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cissa29

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Sobre cissa29

  • Data de Nascimento 14-08-1981

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    Maiores viagens: Ama Dablam e Island Peak, Cordilheira Branca (2x), Kilimajaro e Monte Kenya, Vulcões do Equador, Monte Roraima (2x), Salto Angel, Machu Picchu, Salar de Uyuni, Atacama, Rio Amazonas, Cordillera Blanca
    Países: Nepal, Indonésia, Espanha, Quênia, Tanzânia, Chile, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia, Venezuela, Alemanha, Suíça, Áustria, Itália, Estados Unidos, Inglaterra
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  1. Gente, tô fazendo uma pesquisa pro meu TCC na pós graduação, e preciso da ajudinha de vocês. Quem puder responder eu agradeço, não vai levar mais que 10 minutos. A pesquisa é anônima! Ela aborda práticas de escalada e montanhismo no Brasil. Pra responder basta clicar no link abaixo: https://docs.google.com/spreadsheet/viewform?fromEmail=true&formkey=dFoxY3IwVFQ3NVA2Yk9PR3FYaXpsUHc6MQ Obrigada!
  2. O Monte Kenya é a segunda montanha mais alta da África, tratando-se na verdade de um maciço composto de diversos picos, sendo os mais altos Batian (5199m) e Nelion (5188m), alcançáveis apenas através de escaladas técnicas de longas cordadas, e o Point Lenana (4985m), 5º ponto mais alto da África e o mais popular por ser de fácil acesso técnico. Subimos por uma variante da pouco usada rota Chogoria, e descemos pela popular rota Sirimon, em 6 dias e 5 noites. A face norte dos principais picos do Monte Kenya: Lenana, Batian, Nelion, Pigott e John. CHEGANDO NO QUÊNIA Depois de quase 15 horas de viagem e de quase perder o vôo em Johannesburgo, cheguei na nublada e empoeirada Nairobi, cheia de expectativas sobre a África, sobre as montanhas, sobre as pessoas. Logo de cara, saindo do aeroporto, já veio a primeira surpresa: eu não sabia que eles dirigiam no lado esquerdo da pista, e fiquei toda confusa tentando entrar no táxi. Apesar de ser sábado de tarde, o trânsito na cidade estava bastante caótico, talvez ajudado pelo fato de que não existem semáforos, faixas de pedestres, ou qualquer tipo de sinalização vertical ou horizontal. Ainda no caminho passamos por uma espécie de praça onde uns pássaros gigantes – que são um misto de pelicano com urubu (sim, é possível) – andam pelas "calçadas" (na verdade não tem calçada, e sim picadas na grama) ao lado das pessoas. E seus ninhos enormes ficam nas árvores bem acima das pistas. Em seguida mais choque: mulheres mulçumanas cobertas da cabeça aos pés. Tinha uma ideia de que havia uma parcela de mulçumanos no país, mas conforme os dias foram passando, fui percebendo que não são poucos. Também há poucas mulheres andando na rua. As pessoas atravessam em qualquer lugar e não existe muito transporte público, além dos matutus, que também não são muitos, e por isso as pessoas andam, e andam, e andam... Enfim, todos esses eventos em pouco mais de 1hora dentro de um táxi. Cheguei no hotel e passei a maior parte da tarde assistindo às Olimpíadas e descansando. Ainda arrumei as coisas pros próximos dias, jantei cedo um prato enorme de comida (os famosos "Kilimanjaro plate", um exagero de comida...) e fiquei esperando minha companheira chegar (e chegou bem tarde). DIA 1 – NAIROBI > PORTÃO CHOGORIA Estrada lamacenta Saímos de Nairóbi às 9h da manhã em direção ao Parque Nacional do Monte Kenya. Não dormi direito e nem consegui comer muito, provavelmente por conta do jet lag, e talvez também da ansiedade, mas era bom depois de mais de 6 meses, finalmente estar dando início às minhas merecidas férias (não entrarei nos méritos de contar a viagem rodoviária, pois tem observações e curiosidades demais sobre o próprio país. Na medida do possível, manterei o relato restrito à escalada). Depois de um almoço suspeito na vila Chogoria, conheci nossos carregadores e passamos pra um 4x4 (de aparência bem duvidosa), pra terminar o percurso de quase 30km até o portão do parque, pela floresta de altitude, que aliás lembrava muito a vegetação da estrada que vai do Milton ao Marins. Agora era torcer pra não chover e pro carro conseguir chegar o mais longe possível, já que seria inevitável caminhar um pouco. E não demorou pra ter que pular fora – a estrada estava tão ruim que dava pra sentir a terra na parte de baixo, e em menos de 40 minutos tivemos que sair pra que as correntes fossem colocadas nos pneus. Andamos uma meia hora, pegamos carona de novo, e em menos de 20 minutos tivemos que sair de vez. Foi a segunda pior estrada de terra (lama) que eu já peguei, mas definitivamente, aquele jipe virou meu herói! Uma das placas no Portão Chogoria. Depois de mais uns 40 minutos andando, alguns macacos avistados e muito cocô de búfalo, chegamos ao portão Chogoria (3000m). Passadas as formalidades nos dirigirmos às “bandas” (alojamentos), onde tínhamos uma cama, uma cozinha e até banheiro. Apesar da mega falta de apetite, jantamos umas batatas meio sauté deliciosas com frango frito, tomamos muito chá e fomos dormir cedo pra descansar da viagem longa e nos preparar pra começar a enfrentar a altitude no dia seguinte. Neste dia já estava começando a sentir a sensação chatinha de formigamento por conta do Diamox, e a frequência da ida ao banheiro já tinha aumentado. Beber 4-5 litros de água por dia ainda era um incômodo. DIA 2 – PORTÃO CHOGORIA > ACAMP. LAKE ELLIS Picos do Monte Kenya ao fundo, visíveis somente no começo da manhã. Apesar de não ter dormido muito bem, mal saberia eu que essa seria uma das melhores noites da viagem inteira. Enquanto esperava o café, aproveitei pra ficar observando o Monte Kenya avermelhado pelo sol nascendo, e uns macacos numa árvore próxima. E aí já veio a primeira dificuldade da viagem, que eu sabia que iria acontecer: o temido e pesadíssimo café da manhã britânico (fui com uma agência inglesa). Linguiça frita até a alma, um mingau medonho, e ovo mexido. Se eu comesse tudo isso ia passar o dia inteiro vomitando e com gastrite. O ovo deu pra comer com pão, mas a sorte foi que pro almoço recebemos uns biscoitos, chocolates e sanduíches, aí acabei pegando 2 pra ir comendo no caminho. Montamos a mochila e partimos. Nesta altura ainda tem árvores e arbustos, mas a vegetação já fica mais aberta. Já começamos naquele ritmo de levar avô com artrite pra passear no parque, o que ficou tedioso bastante rápido, mas pelo menos, diferente do dia anterior, a paisagem mudava um pouco, variando entre arbustos baixos, campos mais abertos, áreas de vegetação fechada. De longe conseguimos ver alguns antílopes num campo, e apesar da minha companheira de viagem ficar perguntando quando iríamos ver elefantes, eu não tinha pretensão nenhuma em ver animais, então prestei mais atenção na paisagem e na vegetação exótica do lugar. Isso acabou ajudando a dar uma segurada no ritmo, pois em pouco tempo começamos uma subida meio íngreme por estrada, e nisso comecei a sentir a altitude. Primeiro achei que era falta de preparo físico, mas depois meu guia me alcançou e mandou eu parar de correr. Pois bem, isso foi logo antes da subida ao Mugi Hill (3640m), uma colina um pouco fora da trilha principal mas que funciona bem como caminhada de aclimatação. Aí já senti tudo que tinha que sentir: o cansaço, uma leve dor de cabeça e a falta de ar. Chegando lá em cima – de novo me lembrou o Marins por causa das rochas e vegetação – com tudo coberto de nuvem e um vento chatinho, almoçamos penosamente e logo descemos em direção ao acampamento. Mugi Hill, 3640m Descemos a colina e retomamos a trilha por uma vegetação de capim baixo, em meio às nuvens, perdendo altitude gradativamente. Depois de quase 1 hora avistamos um grande lago, e do outro lado, nosso acampamento já montado na beira do Lago Ellis (3390m): éramos apenas nós e mais ninguém na trilha! Contornamos o lago e rapidamente chegamos à nossa Mountain Hardware Trango 2 cheia de zíperes completamente zoados, o que virou motivo de piada em menos de 2 minutos, mas pelo menos os principais, da parte interna, estavam funcionando quase que 100%. Apesar de termos chegado cedo no acampamento, passamos um bom tempo dentro da barraca, pois no Monte Kenya, depois das 10h30, 11h da manhã, as nuvens começam a subir dos vales mais baixos e a fechar o tempo e visibilidade na montanha. A temperatura caiu, garoou e começou a ventar. Além disso, foi um dia em que senti bem a altitude, e estava mais cansada que o esperado, com um pouco de dor de cabeça, e sem a mínima vontade de comer, além da maratona de banheiro proporcionada pelo Diamox, que eu já estava tomando fazia 2 dias. Chegando no acampamento à beira do Lago Ellis, pocuo após o almoço, já completamente encoberto. Jantei, me aqueci, banheiro mais umas 2 vezes, e cama (quer dizer, chão). Já nesse noite passei frio no sleeping que aluguei (que era pra ser 4 estações, uma Mountain Hardware Lamina -18C). Morri de inveja da Fiona que estava com um sleeping de pluma pra -20C, lembrei dos sleepings da Deuter com seus aquecimentos nos pés e fleece na área do peito mas me contentei com aquilo e torci pro meu liner Extreme da Sea to Summit ajudar (aham... not!) DIA 3 – ACAMP. LAKE ELLIS > ACAMP. LAKE MICHAELSON Nunca foi tão difícil guardar um sleeping bag! Parecia que eu tinha apanhado! Não consegui comer muito no café da manhã, e de novo adotei a estratégia do sanduíche pra ir comendo durante o dia. O sol nascendo e o colorido rosado no céu ajudaram a melhorar o início do dia, que seria uma das caminhadas mais bonitas de toda a viagem. Saímos antes das 8h na direção oposta a que viemos. Logo começamos a descer um vale profundo – dá um pouco de desespero saber que você vai ter que descer tudo aquilo pra subir tudo de novo depois, mas vamos que vamos... Descemos, atravessamos um rio, e começamos uma subida bem íngreme já em campo de altitude. Na ponta esquerda do morro, um pontinho amarelo, que provavelmente era a barraca de um casal de israelenses que estava subindo por conta, e estavam bem fora da trilha, e bem longe da água. Mas enfim, pra ver assim de longe, devia ser daquelas super barracas de alta montanha. Depois dessa subida relativamente interminável mas nem tanto, dobramos pra direita e finalmente entramos numa crista bem pedregosa. Algumas paradas pra lanche, água e banheiro, e mais ou menos 1h30 depois desse trecho, entramos em zona alpina, com paisagens bastante exóticas apesar do tempo encoberto, e rápidas visões impressionantes do maciço de rocha nas poucas vezes em que tínhamos visibilidade. Quando paramos pra finalmente almoçar, sentimos uma leve chuva de granizo (daquele pequeno, quando na atmosfera está frio demais pra chover mas quente demais pra nevar). Mesmo entrando em zona cada vez mais inóspita, ainda éramos seguidos por passarinhos gordinhos querendo sobra do almoço. Entrando no canyon onde fica o acampamento. Já nesse pedaço, cada virada “de esquina” era uma paisagem nova, e depois de terminarmos a subida pós almoço, chegamos no topo de um canyon gigantesco, em formato de degrau (difícil explicar aqui...), na altitude máxima do dia (perto de 4200m). O tempo já estava bem nublado e não conseguimos visualizar a famosa Vivianne Falls, mas era possível ver o contorno do canyon, e lá embaixo a pontinha do Lake Michaelson. Continuamos pela trilha paralelamente à borda do canyon, e daí veio junto uma chuvinha bem chata e bem gelada. Foi ruim pois foi bem na hora que começamos a descida super íngreme e em zigue-zague na lama, o que rendeu alguns tombos, principalmente pra minha coleguinha que conseguiu entortar seu bastão. Terminamos a descida e desta vez estávamos novamente sozinhos na beira do Lake Michaelson (4000m), com uma das vistas mais incríveis que já tive em um acampamento: a abertura do canyon logo à frente, paredões altíssimos nas laterais, e logo atrás de nós uma subida íngreme acompanhando um riacho, levando à mais uma passagem – era a trilha do dia seguinte. Devido à chuva forte que ia e vinha, e a termos chegado muito cedo no acampamento, passamos praticamente a tarde toda na barraca morrendo de tédio. Neste dia já estava bem mais adaptada à altitude, e praticamente não senti o cansaço nem falta de ar. Ainda estava bem sem apetite, e indo bastante “no banheiro”, mas me sentia muito bem e pronta pra mais. Durante a janta alguns roedores meio com cara de marmotas, se aproximaram da barraca refeitório, o que garantiu um pouco de descontração. Mesmo assim, dava um pouco de medo olhar pra cima e ver o que enfrentaríamos no dia seguinte. DIA 4 – ACAMP. LAKE MICHAELSON > ACAMP. SIMBA TARN Depois de 2 dias de “subir alto, dormir baixo”, hoje iríamos direto pra 4600m, no que seria a véspera do dia do cume. Tivemos mais uma noite mal dormida, porém como acordamos cedo pudemos apreciar a vista do Vale Gorges por inteiro, com a luz do sol. Iniciamos logo a subida pela trilha íngreme ziguezagueando por rochas e uma exótica e quase bizarra vegetação de altitude, paralelamente ao riozinho com algumas quedas. O ritmo já era bem lento, mas dava oportunidade pra olharmos pra trás e apreciar a paisagem. Quando chegamos quase lá em cima, vimos na terra algumas pegadas de leopardo (já que não dava pra ver animal, a gente se contentava com pegada, cocô, etc...). Ainda antes de passar pra parte alta do vale, passamos abaixo do “Templo”, um paredão rochoso impressionante que deixa os paredões do Monte Roraima no chinelo. Comentei com o grupo “fazia muitos anos que não via algo tão impressionante e imponente como este vale”. Vistão do Lago Michaelson, a parte baixa do Vale Gorges e os paredões. Absolutamente impressionante! Também é incrível como o cenário muda logo depois da passagem de uma parte do vale pra outra – da vegetação gigante passamos pra solo de pedra, e uma “floresta” de lobelias na verdade bem esparsas, e um visual cada vez mais rochoso, e mais inóspito. Entramos na parte final do Vale Gorges, cercada de paredões por todos os lados, e picos rochosos em suas bordas. Aqui as nuvens da manhã não chegam, e em diversos momentos tivemos uma visão bem clara dos picos principais da montanha, tão pequenos como éramos ali no meio. Foram algumas horas em marcha lenta, porém bem tranqüila, e sem canseira por este vale, cruzando à direita, e depois iniciando uma subida gradual até um platô. Já no platô tivemos uma visão mais próxima do nosso objetivo, e da trilha que subia pro acampamento, essa sim bem íngreme. De novo, avistamos a barraquinha amarela, e uma pessoas bem longe subindo pro Lenana. Depois de um lanche, continuamos a subida até nos deparamos com a barraquinha – literalmente! Uma Quechua ½ estação a quase 4300m de altitude! Corági! A barraca corajosa no platô antes do acampamento. Lá embaixo, a falha por onde viemos. Seguimos em frente e ao invés de tocar pro Austrian Hut, que é o alojamento padrão de quem sobe pela Chogoria, tocamos pra Simba Tarn (4620m), um acampamento pequeno próximo a uma pequena lagoa (“a poça do leão”), todo rochoso e pedregoso, porém mais uma vez, vazio. A subida não foi lá muito fácil e em momentos era tão íngreme que a perna ficava quase paralela ao pé, fora a terra e pedregulhos soltos. Mas beleza, a subida até agora tinha sido tranquilassa, então não dava pra reclamar disso. Já começamos a ver neve acumulada em alguns locais, o que me deixou igual criança quando ganha doce. Novamente chegamos cedo, e aproveitei pra dar um rolê e fazer umas fotos pelo acampamento, o que não durou muito, já que a temperatura caiu repentinamente e começou a “chover” (aquele granizo de novo). Nos metemos na barraca e em pouco tempo, pra nossa surpresa, começou a nevar! Nada muito pesado, mas começou a acumular no chão e sobre as rochas. Jantamos mais cedo, preparamos o equipamento pro dia seguinte, e fomos dormir cedão. O dia seguinte era dia de cume! Ou não! E finalmente, o último Diamox! Fui dormir feliz. DIA 5 – ACAMP. SIMBA TARN > PICO LENANA > OLD MOSES CAMP Acordamos às 3h da manhã, e logo na saída da barraca com os zíperes malditos já tivemos uma surpresa: gelo! A barraca e o acampamento estavam cobertos por uma fina camada de neve. A luz das lanternas batia no chão refletindo o brilho dos flocos como se fossem as estrelas. Foi assim a maior parte da subida de 2 horas, com terra congelada e neve em boa parte do caminho. Na primeira hora sofri um pouco, mas talvez fosse o corpo se adaptando, visto que na segunda hora eu estava me sentindo super bem. Felizmente não pegamos muito frio, e na semana inteira a temperatura não ficou abaixo de -7C. No caminho vimos mais 3 grupos de poucas pessoas, vindo de direções bem diferentes. Chegamos próximos ao cume com um leve sinal de sol no horizonte. Foi o tempo de finalizar a subida, inclusive uma mini via ferrata, e assistir o sol passar por cima das nuvens no Pico Lenana, a 4985m de altitude. Olhando em volta, aos poucos o azul escuro virava azul claro, e as torres Batian e Nelion iam se tingindo de um tom vermelho (como eu vi em tantas fotos!), enquanto o Lewis Glacier lá embaixo mudava de azul pra branco. aproveitei bastante pois me sentia super bem, sem cansaço, sem dor de cabeça, sem vontade de ir no banheiro. Sem vento e com temperatura bem tolerável, ficamos uns belos 20 minutos lá em cima antes de começar a descer. É incrível que viemos pelo lado sudeste da montanha, todo rochoso, e chegando lá em cima pudemos ver as outras faces da montanha, principalmente o lado norte, muito mais coberto de neve em quase toda sua extensão. Melhor ainda teria sido subir o Batian, mas isso fica pro caso de algum dia eu ser uma escaladora experiente em grandes paredes... Pra mim o Lenana já estava de bom tamanho. Foto tradicional no Pico Lenana, 4985m. Iniciamos a descida quase sem reconhecer o caminho já que subimos no escuro (isso é sempre bom), e em 1 hora estávamos de volta ao acampamento pra empacotar tudo e partir. Desta vez cruzamos muita gente passando por nosso acampamento, pois estavam fazendo a travessia no sentido contrário, o que é muito mais comum. Subimos um morrinho à frente do acampamento, e novamente, uma mudança chocante de paisagem: um vale enorme se estendia até perder de vista, e antes dele, uma descida super íngreme, em terra solta, novamente toda ziguezagueando a encosta da montanha. A montanha vista desse ângulo parecia outra, e muito mais montanha, pois agora tínhamos nas nossas costas a visão clara do Nelion e Batian. Descemos rapidamente, passamos por outro lado, e entramos no vale à nossa frente. Em pouco tempo passamos pelo Shipton´s Camp, um alojamento que acomoda até 400 pessoas, visto que é parte da rota mais popular da montanha. Pausa pra água e tocar em frente. O vale é lindíssimo, com plantas gigantes e exóticas, e pássaros igualmente diferentes, porém depois de algumas horas na mesma paisagem o negócio começa a ficar entediante, até porque a visão da montanha vai ficando pra trás, e as nuvens começam a entrar pelo vale, derrubando a temperatura e tirando a visibilidade. E foi assim o resto do dia, nessa descida de 6 horas, onde depois de sair do vale, subidos e descemos mais 2 vales totalmente sem visibilidade, e ainda pegamos uma tempestade próximo ao último acampamento, o Old Moses (3400m), o mais sem graça de todos. Nesse dia pensei bem que apesar de termos cruzado vários grupos subindo, e de, durante a subida do vale estar se olhando de frente para os picos, essa trilha é bem chatinha e um tanto sem graça, com um perfil de aclimatação bem ruinzinho. Fiquei feliz pela escolha da trilha e todas as paisagens maravilhosas que aproveitamos durante a subida. Fui dormir cansada pelo dia de 11 horas de caminhada, mas feliz pela conquista. A face norte do Batian (5199m) e Nelion (5188m), e a descida íngreme em direção ao Shipton´s Camp. DIA 6 – OLD MOSES CAMP > PORTÃO SIRIMON > NAIROBI Finalmente um dia pra acordar tarde! Ou seja, 7 da manhã! Mais uma diazinho de trilha chata, ou melhor, estrada! Começa numa vegetação meio baixa e vai virando uma floresta mais densa. Foram 2 horas de caminhada que pareciam não acabar nunca já que nada mudava. Vimos alguns macacos e cruzamos a linha do Equador. Finalizamos as burocracias de saída, fizemos a cerimônia de gorgetas dos carregadores, entramos no jipão caindo aos pedaços e nos pusemos a caminho de Nairóbi, já pensando no próximo desafio, que estava mais perto do que nunca. Depois de 1 hora de estrada de terra, entramos numa vicinal de onde podíamos ver que aquela chuvona que nos pegou no fim do dia virou neve nos picos, pois estavam com muito mais neve do que quando descemos. Sorte ou azar de quem estava por lá. Fiquei sabendo que na semana seguinte o tempo ficou tão ruim que 3 helicópteros militares da Uganda bateram na montanha por conta do tempo ruim. Bom, primeiro objetivo conquistado, uma bela aclimatação feita, e agora era descansar pra atacar o objetivo principal da viagem na semana seguinte: o Kilimanjaro. A equipe posando pra última foto: Fiona, Eddie, Mak, Dickson, Mak, John Eagle, Grigori e eu. DADOS FINAIS DA TRAVESSIA Km total 57,8km Altitude Máxima Pico Lenana, 4985m
  3. Parabéns Divanei! Por vencer o perrengue e por beber essa "água" no último dia!
  4. Feriado que começou com a frustração da previsão de chuva pro Sudeste inteiro. O que sobrava era a vontade de fazer a tal da Serra Fina: se não fosse agora, dificilmente conseguiria fazer ainda em 2012, já que são 4 dias. Do grupo de 3-4 que aparentemente iam, 2 desistiram. E conforme a data ia chegando perto, eu ia ouvindo mais gente cancelando, e mais gente falando que ia estar feio, perigoso e complicado. Mas o problema é esse, quando eu quero muito uma coisa, por mais idiota que seja, perco a noção e vou atrás. E não foi diferente, fazer Serra Fina com chuva foi uma ideia totalmente de gente sem noção. COMEÇA O FERIADO Nada menos que 7 horas pra ir de São Paulo a Itanhandu, sendo mais de 3 pra sair da cidade, da Zona Sul à Marginal Tietê. Trânsito, muita chuva, e muita paciência. Já não tinha certeza se a gente ia sequer conseguir começar a trilha, mas fomos na cara e na coragem, enfrentar tudo isso pra ver se ia dar certo. Passamos em Itamonte pra comer perto da meia noite, e nem isso eu consegui pois estava meio mal do estômago a semana inteira. E dá-lhe presságio de que não ia rolar travessia. Seguimos depois pra Itamonte e não achamos hotel nenhum, o que nos levou a dormir (muito mal por sinal) no carro, no estacionamento do hospital da cidade. Mais presságio ruim: acordamos com uma mega chuva, e bem cansados. Saímos pra procurar uma padoca pra tomar café, ainda na dúvida se ia rolar. A chuva continuava fina e o tempo muito fechado. Era muita coisa ruim junta, e desistimos da travessia. Mas e aí? Fazer o que no sul de Minas, agora que a gente já estava lá? Saímos dirigindo meio sem rumo e surgiu a ideia de ir até Aiuruoca. Então fomos! No caminho pegamos algumas informações e tivemos a ideia de subir o Pico do Papagaio, ou de repente outro que tem por lá onde dá pra acampar, mas tinha que pagar guia e já estava tarde pra começar qualquer um dos dois (eram 11 da manhã). Nesse meio tempo, o céu abriu bastante, pelo menos praqueles lados. Estávmaos com bastante sono e bem cansados. Descemos então até o Vale do Matutu, onde fizemos uma caminhada super light até uma cachoeira. Mas não dava pra negar a frustração – a ideia de fazer a travessia não parava de passar pela cabeça, e fica me perguntando se o tempo lá pra Passa Quatro estava aberto igual em Aiuruoca. E não deu outra, Marcelito soltou o verbo pra corrermos de volta pra Itanhandu, ligar pro nosso resgate e arriscar daquele jeito mesmo. Bora! Pro inferno o perrengue, a segurança, e sei lá mais o que. Gente teimosa e sem noção é assim mesmo. Saímos correndo, ligamos pro cara do resgate, comemos salgado de padaria e tocamos pra Passa Quatro. Paramos na frente do Refúgio Serra Fina, já que o carro não iria além de lá. Organizamos as mochilas rapidinho, batemos um papo com o dono do refúgio – o Maurício, que nos disse que 4 grupos tinham iniciado a travessia, e às 16h30, estávamos de mochila nas costas pra iniciar a subida sob chuva fina. Não dava nem pra acreditar muito na loucura – íamos tentar a Serra Fina em praticamente 3 dias, naquele tempo péssimo. Exaustos e a praticamente 2 dias sem dormir, sem se alimentar direito e sob chuva, saímos do refúgio e caminhamos 1,5 km até a Toca do Lobo. Subi com 6L de água, e depois de pouco mais de 1 hora de caminhada, com uma chuva cada vez mais grossa, já não estava me sentindo muito bem. A ideia era caminhar 3h até o Quartzito, o último acampamento antes do Capim Amarelo, mas sem visibilidade, com chuva grossa e já no escuro, drenada e sem energia, e ensopada, não consegui tocar em frente. Paramos no acampamento 1 (Cruzeiro, 1793m) e montamos a barraca debaixo de chuva. Às 19h, já com a barraca montada, desabou uma chuva pesadíssima sobre nós. Descobri que só tinha levado 1 par de meia, e estava molhada. O que seria dos próximos dias? Nem sabíamos se iríamos continuar no dia seguinte – se sim, teríamos um dia duríssimo, pois teríamos que chegar o mais próximo possível da Pedra da Mina. Ia depender do volume da chuva. Na pior das hipóteses, teríamos que desistir dali mesmo. DIA 1 - ACAMPAMENTO CRUZEIRO AO ACAMPAMENTO DOS QUASE PERDIDOS Acordamos com metade do céu aberto, garoa fina e uns 10 graus. Deu ânimo pra botar a roupa molhada e desmontar o acampamento, mas em pouco tempo, a chuva engrossou e o vento começou a ficar mais forte. Na teimosia, decidimos tocar em frente. Saímos às 8h30, e em pouco tempo o tempo abriu e começamos a andar nas cristas e visualizar um pouco do que tínhamos à frente – deu ânimo pra aguentar o perrengue. Mas não durou muito. O tempo fechou novamente, a chuva voltou, e o vento ficou ainda mais forte. Subimos e descemos cristas, às vezes protegidos no meio da mata. A primeira parada foi no acampamento Maracanã, mas durou 5 minutos por conta da chuva que novamente apertou. Na subida do Capim Amarelo (2.491m) teve trégua e cruzamos um grupo que tinha dormido lá em cima mas estava abortando a travessia - mais presságio ruim. Subimos mesmo assim e enfrentamos um paredão de lama – a cada 3 passos acima, escorregávamos 2 pra baixo. A chuva voltou. O ventou ficou mais forte. Mas alcançamos o cume antes do meio dia, totalmente sem visibilidade. E foi assim por várias horas, subir e descer cristas sem saber pra onde estávamos indo, escalaminhar paredão de pedra com vento forte e totalmente encharcados, com uma ou outra parada de 5 a 10 minutos pra comer qualquer coisa e respirar um pouco. Mal dava pra parar, porque os anoraks já estavam molhados por dentro, e com a parada o corpo esfriava e ficava mais frio ainda. Já estava imaginando que não conseguiríamos chegar na Pedra da Mina. Eram quase 17h quando, depois de vencer mais uma crista, o tempo começou a abrir um pouco, e avistamos um vale enorme mais à frente. Já tinha avisado o Marcelito que não aguentaria muito mais tempo - já eram quase 9 horas caminhando em chuva, vento e frio e pouca comida. Decidimos parar num dos próximos acampamentos, e aí começou mais um perrengue, pois passamos por 2 acampamentos totalmente inviáveis, que estavam encharcados. Não tínhamos opção, já estava escurecendo e teríamos que caminhar até achar algum lugar que prestasse pra montar barraca. Pra piorar a situação, subimos por um morro – caminho errado – enquanto procurávamos o acampamento marcado como #20 no tracklog. Quando encontramos a trilha, ainda entramos errado num capinzal, e pra completar, o GPS deu chabu e não mostrava mais onde estávamos. Bateu o desespero: estávamos desorientados de noite, num capinzal, sem visibilidade, sem referência, e perigando tomar uma chuva daquelas. Mas não durou muito - se descemos pro capinzal, teríamos que subir de novo. E nessa subida, nos encontramos a 15 metros do acampamento. Alívio como senti poucos vezes na vida! Montamos a barraca e nos trocamos, e não deu outra, o mundo desabou sobre nós em formato de tempestade. Depois de mais de 9h de caminhada nas piores condições possíveis, podíamos descansar. De novo pensei, na pior das hipóteses, abortamos no dia seguinte via Paiolinho. DIA 2 - ACAMPAMENTO DOS QUASE PERDIDOS AO PICO DOS TRÊS ESTADOS Na noite anterior tínhamos visto algumas lanternas mais acima de nós. Devia ser um dos grupos restantes. De manhã o céu amanheceu aberto, e o sol apareceu timidamente por alguns momentos, mas iluminava com persistência os topos das montanhas em volta. Mais uma vez foi sofrido vestir a roupa molhada e gelada no frio, e apesar de ter mais um dia duríssimo à frente, tínhamos boa visibilidade e parecia que o tempo ia ficar firme. No caminho, logo cedo, o desafio de subir a Pedra da Mina (2.798m). Desmontamos acampamento e tocamos em frente. No caminho cruzamos 2 grupos que acamparam improvisadamente, sendo que metade deles ficou com tudo encharcado e estavam com um menino de uns 12, 13 anos. Mais acima, 2 caras subiam o morro. Em teoria, eram essas pessoas e mais ninguém que estavam fazendo a travessia, e se ninguém tinha chegado ainda à Mina, é porque todo mundo tinha passado muito perrengue. Tocamos pra cima numa subida interminável, cuja parte final era um barranco de capim que não acabava nunca. Qual foi minha supresa quando cheguei lá em cima e vi os dois caras assinando um livro de cume? Como assim? Assim sim! Estávamos na Pedra de Mina, em menos de 1 hora de caminhada. E que presente: tempo aberto! Visão em 360 graus da Serra Fina, sol secando a roupa e iluminando bem o caminho. Bom sinal? Se descêssemos a Mina, teríamos que ir até o fim! Durante o segundo dia o tempo começou a abrir e foi possível apreciar um pouco do que tinha pra frente. Aproveitamos a paisagem pra recarregar um pouco a bateria, avistamos o tal Vale do Ruah e tocamos pra baixo. Erramos um pouco o caminho mas depois voltamos à trilha. Na descida, cruzamos um grupo de 4 cariocas que ia atravessar o Vale só na base da carta, e convidei eles pra irem com a gente, já que estávamos de GPS. Achar o caminho certo no Ruah é meio difícil no começo, mas depois é só seguir o rio pela esquerda, cruzar à direita e seguir tocando. Apesar do capim alto, a trilha é relativamente visível pra quem tem experiência. Pegamos água no meio do Vale, e em alguns momentos não teve jeito de não meter o pé na água. O capim é realmente isuportável, mas saber que não tínhamos desistido e que iríamos até o fim depois de tanto perrengue, foi bem estimulante. Nessas horas me lembrava do meu amigo Jorge Soto e a travessia perpendicular que ele fez da Serra Fina... deve ter amassado muito capim! Bom, o que tinha começado como uma incerteza arriscada, estava se concretizando em um feito. Ainda faltava muito, mas o tesão – isso mesmo que você leu – da possibilidade de completar essa travessia com todo esse volume de acontecimentos estava virando energia, vontade, perseverança. Romantismo à parte, depois do Ruah inciamos a subida mais longa da travessia: os dois cumes antes do Cupim de Boi (2.530m), um trecho que parece não acabar nunca. Dá-lhe vara mato, capim, subida. Ninguém fala muito, e é possível ouvir a respiração ofegante de quem vai à frente e de quem vem atrás, todo mundo exausto, entretido em seus próprios pensamentos que provavelmente não iam muito além de chegar no Três Estados (2.656m), comer, vestir uma roupa seca e dormir. No cume do Capim do Boi já é possível avistar o dito cujo, o que dá uma mistura de alívio e desespero. O caminho ainda é longo, e o tempo novamente começou a fechar. A descida parece ser muito íngreme, mas rapidamente descemos a encosta rochosa, atravessamos capinzal, adentramos mata, e depois começamos a subida do Três Estados, com escalaminha e lama, tudo misturado e bem íngreme. O cansaço era tanto que parecia que dávamos passos de alpinista em altitude: um de cada vez, intercalado com a respiração. Foram dois dias de 9 horas de caminhada, comendo mal e dormindo não tão bem assim. Mas no ponto em que estávamos, pra acabar com o sofrimento, só terminando a trilha. E olha, ô povo que gosta de sofrer... Chegamos no cume do Três Estados e nos surpreendemos, pois além dos 2 que estavam à nossa frente, tinha mais uns 3 grupos pequenos por lá. E só tinha espaço suficiente pra nós. O grupo que em teoria vinha atrás com as crianças tinha desaparecido – talvez tivessem descido pelo Paiolinho, mas se tivessem continuado certamente não chegariam ao Três Estados com luz, e se chegassem não teriam onde acampar. Tivemos tempo de montar a barraca e trocar de roupa (eu com luva de Polartec no pé né...), antes de ver um incrível por-do-sol, com um céu bem aberto e uma noite salpicada de estrelas. A travessia que tinha começado como um perrengaço estava nos dando pequenos prêmios, um atrás do outro. O dia tinha sido lindo, sem chuva, e agora, a noite era bem clara. No entanto, o vento estava bem forte lá em cima, e derrubou a temperatura durante a noite. Não foi fácil dormir. DIA 3 - PICO DOS TRÊS ESTADOS À BR Se alguém pensa que a Serra Fina tem dia fácil, pensa errado. Não assisti ao sol nascer por inteiro, mas saí sim da barraca de pé pelado pra ver o tapetão de nuvens mais lindo da história da minha vida. De um lado da Serra Fina, tudo encoberto, com as pontas de Itatiaia visíveis, do outro, tudo aberto. No meio, o maciço da Mantiqueira, e nós lá em cima: uma visão que perdurou o dia inteiro. Roupa molhada, meia e bota encharcadas, cansaço e frio: assim começou o terceiro dia, descendo do Pico dos Três Estados. Saímos pouco antes das 9h. O último dia sempre dá a impressão de que vai ser fácil, por ser só descida. Mas a descida na Serra Fina começa bem no fim. Descemos o três Estados e passamos por algumas cristas, com a impressão de não estar perdendo muita altitude. E aí vem a subido do Alto dos Ivos (2.513m) – mais um trepa pedra totalmente desanimador, debaixo de sol firme. Foi o único dia da trilha em que realmente fiquei preocupada em estar com pouca água. Mas vencida essa última subida, e depois de admirar um pouco a paisagem do último ponto alto da travessia, adentramos uma descida por mata que dura mais de hora, com bambu, planta e capim enroscando na cara, na perna no braço e na mochila. Me seqüestraram uma Nalgene e terminaram de fatiar meus dedos e mãos. Pra ser bem sincera, essa etapa final da trilha é miserável. São algumas horas caminhando dentro da mata, sem visão de nada, e sem perspectiva de sair, com muita lama escorregadia, num caminho que não acaba nunca e paisagem que não muda, e quando acaba, acaba numa estrada. Falando nisso, uma coisa muito suspeita: quando a estrada bifurca em T, e deve-se tomar a esquerda, que é a descida pra sede da fazenda, Porém, algum “esperto” (pra não falar palavrão) montou uma seta pra direita. Pra quem não tem noção de navegação, ou GPS, ou indicação de nada, vai entrar no caminho errado. Uma mega sacanagem, pra dizer o mínimo. Descemos até a sede da fazenda, depois pela estrada de terra e pelo vale, e finalmente chegamos na saída da BR, com seu calçamento octavado. É uma sensação e tanto, terminar a tal “travessia mais difícil do Brasil”. Não tem como não sorrir, depois de uma conquista tão suada como essa: não foi só fazer a travessia, foi driblar o tempo ruim, correr pra fazer em bem menos tempo que o sensato, chegar inteira, e ainda dar risada no final. A maior parte da descida do terceiro e último dia foi com esta vista: o maciço de Itatiaia ao fundo, e uma mar de nuvens sem fim. Dados numéricos finais Km total 31.58km Tempo total de trilha 27h53 Peso ida 18-19kg estimados, com 6L de água (como a mochila é nova e muito confortável, ainda não peguei a manha de estimar o peso, como conseguia com a antiga)
  5. cissa29

    Equipos comprados no exterior

    Alguém indicaria alguma loja do eBay, confiável, que venda equipos?
  6. cissa29

    Carnaval na Fazenda Pico Paraná

    UAU! Já vi que quem resolveu arriscar uma serrinha nesse carnaval se deu bem heim...
  7. cissa29

    Travessia 7 picos do Caparaó, em solitário.

    Oi Getulio, em termos de fazer a parte alta, com um bom planejamento e conhecimento prévio do local acho que fica mais fácil. Pequei de não ter estudado a região quanto deveria, e agora que já tenho um certo know-how, pretendo voltar pra fazer os outros picos, inclusive os mais afastados. Sobre os quatis, eles só apareceram no Tronqueira, que é onde tinha gente com comida digamos assim "exposta". Nas 2 noites no Terreirão, e na noite no Casa Queimada tinha bem pouca gente, e sem farofa, então não tinha como atraí-los, mas talvez na alta-temporada eles apareçam nesses acampamentos também, já que conversando com os guardas, fiquei sabendo que junho-agosto a zona é generalizada em qualquer um dos acampamentos, portanto mais comida, mais animais... No Tronqueira eles chegaram perto da minha barraca (uma Minipack), mas nada agressivo. Felizmente, nenhum rasgo (era meu medo). De novo, deve depender da temporada. Se conseguir ir fora da alta temporada, dificilmente terá problemas.
  8. Viciada em fazer trilhas altas como eu sou, não quis perder a chance de ir até o Caparaó e trilhar alguns dos picos mais altos do Brasil, aproveitando pra treinar diversos aspectos de trilhas em altitude, e fazer minha primeira trilha solo em montanha. Então vamos ao que interessa! DIA 1 - SEXTA FEIRA, 17 DE FEVEREIRO Na sexta, 17/02, saí mais cedo do trampo com a benção do meu querido chefinho, e corri pra casa pra terminar de fechar a mochila, e dar os tapas finais na casa - deixar as plantas molhadas e comida e água dos gatos. Achei que fosse ter mais tempo, mas não tive, então nem deu tempo de tomar banho. O que teria sido muito bom, já que eu ia ficar uns dias sem tomar banho. Mas já tinha tomado de manhã, então beleza. Fechei a mochila e saí, estimando estar com 17-18kg. E olha, praticamente acertei! Metrô lotado, rodoviária idem! Na pesagem da entrega de bagagem, estava com 17.3kg. Contando que estava levando absolutamente tudo sozinha, até que não estava ruim. O ônibus da Itapemirim saiu do Tietê às 19:15 (10 minutos de atraso), mas demoramos umas 2h pra realmente começar a rodar, por conta de ser saída de Carnaval. Inúmeras paradas em lugares bizarros depois, chegamos em Manhumirmim às 11h. DIA 2 - SÁBADO, 18 DE FEVEREIRO Eu já estava com passagem pra Alto Caparaó comprada pras 8h30, mas felizmente a mulher da Viação Rio Doce trocou pra mim sem ônus (a passagem custa R$ 4,50, e o trajeto demora de 50-60 minutos). Achei desnecessário ter comprado o segundo trecho antes, mas em alta temporada imagino ser altamente recomendável. Dei sorte de ter um ônibus saindo pra Alto Caparaó em 15 minutos, então lá fui eu. Esse ônibus é circular e pára em vários lugares de Manhumirim, depois Alto Jequitibá, e finalmente Alto Caparaó. Desci no ponto final onde já fui abordada pelo seu Valdir Aguiar (32 8426 5737), que me levou até a portaria do PN por R$ 10. Dá pra ir a pé? Sim, mas se for subir até o Tronqueira a pé, não recomendo, pois a subida é puxada. Se só quiser começar a andar na trilha do Terreirão, negocie um preço que ele também leva até o Tronqueira, último lugar onde dá pra chegar de carro. Mais ou menos 12h40 eu estava na portaria do PN. Paguei R$ 11 pra entrar, e mais R$ 6 por pernoite, me cadastrei e ganhei um número, que teria que devolver na saída. Ajeitei umas coisas pra começar a caminhada, usei o toalete, e comecei a caminhar. São mais ou menos 6km de subida, ás vezes asfaltada, ás vezes terra, ás vezes pedregulho. A estrada vai ladeando a montanha, e conforme você vai fazendo curvas, mais montanhas vão aparecendo na paisagem, sempre encobertas de nuvens - é acima delas que quero chegar. Nesse caminho tem vários pontos de água. Parei bastante pois o primeiro dia com a mochila pra mim é sempre mais difícil. Vi alguns carros subindo, alguns descendo, ninguém ofereceu carona e eu também não pedi. Um dos meus objetivos era treinar resistência. Início da estrada pro Tronqueira, pausa para um lancha, e dados do trecho Portaria-Tronqueira. Cheguei no Tronqueira perto das 15h, e já um pouco preocupada que estava meio tarde, decidi não almoçar e só fazer um lanche rápido. Acho que foram uns 15 minutos de parada. Aqui já tinha algumas pessoas, que me olharam estranho - acho que primeiro por estar sozinha, segundo por ter feito esse trecho a pé. Logo notei um cheiro forte de cloro na parte de cima da mochila, e depois de fuçar um pouco, me deparei com a primeira cagada da viagem: meu purificador de água tinha vazado quase que por inteiro! Enfim, comecei a caminhada ao Terreirão, e logo que pus o pé na escadaria vi que teria à minha frente um tropeiro com 2 mulas. Ou seja, merda na trilha. Que ótimo! Depois de algumas horas de caminhada, e de fazer anotações mentais de lugares pra parar na volta, cheguei quase que me arrastando no Terreirão. Pra minha felicidade, só tinha mais 1 casal acampado, um pessoal fazendo pesquisa (iam descer), e os guardas do acampamento. Desempacotei a mochila e montei a barraca, e logo fui fazer minha janta: risoto de frango da Liofoods e uma pizzinha (sábado é dia de pizza né), seguidos de um capuccino com chocolate, pra estimular o sono. Minha idéia era subir o Bandeira de madrugada em outro dia, e no caminho inverso, pois achei que o PN fosse estar lotado. Mas conversando com o casal chegamos à conclusão que seria boa ideia subir no dia seguinte mesmo, então às 19h, eu já estava no sétimo sono. Não tive coragem de tomar de banho nesse dia. Final da trilha para o Terreirão, primeiro jantar acampada, e dados do trecho Tronqueira-Terreirão. DIA 3 - DOMINGO, 19 DE FEVEREIRO Choveu de madrugada, o que contribuiu pra derrubar ainda mais a temperatura. Acordei à 1h, comi um sanduba dentro da barraca e coloquei todas as roupas de frio que eu tinha pra sair (estava com 3 camadas), e mesmo assim senti frio. Desmontei acampamento e montei a mochila. Começamos a caminhas às 2h. A trilha é toda de pedra - lembra um pouco os perrengues da Serra do Mar, mas em menor escala. Apesar de bem marcada com as setas amarelas, em dois momentos saímos da trilha, e o GPS foi fundamental pra nos localizarmos de novo. No final parei bastante, e confesso que foram os 400 metros finais mais difíceis que eu já fiz! Depois os 200 mais difíceis, os 80 e assim vai! Bem, a trilha bifurca bastante o tempo todo, e mais ainda no final, mas todas elas levam ao Bandeira, então escolha sempre a mais fácil (ou com menos pedra). Por conta de erro de cálculo (horário de verão), chegamos lá quase 1h30 antes do sol nascer. Ou seja, ficamos um tempão congelando lá em cima. Depois de nós chegaram 2 caras de BH que tinham subido durante a chuva, e de noite (parece que BH também vira um caos na saída de Carnaval, por isso o atraso), sem equipamento, e acabaram dormindo um pouco na Casa de Pedra pra depois subir de madrugada. Imagino que estivessem congelando com a roupa toda molhada! Depois ainda chegou um grupo farofa vindo do ES - digo farofa porque escutamos a gritaria deles desde o Calçado, e num grupo de 15, apenas 4 tinham lanternas. Bem, durante a subida o céu estava super aberto, salpicado de estrelas, e dava pra ver várias cidadezinhas lá embaixo. Foi uma experiência realmente nova. O sol demorou a sair, mas pra alegria de todos, o espetáculo foi um pintura - o céu estava aberto com poucas nuvens, e pudemos apreciar um nascer do sol em 360 graus, com uma eventual movimentação de nuvens pra lá e pra cá que deixou a coisa toda ainda mais bela. E claro, com o sol saindo, a temperatura foi aos poucos aumentando. Dados do trecho Terreirão-Pico da Bandeira, sol nascendo, e Bandeira visto do Calçado Mirim, às 7h22. Saí de lá praticamente às 7h pra inciar minha descida até o Acampamento Casa Queimada. Me despedi do pessoal bacana que conheci lá em cima, coloquei a Azulzinha nas costas e fui em direção ao Calçado. Como estava bem cansada, decidi fazer o Cristal na volta. Neste dia tive a parte mais "com emoção" da viagem. O caminho do ES pro Bandeira é bem mais íngreme que o caminho que vem de MG, e isso vale pra descida do Calçado, quando se tem que passar por um paredão de poucos metros de altura porém que nada mais é que um desfiladeiro. Tem que se descer usando degraus na pedra. Depois de uma leve escorregada, retomei o bom senso e decidi descer sem a mochila. Averiguei a trilha até lá embaixo, subi de novo e desci mais um vez arrastando a Azulzinha pela pedra. Definitivamente, foi a coisa prudente a se fazer. Confesso que nessa hora rolou medinho. Vencido esse obstáculo, continuei a descida, parando bastante pra apreciar os momentos em que não tinha nenhuma alma viva no meu campo de visão. Ficar sozinho assim é uma experiência quase libertadora! Mas só até aparecerem as malditas mutucas do Caparaó, que ficaram literalmente 2 horas voando em círculos a minha volta, até eu chegar no Casa Queimada. No meio do caminho tirei a mochila, e o case do GPS saiu voando. Não vi pra onde foi, e pronto, nessa hora o desespero chegou chegando, e achei que tinha perdido o GPS. "Impossível! Tava super bem preso no peitoral da mochila!" Estava no meu pé. 15 minutos depois desse susto, parei numa cachoeirinha pra pegar água, e decidi que ia prendir o GPS no cinto. Coloquei ele em cima da mochila, peguei água, peguei a mochila, e adivinha??? Mais uma vez o GPS saiu voando, desta vez pra cair na água! ISSO SE CHAMA BATISMO A LA CLARISSA! Sorte que ele caiu numa pocinha e é a prova d´água. Esse foi o momento estabanada da viagem - bem, antes isso que cair em precipício né. Cheguei no Casa Queimada, vazio. Sim, só eu. Botei a barraca e quase todas as roupas pra secar/ventilar, e fiquei um tempão deitada na mesa só bodeando. Aproveitei o calor pra tomar um banho (de gato, pois a água estava geladíssima). Fiz almoço, e nesse meio tempo chegou um casal super simpático de SP, que ia subir de madrugada, e uma família de 3, que ia subir de manhã, também muito simpáticos. Todos vierem bater um papo comigo - incrível que viajando sozinho você atrai muito mais as pessoas. Diria que 80% das pessoas com quem cruzei nas trilhas/acampamentos vinham conversar, ficam meio impressionadas, etc, coisa que muitas vezes não acontece quando se está em grupo. Fui dormir cedo nesse dia também, e dormi tão bem que não escutei uma bagunça que rolou de madrugada, de gente que veio subir durante a noite. Setas marcando o caminho, Casa Queimada lá embaixo, e dados do trecho Pico da Bandeira-Casa Queimada. DIA 4 - SEGUNDA FEIRA, 20 DE FEVEREIRO Durante a tarde do dia anterior fiquei pensando muito se faria o Cristal ou não. A mochila ainda estava pesada, e eu sabia que o Cristal tinha lajes bem expostas com trechos de escalaminhada íngreme, o que poderia ser arriscado estando com uma cargueira, e sem corda. Aliás, antes de sair pra viajar fiquei pensando se não seria bom levar corda, e neste dia meio que achei que daqui pra frente, em solos, eu deveria levar, com uns mosquetões melhores. Talvez isso faça a diferença na hora de subir algum pico, pois eu vou poder içar a mochila e subir com mais tranquilidade. Acordei umas 6h, e 7h e pouco já estava saindo. O pai e o menino (Gaspar, tinha 13 anos), estavam muito a fim de subir comigo, e bem inseguros de fazer a trilha sozinhos. Beleza, avisei que iria devagar e fomos juntos. Neste dia pegamos bastante névoa e um pouco de frio conforme fomos subindo, o que era presságio de que o tempo não estaria aberto no Bandeira. A trilha que vem do ES realmente tem trechos mais íngremes, mas diferente da que vem de MG, que é só pedra, a do ES tem muita trilha de chão batido, então a gente cobre uma boa distância sem fazer muito esforço. Também achei a do ES mais bonita, mais cênica, mais montanha. Foi engraçado ver o Gaspar todo empolgado com os trechos mais "técnicos" (algumas escalaminhadas bem simples). Já falei pra ele pedir de presente pro pai um tênis de trilha adequado. Realmente o tempo não estava aberto no Bandeira. As nuvens iam e vinham, revelando e escondendo a paisagem. Desta vez tinha muita gente lá em cima, fazendo muita bagunça, e muita criança também. Nessa hora pensei que talvez seria bom mudar o nome do lugar pra "Pico da Farofa", mas seria um desrespeito com a montanha, afinal de contas, a culpa não é dela. No entanto, aquela torre, escultura e cruz lá em cima são medonhas e deviam ser retiradas, já que não fazem parte da paisagem natural e literalmente, não servem pra nada. Dados do trecho Casa Queimada-Pico da Bandeira, Gaspar curtindo seu primeiro pico, Azulzinha no Bandeira. Fiquei lá um tempo descansando, tirei umas fotos, e comecei a descida, pensando em ir bem devagar. Neste dia não iria no Cristal, talvez no dia seguinte. Muita gente passou por mim, subindo e descendo, tinha até criança de 7 anos. Enfim, parei em 2 mirantes no caminho pra dar uma descansada, e aproveitar que ainda era cedo e poderia bodear bastante no acampamento. Um pouco antes de chegar no Terreirão encontrei a entrada da trilha pro Morro do Cruz do Negro. Tem uma pedra com uma seta branca enorme pintada, mas meio escondida pelo mato. A trilha até que é bem visível no começo, mas depois fica um pouco fechada, sendo necessário um mini vara mato pra prosseguir. Pensei que seria um bom programa pro dia seguinte, pra fazer junto com o Cristal, sem a cargueira. Cheguei no Terreirão e repeti o procedimento: colocar a barraca pra secar, ventilar as roupas, descansar, fazer almoço. Nesse dia tinha 2 barracas montadas. Montei a minha perto da onde tinha montado da outra vez, entre uma mesa de madeira e o riachinho que ladeia o acampamento, próximo à entrada da trilha do Bandeira. Talvez tenha sido uma decisão errada, pois passa muita gente ali durante o dia, e isso me deu insegurança de deixar a barraca sozinha ali no dia seguinte pra ir até o Cristal, até porque os guardas do acampamento estavam trancados na casa de guarda e não saíram o dia inteiro. Além do que, não rola "levar só coisa de valor", pois todo meu equipamento é de valor - quem faz trilha sabe disso e nem preciso entrar em detalhes. Resolvi pensar no assunto durante a tarde. Aproveitei e descobri um mirante no final do acampamento, com uma trilha bem fechada que provavelmente daria numa cachu lá embaixo. Dados do trecho Pico da Bandeira-Terreirão, entrada da trilha pro Cruz do Negro, e o tradicional capuccino com raspas de chocolate, pra dar aquela relaxada. Fiquei bastante tempo sem fazer nada na tarde desse dia. Um dos casais que estava numa barraca foi embora, algumas pessoas de alguns grupos vieram falar comigo por curiosidade, e até escutei comentários do tipo "essa daí é a mulher que foi até o Espírito Santo e voltou" (virei assombração?) ou "essa é alpinista de verdade, está com todo o equipamento, blá blá"... esse segundo comentário provavelmente se deu porque durante a descida percebi que estava com as mãos inchadas, por conta de queimaduras fortes de sol. Então cheguei lá e fiquei com todas as segundas peles, inclusive luvas, boné e bandana pro pescoço, além de óculos de sol. Quase um ET, afinal estava quente, e todo mundo de bermuda e camiseta e eu lá, toda coberta, de preto dos pés à cabeça. Enfim, fui dormir cedo também, sem decidir muita coisa sobre o dia seguinte. Apenas que eu não teria hora pra acordar. DIA 5 - TERÇA FEIRA, 21 DE FEVEREIRO Acordei mais ou menos 8h30. Enrolei pra sair da barraca, pra fazer o café, pra ir no banheiro. Desisti de deixar minhas coisas por lá e fazer o Cristal. Cagaço mesmo, de subir de cargueira, ou de deixar minhas coisas lá sem ninguém pra olhar. Então, elegi esse como o dia da preguiça. Fiquei perambulando pelos mirantes do Terreirão por horas. Mesmo. O pessoal da última barraca foi embora, e eu estava totalmente sozinha (os guardas não contam né, nem abrir a janela eles abrem). Ficar sozinho assim por muito tempo é tão bom, que ao invés de você começar a pensar na vida, não pensa em absolutamente nada, e as horas passam. E muitas! Em vez de me sentir pequena, me senti tão parte do ambiente que acabei me sentindo grande (uma pequena parte do grande), mas foi um sentimento meio que de simbiose. Obviamente que isso só durou até começarem a chegar os farofas e gritar e perturbar a minha paz. Incrível como as pessoas tem prazer em fazer barulho. Fiquei um tempão sentada num mirante que tem atrás da Casa de Pedra, mas fora da trilha que vem lá de baixo. Em vez das pessoas passarem reto, não, elas faziam questão de vir aonde eu estava e ficar gritando, fazendo pergunta idiota e zona generalizada. Enfim, acabou quebrando o clima da minha quase meditação-transcedental-espontânea, e resolvi arranjar alguma coisa pra fazer. Não é que nessa hora a casa de guarda se abriu? Estava considerando descer pro Tronqueira já nesse dia, porque senão teria que descer correndo na quarta e não ia conseguir pegar umas cachus. Vi com eles se tinha vaga lá embaixo, e com a resposta afirmativa, arrumei a tralha e comecei a descida. Meio na dúvida se estava fazendo a coisa certa, pois o Tronqueira é bem farofa, mas enfim, valeria pelas cachoeiras e descanso devido. Nesse dia a mochila já estava mais leve, ainda bem. A trilha acompanha o Vale Encantado, por onde desce um rio com vários poços e pequenas cachus. Reparei nisso desde lá de cima, principalmente num poço lindão meio com fundo infinito que eu queria muito entrar, e fui procurando alguma trilha ou picada que descesse pra algum poço. Não achei e fiquei bem frustrada. Perto da Araucária parei pra um lanche, abri a mochila, fechei, enfim, toda aquela função. E louca por um mergulho! Juro que não mais que 15 passos depois da Araucária, abre um trilha curta e bem marcada pro poção dos meus sonhos! Não deu outra, larguei a Azulzinha na pedra e aproveitei meu merecido mergulho. Fiquei lá um tempo e continuei a descida. Azulzinha pronta pra começar a descida, poção daóra no Vale Encantado, dados do trecho Terreirão-Tronqueira. Descer é uma coisa meio triste. É se afastar do seu objetivo. Da montanha, do topo. É um sentimento ruim, que já tive outras vezes. Pior ainda quando não se cumpriram todos os objetivos. Mas já que não dá pra ficar por lá, a gente desce. Cheguei no Tronqueira e tinha várias barracas enormes na área de camping, que é bem pequena. Muitos visitantes de 1 dia também, muito barulho, muita zona. Mas consegui tomar banho. Porém numa água tão, mas tão gelada, que doeu até meu cérebro. Juro mesmo! Durante a tarde um grupo de quatis invadiu o acampamento e causou rebuliço. Jantei "ao por-do-sol", e fui dormir já no escuro. Na verdade tentar - o último grupo que ficou lá ficou jogando stop ou sei lá o que até altas horas e obviamente que não consegui dormir. Mas tudo bem, pois o plano era acordar às 5h no dia seguinte, e desmontar tudo pra descer - inclusive sacudir bastante a barraca. Não precisa ser muito inteligente pra realmente entender o que está escrito. Por do sol no Tronqueira, seguido de janta. DIA 6 - QUARTA FEIRA, 22 DE FEVEREIRO Dia de ir embora. O despertador tocou às 5h, mas como dormi mal, deixei ele em snooze de 15 em 15 minutos até às 6h. Tenho certeza que isso acordou algumas pessoas. Saí da barraca e já tinha gente daquele grupo de pé. Aliás foi só montar a cozinha que já apareceram vários quatis querendo filar meu café da manhã. Comi, desmontei a barraca, sacudi ela MUITO - pois foi o dia que ficou mais molhada (isso porque a área de camping do Tronqueira é numa clareira bem protegida de vento), arrumei a mochila, e comecei a descida às 7h40 mais ou menos. Aliás falando em mochila, neste dia o peso já estava totalmente tolerável, a ponto de eu não lembrar que estava com uma mochila pesada. Imagino que com mais de 16kg ela não estava. Parei primeiro na linda Cachoeira Bonita. Fiquei um tempo lá apreciando mas sem entrar, porque a água tava bem fria e eu não queria abrir a mochila que eu tinha arrumado tão bem a menos de meia hora. Saí de lá e voltei a descer - no caminho vi um gaviãozinho, um tucano de bico verde (lindo) e um cachorro (oi?) correndo atrás de alguma coisa no meio do mato (oi???). Bem lá no final peguei a trilha pro Vale Verde, onde deu sabia que tinha uma cachoeira. Eram 10h e pouco, imaginei que não teria gente lá, e não tinha. No Vale Verde tem uma cachoeira não muito íngreme, bem parecida com essas da Serra do Mar, com mata bem fechada em volta, e que termina num poção de água meio verde, absolutamente lindo! Nesse momento pensei que apesar da farofa, valeu a pena ter descido pro Tronqueira pra ver as cachus. A maravilhosa Cachoeira Bonita. Imaginei que sendo estando numa altitude mais baixa, a água desta cachu estaria menos gelada. Ledo engano, mal entrei e senti meus ossos doendo. Acho que nem a água do poço do Salto Angel era tão gelada, sério. Mas já estava lá, então fui! Mergulhei com tudo e tentei chegar até o outro lado do poço, mas só até não conseguir mais sentir as extremidades nem mexer direito os braços. Sério, tava muito gelada. Saí, me troquei e fiquei secando lá um tempo. Nisso apareceu uma família, que começou um churrasco numa das churrasqueiras que tem mais pra cima na área da cachoeira. Mas estavam lá em cima, fora do meu campo de visão, e vice-versa. Desci até a portaria feliz da vida (mas nem tanto né Cristal?), liguei pro seu Valdir, com quem já tinha deixado combinado meu retorno, e me troquei pra voltar. Enquanto esperava o seu Valdir, apareceu um gringo maratonista, que subiu a estrada do parque correndo. Escutei a conversa dele com o povo da portaria de longe, e ele ia subir correndo até o Tronqueira, e se aguentasse até o Terreirão. E era de Viena. Tãotáné! Depois eu que sou louca! Seu Valdir, muito gente boa, me deixou num restaurante mineiro (R$ 10 à vontade, perto da pracinha da Matriz), onde fiz uma belo almoço com direito a feijoada, farofa, uma batata doce e macaxeira incríveis, lasanha e frango frito. Estava tão impressionada com as comodidades da civilização que tomei até refrigerante (quem me conhece sabe que eu tomo refrigerante 1 vez por ano, se muito). Comprei uns "souvenirs" numa lojinha, e fiquei esperando o ônibus pra Manhumirim na pracinha. Conversei com uns locais, fiquei amizade de um cachorro e tive que aguentar um cobrador xavequeiro mala pra caralho até Manhumirim. Faz parte né. Azulzinha no poço do Vale Verde, dados do trecho Tronqueira-Portaria, e um belo almoço mineiro em Alto Caparaó. Nem sei que horas cheguei em Manhumirim, sei que fiquei horas esperando o busão pra SP. Nesse meio tempo tomei um sorvete por quilo cheio de tudo que engorda numa sorveteria que fica ali perto e que chama "Gelin". Peguei o ônibus perto das 18h, e parti de volta pra Babilônia, quase que completamente feliz. No meu blog tem além desse relato, a preparação pra viagem e análises pós-viagem, mas ele ainda está privado pois ainda estou arrumando o layout. De qualquer maneira, fica o link: http://cissasolo.blogspot.com
  9. cissa29

    roupa para o pico da bandeira

    Se for subir de madrugada, utilize o sistema de 3 camadas: segunda pele (pra absorver o suor da subida), um fleece grosso (recomendo 300, lá em cima é frio pacas, e depois que vc pára de andar, o corpo esfria e sente o frio pra valer), e uma boa jaqueta/anorak pra segurar o vento na subida e lá em cima. Depois que o sol nascer, e vc começar a descer, vai tirando tudo aos poucos, mas pelo menos lá em cima vai conseguir curtir sem morrer de frio. Ah, luvas corta vento também, e um bom gorro.
  10. cissa29

    Travessia 7 picos do Caparaó, em solitário.

    Estive lá no carnaval - estava solo também, e por causa disso, com mochila muito pesada (estava com uns 17kg) - abortei a subida ao Cristal, porém com dor no coração! Tinha ouvido falar que o caminho é meio exposto, e com a mochila grande ficaria perigoso. Acha que confere essa informação? A subida ao Cristal é mesmo meio tensa, vindo do Calçado?
  11. cissa29

    relato Parque Nacional do Jaú no Amazonas

    Hahaha! Pois é, já cheguei a perder 5 horas pra atravessar o rio por conta da maldita balsa.
  12. cissa29

    relato Parque Nacional do Jaú no Amazonas

    Ricardo, que massa que vc conseguiu ir pra lá! Morei aí em Manaus 5 anos e fui inúmeras vezes pra Novo Airão, mas nunca consegui chegar no PN Jaú por conta da "logística" complicada da região. Realmente a Amazônia é um superlativo e tem que vivenciar ela pra poder entender. Fotos lindas e saudade imensa desse lugar!
  13. cissa29

    Travessia 7 picos do Caparaó, em solitário.

    Travessia incrível! Parabéns! Você não teria um tracklog disso? Ou talvez algumas coordenadas no mapa pra mais ou menos orientar o caminho? Vc usou qual carta, seria a do IBGE pra Manhumirim?
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