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victoralex

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Sobre victoralex

  • Data de Nascimento 24-03-1993

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    Economista

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  1. Quinta-feira, 30 de abril de 2020. Saravá, mochileiros! Escrevo esse relato no dia 30 de abril, em plena pandemia de COVID-19. Estou pra escrever o relato já algum tempo. A viagem foi em fevereiro de 2020, no carnaval, logo antes do primeiro caso de coronavírus ser confirmado no país. E nesse momento de stress, a coisa que eu mais sinto falta é pegar a mochila e viajar, sem sombra de dúvidas. De certa forma, o relato vai ser meio bucólico pelo fato da gente não poder sair. E escrever sobre viagens talvez seja a atividade mais terapêutica que eu conheço, além de viajar, claro. Então se você, como eu, está aflito com toda a situação, ficando em casa e lembrando de viagens antigas e bons momentos, aproveite esse relato pra te inspirar e lembrar que tudo isso vai passar 😊. Afinal, melhor que surtar com toda a situação é nos apoiar nos momentos que marcaram a sua vida. E com certeza, conhecer a Chapada foi um dos grandes expoentes da minha vida de viajante! 🌎 Antes de tudo, vale conferir dois relatos que me ajudaram bastante ao planejar a viagem: O relato geológico do Guilherme e também o divertidíssimo e detalhado relato do Stanlley. Ambos abordam de forma diferente a Chapada, dando uma ideia geral, junto com esse relato, do que esperar lá! Vamos lá! 1. Cronograma A viagem se divide em duas partes. A primeira, em Brasília, que fui sozinho, por dois dias. Nunca tinha ido à capital e era um sonho conhecer o lugar onde fica o Itamaraty, o Planalto, o STF...como um bom economista, BSB é destino obrigatório em algum momento da sua vida. E foi incrível! Depois os últimos 4 dias foram na Chapada, onde encontrei meu irmão Flávio e minha grande amiga Thaís. Viajamos os 3 juntos de BSB pra Vila de São Jorge. Aqui vai o cronograma: Dia 1: Quinta, 20/fev/2020: Voo Congonhas-BSB, Congresso, Esplanada, 3 Poderes e Pontão do Lago Sul. Dia 2: Sexta, 21/fev/2020: Banco Central, Caixa Cultural, Itamaraty, CCBB. Dia 3: Sábado, 22/fev/2020: Saída de BSB para São Jorge, chegada às 15h. Dia 4: Domingo, 23/fev/2020: Parque Nacional, Saltos, Corredeiras. Dia 5: Segunda, 24/fev/2020: Cachoeira do Cordovil. Dia 6: Terça, 25/fev/2020: Mirante da Janela e Cachoeira do Abismo. Dia 7: Quarta, 26/fev/2020: Voo BSB-Congonhas, chegada 13h30. 2. Gastos A viagem não é cara, se você for prudente. O que fizemos foi poupar nas hospedagens para poder gasta um pouco mais nos restaurantes/bares. Aqui vão os gastos: Voo ida e volta SP-BSB: 703,00 BRL Hospedagem em BSB (Econotel, 2 diárias): 298,00 BRL Hospedagem em São Jorge (Savana Hostel) 420,00 BRL Entrada trilhas/parque: 120,00 BRL Comidas/souvenirs: 400,00 BRL Aluguel carro (4 diárias, com combustível incluso, pra cada um): 255,00 BRL Total sem passagem aérea: 1493,00 BRL Total com passagem aérea: 2196,00 BRL 3. São Jorge ou Alto Paraíso? Esse foi uma pergunta que ficou na nossa cabeça desde o planejamento da viagem. A Vila de São Jorge é uma vilarejo a 40km da cidade de Alto Paraíso de Goiás, que se autointitula "capital da Chapada dos Veadeiros". Acho que vai de cada um, do tipo de viagem. Uma das vantagens de São Jorge é que, caso vá visitar o Parque Nacional, ele fica em São Jorge, dando pra ir a pé. A maioria das cachoeiras/trilhas da região fica na estrada que liga as duas cidades. A Chapada é enorme e claro, não conhecemos Cavalcanti e etc, vai ficar pra próxima. Você já deve ter ouvido que para conhecer a Chapada inteira você tem que ir váaarias vezes, e é real!! Conhecemos inclusive uma garota, a Paula, que ela tava pela quarta vez em 1 ano na Chapada. Gente fina demais! Basicamente então minha dica é: se você curtir um clima mais simples, com direito a forró e samba na praça, escolha São Jorge. Se você quer algo mais reservado, com pousadas, etc, vá para Alto Paraíso. Ficamos em São Jorge e curtimos demais! 4. Condicionamento físico, roupas, etc Aqui uma dica de ouro. Se você não tem, providencie uma bota/tênis de trekking. Eu já tinha feito viagens de trilha pra Patagônia e Atacama, então já tinha uma ideia do que esperar. Mas por exemplo, meu irmão teve bastante problemas com o joelho por causa do tênis. Ele levou um New Balance urbano. Grande erro! O sapato praticamente se desfez e jogamos no lixo antes de voltar pra SP. De resto, o básico: você vai fazer uma viagem de trilha, então trate de ir adequadamente! Camisetas leves, bermudas/calças, capa de chuva (pegamos uma chuva pesadíssima na volta do Mirante da Janela!), chapéu/boné, protetor solar...Vimos uma quantidade imensurável de gente que tava indo maquiada e despreparada (sim!!! haha fizemos piada a viagem inteira disso) pras trilhas. Imagino como ficaram depois de tomar a chuva que a gente tomou no último dia. Sobre condicionamento, depende da trilha que você escolher fazer. A mais difícil que fizemos foi bem tranquila, mas sei que tem umas trilhas bem pesadinhas lá! Então não que você precisa ser um atleta, mas tenha um pouco de condicionamento físico. Ele será importante, principalmente nas partes de subida . Sobre isso, eu também levei meu bastão de trekking que tinha comprado para ir à Patagônia e foi de ótima utilização! Subir e descer com o auxílio do stick poupa muita energia! Fica a dica. 5. Época de ir e clima Estamos falando do cerrado! E ele é bem característico e previsível! Então basicamente há dois períodos: a seca e a cheia. A seca é entre abril e setembro, e a cheia é de outubro a março. Como fomos no Carnaval, pegamos o fim da cheia. Então sim, todo dia chovia! Ou pelo menos dava aquela chuviscada. Demos sorte e pegamos chuva em apenas uma das trilhas, o resto já estávamos no hostel. Em Brasília é a mesma coisa. Era bizarro, o dia amanhecia com um sol escaldante e, do nada, às 14h da tarde vinha um temporal. Mas aí o Sol voltava a surgir às 15h. Eu achava muito legal! A vantagem de ir na cheia é que algumas cachoeiras, como a do Abismo, estão, como o nome diz, cheias! Na seca ela simplesmente não existe! E foi bem agradável ficar por lá! Na seca porém não há risco de tromba d'água, coisa que nos alertavam toda entrada de trilha. Mas basicamente a dica é: se for na cheia, quando entrar na cachoeira, fixa um ponto de referência. Caso o nível da água começar a subir, saia da água, porque vem tromba d'água vindo! Não pegamos nenhuma, mas dizem que é bem comum! Quero voltar ainda na seca, para não correr o risco de chuva nas trilhas. Fica pra próxima! Mas foi muito legal ir na cheia, com a vegetação toda florida! O cerrado e sua vegetação foi uma das coisas que mais me encantou. Muitas árvores, arbustos, flores, palmeiras...vimos diversas vezes araras voando pela trilha, tucanos...Foi demais! 6. Relato Dia 1: Chegada em BSB, Esplanada, Congresso Nacional e Pontão do Lago Sul (11,8km andados) Brasília é espetacular! Sempre quis conhecer e não me deixou desapontado. Lendo os relatos, vi que, pelo menos para fazer o básico, 2-3 dias estava mais que suficiente. Saí de SP pela manhã para chegar em BSB pelas 13h30. De lá, uber até o hotel Econotel para fazer o check-in. O hostel é aquilo que promete: econômico. Mas de forma geral, confortável. Minha maior preocupação era ter ar condicionado hehe, e me certifiquei que sim. A vantagem é que ele fica na Zona Hoteleira Sul, então deu pra ir para a maioria dos lugares de BSB a pé. Saindo do hotel, fui passear andando, com destino final até o Congresso Nacional. E aí senti na pele o que todo mundo fala de Brasília: não, não é de uma cidade de pedestres hehe. É bizarro, o caminho acaba, do nada! Tive que achar uns túneis, viadutos para atravessar alguma avenidas. Sem contar o sol. A cidade em si é muito arborizada, mas ali no Eixo Monumental é basicamente um deserto. Então sempre andar com chapéu e protetor! No caminho passei pelo Complexo Cultural, Catedral Metropoliatana, Esplanada dos Ministérios...até chegar na frente do Congresso Nacional. Caminhada de 1h mais ou menos. E que lugar espetacular! Brasília é um encanto e, apesar de andar ser um longo caminho, valeu muito a pena! Tinha reservado antecipadamente online a visita no Congresso Nacional, que foi bem bacana! Deu pra conhecer as duas casas, o Senado e a Câmara dos Deputados, ambos os plenários, a sala de imprensa...sabe aquele lugar que você vê na TV o Rodrigo Maia dando entrevista, o Salão Verde? Estava lá! Palácio do Itamaraty Congresso Nacional Plenário Ulysses Guimarães (foda!) Depois do Congresso, dei uma passada na Praça dos Três Poderes e tem muita coisa legal por lá! Além claro, da sede dos 3 poderes, na praça têm alguns museus bem interessantes, como o Panteão da Pátria e da Liberdade, onde tem uma exposição fixa do Tancredo Neves e também o Livro dos Heróis da Pátria, um livro de ferro todo prateado em que somente os considerados heróis da república entram, tais como Tiradentes, Santos Dumont, Zumbi dos Palmares...e não só isso, mas o "herói" deve ser nomeado pelo Presidente e também ter falecida há um determinado número de anos, é bem interessante! Na praça há também o Espaço Lúcio Costa, uma exposição fixa sobre o urbanista que projetou Brasília...enfim, muita coisa bacana! De lá, peguei um Uber até o Pontão do Lago Sul, que tinha lido que era um pico bem legal de ver o pôr-do-sol. Basicamente, é uma orla do Lago Paranoá em que ficam muitos restaurantes e bares. Tem um calçadão e opções de passeios de lancha, caiaque...e que lugar bonito! Sentei num bar chamado Fausto & Manoel bem em frente ao lago, para ver o pôr-do-sol e tomar um chopp. Incrível! Além de servirem um happy hour com chopp e comida bem em conta, o lugar é bem confortável para ver o pôr-do-sol. Valeu muito a pena e foi uma ótima forma de terminar o dia na primeira vez conhecendo a capital :). Lago Paranoá, vista do Pontão Lago Sul O chopp em BSB é muito, mas muito mais barato que em SP. Dia 2: Mané Garrincha, Eixo Monumental, Banco Central, Caixa Cultural, CCBB e bares na Asa Norte (12,4 km andados) O segundo dia começou com um belo café da manhã no Econotel. Além do ar condicionado, procurei um hotel barato que também tinha um café da manhã, para poupar uma refeição. Aos que perguntaram, até procurei hostels em BSB, mas o preço do hotel era se não o mesmo, muito parecido...então resolvi ficar com o quarto privativo mesmo! Depois de uma café reforçado, saí mais uma vez andando pela cidade, só que dessa vez primeiro para o oeste, indo na direção contrário ao Congresso Nacional, até o estágio Mané Garrincha. Como apaixonado por futebol, queria conhecer (e também lamentar) o elefante branco que o estádio, que custou BRL 1,778 bilhões, um absurdo. Mas o estádio é bonito. Fui andando até lá e, mais uma vez, a dificuldade de atravessar as ruas no Eixo Monumental é um turbilhão de emoções, já que são poucas faixas de pedestres. No caminho você passa pela Torre de TV de Brasília, que é nada mais que uma antenona hehe (os brasilienses simplesmente odeiam que chamem a Torre de "antena"), mas é uma antena gigante! Infelizmente não consegui subir, estava em obra, mas sei que dá pra subir lá em cima e ter uma boa vista da cidade! Chegando ao Mané Garrincha, também não pude entrar. As visitas são só de sábado, e vale a pena visitar o site deles para se certificar dos horários. Mas deu pra bater umas fotos de fora e apreciar a magnitude do estádio. É bem bonito mesmo...ainda por cima com os arcos olímpicos bem em frente...(lembrando que o Mané também sediou jogos nas Olimpíadas Rio 2016). Pena que não tem nenhum time da Série A que jogue regularmente por lá. Eu e o Mané! Estádio belíssimo, mas também caríssimo! De lá, cruzei o Eixo Monumental mais uma vez e fui em direção ao Banco Central do Brasil. No caminho, deu até pra ver o posto de gasolina que foi o marco zero da Operação Lava Jato haha. Como um economista, sempre foi um sonho conhecer o Bacen e quem dirá trabalhar lá. O prédio é muito bonito, e a única visitação disponível regular é o Museu de Valores do Banco Central, que tem uma exposição fixa sobre o desenvolvimento dos meios de pagamento (ouro, moeda, etc) no Brasil e, no período que eu fui (fev/2020), uma exposição temporária celebrando os 25 anos do Plano Real! E que museu legal! Conta a história do Bacen, a importância da instituição, o desenvolvimento dos meios de pagamentos brasileiros e também um suco de história econômica. Sobre a exposição do Plano Real, é bem legal para quem não conhece a história! Na minha opinião, o Plano Real é a política pública mais importante da história da República. Seu papel na redução da inflação é inestimável e envolveu um esforço acadêmico de dar inveja. A exposição é bem acessível para quem não é economista e me fez pensar o quão importante isso é ser difundido no povo...ainda mais para nós que nascemos pós hiperinflação (sou de 1993, então nasci no pré Real). Mas chega de economês. Vamos falar de viagem hehe. Do lado do Bacen, tem a Caixa Cultural! Tinha lido que lá reúne muitas exposições bacanas temporárias, e fui dar uma checada. No resumo, vi uma exposição de paisagens modernistas, que tinha até algumas obras da Tarcila do Amaral e uma outra que nem lembro qual era o conteúdo. Só sei que foi a pior exposição que eu já vi na minha vida hehe. Dei azar com a programação, porque 1 semana depois ia ter uma exposição sobre ciência bem legal! De lá, fui andando mais uma vez até o Congresso, já que tinha passado reto pelo Palácio da Justiça, Itamaraty, STF, STJ, etc. Desses só consegui tirar foto por fora, sem entrar. Ambos tem visitação guiada, com agendamento prévio no site, mas por algum motivo misterioso, as visitas estavam suspensas. Uma pena. A tarde, já na Praça dos 3 Poderes, peguei um Uber até o CCBB. Tinha lido que lá tinha umas exposições mais legais que a da Caixa Cultural, além de restaurantes ótimos. O CCBB é perto do Lago, longe da Praça dos 3 Poderes, então não dava pra ir andando. E que prédio bonito! Peguei a exposição fixa deles, bem interessante, contando a história do BB. Além de uma coleção de arte que eles tem do Portinari. Mas, mais uma vez, dei azar com as exposições temporárias. Estavam em fase de montagem para a próxima...estavam aguardando o Carnaval pra isso. Mas deu para tomar uma cerveja e comer algo pelo bistrô deles. O CCBB é realmente bem legal, quando voltar a BSB quero passar mais tempo lá, ver alguma peça, algo do tipo. Lá é enorme!! Bem maior que o CCBB de São Paulo. Passei a tarde por lá e depois peguei um Uber até o hotel, para dar uma descansada. A noite encontraria o Flávio, meu irmão, e a Thaís, minha amiga. Ambos chegariam em BSB de noite. Fomos a dois bares na asa norte: o primeiro, Carne Moída, é um butecão justo com um karaokê. Bem divertido. Mas como tinha acabado tanto a cerveja quanto a comida, migramos para outro, a Área 51, um bar cheeeio de mesa de sinuca. Jogamos um bocado, mas não ficamos até muito tarde, já que no dia seguinte iríamos para São Jorge. Ah, detalhe. Diferente de SP, os bares em BSB fecham bem cedo. O Carne Moída fechava 0h e o Área 51 fechava 3h. Depois dos bares, cama. A viagem estava só começando. Dia 3: Ida a São Jorge, Matula no Rancho do Waldomiro e Jardim de Maytrea (7,1 km andados) Acordamos de manhã e tomamos um café reforçado no hotel, já que iríamos viajar para São Jorge de manhã. Alugamos o carro na Unidas. A locadora é boa, alugo sempre nela aqui em SP, mas em BSB as coisas foram diferentes. Iríamos pegar o carro na zona hoteleira, do lado do hotel, e devolver no aeroporto na quarta-feira de cinzas. Mas, ao chegar na unidade da zona hoteleira, mesmo com reserva, eles não tinham carro com a categoria que reservamos, que era a segunda mais simples (Ônix, Polo, HB20...). Lamentável. Eles nos levaram a uma unidade que ficava marginalmente fora de Brasília, uns 30 min de onde estávamos, para pegar um carro. A ideia era sair de BSB já de manhã, mas por conta do atraso, da burocracia, só saímos depois do 12h. Briguei com eles para ter um upgrade por conta do transtorno, mas eles foram irredutíveis. Consegui barganhar um pouco e eles nos deram 1/4 do tanque de graça, mas mesmo assim...Em BSB, nunca mais alugo com a Unidas, o serviço foi péssimo. Em SP sempre deu muito bom. Pegamos um Polo. O carro é ótimo. Ficamos na dúvida se pegávamos o carro da categoria que pegamos ou uma Duster, algo 4x4...mas depois de muito ler, vimos que uma Duster/4x4 só seria necessário se fôssemos fazer cachoeiras mais remotas, como Santa Bárbara, por exemplo. Como não era o caso, pegamos a categoria menor. Isso é importante. Em São Jorge vimos muitos carros alugados com o parachoque quebrado, provavelmente porque foram para rotas mais acidentadas e não pegaram uma 4x4. Então, ao planejar a sua viagem, pense aonde quer ir e qual carro seria adequado. Só para constar, não fomos pra Santa Bárbara dessa vez porque lemos que no Carnaval o negócio lota. Coisa de ter que sair 3-4h da manhã para pegar um lugar. Não valia a pena. Volto para lá em baixa temporada. O caminho até São Jorge é bem legal, uma retona. A estrada é boa, bem bonita, com muitas plantações de milho, cana-de-açucar, soja...era a primeira vez que visitava o Goiás e é legal ver essa parte do Brasil. Dirigir até lá foi uma delícia. Quase em São Jorge, na estrada que liga a Vila e Alto Paraíso, paramos no famoso Rancho do Waldomiro para comer a famosa Matula. E que coisa espetacular. Matula é o que eles chamam de "marmita" no Goiás. Mas que baita marmita, com uma abóbora refogada, um feijão tropeiro, arroz e uma carne de panela. É simplesmente espetacular. E tem a versão vegetariana também que é muito bom! A Thaís comeu. O lugar é simples, muitos trilheiros por lá, gente chegando na Chapada. Comemos e brindamos com uma cerveja gelada para celebrar o início da viagem. Vimos ali que o clima seria excelente! A espetacular Matula do Rancho do Waldomiro. A direita, de carne e a esquerda, vegetariana. Depois do almoço, finalmente chegamos em São Jorge. A Vila já nos encantou de cara! Rua de terra, casinhas simples, muita gente na rua, é animal! Fizemos o check-in no Savana Hostel. O Savana foi uma indicação de um amigo que tinha ido para lá no réveillon 2020. E o hostel é bem bom! O quarto que a gente ficou tinha até ar condicionado. Café da manhã excelente, um bar bem legal para passar o tempo, muitos banheiros, sempre limpos, pessoal gente fina. A atendente do hostel era muuuito firmeza, trocamos altas ideias. Valeu a pena! Depois de nos alojar, já era quase o pôr-do-sol. Pegamos o carro e fomos ao famoso Jardim de Maytrea, ver o pôr-do-sol. O Jardim nada mais é que uma vista bem bacana do cerrado. Faz parte do Parque e não podemos entrar lá, só apreciar. A vista fica na estrada que liga São Jorge e Alto Paraíso, pouco antes do Waldomiro. Vista espetacular! Dá para ver as palmeiras, muitas, mas muuitas araras voando, maritacas. É espetacular! O Sol não se põe lá, mas com a golden hour dá pra ver uma vista bem bacana. Mas aqui vai uma dica: ali lota. Então toma cuidado ao parar o carro. Você para no acostamento mesmo. Além disso, aqui vai uma sugestão: aprecie a vista!! O que vimos de gente só querendo tirar foto sentado na estrada não tá escrito. Além de ser perigoso, o pessoal acabou perdendo uma paz de vista! Quão bom era ficar em silêncio vendo (e ouvindo) a natureza. Inesquecível Depois do sol se pôr, voltamos pro hostel e ficamos tranquilos, tomando umas cervejas e também demos uma volta pela Vila. Jajá falo disso, já que aproveitamos a noite só a partir do próximo dia. De resto, cama porque no dia seguinte acordaríamos 6:30-7h pra primeira trilha da Chapada! Dia 4: Parque Nacional, Saltos, Corredeiras e Vila de São Jorge (15,9 km andados) O primeiro dia de trilha começou com um belo café da manhã no hostel. Acordamos cedo para conseguir pegar as trilhas vazias (dica de ouro para o Carnaval) e também o café da manhã vazio no hostel. Saímos às 7h30, a pé, para a entrada do Parque, que abria às 8h. No Parque Nacional, existem 3 percursos diferentes: i) A trilha que chega nas Cachoeiras dos Saltos, ii) a trilha que dá na Cachoeira das Corredeiras e iii) a trilha que dá nos Cânions. A priori, queríamos fazer todas no domingo mesmo. Mas depois de fazer 2 delas, optamos por voltar, para não pegar a trilha de noite (o Parque fecha às 17h, então você deve voltar antes disso!). Pagamos preço de brasileiro para entrar no Parque, bem tranquilo. Fomos primeiro o circuito dos Saltos, onde você passa pelas duas cachoeiras maiores do Parque: O Salto de 120m, que você vê só o panorama, de cima e o Salto de 80m, que dá pra nadar! Aqui mais uma coisa que acertamos: entrar cedo no parque nos proporcionou uma trilha bem vazia e, quando chegamos no Salto de 80m para nadar, também. A medida do tempo, foi enchendo. E foi quando saímos em direção às Corredeiras, fugindo do povo hehe. E que lugares bonitos! Foi a primeira vista que tivemos da magia da Chapada, e fomos muito bem recebidos! A vista do Salto de 120m é impressionante, e nadar no Salto de 80m é bem agradável, apesar de ter lotado rápido. A cachoeira das Corredeiras é legal pra você descansar, já que ela é menos atrativa em termos de banho. Não ficamos bastante tempo por lá. Mas o mais legal do Parque Nacional é fazer a trilha em si. Foi a primeira vez que vimos a vegetação e os animais do Cerrado. Muitas árvores com flores, já que estávamos no fim do verão. Imagino que nos períodos de seca deve ser bem diferente, o que me dá mais vontade ainda de ir em outro período! A trilha em si não é difícil...mas é aquilo: Vá com os calçados certos. Meu irmão já começou a ter as primeiras consequências de ter ido com o New Balance, sentindo o joelho. É questão de ir apropriado! No caminho de volta, já era quase 15h30 e decidimos não ir nos Cânions, já que não daria tempo para aproveitar o lugar. E assim voltamos para a entrada do Parque. Salto de 120m. Espetacular! Salto de 80m. Esse dá pra nadar! Como não tínhamos almoçado (só comido uns snacks de trilha), voltar "cedo" do Parque foi ótimo. E não só nesse dia, mas nos próximos sempre voltávamos das trilhas ao redor das 15h. Isso nos dava a oportunidade de descansar a tarde, almoçar tranquilo e ainda aproveitar a cidade a noite! Como acordávamos muito cedo, a estratégia foi perfeita: chegávamos no início do dia, com as rotas vazias e saímos quando começava o ofurô. Mais uma vez, lá no Carnaval é cheio e, as vezes, vale mais a pena você escolher horários em que consiga de fato aproveitar as cachoeiras :). Agora a questão é, aonde almoçar? Não teve dúvida: voltamos ao Rancho do Waldomiro porque ninguém tinha superado ainda aquela Matula da massa. O negócio é espetacular. Nos empanturramos, tomamos umas Antarcticas e ainda deu pra ver mais uma vez o pôr-do-sol no Jardim de Maytrea, que é do lado! As coisas deram certinho! Voltamos para a Vila de São Jorge e demos um tempo lá. A noite, foi a vez de aproveitar a Vila de São Jorge. E que vilarejo legal! O que mais nos impressionou foi a simplicidade de lá..não só do lugar mas também das pessoas. Todos te tratam bem! Tínhamos visto que rola um forró na Casa de Cultura Cavaleiro de São Jorge todos os dias, mas, quando tentamos ir, o preço era salgadíssimo. Coisa de 50/cabeça. Não estávamos nessa brisa e, ao voltar para o centrinho, na pracinha mesmo tinha um restaurante chamado Casa da Pankeka com uma banda de forró muito charmosa! Sentamos lá e ficamos tomando uma cerveja ouvindo. Foi bem agradável! Voltaríamos lá ainda nos próximos dias! O lugar serve comido e bebida com preços bem justos, além de ser mesa ao ar livre e com música. Melhor que pagar 50/cabeça, né? Dia 5: Cachoeira do Cordovil e mais Vila de São Jorge (15km andados) O dia 5 começou de novo com todos acordando cedo e sendo os primeiros a tomar café. Não tínhamos um roteiro definido ainda. A priori íamos para uma cachoeira que todo mundo do hostel tava falando: a Cachoeira do Segredo. Mas por outro lado, todos os relatos eram de que estava muito cheio no Carnaval. Então seguimos a dica de um pessoal do hostel também e fomos à Cachoeira do Cordovil. E acertamos! A trilha que dá acesso fica na estrada que vai pra Alto Paraíso, dentro de uma fazenda. Foi a nossa primeira trilha fora do Parque. E você já consegue ver que as coisas são bem diferentes! A primeira: as trilhas são mais freestyles, já que quem realiza a manutenção são os proprietários da fazenda. E por outro lado, você tem um olhar mais aberto do ecossistema. A trilha em si é muito legal, com muitos campos abertos e fechados, onde conseguimos ter um p anorama bem grande do ecossistema e da fauna. Gostei mais que a trilha do Parque! Na parte final você passa pelo Poço Esmeralda também, que fica num desvio antes de chegar à Cachoeira do Cordovil. Mas o acesso estava restrito para o Poço. O rapaz que controlava a entrada da Fazenda disse que muita gente estava se acidentando por lá, então eles fecharam. Chegando no ponto final, a Cachoeira do Cordovil é belíssima! Mas geladíssima também ahha. Só eu que pulei na água (YOLO, certo?). E foi muito bacana. A cachoeira estava vazia, então pudemos ficar um tempo por lá. Em compensação, o tempo estava começando a fechar, então não nos estendemos muito. Mas o lugar é realmente muito bonito e, imagino que ir em algum dia com o céu limpo seja mais legal ainda! No fim da trilha você passa por bastante pedra, então trate de tomar cuidado de não cair. Nisso, meu bastão de trekking ajudou bastante. Caso você goste de fazer viagens do tipo, vale a pena ter um! Não vejo necessidade em 2, já que eu gosto de ficar com uma mão livre. Caminho para o Cordovil. Essa última foto representa bem o que é a vegetação do Cerrado no verão! Essa trilha é demais! Cachoeira do Cordovil A volta foi tranquila. Demos uma sorte, já que o tempo estava fechando, conseguimos inclusive ver a chuva no horizonte..então foi uma corrida contra o tempo hehe. Assim que pisamos na recepção da trilha, começou o temporal. Demos uns 20min e voltamos. Nisso, tome cuidado: Na maioria dos acessos das trilhas a estrada é de terra. Então controle bem a permanência e olhe a previsão. Não queremos ninguém atolado no caminho né? Chegando em São Jorge, o padrão: banho, cochilo e um descanso. Ficamos um tempo ainda tomando uma cerveja no hostel até dar a hora da "alma-janta". Isso nos fez poupar bastante dinheiro, já que optamos por almoçar tarde, e assim conseguir aproveitar as trilhas no horário vazio e ainda ter menos refeições ao dia. Claro, levamos bastante snacks durante as trilhas, mas deu super certo. Escolhemos para comer nesse dia talvez no restaurante mais famoso da Vila: a Santo Cerrado Risoteria. É um restaurante animal, com diversos tipos de risottos e bebidas! Pedimos 2 risottos para dividir em 3 pessoas e deu muito bom. Comida de excelente qualidade, mas cara. Conseguimos baratear por não pedir 3 porções, e deu mais que o suficiente! As panelas vêm cheias. Acho que vale a pena guardar um pouco do budget para ir lá sim! No fim da noite ainda sentamos de novo na Casa da Pankeka pra tomar umas e ouvir uns sons na praça. Risoteria! Dia 6: Mirante da Janela, Cachoeira do Abismo, Alto Paraíso e último dia de São Jorge! (11km andados) No dia 6 decidimos terminar as trilhas numa das mais famosas: o Mirante da Janela! Sabe aquela foto clássica da Chapada, em que o pessoal consegue tirar a foto como se fosse numa janela, com o Salto de 120m no fundo? É exatamente essa. Mas o mais legal é: O mirante em si é a menor das coisas por lá! E ainda tem uma fila danada pro povo colocar no Instagram hehe. Jájá vocês entendem o que eu tô falando. A trilha em si foi a mais legal que fizemos. Para começar, tem uma trilha até a entrada da trilha. E ela não é curta! Haha, mas depois disso a coisa fica bem legal. A maior parte do trajeto é plano, só no fim que é uma subida, em torno de uns 15min de caminho íngrime. Mas o mais espetacular da caminhada é a vista em si. Não dá nem 20min andando e você já se depara com a imensidão do Parquer Nacional. Vamos explicar: A trilha que dá no Mirante da Janela fica atrás do Parque Nacional. Então você consegue ver, de cima, tudo o que nós vimos no primeiro dia, em especial o Salto de 120m. E eu particularmente gosto demais de vistas panorâmicas! E nessa trilha é o que mais tem :), além, claro, da sempre presente vegetação encantadora do Cerrado. E não só isso, mas ir no verão têm seus méritos: A calma e belíssima Cachoeira do Abismo está cheia! Paramos nela tanto na ida quanto na volta e...que calmaria! Mais uma vez a estratégia de sair cedo do hostel foi boa, já que pegamos tanto a Cachoeira quanto o caminho bem tranquilos, onde deu pra relaxar tanto na ida na volta. A Cachoeira do Abismo tem seu charme como o próprio nome diz: uma piscina natural com borda infinita se forma com o horizonte ao fundo, o que dá um efeito bem legal! É como se você estivesse num jacuzzi natural apreciando a natureza. Espetacular! Cachoeira do Abismo Nós 3 e o Abismo! Seguimos pela trilha até o Mirante. Mais uma vez, o caminho é bem legal e você passa por tanto campos abertos quanto fechados! É bem legal! No final há uma subida de uns 15min...Nada impossível, mas o pessoal normalmente costuma cansar. Mas o que importa é que você chega na melhor parte da trilha: a vista! E aqui vai uma dica de ouro: Apesar da trilha chegar no famigerado Mirante da Janela, o Mirante em si é o que menos nos atraiu! Primeiro porque tinha uma fila de 1h para só tirar a foto clichê. Segundo porque nem é a melhor vista de lá! Mas o melhor lugar pra ver é um pico logo antes da Janela, numa pedra no fim da trilha. A vista você pode conferir embaixo, onde fiz questão de tirar uma foto pra guardar . E não só isso, mas lá tem 3 mirantes bem legais para ver, com 3 diferentes ângulos do horizonte. É simplesmente espetacular. A minha pergunta é: Você vai ficar mesmo 1h esperando para tirar uma foto na janela (que nem é tão legal assim) e não ficar apreciando a natureza nos mais de 4 ângulos do lugar? Cada um tem sua prioridade né haha. O lugar é realmente impecável...e alto! Passamos bastante tempo lá contemplando, em silêncio a maravilha que é a Chapada dos Veadeiros. Cheguei até a chorar. Foi a forma perfeita de encerrar a viagem. E só me deu vontade de voltar para sentir aquilo de novo 😍. A melhor vista do Mirante da Janela! Bons momentos! Na volta, mais um banho no Abismo antes de ir. Só que, para lavar a alma da viagem, a Chapada nos deu de presente uma tempestade na metade final da trilha! haha não foi tão ruim assim, estávamos com capa de chuva, mas os sapatos molharam todos. E foi uma chuva de verão, forte e rápida (uns 20min de chuva). Pra ficar na memória! De volta a São Jorge, depois do banho e descanso, fomos almoçar. Estávamos com uma "lombriga" de comer um peixe frito com cerveja e fomos em busca do famigerado. Recomendo o restaurante Luar com Pimenta, que fica logo antes da estrada que dá no Parque Nacional. Peixe muito gostoso e cerveja bem gelada para brindar o fim da viagem! A noite, fomos para Alto Paraíso para i) abastecer e ii) levar a Thaís para a rodoviária da cidade, já que ela voltaria na madrugada pra SP, saindo de BSB. Eu e Flávio ainda dormimos mais uma noite em São Jorge. Foi legal para conhecer Alto Paraíso, uma cidade "grande" quando comparado a São Jorge. Mas foi bacana, consegui comprar uns souvenirs por lá e ainda jantamos num ótimo restaurante Vendinha 1961, que descobrimos no Foursquare. Vale a pena! Mas, pelo pouco que vimos de Alto Paraíso, ficamos com São Jorge hehe. O clima intimista e simples é insuperável . De resto, eu e Flávio voltamos para São Jorge e capotamos, já que no dia seguinte iríamos cedinho voltar para o aeroporto de Brasília! 7. Conclusão Eu sempre quis aproveitar o período de Carnaval para fazer uma viagem fora da realidade. Apesar de SP estar com um ótimo Carnaval, ir pra Chapada foi uma terapia que eu estava precisando. A gente corre tanto no dia-a-dia e pouco lembra que temos que nos dar algum tempo para aproveitar não só nós mesmos, mas também a natureza espetacular que o Brasil nos oferece. Lembro que era dezembro de 2017, na Patagônia, que decidi que ia tornar o trekking um hobby na minha vida. E tenho conseguido! A Chapada dos Veadeiros foi a primeira das grandes viagens que fiz só com o intuito de fazer trilhas. E que privilégio ter tido a companhia do meu irmão Flávio e da minha grande amiga que é a Thaís . Agradeço a vocês por terem feito parte disso! E aqui vai uma reflexão: Como disse no início, escrevi essas memórias em tempos de pandemia. Não vai ser agora que você vai viajar para lá, por questões sanitárias, mas o relato é pra lembrar que as coisas vão voltar ao normal. E não só isso, mas vão voltar de uma forma completamente diferentes. Sabe aqueles tabus que tínhamos antes de tudo isso acontecer? Sabe aquela ligação para seus amigos, para sua família que você sempre deixava pra depois? Isso é passado. Eu realmente acredito que a gente vai mudar pra melhor. Tornar a vida mais leve e mais sustentável. É a primeira vez no século XXI que estamos, de fato, em guerra com o incontrolável. E fica a lição que a natureza é o que temos de mais supremo e mais magnífico na humanidade. Então tratemos de aproveitá-la! E, depois de conhecer a capital federal, andar mais de 73km em 6 dias e chorar copiosamente lembrando dos bons momentos, concluo o relato com uma mensagem de amor a todos vocês. De nada adianta se ficarmos martelando a cabeça em coisas que não nos faz bem. E se tem alguma coisa que deixa o ser humano mais completo é viajar. E, se for viajar com a natureza, pode ter certeza que estará em uma formidável companhia 😊. Chapada, eu volto! Um abraço e boa viagem! 🌎
  2. "Amigos, amigas...damas y caballeros...ladies and gentlemen. ¡Bienvenidos al Desierto de Atacama!" É com essa saudação caricata de Miguel, um dos guias que nos acompanhou nos passeios durante a semana, que inicio o relato de um dos lugares mais impressionantes que eu já estive. E não, não é mentira quando você estiver lendo esse ou outros relatos. O negócio é brabo mesmo. O Atacama é um lugar que consegue misturar em um raio de 100km: clima árido, clima andino, fauna e flora do Altiplano Andino, lagunas salgadas e doces, cenotes de água salgada, cultura inca e atacameña, astronomia, meteoritos...É como se o mundo tivesse escolhido um lugar específico do mundo pra colocar um monte de fatores relacionados a natureza e à ciência juntos. E tudo isso deu muito certo! Fomos eu e minha namorada Carolina passar 1 semana exclusivamente no Atacama. Antes de mais nada, vimos muitos relatos de gente que passou 1,2 dias por lá antes de ir pro Falar de Uyuni, na Bolívia. Não só não fizemos isso como a maioria dos guias e do pessoal que conhecemos lá não recomendam. Separe suas viagens. O Atacama tem muita, mas muita coisa pra fazer, 7 dias é até pouco pelo tanto de coisa que a gente poderia ter feito. E outra, A Bolívia é tão plural quanto o Chile. Aproveite para ir para Uyuni quando for fazer uma trip pela natureza de lá. A mesma coisa com o Chile! O Atacama merece mais que 2-3 dias! Em todas as empresas e restaurantes que está no texto, estou deixando um link para você conferir os serviços. Dando créditos, um link que nos ajudou muito foi esse aqui, do Viagem na Viagem. E um relato daqui do Mochileiros que também foi bem útil: Bom, vamos começar com coisas práticas: 1. Gastos Passagens aéreas: R$ 1043,00 x 2 pessoas = R$ 2086,00 - (GRU-SCL-CJC) Hospedagem: R$1028,00 Todos os passeios: R$ 1400,00 x 2 pessoas = R$ 2800,00 Seguro-viagem: R$ 63,50 x 2 pessoas = R$ 127,00 Gastos com comida, souvenir, transfer, etc) = R$ 340,00 x 2 pessoas = R$ 680,00 Total sem passagem aérea: R$ 4635,00 / 2 = R$ 2317,50 por pessoa Total com passagem aérea: R$ 6721,00 / 2 = R$ 3360,50 por pessoa Sim! Não foi tão caro, comparando com os preços que a gente viu nos relatos antes de ir (5k+ por pessoa). Acho que isso é produto de duas coisas: i) Pegamos uma sorte com o dólar. Fizemos a conversão BRL USD-CLP e, por conta dos protestos em Santiago desde outubro/2019, conseguimos pegar uma cotação de 800 CLP/USD, o que ajudou muito (antes dos protestos o câmbio estava 600 CLP/USD); ii) Bom senso mesmo. Vamos falar na seção dos passeios, mas lá muitas das agências são careiras e, por um serviço muito similar às outras, mais baratas. O termo que ouvimos lá foi "los nuevos ricos brasileños". Basicamente tem muito brasileiro que não tá se importando em gastar e vão no serviço mais confortável. Na maioria das vezes de agências brasileiras (FlaviaBia, Araya, etc). Pelo que vimos, a diferença maior é que nessas os tours são feitos em português. Mas como queríamos falar espanhol a vera, a gente foi na Flamingo e foi perfeito! E metade do preço das duas citadas ali atrás. Então vai de cada um! Não perca dinheiro a toa . 2. Hospedagem Ficamos no Antawhara Atacama Hostal. A hospedagem é justa. Como não tínhamos tanto budget, procuramos algo que alinhasse privacidade com praticidade. O Antawhara nos atendeu muito bem no quesito conforto (as camas são confortáveis, banheiro privativo é bom e o café da manhã é muito gostoso). No entanto, o banheiro é bem pequeno. E eu perdi um chinelo lá, sabe-se lá como hehe. Mas no geral, duas críticas que vimos que não procede: i) Os chuveiros são quentes sim! A galera reclama que era frio, mas bastava ajustar o aquecedor do lado de fora de cada quarto! E ii) Vocês vão ler muitos relatos de como é importante ficar perto da Caracoles, Blabla, centro, etc...Tudo balela! O Hostel ficava 10min andando da Caracoles, era um passeio bem legal de ir andando porque você passa por uns mercadinhos, por padarias (alias, MELHOR pão! Vão na padaria La Franchuteria). Além de ter uma vista fudida do deserto (o centro fica no meio da cidade, o que não dá pra ver nada!). Carolina e a vista da frente do Anthawara. Melhor que ver a rua, não? 3. Roupas e calçados Tinha levado um tênis de corrida, já que estava imaginando que íamos andar bastante. No entanto, o que não lembrei era que andaríamos na terra/areia! E meu tênis não aguentou! Tive que comprar uma bota de trekking por lá. Já que já teria que comprar uma, e já estava perto do natal, desembolsei um pouco mais para uma bota da North Face. E achamos que os preços lá davam bem ok. Comparando em relação com o Brasil, claro. Qualquer bota da North Face você paga mais de 500 reais aqui. Pagamos 400. Carolina levou um tênis de cano alto de treino, que deu super certo. Acho que é a partir daí que se deve levar. Um tênis que tenha cola suficiente para não desgrudar com tanto que você caminha na areia. Ou talvez seja o jeito que eu ando, já que em uma viagem à Patagônia Argentina (clique no link, caso queira ler o relato de lá!) minha bota abriu também, da mesma forma! Só não vá de sandália ou chinelo, como vimos umas meninas! Devem ter sofrido, coitadas! Sobre roupas, lembre-se que a amplitude térmica do Atacama é bem alta. Então você está num calor infernal de dia e num frio do cão a noite. Inclusive, falaremos, que no tour astronômico, mesmo com uma jaqueta corta-vento que em tese aguenta até -8 graus, senti que podia ter colocado mais uma blusa. Levei um fleece e essa jaqueta na viagem, e foi ótimo! O importante é focar no corta-vento, já que venta muito no Atacama! Outro ponto foi uma dica que, quando fui à Patagônia, também levei: aquelas calças anfíbio de trilha, que você pode tirar a parte de baixo para virar bermuda. Foi útil demais! Pra quem gosta de fazer trilha como a gente gosta, vale muito a pena! Usamos tanto a calça quanto a bermuda! E por último, não esqueça de um bom chapéu. O Sol é estarrecedor, então se preocupe com isso. Mesma coisa com protetor solar. E como venta, procure aqueles chapéus que tem a cordinha para ele não voar! Eu particularmente gosto bastante deles, então deu tudo certo . 4. Agência e Cronograma Como era nossa primeira vez no Atacama, ouvimos as dicas de colegas e relatos e contratamos uma agência para fazer 5 passeios, onde conseguimos descontos quando comparado com os preços individuais. Fora isso, fizemos uma pedalada sozinhos e também fomos ao observatório ALMA. Falaremos disso mais em baixo. Em relação à agência, como disse ali em cima, evite essas agências careiras como a FlaviaBia e a Ayara e também a Ayllu. Elas são o dobro, triplo do preço da agência Flamingo, que foi a que escolhemos, por um serviço muito similar. Os passeios foram incríveis e pegamos 2 guias durante os 5 passeios que tornaram nossa experiência ainda melhor. Os tours foram em um mix de espanhol e inglês, mas os guias falam português para quem quiser! E até alemão! Como queríamos treinar nosso espanhol, a gente até perguntava em espanhol as coisas hehe (e fomos elogiados!). Faz parte da experiência da latinoamericana. O tour astronômico fizemos com a Space, mas faríamos com a Flamingo sem problemas! Na Flamingo, fechamos 5 passeios por 1000 reais cada pessoa, o que foi o melhor preço que vimos em todas as agências. Ainda, tirando o passeio o primeiro passeio de meio-dia para o Vale de la Luna, todos os passeios tem algum tipo de comida inclusa (café, almoço e coquetel, ou uma combinação entre eles). Ainda, o preço que to falando aqui já tá incluso o preço da entradas dos parques, que é pago separado. Valeu muito a pena mesmo! Se conseguirem escolher por guias, pegamos dois guias maravilhosos: O Miguel e a Cheryl. O Miguel fez 3 passeios com a gente e a Cheryl 2. Amplos conhecedores da fauna, flora e geografia da região, a experiência ficou ainda melhor com as aulas deles! Outra bacana é: compre os passeios por lá, em San Pedro, quando chegar. Não seja nóia. Os preços ficam lá em cima com antecedência. E tem muita agência na cidade. Então dá pra negociar por lá, fechando pacotes específicos, etc. Vimos essa dica em algum relato e seguimos. Foi certeiro. Sobre fazer essa viagem alugando uma 4x4 e ir sozinho, consideramos a possibilidade, mas deixaremos para a próxima. O plano é incluir o norte da Argentina numa trip dessas, saindo do Brasil e terminando em San Pedro de Atacama. Pelo que conversamos lá é preciso um investimento em GPS por satélite, o carro adequado, etc...Vimos algumas pessoas fazendo isso por lá! Por fim, fazer a trip com a agência facilita muita coisa, mas é de certa forma, corrido. Você acaba tendo que seguir o cronograma do tour, e com exceção de 1 passeio que nos demos muito bem com a galera que tava junto, a sua experiência fica dependendo do clima do negócio. Por outro lado, é a melhor opção para quem nunca foi pra lá, já que você conhece tudo e dicas e guias da região! Por exemplo, em um dos passeios o pessoal era muito mala. Gente mal educada mesmo, atrapalhando o guia nas explicações, atrasando o cronograma, etc...Então é isso, como era nossa primeira vez, contratamos as agências para saber qual é. Na próxima, com certeza vamos fazer sozinhos alugando nosso próprio carro! Acho que é essa a melhor decisão: a primeira vez com agência e as próximas sozinhos! Bom, nosso cronograma foi: Dia 1, domingo 1/dez: 7:00 - Voo LATAM - GRU-SCL (chegada às 12h) e às 16:00 - Voo LATAM - SCL - CJC (chegada às 18h30). Dia 2, segunda-feira 2/dez: Valle da la Luna (Flamingo) e Tour Astronômico às 23h (Space) Dia 3, terça-feira 3/dez: Pedalada até Pukara de Quitor e Valle de Marte (por conta) e Laguna Cejar (Flamingo) Dia 4, quarta-feira 4/dez: Lagunas Altiplânicas (Flamingo) Dia 5, quinta-feira 5/dez: Ruta dos Salares (Flamingo. É o passeio mais similar ao Salar de Tara, que está fechado há 2 anos) Dia 6, sexta-feira 6/dez: Geyser del Tatio (Flamingo) e vila de San Pedro Dia 7, sábado 7/dez: Observatório Alma e voo CJC-SCL às 21h Dia 8, domingo 8/dez: Voo SCL-GRU ás 6:30. 5. Relato Dia 1: Voo SP-SCL-Calama - 1/dez/2019 O voo saiu de SP logo de manhã, às 7h da manhã. Saímos de madrugada de casa (Somos de SP). Voo tranquilo até Santiago. Estávamos preocupados com os protestos, com câmbio, etc...E descobri uma coisa muito importante: o melhor câmbio a se fazer é lá em San Pedro de Atacama mesmo. Sim, lá tem casas de câmbio, algumas, principalmente na Rua Toconao. A cotação que vimos no aeroporto foi 720 CLP/USD, enquanto em San Pedro conseguimos por 800 CLP/USD. O voo SCL-Calama saiu às 16h e, ao chegar no aeroporto de Calama, pegamos o transfer Licancabur. Todos os transfers que vimos eram o mesmo preço, a diferença era que esse dava pra reservar antes. Fizemos a reserva enquanto estávamos no aeroporto de Santiago ainda. Ao desembarcar em Calama, tinha uma plaquinha com meu nome nos aguardado. E sim, a van nos deixa no Hostel. Chegada no hostel umas 20:30, banho, comida e cama. A viagem tava só começando! Dia 2: Burocras, Vale de la Luna e Tour Astronômico - 2/dez/2019 Passamos a manhã fechando os passeios da semana. Como disse lá em cima, fechamos com a Flamingo todos os passeios, com excessão do Tour Astronômico, que fechamos com a Space. A Flamingo tem também um tour astronômico, e tenho certeza que é de ótima qualidade. A questão aqui foi ter fechado o Space antes da Flamingo. Acho que se tivéssemos ido primeiro na Flamingo, ganharíamos um desconto com o astronômico deles. Almoçamos já no primeiro dia num restaurante excelente: El Huerto. Comida simples e ambiente muito agradável, com preços bem ok e pratos que dá pra dividir. Às 16h, teríamos nosso primeiro tour: o Vale de la Luna, com a Flamingo. O tour é legal e você consegue conhecer a Cordillera del Sal, uma das 3 cordilheiras da região. O Vale de la Luna é só uma parte da Cordillera e você conhece vários picos. Mas preferiria ter feito o passeio sozinho de bike, já que o tour para nos lugares e sai com intervalos rápidos. Como é perto de San Pedro, dava pra ir pedalando e ficando mais tempo em cada lugar. Por outro lado, o tour te permite levar pra um lugar bem massa de ver o pôr do sol. E claro, as aulas de geografia, fauna e flora do lugar! "Las Tres Marias", escultura natural do Vale de la Luna Cordillera del Sal Poner del sol na Cordillera del Sal De volta à San Pedro pelas 20h30-21h, jantamos uma empanada (sobre isso, experimente a empanada de pino! É o sabor típico deles, um recheio de carne moída, ovo e um tempero típico. É do caralho.) pela Caracoles e fizemos hora até o tour astronômico da Space. Escolhemos a Space depois de ver várias avaliações de que eles são o melhor tour para ver as estrelas do Atacama. E, de fato, eles tem a melhor estrutura: o tour acontece numa fazenda afastada da cidade, onde há pouca luz e barulho. Ainda, ele inclui guia pra falar sobre astronomia e curiosidade científicas do lugar. Diferente do que tínhamos visto, não há um "tour místico" e um "tour científico", é só o científico mesmo, com aulas sobre as constelações ao ar livre, orientações de navegação nas estrelas, etc...Depois de uma palestra com aqueles pointers para o céu, a vantagem da Space é ter a disposição vários telescópios para olhar o céu. E é surreal. Você olha para o céu e vê um clarão, que a priori parecia realmente uma grande nuvem. Mas na verdade era todo o feixe da Via Láctea passando logo acima de você! Valeu muito a pena e, apesar de ser a mais cara, o tour foi bem completo, já que depois eles te convidam para uma casa para tomar chocolate-quente ou chá/café. Algumas dicas pro tour astronômico: i) Leve blusa. Sim, o deserto faz bastante frio a noite, mesmo no verão, como o nosso caso. E você fica bastante tempo ao ar livre. Levei uma corta-vento que aguentava até -8 graus e acho que foi no limite, porque fica bem frio mesmo. ii) A Space, por ser a agência que faz esse tour mais famosa, é também a mais cara. Pegamos por garantia mesmo, mas fiquei muito curioso como seria o tour astronômico da Flamingo. Até porque na Flamingo eles incluem uma foto no preço. Já, a Space, não. Tenho certeza que o tour é do mesmo nível, e pelo que eles falaram, nesses tours alternativos eles incluem uma versão mais mística, com curiosidades da cultura atacameña com o céu. Parece ser bem legal! Na próxima com certeza farei com eles. Além disso, o passeio com a Space vai bastante gente, um ônibus inteiro. Pra quem gosta de um clima mais intimista, talvez valha a pena ir com outra agência mais intimista. Na Space, os tours são em inglês ou espanhol. iii) Fique de olho no calendário lunar! Marcamos o tour no primeiro dia de viagem porque a lua já estava crescente. Durante os períodos de lua cheia, as agências não fazem o passeio pela invisibilidade. Então planeje sua viagem para não perder o tour! Imagino que ver o céu durante a lua nova deve ser a melhor experiência possível! No entanto, por estar em lua crescente, conseguimos tirar umas fotos bem bacana da Lua . Por último, iv) conseguimos ver um céu surreal. No entanto, a guia disse que poderia ficar muito melhor! Isso porque, uma das vantagens de se ver o céu no Atacama e o porquê de ser tão famoso tem a ver com o quão seco é o clima. Um clima seco significa menos vapor d'água no ar. E, portanto, menos refração da luz que vem dos astros. Logo, o melhor mês de ver as estrelas é em junho, o mês mais seco do ano e também quando o hemisfério sul fica com o céu de inverno, com muito mais opções de constelações e planetas para se ver! Mas deve ser um frio do caramba hehe. Mas a próxima com certeza vamos fazer em junho! De volta a San Pedro, hotel e cama! Com a lua crescente, deu pra tirar uns fotões da Lua! Dia 3: Pedalada até Pukara de Quitor, Valle de Marte e Laguna Cejar - 3/dez/2019 O dia 3 começou com um belo café da manhã no Anthawara e fomos direto para a Caracoles procurar algum lugar de aluguel de bike. A ideia era ir pedalando até Pukara de Quitor, ruínas arqueológicas de um forte antigo do pueblo atacameño e também, se desse tempo, ir até o Valle de Marte, que era mais ou menos no caminho. Às 16h, teríamos o passeio com a Flamingo para a Laguna Cejar. Alugamos uma bike pra cada por um preço bem ok (CLP 6000 as duas bikes por 6 horas, o que dá uns 6,25 dólares). Todas as bikes alugáveis de San Pedro são MTB (moutain bike), já que você anda em muito buraco e terra. A pedalada até Pukara de Quitor se faz em uns 20 minutos, é bem tranquilo. Lá, se paga a entrada no parque (2500 pesos). As ruínas em si estavam fechadas (dez/2019) por conta de uma chuva forte no deserto em fev/2019, que fez as ruínas entrarem em manutenção. Porém, o legal era fazer a trilha de uns 3-4km que têm vários mirantes para ver tanto a cidade, quanto a paisagem e claro, as ruínas em si. O passeio foi bem bacana, a trilha é tranquila a foi um ótimo start pra nossa pedalada! Só não esqueçam de levar bastante água já que você acaba pedalando no sol e no deserto! As ruínas são bem legais de se ver. A história do lugar é bacana e, durante a trilha há vários painéis explicando a história do lugar. Basicamente aquilo foi um forte que foi construído pelos pueblos atacameños para se proteger de invasões estrangeiras: primeiro dos Incas e, anos mais tarde, dos espanhóis. É bem massa! Pedalada até Pukara de Quitor! Vulcão Licancabur, vista da trilha dos miradores de Pukara de Quitor As ruínas, que estavam fechadas, mas que durante a trilha dá pra se ter uma ótima vista do forte! Trilha feita e refeita, pegamos nossas bikes mais uma vez para pedalar até pelo menos a entrada do Valle de Marte. Tínhamos pouco tempo, então não daria tempo de entrar no parque, mas só circular por lá já valeria a pena. E não é que foi, se não a mais legal experiência da viagem, uma das? O porquê? Pelo sentimento de ir offroad. Vamos explicar que a história é boa! No caminho para o Valle de Marte, saindo de Pukara de Quitor, paramos para descansar na estrada e ficar olhando a paisagem. Aí, curioso, saí um pouco da pista para chegar mais perto das montanhas e pá: acabei pisando numa área de areia movediça! É surreal, nunca tinha visto uma area movediça antes! Realmente você afunda! E é bem camuflado, então é pra tomar cuidado! Porque parece que a areia tá seca e dura, mas na verdade há uma lama embaixo te esperando para te sugar! E aí é que nos demos conta que ali do lado passava um riacho de água salgada, que estava seco! Ficamos tão entusiasmados com o pico que amarramos as bikes perto da estrada e seguimos a pé pelo o caminho de sal (aliás, a região também faz parte da Cordillera de Sal, e você pode, como eu fiz, inclusive colocar na boca o sal do chão. É realmente sal! Haha) e demos de cara com umas montanhas bizarras, totalmente off-road! Parecia realmente que estávamos em Marte! O rolê foi legal por conta disso! Foi uma aventura bem animal! Do nada, estávamos pedalando no meio de Tattooine (planeta que o Luke e Anakin Skywalker cresceu, de Star Wars hehe)! Pedalada off-road pelos arredores do Valle de Marte! Carolina e Tattoine Off-road e areia movediça De volta às bikes, pedalamos até San Pedro porque às 16h teríamos o passeio para a Laguna Cejar com a Flamingo. Apesar de se chamar "Laguna Cejar", o passeio é muito mais que isso! Você visita lugares como Ojos del Salar, Laguna Tebinquiche e Laguna Piedra. O passeio da Flamingo foi bem legal. Primeiro, porque pelo fato de eles servirem um coquetel no fim do passeio em frente à Laguna Cejar, ao pôr do sol. Segundo porque o guia que pegamos, Miguel, de tanta experiência que tem já sabe dos esquemas! Ele organizou os horários de forma que pegássemos a Laguna Cejar e Piedra por último, já com o lugar vazio! E de fato, só tinha a nossa van e de outra agência por lá para ver o pôr-do-sol. Por isso uma boa agência com bons guias faz diferença! O passeio começa com a Laguna Tebinquiche, laguna espetacular do Salar de Atacama. Se faz um trekking ao redor da laguna, que não é nadável. Inclusive, a Laguna é cheio de vida microscópica, sendo objeto de estudo da origem da vida! Têm várias placas explicativas pela vida microscópica do lugar. Laguna Tebinquiche e sua vida microscópica! De lá, fomos para os Ojos de Salar, um cenote no meio do deserto. Cenote, para quem não sabe, são formações geológicas que dão acesso à águas subterrâneas. Vale lembrar que, apesar do Atacama ser o deserto mais seco do mundo, lá tem muita água! E o segredo tá tanto nas chuvas de verão, que ocorrem em fevereiro, quanto nos lençóis freáticos. E o cenote dos Ojos de Salar dá acesso a um deles! E o melhor, é nadável! Ninguém do tour se animou, com excessão de nós, brasileiros, sedentos por pular em uma piscina/laguna/mar! Típicos! Pulamos lá de cima e foi bem legal, o cenote é bem fundo e é uma mistura de água salgada com água doce! Foi engraçado porque todo mundo ficou com uma cara tipo "Brazilians...". Mas é isso, se dá pra nadar a gente nada! YOLO, certo? Haha. Deixe 2 brasileiros e um cenote juntos no meio do deserto. A gente pula mesmo! ✌️ De lá, fomos direto pro complexo que contém tanto a Laguna Cejar quanto a Laguna Piedras. Ambas são salgadas, mas a única que é nadável é a Piedras, apesar do passeio ser identificado como Cejar. O lugar é totalmente preparado para os banhistas: vestiários, duchas, banheiros...e é muito legal! Você realmente não afunda de tanto sal que a água têm! A água é de boas (apesar da Carolina ter achado geladíssima hehe), só tem que tomar muito cuidado para não machucar ao entrar: o sal de fora cristaliza, e é muito fácil se cortar ali. Eu mesmo machuquei a minha mão. Além disso, não ouse molhar seu cabelo porque, uma vez que o negócio cristaliza, é difícil de tirar. Só tirar o sal do corpo já foi difícil, imagina com do cabelo. Como já disse, lá tem um complexo para tomar ducha e se trocar! Boiando na Laguna Piedras! E o Licancabur no fundo... Depois de nadar e aproveitar um pouco a laguna, nos encontramos com o pessoal da van para tomar nosso coquetel ao pôr-do-sol, de frente à Laguna Cejar. E que coquetel! Salaminho, baguetes, uma maionese com alho bem boa, amendoim, Lay's, tinha até Pisco Sour, suco e água, tudo a vontade! Serviço excelente da Flamingo, não deixando nenhuma outra agência pra trás. E lembrando que tínhamos toda a Laguna Cejar pra gente, uma vez que o guia, Miguel, sabia dos esquemas e dos horários para aproveitar lá. Muitas agências vã lá direto, e ele nos garantiu que aqui fica totalmente lotado de turistas, disputando lugar na laguna. Agora, algumas dicas sobre o passeio: i) Ficamos muito em dúvida entre fazer esse passeio da Laguna Cejar ou as Lagunas Escondidas, que também têm lagunas de sal para mergulhar. A diferença é que as Escondidas as lagunas são artificiais, antigas minas de lítio que gerou as lagoas. E por que decidimos Cejar ou ao invés de Escondidas? Primeiro por conta do preço. Só duas agências fazem as Lagunas Escondidas, e eram agências pequenas. Já ficamos com o pé atrás nisso...Teríamos então que fechar um passeio extra com uma agência aleatória para fazer as Escondidas, sendo que o passeio da Laguna Cejar já estava no cronograma da Flamingo e ainda incluía um coquetel massa? Além de outros picos como o cenote e a Tebinquiche? Não topamos! A Laguna Cejar foi sensacional e supriu totalmente nossa vontade de nadar numa água com densidade tão baixa Além disso, no passeio da Lagunas Escondidas eles encarecem o preço se você quiser passar por aquele "Magic Bus". um ônibus abandonado no meio do deserto fora de mão de qualquer passeio. Logo, preferimos a Cejar por ser mais cômodo e pelo tour ser bem completo, num preço justo! ii) Não se esqueça dos trajes de banho e toalha! Além de uma muda de roupa. Lá venta bastante, então você vai querer trocar de roupa o mais rápido possível quando sair da água. Miguel, o guia, e nosso incrível coquetel ao pôr-do-sol à beira da Laguna Cejar Depois do coquetel, terminamos de ver o pôr-do-sol olhando para a Laguna Cejar, que é por si só um lugar belíssimo! Láa de longe dava pra ver uns flamingos, mas nada comparado com o que veríamos nos próximos dias! É bizarro que qualquer pôr-do-sol no Atacama é um escândalo de beleza. Emocionante, mesmo! Depois do sol se por, voltamos à San Pedro e descansamos, já que no dia seguinte teríamos nosso primeiro passeio em altitude Laguna Cejar y el poner del Sol ☀️ Dia 4: Lagunas Antiplânicas, Piedras Rojas e pueblo de Toconao - 4/dez/19 (4300m de altitude) No dia 4 fizemos o tour das Lagunas Antiplânicas com a Flamingo. O tour incluía primeiro as Lagunas, depois iríamos almoçar no pueblo de Socaire, um outro oásis do Atacama, conhecer o mirador Piedras Rojas quase na fronteira com a Argentina, voltar pelo Salar do Atacama até a Laguna Chaxa ver uns flamingos (e foi aí que vimos flamingos DE VERDADE) e terminar o dia passando no pueblo de Toconao, o terceiro dos 3 oásis da região (San Pedro, Socaire e Toconao). Foi o nosso primeiro passeio na altitude. E nisso seguimos uma dica preciosa: planeje seus passeios em ordem ascendente de altitude. San Pedro fica a uns 2000m de altitude e você não sente nada. O problema é quando você faz os passeios que ultrapassam 4000m. E é o caso das Lagunas Antiplânicas. Os outros passeios na altitude seriam a Ruta dos Salares e o Geyser. Demos a sorte de pegar o Miguel de novo como guia, o que foi bem legal já que nos apaixonamos por ele no dia anterior! Ele sabe TUDO. Tudo mesmo! E outro ponto bacana é que, nos passeios de dia inteiro, a Flamingo te pega no hotel. Miguel e a trupe chegaram às 8h e começamos a subir! E aí tá o primeiro erro que cometi nessa trip: eu subestimei a altitude. Achei que ia ser tranquilo. Mas não tínhamos nem atingido 3000m de altitude e minha cabeça já estava latejando, sem contar a dor no olho, falta de ar, etc...altitude é coisa séria! Levamos bastante remédio, inclusive um remédio de alpinista, o Diamox 250g. Dá pra tomar até 4 por dia, mas acabei tomando só 2. Ajudou, de certa forma! Continuei com dor de cabeça o dia inteiro, apesar da falta de ar passar. É pesadaço! Mas deu tudo certo! O passeio em si é demais. Essa é a magia do Atacama: você em questão de horas pode viver o deserto, o clima do Altiplano e das montanhas, tudo num mesmo lugar! E isso se aplica à flora e fauna. É muito legal ver como a natureza muda de acordo que íamos subindo. Primeiro que você começa a ver cores nas vegetações. Segundo, os animais: Vimos as parentes selvagens das llamas, as vicuñas, e elas são demais! Vimos várias delas em todos os passeios que fizemos nas montanhas. Chegamos a ver até um burro selvagem e uma raposa. Além de um parente andino dos coelhos, a viscachia! E claro, o Miguel sabia de tudo. Uma das partes mais legais de ter feito o tour com a Flamingo foi realmente o amplo conhecimento da fauna, flora e geografia do lugar que os guias tem. Impecável. As Lagunas Antiplânicas foram a primeira parada. São duas lagunas: a Laguna Miscanti e a Laguna Miñiques. E lá já é totalmente diferente das lagunas que vimos no dia anterior. É um clima totalmente característico do Altiplano! Tinha flamingo, vicuñas tomando água, gaivotas...um dos lugares mais bonitos que já vimos. E, mais uma vez, um ótimo serviço da Flamingo, com um café da manhã sendo servido a beira da Laguna Miñiques, num ponto estratégico que o conhecimento do Miguel nos trouxe, com uma vista extraordinária à luz da manhã altiplânica. Laguna Miñiques e essa foto excelente 😝 A Laguna Miñiques é a menor mas, na minha opinião, a mais bonita. Talvez porque foi lá que passamos mais tempo, por conta do café da manhã. A Laguna Miscanti foi onde conseguimos ver pela primeira vez alguns flamingos de perto. Você faz um trekking em torno da lagoa, e é muito legal parar e olhar! Por conta da altitude, tem que ir bem devagar, eu mesmo já estava sofrendo sem andar, imagina andando na trilha! Mas deu tudo certo e foi uma ótima forma de ser recepcionado pelos Andes e pelo clima altiplânico! Laguna Miscanti. Essa a gente não consegue chegar tão perto quanto a Miñiques! De volta à van, a próxima parada era Piedras Rojas. Piedras Rojas é tipo uma uma depressão plana e tipo uma lagoa. É uma mistura dos dois. E foi um dos lugares mais bonitos que eu já vi na minha vida. Foi a primeira vez dentro da viagem que emocionei vendo a paisagem. O que eu pensava era: isso aqui é surreal. A natureza realmente não erra, ela acerta, acerta e acerta. Aquilo é majestoso. É enorme. Com olhos marejados, mas numa ventania de cortar a pele, foi uma mistura de querer ficar mais e querer sair porque o vento estava realmente forte. Além disso, no caminho até Piedras Rojas passamos por alguns mirantes e ainda chegamos mais perto da Argentina pra dar uma olhada na Laguna Tuyajto. Ali já estávamos a menos de 30km da fronteira. E o que eu mais vi foram carros de diversas nacionalidades, inclusive brasileira! Me deu ainda mais vontade fazer aquela trip que descrevi lá em cima, ir dirigindo desde SP até o Atacama, passando pelo norte da Argentina. Está nos planos! Piedras Rojas. Agora vocês entendem porque não consigo definir se é uma laguna, uma depressão ou algo muito louco. Mas que é bonito e emocionante, isso não há dúvidas! Carolina, Piedras Rojas e um vento bizarro Nós e o Miguel! Uma das pessoas mais inteligentes que já conhecemos! E que tornou os passeios uma grande aula de geografia e cultura! O cara fala 4 línguas! De lá fomos até Socaire almoçar. E que almoço bacana. Socaire é um pueblo de ao redor de menos de 1000 habitantes. Almoçamos numa cocineria chamada Cocineria Teresita. A dona do lugar, Teresita, era uma querida e serviu pra gente uma refeição com uma sopa de entrada, um almoço que tinha opção vegetariana e com bebida inclusa. O almoço já estava incluso no passeio da Flamingo, e tínhamos o restaurante só pra gente. Era bem familiar e tornou a experiência melhor ainda! Carolina e a sopa de entrada do almoço! Depois ainda veio um PFzão da massa. Bom demais! De volta à van, o próximo ponto era a Laguna Chaxa. Uma laguna já no Salar do Atacama, foi o primeiro lugar que vimos os Flamingos de perto! Isso é importante: tem flamingo em praticamente todos os lugares do Atacama. Não só isso, existem 5 tipos de flamingos no mundo e, só no Chile, vivem 3 tipos. Isto é, o Chile é um reduto de flamingos! E foi na Laguna Chaxa que vimos eles de perto pela primeira vez. E muito perto! A laguna é um acúmulo de água salgada e enxofre, que com seu cheiro característico, fez a experiência ficar mais legal ainda. Ah, detalhe: nos relatos vimos que a galera costuma fazer passeios que só vão para o Salar do Atacama. Mas veja só, até esse momento, já tínhamos conhecido alguns pontos do Salar do Atacama, sem ter feito o passeio específico pra lá. Por isso acho que é meio furada você fazer o passeio exclusivo do Salar do Atacama já que, em outros passeios, passaremos por pontos estratégicos dele! Na Laguna Chaxa a recomendação é ficar em silêncio. Isso porque devemos respeitar o habitat natural dos animais. Sempre temos que lembrar que nós que somos os forasteiros, invadindo onde eles vivem. Nada mais justo que ficarmos em silêncio. Claro que sempre tem um sem noção que faz algum barulho, mas o pessoal é educado e já reprime na hora. E ficando em silêncio você consegue ver os flamingos beeem de perto, inclusive pegar alguns deles voando, o que dá uma visão animal! Agora uma piada interna legal: No meio da viagem ficávamos brincando que a Carolina era um flamingo: magra, alta, bela e com pernas longas hehe. E não podia faltar uma foto dela em seu habitat natural, certo? Eis o resultado: Flamingos em seu habitat natural. Discovery Channel Production. E mais uma vez o Miguel fez diferença. Como a Laguna Chaxa é um dos points para ver os flamingos de perto, o fato de termos deixado para a tarde foi sensacional. E estratégico. i) O pessoal que vai pra lá durante os passeios do Salar do Atacama vai de manhã. E fica lotado! Fomos de tarde e estava bem tranquilo. ii) A tarde, quando o Sol já está mais baixo, os flamingos se juntam para tomar água. Então dependendo da hora que você visita o lugar, consegue vê-los, mas sóo de longe. E não foi o nosso caso! Vimos eles de pertinho! Foi incrível. Laguna Chaxa, Salar do Atacama e flamingos. De volta à estrada, a última parada foi no pueblo de Toconao, o terceiro oásis que visitamos no deserto. Toconao também tem menos de 800 habitantes! Visitamos a igreja, as lojas, e ficamos livres para passear pelo pueblo sozinhos. Passamos numa loja de lã em que eles criavam llamas! Dava até para passar a mão nelas! E, como nós somos são-paulinos e grandes fãs de futebol, ficamos impressionados com o campo society que tem por lá. A cidade é bem precária, no meio do deserto, falta água e recursos e a maioria das construções são feitas de madeira de cactus. Mas tem um dos melhores campos de futebol society que eu já vi. É galera, futebol é muuuito mais que um jogo . Pueblo de Toconao Um dos melhores campos society que já vi! Os chilenos são fanáticos por futebol, como nós! Chegamos à San Pedro de Atacama por volta das 17h-17h30. O pôr do sol seria só pelas 20h. Perguntamos ao Miguel antes de ir se ele recomendava algum lugar para ver o pôr-do-sol na cidade. E foi batata: remendou um lugar que, se você seguir a Caracoles, para o lado oposto ao da Space, iria sair numa área bem bacana de ver o pôr-do-sol, com muitas pedras e lugares para sentar. Lá parecia ser um lugar que o povo vai pra beber durante a noite, já que tinham muitas garrafas e latas de cerveja no chão. Beleza, tomar umas por lá a noite deve ser animal, mas podiam jogar no lixo né? Até jogamos uns lixos que achamos fora. Apesar disso, o lugar é bem legal! E mais uma vez o pôr-do-sol foi espetacular! Ótima recomendação do Miguel! Só tinha a gente lá, então o povo não deve conhecer o pico. Depois disso, hotel e cama porque no dia seguinte teríamos mais um rolê na altitude...e seria o dia mais legal da viagem! Pôr-do-sol em San Pedro de Atacama no lugar que o Miguel nos recomendou, no fim da Caracoles! Dia 5: Ruta dos Salares (o mais próximo do Salar de Tara) - 5/dez/2019 (4500m de altitude) A Ruta dos Salares foi o nosso passeio mais legal! Foi uma soma de fatores, mas foi o que nos trouxe melhor lembrança. O clima, as paisagens, as pessoas...Mas antes de explicar de dar o relato, vamos explicar algo: Viajamos em dez/19 e, se alguém ou algum relato depois de 2018 te falar que foi ao Salar de Tara, é mentira. O Salar de Tara está fechado para mineração. Sim, é lamentável, já que o pessoal fala que é realmente o lugar mais legal do Atacama. A alternativa é fazer a chamada Ruta dos Salares: Ele passa pelo Salar de Atacama e ao redor do Salar de Tara. E foi sensacional! A Flamingo é uma das poucas que faz esse passeio e, por conta disso, ficamos praticamente sozinhos o dia inteiro. Mais ainda, como as pessoas ficam frustadas que você não entra no Salar de Tara em si (apesar de vê-lo por cima!), elas não se interessam tanto pelo passeio. Resultado: tinham 8 pessoas conosco, além da nossa excelente guia Cheryl, a mesma que fez o Valle de la Luna com a gente! O clima intimista fez o passeio ser o melhor de todos! Moreover, o passeio mais uma vez contou o serviço excelente da Flamingo, com um café da manhã e um almoço excelentes! Outro ponto é que esse foi o nosso segundo passeio na altitude (mais de 4000m) e, dessa vez, fui preparado! Tomei chá de coca antes de ir e foi o MELHOR remédio. Não passei mal de altitude como passei no dia anterior, apesar de ter sentido um pouco a pressão. Bom, vamos para o relato. O passeio começa com um café da manhã à beira do Licancabur. E que café! Que vista! Comemos vendo o majestoso vulcão num campo todo florido! Foi uma ótima forma de iniciar o dia! E ainda por cima tava cheio de vicuñas por lá! Acabaríamos almoçando por lá também! Café da manhã de cara com o Licancabur, num campo maravilhoso do Altiplano pra começar o dia! Todo o passeio é focado na Caldera La Pacana, que basicamente é a cratera de um vulcão enorme e antigo que se situa o Salar de Tara. Você passa por várias lagunas até quase na fronteira com a Bolívia e a Argentina. A estrada é belíssima e é um dos acessos que dão na Argentina! E é bizarro ver como a cratera do vulcão é enoorme! Nesse ponto, o Salar de Tara começa logo depois! Por isso é o passeio que mais se aproxima ao Salar, porque fazendo a volta na cratera da Caldera la Pacana, consegue-se ter uma ideia da imensidão que é a formação geológica que formou o Salar de Tara. E não só isso, mas o passeio é focado no conhecimento geológico que criou o lugar. Vale lembrar que o Atacama antes de tudo foi um oceano. Não só um oceano, mas era o encontro entre o Oceano Pacífico e o Atlântico, nos tempos de Pangeia. Quando as placas tectônicas começaram a se movimentar, os Andes surgiram, e toda aquela região é referente à esse advento. Foi o passeio que mais conseguimos entender a formação geológica do lugar e a característica do altiplano andino! Foi uma aula de geografia! Mais uma vez vi vários carros argentinos e 1 brasileiro. Fazer essa viagem de carro deve ser incrível e, se fosse fazer, passaria pela Estrada 27 que é a que estávamos! Ambas as Estradas 27 e a que fomos no dia anterior (Estrada 23) dá na Argentina, e cada uma com uma paisagem diferente! Outro ponto importante: O passeio não tem banheiro em nenhum lugar. Na verdade, até tem, o que eles chama de "baño Inca", que é basicamente fazer xixi (e outros) atrás da pedra hehe. Deu pro gasto! A viagem passa pelos pilares da Caldera La Pacana e se extende até o Mirados Salar de Los Loyoques, onde pudemos ficar olhando a paisagem por mais de 1h! A vantagem de se fazer um passeio quase que exclusivo! Tínhamos as paisagens só para a gente! É bizarro a heterogeneidade do Atacama. Isso é só uma parte da cratera do La Pacana, no passeio da Ruta dos Salares. Espetacular! Inclusive, a imagem que se vende do Salar de Tara são os pilares da Caldera La Pacana (que não é o Salar de Tara hehe)! Os pilares são gigantes! E belíssimos! E o melhor de tudo é que, em todos os lugares desse passeio, a gente podia chegar mais perto a ver a imensidão do negócio da melhor forma. Além disso, a fauna e flora do altiplano mais uma vez se destacava, onde inclusive conseguimos ver outra vez as vicuñas e até uma raposa bem de perto! A raposa de boas no Altiplano Andino 🦊 O próximo ponto foi ir à fronteira com a Argentina e Bolívia no Mirador Salar de Loyoques, mas o vento tava forte demais. Nenhum problema, já que o lugar era espetacular! Ficamos um tempo por lá e voltamos para o mesmo lugar que tomamos café para o almoço. E aí foi um momento muito legal: uma viagem boa também se faz com pessoas boas. A turma que tava no passeio era demais! Eram 7 pessoas: 1 suíça, 1 mexicana, 1 argentina (uma senhora que estava viajando sozinha! Fudido!), 2 brasileiras, a guia Cheryl e nós! E que papo legal que batemos no almoço! Foi um dos grandes momentos da viagem! Carolina e o pilar da Caldera La Pacana Caldera La Pacana. Não dá pra ter ideia da imensidão do negócio por foto! É demais! "Vai Carolina, faz uns malabares aí com o Mirador Salar de Loyoques" Fotão com o Licancabur! Depois do almoço, voltamos para San Pedro. O passeio saiu mais cedo, umas 7h da manhã, por isso chegamos umas 15-16h de volta! Tiramos uma foto com a galera do passeio para guardar na memória, já que eles fizeram parte disso! Foi demais Nós, Cheryl e a galera do passeio! Agora aqui vai um aviso importante, já que pode acontecer com qualquer um. O Atacama é alto, e os passeios que você faz são altos. E isso significa que você tem que pegar leve na comida, já que a digestão é afetada pela falta de oxigenação do sangue. Eu já tinha passado mal com mal da montanha no dia anterior, mas no fim do dia da Ruta dos Salares acabei tendo uma intoxicação alimentar. Provavelmente porque tomei leite no café. Minha intolerância é bem baixa, nunca passo mal, com excessão se você toma a mais de 4000m de altitude! Para os que já tem o intestino fraco como eu, isso é um ponto importante, já que realmente qualquer coisa que você comer, por mais sútil que seja a intoxicação, se torna o caos. E vamos dizer que essa noite não foi das melhores hehe. O lance era esperar, tomar bastante água e evitar comer. Continuei com os sintomas até a volta para o Brasil, mas foi totalmente controlável . Então tomem cuidado! Não comam muito, não bebam álcool nos dias antecedentes e durante os passeios de altitude! Sofri com mal da montanha e com uma intoxicação muito provavelmente catalisada pela altura. Fica a dica! Fim do melhor dia da viagem, com direito à uma intoxicação que valeu todo minuto hehe. O passeio realmente tinha sido espetacular. Dia 6: Geysers Del Tatio e Vila de San Pedro de Atacama - 6/dez/2019 (4700m de altitude) Dia do último passeio na altitude. Deixamos por último pela questão de estratégia que mencionamos: em ordem ascendente de altura. Esse é o passeio que você sobe de forma mais brusca também! Então se prepare, tome um chá de coca antes e vai na fé! A van da Flamingo nos buscou logo às 4:30 da manhã já que os geyseres são maiores pela manhã quando ainda está frio nas montanhas. E isso é importante, lá faz FRIO. Pegamos entre -4 e -6 graus. Quanto mais frio, mais evidente fica o vapor d'água. E maior a pressão da água também. Antes do relato, vamos entender o que é o lugar. "Geyser" é qualquer formação geológica que solta vapor d'água. O nome veio do Geyser original na Islândia (o qual ainda queremos conhecer!), mas são poucos lugares do mundo que os têm. O lugar que tem mais geyseres no mundo é no Parque Nacional de Yellowstone, nos EUA. E o Atacama é um deles! Lá você consegue ver jatos enormes de água saindo do chão! E mais ainda, é possível nadar nas águas termais naturais do lugar. O que claramente fizemos! Foi um passeio muito legal e deu pra entende porque é o mais famoso de todos. Num frio do cão, acordamos às 3h30, com a van saindo entre 4 e 4h30. A subida é longa e chegamos lá pelas 6:30/7h. Esse passeio tem banheiros, o que foi extremamente útil pra mim já que estava no meio de uma intoxicação alimentar! São dois pontos de visita, onde é possível ver o vapor d'água saindo e também nadar, como disse. Demos a sorte de mais uma vez pegar o Miguel como guia, e conhecer um lugar desses com um amplo conhecedor da geografia foi demais! Nós dois, nerds que somos, grudamos nele perguntando várias coisas relacionadas à formação geológica, pressão, temperatura...uma aula! Tomamos café da manhã logo depois de ver os gêiseres. Mais uma vez, um ótimo serviço da Flamingo. Depois foi a vez de nadar nas águas termais, o que foi animal! Vale lembrar que era antes das 10h da manhã e estava um frio, nessa altura da manhã, entre 0 a 10 graus. Mas é isso, mais uma vez YOLO e lá fomos nós nadar na água a uns 35-40 graus. O mais legal foi sentir os pontos em que a água quente de baixo da terra vinha. Para não passar frio, ficávamos em cima desses pontos estratégicos. O lugar também é cheio de vestiários e lugares para trocar. O problema é o caminho entre sair da água e ir para o vestiário. Por isso que poucos pulam hehe. Geyseres Del Tatio, sensacional! Mergulho nas fontes termais! Depois de nadar, já era umas 11h, e começamos a voltar para San Pedro. Parece cedo, mas vale lembrar que o rolê começou às 4h30 da manhã, então a gente acaba ficando bastante tempo por lá! Mas o passeio ainda não tinha acabado! Passamos ainda pelo Vado Putana, uma região de pântano que fica na montanha, e também pelo Pueblo de Machuca. Machuca é um pueblo originalmente formado pela emigração boliviana para o Chile. É um vilarejo muito charmoso, com uma bela igreja e muitas lojinhas de artesanato. O maior meio de produção deles é a criação de lhamas. Estar no meio da montanha o torna diferente dos pueblos de Socaire e Toconao que havíamos passados nos dias anteriores. E ahh, é lá que se vende espetinho de carne de llama! Eu não comi porque né, intoxicação alimentar, mas tava com uma cara muito boa! Foi muito legal conhecer a cultura de um pueblo formado exclusivamente na montanha. Uma coisa que aprendemos com o Miguel foi a importância das lhamas para a cultura andina. São 4 animais da família das lhamas que vivem na América do Sul: Lhamas, Alpacas, Vicuñas e Guanaco. Esses dois últimos são selvagens e os dois primeiros domésticos. E aí que tá: As lhamas e as alpacas são consideradas sagradas justamente porque foram os primeiros animais a serem domesticados no altiplano andino. E eram usadas basicamente para 3 utilidades: carne, lã e carga. E isso é talvez o maior fundamento de identificação da cultura andina. Inclusive há muitas celebrações, rituais e cultos para as lhamas, de tão sagradas que são. E Machuca traduz muito esse sentimento sagrado que esses animais trazem. Um grande aprendizado da viagem! Llamas na região ao redor de Machuca Pueblo de Machuca! Voltamos a San Pedro pelas 13h30. Teríamos então ainda o dia inteiro para ter o dia livre. E foi muito bacana! Conhecemos finalmente os pontos de interesse do pueblo de San Pedro de Atacama, o que inclui a igreja toda construída de madeira de cactus e também, como a grande surpresa, o Museu do Meteorito. E isso foi totalmente ao acaso! Vimos uma placa do Museu do Meteorito na cidade nos primeiros dias que chegamos. Não havíamos visto nenhum relato que o incluía no roteiro! E que museu legal! O Atacama é um dos melhores lugares para caçar meteoritos justamente porque, como o clima é bastante seco, é fácil de identificar as rochas vulcânicas e de meteorito. Aí foi que dois irmãos resolveram criar esse museu para ensinar as pessoas como reconhecer meteoritos e mostrar um pouco do trabalho que eles tem feito nos últimos anos! O museu é muito simples e com muita coisa legal, além de tudo paga meia para estudante! Recomendamos total e foi uma das boas descobertas da viagem. Em toda trip que já fiz sempre descubro coisas não planejadas que acabam se tornando ótimas memórias. Essa foi uma delas! ✌️ Fachada do Museo del Meteorito! Ainda explorando San Pedro, almoçamos em mais um restaurante recomendado pelo pessoal da Flamingo: La Picada Del Indio. Almoço justo, no mesmo preço do El Huerto, mas um pouco mais "pop". Nesse aprendemos a nossa lição e pedimos um macarrão para dividir em 2. Como meu intestino ainda tava ruim, foi ótimo para não exagerar. Todos os pratos lá são bem servidos, e dá pra poupar bastante se dividirem o prato em 2 como fizemos. O resto do dia foi assistir o pôr-do-sol em frente ao Hotel e descansar, já que tínhamos acordado bem cedo. Ainda, arrumar as malas já que iríamos ir embora já no dia seguinte, às 21h30. Mas ainda tinha um passeiozão a ser feito! O Observatório ALMA, que vamos falar na próxima seção! Dia 7: Observatório ALMA e viagem de volta pra casa - 7/dez/2019 Chegou o último dia e deixamos um dos melhores passeios para o final! Eu e Carolina somos, como devem ter percebido, dois nerds e curiosos. E parte disso é gostar muito de ciência e astronomia. E isso no Atacama é um prato cheio. Quando começamos a planejar essa viagem foi em janeiro de 2019, com a compra das passagens. Na mesma época, 11 meses antes, vimos em um relato que era possível visitar o ALMA, o maior observatório do Hemisfério Sul e um dos maiores do mundo! ALMA significa Atacama Large Milimeter Array (ALMA). Eles planejam, até 2024, serem responsáveis por 53% das observações do céu do mundo. É composto por 66 antenas de cooperação internacional e foi originalmente formado por um join effort da o Observatório Europeu do Sul (União Europeia), da Fundação Nacional de Ciência (EUA), do Instituto Nacional de Ciências do Japão e do governo chileno. Mas há vários países signatários e contribuidores do projeto que financiam o laboratório. Pra quem gosta de ciência, ali é o lugar para se estar. E o máximo é a democratização da ciência: se você, um instituto de pesquisa, universidade, que fecha um acordo para a utilização das antenas para dados astronômicos não publicar algum artigo científico em alguma revista top internacional em um intervalo de 1 até 2 anos, a sua base de dados se torna pública! Como um economista acadêmico que sou, adoraria que esse pensamento fosse universal em todas as áreas do conhecimento. Quem sabe um dia! Mas o importante é que o ALMA oferece visitas guiadas públicas e, o melhor, de graça! Basta agendar! Fomos um pouco overexcited e reservamos em janeiro, mas dá pra reservar muito mais perto da sua trip do que nós. Eles oferecem um busão que sai de San Pedro e nos leva até o observatório. Ida e volta, na faixa. Lá é feito um passeio guiado pelas instalações internas e externas, explicações da relevância do projeto pro avanço da ciência do mundo e ainda demos a sorte de ver uma das antenas, que ficam em uma região das montanhas bem mais alto do que estávamos, em manutenção! Foi um dos momentos mais legais da viagem o passeio e, sobretudo para nós brasileiros, pela situação emergencial que nós cientistas estamos vivendo no Brasil (Dez/19, governo Bolsonaro, etc), é de extrema importância para entendermos de como a prioridade deveria ser, se não maioria, relevante, para a ciência dentro das políticas públicas de um país. E o Chile cumpriu seu papel muito bem, sabendo que está num lugar privilegiado na Terra para ver as estrelas. E isso vale também para os países signatários e financiadores do projeto. Ah, checamos e perguntamos e, apesar de ter uma bandeira brasileira por lá, o Brasil não é signatário do acordo. Isso porque, em 2015, durante o governo Dilma, quando o projeto foi inaugurado, mais uma vez não foi de prioridade do governo brasileiro ser um dos financiadores do projeto, apesar de ter sinalizado em anos interiores o interesse. Mas é isso, o Brasil tá out, e isso independe de governos. É uma questão de instituição. Ainda, infelizmente, para nos brasileiros, a ciência não é prioridade. Chega de baixo astral e vamos continuar o relato! O ALMA é um passeio obrigatório para quem gosta de astronomia e ciência em geral. Aquilo lá é a fronteira do conhecimento e é um privilégio pro Chile poder sediar o laboratório. O passeio ocorre nos finais de semana pela manhã, não se esqueça de agendar no site e aproveita que é de graça! Os dados astronômicos do ALMA foram um dos responsáveis por gerar a primeira imagem do buraco negro em 2019. Eles falam isso com muito orgulho! Viva a ciência! Demos a sorte de ver uma das antenas em manutenção. Elas ficam a mais de mil metros acima do laboratório, onde é mais seco e sem poluição de luz. Voltando para San Pedro, com as malas já arrumadas e deixadas no locker do hotel (fizemos o check-out de manhã) e esperamos a nossa van para o aeroporto de Calama. Fechamos tanto a ida quanto a volta com a empresa Licancabur, que já colocamos o link acima. Valeu a pena fazer a ida e a volta para os dois já que economizamos uns 5000 pesos assim. Então quando for comprar o transfer, compre a ida e a volta juntos! Deu tudo certo e antes das 19h já estávamos no aeroporto! O voo era as 21h. De resto, só fizemos escala em Santiago e voltamos pra GRU! Uma última olhada para a Caracoles antes de ir embora. Que lugar! 6. Conclusão O Atacama foi certamente um dos lugares mais especiais que eu já fui na minha vida. Já tinha conhecido Santiago e a costa chilena uns anos antes, e fazer a viagem apenas para o deserto foi determinante. Primeiro porque a cultura atacameña é totalmente diferente da cultura da capital. Isso porque em nenhum outro lugar do Chile se tem um deserto (desconsiderando, claro, a Patagônia, que é um deserto se considerarmos a definição de pluviosidade). Imagino que quando eu conhecer a Patagônia Chilena sinta a mesma coisa. Eles tem uma forma única de encarar o mundo e a natureza. Sobre isso, é uma das coisas que mais me tocou. A natureza é parte da cultura do povo atacameño. Eles vangloriam seus animais, sua flora e sua geografia. São tão privilegiados de terem em seu território um lugar tão heterogêneo mas, ao mesmo tempo, tão unido mentalmente como o deserto. Isso é forte! Por outro lado, dá pra perceber, mais uma vez, como a nossa identidade latino-americana é presente em todo o continente. Tinha sentido isso na Patagônia Argentina e também em Santiago ou no México (escrevi um relato sobre o México também onde tive a mesma conclusão, e você pode conferir aqui), e agora outra vez sinto. Não importa se você está no deserto, nas montanhas, na cidade ou na costa, somos um continente unido. Podemos falar português e eles espanhol, mas temos sempre um denominador em comum. Seja o futebol (glória!), a natureza, a herança indígena, o artesanato. A cultura latino-americana é sagrada e deve ser preservada e admirada. E isso cabe a nós, latino-americanos. Temos que cuidar do nosso patrimônio e manter as tradições milenares em evidência. É isso que nos faz únicos. Por fim, o Chile em 2019 e agora em 2020 tem passado por um momento muito importante em sua história. Os protestos que começaram em outubro de 2019 são um sinal para os governantes de que eles estão insatisfeitos. Como economista, sempre ouvimos que o Chile é um exemplo de nação, até por ser a única considerada desenvolvida no continente. Sim, de fato, mas algo está mudando. E faz parte do processo de desenvolvimento da população o engajamento e o conluio de querer tornar melhor. E eu entendi que é exatamente isso que o chileno está sentindo. Foi um a mais poder ir ao país nesse momento tão importante da história deles. Eu mesmo não concordando com a forma violenta que foi/está sendo o processo, mas as maiores rupturas do mundo vieram com grandes esforços. Talvez esteja acontecendo isso com o Chile. Talvez não. Só é importante dizer que eles estão num processo deles e que só eles entendem. É uma nação incrível, com a vantagem de ter uma natureza invejável e também, por que não, uma cultura institucional de dar inveja. Mas como o povo chileno é incansável, eles querem melhorar. E acho que é isso que está acontecendo! Eles merecem sempre mais e de melhor, assim como todos os hermanos latino-americanos. Espero realmente que o produto de tudo isso seja um país melhor e mais justo. Obrigado Miguel, Cheryl e todo mundo que fez parte disso. O Atacama é especial. Foi uma viagem especial, com uma companhia especial (sim, você, Carolina ) e que com certeza vai estar na minha memória como uma das melhores viagens da minha vida. Não hesitem de mandar e-mail e/ou responder aqui no fórum. As minhas últimas viagens eu absorvi conhecimento daqui do Mochileiros e é um prazer contribuir. E mais uma vez, obrigado por terem chegado até aqui no relato. Isso aqui é minha terapia favorita! ¡Viva Latinoamerica! !Viva el Atacama! !Viva Chile y hasta luego! 🇨🇱 Victor Hugo Alexandrino
  3. Oi @debalves! Então, apesar de ser sim violento (os dados mostram isso), não vi nenhum problema com a cidade em si. É como qualquer outra cidade: a violência está localizada em regiões específicas, longe dos grandes centros. O Zócalo foi uma particularidade porque me lembrou muito a Praça da Sé, e todos sabemos que noite não se anda lá né, mas de dia é tranquilo. É só se manter esperto, como fazemos aqui no Brasil a todo momento. Ficar de olho nos bolsos, não deixar o celular a mostra em multidões, evitar ruas estranhas... De qualquer forma, convence ele que, se ele vive no Brasil, o México é a mesma coisa em todos os sentidos hehe. Tantas as partes boas e ruins! E a cidade é espetacular. Valeu e boa viagem!
  4. Espaço aéreo do México, 10 de novembro de 2019 Salud a todos! Tenho a alegria de estar a 10006m de altitude, segundo o radar do avião, em algum ponto entre Minatitlán e Tuxtla Gutierrez, com um fim de tarde de lua cheia pulsando na janela, ouvindo a maravilhosa cantora mexicana Natalia Lafourcade e retornando a São Paulo para poder contar pra vocês a experiência fantástica que tive nos meus últimos 8 dias passados nesse país encantador que é o México. A priori, iria passar apenas 4 dias a trabalho em Puebla para um congresso acadêmico, mas acabei chegando 4 dias antes para conhecer um pouco do que é a terceira maior metrópole do mundo, a Cidade do México. Como muito do que procurei sobre a viagem foi mais uma vez usando o repositório do Mochileiros, é minha obrigação deixar um bom e completo relato para ustedes! Compartilharei o relato também no Medium, para democratizar a experiência! Aliás, leitores do Medium, deem uma olhada no mochileiros, têm muuita coisa legal :) A viagem teve duas partes. A primeira, minha irmã Thais me acompanhou na Cidade do México, aproveitando a compania, tirou umas férias merecidas :). Depois, durante o congresso em Puebla, ela foi pra Cancún e fiquei visitando quando tinha tempo entre uma apresentação de paper e outra :) 1. Cronograma A viagem aconteceu entre 2 e 10 de novembro de 2019, com o seguinte cronograma: 2/nov/2019: Voo SP-CDMX, saída 23h, chegada 6h30 3 a 6/nov/2019: Cidade do México 7 a 9/nov/2019: Puebla e Cholula 10/nov/2019: Voo CDMX-SP, saída 16h40, chegada 5h30 2. Gastos Vou botar os gastos em dólares, já que a cotação varia bastante. Passagem aérea: US$ 970 (SP-CDMX ida e volta) Hospedagem: 3 diárias no METRO Boutique Hostal, na CDMX, em quarto privativo (mas banheiro compartilhado) para duas pessoas: US$ 200/2 pessoas = US$ 100 por pessoa. Obs: a hospedagem em Puebla foi pago pelo congresso rsrs. Comida, presentes, passeios: US$ 300. Total sem passagem aérea: US$ 400 Total com passagem aérea: US$ 1370 Na época que viajei (novembro de 2019) peguei o dólar ao redor de 4. 3. Relato Dia 1 e 2 - Sábado, 2/nov/19: Saída SP-CDMX, voo às 23h, chegada às 6h30 no Domingo, dia 3/nov Chegamos no dia 3 de novembro de manhãzinha. Como o check-in do hostel era só a partir das 14h, deixamos as coisas no storage do próprio hostel, tomamos café lá (isso foi bem legal da parte deles) e saímos para andar. Como era um domingo, a Paseo de la Reforma estava fechada para carros, então, como aqui em SP acontece com a Av Paulista, a avenida estava cheio de gente, ciclistas, corredores, dogs e famílias. Foi bem legal. Uma coisa que é diferente da Paulista Aberta nesse ponto é que lá eles separam a avenida em dois: uma só para atletas e ciclistas, onde o pessoal pode treinar sem problemas de ter uma criança atravessando correndo a rua ou um ambulante vendendo algo, e outra parte para as famílias e pessoas que só querem passear na avenida. Achei sensacional (alô Bruno Covas!). Nesse ponto, como ficamos em Roma Norte, um bairro sensacional, parecido com o bairro de Pinheiros em São Paulo em questão de cultura, restaurante e arte, o caminho até o monumento do El Ángel de la Independencia dá uns 15 min. Fomos até lá e depois andamos toda a Paseo até o parque, onde fica o Museu Nacional de Antropologia da Cidade do México. El Ángel de la Independencia, na Paseo de la Reforma. Em obras, como todo o México by that time. Calçadão da Paseo de la Reforma. Avenidas muito mais largas que a Avenida Paulista O Museu de Antropologia em si é muito legal. Mas recomendaria ir em algum dia diferente de domingo. Neste dia, o museu é de graça para mexicanos, o que o deixou totalmente abarrotado de gente. Como não havia mapas nem indicações de como fazer o trajeto do museu, a gente não conseguiu aproveitar tanto. Fomos direto nos setores externos (jardins, muito banaca) e também na Pedra do Sol, la famosa... Passamos apenas umas 2h dentro do museu, porque realmente não havia condições de ficar mais tempo lá de tanta gente que tinha. Um colega foi no parque e pro museu de história natural. Disse que tem uma vista bem legal da cidade, mas infelizmente não conseguimos ir A Pedra do Sol, que não, não é o calendário maia e nem asteca! Depois do museu, passamos em frente ao Auditorio Nacional para retirar meus ingressos pro show da Natalia Lafourcade (se você não sabe quem é ela, pare de ler e vá ouvir essa mulher maravilhosa. Coloquei um vídeo mais pra baixo), cantora mexicana que gosto muito e que coincidentemente, estaria tocando na CDMX durante a nossa estadia. O Auditorio em si é muito legal, e mesmo para quem não tem evento pra ir lá, vale a pena dar uma passada na frente de dia. É majestoso. Depois do Museu, almoçamos em uma Taquería chamada El Fogoncito, muito boa por sinal. O cardápio não fica só por conta de tacos, mas de muitas coisas mexicanas. Foi um ótimo portão de entrada pra comida local. Comemos perto da Paseo, no cruzamento da Rua Leibnitz com a Rua Victor Hugo (mi nombre rsrs). A noite, encontrei um amigo da minha namorada, chamado Rodrigo, cara sensacional, em um dos bares da Av. Álvaro Obregón, em Roma Norte, do lado do Hostel. Mais uma vez, recomendo totalmente o bairro só pelos restaurantes e bares. Essa avenida ficava bem pertinho de onde a gente tava, além de ter muita coisa nos miolos do bairro. Por exemplo, visitei muitas livrarias ao redor, muitas lojas de arte e cultura, e também umas lojas místicas, pra quem gosta! É realmente a Pinheiros/Santa Cecília da CDMX. Depois descanso já que tivemos um voo longo e no próximo dia iríamos para Teotihuacan. Dia 3 - Segunda, dia 4 de novembro de 2019: Pirâmides de Teotihuácan, o dia inteiro e show da Natalia Lafourcade às 20h O plano era passar a manhã e a tarde em Teotihuácan e voltar umas 17h porque a noite eu tinha o show no Auditorio Nacional. Para ir até Teotihuacan por conta é bem fácil. Você tem que pegar o metrô até uma das rodoviárias, especificamente o terminal rodoviário Autobuses del Norte. Vá de metrô, é bem barato, menos de R$ 1,00 a passagem (aliás, todo o México é barato. E isso é ótimo para nós brasileiros). De lá, atravesse a rua e compre a passagem ida e volta para as pirâmides. O totem que vende as passagens é de uma cia específica, que não tem erro já que o próprio símbolo da empresa são as pirâmides. Se localiza, ao olhar para a rua, dentro do terminal rodoviário, à sua direita, no fim da rodoviária. A passagem não é cara e inclui ida e volta. A ida tem horário específico, e a volta você simplesmente espera na rua na frente do sítio arqueológico. Literalmente hehe. O passeio é bem legal. O busão te deixa na frente do parque, você paga a entrada e se vira lá dentro. De cara estará com a Citadela, e mais pra frente vai ter as duas pirâmides maiores (Sol e Lua), além das intermediários. Minha dica é também ir no museu que tem lá dentro. Dá pra entender um pouco o contexto do negócio, além de ter uma maquete sensacional. O passeio é incrível, e o que me impressionou foi a magnitude do negócio. É enorme. Não se esqueça de levar chapéu, protetor solar e snacks, já que você ficará bastante tempo lá (um dia inteiro), além de que não há sombras para fugir do Sol. Logo, prepare-se! Há chapéus vendendo na entrada do parque, caso você se esqueça. Delante a la Pirámide del Sol, en Teotihuácan Depois do passeio, como disse, a volta é bem simples, basta sair do parque e esperar na rua qualquer ônibus passar. Acabamos esperando uns 15 min e pá, passou um ônibus. Como a demanda era maior que a oferta, nos primeiros 15 minutos de volta fizemos o trajeto de pé dentro do busão, mas depois o pessoal foi saindo e conseguimos sentar. Aliás, todo o México é assim. Se fosse definir o país em uma palavra é: desorganização. Não importa se estávamos numa rodovia federal, estávamos de pé em um ônibus num trajeto de 1,5h a priori..uma loucura! De volta a CDMX, passamos numa Taquería que nos recomendaram chamada Taquería El Califa, é famosinha e nos recomendaram. Os pratos são bem grandes e vale bem a pena. Fomos na filial da Paseo da Reforma, mas passei na frente na filial de Roma Norte também. De noite, tinha o maravilhoso show da Natalia Lafourcade! Aqui em baixo tem um vídeo da minha música favorita dela, pra quem não conhece! E mais uma vez, o Auditorio Nacional em si é espetacular! Vale a pena dar uma passada lá na frente, é bem bacana mesmo. O show foi impecável, com certeza um dos melhores shows da minha vida. Se tiver a oportunidade de ir em algum evento cultural no destino da sua viagem, vá! É muito bacana ver os mexicanos em seu cotidiano. A grande maioria do público era local. O mais legal é que nesse último disco dela os sons estão bem folclóricos, o que fez o show ser uma baita homenagem à cultura mexicana! Além de ter muitos convidados cantando junto. Foi animal, experiência única! Auditorio Nacional, dia de show da Natalia Lafourcade! Dia 4 - Terça, dia 5 de novembro de 2019 - Museu Frida Kahlo pela manhã, Templo Mayor e Lucha Libre Dia 4 começou e tínhamos já agendado com antecedência o Museu Frida Kahlo para manhã às 10:30. O bairro que o museu fica é bem legal, o que vale já a visita mesmo antes do seu horário no museu. O bairro chama Coyoacán e, além do museu e da casa do Trosky, já famosos, o bairro tem muita feirinha, comércio, além também de, no caminho do metrô para o museu, você passará pela Cineteca Nacional. Não chegamos a parar porque tínhamos horário, mas gostaria de ter passado um tempo por lá! O museu em si é um espetáculo. Acredito que foi o lugar que mais gostei na CDMX. Aproveitando a dica do meu irmão, que também foi pra lá anteriormente, foque nos pincéis, no estúdio, nas tintas. O museu é menos obras da Frida e do Diego Rivera e muito mais o estilo de vida deles. E isso é beeem legal. A casa é um charme, toda colorida, e você vai se autoguiando pelos quartos e aposentos. Para tirar foto, tem que pagar mais, o que não fizemos. No nosso caso, só foi possível tirar foto do jardim, que também é lindo. Você consegue ver a cama onde ela pintava depois do segundo acidente, os quartos, a cozinha, o jardim...e também tinha uma exposição temporário com os vestidos de Frida Kahlo. Senti coisas lá muito fortes! A vida que essa mulher teve foi cheeeia de desafios e, mesmo depois de um caso de pólio, dois acidentes, traições, ela ser o marco que foi e com tanta influência não só no meio artístico mas também como uma bandeira do movimento feminista, isso é fudido. Um passeio que mesmo eu, que não conhecia muito das obras dela, me fez ficar muito mais interessado e encantado. Uma dica é realmente reservar o passeio com bastante antecedência. Há preços diferenciados para estudantes e para estrangeiros. Peguei o de estudante, como aluno de doutorado, que é 1/4 do preço dos estrangeiros, e deu tudo certo! Lá você vai entender o porquê reservar antes: existem duas filas. Uma para o pessoal que tem horário marcado e outra para quem vai comprar na hora. Posso te afirmar com certeza que a fila de quem ia comprar na hora estava 10 vezes maior. Vacilaram! Então não cometa esse erro e reserva essa caceta já! Museo Frida Kahlo De lá o plano era ir até o Zócalo e conhecer o centro histórico. Como começou a chover muito, ficamos apenas no Museu do Templo Mayor, e decidi conhecer o resto do Zócalo no dia seguinte. O Templo Mayor é um passeio bem legal. O preço não é salgado e é interessante saber que o centro da CDMX já foi cercado pelo povo mexica, com pirâmides e um centro político e cultural bem diferente do pós colombiano. O museu destaca ainda o massacre espanhol dos povoados antigos e também tem uma maquete bem legal do que era o Zócalo antes da invasão espanhola. E claro, as ruínas em si. Ruínas do Templo Mayor Com a chuva, acabamos fazendo hora por lá até das umas 18h para ir direto para a Lucha Libre! E que passeio sensacional! São dois lugares que ocorrem as luchas libres na CDMX: Arena Coliseo e Arena México. Fomos na Arena México, por estar relativamente perto de Roma Norte. Compramos os ingressos umas 18h30, e a luta começava às 20h. O evento em si é bem bacana. Claramente, tudo é muito bem encenado, as lutas não são verdadeiras, mas você se diverte demais! E o mais engraçado são que, mesmo com boa parte do público ser turista, há uma quantidade relevante de mexicanos que frequentam as lutas e torcem como se fossem de verdade! Gritam o nome e tudo. Achei maneiro! ¡Lucha libre! Depois da luta, casa e sono. Dia 5 - Quarta, 6/nov/19: Zócalo, Palácio Belas Artes, Palácio Nacional (só passar em frente), centro histórico e ida pra Puebla Como não tinha conseguido visitar direito o Zócalo no dia anterior por conta da chuva intensa, acabei por voltar de manhã para o centro para conhecer. O centro em si, pra quem também é de São Paulo, se assemelha muito à região da Praça da Sé. Primeiro por ser muito bonito (quem não teve a chance de passar pelo menos um dia no centro de SP, faça-o! É bem legal!). Segundo porque, assim como SP, não é o principal ponto turístico da cidade. Aqui em SP, por exemplo, podemos colocar Av Paulista, MASP e Ibirapuera na frente da Praça da Sé e ainda, tenho certeza que você pensaria duas vezes em recomendar o centro de SP para um gringo ir sozinho por conta da violência. Lá na CDMX é a mesma coisa! Em todos os sentidos. Há muitos moradores de rua como em SP (aliás, a Cidade do México se assemelha a São Paulo de uma forma inacreditável! Por isso que gostei tanto hehe). Tem até uma rua que o povo fica com aquelas plaquinhas de "compro/vendo ouro", que nem na Sé! Primeiro fiquei passeando pela praça em si. Como era pós Dia de Muertos, a praça estava toda decorada de flores, para o Festival de las Flores, logo depois do Dia de Muertos. Estava muito bonito. A praça é enorme, e você passa um tempo só se impressionando com a imensidão do negócio. Minha dica é primeiro visitar o Palácio Nacional, que fica lá na praça, a Catedral Metropolitana, que também é muito legal e depois ir andando até o Palácio Belas Artes, uma caminhada de uns 20 minutos com calma. Infelizmente no dia que eu fui estava tendo um evento diplomático no Palácio Nacional, o que significou que não pude entrar no Palácio em si, só apreciar do lado de fora. Então acabei fazendo o caminho até o Palácio Belas Artes, que também é belíssimo. Lá dentro não tem muita coisa o que fazer, mas só a caminhada vale a pena Zócalo todo enfeitado para o Festival das Flores Festival de las Flores Catedral Metropolitana Palacio Bellas Artes Um dos motivos que tinha deixado o Zócalo por último era que estava pensando em comprar souvenirs por lá antes de ir pra Puebla. Aí que descobri uma coisa muito importante, e aí vai a dica pra vocês: como SP, no centro não há souvenirs. Então pensei: "onde em SP compraria souvenirs? Reposta: Avenida Paulista!". E foi tiro e queda: peguei um metrô e voltei pra Paseo de la Reforma uma última vez e tá lá: cheio de souvenirs para vender nas calçadas. Aproveite essa dica preciosa e não espere souvenirs no centro histórico! Depois, voltei a pé para Roma Norte para almoçar e pegar minhas coisas para partir para Puebla, o grande motivo da viagem (que era a trabalho hehe). E aí uma das boas surpresas e histórias da viagem. Parei num restaurante chamado Eno, em Roma Norte. Um restaurante sensacional, em que pedi um prato que vinha umas fatias de abacate, arroz, um pollo e frijoles. Mas a melhor coisa não foi a comida. De frente pra mim, na mesa da frente, tinha uma garota tomando um café. Ela percebeu que eu tava me deliciando com o prato, tirando umas fotos e panz, e perguntou o que eu estava comendo. Respondi que estava comendo frijoles com avocado e pollo, então ela virou e falou, em espanhol: "legal...posso experimentar?". E não deu outra, ela pegou umas garfadas e adorou o prato também! Depois ainda me ofereceu metade do pan de muertos que ela estava comendo pra mim..e claramente eu aceitei! Hehe. Ficamos uns 15min trocando ideia e descobri que ela era uma mexicana que vivia na California nos últimos 20 anos, tinha saído com 8 anos do México. E não só isso, mas aquele dia era o primeiro dia dela no México depois de 20 anos!! Histórias que só viajando a gente consegue escutar Infelizmente tinha horário de ônibus para Puebla e acabei saindo, mas esse episódio reflete muito do que o México e, especialmente os mexicanos são: alegres, simpáticos e que não se assustam em abordar um estranho pra dividir um prato ou trocar uma ideia! Algo muuuuito semelhante com nós brasileiros. Quem nunca trocou ideia com estranhos em algum bar e acabou tendo um ótimo papo também? Um dos grandes momentos da viagem! 😜 Almuerzo incrível que encantou até a moça da mesa da frente Aliás, essa cerveja é do baralho: Bocanegra. Não deixem te procurá-la! Depois, busão para Puebla, chegando de noite e dando check-in no hotel. Dia 6 - Quinta, 7/nov/19: Primeiro dia de congresso e centro de Puebla de noite. Durante o dia foi o primeiro dia da conferência que me levou até o México, então nada demais em termos turísticos. De noite, fomos para o centro de Puebla para conhecer o Zócalo de lá e também jantar, junto com outros congressistas. O centrinho de Puebla é bem legal! Me lembrou muito Ouro Preto-MG. Como em muitos pontos do México, há Wi-Fi grátis nas ruas, o centro era iluminado, com um coreto e muitos bancos e a praça cheia! Coisa de cidade do interior, literalmente! Paramos num restaurante nos arredores da praça que se chama Vittorio's, que serve tanto comida poblana como comida italiana (??) hehe. E acabamos pedindo a prata da casa, o prato mais típico de Puebla, o Mole Poblano. Um prato delicioso, porém bem forte. Aliás, toda comida do México é forte, em termos intestinais. Ia muito mais vezes no banheiro do que aqui no Brasil. É muito tempero! E o mole poblano não foge disso: um peito de frango com arroz coberto por um molho marrom fortíssimo e saboroso! Mas senti ele durante toda a madrugada hehe, if you know what I mean. Enfim, nada que um mezcal no fim da refeição não ajude na digestão! Valeu muito a pena! Zócalo de Puebla Praça no Zócalo de Puebla Dia 7 - Sexta, 8/nov/19: Segundo dia de congresso e el mágico pueblo de Cholula! Esse talvez tenha sido um dos grandes dias da viagem. Primeiro porque no congresso em si eu não iria apresentar e também não havia muitos tópicos do meu interesse, o que me deu uma manhã livre. Acabei indo para o que os poblanos chamam de "El mágico pueblo de Cholula". Cholula é uma cidadezinha (ou duas cidades, porque são dois povoados) a menos de 10km de Puebla. Se Puebla é Ouro Preto, Cholula é Tiradentes, Brumadinho...cidades menores ainda, mas igualmente históricas! Caso queira saber mais sobre Cholula, recomendo esse link aqui: https://quasenomade.com/uma-visita-ao-pueblo-magico-de-cholula/ Cholula foi o que mais me encantou no México. Para começar porque a maioria dos turistas são mexicanos. Acho que os únicos gringos que vi lá era eu e os colegas congressistas que trouxe a noite pra lá! Depois, porque a cidade é toda arquitetada como uma cidade do interior. Há uma praça? Sim! Tem coreto? Sim! Tem igreja ao redor da praça? Sim, muitas delas! Aliás, Cholula é conhecida como a mais espanhola das cidades mexicanas justamente por ter muita, mas muita igreja. E elas são bem charmosas! Tem bares? Sim! Tem vida noturna? Sim! Tem história? Muita! É totalmente encantador. Vamos em partes. A primeira grande coisa que se vê quando se chega em Cholula é uma colina enorme com uma igreja construída lá em cima. O que você vai descobrir é que, essa colina na verdade é uma pirâmide pré-colombiana construída pelo povo que vivia na região antes dos espanhóis chegarem! O que dizem é que os espanhóis não sabiam disso e, quando chegaram, viram apenas uma colina e resolveram construir uma igreja lá em cima. Seria realmente uma coincidência ou uma forma explícita de varrer a cultura pré colombiana? Aposto na segunda opção O que importa é que a partir do Séc XX os mexicanos começaram a escavar a colina e descobriram que, em termos de base, a pirâmide que tem lá era a maior do México, maior ainda que Teotihuácan! Incrível! Há inclusive um túnel que você demora 15min pra atravessar que dá no Sítio Arqueológico. É muito legal mesmo! Paróquia Nsa Sra dos Remédios, no topo da colina, que na verdade, era a maior pirâmide do México Subida para a Paróquia Nossa Sra dos Remédios, em cima da colina de Cholula Vista de Cholula lá de cima da colina! Reparem no vulcão Popocatépetl soltando fumacinha. 2 semanas depois, ele entraria em erupção! Túnel para as ruínas das pirâmides! Ruínas do que foi a maior pirâmide, em termos de base, do México, em Cholula. Mas a cidade não se resume só à pirâmide! Para começar, mais um exemplo da ótima hospitalidade dos mexicanos, em especial do pueblo de Cholula. Chegando lá, fui no centro turístico do povoado. Lá, uma moça, chamada Veronica, me atendeu e me explicou em 15min TUDO o que tinha que ver na cidade. Me deu um guia inclusive do que comer e o que fazer durante um dia inteiro lá. Ela adorou o fato de eu ser brasileiro, já que eles não recebem muitos gringos por lá! E ainda me convidou para assinar um livrinho da cidade com meu nome e pra eu escrever umas palavras lá! Muito fofinha! Mas o mais legal que ela me disse foi: naquele exato dia era aniversário da cidade, e ia rolar um evento pirotécnico ali do lado a partir das 18h. Com certeza iria! De manhã ainda deu tempo de subir na colina em si e conhecer a igreja lá de cima. Mas o show a parte é a vista panorâmica lá de cima da cidade de Cholula e de Puebla com uma visão privilegiada do vulcão Popocatépetl, que fica nos arredores de Puebla. E aqui vai mais uma dica: suba na igreja pela manhã, quando as nuvens ainda não bloqueiam a visão para o vulcão. No fim da tarde as nuvens bloqueiam o vulcão, e você perde toda a vista. Como Cholula era relativamente perto da universidade que estava sediando o congresso e tinha coisa para fazer a tarde por lá, acabei voltando para assistir a alguns seminários pela tarde na conferência, mas já tinha colocado na minha cabeça que tinha que voltar para Cholula a noite. Estava apaixonado pelo pueblo. Ele realmente é mágico! A noite, voltei e levei dois colegas do congresso para lá também. E fomos direto nos posicionar em cima da colina para ver as celebrações de aniversário do povoado, como a Veronica tinha recomendado! E que coisa irresponsável! Eles colocaram umas estruturas de metal, uns 6 pilares em que se acendia um pavio que fazia um show pirotécnico da base até o topo. E tudo isso com um monte de gente no chão assistindo, sem uma margem de segurança. Para vocês terem uma ideia, uma das estruturas explodiu, o que fez um esqueleto de metal subir muitos, mas muitos metros pro alto e cair na colina. Ainda bem que não atingiu ninguém, mas foi por um triz. Mas é isso, nada simboliza mais o México do que isso: dedo no cu e gritaria! Haha. Apesar de perigoso, foi sensacional! Experiência única. Pra quem dúvida do perigo que foi isso, se liguem: Haha, loucura, não? Depois da pirotecnia, fomos ao centrinho, tiramos umas fotos das igrejas de noite e paramos um bar por lá de cerveja artesanal. E mais uma vez, uma das grandes histórias da viagem: os garçons e garçonetes estavam tão abismados que éramos gringos visitando Cholula que, de 5 em 5 minutos vinham na nossa mesa perguntar se estava tudo certo, tudo bem com a bebida, com a comida, etc...Gostaram tanto da gente que nos deram um vale chopp para uma próxima vez! Guardei de recordação haha. Um pouco do charme del mágico pueblo de Cholula e suas muitas igrejas Praça de Cholula! Depois de umas cervejas e ótimo papo, voltamos pro hotel que ainda faltava mais 1 dia de congresso. E também o último dia de viagem. E sabia que minha história com Cholula ainda não tinha acabado... Dia 8 - Sábado, dia 9/nov/19: Último dia de congresso, teleférico e bar em Puebla e...Cholula novamente! Sábado durante a manhã e até o fim da tarde foi de congresso. A parte turística começou lá pelas 17h. Fim de conferência, partimos para a Zona Histórica de Los Fuertes. Vamos à contextualização: Puebla foi a cidade que abrigou a Grande Batalha de Puebla contra os franceses em 5 de maio de 1862, durante a segunda intervenção francesa no México por Napoleão III. Depois os franceses acabaram entrando no ano seguinte, mas o México foi defendido com sucesso numa batalha época realizada em Puebla, no dia 5 de maio de 1862. E isso é orgulho dos mexicanos, que comemoram o 5 de Mayo todos os anos como feriado nacional. Foi um dos grandes momentos que moldaram a identidade mexicana e é um dos principais feriados do país. Pois bem, a tal Grande Batalha aconteceu em Puebla e a Zona de los Fuertes têm os fortes remanescentes da guerra, muito bonito! A área de visitação é um parque, numa zona alta da cidade, de onde se dá pra ter uma vista panorâmica da cidade, além de ter um teleférico que leva até o centro da cidade. Vista panorâmica de Puebla a partir da Zona de los Fuertes. Um privilégio ver o pôr-do-sol de lá Nesse dia, encontrei a minha irmã, que estava comigo antes no CDMX e que tinha passado uns dias em Cancún enquanto eu estava trabalhando. E o melhor, era o aniversário dela! Nos encontramos lá em cima e descemos no teleférico de noite, com uma vista fenomenal da cidade e com uma guia explicando todos os pontos de Puebla lá de cima! É muito legal e bem barato, recomendo total fazer esse trecho de teleférico! Chegando no centro de Puebla, para comemorar o aniversário da Thais, minha irmã, escolhemos o bar chamado San Pedrito Licorería. É um bar animal, com música boa e ótimas cervejas e mezcais. Ficamos um tempo lá até nos direcionar advinha para onde? Sim! Cholula novamente! Pegamos um Uber para Cholula para exatamente o mesmo bar, San Pedrito, mas com filial em Cholula. O porquê? Como minha irmã tinha acabado de chegar na cidade, queria que ela se encantasse um pouco com a magia que é el mágico pueblo de Cholula E foi sensacional! Noite bem animada, com direito à placa no bar com alerta do quê se deve fazer em caso de terremoto haha (segue foto). E não é que 1 semana depois que eu voltei pra SP, o vulcão de Puebla não entrou em erupção? Os avisos são reais! Dia 9 - Domingo, dia 10/nov/19: Volta, com voo às 16h40 na CDMX e chegada às 6h da manhã do dia 11/nov em GRU. Nada demais, só a volta ;( 4. Conclusão Essa foi a nossa viagem pro México! Conhecemos pouco, mas do que conhecemos, conseguimos ir bastante à fundo! Desde CDMX até Puebla e a magia de Cholula O grande aprendizado dessa viagem é algo que tenho sentido em todos os países latino-americanos que tenho visitado: como a nossa identidade cultural é forte. O México é parecido com o Brasil em muitos detalhes. E nesse sentido, SP se assemelha muito com a CDMX. Posso dizer que temos inclusive os mesmos problemas: trânsito, desorganização, burocracia, desigualdade...etc, porém os pontos positivos são tão bons quanto! A gente é alegre, gosta de falar alto, conversar, somos receptivos com gringos, tratamos bem o visitante, gostamos de música e estamos a todo momento valorizando a nossa cultura latino-americana, algo que o México não me decepcionou. A comida, os sons, as paisagens, todas foram espetaculares, o que me faz ter com certeza a mais profunda vontade de voltar e conhecer mais desse país incrível Caso tenham alguma dúvida, não hesitem em responder aqui no Fórum ou mandar um e-mail! Até! ¡Viva a Latinoamerica, viva el México!
  5. Oi @thattsz ! Desculpa a demora pra responder! Cara, El Calafate e El Chaltén foram muito tranquilas para se fazer sozinho! O único passeio que fiz por excursão foi Perito Moreno, porque era o único jeito de fazer. Mas as trilhas de Chaltén foram todas by myself, e não faria de outro jeito se não for assim! Sobre ser mulher, vi um monte de garotas fazendo a mesma trip que eu sozinha! Totalmente tranquilo! E também eu penso, como combater uma sociedade machista se mão confrontá-la viajando sozinha e independentemente? Se joga! qualquer dúvida, fique a vontade! Uma ótima jornada!
  6. Cara eu deeei muitaa sorte de pegar todos os dias claros! Uma pena você não ter conseguido ver o Fitz Roy claro! Mas meu, eu mesmo penso em voltar um dia pra Chaltén, não hesite de ir denovo! O lugar é demais e aquela Laguna Los Tres merece ser vista com total visibilidade! Abção!
  7. Fala Thiago! Muito legal, tem que fazer essa viagem mesmo! O minitreking foi no Perito Moreno sim, você acaba gastando mais que 600 pelo câmbio, pela entrada do parque e além de outros gastos, mas vale total a pena!! O lugar é incrível e será a única vez na vida! Sobre van, procura o Las Lengas! Ele faz viagens direto de Chaltén -> Aeroporto Calafate e vice-versa, além de ir pro centro de Calafate, se quiser. E te pegam no hostel! Muito melhor que qualquer bus! Boa viagem pra vocês!
  8. Então Carol, não usei não! Como as áreas de trilhas não pegam celular, acho que nem vale a pena, você acabaria tendo sinal só na cidade, onde tem wifi nos hostels! Inclusive é bem legal você ficar totalmente em contato com a natureza, sem preocupação com celular! Porém, pelo menos no iPhone, mesmo sem dados o gps ainda funciona! Na vez que me perdi usei ele pra checar se estava indo na direção certa!
  9. Oi! então, eu entendo bem espanhol e falo aquele portunhol que deu pro gasto, mas acho que o inglês é fundamental até pra, se estiver sozinho, se comunicar com os outros viajantes! Mas no geral o contato com hostels e serviços dá pra fazer td em espanhol! espero ter ajudado!
  10. Oi! Valeu a leitura! 1) 3700 é mais que suficiente pra uma viagem economica! Vaso queira comer em restaurantes e comprar souvenirs, acho que vale levar mais, meus gastos foram bem contidos! 2) cara, junho e julho acredito que estará com neve a região! Não sei se os parques fecham, mas fica bem mais difícil as trilhas com neve e frio né? Recomendo ir no verão! Valeu!
  11. Foi tudo pelo booking! Até cheguei a dar uma olhada nos sites dos hostels, mas o preço era o mesmo! Além do que o Booking não cobra taxa de reserva e tem uns reviews legais!
  12. Oi Luiz! Valeu pela leitura! 1) comprei as passagens em junho pra viajar em dezembro! Hospedagem também! Foi ótimo, peguei uma promo boa! Acho que o preço que peguei deve ser o limite inferior das passagens pra Patagonia! 2) entaao, a priori Ushuaia tava no roteiro sim! Mas ao pesquisar mais a fundo, e analisar minha restrição orçamentária, resolvi deixar pra outra viagem! Motivos: i) Ushuaia é bem mais longe de Calafate e Chalten, teria que pegar um voo pra ir até lá! E ii) lá é beeem mais caro. Como eu tava na brisa de trilhas, e Ushuaia tem mais coisa além das trilhas (como hoteis, canal de Beagle, ilha dos pinguins,..) vou deixar pra ir lá em algum inverno pra também tentar ver Aurora Austral, e claro, com muito mais $$! grande abç e mete bala nessa viagem!
  13. Oi Carol! Sobre roupas, eu até levei segunda pele, mas não usei! Nem luvas e cachecol! Dezembro ficava em torno de uns 15-20 graus de dia e de noite uns 10!. Mas ventava, por isso recomendo o corta-vento. Acredito que fevereiro vai estar bem parecido o clima! A calça eu usei aquelas de tactel de trilha da Decathlon que viram bermuda, e foi ótimo! Fiz a maioria sem a parte de baixo! Sobre a mochila de ataque, levei uma mochila normal, de uns 10L. Deu pra usar tudo tbm! Levava dentro comida, um kit de primeiros socorros, fleece e camera+carregador! Mas de resto, uma corta-vento tá de ótimo tamanho, além do fleece. boa viagem!!
  14. Fala Victor! Cara, não sei se as trilhas estão em boas condições pra fazer em setembro, uma vez que provavelmente vai estar com neve! Mas posso estar falando merda haha. No verão foi suavíssimo! Tenta ler uns relatos de setembro! Abção!
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