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Mirian_rr

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  1. Olá, Alexandre.

    tudo bem? vi que há algum tempo atrás vc pretendia ir a Villa de Leyva. Descobriu como se faz para chegar lá de transporte público, e se dá para ir e voltar no mesmo dia?

    Estarei hospedada em Bogotá e quero muito ir até lá, mas não acho tour de 1 dia, e nem descobri como são os horários de retorno de Leyva para Bogotá, para saber se compensa. Não terei tempo de me hospedar por lá.

    Aguardo, e agradeço!

    Mirian

    1. alexandresfcpg

      alexandresfcpg

      Olá Mirian, tudo bem sim, e contigo?

      Então, a principio eu iria mesmo, mas pelo que me informei na época tinha que ir pra uma outra cidade (me fugiu o nome agora) e de lá ir pra Villa, não tinha busão direto, e é um pouquinho longe, pra fazer bate volta achei muito corrido, tinha umas coreanas que estavam no meu hostel que até foram pra lá, mas voltaram depois de uns 2 ou 3 dias, não lembro bem. Enfim, acabei achando que não valia a pena e desistindo, fora que me falaram que lá não é tão imperdível assim pra fazer essa correria, compensa se tiver tempo.

      Qualquer outra duvida só perguntar, abraço!

  2. O que me moveu a seguir para Pernambuco nas minhas férias de abril/2016 foi o interesse pelo cenário fantástico do Parque Nacional do Vale do Catimbau. Apesar de prevalecer a minha atração por destinos pouco convencionais e comerciais, e mais aventureiros e ecológicos, aproveitei, já que desembarcaria em Recife, para conhecer a famosa Porto de Galinhas. Ok, faltaria ainda uma atração para preencher a lacuna do meio de meu período de viagem, já que tenho por costume aproveitar o máximo meus dias de férias. Pesquisando o site de turismo de Pernambuco, interessei-me pela Zona da Mata, pelos maracatus rurais e pelos engenhos de cana. Ai aparecem os problemas de quem viaja sozinho(a) e sem carro: a inacessibilidade, especialmente nos destinos pouco comerciais que tanto me interessam. Uma luz acendeu quando vi informações sobre enoturismo no Vale do São Francisco. Petrolina, mais precisamente. Ok, imaginei que ali não seria difícil realizar os roteiros, e o contexto se encaixava no que busco para minhas viagens: o cultural, o inusitado, as emoções. Passagens compradas, defini a programação, de forma a estar em Petrolina durante um final de semana, quando seria mais fácil contratar os roteiros. E tudo ficou assim: Partida de São Paulo, pela GOL, em 10 de abril (domingo), com chegada a Recife por volta de 17:30. No desembarque SUL, saída pelo portão A4, plataforma central, existe um ponto de ônibus onde passam duas opções, uma mais barata e menos confortável (linha 191, R$ 9,70), e outra com ar condicionado (195, por volta de R$ 13,00), a que eu pretendia pegar. No entanto, pelo horário que cheguei, acabei pegando o 191, bem antigo e abafado, um ônibus comum. Sai de Recife debaixo de chuva, com pancadas intermitentes, até Porto de Galinha, num trajeto de mais ou menos 2 horas. Perto do ponto final, na Rua Esperança – rua do calçadão, estava minha hospedagem, já reservada: Morada Azul. Peguei uma promoção, pagando R$ 110,00 a diária, com café da manhã. A pousada, apesar se possuir instalações simples, era basicamente limpa, sem quaisquer luxos extras, mas com ar condicionado e TV. A atenção dos atendentes foi o mais bacana: o Miguel, bastante solícito, e a Jaqueline. Na mesma noite que cheguei, o Miguel agendou meu passeio para o dia seguinte, numa agência parceira, a Maracatur, para a praia de Calhetas, em Cabo de Santo Agostinho. Um problema que encontro nas vezes que viajo, já que normalmente o faço sozinha, é a formação de grupos – o que iria sentir para fazer o passeio de buggy, que comporta 4 pessoas, e que são normalmente oferecidos para casais. Tenho visto vantagem em fechar vários passeios com uma mesma agência, pelo desconto que vai sendo possível para os passeios seguintes. Dia 11, segunda, após o café da manhã regional (com aqueles pratos costumeiros do nordeste, cuscuz, ovos mexidos, mungunzá, além de sucos e pães), a van da agência me pegou na pousada logo após as 08:00. Passamos pelo porto de Suape, passamos por uma lagoa onde tomamos banho de argila, avistamos de longe as praias de Enseada dos Corais e Gaibu. Avistamos Calhetas do alto, praia em formato de coração, onde existe uma tirolesa que desce até a praia e volta ao mesmo ponto: R$ 20,00 uma descida/subida, R$ 25,00 duas descidas. Optei, claro, pelo duplo. Muito bom; quem tem medo, deve vencê-lo e aproveitar. Após, seguimos para a parte baixa, a praia literalmente, onde existem quiosques. Fizemos um passeio de lancha bem meia-boca, onde avistamos, também de longe, as outras duas praias já citadas; mas não dava para esperar muito por R$ 10,00. Após, almoço com opções bem caras, para os viajantes solitários, no Bar em que tínhamos por base, o Bar do Artur. Optei por uma porção de queijo a milanesa e suco. Asduchas de água doce também são cobradas, a R$ 2,00. Paramos em alguns mirantes, um deles onde se via Gaibu, outro onde se vê a ruínas de um antigo forte. Muito bonito o lugar, com uma pitada mística. Depois, passamos pela Vila de Nazaré, com a igreja de estilo maneirista, e a degustação de licores num barzinho à frente. Ao retornar para Porto de Galinhas, já passei pela agência e fechei o passeio para quinta-feira, para a Praia de Carneiros, por R$ 55,00 (o valor correto é R$ 60,00, mas ganhei desconto pelo passeio anterior). Entre as inúmeras opções para jantar, escolhi o Mardioca, que, segundo a proprietária, significa “o sertão no mar”. Um estilo simpático, com boa música, atendimento hiper-agradável e boa comida. Comi uma lasanha muito boa, com suco regional. 12 de abril, terça feira. Resolvi, após consulta à tábua das marés, que deveria fazer o passeio de jangada. Tenha sempre uma referência dessas, para achar o horário das marés mais baixas possíveis; é nesse momento que vale mais a pena ir para as piscinas naturais. E, neste dia, o horário seria por volta de 13:00. Aproveitei para conhecer o Hippocampus, o projeto de preservação do Cavalo Marinho, bem perto da pousada onde estava. R$ 12,00 a entrada, vários aquários, também com outros bichinhos do mar. No horário da maré baixa, estava eu lá, a postos. Neste caso, foi bem fácil arrumar grupos, com jangadas saindo a todo instante, por R$ 20,00. Emocionante nadar com peixinhos; se puder ter uma câmera a prova d´água, melhor ainda. Seu Betinho, o jangadeiro que me apadrinhou, nos levou para outra piscina ainda melhor, mais isolada, com menos pessoas e mais peixes, e água ainda mais clara. Perfeito, me senti realizada. Após almoçar em um self-service da rua principal, por R$ 15,00 para comer a vontade, fui à praia de Maracaípe e ao pontal. Um casal da pousada quis ir junto comigo, e fomos de carro. Pena que a chuva deixou a paisagem cinzenta, mas deu para apreciar a tranquilidade, especialmente do pontal do Maracaípe, onde desagua o rio, e, em dias mais claros, torna-se um point para apreciar o por do sol. Não foi dessa vez. Depois de descansar na pousada, fui fazer comprinhas no centro, onde jantei uma sopa de abóbora com camarão, por R$ 20,00, na Soparia. 13 de abril, quarta feira. Amanheceu com chuvarada, que, por sorte, não se estendeu pelo dia. Afinal, iria para a famosa Carneiros. Seguimos de van até o embarque no catamarã, que seria nossa base, com música ao vivo e opções para almoço, além de um fotógrafo que poderia nos fornecer um CD com os registros, por R$ 50,00. Paramos, novamente, num ponto onde as pessoas se banham com argila. Meio estranho aqueles baldes na beira da praia, com diferentes cores de argila, mas as pessoas se divertem, enquanto tentam vender sabonetes e congêneres. Segunda parada, na famosa igrejinha de Carneiros, singela, à frente de um mar com jeitão de piscina de água maravilhosa. Terceira parada, nos bancos de areia, no meio do marzão. Lindo, uma imensidão, onde podemos caminhar e mergulhar. Quarta parada, nas piscinas naturais de Carneiros. Aluguei uma máscara (R$ 10,00) e me joguei, cuidando para não me machucar nos arrecifes, que dão o toque especial ao lugar. Ao voltar para o catamarã, o almoço que racharia com uma das participantes estava pronto: dividimos um peixe inteiro, muito farto, tal como a conta: R$ 77,00. Ao voltar para Porto de Galinhas, depois de um dia especial, de céu aberto e sem aquela chuva da manhã, optei por jantar uma porção de frango frito, muito saborosa e barata, acompanhada de um chopp de vinho, em uma das galerias da rua principal. 14 de abril, quinta feira. Fui à praia antes do passeio de buggy que, a muito custo, consegui agendar no dia anterior (na última hora, apareceu um senhor e duas filhas, procurando uma quarta pessoa para baratear o passeio – R$ 50,00 por pessoa, também pela Maracatur). Era o passeio tradicional, de “ponta a ponta”. Conhecemos Muro Alto, uma linda praia com um verdadeiro muro de arrecifes em sua extensão, formando uma deliciosa piscina. Depois, passamos algum tempo em Cupe, que achei menos bonita que a anterior. Almocei nesta praia: um escondidinho de frutos do mar bem gostoso, junto com suco regional, em um bar de beira de praia com boa estrutura – ducha sem cobrança adicional, por exemplo, além de boa música. Conta: R$ 37,00. Pegamos uma chuvarada na saída para a outra praia, Maracaípe. Mas logo o sol forte estava de volta. Desta vez, Maracaípe estava mais bonita, mais ensolarada, mas partimos logo para o rio, onde faríamos o passeio de jangada até o pontal, e apreciaríamos o por do sol. O passeio sair a R$ 20,00, com um inusitado mergulho do jangadeiro, para capturar um cavalo marinho em seu habitat natural. O sol começava a se por. Chegamos até a beira da praia, pelo rio, e lá desembarcarmos para as lindas fotos, enquanto anoitecia e o bugueiro chegava para nos pegar. Retorno à pousada, para um descanso rápido e saída para jantar. Voltei ao Mardioca, desta vez para uma massa com brócolis e camarão, muito saborosa novamente. 15 de abril (sexta-feira). Era o dia que deveria partir. Segui o conselho do Miguel, da pousada, para pegar um city-tor “Recife/OIinda” e pedir para ficar no aeroporto. Feito. Nunca foi, desde o início da programação, meu interesse em passear por Recife. Tanto pelas informações quanto a insegurança da cidade, quando pela invasão de aedes aegypti. Então, o tour veio a calhar. Passamos pelo centro histórico, visitamos o Museu dos Bonecões, a cadeia – que hoje é um mercado, e o Marco Zero. Almoçamos na entrada de Olinda (R$ 30,00) e seguimos para o centro histórico de Olinda. Visitamos os pontos convencionais, com a vista para o mar do pátio da Igreja, apreciamos a apresentação de frevo e demais artes regionais (esculturas, pinturas, rendas etc). A última parada do city-tour foi no magnífico Instituto Brennand, que foi, recentemente, eleito um dos melhores museus do mundo. Excêntrico, rico em detalhes, o museu tem a forma de um castelo, com imensas coleções de armas brancas, além de quadros, esculturas e uma infinidade de objetos. Vale muito a pena. A entrada inteira era R$ 25,00, paguei meia. Fui deixada no aeroporto, de onde partiria, às 22:00, para a segunda parte de meu roteiro: Petrolina. Do aeroporto fiquei sabendo que o tour que faria pela vinícola no sábado, chamado “Das águas aos vinhos”, tinha sido cancelado. Pedi no hotel que tentassem alguma outra opção para mim: afinal, era para isso que estava indo a Petrolina. OK, iria fazer então o “Vapor do Vinho”. Peguei um taxi no aeroporto de Petrolina, por 47,00, e cheguei ao hotel Costa do Rio, com diária a R$ 150,00. Achei que poderia ser melhor: as portas batem demais, e o barulho é enorme, o zum zum zum das pessoas no hotel incomoda, e ainda me colocaram em um quarto de frente para a rua. 16 de abril (sábado). Tudo mudou. A Tânia, da empresa Flor de Cacto, que estava agitando meu passeio que tinha sido cancelado, resolveu aparecer no hotel e me propor que fizéssemos a visita a Fazenda Santa Maria, da vinícola Rio Sol, por conta própria, estilo passeio de índio, pulando de uma van para outra. OK, topei, transferi o “Vapor do Vinho” para o dia seguinte, e segui a Tânia, que me guiaria então por R$ 100,00, sendo que também paguei suas despesas com transporte e almoço. Fomos de van (R$ 10,00) até um distrito vizinho, Lagoa Grande, e depois pegamos um taxi até a Fazenda Santa Maria, da vinícola Rio Sol. Chegamos a tempo de acompanhar o começo de uma visita guiada, que estava nos parreirais. Impressionante e cultural, conhecer as uvas viníferas cultivadas à beira do São Francisco, e poder degusta-las no pé. Seguimos à área de processamento, onde foi explicado todo o processo, onde conhecemos os vinhos da marca, muitos deles campeões internacionais – que davam orgulho aos profissionais - e depois degustamos vários tipos. A taça era presente, para recordarmos sempre dessa linda experiência, que custou a bagatela de R$ 10,00. Pegamos carona com o ônibus que estava lá, e desembarcamos direto no Bodódromo, experiência que eu achava que ia adiar mais. OK, já que era inevitável, experimentei a carne de bode. Achei meio estranho, talvez pela rejeição psicológica, mas valeu a experiência. O almoço, que serviu a mim e à Tânia, ficou em R$ 57,00 (meio bode assado, mais bebidas). Passei pelo SESC Petrolina, para saber de alguma programação para aquela noite: iria então ver uma apresentação de violeiros. Aproveitamos depois para fazer a travessia de barquinha, para que eu conhecesse Juazeiro. Muita coisa fechada ali nas adjacências da orla. E o cansaço era muito. Retornarmos ao hotel, e Tânia me deixou. Descansei um pouco e fui para minha programação noturna no SESC, gratuita. O táxi que me levou ficou em R$ 15,00 na ida, R$ 15,00 na volta. Fiz um lanche na conveniência do posto de gasolina próximo ao hotel. Diga-se de passagem, com várias opções. 17 de abril (domingo). A agência que me levaria para fazer o “Vapor do Vinho” (R$ 145,00) buscou-me no hotel. Seguimos para a fazenda Terra Nova, na cidade de Casa Nova, para conhecermos as instalações da vinícola Miolo. As mesmas experiências anteriores, visita aos parreirais, com direito a experimentar das uvas, explanação sobre o processo de produção, com centenas de barris de vinho, e degustação, além de visita à loja. Partimos para o imenso lago de sobradinho, onde participaríamos da eclusagem . O almoço era incluso, no sistema self-service, com opções de um peixe chamado cairi e carne (de bode, creio eu). O catamarã tinha música ao vivo, e a galera caiu no forró em certo momento do passeio. Paramos na Ilha da Fantasia, com pequenas e bonitas dunas, dentro do Lago de Sobradinho. Retornamos para o hotel, mas antes aproveitei que o sol se punha para fazer umas fotos sobre a ponte que liga Petrolina a Juazeiro. Lanchei novamente na conveniência do posto de gasolina. 18 de abril (segunda). Madruguei para pegar o vôo das 06:00 de volta a Recife, de onde partiria para a terceira e mais esperada parte do roteiro, no Vale do Catimbau. Ao chegar ao aeroporto, levei um susto: os caixas eletrônicos estavam sem dinheiro, e o meu estava contado. Descobri algo que me seria muito importante: as agências dos Correios fazem operações bancárias com o Banco do Brasil, o que seria minha salvação. A agência do aeroporto também não tinha dinheiro, mas segui mesmo assim para a rodoviária (via metrô, a R$ 2,80, fazendo baldeação na estação Recife), onde me salvei com os Correios de lá. Comprei minhas passagens de ida e volta para Buíque (uns R$ 50,00 cada), fiz um lanche na rodoviária mesmo e parti no ônibus das 13:20. Muita atenção nesta informação: apesar de te dizerem que o ônibus para na rodoviária de Buíque, isto não acontece. E para ajudar, o motorista de má vontade não sabia me dizer o nome do lugar onde ele me deixaria – já que o destino final é bem a frente, em Paulo Afonso. E Marcio, da Associação de Guias do Catimbau estaria lá, não sei onde, a me esperar. Soube depois que o ponto de parada do ônibus, tanto na ida, quanto na volta, é no Posto São Félix, onde, no barzinho ao lado, se vendem passagens da viação Progresso (Cruzeiro), que faz o trecho. Imaginem a minha tensão, em saber que desceria na estrada mesmo, já com o dia escurecido, sem saber se era ali mesmo que Márcio me esperaria. Ok, localizei o posto São Félix, e respirei aliviada na hora que Márcio apareceu. Tinha combinado, desde antes de minha partida, como seria o trabalho do Márcio comigo. Seriam R$ 100,00 por cada dia no Vale, e mais R$ 100,00 por conta de eu não ter carro. Negociei a R$ 190,00 cada dia, e ele cobrou-me mais 45,00 pelo traslado Buíque X Vila do Catimbau. Márcio, de origem indígena, me contava sobre sua aldeia, os rituais, e sobre as crenças e experiências que vivia quando criança – fiquei com vontade de visitar o povo dele e saber mais. Cheguei à noitinha na Vila, de singeleza percebida mesmo à noite, e onde dona Zefinha, a dona da Pousada do Catimbau, me esperava (diária a R$ 80,00 em dinheiro, R$ 85,00 no cartão). Pousada simples de tudo, como não poderia deixar de ser, num local tão pobre. Mas acolhedora. Ela colocou-me num quarto com WC (depois entendi que, então, o normal é o WC ser coletivo) e ventilador. 19 de abril (terça-feira). Amanheci com um café que chamo de carinhoso, simples, mas com o gostinho do sertão: suco muito saboroso, queijo na chapa, frutas e café. Havia percebido, minutos antes, que o chuveiro de meu quarto estava frio, apesar de elétrico. Não tive coragem de questionar e afrontar uma rotina local, de tanto que se fica sensibilizado com tudo. Márcio apareceu por volta de 08:00. Dava, antes mesmo de começar os roteiros, para sentir a energia mágica deste local, que depois se constata em tantas formações e cores diferentes de tudo. Ao fundo da Vila, já se avista o Morro do Cachorro. No entanto, Márcio informa que não me guiará naquele dia, mas que ficaria sob a responsabilidade do Zé Pereira. Márcio apenas nos levou até o começo de nossa caminhada, que se mostraria espetacular. Do começo da trilha já se avista a Serra de Jerusalém. Caminhamos pelo Vale, subindo em lugares para termos uma vista panorâmica, indo em direção à Casa de Farinha, um abrigo rochoso onde, num passado recente, foi construído um forno, cuja fuligem acabou por estragar parte das pinturas rupestres. Emocionante ver as cenas pintadas nos paredões, tudo bem explicado pelo Zé, que também me explicou muita coisa sobre as plantas medicinais. Passamos também pelas Torres, chegamos bem próximo aos paredões da Serra de Jerusalém, e seguimos para a Loca das Cinzas, lindas formações multicores e lapiais, local onde também presenciei a existência de pinturas rupestres. Esse lugar me surpreendeu, era mais bonito do que havia visto na internet. Valeu a pena. Pedi para ver gravuras rupestres, e Zé me mostrou algumas. Desconfiei que fosse ação do vento, mas eram tão simétricos como o vento não poderia fazer. Fomos voltando pelo lado oposto ao que começamos, agora bem próximo às Torres. Subi num dos janelões, onde um vento maravilhoso refrescava aquele calorão. Já tínhamos andado quase 9 Km, e era somente o período da manhã. Voltamos para almoçar na pousada. Percebi que meu tênis abria em várias partes das laterais, talvez pelo constante atrito com a areia, que chegou a penetrar pelo tecido (carreguei areia até dentro das meias!). Nada que muito Super Bonder não resolvesse. Partimos então para nova caminhada, já que nos programamos para ver o por do sol. Desta vez, Márcio acompanhou também. Visitamos uma caverna até que grandinha. Depois, começamos uma subida íngreme, para alcançar o alto da serra e as lindas vistas panorâmicas. De lá se podia ver uma via agrícola, construída por uma ONG aqui de São Paulo. As poucas nuvens não impediram o espetáculo do sol que se punha, garantindo lindas fotos. Mas claro, assim que o sol se põe, a descida tem que ser rápida, antes que tudo vire breu. No entanto, sem dificuldades maiores, senti-me orgulhosa de ter percorrido mais de 15 km, somente no primeiro dia no Vale do Catimbau. A magia daquele lugar parece nos anestesiar, e evitar dores e cansaços. Felizmente, meu tênis pareceu suportar. Aproveitei os mais singelos momentos interioranos, desde tomar aquela coca-cola gelada na pequena padaria, até sentar na pracinha e comprar a pamonha que eu comeria após o jantar. Batata doce cozida, queijo grelhado, torradas, suco natural foi meu jantarzinho desta noite. 20 de abril (quarta-feira). Esse dia seria ainda mais especial. Quando me programei com Márcio, antes mesmo de viajar, havia selecionado alguns lugares, pelas fotos que vi na net, e conseguimos conciliar os pontos, por proximidade. Não me arrependi das escolhas. Uma delas, a trilha das Umburanas, foi surreal. Seres em formato de pedra, que parecem demonstrar a presença de algo muito superior a nós. Formas de jacarés, águias, cavalos-marinhos, bruxa, namorado, pedras tão estreitas e altas, que desafiam a dinâmica. Os grandes paredões abaixo de nós. Depois, a trilha da Igrejinha, com formações imponentes e alaranjadas. O dia meio nublado favoreceu a caminhada. Paramos nos ateliês de arte do caminho, Luiz Benício e o hilário, carismático e cheio de estória, Zé Bezerra, que já apareceu em programas de tv. Partimos em direção a trilha do Chapadão, com canyons por cenário. Caminhamos sobre paredões surpreendentes. Um deles circular, como se fosse uma ferradura, a nos abraçar. Ao fundo, o vale e suas formações. Chegamos ao painel dos Homens sem Cabeça, conhecidas pinturas rupestres, que já ilustraram livros de geografia. Márcio explica a cena de batalha, e as diversas interpretações, e me conta também sobre sua atuação como líder de seu povo indígena. Seguimos mais um pouco de carro, até o começo da trilha do Canyon. Caminhamos um pouco pela Serra Branca. Ao retornar para a vila, quis conhecer o tal Paraíso Selvagem. Só não me arrependi porque a curiosidade de não conhecer teria sido maior. Totalmente deslocado do restante do cenário, onde a natureza impera. Aqui, o concreto foi inserido no contexto, quebrando todo o encanto da natureza que se basta. Além de tudo, temos que pagar 10,00 para entrar – muito mal pagos, para custear o cimento que foi colocado ali. Simplesmente deprimente. Mas foi muito pouco para quebrar toda a magia do vivenciado até ali. Somei, nas caminhadas deste dia, mais 9,7 km, totalizando 25,2. Maratona fantástica, que repetiria sem pestanejar. O dia terminou mais cedo; Márcio disse que percorri o que a maioria das pessoas faz em 4 dias. Cheguei para um almoço tardio, descansei bastante, mas antes aproveitei para fazer algumas fotos da pracinha da vila, com todo o esplendor do Vale do Catimbau ao fundo. Dormi, enquanto uma chuva leve caía. O jantar/lanche gostosinho para arrematar. 21 de abril (quinta-feira). Como meu ônibus partiria de Buíque às 17:30 rumo a Recife, queria porque queria arrumar algo a mais para fazer. Mas, devido a minha programação cumprida, não haveria mais o que fazer. Como Márcio estaria compromissado com uma turma escolar que viria fazer trilhas leves no Vale, e devido ao meu bom comportamento e também às milhagens acumuladas, ganhei o bônus de acompanhar a turma com Márcio, e viver a inusitada experiência de andar de pau-de-arara. Iria repetir as trilhas do Chapadão e do Canyon, mas andar de pau-de-arara ia dar o toque peculiar, e somar experiências. Aquilo que foi diversão, para as crianças do colégio particular lá de perto de Recife, é a dura realidade de muitos sertanejos daqui. Depois do roteiro “bônus”, fiquei na pousada para almoçar e arrumar as coisas para partir. Márcio reapareceu para nosso último trecho agora da vila para Buíque, onde eu pegaria o ônibus (até que novo), naquele posto de gasolina São Félix. O ônibus que passaria às 17:30 passou às 17. Tem que prestar atenção nisso, e acho o fim da picada esse desencontro de informações. O guichê da empresa Progresso (Cruzeiro) fica num boteco ao lado do posto, do lado inverso ao que o ônibus pára. Cheguei na rodoviária de Recife depois das 22:00, e fui a Boa Viagem de taxi (72,00), onde me hospedaria na Pousada da Praça (R$ 135,00 a diária), por ser mais perto do Aeroporto, para minha partida de fim de férias. Pensando bem, avalio esta pousada como a de melhores instalações. Deu tempo de correr até a feirinha da praça da igreja de Boa Viagem, para comer um acarajé, que seria meu jantar desta noite. O dono da pousada, apesar de prestativo na chegada, tem um jeitão um tanto excêntrico e mal humorado nos outros momentos de minha estadia. Dia 22 de abril (sexta-feira). Bom café da manhã, com o mal humor que parece habitual ao senhor que não sei o nome. Saí para uma volta na praia, fiz algumas fotos , apenas para cumprir tabela, pois o melhor já tinha sido realizado. Depois, senti que o local é mesmo inseguro, face aos relatos da moça do quiosque onde tomei um açaí. Hora de ir embora. Parti para o aeroporto de táxi, por volta de R$ 15,00, e cheguei a São Paulo no comecinho da noite. E assim terminou uma das minhas mais enriquecedoras viagens de férias, pela diversidade de experiências que vivi.
  3. Vanessa.... muito obrigada por sua ajuda! Vou pensar melhor quanto a Igarassu... como esta cidade estava na sequência do Vale do Catimbau, talvez eu troque sim por outra, ali no interior. E quanto a Cabo, tb por não ter achado como se vai de Cabo a Porto, e uma vez que não pretendo me hospedar lá em Cabo, pensei em, ficando em Porto de Galinhas, pegar uma daquelas várias agências, e fazer um bate e volta lá, apenas para conhecer. Você foi muito gentil em consultar a sua amiga! Abraços!
  4. Mirian_rr

    Tamandaré

    Pessoal, Alguém sabe como faço para chegar em Tamandaré, a partir de Porto de Galinhas, de ônibus ou outro meio, já que viajo sem carro? Grata!
  5. Prezados, Estou montando um roteiro de viagem por Pernambuco, onde vou passar férias de 10 a 22 de abril. Gostaria da opinião e de dicas de quem conhece a região. Antes de mais nada, o meu chamariz para pegar um avião para Pernambuco foi conhecer o Vale do Catimbau – estou muito feliz que vou conseguir fazer isso! E preencher os demais dias da melhor forma possível. Estarei sozinha e não dirijo. Sempre ouvi falar que o Recife é um tanto perigoso, por isso abortei ao máximo a estadia por lá, até mesmo porque já estive a trabalho e visitei Olinda. Então, foquei-me em outros pontos. Me ajudem nos detalhes, e se é possível fazer isso que estou pensando. Adoro roteiros culturais / históricos, e queria muito conhecer a região da Zona da Mata, e aquilo que andaram chamando de Rota dos Engenhos e Maracatus. Pensei em me hospedar em Nazaré da Mata, mas me deu um certo receio, tanto pela segurança, quanto pela locomoção – também não sei se teria muitos atrativos, ou só mesmo a história do local. Procurei agências que fizessem esse roteiro, mas não achei. Então, as coisas estão ficando assim: 1. 10/04 (dom) chegada à tarde Dormir Recife 2. 11/04 (seg) Recife – Catimbau(Buique) 3. 12/04 (ter) Catimbau 4. 13/04 (qua) Catimbau 5. 14/04 (qui) Catimbau (Buíque) - Recife - Igarassu 6. 15/04 (sex) Igarassu 7. 16/04 (sab) Igarassu - PG 8. 17/04 (dom) Porto de Galinhas 9. 18/04 (seg) Porto de Galinhas 10. 19/04 (ter) Porto de Galinhas 11. 20/04 (qua) PG - Tamandaré 12. 21/04 (qui) Tamandaré 13. 22/04 (sex) saída as 14:30 Tamandaré-Recife Questões: - Acredito que seja melhor pernoitar em Boa Viagem, por ser perto do aeroporto. Estou certa? - Já tenho os contatos para me guiar no Vale do Catimbau (pela Associação de Guias), e vou para lá via Buique (talvez, optando por ir por Arcoverde, onde me parecem que tem mais opções de horários). - Vocês podem me dizer como faço para chegar de Boa Viagem até a Rodoviária? É muito caro ir de taxi? - Depois de voltar do Catimbau, pretendo ir para Igarassu. Vi que tem uma pegada histórica na cidade, e acredito ser fácil ir de lá para Itamaracá. Queria muito conhecer a Ciranda da Lia, mas acredito que não esteja acontecendo. Acham essa estadia em Igarassu uma boa? Podem me confirmar como chego até lá? - Depois de Igarassu, vou para Porto de Galinhas, passar alguns dias. Pelo que vi, não é muito longe Igarassu de Recife, e depois para Porto. Podem me confirmar como faço isso? O lugar de onde desembarco, vindo de Igarassu, é o mesmo lugar onde pego transporte para Porto de Galinhas? - Estando em Porto de Galinhas, pretendo fazer os passeios por lá, e já sei que tenho que me hospedar no centro. Acham viável que eu tire um dia para conhecer Cabo de Santo Agostinho? Penso em achar algum tour em agência. - Gostaria de fazer uma estadia em Tamandaré, e conhecer Carneiros de forma mais tranquila (que não os bate-e-volta de Porto de Galinhas). No entanto, não consegui informações de transporte de Porto de Galinhas para Tamandaré. Sabem como devo fazer? É interessante a minha idéia? A ida de Tamandaré para Recife sei que é tranquila, de forma que posso partir no último dia pela manhã para o aeroporto. Também tinha visto Garanhuns, Bezerros etc. Acham que vale a pena trocar alguma parte de minha viagem? Lembro que o Vale do Catimbau é imexível. Vcs têm alguma sugestão ou conselho? Grata!
  6. Mirian_rr

    Aracaju

    Oi Daniele! (danielefs) Estou anotando todas as suas dicas. A opção para eu visitar a Serra de Itabaiana é com o pessoal da Peregrinos... Quanto a Mangue Seco, ainda estou decidindo se tiro um dia com uma agência, para fazer um bate e volta de Aracaju, ou se vou a partir de Estância, já que decidi me hospedar na cidade, para conhecer as praias de lá... Menina.... rssss Sergipe é pequena, mas tão cheia de atrações... Eu, fominha que sou, tô querendo conhecer tudo em 10 dias... rss Só fiquei muito preocupada (e até mesmo chateada), com uma postagem que li em um site, sobre Laranjeiras, onde a pessoa narra uma tentativa de assalto, próximo a Igreja do Senhor dos Navegantes. E que os moradores explicaram que a cidade estava tendo problemas de segurança, com alguns "novos moradores". Uma cidade que me parecia tão singela... fiquei preocupada. Sabe de alguma coisa? Bjs e obrigada!
  7. Mirian_rr

    Aracaju

    Muito Obrigada, danielefs!!! Estou amadurecendo minha programação, e suas dicas foram ótimas. Está ficando assim: - Ficar em Aracaju no começo de minha programação, conhecer a cidade e, em um dos dias, fazer um bate volta até Laranjeiras, e tentar conhecer Divina Pastora. A propósito, sabe se é viável fazer isso? se vale a pena? - Para outro dia, estou tentando fechar um bate e volta com o pessoal da Orbital ou da Peregrinos, para conhecer Itabaiana. Já estou em contato com eles. - Depois, pretendo ir para Estância, me hospedar lá, para conhecer as Praias do Saco e Abaís, e tentar ir a Mangue Seco. Sabe como faço para ir de Estância a Mangue Seco? Vi que tem que ir até Pontal, é isso? Parece meio restrito, pelo site que me informou. Antes de ir embora, vou para Piranhas, me hospedar por dois dias, fazer os roteiros por lá. Volto para Aracaju no dia de ir embora e sigo direto para o Aeroporto. Ainda quero encaixar uma ida até São Cristóvão e, se conseguir, ir para a parte norte. Vi coisas bacanas em Pirambu, Pacatuba e Brejo Grande, que fazem bem o meu estilo de viagem. Vi roteiros de agências que vão até Brejo Grande, para fazer o Delta do São Francisco, mas ignoram esses outros pontos na região. Se der certo, pretendo sim fazer o passeio com vocês, o dia 12 é interessante, e conseguiria encaixar. Depois me passe mais informações, por mensagem pessoal. Antes de mais nada, acha que é viável o deslocamento conforme estou planejando nos outros dias? É seguro, estando sozinha?
  8. Mirian_rr

    Aracaju

    Boa tarde, Estarei em férias pelo Sergipe, entre 08 e 17 de abril, e estarei com base em Aracaju. Minha ideia é ficar uns dias em Aracaju, e quero conhecer os seguintes lugares (não sei se bate-volta, ou me hospedando na região): - Serra de Itabaiana; - Pantanal, em Pacatuba; - Praia do Saco e Mangue Seco. - São Cristóvão, Laranjeiras e Divina Pastora. Acho que essa parte é tranquila. - Canion do Xingó e Rota do Cangaço. Pretendo, neste caso, passar uns dias em Piranhas. Aqui está tudo sob controle, já tenho as informações. Mas, especialmente para Serra de Itabaiana, Região de Pacatuba, e Praia do Saco/Estância e Mangue Seco, qual a sugestão de vocês? Melhor fazer bate e volta, ou hospedar-me na região? Para conhecer Serra de Itabaiana e região de Pacatuba (Pantanal), vocês conhecem algum grupo que organize passeios, seja de Aracaju ou das cidades próximas? Se eu for sozinha para essas cidades, de ônibus, seria fácil me arrumar por lá para conhecer os pontos de interesse? Muito obrigada.
  9. Estava pensando se somente bons relatos deveriam ser postados aqui no Mochileiros. É obvio que ninguém quer frustrar ou deixar o outro mal impressionado, mas acho que, da mesma forma que colhemos boas informações, alertas feitos em “maus relatos” também devem ser proveitosos e servem de orientação. Pois bem. Vou relatar o que seria uma viagem de férias ao Uruguai, entre os dias 23 de abril a 01 de maio, chegando por Montevideo, e com programação para passar um dia em Colônia do Sacramento, seguir a Punta del Diablo, Valizas, Cabo Polônio (talvez com a caminhada de Valizas a Cabo pela praia ou a cavalo), Rocha (com uma cavalgada em Caballos de Luz) e retornar a São Paulo de Montevideo, onde faria ainda uma visita a uma vinícola. Tudo muito desejado. Como sempre planejo e consulto tudo, apenas desta vez, e curiosamente, não fiz as reservas em hostels, apenas selecionei alguns endereços. Para Montevideo, escolhi um dos “mais seguros bairros”, Pocitos. Resolvi levar o dinheiro em dólares, com o cuidado de comprar uma doleira para o dinheiro e o passaporte. Câmera novinha em folha.Tudo perfeito até o desembarque e o trajeto de ônibus até o bairro... sem erros. O vôo chegou por volta das 16:30. Peguei o ônibus em frente ao aeroporto, rumo a Punta Carretas. Bem velhos os veículos de transporte coletivo. Mas até aí, tudo OK, até a prestatividade do motorista em me mostrar onde descer. Localizei o primeiro hostel de minha lista, o Punto Berro. Confesso que não gostei da receptividade do primeiro momento. Meio largado, sem ninguém para te atender na recepção, até que, a muito custo, consegui convencer um senhor, que estava de pernas para o alto no sofá, mexendo num lap top, a me atender. Parecia um hóspede, desinteressado. O pior de tudo, o cidadão não fazia a menor questão em falar espanhol e em se fazer entender... era só inglês, que entendo pouco. Fui ficando irritada. Além disso, os valores que ele me mostrava eram diferentes do que tinha visto na net. Consegui ver os quartos, mostrados com muito pouca informação... eram mais ou menos. OK. Estava pensando se ficaria ou não, quando chegou uma outra moça, brasileira, que iria se hospedar. Resolvemos, juntas então, optar pelo quarto coletivo, já que estaríamos somente nós duas. Chegamos ao quarto, mas um tanto incomodadas, pouco a vontade, e comentei que tinha mais duas referências para hospedagem no mesmo bairro, Pocitos Hostel e Unpluggled. Mal sentamos, e decidimos sair. Como o banheiro estava sem luz, nem o visitei, e sai da mesma forma que estava. Larguei apenas a mochila de roupa, mas fiquei com medo de deixar outras coisas. E também, quem é que sái em férias para ser assaltado? Nem coloquei a doleira que eu tinha comprado. Pois é. Fomos aos dois hostels que eu tinha registrado, gostamos mais do clima e da atenção das pessoas, e decidimos voltar para pegar nossa mochila e mudar de hostel. Começava a escurecer. Eu e minha nova colega andávamos pela calçada, próximo ao Boulevar Espana, cerca de 5 quadras do hostel inicial, quando, sem mais nem menos, só senti um tranco, com minha bolsa sendo arrancada de mim. E eu, vendo um cara correndo e subindo numa moto que o aguardava na esquina, com tudo o que eu tinha de valor, incluindo tudo o que me faria sentir segura numa primeira viagem sozinha ao exterior. Documentos, cartões, dólares, câmera digital, celular... tudo!. Não conseguia assimilar... estava em choque. Tremia, abraçada por duas senhoras que desceram de suas casas para ver por que eu gritava tanto. Não faltaram consolos e expressões de vergonha. Corremos ao hostel para as infinitas ligações. Sorte que dessa vez eram outras pessoas na recepção, que não pouparam esforços para realizar minhas ligações internacionais. As ligações para administradora de cartão de crédito, que caiam na filial uruguaia, com atendentes que só dificultavam o processo, pedindo informações que eu não tinha como passar. Consegui bloquear, a muito custo. Depois, telefonema para o plantão da embaixada, onde me orientaram a conseguir qualquer documento (!!!), para que eu provasse que eu era eu mesma, e conseguir a tal Autorização de Retorno ao Brasil. Eu não queria ficar nem mais um dia lá. O próximo “point turístico” foi a delegacia. Atendimento mais ou menos, desinformações (a atendente achava que eu deveria fazer constar no B.O. apenas o que fosse passível de recuperação, mas fiz constar tudo o que pudesse me comprometer) e um tiquinho de má-vontade (ela nem quis saber sobre meu celular possuir rastreador)...e também duvido que aquelas informações sobre passaporte roubado seria transmitida a outros órgãos, e acredito muito menos que meus pertences me seriam devolvidos se fossem achados. A muito custo, tentei engolir uma pizza, com a insistência da colega recém conhecida, e às suas custas, óbvio. O dinheiro dela estava contado (afinal, seria para uma pessoa, e não para duas...), e recusamos o que aqui no Brasil se chama couvert (a tal entradinha)... 35 pesos cada uma. Na hora da conta, surpresa! Havíamos esquecido do IVA, que leva um pouco da grana, e fomos apresentados a um tal “cobiertos”. Que porcaria era essa? Será que a talzinha esqueceu que recusamos o couvert? Perguntamos o que era “cobiertos”, e ela mostrava os talheres... rsss.... caramba, será que temos que trazer talheres da próxima vez, para não termos que pagar aluguel das ferramentas de comer? Que absurdo... eram os mesmos 35 pesos por pessoa. Contamos a nossa tragédia, e o pessoal da pizzaria, solidariamente, excluiu tudo o que não tivesse sido consumo. Depois de uma noite em claro, na manhã seguinte, telefonei para minha irmã no Brasil, para trocar minha passagem de volta. Difícil, os valores tinham triplicado, e só teria para o dia 28. O que eu iria fazer naquele lugar, assustada, sem dinheiro e sem documentos? Decidi sair de lá de ônibus, e constatei que o trajeto Montevideo – São Paulo acontecia apenas um dia por semana, e não era aquele. Achei passagem para Porto Alegre, às 21:00 daquele mesmo dia 24 (com 12 horas de viagem), e de avião, de lá para São Paulo, por volta do meio dia do dia 25. Era essa a melhor alternativa. Liguei para minha irmã no Brasil, que providenciou minhas passagens, bem como o depósito bancário para a colega brasileira que bancou minha pizza na noite do susto, e minha locomoção a delegacia e ao consulado na região central. Um atendente muito solicito e condolente providenciou minha ARB, entre consolos e conselhos, para que eu não ficasse traumatizada. Apenas para informação, ele comentou que, há tempos atrás, sempre havia algum recurso financeiro na embaixada e consulado para ajudar brasileiros nessas situações, mas que nossa presidente havia cortado essa ajuda. Deve ser para construir o porto em Cuba. Consegui, em meus e-mails, alguns documentos digitalizados que me ajudariam na identificação. OK. Autorização emitida, senti um mínimo de alívio. Documento na mão, mais um monte de contatos para o Brasil, posso dizer que conheci apenas a av. 18 de julio (perto do consulado), para que minha colega fizesse câmbio e sacasse dinheiro. Sim, deu certo sacar dinheiro nos caixas Plus, com cartão Visa, do Banco do Brasil. Eu pude ver, não pude fazer eu mesma o que eu tanto tinha estudado. Nem sequer o mirante da 18 de julio eu visitei. Sem clima nem espírito para nada. Só queria partir. Demos umas voltas na Rambla de Pocitos, que aos meus olhos não eram nada de mais. Volta ao Hostel (ah, a colega arcou com duas diárias, para que eu pagasse depois...). Lamentável e triste. Por volta das 19:00 peguei um taxi para o Terminal Tres Cruces (aquele que eu visitaria muitas vezes na estadia no Uruguai, caso pudesse ter visitado tudo que planejei), com um motorista muito mal humorado porque não dava para parar na frente do hostel. Ao chegar ao terminal, ficou me odiando por que eu dei uma nota de 1000 pesos. Percebi que, de raiva, ele meteu a mão em alguns trocados, sem que o taxímetro se mexesse. Fui ao balcão buscar minha passagem de ônibus, e solicitaram meus documentos, leia-se B.O. e ARB. Mostrei os documentos, e o atendente queria reter para apresentação na imigração, dizendo que seria devolvido no ônibus, quando cruzássemos a fronteira. “Nada disso!”, eu falei.... “foi muito difícil conseguir”, e agarrei meus documentos. Fui acordada por uma simpática “rodomoça” (diga-se de passagem, o ônibus e o serviço eram muito bons, com lanchinhos e tudo o mais), por volta de 01:30 da manhã, para que eu mesma me apresentasse ao agente da imigração uruguaia, que, ao ver minha cara de desapontamento com o retorno inesperado, se condoeu, me abraçou e me tascou um beijo na testa, pedindo mil desculpas pela vergonha passada em seu país. A imigração brasileira nem quis saber de mim, era hora de pegar no pé dos nossos hermanos (agora que que a maconha está liberada no Uruguai), e vários foram solicitados a abrir bagagens. Me lembrei de minhas viagens de sacolagem ao Paraguai quando eu era adolescente, com aqueles agentes adentrando ao ônibus com suas lanternas, procurando muambas. Mais um tanto de estrada, e eu chegava a Porto Alegre, um pouquinho mais aliviada por retornar a meu país. Mas muito preocupada ainda. Por via das dúvidas, procurei mais uma delegacia, para providenciar um B.O. brasileiro, na delegacia próxima a rodoviária de Porto Alegre, mas acharam desnecessário. Não satisfeita, procurei a delegacia do turista, no aeroporto de Porto Alegre, para me precaver de qualquer problema no embarque para São Paulo. Com todos esses documentos que, eu juro, não queria ter providenciado, sem ter realizado nada dos meus planos de viagem, desembarquei em São Paulo, sem entender o porque disso tudo ter acontecido. Férias frustradérrimas. Passei meus últimos dias de férias correndo atrás de documentos, novos cartões, e ainda ter que ficar explicando para as pessoas o porquê de eu estar carregando as MINHAS coisas COMIGO. O porquê de eu não ter me preparado para ser assaltada, coisa que para mim é ainda um tanto indigesto. Pois é, o tal bairro Pocitos, o “mais seguro” de Montevideo, acaba atraindo oportunistas, a procura de turistas, especialmente mulheres, que “relaxam”, frente à suposta segurança do bairro. Fotos? não tenho... só tenho documentos digitalizados que marcam essa triste história de férias.
  10. Tenho passagens compradas de São Paulo para Montevidéo, chegando às 15:30 do dia 23 de abril (quarta feira), e retornando às 17:00 do dia 01/05 (quinta feira). Estarei sozinha e não dirijo... chegarei de avião e me locomoverei de ônibus ou outro meio. Pelos posts daqui, quero conhecer Colônia, Punta del Este (só para dizer que conheço... pelos comentários, acho que não vou gostar muito... e aproveitar para conhecer Piriápolis), Cabo Polônio (acho que quero passar pelo menos uma noite aqui...). Entre as dúvidas do que ainda seria legal visitar, ouvi falar também em Punta Del Diablo (com parque Santa Teresa) e Punta Carretas. Também vi algo sobre cavalgadas em Rocha, que gostaria de fazer... Adoro cavalos. Qual o melhor roteiro que posso montar, visando as melhores formas de locomoção e facilidade de hospedagem (economia)? Já adianto que não estou em busca de badalação, mas gosto muito de natureza, história e cultura, lugares peculiares. Só quero levar em conta que, por estar sozinha, devo evitar lugares muito isolados, onde não tenha mais pessoas. Quais os melhores dias para estar em Montevidéo e o que seria legal visitar? Terá algum evento cultural na cidade nesse período para eu organizar a agenda? Como costuma estar o clima nesse período? É facil chegar a Casapueblo, sem transporte próprio? Agradeço muito por todas as dicas!
  11. Marcela, Seu relato me foi muito útil.... coincidentemente, tb vou ao Uruguai, chegando por Montevidèo, e quero visitar exatamente os mesmos lugares que você. Estava um tanto perdida... embarco em 23/04 e volto em 01/05... 9 dias por lá. Será minha primeira viagem sozinha ao exterior (pelo Brasil, já viajei um pouco). Estava com medo de ser pouco tempo, mas, considerando que já acho que não vou gostar de Punta, vou reduzir minha estadia por lá.... Será somente para dizer que conheci. Não deve ser do tipo de local que gosto. Como estou organizando meu roteiro agora, já digo que vou te procurar para pedir mais dicas. yukimb: já organizou sua viagem? vai mesmo?
  12. Queria um destino muito tranquilo para passar o Carnaval, e lembrei de uma matéria que li em uma revistinha da Tam. Superagui. Foi tudo o que esperei: um a vila de pescadores rústica, com praias desertas e tradições semi-preservadas. Seguimos para Curitiba, de ônibus, na madrugada de 01 de março. Com atraso de 4 horas chegamos a Curitiba, onde pegamos o ônibus para Paranaguá. Um erro de comunicação nos levou para uma destino inesperado. Erramos o porto de embarque, e fomos parar em Pontal de Paranaguá, onde só saem barcos para Ilha do Mel, quando deveríamos ter descido no porto de Paranguá, perto do centro. Sem tempo hábil para nos deslocarmos para o terminal principal de Paranaguá, seguimos para Ilha do Mel, para ver o que conseguíamos por lá. Escolhemos a vila de Brasília. Rsss... em vão. Os barcos da Ilha do Mel cobravam muito caro a travessia para Superagui (cerca de 200,00 !!!), então decidimos arrumar um lugar para pernoitar. A muito custo conseguimos uma pousadinha bem simplinha, com diária a 70,00 por pessoa. Conhecemos a Praia de Fora, a Praia do Farol das Conchas, o belo farol. Não tivemos coragem de subir até o alto (a viagem tinha sido um tanto cansativa) mas a vista deveria ser muito bonita. Curtimos um pouco a praia. Atravessamos um pequeno braço de mar, com água no joelho, numa das passagens entre a praia e a vila, e jantamos no Jamil. R$ 75,00 um prato para duas pessoas, com casquinha de siri, peixe e camarão de monte. Fartura. Domingo (02/03), manhã. Caminhamos até a Fortaleza, antes do café da manhã. Linda construção e bela vista das praias. Após o café, seguimos de barco para a vila de Encantadas, onde conhecemos a Gruta das Encantadas e a praia do Mar de Fora. Voltamos correndo para a pousada, antes que perdêssemos o barco que nos levaria de volta a Paranaguá, a tempo de, dessa vez sim, pegar o barco para Superagui. Finalmente, alcançamos nosso destino, com um dia e meio de atraso. Nos hospedamos na Pousada Karla, uma das últimas da praia onde o barco atraca. Bastante simples, como tudo por lá. Do barco, tendo a Ilha das Peças do outro lado, já dava para ver o que nos aguardava: simplicidade e tranquilidade. Apenas barcos, cavalos e bicicletas. Nos ajeitamos na Pousada e partimos para conhecer o vilarejo. Fechamos um passeio de barco para o dia seguinte, com o pessoal do Hostel Superagui. Era Carnaval, afinal... enrolar-se em cobertores ou vestir macacões e colocar máscaras de monstros parecia ser o costume local. Todo mundo fazia isso... eram monstrinhos e monstrões por toda a vila... rsss... Jantamos no restaurante Tropical, na beira da praia, e nos fartamos no camarão... de novo! Passamos no bar Akdov, famoso pelas noites de Fandango, onde uma roda de senhores tocavam seus instrumentos tradicionais. Os turistas prestigiam. A noite seguiu com uma espiadinha no clube de Superagui, com baile de carnaval para crianças. Tudo tão singelo, peculiar e divertido. Segunda (03/03), manhã. Caminhamos pela praia, até alcançarmos a porção deserta. Na volta, almoçamos pasteis na lanchonete da pousada, e seguimos para o passeio de barco. Primeira parada na comunidade Sabuí, onde uma cachoeira pequena, mas agradável, nos esperava. Paramos na comunidade Barbados, onde a desorganização do passeio se fez maior ainda. Não tinha quem nos guiasse ou nos informasse... apenas os barqueiros nos deixavam na margem, e nós que nos virássemos para achar a cachoeira, os barezinhos etc. Uma pequena confusão se formou, porque, apesar de terem nos prometido visita a Barbados, onde poderíamos apreciar as ostras, os responsáveis dos pequenos restaurantes não teriam sido informados pelo Hostel Superagui e não queriam nos atender. Com muito esforço conseguimos experimentar as ostras, graças a boa vontade de um dos minúsculos restaurantes, mas ficamos insatisfeitos com o descaso da organização do passeio. Paramos num ponto estratégico, Ilha do Pinheiro, para apreciar o vôo dos papagaios de cara roxa, que voltavam para pernoitar nas árvores da ilha, e depois conseguimos ver vários golfinhos nos canais entre as ilhas. Jantamos iscas de peixe no restaurante Tropical, e demos mais uma passadinha no bar Akdov, onde o fandango rolava solto, experimentamos a Cataia (uma bebida inventada por lá mesmo, curtida com folhas de Cataia, e que dão uma cara de uísque...), e demos uma outra olhadinha no animado clube, onde o forró estava a mil, com banda ao vivo. Terça feira (04/03): caminhamos pela trilha, por dentro da vila, de mais ou menos 1hora, que nos levaria a outro ponto das praias desertas, ainda mais longe que o anterior. Lindas praias difíceis de serem alcançadas. Retornarmos pela praia, onde várias lagoas se formam. Paramos na sede do parque Nacional do Superagui, onde o pessoal no Ibama nos prestou várias informações sobre o local e sobre as outras ilhas que compõem o complexo do Parque. A chuva caiu forte à noite, e não conseguimos sair para jantar. Aproveitamos para descansar, pois partiríamos na manhã seguinte, e pretendíamos fazer o trajeto de volta a Curitiba pela ferrovia da Serra da Graciosa, o que não foi possível. Quarta (05/03): Os horários não são estritamente cumpridos nas saídas dos barcos. Já nos atrasamos na saída, e nossos planos de voltar de trem iam por água abaixo. Quando chegamos a Paranaguá (uma gracinha de cidade... pena que a estação ferroviária está desativada), os ônibus a Morretes (onde saem os trens) não tinham horários suficientes para alcançarmos a saída do trem, então desistimos, e ficamos algumas horas a mais em Morretes. A cidade é uma gracinha também, cortada por um bonito rio, o Nhundiaquara. Experimentamos o famoso barreado (um prato a base de carne, cozida por doze horas, formando um pirão quando é servida com farinha de mandioca...), tomamos sorvete artesanais e partimos para Curitiba, onde pegaríamos o ônibus a São Paulo, chegando na manhã de quinta feira. Valeu demias conhecer essa porção inexplorada e tão rica do litoral do Paraná.
  13. São Paulo – Salvador em 31/01. 01/02, sábado, embarque para Itaparica, terminal Bom Despacho. Van para Cachapregos, onde nos hospedamos na Pousada Norage. Perto do comércio e das praias. Bem recebidos pela Aurita, toda atenciosa. Nos mostrou onde podíamos caminhar e almoçar. Fomos até o mangue, demos a volta pela praia e fomos almoçar: uma deliciosa moqueca de Aratu. Continuamos pela praia de Cachapregos, depois pegamos uma van para praia de Berlinque e Aratuba, tranquilas, onde presenciamos o por do sol. Praias sossegadas. No retorno, comemos um hamburguer na pracinha da praia perto da pousada. 02/02, Domingo, após o café da manhã preparado com carinho pela Dona Autira (até uma torta de aratu ela tinha preparado), partimos de volta para o Terminal de Bom Despacho, e de lá pegamos um ônibus para Valença. Cidadezinha bonitinha, algumas construções antigas, e com os barcos esperando a partida para Morro de São Paulo. Compramos nosso bilhete em lancha rápida, para Morro, e aproveitamos um tempinho para almoçar num restaurante por quilo ali perto mesmo. Boas opções de refeições, bem em conta. Partimos para Morro, numa agradável viagem. Acho que as lanchas rápidas enjoam menos que as embarcações maiores. Antes de chegar a Morro, o barco faz uma parada na praia de Gamboa, onde algumas pessoas desembarcam. Teríamos, depois, a oportunidade de conhecer esse vilarejo. Na chegada a morro, vários carrinhos nos esperam, os taxis, para nos levar ou levar nossas bagagens morro acima. Aproveitamos para parar em algumas agências, procurando passeios, e confesso que senti certa decepção no atendimento. Por mais que saibamos as deficiências, achei estranho o fato das duas agências em que perguntamos não fazerem a menos questão de nos atenderem, e nos mandarem a outra agência. Hunf. Uma boa caminhadinha depois, chegamos a Pousada do Sossego. Um tanto longe do centro dos acontecimentos, mas tranquila e com piscina. Simples, com varanda e rede. Partimos para uma caminhada pela Primeira, Segunda e Terceira praia. Lindas. Não fomos adiante porque a maré estava cheia para atravessar pela praia mesmo. Pena que não vi ninguém naquela tirolesa que eu estava tanto a fim de experimentar. Acabei desanimando. Na terceira praia, finalmente fechamos nosso passeio , que circundava a Ilha e ia até Boipeba, para o dia seguinte, por R$ 100,00. Fechamos também um passeio a cavalo para a terça feita, por 35,00 para duas horas. Na volta, aproveitamos para lancharmos um sanduichezinho merreca na beira da praia, ao lado do Havana (esqueci o nome da lanchonete). Também, tudo tão caro ali pela orla, o barato saiu carérrimo. O sotaque latino americano impera por todos os cantos de Morro de São Paulo. As exóticas caipifrutas valem a pena. Frutinhas inimagináveis para quem vive no sudeste. Segunda feira, 03/02: café da manhã na pousada (um pouco menos caprichoso que em Cachapregos). Partimos para o passeio de barco, com primeira parada na piscina natural de Garapuá. Não faltaram peixinhos para brincar conosco. Perfeito. Segunda parada para mergulho na piscina de Moreré. Muitos peixinhos nos saudaram com suas presenças. Lindas fotos subaquáticas. Tudo maravilhoso. Próxima parada da Lancha: praia de Cuiera, ao ladinho da praia de Tassimirim. Lindas, cercadas de coqueiros. Almoçamos a esperada lagosta na brasa. Maravilhosa. Após o almoço, um guia autônomo nos levou para uma caminhada pela povoado de Boipeba, onde conhecemos o inusitado Museu do Mar (de um senhor que recolhe restos de vida marinha e expõe aos visitantes). A lancha nos esperava na Boca da Barra, no Rio do Inferno, para seguirmos de volta a Morro de São Paulo. Mais uma parada, agora num bar flutuante em Canavieiras, onde experimentamos ostras frescas, tiradas e preparadas na hora. Surpreendentemente, ao contrário do que muita gente informa, vários lugares já aceitam cartão em Morro de São Paulo. Querem mais do que ter pago em cartão de crédito no bar flutuante? Parada rápida em Cairu, sede da prefeitura municipal, onde há o Convento de Santo Antonio. Na chegada do passeio de barco, ainda deu tempo de correr para o farol, onde podemos presenciar o lindo por do sol em Morro de São Paulo. Fomos para a pousada e voltamos para jantar no Papoula, culinária artesanal. Boa comida, a preço justo e atendimento carinhoso. Fomos caminhar pelo comércio farto de Morro de São Paulo. Pelo que tenho ouvido, Morro de São Paulo parece que se capitalizou demais para atender ao público estrangeiro. Fomos às praias, onde aconteceria um tal luau, que imaginávamos ser iluminado por fogueiras e ao som de violões. Qual nossa surpresa ao ver que a praia se preparava para receber algo como uma rave, com todos os carrinhos de caipifrutas estrategicamente localizados ao lado de onde se montou um palco de música eletrônica. Decepcionante. Na volta a pousada, pausa para um mergulho na piscina antes de subir as escadarias para o quarto... providencial. Terça feira: Nosso passeio a cavalo estava marcado para as 15:30. Íamos ver o por do sol do alto da ilha. Para aproveitar a manhã, fomos visitar, a pé, o outro lado da ilha, mais rústico e natureba. Depois de uma caminhadinha, chegamos a Praia de Porto de Cima. Linda, com outro clima, bem diferente das badaladas praias numeradas. O bicho-grilo predomina. Mais uma caminhadinha e se chega à Ponta da Pedra e Gamboa. Aquela do vilarejo onde muita gente se hospeda na chegada a Morro de São Paulo. Um verdadeiro “spa natural”. Não ia recusar me lambusar de argila cor de rosa, e depois me banhar naquela praia paradisíaca. Até uma fontezinha de água doce nos refrescava da água do mar. Vários cavalos passeando por essa parte de Morro de São Paulo. Retornamos à vila, para almoçarmos no restaurante El Sitio. A comidinha estava mais ou menos (preferi a do Papoula...). 15:30, horário marcado para estarmos na frente do Banco do Brasil, a espera do Alejandro, nosso guia que nos conduziria às outras paisagens de Morro. Um hermano gente boa, simpaticíssimo, apaixonado por nossas terras baianas, que nos fazia rir muito durante o passeio. Cavalgamos por pequenos povoados, até chegarmos ao alto da Ilha, onde podíamos enxergar os extremos da Ilha de Tinharé, além de Boipeba, Valença e Salvador. No caminho de volta, uma parada para refrescar na Fonte do Céu. Mais uma caidinha na piscina ante de entrar para o quarto, e mais uma noite agradável em Morro de São Paulo. O jantar, dessa vez, foi no Bianco e Nero. Boa massa, a um preço honesto. E como Morro de São Paulo te chama às compras, não podia deixar de levar umas lembrancinhas para mim. Mais uma caipirinha na praia, para encerrar o roteiro em Morro de São Paulo. Quarta- Feira. Dia da partida. Como nosso barco para Salvador sairia às 11:30, ainda deu tempo de um passeiozinho rápido. Fui até o forte, bem perto de onde atracam os barcos, e tirei minhas últimas fotos, de paisagens belas e escondidas de Morro de São Paulo. Lindos registros de despedida. Partimos para Salvador (essa embarcação sacudia muiiito mais que a anterior). Após uma viagem muito incômoda, chegamos a Salvador e pegamos o ônibus para a rodoviária, lá perto do Mercado Modelo. Voltas e voltas depois, chegamos a rodoviária, de onde partiríamos para nossa outra estadia: Imbassaí. O ônibus que faz esse trajeto percorre a conhecida Linha Verde, que inicia na Praia do Forte e termina em Sauípe. Imbassaí faz, portanto, parte da mesma região, mas felizmente não tão explorada turisticamente e, consequentemente, mais preservada. Mais ou menos duas horas depois, chegamos a Imbassai, e pegamos um taxi para o Eco Hostel Lujimba, um tanto distante de onde o ônibus nos deixou. Ok, valeu a pena. A distância da estrada e do centro é compensada com uma área verde muito bem aproveitada. Alguns relatos que vi na net consideravam o espaço mal cuidado, mas, na verdade, é um espaço rústico. Muita madeira e palha na decoração, e muita natureza. Não faltou nada. Nem a piscina... rss. Aproveitamos para descansar um pouco, já entardecia. Saímos então para comer alguma coisa, por volta da hora do jantar (uma boa caminhadinha em vias pouco iluminadas, mas nada que desse medo ou insegurança), e encontramos o restaurante É Massa. A pizza estava bem boa, e o preço bem bacana também. Quinta-feira: após o café da manhã, saímos para explorar a região. Nosso destino: povoado de Diogo e Praia de Santo Antonio. Pegamos um barquinho que percorre o rio Barroso (que se transforma em Imbassai) e desemboca no mar. Jeito alternativo, barato e agradável para se chegar à praia. Ao lado do rio, vários bares e quiosques. Muita gente se diverte naquelas águas, praticando esportes ou relaxando apenas... Seguimos caminhada pela praia, por alguns quilômetros, até o povoado de pescadores chamado Diogo. Bem rústico e deserto, com apenas algumas casinhas e uns dois ou três restaurantes mais para dentro, deixando a praia. Dali se podia ver as dunas que cercam o vilarejo. Retornamos pela praia, e chegamos de novo à beira do rio, desembocando no mar. Lindas e agradáveis lagoas, numa mistura de doce e salgado. Perfeita harmonia. A tarde caía, os banhos eram demais de agradáveis, mas precisávamos arrumar um lugar para comer. Um dos últimos bares abertos nos preparou um peixe maravilhoso, enquanto a noite chegava. Hora de voltar para a pousada. Satisfeita com a refeição na praia, nem foi preciso jantar. Só queríamos descansar da longa caminhada na praia. Sexta-feira: partimos para a Praia do Forte, com uma van que pegamos na estrada. Fácil, fácil... queria conhecer o lado mais turístico da Linha Verde. Caminhamos até a praia, passamos no Hostel Praia do Forte para pegarmos nossas pulseirinhas e termos gratuidade na entrada do Projeto Tamar. Para quem estava interessada na rusticidade da antiga Morro de São Paulo e de Imbassai, achei a Praia do Forte um tanto comercial, exagerada e aberrativa no comércio, tal como a Rua Oscar Freire. Restaurantes e lojinhas de monte. Visitamos o projeto Tamar (educativo, mas um tanto capitalista também...). Lembrancinhas caras de morrer... mas exploramos o que era possível. Tartarugas marinhas de verdade, de mentirinha, filhotes, adolescentes e crescidinhas. Bom programa. Almoçamos num dos poucos restaurantes não extorsivos da Praia do Forte. Seguimos depois para o Castelo Garcia Dávilla, um misto de parque e de monumento histórico. Lindo lugar. Fomos de taxi, que fechou o valor de 60,00 para ir e nos esperar por uma hora. Valeu a pena. Avistar o mar de cima das ruínas rendeu belas fotos. Conhecer um pouco da história pouco explorada do Brasil é sempre bom. Tarde muito bem aproveitada. Passamos pelo Parque Municipal quando na volta à Praia do Forte. Esperamos a noite cair para voltar a Imbassai. Chegada à Pousada, aproveitamos a piscina no hostel. Ótima. Saímos para comer alguma coisa no É Massa, de novo, e esticamos para um sorvete no Três Marias. Ótimas opções, tais como Doce de Leite e Flor de Laranjeira. A dica do Roberto, do Eco Hostel, foi perfeita, como as outras que nos deu durante nossa estadia. Sábado: fim do roteiro em Imbassai, partimos para Salvador, última parada antes do embarque para São Paulo. Chegamos por perto do horário do almoço, e seguimos para o Pelourinho, onde compramos nossos ingressos para o Bale Foclórico da Bahia, que se apresentaria naquela noite. Demos uma volta no Pelô, e seguimos para a casa de umas colegas que nos hospedariam. Após o jantar, retorno para a apresentação no Teatro Miguel Santana. Bela apresentação da cultura brasileira, especialmente do Nordeste. Mais uma circulada na região, e terminamos a noite comendo o famoso Acarajé da Dinha, no Rio Vermelho. Domingo: após o almoço, fomos até a Igreja do Bonfim, e tomamos o famoso sorvete na Ribeira. Caminhamos na orla, e seguimos para o Forte Monteserrat, para vermos o por do sol. Lindas imagens e cores, ao fim de um dia ensolarado. Mas ainda não acabou: finalizamos mesmo foi com uma bela moqueca no restaurante Caranguejo, na orla do Rio Vermelho. Fim da viagem, rumo ao aeroporto, onde embarcaríamos rumo a São Paulo. A Bahia deve ter diversos outros destinos maravilhosos, mas, com certeza, Morro de São Paulo e Imbassai devem fazer parte de qualquer roteiro. Minha combinação de férias foi perfeita.
  14. Galera mochileira, Quero muito encontrar grupos a fim de fazer trilhas em Sampa e nos arredores. Estive fora de SP por 3 anos, estou voltando agora, e quero retomar, só que perdi contato com os grupos que eu acompanhava. Já fiz diversas pelos arredores, mas tô a fim de descobrir novas e, quem sabe, repetir as que eu já fiz! Se rolar qualquer coisa por aí, me avisem!
  15. Já não era de hoje que sonhava em conhecer o Jalapão... Nestas férias, resolvi não mais adiar. Depois de uns contatos por aqui, informações trocadas por e-email, agendei minha ida ao Jalapão, para os dias 29/jan a 01/fev, com o pessoal da Norte Tur. Mas como estava em férias, me programei para ficar mais tempo e explorar melhor a região do Tocantins. Já saí do Rio de Janeiro com algumas ideias e contatos... Taquarussu, Porto Nacional, Natividade, Ilha do Bananal, Parque do Cantão seriam meus alvos... Conforme o combinado, o pessoal da Norte Tur, a agência que me levaria ao Jalapão, me aguardava no desembarque em Palmas, para o transfer ao meu local de hospedagem. Primeira mudança de plano: nem sempre o mais barato compensa. Tudo bem que o primeiro raciocínio mochileiro é economizar em tudo, inclusive na hospedagem, e guardar dinheiro para passear: eu não pretendia ficar mesmo enfiada na pousada. Mas mudei rapidinho de ideia quando cheguei ao Hostel Palmas, um misto horroroso de albergue e pousada, quase sem diferença entre um e outro. Não por frescura, mas por achar que mereço um mínimo de conforto ao chegar a noite para dormir, arrebentada de tanto cansaço... andar em Palmas, naquela cidade praticamente descampada, com quadras imensas, e aquele sol de rachar, definitivamente cansa. Quando me apresentaram meus aposentos, pensei: “estou aqui para curtir as férias, não para cumprir pena”, e achei que merecia algo mais que uma cama onde o colchão quase vazio afunda até o estrado... rsss... um banheirinho decente também não seria nada demais. Afinal, sou mochileira, não fugitiva... ãã2::'> Nada dava jeito ali, nem a opção por quarto individual... Peguei minhas coisas e me mandei para a Pousada Serra Azul, pertinho de lá, largando para trás as duas diárias que havia pago na reserva do tal hostel. O barato literalmente saiu caro. Ok, o ambiente da nova pousada era sem comparações. Como, entre idas e vindas, acabei ficando em Palmas até dia 06 de fevereiro, quase passei a fazer parte da família da pousada. Pousada simples, café da manhã idem, mas acolhimento impecável. Almocei no restaurante Cerrados, em frente à pousada, onde comecei a minha imersão pela gastronomia fluvial tocantinense... é peixe que não acaba mais... Ótimo o restaurante, cafezinho e docinhos por conta da casa... não é dos mais baratos... mas vale a pena. Bem... antes de minha ida ao Jalapão dava para fazer outras coisas. Fui reconhecer o território no mesmo dia... um pulinho no Shopping Palmas (digamos, uma amostra de shopping...), onde comprei um chip para meu celular (tive problemas com o meu habitual, e definitivamente não dava para ficar incomunicável naquele pedaço do Brasil...), e aproveitei para me sentir um pouco palmense, com um prefixo 63... Conheci o Memorial Prestes e a praça dos Girassóis com o Palácio Araguaia e toda a sede do poder do Tocantins. Tudo muito parecido com uma tentativa de Brasília, aquele centro de poder, contrastando com o arredor quase descampado; aquelas ruas que parecem uma sopa de letrinhas... facinho facinho de se perder por ali, para quem vem de fora... não seria assim se tivessem mais placas com o nome das ruas... aí, seria só seguir a ordem... um tanto óbvio, simétrico e quadrado para o meu gosto... tal como Brasília. Bem, segundo dia em Palmas, parti sozinha para Porto Nacional... cidadezinha pequena e colonial, com suas construções centenárias. Metade de um dia seria suficiente para ficar por lá. Conheci o transporte público em Palmas, para chegar a rodoviária: o famoso Eixão (que, segundo meus colegas jalapoeiros espirituosos, devia se chamar “É chão...”). Que saga para chegar à rodoviária... mas a gente logo acostuma e começa a prestar atenção nas peculiaridades locais: as “estações" com nomes de tribos, o sistema de locomoção com os ramais de ônibus, os espertinhos que tentam tirar vantagem do sistema de cobrança nos ônibus, com aqueles cartões de integração que te dão direito a não sei quantas viagens num prazo “X”... um saco, quase bati em um cidadão palmense metido a espertinho, que não pode ver ninguém entrar no ônibus com dinheiro para a passagem, para oferecer o seu cartão. Well, minha visita à Porto Nacional foi agradável, e fechei almoçando em um restaurante flutuante, e continuei minha imersão pelos pratos a base de peixe... nunca tinha ouvido falar numa tal “caranha”, mas é muito bom... A tarde já estava de volta a Palmas, e fui a tal feirinha de domingo, imperdível, do Bosque dos Pioneiros. Artesanato de Capim Dourado prá tudo que é lado (achei que teria uma overdose... rsss), comida variada com a cara do Tocantins, aquele sol de rachar que só ameniza lá pelas sete da noite. A gente relembra da importância do trio “óculos de sol – protetor solar – chapéu”... Terceiro Dia: Tudo já acertado, novamente, com a Norte Tur, parti para Taquarussu, e já tive meus primeiros contatos com a galerinha que ia comigo ao Jalapão. Eu e mais três pessoas formamos um grupo e conhecemos as cachoeiras Taquarussu, Escorrega Macaco e Roncadeira. Nada de tãoooo surpreendente para o meu gosto... quem sabe se tivesse rolado o rapel na Roncadeira (que só opera aos finais de semana ou com agendamento prévio...) ou a tirolesa... Mas acho que a única empolgada para isso em meu grupo era eu... então, não rolou. Fiquei aguada, até mesmo para conhecer alguma outra cachoeira menos acessível... a Evilson, por exemplo, que não fez parte do roteiro, segundo informações, por conta da chuva dos dias anteriores... Afinal, são 80 cachoeiras lá... À tarde já estávamos de volta a Palmas, e encerramos na praia do Prata, onde almoçamos e curtimos o Lago de Palmas. Adivinhem o cardápio? Kkkk... Realmente, prato cheio para quem gosta de peixes como eu... ainda bem que as variedades são grandes, e devoramos então um Tucunaré. Dica: quem quiser comer um peixe assado, diga isso com todas as letras!!!... e repita, senão, você vai comer peixe frito mesmo. Moral da história, estou quase criando guelras, de tanto peixe que comi... rsss... ou posso dizer que sou uma gata.... kkkk Quarto e esperado dia: uhuuuuu... Jalapão, aí vamos nós. Depois de arrebanhados os futuros jalapoeiros em suas pousadas, nos reunimos todos no escritório da Norte Tur, para integração do grupo, e distribuição nos jipões... Finalmente conheci o anjo chamado Telma... um doce de senhora... Um grupo de suíços sensacional estaria conosco, para acrescentar ainda mais aos nossos dias tão especiais... até aula de francês rolaria em nosso jipão!. Primeiro contato ao vivo e a cores com aquele que nos guiaria com propriedade pelos encantos do Jalapão... Flávio. Um total jogo de cintura para contornar imprevistos e moldar a expedição, com uma pitada mágica de meteorologista. Com um enorme suprimento de água mineral (que maravilha não ter que providenciar e carregar isso e não ficar desidratada por lá... ), partimos. Alguns sob o comando do Flávio, outros, conduzidos pela fera no volante que era o San, auxiliar do Flávio no outro jipe... Já seria ótimo, se fosse apenas o previsto. Mas as pequenas surpresas, as da natureza, as do acaso, e as meticulosamente pensadas pelo Flávio, fizeram a maior diferença. Chuva e sol nas horas certas... até a trilha sonora era (essa por acaso), condizente com o que se passava fora do jipão. “Se meu corpo virasse sol.... Mas só chove, chove.... chove, chove...” Essa, a chuva, caía só quando devia cair, nada que atrapalhasse, muito pelo contrário, dava um êxtase ainda maior para os espíritos aventureiros como o meu... Primeira parada, mirante no Rio do Sono, onde almoçamos... não me perguntem se era peixe... sinceramente não lembro. Muita coisa prá lembrar nesse Jalapão. Morro Vermelho (fantásticas formações rochosas, como esculturas, em que a imaginação viaja junto), Pedra da Catedral (tem que ter o coração bom, segundo o Flávio... nossa galera viu até o padre... eu mesma ouvi sinos...), brincadeira: parece mesmo uma igreja. Desnecessário narrar o inenarrável... Fotos são pouco para dizer... ainda bem, minha câmera me largaria na mão por boa parte da expedição... mas amigos jalapoeiros estavam lá prá me ajudar nos registros. Simples surpresas preparadas pelo Flávio quando voltávamos para o jipe mostravam a maneira singela da conquista. Fim do primeiro dia no Jalapão... caramba, pra quem esperava uma pousadinha rústica, estava bem bom... jantamos lá mesmo. E a galera começou a se soltar, altos papos, altas afinidades, alta energia que superou os primeiros momentos de contemplação e silêncio frente às imagens que se abriam no Jalapão. Segundo Dia: Galerinha cheia de bravura madrugou, rumo ao primeiro fervedouro, com direito a atolamento ao alvorecer... Não seria o Jalapão se isso não acontecesse... Retomada a estrada, controladas as emoções, primeiro contato com o esperado fenômeno da ressurgência: Fervedouro do Alecrim!... Inexplicável por palavras ou fotos... só sentindo mesmo. Caraca, que mecanismo é esse que parece que vai te expelir da água e não te deixa afundar? A descontração entre a galera já era tanta, que todo mundo parecia criança... Aquela piscina parecia ter um botãozinho de liga-desliga, e eu brincava dizendo que, ao fim de nosso tempo na piscina, alguém ia desligar o botãozinho e seríamos sugados pelo ralo... rss.. Bem que procurei a marca daquele brinquedinho para instalar um na minha casa... Com muito custo, saímos, agora rumo a Cachoeira da Formiga, linda, maravilhosa, transparência esmeralda... até uma área infantil papai do céu providenciou para os ruins na natação... Na sequência, mais um fervedouro em nosso trajeto: Mateiros (acho que era isso...). Já estávamos ficando mal acostumados... quem é que conseguia tirar a gente de lá? San, que tomava conta das crianças nesse momento, perdia toda a autoridade e tinha que buscar reforço... eu falava “olha que o San foi desligar o motorzinho do fervedouro... melhor sair!” Sem falar os “pitos” que a gente tomava do povo local, por extrapolarmos a lotação permitida... kkk... galera rebelde. Bem, o jeito é ir almoçar... todo mundo descontraído, cheio de liberdade, até tentativas de assalto ao prato alheio aconteceram, de minha parte, frente ao prato do Flávio... pô, por que só alguns achavam as moelas do frango maravilha? (não, não era peixe...). Fomos digerir o almoço e todas as outras emoções no povoado quilombola Mumbuca, precursor do artesanato em Capim Dourado (ah, essa overdose valeu a pena...). Arte e Cultura também faz parte do Jalapão. Questionamento de valores: como viver num local como aquele, privado de tudo que estamos acostumados na cidade, mas rodeado de tantas outras coisas, que descobrimos tão boas no Jalapão? Mais surpresas singelas: os quilombolas cantaram para nós em agradecimento, na sua maneira rústica e carinhosa, que arrancou lágrimas de uns tantos jalapoeiros ali. Tá, introspecção à parte, esse sentimento ficou para trás no Mumbuca... afinal, mais uma piscininha divertida nos esperava: Fervedouro Buritis... show! Com uma formação especial, lindo pela vegetação que o cercava, fechamos com chave de ouro nossa experiência com as ressurgências. Rumo à outra pousada, na cidade de Mateiros... poxa, e não é que nossa hospedagem melhorava gradativamente?... Era noite de jantar fora, e de novas surpresas: música a vivo, num prestígio à cultura da região... um momento de acalanto, embalado pela voz e pela simpatia doce da Giovana... A galerinha mais empolgada (entre estes, esta que aqui escreve), não titubeou ao passar na frente de um boteco... rsss... afinal, precisamos conhecer todas as formas de cultura local, interagir com os nativos... Não demorou muito... o eficiente San, sob o comando de Flávio, logo apareceu para nos resgatar, muito contrariados é claro, antes que retardássemos ainda mais o término desse dia. Afinal, estávamos chegando, meio que tristemente, à metade final de nossa expedição. Quem dera ela não acabasse tão cedo... Terceiro dia: fomos para o que considero o ápice do Jalapão, as Dunas, sem querer ser injusta com todos os outros atrativos... Aí sim fui saber o sentido do Deserto do Jalapão!... Dunas alaranjadas, entremeadas por pequenas lagoas... perfeição, o calor compensado pelo frescor das águas. Pena que, bem nesse dia, minha câmera sentia os efeitos de ser afogada nos fervedouros... nem sendo a prova d´água ela resistiu a tanta areia: pane total. Tá, me conformei em concluir que registro fotográfico nenhum supera as imagens do Jalapão guardadas em nossas retinas. Chegamos a uma grande lagoa no meio do nada, no meio daquele mundo de areia alaranjada pela natureza e pelos reflexos do sol. Mesmo sem ressurgência, essa parecia era ter um ímã que nos impedia de ir embora dali. Mas era preciso. Rumamos agora para a praia do Rio Novo... caramba, esse Jalapão é água de tudo quanto é jeito.... cachoeira, fervedouro, rio, lagoa... devo ter encolhido uns dois números por lá... E a criançada adulta de nossa expedição, de várias idades, signos, personalidades e idiomas, não parava de se divertir. São em situações como essa que aprendemos o valor do respeito às diferenças: mais uma lição do Jalapão. E na saída forçada da praia do Rio Novo, mais um gesto de carinho da equipe da Norte Tur: um pic nic tão gostosinho, e eu só me perguntava quem teria descascado tantas laranjas para nós? Flávio e San, ou o anjo de nome Telma, que resolve tudo na retaguarda? Barriga cheia, simbora prá cachoeira da Velha... vamos ver se ela está receptiva hoje. Sem banho dessa vez, só olhamos de longe a fumaça que sobe daquelas águas volumosas. A velha gostou de nós! Partimos agora para Ponte Alta, nossa última parada... Poxa vida, estávamos perto do final. E o aguaceiro agora veio do céu... A trilha sonora do Kiko Zambianchi, na voz do Dinho, parecia providencial... “chove, chove...” Entre raios, trovões e aulas de francês ministradas pela simpatia em forma de pessoa da Helén, seguíamos viagem. Flávio, entre um biquinho e outro, se aperfeiçoava para receber turistas estrangeiros, arrancando minhas gargalhadas... rsss “Le coucher du soleil...” . Fazendo jus ao conceito de melhoria gradativa, a pousada agora tinha piscina... uma continuação, mesmo que artificial, do aguaceiro no Jalapão, já não bastassem cachoeiras, lagos, rios, fervedouros... chuva. E não é que teve mesmo um churrasco nos esperando no jantar? O cansaço superava a ansiedade dos primeiros dias, e essa noite eu literalmente desmaiei na cama. Quarto e derradeiro dia: Pedra Furada, formação rochosa intrigante, mostrando as camadas geológicas, e que nos servia de moldura para nossas fotos... Canyon do Sussuapara, uma fenda no meio da rocha, com água correndo pelas paredes... estávamos chegando ao fim. Rumamos para Palmas, com um misto de satisfação e melancolia, por nos despedirmos do Jalapão e também por termos que nos despedir de momentos e pessoas sensacionais, que foto alguma conseguiria registrar com perfeição. Já seria bom se fosse apenas o esperado, mas foi surpreendente, por tudo, desde a natureza generosa, até o profissionalismo do pessoal da Norte Tur, a começar pela matriarca Dona Telma, fechando na condução precisa do San e na realização estrategista e carinhosa do Flávio... Felizmente alguns esticaram, e encerramos a noite em Palmas comendo o Surubim no Espeto no restaurante Tabu. Eu não podia ir embora de Palmas sem prestigiar o mais famoso peixinho... Valeu demais. Antes de prosseguir desbravando o Tocantins, no sábado, 02 de fevereiro, dei-me ao prazer de não fazer quase nada... aproveitei a desculpa da chuva que caía esporadicamente para apenas relaxar. À noite, fui conhecer a falada pizzaria Dom Virgílio, na avenida JK, junto com meus amiguinhos mirins da pousada Serra Azul. No Domingo pela manhã, conheci o parque Cesamar, agradável, entre um telefonema e outro com guias da região que pudessem me levar a Ilha do Bananal e Parque do Cantão. Somente propostas desencontradas e informações que não me levariam a lugar algum. Acabei almoçando novamente na praia do Prata onde, novamente junto com o Flávio, desenhamos uma saída meio que maluca rumo a Ilha do Bananal, para o dia seguinte, de forma que voltássemos na terça feira (meu voo de retorno era na quarta). Saímos na segunda, junto com outra moça que conheci, e demos uma passada rápida em Porto Nacional (de novo, para mim), com outra parada mais demorada em Natividade, de forma que conhecêssemos seus principais atrativos: o sítio Jacuba, da mística dona Romana – uma coisa meio doida e intrigante; as cachoeiras do Amor, Paraíso e outra que não lembro o nome, melhores que as de Taquarussu, na minha opinião; os biscoitos amor perfeito, da tia naninha, patrimônio de Natividade – maravilhosos... experimente to-dos; as ourivesarias; os licores maravilhosos. Seguimos viagem para a Ilha do Bananal, e chegamos à noite no Hotel Fazenda que nos hospedaria, com uma piscina deslumbrante, às margens do rio Formoso. Na manhã seguinte, saímos para o safari fotográfico nas lavouras, onde fomos privilegiados pela presença de diversos pássaros e veados. Conhecemos o projeto Quelônio, de preservação das tartarugas. A parte Ilha do Bananal pode merecer continuação, mas melhor mesmo é permanecer com todos os sentidos, gostos e olhares, repletos do Jalapão. O gosto é de “quero mais”. Tocantins tem muito a oferecer...
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