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Leandro Moda

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Sobre Leandro Moda

  • Data de Nascimento 11-03-1986
  1. Caro caduguedes, Espero que tudo ocorra bem na sua viagem em outubro. Em San Pedro de Atacama é possível contratar excursões guiadas para os vulcões da região. Normalmente é oferecido uma espécie de pacote, que inclui transporte e lanches de trilha. Nas agências que visitei, acredito que o aluguel de equipamentos era cobrado a parte, porém com um preço razoável comparado ao valor total do pacote. Os vulcões visitados incluem Lascar, Sairecabur e Licancabur. Não estou certo se o guia local dispõe de equipamentos para emprestar ou alugar, mas talvez seja possível combinar com antecedência se conseguir estabelecer contato pelos telefones que postei acima. Na época da minha viagem, não havia encontrado estes números, então optei por comprar o que faltava do meu equipamento em Santiago, no Mall Sport, onde encontrei preços bem melhores do que no Brasil. De qualquer forma recomendo tentar um contato, pois evitaria o risco de um possível desencontro (chegar no abrigo e não ter um guia para fazer sua ascensão). Se precisar de mais alguma informação sobre este roteiro, pode me perguntar. Um abraço
  2. 26/12/2012 a 01/01/2013 Meia-volta à Ilha Grande Aventureiro – Provetá – Araçatiba – Matariz – Abraão – Pico do Papagaio Realizei no final de 2012 uma viagem para a Ilha Grande com meu amigo Jonas. Iniciamos na Praia de Aventureiro e caminhamos pelas trilhas até a vila de Abraão, que utilizamos como base para conhecer o Pico do Papagaio e a praia de Lopes Mendes. Dia 1 – Praia de Aventureiro Dia 2 – Trekking até Araçatiba Dia 3 – Trekking até Matariz Dia 4 – Trekking até Abraão Dia 5 – Subida ao Pico do Papagaio Dia 6 – Praia de Lopes Mendes A maior parte das trilhas foi realizada sem grande dificuldade, pois o trajeto quase sempre era bem definido. Muitas vezes o caminho passa pela areia das praias, subindo por caminhos entre residências: nestes locais tivemos pequenas dificuldades para encontrar o início da próxima trilha, gastando alguns minutos antes de localizarmos. Os locais na maioria das vezes puderam nos indicar o caminho a seguir. Dia 1 – 26/12/2012 Chegamos a Angra dos Reis pouco depois das 10:00 horas do dia 26/12/2012. Após estacionar o carro no estacionamento da rodoviária da cidade (R$20,00 a diária) nos dirigimos até o prédio da Turisangra, na Praia do Anil, onde retiramos a autorização para pernoite em Aventureiro. Às 14:00 horas, formos até o cais de barcos pequenos, onde embarcamos direto para Aventureiro (R$55,00). Depois de 3 horas, atracamos para descer no cais de madeira, seguindo para o camping do Luís, onde passamos esta noite. Praia de Aventureiro Dia 2 – 27/12/2012 Na manhã do segundo dia, desmontamos o acampamento e colocamos tudo nas mochilas. Às 08:20 seguimos para a praia de Provetá, onde chegamos por volta das 10:00 horas. A trilha é bastante ingrime neste trecho, subindo um morro de 338 metros de altitude antes de descer para a baía que protege a vila. Chegada à Provetá Ficamos pouco por lá, seguindo então por uma trilha um pouco mais tranquila até a praia de Araçatibinha, onde chegamos às 12:30. Esta pequena praia tem areia escura e grossa, um mar muito tranquilo e um velho cais de concreto perto de algumas construções que parecem abandonadas. Praia de Araçatibinha Uma pequena trilha leva até a praia grande de Araçatiba, e neste caminho fica o camping Bem Natural, que escolhemos para passar a noite. Nesta época do ano trabalham apenas com pacotes, mas abrem exceções para trilheiros que vão ficar apenas um dia (R$25,00 a diária). O camping estava cheio, mas ainda havia alguns lugares que ainda não estavam ocupados Dia 3 – 28/12/2012 Deixamos Araçatiba às 08:30, e neste dia seguimos por trilhas bem demarcadas que uniam as várias pequenas praias e vilas de pescadores, muitas vezes caminhando pela areia. Trilha no caminho para Matariz Caminhamos até as 14:00 horas, quando chegamos à praia de Matariz, onde existia uma fábrica de sardinhas construída por japoneses e abandonada há alguns anos. Fábrica de sardinhas desativada Contornamos as construções em ruínas e tomadas de mato até chegarmos à areia da praia, onde seguimos um pavimento junto ao mar até o pier de concreto. Perguntamos a um dos locais por um lugar onde fosse possível acampar naquela noite. Fomos conduzidos até o camping do Lídio, que nos recebeu muito bem, apresentando uma área coberta onde poderíamos acampar. O local é recomendado – o Sr. Lídio nos cobrou R$20,00 pelo pernoite, além de nos servir uma ótima refeição por justos R$15,00. O contato pode ser feito antecipadamente pelo telefone (24) 9849-8806. Dia 4 – 29/12/2012 Saímos às 07:50 da praia de Matariz, seguindo o que seria o maior trecho percorrido em um dia da viagem. Após uma pequena trilha, chegamos à praia de Bananal. Subindo bastante por um morro que separa as vilas pesqueiras da Enseada das Estrelas. Na descida, a trilha se tornou bem fechada e andamos em alguns momentos com mato até os ombros. Durante cerca de 40 minutos seguimos reconhecendo a trilha pela vegetação pisada abaixo do mato, que poucas vezes deixou dúvida sobre o caminho correto. Chegamos finalmente ao Saco do Céu, que é uma baía tranquila com alguns cais e vários barcos atracados. Ali nos reabastecemos de água em uma das residências e seguimos por uma trilha mais aberta, ignorando os acessos às praias do caminho e seguindo reto até a vila de Abraão. No caminho nos desviamos para visitar a Cachoeira da Feiticeira, que é acessível através de uma bifurcação na trilha. Foi necessário subir em zigue-zague por muitos minutos sob sol aberto, antes de descer até o pequeno poço da cachoeira. O local estava cheio de pessoas vindas da vila de Abraão, e foi necessário até pegar fila para ficar sob a queda d’água, que era escassa devido ao clima seco. Seguimos até o primeiro sinal de proximidade da vila, um enorme aqueduto de pedra com 11 metros de altura, construído em 1893 para suprir de água as instalações do Lazareto (antigo hospital e prisão). Um pouco adiante, chegamos às ruínas do Lazareto no acesso à praia Preta. Aqueduto Finalmente em Abraão, gastamos muito tempo procurando por um local onde acampar nos próximos dias. Infelizmente a maioria dos campings trabalha apenas com pacotes nesta época do ano, e os preços para 3 noites beiravam o absurdo. Para nossa sorte, encontramos um francês (William) que nos levou à pousada que seu amigo (Claude) estava montando na vila. O local estava sendo reformado, mas nos ofereceu abrigo confortável por metade do que os campings haviam nos cobrado (R$120,00 a diária de um quarto, que dividimos). Dia 5 – 30/12/2012 Para este dia havíamos planejado subir o Pico do Papagaio, uma montanha com 982 metros de altitude facilmente visível da vila de Abraão. Pico do Papagaio visto da vila de Abraão No dia anterior, William havia nos advertido sobre a presença de cobras corais na trilha, nas áreas de bambuzais. Havíamos também nos informado com a polícia ambiental, que confirmou a informação e nos recomendou a contratação de um guia. Como não encontramos nenhuma pessoa para guiar o caminho neste tempo, decidimos subir sozinhos tomando cuidado com a trilha e as cobras. Começamos a caminhar por volta das 07:10 da manhã, quando as ruas da vila ainda estavam vazias. O início da trilha é acessível através da estrada que une Abraão a Dois Rios, sinalizado por uma placa no lado direito. O caminho é bem definido neste trecho inicial, subindo entre grandes árvores, às vezes cruzando troncos caídos, sempre sob as folhas das copas que deixam pouco sol atingir a vegetação mais baixa. Levamos galhos quebrados para servir de bastões, usando-os para mexer na vegetação à frente, esperando com isso espantar as cobras. A trilha nos levou a um local onde haviam muitas pedras úmidas, todas cobertas de musgo, que tornava o caminhar arriscado. Contornamos este ponto passando à direita de uma grande pedra e seguimos subindo, atravessando dois pequenos córregos quase sem água. Chegamos então ao primeiro bambuzal, pisando cuidadosamente e revirando com o bastão as folhas caídas à frente. Já nos primeiros minutos, surgiu uma pequena cobra coral no meio da trilha, que logo correu para o mato. Isso fez com que redobrássemos o cuidado nestes trechos entre bambus, e andávamos mais lentamente do que nosso fôlego permitia. Depois de muitos trechos fechados de mata chegamos à base da montanha, formada por uma grande parede de pedra, que contornamos pela esquerda até chegar à via final de acesso ao cume. De cima da pedra cumeeira, é possível avistar quase a totalidade da ilha, porém a neblina limitou a visão a apenas algumas das praias e ao mar de árvores das matas abaixo. Visão do Pico do Papagaio Voltamos à vila de Abraão, chegando por volta das 14:00 horas. Dia 6 – 31/12/2012 Após todas as caminhadas dos dias anteriores, fizemos um dia mais tranquilo com uma visita à praia de Lopes Mendes. Tomamos um barco (R$25,00 ida e volta) até a praia de Pouso, no lado norte da Ilha, voltado para o continente. De lá seguimos por uma trilha de 20 minutos até Lopes Mendes, que fica voltada para o mar aberto. A visita a esta praia de areia branca é extremamente recomendada. Atrás da faixa de areia, uma grande área com árvores esparsas fornece muitos lugares à sombra. O mar produz ondas volumosas e frequentes, que agradam até quem não está lá para surfar. De volta a Abraão, participamos das comemorações de Réveillon na pousada e depois nas ruas próximas à praia. No dia seguinte, pegamos pegamos a barca (R$4,50) às 10:00 horas, e após 01:30 horas chegamos a Angra dos Reis.
  3. Fala Thiago! A subida ao vulcão não é bem uma escalada, e sim um trekking bem pesado. Para você medir o preparo físico para a ascenção, acho interessante comparar com alguma atividade com muitas horas de duração (no meu caso foi das 3:00 da manhã até as 15:00 horas da tarde, não foi minha melhor caminhada). A trilha de Salkantai teve algo parecido? Tem muita gente que faz o Licancabur sem ter grande experiência em montanha, mas acho fundamental a contratação de um guia nesse caso. No mais te desejo boa sorte, e espero que ocorra tudo certo em sua viagem... Um abraço
  4. O ideal seria ter contatado o guia com antecedência para combinar o preço. É possível tentar um contato através da Reserva Natural. Infelizmente não peguei o telefone do abrigo. http://www.sernap.gob.bo/index.php?opti ... Itemid=274 No site encontrei uns telefones da reserva: 2693 2225 2693 2400 Abraços
  5. Oi Renata, Me informaram do Macario no escritório da Reserva Nacional. Agora ele fica na cidade, não faz mais as ascensões. Também fiz com Ruben, e no dia 18/10 ele estava guiando para uma garota. Não foi vc? rs Fiz todo o roteiro que havia planejado, seguindo para Jujuy e Salta. San Antonio de los Cobres acabei não incluindo, mas conheci bem a Quebrada de Humahuaca. Fiz um relato da ascensão: http://www.mochileiros.com/relato-da-ascensao-ao-vulcao-licancabur-t76223.html Havia trocado o nome do guia, mas já corrigi. (estou terminando de escrever o relato completo da viagem) Pois é... realizado, mas deixou um gostinho de quero mais. rs Fica para a próxima. Um abraço Leandro
  6. Olá Renata Muito legal seu relato. Acho que estive no vulcão 1 ou 2 dias depois de você.. inesquecível né? Não encontrei o Macario por lá, fiz com outra pessoa. Também estou finalizando um relato, meu roteiro ficou bem diferente do seu, sem a Bolívia mas com o noroeste da Argentina... Um abraço
  7. Realizei a viagem que planejava para o Chile e a Argentina nos dia 14/10/2012 a 01/11/2012, incluindo a subida ao vulcão. Gostaria de agradecer as informações que recebi, pois foram de grande valia. Postei um relato da ascensão ao Licancabur no tópico abaixo: http://www.mochileiros.com/relato-da-ascensao-ao-vulcao-licancabur-t76223.html Espero ajudar a quem está planejando incluir o vulcão no roteiro. Um grande abraço
  8. Realizei a ascensão a este vulcão em Outubro de 2012, durante uma viagem que incluiu o Norte do Chile e o Noroeste da Argentina. Dias 18 e 19/10/2012 Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa O Licancabur é uma montanha muito alta (5930 m.s.n.m), mas o local seco de sua localização faz com que quase não tenha neve. Para subí-la é necessário pernoitar no abrigo de alta montanha da Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa (4340 m.s.n.m), poucos quilômetros após a fronteira do Chile com a Bolívia. É possível obter um guia local no próprio abrigo ou contratar uma excursão em San Pedro de Atacama. A segunda opção chega a ser algumas vezes mais cara, porém normalmente inclui toda a logística a partir do Chile. Optei pela primeira opção, e para maiores detalhes sobre o deslocamento até a reserva, segue o link do relato completo de minha viagem por Chile e Argentina, com os principais valores. http://www.mochileiros.com/santiago-atacama-vulcao-licancabur-jujuy-quebrada-de-humahuaca-salta-mendoza-t75972.html#p780225 Cheguei à reserva cerca de 10:30 da manhã vindo de San Pedro de Atacama. Perguntei por Macario, guia que me fora recomendado em minhas pesquisas, porém o funcionário da reserva disse que ele não estava mais por lá. Havia um outro guia, de nome Ruben, que fica no abrigo e realiza as ascensões guiadas. Perguntei por ele no abrigo, mas soube que chegaria apenas no fim da tarde. Aproveitei a oportunidade para fazer uma caminhada de aclimatação ao longo da Laguna Blanca, saindo às 11:00 horas e retornando após as 15:00. Com o Sol a pino e nenhuma nuvem no céu, fazia até um pouco de calor. Passei por um pequeno grupo de casas na margem da laguna, seguindo no começo a trilha dos jipes, e depois caminhando pelo solo quebradiço da margem até o ponto onde os jipes das excursões se reúnem sobre um pequeno morro. Regressei pelo mesmo caminho, margeando o lago. Laguna Blanca Povoado próximo à margem da Laguna Blanca. Licancabur ao fundo. Encontrei Ruben no abrigo e acertamos os detalhes da ascensão. O valor cobrado foi CLP 75.000,00 incluindo o transporte em sua caminhonete até a base da montanha. Não haviam mais hóspedes no abrigo, apenas uma senhora boliviana e um rapaz que fica na recepção. Após um jantar preparado pela senhora boliviana (sopa de legumes e macarrão), fui ao quarto organizar o equipamento. Utilizei botas de couro impermeáveis (simples), uma calça térmica por baixo da calça de caminhada, uma blusa térmica fina e uma blusa de lã por baixo de um casaco impermeável, luvas e meias térmicas. Depois de separar tudo, deitei para dormir cedo, antes das 21:00 horas. A madrugada Despertei às 2:00 horas da manhã, 1:00 da manhã no horário boliviano. Não percebi a mudança de fuso quando cruzei a fronteira, o que me fez esperar um pouco. Coloquei uma lanterna de cabeça e vaguei pelos cômodos escuros do abrigo; sentei em um sofá e fiquei contemplando as sombras que a lanterna projetava nas paredes de pedra. Após muitos minutos, Ruben apareceu e me convidou para tomar um mate. Saímos em sua velha caminhonete e rodamos por alguns quilômetros pelas trilhas da planície irregular que leva até a base do vulcão. O veículo esquentou e começou a fazer barulhos com o vazamento do líquido do radiador. A mangueira do fluido estava com buracos, remendada porém ainda vazando. Ruben colocou água de uma garrafa que estava na parte de fora, e seguimos. Paramos mais umas duas vezes pelo mesmo motivo, até que o líquido reserva acabou. Mantive uma garrafa de dois litros para a subida, e fizemos a aproximação até a base caminhando cerca de dois quilômetros, passando por umas colinas de areia e pedra que não exigiram muito esforço. Gradualmente, as colinas acentuaram-se até transformarem-se em vias íngremes. O frio desapareceu em poucos minutos e o silêncio dominou o caminhar, quebrado apenas por minha respiração um pouco ofegante e pelo ruído da areia sob as botas. Não ventava - o ar estava parado. Acima, o céu mais limpo que já pude contemplar revelava todas as estrelas que podiam ser vistas no hemisfério sul. A lua estava crescente, uma linha fina que não iluminava. Às vezes parava e olhava para trás, para leste, procurando algum sinal do Sol aproximando-se. Nada ainda, o dia estava longe. Ao norte via uma fraca luminescência: eram as lagunas Blanca e Verde que refletiam as estrelas. Concentrei-me na subida, tentando aproveitar cada esforço. Era difícil pisar aquele terreno, que cedia alguns centímetros a cada passo, aumentando a taxa de cansaço paga por cada metro. Aprendi a pisar nas rochas maiores, e assim o terreno cedia menos. Paramos para descansar um pouco; tomei alguns goles d’água e masquei uma barra de cereal. Ruben tomou uma cerveja que trouxe na mochila e me ofereceu; agradeci e recusei, não queria relaxar daquela forma antes de chegar ao cume. O cume Quando o Sol começou a mostrar as cores do céu atrás de nós, eu apenas pisava e respirava, determinado a não desistir apesar do cansaço crescente. Essa postura pode ser perigosa neste terreno hostil, mas eu via uma espécie de necessidade em completar a subida. A presença do guia me tranquilizava um pouco, me permitindo ir um pouco além dos limites que normalmente colocaria para meu esforço. Ruben emprestou-me seus bastões de caminhada, que carregava na mochila e que não usaria. Segui com eles o restante do dia, e embora não havia utilizado o equipamento antes, logo percebi a vantagem de ter quatro apoios em um terreno tão instável. Nas próximas horas, o terreno acentuou-se, e agora caminhava em direção a uma série de cumes falsos que encobriam o cume verdadeiro. Como subia lentamente, o esforço não era intenso demais, porém prolongava-se por um tempo que parecia interminável, à medida que os falsos cumes eram atingidos e revelavam uma enorme distância ainda a percorrer. A via que utilizamos não revelou o cume verdadeiro até estarmos muito próximos. Quando já era possível avistá-lo, Ruben adiantou-se para descer e pegar água sob o gelo do lago da cratera. Concluí sozinho a última meia hora de subida. Já estava bastante cansado, mas contente com a proximidade do objetivo. Via então o mastro de madeira colocado para sinalizar o ponto mais alto, e descuidando um pouco de meus limites, caminhei as últimas centenas de metros em um ritmo para o qual não estava preparado o suficiente. Faltando uns 70 metros para chegar ao mastro, senti enjoo e botei para fora o pouco que tinha ingerido na subida. Parte disso foi devido à altitude e ao cansaço, parte devido à janta da noite anterior, que não me caiu muito bem. Passei alguns instantes me recuperando, e então voltei a caminhar, atingindo o topo vazio. Olhei em volta e não havia nenhuma umidade no ar para obstruir a visão. Ao norte, as altas montanhas da Bolívia preenchiam o horizonte. Antes delas, bem abaixo, as lagunas refletiam o Sol com suas cores únicas. Eram cerca de 10:20 da manhã, e o dia já havia atingido o ápice de sua luminosidade. Ao sul pude ver a enorme cratera, estendendo-se por centenas de metros de largura, e muito abaixo, o lago congelado que existe em seu fundo. Era uma grande caminhada descer até lá e voltar, e dada minhas condições, decidi permanecer no cume. Em pouco tempo voltei a sentir um pouco de frio, que era amenizado pelo sol absorvido pelas roupas escuras. Lagunas Blanca e Verde, muito abaixo Montanhas da Bolívia Lago congelado no fundo da cratera. Ao fundo, a região do Atacama A descida O guia me chamou de longe, já muito abaixo, na face sudeste da montanha. Iríamos descer por uma outra via, repleta de placas de gelo, porém diretamente até a base do vulcão. Ruben não conseguiu quebrar o gelo da cratera para pegar água, então voltou com um pouco de neve dentro de uma garrafa. Encontrei muita dificuldade em descer pelas placas de gelo, que eram irregulares e tinham buracos e frestas onde se podia apoiar a bota. Os bastões facilitavam o equilíbrio, mas às vezes o gelo rompia, fazendo-me cair sentado. A descida por ali pode representar algum risco nestas condições, e Ruben decidiu alterar a rota, fazendo um caminho um pouco mais longo para desviar do gelo. Desci muito devagar por horas, beirando à exaustão. Não sentia as dores de cabeça próprias do soroche, porém ainda tinha um pouco de enjoo, e não quis forçar-me a um ritmo mais forte. Ruben avançava até sumir da vista, mas o caminho dali já era óbvio e segui sem alterar minha velocidade. O solo de areia e pedras misturadas era o maior desafio. Toda pisada fazia o solo ceder, e um descuido maior provocava uma avalanche e um tombo considerável. As pedras estavam sempre tão soltas na areia que não me machuquei nem um pouco nos muitos tombos que contei durante a descida. Com o tempo acostumei-me, e passei a descer quase esquiando as dunas, utilizando os bastões para equilibrar as passadas. O Sol agora me fervia dentro da jaqueta, e tive que tirar as blusas que levava, ficando apenas com uma camiseta sob a jaqueta. Quando estávamos na metade da descida, Ruben esperou para me avisar que seguiria na frente até a caminhonete para trazê-la mais perto da base do vulcão. Continuei descendo sozinho em meu ritmo, já exausto, parando apenas umas poucas vezes para beber água. A descida ficou mais fácil quando cheguei a uma espécie de trilha nas areias, que descia em zigue-zague até um platô de onde eram visíveis as ruínas incas da base do vulcão. Segui sem me deter, e em mais 40 minutos estava na borda do platô, já avistando Ruben e a caminhonete, muitos metros abaixo. Fiz um caminho descendo através de pedras mais firmes da encosta, passando por alguma vegetação rala e musgos verdes que pareciam corais. Cheguei ao veículo por volta de 15:00 horas. Rodamos até a Laguna Blanca, onde coletamos água para o tanque do radiador. Após isso, voltamos chacoalhando até o abrigo. Com o atraso na descida, não pude chegar a tempo de tomar um dos últimos transportes até San Pedro. Combinei mais uma noite no abrigo e dormi até a manhã seguinte. Acordei às 7:00 horas e, após colocar tudo na mochila, aguardei no lado de fora a chegada de algum jipe que ia até a fronteira com o Chile. Consegui um transporte cerca de 9:00 horas, e pouco depois fazia a migração na aduana.
  9. Norte do Chile e Noroeste da Argentina Santiago – San Pedro de Atacama - Reserva Eduardo Avaroa (Bolívia) – Jujuy – Quebrada de Humahuaca – Salta – Mendoza - Santiago Escolhi Santiago como o lugar para iniciar e terminar a viagem, e dali tomei um avião até Calama (Chile), onde comecei realmente a mochilar. Minha rota continuou de ônibus para a Argentina e depois para o sul até Mendoza e Santiago novamente. Segue o resumo das cidades com datas: Dias 1, 2 e 3 – Santiago Dia 4 – San Pedro de Atacama Dias 5 e 6 – Sul da Bolívia (Vulcão Licancabur) Dias 7 e 8 – San Pedro de Atacama Dias 9 e 10 – San Salvador de Jujuy Dias 11 e 12 – Quebrada de Humahuaca (Tilcara) Dias 13, 14 e 15 – Salta Dias 16, 17 e 18 – Mendoza Dia 19 – Viagem a Santiago e voo para São Paulo Abaixo, a rota percorrida e os meios de transporte utilizados em cada grande deslocamento. Voo Santiago a Calama: USD 220,00 – 2:00 horas Transfer Calama a San Pedro: CLP 12.000,00 – 2:30 horas Ônibus San Pedro – Jujuy: CLP 30.000,00 – 11:00 horas Ônibus Jujuy – Salta: ARS 52,00 – 2:30 horas Ônibus Salta – Mendoza: ARS 420,00 – 20:00 horas Ônibus Mendoza - Santiago: ARS 160,00 – 9:00 horas Dias 1 e 2 – Santiago Cheguei a Santiago cerca de 13:40, vindo em um voo de São Paulo. Fui recebido por um amigo e sua esposa, que me hospedaram até a data do meu voo para Calama. Nestes dias em Santiago não mochilei da forma usual, mas conheci bastante o bairro Recoleta, que é onde meus amigos moram. Dia 3 – Santiago e Calama Fui até o shopping Mall Sports pois precisava comprar equipamentos de montanha para uma parte de minha viagem. O local possui apenas lojas de artigos esportivos, onde é possível comprar equipamentos e roupas por um preço muito melhor do que no Brasil (cerca de 50% do valor encontrado por aqui). O lugar fica bem longe do centro, cerca de 30 minutos de carro. http://www.mallsport.cl/ Após isso, voltei à região central. Fui de metrô até a estação Universidade de Santiago e peguei um ônibus (CLP 1.900,00) até o aeroporto. Peguei o voo para Calama às 14:30, que aterrissou cerca de 17:30. Calama estava quente e seca, com um sol muito forte. Dentro da área de desembarque, é possível comprar a passagem do “transfer” até San Pedro de Atacama, que custa CLP 12.000,00. A maioria das pessoas que passam por Calama são turistas que rumam a San Pedro ou trabalhadores das minerías, que são muitas nesta parte do país. No começo da noite estava em San Pedro, uma cidade de ruas repletas de poeira e turistas. Havia pesquisado sobre um hostel chamado Hostal Florida (Tocopilla, 406), e foi minha opção para a primeira noite. Um hostel mediano, sem desayuno que cobrou CLP 4.000,00 a diária. Durante o dia eles alugam bicicletas (como toda a cidade de San Pedro) e promovem excursões a cavalo. Dia 4 – San Pedro de Atacama Acordei cedo para resolver os detalhes de minha viagem à Bolívia, onde subiria o vulcão Licancabur. A cidade estava vazia, com poucas pessoas na rua e nada aberto. Tudo começa a funcionar por volta das 9:00 horas. Gastei mais algumas horas para conseguir um transporte até a fronteira da Bolívia (Paso Hito Cajon) para o próximo dia. Às 10:50 aluguei uma bicicleta para fazer o passeio bem conhecido da Pukara de Quitor – Catarpe – Túnel – Capilla de San Isidro. Vulcão Licancabur ao fundo, na estrada para Catarpe Comecei pedalando na direção da Pukara de Quitor, um forte inca bastante desgastado pelo tempo que foi construído sobre uma das faces de um morro. Algumas construções foram parcialmente reconstruídas e dão uma idéia do que a pequena cidade seria. Vale a visita, por ser bem perto da cidade e ficar no caminho para Catarpe. Pukara de Quitor Depois de visitar o forte segui algumas centenas de metros até uma praça em uma espécie de bairro da comunidade local. Dali se pode empurrar a bicicleta por alguns metros até um local onde existem um arco de pedra e uma estátua esculpida na rocha. Segui atravessando o rio, que estava apenas com um fio de água, e tomando a estrada principal rumo a Catarpe. Um pouco mais à frente se encontra uma placa indicando os principais lugares. Subi para Altos de Catarpe, onde a estradinha sobe um pouco e passa por lugares bem áridos, com o solo rachando e nenhuma vegetação. Altos de Catarpe Após uma ponte de pedra chega-se a um túnel na rocha, que se extende por dezenas de metros até o outro lado desta parte da serra. Quando se está no meio do tunel não se vê nada além da luz de sua extremidade. Tunel de Catarpe Atravessei o túnel às 12:50 e continuei a descer um pouco mais, seguindo um caminho de água que no início parecia uma estrada, mas depois se juntava a outros caminho e a um leito seco de rio. Tive dificuldade em voltar para o túnel, pedalando alí cerca de duas horas. Este lado da serra era uma grande área com dunas, caminhos sobre a areia e pequenos morros de solo quebradiço. Depois de encontrar o túnel, decidi cancelar a ida até a Capilla de San Isidro e voltar para San Pedro, chegando lá umas 16:30 horas. Dia 5 – Reserva Eduardo Avaroa (Bolívia) O objetivo do dia foi chegar ao abrigo de montanha próximo à Laguna Blanca, na Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, e contratar um guia local para realizar no dia seguinte a ascensão ao Vulcão Licancabur (5930 m.s.n.m). Embora muitas pessoas façam os passeios das lagunas da Bolívia com base em San Pedro, poucas pessoas descem na sede do parque, o que deixa poucas opções para quem quer apenas ir até a Laguna Blanca. É possível conseguir uma vaga em uma das excursões para as lagunas ou para Uyuni, porém as empresas dão preferência a quem contratar o pacote completo, que é dezenas de vezes mais caro que um simples transporte até o parque. Se perguntar no início da noite nas empresas bolivianas que fazem excursões, é possível encontrar vagas e conseguir um preço aceitável no transporte. A sede da reserva fica a poucos quilômetros da fronteira do Chile, porém é preferível combinar um transporte da aduana até a sede. A Colca Tours e a Estrella del Sur são empresas que fazem o serviço de transporte mais regularmente, e são a melhor opção para quem quer marcar o transporte com antecedência, sem esperar pelas vagas incertas das excursões. A Colca Tours havia sido recomendada, porém abriu muito tarde o escritório, então fechei com a empresa Estrella del Sur. Paguei CLP 7.000,00 pelo transporte até a aduana e um adicional de CLP 1.000,00 pelo transporte em um jipe até a sede do parque. O ônibus da Estrella del Sur atrasou 1 hora, e saí de San Pedro cerca de 9:00 da manhã. Desci no Paso Hito Cajon uns 40 minutos depois para fazer a migração, e aguardei a partida de um veículo 4 x 4, obrigatório para o transporte dentro da reserva. Fronteira Chile - Bolívia Pouco depois, estava na sede da reserva, a 4340 m.s.n.m, onde todos descem e pagam BSB 150,00 pelo ingresso. Perguntei por Macario, o guia que me havia sido recomendado em minhas pesquisas, mas o funcionário da reserva disse que ele não estava mais ficando no local. No entanto havia um outro guia, de nome Juan, que estava fazendo as ascensões guiadas. Na frente da sede da reserva, após uma ampla área de areia, fica o abrigo de montanha, que também atende aos turistas que passam por ali rumo às lagunas e a Uyuni. A diária me custou BSB 25,00. Ali trabalham uma senhora boliviana (que não falava espanhol) e um rapaz que atende os turistas. O guia não estava, mas chegaria no final da tarde. Às 11:00 saí para caminhar ao longo da Laguna Blanca e me aclimatar. Com o sol a pino e nenhuma nuvem no céu, fazia até um pouco de calor. Segui a estrada que leva os jipes às lagunas e cheguei a um pequeno grupo de casas em uma margem da laguna. Povoado de Laguna Blanca Caminhei até a Laguna Verde, cerca de duas horas margeando a Laguna Blanca. O solo era quebradiço, com cristais de sal formados pela água branca ao secar. Em alguns locais encontrei flamingos, que eram ariscos e alçavam voo quando me aproximava. Cheguei a um ponto onde os jipes das excursões se reuniam sobre um pequeno morro. Dali regressei pelo mesmo caminho, margeando o lago. De volta ao abrigo, acertei com o guia os detalhes da subida no dia seguinte. O valor cobrado foi CLP 75.000,00 incluindo o transporte em sua caminhonete até a base da montanha. Neste dia eu fui o único hóspede do abrigo, e também a única pessoa além do guia a subir o vulcão no dia seguinte. Dia 6 – Vulcão Licancabur O relato completo da ascensão postei no link abaixo, em “Trilhas e Travessias”: http://www.mochileiros.com/relato-da-ascensao-ao-vulcao-licancabur-t76223.html Em resumo, a subida é exigente e demorada, mas com o preparo adequado torna-se acessível para quem não tem grande experiência em alta montanha. É uma montanha muito alta (5930 m.s.n.m), mas o local seco de sua localização faz com que quase não tenha neve, o que facilita muito para brasileiros. Após um percurso de caminhonete até a base do vulcão, comecei a subida às 3:00 da manhã, chegando ao cume exausto, às 10:20 horas. Lá em cima é possível ver as montanhas próximas com muita nitidez, pois quase não há umidade no ar. No fundo da grande cratera há um lago congelado, muitos metros abaixo, que não visitei. Mastro indicando o cume e Lagunas Blanca e Verde abaixo Lago congelado na cratera Na descida, o cansaço me fez progredir muito lentamente, regressando ao veículo cerca de 15:00 horas. Este atraso não me permitiu chegar ao abrigo a tempo de tomar um dos últimos transportes até San Pedro, e pernoitei mais uma noite no abrigo. Dia 7 – San Pedro de Atacama (Lagunas Cejas) Acordei às 7:00 horas e, após colocar tudo na mochila, aguardei no lado de fora a chegada de algum jipe que ia até a fronteira com o Chile. Consegui um transporte cerca de 9:00 horas, e pouco depois fazia a migração na aduana. Tomei um ônibus que trouxe turistas de San Pedro, e regressava à cidade para buscar mais. No fim da manhã estava em San Pedro, e optei por mudar de hostel, escolhendo o HI San Pedro de Atacama (Caracoles 360). Um pouco melhor que o Hostal Florida, me cobraram CLP 6.000,00 a diária (preço de associado, embora eu não tenha o registro) incluindo café da manhã. Combinei no próprio hostel um passeio para as Lagunas Cejas no final da tarde (CLP 15.000,00). Às 16:00 horas me reuni com outras 12 pessoas em frente a uma das agências de excursões, e entramos em uma van que nos levou por um breve trecho até o Salar de Atacama. O lugar consiste em uma área muito grande limitada por duas cordilheiras, a dos Andes a leste e a Cordillera de Domeyko, a oeste. Nos Andes, é possível ver com clareza muitas das montanhas mais conhecidas, como os vulcões Licancabur, Juriques e Lascar. O Licancabur e o Juriques são facilmente reconhecíveis de qualquer lugar do Atacama. Pagamos o ingresso ao parque (CLP 2.000,00) e seguimos para uma laguna muito rasa, com a margem é impregnada de cristais de sal. Ficamos ali uns 20 minutos para bater fotos. Salar com altiplano boliviano ao fundo. No centro, Licancabur e Juriques. Dali, não seguimos para as Lagunas Cejas, como havíamos planejado, mas paramos em Ojos del Salar. São dois grandes buracos no chão com água um pouco menos salgada do que a das lagunas. Pulei dentro de um dos buracos e nadei um pouco. A água era muito fria e logo saí para secar ao sol. Um dos Ojos del Salar Seguimos finalmente para as lagunas, e o sol já estava bem inclinado quando entrei, caminhando com água até a cintura, até o ponto onde a profundidade aumenta bruscamente. A água salgada em excesso torna a flutuação mais fácil, porém deixa uma camada branca sobre o corpo depois de secar. A maioria das excursões oferece um lanche quando o sol se põe, e é recomendado levar um agasalho pois a temperatura baixa bruscamente nesta hora. Chegamos a San Pedro no começo da noite. Dia 8 – San Pedro de Atacama Planejava para este dia realizar um passeio de bicicleta pelo Vale de la Luna e Vale de la Muerte, no entando desde o dia anterior estava com uma espécie de gripe que acredito ser efeito colateral do vulcão. Estava com uma febre considerável, e descartei a possibilidade de aumentá-la com uma insolação quase certa devido ao passeio. Comprei minha passagem para o dia seguinte (segunda-feira) com destino a San Salvador de Jujuy (CLP 30.000,00), no escritório da Pullman. Visitei o Museu Arqueológio Gustavo Le Paige, próximo à Plaza de Armas. O local possui uma ampla coleção de peças dos povos atacamenhos, desde 3000 a.C. até os anos de influência inca e espanhola, dispostos em ordem cronológica em sentido anti-horário. Dia 9 – San Salvador de Jujuy Aguardei o ônibus para Jujuy em uma área que funciona como o estacionamento municipal de San Pedro, atrás do Museu Arqueológico, do outro lado de uma viela onde fica a feira de artesanato. O ônibus saiu às 10:00 horas, com mais de uma hora de atraso. A aduana chilena fica bem próxima à cidade, e trecho inicial é o mesmo usado para ir ao sul da Bolívia. Segue-se reto na Ruta 27 através da Reserva Nacional Los Flamencos. Às 14:30 chegamos à fronteira com a Argentina, e todos descem no vento gelado da cordilheira para tirar as malas do ônibus e levá-las até uma esteira de raio-x dentro da aduana. Achei a estrada uma das mais notáveis que percorri até hoje. A paisagem muda bastante, do deserto para o altiplano (Puna) e então descendo para a Quebrada de Humahuaca. Ainda no Chile, vê-se ao longo da estrada lagos de água verde com patos e encostas com curiosas formações de rocha erodida. Estas formações, baixas já de tão gastas pelo tempo, quebram a tediosidade do cenário, repleto de colinas marrom-claro pontilhadas por tufos de gramíneas amareladas. À medida que se desce a Puna rumo às cidades do noroeste argentino, a paisagem se torna mais interessante, com mais rochas gastas pelo vento, pequenas gargantas onde correm riachos, algumas ruínas e pequenos povoamentos de casas de adobe. De vez em quando vê-se um rebanhos de lhamas junto à estrada e guanacos mais longe nas colinas. O clima fica mais úmido e a vegetação torna-se mais verde e abundante. O ônibus parou após uma curva na estrada devido ao rompimento da correia de transmissão. Cerca de 1 hora depois o problema foi resolvido e voltamos a rodar. As colinas tornaram-se mais verdes e foram gradualmente sendo substituídas por planícies, com estradas secundárias e pequenas construções. Subitamente, toda a vegetação na margem da estrada foi substituída por uma área completamente gasta, onde nada crescia. Era a área de exploração de uma mineradora (de lítio, provavelmente). O processo inicial consiste em raspar uma camada do solo com cerca de 1 metro de profundidade e formar pilhas de material para posterior processamento. Em outras áreas, que já foram exploradas há algum tempo, o pampa ia lentamente se recuperando e ainda eram visíveis as pilhas de rejeitos que se cobriam de vegetação. Mineradora em Jujuy Na chegada à Quebrada de Humahuaca, a estrada traça inúmeras curvas fechadas, envolvendo as escarpas e os penhascos, e fazendo o cenário mudar a todo instante. As gargantas revelam o trabalho do tempo que as escavou: um fino sulco onde a água passa, que depois abre-se em um grande “V”, atingindo dezenas de metros de largura. Cheguei a Jujuy no começo da noite, na tumultuada rodoviária. Com a mochila nas costas, atravessei o Rio Xibi Xibi e procurei pelo hostel da HI (Club Hostel), que havia escolhido para ficar. Por um erro de orientação, tive dificuldade para localizá-lo e me dirigi para a opção B, o hostel Dublin (Lamadrid 168). O hostel havia mudado de endereço, mas ainda havia uma placa com o nome no lugar. Como um outro hostel (Tantanakuy) havia se estabelecido neste endereço, optei por ficar no local. O hostel estava em reformas e bastante vazio, com apenas alguns hóspedes argentinos. Dia 10 – San Salvador de Jujuy Saí cedo para conhecer a cidade, que me lembrou alguma cidade do interior de São Paulo pela disposição do centro e do comércio nas ruas. As semelhanças não se estendem muito, sendo possível notar muitos traços andino nos costumes da população. A cidade organiza-se ao redor da Plaza General Belgrano, que tem ao seu redor importantes edifícios como o Cabildo, a Catedral e a Casa de Gobierno. A Igreja de San Francisco também vale uma visita. O clima argentino me pareceu ótimo considerando que vinha do deserto, e passei a maior parte do dia caminhando atrás de um lugar para alugar uma bicicleta. Meu objetivo era alugar a bicicleta em Jujuy e então pegar um ônibus até Humahuaca, de onde desceria até Jujuy novamente, pernoitando uma noite em Tilcara. Infelizmente não se alugam bicicletas na cidade – tentei em bicicletarias, perguntei em hostels, fui até à casa de uma pessoa que antigamente as alugava, porém sem sucesso. Meio aborrecido, tranquei parte da minha bagagem no hostel e tomei um ônibus para Tilcara às 16:00 horas. Animei-me pois lembrei-me que havia lido sobre o aluguel de bicicletas em Tilcara alugavam-se bicicletas. Tinha então uma alternativa para o passeio pela Quebrada de Humahuaca, que não queria fazer em uma excursão. Tilcara fica em um lugar muito bonito, rodeado por montanhas multicoloridas. Embora muito turística, não chegou ao ponto de San Pedro de Atacama, e o ambiente amigável guarda um pouco de uma identidade local. A cidade estava vazia, com poucos turistas pelas ruas. Das duas opções de hostel que anotara, acabei ficando no Waira Hostel (Padilla 596), que também funciona como camping. O local fica em um terreno amplo cheio de árvores e muito tranquilo (por estar vazio). O pessoal do hostel foi muito amigável e em geral minha estadia foi sem pontos fracos. Voltei ao centrinho da cidade, e encontrei atrás da rodoviária um local onde poderia alugar uma bicicleta para o passeio através da Quebrada. Dia 11 – Quebrada de Humahuaca Aguardei até as 9:00 da manhã a abertura da bicicletaria, e após pegar todo o equipamento e capacete, segui para a rodoviária para tomar um ônibus até Humahuaca. Voltaria para Tilcara pedalando através da Ruta 9 - seriam 45 km no total, a maior parte descida. Mapa reduzido - Quebrada de Humahuaca É muito fácil se locomover pela Quebrada utilizando ônibus, que são frequentes e baratos. As distâncias também são curtas, e vale a pena ir pingando de cidade em cidade para conhecer melhor. Nem todos os ônibus transportam bicicletas, mas em um deles encontrei um local no compartimento de bagagem. Às 10:00 horas, chegava à Humahuaca. Pedalei até a praça central, repleta de artesãos. Lembrei-me das pequenas cidades à margem do lago Titicaca, na Bolívia. O cabildo é uma construção curiosa de pedra pintada de branco. O imponente Monumento a la Independência fica no topo de uma grande escadaria, e lá de cima pode-se ver uma ampla área até as montanhas próximas. Antes de tomar a Ruta 9 de volta para Tilcara, atravessei o Rio Grande (que era só um fio de água nesta época do ano) e segui por uma estrada secundária que vai até Calete. Segui por cerca de 30 minutos e então regressei, atravessando o rio em outro ponto. Voltei à estrada e comecei a pedalar, parando a cada cinco minutos para observar e bater fotos. A Quebrada de Humahuaca tem todas as cores que nossos olhos podem ver. São campos férteis, apesar de repletos de cáctos e espinheiros, onde pastores tocam pequenos rebanhos de ovelhas e cabras, e agricultores colhem a mão alguma cultura local, possivelmente quínoa. À margem da estrada as casas de tijolos de barro marrom-claro dividem o cenário com álamos verde-oliva, que são plantados ao longo de muitas das estradas menores. Mais além, morros multicores indescritíveis canalizam o vento e refletem o sol que não é filtrado por nenhum nuvem. Os povoados de Uquia e Huacalera ficam no caminho, à beira da estrada. Em Uquia está a interessante Iglesia de San Francisco de Paula, que foi construída no ano de 1691. Iglesia de San Francisco de Paula Os leitos dos riachos estão quase sempre secos, mas exibem uma largura que revela possível abundância em outra época do ano. O terreno mostra-se frágil, exibindo grandes sulcos formados pela agressão da água. Após o meio dia, começa a ventar do sul, o que torna a viagem de bicicleta muito mais lenta. Em alguns pontos, mesmo sendo uma grande descida, a bicicleta quase parava se não fizesse muita força com os pedais. No caso de se fazer uma distância maior, vale pedalar mais durante a manhã para não ter problemas com atrasos devido ao vento. Às 15:20 estava chegando em Tilcara novamente, mas decidi prolongar o passeio até Maimará, poucos quilômetros adiante. Se fizesse o passeio novamente, tomaria o ônibus até Abra Pampa (ao norte de Humahuaca) e desceria todo o caminho até Tilcara. Retornei a Tilcara às 16:20, decidido a ficar mais uma noite. Dia 12 – Salta De Tilcara, tomei o ônibus para S.S. Jujuy cerca de 9:00 horas da manhã. Chegando lá, fui ao hostel buscar as coisas que havia trancado no cofre, e dali segui para a rodoviária comprar a passagem do ônibus para Salta. Aguardei um pouco a saída do ônibus, que partiu umas 14:30 horas. Pouco depois das 17:00 horas estava em Salta, e caminhei da rodoviária até o centro da cidade, passando pelas ruas tranquilas e arborizadas próximas ao Parque San Martin. Segui pela Calle Urquiza por uns 30 minutos até o hostel que havia escolhido, o Backpacker’s Suites & Bar. Um ótimo hostel, com boa localização, próximo às principais construções da cidade. Salta é uma cidade maior do que Jujuy, com muitas construções coloniais e alguns museus interessantes. A Plaza 9 Julio tem uma grande área arborizada e sobre os seus passeios tem arcadas que fazem sombra às mesas dos cafés. Caminhei um pouco por ali e pelas ruas próximas, e então voltei ao hostel. Plaza 9 de Julio Mais tarde, fui à Calle Balcarce com dois porteños que estavam hospedados no hostel. Era uma quinta-feira, e a rua estava repleta de pessoas sentadas em mesas em algum dos inúmeros inúmeros bares, ou entrando ou saindo de alguma das peñas ou “boliches”. Dia 13 – Salta Caminhei por Salta, seguindo no mapa os principais pontos de interesse. Na Plaza 9 de Julio, visitei a Catedral e segui para o Museu Histórico do Norte (ARS 10,00), que fica no cabildo. O acervo é bastante extenso, abrigando itens arqueológicos e da historia colonial da região. Cabildo de Salta Interior do Museu Histórico do Norte O Museu de Arqueologia de Alta Montanha (ARS 40,00) tem o acervo bem mais restrito, visitado por abrigar as múmias das crianças encontradas no vulcão Llullaillaco. Vale a visita se tiver tempo de sobra, embora a exposição seja muito bem elaborada, com informações interessantes sobre a organização do império inca. Próxima à Plaza 9 de Julio encontra-se a Iglesia de San Francisco, notável pelas paredes vermelhas em contraste com as colunas brancas. Iglesia de San Francisco Sob os arcos das entradas, estas cortinas construídas entre as colunas descem formando uma fachada única. Segui caminhando até o Paseo Güemes, uma larga e tranquila avenida que leva até um praça que abriga o Monumento Güemes, herói regional da luta pela independência. A praça dá início à subida ao Cerro San Bernardo, que também é acessível por um teleférico que parte do Parque San Martin. Segui subindo os degraus por uns 30 minutos até chegar ao mirante e o pequeno parque. A visão lá da cima vale todo o esforço, sendo possível reconhecer muitas das construções, o grande parque verde e as altas montanhas ao fundo. Dia 14 – Cafayate No dia anterior havia combinado uma excusão para Cafayate. A van parou em frente ao hostel cerca de 9:00 horas, e subi com um grupo de franceses que também estava hospedado ali. A cidade de Cafayate fica a 189 quilômetros de Salta, localizada na área dos Valles Calchaquíes, conhecidos pela produção de vinhos. Após uma breve parada em uma pequena cidade próxima a Salta, o veículo seguiu pela estrada sinuosas através de planícies áridas alternando-se com pequenas matas, formações rochosas coloridas, rios e escarpas. Ruta 68 (Salta a Cafayate) Em Cafayate, tivemos algumas horas livres para almoçar e conhecer o compacto centrinho da cidade, que se organiza em volta de uma grande praça. Ficando Cafayate ao sul de Salta, considerei conhecê-la de ônibus, a caminho de Mendoza. Os transportes, no entanto, não passam por ali, traçando uma rota mais direta através de San Miguel de Tucuman. Dia 15 – Salta No meu último dia em Salta, fui pela manhã até a rodoviária comprar minha passagem para Mendoza. Consegui apenas um ônibus às 22:00 horas e usei o longo tempo que tinha para conhecer algumas partes da cidade que ainda não conhecera. Visitei o Convento de São Bernardo, construído em uma ampla área na Calle Caseros, a meio caminho do centro para o Cerro San Bernardo. Por ser um convento, não é possível conhecer o interior, mas a larga construção com uma torre com sino vale a visita. Segui pelas ruas ao sul do centro, mais afastadas e menos turísticas. Visitei a Iglesia Nuestra Señora de la Candelaria, na Calle Alberdi. No meio da tarde, voltei ao hostel para pegar a bagagem. O céu estava escuro, ameaçando um temporal. Quando os primeiros pingos começaram a cair, entrei em um dos cafés para aguardar. Uma chuva torrencial lavou as ruas secas de Salta, trazendo o lixo das quadras mais altas e enchendo as sarjetas de galhos e folhas. Após alguns minutos veio a saraiva acompanhada de vento forte, fustigando as coberturas de metal das pequenas lojas da rua Urquiza. Depois de cerca de uma hora, a chuva parou e as pessoas voltaram às ruas, embora um grande volume de água ainda fluísse, impedindo a passagem daqueles que não queriam molhar-se. Alguns atravessavam os pequenos rios formados entre a calçada e a rua, com água até os joelhos. A água lavou minha estadia em Salta. Dia 16 – Mendoza Passei a maior parte do dia na viagem de ônibus de Salta para Mendoza, que levou cerca de 20 horas. Cheguei à rodoviária da cidade umas 15:30, e caminhei por poucos minutos até o centro da cidade, onde estavam as opções de hostel que havia escolhido. Fiquei no Hostel Mora (San Juan, 955), que se revelou uma ótima opção. Mendoza tem já um aspecto de cidade grande. Foi construída em uma região desértica utilizando um sistema de transposição de águas de alguns rios dos Andes, canais construídos que permitiram a irrigação e a agricultura. Os canais correm mesmo dentro da cidade, entre a calçada e a rua, tornando possível a arborização abundante da cidade. Saindo um pouco do perímetro urbano, nas áreas que não são cultivadas, a vegetação muda drasticamente, mostrando traços do deserto com pouco verde e muitos arbustos e espinheiros. Dia 17 – Mendoza Tomei o dia para conhecer a cidade, que tem o centro simétrico organizado em torno da Plaza Independencia. Além desta praça, outras quatro praças marcam o contorno do núcleo turístico da cidade, formando um quadrado de 6 x 6 quadras. A Plaza España chama atenção pelo ladrilhos coloridos que decoram o chão e os bancos. Um largo painel com imagens do descobrimento da América pode ser visto na área aberta em frente a um chafariz. Plaza España O Parque San Martin fica a uma boa caminhada do centro, mas vale a visita. Depois de entrar pelo grande portão de ferro com a estátua de um condor pousada sobre o arco, circula-se por uma área muito grande, cheia de arbustos, árvores e flores, muito verdes devido à ação dos pequenos canais de água que correm em todos os canteiros. Entrada do Parque General San Martin Um lago cercado de árvores serve de raia para pessoas que treinam remo, enquanto outros correm pelas grandes distâncias de passeios que existem dentro do parque. Uma rua sobe um morro que leva ao Monumento ao Exército dos Andes, em memória da travessia dos Andes realizada pelo General San Martin na guerra da independência da Argentina e do Chile. Monumento ao Exército dos Andes Dia 18 – Mendoza Neste dia realizei uma excursão à rota de alta montanha que segue de Mendoza até o Chile. É o mesmo caminho do ônibus para Santiago, que pegaria às 22:00 horas do mesmo dia. O veículo parou inicialmente na vila de Uspallata, a 92 km de Mendoza. O local estava vazio nesta época do ano, mas no inverno, com a temporada de esqui, torna-se lotado de argentinos, brasileiros e europeus. Vila de Uspallata O pequeno ônibus seguiu para Puente del Inca, onde há uma pequena vila próxima a uma pedra disposta como uma ponte sobre um rio. Puente del Inca A água, carregada de minerais, tinge de amarelo-enxofre a margem e tudo o que fica submerso nela por um tempo. Próximo à água, vê-se as ruínas do que fora um hotel de banhos termais, também tingidas de amarelo. O hotel foi destruído enchentes por volta de 1965. Pequena capela próxima à Puente del Inca Na volta para Mendoza, foi possível ver o Cerro Aconcágua, 45 quilômetros distante da Ruta 7. De volta ao hostel, peguei minha bagagem e caminhei até a rodoviária, aguardando lá perto a partida de meu ônibus para Santiago de Chile. Dia 19 – Santiago e São Paulo Acordei no ônibus umas 3:00 da manhã, quando chegamos à aduana chilena. Entrar no Chile por terra sempre é um processo cansativo e cheio de surpresas, mas desta vez as autoridades se superaram um pouco. Aguardei durante cerca de duas horas dentro do ônibus, pois havia uma longa fila de veículos aguardando o processo de migração. Aparentemente era um dia atípico, pareciam estar realizando um “pente fino”. Depois de descer e carregar a mochila até o raio-x, no interior da aduana, aguardei enquanto algumas pessoas reviravam a bagagem revelando itens proibidos como produtos de origem animal ou vegetal. Os itens foram confiscados e foi aplicada uma multa aos infratores. Nesse tempo, um agente que havia feito uma busca com um cachorro dentro do ônibus, trouxe alguns pacotes de cigarro encontrados em bancos do ônibus, pedindo que o dono se identificasse. Como os bancos onde foram encontrados os cigarros não estavam ocupados e ninguém se prontificou a assumir o contrabando, aguardamos mais alguns minutos até sermos liberados. Cheguei a Santiago umas 7:30 da manhã, e fiz um pouco de hora antes de tomar o ônibus da Tur-Bus até o aeroporto. Às 13:30, embarquei no voo para São Paulo, finalizando minha viagem.
  10. Oi Renata, Pretendo fazer esta viagem em março, entre o dia 5 e o dia 24. Também li a respeito da ascenção ao Vulcão Lascar, como uma alternativa mais fácil que pode ser feita diretamente de SPA. Sobre o Lascar é muito mais fácil encontrar informações, inclusive de empresas que organizam excursões. Com relação aos valores, a contratação de um guia na base boliviana é muito mais barata, mas ainda não descobri se é possível reservar com antecedência (Veja http://www.rumos.net.br/rumos/rumo.asp?cdNot=146). Ainda estou planejando e colhendo informações para traçar minha viagem. Se puder me passar o contato do guia, irá me ajudar muito. Obrigado!
  11. Caros Mochileiros, Estou planejando uma viagem para o norte do Chile e o noroeste da Argentina (San Pedro de Atacama, Jujuy, Salta e Mendoza). A princípio farei a viagem sozinho e utilizarei ônibus para me descocar entre estas cidades, com exceção do deslocamento inicial e final, que farei através de voos por Santiago. Um dos objetivos principais da viagem é a ascenção ao vulcão Licancabur, localizado na fronteira entre Chile e Bolívia e acessível através de SPA. Gostaria de poder compartilhar experiência com pessoas que já fizeram esta subida e entender um pouco melhor o nível das exigências da montanha. Segundo o que obtive de informações, o ideal é realizar a subida através do lado boliviano, pernoitando 1 noite no refúgio próximo à aduana e iniciando a atividade com um guia contratado antes do sol nascer. Agradeço toda informação a respeito desta atividade.
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