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fmoreira

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fmoreira venceu a última vez em Dezembro 21 2019

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  1. @debalves Vamos convencer o marido... Minha primeira vez no México foi em 2015 e passei 20 dias sozinha, completamente sozinha... nessa viagem fiquei 6 dias na Cidade do México, não me senti insegura, mas sou do Rio de Janeiro e quem vive aqui tira de letra qualquer lugar. Essa última vez fiquei só dois dias. O bairro que fiquei na primeira vez foi mais seguro (agora fiquei no Centro) e pra turistar optei pelos ônibus de turismo que lá tem 4 linhas interligadas e são baratos. Uma das linhas leva ao circuito Frida (bairro lindo, tranquilo), outra ao luxo (onde fica o Museu MARAVILHOSO Soumaya) e tem a linha do Centro que talvez seja o lugar mais inseguro, mas ainda assim imperdível, porque o trio Zócalo + Catedral + Palacio do Governo é algo impressionante. A última linha faz a parte do Museu de Antropologia (também imperdível). Também andei muito a pé e recorri aos tours para conhecer as cidades de bate e volta e para ir às pirâmides (dessa vez fui por conta própria e gostei mais). Quando saí de vez da CDMX, fiz vários trechos entre cidades de busão e não tive medo nenhuma vez. Como toda cidade grande, tomei alguns cuidados: passaporte e grana na doleira, trocado e orçamento do dia na carteira. Levo sempre dois cartões: um fica na doleira. Uso equipamento fotográfico profissional, mas em mochila comum. Celular na mochila ou nos peitos, nunca no bolso de trás. Sou das antigas e uso mapa impresso quando sinto que não posso pegar no celular. Em todas as viagens que fiz só tive duas vezes que saí no prejuízo: levaram um all star do hostel que fiquei no Chile e tomei uma volta do uber no México (andar com pesos trocados sempre). No meu site tem um relato completo dessa primeira viagem. https://www.flaviamoreirafotografia.com/mexico Todos os cenotes têm coletes e também cordas que passam de um lado para o outro para se segurar quando cansamos de nadar. Alguns tem um plataforma para segurar e todos têm escada para subir e descer (mas eu jogava). Eu aprendi a nadar com 30 anos (nao sabia nem boiar) depois de voltar de uma viagem à Chapada Diamantina,. Fazer Yucatan sem os cenotes seria um desperdício total. Encare o colete! Beijos... à disposição se precisar de mais informações.
  2. @mad-br Eu paguei 70 euros. Não lembro no nome da agência, foi uma no lobby de um hotel na rua principal, um pouco antes da Mesquita Kotubya. Mas no final, acho que é tudo uma coisa só, tipo uma cooperativa. No dia do tour, uma van foi nos buscar no riad, nos levaram para uma zona da cidade que devia ter umas 20 vans, nesse momento eles nos dividiram: as pessoas que iriam no tour de uma noite e as que fariam o tour de duas noites. No caminho fizemos várias paradas com as outras vans (e com o pessoal que estava de 4x4, que em teoria é o pessoal dos tours privados que pagam 400 euros... kkkk). Primeira noite dormimos no Dades também com as pessoas de outros grupos (pra hostel, bem confortável: chuveiro quente e camas confortáveis, estava bem frio...) e a segunda noite no deserto em tendas (as malas ficam em um hotel na cidade base). Não passamos aperto, superou as expectativas. Mas eu sou do tipo de pessoa na vida que nunca escolhe hotéis 5 estrelas, porque a prioridade é bater perna.
  3. A decisão pelo Marrocos foi uma desses acidentes da vida, decorrente de uma excelente oferta do destino por milhas, chegando por Marrakech. A princípio íamos em dois, mas logo a notícia se espalhou e a dupla virou praticamente uma excursão quando mais quatro integrantes pularam no barco. Tinha tudo para dar errado: idades diferentes, nem todos conhecidos diretos, bolsos com capacidades diferentes e temperamentos muito distintos. Mas uma força invencível atribuída ao rumo e aos diversos acontecimentos da vida, também conhecida como sorte, deu o ar da graça e fez com que tudo desse certo, mas tão certo, que até nos perrengues nos divertimos! O Marrocos está ali no norte da África e é uma monarquia governada por um rei alauita, dinastia que está no poder desde 1666. Em 1912, Marrocos foi dividido em protetorados, tendo a grande maioria do território sob domínio francês e uma parte bem pequena aos espanhóis, com uma zona internacional em Tânger. Recuperou a sua independência em 1956. Portanto, apesar do idioma oficial ser o árabe e o francês, muito se ouve de espanhol e na zona turística, o inglês. Ou seja, nos viramos super bem e ficamos somente no "shukraan" (obrigada) em árabe. O Roteiro Fizemos as escolhas partindo da premissa de conhecer as quatro grandes cidades imperiais, ou seja, aquelas que foram capitais das antigas dinastias reinantes. Ao que parece, cada rei queria deixar seu nome na história e então resolvia criar suas maravilhas em cidade que não havia sido escolhida por nenhum dos outros. Fez — fundada pelo sultão Idríssida Idris I em 789; Marraquexe — fundada pelo sultão Almorávida Yusuf ben Tasufin em 1062; Rabat — fundada pelo sultão ou califa almóada Abd al-Mu'min em 1150 e hoje a atual capital do Marrocos. Meknès — fundada pelo sultão alauita Moulay Ismail em 1672 As cidades de Essaouira e Chefchouen foram escolhidadas pela proximidade das cidades imperiais . Tanger, veio de brinde na passagem entre uma e outra, meio que relâmpago, só para dar uma olhada no estreito de Gibraltar. Merzouga foi nossa base para o tour no deserto do Saara e Casablanca foi nosso ponto de partida para a segunda etapa das férias: o Egito, que é assunto para um outro post. Foram treze dias fantásticos, com uma vivência cultural inédita, que superou demasiadamente minhas expectativas. O auge que seria o tour no deserto, acabou ficando como coadjuvante nessa maravilhosa terra barulhenta, de cores vibrantes e encantadora arquitetura. MARRAKECH É conhecida como Cidade Vermelha e consegue ficar ainda mais vibrante quando aquecida pela luz do fim da tarde. Foi, definitivamente, a minha cidade preferida com suas casas pintadas em diferentes tons de vermelho, sua charmosa e gigante muralha, erguida em 1062, e aquelas laranjeiras abarrotadas de frutos pelas ruas. Eu li muitos blogs sobre o quanto é insuportável a insistência dos comerciantes, artistas de rua e prestadores de serviço, que praticamente é um “ataque” aos turistas. Um blog em particular praticamente dizia nas entrelinhas: "não vá" (mas essa opinião eu já tinha desconsiderado porque achei o cara um fresco). É chato mesmo, mas tiramos de letra, nos esquivando e nos divertindo com algo que é cultural. Aprendemos a pechinchar e o mais interessante, a adorar esse esporte. Muitas vezes o “não” tem que ser mais duro, mas nada que não seja administrável. Uma situação muito engraçada foi de um cara insistindo para comermos na barraca dele, falei que não iria comer (na verdade, só um dos meninos comeria mesmo) e acabamos sentando em outra barraca, o cara ficou tipo uns dez metros de distância da gente gritando: "mentira, mentira". Rolamos de rir! Os marroquinos odeiam ser fotografados e eu apesar de amar esse tipo de foto, sempre gostei de respeitar os limites. Os artistas de rua cobram para ser fotografados e nesse caso eu prefiro não fotografar, porque perde a graça. "Photostreetear" também é um esporte, onde o clique vira uma foto ao flagrar uma cena não posada. Merecem sim as gorjetas, o problema é que acaba não sendo voluntário: cobram valores altos e na maioria das vezes de forma grosseira. Os caras das cobras e dos macacos deviam ser presos pela forma como tratam os animais e não levaram um dirham meu. Chegamos na parte da tarde e fomos atrás do tour para Essaouira que estava já na programação do segundo dia. Poderíamos ter fechado no riad, mas como nos trocaram de hospedagem na cara de pau, preferimos não dar essa ousadia. Achamos uma agência próxima à praça e fechamos por cinco euros a menos do que havíamos colocado no orçamento. A primeira dica esta aí: não fechar os tours no Brasil, ainda que aquela neura de sair com tudo pronto bata firme, não feche, pois os passeios são muito negociáveis. Quanto à hospedadem, optamos pelo riad, que é o nome dado para os casarões antigos que foram transformados em pousadas. Ficam dentro da Medina, que por sua vez são os centros comerciais dentro da cidade antiga murada. Os hotéis, estão fora da cidade murada, na cidade nova ou como chamam por lá: nouve ville. Ficamos hospedados no Riad Lakhdar, mas tínhamos reservado o Riad Riva com transfer do aeroporto, aí numa treta que eles tem entre si, o motorista nos levou para outro lugar. Questionamos que o lugar era errado, mas o carinha veio com um papo que era uma extensão do mesmo hotel (extensão com quadras de distância, nunca vi!!) ou seja, vendem uma coisa e entregam outra e ficamos com a impressão que nos passaram a perna nos colocando em um local inferior, mas não foi ruim: muito bem localizado, relativamente limpo e com água abundante e quente nos banheiros. O café da manhã era básico, mas bom (pão, manteiga, panquecas, geleia, café e suco). Tivemos mais dois problemas: um que foi quase o despejo faltando uma diária ainda e o outro foi a explosão de um boiller no meio da madrugada. Acordei apavorada pensando em atentado terrorista (uma idiotice sem tamanho, já que me senti mais segura no Marrocos que em qualquer lugar do Rio de Janeiro). De qualquer forma, pela relação custo x benefício, eu recomendo o local. Ficamos três dias em Marrakech e optamos por uma passagem relâmpago pelas compras, pois se parássemos pra negociar tudo que gostaríamos de comprar, ficaríamos três dias nessa vibe. Os árabes são mesmo negociantes natos e você consegue reduzir os preços em até 50%. Essa sábia decisão nos deu tempo suficiente para curtir os locais com aquela calma fotográfica que eu mereço. O que visitamos: Praça Jemaa El-Fna - Fechamos a noite do dia da chegada na famosa praça Jemaa El-Fna, que é, sem dúvida, o cartão postal do Marrocos. Jantamos o famoso tajine e ainda comemos caracóis em uma das bancas (chamam de escargot, mas não parece nada com o que provei na França). Voltamos à praça algumas vezes, pois era colada ao nosso riad e é um palco gigante a céu aberto. Em 2008 foi incluída pela UNESCO como patrimônio mundial e seu nome pode ser traduzido como “Assembléia dos mortos”, pois era o local onde os criminosos eram executados e suas cabeças penduradas para servir de exemplo. As barracas de comida somente são montadas à noite, o que deve ser uma trabalheira para os comerciantes. Durante o dia, o domínio é dos saltimbancos, domadores de serpentes, engolidores de faca, tatuadores de henna, em suma o ponto de encontro da malandragem. Tem uns caras que ficam vestidos de vermelho com um chapéu engraçado com pom-pons e canecas, acredite: os caras vendem água!!!! Hahahaha... Mesquita de la Kotubia - Não é permitida a entrada para não muçulmanos, mas por fora já nos encanta com seu minarete de 69 metros de altura. O nome deriva do nome árabe que significa “bibliotecário”, pois na área havia o comércio grande de manuscritos. Foi construída no estilo almoáda tradicional. Todas as mesquitas têm um minarete em anexo. Tradicionalmente, do topo os fiéis eram chamados para a oração, por isso a necessidade de altura, para ecoar o som. Agora, são equipadas de alto falantes. No fim de tarde, ao redor, ficam crianças jogando bola, casais namorando, crianças brincando e é um excelente lugar para observar o cotidiano local. As chamadas (em árabe, adhan) são fascinantes e acontecem cinco vezes ao dia, sendo a primeira antes do nascer do sol. Allahu Akbar Deus é o Maior ! Allahu Akbar Deus é o Maior ! Allahu Akbar Deus é o Maior ! Allahu Akbar Deus é o Maior ! Ach hadu an la ilaha ill- Allah Testemunho de que não há outra divindade além de Deus Ach hadu an la ilaha ill- Allah Testemunho de que não há outra divindade além de Deus Ach hadu an la ilaha ill- Allah Testemunho de que não há outra divindade além de Deus Ach hadu an la ilaha ill- Allah Testemunho de que não há outra divindade além de Deus Haiyá alas-salat Vinde para a Oração Haiyá alas-salat Vinde para a Oração Haiyá alas-salat Vinde para a Oração Allahu Akbar Deus é o Maior ! Allahu Akbar Deus é o Maior ! Museu de Marrakech - O museu está instalado no Palácio Mnebbi e foi fundado em 1990. Vale a visita ao lindo pátio, mas a exposição permanente não encanta. Palácio de Bahia - O palácio que foi iniciado pelo grão vizir Si Moussa em 1860 e é ricamente decorado, mas foi acabado entre 1894 e 1900 pelo ex escravo que se tornou gran vizir Abu Bou Ahmed. Em 1908, o belicoso paxá Glaoui considerou o palácio um lugar adequado para entreter convidados franceses que ficaram tão impressionados, que o expulsaram em 1911 e instalaram nele o quartel general do protetorado. Glaoui se fu! Apesar de ser somente parcialmente aberto ao público, a parte do harém sem mobília é aberta a visitação. O harém obrigava 4 esposas e 24 concubinas. O cara é meu herói, porque aguentar 28 mulheres não é para os fracos! Palácio El Badi - Foi meu preferido. Tanto que voltei para fotografar porque estava nublado na primeira visita. O palácio originalmente era adornado com turquesa e cristal, mas foi saqueado 75 anos depois da construção, no século 16. Mas os grandes pátios dão uma ideia do que foi no passado, com quatro jardins de larajeiras e espelhos d'água. Há uma torre com vista panorâmica da cidade, exposições temporárias de arte e a exposição permanente do púlpito de oração da kotubia, com detalhes em macheteria, que data do século XII. Tumbas Saadianas - O sultão saadiano Ahmed al-Mansoured-Dahbi construiu seu próprio túmulo em mármore italiano e folheou com ouro a madeira do teto para fazer a Câmara dos 12 pilares, um mausoléu pra lá de fantástico. Há também as tumbas dos principes, esposas e conselheiros. Anos depois de sua morte, o sultão alauita Moulay Ismail (o mesmo do grandioso túmulo de Meknes) ergueu muralhas ao redor das tumbas, com apenas uma passagem pequena no meio da medina, para manter o seu antecessor fora do coração do povo. As tumbas foram negligenciadas até 1917, quando fotografias aéreas as revelaram. Bab Agnaou - É o triunfal portão de entrada do casbá real e fica bem pertinho das Tumbas Saadianas. Medina - Começamos a percorrer a medina e seus souks, a partir da Praça. No meio do caminho, encontramos um marroquino que nos indicou visitar os curtumes e nos deu a direção, fomos nos embrenhando nas "quebradas" e foi muito interessante! Foi nesse caminho que sentimos Marrakech como é para os moradores locais. Nos perdemos, nos achamos. Visitamos o curtume no meio do caminho e achamos o outro lado da muralha. Foi só nessa passagem que compramos algumas lembrancinhas e tal. Jardim Majorelle - Yves Saint Laurent e Pierre Bergé compraram o casarão azul e o jardim para preservar a ideia de seu dono original, o pintor Jaques Majorelle em 1964. O jardim botânico é cultivado desde 1924 e hoje tem mais de 400 espécies de todo o mundo. O museu no seu interior é dedicado a arte berber. Fica na nouve ville e a visita vale muito a pena. Aquele tom de azul ficou colado na minha memória para sempre. Jardins de Menara - Há uma lenda local que um sultão seduzia seus convidados durante jantares e depois os afogava no grande lago. Atualmente é um local de lazer dos visitantes e moradores que fazem piqueniques entre as lindas oliveiras, andam de patins, conversam e namoram à beira do lago. Assim como os arredores da kotubia, é um lugar para observar a vida dos marroquinos. Eu e um dos meninos fomos dar uma volta no lago, carregando a máquina no pescoço e uma garotada nos pediu para fazer uma foto (até fiquei surpresa). Quando de repente, nos vimos rodeados por uns vinte adolescentes barulhentos posando... foi fantástico: trocamos whatsapp, facebook e depois mandei as fotos!!! Infelizmente a medrassa estava fechada e foi onde eu tive um problema com a fotografia. Um cara fez um escândalo comigo na rua porque entendeu que eu o tinha fotografado, fiz a foto somente de um portão, o idiota nem apareceu e tive que mostrar a foto. A situação foi bem chata. Depois disso eu fiquei muito mais travada na fotografia de rua. Pela cidade murada nos movimentamos a pé! E muito! Pelo contador de passos do iPhone, a média era de 12 quilômetros por dia. Para ir a nouve ville, como éramos seis, usávamos os grand taxi (o equivalente à nossa dobló). Acabamos não fazendo o passeio de charrete, porque estavam cobrando 600 Dihans (aproximadamente 60 euros) e mesmo pechinchando não achamos um programa imperdível. Não contratamos guia em Marrakech, usamos os mapas baixados off line do Google e optamos por nos perder mesmo. Não é difícil. Eu fui muito pré neurada por conta dos blogs que li. O importante é não se deixar aborrecer, porque afinal o que são viagens de férias, que não um meio de viver coisas diferentes, conhecer novas culturas, novos cheiros, sabores e novos movimentos... Experimentamos a comida marroquina em um restaurante muito bonitinho na Praça Jemaa El-Fna, chamado Zeitoun Cafe e no Kosybar (servem cerveja), na Place de Ferblantiers. No terceiro dia já estávamos cansados do tahine, seja de frango ou de kafta ou de qualquer outra coisa e apelamos para o Pizza Hut, KFC, Burguer King e até para o McDonald's e compramos nossos beliscos no Carrefour. ESSAOUIRA No segundo dia fizemos um bate e volta para Essaouira, cidade costeira, distante 200 km de Marrakech. No caminho de ida paramos em uma cooperativa de mulheres que trabalham com o argan, extraindo o óleo dos cosméticos fantásticos. Sucumbi ao consumismo e comprei sabonetes e creme para cabelo (nada baratos). Nas proximidades, paramos em uma das árvores com cabras. Ao que parece, elas comem o fruto e o interior que é um tipo de amêndoa de onde se extrai o óleo, sai nas fezes. Apesar de ter visto com meus próprios olhos, nada me tira da cabeça que elas são colocadas lá pelos caras que as criam. É muito surreal ver as cabras como pássaros. Graças a Deus, pagamos pelo tour, mas na verdade foi só um cara que nos levou e trouxe de Essaouira. Assim, ficamos à vontade para bater perna pelo Porto, pela Medina e até estivemos no souk (mercado que fica dentro da medina). O preço valeu a pena, já que a van nos pegou na porta do riad e na volta ainda nos deixou na Nouve Ville para jantar. Se fossemos de ônibus de linha, a economia seria de 4 euros/pessoa, o que pagou o comodismo. Em 1912, depois dos franceses terem tomado o Marrocos como um protetorado, reverteram o nome da cidade para Mogador e desviaram o comércio para Casablanca, Tanger e Agadir. Foi apenas com a independência, em 1956, que esse lugarzinho gostoso e pacato voltou a se chamar Essaouira. Depois que Orson Welles filmou Otelo na cidade, da rápida visita de Jimi Hendrix e da escolha de Essaouira como retiro por hippies, a cidade passou a receber um fluxo constante de turistas. Recentemente foi cenário de Game of Thrones, como Astapor, a casa dos Imaculados (os soldados eunucos de Daenerys), um ponto de parada para os navios que partem de Qarth as Cidades Livres e Westeros. Andamos bastantes pela medina, que é a mais tranquila de todas as cidades que passamos, com muito pouco assédio dos comerciantes e almoçamos calmamente dentro das muralhas. O Porto, o Skala e a vista para Ile fazem da cidade uma excelente visita fotográfica. Medina – foi tombada como Patrimônio da Humanidade em 2001. O bem preservado projeto fortificado do fim do século 18 é um excelente exemplo de arquitetura militar europeia no norte da África. Para o visitante, seu clima tranquilo com ruas sinuosas, lojas coloridas, casas caiadas e pesadas portas douradas de madeira faz dela um ótimo lugar para flanar (usando aqui um termo muito parisiense). As dramáticas muralhas fustigadas pelas ondas que cercam a medina são um ótimo lugar para uma vista de cima do labirinto de ruas. O local de mais fácil acesso às muralhas é o Skala de la Ville, o impressionante bastião marítimo construído ao longo dos penhascos. Uma coleção de canhões europeus dos séculos 18 e 19 fica pelo caminho e você se deleitará com belas vistas do mar e ficamos imaginando que espetáculo deve ser o pôr do sol (voltamos antes). Skala Du Port – Situado no porto, o Skala oferece mais canhões e vistas pitorescas do porto pesqueiro e da Ile de Mogador. Ao olhar pra trás, para a medina murada, através de uma cortina de gaivotas, você terá a mesma vista evocativa que é usada em quase todos os cartões postais. O lugar é agitado: vai e vem de barcos, redes sendo consertadas e o pescado do dia sendo desembarcado, é também o local onde há fabricação de embarcações tradicionais de madeira. Os construtuores fornecem barcos pesqueiros para toda a costa marroquina e até a França, já que suas linhas são muito apreciadas. Ile de Mogador - Próxima a costa, a Ile de Mogador tem algumas construções interessantes. Na verdade, ela é formada de duas ilhas e várias ilhotas - célebres como Iles Purpuraires (Ilhas de Púrpura) na Antiguidade. Essas ilhas desabitadas são um santuário para falcões-de-eleonora, que também podem ser vistos com binóculos da praia de Essaouira. É possível fazer um passeio até as ilhas fora da estação de reprodução, mas ainda assim é necessária uma permissão da capitania dos portos, mas nem tentamos. TOUR DO DESERTO Economizamos 90 euros em contratar o tour diretamente em Marrakech e essa eu devo ao integrante do grupo que quebrou toda minha neura de viajar com tudo organizado e fechado nos últimos detalhes. Fechamos na agência de um hotel na Avenida Mohammed V. O Simón que nos atendeu foi ótimo, explicando todos os detalhes. No dia seguinte, às sete uma van nos pegou no riad e nos levou para uma praça onde fomos redistribuídos conforme o tour escolhido: o nosso foi de três dias e duas noites, uma delas no acampamento no deserto. Junto conosco havia um casal de venezuelanos que moravam em Madrid e uma família de Singapura. No primeiro dia percorremos 310 Km, cortando as montanhas do Alto Atlas, passando por povoados berberes e parando em Tizi-N'Tichka para umas fotos de cair o queixo. No meio do caminho paramos por aproximadamente duas horas para visitar Ait Ben Haddou, uma cidade fortificada que foi cenário de vários filmes como Lawrence da Arábia, A múmia, Jóia do Nilo e Gladiador, declarada patrimônio da humanidade pela Unesco em 1986. Almoçamos por lá e apesar daquela venda casada de tours, foi bem interessante pelo preço e pela sabor, mas foi o tajine de sempre. Nesse tour, somente o almoço foi pago à parte, o café e o jantar estavam inclusos. Paramos novamente em Ouarzazate, nos estúdios de cinema. A cidade é uma graça, mas a parte dos estúdios, por mim, poderia passar batida. A partir dessa cidade, a estrada passa ser chamada de estrada dos mil kasbahs, pela quantidade de construções do tipo, que são casas com quatro torres. Paramos nas lojinhas do Vale das Rosas, sem parar nas plantações, pois o período da colheita é maio. Nos povoados ao redor, há muitas menções à atividade, inclusive nos táxis que são cor de rosa. No início da noite chegamos ao Vale de Dades, onde pernoitamos no Hostel La Kasbah de la Vallee, incluso no pacote do tour. Ficamos os seis em um único quarto, relativamente limpo, com chuveiro quente. Esse foi o dia que mais senti frio com a temperatura em torno de dois graus. Ainda assim, bem suportáveis com a calça e blusa segunda pele que levei (já tinha comprado da Lupo desde a viagem do Atacama). O jantar foi bem simples, mas a sopa de grão de bico da entrada estava muito boa. O café da manhã na manhã seguinte também simples, mas tinha aquela panqueca maravilhosa que comemos em todos os riads que ficamos. Para ser bem direta, eu achei uma bagatela pagar 70 euros por mais de 600 Km de viagem, duas noites de hospedagem, sendo uma delas no acampamento (e o trecho com os camelos), café da manhã e jantar, a visita a Ait Ben Haddou. Com tudo isso eu já não esperava mesmo um cinco estrelas e agradeci todos os momentos pela sorte de ter ido com o Mohammed, o melhor motorista do mundo, mega cuidadoso e que apesar de falar pouquíssimo em espanhol apontava os locais maneiros e fez algumas boas paradas fotográficas. No segundo dia, saímos do Dades e seguimos para as Gargantas de Todra, onde caminhamos por cerca de uma hora pelos paredões e pelas plantações locais. Saímos em direção a cidade de Tineghir, rodeada por um vale de palmeiras e aldeias de adobe. Almoçamos na estrada em um restaurante bem bom, onde encarei um espaguete (cansada do tajine) e no fim da tarde chegamos às Dunas de Erg Chebbi, onde de camelos seguimos para o acampamento, que também não é cinco estrelas, mas é facilmente suportável. Encaramos a falta de banheiro como uma experiência divertida e usamos as moitas. Um salva de palmas para quem inventou o lenço umedecido. Queria muito ter feito umas fotos noturnas, mas estava nublado. Fui dormir cedo e levantei antes do sol para fotografar sua chegada, que mesmo entre as nuvens chegou como um astro! Fui a única a levantar e subir a duna naquele silêncio para esperar a luz, que foi algo indescritível em palavras, vou deixar por imagens. Retornamos de jipe, que paguei à parte, porque minha bunda estava mega dolorida das duas horas da tarde anterior andando de camelo. Tomamos café no hostel que deixamos as malas e ali mesmo contratamos um grand taxi para nos levar a Fez, a cidade imperial mais antiga. FEZ Chegar à Fez, partindo de Merzouga, foi encontrar boa parte da diversidade da paisagem marroquina nos 460 Km de estrada, partindo das dunas alaranjadas do deserto pela Rodovia N13, serpenteando no meio do caminho por montanhas nevadas, passando por várias cidadezinhas fantásticas, sempre pontuadas de minaretes no caminho (confesso que fiquei apaixonadíssima pelas mesquitas). Tivemos um pouco de falta de sorte com o motorista era sisudo e não tivemos muita abertura para pedir paradas fotográficas, além do cara ter passado as sete horas da viagem falando no celular. Paramos para almoçar em Midelt, um povoado aos pés das montanhas como algodão doce. Parada rapidinha que só deu para dar uma volta na pracinha e olhar ao fundo o cemitério berbere, onde os mortos são enterrados de pé, com uma pedra marcando a direção da cabeça. Passamos sem parar por Ifrane, a suíça marroquina e Azrou. Ao invés dos tons avermelhados de Marrakech, Fez se apresenta em tons de bege, entramos pela parte nova da cidade e cortamos a avenida principal até chegar à porta da medina, onde nosso taxista ligou para o riad e o administrador foi nos buscar. Amém!!! Porque achar o riad no meio da medina, nesse primeiro momento, seria achar uma agulha no palheiro. Depois que nos acomodamos, descobrimos que ficamos super bem localizados, no início da medina, de fácil acesso e sem riscos de se perder. O Riad Mansoura foi a grande surpresa da viagem: lindo, com um café da manhã digno de reis, limpo, um staff maravilhoso e um custo x benefício fenomenal! Ficamos duas noites e subestimamos o tempo que seria necessário para mergulhar no frenesi daquela cidade! Ainda mais que tínhamos colocado no planejamento um bate e volta até Meknes, uma das cidades imperiais. Em suma, foi corrido e merecia mais um dia! Fez foi capital do Marrocos até a chegada dos franceses e tem a maior medina do mundo, onde vivem mais de 350 mil pessoas, há quem diga que há mais de 10 mil ruelas. É algo indescritível em palavras ou em fotos. No nosso planejamento tínhamos no dia após a chegada, um bate e volta à Meknes e no último um tour pela medina e pela cidade, pegando a estrada novamente no fim da tarde, por isso optamos por um guia, que conseguimos pela recepção do riad, mas que foi um "tiro no pé", o cara era um mala, com uma má vontade infernal e na primeira hora já queríamos nos livrar dele para andar sozinhos, ou melhor, para nos perder sozinhos!!! Mas pelos 5 euros por cabeça, pelo menos ele nos levou aos pontos principais. Mesquita e Universidade de Kairouine - É considerada a universidade mais antiga do mundo, fundada como uma madrassa em 859 por Fatima al-Fihri, filha de um comerciante, cuja família xiita que havia emigrado de Kaiouran (daí o nome da mesquita) na Tunísia. Apesar de ser gigante, sem o guia passaríamos batidos pela entrada, pois está cercadas pelas casinhas da medina, que na verdade são praticamente todas iguais. Nosso guia mala, nos contou que a arquitetura das moradias da medina, tinham como premissa que não deveria haver ostentação externa, prezando pela simplicidade porque todos no mundo são iguais, assim cabendo os adornos apenas no interior. Lembrei de uma frase que minha avó sempre falava ao malhar a vida alheia: "por fora, bela viola, por dentro pão bolorento". Só que em Fez funcionava ao inverso!!! A Universidade não é aberta aos não muçulmanos, mas rola uma espiadinha da entrada. Medersa Bou Inania - Ficava bem pertinha do no nosso riad e pela manhã não estava aberta aos não muçulmanos, mas o simpático vendedor da barraquinha de suco de laranja nos informou para voltar depois do meio dia e conseguimos entrar e ficamos lá meia hora tentando levantar o queixo depois de olhar todos aqueles entalhes no gesso e na madeira. Chaouwara Tanneries - São os famosos curtumes, local onde se trata o couro da mesma forma que se tratava lá no passado, com o uso de bosta de pombo para tratamento inicial e tingimentos naturais como o índigo, o açafrão, kajal e etc. Em muitos blogs li sobre como o cheiro é insuportável. Não achei tão ruim assim, tanto que nem usei o ramo de hortelã oferecido ao subir nos terraços, onde se tem acesso através das lojas. É claro que no final da visita rola aquela tentativa de venda, o exercício da pechincha, mas comigo ficaram no vácuo. Royal Palace - Em cada uma das cidades imperiais há um Palácio Real, ao que parece, o rei faz um rodízio e praticamente vive nos quatro. Mas para os moradores, o palácio de Fez é o preferido, até mesmo porque o rei Mohammed VI é casado com Lalla Salma, natural de Fez. Foi o único palácio que conseguimos ver além de muralhas, pois as portas estão à mostra e são obras de arte. O local estava cercado por grades, mas pedi autorização ao guarda real para a fotografar e ele deu Ok. Tumbas de Merenid - Antes de pegarmos a estrada para a próxima cidade do roteiro, paramos no alto de uma colina de onde conseguimos ver toda a gigantesca extensão da medina de Fez. Nesse mirante encontram-se as Tumbas de Merenid, que eram uma dinastia que ali reinaram entre o século XIII e XV. Depois fomos ao outro lado, onde do mirante, além da cidade, visualizamos o cemitério, que encobre toda a colina. Fizemos essa visita com o mesmo carro que contratamos para nos levar para a Chefchouen. MÉKNES, VOLUBILIS E MOULAY IDRISS Fomos para Méknes de trem a partir da graciosa estação de Fez, em uma viagem confortável de quarenta minutos. Na estação, pegamos um grand taxi para nos levar a Volubilis, distante aproximadamente 35 Km, que nos esperou e depois nos levou a cidade de Moulay Idriss a 5 Km, retornando à Meknes em seguida. Fiquei encantada com Volubilis. Foi uma admirável surpresa! Escavações indicam que a área foi colonizada por mercadores cartaginenses nos anos 3 a.C, mas anexada ao Império Romano em 40 d.C. e que determinava em suas possessões na África o que devia ser plantado. Assim, houve um desmatamento enorme da região para o plantio de trigo. As construções mais impressionantes datam dos século 2 e 3 a.C., incluindo o arco triunfal, a basílica, o capitólio e os banhos. Com a resistência dos berberes, por volta dos anos 280 d.C, os romanos abandonaram de vez Volubilis. No entanto, a população de gregos, berberes, judeus e sírios continuaram a habitar a região até o século XVIII, quando seu mármore foi pilhado para a construção do palácio de Moulay Ismail em Meknes e suas construções por fim foram derrubadas no terremoto em 1755. Moulay Idriss é uma cidade branquinha que envolve uma grande colina. Ela guarda o fantástico mausóleu do bisneto do profeta Maomé, fundador da primeira dinastia marroquina e o santo mais venerado do país. Seu túmulo fica no coração da cidade e em agosto, recebe a maior festa religiosa do Marrocos, a moussem. Do alto da colina conseguimos ver o túmulo, mas a entrada não é permitida a não muçulmanos. Nesse lugar, tivemos mais um exemplo da perturbação com os turistas: um carinha colou conosco para nos levar ao alto da colina, o que era realmente necessário no meio daquelas vielas, o problema é que ficou combinado que o pagamento seria um valor voluntário e no final a criatura queria nos dar uma garfada bonita! Eu me recusei a pagar, Helen ficou com pena e deu mais alguns dirhans, mas ainda assim ele queria mais. A paciência terminou e deixamos o mala falando sozinho, mas juro que fiquei com medo dele cuspir na nossa cara (porque numa briga de trânsito, vimos dois caras numa discussão que acabou em cusparada). Almoçamos com calma e fomos bater perna na mais simples das capitais imperiais, onde o sultão Moulay Ismail, que deu à cidade 25Km de muralhas com portões monumentais e um enorme complexo palaciano, que nunca foi finalizado. Rodemos uma boa parte dessa muralha e terminamos a caminhada no grande lago rodeado de rochas, alimentado por canais de irrigação, que serviu de reservatório para os jardins do sultão, chama-se Lago Agdal e é um ponto de encontro da garotada. Na medina visitamos a Medersa Bou Inania (mesmo nome da de Fez, mas infinitamente mais mal cuidada), a Praça el-Hedim (a Jamma el-Fna de Méknes em propoções bem menores). Nessa praça também há um enorme e lindo portão, o Bab-Al Mansour. Nesse dia, o podômetro apontou 17Km. Chegamos na estação de trem já à noite e depois de um banho quentinho, quem quis sair pra comer? Ninguém! Mas como somos pessoas de sorte, a comida do riad era boa! CHEFCHAOUEN A cidade azul no meio das montanhas do Rif nos fez desviar as rotas simples no Marrocos, porque foi a primeira cidade que decidimos que visitaríamos de qualquer jeito. Conseguimos um transporte a partir da indicação do riad em Fez e acabamos ficando com o Adbellah e sua van mega confortável até Rabat. O cara foi simplesmente fantástico, até fantasias de berberes para usarmos para fotografia, ele tinha! A cidade foi fundada em 1471 por judeus europeus que fugiram da Inquisição Espanhola e mantiveram sua presença até o século 20 quando a maioria se mudou para o novo estado de Israel. Foram os judeus os responsáveis por pintar a cidade, em homenagem a cor que pintava os mantos sagrados do Velho Testamento. Há também uma versão que os judeus simplesmente queriam reproduzir a visão do paraíso em sua nova moradia. Chamava-se originalmente Chaouen (picos), mas em 1975 foi renomeada para Chefchaouen (olhe para os picos). Um outro fato interessante é que os católicos eram proibidos de entrar na cidade sob pena de morte, até 1920, quando os espanhóis chegaram. Assim como nas demais cidades, o ponto chave da visita é se perder nas vielas estreitas da medina que no fim convergem na Plaza Uta al-Hamman e sua kasbah, que atualmente é um museu e galeria de arte. A Grande Mesquita também está localizada na praça e não é aberta aos não muçulmanos. No fim da tarde, seguimos a dica do nosso motorista e subimos à pé a trilha que leva à Mesquita Espanhola para assistir ao pôr do sol e observar a cidade azul se iluminar. Foi uma subida não das mais fáceis na trilha de terra batida, mas que vale cada centímetro. A mesquita foi construída pelos espanhóis em 1920, mas foi abandonada sem nunca ter sido usada. Ficamos hospedados no Hostel Mauritânia, mas não recomendo nem para meu pior inimigo: quartos sem ventilação, banheiro compartilhado sem água quente (algo super necessário porque em fevereiro pegamos temperaturas próximas ao zero grau à noite), roupa de cama pra lá de encardida. Em suma, uma furada! Parece que nas redondezas, há uma produção ilegal enorme de marijuana e os caras ficam nas ruas oferecendo para "um beque em um canto escuro". Caímos na besteira de perguntar o preço. Putz, se arrependimento matasse.. os caras ficaram pentelhando o dia todo!! TANGER E aí, resolvelmos dar uma passadinha logo ali em Tanger, antes de seguir para Rabat. Em outras palavras, rodamos 400 Km quando rodaríamos 260 Km. Foi praticamente uma visita relâmpago à cidade que é uma das portas de entrada da África, que foi palco de muitas invasões estrangeiras no passado, com sua localização estratégica na entrada do Mar Mediterrâneo. Foi colonizada como base comercial dos gregos e fenícios e ganhou o nome da deusa Tinge, amante de Hércules. Os romanos também a dominaram, depois foram os bizantinos e depois os árabes. Em 1471 os portugueses assumiram o poder e 200 anos depois deram a cidade aos britânicos como presente de casamento para Carlos II. Em 1679, foi retomada por Moulay Ismail, o mesmo carinha que criou Meknes como cidade sua cidade imperial. Fizemos duas paradas: a primeira na medina, que foi na minha opinião, a mais incômoda em relação à insistência dos comerciantes e daquela galerinha que insiste em ser guia de turismo quando miram um turista e a segunda foi no Cabo Spartel, de onde conseguimos ver os 15 Km do Estreito de Gibraltar. Como o tempo estava claro, conseguimos ver o outro lado. Nesse cabo há um farol bem bonito, que estava fechado à visitação, mas que nosso motorista conseguiu dar um jeito ($$$) de entrarmos. Ao sul de Tanger, já na saída em direção à Rabat, paramos pela terceira vez para visitar as Grutas de Hércules, onde supostamente ele descansou depois de separar a Europa da África, criando o Estreito de Gibraltar. Esse foi um dos seus 12 famosos trabalhos. A gruta tem duas aberturas: uma para a terra e outra para o mar, essa última tem uma fenda conhecida como o "mapa da África" (bem legal esse lugar). Paramos para almoçar em Arzila, onde presenciamos um costume local: um morto estava sendo carregado sobre uma cama pelas ruas da cidade até o cemitério. Os carros pararam para a passagem das pessoas (um símbolo fantástico de respeito). Arzila é uma cidade praiana e encaramos uma paella em um restaurante agradável de um tunisiano. RABAT Chegamos à capital do Marrocos e à ultima das quatro cidades imperiais. É linda!!!! E foi a minha segunda preferida!!!! Mas tudo isso só conseguimos ver depois do maior perrengue da viagem. Chegamos já no finalzinho da tarde e ao chegarmos ao apartamento que tínhamos alugado via Booking, nos deparamos com uma casa abandonada, que mais parecia um terreno baldio. Ainda bem que ainda estávamos com o Abdellah que ligou para o telefone constante no comprovante de reserva, que nos mandou para um outro endereço, ou seja, tinha treta na reserva. Esse outro endereço era um hotel que mais parecia um pulgueiro, com um recepcionista que só falava árabe e nos vimos ferrados. Existem coisas que não tem preço, para outras existe o Mastercard. Já era noite e apesar de fugir completamente do nosso orçamento, nos demos de presente a estadia no Ibis Agdal (pelo valor absurdo de R$ 125,00 a diária/pessoa... caracas, o Marrocos é muito barato!!!), o que foi um oásis se comparado à hospedagem de Chefchaouen e super bem localizado, colado na estação de trem. Eu quase tive um orgasmo ao deitar naquele lençol branquinho de algodão. Mesmo podres de cansados da estrada e do stress, fomos ao Pizza Hut na movimentada Avenida de France. Com essa passagem por Tanger, ficamos apenas com um dia completo para tentar fazer tudo, pelo menos o tudo turístico. É capital do país desde a independência em 1956, tem avenidas largas, pouco trânsito, limpa e com ares de organização. Com o pouco tempo, abrimos mão da medina. Começamos pegando um taxi do hotel até Chellah, depois fomos a pé pela grande Avenida Yacoub al Mansour até a Tour Hassan, ainda a pé chegamos ao Kasbah les Oudaias, paramos na praia, onde um dos meninos resolveu encarar a água gelada e à tarde fomos para o outro lado da cidade, assistir ao jogo de futsal sub-20 de Angola x Marrocos, já que fomos convidados pelo técnico da seleção angolana que conhecemos na recepção do hotel. Foi muito engraçado: só nós seis torcendo para Angola no estádio! À noite encontramos um bar que servia álcool e tiramos a seca de 12 dias. Chellah - Foi uma antiga cidade romana que foi abandonada em 1154 em favor de Salé. No século 14 o sultão merínida Abou al-Hassan Ali constru V iu uma necrópole sobre o sítio romano, cercada de uma muralha escandalosamente alta, que ainda está de pé ainda que tudo no interior esteja em ruínas. Que lugar fantástico!!! A parte romana contém mais ruínas, mas com um pouco de atenção, observa-se as colunas e parte da arquitetura. A parte islâmica está um pouco mais conservada e próxima ao minarete encontram-se as tumbas do sultão e sua esposa, ornamentadas com azulejos (zellijes). Em todo o complexo, há muitos ninhos de cegonhas. Tour Hassan - Está bem próxima ao rio Bou Regreg e é o cartão postal de Rabat. Foi o projeto mais ambicioso dos almóadas e seria a segunda maior mesquita do mundo, mas antes da conclusão das mortes, seu idealizador, o sultão Ya'qub al Mansour morreu. O projeto era de um minarete com 60 metros de altura, que ficou em 44 metros. Em 1775 houve um terremoto que derrubou parte construída da mesquita, sobrando apenas as colunas. Mausoléu de Mohammed V - É uma obra prima da arquitetura alauita e sua construção foi finalizada em 1971 como túmulos do Rei Mohammed V (1909-1961) e seus dois filhos: o Rei Hassan II (1961-1999, pai do atual rei) e o Príncipe Moulay Abdellah. Mohammed V foi o responsável pela independência do Marrocos e talvez esteja aí o motivo de um mausoléu tão espetacular. Kasbah les Oudaias - É uma fortaleza construída em 1150 para proteção da cidade. Dá para caminhar livremente pelas vielas, até chegar ao grande pátio de onde se vê Salé de um lado e a praia de Rabat do outro. Finalizamos a caminhada na praia, onde não havia ninguém de biquini! As mulheres vão à praia de djellaba (o vestido típico marroquino) e hijab (o véu). CASABLANCA Tivemos que colocar Casablanca no roteiro por ser o nosso aeroporto de saída. É a maior cidade marroquina, ainda que não seja a capital. Chegamos com o tempo muito nublado e visitamos a grande jóia da cidade antes e depois da chuva, com o almoço no meio. Para conseguir circular à vontade, alugamos um quarto em um hotel pulgueiro em frente à estação de trem, uma vez que teríamos que pegar o trem para o aeroporto. Decisão muito acertada, pois o aeroporto é longe aproximadamente 40 Km da cidade e o trem pára praticamente dentro do check in. A grande jóia é a Mesquita Hassan II, foi construída pelo pai do atual rei para celebrar seu aniversário de 60 anos. Foi projetado pelo arquiteto francês Michel Pinseau e ergue-se como uma fortaleza das águas, reafirmando o verso do Alcorão que afirma que o trono de Deus foi construído sobre as águas. Tem um minarete de 210 metros de altura e é o mais alto do mundo com um laser que brilha em direção à Meca quando há incidência do sol. É atualmente a terceira maior mesquita do mundo e acomoda 25 mil fiéis no interior e 80 mil no pátio (tipo mais que o Maracanã). Apesar de ler várias vezes sobre ser a única mesquita permitida a não muçulmanos, não conseguimos entrar, pois a visitação ocorre somente em um horário por dia pela manhã. Só conseguimos dar uma espiada pelo grande portão. Não dá pra tirar aquela maravilha arquitetônica da cabeça. OUTRAS CONSIDERAÇÕES: Transporte - Andamos muito à pé, na minha opinião, é a melhor forma de mergulhar no astral das cidades. Nas maiores distâncias, utilizamos o Gran Taxi (normalmente carros grandes para 8 passageiros) ou dois Petit Taxi (que só transportam 3 passageiros). Para o tour do deserto, utilizamos a van do tour e algumas vezes utilizamos os trens da ONCF, que achei fácil de utilizar e bem estruturados, apesar de não estarem novinhos em folha. Apesar de não ter utiizado, as companhias de ônibus são: CTM e Supratours. Como se vestir - Eu usei a dobradinha caça jeans e camiseta praticamente todo o tempo. Não usei o véu. Não senti nenhum tipo de olhar de soslaio. Simplesmente os marroquinos já veem os turistas como parte da paisagem. Álcool - Não é comum nos restaurantes e não há bares. Na verdade, os bares são casas de chá, onde só os homens frequentam. Algo muito interessante é que eles não sentam virados para a rua, parecem que estão sempre em uma platéia vendo a galera passar. No primeiro dia, em Marrakech, sentamos em um desses "bares" para ver o jogo do Real Madrid x PSG e não teve uma alma dentro do lugar que não tenha se virado para olhar para nossa cara. Em Marrakech consegui tomar uma cerveja no Kosybar e em Rabat achamos um pub, bem legal, chamado Upstairs. Também é possível comprar no Carrefour. Segurança - Total. Não me vi em nenhuma situação arriscada. Usei câmera e celular com tranquilidade, não notei nem batedores de carteira. Nas estradas há muitos pontos de fiscalização. Fomos parados pela "polícia rodoviária" que fez uma devassa na documentação do motorista e do carro, inclusive com monitoramento de velocidade aferido por um aparelho obrigatório pelas vans de turismo. Gatos - Nunca vi tantos nas ruas quanto no Marrocos. Estão em todos os lugares. Contam que foram introduzidos no país para caçar os ratos e viraram cidadãos. Eu fiquei tão apaixonada que fiz praticamente uma série fotográfica dos bichanos. Post completo com fotos em: https://www.flaviamoreirafotografia.com/marrocos Instagram: lugaresfotogenicos
  4. Pessoal, boa noite. Eu fiz o Marrocos por conta própria ano passado. Estou à disposição se precisarem tirar dúvidas. https://www.flaviamoreirafotografia.com/marrocos
  5. Em 2019, voltei à Manaus para trabalhar por uma semana e consegui esticar o fim de semana e então me aventurei à fazer as Anavilhanas por minha conta, escapando dos hotéis de selva (como o Anavilhanas Lodge e o Mirante do Gavião). Afinal, quase quatro mil para um pacote individual está longe léguas do meu orçamento. Então minha viagem foi no modelo econômico. O Parque Nacional de Anavilhanas foi criado em 2008, antes a área era classificada como unidade de conservação por um decreto de 1981. 70% do parque está localizado em sua maioria em Novo Airão, distante aproximadamente 180 Km de Manaus, foi criado com o objetivo de preservação do arquipélago fluvial, um dos maiores do mundo, com mais de 400 ilhas e 60 lagos, em uma área de mais de 3.500Km2. No início de novembro, o rio ainda estava na seca, ou baixa, que vai de setembro a fevereiro. Foi minha primeira vez na amazônia nesse período: anteriormente eu havia ido em 2005 em abril e em 2017 em junho, ambas na cheia , que vai de março a agosto. São paisagens distintas e dessa vez as praias tiveram seu charme. Mas, pensando bem, ainda prefiro a cheia, com seus igapós e pode ser impressão, mas a luz é mais interessante, além dos espelhos d'água tornarem a paisagem um tanto mais atraentes que na seca. Então vamos à logística... Para chegar à Novo Airão você tem algumas opções: ônibus que sai do terminal rodoviário de Manaus cujo trajeto leva 6 horas (acho que vai parando em todas as cidadezinhas do caminho), alugar um carro (não viável no meu caso, porque o custo x benefício era alto já que eu estava sozinha), pagar um transfer pela pousada (também não viável pelo preço de 360 pratas cada trecho) ou encarar o taxi lotação, que foi o meu caso, que custou R$60/trecho e eu tive a maior sorte, ao chegar no ponto estava saindo um carro e tinha uma vaga. Nessa modalidade são duas horas e meia. O ponto fica na Avenida Cirilo Neves (acesso à Ponte Rio Negro), do outro lado do Supermercado CO, tem um placa indicando Sindicato de Taxi de Novo Airão (tel.: 92 99428-0595). Os carros vão saindo conforme fecham as quatro vagas. Eu fui com um motorista muito fofucho chamado Roney, que me deixou na porta da pousada. Na volta, marcamos um horário e ele já esquematizou um horário e um outro motorista também foi me buscar. Fiquei hospedada na Pousada Bela Vista, que reservei pelo whatsapp (92 99229-6667), que é super bem localizada na beira do rio, em uma área um pouco mais alta, mas com acesso direto ao rio negro (e como estava na baixa, à praia). Os quartos são simples, mas são limpos, tem ar condicionado, frigobar, chuveiro forte e uma café da manhã bem gostoso. A piscina é bem legal também (e eu raramente uso), mas é uma excelente opção para o fim da tarde, acompanhada de uma cervejinha e o bar tem uma opção variada delas. A própria pousada disponibiliza os passeios em parceria com um agência, que são caros caso não consiga dar a sorte de entrar em algum grupo, que normalmente são formados de casais e cada barco tem capacidade para quatro pessoas. Eu dei sorte, porque no dia que cheguei havia um casal na recepção fechando o passeio do dia seguinte com um filho de 12 anos e eu consegui me encaixar como o quarto integrante. Para uma pessoa sozinha pagar R$1.300 pelo passeio inteiro, sai super caro. Fizemos o passeio completo, com parada para banho em um praia de areias clarinhas no meio do rio, visitando as Grutas do Madadá com caminhada na mata com um guia local que foi mostrando esconderijos das taturanas, o segredo das plantas medicinais utilizadas pela população, depois seguimos para as ruínas de Airão Velho (e ao sair pegamos um senhor temporal com raios cruzando o céu em uma quantidade de meter medo). Em seguida fomos até o Parque Nacional do Jaú, onde ficamos na base esperando o temporal passar. No caminho de volta paramos em um local que só é possível na baixa, para ver os petróglifos (gravuras rupestres gravadas em rochas). Eu, particularmente, achei o passeio meio cansativo e acho que teria gostado mais de fazer o de meio período, mas não sei se vão aos mesmo lugares. O que mais gostei foi da parada nas ruínas. Fotograficamente foi meio frustrante: aquele lugar merecia um espetacular pôr do sol. Eu passei duas noites lá e achei super suficiente. No dia da chegada eu jantei na pousada, cujo restaurante é bem bom. Na noite seguinte eu fui à uma hamburgueria bonitinha perto da pousada, chamada Saloon do Alex, que tinha uma comidinha boa, cerveja gelada e rock rolando no som ambiente. Na manhã seguinte, o dia do meu retorno, eu fui até o flutuante dos botos (aproximadamente uns 500 metro da pousada), mas estava fechado por um problema com a tempestade do dia anterior. Fiquei chateada, porque eu tinha que retornar à Manaus e não pude fotografar os lindos botos cor de rosa. Assim, da próxima vez que eu for à Manaus, vou ser obrigada a dar uma nova esticada à Novo Airão, espero que na cheia. Para ver o post completo e as fotos: https://www.flaviamoreirafotografia.com/manaus e no instagram: lugaresfotogenicos
  6. MÉXICO, DE NOVO!!!! E DE NOVO SEM CANCUN!!!! Por que o México de novo? Porque dessa vez não escolhi o destino, ele me escolheu. Na verdade, foi a companhia aérea que escolheu pelo valor irrecusável da passagem. Juntar cinco cabeças, com personalidades, bolsos e objetivos de viagem distintos é um exercício para lá de desafiador! A minha cabeça sempre objetiva a viagem fotográfica e por isso me fez priorizar mais dias em Yucatan que em Quintana Roo, enquanto o pessoal foi para Cancún eu fui para Mérida, assim pude curtir mais sítios arqueológicos. Definida essa primeira parte, tentei colocar na roda os lugares que seriam um pouco menos para a “turistada". Chegamos pela Cidade do México, mas foi somente uma noite, que conseguimos usar para assistir a Lucha Libre e no dia seguinte deu para fazer as Pirâmides de Teotihuacán, que fizemos por conta própria, usando metrô e ônibus. Chegamos mais ou menos às 4 da tarde e do aeroporto pedimos um Uber até à Plaza Garibaldi, onde decidimos ficar pela proximidade da Arena Coliseo, onde aos sábados tem a Luta Livre. É uma cidade do México completamente diferente de onde fiquei quando me hospedei pela primeira vez em Juarez. Dá para identificar como, dessa vez fiquei na CDMX raíz e antes tinha ficado na CDMX Nutella. Ficamos no Hotel Plaza Garibaldi, bem no meio do fervo, pois é a praça da tradicional aresentação dos Mariachis, os músicos mexicanos das famosas serenatas. Bem... eu não pude fotografar a Luta Livre, na entrada, os caras revistam e as câmeras são proibidas (mas os celulares, não... vai entender). Tive que voltar ao hotel para deixar minha câmera (ainda bem que era perto). A apresentação é muito tosca, como o telequete da TV nos anos 70, acho que curtiríamos mais se não o cansaço do voo não tivesse batido. Rodamos pela praça, vimos uma apresentação aqui ou acolá, comemos no hotel mesmo. Na manhã seguinte, pegamos o metrô na Plaza e pela Linha 5 – Amarela para ir à Estação Autobuses del Norte, de onde no Guichê 8 saem ônibus a cada meia hora Teotihuacam. Tem que se ligar e pedir ao motorista para te deixar na entrada do sítio. Nós vacilamos e fomos parar na cidadezinha, de onde pegamos uma van de lotação. Na volta, é a mesma coisa, pegamos o ônibus no portão de entrada do sítio. Na minha primeira vez eu fui de tour, o que me deixou revoltada, porque é muito fácil ir por conta própria, dez vezes mais barato (gastamos uns 30 reais ida x volta) e muito mais legal, porque no tour se gasta um tempo danado parado em lojas macomunadas com as empresas de turismo. Da estação de ônibus, pegamos o metrô direto para o aeroporto. Tudo isso com muita facilidade, pois ao chegar, tínhamos deixado nossas malas em um locker e ficamos só com uma muda de roupa na mochila de mão. Ali nos separamos, eu peguei um voo para Mérida e os demais quatro seguiram para Cancun. Três dias depois, nos encontramos na porta de entrada de Chichen Itza. Mérida é considerada a cidade mais segura do México e, provavelmente, a mais quente. Da Cidade do México para lá, fiz em voo interno pela Interjet, uma lowcoast mexicana super boa. E me presentei nutellando na hospedagem, ficando no Gran Hotel Merida, fundado em 1901 em um tradicional prédio colonial no coração da cidade. Era um domingo à noite e a região estava fechada para o trânsito, famílias nas ruas, feirinhas de artesanato e muita música. Já havia contratado o tour pela Mayan Ecotours (http://mayanecotours.com/) para fazer os sítios de Uxmal e Kabah. E que me desculpem aqueles que acham que Chichen Itza é “O” lugar, eu achei Uxmal muito mais fantástico. Um lugar cheio de lendas que começa pelo imperador do lugar que era um anão e por isso a Grande Pirâmide tem degraus tão estreitos. Dizem que a cidade foi fundada por uma tribo chamada Los Xiues e que teve seu ápice entre os anos de 600 e 900 d.C, com uma população de 20 mil habitantes. Hoje, a cidade tem 15 edifícios em uma extensão de dois quilômetros. A primeira construção vista ao se entrar no parque é a Pirâmide do Adivinho, com quase quarenta metros de altura e laterais arredondadas e atrás dela o Quadrilátero das Freiras, subindo um pouco mais pelo terreno passamos pelo Jogo das Pelotas e em seguida o Palacio del Governador. O guia nos contou que o primeiro projeto de restauração do governo mexicano começou em 1927 e que em 1975 a rainha Isabel II esteve na festa de inauguração do espetáculo de luz e som, quando começou a tocar a oração maia ao Deus Chaac (da chuva), caiu uma chuva absurdamente forte fora da estação. Durante o percurso entre Uxmal e Kabah, perguntei ao Raul como conseguiram manter os sítios sem que os espanhóis os destruíssem e ele respondeu: “fueron las malezas” e eu na minha mente superticiosa pensei em proteção divina, até que ele me explicou que maleza é o mesmo que erva daninha, ou seja, por muitos anos os sítios ficaram escondidos no meio da mata. Kabah fica 18 Km distante de Uxmal, que quer dizer “mão forte”. A área foi habitada desde meados do século III aC. A maior parte da arquitetura agora visível foi construída entre o século VII e o século XI. A contrução mais interessassante é o Palácio Codz Poop, chamado também de Palácio das Máscaras, pois sua fachada é decorada com máscaras de pedra com o rosto de Chaac, o deus da chuva. Entre os dois sítios há um povoado chamado Santa Elena, cuja igreja se vê ao fundo e foi construída pelos espanhóis na parte mais alta da cidade com o objetivo de demonstrar que o cristianismo estava acima de tudo. O tour incluía o almoço (sem bebidas) em um restaurante típico yucateco. Estávamos em cinco: eu e mais dois casais mexicanos de Monterrey. É claro que mesmo com meu portuñol horroroso, conversamos pacas e uma delas me deu várias dicas de como não passar fome no México, já que eu não como milho. Minha vida no México mudou com a palavra “harina”, que é a farinha de trigo. Merida entrou nos meus planos por causa de uma foto que vi no instagram do Monumento a la patria (to the Fatherland). Então passei no hotel para uma ducha e uma horinha de descanso e fui e voltei à pé, batendo perna pela cidade até achar o monumento que fica no fim do Paseo de Montejo, uma avenida enorme, como uma Champs Elyses de Mérida, com casarões históricos, cafés, bares, bancos para sentar e ver a vida passar (e aproveitar o wifi free). No dia seguinte, fui na dica do recepcionista do hotel, que me ensinou a ir à Izamal de busão sem a necessidade de contratação de um tour. As ruas de Mérida são classificadas por números, subindo são ruas pares e as transversais ímpares e assim foi fácil chegar à estação de ônibus (praticamente na esquina da 50 com a 67). De Mérida a Izamal são 70 Km, percorridos em pouco mais de uma hora. Ao retornar voltei de van, quinze mil cabeças e eu a única turista no meio. Provavelmente o povo pensando: “o que essa louca está fazendo sozinha por aqui?” Izamal é uma cidade colonial chamada de “cidade amarela”, pois suas construções são praticamente todas dessa cor, a começar pelo Convento de Santo Antonio, que é o símbolo da cidade. Além da igreja, há um museu que guarda as fotos, roupas e até a cadeira usada pelo Papa João Paulo II durante sua visita à cidade para o Encontro dos Povos Indígenas em 1993. O convento foi construído sobre as ruínas de uma pirâmide. Há outras cinco na cidade, mas só subi até à Kinich Kakmó (ruínas mesmo, só se vê a base). De duas a três horas é o suficiente para rodar toda a cidadezinha a pé. Voltei cedo para Mérida porque queria ficar umas três horas no Gran Museu Maia, mas bati com a cara na porta, porque o museu não funciona às terças e eu não sei onde eu estava com a cabeça para não me programar. Se eu soubesse, poderia ter feito o museu no dia anterior ao retornar de Uxmal. À noite eu fui para a Praça do Relógio para assistir a um espetáculo (free) de Jarana, que é uma dança típica de Yucatan misturada ao sapateado. Os casais que dançam jarana fazem isso usando roupas típicas adornados com esplêndidos bordados de ponto de cruz, de cores e desenhos muito diferentes, mas principalmente de flores estilizadas, já os rapazes usam guayabera e calça branca. Foi o ápice da minha passagem por Yucatan e eu fiz muitas fotos das lindas bailarinas. Uns meses depois ao postar no Instagram, a amiga de uma das meninas a marcou na minha foto e eu tive a oportunidade de mandar todo o álbum. Olha o mundo se encontrando! E chegou então o dia do reencontro com a galera. Eles alugaram um carro em Cancun e eu peguei um ônibus às 6 da manhã para encontrar com eles em Chichen Itza. Chegamos com a abertura dos portões e conseguimos fazer o tour antes dos ônibus de turismo. Às 11 quando saímos, já estava insuportável. Fugindo das excursões, também chegamos (distante 3Km) ao cenote Ik Kil em um bom horário. Uma hora depois, já parecia o Piscinão de Ramos. Esse cenote é bem legal, ainda que o excesso de turistas tenha seu aspecto negativo. Está a 26 metros abaixo do solo e tem 60 metros de diâmetro (bem grande) com 50 metros de profundidade, o que te dá a segurança de pular sem medo. O lugar tem toda uma estrutura de vestiários, guarda volumes e até restaurantes, mas quando começou a encher nós resolvemos pular fora e seguimos para nossa próxima cidade de parada, onde ficamos duas noites: Valladolid, um dos “pueblos magicos”. Almoçamos em Valladolid no espetacular restaurante La Casona, um buffet com comida yucateca de primeira, onde o barril de Corona está liberado! É ou não um sonho? Além da comida ser ótima, destaque para a sopa de lima, o lugar é lindo e tem um altar de mosaico dedicado à Virgem de Candelária. A tadinha fomos ao Parque Francisco Canton Rosado e à Catedral de San Gervasio, construída em 1545. Na manhã seguinte, partimos para Ek Ballan, um sitio arqueológico que não entramos porque estava o dobro do preço da entrada do Chichen Itza (que já não é barato). Ficamos com a opção de alugar bicicletas e ir só para o cenote. Ficamos a manhã toda lá, afinal era um “private cenote”. Só nós cinco. Foi aí que me colocaram o apelido de Thanos, por sumir com as pessoas. Esse lugar foi bem legal!!! É cheio de uns pássaros azuis muito lindos. No caminho de volta à cidade paramos em um outro cenote, mas só lembro que traduzido era “umbigo”. Redondinho e fundo. Bem legal também, mas cheguei à conclusão que sempre vou gostar dos mais abertos. Fiz umas fotos turistonas com uns carinhas do lado de fora vestidos como maias (a cara de tristeza do cara mais alto depois que fui olhar as fotos me deixou bem chateada e até me arrependi de ter só colocado 50 pesos na caixinha). Almoçamos no Pizza Hut para relembrar os dias no Marrocos (hahahhaha). No fim da tarde fomos fazer o último cenote que fica numa Hacienda, o Oxman, é fundo, as escadarias sinistras, aí fomos nutellar na piscina e tomar uma cerveja. Finalizamos a noite andando pelas ruas da bonitinha cidade colonial, passando por toda Calçada dos Frades (de los Frailes) até o Convento de San Bernardino de La Siena. Voltamos pela mesma Calçada e paramos em um dos poucos bares abertos, bem típico de filmes mexicanos. Eu fiquei na Corona e a galera encarou os drinks a base de tequila. De Valladolid fizemos o tiro mais longo da viagem: 260Km até Bacalar, saindo de Yucatan para Quintana Roo. Antes demos uma passadinha no cenote Suytun, só para fotos (hahahhaa). Não me lembro como resolvemos colocar Bacalar no roteiro, só sei que achamos que era muito bom para gastarmos 4 horas de estrada e acho também que era o fogo no rabo de estarmos perto da fronteira com Belize e marcar mais um pin no mapa. Não sei quem decidiu, mas fomos... e foi o melhor lugar dessa viagem!!!! Afinal, é um lugar com as cores do mar do caribe, mas com água doce. Todo mundo que me conhece sabe que eu não sou muito chegada a água salgada. A lagoa tem 50 Km de extensão e 2Km de largura e ficamos hospedados em um hostel com o pé nela. Assim, a tarde foi para boiar, tomar cerveja e conversar até a língua cair. Nada de balada, a cidade não tem muito para fazer. Fomos ver o pôr do sol em Chetumal (40Km) no final da tarde e comemos por lá e ainda fomos nos aventurar na Zona Livre, entre o Mexico e Belize. Entramos em um Cassino muito tosco e ficamos lá rindo dos entranhos viciados na jogatina. Na manhã seguinte tomamos café no Madre Massa (porque no hostel não havia nada) e fizemos o passeio de barco pela lagoa, voltamos a Chetumal para ir pra Belize, mas a taxa de retorno era muito alta e não atravessamos (para não pagar a taxa, teríamos que ter 8 dias ainda no México), então fomos a Calderitas e voltamos para nossa hostel, onde a lagoa estava bem boa. Saímos à noite para comer uns tacos na cidade. Foi o máximo da nossa badalação na pacata Bacalar. Sem carro não teríamos feito nada. A locação do carro foi uma excelente opção. E assim, começamos a voltar no dia seguinte, parando para duas noites em Tulum. Tínhamos reservado um hostel na praia, um erro para quem está de carro, pois não tem estacionamento. Pagamos pela reserva e fomos parar em um outro hotel na cidade. Sem arrependimentos. Não curtimos nada de praia em Tulum, as águas estavam dominadas pelo sargaço (algas) e aquele azul lindo dos cartões postais estava avermelhado. Assim, focamos nos cenotes. Na tarde do primeiro dia, depois de conhecer o sítio arqueológico de Cobá (um tanto decepcionante), encontramos o “Car Wash”, um cenote aberto, não frequentado por turistas, super maravilhoso, com um tom de verde que nunca tinha visto antes. Foi eleito o nr 1 da viagem, sem falar que a entrada custou 50 pesos. Fomos também no Cenote Dos Ojos (350 pesos) e no Calavera (100 pesos) esse também muito maneiro, mas que merecia a visita ao meio dia com o sol incidindo diretamente no buraco (fomos cedinho, bom para curtir sem pessoas, mas não muito bom para fotos). Passamos a tarde no sítio arqueológico, o único a beira mar, o que nos faz deduzir que foi um porto maia. O sítio é muito bem preservado e vale demais a visitação. Saímos de Tulum em direção à Playa del Carmen, onde devolvemos o carro. Paramos em Puerto Morelos para dar uma olhada na praia, mas não entramos, o sargaço também tinha dominado tudo. Encontramos um cenote, aberto, grandão e ficamos por lá. Chegamos em Playa já no fim da tarde, podres de cansados. O Hostel era o exemplo de perfeição, ficava localizado na Quinta Avenida, ou seja, no fervo. Saímos para comprar o ticket para ir para Cozumel no dia seguinte e comemos fora do fervo, no restaurante indicado pela menina da agência de turismo, onde o pessoal local come. ADORAMOS tanto que voltamos lá no último dia de Playa. Só entramos na água em Cozumel, porque Playa del Carmem também estava tomada pelo sargaço. Então fomos a Cozumel sem gastar a fortuna que as pessoas normalmente pagam quando fazem um cruzeiro. Fomos de ferry boat, a partir de Playa. Ao chegar do outro lado, alugamos um carro para rodar a ilha. Dormimos lá e não havia necessidade, mas no final foi sorte, pois em Cozumel não tinha sargaço e então finalmente curtimos praias caribenhas. A questão está na privatização das praias. Assim como em Cancun, Cozumel tem 90% das praias privatizadas, logo para curtir você tem que estar hospedado em hotéis pé na areia, o que não foi nosso caso. Achamos a primeira praia possível, mas era vinculada a um bar, com consumo mínimo para poder utilizar. Era pagável e curtimos bem. Depois seguimos até Palancar, onde é opcional utilizar a estrutura dos restaurantes. Seguimos de carro até a Ponta Sur, mas o jeep pifou e ficamos um tempão esperando a troca. Finalizamos o dia em um outro bar com acesso à praia. Não lembro o nome, mas também não era bom. A noite é inexistentente em Cozumel, ficamos em hotel bem no centro, bom custo x benefício e piscina no terraço. Mas dormimos cedo, porque cedinho estava tudo fechado. Entregamos o carro cedo, porque o dia tinha sido reservado para o passeio de barco ao El Cielo, que é realmente muito fantástico, muitas arraias e estrelas do mar. No final da tarde, pegamos o ferry de volta para Playa e curtimos a noite na quinta avenida (mas comemos baratinho no El Fogon antes). Pegamos um ônibus da Ado até Cancun e de Cancun pegamos um voo interno para a CDMX, dessa vez ficamos em um hostel no Centro, justamente para dar um rolê pela manhã ao Zócalo, Palácio do Governo e Belas Artes. Na volta ao Brasil, a galera voltou porque só tinha 15 dias de férias e eu ainda tinha mais cinco dias. Então, quando o voo parou na conexão em Lima, eu resolvi descer e ficar o finalzinho das férias por lá, dei uma esticada até Cusco, mas isso é papo para um outro post. Hospedagem: Cidade do México - Hotel Garibaldi e Mexico City Hostel Merida – Grand Hotel de Merida Valladolid – Hostel Tunick Naj Bacalar – Ecocamping Yaxche Tulum – Siete Deseos Playa del Carmem – Hostal MX Cozumel – Hotel Plaza Cozumel As fotos estão publicadas no site: https://www.flaviamoreirafotografia.com/mexico-yucatan-e-quintana-roo Ou pelo instagram em: lugaresfotogenicos
  7. Eu poderia começar falando que 14 dias é pouco e que cometi o erro em ficar 3 dias em Paris na ida e 3 dias em Barcelona na volta, mas isso seria injusto porque Paris é Paris e a Espanha sempre tem vez! Mas a vida é feita de escolhas... e nessa viagem, mais acertamos que erramos e assim começamos e terminamos por Istambul, recheando com Izmir, Pamukkale, Capadócia e Konya. De Paris pegamos um voo para Istambul pela Air France e chegamos ao “estalando de novo” Aeroporto Internacional Atatürk (inaugurado em novembro de 2018). Mesmo sendo madrugada, pareceu ser muito longe de Sultanamet, o centro histórico em que ficamos hospedadas. Optamos por pedir um transfer, o que nos custou quase um rim. Depois disso, ficamos mais espertas e passamos a utilizar o fabuloso sistema de transporte público, que é tão fantástico que serve aos 15 milhões de habitantes com uma superioridade escandalosa se comparado ao Rio de Janeiro com seus parcos 6 milhões. No primeiro dia, acordamos já cansadas, afinal Paris 20km/dia foi punk e uma noite mal dormida sempre suga parte da energia, assim optamos por fazer os pontos já planejados a pé e com bastante calma para entrar no clima da cidade. E assim fomos em direção ao Grand Bazar e definitivamente, o clima turco está ali e foi onde comecei a usar uma frase que falei muito durante os dias seguintes: “Nooooooossa!!! Que homem lindo”. Pois é, esqueça os turcos das novelas da Globo. Na realidade, os narizes são grandes sim, mas não são aduncos, mas bem feitos, beirando a perfeição, que combinam bem com os rostos alongados e os cabelos escuros. No Bazar ainda usam todo charme e carisma para vender tudo aquilo que não precisamos. Ainda bem que eu já estava preparada para não fazer compras. Afinal, foi minha primeira viagem sem bagagem despachada e minha mochila só poderia ser acrescida de coisas realmente muito essenciais. Gastamos umas duas horas por ali, correndo aqueles corredores de 600 anos, continuamos subindo e seguimos as placas que nos levaram até a Mesquita Suleymaniye, aquela belezura que aparece em todos os cartões postais de Istambul. Construída entre 1550 e 1557, foi encomendada por Suleyman, o Magnífico, sendo a quarta construída em Istambul. Eu já havia entrado em uma mesquita no Egito, mas foi a primeira vez que tive uma das melhores sensações da minha vida: pisar descalça naquele tapete maravilhoso. De uma forma geral, as mulheres não usam a parte principal das mesquitas para orar, mas como turistas tivemos tal privilégio. Nós chegamos pelos jardins dos fundos, que tem uma vista maravilhosa do Chifre de Ouro e dá até para ver a Torre Gálata. Almoçamos em um dos muitos restaurantes da lateral da mesquita e depois seguimos para deixar as bolsas no hotel. Finalizamos a tarde, visitando o interior da Mesquita Azul, que está em restauração com a visitação reduzida. Ao lado da Mesquita, descendo a pequena ladeira pelo lado direito, chegamos ao Bazar Arasta e fechamos a noite no Hipodrome, um barzinho na rua de baixo, indicada pelo recepcionista do nosso hotel. Aí a primeira surpresa: apesar de ser um país 99% muçulmano, a cerveja é livre e fácil de ser encontrada e a Efes é um excelente exemplar turco! A Mesquita Azul está localizada ao lado norte do Parque de Sultanahmet. Azulejos azuis adornam o interior e dão ao prédio seu nome popular que não é o oficial. Foi construída pelo sultão Ahmet I com a intenção que superasse a grandiosidade da Aya Sofia (que era uma igreja quando Istambul ainda era Constantinopla). O arquiteto contratado conseguiu o feito ao usar as mesmas formas voluptuosas da igreja localizada do lado oposto. Dizem que o sultão se empolgou tanto com a obra que trabalhou junto aos operários, inclusive os incentivando e recompensando pessoalmente. Para visitá-la os turistas devem entrar pelo portão lateral, pois somente os fiéis podem entrar pela porta principal. O interior é belíssimo!!! E mesmo com muitas partes em obra, foi possível ver os detalhes de boa parte da mesquita. Ao sair, virando à esquerda, fica o túmulo de Ahmet I que subiu ao trono aos 13 anos e morreu aos 27 anos, um ano depois de finalizada a Mesquita Azul, o túmulo de sua esposa Kosem, que foi estrangulada no harém de Topkaki e de seus dois filhos Osman II (1618-1622) e Murat IV (1623-1640) e o príncipe Beyazit (assassinado por Murat) também estão lá. Os azulejos também são fantásticos. Se sair da mesquita e virar para o lado direito, encontrará o Bazar Arasta, com uma fileira de lojinhas interessantes e preços mais salgados que do Grand Bazar. Esse complexo também faz parte da mesquita e o dinheiro arrecadado com o aluguel das lojas contribui para a manutenção da mesquita. A entrada em todas as mesquitas é gratuita. No segundo dia, exploramos nossa capacidade de nos virar com o desconhecido como: com o mapa na mão e com Google maps baixado para uso off line. Não comprei chip local, em uma tentativa muito bem sucedida de desintoxicar da internet. O café começava tarde no hotel, mas assim que terminamos, partimos para as ruas, tentando escapar da onda de chineses que domina o turismo europeu. Nada contra eles, mas só andam em bandos com 40 para cima e usam sombrinhas demais e roupas coloridas demais, o que interfere nas minhas fotos. Deveria ser proibido colocar blusas vermelhas nas malas. Às 8:30 da manhã não tinha um grupo sequer no Hipódromo. Começamos pela Cisterna da Basílica, onde tomei um piau muito educado do segurança por ter armado meu tripé. Mas o segurança poderia até ter me levado presa... foi o primeiro “nossaquehomemlindo” do dia. A construção data de 532 d.C. por encomenda do imperador Justiniano e hoje é a maior cisterna bizantina remanescente em Istambul. Tem seu nome por ficar localizada sob a Basílica Stoa e foi projetada para armazenar água para os palácios e redondezas com capacidade de 80.000 metros cúbicos distribuídas por 20 km de aquedutos. A visitação é possível desde 1987. Toda a cisterna tem 336 colunas: sendo 334 colunas lisas, uma esculpida com símbolos que os historiadores indicam ser as lágrimas por aqueles que morreram na construção e também a coluna que tem como base a cabeça invertida da medusa. Eu fiquei com a versão mais cética de que as colunas foram reutilizadas de outras construções e assim a cabeça foi aparecer por lá, mas há quem acredite que ela esteja lá para livrar o local de espíritos malévolos. Em seguida fomos para a Aya Sofia. Compramos o ingresso individual, porque chegamos à conclusão que não teríamos tempo suficiente para fazer todos os locais incluídos no Museu Pass e não contratamos guia local, nos guiamos pelo espetacular Guia Istambul da Lonely Planet (no final, vou abrir um parágrafo inteirinho para falar de como o investimento nesses guias é imprescindível para uma viagem econômica e por conta própria). A Aya Sofia foi construída como igreja em 537 d.C por Justiniano, foi convertida em mesquita em 1453 por Mehmet (o Conquistador) e finalmente em 1935, Atatürk a transformou em museu. A história da igreja em si já é um motivo para pagar as 72 liras para visitação. Foi construída sobre duas igrejas: uma destruída em um incêndio e a outra destruída na Revolta de Nika. Diz a história que quando Justiniano entrou pela primeira vez, disse: “Glória a Deus, que eu seja julgado digno de tão grandiosa obra. Ah Salomão, eu te superei!”. O cara nem era marrento. O destaque fica para a cúpula central, sustentada por pilares ocultos que a faz parece flutuar, o arquiteto responsável pela Suleymanynie ficou toda a vida estudando para reproduzir o mesmo efeito. Todos os mosaicos devem ser admirados com calma e no detalhe: são lindos e em um deles aparece Constantino ofertando a cidade de Constantinopla à Virgem Maria com Justiniano do outro lado ofertando a Aya Sofia. Quanto aos discos caligráficos que foram introduzidos no século 19, concordo com os comentários dos guias, não têm nada a ver com construção. Uma última dica: não compre nem uma bala no café localizado nos jardins: é tão caro que chega a ser abusivo. Deixe para tomar um suco de romã (pomegranade, para os turcos) em uma das muitas lojinhas entre a igreja e o Topkaki, que foi nosso terceiro ponto do dia. O palácio Topkaki tinha tudo para que eu curtisse, mas que não foi bem assim. O lugar é gigante, com muitos pátios, jardins bem cuidados e os prédios estão espalhados em toda essa área que é enorme, mas ainda assim todos os cantos estavam lotados! Muita gente e muito calor, uma receita perfeita para a irritação. Hoje, sabendo disso, acho que seria o primeiro lugar do dia que o turista deveria ir. Mehmet, o Conquistador, aquele que tomou a Aya Sofia e a transformou em mesquita, construiu a primeira parte do palácio e lá viveu até sua morte em 1481. Os sultões subsequentes foram fazendo seus “puxadinhos” e viveram ali até o século 19, quando passaram a construir seus palácios em estilo europeu espalhados pelas margens do Bósforo. No auge, o Topkaki chegou a ter 4 mil moradores: esposas imperiais, seus filhos, as concubinas, eunucos e servos. Há uma visitação ao Tesouro Imperial (com fila, é claro!), que é bem legal, pois lá está a famosa adaga que em 1747 foi feita pelo sultão Mahmud I para presentear o xá Nadir da Pérsia, mas que nunca recebeu o presente porque foi assassinado antes. Das histórias do palácio, a mais interessante é sobre o harém. O islamismo proibia a escravização das muçulmanas e todas as concubinas do harém eram estrangeiras (muitas vendidas por seus pais) ou infiéis. O certo era: todas eram belas. A mais famosa foi Haseki Hurrem Sultan, a Jubilosa, a consorte do sultão Suleyman (o cara que construiu a minha mesquita favorita, a Suleymaynie), mais conhecida como Roxelana, era filha de um sacerdote ortodoxo ucraniano e foi capturada por tártaros da Crimeia e vendida no mercado de escravos. Almoçamos um kebab maravilhoso em uma barraca no Parque Sultanahmet e fomos andando para Eminöu à procura da mesquita Rustem Pasa, que estava fechada para os não muçulmanos, acabamos assim encontrando a New Mosque e entramos. Saí de lá emocionadíssima com a demonstração de fé, apesar de não ser vedada aos turistas, não havia nenhum. Em seguida fomos ao Mercado de Especiarias e só tenho uma palavra para ele: UAU!!!! O nome desse bazar é na verdade Misir Çarsisi (traduzido: Mercado Egípicio), pois inicialmente o prédio foi sustentado pelos impostos sobre mercadorias importadas do Egito. Em seus tempos áureos, o local era o último ponto das caravanas de camelos que chegavam da India, Pérsia e China pelas Rotas da Seda. É menor que o Grand Bazar, mas eu o achei muito mais interessante. Com o sol se pondo, continuamos as andanças para atravessar a ponte sobre o Chifre de Ouro e chegar à Torre e achamos que estávamos sobre a Ponte Gálatas, até que descobrimos que estávamos na ponte do metrô e nesse momento começamos nossa jornada usando o espetacular transporte público turco. Com a ajuda de uma turca que estava perdendo a paciência com nossa lerdeza para entender a máquina automática, compramos um Istambul Card e abastecemos 50 liras, usamos as três o mesmo cartão que vale tanto para o metrô, quanto para o tran, ônibus e até para os barcos, tudo pela barganha de 2,60 liras/viagem (a primeira viagem 1,85) ou seja R$ 1,80 (a passagem no Rio de Janeiro custa R$ 4,05). Tomamos um café ao redor da Torre, mas não ficamos muito. O bairro é bem balado, mas estávamos bem cansadas. Finalizamos o dia vendo o sol sentadas na escadinha com as luzes acendendo nas mesquitas do outro lado do chifre, com aquela sensação de “putaqueopariu, que lugar lindo!” Voltamos na hora do rush, e adivinha? Metrô vazio e depois o tran também. Não sentamos, mas também não viemos como sardinhas em lata. Não vou cansar de falar sobre isso... À noite nos presenteamos com um jantar maneiro. O escolhido foi o Matbah, um restaurante com uma proposta diferenciada onde o chefe recriou receitas palacianas de origem otomana. Fantástico da entrada à sobremesa e o mais interessante: pagável. E o terceiro dia foi o dia do famoso Bósforo!!! Um estreito que conecta o Mar Negro com o Mar de Mármara, separando Istambul em duas partes: a europeia e a asiática. O comprimento total do estreito é de 30 quilômetros e a largura vai dos 700 metros até quase 4 quilômetros da saída para o Mar Negro. Agora, definitivamente eu já posso colocar um pin na Ásia. Justamente nesse dia, o tempo amanheceu um pouco nublado. Confesso que meu tesão fotográfico diminui bastante em dias assim, mas faz parte de qualquer viagem. Fomos cedinho para o porto em Eminöu e pegamos a barca local que sai do píer pertinho da Ponte Gálatas. Aceitamos as dicas da Lonely Planet e assim escapamos do cruzeiro turistão (pela bagatela de 15 liras/R$10,50). No caminho passamos pelos palácios construídos pelos otomanos, por algumas das pontes mais altas que eu já havia visto e pela Fortaleza de Rumeli Hisar, que foi construída para conter as invasões. Desembarcamos na última estação, Anadolu Kavagi e voltamos de busão (15A) pelo lado asiático, parando em Kanlica para experimentar o delicioso e famoso iogurte produzido lá e depois pegamos o 15F para ir ao Palácio Beylerbey. Foi uma experiência fantástica, pois a comunicação em turco era inexistente, mas o olhar, as risadas quando nos pegavam enroladas e aquela coisa da comunicação por olhar que só o viajante sabe entender. Me faltam as palavras corretas para descrever. O ápice mesmo foi a visita ao palácio, que não pode ter o interior fotografado. Foi construído entre 1861 e 1865 pelo sultão Abdulazize como casa de verão e para receber diplomatas estrangeiros. Conta uma história que Maria Eugênia, esposa de Napoleão III, tomou uma senhora bofetada da mãe do sultão, porque em um evento, entrou de braço dado com ele. Se fez isso com a visita, imagina o que fazia com as noras e com as concubinas, pois como se sabe, era a mãe do sultão que tocava a administração do harém. Tomara que eu não tenha passado por isso nas encarnações passadas! Almoçamos tarde em Uskadar, depois partimos para a famosa loja de doces Hakki Zade e nos rendemos a baklava (doce folheado com amêndoas). Para encerrar o dia, pegamos o barco de Uskadar para Eminöu (2,60 liras), cruzamos de volta para o lado europeu e seguimos para o final do roteiro do dia: Beyglou e a Taksim, a famosa e enorme praça que aparece na TV quando os turcos vão para as ruas fazer suas reinvindicações e que descobrimos que é o “point consumista”, as marcas famosas tem lojas na rua principal, onde um charmoso bonde sobe e desce, com várias sorveterias com atendentes engraçadinhos que fazem malabarismos com as casquinhas (encantando inclusive os adultos), bares e kebabs para todos os gostos e até uma igreja católica. Paramos para beber uma cerveja em um local bem legal onde o “nossaquehomemlindo” foi entoado diversas vezes. Saímos fedendo a cigarro puro, pois os turcos fumam horrores!!! Quarto dia e último dia da primeira etapa em Istambul e a chuva chegou junto com nosso desespero em saber que não daria para fazer tudo que gostaríamos de fazer. Perdemos uma hora indo para a direção errada no tran e desistimos de Balat, o que foi ótimo, pois não é um lugar para fazer com chuva. Assim descemos na última estação do tran (Kabatas, onde o s com cedilha tem som de x – liiiindo!!!!) Já na saída do tran tinha uma galera vendendo capas de chuvas (me senti no Brasil) e fizemos amizade com um libanês que estava no tran. Seguimos juntos a pé para o Palácio Dolmabahçe. Fofucho, professor de francês e não falava inglês e nós não falávamos nem francês nem árabe, foi uma conversa ótima em sinais e palavras soltas. Na bilheteria já sentimos o que nos esperava: chineses, muitos deles, tentando escapar da chuva como nós, fazendo um roteiro coberto! O palácio é de deixar qualquer um boquiaberto, principalmente quando se chega ao salão cerimonial. Nada pode ser fotografado (se pudesse, o engarrafamento lá dentro seria ainda pior) e os ingressos são comprados separadamente se quiser ir ao harém, fomos e valeu a pena. Uma das coisas mais interessantes é que o palácio foi moradia do presidente Atatürk, o cara que proclamou a república e até hoje é reverenciado pela população. Ele faleceu em um dos aposentos e o relógio foi parado exatamente na hora da sua morte e ninguém mais mexeu. Conseguimos, antes de seguir para o aeroporto, ir à Pequena Aya Sofia, uma pequena joia que Justiniano e Teodora construíram entre 527 e 536, antes de construir a Aya Sofia. Era uma igreja batizada em homenagem a São Sergio e São Baco, os santos padroeiros do exército romano. As colunas de mármore verde ainda são originais, mas os mosaicos não sobreviveram. Foi convertida em mesquita aproximadamente no ano 1500, quando foram construídos os minaretes. Para Izmir, conseguimos uma tarifa ótima pela Turkish Airlines, a melhor companhia aérea da Turquia, saindo do aeroporto Sabiha Gokcen. Para chegar até ele, a melhor opção é usar o Havast, um ônibus arrumadinho que faz o trajeto a partir do parque de Sultanahmet. Utilizamos o mesmo serviço quando voltamos de Konya e para pegar o voo final para Barcelona, porém para o Aeroporto Atatürk, o Havast sai da Praça Taksim. Uma hora depois estávamos desembarcando em Izmir, cujo metrô está praticamente no pátio de desembarque (outro nível!). Um cara que estava no nosso voo puxou assunto na estação e nos ajudou com a compra dos bilhetes e em dicas para nossos dois dias na cidade. Os turcos são muito amáveis... esse não era lindo, mas tinha borogodó. Achar o hotel foi um pouco mais complicado. Escolhemos o hotel pela proximidade com a estação Bazmane, mas ao sair tinham várias bifurcações. Tentamos pedir informação quanto à direção, mas ninguém falava inglês, na linguagem dos sinais, um rapaz nos colocou na direção. Entramos na rua que, na verdade parecia um beco, com casas de chá e vários homens jogando gamão (nenhuma frase “nossaquehomemlindo” saiu da minha boca), rolou um certo cagaço até que vislumbramos a placa do hotel (ufa!). Hotel honesto, preço ótimo, café da manhã básico e localização excelente já que a meta era ficar próximo ao trem pela mobilidade de ir para as demais cidades, mas teve sua parcela de susto. Izmir é a terceira maior cidade da Turquia e os turistas e base para ir à Éfeso, uma cidade construída no século X a.C e é uma das sete congregações citadas no Livro do Apocalipse. Há inclusive teorias que acham que o Evangelho de João pode ter sido escrito em Éfeso. O Templo de Artêmis, uma das sete maravilhas do mundo antigo, se encontrava ali (mas hoje tem apenas uma coluna), assim como a Biblioteca de Celso (ainda de pé). Hoje a cidade encontra-se em ruínas devido aos muitos terremotos. A história da cidade é muito bem contada no museu localizado no centro de Selçuk, cuja visita é importante para entender todo o contexto. Tanto para ir tanto à Éfeso quanto para ir à Casa da Virgem Maria, tivemos que pegar um trem na estação Bazmane para Selçuk, chegando lá pegamos um taxi que nos levou até a casa, nos esperou e depois nos deixou em Éfeso. Ao terminar Éfeso, pegamos outro táxi que nos deixou no centro. A casa foi descoberta no século XIX através das visões da beata Ana Catarina Emmerich (beatificada pelo Papa João Paulo II). A igreja católica nunca se pronunciou sobre a autenticidade da casa por falta de evidências aceitáveis. As visões indicaram que Maria, depois da morte de Cristo, foi perseguida e levada por São João à essa casa. Verdade ou não, o local recebe muitos peregrinos, inclusive foi visitada pelo papa Bento XVI. Voltamos de trem até Bazmane e usamos o metrô para chegar à Praça Konak, onde fica a Torre do Relógio e a Mesquita Yali e sentamos na Kordon Izmir, também chamado de calçadão para assistir ao pôr do sol. Para ir à Pamukkale, o usual é se hospedar em Kusadasi, pois de lá saem tours. Como ficamos em Izmir a opção era ir de trem até Denizili (4 horas para ir e 4 para voltar) ou fazer de forma privada. Estávamos cansadas pacas e resolvemos nos presentear, ainda que o bolso tenha ficado ligeiramente impactado. O recepcionista do nosso hotel nos arrumou um motorista e às 8 da manhã, Omar estava nos aguardando e nos levou com tranquilidade pelos 240 quilômetros. De novo, nada de inglês, mas com o Google Tradutor ele nos contou todo o contexto político atual. Super gentil, parou quando pedimos para comprar frutas que ele prontamente escolheu. Nossa primeira visitação foi à Hierapolis, uma cidade fundada no século II a.C e que desmoronou durante um terremoto no ano 17, foi reconstruídas nos séculos II e III d.C e servia de casa de veraneio para os nobres que a visitavam pela águas termais, mas foi completamente destruída por um novo terremoto em 1354. A cidade é mencionada uma única vez na Bíblia, na Epístola de Colossenses. Pamukkale está no mesmo parque, inclusive o pagamento é feito por um ticket único. O lugar é lindo demais, mas era domingo e parecia o Piscinão de Ramos. Fotos sem pessoas? Só apagando no Photoshop. E para a Capadócia usamos uma companhia aérea lowcost chamada SunExpress, partindo de Izmir, parece nome de empresa de ônibus, mas o avião era novinho, não serviu nem água, mas para um pouco mais de uma hora de voo foi um excelente custo x benefício. Já tínhamos um transfer contratado pelo hotel e tudo correu entre o aeroporto de Keyseri e Goreme, a cidade que escolhemos como base. Passamos por Ugrup, que eu achei muito lindinha, apesar de ser menor. Foi o único local que não fizemos por conta própria, quando comecei a fazer o planejamento cotei os tours e o voo de balão, mas não fechei. Em alguns blogs havia a indicação de contratar na hora para baratear. Foi um erro dos grandes. Chegamos em uma segunda e não tinham mais voos para a terça e quarta, pois nos dias anteriores os balões não subiram, ou seja: a oferta estava bem menor que a demanda. Quase ficamos sem fazer o voo. Entramos em uma fila e só conseguimos fazer na quinta pela manhã, no dia da nossa ida para Konya. Essa brincadeira custou mais 100 euros. Entendendo mais o roteiro agora, faria um pouco diferente e assim sobraria um dia a mais em Istambul. Na Capadócia, as agências oferecem dois tours e com tudo organizado dá para fazer o Balão + Red + Goreme em um dia e o Green no outro. No dia da chegada, tiramos férias das férias e ficamos só rodando a cidadezinha e as lojinhas. O Red Tour é o mais interessante, na parte norte, com as paisagens típicas formadas por milhões de anos de erosão. Começamos com uma parada em Uçhisar Castle e Pasabag Valley, que parece a terra dos Smurfs, os demais lugares são mirantes, mas ainda assim muito legais: Devrent Valley, Love Valley e para fechar com chave de ouro: O Goreme Open Air Museu que foi monastério e igrejas e as pinturas remanescentes estão muito desgastadas, resultado da tentativa dos otomanos em acabar com os resquícios cristãos. O mais impressionante é que focaram na retirada dos olhos. O Green Tour merece um dia ensolarado, o que não foi o caso e por isso tirou um pouca da graça. Começamos pelo Selime Valley, onde foi gravado Star Wars, em seguida fizemos um trekking de 5km no Ilahra Valley, caiu a maior chuva enquanto estávamos almoçando e cessou ao fim do almoço e seguimos para Derinkuyu, uma cidade subterrânea (eu odiei esse lugar, não dá para imaginar 100 mil habitantes vivendo tão produndamente), o último mirante foi o Pigeon Valley. Ambos tours são completos, te pegam e deixam no hotel, o almoço (ruim) está incluído, guia em turco e inglês e um monte de paradas em lojas “pega turistas”. A nossa sorte é que chegam relativamente cedo em Göreme e assim finalizamos as duas tardes com uma cervejinha marota e ainda saímos para jantar, uma das noites fomos ao Turkish Ravioli e claro comemos o carro chefe: o raviolli com molho de iogurte. No dia seguinte fomos encarar o tal cordeiro cozido no pote, mas é maneiro ver o negócio pegando fogo, mas o sabor não era lá essas coisas. E então, antes do amanhecer, uma van passa no hotel e te leva para a área onde os balões estão sendo inflados, a luz começa a aparecer por trás da montanha e sol aparece todo lindo lançando raios para cima dos balões que já estão no ar. Subimos na cesta e ficamos apertados (são 15 pessoas no total), mas o aperto é legal, o baloeiro gira algumas vezes para que todos dentro consigam ver as paisagens em 360 graus. Só tenho uma reclamação a fazer: poderia ser menos caro! Voltamos para o hotel, tomamos café e tomamos o rumo para Konya (230Km) dessa vez de ônibus. Konya está localizada na Anatólia Central e que incluímos no roteiro para entender como surgiram os dervixes, cuja apresentação acabamos vendo em Istambul, já que em Konya somente se apresentam às sextas e sábados à noite e por lá ficamos apenas uma noite e duas metades de dia. O Museu e a Mesquita da Ordem Mevlana são dois dos maiores centros de peregrinação do mundo, pois ali encontra-se a sepultura de Celal el-din Rumi, um dos maiores pensadores sufistas da história. O sufismo é a corrente mística e contemplativa do Islamismo, os sufistas procuram desenvolver uma relação íntima, direta e contínua com Deus, através de cânticos, música e movimentos, por isso temos a impressão que os dervixes, ao rodopiar, estão em outro lugar, dá até para sentir e é lindo de se ver. Além do Museu e da Mesquita central, fomos ao maior borboletário da Europa, visitamos a vila de Sille e a Aya Elena, passeamos pelo parque, nos perdemos nos mercados, nos acabamos de comprar lenços (em Konya, todas as mulheres usam) e ainda fomos na Mesquita Azize, uma das mais bonitas da viagem. Antes do almoço, tivemos a maravilhosa experiência de assistir aos fiéis orando ao lado de fora da mesquita, na praça, muitos deles. Konya foi um escolha ótima, até mesmo porque não é uma cidade turística. Ahhhh... já ia esquecendo... lá tem um prato típico chamado etlikmek que é tipo uma pizza, mas em formato diferenciado. Amei essa parada e o restaurante que provamos: o Sifa. http://www.sifarestaurant.com/menu E assim voltamos para mais um só dia em Istambul, que confirmo mais uma vez, merecia mais uns dois dias. Acordamos cedinho, tomamos café no porto e pegamos a barca local para fazer o Chifre de Ouro (que é uma península que divide Istambul no lado europeu). Descemos em Ayvansaray e fomos a pé até o Museu Kariye (Igreja de Chora), uma construção bizantina repleta de mosaicos conservadíssimos, que datam de 1312 e representam a vida de Cristo e da Virgem Maria, incluindo a genealogia de Cristo. Eu fiquei tão encantada que comprei até o livro. Continuamos a pé, descendo até Balat, o bairro badalado dos cafés e da galera alternativa e seguimos em direção à Igreja Búlgara de São Estevão (a cúpula acabou nos chamando a atenção), pegamos um taxi e descemos logo a frente, pois perdemos a paciência com o trânsito caótico, já era hora do almoço e fechamos o roteiro comendo o famoso (e delicioso mesmo!) sanduíche de peixe em um dos restaurantes sob a Ponte Gálatas. Estava tudo super movimentado, um monte dos “nossaquehomemlindo” passando de um lado para outro vestidos com a camisa do Gálata Saray (onde o Felipe Mello jogou e ainda é rei). Passamos para o outro lado do Chifre e seguimos para Orkatoy, uma mesquita pequena mas lindamente decorada. Ao redor, feirinha de artesanato e bares, um fervo! Ficamos pouco tempo, porque ainda tínhamos o chá com por do sol do lado asiático (ufa!). Voltamos pra Eminöu, pegamos a barca, andamos mais um tanto a pé e chegamos às escadas em frente ao Kiz Kulesi (também chamada de Torre da Donzela), que foi construída em 408 a.C para controle do movimento dos navios persas no Bósforo. Há lendas sobre a construção dessa torre. Uma delas conta que um sultão tinha uma filha e um dia, um oráculo profetizou sua morte depois da picada de uma cobra venenosa aos 18 anos e assim mandou construir a torre para que ela se mantivesse longe da terra. No aniversário de 18 anos, o sultão levou um cesto de frutos de presente e adivinha o que tinha dentro do cesto? Uma cobra! E assim se concretizou a profecia. Por isso, é também chamada de Torre da Donzela. E assim nos despedimos da Turquia... Onde ficamos: Istambul: Hotel Sultahill – Colado no Hipódromo e na Mesquita Azul. A localização é fantástica, mas os quartos são pequenos e o café da manhã básico. Custo x Benefício nota 10. Izmir: Hotel Baylan Basmane – Próximo a estação de trem. Basicão, mas camas confortáveis e pessoal muito atencioso e um preço muito bom! Konya: Bera Konya Hotel - Para uma noite foi ótimo. Boa localização, quarto enorme e confortável. Café da manhã farto, mas não saboroso. Göreme: Blue Moon Cave Hotel – Quarto ótimo, localizado na rua principal (sem precisar subir ladeira!!!), café da manhã espetacular. Custo x Benefício nota 1000. Para ver as fotos é só acessar: https://www.flaviamoreirafotografia.com/turquia Ou pelo instagram: lugaresfotogenicos
  8. Encontramos um guia pelos fóruns na internet e tivemos uma maravilhosa surpresa ao contratá-lo. O serviço prestado pelo Hassan é fantástico, desde nossos planos do roteiro, passando pela recepção no aeroporto até às dicas sobre os detalhes da cidade. Ele tem conhecimento histórico muito bom, tornando o tour no Museu Egípcio uma aula de história e arte. O português é impecável e tem uma personalidade muito agradável e divertida. Sem falar que pratica preços que super cabem no nosso bolso brasileiro. Contato: [email protected] Whatsapp: +201006594827 Facebook: https://www.facebook.com/guianoegito Instagram: guia_egito_hassan
  9. @mmClarissa Vai dar... Foi o país em que me senti mais segura nessas minhas andanças.
  10. @Alice Possani, desculpe a demora em responder... A internet não é barata, tipo 2 euros meia hora... você compra um cartão tipo uma raspadinha, que apresenta login e senha e acessa via browser o site da operadora estatal e digita esses dados... daí entra normal, mas lento. Dá pra acessar whatsapp e redes sociais. Não funciona em todos os lugares, algumas praças específicas com sinal. Eu normalmente acessava perto da Sorveteria Copelia ou no Hotel Havana Libre, na praça do Vedado (era o caminho para meu quarto alugado). Em Havana Vieja também pega na Calle O Bispo. O cartão eu comprei na recepção do Havana Libre,
  11. @bebelcro meu critério foi a festa mais tradicional, por isso escolhi Morélia. Particularmente, acho que um dia volto para Oaxaca, gostei muuuuito de lá!!! Quanto às borboletas, eu não tive sorte de conciliar com o dia dos mortos... elas começam a migrar em novembro, mas o ápice creio que não seja no mesmo momento. Temos que pesquisar!
  12. @licealvess Oi Alice... desculpe a demora em responder...me virei muito bem de jeans e camiseta. Jaqueta para noite e usei fleece algumas vezes. Dias lindos de céu azul.
  13. É impossível estar em Cuba pensando somente em fotografia, que normalmente é meu motivo para viajar, pois acabamos provando superficialmente o gosto do socialismo imposto por Fidel na revolução cubana, que muitos cubanos chamam de "fidelismo". Eu, particularmente, não sou fã do regime, mas é também é impossível não ficar fã do homem que teve coragem de enfrentar os americanos e o embargo imposto por eles, inclusive depois da crise com a quebra da URSS. Conversei com muitos cubanos, dos idosos aos jovens e nenhum deles falou mal de Fidel e fica claro que ninguém estava feliz com a "segunda colonização" que acontecia antes da Revolução. Em suma, ao retornar agora, preciso ler mais sobre a história para entender tudo o que vi, mas aparentemente, os cubanos são felizes com o pouco que tem, pois é certo que educação, saúde e segurança não faltam à população. E aí nos questionamos como o nosso governo não nos provê o básico com o tanto de impostos que pagamos. ​ Voltando a falar de turismo... Cuba merece mais que os doze dias que passei por lá. Eu gostaria de ter planejado melhor e ter esticado à Santiago de Cuba e a outros cayos, mas era o que tinha de férias, então curti o máximo que deu. ​ A chegada ao Aeroporto José Martin não nos deixa dúvidas que chegamos à Cuba, o ar é puro cheiro de fumo, as paredes são vermelhas e no estacionamento os carros da década de 50 já encontram-se à vista, com suas cores vibrantes que combina com a alta temperatura. Faz calor em Havana, muito calor! Talvez seja esse o motivo das funcionárias da aduana usarem saias tão curtas (a la década de 60). Eu segui uma dica do blog Viaje na Viagem do Ricardo Freire que indicava um quarto específico para alugar e quando entrei em contato por email, os quartos já estavam preenchidos, mas ela prontamente me conseguiu outro e também providenciou um táxi para me buscar no aeroporto. Foi um alívio ver uma plaquinha com o "Flávia Moreira" escrito. Afinal, não há como confirmar muita coisa ou fazer o pagamento para garantir. Eis que o táxi segue para meu destino que é uma verdadeira incógnita, mas uma coisa é interessante​, não passamos por nenhuma construção alta e enfim chegamos ao destino: Casa Petronila​, que fica em um prédio de três andares, dentro de um pequeno condomínio, rodeado de plantas. Petronila é uma senhora de seus oitenta anos, que nos recebe com toda sua fofurice. Fiquei em uma suíte ampla com ar condicionado, tv (que não usei), ventilador e até geladeira por 30 CUCs (cerca de R$ 100,00) e em um hotel eu pagaria no mínimo uns R$ 600,00, sem falar no importante fator social. A liberalidade do governo em permitir a cessão dos quartos deve ter melhorado a vida dos cubanos, que pelo pouquíssimo que vi não é mole! Organizei minhas coisas e tomei o caminho da rua, pois tinha que ir à uma agência para ver meu passeio para Cayo Largo, uma ilha à quarenta minutos de Havana, que teoricamente seriam​ meus únicos dias de descanso, ou seja, eu me daria de presente férias das férias. Rosa me umas dicas de como chegar ao Habana Livre, o hotel onde fica a agência, segui até à avenida 23 no final da rua e fiquei esperando os táxis compartilhados pararem. Simples assim: você faz sinal, pergunta pelo seu destino, se rolar um "sí", você sobe e o cara te deixa lá por um pouco menos de um CUC. Os táxis coletivos são todos carros antigos e, nesse primeiro dia, eu peguei uma Rural, cujos bancos me lembraram um pau de arara. É claro que eu paguei mico para entrar, mas não vou entrar em detalhes (rindo pacas ao lembrar, principalmente porque o cara me chamou de senhora.. hahahaha). Fiquei um tempão esperando para ser atendida na Cubatur, mas enfim reservei o voo e hotel para o segundo dia, mas não é certo fechar, porque eles só confirmam o voo um dia antes e depois das 15:00. Ou seja, você paga tudo, recebe o voucher só do hotel e reza. Segurança zero. ​ Saí dá agência com a fome de dez etíopes e parei no restaurante do lobby e pedi um frango grelhado com fritas e uma coca-cola (Nem acreditei, um amigo tinha me falado que era impossível tomar uma, já que nada americano entrava em Cuba, depois descobri que importam do México). Fome aplacada, dei uma volta pelas proximidades, troquei moeda e fui até à famosa sorveteria Copelia. ​ A Copelia é uma sorveteria do governo, portanto subsidiada, uma ensalada, que é uma cumbuca com cinco bolas, custa cinco CUPs, o equivalente à 0,20 de CUC, ou seja, aproximadamente R$ 0,70. Fica em uma praça bem próxima do Hotel Habana Livre e tem várias seções, sem marcação oficial para os cubanos ou turistas, pode até ter, mas eu não identifiquei facilmente e entrei na primeira fila que vi e era de cubanos. Em dado momento, perguntei ao rapaz a minha frente como funcionava, que me explicou e aí percebi que estava no lugar errado, então ele convidou a subir com ele. Fui né?! E acabei nem pagando meu delicioso sorvete de plátano (banana), apesar de insistir para pagar inclusive o dele, porque acredito que para mim o valor é muito pouco. Conversamos bastante, ele me explicou​ como eram os subsídios e exemplificou que com três empregos tinha uma renda mensal de 800 CUPs (32 dólares), que a cesta básica dada pelo governo através das cadernetas só durava uma semana e que mesmo complementando com compras em CUP, o orçamento era muito apertado. No final, ele me ajudou a pegar um táxi para retornar à minha casa, mas antes me perguntou se nos veríamos de novo e se eu gostaria de ir a sua casa. Muito engraçado! O táxi me deixou a duas quadras, no caminho um senhor puxou assunto, falando sobre as questões econômicas de Cuba, me mostrou foto da filha e contou sobre suas condições de trabalho, perguntou até se Temer estava sendo melhor que Dilma. Pensei logo que ia pedir algo, mas não, era só um papo mesmo. Se fosse no Brasil, já estaria com medo. Eu acho que como os cubanos tem dificuldade de sair do país, eles aproveitam a oportunidade de conversar com os turistas para conhecer o mundo. Já no meu quarto, tomei um super banho e dormi por doze horas. Então oficialmente chegamos ao primeiro dia de roteiros definidos. De casa já havia decidido por tomar o café na própria casa, pagando o extra de 5 CUCs, que valeu pela disponibilidade e qualidade, com café, leite, suco, frutas, pão, queijo, presunto e ovos (chega a ser um exagero!). Na mesa, um casal e filha franceses e um rapaz que somente depois de dez minutos identifiquei como brasileiro. Comentei que havia contratado um walking tour e que o guia me pegaria em casa, ele resolveu ir comigo e rachamos a despesa, ele também fotografa e foi ótimo ter companhia. A guia da Nosotroscubaneamos (http://www.nosotroscubaneamos.com), Maria Aidee, chegou pontualmente e tivemos oito horas de caminhada no centro histórico de Habana Vieja, com excelente detalhamento da história, dicas e uma simpatia fantástica. Finalizado o tour, eu e o gaúcho continuamos por nossa conta, sentamos em uma cervejaria artesanal na Plaza Vieja para fazer hora para o pôr do sol e para o Cañonazo, a cerimônia do disparo de canhão no Fortaleza de la Cabaña, que Maria já tinha nos dado todos os detalhes, pois temos que usar um túnel subterrâneo para passar ao outro lado da baía. Fomos de táxi e na volta nos aventuramos ao pegar o ônibus comum (mesmo com todo o terrorismo dos blogs de viagem que dizem que é impossível) e foi bem tranquilo. É uma cerimônia historicamente interessante, pois no período colonial, davam-se tiros de canhão ao final de cada dia para informar aos cidadãos que os portões da cidade estavam fechados e o acesso à baía estava bloqueado. O tiro do canhão desferida por soldados vestidos à caráter ocorre pontualmente às 21:00. Saltamos do ônibus no Malecon e ainda andamos um bom tempo para aproveitar o movimento da noite com o pessoal na mureta batendo papo, namorando e ouvindo música, e o que é mais legal, sem risco de assalto, fiquei com inveja do cotidiano deles. Chegamos em casa já passava das dez. Rosa me esperava com a confirmação do voo para Cayo Largo e já tinha até me arrumado um táxi que me pegaria às 3:40 da manhã. Lá foi embora meu sono em dia... ​ Então vamos falar sobre Cayo Largo... É uma boa opção? Sim, mas não para quem viaja sozinha. Para mim, particularmente, acabou sendo bom, porque eu estava muito cansada e não ter o que fazer foi uma excelente opção, porque se me conheço, estando em Havana eu ia querer fotografar tudo e iria me meter em todos os cantos. Fiquei por duas noites, mas praticamente três dias porque cheguei bem cedo e aproveitei para ir à Praia Sirena, uma das mais lindas que estive nos meus quarenta e três anos, areia branca como açúcar e mar verde esmeralda que faz o azul do céu ficar sem graça. No segundo dia ia fazer um tour de dia todo na Ilha de Las Iguanas, mas o tempo estava nublado e estava mesmo sem saco de ficar cheia de sal, areia e trânsito de barco e acabei deixando o dia me levar: acordei um pouco mais tarde, tomei café com bastante calma e fiquei em Playa Blanca (do hotel), que tem uma faixa de areia mais estreita. Como é uma época de baixa temporada, estava completamente vazia e foi bom hein.... Eu + eu mesma... Apareceu o guarda vidas com seu perro de cinco meses, ficamos cinco minutos conversando e mais nada, ótimo para quem não quer nada com o mundo. Saí da espreguiçadeira já quase na hora do almoço, mas parei ainda na piscina do hotel para dar umas braçadas (fazia tempo... e como gosto de nadar... sou definitivamente uma pessoa de hábitos individuais). Almocei a comida ruim do resort acompanhada de uma cerveja boa. Voltei pro quarto pra dar uma descansada, mas liguei a tv e acabei me deparando com a semifinal de Mônaco x Juventus. Às quatro fui enfim fotografar na praia, planos mais fechados, para fugir do mais do mesmo. Parei no bar, tomei um "sex in the beach" e o baby barman fez graça com o drink que respondi prontamente com piada: "no me gusta, tiene arena". Começou a armar um temporal, ao invés de tomar o caminho do quarto, preferi tomar outros drinks agradáveis com rum e assistir a chuva cair. Linda, por sinal e passageira. Deitei cedo. ​ Último dia, um pouco menos nublado e voo confirmado para tarde, não daria tempo de ir à Isla de las Iguanas. Fiquei batendo um bom papo sobre budismo e mantras com uma funcionária da piscina, consegui que o DJ me liberasse umas músicas cubanas em um cartão de memória, fui à praia e só! Depois do almoço peguei o rumo do aeroporto que ao invés de pousar em Havana, pousou em Barracoa e de lá foi ônibus. Inacreditável esse aeroporto, que se restringe a uma sala, menor que a rodoviária de Lumiar. No centro de Havana peguei o táxi coletivo e em cinco minutos estava no destino, com uma novidade espetacular, já que o meu primeiro quarto estava ocupado, fiquei na casa da outra filha da Petronila, Mayita e seu marido Luís, dois fofos! Amei! O custo total para Cayo Largo com o voo e duas noite no all inclusive Villa Iguana foi de 340 CUCs (o hotel tem uma estrutura bem legal, fica em uma praia muito da linda, mas a comida não é boa). Resolvi fazer minha primeira tentativa de sair à noite sozinha, Mayita e indicou um restaurante chamado Karma. Antes passei na Fábrica de Artes que estava fechada. Havia fila e duas brasileiras nela, puxei assunto e elas me convidaram para ficar na mesma mesa. Fui né, exercitando a oportunidade de socializar e tive sorte porque as meninas eram divertidas, tomamos mojitos e fomos expulsas do restaurante, não por mal comportamento, mas porque queriam fechar. Uma delas deu ideia de irmos a Casa de La Música, uma casa de salsa e nos acabamos até às 3 da matina. ​ Mesmo dormido pouco, levantei cedo para aproveitar a manhã antes de ir para Trinidad e fui fazer uma visita aos mortos no cemitério Cristóbal Colon, o segundo maior do mundo. É escandalosamente fantástico com obras primas sobre os túmulos, de lá segui (a pé) para a Plaza de la Revolucion (e é longe pacas!), cujo simbolismo histórico chegou a me deixar emocionada, pois foi o local onde Fidel fez seus emblemáticos discursos, inclusive a memorável convocatória à população para o programa de alfabetização em massa de 1961. As esculturas em arame de Che e Cienfuegos foram introduzidas aos prédios governamentais em 1995, tornando o lugar mais interessante ainda. ​ Às duas, o táxi compartilhado para Trinidad passou na casa para me pegar. A viagem foi muito cansativa e desconfortável espremida atrás com um casal de italianos. Acho que indicaria fortemente encarar um pouco mais de tempo no ônibus da Viazul. Encontrei o gaúcho nas escadarias da Casa de La Música, jantamos e voltei pra casa. Estava muuuuuuito cansada. Fiquei hospedada na casa Blue Media Luna, pela indicação de uma amiga e através do site Mycasaparticular, muitíssimo bem localizado, quarto simples, cama boa, ar condicionado, café da manhã gostoso e o atendimento VIP do Tony, dono da casa, uma das pessoas que mais amei nessa viagem, cara bom astral e super disponível. Trinidad é uma cidade tombada pela UNESCO, com seu casario colonial e ruas de pedra (opte pelo tênis ao invés do chinelo). Um paraíso fotográfico. Fiquei três noites e dois dias inteiros, há muitos roteiros com passeios pelas redondezas eu fiz somente o Vale dos Ingenios e gastei meu obturador pelas ruas da cidade, que também é especialmente musical com bandas nos muitos bares e na escadaria da Casa de La Música a partir do fim da tarde. Para fechar uma das noites, ainda fomos a uma boate chamada La Cueva, que funciona dentro de uma gruta, com uns cubanos que conhecemos e aí foi a vez do reggaeton. A cidade também é muito musical, com a salsa em todos os lugares. ​ Resolvi voltar para Havana com um escala em Santa Clara e para tal Tony me conseguiu um táxi compartilhado em uma wagon de 1950. Um barato! O propósito era ir ao mausoléu de Che e valeu demais. Acho que tenho andado sensível, pois fiquei bem emocionada. Em 1987, Fidel acendeu uma chama que nunca se apagou com o propósito de manter a memória de Che para toda eternidade. Para voltar a partir de Santa Clara, fui até a rodoviária (um horror, por sinal), mas acabei me rendendo a novo táxi compartilhado. O povo cubano sabe otimizar. Em suma, eu chegaria às 19:00 e consegui chegar às 17:00. Em meia hora já estava de banho tomado e fui para a rua de novo, passei no Hotel Nacional para fechar meu tour à Viñales e fui ver o pôr do sol no Malecon e acabei andando uns 5km do hotel até o forte de la Punta com ida e volta. ​ Fui jantar no Farallon, por indicação certeira da Rosa, as brusquetas estavam divinas e o espaguete ao pesto fantástico! E mais uma vez brasileiros no restaurante e eu na careta puxei assunto e assim como antes, fechamos o restaurante no bate papo. No dia seguinte fui de excursão para Viñales, porque faltando dois dias para ir embora fiquei com medo de não conseguir um compartilhado. Se arrependimento matasse eu já teria até reencarnado. Busão, lugares para lá de "fisga-turista" e um tal de para, salta, 5 minutos e volta dos infernos. E para ajudar minha irritação, estava cheio de americanos, o que achei um absurdo, com todo o embargo eles não deveriam ter a cara de pau de ir turistar em Cuba. Não paramos na cidadezinha, somente passamos. Nem a fotografia, já que é um local bem bonito me deu tesão. Um tremendo desperdício. Não que eu indique não ir, mas deve-se ir por conta, acho que se tivesse pago o privado com a Nostroscubaneamos, estaria muito mais feliz. ​ Os últimos dias foram dedicados à retornar a Habana Vieja, andar mais a pé e ir aos pontos que havia marcado no guia e tinha deixado passar, como por exemplo: Museu de la Revolucion, Bodequita del Medio e Callejon Hamel. Em Havana, praticamente para me locomover, usei os pés ou o almedron (táxi compartilhado que expliquei acima). Um outro local que fiquei frustrada em não conseguir fazer a visita guiada foi à Fábrica de Charutos Partagas (atrás do Capitólio), que tem uma história fantástica: inaugurada em 1845 por Don Jaime Partagás que era um homem apaixonado pela beleza feminina, dono de vegas em Vuelta Abajo, visitava frequentemente suas plantações com o fim de observar de perto os progressos, mas também na tentativa de desfrutar alguns romances. Amores, ciúmes e vingança estão relacionados com seu assassinato. Foi encontrado morto em misteriosas circustâncias em uma de suas vegas. Era um visionário e tinha um funcionário contratado para fazer a leitura de livros para reduzir o tédio do trabalho dos torcedores (profissionais que enrolam manualmente os charutos). Cuba tem duas moedas: o CUP, peso cubano, que é usado pelos cubanos e o CUC que é o peso convertido, que está em paridade com o dólar. Um CUC equivale a 25 CUPs. Porém os preços em Cuba apesar de "dolarizados" são equivalentes aos brasileiros, por exemplo: * Taxi compartilhado: 1 CUC (mas confesso que muitas vezes paguei 10 CUPs como os cubanos pagam). Só usei taxi comum para ir e voltar do aeroporto (25 CUCs na ida e 20 CUCs na volta) e no dia que saí de madrugada para Cayo Largo (10 CUCs). De resto só dava eu o os compartilhados. * Refeição: meu record foi 13 CUCs (mesmo assim porque teve mojito), ou seja R$ 45,00 (o que eu pago no almoço em um dia de trabalho) * Entrada na Casa de La Música em Havana: 15 CUCs. Em Trinidad: 1 CUC e a La Cueva: 5 CUCs. Muito mais barato que as baladas cariocas. * Cerveja: 1,50 CUCs em média (vale a dica de uma casa que vende bebidas no térreo do Hotel Habana Libre, as garrafas de rum estavam bem mais baratas lá) * Lembrancinhas, presentinhos e etc. - comprei muito pouca coisa, mas fui em uma feira de artesanato no porto de Habana Vieja, que funciona em um grande galpão, chamado Feira de San José. Os preços estavam bem melhores que na Calle O Bispo. * Charutos - comprei pouquíssimos, porque são caros pacas!!! Comprei meia dúzia em Viñales chorando... 6 por 20 CUCs, mas como um Cohiba estava 15 dólares foi um bom negócio. Para minha irmã e marido fumantes, trouxe uma caixinha de cigarrillos Cohiba por 6 CUCs a caixa com 10. * Hospedagem: média de 30 CUCs - Café da manhã: 5 CUCs De uma forma geral, eu gastei aproximadamente 65 CUCs/dia com hospedagem, alimentação e transporte interno. A esse valor, para fechar a execução orçamentária, deve-se adicionar os trechos entre cidades, os ingressos nos museus e os passeios feitos através de receptivo local. No final, eu gastei bem menos do que tinha colocado no orçamento. Cuba me encantou!!! As pessoas são ótimas, receptivas e falantes. Adoram os brasileiros, conhecem muito sobre nossa política e nossas novelas. O país inteiro é muito seguro! Não se ouve falar em assaltos!!!! Não me senti sozinha e como fotografo, a câmera faz muito companhia. Sobre o visto: não há stress. É só comprar a "tarjeta" no balcão de Serviços no Aeroporto do Panamá. Levar os 20 dólares trocados. Para ver as fotos, acessar: http://www.flaviamoreirafotografia.com/cuba Hospedagem: Havana - Casa Petronila - contato: [email protected] - Tel.: (+53) 53798966 (Rosa) ou (+53) 54224908 (Marianito) Trinidad - Casa Blue Media Luna - contato: Tony Lorente - Tel: (+53) 41 996781 (+53) 53807097 Cayo Largo - Villa Iguana (contratado via pacote com o vôo) ​ Taxi: Sr. Yorly (Pontiac 1955) - Tel.: (+53) 52422230 - email: [email protected] ​ Restaurantes: Vedado - El Farallon e Karma Malecon - La Abadia ​ Agências: Para contratar Cayo Largo - Cubatur Para walking tour em Havana e demais tours nas redondezas - Nosotroscubaneamos (espectacular atendimento que começa pelos emails da Geikis, super indico!) - [email protected] ​ ​ [/url]
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