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velhotov

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  1. Carolina, Não é possível fazer uma média por dia, alguns albergues chegam a custar 10 Euros e outros são por contribuição, há muitas formas de se alimentar, como cozinhar ou comer em restaurantes e isso varia tb, mas nada que ultrapasse 10 euros tb. Uma média de 20 a 25 euros por dia te garantem uma viagem com muito luxo. Lembre-se que você gasta muito pouco com compras, já que tudo você carrega nas costas. Existem muitas opções a serem consideradas durante o caminho, e é bom ter uma reserva... 1000 euros é uma quantia que vai te dar uma margem de segurança boa.
  2. Cris, O tamanho ideal de mochila para Santiago é o tamanho exato que você consegue carregar. Embora esse seja uma medida subjetiva é. na realidade, a mais precisa que pode ser dada. Mas isso não ajuda muito na hora de comprar uma mochila. Outro dado, um pouco maos prático é que sua mochila nõa pode pesar mais que 10% do seu peso. Eu acho difícil de de cumpir essa meta, mas tente não ultrapassar os 8 kg, seus joelhos e pés agradescerão. Agora, a minha experiencia é a seguinte, eu levei muita coisa, talvez mais que o necessário e minha mochila de 60 litros estava sobrando espaço. O ideal é comprar todas as coisas que vai levar, colocar tudo no portamalas do carro e ver se cabe na mochila que você vai comprar na loja. acredite, os vendedores vão entender. Por fim, qualquer dúvida sobre minha experiencia pode me escrever. Meu email é [email protected] Fernando
  3. Se viajo sozinho tento arrumar de forma que fique fácil o acesso das coisas que tenho mais chances de usar. Uo seja comida e primeiros socorros sempre a mao. no fundo sempre coisas como o saco de dormir e a barraca. Quando viajo em grupo a coisa muda, depende do tamanho da mochoila e da capacidade de cada um carregar coisas. Colocasse tudo em cima da mesa e comeca a organizar grupos de coisas que devem ficar junto... existem um milhao de teorias nesse momento, mas acaba dando sempre certo (pelo menos nas minhas poucas viagens em grupo).
  4. Este é meu ultimo email para meus amigos sobre a peregrinaçao, acho que descreve bem as sensaçoes que passamos no caminho: Caros amigos, para muitos chegar ao Monte do Gozo é chegar a Santiago de Compostela. É, seguramente, o ultimo desafio, vez que cansados de muitos dias de viagem, é uma longa e solitária subida a ultima colina antes de Samtiago de Compostela. Minha história hoje come´ca do ultimo bar, em um vale onde comi muas torradas depois de andar uns bons 8 km, foi pouco depois do ultimo marco de quilometragem existente, o de 12 km. O tempo mudou diversas vezes de garoa a chuva cortante de vento (voces sabem, aquela fininha que doi como agulhas perfurando seu rosto) e sol que visitava a ponto de obrigar a tirar o casaco e preceder novamente chuva. Quando o tempo muda assim seu corpo gasta muita energia para se adaptar, perde liquido quando esquenta e o cansaço bate de uma vez, para andar foi preciso muita concetraçao, eu torci meu joelho no ultimo quilometro a Arca ontem, e os passos têm ser dados com segurança, que se vacilo um pouco a dor é lancinante. O caminho também é um tanto quanto deserto, existem algumas casas recem contruidas, obviamente para serem utilizadas como veraneio e alguns estudios de televisao, que sao grandes muros com grandes galpoes por centenas de metros. A beleza das paisagens eu havia deixado para antes do bar. Desgastado, bebo meu ultimo meio litro de isotonico pouco depois de ver a flecha apontando para o que seria a ultima longa, porem leve subida (Bom seria leve se eu nao estivesse carregando de oito a dez quilos nas costas desde o começo do mes). Ao fim desta encontro o monumento a visita do Papa Joao Paulo II, estafado me sento e procuro as agulhas da Catedral Gotica que deveria estar ao centro da cidade, pouco vejo, o dia esta cerrado esta tudo escuro, me sento e espero retomar folego, sei que o albergue de monte de gozo está logo abaixo de mim, já o vi. Passam meus amigos espanhois e Venezuelanos (as Mexicanas pegaram um Taxi do ultimo bara, mas isso descubro em seguida), e eles gritam "Vamos Brasil! Falta pouco!", deixo-os passar, levanto e tento esquecer que meus joelhos estao doloridos, que as costas já nao aguentam a mochila, que meus musculos estao cansados e que minha mente está ansiosa. Desço alguns metros e ouço gaitas de fole ao fundo, com certesa é sinal de delírio, mas nao é, vejo em uma esplanada de onte sobem escadas as habitacoes em cada um dos platôs um gaitista, fecho os olhos e faço de conta que tudo isso é só para mim, que os gaitistas estao me esperando a muito tempo, que este é o sinal que o querido filho volta a sua casa depois de uma longa batalha. Por um momento nao entendo se é delirio, se algo surrealista que acontecem o tempo todo no caminho ou apenas uma daquelas coincidencias saborosas que guarderemos como o gosto dos chocolates da menina da Tabacaria de Fernando Pessoa. Passo pelos gaitistas, que continuam impassíveis a tocar sua melodia. Gaitas de fole parecem um lamento, mesmo que seja de alegria, parece um longo lamento que tocam fundo. Chego a recepçao e um brasileiro me mostra o quarto, sento olho para os rostos que conheci a poucos dias e sorriom, cheguei ao final de minha peregrinaçao. O resto é histórias para contar depois, de como lavei milhas roupas na maquina de lavar com sabao em barra porque me faltava sabo em pó, de como cheguei a Santiago de compostela e evitei a Catedral para nao perdera emoçao de amanha, de tudo que pensei, cantei, senti falta, de que descobri, de como nao tive revelaçoes sobre o sentido da vida mas que mesmo assim aproveitei cada centimetro dos 360km ou mais que andeis e dos outros que tive de pegar um onibus. Da minha viagem, muito se passou, muito ainda há de ser contato, muito jamais será contado, pois ao contrario do que muitos pensam nao exisem palavras para descrever tudo que passamos aqui, ou mesmo em nada, voltando a Fernando Pessoa, digo que o mundo doira sem literatura. A todos encerro aqui meus diarios públicos de peregrinaçao, vamos sentar, tomar um chopp, ver fotos, dar risadas e voltar as nossas vidas, que urgem por que estejamos juntos em nossas rotinas, pois voltar a ela é quase tao prazeiroso quanto fugir. Beijos e abraços, Fernando Torres
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