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Evandro Sanches

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Tudo que Evandro Sanches postou

  1. Tudo bem, Érica? Estou pensando em ir em julho e queria saber de você que imagino que já esteja por aí como é que está o nível das represas. Dizem que tem ano que elas não enchem, o que diminui o impacto da sua beleza.
  2. Olá, D. Fabiano! Então, ao contrário de outros países árabes em que entrar em uma mesquita não é proibido, no Marrocos é assim, menos nessa, ou seja, só é possível participar das visitas-guiadas, pagas e nos horários estipulados. Mas, como eu escrevi, acabei não visitando por dentro pois o tempo foi curto e eu durmo muuuito, o que restringe alguns passeios.
  3. 15-11: Cansadíssimo de toda atividade acumulada até aqui mas muito feliz mesmo, dormi até mais tarde do que o previsto e só fui chegar na mesquita Hassan II (é a maior do Marrocos, terceira maior do mundo, porém a mais alta) às 10:30 da manhã (10 dirhans de taxi, só aceitei veículo com taxímetro; fiquem de olho nisso), perdendo os dois primeiros passeios guiados (iniciaram-se às 9:00 e às 10:00) de uma hora de duração. Pra esperar o próximo, corria o risco de chegar ao hotel depois do horário do check out e até de ir pro aeroporto muito tarde, então, infelizmente, cancelei a visita ao interior da mesquita (seriam 120 dirhans), tirei umas fotos na parte externa (linda e imponente) e lá fui eu me arrumar, fazer o check out no hotel e pegar o trem pro aeroporto (43 dirhans na estação Casa Port, que fica uns dez minutos do hotel a pé, levando o trem quase uma hora pra fazer o percurso até o aeroporto). A passagem de volta para o Brasil, juntamente com a que me trouxe até o Marrocos mais um trecho entre Casablanca e Lisboa, saiu por R$ 2.600, isso comprando no final de março pela Decolar – saída às 15:10 e chegada em São Paulo às 22:40, pela Royal Air Maroc, no que foi o melhor avião que eu utilizei na minha vida. Confesso, meus amigos, que nesse ir embora bateu uma emoção tão grande que eu chorei ali mesmo, no trem, feliz demais com tudo o que o passeio proporcionou, pelas pessoas que conheci, situações vividas, nenhum imprevisto negativo lamentável, apenas perrenguinhos bobos aqui e acolá. Se tiverem a oportunidade, priorizem o Marrocos em suas viagens, é outro universo, rico em cultura, aventura, natureza, cores, sons, afetos, sabores e sabe-se lá o que mais que eu não me lembro agora. E interajam com os locais, não é um ou outro pretenso aproveitador de turistas indefesos (ou não) que vai estragar sua viagem. Mesquita Hassan II E, de tudo o que vivi no Marrocos, vale ressaltar: 1 - Esquisito isso de qualificar um povo, sempre se acaba generalizando coisas impossíveis de se generalizar, mas é uma tentação a qual não resisto ao falar sobre o povo marroquino. Estar num país recentemente independente e pobre e em que sua maior preocupação é a de tomar cuidado com eventuais espertalhões pseudo-guias que vão no máximo levar alguns trocados que não te farão nenhuma falta, é realmente incrível principalmente para um brasileiro acostumado a tanta pilantragem em solo pátrio. Simpáticos e solícitos, espero que todos que viagem pra lá possam usufruir de momentos em que esse contato seja possível e, assim, poder desfrutar do que eu entendi como o maior encanto desse lugar, com o "plus" de ser uma cultura diferenciada em que cada movimento é uma aula de geografia, de história, de vida. 2 - Chefchauen: como não gostar de uma imersão no azul? Melhor destino, melhor medina (a cidade antiga, amuralhada), melhor custo (bem mais barata que as demais), mais simpática, natureza exuberante ao redor. É isso aí, "pegou" fortemente em mim. 3 - O passeio ao Saara: principalmente pela oportunidade de, a cruzar o país de oeste a leste, ter a oportunidade dessa imersão no Marrocos profundo, as paisagens com os palmeirais, as casbás (fortificações antigas), as feiras e os feirantes, as cidades, os artesãos, o povo, as montanhas do Atlas e, enfim, o deserto. Muitos elementos enriquecedores de qualquer viagem. 4 - Casablanca: Adorei demais. Apesar do desinteresse da maioria por ela, eu tinha lá alguma expectativa sobre como seria uma metrópole árabe sem a ostentação das primas ricas do Oriente Médio (tipo Dubai). Assim, apesar de sua periferia empobrecida ter se tornado uma imagem-síntese das contradições marroquinas, seu para mim inusitado "centro anos 20, 30", suas avenidas ornadas com palmeiras, o "banho turco", a imponência da mesquita Hassan II, enfim, seu conjunto me conquistou. 5 - As medinas de Fez e Marraqueche, provavelmente lugares não tão diferentes do que foram a seculos atrás. Assim, mais história, mais geografia, mais vida inusitada em pleno século XXI, não muito afeito a tradições. E dá-lhe encantadores de serpente, artistas de rua, gastronomia, muvuca, aperto em ruelas, becos, confusão, cores, aromas, burricos transportando fardos de coca-cola: um caleidoscópio irresistível e dinâmico que me marcou e deixou saudades. Fim.
  4. De tudo que vivi em Portugal, acredito que algumas das experiências imperdíveis foram: 1 - Lisboa: que linda, que agradável, que gostoso andar por ali, se perder naquelas ruas, comer em qualquer lugar, parar pra contemplar o Tejo e deixar a vida passar. E tão mais barata que a maioria das outras metrópoles europeias. Sem falar que tem Sintra logo ali, e o mar do outro lado, com as praias da Caparica e Cascais a um "pulinho", e o Oceanário. É um "pacote" meio imbatível! Por tantas e tão empolgantes opções (e tão integrada à natureza), tornou-se, junto de Londres, minha metrópole favorita na Europa. 2 - Praias e cidades do Algarve: nem na minha mais otimista perspectiva turística eu imaginava que o litoral do Algarve seria tão incrível. É como disse no relato, praias "acidentadas" pra todo lado, com seus penhascos, águas transparentes, arcos, ar agradável, sol permanente... e bem diferentes das praias brasileiras. Ou talvez minha sorte foi ter ficado em Lagos (e dali ido visitar os arredores: Faro, Sagres, Tavira, Olhão), que é uma pequena cidade linda de viver, onde dá pra fazer tudo a pé, sem pressa. 3 - Eu simplesmente amei Tomar. É tudo o que eu queria que uma cidade fosse: limpa, bem cuidada, arborizada, tranquila, e seu rio serpenteante e de águas transparentes, criando cada recanto lindinho que não dá vontade de ir embora tão cedo dali. E animada. Repleta de estudantes e povo local muito simpático que lota os bares ao fim da tarde. Dá pra entender a harmonia que paira por lá. E, de lambuja, o Convento de Cristo e Castelo dos Templários, sua mística, sua história e sua beleza. Mas tem até Museu do Fósforo. Foram ali dois dias que eu não me incomodaria se fossem dois meses. 4 - Évora foi a cidade medieval que mais me impressionou de todos os países europeus que conheci (e olha que isso inclui São Gimignano e Siena, na Itália, ou o centro histórico de Berna, na Suíça). A catedral da Sé, a Igreja de São Francisco com a Capela dos Ossos, o Museu do Presépio... ou o simples andar pra explorar o centro e deixar a vida passar. Incomparável! 5 - Comer, comer e beber. Começa pelas sardinhas grelhadas com um azeitinho, passa pelas mil maneiras de se degustar um bacalhau ("com natas" ficou na história, entre outros), uns vinhozinhos (nem sou tão chegado, mas não resisti às sugestões dos garçons), o sorvete do "Amorino", em Lisboa, e os doces do país inteiro (pastel de nata, travesseiro... e por aí vai), só não recomendo a "tripa" e os "ovos moles" de Aveiro, estes são meio enjoativos.
  5. Olá, D FABIANO! Então, paguei 5 dirhans (uns 2,50 reais) pela mala, que é sempre cobrada à parte ao se deslocar de ônibus. Fiz dois trechos com ônibus: Tânger-Chefchaouen e Chefchaouen-Fez. Em Tânger quase todo mundo entende espanhol (é muto próximo da Espanha) e em Chefchaouen me comuniquei em inglês, numa boa. Nos demais trechos, usei trem (comunicando-me em inglês, tanto nos guichês quanto com os conferentes nos vagôes) e durante sete dias com uma van em um tour, com todo o pessoal falando português e o guia espanhol. Comigo foi tudo muito tranquilo, o povo marroquino é muito solícito, dá pra se virar muito bem. E todos os taxistas também falam algum outro idioma ou sabem ao menos o básico de inglês e espanhol, além do francês e árabe. Mas, neste caso, vale a pena só pegar táxi com taxímetro ou você sai no prejuízo. Assim, mesmo que ele não fale seu idioma, o preço será em dirhans e estará registrado.
  6. 14-11: Muita gente não vê graça em Casablanca. Claro, é uma questão de gosto. E acho que a maioria vem cheio de expectativas para o passeio no deserto ou às mais tradicionais “cidades imperiais” (Rabat, Fez, Méknes, Marraqueche...). Particularmente, apesar de serem cidades diferentíssimas, depois de Chefchaouen (desses lugares em que passaria semanas, se possível), foi o lugar que mais gostei no Marrocos. Muito mesmo. E o que fiz ali de tão incrível assim? Quando comecei esta longa viagem, passei um dia em Casablanca pra baratear a passagem pra Lisboa, bem mais em conta com essa parada. Isso serviu também pra me testar e saber se conseguiria me virar sozinho ou se teria que depender de agência pros passeios no Marrocos (e a resposta pra essa pergunta é que não é necessário, dá pra se virar sozinho). Fiquei no hotel Íbis, ao lado da estação de trem Casa Port (750 dirhans, com café da manhã, uma fortuna para os padrões marroquinos). Naquele dia (31 de agosto), só deu pra dar uma voltinha pelas redondezas da estação de trem Casa Port e uma ida à mesquita Hassan II. Tinha gostado tanto da mesquita (há visitas guiadas ali, a única no Marrocos em que um não muçulmano pode entrar) que pretendia voltar a ela e conhecer o seu interior, coisa que naquele momento não tinha sido possível (fui tarde demais, já estava fechada). Assim, nesse dia 14 de novembro, depois de uma visita à medina local (pequenina) optei por fazer o tour a pé sugerido pelo guia impresso do Lonely Planet pra focar na arquitetura em Art Déco tão presente no centro de Casablanca, e no dia seguinte ir à mesquita pela manhã. Foto: aspecto da arquitetura predominante no centro de Casablanca É como se fosse o centro velho de São Paulo, mas com a diferença de que está bem conservado e vibrante, ruas cheias, cafés e restaurantes aos montes, em compasso de cidade grande, e gente de vários cantos da África, nota-se a grande variedade de trajes e tipos humanos. Adorei com intensidade máxima. Fiz o tour, contemplei e fotografei os prédios mais significativos, as avenidas repletas de palmeiras, a praça das Nações Unidas com sua fonte “dançante”, as demais praças (algumas em restauração), fui à medina (infinitamente menor do que a de Fez ou a de Marraqueche), à igreja do Sagrado Coração (também sendo restaurada) e terminei o passeio na minha cereja do bolo, no Gauthier Bain Turc. No caso, um “banho turco” só pra homens. Combinei uma massagem e um banho. Você paga 50 dirhans de entrada, 100 dirhans por uma massagem incrível de meia hora (também tinha de uma hora por 180 dirhans; se soubesse que era tão boa teria optado por ela, mas era um teste, então... fica pra uma próxima viagem), mais 35 por um roupão ou uma toalha, a escolher. A massagem é igual às nossas, uma massagem relaxante. Mas bem boa mesmo. No banho, é um cara que te lava, literalmente. Eles te põe numa espécie de cama de pedra, te ensaboam, te lavam e finalizam com uma ducha, como se você fosse uma espécie de carro e eles o lava-jato. Surreal e bem legal. O processo todo, incluindo todo esforço pra dizer o que queria e entender os preços pra não dar mancada (depois, um dos caras encontrou uma tabela em francês que eu traduzia com o aplicativo de idiomas), durou uma hora e meia e valeu muuuito a pena. E tudo foi muito engraçado. O banho turco encontra-se numa área nobre da cidade e vale muitíssimo a pena dar uma zanzada por ali, apreciar os passeios públicos (numerosos) e a arborização com palmeiras (me impressionou bastante). Fotos: Avenidas de Casablanca, ladeadas por palmeiras Ou seja, um dia incrível que potencializou minha admiração por Casablanca. Mas me absorveu tanto por ali que não deu tempo de chegar até a mesquita (o banho se encerrou lá pelas 19:00), que ficou pra manhã do dia seguinte (meu voo pro Brasil sairia às 15:10). Pra melhorar ainda mais, chegando nas redondezas do hotel, resolvi que jantaria num restaurante bem legalzão, fugindo da proposta econômica. Das várias boas opções por perto, escolhi o “Oukaimeden Restaurant” (21, Boulevard 11 Janvier - tel. 0522 480490, uma quadra e meia do hotel – [email protected]). Tudo incrível (sem contar que você está feliz demais, tudo se torna mágico). Veio cesta de pães de entrada com patês, depois uma sopa “Royale” acompanhada por torradas, e um “filet de Boeuf” com champignons, além do suco de laranja, que eu vou te falar, hein! Divino, maravilhoso, chave de ouro. Tudo por 133 dirhans (uns 40 e poucos reais). Foi gorjeta gorda pro garçom, elogios rasgados pra todo mundo (cozinheiro, garçom, até o povo marroquino entrou no discurso). Isso é a felicidade! Foto: artesanato à venda na medina de Casablanca
  7. 13-11: Com o check out no hotel se encerrou a responsabilidade da agência que organizou o tour. Despedi-me dos participantes, alguns pegariam voo já de manhãzinha e outros continuariam um outro passeio pelas “cidades imperiais” e Chefchauen; ensaiei um bate-volta pra Essaouira mas resolvi ficar por Marraqueche mesmo, principalmente pra comprar lembrancinhas pra família e pros “parças” e, quem sabe, conhecer mais alguma coisa. Muita enrolação e dúvida sobre presentinhos depois e resolvi abolir o passeio, almoçar, ir pra estação de trem e dali pra Casablanca onde meu voo para o Brasil sairia dia 15, encerrando quase três meses de viagens. Amanhã, se for possível, vou a Essaouira de Casablanca. Caso contrário, paciência. Despesas: 50 dirhans de taxi até a estação de trem “Gare de Marrakeche” (caro, mas muitíssimo mais barato do que os 150 dirhans que o primeiro taxista abordado pediu). Passagem até Casablanca (estação Casa Voyageurs): 148 dirhans em primeira classe (quase que acabei preferindo a segunda classe, já que lá os assentos são de dois em dois, como os ônibus no Brasil, e, aqui, são como cabines para até oito pessoas, quatro de um lado e quatro do outro, umas de frente para as outras – às vezes é um pouco constrangedor principalmente quando os demais passageiros são mulheres conservadoras nada dispostas a interagir com estranhos pelas longas quatro horas de viagem). Chegando em Casablanca (estação Voyageurs), fui para um hotel sugerido pelo taxista (20 dirhans de taxi), o Hotel Majestic (700 dirhans por duas diárias), na rua Boulevar de Paris, lindão, anos 30 (como quase tudo no centro de Casablanca), quarto imenso com duas camas, ar condicionado, frigobar, banheiro com banheira, mas já meio velhinho, precisando de umas reformas e um carinho maior com a limpeza, mas perfeito pra mim e mega bem localizado (estranhamente, no cartão do hotel, consta Avenida Lalla Yacout, 57, e não Boulevard de Paris. Mas ali também consta os telefones: 212 522 31 09 51 e 522 30 90 12, e email [email protected] e site www.majestic-casablanca.com, pra quem se interessar. Além de que, frequentado por gente de toda África, pelo que pude perceber, com roupas curiosas, algumas muito coloridas, modelos exuberantes cheios de babados e os homens com turbantes. Surreal. Tudo gente boa, meio tímidos a um primeiro contato, mas depois super bem humorados, principalmente o pessoal da África Subsaariana, conforme situações foram surgindo no elevador, no café da manhã e nos demais espaços compartilhados. Dali, fui até ao escritório da CTM, empresa de ônibus, pra comprar uma possível passagem pra Essaouira pro dia seguinte. A Distância de Casablanca a Essaouira é quase a mesma de Marrakeche, pois é como se formassem os vértices de um triângulo equilátero. Mas, enquanto de Marrakeche a viagem dura 2 horas, indo de Casablanca, pelo litoral, dura 6 horas (são inúmeras paradas ao longo do caminho). Enfim, desisti. E não podia ter sido melhor, pois fiquei em Casablanca, o que se mostrou muito acertado. E Essaouira fica pruma próxima, pois sou desses que voltam quando gosta muito de um determinado destino.
  8. 12-11: Assim seria o sexto dia do tour: visita cultural da medina de Marraqueche com guia oficial local falando português. Bom, Além do hotel e do guia ao longo do dia, o roteiro do passeio vinculado ainda ao tour da agência incluía uma caminhada com as seguintes visitas: - Escola corânica Ben Youssef; - Museu de Marrakech; - Souks (mercados) e Praça Jema El Fna; - Palácio Bahia; - Bairro Judeu; - Túmulos Saadianos. Entretanto, as entradas pros monumentos são por conta de cada turista, e se visitados todos, totalizariam cerca de 10 a 12 €. Mas, de tudo isso, só rolou mesmo o Palácio Bahia (incrível, ainda mais com as informações ultra relevantes do guia - esse é um lugar em que é imprescindível a presença de um) e os mercados ao redor da praça Jema El Fina. Isso porque o foco da maioria do grupo era compras, e o guia direciona as coisas pra isso mesmo, provavelmente beneficiado por comissões. Ou seja, após consulta aos integrantes, constatou-se que a maioria abriria mão da escola, do museu e dos túmulos. Assim, após o palácio Bahia, fomos “conduzidos” a um herbanário (Herboriste Marrakech, número 15, Rue du Domaine, El Mellah) conhecer as propriedades terapêuticas das plantas e produtos marroquinos (não se paga nada pela visita mas acaba se comprando vários produtos, tão boa é a acolhida e tão significativas as informações prestadas, são profissionalíssimos) seguido de uma “visita” ao “Complexe d’Artisanat Bouchaib” (7, Derb Baissi, Rue da La Kasbah), em que se tem uma oferta de praticamente todos os artesanatos encontrados nos “souks” (mercados da medina) a um preço tabelado sem direito a pechinchas ou descontos. É interessante pela grande oferta e boa qualidade dos produtos e também pra quem não domina a arte de pechinchar. Pra quem tem esse dom e um “timing” pra farejar bons preços e boa qualidade, claro que os souks valem mais a pena. Eu, que sofro de ansiedade e me deixo levar pelas emoções, preferi a primeira opção. Depois, fomos ao bairro judeu e ao seu “soukh”, seguido de um passeio pela praça J’ma el Fna (lê-se “Jemalfina”, com “mal” como sílaba tônica), onde estão os “encantadores de serpente”, surreal. As najas (ou algo parecido) eriçadas pela vibração do oboé é qualquer coisa de louco. Fico imaginando que é uma “atividade” fadada à extinção pois em algum momento preponderarão os questionamentos sobre tortura aos animais e essa atividade será proibida. Não dá pra imaginar que os numerosos macacos, cobras e cavalos tem ali tratamento digno, ainda mais sob o sol escaldante ou o stress provocado pela movimentação de passantes e curiosos. Dizem que as cobras são sedadas e têm as presas retiradas para evitar acidentes. Enfim, Marraqueche é um destino obrigatório, seja pela incrível praça que é também um microcosmo de todo Marrocos, como também por toda cidade, inclusive fora da medina, com sua cor roxo-terra característica, onipresente, e seus numerosos jardins, que acabei não visitando minuciosamente, mas avistei nos meus deslocamentos. Foto: detalhes encantadores do Palácio Bahia (visita obrigatória em que recomendo um guia pra decifrar tantas e tão interessantes informações, tudo ali tem múltiplos significados, foi incrível) Foto: mercado (soukh) nos arredores da Praça Jema El Fna (destaque para as especiarias e ao artesanato) À noite, comemorando o fim do tour, parte do grupo foi ao restaurante Pepe Nero (Derb Cherkaoui, 17), bem próximo (5 minutos a pé) do Hotel (Riad Dar El Masa). Muitíssimo bom e proporcionalmente caro (para os meus modestos padrões), além de super agradável. Se não me engano deixei ali uns 40 euros pela entrada, um suco e um prato de cordeiro com ervas (miudinho), uma fortuna para os padrões marroquinos, mas foi sugestão do grupo e uma boa causa (praticamente uma despedida, cada um seguiria um rumo diferente no dia seguinte). Foto: ruas da cidade velha (medina) e o minarete de uma mesquita em Marraqueche Foto: minarete da mesquita Koutoubia, em Marraqueche
  9. 11-11: Ouarzazate - casbah Taourirt - casbah Tifoultoute - estúdio de cinema - Alto Atlas – Marraqueche. Depois de pernoitar no Dar Rita (Ouarzazate), o destaque nesta volta pra Marraqueche, foi o Atlas Studio (bem próximo a Ouarzazate), onde vários filmes hollywoodianos foram rodados (Gladiador, O Segredo da Múmia, a versão recente de Bem Hur, Noé, Kundun etc.). Muito legal, pois visita-se o que sobrou dos cenários, que se tornam uma fonte de renda (ingresso a 40 dirhans), mas dá pra dizer que tudo é infinitamente menos imponente do que se torna no cinema. Os cenários que representam a “Arábia”, a “China” e o “Egito” estão a cerca de trinta metros ou menos um do outro e parecem meio “toscos”, sem glamour algum. Dizem ali que é bem mais barato para os estúdios se utilizarem desses cenários pré-montados em meio à paisagem local e também dos baixos custos (figurantes baratinhos, além de serem autêntico povo marroquino – árabes, bérberes etc.) e incentivos do governo. Dá pra tirar umas fotos bem legais em tronos, pagodes, “ruínas”. Bem divertido. Depois, retorno a Marraqueche, com pausas para simplesmente avistar as casbahs citadas no roteiro. Ali chegando novamente no bacana Riad Dar El Masa, após o banho, parte do grupo foi almoçar em um restaurante próximo e a outra parte foi comer na praça Jema El Fina, inclusive eu, pois não queria perder de forma alguma mais uma oportunidade de aproveitar a praça e suas não poucas atrações. Fotos: Atlas Studios, próximo a Ouarzazate Foto: Montanhas do Atlas, entre Ouarzazate e Marraqueche Foto: Feliz da vida nas barracas de comida da praça Jema El Fina, com parte do grupo que acompanhei ao deserto
  10. Olá, D Fabiano! Então, o Marrocos é um país bastante tolerante quanto à indumentária, principalmente em relação a estrangeiros. Vi de tudo por ali, até garotas com camisetas cavadas, mangas curtas, blusa de alcinha, e quanto aos homens só não vi gente sem camisa ou de bermudas. Mas entre estrangeiros é comum usar bermuda. Mesmo entre eles, há uma grande parcela que já não usa vestes tradicionais.
  11. Valeu, Adriana, obrigado! É que são experiências extremamente inspiradoras. Daí, tudo ganha uma cor, um jeito, um sentimento.
  12. Moçada, resolvi postar também algo que tive a ideia há um tempo atrás mas depois esqueci completamente, mas que gosto quando vejo outros participantes do mochileiros fazendo coisa parecida: elencar quais as experiências mais incríveis da viagem. Aqui vão: 1. Indescritível passeio por Roma tarde da noite, a pé e quase solitariamente. Coliseu, Foro Romano, monumento a Vitorio Emanuele II, Fontana de Trevi... vão se sucedendo como se fosse natural tanta história e monumentalidade prum lugar só, mas que jamais alguém lamentará! Conciliar isso com um vinhozinho pra encerrar então... 2. Deslocamentos de ônibus pela Costa Amalfitana, principalmente durante o dia (mas mesmo à noite tem um encanto diferenciado), um misto de vistas vertiginosas espetaculares com a mega-aventura que te fará implorar pra todas as divindades que mantenham-no vivo ao final do trajeto com aqueles motoristas insanos desbocados! 3. Desfrutar do incrível mar verde-azulado de águas transparentes na temperatura ideal (sendo mês de outrubro, é outono por lá e talvez eu tenha dado sorte), o que foi possível tanto em Manarola (Cinque Terre), quanto na Costa Amalfitana (Ilha de Capri, Atrani e costa próxima a Sorrento – Bagni dela Regina Giovanna e arredores). 4. Desfrutar do prazer incrível que é andar por Florença sem compromisso com nada, pra poder contemplar com tempo este museu a céu aberto que nem precisaria de mais nada pra se justificar, mas que tem ainda um acervo incomparável em seus museus de cair o queixo, além de vistas panorâmicas no Jardim de Michelangelo potencializadas pelo pôr-do-sol. 5. Nem na minha mais otimista perspectiva eu poderia imaginar o quanto eu agradeceria por ter encontrado aqui no mochileiros.com uma referência ao “Santafortunata Campogaio”, em Sorrento, um misto de camping com alojamentos, suas vistas incríveis, penhascos, oliveiras pra todo lado, infraestrutura incomparável (restaurante, mercado, piscinas que eu nem aproveitei) e arredores invejáveis (praias – inclusive uma de nudismo – e acesso à Ilha de Capri, basta se informar e combinar na portaria) e preço camarada. Tudo isso entre tantas outras possibilidades, este país é mesmo incrível!
  13. 10-11: neste quarto dia de viagem programada, o roteiro informado pela organização foi esse: “Acampamento nas dunas de Erg Chebbi - Merzouga - Erfoud - Tinjdad - Gargantas do Todra - Boulmane - Kelaa Mgouna - Skoura - Ouarzazate. Nascer do sol no deserto, passeio de dromedário de volta ao transporte. Partida em direção às gargantas do Todra e passagem por Erfoud. Passagem por Boulmane do Dades e o Vale das Rosas. Passagem por Skoura pela Rota das 1000 kasbahs - jantar e dormida em Ouarzazate no Riad Dar Rita http://www.darrita.com/hotel-marrocos/.” Ou seja, muitos destinos, grandes distâncias, pouco tempo em cada lugar e, às vezes, mera contemplação ao longe. Tanto que nem saberia hoje dizer ao certo qual é qual, retive poucos deles na memória, mesmo sendo interessantíssimos. Hoje, imagino que não seria uma má ideia passar uns dias em Ouarzazate e explorar melhor os arredores. Eu acho estes vales cobertos por palmeiras, contrastando com as montanhas e seus vilarejos avermelhados, tão incríveis que ainda quero ter a oportunidade de vivenciá-los melhor um dia. Gostaria de saber de quem já fez isso se vale mesmo a pena. Ao contrário do entardecer do dia anterior, a madrugada foi brindada com tempo limpo e prometia ser um espetáculo. Mas foi frustrante descobrir que havia lua minguante, com iluminação significativa, daí, aquele céu escuro cheio de estrelas nunca antes tão brilhantes ficou pruma outra viagem. Acordei o povo e simbora subir a duna. Esforço “mega”, a areia fofa não aliviava com a perna afundando até o joelho e a cumeeira se aproximando mas ainda distante do topo da duna maior. Atingido o espigão, melou! Ao avistar o lado oposto da duna aliado ao vento forte que surge como que do nada nesse ponto, bateu uma vertigem intensa. Sempre sofri disso, mas, nesse caso, aquele vento potencializa a sensação de insegurança, além do cansaço significativo. Desisti de subir, infelizmente. A pressão baixou, o estômago revirou, tudo se converteu numa diarreia. Avisei o povo que não estava bem, uma médica que viajava no grupo me deu um comprimido, tomei e voltei pra tenda, me deitei no chão esperando a hora de ir embora. Alguns minutos depois e já com os dromedários prontos, vieram me chamar pra partir. Eu já estava bem melhor e fomos. O dromedário é um animal muito dócil, de movimentos lentos, imensamente mais obediente e manso do que um cavalo. Tem uma adaptação no arreio que o torna muito confortável. Houve quem reclamasse, mas deduzi que depende de você se acomodar bem antes da partida. Ou então vai sofrer um pouco no percurso, sempre em linha indiana. Foto: o acampamento, muitíssimo confortável, as dunas e o sol radiante que a gente quis muito e não teve no dia anterior. Mas neste novo dia compensou tudo! Paisagem e experiência incríveis! Foto: Dromedários e bérberes aguardando o momento da saída do acampamento. Foto: tem como voltar pro Brasil feliz sem ver as míticas sombras da “caravana” projetadas na areia? Pois é, estava chateado por não ter sido possível no entardecer do dia anterior, mais eis que neste dia o sol ajudou e o desejo se realizou! Foto: volta do passeio ao Erg Chebbi. Esta foto foi tirada por um dos auxiliares. Sabe cozinhar, conversa com todo mundo (não domina nenhum idioma mas se comunica como ninguém), toca vários instrumentos (como ficou claro na confraternização na noite anterior) e talvez seja um fotógrafo nato dos muito bons. Eu dou aula de geografia e gosto de viajar. Confesso que conviver com essa moçada no acampamento (são vários auxiliares) me permitiu perceber o quanto eu ainda tenho que aprender nessa vida. Foto: Garganta do Todra Foto: Tinghir. Este é um local do roteiro em que ficaria por um tempo maior pra explorá-lo melhor. Pra ver em detalhes este contraste incrível entre os palmeirais, cidades avermelhadas e montanhas. Foto: Tinghir
  14. Valeu, RPN, obrigado! Eu amo o "mochileiros.com", tinha também que colaborar de alguma forma.
  15. 09-11: Ida pro Erg Chebbi, o mítico passeio ao deserto do Saara. Roteiro: Ouarzazate – Agdz - Vale do Draa, o maior rio do Marrocos – Nkob - Tazzarine - Alnif - Rissani - Merzouga. O que eu não esperava era que a maioria das localidades citadas no roteiro seriam apenas avistadas ao longe. De fato, pelo tempo que dispúnhamos e a grande distância a ser percorrida, não daria mesmo para um detalhamento de cada lugar. Apenas em Rissani é que houve uma parada mais demorada para se visitar um mercado local, interessante para adentrar melhor no cotidiano do Marrocos profundo. De qualquer forma, não haveria nada capaz de desviar a atenção de quem quer que fosse da atração principal, o percurso em direção às dunas do Erg Chebbi (já fazem parte do Saara). Foto: estipulava o roteiro que visitaríamos Agdz, o local ao pé da montanha na foto. E teria sido interessante cruzar o palmeiral e alcançar o povoado, dar um giro por lá. Mas tudo se resumiu a uma contemplação ao longe. Foto: mercado de animais em Rissani, com a cidade ao fundo. Após as paradas em vistas panorâmicas (destaque para os palmeirais, casbás e souks – os mercados) e restaurante para almoço, se chega a uma espécie de hotel, base para que se troque de veículo pra outro mais apropriado às areias, e dali se vai até onde estão os dromedários que fazem o restante do percurso até o acampamento, onde se janta e passa a noite. Ali rola toda uma curiosa “mise en scène” onde os dromedários reinam. Mansinho, lento e simpático, toda atenção é pra eles, é um tal de arreia pra cá, fotografa pra lá, e ele ali, impassível, parece não se dar conta de coisa alguma. Achei muito confortável, ao contrário de outros viajantes. Infelizmente, o tempo estava nublado e, assim, duas coisas a lamentar: o pôr-do-sol ficou pra outra oportunidade e não foi possível à noite avistar aquele céu lindo e limpo dos meus sonhos, tão aclamado em prosa e verso por todos que ali estiveram e viveram essa experiência. Mas nem dá pra ficar triste, pois o acampamento é muito legal, tanto pela estrutura (tendas cobertas – há passeios em que as tendas estão a céu aberto – com banheiro e chuveiro com água quente, pois há um gerador de energia que fica ligado até que todos durmam). O jantar é servido numa tenda maior lindona (aliás, todas são) e é comida boa demais, foi das melhores refeições que todos fizeram no Marrocos, principalmente a carne bovina, não devendo nada aos melhores restaurantes. Após o jantar dos sonhos, todos vão pra fora da tenda onde há uma fogueira e os auxiliares berberes fazem uma apresentação animada com vários instrumentos (atabaques, castanholas...) e músicas tradicionais. Depois de um certo tempo, foi a vez do nosso grupo de turistas mostrar seus dotes musicais, mas em breve ficou claro que eles não existiam, então, os berberes retomaram o controle. Mas foi divertido, com direito a trenzinho, pretensas danças do ventre, coralzinho tímido... Quando quase todo mundo já tinha ido dormir, resolvi tentar subir a duna maior ao lado do acampamento pra ter uma noção do como é a vista lá de cima. Existe uma certa corda cuja localização só ficou clara de manhã, com luz natural, pra auxiliar nesta “ascensão”. Mas nada de achar a corda à noite, e é muito difícil enfrentar a duna encarada de frente. Ficou pra manhã do dia seguinte. Combinei de acordar o povo pra gente acompanhar o nascer do sol no alto da duna. Foto: dunas de Erg Chebbi, deserto do Saara Foto: E lá fomos nós numa alegria só pro acampamento. Pena que o tempo nublado abortou nosso pôr-do-sol e as míticas sombras projetadas na areia.
  16. 08-11: O roteiro deste dia foi o seguinte: Marraqueche - Talouet - Ait Benhaddou - Ouarzazate, passando pelo vale do Ounila, pelas montanhas do Alto Atlas e em uma cooperativa de fabricantes de óleo de argan, entre outros produtos locais. Já nesse trecho ficaram claríssimos o ponto alto e o ponto fraco do passeio. Como os irmãos organizadores Rita e João são portugueses, é com falantes da nossa língua que se viaja, no caso, 14 pessoas numa van, com 4 portugueses e os demais, brasileiros, mais o motorista e o guia marroquinos. E isso facilita a integração. Demos sorte pois a harmonia que reinou no grupo foi incrível, gente muito diferente entre si mas todo mundo muito colaborador e sintonizado. Muito provavelmente, nos demais passeios imensamente mais curtos e baratos, corre-se o risco disso não ocorrer, pois incluem gente do mundo todo e uma grande variedade de idiomas. Mas também poderia ser até melhor. Achei importante garantir-me na opção mais cômoda. Vale a pena lembrar que quem quiser arriscar e viajar sozinho com ônibus (não há trens de Marraqueche para essa região) não terá tantas dificuldades, o povo local é muito prestativo, e aí sim você economizará horrores, pois tudo é muuuito barato. O único inconveniente mesmo foi onde há turismo de massa como em Fez, com os pretensos informantes-guias aproveitadores - fuja deles. Foi o único “porém” em toda a viagem. Quanto ao ponto fraco, trata-se do seguinte. O guia marroquino obedece ao que entendi como sendo um padrão por aqui: guiar, geralmente significa “conduzir” os turistas até onde haja interesse, principalmente viabilizando a logística pra quem não domina a língua local, mas sempre enfatizando restaurantes, lojas e feiras, que, confesso, eram mesmo as prioridades para parte do grupo. E há informações de menos, comércio de mais, e pouco destino cultural, pois os guias querem mesmo é comissão nas vendas. Enfim, desse ponto de vista, o roteiro poderia ser imensamente melhor aproveitado. E, como o pacote só se responsabilizava por uma refeição por dia, geralmente, os locais escolhidos pelo guia em trechos remotos do caminho em que não havia qualquer outra segunda opção de estabelecimento a preço justo, cobravam em média TRÊS vezes mais do que qualquer outro local decente que eu havia frequentado durante a fase “solitária” da viagem. Se soubesse, teria feito antecipadamente lanchinhos por minha própria conta, e comprado frutas pra comer no caminho. Enfim, nada contra o Marrocos e nem muito diferente da lógica global de extorquir turistas em excursão, taí os ônus e bônus da opção por viajar nesta modalidade. Mas vale lembrar também que TODAS as acomodações e refeições já incluídas no pacote (os jantares) foram excelentes. Ao final do dia, chegamos a Ouarzazate, onde jantamos e pernoitamos no Riad Dar Rita (http://www.darrita.com/hotel-marrocos/). Obs: tinha uma curiosidade gigantesca por conhecer Ait Benhaddou, acho que foi o local do Marrocos que mais despertou minhas fantasias geográficas e me impulsionou a fazer a viagem. E foi incrível conhecê-lo. Mas o encontrei em um péssimo estado de conservação, além de ser infinitamente menor do que imaginava, parece mesmo um cenário artificial e não um patrimônio histórico digno desse título. Além do que, o rio ao lado estava quase totalmente seco e o tempo nublado, acho que tudo conspirou para minimizar meu encontro. Enfim, um dos poucos lugares que não corresponderam às minhas expectativas. Deu vontade de morar por ali e criar uma ONG pra resguardar melhor aquele patrimônio tão maltratado. Foto: este foi o grupo que acompanhei no tour do deserto (6 noites, 7 dias, 430 euros, 4 portugueses e 10 brasileiros), nesse momento em Ait Benhaddou. Todo mundo aí tem o seu valor, mas o casal carioca composto pelo PC – Paulo César (de verde, atrás de mim), e sua esposa Márcia (ao seu lado direito, com a sacolinha azul) tinha que ser declarado patrimônio nacional. Figuríssimas... Foto: Vale do Ounila, no caminho para Ouarzazate. Foto: aspecto da região do Alto Atlas, no caminho para Ouarzazate. Foto: Ait Benhaddou, tão linda e tão maltratada. Foto: romãs, uma constante como sobremesa junto às refeições marroquinas. O suco dela é algo de insuperável, refrescante e terapêutico. Aqui elas são bem mais suculentas do que no Brasil.
  17. 05-11: Visita a Rabat. Fui parar na capital do Marrocos devido a um erro bisonho. Comprei uma passagem de trem pra visitar Meknes (22 dirhans), próxima a Fez. Mas, ali, temos duas estações de trem. Me sentindo na Suíça, deixei passar a primeira e esperei pela segunda, mais próxima da medina, isso segundo o google maps. Que passou sem que o trem parasse. E lá fui eu à procura do fiscal ou um funcionário que soubesse inglês ou espanhol e me esclarecesse pra onde o trem estava indo agora e como fazer pra voltar. Esclarecido tudo, mudei de planos. Fui à Rabat, capital do Marrocos (mais 80 dirhans), a três horas de viagem de Fez, deixando Meknes pro dia seguinte. Valeu a pena, pois é bastante diferente das demais até então, tem uma infraestrutura urbana interessante, avenidas amplas, está à beira-mar e possui uma medina em que ninguém “enche muito seu piquá”, dando mais autonomia pra apreciar as lojas sem perturbação e maracutaias. Ao lado direito da estação de trem, bem próximo a ela, temos o Museu de Arte Contemporânea e o Museu de Arqueologia (não os visitei pois o tempo era escasso e havia chegado às 13:00, tendo só a tarde para o passeio e depois mais três horas de volta pra Fez). Mas deu pra chegar ao Palácio Real (também pertinho). Não tem como entrar nas construções mas é um agradável passeio pelos jardins. Um dos guardas, muito simpático e admirador do Brasil (fez referências ao Gabriel Medina e ao Mineirinho, sendo fã de surf e até arriscando umas palavras em português) sugeriu um passeio à Challa, a uns quinze minutos caminhando, em que temos ruínas romanas e islâmicas num espaço que foi adotado por cegonhas (dezenas e mansinhas) que ali fizeram seus ninhos no alto das ruínas, um lance meio “Voulubilis”, próxima a Meknes (que eu tinha resolvido que não visitaria). Interessante. Dali, peguei um táxi (15 dirhans) até a casbá (parte fortificada) da medina (o trecho da cidade entre as muralhas). A casbá vale uma conferida, principalmente o Jardim Andaluz. E as vistas do mar são monótonas, tudo muito reto e sem verde, mas mar é mar e eu queria ter uma noção de como ele se apresenta por ali, como são as praias. Era domingo e as praias estavam cheias (muitos surfistas e mar com ondas significativas). A casbá é significativamente mais alta que o terreno ao redor, gerando vistas panorâmicas interessantes, além do que ali temos a foz de um rio que traz um bonito complemento à paisagem local. Voltei pra Fez (85 dirhans), comi uma lasanha (40 dirhans) e tomei um suco de laranja (10 dirhans), dei uma andada e fui pro hostel. Foto: Ruína romana em Challa, Rabat. Foto: Beira-mar vista da casbá da medina de Rabat. Foto: fim de tarde em Rabat, com o passeio público lindão e bem frequentado. 06-11: Fui de manhãzinha até o Museu Nejjarine na medina de Fez (20 dirhans), que não tinha conseguido visitar dois dias antes (depois dos perrengues com os guias e ter perdido tempo demais, cheguei até ele quando estava sendo fechado). Acredito ser um passeio obrigatório aos locais interessantes da medina, pois abriga o que foi uma espécie de hotel para os mercadores da época, além de que seu acervo é bem conservado e interessante. Depois, mesmo tendo resolvido não ir pra Voulubilis (ruínas romanas) nem Moulay Idris (mausoléu), queria conhecer Meknes (22 dirhans por trem), a cidade próxima desses locais. Um passeio por agência contactado pelo hostel orçava em 1.000 dirhans um tour de um dia por estes lugares, saindo às 10 da manhã (te buscam). Achei carézimo, e pra quem já tinha visitado a própria Roma e Pompeia uns dias antes, me desinteressei. Mas ali cheguei – a Méknes - meio tarde (além da visita ao Nejjarine, lavei roupa de manhã no hostel). Resolvi que iria andando mesmo até a medina, pra assimilar melhor a cidade. E foi bem legal. Come-se aqui, bebe-se ali, fotografa-se acolá. E assim se chega ao pórtico da medina, que tem à sua frente uma praça em que muita coisa acontece, no que seria uma Jema El Fina (a mítica praça de Marrakeche) menor e menos famosa. Um cara com a cobra no pescoço, macacos de Gibraltar com camiseta de Messi e Ronaldo, gente dançando, vendendo, turistando... gostei muito desse passeio descomprometido e bem agradável. Adentrando a medina, uma quantidade razoável de restaurantes variados para todos os bolsos. Recomendo. 07-11: Saída às 8:30 da estação de trem de Fez em direção à Marrakeche (oito horas de viagem a 311 dirhans em primeira classe – assim, há mais espaço pras bagagens, mas não é tão diferente da segunda classe - e muito tempo pra botar o relato em dia, ler e apreciar a paisagem). Lá chegando, daria início a sete dias e seis noites reservados do Brasil ainda em abril, e que deixei pago parcialmente (no total, são 420 euros, 200 pagos antecipadamente), incluindo um tour de cinco dias pelo interior com o mítico passeio pelo Saara, com quase tudo pago (hospedagem, guia, uma refeição por dia e deslocamentos). Assim resolvi pois imaginei que no interior do Marrocos talvez poucas pessoas conseguiriam se comunicar em inglês e espanhol (o que até então não tinha sido problema mas gera alguns impedimentos onde a comunicação se faz necessária). E encontrei em um site uma referência a dois irmãos portugueses (Rita e João) que vivem em Ouarzazate e ali tem pousada, e que organizam este e outros tours. Bem adequado. Além de que te pegam na estação que você chega (ou aeroporto) e te levam até ali quando tudo acaba. Cômodo, principalmente se você se hospeda na medina, onde sempre é possível se perder antes de se familiarizar com o traçado urbano. O site deles para contato é http://www.darrita.com/hotel-marrocos/viajar/tours/ e já adianto que são super gente boa e atenciosos, tiram todas as suas dúvidas, que, no meu caso, foram muuuuitas, agradeço a paciência deles. O Hotel em Marrakeche, já incluso no tour: Riad Dar El Masa (d[email protected]), cinco minutos a pé da mítica praça Jema El Fina e dentro da medina. É só avisar quando se dará a chegada na cidade que eles te pegam no aeroporto ou onde quer que seja (no meu caso, foi na estação ferroviária). Vale dizer que, pra quem tem menos tempo, é possível realizar o passeio ao Saara em um tour de 3 dias, portanto, bem mais rápido, e que é feito por várias agências, como também pelo pessoal do hostel Equity Point Marraqueche (http://www.equity-point.com/our-hostels/equity-point-marrakech-hostel/general-information.html), um dos melhores do mundo, e que sai por 90 euros, se não me falha a memória, mas é possível encontrar por até menos (60 euros). Mas, apesar de passarem pelo mesmos roteiro que eu faria com o grupo, deduzi que em três dias tudo poderia ser rápido demais, comprometendo um melhor aproveitamento. Além do que, pelos relatos que li, há uma diferença muuuito significativa quanto aos aposentos e tendas (no deserto) usados por cada passeio. Há relatos até de grupos que dormem ao relento e em colchonetes (quanto à comodidade, o passeio que fiz é nota dez, tendas com banheiro privado e água quente no chuveiro, além de colchões muito confortáveis, além de uma comida maravilhosa no acampamento). Pois bem, com a chegada em Marraqueche, não há como relaxar enquanto não se vai à praça Jema El Fina. E como era fim de tarde, havia muito tempo até a noite adentro. Pra quem acaba de chegar ao Marrocos, certamente o impacto desse microcosmo nacional é gigantesco. Pra mim, que já circulava há algum tempo por aqui, o impacto foi reduzido, o que não diminui as virtudes do lugar, bastante interessante. Foi a maior praça-feira que vi no país, está rodeada pelo comércio de produtos tradicionais (e outros nem tão tradicionais assim) e lá estão também os encantadores de serpente (hipnóticos - conforme a tarde cai eles se vão, à noite já não os via mais, portanto, se quiser vê-los, vá com luz natural), as barraquinhas de comidas e bebidas tradicionais (novamente, destaque pro maravilhoso suco de romã, além de lesmas cozidas, lanches, assados, cérebro de carneiro cozido, sopas etc.), contadores de histórias, dançarinos (ou coisa parecida) etc. Passeio obrigatório. Foto: nesta altura do século XXI, acho que não está exatamente nos planos de ninguém encontrar um encantador de serpentes por aí. E eis que ele aparece, lá na Praça Jema El Fina, em Marrakeche. Aliás, vários deles. Não acredito que por muito tempo. Os bichos devem estar estressadíssimos e, se duvidar, nem presa têm mais. Então, o que pesará mais: a sobrevivência de um modo milenar, intrigante e sedutor de ganhar o pão ou a natureza que clama por humanidade? A discussão sobre a festa do peão nem é tão diferente disso. Foto: Praça Jema El Fina
  18. 04-11: Passeio por Fez. Saí de manhã do hostel com a intenção de conhecer a medina, no que foi um dia, digamos, teeeenso! Já li trocentos relatos de gente que se viu ou em maus lençóis pelo assédio ou mal entendidos com pretensos guias ou gente “querendo” ajudar. Estava vacinadíssimo pra essas situações. E lá fui eu seguindo meu guia Lonely Planet, melhor do que qualquer outro de carne e osso competente ou não. É um caminho linear, mas com desvios pra atrações próximas, onde se passa por um portal lindão, depois pelo bairro judeu, onde havia uma sinagoga e um cemitério em evidência (este estava fechado por ser sábado). Pra encontrar a sinagoga é necessário pedir ajuda aos locais pois ela se encontra escondidinha. Daí você acaba conversando com um, com outro, e contatos vão sendo feitos. Assim, alguém aparecerá querendo “ajudar”. Antes que essas ajudas ficassem caras demais, resolvi optar por contratar um guia pra ir direto ao ponto e economizar tempo. Escolhi um figurinha meio com cara de humilde e menos falastrão. Pra evitar mal entendidos, já combinamos um preço (cem dirhans), determinamos um tempo (três horas) e lá fomos nós. Ele insistiu na necessidade de contratar um taxi que nos levaria até o outro lado da medina, onde poderíamos encontrar mais rapidamente aquilo que eu entendi que seriam as tinturarias, ou “os homens que trabalham com os pés”, nas suas palavras, já que eu não sabia dizer tinturaria nem curtume em inglês. Insisti com o guia para que fôssemos a pé mesmo, ao que ele concordou, mas insistiu que demoraria pra chegar nas tinturarias. Diante do que eu entendi que seria um “traço” de honestidade do cara, concordei então com o tal do taxi, isso pra economizar tempo (vai vendo no que deu). E lá fomos nós pro outro lado da medina, segundo ele, pra me mostrar também a Fez “real”, as oficinas, as fábricas, a gente simples sem máscaras ou assédio constante, o dia-a-dia dos habitantes locais, e isso, para um professor de geografia como eu, é ouro. Achei a proposta interessante, mas como nada tenho contra a massa ensandecida da turistaiada louca, muito pelo contrário, gosto de encontrar o pessoal do mundo todo nessa montanha russa de curiosidade, fome e sede de cor, som e sabor (abro mão do consumismo, até porque não tenho dinheiro, mas nem vontade de comprar mil coisas tenho, isso depois de trocentas viagens em que, chegando em casa, você se arrepende da bagagem extra que fazia sentido lá mas já não faz sentido cá), assim, concordei desde que chegássemos ao lugar “onde os caras trabalham com os pés” (tinturaria), economizando meu precioso tempo. Daí, fomos por um trecho realmente menos atraente, mais próximo ao ritmo local porém mais tedioso. Mas muuuuito tedioso mesmo. E o guia insistindo em me levar a uma fábrica de cerâmicas. Assim, entre teares, oficinas e padarias, acabamos chegando ao lugar “em que se trabalha com os pés”, ou seja, um curtume... e nada da tinturaria. Segundo o guia, essa só estava em atividade pela manhã. E isso, além de não ser verdade, ele só disse nesse momento. Juro que me senti um idiota, um coió-de-mola (como dizem no interior de São Paulo), um completo imbecil por insistir naquilo que todo mundo implora pra não fazer. E o cara querendo me levar pra fábrica de cerâmica. Peguei o relógio e vi que ainda faltava muito pra completar as três horas combinadas, mas conclui que aquela merda tinha que se encerrar ali mesmo pra que pudesse de fato ganhar o que restasse do meu dia. Contive meus impulsos homicidas que só fazem a coisa piorar quando acaba em briga, mas deixei claro que não era nada daquilo o que eu queria. Abortei os planos de continuar com o guia, paguei o que combinei, peguei um táxi e voltei pra estaca zero e com menos uma hora e meia de atividade possível nesse dia. Mereci tudo mas não aprendi nada, vai vendo. Novamente no bairro judeu, na estaca zero, o mapa do Lonely Planet me deixou confuso. Um cara com muleta, percebendo minha situação, se aproximou, puxou assunto e me pareceu muito instruído, foi se insinuando, falando do Brasil, daí há pouco já era o meu melhor amigo de infância. E começou a falar das muitas atrações escondidas pelas redondezas inclusive o mais incrível jardim de Fez (Jnam Sbil, lindão), enfim, fez meus olhos brilharem. E foi me conduzindo pelo emaranhado de ruas confusas e eu insistindo pra que ele me deixasse, que não precisava de ajuda, que era só indicar o caminho e o cara insistindo que pra ele seria importante se mexer. Ao findar o percurso, já ao lado do jardim, sinalizou por onde eu deveria ir e ficou ali esperando... Eu, constrangidíssimo, dei tchau, apertei a mão dele e ele então pediu uma “ajuda”. Dei 10 dirhans, e ele reclamou. E aqui eu digo, moçada, que o verdadeiro talento desse povo que assim age, é justamente saber exatamente o que fazer pra te deixar constrangido. Eu agora, pensando naquela cena, acho que teria sido bom dizer “você quem quis vir, por sua conta”, “foda-se a ajuda, não lhe devo nada” e por aí vai, mas o cara já te selecionou pelo seu perfil, eles sabem quem escolher... sim, fui um pato mega! Ou seja, não aceite a ajuda desse povo que se prontifica. Ninguém está ali pra fazer amizade! Pois bem, acatei a sugestão do Lonely Planet (recomendadíssimo) de fazer um percurso a pé que consiste em atravessar o portal Bab Boujloud, virar à esquerda e em seguida à direita, e ir descendo essa viela até o fim, observando os açougues com cabeça de camelo chamando a atenção (e dono bonzinho que deixa fotografar), a madrassa (lugar em que se aprende os ensinamentos do Corão) Bou Inania (20 dirhans e interessantíssima, aqui vale tentar um guia pra explicar um pouco de tudo), um mecanismo (a clepsidra) que funcionava como relógio mas hoje está desativado, o acesso ao museu Nejarine, que foi uma antiga hospedaria para viajantes endinheirados (bem legal, também por 20 dirhans, mas tem que sair um pouco da viela e vale cada centavo), além do visual único proporcionado pelas lojas e comércio borbulhante que se tem ali (e um incrível suco de romã, nos inúmeros locais que o fazem ao longo desse trecho, que fica na história gastronômica da viagem), como a confecção de tronos matrimoniais (uma tradição local, meio brega, porém, tradição), inusitado e muuuito interessante. Chegando ao fim da viela, vira-se à direita e imediatamente à esquerda e segue-se, assim contornando a universidade (a mais antiga do mundo) e a mesquita Kairaouine (em ambas não-muçulmanos não estão autorizados a entrar, infelizmente). Assim se chega a uma espécie de mini-praça, onde se encontram os artesões que trabalham com metais e coisas do gênero, atravessando o trecho em que se vende luminárias tipo lâmpada do Aladim, em lojas com cenários encantadores. Depois, é só seguir à esquerda da praça, descendo a rua dos tingidores. Mais adiante, se chega à praça R’cif, enorme, onde temos mini-táxis e ônibus pra todo lugar. Eu já ia embora meio triste, pois não encontrei os famosos tintureiros que são a imagem símbolo de Fez. Mas passava um jovem que lê pensamentos, captou meu instinto geográfico e “turistólogo” e já perguntando de onde eu era e se queria seguir com ele que ia encontrar o pai que trabalhava no “lance”. Daí, pensei: “já é fim de tarde e essa é minha chance de conhecer o tal do lugar. É isso ou nada, independentemente das consequências, que com certeza virão, não tenho dúvida” (estava muito desiludido com as maracutaias locais). E lá fui eu. O pai, na verdade, era funcionário de uma loja de artigos de couro (sacaram?), das muitas que rodeiam o curtume/tinturaria, formando uma barreira, tornando impossível que seja visto da rua e possibilitando um cinturão de contenção do cheiro ruim que dali exala. Então, como um bônus, a loja leva os clientes até o terraço, de onde se avista o processo. E vende seus artigos de couro. Que eu não queria. E vai convencer o pai do moço de que eu não precisava de uma jaqueta de 300 euros pra ser feliz. Então, me prontifiquei a dar uma gorjeta pelo favor de me deixar dar uma espiadinha e tirar umas fotinhas. Perguntei quanto costumavam dar os turistas que vinham ali, mas disseram que era por minha conta. Então, finalizada a atividade, tirei uma nota de 20 dirhans (uns 7 reais) da carteira. A cara que fizeram entrou pra história das intrigas internacionais. Me devolveram como se fosse esmola, se dizendo ofendidos, juntamente com um discurso, meus amigos, que me fez sentir uma mistura de Tio Patinhas com o próprio demônio. Mas eu saquei a paradinha. O pai ganha seus trocos com turistas sedentos de imagens-fetiche e potenciais compradores de artigos de couro que lhe garantam comissões (e os preços, pra quem gosta desses artigos, dizem que são os melhores), mas não tem permissão pra explorar a turistaiada, pois toda a transação ocorre longe da presença do dono da loja e dos demais funcionários. Então, provavelmente, se você se sentir coagido, creio que é só sair perguntando quem é o dono e como é que a coisa funciona de fato que acredito que resolve tudo. Mas é uma cena muito constrangedora. E não foi o que eu fiz. Na verdade, o pai acabou pegando o dinheiro que eu ofereci e eu me mandei sem querer saber de mais nada. Ou seja, três momentos tensos num só dia e todos previsíveis, o que me deixa com aquela sensação de que daria pra se evitar. Enfim, bola pra frente. Na volta pro hostel e já fora da medina, jantei um tajine de sardinha muito bom por 30 dirhans. Delicioso. Esse restaurante fica em um dos estabelecimentos em frente da estação de trem Gare de Fez (a uns 120 metros dela), com preços camaradas. Foto: feirante próximo à medina de Fez. Durante toda a viagem, procurei evitar fotografar o povo local, principalmente mulheres, pois percebi que eles entendem isso como invasivo. Entretanto, essa foto ficou natural pois foi tirada por um guia local do qual usufrui os serviços. Foto: jardim Jnam Sbil, próximo à medina de Fez. Foto: portal Bab Boujloud, acessando a medina de Fez. Foto: Tingidores - imagem curiosa e condições de trabalho medievais e medonhas. Foto: os tingidores não são vistos por quem passa pelas ruelas da medina pois se encontram neste local cercado de lojas por todos os lados.
  19. 02-11: Cortei a barba em um barbeiro da medina (15 dirhans); comi um doce que eu não consigo entender o nome quando o carinha vende (2 dirhans cada, geralmente compro uns 3 cada vez que passo ali – fica na rua da praça principal da medina). Se eu disser que é muito bom, não dá ainda a dimensão real da coisa. É divino. Antes, tentei uma atividade sugerida pelo Lonely Planet, que é acompanhar o leito do rio Ras El Maa, a partir do portão Bab Onsar da medina, até a Avenida Melilla, mas, contrariando o guia, já não é possível fazer esse percurso integralmente pois acredito que algumas mudanças ao longo do trajeto bloquearam a passagem dos pedestres. E já não se encontra em bom estado de conservação e limpeza, apesar de uma restauração ocorrida há alguns anos. Há muito lixo acumulado dentro do rio (saquinhos plásticos, recipientes de comida e artigos de limpeza, até bichinho de pelúcia jogado no fundo eu vi). Visitei a Casbá ao lado da “Grande Mesquita”, na praça Outa El Hammam (acho que foi cerca de dois euros), que recomendo pois tem, entre jardins, muros e torres, uma mostra que resgata a importância da mulher na sociedade marroquina, algo bem relevante num país árabe. Ali nos lembram da significativa participação das mulheres na política (perfazem mais de 80 parlamentares – no Brasil são quantas mesmo? Rolou uma vergonhinha alheia). À noite, jantar no restaurante Assaada (cuscus com carne de cabra). Depois, repeti um mesmo programa por todos os três dias que estive ali: ida à Mesquita Espanhola, pra ver o por-do-sol. E um pouco além, numa trilhazinha em direção às montanhas (lado oposto ao da cidade), pra me isolar e assim captar melhor as energias desse lugar tão especial. Era lua cheia e tem umas pastagens, umas oliveiras, uns cactos, numa paisagem que se tornou mais especial ainda diante dos sentimentos que surgem numa despedida, já que era meu último dia por ali. Que “demais”! Obrigado, Chefchaouen! Você já mora no meu coração! Foto: doce muito comum, mas que eu não me recordo o nome (eles diziam mas eu não conseguia entender direito – quem souber, dá um toque, por favor), vendido nas ruas por ambulantes. Delicioso. É uma massa frita coberta com uma calda e gergelim. Foto: Chefchauen vista da trilha pra mesquita Espanhola. Foto: dentro da casbá ao lado da “Grande Mesquita”, na praça Outa El Hammam. 03-11: despedida de Chefchaouen, que gostei tanto. Passaria muitos outros dias ali, se pudesse, tranquilamente. Assim, acabaria indo também pros parques nacionais ao redor, como o Talassemtane, bem próximo, fazer umas trilhas e conhecer cachoeiras, bem recomendadas. Conforme outro relato do “mochileiros.com”, é possível pegar um taxi e ir, mas os taxistas foram muito mercenários, queriam quantias astronômicas pra ir da rodoviária até o centro, imagina num roteiro saindo da cidade. Então, pensei: “se aparecer outro turista que vá, rachamos e vamos”, mas o “outro turista” a fim de natureza, não apareceu. Na verdade, muita gente tá ali é por causa do... haxixe! A região é grande polo produtor, consumidor e de tráfico de haxixe. Até crianças vendem na rua, apesar de ser proibido. Bom, não rolaram as trilhas mas nada como um bom motivo pra se voltar outra vez para um lugar que te cativou, não é mesmo? Hoje posso garantir que o Marrocos proporciona bem mais do que apenas 16 dias de viagens incríveis. Passagem comprada no dia anterior para Fez, empresa CTM, na própria rodoviária (pra não correr risco de não haver na hora - o ônibus saiu lotado, ou seja, não haveria): 75 dirhans mais 5 por uma mala (no Marrocos, as empresas de ônibus cobram esse valor por cada mala depositada no bagageiro). O ônibus saiu às 10:45 de Chefchaouen, chegando às 15:30 em Fez. Foi um trajeto tranquilo, montanhoso até Oussani (ou seja, cheio de curvas), com o predomínio de oliveiras e criação de cabras, e raramente hortaliças, tornando-se mais plano depois, num trecho voltado para o plantio mecanizado, com quase toda a zona rural ocupada por terra arada esperando a chuva pra plantar, provavelmente cereais (no Marrocos e nos países Mediterrâneos, é no outono e inverno que temos a maioria das chuvas, mas nada que atrapalhe os planos de um viajante, já que chove muito pouco – nesse setembro e outubro por Portugal, Espanha, Itália e Marrocos, só peguei um dia de chuva em Florença, na Itália, e nada muito volumoso). Esperava que Fez fosse uma Chefchaouen maior. Engano total. Amanhã irei na medina, mas já dá pra dizer que o lado moderno da cidade pode até impressionar. Avenidas amplas, com frequentes fontes jorrando água abundante, gramados, flores e “passeios” largos e ladeados por árvores e palmeiras. Numerosas famílias frequentando. Carroças que mais pareciam carruagens à disposição de quem quisesse um passeio mais requintado. Shopping igual a todos os outros mundo afora com preços idem (praticamente os mesmos do Brasil, talvez um pouquinho menos caros, com a maioria das mesmas franquias). O shopping “Borj Fez” que está próximo ao hostel em que me hospedei tem também Carrefour, onde lá fui eu comprar provisões de chocolates, torradas, biscoitos, água e maçãs. O hostel está vinculado à rede Hi Hostel e nele me hospedei por quatro dias (Rua Abdeslam Seghrini, Ville Nouvelle, R$ 27,00 a diária). Não se encontra na medina (30 minutos de distância, caminhando), o que acabei gostando pois me deu a oportunidade de explorar um trecho da cidade que talvez nem chegasse a conhecer caso tivesse me hospedado por lá. Foto: passeio público ao longo da avenida Hassan II, bem próximo ao hostel. Foto: loja próxima ao hostel, de moda masculina. Diferente, né? Essa é uma das opções de vestimenta por aqui. Mas nem todos os homens se vestem assim. Só os mais tradicionais, sejam mais velhos ou não. Grande parte se veste como no Brasil. Foto: e vejam só quem eu encontrei fazendo uma boquinha por aqui, num outdoor gigantão. Inusitado.
  20. Olá, pessoal que frequenta o site “Mochileiros.com”. Depois de muita enrolação, segue aqui o meu relato de uma viagem de 16 dias pelo Marrocos, a partir da Espanha, de 31 de outubro a 15 de novembro de 2017. Fez parte de uma viagem maior que começou em 30 de agosto e em que percorri Portugal, Suíça, Itália, Londres, Paris, Madri, e que finalizei com o Marrocos. Por sua vez, essa viagem “maior” fez parte de um 2017 semi-sabático e que me trouxe muuuita realização. As informações que obtive neste site nessa e em praticamente todas minhas viagens recentes sempre foram muito relevantes. Então, está aqui minha retribuição. Precisando, é só entrar em contato que tenho o maior prazer em ajudar a esclarecer qualquer dúvida. Vamos lá: 30-10: Da estação Sur de autobus de Madrid (bem próxima ao metrô Mendes Alvaro, uns dois minutos a pé) pra Tânger, no Marrocos (passagem comprada pela Internet da “InterBus” dois dias antes – três trechos, de ônibus entre Madrid/Algeciras, das 22:00 às 6:00, e depois, saindo literalmente ao lado de onde o ônibus anterior te deixa, para o trecho Algeciras/Tarifa, das 7:00 às 7:35 - e travessia do Estreito de Gibraltar, a partir das 8:00, tudo por uns € 65,00 – no detalhamento da passagem, só a travessia do estreito consome € 38,00). O trecho intermediário não estava explícito na passagem, o que me preocupou um pouco, mas deu tudo certo. Detalhe: é bom ficar de olho nesta passagem pra quem pretende fazer esse trecho de ônibus, pois, ao contrário do Brasil, não é tão comum se viajar de ônibus pela Europa, ou seja, as passagens podem se esgotar, a depender do trecho em questão. Então, é bom compra-la o quanto antes. Teria sido possível um preço melhor se tivesse comprado ainda antes, mas tinha dúvidas quanto a permanecer ou não mais dias na Espanha (acabei ficando um pouco mais do que o previsto, pois Madri mereceu, êta cidade incrível). 31-10: Uma dúvida que me consumiu nesta viagem foi quanto ao tempo necessário pra aduana, imaginava que poderia não ser suficiente. Mas, na verdade, a “aduana” Espanha-Marrocos é feita na própria embarcação e até que foi rápido. Me pareceu que a embarcação só parte depois que a aduana encerra seus trabalhos. Ou seja, sem estresse. Chegando a Tânger, consegui uma carona até a rodoviária ao ajudar uma senhora com suas malas. Como teria 16 dias no Marrocos e estava ansioso para chegar em Chefchaouen, abri mão de conhecer Tânger, que me pareceu uma cidade super interessante e de boa infraestrutura urbana, para os padrões de uma país emergente. Fica pra próxima viagem. Por 35 dirhans (a moeda marroquina) o equivalente a três euros, comprei uma passagem pra Chefchaouen. Pra se ter uma base, taxistas se ofereciam pra fazer o trajeto por 60 euros. Cada euro vale 11 dirhans. Façam as contas e vejam de quanto seriam as perdas. Foi uma viagem de pouco mais de 100 km feitos em quase três horas. Mas valeu imensamente pela economia. Além de que, te dá uma noção da realidade marroquina e passa por Tetuão, uma das mais importantes do norte do Marrocos. Chegando em Chefchaouen, neguei todo o assédio de taxistas e quem mais fosse que oferecia serviços e hotel, pra conseguir chegar sozinho às proximidades da medina (cidade velha), a menos de 1,5 km, e procurar um hotel. Achei o Hotel Zerktouni (bem simples), na Rua Zerktouni, 9 (tel 0539882694). Assim como a maioria dos hotéis locais, alguém sempre fala espanhol ou algo parecido, então dá pra se virar numa boa. 100 dirhans por uma diária. Viva o Marrocos I. Deixei minhas coisas e fui pra medina, a menos de 100 metros do hotel. Pra quem não sabe, medina é o que corresponderia ao centro histórico de uma cidade marroquina, cercado por muralhas. Nela, funcionam mercados, feiras, casas de artesãos, barbearias, mesquitas, lares, restaurantes, ambulantes e todo tipo de comércio tradicional. Geralmente, são muito interessantes e tentadores para “ocidentais”. E bem fáceis de se perder, é sempre bom estar acompanhado por um mapa ou ter algum ponto de referência, como um cartão do hotel ou uma mesquita mais famosa (sempre há inúmeras, pra todo lado). E é um lugar privilegiado para se entrar em contato com o que há de mais tradicional no país, e, ao contrário do que se vê mundo afora, ou seja, muita coisa fake, aqui tudo me pareceu autêntico. Por exemplo, as pessoas vestem o que realmente corresponde aos seus hábitos. Mas é perceptível que, fora da medina, diminui consideravelmente o número de pessoas com indumentária tradicional, e o comércio vende de tudo que se venderia no Brasil, por exemplo. Andei um pouco ao léu, fiz uma refeição (delicioso tajine de frango ao molho de limão com batatas fritas e suco de laranja natural por 47 dirhans, pouco mais de 4 euros, no restaurante Assaada, bem próximo à porta “Bab El Aín” da medina). Viva o Marrocos II. Quem viaja pra cá vai sempre encontrar essa opção de alimento, que é o Tajine, uma modalidade de preparo, servido quentinho em uma espécie de prato de barro coberto por uma tampa também de barro que conserva o calor por um certo tempo. Tem de vários tipos. Continuei andando pela medina, tirei fotos de casinhas e cenários azuis – o forte de Chefchaouen - e fui parar na mesquita espanhola, como eles chamam uma certa construção já fora da cidade mas bem próximo dela, a uns cinco minutos de caminhada após atravessar a porta Bab Onsar, e o rio Ras El Maa, e indo um pouco além, até alcançar a tal mesquita, pequenina e que nunca chegou a ser usada, que dá pra uma bela vista panorâmica dos arredores. Voltei, me perdi, me reencontrei geograficamente, belisquei “docinhos-mara”, comprei pão caseiro e queijo. Show de bola. Daí você volta pro hotel e dá de cara com gente ali ajoelhada fazendo orações, sem falar das mesquitas que, cinco vezes ao dia, anunciam as preces em alto e bom som. Benvindo ao Marrocos. Obs: Chefchaouen se mostrou um bom lugar para trocar euros por dirhans. Aqui encontrei quem me desse 10,80 dirhans por euro, o que é praticamente a cotação que aparece na net como câmbio oficial. Não sei como seria em Tânger, pois não tive a oportunidade de explorá-la, tão grande era minha vontade de conhecer Chefchaouen. OBS: na verdade, depois de 16 dias no Marrocos, verifiquei que as casas de câmbio praticam valores muuuito parecidos, todas nessa faixa. Foto: Chefchauen (significa algo como “olhe as montanhas”) vista da “casbá”, ou seja, a parte fortificada da medina. Esta cidade se tornou minha maior paixão no Marrocos. Chama atenção pela maioria das casas adotarem uma coloração azul. A origem disso é incerta, mas parece estar ligado a tradições judaicas, seus primeiros habitantes. Mas há também quem diga que essa cor espanta mosquitos. 01-11: Acordei tarde, me distrai com a internet, mensagens, facebook. Ontem, zanzando por aqui encontrei outro hotel mais barato, mais limpinho e dentro da medina (Hotel Abi Khancha, em frente à mesquita de mesmo nome, Avenue Assaida Alhorra, 57, por 60 dirhans a diária, tel. +212539986879, +212602246223 e +212626878426, [email protected]) e lá fui eu trocar de hospedagem. Fiquei tão entusiasmado com o dia anterior que resolvi abdicar das trilhas que pretendia fazer nos arredores em prol de mais uma procura pelos melhores ângulos da cidade azul. E valeu a pena, pois ela não decepciona. É única mesmo. Além do entusiasmo com a cidade, incrível, tem o fato de se estar mergulhando na rotina local, com tudo o que ela contém e ainda mais na cidade velha (a medina), com aquele “trupé” de mulas, motos, corredores estreitos, pórticos, pequenas praças e feiras, o colorido dos produtos à venda expostos nos muros e nas lojas, os habitantes locais entrando e saindo das mesquitas (numerosas, em todo lugar tem uma), enfim, a realidade marroquina em gênero, número e grau, com toda sua intensidade em odores, cores e afetos, é notório que esse país não quer que você fique indiferente a ele. Encantador e envolvente. E assim foi o dia, entre mercados de rua com produtos ultracoloridos, comidinhas e bebidinhas curiosas (tipo suco de tâmara, muito doce mas tem lá seu valor gastronômico, por 12 dirhans). Mandei pro papo também um tajine de carne com ovo (30 dirhans) e um cuscuz de carne de cordeiro com legumes (35 dirhans), mais suco de laranja (a laranja daqui tem um “tchan” – 12 dirhans – na Espanha é quase sempre extremamente ácida). No caso do cuscuz, é praticamente o que se come em Pernambuco e diferente do baiano, ou seja, feito com farinha de milho mas comido seco, com a carne e os legumes por cima. Muito bom! Foto: sucessão de construções coloridas na medina, com o onipresente azul. É tudo assim grudadinho uma casa na outra, dando pra corredores estreitos pra circulação (carros não entram). E muitas parreiras nos telhados. Às vezes, formam um verdadeiro túnel com seu emaranhado. Pra quem puder, procurem ficar hospedados dentro da medina para se ter uma noção melhor do que há de mais tradicional por aqui. Foto: ruelas estreitas com produtos à venda nos muros. Fotos: dois dos recantos mais charmosos da medina em Chefchauen.
  21. Depois de muito enrolar, aqui vai meu relato para o mochileiros.com, site que tanto me ajudou em praticamente todas minhas viagens. Espero que possa ajudar a quem se interessar, é meu único propósito, retribuir de alguma forma. Essa viagem foi longa (83 dias), passando por Marrocos (um dia), Portugal (19 dias), Suíça (8 dias), Itália (19 dias), Londres (seis dias), Paris (cinco dias), Espanha (cinco dias), Marrocos novamente (15 dias) e cidade de São Paulo no restante dos dias. Faz parte de um projeto bacana que transformou 2017 em um ano semi-sabático. Sou professor de geografia, moro em Nhandeara (interior de São Paulo), tenho 45 anos e sou mochileiro nato. A maior parte do trajeto foi feito com hospedagens em hostels, que geralmente adoro. Adquiri as passagens pela “Decolar.com”, a 2.600 reais (São Paulo-Casablanca, Casablanca-Lisboa e Casablanca-São Paulo), em março de 2017, ou seja, com 5 meses e alguns dias de antecedência, além de 3 trechos aéreos “internos” (Porto-Genebra, Nápoles-Londres e Paris-Madrid) e várias passagens de trem. Optei por fazer relatos separados por país. Assim, vou pular o primeiro dia no Marrocos e ir direto pros 19 dias portugueses. Já fiz várias viagens interessantes na vida, mas todas pela América Latina, de onde nunca tinha saído. Então, reuni os destinos europeus que povoavam meus sonhos, nessa viagem de arromba. São destinos em que depositava muitas expectativas (Suíça, Cinque Terre, Roma) ou outros obrigatórios, como Veneza, Londres e Paris (não tinha tanta expectativa, mas queria ver qual é a delas e o que poderiam me ensinar e me proporcionar. Além do que, será preciso ter grandes expectativas pra gostar delas? É provável que não). Portugal eu tinha certeza que seria muito agradável, por conta da língua e do povo, e Marrocos é o destino exótico que tá logo ali, então precisei aproveitar a oportunidade. A Espanha, nas minhas pesquisas, foi dos que mais me surpreenderam, então resolvi passar ali apenas como trampolim pro Marrocos e voltar exclusivamente pra ela numa outra oportunidade (além do que, tenho passaporte espanhol, meu avô veio de lá, o que pode facilitar as coisas – como um possível “não-retorno”). Pra você que se interessar, um bom proveito! Vou tentando postar algumas fotos também, mas quem quiser poderá encontra-las no meu facebook, por país em “álbuns”. 27-09: voltinha por Lucerna (Suíça) antes de pegar o trem Para Milão, às 16:18 (passagem comprada com três meses de antecedência, por 9 euros – mega pechincha – but, but, but... não sei por quais cargas d’água o site da Trenitália estava meio confuso e não me dava a passagem com tal antecedência. Daí, tive que recorrer ao site da RailEurope, que tinha a passagem baratinha mas cobrava uma taxa de 10 euros de comissão – não tive escolha e acabou saindo por 9 + 10, mesmo assim, um bom negócio). Com o trem passando em Lugano, já no sul da Suíça, quase todo mundo que entra fala italiano e é bem menos comedido que os suíços, muito louca esta gradual imersão no universo italiano. A paisagem é fantástica, com a cidade distribuída entre os paredões naturais e o lago local. E o sol se pondo. Cenário de filme mesmo. Cheguei às 19:45 na Estação Central de trens e metrô de Milão. Dali, fui até a estação de metrô QT8, com um passe para 24 horas que se compra em bancas de jornal por 4,50 euros (tem uma no subsolo da estação). Bem legal, pois pretendia usar várias vezes. Assim como em Portugal, é preciso validar o bilhete na entrada e na saída. Cheguei ao Hi hostel de Milão (Ostello Della Gioventu, a 300m da estação de metrô QT8), e eles confusos pra encontrar minha reserva. Acho que acabaram fazendo outra. Ainda bem que não era alta temporada e havia muitas vagas. Bom, às 21:30 já estava na praça do Duomo conforme combinado com minha querida ex-aluna Ester, o que me valeu uma senhora de uma surpresa, já que há toda uma iluminação especial pro Duomo. Lindo e impactante. E com a também impactante Gallerie Vittorio Emanuele II ao lado. OBS: A Itália foi o único país até agora (e já estou na fase final da viagem) em que, com uma certa frequência, na verdade por três vezes, reservas foram literalmente ignoradas. Isso em Milão (final feliz), Nápoles (final nada feliz) e Atrani (final feliz). Minha ex-aluna, Ester, que me encontrou em Milão, disse que é bom tomar cuidado com os hostels italianos, são cheios de rolo. Só bota fé naqueles da rede Hi Hostel. Foi o único país também em que percebi certa constância na falta de boa vontade do povo local para com quem quer que seja, até mesmo para com eles mesmos. Ou seja, é cultural o lance, só pode ser! Vi coisas como motoristas esculhambando velhinhos confusos! Comigo, rolou um dono de restaurante, ou gerente, me enrolando na conta, cobrando mais e inventando motivos pra isso. Um horror! Repito, em nenhum outro país sequer vi algo parecido. E comparando com o povo suíço e marroquino então, sem comentários o tanto que esses daí são gente boa! 28-09: acordei às 8:30 e fui correndo pro centro comprar um tênis e voltei pro hostel, peguei minhas coisas e lá fui eu tomar o trem das 12:05 pra Veneza, também com passagem comprada três meses antes e trem da Trenitália, a 9 euros, mais comissão de 10 euros da RailEurope, numa viagem de duas horas. Chegando na estação Santa Lúcia, fui comprar meu passe pra dois dias (30 euros) que dá direito ao transporte público (os famosos “vaporetos”, uma embarcação que cruza os canais), inclusive ilhas de Burano e Murano, já meio distantes. E fui pro Generator hostel (F.ta dela Croce 84-86), ligado à Associazione Italiana Alberghi per La Gioventú e ao Hi Hostel, 269,78 reais por duas noites (caro, mas com estrutura bem legal, mas sem café da manhã incluso). Fica no bairro da Giudecca, e praticamente de frente para a Praça São Marcos, só que do outro lado do canal, sendo só acessível por “vaporetos”, no caso, o número 2 que sai do cais A, logo atrás da estação de trem, não tem erro, mas não é o único. Dali, é só descer na “parada” Zitelle. O Albergue é quase em frente (uns 80 metros à direita de quem desce). Despesas: Dois lanchinhos básicos porém gostosos e um suco de abacaxi na estação Santa Lúcia (Relax Café): 11,80 euros. Sorvetinho: 3,50 euros. Comprinha básica no mercado (tem um cerca de uns trezentos metros do Hostel – 1,5 litro de água, uma coca lata, um pacote de biscoitos, um pacote de pão de mel, um lanchinho básico de atum com passas em pão integral, três maçãs red e um pacotinho de mix de frutas secas e castanhas): 10 euros. 29-09: Como tinha dois dias em Veneza mas receava que chovesse, acordei às 8:30 com o propósito de conhecer primeiro o que fosse mais distante, deixando o que fosse possível de Veneza pro dia seguinte antes de embarcar pra Florença, além do que a Praça São Marcos, meu principal objetivo, estava praticamente em frente ao Hostel. Então, fui pra Murano (famosa pelos trabalhos em vidro, bem interessantes, e é possível conhecer as fábricas, algumas mantém até um espaço próprio pra quem chega, mas não fui com receio do tempo) e Burano (casinhas mega coloridas pitorescas), lá chegando por conta do passe pra dois dias de transporte público, ou seja, vaporetos (demorei cerca de uma hora e 15 minutos pra chegar no primeiro destino, que é Murano, é bom ir com tempo). Depois, outro vaporeto pra Burano (esse é rapidinho); vi um restaurante que disponibilizava um menu do dia com entrada com Bruscheta, primeiro e segundo pratos, fechando com sobremesa, por 20 euros (algo “econômico” por essas bandas). Por tudo que oferecia, topei. Caí no conto. No cardápio constava suco de frutas por 4,50 euros e pedi suco de laranja. A bruscheta era microscópica. Ao pagar a conta, o suco ficou por 7 euros (o gerente justificou que o “suco de frutas” do cardápio era uma variante em lata) e a taxa de serviço, incluída compulsoriamente, de 20%. Portanto, fiquem espertíssimos com coisas do gênero. Acho que vale a pena perguntar TUDO antes. De novo, Itália cheia de rolo. Daí, voltei pra Veneza, parando com o vaporeto na Praça São Marcos. Linda de viver, mas que estouro da boiada é aquele? Fiquei imaginando o que seria em plenas férias, já que mesmo em setembro estava praticamente lotada, sendo difícil até de conseguir bons ângulos pras fotos. Conseguir se compenetrar, concentrar, nem pensar. A não ser que fosse um horário e circunstância muito particulares (provavelmente à noite e de manhãzinha), é provável que você tenha pouco sossego por aqui. Estava meio chateado com Veneza, pelos preços astronômicos, pela escassez de latas de lixo e por certa “pompa” presente no comportamento da gente fina que circulava por ali. Daí, fui ora caminhando ao léu e encontrando espaços que valem a pena, ora meio que seguindo o Grande Canal, chegando até a ponte do Rialto. Foi nesse passeio que percebi o encanto da cidade. Principalmente ao me afastar das multidões (não é tão simples). Os pequenos canais, as gôndolas, os noivos apaixonados, os becos alagados, tudo muito inédito, só ali mesmo. Faz valer a visita. E até achei uns mercadinhos mais baratinhos, tipo dois mix de frutas secas e castanhas por 1,98 euros. E dois lanches pequenos de atum e uma lata de fanta (500 ml) por 2,50. Praticamente um milagre. Uma dica importante de economia possível é ficar hospedado no “continente”, em Veneza Mestre, e atravessar a ponte pra conhecer a Veneza tradicional nas ilhas. Mas vai explicar isso pro meu subconsciente, que queria por que queria essa imersão total. Burano: Veneza 30-09: Acordei cedinho, fui pra Praça São Marcos pra aproveitar e conferir novamente as paisagens fantásticas de Veneza. Resolvi ver Veneza do alto do Campanário de São Marcos, ao lado da Catedral, com certeza uma vista excepcional (não me lembro exatamente mas acho que paguei 10 euros pra subir, com elevador). Desci, tomei sorvete, tirei umas fotos e fui pra ponte de Rialto. Daí, fotos e lanche depois, resolvi voltar antes que o tempo apertasse, pois às 13 meu trem saía pra Florença. Assim foi. Mais um lanche na estação Santa Lúcia, trem no jeito e simbora. Trem da Italo, € 23,90 e duração de 2:05, comprada a passagem em 25 de agosto. Caminho chato, nada atraente, bem diferente dos caminhos suíços, em que mesmo um caminho menos legal é bem legal, comparando. Fiquei mal acostumado. Chegando, fui direto pro Hostel Arco Rossi, bem legal, próximo à rodoviária, na rua Faenza número 94R (R$87,00 a diária e € 4,50 de taxa de visitação por 3 dias). Um pouco chatinho de achar, pois a numeração da rua muda num certo ponto. Mas é mais ou menos na altura da estação de trem e a cerca de 6 minutos a pé dela. Dali, fui pro centro (pertinho), já encontrando a praça do Duomo, fotografei (impossível resistir, é incrível), me assustei com a multidão que ali estava e fiquei pensando o que deve ser então os meses de férias de verão (julho e agosto). Mas um ritmo bem gostoso, todo mundo meio que hipnotizado curtindo o visual e a energia boa da multidão. Diferentemente de Veneza que é muita pompa e circunstância e não tem muito pra onde escapar (devido aos canais), em Florença foi uma multidão em clima constante de confraternização. Gostei. Dali, fui andando até o rio Arno passando ao lado da Galeria Uffizi (já impressiona só com as esculturas do lado de fora), atravessei a ponte e continuei até o jardim das Rosas, seguindo depois até a provável melhor vista panorâmica de Florença, o jardim de Michelangelo. E assim foi o dia: Você está feliz porque a cidade promete. E tem uma atmosfera permanente de confraternização. Mas tem também um lugar privilegiado com vista panorâmica, em que o povo se encontra, se paquera, se conhece. Mas, coincidentemente, é hora do pôr-do-sol. Aí, meu amigo, você junta tudo isso e agradece a vida! 01-10: Tinha sido alertado por uma ex-aluna em Milão que os museus são grátis no primeiro domingo do mês na Itália. E não é um golpe de sorte estar em Florença nesse dia? Acordei cedinho e já fui pro meu sonho de consumo cultural do dia, a Galleria degli Uffizi. Uma hora e quinze minutos de fila (quem tinha algum passe passava na frente) e até que nem foi tanto, por ser gratuito e comparado a um dia normal, segundo disseram. Normalmente, mesmo pagando, é daí pra mais. E lá fui eu: Da Vinci, Boticelli, Giotto, é coisa de louco. Grande parte daqueles quadros que ilustram livros didáticos estão lá. É um acervo de cair o queixo. Amei achar ali o “Nascimento de Vênus”, de Boticelli, entre tantos outros. Tentei ver tudo o mais rapidamente possível pois queria estar às 11:00 na igreja de Santi Michele e Gaetano, onde ocorreria uma missa em latim e acompanhada por cânticos gregorianos, estava muito curioso. Cheguei uns minutinhos atrasado, mas tudo bem. Pouca gente (umas 70 pessoas no máximo) e pouquíssima comunicação (você fica ali, vendo aquilo acontecer, mas não entende nada, então vale como curiosidade, mas não como sintonia entre fiéis e igreja, acho que tem tudo pra ter menos gente ainda futuramente, muitos matam a curiosidade e saem durante a missa. Aliás, isso foi uma constante em toda Europa, ou seja, pouca gente prestigiando as missas). Dali, fui pro Duomo ver se também era grátis, apesar de não ser um museu, mas estava com fome e a fila era muito grande. Fui comer ali ao lado. Achei um menu interessante (lasanha, saladinha farta, batata cozida/frita) por 10 euros (mais taxa de serviço de um euro). Valeu. Os preços de Florença são bem mais camaradas do que em Veneza. Tomei sorvete (dois sabores, 3 euros) e fui conhecer os jardins de Giordano. Não me pareceram tão interessante quanto esperava, mas no caminho passei pela Galleria Dell’Accademia, onde está a escultura David, de Michelangelo. Como a fila estava pequena, entrei (apenas uns dez minutos de espera). Incrível, com destaque para esculturas, mas também tem muitas pinturas, como na seção de arte bizantina. Depois, voltei pro centro da cidade, passei no Duomo novamente (visitas encerradas pra quem não tinha alguma passe) e fui zanzar por ali pra ver se algum outro museu estava recebendo “na faixa”. Encontrei o museu del Bergello, com pinturas e esculturas, sem dever nadinha pros outros dois. Florença: 02-10: Tinha duas opções. Ou ir a Siena e São Gimignano apenas pra conferir a arquitetura e traçado urbano tão caros a um geógrafo como eu, ou apenas a uma das duas com visitas mais detalhadas às igrejas e museus. Fiz a primeira opção, pois a composição da paisagem e o uso e distribuição dos equipamentos urbanos não só são a minha prioridade em termos geográficos como é o que me atrai mais esteticamente. Além disso, confesso que tinha grandes expectativas em relação ao sorvete da Gelateria Dondoli, em São Gimignano, e à Plaza del Campo, em Siena. Siena: de fato, um lugar que te joga na Idade Média. Juntamente com Évora (em Portugal, inigualável, a mais interessante de todas as cidades medievais que conheci) e a própria São Gimignano, foi a cidade em que mais precisamente senti isso. Muito bacana se perder por suas ruas e captar o clima local. Dois locais de destaque: a Plaza del Campo e a Igreja de Santa Clara, belíssima. Aproveitei pra comer uns doces (“bar” Nannini, Via Banchi di Sopra, 24). Pedi um “paste Nannini” (€ 1,00) delicioso, e um “bigne Chantilly Nannini” (€ 1,80), nem tanto. Fui de ônibus pra Siena (€ 7,80 - em Florença, a rodoviária – Via S. Caterina, 17 - fica a uns 100m da estação de trem, e o ônibus te deixa em Siena ao lado do centro histórico, em uma praça, muito prático). Depois, de ônibus pra São Gimignano (há praticamente de hora em hora, saindo do mesmo lugar em que se chega a Siena, a € 6,00 – a passagem é comprada no subsolo da praça anteriormente citada). É a chamada “Manhatan” da Idade Média, pois suas 14 torres (mas eram mais de 70 no passado) eram símbolo de poder. Mesma imersão no clima medieval, é bem menor, rapidamente se anda por tudo e com muito prazer, vale a visita. Mas é na praça principal que se encontrava minha meta: o tal sorvete Dondoli. Na verdade, ali temos duas “gelaterias”. Ambas trazem na fachada os anos em que foram laureadas “the best of the world”. A outra (não me lembro o nome), tinha uma fila menor. E lá fui eu conferir. Pedi três sabores: frutas do bosque, creme e amarena. É um bom sorvete, mas não tão impactante. Depois, saí pelas ruas a espiar a cidade, voltando a seguir pra experimentar o sorvete da Dondoli. Pedi pistache, oliva (diferentíssimo) e coco. E foi aí que, depois de muuuito sorvete bom mundo afora, me dei conta do que é ser “o melhor”. Cremoso, leitoso, suave, doce sob medida, nada em excesso. Tudo o que um sorvete tem que ser pra se tornar inesquecível. Esse sim merece todas as láureas. Passeio encerrado, lá fui eu pra Poggibonsi de ônibus (€ 2,50), de onde sairia o outro ônibus para Florença. Mas encontrei uma família brasileira que voltaria de trem e resolvi segui-los (€ 7,60 – Trenitália). Daí, atenção! Ao comprar o ticket na máquina (a bilheteria estava fechada), botei uma nota de 10 euros esperando o troco. Como a passagem custava € 7,60, caíram moedinhas totalizando 0,40 e uma mensagem, dizendo que faltavam moedas de um euro e que poderia ser reembolsado no guichê quando estivesse aberto, provavelmente no dia seguinte, apresentando o comprovante. Daí, ao chegar em Florença e ir no escritório da Trenitália (responsável pelo trem), eles apenas confirmaram que só no guichê da estação do ocorrido é que poderiam ressarcir o prejuízo. Ou seja, já era. Mais um “migué” italiano. Triste. Depois, em novas utilizações, só paguei com cartão pra evitar o lance. Voltando a Florença, e sendo meu último dia ali, lá fui eu pros arredores do Duomo pra mais um lanchinho de tomate com muzzarela de búfala, o melhor da Itália. A tristeza foi que já não havia mais, tive que me contentar com um pedaço de pizza do mesmo sabor (€ 4,00). Uma pena. Curiosidade: no estabelecimento, estavam eu, uma garota (chama-se Amanda e tem um blog, o “Girando Mais Que o Mundo”, não vejo a hora de conferir), duas mulheres e a atendente, todos brasileiros. E, dado estatístico, ao contrário de perfazer 90% do total de turistas como em Interlaken-Suíça, em Florença os orientais são algo em torno de 30%, me intriga o porquê dessa prevalência na Suíça e não na Itália. São Gimignano (Toscana) e o sorvete da Dondoli: 03-10: saída de Florença, trem pra Pisa (€ 8,40 – Trenitália, com passagem comprada ali mesmo um pouco antes do embarque) e depois Manarola (Cinque Terre), onde fiquei dois dias. Bagageiro da estação de trem pra visitar a Torre e arredores em Pisa: € 5,00; Vi a Torre e descobri que pra visitar a Catedral era apenas necessário um ingresso que se retira num local da própria praça, mas são limitados e o horário da visita depende da demanda. Assim, consegui um ingresso para 12:45. Já as visitas à Torre, ao Museu e ao Batistério são pagas. Pra quem quer subir a Torre, aconselha-se a reservar com grande antecedência, tal é a demanda. Com pouco tempo e muita expectativa para chegar a Manarola, dispensei. Trem de Pisa para La Spezia: € 7,60. La Spezia-Manarola: € 4,00. Cinque Terre Card, para ter acesso ao trem e às trilhas do Parque por um dia: € 16,00 (carinho, já que as melhores trilhas estão fechadas por conta de riscos, e as vilas são bem próximas entre si. Perguntei-me se haveria um controle rigoroso desse ticket em plena trilha, e a resposta é “médio”. Houve um posto de controle “consistente”, e em outro a funcionária discutia animadamente ao telefone, dispensando todo mundo de apresenta-lo). Hostel “Ostello Cinque Terre”, Via B. Riccobaldi, 21, atrás da igreja (a vila de Manarola é bem pequena): € 66,00. À noite, comi um nhoque ao molho pesto bem gostosinho, na “pizzeria Il Discovolo”, e uma fanta, por € 12,00. Assim, descobri o que seria uma constante nessa passagem por Cinque Terre. Ou seja, comida caríssima; não raramente, horrível. Qualquer salgadinho, mas qualquer mesmo, é o olho da cara e feito meio que às pressas. E é bom não ter expectativa nenhuma com o atendimento. Vi coisas assustadoras, como velhinhos escorraçados, inclusive. E não há muitas opções. Todos aqueles lanches-sonho com pães da nona, muito tomate (lindos, suculentos) e bastante muzzarela de búfala, torradinhos na hora, ficaram em Florença, onde se come muito bem a um preço camarada. Pra complicar, até tem uns mercadinhos, mas novamente os preços são totalmente fora da realidade. Cheguei a imaginar se não seria o caso do típico local distante de tudo e que necessita de numerosos esforços pra que as coisas cheguem ali, o que as encareceriam. Mas vale lembrar que as “Terres” são sim ligadas por rodovias. Ou seja, é exploração pura e simples mesmo. Se você é mochileiro, vale a pena levar um bom estoque de bebidas, biscoitos, doces, frutas etc., se possível. Acho que a região vive da fama conquistada quando as trilhas todas eram acessíveis e de seu mar realmente incrível, com águas azuis-esverdeadas transparentes que justificam qualquer visita. Quanto à beleza das “Terres” e suas vistas cênicas, encontrei isso na que fiquei, ou seja, Manarola. Afastando-se um pouco do centro, se veem passarelas costeando os paredões e, ali, vistas perfeitas da mais bela das “Terres”, na minha modesta opinião. Compensou todos os perrengues alimentícios. Mas me fez criar uma falsa expectativa de que as demais seriam tanto quanto. Manarola (Cinque Terre): 04-10: trilha de Manarola a Corniglia e, depois, de Corniglia a Vernazza. Bacanas, aparecem uns penhascos de vez em quando, mas não é nenhuma Suíça nem uma Costa Amalfitana (estas sim paisagens vertiginosas). O primeiro trecho até tinha algum tempo atrás uma outra opção mais cênica, mas fecharam por questão de segurança, assim como várias outros mais próximos ao mar entre as demais “Terres”, pelo mesmo motivo, depois que chuvas intensas de anos atrás comprometeram a estrutura das passarelas que compunham grande parte do circuito. Em Vernazza, resolvi ir de trem às demais “Terres”. Fui a Monterosso (me pareceu tudo menos uma aldeia, com numerosos hotéis, clima de badalação, gente chic e sofisticada, preços altos e nenhum mercadinho pra quebrar um galho). À noite, de volta pra Manarola, parada na Pastakeaway, Via Discovolo (a rua principal), 136, pertinho do hostel. Comi um nhoque ao molho de nozes e tomei uma coquinha por € 8,00, bem básico o lance. Nada de mais. É bem provável que haja opções incríveis de bons restaurantes nessa região, mas para o mochileiro que procura opções mais baratas é um perrengue-mega essa falta de comida pronta ou de mercados a preços justos. Vernazza (Cinque Terre): 05-10: Acordei às 8:40, tomei o café da manhã, me despedi de todo mundo e lá fui eu pra estação ferroviária. Por € 4,00 comprei uma passagem até Spezia. Lá, confiante na informação de que trens dessa região até Roma eram regionais e não necessitavam de compra antecipada de passagem e cujo preço não variava, fui lindão na máquina que emite passagens. E, realmente, lá estava minha vaguinha, mas ao preço de € 39,75. Como é um trecho semelhante em distância ao de Milão-Veneza e Veneza-Florença, achei demais. Segundo informaram ali, é possível sim comprar com antecedência a preços melhores. Deveria ter tentado ônibus, mas até encontrar a estação, comprar, esperar etc., achei melhor encarar preço alto. Tristeza de quem quer economizar. Mas, vida que segue. Bora pra Roma. Foram dois trens, na verdade. Um até Follonica, uma cidade-balneário interessante à beira mar, organizadinha, me pareceu moderna, ao menos não vi nenhum prédio histórico; tem uma estação ferroviária e um centrinho lindinhos, bastante verde, provavelmente voltada para um turismo regional, pouquíssimo movimento e... com uma pizza frita (novidade pra mim), recheada com farta ricota e coberta com toda muzzarela de búfala e molho de tomate que fazem aqueles salgadinhos malditos de Cinque Terre morrerem de vergonha, acompanhada por uma lata de fanta, tudo a € 4,60, que ficou na história. A Itália perfeita seria aquela em que se come isso todo dia (e por esse preço, né?). Vejamos Roma, no que dá nestes termos. Chegada ao hostel Roma, na Via Cavour, 44, por 4 diárias: € 73,60 (hostel bem legal, com quarto para 6 pessoas espaçoso e banheiro dentro, além de estar bem perto – 5 minutos - da estação de trem e metrô Termini, e relativamente próximo de ótimas atrações, mas não tem café da manhã). Comida pelas redondezas a preços bem acessíveis (numerosos Kebabs) e mercadinhos na estação Termini e nos arredores. Melhor, impossível. Aliás, na gigantesca estação tem uns bares bem sofisticados, points de happy hour, com bons preços. Xô fase de preços salgados e falta de opções lá de Cinque Terre. O único “se não”, que inclusive já havia lido em alguns relatos, é de que os arredores da estação Termini é meio parecido com uma Praça da República melhorada lá de São Paulo. Eu digo que andei à vontade e não me senti ameaçado nem incomodado. Mas é visível que tanto funciona uma mini cracolândia (encontrei-a ao contornar a estação umas 23:00 ao tentar erroneamente um acesso para um trem, onde me deparei com dezenas de sem-teto, uns chapados outros dormindo). Senti uma certa tensão no MacDonald’s local, onde muitos imigrantes (é o que me pareceram) talvez recém-chegados, provavelmente famintos e sem o domínio do idioma, tinham problemas pra dizer exatamente o que queriam, se esmolas, restos ou lanches, e os atendentes, dificuldade em entendê-los, gerando cenas preocupantes com gente sendo empurrada e um clima tenso e de indefinição no ar. Assim, é claro que se deve tomar todos os cuidados, aliás, estamos em um metrópole, mas realmente acho que é infinitamente mais seguro do que o centro das metrópoles brasileiras. Apesar do hostel ser pertinho, nele já melhora imensamente o aspecto urbano. Fiz o check in, digitei uns textos, já era noite e lá fui eu ao mercado (água, biscoito, uma coca de 600 ml e um pacote de castanhas e frutas secas, tudo por nem 7 euros) e depois atrás de refeição (como eu escrevi antes, muitas opções e preços acessíveis, tipo meio franguinho assado com saladinha, batata frita e pão, por 5 euros). A uma quadra do hostel subindo a rua Cavour em direção à estação Terminio, um hotel lindão chamado Massimo D’Azeglio oferecia um inacreditável buffet a 19 euros tudo incluído, até o serviço do garçom e sobremesa. Sei que é meio carinho pros padrões da proposta econômica, mas a comidaiada toda estava à mostra e parecia ser o paraíso em forma de alimento. Uns filés de frango suculentos, ricota, legumes cozidos, tomate seco, sopinhas em tigelas, uvas despencando aos cachos, meio decorando, meio provocando um coração glutão. Não resisti. Confirmei com o garçom se o serviço realmente estava incluído, se o alcance geográfico da mesa era aquele mesmo que eu presumia, se coisas terríveis não aconteceriam comigo ao final pedir a conta (trauma de Burano), se era possível que o refrigerante estivesse incluso (pra minha surpresa, eu poderia até optar por uma taça de vinho) e se realmente tudo não passava de um sonho bom. Confirmadíssimo, ponto pra Roma e simbora comer muuuito. Noite chegando, e eu excitadíssimo por estar num lugar-monumento. Não deu pra dormir. Como ainda eram 21:30 e o tempo estava agradabilíssimo (uns 20 graus de temperatura, sem vento), resolvi já conhecer o que desse pra alcançar a pé. Mapa na mão, lá fui eu. Daí, foi coisa de louco. Cheguei ao Coliseu, dois passos adiante já tropeçava no Foro Romano, com o belíssimo monumento a Vitorio Emanuele ao lado. Sem falar que tá cheio de parques urbanos (coisa que valorizo) e igrejas monumentais no caminho. Uns passinhos adiante, e lá estava pra mim a cereja do bolo, a Fontana de Trevi. Estava tão extasiado que, não fosse um apito do guardinha censurando um doido que já tava querendo fazer a “Anita Eckberg em La Dolce Vita”, eu mesmo faria a “sereia barbuda” e me apinchava na água. Com todo respeito aos demais monumentos, o que é essa fonte iluminada em uma noite de início de outono? Pena que foi de todos o que mais gente tinha, umas cento e cinquenta pessoas extasiadas num só suspiro, o que me desconcentrava (falta de consideração desse povo não deixar a fonte só pra mim). Mal sabia eu que, dois dias depois, ao voltar durante o dia, não restaria nem um metro quadrado de área livre ao redor, com centenas de pessoas se acotovelando por um foto impossível. Na real, Roma pede que se calibre novamente o que a gente chama de monumental, estando pro patrimônio histórico no mesmo patamar que Lauterbrunen (Suíça) está pras vistas panorâmicas. Humilhação total com os parâmetros. E, ainda por cima, em uma noite inspiradíssima. Já eram quase duas da madrugada. Fechei com chave de ouro o “dia”. Pra melhorar, a cama do hostel era divina. Fontana Di Trevi (Roma): 06-10: cama gostosa + corpo cansando + dormir tarde pra caramba + êxtase da cidade eterna com muita serotonina na cabeça = acordei às 13:00. Mas mega-feliz. E, sabendo que durante o dia deve ser o “estouro da boiada” pra visitar esses monumentos, fica aqui meu testemunho de que provavelmente poucas coisas valem tanto a pena quanto o tal do passeio à noite, tranquilo, por Roma cidade-eterna. Vai te dar inspiração pra uns bons anos de vida. Recomendo, mesmo não podendo visitar certos locais “por dentro”. Não havendo muito tempo disponível, resolvi dar uma voltinha pelo que houvesse nos arredores do hostel, e, sendo Roma, sempre há. No caso, bem próximo mesmo, as lindas Piazza Della Repubblica com a Fontana Esedra, e a igreja Santa Maria Degli Angeli. Ao lado da igreja, o Museu Romano junto às Termas de Diocleziano. Mas, ali, verifiquei que a visita ao museu necessitaria de bastante tempo e resolvi deixar pro outro dia. Então, visitei ao lado a gratuita e incrível Basílica Santa Maria Degli Angeli e Dei Martiri, lindona. Escaldadíssimo com informações duvidosas e preços altos, fui depois correndo pra estação Termini adquirir o mais rápido possível minha passagem de trem para Nápoles, dia 9 (€ 12,90). Feito isso, resolvi comer em um Kebab entre tantos que há até chegar ao hostel. Por meio frango (mas não tão grande), batatas em pedaços fartas, um pãozão gostoso (ok, assassinei a língua portuguesa mas dá bem a dimensão da coisa) e um pouco de salada, tudo gostoso: € 5,00. Sonho! 07-10: Nesse dia, praticamente refiz meu trajeto noturno do dia da chegada a Roma. E visitei o que foi possível e gratuito no caminho. Assim, conheci “por dentro” o monumento a Vittorio Emanuelle II, praticamente um museu, com vistas bacanas e panorâmicas de Roma. Dali, contornando o monumento por trás, dá pra chegar a uma vista panorâmica do Forum Romano e o conjunto de construções ao seu redor. Apesar de ser possível pagar pra ter acesso a ele, dá pra não só vê-lo detalhadamente como dele fazer uma boa análise, principalmente se tiver uma publicação qualquer que o acompanhe (no meu caso, o Lonely Planet). Contornando o Coliseu, foi tão possível espiá-lo por dentro, pelas aberturas, que até resolvi não entrar, apesar da ausência de filas. Além do quê, acredito que seu exterior seja seu melhor ângulo. No caminho para o Pantheon (interessante), a belíssima Igreja de San Ignázio Loyola (na ida) e o Templo de Adriano (na volta). E, ao retornar ao hostel, a uma quadra e meia dele, na própria via Cavour, encontrei aberta a belíssima igreja de Santa Maria Maggiore. Tudo grátis. 08-10: Visita ao Vaticano. A meta era tentar ver o Papa e visitar a Capela Sistina e o Museu do Vaticano. Resolvi ir a pé (uns vinte e cinco minutos ou menos, segundo meus cálculos) e aproveitar a paisagem urbana, abrindo mão de um trajeto mais linear mas optando por praças, largos, igrejas e monumentos, e quem sabe também surgisse alguma boa surpresa pelo caminho (lugares lindos, acolhedores ou de confraternização). Já sabia que teria que passar pela Piazza Spagna, que queria conhecer, e a Piazza Dei Popolo, e no rio Tibre e seus arredores. Parte do trajeto fiz acompanhando suas margens. Ou seja, nada de chegar em 25 minutos. Parei em um simpático café, onde tomei um suco de laranja, um lanche (com tomate e muzzarela de búfala), um cappuccino e uma torta doce, tudo por € 12,50 (carinho, mas o lugar é muito lindo e tudo gostoso), pra se ter uma noção de preços. Seguindo em frente, avista-se o Castel Sant’Angelo, redondinho, que resolvi que visitaria depois (mas mudei de ideia). Chegando ao Vaticano, passando por uma revista meia-boca e um detector de metais, estamos na Praça São Pedro. E uma surpresa desagradável: a Capela Sistina e o Museu fecham aos domingos. E outra agradável: o Papa em pessoa dá a benção às 12:00, de uma das janelas ao redor da praça (não era uma missa, apenas uns 15 minutos de celebração). Já eram 11:00. Era possível visitar a basílica (grátis) e a sua cúpula (€ 6,00 pelas escadas e € 8,00 pelo elevador – mas que não dispensa a última escadaria, claustrofóbica, mas tolerável). Ali você tem a oportunidade de ver a basílica por dentro, do alto da cúpula (vertiginosa imagem de uns cem metros de altura, mas bem seguro – tenho vertigem), e também visitar a parte externa, com vista privilegiada da Praça São Pedro. Não é uma visita que eu faria normalmente, mas pra compensar a impossibilidade de se ver a Capela Sistina e o Museu, tá valendo. Ao final, já quase 12:00, se desce as escadas, porém... como é estreitinho em um trecho significativo, e na sua frente tem velinhas simpáticas porém lentas, não deu tempo de ver a comoção popular na praça quando o Papa acena pela primeira vez. Peninha. Mas deu pra ouvir. Como a Basílica, nesse momento, estava praticamente vazia, desencanei do Papa e fiquei por ali, visitando-a, também porque transitar na praça nesse momento pra pegar ângulo bom pra ver Francisco é literalmente impossível. Aliás, já seria difícil conseguir ângulo para vê-lo. Fica pra próxima. Quanto à catedral, incrível, tem obra de Michelângelo (escultura de Moisés) entre outros figurões do mundo das artes. Saldo final: valeu bastante a visita, fiz média com minha mãe e sobrinha catolicíssimas, além de que já tinha visto muito museu (fator “a raposa e as uvas” – provavelmente nada se compara à Capela Sistina)! Membro da guarda suíça do Papa: Vista do alto da Basílica de São Pedro, Vaticano: 09-10: ida pra Nápoles, com trem regional da Trenitália, a € 12,30 em três horas (há outras opções mais rápidas, que fazem o trajeto em uma hora apenas, mas bem mais caros). Perceptível o empobrecimento do país conforme se avança para o sul. Daí, cheguei à Estação Central de trem e Piazza Garibaldi, e lá fui eu para o hostel de metrô, por € 1,10 – compram-se tickets nas tabacarias e bancas de revista (havia a opção de ir de ônibus, mas é difícil falar com os motoristas, explicar onde descer, daí a opção pelo metrô). Fui até a estação “Univesitá” e, com o mapa impresso do hostel, lá fui eu empurrando mala rua abaixo. Descobri depois que, ao contrário do informado pelo próprio hostel no site do Hostelworld, a estação Município é a mais próxima de lá. Chegando no hostel “Ostello Bella Napoli”, reservado meses antes pelo site do Hostelworld, qual não foi minha surpresa ao receber a notícia de que estava lotado. Nem adiantou dizer que o site já cobrara antecipadamente um determinado valor, passar o número da reserva, mostrar minha própria reserva impressa (sempre levo para evitar sobressaltos). E ficou por isso mesmo. A garota que me recepcionou me encaminhou para um outro hostel no andar de baixo do mesmo prédio (Via Guglielmo Melisburo, 4), por sinal, de nome parecido, “Hotel Bella Capri”, porém de valor maior: € 20,00. Mas tem vantagens: se trata de um quarto para duas pessoas, com ar condicionado, televisão e banheiro dentro. Mandei um email para o Hostelworld e estou aguardando resposta sobre o que fazer para reaver o dinheiro do adiantamento da reserva, provavelmente a taxa que o hosteleworld cobra pelo serviço prestado. Vejamos no que dá, mas já passou pela minha cabeça fazer um boletim de ocorrência na polícia depois de pedir para o próprio hostel devolver a grana (o que provavelmente não ocorreria). Um prejuízo de uns 10 reais. Vejamos o que vão dizer. Um bom teste pra saber como funciona esse serviço no caso de falha do hostel. Saí pra levar minha roupa pra lavar e secar (Via Sedile di Porto, 54). Uns sete quilos de roupa por € 8,00. Enquanto a roupa não ficava pronta (uma hora), fui comer alguma coisa. Achei uma pizza frita e imediatamente me veio à cabeça aquela inigualável que eu comi em Follonica. Pedi de ricota com molho de tomate e queijo. Apesar do pessoal ser uma simpatia, a tal pizza é uma droga, indigesta, massa meio crua por dentro, gigantona, enfim, um martírio na forma de comida, por € 5,50 já com o refrigerante. Fechei o dia indo a um mercado comprar coisas até para levar pra costa Amalfitana, escaldado com os preços e a falta de opção de Cinque Terre (são lugares de perfil semelhante). Em um mercadão próximo do hotel, pra se ter uma base dos preços napolitanos, comprei ricota, 0,75 kg de maçã Golden, uma porção de nhoque (muito bom), um punhadinho de salada de cenoura, dois yogurts, mozarela e umas seis torradas de pão italiano, tudo por € 7,95 (é um pouco mais barato que os preços de mercados em Roma). Obs: o pessoal do Hostelworld, dias depois, mandou mensagem dizendo que, após contactar o hostel problemático e averiguar o erro na reserva, estaria devolvendo o valor já pago. Preciso depois verificar se foi realmente creditado na minha fatura, já que havia sido pago via cartão de crédito na internet. Mas, de qualquer forma, tive resposta para minha solicitação. 10-10: Como é um dia perfeito pra você? Já tive vários nessa viagem, mas hoje foi um deles. Acordei meio tarde, meu colega de quarto assistiu ao jogo de futebol “Itália versus Albânia”, na noite anterior, pelas eliminatórias da copa (por sinal, nesse jogo a Itália venceu mas depois não se classificou). Depois, ele dormiu, mas roncava horrores. Daí, eu fiquei digitando esse relato, checando o facebook etc., esperando o sono vir com força total. E veio. Mas um sono tão gostoso que nem percebi mais o barulho do ronco. Dormi umas duas da madrugada, então me dei ao direito de ficar um pouco mais na cama, até lá pelas nove da manhã. Fiz minha mala, deixei-a no hostel e lá fui eu para uma visita ao Castelo Nuovvo, a mais ou menos uns duzentos metros do hostel (castelo “clássico” por fora, mas deixa a desejar no acervo. Há algo de errado com o castelo quando o fosso ao seu redor estiver cheio de entulho). Daí, a um mecadão próximo do hostel e lá comprei por doze euros: 2 litros de água, uma porção generosa de lasanha à bolonhesa, salada de cenoura já pronta, torradas com pão italiano, uma coca lata, quatro maçãs golden, um suco de maçã e um mix de frutas secas com castanhas. Voltei pro hostel, peguei minhas coisas e pedi pra me deixarem almoçar ali mesmo. E que almoço! Lasanha e salada ótimas, aliás, pra evitar comida ruim por aí, o melhor é isso mesmo, comprar comida pronta que eles vendem na maioria dos supermercados. Só a lasanha e a salada ficaram em sete euros, pra se ter uma base. Depois, de mala e cuia, lá fui eu em direção a Sorrento, com pausa em Pompeia Scava Vila Mistery, com o trem da Circunvesuviana, que sai da estação Garibaldi, por € 2,80 o bilhete. Cuidado! Não só fique atento à plataforma (3) quanto também ao trem, pois dali saem trens com vários destinos. Neste caso, é o trem que vai pra Sorrento que interessa. Há outro trajeto que também passa por Pompeia mas é outra estação. Chegando em Pompeia, tem bagageiro na estação de trem, onde deixei minha mala por € 3,00 podendo retirá-la até às dez da noite. Mas há também bagageiro gratuito ao lado da bilheteria para o Parque Arqueológico de Pompeia. Ali deixei minha mochila, a mala não caberia. Mas tem bagageiro maior pra malas pequenas. Comecei lá pelas 15:30, sendo possível a visita até às 19:30, se não me engano, por € 13,00 a inteira. É grande pra chuchu e estas poucas horas não foram suficientes, pois lá dentro tem a cidade em si mas também um museu, um antiquário, loja de souvenir e livraria. E é muito interessante. Pensar que tudo aquilo foi preservado por séculos vindo a ser o melhor testemunho da era Romana graças a uma tragédia sem tamanho, o sacrifício de tanta gente cozida, intoxicada e soterrada. Daí, vão aparecendo os detalhes que encantam, uma estátua aqui, uma arena de gladiadores ali, um anfiteatro, um prostíbulo, mosaicos, o luxo que não salvou ninguém... e você vai percebendo que tudo era muito parecido com o que é uma cidade hoje. Visita incrível completada, lá fui eu pra Sorrento (€ 2,40). Em Sorrento, tinha reservado um lugar meio diferenciado. Encontrei pelo hostelworld o “Campogaio Santafortunata”, um camping com cabanas, mas tinha uns comentários meio estranhos dizendo que o lugar era escuro, que era como cabanas na selva, tinha cobra... mas o lance “natural” me pegou, pois vi pelo google maps que eles tinham uma praia particular e ficavam no acesso para um dos lugares mais bacanas ao redor de Sorrento, o Bagni de Regina Giovanna (um “poço natural” cercado por ruínas romanas e com uma pequena comunicação com o mar). O ponto do ônibus em Sorrento que dá acesso ao camping está à esquerda de quem chega da rodoviária e vai pra cidade em direção ao mar, tem uma placa informando “Sita”. Mas tem que perguntar pro motorista se passa na frente do camping. E pedir pra ele avisar quando chegar lá. Isso na Itália é furada, nenhum motorista me avisou coisa alguma mas sempre deu certo no final, pois você mesmo detecta o local de dentro do ônibus. É sempre bom ter alguma referência visual de antemão, mesmo que uma informação prévia por email com o estabelecimento. Chegando, fui pagar as duas diárias, mas não foi possível pois queria pagar com cartão e, como já eram nove horas da noite, só dava pra pagar em “cash”. Sem nenhum estresse, o recepcionista disse que eu poderia pagar com cartão no dia seguinte. E lá foi o funcionário me acompanhar até meu “quarto”. Fomos descendo uma estradinha, com muuuuito verde e tudo muito bem cuidadinho, uma coisa meio Suíça, tudo de cerquinha de madeira com umas casas/chalés ao redor em meio às árvores. Adorei. Chegamos a nove cabaninhas enfileiradas, cada uma com uma oliveira e um deque na frente e escadinha de acesso num terreno íngreme, além de mesinha e cadeiras. Lindo. Abri a porta, já sem o funcionário. Uma cama de casal e outra de solteiro, banheiro, frigobar e ar-condicionado. Daí veio um medão de ter coisa errada na jogada, tipo, acorda Carolayn, que pelo valor da diária só poderia esperar um hostel, por mais que goste muito deles. Tipo um espaço compartilhado. E lá estava eu, com tudo só pra mim. Deu medo de que tivesse faltando um zero nos valores da internet. É por aqui que eu termino hoje. Com medo mas feliz. Vejamos amanhã se coisas “terríveis” vão acontecer na hora de acertar a conta e se “penas voarão” na confusão. Pompeia, com o Vesúvio ao fundo: 11-10: Acordei meio tarde lá pelas 9:30, pois o sono foi ótimo e quis aproveitar o quarto exclusivo. Fui até a portaria, paguei tudo (junto com o adiantamento da época da reserva e taxa municipal de visitação, dá € 58,00 por duas diárias). Tomei banho e fui dar uma conferida no acesso ao mar do camping. Lindão, com paisagens bem legais, mas tinha placa dizendo que não podia nadar caso não houvesse salva-vidas. Não que duas gringas não estivessem saindo da água fazendo “as egípcias” (como quem diz: não é comigo). Fui pro restaurante (vista panorâmica lindíssima ali) lá pelas 12:00 e pedi um filé de frango com um molho local, mais uma salada completa e suco de laranja, tudo por € 15,00. Depois, paguei internet por 24 horas (€ 4,00) e dei uma checada na vida virtual. Paguei um passeio pro dia seguinte de barco pra Capri, por € 45,00. Daí, fui conhecer algo que já tinha visto no google maps e estava muito curioso para conferir. É que o camping está próximo de umas ruínas romanas que rodeavam um “poço” chamado Bagni dela Regina Giovanna, de águas transparentes boas pra banho. Na verdade, é como se fosse uma micro-baía rodeada por um paredão e pelas ruínas e mato que cresceu ao redor. Fica no sentido oposto de Sorrento, em direção ao Cabo. Você sai do camping Santafortunata pela rodovia, anda por ela (um perigo, micro acostamento, cuidado) uns 300 metros até chegar a um bar do lado oposto chamado “Bar Del Capo”, e entrar em um caminho em direção ao mar ali em frente. Singelo, mas bem legal. Ao lado, locais ótimos para banho de mar (e a temperatura da água excelente para um início de outono europeu), já de frente para o mar aberto mas protegido por rochedos. E aquela água verdinha e transparente. Nadei e tomei um solzão de fim de tarde. Tempo ótimo. Voltei pro camping. Fiquei sabendo pelo funcionário brasileiro do restaurante do camping, o Rafael, que mais adiante tem uma praia de nudismo. Não a vi, mas tinha uns agitos nas moitinhas ao redor. Jantei no restaurante do camping uma lasanha com uma salada por € 15,50. Uma delícia. Apesar da minha gigantesca satisfação com o camping e sua localização, eu já tinha me tocado ao planejar a viagem que ele ficava meio longe de Sorrento, o que significa longe de mercados com artigos abundantes e variados. Até tem mercadinho próximo, mas pouca variedade de gêneros e preços nada camaradas. Aliás, tem mercadinho no camping. Pra se ter uma base, a água mineral sem gás de 1,5 litro custa € 1,5. Sabendo disso, eu trouxe aquele estoque de água e comida lá de Nápoles. Fica a dica. 12-10: Acordei, tomei o café da manhã do camping por € 7,00 (um bufê interessante e abundante), e fui esperar o pessoal do passeio (eles te pegam ali às 9:00, te levam pra marina Massalubrense, de onde sai o barco – 10:00 - dão a volta completa na Ilha de Capri, te deixam no porto principal – Marina Grande - às 12:00, e combinam de buscar todo mundo às 17:30). Lindão o passeio, passam próximo das entradas das grutas Branca, Azul e Verde (mas não podem se aproximar muito, pois o tamanho da embarcação, grandinha, não permite – é o que alegaram) e pelo meio dos Falagliones, rochedos peculiares que se sobressaem na paisagem, inclusive um deles possui um arco, como um túnel, e claro que o barco passa por ele, com o guia dizendo “l'arco dell'amore”, mas com uma tal malícia na voz que não dá pra levar a sério, é como se dissesse “o buraco da putariiiiiiiia”, muito engraçado. Ele deve estar de saco cheio de tanto falar isso o tempo todo e daí extravasa um pouco. Com o tempo restante (12:00 às 17:30), dá pra fazer uma programação meio que rápida pela ilha, inclusive ir até a famosa Gruta Azul. Tem saída pra lá do vilarejo de Anacapri, são ônibus específicos. Não me interessei, pois é muito trampo pra tão pouco tempo (dizem que nem cinco minutos de observação dentro da Gruta), mas falam que é uma experiência marcante. Preferi ir até o ponto culminante da Ilha, o Monte Solaro, a 589 metros de altitude. Pra se chegar lá, também tem que ir de ônibus do porto até Anacapri (€ 2,00 pra ir e mais € 2,00 pra voltar) e de lá pegar o teleférico (€ 11,00 ida e volta) que te leva até o topo (13 minutos cada “perna”). Lá tem um restaurante, banheiros e as vistas são incríveis mesmo e o tempo estava super ensolarado. Antes disso, almocei por Anacapri e até que os preços foram muito menores que os de Cinque Terre (ponto pra ilha, mais bonita e mais barata). Aliás, comi uma pizza de queijo, ricota e molho de tomate com massa de biscoito que estava uma delícia (€ 14,00 pela pizza mais uma coca, na Sciuè Sciuè, Via Giuseppe Orlandi, 73, Anacapri) - outro ponto pra Ilha de Capri, e olha que foi praticamente o primeiro lugar que apareceu – humilhou Cinque Terre, onde até escolhendo me ferrei. Fãs de Cinque Terre, perdoem-me, mas foi um fato. Com o fim do passeio e a volta pro “continente”, aproveitei uma carona do camping até o ponto de ônibus “Sita” próximo à estação de trem no centro de Sorrento, e lá fui eu de mala e cuia pra Atrani, na Costa Amalfitana, ao lado da própria Amalfi (€ 2,90). Isso no início da noite. E foi aí que a coisa pegou. Não se enxergava quase nada, apenas luzes, e o ônibus só que subia, subia, subia... naquela rodovia estreitinha que deixava o corpo de quem tivesse sentado do lado direito frequentemente a menos de 0,5 metros do precipício, conforme todos relatam e agora eu também. E dá-lhe curva, montanha russa, buzinaço e palavrão, a gente se acostuma. Fiquei imaginando aquilo durante o dia. Aliás, acredito que seja uma paisagem tão única e incrível demais da conta, que eu acho que teria que ter lei que proibisse essa viagem à noite. Depois de amanhã, voltando pra Nápoles eu vou me esforçar pra ir durante o dia e ver isso aí em melhores condições. Aliás, essa experiência da viagem e as características das cidades atravessadas já me permitem dizer o seguinte: pela segunda vez na viagem, sendo a primeira Lauterbrunen e arredores (Suíça) posso dizer que meu queixo caiu e não levantou mais. O que é essa Costa Amalfitana? Tudo aquilo e mais um pouco que eu esperava da Itália é aqui no sul que estou encontrando. E vejamos se amanhã tudo isso se confirma. Ou se me arrependerei horrores de pensar assim. Mas o meu impulso agora, que só tenho mais dois dias e meio na Itália, é remarcar minha passagem pra daqui uns seis dias ou até quem sabe eliminar Londres e ficar aqui, desmarcando o hostel de lá (possível até dois dias antes) e perdendo a passagem de trem Londres-Paris. A coisa pegou fortemente nesse tal de sul da Itália, a começar pelo caos adorável de Nápoles. E olha que vi coisa nesse país, hein? Apaixonado, mais nada! Que que eu faço, minha gente? Uma linda noite pra pensar... Se eu disser que cheguei em Atrani em êxtase, fui pro hostel e estava tudo fechado, mas eu já em estado de graça nem me incomodei. Daí um fulano (o primeiro que eu vi na frente, não tem muitos por aqui, é uma vila, adorável vila) já conhecia o dono, já foi chamar, já resolveu tudo. É o hostel A’Scalinatella, Piazza Umberto I, 5-6, duas noites por € 66,00 (já incluindo “taxas de visitação”), reservado meses antes pelo Booking. Estou aqui num quarto de hostel pra duas pessoas, com banheiro dentro, sacada com varanda, somente eu no quarto, felizão da vida, querendo que isso aqui não acabe nunca, com o sino da igreja tocando, quando abro a porta pra sacada é aquela paisagem urbana tipicamente sul-italiana, até pra mim tem varalzinho que dá pra rua e em cima do andar de baixo e eu já pendurei sunga molhada e toalha lá, meu Deus, Buda, Alá, energias, universo, como estou feliz! OBS: quando escrevi isso tudo, como puderam observar, a viagem estava acontecendo. E eu, empolgadíssimo com o sul da Itála. Mas mantive os planos iniciais e fui no dia marcado pra Londres. E ali foi tudo incrível, também me apaixonei por Londres, ainda bem que não mudei a programação original. Espero voltar tanto pro sul da Itália quanto pra Londres, entre outros destinos dessa grande viagem. Também tinha me esquecido de dizer que, chegando em Amalfi, pega-se outro ônibus no mesmo local em que o ônibus anterior te deixa, com destino a Atrani... que está a cinco minutos andando de Amalfi, é só seguir pela direção oeste. Tem também um túnel que liga as duas. Só vale a pena pegar o ônibus se as malas forem muito incômodas. Claro que o motorista não me avisou que andando era muito mais prático, apesar de termos esperado por uns quarenta minutos pelo horário da saída do ônibus. Alguns são realmente muuuito chatos. Entrada da Gruta Verde, Ilha de Capri: I Faraglioni, Ilha de Capri: 13-10: Acordei com o firme propósito de ir até Ravello e a Trilha Sentiero Degli Dei, entre Bomerano e Positano, passando por Nocelle. Mas, pensei, vou dividir as coisas. Como iria embora de Atrani no dia seguinte, resolvi deixar a ida a Ravello pro dia 14, pois é rápida (50 minutos até lá, subindo de Atrani, menos ainda pra voltar, pois é descida) e, quem sabe, faria até mesmo pela manhã antes do check-in. E lá fui eu pra trilha. Pega-se o ônibus pra Agerola em Amalfi, na praça que serve de ponto de chegada e partida pros ônibus (5 minutos andando de Atrani, sim, é pertinho demais) descendo em Bomerano - € 2,00 -paisagens incríveis nessa viagem). Como o ônibus só sairia 12:30, aproveitei o tempo pra passear em Amalfi, indo conhecer um complexo que reúno Claustro do Paraíso, Basílica do Crucifixo, Museu, Cripta e a Catedral (forte influência bizantina – visita simpática – mas o melhor de longe é a fachada da Catedral, impressiona). Dali, segui os passos de um rapaz que esqueci de pegar o nome, daqui do mochileiros, mas segui meeeesmo, é o mesmo que indicou o hostel de Atrani. Segundo ele, seria legal ao passar pelo centro de Bomerano (incontornável, pra quem vai pra trilha, mega bem sinalizada), na “salumeria”, comprar queijo “fior de Latte”, presunto “parma” e pão de focaccia. Deu tudo quase certo, mas não tinha o pão de focaccia, aí, cruzei a rua até a padaria e comprei pão ciabata (meio diferente dos nossos, mas muuuuito bom), além de umas peras e uma coca (€ 12,00 por tudo – o presunto foi meio carinho). E, claro, já levava água abundante, pois a trilha é longa (umas 4 horas ao todo, mas acabei fazendo ¾ dela). Paisagens lindas, penhascos super altos, bateu uma vertigenzinha num certo momento (tenho vertigem, mas acho que grande parte dela foi curada na Suíça, na base do vai ou racha), mas nada que atrapalhasse os planos. Vale a pena. E, nesse sentido, é quase somente descida. Daí, acho que vale a pena evitar o sentido contrário (Positano-Bomerano), a não ser que a tara por exercícios for incontrolável. Mas vai penar. Vi muita gente meio que arrependida dessa opção. A cara, a respiração e a cor deles diziam tudo. Voltando pra Atrani de ônibus por Positano (€ 2,00 - meio que envergonhado, pois estava pura poeira e provavelmente vermelho que nem peru, além do cheiro/suor) e, chegando no hostel, qual não foi minha surpresa ao saber que o check-in no dia seguinte seria às 10:00. Ok, alguns hostels são assim, mas quando você faz planos pra sua manhã você imagina que seria ao menos 11:00. E, detalhe sórdido, não permitem depósito de bagagem pra pegar quando voltasse de Ravello. Chorei as pitangas, mas toda a simpatia inicial virou um “isso aqui é um negócio, não posso agir assim!”, meio que ignorando como a coisa funciona no resto do mundo. Conclusão, ou acordaria muito cedo pra ir, curtir e voltar antes das 10:00 (mais banho e café da manhã) ou já era. Dormi mal pra caramba e não rolou Ravello, pois acordei mega cansado. Triste. Amalfi: 14-10: Ida pra Nápoles (€ 2,00 de ônibus até Sorrento mais € 3,90 de trem até Nápoles, além de € 1,10 de metrô até o hotel/hostel Bella Capri, diária por € 16,00 – quatro euros a menos do que da primeira vez, mas o quarto já não era o mesmo, agora era um quarto para quatro pessoas). Saí as 9:30 de Amalfi e cheguei às 14:00 no hostel, sempre com algum tempinho nas esperas/transições. Aproveitando o dia, fui conhecer a Praça do Plebiscito (interessante) e a Galeria Humberto I (linda, vale a pena), além de um passeio descomprometido pela orla até o Castelo do Ovo (sem entrar, já era tarde). Jantar que também valeu por almoço por € 23,00 - nhoque com molho pesto, salada do chef, coca e 4 bruschettas (aqueles pães com tomates picadinhos). Á noite, encontrei uma sorveteria mega boa na beira mar e dei conta de tomar € 8,00, tava inspirado. Muito linda Nápoles. Esse foi o último dia integral pela Itália. Amanhã, avião às 11:00 até Londres. 15-10: ônibus “Alibus” (€ 4,00), que sai da avenida Beira Mar em direção ao aeroporto (tem um ponto específico para ele a 2 minutos do hostel), por € 4,00 – o ticket pode ser adquirido em tabacarias ou em bancas. Voo Nápoles-Londres, saindo às 11:00, por € 143,69, chegando no aeroporto de Gatwick às 12:50 (caríssimo, mas quando fui comprar com cinco meses de antecedência, fiz toda a transação achando que fosse em reais e era em euros. Até hoje acho que em algum momento fui ludibriado pelo site. Mas deve ter sido mancada mesmo. Então, cuidado ao fazer as reservas). O relato agora segue em um tópico chamado “Londres-Paris-Madrid”, já que foram as únicas cidades pelas quais passei no Reino Unido, França e Espanha. Depois, tem o relato “Marrocos – 16 dias”.
  22. Olá, Rick Wakeman! Eu não passei pela imigração pois tenho cidadania espanhola, então fui direto para a fila dos cidadãos da União Europeia,além do que o meu passaporte espanhol é o "eletrônico", ou seja, desses novos que tem um logotipo na capa que parece um olho (o meu passaporte brasileiro também é assim), o que significou somente parar em frente a uma máquina que te fotografa e passar o passaporte na leitura ótica. Nem vi nem falei com ninguém, é tudo muito prático.
  23. Fotos, pela ordem: 1 - Castelo de São Jorge, Lisboa 2 -Quinta de Regaleira, Sintra 3 - Palácio da Pena - Sintra 4 - Praça em frente ao Padrão do Descobrimento, vista do alto do monumento 5 - Lagos, Algarve 6 - Lagos, Algarve 7 - Restaurante Pintos, em Lagos, pra se ter uma ideia dos preços ali praticados 8 - Monsaraz, 9 - "Revestimento" da Capela dos Ossos, Évora 10 - Museu do Presépio, lindão, Évora 11 - Praça principal de Tomar 12 - Paisagem recorrente vista do trem, no vale do Douro 13 - Santuário de Bom Jesus, Braga
  24. Olá, D Fabiano! Obrigado pela informação! Então, eu já tinha passado antes por Portugal, o relato já está postado. Resolvi que postaria por país pois sabia que ia ficar muito longo e talvez desanimaria pra ler. Depois da Suíça eu fui pra Itália, o relato tá quase pronto. Só vou dar uma revisadinha e já boto ele no tópico "Itália". Neste momento, estou no Marrocos. Então, eu tenho cidadania espanhola, então é só parar na frente de um equipamento, passar o passaporte em outro e tá tudo certo, nem precisa conversar com ninguém nem mostrar nada. Nem fila tinha.
  25. Percebi esses dias que tinha colocado meu “relato de viagem” pela Suíça no tópico “roteiros de viagem”. Agora sim, aqui está no lugar certo! Depois de muito enrolar, aqui vai meu primeiro relato para o mochileiros.com, site que tanto me ajudou em praticamente todas minhas viagens. Espero que possa ajudar a quem se interessar, é meu único propósito, retribuir de alguma forma. Essa viagem está sendo longa (83 dias), passando por Marrocos (um dia), Portugal (19 dias), Suíça (8 dias), Itália (19 dias), Londres (seis dias), Paris (seis dias), Espanha (cinco dias), Marrocos novamente (15 dias) e cidade de São Paulo no restante dos dias. Faz parte de um projeto bacana de transformar 2017 em um ano semi-sabático depois de trabalhar desde os 13 anos, e desde os 14 com carteira de trabalho. Sou professor de geografia, moro em Nhandeara (interior de São Paulo), tenho 45 anos e sou mochileiro nato. A maior parte do trajeto foi e está sendo feito com hospedagens em hostels, que geralmente adoro. Acho que mesmo se tivesse um dinheirão, ainda optaria pelos hostels e seus tipos humanos “universais”. Adquiri as passagens de ida e volta pela “Decolar.com”, a 2.600 reais, em março de 2017, ou seja, com 5 meses e alguns dias de antecedência. Optei por fazer relatos separados por país. Assim, vou pular o primeiro dia no Marrocos e ir direto pros 19 dias portugueses. Já fiz várias viagens interessantes na vida, mas todas pela América Latina, de onde nunca tinha saído. Então, reuni os destinos europeus que povoavam meus sonhos, nessa viagem de arromba. São destinos em que depositava muitas expectativas (Suíça, Cinque Terre, Roma) ou outros obrigatórios, como Veneza, Londres e Paris (não tinha muita expectativa, mas queria ver qual é a delas e o que poderiam me ensinar. Além do que, será preciso ter expectativas pra gostar delas? Acho que não). Portugal eu tinha certeza que seria muito agradável, por conta da língua e do povo, e Marrocos é o destino exótico que precisa ser desmitificado e que tá logo ali, então precisei aproveitar a oportunidade. A Espanha, nas minhas pesquisas, foi dos que mais me surpreenderam, então resolvi passar ali apenas como trampolim pro Marrocos e voltar exclusivamente pra ela numa outra oportunidade (além do que, tenho passaporte espanhol, meu avô veio de lá). Pra você que se interessar, uma boa viagem! Vou tentando postar algumas fotos aqui, mas quem quiser poderá encontra-las no meu facebook, por país em “álbuns”. Dia 19/09 - Saída da cidade do Porto (Portugal) e embarque para Genebra, na Suíça, num voo da TAP de 2 horas de duração (atrasou um pouco) que me custou R$ 176,99 (comprei com 5 meses de antecedência). Na Suíça, tudo rápido, nem precisa de muita burocracia, pois ela faz parte do Espaço Schengen, mesmo sem pertencer à União Europeia (ou seja, turistas que já estão nesse espaço, como eu, que cheguei por Portugal, que também faz parte, não pecisam dos trâmites já realizados lá). Junto ao aeroporto há uma estação de trem, e lá fui eu comprar o famoso Swiss Pass (376 francos suíços para 8 dias contínuos, mas tem trocentas outras opções – um dia, quatro dias, quinze dias, dias alternados...), é o passe para atrações turísticas (tipo museu) e transporte público integrado (todo e qualquer transporte público, seja trem, ônibus ou barco, isso no país inteiro, além de dar desconto nos trens turísticos, que são privados e mais caros e te levam às maiores atrações “montanhosas” do país). Confesso que morria de medo de chegar numa cidade que fala francês e ir para outra que fala alemão (Interlaken) e não conseguir tudo o que gostaria, como parar no meio do caminho em Berna (a capital – língua alemã) para um rolezinho por ali, e aquela coisa da insegurança para achar um guarda-volumes ou mesmo um banheiro, ou comprar coisas como comida e água. E daí, meu primeiro choque com a realidade suíça. Até então, pra mim, o povo chileno era imbatível quanto à prestatividade. E o que eu digo agora? Povo suíço pra prêmio Nobel ou criemos um prêmio pra eles. Povo lindo, solidário, educadíssimo em níveis que jamais nem imaginei no meu mais otimista sonho de brasileiro que “malemá” domina o inglês e espanhol. Coisas como se antecipar quando percebiam que eu estava confuso com placas e direções, ou se prontificar a me pagar (um rapaz pagou) pra entrar no banheiro quando percebeu que eu não tinha moedas para usá-lo (isso tudo sem eu pedir absolutamente nada), me ensinaram com um sorrisão acolhedor como chegar até os ursos de Berna. Isso fosse o guarda, o funcionário da ferrovia ou um cidadão qualquer na rua. Nunca vi nadinha sequer parecido. OBS: depois de rodar o país quase inteiro, posso dizer que essa é uma característica mais perceptível em Berna. E talvez tenha a ver com a altitude, rsrsrs, pois acima de 2.000m não vi esse comportamento em quase ninguém, e foi na altitude que levei um pito homérico. Falo sério, talvez seja científico. Brincadeira, claro. Mas nas cidades pequenas e zona rural, o povo foi menos acolhedor. Pois bem, como saí de Genebra às 15:00 com um trem pra Interlaken (meu destino) passando por Berna onde trocaria de trem, não tinha certeza se daria pra dar um rolê na capital, dada a insegurança com o idioma. Como o Swiss Pass permite embarcar e desembarcar do trem quantas vezes quiser e pra onde quiser, resolvi arriscar e descer em Berna e ver como me saia na primeira experiência suíça. E foi aquilo que escrevi antes. Tudo perfeito, encontrei o guarda-volumes (com ajuda e muito inglês macarrônico), me informei quando sairia o último trem pra Interlaken e lá fui eu explorar Berna. A estação é bem próxima do centro histórico (uns dez minutos ou menos), que é muito simpático, tem um relogião famoso numa torre em que, nas horas cheias, há uma dinâmica com bonecos (que não vi, mas há quem tenha falado muito bem). Como o tempo era curto (nem tanto, mas tinha receio que faltasse), fui cumprir minha meta: ver os famosos ursos que vivem ali pertinho, em um espaço exclusivo, rebaixado, onde os ursos (vi três) interagem com um trecho de água do rio ao lado, um gramado, algumas plantas e me pareceram bem tratados e com ótimo aspecto. Depois disso, voltei para a estação de trens e comi um lanche e tomei um suco de laranja por 12 francos suíços, e peguei o trem para Ost Interlaken (é o mesmo que Leste de Interlaken, mas é claro que eu me confundi e fui parar na West Interlaken – meio que associando o O de Ost com Oeste, portanto, todo cuidado é pouco). Até iria andando 20 minutos, segundo disseram, até a outra estação, já que o hostel fica em frente a ela. Mas resolvi ir de taxi (12 francos suíços, raios múltiplos). Cheguei ao hostal Interlaken Youth, pra quatro noites por 154 francos suíços. Além da super-estrutura, fica ao lado da estação ferroviária, o que facilita imensamente a vida. Um quarto pra seis pessoas, todas muuuuuito estranhas na primeira noite, depois foi melhorando. Teve quem não respondesse boa noite, teve quem me ajudou a descobrir como o armário funcionava, visivelmente a contragosto. Mas a estrutura do hostel é incrível e tem almoço e jantar a 12,50 francos suíços. O café da manhã está incluído e só amanhã saberei como é, mas boto maior fé. Expectativas: com o Swiss Pass ninguém me segura, quero cruzar o país inteiro umas trocentas vezes já que eu adoro uma viagem de trem e ainda mais cruzando essas paisagens que são uma coisa de outro mundo. O trem de Genebra para Berna, que tem trechos nem tão turísticos assim, já é incrível (no mínimo), imaginem os outros. De Berna pra Interlaken deve ser lindo mas fiz o trecho à noite, então não deu pra ver nada pois o trem vai com a luz acesa. Peninha! Outra coisa: se tiver tempo firme vai rolar um Jungfrauzinho (a mais famosa montanha de Interlaken). Dedos cruzados. Dia 20/09: Sim, o povo do quarto está entre os mais estranhos do universo. O tiozinho que não responde “boa noite” botou um despertador pra tocar às sete da manhã. Muito cedo isso por aqui, ainda escuro nesta época. Mas o despertador tocou e... tocou... tocou... sério, por uns cinco minutos. “Morreu o homem!”, pensei. Fui lá e desliguei o despertador (depois me arrependi e pensei que seria melhor tê-lo acordado). Cinco minutos depois e novamente o despertador tocou. Desencanei, acordei, entendi que era um sinal de Deus tipo “vá”, peguei minhas coisas, saí do quarto e o tio ali, imóvel! Café da manhã: sabe aquele cafezão-sonho que você nunca, nunquinha, achou que veria num hostel? É a segunda vez que isso acontece nesta viagem. A primeira, foi no hostel do Porto. Tudo abundante e variado: flakes, danone, iogurte, pães, geleias, sucos, frutas, leite, chá... ok, o hostel é o mais caro da vida, mas não achava que rolaria assim (lembrando: provavelmente a suíça tem o mais alto custo de vida de todos os sete países dessa viagem). Comi loucamente pra compensar um pouco os custos, pra aliviar no almoço, pra aproveitar que era tudo gostoso e de qualidade... cansei de comer. E estava cansado de ter acordado cedo pelo despertador do fulano, então voltei pro quarto pra dormir mais um pouco. Estou eu lá dormindo e me entram duas pessoas orientais falando mais que “o homem da cobra”, ignorando minha presença. Chato isso. O cara tá dormindo, “manera” um pouco, assim penso eu. E falaram alto, hein? Parecia de propósito, chata a falta de desconfiômetro. Daí, mais cansado do que nunca, dormi até às 12:00. Fui até a estação ferroviária pensando em um trem pra Lucerna e depois pra Zurique, mas fui demovido pelo funcionário da estação. Ele sugeriu que, estando o tempo bom (e estava) e com o tempo que me restava do dia, o correto seria ir até Lauterbrunnen, subir até Murren, depois Grimewald e, finalmente, de “cable car” até a montanha do 007 (Schiltorn), onde um dos filmes dele foi filmado. Acatei. E fui meio sem expectativas, acho que pelo cansaço. Mas bastou algumas centenas de metros pra me empolgar. O que rola é o seguinte, a suíça resolveu com o destino, com os deuses, buda, Alá, Jeová, mas, veja bem, com todos eles juntos, que seria o país mais lindo do mundo. Já visitei muito lugar no Brasil, alguns trechos legais de Cuba, muita coisa nos Andes (de Machu Picchu até a Patagônia), Salar do Uyuni (com água, divino), Atacama etc. Poderia dizer que “haaaa, são coisas diferentes” ou sei lá o quê, mas o que acontece é que esse tal trem vai subindo, subindo, e o queixo caindo, caindo! Falemos da natureza do “queixo que cai”, ele “cai” e “volta” logo a seguir ao seu normal. Aqui, meus queridos, cai e fica. Porque depois daquela paisagem inigualável que você acabou de ver, vem outra, e outra, e mais espetacular ainda, daí você vê a casinha com gerânios (ou sei lá que flores) na janela ao lado da vaquinha com sino no pasto na beira do precipício com florestas “desenhadas/pintadas” ao redor e montanhas nevadas ao fundo, mas tem também um lago lá embaixo... só por Deus! E o dia tava lindo, o sol forte, tudo certo... até que veio a montanha do Bond, James Bond! A expectativa é que fosse a cereja do bolo, já que a plataforma de observação tá a uns 3.000 metros, tá em ciminha do topo, tem visão 360 graus, museu do Bond (muito legal, estão lá os filmes sendo exibidos, as melhores cenas, um mapa com os lugares do mundo todo que receberam as filmagens, Brasil inclusive, um simulador de voo legalzão como se sobrevoasse os arredores...) mas, até onde a vista alcançava, só nuvens, nuvens e nuvens. E neblina. Ou seja, não se enxergava nadica além de uns 50 metros do seu focinho. Broxada mega! Todo mundo triste. Até porque não é nada barato. Mais precisamente 82,20 francos suíços (50% de desconto pro Swiss Travel Pass). Ou seja, com desconto paguei uns 140 reais. O transporte todo (trem e cable cars, tanto pro Schiltorn – menos o último cable car - quanto pros arredores) está incluído no Swiss Travel Pass. Então o lance é o seguinte. Só subir a montanha se o serviço meteorológico garantir que o tempo está bom, mas muito bom mesmo, pois lá embaixo em Interlaken o sol reinava, e mesmo assim não rolou lá em cima. Peninha. Mas valeu o dia, porque as paisagens do caminho são no mínimo emocionantes, grandiosas, espetaculares! Só faltou o topo da montanha, mas quer saber, duvido que seja mais interessante do que a “metade do caminho”, que é estupenda. Toque legal: depois de subir tudo isso de trem e de “cable car”, vale a pena descer a pé as trilhas que ligam alguns desses vilarejos. Eu, mesmo tendo começado às 12:00 e tendo portanto pouco tempo, fui de Gremewold até schelker a pé e valeu muito a pena. O caminho é bem sinalizado, não tem como se perder, mas prepondera a lógica: basta ir descendo. Outros gastos do dia: o Hostel disponibiliza jantar por 12,50 francos suíços (um salsichão, batatas pequenas cortadas ao meio cozidas/fritas – sei que tem um nome mas não me lembro qual – e legumes cozidos). Bem farto e legal. Mas quem quer acrescentar salada, sobremesa e café, fica 17,50. Mas dá também pra comprar coisas no mercado pra lanchar no hostel a preços módicos (e tem supermercado a cem metros). Levei na trilha 1,5 litro d’água, um pacote de docinhos cobertos com chocolate, um pacote de biscoito também coberto com chocolate e um suco de laranja, tudo por 8,10 francos suíços, mas tem de tudo. Obs (dias depois): há uma característica principalmente em Interlaken que é o grandessíssimo número de orientais turistas por ali, ao menos neste mês de setembro, sei lá se tem a ver com o período de férias deles, ou se tem a ver com alguma empresa especializada em trazer turistas asiáticos, ou simplesmente que a Ásia está dominando o mundo e quase só eles tem dinheiro pra gastar onde a programação é muito cara (e em Interlaken é – a subida ao Jungfraujoch, por exemplo, sem descontos com passes, sai por 204 francos suíços, isso na segunda classe, veja bem – é facada mega – com 25% de desconto se você tem o Swiss Pass). Então, é muito comum você encontrar trens para os destinos mais procurados dominados por pelo menos 90% de asiáticos. Torça pra que isso aconteça, pois é divertidíssimo. Toda aquele comportamento tímido que se nota no Brasil quando um oriental é minoria, se esvai quando são maioria. E não economizam nas interjeições quando o lance é legal. Então, cada nova paisagem é um sonoro “Hoooooo”, ou “Uauuuuuuu” que não acaba nunca, deixam mesmo a emoção extravasar. E os respectivos flashes. Estive também em trens com vagões ocupados por europeus e não tem nem 10% da mesma graça. 21-09: Manhã – visita ao Schynige Platte (trem para Wilderswill, outro trem até o topo da montanha, a quase 2.000 metros). Sei que não é um programa tão conhecido, mas eu adorei. E, comparando, a não ser que o objetivo seja ver muuuita neve, muito melhor do que a visita ao Matterhorn, que fiz alguns dias depois. E dá pra fazer zilhões de trilhas lá em cima. Com Swiss Travel Pass é free. À tarde, trem até Grindelwald, pra conhecer a cidade. Dali, erroneamente, entrei em um trem parado com destino a Kleine Scheidegg, cidade que dá acesso ao monte Jungfrau. Achei que com o Swiss Travel Pass fosse possível usá-lo, só que não. Levei um pitaço, mas me prontifiquei a pagar até a próxima estação, mas a mulher do trem não tinha troco e não aceitava cartão. Então, desci e voltei a pé no que foi uma trilha incrível (há males que vem pra bem), não fosse ter pisado na merda ao tirar foto da vaquinha com sino estilo milka (há males que vem pra males, até hoje acho que o cheiro da merda não saiu com a lavada que eu dei). Mas, tudo certo, vida que segue. 22-09: resolvi aproveitar o Swiss Travel Pass e ir até Zurique (uma das cidades mais caras do universo), passando por Lucerna (Interlaken-Lucerna é um trecho lindo, a viagem já vale por essa paisagem). Voltei por Zurique-Berna-Interlaken. Em Zurique, também por conta do passe, visitei o Landesmuseum (ou Museu Nacional Suíço), moderno e lindo, na linha museu interativo. É logo atrás da estação de trem. Super recomendo. Tem biblioteca com vários jornais europeus e parque divino pra descansar ao fundo. Depois, fui ao parque Lindenhof, simpático, já com as árvores amarelando pela chegada do outono. Dali, fui meio sem rumo até qualquer igreja que aparecesse numas de conferir a diferença entre estas protestantes e as católicas mundo afora. E são muito austeras, sem quase ornamentação nenhuma. E transitei pelo centro da cidade, que não é um destino obrigatório mas resolvi conferi-la já que é a maior cidade suíça. Até que os preços regulam com o restante da Suíça, mas restaurantes cobram uns 20 % a mais. Em Berna, passei por um mercado (COOP, há muitos pela cidade) onde comprei uma fanta, um lanchinho (pão com atum), um macarrão pronto pro consumo e três maçãs “Golden”, tudo por 10,45 francos suíços (34 reais, no valor comercial), pra se ter uma noção de preços. 23-09: finalizando Interlaken, peguei o trem até Zermat (2 horas e quinze minutos). Um caminho bonito, mas não tanto quanto o de Interlaken-Lucerna e sem comparação possível com Interlaken-Lauterbrunnen e arredores, além de haver um trecho longo por túnel. Eu, enrolado como sempre, acabei não acordando cedo como previsto, então saí com o trem das 10:00 (tem vários, quase sempre de meia em meia hora), chegando 12:15, depois de duas trocas (em Spiez e Visp). A ideia é que, se o tempo permitisse, já visitasse o Matterhorn (o pico que aparece na embalagem do Toblerone) ainda nesse dia, mas havia algumas nuvens no céu, o que significa “perigo” de tempo ruim lá em cima, mesmo que o sol rache aqui embaixo. Então, ficou pro dia seguinte mesmo. Ao acordar e não ver o tempo ensolarado e limpo, iria ou pra Montreaux ou pra Locarno, deixando o Materhorn pro dia seguinte. Se o tempo tivesse bom, vou de manhã pro Matterhorn e, à tarde, talvez um ou outro desses destinos, assim pensei. Então não tem jeito, é acordar cedo e fazer render o tempo. Enfim, nesse dia não houve programação intensa. Fui pro hostal (Zermatt Youth Hostel, 265 reais por dois dias, cerca de 15 minutos a pé da estação ferroviária, mas a recepção só funciona a partir das 16:00, podendo deixar as malas lá mesmo antes disso). Zermatt é simpática mas tudo cheira a turismo. Daí, fica um pouco aquela sensação de que todo lugar quer seu dinheiro e ponto. Valorizando o local, é legal dizer que não circulam veículos poluentes. Há micro caminhões e táxis que usam combustível não poluente ou motores elétricos. Mas o fluxo que impera é o de pedestres. Dando um rolê pela cidade, encontrei o museu local, ou Museu Matterhorn, cujo ingresso já está contemplado com o Swiss Travel Pass. Bem interessante, pois é uma reprodução do modo de vida tradicional dos povos daqui, e um apanhado de informações legais sobre o Matterhorn, seus heróis e suas vítimas (tem até uns curta-metragens bacanas permanentemente sendo exibidos). Recomendo. Próximo ao museu (tudo é próximo, a cidade é muito pequena), temos a igreja de St. Mauritius, protestante e com pinturas bastante curiosas e moderninhas, diferentíssima da iconografia católica. O altar é até bem ornamentado para os padrões das igrejas protestantes. Ao lado, um pequeno cemitério para os alpinistas e seus guias que morreram ao escalar a montanha, entre outros. E também ali do lado, a ponte Kirchebrucke, de onde já é possível avistar o Matterhorn, mas ainda meio longe. 24-09: acordei e o tempo ainda indefinido. Resolvi o que ainda não havia se passado na minha cabeça: fazer uma trilha. No caminho, passei por onde saem os “cable car” (tipo bondinho do pão de açúcar) pro Matterhorn Glaciar Paradise (onde há neve abundante o ano todo) pra saber quanto era e como estava o tempo lá em cima. Na bilheteria eles tem imagens de câmeras lá de cima pra saber como está o tempo. E não estava adequado. Resolvi continuar a trilha e voltar mais tarde pra saber se havia melhorado. Fui pra trilha chamada “Matterhorn Trail” (há muitas outras opções) e que passa por Zmut, um vilarejo próximo. Interessante, corta propriedades rurais, avistando carneiros e cabras com sininhos, bosques, ladeia um rio e uma usina hidrelétrica, até chegar num pequeno lago artificial. Agradável (nível médio de dificuldade por causa da subida, mas bem tranquila). Ao todo, caminhei por quatro horas ida e volta. Dali, continua até a base de algumas geleiras aos pés do Matterhorn, mas resolvi voltar pois o tempo melhorou e eu queria subir com os “cable cars”. Mas... descobri que fecham às 15:00 – é quando sai o último deles. Vida que segue. Assim, fui pra segunda maior atração local: de trem até o Gronegrat, plataforma com vista panorâmica para geleiras e picos. 28 francos suíços pra quem tem Swiss Travel Pass. E foi um passeio bem legal, a vista é incrível, vale a pena. Dali se avista o Matterhorn bem de longe. 25-09 - Acordei com um propósito: passear de trem pelas belas ferrovias, aproveitando o Swiss Travel Pass, até chegar em Lucerna (meu próximo destino) e tendo em vista os elogios que fazem a elas. Ou, caso o tempo estivesse totalmente limpo, sem nuvens, ir ao Matterhorn Glaciar Paradise, o local onde o ano todo pratica-se esqui em Zermatt, sempre com neve abundante. E... o tempo estava soberbo. Com o passe, consegui o ingresso por 50 francos suíços (50% de desconto). Subindo os “cable cars”, se fica de frente pro Matterhon no seu melhor ângulo, aquele da embalagem do Toblerone, até porque na trilha do dia anterior é possível se aproximar mais, mas para uma face bem menos fotogênica. Assim, após mais dois “cable cars” finalmente se chega à plataforma, a 3.883 m. Bom, impossível não comparar. As vistas panorâmicas dos arredores de Lauterbrunen, em Interlaken, mesmo sem neve, são realmente imbatíveis. E olha que quando fui pro Schiltorn, passando por ali, o tempo estava fechado lá em cima. Ouso dizer que gostei até mais do Schynige Platte, apesar do Guia Lonely Planet classificar a ida ao Matterhorn Glaciar Paradise como a melhor programação suíça. Talvez seja, para quem esquiar. Depois, fui de trem pra Vegs e dali pra Brigs, onde peguei o trem Glaciar Express até Andermatt, um trecho bem bonito. Depois, de Andermatt fui pra Lucerna, novamente com vistas incríveis, com destaque para os lagos e montanhas ao fundo. Ali, fiquei no Youth Hostel (endereço: Sedelstrasse, 12) por 79 Francos Suíços por dois dias (já com a taxa de visitação, um imposto municipal cobrado por cada dia que ali se permanece). Lance legal: cada hóspede de hotéis e congêneres em Lucerna tem direito ao transporte urbano gratuito, ao menos na zona em que se encontra. Ou melhor, nem tão gratuito assim, já que há a taxa de visitação. Mas quase todas as cidades turísticas europeias tem essa taxa e não te dão transporte free. De qualquer forma, o Swiss Pass cobre ônibus urbano também. Saindo da porta principal da estação de trem, há uma espécie de terminal de ônibus circular; pensei em chegar ao hostel de ônibus. Ficou no pensamento, pois o problema seria, primeiro, descobrir qual a linha de ônibus circular que passa por lá, segundo, em que momento descer. Mas teria sido fácil. É o ônibus 18, que para num ponto chamado Jungendherberge (lá, os pontos de ônibus são nomeados e os ônibus possuem telas que informam tanto o itinerário quanto o tempo que falta para se chegar no próximo ponto, assim como os trens, não tem erro – nem atraso). O táxi ficou em 17,50 francos suíços. 26-09: Concluía minha viagem pela Suíça sem ter encontrado uma cidade que me encantasse tanto quanto Lagos, Tomar e Lisboa, em Portugal. Berna, uma graça mas meio escura no centro histórico. Zurique, linda mas ostensivamente cara. Interlaken, um ponto de passagem, lhe falta “personalidade”. Mas, daí, meu último destino, Lucerna (Luzern), num dia em que o mal tempo me tirou do rumo das montanhas, se revelou uma preciosidade. Cosmopolita e inclusiva, tem como não gostar de um lugar em que quem nele se hospeda ganha trânsito livre no transporte local? Tem como não gostar de quem te trata bem? Foi de todas aquela em que mais percebi o grande número de estrangeiros vivendo por ali, gente da Ásia, da África e da América. Saí do hostel e usufruí do ônibus circular . Parei assim que vi um trecho interessantão do centro. Caminhei até achar as muralhas da cidade antiga, abertas à visitação: tanto um longo trecho da muralha quanto a Torre do Sino, que faz parte do conjunto. Ao lado, uma parque urbano com bovinos típicos das montanhas (peludinhos) e dois guanacos (?). Continuando a caminhar em direção ao centro encontrei a catedral católica da cidade, lindona, vale uma visita. Dali, fui pra beira do rio, onde muita gente, turistas e locais, interagem com espreguiçadeiras, cisnes, pistas de ciclismo etc., coisas de lugar civilizado. Dali, tirei umas fotos e, de bobeira pela rua, me aparece o museu Sammlung Rosengart Luzern, com uma exposição gigantesca de Picasso (muitos quadros e gravuras), entre outros (Monet, Modigliani etc.). Eu imaginei que fosse uma exposição temporária, mas é permanente (!!!!). Aí que eu me lembrei que li alguma coisa sobre ele ter vivido um tempo na suíça. Acervo incrível e museu lindo. Free para quem porta o Swiss Travel Pass. Depois, usufrui de algo que já sabia pelo pessoal do “mochileiros.com”, que bem depois do horário do almoço, muita comida entra em promoção. Daí, encontrei uma salada com atum de 6 por 3 francos suíços. Mais suco e lanche, tudo saiu por 10 francos suíços. Uma pechincha para os padrões locais. Começou a chover e procurei proteção na estação ferroviária (gigantesca e dotada de loja de tudo que se possa imaginar, além de mercado com preços mais acessíveis – comprei biscoito e chocolates pro dia seguinte em uma loja de chocolates suíços). “Me dei” ao luxo. Comprei três tipos de chocolates diferentes e foi um favor que fiz pra alegrar minha existência, pois são bons demaaaaais. Meio carinhos mas inesquecíveis. Coisa de louco. Voltei de ônibus para o hostel. Lá chegando, resolvi dar uma conferida no lago próximo e suas trilhas ao redor, já que a chuva parou. Muito legal pra cooper, ciclismo e afins. Já é praticamente zona rural e ao redor pastam vacas com sininhos, uma constante na Suíça. Quando cheguei na cidade, até achava que a localização do hostel distante da estação ferroviária fosse seu ponto fraco. Ledo engano, pois ter que fazer esse trecho (lembrando que cada ponto de ônibus tem seu nome em destaque, com boa sinalização, e o ônibus vai informando em uma tela) deu uma dimensão melhor do que é e como funciona uma cidade suíça, e o hostel ao lado do lago é um charme só. Valeu suíça, demais! E Lucerna foi chave de ouro! No dia seguinte, trem para Milão. 27-09: voltinha por Lucerna antes de pegar o trem Para Milão, às 16:18 (passagem comprada com três meses de antecedência, por 9 euros – mega pechincha – but, but, but... não sei por quais cargas d’água o site da Trenitália estava meio confuso e não me dava a passagem com tal antecedência. Daí, tive que recorrer ao site da RailEurope, que tinha a passagem baratinha mas cobrava uma taxa de 10 euros de comissão – não tive escolha e acabou saindo por 9 + 10, mesmo assim, um bom negócio). Realmente, esta cidade é apaixonante, pois não dá vontade nem de ir embora, nem de parar de andar ao léu. É linda por inteiro, e o centro é show, cheio de paisagens incríveis, com vista para o lago e as montanhas. De longe, a cidade mais encantadora das que conheci na Suíça. E dessa vez com tempo ensolarado, a beira do lago ficou ainda mais encantandora, além dos cisnes e da luz especial que se projeta por entre as árvores. Comprei chocolates novamente no subsolo da estação de trens, na loja Laderach, coisa de louco, tem zilhões de opções e algumas delas servem de bom “souvenir”. Embarquei no trem às 16:18, com previsão de chegada às 19:45 em Milão. Lá, espero encontrar uma ex-aluna na praça do Duomo, após levar as coisas para o hostel. Com o trem passando em Lugano, já no sul da Suíça, quase todo mundo que entra fala italiano e é bem menos comedido que os suíços, muito louca essa sensação de se estar num filme de Fellini. A paisagem é fantástica, com a cidade distribuída entre os costões abruptos e o lago local. E o sol se pondo. Cenário de filme mesmo. Fotos: 1 - Centro histórico de Berna 2 - Lago de Thun, visto do alto do Schynige Plate, próximo de Interlaken: 3 - Zurique: 4 - Bicho não identificado (arriscaria “carneiro”) mas bonitinho na trilha do Matterhorn: 5 - Arredores de Lauterbrunen: 6 - Trilha em Grindelwald: 7 - Quando me dei conta de que o outono tinha chegado, em Zurique (com todo respeito às demais estações, que devem cada uma ter seus encantos, mas esse colorido outonal tem lá seu valor): 8 – Às margens do lago de Lucerna: 9 - Matterhorn ao pôr-do-sol (visto do Gronegrat, em Zermatt): 10 - Mais bichos fofos (especialidade suíça) em parque urbano ao lado das muralhas de Lucerna:
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