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Oswaldo Bak

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Sobre Oswaldo Bak

  • Data de Nascimento 17-12-1978

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  1. Olá Petroni! ficamos 20 dias na Turquia e 5 na Capadócia.
  2. Oswaldo Bak

    BHAKTAPUR NEPAL

    Bhaktapur, o Reino dos Devotos Bhaktapur Durbar Square Bhaktapur foi o nosso terceiro e último destino no Nepal. Considerada patrimônio mundial pela UNESCO, a cidade é um verdadeiro museu a céu aberto, uma viagem no tempo. Foi fundada no século 12 DC no vale de Kathmandu, na rota comercial entre a Índia e o Tibet e reúne templos, palácios e monastérios originais da época. Ao lado de Patan e da capital Kathmandu, Bhaktapur é uma das três capitais reais do país. Parece uma cidade cenográfica no meio do caos nepalês, uma ilha de tranquilidade onde veículos são proibidos e o turismo é o carro-chefe : sessenta por cento da receita da cidade. Quatro praças principais muito bem conservadas exibem arquitetura oriental esplendorosa, de estilo Newari. Com um templo a cada esquina, a religiosidade é traço marcante da antiga capital dos reis Malla do Nepal. O hinduísmo e o budismo se misturam e logo cedo, pela manhã, o canto dos devotos ecoa pelas ruas. Os sons dos sinos e tambores marcam os rituais e o ritmo da vida local. Ao entardecer, as velas acesas pelas mulheres tomam conta dos templos, criando um clima místico, de prece e agradecimento. A conservação e restauração dos monumentos de Bhaktapur dependem dos ingressos pagos pelos turistas. Nós ficamos três dias hospedados numa pousada dentro do centro histórico e pagamos uma taxa de 1.500 rúpias nepalesas ou cerca de R$ 35,00 pelo período. A vinte quilômetros de Kathmandu, o centro de Bhaktapur merece pelo menos um dia inteiro de visita. Como queríamos entender melhor e aprender um pouco mais sobre a cultura local, decidimos ficar mais tempo por lá e foi uma decisão assertiva. O forte senso de comunidade entre as pessoas locais é impressionante. Os homens mais velhos usam um chapéu tradicional - o Dhaka Topi - que os identifica de acordo com seu nível hierárquico na sociedade. Eles são visivelmente respeitados pelos mais novos e as crianças andam pelas ruas livremente, sempre em grupos. Violência é uma palavra que não existe por lá. A religião hindu influenciada por elementos budistas baliza a conduta e a convivência harmoniosa entre as pessoas. O estilo de vida é mais simples, pacífico e desprendido do consumo frenético ocidental. As roupas são artesanais e a alimentação é natural, à base de grãos, ovos, legumes e temperos coloridos. A agricultura é muito forte na região e o jeito rural de viver é evidente mesmo na cidade. Pottery Square Um dos lugares mais interessantes de Bhaktapur é a Pottery Square, ou praça das cerâmicas. As crianças aprendem a prática com a família e põem a mão na massa desde cedo. Eles trabalham a céu aberto, produzindo centenas de diferentes tipos de potes de argila, de várias cores, formatos e tamanhos. A tradição é milenar e o processo de criação é feito no meio da praça, que lembra um enorme atelier. Bhaktapur Durbar Square A maior das quatro praças do centro histórico, a Durbar Square, é o lugar onde nós nos hospedamos e onde se realizam vários festivais durante o ano. A cada minuto de caminhada é possível observar milhares de novos detalhes nas antigas fachadas terracota talhadas em madeira, nas esculturas lindíssimas de bronze e nas pessoas que moram e trabalham por lá. Existe um forte comércio voltado ao turismo, cafés, bares, lojas de artesanato e souvenirs. Tudo muito barato. Golden Gate Caminhar à vontade entre as praças é muito agradável. O pôr-do-sol na praça é de um brilho intenso e torna o lugar ainda mais bonito. Um ambiente perfeito para a contemplação e meditação. É lá que fica o Golden Gate, provavelmente a peça mais bela e rica de Bhaktapur. No topo ele carrega as imagens da deusa hindu Kali e do pássaro mítico Garuda. O portal dourado esculpido em 1753 dá acesso ao maior palácio da cidade e tem imensa importância histórica e religiosa, motivo de orgulho na cidade. Mas, certamente, uma das maiores riquezas do Nepal são mesmo os nepaleses. Conhecemos muita gente amável e interessante em Bhaktapur. Uma delas é Kalish, um jovem guia turístico que nos abordou quando soube que éramos brasileiros. O maior ídolo dele é Ronaldinho Gaúcho e o futebol uma das únicas referências que ele tem do Brasil. A foto do jogador não sai da agenda de bolso, nem de seu coração. Disse que em 2014, tentará ir ao Brasil para assistir aos jogos da Copa. Fica aqui o nosso incentivo para ele ir nos visitar! De onde viemos: Pokhara, Nepal (de ônibus) Para onde vamos: Pequim, China (de avião) Bhaktapur, Nepal Hospedagem: 15 dólares/dia - Shiva Guesthouse1 Transporte: a pé, de táxi e de tuktuk Culinária : 4 dólares por prato - Hospitalidade do povo local: Pontos Turísticos: Preços: Clima Local (média 28 graus): Fuso Horário: 09 horas a mais em relação ao Brasil Distância Percorrida desde o último destino: 221 km Distância Percorrida desde o ponto de Partida (Lisboa): 22.627 km
  3. Oswaldo Bak

    POKHARA NEPAL

    Nas alturas em Pokhara Ir para o Nepal e não curtir as belíssimas vistas do Himalaia, a maior cadeia de montanhas do planeta, é um desperdício. O país preserva tradições antigas e outras características rurais que se diluem no caos de Kathmandu. Para pegar o espírito do país e entender melhor como eles vivem, decidimos passar quatro dias em Pokhara, que fica a 200 Km da capital. Embora pareça perto, a viagem de ônibus entre as duas cidades leva cerca de oito horas. O motorista dirige devagar quase parando, numa média de 30 km/hora por conta da péssima conservação da pista, que só tem duas faixas e da enorme quantidade de caminhões, ônibus, carros e motos. A viagem não é fácil. De VIP, os ônibus só têm o nome... As curvas sinuosas recortam as montanhas e cada ultrapassagem é uma façanha, mas a emoção de estar no topo do mundo é imensa. A vista dos maiores picos do planeta é lindíssima e compensa o risco da viagem. Lá, o rio Bagmati – o mesmo que passa por Kathmandu – não parece poluído, é mais selvagem e suas águas correm livremente, sem barreiras ou dutos de concreto, construídos pelo homem. Os terraços verdes dos campos de arroz e as casas simples das vilas de camponeses completam o cenário bucólico tornando a viagem, que poderia ser maçante, bem mais leve e agradável. Há quem escolha ir de avião, mas viajar por terra e observar tudo isso não tem preço nem comparação. Depois de oito horas na estrada, finalmente chegamos em Pokhara. Pegamos um táxi e seguimos para o nosso hotel na região central. Da janela do quarto, a vista das montanhas era deslumbrante: céu azul, picos nevados e dezenas de paragliders coloridos suspensos no ar. A vontade de ir ao topo era enorme. Muita gente sobe as montanhas a pé ou de bike, mas o caminho é bem íngreme e pode levar muitas horas. Pegamos um táxi e subimos até Sarangkot, uma pequena vila de onde a vista do vale de Pokhara é sensacional e o estilo de vida das pessoas muito diferente do resto da cidade. Lá, eles são bem mais rurais e pacatos, vivem em contato com a terra e parecem viver em outro mundo, mais perto do céu. Cada casa possui sua própria horta no quintal. Fomos de manhã bem cedo para ver o nascer do sol, que foi um dos mais lindos que já vimos na vida! Mais tarde fomos conhecer o Phewa Lake, que fica no centro, perto da avenida mais turística da cidade. Alugamos dois caiaques que eram péssimos, antigos e quase viraram, mas foi bem divertido e um jeito diferente de chegar a uma ilha, onde existe um pequeno templo budista, uma das principais atrações da cidade. Quem não quiser remar pode contratar um barqueiro que cobra R$ 6,00 a hora. Gostamos tanto do clima sereno daquele lugar, que no dia seguinte voltamos e alugamos um barco a remo pelo dia todo para explorar melhor a região do lago. Cruzamos remando até a outra margem, estacionamos o barco e começamos uma trilha que durou três horas até o topo de uma das montanhas. A subida foi dura, mas muito recompensadora. A cada mirante alcançado ao longo do caminho, a vista da cidade se tornava mais deslumbrante, com casas coloridas ao redor do lago e muita mata fechada. Enfim, chegamos ao topo da montanha e encontramos o Peace Temple. Valeu muito a pena o esforço. A trilha era só nossa, pouca gente se aventura na escalada. Além de ser um belo exercício para pernas e mente, o lugar é uma paz total. Iluminado e com uma vista lindíssima do vale de Pokhara. Imagens de Buda ao redor do templo formam um circulo religioso por onde as pessoas passam em clima de meditação. Peace Temple Também conhecido como Peace Pagoda, o templo foi erguido no Nepal por monges japoneses para promover a paz mundial e a não violência. Depois da Segunda Guerra, a Organização Budista japonesa Nipponzan-Myōhōji-Daisanga construiu vários templos similares ao redor do planeta. Como explorar a região Pokhara é a segunda maior cidade do Nepal e tem três das dez maiores montanhas do mundo (Annapurna I, Dhaulagiri e Manaslu). É o lugar perfeito para praticar esportes radicais e de aventura em lugares exóticos, com natureza intocada. Várias agências especializadas organizam grupos de trekking, rafting, caiaque, bike, tirolesa e, claro, de montanhismo e alpinismo. Para quem gosta de voar de paraglider, Pokhara é um lugar fascinante. Nós resolvemos fazer um tour de bicicleta com guia local que durou o dia todo. Pedalamos 50 Km entre os dois lagos principais de Pokhara. Foi uma maneira bem interessante de explorar as montanhas da região. A parada para o almoço foi numa casa simples de uma família local na beira do segundo lago. O prato principal foi um peixe pescado na hora. Nós nos sentimos parte da família e pudemos perceber traços da cultura e comportamento de uma família rural nepalesa. Todos foram muito dóceis e receptivos.No fim da tarde pegamos uma canoa para fazer parte do caminho de volta para o hotel. Nós, o nosso guia e as bikes cruzamos o lago e de volta à estrada, encaramos mais alguns quilômetros de aventura, entre caminhões, ônibus e bastante fumaça. Foi um dia intenso que valeu muito a pena. Quem não curte esportes radicais, pode fazer os passeios de táxi tranquilamente. O preço é razoável e é bem melhor que o escasso transporte público local. A rua principal de Pokhara é bem animada, com muitas lojas, restaurantes, hotéis e clínicas de massagem. A melhor que nós fizemos na viagem foi por lá. Escolhemos a Ayurvédica, baseada na ciência indiana, que abrange o corpo inteiro.Uma massagem de uma hora custa cerca de R$ 10,00! Tudo é muito barato no Nepal. Os restaurantes seguem a mesma linha. O mais bacana que encontramos e recomendamos é o Byanjan, na beira do Lago Phewa, com uma área externa muito aconchegante. Bom, bonito e barato! Se for ao Nepal e tiver tempo, não deixe de incluir Pokhara no seu roteiro. É uma cidade agradável, com forte potencial turístico de povo tranquilo e hospitaleiro. O Nepal é mesmo o que nós ouvimos por aí um dia desses...Um país pobre, de grande beleza natural e força religiosa com gente muito pacífica e rica de espírito. De onde viemos: Kathmandu, Nepal (de ônibus) Para onde vamos: Bhaktapur, Nepal (de ônibus) Pokhara, Nepal Hospedagem: 33 dólares/dia - Hotel Trekkers Inn Transporte: a pé, de táxi e de bike Culinária : 3 dólares por prato - Hospitalidade do povo local: Pontos Turísticos: Preços: Clima Local (média 28 graus): Fuso Horário: 09 horas a mais em relação ao Brasil Distância Percorrida desde o último destino: 200 km Distância Percorrida desde o ponto de Partida (Lisboa): 22.606 km
  4. Oswaldo Bak

    KATHMANDU NEPAL

    O Místico Vale de Kathmandu  nosso blog: www.212dias.blogspot.com faceb: http://www.facebook.com/212dias?ref=hl Patan, a mais antiga cidade real do vale de Kathmandu Depois de quase um mês na Índia, chegamos ao Nepal. O país que fica entre a Índia e a China tem oito das dez maiores montanhas do mundo e uma cultura extraordinária. Desde o começo da viagem foi destino certo no nosso roteiro. O pequeno aeroporto de Kathmandu, de tijolinho à vista, simples e com cara de anos 70, estava lotado, mas não demorou muito para nos localizarmos naquela confusão. Tiramos o visto na hora. Levamos uma foto 3X4, o comprovante da vacina de febre amarela, pagamos 25 dólares cada um e entramos no país numa boa, sem muita burocracia. Por esse valor, o visto é válido por 15 dias, tempo que ficamos no país. “Vocês são Oswaldo e Stela?” Sim somos nós, respondemos ao nepalês magrinho que, ao lado de vários homens, disse que havia um carro à nossa espera. Foi uma surpresa já que não tínhamos combinado nada com o pessoal do hotel. Pegamos nossas malas nas esteiras, saímos do portão de desembarque, andamos um pouco e logo chegamos ao carro. Era um FIAT 69, pequeno e quadrado, parecia uma geladeira em péssimo estado. Antes de entrarmos fomos abordados por uns dez homens, carregadores de malas que costumam oferecer seus serviços por alguns nepalis. Não aceitamos porque já estávamos ao lado do carro. Isso é muito comum no Nepal, por ser um país pobre, sempre tem alguém oferecendo pequenos serviços desnecessários. Entramos desconfiados. Não tínhamos certeza se realmente era o transporte do nosso hotel. O carro era uma sucata com cortinas floridas. Horrível. Sabíamos que estávamos indo para o centro da cidade. O que nós não sabíamos ainda é que todos os táxis no Nepal são parecidos, antigos e caindo aos pedaços... Chegamos sãos e salvos ao nosso hotel, no bairro mais animado de Kathmandu, o Thamel, repleto de restaurantes e vida noturna, coisa que não víamos havia um bom tempo. A temporada no norte da Índia foi bem tranquila. Bares e casas noturnas não existem por lá.  Deus alado em Patan Durbar Square Oitenta por cento dos nepaleses são hindus, porém a forte influência budista torna o comportamento social bem mais livre e parecido com o ocidental. O sincretismo religioso é uma das maiores características que tornam o Nepal ainda mais especial. Muita gente vai pra lá para estudar o hinduísmo, o budismo e o xamanismo. O turismo religioso é bem forte e é o que nós decidimos priorizar. Em Kathmandu, existem dezenas de bares com música ao vivo e uma enorme mistura de pessoas locais e turistas de várias nacionalidades que buscam diferentes experiências. Tem a galera do alpinismo, sempre equipados e vestidos à caráter. Tem os que procuram conhecer algo místico e os que vão pra lá só para curtir as baladas. Existe muita maconha e outras drogas no país. A cada esquina tem um vendedor oferecendo baixinho “Smooooke?”. A insistência exagerada perturba um pouco e chega a ser engraçada... A abordagem de pedintes e comerciantes é bem menor que na Índia. Caminhar pelas ruas não é fácil, porém bem mais agradável que no país vizinho. Os pontos turísticos e templos são incríveis, a começar pelo templo dos macacos! O TEMPLO DOS MACACOS O Templo Swayambhunath, considerado patrimônio mundial pela UNESCO, é um lugar de muita paz e religiosidade, cheio de macacos vivendo livremente. Eles andam aos bandos e moram na região do templo que fica no topo de uma montanha. De lá do alto, a vista panorâmica de Kathmandu é magnífica. Embora a íngreme escadaria pareça não ter fim, subir os quase 400 degraus e passar parte do dia no templo vale muito a pena. Cercado de memoriais e grandes estátuas de Buda, o acesso ao templo é uma atração à parte. Os vendedores de artigos budistas fazem uma tímida abordagem e tentam interagir com os turistas ao longo do trajeto. Chegar ao topo é gratificante (levar uma garrafinha de água é essencial). Depois do desafio demos de cara com uma enorme estupa, uma espécie de torre em formato de sino que representa a imagem de Buda e a busca pela iluminação. Ao redor da estupa, vários rituais de purificação são celebrados, pelos locais, entres mantras coloridos e incensos que esfumaçam o ambiente e se misturam no ar. Os tradicionais mantras budistas lembram bandeiras de festa junina... Dezenas de macacos brincam e comem as oferendas, eles não têm medo dos humanos e são pacíficos. Passamos um bom tempo observando os animais e a vista belíssimada cidade. Lá em cima tem várias lojinhas de souvenir, restaurantes, um monastério, uma biblioteca e até um hostel, para quem quiser se aventurar. O vale de Kathmandu Conhecida como “a cidade das artes”, Patan foi fundada em 570 DC e é a cidade real mais antiga do vale de Kathmandu. Fica a cerca de 10 Km do centro da cidade. Um táxi de Thamel até lá sai cerca de R$10,00. O palácio e os prédios públicos que permaneceram são posteriores, do século XVI. É um lugar lindíssimo, de arquitetura oriental, pagodas e templos muito interessantes. Tudo feito de pedra e madeira esculpidas, com trabalhos muito bonitos e extremamente detalhados. Alguns prédios públicos estão mal conservados, outros em restauração, mas o conjunto da praça tem uma beleza única, é imperdível, um dos cartões-postais da cidade. Caminhar pelas coloridas ruas e vielas é uma volta ao passado. Muitas festividades religiosas são celebradas em Patan. Celebração do dia de Shiva Por sorte, nós presenciamos uma dessas celebrações, em que as mulheres andavam pelas ruas com flores, tambores e baldes cheios de grãos em homenagem ao deus hindu Shiva. A praça central de Patan estava em festa. Mulheres e crianças faziam as oferendas. Tudo muito colorido, bonito de ver! Boudhanath, uma das mecas do budismo Estupa construída no século XIV Com 100 metros de diâmetro e 40 de altura, é uma das maiores e mais antigas estupas do mundo e um dos lugares mais sagrados do Nepal. É lá onde vivem milhares de monges tibetanos, refugiados do domínio chinês desde a década de 50. Eles foram e são até hoje recebidos de braços abertos no Nepal, onde vivem em harmonia, longe da perseguição política.Estima-se que por volta de 60 mil tibetanos vivam atualmente no país. Os monges vendem colares com mantras, incensos e outros artigos budistas, mas não podem tocar no dinheiro, o pagamento é deixado numa espécie de cesta ou urna pelos religiosos e turistas. Existem cerca de trinta monastérios ao redor da praça, que é bem mais calma que o centro caótico de Kathmandu. A entrada nos monastérios é gratuita, mas nem todos são abertos ao público. Nós visitamos dois ou três, onde os monges dão palestras e explicações sobre a religião considerada a quinta maior do mundo. Buda, ou Siddhartha Gautama , nasceu no Nepal em Lumbini perto da fronteira com a Índia no século V AC. Mas o budismo só foi de fato difundido no Tibete, no século VI DC. A estupa de Boudhanath, com quatro olhos gigantes um para cada lado, representa a imagem de Buda e o centro do universo budista. De cima, os treze níveis que formam o templo lembram uma mandala. Segundo a tradição, para as preces serem atendidas e a iluminação alcançada, é necessário dar três voltas em Boudhanath com a mente tranquila e o coração aberto. Morte e vida em Pashupatinah O sagrado rio Bagmati. Local das cremações Rituais de cremação ao ar livre, com fumaça invadindo o ambiente e um clima fúnebre no ar é algo que só tínhamos visto pela televisão. Sem dúvida o lugar que mais nos marcou no Nepal foi Pashupatinah, um conjunto de templos dedicados a Lord Shiva, o deus hindu que representa a morte e o renascimento. É lá o local onde dezenas de corpos são cremados todos os dias. Os rituais são realizados nos ghats, as escadarias que ficam na beira do rio Bagmati. Ser cremado lá é como ser cremado no Ganges, segundo a tradição, só assim a pessoa atingirá o Nirvana (paraíso buscado por todo hindu). Os hindus acreditam em reencarnação e na reintegração dos corpos à natureza. Assim como na Índia, no Nepal os corpos são cremados a céu aberto, para quem quiser ver. Ricos de um lado, pobres de outro. Assistir aos rituais foi uma experiência impressionante. A fumaça toma conta do ambiente é muito forte e o clima de espiritualidade nos faz refletir profundamente sobre os valores da vida e como ela é frágil e passageira. Nesse mesmo complexo, em Pashupatinah, conhecemos uma nepalesa que nos ensinou sobre a história do lugar e nos convidou para assistir a uma aula de canto, dentro de um dos templos. Ganhamos chá e bolachas e foi muito bonito acompanhar aquelas pessoas cantando mantras com tanta naturalidade durante horas a fio. O professor, um homem de uns cinquenta anos, era uma figura. Fazia gestos incessantes com as mãos e cobrava empenho dos alunos...O mantra mais repetido foi o om namah shivaya, uma popular adoração a Shiva, muito utilizada durante a meditação por praticantes de yoga e por pessoas que buscam relaxamento físico e mental e até efeitos curativos. O Nepal é um país rural, com forte potencial turístico, muito diferente do que estamos acostumados a ver. O choque cultural é evidente e começa a partir do momento em que se pisa no aeroporto. Ao mesmo tempo em que encanta pode assustar. Chegamos lá na primeira quinzena de agosto, período de monções - de junho a setembro - quando o calor é bem forte. Nessa época do ano, as chuvas são quase diárias (este ano foi mais seco que o normal e nós pegamos apenas alguns momentos de garoa). A capital nepalesa é uma cidade bastante suja e poluída, tem cerca de 25 milhões de habitantes e uma das maiores densidades demográficas do planeta. Incrivelmente, esses dados superlativos não diminuem o charme e o valor histórico do lugar. Os nepaleses intitulam o país como o topo do mundo. Eles possuem a mais alta cadeia de montanhas, os Himalaias e o ponto mais alto do planeta, o Everest ( 8.840 metros de altura). Só isso já é motivo de sobra para visitar o Nepal. Artigos de trekking e escalada são muito baratos, vale a pena comprar tudo por lá. Onde comer em Kathmandu: Nós adoramos o Shisha Café, um restaurante que fica no bairro de Thamel, super animado, com música ao vivo e comida típica e ocidental. Também recomendamos o italiano Roadhouse Café, que tem bom preço e ótimas pizzas. É bom tomar cuidado com a comida vendida nas ruas, tudo é bem sujo em Kathmandu. Os restaurantes mais turísticos e recomendados nos guias de viagem são mesmo a melhor opção. Dica de massagem: O Nepal tem forte tradição quando o assunto é massagem. É bem melhor e mais barata que no Brasil. Perfeita para depois de um dia pleno de turismo e dezenas de quilômetros caminhados. O lugar que nós mais gostamos foi o Tranquility Spa. Recomendamos a foot massage (baseada na reflexologia) e a ayurvédica que abrange o corpo todo. O Tranquility Spa tem ótimos massagistas, super profissionais. Kathmandu, Nepal Hospedagem: 25 dólares/dia - Hotel Nepalaya Transporte: a pé, de táxi e de tuktuk Culinária : 4 dólares por prato - Hospitalidade do povo local: Pontos Turísticos: Preços: Clima Local (média 28 graus): Fuso Horário: 09 horas a mais em relação ao Brasil Distância Percorrida desde o último destino: 1.100 km Distância Percorrida desde o ponto de Partida (Lisboa): 22.406 km De onde viemos: Nova Delhi, Índia ( de avião) Para onde vamos: Pokhara, Nepal ( de ônibus)
  5. Oswaldo Bak

    AGRA E TAJ MAHAL

    Agra e o Grandioso Taj Mahal nosso blog: www.212dias.blogspot.com ou http://www.facebook.com/212dias?ref=hl A primeira impressão.. O Taj Mahal é patrimônio mundial da UNESCO e uma das sete maravilhas do mundo moderno segundo a organização suíça New Open World Corporation. E não é à toa. O mausoléu que mais parece um palácio é sem dúvida o ponto turístico mais famoso da Índia. Recebe cerca de 20 milhões de pessoas ao ano . Todas as manhãs o monumento, construído entre 1631 e 1653, fica lotado de turistas indianos e estrangeiros que vão assistir o nascer do sol, considerado o melhor horário para conhecer o lugar. A luz é outra, as cores também. Nós chegamos lá às cinco e meia da manhã para comprovar e curtir esse momento mágico do dia, que torna o Taj Mahal ainda mais bonito e colorido. O sol nasce atrás dele e completa um cenário fascinante. Há uma névoa no ar e algo místico em torno do lugar. Os espelhos d’água refletem o sol e a imagem simétrica do mausoléu de mármore branco, provavelmente, o mais lindo do mundo. Os quatro jardins em forma de cruz produzem um efeito ainda maior de simetria. É um lugar especial, muito romântico, que mistura elementos das arquiteturas mughal (mongol), persa, otomana e indiana. Equilíbrio perfeito. O Taj Mahal foi erguido por mais de 20 mil homens – entre operários, escultores, decoradores - em homenagem à terceira mulher do imperador Shah Jahan. Mumtaz Mahal morreu durante o parto do décimo quarto filho do casal. Poucas horas antes da morte da amada, o imperador muçulmano prometeu que construiria o maior e mais imponente mausoléu do mundo em sua memória e que todos aqueles que passassem por lá teriam seus pecados perdoados. É mesmo um lugar sagrado. O Taj Mahal tem várias inscrições do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, e é cercado por duas mesquitas e quatro minaretes. Embora muitos elementos tenham sido roubados, o edifício mantém centenas de pedras semipreciosas esculpidas por dentro e por fora e é considerado uma das maiores provas de amor da história mundial. Lendas à parte, o fato é que Shah Jahan não curtiu muito tempo a obra de arte que erguera. Poucos anos depois do Taj Mahal ficar pronto, em 1666, o imperador adoeceu gravemente, faleceu e foi enterrado ao lado da mulher. As duas tumbas são cercadas e o acesso dos turistas é restrito. Certamente o mausoléu é muito mais bonito por fora. Por dentro é decepcionante. OTaj Mahal fecha às sextas-feiras e a entrada custa 750 rúpias, cerca de R$40,00. Agra fica no estado de Uthar Pradesh e não vive apenas do Taj Mahal. Nós chegamos lá em 2 de agosto, dia do Rakhi, um festival nacional em que as mulheres presenteiam seus irmãos com uma pulseira colorida e eles, em troca, prometem amor e proteção eternos, além de outros presentes. A cidade estava em festa, famílias inteiras faziam piquenique e lotavam as margens do rio Yamuna, considerado sagrado pelos indianos. Nesse clima demos uma volta a pé pela cidade e conhecemos o Lala. Um motorista de tuk-tuk bike super simpático e solícito que nos levou para dar uma volta maior pelo centro antigo de Agra. Ruas estreitas e muito comércio fazem da old town um lugar pitoresco, um belo exemplo do estilo de vida indiano. Dar uma volta por lá é essencial, afinal a Índia não se resume ao Taj Mahal. A tarde caía e Lala, com bom inglês, nos contava sobre a vida e o cotidiano na cidade mais turística do país. A Índia tem dessas surpresas. Pessoas muito especiais e interessantes, que sabem bastante da história e da cultura de seu povo e que compartilham o que sabem com muita generosidade. O Imponente Forte de Agra Agra sempre disputou o poder político da região com Delhi. Comparando os fortes das duas cidades, se o quesito for estilo e beleza, certamente o de Agra vence a disputa. O Red Fort fica a 2,5 Km do Taj Mahal e também é considerado patrimônio mundial pela UNESCO, um lugar imperdível. O forte foi construído entre 1565 e 1573, numa época de disputa territorial entre hindus e muçulmanos, pelo Imperador Akbar, avô de Shah Jahan – o mesmo que construiu o Taj Mahal - e é um dos principais fortes da Índia. Dentro da cidade murada existem palácios lindíssimos em mármore branco, pátios, piscinas, pavilhões de reuniões e de audiências públicas, três mesquitas, um harém... Como na era medieval, trata-se de um microcosmo isolado por muros do resto da cidade. No século seguinte, o forte se transformou na jaula de ouro de Shah Jahan, quando um de seus filhos reivindicou o poder, em função de sua doença, e o manteve prisioneiro durante seus últimos oito anos de vida. Segundo relatos, Shah Jahan passou o fim da vida observando de longe o mausoléu de sua amada, o Taj Mahal. Conhecer o Taj Mahal foi uma experiência maravilhosa, repleta de história e extrema beleza. A prova de amor e todo o mito que criou-se em cima dele torna o lugar romântico, exótico e um real patrimônio da humanidade. Inesquecível! De onde viemos: Jaipur, Índia ( de carro) Para onde vamos: Kathmandu, Nepal (de avião) AGRA, ÍNDIA Hospedagem: 20 dólares/dia - Hotel Crystal Inn Transporte: a pé, de carro e de tuktuk Culinária : 3 dólares por prato - Hospitalidade do povo local: Pontos Turísticos: Preços: Clima Local (média 35 graus): Fuso Horário: 09 horas a mais em relação ao Brasil Distância Percorrida desde o último destino: 275 km Distância Percorrida desde o ponto de Partida (Lisboa): 21.306 km
  6. Oswaldo Bak

    Índia

    Jaipur, a Paris indiana Jaipur é conhecida como a Paris da Índia por ser a primeira cidade planejada do país, mas de Paris não tem nada. A capital do Rajastão é caótica, lotada e poluída. Um lugar onde atravessar a rua é uma aventura. Nós chegamos a ficar mais de dez minutos esperando uma oportunidade para atravessar para o outro lado. Nesse tempo, pelo menos cinco pessoas vieram conversar com a gente. Eles nos perguntaram nome, nacionalidade, o que estávamos fazendo por lá e para onde estávamos indo. Respondemos rapidamente e, de carona com dois meninos, atravessamos a rua. Jaipur tem avenidas largas e poucos semáforos, que raramente são respeitados. Para andar no centro antigo é preciso ter cuidado e olhar para todos os lados. Manter a paciência é essencial. O assédio dos comerciantes é absurdo. É mais uma daquelas cidades indianas onde vacas, macacos, bicicletas e uma enorme quantidade de tuk-tuks lotam as ruas e, mesmo assim, vivem em harmonia. Jaipur é um exemplo clássico do caos, do choque cultural. Reserva muitas surpresas e não pode ficar de fora do roteiro do Rajastão. A CIDADE COR DE ROSA No primeiro dia, saímos do hotel e pegamos um tuk-tuk, rumo ao centro antigo, onde todas as fachadas são cor de rosa por mero capricho real. Em 1876, o Marajá da época mandou pintar todas as casas para receber a visita da Rainha Elizabeth II e do Príncipe de Gales. Até hoje Jaipur mantém a tradição da cor. Palácio dos Ventos O Hawa Mahal, o palácio dos ventos, é um dos principais cartões postais de Jaipur. Ele faz o estilo Rajput, o mesmo das outras fachadas da old town, mas só é possível visitá-lo por fora. Atualmente está abandonado e trancado. Das pequenas janelinhas as maharanis ( mulheres dos marajás ) e as concubinas observavam o movimento da cidade. Elas não podiam aparecer em público. Feira de rua Caminhar pelo centro antigo é desgastante, mas, acredite, vale a pena! A todo o momento é preciso ficar atento ao trânsito e fugir da insistente abordagem dos vendedores nos mercados centrais. A cidade é repleta de feiras surreais, onde panos são estendidos no chão e as frutas e verduras expostas ali mesmo. Tudo é muito rústico e com pouca higiene e estrutura. Os macacos fazem a festa nas copas das árvores e nos telhados das casas e vivem do que resta das feiras. Cobra Naja, uma espécie comum no Rajastão Há encantadores de serpentes a cada esquina. Vestidos a caráter, exibem suas cobras criadas e, a todo o momento, chamam os turistas para uma apresentação mais próxima. Encaramos o desafio uma vez...foi o suficiente! O FORTE AMBER O Forte Amber é um dos mais bonitos que vimos na Índia. Fica no topo de uma colina e tem uma vista incrível da cidade. Foi construído no fim do século XVI e já foi cenário de vários filmes e de novela global. Grandioso e bem cuidado, é o lugar mais fascinante de Jaipur. Existem dois jeitos de começar a visita. A pé, caminhando pelas íngremes rampas de acesso a entrada do palácio ou em cima de um elefante como faziam os marajás. A maioria dos turistas escolhe ir de elefante. Há dezenas de animais que sobem e descem o dia inteiro. Eles são bem tratados e cada um deles é guiado por um treinador. É uma experiência bem interessante. O passeio termina num grande pátio central. O forte tem três palácios lindíssimos, com jardins planejados, salas com mosaicos de espelhos do chão ao teto, banheiros originais e resquícios dos aposentos reais. Tudo é muito bem conservado, mas não há mobília. O portal de Ganesha, o deus-elefante, considerado o removedor de obstáculos pelos hindus, é um dos pontos altos da visita. Water Palace No caminho do Forte Amber fica o Water Palace, o Jal Mahal, um palácio flutuante, onde os marajás costumavam dar festas e descansar. Foi construído no século XVI em um lago artificial onde a caça de aves era muito praticada pela família real. Por dentro não tem nada, mas por fora é lindo e merece uma visita. Em Jaipur, existem vários palácios de marajás e o maior observatório astronômico de pedra do mundo do século XVIII. Idealizado pelo marajá Jai Singh II, o observatório Jantar Mantar foi construído entre 1728 e 1730 e contém 15 aparelhos astronômicos, que funcionam por meio do reflexo da luz do sol, da lua e das estrelas. Os instrumentos são enormes e dão a medida exata do tempo, a inclinação solar, a localização das constelações, eclipses e outros fenômenos astronômicos. Para quem gosta do tema, é um lugar bem interessante. Para entender melhor como os aparelhos funcionam contrate um guia local. Jaipur é um importante centro comercial da região. Um destino perfeito para entender melhor a cultura indiana. Em dois dias é possível conhecer os principais pontos turísticos da cidade. Lembre-se que o calor indiano não é brincadeira. De maio a agosto faz quase 40 graus. De onde viemos: Pushkar, Índia (de carro) Para onde vamos: Fatehpur Sikri, Índia ( de carro) JAIPUR - ÍNDIA Hospedagem: 20 dólares/dia - Hotel Maharani Palace Transporte: a pé, de carro e de tuktuk Culinária : 3 dólares por prato - Hospitalidade do povo local: Pontos Turísticos: Preços: Clima Local (média 35 graus): Fuso Horário: 09 horas a mais em relação ao Brasil Distância Percorrida desde o último destino: 150 km Distância Percorrida desde o ponto de Partida (Lisboa): 21.031 km
  7. Oswaldo Bak

    Índia

    Pushkar, a Varanasi do Rajastão Ao lado de Varanasi, Pushkar é uma das principais cidades sagradas da Índia. É lá que fica o principal templo do planeta dedicado ao deus Brahma. Há milhares de anos é um ponto de peregrinação, devoção, um lugar onde cerimônias religiosas e rituais de cremação são realizados todos os dias. Os hindus não enterram os corpos dos mortos. Não existem cemitérios. Os cadáveres são cremados na beira de rios e lagos sagrados e suas cinzas são jogadas nas águas. Eles acreditam que o corpo faz parte da natureza e deve se reintegrar a ela. Alguns rios e lagos são tratados como divindades por eles. Segundo textos védicos (a base da religião), o cisne que acompanha Brahma teria deixado cair uma flor de lótus no lago de Pushkar, tornando-o sagrado. Acredita-se que a cidade foi um dos primeiros lugares do universo criado por Brahma. Ghats, as escadarias onde são feitos os rituais hindus Ao chegarmos ao lago, fomos pegos pelo braço. Dois religiosos vieram em nossa direção e nos orientaram sobre como proceder naquele lugar. Tiramos os sapatos e sentamos numa escadaria, onde vários estrangeiros passavam por uma espécie de batizado. Os sacerdotes pintaram nossa testa com arroz e tinta vermelha. Estávamos prontos para o ritual hindu. Eles nos separaram e nos fizeram repetir uma série de rezas antes que pudéssemos nos aproximar do lago. Disseram para fazermos pedidos para nós, amigos e familiares. Rezamos, repetimos aqueles mantras durante dez minutos. Não estávamos entendendo nada, afinal a reza era na língua deles. Para nossa surpresa, no fim do ritual, disseram que para que nossos pedidos fossem válidos, teríamos que pagar duas mil rúpias, cerca de 80 reais cada um. Segundo eles, o dinheiro seria para alimentar famílias carentes da cidade. Parecia pegadinha. Um valor pré-determinado para algo tão sagrado, num momento em que estávamos envolvidos por um clima de fé e religiosidade. Foi uma saia-justa e a pressão foi grande. Batemos o pé e no fim das contas pagamos dez reais cada um. Só assim pudemos chegar perto do lago sagrado e ver qual é a real relação dos indianos com aquele lugar. Hora da purificação Pushkar tem 52 ghats, as escadarias onde os hindus realizam rituais de purificação e de cremação. A região do lago lembra um estádio de futebol, onde as escadarias são arquibancadas. Existem várias piscinas onde os hindus nadam e se purificam. A água é a mesma onde as cinzas dos mortos são jogadas. O cheiro não é nada agradável e tem uma cor esverdeada, bem escura. É impressionante como eles nadam com naturalidade. Desde cedo, os pais levam as crianças para nadar e ter contato com esse lugar tão sagrado. Grupos de mulheres se reúnem e entram de roupa mesmo. Acredita-se que um mergulho no lago de Pushkar cura qualquer doença de pele. O calor é muito forte. Há vacas por todos os lados, elas se misturam à população e vivem livremente. Lord Brahma O templo de Brahma é o principal ponto turístico de Pushkar. Ao lado de Vishnu e Shiva, Brahma completa a trindade hindu. Ele é considerado o criador do universo e um dos principais deuses da religião que tem milhares de divindades. O templo dedicado a ele é bem diferente dos outros que conhecemos na Índia. É proibido entrar com bolsas, mochilas e máquinas fotográficas.Todo vermelho, em formato de espiral, o templo tem um cisne no portão de entrada, o animal que acompanha Brahma (quase todos os deuses hindus têm um bicho de estimação). O movimento é grande e o espaço é compartilhado com macacos que correm por toda parte. O templo em si não é tão bonito, mas a importância dele é enorme. Nós ficamos num hotel-palácio, bem amplo e super vazio, às moscas. A energia caia toda hora. Nós éramos os únicos hóspedes e fomos muito paparicados pelos funcionários, sempre muito amáveis. Providenciaram um jantar a luz de velas, todo especial, no jardim do hotel. Era noite de lua cheia. Tudo parecia perfeito. Os garçons começaram a puxar assunto e quando percebemos, o jantar a dois tinha virado um jantar a cinco: nós dois, dois garçons e o cozinheiro. Eles ficaram o tempo todo com a gente e foi divertido. O cozinheiro, um rapaz de 25 anos, estava desesperado para deixar a Índia. Disse que não tinha dinheiro para a passagem, mas toparia ir ao Brasil para trabalhar em algum restaurante apenas em troca de uma cama e comida. No dia seguinte, durante o café-da-manhã, ele apareceu com o passaporte e uma carta de recomendação de outro hóspede que havia prometido emprego nos Estados Unidos. Infelizmente não pudemos ajudá-lo. A Índia é considerada um país em desenvolvimento, mas o abismo entre classes é gigantesco, muito maior que no Brasil. As oportunidades de emprego são bem mais escassas. Muitas cidades tem saneamento básico insignificante. Segundo a Organisation of Economic Cooperation and Development 40% das cidades indianas não tem coleta de lixo e com o crescimento da industrialização a situação piorou muito. Pushkar também é suja, mas está longe de ser uma das cidades mais poluídas que vimos no norte da Índia. Pushkar é um destino bem interessante para quem pretende aprofundar os conhecimentos sobre o hinduísmo e ver de perto os rituais religiosos de purificação e cremação. O trânsito não é tão caótico e a cidade tem um perfil turístico bem alternativo. Tatuados, cabeludos e bicho-grilos caminham por toda parte. Todo mês acontece um festival ou alguma celebração por lá. Agora em novembro, entres os dias 20 e 24, será realizado o festival anual de camelos, considerado o maior da Índia, no deserto de Thar. Para saber mais clique aqui. De onde viemos: Kota, Índia (de carro) Para onde vamos: Jaipur, Índia (de carro) PUSHKAR - ÍNDIA Hospedagem: 20 dólares/dia - Hotel Gulaab Niwaas Palace Transporte: a pé e de carro Culinária : 3 dólares por prato - Hospitalidade do povo local: Pontos Turísticos: Preços: Clima Local (média 35 graus): Fuso Horário: 09 horas a mais em relação ao Brasil Distância Percorrida desde o último destino: 230 km Distância Percorrida desde o ponto de Partida (Lisboa): 20.881 km
  8. Oswaldo Bak

    Índia

    Chittorgarh e Kota, duas cidades fora da rota A nossa viagem pelo Rajastão foi de vinte dias. Tempo suficiente para explorar bem o estado e conhecer melhor cidades menos famosas e sair da rota tradicional entre os turistas que procuram essa região da Índia. Buscamos cidades milenares, onde seria possível entrarmos em contato com o povo e sua cultura. Queríamos fugir da estrutura turística que muitas vezes mascara a realidade da vida local de certos lugares. A cidade de Chittorgarh é pouco divulgada entre os roteiros sugeridos para o Rajastão, mas deveria ser mais valorizada afinal é lá que fica o maior forte da Índia. Com três mil metros quadrados, ele fica no topo de uma montanha e tem uma estrada sinuosa, muito bonita, em formato de serpente. Sete portões fortificados protegiam o acesso à cidade murada. Hoje eles ficam abertos e o lugar não é mais palco de grandes batalhas. É muito interessante passar por cada um deles e observar sua estrutura pesada, medieval. A sensação que tivemos foi de um lugar muito disputado e protegido. Chittorgarh foi fundada no século VII, invadida e saqueada muitas vezes durantes os séculos seguintes. Existem muitas histórias reais e várias lendas sobre essas invasões e batalhas entre Rajputs e Muçulmanos que culminaram na morte de milhares de pessoas. No século XVI, a cidade cresceu e começou a se desenvolver fora das muralhas, região onde nos hospedamos. A cidade moderna não tem nada turístico, por isso o melhor é explorar a cidade murada. Dentro das muralhas, atualmente, vivem cinco mil pessoas. Existem vários templos hindus e um belo palácio com vista estratégica para a cidade baixa. O palácio é bem bonito, mas o ponto que mais nos chamou nossa atenção em Chittorgarh foi uma torre hindu Vijay Stambha construída no século XV para comemorar a vitória de uma batalha contra os muçulmanos. Foram dez anos de construção. Com 37 metros de altura e oito níveis é a torre mais bonita da cidade murada, a mais linda que vimos na Índia. Toda esculpida em mármore, ela homenageia o deus hindu Vishnu que está representado em muitas imagens dentro e fora da torre. Para subirmos os oito andares, pegamos uma genuína fila indiana. O lugar estava lotado. A cada nível que subíamos éramos cumprimentados pelas pessoas que disputavam todos os espaços disponíveis. Valeu muito a pena subir os 157 degraus até o último nível e observar a belíssima vista das janelas de pedra. Chegamos em Chittorgarh num domingo, dia de passeio das pessoas locais. Todo fim de semana, muita gente sobe para a cidade murada para fazer piquenique e curtir com os amigos. Como o povo da cidade é pouco acostumado com turistas, ao descermos do carro, fomos olhados e tratados como alienígenas. Seres de outra galáxia! Alguns nos tratavam como celebridades. Eles não esconderam a curiosidade e admiração, sabe-se lá por qual razão. Foi uma chuva de “hello” e fotos. As câmeras dos celulares não pararam. Dezenas de pessoas nos cercaram e tentaram conversar, perguntar de onde viemos. Ficaram felizes e curiosos sobre o nosso país. Para eles, a única referência do Brasil é o futebol e Ronaldinho – nós só não sabemos até hoje se é o Gaúcho ou o Fenômeno. Além de palácios e templos, a cidade murada também é o lugar de milhares de macacos que vivem em bandos, livres e soltos. Sempre alimentados pela população que os adora. Ao sairmos da torre, demos de cara com os animais que estavam loucos pra ganhar alguma coisa. Eles se sentem os donos do pedaço e não se intimidam com a presença humana, pelo contrário. Compramos alguns amendoins e distribuímos entre os macacos que fizeram a festa ao nosso redor. Em poucos minutos eram mais de 30! Eles são mansos, porém disputam o amendoim no tapa. Uma graça! Chittorgarh foi uma grata surpresa para nós. É um destino interessantíssimo para quem quiser aprender mais sobre o hinduísmo e a história dos marajás do Rajastão. Embora fique de fora da principal rota turística, Chittorgarh tem grande potencial e vale a visita. Um dia e uma noite são suficientes para conhecer a cidade. KOTA Kota é a terceira maior cidade do Rajastão e um dos principais centros industriais do estado. A indústria têxtil e a agricultura – principalmente o arroz - também movimentam a economia local. Assim como em Chittorgarh, o turismo por lá está crescendo. O primeiro lugar que visitamos na cidade foi o museu real que conta a história dos marajás e reúne uma série de objetos de celebrações e peças de decoração do antigo palácio. Há uma galeria de armas, com facas, punhais e lanças que provavelmente mataram muita gente. A caça era o esporte da nobreza da época e desde cedo, geralmente aos 15 anos, os filhos dos marajás se aventuravam em busca de cerdos, tigres e outros animais, que segundo eles, ameaçavam a paz da população. No museu real de Kota existem alguns animais empalhados, mas eles ficam num porão sem destaque algum. Palácio de Kota O palácio de Kota é decadente. Os aposentos são mal conservados. O lugar estava vazio e nem chega aos pés de outros palácios que vimos na Índia. Para nós, o mais emocionante de Kota foi observar as boiadas no meio da rua e explorar o antigo mercado a bordo de um tuk-tuk bike. Pagamos dois dólares por uma corrida. De Tuk-tuk fomos ultrapassando os carros e as pessoas, acenando de volta para elas e pudemos ver a confusão pré-feriado.O clima já era de festa. Era a preparação para um festival familiar que acontece todo ano na Índia, o Rakhi. Trata-se de uma comemoração bem tradicional em que as mulheres presenteiam seus irmãos com uma pulseira colorida e eles, em troca, prometem amor e proteção eternos, além de outros presentes. Acontece todo dia 2 de agosto religiosamente. A família é muito importante na cultura indiana. Ser filho único é uma coisa muito estranha pra eles. Kota é um destino bem remoto para nós brasileiros. Faltam pontos turísticos clássicos, porém é um lugar perfeito para entrar em contato com as pessoas, caminhar pelas ruas centrais e ver a vida real dos indianos, sem o aparato turístico que muitas vezes oculta a essência dos lugares. De onde viemos: Udaipur, Índia (de carro) Para onde vamos: Pushkar, Índia (de carro) CHITTORGARH E KOTA- ÍNDIAHospedagem: 20 dólares/dia - Hotel Pratap Palace (em Chittorgarh) e Hotel Meenal Residence (em Kota) Transporte: a pé e de carro Culinária : 3 dólares por prato - Hospitalidade do povo local: Pontos Turísticos: Preços: Clima Local (média 35 graus): Fuso Horário: 09 horas a mais em relação ao Brasil Distância Percorrida desde o último destino: 115km Udaipur-Chittorgarh + 180 km Chittorgarh-Kota Distância Percorrida desde o ponto de Partida (Lisboa): 20.651 km
  9. Oswaldo Bak

    Índia

    Udaipur Todo fim de tarde no lago Pichola reserva uma surpresa diferente. Lá a relação das pessoas com a água é de intimidade. Grupos de mulheres esfregam os cabelos, fazem da escadaria tanque de lavar roupas. Máquina é luxo e o simples ritual, um costume antigo, milenar, sobrevive ao tempo. Algumas aproveitam o momento para se refrescar e arriscam um mergulho. Elas lavam roupa e se trocam ali mesmo, submersas.Tomam banho na frente de todo mundo. Bem longe dos Jogos Olímpicos de Londres, os meninos também nadam e dão show com os saltos mortais inacreditáveis. Velhinhos de túnicas lavam pés e mãos diariamente, seguindo a tradição. É um ritual de purificação. Vários casais, gringos, músicos tocadores de chimta, e famílias indianas completam o cenário. Todos estão lá para curtir o cair do sol, o visual poético, quase romântico. O lugar já foi cenário de filme do 007, parte do James Bond – Octopussy foi filmado em Udaipur (assista aqui) Nas ruas de Udaipur A diversão dos meninos "Quanto vocês ganham? Quanto gastaram nessa viagem? Vocês são casados? Quantos filhos vocês tem?” perguntou Manish. Em menos de cinco minutos, sentados na escadaria do lago Pichola, fomos bombardeados de perguntas indiscretas. Um estudante de 17 anos, prestes a se formar na escola, nos abordou com esse interrogatório. Talvez tenha nos achado muito diferentes do padrão e resolveu se aproximar cheio de curiosidade. Foi engraçado conversar com ele e compreender um pouco sobre o conservador comportamento social do jovem indiano. Namorar ele nem sabe o que é. Sonha em se casar e ter filhos com a primeira namorada... Manish vai todos os dias ao Lago Pichola, sempre depois da escola. A começar pelo cenário, Udaipur é uma cidade bem diferente das outras cidades do Rajastão. Desenvolveu-se ao redor de dois grandes lagos considerados sagrados pelos indianos. O nível da água varia muito com as chuvas, os períodos de seca são grandes. Caótica como as outras, porém com charme peculiar, Udaipur é mais charmosa e arejada que as outras cidades que conhecemos no Rajastão. Os indianos de lá são visivelmente mais acostumados com o turismo e com os estrangeiros. Muitos europeus adoram a cidade e passam longos períodos por lá. Conhecemos alguns alemães e franceses que estão passando uma temporada de seis meses na cidade, buscando aprendizado espiritual, uma compreensão mais profunda da sociedade indiana ou simplesmente tirando férias do mundo ocidental. Udaipur é interessante e cheia de contradições. Embora tradicional, também é famosa entre pessoas que buscam maconha, haxixe ou ópio. A cada esquina um vendedor oferece droga a preço de banana, a qualquer hora do dia. Talvez por isso a cidade seja tão conhecida entre alguns doidões que buscam esse tipo de turismo. Muitos viajantes que vão a Udaipur parecem ter saído de Woodstock. O jeito hippie de se vestir destoa de outros turistas que vimos em Agra ou Nova Delhi. A cidade atrai pessoas que procuram um turismo mais místico e experimentação com drogas. Nem todos os restaurantes vendem cerveja. É preciso ter uma permissão do governo e isso tem um custo alto. A maioria dos comerciantes vende a bebida alcoólica ilegalmente. Não se assuste se a sua cerveja vier numa caneca de cerâmica ou embalada num jornal. Isso é bem comum nos restaurantes que não têm a tal licença. Uma das coisas mais legais de Udaipur são os mirantes no topo dos hotéis e restaurantes, com vistas espetaculares do lago e dos palácios flutuantes - Quem procura um lugar luxuoso pode se hospedar no Taj Lake Palace Hotel, a residência de verão do marajá Jagat Sing construída em 1746. Nós ficamos num hotel-haveli muito bonito, perto de tudo, super limpo e organizado. O único problema eram as quedas de energia quase diárias, problema que atinge grande parte do Rajastão. Para ver os palácios flutuantes mais de perto não deixe de fazer o tour de barquinho pelo Pichola. Os barcos saem de hora em hora do City Palace, o principal palácio da cidade. Nós fizemos o passeio no fim da tarde para curtir o por do sol. Sem dúvida, esse é um dos palácios mais imponentes e bonitos que vimos na Índia. De longe o mais bem conservado de todos. Com arquitetura única, ele possui muitos aposentos e hoje funciona como museu. Essa maravilha do século XVI é imperdível. Tudo fica mais bonito ainda ao anoitecer, quando as luzes do palácio são acesas e a vista do lago e da cidade se torna deslumbrante. Outro lugar bem interessante que nenhum viajante deve deixar de ver em Udaipur é o Sajjan Garh ou Monsoon Palace. Fica no ponto mais alto da cidade, o acesso só é possível de carro. Era lá que o marajá e sua família iam quando a cidade ficava debaixo d’água em épocas de monção, as chuvas torrenciais que assolam alguns países asiáticos de tempos em tempos. Lá de cima a vista panorâmica da cidade é privilegiada. O palácio em si não tem nada interessante. Não é muito bonito e está vazio, super mal conservado. A 22km de Udaipur, fica o Eklingji, um complexo de templos hindus que estão em ruínas. As imagens dos deuses e do kama sutra do lado de fora estão bem conservadas apesar dos mais de mil e duzentos anos de existência . Era lá que os hindus aprendiam sobre sexo. Os templos do Eklingji são dedicados ao deus Shiva um dos principais deuses do hinduísmo. Soneca na beira do Pichola Udaipur é uma cidade especial, muito bonita e um pouco menos caótica que as outras cidades do Rajastão. É mais fresca, mais arejada, embora extremamente quente de maio a agosto. Em três dias é possível conhecer quase todos os pontos turísticos com folga. Vacas e macacos soltos pelas ruas fazem parte do cenário. Não deixe de levar um incenso de Udaipur para casa. Os incensos purificam o ambiente e os de lá duram cerca de três horas, são naturais e considerados os melhores do mundo, pelo menos é o que dizem os indianos... De onde viemos: Ranakpur, Índia (de carro) Para onde vamos: Chittorgarh, Índia (de carro) UDAIPUR - ÍNDIA Hospedagem: 20 dólares/dia - Hotel Karohi Haveli Transporte: a pé e de carro Culinária : 3 dólares por prato - Hospitalidade do povo local: Pontos Turísticos: Preços: Clima Local (média 30 graus): Fuso Horário: 09 horas a mais em relação ao Brasil Distância Percorrida desde o último destino: 100 km Distância Percorrida desde o ponto de Partida (Lisboa): 20.356 km
  10. Oswaldo Bak

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    Jodhpur Indigo Blue Um mar de casinhas azuis, uma continuação do céu. Milhares de caixinhas de fósforo pintadas do mesmo tom. Uma verdadeira negação ao rígido deserto marrom que rodeia a cidade. Seria um ato de resiliência do homem, uma maneira de se adaptar ao clima seco? Existem várias teorias sobre o motivo que levou os cidadãos de Jodhpur a pintarem suas casas dessa cor. Há quem diga que foi ordem de um determinado marajá, séculos atrás. Alguns moradores dizem que é uma homenagem a Lord Shiva. Outros afirmam que esse tom de azul espanta mosquitos e protege as casas do calor intenso. Também há a teoria de que os Brahmas, a casta superior formada por intelectuais e sacerdotes, decidiram pintar suas casas de azul para diferenciá-las do resto da população, que, mais pra frente, teria seguido a moda. Motivos à parte, o mais legal é ver o efeito das casinhas azuis refletindo o sol, como se todas elas fossem uma coisa só. Essa foi a imagem que vimos do alto do forte de Jodhpur, onde o silêncio inspirador e a brisa refrescante nos transportaram para uma época de luxo e prosperidade. Mais de onze gerações construíram o Forte Mehrangarh e dois palácios, que datam de 1459. Os aposentos reais são forrados de coloridos cristais belgas e mobília lindíssima: camas, balanços e berços de ouro. Não sobrou muita coisa daquela época, mas pelos quadros de miniaturas indianas, foi possível imaginar como os marajás, suas esposas e concubinas viviam, em meio ao luxo, festas e rituais em homenagem aos deuses hindus. Dar uma volta pelo palácio do forte e contemplar as belas vista, a 120 metros de altura, pode levar o dia inteiro. O lugar é grande e suntuoso. Foi um dos poucos lugares ao ar livre da Índia onde tivemos momentos de relaxamento e tranquilidade total. Quase nenhum pedinte. Tem gente que sobe ao palácio-museu de elevador, mas o mais legal é ir a pé para curtir o caminho, os flautistas, encantadores de cobras e os enormes portões por onde já passaram muitos marajás, soldados e elefantes. Dentro do forte também existe um pequeno templo que vale muito a visita. De lá, a vista panorâmica da cidade azul é espetacular. Nessa altura da viagem a gente já estava começando a distinguir os principais deuses do hinduísmo (são milhares) e entender melhor alguns rituais da religião. Praça do Relógio Lá embaixo, a realidade da cidade azul é e sempre foi outra. A começar pelo barulho das buzinas. O trânsito caótico, o ar poluído, as tuk-tuks aceleradas e vacas no meio da pista já não eram mais novidade para nós. Tudo ao mesmo tempo, no mesmo lugar: a praça do relógio, herança da colonização britânica. Andar a pé nessa bagunça requer atenção constante. Um passo em falso pode causar acidentes. Fomos com cuidado e andamos entre as tendas e barraquinhas de frutas, sementes, doces, grãos e especiarias do colorido mercado de Jodhpur. Conversamos com algumas pessoas e entramos numa loja de tecidos que produz colchas super trabalhadas, lindíssimas, para exportação. Tudo a preço de banana. A indústria têxtil é uma das principais atividades econômicas do Rajastão. Mercado Central de Jodhpur Quanto mais pulseira melhor, 10 por R$2,00 As ruas de Jodhpur são estreitas e sem calçadas, o melhor é sair do centro bagunçado, onde fica a praça do relógio, e procurar ruas um pouco mais tranquilas nos bairros próximos. Se não quiser andar muito, pegue um tuk-tuk e aventure-se pelas ruelas, que reservam surpresas incríveis. Uma corrida de meia hora custa cerca de R$ 4,00. A cidade tem ar interiorano, apesar da população de 1,2 milhões de habitantes. É a segunda maior cidade do Rajastão e ainda mantém tradições antigas e costumes bastante rurais. Os herdeiros da família real de Jodhpur ainda moram lá e mantêm o mesmo estilo de vida de séculos atrás. Eles são proprietários do Umaid Bhawan, um palácio ainda mais luxuoso que o palácio do Forte, porém de arquitetura totalmente ocidental, construído durante a dominação britânica no século XIX. Atualmente, é possível visitar o museu, ver objetos e fotos da família e aprender um pouco da história deles e sua relação com a família real britânica. Uma parte do palácio funciona como hotel, onde uma diária custa cerca de R$ 1.500,00! Memorial Jaswant Thada Outro lugar muito bonito de Jodhpur é o memorial Jaswant Thada, construído em 1899. É o crematório oficial da família do marajá Jaswant Singh II, todo em mármore branco, no meio de um jardim super bem cuidado. Ao lado do memorial principal, existem pequenos memoriais das mulheres e filhos do marajá. Jodhpur tem pontos turísticos muito interessantes e é uma típica cidade indiana suja e cheia de poeira no ar. Foi a primeira cidade em que vimos macacos enormes no meio da rua, pulando livremente entre os galhos e telhados azuis. As vacas andam numa boa, são mansas e parecem viver em harmonia com as pessoas. Cada uma delas tem dono e, geralmente, elas ficam perto das casas onde vivem. Existem vários bares e restaurantes no topo das casas, de onde a vista para o forte é lindíssima. É um bom programa para o fim da tarde, horário em que as crianças costumam empinar pipas nas lajes. De onde viemos: Jaisalmer, Índia (de carro) Para onde vamos: Udaipur, Índia (de carro) JODHPUR, ÍNDIA Hospedagem: 20 dólares/dia - Hotel – K.P. Haveli - Transporte: a pé, carro e tuk tuk Culinária : 3 dólares por prato - Hospitalidade do povo local: Pontos Turísticos: Preços: Clima Local (média 35 graus): Fuso Horário: 09 horas a mais em relação ao Brasil Distância Percorrida desde o último destino: 300 km Distância Percorrida desde o ponto de Partida (Lisboa): 20.056 km
  11. Olá Felipe! Pode ir tranquilo por conta. Alugamsos um carro e fizemos tudo numa boa. O país tem excelente estrutura para o turismo. abs, Oswaldo
  12. Oswaldo Bak

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    Jaisalmer, A Cidade Dourada As cores do Rajastão entre Bikaner e Jaisalmer Poeira no ar, vegetação rasteira, vacas e camelos na pista. No acostamento, mulheres com sáris super coloridos levando quilos de lenha na cabeça para preparar o almoço. A estrada que corta o deserto de Thar e liga Bikaner a Jaisalmer é uma autêntica estrada do Rajastão. Rural e menos esburacada que as estradas do nordeste brasileiro. Deepak, o nosso motorista de poucas palavras, parecia estar se acostumando com a nossa companhia e nosso idioma de outro mundo. Nós já estávamos acostumados com ele e com seu toque de celular “Hare Krishna”. Deepak tem 29 anos é hindu, vegetariano, e foi nosso companheiro de viagem durante os 20 dias que passamos na Índia. O inglês dele é básico e nós desenvolvemos uma comunicação baseada em palavras-chave e mímicas. Nada que tenha atrapalhado a nossa viagem. O cenário era árido e o caminho longo. Depois de seis horas chegamos em Jaisalmer, conhecida como a cidade dourada. Forte de Jaisalmer de 1156 DC A Oldtown de Jaisalmer é um Forte medieval, a 80 metros de altura, que parece ter vida própria. É considerado um dos maiores do mundo e foi construído há quase 900 anos, quando a cidade tinha grande importância comercial na região. Imagine uma cidade esculpida em yellow sandstone, no alto de uma colina. De longe, Jaisalmer parece uma miragem que brota da terra. Atualmente o Forte está sendo restaurado por homens que trabalham duro, esculpindo pedras, sob sol escaldante. A equilibrista Na entrada da cidade nos deparamos com uma aula de equilíbrio. Uma menina de uns dez anos de idade parecia gente grande na corda bamba. Concentrada, habilidosa. Foi uma cena muito marcante e pura, se ignorarmos o fato dos pais dela estarem no chão, a poucos metros dali, pedindo uma contribuição pelo show. Nada mais justo! Na índia, a abordagem de crianças pedindo dinheiro ou querendo vender uma foto delas por algumas rúpias é muito comum. Elas chegam com um sorriso no rosto maquiado, muitas vezes vestidas com uma roupa típica. É preciso ter paciência para aguentar esse tipo de situação, não só com crianças. Diversas vezes fomos cercados por vendedoras de pulseiras e supostos pupilos de artistas locais que queriam nos levar ao ateliê deles, mas nós tínhamos muita coisa para ver em Jaisalmer. Os olhares quase irresistíveis... A pé, com um guia local ou por conta própria e a ajuda de um tuk-tuk, é muito fácil fazer turismo na cidade. Se você for entre maio e agosto prepare-se para o forte calor e para o clima mais seco da Índia e aproveite. Os cinco templos jainistas que datam do século XII ao século XV são imperdíveis. Todas as paredes são forradas de figuras humanas e de animais, esculpidas em mármore e yellow sandstone. Essa religião surgiu há seis mil anos, no nordeste da Índia, em oposição ao hinduísmo e ao duro sistema de castas. Os templos abrem de manhã cedinho e funcionam até o meio-dia. Não deixe de ir, o complexo de templos jainistas é uma das principais atrações da cidade. Depois dos templos, andamos pelas ruelas e mercados da cidade, conhecemos as muralhas e o castelo - este apenas do lado de fora porque estava em reforma e almoçamos num pequeno restaurante chamado Shanti, com vista para o deserto. O lugar era lindo e foi onde comemos o macarrão mais apimentado da nossa vida! Assim como Mandawa e quase todas as cidades do Rajastão, Jaisalmer também tem dezenas de Havelis, pequenos palácios totalmente esculpidos em pedra, com trabalhos lindíssimos, cheios de detalhes. O mais famoso deles é o Nathmal Ji ki Haveli, do século XIX, devido a sua história que é bem curiosa. Certo dia dois irmãos fizeram uma competição. Cada um teria que esculpir livremente uma parte da fachada da Haveli, o autor do lado mais bonito ganharia um prêmio, não sabemos quem venceu, mas o legado é um monumento artístico lindíssimo. De longe não é fácil perceber as diferenças entre os desenhos e motivos, mas o resultado é uma joia arquitetônica, uma mistura das arquiteturas Rajput e Islâmica. Atualmente a Haveli funciona como loja de objetos de decoração e ainda pertence à família do Primeiro-Ministro de Jaisalmer Diwan Mohata Nathmal, o homem que patrocinou a competição. Outra atividade imperdível em Jaisalmer é o safári de camelo. Mesmo que você não curta esse tipo de passeio, não deixe de dar um pulo no deserto. O cenário é lindíssimo, as dunas são cinematográficas. Fechamos nosso safári com uma agência e fomos ver o por do sol no deserto de Thar, a 40 km da cidade. Ao chegarmos, os camelos estavam com suas celas coloridas, prontos para nos receber. Escolhemos os nossos e começamos o passeio. Para nossa surpresa, a abordagem – típica das cidades – começou novamente, agora no meio do deserto! Um vendedor de bebidas tentou empurrar água e refrigerantes por preços inflacionados. O menino que puxava um dos camelos disse que queria, é claro que cedemos e compramos o refrigerante para ele. Depois disso, nosso safári se tornou uma feira. Nós conversamos, mas fomos firmes e não compramos mais nada de ninguém. Paramos no topo de uma duna para contemplar a paisagem e em menos de dois minutos dançarinas, crianças cantoras e alguns flautistas surgiram das profundezas do deserto, fazendo muito barulho, querendo se apresentar. Todos os turistas, sem exceção, foram abordados. O que era para ser um momento de paz e contemplação virou um grande circo. Mesmo assim o passeio valeu a pena, recomendamos. Depois do safári, fomos convidados pelo nosso motorista Deepak para ir a um show, onde seria servido um jantar coletivo após as apresentações. Nós topamos. Fomos os primeiros a chegar no lugar, uma espécie de hotel rústico com quartos que lembram ocas e uma grande arena no meio, onde uma hora depois ocorreria a apresentação. A entrada custou 500 rúpias, cerca de R$ 20,00. A noite caiu. As pessoas foram chegando, sentando nas cadeirinhas de plástico ao redor do palco e em minutos o lugar ficou cheio. Noventa por cento do público era masculino. Ninguém bebia cerveja, ninguém batia palma. A banda tocou por mais ou menos uma hora um tipo de música folclórica local, que nos lembrou um som indígena com um toque de música árabe. No fim, uma dançarina com trajes bem coloridos e brilhantes se apresentou sozinha por mais meia hora. A dança também nos remeteu a rituais tribais. Deu um pouco de sono. O show acabou às nove da noite e nós fomos servidos antes de todo mundo. O Deepak conseguiu um esquema exclusivo para nós. A comida típica foi servida em pequenas travessas de metal, acompanhada de paratha, um pão indiano bem leve. Era tudo muito simples e muito real. Foi uma experiência bem bacana estar naquele lugar, no meio do deserto com indianos que queriam curtir a chegada do fim de semana. Era sexta-feira. No Rajastão, não existe muita vida noturna... Os indianos são muito religiosos, místicos e têm vários tipos de superstições e crenças. Uma que a gente gostou é essa aí da foto abaixo: a cada sete dias, eles penduram sete pimentas verdes, um limão e um pedaço de carvão na porta de casa. Tudo isso para espantar os maus espíritos e atrair boa sorte. Quando as pimentas secam, é hora de trocar o amuleto. Super fácil de fazer em casa! Pimenta para espantar os maus espíritos Jaisalmer é uma pérola e foi um dos pontos altos da Índia para nós. Aprendemos muito sobre a cultura indiana, o hinduísmo e tivemos contatos reais com pessoas locais. Fomos na casa de uma família que nos ofereceu um chai, uma espécie de chá preto preparado com massala (mix de especiarias) e leite, super tradicional... Adoramos os dois dias na cidade e chegamos à conclusão de que, além de tudo, Jaisalmer é um dos melhores lugares do Rajastão para contemplar o por do sol. De onde viemos: Bikaner, Índia (de carro) Para onde vamos: Jodhpur, Índia (de carro) JAISALMER, ÍNDIA Hospedagem: 30 dólares/dia - Hotel Fort Rajwada - Transporte: a pé, carro e tuk tuk Culinária : 3 dólares por prato - Hospitalidade do povo local: Pontos Turísticos: Preços: Clima Local (média 37 graus): Fuso Horário: 09 horas a mais em relação ao Brasil Distância Percorrida desde o último destino: 325 km Distância Percorrida desde o ponto de Partida (Lisboa): 19.756 km
  13. Oswaldo Bak

    Índia

    Bikaker e o Impressionante Templo dos Ratos Depois de uma longa viagem finalmente chegamos ao deserto de Thar. Assim como várias cidades do Rajastão, Bikaner foi construída no deserto, vive e sempre viveu do comércio de lã, ópio e pedras - red e yellow sandstone. Foi fundada por Rao Bika Ji em 1488 DC e foi um dos pontos altos da Índia para nós. Além do Forte Junagarh, palácios de marajás e havelis, o que mais marcou nossa passagem pela cidade foi o Karni Mata Temple, ou o Templo dos Ratos. É isso mesmo que você leu. Um templo dedicado aos animais, que lá são vistos como a reencarnação da deusa Durga. Acredita-se que Durga tenha reencarnado no corpo de uma mulher muito caridosa, que fundou o templo no século XV. Antes de morrer ela afirmou que reencarnaria novamente no corpo de um rato branco. É nisso que os hindus acreditam. Reza a lenda que quem visitar o templo e, no meio dos milhares de roedores, encontrar um rato branco terá boa sorte e um desejo realizado. Histórias à parte, o templo é algo surreal, único no mundo. Os hindus levam essa crença a sério e não sentem nojo ou repulsa ao andarem descalços dentro do templo. No hinduísmo a prática de tirar os sapatos é um sinal de respeito e faz parte da religião. Nós ficamos impressionados como os indianos agem naturalmente em meio a tantos roedores soltos, correndo de um lado para o outro livremente. Eles acreditam que esses ratos são sagrados e por isso não transmitem doenças, nem são vistos como animais repugnantes, ao contrário. Eles são alimentados e tratados como divindades. Para nós brasileiros, é difícil compreender e assimilar esse abismo cultural. Nós entramos no templo e foi uma experiência inesquecível. Ratos enormes passavam próximos às nossas pernas e tínhamos que andar com atenção, já que pisar num dos animais poderia ser um grande problema. Centenas de ratos se amontoavam envolta das tigelas de leite e de água. Eles são muito bem alimentados pelos hindus que levam diversos doces para eles diariamente. O maior desafio que encaramos lá dentro foi passar por um estreito corredor, dando a volta por trás do templo, onde havia milhares de ratos. O corredor era escuro e, segundo o nosso guia, quase nenhum turista dá essa volta, que consiste em entrar pela esquerda, passar por trás do altar e sair pelo lado direito (uma tradição hindu). Na índia, a fé é levada a sério e o sistema de castas ainda vigora em algumas cidades do interior. Se uma pessoa nasce numa família Brahma, de intelectuais, ela nunca poderá transitar socialmente. O mesmo acontece com os Dalit, conhecidos popularmente como os intocáveis, ou seja os mais pobres, os sem casta. Em Délhi, essa divisão social já caiu por água, mas nas cidades menores essa diferença é visível. O nosso guia Anand, um senhor bem arrumado de uns 50 anos, era reverenciado ao entrar nas lojas e só podia beber em copo especial. Ele é Brahma e vive em um bairro exclusivo dessa casta, considerada nascida da cabeça do deus Brahma. As crianças da foto abaixo são consideradas sem casta e vivem nas ruas. Elas ficaram eufóricas, muito felizes quando dissemos "hello" e estendemos a mão para elas. O nosso guia disse que não deveríamos ter feito aquilo, mas essa divisão social tão dura e antiga é inaceitável, sem sentido algum para nós. Bikaner foi a cidade onde mais nos sentimos estrangeiros, ou melhor, extraterrestres. Andamos pelo mercado da Old Town e foi uma experiência bizarra e até engraçada. Homens, mulheres e crianças paravam para nos olhar, comentavam e alguns tentavam contato, tiravam fotos... Nós nos sentimos uma atração. Os nossos óculos-escuros, o tipo físico e as roupas (mesmo que discretas para o nosso padrão cultural) provavelmente foram o motivo de tamanha curiosidade... Outros lugares imperdíveis de Bikaner são o templo Jainista Bhandashah (de mármore branco, com trabalhos lindíssimos) e o Forte Junagarh, um lindo forte vermelho que protege quatro luxuosos palácios de marajás. O lugar virou museu e é cenário de vários filmes de Bollywood, a Hollywood indiana. Quando nós fomos, havia uma equipe de cinema filmando por lá. A cidade tem várias atividades e pontos turísticos que vão além dos palácios e templos. Quem gosta de animais pode visitar um berçário de camelos. Nós tínhamos apenas dois dias por lá e decidimos não ir porque não era temporada de nascimentos e não veríamos os filhotes, principal atração do lugar. Aproveitamos o tempo nos mercados de rua, preferimos andar a pé pelo centro da cidade antiga para sentir como é a vida deles. Bikaner é um destino interessantíssimo para quem quiser pegar o espírito e entender melhor a cultura do norte da Índia. Todas as mulheres hindus casadas cobrem a cabeça com o sári Para onde vamos: Jaisalmer, Índia ( de carro) De onde viemos: Mandawa, Índia ( de carro) BIKANER- ÍNDIA Hospedagem: 20 dólares/dia - Basant Vihar Palace - Transporte: a pé, carro Culinária : 3 dólares por prato - Hospitalidade do povo local: Pontos Turísticos: Preços: Clima Local (média 37 graus): Fuso Horário: 09 horas a mais em relação ao Brasil Distância Percorrida desde o último destino: 200 km Distância Percorrida desde o ponto de Partida (Lisboa): 19.431 km
  14. Oswaldo Bak

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    As Cores de Mandawa Viajar pela Índia por conta própria é possível, mas nada fácil. O transporte público é um dos grandes problemas do país. Para nós, encarar trens e ônibus velhos e lotados, sob fortíssimo calor, seria uma tarefa complicadíssima, além de arriscada. Para conhecer o Rajastão, um dos estados mais tradicionais do país em 20 dias, fechamos um carro com motorista local e montamos um roteiro pelas cidades que queríamos visitar. Existem muitos motoristas que oferecem esse serviço em Nova Delhi. Dirigir na Índia é um desafio, as estradas não são boas como na Europa e a mão inglesa faz com que tudo fique invertido. As estradas do Rajastão são uma atração à parte. Vacas, cabritos, porcos e pessoas dividem a pista com os carros e ônibus. Os caminhões lotados - de gente e de carga - muito acima da capacidade parecem que vão tombar. Viajar nessas condições é uma aventura, mas os motoristas são super acostumados com os pedestres e boiadas. É impressionante como eles dirigem numa boa e até desaceleram para que os bichos passem. A maioria dos indianos é vegetariana e a vaca é sagrada para os hindus (de verdade), o resultado é uma superpopulação de animais nas estradas e cidades. Eles realmente param o carro para as vacas atravessarem... A nossa primeira parada e primeiro contato com o Rajastão foi em Mandawa, na região de Shekhavati. A cidade é rural e tem apenas 20 mil habitantes, bem pequena para o padrão indiano. Um dia e uma noite (quando a cidade morre) são suficientes para conhecer os principais pontos turísticos de Mandawa. A agricultura e as confecções são as principais atividades locais ao lado do turismo. Nos últimos 200 anos a cidade prosperou bastante devido ao comércio de tecidos, mas esse período parece ter chegado ao fim. O que sobrou da época de ouro virou ponto turístico. Os indianos chamam a cidade de “galeria de arte a céu aberto”, por causa das suas Havelis centenárias, de fachadas e paredes forradas de pinturas, as famosas miniaturas indianas. O título pode ser considerado um exagero, já que as imagens, que falam do hinduísmo e remontam a história da cidade, são mal conservadas. Algumas Havelis estão em fase de restauração, mas a maioria tem essa cara decadente. Infelizmente, muitas pinturas estão sumindo por causa do tempo. Mesmo assim, é muito interessante observar os pequenos detalhes, as cores feitas a partir de tintas naturais e, claro, a arquitetura singular das casas indianas. As Havelis são pequenos palácios do século XVIII, onde viviam os comerciantes da época. Elas têm vários andares, dezenas de aposentos e, geralmente, um pátio central onde os indianos daquela época comercializavam os tecidos produzidos na região. Atualmente muitas Havelis estão abandonadas, ou nas mãos de famílias locais que moram nessas casas e cobram valores simbólicos dos turistas. Mandawa Haveli Dormir num hotel-haveli é muito interessante, é uma maneira de entrar no clima e imaginar como foi a cidade no seu auge . O hotel onde nos hospesamos é um casarão de mais de duzentos anos, com ar de mal-assombrado e os quartos parecem ter vida própria. Centenas de miniaturas que contam histórias de Marajás decoram as paredes, é quase uma história em quadrinhos... Caminhar pelas ruas de Mandawa é algo único, uma maneira simples de descobrir muito sobre a cultura local . O comércio informal é intenso embora bem menos agressivo em relação à capital indiana. Barracas de frutas e verduras, roupas, sapatos e comidas feitas na hora dominam as ruas. As vacas e os burricos parecem pessoas, andam livremente. Várias crianças nos abordavam a todo o momento apenas para dizer “hello!” ou para nos pedir um doce. Os comerciantes queriam a todo o custo nos levar para dentro das lojas e algumas mulheres com sáris coloridos tentavam descolar um dinheirinho em troca de uma foto. É muito comum crianças e mulheres cobrarem os cliques dos turistas, por isso fique atento na hora de fotografar. Primeiro eles posam para a foto e depois estendem a mão... Se não estiver a fim, nem pense em clicar. Mandawa tem um ar interiorano muito peculiar, é uma pequena vila com características sociais bem diferentes do mundo globalizado que conhecemos. Wi-fi nem pensar. Nós até tentamos sair para dar uma volta à noite, mas a cidade vira fantasma, o melhor é aproveitar o dia. O período que ficamos na Índia, entre julho e agosto - é um dos mais quentes do ano e o Rajastão fica numa região desértica, ou seja: pegamos um calor de 40 graus. Em Mandawa, a nossa aventura no Rajastão tinha apenas começado e nós não tínhamos a mínima ideia do que viria pela frente! Para onde vamos: Bikaner, Índia (de carro) De onde viemos: Nova Delhi, Índia (de carro) MANDAWA- ÍNDIA Hospedagem: 20 dólares/dia - Hotel Mandawa Haveli - Transporte: a pé Culinária : 3 dólares por prato - Hospitalidade do povo local: Pontos Turísticos: Preços: Clima Local (média 37 graus): Fuso Horário: 09 horas a mais em relação ao Brasil Distância Percorrida desde o último destino: 260 km Distância Percorrida desde o ponto de Partida (Lisboa): 19.231 km
  15. Oswaldo Bak

    Índia

    Nova Delhi, a nossa chegada na Ásia  Viajar para Nova Delhi é muito mais que um choque cultural, é uma experiência transformadora, daquelas que faz com quem você repense sua vida e seus valores profundamente. A Índia é uma das civilizações mais antigas do mundo ao lado da China. Juntos, os dois países somam quase dois bilhões e meio de habitantes, mais de um terço da população mundial. Essa superpopulação traz consequências sociais inimagináveis. A primeira delas é a pobreza extrema, impossível de ignorar. Na Índia você nunca está sozinho, sempre terá alguém por perto, na maioria dos casos tentando vender alguma coisa ou pedindo dinheiro. As primeiras cenas que vimos em Nova Delhi, capital do país, foram de tirar o sono e nunca vão sair da nossa memória. Muita gente busca uma viagem espiritual, conhecer mais sobre yoga, meditação, o hinduísmo – a principal religião do país - sobre a cultura, ou simplesmente ver belos templos, palácios e paisagens exuberantes. A Índia é mais que isso. A fé, a tradição e o estilo de vida dos indianos são diferentes de tudo o que vimos até agora. Os sáris e turbantes coloridos, os temperos fortes e deliciosos e a ingenuidade do povo são características marcantes que fazem da Índia um país especial, que muitas vezes parece ter parado no tempo. No primeiro contato, nós ocidentais temos um pouco de dificuldade em entender como eles vivem e se relacionam com o mundo. Antes de ir para a Índia é muito importante se informar sobre os destinos, costumes do povo e principalmente não julgar o que você vai ver e vivenciar. Não fique impressionado com os olhares porque eles também vão ficar curiosos sobre você. O primeiro dia que passamos em Nova Delhi foi chocante. Imagine uma cidade poluída, com 16 milhões de habitantes e um trânsito caótico. Até aí, tudo bem, nada diferente das grandes metrópoles. O fato é que lá, tudo é superlativo e algumas pessoas vivem extremos. Lemos na internet e ouvimos relatos de que Delhi é horrível. A capital indiana é mesmo uma cidade feia e extremamente quente, ainda mais se você for de maio a agosto. Nós fomos em julho e passamos um baita calor. A temperatura média nessa época do ano é de 37 graus, mas esse número parece dobrar por causa da umidade. Nesse clima pegamos um tuk-tuk (ou rickshaw, um moto-táxi com cabine acoplada) e seguimos para o Chandni Chowk, o mercado de rua mais antigo e popular da cidade. Milhares de pessoas abarrotavam as ruas tomadas por barracas que vendem de tudo, desde produtos eletrônicos até comidas e roupas. O caos se completa com as motos, tuk-tuks, carros e ônibus circulando desordenadamente. É impressionante como os motoristas conseguem dirigir sem bater. Sem contar as buzinas que fazem parte da cultura indiana e não param um só minuto. Diferente de nós brasileiros que buzinamos para acelerar os outros, eles buzinam a todo o momento para avisar que vão passar, é um “cuidado, tô passando”. As leis de trânsito parecem nulas no país. Só não vimos vacas, cabritos e outros animais soltos porque recentemente a prefeitura proibiu que eles circulem livremente pelas ruas. Nenhuma das 13 cidades que conhecemos na Índia tem calçadas, o que existe é uma espécie de terra batida, onde as pessoas se espremem e dividem o espaço com veículos e animais. Délhi só tem calçadas nos bairros considerados mais nobres. No mercado Chandni Chowk vimos coisas bizarras e inacreditáveis. Pessoas dormindo no chão com milhares de moscas pelo corpo e rosto, comidas sem a mínima condição de higiene e muitos pedintes. Tudo isso ao mesmo tempo, no meio da rua. Mesmo vestidos adequadamente, com os braços e pernas cobertos, nós fomos alvo de centenas de olhares curiosos. E eles olham mesmo, sem pudor, chegam a virar o pescoço... As mulheres têm que ficar mais atentas e usar saia longa ou calça comprida e cobrir os ombros, parte do corpo que chama muito a atenção dos indianos. Quando paramos um pouco, uma roda se formou envolta de nós e algumas pessoas arriscaram contato. Muita gente fala inglês na Índia, herança da colonização britânica nos séculos XIX e XX. Foi uma cena hilária, algumas pessoas até tiraram fotos da gente! Os indianos são curiosos e, em geral, muito dóceis e amigáveis. Conhecer Nova Delhi por conta própria – sem excursão - foi um desafio, mas é a maneira mais autêntica de conhecer a cultura local. A proteção do ar-condicionado dentro dos carros lembra uma bolha e não permite a interação real com as pessoas e com o ambiente. Por isso pegue um tuk-tuk e embarque na aventura. Muitos indianos nunca souberam o que é ter uma casa. Nasceram e cresceram na rua. Em Nova Délhi é comum ver pessoas morando debaixo de viadutos, em acampamentos feitos precariamente com plástico preto, aqueles de lixo. A luta pela sobrevivência é escancarada. Alguns motoristas de tuk-tuk-bike (os mais simples) usam o veículo como casa: de dia pedalam e de noite dormem no banco do passageiro. Cenas como essas são chocantes e fazem parte do cotidiano da cidade. Nova Delhi também tem lugares bonitos e reserva surpresas incríveis de alto valor histórico e cultural. Tem muitos jardins e áreas arborizadas, como o bairro das embaixadas e do palácio do governo indiano. Nós adoramos o Humayaun Tomb, a mesquita mais antiga da Índia e o Qutub Minar. Outro lugar imperdível é a casa de Mahatma Gandhi, ídolo máximo dos indianos. O Mausoléu do imperador Humayun foi construído em 1572 e dizem que ele que inspirou a construção do aclamado Taj Mahal, em Agra. É muito bonito, feito de mármore branco e red sandstone, uma pedra vermelha muito comum no país. Tem 12 mil metros quadrados e 47 metros de altura e estima-se que tenha cerca de 100 tumbas de pessoas próximas ao imperador. O Humayun Tomb fica num parque bem interessante, cheio de ruínas de antigas mesquitas e belos jardins. Nós pegamos um dia de muito sol e calor, mesmo assim aproveitamos bastante o lugar que é cheio de casais fugindo do caos da cidade. Assim como o Taj Mahal, o mausoléu é bem mais bonito por fora do que por dentro. A Jama Masjid foi construída em 1656 pelo imperador Mughal Shah Jahan, o mesmo que mandou construir o Taj Mahal. Fica no centro de Delhi e recebe centenas de pessoas todos os dias, é a mesquita mais antiga da Índia. Para entrar é preciso estar vestido adequadamente, como em todo o templo islâmico. A entrada é gratuita, mas a máquina fotográfica paga R$ 20,00 para entrar, como em muitos lugares da Índia. É um templo muito bonito e suntuoso, ainda em atividade. Qutub Minar Mais uma herança do período islâmico no país. O Qutub Minar é o maior minarete da Índia - com 72 metros de altura. É patrimônio mundial da UNESCO, um lugar lindíssimo que data de 1192 DC. Entrar e subir no minarete é proibido, mas a visita vale muito a pena. As ruínas do antigo templo hindu que virou mesquita ficam no mesmo lugar e são imperdíveis. O Qutub Minar é um dos pontos mais visitados da cidade.  Casa do Gandhi A casa onde viveu e morreu Mahatma Gandhi virou museu. O local que ele fez de templo aberto ao público, mesmo lugar onde foi assassinado, atualmente funciona como memorial da vida dele. É possível visitar todos os cômodos da casa, inclusive o quarto onde ele costumava tecer e receber as pessoas. Gandhi foi o principal líder da independência indiana, em 1947. Baseado na liberdade e não violência, o advogado que se formou em Londres, atuou no congresso nacional indiano e sempre defendeu o direito das mulheres, a erradicação da pobreza, os direitos iguais e a liberdade religiosa, mas sua principal bandeira foi a independência da dominação britânica. Aos 67 anos, em 1948, Gandhi foi morto a tiros dentro da própria casa por um fanático religioso. Para quem gosta de história e da filosofia pacifista, é um lugar bem inspirador. ONDE FICAR Exploramos bem a capital indiana em dois dias, tempo suficiente para começarmos a sentir o que viria pela frente na nossa passagem pela Índia. Nós nos hospedamos em Karol Bagh, considerado o segundo melhor bairro atrás de Connaught Place. São bairros residenciais nada calmos, pelo contrário. Nos arredores tem muito comércio informal e moradores de rua. Lembre-se de que o padrão indiano de classificação de hotéis é bem inferior ao padrão brasileiro. O nosso hotel era um três estrelas, com café-da-manhã pobre e cara de meia estrela. O QUE COMER A culinária indiana é forte, colorida e temperada. Eles realmente não comem carne vermelha. Como o hinduísmo é a religião de mais de 80% da população, o que predomina são os pratos vegetarianos, porém é possível encontrar pratos à base de frango em vários restaurantes. A base da alimentação são grãos, batata, queijo branco, espinafre e outros legumes. Todos os pratos levam temperos saborosíssimos, bastante pimenta e sempre são acompanhados por um tipo de pão – naan, parantha ou chappati .... Se você não gosta de pimenta, prepare-se, mesmo pedindo sem a comida virá um pouco apimentada. Para nós, descobrir a culinária indiana foi fascinante. Adoramos os pratos Palak Paneer ( espinafre com queijo cottage indiano) e Chole Masala ( grão-de-bico com pimenta). Os indianos comem muito arroz e em todo lugar tem macarrão. Quem não quiser se arriscar nos pratos típicos e na pimenta tem opção. Sobre a qualidade da comida: fique atento. Coma o que estiver saindo fumaça. Existem todos os tipos de restaurantes, o ideal é buscar os mais tradicionais e indicados. Comer na Índia é muito barato para nós brasileiros, mesmo nos melhores restaurantes um casal gasta em média R$ 20,00, com a bebida inclusa. Não é recomendável comer na rua, em barracas.Também é melhor não arriscar frutas e legumes crus – em qualquer lugar. O saneamento básico do país é bem precário e, em muitos lugares, a água não tem tratamento e chega a sair barrenta das torneiras. Só beba água mineral lacrada. Fique atento porque há muita violação de garrafas por alguns ambulantes. Nós compramos uma violada. Percebemos e devolvemos a garrafa na hora. Mesmo com alguns problemas e com o choque cultural, a Índia é um destino fascinante e especial. Nova Delhi é a porta de entrada da maioria dos turistas no país que, muitas vezes, ignoram o que a cidade tem de bom. Não subestime a caótica e superlotada capital indiana porque ela tem muito a oferecer e merece pelo menos dois dias de turismo. De onde viemos: Tel Aviv, Israel ( de avião) Para onde vamos: Mandawa, Índia ( de carro) NOVA DELHI - ÍNDIA Hospedagem: 40 dólares/dia - Hotel Yug Villa - bom Transporte: carro e tuk-tuk - Culinária : 3 dólares por prato - Hospitalidade do povo local: Pontos Turísticos: Preços: Clima Local (média 37 graus): Fuso Horário: 09 horas a mais em relação ao Brasil Distância Percorrida desde o último destino: 4.100 km Distância Percorrida desde o ponto de Partida (Lisboa): 18.971 km
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