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Camila Gonçalves

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Sobre Camila Gonçalves

  • Data de Nascimento 22-03-1988
  1. Oi! Vim aqui compartilhar mais um relato. Eu baseei praticamente toda a minha viagem nas informações aqui do Mochileiros, então me sinto na obrigação de ajudar quem estiver montando um roteiro parecido! Passei pelas cidades históricas em julho: entre os dias 23 e 28 transitei por um outro mundo, uma verdadeira viagem no tempo. Essas foram as férias da superação de desafios! Primeiro o pessoal da empresa implicou em me liberar minha uma semana de férias, mesmo eu já tendo avisado. Aí quando finalmente deu tudo certo, eu estava com tudo pronto para embarcar para Belo Horizonte no sábado de manhã. De sexta para sábado me atacou, do nada, uma faringite absurda. Juro. Passei a noite chorando de dor e de raiva. Na hora em que eu iria embarcar estava na sala de espera do hospital. Sacanagem, né? A médica me deu um levanta defunto e no domingo já estava me sentindo melhor. Acabei comprando uma passagem de ônibus de segunda para terça-feira para Ouro Preto. Perdi a passagem de avião (era mais caro remarcar o voo que comprar outra de ônibus), mas fui mesmo assim. Depois, o pessoal do hostel em São João del-Rei ainda me aprontou a maior cachorrada. Terça-feira , 23 de julho São Paulo - Ouro Preto Não tenho ideia de quanto tempo a viagem de São Paulo para Ouro Preto durou. Só sei que o ônibus fez muitas paradas e eu não conseguia dormir direito. Primeiro porque ainda estava doente e o ar-condicionado me fez mal. Depois que sentou um senhor do meu lado, em uma das paradas, e ele roncava e fazia barulho com a dentadura. Juro! Ficava movimentando a dentadura dentro da boca. Parecia coisa de filme. Quando o sol nasceu eu dei graças a Deus porque consegui ver a estrada, que é muito bonita, e me distrair. Cheguei em Ouro Preto de manhã, completamente zonza. Peguei um táxi até a Praça Tiradentes, onde ficava meu hostel, e o taxista teve as manhas de me cobrar R$20,00 por um caminho que eu poderia ter feito andando. É duro ser turista. Fiquei no Lá Em Casa Hostel. Recomendo muito . Os atendentes são muito legais, conhecem muito bem a cidade e o entorno e dão dicas além dos clichês turísticos. O ambiente também é muito gostoso, tudo arrumadinho, quartos grandes e confortáveis, sala de lazer e de televisão bem organizadas. Fora que da janela da sala dá para ver o Museu da Inconfidência. Apenas isso: Cheguei no hostel meio desorientada por causa da viagem. Aí lavei o rosto, me recompus e estava pronta para realizar esse sonho que era conhecer Ouro Preto. Ainda era cedo e tinha gente dormindo no quarto, mas a simpática atendente me deixou guardar minha mochila no depósito. Eu falei que ia dar uma voltinha para ver um pouco da cidade e logo voltaria. Saí andando meio sem rumo por Ouro Preto, o que é o melhor jeito de conhecer a cidade. Vi o Museu da Inconfidência por fora, desci umas ladeiras e passei pelo Grande Hotel Ouro Preto, projetado pelo Oscar Niemeyer. Então cheguei à Casa dos Contos e ela já estava aberta. É um dos museus mais bonitos que já conheci. Fica em um casarão restaurado, que pertenceu a um dos homens da alta sociedade da época, serviu para reuniões no período da Inconfidência e, depois, como sede de administração pública de Minas Gerais. Dá para ter uma boa noção da vida na época do Brasil Colônia. Os donos da casa ficavam com aquele espaço enorme apenas para uma família e, na parte de baixo, ainda está conservada a senzala, com todos os instrumentos de trabalho e castigo físico dos escravos. A senzala me impactou muito e eu fiquei numa bad. O museu tem um acervo interessante, inclusive com uma parte dedicada à história do dinheiro no Brasil. É o tipo de lugar que te faz repensar a vida, a história do país, tudo. A cidade vista da varanda da Casa dos Contos De lá fui para o parque Vale dos Contos, que tem uma entrada voltada para a casa. É um lugar muito bonito, cheio de natureza e de onde dá para ver como Minas Gerais é lindíssima. O parque tem várias entradas, então dá para cortar caminho por dentro dele quando estiver andando pela cidade. De lá, voltei para dar uma olhada no Grande Hotel. Vi que eles servem almoço e bem estava achando que seria os olhos da cara. Pedi para ver o menu e uma refeição com entrada e bebida sairia por uns 30 reais. Achei honesto e não poderia perder a oportunidade de almoçar com uma vista linda daquelas, e em um local histórico. De lá voltei para perto da Praça Tiradentes e passei pela belíssima Igreja Nossa Senhora do Carmo, que exibe, em sua fachada, uma linda obra do Aleijadinho. Infelizmente não a vi aberta para visitas durante toda a viagem, mas imagino que seja tão linda por dentro quando é por fora. Que belezura! Fui, então, para a Praça Tiradentes e vi que já o Museu da Inconfidência já estava aberto. Esse era um dos museus nacionais que eu mais tinha vontade de conhecer, e não me decepcionou. O acervo é incrível e bem didático. Dá para entender bem a relevância da Inconfidência Mineira para a história e, principalmente, como a figura do Tiradentes foi sendo enaltecida como herói nacional. De lá desci meio sem rumo e fui para a casa na qual viveu Tomás Antônio Gonzaga (é muito lindo ver um pouco do cotidiano de pessoas que você só conhecia pelos livros de história e perceber que eles eram gente como a gente). Também visitei a feirinha de pedra sabão (presentes típicos e a preço honesto), a Igreja São Francisco que fica em frente. Quando vi, já eram 5 da tarde! Eu falei para a menina do hostel que ia dar apenas uma voltinha e fiquei o dia todo fora, com roupa nhaquenta de ônibus, cansada... Esse é o poder que Ouro Preto exerce em você: o de esquecer seus problemas e ser transportado para outro universo. Tomei um belo banho no hostel e fiquei na sala de estar. Tinha gente do mundo todo: alemão, chinês, norte-americano, norueguês. Mais uns gaúchos, uma mineira, um carioca e eu, paulista. A galera agitou de ir em um boteco ali perto, que era frequentado pelos universitários da cidade e foi indicação de uma das funcionárias do hostel. Foi muito divertido! Imagina esse grupo excêntrico discutindo política internacional, costumes brasileiros, juventude. Uma maluquice! Estava muito cansada e, na volta para o hostel, dormi muito confortavelmente. O hostel tinha acabado de ser inaugurado e tudo é novinho. Minha cama era super confortável. Quarta-feira, 24 de julho Ouro Preto No dia anterior eu tinha ouvido uma história que havia uma igreja que foi construída pelos escravos, com ouro que eles tiravam clandestinamente das minas. Fiquei com aquilo na cabeça e queria porque queria conhecer o lugar. Pedi orientações e a recepcionista me ensinou a ir de ônibus porque falou que era muito longe, o que foi ótimo porque eu tive o primeiro contato com as pessoas que realmente moram, trabalham e estudam em Ouro Preto. Primeiro que eu causei no ônibus. Aqui em São Paulo a gente entra pela frente e desce por trás. Aí eu dei sinal e entrei. Perguntei pro motorista se passava na Igreja de Santa Efigênia e ele disse que sim, mas estava do lado errado. Achei que o lado errado era o sentido errado, tipo ele passava lá quando voltasse. Aí pedi desculpa e fui descendo e ele: ow, passa na igreja. Eu: ah tah. Subi pela frente e pedi para a cobradora me avisar quando chegasse e ela: aviso, mas você subiu do lado errado. Era por trás. Então eu entendi o que ele estava dizendo. Nisso o ônibus inteiro olhando para a minha cara e começaram a me ajudar a chegar na igreja! Hahaha! Um senhor ia me falando o caminho, que ainda estava longe, uma moça falou que ia descer no mesmo ponto que eu, me levou praticamente até a porta da igreja. Pessoas muito gentis e muito queridas. Normalmente os turistas ficam apenas naquele miolinho histórico de Ouro Preto e mal conhecem os habitantes, uma pena. A igreja de Santa Efigênia foi a minha preferida em toda a viagem. E olha que eu vi igreja! ãã2::'> Ela foi construída pelos escravos e negros libertos, sob a proteção do Chico Rei. Vou contar o que eu ouvi lá, mas não sei se procede ou não: o Chico Rei era rei (dã) na África e veio para o Brasil sequestrado pelo tráfico negreiro com sua esposa e filhos. Com sua grande habilidade de negociação e liderança, conseguiu ir mudando sua situação e começou a comprar a liberdade de sua família e seus conterrâneos. Por fim, fez um acordo e comprou a mina que leva seu nome e voltou a ser poderoso aqui no Brasil. Dizem que a Igreja de Santa Efigênia foi construída com a benção e ajuda do Chico Rei. Como os negros não podiam frequentar a igreja dos brancos, ou quando o faziam, ficavam em pé nos cantos, eles começaram a criar suas próprias igrejas, e também suas irmandades, o que dava mais proteção. Para construir a igreja de Santa Efigênia, os escravos contrabandeavam ouro das minas nos cabelos e no corpo. Ela foi a que eu mais gostei porque, além da história linda, ela tem uma variedade incrível de estilos. Referências à China dominada por Portugal, santos negros. E, no teto, está pintado um papa negro! Olha que coisa linda! Só imagina a subversão que era, naquela sociedade escravocrata, um grupo de escravos pintar um papa negro em uma igreja! Linda, linda Fiquei muito tempo lá, olhando cada detalhe da igreja, e depois saí caminhando sem rumo, encantada. Andei muito por aquela parte da cidade, que não tem tanto turista, mais moradores e republicas universitárias. Lembrei que a mina do Chico Rei estava ali perto, e fui visitá-la. Gente, que decepção! Cheguei, paguei e fiquei esperando. Aí começou a chegar um pessoal, muita gente. O guia esperou juntar umas 20 pessoas para entrarmos na mina. O problema é que ela é muito apertada. Calculo que os túneis tenham mais ou menos um metro e meio de altura e uns dois de largura, no máximo. Só imagina esse tanto de gente em um espaço apertado, no maior calor do mundo! Eu comecei a passar muito mal, mas segurei a onda. Aí uma outra senhora passou mal, o guia foi querer levar a gente para mais para dentro do túnel e eu falei que não dava. Era gente demais e espaço de menos, uma puta irresponsabilidade! Fiquei um tempão do lado de fora com falta de ar, me recuperei e voltei a andar pela cidade pensando no dinheiro e tempo perdidos. Voltei para a feirinha de pedra sabão e encontrei uma menina que tinha visto mais cedo no hostel. Comentei com ela que ia para a estação de trem comprar passagem para ir até Mariana no dia seguinte. Ela se animou a ir comigo. Compramos as passagens e depois seguimos para a Casa dos Inconfidentes, que fica meio longe do centro e, por isso, atrai poucos turistas. Nesse local eram realizados os encontros dos Inconfidentes para tramar contra o governo. A casa está restaurada com objetos da época e uma guia bastante simpática nos acompanha durante toda a visita. Como fica em um morro, oferece uma vista linda de Ouro Preto. Para chegar, tivemos que contar com a ajuda dos moradores locais, já que não há sinalização para o museu e eu só fiquei sabendo que ele existia porque me indicaram. Mas vale demais a visita. Ouro Preto vista da Casa dos Inconfidentes Também passamos pelo Teatro Municipal, que é o mais antigo em funcionamento na América Latina. O camarote da família real ainda está lá, conservado! Um guia nos acompanhou e mostrou detalhes do prédio, e depois ficamos assistindo um ensaio de balé que estava acontecendo por lá. Quinta-feira, 25 de julho Ouro Preto - Mariana Chegamos na estação com quase uma hora de antecedência e já tinha gente na fila! Os trens da Vale são bem concorridos, mas no fim tem lugar para todo mundo. Aconselho chegar cedo para ver os museus e a arquitetura da estação, bem interessantes. E sente do lado direito do trem! Como a ferrovia passa pelo meio da mata, do lado direito dá para ver cachoeiras, rios e a bela vegetação. Vista do trem Chegamos em Mariana e nos perdemos. Andamos um pouco até chegar no centro histórico, e achei bem sem graça. A cidade me pareceu despreparada para o turismo e muito mal conservada, em comparação com a impecável Ouro Preto. Chegamos no centro e vimos a Catedral Nossa Senhora da Assunção. Ela tinha um museu anexo, fechado, e os funcionários não sabiam direito quando abriria, então desencanamos. Aliás, mesmo os funcionários dos postos de turismo eram bem mal informados! Fomos até a Praça Minas Gerais, que é muito bonita. Lá ficam duas igrejas e a prefeitura, com um pelourinho no centro, um triste retrato da sociedade colonial. As duas igrejas são das mais importantes da história do país, e estão completamente mal conservadas, fechadas e com a pintura caindo. Muito triste de ver. Praça Minas Gerais De lá, fomos até a igreja de São Pedro, porque ficamos sabendo que tem um mirante da cidade. Essa sim está bem conservada e, como fica na parte alta da cidade, tem uma vista linda. O mirante fica na torre da igreja e é um custo subir! Tem que passar por uma escadinha de madeira minúscula, dá o maior medo. Mas vale cada degrau. Mariana vista da Igreja de São Pedro Eram umas 3 da tarde e já não tinha mais nada que fazer em Mariana. Almoçamos e pegamos o ônibus para a Mina da Passagem, que fica entre Ouro Preto e Mariana. Estava meio cabreira por causa do fiasco da mina do Chico Rei e falei para a colega de viagem que se fosse aquele perrengue eu não entraria nem f... Mas foi todo o contrário. Essa mina sim, tem estrutura. É bem alta, descemos até ela em um carrinho parecendo uma montanha-russa. O guia era um senhor muito fofinho que conhecia detalhes da mina porque seu pai trabalhou lá como operário. Ele falou que a família fica curiosa para saber o que os turistas perguntam, mas seu pai quase não fala no tempo da mina porque foi muito traumático. De fato, trabalhar ali é inimaginável para nós que estamos acostumados com rotina de escritório. A mina parou de ser explorada porque o perigo de desmoronamento ficou sério, e hoje serve para turismo e para mergulho, porque tem muita água subterrânea (azul e linda)! Pegamos o ônibus de volta para Ouro Preto (um ônibus de linha normal) e fomos ver o pôr-do-sol em Ouro Preto. Depois, fomos a um show grátis no Teatro Municipal. Aconselho a ficar de olho na programação, sempre tem alguma coisa rolando. Sexta-feira, 26 de julho Ouro Preto – São João del-Rei Acordei cedinho para pegar o ônibus para São João del-Rei. Achava que seria pertinho, mas foram quatro horas de viagem! Tinha feito reserva no Vila Hostel. Desci do taxi e achei estranho, estava tudo bagunçado na porta. Pensei que estariam reformando, sei lá. Toquei a campainha e nada. Liguei no telefone deles e nada. Puta que pariu! Fui pedir informação em um hotel na frente e a moça: Ih filha, eles fecharam há um mês. Ou seja, quando eu fiz a reserva e mandei e-mail confirmando, depois, eles sabiam que iam fechar e mesmo assim me deixaram planejar minha hospedagem. Gente fina! Depois o dono do hostel ainda ficou batendo boca comigo por e-mail. Contei a história aqui: vila-hostel-sao-joao-del-rei-bati-com-a-cara-na-porta-t72025.html. Se essa merda de hostel reabrir, fujam! Total e completa falta de respeito com o consumidor. A atendente do hotel ficou com tanta dó de mim e tão indignada com a falta de profissionalismo do Vila Hostel que me fez um desconto camarada no hotel. Gente, anotem esse nome: Solara Hotel (http://www.solarahotel.com.br/index.php) ::love:: . Fiquei lá com uma diária de 100 reais chorados, mas valeu cada centavo. Do lado do centro, com quartos lindos e equipe muito atenciosa e um café-da-manhã que vocês não acreditam! Eu parei uma moça que trabalhava na cozinha para dar os parabéns. Não sei se a equipe do Solara Hotel algum dia lerá isso mas olha, mais uma vez, obrigada por tudo! Vocês salvaram minha viagem! Perrengue resolvido, fui tomar banho e almoçar. Comi num quilo incrível perto da estação de trem. Meu conselho é procurar restaurantes por ali, que é onde a galera que mora na cidade come, o que significa preço camarada. Aproveitei para comprar a passagem de trem para Tiradentes e, depois, fui no quiosque de informações ao turista e estava fechado porque o funcionário estava de férias. Em julho, alta temporada! Hahaha, achei engraçado. O bom de São João del-Rei é que tudo é perto. Andei pelo centro histórico e conheci o belo Museu Reginal de São João del-Rei, que mostra o cotidiano das famílias mineiras antigamente. Também fui até o Museu Tancredo Neves, que mostra a sua trajetória politica. O último foi especialmente interessante porque muitos dos visitantes eram mineiros e muito fãs da história do Tancredo. A comoção que ele gera em seus conterrâneos é impressionante. Andei por algumas igrejas do centro histórico. Ele é bem pequeno e pode ser percorrido de ponta a ponta em uma hora. Lá também é um bom lugar para comprar lembrancinhas. Como já tinha visto tudo, comprei umas coisas no mercado para jantar, voltei para o hotel e fiquei no quarto vendo a Carminha, oioioi! O Centro Histórico parece de brinquedo, tamanha fofura Sábado, 27 de julho São João del Rei – Tiradentes Tomei o maravilhoso café-da-manhã do Solara Hotel e fui para a estação de trem, embarcar para Tiradentes. O caminho é bem bonito, passa por uma série de fazendas. Aconselho a sentar do lado esquerdo do trem. O trem de madeira, da década de 30! Chegando lá, a estação é um pouco afastada do centro, mas é só seguir a multidão que você descobre como chegar. Sério, era muita gente! O centro da cidade é bem pequeno, então dá para ver tudo em uma tarde. Visitei o Centro Cultural Yves Alves, que é bem interessante e conservado. Dá para tirar umas fotos lindas. Andei bastante, visitei algumas igrejas, mas nenhuma me surpreendeu muito. Chega uma hora nesse tipo de viagem na qual você não aguenta mais ver igreja. É tudo bonito e tal mas cara, uma semana não dá! Hahaha. Eu fiquei andando e flanando pela cidade. Tem umas placas nas principais ruas apontando a direção das atrações culturais, então dá para se virar bem. Eu gostei muito, por exemplo, do Chafariz de São José. Ele fica bem longe do centro, mas vale a visita. Concluído 1749, ele era a principal fonte de abastecimento de água da cidade e servia para beber, lavar roupa e dar água aos animais. Cada torneira tinha uma função. Parece que rola uma tradição na qual quem bebe água de uma das torneiras se casa logo. Não quis arriscar não, hahaha! Olha o chafariz aí Lá por umas 3 da tarde eu já tinha visto tudo e almoçado. Aí comprei uns doces e fiquei na praça central comendo e vendo o movimento. Fiquei muito triste com o transporte de pessoas pelas carroças. Os cavalos são visivelmente maltratados, ficam o tempo todo em pé embaixo do sol e carregam um peso absurdo. Por favor, não incentivem essa covardia! Voltei para a estação de trem e outra coisa me entristeceu: ainda que houvesse fila e tudo mais, as pessoas causaram na hora de embarcar. Se empurraram, se xingaram, um horror. Uma senhora do meu lado jogou a netinha pela janela para guardar lugar! Juro! Tacou a criança! Fiquei bem desapontada com a falta de educação da galera. Como já tinha visto tudo em São João del-Rei e a cidade é bem monótona, troquei a passagem que partiria de madrugada no domingo para uma que partiria de manhã. Não compensava ficar na cidade sem nada para fazer... A volta foi bem tranquila e eu aproveitei para intercalar os cochilos e a paisagem belíssima. Apesar dos perrengues, adorei Minas Gerais, principalmente Ouro Preto, e aconselho a viagem a todos.
  2. Olá! Vim compartilhar um relato de uma viagem de três dias para Porto Alegre. Sempre tive vontade de conhecer a cidade. Eu e uma amiga aproveitamos o feriado de 09 de julho aqui em São Paulo e embarcamos para a capital do Rio Grande do Sul. Adoramos Porto Alegre. É uma cidade grande e muito bem estruturada, mas com um clima de tranquilidade de interior. É tudo muito bonito e limpo, e os gaúchos são muito simpáticos e acolhedores. Ficamos hospedadas no excelente Porto Alegre Hostel Boutique. Foi a primeira vez que eu fiquei em um Hostel Boutique e não sabia o que esperar. Na verdade ele é um meio termo entre um hostel (tem área-comum, café-da-manhã honesto, cozinha) e um hotel mesmo (ficamos em quarto privado com um banheiro muito bom, televisão, aquecedor, guarda-roupa...). Só tivemos uma surpresa ao descobrir, já a caminho do hostel, que ele fica em uma área conhecida por ser uma zona de prostituição! Mas não interferiu em nada na nossa vida. Conto a história a seguir. Sábado, 07 de julho Chegamos no aeroporto por volta das 14 horas. Ele fica bem próximo do centro da cidade – se comparado a São Paulo, claro. Notamos que o aeroporto estava lotado e lembramos que era o dia em que o Forlán chegaria na cidade para jogar pelo Inter. Andamos um pouco entre os torcedores, fomos até a sala de turismo do aeroporto, que dá dicas de passeios pela cidade, e pegamos o táxi. Quando demos o endereço do Porto Alegre Hostel Boutique, o taxista fez uma cara estranha e perguntou: - Vocês vão ficar na casa de alguém por lá? - Não, é um hotel. - Vocês sabem que essa rua é uma zona de prostituição, né? Tchan! Pronto, já ficamos tensas. Tinha visto o hostel na internet e lido ótimas referências, mas essa era novidade! Decidimos ficar nesse hostel mesmo e ver o que acontecia. Certamente não iríamos encontrar outro lugar com preço tão bom e tão rápido. Fizemos check in e o taxista esperando do lado de fora, sem a gente pedir. Ficou um tempão lá! Acabamos achando que ele estava era macomunado com algum hotel e ficava falando mal dos outros lugares para levar os turistas para lá. Conhecemos os espaços, o quarto era lindo, tudo perfeito. Minha amiga não se aguentou e perguntou sobre a rua ser “ponto”. A recepcionista foi bem sincera e confirmou que era mesmo. Porém, ela sempre ia trabalhar à pé de manhã cedinho e nunca aconteceu nada com ela, as moças sempre foram educadas e tal. Como essa noite iriamos sair de táxi, decidimos arriscar. Deixamos as malas no quarto e fomos procurar um lugar para comer. Pedimos indicações no hostel, saímos caminhando rumo ao centro e encontramos um shopping. Almoçamos muito bem por lá (a cidade é bem barata, se comparada a São Paulo). Depois, caminhamos até a Usina do Gasômetro, que é um dos lugares mais legais que já vi. O local foi uma usina durante anos e, depois que fechou, se transformou em um centro cultural enorme, às margens do Guaíba. Em julho estava rolando uma exposição sobre a Elis Regina, que rodou várias cidades do país, outra sobre arte e resistência na Primavera Árabe, além do acervo permanente. Pelo que eu vi, também são oferecidas atividades culturais. Ficamos um tempão por lá, acabou escurecendo e fez um mega frio. Quem for para POA no inverno, não esqueça: leve muito agasalho. O frio à noite é quase insuportável, parece que estão furando sua pele! Voltamos para o hostel de táxi (como estávamos em duas pessoas e o táxi saía em média uns 15 reais, quase sempre achamos mais fácil rachar a corrida do que andar no frio ou pegar ônibus). Voltamos para o hostel e nos preparamos para a balada. O Beco 203 aqui de São Paulo é minha balada preferida. Ela é uma “filial” do Beco de Porto Alegre, então imagine o fogo no rabo que eu estava para conhecer o papai Beco, hahaha! Foi bem difícil achar um táxi para irmos. Os telefones só davam ocupado, então o atendente do hostel ficou no meio da rua procurando táxi para nós! Não lembro mais o nome dele mas, moço, se você estiver lendo isso, obrigada! Mesmo! (Quanto ao problema das “vizinhas”, não vimos nada. Já era quase meia-noite e a rua estava deserta, juro!). Chegamos na avenida Independência e tinha um caminhão de Jagermeister distribuindo amostras para a galera. Porto Alegre não poderia ter sido mais receptiva! O Beco 203 é incrível e quem curte rock precisa conhecê-lo. Era dia de karaokê indie. Uma banda fica tocando vários sucessos e quem canta é alguém da plateia. Demais! Rola um clima muito bacana na balada, parece que todo mundo se conhece. O próprio “apresentador’ do indiokê ficava falando: Ô fulana, te conheço da universidade! Hahaha. Saímos de lá com o frio trincando, e já estava amanhecendo. Eu estava tão cansada que cheguei no hostel e dormi com a roupa da balada mesmo! Sábado, 08 de julho Acordei sem saber o que estava acontecendo e sentindo minhas pernas apertadas. Quando acordo, vejo que estou com a roupa da balada. Chegamos do Beco e eu fiquei esperando minha amiga tomar banho para descermos e tomarmos café, dormi e só acordei à tarde. Situação! Tomei um banho anti-ressaca e já estava pronta para outra. Decidimos ir andando até o Parque Farroupilha, que todo mundo conhece como Redenção. Seguimos as orientações da moça do hostel e fomos admirando os lindos bairros de Porto Alegre. É incrível como tudo é arborizado, florido e limpo. As pessoas são muito educadas e simpáticas. Caminhamos um monte e chegamos a uma rua com alguns restaurantes. Almoçamos em um quilo e seguimos a caminhada. A Redenção é belíssima. Um parque enorme e, de domingo, rola uma feirinha incrível. Vale separar dinheiros para comprar lembrancinhas. Ficamos bastante tempo andando pela Redenção, pensando na vida, conversamos com um velhinho e decidimos seguir nosso rumo. Que saudade da Redençããããão Pegamos um táxi até o Centro Cultural Mario Quintana, outro ponto importante de POA. Lá também são realizadas exposições, atividades culturais e tem uma biblioteca interessante. Também ouvimos dizer que o Luis Fernando Verissimo toca com sua banda de jazz no café do lugar. (Algum gaúcho sabe se procede?). A arquitetura do prédio é linda, já que, inicialmente, ele era um hotel. (Adorei isso em Porto Alegre: a usina vira centro cultural, o hotel também... uma forma inteligentíssima de preservar o patrimônio e movimentar a cultura local). Pena que ele estava sendo restaurado, então boa parte das paredes do lado de fora estavam cobertas. Mesmo "embrulhado para presente", o centro cultural continua lindo Saímos caminhando pelas redondezas e chegamos em uma área militar. Visitamos a belíssima igreja Nossa Senhora das Dores. Notei que existem alguns museus por ali, mas estavam todos fechados. E esse céu? Depois, fomos até o Guaíba porque queríamos fazer o passeio de barco pelo lago. (Pois é, gente, o Guaíba é um lago! Passei metade da vida achando que era um rio!). É possível comprar o passeio na hora, e o barco te dá três possibilidades: ir no “subsolo”, quentinho e fechado, ir na metade, coberta ou ir na parte de cima, sem teto. Claro que todo mundo correu para ficar em cima. Mas começou a fazer tanto frio que, na metade do passeio, todo mundo estava lá embaixo, hahaha! O passeio é lindo e eu recomendo. O comandante (?) vai falando sobre os pontos pelos quais vamos passando e ele vai para bem longe da cidade. Ao todo, passamos cerca de 50 minutos no barco. Dá para tirar fotos lindas. Na volta demos a sorte de ver o famoso pôr-do-sol do Guaíba... no Guaíba! Estava muito frio, sério, um frio insuportável, e nós ficamos na parte de baixo do barco, coberto, mas deu para ver tudo muito bem. Mais uma vez: não subestime o frio de Porto Alegre. Eu estava com o meu casaco mais quente, dois cachecóis, luva, chapéu... e passei frio! A Usina de Gasômetro ficando para trás O pôr-do-sol mais lindo da vida! Saímos do barco, compramos um quentão – que em São Paulo chamamos de vinho quente, quentão é outra coisa-, e entramos no Gasômetro mais uma vez. Um pouco porque adoramos o lugar e um pouco porque o frio estava demais. Fomos aos terraços ver o Guaíba à noite e depois seguimos para a avenida Lima e Silva para tomar uma Polar no Pinguim. O bar não é nada demais, mas fomos por indicação de uma amiga da minha amiga, que é gaúcha. Os preços lá são bem honestos e a pizza é bem gostosa. Minha amiga pediu uma que tinha coração de frango! Muita coisa em Porto Alegre vai acompanhada de coração de frango, achei bem curioso. De lá, fomos para casa cansadas, mas felizes. Segunda-feira, 09 de julho Tem coisa melhor que saber que todo mundo está trabalhando e você está curtindo feirado regional? Desculpem gaúchos, mas eu estava muito feliz. Acordamos com folga e fomos caminhando até o centro da cidade. Adorei isso em Porto Alegre: é possível caminhar para todo lado! Claro que no dia a dia o pessoal deve preferir ir de ônibus e que nós achamos lindo andar porque tínhamos todo o tempo do mundo, mas como eu vivo em uma cidade onde tudo é longe para caramba, saber que existe a possibilidade de ir caminhando me dava uma alegria imensa. Nossa primeira parada foi o Mercado Público, que é bem bonito e é uma ótima opção para comer. Também tem uma loja de presentes que pode quebrar um galho para quem ficou devendo uma lembrancinha. O Mercado Público De lá fomos para o centro da cidade propriamente dito. Minha amiga ficou sabendo que dava para visitar o porto do Guaíba e lá fomos nós. Gente, o lugar é lindo. Fica um pessoal sentado olhando o lago e pensando na vida. Fiquei pensando como deve ser incrível tirar a hora do almoço para ficar ali, sentada no porto, olhando a natureza e relaxando. Sério, olha esse céu! Ficamos lá um tempão e depois voltamos para o centro da cidade. Como era segunda-feira, os museus estavam todos fechados e perdemos a oportunidade de conhecê-los. Ficamos andando pela Praça da Alfândega e tirando algumas fotos, depois subimos para a Praça da Matriz, que é muito bonita. Como o nome indica, ali fica a belíssima igreja matriz da cidade. Nas proximidades dela ficam o Teatro São Pedro, o Palácio Farroupilha e a Biblioteca Municipal. Fiquei impressiona em notar como essa região de Porto Alegre é muito parecida com Buenos Aires. A dinâmica das ruas, as casas, a pavimentação, me senti de volta à Argentina! A linda Praça da Matriz Fomos caminhando de volta ao Mercado Municipal para, enfim, almoçar. Comi muito bem, um prato de macarrão mais uma Polar por cerca de R$20,00. (A Polar é a cerveja do Rio Grande do Sul. Praticamente só tomamos ela por lá, é uma delícia). Existem várias opções de restaurantes no Mercado, inclusive um vegetariano. Aliás, colegas vegetarianos, o Rio Grande do Sul tem uma cultura da carne muito grande, mas eu comi muito bem em todos os lugares que fui. Sempre existe alguma coisa veg, é só dar aquele jeitinho que já estamos acostumados. De lá, pegamos um táxi e, como as malas já estavam no jeito lá no hostel, passamos para pegá-las e seguimos no mesmo táxi para o aeroporto. Ficamos chocadas ao perceber que, com todo esse rolê, a corrida deu apenas 35 reais! Ai, se fosse aqui em São Paulo. Fizemos um voo tranquilo e conseguimos ver Porto Alegre do avião, como sempre, linda. Adorei a cidade, me senti acolhida e pretendo voltar mais vezes.
  3. Oi gente! Obrigada pelas dicas de lugares para conhecer, vou voltar mais vezes com certeza! Mcm, não fomos ao Corcovado porque ficaria muito pesado para o orçamento e para a agenda ir lá e ao Pão de Açúcar, assim optamos por um e resolvemos deixar o outro para a próxima viagem. E eu entendi tudo errado a história do mergulhão? hahahaha, o cobrador chamou a balsa por esse nome várias vezes. Mas ele também era super confuso, não é fonte confiável não! Rodrigo, obrigada pelas dicas! O Rio é maravilhoso, sério! Sabia que a cidade era bonita e as pessoas seriam simpáticas, mas não imaginava o quanto. G.Helio, valeu pelas dicas, nada como um "nativo" para nos explicar tudo melhor . Eu acabei postando aqui o que me explicaram no hostel, me disseram por aí ou nos próprios meios de transporte. E , claro, o que aprendemos dando cabeçada...
  4. Oi Marcos! Pois é, nada a ver isso de rivalidade. Me senti em casa no Rio e já quero voltar! Adorei Niterói, pena que não deu tempo de conhecer melhor. Muita gente me falou da beleza das praias da cidade, não vejo a hora de voltar
  5. Olás! Cheguei de férias e vim aqui compartilhar meu relato, depois de ter conseguido umas dicas ótimas no fórum. Passei uma semana deliciosa no Rio de Janeiro, com direito a bate-volta para Petrópolis e Niterói. Mesmo morando em São Paulo, nunca havia visitado o Rio, que vergonha! Tirei uma semana de férias e resolvi resolver esse “problema”. Embarquei com uma amiga e fomos de avião Cumbica-Galeão. Optei pelo Aeroporto Internacional porque moro perto de Guarulhos, mas já fica uma dica de cara: o Santos Dumont é muito mais próximo do centro da cidade, se puder, viaje por ele. Para planejar a viagem, fucei muito na internet (e, claro, aqui no Mochileiros) e me baseei no Guia Verde Rio de Janeiro da Michelin. Ele é muito bom, tem dicas ótimas sobre a cidade e os arredores e, para quem vai com crianças, indica passeios especiais para famílias. Sobre algumas neuras de viagem: Viajar só entre mulheres, pode Arnaldo? Bom, eu já fiz um mochilão bem grande sozinha, partindo do Uruguai e cruzando a Argentina e deu tudo certo, então estava mais tranquila. Claro que é sempre bom seguir as dicas básicas de segurança: evitar andar sozinha à noite, não dar trela pra gente “suspeita”, ficar de olho na mochila. Nada que você já não faça no dia a dia, certo? Mas o Rio é violento... Se pararmos para pensar, todas as grandes cidades são violentas. Passei a semana toda no Rio e não me senti insegura nenhuma vez. Claro que existem partes da cidade que são mais tensas, como em todo e qualquer lugar, mas no geral o Rio me pareceu muito tranquilo, de verdade. É só ficar com o radar ligado e evitar locais que sejam suspeitos. A clássica rivalidade carioca X paulista Eu acho esses negócios de rivalidadezinha com cidade ou país uma puta duma idiotice, nunca liguei para esses estereótipos. Não ouvi uma piadinha sobre o meu sotaque, nem fui desrespeitada nenhuma vez. Os cariocas são muito cosmopolitas (sério, tem gente de tudo quanto é canto em tudo quanto é bairro), de modo que dificilmente eles não irão te zoar por você ser de outra cidade. Claro que devem ter exceções, mas essa foi minha (ótima) experiência com o Rio Faz muito calor? Fui na última semana de janeiro e só peguei três dias de calor intenso (leia-se sensação térmica: calango andando de skate para não queimar o bucho). De resto, por ser uma cidade litorânea, sempre fica aquele mormaço mesmo com o tempo nublado. Uma dica: leve muita roupa, sem dó. Lá a gente sua muito e – não existe maneira elegante de falar isso – a roupa fica fedendo horrores. Ainda mais sendo mochileiro, economizando cada centavo de transporte e optando por fazer tudo à pé. Coloque havaianas na mala e ande com elas por todo lado. Sapato e tênis só se for fazer caminhada ou sair de balada. Ah, e beba muita água. E passe protetor até para ir à padaria. Meninas, levem hidratantes mil, porque a maresia resseca demais a pele e os cabelos. Agora, os relatos, comentários e impressões dia por dia. Ah, e qualquer dúvida só perguntar! Primeiro dia - Aterro do Flamengo + show do Chico Buarque Chegamos ao Rio às 11:45, voando Gol e desembarcando no Galeão. Logo na esteira tivemos duas surpresas desagradáveis. A primeira foi que nossa mala veio cheia de meleca. Sério, nojenta, parecia que um exército de pombas com diarréia tinha passado pelo avião. Fiquei muito puta, mas fazer o quê... Aí logo atrás de nós tinha uma companhia de táxi. Fomos averiguar os preços e....mais de 100 reais até Laranjeiras! Tá de brincadeira, né? Minha amiga e eu concordamos em ir procurar outra empresa de táxi na rua, e nem precisamos ir muito longe. Indo até as proximidades da entrada do aeroporto, mas ainda dentro do prédio, encontramos uma companhia que fecha a corrida por preço tabelado de acordo com o bairro. Nosso destino ficaria em 50 reais (ufa!), a moça emite uma nota e você acerta com o motorista no final. Por isso, mochileiros NÃO PEGUEM O TÁXI PERTO DA ESTEIRA DAS MALAS. É CILADA, BINO! Fomos conversando com o motorista, um senhor muito simpático que ia contando a história dos locais por onde a gente passava. Logo de cara nos espantamos com o trânsito do Rio. Comparado a São Paulo, são menos carros, mas os motoristas dirigem, digamos, com mais intensidade, o que a gente chama aqui de “bração”. Cuidado ao atravessar a rua ou guiar por lá se não estiver acostumado. Chegamos ao Hostel in Rio (http://hostelinriobrazil.com/) na hora do almoço. Recomendo muito o lugar. Fica em uma rua residencial de Laranjeiras, pertinho do aterro do Flamengo, do Largo do Machado e do Catete. Tem várias opções de ônibus e duas estações de metrô perto, uma maravilha! É limpo, organizado, silencioso, com um locker grande, staff competente e simpático e um café-da-manhã sem miséria. O tempo estava super nublado e saímos caminhando pelo bairro de guarda-chuva e blusa de frio! Fomos ao mercado fazer as clássicas comprinhas e depois caminhamos até o aterro do Flamengo. E eis que o que vemos, logo de cara? O Pão de Açúcar!!! Que felicidade vê-lo pela primeira vez. Eu parecia criança tirando fotos ensandecidamente. Caminhamos pela orla e depois eu voltei cedo para o hostel porque iria ao show do Chico Buarque! O Pão de Açúcar visto do Flamengo. Feinho, né? O show do Chico foi no Vivo Rio, fui e voltei de táxi sem problema (tirando o taxista da volta que queria que eu ensinasse o caminho para ele. Nem era golpe nem nada, era folga mesmo!) Mas correu tudo bem e deu para sentir como os cariocas são queridos. Sentei em uma mesa na qual ninguém se conhecia e já foi todo mundo batendo papo, se enturmando, coisa linda. Fui dormir cedo para “explorar” a cidade no dia seguinte. Muito bem recebida no primeiro dia de Rio Segundo dia - Horto Florestal, Lagoa, Ipanema e pedra do Arpoador Acordamos cedo para ir ao Jardim Botânico. O Rio é muito bem servido de ônibus, e fomos com uma linha que parava na porta do Jardim. É cobrada uma taxa para entrada de 6 reais. A conservação do Jardim é impecável (ele foi fundado em 1808 pelo então príncipe regente D. João). Na entrada, o pessoal te dá um mapinha para que você não se perca na imensidão do Jardim. Ele tem duas lanchonetes bem boas e uma área específica para alimentação. Como é um patrimônio da cidade, não é em todo lugar que pode comer. E, claro, tirar “um pedacinho” das plantas é crime! Paz Atenção para um detalhe importante: o Jardim tem uma visita guiada de graça . As pessoas sentam em um carrinho que nem aqueles de golf e o guia vai explicando a história dos locais. O serviço é concorrido, mas dá para agendar no mesmo dia. Minha dica é já pedir a informação de onde fazer a inscrição logo na chegada(é perto de uma das entradas, ao lado da lojinha e do café), ficar andando por conta própria pelo jardim, estar lá na hora da visita e, depois, percorrer à pé o que mais gostar. Seja extremamente pontual na visita. Se chegar dois minutos atrasado eles riscam seu nome e chamam alguém da lista de espera sem a menor piedade. Eu adorei o Jardim Botânico. Passamos o dia praticamente todo lá, foi lindo demais. Tem jardim especializados (orquidário, jardim japonês, jardim mexicano, bromélias), animais (várias aves e um monte de macaquinhos) e dá para almoçar tranquilo no café. Por cerca de 30 reais eu almocei, tomei suco e comi sobremesa, tudo delicioso. O Cristo visto do Jardim Botânico Depois do Jardim fomos andando até a Lagoa Rodrigo de Freitas. Dizem os cariocas que morar lá é o mesmo preço de morar em Manhattan, então imaginem o luxo. A paisagem é bem bonita, muita gente aproveita a orla para correr, caminhar ou tirar um cochilo. Isso foi o que mais me encantou no Rio: como a natureza e a cidade estão integradas! A Lagoa Andamos um monte na Lagoa e pegamos um ônibus para Ipanema. Impossível não ficar besta de feliz andando por aquelas calçadas pela primeira vez. Me senti uma Helena do Manoel Carlos. Caminhamos pela orla e fomos até a pedra do Arpoador ver o pôr-do-sol. Ipanema tem uma vibe bem gostosa, gente moderna, bonita... Enfim foi o segundo pôr-do-sol mais bonito da minha vida. Vá ao Arpoador se for ao Rio, pelamordedeus! Para voltar de Ipanema, nós pegamos um ônibus. Mas descobrimos a estação Ipanema de metrô que fica bem perto da praia, e decidimos experimentá-la no próximo dia. Pode ficar aqui para sempre? Terceiro dia - Ipanema, Copacabana, Leblon e Lapa Utilizamos a velha tática do “tomar café como se tivesse acabado de chegar do Saara” e partimos para a praia. O tempo estava nublado desde que havíamos chegado, mas ir ao Rio e não ir à praia é sacanagem, né? Pegamos o metrô na estação Flamengo e fomos até a Ipanema. Descemos e fomos andando pela orla até achar nosso cantinho. Aqui, duas pausas importantes: Sobre o metrô do Rio: cuidado turistas! O metrô é tranquilo e tem um esquema de bilhete eletrônico similar ao Bilhete Único de São Paulo. Não há integração com os ônibus nas passagens, mas dá um descontinho para compras relativamente altas. O que eu achei bizarro no metrô é que um trem para dois destinos diferentes passa na mesma plataforma na mesma direção! Vamos supor que você vá para o bairro A. Você fica na plataforma e podem passar trens para A ou B. Para saber, olhe nos painéis eletrônicos na plataforma e nos letreiros nas laterais do trem. Eu demorei um pouco para acostumar com esse esquema, e ficamos perdidinhas nessa primeira viagem de metrô. Ah, e dá para ir para a praia de metrô de boa. No caminho encontramos vários passageiros com roupa “normal” e um biquíni à mostra, ou uma toalha a tira-colo. Sobre as praias: um carioca nos explicou, e depois de alguns dias notamos que era verdade: cada praia do Rio tem um público especifico. A Praia Vermelha, por exemplo, é frequentada por famílias porque é pequena e dá para deixar as crianças brincando. Algumas partes de Copacabana são frequentadas por senhores que buscam divertimento “adulto”. Ipanema é descolada e tem regiões gays, de surfistas, de famílias... Não é que vá acontecer nada de ruim se você for a uma praia que não seja da sua turma, mas vale a pena prestar atenção no clima da praia que você escolheu e ver se você está confortável. Se sim, você achou sua praia no Rio Voltando... ficamos em Ipanema, uma delícia. Andamos por vários “postos”, até chegar ao Leblon. Aí voltamos por Copacabana, procurando a famosa estátua do Drummond. Anda, anda, anda e nada. Aproveitamos para comer em um quilinho em Copacabana e, depois de muito caminhar, achamos a estátua. Mas o tempo estava mega nublado e tive que tirar foto de guarda-chuva! Hahaha, situação. Depois fomos até o Forte de Copacabana, de onde dá para ver toda a praia, mas ele estava fechado para visitação por conta de uma solenidade militar. Voltamos para o hostel de ônibus, nos arrumamos e fomos à Lapa (e perdi a viagem, que aquela tal malandragem não existe maaaaaaaais) . Fomos de metrô, descendo na Cinelândia e andando um pouquinho. Gosto de andar de transporte público, não apenas por ser mais barato, mas também por ser uma forma de conhecer os pormenores da cidade, a gente que mora ali. Chegamos aos Arcos da Lapa e, desculpa, mas eles estão bem caídos. Dizem que estava rolando uma restauração e eu quero acreditar, porque foi decepcionante. Lá pertinho também fica o Circo Voador (lendário!) não consegui assistir nenhum show lá, mas vale a pena tentar conciliar a agenda com a programação. Fué fué fueeeeeeeeeeeeen Fomos andando pelos bares da Lapa e, por ser meio cedo (umas 6 e pouco) a coisa ainda estava meio caída. Entramos no Bar da Boa, onde estava rolando uma roda de samba lindíssima e tomamos umas brejas. Se puder, fique até bem tarde, porque parece que a coisa pega fogo. Nós só conseguimos ficar até umas 10 horas, depois voltamos para o hostel para descansar. Quarto dia – Pão de Açúcar, Praia Vermelha, Centro do Rio de dia e à noite O dia amanheceu ensolarado pela primeira vez na viagem e aproveitamos para ir ao bondinho do Pão de Açúcar ver o Rio do alto. Fomos de ônibus. Também dá para ir de metrô, mas a viagem de ônibus vai pela orla e é muito agradável. Ao chegar tem uma filinha pequena, paga-se o ingresso R$53,00. Apenas estudantes do Rio têm direito à meia entrada e rola um desconto para crianças menores de 12 anos. Mas vale muito a pena pagar o preço alto. Além da vista maravilhosa, o Pão de Açúcar tem uns espaços que são meio que um parque, com vegetação nativa, então dá para descansar e ficar bem à vontade. Cidade maravilhosa Ficamos algumas horas no Pão de Açúcar e fomos à Praia Vermelha, só para ver mesmo. Depois seguimos para o Catete, ao Museu da República, um dos mais bonitos que já vi. Ele fica em um casarão onde funcionou a sede do governo até a construção de Brasília, então tem salas conservadas como na época dos primeiros governos, o quarto e banheiro do Getúlio Vergas com o pijama e a bala usados em seu suicídio (!) e uma exposição retratando toda a História da nossa República até o governo Dilma. Vale muito a visita, o acervo é muito vasto. De lá rumamos para o centro do Rio, de metrô. A primeira parada foi a Biblioteca Nacional, que é lindíssima. Dica: eles têm visitas guiadas gratuitas de hora em hora. É só chegar um pouco antes e se inscrever. A visita passa pelas salas mais importantes da biblioteca e é impressionante conhecer todo aquele acervo, que recebe uma cópia de tudo o que é publicado no Brasil. De lá fomos ao Real Gabinete Português de Leitura, que também é belíssimo, ao Centro Cultural Banco do Brasil, incrível, e à Casa França-Brasil. Eu achei bem tranquilo deixar apenas meio dia para conhecer o centro do Rio rapidamente. O Real Gabinete Português de Leitura Detalhe do CCBB Depois ficamos esperando na porta da casa França-Brasil porque havíamos nos inscrito em um programa da UFRJ que oferece caminhadas pela cidade à noite, e lá era o ponto de encontro. Mochileiros que vão para o Rio: confiram a programação desse passeio, é demais! É tudo grátis, e um professor da UFRJ acompanha as pessoas pelas ruas mais importantes do Rio, explicando a história dos prédios. Saiba mais aqui: http://roteirosgeorio.wordpress.com/ . Ficamos sabendo de várias curiosidades, conhecemos lugares importantíssimos, como a Rua do Ouvidor, onde o Machado de Assis ia buscar inspiração para seus livros, e a casa onde viveu a Carmen Miranda em seus dias de pobreza (e onde agora funciona o Clube das Mulheres!), a casa da Chiquinha Gonzaga, o Paço Imperial, várias igrejas... claro que tudo só de fora porque estava de noite, mas mesmo assim é maravilhoso. Achei muito curioso como o Rio conseguiu revitalizar boa parte do seu centro e dar “utilidade” aos prédios antigos. Vários casarões hoje são escritórios, bares ou lojas. São úteis para a sociedade e seguem preservados. A caminhada durou três horas e, desnecessário dizer, depois de tudo que havíamos caminhado desde de manhã, eu estava morrendo. Cheguei no hostel quase meia noite, tomei o melhor banho do mundo e capotei. Quinto dia – Petrópolis O plano era acordar cedinho para aproveitar o máximo que pudesse de Petrópolis. Mas quem disse? Estava tão cansada do dia anterior que só consegui levantar depois das 10 horas! Minha amiga preferiu aproveitar o sol e ir para a praia mais uma vez mas eu, nerd que sou, queria conhecer o Museu Imperial de Petrópolis. Chegar em Petrópolis é fácil. Comprei uma passagem na rodoviária Novo Rio mesmo (os ônibus saem de meia em meia hora e a viagem dura pouco mais de duas horas). Na rodoviária de Petrópolis tem um posto turístico muito bacana, é só ir lá perguntar por dicas do que fazer na cidade. A atendente era super simpática e me deu um mapa cheio de dicas do que fazer e onde comer. Peguei um ônibus de linha, normal, para sair da rodoviária, que fica bem longe do centro da cidade. A atendente do posto turístico me ensinou em que ponto descer, eu pedi para o cobrador me avisar e desci tranquila. Todo mundo conhece o Museu Imperial na cidade (que é bem pequenininha). Ele é enorme e era onde funcionava a casa de veraneio da Família Real até a Proclamação da República. Em teoria, a Família Real deveria ir para lá nas folgas, mas eles passavam seis meses em Petrópolis para fugir do calor da então capital. Quem se interessa por História deve ir até lá. O Museu é extremamente preservado, com salas montadas tal qual eram na época, várias curiosidades e visitas guiadas de uma em uma hora. Não é permitido fotografar dentro do museu, e nós temos que usar umas pantufas no sapato, para preservar o assoalho original, o que só prova a preocupação em conservar o acervo por muitas gerações. Separe ao menos duas horas para conhecer todo o museu e seu belo jardim. Você vai precisar de calma para admirar a coroa de Dom Pedro II, suas vestes, as salas luxuosas... A lojinha do Museu também é super bonitinha e pode ser um lugar criativo para comprar presentes a preço justo. Detalhe do Museu Imperial De lá fui caminhando até a Catedral da cidade, que é belíssima. Mas não pude olhar muito porque estavam celebrando uma missa e eu acho falta de respeito turistar nessas circunstâncias. Depois fui até o Museu Casa do Santos Dumont. É a casa que ele projetou e viveu aqui no Brasil, muito interessante. Tem alguns pertences dele, invenções, e você pode subir e descer pelas escadas malucas que ele criou. A casa me lembrou a Casa do Louco do Parque da Mônica! Caminhei um pouco pela cidade, que é super tranquila, fiquei na praça e depois peguei o ônibus para a rodoviária e outro para o Rio. Respeite a charrete! Eu percebi que Petrópolis tem vários hoteizinhos delicia, em casarões antigos. Pode ser uma boa para quem quer descansar longe da cidade grande se hospedar em um deles por alguns dias e ficar só na piscina, na tranquilidade. A cidade também tem várias charretes que oferecem passeios para turistas. Elas saem da frente do Museu Imperial. Dica importante para quem vai para Petrópolis de ônibus: se possível, sente na janela. E na ida e na volta, fique do lado esquerdo. É o lado de onde se podem ver as serras do Rio, que são absurdas de lindas. Conselho de amiga: sente na janela do lado esquerdo e veja isso Depois da rodoviária, fui até a Praia do Flamengo e fiquei andando um pouco pela orla. Já eram umas 7 da noite, mas como estava muito calor, a galera aproveitou para correr, ir à praia ou levar as crianças para brincar. O Rio consegue ter esses momentos de sossego e contato com a natureza, uma delicia! Sexto e último dia – Niterói, centro do Rio e volta para casa Nós queríamos muito ir à Niterói, mas estávamos com medo de o passeio demorar e atrasarmos a volta para casa. Uma das funcionárias do hostel nos explicou que a barca para Niterói não demorava quase nada. Poderíamos ir tranquilas e decidimos arriscar. Pegamos um ônibus até a Praça XV e pedimos para o cobrador nos avisar o ponto das balsas. E ele: ah, o mergulhão! O cobrador não me esqueceu de avisar o ponto? Ele se deu conta só quando viu o ponto passando e começou a gritar para o motorista: para aí que as meninas vão desceeeeer! E o motorista me abre a porta no meio da rua, na pista do meio em uma rua de pista tripla! Lembra o que eu falei do trânsito maluco do Rio? Pois é. Descemos e fomos até as balsas. Elas são o transporte diário de muita gente que mora em uma cidade e trabalha na outra, então a plataforma de embarque fica sempre lotada. Compramos o bilhete e em cerca de dez minutos o mergulhão fez a travessia. Mais uma vez, vale sentar na janela, a vista é lindíssima e quem gosta de fotografia vai se esbaldar. Vista do mergulhão Ao lado do desembarque das balsas em Niterói tem um ponto de informações turísticas. Pedimos para o guia nos explicar como chegar ao Museu de Arte Contemporânea. Ele nos ensinou como chegar de ônibus, mas vimos o mapa, achamos que seria uma caminhada fácil e fomos andando. Resultado: caminhamos quase uma hora embaixo do sol e não chegava nuuuuunca! No fim a caminhada foi boa porque é só ir seguindo a orla e a paisagem é belíssima, mas nos cansamos muito. Orla de Niterói O MAC é muito lindo. De suas janelas dá para ver boa parte de Niterói. Quem gosta de arquitetura vai se deslumbrar com a “loucura” do Niemeyer. E quem gosta de arte vai adorar o acervo. Olha o MAC aí Pegamos um ônibus para voltar para as balsas e descemos na Praça XV do Rio. Aproveitamos para conhecer o Paço Imperial, que foi um prédio do governo durante o Império. Foi lá que a Lei Áurea foi proclamada e o Dia do Fico foi anunciado. O prédio foi restaurado e é lindíssimo. Quando fomos, estava rolando uma exposição de arte moderna e contemporânea com o acervo do Itaú Cultural e, nas janelas e entrada das salas, foram colocadas placas explicando o que aconteceu ali em que data, ou qual era o uso administrativo do lugar. Eu, como amante da História, me esbaldei! No Paço Imperial também tem um restaurante muito gostoso e com o preço honesto para a comida deliciosa que oferece. Almoçamos lá, pegamos o metrô e saímos correndo para o hostel e o aeroporto. Janelas do Paço Imperial vistas do pátio central Pegamos táxi com um motorista muito comédia que ficou contando as aventuras mochileras dele: como foi para a Bolívia com 300 dólares, já dormiu embaixo da Torre Eiffel porque não tinha grana, um barato. Aí quando ele foi descer minha mala, falou: só que nos meus tempos de mochileiro eu não carregava tudo isso, não! Hahahaha! Tirando o atendimento péssimo da Gol (atendente me deixou falando sozinha, virou as costas e saiu andando, minha mala foi entregue melada de novo e minha mochila chegou encharcada) , o voo foi uma delicia e, aí sim, eu vi o pôr-do-sol mais lindo da minha vida: o avião estava sobrevoando o Rio por cima das nuvens enquanto, no horizonte, o sol ia embora. Fiquei hipnotizada com tanta beleza. Se fosse só para ter ganho esse presente, a viagem já teria valido a pena.
  6. Fico feliz por ter ajudado, pessoal. Qualquer coisa é só perguntar Só uma coisinha sobre Buenos Aires: eu tive algumas experiências bem ruins na cidade, mas queria destacar que conheci muita gente bacana por lá, que me ajudou, se interessou e foi muito honesta. E a cidade é incrível de linda. Listei apenas os lugares mais importantes que conheci, mas fiz vários passeinhos meio sem rumo que valeram muito a pena. O que eu acho que acontece é que quando saímos de férias "baixamos a guarda", mas os problemas das cidades grandes não param. Não achei Buenos Aires mais perigosa que São Paulo, onde vivo, por exemplo. Beijos
  7. Oi Arnóbio! Ótimo relato, parabéns! Estou planejando uma viagem para Santiago e suas dicas foram muito úteis
  8. Oi Péricles! Muito obrigada, fico feliz que tenha gostado. Pois é, duas tentativas de golpe! Minha sorte é que eu estava ligeira, já tinha lido muito sobre os golpes porteños, e os dois golpistas foram muito mongos. Em especial o segundo, que foi tentar me roubar na frente da faculdade de direito em dia de eleição, lotado de policial! É muito babaca. Mas apesar dos pesares gostei muito de Buenos Aires e a Argentina é um país lindíssimo. Pretendo voltar em 2013, agora para conhecer o Norte.
  9. Ótimo relato! Estou montando meu roteiro para Janeiro e foi de grande ajuda. Obrigada!
  10. Bom gente, depois de ler tantas dicas bacanas por aqui, resolvi postar o relato do meu primeiro mochilão. Uruguai e Argentina em 16 dias, sozinha. Minha viagem tinha dois desafios primordiais: embarcar sozinha para a Argentina, país conhecido por seus homens, digamos, galanteadores, e eu ser vegetariana, o que restringe a dieta na estrada. Para outras meninas que estejam na situação pela qual eu passei: O fato de ter ido sozinha não atrapalhou em nada. Eu sou meio emburrada por natureza, então não dava muita brecha para gracinha. Não peguei muito táxi, mas quando resolvi seguir os passos de Angélica, todos os motoristas foram muito respeitosos. Alguns notavam meu sotaque evidente, mas tinham a delicadeza de fingir que tudo estava normal, e para outros mais amigáveis eu falava que era do Brasil e eles sempre vinham com histórias bacanas sobre as férias em Salvador ou Floripa. De novo: eu não fiquei dando brecha para gracinha, acho que essa postura “malvadona” tem que imperar quando estamos sozinhas. Na verdade ter ido só foi muito bom, já que tive que me comunicar mais com as pessoas e conheci muita gente bacana. Quando falei que ia viajar sozinha, a reação das pessoas era de surpresa. Mas cooooomo sozinha? Não está com medo? Você é louca! Claro que deu um frio na barriga, afinal essa foi a primeira vez que eu sai do país, não falava espanhol e não conhecia ninguém no Uruguai ou na Argentina. Mas essa viagem foi a melhor coisa que já fiz na vida. Cresci muito e aprendi demais. Sobre ser vegetariana: Eu como ovos e leite, então fica mais tranquilo pegar a estrada. Estava meio tensa por ir a dois países que tradicionalmente baseiam suas dietas em carne, mas foi tudo muito tranquilo. Cozinhei muito no hostel, comi muita fruta e, quando queria comer fora, optava por pizzas, medialunas, empanadas veg e massas sem carne, tudo muito fácil de achar. No Burguer King argentino, inclusive, existe um combo veg com hambúrguer e nuggets \o/ Para montar o roteiro eu usei três guias: South America on a shoestring – big trips on small budgets. Lonely Planet. (É em um inglês bem fácil e tem dicas incríveis) Argentina. Guia o Viajante. Argentina – Rough Guide. Publifolha. Para saber mais sobre preços e horários dos ônibus na Argentina, consulte o site http://www.plataforma10.com. Eu comprei minhas passagens na rodoviária ou em agências conveniadas com o hostel. Muito cuidado com agências de viagem picaretas, especialmente em Buenos Aires! Bom, mas chega de blábláblá! Deixo meu relato diário caso possa ajudar alguém. Em caso de dúvidas, informações ou dicas, entre em contato Primeiro dia: São Paulo – Montevideo (final da Copa América!) Saí de SP no dia 24 de julho, um domingo. Peguei um voo de manhã para dar tempo de aproveitar bem o primeiro dia. Quando chegamos em Montevideo o avião teve que atrasar um pouco o pouso, o que foi ótimo! Ele deu uma volta por toda a cidade e me apaixonei logo de cara. Tudo branquinho, simétrico e o rio de la plata abraçando Montevideo com aquele azul hipnotizante. Passar pela fronteira é muito tranquilo, só é necessário o RG e eles te dão um documento que deve ser devolvido quando deixar o país. Peguei um táxi super chique para ir até o hostel, depois me explicaram que os táxis do aeroporto são especiais e – consequentemente – mais caros. Fiquei hospedada no Pocitos Hostel, localizado no bairro de mesmo nome. Super recomendo. A cidade estava linda, toda enfeitada para a final da Copa América. Os uruguaios levam futebol muito a sério e estavam super empolgados para o jogo. Cheguei no hostel, deixei as malas e fui ao mercado comprar umas coisinhas para beliscar até a hora do jogo. Para quem for para Montevideo, uma dia: Pocitos é um bairro lindo e super seguro, mas é tudo muito caro por lá. Deixe para fazer suas comprinhas no centro, muito mais barato. Assisti ao jogo, Celeste campeã! E fui até o calçadão, ou a “rambla”, comemorar com os uruguaios. Fiquei espantada com a educação e simpatia de todos. As ruas ficaram fechadas de gente comemorando, mas tudo muito seguro. Crianças, velhinhos, todos brincando sem violência ou baixaria. Mesmo os mais jovens que estavam bebendo e fumando, o fizeram na maior educação. Não sei se isso era um reflexo do bairro onde me hospedei, mas fiquei impressionada com a postura respeitosa de todos. Segundo dia: Montevideo (Centro) Acordei cedinho e fui passear pelo centro da cidade com uma argentina que conheci na véspera. Montevideo é uma cidade relativamente pequena e plana, então dá para andar de ônibus ou a pé mesmo. Pegamos um busão até o centro, não mais que vinte minutos, e fomos caminhando meio sem rumo. Primeiro ficamos andando pelo porto, que é muito bonito, com umas muralhas e uns velhinhos pescando, enquanto navios de exportação passam cheios de containers. Contrastes que são o charme de Montevideo. A moça do hostel ficou insistindo para que tomássemos cuidado no porto, mas nós achamos muito tranquilo. Talvez por sermos de São Paulo e Buenos Aires, estejamos acostumadas com ambientes mais perigosos. Também aproveitei a ajuda linguística da amiga porteña para comprar meu bilhete de Buquebus para Buenos Aires. Fomos até o mercado del puerto, mas foi bem decepcionante. Não tem quase nada à venda. As comidas parecem apetitosas, mas praticamente tudo é à base de churrasco. Como eu não como carne, fiquei só olhando Eu tinha marcado em um guia todos os lugares que queria conhecer, assim íamos caminhando meio sem rumo e, quando percebia que estávamos perto de um lugar que eu queria ver, parávamos e procurávamos. Para quem curte história e arte: não deixe de conhecer Museo de Arte Precolombino e Indígena (MAPI) e o Museo Torres Garcia. Valem muito a pena. Também achei fundamental ver a Puerta de la ciudadela, a Plaza Independencia e a Plaza Zabala. Comemos em uma casa de lanches natureba no centro, bem honesta, e voltamos para o hostel caminhando pela rambla. A cidade é bem reta e com um mapa básico dá para se virar bem. (Os museus e hostels possuem panfletos com mapas e guias culturais da cidade, pergunte por eles). Fizemos uma caminhada de mais ou menos uma hora, com uma parada estratégica em uma praça. Vale muito a pena caminhar pelo calçadão do rio/mar de la plata. É de uma calma incomparável. A belíssima rambla de Montevideo Terceiro dia: Montevideo (bairros e centro) A amiga porteña foi embora e tive meu primeiro dia realmente sozinha em Montevideo. Fui visitar mais alguns museus, longe do centro e de “casa”, o que me possibilitou conhecer um pouco mais da cidade. Com a ajuda da funcionária do Pocitos Hostel (que foi um doce) peguei um ônibus até o Museo de la Memoria, que aborda a última ditadura militar uruguaia. É parada obrigatória para quem se interessa por história. Lá conheci uma senhora que ficou um tempão conversando comigo sobre o Uruguai e fazendo mil perguntas sobre o Brasil. Os funcionários são super atenciosos e simpáticos. De lá, caminhei até o Museo Municial de Bellas Artes. Pois é, eu adoro um museu . Foi uma caminhada muito agradável e onde eu vivi uma das maiores provas de gentileza da minha vida. Fui pedir informação a um moço na banca de jornal e ele não estava seguro sobre a rua na qual eu deveria entrar. Ele perguntou para um taxista que estava parado e os dois pararam um outro taxista para perguntar, apenas para ter certeza de que estavam dando a informação certa! Eu fiquei passada com tanta atenção. Os uruguaios são muito queridos e atenciosos. Enfim, depois desse museu eu peguei um busão até o centro. Queria conhecer o Solis por dentro, mas acabei descendo no ponto errado, me atrasei e perdi a excursão. Fiz umas comprinhas, caminhei um pouco mais e voltei ao hostel. O centro, ou Ciudad Vieja, à tardezinha. Quarto dia: Montevideo e Buenos Aires Acordei ansiosa para pegar o buquebus, que iria sair dali umas duas horas. Como o buquebus foi uma das minhas maiores preocupações, vou falar um pouco sobre ele: é como uma balsa gigante, que vai para diversos lugares do sul. É um serviço bem concorrido, então vale a pena comprar a passagem com alguns dias de antecedência. Eu comprei a minha dois dias antes. Umas brasileiras do hostel deixaram para comprar no dia e ficaram sem, então melhor garantir. Para quem vai cruzar a fronteira, dá para pagar a passagem em pesos uruguaios ou argentinos. Eles também aceitam cartão de crédito, mas no dia em que eu fui comprar a máquina estava quebrada. A viagem no buquebus é muito tranquila e tem free shop e serviço de lanches. A parte na qual estão os acentos quase não balança, mas os banheiros e o free shop, que ficam um piso abaixo, sacolejam bastante e eu fiquei mareada. Enfim, acordei e fiquei perguntando para o funcionário do hostel sobre o buquebus. Ele me tranquilizou e disse que chegando meia hora antes do embarque estava bom. Eu fiquei meio cabreira, mas confiei. Fui dar uma volta na praia (era dia de feira, tirei fotos lindas!) e voltei para o hostel. O táxi chegou cinco minutos depois do chamado (!) e eu acabei chegando no porto uma hora antes. Fui a segunda passageira a chegar e fiquei uma eternidade esperando buquebus sair. Maldita ansiedade! Mas no fim foi bom porque pude conversar bastante com um casal – gaúchos muito simpáticos – e consegui sentar na janelinha do buquebus, uma vista linda do rio de la plata. Navios gigantes passando bem pertinho da gente, aves, e aquele azul lindo. Chegar em Buenos Aires foi um choque. Depois de quatro dias de gentileza, calma, natureza e muita conversa fiada, desembarquei bem no centro caótico da capital argentina. Na fila do táxi, só brasileiros e um argentino que deu “uma caixinha” para o atendente conseguir um táxi para ele antes. Dividi o táxi com umas brasileiras que encontrei na fila e já tinha conhecido no Uruguai. O taxista era um senhor uruguaio que nos levou pelo centro e ficou contando a história dos monumentos. Que emoção ver a Casa Rosada pela primeira vez! Fiquei no hostel The Clan Bed and Breakfast, dessa vez em quarto privativo. Fica bem no centro da cidade, dá para fazer tudo caminhando. Os funcionários são muito simpáticos e prestativos. Tem gente que mora lá, então rola um clima bem família, em especial à notinha. E um dado importante: os cafés-da-manhã são muito fartos. Muito mesmo. Do tipo que dá para ficar sem almoçar. O único problema é que tem uma balada na rua do hostel, então à noite fica um barulho bem alto a noite toda. Enfim, cheguei ao hostel e fui fazer compras no mercado para cozinhar e aproveitei para ir até a Casa Rosada e a Catedral. Elas estavam fechadas, mas deu para ver as luzes de fora à noite, uma coisa linda. Na volta me perdi e tive que consultar o guia, o que eu odeio, afinal fica escrito TURISTA na testa. Nisso um menino de uns 12 anos coloca a mão no meu ombro e me pede dinheiro. Eu falei que não tinha e ele: se você não me der vou roubar tudo que você tem. Eu fiquei puta, gritei que não tinha e comecei a andar super rápido. Não sei se ele ia me roubar mesmo ou estava me zoando, mas isso já serviu para A-me lembrar que eu não estava mais na pacata Montevideo e B-me deixar cabreira durante toda a viagem. Quinto dia: Buenos Aires (Centro) Decidi conhecer as proximidades do centro da cidade. Fui caminhando até a Catedral Metropolitana, a principal do país e onde está o mausoléu com os restos de San Martin. Também dei uma volta pela Plaza de Mayo e tirei aquelas fotos de turista Depois caminhei até o obelisco e, finalmente, ao Museo Beatle, que fica em uma galeria na Corrientes. Paguei caro – 40 pesos! – mas é parada obrigatória para os fans de música. Com eu sou beatlemaniaca, não poderia perder a chance. De lá caminhei mais pela Corrientes – muitas livrarias, é de enlouquecer! – passei pelo Carrefour para comprar umas guloseimas (experimente alfajor da Milka, é de comer de joelhos!) e voltei para a Plaza de Mayo porque soube que as madres iriam fazer seu tradicional protesto. É muito emocionante acompanhá-las. Depois disso fui ao museu do Cabildo e voltei para o hostel. Estava muito cansada e fazia muito frio: sensação térmica de -2°C! Uma das ruas do centro porteño Sexto dia: Buenos Aires (La Boca, Puerto Madero e San Telmo) Acordei toda animada e perguntei ao moço do hostel: - Como vou para La Boca? - Que boca? (troll face) Como assim que La Boca, meu senhor? A que eu venho querendo conhecer desde sempre! Peguei um busão no centro, o 64, que faz final no Caminito. Parei em uma lojinha para comprar umas coisinhas e fui até o Caminito, que é lindo, lindo. Fiz umas comprinhas e fui conhecer La Bombonera. Adoro futebol e sou apaixonada pelo futebol argentino (por favor, não me xinguem), então me acabei no Museo de la Pasión Boquense. Uma dica: se você se interessa minimamente por futebol, faça o tour. Não importa se é caro, se demora, se os atendentes do caixa são mal humorados. Faça o tour pelo estádio. O tour valeu muito a pena. Uma moça muito simpática contou detalhes da história do Boca , conhecemos o estádio por dentro e nos divertimos horrores. O legal é que a guia fala espanhol, mas pode repetir em inglês ou português. Eu entendi tudo o que ela falava, e outros brasileiros que estavam no passeio também, é bem sussa. Me apaixonei pelo Boca e saí de lá com uma bandeirola “Camila, el hincha n°1 de CABJ, te amo”! Hahaha. As coisas na Bombonera são muito, muito caras. Vale a pena dar uma pesquisada antes de fazer comprinhas por lá, por mais que a pasión boquense te contagie! Saí de La Boca e peguei um ônibus até San Telmo. Desci meio perdida, quando achei que estava no bairro certo. Andei, andei e cheguei em... Puerto Madero! Tudo bem, afinal ele também estava na lista, mas minha falta de norte foi engraçada. Puerto Madero é lindo, e só. Os restaurantes de lá são chiquérrimos e, consequentemente, caríssimos. Se você estiver com uns bons pesos sobrando, pode se arriscar. Mas como eu estava contando moedinhas, preferi comer minha maçã na humildade. Fui perguntando e caminhando até que cheguei em San Telmo. Tirei minha foto com a Mafalda e comprei meu mimo preferido da viagem: um quadrinho da turma da Mafalda vestida de Beatles! Comi em uma pizzaria em frente à casa da Mafaldita. A pizza era boa, mas o serviço, Jesus me dê paciência! Chamei a garçonete três vezes e ela preferia fazer nada a me atender. Brincadeira, né? Enfim, San Telmo é um bairro lindo, cheio de bares, pubs e lojas estilosas. Fiquei pouco por lá, pretendo conhecer melhor em outra viagem porteña. Voltei para o hostel caminhando (as ruas de San Telmo parecem bem seguras pelo movimento e boa iluminação). Fui para “casa” tomar chá e me enrolar nas cobertas, tamanho o frio! La Bombonera Sétimo dia: Centro, La Recoleta (tentativa frustrada) e Hard Rock Café Saí de “casa” toda pimpona com as instruções de como chegar até a Recoleta de ônibus. Mas queria conhecer a livraria El Ateneo e decidi ir caminhando. Sobre El Ateneo: vale muito a pena conhecer. É lindíssima, apesar do preço meio salgado dos livros e CDs. Dá para dar uma passadinha depois de conhecer o Obelisco, que está relativamente perto. Pois bem, fui procurar o papel com o busão que deveria pegar para a Recoleta e descubro que perdi. Perdi o papel. Burra a pão de ló! Aí beleza, mantive a calma e fui caminhando de acordo com o mapa do meu guia. Mas sabe Deus como, eu consegui ir para o lado contrário e ir parar no centro de novo! Só não é mais burra por falta de espaço! Fiquei andando perdida um tempão e, por fim, peguei o subte (o metrô porteño) e desci na estação que uns policiais me orientaram. Caminhei, caminhei, caminhei, completamente perdida e enfim encontrei o cemitério. Só que aí eu estava tão cansada que visitei uma capelinha ao lado do cemitério, que tem um museu bem bonitinho, e fui correndo atrás do Hard Rock Café, para tomar uns bons drink e ouvir um rock. Para os vegetarianos: o hambúrguer veg deles é uma delicia, bem generoso e não tão caro. Lembro que paguei cerca de 50 pesos em um mais um chopp Quilmes (delícia!). Na mesa do Hard Rock eu conversei com um moço do Panamá muito simpático, que me deu um conselho valioso: esses perrengues pelos quais você passa fazem parte da aventura. Verdade, né? O que seria de um mochilão sem eventuais perrengues? Pensei nisso quando me despedi, fui finalmente conhecer o cemitério da Recoleta e estava fechado. Fue fue fuééén. Aí tive que ir perguntando como fazia para chegar em um subte. Oitavo dia: La Recoleta, Palermo, tentativa de golpe e eleições Meu último dia em Buenos Aires. Tinha me programado para ir até a cidade de La Plata, mas como não tinha conhecido várias coisas de Buenos Aires, decidi ficar. Queria ir a alguns museus, entre eles o Museu de Arte Latinoamericano, o Malba, que abriga um dos mais valiosos acervos de arte do nosso continente. Levantei cedinho e conheci o Cemitério da Recoleta, enfim. É bem bonito, mas confesso que me sinto meio mal em cemitérios, em especial porque estava tendo um velório no mesmo dia. Acho meio falta de respeito ficar turistando enquanto as pessoas choram seus mortos. Fui caminhando, passei por alguns museus e vi que estavam todos fechados. Decidi caminhar até Palermo e, enquanto fotografava a faculdade de direito, uma gosma caiu na minha cabeça. Aí um casal veio me ajudar a me limpar, ficou falando que era cocô de pomba. Eu fiquei bem de olho na minha mochila, ainda estava meio traumatizada com o moleque do primeiro dia. Quando, de repente, vejo o cara com a minha carteira na mão. Filho da puta! Aí ele deu um migué, falou que tinha caído e eu fui conferir tudo. Não senti falta de nada, carrego pouco dinheiro na carteira e ele estava lá. Não entendi até hoje se foi uma tentativa frustrada de golpe ou se eu estava paranóica demais em Buenos Aires. Seguindo a orientação do casal, fui até a faculdade de direito, que estava aberta por causa das eleições primárias, usar o banheiro e tive que pegar um taxi para “casa” lavar o cabelo, que ainda estava fedendo. Banho tomado, aproveitei o desvio de rota para tentar conhecer o interior da Casa Rosada, que funciona aos sábados e domingos. Mas o guarda me informou que estava fechado por causa das eleições. Frustrada, fui caminhar pelo centro, peguei um táxi para o Malba e fuefuefuéén, também fechado. Conheci um velhinho italiano na porta do museu e fomos tomar um café. Ele me contou várias histórias sobre a Buenos Aires de antigamente e me levou até a porta do Jardim Japonês, uma formosura. Voltei para “casa” frustrada por não ter conseguido fazer os passeios programados. Nono dia – Perrengues na rodoviária de Buenos Aires e final feliz em Rosário Comprei minha passagem para Rosário um dia antes, em uma agência. Fica um conselho: compre passagens apenas na rodoviária ou em uma agência conveniada com o hostel. Tem muita agência de viagem picareta em Buenos Aires, e quem me disse isso foram os próprios porteños. O ônibus ia sair cedo, então empacotei minhas coisas e fui para Retiro, a rodoviária da capital. Estava decidida a fazer a Angélica e ir de táxi, mas um moço que vivia no hostel me disse que era mais fácil ir de subte. Afinal, estávamos perto de várias estações e Retiro é uma estação final. Paulistana traumatizada, perguntei se não seria difícil, afinal era horário de pico e eu estava com duas malas mais a mochila. Ele disse que não, podia confiar. Fiz o check out, desci para o subte (com uma mala de rodinha, uma mala pequena em cima e uma mochila), confiando na palavra do colega. Desço as escadas no maior perrengue, chego na plataforma e quando abre a porta.... TA-DÁ O metrô lotado que não dava para entrar. Eu quase sentei no chão e chorei. Estava em cima da hora, não dava mais tempo de pegar táxi e o metrô que nem a Sé ás 6 da tarde. Eu só conseguia repetir: colombiano filho da puta, colombiano pelotudo. Pelotuda eu também de confiar. Hijo de puta. O outro trem chegou e eu fui empurrando para fazer caber minhas malas. Nas duas estações que se seguiram, as pessoas desceram de boa. Mas na terceira, todo mundo resolveu descer. Tipo estação da Luz às 7 da manhã. Eu, obviamente, não conseguia dar licença por estar cheia de malas e com um monte de gente me empurrando. Qual foi a reação dos passageiros? Descer o soco! Sério. Tomei soco, pontapé, empurrão e a coitada da minha mãe foi que foi xingada. Aí eu sentei no banco do subter e chorei. Estava com fome, com frio, homesick e ainda passei por isso. Comecei a chorar abraçada nas malas. Desci em Retiro em cima da hora do busu sair e, claro, me perdi. Quando me achei, pedi informação para um moço que estava sentado por ali e ele, na maior calma: seu ônibus já saiu. Nossa, quase começo a chorar de novo. E ele: calma, moça. Vai no balcão da companhia e pede para eles trocarem sua passagem que tudo bem. Chego no balcão da companhia. (sorriso de choro): - Hola, bom dia. Queria trocar minha passagem, por favor, que eu perdi o ônibus. (cara fechada): - Se atrasou é? (cara de choro): - Eu sou estrangeira e me perdi. (cara feia): -Toma outra. (sorriso amarelo): - Obrigada Eu entendi que o bumba sairia da plataforma 10 DE 71, dali uma hora. Fiquei sentada no frio esperando. Esperando. Esperando. Aí vi que estava atrasado demais e perguntei para uma senhora se ela sabia do ônibus para Rosário. Ela viu minha passagem e falou: ih filha, esse já saiu. E eu: como assim? Aqui é a plataforma 10, ele sai da plataforma 10. Ela: não, ele encosta em qualquer plataforma daqui, da 10 ATÉ a 71. Chorei de novo. Me controlei e voltei no balcão, mas com outro atendente. -Moço, perdi o ônibus, você poderia trocar a passagem? Passagem trocada, 15 minutos antes do ônibus sair eu colei em um segurança e pedi para ele me ajudar. Ele localizou o ônibus para mim e, no fim, um brasileiro ouviu minha conversa com ele e ficamos juntos meio nos apoiando. Com a super ajuda do anjo segurança peguei o busão para Rosário. Os ônibus argentinos são muito seguros. Eles etiquetam sua bagagem e só te entregam se você mostrar o comprovante no desembarque. As estradas argentinas também são muito seguras e bem cuidadas, ao menos no trajeto que eu pude conhecer. Mas muito muito muito cuidado com a rodoviária de Buenos Aires. Eu vi muita gente suspeita por lá, encarando bagagem e fingindo pedir dinheiro para olhar dentro das bolsas. Todo cuidado é pouco. Ah, e a plataforma de embarque é em uma área descoberta. Se for no inverno, como eu, leve um agasalho extra porque faz muito frio. Enfim cheguei em Rosário, bem de tardezinha por causa do tempo perdido com a confusão da rodoviária. Ao chegar em Rosário já senti uma atmosfera mais calma Apesar de ser a 3ª cidade mais importante do país, perdendo apenas para a capital e Córdoba, Rosário consegue manter o clima de cidade do interior. Na rodoviária já senti a diferença: as polícias eram praticamente todas mulheres, e com traços indígenas. Girl Power! Peguei um taxi por volta das 4 da tarde e percebi que o comércio estava quase todo fechado. Era hora da siesta. Tem coisa mais cidade fofa do interior que isso? Fiquei no hostel La Casona de Don Jaime II. Recomendo demais. Equipe simpática e atenciosa, funcionários brasileiros para quando o espanhol falhar e muito bem localizado. Para não perder por completo o dia, fui ao mercado e depois sai caminhando pela cidade. Com uma importante universidade, Rosário mantém um clima muito jovem e descontraído. É normal, por exemplo, ver muitos estudantes e jovens andando com violões ou guitarras pelas ruas. Fui seguindo o mapa até o Monumento a la Bandeira, que imaginava ser uma estatuazinha qualquer. Quando cheguei lá, fiquei absurdada. O Monumento é a uma das coisas mais bonitas que eu vi na Argentina. Ele fica na beira do rio Paraná, onde a bandeira argentina foi criada. É enorme, tem uma fogueira simbólica, policiais com fardas especiais fazendo a guarda e uma torre enorme com as cores da pátria projetadas. Lindo, lindo, lindo. Voltei pelo centro, comprei uns livros que estavam super baratinhos e voltei para o hostel para me recuperar do trauminha porteño. Décimo dia – Rosário (centro e parque) Levantei cedinho e fui dar uma volta por Rosário. O centro da cidade é relativamente pequeno e dá para fazer o básico a pé. Perambulei um pouco pelo centro e depois fui ao belíssimo Parque de La Independencia, onde fica o Museo Historico Provincial Julio Marc, com um acervo super completo desde a pré-história argentina até a colônia. Os funcionários do museu, assim como os rosarinos no geral, são muito simpáticos e adoram uma prosa. Para quem está aprendendo espanhol, é uma ótima oportunidade de treinar o idioma. Os rosarinos são pacientes e não ficam corrigindo ou interrompendo. Depois caminhei pelo centro (vale a pena conhecer as lojas e os centros comerciais: produtos baratos e de muito bom gosto). Conheci o Museo de La Memoria, que aborda a ditadura militar, andei pelas proximidades das faculdades, que ficam espalhadas pela cidade, e voltei ao Monumento a la Bandera (por dois pesos é possível subir de elevador até o topo do monumento e ver toda a cidade. É muito bonito), ao rio Paraná e fui à Praça Che Guevara (que nasceu em Rosário) e à sua casa de nascimento, que nada mais é que um prédio com uma placa na frente . Tudo muito bonito e tranquilo. Jantei empanadas de queso e cebolla, uma deliciosa e barata opção para os vegs O Monumento a la Bandera Décimo primeiro dia – Rosário e Córdoba Fiquei apenas um dia inteiro em Rosário e a verdade é que me arrependi profundamente. A cidade é linda, tranquila e cheia de gente simpática disposta a dois dedinhos de prosa. Além disso, a vida noturna rosarina é incrível, cheia de bares, pubs, restaurantes... Quero muito voltar para lá e conhecer melhor a cidade. Por conta do rio Paraná, eles também contam com vários passeios de barco e lancha, e muitas praias. Fiz o check out sem pressa e peguei o bumba para Córdoba por volta do meio dia, dessa vez sem traumas. Comprei a passagem na rodoviária na hora do embarque, seguindo a orientação da moça do hostel. Ela disse que em alta temporada (do final de junho a meados de julho) a procura por passagens para Córdoba é alta e é melhor garantir com antecedência. Mas com estávamos no dia 3 de agosto, estava tranquilo. Mais uma vez a pontualidade e qualidade dos ônibus argentinos me surpreendeu. Fui no segundo andar do ônibus, com uma janela panorâmica que me deu uma vista linda e presente. Era um ônibus “pinga-pinga”, o que foi ruim porque perdi tempo, mas foi magnífico porque pude circular por várias cidadezinhas argentinas e conhecer um pouco melhor o interior e as famosas serras de Córdoba, lindas de viver. Cheguei ao hostel à noitinha. Me hospedei no Córdoba Backpackers. Sua localização é ótima – no centro, perto de tudo – e os funcionários são relativamente interessados, mas a estrutura é bem ruim. Fiquei em um quarto privado. A TV não funcionava, a pintura estava descascando e a parede do chuveiro tinha um buraco redondo no alto, parecendo um cano quebrado. Medo. Também fiquei bem nervosa porque reservei três noites e eles computaram duas no mesmo quarto e uma em um sem banheiro. Um absurdo, já que eu fiz a reserva com dois meses de antecedência. No fim cancelei a reserva do último dia e viajei à noite. Conheci o centro de Córdoba pela noite e fechei um passeio no hostel para o dia seguinte cedinho, para Alta Gracia (cidade onde o Che Guevara viveu) e La Cumbrecita. Décimo segundo dia – Alta Gracia e La Cumbrecita Essa foi a primeira excursão do mochilão, por estar curta de grana e porque normalmente fico de saco cheio com excursões. Mas valeu muito a pena. Uma que na viagem conheci um argentino, um mexicano e uma venezuelana, e ficamos andando meio de grupinho. Em Alta Gracia conhecemos apenas o Museu Casa do Che Guevara, mas que é muito lindo. Independente da sua ideologia, pisar no mesmo chão que um ícone do nosso continente e ver suas coisas tão de perto é emocionante. Uma senhora espanhola que estava conosco saiu de lá aos prantos. Seguimos de van para La Cumbrecita, uma cidade linda de colonização alemã. Paramos no meio do caminho no dique Los Molinos para tirar fotos e ficar sem fôlego com tanta beleza. As serras de Córdoba, definitivamente, são magníficas. Em La Cumbrecita comemos em um restaurante lindo, com parede de vidro para a serra, e cerca de 60 pesos um almoço delicioso, uma pechincha! Depois fizemos trilha até uma cachoeira e, no caminho, vimos um restinho de neve da semana anterior. Eu e a venezuelana ficamos histéricas, hahaha. Primeira vez que víamos neve na vida! No fim do dia nos deixaram no centro de Córdoba, a nosso pedido. Caminhamos um pouco, jantamos no Burguer King do shopping Olmos, no centro, (há hamburguers e nuggets vegs!) e fomos para o hostel beber e conversar. Estava cansada e bêbada e capotei no quarto. Alguém aí lembra de La Poderosa? La Cumbrecita e as famosas serras de Córdoba Décimo terceiro dia – Córdoba (centro) Com a excursão do dia anterior, não tive tempo de conhecer Córdoba direito. Tirei a primeira hora do dia para comprar minha passagem para Mendoza e depois dei um rolê pela cidade. Córdoba é muito grande e bem bonita. Mas meio caótica, como qualquer cidade com aquele tamanho e importância. Visitei algumas igrejas (são muitas!). Eu conheci o Museo de la Memória, sobre a ditadura militar, que está em um prédio onde no tempo da ditadura funcionou um local de tortura, prisão e assassinato de presos políticos. Tem histórias de vários cordobenses que foram mortos, é bem impressionante. Também ficam expostas fotografias de pessoas que faleceram ali. Alguns dos monitores do museu são ex-presos políticos, vale a pena conversar com eles, que esclarecem nossas dúvidas com toda a paciência. Também conheci a cripta jesuítica em uma passagem em uma rua para pedestres, como se fosse um pequeno túnel. Ela foi descoberta durante a construção da avenida e ficou preservada. A contribuição é de 2 pesos e uma guia fica à sua disposição. Um tour muito interessante é o pela Universidade de Córdoba, onde uma guia conta a interessante história da universidade e da colonização jesuítica. Se tiver que conhecer uma capela, não perca a Capela Doméstica da mansão jesuítica, que fica nas ruínas do centro da cidade. Construída em 1668, ela foi tombada pela Unesco e nos deixou sem fôlego. Bem cansada de tanto caminhar, voltei ao hostel onde comi, bebi uma cervejinha e esperei pelo horário de meu ônibus para Mendoza. Fui de táxi até a rodoviária batendo um super papo com o taxista e fiquei esperando a hora do bumba chegar. Comprei um ônibus leito com serviço e foi a coisa mais engraçada. A poltrona vira uma cama melhor que a minha, com travesseiro e cobertinha! Rola um serviço de bordo onde são servidas bebidas, janta e café-da-manhã. O motorista conversa com a gente que nem no avião. A janta é servida, passam um filminho para ajudar a relaxar e, depois, as luzes apagam. Dormi super bem, acordei quase em Mendoza com o “busãomoço” perguntando: Breakfast, lady? Hahaha. Vegs, as duas refeições têm carne. Sorte que eu fiz uma quentinha de medialunas na rodoviária e comi enquanto via o filme. Décimo quarto dia – Mendoza Cheguei na rodoviária de Mendoza tonta de sono, meio sem saber o que estava acontecendo. Peguei o taxi para o hostel e achei que ia ter que esperar até o horário do check in (eram apenas 7 da manhã), mas meu quarto estava livre e eu pude ir descansar. Fiquei no Quinta Rufino Hostel, o melhor da viagem. Super barato, (180 pesos por três dias no quarto privativo com banheiro e café-da-manhã), café-da-manhã muito farto, equipe solicita e tudo super limpo e organizado. Perto de tudo, inclusive do centro, onde ficam os barzinhos. Recomendo. Dei aquela cochilada, tomei um banhão e estava pronta para conhecer a cidade. Mendoza é linda. Simples assim. Localizada na Cordilheira dos Andes, ela consegue unir sofisticação e natureza. Fiquei tão encantada vagando pela cidade que fui perceber só umas 4 da tarde que não comia nada desde o dia anterior! Almocei uma pizza individual com Seven up (pois é, ela ainda existe no Uruguai e na Argentina, adoro!) e fui conhecer a famosa Plaza Indepedencia. Lá vi um senhor que estava com um ônibus bem daqueles turistão, sem teto. Ele ia até o Cerro de la Glória e eu super embarquei. Paguei cerca de 30 pesos, não lembro ao certo. Mas vale muito a pena, o senhor passa por boa parte da cidade e vai contando a história. Por fim, entra no parque San Martin, onde fica o Cerro de la Glória, que foi placo de uma importante batalha durante o processo de independência. Mas, mais que isso, proporciona uma visão linda da pré-cordilheira dos Andes. Nesse passeio conheci um casal de brasileiros que me falou que estava indo fechar um pacote para conhecer a Cordilheira dos Andes. Gente, meu sonho era conhecer a cordilheira! Mais que depressa aceitei o convite deles, fui a uma agência de turismo e fechamos a viagem. Mais uma vez, o conselho: antes de fecharmos o pacote, o casal foi até a secretaria de turismo da cidade e perguntou se a agência era mesmo de confiança. Infelizmente tem muito picareta por aí. Me despedi do casal e fui conhecer a feira de artesanato da Plaza Independencia. É muito linda, com coisas baratinhas e de bom gosto. Guarde um dinheirinho para ela. Outra dia boa é a livraria / loja de discos Yenny de Mendoza. Ela fica no centro e é muito mais barata que suas “irmãs” uruguaias e da capital. Comprei vários CDs lá por 15 e 20 pesos, e um DVD do Chapolin Colorado por apenas 18. Fui dormir cedo porque no dia seguinte iria realizar o sonho de conhecer os Andes. A pré-cordilheira vista do Parque San Martin Décimo quinto dia – Cordilheira dos Andes e nevasca Acordei antes do sol nascer para ir aos Andes. Estava morrendo de medo de neve (sempre que eu estava em uma cidade e ia para a outra, os argentinos me botavam medo do frio: Ah, você vai para Córdoba? Não vai aguentar o frio não, menina. Te agasalha). Então, para subir os Andes eu me preparei para o pior: uma meia calça, uma meia de lã, uma meia normal, bota, calça jeans, camiseta, camiseta de manga comprida, casaquinho, casaco de lã, sobretudo, duas luvas, cachecol e toca de lã de alpaca. Ufa. Fui tomar café e certamente estava ridícula. O moço do hostel me olhou e falou: você vai para o Aconcagua? Essa roupa não é suficiente, e deu uma risadinha. Mas melhor ridícula que congelada. A van do passeio buzinou e lá fui eu. O guia era super simpático e ficou me zoando o tempo todo porque falei que torcia para o Corinthians e o Boca, hahaha. Antes de subirmos o guia explica bastante sobre o soroche, sobre com é perigoso ir até os Andes e conta umas histórias macabras de gente que ficou presa na neve e morreu, avião que cai, busão que fica preso. Assim, está todo mundo ciente do que pode acontecer. A van vai fazendo umas paradinhas no caminho para podermos tirar foto e perder o fôlego com a paisagem. Paramos em uma cidade super charmosa chamada Potrerillos para alugar as roupas e sapatos de neve e uns esquis, que o guia didaticamente explicava que eram “esquibundas”. A excursão era bem variada: casais jovens, gente sozinha, famílias, senhores. Todos argentinos, exceto eu, o casal de brasileiros do dia anterior e um casal português lindinho em lua de mel. Começamos a subir os Andes e estava uma mega nevasca. A neve estava atrasada: o que era para ter nevado em junho estava nevando em agosto! Mas não me importei, estava vendo neve pela primeira vez e fiquei muito emocionada. A van parou para colocar correntes nas rodas (coisa de filme!) e eu fiquei toda feliz pulando na neve, fazendo guerrinha de neve, comendo flocos de neve! Íamos passando por pontos importantes da geografia andina, mas era impossível ver qualquer coisa, por causa da nevasca. O guia falava, todo sarcástico: anotem e joguem no Google Imagens depois . Ir até o Aconcagua seria impossível, então o guia tentou nos levar até a Puente del Inca. No meio do caminho começou uma super nevasca e tivemos que voltar corridos! Era lindíssimo, mas dá muito medo. A neve vem muito rápido, dá a impressão de que irá cobrir a van em segundos. Voltamos para Potrerillos onde brincamos na neve. Aí minha ficha caiu: isso é neve dos Andes! Fiquei toda boba olhando para o céu e o guia veio me perguntar se estava tudo bem. E eu: sim, estou muito feliz! Ele deve ter pensado: coitada, essa é pinel. Almoçamos muito bem em um hotel chiquérrimo por cerca de 50 pesos e voltamos para casa, fotografando os Andes ensandecidamente. A van me deixou na porta de “casa”, tomei um banho bem quente para tirar a friagem da neve e fui passear pela Plaza Independencia. Depois dormi cedinho porque no dia seguinte voltaria para São Paulo. Quem quer neve? Décimo sexto dia- Mendoza, mais perrengue em Buenos Aires e, enfim, São Paulo Acordei cedinho, peguei um táxi para, seguindo as orientações da LAN, estar no aeroporto três horas antes do embarque. Cheguei no aeroporto e.... TUDO VAZIO. Aí eu olhei meu voucher, olhei relógio e fui fuçar nas lojinhas do aeroporto. Comprei uns alfajores (doce de leite coberto com açúcar, divinos!) e perguntei para a moça cadê todo mundo. Ela me falou que isso acontece todos os dias, a LAN manda chegar com três horas de antecedência, mas os funcionários só chegam uma hora e meia antes do primeiro voo. Ok. Comprei uma Rolling Stone (a Rolling Stone argentina é incrível!), e fiquei lendo. Fui tirar umas fotos do lado de fora do aeroporto, com o céu cor-de-rosa e depois de muita enrolação autorizaram o check in e o embarque. Fiz conexão no Aeroparque de Buenos Aires. Todos desceram, fomos para a esteira indicada e nada das nossas malas. E nada. E nada. Até que alguém gritou: nossas malas estão aqui! E todos correram para pegar em outra esteira. No meio tempo, um gurizinho brasileiro vem gritando para o pai: os jogadores do Boca estão ali, ó. E eu: pelamordedeus, onde? Ele: ali na outra sala. E eu não podia ir porque estava esperando minha mala. Aí o guri volta com um autógrafo do Riquelme. DO RIQUELME. E nada da minha mala. E eu querendo ver o Boca. E nada. Os jogadores foram embora. Meus colegas de voo foram embora. E nada das minhas malas. Fiquei desesperada, amaldiçoando Buenos Aires. Sai correndo com minha mochila e uma caixa de alfajores no carrinho de bagagem até o guichê da LAN. Falei que minha mala tinha sumido e a atendente, naquele mau humor porteño: volta lá que sua mala tá lá. Eu: moça, não tá, esperei até todas saírem. Moça: tá lá sim. Eu: NÃO TÁ, FAÇA O FAVOR DE CONFERIR O QUE ACONTECEU. Aí a atendente ao lado dela explicou que minha mala iria direto para Guarulhos. E a moça número 1 teimando que a mala estava lá. Até que ela chamou um colega no rádio e ele confirmou que a mala tinha ido para Guarulhos. E eu: mas isso é certeza, né? Resposta: cara de bunda. E eu fiquei sem meu autógrafo do Riquelme. Embarquei novamente, agora para Guarulhos, e, fora uma turbulência monstruosa, deu tudo certo e minha mala realmente estava no voo. Cheguei em casa feliz, cheia de histórias para contar. E sofrendo com soroche ao revés por três dias. Tchau. Andes! Até a próxima! (aeroporto de Mendoza)
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