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Evandro Sanches

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Evandro Sanches venceu a última vez em Maio 19 2018

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Sobre Evandro Sanches

  • Data de Nascimento 21-12-1971

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  • Ocupação
    Professor de Geografia

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  1. Tudo bem, Érica? Estou pensando em ir em julho e queria saber de você que imagino que já esteja por aí como é que está o nível das represas. Dizem que tem ano que elas não enchem, o que diminui o impacto da sua beleza.
  2. Olá, D. Fabiano! Então, ao contrário de outros países árabes em que entrar em uma mesquita não é proibido, no Marrocos é assim, menos nessa, ou seja, só é possível participar das visitas-guiadas, pagas e nos horários estipulados. Mas, como eu escrevi, acabei não visitando por dentro pois o tempo foi curto e eu durmo muuuito, o que restringe alguns passeios.
  3. 15-11: Cansadíssimo de toda atividade acumulada até aqui mas muito feliz mesmo, dormi até mais tarde do que o previsto e só fui chegar na mesquita Hassan II (é a maior do Marrocos, terceira maior do mundo, porém a mais alta) às 10:30 da manhã (10 dirhans de taxi, só aceitei veículo com taxímetro; fiquem de olho nisso), perdendo os dois primeiros passeios guiados (iniciaram-se às 9:00 e às 10:00) de uma hora de duração. Pra esperar o próximo, corria o risco de chegar ao hotel depois do horário do check out e até de ir pro aeroporto muito tarde, então, infelizmente, cancelei a visita ao interior da mesquita (seriam 120 dirhans), tirei umas fotos na parte externa (linda e imponente) e lá fui eu me arrumar, fazer o check out no hotel e pegar o trem pro aeroporto (43 dirhans na estação Casa Port, que fica uns dez minutos do hotel a pé, levando o trem quase uma hora pra fazer o percurso até o aeroporto). A passagem de volta para o Brasil, juntamente com a que me trouxe até o Marrocos mais um trecho entre Casablanca e Lisboa, saiu por R$ 2.600, isso comprando no final de março pela Decolar – saída às 15:10 e chegada em São Paulo às 22:40, pela Royal Air Maroc, no que foi o melhor avião que eu utilizei na minha vida. Confesso, meus amigos, que nesse ir embora bateu uma emoção tão grande que eu chorei ali mesmo, no trem, feliz demais com tudo o que o passeio proporcionou, pelas pessoas que conheci, situações vividas, nenhum imprevisto negativo lamentável, apenas perrenguinhos bobos aqui e acolá. Se tiverem a oportunidade, priorizem o Marrocos em suas viagens, é outro universo, rico em cultura, aventura, natureza, cores, sons, afetos, sabores e sabe-se lá o que mais que eu não me lembro agora. E interajam com os locais, não é um ou outro pretenso aproveitador de turistas indefesos (ou não) que vai estragar sua viagem. Mesquita Hassan II E, de tudo o que vivi no Marrocos, vale ressaltar: 1 - Esquisito isso de qualificar um povo, sempre se acaba generalizando coisas impossíveis de se generalizar, mas é uma tentação a qual não resisto ao falar sobre o povo marroquino. Estar num país recentemente independente e pobre e em que sua maior preocupação é a de tomar cuidado com eventuais espertalhões pseudo-guias que vão no máximo levar alguns trocados que não te farão nenhuma falta, é realmente incrível principalmente para um brasileiro acostumado a tanta pilantragem em solo pátrio. Simpáticos e solícitos, espero que todos que viagem pra lá possam usufruir de momentos em que esse contato seja possível e, assim, poder desfrutar do que eu entendi como o maior encanto desse lugar, com o "plus" de ser uma cultura diferenciada em que cada movimento é uma aula de geografia, de história, de vida. 2 - Chefchauen: como não gostar de uma imersão no azul? Melhor destino, melhor medina (a cidade antiga, amuralhada), melhor custo (bem mais barata que as demais), mais simpática, natureza exuberante ao redor. É isso aí, "pegou" fortemente em mim. 3 - O passeio ao Saara: principalmente pela oportunidade de, a cruzar o país de oeste a leste, ter a oportunidade dessa imersão no Marrocos profundo, as paisagens com os palmeirais, as casbás (fortificações antigas), as feiras e os feirantes, as cidades, os artesãos, o povo, as montanhas do Atlas e, enfim, o deserto. Muitos elementos enriquecedores de qualquer viagem. 4 - Casablanca: Adorei demais. Apesar do desinteresse da maioria por ela, eu tinha lá alguma expectativa sobre como seria uma metrópole árabe sem a ostentação das primas ricas do Oriente Médio (tipo Dubai). Assim, apesar de sua periferia empobrecida ter se tornado uma imagem-síntese das contradições marroquinas, seu para mim inusitado "centro anos 20, 30", suas avenidas ornadas com palmeiras, o "banho turco", a imponência da mesquita Hassan II, enfim, seu conjunto me conquistou. 5 - As medinas de Fez e Marraqueche, provavelmente lugares não tão diferentes do que foram a seculos atrás. Assim, mais história, mais geografia, mais vida inusitada em pleno século XXI, não muito afeito a tradições. E dá-lhe encantadores de serpente, artistas de rua, gastronomia, muvuca, aperto em ruelas, becos, confusão, cores, aromas, burricos transportando fardos de coca-cola: um caleidoscópio irresistível e dinâmico que me marcou e deixou saudades. Fim.
  4. De tudo que vivi em Portugal, acredito que algumas das experiências imperdíveis foram: 1 - Lisboa: que linda, que agradável, que gostoso andar por ali, se perder naquelas ruas, comer em qualquer lugar, parar pra contemplar o Tejo e deixar a vida passar. E tão mais barata que a maioria das outras metrópoles europeias. Sem falar que tem Sintra logo ali, e o mar do outro lado, com as praias da Caparica e Cascais a um "pulinho", e o Oceanário. É um "pacote" meio imbatível! Por tantas e tão empolgantes opções (e tão integrada à natureza), tornou-se, junto de Londres, minha metrópole favorita na Europa. 2 - Praias e cidades do Algarve: nem na minha mais otimista perspectiva turística eu imaginava que o litoral do Algarve seria tão incrível. É como disse no relato, praias "acidentadas" pra todo lado, com seus penhascos, águas transparentes, arcos, ar agradável, sol permanente... e bem diferentes das praias brasileiras. Ou talvez minha sorte foi ter ficado em Lagos (e dali ido visitar os arredores: Faro, Sagres, Tavira, Olhão), que é uma pequena cidade linda de viver, onde dá pra fazer tudo a pé, sem pressa. 3 - Eu simplesmente amei Tomar. É tudo o que eu queria que uma cidade fosse: limpa, bem cuidada, arborizada, tranquila, e seu rio serpenteante e de águas transparentes, criando cada recanto lindinho que não dá vontade de ir embora tão cedo dali. E animada. Repleta de estudantes e povo local muito simpático que lota os bares ao fim da tarde. Dá pra entender a harmonia que paira por lá. E, de lambuja, o Convento de Cristo e Castelo dos Templários, sua mística, sua história e sua beleza. Mas tem até Museu do Fósforo. Foram ali dois dias que eu não me incomodaria se fossem dois meses. 4 - Évora foi a cidade medieval que mais me impressionou de todos os países europeus que conheci (e olha que isso inclui São Gimignano e Siena, na Itália, ou o centro histórico de Berna, na Suíça). A catedral da Sé, a Igreja de São Francisco com a Capela dos Ossos, o Museu do Presépio... ou o simples andar pra explorar o centro e deixar a vida passar. Incomparável! 5 - Comer, comer e beber. Começa pelas sardinhas grelhadas com um azeitinho, passa pelas mil maneiras de se degustar um bacalhau ("com natas" ficou na história, entre outros), uns vinhozinhos (nem sou tão chegado, mas não resisti às sugestões dos garçons), o sorvete do "Amorino", em Lisboa, e os doces do país inteiro (pastel de nata, travesseiro... e por aí vai), só não recomendo a "tripa" e os "ovos moles" de Aveiro, estes são meio enjoativos.
  5. Olá, D FABIANO! Então, paguei 5 dirhans (uns 2,50 reais) pela mala, que é sempre cobrada à parte ao se deslocar de ônibus. Fiz dois trechos com ônibus: Tânger-Chefchaouen e Chefchaouen-Fez. Em Tânger quase todo mundo entende espanhol (é muto próximo da Espanha) e em Chefchaouen me comuniquei em inglês, numa boa. Nos demais trechos, usei trem (comunicando-me em inglês, tanto nos guichês quanto com os conferentes nos vagôes) e durante sete dias com uma van em um tour, com todo o pessoal falando português e o guia espanhol. Comigo foi tudo muito tranquilo, o povo marroquino é muito solícito, dá pra se virar muito bem. E todos os taxistas também falam algum outro idioma ou sabem ao menos o básico de inglês e espanhol, além do francês e árabe. Mas, neste caso, vale a pena só pegar táxi com taxímetro ou você sai no prejuízo. Assim, mesmo que ele não fale seu idioma, o preço será em dirhans e estará registrado.
  6. 14-11: Muita gente não vê graça em Casablanca. Claro, é uma questão de gosto. E acho que a maioria vem cheio de expectativas para o passeio no deserto ou às mais tradicionais “cidades imperiais” (Rabat, Fez, Méknes, Marraqueche...). Particularmente, apesar de serem cidades diferentíssimas, depois de Chefchaouen (desses lugares em que passaria semanas, se possível), foi o lugar que mais gostei no Marrocos. Muito mesmo. E o que fiz ali de tão incrível assim? Quando comecei esta longa viagem, passei um dia em Casablanca pra baratear a passagem pra Lisboa, bem mais em conta com essa parada. Isso serviu também pra me testar e saber se conseguiria me virar sozinho ou se teria que depender de agência pros passeios no Marrocos (e a resposta pra essa pergunta é que não é necessário, dá pra se virar sozinho). Fiquei no hotel Íbis, ao lado da estação de trem Casa Port (750 dirhans, com café da manhã, uma fortuna para os padrões marroquinos). Naquele dia (31 de agosto), só deu pra dar uma voltinha pelas redondezas da estação de trem Casa Port e uma ida à mesquita Hassan II. Tinha gostado tanto da mesquita (há visitas guiadas ali, a única no Marrocos em que um não muçulmano pode entrar) que pretendia voltar a ela e conhecer o seu interior, coisa que naquele momento não tinha sido possível (fui tarde demais, já estava fechada). Assim, nesse dia 14 de novembro, depois de uma visita à medina local (pequenina) optei por fazer o tour a pé sugerido pelo guia impresso do Lonely Planet pra focar na arquitetura em Art Déco tão presente no centro de Casablanca, e no dia seguinte ir à mesquita pela manhã. Foto: aspecto da arquitetura predominante no centro de Casablanca É como se fosse o centro velho de São Paulo, mas com a diferença de que está bem conservado e vibrante, ruas cheias, cafés e restaurantes aos montes, em compasso de cidade grande, e gente de vários cantos da África, nota-se a grande variedade de trajes e tipos humanos. Adorei com intensidade máxima. Fiz o tour, contemplei e fotografei os prédios mais significativos, as avenidas repletas de palmeiras, a praça das Nações Unidas com sua fonte “dançante”, as demais praças (algumas em restauração), fui à medina (infinitamente menor do que a de Fez ou a de Marraqueche), à igreja do Sagrado Coração (também sendo restaurada) e terminei o passeio na minha cereja do bolo, no Gauthier Bain Turc. No caso, um “banho turco” só pra homens. Combinei uma massagem e um banho. Você paga 50 dirhans de entrada, 100 dirhans por uma massagem incrível de meia hora (também tinha de uma hora por 180 dirhans; se soubesse que era tão boa teria optado por ela, mas era um teste, então... fica pra uma próxima viagem), mais 35 por um roupão ou uma toalha, a escolher. A massagem é igual às nossas, uma massagem relaxante. Mas bem boa mesmo. No banho, é um cara que te lava, literalmente. Eles te põe numa espécie de cama de pedra, te ensaboam, te lavam e finalizam com uma ducha, como se você fosse uma espécie de carro e eles o lava-jato. Surreal e bem legal. O processo todo, incluindo todo esforço pra dizer o que queria e entender os preços pra não dar mancada (depois, um dos caras encontrou uma tabela em francês que eu traduzia com o aplicativo de idiomas), durou uma hora e meia e valeu muuuito a pena. E tudo foi muito engraçado. O banho turco encontra-se numa área nobre da cidade e vale muitíssimo a pena dar uma zanzada por ali, apreciar os passeios públicos (numerosos) e a arborização com palmeiras (me impressionou bastante). Fotos: Avenidas de Casablanca, ladeadas por palmeiras Ou seja, um dia incrível que potencializou minha admiração por Casablanca. Mas me absorveu tanto por ali que não deu tempo de chegar até a mesquita (o banho se encerrou lá pelas 19:00), que ficou pra manhã do dia seguinte (meu voo pro Brasil sairia às 15:10). Pra melhorar ainda mais, chegando nas redondezas do hotel, resolvi que jantaria num restaurante bem legalzão, fugindo da proposta econômica. Das várias boas opções por perto, escolhi o “Oukaimeden Restaurant” (21, Boulevard 11 Janvier - tel. 0522 480490, uma quadra e meia do hotel – [email protected]). Tudo incrível (sem contar que você está feliz demais, tudo se torna mágico). Veio cesta de pães de entrada com patês, depois uma sopa “Royale” acompanhada por torradas, e um “filet de Boeuf” com champignons, além do suco de laranja, que eu vou te falar, hein! Divino, maravilhoso, chave de ouro. Tudo por 133 dirhans (uns 40 e poucos reais). Foi gorjeta gorda pro garçom, elogios rasgados pra todo mundo (cozinheiro, garçom, até o povo marroquino entrou no discurso). Isso é a felicidade! Foto: artesanato à venda na medina de Casablanca
  7. 13-11: Com o check out no hotel se encerrou a responsabilidade da agência que organizou o tour. Despedi-me dos participantes, alguns pegariam voo já de manhãzinha e outros continuariam um outro passeio pelas “cidades imperiais” e Chefchauen; ensaiei um bate-volta pra Essaouira mas resolvi ficar por Marraqueche mesmo, principalmente pra comprar lembrancinhas pra família e pros “parças” e, quem sabe, conhecer mais alguma coisa. Muita enrolação e dúvida sobre presentinhos depois e resolvi abolir o passeio, almoçar, ir pra estação de trem e dali pra Casablanca onde meu voo para o Brasil sairia dia 15, encerrando quase três meses de viagens. Amanhã, se for possível, vou a Essaouira de Casablanca. Caso contrário, paciência. Despesas: 50 dirhans de taxi até a estação de trem “Gare de Marrakeche” (caro, mas muitíssimo mais barato do que os 150 dirhans que o primeiro taxista abordado pediu). Passagem até Casablanca (estação Casa Voyageurs): 148 dirhans em primeira classe (quase que acabei preferindo a segunda classe, já que lá os assentos são de dois em dois, como os ônibus no Brasil, e, aqui, são como cabines para até oito pessoas, quatro de um lado e quatro do outro, umas de frente para as outras – às vezes é um pouco constrangedor principalmente quando os demais passageiros são mulheres conservadoras nada dispostas a interagir com estranhos pelas longas quatro horas de viagem). Chegando em Casablanca (estação Voyageurs), fui para um hotel sugerido pelo taxista (20 dirhans de taxi), o Hotel Majestic (700 dirhans por duas diárias), na rua Boulevar de Paris, lindão, anos 30 (como quase tudo no centro de Casablanca), quarto imenso com duas camas, ar condicionado, frigobar, banheiro com banheira, mas já meio velhinho, precisando de umas reformas e um carinho maior com a limpeza, mas perfeito pra mim e mega bem localizado (estranhamente, no cartão do hotel, consta Avenida Lalla Yacout, 57, e não Boulevard de Paris. Mas ali também consta os telefones: 212 522 31 09 51 e 522 30 90 12, e email [email protected] e site www.majestic-casablanca.com, pra quem se interessar. Além de que, frequentado por gente de toda África, pelo que pude perceber, com roupas curiosas, algumas muito coloridas, modelos exuberantes cheios de babados e os homens com turbantes. Surreal. Tudo gente boa, meio tímidos a um primeiro contato, mas depois super bem humorados, principalmente o pessoal da África Subsaariana, conforme situações foram surgindo no elevador, no café da manhã e nos demais espaços compartilhados. Dali, fui até ao escritório da CTM, empresa de ônibus, pra comprar uma possível passagem pra Essaouira pro dia seguinte. A Distância de Casablanca a Essaouira é quase a mesma de Marrakeche, pois é como se formassem os vértices de um triângulo equilátero. Mas, enquanto de Marrakeche a viagem dura 2 horas, indo de Casablanca, pelo litoral, dura 6 horas (são inúmeras paradas ao longo do caminho). Enfim, desisti. E não podia ter sido melhor, pois fiquei em Casablanca, o que se mostrou muito acertado. E Essaouira fica pruma próxima, pois sou desses que voltam quando gosta muito de um determinado destino.
  8. 12-11: Assim seria o sexto dia do tour: visita cultural da medina de Marraqueche com guia oficial local falando português. Bom, Além do hotel e do guia ao longo do dia, o roteiro do passeio vinculado ainda ao tour da agência incluía uma caminhada com as seguintes visitas: - Escola corânica Ben Youssef; - Museu de Marrakech; - Souks (mercados) e Praça Jema El Fna; - Palácio Bahia; - Bairro Judeu; - Túmulos Saadianos. Entretanto, as entradas pros monumentos são por conta de cada turista, e se visitados todos, totalizariam cerca de 10 a 12 €. Mas, de tudo isso, só rolou mesmo o Palácio Bahia (incrível, ainda mais com as informações ultra relevantes do guia - esse é um lugar em que é imprescindível a presença de um) e os mercados ao redor da praça Jema El Fina. Isso porque o foco da maioria do grupo era compras, e o guia direciona as coisas pra isso mesmo, provavelmente beneficiado por comissões. Ou seja, após consulta aos integrantes, constatou-se que a maioria abriria mão da escola, do museu e dos túmulos. Assim, após o palácio Bahia, fomos “conduzidos” a um herbanário (Herboriste Marrakech, número 15, Rue du Domaine, El Mellah) conhecer as propriedades terapêuticas das plantas e produtos marroquinos (não se paga nada pela visita mas acaba se comprando vários produtos, tão boa é a acolhida e tão significativas as informações prestadas, são profissionalíssimos) seguido de uma “visita” ao “Complexe d’Artisanat Bouchaib” (7, Derb Baissi, Rue da La Kasbah), em que se tem uma oferta de praticamente todos os artesanatos encontrados nos “souks” (mercados da medina) a um preço tabelado sem direito a pechinchas ou descontos. É interessante pela grande oferta e boa qualidade dos produtos e também pra quem não domina a arte de pechinchar. Pra quem tem esse dom e um “timing” pra farejar bons preços e boa qualidade, claro que os souks valem mais a pena. Eu, que sofro de ansiedade e me deixo levar pelas emoções, preferi a primeira opção. Depois, fomos ao bairro judeu e ao seu “soukh”, seguido de um passeio pela praça J’ma el Fna (lê-se “Jemalfina”, com “mal” como sílaba tônica), onde estão os “encantadores de serpente”, surreal. As najas (ou algo parecido) eriçadas pela vibração do oboé é qualquer coisa de louco. Fico imaginando que é uma “atividade” fadada à extinção pois em algum momento preponderarão os questionamentos sobre tortura aos animais e essa atividade será proibida. Não dá pra imaginar que os numerosos macacos, cobras e cavalos tem ali tratamento digno, ainda mais sob o sol escaldante ou o stress provocado pela movimentação de passantes e curiosos. Dizem que as cobras são sedadas e têm as presas retiradas para evitar acidentes. Enfim, Marraqueche é um destino obrigatório, seja pela incrível praça que é também um microcosmo de todo Marrocos, como também por toda cidade, inclusive fora da medina, com sua cor roxo-terra característica, onipresente, e seus numerosos jardins, que acabei não visitando minuciosamente, mas avistei nos meus deslocamentos. Foto: detalhes encantadores do Palácio Bahia (visita obrigatória em que recomendo um guia pra decifrar tantas e tão interessantes informações, tudo ali tem múltiplos significados, foi incrível) Foto: mercado (soukh) nos arredores da Praça Jema El Fna (destaque para as especiarias e ao artesanato) À noite, comemorando o fim do tour, parte do grupo foi ao restaurante Pepe Nero (Derb Cherkaoui, 17), bem próximo (5 minutos a pé) do Hotel (Riad Dar El Masa). Muitíssimo bom e proporcionalmente caro (para os meus modestos padrões), além de super agradável. Se não me engano deixei ali uns 40 euros pela entrada, um suco e um prato de cordeiro com ervas (miudinho), uma fortuna para os padrões marroquinos, mas foi sugestão do grupo e uma boa causa (praticamente uma despedida, cada um seguiria um rumo diferente no dia seguinte). Foto: ruas da cidade velha (medina) e o minarete de uma mesquita em Marraqueche Foto: minarete da mesquita Koutoubia, em Marraqueche
  9. 11-11: Ouarzazate - casbah Taourirt - casbah Tifoultoute - estúdio de cinema - Alto Atlas – Marraqueche. Depois de pernoitar no Dar Rita (Ouarzazate), o destaque nesta volta pra Marraqueche, foi o Atlas Studio (bem próximo a Ouarzazate), onde vários filmes hollywoodianos foram rodados (Gladiador, O Segredo da Múmia, a versão recente de Bem Hur, Noé, Kundun etc.). Muito legal, pois visita-se o que sobrou dos cenários, que se tornam uma fonte de renda (ingresso a 40 dirhans), mas dá pra dizer que tudo é infinitamente menos imponente do que se torna no cinema. Os cenários que representam a “Arábia”, a “China” e o “Egito” estão a cerca de trinta metros ou menos um do outro e parecem meio “toscos”, sem glamour algum. Dizem ali que é bem mais barato para os estúdios se utilizarem desses cenários pré-montados em meio à paisagem local e também dos baixos custos (figurantes baratinhos, além de serem autêntico povo marroquino – árabes, bérberes etc.) e incentivos do governo. Dá pra tirar umas fotos bem legais em tronos, pagodes, “ruínas”. Bem divertido. Depois, retorno a Marraqueche, com pausas para simplesmente avistar as casbahs citadas no roteiro. Ali chegando novamente no bacana Riad Dar El Masa, após o banho, parte do grupo foi almoçar em um restaurante próximo e a outra parte foi comer na praça Jema El Fina, inclusive eu, pois não queria perder de forma alguma mais uma oportunidade de aproveitar a praça e suas não poucas atrações. Fotos: Atlas Studios, próximo a Ouarzazate Foto: Montanhas do Atlas, entre Ouarzazate e Marraqueche Foto: Feliz da vida nas barracas de comida da praça Jema El Fina, com parte do grupo que acompanhei ao deserto
  10. Olá, D Fabiano! Então, o Marrocos é um país bastante tolerante quanto à indumentária, principalmente em relação a estrangeiros. Vi de tudo por ali, até garotas com camisetas cavadas, mangas curtas, blusa de alcinha, e quanto aos homens só não vi gente sem camisa ou de bermudas. Mas entre estrangeiros é comum usar bermuda. Mesmo entre eles, há uma grande parcela que já não usa vestes tradicionais.
  11. Valeu, Adriana, obrigado! É que são experiências extremamente inspiradoras. Daí, tudo ganha uma cor, um jeito, um sentimento.
  12. Moçada, resolvi postar também algo que tive a ideia há um tempo atrás mas depois esqueci completamente, mas que gosto quando vejo outros participantes do mochileiros fazendo coisa parecida: elencar quais as experiências mais incríveis da viagem. Aqui vão: 1. Indescritível passeio por Roma tarde da noite, a pé e quase solitariamente. Coliseu, Foro Romano, monumento a Vitorio Emanuele II, Fontana de Trevi... vão se sucedendo como se fosse natural tanta história e monumentalidade prum lugar só, mas que jamais alguém lamentará! Conciliar isso com um vinhozinho pra encerrar então... 2. Deslocamentos de ônibus pela Costa Amalfitana, principalmente durante o dia (mas mesmo à noite tem um encanto diferenciado), um misto de vistas vertiginosas espetaculares com a mega-aventura que te fará implorar pra todas as divindades que mantenham-no vivo ao final do trajeto com aqueles motoristas insanos desbocados! 3. Desfrutar do incrível mar verde-azulado de águas transparentes na temperatura ideal (sendo mês de outrubro, é outono por lá e talvez eu tenha dado sorte), o que foi possível tanto em Manarola (Cinque Terre), quanto na Costa Amalfitana (Ilha de Capri, Atrani e costa próxima a Sorrento – Bagni dela Regina Giovanna e arredores). 4. Desfrutar do prazer incrível que é andar por Florença sem compromisso com nada, pra poder contemplar com tempo este museu a céu aberto que nem precisaria de mais nada pra se justificar, mas que tem ainda um acervo incomparável em seus museus de cair o queixo, além de vistas panorâmicas no Jardim de Michelangelo potencializadas pelo pôr-do-sol. 5. Nem na minha mais otimista perspectiva eu poderia imaginar o quanto eu agradeceria por ter encontrado aqui no mochileiros.com uma referência ao “Santafortunata Campogaio”, em Sorrento, um misto de camping com alojamentos, suas vistas incríveis, penhascos, oliveiras pra todo lado, infraestrutura incomparável (restaurante, mercado, piscinas que eu nem aproveitei) e arredores invejáveis (praias – inclusive uma de nudismo – e acesso à Ilha de Capri, basta se informar e combinar na portaria) e preço camarada. Tudo isso entre tantas outras possibilidades, este país é mesmo incrível!
  13. 10-11: neste quarto dia de viagem programada, o roteiro informado pela organização foi esse: “Acampamento nas dunas de Erg Chebbi - Merzouga - Erfoud - Tinjdad - Gargantas do Todra - Boulmane - Kelaa Mgouna - Skoura - Ouarzazate. Nascer do sol no deserto, passeio de dromedário de volta ao transporte. Partida em direção às gargantas do Todra e passagem por Erfoud. Passagem por Boulmane do Dades e o Vale das Rosas. Passagem por Skoura pela Rota das 1000 kasbahs - jantar e dormida em Ouarzazate no Riad Dar Rita http://www.darrita.com/hotel-marrocos/.” Ou seja, muitos destinos, grandes distâncias, pouco tempo em cada lugar e, às vezes, mera contemplação ao longe. Tanto que nem saberia hoje dizer ao certo qual é qual, retive poucos deles na memória, mesmo sendo interessantíssimos. Hoje, imagino que não seria uma má ideia passar uns dias em Ouarzazate e explorar melhor os arredores. Eu acho estes vales cobertos por palmeiras, contrastando com as montanhas e seus vilarejos avermelhados, tão incríveis que ainda quero ter a oportunidade de vivenciá-los melhor um dia. Gostaria de saber de quem já fez isso se vale mesmo a pena. Ao contrário do entardecer do dia anterior, a madrugada foi brindada com tempo limpo e prometia ser um espetáculo. Mas foi frustrante descobrir que havia lua minguante, com iluminação significativa, daí, aquele céu escuro cheio de estrelas nunca antes tão brilhantes ficou pruma outra viagem. Acordei o povo e simbora subir a duna. Esforço “mega”, a areia fofa não aliviava com a perna afundando até o joelho e a cumeeira se aproximando mas ainda distante do topo da duna maior. Atingido o espigão, melou! Ao avistar o lado oposto da duna aliado ao vento forte que surge como que do nada nesse ponto, bateu uma vertigem intensa. Sempre sofri disso, mas, nesse caso, aquele vento potencializa a sensação de insegurança, além do cansaço significativo. Desisti de subir, infelizmente. A pressão baixou, o estômago revirou, tudo se converteu numa diarreia. Avisei o povo que não estava bem, uma médica que viajava no grupo me deu um comprimido, tomei e voltei pra tenda, me deitei no chão esperando a hora de ir embora. Alguns minutos depois e já com os dromedários prontos, vieram me chamar pra partir. Eu já estava bem melhor e fomos. O dromedário é um animal muito dócil, de movimentos lentos, imensamente mais obediente e manso do que um cavalo. Tem uma adaptação no arreio que o torna muito confortável. Houve quem reclamasse, mas deduzi que depende de você se acomodar bem antes da partida. Ou então vai sofrer um pouco no percurso, sempre em linha indiana. Foto: o acampamento, muitíssimo confortável, as dunas e o sol radiante que a gente quis muito e não teve no dia anterior. Mas neste novo dia compensou tudo! Paisagem e experiência incríveis! Foto: Dromedários e bérberes aguardando o momento da saída do acampamento. Foto: tem como voltar pro Brasil feliz sem ver as míticas sombras da “caravana” projetadas na areia? Pois é, estava chateado por não ter sido possível no entardecer do dia anterior, mais eis que neste dia o sol ajudou e o desejo se realizou! Foto: volta do passeio ao Erg Chebbi. Esta foto foi tirada por um dos auxiliares. Sabe cozinhar, conversa com todo mundo (não domina nenhum idioma mas se comunica como ninguém), toca vários instrumentos (como ficou claro na confraternização na noite anterior) e talvez seja um fotógrafo nato dos muito bons. Eu dou aula de geografia e gosto de viajar. Confesso que conviver com essa moçada no acampamento (são vários auxiliares) me permitiu perceber o quanto eu ainda tenho que aprender nessa vida. Foto: Garganta do Todra Foto: Tinghir. Este é um local do roteiro em que ficaria por um tempo maior pra explorá-lo melhor. Pra ver em detalhes este contraste incrível entre os palmeirais, cidades avermelhadas e montanhas. Foto: Tinghir
  14. Valeu, RPN, obrigado! Eu amo o "mochileiros.com", tinha também que colaborar de alguma forma.
  15. 09-11: Ida pro Erg Chebbi, o mítico passeio ao deserto do Saara. Roteiro: Ouarzazate – Agdz - Vale do Draa, o maior rio do Marrocos – Nkob - Tazzarine - Alnif - Rissani - Merzouga. O que eu não esperava era que a maioria das localidades citadas no roteiro seriam apenas avistadas ao longe. De fato, pelo tempo que dispúnhamos e a grande distância a ser percorrida, não daria mesmo para um detalhamento de cada lugar. Apenas em Rissani é que houve uma parada mais demorada para se visitar um mercado local, interessante para adentrar melhor no cotidiano do Marrocos profundo. De qualquer forma, não haveria nada capaz de desviar a atenção de quem quer que fosse da atração principal, o percurso em direção às dunas do Erg Chebbi (já fazem parte do Saara). Foto: estipulava o roteiro que visitaríamos Agdz, o local ao pé da montanha na foto. E teria sido interessante cruzar o palmeiral e alcançar o povoado, dar um giro por lá. Mas tudo se resumiu a uma contemplação ao longe. Foto: mercado de animais em Rissani, com a cidade ao fundo. Após as paradas em vistas panorâmicas (destaque para os palmeirais, casbás e souks – os mercados) e restaurante para almoço, se chega a uma espécie de hotel, base para que se troque de veículo pra outro mais apropriado às areias, e dali se vai até onde estão os dromedários que fazem o restante do percurso até o acampamento, onde se janta e passa a noite. Ali rola toda uma curiosa “mise en scène” onde os dromedários reinam. Mansinho, lento e simpático, toda atenção é pra eles, é um tal de arreia pra cá, fotografa pra lá, e ele ali, impassível, parece não se dar conta de coisa alguma. Achei muito confortável, ao contrário de outros viajantes. Infelizmente, o tempo estava nublado e, assim, duas coisas a lamentar: o pôr-do-sol ficou pra outra oportunidade e não foi possível à noite avistar aquele céu lindo e limpo dos meus sonhos, tão aclamado em prosa e verso por todos que ali estiveram e viveram essa experiência. Mas nem dá pra ficar triste, pois o acampamento é muito legal, tanto pela estrutura (tendas cobertas – há passeios em que as tendas estão a céu aberto – com banheiro e chuveiro com água quente, pois há um gerador de energia que fica ligado até que todos durmam). O jantar é servido numa tenda maior lindona (aliás, todas são) e é comida boa demais, foi das melhores refeições que todos fizeram no Marrocos, principalmente a carne bovina, não devendo nada aos melhores restaurantes. Após o jantar dos sonhos, todos vão pra fora da tenda onde há uma fogueira e os auxiliares berberes fazem uma apresentação animada com vários instrumentos (atabaques, castanholas...) e músicas tradicionais. Depois de um certo tempo, foi a vez do nosso grupo de turistas mostrar seus dotes musicais, mas em breve ficou claro que eles não existiam, então, os berberes retomaram o controle. Mas foi divertido, com direito a trenzinho, pretensas danças do ventre, coralzinho tímido... Quando quase todo mundo já tinha ido dormir, resolvi tentar subir a duna maior ao lado do acampamento pra ter uma noção do como é a vista lá de cima. Existe uma certa corda cuja localização só ficou clara de manhã, com luz natural, pra auxiliar nesta “ascensão”. Mas nada de achar a corda à noite, e é muito difícil enfrentar a duna encarada de frente. Ficou pra manhã do dia seguinte. Combinei de acordar o povo pra gente acompanhar o nascer do sol no alto da duna. Foto: dunas de Erg Chebbi, deserto do Saara Foto: E lá fomos nós numa alegria só pro acampamento. Pena que o tempo nublado abortou nosso pôr-do-sol e as míticas sombras projetadas na areia.
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