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  1. PICO YBIANGI (AGUDO DE SAPOPEMA) E SERRA GRANDE DE ORTIGUEIRA: Uma pequena aventura reverenciando os Templos do Montanhismo no Norte do Paraná Trip de 07 a 09/09/2012 (Feriado da Independência) Última edição/atualização em jan/2019 (Informações de referência e aspectos geográficos) por Getulio Rainer Vogetta ANTECEDENTES Todos os montanhistas e trekkers que conheço costumam manter um “caderninho” onde registram sua “lista de desejos” ou “afazeres”, aquelas aventuras que povoam seus imaginários aventureiros e desejam fortemente realizar algum dia na vida. Esse caderninho tem o condão, geralmente, de ser o fio condutor que leva à transformação destes sonhos em projetos e depois fazem destes projetos realidade. Por isso, além do próprio sonho costumam registrar outras informações relativas a eles, como dados de acesso e localização, dicas e quaisquer outras informações julgadas importantes. Não raro, mapas e até fotos são anexadas no tal caderninho, que hoje, obviamente com o avanço da informática, toma muitas vezes a forma de um arquivo eletrônico. Pois essa trip que passo a lhes relatar está no meu “caderninho” há pelo menos 6 anos, povoando meu imaginário aventureiro e, curiosamente, apesar de ser no Paraná (aqui no nosso quintal, como costumo dizer), era um dos “sonhos” menos documentados até bem pouco tempo atrás... Travei meu primeiro contato com o do Pico Agudo, sem saber, em 2006, quando já estava afastado do montanhismo há alguns anos por motivos alheios à minha vontade. Um amigo compartilhou comigo o que ouviu falar do lugar através de um conhecido dele e algumas poucas fotos, mas sem quaisquer menções a detalhes precisos, inclusive de nome e localização. Quando vi essas fotos que retratavam paisagens interessantíssimas, fascinado, imaginei de pronto uma visita àquela região, da qual nunca ouvira antes falar que possuísse montanhas dignas de uma investida. Nessa época uma série de fatores, somados à ignorância quase completa acerca do “objeto de desejo” me fizeram adiar qualquer plano sério de uma pernada naquelas bandas. Ficou lá anotado no caderninho laconicamente: “Montanha (?) no interior do Paraná, perto de Telêmaco Borba”, com cópias das poucas fotos - era toda a informação que eu possuía na época... Isso até meados de 2009. Nesta época, passeando pelo Google Earth e Panorâmio, ferramentas online que de certa forma se complementam e nos permitem viajar sem sair de casa, “voando” sobre o mapa repleto de fotos georreferenciadas dos locais, captadas e compartilhadas por seus usuários, deparei-me totalmente por acaso com um acervo de fotos que de imediato reacendeu minhas lembranças: um montanhista de Rolândia/PR, o Paulo Augusto Farina, possuía um belo conjunto de imagens do Agudo publicadas no Panorâmio, e com isso eu tinha a localização precisa do antigo objetivo (Sapopema/PR), além de mais algumas belas imagens para me servirem de inspiração. A partir daí o lacônico registro no caderninho começou a se transformar em algo cada vez mais palpável. Em 2010, depois de lentamente voltar às atividades de campo e começar a frequentar com mais atenção as páginas de sites como o Alta Montanha e o Mochileiros.com, me deparo com um relato muito bem feito, escrito pelo Danilo Dassi, um companheiro forista que visitara a região em out/2009 e fornecia informações preciosas sobre o acesso e localização do tal Pico Agudo (vide relato). Pouco tempo mais tarde este relato foi complementado por outro, do caminhante e desbravador paulista Jorge Soto, que também esteve na região e postou suas impressões e informações sobre o local. (veja aqui) Nesse tempo travei contato também com outro forista do Mochileiros.com que conheceu a região e publicou um relato sobre o feito (veja aqui), o companheiro Mageta, de Maringá, que em breve se tornaria um grande parceiro de montanhas e com quem formamos perenes laços de amizade. Não havia mais desculpa! Com informações fartas e precisas disponíveis faltava somente sincronizar a agenda com os companheiros para tirar os planos do papel. Passou-se o ano de 2011, 2012 já entrava no segundo semestre e, após algumas conversas com o Mageta e outros companheiros do ramo, combinamos de encarar o Agudo na primeira oportunidade propícia em agosto ou setembro. Finalmente a trip tomou forma e ganhou contornos de realidade quando efetivamente, de posse do respectivo “alvará” familiar, marcamos a data para o feriadão de 7 de setembro. Eis que o plano agora se tornaria realidade! O PICO AGUDO – Informações de referência e aspectos geográficos A montanha conhecida atualmente como Pico Agudo de Sapopema (há homônimos picos agudos em diversos pontos do território brasileiro) também é conhecida como Monte Ybiangi ou ainda Ybiagi, como referenciada em linguagem nativa (índios Kaingangs), encontra-se situada no território do município paranaense de Sapopema, com acesso pelo Distrito de Lambari, nas terras pertencentes à antiga Fazenda Inho-ó, distante cerca de 340 Km de Curitiba, às margens do Rio Tibagi, numa região que faz a transição entre o primeiro e o segundo planalto paranaense. Esta montanha é provavelmente uma das mais antigas a ser referida e constar na cartografia paranaense. Sua localização já era conhecida e referida em mapas no Século XVII - originada em registros de jesuítas espanhóis, constando na famosa carta geográfica intitulada “PARAQUARIA VULGO PARAGUAY : CUM ADJACENTIBUS”, que, segundo consta na obra do Barão do Rio Branco, teria sido produzida em Amsterdam por Joan Blaeu (1596-1673). Seu cume, a 1224m de altitude, segundo Reinhard Maack – primeiro geólogo e naturalista a explorar com rigor científico aquelas terras entre 1923 e 1930 – é um dos pontos mais altos da região norte do Paraná e situa-se num conjunto de montanhas chamado de Serra dos Agudos, que inclui outras elevações de destaque nas proximidades, como a Serra Chata (1080m) o Morro do Taff (1115m), a Serra Grande (1180m), o Morro do Meio (1110m) e o Pico do Portal (1040m), estas três últimas montanhas situadas do lado oposto do Rio Tibagi em relação ao Pico Agudo e às demais, já em terras de outro município vizinho: Ortigueira/PR. Os primeiros relatos em referência a esta montanha (Sr. Thomas Bigg-Wither - Primeiros Mapas das Províncias do PR e SC - 1872/1875), no entanto, remontam a 1840, época em que teria sido visitado pelo cartógrafo norte americano John Henry Elliott, acompanhado por Francisco Lopes, ambos a serviço do Barão de Antonina, durante a exploração dos sertões daquela então remota região, à época habitada apenas pelos índios Kaingangs. É preciso desmistificar a informação de que o Agudo de Sapopena (Monte Ybiangi) seria a montanha mais alta da região norte paranaense, pois isso não é verdade. Existem pelo menos outras três montanhas na região com altitudes absolutas maiores. O que faz o Monte Ybiangi ser tão espetacular é, sem dúvida, a sua majestosa proeminência, pois se debruça sobre o vale do Rio Tibagi, formando um desfiladeiro entre si e a Serra Grande, separados pelo Rio Tibagi (conhecido no passado como Rio Latibagiba), que é tido como o cânion mais profundo existente em terras paranaenses, chegando a incríveis 700m de profundidade, segundo revelaram estudos realizados por pesquisadores da UFPR. As imponentes paredes rochosas que cercam o Monte Ybiangi oferecem inúmeras vias de escalada, muitas a desbravar, para a alegria dos iniciados neste esporte. Escaladores de destaque no cenário estadual como Andrey Romaniuk, Alessandro Haiduke e Elcio Muliki, dentre outros, têm explorado a área e relatam a abertura de novas vias a cada visita, tendo conquistado inclusive o cume da “Torre Menor”, formação ao lado do maciço principal do Monte Ybiangi, batizada de “Agulha Reinhard Maack”, no carnaval de 2011. O ACESSO À BASE DA MONTANHA – Viagem, panes, e muita poeira... Com a data e as equipes definidas – Eu, Zeca, Serginho e Luís (todos Montanhistas de Cristo, de Curitiba) mais 4 companheiros integrantes do grupo “Trekking Maringá Adventure” – Mageta, Luciana, Igor e Frederico os dias passaram rápido e começou a reinar em mim aquela pequena e positiva “tensão” que antecede uma trip há muito desejada. Tensão esta que ganhou contornos de desespero e raiva quando na quinta-feira (06/set), véspera do “Dia D”, após ter retirado o jipe da oficina para a revisão de praxe, eis que depois de rodar uns 25 Km e estacionar na rua, isso lá pelas 19:30h, percebo uma enorme poça de óleo no asfalto sob o motor... Raios!!! Pensei. Agora ferrou tudo! Liguei na hora para o meu mecânico, que já estava na estrada, viajando com a família para aproveitar o feriadão, mas que prontamente acionou um de seus funcionários para me socorrer de última hora. Jipeiro geralmente é cliente VIP de oficina. Beleza! Vamos ver no que dá (pensei)... Depois de quase 2 horas de espera, por fim, às 22h, em casa, eu e o assistente do meu mecânico concluímos a troca de uma pequena mangueira de retorno de óleo do motor que havia se rompido, causa daquele diacho de vazamento. Demos por resolvida a questão. O alívio foi enorme depois de um susto daqueles, que quase nos tira da jogada, visto que com as viagens programadas pelas nossas famílias não iria dar tempo de preparar qualquer outra alternativa de transporte naquela altura. “Em dia de vitória ninguém fica cansado”, já dizia um provérbio árabe. Com estas palavras na cabeça, às 3:30h salto da cama acordado pelo galo do despertador do celular e me preparo rapidamente. Tralhas devidamente embarcadas no jipe, acabo perdendo um pouco mais de tempo do que o desejado para fixar o estepe no teto do jipe, saindo de casa já um pouco atrasado. Pelo caminho foram embarcando os companheiros de indiada, em diferentes pontos da cidade, conforme combinado. Cerca de 5:30h já estávamos deixando Curitiba pela BR-376 em direção ao Norte do Paraná, para nossa surpresa com um enorme congestionamento pela frente já àquela hora da madrugada. Na rodovia o exercício de paciência seria inevitável com o anda-e-pára, agravado por uma neblina que insistia em perturbar ainda mais o nosso deslocamento de tartaruga-paraplégica-com-preguiça. Até a Praça de Pedágio de São Luiz do Purunã o trânsito intenso na saída da capital paranaense foi tenso e demorado. Levamos cerca de 2h para andar 50 km. Dali em diante a viagem fluiu melhor, graças também ao “mágico aparelhinho” que nos faz passar ao largo das intermináveis filas das praças de pedágio por uma cancela automática na pista direita, artifício que já uso há alguns anos para escapar dessas situações desagradáveis, especialmente nos feriadões. Cerca de 10h atingíamos a cidade de Sapopema, no Norte do Estado, distante cerca de 320 Km de Curitiba, pela rota Telêmaco Borba - Curiúva. Pequena pausa para esticar as pernas, banheiro, comprar água para o estoque e fazer um rápido lanche antes de encontrar o pessoal de Maringá no ponto previamente combinado: o trevo de acesso ao Distrito de Lambari. Este “trevo” é na verdade uma simples interseção à esquerda da rodovia PR-090 para quem segue de Sapopema sentido Londrina, discreto mas sinalizado (atenção à placa), distando 7,8 Km da entrada principal daquela cidade, para quem vem de Curiúva. Ali começa a estradinha de saibro que dá acesso à base do Pico Agudo, que se encontra distante 22,5 Km (distância medida no GPS). Chegamos cerca de 10:30h e fizemos as devidas apresentações (não conhecíamos os 3 amigos do Mageta), fizemos a foto do grupo e partimos. Assim nosso grupo, agora composto por 8 pessoas, parte pela estradinha vicinal em 3 veículos: um Gol e 2 jipes, o “Panzer” (JPX Montez verde) e o “Tatu de Chuteiras” (Toyota Bandeirante azul), do Mageta. Seguimos pela estradinha por cerca de 20 minutos até atingirmos o Distrito de Lambari (5,6 Km), onde fizemos nova parada para tomar uma bebida gelada, pois o calor insuportável e a poeira daquele pequeno trecho já havia nos deixado de garganta seca. Ali acertamos com o dono de uma mercearia para deixar estacionado o Gol do pessoal de Maringá, pois as previsões eram de estrada ruim até a base da montanha (cerca de 16,9 km) e havia espaço de sobra no jipe do Mageta que seguia praticamente vazio. Minutos depois continuávamos nosso poeirento deslocamento rumo ao Agudo, passando pela sede da Fazenda Primor e por outra pequena vila - o Assentamento São Luiz. Alguns quilômetros à frente e cruza-se por dentro d'água um riachinho que corta a estrada, para logo depois passar por dentro de uma grande área de reflorestamento, já nos domínios da RPPN Fazenda Inho-ó. Logo chegamos numa porteira trancada, ao lado de uma pequena casa de sítio. Ali um capataz controla o acesso ao restante da estrada que leva aos pés do Agudo e depois de uma rápida conversa fomos liberados e continuamos pela estradinha, não à frente, pela continuação óbvia da estrada, mas manobrando pela esquerda, ao lado da casinha do “porteiro”, direção 8h. Seguindo, logo depois, num longo trecho de descida, nós que vínhamos atrás do “Tatu” percebemos que o Toyota vinha andando meio de lado. Alguma coisa estava errada e logo buzinei pro Mageta parar a viatura. Em rápida verificação percebemos que o feixe de molas do lado esquerdo havia se soltado do grampo de fixação do eixo, fazendo com que o pneu traseiro esquerdo raspasse no feixe de molas, desalinhando o veículo e causando risco de outros problemas. Putz! E agora? Todos manifestam preocupação com a situação... Agora, o jeito é tentar consertar, “iniciando” a turma nas “artes jipeiras” da manutenção de viaturas em campo e tirar as teias de aranha da minha caixa de ferramentas de viagem (há tempos não usada), posto que o Mageta não possuía este tipo de “acessórios” na sua viatura. Uns 20 minutos de trabalho depois, sob o sol escaldante e enfiados embaixo da viatura, eis que esta andava novamente, agora guiada numa tocada bem cuidadosa para ver se conseguiríamos chegar até a base do Agudo com a Band naquela situação. Só que mesmo com todo o cuidado o problema voltava a aparecer, já que com o pino de centro do grampo da mola quebrado a situação não tinha como ser resolvida totalmente com os recursos à nossa disposição ali. Fomos obrigados a fazer nova parada para endireitar o eixo e reapertar parafusos, mas depois, por fim, decidimos deixar o jipe no último sítio antes de nosso objetivo, fazendo dali a baldeação final da turma toda com apenas um jipe até a base da montanha, a cerca de 3 Km de distância. (AGORA SIM) A SUBIDA DO AGUDO Com o contratempo mecânico da Toyota Bandeirante, somado à baldeação de todo o grupo e as suas mochilas com apenas uma viatura e mais um pequeno passeio extra de reconhecimento que fizemos com o jipe pela estrada depois do sítio do Sr. Livercindo, iniciamos a caminhada de ascensão ao cume do Agudo efetivamente às 14h, sob um sol escaldante, daqueles de rachar mamona. Começamos a trilha um tanto apreensivos devido à quantidade de carros ( estacionados ali no sítio, sinal de que havia bastante gente na montanha, fato confirmado pelo Sr. Livercindo, que de forma muito gentil nos cedeu simplesmente o melhor espaço para estacionar o jipe: dentro do seu terreiro cercado, sob uma espetacular e frondosa sombra de árvore! A trilha se inicia na beira da estradinha, pequena descida, num trecho descampado e erodido a cerca de 50m da casinha do Sr. Livercindo, olhando da frente desta em direção ao Agudo, que se ergue majestoso dominando a paisagem. Cruza-se uma porteira de arame e caminha-se numa trilha bem definida por um curto trecho de pequenos arbustos e toiceiras de capim alternados com terra nua, sempre em direção à mata nos pés da montanha. Outra porteira de arame e se atinge um pequeno açude à direita, onde um cavalo desdenhosamente se banhava na água lamacenta. Rompemos (literalmente, mas sem querer) uma cerca de arame farpado logo no início da florestinha, depois da área descampada do açude, seguindo na trilha batida pela mata adentro, que passou a nos cobrir com uma sombra providencial. Poucos minutos depois e nos deparamos com o pequeno riacho de leito pedregoso totalmente seco em função da prolongada estiagem na região. Segundo relatos dos moradores da região já se passavam mais de 60 dias sem uma chuva significativa por ali. Aquele era o último ponto de água conhecido e estava completamente seco. Como já imaginávamos esta situação saímos carregados de água desde a vila do Lambari (a água na propriedade do Sr. Livercindo, pelas informações que tínhamos, não é das mais confiáveis devido à grande quantidade de suínos criados soltos por ali). Ainda naquela primeira mata encontramos o primeiro grupo de “aventufeiros” que nos confirmou o óbvio (que havia bastante gente na trilha) e, fato novo, que eles não haviam encontrado o caminho para o cume! (Grande sorte a nossa, já que segundo eles tinham ido para pernoitar na montanha). Informaram ainda que alguns membros do seu grupo subiram a trilha sem as mochilas para ver se conseguiam atingir o cume e depois voltariam. Mais rápido do que gostaríamos, estávamos saindo da mata para o primeiro trecho da trilha em meio ao tão falado (e xingado) capim “colonhão”, que com o tempo seco e a quantidade de pessoas que têm frequentado aquela montanha estava bem demarcada e aberta, com o tal capim bem baixo e seco na maior parte do percurso, não oferecendo qualquer enrosco ou problema de navegação visual. Dali, olhando para cima, percebe-se a grande linha reta que é o traçado da trilha, naquele trecho acompanhando por centenas de metros uma cerca de arame farpado (pela direita de quem sobe). Apenas a íngreme subida e o calor do sol martelando nossas cabeças nos castigavam, fazendo a curta e forte subidinha parecer interminável. Encontramos logo adiante outro grupinho descendo, estes sem mochilas, que nos informou novamente que havia bastante gente na trilha lá para cima e, sarristas, nos disseram na maior gozação que a gelada que nos esperava lá em cima já estava paga... Rsrs! Tá bom, o “Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa também estão aguardando vocês ali embaixo”, retruquei... Vencido o primeiro trecho de subida pela encosta recoberta de capim colonhão, vem outro trecho de mata onde adiante resolvemos fazer uma pausa para lanche e descanso aproveitando uma pequena clareira ao lado do que nos pareceu um chiqueirão abandonado. Recompostos do calor, partimos rumo ao segundo trecho de capinzal, aqui um pouco mais fechado, mas que ainda nos deixava bem expostos ao sol, agora em um aclive de terreno bem mais forte que no trecho anterior. Várias pausas para retomar o fôlego e logo chegávamos à base da parede rochosa da montanha, divididos em dois grupos devido ao ritmo da subida. Nós da retaguarda escutávamos o pessoal adiante, mais acima, onde começavam a escalaminhada: “cuidado com a Pedra!” Logo os sons de alguma pedra rolando, seguido pelos gritos de “pedra!” se tornaram mais frequentes e aí nós é que estávamos tentando nos equilibrar nos barrancos e fendas arenosos e erodidos e também derrubando nossas pedras. O trecho final antes do cume seria de escalaminhada e a trilha estava bastante erodida em alguns pontos, apresentando um terreno fofo e muito arenoso na base rochosa da montanha. Ali deve se prestar bastante atenção e tomar cuidado para não escorregar (grande inclinação), especialmente pelo fato do terreno se desagregar muito facilmente com as pisadas, literalmente constituindo-se de uma terra marrom escura e solta, igual a uma areia grossa. Além do pó que se erguia a cada escorregada do companheiro da frente, fazendo-nos literalmente comer terra, no meio daquela farofa haviam pedras soltas que ora ou outra se desprendiam e rolavam trilha abaixo. Com isso, diminuímos o ritmo e procuramos deixar uma distância maior entre cada indivíduo do grupo de forma a evitar acidentes. Como o Mageta levou um pedaço de corda, um dos trechos aparentemente mais difíceis da subida em escalaminhada (especialmente com a cargueira nas costas) foi vencido facilmente e em poucos minutos. A corda foi providencial, pois com o nível de erosão das margens da trilha em muitos pontos fica difícil se segurar sem apoios em rocha ou mesmo tocos de árvores ou raízes com o piso se esfarelando sob os pés. Os poucos apoios mais firmes, após a passagem de duas ou três pessoas começavam a afrouxar dada a erosão rápida do terreno. Com isso a corda também contribuiu para reduzir bastante o impacto de nossa passagem. Mais adiante na subida, em outro lance onde fixamos a corda para auxiliar na subida, encontramos um grupinho descendo (descobrimos que era parte do primeiro grupo que encontramos na trilha, e que não havia encontrado o caminho para o cume. Tinham subido sem as mochilas e conseguiram, afinal, chegar ao alto e naquele momento retornavam). Pegaram carona em nossa corda e se foram. Logo depois atingíamos a famosa “Pedra da Desistência” (onde havia uma inscrição na rocha induzindo os desavisados a desistirem dali), da qual sequer tomamos conhecimento. Mais um curto lance de escalaminhada de uns 15m, agora mais exposta mas contando com apoio em rocha e já galgávamos a crista que leva ao cume, agora em terreno firme e recoberta por um manto arbustivo típico da flora de altitude. Enfim no cume do Pico Agudo de Sapopema! Exatamente às 16:20h depois de exatas 2:20h de caminhada e escalaminhada. Nossa vanguarda (Zeca e Serginho) alcançou o topo uns 40 minutos antes e já estavam até com a sua Manaslu montada quando atingimos a área de acampamento. Euforia geral com a vista dali, simplesmente espetacular, apesar de pairar no ar uma névoa seca, resultado do tempo extremamente seco (que dispersa muitas partículas no ar) e da fumaça (junto com o cheiro característico) oriunda de uma grande queimada que ardia na mata de encosta na base oriental do Agudo, junto à margem do Rio Tibagi, no lado oposto ao da encosta que subimos. Um verdadeiro crime contra o meio ambiente, provavelmente realizado no intuito de abrir áreas para pastagens, já que na região predomina a pecuária de corte. Só o nosso grupo no cume. Espaço de sobra para montar as barracas e curtir o lugar. Com o sol baixando no horizonte aproveitamos para explorar rapidamente a área de cume e captar o máximo de fotos possível no tempo de luz ainda disponível. Em seguida tratamos de montar acampamento e rapidamente as duas pequenas clareiras planas e limpas do topo do Agudo foram ocupadas pelas nossas barracas. Aqui uma pequena dica: como o terreno é arenoso e fofo, espeques muito finos e curtos não dão boa sustentação às barracas que não sejam autoportantes (como a Azteq Nepal que usei nesta ocasião), por isso convém levar espeques mais longos e/ou aqueles genéricos, em formato triangular de alumínio, que me proporcionaram melhor fixação no solo do que os originais cilíndricos. Outro alerta que fazemos é sobre a área de acampamento. Evitem abrir novas clareiras ou ampliar as duas já existentes, que acomodam 5 barracas (2P) de forma apertada. Há pouco mais de um ano era apenas uma clareira com espaço para somente duas barracas. A vegetação do cume é frágil e a fina camada de solo arenoso, quando exposto, tende a ser lavada pelas chuvas expondo a rocha, o que fatalmente obrigará a abrir novos pontos de acampamento, ampliando ainda mais o processo de degradação. Nem preciso falar sobre fogueiras, prática totalmente condenada em qualquer montanha e da qual, felizmente, não vimos sinais por ali. Logo somos vencidos pela fome e a nossa cozinha comunitária, instalada convenientemente sobre uma laje de pedra, nos fornece as tão aguardadas refeições. Desta vez cometi a tremenda gafe de esquecer a mistura de fubá para a polenta da nossa combinada janta comunitária, então o jantar foi um improviso de macarronada com molho de tomate e calabresa preparada pelo Zeca, servida logo depois de uma reforçada rodada de calabresa frita para aperitivo. Houve quem preferiu o consagrado macarrão instantâneo (daqueles de copinho ainda), mas fome ninguém passou. Como a noite estava bastante quente, ficamos um bom tempo conversando sobre as pedras e o nosso companheiro Fred, deitado sobre o isolante logo dorme ao relento sob o teto celeste, absurdamente estrelado. Às 22h os remanescentes da roda de conversa se recolhem às barracas e, um a um, caímos todos em um sono absurdamente tranquilo, ao som da água nas corredeiras do Rio Tibagi, logo abaixo de nós. Apesar de dormir em um local bem exposto no alto da montanha, não havia qualquer sinal de vento ou chuva, o horizonte estava totalmente aberto e reinava um calor sufocante. Nem mesmo o ronco de alguns expedicionários chega a incomodar o grupo, embalado nos braços de Morpheu. Sou acordado às 5:20h pelo Serginho com o seu brado de “bom dia Vietnam!” A luz matutina já ilumina o acampamento mesmo antes do sol despontar no horizonte e começam a se perceber nitidamente os contornos das montanhas em redor, como a Serra Chata - à leste, o Morro do Taff - ao norte e o imponente chapadão da Serra Grande - a oeste, do outro lado do Rio Tibagi, objetivo seguinte do nosso planejamento para aquele feriado e que passamos a “namorar” dali para a próxima incursão daquele dia e domingo, visando subi-la. Apesar de estar tão “pertinho” ali do Agudo, chegar do outro lado implicava uma grande volta, de cerca de 120 km, já que em casa havíamos analisado previamente os possíveis roteiros e os mapas a respeito. À medida que o dia vai clareando percebemos a dimensão do fantástico espetáculo que se descortina abaixo de nós. Todo o curso do Rio Tibagi encontra-se encoberto por uma espessa camada de nuvens, com as montanhas em redor se elevando sobre elas, como se fossem ilhas em meio a um rio de nuvens, criando um ambiente ao mesmo tempo belo e surreal, daqueles que se vêem apenas nos filmes que retratam mundos paradisíacos, longínquos e perdidos. Aos poucos o acampamento vai criando vida, com os demais companheiros saindo de suas barracas. Como no horizonte longínquo há uma espessa bruma devido ao longo período de estiagem, o disco solar demora a aparecer no horizonte, tingindo de vermelho o céu enquanto seus os raios de luz passam a revelar as diversas faces das elevações em nossa volta, antes obscurecidas pelo manto negro da noite. Um espetáculo difícil de descrever e que somente quem já o assistiu no alto de uma grande montanha, sabe como é, e que ali no alto do Agudo ganha uma feição toda especial. Um imenso e indizível êxtase de liberdade e adrenalina misturado ao mesmo tempo com uma sensação de grande paz e tranquilidade. Muitas fotos depois (o amanhecer é um dos melhores momentos do dia para se obterem ótimas imagens com inúmeras nuances de brilho, cor e luminosidade), cada um vai preparando o seu desjejum. Enquanto isso eu, o Mageta e o Serginho nos dedicamos à tarefa de instalar o novo livro de registros no cume (que sabíamos estar ausente) e repor a tampa do tubo de PVC que o protege, anteriormente depredada. Cumprimos a tarefa rapidamente e efetuamos os devidos registros, ao que rapidamente fomos seguidos pelos demais. No fim o Serginho ainda deixou uns adesivos de seu “patrocinador” como brinde no saco plástico com o qual protegemos o caderno. Mais fotos, de todos os ângulos possíveis e imagináveis (incrível como o Pico Agudo, suas formações rochosas e seus arredores são fotogênicos). Destaque, no cume sul, para a vista da Agulha Reinhard Maack, suas fendas e blocos de rocha superpostos, iluminada pelos raios do sol e para as chamadas Corredeiras do Inferno, no Rio Tibagi, que com o nível muito baixo de suas águas formava diferentes praias nas margens. Desmontamos acampamento e demos por concluída nossa estadia naquele lugar especial. Iniciamos o retorno, descendo a montanha às 10:30h. O calor já nos fustigava, pois todo o primeiro trecho de descida na encosta alta do Agudo é exposto ao sol. Muita poeira também. Como sempre, caminhamos em dois grupos, um destacamento mais “avançado” (neste caso beem avançado), praticamente descambando morro abaixo, e o outro, mais cuidadoso e lento, na retaguarda, onde me incluo. Se a subida já foi um pouco tensa em certos trechos a descida nos reserva alguns trechos digamos bem “emocionantes”. Com pouquíssimo ou nenhum apoio para a desescalaminhada, terra e pedras soltas ao serem pisadas levantam muita poeira e nos pregam alguns sustos por conta dos escorregões, que em virtude da altura de uma possível queda e das pedras onde se poderia “aterrizar” não inspiram muita tranquilidade. Em dois trechos mais complicados o Mageta ancora novamente a corda para o apoio na descida, que além de novamente nos poupar algum tempo também poupa a montanha de algumas agressões involuntárias de nossas passadas e escorregadas, pois é virtualmente impossível não erodirmos o terreno. Cabe aqui a observação de que estaremos sugerindo entre as entidades de montanhismo paranaenses a realização de trabalhos de contenção e a instalação de cordas fixas nos trechos mais frágeis da encosta (sabemos da existência do Clube de Montanha Norte Paranaense, tentamos contato, mas ao que parece está inativo). Não pela facilitação do acesso, mas é que pelo movimento que a região tem atraído (cruzamos com pelo menos 20 pessoas subindo ou descendo o Agudo, em 2 dias), somado às condições do terreno, bastante arenoso, há grande tendência de destruição dos poucos remanescentes de vegetação ainda existentes nas bordas da trilha, agravando ainda mais a situação de exposição do solo, pois é onde o pessoal tende a se agarrar na falta de outros tipos de apoio. Na época de chuvas que se inicia com a primavera a situação da trilha só deve piorar, aumentando ainda mais a exposição do solo. Vencidos os trechos de desescalaminhada da encosta e com a garganta e nariz secos de tanto engolir e respirar poeira, começamos a descer pelo primeiro trecho de capinzal, o que em muitos pontos também envolvia alguma complexidade, visto que a inclinação do terreno, o solo arenoso exposto em vários locais (com pouquíssima aderência) e o peso das mochilas nas costas nos faziam escorregar, às vezes mais de 1 metro, nas passadas. Em alguns momentos tivemos que recorrer ao quinto apoio para não sofrer um acidente. Nada que uma dose extra de atenção e alguns minutos mais sob o sol forte não resolvessem. A recompensa logo veio sob a forma de uma pausa para respirar e se refrescar na sombra da mata abaixo, em que logo adentramos. Logo vencíamos o outro trecho de capinzal seco sob o sol escaldante para em seguida atravessar o último trecho de mata. Poucos minutos depois, embalados na descida já cruzávamos o leito seco do riachinho, a cerca e o descampado ao lado do açude, enfrentando então a última porção de terreno aberto. Na chegada encontramos nossa vanguarda se refestelando sob a sombra das árvores no quintal do Sr. Livercindo, com o qual conversavam e logo também nos abrigamos na sombra. Aproveitamos uma mangueira com água corrente na cerca próxima para nos lavar e logo iniciamos o embarque do pessoal e suas mochilas para o retorno. Nos despedimos da família de sitiantes, retornando ao ponto onde ficara estacionado o jipe do Mageta em duas viagens para transportar o grupo todo. Ali, depois de um novo reparo na suspensão da Band, embarcamos o pessoal distribuído nas duas viaturas e tocamos o retorno num ritmo bem cuidadoso. Logo, ao chegar à porteira trancada descobrimos que a passagem é cobrada (R$ 10,00 por veículo!). O Mageta, que ía na frente, ainda tentou argumentar com o porteiro, mas não teve jeito. Acabou conseguindo um desconto (pagamos R$ 16,00 os dois jipes) e agora, liberados para seguir viagem, novamente levantávamos poeira em direção ao Distrito de Lambari, onde ao chegar, fizemos uma breve pausa para resgatar o VW Gol da turma de Maringá e tomar uma gelada, seguindo rumo à Sapopema. SALTO DAS ORQUÍDEAS Na cidade precisávamos buscar uma solução para o problema da suspensão da Bandeirantes, então paramos num posto de combustível na entrada de Sapopema em busca de uma oficina. Ali permanecemos algum tempo e descansamos do terrível calor que fazia. Após algumas conversas no posto o Mageta logo encontrou um mecânico ali perto e foi verificar, mas voltou avisando que o serviço iria demorar, então resolvemos em conjunto com os demais de esperá-lo numa atração turística bem próxima, o Salto das Orquídeas, uma sucessão de belas e refrescantes quedas d'água formadas pelo Rio Lambari, a 3,5 quilômetros da entrada da cidade e cujas fotos havíamos observado dias antes pela internet. Parecia interessante, especialmente pela possibilidade de um refrescante banho naquele calor e seguimos para lá, curiosos. O Salto das Orquídeas fica numa propriedade particular, também uma RPPN, que explora a visitação do local mediante a cobrança de uma pequena taxa de visitação (as placas informavam R$ 3,00), permitindo camping, pesca (em açude delimitado) e banhos no Rio Lambari que forma várias quedas d’água. Na entrada da propriedade há uma lanchonete anexa que vende bebidas e lanches. Na verdade encontramos de cara uma baita farofagem, com direito a som alto tocando músicas de gosto duvidoso, o que afastou de imediato a tênue ideia que nos passou pela cabeça de passar a noite ali. Para piorar ainda mais a situação ficamos sabendo por um carro de som que haveria um comício ali horas mais tarde, de um dos candidatos a prefeito da cidade. Desta forma estacionamos as viaturas, vestimos roupas de banho e andamos em direção ao rio para descobrir o que o lugar poderia nos oferecer enquanto esperávamos o conserto do jipe do Mageta. Imaginamos um bom banho de cachoeira para refrescar o corpo do calor e da poeira acumulados nas horas anteriores, e foi o que conseguimos. Saindo da área de estacionamento em direção ao rio andamos cerca de 1 km, sendo um pequeno trecho de estradinha e o restante nas margens e depois dentro do rio, cujo nível encontrava-se bem abaixo do seu normal. Depois de um longo trecho andando na água e saltando pedras, acompanhando o leito do rio por jusante, chegamos ao primeiro salto, por cima, com uma sucessão de degraus de pedra que desescalamos pelas laterais para chegar à base. Havia outras quedas maiores adiante, seguindo o rio, mas decidimos ficar por ali e tomamos uma boa ducha na refrescante cascata, o que foi muito revigorante após todo o calor e toda a poeira do dia. O detalhe é que já se passavam das 17h e, afastada definitivamente a possibilidade de pernoitarmos em Sapopema, os dois grups defendiam objetivos conflitantes. Nós, de Curitiba, pensávamos em seguir rumo à Ortigueira para ao menos tentar explorar no domingo a Serra Grande, o chapadão que tanto nos deslumbrara do outro lado do Rio Tibagi enquanto estávamos no cume do Agudo. O Mageta, que acabara de chegar da oficina com a sua viatura consertada acabou optando, junto com os companheiros de Maringá, em seguir para a cidade de Faxinal, para um programa de relax que estaria no seu caminho de casa. A partir disso nos despedimos e nos separamos. Pegamos a estrada rumo a Curiúva e depois Telêmaco Borba (seria uma grande volta de mais de 120 km só de asfalto) entre Sapopema e Ortigueira e pretendíamos cumprir este trajeto rodoviário ainda naquela noite, para dormir o mais próximo possível do nosso objetivo no outro dia. Jantamos na estrada e após cerca de 2h de deslocamento, nos instalamos num pequeno hotel na entrada do município de Ortigueira. O plano a partir disso era tomar um banho, descansar, e sair de madrugada em direção ao Distrito de Natingui, por onde se faz o acesso à Serra Grande, seguindo sempre por estradas de terra. A CONQUISTA DA SERRA GRANDE Antes das primeiras luzes do domingo estávamos reembarcando as mochilas na viatura. Pé na estrada e, raiando o dia, já havíamos cruzado o “centro” da cidade de Ortigueira e assistíamos agora o espetáculo de um sol vermelho se erguendo no horizonte na estrada rural a caminho da vila de Natingui. Sabíamos que até a tal vila seriam cerca de 45 Km de estradinhas e assim fomos tateando, tentando acelerar ao máximo o deslocamento, mas a estradinha em alguns trechos era muito precária, não permitindo desenvolver mais do que 30-40 Km/h. Pouquíssimo movimento na estrada. Paramos também sobre uma ponte de concreto que cruza parte do lago da Usina Mauá e, obviamente, fizemos algumas fotos. Pouco antes das 8h chegávamos à vila de Natingui, onde paramos para um rápido lanche e para nos informar sobre o acesso para a Serra Grande. Seguimos o rumo e as indicações recebidas e cerca de 40 Km e 1 hora depois estávamos aos pés do nosso objetivo. Decidimos contornar o maciço montanhoso pela esquerda (norte) e assim fomos seguindo a estradinha, que a cada km percorrido parecia ficar cada vez mais estreita e precária. Em dado momento atingimos a extremidade norte da Serra Grande, de frente para o Morro do Taff e para uma curva de 90 graus do Rio Tibagi. Tínhamos dali uma vista maravilhosa das redondezas. O progresso foi lento devido às incríveis paisagens e nossas paradas para fotografar e observar tudo. Continuamos avançando pela estradinha, alternando paradas de contemplação e fotos com deslocamentos e agora adentrávamos nitidamente nas áreas das propriedades rurais existentes aos pés da Serra Grande, onde éramos obrigados a parar a cada instante para abrir e fechar porteiras (aliás o Serginho nunca abriu tantas porteiras na sua vida como naquele dia, tamanha a quantidade delas que cruzamos, dos mais variados tipos e tamanhos). Começamos então a percorrer toda a extensão de terreno que observamos anteriormente do alto do Pico Agudo, acompanhando na direção noroeste-sudeste a encosta oriental da Serra Grande. Seguíamos a precária estradinha, muito acidentada em alguns pontos, praticamente um off-road, numa linha quase paralela ao traçado do Rio Tibagi. Cruzamos pelo menos 3 sítios com áreas de campos, reflorestamentos de pinnus, pastagens e mangueiras, bem como enormes rebanhos bovinos. No entanto não encontrávamos viva alma humana... Ninguém! Achamos estranho, mas fomos seguindo. Em alguns trechos a estradinha sumia no campo e éramos obrigados a procurar a rota. Diversas paradas para captar fotos de variados ângulos do Pico Agudo, do Rio Tibagi e suas corredeiras e das paisagens exuberantes na encosta da Serra Grande, que acompanhávamos. De repente cruzamos com um cavaleiro, meio assustado, talvez com a nossa presença naqueles longínquos rincões. Levamos praticamente 2h para acompanhar toda a face leste do maciço para então, por volta de 11:30h estacionar na área da Fazenda Serra Grande, localizada num belo platô entre a Serra Grande e outra montanha a sudeste, o Morro do Meio, outra elevação de destaque na paisagem, cujo cume se ergue à cota dos 1110m segundo as cartas topográficas. A fazenda, que também encontramos deserta, era o ponto ideal para servir de base em nossa ascensão à cumeeira da Serra Grande e assim, deixamos o jipe para subir a pé a estradinha que nos separava daquele derradeiro objetivo antes de voltar para casa. Quase uma hora de caminhada depois, com nossas cacholas fritando durante a subida pela estradinha que parte da fazenda e lá estamos nós no alto no setor sudeste da Serra Grande, com seus 1170m (IBGE), observando quase da mesma altitude o Agudo de Sapopema e a grandiosidade daquele vale formado pelo Rio Tibagi, pontuado por montanhas de diferentes formatos e belezas. Constatamos que poderíamos ter atingido a extensa área de cume de jipe pela estradinha se quiséssemos e que lá em cima existem duas linhas de cumeada com um pequeno vale e campos entre elas, onde pastava um enorme rebanho bovino. Isso era diferentemente do chapadão quase plano que se poderia imaginar olhando do Pico Agudo. Outra constatação foi de que a área, outrora, provavelmente fora recoberta com uma mata bem mais densa, a julgar pelos vários troncos calcinados de árvores de médio porte que encontramos ainda de pé naquela área, indicando que em algum momento pretérito as queimadas transformaram a paisagem e consumiram a vegetação de altitude dando lugar ao pasto para os ruminantes. Percorremos apenas um pequeno trecho da extensa linha de cumeada oriental da Serra Grande na direção sudeste-noroeste acompanhando a encosta oriental e atingimos uma elevação que, tudo indica, deve ser o ponto culminante daquele conjunto, encimando um magnífico paredão rochoso que se projeta sobre o vale do Rio Tibagi (a apenas 20m de altitude abaixo da medida por GPS que obtivemos no cume do Agudo). Foi mais do que suficiente para nos proporcionar o gosto da conquista. O pouco tempo remanescente antes de iniciarmos nosso fatídico retorno às atividades mundanas na capital paranaense não nos permitiria explorar mais nada diante da longa viagem de regresso (cerca de 80 Km de estradas de terra e quase 300 Km de asfalto até Curitiba e que deveriam invariavelmente ser percorridos ainda naquele dia). Obtivemos o privilégio de conquistar outra montanha na mesma trip e isso já nos deixava satisfeitos. Admirados com os visuais, captadas algumas fotos, iniciamos a descida às 13h, imaginando e discutindo durante a descida outra incursão por ali. Era o nosso alento naquele “final de festa”. Em breve estaríamos novamente imersos na loucura do trânsito, da cidade, das nossas profissões... O retorno a Curitiba foi longo e cansativo, especialmente em função do tráfego na volta do feriadão, mas a viagem valeu cada gota de suor derramado, cada arranhão e cada grama de pó aspirado naquelas estradas. Sem dúvida tivemos contato com uma das mais belas paisagens de montanha do Paraná, quiçá do sul do Brasil. Montanhas agrestes, distantes, isoladas, maltratadas, mas ainda assim Templos do mais puro e audaz Montanhismo Paranaense, que merecem ser conhecidos, divulgados e, sobretudo, reverenciados. Bons ventos! AGRADECIMENTOS À DEUS, pela criação de todos aqueles cenários maravilhosos e pela vida, sem isso nada seria possível. À toda equipe que participou desta empreitada bacana, tanto aos companheiros da AMC (Zeca, Sérgio e Luís) quanto aos do Grupo Maringá Trekking Adventure (Luciana, Fred, Igor) - pela camaradagem e, em especial, ao Mageta, que se dispôs a nos orientar com sua valiosa experiência anterior da região. Às pessoas que, direta ou indiretamente contribuíram para o sucesso desta jornada, como os companheiros foristas que aqui, antes de nós, postaram seus relatos de aventuras e desventuras pela região, como o Danilo Dassi, Jorge Soto e o próprio Mageta. Ao Paulo Farina, por compartilhar suas belíssimas fotos com todos nós através do Panorâmio e Google Earth. Ao Sr. Livercindo, que humildemente reside na base do Agudo e acolhe com hospitaleira simplicidade todos os forasteiros que ali se aventuram. Aos moradores da Vila de Natingui, pela hospitalidade e orientações para atingirmos a Serra Grande. [linkbox] Blog do Paulo Farina, com artigos sobre o Agudo e região: :: Serra dos Agudos - O sonho não acabou :: Magnífica Serra Grande :: Dilúvio no Pico Agudo Relatos no Mochileiros.com, de outros foristas que visitaram o Agudo: :: Danilo Dassi: Pico Agudo - Primeira visita a este maravilhoso lugar :: Jorge Soto: Serra dos Agudos, a pé :: Mageta: Superando os limites no Pico Agudo Diversos: :: Fotos do Agudo - Panorâmio - por Paulo Farina :: Fotos do Agudo de Sapopema, Serra Grande e região - Panorâmio - por Getulio R. Vogetta :: Wikimapia – mapa online da região, com informações :: Tracklog da trilha de ascenção ao Agudo de Sapopema :: Tracklog dos trechos rodoviários (estradas secundárias) para o Agudo de Sapopema e Serra Grande[/linkbox] OBS.: As paisagens naturais da região estão sendo seriamente ameaçadas com a construção de usinas hidrelétricas no Rio Tibagi e com o fogo usado pelos fazendeiros para a abertura de novas áreas de pasto. Apesar do Pico Agudo estar inserido em uma área de RPPN, isso não tem impedido as agressões à flora e à fauna do entorno, motivo pelo qual se cogita há tempos a criação de uma unidade de conservação pública naquela região, mas com a falta de vontade política e a ausência de pressão popular este projeto foi engavetado e a devastação continua. Provavelmente quando a sociedade acordar para os estragos que a região vem sofrendo talvez seja tarde demais e nada mais reste para conservar deste incalculável patrimônio natural...
  2. gvogetta

    Morro Chapéu de Sol

    MORRO CHAPÉU DE SOL Primeira pernada de 2015. Nada melhor para iniciar o ano montanhístico do que uma jornada a um lugar pouco conhecido, pouco frequentado e ainda não visitado... Caminhar na região de transição entre as Serras do Ibitiraquire e da Graciosa é sempre uma aventura de responsabilidade e recompensas. Envolve boas doses de conhecimento de orientação além de abnegação e resiliência contra os diversos infortúnios, especialmente no verão. Além do calor intenso, que exige um abastecimento de água muito além do normal, mosquitos e butucas gigantes parecem saídos de filmes de ficção científica e mesmo com bons repelentes não deixam o caminhante em paz. Taturanas, vespas e formigas completam a voraz fauna insetívora da área, impondo respeito a quem deseja adentrar naqueles domínios. O Morro Chapéu de Sol é o nosso objetivo principal do dia. Modesto, apenas 935m de altitude na carta topográfica. No entanto sua posição é estratégica, encravado numa das encostas do Vale do Rio Mãe Catira. Saímos cedo de Curitiba (não tanto quanto gostaríamos) e sebo nas canelas. Sem trilha pronta para seguir, sabemos apenas onde está o nosso objetivo no mapa e temos um traçado aproximado planejado em casa pelas curvas de nível da carta topográfica por entre os vales e matas da região. Em seu encalço um seleto pelotão da AMC - Associação Montanhistas de Cristo: Eu, Otávio, Daniel, Edinaldo, Rafael, Márcio e o Antônio Sérgio, todos conhecidos de outras inúmeras aventuras pelas nossas serras. Nos atrapalhamos um pouco ao iniciar o trajeto. Do Marco 22 partem vários ramais de trilhas para todas as direções e inicialmente buscamos seguir alguma já consolidada. Em dúvida e sem esperanças de encontrar algo mastigado, logo abandonamos um dos ramais batidos e começamos a abrir no peito uma passagem na direção que pretendíamos seguir. Logo nos vemos em cima de um morrote de onde é possível divisar o cume do nosso objetivo. Algumas voltas mais, barranco abaixo, encontramos um ramal de trilha bem batida que nos leva na direção desejada, passando por um belo riacho, depois do qual a trilha desaparece novamente. Vamos que vamos, nada que um pouco de vontade e algumas lambidas de facão não resolvam. Os desafios nos movem, são nosso combustível em meio à umidade e o calor da exuberante mata atlântica. Logo nos deparamos com densos bambuzais, que de início tentamos em vão contornar, apenas para encontrar outros mais adiante. Logo nos convencemos que não adianta enrolar, vamos ter que desembainhar as espadas. Um a um os bambuzais são rasgados à facão e, após algumas voltas desviando de terrenos desfavoráveis atingimos a linha de crista que nos levaria ao nosso objetivo final. No entanto, quando próximo ao cume do 895m, somos alvo de um ataque de um enxame de vespas ensandecidas que nos tocam em debandada encosta abaixo. Alguns pensam em desistir, ainda sob o efeito das picadas. Outros pensam no que fazer. Passados alguns minutos, resoluto sentencio "ao cume e avante!" Não sairia derrotado dali. Faltavam pouco mais de 300m até o objetivo. Traçamos uma rota alternativa no GPS e tocamos em frente. Parece pouco, mas na floresta as distâncias são bastante relativas e nestes poucos metros ainda restavam um pequeno vale e duas encostas a vencer. Numa delas, logo de cara, somos testados por um tapete de formigas que vitimam mais alguns dos combatentes menos afortunados. Nada que uns metros correndo encosta abaixo não resolvam. Logo, galgamos os íngremes metros finais que nos separam do cume que começamos a perseguir quase 5 horas antes quando botamos os pés no Marco 22. Cume! Na verdade uma discreta e diminuta clareira (?) cercada de mato por todos os lados e com uma pequena janela de visual em meio à densa vegetação, aberta por uma árvore apodrecida e tombada, de onde se equilibrando precariamente era possível vislumbrar um pequena pedaço do quadrante nordeste do horizonte e outro pequeno trecho do quadrante sul em meio a galhos e folhas de plantas. Objetivo atingido. Guerreiros cansados, tanto pelo calor insuportável quanto pela peleja contra quiçassas e insetos pelo caminho. Pequena pausa para contemplações, lanche e contabilizar o que sobrou da água para o retorno. Trovões ribombam sobre o Ciririca e sobre os Agudos, ali perto. Uns pensam nos raios, outros nos desafios que nos aguardariam no retorno. Outros ainda contemplam novos desafios no horizonte... Vamos que vamos. Na tentativa de resgatar a mensagem deixada por outros que ali estiveram antes de nós, numa pequena garrafa PET pendurada numa árvore, verificamos que o papel usado estava desmanchando-se com a umidade condensada na garrafa. Providenciamos uma mensagem substitutiva, bem curta e embalada em um saco plástico para que resista por talvez mais uns 2 ou 3 anos, até que outro grupo de malucos deseje voltar e o consiga fazer com sucesso. Bora prá baixo. A chuva que prometia nos varrer daquele cume passou ao longe e agora nosso pensamento se fixa nas formigas e nas vespas que podíamos encontrar no caminho de volta, primeiro sonhando com a água gelada de um racho que ainda estava a quase duas horas de caminhada... No retorno nada de formigas e nem das vespas. A água do riacho, no entanto, nos deleita a goles fartos, gelada e límpida. Todos, sedentos, se fartam do líquido precioso em uma longa e merecida pausa. Refeitos, é hora de continuar a jornada, agora por uma trilha larga, batida e barrenta até a fronteira da civilização, agora sonhando com pastel e Coca-Cola. Não demora muito e avistamos sinais dos predadores de duas patas: uma perene cabana de palmiteiros quase nas margens da Estrada da Graciosa. Logo pisávamos novamente no calçamento de nosso ponto de partida. Findava a aventura. Missão cumprida. Todos, entre sedentos, arranhados e picados sobreviveram e logo estarão prontos para novas investidas por aquelas e outras matas da região em busca de novos cumes, de novos desafios e, sobretudo, da profícua convivência com seus companheiros de muitas jornadas, com mais uma boa história para contar. E que venham outras! Selva! Dados do percurso: Morro Chapéu de Sol - limite setentrional da Serra do Ibitiraquire - altitudes: oficial - 935m, medição no GPS - 990m. Coordenadas: (22J) 712092,156E, 7198124,529N. Distância do Marco 22: 2,8 Km
  3. gvogetta

    Morro Chapéu de Sol

    Salve time! Falamos, falamos e 2018 passou sem batermos perna por lá. Este ano temos que fazer. Voltar no Chapéu de Sol e fechar aquela crista acima do Tangará até o Arapongas. Falamos.. Abs!
  4. Olá pessoal! Muita gente tem me procurado perguntando e vou postar aqui algumas das lojas que temos em Curitiba e que vendem equipamentos relacionados atividades ao ar livre, como artigos de camping, pesca, mochilas e vestuário, calçados e afins. Não estamos fazendo propaganda de nenhuma ou indicando qualquer que seja. O intuito é informar. A lista inicial (abaixo) está em ordem alfabética. A lista não é completa, mas a ideia é que este tópico seja um ponto de referência sobre esse assunto e, à medida que outros usuários forem contribuindo com as suas informações a tendência é que a lista fique maior e mais completa. Eventuais correções, queiram por gentileza me indicar por MP ou postem aqui mesmo, indicando-as. Abraços! :: LISTA DE LOJAS DE EQUIPAMENTOS "OUTDOOR" EM CURITIBA - PARANÁ :: Acampar Artigos Esportivos - http://www.lojaacampar.com.br Loja Shopping Estação Endereço: Av. Sete de Setembro, 2775 – Loja 2060 – 2º piso, Centro – Curitiba/PR Fone: (41) 3029-2100 Loja Shopping Total Endereço: Rua Itacolomi, 100 – Loja 232, Portão – Curitiba/PR Fone: (41) 3025-7235 Az de Espadas - http://www.azdeespadas.com.br Endereço: Avenida Vicente Machado, 130, Centro - Curitiba - PR (Fone: 41 3322-8484 Barddal Artigos Militares (sem site) Endereço: Rua Comendador Macedo, 137, Centro - Curitiba – PR Fone: (41) 3233-7097 Campo Base – http://www.campobase.esp.br Endereço: Travessa da Lapa, 400, Centro – Curitiba - PR Fone: (41) 3093-5093 Canyon Adventure Equipamentos para Aventura - http://www.canyonadventure.com.br Endereço: Alameda Doutor Carlos de Carvalho, 255, Centro, Curitiba - PR, 80410-180 Fone: (41) 3233-0027 Casa do Montanhista – http://www.casadomontanhista.com.br Endereço: Rua André de Barros, 678, Centro Curitiba - PR Fone: (41) 3232-0700 Decathlon – http://www.decathlon.com.br Endereço: Rua Tobias de Macedo Junior, 114, Santo Inácio – Curitiba - PR Fone: (41) 3025-7400 Manaslu Equipamentos - http://www.manaslu.com.br Endereço: Rua Guaraná, 130 – Uberaba – Curitiba - PR Fone: (41) 3369-1551 Pantanall Pesca e Camping – http://www.pantanall.com.br Endereço: Av. Mal. Floriano Peixoto, 6696, loja 04, Vila Hauer – Curitiba - PR Fone: (41) 3039-5242 Pau de Fogo - http://www.paudefogo.com.br Endereço: Rua Barão do Serro Azul, nº 453, Centro - Curitiba - PR Fone: (41) 3224-1661 Santuário Adventure – http://www.santuarioadventure.com.br Rua Francisco Derosso, 3493, Xaxim – Curitiba - PR Fone: 41. 3379-1011 / 3379-1066 Território Montain Shop - http://www.territorioonline.com.br Loja Centro Endereço: Alameda Doutor Carlos de Carvalho, 180, Centro – Curitiba - PR Fone: (41) 3027-7465 Loja Shopping Palladium Endereço: Av. Presidente Kennedy, 4121, loja 2071, Portão – Curitiba - PR Fone: (41) 3023-7289 Loja Shopping Crystal Endereço: Rua Comendador Araújo, 731, loja 309, Batel – Curitiba - PR Fone: (41) 3076-7465 Loja Park Shopping Barigüi Endereço: Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 600, Loja 1017, Ecoville – Curitiba - PR Fone: (41) 3317-6465
  5. gvogetta

    Travessia Araçatuba - Monte Crista

    Salve companheiros! Acabei que vi somente hoje este relato... Atrasadinho. Uma grande pena não ter conseguido acompanhar vocês nesta, mas sem dúvida, como se diz, há males que vem para bem. Outras virão! Forte abraço!
  6. Que bom @Othoni Vinicius de Paula! A ideia na época era sintetizar algumas opções que nem sempre aparecem nas buscas dos mecanismos de busca como o Google, que priorizam outros critérios na apresentação de resultados. Sem dúvida, por ser antiga, a lista está desatualizada. Lojas físicas fecharam, como a Pantanall, outras mudaram de endereço, como a Acampar do Sh. Estação, que agora está na Av. Comendador Franco, 2335 - Jd. das Américas, e outras lojas novas abriram suas portas - como é o caso da Loja Alta Montanha - www.lojaam.com.br ou ainda ampliaram sua presença, como é o caso da Decathlon, que abriu nova filial depois daquela postagem. Não vou atualizar a lista, por hora. Continua válida para o propósito a que se destina. Os sites foram mencionados e continuam ali, devendo ser consultados para as atualizações necessárias. Saudações montanheiras!
  7. gvogetta

    Mochila... Qual comprar?

    Olá! Sinceramente, primeira vez que vejo mochila cargueira da Wilson.. Olhando no site oficial da empresa (americana) - em https://www.wilson.com/en-us não encontrei qualquer referência a este tipo de produto, o que me leva a crer que é apropriação da fama da marca esportiva por algum fabricante mequetrefe (famoso produto pirata), o que indica fortemente se tratar de uma fria. Pelas fotos não dá para ter qualquer noção, mas me pareceu porcaria. Pela proporção da espessura da barrigueira dá para ver que é muito fina para este porte de mochila. A não ser que o preço seja muito, muito convidativo (o que também já seria muito suspeito para mim) acho mais aconselhável procurar algo consagrado no mercado. Saudações montanheiras,
  8. gvogetta

    Fogareiros... Qual comprar?

    A gasolina não chega a contaminar o alimento somente com sua queima não, especialmente se for a retificada (branca = benzina). O único risco é o vivente ficar cheirando e ficar doidão, ou derrubar gasolina na comida.. Daí lascou. Risco maior é, no bombear para dar pressão no sistema, tornar o troço um lança-chamas, como já vi muitos fazerem, e tocar fogo em tudo à sua volta na hora de acender. Cuidado redobrado. Mas como já mencionei, acho muito trambolho, especialmente pelo cuidado de manutenção que necessita. Para uso intensivo, em alta montanha ou regiões com pouco acesso a comércio, são muito bons, pois te permitem autonomia longa no suprimento de combustível (as suas costas são o limite). Para uso esporádico, como me parece ser o caso do Bruno, outro risco, grande, é na hora de viajar descobrir que o fogareiro emperrou (seus mecanismos de bombeamento precisam de lubrificação frequente) e não funciona. Sds,
  9. gvogetta

    Fogareiros... Qual comprar?

    Então.. minhas considerações. No que toca ao primeiro item, kit de panela, frigideira e espiriteira com aparador de vento: excelente para uso individual. Tenho um bem parecido e posso dizer que para uso minimalista é ótimo, mas muito pequeno já para cozinhar uma refeição decente em duas pessoas. Lembrando ainda que espiriteira demora um pouco para aquecer o sistema e fazer pressão, não permitindo também a regulagem da potência da chama.. Quanto ao segundo item (igual ao terceiro link), fogareiro a gás e gasolina: atente que na descrição do produto o combustível líquido indicado é a gasolina branca (benzina), provavelmente não funcionará bem com a nossa gasolina chechelenta mistureba de álcool e água (vai corroer o sistema). Provavelmente será fonte de dores de cabeça a médio prazo, pois este tipo de fogareiro para funcionar bem depende muito da qualidade do combustível. Além disso, sua manutenção costuma incomodar (pequenas peças, especialmente da bomba de pressurização do líquido combustível que quebram), te deixa na mão de uma hora para outra, além de ser de manuseio um pouco mais complicado com gasolina, além de achá-lo pesado e volumoso como opção para uso em trekking nas nossas condições de clima com este combustível. A opção de ter uso duplo - gás (cartucho padrão Tekgás, de rosca) e gasolina, ainda o torna desengonçado para uso com cartucho de gás, apesar de oferecer uma base mais estável para cozinhar. Saudações montanheiras!
  10. gvogetta

    Fogareiros... Qual comprar?

    Salve! Tenho uma espiriteira igual a esta, que usava bastante em camping estruturado. Ótima para cozinhar em panelas grandes - para 4 pessoas, por exemplo. Mas como ponto negativo dele, a corrosão, já que é fabricado em chapa metálica e apenas pintado. Em uso próximo ao mar (maresia) não dura muito. Também acho este modelo um pouco grande para trekkings mais minimalistas. Em compensação essas duas que vou indicar abaixo considero mais práticas para utilização em trekking. Tenho a da Azteq (aço inox) e recomendo fortemente. A outra, da Nature Hike (ambas são chinesas) também é excelente, e tem como vantagem (na minha opinião) o fato de poder levar algum combustível dentro dela (tampa rosqueável. Ambas possuem como vantagem o seu pequeno volume, permitindo serem guardadas, por exemplo, dentro da própria panela utilizada para acampamento, mesmo panelas de pequenas dimensões. Seu gasto de álcool - proporcionalmente, também é menor. Seguem algumas imagens. Saudações montanheiras!
  11. gvogetta

    Pico Agudo (Paraná) - Cabe no seu fds!

    Salve! Como este é o relato mais recente que achei sobre o Pico Agudo de Sapopema, vale algumas informações para complementá-lo no sentido histórico.. O PICO AGUDO – Informações de referência e aspectos geográficos A montanha conhecida atualmente como Pico Agudo de Sapopema (há homônimos picos agudos em diversos pontos do território brasileiro) também é conhecida como Monte Ybiangi ou ainda Ybiagi, como referenciada em linguagem nativa (índios Kaingangs), encontra-se situada no território do município paranaense de Sapopema, com acesso pelo Distrito de Lambari, nas terras pertencentes à antiga Fazenda Inho-ó, distante cerca de 340 Km de Curitiba, às margens do Rio Tibagi, numa região que faz a transição entre o primeiro e o segundo planalto paranaense. Esta montanha é provavelmente uma das mais antigas a ser referida e constar na cartografia paranaense. Sua localização já era conhecida e referida em mapas no Século XVII - originada em registros de jesuítas espanhóis, constando na famosa carta geográfica intitulada “PARAQUARIA VULGO PARAGUAY : CUM ADJACENTIBUS”, que, segundo consta na obra do Barão do Rio Branco, teria sido produzida em Amsterdam por Joan Blaeu (1596-1673). Seu cume, a 1224m de altitude, segundo Reinhard Maack – primeiro geólogo e naturalista a explorar com rigor científico aquelas terras entre 1923 e 1930 – é um dos pontos mais altos da região norte do Paraná e situa-se num conjunto de montanhas chamado de Serra dos Agudos, que inclui outras elevações de destaque nas proximidades, como a Serra Chata (1080m) o Morro do Taff (1115m), a Serra Grande (1180m), o Morro do Meio (1110m) e o Pico do Portal (1040m), estas três últimas montanhas situadas do lado oposto do Rio Tibagi em relação ao Pico Agudo e às demais, já em terras de outro município vizinho: Ortigueira/PR. Os primeiros relatos em referência a esta montanha (Sr. Thomas Bigg-Wither - Primeiros Mapas das Províncias do PR e SC - 1872/1875), no entanto, remontam a 1840, época em que teria sido visitado pelo cartógrafo norte americano John Henry Elliott, acompanhado por Francisco Lopes, ambos a serviço do Barão de Antonina, durante a exploração dos sertões daquela então remota região, à época habitada apenas pelos índios Kaingangs. É preciso desmistificar a informação de que o Agudo de Sapopena (Monte Ybiangi) seria a montanha mais alta da região norte paranaense, pois isso não é verdade. Existem pelo menos outras três montanhas na região com altitudes absolutas maiores. O que faz o Monte Ybiangi ser tão espetacular é, sem dúvida, a sua majestosa proeminência, pois se debruça sobre o vale do Rio Tibagi, formando um desfiladeiro entre si e a Serra Grande, separados pelo Rio Tibagi (conhecido no passado como Rio Latibagiba), que é tido como o cânion mais profundo existente em terras paranaenses, chegando a incríveis 700m de profundidade, segundo revelaram estudos realizados por pesquisadores da UFPR. As imponentes paredes rochosas que cercam o Monte Ybiangi oferecem inúmeras vias de escalada, muitas a desbravar, para a alegria dos iniciados neste esporte. Escaladores de destaque no cenário estadual como Andrey Romaniuk, Alessandro Haiduke e Elcio Muliki, dentre outros, têm explorado a área e relatam a abertura de novas vias a cada visita, tendo conquistado inclusive o cume da “Torre Menor”, formação ao lado do maciço principal do Monte Ybiangi, batizada de “Agulha Reinhard Maack”, no carnaval de 2011. * * Saudações!
  12. Salve! Botas.. Sempre um assunto bom e polêmico. O que serve bem e uns gostam, não necessariamente é o que servirá e será apreciado por outros. Primeira dica é sempre comprar a bota depois de experimentar o modelo exaustivamente nos dois pés (em loja física, portanto). Comprar bota pela internet, a não ser que você já a conheça é a maior roubada. Depois, antes de partir para a trilha, usar na cidade alguns dias para acostumar seu pé à bota (não tem nada a ver com amaciamento, mas mais para verificar se a mesma não te machuca, não modifica sua pisada, etc.). Isso previne problemas na trilha depois e pode te poupar de . Na minha opinião, Salomon e The North Face, por exemplo, são marcas excessivamente caras e de qualidade apenas mediana. Materiais do solado e cabedal são frágeis, não aguentam pancadaria forte. Boas para quem faz trilhas tranquilas. Óbviamente temos hoje grande facilidade (oferta e disponibilidade em lojas nacionais) para adquirir boas botas importadas, como Columbia, Dachstein, La Sportiva, Boreal, Mammute, Vasque, dentre outras, mas os preços geralmente são proibitivos, fora da nossa realidade devido à disparidade dos preços em Dólar. Todavia, tenho dado preferência para fabricantes nacionais, como Vento, Snake/Guartelá e Feline. Nos últimos 10 anos as melhores botas que tenho usado são desses fabricantes, mesmo se comparadas às de marcas importadas - Salomon, Columbia e TNF, que também já utilizei e ainda tenho. Não perdem em nada para nenhum modelo importando, a não ser talvez no "status" do usuário, fator puramente pessoal e atécnico. Vento (fabricante paranaense), em especial os modelos Finisterre e GS3000, ótimas botas para trekking em geral e montanhismo, e até mesmo para uso tático e profissional. Tem excelente custo x benefício, ótimo nível de conforto, proteção e de impermeabilidade, tenho em uso ainda uma Finisterre que já está com mais de 6 anos de idade e absolutamente íntegra. Snake e Guatelá (mesma fábrica - fabricante paranaense) tem modelos muito bons, cabedal bem resistente, confortáveis, impermeáveis. Única ressalva talvez para os solados, que apesar de bem aderentes, não estão mostrando (ao menos para mim - forma de uso, talvez) grande durabilidade em atividades de rocha (montanha). Todavia, as minhas melhores compras nos últimos 4 anos foram as botas da marca Feline (fabricante mineira). Especialmente os modelos Raptor Dry e Sabre Dry. São botas de uso tático/policial, mas totalmente compatíveis com trekking e uso em montanhismo. São impermeáveis e com excepcional nível de proteção e conforto. Gosto especialmente porque são um pouco mais rígidas (couro nobuck) do que as Vento (atualmente com cabedal em Nanox) e do que as Snake/Guartelá (couro nobuck). Especial destaque para o solado, extremamente aderente em rocha molhada, sinceramente o melhor que já usei até hoje (para quem já andou o dia inteiro dentro de rios de pedras lisas na serra do mar sabe do que falo). Todavia, não são encontradas em shoppings, apenas em lojas de equipos policiais/táticos. Claro que essas são as minhas impressões pessoais, baseadas em mais de 30 anos de atividades e no uso que faço destes calçados tanto em travessias em montanha, de vários dias, quanto de ataques, uso em atividades aquáticas e hikings curtos. Saudações!
  13. gvogetta

    PICO AGUDO - SAPOPEMA

    Salve! Não recomendo acampar no cume do Agudo de Sapopema. Local bastante exposto (especialmente no verão são comuns tempestades com ventos e chuvas fortes, raios etc...). O solo é bem raso e arenoso, não fixa bem os espeques da barraca, sugiro evitar acampamentos para recuperação ambiental da área. Não há água no cume e o espaço para barracas é bem restrito/apertado. Como a trilha atualmente é bem sinalizada e rápida, o melhor a fazer é subir de ataque (bate e volta). Sugiro sair bem cedo a ponto de começar a trilha antes do nascer do sol. A vista do nascer do sol (e do por do sol também) lá de cima são belíssimas. Saudações e boas trips!
  14. Massa piazada! Bela travessia. Não é todo mundo que curte andar em trilhos, exige paciência, mas as paisagens e a história pelo caminho compensam. Bons ventos!
  15. gvogetta

    Fogareiros... Qual comprar?

    Salve @bruno.fabrício! Espiriteira é sempre uma boa opção, facilidade de combustível com volume e peso reduzidos. Se procurar vai encontrar modelos bem legais, com suporte para panelas e bem compactos. Na China (Ali Express) então, tem dezenas de modelos.. Vai com fé que é bem eficiente! Saudações,
  16. gvogetta

    Mochila... Qual comprar?

    Salve! Treebo nunca ouvi falar, nem conheço. As Náutika - NTK são apenas medianas (tanto em conforto quanto em resistência), vão aguentar um tempo, mas tem coisa bem melhor no mercado, porém um pouco mais caro. De qualquer modo, não recomendo comprar mochila às cegas pela internet. Melhor gastar uns $$ a mais e experimentar nas costas, comprando em uma loja onde você possa ver o material e testá-la com peso nas costas, para verificar os ajustes e distribuição de peso. Depois não vá dizer que não avisei... Saudações,
  17. Salve! STS falsificados nunca vi, pode ser algum lote de oferta mesmo, já que com a maior concorrência os preços deram uma baixada. Lembrando que existem modelos da NatureHike praticamente idênticos aos da Sea To Summit, com preço bem inferior, mas são encontrados em poucas lojas aqui no Brasil. Uma delas, que recomendo sempre, é a Loja Alta Montanha. Segue uma imagem do NatureHike Ultralight Mummy:
  18. Salve! Já vi este modelo de colchão casal inflável Guepardo sim (em loja). Partindo da premissa de que o peso e volume não será problema para seu perfil de uso, é um bom produto. Os "gomos" transversais dele o tornam bem confortável se comparado a outros modelos similares. O único detalhe dele que não gostei foi o cheiro forte do material (que já percebi em outras marcas também). Não posso opinar sobre a durabilidade dele, mas acredito que seja equivalente à dos concorrentes no mesmo segmento. Saudações,
  19. gvogetta

    Mochila... Qual comprar?

    Salve Evandro! Conheço "ao vivo" essas mochilas da Guepardo e não acho a qualidade o ponto forte delas. Principalmente a qualidade das costuras e reforços, aspectos que considero essenciais numa boa mochila, nela não inspiram grande confiança. Especialmente no fundo e nas alças, que são pontos críticos e onde a mochila se rompe com frequência. Pelo preço dela, se você não for fazer trilhas pesadas e com abuso de peso com ela (difícil em trilhas com acampamento de 2-3 dias..), até daria para encarar se você também for bem cuidadoso, o que não inclui viagens com ela sendo despachada na bagagem de vôos comerciais, pois ela não aguentará muito. Uma boa mochila tem seu custo, infelizmente, e ele é maior que essas Guepardo, Nautika e afins. Trilhas & Rumos ainda passa, apesar da qualidade ter caído um bocado também ultimamente. Se quer algo mais garantido e durável, sinceramente, vá de Deuter, Osprey, Thule, Lowe Alpine, Norrona, Arcteryx ... Essas são consagradas internacionalmente, e seu preço, claro, depende do dólar, então pesam no bolso. Mas temos ótimas opções nacionais atuais também: Alto Estilo, Conquista, Curtlo, Equinox... Ou procure boas marcas nacionais do passado, usadas (fora de linha), como as Caratuva e Mont Blanc, que se encontram ainda por bons preços e não farão feio, apesar do design ser mais antiquado. Abraço!
  20. gvogetta

    Mochila... Qual comprar?

    Olá! A Transit é uma ótima mochila. No tamanho 40L, especialmente, uma boa escolha justamente por ter sido criada para ser acomodada na cabine dos vôos nacionais e internacionais, como bagagem de mão, pelas regras mais atuais das companhias aéreas. Porém, em relação à Pilgrim 35+10, perde em ajuste e conforto nas costas para caminhadas longas, sem falar que para trilhas mais fechadas, por ser de formato mais largo e "quadrado" se enrosca mais na vegetação. Abraço e boas trips!
  21. @bruno.fabrício Haha, aposentar só quando partir desse mundo... Nem mencionei os Therm-a-rest pois são ainda mais caros que os Sea to Summit, mesmo trazendo de fora do Brasil. Qualidade indiscutível, mas para um equipo sujeito a furos, mesmo cuidando, não sei se vale o $$ investido. Abraço!
  22. Salve! Os Sea to Summit são ótimos em termos de peso e compacidade, mas na minha opinião muito caros para nossa realidade, e sua resistência é igual aos de outras marcas, não sei se seria uma boa opção para quem está começando. Os NatureHike são muito bons, excelente relação custo x benefício. Tenho 2, de modelos diferentes (um fino, formato múmia, muito similar aos Sea to Summit e outro mais espesso, formato retangular de células transversais) que uso conforme o tipo de expedição/viagem. Aguentam bem nossas condições de frio e são bastante leves. Na resistência, aparentemente não ficam devendo nada aos de outras marcas. Os Quechua/Forclaz também são bons. Usei por quase 5 anos um A200 ultralight dos antigos e aguentou bem. Era um pouco mais pesado e volumoso por ter a sua alma preenchida com espuma de PU, mas gostava muito do conforto dele. Hoje tenho um Forclaz Air 550, que isola bem, é muito mais leve e compacto, mas o conforto não é muito bom. Acampar com isolantes infláveis demanda algum cuidado adicional na hora de escolher o local de dormir, especialmente para não deixar nada embaixo da barraca que possa furar o isolante, bem como demanda cuidados na hora de guardar, especialmente na hora de enrolar e guardar na mochila, para não danificar a região da válvula. Nenhum modelo, de nenhuma marca vai durar para sempre. São isolantes que com o tempo podem te deixar na mão, mas ajudam muito a economizar volume na mochila e a ter maior conforto para dormir em relação aos isolantes de EVA tradicionais. Abs,
  23. Salve! Então, essa da Marluvas é muito comprada pelo pessoal das engenharias, para trabalhos de campo, até por ser um EPI. Se aguenta o tranco de uso a médio e longo prazos, não conheço ninguém que a use para atividades pesadas, como montanhismo e selva. Saqui a mais um ano, com o seu uso intensivo, talvez você possa nos dar um feedback melhor sobre a durabilidade e conforto dela para uso diário contínuo. Neste aspecto já vi gente reclamando dela, mas isso é um tanto pessoal. Abs,
  24. Salve Camarada!!! Então, fomos lá e fizemos! Eu e o Cover. Agora nos dias 28, 29 e 30/julho. Fizemos a travessia no mesmo sentido, saindo de São Bonifácio (casa do Sr. Gilson). Como deixamos o carro ali, onde iniciamos a caminhada, foram 33,75 Km percorridos até o Café do Tabuleiro, em Santo Amaro da Imperatriz, onde demos por concluída a Travessia, com 2 pernoites em acampamento. Achei tranquilo fazer em 3 dias, mesmo com meu físico não estando lá essas coisas e nosso ritmo não foi forte, além do que começamos a caminhar relativamente tarde todos os dias. Iniciamos a travessia por volta das 10h30 no primeiro dia e concluímos 17h20 no Café do Tabuleiro, no último dia. No segundo e terceiro dias iniciamos a caminhada, após o desmonte do acampamento por volta das 9h30, sendo que antes das 18h00 já estávamos com o acampamento montado. O início da trilha, cerca de 6 km até os primeiros campo altos estão sinalizados - iniciativa do ICMBio: Projeto Oiapoque-Chuí, trilha de longo curso que irá interconectar diversas unidades de conservação estaduais e federais em uma grande trilha de longo curso nacional. Os trechos de transposição de mata estavam relativamente fáceis, lembro apenas de 2 pequenos trechos de mata mais densa com bambuzal mais fechado em toda a travessia. Pelo que o Sr. Gilson nos falou, tem sido frequente grupos realizarem a travessia. Como pegamos tempo bom, com visual todos os dias, dava para navegar tranquilamente até mesmo sem GPS, pois a trilha estava relativamente evidente, confundindo-se em alguns trechos dadas as bifurcações e trajetos paralelos ou subidas em morros fora do eixo principal de caminhada do percurso até o Pico do Tabuleiro. Com neblina, o que é comum na região na primavera e verão, contudo, GPS é fundamental ali para não se perder. Felizmente quase não encontramos lixo no percurso. Segui basicamente a sua tracklog, junto com outras duas que levei de reserva e andamos quase todo o tempo em cima dela, mesmo sem precisar usar muito o GPS, pois navegamos bem no visual. Ficou a vontade de fazer a travessia no sentido transversal (Queçaba x Vargem do Braço) e também explorar os outros dois maciços, ao oeste e a leste, que aparentemente reservam paisagens e altitudes similares. Já entraram para os planos, dia desses cumprimos. Logo que tiver um tempo farei um relato mais completo e postarei aqui no Mochileiros, com as fotos. Forte abraço!
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