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Heitor Pergher

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Tudo que Heitor Pergher postou

  1. GOSTOU DO TEXTO? ACESSE MEU BLOG PARA ESSE E TANTOS OUTROS RELATOS DAS MINHAS VIAGENS, NO LINK http://heitorpergher.blogspot.com/ Havia chegado o tão aguardado dia. Estava empolgado. Iria hoje, juntamente com minha família americana, caçar veados – os quadrúpedes, é claro! Em Michigan, durante alguns poucos dias do ano, é legalizada a caça. Eu não tinha quaisquer esperanças de verdadeiramente caçar – achei que iria acompanhar meu pai talvez - mas, contrariando o fato de ser ilegal para um intercambista carregar uma arma de fogo nos Estados Unidos, fui confiado com uma potente espingarda calibre 12’’... Bastava agora saber se faria jus à responsabilidade a mim delegada. Acordar cedo naquele dia não foi nada fácil, mas admito, estava extremamente animado. Tinha a oportunidade de carregar uma arma de fogo; ainda por cima, uma “12”, sonho de qualquer adolescente inconseqüente... Os preparativos começaram cedo, muito antes de o sol nascer. Provavelmente, aquele foi o dia mais frio que enfrentei em toda a minha vida, e talvez ainda seja até hoje. Os termômetros marcavam -20º Celsius. Para complicar ainda mais, iríamos ficar durante longas horas expostos a esse frio, longe de qualquer tipo de calefação. Não tenhas dúvida de que a indumentária foi volumosa: duas calças, três jaquetas, espessa bala clava, duas meias, botas e luvas. Fato interessante que deve ser salientado é que o caçador é obrigado por lei a vestir pelo menos uma peça visível na cor laranja. Isso se faz necessário, pois existem inúmeros caçadores nas florestas ao mesmo tempo e, muitas vezes, próximos uns aos outros. Dessa forma, sendo a roupa de cor chamativa, evita-se que ocorram disparos acidentais que possam atingir os caçadores. Podes estar te perguntando: a cor chamativa não causaria o afugentamento do veado, tornando impossível que o caçador se camuflasse? Seguramente que não; o espectro visual do veado é muito limitado. Ele somente vê em tons de cinza e, por esse motivo, a cor laranja passa despercebida. Estava nervoso. Caçar era algo totalmente inovador para mim. O fato de estar carregando uma arma altamente letal nas minhas jovens e imprudentes mãos me assustava. Mas estar indo caçar com exímios profissionais da área era ainda mais amedrontador. Meu avô americano havia lutado na guerra da Coréia, como operador de metralhadora de aviões. Meu pai americano foi atirador na marinha durante vários anos. Não participou de combate efetivo, mas teve extenso treinamento militar. Seu irmão, que também nos acompanhava, havia sido atirador de elite na guerra do Vietnam, onde perdeu suas duas pernas devido à explosão de uma granada. Minha vasta experiência com arminhas de pressão passou despercebida... O incrível é que, mesmo após perder suas duas pernas, meu tio não deixou de praticar sua paixão – a caça. Locomovia-se com o auxílio de cadeiras de rodas, mas não apresentava qualquer dificuldade. Seu rifle, ao contrário da minha espingarda, possuía inclusive mira telescópica. Minha família americana havia caçado todos os anos, sem exceção, durante as últimas décadas. Impressionou-me que, mesmo com toda essa experiência, pareciam muito confiantes em deixar uma arma em minhas mãos, mesmo sabendo que não tinha os conhecimentos básicos para manuseá-la; não me deram instruções de como a utilizar, só salientavam que deveria sempre deixá-la apontada para o chão. Reconheço que estava feliz com a irresponsabilidade da minha família americana. Era graças a ela que estava ali, carregando cuidadosamente o cartucho para dentro do longo cano da espingarda. Minha arma era muito simples, nem mesmo possuía trava de segurança, mas seu poder destrutivo era o mesmo das demais... Levei comigo somente uma bala, talvez esperando que não tivesse que utilizá-la contra qualquer ser vivo; já estava feliz somente pelo fato de estar fazendo algo tão incomum; pelo menos, para os padrões brasileiros. Caçar é muito similar a pescar. Você fica ali, por horas, aguardando sua presa dar o primeiro movimento. Em noventa e nove por cento do tempo a espera se resume a tédio, mas o um por cento remanescente é pura emoção! Faz seu coração bater em disparada, compensa todo o restante. Como havia muitos caçadores ao meu redor, o barulho de disparos era constante; o que não me deixava muito tranqüilo. A probabilidade de ser alvejado acidentalmente era pequena, mas não diminuía meu medo; a cada disparo me encolhia em direção ao chão. Não pude deixar de imaginar como deve ser a estressante vida dos veados nessa época – praticamente, uma guerra mundial, com certeza! Após pegar minha arma com meu avô americano rumei à floresta; sozinho, somente com minha potente espingarda e uma única bala carregada. Andei por um longo período até decidir que estava no local adequado para executar meu plano maligno - tirar a vida de um pobre animal. O lugar propiciava uma vista panorâmica para um vasto campo sem árvores que lembrava um campo de futebol em que a grama não era cortada há meses. A visão, além de panorâmica, se dava de um ponto um pouco mais alto, o que tornava possível uma extensa visão, muito além da capacidade de alcance da minha espingarda. Sentei ali, num buraco, tentando ficar o mais imóvel e camuflado possível. A qualquer momento, poderia aparecer uma possível presa. Já aguardava há mais de uma hora, sem qualquer sucesso. Nem mesmo havia avistado veados à distância. Estava enraivecido! O mais próximo da emoção que tinha chegado foi devido aos intermináveis disparos ao meu redor. Começava a pensar que seria em vão minha longa espera... Foi quando ouvi um forte estampido. Era o disparo de uma arma de fogo; muito próximo de onde me encontrava. No mesmo instante, olhei na direção do estrondo e foi quando o avistei; o grandioso animal galopante. Estava a talvez 500 metros de distância de onde me escondia. O disparo, que havia escutado segundos atrás, certamente tinha como alvo o veado que agora via correr, ainda ileso. Corria velozmente pelo campo logo a minha frente. Cruzava centenas de metros incrivelmente rápido, diretamente em minha direção. Meu coração disparou. Havia chegado a hora. Deitei meu corpo sobre o úmido e gelado chão, coberto de neve, e apoiei a espingarda sobre uma pedra, para dar maior precisão ao disparo. Não tinha certeza quando atirar; a arma que possuía era potente, mas não a ideal para alvos distantes; ele ainda estava muito longe. Aguardei o máximo que minha afobação permitiu. O veado certamente já estava a menos de 50 metros. Tinha certeza que iria acertá-lo em cheio. Disparei! O forte soco da arma sobre meu ombro passou despercebido; a adrenalina amaciou o impacto. Para minha surpresa, o animal continuou correndo, ileso... havia errado o alvo. Continuava a correr na minha direção e por alguns momentos pensei que se vingaria. Chegou talvez a 3 metros de mim. Vi em seus olhos cintilantes, mesmo que de relance, o desespero; o pedido de socorro. Corria desgovernado, sem saber para onde fugir. Sem escolha, tomou seu caminho em direção a outra floresta, onde, inevitavelmente, teria em breve seu cruel fim. Fiquei decepcionado em ter errado o alvo. Porém, ao mesmo tempo, estava aliviado. Na verdade, não queria matar aquele vigoroso veado. Após retornar ao grupo e contar o ocorrido, descobri que meu tio americano havia alvejado dois deles, que agora, pendurados numa árvore, eram preparados para o corte. Percebi que se tivesse matado aquele belo animal, caberia a mim retirar suas entranhas e, muito mais do que sentir repulsa, carregaria a culpa de ter tirado sua vida. Agradeci imensamente o fato de ter errado o alvo. Mais do que nunca, estava feliz com minha má pontaria... GOSTOU DO TEXTO? ACESSE MEU BLOG PARA ESSE E TANTOS OUTROS RELATOS DAS MINHAS VIAGENS, NO LINK http://heitorpergher.blogspot.com/
  2. GOSTOU? VISITE MEU BLOG! http://heitorpergher.blogspot.com 01 de janeiro de 2011 Quando decidimos viajar ao Egito não imaginamos que a estabilidade política do país viria a ser um problema à nossa estadia. Infelizmente, isso ocorreu, e foi fator determinante na impressão que obtivemos do país e do seu povo. Atualmente (19:30, 1 de fevereiro), talvez por somente mais algumas horas, o Egito é governado pelo ditador Mubarak, que está no poder há quase 30 anos. É na vigência de seu governo que se estabelece uma forte política de colaboração e cooperação com os EUA, tornando o Egito um dos poucos países árabes que atualmente mantêm relações diplomáticas com os americanos. Dessa maneira, acreditamos, erroneamente, que não encontraríamos problemas políticos no Egito, já que o país mantém firmes relações políticas e comerciais com a comunidade internacional ocidental. Porém, sem aviso, nos vimos em um país colapsado, revoltoso e sedento por mudanças. Estar no Egito durante as manifestações que demandam por um governo democrático não é de todo negativo. Claro que nossa rota turística no Nilo que deveria sair de Luxor foi totalmente arruinada, já que o navio não pode deixar o porto. Porém, pudemos ver de perto a coragem do povo egípcio, que enfrentou a polícia com vigor, sem pensar em suas próprias vidas. Vimos de perto a precária situação política deste país, que se diz democrático, mas que somente tem como elegível um mesmo candidato a décadas, o ditador Mubarak. Respira-se indignação e revolta. Acompanhamos o desenrolar do conflito através das informações noticiadas pela CNN, único canal que transmite em inglês a situação no Egito, e pelos tendenciosos comentários dos guias turísticos que nos acompanhavam pelas ruas de Cairo e Luxor. Não podemos obter informações via internet já que o governo egípcio bloqueou o acesso à internet em todo o país. Durantes alguns dias não houve nem mesmo comunicação pela telefonia fixa ou móvel. Ficamos hospedados em um hotel localizado no centro da cidade do Cairo, capital egípcia. Assim, podemos ver de perto os protestos. Sentimos-nos na pele dos próprios manifestantes, já que nem mesmo os hospedes do hotel ficaram imunes aos efeitos do gás lacrimogêneo lançado pela polícia. A cena de turistas cobrindo o rosto para diminuir os efeitos do gás nocivo foi recorrente nos dias de protesto. As instruções da nossa agência de turismo foram de não deixarmos o hotel em hipótese alguma, já que os protestos se tornavam cada vez mais violentos e freqüentes. Limitamos-nos assim à observar a situação pela sacada do quarto, que nos propiciava visão geral das ruas. Vimos carros da polícia sendo depredados e queimados, policiais lançando gás lacrimogêneo nas multidões e disparando balas de borracha contra os manifestantes. A destruição foi imensa. Somente tomamos conhecimento da amplitude do confronto quando de carro, no dia seguinte, nos dirigimos até o aeroporto do Cairo. No caminho cruzamos com dezenas de carros e prédios queimados, ruas vazias e pouquíssimas pessoas caminhando nas ruas. O caminho ao aeroporto não foi fácil. Além de passarmos por várias barreiras do exército, formadas por tanques de guerra e dezenas de soldados armados com fuzis, tivemos de enfrentar o caótico trânsito da capital egípcia rumo ao aeroporto. Graças ao conhecimento do nosso taxista tomamos um caminho alternativo e conseguimos desviar boa parte do trânsito mais intenso. Felizmente, quando o protesto se tornou ainda mais violento deixamos a capital rumo à cidade de Luxor, que possuía um movimento revolucionário muito mais contido. Os dados atuais do conflito são assustadores. Há registros de mais de 100 mortos envolvidos no conflito. Segundo os manifestantes, existem franco-atiradores da polícia em prédios do centro da cidade disparando contra as multidões. Atualmente o patrulhamento das ruas é feito pelo exército, e não mais pela polícia, fato que não ocorria há 25 anos no Egito. Outro fato alarmante é que o próprio governo egípcio está deixando de controlar as ruas para que o caos se instaure. Assim, pretende que a própria população se una contra o movimento revolucionário para que Mubarak se mantenha no poder e restaure a ordem no Cairo. Há relatos inclusive de que o próprio governo abriu as portas do maior presídio do Egito, o que ocasionou a fuga de centenas de detentos, que agora se encontram soltos pelas ruas do Cairo. O policiamento das ruas é agora função do próprio cidadão egípcio, que protege sua casa tomando turnos nas ruas. Os roubos, que antes eram praticamente inexistentes na grande capital egípcia, agora são fatos constantes. Enfrentamos agora o impasse de como sair do país. Quase a totalidade dos vôos internacionais deixou de vir ao Cairo pelo risco que isto representa. Ao mesmo tempo, milhares de turistas de todo o mundo tentam deixar o país em crise. Assim, existe muito mais demanda por vôos internacionais do que normalmente, porém não há disponibilidade. Nossa agência de viagens tem se empenhado nos últimos dias para conseguir um vôo de Luxor ao Cairo, e hoje obteve sucesso. Por isso, estamos nesse momento aguardando em um restaurante próximo ao aeroporto do Cairo. Não podemos deixar a região do aeroporto, pois todos os hotéis próximos estão lotados e os do centro da cidade estão inacessíveis devido às manifestações. Podemos ter de esperar até 48 horas aqui…e não temos certeza se nosso vôo partirá, pois grande parte dos vôos são atrasados por dias ou até mesmo cancelados.
  3. Não havia mais nada para se fazer em Luxor. Estávamos cansados, entediados e enraivecidos de passar boa parte do tempo em nosso navio-hotel atracado às margens do Nilo. Jamais poderíamos zarpar rumo ao nosso destino inicial, Aswan. Imposição da polícia, que não mais permitia a navegação naqueles tempos revolucionários. Nossa programação matinal naquele dia se resumiria a tomar café da manhã, e, quem sabe, nos arriscaríamos em caminhar pelas ruas da cidade. Aguardávamos, ansiosamente, já à quase dois dias, por uma ligação da nossa agência de turismo, referente à nossa partida do Egito. Cada vez mais, tínhamos a impressão de que éramos enganados, não por descaso da agência, mas por total impossibilidade desta em solucionar o nosso problema, que aparentava estar muito além dos seus poderes de resolução. Nossa partida do Egito parecia improvável. Contrariando as recomendações de nossos guias, naquela manhã, decidimos caminhar pelas ruas de Luxor. Certamente, não parecia uma boa ideia, mas nos divertimos bastante, e tivemos a oportunidade de conhecer ótimos mercados de rua, com produtos locais a bons preços. Claro que cruzamos por barricadas e policiamento ostensivo, inclusive de unidades militares, mas, aparentemente, o movimento revolucionário já estava contido. Os prédios parcialmente destruídos e as ruas sujas que encontrávamos pelo caminho não impressionavam o povo egípcio; eram cenários corriqueiros ao seu cotidiano, inclusive em tempos de paz. Naquela manhã, decidi comprar um Corão, livro sagrado da religião mulçumana. Em árabe mesmo! Sem nem mesmo saber distinguir uma única letra na língua. Foi somente após algum auxílio do vendedor, que descobri como segurar o livro corretamente. Ao contrário da literatura ocidental, a obra tem início no lado contrário ao nosso, e a leitura das linhas é da direita para a esquerda. A felicidade do vendedor, por estar vendendo o Corão, em árabe, para um jovem ocidental, que se dirigia a ele em inglês, era visível. Afirmava que eu deveria “espalhar a palavra” pelo ocidente, e demonstrar que o islamismo não se resume aos fanáticos. Depois de negociarmos o preço – o que certamente não poderia faltar – decidiu me presentear com um chaveiro. Aceitei o presente de bom grado, e o coloquei sobre o Corão para efetuar o pagamento do livro sagrado. Não tardou para que o vendedor me informasse que eu deveria retirar imediatamente o chaveiro que havia colocado sobre o Corão. Fiquei surpreso, mas retirei sem perguntas. Logo depois, me explicou que o Corão deve ficar sobre tudo e todos, nada está acima da palavra do Corão. Fiquei tentado em perguntar se os mulçumanos quando viajam, levam seu Corão amarrado do lado de fora da mala, e escrevem “Al Corão side up”, para assim indicar aos funcionários do aeroporto como se carregar corretamente a mala. No entanto, contive meu humor desnecessário; abstive-me a fazer cara de impressionado. Quando regressamos ao hotel, após talvez 5 minutos, recebemos a ligação tão esperada da agência de turismo. Deveríamos estar na recepção do hotel em, no máximo, 10 minutos. Haviam finalmente conseguido um vôo para o Cairo, que partiria em apenas 30 minutos. Nossos pertences estavam espalhados por todo o quarto. Levantamos imediatamente, e, sem cautela alguma, fomos colocando nossas coisas nas malas, dentre elas o Corão. Conseguimos nos aprontar em apenas 5 minutos. Descemos à recepção. Lá, nosso guia já nos esperava. Fizemos rapidamente o check-out e partimos em direção ao aeroporto. Tivemos a nítida impressão de que estávamos em um filme hollywoodiano. Nosso motorista dirigia em alta velocidade por ruas estreitas, inclusive na contramão, buzinando freneticamente para que abrissem espaço. Nosso vôo partiria em apenas 10 minutos, e o aeroporto se encontrava à pelo menos 10 minutos de distância. Além de dirigir perigosamente o motorista falava em árabe no celular, gritando com alguém do outro lado. Até que, num espanhol rudimentar, nos perguntou se estávamos com o passaporte à mão. Fui com a mão ao bolso e congelei… Não estava lá. Sempre levava meu passaporte no bolso de trás da calça, e pela primeira vez, não o encontrava. Desesperei-me! Imediatamente, o motorista ligou para o hotel, instruindo que buscassem pelo passaporte no quarto. Tivemos de voltar. Já estava sem esperança que iríamos conseguir embarcar no nosso vôo. Desci do carro, e investiguei as malas; lá nada encontrei. Corri até o quarto e lá também não tive sucesso; não havíamos deixado nada para trás. Quando voltei ao carro, minha mãe chorava, afirmando que haviam me roubado o passaporte, durante nosso passeio nas ruas de Luxor. Foi quando comecei a me perguntar o que aconteceria se, num país em plena revolução violenta, eu perdesse meu passaporte. Não queria nem pensar, mas as hipóteses já emergiam na minha cabeça. Comecei a acreditar na minha mãe; havia sido roubado… Procuramos na mala dela, e lá também não o encontramos. As feições do motorista expressavam a indignação e preocupação que sentia. Ele também, certamente, já havia perdido as esperanças. Decidi abrir minha mala novamente, e busquei mais no fundo, local que tinha certeza que o passaporte não poderia estar. Foi quando, com surpresa, avistei o Corão, que estava embaixo de todo o resto, e sobre ele se encontrava meu passaporte. No momento nem percebi a coincidência. Estava completamente extasiado com o fato de ter encontrado o passaporte! Entramos rapidamente no carro, e partimos. Dessa vez o motorista dirigia mais rápido ainda, mantendo o giro do motor sempre no limite. Ele estava muito nervoso e irritado com meu descuido, repetindo, a todo o momento, que dificilmente chegaríamos a tempo. Ligava várias vezes para alguém, que provavelmente estava no aeroporto. Porém, o que poderia essa pessoa fazer? Requisitar ao piloto do boeing que aguardasse? Já havia se passado 15 minutos do horário de decolagem do avião, e nem estávamos ainda no aeroporto, e muito menos havíamos feito o check-in. Chegamos lá 20 minutos após o horário de saída do vôo. Dirigimo-nos ao guichê da companhia aérea muito receosos, talvez teríamos de voltar ao navio, e quem sabe quantos dias mais teríamos de aguardar por outro vôo como esse. Lá, fomos informados que ainda poderíamos embarcar no vôo. Pulamos de felicidade! Agradecemos imensamente por todo o esforço do motorista, que também não conseguia deixar de sorrir para nós. Estava feliz em ver o seu esforço convertido em sucesso. Somente após embarcar no vôo, e me sentar relaxadamente na poltrona que consegui observar com mais calma a relação dos acontecimentos. Coincidência ou não, atualmente meu Corão está guardado junto aos meus outros livros, mas está alocado acima de todos, da forma que deveria ter sido desde o início. Com o Corão não se brinca! GOSTOU? VISITE MEU BLOG! http://heitorpergher.blogspot.com/
  4. GOSTOU? VISITE MEU BLOG DE VIAGENS - http://heitorpergher.blogspot.com Seis horas da manhã de mais uma madrugada congelante. Era ainda noite no paralelo 54° do hemisfério sul; o primeiro raio solar ainda passava distante do horizonte. Acordar àquela hora da manhã, em qualquer outro dia, teria sido um fardo, mas hoje era diferente. Já era hora de me vestir... Calça e jaqueta a prova de água? Confere. Luvas e toca contra o frio? Confere. Botas? Confere. Prancha de snowboard? Confere. Coragem? Hum... Essa só encontrei depois de abraçar muita neve naquele dia. E assim iniciava uma agitada “temporada” de snowboard nas montanhas nevadas do Ushuaia, na Argentina. Fazia temperatura abaixo de zero naquela manhã na cidade mais austral do mundo. Nenhuma surpresa... A temperatura média anual na cidade é de quatro graus Celsius. A capital da Província da Terra do Fogo fica a um pulo da antártica, menos de mil quilômetros de distância. Tornou-se, por esse motivo, uma cidade amplamente utilizada por cientistas e pesquisadores de todo mundo, que lá embarcam rumo ao mais meridional dos continentes. Porém, não era por esse motivo que lá estávamos. Nosso objetivo era mais simplista; deslizar montanhas abaixo, em alta velocidade; seja sobre uma prancha, ou rolando... A criação da cidade, na verdade, não envolve pesquisas científicas nem profissionais do ski e do snowboard descendo velozmente altíssimas montanhas nevadas. A instalação ali de uma prisão que funcionou de 1902 a 1947, para onde eram levados os prisioneiros de maior periculosidade da Argentina, foi o motivo fundador. Não há dúvida do porquê da localização eleita. Seria humanamente impossível fugir da prisão e sobreviver ao frio e ao vazio populacional daquela região... Não existem cidades vizinhas, e o frio é intenso durante todo o ano. Uma verdadeira barreira natural a qualquer fuga. No dia anterior, havíamos alugado nosso equipamento e hoje podíamos nos dedicar inteiramente à montanha. Tivemos de alugar um serviço de transporte, já que a estação de ski se localiza a 26 quilômetros do centro da cidade, onde estávamos hospedados. Ao chegar lá, não tivemos grandes surpresas. Não era a primeira vez que visitávamos uma estação de ski. Já conhecíamos a estação de Chamonix, na França e a de Andorra, no Principado de Andorra. Possuíamos, assim, certa experiência, fato que não me poupou dos tombos. E não foram poucos! Para nossa infelicidade, já fazia algum tempo que não nevava no Ushuaia e isso, obviamente, não foi nada bom para a prática do snowboard. Havia neve sobre a montanha; nessa época sempre há. Porém, quando não neva por longos períodos a espessa camada branca que cobre homogeneamente a superfície montanhosa fica compactada. Assim, demos adeus aqueles tombos macios em neve fofinha; corriqueira diversão de inverno. Ficou só no pensamento... A dureza da neve estava similar a do gelo. De qualquer forma – sendo a neve dura ou macia – lá estávamos nós, a beira da montanha, criando coragem. A primeira descida é sempre a mais incerta. Você passa meses, ou até anos sem descer uma montanha sobre uma prancha. O medo é sempre o mesmo... Nos primeiros segundos nos perguntamos se esquecemos de tudo, e o choque de nossa bunda contra o gelo nos trás à dura realidade. Mas, após alguns longos minutos, lembramos como se faz. Desliza para a esquerda; desliza para a direita; fica de costas para a montanha; agora de frente; tenta desviar dos turistas, mas acaba praticando boliche humano; quase acerta em alta velocidade uma árvore; desce acidentalmente por aquela pista só para profissionais; é humilhado por pirralhinhos de cinco anos que andam muito melhor que você; sente-se um idiota por achar tão difícil levantar com os dois pés atados a uma prancha... Enfim, tudo fica maravilhoso. Que esporte sensacional! Recomendo a visitação de estações de ski mesmo a quem não pratica os esportes lá oferecidos. Normalmente são disponibilizados passes para visitantes, que não podem levar pranchas, mas que são vendidos a preços consideravelmente mais baixos. Assim, o visitante pode subir a montanha pelo simples prazer de apreciar a vista e usufruir um pouco do ambiente “radical”. As fotografias da Estação Glaciar Martial, próxima ao centro do Ushuaia, são as melhores. Você conseguirá uma vista panorâmica do Canal de Beagle e inclusive da região montanhosa do Chile, do outro lado do Canal. Só não se esqueça do importantíssimo detalhe de ir bem agasalhado. Venta muito lá em cima! Não economize em luvas e toucas para o frio, você não se arrependerá. De qualquer forma, recomendo veementemente a prática do snowboard ou do ski! No início, certamente será dolorido, cansativo e amedrontador, e a máxima “no pain no gain” lhe fará perfeito sentido. Mas garanto, depois compensa. E muito!
  5. Realmente, Santorini é um paraíso. Pena que não conheci durante o verão...Quanto a sua viagem, se planejam conhecer portugal e Espanha, talvez valeria a pena ir até o Principado de Andorra, bem próximo de Barcelona, na divisa com a França, acho que em torno de duas hora de carro...Isso claro, se vocês curtem snowboard ou ski....vale a pena, e é paraíso fiscal também hehehe...abraço!
  6. LINK AO MEU BLOG DE VIAGENS - http://heitorpergher.blogspot.com Aventuras em Santorini [align=]A caminho de nosso avião, avistávamos as últimas paisagens da capital grega, Atenas. Havíamos passado pouco mais de vinte quatro horas naquela cidade, que prontamente nos acolheu e nos tornou íntimos de seu povo e de sua cultura. Pela janela do ônibus que nos transportava até a entrada da aeronave, avistei o pequenino avião que nos levaria. Perguntei-me, imediatamente, onde estavam as turbinas! A propulsão se daria através de obsoletas hélices; sem dúvida, barulhentas e inconfiáveis hélices. Era um avião que comportaria talvez 40 pessoas, cada fileira ocupada por apenas três pessoas. Mesmo receoso, inevitavelmente, logo partiria rumo à pequena ilha de Santorini, que se encontra a sul do conjunto de ilhas gregas no Mar Egeu, entre a Grécia e a Turquia.[/align] [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20110328181821.jpg 484.140233723 500 Legenda da Foto]A ilha de Santorini[/picturethis] A ilha possui somente 73 quilômetros quadrados. Ou seja, em torno de 8 km de largura por 8 km de extensão. Tentava reconstruir mentalmente como seria esta paisagem. Uma extensa pista de pouso vinha à mente, ocupando boa parte da ilha; talvez com dois quilômetros de extensão. O restante das instalações do aeroporto, como área de embarque, área de estacionamento das aeronaves e estacionamentos para carros, tomariam outra grande parte da ilha. Certamente, não sobraria muito mais espaço para belas praias banhadas por águas cristalinas e verdes pradarias rodeadas por pequenas casas perfeitamente brancas, beirando os acentuados declives da costa grega... Não havia como ter certeza; restava-me somente aguardar a chegada. Certo ou não, descrever mentalmente a ilha grega foi um ótimo exercício, principalmente nos momentos de turbulência e durante os constantes ruídos estranhos provenientes da hélice localizada a alguns centímetros da minha janela. Acalmava-me pensar que, ocorrendo ou não um acidente aéreo, eu estaria indo ao paraíso, sendo ele na Terra ou não. Após duas horas de viagem, chegamos ao aeroporto de Santorini. Para minha surpresa imediata, a ilha aparentava ser muito maior do que eu havia imaginado. Ao contrário do que previ, ela não é quadrada. Na verdade a ilha tem formato circular, sendo o interior da circunferência submerso e somente seu perímetro emerso. Não pude deixar de ficar impressionado. Mais tarde, pesquisei a razão de tal geografia. A Wikipédia, como sempre, foi minha guia. Há 3.500 anos, ocorreu uma erupção gigantesca no vulcão formador da ilha, que está até hoje ativo e inclusive é parcialmente visível, constituindo a única parte de terras emersas no centro da ilha. Santorini, anteriormente a essa erupção, mantinha formato circular, porém completamente emersa. A erupção causou a destruição de boa parte da ilha, ocasionando a invasão do mar nas partes mais baixas, deterioradas pela explosão vulcânica. [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20110328181534.jpg 500 332.1875 Legenda da Foto]Ao fundo, o vulcão que formou e destruíu parte de Santorini.[/picturethis] Chegando ao hotel, fomos atendidos pela recepcionista que, muito gentilmente, nos explicou um pouco do funcionamento do estabelecimento e nos apresentou à maravilhosa vista que tínhamos do vulcão, sempre ressaltando as qualidades românticas e bucólicas da ilha. Levou-nos até o quarto, onde, orgulhosamente, nos apresentou à hidromassagem, que acomodava duas pessoas! A cama de casal, alocada sobre uma plataforma de concreto, ficava em outro cômodo, separado da pequena sala, que possuía um sofá e uma escrivaninha. Já havíamos entendido a mensagem. Aparentemente, para os padrões gregos, eu e minha mãe formávamos um belo casal em lua-de-mel. Eu estava achando tudo aquilo muito engraçado, mas minha mãe estava um pouco incomodada. Solicitou assim que trouxessem lençóis para que seu filho dormisse no sofá, enfatizando a parte do “seu filho”. A recepcionista não deixou de se surpreender, mas solucionou o problema rapidamente; sem maiores constrangimentos. [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20110327220643.jpg 500 330.563135698 Legenda da Foto]Vista da janela de nosso quarto[/picturethis] Descobrimos, após conversar com a recepcionista e com nosso taxista, que a melhor forma de se locomover pela ilha é alugando um carro. Existem ônibus que levam aos principais pontos turísticos, mas são demorados e não há muitos horários disponíveis. Aproveitamos a oportunidade e alugamos um Smart: particularmente, um sonho antigo. Dirigir esse veículo foi um prazer por si só! Além de pequeno e ágil, consumía pouquíssimo combustível, e tinha uma das mais baixas diárias de aluguel. Sem contar que estacionar não era problema em lugar algum. Não tivemos dúvidas em escolher essa opção. Após dirigir um pouco pela ilha descobrimos que Santorini talvez seja a capital mundial dos Smarts; mais de 50% dos carros alugados que lá circulam são Smarts. [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20110327222421.jpg 500 332.089552239 Legenda da Foto]Nosso smart ao lado de um carro convencional[/picturethis] Apenas com um mapa da ilha em mãos, fomos de norte a sul visitando os intermináveis pontos turísticos de Santorini. Perdemos-nos várias vezes, e talvez deixamos de visitar alguns pontos importantes, mas de qualquer forma nos divertimos muito. A paisagem era sempre recompensadora. Sinceramente, era difícil manter os olhos na estrada com tantas belezas naturais ao redor. Minha mãe, constantemente, chamava minha atenção para os precipícios que rodeavam a estrada e para os caminhões que dirigiam em alta velocidade no sentido contrário. A estrada exigia atenção, mas as belezas de Santorini me seduziam. Por sorte, consegui conciliar a estrada com a imperdível vista. Foi uma experiência inesquecível! Foto tirada de uma das estradas de Santorini. [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20110327224330.jpg 500 320.9375 Legenda da Foto]Foto tirada de uma das estradas de Santorini[/picturethis] [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20110327224109.jpg 332.1875 500 Legenda da Foto]Vida noturna da ilha durante o Inverno. [ ].[/picturethis]
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