções. Pouco depois, quando andava numa rua escura lateral à praia, ele parou de moto a meu lado e me deu um susto . Perguntou se lembrava dele e aí eu o reconheci. Ofereceu-me R$ 20,00 para comprar comida durante o trajeto, eu agradeci e recusei. Andei um pouco pela orla e pela areia, mas o lugar estava deserto, sem movimento. Voltei para a pousada e jantei sanduíches, mamão, pães doces e a brasileirinha. Na 4.a feira 21/08 tomei café da manhã com sanduíches e pães doces. Saquei dinheiro do Bradesco e comecei a caminhada perto de 9h15. O dia inteiro foi de sol. Achei as praias belas. A cor da água do mar foi mudando de verde para azul e depois para escura. Encontrei um capoeirista e seu amigo caminhando pela praia. Um cachorro preto latiu para mim e ameaçou atacar-me, mas uma mulher que estava no mar pescando ou coletando seres marinhos, chamou-o aos gritos e ele obedeceu e foi até ela dentro do mar. Cruzei rio raso e depois peguei ponte em Barra de Santo Antônio. Achei a vista a partir da ponte muito bonita. Tomei 2 banhos de mar ao longo do caminho, o primeiro num local quase sem ondas de mar verde. Havia vários trechos com pedras. Havia também vários pontos com armadilhas para peixes no mar. Várias pessoas estavam na areia separando os peixes pegos. Vi várias vezes barcos sendo movidos com toras cilíndricas de madeira embaixo, o que já tinha visto em dias anteriores também. Na Praia do Carro Quebrado vi 2 fuscas e uma Kombi em decomposição. Cruzei a Barra do Camaragibe de barco com 2 paulistas, 1 catarinense e 2 alagoanos, pagando R$ 2,00 em dinheiro. Achei a vista durante a travessia muito bonita. Achei também a Barra do Camaragibe muito bonita. Mara ofereceu casa do seu filho para eu ficar por R$ 30,00, mas a casa não tinha luz nem descarga. Preferi então ficar na Tiriri Guest House (http://www.tiririguesthouse.com), pertencente ao João pagando R$ 50,00 em dinheiro por um quarto com banheiro privativo e TV a cabo e com direito a café da manhã. Comprei pães na padaria por R$ 4,00 em dinheiro e depois a dona ofereceu-me rocambole e torta de doce de leite, que não consegui recusar, pois quando levantei a cabeça após pegar o dinheiro da carteira ela já os tinha colocado num saco e me estava oferecendo. Até falei “não” agradecendo, mas ela fez uma cara de decepção e perguntou porque eu não aceitava, que resolvi aceitar. Comprei também tomate, chuchu e limão por R$ 2,75 com cartão de crédito. Jantei sanduíches. Apreciei a vista noturna a partir da sacada da pousada. Esqueci de apagar a luz do restaurante que João havia pedido antes de dormir. Na 5.a feira 22/08 tomei o café da manhã oferecido pela pousada com frutas (manga, abacaxi, banana, melão e mamão), pães, manteiga, geleia, requeijão e suco. Saí por volta de 8h45. Achei as praias bonitas. A cor do mar voltou a ser verde. Atravessei o Rio Tatuamunha andando. Fiz um teste sem a mochila que foi bem-sucedido e voltei nadando. Achei a água deliciosa. Atravessei pela 2.a vez com a mochila e desta vez estava bem mais raso, o que mostra como pouco tempo de maré baixando pode fazer grande diferença. No encontro do rio com o mar, a cor da água de um lado era verde e de outro era azul. Uma foto desta área pode ser vista a seguir. O tempo virou e ocorreu uma pancada de chuva quando eu passava por Porto de Pedras. Devido a isso, como eu queria aproveitar bem o trecho até Maragogi, resolvi ficar ali aquele dia. Fiquei na Pousada Águas Belas, do Eliel. Paguei R$ 50,00 em dinheiro por um quarto com banheiro privativo sem direito a café da manhã. Aproveitei a tarde então para conhecer o Mirante do Farol, a igreja matriz, a fonte masculina, a orla e a capela histórica. No farol, Dinho deu-me informações históricas e culturais sobre a área. Tomei um banho de mar no caminho e outro no povoado, achei o mar calmo e boiei. No entardecer a chuva voltou, com picos de maior intensidade, mas na média ficou leve e prosseguiu assim à noite. Vi 2 arco-íris no céu. Comprei pães nas padarias por R$ 4,00 em dinheiro. Jantei sanduíches e pães doces. À noite vi um jogo de futebol no campo local ⚽. Na 6.a feira 23/08 comprei pães por R$ 3,00, tomate e banana por R$ 1,75, todos pagos em dinheiro e tomei o café da manhã com sanduíches. Depois peguei a balsa gratuita para Japaratinga. Comecei a caminhada perto de 9h e cheguei em Maragogi perto de 13h. Antes de começar o caminho voltei até a margem do rio pela praia e andei um pouco nela, quase dando a volta e chegando onde havia desembarcado da balsa. Achei as praias muito bonitas, com mar verde. Atravessei 2 rios com maré baixa e água abaixo do joelho. Uma moça falou-me que um homem havia sido encontrado morto no mangue e eu decidi atravessar um dos rios para não cruzar o mangue em direção à ponte nem voltar um trecho para sair na rua que continuava para a ponte. Em Maragogi fiquei no Mandala Hostel (https://www.facebook.com/Mandalahostelmaragogi) pagando R$ 22,00 a diária em dinheiro por uma cama em quarto compartilhado, com direito a café da manhã. Lá conheci a argentina Jamilia, que estava indo para Porto de Galinhas, o baiano Rômulo, que viajava de moto, tinha sido da Marinha e morava em Campina Grande, a mineira Késsia, que viajava 2 semanas de férias pelo nordeste, a mineira aposentada Sílvia e um casal de chilenos, de férias no Brasil. Aproveitei que era cedo e fui visitar o Mirante do Cruzeiro. A melhor vista era a partir de uma pousada e era necessário pagar uma pequena taxa. Eu não tinha levado dinheiro e o atendente me disse que havia uma área atrás do muro de onde se podia ter uma boa vista. Fui lá e concordei com ele, achando a vista muito bela, das várias partes da costa ☝️. No caminho de subida, que fiz dando enorme volta pela estrada, pude ver paisagens de coqueiros, de que muito gostei também. Na volta descobri que havia um caminho alternativo descendo por uma rua de terra que era muito mais curto. Quando descia conversei com um homem que trabalhava na construção de sua casa e que havia mudado para lá. Ele tinha gostado de lá e me falou da região. Depois de descer ainda tomei um banho de mar, deixando as roupas com um casal de argentinos, e depois fui conhecer uma área de artesanato e andar pela orla. Apreciei o entardecer à beira-mar. Comprei espaguete, tomate, chuchu, pepino, abóbora, cenoura e mamão por R$ 7,98 com cartão de crédito e 1 brasileirinha por R$ 1,00 em dinheiro. Jantei espaguete com legumes, mamão e a brasileirinha. À noite eu, Rômulo e Késsia fomos passear na orla. Neste dia comecei a sentir dor em uma das pernas , na região da canela. Para as atrações de Maragogi veja http://www.maragogi.tur.br/ e https://maragogionline.com.br. Os pontos de que mais gostei foram as praias, o mar verde e a vista a partir do mirante. No sábado 24/08 tomei o café da manhã oferecido pelo hostel (cuscuz, ovo, pão, queijo, manteiga, banana assada, melão, mamão, abacaxi e 2 tipos de bolos) e fui caminhando até as praias do Antunes e do Xaréu. Atravessei o rio logo na saída do centro de Maragogi com água no peito, pois a maré estava alta. Em determinado trecho tive que ir pela rua, pois com maré alta não era possível passar. Mas após andar cerca de 15 minutos a meia hora voltei à praia. Acabei ficando sentado o maior tempo na Praia do Xaréu admirando o panorama. Segue uma foto dela. Alguns destes barcos na foto ficavam tocando músicas com som alto e provavelmente forneciam algum tipo de serviço, pois várias pessoas iam caminhando até eles. Ficavam um pouco distantes da praia, mas isso não intimidava os interessados. Tomei 2 banhos de mar e achei a água deliciosa. O mar continuava com a cor verde que eu achava linda. Voltei no entardecer e com a maré baixa foi possível fazer quase todo o caminho pela areia à beira-mar. O rio perto do centro atravessei com água perto da canela. Apreciei o entardecer a partir da praia. Jantei espaguete com legumes acrescido de arroz, que Jamilia havia deixado antes de ir embora, cravo e queijo ralado, que me deram no hostel. Para sobremesa comi mamão. Durante o jantar o chileno sofreu muito para abrir um coco com uma faca comum e concluiu que era melhor pagar R$ 5,00 do que fazer aquele esforço. Conversamos sobre a viagem deles, o Chile, o Brasil e várias coisas. À noite dei novamente um passeio na orla. Chegou Evelin de SP e um baiano. Rômulo e Késsia foram embora. Despedi-me da gerente Gerline, que não trabalharia no domingo, quando ela foi embora à noite. No domingo 25/08 tomei o café oferecido pelo hostel igual ao do dia anterior, sem a banana e sem um dos bolos, conversei com casal de Jundiaí (Mairon e mulher) sobre dicas de viagem e com Marcelo sobre Caminho de Santiago. Eles também haviam chegado para ficarem no hostel. Saí perto de 9h15. Atravessei o rio perto do centro com água na cintura. Reencontrei Mairon, mulher e Evelin na Praia do Antunes, onde ele disse que talvez fossem. Achei lindo o mar verde até o fim de Alagoas . Atravessei rio com água abaixo da cintura na divisa entre Alagoas e Pernambuco. Atravessei outro rio com água na cintura depois de São José da Coroa Grande. O mar continuava verde e eu continuava achando o mar e as praias lindos. Na barra do Rio Una fui até o Povoado do Abreu. No caminho havia uma ponte de tábuas de madeira com um buraco no meio, o que fazia que algumas meninas que provavelmente queriam ir para a praia estivessem com medo. Passei, disse-lhes que dava para passar com cuidado e elas foram. No povoado encontrei barqueiros que me poderiam levar para o outro lado do rio. Alecsandro levou-me até a 2.a barra do rio, pois disse que havia estourado uma barra, com a ajuda da própria população, devido às enchentes, e que se apenas atravessasse a 1.a barra eu ficaria preso entre as duas. A viagem de barco foi bela, com bonitas paisagens do mangue, da vegetação, do rio e das praias. Seguem fotos do trajeto. O barco encalhou 2 vezes em bancos de areia. Choveu um pouco durante o trajeto. Ele trabalhava com construção durante a semana e fazia passeios nos fins de semana. Quando chegamos vimos que a 2.a barra não estava tão grande e teria dado para eu atravessar. Mesmo assim foi prudente a decisão dele de me levar até lá. Paguei R$ 10,00 em dinheiro pela travessia. Prosseguindo caminhei pelas praias até Tamandaré, sendo que algumas tinham trechos com pedras, mas só uma vez tive que sair da areia para dar a volta por trás delas. Segue uma foto da Praia do Porto no caminho. Na ponta desta praia havia pedras enormes, onde alguns pescavam. Achei o mar bravo neste trecho. Já chegando em Tamandaré atravessei o Rio Mamucabinhas com água abaixo dos joelhos. Cheguei no entardecer (no litoral de Pernambuco escurece cedo) e fiquei na Pousada São João, do proprietário João, pagando R$ 40,00 em dinheiro por um quarto com banheiro privativo. Comprei pães, tomate, pepino e laranja por R$ 5,02 com cartão de crédito e os jantei. Encontrei um condicionador de cabelos provavelmente deixado por algum hóspede no banheiro e o utilizei, pois meu cabelo estava totalmente desalinhado devido à falta de pente. Entrou água da chuva no quarto à noite e molhou o travesseiro. Na 2.a feira 26/08 comprei pão por R$ 3,00 e tomate e banana por R$ 2,00, tudo pago em dinheiro. Tomei o café da manhã com isso. Saí perto de 8h. Houve algumas pancadas de chuva ao longo de todo o dia. Achei as praias muito bonitas ao longo de todo o caminho. Na Praia de Carneiros havia peixes coloridos e escuros 🐟. Uma foto desta praia segue. Visitei a igreja histórica e depois Édson atravessou-me de lancha, cobrando R$ 15,00 em dinheiro. Contou-me que antigos donos da fazenda onde atualmente é Carneiros estão enterrados na igreja histórica, que é do século 18. Achei muito bela a vista durante a travessia. Após a travessia encontrei trechos com pedras em que não consegui passar com maré alta. Subi pela encosta e peguei a estrada. Achei bonita a paisagem rural. Mais à frente voltei à praia e fui pela areia até a Barra do Sirinhaém. Continuei achando as praias lindas. Quando cheguei na barra peguei um barco de linha por R$ 2,00 em dinheiro para fazer a travessia. Na saída houve uma revoada de garças 🕊️ e gostei bastante da paisagem vista durante a travessia. Do outro lado o segurança disse-me para ir pela praia até onde conseguisse e depois pegar a rua dentro do condomínio à beira-mar. Quando saí da praia o segurança André acompanhou-me gentilmente pela rua do condomínio até a portaria e me disse que eu conseguiria voltar para a praia mais à frente, pedindo autorização para algum proprietário de sítio. A estrada pareceu-me ter uma bela paisagem rural. Pedi autorização a um caseiro, ele concedeu e passei por dentro de seu sítio para voltar à praia. Continuei achando as praias lindas. Passei por extensa área com água rasa. Cheguei à Barra do Maracaípe pouco antes do entardecer e ainda havia barcos fazendo a travessia. Mas perguntando a pescadores antes, disseram que poderia atravessar andando. Vi uma mulher num banco de areia no meio do mar e resolvi ir até onde ela estava. Ela não sabia se era possível atravessar para o outro lado, pois não era dali. Havia 2 pescadores por ali e perguntei para eles, que também não sabiam, pois também não eram dali. Mas eles disseram que iriam verificar, entraram no trecho e me disseram que dava para ir. Eu fui por onde eles indicaram e a água não passou do peito. Segue uma foto desta área. Quando já estava na estava Praia de Maracaípe, um cachorro invocou com um homem, mas acabou ficando só na ameaça e ele não atacou. Fiquei no Palawan Hostel (https://www.facebook.com/palawanhostel), de Hugo e Ayanna, com sua filhinha recém nascida e seu cachorro Chico. Paguei R$ 30,00 em dinheiro por cama em quarto compartilhado, com direito a café da manhã. Lá conheci o belga Joseph, que viajava pelo Brasil e iria para SP. Comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro e espaguete, batata-doce, chuchu, pepino e banana por R$ 5,36 com cartão de crédito. Jantei espaguete com legumes, banana e pão doce. Esta praia era extensão de Porto de Galinhas. Na 3.a feira 27/08 tomei o café da manhã oferecido pelo hostel (cuscuz, ovo, melão, mamão, pão, margarina, leite com Nescau e bolachas). Saí às 8h30 para tentar ainda pegar maré baixa e ver peixes nas piscinas perto do centro de Porto de Galinhas. Havia muitos peixes (coloridos e escuros, pequenos e maiores) perto da praia, nas rochas ou recifes. Fui nadando até as piscinas 🏊‍♂️, pois a maré já havia subido um pouco, mas voltei porque estava sem chinelo, depois de perguntar a um barqueiro se era permitido e ele me responder que sim, mas me alertar quanto a usar chinelo naquela área devido aos ouriços. Resolvi então caminhar pelas praias no sentido norte. Andei por todas até o fim, incluindo um bom trecho da margem do rio que fazia a divisa com o Porto de Suape. Achei-as muito bonitas, cada qual a seu modo. A Praia de Muro Alto, a última antes do rio, represava a água do mar. Já a Praia de Cupe tinha mar bravo. Atravessei um trecho com água um pouco abaixo da cintura e me surpreendi com um sorveteiro que atravessava o mesmo trecho com seu carrinho. E ele teve sucesso. Achei bem interessante a vista do Porto de Suape e do rio que o separava das praias de Porto de Galinhas. Tomei banho de mar. Na volta havia uma água-viva na areia e algumas argentinas tentaram jogá-la no mar, para ver se sobrevivia. Elas não conheciam águas-vivas. Aproveitei para dar um passeio pelo centro de Porto de Galinhas e conhecer as praças, artesanato, obras de arte a céu aberto, capela e Projeto Eco das Tartarugas Marinhas por fora. Ocorreram pancadas de chuva no fim da tarde. Abriguei-me numa barraca numa das praças à beira-mar. Com isso acabei voltando no escuro pela praia para o hostel, um trajeto que durava cerca de meia hora. Comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro. Jantei espaguete com legumes, banana e pão doce. Josepth foi embora de manhã. Casal de donos do hostel tinha passado a noite anterior em claro (até as 3h da manhã) porque filha de 2 meses precisou ir à Emergência por estar com cólicas. Pedi-lhes para que o café da manhã do dia seguinte fosse perto de 11h, pois pretendia acordar cedo para ir ver os peixes nas piscinas naturais do centro e queria estar de estômago quase vazio para nadar se fosse necessário. Eles agradeceram, pois poderiam dormir mais 😀. Na 4.a feira 28/08 comi 2 pães comprados no dia anterior e saí perto de 6h50 para ver as piscinas naturais na maré baixa. Chegando lá no centro, peguei uma pulseira com a equipe municipal de meio ambiente. Com a maré baixa era possível ir andando, com a água chegando ao peito. Na borda das piscinas subia-se numa elevação rochosa ou de recifes e aí havia uma área com rochas ao lado de piscinas de água do mar. Vi muitos peixes 🐠, dos mais diversos tipos e tamanhos, coloridos, azuis, listrados, vermelhos, escuros, minúsculos, pequenos e maiores, vi também ouriços e uma espécie de centopeia laranja. Havia uma piscina que tinha formato semelhante ao mapa do Brasil e uma outra em que era possível nadar junto com os peixes. A água estava um pouco fria, pois o dia estava nublado. Houve uma pancada de chuva após voltar das piscinas para a praia. Depois de ficar lá e nas imediações por mais de 2 horas voltei para o hostel para tomar café da manhã. O casal já estava acordado e parecia bem disposto. Sua filhinha estava melhor. O café oferecido foi ovo frito com tomate, mandioca, pães, margarina, manteiga, bolacha e leite com Nescau. Passei pelo Projeto Hipocampus, mas não entrei, só apreciei de fora. Fui visitar o Atelier do Carcará 👨‍🎨 e conversei com Gilberto Carcará sobre sua filosofia de trabalho, história e obras. Achei bonitas suas esculturas e interessante sua ideia de arte com sustentabilidade. Ele me falou que havia uma exposição de suas obras “galinhas” na Alameda das Sombrinhas, no centro, e mais tarde fui ver. Falou-me também de um farol sendo construído por um dono de restaurante que seria um ponto turístico servindo como mirante e também fui ver a construção. Achei bonito o caminho ao lado do lago para chegar no seu atelier. Após voltar ao centro, visitei e gostei também da capela, em que esperei para poder entrar devido ao horário. Pareceu-me linda, recente e simples ⛪. Havia uma pequena plataforma na areia da praia, talvez de uso de salva-vidas, e aproveitei para subir e apreciar a vista a partir dela, que me pareceu muito boa. Então fui até o Pontal do Maracaípe para ver o pôr do sol. Antes caminhei um pouco na margem do rio até onde o mangue me permitiu para apreciar sua paisagem. Achei bela a vista do rio, principalmente no entardecer, e bonito o pôr do sol, apesar da nebulosidade. Comprei batata-doce e pepino por R$ 1,40 e pães por R$ 1,00, tudo em dinheiro. Jantei batata-doce, pepino, chuchu e pães doces. Na 5.a feira 29/08 tomei o café oferecido pelo hostel com pão, queijo branco, batata-doce, melão, mamão, bolacha e leite com Nescau. Saí perto de 8h30, saquei dinheiro e fui rumo a Cabo de Santo Agostinho. Fui pela praia até o Atelier do Carcará. Antes de sair da praia tomei um banho de mar. Depois peguei a estrada, com o lago e o mangue de um lado e propriedades rurais e vegetação do outro, cuja vista continuei achando bela. Passei por um acidente em que havia uma mulher deitada no chão e uma moto caída e a mulher falava que estava doendo muito. Esta cena me fez chorar 😢. A polícia já estava lá isolando a área. Só fui cruzar com a viatura do SAMU, que imagino iria socorrê-la, mais de meia hora depois 😒. Passei por Ipojuca e aproveitei para visitar a Praça do Baobá, onde havia uma enorme árvore deste tipo, e também a Igreja Nossa Senhora do Ó. Depois de cruzar a cidade peguei a estrada normal e depois a pedagiada. Achei uma banana verde no chão da estrada e comi. Errei o caminho. O mapa que eu havia visto me indicava para virar à direita num trevo, mas provavelmente eu não poderia caminhar muito naquela direção se tivesse virado, pois vários me disseram que era a entrada do porto e não poderia prosseguir. Segui em frente então e mais à frente perguntei a um rapaz que vendia lanches. Ele viu no GPS o novo trajeto, deu-me 2 opções e eu segui a que achei em que não iria me perder. Virei à direita onde haviam indicado e numa bifurcação logo após perguntei a um homem que vinha caminhando. Ele me indicou o caminho contrário ao que eu acreditava ser correto e vendo minha dúvida perguntamos a Fia e seu amigo que vinham voltando do trabalho. Eles me disseram que iriam para muito perto de onde eu estava indo e se dispuseram a ir comigo. Eu os atrasei, pois estavam de bicicleta e eu não conseguia ir muito rápido devido à dor na perna, que ainda continuava. Em alguns trechos Fia levou minha mochila e seu amigo me levou sentado na bicicleta 🚲. Ele sofreu em algumas subidas. A paisagem me pareceu bonita. Pegamos uma trilha muito bela no meio da mata e Fia me deixou no povoado de Suape. Dali para Nazaré, onde eu pretendia ficar, era bem próximo. Fui até lá e fiquei no Hostel Mujeres com Alas (https://www.facebook.com/mujeresconalasnazare) da Mary (ou Mere), pagando R$ 45,00 com cartão de crédito por uma cama em quarto compartilhado, sem café da manhã. Mas só havia eu no hostel como hóspede. Ela disse que aceitava homens após eu perguntar. Depois de me instalar ainda fui até o mirante atrás do farol apreciar a vista noturna. Apesar de um pouco escuro, ainda me pareceu bela, com destaque para as luzes dos povoados e navios 🚢. Então fui comprar mantimentos. Achei muito boa também a vista da descida de Nazaré para Suape, que acho que era do porto e de empresas vinculadas. Comprei espaguete, pães e leite por R$ 7,70 com cartão de crédito, tomate, cenoura, chuchu, pepino e mamão por R$ 9,50 em dinheiro e pães por R$ 3,00 em dinheiro. Jantei espaguete com legumes, mamão e pães doces. Conversei com Mary sobre sua origem boliviana, sua família, sua vida no Chile, Niterói e agora ali e suas experiências com hóspedes passados. Na 6.a feira 30/08 tomei café da manhã com sanduíches, mamão, pães doces e leite. Antes de eu sair pela manhã houve uma pancada de chuva e depois abriu o tempo. Aproveitei para passear por dentro do hostel e apreciar sua decoração interior, com fotos e itens de arte. Mary explicou-me sobre as trilhas e esboçou um mapa. Ela me levou pessoalmente para ver a entrada de 3 trilhas. Comecei conhecendo a igreja histórica, o convento e cemitério, vendo-os da porta. Fui ao farol atual e respectivo mirante. Achei a vista muito boa também durante o dia. Depois desci até o farol antigo e a Casa do Faroleiro. Gostei da vista também. Lá raspei a perna de leve. Depois vi ruínas da capela, Forte, Bica da Ferrugem e ruínas do quartel. Dois rapazes que estavam caminhando pelo forte explicaram-me o caminho para a Bica da Ferrugem e as ruínas do quartel. Dali fui à Praia do Paraíso, em que havia muitas pedras, quase sem faixa de areia. Subi a escada, passei pela ponte e fui à Praia do Suape, que achei boa, com mar bravo. Segui por ela até o rio ou canal que a separava do porto. Achei bonito o encontro do mar com o rio ou canal. Andei um pouco pela margem do rio ou canal e depois voltei, passei de novo pela praia e peguei a trilha para Nazaré de que a Mary tinha falado. No caminho havia outro mirante, com vista de que gostei, abrangendo a praia, o mar, o povoado e o porto. Chegando lá em cima peguei a trilha para a Praia de Calhetas que a Mary tinha mostrado. Achei bonita a trilha, com começo no meio da mata. No caminho encontrei Magda, que alugava kitnets no Vale da Lua. Ela deu-me explicações sobre a trilha e disse que era amiga da Mary. Achei linda a vista a partir da trilha, da orla, das praias, do mar e do povoado de Gaibu. Achei delicioso o mar em Calhetas . O mar era de tombo, mas sem correnteza, o que permitia um nado tranquilo em águas mais profundas, conforme o salva-vidas do local explicou-me. Depois de andar pela pequena orla e do banho de mar, fui para a Praia de Gaibu. A vista das paisagens durante o caminho continuaram belas. Lá, com a maré subindo, achei o mar bravo. Andei cerca de meia hora na areia da praia e depois acabei voltando pela pista. Passei pelo hostel, conheci a parte inicial do sítio que ficava nos fundos do hostel e suas árvores altas e largas, como a fruta-pão. Ainda deu tempo de ir ver o pôr do sol a partir do mirante que ia para a Praia do Paraíso. Seguem as fotos deste momento. De volta ao hostel, conheci a seu lado o Centro Cultural Esperantino, explicado pelo filho do homem que deu nome ao centro. Gostei e achei bonitas as várias trilhas feitas na mata ao longo do dia, a vegetação e relevo existentes ☝️. Comprei pães para café da manhã e sobremesa por R$ 3,00 em dinheiro e R$ 1,50 com cartão de crédito. Jantei espaguete com legumes, mamão e pães doces. No sábado 31/08 tomei café com sanduíches, mamão, pães doces e leite. Conversei com Mary sobre suas próximas hóspedes, que chegariam naquele dia, suas experiências de viagem, sua vida passada e minha viagem. Antes de sair ela pediu para tirar uma foto minha, que coloco a seguir. Saí perto de 9h30. Fui pela estrada até Gaibu e depois peguei a areia da praia. Achei as praias muito bonitas, porém a maioria bem mais urbanizada do que a média da viagem, posto que estava chegando a Recife. Havia muitas pedras em vários trechos. Após perguntar para várias pessoas sobre risco de ataque de tubarões 🦈 e todos dizerem que não havia, tomei um banho de mar. Depois de cerca de 500 m do local do banho vi a primeira placa de risco de ataque de tubarões. Se tivesse visto a placa antes não teria nadado. Desviei um pouco no caminho para conhecer a Ilha do Amor, fui até a curva e depois voltei para pegar a ponte, de onde a vista me pareceu muito bonita. Após a ponte houve um grande trecho com mato nas laterais da rua, que até me preocupou um pouco, apesar do movimento de carros, mas nada aconteceu. Voltei para a praia. Havia bastante gente, pois era sábado. No fim do dia começou a ameaçar chuva e já bem perto da chegada houve pancadas de chuva. Em Boa Viagem o mar estava bravo, chegando a espirrar água na calçada, após bater nos muros de contenção da praia. Fiquei no Hostel Estação do Mangue (https://www.estacaodomangue.com.br) por R$ 30,00 com cartão de crédito por uma cama em quarto compartilhado sem direito a café da manhã. Lá conheci mãe e filho que estavam a passeio e 2 transsexuais que tinham vindo trabalhar. Comprei pães por R$ 9,80 e bananas, abóbora, limão e chuchu por R$ 6,60, tudo com cartão de crédito. Jantei sanduíches, bananas e pães doces. No domingo 01/09 fui à praia antes de tomar café da manhã. Estava uma pequena garoa, mas nada que incomodasse. No caminho passei pela igreja ao lado do hostel e uma mulher disse que provavelmente não era permitido entrar naqueles trajes (camiseta regata e calção). Parecia tensa quando eu fui até a porta olhar. Já perto da praia, passei pela Igreja de Nossa Senhora de Boa Viagem, na Pracinha de Boa Viagem, e um homem disse que eu poderia entrar para visitar (“Claro que pode, é a casa de Deus”). A igreja já estava cheia para a missa e eu preferi ir só até a porta. Segui e fui dar um passeio pela orla. Um homem entrou no mar bravo, onde havia placas de risco de ataque de tubarão e eu até pensei que estivesse se suicidando. Mas depois perguntei e me disseram que era seu costume e ele já fazia parte do mar. Em seguida eu o vi nadando alguns metros depois da arrebentação. Entrei no mar uns 10 metros 🌊, somente para me despedir. Tomei café com sanduíches e fui andando até o aeroporto. Demorei 16 minutos do hostel até lá. Troquei de lugar no avião com um homem que preferia corredor para poder ficar na janela. Quando cheguei em Congonhas com o ônibus vindo de Guarulhos estava chovendo 🌧️ e tomei bastante chuva no caminho a pé para casa. Ainda bem que estava com a capa.
  20. 9 pontos
    RELATO DE AVENTURA Já havia algum tempo que eu gostaria de levar minha filha para fazer trilhas mais selvagens. Com 8 meses de vida, na "carcunda" do papai, já estava alguns conhecendi alguns caminhos pela Ilha Grande, no estado do Rio de Janeiro. Aos 2 anos e meio colocou as perninhas pra trabalhar na trilha que leva à Piscina Natural de Caxadaço, em Trindade/RJ. Uma caminhada um tanto quanto longa para uma criança dessa idade. Ainda mais por se tratar de uma boa parte da caminhada ser sobre o solo arenoso e fofo das praias que antecedem Caxadaço. Mas, observando com atenção, notei que a parte onde a trilha segue por mata fechada, com chão repleto de raízes sobre a terra e folhas caídas formando tapetes, minha pequena sorria ao tocar e deslizar seus pequeninos pés descalços sobre a lama que havia pelo caminho. Ela segurava em minha mão e seguia sem medo de cair nas subidas e descidas escorregadias, enquanto crianças da mesma estatura chovavam querendo o colo de suas mães. Isso já era um grande sinal de que ela adorou e adoraria qualquer contato com a natureza a partir daquele instante. Seria pedir demais, para ela voltar caminhando. Cansada, retornou todo o percuso no colinho de papai, rs. Por conta dessas, e outras vivências, meu desejo era de levá-la logo para um acampamento selvagem, mas, era minha obrigação ter o bom senso de saber esperar o momento oportuno para isso. Pois, a cada pensamento de estar na mata com ela me deixava receoso... "Alergia causadas por picadas de insetos poderiam aparecer, medo por estar em um ambiente conhecido por ter animais de todas as espécies e peçonhas, estranheza, fadiga, frio durante a noite, etc e tal." Mas, algo me tranquilizava: toda vez que eu saia de casa para fazer alguma trilha, ou travessia, minha pequena pedia para que eu a levasse comigo para o mato. Eu sempre respondia que estava indo para lugares perigosos e difíceis de caminhar, mas, que algum dia eu a levaria para acampar na mata junto comigo. E essw dia chegou. Era Julho de 2019, o ápice da temporada de montanhas no Brasil, que se inicia em Abril e se estende até Setembro. As temperaturas baixíssimas no sul e sudeste do país (as vezes abaixo de zero) proporcionavam lindos dias de sol, e, longas noites geladas pelos pontos mais altos de cada região. Eu estudava a melhor maneira de como fazer uma "atividade pesada" se tornar divertida para uma criança de 4 anos e 9 meses. Primeiro, escolhi para qual montanha gostaria de levá-la. Em seguida, trabalhei uma forma de atrair seu interesse pelo lugar, monstrando fotos de vezes que estive na Pedra. Eu contornava o formato do sapo com a ponta do dedo para aguçar sua imaginação. E, quando lhe fiz a pergunta decisiva: filha quer que o papai leve você na Pedra do Sapo? A gente faz a trilha, escala as cordas e acampa do lado do Sapo. Quer? SIIIMMMMM!!!! foi a resposta que ela deu, com o sorriso mais radiante que ela poderia estampar no rosto. - onde a gente vai fazer cocô e tomar banho, papai? - indagava dando risada kkk A partir daí foi só ansiedade até chegar a data de nossa aventura, que ainda não estava com data definida. Parecia que eu era a criança que sairia para seu primeiro passeio. Cheio de nervosismos, receios e expectativas fui cuidando para não despertar os mesmos sentimentos nela. Eu fazia e refazia a lista de itens que deveria, ou não, levar para garantir o conforto, a segurança e a alegria dela. Decidi que o acampamento seria feito no final de semana do Dia dos Pais (10 e 11 de Agosto/2019). No sábado, às 14h, após a aula de Ballet, onde foi feita uma homenagem paternal que me fez suar pelos olhos, saímos às pressas para trocar de roupas e seguir a viagem de 1h30 até o Rancho da Dona Maria - estrutura base para quem vai caminhar pelas trilhas da região. Chegando lá às 15h50, só tivemos tempo para papear pouco tempo com a simpática senhorinha, que havia levado uma mordida de seu próprio cachorro, que causou um ferida enorme, e se encontrava sentada segurando uma bengala. Pude ver o medo se desennhando no rosto da Cristal, quando um bicho passou correndo entre nós, à mil por hora. Dona Maria mencionou ser um Preá. Cristal se enfiou entre minhas pernas e perguntou. - o que era aquilo, papai? - disse - é um Preá, filha. Igual a um coelhinho. Ele é bonzinho e não faz nada com a gente. - respondi sereno para tranquilizá-la. Coloquei minha cargueira de 70L nas costas, ela vestiu sua mochilinha de alça, cabendo apenas sua blusa de frio e sua garrafinha d'água, vestiu a lanterna de cabeça se sentindo pronta, e começamos a caminhada pela estrada de chão batido, às16h em ponto. Calculei que gastaríamos, entre paradas para descanso, lanches, beber água e fazer xixi, algo perto de 1h30 até o topo da Pedra. Tive medo de ela não gostar de adentrar a mata, chorar, fazer manhas e querer dar meia volta pedindo para retornarmos até o carro e ir embora dalí. Algo que seria muito comum vindo de uma criança daquele tamanho. Ao invés disso, ao primeiro sinal de insegurança, ela me pediu: segura na minha mão, papai. E, ao longo de todo o percurso, poucos foram os momentos em que sua pequenina mão não estava grudada na minha. Ela caminhava tranquila e alegre, questionando o porquê de os passarinhos não virem pousar em nossos dedos, igual nos fimes e desenhos. Ela desejava muito ver passarinhos voando perto de nós. Expliquei que para isso seria necessário ficarmos em silêncio, mas a matraquinha não parava de falar 1 minuto se quer, rs. Ela apontava as direções dos sons, querendo que eu varasse mato, pois, os cantos de passarinhos vinham de todos os lados, mas, o máximo que conseguimos foi avistar um pardalzinho há uns 10 metros a nossa frente. Logo em seguida paramos para beber água no riozinho que cruza a trilha. Sabendo que ali era nosso último ponto de coleta, fui obrigado a subir com 2,5 litros para passarmos a noite. Quando acabou o trecho mais estreito da estradinha, a trilha afunilou de vez, ganhado uma inclinação forte logo de cara. Começava ali o nosso desafio. Onde a subida rasga uma floresta de eucaliptos e segue forte. Uma subida que nos faz tropeçar em galhos que se escondem sob as folhas secas que estalam sob nossos pés, nos obrigando a andar mais devagar e parar para descansar mais vezes. A alegria da Cristal ainda seguia na mesma sintonia, mesmo estando na parte mais exaustiva da trilha (subir com o auxílio de cordas) que, consequentemente, seria a parte mais lúdica para ela. Minha pequena já foi metendo as mãos na corda e me olhando com a maior felicidade do mundo. Teve dificuldades para se equilibrar nos primeiros metros da ascensão, mas, com as orientações que passei, logo se familiarizou com a escalada, e pôde se equlibrar com facilidade. Se apoiva em raizes e pedras, debruçava sobre as rochas, escorregava vez ou outra, mas se sentia forte e confiante a ponto de não pedia ajuda. Quando se cansava, sentava em algum degrau da ladeira, pedia água e algo para comer. Bolinhos recheados e suco de caixinha eram seus "belisquetes" preferidos. Foram três paradas estratégicas, a quarta pausa foi feita no mirante, depois de não haver mais subidas fortes. Sentamos para puxar um pouco de fôlego, adimirar a linda vista de um final de tarde, com o sol colorindo de laranja as Pedras da Forquilha e do Sapo. Faltavam mais ou menos 15 min até o alto da Pedra. Expliquei para ela que dali pra frente não teríamos grandes dificuldades, a não ser as duas pequenas rampas cravejadas de raízes que servem de degraus. A quinzena de minutos passou rápido, pois apostamos corrida na parte plana da trilha, e, claro que ela ganhou, rs. Novamente escalando as raízes que saltam do solo, Cristal continuava animada, olhava para trás para saber se eu ainda estava por perto, pois a mata havia ficado um pouco escura no trecho mais fechado. E ela percebeu. Enquanto eu gravava pequenos vídeos, ela não perdia o pique, e me acelerava: AAANDA, Pai (rs). Quando a última ascensão permitiu um clarão de luz do sol mais à frente, ela bradou: CHEGAAAMOS o/ - uaall, que lindo. - disse. Estávamos aos pés do Sapo, onde há uma pequena clareira que comporta, bem juntas, duas barracas. Caminhamos mais uns 40 metros até o alto da Pedra, onde pude ouví-la dizer novamente: que lindo, papai. E não era pra menos! O sol já começaria seu espetáculo em instantes, mas já deixava o horizonte alaranjado sob um céu sem nuvens, e refletia seu brilho sobre as águas da Represa de Taiaçupeba. Ventava forte, mas, era um vento com ar quente - devido aos 29°C que fez naquele sábado. A vista de 360° para toda a região, possibilita avistar até o litoral de Bertioga. Eram 17h30, e, até o final do poente nos sobrou tempo para comer, beber, brincar e fotografar tudo. Ela, sentadinha na rocha, se encantou quando a bola de fogo que se deitou lentamente por trás das montanhas. E, quando a última pontinha de luz não pôde ser mais vista... - tchau sol. - disse minha pequena, balançando a mão. Quando começamos a montar a barraca, ela entrou em eudoria total ao ver que três gaivotas planavam sobre nós, há uns 4 metros de altura, no máximo. Quando terminamos, ela já me pedia para entrar e brincar com ela, mas, ainda havia muita coisa a ser organizada pelo lado de fora da casinha. Mas, não tardou, logo me vi lá dentro brincando com as massinhas e moldes de modelar que separamos para levar. Fizemos uma infinidade de bonequinhos, flores, bichinhos, montanhas e lanches, tudo de massinha. Ela me disse que queria ver as estrelas, mas, ainda não era possível. Não passava das 19h, e o crepúsculo ainda era predominante. Toda hora ela colova a cabeça para fora da barraca e perguntava: - Papai, já dá para ver as estrelas? Tem umas bolinhas aparecendo no céu. Tive que responder por umas quatro vezes que ainda não dava para vé-las, rs. Fiz macarrão para ela, depois fritei hambúrguer e preparei um lanche por que ela estava faminta. Quando bateu 21h, lá estávamos nós, trilhando o curto caminho até a parte mais alta. Dessa vez a surpresa se deu por conta das luzes das cidades vizinhas. Eram centenas de milhares de luzinhas acesas, na terra e no céu. A lua crescente nos iluminava a ponto de não usarmos nossas lanternas de cabeça. Fizemos do lugar nosso palco de apresentações. Cantamos e dançamos músicas infantis que tocavam no celular. Fizemos a festa. Quando paramos um pouco a figura deita no chão com as pernas dobradas, cruza as mãos na nuca e solta: - Papai, "tô de boa" vendo as estrelas e a lua. Eu ri demais, e fui obrigado a me juntar à ela nesse momento de relaxamento e contemplação, pois a noite estava perfeita, e eu tinha a melhor companhia. Por volta das 22h já estávamos dentro da barraca, ela brincando, eu fazendo seu "tetê com chocolarte." Meia hora depois já estávamos em sono profundo (eu, nem tanto). Acordei várias vezes para verificar se ela estava coberta e dormindo bem. Às 2h20 da chegou um pequeno grupo (talvez três), comemorando a chegada na Pedra àquela hora da madrugada. Fiquei em alerta, ouvi meia hora de conversas, depois o silêncio voltou a reinar. Deveriam estar fazendo bate e volta com navegação noturna para treinar, ou superar algum desafio pessoal. Sei lá. Com a intenção de ver o nascer do sol, programei o celular para despertar às 06h00, mas a previsão me pregou uma peça, e o que eu pude ver ao abrir o ziper da barraca foi muita neblina e garoa fina molhando o solo. Às 6h23, Cristal se espreguiçou como nunca, e acordou de prontidão pulando sobre meu peito, me abraçando e desejando bom dia. Em casa ela não acorda antes das 10h, rs. - Papai, vamos levantar pra brincar lá fora. Eu já acordei. - disse, toda animada, com os olhos cheios de remela, rs. Preparei o café da manhã, depois ficamos brincando por um longo tempo, lá dentro mesmo. Não dava para sair. Às 09h00, enquanto ela permanecia abrigada, comecei a ajeitar as coisas na mochila para poder iniciar logo o nosso retorno, que se deu 30 minutos depois. A descida foi menos cansativa, porém, muito divertida por conta dos escorregões sem quedas que dávamos. Ela sorria a cada um deles, tropeçava em tudo que era galho pelo chão e dizia que era engraçado, rs. Ela também estava mais atenta aos detalhes na volta. Apontava teias de aranha cobertas pelo orvalho, formigueirosem plena atividade, flores e pedras de cores e formatos diferentes ao seu conhecimento, e pedia para tirar foto de tudo. Às 11h00 chegamos ao Rancho da Dona Maria. Cuidei de trocar nossas roupas molhadas, que enxugaram a chuva que caiu sobre a mata da trilha. A levei ao banheiro, e, comemos mais algumas coisinhas antes de dar como encerrada nossa aventura do dia dos pais. Ao volante, olhando pelo retrovisor interno do carro, eu olhava minha pequena, cansada, dormindo toda torta em sua cadeirinha, com a cabeça balançando feito um pêndulo (coitadinha) estava super cansada)) Mas, acima de todo aquele cansaço, eu estava crente de que, a partir daquele momento, brotava um novo gostar no coraçãozinho de minha filhota. Pois o contato direto com a natureza só poderia estar fazendo dela uma criança ainda mais feliz e saudável, agregando valores e conhecimentos super válidos para lhe fazer crescer uma pessoa de bem. Eu, como papai coruja, pude sair de lá com o coração transbordando felicidade. Me sentia orgulhoso e satisfeito em ver que "minha continuidade" pôde me proporcionar um momento tão emocionante/marcante: o acampamento mais feliz de toda minha vida
  21. 8 pontos
    Olá mochileiros! Mais uma vez esse fórum me ajudou muito e minha viagem de 10 dias pelo Chile foi excelente, graças às ótimas dicas adquiridas por aqui. Nada mais justo que retribuir escrevendo meu relato, não é mesmo? Vou tentar detalhar o máximo possível todas as informações, pois é sempre bom ter novas atualizações sobre como andam as coisas em terras chilenas. A viagem foi realizada entre os dias 19/04/2019 e 28/04/2019 e fomos em duas pessoas, então alguns gastos serão colocados de forma individual e outros para duas pessoas. Primeiramente, gostaria de agradecer aos membros que responderam minhas dúvidas em alguns tópicos que criei pedindo ajuda, e alguns relatos que foram fundamentais para ajudar na montagem do meu roteiro.Em especial @filiperocha, @karinerribeiro e @Elder Walker, muito obrigado, seus respectivos relatos ajudaram muito. A viagem não foi a mais econômica, mas também não foi a mais cara. Estou de férias e não estava disposto a abrir mão de alguns confortos e apreciar uma boa comida típica (adoro experimentar a gastronomia local dos lugares), então seria possível sim fazer uma viagem mais barata. Uma breve introdução, eu marquei minhas férias em novembro do ano passado para abril deste ano e já comecei a pesquisar um destino para ir. Geografia e História são duas coisas que me fascinam desde criança e durante o Black Friday surgiu uma promoção de passagens para Santiago. Pensei: Por que não conhecer o país mais sísmico do mundo, poder ir a Cordilheira dos Andes e esticar até o Deserto de Atacama, que é geografia pura? Não deu outra: Comprei duas passagens, para mim e meu companheiro. A partir daí, começou o planejamento de roteiro, busca a hospedagens, leitura de relatos e uma ansiedade total para chegar logo o dia da viagem. Dividi a quantidade de dias de maneira justa e foi ótimo, pois conseguimos aproveitar bem os locais de maneira plena. Vamos aos detalhes! PASSAGENS Paguei R$ 645,00 em cada passagem com taxas para o trecho SP - SANTIAGO - ida e volta, no Black Friday (antes disso estava por volta de R$ 800,00), com a GOL. As passagens para Calama preferi comprar a parte, pois a opção múltiplos destinos encarecia muito o valor total. Os trechos entre Santiago e Calama sairam por R$ 225,00 ida e volta (tinha mais baratos, até por R$ 145,00, mas não atendia aos horários que eu queria) com a Latam, ou LAN CHILE. DICA: Compre as passagens para Calama diretamente no site da Sky Airlines Chile ou da LAN CHILE, pois são mais baratos que se compradas nos sites brasileiros das companhias. A única diferença é que o cartão de crédito usado na compra deve ser internacional obrigatoriamente e não é possível parcelar. O valor é à vista. DOCUMENTOS Muita gente tem dúvida sobre a entrada nos países somente com RG. Bom, não levei passaporte, fui apenas com RG e deu tudo certo, mas uma coisa é fato: a foto tem que estar reconhecível. Na imigração em Santiago perguntaram apenas o motivo da minha ida ao Chile e o local da hospedagem em Santiago. De resto, não houve qualquer problema com RG, peguei voo interno somente com ele e foi tranquilo. HOSPEDAGENS As hospedagens em Santiago são bem caras. Cotei alguns hostels e hotéis antes e os preços estavam além do que eu estava disposto a pagar para duas pessoas. Eis que surge a ideia de pesquisar no Airbnb e fechamos um apartamento no centro, próximo a maioria dos pontos turísticos, casas de cambio, restaurantes e mercados. Saiu R$ 607,00 para duas pessoas por cinco dias (R$ 60,00 a diária p/p). Apartamento confortável, com utensílios básicos de cozinha, recepção 24 horas. RECOMENDO pesquisar Airbnb antes de fechar hotel em Santiago. Em San Pedro de Atacama ficamos no Hostal Mamatierra (indicação do Filipe aqui no fórum): RECOMENDO, tão bom que parece até hotel. Café da manhã bem servido, camas confortáveis, staff atencioso, água disponível o dia todo (uma grande economia no deserto), chuveiros quentes, limpeza nota 10. Ressalto que hospedagem no Atacama, assim como tudo por lá, é caro devido a localização em uma região bem inóspita. Não lembro o valor total da hospedagem, mas não foi dos mais baratos. SEGURANÇA Li muito antes de ir sobre os famosos furtos em Santiago e os golpes de taxistas. Não usei taxi em nenhum momento justamente para prevenir. Sobre os furtos, em nenhum momento de senti inseguro em Santiago. Lógico que estive sempre de olho em meus pertences, mochila na frente, dinheiro e documentos na doleira, enfim, o negócio é não dar bobeira. Santiago é uma cidade grande e não ter acontecido comigo, não quer dizer que não ocorram casos de furtos. San Pedro de Atacama é um sossego total, andavámos tarde da noite pelas ruas e não vimos nada suspeito. TRANSFER PARA O SAN PEDRO Outro tópico que me deixou em dúvida. Li muitas reclamações sobre as empresas de transfer em relação ao cumprimento de horários. Várias pessoas se queixando que a empresa não passou no horário combinado no retorno a Calama, ou simplesmente passou antes, enfim, fiquei bastante preocupado porque meu voo de volta para Santiago no dia 28 era bem cedo (08:15) e depois do almoço já tinha meu voo de volta para o Brasil também (14:20). Acabei fechando aqui no Brasil com a Transfer Pampa e RECOMENDO. Cumpriram os horários com pontualidade e as vans eram confortáveis. O QUE LEVEI? Em uma viagem para o Chile deve-se levar um pouco de tudo, principalmente por conta do clima. No Atacama é tudo muito extremo e muda muito rápido, o frio de manhã e a noite é grande e durante a tarde o sol queima com facilidade. Em Santiago o clima estava fresco, com manhãs frias e tardes agradáveis. Resumindo, usei casaco todos os dias (mas repare que estou falando do clima especificamente de outono. Para o Atacama creio que sirva para o ano todo). 1 casaco grosso (usei muito) 1 blusa de moletom 1 jaqueta (tipo aquelas pretas de motoqueiro, bom para usar em final de tarde no Atacama) 1 fleece (SUPER ÚTIL no passeio dos geiseres e lagunas antiplânicas) 2 calças jeans 1 calça de moletom 2 calças de tactel (SUPER ÚTEIS nos passeios com muita areia, como o Valle de La Luna ou algum trajeto de bike) 7 camisetas, sendo 3 dry fit (boas no deserto, pois são frescas) 2 bermudas (uma jeans, que nem usei, e uma de tactel, que usei para pedalar) Meias e cuecas (quantidade vai de cada um) Luvas, cachecol, touca Protetor de rosto (ÚTIL, pegamos uma ventania no Valle de La Luna e isso que nos protegeu da areia) Boné Pasta para documentos Bolsinha de remédios (sempre levo de prevenção, usei eparema e neosaldina apenas) Sorine ou Rinosoro (necessário, tanto Santiago quanto o Atacama estavam bem secos) Protetor Labial e protetor solar (MUITO necessários, até agora minha boca está ferrada por causa da secura) Colirio (levei e nem usei. Leve apenas se tiver problema com olho seco) Itens de higiene pessoal Garrafinha de água de 1 L (no mínimo) Adaptador universal (importante, pois o carregador da minha câmera era com entrada diferente e tive que procurar um adaptador lá) Doleira Bota (comprei uma da timberland e super me atendeu). SEGURO VIAGEM Fiz por prevenção, mas felizmente não precisamos usar. Mondial, R$ 199,00 para duas pessoas. AGÊNCIAS PARA PASSEIOS Outro ponto que me preocupou bastante. Acho que todo mundo que faz uma viagem para um lugar mais distante não quer passar por perrengue em passeios, então pesquisei bem as agências para evitar qualquer tipo de estresse. Contratei passeios em 3 agências em Santiago e no Atacama e todas foram ótimas. Ressalto que no Atacama priorizamos os passeios mais clássicos, e foi um acerto, pois saímos bem satisfeitos com tudo. O Salar de Tara gostariamos de ter feito, mas a agência foi bem clara ao dizer que ele estava fechado e o passeio não estava sendo feito de forma completa. As lagunas que flutuam não eram prioridades, apenas se sobrasse tempo. Segue feedback: SANTIAGO - AGÊNCIA 321 CHILE: Fizemos com eles o passeio Cajon del Maipo/Embalse el Yeso e RECOMENDO. Preço justo, bom guia, picnic completo. ATACAMA - AGÊNCIA 123 ANDES: Fizemos todos os passeios no Atacama com eles. Havia pesquisado algumas antes, lido avaliações no Trip Advisor, mas essa foi a melhor que nos atendeu. RECOMENDO. Bons guias, vans novas, preço justo, pontualidade, café da manhã e almoço bons. ATACAMA - AGÊNCIA TIME TRAVEL ATACAMA: Fizemos o tour astronômico com eles. Cheguei a pesquisar a SPACE, mas não tinha mais vagas. No mais, RECOMENDO MUITO a Time Travel. Ótimo tour astronômico, pontuais, vou detalhar mais a frente. Mas adianto que foi sem dúvida uma das melhores experiências que já tive na vida. ROTEIRO Depois de muitos ajustes, assim ficou o roteiro final: 19/04/2019 - Chegada a Santiago e conhecimento da área 20/04/2019 - Centro de Santiago e Cerro San Cristóbal 21/04/2019 - Vinícola Undurraga 22/04/2019 - Cajon del Maipo/Embalse el Yeso 23/04/2019 - Valparaíso e Viña del Mar (se arrependimento matasse, tinha ido para o Atacama nesse dia) 24/04/2019 - Ida ao Atacama e agendar passeios 25/04/2019 - Lagunas Antiplanicas/mirador Piedras Rojas/Salar de Atacama 26/04/2019 - Geisers del Tatio, Valle de La Luna/La Muerte, Tour Astronômico 27/04/2019 - Pukará de Quitor, descanso a tarde. 28/04/2019 - Retorno ao Brasil Agora sim, vamos ao relato!!! (Juro que vou tentar escrever um tópico por dia kkkkkkkkkkk)
  22. 8 pontos
    Olá a todos! Vim aqui relatar a viagem que fiz sozinho neste incrível país que é o Equador. Ao total foram 11 dias, entre 19 e 30/01/2020. Eu foquei em conhecer a região do país conhecida como Avenida dos Vulcões, indo de Quito até Cuenca. Gostei muito dos lugares que fui, e recomendo para todo mundo! ROTEIRO Dia 0: (19/01/20) – Voo noturno SP – Quito Dia 1: (20/01/20) – Quito – Mitad del Mundo e centro histórico Dia 2: (21/01/20) – Quito – Centro histórico Dia 3: (22/01/20) – Quilotoa (desde Quito) Dia 4: (23/01/20) – Cotopaxi – noite em Latacunga Dia 5: (24/01/20) – Baños – Casa del Árbol Dia 6: (25/01/20) – Baños – Bike pela Ruta de las cascadas até o Pailón del Diablo Dia 7: (26/01/20) – Riobamba Dia 8: (27/01/20) – Riobamba: Chimborazo Dia 9: (28/01/20) – Riobamba – Cuenca Dia 10: (29/01/20) – Cuenca – Parque Nacional Cajas Dia 11: (30/01/20) – Cuenca de dia, voo a noite DICAS GERAIS Dinheiro: O Equador usa o dólar como moeda oficial, o que facilita bastante a viagem pois não é necessário realizar mais um câmbio do dólar para a moeda local. Apesar da conversão desfavorável do dólar para o real, o Equador é sim um país muito barato! Para estes 11 dias, eu gastei um total de 420 USD lá no Equador. Passagens aéreas: Eu peguei o voo direto de São Paulo para Quito, que é operado pela Gol. Para esta passagem, paguei R$ 1800,00. O voo sai de São Paulo às 19h e chega em Quito às 23h. Para a volta, ele partiu de Quito 00h30 e chegou em São Paulo 08h20. Para voltar de Cuenca para Quito, optei por voar para não perder um dia de viagem. Este voo foi da Latam, e custou R$ 123,00. Foram incríveis 35 min de voo. Ônibus: Fiz todas as viagens pelo país de ônibus (com exceção do trecho Cuenca – Quito, para voltar). De maneira geral, os ônibus no Equador são muito bons e baratos. Quase que a totalidade das viagens custaram entre US$ 2 e 2,50. A passagem mais cara foi entre Riobamba e Cuenca, US$ 8,00 para 6h de viagem. Não é preciso comprar as passagens de ônibus com antecedência, geralmente ou se compra na rodoviária na hora, ou até se paga dentro do ônibus. Não tive nenhum problema com falta de assentos. Nos ônibus sempre há música tocando, ou algum filme de ação passando, e com vários vendedores de comida em cada parada, o que torna as viagens interessantes. Hospedagens: Em geral, os hostels no Equador custam de 6 a 10 USD, podendo ter ou não café da manhã incluso. Estes foram os lugares que me hospedei: Quito: El Patio Hostel Latacunga: Hotel Rosita Baños: Papachos Hostel Riobamba: Hostel Villa Bonita Cuenca: Selina Hostel Comida: Refeições no Equador também são baratas. Pode-se solicitar nos restaurantes o menu “almuerzo”, que contém uma sopa de entrada, um prato principal e um suco por um valor entre US$ 2,5 – 5, que irá satisfazer bastante a fome após as trilhas e caminhadas pelas cidades. Clima: Na época de janeiro fez frio, calor, tempo seco e chuva, então é preciso estar preparado para tudo hahaha. Mas de maneira geral, com a altitude o clima é mais frio, então um casaco e uma jaqueta corta-vento/chuva são muito bem vindos. Em Baños estava bastante calor, então a bermuda foi bem-vinda por lá. Acredito que as temperaturas tenham variado entre 5 e 26°. RESUMO GERAL DOS ATRATIVOS: QUITO: Centro histórico, Mitad del Mundo, Teleférico e vulcão Pichincha (não fui nesses por causa do mal tempo). LATACUNGA: Quilotoa, uma lagoa na cratara de um vulcão, e o Cotopaxi, o vulcão mais icônico do Equador. BAÑOS: É a cidade dos esportes de aventura do Equador (rafting, bungee jumping, etc). Fui para a Casa del Árbol (balanço do fim do mundo), a Rota das Cascadas até o Pailón del Diablo de bicicleta, e os banhos termais “Termas de la virgen”. RIOBAMBA: A cidade fica ao lado do vulcão Chimborazo, o mais alto do Equador. Não fui, mas também me recomendaram muito a trilha de 2 dias para a Laguna Amarilla, no vulcão El Altar. CUENCA: A cidade mais linda do Equador, com um centro histórico incrível. Também fica ao lado do Parque Nacional Cajas, que merece a visita. DIA A DIA: Dia 0: (19/01/20) – Voo SP – Quito O voo da GOL de São Paulo para Quito leva em torno de 6h. Cheguei lá as 23h, e peguei um taxi para o meu hostel. O valor da corrida era tabelado em US$ 25,00, com certeza o preço mais abusivo de toda a viagem. Por causa do horário, acho que compensou, porém acredito que exista também ônibus para o centro. Me hospedei no bairro La Mariscal, o bairro bohêmio de Quito. Ele é bom para caminhar, com diversas opções de bares e restaurantes a noite. Porém, acredito que teria sido bem mais prático estar em um hostel já no centro histórico de Quito. Falam que lá, porém, é mais perigoso para se caminhar a noite. Dia 1: (20/01/20) – Mitad de Mundo e Centro Histórico Quito tem algumas linhas de ônibus, no estilo BRT, que funcionam muito bem. Paga-se US$ 0,25 pela passagem na estação, e a linha é quase como um “metrô” de ônibus. Todas elas só têm 2 sentidos: Sul ou Norte (Quito é estreita e comprida). Caminhei até a linha que possui como final à norte a estação Ofelia. Chegando lá, é só tomar o ônibus “Mitad del mundo” e descer na frente do museu. Este custou US$ 0,15 (atenção, este não é o ponto final! Peça para o cobrador avisar quando descer). O parque do monumento “Mitad del Mundo” é famoso por ser considerado o local em que a Linha do Equador passa. Ele custa entre 5 e 10 dólares, se me lembro bem. Lá estão diversos museus, experimentos de ciências, e o famoso monumento com a linha do Equador. Também existem diversos restaurantes com bons preços por lá. É um passeio de umas 3h para visitar tudo. De lá, tomei os ônibus de volta, e desci na estação que fica no centro de Quito. O centro histórico é bem bonito, e caminhando pode-se conhecer muita coisa interessante! Ao final da tarde uma tempestade chegou. Fiquei ilhado no mercado municipal, que já estava fechando. Voltei ao hostel e jantei pelo bairro La Mariscal. Monumento Mitad del Mundo e a linha do Equador. Sentado entre o norte e o sul! Vista desde o topo do monumento. Centro histórico de Quito. Plaza de la Independencia (Plaza Grande) no centro histórico de Quito. Dia 2: (21/01/20): Centro Histórico de Quito O meu plano neste dia era subir o teleférico de Quito, e lá de cima fazer a trilha até o cume do vulcão Rucu Pichincha. O dia, porém, amanheceu bastante nublado. Não me dando por vencido, peguei um ônibus até a base do teleférico (~0,20 dólares), e de lá um táxi subindo a montanha até sua entrada (1,00 USD). Chegando na entrada, a neblina estava muito intensa, e não era possível ver nada, o que dirá 1000 m acima, numa altitude de 4000 m, onde o teleférico sobe. A moça dos ingressos me informou que era até perigoso subir o Rucu Pichincha. Eu então desisti de subir o teleférico. Porém, fica a recomendação, caso o dia esteja limpo. Os ingressos custam 8,00 USD. Além da neblina, o resto do dia ficou inteiro chovendo, então foi bom eu ter desistido hahah. Peguei um taxi até o centro da cidade, pois havia um Free Walking Tour que iria começar 10h30, que ainda havia tempo para eu participar. O tour durou por volta de 3h, e achei bastante razoável. Acho que, porém, aproveitaria mais caminhando sozinho. O tour que realizei foi o do Community Hostel. Após o tour, fui até a Basílica de Quito, onde é possível subir até o topo das torres por 2,00 USD. Achei muito legal, as escadas são muito íngremes e a vista é incrível de toda a cidade. A torre fecha as 16h30, então é preciso chegar lá antes disso. Essa basílica é conhecida por ser a “Notre Dame” de Quito. Um dia para visitar o centro de Quito é suficiente. Seria possível ir também até o Panecillo, outro mirante na cidade, mas achei que não seria necessário após subir a catedral. Calle La Ronda, uma das ruas mais famosas do centro de Quito. Ao fundo, a Basílica do Voto Nacional. Quito ou Paris? Rumo às torres da igreja. Vista de todo o centro histórico de Quito, e do mirante do Panecillo. Escadas nada íngremes. Dia 3: (22/01/20) – Quilotoa Minha recomendação é dormir uma noite antes em Latacunga para visitar o Quilotoa. Eu fiz um bate-volta desde Quito, e achei que seria muito melhor ter ido a partir de Latacunga. Porém, não me planejei muito bem e já tinha reservado mais uma noite no hostel em Quito. Bom, saí do hostel as 06:00 e tomei o ônibus até a estação final à Sul, Quitumbre. Este percurso levou cerca de 1h, desde La Mariscal, já é longe então. A estação Quitumbre é a rodoviária de Quito (Terminal Terrestre, em espanhol). De lá, peguei um ônibus até Latacunga, que levou cerca de 1h30. De Latacunga, é preciso pegar mais um ônibus até Quilotoa. Ele irá parar bem próximo à lagoa, e demora pouco mais de 1h para chegar. No ônibus conheci 2 colombianos e 1 espanhola. Nós fizemos o passeio juntos. Chegando em Quilotoa, uma desagradável surpresa: muita neblina e garoa, com direito à fotos expectativa x realidade hahaha. Nada como um bom perrengue. Almoçamos por lá para esperar o tempo melhorar: não melhorou. Nos falaram que a dica para não pegar neblina alguma é ir super cedo, o que não fizemos. Mas, descendo a trilha até o lago, a neblina melhoraria, pois as nuvens não baixam na cratera. E foi o que fizemos! Descer levou cerca de meia hora, e foi possível avistar a linda lagoa! Descemos até a água, tiramos várias fotos, e depois subimos. A subida é íngreme, mas não achei tão terrível quanto li por aí. Certamente vale a pena descer até a água. Levamos cerca de 45 min para subir. Pegamos o ônibus de volta para Latacunga, e depois voltei para Quito. Os outros, espertos, ficaram em Latacunga! Combinei de ir com eles ao Cotopaxi no dia seguinte, e nos encontrar as 08:30! Ou seja, tive que madrugar dia seguinte também... Cheguei no hostel as 22h este dia, após jantar um KFC ao lado do ponto de ônibus. Expectativa... Realidade kkkk Descendo ainda estava com cara de Silent Hill. Eis que deu para ver a lagoa! Companheiros de perrengue. É possível andar de caiaque nas águas do Quilotoa. Exercício para subir. Na subida teve até um arco-íris! Dia 4: (23/01/20) – Cotopaxi Saí do hostel às 4h45 da manhã com novamente com destino a Latacunga. Desta vez, já levei minha mochila. Como era muito cedo, os ônibus ainda não estavam passando, então tomei um Uber até Quitumbre por 5,00 dólares (durante o dia seria 10,00). Consegui chegar às 07:30 em Latacunga, e andei até o Hotel Rosita, onde os colombianos estavam. O café da manhã lá custou 2,00 é era muuito bem servido, recomendo. Ao final, acabei me hospedando lá no fim do dia. Saiu mais caro que um hostel, 12 USD, porém pude ter uma boa noite de sono em um quarto privativo após tanto madrugar. Após o café da manhã, nos destinamos ao parque do Cotopaxi. Nós fechamos um jipe desde Latacunga por 30,00 USD cada. O motorista era o próprio dono do hotel. Acredito que se tivéssemos ido até a portaria do parque de ônibus e de lá tomado um jipe, teria sido bem mais barato (e é totalmente possível), mas também estava ok o preço, considerando a comodidade. Em revanche ao dia anterior, desta vez o tempo estava perfeito, e o Cotopaxi estava sem nuvem alguma! Após algumas paradas para fotografias, chegamos de carro até o estacionamento, e então subimos andando até o Refúgio (4864 m). De lá, continuamos subindo até o glaciar do vulcão (5100 m). Nesta altitude já era bem mais difícil caminhar. Na altura do primeiro refúgio já havia neve, porém ela só é completa aos 5100 m, onde é necessário estar com grampos nos pés para subir. Eu até considerei realizar o passeio de 2 dias para subir até o cume do Cotopaxi, mas como estava com poucos dias para me aclimatar na altitude, e o passeio é um tanto caro, decidi deixar para uma próxima viagem. Após descermos até o carro, fomos até um lago com diversos pássaros, e até o museu do parque. Por fim, nosso guia nos levou para almoçar em um restaurante na estrada em que o almuerzo era 5,00 USD. A vista do restaurante para o Cotopaxi era incrível! Valeu muito a pena. Descansamos o resto do dia, e a noite jantamos por Latacunga. Cotopaxi com o clima perfeito! Gigantesco! Vulcão com lhama? Por isso que o Equador não desaponta! A partir do estacionamento, começa a caminhada. Chegando no Refúgio José Rivas, 4864 m de altitude. Rumo ao glaciar, até os 5100 m de altitude! O glaciar! A partir daqui, só com equipamentos especiais para caminhar. Almoçar com essa vista é chato. Simpática lhama equatoriana. Dia 5: (24/01/20) – Baños – Casa del Árbol Pela manhã tomei novamente o café da manhã reforçado do Hotel Rosita, e então tomei o ônibus para a cidade de Baños. Desde Latacunga não há ônibus direto, então foi preciso trocar de ônibus na cidade de Ambato, uma baldeação super tranquila. A viagem foi super rápida (o Equador é muito pequeno hahah). Do ônibus já foi possível observar as montanhas arborizadas que cercam Baños, rios de corredeiras rápidas, e o vulcão Tungurahua, todas as paisagens de Baños. Assim que cheguei, fui andando até o hostel Papachos, que fica bem localizado ao final da cidade. Deixei minha mochila e troquei de roupa: em Baños estava bem quente! A cidade é bem pequena e movimentada com turistas, por todos os lados há agências de turismo e aluguéis de bicicletas. Dei uma volta a pé e comi um clássico almuerzo. As 16h peguei o último ônibus até a Casa del Árbol, o ponto turístico mais conhecido de Baños. O ponto de ônibus era bem próximo ao meu hostel, e os horários dos ônibus são bem definidos, vale a pena prestar atenção, pois o último era as 16h. Cada trecho da viagem custou 1 USD. Chegar até lá levou mais ou menos 40 min, e na viagem o ônibus vai subindo o tempo todo a montanha, muito alto! Eu sei que é possível subir e descer até lá andando, porém preferi o ônibus mesmo. Chegando ao topo, é preciso pagar uma entrada para a área da Casa del Árbol (1 USD). A casa na árvore é famosa pelos seus 2 balanços, o balanço do fim do mundo! Achei muito divertido, porque lá tem um pessoal que fica empurrando os balanços muito forte, é bastante intenso kkk. Recomendo ir para a fila dos balanços assim que chegar, porque depois a fila só cresceu e era impossível ir de novo. Mas também é muito engraçado ver os caras empurrando as outras pessoas. Lá é possível subir na casa da arvore também, apreciar o precipício de 2700 m de altitude, e, se der sorte com as nuvens, ver o vulcão Tungurahua ao fundo. Tive alguns momentos de sorte! Também tem uma lanchonete e uma tirolesa lá em cima, no geral é um bom lugar para passar o tempo. O ônibus desceu às 18h, e foi tempo suficiente para ficar lá em cima e aproveitar todo o passeio. Recomendo levar um casaco lá para cima, porque no fim do dia o tempo muda bastante, e faz frio. A famosa casa na árvore. Um pouco de diversão no passeio! Eles levam a sério a questão de empurrar o balanço hahaha! O vulcão Tungurahua deu as caras! Dia 6: (25/01/20) – Baños – Ruta de las cascadas Este foi o dia de realizar o segundo passeio mais famoso de Baños: alugar uma bicicleta pedalar os 20 kms da Ruta de las Cascadas (rota das cachoeiras) até a cachoeira mais famosa do Equador: o Pailón del Diablo. Peguei uma recomendação de agência de aluguel de bicicletas no hostel, mas chegando lá, todas as bicicletas estavam todas esgotadas (boatos que aquelas são as melhores bicicletas, se não me engano a agência se chama Wonderful). As bicicletas em todos os lugares que vi custam 5,00 USD o aluguel. Me levaram para outra agência, e lá conheci uma chinesa, com quem fiz todo o passeio. Junto com a bicicleta, as agências também dão capacete, material para trocar a câmara de pneu, corrente para amarrar a bicicleta e uma mochilinha com tudo isso. Recomendo testar fortemente a bicicleta antes para ver se as marchas e freios estão todos ok. Eu testei bastante a minha, mas tive um grande perrengue. Após a primeira grande decida (uns 3 kms), a corrente da minha bike arrebentou. Tive que voltar até a agência para trocar a bicicleta. Por sorte consegui carona em uma caminhonete para subir até a cidade, se não o perrengue teria sido muito maior! O caminho é basicamente só decida, então é muito fácil. Ele segue pela pista da rodovia, mas não há nenhum problema nisso, é bastante tranquilo. Em vários momentos, quando há algum túnel, há um desvio para bicicletas pela direita, contornando a montanha por fora do túnel, o que faz o passeio ser bastante seguro. Pela rota é possível ir apreciando várias cachoeiras e o rio lá abaixo. Há várias opções de tirolesas no caminho, mas não fomos em nenhuma. Ao final do passeio, chegamos ao Pailón del Diablo. Ele possui duas entradas. A primeira entrada leva ao topo da cachoeira, e a segunda é uma trilha que desce até sua base. Escolhemos ir na segunda. Amarramos as bicicletas na entrada e descemos a trilha pela floresta. É uma descida razoável, deve ter 1 km. Lá embaixo é preciso pagar a entrada para a cachoeira (2 USD). Dica: vá com roupa que possa molhar! A água da cachoeira é tão forte que encharca qualquer um! É muito divertido. É possível seguir o caminho e se rastejar por uma caverna para chegar atrás da queda d’água, é uma aventura! Também há uma famosa escada de pedra lá, que não faço ideia de como que foi construída. De baixo é possível ver toda a queda d’água. Saindo do parque, é possível desviar para uma ponte suspensa, e ter uma visão de longe do lugar. Após subir a trilha, almoçamos em um dos diversos restaurantes que tem na estrada, na entrada do parque. Os preços são sempre os mesmos, e a comida era bem boa. Ouvi falar que se continuar pedalando pela estrada principal, após o Pailón, há mais uma cascata em que é possível nadar. Porém, como já estávamos muito molhados, decidimos voltar. Para voltar ao centro de Baños, não é preciso ir pedalando. Diversos caminhões levam todo mundo e as bicicletas por apenas 2 USD, e vale super a pena (a volta seria uma grande subida). Uma das várias cachoeiras do caminho. Um dos desvios para as bicicletas, pela direita do túnel. A trilha para o Pailón del Diablo é pela floresta. Esse chuveiro tem pouca água. As escadas do Pailón del Diablo. Para chegar atrás da queda d'água é preciso se aventurar. Será que molha para chegar atrás da cachoeira? De banho tomado. Pailón del Diablo e a ponte suspensa. A volta de quem não encara pedalar na subida. De volta à cidade, aproveitei para descansar o resto da tarde. A noite decidi ir a uma das grandes atrações da cidade, os banhos termais! A final, o nome da cidade não é Baños por acaso (o nome correto é Baños de Água Santa, melhor ainda!). A terma da cidade (Termas de la Virgen) fecha pela tarde, e reabre as 18h. Ela fica localizada próxima à entrada da cidade, ao lado de uma cachoeira que é visível de toda a cidade. Essa cachoeira se chama Cabellera de la Virgen. A entrada para as termas custou 4,00 USD. É preciso ter uma touca de banho, e os hostels geralmente têm para emprestar, mas se você não levar, é possível comprar lá nas termas também. Lá há cabines para se trocar, e há um guarda volumes, então não há preocupações em onde você vai deixar sua mochila. São dois andares de piscinas termais. No superior, que é onde está o guarda-volumes, há uma piscina quente (38°C) e uma de água fria. A de água quente fica muito lotada, mas é bem divertido, porque é ocupada por vários equatorianos locais e suas famílias. No andar de baixo há toda uma atração especial. Lá está a piscina de água mais quente (44°C)! Parece que você está dentro do vulcão, porque cada movimento dói hahah o ideal é ficar parado na água, que assim fica suportável. Para revezar, há uma piscininha ao lado com a água super gelada, direto da cachoeira (~17°C). É muito divertido trocar entre piscinas, o choque térmico é incrível! Apesar de lotado, achei muito legal a experiência das termas, é um passeio bastante tradicional de Baños, e pessoas de todo o Equador vão para lá desfrutar das águas aquecidas pelo Tungurahua. As famosas termas de Baños, ao lado da cachoeira. Apesar da muvuca, é bem relaxante kkkk essa é a piscina de 38°. A piscina de água quase fervendo, e a banheirinha de águas congelantes para o choque térmico. Dia 7: (26/01/20) – Riobamba Após uma manhã preguiçosa, tomei um ônibus de Baños rumo à Riobamba. A viagem novamente foi bem rápida. A cidade de Riobamba é famosa por estar aos pés do vulcão Chimborazo, o mais alto do Equador (6267 m). Fiquei no hostel Villabonita e recomendo fortemente esse hostel, ele tem as MELHORES camas de todo o Equador, uma delícia. Além disso, todos os viajantes que conheci depois ficaram nesse hostel e falaram a mesma coisa hahah então o negócio é sério. O hostel fica em um casarão antigo, bem tradicional. Ele tem poucos quartos, e tem café da manhã incluso. Como era domingo, quase tudo na cidade estava fechado, mas depois de um pouco de caminhada consegui achar um lugar para almoçar. Achei a arquitetura da cidade bem bonita, ela é mais antiga e bem preservada. Conheci no hostel uma tailandesa que também queria ir ao Chimborazo no dia seguinte, e combinamos de irmos juntos. Pela noite reencontrei por acaso uma romena que havia conhecido em Quito e que estava ficando no mesmo hostel, e também conheci no hostel um brasileiro, um americano e um polonês. Eles haviam ido até o Chimborazo esse dia, e disseram que o tempo estava perfeito, e que no dia seguinte estaria ainda melhor. Fiquei muito animado com o meu passeio do dia seguinte! Fomos andar pela cidade juntos. O céu abriu e foi possível ver o Chimborazo na distância, enorme! Jantamos pizzas e foi uma noite bem divertida. Arquitetura bem preservada. Ao fundo o Chimborazo e seus 6267 metros. Dia 8: (27/01/20) – Riobamba - Chimborazo Após um reforçado café da manhã no hostel, eu e a tailandesa tomamos um taxi até a rodoviária. De lá nós tomamos um ônibus com destino à Guaranda, e pedimos ao motorista para nos avisar onde era a portaria do parque do Chimborazo. Esse é o jeito mais fácil e barato de chegar ao parque. No ônibus nós conhecemos um casal alemão, o que foi muito legal. Na portaria do parque estão vários jipes que podem levar até o primeiro refúgio (Hermanos Carrel – 4800 m de altitude). É possível subir a pé, mas recomendo pegar um jipe, pois a trilha é bastante longa. Não lembro exatamente o custo, mas creio que tenha sido 10 USD para cada, pois dividimos em 4 pessoas. Deste refúgio seguimos caminhando por uma hora até o próximo refúgio, Whymper (5000 m de altitude). Nesse ponto já havia esfriado, e havia muita neve na trilha. Continuamos subindo 10 min até a última parada, a lagoa Condor Cocha, a 5100 m. A lagoa é feia e marrom, mas a vista do cume do Chimborazo é impressionante, e o tempo estava perfeito. Resolvemos subir mais um pouco, e a vista de cima é ainda melhor! O Chimborazo é realmente impressionante. Descemos até o jipe e voltamos para a portaria. Lá esperamos o próximo ônibus passar na estrada (o pessoal do parque sabe exatamente os horários, então vale a pena perguntar para eles quando o próximo passará). Chegamos em Riobamba esfomeados, deveria ser por volta de 16h. Da estrada era possível ver tanto o Chimborazo quanto o El Altar, um outro vulcão da região que me recomendaram muito ir. Almoçamos ao lado da rodoviária em um restaurante muito bom e barato! De noite, jantei pizza novamente com o pessoal do hostel. Novamente uma noite divertida. Até o primeiro refúgio é possível chegar de jipe. Refúgio Hermanos Carrel. A partir daqui, só caminhando. O próximo refúgio lá em cima. Refúgio Whymper. A subida final até a laguna Condor Cocha. A laguna Condor Cocha e sua água barrenta hahaha. A montanha é que vale a visita. Tem gente que desce do refúgio Hermanos Carrel até a portaria de Bike. A paisagem do parque é bem desértica. O Chimborazo visto da portaria do parque. Dia 9: (28/01/20) – Cuenca Pela manhã peguei um ônibus para Cuenca. Essa foi a viagem mais longa de ônibus que tive (6 horas). Fui junto com um alemão que estava no mesmo hostel que eu, fomos conversando então a viagem passou mais rápido. Chegando em Cuenca, combinamos de ir no dia seguinte até o Parque Nacional Cajas. Fui até meu hostel (Selina Cuenca). Ele era gigante, e com uma decoração toda diferentona, parecia um hotel. Achei muito bom. Cuenca é uma cidade linda, a mais bonita de todas as que fui. Ela é toda arrumada, lembra um pouco a organização de cidades europeias, com um espírito latino americano. Vale a pena ter um dia só para ficar passeando. Pela noite reencontrei a espanhola do Cotopaxi, e junto com dois franceses nós fomos jantar Cuy, o tradicional porquinho da índia andino. A experiência foi peculiar kkkk ele não é muito bom, mas também não é ruim. Construções de Cuenca. Dia 10: (29/01/20) – Cuenca – Parque Nacional Cajas De manhã fui com o alemão, a espanhola e os franceses para o Parque Nacional Cajas, um parque a 4000 m de altitude, com montanhas e lagos, uma paisagem linda! Nós pegamos um táxi até a rodoviária, e de lá um ônibus com direção a Guayaquil. É só pedir para o motorista avisar quando descer, que o ônibus para na portaria do parque. Na recepção, nos registramos (é gratuito), e pegamos algumas informações. Eu e o alemão decidimos fazer a trilha n° 2 e depois a 1, enquanto os outros apenas a trilha n°1. A trilha 2 sobe uma montanha até 4267 m, e é possível ver todo o parque do alto. Já a trilha 1 contorna os lagos pela parte baixa, e é mais tranquila. Achei a trilha 2 um pouquinho puxada para subir, mas recomendo demais essa opção, porque a vista do topo é incrível. Quando chegamos na conexão com a trilha 1, começamos a caminhá-la, porém começou a chover muito, e tivemos que desistir e voltar para o centro de visitantes, que era mais perto do que acabar a trilha. Chegamos encharcados, mas felizes que o passeio tinha sido incrível. Pegamos o ônibus na estrada de volta para Cuenca, e durante a viagem fomos parados pelo exército. Todo mundo do ônibus foi revistado, eles estavam em busca de armas e drogas... uma situação um tanto inusitada e não muito agradável. É preciso dirigir com cuidado para não atropelar as lhamas. Rumo à trilha n° 2 no Cajas! No encontro da trilha 1 com a 2, é preciso atravessar esta floresta muito doida. A trilha n° 2 sobe esta montanha ao fundo. A revista nada agradável do exército. Dia 11: (30/01/20) – Cuenca – Quito – São Paulo Meu último dia no Equador... Encontrei a espanhola pela manhã e aproveitamos para andar um pouco, e subir a torre da catedral principal de Cuenca. A entrada custou 2 USD. De lá é possível ter uma vista de toda a cidade. Achei bacana, mas não totalmente essencial o passeio. Fui também no museu dos chapéus do Panamá. Cuenca é conhecida por ser a cidade desses chapéus, que são equatorianos, e não panamenhos, ao contrário do nome... O museu é basicamente uma loja de chapéus diversos, interessante pelo contexto da cidade. Aproveitei para caminhar pelo resto da cidade, e fui até o mercadão tomar pela última vez um suco de tomate de árbol, o meu favorito da viagem (no Equador dá pra encontrar por todo lugar esse suco. O de amora também é muito comum). Vi que dentro da cidade de Cuenca é possível visitar um sítio arqueológico inca, as ruínas de Pumapungo. Elas ficam dentro de um museu arqueológico, que achei bem simples. As ruínas também não são grande coisa, mas se estiver com tempo sobrando, o passeio é ok. De tarde tomei um uber até o aeroporto, onde peguei um voo de volta à Quito (35 min de voo!). Fiquei no aeroporto mesmo até meu voo noturno para São Paulo. E esse foi o fim da viagem! Os chapéus do Panamá são equatorianos! Vista desde o topo da catedral. O museu dos sombreros, eles levam a sério os tipos de chapéu! A cidade é cortada por um rio muito agradável. As ruínas de Pumapungo. Até nas ruínas incas temos lhamas.
  23. 8 pontos
    Relato sobre a viagem para a Mongólia, ocorrida em julho de 2018. Lembrando que isso é só um relato da minha experiência lá, não é um guia de turismo nem nada. A Mongólia era um lugar que já estava querendo conhecer há muito tempo, tanto tempo que já nem lembro mais de onde surgiu meu interesse em ir pra lá. Já estava conformado de ir sozinho, mas consegui convencer meu amigo Richard a ir junto. É praticamente impossível ir pra Mongólia totalmente independente, estilo mochileiro mochileiro mesmo, já que os atrativos turísticos estão longe das cidades e vilarejos e muitas vezes não existem estradas entre os lugares, nem mesmo estrada de terra, o país é um gramado interminável, então simplesmente vai-se dirigindo por ele. Lembrando que a Mongólia é o país menos densamente povoado do mundo e 1/3 da população mora na capital, então você também não vai cruzar com muita gente no caminho. Assim sendo, é quase inevitável ter que se juntar a uma excursão ou guia local. Um modo de economizar que muitos fazem é deixar para reservar a excursão chegando lá, funciona bem se você for fazer uma excursão de alguns poucos dias pelo deserto de Gobi, que é a região mais visitada de lá, e tem vários tours saindo da capital. Nós não fizemos isso, reservamos daqui, pelo fato de que queríamos fazer um tour longo e completo: a Mongólia é muito longe pra se chegar, e sai caro, então já que íamos pra lá, queríamos conhecer tudo o que se tinha pra ver. Fechamos com a agência local por meio do site IndyGuide.com, um site muito bom para turismo na Mongólia e Ásia Central. Esse site funciona assim: você posta lá quais as regiões e coisas que quer ver e quanto tempo, daí as empresas mandam as suas propostas e orçamentos. Foi o que fizemos, escolhemos uma agência (você pode ver as avaliações), e como o tour é personalizado, você pode fazer ajustes incluindo ou tirando coisas no itinerário. A dona da empresa perguntou de poderia anunciar nossa excursão no site da agência, caso alguém quisesse se juntar ao nosso tour, para diminuir os custos. Nós topamos, mas até chegarmos na Mongólia ninguém tinha se interessado (nós também divulgamos no TripAdvisor, mas Mongólia não é um destino super popular né). Fechamos uma excursão conhecendo tudo o que se tinha de principal pra ver na Mongólia, 25 dias viajando pelo interior do país. Conhecendo o deserto de Gobi ao sul, as estepes verdes no centro, os lagos e florestas no norte, e as montanhas a oeste. A temporada de turismo na Mongólia é muito curta, por causa do frio, é basicamente junho-julho-agosto (setembro pros mais empolgados), inverno lá é coisa de -30, -40°C. Nós fomos em julho e mesmo assim pegamos dias bastante frios no norte do país. O mais caro da viagem foi o voo, para chegar lá tinham duas opções: AirChina, com escalas em Madri e na China, e Turkish Airlines, com escalas em Istanbul (Turquia) e Bishkek (Quirguistão). O preço era quase o mesmo, escolhi a segunda opção: quando que teria oportunidade de conhecer o Quirguistão novamente né? A escala em Istanbul era de quase 24h, então aqui fica mais uma dica: se você voa pela Turkish Airlines e a escala mais curta disponível dura mais de 10h, a Turkish paga pra você um hotel em Istambul, incluindo o traslado pro aeroporto. Sensacional. Chegava no fim da tarde lá e saia no dia seguinte também no fim da tarde. Deu pra passear por Istambul, voltar pro hotel, tomar um banho e só fazer check-out umas 16h. Melhor impossível. A escala em Bishkek também era beeem longa, cheguei umas 6h da manhã e o voo saia lá pelas 3h da manhã... fechei um tour de um dia com um guia local, fiz isso pelo site IndyGuide também. O guia simpaticíssimo e o irmão dele me levaram para tomar café da manhã, depois fomos pro espetacular parque Ala-Archa, uns 40 km da capital, onde fiz uma trilha nas montanhas. Depois voltamos pra capital, fomos almoçar num restaurante de comida quirguiz típica, e então passear pela cidade. De modo geral a Ásia Central é um lugar que a gente não sabe nada a respeito, mas pela breve pincelada que tive no Quirguistão, voltaria com certeza (quem sabe fazer o Uzbequistão junto né): bonito, seguro, barato, arborizado, valeu muito a pena. Daí de lá foi um voo de umas 5h até a capital da Mongólia, Ulan-Bator, ou Ulaanbaatar, como eles dizem lá (é assim que eu vou chamar aqui também). Cheguei lá e uma meia hora depois chegou meu amigo Richard, que veio da Noruega, via China. Então vamos começar com o relato da viagem na Mongólia, está resumido, mas foi uma viagem longa, então o relato vai ser longo também, vocês vão me desculpar. D1- Ulaanbaatar é uma cidade grande, um pouco mais de 1 milhão de habitantes, 1/3 da população do país mora lá, e ela não é com certeza o motivo pelo qual os turistas vão pra Mongólia, mas ela me surpreendeu positivamente. Nosso hostel ficava no 22º andar de um prédio a 1 quarteirão da praça central da cidade, com uma vista sensacional da cidade. Na praça central fica um grande prédio governamental com a estátua de ninguém menos do que Gengis Khan. Ele está em todos os lugares na Mongólia, nas notas de dinheiro, nome do aeroporto e de marca de vodka, de cerveja etc etc. A praça é grande e bem agradável, com crianças andando de bicicleta, noivos indo tirar foto do casamento com as famílias usando os trajes mongóis típicos, ou seja, todo mundo aproveitando o curto verão mongol. À noite fomos num bar que tinha montado com telão na parte externa pra transmitir os jogos da copa. Tinham vários estrangeiros, mas muito mais mongóis. Jogo Argentina e Rússia. Os mongóis aparentemente estavam torcendo pra Argentina... D2- fomos passear pela cidade. Fomos andando até um mirante no alto da cidade, que também é um memorial pelos soldados mongóis que lutaram em conjunto com os soviéticos na 2ª Guerra (Memorial Zaisan), fica do lado de um shopping center. Pra chegar lá andamos pela cidade, passando por praças, estátuas de caravanas de camelo, uma estátua gigante de Buda e fomos também visitar o antigo palácio real dos soberanos mongóis que ficou ativo até o começo do século XX (Bogd Khaan). Encontramos com a dona da agência de turismo para fazer o pagamento e descobrimos que teríamos mais uma integrante no nosso grupo, uma moça tinha fechado com ela alguns dias antes, ou seja, ótimo, a viagem ficou ainda mais barata. À noite fomos assistir uma apresentação de graça na praça central de uma orquestra sinfônica local, tocando música clássica. Foi bem legal D3 - começava a excursão propriamente dita, vieram nos buscar no hotel, e levaram para conhecer nossos companheiros pelos próximos dias: Jennifer, a canadense que tinha se juntado ao nosso grupo, simpática e educada como todos os canadenses, Chingis, nosso guia com nome apropriadíssimo (Chingis é Gêngis em mongol, tínhamos o xará do Gengis Khan como guia) e Gonchgoo, o motorista, que mesmo não falando nada além de mongol, era um senhorzinho muito simpático (às vezes parecia bravo, mas é o jeito de falar no idioma mongol que é meio assim mesmo). De lá partimos no nosso jipe rumo ao sul, ao deserto de Gobi. Estrada muito boa nesse primeiro dia, paramos pra comer num restaurantezinho no meio do nada na estrada. Logo depois da gente chegou um grupo de uns 40 italianos (eles estavam num tour há 2 meses, saíram da Itália e foram cruzando a Rússia até chegar na Mongólia, doidos né). Aproveitei pra desenferrujar o italiano que aprendi na escola. Chegamos no nosso 1º ponto turístico: Baga Gazriin Chuluu, um formação rochosa no meio do deserto, nem sei bem como explicar, pareciam um amontoados de pedras, grandes e por uma área gigante. E estava lá também a multidão de italianos. A gente encontrou com eles várias vezes nos dias seguintes, os itinerários dos turistas de modo geral eram semelhantes. Eram na maioria nos seus 50-60 anos, muito simpáticos, conversamos bastante sobre a Copa do Mundo que estava acontecendo, e que a Itália não estava participando. De lá fomos pra nossa primeira estadia, nosso primeiro ger. Ger são as tendas circulares onde moram os nômades mongóis (em outras regiões da Ásia Central são chamadas de iurtas… talvez você conheça pelo nome em inglês de yurts). Sim, mesmo hoje no século XXI, 1/3 da população mongol é nômade. E muitas dessas famílias nômades que tem seus rebanhos perto de regiões turísticas montam no verão um ou alguns gers a mais para receber turistas. O ger é bem melhor que imaginava. Bem grande, variando de 3 a 5 camas dentro dele. Bem confortável, exceto pela porta baixinha em que batia a cabeça toda hora até acostumar com ela uns dias depois. Ao ficar com as famílias nômades, somos meio que convidados deles, toda vez que chegávamos a um ger novo, a primeira coisa era ir cumprimentar a família, eles ofereciam bolachas, chá no leite de égua (tudo na Mongólia é exótico), e iogurte seco de leite de égua, ou camelo ou iaque. E a gente dava pra eles chocolates e balas, principalmente pras crianças (sonho de valsa e bala Chita fizeram muito sucesso, tanto com as crianças mongóis quanto com a nossa companheira de viagem canadense). Por mais isolados que estejam, as famílias tem umas placas de energia solar ligadas a uma bateria de carro, eles usam isso pra ligar lâmpada à noite, ou ver TV (eles têm também umas parabólicas pequenas). Nesse dia tivemos a oportunidade de ver o jogo do Brasil na Copa no meio do deserto de Gobi junto com uma família mongol (que não se interessou muito, os esportes deles são outros: corrida de cavalo, luta e arco-e-flecha) D4 Acordamos, tomamos nosso café da manhã (nosso guia Chingis também cozinhava o café-da-manhã e o jantar, e ocasionalmente o almoço quando estávamos em lugares muito remotos. Se não, almoçávamos em algum restaurantezinho quando cruzávamos algum vilarejo mongol). A rotina em geral era a mesma, longos trajetos por estradas intermináveis, mas com um visual interessante, e no meio da tarde chegávamos no nosso ponto turístico. Ficávamos lá quanto tempo quiséssemos e depois partíamos pro lugar onde íamos dormir. Éramos nós também nômades, cada dia dormíamos num lugar diferente. Nesse dia visitamos o Tsagaan Suvarga, que quer dizer Estupa Branca (estupa é uma estrutura religiosa budista, os mongóis seguem a linha tibetana do Budismo). Mas esse lugar não era nenhuma construção religiosa, era um desfiladeiro com cores variadas, parece aquelas encostas de algumas regiões do litoral do Nordeste, como Trancoso, mas no meio de deserto. Muito bonito, e como tudo na Mongólia, bem vazio, mesmo no mês de pico de turismo, na região mais turística do país. Éramos nós e uma meia dúzia de outros turistas espalhados pelo lugar. D5- nesse dia saímos rumo a um lugar chamado Yolyn Am, que é um vale em que vamos caminhando numa trilha bem de boa até chegar no fim dele, e no fim desse vale, mesmo no auge do verão, ainda tem gelo, ele só derrete no finzinho do verão. Mas antes de chegar nesse vale, passamos por uma arquibancada perto de uma cidadezinha. Estava tendo uma corrida de cavalos. Os mongóis adoram cavalos, desde o tempo de Gengis Khaan, tem até um ditado que diz que um mongol sem um cavalo não é um mongol. O mais interessante é que quem corre nessas competições são crianças. Era uma corrida de 12km e a arquibancada era no final do trajeto. As crianças tinham uns 6-7 anos de idade, o que pra a gente era bem estranho né. O guia falou que agora o governo controla mais essas coisas: não pode corrida com crianças menos de 5 anos, e é obrigatório uso de capacete. Antes era sem regras. Decidimos aguardar e ver a corrida. Como éramos os únicos turistas estrangeiros, deixaram até a gente entrar na pista pra tirar foto com as crianças, e subir naquela cadeira elevada onde ficam os árbitros. De lá fomos pro Yolyn Am, fizemos a trilha ate o fim. Sim, ainda tinha gelo, no deserto, em julho. E fomos pro nosso próximo ger. Quando chegamos lá, não tinha mais lugar já que tínhamos atrasado por causa da corrida. Daí ficamos dirigindo meio sem rumo e quando encontrávamos uns gers, o guia ia falar com a família pra ver se tinha algum disponível. Como é uma área turística e boa região de pasto para as ovelhas, tinham bastante gers, então não demorou pra acharmos. É tudo meio assim na Mongólia, a comunicação e a organização às vezes aparentam não serem as melhores, mas tudo dá certo, com o jeitinho mongol. D6 Mais uma vez, acordamos, café-da-manhã e partiu. O deserto de Gobi é bem variado, tem áreas pedregosas, áreas de montanhas, áreas até com grama. Ele é um semiárido na verdade. Hoje fomos pras dunas do Gobi, as Khongoryn Els. Lá chegamos no nosso ger, visitamos a famílias, tomamos o chá, o iogurte de leite de camelo etc, e fomos fazer um passeio de camelo. Não aqueles dromedários de uma corcova que vemos em países árabes, na Índia, na Austrália e até em Natal (RN). Na Mongólia eles têm os camelos bactrianos, de 2 corcovas, muito mais raros, e no inverno eles têm uma pelagem super espessa pra aguentar o frio intenso. Fomos com os camelos até a base das dunas. Essas dunas têm uns 100km de extensão, e nos pontos mais altos, uns 80m de altura. E foi lá que subimos, nós, outros turistas de outros lugares e vários turistas mongóis, famílias, crianças, idosos. Aquela canseira extrema de se subir na areia, mas a vista compensou, e o pôr-do-sol também. Voltando pro ger, vimos umas crianças recolhendo os cavalos. Os mongóis acreditam que você tem que acalmar os cavalos antes de colocar eles amarrados no fim do dia, e eles fazem isso cantando para os cavalos. Imagina um moleque de uns 9-10-11 anos, montado em cima de um cavalo sem sela, dando voltas e cantando. Como disse um amigo meu quando viu a filmagem que eu fiz, “parece coisa de filme”. Parece mesmo. D7 Nesse dia fomos pra Bayanzag, é um desfiladeiro parecido com Tsagaan Suvarga, mas mais vermelho, ele é conhecido pelos turistas como Flaming Cliffs (desfiladeiros flamejantes). Muito muito bonito. Foi nesse lugar que ovos de dinossauro foram descobertos pela primeira vez, por um cara chamado Roy Chapman Andrews, um aventureiro americano do começo do século, que diz a lenda, foi um dos inspiradores para a criação do Indiana Jones. Depois fomos até Ongiin Khiid (monastério Ongi), ruínas de um monastério budista. Existem vários desses pela Mongólia, durante o governo comunista da Mongólia, os monastérios budistas foram destruídos e estima-se que cerca de 20.000 monges fuzilados. Esse especialmente foi fundado em 1660 e destruído em 1939, e cerca de 200 monges foram mortos. Apesar da historia triste, é um lugar muito bonito e tranquilo. Até então tínhamos dormido em gers pertencentes a famílias. Eles tinham os deles e montavam alguns extras pra turistas. Hoje dormimos num ger-camp, que é tipo um hotel, só que são vários gers espalhados por um lugar. Tem a desvantagem de não pertencer a uma família, não tem o contato com os nômades, com as crianças e animais. Mas tem a vantagem de ter mais estrutura: tinha um pequeno restaurante/lanchonete, onde vimos a segunda partida do Brasil na Mongólia, a que perdemos e fomos eliminados. E tinha também um lugar com chuveiro e banheiros fechados. Até então os banheiros eram fossas e os chuveiros eram, bom, eles eram inexistentes. Aproveito então pra abordar duas das 3 piores coisas de se viajar pela Mongólia: condições dos banheiros e banhos não diários. A falta de banho eu achei que fosse ser a pior coisa, mas não foi. Em geral o tempo era frio e seco, a gente passava boa parte do dia no jipe, sem fazer esforço físico, então não suava. E estávamos todos na mesma condição, todos sujos iguais né. Óbvio que bom não era, mas não foi torturante como achei que fosse ser. Aqueles lenços umedecidos ajudaram muito mesmo. Os banhos a gente tomava quando ficava assim num ger-camp (pagava-se pra isso, ótimo investimento) ou quando passávamos por uma cidade de porte médio que eles têm chuveiros pagos. Bem interessante a ideia, impecavelmente limpos, água quente e tudo mais. Agora, os banheiros, daí o negócio não era legal. Pensa que os caras são nômades, não tem como ter banheiro. Então eram fossas, com variados graus de estrutura. Algumas tinham 4 paredes, uma tinha até um vaso sanitário com água pra descarga, mas a maioria eram umas tábuas por cima da fossa, e você fazia suas necessidades fisiológicas agachado, como é costume em vários lugares do oriente. As piores eram só 3 paredes baixas, e um lado aberto para a natureza, e o buraco raso demais. Pra mim isso foi a pior coisa em se viajar por lá, mas já sabia que ia ser assim, faz parte da aventura. D8 O programado hoje era visitar a cachoeira Orkhon, mas os planos mudaram. O guia disse que os rebanhos de ovelhas ou cabras sei lá da cidade estavam com alguma doença, então a cidade estava fechada para evitar transmissão. E como alternativa iríamos pra região das águas termais de Tsenkher. Ficamos chateados por que originalmente essas águas termais estavam no nosso roteiro mas a gente pediu pra substituir pela cidade de Kharkhorin, já que a gente não tinha se interessado tanto pelas termas. Eu honestamente achei que esse negócio de cidade fechada que o guia falou tinha sido invenção dele, vai ver que não queria ir pra cachoeira sei lá... mas não é que passando por um vilarejo à beira da estrada todas as ruas que saíam da estrada estavam com aquela fita preta e amarela, sabe? Aquelas que a polícia usa pra bloquear acesso... no fim era verdade. Os mongóis dependem muito de seus rebanhos, faz sentido todo o cuidado pra evitar propagação de doenças. Eles criam muitas cabras e ovelhas. Ovelhas pra lã e carne, e as cabras são por causa do pelo delas, são as famosas cabras que produzem as valiosas lãs de cashmere. Bom, acabamos indo pra as fontes termais. No fim mudei de ideia sobre o lugar, que lugar bonito! Aqui já havíamos saído do Gobi poeirento e pedregoso e chegado nas estepes verdinhas intermináveis. Eram ger-camps e hotéis, um ao lado do outro, todos com piscinas e banheiras de água quente das fontes termais. E uma paisagem muito bonita, grama verde, floresta de pinheiro ao fundo, e vários rebanhos de cavalos, iaque, cabras e ovelhas. Era interessante também o numero grande de turistas, diferente das outras partes da Mongólia, mas maioria dos turistas eram mongóis mesmo. A Jennifer chegou até a ir num hotel do lado do nosso ger-camp pra fazer uma massagem. Nem tudo é perrengue na Mongólia. D9 Fomos rumo a Kharkhorin, que é a antiga capital do império mongol (em português é Caracórum). Foi fundada por um dos filhos de Gengis Khan, e abrigava também um monastério gigante (Erdene Zuu). Foi destruído em 1939 pelos governantes comunistas do país, e os monges, fuzilados. Ficamos novamente num ger-camp (esse não tinha chuveiro, mas estávamos bem limpinhos por causa das águas termais da véspera), e já começou a fazer muito frio à noite (lembram da continentalidade que aprendemos na escola?). Veio para nosso ger-camp um trio de músicos fazer uma apresentação: enfim vimos o famoso canto difônico mongol, é estranhíssimo, mas bem interessante. Procure por throat singing no YouTube, são duas notas cantadas ao mesmo tempo sei lá como descrever, tem que ouvir pra entender. D10 Hoje continuamos nosso trajeto rumo ao norte. Fomos ver o Vulcão Khorgo, um vulcão extinto. Tem uma trilha tranquila que sobe até o topo dele, daí você consegue ver toda a cratera. Íamos dar a volta toda na cratera, mas começou a chover e voltamos, fizemos 1/3 do perímetro talvez. Tinham bastantes turistas mongóis lá. Do alto do vulcão dava pra ver o Tsagaan Nuur (Lago Branco), e é pra lá que fomos. É um lago gigante, bem bonito, nas margens tem vários ger-camps pros turistas mongóis. Mongólia não tem mar, então eles vão muito pra eles lagos pra passear, passar o fim de semana. Fomos passear a beira do lago mas de novo começou a chover então voltamos pro ger-camp. Ficamos nos divertindo com as crianças que estavam hospedadas lá, as crianças mongóis são as mais simpáticas de todas. Quando a chuva parou, voamos com o drone, pra euforia e alegria da criançada. Como estávamos indo para o norte, as noites já eram bastante frias, nos gers eles têm uma fogareiro a lenha que ajudava bastante, e começamos a acender fogo todas as noites daqui pra frente. D11 Partimos rumo à cidade de Mörön. Nossa “estrada” ia cruzando as montanhas Khangai, paisagem bem bonita. A estrada não era nem uma estrada de terra, eram basicamente as marcas dos pneus de carros que passavam lá, mas surpreendentemente ele estava no Google Maps. Paramos pra almoçar numa cidadezinha ínfima, e como sempre, a gente ia no mercadinho pra ver se comprava um chocolate ou sorvete, a surpresa do dia foi ver bala 7 Belo à venda nesse mercadinho, com embalagem em português e tudo mais, quem diria né? Chegamos em Mörön, que é uma cidade maior. Lá não ficamos hospedados em ger ou ger-camps, ficamos na casa da tia do guia, que nos recebeu com um banquete feito em casa. Foram extremamente simpáticos e receptivos. O tio ficou tentando embebedar a gente com uma vodka local, mas ele que acabou super bêbado, daqueles bêbados alegres que ficava abraçando a gente, mostrando os álbuns de fotos da família, e conversando, lembrando que nós não falávamos nada de mongol nem ele de inglês. Sensacional. D12 Em Mörön, fomos de manhã assistir o Naadam. É um festival esportivo mongol, com os três esportes nacionais: corrida de cavalo, luta e arco e flecha. Acontece sempre em julho, o maior deles é na capital, mas acaba que vira um espetáculo muito grandioso e turístico, então pedimos pra incluir no nosso roteiro algum Naadam em alguma cidade do interior, pra ver algo mais autêntico. Fomos no estádio da cidade. Era um estádio de futebol, pequeno, com grama artificial no meio. No gramado ocorriam as lutas, e atrás do ginásio a competição de arco e flecha, masculino a feminino. As corridas de cavalo aconteciam fora da cidade, e só vinham pro ginásio para receber as medalhas. Foi uma experiência bem legal, ver esses esportes, e o pessoal assistindo usando os trajes tradicionais e tudo mais. Você contava na mão o número de turistas estrangeiros lá. Voltamos pra almoçar na casa da tia e partimos mais pro norte, pro Lago Khövsgöl (ou Huvsgul, Hövsgöl, Khuvsgul, não tem regra como transliterar pro nosso alfabeto, em mongol é Хөвсгөл. Os mongóis usam o alfabeto cirílico (o mesmo dos russos), com algumas letras a mais, o que facilitava bastante por que não é tão difícil de aprender né... antes da influencia soviética, eles usavam um alfabeto próprio, que é bem bonito, eles estão com planos de retomar o uso desse alfabeto próprio). O Lago Khövsgöl é um lago gigantesco, uns 300km de comprimento, bem ao norte, quase na fronteira com a Rússia, ficamos bem na pontinha sul, numa cidade balneária turística chamada Khatgal, com hotéis, pousadas, ger-camps, chalés pra alugar, tinha de tudo. Quase que só turistas mongóis. Fizemos um passeio de barco, e ficamos andando na beira do lago, foi bem legal, bem bonito. Estava bem frio então zero chance de nadar. D13 Saímos de manhã de Khövsgöl e fomos indo mais pro noroeste, agora as estradas começaram a ficar bem ruinzinhas e eram horas e horas para andar pouca distância, mas a paisagem sempre compensava na Mongólia. Estávamos no remoto vale Darkhad, perto das montanhas Khoridol Saridag. Passamos por um vilarejo muito muito pequeno, e estava acontecendo um Naadam local. Nós 3 éramos os únicos turistas assistindo, foi bem interessante. Sabe-se lá como foi parar lá, mas tinha um mongol com um casaco do Palmeiras. Seguimos viagem, a gente foi encontrar a próxima família que ia nos receber. Eles eram criadores de cavalos, o pai inclusive tinha uma medalha por que o cavalo dele havia ganhado uma corrida recentemente. Eles como sempre, nos receberam muito bem. Comemos iogurte de leite de iaque, bem gostoso. Essa família que iria fornecer os cavalos pra nossa aventura dos próximos dias. D14 Acordamos pra ir conhecer o povo Tsaatan, que são criadores de rena. Eles vivem bem isolados nas montanhas, o único jeito de ir é de cavalo, nem de jipe dá, por que tem que cruzar montanhas, florestas e pântanos. É bem perto da fronteira com a Rússia, tanto que turistas precisam de uma autorização especial, e os nossos passaportes ficavam com as autoridades mongóis enquanto íamos pra lá. A gente foi de jipe até o que dava, depois pegamos os cavalos. A cavalgada até lá foi bem bonita, mas bem difícil e dolorida já que não temos experiência em cavalos né, foram 4h cavalgando (disseram que tivemos sorte por que eles estavam acampados perto). E quando cavalgávamos pela floresta densa, era cada joelhada nas árvores... chegamos lá no meio pro fim da tarde, e já vimos ao longe os rebanhos de rena, que incrível. Deixamos os cavalos, fomos dar oi pra família, que nos recebeu com queijo de rena, e depois fomos tentar se aproximar das renas. Elas estavam deitadas descansando em cima de uma placa de gelo de uns 300m2 (sim, ainda tinha gelo no chão em julho). A gente ia chegando aos poucos com medo de espantar eles e estávamos mega empolgados de estar tirando fotos deles a 15-20 metros de distância. Mal sabíamos que depois de uma meia hora quando os pastores arrebanhassem as renas, a gente estaria no meio delas. E assim foi, no finzinho da tarde eles trazem elas de volta pra perto das pessoas pra passar a noite (tem lobos nessa região), e aproveitam pra ordenhar as renas. As renas são extremamente dóceis, não se incomodam em nada com a gente fazendo carinho, tirando foto etc. O povo tsaatan (também conhecido como Dukha) é uma etnia diferente da Mongólia, eles não são budistas como a maioria mongol, são animistas e xamanistas. Eles têm um dialeto também diferente do resto dos mongóis, que falam o dialeto mongol khalkha. E eles não moram em gers, moram em tendas triangulares, igual aquelas dos índios norte-americanos. Parte da sua etnia mora do outro lado da fronteira, na Sibéria. Tem vários vídeos muito legais no YouTube sobre eles, seja documentários ou vlogs de turistas. Nós dormimos nessa tenda, era uma cama improvisada, de madeira, bem dura e desconfortável, forrada com pele de rena. Não passamos muito frio por causa do fogareiro à lenha, mas foi a pior noite em conforto. Mas é preço para se vivenciar essa experiência única. D15 Hoje tivemos o dia inteiro livre aqui com os Tsaatan. Nosso guia deixou a gente à vontade pra fazermos o que quiséssemos. Fomos caminhar, ver outras famílias de pastores de rena que moravam nas redondezas, subimos numa montanha, relaxamos com as crianças e os cachorros. O pai da família que nos recebia fazia entalhes em chifre de rena, e vendia pros raríssimos turistas que apareciam lá a cada ano. Comprei 2 pra mim e pedi pra ele entalhar mais 2, cada uma com o nome dos filhos de amigos que estavam pra nascer. Ele entalhava pequenas esculturas de renas nos chifres das renas. Lembrando que as renas perdem naturalmente os chifres no inverno, então matéria prima não faltava. O pai da família mostrou pra a gente como eles montavam nas renas pra transporte. Subimos nelas pra tirar fotos, bem coisa de turista, mas fazer o que né, somos turistas... e quem iria perder essa oportunidade? Já aviso que não é nada fácil ‘cavalgar’ em renas. E passamos nossa 2º e última noite com os tsaatan. D16 Acordamos, pagamos pelos nossos entalhes de chifre de rena, nos despedimos da família, e bora enfrentar mais quatro horas de cavalgada e joelhadas... a mãe da família, que muito gentilmente percebeu que meu amigo Richard tinha adorado o queijo de rena, deu um pedação pra ele levar e comer nos próximos dias. Os cavalos mongóis são pequenos, ágeis mas muito assustadiços. O guia tinha falado pra a gente várias vezes o que fazer e o que não fazer. Mas no fim do segundo dia eu já devia estar relaxado e fui pegar alguma coisa da minha mochila, que estava nas minhas costas. O cavalo se assustou e disparou, eu cai e bati numa árvore. Tirando uns arranhões superficiais, não aconteceu nada. Mas poderia ter acontecido, e estávamos a algumas horas de cavalo do jipe que estava esperando a gente, e mais algumas boas horas de jipe de qualquer possibilidade de socorro, ou mesmo de sinal de celular. A gente turista às vezes faz umas imprudências né... Chegamos no fim da tarde de volta pra a família dos guias de cavalos. Ficamos lá brincando com as crianças, a menorzinha Batukaa, o bebê com as maiores bochechas da Mongólia, e a irmã mais velha, cujo nome não me lembro, se divertiu tirando fotos com os nossos celulares. Sendo mês de copa do mundo, eu tinha levado uma camisa da seleção pra dar de presente pra alguma criança com que tivesse mais contato lá, e foi ela que ganhou... além de um monte de sonho de valsa né. D17 Dia de estrada, estávamos rumando agora mais pro oeste. Estrada pelas montanhas e florestas, linda paisagem perto da divisa com a Sibéria, mas avanço extremamente devagar. Dirigimos o dia inteiro sem ver uma pessoa sequer. Estávamos numa região bem remota, para onde os pastores traziam os rebanhos no inverno, então agora no verão não tinha ninguém. Assim sendo, não dormimos em ger de alguma família, acampamos com nossas barracas mesmo no meio do nada, num vale verde, muito bonito, entre as montanhas com florestas de pinheiro. D18 Começamos a nos aproximar de ‘civilização’ novamente. Passamos por uma cidadezinha em que talvez fossemos conseguir tomar um banho. Esse já era o período mais longo sem banho da viagem (e da vida também né). Infelizmente estava fechado por falta de eletricidade. Acampamos à beira de um rio, muito bonito. Estava garoando e muito frio. A ideia de um banho no rio foi cogitada, mas descartada. D19 Continuando para o oeste. A região foi ficando mais árida e menos montanhosa, estávamos chegando no lago Khyargas. Acampamos à beira do lago. Era um lago gigante, não tão bonito como o Lago Khövsgöl, mas bem mais tranquilo e vazio. Aproveitamos um hotel na frente do lago e pedimos pra carregar as baterias da câmera e do drone, eles deixaram. Bateria do celular a gente carregava fácil no acendedor de cigarro do carro, mas câmera e drone só em tomada mesmo, o que sem sempre encontrávamos. Então precisava planejar bem e economizar. O Richard se rendeu e tomou um banho no lago gelado. Ele é brasileiro mas mora na Noruega. Eu brasileiro tropical não consegui, estava muito muito fria a água. D20 Continuamos rumo a oeste. Região árida foi ficando mais montanhosa. Paramos numa cidadezinha para comer, estava também sem energia elétrica. A dona de um mercadinho deixou a gente esquentar água para fazer um macarrão instantâneo. Era o aniversário da Jennifer, nossa companheira de viagem canadense. Compramos um bolinho pronto pra ela no mercadinho. Não foi com certeza o aniversário mais glamuroso, mas com certeza foi inesquecível. Chegamos na cidade de Ulgii (ou Ölgii), capital da província mais oeste da Mongólia, Bayan-Ölgii. Aqui a população é quase toda de etnia cazaque, e são muçulmanos. O plano era passar na cidade pra comprar mantimentos e seguir pra fora da cidade pra acampar. Mas o guia nos fez um upgrade e ficamos um ger-camp bem no centro da cidade. A Jennifer ganhou seu melhor presente de aniversário, um banho. Nós também, obviamente. Propomos ir jantar num restaurante na cidade, a cidade tinha poucos restaurantes, mas tinha um de comida turca. O guia falou que não daria por causa do orçamento que ele tinha. A gente falou “a gente paga, sem stress”, não aguentávamos mais comida mongol. Então aqui vai a 3ª coisa ruim em se viajar na Mongólia: já tinha citado banho e banheiro, agora é a comida. Não que fosse ruim, mas não era boa. E era quase sempre igual: cordeiro, batata e cenoura, seja numa sopa, ou com arroz, ou com macarrão. Vocês devem estar pensando “cordeiro? O que tem de ruim nisso? Que cara fresco”. Mas eles não comem carne igual à gente, é tudo picadinho, com muita gordura, mais gordura do que carne, além de um gosto muito forte por ter sido salgada para a preservação. 20 dias nisso não aguentávamos mais. Uma vez passando por uma cidadezinha de médio porte, numa região mais turística, e vimos um lugar que servia frango, pedimos pra ir comer lá. O guia concordou. O motorista deixou a gente lá e foi comer em outro lugar. Os mongóis odeiam frango, eles consideram carne de 5ª categoria, que não é digna de se comer. D21 Saímos de Ölgii ainda mais pro oeste, íamos pro Parque Nacional Altai Tavan Bogd, que fica na tríplice fronteira com a Rússia e a China. Logo depois da nossa pausa pro almoço, a roda do nosso jipe faz um barulho. O motorista para o carro, desce, tira a roda e vê que uma peça lá quebrou. Estávamos no meio do nada, por isso que disse que é praticamente impossível viajar independente na Mongólia. Às vezes passava um carro ou moto, numa dessas o guia pediu pro motoqueiro levar ele mais pra frente pra um lugar que tivesse sinal de celular. Ligou pra Ölgii e conseguiu falar com uma amiga dele que era guia pra trazer a peça que quebrou. A amiga ia passar no dia seguinte, com o grupo dela, ou seja, estávamos no meio do nada, encalhados. Montamos as barracas e ficamos relaxando, passeamos pelas montanhas, e esperando, afinal não tínhamos pra onde ir né… D22 Logo antes da hora do almoço chega a outra guia, com o seu grupo. Entrega a peça pro nosso guia e monta a mesa pro grupo dela, um casal e um senhor, todos alemães e 3ª idade. Dai nosso guia chama a gente de lado, “olha, aconteceu um problema, ela trouxe a peça errada”. E agora? Pois então, ele falou com a outra guia que topou levar a gente junto com o grupo dela, estávamos indo pro mesmo lugar mesmo, pro Parque Altai Tavan Bogd. Ela avisou os clientes dela, que acharam justo e nos receberam muito bem. A gente montou uma mala só com algumas coisas que fossemos precisar pelos próximos 2 dias, e deixamos o resto no nosso jipe. A outra guia também tirou do jipe dela o que não fosse usar pelos próximos dias e deixou no nosso jipe. E lá fomos nós: nós 3, nosso guia, os alemães e a guia deles. E o Gonchgoo, nosso motorista, ficou pra resolver o problema do nosso jipe. Chegamos no parque nacional, um lugar muito bonito, paisagem bem diferente do resto da Mongólia, montanhas altas, com neve no topo. Montamos barraca e acampamos lá logo na entrada do parque. D23 o plano era ir caminhando pelo parque até o lugar do próximo acampamento, o dia seguinte subir uma montanha e voltar pro acampamento, e no outro dia voltar pela trilha pro ponto de partida na entrada do parque, e com a esperança de que nesses dias o motorista consertasse o jipe e estivesse lá esperando por nós. Saímos pela manhã. Nossas malas, barracas e tralhas de cozinha foram indo na frente num camelo, afinal estamos na Mongólia. Era uma trilha tranquila, uns 15km, uma subida gradual, cruzamos um riacho de água de degelo, pausa para o almoço, mais caminhada. E então chegamos no topo de uma colina, com uma vista sensacional das montanhas ao fundo, e uma geleira gigante na frente. Do outro lado das montanhas já eram a Rússia e a China. Andamos mais um pouco e chegamos no local do segundo acampamento. Era o acampamento base para os turistas que iam subir o Monte Malchin (nosso caso) e pros alpinistas que iam escalar outras montanhas mais altas, com escalada técnica (não era obviamente o nosso caso). O nome do parque é Altai Tavan Bogd: Altai é essa cordilheira que vai por essa região de Mongólia, Rússia, China e Cazaquistão, e Tavan Bogd quer dizer 5 Santos, que são os 5 picos mais altos da Mongólia, um do lado do outro. Iríamos subir amanhã o 4º mais alto do país, o Malchin. Dormimos em barraca, um frio dos diabos. D24 Acordamos e saímos pra subir nossa montanha. Os turistas alemães foram com a gente na primeira etapa da trilha, que era mais plano, e depois iriam ficar passeando em caminhadas mais tranquilas, afinal eles já tinham mais idade, e seja como for, eles já estavam de parabéns por estar lá, especialmente o Sr Peter, um senhor com 79 anos e prótese de quadril. A subida não é uma escalada técnica, mas é puxada pela altura (pico a 4050m) e pelo fato de a montanha ser formada basicamente por pedras soltas, então às vezes vai escorregando. Chegamos lá em cima mega cansados, mas como valeu a pena! Uma vista sensacional das outras montanhas, víamos a Rússia à direita e a China à esquerda, e o Cazaquistão lá ao fundo (a fronteira é só 30km da tríplice fronteira Mongólia-China-Rússia, por pouco não é uma fronteira quádrupla). E no topo da montanha, como em vários outros lugares da Mongólia, tinha um ovoo, uma estrutura budista que é uma pilha de pedras, com oferendas ocasionais como dinheiro, ou vodka, e aqueles tipo de cachecóis budistas coloridos (desculpa a falta de detalhes, não entendo muito dessas coisas). Descemos a montanha e voltamos pro acampamento, super cansados, mas super satisfeitos por termos subido a 4ª montanha mais alta da Mongólia. D25 Voltamos pelo mesmo trajeto que viemos caminhando dois dias antes, mas hoje estava chovendo, o que só atrapalha. O riozinho que cruzamos na ida agora estava bem mais forte. Sugeri pararmos pra comer antes de cruzarmos o rio, vai que tivéssemos sorte de vir algum jipe e nos ajudar a cruzar. E tivemos sorte, foi o que aconteceu. Um jipe de turistas mongóis tinha dado carona pros alemães que estavam atrás de nós, cruzaram o rio, deixaram os alemães, e voltaram pra nos levar de carro pra cruzar o rio, foram nossos salvadores do dia. Continuamos nossa trilha até o ponto de partida, onde nos esperava nosso motorista Gonchgoo com o jipe em perfeito estado. Tudo deu certo no final. Nos despedimos dos nossos salvadores alemães, e partimos. Como eu já disse, no oeste da Mongólia o povo é de etnia cazaque, e alguns deles usam águias para caçar no inverno, principalmente coelhos e raposas, para pele. Por mais que eu também ache o uso de casacos de pele por nós no ocidente algo lamentável e injustificável, acho que no caso deles é aceitável, faz parte da cultura centenária deles, e é um dos poucos recursos nas montanhas frias e áridas, e eles estão caçando animais que não estão em extinção, para um uso justificável, mas cada um tenha sua opinião nesse aspecto. Vejam no Youtube, tem vários vídeos interessantes mostrando os caçadores de águia mongóis/cazaques, talvez alguns já tenham visto o documentário sobre uma menina chamada Aisholpan, a primeira mulher a caçar com águias. O plano original era parar pra ficar hospedado em um ger com alguma família caçadora de águias, imagino que talvez fizessem demonstrações pra a gente, sei lá. Mas como perdemos um dia com o jipe quebrado, precisamos fazer uma mudança de estratégia. Passamos por umas povoações e nosso guia perguntava (imagino, estava falando em mongol) se tinha alguém que tinha águia. No fim conhecemos uma família, eles levaram a gente pra conhecer a águia, tirar fotos com a águia, vestir a roupa cazaque típica e foi isso. A espécie de águia que eles usam pra caçar é a majestosa e sensacional águia-real, com seus quase 10kg. Deu pra dar um gostinho de ver os famosos caçadores com águia, e quem sabe deixar a vontade de voltar pra cá um dia pra conhecer com calma. Depois voltamos pra Ölgii, a capital da província. Era o último dia da Jennifer com a gente. Falamos pro Chingis ficar à vontade, que não precisava fazer jantar pra a gente, e fomos comer num restaurante indiano, que descobrimos por acaso nem lembro como. Era escondido, no segundo andar de um prédio que parecia abandonado, ou em reformas. Mas o restaurante era ótimo, super limpinho e bem arrumado, e decorado no estilo cazaque. As garçonetes muito simpáticas, mas não falavam inglês, mas o cardápio tinha fotos, como é comum na Mongólia. E nada que o Google tradutor inglês-cazaque não ajudasse (o Google tradutor mongol funciona pessimamente). Fizemos questão de colocar uma avaliação positiva do restaurante no Google e no TripAdvisor (a 1ª e, por enquanto, única avaliação). D26 O voo da Jennifer saiu bem de madrugada de Ölgii, foi pra Ulaanbaatar e de lá foi embora da Mongólia. Nós tivemos um dia livre em Ölgii, ficamos passeando pela cidade... não tem muito o que se ver lá, vimos por fora a mesquita central da cidade, fomos ao mercadão deles, que não era nada pra turista, mas não deixa de ser interessante, e pela cidade várias lojas vendendo produtos de lã cashmere, e de lã de iaque e camelo, e artesanato cazaque. E vimos a famosa estátua de um herói local que morreu em 1939, uma das raras, se não a única estátua de alguém atirando para trás enquanto corre… almoçamos num restaurante, comida média, mas escolhemos lá por que a descrição no Google era que tinha os melhores (talvez únicos) milk-shakes de Ulgii. De fato tinham várias opções no cardápio. Se eram bons? Jamais saberemos, por que no dia estavam sem… isso era muito comum na Mongólia, metade das coisas nos cardápios não tinham no dia. D27 Acordamos super cedo e nos levaram para o aeroporto. Nos despedimos do nosso guia Chingis e do nosso motorista Gonchgoo e pegamos o voo, Hunnu Air, com escala em Ulaangom e destino Ulaanbaatar. Chegando na capital, fomos pro mesmo hostel. E fomos passear e comprar uns souvenires, e comer um hambúrguer (sem cordeiro por um bom tempo) e passeando sem rumo pela cidade. Fomos também numa cervejaria, as comidas e confortos da cidade estavam fazendo falta. Na praça principal da cidade estava tendo uma apresentação de música local, eram apenas senhoras, algumas cantando e outras tocando uns instrumentos de corda locais, e uma criança apenas. Ficamos olhando. Depois da música elas se juntaram pra tirar uma foto do grupo, continuamos observando achando que fossem tocar mais. Dai a mãe da criança chamou a gente pra tira foto com a criança, depois vieram todas as senhoras tirar fotos com a gente, e o fotografo oficial do grupo alinhou todos nós na escadaria na frente da estátua do Gengis Khan pra tirar foto, nós e o grupo. Por quê? Sei lá, não entendemos nada, só falavam em mongol. Turistas não são tão frequentes na Mongólia, mas também não somos tão raros a ponto de sermos atração, vai saber... D28 Fechamos uma excursão de 1 dia para conhecer o Parque Terelj e a estátua de Gengis Khan. Primeiro fomos pra estátua, é a maior estátua equestre do mundo, você entra dentro do cavalo e vai subindo uma escada até que sai em cima do pescoço do cavalo, é gigante. Foi construída mais ou menos recentemente, e ao redor da estátua tem várias estátuas menores (mas ainda assim bem grandes) de soldados mongóis. Se você quiser, você pode doar dinheiro para esse projeto e ter seu rosto numa das estátuas. Depois fomos pro parque Terelj, é um parque bastante popular entre os moradores de Ulaanbaatar e por turistas estrangeiros, principalmente os que ficam na Mongólia por poucos dias, como os que vem pela Ferrovia Transiberiana. Dá pra fazer um bate-volta de um dia ou dormir lá em gers, fazer um mini-experiência mongol pra quem não tem tempo de viajar o país afora. O parque tem umas montanhas e formações rochosas, sendo a mais famosa a que parece uma tartaruga. E tem também um templo budista muito bonito no alto de uma escadaria. Voltamos pra capital, e fomos assistir uma apresentação de música mongol, com contorcionistas também. Apresentaram vários estilos de musicas locais, foi bem legal. Como jantar de despedida, o Richard que mora na Noruega queria comer carne, que é caríssimo pros lados dele lá. Fomos jantar num restaurante super chique, comemos um bifão bem bonito e gostoso, US$11,00, caríssimo pra uma refeição na Mongólia, mas ótimo preço mesmo com real desvalorizado, e uma pechincha pro meu amigo que mora na Noruega. D29 Dia seguinte saí de manhã pro aeroporto, mais uma vez escala em Bishkek no Quirguistão e em Istambul, Turquia, e enfim GRU. E fim dessa viagem sensacional. Esse relato foi superficial, só pra terem uma noção do que é uma viagem num lugar tão diferente. Obviamente têm muito mais histórias, causos, aventuras e curiosidades que faltam contar. Algumas considerações: Visto: há uns anos a Mongólia não exige mais visto de brasileiros (não preciso nem falar pra confirmar se não mudou antes de ir né?) Segurança: em momento algum nos sentimos inseguros, mesmo andando sozinhos pela cidade, com máquina fotográfica no pescoço. E a Mongólia é considerada um dos países politicamente mais estáveis da Ásia. Os riscos potenciais seriam o clima extremo, temos que estar sempre preparado para o frio, mesmo no verão. Dinheiro: eles usam o tugrik ou tögrög (MNT). Nossa viagem estava com todas as estadias e alimentações da excursão incluídas, então os gastos ocasionais era algum sorvete, chocolate, refrigerante, quando passávamos por um vilarejo. E obviamente os gastos em Ulaanbaatar nos dias antes e depois da excursão. Trocamos $ no aeroporto na chegada, não troquei muito, não lembro quanto foi. Compramos um chip de celular na capital logo no primeiro dia, valeu a pena. Saindo da capital não tivemos wi-fi em lugar nenhum, nem mesmo em Ölgii ou Mörön, que eram cidades maiores. Tínhamos acesso à internet do celular quando passávamos por vilarejos pequenos, em geral perto da hora do almoço, e nem todos os dias. Nos lugares turísticos, que eram remotos, e nos gers, sem sinal nem internet. Se não fosse o SIM-card, teriam sido 25 dias sem internet, que também seria bom, por um lado, depende da sua interpretação. Mas achei válido pra avisar “olha, mãe, to vivo”. Comunicação: na capital, tem pessoas que falam inglês em lojas e restaurantes. No interior, sem chance. Tínhamos o guia pra traduzir. Mongol é um idioma bem difícil, consegui decorar só meia dúzia de palavras, você pode ler uma palavra mas não reconhece na hora que eles falam, eles falam muito rápido, parece que comem as vogais. As primeiras vezes que você escuta mongol, lembra um pouco coreano (pra quem não fala coreano obviamente), tirando o jeito estranho que os mongóis pronunciam a letra L, mas são línguas sem relação alguma. Achei que pela influência da União Soviética, os mais velhos talvez falassem alguma coisa de russo. Mas pelo que vi, não, nada. Daí vai a mímica e a criatividade. Tinham uns aplicativos de dicionário mongol-inglês-mongol que eram muito bons, mas eram só dicionário mesmo. O tradutor do Google para mongol não funcionava bem, a gente colocava um frase simples e direta, pra evitar ambiguidades, mostrava pra pessoa e elas ficavam olhando com cara de ??? Aprender o alfabeto cirílico não é difícil e ajuda bastante. Clima: temporada turística é no verão deles, o inverno é inviável. O clima típico era sol (Mongólia é chamada da Terra de Céu Azul), temperatura durante o dia variando de um calor gostoso no sul, e friozinho leve mais ao norte. À noite esfriava até que bem viu, não saberia dizer a temperatura exata mas coisa de 5°C talvez. Tem que levar roupas em camadas, por causa da continentalidade, a temperatura vai variar bastante, de clima de camiseta, pra clima de moletom e um casaco por cima, luva e gorro. Levar chapéu e protetor solar. Existem alguns eventos turísticos pontuais em meses mais frios, como o festival das águias em outubro, corrida de camelo no alto inverno, e o festival do gelo, no Lago Khövsgöl congelado. Boa sorte pros que forem. A comida eu já falei, ninguém vai pra Mongólia pela gastronomia. Para os vegetarianos deve ser mais difícil ainda, importante avisar com antecedência a empresa ou guia, mas mesmo assim, pode ser que não adiante muito. O lado bom de uma comida sem graça e sem condimentos é que ninguém teve nenhum problema de intoxicação alimentar, como diarreia etc. Na capital tem bastante restaurante de comida ocidental, além de chinesa, coreana e japonesa. Tem shopping centers também em Ulaanbaatar. Obviamente parte de uma viagem é conhecer a cultura e comer a comida local, mas depois de vários dias comendo cordeiro gorduroso com cenoura e batata ou então khuushuur, que é tipo um pastel recheado com, adivinhe, cordeiro gorduroso, cenoura e batata, ninguém vai te criticar por querer comer um hambúrguer, pizza ou macarrão. Algumas atrações turísticas que acabamos não conhecendo: 1- Parque Khustai (ou Hustai): perto da capital, dá pra conhecer em passeio de um dia, é onde estão os famosos cavalos takhi, conhecidos no ocidente por cavalo-de-przelwalski, que são os únicos cavalos selvagens, não é uma raça de cavalos, são uma espécie diferente. Tinham sido extintos na natureza mas foram reintroduzidos a partir de indivíduos de zoológicos, uma rara história de sucesso em conservação. 2- Em Ulaanbaatar tem vários templos budistas, não deu pra conhecer. Mas vimos vários no interior do país. 3- Lá também tem um mercado chamado de Naran Tuul, conhecido pelos turistas como mercado negro. Apesar do nome não é nada ilegal, é um mercadão gigantesco que vende de tudo, roupas, alimentos, artigos de viagem e camping, souvenirs, tralhas em geral, etc. É meio afastado do centro. 4- petroglifos, no oeste da Mongólia existem vários petroglifos espalhados no meio do nada, são como pequenos postes ou esculturas de pedra com textos ou imagens entalhados, de mais de dez mil anos. Acabou que talvez por termos perdido 1 dia acampados quando a roda do jipe quebrou, que não vimos nenhum. Deve ter muito mais coisa, mas não lembro, afinal não fui né… Escrevi esse relato mais de um ano depois da viagem, e vou dizer que dá saudade viu. As coisas ruins a gente esquece, e fazem parte da aventura mesmo. É um lugar para que voltaria com certeza. Se quiserem ver belas fotos da Mongólia no Instagram, alguns perfis que eu sugiro são @mongoliaz e @mongolia.explore e dois fotógrafos @erdenebulgan_photographer e @gencophotographer Tem também vários vídeos no Youtube de viajantes que foram pra lá, mostrando o dia-a-dia. Eu vou colocar mais uma fotos da Mongólia ao final desse texto, fotos gerais… obviamente fico à disposição pra qualquer dúvida. E era só isso. Agradecimentos: Ao meu amigo Richard, amigão desde os tempos de colegial; Jennifer, nossa companheira sino-canadense que chegou preocupada e insegura de viajar por um mês com um monte de homens desconhecidos, mas se tornou nossa amiga; Chingis, nosso guia e cozinheiro; Gonchgoo “George”, nosso motorista; Tsigi, a guia mongol que nos resgatou; Peter, Paolo e Anna, os turistas alemães que nos receberam em seu jipe; Khandmaa, Batukaa e todas as outras simpáticas crianças mongóis; A todos os mongóis que nos receberam em suas casas, sejam elas casas de madeira, gers ou tendas. Em especial a tia do Chingis, a família dos guias de cavalo e a família tsaatan. Баярлалаа, Монгол Улс!
  24. 8 pontos
    "Amigos, amigas...damas y caballeros...ladies and gentlemen. ¡Bienvenidos al Desierto de Atacama!" É com essa saudação caricata de Miguel, um dos guias que nos acompanhou nos passeios durante a semana, que inicio o relato de um dos lugares mais impressionantes que eu já estive. E não, não é mentira quando você estiver lendo esse ou outros relatos. O negócio é brabo mesmo. O Atacama é um lugar que consegue misturar em um raio de 100km: clima árido, clima andino, fauna e flora do Altiplano Andino, lagunas salgadas e doces, cenotes de água salgada, cultura inca e atacameña, astronomia, meteoritos...É como se o mundo tivesse escolhido um lugar específico do mundo pra colocar um monte de fatores relacionados a natureza e à ciência juntos. E tudo isso deu muito certo! Fomos eu e minha namorada Carolina passar 1 semana exclusivamente no Atacama. Antes de mais nada, vimos muitos relatos de gente que passou 1,2 dias por lá antes de ir pro Falar de Uyuni, na Bolívia. Não só não fizemos isso como a maioria dos guias e do pessoal que conhecemos lá não recomendam. Separe suas viagens. O Atacama tem muita, mas muita coisa pra fazer, 7 dias é até pouco pelo tanto de coisa que a gente poderia ter feito. E outra, A Bolívia é tão plural quanto o Chile. Aproveite para ir para Uyuni quando for fazer uma trip pela natureza de lá. A mesma coisa com o Chile! O Atacama merece mais que 2-3 dias! Em todas as empresas e restaurantes que está no texto, estou deixando um link para você conferir os serviços. Dando créditos, um link que nos ajudou muito foi esse aqui, do Viagem na Viagem. E um relato daqui do Mochileiros que também foi bem útil: Bom, vamos começar com coisas práticas: 1. Gastos Passagens aéreas: R$ 1043,00 x 2 pessoas = R$ 2086,00 - (GRU-SCL-CJC) Hospedagem: R$1028,00 Todos os passeios: R$ 1400,00 x 2 pessoas = R$ 2800,00 Seguro-viagem: R$ 63,50 x 2 pessoas = R$ 127,00 Gastos com comida, souvenir, transfer, etc) = R$ 340,00 x 2 pessoas = R$ 680,00 Total sem passagem aérea: R$ 4635,00 / 2 = R$ 2317,50 por pessoa Total com passagem aérea: R$ 6721,00 / 2 = R$ 3360,50 por pessoa Sim! Não foi tão caro, comparando com os preços que a gente viu nos relatos antes de ir (5k+ por pessoa). Acho que isso é produto de duas coisas: i) Pegamos uma sorte com o dólar. Fizemos a conversão BRL USD-CLP e, por conta dos protestos em Santiago desde outubro/2019, conseguimos pegar uma cotação de 800 CLP/USD, o que ajudou muito (antes dos protestos o câmbio estava 600 CLP/USD); ii) Bom senso mesmo. Vamos falar na seção dos passeios, mas lá muitas das agências são careiras e, por um serviço muito similar às outras, mais baratas. O termo que ouvimos lá foi "los nuevos ricos brasileños". Basicamente tem muito brasileiro que não tá se importando em gastar e vão no serviço mais confortável. Na maioria das vezes de agências brasileiras (FlaviaBia, Araya, etc). Pelo que vimos, a diferença maior é que nessas os tours são feitos em português. Mas como queríamos falar espanhol a vera, a gente foi na Flamingo e foi perfeito! E metade do preço das duas citadas ali atrás. Então vai de cada um! Não perca dinheiro a toa . 2. Hospedagem Ficamos no Antawhara Atacama Hostal. A hospedagem é justa. Como não tínhamos tanto budget, procuramos algo que alinhasse privacidade com praticidade. O Antawhara nos atendeu muito bem no quesito conforto (as camas são confortáveis, banheiro privativo é bom e o café da manhã é muito gostoso). No entanto, o banheiro é bem pequeno. E eu perdi um chinelo lá, sabe-se lá como hehe. Mas no geral, duas críticas que vimos que não procede: i) Os chuveiros são quentes sim! A galera reclama que era frio, mas bastava ajustar o aquecedor do lado de fora de cada quarto! E ii) Vocês vão ler muitos relatos de como é importante ficar perto da Caracoles, Blabla, centro, etc...Tudo balela! O Hostel ficava 10min andando da Caracoles, era um passeio bem legal de ir andando porque você passa por uns mercadinhos, por padarias (alias, MELHOR pão! Vão na padaria La Franchuteria). Além de ter uma vista fudida do deserto (o centro fica no meio da cidade, o que não dá pra ver nada!). Carolina e a vista da frente do Anthawara. Melhor que ver a rua, não? 3. Roupas e calçados Tinha levado um tênis de corrida, já que estava imaginando que íamos andar bastante. No entanto, o que não lembrei era que andaríamos na terra/areia! E meu tênis não aguentou! Tive que comprar uma bota de trekking por lá. Já que já teria que comprar uma, e já estava perto do natal, desembolsei um pouco mais para uma bota da North Face. E achamos que os preços lá davam bem ok. Comparando em relação com o Brasil, claro. Qualquer bota da North Face você paga mais de 500 reais aqui. Pagamos 400. Carolina levou um tênis de cano alto de treino, que deu super certo. Acho que é a partir daí que se deve levar. Um tênis que tenha cola suficiente para não desgrudar com tanto que você caminha na areia. Ou talvez seja o jeito que eu ando, já que em uma viagem à Patagônia Argentina (clique no link, caso queira ler o relato de lá!) minha bota abriu também, da mesma forma! Só não vá de sandália ou chinelo, como vimos umas meninas! Devem ter sofrido, coitadas! Sobre roupas, lembre-se que a amplitude térmica do Atacama é bem alta. Então você está num calor infernal de dia e num frio do cão a noite. Inclusive, falaremos, que no tour astronômico, mesmo com uma jaqueta corta-vento que em tese aguenta até -8 graus, senti que podia ter colocado mais uma blusa. Levei um fleece e essa jaqueta na viagem, e foi ótimo! O importante é focar no corta-vento, já que venta muito no Atacama! Outro ponto foi uma dica que, quando fui à Patagônia, também levei: aquelas calças anfíbio de trilha, que você pode tirar a parte de baixo para virar bermuda. Foi útil demais! Pra quem gosta de fazer trilha como a gente gosta, vale muito a pena! Usamos tanto a calça quanto a bermuda! E por último, não esqueça de um bom chapéu. O Sol é estarrecedor, então se preocupe com isso. Mesma coisa com protetor solar. E como venta, procure aqueles chapéus que tem a cordinha para ele não voar! Eu particularmente gosto bastante deles, então deu tudo certo . 4. Agência e Cronograma Como era nossa primeira vez no Atacama, ouvimos as dicas de colegas e relatos e contratamos uma agência para fazer 5 passeios, onde conseguimos descontos quando comparado com os preços individuais. Fora isso, fizemos uma pedalada sozinhos e também fomos ao observatório ALMA. Falaremos disso mais em baixo. Em relação à agência, como disse ali em cima, evite essas agências careiras como a FlaviaBia e a Ayara e também a Ayllu. Elas são o dobro, triplo do preço da agência Flamingo, que foi a que escolhemos, por um serviço muito similar. Os passeios foram incríveis e pegamos 2 guias durante os 5 passeios que tornaram nossa experiência ainda melhor. Os tours foram em um mix de espanhol e inglês, mas os guias falam português para quem quiser! E até alemão! Como queríamos treinar nosso espanhol, a gente até perguntava em espanhol as coisas hehe (e fomos elogiados!). Faz parte da experiência da latinoamericana. O tour astronômico fizemos com a Space, mas faríamos com a Flamingo sem problemas! Na Flamingo, fechamos 5 passeios por 1000 reais cada pessoa, o que foi o melhor preço que vimos em todas as agências. Ainda, tirando o passeio o primeiro passeio de meio-dia para o Vale de la Luna, todos os passeios tem algum tipo de comida inclusa (café, almoço e coquetel, ou uma combinação entre eles). Ainda, o preço que to falando aqui já tá incluso o preço da entradas dos parques, que é pago separado. Valeu muito a pena mesmo! Se conseguirem escolher por guias, pegamos dois guias maravilhosos: O Miguel e a Cheryl. O Miguel fez 3 passeios com a gente e a Cheryl 2. Amplos conhecedores da fauna, flora e geografia da região, a experiência ficou ainda melhor com as aulas deles! Outra bacana é: compre os passeios por lá, em San Pedro, quando chegar. Não seja nóia. Os preços ficam lá em cima com antecedência. E tem muita agência na cidade. Então dá pra negociar por lá, fechando pacotes específicos, etc. Vimos essa dica em algum relato e seguimos. Foi certeiro. Sobre fazer essa viagem alugando uma 4x4 e ir sozinho, consideramos a possibilidade, mas deixaremos para a próxima. O plano é incluir o norte da Argentina numa trip dessas, saindo do Brasil e terminando em San Pedro de Atacama. Pelo que conversamos lá é preciso um investimento em GPS por satélite, o carro adequado, etc...Vimos algumas pessoas fazendo isso por lá! Por fim, fazer a trip com a agência facilita muita coisa, mas é de certa forma, corrido. Você acaba tendo que seguir o cronograma do tour, e com exceção de 1 passeio que nos demos muito bem com a galera que tava junto, a sua experiência fica dependendo do clima do negócio. Por outro lado, é a melhor opção para quem nunca foi pra lá, já que você conhece tudo e dicas e guias da região! Por exemplo, em um dos passeios o pessoal era muito mala. Gente mal educada mesmo, atrapalhando o guia nas explicações, atrasando o cronograma, etc...Então é isso, como era nossa primeira vez, contratamos as agências para saber qual é. Na próxima, com certeza vamos fazer sozinhos alugando nosso próprio carro! Acho que é essa a melhor decisão: a primeira vez com agência e as próximas sozinhos! Bom, nosso cronograma foi: Dia 1, domingo 1/dez: 7:00 - Voo LATAM - GRU-SCL (chegada às 12h) e às 16:00 - Voo LATAM - SCL - CJC (chegada às 18h30). Dia 2, segunda-feira 2/dez: Valle da la Luna (Flamingo) e Tour Astronômico às 23h (Space) Dia 3, terça-feira 3/dez: Pedalada até Pukara de Quitor e Valle de Marte (por conta) e Laguna Cejar (Flamingo) Dia 4, quarta-feira 4/dez: Lagunas Altiplânicas (Flamingo) Dia 5, quinta-feira 5/dez: Ruta dos Salares (Flamingo. É o passeio mais similar ao Salar de Tara, que está fechado há 2 anos) Dia 6, sexta-feira 6/dez: Geyser del Tatio (Flamingo) e vila de San Pedro Dia 7, sábado 7/dez: Observatório Alma e voo CJC-SCL às 21h Dia 8, domingo 8/dez: Voo SCL-GRU ás 6:30. 5. Relato Dia 1: Voo SP-SCL-Calama - 1/dez/2019 O voo saiu de SP logo de manhã, às 7h da manhã. Saímos de madrugada de casa (Somos de SP). Voo tranquilo até Santiago. Estávamos preocupados com os protestos, com câmbio, etc...E descobri uma coisa muito importante: o melhor câmbio a se fazer é lá em San Pedro de Atacama mesmo. Sim, lá tem casas de câmbio, algumas, principalmente na Rua Toconao. A cotação que vimos no aeroporto foi 720 CLP/USD, enquanto em San Pedro conseguimos por 800 CLP/USD. O voo SCL-Calama saiu às 16h e, ao chegar no aeroporto de Calama, pegamos o transfer Licancabur. Todos os transfers que vimos eram o mesmo preço, a diferença era que esse dava pra reservar antes. Fizemos a reserva enquanto estávamos no aeroporto de Santiago ainda. Ao desembarcar em Calama, tinha uma plaquinha com meu nome nos aguardado. E sim, a van nos deixa no Hostel. Chegada no hostel umas 20:30, banho, comida e cama. A viagem tava só começando! Dia 2: Burocras, Vale de la Luna e Tour Astronômico - 2/dez/2019 Passamos a manhã fechando os passeios da semana. Como disse lá em cima, fechamos com a Flamingo todos os passeios, com excessão do Tour Astronômico, que fechamos com a Space. A Flamingo tem também um tour astronômico, e tenho certeza que é de ótima qualidade. A questão aqui foi ter fechado o Space antes da Flamingo. Acho que se tivéssemos ido primeiro na Flamingo, ganharíamos um desconto com o astronômico deles. Almoçamos já no primeiro dia num restaurante excelente: El Huerto. Comida simples e ambiente muito agradável, com preços bem ok e pratos que dá pra dividir. Às 16h, teríamos nosso primeiro tour: o Vale de la Luna, com a Flamingo. O tour é legal e você consegue conhecer a Cordillera del Sal, uma das 3 cordilheiras da região. O Vale de la Luna é só uma parte da Cordillera e você conhece vários picos. Mas preferiria ter feito o passeio sozinho de bike, já que o tour para nos lugares e sai com intervalos rápidos. Como é perto de San Pedro, dava pra ir pedalando e ficando mais tempo em cada lugar. Por outro lado, o tour te permite levar pra um lugar bem massa de ver o pôr do sol. E claro, as aulas de geografia, fauna e flora do lugar! "Las Tres Marias", escultura natural do Vale de la Luna Cordillera del Sal Poner del sol na Cordillera del Sal De volta à San Pedro pelas 20h30-21h, jantamos uma empanada (sobre isso, experimente a empanada de pino! É o sabor típico deles, um recheio de carne moída, ovo e um tempero típico. É do caralho.) pela Caracoles e fizemos hora até o tour astronômico da Space. Escolhemos a Space depois de ver várias avaliações de que eles são o melhor tour para ver as estrelas do Atacama. E, de fato, eles tem a melhor estrutura: o tour acontece numa fazenda afastada da cidade, onde há pouca luz e barulho. Ainda, ele inclui guia pra falar sobre astronomia e curiosidade científicas do lugar. Diferente do que tínhamos visto, não há um "tour místico" e um "tour científico", é só o científico mesmo, com aulas sobre as constelações ao ar livre, orientações de navegação nas estrelas, etc...Depois de uma palestra com aqueles pointers para o céu, a vantagem da Space é ter a disposição vários telescópios para olhar o céu. E é surreal. Você olha para o céu e vê um clarão, que a priori parecia realmente uma grande nuvem. Mas na verdade era todo o feixe da Via Láctea passando logo acima de você! Valeu muito a pena e, apesar de ser a mais cara, o tour foi bem completo, já que depois eles te convidam para uma casa para tomar chocolate-quente ou chá/café. Algumas dicas pro tour astronômico: i) Leve blusa. Sim, o deserto faz bastante frio a noite, mesmo no verão, como o nosso caso. E você fica bastante tempo ao ar livre. Levei uma corta-vento que aguentava até -8 graus e acho que foi no limite, porque fica bem frio mesmo. ii) A Space, por ser a agência que faz esse tour mais famosa, é também a mais cara. Pegamos por garantia mesmo, mas fiquei muito curioso como seria o tour astronômico da Flamingo. Até porque na Flamingo eles incluem uma foto no preço. Já, a Space, não. Tenho certeza que o tour é do mesmo nível, e pelo que eles falaram, nesses tours alternativos eles incluem uma versão mais mística, com curiosidades da cultura atacameña com o céu. Parece ser bem legal! Na próxima com certeza farei com eles. Além disso, o passeio com a Space vai bastante gente, um ônibus inteiro. Pra quem gosta de um clima mais intimista, talvez valha a pena ir com outra agência mais intimista. Na Space, os tours são em inglês ou espanhol. iii) Fique de olho no calendário lunar! Marcamos o tour no primeiro dia de viagem porque a lua já estava crescente. Durante os períodos de lua cheia, as agências não fazem o passeio pela invisibilidade. Então planeje sua viagem para não perder o tour! Imagino que ver o céu durante a lua nova deve ser a melhor experiência possível! No entanto, por estar em lua crescente, conseguimos tirar umas fotos bem bacana da Lua . Por último, iv) conseguimos ver um céu surreal. No entanto, a guia disse que poderia ficar muito melhor! Isso porque, uma das vantagens de se ver o céu no Atacama e o porquê de ser tão famoso tem a ver com o quão seco é o clima. Um clima seco significa menos vapor d'água no ar. E, portanto, menos refração da luz que vem dos astros. Logo, o melhor mês de ver as estrelas é em junho, o mês mais seco do ano e também quando o hemisfério sul fica com o céu de inverno, com muito mais opções de constelações e planetas para se ver! Mas deve ser um frio do caramba hehe. Mas a próxima com certeza vamos fazer em junho! De volta a San Pedro, hotel e cama! Com a lua crescente, deu pra tirar uns fotões da Lua! Dia 3: Pedalada até Pukara de Quitor, Valle de Marte e Laguna Cejar - 3/dez/2019 O dia 3 começou com um belo café da manhã no Anthawara e fomos direto para a Caracoles procurar algum lugar de aluguel de bike. A ideia era ir pedalando até Pukara de Quitor, ruínas arqueológicas de um forte antigo do pueblo atacameño e também, se desse tempo, ir até o Valle de Marte, que era mais ou menos no caminho. Às 16h, teríamos o passeio com a Flamingo para a Laguna Cejar. Alugamos uma bike pra cada por um preço bem ok (CLP 6000 as duas bikes por 6 horas, o que dá uns 6,25 dólares). Todas as bikes alugáveis de San Pedro são MTB (moutain bike), já que você anda em muito buraco e terra. A pedalada até Pukara de Quitor se faz em uns 20 minutos, é bem tranquilo. Lá, se paga a entrada no parque (2500 pesos). As ruínas em si estavam fechadas (dez/2019) por conta de uma chuva forte no deserto em fev/2019, que fez as ruínas entrarem em manutenção. Porém, o legal era fazer a trilha de uns 3-4km que têm vários mirantes para ver tanto a cidade, quanto a paisagem e claro, as ruínas em si. O passeio foi bem bacana, a trilha é tranquila a foi um ótimo start pra nossa pedalada! Só não esqueçam de levar bastante água já que você acaba pedalando no sol e no deserto! As ruínas são bem legais de se ver. A história do lugar é bacana e, durante a trilha há vários painéis explicando a história do lugar. Basicamente aquilo foi um forte que foi construído pelos pueblos atacameños para se proteger de invasões estrangeiras: primeiro dos Incas e, anos mais tarde, dos espanhóis. É bem massa! Pedalada até Pukara de Quitor! Vulcão Licancabur, vista da trilha dos miradores de Pukara de Quitor As ruínas, que estavam fechadas, mas que durante a trilha dá pra se ter uma ótima vista do forte! Trilha feita e refeita, pegamos nossas bikes mais uma vez para pedalar até pelo menos a entrada do Valle de Marte. Tínhamos pouco tempo, então não daria tempo de entrar no parque, mas só circular por lá já valeria a pena. E não é que foi, se não a mais legal experiência da viagem, uma das? O porquê? Pelo sentimento de ir offroad. Vamos explicar que a história é boa! No caminho para o Valle de Marte, saindo de Pukara de Quitor, paramos para descansar na estrada e ficar olhando a paisagem. Aí, curioso, saí um pouco da pista para chegar mais perto das montanhas e pá: acabei pisando numa área de areia movediça! É surreal, nunca tinha visto uma area movediça antes! Realmente você afunda! E é bem camuflado, então é pra tomar cuidado! Porque parece que a areia tá seca e dura, mas na verdade há uma lama embaixo te esperando para te sugar! E aí é que nos demos conta que ali do lado passava um riacho de água salgada, que estava seco! Ficamos tão entusiasmados com o pico que amarramos as bikes perto da estrada e seguimos a pé pelo o caminho de sal (aliás, a região também faz parte da Cordillera de Sal, e você pode, como eu fiz, inclusive colocar na boca o sal do chão. É realmente sal! Haha) e demos de cara com umas montanhas bizarras, totalmente off-road! Parecia realmente que estávamos em Marte! O rolê foi legal por conta disso! Foi uma aventura bem animal! Do nada, estávamos pedalando no meio de Tattooine (planeta que o Luke e Anakin Skywalker cresceu, de Star Wars hehe)! Pedalada off-road pelos arredores do Valle de Marte! Carolina e Tattoine Off-road e areia movediça De volta às bikes, pedalamos até San Pedro porque às 16h teríamos o passeio para a Laguna Cejar com a Flamingo. Apesar de se chamar "Laguna Cejar", o passeio é muito mais que isso! Você visita lugares como Ojos del Salar, Laguna Tebinquiche e Laguna Piedra. O passeio da Flamingo foi bem legal. Primeiro, porque pelo fato de eles servirem um coquetel no fim do passeio em frente à Laguna Cejar, ao pôr do sol. Segundo porque o guia que pegamos, Miguel, de tanta experiência que tem já sabe dos esquemas! Ele organizou os horários de forma que pegássemos a Laguna Cejar e Piedra por último, já com o lugar vazio! E de fato, só tinha a nossa van e de outra agência por lá para ver o pôr-do-sol. Por isso uma boa agência com bons guias faz diferença! O passeio começa com a Laguna Tebinquiche, laguna espetacular do Salar de Atacama. Se faz um trekking ao redor da laguna, que não é nadável. Inclusive, a Laguna é cheio de vida microscópica, sendo objeto de estudo da origem da vida! Têm várias placas explicativas pela vida microscópica do lugar. Laguna Tebinquiche e sua vida microscópica! De lá, fomos para os Ojos de Salar, um cenote no meio do deserto. Cenote, para quem não sabe, são formações geológicas que dão acesso à águas subterrâneas. Vale lembrar que, apesar do Atacama ser o deserto mais seco do mundo, lá tem muita água! E o segredo tá tanto nas chuvas de verão, que ocorrem em fevereiro, quanto nos lençóis freáticos. E o cenote dos Ojos de Salar dá acesso a um deles! E o melhor, é nadável! Ninguém do tour se animou, com excessão de nós, brasileiros, sedentos por pular em uma piscina/laguna/mar! Típicos! Pulamos lá de cima e foi bem legal, o cenote é bem fundo e é uma mistura de água salgada com água doce! Foi engraçado porque todo mundo ficou com uma cara tipo "Brazilians...". Mas é isso, se dá pra nadar a gente nada! YOLO, certo? Haha. Deixe 2 brasileiros e um cenote juntos no meio do deserto. A gente pula mesmo! ✌️ De lá, fomos direto pro complexo que contém tanto a Laguna Cejar quanto a Laguna Piedras. Ambas são salgadas, mas a única que é nadável é a Piedras, apesar do passeio ser identificado como Cejar. O lugar é totalmente preparado para os banhistas: vestiários, duchas, banheiros...e é muito legal! Você realmente não afunda de tanto sal que a água têm! A água é de boas (apesar da Carolina ter achado geladíssima hehe), só tem que tomar muito cuidado para não machucar ao entrar: o sal de fora cristaliza, e é muito fácil se cortar ali. Eu mesmo machuquei a minha mão. Além disso, não ouse molhar seu cabelo porque, uma vez que o negócio cristaliza, é difícil de tirar. Só tirar o sal do corpo já foi difícil, imagina com do cabelo. Como já disse, lá tem um complexo para tomar ducha e se trocar! Boiando na Laguna Piedras! E o Licancabur no fundo... Depois de nadar e aproveitar um pouco a laguna, nos encontramos com o pessoal da van para tomar nosso coquetel ao pôr-do-sol, de frente à Laguna Cejar. E que coquetel! Salaminho, baguetes, uma maionese com alho bem boa, amendoim, Lay's, tinha até Pisco Sour, suco e água, tudo a vontade! Serviço excelente da Flamingo, não deixando nenhuma outra agência pra trás. E lembrando que tínhamos toda a Laguna Cejar pra gente, uma vez que o guia, Miguel, sabia dos esquemas e dos horários para aproveitar lá. Muitas agências vã lá direto, e ele nos garantiu que aqui fica totalmente lotado de turistas, disputando lugar na laguna. Agora, algumas dicas sobre o passeio: i) Ficamos muito em dúvida entre fazer esse passeio da Laguna Cejar ou as Lagunas Escondidas, que também têm lagunas de sal para mergulhar. A diferença é que as Escondidas as lagunas são artificiais, antigas minas de lítio que gerou as lagoas. E por que decidimos Cejar ou ao invés de Escondidas? Primeiro por conta do preço. Só duas agências fazem as Lagunas Escondidas, e eram agências pequenas. Já ficamos com o pé atrás nisso...Teríamos então que fechar um passeio extra com uma agência aleatória para fazer as Escondidas, sendo que o passeio da Laguna Cejar já estava no cronograma da Flamingo e ainda incluía um coquetel massa? Além de outros picos como o cenote e a Tebinquiche? Não topamos! A Laguna Cejar foi sensacional e supriu totalmente nossa vontade de nadar numa água com densidade tão baixa Além disso, no passeio da Lagunas Escondidas eles encarecem o preço se você quiser passar por aquele "Magic Bus". um ônibus abandonado no meio do deserto fora de mão de qualquer passeio. Logo, preferimos a Cejar por ser mais cômodo e pelo tour ser bem completo, num preço justo! ii) Não se esqueça dos trajes de banho e toalha! Além de uma muda de roupa. Lá venta bastante, então você vai querer trocar de roupa o mais rápido possível quando sair da água. Miguel, o guia, e nosso incrível coquetel ao pôr-do-sol à beira da Laguna Cejar Depois do coquetel, terminamos de ver o pôr-do-sol olhando para a Laguna Cejar, que é por si só um lugar belíssimo! Láa de longe dava pra ver uns flamingos, mas nada comparado com o que veríamos nos próximos dias! É bizarro que qualquer pôr-do-sol no Atacama é um escândalo de beleza. Emocionante, mesmo! Depois do sol se por, voltamos à San Pedro e descansamos, já que no dia seguinte teríamos nosso primeiro passeio em altitude Laguna Cejar y el poner del Sol ☀️ Dia 4: Lagunas Antiplânicas, Piedras Rojas e pueblo de Toconao - 4/dez/19 (4300m de altitude) No dia 4 fizemos o tour das Lagunas Antiplânicas com a Flamingo. O tour incluía primeiro as Lagunas, depois iríamos almoçar no pueblo de Socaire, um outro oásis do Atacama, conhecer o mirador Piedras Rojas quase na fronteira com a Argentina, voltar pelo Salar do Atacama até a Laguna Chaxa ver uns flamingos (e foi aí que vimos flamingos DE VERDADE) e terminar o dia passando no pueblo de Toconao, o terceiro dos 3 oásis da região (San Pedro, Socaire e Toconao). Foi o nosso primeiro passeio na altitude. E nisso seguimos uma dica preciosa: planeje seus passeios em ordem ascendente de altitude. San Pedro fica a uns 2000m de altitude e você não sente nada. O problema é quando você faz os passeios que ultrapassam 4000m. E é o caso das Lagunas Antiplânicas. Os outros passeios na altitude seriam a Ruta dos Salares e o Geyser. Demos a sorte de pegar o Miguel de novo como guia, o que foi bem legal já que nos apaixonamos por ele no dia anterior! Ele sabe TUDO. Tudo mesmo! E outro ponto bacana é que, nos passeios de dia inteiro, a Flamingo te pega no hotel. Miguel e a trupe chegaram às 8h e começamos a subir! E aí tá o primeiro erro que cometi nessa trip: eu subestimei a altitude. Achei que ia ser tranquilo. Mas não tínhamos nem atingido 3000m de altitude e minha cabeça já estava latejando, sem contar a dor no olho, falta de ar, etc...altitude é coisa séria! Levamos bastante remédio, inclusive um remédio de alpinista, o Diamox 250g. Dá pra tomar até 4 por dia, mas acabei tomando só 2. Ajudou, de certa forma! Continuei com dor de cabeça o dia inteiro, apesar da falta de ar passar. É pesadaço! Mas deu tudo certo! O passeio em si é demais. Essa é a magia do Atacama: você em questão de horas pode viver o deserto, o clima do Altiplano e das montanhas, tudo num mesmo lugar! E isso se aplica à flora e fauna. É muito legal ver como a natureza muda de acordo que íamos subindo. Primeiro que você começa a ver cores nas vegetações. Segundo, os animais: Vimos as parentes selvagens das llamas, as vicuñas, e elas são demais! Vimos várias delas em todos os passeios que fizemos nas montanhas. Chegamos a ver até um burro selvagem e uma raposa. Além de um parente andino dos coelhos, a viscachia! E claro, o Miguel sabia de tudo. Uma das partes mais legais de ter feito o tour com a Flamingo foi realmente o amplo conhecimento da fauna, flora e geografia do lugar que os guias tem. Impecável. As Lagunas Antiplânicas foram a primeira parada. São duas lagunas: a Laguna Miscanti e a Laguna Miñiques. E lá já é totalmente diferente das lagunas que vimos no dia anterior. É um clima totalmente característico do Altiplano! Tinha flamingo, vicuñas tomando água, gaivotas...um dos lugares mais bonitos que já vimos. E, mais uma vez, um ótimo serviço da Flamingo, com um café da manhã sendo servido a beira da Laguna Miñiques, num ponto estratégico que o conhecimento do Miguel nos trouxe, com uma vista extraordinária à luz da manhã altiplânica. Laguna Miñiques e essa foto excelente 😝 A Laguna Miñiques é a menor mas, na minha opinião, a mais bonita. Talvez porque foi lá que passamos mais tempo, por conta do café da manhã. A Laguna Miscanti foi onde conseguimos ver pela primeira vez alguns flamingos de perto. Você faz um trekking em torno da lagoa, e é muito legal parar e olhar! Por conta da altitude, tem que ir bem devagar, eu mesmo já estava sofrendo sem andar, imagina andando na trilha! Mas deu tudo certo e foi uma ótima forma de ser recepcionado pelos Andes e pelo clima altiplânico! Laguna Miscanti. Essa a gente não consegue chegar tão perto quanto a Miñiques! De volta à van, a próxima parada era Piedras Rojas. Piedras Rojas é tipo uma uma depressão plana e tipo uma lagoa. É uma mistura dos dois. E foi um dos lugares mais bonitos que eu já vi na minha vida. Foi a primeira vez dentro da viagem que emocionei vendo a paisagem. O que eu pensava era: isso aqui é surreal. A natureza realmente não erra, ela acerta, acerta e acerta. Aquilo é majestoso. É enorme. Com olhos marejados, mas numa ventania de cortar a pele, foi uma mistura de querer ficar mais e querer sair porque o vento estava realmente forte. Além disso, no caminho até Piedras Rojas passamos por alguns mirantes e ainda chegamos mais perto da Argentina pra dar uma olhada na Laguna Tuyajto. Ali já estávamos a menos de 30km da fronteira. E o que eu mais vi foram carros de diversas nacionalidades, inclusive brasileira! Me deu ainda mais vontade fazer aquela trip que descrevi lá em cima, ir dirigindo desde SP até o Atacama, passando pelo norte da Argentina. Está nos planos! Piedras Rojas. Agora vocês entendem porque não consigo definir se é uma laguna, uma depressão ou algo muito louco. Mas que é bonito e emocionante, isso não há dúvidas! Carolina, Piedras Rojas e um vento bizarro Nós e o Miguel! Uma das pessoas mais inteligentes que já conhecemos! E que tornou os passeios uma grande aula de geografia e cultura! O cara fala 4 línguas! De lá fomos até Socaire almoçar. E que almoço bacana. Socaire é um pueblo de ao redor de menos de 1000 habitantes. Almoçamos numa cocineria chamada Cocineria Teresita. A dona do lugar, Teresita, era uma querida e serviu pra gente uma refeição com uma sopa de entrada, um almoço que tinha opção vegetariana e com bebida inclusa. O almoço já estava incluso no passeio da Flamingo, e tínhamos o restaurante só pra gente. Era bem familiar e tornou a experiência melhor ainda! Carolina e a sopa de entrada do almoço! Depois ainda veio um PFzão da massa. Bom demais! De volta à van, o próximo ponto era a Laguna Chaxa. Uma laguna já no Salar do Atacama, foi o primeiro lugar que vimos os Flamingos de perto! Isso é importante: tem flamingo em praticamente todos os lugares do Atacama. Não só isso, existem 5 tipos de flamingos no mundo e, só no Chile, vivem 3 tipos. Isto é, o Chile é um reduto de flamingos! E foi na Laguna Chaxa que vimos eles de perto pela primeira vez. E muito perto! A laguna é um acúmulo de água salgada e enxofre, que com seu cheiro característico, fez a experiência ficar mais legal ainda. Ah, detalhe: nos relatos vimos que a galera costuma fazer passeios que só vão para o Salar do Atacama. Mas veja só, até esse momento, já tínhamos conhecido alguns pontos do Salar do Atacama, sem ter feito o passeio específico pra lá. Por isso acho que é meio furada você fazer o passeio exclusivo do Salar do Atacama já que, em outros passeios, passaremos por pontos estratégicos dele! Na Laguna Chaxa a recomendação é ficar em silêncio. Isso porque devemos respeitar o habitat natural dos animais. Sempre temos que lembrar que nós que somos os forasteiros, invadindo onde eles vivem. Nada mais justo que ficarmos em silêncio. Claro que sempre tem um sem noção que faz algum barulho, mas o pessoal é educado e já reprime na hora. E ficando em silêncio você consegue ver os flamingos beeem de perto, inclusive pegar alguns deles voando, o que dá uma visão animal! Agora uma piada interna legal: No meio da viagem ficávamos brincando que a Carolina era um flamingo: magra, alta, bela e com pernas longas hehe. E não podia faltar uma foto dela em seu habitat natural, certo? Eis o resultado: Flamingos em seu habitat natural. Discovery Channel Production. E mais uma vez o Miguel fez diferença. Como a Laguna Chaxa é um dos points para ver os flamingos de perto, o fato de termos deixado para a tarde foi sensacional. E estratégico. i) O pessoal que vai pra lá durante os passeios do Salar do Atacama vai de manhã. E fica lotado! Fomos de tarde e estava bem tranquilo. ii) A tarde, quando o Sol já está mais baixo, os flamingos se juntam para tomar água. Então dependendo da hora que você visita o lugar, consegue vê-los, mas sóo de longe. E não foi o nosso caso! Vimos eles de pertinho! Foi incrível. Laguna Chaxa, Salar do Atacama e flamingos. De volta à estrada, a última parada foi no pueblo de Toconao, o terceiro oásis que visitamos no deserto. Toconao também tem menos de 800 habitantes! Visitamos a igreja, as lojas, e ficamos livres para passear pelo pueblo sozinhos. Passamos numa loja de lã em que eles criavam llamas! Dava até para passar a mão nelas! E, como nós somos são-paulinos e grandes fãs de futebol, ficamos impressionados com o campo society que tem por lá. A cidade é bem precária, no meio do deserto, falta água e recursos e a maioria das construções são feitas de madeira de cactus. Mas tem um dos melhores campos de futebol society que eu já vi. É galera, futebol é muuuito mais que um jogo . Pueblo de Toconao Um dos melhores campos society que já vi! Os chilenos são fanáticos por futebol, como nós! Chegamos à San Pedro de Atacama por volta das 17h-17h30. O pôr do sol seria só pelas 20h. Perguntamos ao Miguel antes de ir se ele recomendava algum lugar para ver o pôr-do-sol na cidade. E foi batata: remendou um lugar que, se você seguir a Caracoles, para o lado oposto ao da Space, iria sair numa área bem bacana de ver o pôr-do-sol, com muitas pedras e lugares para sentar. Lá parecia ser um lugar que o povo vai pra beber durante a noite, já que tinham muitas garrafas e latas de cerveja no chão. Beleza, tomar umas por lá a noite deve ser animal, mas podiam jogar no lixo né? Até jogamos uns lixos que achamos fora. Apesar disso, o lugar é bem legal! E mais uma vez o pôr-do-sol foi espetacular! Ótima recomendação do Miguel! Só tinha a gente lá, então o povo não deve conhecer o pico. Depois disso, hotel e cama porque no dia seguinte teríamos mais um rolê na altitude...e seria o dia mais legal da viagem! Pôr-do-sol em San Pedro de Atacama no lugar que o Miguel nos recomendou, no fim da Caracoles! Dia 5: Ruta dos Salares (o mais próximo do Salar de Tara) - 5/dez/2019 (4500m de altitude) A Ruta dos Salares foi o nosso passeio mais legal! Foi uma soma de fatores, mas foi o que nos trouxe melhor lembrança. O clima, as paisagens, as pessoas...Mas antes de explicar de dar o relato, vamos explicar algo: Viajamos em dez/19 e, se alguém ou algum relato depois de 2018 te falar que foi ao Salar de Tara, é mentira. O Salar de Tara está fechado para mineração. Sim, é lamentável, já que o pessoal fala que é realmente o lugar mais legal do Atacama. A alternativa é fazer a chamada Ruta dos Salares: Ele passa pelo Salar de Atacama e ao redor do Salar de Tara. E foi sensacional! A Flamingo é uma das poucas que faz esse passeio e, por conta disso, ficamos praticamente sozinhos o dia inteiro. Mais ainda, como as pessoas ficam frustadas que você não entra no Salar de Tara em si (apesar de vê-lo por cima!), elas não se interessam tanto pelo passeio. Resultado: tinham 8 pessoas conosco, além da nossa excelente guia Cheryl, a mesma que fez o Valle de la Luna com a gente! O clima intimista fez o passeio ser o melhor de todos! Moreover, o passeio mais uma vez contou o serviço excelente da Flamingo, com um café da manhã e um almoço excelentes! Outro ponto é que esse foi o nosso segundo passeio na altitude (mais de 4000m) e, dessa vez, fui preparado! Tomei chá de coca antes de ir e foi o MELHOR remédio. Não passei mal de altitude como passei no dia anterior, apesar de ter sentido um pouco a pressão. Bom, vamos para o relato. O passeio começa com um café da manhã à beira do Licancabur. E que café! Que vista! Comemos vendo o majestoso vulcão num campo todo florido! Foi uma ótima forma de iniciar o dia! E ainda por cima tava cheio de vicuñas por lá! Acabaríamos almoçando por lá também! Café da manhã de cara com o Licancabur, num campo maravilhoso do Altiplano pra começar o dia! Todo o passeio é focado na Caldera La Pacana, que basicamente é a cratera de um vulcão enorme e antigo que se situa o Salar de Tara. Você passa por várias lagunas até quase na fronteira com a Bolívia e a Argentina. A estrada é belíssima e é um dos acessos que dão na Argentina! E é bizarro ver como a cratera do vulcão é enoorme! Nesse ponto, o Salar de Tara começa logo depois! Por isso é o passeio que mais se aproxima ao Salar, porque fazendo a volta na cratera da Caldera la Pacana, consegue-se ter uma ideia da imensidão que é a formação geológica que formou o Salar de Tara. E não só isso, mas o passeio é focado no conhecimento geológico que criou o lugar. Vale lembrar que o Atacama antes de tudo foi um oceano. Não só um oceano, mas era o encontro entre o Oceano Pacífico e o Atlântico, nos tempos de Pangeia. Quando as placas tectônicas começaram a se movimentar, os Andes surgiram, e toda aquela região é referente à esse advento. Foi o passeio que mais conseguimos entender a formação geológica do lugar e a característica do altiplano andino! Foi uma aula de geografia! Mais uma vez vi vários carros argentinos e 1 brasileiro. Fazer essa viagem de carro deve ser incrível e, se fosse fazer, passaria pela Estrada 27 que é a que estávamos! Ambas as Estradas 27 e a que fomos no dia anterior (Estrada 23) dá na Argentina, e cada uma com uma paisagem diferente! Outro ponto importante: O passeio não tem banheiro em nenhum lugar. Na verdade, até tem, o que eles chama de "baño Inca", que é basicamente fazer xixi (e outros) atrás da pedra hehe. Deu pro gasto! A viagem passa pelos pilares da Caldera La Pacana e se extende até o Mirados Salar de Los Loyoques, onde pudemos ficar olhando a paisagem por mais de 1h! A vantagem de se fazer um passeio quase que exclusivo! Tínhamos as paisagens só para a gente! É bizarro a heterogeneidade do Atacama. Isso é só uma parte da cratera do La Pacana, no passeio da Ruta dos Salares. Espetacular! Inclusive, a imagem que se vende do Salar de Tara são os pilares da Caldera La Pacana (que não é o Salar de Tara hehe)! Os pilares são gigantes! E belíssimos! E o melhor de tudo é que, em todos os lugares desse passeio, a gente podia chegar mais perto a ver a imensidão do negócio da melhor forma. Além disso, a fauna e flora do altiplano mais uma vez se destacava, onde inclusive conseguimos ver outra vez as vicuñas e até uma raposa bem de perto! A raposa de boas no Altiplano Andino 🦊 O próximo ponto foi ir à fronteira com a Argentina e Bolívia no Mirador Salar de Loyoques, mas o vento tava forte demais. Nenhum problema, já que o lugar era espetacular! Ficamos um tempo por lá e voltamos para o mesmo lugar que tomamos café para o almoço. E aí foi um momento muito legal: uma viagem boa também se faz com pessoas boas. A turma que tava no passeio era demais! Eram 7 pessoas: 1 suíça, 1 mexicana, 1 argentina (uma senhora que estava viajando sozinha! Fudido!), 2 brasileiras, a guia Cheryl e nós! E que papo legal que batemos no almoço! Foi um dos grandes momentos da viagem! Carolina e o pilar da Caldera La Pacana Caldera La Pacana. Não dá pra ter ideia da imensidão do negócio por foto! É demais! "Vai Carolina, faz uns malabares aí com o Mirador Salar de Loyoques" Fotão com o Licancabur! Depois do almoço, voltamos para San Pedro. O passeio saiu mais cedo, umas 7h da manhã, por isso chegamos umas 15-16h de volta! Tiramos uma foto com a galera do passeio para guardar na memória, já que eles fizeram parte disso! Foi demais Nós, Cheryl e a galera do passeio! Agora aqui vai um aviso importante, já que pode acontecer com qualquer um. O Atacama é alto, e os passeios que você faz são altos. E isso significa que você tem que pegar leve na comida, já que a digestão é afetada pela falta de oxigenação do sangue. Eu já tinha passado mal com mal da montanha no dia anterior, mas no fim do dia da Ruta dos Salares acabei tendo uma intoxicação alimentar. Provavelmente porque tomei leite no café. Minha intolerância é bem baixa, nunca passo mal, com excessão se você toma a mais de 4000m de altitude! Para os que já tem o intestino fraco como eu, isso é um ponto importante, já que realmente qualquer coisa que você comer, por mais sútil que seja a intoxicação, se torna o caos. E vamos dizer que essa noite não foi das melhores hehe. O lance era esperar, tomar bastante água e evitar comer. Continuei com os sintomas até a volta para o Brasil, mas foi totalmente controlável . Então tomem cuidado! Não comam muito, não bebam álcool nos dias antecedentes e durante os passeios de altitude! Sofri com mal da montanha e com uma intoxicação muito provavelmente catalisada pela altura. Fica a dica! Fim do melhor dia da viagem, com direito à uma intoxicação que valeu todo minuto hehe. O passeio realmente tinha sido espetacular. Dia 6: Geysers Del Tatio e Vila de San Pedro de Atacama - 6/dez/2019 (4700m de altitude) Dia do último passeio na altitude. Deixamos por último pela questão de estratégia que mencionamos: em ordem ascendente de altura. Esse é o passeio que você sobe de forma mais brusca também! Então se prepare, tome um chá de coca antes e vai na fé! A van da Flamingo nos buscou logo às 4:30 da manhã já que os geyseres são maiores pela manhã quando ainda está frio nas montanhas. E isso é importante, lá faz FRIO. Pegamos entre -4 e -6 graus. Quanto mais frio, mais evidente fica o vapor d'água. E maior a pressão da água também. Antes do relato, vamos entender o que é o lugar. "Geyser" é qualquer formação geológica que solta vapor d'água. O nome veio do Geyser original na Islândia (o qual ainda queremos conhecer!), mas são poucos lugares do mundo que os têm. O lugar que tem mais geyseres no mundo é no Parque Nacional de Yellowstone, nos EUA. E o Atacama é um deles! Lá você consegue ver jatos enormes de água saindo do chão! E mais ainda, é possível nadar nas águas termais naturais do lugar. O que claramente fizemos! Foi um passeio muito legal e deu pra entende porque é o mais famoso de todos. Num frio do cão, acordamos às 3h30, com a van saindo entre 4 e 4h30. A subida é longa e chegamos lá pelas 6:30/7h. Esse passeio tem banheiros, o que foi extremamente útil pra mim já que estava no meio de uma intoxicação alimentar! São dois pontos de visita, onde é possível ver o vapor d'água saindo e também nadar, como disse. Demos a sorte de mais uma vez pegar o Miguel como guia, e conhecer um lugar desses com um amplo conhecedor da geografia foi demais! Nós dois, nerds que somos, grudamos nele perguntando várias coisas relacionadas à formação geológica, pressão, temperatura...uma aula! Tomamos café da manhã logo depois de ver os gêiseres. Mais uma vez, um ótimo serviço da Flamingo. Depois foi a vez de nadar nas águas termais, o que foi animal! Vale lembrar que era antes das 10h da manhã e estava um frio, nessa altura da manhã, entre 0 a 10 graus. Mas é isso, mais uma vez YOLO e lá fomos nós nadar na água a uns 35-40 graus. O mais legal foi sentir os pontos em que a água quente de baixo da terra vinha. Para não passar frio, ficávamos em cima desses pontos estratégicos. O lugar também é cheio de vestiários e lugares para trocar. O problema é o caminho entre sair da água e ir para o vestiário. Por isso que poucos pulam hehe. Geyseres Del Tatio, sensacional! Mergulho nas fontes termais! Depois de nadar, já era umas 11h, e começamos a voltar para San Pedro. Parece cedo, mas vale lembrar que o rolê começou às 4h30 da manhã, então a gente acaba ficando bastante tempo por lá! Mas o passeio ainda não tinha acabado! Passamos ainda pelo Vado Putana, uma região de pântano que fica na montanha, e também pelo Pueblo de Machuca. Machuca é um pueblo originalmente formado pela emigração boliviana para o Chile. É um vilarejo muito charmoso, com uma bela igreja e muitas lojinhas de artesanato. O maior meio de produção deles é a criação de lhamas. Estar no meio da montanha o torna diferente dos pueblos de Socaire e Toconao que havíamos passados nos dias anteriores. E ahh, é lá que se vende espetinho de carne de llama! Eu não comi porque né, intoxicação alimentar, mas tava com uma cara muito boa! Foi muito legal conhecer a cultura de um pueblo formado exclusivamente na montanha. Uma coisa que aprendemos com o Miguel foi a importância das lhamas para a cultura andina. São 4 animais da família das lhamas que vivem na América do Sul: Lhamas, Alpacas, Vicuñas e Guanaco. Esses dois últimos são selvagens e os dois primeiros domésticos. E aí que tá: As lhamas e as alpacas são consideradas sagradas justamente porque foram os primeiros animais a serem domesticados no altiplano andino. E eram usadas basicamente para 3 utilidades: carne, lã e carga. E isso é talvez o maior fundamento de identificação da cultura andina. Inclusive há muitas celebrações, rituais e cultos para as lhamas, de tão sagradas que são. E Machuca traduz muito esse sentimento sagrado que esses animais trazem. Um grande aprendizado da viagem! Llamas na região ao redor de Machuca Pueblo de Machuca! Voltamos a San Pedro pelas 13h30. Teríamos então ainda o dia inteiro para ter o dia livre. E foi muito bacana! Conhecemos finalmente os pontos de interesse do pueblo de San Pedro de Atacama, o que inclui a igreja toda construída de madeira de cactus e também, como a grande surpresa, o Museu do Meteorito. E isso foi totalmente ao acaso! Vimos uma placa do Museu do Meteorito na cidade nos primeiros dias que chegamos. Não havíamos visto nenhum relato que o incluía no roteiro! E que museu legal! O Atacama é um dos melhores lugares para caçar meteoritos justamente porque, como o clima é bastante seco, é fácil de identificar as rochas vulcânicas e de meteorito. Aí foi que dois irmãos resolveram criar esse museu para ensinar as pessoas como reconhecer meteoritos e mostrar um pouco do trabalho que eles tem feito nos últimos anos! O museu é muito simples e com muita coisa legal, além de tudo paga meia para estudante! Recomendamos total e foi uma das boas descobertas da viagem. Em toda trip que já fiz sempre descubro coisas não planejadas que acabam se tornando ótimas memórias. Essa foi uma delas! ✌️ Fachada do Museo del Meteorito! Ainda explorando San Pedro, almoçamos em mais um restaurante recomendado pelo pessoal da Flamingo: La Picada Del Indio. Almoço justo, no mesmo preço do El Huerto, mas um pouco mais "pop". Nesse aprendemos a nossa lição e pedimos um macarrão para dividir em 2. Como meu intestino ainda tava ruim, foi ótimo para não exagerar. Todos os pratos lá são bem servidos, e dá pra poupar bastante se dividirem o prato em 2 como fizemos. O resto do dia foi assistir o pôr-do-sol em frente ao Hotel e descansar, já que tínhamos acordado bem cedo. Ainda, arrumar as malas já que iríamos ir embora já no dia seguinte, às 21h30. Mas ainda tinha um passeiozão a ser feito! O Observatório ALMA, que vamos falar na próxima seção! Dia 7: Observatório ALMA e viagem de volta pra casa - 7/dez/2019 Chegou o último dia e deixamos um dos melhores passeios para o final! Eu e Carolina somos, como devem ter percebido, dois nerds e curiosos. E parte disso é gostar muito de ciência e astronomia. E isso no Atacama é um prato cheio. Quando começamos a planejar essa viagem foi em janeiro de 2019, com a compra das passagens. Na mesma época, 11 meses antes, vimos em um relato que era possível visitar o ALMA, o maior observatório do Hemisfério Sul e um dos maiores do mundo! ALMA significa Atacama Large Milimeter Array (ALMA). Eles planejam, até 2024, serem responsáveis por 53% das observações do céu do mundo. É composto por 66 antenas de cooperação internacional e foi originalmente formado por um join effort da o Observatório Europeu do Sul (União Europeia), da Fundação Nacional de Ciência (EUA), do Instituto Nacional de Ciências do Japão e do governo chileno. Mas há vários países signatários e contribuidores do projeto que financiam o laboratório. Pra quem gosta de ciência, ali é o lugar para se estar. E o máximo é a democratização da ciência: se você, um instituto de pesquisa, universidade, que fecha um acordo para a utilização das antenas para dados astronômicos não publicar algum artigo científico em alguma revista top internacional em um intervalo de 1 até 2 anos, a sua base de dados se torna pública! Como um economista acadêmico que sou, adoraria que esse pensamento fosse universal em todas as áreas do conhecimento. Quem sabe um dia! Mas o importante é que o ALMA oferece visitas guiadas públicas e, o melhor, de graça! Basta agendar! Fomos um pouco overexcited e reservamos em janeiro, mas dá pra reservar muito mais perto da sua trip do que nós. Eles oferecem um busão que sai de San Pedro e nos leva até o observatório. Ida e volta, na faixa. Lá é feito um passeio guiado pelas instalações internas e externas, explicações da relevância do projeto pro avanço da ciência do mundo e ainda demos a sorte de ver uma das antenas, que ficam em uma região das montanhas bem mais alto do que estávamos, em manutenção! Foi um dos momentos mais legais da viagem o passeio e, sobretudo para nós brasileiros, pela situação emergencial que nós cientistas estamos vivendo no Brasil (Dez/19, governo Bolsonaro, etc), é de extrema importância para entendermos de como a prioridade deveria ser, se não maioria, relevante, para a ciência dentro das políticas públicas de um país. E o Chile cumpriu seu papel muito bem, sabendo que está num lugar privilegiado na Terra para ver as estrelas. E isso vale também para os países signatários e financiadores do projeto. Ah, checamos e perguntamos e, apesar de ter uma bandeira brasileira por lá, o Brasil não é signatário do acordo. Isso porque, em 2015, durante o governo Dilma, quando o projeto foi inaugurado, mais uma vez não foi de prioridade do governo brasileiro ser um dos financiadores do projeto, apesar de ter sinalizado em anos interiores o interesse. Mas é isso, o Brasil tá out, e isso independe de governos. É uma questão de instituição. Ainda, infelizmente, para nos brasileiros, a ciência não é prioridade. Chega de baixo astral e vamos continuar o relato! O ALMA é um passeio obrigatório para quem gosta de astronomia e ciência em geral. Aquilo lá é a fronteira do conhecimento e é um privilégio pro Chile poder sediar o laboratório. O passeio ocorre nos finais de semana pela manhã, não se esqueça de agendar no site e aproveita que é de graça! Os dados astronômicos do ALMA foram um dos responsáveis por gerar a primeira imagem do buraco negro em 2019. Eles falam isso com muito orgulho! Viva a ciência! Demos a sorte de ver uma das antenas em manutenção. Elas ficam a mais de mil metros acima do laboratório, onde é mais seco e sem poluição de luz. Voltando para San Pedro, com as malas já arrumadas e deixadas no locker do hotel (fizemos o check-out de manhã) e esperamos a nossa van para o aeroporto de Calama. Fechamos tanto a ida quanto a volta com a empresa Licancabur, que já colocamos o link acima. Valeu a pena fazer a ida e a volta para os dois já que economizamos uns 5000 pesos assim. Então quando for comprar o transfer, compre a ida e a volta juntos! Deu tudo certo e antes das 19h já estávamos no aeroporto! O voo era as 21h. De resto, só fizemos escala em Santiago e voltamos pra GRU! Uma última olhada para a Caracoles antes de ir embora. Que lugar! 6. Conclusão O Atacama foi certamente um dos lugares mais especiais que eu já fui na minha vida. Já tinha conhecido Santiago e a costa chilena uns anos antes, e fazer a viagem apenas para o deserto foi determinante. Primeiro porque a cultura atacameña é totalmente diferente da cultura da capital. Isso porque em nenhum outro lugar do Chile se tem um deserto (desconsiderando, claro, a Patagônia, que é um deserto se considerarmos a definição de pluviosidade). Imagino que quando eu conhecer a Patagônia Chilena sinta a mesma coisa. Eles tem uma forma única de encarar o mundo e a natureza. Sobre isso, é uma das coisas que mais me tocou. A natureza é parte da cultura do povo atacameño. Eles vangloriam seus animais, sua flora e sua geografia. São tão privilegiados de terem em seu território um lugar tão heterogêneo mas, ao mesmo tempo, tão unido mentalmente como o deserto. Isso é forte! Por outro lado, dá pra perceber, mais uma vez, como a nossa identidade latino-americana é presente em todo o continente. Tinha sentido isso na Patagônia Argentina e também em Santiago ou no México (escrevi um relato sobre o México também onde tive a mesma conclusão, e você pode conferir aqui), e agora outra vez sinto. Não importa se você está no deserto, nas montanhas, na cidade ou na costa, somos um continente unido. Podemos falar português e eles espanhol, mas temos sempre um denominador em comum. Seja o futebol (glória!), a natureza, a herança indígena, o artesanato. A cultura latino-americana é sagrada e deve ser preservada e admirada. E isso cabe a nós, latino-americanos. Temos que cuidar do nosso patrimônio e manter as tradições milenares em evidência. É isso que nos faz únicos. Por fim, o Chile em 2019 e agora em 2020 tem passado por um momento muito importante em sua história. Os protestos que começaram em outubro de 2019 são um sinal para os governantes de que eles estão insatisfeitos. Como economista, sempre ouvimos que o Chile é um exemplo de nação, até por ser a única considerada desenvolvida no continente. Sim, de fato, mas algo está mudando. E faz parte do processo de desenvolvimento da população o engajamento e o conluio de querer tornar melhor. E eu entendi que é exatamente isso que o chileno está sentindo. Foi um a mais poder ir ao país nesse momento tão importante da história deles. Eu mesmo não concordando com a forma violenta que foi/está sendo o processo, mas as maiores rupturas do mundo vieram com grandes esforços. Talvez esteja acontecendo isso com o Chile. Talvez não. Só é importante dizer que eles estão num processo deles e que só eles entendem. É uma nação incrível, com a vantagem de ter uma natureza invejável e também, por que não, uma cultura institucional de dar inveja. Mas como o povo chileno é incansável, eles querem melhorar. E acho que é isso que está acontecendo! Eles merecem sempre mais e de melhor, assim como todos os hermanos latino-americanos. Espero realmente que o produto de tudo isso seja um país melhor e mais justo. Obrigado Miguel, Cheryl e todo mundo que fez parte disso. O Atacama é especial. Foi uma viagem especial, com uma companhia especial (sim, você, Carolina ) e que com certeza vai estar na minha memória como uma das melhores viagens da minha vida. Não hesitem de mandar e-mail e/ou responder aqui no fórum. As minhas últimas viagens eu absorvi conhecimento daqui do Mochileiros e é um prazer contribuir. E mais uma vez, obrigado por terem chegado até aqui no relato. Isso aqui é minha terapia favorita! ¡Viva Latinoamerica! !Viva el Atacama! !Viva Chile y hasta luego! 🇨🇱 Victor Hugo Alexandrino
  25. 8 pontos
    estou no paraguay faz três semanas e decidi que queria fazer esta viagem para conhecer todos os paises da america do sul , o motivo dessa viagem é que todos nós procuramos por algo sabe!!! E eu estou procurando a liberdade a alegria do verdadeiro viver agradecer por cada segundo de vida e não desperdiça-los com as ansiedades e preocupações que a vida nos presenteia por esse estilo de vida regrado de CONFORTO e insatisfações causadas pelo Anseio de sempre querer mais,eu queria experimentar a sensação de não ter nada compreende!!!e olha durante esse curto período de tempo descobri que tenho TUDO fazemos da vida um jogo que não se pode vencer DETERMINAMOS tudo que a vida tem que ser,criamos esses objetivos como uma tentativa de "Vitória social" para que as pessoas nos vejam bem e não enxergue essa desmotivação diária que todo ser humano sente e que ela é vista como um CRIME perante a todos nós, buscamos estar felizes e cheios de emoção a todo instante porque algo na nossa cabeça nos diz que a vida é somente FLORES enquanto negarmos nossaCONSCIÊNCIA insatisfeita de tudo que buscamos talvez nunca encontremos oque nos torna realmente felizes e preenchidos por completo eu ainda não encontrei e tambem não sei o endereço se alguem souber me AVISA porque estou viajando o mundo agora para encontra-la MUITOS JA TENTARAM ME CONVENCER QUE AQUI EU NÃO ACHE NADA,MAIS SERÁ QUE EXISTE ALGUM LUGAR DETERMINADO PARA ESSA SITUAÇÃO???????somente minha opinião me sigam lá no instagram vou tentar postar algun tópicos de algum dia interessante só queria filosofar um pouco kkkkk https://www.instagram.com/mochileirodasamericas/
  26. 8 pontos
    Era para ter publicado este relato faz um tempinho , pois fui para o Peru no dia 04/06/2019 , tinha feito um lindo relato diretamente no site , mas infelizmente na hora de publicar deu falha e perdi tudo , mas minha vontade voltou , e desta vez fiz pelo word antes de publicar , meu primeiro mochilão foi em 2018 para Bolívia , e nesse mesmo mochilão conheci um pouquinho de Arequipa e Puno no Peru , foi incrível , decidi naquele momento que faria o Peru no proximo ano com mais calma , fui sozinho e voltei com muitas amizades , para este ano resolvi buscar por companhia , encontrei algumas pessoas , passei uma peneira e montamos um grupo no whatsapp , foram um pouco mais de 3 meses de planejamento , e durante este tempo conheci a Sheylla , Uma porto-riquenha que mora na Bahia e está há 10 anos no Brasil , muito alegre , divertida ,humilde , e que aos poucos fomos tendo mais intimidade , eu não estava a procura de ter um relacionamento , e ela também não , até aconteceu umas flertadas , mas eu sempre fugia , então finalmente chegou o grande dia , as meninas chegaram no dia 03 , eu e o Renan chegamos no dia 04 , sendo eu o último a chegar , já havia lido umas dicas sobre os táxis do aeroporto de Cusco para o centro histórico , que não chegava a 10 soles , eles cobravam 25 , 30 , 40 soles , que foi o que o Renan pagou , Uber cobra 20 soles , sai para a rua e andei um pouco e paguei 10 soles , mas no final cobrou 15 soles , pois demos varias voltas para encontrar o hostel , ficamos no Black Hostel , não recomendo , tivemos alguns problemas bem chatos por lá , quando cheguei estavam todos na recepção Sheylla , Fran , Renan e Talita , a Sheylla veio correndo e me deu um forte abraço , eu estava morto , pois não havia dormido direito , mas foi ótimo conhecer a todos , alias foi uma viagem incrível , com belas novas amizades , eu resolvi sair para fazer câmbio , a sheylla resolveu me acompanhar , e nessa caminhada ela acabou me dando um selinho , pronto resolvido , quebrou o gelo , dali para frente não largamos mais , ela já havia mudado o roteiro e gastou uma grana por isso, para fazermos todos juntos , mas acredito que valeu a pena , o Peru também é um pais incrível , lindo , muito o que se ver , claro tem os lugares mais visitados e famosos como Machu Picchu , mas tudo é muito lindo , comidas maravilhosas , povo muito alegre , muita cor e alegria , no segundo dia já fizemos a Laguna Humantay , até que foi bem tranquilo , até escorreguei em uma pedra e molhei minha bota , parece uma pintura de tão lindo , a estrada achei bem mais perigosa do que para hidrelétrica , talvez por termos feito de micro ônibus , acho bem mais seguro com van , não é aquela segurança , mas é bem melhor , pois as estradas são bem perigosas , devem ter 3 Mts de largura , que com um veículo maior acaba se tornando mais perigoso , apesar do perigo tem belas paisagens , no terceiro dia houve uma manifestação e não estavam saindo para tours , resolvemos conhecer melhor Cusco , tem muito o que se ver , provar , foi bem legal, uma bela cidade , muita cultura , muita cor , no dia seguinte começou nossa aventura rumo a Machu Picchu , iniciamos o tour para o vale sagrado , começamos por Moray , Maras e Ollantaytambo , onde passamos a noite , pois cometemos um erro , mas o importante é que deu certo e ollantaytambo é incrível demais , eu particularmente achei muito lindo , lugar incrível , por termos passado a noite por lá , pudemos aproveitar mais o passeio , pois os tours são muito rápidos , é o tempo de subir e descer , acaba sendo cansativo e não aproveitado , a paisagem daquele lugar é incrível , muito rico em ruinas , a noite eu e a Sheylla fomos jantar e resolvemos provar um hambúrguer de Alpaca , melhor escolha , muito bom de verdade , assim como eu , a Sheylla adora provar comidas diferentes , umas das qualidades dela que me conquistou , pois comer foi o que mais fizemos por lá , achamos uma padaria bem pequena próxima ao mercadão que tinham pães deliciosos , alguns recheados de queijo , o mercadão também é um bom lugar para comprar algumas coisas , fomos comprar algumas frutinhas diferentes , esses mercadões são muito bons , você encontra de tudo por lá , no dia seguinte seguimos rumo a tão sonhada e esperada Machu Picchu , a maioria do pessoal passou mal no caminho , eu fiquei tranquilo , achei mais perigoso a parte asfaltada do que a de terra , pois os cara pisa mesmo , todos os passeios tem os seus riscos , eu por ter conhecido a Bolívia , já estava esperando por essa aventura , chegamos na hidrelétrica , se resolverem comer por lá antes de iniciar , andem uns 10 minutos rumo a Águas Calientes que vão encontrar um preço melhor , infelizmente o Renan chegou passando mal , passou mal o caminho todo , algo que comeu não caiu bem , então ele acabou indo de trem , o resto de nós fomos caminhando , o caminho é bem tranquilo e muito bonito , quando chegamos no letreiro de Machu Picchu ficamos muito felizes , mas ainda tinha que caminhar um pouco até Águas Calientes ( Macchu Picchu Pueblo ) , quando finalmente chegamos fiquei de queixo caído , achei que iria ser uma cidade feia , mas não , também é muito lindo , hotéis e restaurantes de alto padrão , mas tem para todos os bolsos , se procurar certinho come bem e barato , vale a pena passar um dia a mais naquela cidade , aquele rio cortando a cidade é muito maneiro , aquelas montanhas gigantesca que nada mais é que a parte de trás de Machu Picchu é muito lindo , muito louco , o céu também é muito lindo por lá , pegamos tempo bom em todos os passeios , nem neblina pegamos em Machu Picchu, passamos a noite e de madrugada eu e a Sheylla saímos rumo subir Machu Picchu , o resto do pessoal foi de ônibus , que custa 12 dólares , eles liberam a partir das 05:00 , compramos o primeiro horário , pois faríamos Huayna Picchu , somente eu e a Sheylla , acho que deu para perceber o companheirismo né kkk , eu sinceramente achei que seria tranquilo , pois altitude não era alta , fizemos os outros passeios tranquilos , mas para mim foi bem difícil , as escadas parece que foram feitas para gigantes , força bastante , passei mal , parava bastante , mas conseguimos subir em 1 hora certinho , eu quase chorei , segurei na verdade , mas valeu muito a pena , que lugar lindo , incrível , parece de mentira de tão lindo que é , ver o sol nascer ali não tem preço , ainda mais ao lado de alguém que se tornaria minha namorada , tiramos algumas fotos e partimos para Huayna Picchu , foi tranquilo a subida , tem que ir com cuidado e calma , pois algumas partes se você cair , vai se juntar aos Incas , mas valeu a pena o esforço , vista incrível de Machu Picchu , voltamos tiramos mais algumas fotos , e resolvemos voltar de ônibus , pois minhas pernas estavam até tremendo , ainda tínhamos que caminhar 12 km para voltar para hidrelétrica , sofri um acidente de moto em 2018 , justamente pegou minha perna , voltando a trabalhar somente em janeiro deste ano , por isso não estava 100% , mas deu tudo certo , almoçamos , e seguimos de volta para hidrelétrica , na volta resolvemos tomar um Dramin para dormir , deu certo , acordei rapidamente somente duas vezes em uma freada brusca e na parada , no dia seguinte iriamos fazer nosso ultimo passeio juntos para Montanha Colorida ( Rainbow Mountain ) , pois Renan , Fran e Talita seguiriam para Bolívia , e nós para Huaraz , é uma caminhada até que tranquila , é muito linda também , feito o passeio nos despedimos das belas amizades que fizemos , foi muito divertido , pessoas do bem , no dia seguinte eu e claro a Sheylla pegamos um voo para Lima , onde queríamos passar uns 2 dias , mas resolvemos não ficar , tem sua beleza , mas não curtimos muito ficar na cidade cinza , lá foi o melhor câmbio que encontramos , tanto para o Real quanto para Dólar , no final deixo gastos e roteiro , fomos até o terminal de ónibus para comprar as passagens para Huaraz , tem poucos horários , vários preços , a melhor companhia é a Cruz del Sur , mas tem algumas muito boas também , fomos de Linea , que sai do terminal norte , foi uma viagem tranquila , a cidade é bem grande e movimentada , muitos gringos , muitos mesmo , ficamos no Black Mountain , gostamos bastante , fechamos os passeios com eles , tem uma agência no próprio hostel , preço bom também , fizemos apenas Laguna 69 e Glaciar , o caminho para Laguna 69 é lindo demais , parece realmente cenário de filme , O senhor dos Anéis por exemplo , lembra muito , foi tranquilo a caminhada , no finalzinho quando estamos chegando pesa um pouco , mais vale a pena todo o esforço , lindo de se ver , o Glaciar infelizmente no máximo daqui 5 anos não terá mais nada , devido ao aquecimento global , é muito triste ver o derretimento acelerado daquela beleza , voltamos para lima e seguimos para Arequipa , umas das cidades que a Sheylla queria conhecer ,eu havia conhecido , mas não fiz tour , então foi uma nova oportunidade , também foi um dia especial , pois era o aniversário dela , aproveitei levei ela para jantar em um restaurante bacana e aproveitei e pedi em namoro também , fizemos o passeio para ver o voo dos condor e descemos o Canyon de Colca que foi uma bela caminhada , uma experiência incrível , lugar lindo , voltamos para Arequipa , conhecemos um pouco mais , provamos bastante comidas claro , principalmente o Cuy ( Porquinho da índia ) e infelizmente nos separamos , pois meu voo saia de Cusco e o dela de Lima , voltaríamos a nos ver em São Paulo , antes dela partir no dia seguinte para Porto Seguro e eu de volta para o interior de São Paulo , em Cusco conheci mais dois Brasileiros bem legais , um não lembro o nome , mas tinha a Ariane que mora em Franca e estava sozinha , mostrei alguns lugares para eles , dei dicas , eu fiz uma correria o dia todo atrás de lembranças e por ultimo as alianças , pois estava tendo desfile de Corpus Christis a cidades estava lotada , até por que estava perto da famosa Festa do Sol , de volta ao Brasil esperei ela com um par de alianças que comprei com a trilogia Inca , claro que guardei segredo , e consegui pegar o tamanho sem que ela percebesse , os Incas foram nossos cupidos , nada mais justo que selar esse novo amor com a trilogia Inca , foi uma viagem inclivel , com muita alegria , amizade , amor , experiência , paisagens de tirar o folego , viajar sem duvida é a melhor coisa a se fazer no mundo , havia decidido a dar um tempo para mim mesmo , viajar , sem se preocupar de estar sozinho , pois já havia sofrido muito com relacionamentos , e já não me importava de estar solteiro , até gostava muito , mas em umas dessas viagens encontrei alguém parecido comigo em muitas coisas , ela acabou me conquistando , e resolvi dar mais uma nova chance ao amor , que nunca deixei de acreditar , mesmo com tantas decepções , na minha opinião o segredo é não procurar , é primeiramente se amar antes de tudo , dar valor para você mesmo(a) , e quando menos esperar , não importa onde estiver , o amor vai pedir uma nova chance , mas quem ira decidir se aceita ou não , é você(a) , encontrei uma companheira para viagens , uma aventureira , que assim como eu , quer conhecer o máximo de lugares possíveis no mundo , agradeço mais uma vez ao Mochileiros.com , pois minhas aventuras começaram graças a esse site , desejo a todos força , coragem e amor em suas viagens por esse mundão , e que deus proteja a todos nós , quem quiser ver mais fotos ou tirar duvidas , meu insta é JoãoFalanque , até mais pessoal... Roteiro Peru 2019 São Paulo x Cusco = 04/06 Laguna Humantay = 05/06 Cusco Tour = 06/06 Vale Sagrado = 07/06(Moray , Maras , Ollantaytambo ) Águas Calientes = 08/06 Machu Picchu= 09/06 Montanha Colorida = 10/06 Cusco x Lima = 11/06 Lima x Huaraz = 11/06 Huaraz / Laguna 69 = 12/06 Huaraz / Pastoruri = 13/06 Huaraz x Lima = 14/06 Lima x Arequipa = 14/06 Arequipa = 15/16/17/18 = Cânion de Colca / voo do condor / tour cidade Arequipa x Cusco = 18/06 Cusco = 19/06 Cusco x São Paulo = 20/06 Passagem Aérea = São Paulo x Cusco = 1.415 = Tem conexão em Lima Gasto Viagem = 3.100 Reais Câmbio = 1 real = 0,85 a 0,90 = Soles= Lima foi o melhor Câmbio Dólar = 1 dólar = 3, 30= Soles é possível reduzir uns 20% do valor gasto..
  27. 8 pontos
    Mochileiros, Meu relato é para alertar vcs sobre a tentativa que roubo que passei. Dia 28/08/19 estava saindo de San Pedro do Atacama e indo para Arequipa, de ônibus, por volta das 20 h. Tinha comprado a passagem na própria rodoviária de San Pedro, o trajeto era sair de SPA > Calamar > Arica. Cheguei em Calama em uma "rodoviáriazinha", umas 21:30, para trocar de ônibus e partir para Arica, porém tive que esperar o horário dele ficar pronto (na verdade esperar o horário certo dele sair: 22:30). Enquanto estava ali esperando, sentado, tranquilo na minha, com duas mochilas, veio um homem cheio de assunto e sentou do meu lado. Ele fisicamente era uma pessoa comum: Calça jeans, casaco, tênis e até cabelo penteado. Perguntou de onde eu vinha, da onde eu era, pra onde estava indo e tals. Até então o lugar estava tranquilo pq todos estavam sentados esperando o horário no ônibus. Quando o bus ligou, todos se levantaram para deixar as malas no bagageiro e formou aquela bagunça. Eu me levantei e esse homem me avisou que eu estava sujo de YORGUTE. Ele então tirou (não sei de onde) uns guardanapos e começou a me "ajudar" a limpar, e eu nem tinha pedido essa ajuda. Fiquei meio paralisado olhando tudo aquilo e tentando entender oque estava acontecendo. Tinha muita gente lá, eu com mochila nas costa e na frente, melecado de yorgute de morango e sem saber o que fazer. Quando dei por mim já tinha, além o homem cheio de assunto, mais dois outros homens me dando "ajuda" com guardanapo. A única coisa que pensei foi em ir para a área próxima do guichê pra tentar sair daquela confusão. Os três homens foram comigo. Procurei um lugar mais tranquilo onde poderia ficar de frete, de costas pra parede e minhas coisas a trás de mim, joguei tudo no chão e olhei para eles. Os três estavam lá me olhando e dizendo: "está sujo, toma isso aqui pra limpar." Nessa hora, fiquei puto e comecei a falar pra eles irem embora. Já estava falando alto e em português kkk "Sai. Sai. Sai. Não preciso da ajuda, não. Vaza. Vaza..." Por fim, eles saíram de perto de mim e ficaram de longe me olhando. Esperei a bagunça diminuir, me limpei mais ou menos, botei as mochilas no bagageiro e entrei no ônibus. Sentei ao lado de uma senhora que comentou que viu todo o movimento e disse que fiz certo indo para um lugar onde eles não poderia encostar em mim sem eu ver. Em resumo, de algum jeito eles jogaram yorgute em mim e ofereceram ajuda para limpar e no meio da bagunça de gente eles poderiam ter levado meu celular, carteira.. Com o Yorgute ou outra coisa eles distraem e furtam suas coisas. Abraços.
  28. 8 pontos
    PONTA GROSSA: Buraco do Padre, Fenda da Freira, Cachoeira da Mariquinha, Furnas Gêmeas e Canyon e cachoeira do Rio São Jorge Este já não é um rolê de bate-e-volta pra nós aqui do norte do Estado, é preciso um fds ao menos, se prolongado melhor ainda (fomos no sábado e voltamos na segunda-feira). Na verdade Ponta Grossa tem milhões de atrações de natureza, dá pra ficar uma semana inteira lá experimentando todas. A atração mais famosa é com certeza o Parque Estadual de Vila Velha, seguido de Furnas e Lagoa Dourada, tudo no Parque. Nestas já estivemos várias vezes antes, inclusive fizemos um trekking de lua cheia no parque anos atrás que foi muito bom! Então fomos lá atrás do “Buraco do Padre”, hahaha, que na verdade é uma furna com cachoeira dentro, lindíssima. O Buraco do Padre fica numa propriedade particular que tem outras atrações: trilhas, fenda da freira, toca do morcego (cachoeira) e estão implantando mais coisas, como tirolesa. O acesso se dá pela PR 513, o google te leva lá certinho! A entrada do Parque custa 20 reais. Compramos pela internet e ao chegar lá o pessoal informou que o sistema online está com problemas, que estão desaconselhando a compra desta forma... mas eu não sabia. Achei estranho mesmo pq não recebemos QR Code nem nada, só um email de confirmação... mas mostramos lá pra eles este email e deu tudo certo. O valor inicialmente informado dá acesso ao Buraco do Padre, Toca do Morcego e Formação Favo (que é uma rocha bem grande). Para a Fenda da Freira tem que pagar mais 20 reais (compre junto na entrada do Parque) pq ela é guiada. A trilha começa com uma subida íngreme mas depois fica bem tranquila. Vocês podem pensar “poxa, 40 reais tá caro”... e de fato não é baratinho, mas o lugar é SENSACIONAL. Os funcionários, guias, staff super simpáticos, o parque extremamente limpo e bem cuidado, tem parque infantil, lanchonete, mesas para piquenique, e apesar de muitas espécies exóticas invasoras plantadas (Pinus sp), a preocupação com o meio ambiente é nota 10. Trilhas suspensas para evitar o pisoteio, placas com identificação de algumas espécies de árvores e animais, lixeiras, enfim, VALE O PREÇO. Tb existem placas explicativas sobre a diversidade geológica local (meu amado arenito furnas) e a guia da fenda da freira tb explica outras coisas. Este passeio dura meio dia, a não ser que você queira ficar nadando eternamente no pocinho que forma na cachu ou outra coisa. Entrada do rolê Tudo arrumadinho e com estrutura pra criança Adoro Ele e eu! Uma mini fenda! Chegando no buraco! Cachu do buraco Sem piada, que buraco incrível, rs! Tava bem frio, mas o Gui encarou! Eu foquei nesse dinossauro! Continuando na trilha, agora mais íngreme e sem demarcação! Trilha Explicações, este passeio é guiado. Dentro da fenda, parece a frente de um navio. Turminha! A foto não tá boa mas é pra ter ideia da fenda! E por fim, fomos lá ver o buraco de cima! Eu até deitei no chão pra ver mais de perto mas não tenho fotos! Seguindo ainda tem essa cachuzinha, toca do Morcego! Saindo do Buraco do Padre fomos atrás de um lugar que se chama “Furnas Gêmeas”, que em tese fica na mesma estrada que leva ao buraco do padre, mas tivemos dificuldade em encontrar e passamos direto na estrada que tb leva à Cachoeira da Mariquinha. Tb é uma propriedade particular, tem camping e lanchonete. A entrada é 15 reais por pessoa mas está longe de ter a estrutura do buraco do padre. Não é uma zona, mas não tem o mesmo cuidado do parque anterior. A cachoeira é LINDA, e ainda estava nos esperando com um arco-íris! Cachu da Mariquinha com arco-iris Lindona! Já era quase 17h e a gente resolveu que ia tentar achar as furnas gêmeas. Voltamos na estrada de terra e fomos perguntando. Achamos a entrada das furnas, com uma plaquinha minúscula, que indicava que tínhamos que fazer o registro no “Refúgio das Curucacas”, uma “agência de ecoturismo” (me pareceu isso) próximo dali, na beira da rodovia. Fomos lá. A entrada custava 15 reais por pessoa, para visitação das 3 furnas (a grande e as gêmeas), mas como já era quase 18h a moça nos disse que só teríamos tempo de ver a grande, e nos cobrou só 5 reais por pessoa. A atração do lugar era justamente o pôr-do-sol que ocorreria em alguns minutos. Corremos lá. Achei as placas de indicação insuficientes, mas acabamos achando a furna grande. Ela é bonita, mas não é aquela furna tradicional que estamos acostumados a ver. É um paredão muito alto com floresta dentro de um buraco. Não impressiona muito. As gêmeas tb vimos de longe e achei ok. Tinha uns grupos fazendo trilhas, então acho que este é um lugar a ser explorado com guia pra ser mais interessante. Demos uma andada pelo local, tava ventando e muito frio... uma nuvem entrou na frente do sol e não teríamos forças pra esperar o nascer da lua, partimos! Afinal ainda tínhamos duas horas de viagem até Curitiba, onde estávamos hospedados com amigos, e a gente tinha saído de Londrina às 6h da manhã. EXAUSTOS. Furna Grande! No dia seguinte os planos originais eram subir o Itapiroca, um dos morros vizinhos ao Pico Paraná, o mais alto da região sul. Mas tava tão quente, mas tão quente, que achamos que seria muito sofrido. Volto com mais tempo pro Pico do Paraná completo (com Itapiroca e Caratuva). Acabamos indo a um local que chama “Canyon e cachoeira do Rio São Jorge”. Na cidade de Ponta Grossa tb, o google te leva lá sem problemas. Paga-se 15 reais por pessoa pra entrar. O lugar é incrível, mas se puder, evite os fds! É uma muvuca. Param mil carros com sons merdas e bem alto, todo mundo faz churrasco, enche a cara e fuma litros. Joga esse lixo em toda parte menos nas milhares de lixeiras! Por isso a entrada e o começo do passeio é deprimente... ser humano é patético! Tem uma placa dizendo que é proibido som, mas isso é totalmente ignorado, assim como todas as outras placas de coisas proibidas. Conforme vai descendo a trilha ainda tem aquele monte de gente bêbada jogando lata e bituca, mas conforme desce mais a coisa vai melhorando. A trilha até um certo ponto é por uma estradinha, depois, até a cachoeira, é trilha selvagem, sem marcações. Não desanime com o relato das disgraça acima, o lugar é LINDO. Daqueles que vc caminha por dentro do rio. A cachoeira é bem bonita e dá pra continuar tanto por dentro da água quanto por trilha por forma além dela, fizemos uma parte. Antes da cachoeira tem dois pontos onde dá pra nadar, poços profundos, mais de sete metros. Tb tem placas de proibido nadar, mas todo mundo nada, eu nadei, pulei da cachoeira de cima pro poço inclusive. Mas essa é aquela placa do tipo “eu não me responsabilizo se vc morrer afogado”. Na trilha selvagem até a cachu! Entre morros e rochas! Formações rochosas lindas! E vale a pena! Perambulando pra achar as costas da cachu! Por trás dela! Segue a trilha por dentro da água! Amo girinos, me julguem! Esse já tá com perninha! Na volta fomos ver a cachu de cima! Olha ela lá embaixo! Paisagem massa! E poços pra nadar em paz! Tem pontos de rapel na cachoeira e no canyon que quero voltar pra fazer. O rapel tem que ir com instrutor. Apesar dos pesares o lugar vale MUITO a pena! Quero voltar num dia de semana com um guia que conheci lá e tb fazer rapel. Eu conheci esse guia por acaso, eu seguia ele no insta, já tinha pedido umas dicas pra ele, e acabei encontrando ele sem querer lá no cânyon! Ele manja muito da geologia e arqueologia local, se alguém se interessar veja lá o perfil dele, é @clevertonbigaski É isso. Daqui três semanas tem mais uma programada, se virar volto aqui pra contar! Uma florzinha, ou melhor, uma inflorescência inteira, pra vc que me lê!
  29. 8 pontos
    A nossa viagem ao Peru foi em junho de 2019, um dos melhores meses para ir, pois não chove. O clima nesta época é bem frio pela manhã e à noite fazendo com que a gente se vista em camadas, vá tirando à medida que esquenta e colocando novamente ao final do dia (famoso efeito cebola). Este país é bem rico em atrações e precisaria pelo menos uns 30 dias para fazer um roteiro mais completo. O país tem muito mais do que Machu Pichu e é muito valorizado por turistas de todo o mundo, vê-se mochileiros e esportistas de aventura, como montanhistas, aos bandos. Em todas as cidades no atendimento aos turistas é mais comum a língua inglesa do que o espanhol. É comum encontrarmos turistas falando idiomas que não se consegue definir. Os povos antigos não foram só os incas, existiram outros que conviveram na mesma época e os pré-incas. Há ruínas por todo o país. Coloco o roteiro dia a dia, para ajudar no planejamento. Não fiz descrições dos lugares porque creio que quem planeja uma viagem além de Machu Pichu já terá lido bastante sobre outras opções. A natureza do local onde foi construído Machu Pichu por si só já valeria a ida até lá. Quanto às hospedagens, cito para ajudar quanto à localização, já que foram todas (com uma exceção) muito boas. Não foi para fazer propaganda. Em Lima a escolha dos Ibis foi por nossa exigência de ar-condicionado, mas não tinha o café da manhã, o que foi um problema porque nas redondezas foi super caro. Compramos todas as passagens aéreas e de ônibus on-line, além do ticket para Machu Pichu e as passagens de trem. É importante checar se há vagas para ingressar à Machu Pichu para a data prevista, e então começar por aí o planejamento comprando antes mesmo das passagens aéreas. É bom comprar previamente também as passagens de trem, se for o seu modo de transporte escolhido (abaixo, nas observações, explico porque escolhemos). Escolhemos ir de Arequipa a Lima via aérea pela distância (1000 km), além do que os preços são bons e tem vários horários. Voamos pela Sky. Cidades em nosso roteiro: Cusco, Ollantaytambo, Águas Calientes (Machu Pichu), Puno, Arequipa, Lima e Huaraz. 05/06 - São Paulo - Cusco – pernoite em Cusco: Cusco Bed and Breakfast Cusco e Machu Pichu -Em Cusco táxi do aeroporto combinado com o hotel 20 soles. O motorista vai esperar. -Câmbio: trocar $50 no aeroporto para o táxi. Depois na av. el Sol, tem várias casas de câmbio. Em todos os hotéis que ficamos a cotação para pagamento em dólares era mais favorável do que nas casas de câmbio. -Compre o seu Boleto Turístico na COSITUC fica na Avenida do Sol, 103, próximo à Plaza de Armas. Valor 70 soles 2 dias e 150 soles 3 ou mais dias. Nas atrações também tem, mas pode ser mais caro. -Contrate uma agência para o chamado “city tour”. Eles vão percorrer os principais pontos turísticos da cidade e da periferia de Cusco. É um passeio fundamental ao contrário de outros city tours pelo mundo. -1º dia (06/06): – –City Tour (20 soles). pernoite em Cusco: Cusco Bed and Breakfast -2º dia (07/06): -Tour Maras e Moray (25 soles) pernoite em Cusco: Cusco Bed and Breakfast -3º dia (08/06): -Tour Valle Sagrado 45 soles com almoço incluído. pernoite em Ollantaytambo: Hotel Munay Tika -4º dia (09/06): -Valle Sagrado pela manhã. Ida de Trem p/ Aguas Calientes embarque 13 horas saída 13h27m e ao chegar compramos passagem do ônibus para Machu Pichu. Compramos só a subida $ 12 por pessoa (é caro mesmo para 25 min.) descemos a pé, é bem tranquilo. Ao descer percebemos que não é tão caro assim. Pernoite em Aguas Calientes: Llaqta MachuPicchu Pueblo -5º dia (10/06): -Machu Pichu pela manhã e retorno à tarde de trem: embarque às 14h25m, saída 14h55m. pernoite em Cusco: Cusco Bed and Breakfast Puno -6º dia (11/06): viagem de Cusco à Puno pela manhã. Quando chegamos fomos procurar as agências para o passeio ilhas Uros e Taquile. Atenção, porque tem dois tipos de barcos o normal que é lento (o que fomos) e uma lancha rápida por 90 soles. pernoite em Puno: Hotel Hacienda Plaza de Armas -7º dia (12/06): - Passeio no lago Titicaca Ilhas flutuantes Uros e Taquile. Saí às 6h45, volta às 17h e custou 25 soles. O almoço na ilha foi 15 soles. Pernoite em Puno: Hotel Hacienda Plaza de Armas Arequipa -8º dia (13/06): - viajar durante o dia de Puno para Arequipa (6h) – Pernoite em Arequipa: Hotel Las Torres de Ugarte -9º dia (14/06): - O planejado era o Tour 2 dias Valle del Colca – hotel em Chivay (ver com o tour, mas não for possível devido a uma infecção intestinal. -10º dia (15/06): - hotel em Arequipa: Las Torres de Ugarte -11º dia (16/06): - Plaza de Armas; Monastério de Santa Catalina; Plaza San Francisco; Tour Campina Ariquipeña, que vale muito a pena. Viajar à noite 21 horas. - hotel em Lima: Ibis Larco Miraflores Lima 12ºdia (17/06): Dicas -No aeroporto guichê Green Táxi tem preço fixo: sendo até Miraflores 50 soles -Usar Uber - No Shopping Larcomar, aluguel de bicicletas empresa Mirabici. - Em Lima quase tudo abre depois das 10h30 -- não perca tempo saindo muito cedo do hotel; -Preços dos táxis 20 sole até o centro histórico -Explorar O bairro Miraflores, Barranco, Malecón de la Reserva até Parque Salazar, Parque do Amor - ruínas Huaca Pucllana, Miraflores. Das 9 às 17 horas – 15 soles -Plaza de Armas com Catedral de Lima, o Palácio do Governo (residência do presidente), o Palácio do Arcebispo e o Club de la Unión. A Igreja de Santo Domingo e a Igreja de São Francisco, uma de cada lado da Plaza de Armas. -viagem para Huaraz (8 h e 30m) sai às 22:00h chega as 6:00h (sem hotel) Huaraz -13º dia (18/06): - Aclimatação, compra de passeios - pernoite em Huaraz Mirador Andino -14º dia (19/06): Laguna Parón. – pernoite hostal em Huaraz Mirador Andino -15º dia (20/06): Glaciar Pastoururi, - pernoite hostal em Huaraz Mirador Andino -16º dia (21/06): Descanso devido à torção no pé - pernoite hostal em Huaraz -17º dia (22/06): Lagunas Llanganuco –pernoite hostal em Huaraz Mirador Andino -18º dia (23/06): Descanso - à noite retorno para Lima de ônibus (tempo de viagem de 8 h e 30m) sai às 22:00h chega as 6:00h (sem hotel) Lima Como estava muito gripado não foi possível fazer a programação. -19º dia (24/06): – pernoite em Lima: Ibis Lima Reducto Miraflores -20º dia (25/06): - dia livre – pernoite em Lima: Ibis Lima Reducto Miraflores (Este hotel não era bem localizado em função das atrações) Retorno Lima – São Paulo -21º dia (26/06): – Check-out hotel em Lima gffgdgsdf Nossas observações e outras generalidades - Aeroporto de Lima. A parte internacional é tudo caríssimo (9 soles uma água) e não tem nem bebedouros. Então se tiver de comer ou beber algo, faça antes ainda no setor doméstico que tem os preços semelhantes ao do Brasil (caros). - O tráfego em Lima é constantemente congestionado, então pergunte aos motoristas o tempo de retorno do seu hotel até o aeroporto no seu horário programado, em alguns horários pode levar mais de uma hora. - Lima apesar de não chover nunca, é isso mesmo, tem altíssima umidade do ar. Por oito meses não se vê o sol, nem mesmo se sabe a sua posição. Eu pessoalmente achei que bastante depressivo. Apesar de a cidade ser linda e ter vários atrativos, nós não gostamos por esse motivo. Então, avalie se for o seu caso. - O bairro Miraflores onde está a maioria dos hotéis e também vários atrativos, é muito caro para comer. Parece que ali tudo é em dólares (e muitos). Então se estiver só de passagem e não for ficar é melhor ver algo mais perto do aeroporto ou no centro histórico. - Sobre a folha de coca para diminuir o mal da altitude (soroche). Distribuem desde o aeroporto em Cusco e em todos os hotéis em Cusco, Puno, Arequipa e Huaraz. Colocam em um pratinho e todo mundo enfia os dedos (humm), até provei em chás (sachês) e folhas. Então soube que quem toma chimarrão não sofre muito (no caso argentinos) e como eu tomo, não tive problemas. Acontece que é um estimulante então café e guaraná, também funcionam. Tem até um remédio chamado Alti vital (coca, muña, guaraná e gengibre) que é só a base de estimulantes naturais. O principal é aclimatar, não fazer movimentos rápidos. Ah, e o sabor da coca não é horrível, mas não é bom, lembra o chá de carqueja. - Em Cusco, especialmente na Plaza de Armas e na Avenida El Sol verão umas bandeirolas que parecem muito com a LGBT, mas é o estandarte da cidade. - Chá de muña realmente é bom para dor de cabeça e pode ser tomado junto com chá de coca. -Para aliviar o soroche. Um perfume qualquer, ou mesmo desodorante. Basta colocar um pouco nas mãos, esfregá-las e cheirá-las. Vai ajudar muito a respirar. - Lavanderias em Cusco: as lavanderias que estão nas ruas Meloq e Santa Ana são as mais econômicas: custam 2 soles o quilo. Lavamos as roupas no hotel mesmo por 4,5 soles -Chip Claro + 3GB = 35 soles, na loja da Claro. Endereço: Av. Ayacucho, 227 (meio quarteirão da Av El Sol), mas não compramos. - A comida é barata, mas nem tanto. Os lugares “super” baratos tem higiene duvidosa. - Hospedagem barata, mas tem o que se paga. Então, hotéis ou hostels com custo-benefício similar aos do Brasil tem os preços maiores. Como fomos em junho queriamos ar condicionado ou aquecedor no quarto. Esta exigência custou-me bem mais caro, por ser incomum, mas valeu a pena. No caso do verão um simples ventilador já é luxo. Li que até água quente não é comum em hostels e hotéis mais em conta. - Todos os passeios em Huaraz gastam muito tempo. Para a laguna Parón saímos nove da manhã e voltamos as seis, ficando uma hora lá. A laguna Llanganuco saímos as 7:30 e voltamos as 8:00, também ficando uma hora lá. Desistimos da Laguna 69 devido a minha esposa ter torcido um pé, não fosse isso sairíamos as 3:30 da madrugada e voltaríamos as 9:00 da noite, não é à toa que tem gente passando mal, além da altitude tem o cansaço. Para piorar os motoristas em todos os passeios e em todos os lugares insistem em não ligar o ar-condicionado, é que mesmo no inverno à tarde um ônibus completamente fechado vira uma estufa. Se voltasse faria apenas o trekking da Cordilheira Branca de 4 dias e 3 noites, que se gasta tempo apenas para a ida e a volta. - Puno é muito longe de Cusco, são seis horas e meia. Viajamos de dia para não chegar de madrugada e também para ver a paisagem que é bonita, porem monótona. Tivemos que dormir duas noites (uma antes e outra depois) para um dia de passeio. - Arequipa é muito bonita, realmente é encantadora e também é longe. Levamos outras seis horas de Puno. Se for apenas para fazer o passeio de um dia ao Valle del Colca (procure ler mais sobre este) creio ser uma loucura ir até lá, porque vai cansar-se excessivamente. Ficamos todos nossos dias só na cidade e foi muito satisfatório. Avalie. - Quanto às agências para os passeios, em qualquer cidade tanto faz a escolha, porque todas vendem e juntam as pessoas para lotar um micro-ônibus cujo motorista e guia, são terceirizados e por sorteio vão para um destino ou outro. O se que tem é sorte ou azar nestes casos. Os preços são similares e bem baratos. - Em Cusco procure ficar não muito longe da Plaza de Armas e em área plana, leia nos relatos de outros viajantes no Booking, para poupar esforço enquanto aclimatiza. A área plana é mais ou menos seguindo os pontinhos neste mapa: https://goo.gl/maps/pTeW2ZXj8wjn5WGAA - Se for viajar de ônibus à noite, prefira embaixo não muito atrás (devido ao ruído do ar- condicionado) São poucos lugares e a escuridão é total. De dia, é claro, viaje em cima e desfrute da paisagem. Se tiver medo de altura, não vá bem na frente junto ao para-brisa, porque ali é assustador em alguns trechos. - A opção de ir de trem para Machu Pichu não é uma escolha sobre o meio de transporte, mas uma experiência fascinante. Escolhemos ir com a Peru Rail no trem Vista Dome, então fomos surpreendidos com a paisagem maravilhosa passando por picos nevados e a mudança repentina da vegetação para a floresta amazônica exuberante. É caro sim, mas vale cada centavo além das vantagens óbvias de não ser cansativo e de ser seguro. Pelas fotos este trem até parece com os outros modelos, mas a janela se estende mais para o teto e tem serviço de bordo, com um bom lanche. Custou 77 dólares cada trecho por pessoa. - Sugiro ao final do tour pelo Valle Sagrado pernoitar em Ollantaytambo aproveitar da única (e charmosíssima) cidadezinha da era Inca e ainda habitada. Caminhar sem rumo por suas ruelas, ver os primeiros raios de sol nas ruínas e montanhas em volta é único. Procure fotos no Google imagens e já ficará bem impressionado, ao vivo então... - Viajamos em nossos deslocamentos com a empresa Cruz del Sur que é a queridinha dos viajantes estrangeiros, mas não é a única boa. Relatado por quem conheceu tem a Oltursa, a Reyna, a Power, a Tepsa e várias outras destinadas a turistas que se diferenciam pelos serviços e preços daquelas para os peruanos. As empresas tem serviço de bordo e servem um lanche ou mesmo uma refeição maior como jantar, mas na dúvida coma o suficiente antes e só “complete”. - Barras de quinua, como as barrinhas de cereais, são uma ótima opção de lanchinho entre as refeições. Vai encontra-las facilmente, até em farmácias. - A referência turística nas cidades, com exceção de Lima, é a Plaza de Armas. Então procure hospedar-se não muito longe. Em Huaraz, ficamos a 700 metros, em Arequipa a 500 metros, em Cusco também a 500 metros e em Puno ficamos junto a Plaza. - A cerveja Cusqueña é ótima, não deixe de tomar a de trigo e a negra. Mas beba com moderação porque o álcool acentua os problemas com altitude. Outra coisa a ser evitada é o leite que leva ao enjoo. -Leve em consideração a época para visitar Machu Pichu, pois de outubro a fevereiro chove muito, o período realmente seco vai de maio a setembro. Só que em junho após o dia 20 tem a Festa do Sol, que são várias celebrações e é uma multidão. Em julho são as férias escolares na América Latina e em agosto são férias na Europa. Se quiser evitar gente demasiada e preços também fuja destas épocas. Escolhemos o início do mês de junho e foi perfeito. - Se você é daqueles que necessita de cafeína, leve café solúvel ou sachês de café (feitos com filtro de papel) porque o café de lá parece ter pouca cafeína e da forma que é feito você vai toma-lo frio. - Na maior parte do Peru na estação seca (maio a setembro) a umidade do ar é muito baixa e a gente passa com o nariz entupido e sangra fácilmente. Então Sorine ou similar é muito importante. - Nos hotéis aceitam pagamentos com dólar e tem uma taxa de conversão melhor do que as casas de câmbio. Porém cobram 3 a 5% de comissão. - Alguns restaurantes tem “Menu del día” à noite também. Dá para comer bem e pagando pouco. - Não existe a opção de adoçante, se quiser leve do Brasil. É melhor levar, pois só nos chás vai um montão. Visto que o açúcar local é pouco doce e tem que colocar pelo menos o dobro. - Quanto a cozinhar no hostel, não creio ser boa opção, pois os produtos nos supermercados não são baratos. Os preços são até um pouco maiores do que no Brasil. - O Glaciar Pastoruri está derretendo muito rápido. Até o fim de 2020 creio ser um bom passeio ainda, depois terá pouco gelo para ver. Uma pena porque que já foi um lugar que dava até para esquiar. Há várias fotos em um mural no local. - É bom certificar se a Laguna Parón está aberta para visitação, pois fecharam 1 dia após visitarmos. Várias explicações diferentes, mas não tinham previsão de quando e se seria aberta. - Se pode comer bem entre 15 e 25 soles. Comida típica peruana e em restaurantes bem bonitinhos. - Em Huaraz para não desperdiçar o tempo com deslocamentos demorados creio que a melhor opção é fazer o trekking da Cordilheira Branca de 4 dias e 3 noites. Informei-me e dão toda a estrutura, é tipo tudo incluído, não carrega peso, apenas uma mochila de ataque e não é caro. Além do que visitar a Laguna Llanganuco (belíssima) que é no caminho. - Ficaria mais em Cusco e conheceria a Laguna Huamantay ou a trilha Inca até Machu Pichu, que passa por ela. - Quanto aos passeios em Cusco não é preciso gravar um monte de nomes e criar uma confusão mental e de planejamento. Os “best-sellers” são: - o city tour vai no Templo Qorikancha e o Convento de Santo Domingo (cidade) e passa em vários sítios na periferia da cidade (1 tarde). - Maras y Morai e Salineras (sai pela manhã e volta no meio da tarde) é bom levar lanche, pois não tem parada para almoço. - Valle Sagrado. Passeio de 1 dia inteiro que finaliza em Ollantaytambo depois volta para Cusco. É uma opção para quem vai de trem para Machu Pichu porque ali tem uma estação. Nós optamos por dormir ali, desfrutar da encantadora cidadezinha e pegar o trem à tarde. - Tem outras atrações, é claro, como: museus, a Rainbow Mountain (ou Vinicunca ou Montanha Colorida – 1 dia). A trilha Inca, ou a Laguna Huamantay. Abaixo as fotos. Coloquei na ordem das cidades que visitamos. Há também um vídeo do trem para dar uma ideia, não é para ostentação. 20190609_133509.mp4
  30. 8 pontos
    Torres del Paine Foi chorando que eu comecei o trekking. Sim, chorando literalmente. Ao chegar no camping Central, montei a barraca, e ao pegar a mochila pra iniciar a trilha começou um daqueles ventos que te carregam se você não senta ou se deita no chão. A barraca quebrou em dois lugares diferentes e não ficava mais em pé, e o pessoal do parque não tinha ferramentas pra ajudar no reparo, nem a silver tape deu conta. A chuva não dava trégua e o vento menos ainda. É o momento que você tem que decidir se vai voltar atrás porque tá no meio do nada na Patagônia Austral, com chuva, e sem ter onde se abrigar ou dormir, ou se você vai até o fim pra poder ver de perto as Torres del Paine com seus próprios olhos ao invés de só imaginar o frio que faz lá em cima. Como minha mãe fala “se vira”. É considerada uma trilha de alta dificuldade, foram 20km pra ir e voltar, levei 9 horas de caminhada no total. Saí chorando e subi xingando até quem não merecia. O que dói é o psicólogo, várias vezes pensei em voltar por julgar que não iria dar conta do resto. Mas aí você se lembra de subir a Lion's Head só com um pão na barriga, dos degraus pro Tesouro de Petra, e de atravessar o Saara em uma van que não explodiu (não é preconceito, é uma realidade possível), e até mesmo da vez que resolvi fazer trilha de 9km de All Star, e então percebi que daria conta sim. Quando chegou na base das Torres eu só conseguia pensar e pegar meu chocolate e comer (como diz minha irmã, o mundo é dos semi-gordos), o frio era tanto que não consegui tirar nenhuma foto decente da paisagem (sim é incrível, vale apena todo o esforço) muito menos consegui tirar uma foto boa minha pra cantar vitória pra quem achou que eu não iria conseguir. O tempo lá muda em questão de segundos, não dá pra pensar muito...Hora de voltar. Olho pro lado depois de levantar da escorregada que dei nas pedras e provavelmente dei mau jeito no joelho, e tudo que vejo é do mais vibrante verde que já vi. O medo de olhar pro lado esquerdo e perceber que a próxima queda pode ser a última não se dispersa, nem mesmo o medo de estar sozinha na trilha pra chegar ao acampando Central que antes parecia o mais conveniente, agora é só o mais distante, ainda faltam 8km. A lanterna dentro da mochila que já está inteiramente molhada corre o risco de não funcionar. Apesar do horário de verão e da ciência de que só escurece por volta de 21h30 ou 22 horas da noite não ameniza a neblina que chega cada vez mais perto e a hora que vai passando mais rápida a cada passo. Ao contrário da ida, na volta quase não encontrei pessoas na trilha, um pai que acompanhava a filha com o joelho machucado e apoiada em um galho, andava devagar torcendo pra filha não piorar e pra chegaram logo ao acampamento Chileno. Três chinesas tentam caminhar no mesmo ritmo pra que nenhuma fique pra trás. O senhor de bolsa atravessada no peito que vez ou outra para pra observar a paisagem, mas é o rio com águas bravas que mais o impressionam, ali ele fica alguns minutos, do outro lado da ponte mais alguns. O casal com uma roupa de impermeabilidade e qualidade muito boa, impressionante, estavam secos àquela altura, devia ter perguntado que marca era aquela. A família de japoneses, a filha mais velha puxa a turma, - falta muito pra chegar no acampamento chileno? - Falta, mas é só metade do caminho subida e a outra metade descida. - uhuuuuuu "palavras em japonês". A família responde com "uhuuuuuu" e continua a subida íngreme onde não se vê o horizonte. - be careful! A trilha de volta vai ficando complicada, vai se formando uma trilha de água, um mini rio, até o momento que não dá mais pra andar com as botas pra fora da água, elas já estavam encharcadas mesmo. Começo a tentar ver vantagem no spray impermeabilizante que teve a durabilidade de umas três horas e meia na ida. O joelho já não dobra, entre água e pedras a descida é interminável, começo a lembrar de ter passado por aquele lugar no caminho de ida, aqui foi onde passaram as crianças, aqui onde ventou tanto que tive que sentar, aqui onde comecei a acompanhar o ritmo das chilenas que estavam confusas sobre de onde elas eram. Ali é só atravessar a ponte que passa sob o rio. Merda. Tem água passando quase em cima da ponte, corre. E a chuva ainda não deu um minuto de trégua, só mais essa subida e consigo avistar as casinhas, só mais um km e consigo avistar a "rua" que dá pro camping. - Moço, ainda falta muito pro camping Central? Segue a rua até o final e vai pela diagonal na esquerda. Chuva que não para, agora o medo é chegar e ver que a barraca desmontou ou não aguentou tanta água assim como aconteceu com toda a minha roupa, sapatos, e mochila, mas a barraca número 8 azul turquesa estava de pé, e dentro dela tudo seco. O primeiro impulso foi tirar toda a roupa molhada, e colocar as últimas roupas secas, nessa ordem, depois soprar pra encher o isolante térmico, com que fôlego meu deus? E por cima tacar o saco de dormir, pra já ir esquentando as pernas. O cansaço é tão inexplicável que não consegui abrir uma lata de atum pra tacar no pão e comer, só consegui terminar o chocolate já aberto e devorar um kiwi, assim teria um saco plástico pra salvar o celular do dilúvio que estava por vir no dia seguinte. A volta foi cantando, o que doía era o joelho, pelo frio ou pelo impacto, eu não sei. A trilha já tinha virado um mini rio pois a chuva não parou em nenhum momento e o joelho já não dobrava. O casaco, a calça e as botas que eram impermeáveis estavam encharcados, mais peso pra carregar. Mas cheguei no acampamento, aluguei uma barraca que troquei pelo meu rim, e capotei depois de comer um kiwi, porque nesse ponto da vida eu já poderia me considerar fitness. Total de tombos: 2 Água: 2L Comida: duas bananas, um chocolate, bolachas de chocolate com menta, um kiwi, e um danone. O que mais tinha na mochila: luvas, gorro, celular, máquina fotográfica, documentos e dinheiro, uma capa de chuva e mais um casaco. O que molhou: tudo, tudo, tudo. Mesmo o que era impermeável. Lição de moral: não adianta nada planejar as coisas.
  31. 7 pontos
    Antes tarde do que nunca!!!! Foi o que pensei ao começar esse relato, mas quer saber, mesmo se passando mais de 2 anos acho que será útil de alguma forma 😉 Sou a Melissa e fiz esse mochilão com meu marido, o João, em setembro de 2017. Durante toda a fase de planejamento utilizamos os relatos daqui como base, isso nos ajudou demais, portanto muitooooo obrigada a todos que dispõe do seu tempo para dividir experiências por aqui, vocês são foda!!! 💓 Como já passou algum tempinho não vou me lembrar de muitos detalhes, mas prometo me esforçar 🙂 Leiam isso!!! Queríamos muito fazer um mochilão e após pesquisarmos aqui no site vimos que essa trip caberia no nosso orçamento, então juntamos esse fator com a imensa vontade de conhecer as terras hermanas e começamos a programação. Partimos somente com a passagem de ida e volta e nosso roteiro bem definido, não fizemos nenhuma reserva de hospedagem ou passagem de ônibus. Deixamos para negociar pessoalmente e assim fizemos até a metade da viagem, porém torna-se cansativo “bater perna” atrás do melhor preço e optamos por utilizar o Booking e reservar as hospedagens uma cidade antes. As passagens de ônibus e passeios podem ser facilmente compradas com pouca antecedência, não se esqueçam de sempre pechinchar!!!! Em relação à segurança não tivemos problemas, tem regiões muito pobres, alguns pedintes, mas nada além disso. Lógico que não marcamos bobeira né, sempre com a grana no moneybelt, não mexíamos no celular ou GoPro em locais ermos, atenção redobrada com nossas bagagens nas viagens de ônibus, etc. Só senti um pouco de receio quando desembarcamos na rodoviária de Nasca a meia noite e saímos caçando um hostel barato na cidade vazia, com poucas “almas penadas” nas ruas kkkk e em Ica quando tivemos que abandonar o Hotel na madrugada devido barulhos insuportáveis no quarto ao lado (parecia uma briga). Tudo isso pode ser evitado com reservas de hospedagem, fica a dica 😉 Alimentação geralmente é muito barata se você opta por uma refeição simples em locais populares. Não frequentei restaurantes requintados ou de comidas típicas para indicar, ia mais nos PF da vida kkkk. Na Bolívia o negócio é mais roots sabe, mas da pra se virar tranquilo, afinal tem sempre um mercadinho e a batata Pringles lá era bem barata kkkk. Já no Peru comemos muito bem com pouca grana, eles tem costume de tomar uma sopinha de entrada nas refeições, a de quinoa é muito boa!! Tem uma marca de cookies nos mercados que é barata e muito boa, chama Chips Ahoy se não me engano, quebra um galho uma dessas na mochila de ataque. Cotação da moeda na época (Set 2017) R$ 1,00: 2,23 bolivianos R$ 1,00: 1,03 soles R$ 1,00: 200 pesos chilenos Mesmo com as oscilações cambiais, esses destinos têm valores bem atrativos. Passagens aéreas: Pesquisamos muito e fechamos ida e volta (era mais barato assim) com a GOL, porém aconselho a pesquisar com maior antecedência pois existem opções mais baratas. Santa Cruz de La Sierra é um destino comum em promoções relâmpago de companhias aéreas e programas de pontos, fiquem de olho. Recomendo também o app “melhores destinos” para busca de passagens em promoção. 01.09.17: São Paulo (Guarulhos) X Santa Cruz de La Sierra (Bolívia) 26.09.17: Santa Cruz de La Sierra X São Paulo (Guarulhos) Valor: não lembro com precisão, mas era em torno de R$800,00 ida e volta. ATENÇÃO: Se você possui aqueles cartões de crédito Platinum se informe sobre seus benefícios, pois se você compra suas passagens aéreas nele tem direito ao Seguro Viagem na faixa, incluso um dependente. Pena que só descobri isso após comprar as passagens em outro cartão e tive que fazer o seguro particular, custou uns R$150,00 por pessoa na AssistCard. Nosso roteiro: Sta Cruz de La Sierra – Sucre Sucre – Potosi Potosi – Uyuni Salar de Uyuni – Deserto do Atacama Atacama – Arica Arica – Tacna Tacna – Arequipa Arequipa – Nasca Nasca – Ica Ica – Cusco Cusco – Aguas Calientes Cusco – Puno Puno – Copacabana Copacabana – Isla Del Sol Copacabana – La Paz La Paz – Sta Cruz de La Sierra Sta Cruz de La Sierra – São Paulo O que levar Primeiro passo é saber qual será a estação do ano, quantos dias ficará e o limite de proporções da bagagem pela companhia aérea, tendo isso o resto é bem simples, prometo 🙏 Lembre-se que quanto menos levar, menor será o peso que carregará, esse é o mantra!! Durante a viagem, conseguimos facilmente lavar nossas roupas por baixo custo, utilizamos pausas estratégicas de alguns dias em determinado destino para isso, pois geralmente o serviço entrega em 24h. Levem peças em tonalidades mais escuras (roupa branca é furada, pois suja muito rápido), versáteis, confortáveis, de preferência que sequem rápido e que possam ser vestidas em camadas (era normal eu vestir uma calça sobre a outra a noite pois o frio é tenso demais). Vou tentar montar uma lista aqui com o que levei e o que achei que faltou, espero que ajude: · Mochila 77L Trilhas e Rumos. Não tinha, então pesquisei muito e comprei no site da marca que estava com um preço excelente (abaixo de R$400,00) e é de ótima qualidade. Se curte esse estilo de viagem, invista em uma de boa qualidade, pois dura muito. · Saco de dormir. Usei muito! Sério mesmo! À noite o frio é tenso, os cobertores dos Hostels eram insuficientes. Meu marido é calorento e mesmo assim usava o dele. Alguns locais, como no Salar de Uyuni, o pessoal aluga, não lembro os valores, mas não acho muito higiênico. · Go Pro, acessórios · Calças: levei 01 jeans, 01 legging normal e 01 com forro bem quentinho, 01 calça bailarina. · 07 camisetas e 03 manga longa (estilo segunda pele da Decathlon) · 01 par de luvas · 01 gorro (comprei mais um por lá) · 10 calcinhas e 02 sutiãs (cores neutras e confortáveis) · 01 bermuda jeans (usei no último dia, portanto retiraria da lista) · 02 jaquetas (01 com forro de pena que consegue ser guardada em um pequeno saco e 01 com tecido semi-impermeável e forro de soft, ambas da Decathlon) · 07 meias (escuras de preferência). Levei 02 bem grossas, daquelas de vó mesmo kkkkk e foram super úteis · 02 blusas de frio (01 moletom forrado e 01 polar) · 01 toalha de secagem rápida · 01 headlamp + pilhas (não conte somente com a lanterna do celular e sim usamos bastante) · Mochila de ataque 20L (será sua parceira inseparável!!) · 01 travesseiro, daqueles de pescoço, inflável (comprei na Daiso por R$7,90) item imprescindível para as longas viagens de busão · 01 óculos de sol · 01 moneybelt ou doleira ou como quiser chamar · Celular e carregador · 01 caderno de anotações (graças a ele que estou fazendo esse relato 2 anos depois kkkk) · 01 pasta para colocar documentos (seguro viagem, comprovantes que foram surgindo no decorrer da viagem, etc) · 01 par de chinelo · 01 bota de trekking ( a minha é da Nord, não é impermeável e deu conta do recado) Comprei por lá um gorro e uma blusa de lã que usei muitooooo tb Itens de nécessaire indispensáveis: · Protetor solar (corpo e rosto) · Itens de higiene pessoal · Lenço umedecido (salvação nos dias em que tomar banho é impossível) · Medicamentos (minha lista foi: Buscopan, Profenid, Dipirona, Dramin, Omeprazol, Luftal, Neosaldina, Floratil · Pinça e cortador de unha · 01 batom (único item de maquiagem que levei e foi suficiente) O que faltou · Álcool em gel · Garrafa de água (improvisei com uma de Gatorade) · Protetor labial (fez muita falta!!! Nos primeiros dias nossos lábios já estavam totalmente ferrados) · Hidratante de rosto · 01 boné · 01 legging a mais Espero que essas informações ajudem bastante 😀 Agora para atiçar a galera, segue o link de um vídeo que meu marido batalhou para editar, mas ficou show! Pegamos essa ideia de um dos relatos daqui, o @Tanaguchi, muito obrigado pela ideia e relato maravilhoso. Gastos!!!!!! Somando todos os gastos da viagem, desde passagem aérea a lembrancinhas (que por sinal são lindas e baratas), tivemos um gasto de R$5.000,00 por pessoa. Achei um excelente valor para uma viagem de 26 dias. Claro que esse valor depende de muita pechincha e pesquisa, pois quase tudo lá tem um preço acessível, porém da para baixar mais kkkk. Os valores detalhados no relato são geralmente por pessoa, porém algumas coisas como refeições, hospedagens e taxi são compartilhados (vou tentar pontuar no relato). Bom chega de conversa e vamos aos fatos 😜 Dia 01 Chegamos em Sta Cruz de La Sierra, aproveitamos um Wi-fii no aeroporto para uma breve comunicação com a família. Saindo do aeroporto e pedindo informações, conseguimos localizar o terminal bimodal (transporte público que nos levaria até a rodoviária), gasto total de 8 bols. A rodoviária de Sta Cruz é tumultuada e suja como quase todas que já passei na vida kkkk, lá compramos a passagem para Sucre por 80 bols (empresa Guadalupe), cambiamos uma grana ($1 – 6,85 bols). Como tínhamos umas horas até o embarque fomos procurar algum lugar pra comer, dividimos um combo de frango frito com batatas que estava bem ruim, quase não comi (26 bols) e compramos umas bolachas para enganar a fome na estrada (10 bols). Dia 02 Chegamos mega cedo na rodoviária de Sucre, o local não estava bem estranho e não sentimos muita segurança para rodar atrás de busão com as mochilas, optamos por um táxi, negociamos muito o preço e fechamos por 10 bols para nos deixar no centro da cidade (o Uber não era tão popular naquela época, talvez hoje em dia seja uma opção). O centro da cidade é bem legal, paramos na Plaza de Armas e não tinha praticamente nenhum comércio aberto, entramos em um café que não lembro o nome, que apesar de um caro era bem bacana e tinha Wi-fii rsrs (café 40 bols). Fomos até um hostel aleatório e pedimos para guardar nossas mochilas (15 bols) pois íamos rodar muito pela cidade. Visitamos o Museu de La Libertad (15 bols) muito legal. Saímos desbravando a cidade, subimos até o Mirador onde rolava uma feira de rua com lembrancinhas muito lindas e baratas, paramos para almoçar em um comedouro público (o nome é feio mas vc irá se deparar com vários assim no decorrer da trip) onde pagamos 11 bols em um almoço que conseguimos dividir 😄 , a comida era simples e boa, um arroz com frango e salada, porém a questão sanitária não é o forte por lá, as comidas eram armazenadas em uns baldes e a mulher que montava o prato pegou o frango com a mão e pôs no meu prato (sem luva, talher, nada disso 😅). Aproveitamos e cambiamos mais grana por lá antes de pegar o bus até o terminal Sucre (1,50 bols). Pagamos 20 bols na passagem até Potosi pela empresa Emperador. Chegamos de noite em Potosi e sem sinais de Soroche ( mal de altitude) até o momento, graças a Deus!!!! Na rodoviária pegamos um busão até a Plaza 10 de novienbre (1,50 bols) e de lá começamos a caçar hospedagens. A cidade estava bem movimentada, rolando umas barraquinhas de comidas e bebidas, tranquilo para andar. Fechamos a hospedagem no Koala Hostel, indicação dos relatos daqui J (quarto compartilhado 60 bols), local simples porém com ducha quente e café da manhã, indico. Saímos a pé para jantar e paramos em uma pizzaria (28 bols), depois voltamos para o Hostel para descansar um pouco, estávamos pregados. Dia 03 Tomamos um café da manhã no Hostel e experimentamos o famoso chá de coca (meu marido odiou, mas eu não achei ruim não). Visitamos a Casa de La Moneda (40 bols), super recomendo!!! Local excelente para descobrir um pouco mais sobre a História, que apesar de pontos muito tristes é muito interessante. Passamos um bom tempo passeando pelo centro da “cidade branca”, estava rolando uma apresentação na rua de várias escolas, como um desfile, cada grupo de crianças com roupas e danças típicas, coisa linda de se ver!! 🥰 Paramos para almoçar, não lembro o nome do local (23,50 bols), pegamos nossas mochilas no Hostel e caminhamos até a rodoviária. Era uma boa caminhada, mas foi bem tranquila. Compramos nossa passagem com destino a Uyuni por 30 bols com a empresa 11 de Julio. Lá na rodoviária ficam várias pessoas gritando “Uyuni” oferecendo os serviços das empresas de ônibus, lembre-se de negociar sempre!! Como tínhamos um bom tempo até nossa partida, aproveitamos para comprar uns snacks em um mercadinho em frente (18 bols). Dica: sempre leve snacks na mochila, principalmente nas viagens de busão, pois são longas e muitas vezes as paradas não tem quase nada de opção. Dia 04 As viagens de ônibus pela Bolívia vão ficar pra memória 🤣, foram todos os tipos de perrengue, desde veículos em condições precárias, sem cinto de segurança e banheiro, foras as estradas ruins com curvas alucinantes que cortam uns lugares completamente isolados. Outra coisa que sempre me deixou assustada são aquelas cruzes na beira da estrada com flores e imagens religiosas que sinalizam que alguém morreu por ali, cara isso é o que mais tem por lá!!!!! Chega a ser surreal, ao fim da viagem já tinha costumado kkkkk. Fora que alguns ônibus possuem TV e DVD, que na maioria das vezes são deixados em volumes altíssimos. Em uma das viagens passou toda a sequência do Karate Kid (nem sabia que tinham tantos 😂) em um volume estrondoso e não dormi a viagem toda, e sim foram algumas pessoas reclamar para o motorista, mas não resolveu nada. Enfim chegamos em Uyuni umas 23h e por incrível que pareça a cidadezinha estava com várias pessoas oferecendo os passeios pelo Salar. Dá pra perceber que é o turismo que movimenta a região. Na própria parada de ônibus ficavam pessoas te abordando. Nossa ideia era fechar o passeio, comer algo e procurar um Hostel, já tínhamos umas indicações de empresas que vi aqui nos relatos e assim saímos buscando o melhor preço. Pesquisamos bastante, mas não fechamos para poder negociar descontos (negociem tudo!!!!!) e pq percebemos que podíamos fechar no dia seguinte, cedo, sem problemas. Como estava um frio de lascar e a fome estava apertando, saímos caçando um lugar pra comer e já estava quase todos fechados (pelo menos os que cabiam no orçamento né rsrs), paramos então no Café Uyuni e pedimos pão com queijo e chocolate quente. Pessoal é sério, essa dica vale ouro! Não peçam chocolate quente na Bolívia!!! A receita consiste em água quente com Nescau e nada mais, é muito ruim!!!!! Terminei minha refeição mega decepcionada e voltamos para rua principal para caçar um Hostel. Tinhamos indicação do Hostel El Viajero e acabamos fechando lá pois os outros estavam cheios e mais caros, pagamos 60 bols no quarto duplo com banheiro privado e ducha caliente. Após uma boa noite de sono, acordamos cedo, tomamos banho e saímos, fechamos o passeio com a Thiago Tours por 600 bols por pessoa (2 noites e 3 dias) incluso hospedagem e refeições. Essa empresa é de um brasileiro e super recomendo pois não tivemos problemas e fomos bem atendidos. É claro que se vc dispõe de mais grana e quer algo mais requintado tem outras empresas no mercado, nós vimos a diferença nas paradas para alimentação pois a quantidade, variedade e qualidade dos alimentos era bem maior que a nossa. Os carros sairiam ás 10h30, portanto tínhamos um tempo livre, então fomos comer no Nonis Café que tinha sido bastante indicado nos relatos, pedimos um café continental e, como todos os outros, não matou nossa fome de dragão, tivemos que pedir mais alguma coisa L, gastamos 50 bols (achei caro mas vale a visita). Na volta fui acometida por uma crise de enxaqueca surreal (acredito que era a altitude mostrando suas garras! 😵) e parei no hostel para tomar remédio e descansar um pouco, o João foi atrás de snacks para a viagem (gastou 27 bols). Melhorei e seguimos para o ponto de encontro, dividimos nosso 4x4 com mais 2 casais da República Tcheca, bem simpáticos. Lembre-se que esse carros levam uma média de 6 turistas por veículo. O passeio é um caso a parte, vale muito a pena e foi o ponto alto da viagem para mim, empatando com Machu Picchu. Não vou ficar descrevendo em detalhes pois só vendo para saber do que estou falando 😍😍 Nesse dia gastamos o seguinte: 60 bols (blusa de lã linda! para mim) + 55 bols (blusa de lã João) 20 bols lembrancinhas 10 bols (ducha caliente). Custo para usar por 5 minutos (deu para nós dois tomarmos banho, acredite se quiser kkkkkk o frio faz milagres) 10 bols snacks 12 bols cervejas 15 bols Imigração 05 dia Não tenho anotação de gastos, pelo que me lembro não tivemos nenhum pois tínhamos snacks suficientes. Tivemos um dia excelente, paisagens deslumbrantes, porém à noite o “Soroche” bateu forte, foi um misto de náuseas, dor de cabeça, tontura e febre 🤒. Tomei um monte de remédios que tinha levado, me enfiei no saco de dormir e tentei descansar. Nesse dia ficamos sem banho devido frio intenso e um chuveiro precário que pingava água gelada, portanto recorremos ao lencinho umedecido. 06 dia Acordamos muito cedo para visitar os Gêiseres, foi a manhã mais fria da viagem, dica: levem touca, luvas e cachecol na mochila de ataque. Depois de visitar alguns locais, finalizamos atravessando a fronteira com o Chile e foi tranquilo. Chegamos no Atacama umas 12h. Atacama me impressionou pela estrutura turística com seus restaurantes refinados, lojas elegantes e coleção de agências de turismo no meio do deserto, um contraste interessante. Saímos à procura de hostels com bom preço e acabamos escolhendo o La Casa Del Sol Nascente, fechamos beliche em quarto compartilhado por 7.000 pesos (2 noites), o local atendeu as expectativas, nada demais. Conseguimos almoçar por 3.500 pesos cada, comida bem simples e caseira servida em uma barraca na rua, não tem nome pra indicar, mas elas ficam próximas ao hostel. Aproveitamos para comprar os passeios do dia, fechamos Valle de La Luna por 10.000 pesos (incluso os 3.000 da entrada) e Laguna Lican Atay por 13.000 pesos, não tenho o nome da empresa. Fomos no Valle de La Luna e foi demais, lugar lindo, curtimos o fim de tarde nessa vista incrível. Dica importante: a temperatura do Atacama oscila muito, durante o dia o tempo é quente e seco, quando anoitece a temperatura despenca e muito, portanto não subestime o deserto, leve blusa nos seus passeios. 🥵🥶 Compramos também a passagem para Arica para o dia seguinte (21.200 pesos). Jantamos uma pizza e cervejas no Barros Restaurante, lugar ótimo com música ao vivo (14.200 pesos). Dia 07 Compramos nossos itens para o café da manhã em um mercadinho (3.250 pesos), saímos para conhecer a região a pé (se vc curte bike dá pra alugar uma) e voltamos para almoçar no Barros, comemos uma massa bem servida e boa (13.250) e partimos para nosso próximo passeio, a Laguna Lican Atay, que já tínhamos fechado no dia anterior com a mesma agência. O dono da agência tinha um jeitão de gangstêr 😎, ele explicou que a região em que é realizado o passeio possui algumas lagoas, uma é própria para banho, e que ele era dono delas (pasmem!!). Chegamos no local de micro-ônibus, pagamos uma taxa de entrada de 5.000 pesos, as lagunas são lindas, a cor impressionante, eu não quis entrar na água pois estava frio, mas se vc não tem problemas com isso sugiro que entre, pois devido o alto teor de sal na água, as pessoas não afundam!!! Sim, ficam boiando naquela lagoa no meio do deserto! Muito show! Super recomendo que vc leve uma toalha na mochila de ataque, pois será necessário uma ducha para tirar o sal que fica impregnado na pele. Chegamos no Atacama, tomamos um banho no Hostel (já tinha feito check-out mas eles autorizaram J), forramos o bucho com nossos lanchinhos baratos do mercadinho (2.800 pesos) e partimos para rodoviária. A caminhada é boa, mas dá pra ir tranquilo. Dia 08 Esse dia foi bem cansativo, pois consistia em diversas viagens de ônibus seguidas, mas coragem que o destino final, Arequipa, vale o esforço!! Chegamos em Arica, compramos pão com ovo e café por 4.000 pesos, pagamos 700 pesos de taxa de embarque. O ônibus de Arica para Tacna custou 7.000 pesos pela TurBus. Chegamos em solo peruano!!!! Em Tacna compramos a passagem para Arequipa por 25 soles, 4 soles de taxa de embarque. Chegamos no fim de tarde em Arequipa, caçamos um Hostel para ficar e achamos um por 65 soles o quarto com banheiro privado e café da manhã, mas infelizmente não lembro o nome, fica em uma galeria. Saímos para conhecer a região, Arequipa é incrível, eu fiquei apaixonada por essa cidade e pretendo voltar um dia para subir o vulcão Misty. A Plaza de Armas é linda, ao redor tem diversas agências de turismo e lojas de “regalos”. Aproveitamos e fechamos o passeio do dia seguinte com a Kusi Travel, pagamos 40 soles para Valle Del Colca e 40 soles para o bilhete Del park. Se vc se afastar do centro da cidade vai encontrar diversos restaurantes pequenos com ótimos preços, jantamos por 7 soles e a comida era muito boa, uma sopa de quinoa de entrada, prato principal: arroz, filé de frango, fritas e salada, incluso um suco de cortesia e uma gelatina de sobremesa!!!! Dia 09 Acordamos mega cedo para o passeio do Valle Del Colca, a van da agência passou no hostel para nos buscar. A viagem é longa, a paisagem maravilhosa e a altitude é foda, vi algumas pessoas passando mal. A van vai realizando paradas em locais estratégicos para fotos, sempre tem ambulantes com artesanatos lindos e volto a lembrar: pechinchem!!!!!!! Aproveitamos e compramos uma réplica de um “tumi de oro” por 10 soles (vi um casal pagando 50 soles em uma peça semelhante). Na hora do almoço, o guia levou os turistas para um restaurante que cobrava uns 40 soles com comida “á vontade”, mas desconfiamos do golpe e entramos para ver o Buffet, que realmente deixava a desejar. Saímos para caçar outro lugar mais em conta, foi nítida a insatisfação do guia 😂🤣, mas to nem aí!!! Não tinha muita opção, vila bem pequena e quase todos os estabelecimentos fechados. Almoçamos em um restaurante super simples, bem caseiro, por 17 soles (João) e 8 soles o meu prato. Ainda achamos sorvete por 1,50 e empanadas por 2,50 soles 😋 O Valle é lindo, dá para ver os condores voando bem próximos de nós, simplesmente imperdível. Voltamos para Arequipa no fim de tarde, jantamos no Mc’Donalds (ninguém é de ferro né kkk) por 18 soles o combo Big Mac, passeamos bastante no centro e voltamos para descansar. Aproveitamos essa parada em Arequipa para lavar nossas roupas, o próprio Hostel indicou um serviço de lavanderia que retirava as peças lá e trazia limpas por 6 soles o kg, gastei 12 soles. 10 dia Tomamos café no Hostel, o famoso café continental 😒, já adianto que se vc for uma pessoa com uma fome bruta igual a nossa, não vai ser suficiente, pois é bem pouca coisa 😔 Tiramos o dia para passear por Arequipa, pois partiríamos para Nazca naquela noite. Começamos pelo Mosteiro de Santa Catalina (entrada 40 soles) e garanto: vale cada centavo! Que lugar lindo, cheio de história, chega a ser meio sinistro em alguns momentos, rende fotos incríveis e merece ser visitado sem pressa. Se quiser fazer com um guia, custa 5 soles a mais e vale a pena pagar. Saímos de lá na hora do almoço, comemos bem por 9 soles (sim, a comida é muito barata!! 🤩) e partimos para o Museu Andino (20 soles entrada + 2 soles de gorjeta para guia), local super interessante, é onde esta exposta a múmia mais bem conservada dos Andes, a Juanita. Tomamos um sorvete no Burger King (8 soles), buscamos nossas mochilas no Hostel e fomos para rodoviária, passagem para Nazca foi 50 soles pela empresa Cetur. Chegamos em Nazca bem tarde, quase meia noite e caminhamos pela cidade em busca de hostel. A cidade estava praticamente deserta, bem sinistro mesmo, esse foi um dos poucos momentos da viagem em que senti certa insegurança, mas felizmente arrumamos um quarto (40 soles casal). 11 dia A cidade em si não tem muitos atrativos, a Plaza de Armas é simples, mas nosso interesse eram os passeios pelo deserto. Tomamos um café da manhã em lanchonete por 17,50 soles (bem servido), fechamos passeio com a Peru Desert por 50 soles, incluindo a pirâmide de Cahuachi e o sandboard, achei o preço alto, porém as empresas de turismo foram irredutíveis e você depende delas para chegar lá. Como sairíamos somente à tarde, aproveitamos para almoçar um PF por 10,50 soles com direito a Inca Kola ❤️ (sim, a esse ponto já estava viciada nela), não tenho o nome do restaurante, mas era próximo da Plaza. O passeio é bacana, feito em um carro doido que parece um buggy “a La MadMax” 😆🤣. Passamos por um antigo aqueduto que ainda possui peixes, bem legal. Vi em alguns relatos daqui que as pessoas entravam neles para tirar foto, no nosso caso não rolou, sinceramente não sei se são locais diferentes ou se as regras mudaram. Passamos por um cemitério profanado, que apesar de bastante interessante, me pareceu ser um cenário um pouco montado para turistas, mas vale a visita. O passeio pelo deserto é uma aventura, o guia pegava umas descidas bem fudidas, dava um frio na barriga, dá uma animada no passeio. Eu não fiz o sandboard, mas o João fez e gostou. Cahuachi é bem bacana, trata-se de um sítio arqueológico, antigamente servia como centro de peregrinação da cultura Nazca, vale bem a visita. Só sei que nesse momento o frio já estava tenso demais e o vento do deserto só piora a situação, tudo isso somado a um buggy todo aberto em movimento, já viu né, é areia no olho e vento gelado cortando a pele. Posso dizer que foi um dos momentos mais gelados da viagem 🥶. Não fizemos o voo pelas linhas de Nazca, pois achamos caro e também não teríamos tempo suficiente para tentar avistar das outras formas possíveis. Se você vai pra lá com mais tempo livre, acho que vale muito a pena pesquisar as maneiras de fazer esse rolê de forma econômica. Chegamos na cidade era fim de tarde, pegamos nossas mochilas na Peru Desert, jantamos em uma lanchonete uns lanches gostosos por 9,50 soles e fomos para rodoviária. Partiu Ica, passagem custou 12 soles pela empresa Soyuz. Chegamos a noite em Ica, não lembro bem o horário mas já passava das 22h, a região ao redor da rodoviária não é muito agradável, achei mais perigoso com “ares de cidade grande” sabe... Enfim, fomos atrás de um local para dormir. Uma dica: se você estiver em uma cidade dessas em que não conhece a região, não tem hospedagem reservada e já esta tarde, pegue um transporte (táxi, Uber, Tuk Tuk, etc) até a Plaza de Armas, pois geralmente nessas regiões é maior a possibilidade de ter comércio aberto, mais movimento nas ruas e hostel perto. Outra dica: se sua intenção é fazer o passeio das Islas Ballestas, programe-se para chegar cedo em Ica para comprar o passeio, pois as agências funcionam em horário comercial. Como só tínhamos um dia disponível para Ica e chegamos tarde, não conseguimos fazer esse passeio, infelizmente 😥 Encontramos um Hotel com quarto disponível e mesmo achando a região bem suspeita (tinha um estabelecimento em frente ao Hotel, parecia ser um bordel, com meninas adolescentes na porta, muito triste e preocupante 😭), já era tarde e decidimos ficar. Nosso pesadelo começava aqui... O quarto era bem simples com banheiro privativo e ducha quente. Acomodamos-nos, desesperados por um banho quente e uma noite de sono, tinha sido um dia agitado com passeio no deserto, viagem de ônibus e muito frio. Eis que ligo a maldita ducha e a água estava gelada, tentamos aquecer de toda forma e nada! Ligamos na recepção e muito a contra gosto nos trocaram de quarto quando constataram que o chuveiro estava queimado. E lá vamos nós... Cara eu já estava puta da vida, cansada e com frio, chego ao outro quarto e a situação segue ainda pior... Uma confusão no quarto ao lado, primeiro uma música bem alta, depois uma briga com gritaria. Aquilo foi à gota d’água!!! Fiquei bem assustada!😱 Nem ligamos na recepção, já descemos direto, pedindo nosso dinheiro de volta, pois não tinha condições de se hospedar ali. O mesmo recepcionista não questionou muito e liberou nosso dinheiro. Já era quase 2h da manhã e lá estávamos nós na rua novamente e justamente na cidade em que mais fiquei cismada com a questão de segurança.😫 Em uma situação dessas não da pra ficar pensando muito em economia, já que não conseguiríamos fazer o passeio para Islas Ballestas, optamos pegar um táxi para Huacachina e tentar se hospedar por lá. O percurso é mais rápido do que se imagina, aquele Oásis no meio do deserto é bem perto de Ica, cerca de 5km, não tenho o valor do táxi, mas foi barato. Chegamos lá e conseguimos um Hostel por 60 soles (quarto casal com banheiro compartilhado) depois de muita procura, a maioria das hospedagens são caras ou estão lotadas. Enfim, banho e cama. Desculpem a falta de informação $$ dessa parte, mas imagina cabeça desse casal como estava 🤯🤬 12 dia Obviamente acordamos mais tarde que o normal e tiramos o dia para passear por Huacachina. Tomamos um café da manhã saboroso em uma espécie de food truck 🤔 (13,50 soles). A história do Oásis impressiona, o local antigamente frequentado pela elite era cenário de festas e luxo, com o passar dos anos foi sofrendo com falências, falta de clientes, poluição da lagoa artificial (sim ela é artificial e isso é decepcionante 😐) e algumas lendas sinistras (pare para ouvir os locais contando, é bem legal 🥰). Sinceramente esse misto de estabelecimentos chiques, construções antigas e hotéis abandonados dá um ar decadente muito charmoso. Passeamos bastante, almoçamos em um pequeno restaurante bem caseiro por 23,50 soles e foi o melhor rango da viagem toda 😋!!! Um spaghetti com molho pesto e filé de frango empanado, bem servido e saboroso. Para acompanhar, uma cerveza Cusqueña por 6 soles e fechamos com sorvete por 2 soles. De bucho cheio, subimos as dunas para curtir o visual, da pra fazer fotos incríveis e não senti a necessidade de pagar passeios por lá pois já tínhamos passeado de bug pelo deserto em Nazca. Dica importante: não faça como meu marido, que devido o calor da tarde decidiu subir as dunas de chinelo e passou um perrengue da peste 😂 kkkkk a areia parece brasa e queima mesmo!! Eu subi de bota e foi sucesso kkkk 😘 À tardinha voltamos para Ica, pegamos um Tuk Tuk até a rodoviária, são super baratinhos, não lembro o valor, mas sei que usava somente umas moedas para pagar, porém sempre acerte o preço antes de embarcar. Para quem tem muita neura com segurança prepara o coração, pois são motos com uma adaptação para carregar 2 pessoas atrás e a maioria tem uma estrutura bem improvisada, andamos em um que as “paredes” eram feitas de papelão kkkkkkkkk. Compramos a passagem para Cusco por 160 soles pela Empresa Cruz Del Sur, guardem esse nome!!!! Cruz Del Sur ❤️!!!!! Que ônibus meus amigos, me senti na primeira classe dos busões kkkkkk. Se a viagem é longa, como a maioria é, vale cada centavo que se paga a mais que algumas outras empresas. Eles têm serviço de bordo (pasmem!!!), refeições inclusas (boas), cobertor e travesseiros, tela em cada assento com fone de ouvido e vários filmes bacanas, revezamento dos motoristas, resumindo foi bom demais. Ahhh cambiamos grana antes de partir. 13 dia Chegamos na maravilhosa Cusco!!! Que emoção, era um sonho se tornando realidade 😍 Saímos pelas ruas estreitas caçando um hostel, batemos muita perna, os hostels mais populares esgotam rápido, porém demos uma sorte danada e conseguimos uma cama em quarto misto no Milhouse (40 soles) com café da manhã incluso. Super indico o local, especialmente se estiver viajando sozinho, lá é bem animado, tem bar com festas à noite e passeios, fora que o local é gigante. Hospedagem ok, mochilas guardadas, lá fomos nós organizar nosso roteiro para os próximos dias. Pedimos informação do local que vendia a entrada para Machu Picchu, encontramos fácil, estava com uma pequena fila, mas foi tranquilo (152 soles). Se tua intenção é subir a Huayna Picchu, compre pela internet com antecedência. Para entrar nos pontos turísticos de Cusco, você vai precisar comprar o Boleto Turístico, custa 130 soles (tem desconto pra estudante que tem aquela carteira internacional). Segue foto modelo (internet) A Plaza de Armas é linda, tem muitas opções de comércio ao redor, passamos por várias agências tentando fechar o melhor preço para nossos próximos passeios, vale a pena (como sempre) pechinchar, tenha em mente todos os lugares que quer conhecer para fechar um pacotão, sai bem mais barato. Infelizmente não tenho o nome da agência que fechamos, mas tenho os valores para servir de base: City Tour Cusco 10 soles, Valle Sagrado com almoço incluso 50 soles (o desconto compensou pegar com refeição) e van para Aguas Calientes + Hospedagem 1 noite (quarto privado) 80 soles. Jantamos por 23,75 soles e voltamos para o Hostel. 14 dia O café da manhã no Milhouse é ótimo!!! Depois de comer como se não houvesse amanhã 😋, partimos para o tour pelo Valle Sagrado. Sério, que incrível!! A dica de ouro aqui é fazer esse roteiro antes de Machu Picchu, pois da um gostinho de entrada para o prato principal sabe¿! A verdade é que depois de Machu Picchu, qualquer outra ruína Inca parece ser simples. Primeira parada foi Pisac, muito interessante esse primeiro contato com as ruínas dessa intrigante civilização. Durante o tour, eles param em pontos específicos para fotos e comércio de regallos, já aviso que a tentação é gigante. As clássicas fotos ao lado de lhamas bebê e mulheres com os trajes típicos podem ser facilmente tiradas 😉 O almoço é no povoado de Urubamba, muito bem servido e as bebidas cobradas separadamente, cerveja 8 soles. Ollantaytambo é um caso a parte, simplesmente linda! Demos sorte de pegar um guia sensacional, muito empolgado e com ótimas informações sobre os lugares que passamos, que nos deixou ainda mais encantados pelas histórias do lugar. Se vc tiver tempo disponível no seu roteiro, eu encaixaria uma noite em Ollantaytambo, me arrependi de não ter ficado mais lá. Seguimos para Pisac, visitamos uma igreja linda e cheia de imagens marcantes, nos encontramos com as artesãs locais que produzem peças lindas com a lã da Alpaca, elas explicam todo o processo de coloração das peças e nos recebem com chá quente e muita educação. Comprei uma touca por 22 soles. Retornamos para Cusco no fim de tarde, jantamos um hambúrguer com fritas e sucos por 17 soles (em alguma lanchonete do centro). 15 dia Acordamos muito cedo para nossa viagem até a Hidrelétrica. A viagem dura em média 7 horas, fizemos em uma van, são realizadas poucas paradas para banheiro e alimentação (bem poucas mesmo), portanto leve snacks e água (lanches na estrada 10 soles). Se você é daquelas pessoas que passam mal em ônibus 🤢, já tome e leve remédio, pois sendo sincera é tenso!! Não tive problemas com enjoo, nem meu marido, mas vi pessoas passando mal. Agora se eu falar que consegui dormir estarei mentindo, o medo não deixava kkkkk sério que caminho é aquele!!!! São montanhas lindas, muito altas, com estradas estreitíssimas e precipícios, eu ainda fiz a bobeira de ficar na janela e não recomendo 😅😂. Se você não tem medo de altura... e da morte kkkkk vai ser sossegado 🙏🤣 Conhecemos na van uma família de brasileiros, pernambucanos (Nordeste é foda!!!!! ❤️), que faziam exatamente o mesmo roteiro que nós, inclusive usavam o mesmo relato daqui como base para o planejamento, salve @Tanaguchi mais uma vez!!! Hahahaha!!!! Eles se tornaram companhia em outros momentos dessa viagem e da vida, pois nos encontramos em Olinda dois anos depois para uma cerveja gelada. Deixo aqui nosso abraço para Cássia, Márcio e seus filhos Camila e Marcio Jr. Finalmente chegamos na Hidrelétrica e tínhamos uma caminhada pela frente, seguimos o fluxo de turistas e acredite, é muita gente optando pelo modo mais econômico, portanto vai sem medo porque o caminho é tranquilo, a maior parte em linha reta beirando os trilhos do trem, com uma das vistas mais sensacionais dessa trip. Achamos o trajeto muito agradável, com aquele barulho gostoso de água corrente devido um lindo riacho que beira a estrada, ar puro e paz. Mesmo que você não tenha um bom preparo físico, seja sedentário, permita-se fazer essa trilha, vai no seu ritmo e curta cada passo, vale a pena! Avistamos as luzes de Águas Calientes e vem um alívio de missão cumprida. A cidade é um charme, ruas estreitas, restaurantes decorados tipicamente, vários doguinhos andando pelas ruas, aquela vista surreal das montanhas, tudo muito foda! Encontramos nossa hospedagem, chama Denis House, deixamos nossas mochilas e saímos para conhecer um pouco mais. Em relação a valores, Águas Calientes é uma cidade turística e tem preços altos, porém nada surreal como ouvi falar. O que mais me incomodou foi o tamanho das porções de comida dos restaurantes, simplesmente ridícula de tão pequena. E isso pareceu ser uma estratégia de todos os restaurantes, eles põem preços atrativos nas placas, mas diminuem na quantidade de comida. Paramos em um restaurante para comer uma pizza (29 soles a de 8 pedaços), porém a massa era extremamente fina e o recheio bem pouco, conclusão: não matou nossa fome 😒 Compramos em um mercadinho uns itens para comer na trilha do dia seguinte (12 soles) e voltamos para descansar. Dia 16 Esqueci de comentar que no momento em que comprar o ticket para Machu Picchu, vc deverá escolher o horário em que irá visitar, sendo as opções: manhã ou tarde. Isso permite limitar a quantidade de turistas circulando e preserva esse patrimônio da Humanidade 😍 Outra coisa importantíssima que me esqueci de mencionar é que não fomos para Águas Calientes com nossa mochila cargueira por motivos óbvios (peso extra para as caminhadas), portanto colocamos uma troca de roupa e itens de higiene pessoal indispensáveis na mochila de ataque. Conseguimos deixar nossas cargueiras no Milhouse (hostel que ficamos em Cusco) sem dificuldades, eles têm um cômodo para armazená-las. Independente da onde esteja hospedado, acredito que não haverá problemas, pois é uma prática bem comum entre os viajantes. Nossa programação tinha sido a seguinte: iniciar nossa subida beeeem cedo, umas 4:00 AM, passar a manhã toda conhecendo as ruínas, retornar na hora do almoço para Águas Calientes, almoçar, pegar nossas mochilas e retornar para a Hidrelétrica, afinal nossa van sairia no final da tarde. Os horários seriam apertados, mas já estávamos acostumados (sabe de nada inocente kkkk). E lá estávamos nós ás 3:40AM de pé, mortos de sono mas extremamente ansiosos. Compramos na noite anterior em um mercadinho alguns itens que seriam nosso café da manhã e snacks da trilha, então comemos a caminho da ponte onde parte a subida para Machu Picchu. A quantidade de pessoas é gigante, já tinha uma espécie de fila antes da ponte, alguns guardas bloqueavam o acesso, seria liberada a subida somente ás 05h. Não tinha lido nada a respeito desses horários em relatos, então não sei informar se são novas regras ou se sempre foi assim. Só sei que ficar uma hora em pé naquele frio só aumentou minha ansiedade. Ahhhhh leve roupa de frio galera, é sério!! Enfim liberaram a subida, a trilha é estreita, portanto esse formato de fila acaba sendo mantido em boa parte do trajeto. A maior parte é subida, quase que 90%; vai estar escuro mas tem muitas lanternas ajudando, mesmo assim leve a sua pq vai precisar; não recordo quantos Km ela tem mas fizemos em 40min; é basicamente uma escada com degraus irregulares; vista roupas em camadas que fiquem fáceis de retirar caso o calor aperte devido o esforço físico e posso dizer que o esforço compensa. Não vou mentir e falar que a subida é pra qualquer um, pq não é! Se você está sedentário há anos, tem idade avançada, problemas articulares (joelho, quadril, etc) ou alguma doença que te cause limitações, aconselho ir da forma mais prática, porém menos econômica que é o micro-ônibus. Não sei informar quanto custa, mas não deve ser difícil de descobrir por aqui. GENTE não quero ser radical, não sei se demos azar ou o quê, mas o povo que fez a subida no mesmo horário que nós pareciam ser maratonistas, kkkk sério, eles subiam em um ritmo bem acelerado e não tinha como você parar pois era tipo uma fila, o ritmo tinha que ser constante. Cara, não somos sedentários, faço treino de alta intensidade regularmente e não foi fácil. Se tu és jovem e saudável, se arrisque e suba, vale a pena. Chegamos ao topo vivos e começamos a explorar a região, surreal!! Tem muito lugar pra conhecer e muitas fotos pra tirar, se preparem para andar bastante. Tinha bastante turista, mas não a ponto de atrapalhar, não contratamos guia e não me arrependi. Foi uma manhã bem chuvosa e nublada, uma capa de chuva cairia bem, recomendo levar. Agradeci por não ter comprado o ticket para Huayna Picchu, devido o tempo fechado nem dava pra enxerga-lá, quem subiu comentou que não deu pra avistar quase nada. Achei a descida tranquila, fomos em um ritmo bem mais de boas, sem tumulto, só apreciando a vista. Chegamos em Aguas Calientes bem cansados e a última coisa que queríamos era enfrentar a trilha da Hidrelétrica. Como tínhamos planejado um dia off em Cusco, pensamos em usá-lo por aqui mesmo. Graças a Deus conseguimos contato com a empresa e trocamos a van para o dia seguinte, ás 13h. Conversamos no Denis House e conseguimos fechar mais uma noite (50 soles casal), almoçamos por 24 soles, compramos papel higiênico por 4 soles, passamos a tarde descansando e jantamos uma pizza por 29,90 soles. Obs: Quem optou por subir a tarde pegou o tempo aberto e sem chuva, confirmamos com nossos amigos pernambucanos, que inclusive relataram que a subida foi tranquila, sem tumulto. Fica a dica. Dia 17 Íamos partir na van das 13h, portanto aproveitamos para dar uma volta pela manhã e almoçar (20 soles) antes de iniciar a nossa caminhada em direção a Hidrelétrica. Como disse antes, a caminhada é tranquila e belíssima, leve água e papel higiênico...eu mesma tive um imprevisto e aproveite um dos poucos estabelecimentos que tem nesse trajeto para usar o banheiro, senão ia no mato mesmo kkkkkk. Bom, a volta na van foi menos tensa pois coloquei meu marido na janela kkkk avistar por várias horas aquela distância mínima entre o pneu e os precipícios não ia me deixar dormir novamente. Chegamos a noite em Cusco, jantamos empanadas e sorvete (11 soles), pegamos nossas mochilas no hostel, como não tinha mais vagas por lá, arrumamos por uma noite no The point (42 soles). Sinceramente não lembro da minha passagem por esse hostel para opinar, já faz um tempão né. Dia 18 Acordamos e para aproveitar o tempo ao máximo já pegamos um táxi até a rodoviária (9 soles ida e volta), compramos nossas passagens para Puno (61 soles pela Cruz Del Sur, a MELHOR!!!!!) pois partiríamos a noite. Sei que existem empresas de busão mais em conta, mas sinceramente eu preferi pagar um pouco a mais e saber que iria dormir bem e ter refeição boa inclusa, então realmente compensa. Lavamos nossas roupas por 4 soles/kg (deu 5 soles) e almoçamos por 15 soles, mais 2,50 soles de um chocolate, não pode faltar rsrs Vou ser bem sincera, me deu um certo apagão dos detalhes desse dia, mas vou tentar relatar o mais detalhado possível... Lembro que aproveitamos à tarde para fazer o tal City Tour, tínhamos comprado ele por 10 soles naquele pacotão que fechamos no primeiro dia em Cusco. Nos reunimos na Plaza de Armas conforme combinado e seguimos em uma turma a pé por vários pontos, com um guia explicando. Achei o passeio interessante, esse custo inclui o guia e o ônibus para os pontos mais afastados, não esta incluso o valor de entrada em Qoricancha (15 soles), que foi o templo mais importante durante o império Inca. Como sempre, não deixe-se levar pelo solzinho gostoso da tarde, pois é só questão de tempo para o frio aparecer, portanto leve agasalho para esse passeio. E o frio veio com força no final do passeio, que foi todo em área aberta. “Momento fofo em Qoricancha” Voltamos, jantamos por 10 soles e fomos para a Rodoviária (acho que fomos a pé dessa vez, mas não tenho certeza). Dia 19 Desembarcamos na rodoviária em Puno beeem cedo, por coincidência pura encontramos nossos amigos pernambucanos e tivemos companhia, pois eles tinham a mesma programação. Compramos as passagens para Copacabana (20 soles), fechamos o passeio para o Lago Titicaca por 25 soles + 10 soles do barco em Uros. Nosso desayuno foi na rodoviária mesmo, no andar de cima tem uma lanchonete, paguei 9 soles por um misto-quente com suco de laranja. Outras gastos foram: 1,50 de taxa rodoviária, 1,00 banheiro. O lago Titicaca é lindo, enorme e o povo que vive nas Islas Flotantes de Uros são muito simpáticos, te explicam como fizeram aquela “vila” no meio do lago, mostram suas casas, seus artesanatos e suas dificuldades também, pois a realidade lá não é fácil, vida simples com pouco recurso, muita idosos e crianças. Ahhh, pra quem adora botar mais um carimbo no passaporte (quem não gosta né gente 🤣), eles tem um específico da ilha e carimbam seu passaporte por um valor simbólico. Não sei vocês, mas se tem um lance que eu e meu marido não curtimos são atividades muito comerciais sabe, como excursões ou conhecer locais voltados para turistas, deixando CLARO que não tenho nada contra quem curte esse tipo de viagem ok!!!! Mas teve uns momentos desse passeio que me senti assim sabe, pois eles contam muito com a grana de quem vai lá visitar, ai se você não compra nada de artesanato, fica um climão. Ao final do passeio, um casal cantou uma canção para nós, contribuímos com uma grana e agradecemos. Sei lá, pode ser nóia minha, mas fico me sentindo um pouco mal sabe. Almoçamos por 16,50 soles ( não lembro onde e o que kkkkk), 3,50 de snacks e partimos Copacabana. Viagem foi de boas, passagem pela fronteira também, uma fila rápida e sem enrolação. E lá estávamos nós de volta a Bolívia, sua linda!!!! Ahhhh teve uma situação sim, quando estávamos chegando o motorista do ônibus começou a fazer propaganda do Hotel El Mirador, falando que quem não tinha hospedagem reservada eles tinham vagas, com vista para o lago, o preço estava bem melhor do que o local que tínhamos reservado pelo Booking (40 bols) e inclusive ele ia deixar a galera na porta!!!! Ai gente, assim fica difícil ser justa, até consultamos no mapa a distância da nossa reserva e... era uma puta de uma subida!!!!! Tentei fazer cancelamento sem sucesso, internet tava uma bosta. Acabamos arriscando e ficamos por lá mesmo e foi uma ótima escolha, o Hotel era simples, mas a vista era simplesmente incrível, aquele anoitecer com o Titicaca de fundo, pqp!!!! Acabou que o Booking não descontou valor nenhum nosso, ainda bem!! Nossa passagem por Copacabana seria super breve, afinal o foco era a Isla Del Sol, portanto, depois de um banho, saímos para conhecer melhor o local. Compramos nossa passagem para La Paz (empresa Titicaca 35 bols), compramos alguns snacks para levar no dia seguinte (15 bols) e pizza e vinho por 37,5 (bols). O local da hospedagem era bem estratégico, muito próximo do porto, a região tem vários pequenos comércios, tipo uns mercadinhos, restaurantes e locais para cambiar grana. Andamos a noite e não tive sensação de insegurança por lá. Dia 20 Acordamos bem cedo, tomamos café e partimos para o porto, o barco até a Isla Del Sol custa 15 bols, o trajeto é tranquilo, não lembro quanto tempo de duração. Ao chegar à ilha você paga uma taxa de 10 bols para entrar. Não tínhamos hospedagem reservada, então saímos pechinchando e subindo aquela ladeira, pois a área com mais estabelecimentos fica em uma subida. A ilha é linda, vista incrível, trilhas para fazer e tudo muito simples. Não espere luxo por lá, as hospedagens são simples e os restaurantes também, obvio que tem alguns locais que se destacam, mas não estávamos dispostos a pagar o preço (orçamento seguido à risca kkkk). Não encontrei Hostel por lá, optamos por um quarto privado com banheiro externo compartilhado em um local chamado Las Cabanas (40 bols), veja que a média de preço da Ilha é acima da média, pois esse local era realmente beeeeeeeem rústico. Aproveitamos nossas andanças para comprar água (2 litros, 07 bols), almoçamos um PF (não tenho o valor desse, foi mal) e andamos muito. Como teríamos apenas um dia para conhecer a ilha, caprichamos na disposição, andamos bastante, tem vários pontos para descansar e apreciar a paisagem, tirar muitas fotos e simplesmente contemplar. Na época que fomos, estava rolando uma treta entre o povo que mora do lado norte com o lado sul da ilha, não me lembro em que parte ficamos, mas sei que a outra face estava fechada para visitantes, triste né! Mas nem julgo, pois só ouvimos a versão de um dos lados, mas de fato essa briga atrapalha o turismo e comércio da região. A noite a temperatura caiu bastante e juro que se tivéssemos mais snacks eu não teria saído do quarto pra jantar, estava simplesmente exausta das trilhas feitas o dia todo, mas a fome venceu... A iluminação na Ilha é escassa, somente nas casas e comércios, que na maioria estão fechados a noite, sendo assim a escuridão predomina. Nessas horas a lanterna salva o role viu, pq era tanta bosta de cavalo e cabra na estrada que se eu não desviasse ia ficar atolada no caminho kkkkk Achamos uma pizzaria bem simples, era quase dentro da casa do rapaz, não lembro o valor da pizza, mas resolveu nosso problema. Finalmente o merecido descanso. Dia 21 Descemos a ladeira em direção aos barcos, compramos um suco e bolacha (6 bols), passei alguns bons momentos interagindo com uma adorável moradora da ilha Lembrando que a passagem de volta é mais cara se você comprar separado, pagamos 25 bols. Retornando a Copacabana, foi o tempo de almoçar (não tenho valores) e pegar o busão rumo a La Paz. La Paz é cidade grande mesmo, trânsito, gente pra todo canto, comércios e isso aumenta também o risco de furto e roubo, por isso todo cuidado é pouco, mas ainda assim achei bem de boas viu, a única situação que nos ocorreu foi uma noite um cara nos abordou pedindo dinheiro, mas estava visivelmente bêbado e não insistiu muito. Para quem vive em SP então kkkk La Paz é seguro até demais kkkk. Não tínhamos reservado nada pelo Booking, mas queríamos ficar próximos das ruas mais movimentadas (Calle Sagarnaga, mercado de las brujas, etc), então saímos da rodoviária e partimos a pé para o centro. A caminhada é tranquila, deve-se ficar esperto por conta das mochilas cargueiras, porém você verá muitos mochileiros nessa região, vai na fé!! Se estiver sozinho ou estiver à noite, acho que um Uber é uma boa opção. Chegamos até a praça que tem a bela igreja de São Francisco, as ruas estavam lotadas, parecia a região do Brás, com muitos ambulantes e muvuca rsrsr deu até saudades de casa rsrsrs. Começamos a subir essa rua principal, se não me engano é a Sagarnaga, mas sei que é uma cheia de restaurantes, agências de turismo e hospedagens. Aconselho fechar a hospedagem com antecedência nessa região, pois fica cheio de mochileros buscando as mesmas coisas: preço baixo e boa localização. Paramos em um hostel, tinha preço atrativo, mas não sei pq pedimos para olhar o banheiro compartilhado antes de fechar os 3 dias de hospedagem, eis a surpresa...as portas dos chuveiros não davam privacidade nenhuma,eram curtas e com detalhes em um tipo de vidro temperado que daria para ver a silueta completamente, sendo uma área em que outras pessoas estariam usando as pias. Cara, juro, não é frescura, mas porra custava colocar um porta simples de madeira ou sei lá o que!!! Se tiver algum dono ou aspirante a dono de hostel lendo esse relato, fica a dica, não é pq nós optamos por dividir o quarto e outras áreas com desconhecidos que não me importo que me vejam pelada tomando banho né!!! Enfim, já estava tarde e acabamos ficando em um “hotel” chamado Salas, por 210 bols os 3 dias de hospedagem, não achei barato pela qualidade que era bem baixa e a localização, pois era no final dessa rua movimentada. Passamos por várias agências no intuito de fechar Chacaltaya e quem sabe a Carretera de La Muerte para meu marido, porém acabamos desistindo da segunda opção pelo curto tempo que teríamos. Fechamos então com a Barro Biking , Chacaltaya por 100 bols e Tiwanaku por 200 bols. Jantei uma lasanha com suco e levei uma omelete recheada para viagem (ia comer no passeio) no Italian Pizza! por 65 bols, compramos snacks para o dia seguinte por 7 bols. Dia 22 Acordamos super cedo para fazer o passeio até Chacaltaya e garanto, vale muito a pena!!! Trata-se de um pico da cordilheira dos Andes, a 5421m de altitude, no qual subimos com uma van por uma estrada bem estreita e íngreme e depois seguimos a pé por aproximadamente 200m. Foi uma experiência foda!!! Só aumentou a vontade de voltar mais vezes para fazer outras montanhas da região, obviamente com preparo para isso né De lá, fizemos o passeio pelo Valle de La Luna, que rende belas fotos, com uma paisagem bem diferente, vale a pena. Como tínhamos encontrado nossos amigos pernambucanos na montanha, combinamos uma cervejada em um pub próximo da onde estávamos hospedados, bem legal o lugar, pena que não lembro o nome (40 bols muito bem bebidos diga-se de passagem kkk), mais tarde jantamos pizza por 25,50 bols, não lembro onde kkkk Dia 23 Acordamos super cedo para fazer o passeio para Tiwanaku, já tínhamos fechado com a agência Barro Biking no primeiro dia e o único azar que demos foi o tempo chuvoso, mas de resto foi ótimo. Se você curte história, culturas antigas e mistérios, esse lugar merece ser visitado. Lá eles possuem um enorme monólito, vários artefatos antigos e uns rostos lapidados na pedra que se assemelham a extra-terrestres, muito foda!! No passeio estava incluso o almoço, meu marido experimentou carne de lhama nesse dia, aff...eu fui de peixe frito mesmo. Gastamos somente 21 bols com snacks e bebida. Dia 24 Tiramos o dia para circular por La Paz. Andamos de teleférico (6 bols) e optamos por não ir naquela feira que tem no final dele pois não era nosso foco ir as compras, afinal assemelha-se muito a comércios populares como Brás e 25 de Março e tem uns oportunistas nesses locais, deu para sentir por uns sujeitos bem estranhos no próprio teleférico. Andei muito pelo Mercado de Las Brujas e realmente é o melhor lugar pra comprar os regallos, que por sinal são muito baratos!!! É realmente difícil lembrar que esta somente com uma mochila e não sair levando de tudo um pouco, menos os filhotes de lhama empalhados obviamente... Almoçamos uma massa no restaurante Mozarela (38 bols), comprei snacks para a viagem de busão da madrugada (31 bols). Como a viagem estava chegando ao fim e estávamos dentro do nosso orçamento, acabamos afrouxando um pouco nos gastos com comida e nos deixamos levar pelo pecado da gula kkkk. Nesse dia jantamos no “Café Del Mundo” e super recomendo, lugar lindo com uma decoração fofíssima e deliciosos pratos, gastei 50 bols em uma refeição deliciosa e de quebra comi um brownie sensacional por 12 bols. Só vão!!! De bucho cheio e cansados de bater perna o dia todo, fomos para rodoviária de táxi (7,50 bols), pagamos uma taxa no terminal de 2,50 bols e a passagem para Santa Cruz de La Sierra foi 130 bols pela empresa El Dorado. Dia 25 Chegamos em Santa Cruz de La Sierra e nos hospedamos no Hostel Coco Jamboo (141,50 bols), não tinham muitos locais mais em conta na localização que queríamos. Achei bom ficar longe da rodoviária, pois me fez conhecer uma Sta Cruz totalmente diferente, com uma Plaza de armas simples e bela, com restaurantes e sorveterias ao redor. Por ser um feriado por lá, estava aquele clima de cidade do interior sabe, famílias passeando na praça, cachorro correndo e um calorzinho gostoso... Justamente por ser feriado, os pequenos restaurantes estavam fechados e as opções abertas eram mais caras, ai já viu né, juntou o fato de ser o penúltimo dia de viagem, com a fome e as poucas opções...chutamos o pau da barraca kkkkk, foi almoço no Burger King (53 bols), jantar em uma hamburgueria (57,50 bols), sorvete artesanal (20 bols) e mais gastos com água e cerveja (32 bols). Tiramos o dia para comer e descansar literalmente, mas foi ótimo. Dia 26 Tomamos café no hostel, cambiamos o restante do dinheiro por real, fechamos um taxi até o aeroporto por 60 bols. E chegou ao fim essa viagem sensacional e inesquecível que fiz com meu esposo (na época namorado) em setembro de 2017. Espero ter ajudado de alguma forma ou pelo menos facilitado vocês a montarem seu roteiro para essa aventura. O relato demorou mas saiu!!!!
  32. 7 pontos
    Em agosto de 2019, passei 4 dias no Pantanal Norte, que fica no Mato Grosso, foi difícil achar relatos desse lugar, por isso, resolvi fazer um. Eu vou focar nas dicas de passeios, e menos nos detalhes do que eu fiz no dia-a-dia(até porque tenho péssima memória). Pra quem gostou das fotos, eu posto muito mais no meu instagram, segue lá: http://instagram.com/ederfortunato Pantanal O Pantanal é uma região bem grande, sua parte norte, que fica no Mato Grosso, tem como ponto central para visitação a Rodovia Transpantaneira, uma estrada de 145km de terra batida, que dá acesso às várias pousadas/hotel fazenda, e onde você encontrará muitos animais no seu percurso, principalmente jacarés, tuiuiús, garças, capivaras e se tiver sorte até onças-pintadas. No início dessa estrada, fica a cidade de Poconé, e no final dela, fica a região de Porto Jofre, nas margem do Rio São Lourenço(é bom lembrar desses pontos para o resto do relato). Esse é um mapa que peguei com um guia de lá, dá pra ter uma boa ideia da localização dos pontos mais importantes. Existem outras cidades na parte norte que podem ser usadas de base para conhecer o Pantanal Norte, como Cáceres mais para o lado da Bolívia, e Barão de Melgaço que pega a parte do Rio Cuiabá. Roteiro: Fiquei 4 dias em Poconé, e todas manhãs saía em direção a Estrada Transpantaneira para fazer algum passeio, e valeu a pena fazer assim, pois consegui economizar muito com hospedagem, que é o mais caro da viagem. Se fosse fazer novamente, eu ficaria 3 dias no Sesc Pantanal, que é um pouco mais caro do que ficar em Poconé, mas pelo preço vale a estrutura do lugar, e ficaria 1 ou 2 dias em Porto Jofre, pois fazer o bate/volta para lá no mesmo dia é cansativo, melhor passar a noite lá e voltar no outro dia. Caso decida não ficar hospedado nas pousadas, alugar um carro acaba sendo necessário, caso contrário vai ficar dependendo das opções de passeio da sua pousada/agências, o que acaba deixando a viagem mais cara, por outro lado, se você escolher ficar numa dessas pousadas, acho que ficar apenas nela aproveitando o lugar seja de forma mais tranquila seja uma opção. Alugar um carro compensou para mim, pois foi possível visitar várias pousadas, e fazer os passeios de cada uma delas, assim consegui observar animais diferentes, em regiões diferentes, já que cada pousada fica bem distante uma da outra Chegando lá: De Cuiabá, são apenas 100 km até chegar em Poconé, a estrada é asfaltada e muito boa. Existe a opção de ir de ônibus, mas eu recomendo que você alugue um carro para se locomover com mais liberdade por lá. Na época de seca(fui em agosto) aluguei um carro 1.0, até deu conta de atravessar a Transpantaneira, foi meio desconfortável em vários pontos, pois a estrada é toda de terra, e as pontes são de madeira, algumas caindo aos pedaços, então recomendo que alugue um carro alto ou até um 4x4. Dicas: Uma coisa que você tem que ter em mente antes de ir, é que mais de 90% dos turistas no pantanal, são gringos, e por causa disso, o preço dos serviços é bem caro, principalmente hospedagem. A melhor hora de fazer os passeios, quando os bichos estão mais ativos, é no início do dia, e no fim de tarde, então evite passeios de barcos/trilha que aconteçam bem ao meio dia. A exceção a isso são as onças, elas ficam mais movimentadas no meio do dia. Ainda sobre onças, apesar da chance pequena de vê-las em outros lugares, se você quiser 90% de certeza de encontrá-las, precisa ir até Porto Jofre, que fica no final da Transpantaneira. Se a sua meta é economizar, ao invés de ficar hospedado naqueles pousadas mega caras, é pegar apenas o Day Use que algumas oferecem, fiz isso na Pousada Piuval, onde paguei R$90, incluído aí aproveitar o lugar(com piscina), um almoço e um passeio de trilha. O que compensou pra não pagar $700 da diária do quarto. Uma dica sobre a estrada Transpantaneira, me recomendaram ter cuidado com búfalos (que até então, eu nem sabia que existiam lá), pois eles podem atacar os carros, e fazer um bom estrago, então é bom não parar quando avistar um. Época do ano Costuma chover muito forte e todos os dias entre dezembro e fevereiro, então o ideal é ir bem depois dessa época, eu fui em agosto e estava beem seco, o que foi bom pra se locomover pela Transpantaneira. Hospedagem: De início quase desisti de ir, pois só achava opções caras, mas pesquisando bastante e depois indo lá, descobri que existem opções para todos os bolsos. As pousadas, que são mais voltadas para os gringos(ou se você dispõe de R$800 para cada diária), tem uma ótima estrutura, além de ter a vantagem de ficar no meio da área selvagem do Pantanal, então é comum ter muitos animais andando em volta e até dentro da propriedade, é uma ótima experiência para quem consegue pagar. A opção intermediária, é o SESC Pantanal, ele tem uma estrutura de primeira, e tem preços mais acessíveis(pra quem tem a carteirinha do SESC fica ainda mais barato), o ponto negativo é que ele está localizado um pouco longe da Transpantaneira, no município de Barão de Melgaço, não que não seja bonito ou não tenha muitos bichos, tem muitos sim, é a opção que eu recomendo. E tem a opção mais em barata, se você não tem carteirinha do SESC, que é ficar em algum hotel em Poconé, assim ainda pode contar com a estrutura da cidade, para sair pra comer a noite, ir no mercado comprar sua comida e tal, recomendo o Hotel Canoas, foi onde fiquei, ele está no km 1 da Estrada Transpantaneira. E a opção mochileiro-raiz-sem-grana, algumas pousadas tem camping, que pode ser uma alternativa mais barata ainda, consegui encontrar duas, a O Porto Jofre Pantanal , no final da Transpantaneira e a Pousada Pantaneira Poconé, que a entrada fica na mesma estrada indo para o SESC. Passeios: Por questões de consciência ecológica, não fiz alguns passeios, como pesca ou cavalgada, já que a intenção era ir observar/fotografar os animais em seu habitat natural, e não explorá-los. Passeios de barco, fiz 4 no total, foram bem diferentes um do outro, e que gostei de todos, recomendo que você faça vários em lugares diferentes se possível, agende em outras pousadas se estiver hospedado em uma. O da Pousada Rio Claro (R$70 por pessoa, 2 horas), gostei dessa, em alguns momentos, o condutor do barco jogava peixes na água, para alguma ave próxima ir pegá-lo, fazendo um rasante na água, e em outro momento alimentou um jacaré, que segundo ele se chamava Dorotéia(o que rendeu boas fotos rs) . O da Pousada Pantaneira Poconé (R$150 o barco por 1 hora), esse foi mais tranquilo, poucos animais, mas a paisagem era bem mais bonita. O da Pousada Piuval (R$90 por pessoa), foi mais focado em observar pássaros, pois os outros passageiros(hóspedes) estavam ali só pra isso, no final do passeio fomos para uma torre de madeira, no meio da mata, com uma vista muito bonita, ver o pôr do sol ali foi ótimo, compensou todo o passeio. O da Pousada Porto Jofre Pantanal, que foi basicamente a busca por onças, e que foi o melhor que fiz, vimos muitos outros bichos, como ariranhas e até cobra sucuri, mais detalhes abaixo. Passeios para ver as onças, esse passeio é cobrado pelas pousadas e agências de Poconé por R$500/pessoa (além de R$400 pelo transfer de ida/volta), se assim como eu, você quiser economizar, pode ir direto para Porto Jofre de carro, e conversar com os pescadores e donos de barcos que tem por ali, ou ir na Pousada Porto Jofre Pantanal, eles cobram pelo barco, R$700 por 4 horas(ou R$1.000 por 8 horas), como eu estava com mais uma amiga, ficou $350 por pessoa, se estiver em grupo, sai mais barato ainda fazer dessa forma. Acho que só pra quem vai sozinho que vale pagar os R$500 que as agências cobram. Focagem noturna, fiz na Pousada Piuval (R$50), fomos numa caminhonete, não chegamos a ver muitos bichos, mas é sempre questão de sorte pra ver. A trilha na mata é algo rápido, e estava incluso no Day Use, vale a pena, mas prefira ir no início ou no fim do dia, que é quando tem mais chances de ver animais. Não recomendo o passeio fotográfico, você pode fazer por conta, dirigindo pela Estrada Transpantaneira e parando em qualquer lugar para fotografar os animais(se avistar um grupo de pessoas parada em algum ponto da estrada, pode ir lá que deve ter algo interessante), o ideal é sair no amanhecer, ou no fim do dia, que é quando os animais estão mais ativos e saem, além de aproveitar um pôr do sol que só o Pantanal vai te proporcionar.
  33. 7 pontos
    Olá pessoal, me chamo Icaro, sou de SP e venho novamente aqui no site, após pouco mais de 4 anos, relatar mais uma viagem, dessa vez ao velho continente que foi feita em Novembro de 2019. Fui com meu companheiro e tanto eu como ele nunca havíamos ido a Europa antes. Combinamos montar o nosso roteiro após descobrirmos o nosso ponto de partida (a intenção era esperar uma promo para Europa e começar o roteiro a partir dali). Em Janeiro apareceu uma promo para Roma pela LATAM, ida e volta direto por R$1.651,00 (sem despacho de bagagem), pensamos, pensamos e como Itália era um dos países que queríamos visitar acabamos comprando para irmos em outubro. Além da Itália a Espanha também seria passagem obrigatória, uma vez que visitaríamos um amigo em Madrid. Logo, nosso roteiro teria que incluir, obrigatoriamente, esses dois países. Primeiro transtorno Aqui no meu serviço geralmente eu que tiro féria entre setembro e outubro, porém um abençoado do meu setor também acabou optando tirar em outubro pois ele também iria para a Europa, como as férias dele vencia antes da minha então ele estava no direito dele de escolher a data que iria querer tirar. Fui contar com os ovos antes da galinha e me dei mal. Minha seção é pequena e fica bem complicado saírem de férias no mesmo mês, resultado? Fui obrigado a trocar a data da minha viagem e, consequentemente, pagar pra isso 🤦‍♂️. Até tentei negociar mas como meu colega viajaria com outras pessoas tbm então a situação ficou mais complicada pra mim, então não teve jeito! Acabei tento que pagar mais R$ 2.300,00 pela remarcação da viagem, e mudei então para Novembro (não queria pois além de frio é o mês que mais chove por lá, segundo pesquisas pela internet), fazer o quê?! 🤷‍♂️ Segundo transtorno Lembram que meu voo era ida e volta direto para Roma, certo?! Um belo dia, mexendo na internet, descobri que essa rota SP/Roma, sem conexão, seria descontinuada pela LATAM a partir de quando? Isso mesmo, 31/10/2019! Prontamente liguei lá para saber como ficaria o meu voo que, no caso, seria para o dia 04/11/2019. Liguei, a atendente me confirmou que a LATAM deixaria de operar essa rota em outubro mesmo e foi verificar o que teria ocorrido com o meu voo. Assim que ela retornou me informou que nosso voo havia sido transferido para a cia Ibéria com uma conexão em Madrid. Questionei o motivo pela qual eu não havia sido informado para decidir se aceitava ou não tal mudança, dai ela rebateu que a LATAM havia me realocado para o melhor voo disponível para aquela data que eu queria. Meu voo original partiria ás 15h do dia 04/11 de Guarulhos e chegaria em Roma ás 9h00 do dia 05/11, já a volta seria por volta das 11h do dia 27/11, já o voo pela Iberia sairia de Guarulhos ás 16h do dia 04/11 chegando em Madrid em torno de 6h com uma espera de pouco mais de 2h para o próximo voo pra Roma, chegando por lá, finalmente, ás 12h. Até ai, tudo bem, chegaria um pouco mais tarde em Roma do que gostaria, porém o problema era com o voo de volta que seria só as 19h do dia 27/11, sendo que dia 26/11 eu retornaria de Madrid, (iria visitar um amigo que mora lá), chegando em Roma por volta de 23h, a intenção era passar a noite no aeroporto de Roma e aguardar o voo de retorno ao Brasil no dia seguinte que, originalmente, deveria ter sido ás 11h, mas com alteração do voo a volta passou para ás 19h, logo teria que ficar por quase 24h no aeroporto aguardando pra retornar ao Brasil, não ia rolar! Como esse voo de volta tbm faria uma conexão em Madrid antes de vir pra SP argumentei com a atendente se não poderíamos embarcar em Madrid (já que iríamos estar por lá mesmo), teríamos que esticar mais um dia por lá, mas seria muito mais comodo para nós e resolveria nosso problema que a LATAM causou, porém, obviamente, tal sugestão não foi aceita já que a funcionária disse que se eu não embarcasse no avião em Roma seria considerado como "no show", logo, eu perderia o voo e não poderia embarcar mais. Como nenhuma das opções que eu ofereci foram aceitas e eu teria que gastar com 1 hospedagem em Roma se não quisesse passar um dia inteiro dentro de um aeroporto, minha única opção foi recorrer ao PROCOM que prontamente acionou a LATAM que antes do prazo entrou em contato para dar uma resposta. Resultado: Fomos indenizados em R$ 1.700,00 (cada um) e ainda nosso voo seria mantido! O saldo foi bom, pois, ao menos, cobriu o valor que havíamos gasto com a remarcação das passagens e ainda barateou (ainda mais) as passagens que havíamos comprado, saindo as duas por R$ 2.200,00, além do que conseguimos alterar (sem custo) o voo de volta por Londres. Por conta disso esticamos a viagem em mais 1 dia para conhecermos a cidade. Planejamento Bom, passagens compradas agora era hora de definir o roteiro e após muito dilema ficou assim: Itália: Roma (5 dias e 4 noites) e Veneza (1 dia e 1 noite); Áustria: Viena (3 noites e 2 dias); Hungria: Budapeste (3 dias e 3 noites); Rep. Tcheca: Praga (4 dias e 3 noites) e Kutná Hora (bate e volta); Alemanha: Berlim (3 noites e 3 dias com bate e volta em Sechsenhausen); Espanha: Madrid (4 noites e 4 dias com bate e volta em Toledo); Inglaterra: Londres (2 dias e 1 noite). Total: 24 dias Ficamos em Hotel em quase todos os lugares pois foi uma viagem em casal, apenas em Londres que seria o último destino da viagem e como passaríamos apenas 1 noite ficamos em Hostel. Paguei tudo antes da viagem, portanto, não tive gastos com hospedagem nessa viagem, se quiserem posso mandar por e-mail a planilha com todos os gastos que tive para realizar essa viagem, lembrando que o gasto total foi para um casal. Dica: Através do Airbnb, Hotéis.com e Expedia é possível pagar as hospedagens parcelando em até 10x, no caso do Airbnb entra juros, independente do número de vezes, mas não é nada absurdo, e no Hotéis.com e Expedia, sem juros, me ajudou demais com relação ao orçamento essas facilidades. Viajar apenas com bagagem de mão e uma mochila foi um desafio menos custuoso do que imaginei, ainda mais considerando a época (novembro), mês que além de frio é chuvoso. Claro que o fato de ser homem facilita bastante, já que mulheres, naturalmente, sempre acabam precisando levar mais itens em suas viagens. Assim que comprei as passagens eu também providenciamos a compra do seguro viagem e fechei com a Assist/Trip que nos oferecia uma cobertura de gastos hospitalares total de US$40.000,00 pra cada um por R$ 517,00 (os dois). Deslocamentos Decidido o roteiro agora era preciso definir como nos deslocaríamos até os locais que iriamos visitar, nessa viagem usamos formas diversas de deslocamento (avião, trem e ônibus), avião e trem você consegue comprar com bastante antecedência, já os trens só com, no máximo, 90 dias de antecedência é possível comprar passagens. Como para alguns destinos, em particular, a melhor opção era mesmo ir de trem, deixamos essas passagens para comprar com o máximo de antecedência permitido possível. No roteiro foi percorrido da seguinte forma: SP/Roma: Ibéria (9h de viagem), econômica, após todos os rolos acabou saindo R$ 1.100,00 pra cada Roma/Veneza: Trenitália (8h de viagem) +/- €20,00 cada passagem (2ª classe). Veneza/Viena: OBB (8h de viagem) €15,00 cada passagem (1ª classe), aliás, a melhor viagem de trem que fizemos! Viena/Budapeste: OBB (3h de viagem) €13,00 cada passagem (2ª classe), me stressei muito nessa viagem de Viena para Budapeste por conta de uma logística extremamente sem sentido da empresa, detalhe, não compramos as passagens pela OBB para esse trecho. Budapeste/Praga: Ryanair (1h de viagem) +/- €38,00 cada passagem Praga/Berlim: RegioJet (4h de viagem) €15,00 cada passagem Berlim/Madrid/Roma: Iberia +/- €128,00 os 2 trechos, por pessoa. Roma/Londres: Britsh Airways (1h50m de viagem), econômica, trecho incluso na passagem de ida e volta parta SP. Londres/SP: LATAM (11h de viagem), econômica, trecho incluso na passagem de ida e volta. Gastos Levamos um total de €2.600,00, (€1.300,00 p/ cada um), ou seja, teríamos uma margem de gastos de aproximadamente €55,00/dia por pessoa. O dinheiro foi suficiente, lembrando que fomos com todas as hospedagens e deslocamentos entre cidades (exceto de Praga para Kutná Hora e Madrid/Toledo), pagos. Abaixo todos os gastos relativos a essa viagem (valor para um casal) em R$: Obs: Como vocês podem ver dentro do custo total está incluso o valor da remarcação das passagens, custo esse que acabei compensando com o valor da indenização que a LATAM teve que pagar para nós no valor de R$ 3.400,00, por terem realocado a gente em outro voo com outra Cia sem nos consultar preliminarmente. Eu mantive esse gasto nessa planilha pq, de qualquer forma, tivemos que custeá-lo. Logo, seria um gasto que, muito provavelmente, vocês não teriam, diminuindo significativamente o custo total da viagem. Visto: Bom, como muitos já sabem não se exige visto para brasileiros para entrar na Europa, bastando estar com o passaporte dentro do prazo de validade. Vacinas: É bom ir com o comprovante da vacina para Febre Amarela, a única obrigatória, caso seja solicitado na imigração do país que você estiver entrando. Se você já tomou nos últimos 10 anos basta ir até um posto da Anvisa e solicitar o seu ou baixar pelo site (lá na ANVISA li em cartazes que era possível fazer isso pelo site), eu fui pessoalmente, então não posso confirmar isso, ah, lembrando que agora ele vale pra vida toda! Bom, essa foram as informações preliminares que eu queria passar antes de começar o relato, de fato, da nossa viagem! Caso eu ache necessário alimentar com mais alguma informação, eu vou editando. Bora lá?!
  34. 7 pontos
    Em setembro de 2018, fizemos uma viagem ao Chile e Peru. Roteiro - 24 dias São Paulo > Santiago > Valparaíso > San Pedro do Atacama > Tacna > Arequipa > Cusco > Ollantaytambo > Aguas Calientes > Machu Picchu > Cusco > Lima. Começamos nossa jornada no Chile, em Santiago, Valparaíso e San Pedro do Atacama, cujos relatos seguem abaixo: No ônibus das 20:30, deixamos San Pedro do Atacama em direção a Arica, cidade chilena fronteira com o Peru. Seriam 8 horas de viagem, que à noite tínhamos esperança de sequer vermos passar. Com o coração apertado de deixar aquele lugar que tinha acordado tanto dentro de nós, nos despedimos do céu mais estrelado do mundo prometendo, para o Universo e uma para a outra, que voltaríamos logo, em breve, a tempo de não esquecermos toda a emoção que sentimos, nem de deixarmos a brutal rotina do acordar-trabalhar-dormir nos transformar em marionetes que fazem o uso da palavra "sabático" para justificar o tempo em que resolveram ser felizes. Logo nós, que tínhamos acabado de enxergar o não tamanho do mundo. Chegamos em Arica ainda escuro. Claudio (amigo que fizemos no Atacama, junto com seu fiel cão Lucky, artista plástico de Valparaíso que, cansado do mesmo todo-dia da vida e do consumo sentimental das relações obrigatórias, encontrou em San Pedro um porto. Breve e temporário.) tinha nos dito que, ao chegarmos, deveríamos atravessar a rua para a outra rodoviária, a internacional, onde poderíamos pegar um ônibus para o Peru. Foi uma ótima dica, ou teríamos ficado perdidas na escuridão da falta de informação e sinalização. Ao chegarmos na rodoviária internacional, que mais parecia o ponto final de uma linha de ônibus bem acabada em uma cidade quase fora do mapa, uma mulher sentada numa mesa nos informou que o ônibus para Tacna só sairia a partir das 8:30 da manhã. Eram 4:30 da madrugada. A outra opção, como ela sugeriu, era atravessar a fronteira com um dos muitos motoristas de carro que faziam ofertas de assentos pelo mesmo valor dos ônibus. Não, só se fôssemos loucas de aceitar. Assistimos demais "Presos no Estrangeiro" para arriscarmos uma prisão por tráfico de drogas com um estranho que diria que era tudo nosso, das gringas. Nunca. Resolvemos dar uma volta na rodoviária para despistar a mulher que nos alucinava com essa ideia, quando ouvimos sem muita certeza, o motorista de um ônibus gritar "Tacnabus, Tacnabus" e corremos para confirmar a informação. O ônibus ia para a Bolívia, mas primeiro pararia no Peru, em Tacna, para onde estávamos indo. Com o dinheiro guardado na calcinha, entramos no ônibus e seguimos para o nosso próximo destino. Na fronteira: sai do ônibus, carimba passaporte de entrada no Peru, passa as mochilas no raio X, tira o vinho da mochila, mostra que é vinho, guarda a garrafa, volta as mochilas para o bagageiro, sobe no ônibus. E em 40 minutos, chegávamos em Tacna. *ATENÇÃO! Ao desembarcar no aeroporto em Santiago do Chile, na entrada no país, além do passaporte carimbado, também entregam um papelzinho, aparentemente sem nenhum valor e sem nenhuma explicação. GUARDE-O DENTRO DO PASSAPORTE! Na travessia da fronteira, esse papel é exigido. TACNA Não esperávamos encontrar em Tacna a cidade charmosa e acolhedora que descobrimos. De habitantes tacanhamente tímidos, que nos olhavam surpresos e alegres ao perguntarmos seus nomes, essa cidadela conquistou nossos corações, receosos de não conseguirem mais se apaixonar depois de conhecer o Atacama. Mas Tacna é leve, florida, descompromissada, como que se viesse só para provar que é possível amar depois de amar. O sotaque, de tanta timidez, torna o espanhol mais difícil aos ouvidos. Os bancos das praças possuem tetos de flores para fazer sombra. Na Plaza de Armas - nome de todas as praças principais de todas as cidades do Peru - há fotógrafos velhinhos andando sob o sol, sorrindo e sugerindo um retrato para a posteridade, como um pedaço de tempo congelado entre as flores coloridas, as palmeiras altíssimas, a fonte imponente, o arco marcante da cidade e, sempre, a igreja. As lojas são todas setorizadas, de forma que os supostos concorrentes são colegas vizinhos, e você jamais vai conseguir tirar uma xerox se estiver próximo dos açougues ou dos consultórios ortodônticos, uma pequena obsessão tacniana. Por toda a rua principal, há galerias como camelódromos, com cabines de câmbio, tabacaria, lojas de joça e manicures enfileiradas em carteiras escolares oferecendo seus serviços. Em Tacna você vira a esquina e se depara com uma padaria a céu aberto no meio da rua! Carrinhos de pães perfumam o entardecer e nos transportam para uma imaginada infância peruana. Foi ali que também comemos o melhor hambúrguer de cordeiro da nossa vida. No "Cara Negra", uma sanduicheria especializada em cordeiro, que eles criam lá mesmo no sítio atrás do bar. É descolado e tem drinks deliciosos. Faz valer a visita na cidade. Por todos os lugares que passamos, sempre procuramos pelo Mercado Central, que é onde encontra-se a essência do local. O Mercado Central de Tacna é imperdível. Tem de tudo. Especiarias, ervas, carnes, queijos, farinhas, biscoitos, frutas, verduras, doces, produtos de limpeza e muitas, muitas casas de sucos. Na "Juguería Sra Rosita", uma simpática senhora de sorriso frouxo e vontade de conversar, tomamos maravilhosos sucos de melão e de morango, muitíssimo bem servidos, de ficar na memória. Conhecemos também Miguel, dono de uma barraca de remédios de plantas medicinais, que sabia a erva ideal para absolutamente todo tipo de enfermidade. Ao caminharmos de volta para o hotel, bem encantadas com a surpresa de Tacna, uma vendedora nos parou para oferecer azeite. Ao agradecermos e sorrirmos, ela trocou a oferta para um branqueador dental. Talvez por marketing, ou pela já citada fixação por dentes perfeitos dos habitantes da li. Tomara. Por fim, antes de partirmos, passamos por uma casa roxa, um centro de, como dizia a placa, "Magia y Diversión". Sem isso, qual seria mesmo o sentido de tudo? Com a delicadeza dessa mensagem tão sutil e necessária, seguimos nossa viagem em direção a Arequipa. - Onde ficamos: Ficamos no Nice Inn Tacna, no centro da cidade, com atendimento muito cordial. As pessoas são super simpáticas, o quarto era confortável, chuveiro quente e café da manhã bem simples. Nice Inn Tacna - Av Hipólito Unanue 147, Tacna 23001, Peru / Telefone: +51 52 280152 / booking.com/hotel/pe/nice-inn-tacna.es.html - Onde comemos: Cara Negra - Cnel. Bustios 298 / Telefone: +51 952 657 540 / @caranegraoficialtacna / facebook.com/caranegraranchosanantonio/ - Onde fomos: Mercado Central de Tacna - Calle Francisco Cornejo Cuadra 809, Tacna 23003, Peru Plaza de Armas - Paseo Cívico de Tacna, Tacna 23001, Peru Seguimos para Arequipa, Cuzco, Ollantaytambo, Aguas Calientes, Machu Picchu e Lima, que detalharemos em post separados. https://www.instagram.com/trip_se_/
  35. 7 pontos
    Fala minha gente! Então, vejo vários posts aqui sobre "mochilão baixa renda" com gastos de R$ 5k e eu ficava "eita, eu sei que consigo fazer melhor". E fiz. Resumo: Iniciei meu mochilão em Santa Maria (RS) no dia 16/01/2020, finalizei o mesmo em Santo Ângelo (RS) no dia 25/02/2020, no total foram 41 dias de viagem, gastei aproximadamente R$2.500,00. O transporte foi dividido entre pedir carona na beira da estrada, ônibus pago e ônibus gratuito (tenho ID jovem). Brasil: 50% de carona, 25% de ônibus pago e 25% de ônibus gratuito; Argentina: 90% de carona, 10% de ônibus pago; Chile: 90% de carona, 10% de ônibus pago; Peru: 100% ônibus pago; Bolívia: 100% ônibus pago (metade do trajeto foi de trem e não ônibus, porém pago). Plano original: Eu queria visitar San Pedro de Atacama, Machu Picchu, daí do Peru cruzar pro Brasil no Acre e ir descendo o Brasil, porém a passagem Cusco-Rio Branco é ABSURDAMENTE cara, o que me fez mudar de ideia e voltar pro Brasil cruzando a Bolívia. No final, essa acabou sendo minha rota: Equipamento: Eu não sou escoteiro nem nada, então meu mochilão não foi feito com as opções mais inteligentes, mas isso eu conto depois. Além de camisetas, Calças, moletons, jaquetas, levei uma barraca, isolante térmico e saco de dormir. Levei um mochilão de 45L que comprei na Amazon e uma mochila de costas mais velha que eu. Aqui está o aparato: Documentos: Além do passaporte, levei minha carteira de identidade e certificado internacional de vacinação da febre amarela (que supostamente é obrigatório na Bolívia, mas não me pediram...), numa doleira, levei R$2.000,00 em espécie Acomodação: Dos 41 dias de viagem, apenas em 4 eu fiquei em hostel, o resto, em Couchsurfing. Vamos para os perrengues? 16/01 - O início de tudo Para começar com o pé direito o meu mochilão, o dia amanheceu chovendo em Santa Maria (RS), estragando meus planos de pedir carona, mas como BR é teimoso, peguei um ônibus municipal até a estrada do mesmo jeito, o destino do dia era São Borja, na fronteira com a Argentina, onde já tinha confirmado minha pernoite em um couchsurfing. Descendo do ônibus, com um guarda chuva meio bosta que mais atrapalhava do que ajudava, estiquei meu dedão, mas não deu pra continuar com o guarda chuva, pois ele virava ao contrário a cada 30 segundos. A chuva não estava muito forte então resolvi guardá-lo. 5 minutos depois, para um carro (vocês verão nesses meus posts que é muito de boas de pedir carona no Brasil) Um casal super simpático que me deixou em Santiago, uma cidade na metade do caminho. Lá, comi um pastel num posto de gasolina antes de continuar minha jornada de esperar na beira da estrada. o que levou 7 minutos Um corretor de imóveis vindo do litoral (super longe) indo para São Borja para pegar a assinatura de um cliente que comprou uma casa na praia, conversamos a viagem inteira e ele me deixou na mesma quadra da casa do couchsurfing que eu ia ficar, super gente fina, ainda tirei foto com ele porque ele tem um amigo que o sonho é viajar de mochilão assim haha. Ou seja, cheguei no meu destino lá por 14:00, super cedo em quesito de carona, e passei o resto do dia na companhia dos meus anfitriões, fomos no porto comer pastel de peixe e beber cerveja. Portanto, terminei o primeiro dia assim:
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    A PARTIDA O embarque aconteceu as 01:40 da manhã do dia 26/01/2019, com o vôo realizado pela empresa Copa Airlines, itinerário: Salvador/BA (SSA) x Havana (HAV), escala na Cidade do Panamá (PTY), com a duração de 09h entre a cidade de Salvador/BA até a Cidade do Panamá. A partir da Cidade do Panamá foram mais 02h de vôo até Havana, com a previsão de chegar as 10:20 da manhã deste mesmo dia. DIA 01. 26/01/2019 – sábado Cidade: Havana | Província: Havana Chegada no horário pontual, as 10:20. Nesse primeiro dia Graziela e Eu passamos uns perrengues para ser liberados do aeroporto internacional Jose Marti, devido aos funcionários serem “complicados”. Trocamos dinheiro na CADECA do aeroporto, comprando CUC e CUP. Saímos do assédio dos taxistas, que cobram 25 CUC até o centro da cidade. Depois de muita espera conseguimos embarcar em um ônibus coletivo, que passa a cada 1h, desembarcando no terminal 1. Caminhamos mais 1 km até Av. Rancho Boyeiros, onde o ônibus da linha P12 estava parado na sinaleira. Corremos e conseguimos embarcar, pagando o valor de 20 CUP nas duas passagens. A passagem custa 0,40 CUP, mas em Cuba não se da o troco quando paga valores altos, sempre deve pagar com o dinheiro trocado. Do Aeroporto até o centro de Havana é uma distância considerada, 26 km aproximadamente, com duração de quase 1h. No Centro de Havana seguir com Graziela até a R. Hospital (Calle Hospital), me hospedando no Albergue Hammel. Paguei 03 diárias, cada dia saindo 5,20 CUC, por pessoa. Inicialmente achava que o albergue é a hospedagem mais econômica para duas pessoas (me enganei). Nesse primeiro dia não sair, apenas fui almoçar e descansar. Um bom lugar para almoçar é na Rua Calzada de Infanta, localizada no centro da Cidade. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Ao trocar dinheiro na CADECA peça o favor a funcionária para inserir cédulas de 1CUP, facilitando o transporte nos ônibus coletivos. 2- Quando embarcar no primeiro ônibus que sair do Terminal 3 do Aeroporto Internacional José Marti, desembarque na Av. Rancho Boyeros que é a referência. A parada de ônibus é após o terminal 1 do aeroporto. Os ônibus para a Centro passam na margem oposta do desembarque. 3- Em Havana possuem muitos arrendadores em divisa (casas particulares de família). Se for sozinho priorize os albergues, mas se for a partir de duas pessoas priorize as casas. 4- Os paladares e serviços em Havanas estão no Centro da Cidade. A referência é a Calle Calzada de Infanta. DIA 02. 27/01/2019 – domingo Cidade: Havana | Província: Havana Nesse segundo dia em Havana acordei cedo com Graziela e iniciamos a caminhada pelo Malecon (orla), passando pela Praça Maceo e a frente da Fortaleza (não entramos porque paga uma taxa de 5 CUC, por pessoa), o bairro da Havana Velha, a Catedral, o bar bodeguita del médio, o Capitólio e o bairro Chino. No final da tarde o tempo fechou e caiu uma forte chuva. Voltamos para o albergue e ficamos recolhidos para no dia seguinte. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Tome café nos paladares. O café da manhã dos cubanos é pizza com cafezinho. Peça logo uns 05 cafezinhos que da um copo cheio. Não estranhe quando um cubano parar e ficar surpreso, os cubanos pensa que um copo de café é ruim para a saúde. 2- Em cuba a higienização não é das melhores. A Pizza mesmo se come na mão e as xícaras de café passam uma água e pronto! Com o tempo se acostuma. 3- Para vegetarianos e veganos a única opção é o Arroz Congri ou macarronada. Na maioria dos cardápios os cubanos possuem a prática de temperar com presunto. 4- Leve uma sacola de pano para acomodar os alimentos que compra e os pães, pois a maioria dos estabelecimentos em Cuba não tem sacolas. Os poucos que possuem cobram pela sacola de plástico. DIA 03. 28/01/2019 – segunda-feira Cidade: Havana | Província: Havana Nesse terceiro dia, depois de uma noite desafiadora para dormir, devido as fortes chuvas e a queda de energia, acordei com a noticia do tornado que aconteceu em Havana, matando quatro pessoas. Quando sair com Graziela, para iniciar mais um dia de caminhada por Havana, percebi o que é um luto oficial. As casas com panos pretos, lojas fechadas e ruas vazias, população abatida e bastante comovida. Seguimos pela Av. Simon Bolívar até visualizar a Plaza da Revolução. A frente da praça está localizado o monumento Jose Marti. Para conhecer a parte interna do monumento Jose Marti paga uma taxa de 5 CUC, por pessoa. Claro! Não fui. Deixa para os dias finais, se sobrar dinheiro. No dia seguinte o destino é a Baía dos Porcos, localizada na Cidade de Cienaga de Zapata, Província de Matanzas. A Via azul está uns 3 km de distância, segundo o aplicativo MAPS.ME. Conversei com Graziela e fomos a pé, conforme orientação do aplicativo. Comprei a passagem no valor de 13 CUC, por pessoa, com destino a Playa Larga, nosso próximo destino e local para dormir. O guinche da Via Azul, na Cidade de Havana, está em frente ao Zoológico. A noite fomos conhecer a Universidade de Havana. Para nossa surpresa, nesse dia estava ocorrendo um evento sobre a nova constituição de Cuba em frente da universidade. Graziela e Eu fomos convidados por um funcionário a nos retirar por um funcionário, pois o evento é exclusivo para cidadãos cubanos. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Existe a opção de ir utilizando o ônibus coletivo para a Plaza da Revolução. As linhas são a P16 e a P12. 2- Para a Via Azul, que fica longe do centro, é aconselhável a pegar o ônibus coletivo da linha A27. 3- O MAPS.ME é um aplicativo que funciona sem a necessidade de está conectado com a internet e a maioria dos pontos e trajetos estão atualizados. DIA 04. 29/01/2019 – terça-feira Cidade: Cienaga de Zapata (Playa Larga) | Província: Matanzas A partida do Centro de Havana, até o terminal da Via Azul, foi de ônibus coletivo da linha P27, embarcando no ponto localizado na Rua Calzada de Infanta. O ônibus só passou as 06:00 da manhã, chegando ao terminal no horário limite do embarque, as 06:40 da manhã. Embarquei com Graziela em um ônibus da Via Azul simples, com o ar-condicionado muito forte, sem cinto de segurança nas poltronas e um banheiro que não funciona. Acredito que ele só tava me esperando para sair. A viagem durou por 3 horas, com uma parada em um ponto de apoio (tudo com valores altos) na Cidade de Jagüey Grande. Chegamos em Playa Larga as 09:45 da manhã, desembarcando na rotatória principal da localidade. Em Playa Larga fiquei hospedado na Casa Cezar, uma indicação feita pela dona do Hostel Hammel, dando a palavra com os donos da casa Cezar através de contato por telefone. O quarto disponível está nos padrões que o Governo de Cuba exige, bem estruturado e composto por duas camas de casal, ar-condicionado, banheiro com chuveiro quente, uma TV, um guarda roupa, uma banca com espelho e um frigobar com itens disponíveis para venda (cerveja, suco, refrigerante e água) Nesse primeiro dia fiz uma grande caminhada entre Playa Larga e o mangue, localizado após a Praia Caleton. A Praia Larga, localizada a direita do centro, possui piscinas de águas cristalinas, formada entre corais. Mais adiante está a praia principal, com grande faixa de areia e poucas barracas, águas calmas e menos transparentes. A esquerda está localizada a Praia Caleton, de águas calmas e mais escuras. Nessa praia existe uma espécie de siri enorme e bravo. Sofri dois ataques doloridos. Em Playa larga é um pouco complexo achar um local legal para se alimentar. Graziela e Eu tivemos muita dificuldade em encontrar, o que salvava eram os poucos paladares simples, localizados na margem da estrada. Apelidamos de “biboquinhas”. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Saia da “rede de arrendadores”. 2- Procure casas um pouco afastada da praia, são mais barata e o conforto é o mesmo. 3- Após a Playa Caleton existe um criadouro de crocodilo, ficar esperto porque ao lado tem uma área aberta de pântano. 4- Nas praias de Playa Larga existe um pequeno mosquito que morde, provocando coceira e ardência. Levar repelente. 5- Em Playa Larga existem poucas opções para comer. 6- A Baía dos Porcos é a Região mais relevante de Cuba a respeito da História da Revolução. 7- Na Playa Caleton tem uma espécie de Siri grande, que avança. DIA 05. 30/01/2019 – quarta-feira Cidades: Cienaga de Zapata (Giron) e Cienfuegos| Províncias: Matanzas e Cienfuegos Acordei as 06:30 com Graziela e ajustamos as mochilas. Fomos à rua tentar tomar café, sem sucesso. Tudo fechado. O único local aberto foi um paladar na entrada do Centro de Playa Larga, que só vende pizza. Para nosso azar o rapaz pediu para aguardar porque estava preparando uma dezena de pizza por encomenda. No centro fomos até uma delegacia para saber como chega até a localidade de Giron, o Policial orientou que sai um ônibus coletivo as 09:00 da manhã da rotatória da praça. A Passagem custa 5 CUP, por pessoa. Passou as horas e não deu tempo de comer a pizza. As 09:00 despedir da esposa do Sr. Cezar e embarquei no pequeno ônibus, lotado, com destino a Giron. Uma senhora cubana nos ajudou a embarcar, colocando em um local para acomodar a mochila cargueira e a menor que levei. Fomos informados que a passagem é paga quando desembarca. A paisagem é fantástica, a estrada que leva até Giron vai margeando toda a Baía dos Porcos. Águas cristalinas e azuis se destacavam. Passamos em uma das localidades em que os moradores de Playa Larga informaram que considera o mais fantástico da Região, conhecido pelo nome de Cueva De Los Peces. Do ônibus já dava para visualizar a água azul piscina, típica caribenha, mas não fui até lá. A barriga começou a “reclamar”, pois sair sem tomar café. O percurso de Playa Larga até Giron durou 45 minutos, quando desembarquei e fui pegar a carteira para pagar as passagens o motorista acelerou o ônibus e foi embora. Fiquei um pouco sem reação, pois não paguei as passagens que totaliza 10 CUP. Á área urbana de Giron é bem maior que Playa Larga, com mais estrutura. O que me chamou a atenção é a quantidade de arrendadores em divisa, perdi a conta. No trevo caminhei sobre um forte sol, carregando a mochila cargueira. Graziela carregava as duas mochilas menores. Passamos pela frente de um mini-shopping e um museu, com um grande avião na entrada, chamando a atenção. No horário em que passamos estava fechado e resolvemos seguir. No final da rua existe um hotel, caminhei pela esquerda e cheguei até uma bela praia, conhecida pelo nome de Los Cocos. Nesse quinto dia destaco que a Praia Los Cocos foi a mais bela que visualizei e me banhei, a clássica caribenha. O melhor é que tinha poucas pessoas, a maioria parecia ser de nacionalidade de italianos. Larguei as mochilas na areia, troquei de roupa atrás de uma amendoeira e fui me banhar. Graziela fez a mesma coisa. A esquerda caminhamos pela faixa de areia e pelo fundo do hotel, saindo na famosa e histórica Praia de Giron. Foi nessa localidade que Fidel Castro derrotou os Estados Unidos em 1961, após a invasão planejada pelo Presidente Kennedy. A praia não é muito bela, existe uma construção imensa, parecendo um muro, feita de concreto, que se estende pelas águas da Praia de Giron. As águas não são cristalinas, mas são quentes e calmas. Na praia possui algumas barracas, mas só tinham 04 visitantes, desanimando os vendedores. Fiquei na faixa de areia, na sombra de um coqueiro e curtir a paisagem com Graziela. Já passava das 11:30 e a fome “apertou” de vez. Deixei Graziela em um ponto de ônibus e fui procurar um local para comer. Acredite! Em Giron é pior que Playa Larga para encontrar um local popular para comer, só visualizava arrendadores em divisa e dois restaurantes de turistas. Para minha sorte encontrei um contêiner que é uma pizzaria e comprei uma pizza de legumes no valor de 2 CUC. O valor foi caro, mas era a única opção. Levei para Graziela e nosso almoço foi uma pizza média e água. No mini-shopping, em frente ao museu, está um guinche da empresa Via Azul. Comprei duas passagens para a Cidade de Cienfuegos, cada uma no valor de 7 CUC, no horário das 14:35. Embarquei com Graziela no ônibus da linha: Havana x Santiago de Cuba, no horário pontual. A viagem durou 1h e 10 minutos até Ciudad de Cienfuegos. No terminal rodoviário fomos abordados por um rapaz oferecendo hospedagem. Como “quebrei” a rede de arrendadores em Playa Larga, comecei a negociar os valores das hospedagens. No planejamento o valor máximo é 15 CUC. O rapaz fez a proposta oferecendo o valor máximo para mim e comecei a fazer a contra proposta e fechamos em 12,50 CUC pela diária do quarto. A Casa é da irmã dele, a Sra. Mariela. Fomos recebidos por ela e nos tratou super bem. Conhecemos sua família e ela ficou feliz por hospedar os primeiros brasileiros em sua casa, pois ela é fã das novelas brasileiras, programação predileta dos cubanos. A casa fica no centro da cidade, perto de tudo. Isso é bom que faço tudo a pé e aproveito para conhecer a cidade com mais detalhes. Nesse quinto dia não estava com tanta disposição, pois fiquei com fome, viagem cansativa, sol no rosto o dia todo e mais fome, priorizamos em comer e comprar pães para a noite. O almoço foi fácil em achar, tendo vários paladares na Avenida Passeo El Prado, principal da Cidade. Entretanto, na padaria ficamos duas horas para comprar pães que são bastantes disputados. E para piorar, em Cuba não tem aquela fila padrão, sendo que a pessoa chega e pergunta: “quem é o último?” e tem aquela pessoa que respondeu como referência. Ai fica a pergunta: existem os “furadores de fila”? Claro! Tanto que dois tentaram furar a fila e a própria população que estava aguardando enquadraram e disse que ia chamar a polícia. Pense! Chamar a policia para organizar a fila do pão. Pois é, o cubano tem medo da policia, parecem ter pavor. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Se puder conheça a Cueva de los peces. 2- Em Giron conheça o museu. 3- A praia de Los Cocos é a mais bonita da Região. 4- Assim como em Playa Larga, Giron possui poucos locais para se alimentar. 5- O transporte só tem via azul ou taxi, o guinche da empresa fica no mini-shopping. 6- Em Giron existe uma CADECA, localizada no mini-shopping. DIA 06. 31/01/2019 – quinta-feira Cidade: Cienfuegos| Província: Cienfuegos Tempo bom em Cienfuegos, com a manhã ensolarada e quente. Sair bem cedinho com Graziela e fomos tomar café da manhã no centro comercial, localizado a duas ruas da casa em que estamos hospedados. Em Cienfuegos experimentei o pão de manga, que para minha surpresa ficou muito saboroso com o café. As pessoas que nos observava começara a puxar assunto e alertava sobre o café, dizendo que a bebida é prejudicial à saúde. Em Cuba as pessoas bebem uma pequena xícara. Graziela e Eu bebemos um copo grande de café. Claro! Os cubanos que observavam ficavam “espantados”, ou até mesmo “assustados”. Seguimos para o terminal rodoviário e compramos a passagem com destino a Playa Rancho Luna. Nessa compra conhecemos a “malandragem cubana” de querer cobrar um valor a mais e a recusa de devolver o troco. O valor oficial informada pela funcionária da rodoviária é de 1 CUC, sendo que minha menor cédula era de 3 CUC e como o total vai dá 2 CUC (pela ida e volta), vai sobrar 1 CUC de troco. O Valor é cobrado dentro do veículo, porque é particular. Quando entreguei a cédula o cobrador, fui informado por ele que não tinha como devolver o troco e que estava me ajudando, pois, segundo ele, “estrangeiros não podem utilizar os serviços que os cubanos usam e caso utilizem devem pagar a mais”. No inicio, como não conhecia muito, aceitei. Mas isso é mentira e alerto a você que está lendo e for para o País. Não caia nessa conversa, é tudo “treta”. A viagem foi em um ônibus urbano velho e lotado, de propriedade particular que tem a autorização para fazer essa linha. O percurso durou 35 minutos até Rancho Luna, no desembarque o cobrador informou que o ultimo horário é as 16:40. A Praia Rancho Luna é formada de águas calmas, cristalinas, com uma tonalidade mais escura, não sendo uma praia clássica caribenha. Sua faixa de areia é pequena, menos de 1 km. Possui poucas barracas que oferecem serviços e existem alguns sombreiros feitos de palha que ajuda o visitante a descansar. Apesar da temperatura passando dos 32°C e o calor forte, as águas da praia Rancho Luna estavam geladas. Banhei-me com Graziela e observamos alguns peixes ao nosso redor. A água é muito cristalina que possibilita visualizar ao fundo sem a necessidade do mergulho. Junto com Graziela caminhei do farol até o manguezal, totalizando quase 2 km (só a ida). Não deu para prosseguir devido a vegetação de mangue densa. Na praia tinha poucos freqüentadores, a maioria branca, mas tão branca que estavam ficando com a pele rosa. Graziela e Eu já estávamos desconfiando que as pessoas (cubanos e estrangeiros) nos observavam achando que éramos cubanos, devido as nossas características. Já começávamos imaginar a usar a nosso favor. As 16:00 fui para a parada de ônibus aguardar o veículo. Ele passou as 16:10, indo até o final de linha Fe fazendo o retorno. Decidir com Graziela embarcar para poder viajar sentado, já que são quase 20 km de distancia. Meu almoço foi pizza com macarrão e molho de tomate, uma loucura. Repetir o prato e bebi uma limonada para “inchar”, quero ver a barriga “reclamar” agora. A noite fui com Graziela até uma feira de artesanato, comprei uns objetos e conversei por vários minutos com o vendedor sobre assuntos políticos, históricos e sociais de Cuba e do Brasil. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Não caia na conversa de que turista não pode usar serviços dos Cubanos. Uma das poucas coisas restritas são os ônibus da EON. Isso é verdade porque são do governo. 2- A passagem na rodoviária para Rancho Luna custa 1 CUC, aconselho a embarcar fora do terminal rodoviário, deve ser bem mais barato. Observei pessoas pagando em CUP 3- A praia Rancho Luna, apesar de não ser clássica caribenha, é bonita, valendo está no roteiro. 4- Se for para praia aconselho a levar o seu lanche e o que necessitar para se alimentar. 5- Ficar atento com o horário da volta do ônibus. Caso perca, terá que negociar com o taxi coletivo e são pessoas difíceis de barganhar. DIA 07. 01/02/2019 – sexta-feira Cidade: Cienfuegos| Província: Cienfuegos Hoje o dia está frio, tentei visualizar o nascer do sol da área de serviço da casa, que tem uma bela vista da Baía de Cienfuegos, mas sem sucesso. Uma grande nuvem predominou e cobriu o nascer do sol. No café da manhã, após uma conversa com Graziela, decidimos conhecer os bairros e monumentos da Cidade de Cienfuegos. A área urbana foi constituída por franceses, possuindo moldes de construções orientados pelos colonizadores da França. Na Avenida Passeo el Prado os estabelecimentos e as casas são todas nesse formato. No ano de 2005 a Cidade de Cienfuegos foi considerada patrimônio da humanidade pela UNESCO. Conhecemos a Avenida 54, conhecida pelo nome de Bolevard, devido à concentração de lojas, sendo algumas de luxo. Fomos abordados várias vezes por pessoas oferecendo a tarjeta de Internet. No Centro Histórico da Cidade estão as principais atrações: prédios, teatro, palácio, monumento do arco e praças, de tudo e mais um pouco. Não entrei em nenhum dos estabelecimentos mencionados, pois todos pagam taxas e nesses dias iniciais não faz parte do planejamento o gastos com essas taxas, lembrando que todas são cobradas em CUC. Curtir muito as praças Direcionei-me com Graziela a sul da Cidade e conheci o Malecon (a orla), não propicia ao banho, mas com uma paisagem bonita e vista para a Baía de Cienfuegos. Ao final está o bairro da Punta Gorda, um local das residências grandes, chamativas, considerado um bairro de alto padrão residido pelas famílias mais ricas da Cidade de Cienfuegos. Ao final existe um píer que possibilita uma bela vista das serras ao fundo do mar. Graziela e Eu descansamos em um pequeno coreto próximo do píer, ficando no local por vários minutos e observando as águas calmas da Baía de Cienfuegos. Após almoçar, Graziela fez um pedido em conhecer o hospital universitário, referência em saúde básica. No local se visualiza pessoas de várias nacionalidades. O prédio é imenso, apesar de ser antigo está conservada. O local é bem arborizado. Na volta visualizamos o pôr do sol na área portuária, após caminhar por vários minutos debaixo de um sol escaldante. A frente se encontra um belo prédio azul, que é a aduana de Cienfuegos. Infelizmente presenciamos a morte de um gato afogado. Duas crianças chegaram a pular na água suja e funda do porto para salvar o animal, sem sucesso. Graziela começou a chorar e fiquei bastante emocionado e com muita raiva ao ver o corpo do gato boiando. A cena do gato com os olhos arregalados olhando para mim e gritando não sai da minha cabeça. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Se tiver uma grana e quiser conhecer o interior dos monumentos de Cienfuegos é bom. 2- Tente visualizar o nascer do Sol na Baía de Cienfuegos e o pôr do sol na área portuária. 3- A tarjeta de internet é fácil de comprar na Avenida. 54, o Boulevard de Cienfuegos. 4- O hospital universitário está localizado na Cidade. Pessoas de todas as nacionalidades vêm para esse Hospital se especializar em saúde básica e estudar medicina. DIA 08. 02/02/2019 – sábado Cidades: Santa Clara e San Juan de Los Remédios| Província: Villa Clara As 04:30 despedir de Mariela e seguir com Graziela ao terminal rodoviário, hoje será nossa primeira viagem de caminhão (batizei de guaguona). Esperamos poucos minutos e embarcamos em um caminhão bem antigo, mas conservado, estilo “pau de arara”, com bancos de metal duros e desconfortáveis. O valor da passagem saiu 20 CUP, por pessoa. Poucos minutos já estava lotado. As 04:50 o veículo partiu com destino a Cidade de Santa Clara. Eu tenho um problema de saúde chamado Cinetose, conhecido como transtorno de movimento. O caminhão tava lotado e forrado de lonas porque ventava muito e fazia frio, entretanto me sentia abafado e comecei a abaixar a cabeça e isso é terrível para mim. Poucos minutos já estava com sensação de vômito e tontura. Graziela me deu um apoio psicológico e me ajudou até chegar a Santa Clara. Já percebi que viajar de caminhão são “para os fortes”, e mesmo com esse transtorno irei continuar viajando. A duração foi de 1h e 10 minutos, chegando ao amanhecer no terminal de apoio dos caminhões provinciais de Santa Clara, por volta das 06:00. Tomei um café com Graziela e caminhamos ao terminal provincial principal. Nosso destino final é a Cidade de San Juan de Los Remédios, onde pretendemos passar dois dias. Mas antes de embarcar irei ver a possibilidade de conhecer o mausoléu de Ernesto Chê Guevara e o museu que está ao lado. Além disso, ver se é possível conhecer a Plaza da Revolução da Província de Villa Clara. Cada Província possui sua praça da revolução, acredito que todas constituídas nas capitais das províncias. As mais conhecidas são a de Havana e de Santiago de Cuba. Por enquanto só conheci a de Havana. A caminhada ao terminal provincial foi de 10 minutos, mas o sol castigava. Chegamos por volta das 08:00, pois fizemos uma parada para tomar café. Para nossa surpresa, o ônibus para Cidade de Remédios parte as 10:00 da manhã, só restando duas horas para conhecer o nosso atrativo em Santa Clara. Pesquisei no MAPS.ME e observei que o monumento de Chê Guevara está a 1,1 km do terminal. Chamei Graziela e ela topou em arriscar ir a pé e conhecer. Seguimos debaixo de um sol forte e em 15 minutos chegamos. No local visualiza uma grande estatua de Chê Guevara e suas frases estampadas nas paredes. Dizem que abaixo do monumento estão os seus restos mortais. O local, todo revestido de granito, com a carta que ele fez a Fidel. A Frente está a imensa Plaza da Revolução, mas sem nenhuma árvore. O sol estava de “rachar na cabeça”. Ao fundo está o museu e o cemitério, que só abre as 09:00 da manhã. Resolvi arriscar com Graziela. As 09:00 uma funcionária pede nossos passaportes e diz que a taxa é facultativa. Segundo soube que as pessoas dos Estados Unidos, independente da sua posição política, não podem entrar no museu, por isso a solicitação do passaporte. Na portaria avisei que não iria pagar a taxa, sendo obrigado a deixar as mochilas no local e posteriormente fui liberado com Graziela. Na saída da portaria está uma imensa maquete da Sierra Maestra, detalhando a organização das frentes libertadoras da revolução Cubana. A obra é bem feita com riqueza de detalhes, fiquei encantado. No interior do museu estão objetos usados por Chê Guevara, destacando: documentos, roupas e fotografias. Existem quadros com palavras contando um pouco da sua história e a sua participação na revolução. O espaço interno do museu é bem estruturado e organizado. Infelizmente a passagem foi rápida, por conta do horário. No final fui com Graziela até o cemitério, localizado ao lado do museu. Lá estão enterradas as pessoas que participaram das frentes libertadoras na revolução cubana de 1959. Regressamos e embarcamos no ônibus para a Cidade de San Juan de Los Remédios, no horário das 10:00. A passagem custou 2 CUP, por pessoa, em um veículo estranho, sanfonado, parecendo que foi emendado duas carrocerias. Pelo menos as poltronas eram confortáveis. A viagem durou 1h, com uma única parada na Cidade de Camaranji. Desembarcamos no pequeno terminal rodoviário da Cidade de San Juan de Los Remédios as 11:00. Na saída, pela própria garagem, o ônibus que viajei quase me atropelava. Um rapaz passou na hora e começou a rir, que sacana! Caminhei com Graziela a procura de uma casa para nos hospedar. Na primeira e segunda os preços cobrados estavam acima de 15 CUC, na terceira conseguimos conversar e fechou o valor de 15 CUC, acertamos duas diárias na casa da Dra. Lilian. A Casa de Dra. Lilian é estilo colonial. Muito conservada, grande e arejada, é uma atração a parte. Pensado bem, vale os 15 CUC. Acho que no Brasil essa casa já teria sido tombada pelo IPHAN. Ficamos hospedados em um dos quartos, sendo que na casa possuem três e um já estava ocupado por um casal dos Estados Unidos. A Lilian conversou conosco e puxou muito assunto quando descobriu que somos brasileiros. Até uma merenda foi oferecida, sem custos. Em Cuba deve cismar quando se oferece algo. Isso foi alertado em todos os relatos que li, inclusive dos “perrengueiros”. Na mesma rua da casa da Dra. Lilian está localizado o paladar La Colonial, onde um prato do almoço custa 8 CUP. Graziela e Eu pedimos 04 pratos, todos eles de arroz congri com salada. Sair satisfeito. No final da tarde, na praça principal, um rapaz no abordou oferecendo taxi coletivo para o Cayo de Santa Maria, nosso próximo destino, cobrando 10 CUC, por pessoa. Aceitamos a proposta e marcamos para as 09:00 da manhã do dia seguinte. A noite conhecemos, rapidamente, algumas ruas da pequena Cidade de San Juan de Los Remédios e sua praça, atrativo principal. Mas voltei para casa cedo porque estava cansado e com muito sono. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Se tiver disponibilidade de poucos dias em Cuba, pode fazer esse roteiro para conhecer as duas cidades em um único dia. 2- A passagem de caminhão custa 20 CUP, enquanto a via azul custa 7 CUC. 3- Para acessar o museu é obrigatório apresentar o passaporte. 4- Do terminal provincial de caminhões, ou até mesmo no principal terminal, da para ir caminhando até o monumento de Ernesto Chê Guevara, localizado na Cidade de Santa Clara. 5- A Cidade de San Juan de Los Remédios é a que possui o menor custo de todas as visitadas e uma das mais tranqüilas e sossegadas em conhecer. 6- A Dra. Lilian é uma das casas que indico e que vale apena se hospedar. 7- Se for para o Cayo de Santa Maria a melhor Cidade para se hospedar é San Juan de Los Remédios, distante 70 km. DIA 09. 03/02/2019 – domingo Cidade: Caibarién (Cayo de Santa Maria) | Província: Villa Clara Hoje é um grande dia, principalmente para Graziela. Um dos principais objetivos delas, nessa viagem em Cuba, é conhecer os Cayos (ilhas), onde estão localizadas as praias clássicas caribenhas. Cheguei até acordar cedo, mas as lojas na Cidade de San Juan de Los Remédios só abre as 09:00. Fiquei aguardando com Graziela para tomar café e comprar água. As 09:30 embarcamos em um taxi coletivo, um Chevrolet conversível, anos 1950, branco, bem conservado e bonito. Mais um casal, que parecem ser de algum País da Europa, embarcou conosco. Esse belo e clássico carro pertence ao Luis, que vai levar e trazer até o Cayo de Santa Maria, cobrando o valor de 10 CUC, por pessoa, pela ida e volta. Passamos pela Cidade de Caibarién e um imenso Pedraplan, uma construção feita com um amontoado de rochas compactadas no mar, sendo posteriormente planada e asfaltada. Nesse trecho parece que o pedraplan está “flutuando no mar”. Durante o trajeto observei que as margens são rasas. O Pedraplan do Cayo de Santa Maria possui 48 km de extensão. Chegando ao Cayo de Santa Maria, Luis fez uma pequena parada para mostrar uma lagoa onde se concentra os flamingos. Quando chegamos visualizamos centenas deles, que estavam se banhando com a luz do sol. As 10:30, após uma hora, chegamos a uma localidade de Las Terrazas, onde o casal europeu desembarcou. Seguir com Graziela e desembarcamos no inicio da trilha da Playa Las Gaviotas, que segundo relatos, é uma das mais bonitas de Cuba. Fiquei bem curioso após visualizar as fotos no planejamento. Desembarquei com Graziela e acordamos com o Luis o regresso, sendo acertada a espera no complexo da La Terrazas, distante 7 km da Playa Las Gaviotas. O inicio da trilha tem uma portaria e cobra uma taxa de 4 CUC, por pessoa. A trilha é bem batida, numa distancia que deve ser de 1,0 km, caracterizada por uma vegetação de restinga e poucas árvores. Poucos minutos já dava para visualizar um belo azul-piscina ao fundo, se “confundindo com o céu”. Ali está a Praia Las Gaviotas. Águas azuis, cristalinas, areais brancas e limpas. É uma praia fantástica, uma clássica caribenha, das mais belas praias que visualizei. Graziela ficou encantada e feliz por está ali, pois o Cayo de Santa Maria está em um dos seus locais preferidos em Cuba. Na praia tinha muitos pelicanos pescando e bando de gaivotas tomando banho de sol. O nome da praia faz jus aos bandos das aves que ficam nas areias, em grupos, se banhando no sol forte de Cuba. O céu estava limpo, proporcionando uma forte intensidade de azul nas águas da praia las gaviotas. Fui mergulhar com Graziela e a água estava muito gelada. Para chegar num trecho profundo deve caminhar muito, apesar das águas estarem perto da faixa de areia. Visualizei várias estrelas do mar e peixes. Uma ressalva que faço são os carrapichos que voam da parte com a cobertura vegetal e fica na areia, chamo atenção devida as várias vezes em que os carrapichos furaram o meu pé e fui obrigado a caminhar com a sandália. Ficamos por mais de 3 horas na praia, após fazer uma tendinha com palhas de coqueiro seco para se proteger do forte sol. Na praia de Santa Maria visualizamos uma família de brasileiros, percebendo após ouvir as falas. Os demais freqüentadores pareciam ser europeus, estadunidenses e canadenses. Cubanos só os funcionários e isso me deixava incomodado. Graziela é a única que possui um tom de pele pardo/negro, os demais frequentadores brancos. Essa foi uma realidade bem incomoda para mim. As 14:00 iniciamos a caminhada para Las Terrazas, passando por várias praias desertas e outras com poucos freqüentadores que estão hospedados nos luxuosos hotéis localizados de frente ao mar. O trecho possui 7 km de uma caminhada tranquila, com poucos pontos rochosos que é necessário utilizar uma sandália para não furar os pés. As 15:10 chegamos em Las terrazas e fomos abordado por um funcionário de um hotel solicitando para nos retirar, pois a praia é exclusiva aos clientes. Inicialmente ele pode ter achado que éramos cubanos, mas quando falamos o rapaz ficou até um pouco surpreso e assustado, mas não mudou sua posição. Graziela e Eu ficamos bastante indignados, aproveitando o momento para ressaltar que tem um casal na praia que vieram no mesmo carro conosco, ao ponto de apontar-los, mas o funcionário insistiu para que pudéssemos sair da praia. Saímos e ficamos na portaria aguardando o Luis. Na parte de fora um funcionário se aproximou e começou a puxar assunto. Explicamos o fato e o rapaz ficou surpreso, e ao mesmo tempo sem entender, o comportamento do colega. As 16:30 regressamos com direito a assistir um belo pôr do sol no pedraplan. A noite almoçamos no paladar La Colonial. Achei a comida com um sabor estranho, amarga. Falei com Graziela e ela disse que poderia ser o tempero. Persistir dizendo que tem algo azedo, mas me alimentei. As 20:00 assistimos um festival de música no museu da cultura, um evento local bem legal. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Em Remédios o comercio e serviços só funcionam a partir das 09:00 da manhã, não adianta acordar cedo. 2- Indico o Luis para conduzir até o Cayo de Santa Maria. O carro é muito bom e o preço também. 3- Em Remédios visitem o museu da cultura e a feira de artesanato. 4- Ficar atento ao chegar em Las Terrazas, pois existem funcionários preconceituosos e xenofóbicos. DIA 10. 04/02/2019 – segunda-feira Cidade: Moron | Província: Ciego de Ávila Existe uma linha de ônibus direta, que sai da Cidade de Remédios e tem o seu destino final da Cidade de Moron. Porém, que faz esse trajeto é a EON, empresa de ônibus cubana do Governo. As passagens são restritas as pessoas que não são cubanas. Apesar de não ser proibida, a venda é restrita. Inicialmente pensei em ir pela EON, aproveitando que Graziela e Eu somos confundidos com nossos irmãos latinos cubanos. Iríamos embarcar sem chamar a atenção, tomando uma única atitude: não falar. Fui ao guinche e a funcionária pediu o documento, que após a análise retrucou que não poderia me vender. Depois fui chamado pela mesma funcionária que disse: “chama o motorista e conversa com ele, oferece um dinheiro que vocês embarcam”. O velho suborno. As 09:00, o ônibus chega ao terminal rodoviário vazio. Conversei com o motorista e ele pediu 10 CUC pela passagem minha e de Graziela. Pensei em pagar, mas depois minha consciência pesou e desistir, saindo do terminal rodoviário. A única opção é contornar por Santa Clara e ir no “pinga-pinga” até chegar na Cidade de Moron, arriscando a sorte. Na minha visão existem linhas para Ciego de Ávila, principal Cidade que está localizada na autopista de Cuba (uma espécie de BR-116). Aguardamos 30 minutos e nesse intervalo se passaram dois ônibus da TRANSMETRO lotados. Os ônibus da TRANSMETRO são do governo e tem um valor acessível, disponíveis para os trabalhadores cubanos. Além disso, os ônibus são confortáveis, todos no estilo de viagem. Quando algumas pessoas nos confundiam como cubanos, pensei em utilizar isso ao nosso favor em algum momento e a oportunidade chegou. Embarquei no TRANSMETRO com Graziela e um senhor que conhecemos na parada de ônibus, sentado em uma poltrona bem confortável, pagando o valor de 5 CUP com destino a Santa Clara. Depois de 1h na estrada desembarquei na universidade de medicina e fui caminhando com Graziela, debaixo de um forte sol, por 3 km. Fiz essa escolha errada, em vez de seguir o senhor e ir com ele em um ônibus urbano. No terminal rodoviário de Santa Clara, para nossa decepção, só descobrimos que tem caminhão até a Cidade de Sancti Spiritus, distante 76 km de Ciego de Ávila. Sem muita escolha embarcamos em um caminhão bem desconfortável, pagando o valor de 25 CUP, por pessoa. A viagem de 86 km, com uma parada na Cidade de Placetas, durou mais de 1h, chegando em Sancti Spiritus por volta das 13:00. Uma passageira nos orientou a seguir no mesmo caminhão até Jatibonico, uma pequena cidade localizada há 32 km de distância. Pagamos mais 10 CUP e seguimos. A viagem nesse trecho foi até rápida, também o motorista do caminhão foi “sentando o pé”. Chegando à pequena e pacata cidade de Jatibonico, onde me direcionei até o terminal rodoviário com Graziela. Para nossa surpresa não tinha passagens para CIego de Ávila, só no dia seguinte. A moça que nos orientou sumiu! Sem saber muito quem procurar, decidir arriscar uma carona na estrada após observar outras pessoas pedindo. Em um dos relatos foi mencionado que a maneira mais simples de se pegar uma carona é estender uma cédula. Puxei 20 CUP e fui. Poucos minutos uma carreta carregando um contêiner estaciona e manda subir. Chamei Graziela e seguimos. Para nossa sorte o Sr. Israel está indo para Ciego de Ávila. Iniciamos uma conversa e após contar um pouco da nossa história ele devolveu o dinheiro que tinha lhe dado, a cédula de 20 CUP do Camilo Cienfuegos. A viagem foi tranquila e desembarcamos no anel rodoviário da cidade as 18:00. Sr. Israel nos orientou a seguir no ônibus coletivo urbano da linha 22. No local onde desembarcamos aguardamos poucos minutos até embarcar em um micro-ônibus bem pequeno. Desembarcamos no terminal rodoviário de Ciego de Ávila as 18:20 e para nossa surpresa os funcionários não informava nada sobre ônibus e nem horários para a Cidade de Moron, dizendo que existem taxis coletivos que faz o transporte. Fiquei bem chateado e fui para rua buscar informação, mas estava um pouco difícil. Para piorar estávamos sem almoçar que me deixava em um nervosismo, desestabilizando a mim e Graziela. Observei vários ônibus da TRANSMETRO e deduzir deve está seguindo para os Cayos Coco e Gullermo, ou voltando. Parei alguns e os motoristas não informavam. Quando estava perto de desistir e procurar um arrendador em divisa em CIego de Ávila, aparece um funcionário da TRANSMETRO e nos orienta a esperar no ponto de ônibus que está em frente ao terminal rodoviário, que a partir das 19:30 vai aparecer os ônibus que vão passar pela Cidade de Moron. Aguardamos e as 19:20 aparece um ônibus da TRASNGAVIOTA, escrito Cayo Coco. O motorista desce e fui até a sua direção para saber se o veículo passa pela Cidade de Moron. Ele confirmou e disse que a passagem custa 5 CUP. Acomodamos as mochilas no bagageiro e embarcamos em um ônibus novo, bastante confortável. A viagem durou por quase 1h, pois fez muitas paradas de embarque e desembarque no trajeto. Chegamos na pacata e escura Cidade de Moron as 20:15, desembarcando em frente a estação de trem. Após alguns minutos de procura achei uma rua com alguns arrendadores, mas uma rua bem escura. No primeiro estava ocupado e no segundo o rapaz queria cobrar 20 CUC. Depois de um longo dialogo fechamos para o valor limite que podemos gastar: 15 CUC. A casa particular se chama Dra. Mirtha, que tem como dono o Alves (chamo ele de Abili). O quarto estava com muita poeira, paredes mofadas e lençóis “suspeitos”, me deixando bem cismado. Estava tão cansado e com fome que decidir ficar ali mesmo, com aval de Graziela. Almoçamos uma comida ruim e cara no único restaurante aberto da Cidade. No final da noite conversamos um pouco com o Abili, que nos informou que tem um amigo que faz o transporte até os Cayos Coco e Guillermo, cobrando o valor de 20 CUC, por pessoa. Aceitamos e pedimos para ele ligar e confirmar. Foi acertado a partida no horário das 09:00 da manhã. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Se for de Remédios até Moron vá pela EON, mesmo que pague caro ou suborno (infelizmente). 2- Não indico a casa Dra. Mirtha (Abili). 3- Caso queira ir de Ciego de Ávila até Moron, vá de TRANSMETRO. DIA 11. 05/02/2019 – terça-feira Cidade: Moron (Cayos Coco e Guillermo) | Província: Ciego de Ávila Acordei com Graziela bem cedo para tomar café e quando Graziela foi abrir o portão a chave ficou presa na fechadura. O Abili quando visualizou tentou ajudar e quebrou a chave no portão. Depois o cara surtou e começou a da vários pontapés no portão e gritar, que nem um louco, deixando a mim e Graziela bastante assustados. As 09:00 da manhã, o Sr. Arnaldo estava buzinando na porta do Abili com seu carro Lada branco, bem conservado e arrumado. Com ele estava duas mulheres belgas, que vão para o Cayo Coco. Passamos por toda a Avenida principal da Cidade de Moron e chegando até o pedraplan, trecho que interliga ao Cayo Coco. Esse pedraplan tem uma extensão menor que o do Cayo de Santa Maria, totalizando 27 km. Na metade dele existe uma torre de controle e fiscalização da policia cubana, com um letreiro escrito “Jardines Del Rey”. Ali identifica que começa o arquipélago Sabana-Camagüey. Chegando ao Cayo Coco o Arnaldo aconselhou a conhecer a Playa Los Flamingos, que segundo ele é a mais bonita. De fato é uma praia bem bonita, caracterizada pelas águas azuis, bancos de areia com a tonalidade branca e a foz de um rio com as águas claras. Curtimos por 1h no local. A praia Clássica do Cayo Coco é bonita, mas possui ondas e concentra muitas pessoas. Essa concentração se dá pelo fato de haver muitos hotéis e barracas. As belgas se incomodaram com a quantidade de gente, e nós também, por isso a escolha de ir a Playa Los Flamigos, que de fato é bem mais bonita e mais tranquila. No inicio do trajeto tinha acertado o valor de 15 CUC com o Abili e o Arnaldo, mas esse valor é até o Cayo Coco. Para o Cayo Guillermo deve acrescentar mais 5 CUC, ou pegar o ônibus circular que custa o mesmo valor. Preferimos a pagar o Arnaldo, que é um cara bem tranquilo, conduzindo a mim e Graziela para o Cayo Guillermo. Na média o valor é de 20 CUC e quando foram cobrados 15 CUC achei até barato. As belgas preferiram ficar na Playa Los Flamingos. Arnaldo trafegou mais 32 km e nos deixou no Cayo Guillermo, precisamente no acesso a mais famosa praia e considerada a mais bela de Cuba: Playa Pilar. Acertei com ele que estarei as 17:00 no mesmo local que está me deixando agora. Caminhei com Graziela por uma pequena trilha e uma ponte feita de madeira, aparentemente uma construção nova, com a cor azul e branca. Poucos minutos já visualizada o tom azul da praia Pilar. A praia Pilar parece um pouco com a Las Gaviotas, um tom azul-piscina, águas calmas, frias, contudo eram menos transparentes. Ao fundo tem uma ilhota com um farol que deixa a paisagem ainda mais “surreal”, parecendo um quadro, uma obra de arte, sei lá, é uma beleza encantadora. Visualizava vários cardumes de peixes pulando, além das estrelas do mar. A praia estava um pouco cheia devido às barracas que oferecem serviços. A praia Pilar tem uma faixa de areia branca, limpa e pequena. Ao Leste estão os hotéis localizados na costa, em meio as grandes rochas. O nome Pilar é devido ao barco do escritor estadunidense Ernest Hemingway, que escolheu Cuba para viver e produzir seus livros. Um dos mais conhecidos, e que levei para a leitura, é o livro Velho e o Mar. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- A Playa los Flamingos não possui uma estrutura de serviços, porém é a mais bela do Cayo Coco. 2- A Playa Pilar possuem poucas barracas que oferecem serviços. 3- Não tente ir utilizando os ônibus da TRANSMETRO aos cayos, pois corre o risco de ser punido e até mesmo preso. DIA 12. 06/02/2019 – quarta-feira Cidade: Santiago de Cuba | Província: Santiago de Cuba Madrugada do dia 06 de fevereiro, acordei as 03:00 da manhã. Arrumei as mochilas com Graziela e entreguei as chaves a Abili, não queria ficar na casa dele nem mais um minuto. Seguir até a estação de trem e comprei a passagem para Ciego de Ávila, no horário das 06:00 da manhã. O valor da passagem saiu 1 CUP, por pessoa. Trem velho, sem condições de rodar. Mas foi nele que rolou a viagem. Durante o trajeto ocorreram várias paradas em pequenas estações. O Percurso durou 1h. Em Ciego de Ávila embarquei no micro-ônibus (que dei o nome de guaguinha), da linha 22, até o terminal rodoviário. O veículo estava lotado e o povo retado por conta da mochila cargueira que carregava. Na Via azul comprei a passagem com destino a Santiago de Cuba, no horário das 10:45, sendo que cada uma custou 24 CUC. Hoje a Via Azul mostrou a sua má fama, o ônibus atrasou 1h e 30 minutos, realizando o embarque as 11:30, numa viagem de quase 600km. A duração foi de 10h, chegando ao terminal rodoviário de Santiago de Cuba as 21:30. No terminal rodoviário fui abordado por uma senhora, se apresentando pelo nome de Lilian Hernandez, oferecendo casa. Após dialogarmos fechamos o valor de 10 CUC. Deixei pagas duas diárias. A casa fica no centro da Cidade de Santiago de Cuba, “próximo de tudo”. O arrendador em divisa está no primeiro andar de um cortiço. Bem simples, mas arrumado, o quarto conta com os itens básicos, entretanto só faltou um guarda roupa ou algo para deixar as mochilas e roupas, mas para mim o local está ótimo. Mesmo no final da noite, precisamente as 23:45, resolvi caminhar com Graziela pelas ruas do centro histórico e comercial. Visualizamos uma fabrica de pães aberto e fomos lá. Compramos 10 pães frescos, cada um por 1 CUP. Pra nossa surpresa visualizamos uma cafeteria aberta e bebemos alguns cafezinhos, que por sinal estava muito ruim. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Se for para Santiago de Cuba, partindo de Ciego de Ávila, tente negociar com os taxis coletivos. Sai mais em conta e o trajeto é mais rápido. 2- No terminal rodoviário de Santiago de Cuba terá várias pessoas oferecendo casa, sendo que algumas não são arrendadores. Tome cuidado! Aconselho a não ficar hospedado nas casas que não são arrendadores em divisa. 3- Tente se hospedar no Centro da Cidade ou perto do terminal rodoviário, da para fazer várias localidades a pé. DIA 13. 07/02/2019 – quinta-feira Cidade: Santiago de Cuba | Província: Santiago de Cuba No Planejamento em Cuba fiz de tudo para ver se dava para incluir a trilha histórica da Sierra Maestra no orçamento, mas sem sucesso. O valor é muito alto. Mesmo assim, sem essa possibilidade, incluir a Cidade de Santiago de Cuba pela sua historicidade e relevância no País. Hoje tentarei ir até o Castelo El Moro, um local bastante cobiçado da Cidade e com uma bela vista da faixa litorânea sul/sudeste da Ilha de Cuba. Bem, infelizmente a tentativa se frustrou, pois pedir o dia todo com Graziela aguardando o bendito ônibus da linha 11 que não passou. Tentei ver um taxi coletivo, mas o cara deve ter me achado com “cara de rico” e quis me cobrar 35 CUC, por pessoa. Pior que xingar um cubano é deixar “falando sozinho”, eles odeiam e acabei fazendo isso. Fiquei retado pela deslealdade, basta cobrar o preço que qualquer um solicita pelo serviço. Pela tarde caminhei com Graziela e conhecemos o badalado centro comercial, o centro histórico, a orla e a área portuária, além das ruas e vielas. Conheci várias praças e a principal delas, a Plaza da Revolução Antonio Maceo, que para mim é a mais bela de toda Cuba, tanto que quando cheguei sentir uma energia positiva e bastante forte. Permaneci ma praça da revolução até o pôr do sol. No final da noite, as 23:15, fizemos uma caminhada de 4 km, pegando toda a extensão da Av. Antonio Maceo, até a Calle 4, onde está localizada o terminal de caminhões provinciais. Nosso próximo destino é a Cidade de Guantánamo e o primeiro caminhão sai as 05:00 da manhã. Mesmo tarde, o terminal estava movimentado. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Existem ônibus coletivos para fazer os trajetos nas localidades de Santiago de Cuba. 2- Se for para o Castelo El Moro, tente fechar com um taxi coletivo ou carro particular, pois o ônibus da linha 11 até hoje espero. 3- O valor da trilha na Sierra Maestra, em fevereiro de 2019, estava custando 170 dólares, por pessoa. Para alguns pode ser um valor bom. 4- Conheça e permaneçam por alguns minutos observando a Plaza da Revolução de Santiago de Cuba, faça esse teste e se puder me manda uma mensagem. 5- Os almoços em Santiago de Cuba são ruins. 6- A cidade tem um “ar pesado”, devido a grande fumaça produzida pelos veículos velhos e mal conservados que circulam na Cidade. DIA 14. 08/02/2019 – sexta-feira Cidade: Baracoa | Província: Guantánamo Acordei com Graziela as 03:00 da manhã, menos de 4 horas de sono. Despedimos da Sra. Lilian Hernandez e seguimos caminhando por toda a extensão da Avenida Antonio Maceo até o terminal de caminhões. A madrugada de cuba estava movimentada, com pessoas em bares, praças, caminhando pelas ruas. O barato de Cuba é que você pode caminhar em qualquer horário e localidade, sem medo da violência, não existe. O caminhão velhinho, pequeno, desconfortável, logo ficou lotado, dando a partida as 05:25 da manhã. O Valor da passagem custou 25 CUP, por pessoa. Para o meu azar, uma senhora sentou no banco da frente, tapando toda minha visão e com o movimento do caminhão ela acabava me prensando na base de proteção da carroceria do veículo. Essa foi uma das piores viagens e mais perigosas que fiz utilizando o caminhão, alem da mais fria. A pista estava com muita neblina e o motorista em alta velocidade. O trecho de 80 km durou 2h e 5 minutos, devido as paradas nas Cidades para embarque e desembarque. O final de linha do caminhão é no terminal rodoviário principal da Cidade de Guantánamo. Fiquei um pouco impressionado com a Cidade de Guantánamo, capital da província homônima. As ruas bem arborizadas, casas arrumadas, praças, lojas estruturadas, ruas asfaltadas, bem interessantes. No meu ponto de vista achava encontrar uma Cidade feia, pacata, bem pobre. Ainda bem que me enganei. Isso é a alienação dos meios de comunicação que informam o que quer e só retratam Guantánamo como o local em que está a prisão dos Estados Unidos. Bem, voltando aos fatos, chegando ao terminal rodoviário e encontrei dificuldade e resistência dos funcionários informarem transporte para a Cidade de Baracoa, nosso destino final. Um dos relatos que pude ler, o autor destaca que em Guantánamo ele teve alguns problemas devido a população não gostar de estrangeiros. Achei que seria um exagero, mas ao estar lá parece que não é. Fomos informados por um taxista que o ponto de apoio para Baracoa fica no final da Cidade, que levaria no valor de 3 CUC pela corrida. Conversei com Graziela e aceitamos. De fato o ponto de apoio é longe, quase 8 km do terminal rodoviário. Chegando lá encontramos várias pessoas aguardando transporte. O terminal é um vão pequeno, sujo e mal conservado, com um funcionário que estava fardado com a camisa do ministério do interior e uma funcionária que fiscaliza o banheiro e cobra o valor de 1 CUP para o uso. Ao chegamos as pessoas que estavam no aguardo perceberam que éramos estrangeiros e que o destino é a Cidade de Baracoa. Um rapaz, aparentemente bêbado e vendendo guloseimas nos abordou e falou: “Baracoa? Cobro 50 CUP para colocar no ônibus”. No inicio achei engraçado e rir, pensando que o cara tinha algum problema, mas me enganei. No ponto de apoio existe um esquema forte de passageiros, onde o funcionário do ministério do interior, que trabalha como um fiscal e ordena o embarque de passageiros. É aí surge à máfia. Quem paga a propina é inserido na frente dos demais. Fiquei bem chateado. Para piorar, um rapaz começou a puxar assunto e ao saber que Graziela e Eu éramos brasileiros começou a provocar dizendo que escolhemos Bolsonaro como presidente e que Cuba não era nosso lugar, falando ainda que tínhamos dinheiro e que era para fretar um carro. Ai me retei e retruquei, respondendo a “altura”: “Aqui vocês não tem o poder de escolha e não vota num período de 04 anos. Além disso, o meu voto é apenas um em um país que tem 210 milhões de habitantes. No Brasil, quem vence é que tem a maior quantidade de votos e acredito que você não tenha esse tipo de conhecimento porque não conhece o sistema eleitoral do Brasil. E para finalizar, tudo que você pensa, projeta e deseja ocorre em Cuba? Acho que não.” Depois dessa conversa algumas pessoas concordaram comigo e vieram se aproximar, entre essas pessoas um rapaz chamado Yvelise, um ex jogador de beisebol que participou da seleção Cubana e jogos internacionais. Ele e sua companheira se aproximaram e disseram que iria nos ajudar. Um jovem, mais novo que Eu, se juntou e falou para irmos até a Cidade de Ímias e de lá pegar outro transporte para Baracoa, pois ali seria difícil. Um caminhão, que faz o transporte de Guantánamo para Baracoa e estava estacionado próximo a parada de passageiros, queria nos cobrar um valor 5 vezes a mais, deixando as pessoas revoltadas. Yvelise começou a falar que eles não são cubanos e que não representam Cuba, pois em Cuba o povo é justo e não mau caráter. O Yvelise ficou bem chateado. Embarcamos em um ônibus da TRANSMETRO, após a espera de 4h. Só conseguimos entrar no ônibus porque Yvelise, sua companheira e o garoto fizeram uma barreira para que pudéssemos entrar. Pagamos 5 CUP nas duas passagens. A estrada é bonita e perigosa, curvas muito sinuosas, sendo que na margem direita está o mar e na margem esquerda a serra do Parque Nacional Alexander Von Humboldt (nome bonito, de um geógrafo). O motorista “sentava o pé” e Eu tomava vários sustos. Sem duvida esse trecho de Guantánamo para Ímias é o mais belo e perigoso percurso. O mar azul, de águas cristalinas, formando várias piscinas imensas, me deixando encantado. Não sabia se olhava para o mar ou as serras, mas nesse momento o mar atraiu mais a minha atenção. O ônibus fez uma parada na Cidade de Santo Antonio Del Sur e depois seguiu, as pessoas não estranhavam a mim e Graziela porque achavam que éramos Cubanos. A mochila cargueira estava debaixo do banco e Graziela não conversava comigo, então ninguém desconfiava. O trecho de 83 km durou 2h, chegando na pequena Cidade de Ímias as 13:00. Ao Sul, Ímias é uma das Cidades que está no extremo leste da ilha, sendo uma das últimas. No local desembarcamos em um pequeno ponto de apoio rodoviário e aguardamos no meio da multidão. Yvelise informou que iria nos ajudar a embarcar para Baracoa. Não demorou muito e um caminhão se apróxima com destino a Baracoa. Embarcamos na cabine, com ar-condicionado, pagando o valor de 50 CUP, por pessoa. O motorista não era muito de conversa, mas ficou feliz pelos 100 CUP que recebeu. Esse caminhão foi o mais confortável, um KAMAZ branco, bem conservado. O motorista, bem cauteloso, não poderia acelerar, pois a partir de Ímias a estrada possui um aclive considerado e muitas curvas sinuosas. Haja mão no volante. Esse trecho está na Serra Humboldt, só subida. O percurso de 68 km foi realizado em 3 horas e a velocidade máxima não chegava 40 km. Sem duvidas essa estrada é a mais perigosa que já trafeguei na vida, é coisa surreal, de louco. Aos poucos visualizava o imenso mar e a pequena Cidade de Ímias metros abaixo. Baracoa está do outro lado da Serra Humboldt. Chegamos em Baracoa as 16:00, desembarcando no terminal provincial de caminhões. Fomos abordados por uma senhora que deu o valor da casa de 15 CUC. Tentei negociar mas ela foi bem resistente. Caminhando pelas ruas de Baracoa, morrendo de fome, um senhor me visualizou com a cargueira e perguntou se estava procurando casa. Após conversar chegamos um acordo no valor de 12 CUC, após a ratificação de sua esposa. O nome dele é Guillermo e é chefe de cozinha. O nome da sua casa é caracol, localizada bem perto do Malecon de Baracoa. Quando chegamos na residência ele apresentou a sua esposa Yvelina. Ficamos acomodados no quarto verde, que é pintado todo de verde. A casa tem três quartos: rosa, amarelo e verde. O rosa estava ocupado com um casal de franceses. O quarto verde possui: três camas, ar-condicionado, ventilador, frigobar, 8 janelas, vista para o mar, a serra e o morro mais alto da Cidade: El Yunque, com 575m de altitude. Saímos para ir atrás de um local para almoçar, mas estava tudo caro. O Guillermo é chefe de cozinha e ofereceu almoço no valor de 6 CUC para mim e Graziela. Inicialmente resistir, mas depois aceitei. Estava morrendo de fome e ainda não tínhamos almoçado em nenhuma casa. Até que valeu o dinheiro, a comida estava muito saborosa. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Se for ao ponto de apoio dos caminhões para Baracoa, pegue o transporte no ponto de ônibus em frente a rodoviária. Fizemos a escolha errada do taxi. 2- No ponto de apoio deve ter muita paciência. Caso não queira passar esse perrengue existe ônibus da Via Azul que faz a linha. 3- Observe a estrada entre Guantánamo e Baracoa. 4- A prisão dos Estados Unidos fica na Baía de Guantánamo, distante 40 km da área urbana. DIA 15. 09/02/2019 – sábado Cidade: Baracoa | Província: Guantánamo Acordei cedo e fiquei na cama, pois o céu estava carregado de nuvens e uma chuva fraca começou a cair. As 07:30 levantei e fui tomar café com Graziela. Em Baracoa não tem muitas opções de paladares, só encontramos um localizado próximo a CADECA. Esse estabelecimento fica aberto no turno da manhã. Hoje conheci a Playa Miel, principal praia da Cidade. A praia possui uma areia preta e o mar bem revoltoso, não sendo aconselhável ao banho. As ondas altas quebram na areia, é algo assustador. A paisagem é bonita, com uma grande vegetação da mata atlântica concentrada nas bordas da Serra Humboldt. A praia tem seu inicio após um estádio de futebol abandonado, que aos poucos despeja o resto da construção ao mar. Nesse trecho inicial da Praia Miel a faixa de areia está muito suja, cheio de entulhos. A praia estava vazia, sem nenhum banhista. Ao final da praia está a foz do Rio Miel, principal da Cidade. Uma grande extensão, entre as margens, impediu de prosseguir. Um morador local orientou que possui uma canoa e paga o valor de 1 CUC, por pessoa, pela ida e volta. Paguei com Graziela e seguir. No outro lado está o Parque Nacional Majayara, que necessita pagar uma taxa de acesso. Pagamos 250 CUP por dois ingressos, com direito a conhecer todos os atrativos do parque. Os atrativos são um mirante, uma gruta alagada, que estão na propriedade particular, e uma pequena praia. O mirante está localizado no sitio de um morador local, que se oferece para conduzir o visitante. A vista é bonita, visualiza uma densa mata e o mar. Seguindo pela trilha chega ao local conhecido pelo nome de Cueva Del Água, onde é uma gruta alagada, formando uma pequena piscina de águas cristalinas. No local existe uma espécie de camarão albino e cheguei visualizar o pequeno animal. Ao final o rapaz cobrou uma taxa de colaboração e acabei pagando o valor de 20 CUP. Na volta peguei a bifurcação da direita e cheguei uma pequena praia, chamada de Playa Blanca. Essa pequena praia é perigosa para banho, em que sua faixa de areia possui um conglomerado de rochas e as ondas são muito fortes, não valendo o valor pagado para conhecer. Permaneci no local até o final da tarde. As praias de Baracoa não são caribenhas, a maioria delas parecem com as praias daqui da Cidade de Salvador. A revolta das águas me lembrou das praias da Pituba e Amaralina, onde são poucas freqüentadas devido as ondas fortes e o perigo de se afogar. Baracoa foi destruída após dois furacões passarem com força máxima. O primeiro foi em 2016, batizado pelo nome Matthew, categoria 5, devastou a província de Guantánamo e suas Cidades; o segundo foi em 2017, categoria 4. Nesses dois eventos não ocorreu nenhum óbito, apenas perdas materiais. O sistema de alerta em Cuba, apesar de tradicional e considerado “arcaico”, é muito eficiente. As perdas matérias são inevitáveis, mas o sistema que evita a perda de vidas é eficiente. No final da tarde, ao trocar dinheiro na CADECA, conheci um argentino que estava com a camisa do Esporte Clube Bahia. Começou quando ele viu minha tatuagem, em que um dos desenhos é o escudo do Bahia. Posteriormente fui abordado por ele segurando a camisa do Bahia. A noite, em um bar no centro de Baracoa, outro rapaz me aborda, vestido com a camisa do Bahia. Ele é baiano, da Cidade de Juazeiro. Contei a ele a história do rapaz argentino e poucos minutos ele aparece com sua companheira. Ficamos resenhando por várias horas. O argentino se chama Abel Santorenegão e o baiano se chama Tarciano. É uma coisa de louco juntar três pessoas vestidos com a camisa do Bahia em uma Cidade do extremo leste de Cuba e pouco visitada por estrangeiros. Não fui até o El Yunque, morro que possui o ponto mais culminante de Baracoa. Soube que o valor de acesso são 13 CUC, por pessoa. Fiquei cismado e achei caro. Graziela bem que tentou, mas Eu coloquei na cabeça que não ia pagar esse valor. Vou me arrepender depois. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- A playa Miel não é boa para banho. Águas violentas. 2- Ao caminhar pelo Malecon fica de olho para não tomar um banho, a onda bate com violência na calçada, molhando todo o asfalto. 3- O itinerário no Parque Nacional Majayara, em minha opinião, não vale apena. 4- Faça o trajeto até o cume do El yunque, até hoje me arrependo de não ter feito. 5- O paladar para almoçar mais barato é o restaurante 1511, que abre a partir das 12:00. Os valores são cobrados em CUP. DIA 16. 10/02/2019 – domingo Cidade: Camagüey | Província: Camagüey Comprei a passagem na Via azul com destino a Camagüey no horário das 13:00, tendo a manhã livre com Graziela para fazer algo. A Cidade de Camagüey não está no planejamento, inserimos porque essa primeira parte do roteiro não ocorreu nenhum imprevisto e ganhamos dias de saldo. Nesse período da manhã caminhei com Graziela pelas ruas de Baracoa e no Malecon. Em seguida descansamos na praça e assistimos a gravação de um clipe, muito engraçado. Quando fomos almoçar descobrimos o restaurante que vende em CUP, o 1511. Mandamos fazer uma marmita e levamos para almoçar na viagem. Para a Cidade de Camagüey, o Guillermo indicou um amigo e falou que ele ia nos pegar na rodoviária, cobrando o valor de 12 CUC. Aceitamos. A Viagem foi longa, o ônibus partiu as 13:00 e chegou na Cidade de Camaguëy as 23:45, quase 11h na estrada. No terminal um rapaz se apresenta como Renê e falou que o amigo de Guillermo não poderia nos hospedar, sendo ele o indicado. Conversei com ele e seguimos. Estava um pouco estressado, com fome, que questionei o valor do bici-taxi, com um pouco da voz alterada. A casa de Renê fica 4 km distantes da rodoviária e estava com previsão de chuva, sem condições de ir a pé. O rapaz queria cobrar 3 CUC e indaguei. Após Renê conversar ele abaixou para 2 CUC. Seguimos e chegamos à arrumada casa Josefina e Renê, ficamos hospedado no quarto 2. Tomei um banho e fui dormir. DIA 17. 11/02/2019 – segunda-feira Cidade: Camagüey | Província: Camagüey Na Cidade de Camagüey conheci alguns prédios públicos e localidades históricas, fiz todo o percurso a pé devido a boa localização da casa de Renê, que está bem perto do Centro Histórico. No interior desses monumentos não entrei porque paga uma taxa. Reparei que Camagüey possui um forte comercio popular. Só neste dia 17 que experimentei o famoso sorvete da Coppelia, onde nos relatos referenciavam que o sabor era bom. Peguei uma fila e fui experimentar. Sinceramente achei uma porcaria, gosto artificial. Graziela quase jogou fora. O sorvete da Coppelia vem em uma pequena tigela, custando o valor de 5 CUP. O pior é que a sorveteria anda lotada, sempre formando filas. A estação de trem chama muita atenção pelo seu tamanho e sua forma de construção. Não cheguei a entrar porque está na fase final de uma grande reforma, mas acredito que em breve estará aberto para o público em geral. A tarde visualizei uma praça que possui um estádio de beisebol. No local tinha alguns meninos jogando futebol e o próprio beisebol. Em Cuba o esporte é muito forte. Ao lado está a Plaza da Revolucion de Camagüey, conhecida como Ingnácio Agromonte. Essa praça possui uma estátua do próprio Agromonte e alguns rostos dos heróis de Cuba, ex: Fidel Castro, Jose Marti, Chê Guevara. No local não tinha ninguém, transmitindo uma paz e silencio. Fiquei com Graziela por vários minutos até o pôr do sol. A noite analisei o mapa e chamei Graziela para irmos no dia seguinte até a Playa de Santa Lucía, localizada ao Norte da Ciudad Camagüey. Confirmei com Renê se tem transporte e fomos informados que existem caminhões que fazem a linha. Renê alertou que em Santa Lucía tem poucos arrendadores e talvez não pudesse encontrar um no valor de 15 CUC. Mesmo assim conversei com Graziela e decidimos arriscar. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Se for experimentar o sorvete da Coppelia deve preparar para pegar fila. 2- Aos vegetarianos e veganos. Se for solicitar um almoço deve explicar nos mínimos detalhes, pois muitos cubanos acham que comida temperada com carne é vegetariana. DIA 18. 12/02/2019 – terça-feira Cidade: Santa Lucía | Província: Camagüey Sair cedinho e com pressa, ao ponto de esquecer os pães do café na mesa do Renê. Depois de caminhar 1 km lembrei que tinha esquecido os pães e tive que voltar para buscar, ao ponto de resmungar bastante. Segundo o MAPS.ME, a distância da casa do Renê até o terminal de caminhões provinciais são de 2,4 km. Caminhamos e chegamos ao local, que tem como referência a estação de trem. No terminal tinha um rapaz estava gritando: “playa, playa”. Perguntei se era para Santa Lucía e foi confirmado que Playa de Santa Lucía. Embarcamos em um caminhão amarelo velho da Ford com poltronas acolchoadas. O valor da passagem foi 25 CUP e o embarque ocorreu as 07:40 da manhã. O percurso durou 2h, devido ao caminhão fazer uma longa parada na Cidade de Nuevitas. A estrada estava cheia de buracos, alegando atenção do condutor e redução da velocidade. Santa Lucía é bem pacata, poucas casas, parecendo um povoado. Um sol escaldante castigava a mim e Graziela, que saímos caminhando atrás de um arrendador em divisa. A caminhada foi longa e as poucas casas que visualizamos o valor estavam acima da média de 15 CUC. A mais barata que encontramos foi de 25 CUC. Fiquei bem desanimado e continuei caminhado com possibilidade de encontrar uma casa com o valor mais acessível. Em uma das últimas casas, após uma longa conversa, ficou acertado o valor de 20 CUC, o mais barato que pude achar. Como seria uma única diária acabei aceitando e nos hospedamos na casa da Ivete. A casa da Ivete é bem estruturada, parece um hotel. Além dos itens obrigatórios, tinha disponível um secador de cabelo, pen drive com filmes, cremes, xampus, barbeadores, desodorantes, agulha e linha e uma Tv de 50 polegadas, que chamou a minha atenção. Tomei banho e fui para a praia com Graziela, que está na outra margem da rodovia. Chegando na costa encontrei a praia muito suja de algas, era tanta alga que estava difícil visualizar a areia. Na água a mesma coisa, muita folha boiando nas águas verdes e turvas da praia de Santa Lucía. Calcei a sandália e fui caminhando com Graziela. O trecho foi de 7 km, passando por praias desertas. Na maior parte do percurso não visualizei ninguém. Várias estruturas abandonadas, se apodrecendo na areia. Barracas e tendas sendo destruídas e acredite! Alguns moradores plantaram grama na areia da praia e fizeram de pastagem onde se visualizava vários cavalos. No final cheguei até uma marina, onde visualizei a praia mais limpa e a areia brancas em algas. Fiquei no local por algumas horas e no final não arrisquei em me banhar nas águas turvas e verdes da Praia de Santa Lucía. Tentei avançar após a marina, mas não dava para seguir. A partir dali se inicia um trecho de manguezal. Voltei e fui até a avenida principal procurar um local para comer. Em Santa Lucía as coisas são tão pacatas que não tem restaurante. Fui com Graziela até um conjunto residencial onde tinha uma pequena barraca e servia macarrona. Ali foi o local do nosso almoço. Descobrimos que no local vende pizza e pedimos cinco, cada uma custou 7 CUP. A macarronada custou 10 CUP. Voltei para a praia e esperamos o pôr do sol. Infelizmente uma grande nuvem estacionou e não permitiu ver a sua despedida. No regresso visualizamos uma grande lagoa onde se concentra muitos flamingos. Como já estava escurecendo não tinha nenhum no local. A noite cheguei até a casa e a Dona Ivete se aproximou dizendo que estava preocupada por não ter visualizado a mim e Graziela naquele horário. A Dona Ivete é bastante prestativa. Tomei um banho e fiquei na casa tentando assistir um filme, mas acabei pegando no sono. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Se for se hospedar em Santa Lucía é bom preparar o bolso. 2- Para se alimentar tem que procurar, são poucos lugares disponíveis. 3- A Praia de Santa Lucía é boa para mergulho. Infelizmente pegamos um fenômeno natural que deixou a praia com muitas algas concentradas na faixa de areia. 4- Indico a Casa Ivete. Apesar de ser 20 CUC possui uma estrutura de luxo. DIA 19. 13/02/2019 – quarta-feira Cidade: Camagüey | Província: Camagüey 06:30 da manhã virou um horário padrão para despertar. Acordei cedo e fui arrumar as mochilas. Dona Ivete tinha orientado na noite anterior que os ônibus para a Cidade de Camagüey passam a partir das 09:00. A diversidade de transporte e linhas províncias estão disponíveis nas cidades localizadas na autopista central, é como se fosse uma BR-116 ou BR 101 no Brasil. Dona Ivete chamou a mim e Graziela para tomar um café, enquanto não chega o horário do ônibus. As 08:30 resolvi me despedir de Dona Ivete e seguir até a rodovia, para não ter nenhum imprevisto de confiar no horário. Minha previsão estava correta, pois as 08:45 da manhã surge um ônibus velho e cheio, da marca Daewoo. Quando vi a marca do ônibus lembrei-me do vizinho que tinha um carro preto da mesma marca. O ônibus transportava trabalhadores da Região. O Valor das passagens saíram por 1 CUC, mas no decorrer da viagem observei pessoas pagando com notas de 5 CUP. Graziela cismou do valor da passagem. A viagem foi tranquila, com uma única parada na cidade de Nuevitas. Chegamos ao centro da Cidade de Camagüey as 11:00, dentro do horário previsto, se direcionando até a estação de trem. Quando estava na Cidade de Moron, quando Graziela e Eu viajamos pela primeira vez de trem, observamos que existem linhas partindo para a estação de Camagüey. O valor da passagem é o mais barato de todos os meios de transporte e isso poderia nos favorecer em relação à economia da nossa viagem. Nosso próximo destino é a Cidade de Trinidad, que pertence a Província de Sancti Spiritus, distante 259 km. Contudo, a Cidade mais próxima localizada na autopista central é a de Sancti Spiritus, “capital” da Província homônima. Sabendo dessa logística, estudamos e descobrimos que o trem, partindo da estação ferroviária de Camaguëy, tem uma linha até a Cidade de Ciego de Ávila, distante 148 km. A partir de lá iremos seguir em outro transporte (trêm, caminhão, ônibus) com destino a Cidade de Trinidad. Mas, para nosso azar, a passagem de trem foi cancelada para todas as linhas da estação ferroviária de Camagüey. Partir e fui até o terminal onde sai os caminhões, que é um local bastante agitado e muito bagunçado. Direcionei-me a um rapaz que me informou o horário das 11:30 e 13:20 dos caminhões que fazem linha com destino a Cidade de Ciego de Ávila. Sabendo da informação, decidir com Graziela em almoçar e depois viajar, já que estava perto das 11:30 e faríamos uma viagem longa sem se alimentar, arriscando o horário das 13:00. Mas, para o nossa “maré de azar”, demoramos em achar um paladar e passamos do horário, perdendo o último caminhão. A única alternativa é viajar pela via azul. Na rodoviária, Graziela foi ao guinche da Via Azul e comprou duas passagens com destino a Trinidad, com o horário previsto das 02:25 da manhã da data 14/02/19. Cada uma custou 15 CUC. Chegamos na rodoviária as 14:30 e esperar por quase 12h. Para piorar uma forte chuva cai, atrasando os horários dos ônibus. Já pressentia que o da via azul vai atrasar. Previsto para chegar as 02:25 da manhã, o ônibus estacionou no terminal rodoviário de Camagüey as 04:12 da manhã. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Ao tiver duvida em relação ao transporte, concentrar e observar no mapa as cidades localizadas na autopista central. 2- Se chover forte em Cuba o transito para, pois é muito perigoso viajar com chuvas fortes. O risco de atrasar é eminente. 3- Não confiem no trem, pois pode ser cancelado a qualquer momento. 4- Existe um restaurante chamado 1514, um paladar bastante frequentado pelos Cubanos, com uma estrutura interessante e com preços populares DIA 20. 14/02/2019 – quinta-feira Cidade: Trinidad | Província: Sancti Spiritus Desembarquei na Cidade de Trinidad, com Graziela, as 09:10 da manhã, com muito sono e cansado. No terminal rodoviário uma jovem nos abordou oferecendo hospedagem. Após negociação fechamos o valor de 10 CUC e a seguimos. A casa simples fica em uma rua bem próximo ao centro e pertence a uma senhora chamada Laudelina. Sra. Laudelina é uma pessoa bem simpática. Fez a escolha de ser uma arrendadora em divisa, terminando aos poucos as obras e adaptações da sua casa para está nos padrões legais e oferecer o melhor conforto e serviço. Ao conversar com ela e visualizar o seu esforço, comecei a lembrar da minha família, de meu pai e minha mãe, que fizeram isso muitas vezes para concretizar as atuais casas. No inicio da manhã o tempo estava bastante fechado, com o céu cinzento e uma garoa, acompanhada por fortes trovões e relâmpagos. Mesmo assim sair para caminhar com Graziela. Conhecemos o belo centro histórico da Cidade, que apesar da chuva estava cheio de pessoas. A Cidade de Trinidad é uma localidade presente em todos os roteiros das pessoas que vão conhecer Cuba, tornando uma das localidades mais caras. Trinidad é cercada por serras, e ao pesquisar no aplicativo do MAPS.ME visualizei um ponto informando de uma possível cachoeira. Arrisquei e fui caminhando com Graziela até esse atrativo natural. Porém, só foi uma “possível mesmo. O caminho leva até uma zona rural, que termina em uma linha férrea. Acredito que possa ter uma cachoeira na serra, mas a trilha que o MAPS.ME indicou está errada. Tentei explorar aos arredores para ver se conseguia algo e nada! Para piorar um trecho estava completamente alagado, formando um grande poço e cobrindo a linha férrea, gerando um risco. Desistir e voltei ao Centro. No final da tarde fui procurar um paladar para almoçar. Em alguns relatos observei que foi citado um local chamado El garage, que serve comida popular e cobra em CUP. Nesses relatos, um deles destaca que existe uma opção para vegetarianos. Procurei com Graziela e em poucos minutos achamos. O paladar está localizado em uma viela da Cidade, em direção Oeste. Chegando lá, de fato, é cobrado em CUP, mas não tem a opção vegetariana. Após minutos de caminhada e procura, achei com Graziela outro paladar bem simples e sem identificação, localizado na saída da Cidade de Trinidad. Lá a funcionária ofereceu opções vegetarianas e que são cobradas em CUP, adotamos o local para o almoço na nossa passagem por Trinidad. Nesse mesmo paladar vende um chocolate muito saboroso e barato. Comprei 20 e me arrependi em não ter comprado o pote todo. Cada um custou 1 CUP. O tempo melhorou e a noite foi “fervorosa” em Trinidad, me lembrando do pelourinho, bairro de Salvador, na época do verão. É muita gente, a maioria de estrangeiros. Nessa multidão conheci um casal de professores brasileiros que lecionam na Universidade de Brasília (UnB) e estão em Cuba participando, com apresentação do trabalho, no congresso internacional sobre educação e cultura. Passamos um bom período conversando a respeito do tema e de Cuba. Nos bares da Cidade de Trinidad achei o Mojito de 0,80 CUC e não comprei. Mas tarde fiquei bem arrependido e testando a paciência de Graziela. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Apesar de está finalizando a construção, indico a casa de Laurelina. Ela é uma pessoa muito bacana e bastante simples, com uma boa energia. 2- Pesquise bem em Trinidad. Por ser uma Cidade turística, os preços são elevados. 3- Localizei dois paladares que cobra em moeda nacional (CUP). El Garage e o outro localizado na saída da Cidade. 4- Não confie nas trilhas de Trinidad que o MAPS.ME indicar. 5- Já me antecipando, o Mojito mais barato que encontrei em Cuba, por incrível que pareça, foi na Cidade de Trinidad. 6- Comprar pães não é complicado, existem padarias e pessoas vendendo nas bicicletas. DIA 21. 15/02/2019 – sexta-feira Cidade: Trinidad (Peninsula Ancon) | Província: Sancti Spiritus Próximo a Cidade de Trinidad está localizada a praia mais conhecida e procurada da Província de Sancti Spiritus, denominada de Ancon, distante 11km. Inicialmente pensei em seguir de bicicleta, mas Graziela estava indisposta e acertamos em seguir de ônibus. O deslocamento de ônibus é oferecido pela empresa da TRANSTUR, onde a passagem custa 5 CUC, por pessoa, e tem validade das 09:00 as 18:00. A parada de embarque está na rua próxima a rodoviária, bem no centro da Cidade de Trindad. Seguimos as 09:00 e poucos minutos o ônibus apareceu. No local existem muitas pessoas oferecendo o valor de taxi coletivo, mas muito deles custam o dobro do valor do ônibus. O ônibus é o famoso "turistão", com o teto aberto e todos os passageiros estrangeiros. Quando embarquei fiquei um pouco incomodado, pois não gosto e não sou acostumado a utilizar esse tipo de serviço. Durante a viagem visualizei o casal de professores brasileiros da Unb e conversamos até o destino final. A viagem durou 30 minutos. Desembarquei em frente a um hotel e busquei informação do ultimo horário do ônibus. Combinei com Graziela que as 17:30 estaremos voltando para embarcar no último horário das 18:00. Despedir do casal de professores e seguir até a praia. Em poucos metros visualizei o belo azul da Playa Ancon, com sua imensa faixa de areia e uma área concentrada com muitas pessoas, devido as barracas estarem por ali, compondo parte do serviço hoteleiro. Como não sou chegado a trechos da praia em que estão cheias de pessoas, procurei me afastar. Seguir a esquerda, direção Leste, caminhando em uma grande faixa de areia quente e branca. A Playa Ancon, apesar de ter um tom azul, não é cristalina. As águas são frias como as demais visitadas até o presente momento. Durante o trajeto observei algumas pessoas fazendo o mesmo, caminhando para algum lugar mais tranquilo. Em trechos da faixa de areia mais afastada dos hotéis se observava a concentração de algas secas parecidas com da Playa de Santa Lucía, na Província de Camagüey. A cada metro caminhado, mais concentrada a camada de algas depositadas nas areias. Ao final da Península as águas estavam escuras devido a alta concentração e ali delimitava a caminhada. Na margem posterior inicia uma vegetação de manguezal com densas raízes e solo lamoso, tornando o nosso ponto final. Permaneci por alguns minutos no final da Península da Playa Ancon com Graziela, observando os detalhes dessa bela paisagem. A maré é rasa e possível visualizar peixes, siris e caramujos, mesmo com as águas cheias de algas e com o tom escuro. Tentei avançar na água e encontrar um local de águas limpas para me banhar e observar os animais, mas sem sucesso. Para o meu castigo e pela teimosia, avancei pelo Manguezal e acabei sofrendo um corte no pé, que imediatamente ao tocar com a água salgada me fez sentir uma dor muito forte. A Ponta da Península Ancon é referência do inicio da Baía de Casilda, onde se localiza uma das marinas turísticas administradas pelo Ministério do Turismo, a Marilyn. A praia não é boa para banho e utilizada muito para navegação e mergulho. Foi possível observar alguns barcos a vela e pequenas lanchas com mergulhadores. Ainda era 12:00, quando acertei com Graziela em regressar e ficar em um local na praia até o horário de ir embora. A partir dali não tinha como explorar. Além disso, no final da Península não é bom para descansar e se banhar porque na faixa de areia, e nas águas, estão concentradas de algas secas. Regressei com Graziela, em uma caminhada lenta, até chegar às barracas. O total foi de 6 km (ida e volta). Passei entre as barracas e observei umas tendas de palhas vazias, afastada da “muvuca”, ficando por ali com Graziela e curtindo o banho. Nesse trecho as águas estavam azuis e não cristalinas. Pensei que poderiam estar quentes, mas continuavam frias. As 17:30 esperei na parada do ônibus da TRASNTUR e no horário ele apareceu, as 18:00. Na saída o motorista fez uma pausa para observar mais um belo pôr do sol, um espetáculo! O regresso foi tranqüilo, durando 30 minutos. Desembarquei no centro da Cidade e seguir com Graziela até o paladar que almoçamos no dia anterior. Para nossa sorte estava servindo comida e nos alimentamos. Caminhamos até o final da noite e regressamos, chegando na casa da Laudelina as 22:20. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Com 5 CUC você escolhe ir para a Playa Ancon de ônibus, pela TRANSTUR, ou de bicicleta, tendo o direito do aluguel pelo dia. 2- Na Playa Ancon tem os bares dos hotéis que oferecem serviços para pessoas que não estão hospedadas. Agora prepare o bolso. 3- No atual momento em que estava lá a faixa de areia, a esquerda dos hotéis, em direção ao final da península, concentrava uma grande concentração de algas. 4- Caso prefira ir de ônibus da TRANSTUR, os horários dos embarques estão fixados próximos ao motorista. DIA 22. 16/02/2019 – sábado Cidade: Varadero | Província: Matanzas Despedir da Sra. Laudelina e partir as 06:00 da manhã.O ônibus com destino a Cidade de Varadero está marcado no horário das 07:00 da manhã, custando o valor de 20 CUC. Antes de seguir ao terminal rodoviário, acertei com Graziela em passar em um paladar e tomar café. No terminal rodoviário tomei um susto com a concentração de tanta gente. Graziela foi se informar e recebeu a resposta de que o ônibus está a caminho, isso já passava das 07:30 da manhã. Várias pessoas estavam na mesma posição que a nossa, procurando saber uma posição da empresa Via Azul e os funcionários não davam uma precisão ou previsão de partida. Como já tinha lido relatos a respeito dos atrasos e imprevisto da Via Azul, não era surpresa. Graziela estava na dela também e ficamos sentados em um muro aguardando o ônibus chegar. As 08:14 aparece um ônibus velho, informando o nosso destino. Comecei a reclamar do valor pago e o serviço prestado. Tem o velho ditado: “no inicio é flores e depois as dores”. De fato! É assim que a Via Azul trata os seus clientes. A viagem foi tranqüila, sem nenhuma parada, “levando direto”. A viagem durou 6h, chegando as 14:15 no terminal provincial de Varadero. Varadero é uma Cidade moderna, diferente das que visitei em Cuba. Ônibus urbanos com ar condicionado, construções novas e grandes, hotéis, bares e restaurantes luxuosos, ruas amplas, limpas e arborizadas, me deixando bastante surpreso. Os arrendadores em divisas são casas grandes, de alto padrão, visualizadas em todos os lugares. Sair com Graziela e fomos caminhando atrás de algum arrendador simples e barato, uma tarefa difícil em Varadero. Caminhamos mais de 30 minutos, visitando dezenas de casas. Cada casa visitada recebia a triste resposta que as habitações estavam ocupadas, sem disponibilidade para hospedar. Reparei que na maioria das casas possuem mais de uma hospedagem e não tinha vaga, fiquei cismado. As poucas que encontrei o preço é cobrado no valor de 35 CUC, fora dos nossos padrões. Após muito caminhar, encontrei com Graziela uma residência que oferece hospedagem por um dia apenas, cobrando 25 CUC. Junto com Graziela começamos a negociar e fechamos o valor de 20 CUC pela diária, sendo obrigados a sair as 12:00 do dia seguinte. Essa é a segunda hospedagem em que Graziela e Eu pagamos acima da média estabelecida no planejamento, no valor de 15 CUC. Conseguir uma hospedagem em Varadero foi um dos maiores desafios durante todos esses dias. As 15:45 sair com Graziela e fomos a praia, que fica no outro lado da avenida, bem perto da casa. A procura pela casa tomou muito do nosso tempo, restando o final da tarde. Decidir com Graziela que voltaremos para Havana no dia seguinte, após o vencimento da diária estabelecida, no horário das 12:00. Varadero é uma cidade que está localizada na península Hicacos, bem estreita, onde a porção de terra que se avança ao mar possui uma largura de pouca quilometragem. Observei que na margem esquerda (Noroeste) está às praias aptas ao banho e na margem direita (Nordeste) o mar para navegação, pesca esportiva e área portuária, chamando a minha atenção. Particularizando a praia, só fiz atravessar a avenida principal e já podia visualizar a grande e larga faixa de areia branca com o um belo azul cristalino ao fundo. A praia de Varadero, como muitos relatam, pode ser uma das mais belas da Ilha de Cuba. Águas azuis, claras e cristalinas, como se fosse uma piscina natural. Na minha análise não é mais bela que as praias Pilar e Las Gaviotas, mas está no nível delas. Na praia se concentrava muitos banhistas, a praia estava lotada, levando a fama de “turistona”. Barracas e bares estão distribuídos ao longo da praia, além dos grandes hotéis luxuosos. O que me chamou muita atenção na praia foram os banhistas. Na minha observação não visualizei nenhum Cubano, só estrangeiros. Os únicos cubanos que observei foram os funcionários dos bares e hotéis. Resolvi com Graziela permanecer em uma sombra que achamos, abrindo mão da caminhada por conta do horário. Decidimos acordar na manhã seguinte, bem cedo, e fazer a caminhada até onde for possível. Tentei esperar o pôr do sol, mas a fome “apertou” e fui com Graziela atrás de um paladar. Por falar em paladar, na Cidade de Varadero deu muito trabalho para localizar um. Na avenida principal ja era certo em não localizar, pois é referência e de fácil acesso aos bares e restaurantes de luxos, além dos hotéis. Graziela tinha me alertado que tinha visualizado uma simples barraca, em uma das ruas secundárias quando estávamos procurando um local para se hospedar. Decidimos localizar e após uns 10 minutos de caminhada Graziela localizou e observamos que estava aberto. Chegando ao local recebemos a confirmação de que serve almoço. O paladar chama La Ruina e Cafeteria, uma simples barraca de metal, com três mesas disponíveis. No local serve almoço e bebidas. Pedimos um almoço adaptado, sem nenhum tipo de carne e tempero. O dono estranhou, mas disse que faria conforme solicitamos. Os frequentadores ficaram nos olhando, pelo fato da gente ser estrangeiros. Um senhor se aproximou e começou a dialogar e afirmou que nunca viu um estrangeiro almoçando ali, que sempre vão aos restaurantes. Expliquei a ele e logo se aproximaram mais pessoas, que ao descobrirem que somos brasileiros começaram a puxar assunto. Graziela e Eu conversamos por algumas horas e depois voltamos para a casa. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Em Varadero é difícil encontrar um Arrendador em Divisa vago. 2- A média de preço de uma hospedagem está 25 CUC, prepare o bolso. 3- Paladar é muito difícil de achar, só encontramos o La Ruina. 4- Aconselho a se hospedar em Santa Marta, Cidade antes de Varadero. Lá existe transporte para Varadero e o trajeto dura 20 minutos. 5- Mesmo com os impasses vale apena conhecer a praia de Varadero, é uma das mais belas de Cuba. 6- Não faça câmbio na CADECA de Varadero, o valor é mais baixo. DIA 23. 17/02/2019 – domingo Cidade: Havana | Província: La Habana As 07:00 da manhã sair com Graziela atrás de um paladar para tomar café. Acertei com Graziela em aproveitar o turno matutino para caminhar pelas praias de Varadero. Achar um paladar na Cidade é difícil, bem que tentamos e não encontramos. O que nos salvou foi uma padaria, onde compramos pães feitos na hora. Quando estava planejando a viagem de cuba, reparei que na Cidade de Varadero existem hotéis que estão localizados na faixa de areia da praia, onde imaginei que isso poderá limitar a caminhada até aquele ponto. De fato! Era o que imaginava. Iniciei a caminhada com Graziela as 09:00 da manhã, em direção Nordeste, chegando na praia vazia e limpa, não chegava a ter 10 pessoas aglomeradas, me deixando bastante surpreso. Acredito que o movimento deve se iniciar no final do dia, já que grande parte dos visitantes gosta de curtir a noite badalada da Cidade. Chamei Graziela e disse: “vamos chegar até a alvenaria que visualizei no satélite de um hotel, nosso ponto limite, temos 2h disponível para ir e voltar”. Graziela concordou. As águas da praia impressionam pela tonalidade e clareza do azul, é algo “surreal”. Classifiquei as praias de Varadero na 3° posição das mais belas de Cuba, ficando atrás da Praia Pilar(2°) e Praia Las Gaviotas (1°). Poucos metros, a frente, é possível visualizar os grandes hotéis luxuosos, com suas cadeiras vazias e bares fechados. Um fato que me chamou a atenção foi um grupo de gaivotas na areia que pareciam dançar com seus passos nas areias quentes, parecia uma coreografia. As 10:10 cheguei a bendita alvenaria que visualizei na imagem de satélite, confirmando o trecho limite da caminhada. Do inicio até esse ponto totalizou uma distância de 6,8 km. Acima da alvenaria está um imenso campo de golfe, com o grande hotel um pouco mais recuado. Passei alguns minutos e regressei. No regresso visualizei que tem mais hotéis sendo construídos bem próximo a faixa de areia. O turismo é a principal renda da Ilha de Cuba, tanto para o Governo e a população. O que sustenta a Ilha e ajuda em seu PIB são as atividades do turismo. Um fato engraçado foi o acontecimento de dois casamentos na praia. Fiz uma pausa com Graziela e fomos nos banhar nas águas transparentes de Varadero. A temperatura da água até que estava agradável. As 11:00 aceleramos os passos para arrumar as mochilas e desocupar o quarto da casa, conforme o horário limite combinado, das 12:00. Antes passei no mercado para comprar um galão de água e trocar dinheiro em uma CADECA. Por falar em cambio não faça, em hipótese alguma, um câmbio em Varadero, vai acabar perdendo dinheiro. Chegamos no arrendador de divisa e a dona da casa estava com uma “carona”, bem zangada. Bastante irritada ela começou a falar do horário, questionando que já era 12:30 e o combinado era as 12:00. Quando visualizei meu relógio mostrava a hora de 11:30. Fiquei irritado também e mostrei o meu relógio a ela. No final descobrir que meu relógio atrasou 1h e a mulher estava certa. Para piorar minha situação, o próximo hospede só estava aguardando a minha saída. Subi com Graziela, peguei as mochilas, arrumei os nossos objetos de qualquer jeito e desocupei o quarto. Nós dois, todo sujos de areia, não tivemos nem tempo para se banhar. A mulher, bem irritada, disse que poderíamos deixar a mochila na varanda enquanto pudéssemos resolver nossa situação. Chamei Graziela e combinamos em almoçar e depois ir até o terminal rodoviário e comprar as passagens até Havana, queria sair de Varadero o mais rápido possível. As praias são belas, mas a Cidade é “complicada”, não da para mim. Compramos as passagens para Havana, cada uma no valor de 10 CUC, previsto para sair no horário das 14:00. Em seguida fomos almoçar no paladar do dia anterior. Engraçado é que na rodoviária as pessoas nos observavam, pelo fato de Graziela e Eu estamos sujos de areia. Dessa vez, no horário previsto, as 14:00, embarquei com Graziela e seguimos com destino a Capital. A viagem foi tranquila, em um ônibus velho da Via Azul, sem banheiro e com o ar condicionado fraco. Sentei nas ultimas poltronas com Graziela, já que as poltronas não são marcadas. As pessoas nos observavam porque estávamos sujos de areia e suados, em certo momento pensei que estava fedendo. O trajeto entre Varadero e Havana foi 2h. Quando passou por Santa Marta fiquei lamentando em não ter escolhido essa cidade para ser a base em me hospedar. Outro fator interessante foi a bela vista da Cidade portuária de Matanzas, capital da Província homônima. Nesse mesmo trajeto é possível conhecer e trafegar na maior ponte construída de Cuba, chamada de Bacunayagua. Sua altura passa dos 100m, construída em meio de uma densa vegetação. Desembarquei na praça central José Marti, bem próximo do bairro de Havana Velha. A parada oficial do ônibus é na rodoviária da Via Azul, ficando distante do Centro. Assim que desci do ônibus com Graziela uma senhora nos aborda oferecendo casa, cobrando o valor inicial de 20 CUC. Com essa senhora eu nem negociei, determinei o preço que pretendo pagar, sem a mais ou menos, estabelecendo o valor de 10 CUC. Essa senhora se chama Margarida, insistiu em justificar seu preço e tentou me vencer no cansaço. Acabei não dando relevância e seguir a pé, com ela vindo atrás. A senhora Margarida se cansou e aceitou o valor de 10 CUC. Acertamos o valor de duas diárias e voltamos para a parada de ônibus. Poucos minutos embarcamos no ônibus P11 e desembarcamos no Capitólio. A casa da Sra. Margarita está localizada no bairro Chino, bastante centralizado e perto de tudo, melhor que a localidade do Hostel em que fiquei hospedado nos primeiros dias em Havana. Fiz o mapeamento e adotei o Chino como bairro para se hospedar. Graziela gostou muito e ficou olhando os locais possíveis para almoço e outros arrendadores para os dias finais da viagem. A casa da Senhora Margarita fica no 2° andar de um cortiço, bem ajustada. Para mim não precisa de muita coisa, achei uma boa hospedagem, não só pelo preço. No arrendador tinha até um sofá. O ruim foi que o ar condicionado quebrou e ficamos com um ventilador de teto muito fraco e fazia um forte calor em Havana. Aproveitamos o final da tarde para almoçar e caminhar pelo Bairro Chino, mapeando e conhecendo as principais localidades. A noite fui caminhar com Graziela e observar o movimento na Cidade. Acabei vacilando e tomando uma “aplicada” da Margarida na tarjeta de internet, pagando o valor de 2 CUC, por uma hora, dobro do preço oficial. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Fica atento no relógio e o horário de Cuba, pois passei por um constrangimento. 2- Existe uma padaria localizada próxima a Avenida de acesso a estrada central 3- Se for para Havana, saindo de Varadero, e pretende se hospedar no Centro da Cidade, desembarque na Praça Central Jose Marti. DIA 24. 18/02/2019 – segunda-feira Cidade: Havana | Província: Havana Essa parada em Havana foi pensada, pois Graziela e Eu precisamos resolver algumas pendências burocráticas a respeito do visto de permanência no País. Todo turista tem que ter o visto que concede 30 dias de permanência em Cuba, custando o valor de U$ 25,00 dólares. Caso precise renovar, só é pagar o mesmo valor e concede o direito de permanecer mais 30 dias. No meu caso e de Graziela, vamos permanecer 32 dias e esses dois dias que estão nos deixando preocupados. Não estamos a fim de pagar mais U$ 25,00 dólares por dois dias. Seguir ao Aeroporto Internacional Jose Marti, de buzu, na linha P 12. A viagem é um pouco longa porque segue pela imensa Av. Rancho Boyeros. Lembrando que o aeroporto fica localizado no município de Boyeros. Em Cuba deve ter precaução a respeito dessas questões burocráticas, pois as punições não são boas. A mais leve é uma multa de U$ 100,00 dólares e a mais pesada é a prisão com posterior deportação. Não estou a fim de ser punido, vou resolver isso, nem que custe o meu dia. Desembarquei com Graziela no trevo do Aeroporto Jose Marti e seguir a pé os 3,5 km até o terminal 03, localidade de embarque e desembarque dos vôos internacionais. No saguão observamos uma funcionária do Ministério do Interior e fomos tirar nossas duvidas para saber em como poder resolver esses dois dias em Cuba, sem precisar renovar visto. A funcionária nos atendeu, mas o argumento dela foi muito superficial, não mostrando confiança. Graziela cismou e retornou para ver com outro funcionário, que falou a mesma coisa da colega, mas pediu os documentos, conferiu as datas e disse que não teria problema esses dois dias, já que a passagem está comprada e o segundo dia só será até o inicio da manhã. Graziela continuou cismada, achando a explicação superficial. Eu estava tranquilo, se o funcionário falou está falado. Pensei até grava-lo, mas na hora cismei. Quando estávamos pensando em caminhar os 3,5 km de volta ate a AV. Rancho Boyeros, aparece um ônibus conexão Aeroporto, que passa por la. Pagamos 1 MN pela duas passagens e seguimos. Na Av. Rancho Boyeros não esperamos nem 01 minuto, embarcando no imenso ônibus sanfona da linha P 16, em direção ao Centro da Cidade. Pela tarde fui com Graziela até o guinche da Via Azul, a fim de comprar as passagens para a Cidade de Viñales, nosso último destino fora da Província de La Habana. Na primeira vez fui e voltei a pé, dessa vez seguir de ônibus com Graziela. Um fato interessante é que o ônibus mudou a letra da linha e a frota. Na primeira vez que fui, quando me direcionei a Baía dos Porcos, embarquei na Calzada de Infanta no ônibus da linha P27, um veículo velho e todo acabado. Agora não! A linha mudou para A27 e os ônibus são novos. O melhor de tudo é que não demorou. Da primeira vez quase perdia o horário do ônibus da Via azul devido à demora desse ônibus da antiga linha P27. No guinche da via azul, mais uma vez, o assédio dos taxistas oferecendo os seu serviços que não nos agradava pelo alto valor. Para “piorar, a funcionária não compreendia o “portunhol” de Graziela, me obrigando a escrever no papel: “2 Viñales, 19/02/2019, não seguro”. A funcionária riu e disse: “agora sim”. O valor de cada passagem custou 12 CUC, no horário das 14:30 Ao Final da tarde fui assistir mais belo pôr do sol em Cuba, dessa vez no Malecon. O melhor local para visualização é no bairro do Vedado, existe um trecho da orla que o ângulo é perfeito para visualizar o sol “sumindo” nas águas do mar. Um fato interessante é a Estatua de Jose Marti apontando para a embaixada dos Estados Unidos da América, que fica bem próximo ao local em que visualizei o pôr do sol. A noite fui caminhar e conhecer mais localidades de Havana. Explorei muito o bairro Chino e o Malecon. Aproveitei para caminhar pela noite na orla de Havana, algo que ainda não tinha feito. O calçadão é iluminado em alguns trechos e outros trechos bastantes escuros, mas movimentado. O melhor de tudo é que não precisa se preocupar com a sensação de insegurança, algo que não existe em Cuba. Qualquer localidade é segura (menos a base militar de Guantánamo). Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Se tiver alguma pendência burocrática em Cuba, seja documental, visto, etc. resolva! Priorize para não ter problemas. 2- No Aeroporto Internacional Jose Marti, para os estrangeiros, deve seguir até o terminal 03. 3- A linha P27 mudou para a linha A27. 4- Se programe para visualizar o pôr do sol no Malecon de Havana. O melhor lugar para se visualizar é no bairro do Vedado, um pouco depois da embaixada dos EUA. DIA 25 19/02/2019 – terça-feira Cidade: Viñales | Província: Pinar del Rio Vinãles é o nosso penúltimo destino e a parte mais a Oeste que falta para a “volta em Cuba” ou “ponta a ponta”. Hoje acordei um pouco tarde, as 09:00. Sai com Graziela e achamos um paladar na rua ao lado da casa, bem interessante. No local conversamos por vários minutos com o dono e mais dois policiais, que permaneceram no local ao saber que somos brasileiros, puxando assuntos diversos. A viagem para Viñales é a tarde, prevista no horário das 14:30, dava tempo de almoçar. As 11:30, Graziela e Eu despedimos da Sra. Margarida e fomos até um paladar almoçar. Mas para nosso azar (ou não), passou um ônibus da linha P 27, vazio. Abrimos mão de almoçar e embarcamos com o receio de chegar no limite do horário previsto ao embarque. Chegamos cedo ao terminal rodoviário da Via Azul e esperamos o horário. Dessa vez o ônibus partiu as 14:30, conforme a passagem. A viagem foi tranquila, com uma parada em um posto de apoio que possibilitar comprar objetos, ir ao banheiro e almoçar. No local conheci um funcionário da INFORTUR, que ao saber que Graziela e Eu somos brasileiros, começou a puxar assunto. Peço desculpa por esquecer o seu nome, mas o rapaz é fã de Nelson Ned e Roberto Carlos. O engraçado é que foi em Cuba, através do dialogo com esse funcionário, que descobri que o Roberto Carlos tinha problema na perna? Pense! Gostei desse ponto de apoio da INFORTUR porque tem vários mapas e são gratuitos. Peguei todos que tinha o direito de levar. Graziela ficou um pouco envergonhada, mas Eu não quis saber, peguei um de cada e levei. Fiquei parecendo uma criança quando visualiza um brinquedo que mais gosta e deseja em ter. Esse mesmo funcionário fez o intermédio para reservar uma residência em Viñales, já que Graziela estava preocupada em não achar casa na Cidade por ser “turistona”, igual a Varadero. O rapaz da INFOTUR ligou e disse que na praça de desembarque terá um senhor chamado Aldo, que vai está com uma plaquinha segurando com os nossos nomes. O valor cobrado pela hospedagem foi de 15 CUC. A viagem durou 2h, passando pela Cidade de Pinar Del Rio, capital da província homônima, para embarque e desembarque. A partir dali se inicia o “trecho de emoção”, que são quase 25 km subindo a serra e descendo até chegar ao Vale que está na Cidade de Viñales. No inicio da subida da serra quase ocorria uma batida frontal do ônibus da Via Azul e um ônibus da TRANSTUR, pois a curva é muito fechada. Todos os passageiros da Via Azul se assustaram. A partir dali não conseguir nem piscar os olhos. Fiquei atendo a tudo. O trecho Pinar Del Rio x Viñales considero o segundo mais perigoso de Cuba, ficando atrás de Ímias x Baracoa. Chegando na praça de Viñales, que é o terminal de ônibus, visualizo um monte de pessoas com placas e oferecendo hospedagem. No meio delas vejo um senhor segurando a placa com o meu nome e de Graziela. Sr. Aldo se apresentou e nos levou até sua casa. A casa do Aldo é uma bela casa e com uma ótima localização. Toda verde, a casa possui duas hospedagem. O Aldo apresentou a sua família e pediu qual a hospedagem preferíamos, já que a duas estavam vagas. Escolhi a primeira, que possui mais janelas e achei mais espaçosa e bem distribuída. Deixei pago as duas diárias iniciais, com possibilidade em renovar, caso necessitar. No final da tarde faltou energia em toda Vinãles, deixando a Cidade nas escuras. O bom foi que a lua estava cheia, gigante, iluminando as ruas, possibilitando uma bela vista. Entrei na casa e peguei a maquina, onde fiquei na varanda registrando imagens, utilizando a longa exposição. A energia voltou duas horas depois, por volta das 20:00. A noite sair com Graziela, pois estávamos morrendo de fome. Quando regressamos o Aldo nos abordou e perguntou se teríamos interesse em algum passeio na Região. Informei que tenho interesse no Cayo Jutías e o Aldo indicou um contato, confirmando que amanhã tem saída ao Cayo Jutías, no horário das 08:00. O valor é de 20 CUC, por pessoa. Conversei com Graziela e acabamos aceitando, deixando reservado. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Existem mapas gratuitos disponíveis no posto da INFORTUR, local onde o ônibus da Via Azul faz a parada. 2- A Estrada de Pinar de Rio para Viñales é bonita e perigosa. 3- Apesar de ser pequena, Vnãles tem muito arrendador em divisa, sem a necessidade de reservar. Pesquisando pode achar um valor de 10 CUC, tranquilamente. 4- Existem poucos paladares, ficando “refém” dos restaurantes. DIA 26 20/02/2019 – quarta-feira Cidade: Cayo Jutías | Província: Pinar del Rio A noite foi um pouco ruim, toda hora acordava com a sensação de diarreia. As 06:00 me levantei e aguardei Graziela acordar. Saímos as 07:00 em busca de localizar um paladar para tomar o café da manhã, sem sucesso. O máximo que encontramos foi uma lanchonete turística que vende um copo de suco no valor de 5 CUP e pão no valor de 15 CUP. As 08:20 buzina um caminhão FORD antigo, cor de laranja, com uma carroceria adaptada, era o transporte que vai levar a mim e Graziela para o Cayo Jutías. O Caminhão é um “pau de arara” de luxo, com bancos de ônibus e tolhas de banho para cada pessoa em cada assento. Descobrir que são várias pessoas que vão no veículo. Graziela e Eu fomos os primeiros a embarcar. Posteriormente o caminhão foi na porta de cada pessoa para buscar e embarcar. Nesse procedimento se gastou 1h e 10 min., circulando na pequena Cidade de Viñales. Partimos em direção a Cayo Jutías, as 09:30, se direcionando ao Noroeste. A estrada é muito ruim, cheio de buracos, obrigando ao motorista do caminhão a trafegar numa velocidade máxima de 40 km. A paisagem que encanta com os imensos morros que estão nas margens da estrada. É possível visualizar muitos animais caminhando no asfalto, a exemplo de: porcos, cavalos, vacas, cabras e carneiros. Nos quilômetros finais passa por um pequeno pedraplan com 6 km de extensão. O trajeto de 61 km durou 1h e 50 min, chegando ao Cayo Jutías as 11:00. Graziela já estava um pouco chateada por conta do horário e ter perdido, praticamente, o turno matutino no embarque dos passageiros e na estrada. O Cayo Jutías é um pouco diferente e antagônico aos Cayos de Santa Maria, Coco e Guillermo. Enquanto os três possuem uma boa estrutura de hospedagem, serviços e luxuosidade, o Cayo Jutías não possui estrutura de hospedagem. O acesso é difícil e limitado, com um único bar da empresa Marilyn, que administra o local. Eu achei interessante porque tinha pouca aglomeração das pessoas. O caminhão estacionou em uma grande área de areia, que serve de ponto de apoio para os veículos estacionarem. Lá observei outros veículos fretados estacionados. O motorista marcou o local de encontro as 15:30, com o regresso as 16:00. Seguir com Graziela e em poucos metros já observava um tom ciano nas águas do Cayo Jutías, me hipnotizando. A paisagem é tão peculiar e encantadora que vegetações de manguezal se misturavam as águas brilhantes e calmas. De longe parece ser cristalinas, mas não são. As águas são bem embasadas, com baixa visibilidade nas áreas mais profundas. Tentei caminhar ao Oeste, com o objetivo em chegar a “ponta” do Cayo Jutías, mas sem sucesso. Um funcionário da Marilyn nos abordou e alertou que a partir daquele ponto não poderia mais caminhar, pois é uma área restrita ao visitante. Comecei a questiona-lo, mas o rapaz respondia com frieza e diretamente. Regressei e fui ao leste, adentrando em uma área com uma densa vegetação de manguezal e sendo atacado por uns minúsculos mosquitos. Nesse trecho era possível visualizar e curtir pequenas praias, de águas cianas e calmas, parecendo uma clássica piscina natural. Esse trecho foi de quase 3km, chegando próximo um farol bem antigo e degradado. A partir dali não é possível caminhar devido o denso manguezal. Regressei e comecei a curtir as minúsculas praias que visualizei com Graziela na ida. Por volta das 14:00 surge uma grande nuvem cinza que descarrega uma forte chuva. Esperei com Graziela na área da estrutura da Marilyn, parecia uma tempestade. A chuva durou quase 20 minutos e depois amenizou. Mesmo com o tempo fechado e as águas com um tom cinza, voltei com Graziela até a praia e curti um banho frio até a hora do encontro, as 15:30. As 16:00 partimos para Viñales. A viagem foi longa, parecia interminável, apesar de ser o mesmo caminho. Os mesmos 61 km foram feitos em 2h e 10 min., devido a estrada ruim e está escurecendo. Nessa noite jantei em um restaurante chamado El Cubito, foi um dos mais em conta e com uma boa estrutura. O prato, como sempre, foi o Congri. Na noite anterior almocei lá e o garçom estava com um bom humor, ao ponto de oferecer uma limonada. Hoje o rapaz estava com uma cara fechada, sem conversa e expressão de “poucos amigos”. No final da noite observei a bela lua cheia com Graziela e depois fui dormir. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Para saeguir até o Cayo Jutías deve se fretar um transporte. O mais em conta que achei foi o Caminhão coletivo. Apesar de ser um caminhão, a estrutura é boa. 2- Tente programa para sair cedo, pois a estrada é muito ruim 3- Faça a caminhada ao Leste do Cayo Jutías, entre os manguezais. È possível visualizar minusculas praias lindas 4- Tente driblar o segurança da Marilyn e chegar ao ponto mais Oeste do Cayo Jutías. 5- Existe um único restaurante no Cayo Jutías, administrado pela empresa Marilyn. 6- Leve seu lanche. DIA 27 21/02/2019 – quinta-feira Cidade: Viñales | Província: Pinar del Rio No 27° dia em Cuba que pude realizar uma trilha. A primeira vez era para ser na Cidade de Trinidad, mas sem êxito. Acordei ao amanhecer com o susto que o relógio me deu. Muitas notificações chegando e comecei a estranhar, mas na verdade foi um sinal de wi-fi aberto que proporcionou centenas de notificações. Graziela ficou animada e foi aproveitar, mas durou poucos minutos. A internet é do Aldo e parece que deve ter ouvido o som das notificações e desligou o roteador. O Aldo quis nos oferecer um café com panquecas, que foi recusado. Porém, ele tanto insistiu que acabei aceitando com Graziela. Tomamos o café e agradecemos. Poucos minutos o Aldo reaparece e diz que poderíamos da uma colaboração pelo café. Graziela ficou bem chateada e Eu também. Para o azar de Aldo fingimos que não compreendemos, deixando ele sem graça. Partimos as 08:50 e fui direito na CADECA fazer um câmbio, pois estávamos com pouco dinheiro. Hoje é o dia de fazer trilha e conhecer as plantações da folha do tabaco, usando o “faro de trilheiro” para chegar a essas localidades sem precisar pagar um guia. As grandes atrações de Viñales são os passeios nas plantações de tabaco para produzir os charutos, além das trilhas e esportes radicais realizadas aos arredores dos grandes morros. Cavernas rios são as grandes atrações, com direito a escalada e a prática de rapel. Tudo isso tem o preço e não é nada barato. Entretanto, o acesso é livre não sendo obrigado um condutor. O Aldo, ao saber, tentou fazer um drama com o objetivo em contratar o serviço de guiada de um amigo, mas ele fez com a pessoa errada, sendo recusado de imediato. Na CADECA troquei 100 Euros por CUC e de lá seguir pela rua ao lado, iniciando a caminhada. O trecho oficial para ter acesso às plantações, e as trilhas pelas cavernas, está na rua ao lado da CADECA. Caminhei com Graziela em uma pequena rua e observei um senhor que estava com dificuldade em levar uma sacola de iogurtes e queijo. Ajudamos e ele começou a puxar assunto. O senhor tem 85 anos e se chama Ciro, que contou um pouco da sua história e a de Viñales. O Sr. Ciro nos levou até uma conhecida que cultiva Tabaco e ela mostrou todo o processo, dês da colheita ao enrolamento do charuto, fumando em seguida. Graziela e eu provamos e estava bom. Antes de acender o charuto, a dona da FINCA passa um pouco de mel na parte que se traga, Eu não conhecia esse procedimento. No final foi pedida uma taxa de visitação e acabei pagando 1,25 CUC. Despedimos da moça e do Sr. Ciro, que fez questão em nos levar até o inicio de acesso as trilha da Cueva de La Vaca. Eu já sabia o caminho, pois consultei o aplicativo do MAPS ME., orientando a localização e o caminho bem delimitado. No inicio da trilha agradecemos a Sr. Ciro e partimos. Esse caminho possibilita três atrativos, sendo eles: 1)- Cueva de La Vaca; 2) plantações de Tabaco; 3) Cueva del Palmarito. O roteiro do dia será esse, em busca do objetivo de realizar esses três atrativos. Chegamos a uma portaria e um senhor nos abordou, perguntando a nacionalidade e puxando assuntos sobre o Brasil. Nessa portaria existe uma pequena casa de visitante oferecendo alguns produtos para venda, ainda existe um grande mural com vários objetos. O engraçado que a maioria é cédulas. Fiz a colaboração de deixar uma nota de R$ 2,00 e uma moeda de R$ 0,10. O senhor ficou muito feliz. Acessei com Graziela em uma fazenda com a trilha bem visível, mas cheia de bifurcações. Em poucos metros observei a Cueva de La Vaca e fui à direção dela. O primeiro caminho me distanciava, sendo que voltei e seguir a direita, caminhando por uma das várias bifurcações. Apesar de ser fácil, devido o trecho ser visível e “batido”, as trilhas formadas na fazenda possuem muitas bifurcações, condicionando a te levar para outras plantações com distancias quilométricas. Na trilha é possível visualizar bois de canga das fazendas. Apesar da cara séria, os animais não são agressivos. Antes de chegar na Cueva de La Vaca existe uma grande escada de cimento que da acesso a caverna, localizada no meio de um morro ( que em Cuba é conhecido pelo termo “mogote”). A Cueva de la Vaca (Caverna da Vaca) é pequena, deve ter uns 100m de extensão. No inicio existe uma “caixa de cimento” cheia de lixo, principalmente garrafas plásticas, uma cena bizarra e incomoda. Antes de entrar na caverna fiquei alguns minutos com Graziela registrando umas fotos e observando a paisagem das fazendas que estão abaixo do morro, proporcionando uma bela paisagem e a grandeza das FINCAS de Tabaco. Liguei a lanterna e entrei com Graziela, pedindo a ela em não olhar para cima. A caverna possui muitos morcegos, concentrados nas partes altas. Graziela morre de medo de morcego. Se visualizar um é capaz de gritar e sair correndo. Nessa caminhada Graziela obedeceu e foi tranquilo, chegando ao outro lado da caverna. No outro lado proporciona uma bela vista dos vários morros e as dezenas de fazendas de plantação da folha do tabaco, predominando no belo Vale de Viñales. Do mirante visualizei três cavernas bem distantes, cada uma em um morro. Fiquei na duvida qual era a do Palmarito. Em um dos relatos observei que a Cueva del Palmarito é a única que possui um rio que adentra na caverna, servindo de referencia. Consultei o MAPS ME. que me mostrou um suposto caminho, resolvi arriscar. Fui com Graziela e passamos por mais plantações de folha de tabaco , ao ponto da trilha adentrar entre as plantas. Parei e fiz umas fotos. Alguns pássaros cantavam e se destacavam entre as folhas, as aves eram de espécies que ainda não sei o nome e nunca tinha visto. Desci um trecho íngreme da Cueva de La Vaca até a continuação da trilha, que segue em mais uma fazenda. La em baixo já era possível visualizar grupos passeando de cavalo e conhecendo as FINCAS. Seguir com Graziela, em passos largos, passando esses grupos. Os condutores nos olharam com cara de poucos amigos e não nos importamos. Ficamos cismados desses grupos estarem seguindo para a Cueva del Palmarito, queríamos visualizar a caverna igual a Cueva de La Vaca, sem ninguém presente. Nessas fazendas existem umas casinhas de apoio que vendem produtos, Graziela parou em uma delas e bebeu um cafezinho, que foi o mais caro pago até hoje, no valor de 1 CUC. O trecho entre a Cueva de La Vaca até a Cueva del Palmarito é um pouco perigoso devido as bifurcações. São muitas bifurcações, o tempo todo. É pegando uma e visualizando outra, pois as trilhas estão entre as fazendas. Esse trecho foi realizado em quase 1h, devido aos caminhos errados que seguia. No final visualizei um rio barrento e seguir-lo, chegando a Cueva del Palmarito. Diferente da Cueva de La Vaca, a Cueva del Palmarito fica na base do morro com um rio de leito fino e águas forte correndo para o interior da caverna. As águas barrentas não possibilita ver a profundidade, que a meu ver, pelo menos nesse trecho inicial, parece ser raso. Liguei a lanterna e avancei com Graziela caminhando pelo trecho úmido e escorregadio da margem direita verdadeira do rio. Com 2 minutos de caminhada a lanterna de Graziela começa a falhar e me veio à lembrança das crianças da Tailandia que ficaram presas na caverna, me deixando bastante cismado. Chamei Graziela e decidir abordar o caminho, ficando no inicio da caverna que estava com claridade. Voltamos e lá permanecemos por quase 1h. Algumas formas no interior da caverna são interessantes. Acredito que foram feitas pelas águas que escorrem dos grandes paredões. Visualizei estalactites, mas não cheguei a ver nenhuma estalagmites. As 15:00 regressamos, realizando o mesmo caminho invertido. A volta foi tranquila, pois já sabia todo o trajeto. Na Cueva de la Vaca visualizamos um grupo praticando bolden, promovido pela agencia Cubanacan (uma das várias agencias do Ministério de Turismo de Cuba – mTUR). Graziela propôs em conhecer o museu da história, distante 4 km do centro de Viñales. Estava cansado, mas aceitei. Fomos caminhando pela Calle Salvador até o trevo, todo caminho é feito pela margem da rodovia de asfalto. Já passava das 16:30 quando visualizamos o mural antes de entrar. O engraçado que para ter acesso a parte interna e visualizar de perto o mural da história deve pagar um valor de 3 CUC, por pessoa. O mural da história é uma pintura feita por algum artista local, retratando animais e objetos durante a evolução dos seres. Dinossauros, macacos, homens da caverna, mamutes e entre outros se destacavam. Antes de chegar à portaria parei com Graziela e observei. No final do trevo é possível ter uma boa visualização, sem a necessidade de entrar. Toda essa obra está desenhada e pintada em um grande paredão rochoso de um morro. Regressamos e visualizamos mais um belo pôr do sol na Calle Salvador. Chegamos ao Centro de Viñales bem cansados e com fome. Paramos em um restaurante na rua principal e almoçamos uma sopa de feijão com arroz. Minha fome estava tanta que solicitei uma macarronada com queijo e Graziela mais outra sopa de feijão. Antes de dormir passamos em uma lanchonete e degustamos alguns copos de suco de manga, cada um no valor de 5 CUP. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- A rua de acesso a trilha rstá ao lado da CADECA. 2- Apesar de a trilha ser batida e larga, existem muitas bifurcações. 3- A Cueva de La Vaca é bem tranquila. 4- A Cueva del Palmarito é acessível, porém é bom ficar atento com rio que adentra na caverna. 5- Se tiver tempo existem outras cavernas ao lado que é interessante em conhecer. 6- Os famosos charutos são fabricados com as folhas produzidas dessas fazendas. 7- Nas fazendas vendem charutos, caso se interesse. DIA 28 22/02/2019 – sexta-feira Cidade: Havana | Província: Havana Despedimos do Aldo e seguimos para a parada de ônibus que embarcar com destino ao terminal rodoviário de Pinar del Rio, capital da mesma província homônima. Na volta decidir seguir uma das referência que planejei esse roteiro, chegando em Havana de caminhão e fazendo uma boa economia. Já acostumei a viajar de caminhão e enfrentar os perrengues em Cuba, as “guaguonas” são velhas conhecidas. A parada de ônibus fica em frente à funerária, na penúltima travessa da Calle Cienfuegos. O micro-ônibus não demorou, passando as 10:00. O valor da passagem foi de 2 CUP, por pessoa. A viagem foi tranquila, o veículo foi fazendo várias paradas de embarque e desembarque, além de lotar rapidamente. A estrada entre Viñales e Pinar del Rio que é o atrativo, com suas perigosas curvas sinuosas e a paisagem da serra. Dessa vez não houve tensão e momentos perigosos, como ocorreram na ida pela Via Azul. Desembarquei no terminal provincial de Pinar del Rio as 11:10, com muita gente e pouca orientação. Fui até uma funcionária que me ensinou onde embarca os caminhões. Aguardei em uma “fila” onde tinha uma quantidade de pessoas aguardando para seguir nesse caminhão com destino a Havana. A espera foi de quase 30 minutos até o portão abrir. Corri com Graziela e entramos no caminhão vermelho, com poltronas espumadas, um pouco confortável. De todas as viagens feitas utilizando o caminhão essa foi a mais confortável. Paguei o valor de 100 CUP (4 CUC) referente a minha passagem e a de Graziela. As 12:00 o veículo saiu. A viagem foi bem tranquila, muitas das pessoas que embarcaram seguiam para Cidades próximas. As mais relevantes são Mayambeque e Artemisa, capitais das províncias homônimas. A duração foi de 2h e 15 min, chegando até a parada da Calle 100, as 14:15. Em Havana os caminhões não entram no terminal provincial, cada linha tem uma parada específica. A linha que vem da Província de Pinar del Rio é na Calle 100, uma principal rodovia que leva as Cidades do Oeste de Cuba. Na Calle 100 seguir caminhando com Graziela na margem dos viadutos até chegar na Av. Rancho Boyeros. Assim que chegamos passou o ônibus da linha P12 e embarcamos. Corri ao ponto de “dobrar o pé” e quase torcer o tornozelo. Tive muita sorte. Desembarquei no bairro Chino e seguir com Graziela procurando arrendador em divisa para ficar. Tomamos três sustos, com preços de 25 CUC. Como no Centro de Havana existem muitos arrendadores de Divisa e não tínhamos pressa, seguir com Graziela procurando. Na quarta tentativa, precisamente na Calle San Rafael, encontramos uma boa casa. O dono se chama Damian e se ofereceu o quanto poderíamos pagar e os dias que vamos ficar. Fui bem sincero em padronizar o meu preço, no valor de 10 CUC e que pretendo ficar 4 dias e 3 noites. O Damian nem esperou terminar e mandou subir, aceitando o valor. A casa fica no primeiro andar de um cortiço, dando aparência de ter sido reformada. Essa casa foi a primeira que ficamos com os cômodos disponíveis só para mim e Graziela. Sala, Cozinha, varanda, banheiro e quarto. Damian entregou a chave e disse que a casa é nossa e qualquer coisa a mãe mora ao lado e poderia chama-la. Uma das coisas que nos mais interessou foi o liquidificador, possibilitando a fazer sucos. A Calle San Rafael conheço de “olhos fechados”, é a imensa rua em que se tem de tudo e o lugar perfeito para se hospedar. O arrendador em divisa do Damian é a casa completa. Além disso, o interior da residência é muito bonito com as colunas de mármore e os detalhes das formas no teto, muito interessante. Almocei na Calle Zanja e de lá seguir caminhando até o Malecon e assistir o pôr do sol no bairro do Vedado, sendo um dos mais bonitos vistos até ao presente momento nesses meus 27 anos. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Existe um horário das 10:00 que parte um micro-ônibus de Viñales para o terminal provincial de Pinar Del Rio ,custando o Valor de 2 CUP. 2- O Caminhão que vai para a Cidade de Havana, saindo do terminal de Pinar Del Rio, é no horário das 12:00. O Valor são de 50 CUP ou 3 CUC. 3- O final é na Calle 100. Se for ao Centro de Havana, Malecon, Havana Velha, deve ir caminhando pela margem do viaduto e descer na Av. Rancho Boyeros. Os ônibus que servem são da linha P12 e P16. 4- Recomendo a casa do Damian DIA 29 23/02/2019 – sábado Cidade: Havana | Província: Havana Graziela sugeriu, nesse 29° dia, em conhecer uma localidade de Havana chamada Fusterlandia, que tem um interessante trabalho artístico e cultural em Cuba. Não questionei e resolvemos chegar até lá, que está localizado no bairro de Jamainatas, um bairro nobre ao Oeste de Havana. Seguimos até a estação de trem e embarcamos no ônibus da linha P4, soltando na 5° Av. e seguindo a pé nas belas ruas arborizadas e casas de alto padrão. A parada do ônibus é onde estão concentradas as embaixadas. Da estação de trem até o trevo de acesso a localidade é uma longa viagem, devido ao itinerário do ônibus. O aplicativo MAPS.ME me ajudou a desembarcar no local exato. Caminhei por 2 km com Graziela, passando pela bela Avenida 5°. Destaque para o Centro Universitário de Química, que naquele momento estava fechado. Atravessei a rua com Graziela e nos muros já observava os belos desenhos feitos com pedaços de azulejos através da técnica do mosaico, dando formas, cores, personagens e reflexões. A Fusterlandia é homenagem ao Jose Fuster, idealizador da ideia. Quando ele iniciou, na década de 1970, do Século XX, o bairro de Jamainatas era uma colônia de pescadores com uma urbanização e saneamento bastante precário. Todas as casas estão revestidas com o mosaico, com vários desenhos e informações. Mas a atração principal é a sua casa e museu a “céu aberto”, que está presente as suas principais obras. Entrei com Graziela e não foi cobrado nenhum valor, ficando facultativo à colaboração. O espaço é imenso, com coreto, escadas, paredes e até uma imensa piscina revestida com a arte do mosaico. Passamos um tempo ali observando as formas e imagens. Pensava que a atração ia ser rápida, mas custou o dia todo. Para piorar, tomei um “chá de cadeira” com Graziela ao esperar o ônibus P4. Acabamos em se retar e seguir a pé até a parada final da linha P1, que fica 4 km de distância. Fizemos essa escolha por conhecer o itinerário dessa linha. Embarcamos e desembarcamos na Calzada de Infanta, almoçando em um dos paladares concentrados nessa rua. Final da tarde seguir caminhando com Graziela até o Malecon, que está perto do local em que almoçamos. Assistimos mais um belo pôr do sol e voltamos para casa. Nesse dia resolvemos utilizar a internet, com um cartão de 3h que tínhamos a disposição a ser utilizado em caso de extrema emergência. Como está no final da viagem, resolvemos usar nesses dias finais em Havana. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Se for de ônibus a linha mais próxima é o P4. Pode utilizar dois transportes, caso escolha a outra linha é a A10. 2- Na volta pode ser feito o mesmo procedimento, mas aconselho desembarcar no bairro da Miramar e seguir no ônibus da linha P1. 3- A taxa na Fusterlandia, nesta presente data, é facultativa. Tinha levado pouco dinheiro e não colaborei. DIA 30 24/02/2019 – domingo Cidade: Havana Del Leste | Província: Havana No almoço do dia anterior aceitei com Graziela para nesse 3° dia em Havana, após o circuito pela Ilha de Cuba, em conhecer as praias do Leste de Havana, locais que a maioria dos cubanos frequenta. Para isso seguimos, novamente, para o TTFCC (terminal de trens e cargas), onde está a parada de embarque do ônibus da linha A40 (TFFCC x Guanabacoa). Essa é a principal linha de ônibus que leva as praias do leste. Não demorou muito e embarcamos em um ônibus lotado. Para piorar tinha um grupo de adolescentes fumando dentro do veículo, incomodando alguns passageiros. O jovem não estava nem ai para quem se incomodada. A viagem foi longa, seguindo pela estrada de acesso a Varadero. A distancia foi de 25Km, feitos em 1h até a parada inicial de Guanabacoa, local escolhido para desembarcar e seguir a pé pela praia. No dia 28 de janeiro, quando o tornado passou por Havana, Guanabacoa foi a localidade mais atingida, onde visualizei vários imóveis destruídos e ruas danificadas. A praia de Guanabacoa é pequena, simples e com um tom de água azul escuro. Iniciei a caminhada pela praia as 08:50, encontrando as areias sujas, cheias de garrafas de cerveja. Atravessei a foz do Rio Boca Ciega, bem fácil, chegando na praia de Santa Maria Del Mar. A Praia de Santa Maria Del Mar já possui as águas azuis claras e cristalinas, com pequenas ondas e bem extensa. Ideal para um banho. Nesse trecho final, perto da foz do Rio Boca Ciega, estava com poucos banhistas. Fiz uma parada com Graziela e aproveitamos algumas horas por lá. Aos poucos íamos caminhando e fazendo pequenas pausas para banho e observação, além de descansar nas areias, que estavam mais limpas que das praias de Guanabacoa. As 11:00 começou chegar as pessoas e rapidamente a praia ficou lotada, parecendo o Porto da Barra em dia de domingo (por coincidência é domingo). A praia lotou e seguimos a caminhada rumo ao Oeste, chegando até a praia de Megano. Menos movimentada que Santa Maria Del Mar, a praia de Megano não é ideal para banho. As águas são violentas e as ondas fortes. Além disso, não tinha nenhum local com sombra e o sol forte não dava condições de descansar na areia. Rapidamente saímos e seguimos em busca de um local para almoçar, sem sucesso. Comidas temperadas com carne ou com presunto. Desistimos de procurar e resolvemos voltar para Havana. A volta foi um pouco tensa. Após a subida de uma forte ladeira, em um sol quente, aguardamos em uma parada de ônibus que está desativada, sendo migrada para alguns metros a frente. Descobrimos após o ônibus da linha A40 “passar direto”. Graziela cismou e disse que não era ali a parada. De fato! Estava quase 100m a frente. Em Havana estava muito calor, uma sensação bem incomoda. Nesses dias finais de Cuba foi que senti o verdadeiro calor relatado nos textos que me serviu de referencia. Sérios embates rolaram com Graziela devido ao chuveiro, pois, enquanto Graziela só se banha com o chuveiro no quente, independente da temperatura, Eu só me banhava no frio, se pudesse gelado. A noite experimentei o “batido de guayaba” (vitamina de goiaba), feito de uma água suspeita e higienização suspeita. Graziela cismou e ficou com nojo. Acabei arriscando e provei, estava saboroso. A vitamina tem uma forte venda paladares do Centro de Havana. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- Nos relatos a linha TFFCC x Guanabacoa está citado com a linha A400. Em 2019 foi mudado para a linha A40. 2- A parada da linha A40 está do outro lado da estação de trem. 3- A caminhada de Guanabacoa até Megano é tranquila e fácil em se fazer. 4- A praia mais bela é a Santa Maria Del Mar e a mais cheia. No local existem serviços que vendem comidas e bebidas. DIA 31 25/02/2019 – segunda-feira Cidade: Havana | Província: Havana Nesse penúltimo dia foi dedicado a conhecer o museu da revolução, localizado no Centro de Havana. Na noite anterior me reunir com Graziela para fechar os valores dos gastos e reparamos que economizamos mais do que imaginávamos. Um dos nossos maiores desafios é gastar 60 CUC em um dia. Saímos no inicio da manhã em busca de livrarias para comprar alguns livros, que durante as pesquisas percebemos os preços estavam bem elevados. Passei em uma charutaria e comprei alguns charutos de marcas para presentear. Almoçamos em um paladar perto do museu e posteriormente seguimos para a sua visitação. O valor para estrangeiro é diferenciado para os cubanos. O valor para estrangeiro custa 8 CUC e da o direito em conhecer todo o museu. Para nosso azar algumas áreas estão em reformas, limitando o acesso. Não tínhamos muita escolha. O museu da revolução enfatiza todo o processo histórico de Cuba, fazendo um resumo do período colonial e detalhando os fatos a partir da revolução cubana, em 1959, liderada pelo Fidel Castro. É um ótimo local para quem quer conhecer os detalhes da história de Cuba. Destaque para o barco Gramma, um avião estadunidense abatido e os tanques de guerra. Queria muito detalhar um pouco da história de Cuba e todo o seu contexto, mas o objetivo é relatar, de forma bem resumida, esse período em Cuba para fins turísticos e de viagem econômica. A visita durou o dia todo, pois o museu é muito grande. Mesmo com espaços limitados e impedidos de ter acesso, devido as reformas, as áreas disponíveis estão com muitos materiais e objetos relevantes para conhecimento. A noite fui fazer minha ultima caminhada no Malecon com Graziela e começamos a lembrar dos fatos nesses dias em Cuba, fazendo uma reflexão dos momentos vividos nessa viagem. Quando estávamos regressando localizamos um paladar chamado El italiano, que vem uma boa macarronada recheada com queijo por um ótimo preço, no valor de 12 CUP. Alimentamos-nos, que apenas um prato deu para satisfazer e acabar com a fome. O único ponto negativo é a organização dos cubanos, já que eles não têm a prática de fazer filas. Fique ligado Muchacha e Muchacho: 1- O museu da revolução cobra o valor ao estrangeiro em CUC. 2- Para quem gosta de comer massa e de boa quantidade, recomendo o paladar El Italiano, localizado na Calle Aguiar, perto do Malecon. DIA 32 26/02/2019 – terça-feira Cidade: Havana | Província: Havana Até logo Cuba, acordei pensando nessa frase. Ao tomar café sentir uma sensação ruim, um peso, que não comentei com Graziela, resguardando para mim. A prioridade é se organizar para ir até o aeroporto, já que o vôo para a Cidade do Panamá está marcado no horário das 11:00 (horário de Cuba). Acordamos as 06:30, ajustamos tudo e despedimos do Damian. Fui caminhando com Graziela até a praça da fraternidade, local onde saem os ônibus urbanos que passam no trevo do aeroporto. Antes de embarcar visualizamos um paladar e resolvemos tomar um café. Quando saímos passou um ônibus da linha P16, que passa no trevo do Aeroporto Internacional Jose Marti. Embarcamos e seguimos viagem em um ônibus vazio. Um fato estranho é que todo passageiro que embarcava o motorista falava: “Boyeros, Boyeros”, me deixando cismado. A viagem foi tranquila até o viaduto da Calle 100, onde o ônibus parou e mandou todos descerem, segundo o motorista ali é a parada final. Já se passava das 09:30 e Graziela e Eu começamos a nos preocupar com o horário. Logo atrás veio um ônibus da linha P12 lotado. Sair correndo e invadir a porta do meio do ônibus com a mochila cargueira esbarrando no povo. Os passageiros deveriam está me xingando de tudo que é nome, mas não tinha escolha, o máximo que pude fazer foi me desculpar. Ao embarcar dei falta do meu celular que estava no bolso, acabou caindo quando corri para pegar o ônibus na Av. Rancho Boyeros. O celular com a tela de 6, em um bolso raso, fica fácil para cair. Nele tinha algumas fotos e vídeos que não tinha transferido para o computador, me entristecendo muito. Além disso, todo o roteiro gravado no aplicativo MAPS.ME foi perdido, já que não fiz a migração para ficar salvo no meu histórico. Desembarquei no trevo as 09:50 e fui caminhando quase 03 km até o terminal 3 do aeroporto. Chegamos lá as 10:20 e a fila da Copa Airlines estava grande. Graziela acabou deixando um canivete na mochila de mão, que teve ser descartado no momento do embarque. Lamentamos muito porque o equipamento era bom e foi caro. Para piorar acabei dando falta do meu carregador de mão, que lembrei que deixei em cima do guarda roupa na casa do Damian. Embarcamos as 11:00 com destino a Cidade do Panamá, local da escala. A viagem foi tranqüila, durando 2h. Poucos minutos embarcamos com destino a Salvador, Bahia, com a viagem durando 9h. .
  37. 7 pontos
    INTRODUÇÃO Bom pessoal, eu sou o Alan, e recentemente fiz a primeira viagem internacional da minha vida (e também a primeira vez que voei com um avião). Comigo, também foram meu irmão (Fabian) e um amigo (Diego). Esse relato foi uma forma de compensar por todo o auxílio que obtive, em especial, aqui neste fórum, com dicas e informações preciosas que permitiram que eu tivesse essa viagem extraordinária. Eu tentei elaborar esse relato com calma, e por isso acabei demorando um bocado pra chegar nessa versão final – fazem 56 dias que eu chegava de volta ao Brasil! É importante destacar que, sempre que foi possível, evitamos ‘programas fechados’, que envolvessem guias ou horários pré-estabelecidos – queríamos ter a liberdade de curtir cada momento no nosso próprio tempo. E também, como nós temos o hábito de fazer caminhadas por trilhas aqui de nossa região, decidimos que o foco de nossa viagem seria o trekking, logo, tudo girou em torno dessa ideia. Como foi a primeira viagem de todos nós, haviam certas incertezas em todas as decisões – desde o voo (como proceder com o embarque, o que poderia ser levado) até questões de dinheiro (onde trocar, quanto vale) e praticidade (alugar um carro, hotel ou hostel, quão frio é por lá). No final das contas, nosso planejamento foi uma mistura de segurança com economia (os planos mudaram diversas vezes). Meu propósito com esse relato é de tentar ajudar pessoas que, assim como eu, não tem nenhuma experiência com viagens desse gênero – por isso, tentarei enriquecer o máximo possível com informações relevantes (e talvez tudo fique muito extenso para ser lido). Tomem nota que, quando eu descrevo as trilhas, tento focar mais nos detalhes que mais me chamaram a atenção – mas todas elas tomaram horas de caminhada. PLANEJAMENTO DA VIAGEM Inicialmente, o desejo de conhecer a Patagônia Argentina surgiu no final de 2018, onde eu e o Diego conversávamos em um PUB da região enquanto bebíamos e assistíamos o canal OFF. Daquele momento em diante, decidi reservar um tempo e montar um itinerário – fiz diversas pesquisas pelo Google em busca de atrações e programas naquela região (naquela época ainda não sabia da existência de El Chalten). A primeira versão da viagem envolvia conhecer Ushuaia, e estávamos fortemente considerando alugar um carro naquela região para ter mais mobilidade. Entretanto, conforme fui ampliando minha pesquisa sobre o assunto, fui de encontro com a ‘Capital Nacional do Trekking da Argentina’ – El Chalten – e logo me apaixonei pela possibilidade de conhece-la (ainda mais estando tão próxima de El Calafate com seu Glaciar Perito Moreno). No início de maio de 2019 encontrei uma promoção de passagens para ir e vir de El Calafate (um valor bem abaixo dos demais – estive acompanhando semana a semana a variação deles) – apenas teríamos que aumentar dois dias de viagem (inicialmente eram apenas oito) e a saída seria de Curitiba/PR. Logo que compartilhei com os demais, decidimos comprar as passagens naquele mesmo dia. Passagem de CWB para FTE (conexão em EZE com troca de avião), valor de R$ 1.409,81 por pessoa, ida e volta, sem bagagem adicional, comprada diretamente do site da Aerolineas Argentinas em 02 de maio de 2019. A partir deste momento, tínhamos um período definido para nossa viagem, e com isso, fizemos alterações relevantes nos planos: desistimos de ir para Ushuaia (ficaria para uma próxima) e não alugaríamos mais um carro. Desistindo de visitar Ushuaia, asseguramos uma economia nas despesas, porém, mais que isso, mais dias para curtir El Chalten (e foi uma decisão extraordinária)! Percebemos que, tendo apenas El Calafate e El Chalten nos planos, ter um carro se mostrava desnecessário – era possível fazer as trocas de cidade e eventuais corridas com serviços oferecidos na região (e novamente, foi muito mais barato que alugar um carro e dividir as despesas). Finalmente, na última versão da viagem, decidimos trocar o último dia de passeio em El Calafate por El Chalten, de forma que ficaríamos um sétimo dia (seis líquidos) para nossas caminhadas. Por segurança e praticidade, tudo que pudemos comprar com antecedência aqui do Brasil foi feito – não sei dizer ao certo se isso foi o mais sábio em termos de economia, mas estar com as coisas definidas permitia com que curtíssimos mais o que era importante, ao invés de ficar correndo e negociando coisas. Também não compramos chip de planos de dados para internet. Sinceramente não achei necessário. Você conseguia acesso via wifi em praticamente qualquer estabelecimento, incluindo o hostel/hotel. A conexão é normalmente boa, raríssimas vezes não funcionava (em El Chalten teve um dia que ventou demais e pareceu que estava interferindo). Mas conseguíamos fazer chamadas de vídeo sem problema algum. Quanto ao celular, visto que não teria plano de dados, eu baixei os mapas da região para consulta offline (isso foi realmente importante) e sempre que não precisava conectar ao wifi, mantinha a opção ‘modo avião’ e ‘economia de energia’ ativos – isso dava até cinco vezes mais bateria para o celular. EQUIPAMENTOS Apesar de fazermos trilhas aqui pela região com bastante frequência, estávamos cientes que o clima da Patagônia era muito diferente do nosso, e por isso, foi necessário comprar algumas coisas – ainda mais que decidimos fazer a viagem sem despachar malas. Nosso limite era de 08kg na bagagem de mão (que você guarda em cima do teu assento no avião) e até 03kg no artigo pessoal (aquela mochilinha que tens que colocar entre seus pés no chão) – essas eram as regras da Aerolínias Argentinas (logo, dependendo das empresas que operarem teu voo, tens que observar as regulamentações específicas). Bom, cada um de nós fez suas próprias compras, mas de uma forma geral, os mesmos itens eram comprados. Com os relatos de ser uma região muito fria, decidimos nos preparar para isso. Fora isso, tínhamos que considerar que tudo que fosse comprado teria que caber dentro das mochilas. Segue relação dos itens que foram levados dentro das mochilas: 1x Casaco fleece 2x Camisa manga curta dryfit 1x Camisa manga longa dryfit 1x Camisa segunda pele 1x Calça de trilha com resistência a água 1x Calça moletom 1x Calça segunda pele 1x Touca 1x Luvas 1x Toalha dryfit 5x Cuecas 4x Meias cano longo de trilha 1x Meia de algodão 1x Chinelo 1x Powerbank 20.000mah Documentos e comprovantes Além destes, algumas coisas vesti e carreguei durante os voos: 1x Casaco com resistência a água 1x Camisa manga curta de tecido 1x Calça jeans 1x Bota impermeável de trilha 1x Celular No final das contas, todos os itens comprados couberam com relativa folga de volume, e muita folga de peso, na mochila maior. Na mochila menor levei os eletrônicos e documentos, e também ficou folgada. A verdade é que nem precisávamos levar tanta coisa (devido nossas escolhas durante a viagem). Tínhamos pensado em lavar nossas roupas enquanto tomávamos banho – e isso até foi possível com alguns itens – entretanto, conforme estávamos lá, percebemos que iríamos precisar mandar lavar algumas peças em lavanderias (e fizemos isso duas vezes – custava entre 300 a 400 pesos dependendo do peso). Isso acresceu um pequeno custo ao total de despesas, mas valeu muito a pena. As despesas com esses itens comprados não fazem parte das da viagem, pois apesar de ter comprado muita coisa específica, posso usá-las em outros momentos.
  38. 7 pontos
    DESPESAS COMPILADAS Eu tentei manter um controle de nossas despesas antes e durante a viagem, mas infelizmente algumas coisas passaram batidas. Todos os valores estão na proporção 'por pessoa'. Estacionamento (PareBem) 11 dias: BRL 36,30 (cartão). Aéreo (Aerolíneas Argentinas): BRL 1.409,81 (cartão). Hospedagem (Folk Hostel) 2 dias: ARS 3.272,73 (cartão). Minitrekking (Hielo y Aventura): ARS 9.000,00 (cartão). Entrada (Parque Nacional Los Glaciares): ARS 800,00 (espécie). Transfer (Laguna del Desierto) + Entrada (Glaciar Huemul): ARS 1.700,00 (espécie). Transfer (Estancia Los Huemules): ARS 550,00 (espécie). Entrada (Estancia Los Huemules): ARS 800,00 (espécie). Transfer (Hosteria El PIllar): ARS 500,00 (espécie). Remis (Aeroporto > Folk Hostel): ARS 400,00 (espécie). Onibus (Chalten Travel) de El Calafate até El Chaltén: ARS 1.000,00 (cartão). Onibus (Chalten Travel) de El Chaltén até o aeroporto: ARS 1.000,00 (cartão). Hospedagem (Nothofagus Bed & Breakfest) 7 dias: USS 700,00 (cartão). Seguro de viagem (Allianz): BRL 64,84. Dinheiro em espécie (18.000 pesos argentinos): BRL 1.280,00. Todas as compras que fiz durante a viagem, e em todos os momentos que precisei usar dinheiro em espécie, usei desse montante aqui. No final das contas, cada um estava com um saldo de quase 5.000,00 pesos argentinos. Eu gastei tudo com souvenirs. Enfim, como não registrei todas as despesas, não tenho como dar um valor exato, mas posso dizer que aproximadamente gastei pouco menos de R$ 5.000,00 com toda a viagem. ANÁLISE FINAL E DICAS GERAIS Eu poderia ter feito as mesmas coisas (sem mudar quase nada, apenas economizando em 'excessos') com R$ 4.200,00. Se eu pudesse fazer essa viagem novamente, teria optado por um hostel com cozinha compartilhada em El Chaltén, e teria feito minha própria comida. Acredito que isso reduziria as minhas despesas para R$ 3.500,00 sossegado (sem deixar de fazer qualquer passeio ou trilha). Eu tinha a sensação que a região toda era 'desabastecida', com poucas opções de alimentação. Não! Tanto El Calafate quanto El Chaltén vivem de turismo, e contam com diversas opções de cardápios e serviços. Eu achei a quantidade de dias e a forma que foram distribuídos aceitável para o meu perfil. Naturalmente há muitas outras coisas que poderiam ser feitas naquela região. Mas não sinto ter esquecido nada que desejaria muito fazer. Tão quanto, mesmo com diversos dias com clima ruim, conseguímos fazer tudo que estava planejado, sem nenhum dia vazio. O Minitrekking custa caro, mas se você tem condições de fazê-lo, eu devo incentivá-lo - não sei até quando teremos a chance de curtir uma experiência tão majestosa como essa. Eu não fiz o BigIce, mas não sinto ter perdido nada por ter optado pelo Minitrekking. Façam todas as trilhas principais de El Chaltén: Laguna de Los Três, Cerro Torre e Loma del Piegle Tumbado. Cada uma delas tem características únicas. Definitivamente passar menos de quatro dias líquidos em El Chaltén soa absurdo, não tem cabimento você ir para lá e não aproveitar o mínimo aceitável. Se você gosta de trekking, inclua a visita para a Estancia Los Huemules e pretigie a Laguna Azul - definitivamente a paisagem mais linda que pude presenciar em toda a minha viagem. Enquanto pesquisava, li diversos relatos sobre 'quanto tempo demora fazer tal trilha', ao menos para mim, todas elas demoraram muito menos (cerca de 50% do tempo anunciado), mas acredito que isso possa ser algo muito individual (desempenho). É frio, e venta muito! O clima é bem instável. Usem roupas que secam rápido e que cortem o vento. As extremidades do corpo sofrem bastante (dedos, lábios e nariz). Vai ter momentos do dia que você vai andar de camisa de manga curta e vai sentir calor, mas basta nublar um pouco ou garoar que a temperatura cai horrores, e se de quebra começar a ventar (o que é super comum), multiplica a queda.
  39. 7 pontos
    Capítulo 1 - Viagem e primeiro dia em Roma: um choque de realidade Decidi destinar um capítulo para a viagem e esse primeiro dia em Roma porque foram momentos marcantes (e até mesmo desesperadores) da viagem. Ansiedade estava enorme, mal havia conseguido dormir na noite anterior. Meu voo sairia às 16:05 e cheguei no aeroporto por volta das 13:30, então pude aproveitar o tempo livre na sala Vip da Mastercard, que particularmente achei muito boa. Já durante a viagem, simplesmente não consegui dormir durante todo o trajeto. Era angustiante ver o mapa na televisão de bordo e nada de Fiumicino chegar 😂. Passadas às 10 horas mais longas da minha vida, enfim cheguei por volta das 09:30 com direito a chuva e 15ºC. Aeroporto de Roma - Fiumicino A imigração foi bem tranquila, somente pediram meu passaporte. Saindo para o saguão, comprei um chip de celular da Vodafone ao preço de €30 por redes sociais ilimitadas e uma quantidade de GB que não me recordo, mas era mais do que o suficiente para passar um mês na Europa. Algo que achei engraçado é que a atendente logo reconheceu que eu era brasileiro e pediu para falar em português ao invés de inglês, então não tive problemas de comunicação nos meus primeiros minutos em terras italianas. Logo após, peguei um trem expresso de Fiumicino para Roma Termini, a estação central de Roma, pagando €10. O trem é bastante confortável e fez somente uma parada (Trastevere) até chegar em Termini. Chegando em Termini, pequenos problemas começaram a aparecer: eu precisava esperar 2 horas para ativar meu chip da Vodafone e o trajeto entre Aeroporto - Roma Termini demorou cerca de 40 minutos, logo estava desconectado. O wifi da estação não estava funcionando, então tive que ir de loja em loja pedindo para utilizar o wifi, mas o uso estava condicionado a comprar algo. Acabei parando numa cafeteria e gastei €3,40 em um cookie e uma água para poder usar wifi e achar o caminho até meu hostel. Caminhei cerca de 10 minutos da estação até meu hostel e nesse pouco tempo passei em dois pontos importantes da cidade e, convenhamos, em Roma você encontra em praticamente todas as esquinas: Piazza della Repubblica e Fontana del Mosé. Fontana del Mosé Chegando no hostel, fui muito bem atendido e, apesar de não ter sido o horário de check-in, a equipe pediu pra agilizar a organização da minha cama e liberou meu acesso para as áreas comuns. Banho tomado, bagagem organizada, muita curiosidade e nenhum sinal de cansaço, resolvi andar sem rumo para conhecer o entorno do meu hostel. Procurei um lugar para comer e acredito que pelo fato de ser domingo de manhã, poucos lugares estavam abertos. Paguei €8 em um café da manhã no MSM Aurora, que tinha bastante variedade de opções mas estava somente ok. Voltei ao hostel para esperar pelo Free Walking Tour organizado pela própria equipe. Ao todo nos reunimos em 10 pessoas de diferentes países para descobrirmos um pouco sobre os locais e a história de Roma. Nesse momento tive meu choque de realidade: ninguém ali falava português, nem sequer eram latinos. Eu praticamente esqueci toda e qualquer palavra em inglês que havia aprendido na vida, não conseguia manter uma conversa com alguém, foi bizarro. Além disso, estava chovendo e isso acabou nos deixando ensopados, atrapalhando um pouco o tour pela cidade. Mesmo assim achei que o tour foi bom, principalmente por dar meus primeiros passos em um país totalmente desconhecido por mim acompanhado de um local. Além de toda a história e pontos turísticos, passamos pelo Pompi, lugar do tiramisu mais famoso do mundo. Não gosto de café mas realmente é um doce muito bom com um preço bem honesto (€4) comparado a quantidade servida, recomendo bastante. Telhados de Roma Igreja Santo Ignácio de Loyola Pompi Caminhamos por cerca de 3 horas e 30 minutos e, ao fim, dei uma gorgeta de €10 euros para o cara que nos acompanhou pelo tour - apesar dele ter explicado muito bem diversos detalhes que jamais saberia sem pesquisar, vejo que o valor foi um pouco alto, mas faz parte. Voltamos pro hostel de ônibus (€1,5) porque a chuva não parava e particularmente estava exausto. Achei curioso o fato de que você pode pegar um ônibus e simplesmente não validar o bilhete, mas preferi não arriscar durante minha estadia em Roma a pagar uma multa bem maior que o valor do ticket unitário. Banho tomado, resolvi ir ao pub que fica ao lado do hostel. Os preços não eram tão atrativos assim (somente agora estou tendo essa noção 😂) mas estava bastante cansado para procurar algum outro lugar para jantar. Paguei €19 euros por um prato de carne com fritas e duas pints - nesse momento percebi que não gosto de Guinness. Não bebi muito além disso, confesso Voltei ao hostel e encontrei um chileno e um colombiano e finalmente pude ter minha primeira conversa de fato com alguém em um portunhol bem arranhado. Hoje vejo como a comunidade latina é parecida pela energia, modo de falar e facilidade em fazer amizades e com eles não foi diferente, conversamos sobre a viagem, aspectos econômicos dos países e o câmbio do Brasil realmente é uma m. Pouco mais de 60 horas depois de um sono adequado, fui para o meu quarto descansar, tentando processar tudo aquilo que havia vivenciado durante o dia, extremamente diferente de toda a minha rotina. 💰Custos do dia: Trem Fiumicino - Termini: €10 Cookie + água + wifi: €3,40 Café da manhã: €8 Pompi: €4 Gorjeta do Free Walking Tour: €10 Ônibus: €1,50 Jantar: €19 💸 Total: €55,90 (R$248,75) Próximo post: Capítulo 2 - Chuva, pontos turísticos e tourist traps
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    26/12/2019 - TORRES DEL PAINE - BASE DAS TORRES O dia tão esperado por mim chegou. Confesso que eu estava num mix de nervosismo e animação. Eu escolhi essa viagem só por causa das Torres, o cartão postal daqui. O resto do que fiz foi só encaixe e conveniências, o que vem sendo igualmente incrível. Sai cedinho de Puerto Natales (7:15 com a Bus Sur - ARS 15.000 ida e volta) e no caminho uma surpresa: da janela do ônibus vimos uma Puma!!! 😱😱😱 Assim, do ladinho da estrada!! O ônibus freiou na hora e TODO mundo ficou chocado e admirando. Não consegui bater foto porque foi tudo muito rápido e já percebi que o dia ia ser com emoção ahahah Chegamos na Laguna Amarga as 9h. Nesse dia eu estava com a Silvia e ela ainda não tinha a entrada do Parque, tinha fila então começamos a trilha somente as 10h. Ah, da recepção até o início da trilha tem outro transfer com van que custa ARS 3.000 cada trecho. O início é só subida, muuuuuita gente no caminho e tudo bem sinalizado. Zero necessidade de guia em relação a isso. Vários mochileiros que fazem o circuito W e acampam por lá. Fomos no nosso próprio ritmo que foi muito lento. A Silvia estava zero preparada e nem sabia onde estava se metendo haha O bom é que não choveu durante a ida e nem os ventos fortes que a maioria das pessoas relatam pela internet, o que foi maravilhoso. Aos poucos as vistas do caminho vão aparecendo e vira um mix de subida/descida mais confortável. Mas achei que no começo já deu uma cansada que eu não esperava. Levamos 4h30min até a Base. Foi intenso, a parte final que é 1km se faz em 1h, muita subida com pedras que não tem fim. Tomar cuidado para não se machucar, ir pisando com cuidado. Nessa hora, desistir não foi uma opção para mim, mas a última parte você se questiona se aguenta. O Ricardo, brasileiro que conheci brevemente em Ushuaia havia me alertado e dado uma ótima dica: “pensa que cada passo que der, você está mais perto”. Eu apenas olhava pra cima, via as Torres exibidas e sem nuvens e repetia como um mantra “Eu consigo. Eu consigo. Eu consigo. Cada passo mais perto. Eu consigo”. Eu consegui. Cheguei lá chorando de emoção porque só quem está lá sabe como é superar os limites físicos para apreciar a paisagem mais linda criada pela natureza. Eu sorria de orelha a orelha, é lindo, é gigante, tem uma energia contagiante e você esquece de tudo. Valeu cada segundo. Achei as meninas chilenas do meu Hostel e elas bateram foto minha, a Silvia chegou um pouco depois e encontrei ela. Encontrei mais outro grupo de brasileiros. Todo mundo se ajuda nessas horas, tanto no caminho como para bater fotos. Apreciei o máximo que pude, mas infelizmente não foi tempo suficiente, eu não queria ir embora. Queria continuar por lá sentindo a imensidão e perfeição do mundo, da natureza, de Deus, do universo ou qualquer outra coisa que você acredite. Nós seres humanos somos um NADA perto disso e precisamos respeitar e cuidar hahaha poderia ficar horas falando, mas não sei se conseguiria fazer jus ao lugar... Bom, lembrem que isso era só a ida e ainda tem todo o caminho de volta... então quando não podia mais esperar, começamos nosso caminho de volta. O ônibus de volta a Puerto Natales sairia as 19:45. Logo no começo da descida começou a chover e já estávamos bem cansadas. Eu até que estava inteira, mas a Silvia estava bastante desgastada. Ela foi guerreira o caminho todo. Se eu me superei, ela então nem se fala. Percebemos que íamos perder o ônibus, mas deixamos pra preocupar depois, só queríamos finalizar vivas hahaha. Paramos em um acampamento no caminho e (finalmente) comemos. Terminamos a trilha 20:15. Total: 10h. Nessa hora eu comecei a ficar bem nervosa, não tinha ideia de como ia voltar a Puerto Natales. O último transfer da van até a portaria do parque tinha acabado de sair e também tínhamos perdido. Sai pedindo pra um grupo de pessoas se tinha espaço para dar carona para gente e eles foram uns fofos e deram carona até a portaria. Descobrimos então que teria um outro ônibus da BusSur que saía as 21h. Ficamos por lá e comemos tudo que tínhamos, sentamos e esperamos. Graças a Deus, o ônibus estava vazio e deixaram tranquilamente a gente embarcar. Foi quando eu relaxei. Que dia foi esse? Parece mentira. Eu estava super animada e querendo sair para tomar uma cerveja, mas o corpo reclamou de cansaço, principalmente depois que terminei de tomar banho. Acabei recusando o convite da cerveja pós trilha com os brasileiros e fui dormir a pessoa mais feliz dessa Patagônia por ter completado a meta da viagem. Nada do que eu escrever aqui vai poder descrever esse dia. Vá e sinta. Algumas dicas: - Levar comida! E, o mais importante, realmente parar para comer e tomar água haha a gente não fez isso e sinto que desgastou ainda mais o processo. Eu levei sanduíches, ovo cozido, frutas, bolachinhas, alfajor e água. - CONHEÇA SEU CORPO! SAIBA ONDE ESTÁ SE METENDO! SAIBA SEU LIMITE! Se eu estivesse sozinha provavelmente teria terminado antes e não perdido o ônibus, eu li diversos relatos e conversei com várias pessoas para saber sobre a trilha. Eu sabia que era o dia inteiro, que poderia levar em torno de 8h, quase 25km andados no dia, estava com as roupas apropriadas - tanto a bota como tudo impermeável e quente que me deixaram confortável, eu tinha estabilidade para pisar sem escorregar e também sem me preocupar com o chão de lama. O bastão também me ajudou. A Silvia SOFREU MUITO porque ela era ainda mais sedentária que eu, o pé dela estava congelando e ela ia a passos muito pequenos e sentindo dores constantes. É claro que ainda assim ela conseguiu, mas eu não recomendaria a pessoa ir da forma que ela foi, foi realmente sofrido. - Eu não fazia nada de exercícios físicos, somente Yoga que tinha começado há 2 meses, mas fiz algumas trilhas menores por aqui e também 2 viagens mais natureza antes: Escócia e Chapada dos Veadeiros. Em ambas eu também estava com o condicionamento físico ruim mas consegui acompanhar as outras pessoas mais preparadas. Eu acredito que as trilhas exigem também uma condição mental equilibrada. Os trabalhos de meditação e respiração me ajudaram a completar. Essa foi a trilha mais longa que eu já fiz e confirmou o meu amor por esse estilo de viagem. - Eu fiz tudo sem guia, agência, etc. Realmente não vejo necessidade... a única coisa é que evitaria esse estresse do ônibus perdido. Mas eu vi os guias do caminho darem uma apressada na galera para ir rápido, tanto é que as pessoas que deram carona foi uma das últimas vans que estavam lá. O resto já tinha ido embora também. E dependendo se estiver muito devagar eu vi os guias sugerindo de voltar (um senhor estava com bastante dificuldades, mas no fim ele conseguiu concluir também! O guia não estava mais tão feliz com a demora dele hahaha). É isso, a conclusão é que os lugares mais lindos se tornam inesquecíveis por esse conjunto de fatores: superações físicas, mentais e as paisagens que só encontramos indo com as nossas pernas
  41. 7 pontos
    Oh coisa boa viajar! Auxilia na auto-realização da construção da nossa identidade, no desenvolvimento do "eu", além de deixar marcado diversos momentos especiais na biografia pessoal do turista. Mas nem tudo são flores... sem dúvida alguma, o maior percalço nosso foi com relação ao planejamento da viagem. Tomar notas de guias, buscar informações em blogs/sites e tentar estabelecer um itinerário foram situações sensíveis e incomodativas, porém de extrema valia para resultar em uma melhor experiência da viagem. Apesar de programarmos os roteiros, também houve o cuidado de ele não ficar de certa forma "engessado", porém com o cuidado de não ir viajar de forma despreparada ou relapsa. Muitos aventureiros têm, por preferência não tomar de seu tempo, investindo na criação de roteiros gostando mesmo é do improviso e do calor do momento, na famosa tentativa acerto/erro. Crêem, na maioria das ocasiões, que a forma de planejamento de datas e horário de um determinado roteiro, a chateação da mão de obra de confeccioná-lo e da impressão de não estar de férias, mas sim "cumprindo metas". Nossa intenção aqui no site é disponibilizar o roteiro/guia turístico construído para essa fantástica viagem que ocorreu no mês de outubro de 2019, com o intuito de ajudar outros viajantes nas suas futuras jornadas. __________________________________________________ → San Francisco (CA); → Silicon Valley (CA); → Monterey (CA); → Carmel (CA) e Big Sur (CA); → San Luis Obispo de Tolosa (CA) e Santa Barbara (CA); → Los Angeles (CA); → Anaheim (CA); → San Diego (CA); → Las Vegas (NV), Vale da Morte (Death Valley) e Grand Canyon (AZ).
  42. 7 pontos
    Essa foi minha primeira viagem sozinha no estilo mochilão, ficando em quarto coletivo e decidindo todos os passos do caminho, então a ansiedade estava grande. Mais algumas informações: - Não comprei chip de celular! Eu sou completamente viciada e quando vi já estava 4 dias sem internet no celular, ia entrar no Chile e parou de fazer sentido ter um. Foi libertador hahaha. Maaaas, eu tinha dois mapas offline baixados: Maps.me e Google Maps. De resto foi tudo no Wifi. - Eu sabia o que eu queria fazer pelo meu planejamento, mas as únicas coisas que tinham datas fixas e eu comprei no Brasil foi o Mini Trekking no Glaciar Perito Moreno e a caminhada com os Pinguins + navegação no Canal Beagle. Ah, os ônibus e todos os deslocamentos eu sabia as datas que precisavam acontecer, mas não tinha comprado nada ainda. - Como a grande maioria das recomendações na internet era fazer câmbio no Aeroporto Ezeiza, foi o que eu fiz. Quando retornei ao Brasil, percebi que fui enganada. Eu entreguei R$ 3.200 para conversão, mas na verdade o cara fez como se eu tivesse entregado R$ 2.300. Ganhei 31.280 pesos argentinos. Perdi R$ 900, foi falta de atenção porque eu estava muito preocupada em ficar em segurança com os R$ 4.500 que eu iria pagar as coisas durante a viagem, ainda mais estando sozinha e na área pública do aeroporto, saindo de uma casa de câmbio... minha cabeça estava em outro lugar e realmente achei que estava tudo correto. Enfim, aprendizados para uma próxima. UPDATE: eu mandei um e-mail para o Banco Nacional da Argentina referente a essa situação, eles me responderam que o valor sobrou no caixa! Na verdade foi um erro de digitação mesmo que nem eu e nem o atendente percebemos na hora! O dinheiro está disponível para retirada e estou verificando como vou pegar esse ressarcimento, mas no fim deu tudo certo e não foi golpe! - Foi uma viagem de bastante contato com a natureza e trilhas... porém sou um