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arnobionet

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Tudo que arnobionet postou

  1. Olá, Luis Infelizmente não tenho boas notícias. O número do celular do Paulo eu perdi quando tive meu celular roubado. Já o e-mail dele acho que nem adianta mais passar para ninguém pois eu já enviei várias mensagens e ele nunca me respondeu. Muitas outras pessoas que leram o meu relato me pediram o e-mail dele e depois me disseram que ele não responde. Lembro que ele tinha a maior dificuldade com as letras do nosso alfabeto (deve ser tão difícil quanto os ideogramas chineses são para a gente). O e-mail era só com números e ele praticamente desenhava o "@yahoo.com.cn". Ele me disse que pouco checava o e-mail. Mas, pelo visto, ele não checa nunca. Mas não desanime. Em Lisboa, Braga, Aveiro e várias outras cidades portuguesas há vários locais que lecionam mandarim. Com certeza em algum deles você encontrará uma indicação de um intérprete chinês (há mais do que nós pensamos). Abraço
  2. Parabéns pelo relato, lufema! Ficou muito bom. Você viaja de uma forma muito parecida com a minha, ficando em bons (mas não caríssimos) hotéis, visitando museus e lugares históricos, andando muito à pé e de transporte público, comprando pouco e comendo bem. Vou à Colômbia (Bogotá, Medellín e Cartagena) e ao Panamá (Ciudad de Panamá) agora em março/abril com a minha namorada. Pelo nosso planejamento e por relatos como o seu, acho que vamos gostar muito. Abraço
  3. Trigésimo primeiro dia. Terça-feira, 01 de novembro de 2011. Acordamos outra vez bem tarde, por volta das 11 horas. O céu estava escuro e chovia fino em Paris. Nosso ânimo também não era dos melhores. Esse seria nosso último dia de viagem e o último dia sempre é deprimente. Comemos um pouco do que tínhamos comprado na véspera pois o hotel já não servia mais café-da-manhã a essa hora. Demos uma adiantada na arrumação da bagagem, tomamos banho e saímos. Pelo menos tivemos a certeza de ter feito a coisa certa na véspera, quando aproveitamos o dia bonito para subir a Torre Eiffel, deixando o Musée D’Orsay para o último dia. Esse seria um típico dia de museu, chuvoso. Já tínhamos tentado conhecer o Musée D’Orsay alguns dias antes, mas fomos surpreendidos pela greve dos funcionários. Desse dia, com certeza, não podia passar! Pegamos o metrô na Richelieu-Drouot, na estação Invalides trocamos para o RER (trem metropolitano) e descemos na estação Musée D’Orsay. Saindo da estação vimos que a chuva só estava piorando. E o pior é que não dava para correr para dentro do museu pois havia uma fila enorme para entrar. Apesar de não gostarmos muito de vendedores ambulantes, tive que me render e comprar um guarda-chuvas deles. A Dani já tinha o dela, comprado nessa mesma viagem, em Canterbury. A fila foi longa, mais de uma hora. Deu tempo até de comprar um crêpes à nutella e chocolates quentes e comer enquanto esperávamos para entrar. Os ingressos custaram 8 Euros (R$ 20) cada. O Museu D’Orsay fica às margens do Sena, bem em frente ao Jardin de Tuileries e ao Museu do Louvre, que ficam na outra margem. Naquele mesmo terreno já esteve um palácio, o Palais D’Orsay, que já não existe mais. No lugar do palácio foi construída uma elegante estação ferroviária de onde saíam trens rumo à Orléans. O prédio, que data de 1898, foi inaugurado para servir à Exposição Universal de 1900. Posteriormente, o prédio serviu de estação para os trens da rede metropolitana de Paris e também como centro de correios. Em 1973 a estação foi fechada e somente em 1986, depois de uma restauração e de adaptações, foi reaberta como museu, um dos mais importantes de Paris. Ali está exposta a maior coleção da França de pinturas, esculturas e outros objetos de arte produzidos entre 1840 e 1914, incluindo os principais frutos dos movimentos Impressionista, Pós-Impressionista e Art Nouveau. Lá dentro ficamos até meio perdidos, sem saber por onde começar. Não usamos, mas há um áudio-guia em vários idiomas (não havia em português) que nos leva aos mais importantes trabalhos. Pegamos um mapa do museu e começamos a nos localizar. No térreo estão algumas obras embrionárias do Impressionismo do início da carreira de artistas que posteriormente ficaram consagrados como Renoir, Manet, Monet e Pissarro. Mas são nos andares superiores onde estão as mais importantes obras do Impressionismo e do Pós-Impressionismo. Estão neste museu as mais importantes e famosas obras do auge da carreira de Manet, Monet, Renoir, Sisley, Degas, Pissarro, Cézanne, Van Gogh, Seurat, Toulouse-Lautrec, Gauguin, Matisse… Em um dos cantos do prédio (Pavillon Amont), divididas em vários andares, ficam salas decoradas inteiramente com mobília e peças de Art Nouveau, estilo que eu e a Dani adoramos. Infelizmente fotos no interior do museu são proibidas e a fiscalização é bastante rigorosa. O único local onde acho que os guardas não se importam que tiremos fotos é do alto da galeria principal, de onde temos uma visão privilegiada do bonito interior do prédio. O Musée D’Orsay é bem grande e tem um acervo muito interessante. Acho que é possível ver tudo com calma em cerca de duas horas. Assim como o Louvre, o D’Orsay é um museu para se voltar outras vezes. Obviamente não visitamos todos os museus de Paris, mas sem dúvida o Louvre e o D’Orsay estão entre os melhores. Para quem gosta de museus, de história e de arte, a visita aos dois é quase obrigatória! Quando saímos do museu já era mais de 4 horas da tarde. Ficamos sem rumo, vagando pelas ruas chateados por ter que ir embora dentro de poucas horas. Pelo menos a chuva tinha passado. Atravessamos o rio pela Passarelle de Solférino, que é uma ponte só para pedestres que fica quase em frente ao D’Orsay. Assim como a Pont des Arts, essa ponte também é cheia de cadeados deixados por casais que os trancam e jogam a chave no Sena. Fomos margeando o rio até a Place de la Concorde, onde pegamos o metrô de volta para o hotel. Descemos na estação Richelieu-Drouot, na Bd. Haussmann. Pela praticidade de ser bem perto do nosso hotel, fomos lanchar outra vez no Quick, o fast food francês. Pedimos o mesmo que comemos da outra vez: dois trios do Suprême Cheese com frites rustiques e refrigerantes grandes. A conta deu 16,10 Euros (R$ 40,25). Saindo da lanchonete passamos em uma das lojas da La Cure Gourmande, que ficava no caminho. A Dani queria comprar alguns chocolates e biscoitos para levar de presente. Voltamos cedo para o hotel para descansar pois íamos ter que acordar no meio da madrugada para ir para o aeroporto. Fora que ainda não tínhamos acabado de arrumar nossa bagagem. Antes de subir para o nosso quarto, perguntei ao recepcionista sobre os taxis para Orly. Ficou acertado que ele nos chamaria um às 4 horas manhã. A corrida do hotel, no centro de Paris, até o aeroporto de Orly custaria 40 Euros (R$ 100). Trigésimo segundo dia. Quarta-feira, 02 de novembro de 2011. Acordamos às 3 horas da manhã, nos arrumamos e fechamos as malas. Pontualmente às 4 horas o recepcionista ligou avisando que o taxista tinha chegado. Nosso taxi era uma van bem espaçosa dirigida por um simpático motorista que foi logo puxando papo de futebol comigo. Do centro de Paris até Orly a viagem durou cerca de meia hora pois não havia trânsito algum a essa hora da madrugada. Olhando pela janela eu via uma Paris coberta pela neblina de uma madrugada deserta e iluminada e só pensava como era uma pena ter que ir embora… O aeroporto de Orly estava completamente vazio. Nenhuma loja ou guichê de companhia aérea estava aberto quando chegamos. Nosso voo de Paris-Orly para Lisboa foi às 7 horas da manhã e só às 5 horas a equipe da TAP chegou e pudemos fazer o check-in. O primeiro voo, de Paris à Lisboa, foi bem rápido. Em Lisboa ficamos apenas duas horas esperando a conexão para São Paulo-Guarulhos, que era às 10:30 horas. O voo transatlântico foi muito tranquilo também. Fomos naquelas duas poltronas que ficam isoladas entre a janela e o corredor, só eu e a Dani. O avião era relativamente espaçoso. Estava tão confortável e nós estávamos tão cansados depois de tantos dias de viagem que dormimos umas 5 horas do voo que durou 8 horas. Nem vimos o tempo passar. Passamos mais um tempo em São Paulo com os pais da Dani e depois voltamos para Belém, afinal, é preciso trabalhar para garantir as próximas viagens! As férias acabaram, mas as lembranças ficarão para sempre. O Reino Unido e a França são dois grandes destinos para viagens e sempre foram prioridades para a gente. Apesar de ter sido uma longa viagem, ainda há muito para ver tanto no Reino Unido quanto na França. E nem podia ser diferente tendo em vista que estes países são dois dos mais importantes polos culturais da civilização ocidental. Se quando saímos do Reino Unido o que nos consolava era estar indo para a França, agora só nos restava como consolo a esperança de um dia poder voltar. Espero que não demore muito!
  4. Trigésimo dia. Segunda-feira, 31 de outubro de 2011. Acordamos por volta das 11 horas da manhã. Estávamos muito cansados e sair da cama foi um sacrifício. Fim de viagem é assim mesmo. Ainda mais uma viagem de 31 dias. Resolvemos nem tomar café-da-manhã pois já estava muito tarde para isso. Quando finalmente saímos já fomos procurando por um lugar para almoçar. Pelas redondezas do nosso hotel havia muitas opções. Bem próximo, no Bd. de Montmartre, que é continuação do Bd. Haussmann, vimos que o Hard Rock estava tranquilo, sem fila de espera. Talvez por ser uma segunda-feira. Resolvemos ficar por ali mesmo. De entrada pedimos o Jumbo Combo, prato que sempre pedimos nos Hard Rocks que visitamos. Esse prato é tão grande e variado que nós sempre pedimos só ele pois já é o suficiente para nós dois. Mas dessa vez resolvemos exagerar e pedir ainda mais. A Dani pediu uma massa e eu pedi um sanduíche enorme que veio com batatas fritas. Estava muito bom mas não demos conta de comer tudo. O garçom riu e brincou com a gente dizendo que ele sabia que era muito, mas não pôde impedir! O Hard Rock Café Paris fica no Bd. Montmartre, próximo ao cruzamento com a Rue Vivienne. Depois de comer tanto foi até difícil sair para andar outra vez. Graças ao nosso planejamento, o tempo que deixamos para Paris foi suficiente para tudo o que queríamos ver nessa primeira visita. Tínhamos só mais dois dias na cidade, mas também só mais duas prioridades: subir a Torre Eiffel e ir ao Museu D’Orsay. Como fazia um bom dia de céu azul, hoje seria o dia da torre. Pegamos o metrô na estação mais próxima, a Richelieu-Drouot, e fomos até a estação École Militaire, no Champ de Mars, de frente para a torre. Li na internet que é possível comprar ingressos para subir a torre online, evitando a fila da bilheteria. O problema é que comprando antecipado não temos a certeza de que no dia vai fazer sol, frio, chuva… Queríamos ter certeza que veríamos Paris do alto em um dia bonito e, de preferência, sem congelar. Já tínhamos tentado subir uns dias antes, mas desistimos justamente por causa do tamanho das filas e acabamos fazendo o passeio de barco no Sena, como já contei aqui no blog. Agora não tínhamos mais tempo para adiar. Acho até que as filas estavam um pouco menores do que no primeiro dia que viemos, que era um domingo, mas estavam longe de ser pequenas também. Entramos na fila dos ingressos por volta das 13:00 horas e só conseguimos comprar às 15:10! Foram mais de duas horas de fila! Está certo que estávamos embaixo da tão famosa Torre Eiffel e que ali é muito bonito e tal, mas fila é fila e duas horas de fila é um desgaste. Acho que só não desistimos porque queríamos muito ver Paris lá do alto e não dava mais para adiar. Seria naquele dia ou só na próxima vez em Paris. Cada ingresso custou 13,40 Euros (R$ 33,50). Depois da fila do ingresso vem a fila dos elevadores, mas essa é menor e bem mais rápida. A torre tem três estágios. É possível subir de escadas até o segundo, pagando mais barato, mas é muito alto, tem que estar muito disposto para isso. Ainda acho que ir de elevador vale mais a pena. Já desde o segundo estágio temos uma vista incrível da cidade. Estando ali, a 115 metros de altura, dá para entender o porquê deste monumento ser visitado por cerca de 7 milhões de pessoas por ano. Paris é fantástica. A Torre Eiffel foi construída para a Exposição Universal de 1889, em homenagem ao centenário da Revolução Francesa. O objetivo era o de simbolizar a arte da engenharia moderna do séc. XIX, então entendido como um fruto direto da própria revolução de 1789 e nomeado ’século da indústria e da ciência’. O francês Gustave Eiffel, arquiteto da torre, já era famoso como projetista de pontes com estruturas metálicas. Entre os mais de 100 projetos que participaram do concurso para escolher o monumento que serviria de marco e portal de entrada da Exposição Universal , o de Eiffel foi o escolhido. Nessa época a Exposição Universal era um evento tão importante quanto são as Olimpíadas atualmente. Usando mais de 7.000 toneladas de aço, essa grandiosidade toda foi construída em apenas 2 anos e 2 meses. Isso no séc. XIX! Ao chegar ao terceiro estágio, onde só se pode ir por meio do elevador (não há escadas), estamos literalmente no topo de Paris, a 276 metros de altura. Do alto da Torre Eiffel podemos ver todos os monumentos que visitamos na capital francesa. Todos mesmo. A vista é tão bonita que acho que o único ponto negativo é, obviamente, não poder ver a própria torre que é tão a cara de Paris. Claro, por ser o topo, esse é o menor dos andares e fica bem lotado. Há um pequeno bar de champagne lá, mas acho que não estava aberto. Aliás, há várias opções para comer e beber nos três andares. Dá para fazer reserva pelo site oficial dos restaurantes da Torre Eiffel. Um desses restaurantes, Le Jules Verne, é bem conceituado. Até hoje a Torre Eiffel é a maior construção de Paris e a segunda mais alta estrutura da França, só tendo sido ultrapassada recentemente pelo Viaduto de Millau, inaugurado em 2004. Aliás, nos quarenta anos após a sua inauguração a Torre Eiffel permaneceu na condição de mais alta construção do mundo. Só em 1930 é que ela foi ultrapassada pelo Chrysler Building, de New York, que é alguns metros mais alto. Apesar de hoje ela ser um símbolo da cidade e do país, a Torre Eiffel nem sempre foi uma unanimidade. Muitos moradores de Paris na época da construção, inclusive arquitetos, engenheiros e outros artistas, não gostavam dela, achavam que a imensa estrutura de ferro era um elemento destoante em meio à elegante arquitetura da cidade. Construída para ser uma estrutura temporária, a torre quase foi desmontada em 1909, quando a vigência do contrato de cessão do terreno à Exposição Universal expirou. A torre só se salvou devido aos seus 324 metros de altura que a tornavam uma excelente base de transmissão para a nova tecnologia do rádio-telégrafo. Ou seja, se não fosse a pequena antena lá no alto, Paris não teria mais o seu maior ícone. Desde sua inauguração, em 1889, até hoje, a Tour Eiffel recebeu mais de 250 milhões de pessoas de todas as partes do mundo. Antes de descer passamos em uma das lojas e compramos algumas recordações desse dia. Descemos do segundo estágio para a base da torre pelas escadas. Descer não cansa muito e ainda podemos aproveitar os últimos minutos da vista. Subir a Torre Eiffel foi um programa e tanto. As fotos falam por si mesmas (e pode ter certeza, não traduzem tudo o que vemos). O único problema realmente foi a espera. Mas, como eu disse, para quem quiser evitar as filas, o site oficial da Torre Eiffel vende ingressos online. Da torre pegamos o metrô de volta para o hotel. Já estava escurecendo. Ainda passamos no Franprix da Bd. Haussmann e gastamos 12,82 Euros (R$ 32,05) com algumas coisas para comer. Às 7 e meia da noite já estávamos descansando. Eu escrevi um pouco o blog e cedinho fomos dormir. O dia seguinte seria o último dia da viagem. Já estávamos ficando meio tristes, entrando no ritmo da despedida.
  5. De nada, Paulo! É só planejar a viagem detalhadamente que tudo vai dar certo. Tenho certeza que você vai gostar. A China é um grande destino! Quais cidades você vai conhecer? Qualquer coisa que eu possa ajudar é só perguntar. Abraço
  6. Vigésimo nono dia. Domingo, 30 de outubro de 2011. O dia ia ser longo. Neste nosso último domingo em Paris visitaríamos um dos mais importantes repositórios mundiais de tudo que a humanidade já fez de melhor, o Museu do Louvre. Aguardei muito tempo por esse momento. Muito mesmo. Para mim seria uma realização ver ao vivo obras que eu já tinha visto tantas vezes em livros. Ainda bem que esse dia chegou. Para poupar tempo, resolvemos tomar café no hotel mesmo. E não nos arrependemos. Com o leite, o café e os pães franceses qualquer café da manhã fica bom. Depois de comer, pegamos o metrô na estação Richelieu-Drouot e descemos na estação Concorde, na Place de la Concorde. O dia estava agradável, com temperaturas em torno dos 18 graus. Tinha até um pouco de céu azul. Fomos caminhando até o Jardin des Tuileries. Idealizado inicialmente em estilo italiano, o jardim foi remodelado por André Le Nôtre, o mesmo artista que criou os Jardins do Palácio de Versalhes, que o transformou em um jardim francês clássico, simétrico e ornamentado com fontes e esculturas. O Jardin de Tuileries se encontra entre a Place de la Concorde e o Museu do Louvre e faz parte do conjunto arquitetônico e artístico das margens do Sena, considerado patrimônio da humanidade desde 1991. Ali ficava o antigo Palais des Tuileries, um enorme e luxuoso palácio que começou a ser construído no séc. XVI por Catarina de Médicis em um terreno antes ocupado por fábricas de telhas (em francês, tuiles, daí o nome Tuileries). Já no séc. XVII foi construída a grande ala de 700 metros que acompanha as margens do Sena e ligava o Palais des Tuileries ao mais antigo Palácio do Louvre. Até hoje essa ala está de pé, fazendo parte do atual Museu do Louvre. Infelizmente o Palais des Tuileries foi propositalmente incendiado pelos revoltosos da Comuna de Paris em 1871. Hoje não há nem sinal do antigo palácio, demolido totalmente em 1882. Restaram apenas os jardins. Hoje o parque é muito frequentado pelos parisienses e, claro, também pelos turistas. Há um lago central bem grande em volta do qual muitos se sentam para admirar a paisagem emoldurada por edifícios históricos e estátuas, ler um livro ou apenas bater papo. Testemunhando o processo de invasão cultural do qual pelo visto nem a França escapa, mesmo sendo um país de cultura, tradições e história ricas, vimos muitas crianças fantasiadas no Jardin des Tuileries. Hoje era véspera de Halloween, o dia das bruxas americano. Também nesse jardim se encontram duas galerias de arte. Uma delas é a Galerie Nationale du Jeu de Paume. Este pequeno prédio chegou a abrigar a coleção de arte impressionista que hoje está no Musée D’Orsay. Atualmente abriga uma coleção de arte contemporânea. Esse não visitamos, ficou para uma próxima oportunidade. A outra galeria de arte é o Musée de L’Orangerie (que quer dizer estufa, em francês). Em volta desta galeria se encontram muitas esculturas de Rodin, inclusive O Beijo. A Dani queria muito visitar essa galeria por causa das enormes telas de Monet que estão lá. A vontade só fez aumentar depois do que vimos pessoalmente em Giverny. O museu é bem pequeno e podemos visitar tudo em cerca de meia hora. O ingresso do Musée de L’Orangerie custa 7,50 Euros (R$ 18,75). No piso térreo há duas grandes salas ovais onde estão expostas as principais obras do Museu de L’Orangerie. Trata-se de oito grandes telas retratando o Jardin D’Eau da propriedade de Monet em Giverny que nós tínhamos visitado na véspera. As pinturas refletem a observação que Monet fez dos efeitos da luz do sol sobre a paisagem natural ao longo do dia. Essas obras são consideradas como testamentos artísticos dele e foram pintadas entre 1914 e 1926, ano de sua morte. Essa exposição, nomeada Les Nymphéas, foi projetada pessoalmente por Monet e inaugurada em 1927, alguns meses após a sua morte. O curioso é que a recepção do público na época foi fria. Somente após a Segunda Guerra Mundial é que a exposição ganhou verdadeira notoriedade pois, para os estudiosos, ali, naquelas oito telas, estavam as raízes da arte abstrata. Além de Les Nymphéas, que por si só já vale a visita ao Museu de L’Orangerie, o primeiro andar apresenta uma boa coleção de obras de vários artistas do classicismo moderno, do impressionismo e do pós-impressionismo. Ali estão pinturas de grandes artistas como Cézanne, Renoir, Modigliani, Matisse, Picasso, Derain, Utrillo, Gauguin e outras do próprio Monet que faziam parte da coleção de Paul Guillaume, um importante marchand, colecionador e mecenas da arte parisiense de vanguarda da década de 1920. Ainda passamos pela loja do Musée de L’Orangerie e eu comprei dois imãs retratando obras de lá (7,40 Euros/R$ 18,50) para minha coleção. Como os horários e os preços variam, antes de visitar é bom ver o site oficial do Musée de L’Orangerie. Recomendo a visita. Quando saímos da Orangerie já passava de 11 e meia da manhã. Passeamos um pouco mais pelo Jardin des Tuileries, que é um lugar agradabilíssimo. Já entrando no pátio do Louvre ficamos frente a frente com o Arco do Triunfo do Carrousel. Mandado construir por Napoleão em 1809 em comemoração à suas vitórias militares, ficava ‘escondido’ entre o Palais des Tuileries e o Palais du Louvre, até que o Palais des Tuileries foi destruído. Inspirado nos antigos arcos do Império Romano, esse arco é bem menor que o Arco do Triunfo da Champs Élysées, o famosão. Há inscrições e baixos-relevos exaltando os feitos do exército napoleônico em todas as faces do monumento. A quadriga que se encontra no topo do arco tem uma história interessante. Quando o monumento foi construído foram colocados ali a quadriga com os cavalos de bronze que adornavam a fachada principal da Basílica de São Marcos, em Veneza. A escultura foi trazida de Veneza pelo exército francês quando Napoleão conquistou a cidade, como butim de guerra. Mas, quando Napoleão foi derrotado, a escultura foi devolvida aos austríacos, que na época controlavam Veneza, e eles restituíram a escultura à cidade. O que hoje vemos coroando o Arco do Triunfo do Carrousel é uma réplica da quadriga original. Chegando em frente à pirâmide do Louvre ficamos impressionados com a fila. Estava dando voltas. Mas não tinha jeito. Se fôssemos esperar não haver fila não conheceríamos nunca o museu. Pelo menos o sistema é organizado. Há placas ao longo da fila informando a previsão de tempo de espera até chegarmos à bilheteria. Não ficamos muito tempo parados, a fila está sempre andando. Mesmo assim, até entrarmos na pirâmide para comprar os ingressos foi cerca de uma hora de espera. O ingresso para visitação da coleção permanente do Museu do Louvre custa 10 Euros (R$ 25). Estava tendo uma exposição temporária sobre Alexandre, o Grande, mas era paga à parte e optamos por não visitar. Já era 13:00 horas quando começamos a visita. Como o Louvre fecha às 17:30 horas (com exceção das quartas-feiras e sextas-feiras, quando ele fecha às 21:30 horas), ainda tínhamos quatro horas para ver tudo o que queríamos. O Museu do Louvre é um dos maiores museus do mundo, o tipo de lugar que não se conhece de uma vez só. Ficamos bem cientes disso desde que visitamos o Metropolitan de Nova York e os grandes museus de Londres, a National Gallery e o British Museum. Mas é inevitável a tentação de querer ver tudo que for possível logo na primeira visita. Tradicionalmente a ideia do Museu do Louvre é apresentar obras de arte e peças históricas da antiguidade e da idade média até cerca de meados do séc. XIX. Hoje o Museu do Louvre é um dos maiores e mais importantes museus do mundo (se não o maior e o mais importante), recebe mais de oito milhões de visitantes por ano e é um orgulho nacional. O acervo do museu que fica permanentemente exposto conta com 35 mil peças, sendo 6 mil pinturas. Mas o acervo total, contando o que fica guardado na reserva técnica, é de quase 400 mil peças! São coleções de antiguidades orientais, antiguidades egípcias, antiguidades gregas e romanas, arte islâmica, pinturas de escolas europeias, esculturas e objetos de arte decorativa. Há algumas preciosidades na coleção permanente. A primeira que nós vimos foi o Código de Hammurabi, o código de leis da antiga Babilônia, um dos primeiros da humanidade, entalhado em basalto negro, com mais de 4.000 anos de existência. Quem estudou Direito, como eu e a Dani, sabe o quanto essa peça é significativa. A enorme coleção de egiptologia é fonte de uma interminável discussão da França com o Egito. É que a maior parte do acervo foi trazida por Napoleão quando de sua campanha no Egito no final do séc. XVII e início do séc. XVIII, na época em que ele ainda era general. É uma polêmica semelhante à que envolve Reino Unido e Grécia sobre a legitimidade da propriedade das esculturas decorativas e dos frisos do Parthenon que estão no British Museum de Londres e que eu já contei aqui no blog. Além das esfinges, sarcófagos com múmias e partes dos templos e palácios dessa antiga civilização, um dos maiores destaques da coleção egípcia do Louvre é a escultura do Escriba Sentado. A seção de artefatos da Mesopotâmia é cheia de estruturas gigantes que adornavam os templos e palácios da região. A seção greco-romana também é muito rica e tem uma enorme coleção de esculturas clássicas. Entre as mais importantes e famosas esculturas clássicas do Louvre estão a Vênus de Milo e a Vitória de Samotrácia. Mas foi só quando começaram a surgir as primeiras salas de pinturas que percebemos a grandiosidade do Louvre. Parece que não acabava mais. Todos os grandes mestres estão ali. Rafael, Michelângelo, Veronese, Caravaggio, Botticelli, Ticiano, Leonardo da Vinci, Delacroix, Ingres, Veermer, Jan Van Eyck, Rembrandt, Rubens, El Greco, Velásquez… Já era 4 horas da tarde quando resolvemos fazer uma pausa para comer alguma coisa. A Dani já não se aguentava mais. Lá embaixo, logo que entramos, vimos um grande restaurante e um grande café, mas só de pensar em atravessar todo o museu já ficávamos cansados! Paramos no primeiro café que apareceu. Há vários dentro do museu. Não tinha muitas opções, então pedimos refrigerantes e duas taças de sorvete. Estava muito bom e a porção até que era grande, mas quando a conta chegou tivemos a certeza de que comer no Louvre não é nada econômico. Dois sorvetes e dois refrigerantes: 33,90 Euros! (R$ 84,65). Foi o sorvete mais caro da minha vida! O jeito foi invocar o dito do ‘quem converte não se diverte’ e seguir em frente. A política de fotos do Louvre é bem amistosa. É permitido fotografar e filmar desde que sem flash. Mas chegou uma hora que desistimos de tirar fotos das “principais obras” pois todas parecem ser importantes! Eu sei que museu não é lugar para ficar tirando fotos. Eu mesmo às vezes me chateio com quem exagera. Mas é muito difícil resistir a levar de lembrança a imagem de obras que já vimos tantas vezes em livros. Ainda faltava ver uma grande parte da coleção de pinturas e, claro, a tão querida Monalisa, também conhecida como La Gioconda. Quando chegamos ao salão onde ela está percebemos que é muito difícil realmente admirá-la como obra de arte que é, até porque não podemos chegar perto por causa de um cordão de isolamento vigiado por um guarda sempre ao lado e também por causa da multidão ensandecida que se desespera para passar na frente dos outros. Preferimos não participar dessa cena e ver o quadro só de longe. No grande salão onde a Monalisa se encontra estão muitas outras obras também muito boas, mas que praticamente passam despercebidas à multidão de visitantes que se aglomera em frente ao quadro de Da Vinci como se fosse seu último dia de exposição. Tem muita gente se acotovelando para chegar mais perto, pais que levantam as crianças para ver o quadro por cima de todos, enfim… uma euforia desmedida. Muita gente só vem ao Louvre por causa desse quadro. Acredito que isso tudo é fruto de um magistral golpe de marketing do Louvre em tempos de sociedade de massa em que tudo se consome e nada se assimila. Eles precisavam de um ícone, de um símbolo que representasse a instituição e trouxesse visitantes e dividendos. A Monalisa foi a escolhida, mas poderia ter sido outra obra também. Depois do que vimos lá, podemos dizer: a Monalisa é pop! Não que a Monalisa não seja uma obra magnífica, digna de ser admirada por toda a humanidade, o problema é que do jeito que é, ninguém consegue fazer isto. Em 2010 vimos um outro retrato de mulher pintado por Da Vinci na Galeria Nacional de Washington, a Ginevra de Benci, a única obra dele em todas as Américas. Ela também é considerada a joia do museu. É um trabalho fantástico, nem parece uma pintura, coisa de gênio. E o melhor é que lá não há toda essa euforia que a Monalisa desperta. Podemos ver a obra bem de perto, em detalhes. Conhecemos também uma parte do museu que acho que todos devem ir. Os salões de Napoleão III (appartements de Napoléon III) que são ricamente decoradas com mármores, afrescos, estuque, ouro, lustres de cristal e mobília de luxo. Acho que não há um só centímetro que não seja cheio de detalhes. Esses opulentos salões eram usados para recepções do Ministério de Estado francês e são só uma mostra de como era o interior do Palais des Tuileries antes de ser incendiado. Em uma das galerias nos aproximamos de uma janela e tivemos uma vista incrível do pátio central onde está a pirâmide. De lá também pudemos ter a vista do Eixo Histórico de Paris (também conhecido por Voie Triomphale) que se inicia com o Arco du Carrousel, segue pela Avenue des Champs Elysées, passa pelo Arco do Triunfo e segue ainda em linha reta até o moderno Arco de La Défense. O gigantesco edifício do museu por si só já é um atrativo. Com raízes no séc. XII, sua função era ser uma fortificação militar capaz de proteger Paris, então a maior cidade da Europa e capital do Reino da França, dos ingleses e normandos. Ao longo dos séculos o castelo inicial foi sendo aos poucos aumentado e adornado com os mais luxuosos materiais, perdendo suas características militares e tornando-se pouco a pouco um palácio. Muitos reis e nobres viveram ali, entre eles Francisco I e Luís XIV, monarcas que governaram a França no auge do absolutismo. A decoração do prédio é muito luxuosa. Há paredes cobertas de mármores e ouro, além de tetos trabalhados e com afrescos. Desde o séc. XVII, quando a corte de Luís XIV se transferiu para Versalhes, o Palácio do Louvre começou a abrigar escolas artísticas. A Revolução Francesa de 1789 acelerou o processo de transformação do Louvre de centro de poder em centro de cultura. Aos poucos os espaços dedicados à exposição de obras de arte foram crescendo. Em 1882 os órgãos do governo deixaram definitivamente o palácio que foi então inteiramente consagrado às artes. Quando deu 17:00 horas os guardas começaram a avisar que o museu estava fechando. Nosso périplo tinha chegado ao fim por livre e espontânea pressão. Foi só o tempo de passar em uma das várias lojinhas espalhadas pelo museu e comprar recordações dessa nossa primeira visita. Comprei um livro de fotografias com os destaques da coleção do museu e também imãs (13,70 Euros/R$ 34,25). As lojas têm excelentes livros de arte e os preços não são tão altos. O Louvre é muito grande! Há corredores que não vemos o fim. Muitas vezes tínhamos que abrir o mapa para nos localizar e continuar seguindo na direção do que mais queríamos ver. Nós bem que tentamos passar por todas as áreas para ter uma boa noção geral, mas ainda assim não vimos tudo, longe disso. Como sempre digo, é bom visitar o site oficial do Museu do Louvre antes de ir, para conferir preços, exposições temporárias e horários. Esse museu é um lugar único. É tudo que eu imaginava e mais um pouco. Com certeza o dia que voltarmos à Paris voltaremos ao Louvre, mas já sem a ânsia de querer vencê-lo em uma tarde. Esse é um lugar para ser visitado várias vezes, com muita calma. Para uma primeira vez, acho que aproveitamos bastante. Depois de um dia inteiro só de museus, fomos caminhando meio que sem destino pela cidade. Paris é muito boa para se caminhar. Sempre surgem recantos interessantes e a arquitetura é linda. Passamos em frente à famosa Opéra Garnier que, apesar de ser tão perto do nosso hotel, ainda não tínhamos visto. Fruto da remodelação urbana de Paris promovida pelo Barão Haussmann, essa casa de espetáculos foi referência para a construção de outros teatros mundo afora (como o Municipal do Rio e o Municipal de São Paulo) na época em que Paris era o centro da cultura global. Deixamos para conhecer o interior, que dizem ser muito luxuoso, em uma próxima oportunidade. Seguimos caminhando mais alguns quarteirões rumo à famosa Galeries Lafayette do Bd. Haussmann. A Galeries Lafayette é uma das mais tradicionais e renomadas lojas de departamento do mundo. Não planejávamos comprar nada, só visitar mesmo. Mas, para nosso azar, a loja estava fechada. Ficamos só com a foto da fachada e combinamos de tentar voltar nos próximos dois últimos dias que tínhamos de viagem. Como passamos o dia todo quase sem comer nada, estávamos muito esfomeados. Uma fome daquelas que não permite a procura por um bom restaurante ou a espera pelos pratos. Queríamos algo rápido: fast food. Continuamos andando pelas redondezas do Bd. Haussmann até que encontramos uma lanchonete da Quick, uma rede de fast food francesa. E por lá mesmo ficamos. Pedimos dois sanduíches Suprême Cheese com refrigerantes e batatas. As batatas (pommes rustiques) não são cortadas tão fininhas e são fritas com casca e tudo. Nós gostamos. Enchemos a barriga por 16,10 Euros (R$ 40,25). Mais ou menos umas 8 horas da noite nos recolhemos ao nosso hotel. Nesse fim de viagem já estamos exaustos e apesar de não parecer, visitar museus cansa bastante pois ficamos muito tempo em pé. Mas sempre vale a pena. Ainda bem que eu e a Dani temos gostos muito parecidos nesse sentido. Conhecer os museus dos lugares que visitamos sempre está nos nossos planos.
  7. Fala Luiz! Legal saber que o blog ajudou. Outros relatos virão. Fique a vontade para ler e comentar tudo o que quiser. Vi seu blog também. Muito bom. Abraço
  8. Oi Ivan O roteiro de Santiago está legal (e eu nem podia dizer que não, né?! hahaha). Quanto à localização em Buenos Aires, eu acho que as pessoas exageram sobre o Microcentro. Também já vi muita gente dizer que é perigoso a noite, mas eu sinceramente não acho. Fiquei na Av. de Mayo, perto da Plaza del Congreso e realmente a região fica bastante tranquila a noite pois é uma área comercial e tudo fecha. Mas não me senti inseguro em nenhum momento. E eu andei de madrugada à pé pelas ruas da região várias vezes (fui até ao caixa eletrônico às 3 da manhã). Não se preocupe com isso, é só não dar bobeira (afinal, quem sobrevive ao caos que é a segurança pública em qualquer cidade grande do Brasil sobrevive a qualquer coisa!). Quanto ao dinheiro, na América Latina eu sempre prefiro levar dólares. Por incrível que pareça, mesmo fazendo dois câmbios, a perda é menor que levar Reais para trocar lá. Tem casa de câmbio que nem troca Real. Eu levo sempre só dólares (e cartão de crédito, claro, mas agora não está bom por causa do IOF das compras com cartão). Abraço
  9. Oi Ivan Bom saber que o relato da minha viagem ajudou no planejamento da sua. Já respondi seu tópico sobre seu roteiro Buenos Aires/Santiago. Dá uma olhada lá. Se quiser ver as fotos desse relato, dá uma passada no blog (link na minha assinatura). Espero que ajude! Abraço
  10. Oi Ivan Seu roteiro em Buenos Aires está bastante corrido. Se você conseguir fazer tudo será uma vitória! Praticamente todos os lugares que você colocou são quase 'obrigatórios' em uma viagem à Buenos Aires. Concordo com o paulorco totalmente quanto ao city tour e ao Malba e parcialmente quanto ao zoológico. Eu não gosto muito da ideia do city tour de ônibus. Caminhar pelas ruas é um dos melhores programas para se fazer em Buenos Aires. Para longas distâncias o melhor mesmo é pegar o metrô (o mais antigo da América Latina) ou um taxi (que em Buenos Aires são muito baratos). Eu até gosto de zoológicos (não fui no de Lujan, mas fui no de Santiago). Entretanto, acredito que seja melhor você dar preferência para conhecer atrações em Buenos Aires mesmo, já que você não tem muito tempo. Eliminando o dia em Lujan, você poderá incluir o Malba (que realmente é um museu muito bom), passear mais tranquilamente por Puerto Madero, que é um lugar bastante agradável, e conhecer à pé (nada de city tour) os bairros de Palermo (principalmente os parques) e Recoleta, que são muito bonitos. No antigo bairro de San Telmo estão bons e baratos restaurantes, muitos deles de parrillada. Pena que você não vai estar na cidade em um domingo. A feira de San Telmo é bem legal (todos os domingos ao longo da calle Defensa e na Plaza Dorrego). Outra opção de passeio legal é o cemitério da Recoleta. Boa parte dos principais personagens históricos da Argentina está sepultada lá. E a própria arquitetura do lugar é bonita. O Hard Rock é bem ao lado (caso você goste). Eu não danço nada, então substituiria a aula de tango por um show de tango. Fui em um e achei interessante. Tem gente que gosta daquelas superproduções estilo Señor Tango, mas eu fui para uma milonga, uma casa menor, com show de dançarinos profissionais, mas também com noites em que as pessoas normais podem ir dançar. Se eu não me engano o nome do lugar era Cena Tango Show. Não vale a pena jantar nesses lugares pois é carísssimo. Vá só para assistir o show mesmo. Quanto ao dinheiro, na América Latina eu sempre prefiro levar dólares. O câmbio do Real é sempre muitíssimo desfavorável. Ainda acho que vale mais a pena fazer a troca de Real por Dólar aqui e de Dólar por Peso lá (isso vale para Buenos Aires e muito mais para Santiago). Quanto às compras, não posso ajudar tanto pois não sou de comprar muito quando viajo. Quanto à Santiago, dá uma olhada no meu blog. Acredito que eu não tenha mais dicas para dar do que as que eu já pus no relato. A viagem de 8 dias para Santiago, Valparaíso e Viña Del Mar que eu relatei aqui no Mochileiros.com também está lá, só que com fotos. Dá uma olhada nos comentários também. O link do blog está na minha assinatura. Abraço e boa viagem
  11. Vigésimo oitavo dia. Sábado, 29 de outubro de 2011. Esse seria o nosso último dia de passeio pelo interior da França. Deixaríamos Rouen rumo a Giverny, onde passaríamos a tarde visitando os Jardins de Claude Monet. De lá voltaríamos à Paris para a reta final da nossa viagem. Acordamos por volta das 10 e meia da manhã. Arrumamos nossas coisas e eu desci para pegar o carro no estacionamento. Estacionei em frente ao hotel, colocamos a bagagem e entramos para fazer o check-out. Sempre levamos com a gente uma pasta com todos os comprovantes das reservas, só para garantir. O comprovante desse hotel em Rouen dizia claramente que o valor seria debitado no momento da reserva. Então estávamos tranquilos. Seria só entregar as chaves do quarto e ir embora. O problema é que, segundo o recepcionista, a estadia ainda não tinha sido paga. Nós mostramos o comprovante e ele disse que era um engano do Booking.com, site onde fizemos a reserva. Os ânimos começaram a se exaltar. Para mim e para a Dani, aquele papel era como se fosse um recibo e portanto tinha que ser aceito como prova do pagamento integral da estadia no momento da reserva. Tanto era assim que aquela reserva não dava direito a cancelamento gratuito. O recepcionista chegou a dizer que não era ladrão e eu respondi que nós também não! Aí ele ligou para o gerente geral que confirmou que as reservas do Booking.com não eram pagas com antecedência. Foi então que ele perguntou se eu tinha a fatura do cartão comprovando o débito do valor. Claro que eu não tinha. Por fim, desistimos da discussão e pagamos os 100 Euros (R$ 250,00). Saímos do hotel praguejando o recepcionista, aborrecidos com a discussão e mais ainda por ter a certeza de que saímos no prejuízo. (Só quando chegamos no Brasil é que percebemos que o recepcionista estava certo. Nosso erro foi confiar no comprovante de reserva sem confirmar o débito no cartão antes de embarcar. Verificando as faturas do meu cartão constatei que o valor não tinha sido debitado mesmo… prezado recepcionista francês, se você estiver lendo este relato, o que eu acho muito difícil, aceite nossas desculpas!). Ainda indignados e nos achando cheios de razão, seguimos para Giverny. De Rouen para lá são cerca de 70 km rumo ao sul, trecho que percorremos em pouco mais de uma hora. No caminho nós paramos em um posto de gasolina para tomar o café da manhã. Os postos de gasolina de beira de estrada na França têm lojas de conveniência bastante completas, que são quase uns supermercados. Compramos sanduíches naturais, um de frango com queijo e outro de bacon. Compramos também iogurtes (que aqui são excepcionalmente bons, como todos os derivados do leite) e a Dani pegou um café em uma máquina de bebidas automática que vende todo tipo de cafés, achocolatados, chás e sopas. Comemos no balcão mesmo e logo seguimos viagem. Depois de passar por um pedágio de 3,40 Euros (R$ 8,50), saímos da autoestrada e percorremos um bom trecho em estradas menores, passando por vilarejos cheios de casas de pedra. Giverny é uma pequena vila na região da Normandia e que tem cerca de 500 habitantes. O vilarejo, que tem origens na Idade Média, ficou mundialmente conhecido através das pinturas de Claude Monet, pintor francês que construiu sua casa e magníficos jardins ali, transformando o lugar em um ponto de peregrinação para os amantes do Impressionismo. Chegamos em Giverny por volta das 13:00 horas. Estacionei o carro na rua da casa do famoso pintor. Não há mais do que umas quinze ruas na cidade. A principal delas é a Rue Claude Monet, claro. A maioria das construções do vilarejo é de casas bem antigas feitas de pedra. Muitas estavam fechadas, acredito que fossem casas de campo pois estavam bem cuidadas. Algumas delas ficam cobertas por trepadeiras. Fomos direto visitar os mundialmente conhecidos jardins que serviram de inspiração ao pintor impressionista. Hoje a casa e os jardins são administrados pela Fondation Claude Monet. O ingresso, com acesso à toda a propriedade, custou 5 Euros (R$ 12,50), mas o preço muda conforme a época. E os horários também. É bom conferir tudo no site oficial da fundação antes de ir. Monet viveu nesta casa por 43 anos, de 1883 até sua morte em 1926. Em 1980 a propriedade foi aberta à visitação pública e está tudo muito bem conservado. Um dos maiores impressionistas, Monet foi um pioneiro na busca de retratar nas telas o que os olhos viam ao primeiro olhar. Seu objetivo era captar as cores, as luzes, as primeiras impressões. Por isso suas obras são compostas por pinceladas quase desleixadas, sem excessiva preocupação com a precisão do traço e com os detalhes. As paisagens são o forte de Monet e com certeza não há paisagem melhor para um pintor impressionista que os próprios jardins criados por Monet ao redor de sua casa. Pessoalmente não sei dizer se esse lugar foi mais inspiração para o trabalho ou trabalho da inspiração deste grande mestre. Os jardins de Monet em Giverny são por si sós uma verdadeira obra de arte. A propriedade é dividida ao meio por uma rua. De um lado fica a casa, o atelier e um jardim simétrico e florido chamado Clos Normand. Como era outono, o Clos Normand não estava em seu auge. Em alguns canteiros nem havia flores. Vimos muitas fotos de como fica na primavera e realmente fica muito colorido com muitas flores. Mesmo assim estava bonito. Há uma jardinagem específica para cada época do ano, com exceção do inverno, quando a propriedade fica fechada. Antes de seguir para o outro lado fomos visitar a casa por dentro. Temos acesso aos dois andares, cozinha, sala de estar, sala de jantar, quartos e banheiros. Na verdade a casa, apesar de bastante espaçosa, é até bem simples, não há grandes luxos. A decoração é sem exageros ou excentricidades. Monet era admirador da arte oriental e uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a coleção pessoal de gravuras japonesas tradicionais que está espalhada pela casa. Também há alguns quadros do pintor em uma das salas. Eu e a Dani já tínhamos planejado visitar o Musée de L’Orangerie e o Musée D’Orsay assim que voltássemos a Paris. Nesses dois museus as principais obras de Monet estão em destaque. Do outro lado da rua fica o Jardin D’Eau (Jardim das Águas), onde fica o lago das vitórias-régias, abastecido por um riacho que passa por dentro do terreno. Essa parte da propriedade foi comprada por Monet somente em 1895. Há um túnel que passa embaixo da rua e liga os dois terrenos. O lago das vitórias-régias (em francês, nympheas) é, para mim, a imagem mais emblemática de todo o jardim. É quase impossível não associar imediatamente a paisagem que vemos com os quadros famosos de Monet que retratam aquela mesma cena. A ponte curva, tradicional nos jardins japoneses, denuncia a admiração de Monet pela cultura oriental e tem presença constante nos quadros dele. Apesar da falta de flores, a variedade das cores das folhas das árvores era impressionante. Durante nossa visita o tempo estava bem fechado e em alguns momentos chegou a chuviscar. Mas mesmo assim duas foram as vantagens de visitar esse lugar no outono e não na primavera. A primeira é justamente a cor das árvores. A segunda vantagem é que o lugar fica mais tranquilo do que na primavera, quando é alta estação e há muito mais visitantes. Nesse dia conseguíamos até tirar fotos só com a paisagem, sem ninguém aparecendo, captando a tranquilidade dos tempos em que o artista ainda morava ali. O maior objetivo de Monet ao criar o seu próprio jardim inspirador era observar e reproduzir os diferentes efeitos da luz natural sobre as formas e as cores da natureza ao longo do tempo. De Giverny saíram séries de quadros retratando as mesmas paisagens em vários momentos do dia e em várias épocas do ano. Na saída dos jardins passamos no atelier montado pelo artista para abrigar suas obras, o Atelier des Nympheas. Agora ali funciona a lojinha da fundação e há muitos produtos com a temática das obras de Monet. A Dani comprou um jogo americano, daqueles de pôr na mesa, com reproduções de obras de artistas impressionistas (10 Euros/R$ 25). Confesso que a ideia de vir conhecer esse lugar não me animava muito porque eu achava que fora da primavera não valeria a pena. Se não fosse a insistência da Dani talvez nem tivéssemos vindo. Hoje eu tenho a certeza de que valeu muito a pena. Se na primavera as flores são a atração principal, no outono o espetáculo fica por contas das folhas das árvores. Tranquilamente passamos uma tarde ali. É um passeio imperdível. Saindo dos jardins de Monet fomos almoçar. Há vários restaurantes e pequenos hotéis em Giverny. Escolhemos um restaurante arrumadinho que fica na própria Rue Claude Monet, o Terra Café. A Dani pediu um plat du jour, que era um filé com molho madeira, acompanhado de arroz e salada verde. Eu pedi um escalope de vitela com batas fritas e salada verde. De sobremesa eu pedi um sorvete de maçã com calvados, mas tive que acabar trocando com a torta de queijo da Dani. É que eu não sabia exatamente o que era calvados (uma espécie de cachaça de maçã típica da região da Normadia) e quando dei a primeira colherada percebi que era muito forte. Depois do teste do bafômetro que eu tive que fazer no caminho para Saint-Malo eu preferi não arriscar. A conta saiu por 55 Euros (R$ 137,50). Do restaurante fomos ver uma igrejinha dedicada a Santa Radegonde que ficava ali perto. A igreja é bastante antiga, data do séc. XII, mas é também bastante simples. Atrás dessa igreja está o túmulo da família de Claude Monet, onde ele e vários parentes estão sepultados. Já era quase 5 horas da tarde quando fomos embora de Giverny. O caminho que o GPS indicava estava interditado por causa de obras e o vilarejo é tão pequeno que ele não conseguia encontrar outra rota. O jeito foi pedir informação para um morador de um sítio que nos indicou por onde ir para chegar à estrada. Passamos até por estradas de terra no meio do nada até que o GPS conseguiu se reprogramar. De Giverny para Paris foram mais 75 km que percorremos em mais ou menos uma hora e meia. Ainda passamos por mais dois pedágios, um de 2,50 Euros (R$ 6,25) e outro de 7,80 Euros (R$ 19,50). Quanto mais perto de Paris chegávamos, mais o trânsito fica pesado. Passamos até pela rotatória em volta do Arco do Triunfo. Paramos o carro em frente ao hotel e deixamos logo a bagagem lá. Estávamos em cima da hora para devolver o carro e tivemos que deixar o check-in para depois. A missão principal agora era encontrar um posto de gasolina próximo da Gare du Nord, onde tínhamos que entregar o carro com tanque cheio. Programamos o GPS e ele nos indicou um. Passamos duas vezes na frente até entender que o posto era dentro de um prédio, camuflado atrás de uma fachada antiga. Depois de encher o tanque levamos o carro para o estacionamento subterrâneo da Gare du Nord e estacionamos na parte da Europcar. Depois subimos e entregamos a chave e o GPS no escritório. O recepcionista só agradeceu e guardou a chave e o GPS sem nem ver o carro. Prático e sem burocracia. Essa foi a primeira vez que eu aluguei carro no exterior. Para mim foi bastante útil e para os passeios que fizemos foi essencial a flexibilidade que o carro deu. Por exemplo, para visitar Giverny a partir de Rouen e depois seguir para Paris em um mesmo dia, sem carro, teríamos que pegar um trem até Vernon e de lá um ônibus até Giverny, depois pegar o ônibus de Giverny até Vernon e de lá o trem até Paris. A mesma complicação seria para visitar os castelos do Vale do Loire. E ainda teríamos que nos preocupar com a bagagem. Com um bom planejamento seria até possível fazer tudo por transporte público, mas perderíamos muito tempo, ficaríamos muito mais cansados, seria mais desconfortável e nem seria tão mais barato assim. Alugar um carro foi uma boa. Da Gare du Nord pegamos metrô e voltamos para o hotel. Outra vez ficamos no Peletier Haussmann Opera Hotel. Por essa segunda estada pagamos 440,00 Euros (R$ 1.100) por quatro diárias, sem café-da-manhã, incluindo a taxa de estadia (1,60 Euros por dia). Recomendo esse hotel. Ele é bem localizado, perto de estação de metrô (Richelieu-Drouot), limpo, confortável, o atendimento é simpático e apesar disso ainda é barato se comparado com outros hotéis na mesma área. Na primeira vez ficamos no quinto andar. Dessa vez nos colocaram no terceiro. O elevador é aquele minúsculo que eu já mostrei aqui no blog no post do nosso primeiro dia em Paris, mas é melhor que subir de escada. Já era noite e estávamos cansados para qualquer outro passeio. Aproveitamos para levar a roupa suja para lavar. Fomos outra vez na Lav’ Club, lavanderia self-service (em francês, launderette libre service) que fica na Rue Geoffroy-Marie, entre a Rue du Faub. Montmartre e a Rue de la Boule Rouge, perto da antiga casa de espetáculos Folies Bergère. Falei dessa lavanderia e de como ela funciona em um outro post. Vale muito a pena. Para lavar e secar a nossa roupa suja de quase dez dias pagamos 14,40 Euros (R$ 36). Na volta para o hotel compramos baguettes, queijos e bebidas no Franprix da Bd. Haussmann. Chegando no nosso quarto foi só guardar as roupas, comer e dormir. Estávamos bem cansados. Nosso passeio pelo interior da França tinha terminado e nós tínhamos aproveitado cada cidade que conhecemos ao máximo. Nosso roteiro privilegiou as regiões mais ao norte da França. O restante do país ficou para uma próxima oportunidade. Tínhamos mais três dias inteiros para Paris e já falávamos como se tivéssemos certeza de que voltaríamos à França. Que assim seja.
  12. arnobionet

    Santiago - Onde Ficar?

    Arthur, Eu já fui com a minha namorada e os pais dela e ficamos em um apart muito bem localizado no centro de Santiago, ao lado do Cerro Santa Lucía, no Paseo Huérfanos, que é uma rua de comercio cheia de lojas, supermercado, padarias... e perto de tudo que vale a pena conhecer. Escrevi o relato dessa viagem aqui no Mochileiros.com e também no meu blog. O nome do apart era Ameristar. Procura no Booking.com, que foi onde eu reservei. É um conjunto de prédios novos com apartamentos com cozinha completa, sala, banheiro e um ou dois quartos. Perto de duas estações do metrô (Bellas Artes-verde e Santa Lucía-vermelha). E o preço também é muito bom. São vários aparts ali naquele mesmo quarteirão para alugar (com nomes diferentes pois são de donos diferentes). Tenho um amigo que foi com a família e ficou em um no mesmo conjunto de prédios, mas com entrada pela rua de trás, Calle La Merced. Eles também gostaram muito. Minhã mãe, meu irmão e minha cunhada vão agora em janeiro e vão ficar em um dos aparts de lá também. Abraço
  13. Oi Alexandre Realmente o inverno é muito rigoroso no norte. Uma leitora do meu blog que esteve na China no inverno me mandou um e-mail relatando que na Grande Muralha, por exemplo, ela chegou a passar mal e não sentir mais os pés de tanto frio. É claro que a Muralha fica em uma área aberta, onde deve ser mais frio que nas cidades. Mesmo assim, pelo que eu sei, fica tudo muito frio e com muita neve! O ideal é vocês se prepararem bem. Acredito que estando com roupas e sapatos adequados é possível aproveitar sim (é melhor do que não ir, né?!). Eu fui em junho, então não tive problemas com isso (pelo contrário, alguns dias estavam bem quentes). Em relação ao ano novo chinês, o que eu sei é que ele deixa o comércio e todos os meios de transporte absurdamente congestionados pois os trabalhadores migrantes que moram nas grandes cidades compram presentes e voltam para casa, no interior do país, o que pode complicar um pouco as coisas para vocês (mesmo em outras épocas os transportes públicos já são bem lotados). O feriado do ano novo é o maior e mais importante da China e dura uma semana. Acho que vocês não vão conseguir ver as festividades pois em 2013 o feriado será de de 9 a 15 de fevereiro, se eu não me engano. Abraço
  14. Oi Paula Publiquei o relato completo em forma de diário da minha viagem para a Grã-Bretanha em 2011, incluindo Cardiff, aqui no Mochileiros.com (o link está na minha assinatura). Passei dois dias na cidade. Estava com a minha namorada e nós gostamos muito. Não sei se tem hostel bem localizado lá. Ficamos em um pequeno hotel bem no centro. Nós achamos bom. No meu blog (link na minha assinatura) o relato está com as fotos. Abraço e boa viagem!
  15. Valeu Samuel É verdade essa história de que o mundo é grande! E, às vezes, por mais que a gente planeje muito bem uma viagem, ainda assim se surpreende e descobre uma realidade que foto nenhuma mostra nem livro nenhum conta. Por exemplo, muita gente pensa que sabendo inglês a gente pode ir para qualquer lugar do mundo e não ter dificuldade com a comunicação. A China me mostrou que não é bem assim... Da mesma forma, a imagem que temos da China no Brasil (em todos os aspectos) é muito deturpada. Só vendo para crer! Abraço
  16. mrcwz, Obrigado! Fico feliz em saber que meu relato ajudou. Também comecei meu primeiro mochilão, em 2008, pelo Chile e foi inesquecível. Aproveita lá! Abraço
  17. Olá pessoal Aqui vai o endereço do meu blog, Meus Planos de Viagem, com relatos de viagens para vários países. http://meusplanosdeviagem.wordpress.com/ Espero que gostem. Sobre o Blog: Na minha opinião, não existe lugar no mundo, por mais pobre, longe ou diferente que seja, que não tenha algo de bom para mostrar. Pode ser uma paisagem, uma comida, um costume ou mesmo o clima, o povo local, sua cultura e sua religião… sempre algo vai chamar a atenção e fazer valer a pena ter posto o pé na estrada. Com esse pensamento, que aliás carrego comigo desde a infância, impus a mim mesmo a meta de, sempre que puder, viajar e conhecer o mundo. Para mim não há dinheiro mais bem gasto do que com uma viagem. O Meus Planos de Viagem surgiu da ideia de compartilhar na rede, com os amigos, a família ou mesmo pessoas que eu ainda nem conheço, as experiências das viagens que eu fiz, estou fazendo e/ou planejando fazer, inspirando, motivando e ajudando quem também quer conhecer os mesmos lugares. Todo o conteúdo do Meus Planos de Viagem será original e de minha autoria. Nada de copiar e colar informações da internet (não pretendo concorrer com o Google). Escreverei apenas sobre as minhas próprias experiências, ilustrando os posts com fotos (todas tiradas por mim) e contando um pouco da história e da cultura local, além de dicas úteis sobre a forma independente de viajar. O Meus Planos de Viagem é organizado de forma a facilitar a consulta por países, cidades e atrações por onde passei. Há também sugestões de posts com base no que outros visitantes leram recentemente e um arquivo que divide os posts pelo mês e ano em que foram escritos. Espero que todos fiquem à vontade para ler, perguntar ou mesmo discordar (desde que educadamente), afinal, o objetivo é ajudar. Abraços
  18. Perez, Que poder de síntese! Você resumiu 3 meses em poucas linhas! Já fui à China em 2011 e pretendo voltar logo (quem sabe agora em 2013 mesmo). Assim como você eu também adorei este país. Parabéns pelo relato. Bastante útil para quem está planejando uma primeira viagem. Abraço
  19. Olá a todos! Também visitei Saint-Malo e o Mont Saint-Michel, só que foi em outubro de 2011. São lugares realmente inesquecíveis e vale a pena fazer um esforço para ir. Publiquei o dia-a-dia dessa viagem no meu blog. O link está na minha assinatura. Qualquer dica que eu possa ajudar é só perguntar. Abraços
  20. Vigésimo sétimo dia. Sexta-feira, 28 de outubro de 2011. Ao abrir a janela pela manhã demos de cara com a emblemática catedral de Rouen. É verdade que tinha um prédio e um estacionamento na frente, mas mesmo assim é uma imagem marcante. Afinal, não é todo dia que acordamos de frente para uma obra como essa. Nosso hotel não incluía café da manhã então saímos direto para passear. Fazia um dia bonito em Rouen, com céu aberto e uma temperatura agradável, em torno dos 16 graus. Muita gente vem à Normandia em busca das praias onde, na Segunda Guerra Mundial, as tropas aliadas desembarcaram no Dia D, dando o pontapé inicial da operação Overlord, que libertou a França do domínio nazista. A operação Overlord foi a maior invasão marítima da história e resultou em mais de 300 mil mortes. Nas cidades da região há vários cemitérios e museus alusivos aos eventos da guerra. Não visitamos esses pontos pois demos preferência para a capital histórica e principal cidade da Normandia, Rouen. Com origens remotas em povoações gaulesas, a cidade foi oficialmente fundada pelos romanos, no séc. I d.C. Já na Idade Média, no séc. IX, Rouen foi invadida pelos Vikings (Normandos). O rei da França, Carlos III, percebendo que não conseguiria manter sua soberania no baixo Sena, cedeu aos Vikings e a região passou a se chamar Normandia. O chefe Viking, Rollo, jurou lealdade ao rei da França, converteu-se ao Cristianismo e tornou-se o primeiro Duque da Normandia. Mais tarde, Guilherme, o Conquistador, Duque da Normandia no séc. XI, invadiu a Inglaterra, associando a Normandia continental aos domínios normandos nas ilhas britânicas. Apesar de inúmeras guerras, incêndios e da peste negra, a cidade prosperou como um importante centro comercial no rio Sena, rivalizando até mesmo com Paris. Só em 1204 Rouen passou a fazer parte do Reino da França outra vez, quando a Normandia foi conquistada por Filipe II, rei da França. Durante a Guerra dos Cem Anos (1340 a 1453), foram travadas intermináveis batalhas entre duas dinastias (uma de origem anglo-normanda e outra de origem francesa). Em jogo estavam os tronos inglês e francês. Em 1419 Rouen chegou a ser invadida pelos ingleses. Os séculos seguintes foram de relativa paz e prosperidade vinda do comércio, da pesca e dos tecidos. A cidade também teve papel importante na colonização de Québec, a parte francesa do Canadá, que recebeu muitos imigrantes vindos de Rouen. Hoje Rouen é uma cidade grande para os padrões franceses, com cerca de 600 mil habitantes na região metropolitana. Mesmo assim, o centro histórico, que é onde se concentram as atrações, é bem compacto e podemos visitar tudo a pé e em um mesmo dia. O centro é quase todo pedestralizado e formado por ruelas sinuosas e movimentadas, cheias de comércio. Apesar de toda a história de destruição que pontua o passado da cidade, o bairro antigo está bem conservado e apresenta quarteirões inteiros de casas medievais com as vigas de madeira aparentes na fachada, tradicionais na região. Nessas ruazinhas há muitos restaurantes, bares e lojas. Um dos pontos mais conhecidos do centro é o famoso Gros Horloge, o grande relógio gótico decorado que fica em cima de um arco que liga duas ruas. É quase impossível caminhar pelo centro sem encontrá-lo alguma hora. Entre as lojas, uma delas chamou logo a atenção da Dani. Les Macarons de Grand Mère Auzou é uma loja regional especialista no doce mais gostoso que comemos na viagem toda, o macaron. Compramos uma caixinha com sabores variados e guardamos para comer depois. Passear pelo centro de Rouen é muito agradável. Há feiras de flores com floristas fazendo arranjos na hora, parquinhos para as crianças e a tranquilidade de ruas sem tráfego pesado de veículos. Tudo isso emoldurado pelo casario medieval. Na principal praça da cidade, a Place du Vieux Marché (Praça do Antigo Mercado), encontramos uma igreja moderna que destoa do entorno antigo. É a Église de Sainte Jeanne D’Arc. Nascida na região do Vale do Loire, Joana D’Arc, de origem camponesa e pobre, foi a guerreira virgem e abençoada que liderou as tropas francesas contra os ingleses na Guerra dos Cem Anos vencendo batalhas atrás de batalhas. Seus feitos ficaram famosos na época e o povo começou a acreditar que realmente Deus estava ao lado dela. Em uma dessas campanhas militares Joana D’Arc foi capturada pelos exércitos aliados aos ingleses e levada a Rouen, então sob controle inglês. Foi então ‘julgada’ pela Igreja acusada de assassinato, heresia e bruxaria. Condenada, às 9 horas da manhã do dia 30 de maio de 1431, aos 19 anos, Joana D’Arc foi queimada viva em plena Place du Vieux Marché, no exato lugar onde hoje está sua igreja. Suas cinzas foram jogadas no rio Sena, que corta a cidade. A igreja é de arquitetura moderna, por dentro e por fora. Vale a pena conhecer pela representatividade, mas não é das igrejas mais bonitas da França. O que chama mais a atenção sem dúvida são os vitrais. Eles foram retirados de uma outra igreja antiga que já não existe mais, sendo adaptados à nova construção. Felizmente Joana D’Arc foi historicamente e religiosamente reabilitada. O Papa Calisto III, inocentou a heroína ainda em 1456, anulando o processo eclesiástico por vícios no conteúdo e na forma. Depois de muito tempo esquecida pelos livros de história, com o surgimento do monarquismo pós-Revolução Francesa e, mais tarde, do nacionalismo do séc. XIX, a história da guerreira patriota foi reavivada e ela foi elevada à categoria de heroína nacional. Em 1909 foi beatificada. Em 1920 o Papa Bento XV a canonizou e a nomeou santa padroeira da França. Quando saímos da igreja, passamos no mercado ao lado, o Halle du Vieux Marché, que também é um prédio bem moderno, no mesmo estilo da igreja. Dentro há diversas lojinhas com os melhores ingredientes da região: verduras, queijos, frutas, carnes, peixes e especiarias. Vale a pena dar uma olhada. Olhar toda essa comida nos fez lembrar que não tínhamos tomado café da manhã e nos deu fome. Resolvemos ir logo almoçar. Escolhemos um restaurante arrumadinho na própria Place du Vieux Marché, o Carpe Diem Café. Pedimos salmão defumado com fois gras e torradas de entrada. Como pratos principais eu pedi entrecôte au sauce camembert (bife de costela com molho de queijo camembert) e a Dani pediu escalope de dinde a la normande (escalope de peru com molho de creme e cogumelos). De sobremesa pedimos pomme au four à la crème d’amandes (maçã ao forno com creme de amêndoas) e o melhor crême brûlée que nós já comemos. Tudo isso mais bebidas saiu por 58,80 Euros (R$ 147). O restaurante é bom e o atendimento é simpático. Recomendo. Depois desse almoço farto e delicioso fomos nos arrastando conhecer os dois maiores monumentos góticos de Rouen: o Palácio da Justiça e, claro, a Catedral. A construção do Palácio da Justiça data de 1499. A rebuscadíssima estrutura em estilo gótico, cheia de gárgulas, espirais e estatuária é uma das melhores amostras da arquitetura gótica francesa do final da Idade Média. É ainda mais significante por se tratar de uma construção civil e não religiosa. Os bombardeios ocorridos em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, que precederam a invasão aliada da Normandia então ocupada pelos nazistas, danificaram muito o prédio. Em 1946 as obras de restauração começaram. O prédio já foi reinaugurado mas até hoje ainda são feitos alguns reparos e reconstituições de partes das esculturas da fachada que foram perdidas. Marcas de tiros ainda podem ser vistas nas paredes de pedra. Seguimos caminhando rumo à Catedral de Rouen e passamos mais uma vez pelo Gros Horloge, sempre cercado de turistas tirando fotos. A Catedral gótica é sem dúvida o ponto alto da cidade. É o grande símbolo de uma época áurea para Rouen e para a Igreja Católica. Há evidências de que no local já havia uma igreja desde o séc. VI. Destruída com as invasões normandas, a igreja primitiva foi substituída por uma catedral em estilo românico. A atual Catedral de Notre-Dame de Rouen foi construída entre 1201 e 1514 e está entre as mais belas catedrais góticas da França. As proporções dessa igreja impressionam. Com mais de 60 metros de largura fica difícil conseguir tirar uma foto da fachada inteira, ainda mais porque a praça em frente à Catedral não é muito grande. A torre mais alta, conhecida por ‘flecha’ ou ‘agulha’ mede 151 metros de altura e na época em que ficou pronta tornou essa Catedral a construção mais alta do mundo. Até hoje, a Catedral de Notre-Dame de Rouen é a mais alta igreja da França. As duas torres da fachada principal são diferentes. Aliás, a fachada toda é completamente assimétrica. Toda entalhada, a Catedral se revela um trabalho único. Em uma época em que a maioria da população era analfabeta, as imagens serviam para contar histórias inteiras. Na fachada há muitos nichos para imagens santos e muitos deles estão vazios pois as peças estão em restauro. Desde a Segunda Guerra Mundial, quando a Catedral sofreu grandes danos, os trabalhos de restauração são contínuos e algumas partes estão bem escurecidas, contrastando com as partes já renovadas. Por dentro a Catedral de Notre-Dame de Rouen não é tão detalhada quanto por fora e predominam as linhas retas. Nem por isso o interior é menos grandioso. Claude Monet, o pintor impressionista que morou grande parte da sua vida em Giverny, uma pequena vila na Normandia no meio do caminho entre Rouen e Paris, retratou a Catedral de Rouen em vários quadros, explorando as diferentes tonalidades da luz na detalhada fachada ao longo do dia. Não há cobrança de ingresso para visitar a Catedral. Era mais ou menos 4 e meia da tarde quando saímos e percebemos que estávamos muito cansados. Resolvemos ir para o hotel, descansar um pouco e sair outra vez à noite. No hotel, lembramos dos macarons que compramos pela manhã. É difícil até explicar como é gostoso. Incrível como os sabores ficam reconhecíveis. Café, chocolate, pistache, baunilha, morango, uva, nozes, caramelo, rosas… tudo natural, sem aditivo nenhum. Comemos os 14 macarons sem nem perceber. Quando acordamos já estava escuro. Saímos e fomos caminhando na direção das margens do rio Sena. Ao ver as luzes coloridas do parque de diversões, resolvemos que nossa noite seria por lá mesmo. E não poderíamos ter acertado mais! Atravessamos o rio e para entrar no parque tivemos que passar por detectores de metal. Notamos que praticamente todos que estavam no parque eram moradores da cidade, ou seja, aquela obviamente não era uma atração turística. Ali vimos que os franceses também podem ser pessoas simples, quebrando o estereótipo de chics e refinados. Havia muitas opções de brinquedos, estandes de jogos e de comidas. A Dani nem cogita ir em um brinquedo mais radical. Mas aí vimos um trem fantasma. Um carrinho vinha saindo com um garotinho de uns quatro anos gritando desesperadamente e agarrado ao irmão mais velho que não parava de rir. Achamos a cena hilária e resolvemos ir também. O ingresso custava 2 Euros (R$ 5). Quase não coubemos no carrinho (que é feito para crianças e não para dois adultos que não tiveram infância). Chegamos a ficar nervosos a espera do carrinho começar a andar. Dentro tudo era escuro e até que as surpresas eram bem feitas. Os robôs de caveiras e monstros eram engraçados. Mas o destaque mesmo ficou por conta do cara que pegava na nossa cabeça e depois encostava uma moto-serra trepidando na nossa perna. Sabíamos que era de mentira, mas o reflexo era inevitável. Acho que a última vez que eu tinha andado em um trem fantasma tinha sido há mais de 20 anos! Achamos muito legal! Saímos às gargalhadas. Continuamos passeando pelo parque que estava lotado. Para um parque itinerante os brinquedos pareciam ser até bastante seguros e tudo era muito organizado. Paramos para comer em uma barraca de sanduíches. A Dani pediu um com salsicha alemã e eu finalmente resolvi provar o kebab, o famoso sanduíche árabe com aquela carne que fica rodando no espeto (tem gente que detesta, mas esse estava muito bom!). Os dois sanduíches vieram com batatas fritas. Tudo saiu por uns 15 Euros (R$ 37,50), com refrigerantes. Depois do lanche voltamos a caminhar ao longo do parque que parecia não acabar, era enorme. Aí encontramos outro trem fantasma, mais ‘moderno’ que o outro. E lá fomos nós outra vez. Esse era um pouco mais caro, 3 Euros (R$ 7,50), mas foi também muito legal. Até pegamos alguns sustos de verdade! Ficamos no parque por mais de duas horas. Por fim, resolvemos provar um doce presente em quase todas as barraquinhas coloridas, o guimauve. A massa fica pendurada em umas ‘árvores’ escorrendo lentamente até o doceiro dobrá-la e pendurá-la de novo. Não sei se tem um nome para essa guloseima em português, mas na França ele é muito popular nesses parques. Pedimos um palito duplo (3 Euros/R$ 7,50) com sabor de banana e morango. Sentimos o gosto da infância. Parece muito com uma bala que eu comia quando era criança e que não existe mais, chamada xaxa. Vendia na porta do colégio e era embalado em um papel colorido com a cara de um gato. Fomos embora mais de 10 horas da noite. No outro dia não passearíamos mais pela cidade. Nosso plano era acordar, fazer o check-out e seguir para Giverny e depois para Paris, onde íamos dormir. Em Rouen, em um mesmo dia, fomos à uma Catedral histórica, à um parquinho de diversões itinerante e ainda comemos muito bem. O que dizer da capital da Normandia? Nós adoramos!
  21. Oi Rodrigo Pelo que eu vi na minha viagem, eu ACHO que isso não é possível não. Os bilhetes de trem em Portugal marcam estação de partida e de chegada. Talvez você nem consiga sair em uma estação diferente da estação de destino, mesmo que seja anterior. E eu não aconselho tentar fazer nada diferente. Nos poucos trechos que andei de trem em Portugal vi vários fiscais passando para verificar os bilhetes de todos os passageiros do vagão (inclusive os meus) com uma máquina... Talvez seja bom você procurar saber se existe algum tipo de passagem diferente, que permita esse tipo de coisa, no site da Comboios de Portugal, a companhia de trens deles. Boa sorte Abraço
  22. Vigésimo sexto dia. Quinta-feira, 27 de outubro de 2011. Como a nossa diária não incluía café da manhã, não nos apressamos para levantar. Na véspera tínhamos visto que o Café de L’Ouest também servia café da manhã e então fomos para lá. Assim como com o almoço, não é bom demorar muito para ir tomar café pois se passar muito da hora eles não servem mais. Pedimos um Petit Déjeuner que vinha com pão, croissant, geleias, manteiga e chocolate quente. Ainda pedimos dois cafés au lait e dois omelettes jambon fromage. Muito bom. Ficamos mais do que satisfeitos com o que foi praticamente um almoço. A conta saiu por 36 Euros (R$ 90). Depois, voltamos ao hotel e fizemos logo o nosso check-out, levando as coisas para o carro. Assim estávamos livres para andar pela cidade sem a preocupação de voltar para desocupar o quarto. A parte Intra-Muros de Saint-Malo é bem pequena e é muito fácil se localizar, mesmo sem mapa. É possível dar uma volta completa na cidade acompanhando os muros em pouco tempo. Nem parece, mas quase toda a cidade velha de Saint-Malo é uma reconstrução. Apesar da antiga e rica história que a cidade tem e que eu contei no post anterior, cerca de 80% da zona Intra-Muros teve que ser reconstruída depois da destruição causada durante a Segunda Guerra Mundial, quando a cidade foi ocupada pelos nazistas e tirá-los de lá exigiu muitas toneladas de bombas. As muralhas são praticamente a única parte que guarda o traço medieval original. Os prédios foram reconstruídos com fachadas em estilos arquitetônicos dos sécs. XVIII e XIX, mas com as pedras originais e os mesmos telhados cinzas. Com o tempo, o clima implacável da Bretanha se encarregou de cobrir tudo de musgo e líquens, dando esse ar uniforme à cidade. Mesmo sabendo que quase tudo é ‘novo’, é incrível como a cidade ainda nos remete ao passado. Saint-Malo é bem tranquila e não é uma cidade cheia de atrações (talvez no verão seja mais movimentado, quando é temporada de praia). Não há grandes museus nem monumentos. O melhor de Saint-Malo está na cidade em si, em caminhar pelas suas ruas e pelos seus muros admirando a paisagem. A catedral de Saint-Vincent fica bem no meio da cidade e a sua torre pontiaguda pode ser vista no final de quase todas as ruas. Fomos até ela para ver se conseguíamos entrar. A igreja original foi construída por volta do séc. XII. Ainda se pode ver os resquícios dos antigos estilos românico e gótico. Por dentro a igreja é simples, toda em pedra e muito escura. A fachada e os vitrais coloridos são novos e com desenhos geométricos, denunciando a reconstrução do pós-guerra. Mas o mais interessante dessa catedral é a sua ligação com um período de ouro vivido pela cidade. Ali estão enterrados duas figuras históricas que nasceram e viveram em Saint-Malo e foram muito importantes para a França, para o Canadá e, quem diria, até para o Brasil! Uma delas é Jacques Cartier. Esse navegador francês nasceu em Saint-Malo e, em 1535, partiu do porto da cidade em busca de um caminho para as Índias e acabou descobrindo o Canadá e tomando posse daquelas terras em nome do Rei da França. No chão da catedral há uma placa indicando o exato local onde ele se ajoelhou para receber a bênção do bispo antes da expedição do descobrimento. Quando eu e a Dani estivemos no Canadá, em 2010, passamos por Québec e pudemos constatar como ainda é forte a identidade francesa lá. Em Montréal e Ville de Québec, o descobridor Jacques Cartier é nome de avenidas, praças, pontes… O outro ilustre filho de Saint-Malo que está enterrado na catedral, apesar de ser considerado heroi nacional na França, entrou para a história do Brasil como um vilão. Trata-se de René Duguay-Trouin, um dos maiores corsários da história. Esse pirata oficial, feito Almirante pelo Rei da França, participou de muitas campanhas contra as armadas espanhola, britânica, holandesa e portuguesa, atacando e saqueando também muitas das possessões coloniais desses países no séc. XVIII. O maior feito dele, também considerado ‘o último feito imortal da marinha de Luis XIV’, foi comandar a segunda invasão do Rio de Janeiro, em 12 de setembro de 1711. Com 17 navios e mais de 5.000 homens, René Duguay-Trouin saqueou e ocupou a maior e mais importante cidade brasileira da época por mais de um mês, levando com ele de volta para a França toneladas de ouro e prata brasileiros. Saímos da Catedral e fomos passear pelos muros. Chegando lá encontramos uma paisagem totalmente diferente da que vimos na véspera. As águas não estavam batendo nos muros e podíamos ver uma grande faixa de areia. Com a maré baixa, pudemos atravessar a pé até as ilhas que ficam no entorno de Saint-Malo. No caminho encontramos uma placa explicando os riscos de atravessar e ficar preso em uma das ilhas com a subida repentina da maré. Por segurança, o correto a fazer seria ficar na ilha e esperar a maré baixar outra vez, ou seja, umas 12 horas! As principais ilhas na baía de Saint-Malo são a Petit-Bé e a Grand-Bé. Na Petit-Bé está o Fort Vauban, construído no séc. XVII para reforçar a defesa da cidade. Não fomos até ele pois a água ainda estava alta e o caminho não estava totalmente descoberto. Fomos andando na areia da praia até a ilha Grand-Bé, que fica mais perto dos muros da cidade. Subimos até o topo e de lá tivemos uma vista total de Saint-Malo e suas grandes muralhas, além da vizinha ilha Petit-Bé. De lá também podemos ver a piscina que retém água do mar toda vez que a maré baixa. Tem até trampolim. É claro que com o frio que fazia ninguém se animava a dar um mergulho, mas ela deve ficar lotada no verão. Depois de explorar toda a ilha e pegar muito vento, voltamos para a cidade e passeamos mais um pouco pelas muralhas. Passamos pelos portões principais e também pela marina onde ficam guardados centenas de barcos. Era pouco mais de uma hora da tarde quando seguimos viagem rumo ao Mont Saint-Michel, onde íamos passar o resto da tarde. De Saint-Malo para lá são apenas 56 km, que percorremos em pouco mais de meia hora. Apesar de tão perto, o Mont Saint-Michel já fica na vizinha região da Normandia. Mas o clima úmido com céu fechado é o mesmo da Bretanha. A primeira vista que temos da ilhota pontiaguda, ainda na estrada, é inesquecível. Acho que todo mundo que já viu uma foto desse lugar fica com vontade de conhecê-lo. O Mont Saint-Michel é um lugar que, no mínimo, desperta a nossa curiosidade. Com mais de 1.300 anos de uma história que mistura fé e guerras em um cenário inóspito, chuvoso e frio, o imponente monastério-fortaleza medieval no alto da montanha impressiona. A estrada que hoje leva até o portão de entrada, conectando a ilha ao continente, só foi construída no séc. XIX. Há muita discussão sobre sua remoção, o que tornaria o Mont Saint-Michel novamente inacessível por terra durante a maré alta. Segundo os especialistas, a construção do caminho mudou o curso natural das águas e está provocando o assoreamento da baía. A vegetação já avança a partir do continente e há risco do Mont Saint-Michel um dia deixar de ser uma ilha. A água da maré cheia circunda todo o Mont Saint-Michel. Mas, assim como acontece em Saint-Malo, a diferença entre as marés é muito grande, chegando a 15 metros. É a maior diferença de marés da Europa e quando a maré está baixa todo o entorno fica seco e é possível inclusive caminhar na areia. O perigo é ser pego de surpresa pela subida das águas que, segundo um dito local, é ‘mais rápida que um cavalo em disparada’. Deixamos o carro em um dos estacionamentos ao longo da estrada principal (6 Euros/R$15 a diária). Há muitas vagas, tanto na estrada principal, quanto nas áreas laterais. O problema é que apenas a estrada principal é elevada o suficiente para não ser encoberta pelas águas da maré alta. O perigo é tão real que há placas indicando o horário em que a maré sobe e inunda a área dos estacionamentos laterais ao longo da estrada. Para a nossa sorte, a maré estava bem baixa e a água só chegaria onde estacionamos o carro às 7 horas da noite. Portanto, tínhamos tempo de sobra para visitar o Mont Saint-Michel com tranquilidade. Mais uma vez chegamos à conclusão de que alugar um carro foi a melhor opção. Ficamos livres, sem preocupação com a volta por meio de transporte público. A maioria das pessoas que vem de Paris para visitar o Mont Saint-Michel pega o TGV (Train à Grande Vitesse, o trem-bala francês) na Gare de Montparnasse até Rennes (2 horas de viagem) e de lá pega um ônibus para o Mont Saint-Michel (mais 1 hora). A cidade mais próxima é Pontorson, que fica a 9 km de distância e onde ficam muitos hoteis voltados para o turismo no Mont Saint-Michel. Os séculos de peregrinação ao Mont Saint-Michel fizeram florescer, ainda durante a Idade Média, o pequeno vilarejo dentro dos muros. Para a Igreja Católica, São Miguel é o chefe do exército celestial, Arcanjo que julga as almas e lhes conduz (ou não) ao paraíso. A busca pela salvação fez do Mont Saint-Michel um dos mais importantes centros de peregrinação cristã da Europa durante a Idade Média, juntamente com Roma e Santiago de Compostela. Depois de garantir muitas fotos com o Mont Saint-Michel ao fundo, resolvemos entrar. A impressão que temos é que estamos em um lugar cenográfico. A pequena vila dentro dos muros nos remete aos filmes épicos medievais. Apesar de ser originalmente um ambiente religioso, a montanha também foi palco de muitas guerras e acabou por adquirir características militares também. Nos sécs. XIV e XV, em virtude de sua localização estratégica na foz do rio Couesnon, o Mont Saint-Michel foi fortificado com altas muralhas que cercam toda a ilha, transformando-a em uma fortaleza intransponível. Durante a Guerra dos Cem Anos a montanha resistiu a nada menos que trinta anos de cerco inglês sem ser tomada, tornando-se o símbolo maior da resistência e da força da nação francesa. Uma das relíquias dessa época está exposta logo na entrada da rua que leva à abadia: um canhão de um navio de guerra inglês que atacou o Mont Saint-Michel em 1434. Passear no Mont Saint-Michel é muito fácil. Há apenas uma rua que obviamente é só para pedestres. Todos os carros ficam fora dos muros. Essa rua circunda o monte sempre em subida, começando no portão de acesso e terminando na entrada da abadia. Não é uma subida difícil, mas há algumas escadarias grandes. Ao longo dessa rua, tomada por uma multidão de turistas do mundo todo, há vários restaurantes, pequenos hoteis e incontáveis lojas de souvenirs. Os preços não são dos melhores e por isso só comprei cartões postais. Conforme subimos a ladeira em direção à abadia, começamos a ter vistas de toda a baía de Saint-Michel. Não demorou muito e chegamos à entrada da abadia. O ingresso custa 9 Euros (R$ 22,50). Depois da bilheteria ainda há um grande caminho a percorrer até o terraço principal em frente a igreja, no alto da montanha. A primeira igreja consagrada ao Arcanjo São Miguel foi construída na ilha no início do séc. VIII. No ano 966, por vontade do Duque da Normandia, os primeiros monges beneditinos se instalaram lá e logo em seguida iniciaram a construção da abadia no alto do rochedo. A abadia foi se expandindo nos séculos seguintes e se tornou um importante centro de estudos teológicos. Logo depois da conquista e anexação da Normandia pelo Reino da França, no séc. XIII, o rei francês fez grandes doações para as obras que ainda não tinham terminado. Elementos arquitetônicos em estilo gótico foram sendo acrescentados ao predominante traçado românico. Em frente a igreja há um amplo terraço com vista para toda a baía de Saint-Michel. É uma planície enorme sem nada no horizonte. Com a maré baixa, como nesse dia, vários grupos saem para caminhar na areia. De lá de cima também podemos ver todo o estacionamento ao longo da estrada que liga a ilha ao continente. Depois de ver a igreja, entramos na parte da abadia onde viviam os monges. Uma das partes mais bonitas é o claustro, com sua colunata dupla. O interior da abadia é bastante escuro, frio e úmido. Os grandes salões estão em sua maioria vazios, quase sem nenhuma mobília. Também não há nenhuma decoração luxuosa, como exigia a rígida disciplina dos monges beneditinos. Os enormes espaços com pesados tetos de pedra sustentados por esguias colunas góticas são conectados por escadas e passagens estreitas. Como a planta da abadia se adaptou ao formato do rochedo, não é muito fácil entender a disposição dos espaços. Com a Revolução Francesa, os beneditinos foram expulsos da abadia, que se tornou uma prisão. Por incrível que pareça, o fato de ter sido instalada ali uma prisão, diante das circunstâncias revolucionárias, foi bom. A outra opção seria a demolição! Só em 1966 os monges beneditinos voltaram ao Mont Saint-Michel, retomando sua original vocação religiosa. Desde 2001 a Fraternidade Monástica de Jerusalém é responsável pela administração da abadia e pelas celebrações religiosas. A loja na saída da abadia é grande, mas os preços e a variedade não são muito bons. Quando saímos da abadia estávamos mortos de fome e sede. Já era mais de 5 horas da tarde e só estávamos com o café da manhã que tomamos em Saint-Malo. Na descida passamos outra vez pela única rua da ilha, mas deixamos para olhar as lojas depois de comer alguma coisa. Devido ao grande fluxo de turistas a toda hora do dia, aqui sempre há opções de restaurantes abertos, mesmo fora do horário normal de almoço. Paramos em um restaurante e pedimos o que achamos que seria mais fácil e rápido: pizza! Pedimos também suco e refrigerante. A conta saiu por 37 Euros (R$ 92,50). Depois de uma rápida olhada nas lojas de souvenirs tivemos que nos despedir do Mont Saint-Michel. Já estava começando a escurecer e, além da maré estar subindo, ainda tínhamos um longo caminho pela frente até Rouen, onde íamos dormir. Não é a toa que o Mont Saint-Michel é um dos lugares mais visitados da França, recebendo mais de três milhões de pessoas por ano. Religião, história, arquitetura, clima, paisagem… parece que tudo conspira para manter ali uma atmosfera única. Sem dúvida é um dos lugares mais marcantes de todos os que visitamos na França. Para quem está planejando a viagem é bom visitar o site oficial do Mont Saint-Michel para confirmar os preços e os horários. Pegamos a estrada outra vez, já praticamente escuro. Esse foi o segundo trecho mais longo da viagem de carro pela França e a maior parte do tempo a chuva não deu trégua. Foram mais de 250 km que fizemos em pouco mais de três horas, com paradas nos pedágios (os valores variam de 3 Euros/R$ 7,50 a 13 Euros/R$ 32,50) e uma parada para abastecer o carro, tomar um café e esticar as pernas. Chegamos em Rouen quase 10 horas da noite, muito cansados. Nesse dia não conhecemos nada. Praticamente só vimos de longe a enorme catedral e as luzes coloridas de um parque de diversões nas margens do rio Sena. Paramos em frente ao hotel, tiramos a bagagem e a Dani ficou fazendo o check-in enquanto eu fui deixar o carro em um estacionamento público quase ao lado do hotel. Ficamos no Comfort Hôtel Rouen Alba, bem no centro, perto do rio, de frente para uma pracinha e com vista para a grande catedral. Fizemos a reserva pelo Booking.com. O quarto de casal era simples mas espaçoso, limpo, novo e com todas as comodidades, incluindo internet wi-fi gratuita. Duas diárias custaram só 100 Euros (R$ 250), sem café da manhã. Depois que eu estacionei o carro, eu voltei para o hotel, nós subimos e fomos logo dormir. Tínhamos planejado duas noites na cidade e sabíamos que, descansando bem, teríamos bastante tempo para conhecer Rouen no outro dia.
  23. Obrigado, Frank Já temos tudo arranjado. Mas se eu precisar de uma força eu te procuro! Abraço
  24. Vigésimo quinto dia. Quarta-feira, 26 de outubro de 2011. Este seria o nosso último dia no Vale do Loire e o plano era passar a manhã em Tours e seguir para Saint-Malo, na Bretanha, à tarde. Mas antes, tínhamos que resolver o problema do carro. Descemos para tomar café da manhã cedo, pois o estacionamento onde o carro estava teria que ser pago se passássemos das 9 da manhã. Em Tours ficamos no Hôtel Ronsard. O hotel é simples, mas todo reformado e perto do centro. O atendimento também é bom. Na véspera, com a batida do carro, o recepcionista foi muito prestativo e nesta manhã uma senhora nos serviu o café com a maior simpatia. Por uma noite em uma suíte de casal, pagamos 71 Euros (R$ 177,50). O café da manhã custou mais 8 Euros (R$ 20) para cada. Não era como o do hotel em Amboise, mas era bom, com café, leite, suco, queijo, geleia e os sempre presentes e deliciosos pain au chocolat, croissants e baguettes. Pegamos o carro em cima da hora e não precisamos pagar pelo estacionamento. Voltamos para o hotel para pegar as coisas e fazer o check-out e depois seguimos para a oficina. Chegando lá, o gerente da véspera me recebeu, chamou um outro funcionário e mostrou o amassado. Ele disse que em 5 minutos estava pronto e que inclusive não precisávamos pagar nada. Quando eu vejo vem o mecânico com um martelo na mão, coloca um pano por cima do amassado e dá umas quatro marteladas fortes na porta. Quando ele tirou o pano, estava perfeito. Apenas uma leve ondulação, quase imperceptível. Insisti em pagar e dei 20 Euros (R$ 50) para eles. Saímos relaxados da oficina. Nosso medo maior era que a locadora, percebendo o problema, que realmente era pequeno, descontasse valores absurdos do meu cartão de crédito a título de reparação. Ia ser quase impossível questionar isso já de volta ao Brasil. Do jeito que ficou bom, ficamos tranquilos. Voltamos para Tours e deixamos outra vez o carro no estacionamento público, dessa vez pagando, pois já era mais de 9 horas da manhã. Para garantir que estávamos fazendo tudo certo, pedi a ajuda de um senhor que estava deixando o carro. Ele me explicou que era só ir até a máquina, inserir o dinheiro, pegar o cartão e colocá-lo no painel do carro, visível para a fiscalização. Como não tínhamos o cartão de residente, pagamos 3 Euros (R$ 7,50) por duas horas (para residentes é bem mais barato). Achei esse sistema de estacionamento público muito bom pois livra as ruas de uma centena de carros estacionados. O local é todo aberto e cercado por prédios residenciais. Não há controle de entrada das pessoas, mas a segurança não parece ser um problema aqui (deixamos toda a nossa bagagem no carro). Com algumas adaptações um sistema como esse seria muito útil no Brasil, melhorando o trânsito e ajudando a nos livrar do absurdo que é essa indústria dos flanelinhas. Finalmente estávamos livres para passear por Tours. Pegamos o guia e revisamos os pontos que queríamos conhecer. Saímos andando e vendo como a cidade funciona. Apesar de ser uma das maiores cidades do Vale do Loire, Tours ainda tem a tranquilidade de uma cidade pequena. Com cerca de 300 mil habitantes na região metropolitana, Tours tem uma boa estrutura para servir de ponto de referência para quem quer visitar alguns dos castelos da região. A região do Vale do Loire durante muito tempo demandou as habilidades dos melhores artesãos franceses e também estrangeiros, tanto para a construção dos châteaux e de magníficas catedrais, mosteiros e pontes, quanto para a manutenção do estilo de vida exuberante dos nobres. Um pouco dessa história pode ser vista no pequeno mas interessante Musée du Compagnonnage, a primeira atração que visitamos. Todo mundo já ouviu falar no colégio sobre as Corporações de Artes e Ofícios da Idade Média. Essas associações de artesãos guardavam com elas os segredos das mais variadas áreas e controlavam as profissões como verdadeiras mantenedoras de monopólios. No Musée du Compagnonnage podemos ver vários exemplares de trabalhos de alguns famosos mestres artesãos. O museu é pequeno, praticamente só um salão onde ficam expostas réplicas em menor escala de muitas obras construídas e de outros projetos nunca postos em prática. Algumas obras são bastante impressionantes. Há altares de igreja, portas e móveis, entalhes em pedra, bolos enormes, fechaduras intrincadas, roupas bordadas… tudo excessivamente detalhado, trabalhos realmente difíceis de se ver hoje em dia. O museu conta também um pouco da história de vida e do trabalho dos artesãos. A França muito se orgulha dos seus compagnons (termo que literalmente significa companheiros, mas poderia ser traduzido como artistas-técnicos-artesãos), responsáveis por algumas das mais fantásticas obras que a humanidade já viu. O próprio governo promovia concursos e dava prêmios para os mais habilidosos. Antigamente as poucas escolas e universidades priorizavam os estudos mais teóricos. Os trabalhos práticos de construção, engenharia, arquitetura, entalhe em pedra, trabalho em ferro, carpintaria, marcenaria, culinária e de fabricação de vários produtos como relógios, fechaduras, armas, roupas e sapatos ficavam a cargo das Corporações de Artes e Ofícios. Os membros dessas guildas repassavam seu conhecimento para poucos escolhidos, em geral, da própria família. A maioria desses artesãos, como a maioria da população na época, sequer sabia ler e escrever e aprendia tudo na prática, observando o trabalho dos mais experientes. Não se pode tirar fotos no interior do prédio. O ingresso custa 5,20 Euros (R$ 13) e a visita dura uns 20 minutos, mas vale a pena. Depois que saímos do museu, fomos ver a Catedral que, aliás, é um excelente exemplo do trabalho dos compagnons franceses. A Catedral de Saint-Gatien de Tours fica um pouco afastada do centrinho mais antigo da cidade e se destaca no meio de um bairro de classe alta, em frente à uma pequena praça. Considerando que a estrutura é basicamente pedra esculpida, a altura da construção impressiona. As torres medem 87 metros. Essencialmente em estilo gótico, mas com elementos românicos e renascentistas também, essa catedral demorou mais de 300 anos para ficar pronta. Iniciada em 1170, só foi terminada em 1547. O interior, como quase toda igreja gótica, é todo em pedra, sem revestimentos. Chamam a atenção o órgão do séc. XVI e, como sempre nas igrejas francesas, os maravilhosos vitrais. É interessante ver como o catolicismo é diverso de país para país. Os santos populares na França não são sequer conhecidos no Brasil, que segue uma tradição portuguesa. Saint-Gatien foi o primeiro bispo de Tours, enviado de Roma para converter os habitantes da região ao cristianismo no séc. III. A visita à Catedral é de graça e vale muito a pena. Saindo da Catedral, fomos visitar outra igreja, a Basilique de Saint-Martin de Tours. Essa Basílica fica bem perto do centro medieval, a mais ou menos uns 15 quarteirões da Catedral de Saint-Gatien. Fomos caminhando, olhando as lojas e admirando a arquitetura da cidade. Como já contei aqui, entre 1461 e 1594, Tours foi a capital do Reino da França e a região foi palco de incontáveis batalhas entre dinastias que disputavam os tronos da França e da Inglaterra. A construção dos mais de 300 castelos pela aristocracia que se mudou para lá na época, seguindo o poder real, ajudou a transformar todo o Vale do Loire em uma região de grande significância para a França e o sentimento nacional. Depois que a cidade deixou de ser capital, toda a região experimentou uma certa decadência que só foi revertida com a chegada da ferrovia no séc. XIX. Mais do que a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial representou uma grande catástrofe para a cidade. Muito do seu patrimônio histórico foi destruído pelos bombardeios e quase tudo teve que ser reconstruído, incluindo o traçado das ruas que hoje são largas e ladeadas por prédios mais modernos, em estilos arquitetônicos dos sécs. XIX e XX. Chegando à Basilique de Saint-Martin já vimos que ela é bem menor que a Catedral, além de muito mais nova. Construída entre 1886 e 1902, a Basílica é em estilo Neo-Bizantino e tem um interior muito claro e bonito. Quando entramos, vimos uma mesa com panfletos sobre a igreja e uma velhinha carola puxou conversa com a gente. Quando disse que éramos brasileiros ela ficou toda alegre e começou a perguntar se tínhamos igrejas bonitas no Brasil, se éramos muito religiosos… Contei para ela do Círio de Nazaré, que reúne mais de 1 milhão de pessoas em Belém e ela ficou impressionada. Depois de dizer que eu falava bem francês, disse em voz baixa, só para mim, que a Daniela era muito bonita. Uma simpatia a velhinha. Por fim, ela nos disse que tínhamos que visitar a cripta. Quase passamos batido. A cripta é a razão de ser da Basílica. É lá onde está o túmulo de Saint-Martin de Tours. O local onde ele foi enterrado foi descoberto em 1860 e fez com que a igreja fosse construída ali, no mesmo lugar. Saint-Martin, apesar de também não ser muito conhecido no Brasil, é um dos principais santos do catolicismo. Muito popular no país, ele foi bispo de Tours no séc. IV e responsável pela construção de vários mosteiros na França. A cripta onde está o seu túmulo, no subsolo da Basílica, é um lugar muito silencioso e tem as paredes e o teto cheios de mensagens de agradecimento. A visita à Basilique de Saint-Martin de Tours também é gratuita. Vale a pena. Saindo da igreja, fomos procurar comer alguma coisa. Uma das poucas áreas medievais ainda preservadas de Tours é o centrinho pedestralizado que fica nos arredores da Place Plumereau, circundada por casinhas com a estrutura de madeira aparente nas fachadas. Na maioria dessas casinhas hoje funcionam cafés e restaurantes e a praça é quase toda tomada por mesas e cadeiras ao ar livre. Entre as várias opções, escolhemos um café chamado Le Lys D’Or, de frente para a praça, e sentamos em uma mesa ao ar livre. Já era mais de meio dia e esse lanche/almoço seria nossa despedida de Tours. Essa praça e as ruas em volta são muito agradáveis. É um lugar bastante turístico mas, ao mesmo tempo, muito tranquilo, com passarinhos pousando embaixo da nossa mesa para comer farelos. Pedimos dois crêpes salgados, um de queijo e um de cogumelos, e dois crêpes doces, um de nutella e um de geleia de framboesa, além de dois refrigerantes. Foram os melhores crêpes que comemos durante toda a viagem. Muito bom. Fomos bem atendidos e tudo saiu por 27,60 Euros (R$ 69). De barriga cheia fomos pegar o carro e seguir caminho para Saint-Malo, cidade histórica que fica ao norte de Tours, na beira do Canal da Mancha. Localizada na Bretanha (em francês Bretagne), essa cidade entrou quase por acaso no nosso roteiro. Era certo que queríamos visitar o Mont Saint-Michel, que fica quase na divisa entre a Bretanha e a Normandia, mas sabíamos que não valia a pena dormir uma noite lá pois menos de um dia seria suficiente para conhecer tudo. Então resolvemos escolher uma cidade próxima para dormir. Quando achamos Saint-Malo bem ali ao lado, vimos as fotos no Google Earth e lemos um pouco sobre a Cidade dos Corsários, foi fácil se decidir. A distância entre Tours e Saint-Malo é de cerca de 300 km. É um trecho longo, que percorremos em quase três horas de viagem. No caminho percebemos uma radical mudança de paisagem. A Bretanha é conhecida pelo clima úmido, frio e muito chuvoso. Quanto mais chegávamos perto do mar, mais o céu ficava escuro e mais constantes eram os chuviscos. Passamos por uns três pedágios no caminho (os valores variam de 3 Euros/R$ 7,50 a 13 Euros/R$ 32,50). Paramos em um posto para abastecer. O preço da gasolina não é tão diferente do preço no Brasil. Aqui não há frentistas. Eu mesmo abasteci e depois fui pagar no caixa da loja de conveniência, onde também comprei umas besteiras para comer e beber no caminho. Na saída do posto fomos parados por uma blitz da polícia. O guarda pediu minha habilitação e eu entreguei a carteira internacional e a minha carteira do Brasil. Fiz até o teste do bafômetro. Mais de dez anos dirigindo no Brasil e nunca havia feito, a primeira vez foi essa na França! Sorte que eu não tinha bebido nada e estava com todos os documentos corretos. No fim, quando me devolveu os documentos o guarda ainda puxou assunto. Ele viu que eu era brasileiro, claro, e disse que conhecia Belém! Falou que quando tirou férias passou pela Guiana Francesa e por Belém antes de seguir para Fortaleza. Disse até que o clima era parecido com o da Bretanha. A diferença era que Belém era úmida e quente e a Bretanha era úmida e fria. Chegamos em Saint-Malo quase no fim da tarde. Não tivemos nenhum problema com o GPS que trabalhou direitinho. A cidade é composta por uma área cercada, chamada Intra-Muros, e a área externa, que é mais nova. Claro que escolhemos ficar dentro dos muros. Saint-Malo é uma cidade monocromática. Praticamente todos os prédios são feitos da mesma pedra marrom com toques verdes dos musgos e líquens que recobrem quase tudo devido ao frio e à grande umidade da região. Deixamos as coisas no lobby do hotel e fomos estacionar o carro. Dentro dos muros não há estacionamentos públicos e as ruas são estreitas, sem vagas. A recepcionista do hotel nos deu um mapa e nos explicou onde ficam os estacionamentos públicos, do lado de fora dos muros. Saímos e deixamos o carro no estacionamento que basicamente é uma área a céu aberto, à beira do cais, delimitada por uma cerca. Paga-se um valor por horas e é tudo automatizado. Adentramos os muros a pé e fomos para o hotel fazer o check-in. Ficamos no Hôtel du Louvre, que fica em um prédio antigo, mas que por dentro está todo novo. Por uma noite em uma suíte confortável pagamos 65,75 Euros (R$ 164,37). Nosso quarto ficava no quinto andar (ainda bem que eles tem elevador). Deixamos as coisas e saímos outra vez para conhecer a cidade. Saint-Malo é um lugar incrível! Parece que voltamos no tempo. Apesar da região já ser habitada desde tempos remotos por celtas, gauleses e romanos, a cidade como conhecemos hoje surgiu no séc. XII e foi se fortificando para se proteger de ataques do Reino da França. Isso porque a Bretanha não fazia parte da França e tinha muitas ligações com a Grã-Bretanha, especificamente com a região do atual País de Gales, de onde veio Saint MacLow, que deu nome à cidade. Os ingleses sempre cobiçaram a Bretanha. Saint-Malo chegou a ser até mesmo uma cidade-estado independente. Apesar de ter vivido vários períodos sob dominação francesa, foi somente a partir de 1593 é que a Bretanha e de Saint-Malo foram definitivamente anexados ao Reino da França. Mas foi com a descoberta da América e das rotas para as Índias, no séc. XVI, que essa cidade portuária viveu sua grande transformação. Com a instalação de muitos armadores (donos de navios mercantes), a cidade Saint-Malo se tornou um dos mais importantes portos da França e um grande entreposto comercial. Mais tarde, nos sécs. XVII e XVIII, Saint-Malo teve sua era de ouro. Nessa época a cidade se tornou a principal base dos corsários franceses, sendo daí que vem o seu apelido de Cité Corsaire. Basicamente os corsários eram piratas que tinham a chancela real para atuar nos mares como verdadeiros bandidos que atormentavam a vida das marinhas dos países rivais. Essa era uma política de Estado voltada para enfraquecer o poder naval das outras potencias europeias. Quem mais sofreu com a atuação dos corsários franceses pelos mares do mundo foi a Inglaterra, a Holanda e a Espanha, as então maiores potencias marítimas mundiais. Mesmo Portugal teve seus problemas com os corsários franceses. O produto dos saques das cidades colonias desses países e dos ataques às suas esquadras carregadas de mercadorias e tesouros valiosos não ia diretamente para os cofres do Rei da França, mas ao menos deixava de ir para os cofres dos outros monarcas. Nessa época a cidade era bastante perigosa pois os corsários, apesar de serem ‘apoiados’ pelo poder central, não respeitavam ninguém, nem mesmo o Rei, e Saint-Malo era como uma cidade sem lei, governada e protegida pelos próprios corsários. Talvez apenas a igreja tivesse algum respeito por parte dos corsários. Não é a toa que a torre pontiaguda da catedral de Saint-Vincent pode ser vista de qualquer lugar da cidade, ocupando uma posição central dentro dos muros. A temperatura média em Saint-Malo ao longo do ano varia entre 5° C em fevereiro e 17° C em julho. Apesar da temperatura ainda ser baixa e a umidade grande, no verão a cidade ferve com as praias lotadas. A população sobe de 50 mil para 200 mil habitantes. Por isso a cidade tem uma boa infraestrutura turística, com muitos hoteis e restaurantes. Mas, para mim, é agora, com o frio e o tempo completamente fechado, que a Saint-Malo mais apresenta a sua identidade bretã. Aliás, a Bretanha possui uma identidade quase nacional dentro da França. Todos os habitantes falam francês, mas eles se orgulham muito de próprio dialeto, o bretão, e o sotaque forte dos habitantes da região é reconhecido por toda a França. Os bretões costumam se referir à Bretanha como um país. Passeamos por toda Intra-Muros, passando por ruelas e também caminhando por cima dos altos muros que beiram o mar. Em uma das ruas paramos para provar o doce típico da Bretanha, o kouign amann. É um doce folhado, enrolado e caramelado que pode vir com doce de maçã ou nutella em cima. É delicioso e lembra muito um doce que eu comia quando era criança na cantina do colégio e que se chamava ‘orelha’. A parte murada de Saint-Malo fica em uma ponta que avança sobre o mar. Originalmente a parte murada era uma ilha que depois foi ligada ao continente. Dos altos muros podemos avistar várias pequenas ilhas que circundam a cidade. Podemos chegar caminhando até elas quando a maré está baixa e algumas delas também são fortificadas. Nem sempre o mar cobre as praias e bate nos muros como víamos nesse fim de tarde de maré alta. O movimento das marés é bastante sentido aqui em Saint-Malo e entre a maré baixa e a maré alta a diferença pode ser de até 14 metros! Em uma loja de souvenirs vimos cartões postais que mostravam ondas tão fortes que quando batiam nos altos muros quase os cobriam. O senhor da loja me disse que esse fenômeno só acontece em uma determinada época do ano quando as maiores marés coincidem com fortes ventos. Nessa época é até proibido passear nos muros pois existe o risco de ser arrastado para o mar. Agora as ondas estavam bem mais comportadas mais já cobriam partes dos caminhos à beira mar. Já estava escurecendo quando voltamos para o hotel para descansar um pouco. Mais tarde levantamos, tomamos banho e saímos outra vez para jantar em um dos vários restaurantes que vimos. No hotel, a recepcionista nos indicou alguns restaurantes de frutos do mar que, como não podia deixar de ser, são a especialidade da cozinha local. Um deles se chamava Jacques Cartier, o nome do conquistador francês que saiu de Saint-Malo em 1535 para descobrir o Canadá. O restaurante parecia muito bom, mas já estava fechando. Então seguimos para um outro restaurante que tínhamos visto mais cedo, o Café de L’Ouest, que fica na Place Chateaubriand. Começou a chuviscar e a esfriar ainda mais. O restaurante estava vazio e lá dentro os aquecedores estavam no máximo. Isso é uma coisa interessante. Parece que quem mora no frio, ao invés de se acostumar com ele parece que fica mais friorento ainda! O restaurante parecia ser muito bom. O cardápio era enorme e muito variado. Para começar pedimos ostras grandes e, como entrada a Dani pediu tartare de thon à la thaitienne e eu pedi mille feuilles de homard breton et avocat sur une note de curry. Como prato principal a Dani pediu maquereaux grillés avec pommes de terre sautées et moutarde ancienne e eu pedi risoto de Saint-Jacques au basilico et parmigiano. Os pratos do Café de L’Ouest são verdadeiras obras de arte e o atendimento é muito bom. No fim desse verdadeiro banquete, a conta ficou em 86,90 Euros (R$ 217,25), com vinho e água. Valeu a pena. Estava tudo delicioso. Quando fomos embora a chuva ficou ainda mais forte o que deixou as ruas desertas. Tudo estava fechando, inclusive o nosso restaurante. Resolvemos encerrar o dia também e voltar para o hotel. No dia seguinte íamos explorar um pouco mais essas cidade incrível que é Saint-Malo.
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