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deiselourenco

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  1. E por fim, como prometido o orçamento. Valor que eu gastei individualmente. Os gastos de cada um pode ter variado um pouco, principalmente em relação as comidas e bebidas, mas a média individual foi essa.
  2. Últimos dias (apanhado geral) de 21 a 24/03/19. Então, pra finalizar, a gente tinha resolvido lá no início da viagem incluir o Zimbábue, principalmente pra ver Victoria Falls, a “maior” catarata do mundo, a maior do mundo em termos de largura, as outras são maiores em outras coisas. Mas como a gente pode observar durante esse relato, ter o título de mais, melhor ou maior de alguma coisa é muito importante pra ser uma atração turística. Compramos a passagem pela British Airways com escala em Joanesburgo, então a gente ia sair pela segunda vez da África do Sul, pra depois entrar e sair de novo, foram só 6 carimbos da África do Sul nessa viagem kkkkk, eu já estava com medo da imigração me bloquear querendo saber que diabo eu entro e saio do país do toda hora. Mas, na verdade foi bem tranquilo. Malas prontas, acordamos de 3 da madrugada pra ir pro aeroporto, o LC conseguiu ir no mesmo voo que a gente até Joanesburgo e nos despedimos lá. Ele partiu para São Paulo e depois Brasília e a gente foi pra cidade de Victoria Falls no Zimbábue. Para ver as cataratas você tem duas opções, porque ela fica na fronteira do Zimbábue com a Zâmbia. Têm parques dos dois lados, pelo lado do Zimbábue a entrada são $30 (isso mesmo, 30 dólares americanos) e pelo lado da Zâmbia a entrada custa $20. Escolhemos o Zimbábue baseado nos relatos da internet, ao que parece tem a melhor vista da cachoeira. Além de que a cidade já é do lado da cachoeira, enquanto na Zâmbia você tem que ficar em Livingstone, a cidade mais próxima, que fica a 10km do parque. Nada que atrapalhe também, eu imagino. Mas, escolhemos o Zimbábue. Cachoeira é apelido carinhoso né, porque são umas quedas gigantescas. São 2h de vôo e adivinha? Chupa Latam! Tinha almoço também. Chegamos no Zimbábue, o aeroporto é minúsculo, mas até que já estávamos acostumados depois do aeroporto de Windhoek, que é menor que uma rodoviária. O problema é a fila pra comprar o tal do visto. É gigante, ficamos mais de 1h na fila pra pagar $50 (isso mesmo, 50 doletas do Trump) pelo visto que dá direito a entrar na Zâmbia e no Zimbábue, a gente não tinha certeza se ia dar tempo de entrar na Zâmbia, mas compramos por via das dúvidas, já que a diferença pro visto normal era de apenas $5. O problema do Zimbábue, aliás, tem muitos né, mas o problema para os turistas no Zimbábue é que o país faliu, a economia quebrou total e a moeda deles chegou a valer não sei quantos bilhões pra $1, tem até essas notas em museus pra vender. Aí, o que eles resolveram fazer? Eu não entendo de economia, mas eles acharam uma solução ótima, que foi usar dólares americanos. Cê tá de sacanagem né? Dólares americanos, uma das moedas mais caras pra se comprar. Turista sempre se fode na vida. Aí tudo lá custava o olho, o nariz e a boca da cara. Tipo o transfer do aeroporto pro hotel custou $90: chama o xamu!!! Mesmo dividido por 3, são $30 pra andar 18km. Pelo menos foi ida e volta esse valor. Então, já dei esse choque inicial, tá avisado, lá é caro. No começo nossa intenção ao ir lá era apenas conhecer as cataratas, mas durante as pesquisas vimos que tem milhões de opções de passeios, dos mais radicais aos mais tranquilos. De cara a gente tinha gostado do tal do rafting, mas a ignorância é uma benção né. Já tava certo que a gente ia fazer quando eu fui começar a pesquisar e ver vídeos. Lembra que eu falei que era cagona, acabei virando uma literalmente, abafa. Mas enfim, eu sou medrosa, cautelosa, e tenho muito amor a vida, e estava em plena posse das minhas faculdades mentais na época que estava pesquisando. Aí eu vi que esse rafting passa por corredeiras níveis 4 e 5, aprendi até sobre corredeiras e o esporte de tanto que eu pesquisei. E o nível máximo de corredeiras é 5. Corredeiras 1 é tipo o rio normal com alguma quedinha que não vai fazer você nem sair do lugar, corredeiras 2 e 3 já exigem um certo conhecimento e habilidade, e as corredeiras 4 e 5 exigem nível avançado de habilidade porque com certeza você vai cair, tem risco de bater em pedra, tem que saber nadar, pode ficar preso em redemoinhos etc. Mas é claro que eu estou passando aqui o pior cenário possível. Centenas de pessoas fazem esse passeio todos os dias e dá tudo certo, não achei nenhum relato que deu ruim. Só alguém que bateu o joelho numa pedra e ficou doendo, e da subida depois do passeio de quase 1h pra poder sair do Canyon, tipo escalada mesmo. Mas deu pra ter uma noção de como esses caras são tipo Brasil mesmo, tudo nas tora, te colocam num risco alto de vida sem você nem saber, corredeiras 4 e 5? Mas até aí beleza, eu ainda tinha um pouco de coragem porque não vi realmente nenhum relato de ninguém se machucando seriamente. Mas quando eu fui procurar um seguro saúde específico para práticas de esportes radicais, sabe qual é a boa? NENHUM, mas nenhum seguro, nem o mais caro e o mais top de todos cobre corredeiras 4 e 5, ou seja, parece que você tá praticamente pedindo pra morrer. Aliás, fica bem claro lá nas especificações: COBRE CORREDEIRAS 1, 2 e 3. Aí tava tudo conspirando muito ao contrário né, não deu outra e eu arreguei. Até falei que se eles quisessem fazer, por mim era de boa, podiam fazer. Mas a Gabi arregou também, o FH dizia que queria fazer mas aceitou a vontade da maioria. Escolhemos um outro passeio, que foi a canoagem na parte de cima do rio Zambezi, que é o rio que corta os dois países e onde tem as cataratas. O passeio custou a merreca de $150 Trumps. Mas estou passando o carro na frente dos bois. Chegamos, compramos nosso visto, e o transfer já estava esperando, aliás ele já estava quase desistindo, porque fomos literalmente os últimos dos últimos a sair. Chegamos no nosso hotel, que era tipo uma guest house também, mas dessa vez como tínhamos reservado um quarto externo e uma família tinha reservado a casa não pudemos usar a cozinha. Os donos do “hotel” eram nossos guias e nossos motoristas. A gente ficou um pouco longe do centro, eu recomendo ficar mais perto, tem muitos hoteis por lá, e o mais bem localizado parece ser o N1. Tivemos que pagar $10 cada vez quer queríamos ir ao centro. Assim que chegamos, deixamos nossas coisas no quarto e pedimos pra ir num mercado, compramos alguns suprimentos e coisas pro café da manhã, mas compramos muito pouco mesmo com medo dos preços em dólar. Daí fomos andar pelo centro e depois jantar por ali, só combinamos com o motorista pra buscar a gente às 21h. Na hora que a gente ficou sozinho e começamos a andar pelo centro é que deu pra observar a pobreza das pessoas locais e a dificuldade que eles tem de sobreviver. Apesar de, provavelmente ser o lugar mais turístico do país, é muito sofrido e você começa a andar e logo algum grupo te cerca implorando pra você ver os artesanatos deles, falando que é pra comer, que não tinha vendido nada naquele dia e tals, pelo estado deles dá até pra acreditar. Mas fica impossível olhar alguma coisa dessa forma, é muito invasivo e muita pressão. Compramos alguma coisa mais por pressão do que por vontade e fomos pro restaurante. Jantamos por ali e tinha um senhorzinho com o violão, o bom é que ele não sabia cantar nada, não conseguia terminar um acorde, mas me comovi pelo esforço dele e demos algum dinheiro, bem pouco, mas o pratinho dele estava vazio, então melhor que nada né. Aí fomos pro hotel e encerramos o primeiro dia. No outro dia cedo era o dia do passeio. Então... esse passeio, pela descrição que lemos na internet, parecia que a gente conseguia ver alguns animais, era tipo um safári mesmo. Dava pra ver elefante, hipopótamo, zebra e com muita mas muita sorte leão. O passeio é esse: https://www.victoriafalls-guide.net/victoria-falls-canoeing.html. Tem várias empresas que fazem, mas esse site reúne todos os passeios que tem em Victoria Falls e você pode escolher e mandar email ou pedir pro seu hotel ou quando chegar lá e reservar. Nesse link tem todas as atividades: https://www.victoriafalls-guide.net/victoria-falls-activities.html. A empresa nos buscou e começamos o caminho até a parte do rio de onde iríamos sair. Era um carro aberto, e eu acho que não comentei ainda, mas o Zimbábue é mais quente que o inferno, é muito mais quente que o deserto. Você tá nesse carro aberto e simplesmente ao invés de vento vem uma baforada de ar quente. A sensação térmica é bem mais desconfortável que no deserto, deve ser por causa da umidade, não sei, é pior. Vimos alguns elefantes, zebras, impalas e javalis pelo caminho. Chegando no local, os caras fazem um café da manhã pra gente, simples, ovo, pão, bolacha e café solúvel. Meti um ovão, já estava até corajosa, mas antes olhei se ele estava bem assado. Depois do café o guia principal dá umas explicações, praticamente as mesmas do caiaque. Só tem algumas questões de segurança por causa dos hipopótamos. Parece que eles são animais extremamente territorialistas e a gente não pode beirar perto deles. Às vezes, eles podem estar embaixo da gente e a gente não vai ver, aí eles podem bater no barco de dentro da água, se o barco virar salve-se quem puder. Mas ele disse que é muito raro isso acontecer, em não sei quantos anos que ele fazia isso nunca tinha acontecido com ele, só ouvido histórias. Aí começamos o passeio, a gente rema por uns 10km pelo rio, e vê muitos hipopótamos, o problema é que o guia tem tanto medo desse bicho que toda vez que a gente via um, ele fazia questão de desviar. A gente via só a cabecinha deles de longe, a máquina nem conseguia pegar direito. Tanto medo desse bicho, ele deve ser pior que o leão pelo visto. Infelizmente não vimos nenhum elefante pelo rio, mas vimos no caminho, uns gigantes, tanto na ida quanto na volta. O passeio foi bem tranquilo, sem nenhuma emoção, e apesar de ter sido legal, me decepcionei por não conseguir ver nenhum hipopótamo de pertinho, a gente viu vários, mas tudo de longe, acho que uns 20 metros no mínimo. No fim do passeio eles também dão almoço, também pudera por $150 se pudesse dar a janta também era bom. A gente almoça embaixo de uma árvore e depois eles guardam os barcos e a gente começa o caminho de volta. Na volta, vimos muitos elefantes, muitos mesmo, alguns com filhotinhos, outros sozinhos. Eram muitos, eles ficavam aglomerados embaixo de algumas árvores disputando a sombra. Esses deu pra ver bem de perto. Chegamos no hotel e já pedimos o motora pra levar a gente pro parque das cataratas. Finalmente né. Quem buscou a gente dessa vez, foi um funcionário deles, um menino praticamente, o nome dele é LOVEMORE. (Mães, parem de dar motivos para as pessoas zoarem seus filhos). Ele era muito simpático e fazia questão de falar: Lovemore, Lovemore, eu sei que vocês não vão esquecer meu nome. Não esqueci mesmo. Aí ele deixou a gente lá e combinamos de nos buscar também. Quando ele deixou a gente, a gente viu que o parque era muito perto do centro, não demorou nada pra chegar lá, aí a gente perguntou pra ele se dava pra voltar andando, na hora ele negou. Disse que era melhor não, porque não tem poste de luz no caminho, e tem muito bicho na estrada, inclusive elefante, e você não quer cruzar com um elefante na estrada. Então ele colocou tanto medo na gente que preferimos esperar pelo carro mesmo. O parque das cataratas é muito legal, tem um caminho que você vai seguindo, tem 16 paradas. Todos são mirantes e dão diferentes ângulos das cataratas. Se prepare, você vai se molhar e muito. Não adianta pensar, ah eu vou e fico longe, ou então, com certeza ela tá exagerando. Não estou, a fumaça de água é enorme e você vai se molhar sim. Leve uma capa de chuva se não quiser molhar a roupa e proteção pra câmera, pro celular, pros seus documentos, o que estiver com você na hora. Legal também que tinha uns javalis no meio do caminho, e a gente viu alguns suricatos também no meio da cidade mexendo no lixo. Timão e Pumba gente! Então, apesar dos $30, vale muito a visita. O parque é pequeno, mas como são muitos pontos de fotos, reserve umas duas ou três horas só pra ele. A gente ainda cogitou ir no lado da Zâmbia, mas já eram umas 5h30 da tarde, não ia compensar. Fomos esperar o Lovemore buscar a gente pra jantar. Na verdade não foi ele, mas dessa vez a dona do hotel que buscou a gente e deixou no restaurante. Combinamos dela ir nos buscar às 20h pra gente ir pro hotel. No dia seguinte íamos voltar pra Joanesburgo e no outro dia: CASA! Fomos pro restaurante, dessa vez era outro: 3 Monkeys. Pedimos uns sanduíches, eu pedi de carne bovina mesmo, a Gabi escolheu um combo lá que vem 3 mini sanduíches de carne de impala, carne de crocodilo e carne bovina. Era muita comida e ninguém conseguiu comer tudo. Novamente o senhorzinho que não sabia cantar estava na porta, mas da outra vez foi outro restaurante. Nesse, não deixaram ele entrar e ele ficava ali na beira da escada tocando aqueles acordes incompletos, com uma cara tão sofrida, parecia cansado. Lá mesa eu fique pensando muito nele, imaginando se ele já não tinha trabalhado o dia inteiro com outra coisa e ainda tentava complementar a renda a noite, fazendo qualquer coisa que desse. E resolvi ajudar mais dessa vez, como a gente já ia embora mesmo, dei 50 dólares, a Gabi e o FH também ajudaram. Acho que ele nem viu o quanto era, coitado. Enfim, terminamos nosso jantar e fomos pro hotel. Arrumamos as malas e no outro dia começava a jornada de volta. Dessa vez quem veio pra levar a gente pro aeroporto foi o Lovemore, mas ele estava super triste e tava falando que a tia dele tava no hospital e precisava de um remédio, por isso que ele não tinha ido buscar a gente no dia anterior. E ele devia muito pra essa tia que tinha pagado os estudos pra ele, que ele só conseguiu esse emprego porque tinha algum estudo, que na família dele toda, de 5 pessoas, só ele trabalhava, enfim, mais uma história triste. Lá no aeroporto a gente também deu o dinheiro do remédio para a tia dele, ele ficou super agradecido. Mas essa tristeza e esse sofrimento desse povo é difícil demais de conviver, a gente sabe que existe, mas sentir na pele é outra coisa. Isso porque nem chegamos perto dos vizinhos ali que são bem mais pobres: Malawi, Moçambique entre tantos outros da África. Ah, mas se vc quer ver pobre, tem um monte no Brasil! Primeiro: eu não quero ver pobre. Segundo: é uma pobreza muito diferente, de pessoas morrendo aos poucos, a míngua, de fome, de doenças, sem auxílio nenhum do governo que deixa eles pra morrer mesmo. No Brasil a gente vê situações parecidas, mas não acho que chegue a esse extremo não. Uma bolsa família que seja impede que a pessoa morra de fome, não tô questionando política de governo, não quero saber se tá certo ou se tá errado. Mas de fome, fome mesmo, de desnutrição, no Brasil, a pessoa não morre. As pessoas vão ficando tristes, sofridas, desesperadas. O desespero é o pior de ver. Mas enfim, isso é só mais um ponto positivo da viagem, de colocar a gente no nosso lugar e nos fazer pensar sobre o quanto somos privilegiados de poder viajar, de pagar em dólar, de achar caro tal coisa, de poder aproveitar a vida de uma maneira mais plena e completa. Outra coisa que eu esqueci de falar é que o tal do Ciclone devastador estava no Zimbábue bem na época que a gente foi. A gente tentava pesquisar pra saber onde o danado estava, a gente sabia que ele já tinha passado pelo litoral, saído e entrado novamente e devastado Moçambique, Malawi e uma pequena parte do Zimbábue. Mas quem disse que a gente conseguia descobrir onde que ele tava ou se ele já tinha se dissipado. Bateu um cagaço né, mas se a cia aérea não cancelou o voo, a gente acreditou que tava tudo bem, até porque Victoria Falls ficava a 400km da cidade que o Ciclone tinha atingido, então fomos, com um pouquinho de medo, mas acabou sendo tranquilo, nenhum vestígio de ciclone por lá. Chegamos em Joanesburgo, ficamos num hotel próximo do aeroporto porque a gente voltou lá só pra poder ir embora mesmo no outro dia, não tinha nada programado. Jantamos no hotel e tomei as últimas Savannas Dry que tinha direito e o FH então quitou sua dívida. No outro dia, uma looooooonga jornada até em casa. A Latam tá muito murrinha de comida, serviram uma janta lá bem pequena, e umas 5h depois eu já estava morrendo de fome, vi umas pessoas indo pro fundo e voltando com uns sanduíches na mão, demorei ter coragem, mas tava com muita fome, fui lá pra ver de qual era e tinha uns lá, era só pegar. Ufa, deu pra segurar. Chegamos em São Paulo e aguardamos nosso vôo pra Brasília, tudo certo. Chegamos em casa por volta da meia-noite. Na cabeça só passava imagens da viagem e de tanta coisa linda e experiências novas que a gente viveu. Tem umas fotos do Zimbábue aqui no final, um vídeo com o resumão da viagem (link do youtube) e orçamento eu vou colocar no próximo post. Conclusão A África é um destino perfeito para qualquer viajante. Ela é democrática: tem aventura, tem romance, tem conforto, tem perrengue. Tem vida noturna, tem vida diurna, tem gente simpática, tem história, tem aventuras, tem calor, tem frio, tem pôr-do-sol, tem montanha, tem mar, tem culinária, tem TUDO. Você só precisa escolher o que quer fazer. É um destino que reacende a sua vontade de viajar cada vez mais e descobrir mais lugares, pessoas e comidas assim no mundo. E se você está viajando pela primeira vez, vai te deixar viciado. Não acredite em nada que te falem sobre a áfrica. Vai lá e conheça você [email protected] ULOH1596.MOV VÍDEO DA VIAGEM (mesmo vídeo, no youtube, caso não dê certo por aqui)
  3. Décimo-terceiro dia (20/03/19) - Sem Robben Island Eita viagem boa, relato tá gigante mas já tá acabando gente. Vou fazer um apanhado dos últimos dias pra vocês não desistirem antes do final. Mas do dia hoje ainda tem relato inteiro. Queríamos ir na Robben Island, pela internet a gente tinha visto que os ingressos já estavam esgotados, mas falava que os ingressos vendidos online estavam esgotados, então achamos que eles poderiam reservar alguma parte para vender na bilheteria pessoalmente. Aí fomos para o Waterfront, caminhando mesmo, esse hostel é muito bem localizado, e o waterfront fica só a 20 minutos de caminhada. Chegamos lá a situação era pior do que online, não tinha nem resquício de ingresso para os próximos 3 dias. É... depois de ter perdido o Museu do Apartheid, não ir a Robben Island nem doeu tanto. Senti um pouco de remorso, pois nos preparamos muito para essa viagem, não só para curtir, mas pra tentar sentir um pouco da história também. Pudemos ver isso em alguns momentos e aprender com algumas pessoas, mas ficou faltando esses museus. Por outro lado, pudemos ir em outros lugares que a gente queria também e não ia dar tempo. Fomos no Bairro das casinhas coloridas tirar umas fotos legais, dá pra ir andando do waterfront, uns 30 minutos. O nome do bairro é Bo-Kaap, é um bairro muçulmano super turístico. Os moradores combinam as cores que vão pintar suas casas para não repetir e sempre usar cores vibrantes, fica bem legal. Depois, não desistimos da Camps Bay e fomos pra lá, agora de dia, com muito sol e poucas nuvens, foi perfeito. Que lugar é esse, mais um pra lista de cartão postal da África do Sul, lindo demais, desde a cor da água quanto o fundo com as montanhas, lindo demais demais. Pode colocar no seu roteiro, é certeza que você não vai se arrepender. É uma praia com muitas atrações e restaurantes a beira mar, escolhemos um pelo menu e partiu Savanna Dry. Ainda não tinha dado as 10 que eu tinha ganhado, estava tomando de uma em uma pra durar muito. Depois do almoço, mais uma vez delicioso e barato ficamos por lá um bom tempo, sentados nas pedras ou tirando muitas fotos. O engraçado é que como estamos em quatro, é um grupo relativamente grande, sempre que a gente se juntava pra tirar foto em algum lugar as pessoas logo iam pra esse lugar também, acho que elas pensavam que era aglomeração e corriam achando que era um ponto maravilhoso pra tirar foto. Mas era só um lugar aleatório que a gente escolheu e que acabava sempre disputado porque enchia de turista. Aconteceu a mesma coisa na praia dos pinguins, na table mountain e outros lugares. Cheio de lugar pra tirar foto, o povo ia fazer fila pra tirar foto onde a gente tava. Se eu estivesse sozinha, fazendo minhas selfies, duvido que ia encher de gente querendo aquele lugar. Como o dia estava acabando, era a hora perfeita pra um pôr-do-sol, e lembramos do Signal Hill que era outro lugar que a gente queria e não ia dar tempo se fossemos na Robben Island. Vimos pela internet que o carro conseguia ir até o topo, então dava tempo de pegar o pôr-do-sol, pedimos um uber e fomos. Fizemos um time-lapse inacreditável por lá, fora as cores, a vibração do lugar, fica lotado de turistas e locais. Lindo mesmo. Na volta, já escuro, tem muito trânsito pra descer o morro porque todo mundo vai embora ao mesmo tempo, a gente resolveu ir descendo a pé enquanto o trânsito ia diminuindo e pedia o uber da onde a gente tivesse. Mais uma pausa para uma foto noturna da cidade com lua cheia, eu não me canso, é muita beleza pra um lugar só, chega a ser covardia. Quando o trânsito liberou, pedimos o uber e ainda fomos para o “melhor café do mundo”. Vimos em algum lugar da internet que lá tinha esse lugar que ganhou o prêmio de melhor café do mundo. É igual aquela história da melhor torta de maçã do mundo, é só falar que é o melhor de alguma coisa que a gente vai. Então fomos, mas com certeza vale a visita. Não sei se é o melhor do mundo, mas é um lugar super diferente, com umas sobremesas muito chiques e uns tipos de café que eu nunca tinha ouvido falar. Aí sim, depois desse melhor café do mundo, fomos para o hostel arrumar nossas malas. O LC ia partir pro Brasil e a gente pro Zimbábue. Então daqui pra frente vou fazer um apanhado dos últimos três dias pra vocês não desistirem do relato. Ainda tem o orçamento detalhado, não se preocupem, já está pronto e vai pro final também.
  4. Décimo-segundo dia (19/03/19) Finalizando nosso passeio pela Garden Route, nem dá tempo de respirar e lembrar de todas as paisagens que vimos. Outro dia cheio pela frente. Cape Town é tudo isso mesmo, e mais um pouco. Olhamos na internet e vimos que a Table Mountain estava com boa visibilidade então aproveitamos pra ir pra esse cartão postal da cidade. Antes disso, o FH e eu chamamos uma lavanderia com serviço de delivery, tudo pelo whatsapp, eles foram buscar nossas roupas e marcamos a hora de entrega também. Super pontuais e prestativos. Depois, fomos lá no tal do doleiro trocar alguns dólares por rands, porque já tínhamos passado de estar nas últimas, estávamos no fundo do poço mesmo. Não trocamos dinheiro na Garden Route e estávamos bem pobres já. O doleiro fica no centro da cidade, e era muito perto do nosso hostel, tipo uns 10 minutos andando. Trocamos cada um o tanto que achava que precisava e pudemos continuar a viagem. Roupas limpas a caminho e dinheiro no bolso, ufa! Aí sim pedimos um Uber para a Table Mountain. Chegando lá, quase não tinha fila, foi bem tranquilo. Quem tiver carteirinha de estudante paga meia, dei sorte que tinha levado a minha e estava dentro da carteira, só apresentei e a moça do guichê nem questionou nada. Pegamos o bondinho, existem outras opções legais de subir também, fazendo trilha, inclusive uma trilha que começa às 3h da manhã e você chega lá em cima pra ver o nascer do sol, a gente até cogitou a possibilidade, mas chegamos totalmente mortos do dia anterior, sem chances. Fomos do jeito tradicional mesmo. Ah, esse passeio pro nascer do sol, você faz com um guia, tem que reservar e pagar, mas deve ser bem bacana. Chegando lá em cima, UAU! Que vista da cidade. Realmente o dia estava ensolarado e a visibilidade ótima, combinação perfeita. Aproveitamos muito lá por cima, tiramos milhões de fotos e caminhamos por lá, é bem grande e tem vários locais bonitos, mirantes e pequenas trilhas para se fazer ali por cima. Com certeza é local obrigatório, mas só vé se você tiver certeza que tem alguma visibilidade, tem alguns sites na internet que te informam isso: https://www.tablemountain.net/ é um deles, com certeza você vai ficar mais de um dia em Cape Town, deixe seu roteiro um pouco flexível para poder ir na Table Mountain num dia que estiver com boa visibilidade. O tempo também muda durante o dia, vai acompanhando pelo site e qualquer coisa você corre pra lá. Demoramos bastante por lá, pra variar, e acabamos atrasando o resto do planejamento do dia. Como a vinícola era um pedido obrigatório, na hora do café da manhã a gente pesquisou qual seria a mais legal, ou mais famosa, e escolhemos a Groot Constantia https://www.grootconstantia.co.za que tinha museu, tour e degustação, ZAR 105 o ingresso. Não nos arrependemos, fica num lugar lindo, tem um monte de opção de restaurante, degustação de 5 tipos de vinho e um tour sobre a história do lugar e como são feitos os vinhos, visitando a parte de dentro onde ficam os barris de fermentação e tudo mais. Essa marca tem muitos vinhos premiados e alguns tipos já estão com encomendas esgotadas até 2020, ou seja, o vinho nem foi fabricado ainda e já acabou. Fizemos o tour e fomos pra degustação. Tem uma carta de vinhos, eles explicam o sabor, como é feito etc. e você pode escolher 5 vinhos dessa carta pra experimentar. O FH já saiu do Brasil dizendo que ia comprar muito vinho, então hoje era o dia. Daí quando estávamos na quarta degustação, bem alegres e rindo alto e a toa, veio um cara que trabalha lá e disse que queria que a gente experimentasse um e depois o outro, aí a gente falou que já era o nosso quarto, mas ele disse que fazia questão, que aquele era especial. Aí a gente ficou com 6 degustações. Com certeza ele viu a gente preenchendo quais vinhos ia comprar e se empolgou, porque na carta explicando os vinhos, tinha o preço e a quantidade pra preencher caso você quisesse comprar algum. Mas os que ele sugeriu, eram ótimos, todo mundo gostou, amou na verdade. Até a Gabi e o LC levaram um, e olha que eles nem bebem. Eu gostei também mas jamais iria trair minha companheira Savanna Dry. A taça que você usa também é um brinde, só é muito delicada, cuidado ao carregar e colocar na mala. Dei a minha pro FH, e ela só durou um dia sendo carregada. Quebrou no primeiro obstáculo esbarrado, um banco no aeroporto. Terminamos o tour já eram umas 15h e fomos procurar um lugar pra almoçar, lá na vinícola mesmo. Escolhemos um restaurante perto da entrada, apesar de ser vinícola já pedi logo uma Savanna Dry e eles tinham, que maravilha!!! A gente tava muito bebado, eu pelo menos já estava sentindo tudo rodar. Também, todo mundo estômago vazio. Daí almoçamos, estava tudo ótimo e todo mundo muito feliz. Você se pergunta, como uma pessoa fica bêbada com uma taça de vinho? Eu te respondo: tenha caganeira por dois dias e você descobrirá. Na volta meu inglês estava completamente fluente e eu fui conversando o caminho inteiro com o motorista do uber, gente boa o cara. Imigrante do Malawi, explicou um monte de coisa sobre a África e sobre o trânsito pra gente, inclusive de uma multa que o LC tomou no meio do caminho, porque todo mundo viu um flash, mas ninguém quer acreditar que era uma multa. Só saberemos no futuro, muito depois desse relato estar publicado… Voltamos pro hostel porque tínhamos que pegar as roupas que foram para a lavanderia. Os caras entregaram pontualmente no horário marcado, às 18h, foi um pouco caro, R$ 70 reais pra cada, mas é por quilo e tinha roupa molhada no meio do bolo lá, então deve ter ficado bem pesado, também por ser um serviço de delivery imagino que seja mais caro. Mas fiquei muito satisfeita com o serviço, só de não terem manchado as roupas brancas já é uma grande qualidade. E estávamos tão desesperados por roupa limpa que acho que pagava qualquer preço rsrs. A lavanderia é essa: https://www.capelaundryonline.com. Você pode chamar eles pelo whatsapp e resolve tudo online, o pagamento é feito na entrega. Depois que a gente pegou a roupa, decidimos ir pra Camps Bay conhecer o lugar, já estava escuro na verdade, fomos andar pela orla, mas pra nossa surpresa: acabou a luz!!! Ficamos lá no meio da rua no escuro e pra piorar tinha muitos e muitos pedintes e eles foram se aglomerando perto da gente. Então resolvemos entrar em algum restaurante que tivesse luz pra esperar um pouco. Entramos no primeiro que a gente viu e eles informaram que só estavam servindo pizzas e saladas justamente pela falta de energia. Aí pedimos uma pizza só pela consumação mesmo e eu pedi também uma Savanna Dry é claro, por conta do FH. Ficamos por ali um pouco, mas a luz não voltava nunca, então resolvemos pedir um uber e encerrar o dia. Por uma incrível coincidência foi o mesmo uber que buscou a gente na vinícola e deixou no hostel. Fomos conversando novamente, só que dessa vez meu inglês já estava mais travado. Chegamos no hostel, ficamos por ali um pouco, jogamos um pebolim ou totó como é conhecido em alguns lugares e subimos pro quarto, encerrando mais um dia. Ah, o uber inclusive explicou que estava faltando luz na área de camps bay, mas no centro tinha, por isso que tinha energia no nosso hostel. Deve ter algum tipo de revezamento.
  5. Décimo-primeiro dia (18/03/19) - 10 savannas!!! Acordei umas 4 da manhã toda suada, fui tomar um banho. Tinha banheira então dei uma sentada lá e fiquei uma boa meia hora aproveitando a água. A gente tinha que acordar cedo porque o passeio do caiaque tinha hora marcada e estava reservado desde o Brasil. E uma dica, se você quiser fazer reserve com antecedência mesmo porque acaba rápido. Fica no parque Tsitsikamma, outro lugar maravilhoso que merece bastante tempo, caso você tenha. Mas num lugar onde é tudo lindo, a questão são as suas prioridades. Tinha tanto lugar pra conhecer, a gente escolheu fazer esse passeio de caiaque que pareceu maravilhoso e já dava pra conhecer um pouco do parque. Então depois do banho, deitei novamente só pra aguardar a hora de sair mesmo. Já tinha vestido a roupa do passeio. Lá pelas 6h da manhã a boca salivou novamente e levantei correndo, mas dessa vez eu ganhei, não tinha nada pra vomitar hahaha, corpo idiota. Só saiu cuspe mesmo. Ainda não consegui tomar café, mas já estava bem melhor. Quase não sentia mais cólica, também só se fosse pra cagar as próprias tripas, nem água eu não tava bebendo que é pra não dar motivo. Eu sei que a gente desidrata e blá blá, mas eu bebia um pouquinho de vez em quando e acho que foi o certo. Também ainda estava com aquela sensação de cimento no estômago, não entrava nada e não tinha a menor fome. Enfim, estava começando a me sentir um ser humano novamente e não um cano de descarga ambulante. Todo mundo foi acordando e partimos para o passeio. Tsitsikamma ainda fica a 90km de Knysna então tinha bastante chão para cobrir até chegar lá. Belas pontes e canyons pelo caminho, mas resolvemos parar na volta porque estávamos com horário marcado pro passeio. Outra vez, o nome do lugar começa com Parque Nacional Tsitsikamma, então já sabe né, tem que pagar! Mas, é bom deixar claro que essa informação de que todo lugar que começa com Parque Nacional tem que pagar vem de mim rsrs, da minha experiência, não pesquisei em TODOS os parques nacionais da África do Sul pra saber, mas em todos que fomos tivemos que pagar a entrada. No Tsitsikamma foi ZAR235 para adultos estrangeiros. Chegamos lá em cima da hora, na verdade uns 5 minutos atrasados. Mas descobrimos que eles são espertos e o horário que a gente reserva pela internet é só o do encontro com o guia para pegar as instruções etc., o passeio mesmo só começa meia-hora depois. Ainda bem!!! Eu aluguei uma botinha de neoprene, eles nos deram coletes, capacetes, uma bolsa a prova d`água e uma garrafinha de água. Deixamos quase tudo no carro, a chave do carro deixamos com eles (a empresa). Não levamos nossos celulares com medo deles caírem na água, mas ainda bem que o LC levou a GoPro marota dele, a prova d`água. Mais informações sobre o passeio nesse link: https://untouchedadventures.activitar.com/services/1189 Custou ZAR 600 que dá aproximadamente R$ 170 na cotação do cartão de quando pagamos. O guia era muito simpático, são dois na verdade, um vai na frente, puxando a fila e outro vai por último. Eles deram as instruções básicas de segurança, como entrar e sair do caiaque, como remar corretamente, fazer as curvas etc. Finalizando essa parte, entramos na água, uma dupla por vez. O passeio começa no mar, a parte mais perigosa, mas logo a gente entra num corredor e vai remando até chegar no rio. Não é muito longe, é bem tranquilo e remando de dupla fica mais fácil, se você não tiver que remar por você e pela sua dupla né rsrs. A vista do passeio é incrível. Você vai entrando nesse canyon e tem toda natureza em volta, o mar no fundo e o rio na sua frente, é sensacional. Quando a gente chega numa determinada parte do rio, saímos do caiaque e passamos para uma boia, tipo um colchão flutuante que eles chamam de Lylo. Nessa hora, o guia faz uns desafios de quem consegue ficar em pé em cima da boia, quem consegue dançar, quem consegue ficar de ponta cabeça mas ninguém ganha nada, a não ser o título de mais fodão do grupo. Ahhh, ele tinha avisado que na hora que a gente passasse pro Lylo, iríamos até uma parte do rio onde tem umas pedras ele dava uma explicação sobre a natureza do lugar e depois quem quisesse podia pular de algumas pedras que tinham por ali. Parecia seguro né, mas como eu sou muito cagona o FH falou logo: Deise, 10 Savannas Dry se você pular da pedra com esses dois (Gabi e LC) de testemunha. Eu fiquei pensativa, acho que meus neurônios não estavam funcionando direito, deve que estava desidratada mesmo, porque eu nunca nem cogitaria pular de uma pedra num rio de água preta. Mas beleza, fizemos o passeio, o guia explicou sobre o local e na volta paramos nessas pedras. O problema é que o guia falou que ali era tipo um cemitério de câmeras porque todo mundo acha que consegue segurar elas e remar no Lylo, mas não tem apoio e elas caem sempre e é impossível recuperar porque a água num é nem escura, é preta mesmo. Aí o LC guardou a GoPro no caiaque e a gente foi pra essa parte do passeio sem nenhum registro. Mas tem esse registro escrito aqui pelo menos. Quando chegou na parte das pedras, o FH foi logo subindo pulando, pulando. Tinha duas, uma mais alta e uma mais baixa, ele pulava das duas. Eu ficava olhando, observando o povo pular. Até que pensei: acho que essa pedra não é tão alta! Aí quando o povo parou de pular pra dar uma descansada, eu fui subindo né. O problema é que quando eu cheguei lá em cima não tinha como descer se não fosse pulando, ô carai de pensamento sem futuro foi esse, de que não é muito alto. Mas não tinha jeito, fui andando em direção a ponta, olhando pra baixo, adiando o momento de pular, mas não teve jeito: pulei! Que sensação horrível, sensação de queda livre é muito ruim gente, quem é o doido que paga pra pular de bungee jump? Cê tá doido! Quando eu pulei parece que o cimento que tava no meu estômago subiu todinho e eu abri o bocão, ô carai de novo, bebi toda a água preta daquele rio. Pareceu uma eternidade até eu consegui subir, quando minha cabeça atingiu a superfície cuspi a água toda, pelo nariz, pela boca, a dos ouvidos ainda ficou algumas horas. Mas assim que eu consegui, gritei: NOT GOOD!!! BUT I WON 10 SAVANNAS! Chupa, achou que eu não ia né. Mas provavelmente eu não iria mesmo, se estivesse pensando direito. Já estava me sentindo a fodona da África depois dessa. Aí voltamos remando com os braços mesmo até o caiaque, deixamos as bóias para o próximo grupo que já estava chegando e fomos finalizar o passeio. Que passeio, muito legal! O visual é lindo demais. Aliás, o visual é lindo demais é clichê para a Garden Route, pra Cape Town, para o deserto. Vou tentar achar outros adjetivos pra não ficar muito repetitiva. No final do passeio, já começou a bater até uma fominha. Bateu um cansaço gigantesco também. Mas eu já estava pensando em como ia tomar as 10 savannas que eu ganhei. Alerta: não façam esse passeio de estômago vazio rsrs, vc vai cansar muito. Nos trocamos, lá tem até uns banheiros improvisados se você quiser tomar banho e rumo a estrada. Voltamos para Knysna porque queríamos ver alguma coisa por lá que não deu tempo no outro dia e almoçamos por lá. Não queria nem saber, já pedi logo uma Savanna Dry. A gente escolheu um restaurante português no waterfront de Knysna. Lá tinha canja, eu já estava me sentindo bem melhor, acho que o cimento tinha ficado no fundo rio, aí já pedi uma canja pra Savanna Dry não subir de elevador. A partir daí foi ficando mais fácil, já fui melhorando. Será que dá pra gente voltar e começar de novo agora? Enfim, ainda tinha alguns lugares que a gente queria ver, mas era muito chão pra rodar e resolvemos ir sem parar agora, só pra banheiro e comida mesmo. Porque pelo GPS íamos chegar em Cape Town lá pelas 22h. O LC ia ficar bem cansado de dirigir tanto, o FH e a Gabi se ofereceram pra revezar mas ele deu conta o caminho todo. Na volta, quando já estava de noite fomos parados por uma blitz, o policial pediu os documentos, mas deu tudo certo, só uma parada de rotina mesmo. A gente perguntou pra ele onde estava a entrada de Swellendam já que o GPS indicava que a gente estava passando pela cidade mas não vimos nada. Ele disse que a luz tinha acabado por isso que não dava pra ver a cidade. Mas que coisa, essa falta de luz tá abusada mesmo. Então seguimos viagem e resolvemos jantar em Cape Town. Chegamos com tranquilidade, tivemos um ótimo motorista o caminho todo. Deixamos o carro na porta do hostel novamente e na manhã seguinte era só devolver na Europcar. Apesar do episódio infeliz da caganeira progressiva, ou se você quiser o politicamente correto: intoxicação alimentar, o passeio foi maravilhoso e vale muito mesmo. Mas você precisa ter tempo, talvez 3 ou 4 dias pra fazer a mesma distância que a gente fez, que nem foi toda a Garden Route. Ela acaba em Port Elizabeth onde tem o maior bungee jump pra quem for doido o suficiente. Alguns pontos legais e que vale a parada pela beleza do lugar são: Mossel Bay, Wilderness, Knysna, Plettenberg Bay, Tsitsikamma, Swellendam, Jeffreys Bay, Addo Elephant, Gansbaai e Agulhas. Esses lugares não estão em ordem e nem visitamos todos, mas uma boa pesquisada é essencial pra você ver qual lugar te interessa mais, já que vão ter muitos parecidos, você pode cortar um ou outro para aproveitar melhor o escolhido. Abraçar o mundo com as pernas nem sempre é a melhor opção. Chegamos no waterfront e vimos que eles fecham cedo, tipo 23h a cozinha já tá fechada, então se programe. A gente chegou tarde e não estava achando restaurante aberto mais, a Gabi e o LC pediram um sanduíche num fast food de lá que eu esqueci o nome, mas não quis arriscar que a minha primeira refeição decente fosse um fast food fiquei com fome mesmo. Mas só de me sentir melhor já estava feliz, deixa a comida pra amanhã. O FH achou um bar que ainda estava com a cozinha aberta e pediu tipo um ensopado de carne, mas ele disse que tava muito ruim rsrs. Voltamos pro hostel e encerramos com sucesso nosso passeio pelo Garden Route, entre mortos e feridos, sobreviveram todos e eu ainda tinha 7 savannas de crédito. Gente, como esse relato está sendo feito baseado nas minhas memórias dos acontecimentos, já que eu não anotei nada durante a viagem talvez vocês sintam falta de alguns detalhes, tipo nomes dos restaurantes e das comidas, valores etc. Eu não tenho isso detalhadamente, infelizmente. Mas no final vou tentar colocar um orçamento indicando da melhor maneira possível cada gasto. Mas assim, se serve de consolo, as opções de restaurantes são muitas mesmo, todo tipo de comida de todo preço, mas geralmente é barato. Pelo menos eu considero barato, almoçar um belo prato e jantar outro belo prato por 30 reais cada. Comida de verdade, feita na hora, comida típica. Desde que você fique longe dos ovos crus deve ficar tudo bem. Ah, existe o costume de deixar gorjeta pro garçom, você tem que anotar na conta o valor que está deixando de gorjeta, o costume é 10% da conta. Os restaurantes passam cartão numa boa.
  6. Décimo dia (17/03/19) - 500km de estrada Sabe lá no começo, quando eu expliquei que a gente queria fazer tudo e tentou encaixar de tudo um pouco no roteiro, pois é, até a Garden Route em dois dias a gente inventou de fazer. 500km pra ir, 500km pra voltar, que doidera. Mas não somos tão doidos assim, não fomos até o final dela não, só quase até o final rsrsrs. Manhã do décimo dia: acordei péssima, parece que tinha um saco de cimento endurecendo dentro do meu estômago, mas fora essa sensação, tudo certo, sem dor de cabeça, só um pequeno mal estar mesmo. Não consegui tomar café da manhã, tomei só um suco de laranja, o cimento não deixava nada entrar. Fomos pra locadora pegar nosso carrão. Detalhe, nessa hora ainda não tínhamos trocado dinheiro porque saímos muito cedo e voltamos muito tarde no dia anterior não deu pra ir até o doleiro. Fora estarmos quase sem dinheiro, o FH e eu precisávamos desesperadamente lavar roupa, como não tinha lavanderia onde a gente mesmo pudesse lavar nossa roupa por perto, a gente correu no quarto no dia anterior e lavou algumas peças no chuveiro e na pia do banheiro e deixamos secando na grade da cama pra poder usar nessa viagem da Garden Route. Por sorte, elas estavam secas, ou quase secas rsrs. Lá na locadora pegamos nosso carrão. A Gabi e o FH estavam com a Permissão Internacional para Dirigir (PID) e a CNH caso fosse necessário. O LC não tinha a PID, só a CNH, mas não foi solicitado PID em nenhum momento, nem numa blitz quando fomos parados. Mas pra alugar carro tem que ter um cartão com limite alto, porque o caução que eles debitam é enorme, no caso do Mini Cooper foi R$ 5.000 por dois dias com o carro, enquanto o aluguel do carro em si era R$ 400. Depois de alguma tentativas com cartões, transferências de limites deu tudo certo e pegamos a estrada. A primeira parada ia ser a 200km em Swellendam, uma cidadezinha linda. Pegamos a rodovia, o LC queria testar o carro, era um carrão né, acelerava e freiava, acelerava e freiava. Nisso, o cimento do meu estômago foi pesando vinha umas cólicas que eu suava frio e segurava que não passava nem uma agulha, ô sofrimento senhor. Mas enquanto eu segurava lá embaixo começou a vir aquela tontura, a boca começou a salivar, mas eu pensava: vai passar, vai passar. Vai passar poha nenhuma, só deu tempo de colocar a mão na boca e tampar da melhor maneira possível, aí com a outra mão eu sacudi a Gabi, ela olhou pra trás e já entendeu na hora, aí falou: eita ferro, a Deise quer vomitar, a Deise quer vomitar, encosta, encosta. O LC entrou no acostamento com tanta velocidade que chega cantou pneu, coitado, eu estava atrás dele, ele deve que estava com a espinha gelada com a possibilidade de experimentar o gosto do inferno na nuca. Tudo aquilo que foi muito rápido parecia uma eternidade, não dava mais pra segurar. O pior de tudo, o diacho do carrão era de duas portas, até ele descer e dobrar o banco só deu tempo dele sair correndo mesmo e eu colocar a cabeça pra fora, nem desci do carro. Vomitei ali mesmo, pelo menos caiu 90% no asfalto, 10% na lataria do carro. Só tinha suco de laranja e uns pedaço de comida. (Gente é nojento mesmo, não tem outro jeito de contar). Aí eu desci do carro, respirei um pouco, me senti melhor, menos zonza. Mas tava foda, as cólicas vinham e parecia que tinha alguém torcendo minhas tripas. A gente entrou no carro, eles obviamente morrendo de medo mas disfarçando bem. Eles queriam que eu fosse na frente, mas como que eu ia separar o casal? Falei: não tá tranquilo mesmo, vou aqui atrás, só que fui atrás da Gabi, que estava mais próxima do acostamento caso precisasse parar de novo. A gente voltou pra estrada, aquelas cólicas vindo com se fosse um patrola querendo abrir as portas do inferno e libertar o kraken. Quando eles viram um lugar que parecia um restaurante, estava bem cheio de carros, aí me perguntaram: quer que para aqui Deise, eu só podia agradecer e balançar a cabeça já suando frio igual um porco indo pro abate. Quando eu entrei no banheiro e pude abrir as portas da esperança, o chamado da natureza estava prontinho pra sair, saiu tão rápido que parecia aquelas descargas a vácuo do avião. E assim foi, todo posto que tinha eles paravam, coitados, a melhor parte da viagem pra mim era encontrar um banheiro, eu não via a hora daquele kraken terminar de sair por inteiro, aquilo não era de Deus. Eu ficava bem, até vir uma cólica avisando que o trem da alegria (sqn) tava pedindo passagem. Aí eu precisava ir no banheiro se não parecia que ia morrer. Não estava nem tomando água com medo de vomitar de novo. Finalmente chegamos em Swellendam, já era umas 14h. A gente parou pra almoçar num restaurante bem legal. Nem cogitei comer nada. Eles almoçaram, estava muito bonito e acho que eles gostaram muito rsrs. Só ali fui no banheiro umas duas vezes, a vergonha já nem estava me preocupando mais, já que na primeira vez eu acabei com o papel do banheiro, na segunda eu já sabia que não tinha papel entrei no masculino e roubei o deles. Passeamos um pouco pela cidade, é bem pequena, tem um estilo alemão e é uma das cidades mais antigas da África do Sul. Eu queria muito ter aproveitado mais, sério mesmo rsrs. Mas ainda estou contando do passeio só pra desviar um pouco a atenção desse episódio escrito por shakespeare e interpretado pela Carminha de tão trágico. Seguimos caminho, como nosso objetivo era chegar em Knysna naquele mesmo dia e dormir por lá e quem sabe ainda aproveitar um pouco da cidade fomos parando menos, mas menos pras fotos, pra banheiro ainda paramos muito. Só estava saindo água a essa altura, mas as cólicas vinham como um tsunami querendo abrir passagem pelo deserto. Se a experiência de ter um filho é parecido com isso, meu respeito pelas mães de parto normal que já era grande agora quadruplicou. Paramos em Mossel Bay, o sol já estava quase se pondo, deu pra aproveitar um pouquinho, cada um brincou de dirigir o carrão e tirar onda, não se enganem estou sorrindo por fora e sofrendo por dentro. Foi só pra tirar onda mesmo. Novamente, ainda bem que não fui eu quem precisava dirigir, a mão direita é algo que precisa estar muito atento o tempo todo, principalmente pelas entradas. Já estava escurecendo e ainda faltava uns 60km pra Knysna, então continuamos. Eu estava nas últimas, esgotada mesmo. Se fosse pra sentar no vaso mais uma vez, eu ia ficar por lá. Quando chegamos no hotel, era uma cabana muito legal, com varanda para um lago, vou colocar o link dos chalés no final desse dia, vale a pena. Mas, novamente se programem pra chegar um pouco mais cedo e aproveitar mais. Eu cheguei e fui direto pra cama. O pessoal ainda foi procurar janta, o recepcionista avisou que a luz ia acabar e provavelmente os restaurantes iam fechar. Eles foram e encontraram um posto de gasolina com conveniência, compraram algumas coisas, nem sei o que foi. Mas ainda bem que o posto estava aberto se não eles iam ficar com fome, essas faltas de energia parece que estão afetando a África do Sul toda, pelo menos são programadas. Mas pra turista é complicado. Eu deitei e fiquei com muito frio, tipo tremendo, era só o que faltava mesmo, ficar com febre. Mas se eu tive, foi bem pouquinha porque logo depois já estava com muito calor. Ainda fui no banheiro umas duas vezes durante a noite, mas não saia mais nada, só a vontade mesmo. Não tinha comido nada então deu pra esvaziar tudo. No outro dia, teria um dos passeios mais esperados que era o caiaque no Storm River. Vamos ver se vai dar né. Chalé em Knysna: https://www.milkwood.co.za/undermilkwood/accommodation.html
  7. Nono dia (16/03/19) - Cabo da Boa Esperança Passamos da metade da viagem. Acordamos cedo, tomamos café, já tive um chamado da natureza (como gosto de chamar o número 2). Fomos buscar o carro na locadora, Europcar, que foi a que tinha o preço mais em conta e tinha uma loja bem próxima do Hostel, dava pra ir andando. Nesse primeiro dia, alugamos um Nissan Almera automático. O LC que ia dirigir. Em termos de espaço interno o carro era ótimo, mas ele achou o carro um pouco fraco. A mão direita é esquisita, ainda bem que era ele que tava dirigindo, tem que prestar muita atenção o tempo todo pra não ir pra contra mão e fazer as curvas pro lado certo. Usamos o GPS do celular, a Gabi era a copilota, outra vez, ainda bem que não era eu, sou péssima nessas coisas. A Gabi consegue ler os mapas e saber as direções muito bem e o LC ama carros e dirigir, então deu tudo certo. Aí partimos rumo ao Cabo da Boa Esperança. Só o caminho já merece várias paradas, é lindo demais, você vai subindo a serra e tendo uma vista cada vez mais linda da cidade, a estrada é costeira então tem o mar de fundo o tempo todo, vale muito a pena. Tem um passeio com aquele ônibus vermelho que vai para o Cabo da Boa Esperança, mas se você tiver como alugar um carro pra poder ir parando e aproveitando essas vistas não vai se arrepender. Claro que seria melhor fazer isso num dia ensolarado né, mas em Cape Town ensolarado não é sinônimo de visibilidade, então tem que estar ensolarado e dar um pouco de sorte também. Como a cidade é cercada por montanhas às vezes as nuvens ficam “presas” nessas montanhas e atrapalham as vistas, então às vezes mesmo com sol vai ter uma nuvem bem no meio da paisagem que você tá tentando ver rsrs, paciência, depois de 30 minutos pode ser que esteja tudo limpo de novo. Ficamos tão empolgados com a paisagem e o dia lindo que íamos parando em todo lugar bonito que tinha, óbvio que eram muitos. Quando a gente viu já era umas 13h e ainda faltava metade do caminho para o Cabo da Boa Esperança, na volta ainda queríamos passar na praia dos pinguins. Aceleramos o passo e não paramos mais, mas paramos pra almoçar. Ali eu já comecei a me sentir meio estranha, mas normal ainda, de boa. Mais um chamado da natureza, já mole, mas tudo certo. Comemos e fomos pro Cabo finalmente. Chegando lá, a gente viu que era um parque, a gente não sabia disso. E tudo que começar com Parque Nacional na África do Sul pode saber que você vai ter que pagar pra entrar. Ok, fomos pra portaria e vimos que o preço é a bagatela de ZAR300 por pessoa, R$100?????? A gente ficou de cara, não sabíamos mesmo desse valor, não tínhamos lido em lugar nenhum antes e não estávamos preparados. Mas o fato de ter alugado um carro só pra isso e ter vindo de tão longe só pra isso fez a gente pagar. Já era 3h da tarde e o parque fechava às 5h isso deixou a gente mais indignado ainda rsrs, mas fazer o quê, tá na chuva é pra se molhar. Pior que a entrada do parque é num lugar alto, a visibilidade estava ótima lá de cima, vistas lindas. Mas, chegando no lugar onde fica o marco mesmo, estava péssimo, completamente nublado. Ficamos por ali, disputando lugar com centenas de turistas pra tirar uma foto na placa, mas o bom do parque mesmo é ele inteiro, então quando você for reserve mais tempo, não chegue lá em cima da hora como a gente rsrs. Porque existem vistas maravilhosas de vários locais do parque, que é gigante, existem locais de observação de baleias, deve ser muito legal ver as baleias. Então a dica é, separe bastante tempo para o Cabo da Boa Esperança, chegue lá pela manhã, aproveite e faça valer cada centavo do preço de ingresso no parque. Não é a que a nossa visita não valeu, mas poderia ter sido bem melhor aproveitada. Mas mesmo assim, vimos lugares de tirar o fôlego. Como ainda queríamos ir na praia dos pinguins antes de escurecer, demos no pé. Sorte que nessa época do ano (março) só escurece lá pras 19h. Conseguimos chegar com bastante sol ainda na praia e estava cheia de pinguins. Novamente tem um lugar lá que chama Parque Nacional de alguma coisa, mas pra nossa sorte ou azar já estava fechado. Tinha uma catraca lá no caminho pra entrar numa praia específica, mas ela estava aberta. Entramos, tinha um guardinha mas ele não expulsou a gente, então imaginamos que era ok entrar naquela hora. Ficamos lá, tinha muitos pinguins, eles passam do nosso lado. Foi bem legal, deu pra tirar várias fotos e tentar fazer vídeos engraçådos imitando eles, mas não saiu nada engraçado. Foi escurecendo e começamos nosso caminho de volta. Paramos no waterfront para jantar, pedi um Surf and Turf e o garçom avisou que às 22h a luz ia acabar, a gente até poderia ficar por lá depois das 22h mas a cozinha só ia funcionar até essa hora então era bom fazer o pedido logo. Fizemos o pedido a tempo e a nossa comida chegou, deliciosa e barata pra variar. Parece que Cape Town está passando por uma crise de água muito grande, em alguns lugares tem um cartaz no banheiro pedindo pra só você dar descarga se for o número 2, e se for xixi deixar acumular alguns antes de dar descarga. Mas, especificamente esses apagões que estavam tendo na cidade, um dos uber que a gente pegou disse que foi por causa do Ciclone Idai que devastou Moçambique, porque a represa que abastece a África do Sul parece que fica lá, não procurei na internet a validade dessa informação, então não vou afirmar aqui que é isso mesmo, só uma teoria. Lá no Waterfront tem um estacionamento subterrâneo pago que você pode deixar o carro. Não achamos outro estacionamento pelo GPS então colocamos nesse mesmo, mas é barato, menos de R$3 por 2h. Terminamos de jantar e fomos pro hostel, lá a gente não sabia onde poderia deixar o carro, como que funciona o estacionamento por lá. Aí perguntamos na recepção do hostel e ele falou que a gente poderia deixar lá na porta, só dar uma gorjeta pro segurança do hostel que ele ia vigiar pra gente, que maravilha!!! Mas o estacionamento funciona mais ou menos assim: tem parquímetros e tem tipo uns seguranças com colete laranja por quase todas as ruas da cidade durante o horário comercial, você paga pra eles. Mas durante a noite e nos finais de semana o carro pode ficar estacionado nessas vagas rente ao meio fio sem pagar. Antes de dormir, mais um chamado da natureza, mole também. No outro dia, era Garden Route, dois dias pela Rota dos Jardins, num carrão conversível. A gente ia deixar o Nissan e pegar um Mini Cooper conversível pra viajar com estilo né, dividindo por 4 pessoas fica tudo mais fácil.
  8. Oitavo dia (15/03/19) - Cape Town at last Deixando a Namíbia, acabou o passeio pelo deserto, foi maravilhoso. Compramos a passagem de volta para África de Sul pela South African Airways que também serviu comida num vôo de 2h, chupa de novo Latam. Quando chegamos no aeroporto de Cape Town o LC já estava esperando a gente, ele tinha chegado algumas horas antes já do Brasil e estava virado, mas não compensa ele ir sozinho pro hotel e ficar esperando a gente lá. Então ficou mais virado ainda e esperou a gente chegar no aeroporto mesmo. Tudo certo, nos encontramos. Ele comprou o chip daquela empresa MTN por ZAR 149 e a gente já tinha o nosso da Vodafone. Pedimos um Uber e fomos para o hostel, o 91 Loop que ficava no centro da cidade. Na verdade, a gente tinha escolhido outro, o [email protected] porque era mais próximo do WaterFront, mas com um mês antes ele já não tinha mais quartos com 4 camas disponíveis. Então fica ligado, Cape Town se tornou um destino muito procurado, não só por brasileiros, mas pelo mundo todo e está bastante badalado. Não deixe para reservar seus passeios e hotéis de última hora. Outra coisa foi o dinheiro, a gente ainda tinha muitos rands da troca em Joanesburgo, e resolvemos arriscar e deixar pra trocar com o doleiro na cidade depois. Chegamos no hostel, deixamos as malas e partimos para o waterfront para passar o fim de tarde e jantar. Em Cape Town, andamos bem mais, sem medo. Eståvamos em quatro pessoas também, só isso já dá uma sensação de segurança, fizemos esse trajeto do albergue para waterfront várias vezes durante a viagem e foi super tranquilo. Andamos ali pelo centro também, na área do albergue, mesmo o pessoal falando pra ter cuidado, é uma cidade que inspira mais segurança. Uma cidade linda por sinal, tem montanha, tem mar, tem ótimos restaurantes, muitas opções e tudo barato. Principalmente a comida, é muito barata. Comemos muito bem todos os dias e um prato completo em um restaurante de respeito ficava por R$ 30. Foi nessa que escolhemos nosso primeiro restaurante, aí que as coisas começaram a desandar. Em Brasília, tem uma área num grande hospital da cidade que chama Sala do Viajante e eles explicam os cuidados que você que tem tomar de acordo com o país. O FH foi lá e o médico falou pra ele: vocês vão pra África? Então passem muito protetor solar, passem muito repelente com Icaridina acima de 25, 30%, não bebam água da torneira e não comam nada cru. Voltando a Cape Town, eu esqueci todas essas recomendações e só via o restaurante chique num clima super agradável do waterfront e pedi um Tartar com caviar, pensei: é hoje que eu vou comer caviar pela primeira vez na vida. Hum que delícia, tinha até um ovo “levemente” cozido segundo tava escrito no cardápio, eu não ia comer o ovo, mas não sei o que me deu, e resolvi comer. Tava tudo ótimo, foi super barato, a minha parte da conta deve ter dado uns 40 reais com Savannas e tudo mais. Tudo ótimo, fomos pro hostel e no dia seguinte já era dia de alugar um carro e ir até o Cabo da Boa Esperança e Boulders Beach, a praia dos golfinhos.
  9. Sétimo dia (14/03/19) – Fim do deserto Chegou o último dia do passeio. Acordamos, tomamos café, preparado pelo Steve, muito bom como sempre e fomos desmontar a barraca. O Gabriel e o Steve desmontavam em 2 minutos, a gente levava uns 10 rsrs, mas desmontamos também. Guardamos tudo no caminhão, barracas, sacos de dormir, malas e fomos embora. Nesse dia o roteiro é só ir embora mesmo rsrs. A Wild Dogs garante café da manhã e almoço e os serviços acabam quando eles deixam a gente no hotel. Paramos pra almoçar na mesma árvore da ida, já dava pra imaginar que seria algo rápido então foi tipo sanduíche mesmo, nada muito elaborado, mas muito gostoso, sempre no capricho. Na volta paramos num lugar que eles chamam de “melhor torta de maça do mundo”, se fosse a nossa primeira viagem até dava pra cair nesse clichê de pega turista bobo, mas a gente experimentou a torta já que estávamos lá e tínhamos que esperar todo mundo de qualquer jeito. Normal, nada demais. Todo lugar que eles falarem que tem o melhor de tal coisa é motivo pra turista ir rsrs. Aí entramos no caminhão novamente, quando a gente tinha rodado uns 10 minutos o outro japonês que só andava com o Tailandes escandaloso bateu no vidro e disse que tinha esquecido a doleira com passaporte e dinheiro no banheiro do posto de gasolina (onde tem a melhor torta de maçã do mundo). Aí voltamos, ele pediu desculpa pra gente, até os escandalosos são educadinhos. Chegando lá o pessoal já tinha achado e ele conseguiu recuperar rapidamente, que sorte! Mas aí até o final da viagem, toda vez que alguém olhava pra ele tirava onda, porque essa duplinha era bem escandalosa, acho que eles são blogueiros, porque ficavam fazendo vários vídeos, encenando coisas e tentando ser engraçados o tempo todo, mas pra gente do grupo só estavam sendo irritantes mesmo. Aí ele ia fazer alguma gracinha e alguém falava: olha o passaporte, não esquece! Ele levou na brincadeira mas ficava um pouco sem graça. Até que o americano se irritou com eles e falou: Gente! Gente! Vocês são barulhentos demais, parem com isso, tá chato já. Ele falou no último dia de viagem, quando a gente já estava indo embora, então acho que ele segurou por bastante tempo, mas no final ele não aguentou e deu essa bronca neles na frente de todo mundo. Aí o japonês puxou um livro pra ler e o colega dele fingiu que tava dormindo. Aí fomos chegando, cada um foi deixado no seu hotel, e finalmente chegamos no nosso também, nos despedimos de quem ainda estava no caminhão e fim do passeio. Foi realmente muito bom, super aprovado e recomendado! Faço questão de recomendar essa empresa, porque no final da viagem, quando estávamos no Zimbábue a gente encontrou com um paulista que também tinha feito o passeio pelo deserto e odiado, falou que a empresa era horrível e a comida muito ruim. A gente achou que ele podia estar exagerando, mas ele disse que não foi só ele que reclamou, que todo mundo já estava tipo no limite com os serviços e a comida do cara. Então meio que estragou o passeio pra ele. Por isso, eu reforço que a nossa experiência foi muito boa, foi cara, mas compensou. Ficamos no mesmo hotel da ida, inclusive no mesmo quarto. Terminamos o dia tomando umas savanas, na verdade eu tomava Savanna, o FH tomava cerveja porque ele disse que Savana era muito doce, e a Gabi beliscava uma Savanna mas ficava mais no suco e no refri. No outro dia, pegaríamos o avião pra Cape Town, outro ponto alto da viagem. Todos eram, estava difícil de escolher. Lá em Cape Town, a gente ia encontrar com o LC, no aeroporto mesmo, que estava vindo do Brasil e ficar esses dias de Cape Town com a gente. Observações: até aqui, a viagem estava perfeita! Tudo muito bom, tudo muito lindo. Até os perrengues do hotel já tinham virado piada. Mas, aguardem... Sobre o clima do deserto: é seco! Muito seco! Se você mora em Brasília vai se identificar, mas se você mora em lugares úmido vai sofrer com certeza, até a gente sofreu. Logo no primeiro dia a gente não estava nem no deserto ainda, lá na capital Windhoek eu fui assoar no banheiro e já veio sangue junto. As cutículas das unhas tudo abrindo, a pele parecendo de jacaré, aquele peteco só. Mas em relação a calor, nessa época do ano que a gente foi, estava bem suportável. Faz um calor de dia e a noite faz frio, mas também não faz tanto frio, nada que o saco de dormir não conseguisse deixar a gente bem confortável. Então em relação ao clima, é um pouco difícil, mas você vai se acostumando. Engraçado em relação ao suor, você não sua né. Aliás você sua, mas eu acho que evapora tudo antes de molhar a camisa. Foi bem engraçado, a gente andava, subia as dunas, transpirava, sentia que estava transpirando, mas não ficava molhado, a roupa não fedia, não ficava suada. Foi ótimo na verdade rsrsrs. Só ficava suja de areia mesmo, areia pra todo canto, até no última dia da viagem a gente ainda achava areia na mala. Então é essa sensação, de suar e não ficar molhado. A gente fazia xixi no mato, em 1 minuto já tinha desaparecido qualquer rastro de líquido que tinha caído ali. Em relação a temperatura, como eu falei, nessa época do ano - março, foi tranquilo, quente, mas suportável. O guia falou de algumas épocas que tem muita tempestade de areia e atrapalha a visibilidade e do inverno que fica bem frio a noite. Com chuva acho que você não precisa se preocupar rsrs.
  10. Sexto dia (13/03/19) – Duna 45 e Big Daddy Na noite anterior, enquanto estávamos jantando o guia Gabriel já ia explicando pra gente o que faríamos no dia seguinte, ele já começou assim: eu sei que vocês estão de férias, a gente não quer punir ninguém mas amanhã teremos que acordar as 5h da manhã. Acho que todo mundo reagiu bem, ninguém quis matar ele não. Aí ele começou a explicar: amanhã é um dia cheio, temos muitas atividades e pra ver o nascer do sol numa das dunas mais bonitas, a Duna 45 a gente precisa estar lá no máximo as 5h45, então quando der 5h todo mundo pode estar pronto pra sair já. É uma subida íngreme, demora entre 15 e 30 minutos mas eu acho que vocês conseguem (ele nem sabia que a gente não tinha chegado no topo da duna teste) mas enfim né, já fui dormir com medo. Aí depois ele continuou: depois do nascer do sol vocês descem que o Steve já vai estar com o café da manhã pronto esperando por vocês no pé da Duna. Depois do café a gente vai pro Dedvlei, que é um vale cercado por dunas. Vocês vão poder ter a chance de escalar a duna mais alta do mundo, gente é uma duna de areia tá, não é o Evereste, em termos de Duna de areia eles falam que essa é a mais alta do mundo, chama Big Daddy, tem aproximadamente 340m de altura e deve demorar entre 1h a 1h30 pra subir. Mas aí ele já explicou logo, existem outros caminhos pra chegar até o vale e ninguém é obrigado a subir essa duna. Aí eu fiquei mais tranquila. Depois, a gente volta pro camping lá pelas 13h ou 14h da tarde e ficamos descansando até as 18h, quando saímos para um pequeno Canyon que tem próximo ao camping, onde também tem um pôr-do-sol muito bonito, e o Canyon em si é uma atração a mais, apesar de ser bem pequeno realmente. Então com todo o roteiro do dia seguinte explicado, fui dormir já pensando em como eu não ia conseguir subir a tal da duna pra ver o nascer do sol. Mas vamos lá né, tentar pelo menos. Quando a gente chegou lá, ainda estava escuro. Um clima super agradável, fresquinho. Aí eu comecei a subir, no passinho do elefantinho. Fui subindo devagar, nisso a Gabi e o FH já tinham sumido da minha vista, mas fui na minha. Essa duna só é difícil no começo, que você afunda muito e tem que fazer muito esforço em cada passada, mas depois, quando vai ficando mais alto, a areia vai ficando mais firme e fica parecendo uma escadinha, é cansativo, mas bem menos. Aí eu fui subindo devagar, até que cheguei lá em cima. O FH e a Gabi já estavam preparados lá tirando altas fotos esperando o sol nascer. Me juntei a eles e comecei a gravar um time lapse no meu celular enquanto a gente tirava fotos com a câmera do FH e o celular da Gabi. O time lapse dessa vez ficou muuuito legal, parecendo de globo esporte, canal off, Discovery Chanel etc., já estava me sentindo profissional. Fora isso, tem o principal né, que é o visual e as cores que estar nessa duna no momento do nascer do sol proporciona, é simplesmente lindo, de um vermelho vívido e umas cores muito brilhantes, muito perfeito, lembrei na hora das fotos da internet que eu tinha visto e senti que aquele momento não estava perdendo em nada para as fotos profissionais do google. É sério, vale muito a pena, é lindo demais, você fica doido querendo capturar tudo como se o momento fosse embora, aí você não sabe se olha ou se tira foto. Faz um pouco dos dois rsrsrs. Aqui, outro ponto positivo pra empresa, que leva a gente nessa duna antes do nascer do sol, quando já estávamos descendo vimos vários caminhões de outras empresas chegando, com o sol lá em cima já, é muito bonito também, mas o momento do nascer do sol é bem único, tanto em termos de experiência quanto em termos de cores. Depois do nascer do sol, ficamos lá em cima por muito mais tempo ainda, aproveitando, olhando, tirando milhões de fotos e filmando. Pra variar e não negar a fama dos brasileiros, quando descemos só estava faltando a gente mesmo, todo mundo já estava acabando o café da manhã e corremos pra tomar o nosso. Entra tanta areia dentro do sapato na hora da descida que quando você vai tirar parece que está descarregando um caminhão. Aí beleza, todo mundo terminou o café, os rapazes: Gabriel e Steve desmontaram os equipamentos com toda destreza e habilidade que acho que menos de 10 minutos já estava tudo pronto pra gente partir. Eaí fomos o Dedvlei, que é o Vale Morto. É um local cercado por dunas e árvores mortas que lembra cenários de filme, tipo Mad Max. Como o guia tinha explicado, é aqui que o filho chora e a mãe não vê. Então quem quisesse subir o vale até o ponto mais alto poderia ir, quem quisesse subir só um pouco e depois descer poderia ir, quem quisesse ir sem subir nada só chegar no vale por baixo também poderia ir. Aí a Gabi e eu escolhemos subir um pouco e depois descer até o vale enquanto o FH ia até lá em cima. A gente foi, ficamos lá em cima, tiramos muitas fotos, descemos, tiramos fotos lá embaixo do vale e nada do povo que tinha ido até o topo chegar. A gente saiu do vale e foi esperar eles embaixo de uma árvore, nossa mas como demorou pra esse povo aparecer. Quando finalmente todo mundo chegou a gente foi embora. Chegando no acampamento, almoçamos e depois fomos pro bar tomar umas savanas dry. Tinha um japonesinho bem tímido, igual todo japonês mesmo que estava escrevendo no caderninho dele lá sozinho, sentado na cadeira. Aí eu olhei pra ele e fiquei com dó e perguntei se ele não queria ir pro bar com a gente. Ele me olhou super estranho, e apontou pra ele mesmo como quem diz: Eu???? Aí eu falei: sim! Vc! Aí ele falou: Ok! Eu perguntei: você bebe? Ele: Não! Eu: ok, não tem problema você toma suco ou água. Ele: ok! Aí a gente foi, eu comprei um suco pra ele, ele ficou todo agradecido, japonês tem um jeito tão legal, eles são todos meigos e gente boa. Aí a gente ficou conversando um pouco mas ele viu que tinha umas meninas japonesas no bar também, do mesmo jeito, meiguinhas todas tímidas, aí eles começaram a conversar em japonês, imagino que sobre a viagem e a experiência de estar no deserto e porque a conversa estava bem empolgada. Aí logo a gente ficou deslocado da conversa, mas fiquei feliz por eles. Acho que ele gostou também, se não ia ter que ficar embaixo da árvore a tarde toda esperando a hora de ir pro Canyon. Nessa tinha um menino de Taiwan lá no bar também, do nosso grupo, usando a internet, aí eu chamei pra ele conversar e a gente ficou conversando, depois chegou um de Nova York que enturmou também, logo o bar já estava tomado rsrsrs. O FH e a Gabi queriam ir pra piscina, aí eu falei que encontrava eles lá, aí eu fui pra barraca, mas a savana bateu forte e eu capotei lá na barraca com a cara no sol e deixei a barraca aberta. Quando eu acordei a barraca tava cheia de areia e meu rosto ardendo, mas por sorte não chegou a queimar não rsrs, já tinha passado bastante protetor o dia inteiro acho que ainda tinha um resquício que me protegeu. Aí a gente foi pro Canyon, é bem legal, um Canyon pequeno que as vezes, muito raramente pode encher de água eaí pode dar peixe que a população local usa pra se alimentar também, peixe fresco no meio do deserto. Foi um dia bem cheio e bem legal. No dia seguinte já era dia de despedida, desmontar acampamento e pegar a estrada. Observações: Os passeios exigem um pouco de condicionamento físico, mas não é nada impossível, uma pessoa sedentária deve conseguir subir também, mas precisa ir no seu tempo, pegando o ritmo e não tentar acompanhar ninguém, porque cansa muito mesmo, se você gastar toda sua energia tentando acompanhar o ritmo das outras pessoas vai ficar sem forças pra ir até o final. Sobre o nosso grupo, já tinha dado uma mini introdução antes. Mas tem algumas pessoas bem bacanas. Tipo o senhorzinho da Coreia do Sul, ele era... digamos assim... curioso. Tomava whisky toda hora e tava sempre fumando um cigarro. Pra subir as dunas por exemplo, parece que o cigarro era o turbo dele. Ele parava, sentava no meio da subida e puxava um fuminho, logo parece que a energia dele voltava e ele subia como um jovem de 20 anos. Na barraca, a noite ele ficava cantando umas músicas tristes, era uma coisa bem caricata mesmo, lá meio do deserto o cara solitário cantando umas músicas tristes. Acho que ninguém tava incomodado não, era até bem bonito as cantorias deles. Logo parava também. Ele falava muito pouco de inglês, então não conseguimos descobrir muita coisa sobre ele, mas foi uma figura bem marcante. Fiquei curiosa, porque ele estava viajando sozinho pra um lugar tão longe, tão diferente da realidade dele, cadê a família dele? Enfim... outras pessoas legais eram os meninos de Taiwan e do Japão, eu não sei como escreve o nome deles só lembro da pronúncia então nem vou tentar escrever aqui. Eles eram muito gente boa, simpáticos, na deles. Eram super jovens, um tinha acabado de ser formar em engenharia elétrica e estava viajando antes de encontrar emprego em Taiwan, porque lá os empregos são muito diferentes do Brasil, e você não tem férias, muito menos remuneradas, se quiser sair, sai, mas é por sua conta e risco e vai levar falta. E o outro estava nas férias da faculdade de Economia ou Comércio como ele falou. No Japão também, segundo ele, é uma das poucas oportunidades que os jovens lá têm de viajar é quando estão na faculdade, porque quando começam a trabalhar, já era. Essa é uma das coisas mais legais de viajar, é conhecer essas outras realidades na pele, não só contadas pela TV. Fizeram uma piada com o senhorzinho, porque quando perguntaram da onde ele era, ele só respondia Coreia. Aí alguém falou: do Norte??? Ele riu balançando a cabeça, dizendo não, não, não, South!!! Pelo menos tem senso de humor. Os americanos tinham uma atitude um tanto quanto arrogante, mas não vou generalizar, topamos com outros bem mais simpáticos pelo caminho. Acho que o problema era com os dois mesmo, eram irmãos, e se achavam bastante. Ela falava que era vegeteriana, aí o cozinheiro fez tipo uma pasta de berinjela pra ela no dia macarrão, aí ela foi de mão cheia no bolonhesa, eu querendo ajudar, achando que ela não tinha visto que era bolonhesa, falei: ali tem vegetariano, esse aqui tem carne; aí ela falou: tá ok, carne picada eu como. WTF??? Carne picada eu como? Como assim??? Eu não entendi foi nada. Ser vegetariana desse jeito eu consigo também. Pra quê fez o guia ficar se preocupando com comida pra ela a viagem inteira se ela é mais carnívora que o resto do grupo todo. Tudo bem que tinha outra menina da Finlândia que era vegetariana também, mas ao invés de fazer comida só pra uma ele ficava fazendo um monte, e a menina comia a comida normal. Fora que o americano pegou o saco de dormir do FH porque achou que estava sobrando, pra servir de travesseiro. Como ele achou que estava sobrando se todo mundo pagou o seu lá na hora do encontro na empresa antes de sair??? Quase que o senhor da Coreia fica sem saco de dormir, porque como ele não tava conseguindo explicar se tinha pedido ou não o saco de dormir, o guia já ia tomar o dele, quando o americano viu a confusão e falou que tinha pegado um a mais pra ser travesseiro. As meninas da Finlândia eram na dela, ficavam de boa o tempo todo, só não podia mexer com elas, nem fazer nada errado, que elas brigavam mesmo. Mas foi tranquilo. O grupo em si era legal, a gente não interagiu tanto, mas se tivéssemos tido mais tempo talvez teria sido melhor.
  11. Quinto dia (12/03/19) - Desert Grande dia, um dos né. Já na noite anterior combinamos o café da manhã e deixamos pago. Aliás isso é muito comum nos hotéis, eles não oferecem café da manhã geral, você pode pedir e pagar separado por esse serviço. Então pedimos ovos mexidos, bacon, aquele café da manhã esquisito que muitos países de colonização europeia adoram. Daí fomos esperar a empresa nos buscar. Não sabíamos que seria a Wild Dogs que faria o passeio e estávamos esperando um carro da Detour, mas depois, quando o carro chegou que fomos entender que a Detour é somente um intermediário, então quando vocês reservarem um passeio com a Detour ou qualquer outra empresa pela internet o que eles fazem, eu acho, é procurar uma empresa que tenha saída garantida no dia que a gente quer e reservar com eles. Aí chegou o carro, tipo um jipe, achamos que já íamos nele, tinha duas garotas da Finlândia já dentro do carro, elas puxaram conversa. Já estavam vindo de um tour pelo Etosha e iam continuar agora para o deserto. Ou seja, eles vão encaixando os tours e as datas, pois pra elas, tanto o Etosha quanto o deserto faziam parte do mesmo passeio que elas reservaram. A gente, pelo visto, já entrou no meio do caminho. É interessante pra poder garantir as saídas dos passeios sem depender de grupo fechado. Aí chegamos na sede da empresa e eles explicaram que tinha 14 pessoas para esse tour e íamos trocar de carro, para um caminhão mesmo. Ah, uma coisa importante, você não pode levar sua mala gigante para o passeio. É permitido somente uma mala de 10kg. Então você separa o que vai precisar para os dias de passeio e deixa o resto da bagagem no hotel, ou em algum lugar que você vai ter que planejar previamente pra poder buscar depois. Como reservamos o mesmo hotel na ida e na volta perguntamos se poderíamos deixar as malas lá e eles deixaram numa boa, parece já ser uma coisa muito comum. Lá na sede da empresa a gente assina um termo, que assinamos várias vezes durante essa viagem em diferentes passeios. Basicamente dizia que se der alguma merda a responsabilidade é nossa, a empresa não tem nada a ver com isso. Se vira! Eles também sugeriram um saco de dormir, óbvio que se a gente não tivesse o nosso eles tinham lá pra alugar. Nós alugamos com eles, 30 rands por dia. O bom é que o deles já é um saco preparado pro clima mesmo, foi muito bom na verdade ter alugado porque fez um frio maior do que o que a gente estava imaginando a noite e o saco de dormir foi essencial. Aí depois que todo mundo chegou o grupo estava formado: Duas garotas da Finlândia, um casal de irmãos americanos, nós três brazucas, dois japoneses que não se conheciam, um tailandês escandaloso, um taiwanês gente boa, um senhor sul coreano que se sustentava a base de cigarro e whisky, o motorista Gabriel e o cozinheiro Steve. Eles explicaram qual seria a programação do dia: rumo ao camping onde ficaríamos pelas próximas duas noites, distante cerca de 400km de Windhoek. No caminho algumas paradas pra comprar suprimentos e outras paradas pra abastecer e usar o banheiro. Bastante chão e muito sol na estrada num calor de lascar. O americano perguntou se tinha ar condicionado no carro, o guia respondeu que sim, o famoso ar condicionado africano chamado janela. Com a janela aberta não dava pra fechar a cortina e sol era de lascar. Mas já estreei minha blusa UV que aliás foi muito útil a viagem inteira e passava protetor solar toda hora, não sofri muito não. O problema era os japa do outro lado que queriam ficar com a janela aberta e a cortina fechada. O vento não passava e ainda fazia um barulho insuportável da cortina batendo na janela a viagem inteira. Ou vai ou racha né meu filho. Dava pra sentir a tensão de todo mundo com o barulho mas ninguém tinha coragem de falar com os meninos e já estragar a viagem no primeiro dia rsrs. Paramos literalmente no meio do caminho, no meio de uma estrada de cascalho bem poeirenta pra almoçar. Eles descem cadeiras, mesa e a comida e o cozinheiro prepara tudo em 30 minutos, muita habilidade dos caras. A comida era simplesmente maravilhosa, muito simples, mas era gostosa demais. Nesse primeiro almoço foi cachorro-quente com salada. Mas pensa num trem bão! Aí quando finalmente chegamos no acampamento, o guia nos ensinou a montar a barraca, ele disse que se a gente fizesse certinho não gastava nem 5 minutos, mas se fizéssemos alguma coisa errada aí ia demorar. Aí com bastante receio fomos montando, mas deu tudo certo, barracas montadas, sacos de dormir, tudo organizado, acampamento montado! Aí o guia falou que a gente tinha que subir uma duna pra ver o pôr-do-sol e ia ser o nosso primeiro teste porque no outro dia teria algumas dunas pesadas. Aí beleza sem saber muito bem o que esperar a gente foi. Subimos uma duna gigante, mas eu consegui chegar até no topo, aliás todo mundo conseguiu, mas eu tava me achando. Tipo, vai ser mole. Só que a primeira duna gigante não era nem o começo do caminho. Aí eu já fiquei logo pra trás e o FH e a Gabi foram indo. Mas a gente subia, subia, subia, e sempre que a gente chegava no topo de uma, tinha outra na frente. Aí logo eu encontrei com eles e ficamos nos perguntando onde seria o fim desse martírio. Subir a duna é muito chato porque você dá um passo pra frente e escorrega um pouco pra trás de volta, então cada passo pra frente equivale a um terço de um passo normal, fora que o pé afunda e você tem afundar e desafundar a cada passo. Mas todo mundo consegue, relaxa, é cansativo mas não é impossível. A questão é que a gente já tava bem cansado e o sol quase se pondo e nada de chegar no cume. Daí o FH tava com mais fôlego foi andando na frente, e logo ele sumiu das nossas vistas. O americano veio voltando e a gente perguntou pra ele: onde que é o fim? Aí ele disse: não tem fim não é só uma duna depois da outra. Aí a gente olhou uma pra cara da outra e decidimos procurar algum lugar mais alto que desse pra ver o pôr-do-sol e ficar por ali mesmo. Achamos inclusive um lugar perfeito. Pena que outras pessoas acharam esse lugar também, mas vimos o pôr-do-sol, maravilhoso, umas cores inacreditáveis, fiz um time-lapse mas não ficou muito bom, mas serviu pra aprender como que faz um bom rsrs. Na hora de voltar que o bicho pegou, quem disse que a gente sabia voltar. A gente andava, andava e não sentia que estava indo pra baixo, só pro lado. Mas, por sorte, aquele grupo que dividiu a duna com a gente também estava voltando e tinha um guia com eles, aí esse guia reparou que a gente tava perdido e nos ensinou o caminho, ufa! O nosso carro já estava esperando a gente lá embaixo. Até demos uma carona pra eles depois, o grupo doido tinha ido a pé até a duna, 4km de distância e depois ainda iam voltar andando, mas as meninas do grupo disseram que não conseguiam voltar andando e pediram uma carona. Aí depois a Gabi e eu descobrimos que tinha fim sim, o FH e todo o resto do grupo chegou lá, menos a gente kkkkk. Deve que faltava pouco, porque a gente já tinha subido tanto rsrs. Aí a gente brigou com o FH porque ele tinha largado a gente perdida lá só pra gente não ficar por baixo né, coitado. Voltamos pro acampamento a janta já estava pronta. Sinceramente sem falsa modéstia ou hipocrisia, não sei o que o cara colocou naquele molho, mas o melhor macarrão eu eu já comi na vida, tava muito delicioso. Que cozinheiro é esse, tá doido! E ele ainda faz comida vegetariana, se tiver vegetariano no grupo. No nosso tinha uma menina da finlândia, e a americana que se dizia vegetariana mas comia carne toda hora. Encerramos o quinto dia, eu particularmente estava muito muito feliz, com todo o clima de acampamento no meio do deserto. Observações A empresa que nos levou para o passeio é a Wild Dogs. O passeio foi bem caro, são 3 dias no deserto (link para o passeio) por ZAR 5720, que deu aproximadamente R$ 1.700 no cartão com o IOF. Duas questões sobre esse valor, todos os passeios em empresas grandes que eu pesquisei, que tinha descrição, valor e datas de saída na internet, eram caros. 3 dias era o passeio mais curto que eu encontrei, e escolhi esse justamente mais pela duração do que pelos locais que passaria. Outra empresa famosa também é a Nômade, li alguns relatos elogiando bastante e imagino que seja bem parecido com a que nós fomos, porque em relação à empresa também só tenho elogios. Existe outra possibilidade que é alugar um carro, mas não fizemos por alguns motivos, entre eles, o país. A Namíbia é um país pequeno de estradas longas e muuuitos lugares ermos, ou seja, se acontecer alguma coisa, você pode estar a quilômetros de distância do posto mais próximo e sem sinal nenhum na estrada. Não conhecíamos o lugar e para andar no deserto você precisa de um carro 4x4, não 4x2, nem um carro muito forte nem muito bom que alguém te disser que aguenta, tem que ser um 4x4. O carro da Wild Dogs que levou a gente era um 4x2 e na vez que a gente precisou andar na areia mesmo fomos em outro carro que deixava a gente no local determinado e depois buscava e nos deixava novamente no carro da Wild Dogs. Então não foi muito difícil pra gente escolher pelo passeio com a empresa ao invés de ir por conta própria. Já deu pra perceber que somos muito cautelosos. Não vou ser hipócrita de dizer que valeu cada centavo, porque R$ 1.700 é muito dinheiro. Mas fiquei bem satisfeita, gostei de tudo, dos equipamentos da empresa, das barracas, do camping, da comida, dos locais que eles nos levaram. A gente estava esperando algo muito mais rústico e chegou no acampamento tinha até água quente se você chegasse pra tomar banho cedo rsrs, porque era aquecimento solar, então a água quente acaba. Mas não se preocupe tomar banho gelado no deserto não é nenhum sacrifício. Tinha um bar no camping que vendia internet inclusive, mas preferimos aproveitar o momento e ficar sem internet nesses dias, foi ótimo, mas pra quem quiser internet no meio do deserto, tem também. Então de maneira geral eu super recomendo a Wild Dogs, foi caro, mas questão de preço eu acho que é isso mesmo. Os preços que você encontrar na internet vão ser bem parecidos. E o melhor é que eles sabem o que estão fazendo e tem equipamentos de qualidade, as barracas são ótimas, os sacos de dormir a gente paga a parte, mas também são ótimos, aquecem bem a noite. Tem a comida também, que é muito boa, vegetais frescos. Não é nada de luxo, mas é bom o bastante pra você ficar bem confortável e aproveitar a experiência de estar no meio deserto e conseguir ver todas as estrelas do céu a noite.
  12. Quarto dia (11/03/19) - Savanna Dry Quando você quer fazer tudo numa viagem de 17 dias pode saber que boa parte do tempo vai ser em deslocamento. Hoje seria o primeiro da maratona de vôos e deslocamentos. Por outro lado, conhecer o deserto é mais um dos pontos altos da viagem. Estava sonhando e me imaginando naquela paisagem das fotos que eu tinha visto. Então lá fomos nós, nos despedimos do nosso quarto super chique e fomos para o aeroporto de Joanesburgo rumo a Windhoek, capital da Namíbia. Fomos de British Airways, eles serviram lanche num vôo de 2h, chupa Latam. Quando chegamos no aeroporto de Windhoek, já deu pra ter uma noção de como era o país. O aeroporto é minúsculo, nem tem portão de embarque praticamente, o avião para, a gente desce e vai andando pelo asfalto até lá dentro. Os aviões também são bem pequenos. Brasileiros não precisam de visto. Fomos os últimos da fila porque estávamos lá atrás no avião. A gente contratou um transfer pelo hotel, foi 200 rands por pessoa. Na Namíbia eles usam o dólar namibiano, mas o Rand sulafricano é amplamente aceito numa cotação de 1 pra 1. Então dá pra pagar com Rand em todo lugar sem se preocupar em trocar dinheiro. No caminho do aeroporto para o hotel já sentimos como o local é seco. Só poeira e asfalto por muitos km. Tinha muitos babuínos na beira da estrada, no começo a gente achou super novidade, já que eram muitos, no fim da viagem já estávamos achando normal. Chegando no hotel, nos acomodamos e perguntamos pra recepcionista onde seria o supermercado mais próximo. Queríamos comprar uns suprimentos para o deserto, tipo água, barrinhas etc. Novamente, a situação de Joanesburgo se repete, a moça da recepção passou um terrorismo gigantesco falando que era perigoso apesar de ser muito mais seguro que a África do Sul ela não recomendava a gente andar pela cidade. Então, pagamos um transfer para o mercado. Na Namíbia não tem uber. O meio de transporte que os turistas mais usam são esses carros particulares que o próprio hotel chama. Só que na volta do mercado a gente não tinha como ligar pro cara e o nosso chip da vodafone não estava funcionando nem pra internet, simplesmente estava sem serviço. Só que o mercado era tipo 1km do hotel. A gente resolveu arriscar e ir andando mesmo, pelo menos conhecia esse 1km entre o mercado e o hotel a pé. Na saída do mercado apareceu um mar de gente, mas era muita gente mesmo, tipo umas 50 pessoas oferecendo lotação pirata pra levar a gente. A gente abaixou a cabeça e saiu andando com pressa mas os caras seguiam a gente. Depois de alguns metros acho que eles perceberam que a gente não ia com eles e aos poucos foram dispersando. A caminhada até o hotel foi super tranquila, menos para o FH que estava carregando uns 10L de água na sacola rsrs. Foi bom a gente ter comprado a água antes porque compramos num preço bom, mas assim que você sai para o passeio, o pessoal da empresa para num outro mercado no meio do caminho e você tem a chance de comprar também. Mas como não sabíamos disso, já compramos logo antes. Voltamos pro hotel e ficamos curtindo de boa. O nosso hotel, que chama Rivendell é tipo uma guest house, então é uma casa mesmo com vários quartos, cozinha compartilhada e o nosso banheiro era compartilhado também, mas tem quarto com banheiro privativo. Ele é um pouco longe do centro. Eles deixam na geladeira umas bebidas e comidas que você pode pegar e anotar e no check out você acerta, tipo frigobar mesmo. Foi nessa geladeira que nós (eu principalmente) descobrimos a Savana Dry. Ô bebida gostosa, no começo a gente achou que era tipo uma cerveja doce mas depois descobrimos que é uma cidra, é muito boa mesmo. E eu que não sou fã de cerveja descobri essa bebida maravilhosa que ia me acompanhar a viagem inteira. Pelo visto ela é muito famosa na África, e tinha em TODOS os lugares de TODOS os países que a gente foi, até na vinícola eu pedi Savanna Dry. Que achado!!!! A gente bebeu todas as Savannas que tinha na geladeira, quando tava faltando só duas pra acabar um outro gringo começou a beber também, mas ele pegou só uma aí eu fui lá e catei a última, quando ele voltou pra pegar mais só ouvi: ow man, no more Savanna, shit! Encerramos esse quarto dia com muita expectativa para o próximo dia, quando finalmente iríamos para o deserto. Observações: A Namíbia parece ser um lugar muito mais seguro do que a África do Sul, segundo os próprios moradores né. É um país bem pequeno e a principal cidade que é a capital é minúscula. O mercado estava super lotado, parece que tem poucos por lá. Windhoek é bem arrumadinha, com ruas amplas, calçadas e casas com cerca elétrica. Isso é uma coisa que a gente já estava percebendo e continuou por toda a viagem, todos os hoteis, guesthouses, hostels que passamos tinha cerca elétrica e segurança. Parecia um exagero, mas absolutamente todos tinham, até no Zimbábue que consegue ser menor que a Namíbia. Enfim, não deu pra saber se é realmente perigoso ou se eles estão sendo super protetores com os turistas pra garantir a nossa segurança e satisfação.
  13. Terceiro dia (10/03/19) - Chupa Glenalmond Mais um dia muito esperado da viagem, nesse dia tínhamos combinado de pegar o ônibus vermelho e ir ao Museu do Apartheid e no Soweto também. Compramos até um ingresso pela internet que dava direito ao passeio pelo Soweto com a City Sightseeing que é a empresa do ônibus vermelho que passa pelos principais pontos turísticos da cidade. Compramos o ingresso na noite anterior, assim que chegamos do safari e estávamos super ansiosos. Mais uma vez, íamos saindo pela portaria rumo ao nosso passeio quando a moça da recepção perguntou mais uma vez: checking out?! Aí eu disse: No, tomorrow! Aí começou um diálogo que eu vou tentar reproduzir aqui: Moça: You didn’t see this? Vocês não viram isso? (mostrando um papel) Eu: No! (pequei o papel e começei a ler). Quando eu li, fiquei procurando por câmeras porque só poderia ser uma pegadinha. O papel falava que o hotel estava fechando as portas e que todos os hóspedes tinham que sair até o meio-dia daquele dia. A gente ficou completamente sem reação, o inglês da moça era sofrível, ela respondia basicamente sim e não. A gente tava do lado de fora da recepção, no pátio. Aí eu perguntei se a gente poderia ligar lá de dentro, e ela entendeu que eu só queria ir lá pra dentro pra ficar na sombra, mas eu precisava na verdade usar o telefone dela porque o meu não tinha plano de ligação. Obviamente eu queria ligar para o dono do hotel. Outro exemplo de como a comunicação não tava fluindo rsrs, foi quando eu perguntei pra ela: você sabe se existem outros hoteis por aqui perto? Ela respondeu: sim, você pode olhar no google! Seria engraçado se não fosse trágico, mas hoje a gente ri muito dessa história. Depois que a gente foi entender que ela não era nem funcionária do hotel, ela também não tava sabendo de nada. Ela foi contratada pra fazer a segurança e avisar os hóspedes que eles precisavam vazar, todos os funcionários já tinham ido embora. A gente ainda deu sorte, porque ficamos no prejuízo (que depois foi ressarcido) de uma diária somente, mas tinha um cara lá com a mesma cara de confuso que a gente que já tinha reservado o hotel por um mês. E quem disse que esse cara conseguia falar com o dono do hotel, claro que não né. Essa história foi tão sem pé nem cabeça que eu fiz uns videozinhos para mandar pra minha família, vou postar aqui porque acho que é mais engraçado do que contar. Os vídeos são curtos e já tá tudo explicadinho. IXAO8518.MOV O despejo (mesmo vídeo, no youtube, caso não dê certo por aqui) Então, quando a gente conseguiu resolver a situação e se instalar em outro hotel, ainda meio na dúvida se o outro hotel ia dar certo ou não já não tínhamos mais tempo de fazer tudo que a gente queria e tivemos que sacrificar o Museu do Apartheid, eu fiquei muuuito chateada porque era uma das coisas que mais queria ver desde todo o planejamento da viagem. Sabe aquelas coisas imperdíveis, quando alguém te pergunta o que você precisa ver na África, o Museu do Apartheid está sempre nas respostas. Mas… como a vida é assim mesmo, não se pode ganhar todas né, e nós já tínhamos pagado pelo ingresso do Soweto fomos fazer esse passeio. Foi muito legal também, conhecer uma realidade ainda mais pobre, do subúrbio, onde moraram várias personalidades importantes do Apartheid tipo o Mandela e Desmond Tutu, vale a pena dar uma lida sobre o Soweto antes de ir conhecer. Tem muita história lá, muitos significados, representa grande parte da luta contra o Apartheid. Depois do passeio voltamos para o hotel, e com a ótima notícia de que poderíamos ficar na suíte executiva pelo preço do quarto normal aproveitamos o máximo de deu. É assim mesmo, algumas a gente perde outras a gente ganha. Temos que agradecer muito ao Owen que foi o funcionário do hotel que fez todo o esforço pra manter a gente no quarto e era tão atencioso e gentil o tempo todo. Ele nem sabia da nossa história, do despejo nem nada, e mesmo assim quis ajudar a gente e ligou pro chefe dele e conseguiu autorização pra gente ficar na suíte executiva. Noite de realeza por um dia! Observações: Pra todo lugar que a gente ia todo mundo falava pra ter cuidado com Joanesburgo, não andar a pé, não carregar nada de valor. Seguimos todos esses cuidados e deu tudo certo, mas sentimos falta de andar um pouco pela cidade pra conhecer a vibe melhor. Ficamos num bairro super caro justamente porque todas as pesquisas que fizemos diziam que o centro não era seguro, era melhor ficar num bairro mais rico, mais turístico etc. O preço não foi tão absurdo, cerca de R$ 350 a diária, dividido por três pessoa ficou ok. Mas essa sensação de falta de segurança que Joanesburgo passa é um ponto negativo para a cidade. É claro, somos brasileiros, conhecemos a violência e o perigo muito mais de perto do que gostaríamos. Mas estar num lugar onde você sabe onde pode pisar é bem diferente do que se sentir inseguro o tempo todo. Não é uma crítica, não deixem de ir, é só uma observação sobre a cidade. Joanesburgo poderia ser muito mais se o governo investisse mais. Mas essa história se repete no Brasil, então não dá pra falar muito. O que foi bem ruim também, foi a sensação de estar desamparado quando a moça do hotel simplesmente fala que você tem que sair. Ainda bem que estávamos em grupo e a sensação de se fuder coletivamente é muito mais aliviante do que se fuder individualmente. No final, virou apenas mais uma história engraçada pra contar. Mas se eu estivesse sozinha provavelmente estaria chorando até agora. Outra impressão sobre a África do Sul, e é algo que o Pieter o nosso guia do safari também comentou. O apartheid foi uma luta válida, ele libertou os negros da segregação e de proibições ridículas. Mas ele não acabou de fato, infelizmente. O que a gente vê nas ruas, nos restaurantes, nas empresas, em todos os lugares praticamente, é o negro marginalizado. Os brancos, que são a minoria da população, ainda são os mais ricos com os melhores empregos e frequentadores de restaurantes junto com os turistas. Os negros, são aquelas pessoas que estão no subemprego. Brancos andam com brancos e negros andam com negros. Existem também uma terceira categoria, que também é marginalizada, os coloured or mixed races, que é justamente a gente, brazucas, sulamericanos ou qualquer raça que tenha sido misturada. Achamos engraçado sermos chamados de coloured people. Parece ser uma sina do ser humano mesmo, categorizar tudo, até as pessoas. Não dá pra todo mundo ser apenas humano e só?
  14. Segundo dia (09/03/19) - Dia de safári Logo esse dia já era de cara um dos mais aguardados da viagem. Reservamos um safari, do Brasil mesmo, com um cara sensacional, o Pieter da empresa Big Six Tours Safari, pra reservar é só mandar um email ou um zap pra ele e tá tudo certo. Você só paga no final do passeio com cartão ou dinheiro. Ele foi super pontual e nos buscou no nosso hotel, o Glenalmond rsrs. Escolhemos fazer o safari no parque Pilanesberg, que é talvez o segundo mais famoso, o primeiro é o Kruger. Mas o Kruger é muito longe de Joanesburgo, cerca de 5h, não dá pra fazer bate-volta, teríamos que ter mais tempo. Pilanesberg já é bem mais perto, 2h de Joanesburgo e com o passeio que reservamos estava incluso (ou o Pieter incluiu lá na hora pra gente) conhecer Pretória, uma das capitais da África do Sul. Saímos umas 9h da manhã e chegamos às 22h, então o dia do safari é só pra isso, nem adianta inventar algo mais. Mas antes de sair do hotel, uma moça da recepção perguntou pra gente: checking out, aí a gente achou que ela tinha se confundido e dissemos não, só estamos saindo para um passeio mesmo. Aí ela só falou: ok! O Pieter chegou e nós fomos. Começamos o dia indo até Pretória, o Pieter foi explicando um monte de coisa no caminho, com um sotaque super difícil, eu não entendia nada do que ele falava e claramente ele não entendia nada do que eu falava porque sempre que eu comentava alguma coisa ele só balançava a cabeça e ficava calado, mas aos trancos e barrancos a comunicação ia fluindo. Depois de Pretória ele nos levou até um lodge já dentro do Pilanesberg pra gente almoçar e passar um tempo agradável. A gente reservou o passeio do sunset, ou seja, do final do dia até começo da noite, tipo das 17h às 20h mais ou menos. Daí tínhamos que aguardar até a hora do safari começar. Então comemos nesse lodge que é super agradável, tem vista por parque e se você der sorte pode ver elefantes, girafas e impalas por ali. Só vimos uns impalas que estavam buscando uma sombra. Comida maravilhosa novamente, bem servida e muito gostosa. Comemos e fomos sentar na beira da piscina pra aguardar até a hora do safari. No horário combinado o Pieter buscou a gente e nos levou pra onde o safari ia sair. Fomos pro caminhão aberto e começamos a aventura. Foi muuuuito legal. Logo de cara já vimos uns leões que estavam com muita fome, segundo o guia, porque estavam caçando de dia. Eles estavam cercando umas zebras que estavam do outro lado da pista e queriam atravessar a todo custo, mas era muito carro atrapalhando e o nosso guia ficava gritando com os carros particulares pra eles saírem do meio e não colocarem a cabeça pra fora, sendo que o nosso guia tava bem no meio do caminho dos leões. A gente sentiu que o nosso guia era um cara bem ousado e esperto, existem vários tours que saem ao mesmo tempo e os guias ficam conversando entre si pelo rádio pra ver onde tem tal bicho e tals. O nosso guia era tipo um líder, porque ele achava tudo primeiro e depois chegava os outros, demos sorte. Vimos os leões de muito perto, eles ficaram encarando a gente, foi uma experiência bem legal. Aí quando logo de cara você já vê leão fica difícil competir né. Mas durante o caminho vimos de tudo um pouco: rinoceronte, elefante, girafa, gnu, zebra, impala e outros menores. Foi muito legal, e pra carimbar, na hora que estávamos indo embora, já no final, um elefante enorme cruza o caminho, o guia desligou o carro na hora e apagou os faróis, disse que o elefante estava irritado porque ele balançando a cabeça e pediu pra gente fazer silêncio e desligar os flashes. Que medo, confesso que deu uma baita cagaço porque o elefante era muito grande mesmo e passou tirando fino do carro, bem do nosso lado. Claro que com tudo escuro a filmagem ficou ruim, mas a emoção no hora foi tremenda. Muito legal mesmo. Eu recomendo o safari com a empresa mesmo, não sei se sai mais caro, não sei quanto é alugando carro e indo por conta, mas o nosso passeio, saindo de Joanesburgo passando em Pretória e fazendo esse safari meio diurno meio noturno ficou por uns R$ 500 ou ZAR 1800. A vantagem é que os guias conversam entre si e você nunca anda a toa. No carro, por conta própria, provavelmente você vai ter rodar muito até achar algum bicho, mas não deve ser menos emocionante, deve ser bem bacana também, mais uma vez, é uma questão de escolha mesmo, os dois jeitos são bacanas. Fizemos por uma empresa, mas li relatos muito legais de pessoas que alugaram o carro e fizeram e acharam ótimo. Na volta, éramos os últimos, ou seja, nosso guia não tinha preguiça, tivemos muita sorte. O Pieter já estava nos esperando e começamos o caminho de volta, chegamos em Joanesburgo lá pelas 22h, pagamos o Pieter com cartão, ele tem uma maquininha no carro e encerramos o segundo dia. Não fizemos uma anotação de tudo que a gente ia gastando, só ao final fizemos uma média diária baseada na quantidade de dólares que a gente trocou. No final do relato vai estar tudo mais detalhado. Mas comemos muito bem todos os dias, teve dia de comer até caviar, e a média da refeição era de uns R$ 30 com bebida, mais de uma por sinal, vocês ainda vão descobrir a Savanna Dry. Informações básicas, segundo a nossa experiência sobre o safari. Tem dois parques principais que são gigantescos, o Parque Nacional Kruger tem 20.000km², do tamanho de Israel e um pouco menor que a Bélgica. O Parque Nacional Pilanesberg tem 500km² e uma probabilidade maior de ver algum animal por km². O veredito é: se tem tempo, vá ao Kruger, se tem pressa, vá ao Pilanesberg, os dois vão proporcionar experiências incríveis. Uma outra informação que talvez possa ser relevante é: o Pilanesberg tem um risco baixo de malária, e o Kruger tem um risco médio/alto de malária. Esse site traz uma comparação interessante entre os dois parques e pode te ajudar a escolher: https://www.moafrikatours.com/kruger-national-park-versus-pilanesberg-game-reserve
  15. Primeiro dia (07 e 08 /03/19) - uber price! Somos todos de Brasília, então marcamos de nos encontrar já no aeroporto mesmo. O vôo para São Paulo era às 10h da manhã mas agoniada que sou já estava rolando na cama desde as 3h. Cheguei no aeroporto umas 7h, depois todo mundo foi chegando, despachamos, depois embarcamos tudo certo. Em São Paulo teríamos uma escala de 6h até a hora do vôo para Joanesburgo. Conversamos muito, gastamos todo o 3G do nosso plano porque praticamente não iriamos usar mais no mês rsrs e finalmente embarcamos com destino a Joanesburgo. São 11h de vôo, 11h!!!! É muito tempo, mas enfim, a Latam tinha muitas opções de filme, deu pra assistir uns 4, cochilar um pouco, passar o tempo, até que enfim chegamos em Joanesburgo. ÁFRICA FINALMENTE!!!! Chegando em Joanesburgo fizemos a imigração, tem umas mulheres que medem a nossa temperatura numa máquina que parece uma arma de laser, filinha um pouco longa. Saindo da imigração pegamos as malas e fomos comprar o chip para o celular. Negócio é o seguinte, mais uma vez as dicas da internet só nos deram informações sobre o chip da Vodafone, que é bom, mas é caro. Logo ao lado da vodafone tem uma loja amarela com bem menos fila e bem mais barata. O quarto integrante do nosso grupo, que chegou depois, comprou dessa loja e deu tudo certo. Enfim, a escolha é sua, vodafone são 3 gb por 300 rands mais 100 rands não avisados anteriormente do chip. Os 3 gb durou com muita sobra para a viagem inteira, gastamos apenas 1,5gb, mas também porque o chip não funcionou na Namíbia nem no Zimbábue, mas se vc usar só em caso de necessidade e não ficar carregando vídeo do insta a toa, a outra empresa que chama MTN vende plano de 1gb por 149 rands. Sobre os rands… calculamos a viagem inteira como 1 real = 3 rands, a gente sabia que valia mais, mas era pra facilitar. No final, a cotação do cartão de crédito para o uber ficou 3,52. O que fizemos foi levar dólar. Trocamos metade no aeroporto, numa cotação de 1 dolar = 13 rands, e depois o restante com um doleiro em Cape Town numa cotação de 1 dolar = 14,60 rands. Resolvemos pedir um Uber para o nosso hotel: Glenalmond, guardem o nome desse hotel, pois em alguns dias ele será o protagonista de um episódio muito curioso. Pedir um Uber é coisa simples né… não com milhões de taxistas e loteiros vendo na sua cara de turista que você está procurando um meio de transporte. Era insuportável, a cada passo três, quatro abordagens oferecendo taxi ou lotação, a gente negando educadamente com aquela paciência de turista empolgado. Aí pedimos o Uber pelo aplicativo, mas quem disse que a gente descobria onde que tava o bendito do carro, e o cara perguntando um monte de coisa e o celular com o corretor configurado em português, a gente escrevi Hi ele mudava Hotel, ao mesmo tempo que tinha alguém no nosso ouvido gritando uber price! uber price! uber price!, foi uma saga achar o local, mas o motorista não desistiu da gente e uns 15 minutos depois conseguimos encontrar e fomos pro hotel, lembrem-se: Glenalmond. Chegando no hotel, fizemos o check in, tudo certo, o hotel muito bacana, na verdade parecia um apart hotel, tinha uma movimentação estranha na entrada do hotel, muita gente, alguns seguranças, mas blz, ignoramos, estávamos muito cansados da viagem eu acho, e fomos pro nosso apart. Tinham dois quartos, dois banheiros, uma sala e uma cozinha, muito espaçoso, bem legal. Nesse primeiro dia a internet do hotel não estava funcionando, mas ainda bem que tínhamos nosso chip. Bem pregados da viagem, só demos uma olhada no mapa e fomos andando até o shopping mais próximo, uns 20 minutos mais ou menos. Fomos na Mandela Square e comemos maravilhosamente bem por uma quantia razoável no Big Mouth. Aí voltamos pro hotel de uber e encerramos nosso primeiro dia.
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