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  1. Caracas irmão, perrengue dos bravos. Quando digo que você tem um parafuso a menos! kkkk Parabéns pela aventura e conquista e que bom que tenha dado tudo certo no final Show de bola!
  2. Realmente, teve uns amigos que fizeram tem pouco tempo e falaram que tem trechos que estão bem encobertos pelo mato.
  3. Marcio, Se você não conhece os picos de monte verde, vale a pena passar o dia por lá. O roteiro que vc fez é legal, acampar na pedra da onça, e seguir na manhã seguinte para monte verde. Lá você pode subir até platô, de lá ir até o Pico do Selado (tem livro de cume pra assinar) Depois pegar a trilha direto para o chapéu do bispo, de lá seguir para a pedra partida e finalizar com a Pedra redonda. Quanto a travessia até Monte verde não tive problema, estava totalmente limpa. Tem uma trilha que vai direto da Pedra da Onça e chega na Pedra Partida, mas nunca fiz, o pessoal diz que ela é um pouco fechada e complicada, sempre rola uns vara matos...
  4. Parabéns irmão, belo relato. Estava sentindo falta dos seus relatos. Você melhor que ninguém sabe que eu corro dos perrengues. Já passamos alguns, mas este aí nem se compara. Graças a Deus que deu tudo certo, mas volto a dizer, se cuida muleke doido!
  5. Parabéns irmão, mais um relato show. Confesso que eu não estava muito animado para esta empreitada, mas o que os meus olhos viram superaram minhas expectativas para esta trilha. Foi um dia perfeito, onde tudo deu certo. Que venha a próxima aventura!
  6. Mais um belo relato irmão! Este dia foi perfeito, deu tudo certo pra gente. Que venham as próximas trips e relatos!
  7. Valeu Edu, foi show demais. Você precisa fazer, é algo que vai ficar na memoria a vida toda!
  8. Obrigado irmão! Seria muito bom se você estivesse lá conosco. Iria acrescentar muito ao nosso grupo. Tenho quase certeza de que quando for sua vez de fazer a travessia você ainda irá escutar os grupos gritando: "FRUVIOOOOOOOOOOOOOOOOOOO" kkkkk
  9. Valeu Adil, esta travessia foi show. Com certeza vai ficar na memória. Abs
  10. Este é meu primeiro relato. Não tenho o costume de escrever sobre minhas trilhas, mas esta é uma aventura que merece ser contada, que deve ser compartilhada com as pessoas que gostam de trilha, para que possam ter ideia de quanto é bela e desafiadora fazer esta travessia. Saindo de Sampa Combinamos de nos encontrar na estação da Barra Funda por volta das 22:30, na quarta feira que antecedia o feriado de Corpus Christi. Encontrei com o Adilson na estação de Santo André e de lá partimos para Barra Funda. Para variar, fomos um dos primeiros a chegar, logo em Seguida chegou o Daniel, e depois foi chegando o resto da galera. De um grupo de 15 pessoas eu conhecia apenas o Fúlvio, Daniel, Adilson, Ronaldo e Furtado, as outras pessoas eu nunca tinha visto (esta é a parte legal do trekking, sempre conhecer pessoas novas). Depois que todos chegaram (quase todos) pegamos a Van que nos levaria até Passa Quatro, onde seria o inicio da trilha, mas antes passaríamos por Pinda para pegar o casal que faltava (Douglas e Ju). Dia 1 – O Erro Chegamos no inicio da trilha em Passa Quatro por volta de 5:30 da manhã de quinta-feira. Ainda estava escuro, vários grupos chegando. Pegamos nossas lanternas e seguimos a trilha. A trilha já começa com uma subida, onde o grupo que era de 15 pessoas começou a se separar. Havíamos combinado que os mais rápidos iriam na frente com as barracas para conseguir lugar nos pontos de camping, que por sinal eram bem disputados. Já estávamos cientes disto, por se tratar de feriado prolongado sabíamos que haveria muita gente na trilha. Na linha de frente estavam Eu, Adilson, Ronaldo, Daniel e Furtado (mais a frente o Clayton iria se juntar ao nosso grupo) e o restante do pessoal ficou no grupo de trás, sendo que o Fúlvio estava com um rádio para se comunicar com nosso grupo que estava à frente. Seguindo a trilha, não é preciso caminhar muito para chegar até a toca do lobo, onde se encontra o primeiro ponto de água e onde fica o caminho para prosseguir na trilha. É preciso atravessar o rio que fica a direita e começar a subir a pirambeira. A maioria de nós não pegou água neste primeiro ponto, visto que já estávamos com água e até aquele momento ninguém havia consumido quase nada. Para minha infelicidade, quando fui atravessar o rio que é bem raso, pisei em uma pedra que estava solta, perdi o equilíbrio, e para não cair dentro da água de uma vez meti os dois pés dentro da água... Ok, vamos lá, quem disse que eu queria fazer a trilha com o pé seco? Com emoção é melhor #SQN. A partir deste ponto é só subida, subida, subida e... mais subida. Quando o dia amanheceu já era possível ver os tapetões de nuvens, o que nos da um pouco mais de fôlego para continuar subindo. Depois de algum tempo subindo, paramos para descansar, onde outra parte do grupo nos alcançou. Ficamos alguns minutos tirando fotos, comendo e tomando o café que o Adilson acabava de fazer, para partimos logo em seguida. Neste momento o Wagner (Que era o único que já havia feito a trilha anteriormente) falou para gente esperar que ele iria nos mostrar onde ficava o próximo ponto de água. O pessoal que estava na dianteira disse que iria esperar um pouco mais a frete, mas quando eu vi, eles já estavam lá no alto da pirambeira. Camelei um pouco até conseguir alcança-los, a subida vai ficando cada vez mais íngreme, e o fôlego acabando cada vez mais rápido, mas o Adilson me esperou e acabamos conseguindo alcançar os outros. Seguindo Pirambeira acima, começamos a subir uma parte bem íngreme e com lama, onde era possível ver no rosto de várias pessoas o desespero, e era quase possível escutar elas dizendo para si próprias “O que eu estou fazendo aqui”? Neste momento nosso estomago já roncava de fome, foi quando decidimos parar para comer. Não foi o lugar ideal pra parar, bem no meio do caminho, em uma subida onde o pessoal chegava com a língua de fora pensando “Viva, eu consegui” e davam de cara com a gente fazendo nosso lanche... Fazer o que, a fome falou mais alto. Neste momento o Clayton nos alcançou, e começou a nos acompanhar. Agora estávamos em seis pessoas, continuamos a subir mais uma pirambeira (Notaram como eu falo pirambeira com frequência?) para enfim chegar o alto do Capim Amarelo. Ficamos parados por alguns minutos lá em cima, e parte do grupo começou a chegar. Em comunicação através do rádio, descobrimos que o pessoal que estava no final do grupo estava bem longe da gente. A ideia era espera-los para prosseguir, mas estavam muito longe, e nós seis que estávamos na frente tínhamos como pretensão acampar na Pedra da Mina, e conseguir lugar para os que estavam vindo logo atrás (mera ilusão). Saindo do Capim amarelo, descemos pirambeira abaixo. Descida bem ingrime, super fácil de descer rolando. O esquema é segurar nos capins e bambus laterais pra não descer de uma vez. Tem também algumas pedras soltas, inclusive o Adilson pisou em uma sem querer que desceu rolando e acertou meu tornozelo, era tudo que eu precisava naquele momento! Haha.. Mas continuamos descendo até finalmente chegar ao ponto de acampamento do Maracanã. Nosso próximo ponto de água seria na cachoeira vermelha, segundo informações não demoraria a chegar, mas estávamos andando que nem loucos e nada de chegar nesta tal cachoeira. Neste momento nossa água já estava escassa. Posteriormente descobrimos que perto do acampamento do Maracanã tinha um ponto de água, mas até então, para nós não tinha validade alguma, já estávamos bem longe dali... Quando começamos a subir em direção ao Melano, alguns urubus começaram a dar rasantes em nossa direção. Será que estavamos fedendo tanto assim? Era apenas nosso primeiro dia senha banho! rs, mas o Furtado, em reação ao ataque do Urubus atirou uma bolacha Negresco que quase acertou o pobre coitado do Urubu, demos muita risada! Kkkk. Seguindo em frente, alcançamos o Melano, local onde perecebi que estava já estava ficando sem forças. Em um trecho que é preciso subir com corda, tive muita dificuldade para subir, coisa que com energia faria muito fácil. Neste mesmo local, entramos em contato com o Fúlvio pela ultima vez e descobrimos que estávamos a mais de 2:30 a frente deles. Encontramos um amigo do Daniel que estava fazendo a travessia no sentido inverso, e nos disse quanto tempo seria necessário para chegar até o próximo ponto de água e para alcançar o cume da pedra da Mina. Deste modo, tivemos certeza que não seria mais possível espera-los e tampouco eles conseguiriam nos alcançar. Devido a um erro de planejamento, tivemos que passar a primeira noite separados e sem comunicação. A bateria do radio tinha acabado e não tínhamos comunicação com a outra parte do grupo. Não sabíamos como estavam, se tinham água, ou se estavam bem. A única coisa que nos restava a fazer era alcançar o cume da Pedra da Mina e espera-los por lá. Após andar um pouco mais, finalmente avistamos a tal cachoeira vermelha, que não chegava nunca. Avistamos um descampado próximo à cachoeira, onde montamos nossas barracas antes de escurecer e fomos nos abastecer com água do rio. A nossa frente estava a Pedra da Mina. Avistamos varias lanternas lá em cima, mas estávamos exaustos pra atacar o cume no mesmo dia e era bem provável que não teria lugar pra acampar no cume. Foi aí que descobrimos nosso erro, de nada adiantou termos acelerado na trilha, pois nem todos conseguiriam alcançar o rio vermelho, e por ser em um local baixo, perdemos o por do sol. Acampamos ali mesmo, fizemos uma pequena fogueira que nos manteve aquecido por um tempo. Com o eu havia molhado a meia no começo da trilha, estava com muito frio nos pés, estava batendo 5°, troquei a meia por uma seca, mas como minha bota também estava molhada, acabei molhando a única meia que tinha seca. Mesmo com a fogueira, não estava suportando o frio porque meu pé estava molhado, resolvi ir deitar. Discutimos sobre o que fazer no dia seguinte e fomos dormir. O Adilson me emprestou uma meia seca extra que ele tinha e todos fomos dormir. Fez muito frio durante a noite, mal consegui dormir, mas o dia seguinte prometeria. Dia 2 – As aparências enganam Acordamos por volta das 5:30 da manhã e resolvemos atacar o Pico do Tartarugão que estava próximo a cachoeira vermelha, onde estávamos acampados. Ainda escuro, pegamos nossas lanternas e começamos a correr que nem loucos na esperança de conseguir ver o nascer do sol. Estávamos no meio do vale, e nossa única chance de ver o nascer do sol era conseguir subir em algum dos picos que estavam ao nosso redor. Pedra da Mina impossível, não daria tempo, então fomos em direção ao Pico do Tartarugão. Procuramos trilha, e nada... então atravessamos o rio e começamos a varar mato no campim elefante. Este foi um dos momentos mais engraçados da nossa travessia, nossa luta contra o capim elefante. Vira e mexe alguém afundava no capim elefante, ou desparecia metendo o pé nos vários charcos que existiam escondidos no meio do capim. Depois de um tempo, alcançamos uma parte mais elevada, onde o Adilson, Clayton, Daniel e eu resolvemos ficar por lá mesmo, já que acreditávamos não ser mais possível alcançar o cume do Pico do Tartarugão em tempo de ver o nascer do sol. Ronaldo e Furtado continuaram subindo, pelo lado do “casco” do Tartarugão e conseguiram ainda pegar o finalzinho do nascer do sol. Nós subimos pela parte da cabeça do Tartarugão, fazendo uma escalaminhada pelas pedras. Encontramos com o Ronaldo e Furtado no cume do Tartarugão e aproveitamos para tirar fotos e curtir o belo visual. Dos seus 2595 metros de altitude, se tem um linda vista em 360° onde é possível ver todas as montanhas que estão ao seu redor, como Marins, Itaguaré, Pedra da Mina, Pico dos 3 Estados, Alto do Capim amarelo e por aí vai... Depois de algum tempo lá em cima, apareceu mais um trilheiro, que pediu para tirar uma foto conosco, para provar aos amigos dele que haviam pessoas lá em cima. Ele também comentou que estava acampado perto da cachoeira, e que nos havíamos acordado ele! rsrs. Normal, faz parte! Após a sessão de fotos ele desceu, e nós permanecemos lá por mais algum tempo, não havia necessidade de correr, pois como estávamos horas a frente do restante do grupo, teríamos que ficar o dia todo na Pedra da Mina. Só não queríamos subir muito tarde para não correr o risco de não arrumar lugar para montar acampamento. Sendo assim, começamos a descer, para em seguida atravessar o temido vara mato de capim elefante. Desta vez consegui gravar um vídeo do Daniel afundando no Capim, ficou hilário, dou risada toda vez que vejo o vídeo. Seguimos até alcançar novamente a cachoeira, e vimos que algumas pessoas já estavam por alí se abastecendo de água, e percebemos que deveríamos acelerar o passo se quiséssemos arrumar lugar para acampar no cume da Pedra da Mina. Tomamos um café bem rápido, desmontamos acampamento, pegamos água, e começamos a subir em direção ao cume da Pedra da Mina por volta das 10:00 da manhã. A subida é íngreme, e notávamos que estava rolando um tipo de corrida para conseguir lugar para acampamento. Durante a subida encontrávamos algumas pessoas que estavam cansadas e fazíamos nossa parte incentivando-os a continuar. O Clayton disparou na frente, enquanto Eu, Daniel, Ronaldo, Furtado e Adilson subimos um pouco mais devagar, e quando chegamos lá conseguimos o que seria um dos melhores lugares para acampar, cobiçado por vários grupos que chegavam depois e olhavam para nosso acampamento, com o desejo de ter chegado antes e conseguir aquele lugar. Conseguimos dois pontos de acampamento, mas ainda precisávamos arrumar lugar para o restante do grupo que estava por vir. No cume não existia mais espaço, então fomos procurar lugar na parte mais baixa, que é onde fica o acesso para a trilha do Paiolinho. Com uma pazinha que ao Adilson levava em sua mochila conseguimos dar uma ajeitada em dois pontos de acampamento. Em um deles já deixamos a barraca do Fulvio montada, e no outro o terreno preparado para a chegada dos nossos amigos. Estávamos preocupados, pois havíamos perdido a comunicação com eles no dia anterior, e nossa ultima noticia era que dois deles tinham passado mal, e ficamos preocupados pensando que eles poderiam estar sem água. De vez em quando avistávamos grupos bem longe, e eu tentava através do zoom da câmera ver se eram eles, mas nada, nem sinal. Este foi um dos dias mais tranquilo, como chegamos cedo no cume da Pedra da Mina deu para fazer bastante coisa: Cozinhamos, Ronaldo e o Furtado foram procurar lenha, tiramos bastante fotos, e é claro, fomos deixar nosso registro no livro do cume. O dia estava lindo, visibilidade perfeita, era possível avistar de longe alguns picos do Parque do Itatiaia, como o Agulhas Negras e Prateleiras. De lá era possível também avistar o vale do Ruah, muito belo visualizado de cima, mas chegando nele a historia é totalmente outra... Estávamos nos felizes, certos de que desta vez conseguiríamos ver o por do sol, quando de repente começa a baixar a neblina e ventar. Lá se vai embora novamente nossa chance de ver o por do sol, e com a chegada do final do dia o restante do grupo começou a chegar. Descemos parte da trilha da Pedra da Mina para ajudar a carregar a mochila de alguns dos nossos amigos que estavam chegando. Estávamos descansados e eles exaustos, pois tocaram direto até aquele ponto. Ajudamos o pessoal a montar as barracas e nos reunimos próximo a barraca em que eu Adilson e Ronaldo iriamos dormir, pois havia uma pequena mureta feita de pedra para proteger do vento e um belo espaço para cozinhar. Fizemos uma pequena fogueira, preparamos nosso jantar, e até pipoca estouramos. O Céu estava meio encoberto, as vezes abria e era possível ver o mar de estrelas. Tivemos a sorte também de ver uma lua maravilhosa surgindo entre as montanhas, toda alaranjada, exibindo toda sua beleza. Acabado os comes e bebes, fomos dormir, a temperatura estava abaixo dos 5°, e ventava muito. A noite foi longa, o vento parecia que ia levar a barraca embora. As paredes da barraca ficaram úmidas e molharam os sacos de dormir. Foi uma péssima noite e foi então que descobrimos que o lugar que parecia ser perfeito não era tão perfeito assim... Dia 3 – O temido vale do Ruah Após uma terrível noite, ainda estávamos na esperança de ver o nascer do sol. Tentei olhar pra fora da barraca, mas estava tudo cinza, frio e um vento muito forte. Novamente perdi as esperanças de ver o nascer do sol, nem quis sair de dentro da barraca. O Furtado saiu da barraca dele que estava a poucos metros da nossa e ficou lá fora gritando para todo mundo acordar. Eu acho que o pessoal que estava nas outras barracas não ficaram muito felizes com isto! Hahaha Vimos um grupo passando por nossa barraca, e depois voltaram dizendo que estava perigoso descer a pirambeira da Pedra da Mina indo sentido ao vale do Ruah, devido ao mal tempo. O Adilson fez (mais) um café dentro da barraca, que tomamos junto com algumas bolachas, desmontamos o acampamento correndo, o vento estava muito forte, deu trabalho, arrumamos nossas mochilas e partimos. Chamamos o Clayton, Furtado e Daniel que estavam próximos a nossa barraca, mas eles disseram que iriam esperar o tempo melhorar, os outros não chamamos porque estavam acampados longe da gente, e por terem chegado tarde na Pedra da Mina imaginamos que iriam querer dormir até mais tarde. Com o pessoal ciente de que estávamos indo na frente, começamos a descer a pirambeira da Pedra da Mina. Haviam vários grupos descendo, incluindo o grupo que tinha abortado a descida, mas voltaram atrás. Senti-me em um dos filmes do Senhor dos Anéis, várias pessoas descendo uma pirambeira no meio do nada, visibilidade quase zero, e um vento forte, cortante, batendo no rosto e que podia nos derrubar se houvesse qualquer vacilo. O pessoal estava descendo muito devagar, conseguimos ir cortando a fila ate tomar a dianteira, um pouco mais abaixo encontramos um grupo acampado em um lugar mais protegido do que o cume, mas mesmo assim eles disseram que a noite deles também não havia sido fácil. Continuamos a descer até chegar ao inicio da travessia do Vale do Ruah. Encontramos um grupo que estava desmontando acampamento, e pedimos informação para o Nilson, que viriamos a conhecer melhor mais a frente na travessia. O Nilson falou que para seguirmos a trilha, deveríamos ir para a esquerda, o problema era que tínhamos que ir pra esquerda e depois continuar em frente, e não continuar seguindo para a esquerda. Fomos nos embrenhando no meio do Capim elefante, e desviando dos charcos quando possível. Quando nos demos conta, já estávamos no meio do nada, dentro daquele verdadeiro labirinto, sem visualização alguma, devido a densa neblina que dominava o local. Se tivéssemos visualização, seria fácil prosseguir, pois a subida para o Cupim do Boi seria a montanha que estaria bem a nossa frente, mas nossa visualização era zero, escutávamos apenas vozes de pessoas dos outros grupos, mas era impossível saber de onde vinham. Conseguimos sinal do GPS do celular, e após afundar os pés por diversas vezes nos charcos avistamos o grupo do Nilson, que estava procurando o caminho para prosseguir na trilha. Assim, alcançamos o Rio Verde, nos abastecemos de água, e prosseguimos a trilha, agora sem maiores problemas, pois era só ir acompanhando a margem do rio. Encontramos diversos grupos mais a frente do rio pegando água, continuamos e paramos na parte mais a frente do rio para escovar os dentes e descansar. Na pressa de fugir do cume da Pedra da Mina não havia tido tempo de fazer isto ainda. Prosseguimos com a trilha, abandonando o rio e começando a subir em direção ao Cupim do Boi. Finalmente chegamos a uma área de acampamento bem plana, e ótima pra descansar depois de subir a pirambeira. Ficamos em duvida se deveríamos prosseguir, ou esperar pelos outros. Havíamos avisado que estaríamos esperando em um local protegido do vento, abaixo do cume da Pedra da Mina, mas a empolgação nos fez prosseguir. Sendo assim, resolvemos esperar um pouco na área de camping. Deitamos em nossas cargueiras e depois de alguns minutos vários grupos começaram a passar por nós, todos que passavam seguiam no sentido errado da trilha, e nós ficávamos ali indicando o caminho correto. Vários grupos paravam para descansar e conversar conosco, foi onde fizemos amizade com o grupo do Nilson, e com o grupo da Erika e Analú. Conversando com os grupos, chegamos a conlusão de que o melhor lugar para acampar seria na parte baixa do capim do Boi antes das base do Pico dos 3 estados. Como as meninas estavam indo na frente, pedimos para elas guardarem lugar no acampamento para nós em troca do café do Adilson, tudo na base da brincadeira, rs! Depois de algumas horas esperando, encontramos o Wagner, Douglas, Ju e Amanda. Eles haviam nos informado que os outros nem tinham saído do cume da Pedra da Mina quando eles começaram a descer. Com esta noticia, decidimos seguir a trilha em busca de acampamento, disparamos na frente até que os outros grupos sumiram de vista. Continuando a trilha, Eu, Ronaldo e Adilson estávamos num ritmo bem acelerado. Chato como sou, cheguei a dar uma reclamada dizendo que não havia necessidade de corrermos tanto, visto que o resto do grupo estava bem atrás, e tínhamos apenas uma barraca para montar acampamento. De nada adiantaria chegar cedo para guardar lugar sem barracas, diferente do que havíamos feito no primeiro dia. Eu disse também que queria tirar umas fotos, e curtir um pouco mais a trilha. O tempo estava começando a abrir, e eu queria tirar algumas fotos. Já estava meio desanimado em trilhar o dia todo com o tempo fechado, e já não tinha esperança de arrumar um bom lugar para acampar. Duas noites sem dormir mexem com o físico e psicológico. O pessoal concordou, e fomos um pouco mais devagar até chegar em outro ponto de acampamento, onde paramos para almoçar. Preparamos alguns Cup Noodles, e o Adilson fez (mais) um café. Estávamos ali no silencio, somente nos três quando escutamos o chão vibrando, como se fossem pessoas correndo. Não demos muita atenção, mas minutos depois ouvimos o mesmo barulho, ficamos em alerta, esperando que algo fosse sair da mata que nos rodeava. O Ronaldo em silencio falou pra que eu deixasse a câmera engatilhada. Escutamos o barulho novamente, mas depois sumiu. Logo apareceram o Daniel, Furtado e Clayton, que se juntaram ao nosso grupo que já estava bem próximo a subida do Cupim do Boi. Subindo a crista do Cupim do Boi, avistamos um vale, todos ficaram maravilhados com a vista e é claro que começou a sessão de fotos. Já no alto do Capim do Boi já era possível avistar o Pico dos 3 Estados, e algumas pessoas que já atacavam seu cume. Começamos a descer uma pirambeira, e no final dela adentramos em um bambuzal. Encontramos algumas pessoas montando acampamento e perguntamos se haviam mais locais para acampar a frente. O rapaz informou que havia, mas eles não quiseram ficar porque não daria para ficar todos juntos. Disse que um grupo havia chegado antes, e ficamos preocupados em não conseguir lugar para ficar. Não seria possível subir para acampar no cume do Pico dos 3 Estado. Se estava tarde para nós, imagina para o restante do grupo que havia ficado para trás? Arriscamos e quando chegamos na área de acampamento, para nossa surpresa tínhamos um lugar garantido para acampar. Lembram do grupo que havíamos oferecido café em troca de lugar? Pois é, as meninas reservaram um lugar para gente. Na minha opinião este é o melhor lugar de acampamento de toda a travessia. Chão plano, forrado de folhas e todo protegido pelas arvores e bambus. Conseguimos montar nossas duas barracas, e arrumar lugar para o restante do grupo que estava por vir. Quando estávamos terminando de montar nossa barraca, o Furtado chega e torce o pé, bem quando pisa no acampamento (Coisas que só ele consegue fazer rs). Perguntamos sobre o Wagner, Douglas, Amanda e Ju que tínhamos encontrado no meio da trilha, mas ninguém sabia deles. Podíamos jurar que eles não haviam passado por nós durante a trilha. Montamos nossa barraca, e deixamos o sobre teto e as outras coisas secando, que estavam molhadas devido ao mal tempo que havíamos enfrentado na noite anterior. Uma das primeiras coisas que o Adilson fez, foi fazer o café prometido, e serviu a todos que estavam com vontade de toma-lo. Antes de chegar neste ponto, estava desanimado. Tempo ruim,roupas molhadas, duas noites praticamente sem dormir, mas chegando no acampamento parece que tudo começou a melhorar e dar certo. Novamente comecei a me empolgar e as coisas começaram a dar certo. O tempo melhorou, estávamos protegidos do vento, e tinha a esperança de que finalmente conseguiria dormir. Enquanto ajeitávamos nossas coisas, o Ronaldo juntou galhos secos que haviam pelo chão para fazer uma fogueira durante a noite. Fizemos um jantar coletivo, cada um cedendo algo e o Adilson como chefe de cozinha e contando com a ajuda de algumas pessoas. Acendemos a fogueira com os devidos cuidados, e fizemos um belo de um banquete, nunca havia comido tão bem em um acampamento. Até tapioca e outros doces foram servidos, acabou virando o “Arraial do Adil” como alguns comentaram. E até minhas meias e botas que estavam molhadas consegui secar na fogueira. De fato as coisas estavam melhorando, e eu sentia que o dia seguinte seria ainda melhor. Dia 4 – Pico dos 3 Estados e o Bambu Finalmente depois de dois dias sem conseguir dormir, uma bela noite de sono. Roupa seca e local protegido do vento, contribuíram para que isto acontecesse. O Adilson até disse que eu ronquei rs. Havíamos combinado na noite anterior que caso o tempo estivesse bom pela manhã, iriamos tentar ver o nascer do sol do cume do Pico dos 3 Estados. Por volta das 4:00 da manhã escutei o pessoal do outro grupo desmontando o acampamento e vi que o tempo estava bom. Acordei o Adilson para ver se ele iria tentar atacar o cume do Pico dos 3 Estados, e de prontidão ele topou. Gritamos o Clayton que estava na barraca ao lado com o Daniel e eles também toparam. Demos umas beliscadas numas bolachas, avisamos o Ronaldo e o Furtado que iriamos partir e logo mais todos estavam de pé. Recolhemos nosso lixo, e partimos em direção ao cume do Pico dos 3 Estados. O inicio da trilha é bem Íngreme, e como o grupo que saiu antes da gente era grande a subida foi lenta. Começamos a subir por volta das 5:00 e a medida que íamos subindo o ceu começava a ficar avermelhado, dando indícios do nascimento do sol. Após subir um pouco, o grupo que estava na nossa frente nos deu passagem. Foi então que Eu, Clayton e Adilson assumimos a dianteira. Uma trilha que não conhecíamos, onde nos guiávamos apenas com o auxílio das luzes de nossas head lamps, disparamos no desespero de não querer sair da travessia sem ter visto ao menos um nascer do sol. Em poucos minutos já estávamos subindo a pirambeira dos 3 Estados, e avistando várias lanternas cada vez mais longe da gente. Uma cena muito bonita, varias luzes abaixo de nós e o céu ficando alaranjado. Subimos como se fossemos corredores de montanha, me sentia muito bem. Tinha conseguido dormir na noite anterior, me alimentado bem e com a cargueira bem mais leve. Estava voando na trilha. Chegamos antes do amanhecer e antes do sol começar a surgir, e ainda conseguimos um camarote no disputado espaço do estreito cume para conseguir ver o sol nascer. Após contemplar o lindo espetáculo, admirar a linda vista do cume dos 3 Estados e tomar (mais) um café preparado pelo Adilson, nos preparamos para descer. Novamente voltamos ao sobe e desce, desta vez partindo para o nosso ponto de resgate. Começamos a descer a pirambeira e comecei a sentir calor, paramos para tirar as camadas de roupa e seguimos em frente até chegar na parte baixa onde mais a frente encontramos o Wagner, Amanda, Douglas e Ju. Eles passaram nossa frente em algum ponto do dia anterior. Provavelmente quando paramos para fazer os Cup Noodles, eles decidiram tocar direto subindo o Pico dos 3 Estados, e desceram para acampar no descampado da parte de baixo. Não deve ter sido uma boa escolha, pois segundo eles pegaram muito frio e vento. Paramos para o Adilson fazer (mais) um café, e o pessoal comeu as tapiocas preparadas pelo Wagner. Logo à frente teríamos que enfrentar uma parte de escalaminhada, que aparentava ser bem perigosa. Até que uma das pessoas que estava vindo e iria passar no mesmo local nos informou que eles estavam indo pelo lugar errado. Quando estávamos de saída, notei que o meu corta vento não estava na mochila. O Ronaldo se prontificou a voltar comigo para procurar na trilha, mas para nossa sorte um grupo havia encontrado e estava procurando o dono. Fiquei muito contente e agradeci várias vezes o pessoal. Desta vez guardei o corta vento dentro da mochila, e quando estávamos de saída, o Marcelo apareceu. Ele iria nos acompanhar, mas como tinha acabado de chegar e o pessoal estava se preparando para desmontar o acampamento, sugerimos que ele descansasse um pouco e que seguisse com o pessoal. Fizemos a escalaminhada sem maiores problemas, descemos uma pirambeira para em seguida voltar a subir. Vira e mexe gritávamos “Fruviooooooooooooooooooo” que acabou virando o grito de guerra oficial da travessia. Desde o dia que o Fúlvio ficou pra trás, ficavamos gritando o nome dele, e logo vários montanhistas começaram a gritar também, sem fazer ideia de quem era o dito cujo, ou por qual motivo estávamos gritando. No último dia o Fúlvio já tinha virado uma celebridade. Todos estavam achando engraçado gritar “Fruvioooooooooooo” menos ele, não sei porque.. rs. Continuando a subir, chegamos ao Alto dos Ivos, onde encontramos um guia (super gente fina) que estava com um grupo e que ficou conversando com a gente. Um dos integrantes do grupo deles teve a ideia de juntar os dois grupos e gritar “Fruvioooooooooooooooooo” Quem sabe assim ele nos escutaria? Assim o fizemos e o Adilson registrou o momento em vídeo.. rs. A partir dai começamos a perder altitude, até chegar ao sitio do Pierre. Paramos em baixo das Araucárias para descansar e preparar o almoço. Novamente o Adilson preparando o rango, desta vez um talharim que logo após estar pronto ele acabou derrubando no chão.. kkk. A regra é clara, 5 segundos é o tempo de reaproveitar o que se cai no chão, conseguimos ainda aproveitar o que estava por cima.. rs. Aos poucos a galera foi chegando, e continuamos a descer até o ponto de resgate, que já era na rodovia em Itamonte. Como havíamos chegado 1 hora antes do horário combinado para o resgate, parte da galera queria ir comer pastel, resolvemos subir a rodovia andando para chegar até um bar que vendia os pasteis. O Wagner era o único que já tinha ido ao bar que servia os pasteis, e o mesmo nos informou que levaríamos cerca de 40 minutos para chegar até lá. E lá vamos nós subir cerca de 4Km depois de uma caminhada de 4 dias na Serra fina em busca de pasteis. Subíamos a rodovia atento aos carros que passavam próximos a nós, pois a mesma não possuía acostamento. No final da trilha, o Raul volta e mexe dava uns gritos xingando o Wagner por fazê-los andar novamente depois de ter terminado a travessia. Comemos, bebemos, mas havia um problema: No local não havia sinal de celular. O Marcelo ficou preocupado, pois não teria como avisar o nosso resgate que não estávamos mais no local combinado. Passado alguns minutos, escutamos o famoso grito “ Fruviooooooooooooo”. Para que todos caíssem na gargalhada. Não só nosso grupo, mas todos que estavam por perto. Eram o Furtado e Clayton, dentro da Van do nosso resgate. Por sorte eles tinham ficado lá atrás porque tinham achado uma cachoeira e estavam tomando banho. Viram nossa Van de resgate, acenaram e subiram até o bar que estávamos. Depois que todos estavam de barriga cheia, tiramos uma foto de todo pessoal em frente a Van, nos acomodamos e seguimos viajem de volta a São Paulo, com sensação de dever cumprido e todos contentes por terem superado este grande desafio que se chama Serra fina.
  11. Show o relato Vagner. Parabéns pela conquista, foi uma grande aventura com belas cachoeiras. Pena que eu não pude acompanhar, mas fica para uma próxima.
  12. Sengés é um lugar fantástico. Muito legal o relato. Parabéns pelo relato e pela conquista da base da cachoeira do vale do corisco!
  13. Da hora o relato. Agora falta você voltar lá e levara gente pra conhecer!
  14. Da hora Vagner, vocês tiveram muita coragem. Ainda não rolou minha ida ao Marins este ano, mas irá acontecer na hora certa. Show de bola o relato!
  15. Mais uma vez um relato show Vagner, Esta trip vai ficar na memória, uma das melhores que fiz com acampamento (e olha que não sou muito chegado a acampar).Foi tudo perfeito, até o que poderia dar errado deu certo. Show!!!
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