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Ronaldo Paixão

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Tudo que Ronaldo Paixão postou

  1. Caminho da Fé – Pedra do Baú – Travessia da Serra Fina – Agulhas Negras e Prateleiras (PNI). Estou escrevendo este relato um ano depois que fiz esse passeio. Talvez eu esqueça alguma coisa. Eu estava precisando me desligar da vida que eu vinha levando. Estava precisando fazer o que eu mais gostava, caminhar bastante, travessias em trilhas, subir montanhas, me isolar do mundo “civilizado”. Tinha decidido que eu iria “largar tudo” e sair, sem saber até onde eu iria ou quando voltaria. Tinha uma grana guardada (cinco mil) e deveria ser suficiente para eu viver por pelo menos uns 3 meses. Falei com meu irmão que ele teria que se virar sozinho em nosso comércio. Falei com minha família que eu estava indo por não sei quanto tempo, mas que eu voltaria qualquer dia. Trabalhei até 31 de agosto, quase meia-noite. No dia 01 de setembro fui para um apartamento onde fiquei por 4 dias planejando lugares que queria conhecer, vendo preço de ônibus, tracklogs, etc. Na manhã de 4 de setembro parti para São Paulo e naquela noite para águas da Prata, onde minha jornada começaria. Como eu iria para vários lugares, diferentes um do outro, tive que levar muita coisa na mochila. Coisas que usaria em algum passeio, mas que seriam dispensáveis em outro. Ainda assim tentei levar o mínimo possível. Ítens que levei: - Mochila Osprey Kestrel 48 litros com Camel Back de 2 litros - Dois cantis de 900 ml. Um com caneca de alumínio. - Rede Amazon e tarp Amazon da Guepardo. - Saco de dormir Deuter 0º - 4 camisas dry fit - 2 blusas finas de fleece. - 2 calças quechua de secagem rápida - 6 cuecas - 3 pares de meia - 1 boné - 1 touca - 1 par de luvas (daquelas de pedreiro) - 1 par de sandálias Quechua - 1 par de botas La Sportiva - Kit Fogareiro + panela pequena - 2 isqueiros - 1 canivete - 1 colher plástica - 1 botija de gás Nautika pequena - GPS - Celular (para fotografias) - Caderneta e caneta - 1 Anorak - Corda e cordelete - Bolsa de nylon (para transportar a mochila no ônibus) Caminho da Fé. Águas da Prata até Aparecida. Caminho da Fé – 1º dia. 30Km 05-09-2018 Águas da Prata (SP) até Andradas (MG). Início 05:15 horas e chegada 12:55 horas Almoço : Pavilhão hamburgueria Jantar: bolachas e sanduba no hotel. Pernoite: Palace Hotel. Seguindo o conselho de um cara que desceu comigo e iria fazer o caminho de bike eu iniciei cedo para evitar o sol. Só que por esse motivo fui sem comida. Só comi uns pedacinhos de rapadura que ele me deu e uma banana que ganhei de um ciclista. Pelo longo tempo inativo, eu senti um pouco o peso dos 17Kg que estava levando na mochila. Caminho da Fé – 2º dia. 36 Km 06-09-2018. Andradas (MG) até Crisólia (MG). Partida às 08:00 horas e chegada às 17:40 horas. Almoço: salgadinho no Bar Constantino, comunidade da Barra. Jantar: miojo num banco ao lado da rede. Pernoite: rede Subidas cavernosas. Serra dos Lima, Barra, Taguá e Crisólia. Cheguei tarde, fui numa pousada carimbar a credencial e depois procurei duas árvores para esticar a rede, fazer o rango e dormir. Nesse dia não teve banho. Caminho da Fé – 3º dia. 38 Km 07-09-2018 Crisólia (MG) até Borda da Mata(MG). Partida às 07:30 e chegada às 18:00 horas. Almoço: pastel no Bar do Maurão em Inconfidentes Jantar: x-salada em lanchonete perto do hotel. Pernoite: Hotel Virgínia. Feriado da Independência. Fui acordado às 6 da manhã com queima de fogos e hinos. Passagem por Ouro Fino e Inconfidentes. Desfile cívico em todas as cidades. No hotel em borda da mata conheci um casal de cicloturistas que estava com um carro de apoio. Consegui que levassem um pouco das minhas coisas até Estiva. Foram 6 Kg a menos para carregar. Caminho da Fé – 4º dia. 17,5 Km. 08-09-2018. Borda da Mata(MG) até Tocos do Mogi (MG). Início às 08:00 horas e chegada às 12:40 horas. Almoço: um pouco de morangos colhidos no caminho. Jantar: Lanche na festa da padroeira. Pernoite: Pousada do Zé Dito. (muito boa e barata) Dia mais curto. A pousada ficava no calçadão principal, onde estava acontecendo a festa da padroeira. Estava difícil dormir. O jeito foi sair para a festa e tomar umas, apesar do frio que fazia de noite. Caminho da Fé – 5º dia. 21,5 Km 09-09-2018 Tocos do Mogi (MG) até Estiva (MG). Início às 09:00 horas e chegada às 14:20 horas. Almoço: moranguinhos (quase 1 Kg) e queijo fresco com caldo de cana. Jantar: Restaurante perto da pousada. Pernoite: Pousada Poka. Trecho muito bonito. Muitas plantações de morango. Muitos pássaros. Na pousada eu recuperei minhas coisas que haviam sido deixadas ali e já consegui ajeitar um novo transporte delas até Potim, já pertinho de Aparecida. Caminho da Fé – 6º dia. 20 Km 10-09-2018 Estiva (MG) até Consolação (MG). Partida às 07:30 e chegada às 12:45 horas. Almoço, jantar e pernoite: Pousada Casarão Destaques deste dia. Cervejinha gelada num bar onde um piá gordinho queria tirar uma selfie comigo. E também queria meu bastão de selfie de qualquer jeito. Também destaque para o canto da seriema, triste e ao mesmo tempo bonito, que se fez presente muitas vezes. Também tem a subida da serra do Caçador, cavernosa. Além disso, nesse trajeto é comum vermos carros de boi e também “canteiros”onde os agricultores esparramam o polvilho para secar. Caminho da Fé - 7ºdia. 22,5 Km 11-09-2018. Consolação (MG) até Paraisópolis (MG). Início às 07:00 e chegada às 12:30 horas. Almoço: Restaurante Sabor de Minas. Muito bom e barato. Comi pra danar. Janta: coxinha na praça. Pernoite: Hotel Central Foi um dia especialmente marcado pela presença dos pássaros ao longo do caminho, canários, sabiás, pássaros pretos, coleirinhas, gralhas, joões-de-barro, tucanos, maritacas. E aves maiores, como gaviões, seriemas e garças brancas. Também vale destacar a grande quantidade de flores, principalmente nos portões das casas dos sítios. Caminho da Fé – 8º dia. 28,5 Km. 12-09-2018 Paraisópolis (MG) até A pousada da Dona Inês, que fica 4 Km depois do distrito de Luminosa, município de Brazópolis. Início às 07:55 e chegada às 15:15 horas. Almoço: Salgadinho e coca numa mercearia em Brazópolis. Jantar e Pernoite: Pousada da Dona Inês. Foi o dia mais quente desde o início do caminho. Era meu aniversário de 52 anos e ficou marcado porque depois do jantar na Pousada, uma amiga de caminho, a Fabiana, puxou um parabéns a você, junto com as outras cerca de 20 pessoas que estavam ali. Fiquei bem emocionado. Caminho da Fé – 9º dia. 33 Km 13-09-2018 Pousada Dona Inês (Luminosa-MG) até Campos do Jordão (SP). Início às 05:45 e chegada às 18:45 horas. Almoço: Restaurante Araucária. Fica perto da placa que indica a entrada para a pousada da Dona Rose e da madeireira Marmelo. Comida muito boa. Jantar: Caldo de Mandioca com carne. NIX Caldos e lanches. Pernoite: Refúgio dos Peregrinos Na verdade, a quilometragem total desse dia foi de 51 Km porque no meio do caminho decidi que iria subir a Pedra do Baú. Isso me custou várias horas e me fez chegar em Campos do Jordão já de noite. Mas valeu muito a pena. O dia amanheceu lindo. Logo de cara a temida subida da Luminosa, mas que não é nada de tão difícil. Depois é asfalto até o fim do dia. A pousada Refúgio dos Peregrinos é bem diferente. Tem uma tabela de preços na parede. Você anota o que consumiu, faz as contas, paga e faz o troco. Tudo na base da confiança. Caminho da Fé - 10º dia. 52 Km 14-09-2018 Campos do Jordão(SP) até Pindamonhangaba(SP). Início às 06:00 horas e chegada às 17:45 horas. Almoço: Sanduíche em Piracuama. Jantar e pernoite: Pousada Chácara Dois Leões. Nesse dia todos os que estavam no refúgio dos peregrinos foram por Guaratinguetá, menos eu que fui por Pindamonhangaba. Descida pela linha do trem até próximo a Piracuama, com uma garoa fininha que de vez em quando virava um chuvisco. De tarde foi só asfalto e chuva. Cheguei na pousada já escurecendo. Foi o dia mais cansativo, pela quilometragem, pela chuva e principalmente pelo asfalto. Caminho da Fé - 11º dia. 24 Km. 15-09-2018. Pindamonhangaba(SP) até Aparecida(SP). Início às 09:00 horas e chegada às 15:15 horas. Almoço: Pesqueiro Potim. Comida muito boa. Comi feito um louco. Aqui eu recuperei o restante de minhas coisas que tinham vindo no carro de apoio de amigos. Pernoite: Hotel em Aparecida. Esse era o último dia no caminho. Um misto de ansiedade por chegar e de nostalgia antecipada das experiências vividas e das paisagens do caminho. A chegada na basílica é emocionante, não importa em que você acredita, ou se acredita em algo. Fica a saudade dos lugares. Dos amigos. Dos passarinhos. Fiquei em Aparecida até segunda-feira, quando fui ao correio e despachei para casa algumas lembrancinhas que tinha comprado e coisas que tinha levado e que vi que não ia usar. A calça jeans e a camisa de passeio. Umas cordas. Um dos fleeces e a bolsa de transporte. A Vida e o Caminho da Fé. Durante esse derradeiro dia de caminhada me veio à mente uma analogia entre a vida e o “caminho da fé”. O caminho da fé cada um começa de onde quiser, mas todos com o mesmo destino. No caminho o destino é a basílica de Aparecida, na vida a gente sabe o destino. No caminho as pessoas vão chegando, amizades vão sendo feitas. Uns mais lentos outros mais apressados. Uns madrugadores outros nem tanto. Uns alegres e comunicativos, outros mais quietos e introspectivos. Muitos de bike, passam pela gente voando, só dá tempo para um “bom dia”. Assim também é a vida e os amigos que vamos fazendo. Uns continuam por perto, outros se distanciam, mas continuam amigos No caminho não importa sua classe social, sua cor, opção sexual, grau de instrução ou idade. O destino é o mesmo para todos. Assim também é na vida. No caminho a jornada é longa, alguns dias são mais difíceis, parecendo que não vão terminar. Outros passam leves e agradáveis, a gente nem queria que terminassem. Igualzinho a nossa vida Temos que superar o cansaço, as bolhas, os pés inchados, joelhos e tornozelos doendo, a mochila pesada que nos deixa com os ombros marcados. Enfrentar as subidas, as descidas, os buracos, as pedras, a fome e a sede em alguns momentos. Por mais difíceis que sejam esses obstáculos, eles são superados. Ficam para trás. Igualzinho na vida. O caminho também nos oferece muitas coisas boas. Simples, mas inesquecíveis. Os pássaros cantando ao lado da estrada. A beleza e o perfume das flores. Os riachos que nos permitem um banho refrescante depois de uma subida cansativa. As conversas com os amigos. O pôr do sol por trás das montanhas. A janta e a cama quente que nos restabelecem para o dia seguinte. O nascer do sol de um novo dia, nos lembrando que sempre nos é dada uma nova chance de sermos felizes. Assim também acontece na nossa vida. Seja no caminho da fé, ou na vida, o destino a gente sabe qual é. O importante é deixar para trás o que para trás ficou. E aproveitar ao máximo a jornada. Pedra do Baú. Eu sempre gosto de planejar meus passeios, travessias. Mas sobre a Pedra do Baú eu não sabia nada. Só de ouvir falar, de ler alguma coisa de relance. Mesmo assim era uma coisa que eu tinha vontade de fazer algum dia, se desse certo. Era o dia 13-09-2018, meu nono dia no caminho da Fé. Era de manhã e eu caminhava pela rodovia, junto com um peregrino de nome Donizete, que eu conhecera na pousada da Dona Inez. Passamos por uma placa que indicava a entrada para o Parque Estadual da Pedra do Baú. Eu falei para ele: - Donizete, vai em frente que eu vou subir a Pedra do Baú. Ele disse: - Cara, isso vai demorar. Você só vai chegar em Campos do Jordão de noite. Isso se der tudo certo. Daí eu disse:- Tem que ser hoje. Não sei se vou ter outra chance. Quem sabe eu nunca mais passe por aqui. Me despedi dele e entrei na estradinha que levava ao parque. Escondi minha mochila e fui só de ataque, levando água, uma rapadura, uma paçoca, o GPS e o celular para tirar as fotografias. Depois de uns 4 Km cheguei onde começavam as trilhas e entrei na que indicava Pedra do Baú, face norte. Passei por uns caras que eram guias e estavam levando equipamentos de escalada. Depois de um tempo cheguei num local que tinha uma escada amarela grande, fixada na parede de pedra. Não pensei duas vezes. Subi aquela escada e depois continuei uma escalaminhada, com misto de escalada em alguns pontos, até que já estava bem alto e não tinha mais para onde subir. Estava pensando até em desistir e voltar embora, quando avistei uns caras no cume de um morro que eu julguei ser o Baú, mas acho que era o Bauzinho. Gritei para eles e eles responderam de volta. Perguntei como chegava na Pedra do Baú e eles me disseram para descer de novo e seguir mais em frente. Desci e estava chegando ao ponto em que tinha começado a subida quando vi eles vindo. Esperei por eles. Conversamos por um tempo e eles me deram as informações sobre como chegar até onde a subida começava realmente. Segui em frente pela trilha e pouco depois eu chegava na base da Pedra do Baú, onde um guia estava terminando os preparativos para iniciar a subida com um casal de clientes. Capacetes, corda, mosquetões, etc. Eu estava ali de bermuda, boné e botina. Eu vi aquela parede enorme e aquela sequência de grampos na pedra que eu não sabia onde terminaria. Pensei: - vou esperar ele começar a subida e assim pego uma carona. Se o negócio apertar eu peço arrego para ele. Foi quando ele virou pra mim e perguntou: - Vai subir? Falei que sim e ele disse:- Pode ir na frente então. A gente ainda vai demorar uns minutos. Eu pensei:- já era minha carona. Era uma parede de pedra quase vertical e muito exposta, que devia ter mais de 300 metros de altura. O jeito foi encher o peito de ar, mirar para cima e começar a subida. Subi meio que com medo no começo, mas também com muita confiança Parei algumas vezes no meio para tirar fotos. Passei por mais dois guias com clientes antes de chegar ao cume. Um deles foi bem legal e me deu umas dicas sobre o percurso que faltava. Muitos trechos com vento forte e eu pensava: - se eu parar agora eu travo. E ia em frente. Os últimos grampos, quando se está chegando no cume são especialmente complicados, porque você tem que abandonar a “segurança” que os grampos te dão para poder chegar no cume. Mas depois de uns 20 minutos de subida, lá estava eu no cume da Pedra do Baú. Foi um momento mágico. Bem mais do que eu esperava. O visual era incrível. Tirei foto de tudo que é jeito. Deitado sobre a beira do abismo, em pé, etc. Aqui vou abrir um parênteses. Apesar de estar no caminho da Fé, um caminho católico, onde se passa por muitas igrejas, as únicas vezes na vida que eu senti realmente uma presença muito forte, do que alguns podem chamar de Deus, foi quando estive no cume de alguma montanha ou embaixo de uma cachoeira. Nunca em uma igreja. Deixei de frequentá-las faz muito tempo. Me lembro de ter me encontrado com “Deus”, no cume do Alcobaça (2013), em Petrópolis. Embaixo da cachoeira do Tabuleiro, literalmente, em 2013 (e agora em 2019 de novo). Nos Portais de Hércules, Travessia Petro-Tere, em 2014. No cume do Pico Paraná em 2015 (não encontrei quando retornei em 2017). Na base das Torres e no Mirante Francês, no Parque Nacional Torres del Paine, em 2016. E agora, na Pedra do Baú. É uma sensação difícil de explicar. É como se você se sentisse realmente parte de um todo, de uma coisa muito maior. Se sentisse nada e tudo ao mesmo tempo. Uma paz muito grande torna conta da gente. E em todas essas vezes eu senti a presença do meu pai, já falecido. Restava agora a descida, que metia mais medo que a subida. Principalmente os primeiros grampos, onde tinha que se virar de costas para o abismo para alcançar os grampos. A Mesmo assim a descida foi rápida e durou cerca de 15 minutos. Cheguei na base e peguei o caminho de volta pela trilha. Pouco tempo depois quase pisei em uma jararaca de cerca de um metro de comprimento. Ela estava junto a uma pedra onde eu iria colocar meu pé. Ela se mexeu e eu a vi. Consegui dar um pulinho e evitei pisar nela. Foi por muito pouco. Segui rápido pela trilha e tempo depois eu já estava de volta à rodovia, rumo a Campos do Jordão. A Pedra do Baú foi muito gratificante. Mais do que eu esperava. Mais do que eu merecia. Serra Fina. Fiquei em Aparecida até na segunda-feira, 17-09-2018 e daí fui para Passa Quatro (MG), onde cheguei já escuro na rodoviária local. Peguei um ônibus circular e fui para o hostel Serra Fina, do Felipe, onde fiquei até na sexta-feira quando comecei a travessia. Choveu na terça, quarta e quinta, mas na sexta a previsão era de tempo limpo que duraria tempo mais que suficiente para a travessia e por isso decidi esperar e aproveitar para descansar e ler. Mesmo assim fui até a toca do lobo, pra passear e conhecer o Ingazeiro gigante. Também fui conhecer o centro da cidade. A região estava em alvoroço. Dois rapazes cariocas estavam perdidos em algum ponto da travessia e vários bombeiros, guias e montanhistas estavam à procura deles. Por sorte conseguiram um ponto onde tinha sinal de celular e conseguiram passar a localização e foram resgatados. Se bem que já estavam próximos de uma propriedade rural. Passa Quatro é uma cidadezinha linda e é um lugar onde eu moraria tranquilamente. O Hostel Serra Fina também é muito bom e o Felipe é um cara nota dez. Eu me senti em casa. Todas as travessias que eu faço eu vou sozinho. Não que não goste de pessoas. É que eu gosto de ir no meu rítmo. Gosto de ficar sozinho. Andar sozinho. Pensar na vida, etc. A intenção era fazer essa travessia também de modo solitário. Mas na quinta-feira de noite chegou ao hostel uma gaúcha baixinha, menor que eu até, que iria começar a travessia na sexta também, então decidimos começar juntos. A mochila dela era enorme e certamente tinha coisa que não precisava. Começamos o primeiro dia da travessia, 21-09-2018, uma sexta-feira, mais tarde do que eu queria. Saímos da toca do lobo já era meio-dia. Logo no começo da travessia, primeira subida, eu percebi que ela iria me atrasar, mas já que estávamos juntos, seguiríamos juntos. Foi quando ele me disse:- Vai na frente, você anda mais rápido. Eu disse que não, mas ela insistiu. Disse que ficaria bem. Eu então dei um até logo e disse que a reencontraria no Capim Amarelo..A subida é intensa e o ganho de altitude é rápido. Talvez pelo “treino” feito no Caminho da Fé eu não senti muito e passei por mais gente no caminho. Primeiro por 3 mineiros (que depois se tornariam grandes amigos) e depois por outros dois caras que pareciam ser militares. Cheguei ao cume do Capim Amarelo eram 15:15 horas. Praticamente 3 horas só de subida. Montei minha “barraca”, que era na verdade a minha rede estendida sob a lona que tinha sido disposta como se fosse uma barraca canadense. Fiz um rango e fiquei apreciando a paisagem. Como sabia da falta de água eu decidi que não levaria comida que precisasse de água no preparo, então comi basicamente tapioca de queijo, ou de nutella, ou de salaminho, paçoca, geléia de Mocotó e castanhas, durante toda a travessia. Os mineiros chegaram um pouco mais tarde e armaram suas tendas. Os militares chegaram quando já estava começando a escurecer. Eles não traziam barracas, dormiram de bivaque. Quando já estava quase escuro chegou um grupo que iria passar direto pelo Capim Amarelo e acampar no Maracanã. Perguntei pela gauchinha e me disseram que ela tinha montado acampamento em algum local no meio do caminho. Depois disso fiquei sabendo que ela desistiu e retornou para Passa Quatro. E que depois reiniciou a travessia na segunda-feira, tendo que ser resgatada de helicóptero no cume dos 3 Estados. E que depois disso voltou mais uma vez, acompanhada de um escoteiro, só que mais uma vez desistiram, abortando a travessia na Pedra da Mina, via Paiolinho. Estávamos a 2490 m de altitude e o pôr do sol e a noite foram lindos e gelados. Meu termômetro marcou a mínima de 3,5ºC. O dia 22-09-2018 era o segundo dia da travessia. A intenção era dormir no cume da Pedra da Mina. Depois do café da manhã, junto com os mineiros, desarmei e guardei toda a tralha e deixei o Capim Amarelo para trás às 10:20 horas. Logo no começo encontrei uma garrafa de uísque que tinha sido esquecida pelos militares. Voltei até onde os mineiros estavam e depois de bebermos uns goles eu retornei para a trilha, levando a garrafa para devolvê-la assim que encontrasse os rapazes. Não demorou muito para encontrá-los porque eles tinham pegado uma trilha errada logo na saída do Capim Amarelo. Depois de muito sobe e desce, mata fechada, bambuzal, escalaminhada, trepa pedra, cheguei na cachoeira vermelha e no ponto de abastecimento de água. Estava cedo e daria para pernoitar no cume. Foi o que fiz e cheguei ao cume eram 16:40 horas. Chegando ao cume estendi a minha lona fazendo um teto que ligava uma parede de pedras empilhadas até o chão Estendi ali embaixo o isolante e joguei o saco de dormir por cima. Essa noite não teria o mosquiteiro. Deixei a rede guardada. Comi meu jantar, assinei o livro de cume e fui apreciar o fim da tarde, o pôr do sol e as estrelas aparecendo. A noite estava bem fria. Os 3 mineiros chegaram quando a noite já tinha caído. Ajudei eles a montarem as barracas e depois ficamos conversando até altas horas. Os militares chegaram ainda mais tarde e no dia seguinte abandonariam a travessia, descendo pelo Paioloinho. Essa noite teve como temperatura mínima 3,7º C, mas a sensação foi de que era uma noite muito mais fria que a anterior. Talvez pela exposição ao vento, o que não tinha acontecido pela proteção que o capim elefante fornecera na noite anterior. A noite foi linda, repleta de estrelas e prometia um amanhecer incrível, fato que aconteceu. O único porém foi a grande quantidade de pessoas que estavam na Mina, quase todos fazendo bate-volta, o que trouxe muito barulho até algumas horas da noite. Apesar disso dormi muito bem e acordei bem disposto. A água até aqui não tinha sido problema. O dia 23-09-2018 era o terceiro dia da travessia e amanheceu espetacular, apesar de muito frio. Acordei antes do sol nascer e escolhi um bom lugar para apreciar o espetáculo. Depois disso o café da manhã (sem café) e desmontar acampamento. A surpresa foi quando levantei o saco de dormir e vi que uma aranha bem grande tinha vindo se aquecer embaixo dele. Peguei a bichinha com cuidado e a levei para perto de uma moitinha de capim. A travessia começou mesmo já eram 10:50 horas da manhã e daí para frente decidi caminhar junto com os 3 mineiros, afinal a gente combinava bastante. E assim saímos nós 4 da Pedra da Mina, eu , o Vinícius (Vini), o Daniel (boy) e o Nelson (Bozó). E assim passamos pelo Vale do Ruah, onde abastecemos os cantis pela última vez, com água que deveria ser suficiente até as 16 horas do dia seguinte. Daí foi uma grande sequência de morros até chegarmos ao Pico dos Três Estados às 17:20 horas. Mais uma vez montei a lona no estilo canadense, dispus a rede com mosquiteiro dentro e esparramei minhas coisas. De noite nos reunimos junto ao triângulo de ferro que representa a divisa dos 3 estados para a janta. Os caras já tinham pouca água. Eu ainda tinha meus dois cantis cheios e mais um bom tanto no camelback. Dessa maneira cedi um cantil para que eles fizessem a janta e bebessem o que sobrasse. Essa noite foi a mais fria, com o termômetro marcando 2,7º C, mas o capim elefante nos protegeu bem dos ventos e deu para dormir muito bem. No dia seguinte pela manhã, o Bozó sugeriu que fizéssemos café. Lá se foram mais 500 ml de água. Mas foi muito bom aquele cafezinho e aquela vista que se tinha lá de cima. De lá dava para ver Prateleiras e Agulhas Negras, minha próxima empreitada. Era o dia 24-09-2018, nosso quarto e último dia de travessia. Deixamos o 3 Estados às 09:40 da manhã. Esse foi um dia bem sofrido. Uma sequência de morros. Sobe e desce. Muitos trechos de mata, e bambuzal. Mas o principal obstáculo era a falta de água. Minha água era para dar tranquilamente, mas depois da janta, café e dividir com os amigos, eu tinha deixado o 3 Estados somente com a água que restava no camelback, que era pouco mais de meio litro. Fomos racionando, mas quando chegamos no Alto dos Ivos, todos bebemos o que nos restava de água. Foram mais 3 horas até encontrarmos água de novo. A falta de água aliada ao esforço físico fez com que o Vini começasse a passar mal. Mesmo assim tocamos em frente.Chegamos inclusive a beber água acumulada nas bromélias. Eu e o Bozó, que estávamos melhor, seguimos mais rápido enquanto Daniel ficou para trás acompanhando o Vini. Chegamos ao ponto de água e enchemos os cantis e o Bozó voltou correndo para encontrá-los e matar a sede dos amigos. Já eram 16:50 horas quando chegamos na rodovia BR-354, onde o resgate que eles tinham combinado estava esperando. A Patrícia, que era a dona da caminhonete de resgate me deu uma carona até Itamonte, onde seria meu pernoite. Por coincidência, a Patrícia era o resgate dos rapazes que estavam perdidos quando cheguei em Passa Quatro. Como eles não chegaram no ponto de resgate no dia combinado, ela entrou em contato com os bombeiros e com a família dos rapazes. Era o fim da travessia. Uma das mais puxadas e mais bonitas que já fiz. Foi também a última vez que vi os amigos Daniel e Vinícius. O Bozó eu encontrei de novo em Belo Horizonte agora em maio de 2019. Foi uma travessia que exigiu muito, mas que ofereceu muito mais em troca. Alvoradas e crepúsculos inesquecíveis. Paisagens sem igual, amizade, companheirismo. E que deixou uma vontade enorme de retornar e fazê-la novamente. Parque Nacional de Itatiaia. Agulhas Negras e Prateleiras. Desde que eu estava no hostel em Passa Quatro, eu já estava procurando um guia para o Parque Nacional de Itatiaia. Sabia que se tudo desse certo eu terminaria a travessia na segunda-feira 24-09 e na terça-feira 25-09 queria ir para o PNI, para subir o Agulhas Negras e o Prateleiras. Durante os telefonemas para casa, eu vi que teria que voltar logo. Dessa maneira, eu teria que fazer os dois cumes no mesmo dia. Entrei em contato com vários guias, mas ninguém queria fazer os dois cumes em um único dia. Uns disseram que não dava. Outros disseram que não era permitido. Até que encontrei um cara. Tudo isso pela internet e pelo tal de whats app, que eu nunca tinha usado antes disso. Deixamos mais ou menos combinado. Ele me cobraria 300 reais pela guiada. Eu sabia que o PNI exigia equipamentos para a subida aos cumes. Eu não tinha esses equipamentos. Após o PNI eu teria que voltar para casa, minha jornada terminaria ali, portanto não precisaria mais ficar regulando a grana. Durante a travessia da Serra Fina a gente ficou sem contato. No final da travessia, o resgate dos mineiros me deu uma carona. Eu tinha planejado ficar no Hostel Picus, ou no Yellow House, mas ambos estavam fechados. Dessa forma fui com eles até Itamonte, onde me deixaram e seguiram rumo a Passa Quatro. Saí procurando hotel ou pousada e acabei ficando no Hotel Thomaz. O Hotel era bom e tinha um restaurante onde eu jantei. Só que fica bem na rodovia e eu peguei um quarto de frente para a rodovia e o barulho dos caminhões e carros freando durante toda a noite incomodou um pouco e prejudicou o sono. Na manhã do dia 25-09-2018, terça-feira, acordei bem cedo, tomei banho, preparei as coisas que levaria para o Parque, entrei em contato com o guia e desci para tomar o café da manhã no Hotel. Por volta das 7 horas o guia chegava de carro para me pegar e seguirmos para o parque. Durante o caminho fomos conversando e falei pra ele sobre a travessia e sobre o caminho da fé e pedra do Baú, que tinha feito recentemente. Ele também é guia na travessia da Serra Fina. Chegamos ao parque fizemos os procedimentos de entrada, onde um guarda-parque alertou que caso não começássemos a subida do Prateleiras até as 14 horas, não deveríamos continuar. Desse modo, às 08:45 da manhã iniciamos nossa caminhada rumo a base do Agulhas Negras. Ele apertou o passo, acho que querendo me testar. Eu fui acompanhando de boa. Paramos num riozinho para abastecer a água e fazer um lanchinho, já próximo da base. A conversa ia progredindo e ele me falou que achava que eu era um cara que parecia estar preparado e que normalmente ele guiava por uma via conhecida como Via Normal ou Via Pontão, mas que se eu quisesse a gente poderia tentar uma via diferente, pra se divertir um pouco. Falei pra ele que ele é quem estava guiando e que por mim tudo bem. Dessa maneira subimos por uma via menos utilizada, que passa por dentro de uma espécie de chaminé que é conhecida como útero. Na verdade quando você emerge dessa “chaminé” é como se você estivesse nascendo. Não levamos capacete, nem cadeirinha, apenas uma corda e uma fita. Usamos a corda somente duas vezes, uma delas para rapelar e depois subir um lance de rocha que fica entre o falso cume e o cume verdadeiro onde fica o livro de cume. Atingimos o cume verdadeiro às 10:40 horas. Comemos, descansamos um pouco, apreciamos a paisagem, tiramos várias fotos e depois iniciamos a descida. Dessa vez por uma via diferente, a Via Bira. No início da descida um rapel de uns 40 metros por uma descida bem íngreme junto a uma fenda e uma parede. Bem legal. Foi uma descida bem bacana. Uma via bem mais interessante que a tradicional. Eram 12:40 quando chegamos de volta ao ponto onde tínhamos iniciado a caminhada. Fizemos um lanche rápido e às 13:00 horas partimos em direção ao Prateleiras. Desta vez sem mochila, sem corda, sem água. Só levamos uma fita de escalada, que foi usada uma única vez. Achei bem mais tenso que o Agulhas, apesar de mais rápido. Muita fenda, muito lance exposto, muito salto de uma pedra para outra com abismos logo embaixo. No ataque final, nos últimos 15 minutos, o cara me salvou por duas vezes. A primeira em um lance de escalada livre onde se tem que fazer uma força contrária. Como não tem "pega", a gente sobe com os pés numa face da fenda, empurrando a outra face para baixo. Complicado. Eu tava a abrindo o bico de cansaço aí ele me deu a mão e a puxada final. Depois disso, num paredão bem inclinado, tinha que começar a subir quase correndo agarrando na pedra para conseguir chegar ao fim. Faltando um meio metro para o fim dessa rampa minha bota começou a escorregar na pedra e eu fiquei sem força. Gritei ele e novamente me deu a mão ajudando a chegar. Muito tenso. Atingimos o cume às 13:50 e depois de alguns minutos começamos a descida. Paramos para comer uma bananinha e paçoca e descemos mais tranquilos. Às 14:58 estávamos de volta ao local onde tinha ficado o carro. Daí o cara olha pra mim e fala: - Agulhas e Prateleiras em 6 horas. Nada mal. E rachamos o bico de dar risada. Tinha acabado de subir dois cumes que sempre tinha sonhado. Agulhas Negras e Prateleiras. Os dois em cerca de 6 horas. Eu estava muito feliz. O visual de cima dessas montanhas é incrível. Mas a experiência da subida é demais. A adrenalina a mil. Saber que um escorregão e já era. Isso não tem preço que pague. Acabei ficando amigo do guia e ele me deu uma carona para Itanhandu no dia seguinte, onde pegaria o ônibus de volta pra minha terra. Dormi mais uma noite no mesmo hotel, dessa vez num quarto de fundos e o sono foi muito melhor. Desci para comer um sanduíche de pernil numa lanchonete próxima e bebi uma coca-cola de 1 litro. Depois de todo aquele esforço eu merecia. VID-20180925-WA0004.mp4 VID-20180928-WA0014.mp4 VID-20180928-WA0014.mp4 vidoutput.mp4 Na manhã da quarta-feira, 26-09, eu parti de volta para Maringá, com uma parada longa em São Paulo, de onde saí de noite e cheguei em casa na manhã de 27-09-2018. Decidi ir pra casa a pé. Pra caminhar um pouco. rsrsrs. Logo depois do almoço eu estava em casa e na manhã do dia seguinte tudo voltaria à mesma rotina de antes. Mas eu não era o mesmo cara que tinha saído 23 dias antes. Eu tinha caminhado mais de 420 Km. Tinha estado em 3 dos dez pontos mais altos do país. Tinha visto o sol nascer e se por proporcionando espetáculos inesquecíveis. Tinha conhecido gente da melhor qualidade, o povo bom e humilde do interior de Minas Gerais. Dá para aguentar essa rotina por mais um tempo, numa boa.
  2. beatrizz, em abril fez 3 anos que voltei de Torres del Paine. Também fiz o circuito completo. Até hoje, de vez em quando, eu me vejo sonhando que ainda estou lá. Eu durmo pensando em amanhã ir até o Glaciar Grey. Eu sonho que estou subindo para as Torres, ou no mirador Britânico. Torres del Paine nunca mais sairá de dentro de quem lá esteve.
  3. Mais uma vez vou dar um pitaco. Minha primeira bota foi uma Finisterre (Nômade), comprada em 2011. Bota excelente. Macia, confortável, durável, bom "agarre" tanto em pedra quanto em lama. Boa impermeabilidade. Foi ressolada. Ainda tenho ela só que quase não uso mais. De vez em quando para trabalhar. No começo de 2013 comprei uma Salomon Mid GTX. Também muito boa, porém não tinha a mesma aderência que a Finisterre. Escorregava principalmente em rocha se tivesse aquele pozinho por ciima. Usei bastante. Em várias travessias, subidas de montanha, caminhadas, etc. Foi para doação no fim do ano passado. No começo de 2016 eu ia para Torres del Paine e decidi que compraria uma bota nova. A Nômade tinha virado Vento e estava tendo muita reclamação das botas, a Finisterre no meio. Principalmente quanto a sola ficar descolando e outras coisas. Me falaram da La Sportiva. Andei lendo e me pareceu que valeria a pena. Achei ela bem cara. mais de 650 paus, mas assim mesmo comprei uma e fui para Torres del Paine com ela. Boa bota também, mas não tinha a mesma aderência da Finisterre, parecia mais dura no pé. Mas usei ela bastante depois disso. Pico Paraná, Pico Agudo, etc. Em setembro do ano passado ela foi minha companheira por mais de 420 Km de pernada. Caminho da Fé, Pedra do Baú, Serra Fina, Agulhas Negras e Prateleiras. Ela tava bem judiada e eu decidi comprar uma outra agora em maio, pois tava querendo ir de novo pra Lapinha-Tabuleiro. A loja Orientista estava com uma promoção boa na bota Finisterre e eu comprei uma. Essa agora não é de couro, é do tal de Nanox. A bota parece que já vem amaciada. Você coloca ela no pé e fica confortável, macia. Usei ela uns dias para trabalhar, antes de ir pra Minas Gerais. Fui para a travessia. dei mais umas pernadas por lá. Uns 75 Km de trilha e montanha no total. Nenhuma bolha, nenhum desconforto. Praticamente nenhum escorregão, derrapada. Estou muito satisfeito com ela. Vamos ver quanto a durabilidade, mas as primeiras impressões são de que vai durar bastante. Paguei 409 reais (em 2019) na bota e acho ela bem melhor que a La Sportiva de 660 reais (em 2016).
  4. Muito bem. Uma grande verdade: -quem faz meio, não fez. Eu fiz a Serra Fina em setembro passado. Sou um pouco mais novo que você, estou com 52. A Serra Fina é realmente bem exigente, principalmente o trecho entre a Mina e o Pierre, pela escassez de água. Tem muito "jovem" que não aguenta o tranco. Eu já estou mais acostumado com a marimba e fiz até que de boa. Mas no caminho encontrei uns caras. Ficamos amigos e terminamos juntos. Um deles passou mal mesmo no final. Dessa vez eu fiquei 23 dias "rodando". Fiz o Caminho da Fé. A Pedra do Baú. A Serra Fina. E por fim Agulhas Negras e Prateleiras em um dia. Andei mais de 420 Km. Foi a melhor coisa que eu fiz na vida até hoje. Me permitiria dar umas sugestões a você, para seu próximo trekking. Lapinha - Tabuleiro. É Minas Gerais, não precisa dizer mais nada. Paisagens lindas. Não é tão pesada quanto a Serra Fina e dá pra fazer em 3 dias tranquilo. Petrópolis - Teresópolis. Muito diferente dos morros de Minas que ficam longe uns dos outros. Aqui é um em cima do outro. Tem um visual que eu considero um dos 3 mais lindos que eu já vi, os Portais de Hércules. Também 3 dias tranquilamente. Torres del Paine. Totalmente diferente de tudo que você encontra por aqui. É um trekking que vale uma vida inteira. Eu fiz o circuito completo em 6 dias, mas seria melhor ter feito em 8 dias para aproveitar mais, é inesquecível, só que é mais caro e precisa de mais planejamento e equipamentos. Não é tão desgastante fisicamente, apesar das grandes distâncias caminhadas. Abraços. "A velhice é um estado da mente".
  5. Parabéns pela aventura. E parabéns por conhecer o PP. A vista que se tem dele, a partir do Itapiroca é incrível. Do Caratuva também Quanto ao lance da idade, isso não existe. Tanto que os dois véinhos chegaram ao cume, enquanto os novinhos ficaram pelo caminho. Já vi muito disso. Sei que vão querer voltar ao PP. Quem vai uma vez, quer voltar. Na próxima vez, vão direto ao PP. Acampem no cume. Vão num dia de semana, que quase sempre não tem muita gente na trilha. Dormir lá em cima é inesquecível. No outro dia vão para o Caratuva se quiserem. Outra coisa. Não sou nem de longe um cara que já fez aquele montão de trilhas. Mas já fiz algumas. E posso dizer que a subida ao PP é uma das mais exigentes em termos físicos. E também é uma que apresenta bastante pontos técnicos e que tem muita gente que gela de medo e tem que voltar. Portanto, vocês estão credenciados para qualquer trilha, das mias faladas, nesse Brasilzão. Abraços.
  6. Parceiro, será que poderia me tirar umas dúvidas. Estou planejando ir pra chapada agora em maio de 2018. Pretendo chegar em Palmeiras, pegar transfer até caeté e no primeiro dia ir até a cachoeira da fumaça por cima. Os outros 4 dias seguintes pretendo fazer um trekking no Pati, partindo do Bomba e visitando os pontos mais conhecidos, tipo Cachoeirão, Castelo, Cahoeira dos Funis, Cachoeira do Calixto. No último dos 4 dias, quero terminar em Lençóis, onde no dia seguinte pretendo ir no Morro do pai Inácio. A minha dúvida é se faço um circuito circular terminando no Bomba, ou se termino em Andaraí. O que você acha que seria mais fácil, para se chegar em Lençóis. Voltar pela mata do Calixto até o Bomba e de lá pegar transfer para Lençóis? É fácil esse transfer? Ou terminar em Andaraí e de lá ir para Lençóis? Ouvi dizer que de lá para Lençóis é demorado e caro. Grato. Ronaldo.
  7. Há limite de horário sim Nenhum guarda parque vai deixar você sair para trilha se estiver escuro, ou escurecendo Agora, se você já estiver na trilha e ficar enrolando até escurecer, já é outra estória.
  8. Estive lá em março de 2016. Os 3 campamentos gratuitos eram o Paso, o Italiano e o "Base Torres" (não o Las Torres). O Las Torres já era administrado pela Fantástico Sur e ao que parece está sendo chamado de campamento Central. Segundo o site da Conaf, o campamento Base Torres está fechado para essa temporada. Portanto, gratuitos somente o Paso e o Italiano. No primeiro dia lá, depois de ter pernoitado no Las Torres (Central), pela manhã subi até as Torres, voltando pelas 3 horas e seguindo até o Seron. No segundo dia eu fui até o Dickson. No terceiro dia até o Los Perros, No quarto dia passei direto pelo Paso e fui até o Grey. No quinto dia a idéia era ir até o Italiano, que estava com lotado e com problemas nos "banheiros", daí fui até o Francês. No último dia retornei até o Las Torres, que foi o local do último pernoite. Não fiquei nenhum dia em campamento gratuito. A idéia original era ter ficado no Base Torres e no Italiano, mas não tinha reserva. Naquela época não era necessário reserva nos campamentos pagos. Campamentos que mais gostei, pela ordem: - Los Perros ( não tem água quente, mas a convivência na área de cozinha fez eu achar esse o melhor) - Francês (campamento novo, com estrutura de hotel, em termos de banheiros. Barracas montadas sobre plataformas) - Dickson (Vale a pena a paisagem. Perde um pouco pelos pernilongos) - Grey (Área de convivência na cozinha muito agradável. Porém é muito lotado e o banheiro fica meio inundado, apesar de ter água quente) - Las Torres. (boa estrutura de banheiros. Paisagem muito bonita. Mas é o mais gelado de todos. O frio literalmente brota do chão) - Serón (foi apenas um local de pernoite, sem nada demais, embora tivesse água quente) Abraços e bom trekking
  9. Olá, Se você for alugar em Puerto Natales, encontrará excelentes barracas, geralmente da Doite (pelo menos quando estive por lá). Só que são barracas mais pesadas. Se você for comprar as Nature Hike, que a loja Alta Montanha e outras no Brasil também já estão vendendo, existem vários modelos que te atenderiam bem. A Silent Wing é um deles. Note que no site da Nature Hike, esse modelo é chamado de Wind-Wing. O modelo vendido pela Alta Montanha é na cor azul, é um pouco mais pesado e o material de confecção não é o mesmo. Eles possuem dois modelos dessa barraca, a cinza claro é mais leve e tem mais resistência a chuvas. Eles possuem outros modelos, que talvez tenham até um custo benefício melhor, como por exemplo: - P Series Aluminum 2 men tent (2,15 Kg) - mais barata. - Cycling silicon ultralight one man tent - (1,65 Kg com foot print) - super leve, porém menor. - Cloud Up 2 Ultralight Two men tent - (1,7 Kg com foot print, na cor cinza claro) - bem leve e compacta quando fechada. - Cirus Ultralight Two men tent - (2,1 Kg com foot print) - barraca que parece ser excelente. - Taga 2 Ultralight (1,4 Kg) super leve. Não é auto-portante. Vamos lá. Se fosse eu quem fosse comprar, ficaria entre 3, a Silent Wing não seria uma delas. Ficaria entre a Taga 2, se estivesse preocupado mais com o peso. A Cirus 2, que parece a melhor. E a Cloud Up 2 que parece muito boa. Ainda não vi o preço das 3. Eu gosto de levar tudo dentro da mochila, inclusive a barraca, por isso, o tamanho da barraca fechada também é importante. Acho que com qualquer uma delas você estaria bem. Eu daria muita importância para o fator peso (Taga2), mas se você levar em consideração o conforto, a Cirus parece melhor e mais "resistente". Vê os preços e decide. Todas me parecem boas barracas. No youtube tem bastante reviews, inclusive com montagem. Se fosse comprar aqui, não pegaria a Everest, pegaria a Nepal Azteq. Abraços.
  10. Hostel 148. Bom, bem localizado e barato. Além de limpo. Se quiser um almoço legal, tem o "restaurante" do Tourinho, bem perto da portaria do parque. Não se engane pelo aspecto "sujo" ou rústico do lugar. A comida é caseira e deliciosa, além de barata.
  11. Boa Val. Mais uma prá conta. O importante é se divertir, conhecer lugares, pessoas. Parabéns pela viagem e pelo relato.
  12. Um amigo foi em lua de mel para Paris, Roma e uma outra cidade da Alemanha que não me lembro. Assim que desceu em Paris disse que já veio um monte de malaco oferendo passeio, etc. Na conversa roubaram um anel da mulher dele. Bateram a carteira de um cara que estava com o grupo deles também em Paris. Disse que empurraram um monte de passeios caros nele. Que se tivesse ido por conta e pesquisado tinha gastado 30% a menos. A mulher dele comeu alguma coisa que não bateu bem em Roma e ficaram dois dias "de molho". Só da Alemanha que ele disse que foi tudo perfeito. Então parceiro, problemas todo lugar tem. Coisas boas também. O Rio de Janeiro do Trota tem muito problema, tem sim. Mas é um lugar lindo. Se bem que prefiro Petrópolis. Gosto mais de morro que de praia. Entre América do Sul e Europa, eu prefiro América do Sul. Bolívia e Peru estão nos planos.
  13. Essa Naturehike parece muito boa. Além de ser mais leve, é autoportante. Outra vantagem é o pequeno volume que ocupa. Parece que pode ter problemas de condensação. Não é muito ventilada. Se quiser dá para levar aquelas "bexigas tipo tubo e colocar entre teto e sobreteto. Fui com uma barraca européia, que não é autoportante. Bem mais leve que a Nepal. Não tive problemas de condensação. Se fosse para comprar nova eu iria de Nature hike, apesar de não conhecer. A Loja Alta Montanha vai receber o modelo Cirus Ultralight, que é mais leve, mais ventilada e tem mais resistencia a ventos. Provavelmente deve ser mais cara, mas parece ser uma barraca perfeita para Torres del paine. Contacte a loja e veja os preços das 3 barracas
  14. Quer um guia. Vou te indicar dois. Os melhores. Geovane Rento e Diego Mariano. Procura os dois no facebook e combina preço. Também tem o Mariano, que não lembro o sobrenome e também é bom, só que é mais fechadão. Acho que ele ainda trabalha no Parnaso.
  15. Cara, tem duas opções se você for de carro. Pode ir até Teresópolis e deixar o carro. Se não me engano pode deixar o carro no próprio estacionamento do parque. Pega um táxi (caro pacarai) e vai para Petrpolis. Ou vai até a rodoviaria e pega o buzão até Petrópolis. Vai ser uma função, por que em Teresópolis os ônibus urbanos não funcionam tão bem quanto em Petrópolis. Demoram para passar na frente do parque. Dificilmente você chega em Teresópolis e consegue ir até Petro para iniciar a travessia no mesmo dia. Se for de ônibus acho meio impossível fazer isso. A outra opção seria deixar o carro em Petrópolis. Fazer a travessia e depois voltar de busão para pegar o carro. Você vai terminar a travessia (se fizer em 3 dias) na hora do almoço. Dá para voltar de boa até Petrópolis antes de escurecer, com tempo para tomar uma na cervejaria Bohemia. Eu faria isso. Tem um camping/pousada bem na porta do parque, em Petropolis. Dá para conversar com a mulher que mora lá e cuida da pousada e deixar o carro lá. Se quiser dá para pernoitar lá na volta.
  16. Concordo em tudo sobre Arraial do Cabo. Estive aí em fevereiro de 2007. Tenho muita vontade de voltar. A praia do forno foi a preferida da família, mas eu gostei de todas. Também tem o Pontal do Atalaia que oferece uma paisagem especial. Sem falar que a cidade é muito acolhedora e tranquila, pelo menos quando estive aí. Andava por tudo a pé, a qualquer hora do dia ou da noite, sozinho ou com a família. Também não achei caro comer e passear por aí. Já Búzios não gostei muito. É bem mais caro e muito mais "CVC" pro meu gosto. Exceção feita às praias mais afastadas. Abraços.
  17. A permanência no Campamento Torres e Italiano já requeria reserva prévia quando estive lá em março deste ano. Tanto que eu não pude ficar nesses campamentos. No Paso não exigia, mas tinha vaga sobrando para barracas. Quanto aos campamentos pagos, está escrito que a falta de reserva deixará o trekkeiro sujeito à disponibilidade. Em janeiro, fevereiro pode ser complicado. Em Março, quando estive lá, com clima excelente, sobrava muito espaço em todos os campings pagos. Que houve um aumento muito grande de gente indo prá lá isso houve. Estive conversando com um guarda-parques no Dickson e ele me disse que teve dias em que haviam mais de 500 pessoas ali. Isso significa 500 pessoas por dia fazendo o circuito completo. é muita gente. Eles estão tentando diminuir o número de pessoas na trilha, ao mesmo tempo beneficiando as empresas que controlam os campamentos pagos.
  18. Vai viajar. Quando voltar mostra as fotos prá esse pessoal e deixa eles mortos de inveja.
  19. Quinto dia em Torres del Paine. 16-03-2016. Quarta-feira. A intenção inicial era seguir até o campamento Italiano, pernoitar lá e no dia seguinte subir o Vale Francês. Só que ao chegar ao Italiano veio a surpresa. Estavam com problemas nos "banheiros" e não seria possível acampar por lá. Teríamos que seguir até o campamento Francês. Quando você já andou por mais de 7 ou 8 horas, com uma mochila nada leve nas costas e se vê forçado a caminhar por mais 30 minutos, você fica meio desapontado, mesmo que essa caminhada tenha sido por paisagens lindas. Muita coisa boa tinha acontecido. Tinha rompido a marca de 100 Km de trekking. Tinha passado pelo campamento Paine Grande, com aquele lago azul lindo em frente. O visual lindo e imponente de montanhas como o maciço Paine Grande e os Cuernos del Paine. Os lagos Grey, Laguna Los Patos, Lago Pehoe, Lago Skottsberg e Lago Nordenskjold. Um dia tão bom assim não podia terminar de maneira ruim e não terminou. O campamneto Francês apresentou-me uma novidade. Teria que montar minha barraca, que não é auto-portante, sobre um tablado. Achei que seria difícil, mas não foi. Com a ajuda de um punhado de cordinhas a bichinha ficou bem esticadinha e a noite foi uma beleza. A grande surpresa desse fim de dia foi o banheiro desse camping. Parecia coisa de hotel. Várias pias, vários sanitários e várias duchas. Tudo novo e muito limpo. E a água quente foi perfeita para tirar o cansaço do percurso. Nessa noite tive a oportunidade de conversar um pouco com dois chineses. Muito educados e com um pouco de medo dos outros estrangeiros. Mais um miojão com atum e sopa Vono para esquentar o corpo antes de pegar no sono. Sexto dia em Torres del paine. 17-03-2016. Qunita-feira. Esse foi um dia inesquecível, também. Mais uma vez resolvi fazer dois dias em um. Mais 33 Km de caminhada. Tinha chovido a noite e o dia tinha amanhecido com garoa, frio e encoberto. Comecei o dia com um caldinho de feijão para esquentar e parti de volta, só de mochila de ataque, rumo ao Vale Francês. Pouco tempo depois de começar a caminhada, o tempo começou a abrir, fez sol, calor, frio de novo e para completar nevou por uns 15 minutos, já próximo ao mirante britânico. Uma neve fina, com flocos pequenos, mas era minha primeira neve e estava valendo. Prá mim era tipo uma 'nevasca", fiquei feliz prá caramba. A chegada ao mirante foi qualquer coisa. O caminho até aqui já tinha sido muito bacana, mas a sensação de estar naquele lugar, cercado por aquela cadeia de montanhas majestosas, é única. Durante a pausa para lanche e fotos no mirante, mais uma oportunidade de conhecer gente do mundo todo. Austrália, Inglaterra, Holanda, Suiça. Daí a pouco chega o Hanz. Nos todos tremendo de frio e ele lá, de camisa de manga curta e bermuda de ciclista. Tinha subido carregando sua mochila enorme, de sei lá quantos litros. Todos os seus equipamentos fotográficos estavam ali e ele tinha um certo receio de deixar aquilo tudo longe dele. Conversamos mais um pouco, ele tirou umas fotos para mim e desceu de novo. Eu ainda fiquei mais um tempo lá e tive a oportunidade de conhecer um britânico, que falava português muito bem e que morava na Alemanha. Ele tinha morado dois anos em São Paulo. Essa foi uma manhã onde tudo que podia dar certo deu certo. Depois de retornar ao campamento francês, desmontei a barraca e parti rumo ao campamento Las Torres, que tinha sido onde eu começara minha jornada e isso significava que a aventura estava acabando. Um misto de satisfação, de alegria por ter dado tudo certo e de tristeza por saber que tudo estava para terminar. Cheguei no campamento las Torres por volta de 19 horas. Barraca montada, banho quente, comida, cervejinha. Mas pegar no sono não foi fácil. Pensar que no dia seguinte aquilo tudo seria passado trouxe um sentimento esquisito. Uma nostalgia antecipada, que deixava o sono longe. Sem falar que o frio do primiro dia também se fez presente. Aqui ele parece brotar do chão. Sétimo dia em Torres del paine. 18-03-2016. Sexta-feira. Acordei mais tarde, meio que não querendo que aquilo tudo terminasse. Café da manhã reforçado por uma caixa de leite com banana que alguém tinha deixado sobre a mesa. Tudo desmontado e arrumado dentro da mochila. Era só juntar coragem para ir embora. Antes um breve papo com uma americano, que acabara de chegar de bike. Estava fazendo um "tour" pela América latina, com sua bike. Já havia mais uma família, casal e um filho, de americanos, que também estavam ali fazendo sua viagem de cicloturismo pela patagônia. O ônibus só sairia à tarde e eu tinha tempo para voltar a pé até a Laguna Amarga. Fiz isso e foi muito legal. Os últimos olhares para toda aquela beleza. A companhia de uma raposinha que ficou por perto por uns minutos. Os guanacos que pastavam por perto. A estrada longa e solitária. Os pensamentos... Tudo acaba. Seja bom ou ruim, tudo acaba. E esses dias maravilhosos tinham chegado ao fim. Subi no ônibus que me levaria de volta a Natales. A vida continua e quem sabe um dia a gente volta. Depois disso fiquei uns dias em Natales e Punta Arenas, incluindo uma ida à Ilha dos Pinguins. As lembranças de Torres del Paine ainda estão muito presentes. Mesmo depois de 6 meses. Fica uma lição de que não é preciso se preocupar demais, planejar demais. É claro que é necessário um planejamento, mas se alguma coisa sair do planejado não precisa esquentar demais. No fim das contas as forças boas do universo conspiram para que tudo dê certo. É só não querer demais da vida, olhar o lado bom das coisas e acreditar. No final tudo dá certo.
  20. Terceiro dia em Torres del Paine. 14-03-016. Segunda-feira. Depois do café da manhã, de desmontar a barraca, arrumar a mochila, trocar uma idéia com o Wess, eu parti às 10 da manhã rumo ao campamento Los Perros, onde depois de 13 Km eu chegaria às 14:45 horas. Esse foi um dia bem legal. Caminhada em grande parte por dentro de bosques de lengas, que não são bosques muito fechados. Alguns trechos com lama. Grande parte do percurso ouvindo o barulho do Rio Los Perros e sua corredeira. Cruzando esse rio de um lado para outro algumas vezes. A chegada no Glaciar Los Perros é estonteante. Apesar de ser muito pequeno se comparado ao que viria no dia seguinte, a visão do Glaciar e do lago formado por ele me fez ficar ali por um bom tempo apesar do vento forte que deixava o clima bem mais frio do que já realmente era. Depois de deixar o Glaciar segui rumo ao campamento Los Perros. Para completar o dia, o acampamento Los Perros, do qual muitas reclamações tinha lido na internet,mas que para mim foi a melhor noite de todas. Noite bem dormida, tranquila. E a área de cozinha, a melhor de todas. A janta com todo mundo se reunindo na área de cozinha que é fechada e aquecida por um fogãozão a lenha. As conversas em uma mistura de idiomas. Os vários temperos e incrementos que cada um usava no seu miojo. Essa noite, na área de cozinha, com toda aquela gente de vários cantos do mundo, por si só teria valido a viagem. Oportunidade de conversar bastante com o Wess, que se mostrou um cara muito divertido e "jovem" do alto de seus 80 anos. Longa conversa também com o Hanz, um alemão que trabalha na universidade de Punta Arenas, com pesquisa nos Glaciares, utilizando fotogrametria. Também conheci o Tomaz, um chileno que tinha morado nos EUA e que parecia mais alemão do que chileno. Também deu para conversar mais com o Sebastian e as duas chilenas. Essa seria a última noite que iria vê-los só que eu não sabia até então. O Wess me disse algo que me emocionou bastante. Ele disse que queria aproveitar ao máximo esse trekking, porque talvez fosse o último grande trekking que faria, já que estava com 80 anos. Ele que tinha começado nessa vida de trekkeiro depois que se aposentara, aos 75 anos, já tinha feito trekkings no Himalaia e no Apalachian Trail, além do Pacific Trail Crest. Cara, que figura sensacional. Além deles, um acontecimento à parte foi o Jonathan, que chegou para fazer o rango depois que todo mundo tinha terminado e estava conversando. O cara usou tipo uns 20 temperos no miojo dele. Primeiro o cheiro da cebola impregnou o ar, depois ele foi colocando outros temperos e não parava mais. Por fim pegou uma caixa de uma bebida tipo Ades e ofereceu para todo mundo. Só que não tinha Ades na caixa, tinha Uísque. Aí virou festa. Só não deu coragem de tomar banho na ducha gelada. Aliás, acho que ninguém teve coragem. Quarto dia em Torres del Paine. 15-03-016. Terça-feira. Esse quarto dia foi um dia bem longo. 33 Km percorridos e muita diferença de altitude. Resumindo, muita subida e muita descida. Muitos dividem esse trecho em dois dias. Quase todos os que tínham saído do acampamento Los Perros ficaram no acampamento Paso, que fica cerca de uma hora depois do Paso John Gardner. Eu decidi alongar o dia até o acampamento Grey. Comecei esse trecho por volta de 9:20 e depois de muita subida e paisagens lindas cheguei ao Paso Jhon Gardner por volta do meio dia. A chegada ao Paso é muito marcante. O visual deslumbrante do Glaciar Grey. O contato com a neve perene nas montanhas. A paisagem, o vento, simplesmente demais. Depois de mais ou menos uma hora, fazendo um lanchinho, descansando e admirando aquilo tudo, desci em direção ao campamento Grey, sempre tendo como companhia o Glaciar Grey. Muitos visuais de tirar o fôlego. O Glaciar, o lago, gargantas enormes por onde desce a água de degelo até encontrar o lago. Pontes suspensas que são uma emoção a parte. Já próximo ao acampamento uma ida ao Mirante do Glaciar Grey, onde a gente fica de frente para ele. Muito legal. Nesse trecho eu consegui perder a minha sacola de comida. Só eu mesmo. Só dei conta quando cheguei no acampamento e fui montar a barraca.Já voltava procurar a bendita, quase escurecendo, quando encontrei um polonês, santo Jan, que havia encontrado a preciosa. O universo de vez em quando dá uma mãozinha prá gente. O campamento Grey estava lotado de barracas. Essa parte do circuito é bem mais movimentada e aparecem muitos "turistas" com suas roupas de aventura de grife, quase que engomadas. É um tanto quanto diferente do que vira até então A noite desse dia também foi bem legal. Área de cozinha fechada. Só que eu estava bem mais cansado. Voltei a encontrar o Hanz e o Max, que também tinham seguido até aqui, só que não nos falamos muito. Porém deu para trocar uma ideia com um grupo de chilenos até umas horas. Eles me convenceram a desistir de uma idéia que eu estava matutando, que era fazer um bate-volta rápido até El Calafate. Saímos de lá as luzes da cozinha já estavam apagadas. Já eram mais de 23:00 horas e ainda tinha gente cozinhando e conversando. Só que aí só na base das lanternas. Rolou até uma cervejinha para terminar o dia. Dormi que nem uma pedra.
  21. O caminho até o Parque. Torres del Paine estava nos planos há alguns anos. Abriu-se uma possibilidade para esse início de ano e pensei "é agora". Primeiramente pensei em ir em fevereiro, mas não deu certo. Ficou então para março. Acompanhei a previsão do tempo pelo accuweather e vi uma janela de tempo bom entre 10 e 25 de março. Com pouca previsão de chuva. Comprei as passagens, ajeitei o material de trekking e fiquei esperando o dia. A princípio a idéia era fazer o circuito completo, começando pela Laguna Amarga, Serón, Dickson, etc. Deixando as Torres para o último dia. Mas como tinha lido que se chegasse lá e o tempo estivesse aberto era melhor já subir até as Torres no primeiro dia, porque talvez no último dia não encontrasse o tempo aberto, decidi deixar essa opção em aberto. Sairia de Maringá, no dia 10-03 às 06:25h para São Paulo. às 19:00h de São Paulo para Santiago e às 02:00h de Santiago para Punta Arenas. Já começou errado. Acordei às 04 horas da manhã e ainda consegui perder o avião. Não por culpa minha e sim de quem iria me dar carona até o aeroporto que perdeu a hora. Tentei de tudo para embarcar e não consegui. Voltei para casa, entrei em contato com a turma do Smiles e consegui remarcar para o meio dia. Só que iria para Congonhas e não para Guarulhos. Tive que encaixar um transfer até Guarulhos, mas no final foi tudo bem. Nessa viagem aprendi uma coisa, não adianta muito ficar se preocupando porque no final tudo vai dar certo. Cheguei em Punta Arenas às 05:30h do dia 11-03 e peguei um táxi do aeroporto até a sede da Bus Sur e de lá saí às 07:00h, com destino a Puerto Natales. Cheguei em Natales por volta de 10:00 e saí para comprar algumas coisas que faltavam. Comida para os dias no Parque e gás de cozinha. Tive a oportunidade de conhecer um casal de irmãos chilenos que fariam o "W" e começariam pelas Torres. Decidimos que subiríamos até o campamento Base Torres juntos e na sexta feira, 12-03, madrugaríamos para subir até as Torres para o nascer do sol. Comprei o que precisava e fiquei moscando pela cidade até a hora de pegar o busão para o parque, que sairia de Natales às 14:30h (buses Gomes). Deu tempo de dar uma boa pernada pela cidade. Chegamos no Parque próximo das 17:00h, ainda com sol alto. O planejado corria bem até que na sede da Laguna Amarga nos disseram que o campamento base Torres estava lotado e não seria possível dormir lá nessa noite. Ainda pensei em dar um migué e subir, mas uma guarda parque me disse que me fariam voltar. O grupo que eu tinha com os chilenos acabou aí. Eles rumaram para iniciar o W pelo outro extremo e eu decidi ir para o campamento Las Torres, pernoitar lá e no dia seguinte subir até às Torres. O nascer do sol nas Torres já era. A primeira noite no parque, acampamento Las Torres, foi muito fria. Tomei um bom banho quente, fiz um miojão e fui dormir. Duas blusas, calça comprida, meias e ainda assim passei um pouco de frio. Parecia que o frio brotava do chão. Primeiro dia em Torres del paine. 12-03-2016.Sábado. O dia começou cedo, acordei, tomei um café mais ou menos, preparei a mochila de ataque e às 08:00h saí rumo as Torres del Paine. Estava desde agosto passado meio que de molho. A última aventura tinha sido o Pico Paraná, Itapiroca e Caratuva, em dois dias. Mas depois disso nem as corridas (meu esporte atual) eu estava fazendo, tentado sarar uma tendinite brava no calcanhar. Então estava com um pouco de receio. A paisagem muito bonita, mais até do que eu imaginava, tornou o caminho tranquilo. Passei pelo campamento Chileno, que estava "fechado" (mais ou menos, só estava aberto para quem tinha reserva prévia e para o Refúgio) parei um pouco para conhecê-lo, depois passei direto pelo campamento Base Torres. Nessa subida passei por muita gente que descia, indicando que o base Torres estava realmente lotado. Também encontrei o primeiro brasileiro, um cara de Londrina, mas que morava em São Paulo e só ficaria no Parque esse dia, fazendo a subida às Torres e retornando porque no dia seguinte iria para El Calafate. Infelizmente ele abriu o bico e não terminou a subida. Às 11:45 eu estava em frente às Torres del Paine. Que maravilha, que sensação boa. Quando você tem a oportunidade de estar em um lugar que você sonhava, com um dia lindo como estava, é demais. Tudo que eu fazia era admirar toda aquela beleza e agradecer à vida por ter me dado essa oportunidade. Depois de uns 45 minutos lá em cima, resolvi descer. Parei um pouco no campamento Base Torres para conhecer e ali encontrei o primeiro membro da fauna do parque, uma raposa curiosa, que parecia não ter medo dos turistas. Ah não, essa não foi a primeira, na noite anterior tinha visto uma outra raposa no campamento Las Torres, só que aquela era mais medrosa. Depois de muitos Holas, Buen dias, etc, cheguei de volta ao campamento Las Torres. Eram quase 3 da tarde e vi que dava tempo de seguir até o Serón. Desmontei acampamento, arrumei a mochila e parti rumo ao Serón às 15:30. Nesse meio de caminho, que segue margeando o Rio paine, eu resolvi pegar um "cajadinho" que nada mais era que um galho de "lenga" caído na beira do caminho ele foi de muita utilidade nesse final de dia, já que eu não costumo usar bastões de trekking. De manhã eu estava só com a mochila de ataque e agora levava a a mochila pesada. A diferença é grande. Às 19:45 eu estava chegando ao campamento Serón, lugar do segundo pernoite. Ventava bastante. Ainda havia um bom período de luz e tive tempo de armar a barraca, trocar uma idéia com o responsável pelo campamento para depois tomar um banho quente e preparar o rango. Eu tinha percorrido 37 Km nesse dia e achei que merecia um presente. Comprei uma coca lata para acompanhar o rango que teve miojo e atum. Nessa noite conheci o Sebastian e mais duas moças também chilenas. Segundo dia em Torres del Paine. 13-03-2016. Domingo. Tinha ventado prá caramba durante a noite. Apesar disso não tinha feito tanto frio e eu que tinha começado a noite com duas blusas terminei dormindo só de cueca e camisa e não passei frio. Acordei meio tarde, fui preparar o café da manhá e lá encontrei de novo o Sebastian e conheci um americano, Johnatan, cara bem maluco. Legal, mas maluco. Depois de desmontar acampamento, saí às 11:40 rumo ao campamento Dickson, que seria local do segundo pernoite. Eu tinha levado uma garrafinha plástica de 500 ml para água e mais um Gatorade de 750ml. Não é que esqueci a garrafinha no Serón. Só eu mesmo. Dali prá frente ia ser só a garrafinha de Gatorade, mas ela seria suficiente. A trilha foi bem tranquila, bem mais leve que a do dia anterior. Exceção feita ao trecho conhecido por "Paso de los Vientos", que faz juz ao nome. Chegamos nesse trecho eu e mais 4 pessoas que tinha conhecido na trilha, todos texanos. O John e mais 3 amigas dele. Tinham se formado e estavam de férias comemorativas em TDP. Eles iam na frente e quando vi caíram os 4 de uma vez. Não deu nem tempo de rir porque eu fui o próximo. Nunca vi um vento tão forte. A gente ficou um tempo sentado esperando parar e não parava. Vieram dois chilenos e caíram, mas levantaram e foram em frente. Também fiz o mesmo. Penei prá superar esse trecho de vento, mas a visão que me esperava depois da curva era linda, o lago Paine. Fiquei um bom tempo sentado adimirando aquele lago de uma cor tão diferente e linda. Depois disso levantei para seguir em frente e percebi que tinha perdido meu óculos de sol. O vento tinha levado ele e eu nem percebera. Voltei para procurá-lo e não encontrei. Também não iria me fazer falta. Nunca fui de usar óculos de sol e não seria agora que me fariam falta. Só fiquei sentido porque os mesmos seriam um corpo estranho, sujando um lugar lindo daqueles. Fazer o quê? Toquei em frente. Passei pelo Posto de controle Coirón, onde me pediram um papel que eu devia ter pego na Laguna amarga e não tinha, que era tipo uma "autorização" para fazer o circuito completo. O guarda-parques me pediu para assinar o livro e colocar um Xis na frente, indicando que eu não tinha aquele papel que deveria ser deixado nesse posto de controle. Segui em frente e às 18:00 horas estava chegando no campamento Dickson. O visual que se tem do alto do morrote que precede o campamento Dickson também é qualquer coisa. Aqueles enormes blocos de gelo, de diferentes formas e tamanhos flutuando no lago e no rio que o sucede são simplesmente demais. Depois de conversar com um guarda-parques por um bom tempo, fui montar o acampamento e depois passear na beira do lago Dickson por outro bom tempo. O clima começou a ficar mais frio e voltei para o camping para tomar banho e preparar a janta, que nesse camping é feita ao ar livre, em mesas de madeira, na companhia do vento e dos pernilongos, que felizmente não eram muitos. Nessa tarde-noite conheci dois americanos, o Wess, de 80 anos, que estava fazendo o circuito completo, carregando mochila e tudo mais e dormindo numa barraca Marmot bem mais estreita que a minha. Depois fiquei sabendo que o Sebastian era quem carregava, montava e desmontava sua barraca, além de preparar o rango. Mas isso não tira o mérito de um senhor de 80 anos, sozinho numa aventura dessa. Além dele conheci o Max, que não carregava barraca. Ele utilizava uma Tarp que ele montava utilizando os dois bastões de trekking. Segundo ele, o vento não tinha sido problema. Ele dormia num saco de dormir colocado dentro de um mosquiteiro. À noite eu fiquei, como nas duas noites anteriores, obesrvando o céu dessa parte do Globo terrestre. Parece que aqui tem mais estrelas que em qualquer lugar do mundo. Lembro que no Pico Paraná também tive essa experiência. O céu noturno é um espetáculo a parte. O chuveiro quente, o rango quente e o cansaço dos 20,6 Km percorridos nesse dia, fizeram com que eu dormisse logo e tivesse uma ótima noite de sono.
  22. Cara, eu fiz isso. Deixei a mochila dentro da barraca, no Camping Las Torres, e Subi até as Torres só com câmera fotográfica, água, etc. e um pouco do dinheiro. O resto, deixei na barraca, bem escondido. Não só lá, como também no camping Francês. Não tive problemas.
  23. Belo relato. Pico Paraná é mesmo muito bonito. Fiz esse mesmo trajeto ano passado. Quase o mesmo. Cheguei na fazenda às 7 e meia e comecei a subida. Tinha viajado de carro a noite inteira. Subi primeiro ao Itapiroca e depois fui até o A2, onde montei a barraca e subi para ver o por do sol no PP. Retornei para o A2, dormi e no dia seguinte acordei de madrugada para ver o sol nascer, de novo no PP. Depois na descida subi, só de ataque, até o Caratuva. Cheguei de volta na fazenda quase com o sol se pondo e depois de um banho, umas cervas e um papo com o Dilson e outro cara, peguei o carro e voltei para minha cidade dirigindo de novo a noite inteira, com algumas paradas para umas sonecas. Se valeu a pena? Estou louco prá fazer isso de novo. Só está me faltando uma oportunidade. Eu peguei a montanha praticamente vazia. Abraços.
  24. Vou falar sobre a garantia da Osprey: -Tenho uma Osprey Kestrel 48, que foi comprada na Inglaterra, por um parente. Foi comprada em 2013. Já foi usada em algumas travessias, praia, etc. Agora em março fui com ela para Torres del Paine, 7 dias no parque, mais 3 dias em Natales e Punta Arenas e mais 3 dias de ida e volta. Tudo que eu precisava levei dentro dela. E na volta ainda veio umas lembrancinhas. No último dia, quando estava fechando a mochila para vir embora, uma das fivelas que prendem o chapéu da mochila estourou. Ela tem duas presiilhas de pressão e um dos lados estourou. Apesar disso a mochila ainda podia ser fechada. Ao chegar no Brasil, procurei no site da Osprey internacional, para ver onde poderia comprar uma fivela. Me orientaram a entrar em contato com a Bronet garantias, que era responsável pela garantia Osprey no Brasil. Entrei em contato por email e a senhorita Simone Anunciação me disse que enviaria a fivela, sem custo. Pois bem , ela enviou uma fivela que era de outro modelo e ficou pequena. Retornei essa informação para ela. Já estava disposto a comprar uma fivela de outra cor, que tinha encontrado no mercado livre, mas a moça me enviou novo email, dizendo que enviaria uma nova fivela, dessa vez no tamanho correto. Me enviou a fivela, de graça, e dessa vez no tamanho e cor corretos. Gostaria de deixar registrado o agradecimento à Osprey e a senhorita Simone pela presteza demonstradas. Em nenhum momento me foi solicitado nota de compra, etc.
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