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  1. O Piauí era o destino na minha mente desde 2012, quando fui ao Maranhão pela segunda vez naquilo que já era a primeira quebra de planos que fiz em 2011: conhecer um estado nordestino a cada dois anos, intercalando as viagens brasileiras com eventuais viagens internacionais, de acordo com a possibilidade. Mas o Maranhão era um sonho de infância... e conhecê-lo foi tão bom que precisei repetir a experiência logo depois. 2013 foi um ano financeiramente difícil, então ficou para este ano a retomada do roteiro original. As opções do Piauí eram quase que desconhecidas pra mim. Imagino que o estado divida com Sergipe e Paraíba a posição de menos comentado quando se pensa em destinos nordestinos (certamente um equívoco, pelo que vivi). Eu tinha algumas informações sobre os parques nacionais locais por conta de um trabalho de faculdade, além de ter ouvido falar do delta do rio Parnaíba quando estive em terras maranhenses. Juntando tudo, surgiu um plano de viagem suficiente para as pouco mais de duas semanas que tirei de férias em julho. A grata surpresa ficou por conta dos deslocamentos necessários, que acabou me fazendo conhecer quatro estados ao todo, ainda que tenha sido apenas momentaneamente. Está valendo! 09/07 O primeiro destino piauiense da minha lista de desejos foi a serra da Capivara, no sudeste do estado. O aeroporto mais próximo da cidade que serve de tradicional base para quem visita o parque nacional (São Raimundo Nonato) fica em Petrolina/PE. Acabei aproveitando a cidade, que pelos relatos que li é frequentemente usada apenas como parada obrigatória do avião. Sugiro que não se faça isso, porque deixei dois dias para conhecer o local e não me arrependi nem um pouco. O trajeto Guarulhos-Petrolina (com escala no Recife) tem preços bem mais em conta que a grande maioria dos destinos nordestinos mais famosos. Tendo garantido as passagens em dezembro do ano passado, gastei menos de R$ 500,00. 09/07 – 11/07 Só o pouso em Petrolina já vale a viagem. A gente passa boa parte do período escolar ouvindo falar do rio São Francisco e na sua relação praticamente humana com a população que abastece. E de repente ele aparece pela janela do avião, num azul turquesa inimaginável, diferente de qualquer porção d’água que eu já havia visto. Indescritível e um ótimo fator motivador para iniciar a viagem. Confesso que não estudei sobre Petrolina. Se, por um lado, quis evitar fazer da cidade apenas um ponto de desembarque, por outro a subestimei ao não ter nem começado uma pesquisa sobre ela. Aprendi lá mesmo e foi bastante coisa. Apenas chegando ao hotel, por exemplo, eu fiquei sabendo que a Bahia faria parte das minhas férias, já que Juazeiro fica a nem 15 minutos de distância do hotel em que fiquei, ligada a Petrolina por uma ponte sobre o Velho Chico. O hotel em que fiquei tem a cara da viagem mochileira: o básico do básico, não sendo uma opção para quem busca conforto mas excelente para alguém que, como eu, precisa apenas de um local para dormir à noite. Os R$ 70,00 foram bem gastos. A dupla Petrolina-Juazeiro, com o perdão do chavão nordestino, é quente. Mas não há qualquer incômodo. O vento é delicioso e revigorante, mantendo o clima sempre agradável. Eu detesto o calor mesmo brando, então quem também prefere o frio pode ter a certeza de que a opinião é confiável. As cidades são repletas de opções para se refrescar, especialmente de água de coco e sorvete. Os preços são bastante convidativos. Quanto ao refresco do corpo, mais uma coisa que eu não esperava quando organizei a viagem: a possibilidade de nadar no São Francisco. Não por meio de passeio de barco, não precisando se afastar quilômetros dos centros urbanos, mas sim ali mesmo, sob a ponte entre Petrolina e Juazeiro, acessando ambas as margens. Uma ilha sob a ponte forma algumas “praias” tanto para o lado pernambucano quanto para o baiano, dando a impressão que cada cidade tem seu próprio rio. É possível nadar, alugar um caiaque, passear de escuna, um monte de coisa! A temperatura da água é maravilhosa. Quase esqueci de voltar para o hotel. Dei a sorte de Petrolina estar sediando um encontro de motociclistas durante os dias da minha visita. Eu adoro música regional e não deixei de apreciá-la nas férias, mas foi bem divertido ouvir um pouco de rock clássico e apresentações bem legais em meio a uma espécie de festa de São João alternativa e muito bem organizada. De quinta a sábado considero que conheci tudo o que gostaria na região. Nos fins de semana há roteiros prolongados de barco para conhecer as eclusas do São Francisco, além de passeios para conhecer um dos grandes destaques dali: as vinícolas. Não tive tempo pra isso, mas o banho naquelas águas já valeu por muita coisa. 11/07 O primeiro dia de deslocamento rodoviário da minha viagem se deu num sábado. Comprei a minha passagem (R$ 56,00) ainda em São Paulo junto à Viação Gontijo. Por enquanto não há outro meio de se chegar a São Raimundo Nonato, que mantém a promessa de entregar um aeroporto (praticamente instalado) em breve, que é uma das formas de chamar mais investimentos não apenas para o turismo como também para o enorme potencial da região para a pesquisa arqueológica. Enquanto não fica acessível o trecho aéreo, só posso dizer que adorei a viagem de quase seis horas. Os cenários do sertão para alguém da “cidade” vão do deslumbrante ao agoniante e a experiência é nada menos que enriquecedora. O reconhecimento de lugares sobre os quais ouvimos ao longo da vida, seja em livros de escola ou na MPB, também é tocante: Casa Nova e Remanso fazem parte do trajeto, que tem sua maior parte localizada na Bahia, começando em Pernambuco e terminando no Piauí. É legal demais. Peguei o ônibus às duas da tarde e cheguei a São Raimundo Nonato no início da noite. A rodoviária me mostrou o que reconheci como um padrão piauiense: os ônibus param em locais afastados dos centros, o que é uma estratégia para impedir o trânsito dos grandes veículos em competição com carros, motos e pedestres. Achei bem bacana, mas fica o aviso que é necessário se preparar para as chegadas. Eu não sabia para onde deveria ir até ser abordado por um taxista, que me explicou na maior naturalidade que ali “é assim”. Com R$ 15,00 se chega ao centro. 12/07 -14/07 Três dias de serra da Capivara. Escolha perfeita. Pouco para a infinidade de locais que podem ser visitados, mas o suficiente para fazer de tudo um pouco, ter um panorama do parque e não cansar do destino, o que definitivamente eu não gostaria de ter vivenciado. Meses antes, combinei com um guia local as datas da minha visita e o que eu estava disposto a fazer. Visitar o parque nacional não é barato, ainda mais indo sozinho. Mas eu não me arrependo de nada que incentiva o turismo e as pessoas locais. Não entreguei meu dinheiro a agências de viagem mas sim a gente habitante conhecedora da região, que me ensinou bastante a todo momento. Foram cobradas diárias de R$ 120,00 do guia e mais R$ 200,00 diários de táxi, que fica à disposição por todo o dia e sem o qual não se faz absolutamente nada por conta das enormes distâncias entre uma atração e outra. A entrada do parque custa R$ 14,00 e eu fiquei num hotel por R$ 58,00 a diária. A acomodação foi espetacular! Hotel todo arrumado e aproveitando muito bem a temática da cidade. Eu nunca espero nada de onde me hospedo, porque é longe de ser um fator que me proporciona a alegria de uma viagem, então talvez a empolgação seja um pouco exagerada. Mas gostei muito mesmo. A serra da Capivara é uma aula de história com geografia com geologia com arqueologia. E não dá pra dizer muita coisa que não seja por meio de fotos. A riqueza da escrita rupestre em incidência incontável, as formações dos cânions, a variedade da vegetação e a fauna formam um cenário onírico, que tem como pano de fundo “apenas” a história do homem americano. Ali foram encontrados e seguem sendo incessantemente estudados os indícios dos registros de vida humana mais remotos de nosso continente e dá gosto de ver como tudo (espaços e informação) está tão bem cuidado, o que não teria sido possível sem uma duradoura parceria entre Brasil e França que, por meio de uma fundação, mantém o parque nacional junto com governo federal. Tudo vale a pena. O que faz falta em São Raimundo Nonato? ÁGUA. Não para beber, claro. É que quando escolho um destino de férias, a água é sempre um importante critério: sou viciado em nadar em rios e cachoeiras e é o que costumo esperar de um lugar que tem a natureza como carro-chefe. Não é o que acontece na serra da Capivara. Passa-se por incontáveis rastros de rios secos e alguns poucos pontos que retêm a água da chuva escassa, que ocorre entre os últimos meses de um ano e os primeiros do seguinte. Não chega, claro, a ser uma decepção. Tudo é ensinamento e a oferta de belezas naturais das quais se usufrui ali não deixa margens para críticas. E fica o lembrete óbvio: água para beber ao longo do dia é item mais do que obrigatório. Estar com um guia local (requisito do parque) garante a personalização do roteiro de acordo com os gostos do contratante. Por isso, andei bastante, conhecendo trilhas bastante variadas, algumas incluindo pequenas escaladas para a minha alegria. Vistas panorâmicas foram numerosas, mas o padrão do parque são as paradas para observar os desenhos nas formações rochosas mesmo. Também é possível conhecer a cultura da cerâmica local (aliás, de boa parte do Piauí) e um atrativo imperdível é o Museu do Homem Americano. Ah, e come-se extremamente bem em São Raimundo Nonato e região, tanto em qualidade quanto em quantidade. 15/07 O dia mais longo de deslocamento rodoviário teve uma decisão muito acertada. Após a serra da Capivara, meu próximo destino seria Parnaíba, no litoral. No entanto, as nove horas entre São Raimundo Nonato e Teresina me pareceram suficientes para um dia e resolvi fazer uma parada estratégica num hotel ao lado da rodoviária na capital. Não me arrependo. A viagem entre as 08:30 e as 17:30 (por R$ 83,00) é de moer o corpo. São muitas paradas e seguir para o litoral por mais seis horas seria loucura. Teresina possui uma série de hotéis (todos horrorosos, mas usuais) idênticos logo de frente para a rodoviária, como que adivinhando que muita gente faz o que fiz. O pernoite por R$ 80,00 serviu para que eu percebesse que o centro da cidade era longe dali e que eu gostaria de escolher um outro hotel para quando voltasse da costa. 16/07 – 19/07 Saí às 08:00 para Parnaíba, onde cheguei pouco depois das 13:00. O trajeto é maravilhoso, trocando as paisagens de tons pasteis por um verde intenso com árvores bastante altas. Até a parada para o almoço à beira da estrada agradou. Acho que nunca comi tão bem por tão pouco numa rodovia (na cidade de Piracuruca). Em Parnaíba, mais uma vez aquela questão de que o centro fica afastado da rodoviária. Mas, desta vez, na claridade do dia e com um mapa dos arredores, resolvi ir até a pousada a pé. Deu quase uma hora e valeu a caminhada pela cidade que se tornaria a minha preferida do estado. Não é necessário dizer que ali também é muito quente, mas o vento e as rajadas de chuva refrescam e fazem o dia todo parecer um constante e agradável período de férias de verão. Devo ter tomado 300 kg de sorvete durante os três dias de permanência e o desejo era ter ficado por mais uma semana. A pousada que escolhi (com diárias de R$ 65,00) serviu o melhor café da manhã dentre os que me foram oferecidos e tinha um excelente quarto, além de uma família bastante acolhedora na direção. Logo depois da minha chegada, já saí para garantir um lugar num passeio de barco até o delta do rio Parnaíba no dia seguinte. É o tipo de coisa em que não dá pra fugir de agências de passeios. Escolhi a primeira que vi e o passeio me custou R$ 75,00, incluindo um traslado desde a pousada até o local de saída do barco, bastante afastado do centro. São seis horas de trajeto e o almoço é servido a bordo. Antes do passeio, na noite do dia 16, fiquei andando pela bela avenida São Sebastião, com inúmeros quiosques e oferta das mais variadas comidas. A cidade ainda estava com uma festa local em andamento, num local maravilhoso apelidado de “Quadrilhódromo”. É uma noite extremamente gostosa a parnaibana. O dia seguinte foi inteiramente dedicado à visita ao delta, que fala por si só nas fotos abaixo. O encontro do rio com o oceano é inenarrável. Há uma parada realizada em uma região de dunas, que não são uma grande novidade para quem conhece os Lençóis Maranhenses e/ou o Jalapão, mas que são sempre bonitas e divertidas. Nos demais dias aproveitei para conhecer a ilha da Pedra do Sal, única região de praias do município de Parnaíba, e o município de Luís Correa, com extensas praias bastante frequentadas e muito bonitas. Tudo isso foi feito por meio de um prático sistema de vans que atende à região, com passagens que não custam mais de R$ 4,00 e dependem do percurso desejado. As praças da cidade são numerosas e bem cheias. Parece que o parnaibano gosta de sair de casa. Certamente porque sabe a delícia que é. 19/03 – 22/03 Rumo a mais um parque nacional, agora o de Sete Cidades, fui de Parnaíba a Piripiri em cerca de três horas por R$ 43,00. Achei que fosse encontrar uma vila (o nome engana) e acabei encontrando mais uma cidade de porte médio e toda arrumada. O hotel mais uma vez agradou bastante (R$ 70,00 a diária), estando muito bem localizado no centro. Foi mais uma cidade em que comi muito bem, com destaque para uma tapiocaria recém-inaugurada. O motivo de Piripiri estar na minha rota, o parque de Sete Cidades, é extremamente pequeno, ainda mais para quem havia acabado de conhecer a serra da Capivara. O que valeu muito a pena é o fato de que se pode conhecê-lo de bicicleta (com aluguel de R$ 10,00). O percurso completo pelo parque, por R$ 70,00, eu achei bem salgado. A visita é muito rápida (quatro horas), mas os atrativos são bastante interessantes, com suas formações em rocha desenhadas pela erosão do vento. Há uma opção para banho (finalmente!) também. Teria havido uma segunda opção, uma cachoeira, mas infelizmente ela só apresenta queda d’água em poucos meses do ano. Sendo assim, pensei que havia errado ao deixar dois dias inteiros para conhecer Piripiri, imaginando que o parque fosse maior. Mas contei com a simpatia de um guia muito bacana, que me deu algumas sugestões para o dia seguinte. Aceitei, claro, a que me dava a chance de nadar mais um pouco. Assim, fui conhecer o açude Caldeirão, acessível via moto-táxi (R$ 15,00 pelo trajeto) em uns vinte minutos. Trata-se de um lugar maravilhoso com propriedades abertas ao longo de boa parte de sua margem. Pelo que vi, é a opção preferida para descanso aos fins de semana. Como fui durante a semana, comi num restaurante espetacular com os pés na água praticamente sozinho. Há redes para descanso por toda a parte e muita sombra. E, assim, o passeio por Piripiri ficou completo. 22/07 – 25/07 Deixei a capital por último, já que dali sairia o meu voo na madrugada do dia 25. Minha última viagem de ônibus custou R$ 30,00 e levou umas três horas. De volta a Teresina, desta vez fiquei num hotel bem bacana no centro, com diárias de R$ 150,00. O vento não aparece muito na capital, e o calor de Teresina é implacável. Não chega a incomodar, mas evitei ficar na rua em alguns horários. A impressão triste deixada dias antes se foi com o primeiro passeio em dia claro. A preservação do rio Poty, que corta o município, é invejável para um paulistano. Margens densas de verde mantém as águas também verdes do rio correndo tranquilamente, sem influência aparente do homem. Do meio da ponte estaiada (linda!), na qual é possível subir para uma vista panorâmica, não se vê as marginais, ao contrário de São Paulo, onde SÓ se vê as marginais em detrimento da natureza. As ruas movimentadas também têm boa organização e inclusão, separando faixas para ciclistas e faixas para esportistas a pé ao lado da calçada. Sendo uma cidade grande, as opções de comércio e de alimentação são as mais variadas possíveis e tudo muito fácil de ser encontrado. Os atrativos são fáceis de ser encontrados e fiz tudo a pé (achei o serviço de ônibus meio complicado). Para quem prefere, o táxi é extremamente barato (parâmetro de paulistano). O encontro dos rios Poty e Parnaíba não pode deixar de ser visto. Considerações: Destino O Piauí oferece uma variedade tão grande de destinos e biomas que chega a ser ridículo que ele não esteja mais presente em materiais sobre roteiros turísticos. Ao menos isso significa uma aparente exclusividade, afinal eu me senti “sozinho” (como turista) em basicamente todos os lugares. A serra da Capivara compreende o parque nacional mais limpo e organizado que tive a oportunidade de conhecer até aqui, talvez por conta do seu acesso complicado. Sete Cidades, muito mais próximo da capital e sem mistérios para chegar até lá, traduz melhor o descaso que conhecemos quando se trata de gestão do patrimônio federal (apesar que achei o parque extremamente bonito também). O litoral piauiense é incrível e a capital do estado tem algumas coisas a ensinar à minha cidade. Petrolina também é uma linda cidade e o rio São Francisco é o grande destaque ali (poderia ser o único que já estaria bom). Época do ano O que ouvi em praticamente todos os lugares é que em qualquer outra época do ano eu teria enfrentado as mesmas temperaturas, o que não é difícil de acreditar. O que muda é a chuva. Quem quiser um refresco na serra da Capivara precisa ir no fim ou no começo do ano. Em Sete Cidades, para visitar a cachoeira é preciso ir nos primeiros meses do ano. Foi a única coisa de que senti falta. Hospedagem e alimentação Bem acima das expectativas. Todos os cafés da manhã tinham boa quantidade de sucos, frutas e opções de pão, além de ovos, café e algumas especialidades locais. No almoço e no jantar, muita carne de sol, frango preparado de variadas formas e peixes. Quando houver vontade de fugir um pouco do cardápio regional, isso também é possível em todos os lugares. Aliás, incrível a quantidade de locais servindo sushi no Piauí! Os hotéis e as pousadas foram adequados, sem grande requinte mas com tudo o que se precisa para ser feliz, especialmente limpeza. Quatro deles eu recomendaria de olhos fechados (ver abaixo): o de São Raimundo Nonato, a de Parnaíba, o de Piripiri e o de Teresina. A viagem O tipo de viagem que escolhi fazer é andar bastante e manter o maior contato possível com a natureza. Para tal fim, o Piauí é um prato cheio. Acho que acertei a permanência em todos os locais. Se eu pudesse encaixar um dia a mais dentro do roteiro, teria prolongado a parte de Parnaíba. Conforme a realidade de quase todo o país, as distâncias pra quem quiser visitar múltiplos lugares são BEM longas. Atrativos também ficam bem espalhados pelas cidades em que se encontram, então gasta-se muito contratando transporte. Vontade de voltar? Sim!!! Contatos: Masuka Center Hotel (Petrolina) – (87) 3862-1919 Real Hotel (São Raimundo Nonato) – (89) 3582-1495 Hotel Teresinha (Teresina) – (86) 3211-0919 Pousada Beira Rio (Parnaíba) – (86) 3323-4811 Hotel California (Piripiri) – (86) 3276-1645 Hotel Velho Monge (Teresina) – (86) 3222-8694 Guia Wilk Amorim Lopes – (89) 98130-0291 ou (89)99418-0637 e e-mail [email protected] Segue abaixo apenas mais uma palhinha da viagem, mas o álbum completo pode ser encontrado no meu perfil do Facebook: https://www.facebook.com/richard.meckien/media_set?set=a.10207528878646168.1073741835.1415455293&type=3&notif_t=like
  2. Se os números não derem certo (são contatos de 2011), tente na página da hospedaria no Facebook. Eles são muito atenciosos! http://www.facebook.com/hospedaria.hospedariasaojose?fref=ts
  3. Rafael, Os contatos da minha viagem estão no final da primeira postagem. Os três números abaixo servem para você arrumar um guia. Hospedaria São José - (98) 3369-1074 ou celular direto da dona Marineide - (98) 8844-7651 Guia Joel - (98) 8749-0847 Abraços.
  4. Voltar à serra da Bocaina depois de mais de uma década era uma pendência antiga, mas não era o plano A para o último feriado de Corpus Christi. O destino acabou sendo decidido pela exclusão de inúmeras outras ideias frustradas, a grande maioria delas pelo lamentável descaso no atendimento e falta de informações relacionados a diversos parques de conservação do estado de São Paulo. É difícil entender as tentativas de incentivo ao ecoturismo quando vários dos nossos atrativos requerem do visitante a posse de um carro próprio (que paradoxo, não?) dada a inexistência de transporte público que ofereça acesso. Enfim... Dentre os variados pontos de visitação da serra da Bocaina, surgiu a possibilidade de realizar a trilha do Ouro, famosa por ter servido como "descaminho" durante o Brasil colonial. Em outras palavras, um atalho ilegal utilizado por aqueles que pretendiam fugir do pagamento dos impostos estabelecidos pela coroa portuguesa. O passeio se estende por três dias e compreende os municípios de São José do Barreiro, em São Paulo, e Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O acesso ao início da trilha depende de um percurso de mais de 20 km serra acima, portanto fica-se refém da contratação de um serviço de transporte. Como os valores pesquisados ultrapassavam o limite de sanidade, acabei me inscrevendo num grupo da agência MW Trekking, de São José do Barreiro, que disponibilizou transporte ida e volta, além de dois guias. Ainda assim, não estava tudo resolvido com relação à logística, visto que o extremo leste do estado de São Paulo não é bem servido por companhias de ônibus a partir da capital. Por conta da baixa demanda, São José do Barreiro (que possui menos de 5 mil habitantes) é atendida apenas uma vez por semana pela Pássaro Marron, com saídas aos sábados. As cidades mais próximas com serviço diário são Guaratinguetá/SP e Resende/RJ, com diversas linhas. Para mim, a solução foi percorrer a rodoviária do Tietê em busca de algum trajeto alternativo para uma quarta-feira à noite. Acabei comprando uma passagem com destino a Itatiaia no intuito de descer em Queluz, última cidade paulista às margens da Dutra antes do Rio de Janeiro e que fica a 40 km de São José do Barreiro. O ônibus sairia à meia noite, com previsão de chegada a Queluz por volta das três da manhã. Fui positivamente pego de surpresa pela MW, que me informou que estavam acostumados com a situação e que conheciam um taxista que me buscaria em Queluz no meio da madrugada. Não havia outra opção, então aceitei. Quinta - 30/05 Como em toda boa véspera de feriado, São Paulo não deu a menor trégua para quem estava deixando a cidade. O ônibus atrasou quase uma hora, deixando o nervosismo aflorar por conta de um táxi que me esperava em outra cidade e de um sono absurdo que poderia me trair e fazer perder a descida em Queluz, onde a linha não faz parada. Acabei chegando pouco antes das quatro horas e conheci um paciente Luizinho, que parecia não ter se importado com a espera (que tentei apaziguar com duas ligações). O senhor de uns 70 anos e bom de papo valeu os contratempos da (des)organização da viagem. Com o melhor sotaque do mundo, desandou a contar histórias durante toda a meia hora que demoramos para chegar a São José do Barreiro. O serviço custou R$ 80,00. Tendo dormido apenas uma hora de forma desconfortável no ônibus, cheguei à praça central da cidade a pouco mais de duas horas antes do horário marcado para o início do primeiro dia de caminhada: 07:00. Fiz do coreto gelado a minha cama só pra dizer que descansei. Senti bastante o cansaço durante a trilha, mas nada que tenha estragado os bons momentos vividos. Os 4x4 que levaram o grupo de 14 pessoas até uma pousada no topo da serra fizeram uma viagem de quase três horas, já com belíssimas paisagens para desfrutar. Na chegada, fomos recebidos pela dona da MW (e também esposa do prefeito da cidade), pelos dois guias e por um providencial café da manhã. Conversamos um pouco e já partimos para os primeiros 2 km de caminhada até a entrada do parque nacional. Dali, seriam mais 26 km até a pousada de Dona Palmira, representando o dia mais pesado da trilha. Nunca fui muito fã de andar em grupo, mas não posso fazer qualquer reclamação desta vez. Os integrantes (vindos do Rio, de Minas, do Paraná e de São Paulo) pareciam ter combinado o encontro meses antes, tão fácil foi o relacionamento e dada a compatibilidade de ritmo e condições físicas. Os guias Angelita e Herbert também foram excelentes companheiros, tendo se mostrado essenciais para uma não tão bem sinalizada trilha, além de terem nos entretido com bom humor e com grande conhecimento da região. O primeiro dia teve como destaques duas cachoeiras (Sto. Izidro e das Posses) e a celebrada chegada à pousada. A caminhada pesou e muitos foram dormir ainda antes das 20:00, depois de um generoso jantar preparado por Palmira, uma anfitriã de mão cheia. O pernoite, não incluso nos serviços oferecidos pela MW, custou R$ 70,00 e ainda teve café da manhã e um revigorante banho de água aquecida por serpentina - as casas do parque não dispõem de energia elétrica. O forno a lenha, os animais, a horta e toda a simplicidade das organizadas instalações do local são inesquecíveis e só há como agradecer a existência de um ambiente assim tão perto de duas capitais. Goiabada, manteiga, doce de leite... Tudo é feito lá mesmo. Sabor inigualável. Sexta - 31/05 O sono prolongado foi suficiente para recuperar a todos e a saída para o segundo dia, bem mais leve (apenas 10 km), aconteceu às 09:00. Esse foi o dia mais contemplativo e a Bocaina deu um show de cor verde. A trilha beira o impecável, com o fator negativo ficando por conta, claro, da ação do homem. Em diversos pontos há traços de turistas desrespeitosos e nosso grupo foi coletando o que dava para tentar preservar o patrimônio que é de todos. A trilha do Ouro é toda acompanhada pelo rio Mambucaba, além de pequenos cursos de água potável que permitem a constante reposição de líquido. A MW não oferece os lanches de trilha e orienta os participantes do grupo a pensarem em todo o trajeto antes de fazerem as suas mochilas. Ou seja, ainda que seja uma viagem guiada e contratada, o perfil mochileiro não é afetado e as responsabilidades individuais são mantidas, o que achei extremamente positivo. Pinguelas e pontes improvisadas com troncos são corriqueiros no segundo dia, que inclui ainda um divertido passeio de "bondinho" para chegar à segunda pousada do parque. A água é extremamente gelada, tornando o banho uma aventura a mais e muito gostosa. A atração principal do segundo dia é a cachoeira dos Veados, imponente em todos os sentidos. A segunda pousada da viagem também é um retorno a outros tempos, com a vantagem de poder ser aproveitada por toda a tarde. A recepção não foi tão calorosa quanto a de Dona Palmira. Alegaram demora na nossa chegada e não serviram o almoço. Também não esquentaram a serpentina com antecedência suficiente para que todos pudessem aproveitar a água morna. Ainda assim, o jantar estava bem gostoso e os quartos acolheram a todos. O pernoite acabou parecendo um pouco caro em comparação ao que havíamos vivenciado no dia anterior: R$ 80,00. Ainda assim, todos preferiram acreditar que não foi um bom dia dos anfitriões e que aquilo não devesse interferir em nosso humor. Todos confraternizaram ao redor de uma fogueira na companhia de outros grupos de viajantes e aproveitaram um pouco antes de dormir. Sábado - 01/06 A saída às 06:00 prometia a dureza de acordar cedo, mas é impossível enxergar algo de ruim nisso quando o céu das 05:00 em São José do Barreiro se mostra repleto de estrelas. Os 18 km até Angra dos Reis poderiam ser encarados como difíceis em meio ao constante sobe-e-desce e da quantidade de lama. O primeiro dia, no entanto, faz o caminho parecer apenas prazeroso. E é mesmo. O dia que encerrou a trilha foi o mais selvagem, com diversas surpresas da fauna. Demos sorte que o guia Herbert é biólogo, tendo reconhecido as duas espécies de cobras que foram encontradas, a primeira das quais, uma "papa-rã", pudemos segurar. E a pequena foi solta depois de brincar um pouco por entre os dedos dos curiosos visitantes. A trilha se encerra ao lado do rio Mambucaba e com uma van já aguardando a chegada do grupo para iniciar o trajeto de volta. Há uma parada na fluminense Lídice para comer algo antes de retornar para São José do Barreiro. Encerrada a fase mochileira do feriado, fui jantar com dois integrantes do grupo que permaneceram na cidade. O centro é bem charmoso e colonial e as opções de restaurantes, embora escassas, não deixam a desejar. A praça estava "cheia" devido às festividades religiosas e a noite foi muito gostosa. Fiquei hospedado na pousada Estância Real, localizada na entrada da cidade. Quarto simples com bom café da manhã e um atendimento bem caseiro. Ninguém me obrigou a respeitar qualquer horário para o check-out e pude deixar a minha mochila lá enquanto esperava o horário do meu ônibus para São Paulo no dia seguinte. Preço: R$ 50,00. Domingo - 02/06 Um dia de ócio apenas para aguardar a saída do ônibus (desta vez, sem surpresas: linha São José do Barreiro-São Paulo pela Pássaro Marron). Uma volta por toda a cidade não leva meia hora, então dei umas sete delas. Tempo suficiente para comer bastante e comprar gostosuras caseiras para trazer para casa. Considerações: Destino Foi uma infelicidade muito feliz que tudo tenha dado errado para eu acabar indo a São José do Barreiro. Apesar do acesso complicado, tudo vale a pena. Sou suspeito para falar, porque sou um fã de carteirinha do vale do Paraíba. A região é deslumbrante e precisa constar na lista de todos os mochileiros. Para paulistas, fluminenses e mineiros, o ponto é especialmente estratégico. Época do ano Não sei como é a visitação ao longo do ano, mas os passeios foram quase que 100% exclusivos para o nosso grupo. Havia outras pessoas no parque, mas só foram avistadas ao longo da trilha. Nas atrações estivemos sempre "sozinhos" e os lugares nas pousadas também estavam garantidos. Choveu um pouco em dois dias e fez bastante frio. Ou seja, só coisas que eu adoro. Hospedagem e alimentação Totalmente dentro das expectativas e, em certos momentos, até mesmo acima. Não preciso mais comentar nada sobre a Dona Palmira. Em geral, tudo ok. A viagem Talvez a trilha do Ouro não seja para todos. A MW classifica o passeio como sendo de dificuldade alta e não é difícil entender os motivos. O grupo teve a sorte de contar com integrantes que estavam muito acostumados a trilhas do tipo e por isso não sentiu tanto o peso. Ainda assim, aconteceram pequenas quedas e bolhas nos pés de alguns. Nada de sério. As caminhadas cansam na medida certa. O parque é um prato cheio para quem, como eu, é fissurado em água. Todos os dias reservam locais para nadar. Basta não ter medo do frio. A fauna e a flora também são riquíssimos. A MW Trekking Aprovei integralmente o serviço, do primeiro atendimento à despedida. A organização do roteiro é muito inteligente, colocando o maior peso no trajeto menos exuberante de forma que se possa aproveitar por completo os dois dias seguintes. O grupo se manteve bem-humorado o tempo todo, o que não deixa de ser mérito também dos guias, ótimos conhecedores do parque. Os três dias (transporte + acompanhamento) ficaram por R$ 356,00, valor que eu consideraria caro num primeiro momento. No entanto, como já trabalhei com viagens e sei os altos custos de fretamento de veículos, o valor é totalmente compatível com os dois longos trajetos realizados com os 4x4 e com a van. Vontade de voltar? Sim!!! A serra da Bocaina ainda possui outras trilhas, muitas delas para fazer em um fim de semana ou mesmo em um dia. Imagino que eu voltarei ainda este ano. Contatos: MW Trekking – (12) 9726-7976 ou (12) 9728-1174 Luizinho (táxi) – (12) 9189-2311 Pousada Estância Real - (12) 3117-1201 Meu álbum completo pode ser encontrado no meu perfil do Facebook:
  5. Oi, Callu! Imagino ter sido a turística, mas não lembro o nome da categoria. Não era o trem de luxo mas havia um guia e lanche (que deve ser a diferença para a categoria econômica). Valeu muito a pena, mas reforço que a volta é MUITO cansativa e enfadonha quando já se fez a ida. Espero ter ajudado.
  6. Sim, sempre a de 30L! Não havia checado um guia até chegar a Santo Amaro porque a dona da hospedaria em que fiquei me garantiu que o que eu mais encontraria por lá seriam opções e que eu não precisaria me preocupar. Todos na faixa de R$ 150,00 mesmo...
  7. LeVimeney, as paradas são meio que obrigatórias, porque no meio do enorme "nada" de areia há apenas dois oásis: Queimada dos Britos e Baixa Grande. Aliás, avistá-los é um grande milagre, porque é inacreditável haver aquela beleza toda no centro de um ambiente aparentemente inóspito. Tanto em Queimada dos Britos quanto em Baixa Grande as famílias estão acostumadas com os visitantes. Geralmente o guia já avisa de antemão, porque como eu citei em algum lugar do tópico, quase todo mundo pertence a uma mesma família. Se bem me lembro, moram 25 pessoas no primeiro lugar e 14 no segundo. Vão te cobrar um valor em torno de 20 reais pelo pernoite (numa rede deliciosa) e mais uns 20 pra comer. A tarde é pra descansar mesmo e interagir com a população local. Eu saí para tomar banho em algumas lagoas próximas e comer caju direto do pé. Também vi uma cena bem emocionante: uma mãe-cabra na árdua missão de atravessar uma lagoa com um filhote. Lindo demais, assim como o por do Sol. Vão te mostrar fotos de vários ilustres, já que lá nos arredores foi filmado "Casa de Areia"... =] Espero que você dê sorte com o volume de chuvas esse ano, porque em agosto (quando fui) parte das lagoas já estava em estado avançado de secagem. Quanto à mochila, levei três de tudo: pares de meias, cuecas, bermudas e camisetas dry-fit. Só no dia em que choveu que a roupa lavada no dia anterior não secou e eu me ferrei. De resto foi bem tranquilo. Abraços, Richard
  8. Andre, levei só uma mochila de 30kg com pouquíssima roupa e ainda assim me arrependi de ter levado um casaco que molhou no último dia de travessia. Choveu muito e ele passou a pesar uma tonelada. Acabei seguindo o "conselho" do guia maranhense quando conversei com ele ainda em SP. Ele disse que as noites eram frias. Só que o "frio" dele era 21°C, huahauahuahah. Acontece!
  9. Pat, minha sugestão é fazer todos os passeios possíveis em Santo Amaro. Além de eles serem feitos por moradores (e não por agências), o que torna tudo muito mais pessoal e interessante, as lagoas da região dão um baile em quase todo o resto. No primeiro dia de travessia só passei por uma lagoa (da Gaivota) que tem acesso por passeios de Santo Amaro. Portanto, não perca as demais. Betânia e Reflexos são imperdíveis. A Queimada dos Britos já é longe de Santo Amaro, sendo uma das paradas obrigatórias da travessia. Que vontade de voltar!!! Abraços, Richard
  10. Se não conseguirem encontrar o guia Joel (os contatos podem mudar, né...), tentem conversar com o pessoal da Hospedaria. São bastante ativos nos Facebook: http://www.facebook.com/hospedaria.hospedariasaojose?fref=ts Eles conhecem todos os guias!
  11. Boa viagem, Guga! Vocês vão adorar! Jaque, o segredo é dosar o peso das suas coisas. Se tiver vontade de fazer a travessia, capriche só nisso. O esforço físico não é nada absurdo.
  12. Desculpa, LeVimeney! Só vi suas mensagens agora! 1. Ah, eu achei que valeu a pena, sim. Eu economizei bastante ao longo da viagem, então aproveitei tudo o que dava em Barreirinhas. Uma coisa é certa: realmente, vindo de Santo Amaro, as coisas mais deslumbrantes se vê no começo. Inesquecível MESMO em Barreirinhas, só o passeio de voadeira pelo rio Preguiças. Não deixe de fazer! Ah, e não deixe de comer tapioca enquanto aguarda a travessia da balsa!!! =P 2. Isso foi uma escolha minha, por eu não gostar muito de sol em excesso. Quanto às refeições, eu como o dia inteiro, hauahuahauhaauh.
  13. Fábio, de praias só conheci Calhau e São Marcos, ambas lindas. De resto, fiz diversas caminhadas pela cidade, mas sem trilhas (desconheço). Dizem que o passeio de um dia para Alcântara é muito bonito. A parte da aventura eu deixei para a travessia dos lençóis... =] Talvez você encontre boas dicas aqui: sao-luis-perguntas-e-respostas-t46203-105.html Abraços!
  14. Que coisa linda!!! Faz tempo que eu não lia um relato que dá gosto de ler (e, aliás, que DÁ pra ler) por estar bem escrito. Com um destino maravilhoso desses, então... Adicionei Paraíba à minha lista de desejos. =]
  15. Oi, Fábio. Vi apenas três pessoas de bicicleta durante a minha travessia. Ou seja, que dá pra fazer, dá. No trecho entre Baixa Grande e Atins você pode andar à beira da praia, com areia bem firme. Nos demais trechos, sinceramente, não sei, já que areia fofa é o que impera por lá. De qualquer forma, tem gente que faz. Acho que um guia local ou informações de um relato de alguém que fez devem poder ajudar... Achei esse blog aqui, cheio de fotos (lindas, por sinal!) com inúmeras bicicletas no meio dos Lençóis: http://lencoisviabike.blogspot.com.br/ Não há relatos, mas pelo menos você pode contatar o autor. Abraço e boa sorte!
  16. Fui em agosto do ano passado (tem o link aqui abaixo) e não tive qualquer problema de segurança, embora uma moradora do Centro tenha me alertado para que eu tomasse conta da minha máquina. No meu relato também falo do albergue Solar das Pedras, que achei bem bacana. Se quiser saber se mais alguém vai pra São Luís em abril, sugiro que entre no fórum "Companhia para viajar": brasil-companhia-para-viajar-f443.html Abraços!
  17. Ironias à parte, minha dica é procurar no lugar certo: natal-perguntas-e-respostas-t30053.html e porto-seguro-perguntas-e-respostas-t18699.html
  18. Adoro relatos que focam no que se comeu em cada lugar! Sua mochila é gastronomicamente falando bem parecida com a minha, hahahahahahaha. Em quanto ficaram os gastos totais, mais ou menos? Nunca planejei ir pra Fernando de Noronha por achar que é totalmente fora da minha alçada... mas, quem sabe? Abraços!
  19. "O Paraná é tão perto! Tenho que ir lá um dia..." Não sei dizer por quantas vezes eu repeti o pensamento acima, mas foi no Corpus Christi deste ano que ele finalmente deixou de ser um incômodo e incentivou uma viagem saída do papel. O plano inicial era conhecer Curitiba e fazer o passeio de trem até Morretes. Só que é tão fácil visitar a região que o feriado acabou se tornando um grande aperitivo de algumas cidades paranaenses: lugares que fui conhecer "rapidinho" e que me garantiram a vontade de voltar assim que der. Terça - 05/06 Embarque noturno para Curitiba e bom agouro para o feriado: as notícias eram de muita chuva e frio em todo o estado do Paraná. Sou um amante do frio e da chuva e é batata: pra onde quer que eu viaje, parece que levo a chuva comigo. Muita gente vê isso como motivo de reclamação e volta dizendo que o clima estragou as férias. Pra mim, não. As temperaturas de 5°C a 14°C que me acompanharam até o domingo seguinte foram aconchegantes e foram um dos pontos positivos que eu trouxe na memória. O meu voo chegou a poucos minutos da quarta-feira e eu consegui pegar o último horário do ônibus executivo (custa R$ 10,00) que passa por alguns dos principais pontos centrais da capital e que me deixou praticamente em frente ao hostel Roma (R$ 41,00 a diária com café da manhã), onde fiquei por duas noites. Quarta - 06/06 Acordei pensando que, em um dia, conheceria tudo o que Curitiba teria a me oferecer, já que na quinta-feira eu seguiria para Morretes. Enorme engano de quem subestimou (mesmo que sem querer) o potencial turístico da cidade. A cada momento eu descobria um novo ponto de interesse para visitar e acabei conhecendo os locais da forma que mais gosto: tudo a pé. A primeira parada obrigatória foi o jardim botânico, realmente lindo, do jeito que eu esperava. Também me agradou muito a disposição numerosa das praças, a conservação do meio ambiente e a preocupação com o acesso do turista. Como adoro futebol e havia jogo no estádio Couto Pereira naquela noite, fui comprar o meu ingresso e tomei o único susto com relação a preços em toda a viagem: impressionantes R$ 95,00 por um lugar na arquibancada. Só fui ao jogo porque pude pagar meia entrada de estudante (mesmo assim, bem caro). Mas, nada que causasse irritação. Achei que a cidade tem tanto a oferecer no que se refere a lazer e cultura de forma gratuita ou a valores acessíveis que me pareceu justificável (ou nem tanto, hahahaha) desembolsar um pouco mais para o entretenimento. As instalações do estádio me surpreenderam muito, especialmente por aquilo que deveria ser normal mas que não existe em São Paulo: banheiros limpos (com papel higiênico, imaginem só!!!), opções variadas de alimentação e um público infinitamente mais respeitoso. A população curitibana, aliás, só tem elogios a receber de mim. Daí entro numa discussão que me incomoda bastante no Brasil: o estereótipo da população. O erro, aliás já começa no fato de ser um absurdo querer estereotipar uma população que é o próprio significado da mistura. Depois, a parte que mais fere: "Brasileiro é um povo alegre, que gosta de festejar e que sabe receber bem". E quem não se parece com isso é visto como frio, grosso, fechado ou sei lá o quê. Pois eu discordo demais dessa visão. Acho que há uma confusão de frieza com reserva, da mesma forma como muita abertura também pode ser vista como invasiva. Eu não gosto de excesso de sorriso num atendimento, de intimidade instantânea e nem de relações abertas demais com quem nem conheço. Muitas dessas pessoas que conheço são bastante inaptas a ajudar e falsificam isso com "simpatia". As únicas coisas que eu espero de alguém ao ser recebido são: respeito, educação e competência. Em todas elas, os curitibanos preencheram e superaram totalmente a minha expectativa, sem precisarem ser um "povo festeiro" pra isso. Fui muito bem atendido em todos os lugares, nas ruas, e em nenhum momento de senti desorientado e sem resposta. Quinta - 07/06 Passada a "reflexão social", esse foi o dia de acordar bem cedo pra pegar o trem até Morretes. As passagens de ida e volta (marcada pra tarde de sábado) saíram, juntas, por R$ 131,00. É um passeio bem legal de se fazer, mas que se esgota já na ida. Fica a minha recomendação pra quem for de que a volta seja feita de ônibus ou outro meio. A volta é MUITO maçante. Além de você ouvir todas as informações pela segunda vez, a repetição faz com que a viagem de três horas pareça durar umas sete. De qualquer forma, falemos da ida: lindo cenário e guias bem preparados para passarem informações. Gostei demais! O trajeto é bem charmoso e parece ser o programa ideal pra casais e famílias. Aliás, em Morretes eu me senti o único solteiro vivo na Terra! Em todos os lugares que visitava, me perguntaram se eu estava esperando mais alguém, hahahaha. Linda a pequena cidade. Quando eu pedi dicas para visitá-la aqui no site e disse que ficaria por duas noites, teve gente tirando um sarro porque supostamente eu morreria de tédio. Talvez quem escreveu isso já conheça Morretes com a palma da mão, porque pra mim foi o tempo ideal para conhecê-la e usá-la como "base" pra fazer outros programas. O primeiro deles foi o almoço obrigatório da região: o barreado. Comendo à beira do rio Nhundiaquara, fiquei besta de pagar pouco menos de R$ 40,00 por entrada e três pratos combinados, além da bebida. Quantidade absurda de comida, tendo sido muito difícil não desperdiçar. Preparo maravilhoso, com muitas opções pra quem gosta de camarão. Sem qualquer exagero, eu teria pago o mesmo valor (ou mais) pedindo apenas um dos pratos em São Paulo. Na parte da tarde, fui até a rodoviária (que parece um chalé) para ir até Antonina. O serviço de ônibus do litoral paranaense é muito bem provido e barato, com linhas intermunicipais funcionando o dia todo e com curtos intervalos de tempo. Assim, fui até a cidade vizinha para passear por umas duas horas (em Antonina, sim, dá pra conhecer tudo em pouco tempo) e voltar. Em Morretes, fiquei acomodado no Recanto dos Pássaros, por R$ 40,00 a diária com café da manhã. Fui super bem recebido desde o contato por e-mail. O local é bem "alternativo", porque fica no terreno particular de uma senhora que aluga os quartos sem muita preocupação de fazê-los aparentar uma pousada. Simples, do jeito que sempre gosto. A maioria dos hotéis e pousadas fica no centro de Morretes, além da linha do trem. O Recanto fica antes dela, a umas duas quadras da estação. Sexta - 08/06 No dia anterior, segui para a esquerda (Antonina). Na sexta, era a vez de ir para a direita (Paranaguá). Deixei minhas coisas em Morretes e fui apenas com uma "gymbag" para lá, achando que voltaria dali em breve. Gostei demais da atmosfera colonial de Paranaguá e, mais uma vez, fiquei abismado com o que gastei para comer. Inacreditáveis R$ 13,90 num prato gigantesco de arroz, feijão, salada, fritas, dois filés de peixe e camarões empanados graúdos a perder de vista. Isso foi no mercado municipal. O que comi de camarão realmente não é brincadeira! Uma porção pra se cobrar R$ 50,00 em São Paulo! Foi com essa alegria gastronômica que eu achei que já estava pronto para voltar para Morretes... mas daí eu vi uma placa anunciando saídas de barco para a ilha do Mel por R$ 15,00. Primeiro eu havia entendido que sairia àquela hora para voltar de tarde. Mas não, eu teria que ir no horário da tarde pra voltar só na manhã do sábado. Eu estava lá só com dinheiro, documentos, um rolo de papel higiênico, uma água e molhado da fina garoa que não havia parado desde a terça anterior. Além disso, todas as minhas coisas estavam em Morretes e eu tinha passagem de trem para Curitiba marcada para as 15h do sábado. O que um mochileiro faz nessa situação? Manda o conforto se danar e vai em frente, é claro!!! Hahahahahahaha. Fui pra ilha do Mel simplesmente porque já estava ali do lado. Chegando pouco antes do por do Sol por lá, tive que sair correndo para o farol da ilha pra poder ver algo. Arrependimento zero. Fui até o albergue da HI que tem no local (acho que foi R$ 40,00) e tomei um banho só com água mesmo, me enxuguei com o lençol da minha cama e botei a mesma roupa de novo. Uma beleza! Andando pela ilha, achei as instalações muito bacanas e só não gostei muito da frequência turística, em sua maioria uma galerinha meio "estranha". Os preços cobrados na ilha são bem salgados. Então, só comi algo simples e fui dormir com um plano imbecil: acordar às 4h para ir até a fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres (mais de uma hora de caminhada) só pra dizer que fui. Sábado - 09/06 E assim foi feito! Num breu danado, sem viv'alma por perto, chuva e morro acima, cheguei até a fortaleza. Fotos, nem pensar, mas a vista ao menos eu guardei pra mim. Ficou faltando só o nascer do Sol. Voltei feliz da vida para o albergue e tomei um café para pegar o barco de volta para Paranaguá logo em seguida, às 8h. Pelo menos era esse o planejado. Aconteceu que o tempo adverso cancelou algumas saídas de Paranaguá e eu acabei me enfiando num barco rumo a Pontal do Paraná com grande atraso. Ali eu já estava achando que iria perder a viagem de volta pra Curitiba. Cheguei na tal Pontal, numa parte do município que não tem NADA, e fui me informando com qualquer uma das poucas pessoas que encontrava até subir num ônibus que iria pra Paranaguá, não sem antes entrar em inúmeros condomínios, fazendo a viagem intermunicipal demorar mais de uma hora. Completamente encharcado e num frio de uns 9°C, voltei de Paranaguá para Morretes com um sorriso no rosto e tomei um dos melhores banhos da minha vida. Antes de me despedir da linda cidade serrana, contra todas as expectativas, tomei sorvete. Se estava aberta a sorveteria, é porque há clientes que a visitam com qualquer tempo, certo? Fui um deles. Uma delícia! A volta para Curitiba, como supracitado, foi bem chata. À noite só dei uma passada no shopping eu fui me esquentar na cama do albergue. Domingo - 10/06 O dia da volta pra casa também foi muito proveitoso. Um colega de quarto no albergue estava deixando a cidade e havia ficado com dois tíquetes do ônibus turístico de Curitiba sobrando. Com eles, fui fazer o roteiro completo e conheci mais de perto o parque Tanguá e a Ópera de Arame. Como a chuva espantou todo mundo, foi praticamente um passeio de táxi de dois andares. Almoçar no bairro de Santa Felicidade só reforçou o quanto dá pra gastar pouco na cidade. Acho que voltarei ao Paraná pra comer sempre que der! Algumas comparações beiram o ridículo, como os 12 pães de queijo por R$ 3,00 (a unidade em São Paulo chega a custar isso). O último dia também serviu para eu usufruir do famoso sistema de ônibus curitibano. Com o "tubo" a R$ 1,00, percebi o baile de planejamento urbano que me causou uma inevitável reflexão sobre a minha cidade. Até na despedida, Curitiba se mostrou exemplar: linha de ônibus (por R$ 1,00, sempre bom lembrar!) da porta do albergue até a porta do aeroporto. E nós, paulistanos, gastando absurdos para acessar Guarulhos e lamentando a inexistência de transporte público para o aeroporto mais movimentado do país. Considerações: Destino Só elogios a Curitiba e ao litoral paranaense. Estrutura para que o turista se sinta bem, gastando pouco e tendo opções variadas de lazer e cultura. Foi extremamente divertido! Época do ano Para o meu caso específico, foi um acerto na mosca. Gosto de frio e de chuva, então me esbaldei. Acho que não é o gosto geral dos mochileiros (ainda mais individuais), mas famílias e casais com certeza terão o que curtir. Para os casais, principalmente, o clima local é bem romântico. Hospedagem e alimentação Tudo ótimo e por um preço justo. Talvez o albergue de Curitiba tenha um preço surpreendente, tendo sido o mais caro que já visitei no Brasil. Mesmo em São Paulo, de onde se espera valores exorbitantes, há albergues que cobram entre R$ 30,00 e R$ 40,00 pela diária. De qualquer forma, não é nenhum absurdo. Na ilha do Mel os valores são mais altos. A viagem Espetacular, favorecendo gostos tanto urbanos quanto naturebas e, mais importante, com extrema facilidade de acesso. Vontade de voltar? Sim!!! Contatos: Hostel Roma – (41) 3224-2117 BWT Operadora (passagens de trem) - (41) 3888-3462 Pousada Recanto dos Pássaros - (41) 3462-1724 ou (41) 9177-6639 Quem quiser conferir o álbum completo no meu Facebook, eis o link:
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