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CarolJi

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Sobre CarolJi

  • Data de Nascimento 13-04-1979
  1. Ah, o link acima dentro de mochileiros.com!
  2. Genteeeee por favor, esse fórum não é pra dicas de viagem. É um fórum pra discutir outra coisa: a confrontação entre o mito e a realidade de FN. Dicas de viagens (muitas!) vocês encontram aqui: fernando-de-noronha-perguntas-e-respostas-t2680.html Abraç!
  3. Nem me fale Daiana! E o que você pensa de um guia turístico puxar o rabo de um peixe ou assustar um polvo bebê fazendo ele sair correndo? Eu queria MATAR o guia, juro! Queria afogar ele, porque ele não só não respeita os animais como está ensinando cada turista a fazer o mesmo. Nas palestras do TAMAR disseram que os tipos de tubarão que a gente encontra na ilha (mergulhando de snorkel) não atacam os seres humanos, mas que ultimamente haviam ataques porque os imbecis dos turistas tentavam pegar, abraçar, puxar pelo rabo, etc. Poooode?! Tudo pra quê? Pra bater uma foto?? Imagina vc estar na sua casa e todo dia vem 10 neguinhos querendo te segurar pra bater uma foto contigo... ou te espetando pra te assustar porque é divertido ver vc saindo correndo.... tenha dó. É cúmulo da falta de respeito pela vida. É óbvio que gente assim não tá nem aí pra coleta seletiva, pra como se faz pra ter água doce na ilha, pra onde vai o próprio cocô... E se os guias ajudan a des-educar ainda mais, tá tudo perdido mesmo.
  4. Nem me fale da classe media alta brasileira (que é a que vai "sempre" pra Noronha, por sinal)... Cansei de ser chamada de "ecochata" quando morava em Sampa, só por estimular as pessoas a reciclarem o próprio lixo. Aproveitando que a Marina já tá fora da disputa presidencial e que por isso não vou pegar a fama de fazer propaganda eleitoral em tópicos não relacionados, sugiro que façam como eu e enviem suas opiniões sobre FN pra Marina. Li numa entrevista com ela hj em que diz que pretende se dedicar ao seu Movimento Brasil Sustentável, recorrendo o país. FN teria vocação pra ser pioneira em projetos de sustentabilidade, não fosse a Caras e Globo meterem o bedelho. Acho mesmo que essa situação deveria ser mais falada, discutida. Ainda que se fale muito na amazonia e pouco se faça, não deixa de ser um tema importante.
  5. É... pior é que vc tem razão no que se refere às subcelebridades. Também me encheu o saco uma pessoa na pousada que só reclamava e dizia que não via a hora de voltar pro conforto da sua casa. Por que foi então, zé mané? A Pousada maravilha é uma das mais caras do Brasil... não precisava, né.
  6. Nossa Fabio, seus comentários complementam os meus. E é triste o que este ex-professor te contou, e temo que é verdade. Muitos dos corais que eu vi quando fui no atalaia estavam com doenças. O técnico comentou que a maioria das doenças é causada por protetor solar (!). Seria tão fácil impedir isso... Mas claro, o turismo se ressentiria, etc., etc. Eu só discordo de vc com relação ao tipo de turistas. Disse isso também ao criador do tópico, que teve a mesma impressão que vc: não se pode esperar que o turista "crie" o espacio. Se houvesse efetivamente um turismo sustentável, se a quantidade de pessoas que entram fosse realmente restrita, se houvesse uma cultura de sustentabilidade, as pessoas que fossem pra lá se acomodariam. O ser humano tem uma capacidade incrível de se adaptar, e acredito que mesmo sendo moda, poderia ser uma escola de ecologia para todos. As palestras no TAMAR são cheias de gente, muitos decidem adotar uma tartaruga, um tubarão, etc. É pra mostrar pros outros? Tô nem aí, a proposta é legal, é sustentável. Mas simplesmente não há interesse (nem público, nem privado), e isso tem a ver com todas as políticas atuais no Brasil com relação a crescimento, aceleração da economia, etc., etc., etc. Quando o Brasil acordar do sonho do crescimento, vai estar que nem os EEUU... :ó(
  7. Pues si, Perla, es verdad. De preservación y turismo sostenible he visto muy poco. Una lástima, pues el sitio es precioso. :ó(
  8. Ei Vinicius, legal tua experiencia, pra contrastar com as nossas! Acho que o fato de ter ido em Agosto fez toda a diferença. Quando eu fui no final de Fevereiro, a pousada Simpatia da Ilha estava custando R$377. Pra você ter uma ideia dos abusos que aconteciam na época em que fui. Talvez FN tenha seus segredos (como as praias que desaparecem na maré braba, como a do cachorro que não pude conhecer) e seja preciso ir mais de uma vez ou trocar experiencias como aqui para poder saber mais. Eu não precisei sugar nada das pessoas, acho que elas me falavam porque sentiam que eu teria essa escuta tranquila. Eu fiquei numa das pousadas mais baratas (a do Golfinho, pois a da Iris tava cheia) e ia comer nos lugares mais baratos. Mesmo sabendo que a Ilha era cara, fui com milhas e a grana não chegava pra muito. E a verdade é que me identifiquei com o sentimento de muitos dos que vivem lá e trabalham lá, dessa raiva que um sente quando quer fazer as coisas e não pode porque os preços são abusivos (e na entrada já me roubaram 300 reais na porcaria da taxa). Não nego que a ilha esteja preservada, mas o tipo de preservação que acontece é pouca se vista na ilha globalmente. Não comento Ilha Grande pois é um absurdo (infelizmente é um modelo do que NÃO se deve fazer em lugar algum, não deveríamos usar como comparação). Mas penso em lugares como vilas de pescadores na costa da Bahia, pra onde já fui muitas vezes, que têm essa mesma postura dos locais (de orgulhar-se da sua terra), esse mesmo respeito manso pelos animais e pela natureza, a mesma falta de condições e o mesmo abandono do poder público, mas ninguém enche a boca pra dizer que é ecológico, ou que há preservação. Me incomoda FN porque muito do que se diz e se vende é uma farsa. Muito bonito que a Pousada onde vc ficou separe o lixo. E depois, pra onde ele vai, se a ilha não tem sistema de coleta seletiva? Pra mim, o que tem em FN é contenção de danos. E eu diria que na alta temporada é menos efetiva, é uma diminuição. Ajuda? Sim, mas não é sustentabilidade nem preservação. E a taxa é um roubo, e ponto.
  9. Ah, André! Ia comentar teu tópico sobre a taxa e esqueci! Eu vi ele antes de ir, e de certa forma já fui prevenida. Mas me chocou mesmo foi como a Ilha se estrutura. Quer dizer, tinha fiscal no Atalaia, o guia era cadastrado pelo IBAMA, antes de ir tinha um estudante de biologia voluntario dando as instruções... Mas eu fui em Março, a ilha tava lotada. Não sou só eu que pago a taxa, a dona da pousada também paga imposto pela minha estância e qual é o retorno que ela tem???? O que mais me deixou P. da vida é o abandono da população à sua própria sorte e o fato de não ter coleta seletiva (isso era O MINIMO), da energia elétrica ser a diesel, do lixo ser incinerado.... Tudo, tudo errado. Eu diria que é um dos lugares em que os habitantes mais pagam impostos e menos têm de retorno. Aí eu acho que entra uma coisa relacionada com o que o lojudice disse. Se os turistas insistem pra contar nos dedos o numero de golfinhos que deu pra tirar foto, é porque falta uma política de sustentabilidade na ilha. Se houvesse uma cultura sustentável, se desde a hora que vc chegasse escutasse que é feio ficar perseguindo os golfinhos, se fosse obrigatório ir a palestras antes de pôr o pé na água, ninguém faria isso. O que acontece é que como o trabalho feito é pouco, é por gente de fora (voluntários e biólogos marinhos), a população local fica excluída da preservação. E vêem os ricaços construindo pousadas animais, ficando mais ricos ainda, ou então fazendo da ilha sua casa de campo e espaço privée. Então o que se estabelece não é uma cultura de ecologia e preservação, mas de consumo. Os locais passam a pensar que têm que garantir o seu, e os animais e a paisagem passam a ser produto de consumo. O slogan dos guias na praia do Sancho é: “20 reais por pessoa; tartaruga, arraia e tubarão garantidos. Se não eu devolvo o seu dinheiro”. Não pode pressupor que o turista vai ter consciência. Tem muita gente que nunca viu galinha viva na vida, só na bandeja do supermercado. Você acha que quem cresceu assim vai ter respeito automaticamente?! Na palestra do TAMAR eles contam milhares de estórias de gente que tentou “abraçar” o tubarão pra tirar uma foto e não entendeu porque ele atacou. Você acha que uma pessoa que faz isso tem alguma consciência do que é estar em um ambiente preservado, com animais selvagens e não domesticados? Você pode dizer que essas pessoas deveriam ir pra Disney, pra se abraçar com os golfinhos, mas eu penso que é privar as pessoas de uma experiência genuína, que não esteja planejada pra vender. É a simples contemplação da natureza que traz o respeito pela sua beleza e a vontade de preservar. Sem promessas de devolver o seu dinheiro.
  10. AH, esqueci de dizer que os melhores momentos de encontro com a natureza foi sem guia, sem ninguém. Só eu e no mar, flutuando, e os animais. Sem pressa, sem pagar 80R$ a hora pro guia, sem ficar P. da vida porque tavam estressando os bichos. Sem a ânsia de contar no dedo o número de espécies que eu ia encontrar, respeitando o ambiente deles e o ritmo deles. Lindo.
  11. Então, eu fui pra FN em Março deste ano. Fiquei 10 dias. E demorou um tempo pra "criar coragem" de devolver as minhas impressões, porque queria deixar a poeira baixar. Eu voltei muito feliz e com muita raiva. Foi a viagem mais cara da minha vida e voltei com uma infecção intestinal braba, que durou 10 dias... Pra mim isso resume o que é noronha: um lugar sem recursos se você não tem dinheiro. Eu sinceramente não me incomodei tanto com os cruzeiros, nem com os land rovers, mesmo porque cruzei pouco com eles. Fui por conta, fiquei em pousada domiciliar de uma pessoa que vive a gerações na ilha e que sim tem duas filhas lindas. Aliás, vi muitas crianças, tem uma escola pública infantil lá. Quem quer estudar o ensino médio, parece que tem que ir pra Recife... Eu me incomodei de ter que gastar no mínimo 15 reais pra comer (cada refeição!) e ter pegado uma infecção (Ah tem o Jacaré que é 10 reais, mas a comida é aquela bomba calórica, mas é caseira). Me incomodei com a fumaça dos buggies velhos e barulhentos que passavam na frente da pousada. Me incomodei com os preços exorbitantes do mercadinho da vila dos remédios, que é o onde a dona da pousada fazia suas compras também. Com a falta de reciclagem na ilha, com a constatação de que preservação acontece somente limitando a quantidade de turistas e nada mais. A energia elétrica vem de uma usina de petróleo (!), a água é dessalinizada então não é potável, tudo vem do continente em garrafas PET, que depois voltam ao continente. O que sobra de lixo na ilha é incinerado (!!). O cheiro é insuportável nas vizinhanças da usina. Então, eu me incomodei MESMO em ter que pagar 300 reais de taxa pro governo de Pernambuco e não ver aonde esse dinheiro foi parar. Eu sou psicóloga social então foi natural pra mim puxar conversa com moradores, trabalhadores e crianças. E me decepcionei com o que ouvi. A população local se sente abandonada pelo governo, e eles têm razão. Os preços abusivos começam no barco que abastece a ilha de mercadorias. Se vc encomenda uma caixa de bananas e o navio fica sem poder chegar no porto por conta da maré, azar o seu. Tem que pagar as bananas podres e o frete. Tem a possibilidade de pagar seguro, mas encarece muito o frete, em especial se são perecíveis. O dono do bar de açaí onde comíamos nos contou que cada vez que o barco não pode chegar ao porto que a irmã dele traz o açaí de avião pela gol. Imagina. O hospital de lá não tem maternidade, qualquer um tem que nascer em Recife. Não tem isso de não poder voltar com a criança (história da carochinha demais essa). Mas muitas crianças me contaram que muitas famílias desistem de FN quando os filhos crescem. Muitas têm primos em Recife. Os locais têm raiva do Tamar e de outras ONGs. Porque os "idiotas dos turistas", como eles falam, podem optar por adotar uma tartaruga, mas ninguém tá nem aí que não ensino médio na ilha. Eles sentem (dizem) que as tartarugas valem mais que eles. Então senti que a relação com o turista é muitas vezes de exploração. De um encontro indesejado, mas necessário. E com as ONGs há uma mágoa porque eles trazem “as menininhas e menininhos do sudeste que vêm te dizer o que tens e o que não tens que fazer”. E senti também o despreparo dos guias (registrados pelo IBAMA!). Fiz a trilha do Atalaia com uma pessoa que peguei o contato aqui no Mochileiros, que também trabalha de salva vidas. Antes da trilha o voluntário do IBAMA que estuda biologia explicou que o protetor solar mata os corais, pediu pra não usar. Pediu pra não tocar os corais pois crescem 2 centímetros por ano. Pediu pra não tocar os animais. O guia turístico fez tudo isso. Na ânsia de mostrar os animais assustava cada um deles metendo o dedo e fazendo eles saltarem de pavor, juro, o que ele destruiu de coral não foi brincadeira. Outra coisa que me incomodou: entre os guias turísticos, a “moeda” de troca com os turistas é o numero de animais que eles prometem te mostrar. Muitas vezes sabem onde se escondem os animais e vão ali perturbar um por um, estressando os animais de uma maneira que qualquer biólogo marinho reprovaria. Massssss, voltei feliz porque tive os melhores momentos de contato com a vida marinha na minha vida. Nadar com as tartarugas, com os tubarões, como os peixes, arraias.... De snorkel mesmo, pois não mergulho por problemas no ouvido. Achava que nunca poderia viver isso de snorkel. Muitas das praias famosas não estavam aptas para mergulho pois era a época de maré braba. Mas descobri outras lindíssimas e 100% naturais, coisa cada vez mais difícil... Enfim, acho que FN é um retrato de como as coisas são tratadas no Brasil, onde falta o poder público e domina o privado. Fiquei possessa de como se enche a boca para falar de preservação quando o que se faz é limitar a quantidade de gente através do econômico. Se não fosse pelas ONGs e os VOLUNTARIOS sem dúvida alguma a ilha já não seria o que é.... Elas realmente garantem a preservação, as palestras do TAMAR são ótimas. Mas a situação é delicada, eu até diria que rola um boicote ao que as ONGs tanto tentam preservar. No final das, os locais não têm razão em ficar cheios de raiva ao constatar que, nesse sistema tal como as coisas estão montadas, as tartarugas valem mais que eles?!
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