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Guilherme Adolf

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  1. O objetivo tinha sido atingido. O fim do mundo. Tierra del Fuego. Ushuaia. Bahia Lapataia. Fim da ruta 3. Mas, será que o objetivo era realmente só chegar lá? Não sei. Estava há pouco vendo fotos do pessoal do Mundo por Terra. Fotos lindas do Afeganistão, Tajiquistão, Quirguistão.. lugares tão isolados do mundo, tão fortemente ligados ao pensamento do 'muçulmano terrorista', 'país perigoso' e etc.. Via as fotos deles e me recordava das paisagens durante essa minha pequena viagem. Da grande sensação de liberdade e de desconexão com o mundo aqui, do trabalho seg sexta, 8 às 17.. como que os dias de estrada, noites de camping e perrengues nos fazem refletir sobre nosso modo de viver, sobre o quão vivos somos quando estamos longe de toda essa bagunça das cidades. É um grande retiro espiritual itinerante. É uma oportunidade grandiosa. Talvez seja esse o objetivo de uma viagem dessas: refletir sobre a vida que levamos. Bem, perdão pela reflexão e pela longa demora em escrever, mas como digo pra minha namorada: eu só escrevo o relato quando estou inspirado. E hoje estou hehe Vamos lá. Sim, havia acabado de chegar no fim da estrada mais austral do mundo, após uma grande nevasca, uma grata surpresa pro mês de abril. Naquele momento, sentado no banco congelado, pensei 'pqp.. tô muito longe de casa.. agora tenho que voltar!' kkkk E aí começa a volta pra casa.. Juntei as coisas e voltei pro carro, que estava estacionado um pouco antes. Ainda estava bem escorregadio o chão, mas já começava a formar uma lama pegajosa por conta da neve derretendo. Ali no carro, conhecemos um casal de Russos que está dando uma volta ao mundo com um Nissan. Detalhe: eles mandaram o carro de Roterdã pra Buenos Aires de navio, porém o navio esqueceu de descarregar o carro e ele voltou kkk maior confusão.. depois de alguns meses receberam o carro. Conversamos um pouco e pegamos a estrada pra sair do parque. Paramos em um ponto para ver a Castorera, onde há diques feitos por castores que foram indevidamente introduzidos no local, trazendo destruição em certa quantidade. Vi alguns nadando pela água gelada e logo em seguida mergulhando pra dentro do dique. Segundo informações, hoje eles fazem controle populacional dos castores, pra evitar a derrubada das árvores. Saindo do parque, fomos direto pro hostel. Já era praticamente noite. Precisava arrumar algumas coisas no carro pra pegar a estrada no próximo dia e Jean tinha que arrumar as dele pra voltar de avião. A janta foi modesta, só uns sanduíches e uma cerveja gelada. Fui dormir cedo, porque eu teria 6000km pela frente.. imaginando uma média de 1000km por dia.
  2. Opa, perdoe-me a demora. Acabo de voltar da Ásia, fiquei fora por um bom tempo. Cara, se ainda te ajudar a resposta, é o seguinte: existe uma ponte pênsil sobre o Rio Mayer. Só passa uma pessoa por vez e se for de bike, tem que carregar nas costas, porque a ponte é muito estreita. Eu não cheguei perto da ponte, porque ela fica mais ao norte de onde atravessei de carro, mas acredito que consigas informações com os carabineros. Veja o vídeo: Aos amigos, irei terminar o relato, podem ficar tranquilos. Abraço
  3. Alguém tem conseguido emitir o visto online? Estou com problemas no pagamento também.. já tentei 3 cartões, computador, celular.. e nada! A emissão em BKK é simples? Qual o valor atual e quais são os docs necessários? Obrigado!
  4. Depois de passado um dia meio frustrativo, um novo amanheceu. Como tinha tomado umas cervejas na noite anterior, dormi bem, nem ouvi barulho no quarto. Olhei pela janela e a quantidade de neve acumulada ainda era grande, mas já estava derretendo onde havia circulação de veículos.. formando aquele enlameado nas ruas e calçadas.. Enquanto tomava o café, conversava com minha família pelo whats, verificava a condição do tempo e olhava alguns folhetos de turismo da cidade. Acabei por decidir ir fazer a trilha da Laguna Esmeralda, que fica alguns km fora da cidade. Saímos do hostel já tarde, quase 11h da manhã. Fica cerca de 20km fora da cidade, voltando pela Ruta 3. Peguei o GPS e joguei as coordenadas da entrada da trilha da Laguna -54.721833, -68.122017. Nesse ponto há um pequeno estacionamento e a trilha tem indicação do começo. Quando chegamos no ponto indicado pelo GPS quase achei que estivesse errado, pois não havia nada além de neve kkk Ainda assim parei e encontrei uma placa com o início da trilha. Enquanto eu arrumava as coisas pra levar, começava a nevar novamente, porém do lado de fora do carro, a neve já estava derretendo, surgiam grandes poças de água onde pisava, e a trilha pra Laguna não seria nada melhor do que isso, na verdade pior, já que atravessaríamos uma espécie de charco, uma longa baixada alagada com muita lama. Mas aí Jean desistiu de fazer a trilha. Disse que ia se molhar muito e além disso, ele não tinha botas impermeáveis. Puts, não dava pra ir sozinho e deixar ele ali. Foda. Ele já tava com frio, e ficar no carro esperando horas, ia congelar.. Ok, sem cadenas pra andar de carro, sem como deixar ele sozinho no carro, as opções estavam se esgotando, e minha cabeça doendo. Acabei desistindo da trilha. Estava nervoso. Peguei o carro e vim voltando pela estrada, pro Hostel. Acabei parando em um trecho na beira da estrada onde há um pequeno rio correndo e uma bonita vista. Tirei algumas fotos. Andar na neve é foda.. meti o pé em uns 3 buracos, sorte que estava com bota e calça impermeável.. dirigir idem, perigoso não saber se onde está manobrando é terra firme ou não.. as cadenas realmente fariam diferença. Voltei pro Hostel. Jean foi no aeroporto ver a passagem de volta dele pro Brasil. Eu fui ligar pra casa. Estava bem chateado pela situação, afinal, estava em Ushuaia, depois de tantos km e com a 'sorte' de pegar uma baita nevasca, e não conseguia fazer nada! NADA! Aquilo me enfurecia. Conversei com minha namorada e ela me acalmou um pouco, me encorajou a ir lá comprar as correntes. Precisava de alguém que me entendesse naquele momento, e ela foi fundamental nessa viagem. A verdade é que me entristecia estar tão próximo de um sonho, ter gastado tantas horas de viagem e planejamento, para ficar parado a alguns km do fim da ruta 3, apenas por 'dó' de gastar dinheiro.. essas pequenas folhas de papel que às vezes nos prendem tanto.. tanto nos ajudam como nos atrapalham.. Decidi que iria comprar as cadenas, com ajuda do Jean ou não. Antes porém, precisava almoçar, e queria experimentar a iguaria deles, a Centolla, o 'king crab' sul americano. Saindo do hostel, encontrei Jean na rua, chamei pra ir junto e fomos. Demos algumas voltas nas principais ruas do centro e encontramos um restaurante que servia o prato. O nome era sugestivo, algo parecido com 'Cachola de Centolla 4 quesos', na minha tradução 'cabeça de Centolla ao 4 queijos'. Preço, bem, o preço é a experiência né. Algo em torno de 200 pesos. Enquanto esperávamos, pedi uma cerveja local, uma Beagle, deliciosa. Comemos a entrada, o tradicional pão com algum molho e logo depois nos vem duas cumbucas contendo sopa. Achei estranho a entrada né, bem farta, e perguntei do que se tratava. Foi quando o garçom nos disse que aquela era a Centolla, a 'cachola' era a cumbuca kkkkk e a Centolla estava em pedaços dentro da sopa, com queijo derretido por cima e pedaços de vagem. kkkkkkkk Ri bastante, não acreditava que não ia ver o bicho. Mas apesar de tudo, a sopa estava deliciosa. Recomendo. Se puderem comer a centolla inteira em outro lugar, ótimo, mas a verdade é que o sabor é muito semelhante a uma lagosta. Acabamos ali e fomos pra loja onde vendiam as cadenas. Pedi ao vendedor o tamanho do meu pneu, era o último disponível, e confirmei o valor, 2400 pesos, cerca de 600 reais. Passei tudo no meu cartão de crédito mesmo, foda-se.. depois eu ia ver o que ia dar.. e quando o saiu aquela notinha do cartão, sabe, me deu um alívio.. Peguei a band e fui direto pra portaria do Parque. Chegando lá, já feliz, sorrindo, paguei a taxa e pedi o carimbo no passaporte do 'Fin Del Mundo' Disse que iria agora colocar as correntes. Mas o guarda do dia era outro, e esse disse que eu não era obrigado a estar com as correntes para entrar no parque. Nossa.. acho que nunca recebi uma resposta tão inesperada assim na vida.. fiquei o dia inteiro puto por causa dessas correntes, gastei mais de 600 reais sozinho pra compra-las e agora, NÃO SÃO NECESSÁRIAS!!??????????????? O VONTADE DE MANDAR TODO MUNDO PRA ... RAIVA, RAIVA RAIVA.... estava bufando de raiva..... tentei me acalmar. Respirei. Pensei, eu comprei essa porra, agora vou usar essa merda! Nem que seja pra me sujar e passar raiva colocando. Desci do carro, tirei as correntes e comecei a colocar. Jean começou a me dizer que não era pra colocar, que devíamos seguir antes que escurecesse. Retruquei dizendo que não, ia colocar. Reclamou de novo. Caralho. Aquilo me deixou muito puto.. muito. Juntei as correntes e joguei dentro do carro e saí. Estava fazendo um mantra na cabeça pra não explodir de raiva. Precisava relaxar, estava lá, no fim do mundo... Fui pela estrada que realmente não estava tão congelada como no dia anterior, mas que ainda derrapava e perdia tração. Até chegar ao final. Sim. O fim da ruta 3. As pernas estremeceram. Um filme passou pela cabeça. Deu vontade de rir, de chorar.. cara.. que emoção. Olhei pro céu e me imaginei sentado no computador, vendo o Google Earth e toda a distância que havia ali entre aquele ponto até minha casa... que sensação estranha.... Fiz meu check-in pelo Spot, peguei minha câmera e fui na trilha que levava até a Bahia Lapataia. Era um caminho de madeiras que estava muito escorregadio.. cai umas duas vezes no gelo. Mas nem sentia mais. Estava meio anestesiado pela situação de chegar ali. Ao final da curta caminhada, numa sacada de madeira, de frente pro mar do Canal de Beagle, sentei num banco congelado e relaxei.. deu vontade de chorar, talvez tenha chorado, não sei.
  5. Como o quarto era compartilhado, ainda houve certa bagunça até todos irem dormir. Eram 4 beliches. Como eu estava exausto e tenho sono pesado, dormi fácil. O quarto era bem quente, deu pra dormir de bermuda e camisa. Acordei e vi pela janela que havia muuita neve ainda na cidade. Na verdade, não havia parado de nevar. O estacionamento do hostel tinha alguns carros soterrados de neve e realmente eles não teriam como ter saído na noite anterior para que eu pudesse entrar com a band. Como dito, o valor do hostel incluía café da manhã, o que era ótimo. Fomos pra cozinha/sala de jantar e havia café, leite e suco, além de croissant(busquei no google como escrever isso) recheados com um tipo de doce de leite, manteiga e geleia. Não era aquele café que te sustenta, mas é aquele que assusta a fome de manhã cedo kkkkk Tomamos café com calma, afinal, Ushuaia é pequeno e de carro próprio, tudo seria fácil, sem depender de transfer e etc... por isso adoro viajar de carro, você faz seu itinerário! Em Ushuaia eu tinha planejado dois dias cheios, onde teríamos 3 atividades principais: Ida à Bahia Lapataia, onde finaliza a Ruta 3, ida ao Glaciar Martial e o trekking até a Laguna Esmeralda, além de uma volta pela cidade e etc. Não quis fazer o passeio de barco pelo Canal Beagle pelo preço.. achei muito caro e lendo alguns relatos, não sei se eu teria retorno imaginado. Enfim, fui ligar a band daquele jeito macio.. batendo chave e torcendo pra bixa virar.. na terceira ela pegou engasgando, mas foi. Deixei ligada uns 20min e nem assim esquentou. Pela manhã íamos direto pro Parque Nacional Tierra del Fuego, onde está a ruta 3. Coloquei no GPS e saí com a band. Acreditem, parecia que o freio de mão estava puxado, a band tava muito travada. Acho que o óleo dos diferenciais e caixa estava muito espesso.. dificultando o giro. Fui seguindo o GPS e andando pelas ruas congeladas de Ushuaia. Onde havia mais tráfego, já estava virando derretendo e virando lama, nas menos movimentadas, estava congelada mesmo, bem escorregadio. Eram nada mais que 8km do hostel até a portaria do parque, mas que virou uma pequena aventura com as ruas congeladas. Andando pela cidade notei as gigantescas filas nas gomerias para a troca dos pneus dos carros, todos estavam colocando os pneus com cravos. Como dito, nem os moradores esperavam por tanta neve! Ainda assim, estava andando na 4x2. Ao chegar próximo da entrada do parque, eu andando nuns 40km/h, não vi um mata burro.. puts! Tentei frear mas acho que não surtiu efeito algum! Bati com tudo e a band deu um puta dum pulo! Tudo que tava no carro virou kkkkk Dando uma pequena arrumação, tentei sair com o carro do lugar. Acelerei e nada. Tentei mais uma vez, e nada. Segunda marcha, e nada. Pensei: fudeu, deve ter caído o cardã.. Desci da band, escorreguei no chão e já que tava caído, aproveitei pra olhar embaixo. Estava tudo ok aparentemente. Mais uma tentativa e nada. Então travei as rodas livre e acionei o 4x4, acelerei devagarzinhooo e foi saindo.. não acreditei o quão liso podia ser o gelo! Era incrível! Os pneus estavam patinando e nem se ouvia, nem marcava o chão! Andei mais uns 200m e parei na guarita. Um funcionário do parque veio e nos explicou sobre o parque, nos deu um panfleto e nos cobrou a entrada que se não me engano, custava 100 pesos. Já prontos pra entrar, o guardaparque veio e nos perguntou sobre as cadenas. Eu disse que não tinha. Olhou pros pneus e viu que também não haviam cravos. Foi aí que disse que não poderíamos entrar sem um dos dois itens... pois a estrada estava congelada e haviam subidas e descidas um pouco íngremes e que volta e meia alguém ficava sem tração na pista e dependia de alguma máquina pra puxar. Tentei argumentar que a band era 4x4, pneus relativamente bons e que até guincho tinha! Como se o guarda fosse deixar eu guinchar a band numa árvore né kkkkkkkkkkk Mas não teve jeito.. não nos deixou entrar. Devolvemos os tickets. Perguntei sobre o Glaciar Martial e a resposta era a mesma, lá também não seria permitido. Puts, que merda.. Eu até compreendia o lado dele, a estrada estava realmente congelada. Gelo mesmo. Pois não havia transitado nada ali ainda. Porém fiquei chateado. Voltamos pra cidade, parando em cada gomeria sobre o aluguel de cadenas, mas a resposta era a mesma, não haviam cadenas para alugar! Voltamos ao hostel para pedir auxílio. Nos informaram duas lojas de auto peças que poderiam ter as cadenas para venda. Era lá no centro da cidade. Fomos e estacionamos próximo da principal. Engraçado que era tanta neve, que eu não sabia se onde estava estacionando era local próprio ou algum tipo de gramado. Tava seguindo outros carros kkk A primeira loja estava fechada, só ia abrir de tarde. Isso é algo comum lá, no inverno algumas lojas abrem bem tarde e fecham de noite. Fomos procurar a outra, subindo as ruas e calçadas escorregadias. Era muita destreza pra não cair em cada degrau kkk Era uma revenda de pneus e também estava cheia. Um senhor nos atendeu depois de um longo tempo e com certa dificuldade de entender as medidas do pneu e de achar no estoque, encontrou um jogo. Era uma bagatela de 2500 pesos, algo em torno de 650 reais. PUTA QUE O PARIU!!!! 650 reais por 5 metros de corrente......... Fiquei meio chocado com o valor, ponderando a compra, porém Jean não topou comprar as cadenas porque já tinha gastado um dinheiro com a passagem de avião pra casa. Ele ia retornar dali mesmo de avião. Esse é o preço que a neve de Ushuaia te cobra!! Com a esperança de encontrar na outra loja que estava fechada ainda, por um preço menor ou para alugar, decidimos ir almoçar por ali mesmo. Encontramos um restaurante/padaria perto e comemos ali um PF. Voltamos pra outra loja e continuava fechada.. Enquanto isso, fomos procurar a placa famosa lá, onde todos tiram foto. A vista da cidade pras montanhas era linda. Os topos todos nevados e os telhados das casas tudo branquinho.. a neve realmente é charmosa. Encontramos a placa e tiramos as fotos nela, símbolo de Ushuaia. Fizemos uma hora por ali e voltamos pra loja.. dessa vez aberta! Porém não haviam cadenas, nem mesmo corrente a metro pra vendes. Merda! Pensei em muitas possibilidades e então lembrei da agência de turismo criada por brasileiros lá. Como eles também oferecem passeios de 4x4, imaginei que pudessem ter, alugar.. enfim, ajudar um brasileiro. Foram super solícitos, porém não tinham e nem conseguiram nos ajudar. Ainda assim ofereceram um pacote que nos levaria ao Parque e ao Glaciar, custando em torno de 1500 pesos. Porém só teria pro dia depois do próximo. O Jean gostou da ideia e topava pagar o passeio, eu por outro lado, não queria. Afinal, andei mais de 10mil km pra chegar até aqui de Band, e agora vou andar de excursão? Nem fudendo... queria colocar a Band lá no Fim do Mundo! Eu tava muito nervoso com a situação.. puto demais.. o dia já estava acabando, praticamente só andamos a pé pela cidade. Não que tenha sido tempo jogado fora, mas preferia ter feito os passeios... Antes de voltar pro hostel, paramos num mercado e compramos algumas coisas. Aproveitei e comprei dois litrões de Heineken. Precisava relaxar. Fiz uns mistos e tomei a cerva. Fui dormir bem tranquilo.
  6. Eu fico até com vergonha de demorar tanto pra continuar!! kkkkk Mas tem várias coisas acontecendo, peço perdão, acho que consigo manter o ritmo e terminar nas próximas semanas.. O hostel tinha um aquecedor incrível no quarto, foi fácil dormir, mesmo nevando horrores lá fora. Acordamos pra tomar café, que era incluso no preço da noite, e incrivelmente era um super café da manhã. Pães, salame, queijo, manteiga, café, leite, biscoitos.. tudo de primeira qualidade.. o hostel foi uma baita surpresa, um excelente custo-benefício. Lá fora estava cheio de neve ainda e mesmo assim estava acontecendo uma corrida na cidade kkk a galera toda encapuzada correndo de manhã cedo! Eita disposição!! Juntamos as coisas, vestimos toda aquele montoeiro de roupa e uns minutos antes de irmos, já fui ligar a bandeirante pra ir esquentando o motor. E vejam a condição da band de dia: Agora olhem a band ligando: Deixei a band mais de 20 min funcionando e o ponteiro da temperatura nem mexeu.. Acabamos saindo umas 10:30 de Punta Arenas. Fomos saindo da cidade e como os preços dos combustíveis estavam muito bons, acabamos completando o tanque da band num posto Shell. Foram 43,269 litros, 18000 pesos, 416 pesos por litro e o odômetro marcava 13040 km. Esse posto ficava em frente a Zona Franca. Perguntei pro bombeiro como eram os preços e tal e me disse que só pneus de marcas menos conhecidas que tinham bons descontos.. os BF eram mais de 1000 reais, ou seja, não valia a pena. Outros itens bons eram eletrônicos e roupas. Mas como o foco não era esse e nem tínhamos tempo, seguimos. Haviam algumas ruas interditadas por conta da corrida e o gps nos guiou bem pra fora da cidade, que por sinal é bem grande. O dia continuava bem frio, as paisagens ainda eram brancas mas já não caía mais neve. Só agora voltando pela ruta 9 que pude perceber como que a estrada que vem de Puerto Natales te induz a ir pra Punta Arenas. Na verdade, a ruta 9 morre em Punta Arenas, e ruta que vai pra balsa de Punta Delgada, a 255, deriva desta num trevinho bem pequeno. Quando se chega no trevo onde começa a ruta 255, não há uma placa grande dizendo 'ah, vá por aqui e chegue em Ushuaia', claro.. entendo que as pessoas ali não ficam zanzando pra ushuaia toda hora, mas percebi uma certa indiferença do Chile quanto a indicar o caminho pra Ushuaia, pro território argentino como um todo. Confirmei a tese várias vezes depois dentro da ilha da terra do fogo. A estrada é excelente, mas não espere infraestrutura nesse trecho até o Estreito de Magalhães. Basicamente algumas estâncias, vi uma ou outra placa de hosteria.. mas não tenho certeza de que seria possível achar. Também não lembro de postos de combustíveis nesse trecho! Depois de cerca de 150km, encontra-se a ubicação para a 257. Essa ruta leva até o embarcadouro do Estreito de Magalhães, são cerca de 15km de asfalto. Chegar ali, no Estreito de Magalhães parecia abrir uma página dos livros de História hehe Alguns locais trazem uma sensação estranha, de ter um poder maior. O Estreito, tão famoso, tão falado, local onde dois oceanos se encontram.. e agora, eu ali de band.. kkkk legal demais... Havia uma grande fila de caminhões, hesitei em parar atrás deles, para pedir informação ou por entender que era a fila, mas arrisquei passar e ir mais na frente. Que sorte! Andei uns 200 metros e vi a rampa com a balsa lá! Cheguei mais perto e o cara fez sinal de ir! Claro, peguei e fui hehehe Acabou que eu fui o último carro a embarcar! Muita sorte!! O valor da balsa foi de 410 pesos argentinos, mas também havia a opção de pagar em pesos chilenos. O valor é flutuante, varia com o câmbio. O ticket paga numa cabine dentro da balsa. Na balsa também havia uma um local pra vender café e lanche, além de banheiros. O Estreito realmente tem um mar bem agitado, ventos fortes e até deu uns chuviscos de neve. A travessia não durou mais que meia hora. Ou seja, a frequência de viagens de cada lado deve ficar em torno de 1h20. Vídeo: Logo chegamos do outro lado, e fomos também os últimos a sair, uma vez que a balsa tem portas dos dois lados. A próxima cidade é Cerro Sombrero, onde existe uma bifurcação entre a 255 e a Y-79, ambas nos permitiriam chegar em San Sebastian, cidade e fronteira AR/CH. Como não tínhamos nenhuma info das estradas, segui pela 257, que era mais curta e imaginava como sendo a principal em manutenção de via.. péssima escolha, uma baita estrada de rípio, dos ruins, aquele que chegava a deixar nervoso.. mas fui, firme e forte, pulando na toyota. Eram só 100km, feitos em quase 2:30h.. tenso.. chegamos na aduana chilena, onde vi que a ruta Y-79 estava em obras, com paralisações do trânsito, mas que já possuía trechos asfaltados.. já anotado pra volta. Sair do Chile sempre é tranquilo, foi rápido o trâmite. Seguimos mais um trechinho em rípio e encontramos a aduana argentina. Aqui o controle é mais rigoroso por conta das pessoas que vão até as zonas francas do Chile e compram produtos. Presenciei um grupo de amigos que tiveram que provar que as jaquetas que estavam vestindo não eram 'novas', além dos celulares, tênis.. até boné! Quanto a nós, tranquilo, não revistaram nada, mas foi um pouco demorado por conta da fiscalização nos próprios argentinos. Ali logo depois da aduana existe um posto com o excelente preço praticado na terra do fogo. Depois era tudo asfalto bom, fomos seguindo e antes de chegarmos na cidade de Rio Grande havia uma grande aglomeração de pessoas e carros numa espécie de igreja, só que maior, era uma 'Mision Salesiana' . Era alguma festa local, havia muita gente e a cidade estava muito movimentada. Rio Grande deve viver, como muitas outras cidades da Patagônia, da exploração de petróleo. Haviam muitas empresas do setor na cidade, e incrivelmente, haviam concessionárias de BMW, Mercedes, Audi e até Alfa Romeo! Já estava ficando de noite e paramos pra comer em um YPF da cidade. Alguns sanduíches, wifi e acabamos decidindo por seguir, provavelmente até Tolhuin, cidade antes de Ushuaia. Como havia tido informações sobre falta de combustível em Ushuaia, preferi garantir e abastecer ali mesmo. O preço era cada vez melhor com os subsídios do governo. Abasteci 82,377 litros, 950,63 pesos, 11,53 pesos por litro e o odômetro marcava 13474,9km. Engraçado como todos os frentistas ficavam sem entender os dois tanques na band.. além do nervosismo de quem estava esperando na fila, não entendiam como demorava tanto abastecer um jipe velho desses kkkk Saímos do posto e seguimos, muitos carros vindo na direção contrária, muitos mesmo, achava estranho. Seguimos. Cerca de 1h depois de Rio Grande, encontramos de novo a neve e a paisagem estava com sinais de que nevava já há bastante tempo. A pista estava coberta de neve e víamos muitas marcas de pneus fazendo retorno na pista, talvez esse era o motivo de encontramos tantos carros na direção oposta.. A neve não caía com tanta intensidade como no trecho Puerto Natales-Punta Arenas, mas as condições da pista eram bem piores, reduzi muito a velocidade e ainda assim a band escapava, até mesmo nas retas. A maior atenção é nas partes em que há neve acumulada, o objetivo era seguir sempre o rastro principal, que já estava começando a sumir também, complicando mais ainda. Eram pouco mais que 8:30 da noite e já não haviam carros transitando na pista, apenas nós. Era terceira marcha no máximo, sem acelerações, freadas.. tudo na manha. Em determinado momento, passamos por um trecho e vimos uma Hilux capotada, numa vala do lado da pista. Sem hesitar, decidimos parar para averiguar, afinal, podiam ter vítimas ali dentro. Até pra parar o carro na neve tem que ser devagar! Reduzindo bem devagar, saindo lentamente da pista, pois podem haver buracos tapados com neve. Paramos cerca de 200m do acidente. Liguei o alerta, vesti o colete refletivo(de suma importância) e fomos com as lanternas piscando para alertar possíveis outros motoristas. Felizmente não havia ninguém mais dentro do carro, mas o acidente tinha sido recente, sem dúvidas. Nisso um motorista veio do sentido Ushuaia e nos alertou que para baixo estava ainda pior. Bem, já estava de noite, frio.. estávamos no meio do nada.. tínhamos a opção de voltar pra Rio Grande, como a maioria, ou seguir até Tolhuin, mais uns 25km. Acabamos descendo com a intenção de ficar em Tolhuin. Chegamos em Tolhuin e a cidade parecia aquela do Papai Noel, só as chaminés soltando fumaça e tudo branco, nem cachorro na rua tinha kkk havia quase meio metro de neve nas ruas, ninguém tinha saído de casa ainda desde que tinha começado a nevar. Seria complicado achar hospedagem ali, já que era uma cidade bem pequena. Acabou que tínhamos que seguir até Ushuaia, onde as opções seriam muito maiores. Nevava menos, porém a estrada começava a congelar, ficando mais escorregadia ainda. Nesse pequeno trecho de 100km, haviam muitas curvas, subidas e descidas. Encontramos várias carretas paradas na pista por não conseguirem subir a serra que contorna o Lago Fagnano, outras tantas paradas depois, por não terem condições de descer a serra, sentido Ushuaia. Enfim, depois de mais de 2h, chegamos em Ushuaia, meia-noite, pouquíssimos carros rodando, muita neve nas ruas, difícil até de encontrar as entradas pras ruas, as calçadas e meio-fio kkk Procuramos por alguns hosteis mas sem sucesso, fomos até um próximo do aeroporto, Hostel La Posta. Era bem arrumado e tinha estacionamento. Se não me engano, custava em torno de 50 reais a noite, com café da manhã, ótimo valor. Fechamos 3 noites e me dirigi pra rua de trás, onde havia a entrada do estacionamento. Porém havia tanta neve, que nem o portão ia conseguir abrir, nem os carros iam conseguir se arrumar. Tive que manobrar na rua, patinando como se fosse lama e voltar lá na frente, onde deixei a band na calçada. Conversando com o brother do hostel, ele me explicou que a tempestade foi uma surpresa até pros moradores. Ninguém esperada por tanta neve, mesmo Ushuaia tendo um clima bem instável, afinal, era abril ainda. Descarregamos tudo, fizemos uma comida rápida na cozinha e nem lembro se tomei banho antes de dormir kkkk O dia foi cheio!
  7. Amigo, instale o google earth no pc e abra o arquivo nele. É bem melhor do que o google maps.. no maps eu não consigo fazer a rota toda por conta da quantidade de pontos e desvios, teria que fazer vários links e fica ruim pra visualizar. Qualquer coisa me pergunta aí! Abraço
  8. Cara, dá pra fazer sim, mas é corrido se não souber exatamente onde parar e tal. Tem que ir com o planejamento todo na cabeça já, tudo esmiuçado. Fui em março/abril. Não era pra ter neve nessa quantidade lá, foi algo fora do comum, até o pessoal de Ushuaia foi pego de surpresa!
  9. A neve cortou a noite.. e o frio foi intenso. MESMO. O pior foi ter que acordar de noite pra ir mijar.. pensa numa situação incômoda! Sair debaixo dos cobertores, procurar a bota pra calçar, descer escada.. juro que a vontade era de mijar do segundo andar, mas convenhamos, o prejudicado com isso sou eu, você, todos nós. Portanto, fui no banheiro. Volta e meia dava uma soprada de vento que fazia cair uns pingos de água gelada dentro da barraca. Na verdade, a barraca estava semi congelada por dentro. O pior ponto era o de onde vinha o vento, estava totalmente branco. Acordei com o barulho de pessoas conversando. Dei uma espiada pra fora e estava nevando ainda. O chão, as árvores, a band, tudo estava coberto de neve. A visibilidade era baixíssima, e como a atividade do dia seria subir até o mirador das torres, por enquanto não estava valendo a pena começar a trilha. Voltei a deitar. Mais pessoas conversando, agora meninas. Pensei, só pode ser brincadeira. Saí da barraca de novo e vi umas 20, 30, 40 andando em meio a neve que estava virando chuva. Pareciam todas chinesas, falavam alguma língua asiática. Pensei: 'minha nossa, as torres devem ser mais lindas do que eu estou imaginando.. pra essa mulecada estar indo debaixo de chuva e neve!' Dei mais um tempinho e desci da barraca. Já eram quase 9h. Agitamos um café da manhã com biscoitos, pão, barrinhas de ceral(no ponto de quebrar o dente), capuccino.. deu pra iniciar o dia. Mas infelizmente a previsão do tempo estava certeira. A chuva era incessante, ventos fortes e a visibilidade das montanhas era zero. Enquanto o tempo não melhorasse, não íamos arriscar a saída. Aproveitei pra arrumar a band, pois com a tentativa de ajuda do rapaz com o pneu furado, tirei várias coisas de dentro da caixa de ferramentas. Tentei também amarrar a seta da band. A base quebrou com a vibração. Consegui um pedaço de árvore em formato de forquilha, dei uma passada de silver tape, com durepoxi.. e travou. A forquilha veio até aqui em Vitória. Minha mãe pegou e guardou na cristaleira junto com outros itens da família e disse: 'isso daqui vou mostrar pro seu filho pra ele entender o quão doido foi o pai dele!!' kkkkkkkkkkkk E as horas foram passando, nada melhorando. Fui até a cabana do guarda parque para verificar como estava a previsão pros outros dias. A mesma coisa, neve/chuva, ventos fortes e chances remotas de tempo aberto. Ali na cabana vende alguns itens, como biscoitos, leite, água, itens de higiene.. até cerveja.. e falando em cerveja, já tava meio puto pela situação, acabei comprando uma. O rapaz só pegou ela da prateleira e me entregou, já estava trincando de gelada kkkk Voltando pro carro, encontrei toda a garotada retornando da trilha.. todos molhados, resmungando.. era previsível né? Irresponsável foi o guia que mesmo com a situação quis tentar ir.. Enfiei minha cerveja num montinho de neve, enquanto fui procurar um amendoim pra petiscar.. afinal, já tava na merda, melhor ficar na merda tomando uma cerveja kkk Gastamos mais um tempo ali.. já eram quase 2h da tarde. A decisão foi difícil, mas infelizmente, não havia chance de conseguirmos fazer o previsto ali.. decidimos ir embora de Torres del Paine. Tínhamos planejado 3 dias ali e fomos embora sem ver absolutamente nada. Liguei a band, com aquele jeito manhoso dela, o gps, e voltamos pela mesma estrada até encontrarmos a ruta 9 novamente. Era perceptível que a região de Torres del Paine tinha um clima diferenciado, tanto que em alguns trechos mais ao leste, não havia um tempo tão fechado quanto lá. Mas por conta do uso contínuo do limpador do para brisa, o danado do fusível queimou. Coisa simples né? Não quando tu tem que trocá-lo com um vento forte o suficiente pra fechar a porta em você.. vento gelado, carregado de chuva.. mas troquei. Seguimos viagem. Encontramos a ruta 9, asfalto, congelado o suficiente pra soltar na banguela e ir no embalo com a band kkk Realmente, a neve é linda demais. Qualquer paisagem fica estonteante com o branco. O objetivo do dia era seguir até onde desse, se possível, até Punta Arenas, onde passaríamos a noite e no outro dia esticaríamos até Ushuaia. A estrada estava linda, toda nevada, porém demandava muita atenção. Fomos seguindo e chegamos em Puerto Natales, doidos pra almoçar alguma coisa. Porém estava tudo fechado, tudo! O máximo que conseguimos foi um COPEC com loja de conveniência.. compramos sanduíches, café e aproveitamos o wifi pra atualizar os parentes. Puerto Natales é bem grande, tem muitas lojas e infraestrutura. Porém preferimos ir pra Punta Arenas. Na saída da cidade, tive que parar a band para ajustar os limpadores, que estavam caindo e não voltando mais. Nisso começava mais uma das tempestades de neve. Quando fui sair, a band caiu num puta buraco, na verdade, na vala de escoamento de água. Não tinha visto ela! Bateu até o diferencial! Só consegui sair com a tração ligada.. Passado o susto, seguimos. Saímos no fim da tarde, eram umas 5h e o GPS indicava cerca de 3h de viagem. Seria fácil cumprir, visto que é só asfalto de qualidade. Porém fomos de encontro com uma grande nevasca. Essa era uma violenta! O vento soprava do sul com muita neve! O limpador quase não dava conta! Sabe aquela chuva torrencial na qual o limpador simplesmente parece que não faz diferença?? Era assim com a neve nessa ocasião! Sério.. pensei em diversas vezes em parar o carro, mas seria até pior.. afinal, não havia nada na beira da pista. Iríamos parar e ficar congelando dentro do carro. A situação estava terrível, visibilidade de menos de 20 metros, velocidade reduzida, uma escuridão tremenda e a pista escorregadia. A temperatura do motor não passava nem da metade do que deveria ficar.. A viagem que demoraria cerca de 3h se desenrolou em 4:30! Depois de muita, muita, muita neve, chegamos em Punta Arenas. Estava tudo coberto de neve, as ruas, praças, casas. Busquei pelo GPS alguma opção de hostel e nas primeiras tentativas, não achamos os locais. Depois encontramos um na beira-mar, Hostel Entre-Vientos, -53.147923, -70.885046. Guardem essas coordenadas se forem pra lá! É o MELHOR HOSTEL que já fiquei!! Jean conferiu que tinham vagas, o preço foi surreal, se me lembro bem, 20 dólares com café da manhã!! Estacionei a band na rua, em frente ao hostel e levamos as coisas pra dentro. Vejam o estado da band! CONGELADA! Lá dentro estava quente e agradável.. tudo de bom. Antes de ir tomar banho, o rapaz do hostel nos ajudou pedir uma pizza. Muito atencioso. O hostel era sensacional, muito novo, com vestiários limpos, quartos limpos, cozinha completa e muito organizada e uma sala de estar de frente pro mar com uma parede de vidro gigante! Parecia casa de cinema!! Me senti um rei depois de tantos perrengues na viagem!! Tomei aquele banho.. depois de uns 2 ou 3 dias sem hehehe o cabelo estava até duro já kkkkkk Rapidamente a pizza chegou. Levamos pra cozinha e comemos quase toda em dois. Aproveitei o wifi e tomadas pra fazer uma geral nas fotos e atualizações. Em Punta Arenas pegamos a temperatura mais baixa de toda a viagem: - 10ºC, não sei quanto de sensação, mas acredito pelo menos -15ºC.. No final do dia, ainda estava muito chateado por ter ido embora de Torres del Paine.. mas sempre ficava verificando a condição do tempo lá e nenhuma melhora. Ou seja, se ficássemos lá, só íamos passar frio.. Tracklog do último trecho em anexo! 12 - Torres del Paine - Puerto Natales - Punta Arenas.rar
  10. Levantamos mais tarde do que eu planejava, porém o frio era cada vez mais doloroso. Mesmo dormindo no hostel, saber que íamos encarar um dia de tempo ruim com chance de neve, já dava aquela desestimulada.. kkkkk O vento cortava frio, e uma leve garoa caía. Arrumamos a band e embarcamos. Saímos cerca de 09:50 de El Calafate e tínhamos como destino o Parque Torres del Paine, no Chile. Porém, íamos tomar um desvio da ruta 40, passando por Esperanza. Esse desvio ia nos tirar de um trecho de rípio muito ruim da ruta 40 e nos levar ainda a um ponto de abastecimento. A estrada mais uma vez era pra se aplaudir de pé, o asfalto da melhor qualidade. Após tomar novamente a 40 e andar uns 20km, vi ao longe que a paisagem estava com um aspecto estranho, como se tivesse uma neblina, uma chuva fina. Mais alguns km e a ruta 40 começa a subir uma pequena serra e logo a chuva fina começou a cair mais devagar, foi virando um gelo derretido e logo em seguida os flocos de neve começaram a cair no para brisa. A band sem ar quente estava como uma geladeira, e com a neve caindo, o frio estava de doer.. dirigir era complicado, as luvas não me agradavam pra segurar o volante, e sem ela, os dedos congelavam.. difícil escolha kkkkk Mesmo com a neve caindo, alguns motoristas insistiam em andar como se nada acontecesse. Eu reduzi a velocidade da band e fui cauteloso, afinal, a neve estava engrossando, e antes a pista já estava molhada, podendo formar gelo. Subimos até bastante, deu quase 850 metros de altitude. Ficamos em torno de uns 25km pegando neve e um vento lateral forte, vindo de oeste/sudoeste. O limpador sofria pra tirar a neve. Após descer a serra, continuamos até o encontro das RN 40 e RP 5. Tomando o sentido da RP 5, segue-se pra Esperanza, pela RN 40 para Tapi Aike. Alguns km a frente, fomos parados por uma dupla de policiais. Pediram documentos e anotaram os passaportes numa prancheta que não devia ter mais que 5 carros até o momento.. e já eram quase meio dia kkkk Esperanza nada mais é que um local que nasceu do entroncamento das rutas. Tem um hotel, um posto de gasolina e meia dúzia de casas. Serve de apoio para a operação de extração de petróleo que é bem presente na região patagônica sul. Ali havia um YPF. Paramos para abastecer e comer algo. Foram 30,454 litros, 13,13 pesos por litro, 400 pesos e o odômetro marcava 12406,7km. Encontramos ali um grupo de motociclistas brasileiros que tinham como destino El Calafate. Alertei-os sobre a condição de neve na estrada e do forte vento lateral. Ficaram preocupados. e até sairmos do posto, não tinham decidido se continuavam a viagem naquele dia. Comi alguns sanduíches e comprei adesivos pro carro na loja de conveniência. Seguimos em ótima estrada de asfalto, tomando novo desvio da ruta 40(-51.132640, -71.9373190), seguindo sempre pelo asfalto, com destino a Estancia Cancha Carrera. Quando encontramos novamente a 40, retornamos por ela alguns kms em rípio, e depois pegamos a bifurcação -51.256370, -72.226046 para chegar na aduana argentina. Na aduana nos questionaram apenas se o carimbo de entrada era realmente do Paso Mayer, uma vez que não tinham vistos veículos de lá ainda hehehe Seguimos pelo rípio e mais alguns km encontramos a aduana chilena, Paso Rio Don Guillermo. Como de praxe no Chile, formulários de alimentos. Sempre marque que você TEM algum item, se possível, até mostre, pois se disser que não possui e eles acharem, dá problema.. Trâmites feitos, seguimos. A ideia do dia era ir até o Mirador Cuernos, que fica do outro lado do Lago Nordenskjold. Porém o tempo estava péssimo, muito feio, um vento frio quase insuportável e ao longe víamos a neve chegando novamente, deixando o rastro branco pelas montanhas da região. A estrada era um asfalto bem esburacado. Acho que é até pior, pois dá aquela vontade de andar mais, porém toda hora tem que frear pra um buraco.. se for terra, melhor que vai devagar direto.. kkk Paramos em um mirador onde era possível observar os Cuernos, ou o que estava aparecendo entre as escuras nuvens.. Na foto dá pra perceber o salpicado de neve nas partes mais baixas... E é isso galera, essa foi a única foto que consegui de TODO o Parque.. o que veio pela frente só foi piorando e piorando.. Seguindo. Tomamos a ruta Y-150, onde encontraríamos uma das portaria do Parque, podendo fazer o pagamento da taxa e pegar maiores informações. Esse trecho é rípio, porém havia um grande movimento de máquinas de terraplanagem e pavimentação, pis estão asfaltando as principais vias do Parque. Portanto, corram pra lá, aproveitem o rípio onde ele nos faz bem! Nesse trecho, demos de cara, literalmente, com a tempestade. Ventava forte contra o carro, rajadas de areia, com chuva e neve. Dava pra assustar. O tempo estava preto. Chegamos na portaria, entramos e conversamos com o guardaparque, ele nos dissse que não era seguro continuar por ali, que o melhor era seguirmos para a portaria Laguna Amarga, onde havia camping e refúgio. Nos disse que os próximos dias tinham péssima previsão. Então voltamos pro carro, o qual era difícil até abrir a porta por conta do vento. Voltamos e seguimos para a outra portaria. Chegamos lá debaixo de neve e já escurecendo. Eram 18:00. Havia uma SUV com pneu furado parado e o dono trocando. Como estavam em dois, não oferecemos ajuda. Fomos pra portaria e pagamos nossa entrada, custou algo próximo de 33 mil pesos chilenos. Pedimos a previsão do tempo e era +/- assim: Amanhã, Neve e Ventos de 80 km/h Depois, Chuva e Ventos de 120 km/h Depois de Amanhã, Neve e Ventos de 100km/h Desanimador heim? Parece previsão do fim do mundo!!!! kkkkkkkkkkk Dali pro camping, eram 20 min. Mesmo com a previsão, tínhamos que dormir em algum lugar. Voltando pro carro, vimos que ainda não haviam trocado o pneu.. perguntamos e percebemos que um dos homens era guardaparque e o outro, o dono do veículo. Este, estava com família e filho recém nascido.. Que lugar pra passear com a família heim? Estavam tendo muita dificuldade, pois o estepe estava preso por um cabo de aço. Tiveram que cortar com serrinha. Começamos a ajudar então. Após tirar o estepe, veio o desafio: tirar o pneu furado. Acredito que o cara andou tanto tempo com o pneu furado, que deve ter, ou esquentado a roda, fazendo uma quase solda no tambor de freio, ou empenado os parafusos, pois a bendita não saía por nada! OU OS DOIS! Tentamos de tudo, martelada, corda, alavanca, spray... isso já estava de noite, neve caindo, as mãos congelando. Nada funcionava! E dava realmente dó vê-los naquela situação! Estava muito frio pra uma criança de colo.. Ficamos mais de 1:40 tentando. Por fim o chileno me pediu pra tentar puxar a roda uma cinta presa na band.. disse que não ia fazer, pois podia danificar o veículo dele. Insistiu, pediu e disse que precisava tentar. Ok.. Amarrei a cinta na roda, puxei na band e o carro apenas caiu do macaco.. aquela roda não ia sair ali. Sem chance. O frio doía as juntas dos dedos, o nariz, as orelhas. Até o corrimento do nariz tava congelando no bigode.. tava feia a situação! Pedimos desculpas pra ele e tivemos que seguir. Eles ficaram a noite dentro do refúgio dos guardas.. situação muito difícil.. Seguimos pro camping. Muito escuro, muita neve, muito vento, muito frio. Demoramos até encontrar o local, mesmo com GPS. Lá também existe um hostel, grande, e de longe, me parecia estar muito quente lá dentro! Dava pra ver o pessoal com blusas!!! EITA INVEJA! Pedi Jean pra descer e verificar a disponibilidade. Porém não era permitido sem reservas!!!!!!!!!!! O POVO RUIM!!!!! Não tinha jeito, era barraca mesmo! Encontramos o camping, fizemos o pagamento de 5000 pesos por pessoa. Havia ducha quente! Mas era tomar um banho quente e pegar uma pneumonia! Não dava! Paramos o carro entre alguns pequenos arbustos. Cobri o capô da band com a lona da barraca pra evitar o frio extremo. Abrimos a barraca e montamos as coisas e preparamos uma janta super rápida, um miojo com sardinha pra esquentar a barriga. Essa noite foi FODA. Usei meia-calça, segunda pele, dois moletons e calça de neve nas pernas, em cima eram duas segunda pele, moletom e jaqueta de neve.. luvas, gorros e um protetor pro rosto. Isso tudo somado aos dois cobertores mais o saco de dormir.. dormi confortável em questão de temperatura, mas o volume de roupas incomodava. O ar dentro da barraca estava IDÊNTICO àquele que sai de dentro do freezer da sua casa quando você o abre pra pegar uma cerveja.. o mesmo cheiro, o mesmo gelar do rosto! O dia foi complicado! E os próximos não davam sinal nenhum de melhora!
  11. Após ficarmos sem o nosso queijo e presunto, Jean esperava um café da manhã bom.. porém, já tinha avisado que café da manhã de hostel.. hehe, é café. Havia apenas café, leite e manteiga.. o pão tinha acabado e a padaria não tava aberta ainda kkkkkkk Foda! Eu nem lembro bem o que comi.. acho que tomei só café e com barrinhas de cereal.. Jean tinha comprado umas maçãs e bananas no dia anterior, aproveitou e comeu. O pão que compramos, que era pra fazer misto, sobrou, e como tínhamos que levar algum lanche pro passeio, acabei levando ele com umas bisnagas de patê que eu havia trazido do Brasil. Saímos do hostel 8:45 em direção ao Parque Nacional Los Glaciares, o mesmo de El Chaltén. O tempo estava feio, muitas nuvens, chuviscos, vento.. não estava animador. Eram cerca de 80km de asfalto até as passarelas que ficam em frente ao glaciar. Cerca de 50km após sair de El Calafate, existe a portaria do Parque. Aqui devemos pagar o ingresso de 250 pesos. Eu acho caro.. uma vez que em outros parques estrangeiros, o comum é pagar 20, 30 reais equivalente. Ainda mais depois de conhecer El Chaltén, que tem as trilhas muito bem demarcadas e conservadas, sem custo algum de ingresso! Mas ok, pagamos.. Após essa portaria, deve-se ter um pouco de atenção na pista. Muitas curvas fechadas que seguem margeando o lago, e por conta da sombra da encosta, a pista fica escorregadia por gelo. O tempo continuava esquisito.. seguimos e encontramos a entrada do Pier onde pegaríamos nosso barco. -50.473033, -72.992480 Decidimos tentar ir até as passarelas, enquanto não dava a hora do embarque previsto. Nesse trecho já é possível avistar o glaciar. Chegamos em um primeiro estacionamento, -50.463728, -73.024361, e por falta de informação, acabamos deixando o carro ali, sendo que podíamos subir mais e parar lá nas passarelas praticamente.. Ali existe um serviço gratuito de vans que levam os turistas até no outro ponto, porém tinha acabado de sair uma e a próxima ia demorar.. então voltamos pro pier. Nesse estacionamento existe restaurante, café, banheiros.. Voltamos pro pier, chegamos meia hora antes do embarque, deixamos a band, pegamos as coisas e logo em seguida chegou um ônibus com os demais turistas que iam no barco conosco. Logo que embarcamos, tivemos que ficar dentro até o barco sair do atracadouro. Alguns instantes depois, foi liberado ir no andar de cima, onde é aberto. Pensem num vento gelado! De doer! Pqp.. difícil até de fotografar. Porém ver o Perito Moreno é assustador! Incrível! É muito grandioso, é uma das maiores demonstrações de força da natureza! Mesmo já tendo visto outros glaciares pela viagem, o Perito Moreno é único: tem uma facilidade de acesso incrível, se mantém estável em dimensões há centenas de anos e de tempos em tempos, ocorre o colapso de uma ponte de gelo que é formada quando o glaciar encontra a terra. Esse colapso ocorre porque quando o glaciar encontra a península, represa o Lago Rico, impedindo seu escoamento. Este por sua vez vai subindo de nível, infiltrando e fazendo pressão nesse bloqueio, até o momento em que a pressão é tão grande, que a parede de gelo se quebra! O último acontecimento foi em março! E ainda havia boa parte da ponte na parte da península! Deve ser incrível presenciar: http://www.dailymail.co.uk/news/article-3486637/Perito-Moreno-glacier-s-ice-bridge-collapses-Argentina.html Nossa navegação durou uns 30 minutos e ali do lago já era incrível ver suas imponentes paredes de gelo! Chegamos no outro lado do Lago, onde o glaciar 'corre' por cima da terra. Ali existiam 4 guias, e nos dividiram em 2 grupos de acordo com a língua que falávamos, inglês ou espanhol. A princípio ficamos nos hermanos. Como já dito, todos esses funcionários são da Hielo y Aventura, a única que pode operar esse passeio. São muito educados e prestativos. Logo ali já havia um grande ponto de apoio, onde podíamos deixar coisas que não queríamos levar pra caminhada. O grupo era bem heterogêneo em idades, mas a maioria era argentina e chilena. Seguimos por uma trilha até uma baixada bem próximo do glaciar e ali começamos a ouvir os primeiros estrondos do glaciar. O Perito Moreno 'cresce' até 2,5m por dia! Então o gelo vai sendo empurrado pelo peso da neve lá de cima das montanhas, e a cada acomodação, é um barulho muito, muito alto! Como aquele raio que cai do lado da sua casa! Ali o guia nos deus uma geral de informações sobre o glaciar e como o grupo espanhol tava muito grande, pediu que 4 voluntários fossem pro inglês, então nós fomos, já que também compreendíamos. O grupo inglês era menor, então a atenção dos guias era melhor. Seguimos mais um pouco e chegamos no local onde colocamos os 'grampones', a sola com garras de ferro, pra poder caminhar no gelo. Ela é amarrada na sua bota por eles, por meio de uma fita. Depois de colocar, tem que andar igual quando tá cagado kkkkkk com as pernas meio abertas, pra não correr o risco de pisar no outro pé e furar. Logo seguimos e caminhamos beirando o glaciar, até o ponto em que entramos no gelo. Nosso guia nos ensinou algumas técnicas de caminhada no gelo, nada muito complexo, é mais pra evitar escorregões. O caminho que percorreríamos estava já muito marcado, pois são dezenas de grupos todos os dias. Estar caminhando ali é incrível, é como estar em cima de um monstro. Eu admiro muito a natureza e o glaciar realmente me deixou boquiaberto. Lugar pra se sentir bem pequenino diante daquilo tudo. Vejam essa foto, vejam as pessoas como formigas: Nas bordas o gelo é mais sujo, por conta da proximidade com a terra. Quanto mais andávamos pra dentro, mais branco ficava. Fizemos subidas, descidas, sempre em fila indiana, com um guia na frente e um atrás. Alguns tombos. Nós até bebemos água do glaciar e por incrível que pareça, não estava tão fria. Porém não é recomendado tomar muita, pois não há sais e poderia dar dor de barriga, segundo os guias. Vídeo: Era tudo muito legal, porém achei que íamos encontrar mais formações, como cavernas, fendas, lagoas.. porém ainda assim foi muito bacana. Ao final de quase 1:30 de caminhada, chegamos no ponto alto, o whisky com gelo do glaciar kkkkk O gelo é pegado ali mesmo, tem cerca de 400 anos e o whisky.. bem, o whisky... deve ser pelo menos.. enfim, tinha uma bebida lá chamada whisky! kkkkkkkk Pra quem não bebe, pode pegar água também. Dali voltamos pra tirar os grampones e depois começamos a voltar. Na volta presenciamos um grande desprendimento de gelo, formou uma onda muito grande, um barulho muuuito alto. Foi muito rápido, quase não consegui fotografar.. Voltamos pro ponto inicial, onde tivemos um tempo pra fazer lanche até o barco retornar pra nos buscar. Embarcamos e chegamos no pier às 16h. 5h de passeio, como prometido pela empresa. Após chegarmos, decidi voltar nas passarelas pra poder olhar o glaciar de frente, por cima. Voltei naquele estacionamento e já não havia mais vans. Então fui a pé.. 1km de uma subidinha cansativa.. e enquanto subia, via carros descendo.. fiquei encucado.. achei que não era permitido ir até lá de carro particular! Cheguei lá e vi outro estacionamento, menor, mas que carros eram permitidos.. aquele primeiro deve ser pros ônibus, vans.. f fiquei puto.. mas beleza. Existe uma placa com a descrição das passarelas. Existem várias e cada uma te dá uma visão diferente do glaciar. Fui andando e cheguei até na última, que fica bem de frente com os paredões de gelo. Acho que essa visão é mais magnífica que a da caminhada. Ainda mais quando o tempo abriu: É impressionante, o menor pedaço de gelo que se desprendia, fazia um barulho tremendo! Me disseram que era assim e eu não tava levando fé.. é tudo isso que dizem sim! Ficam todos lá, escorados, esperando o gelo cair. Acho que é um dos poucos lugares onde queremos que a natureza sofra um dano heheh Flagrei um grande bloco se desprendendo: Enfim, fiquei ali 2h, só admirando aquilo tudo. Imagem pra ficar marcada na memória. Voltei pra band já umas 18h, Jean não quis ir e ficou dormindo no carro. Bem, terminado o horário de funcionamento do Parque, nos restava voltar pra cidade. Chegamos lá e logo parei no posto BR, ali acabei comprando 2 litros de óleo de motor, 30 reais cada.. Acabei completando e misturando os óleos do motor, Ipiranga com Lubrax. Como os dois eram minerais e há quem diga que o óleo da ipiranga é fabricado pela BR.. acabei colocando. Mas não recomendo fazer o mesmo. Eu deveria ter levado um balde de 20l de óleo.. Dali, fomos procurar um lugar pra comer. É meio caro por lá.. mas acabamos pegando um restaurante até bom, tava merecendo. Depois ainda fui no banco, fiz mais um saque no Santander pra garantir logo dinheiro e acabamos indo para outro hostel. Fomos pro Penguim Hostel, -50.339518, -72.262367. Era mais barato que o outro, mas não tinha 'café' kkkk Os quartos estavam meio cheios, eram 4 beliches e só havia 2 banheiros compartilhados. Mas tinha uma cozinha bem arrumada e wifi. Foi bom. A moça também me emprestou o notebook pra passar fotos pro HD externo. Aproveitei pra ir no mercado comprar novamente queijo, presunto e pão pro café do outro dia. Fim do dia, fomos dormir.
  12. Olá amigo! Cara, eu uso uma nikon d5200 e levei 3 lentes, uma sigma 10-20, uma nikkor 55-200 e outra 18-55. Além da gopro hero4.. tem algumas aí até do meu celular meia-boca hehe Abraços!
  13. Voltei! Desculpem a demora! Tava até relendo aqui os últimos porque estava meio perdido na história hehehe Bem, depois dos 2 dias de trilha em El Chaltén, a próxima atividade seria realizar trekking em algum Glaciar. Havia pesquisado e encontrei 3 possibilidades: Ice trekking no Glaciar Viedma, que fica alguns km de El Chaltén; Ice trekking no Glaciar Perito Moreno, em El Calafate, onde já íamos passar de qualquer forma; ou Ice trekking no Glaciar Grey, em Torres del Paine, no Chile. Lendo opiniões e relatos, disparadamente, o Perito Moreno era o mais recomendado.. até porque, era o de acesso mais fácil, mais turístico.. mais 'gourmet'. Depois vinha o Viedma com observações sobre a grande quantidade de 'sujeira'(terra) sobre o gelo, e por último, o Grey, menos conhecido por conta da localização.. Coincidentemente, os preços dos 3 também estavam nessa ordem: o mais barato era o Perito Moreno por cerca de 350 reais, depois Viedma por cerca de 450 reais e o Grey por 550 reais. Como já íamos passar em El Calafate para poder ver o Perito Moreno das passarelas que ficam na frente dele, resolvemos arriscar o baixo preço e os comentários positivos. Começamos a arrumar a band no hostel de El Chaltén e pela primeira vez tínhamos uma previsão de tempo ruim.. todos os próximos destinos estavam com previsão de chuva/neve.. Saímos umas 10:45 da manhã. O tempo mais ao sul estava encoberto e ventava frio. São pouco mais de 200 km de asfalto entre as duas cidades. Chegamos perto das 14h. El Calafate é uma cidade bem completa! Muita infra estrutura! Belas lojas na avenida principal, muitos restaurantes, hotéis, comércio variado e bancos. É uma das portas de entrada pra patagônia por contar com um aeroporto internacional. Antes de ir até o glaciar, precisávamos comprar o passeio, que eu já sabia, iria ficar pro outro dia por conta do horário. Nos dirigimos pra loja do único concessionário do Parque, a Hielo y Aventura. As agências de turismo vendem pacotes também de trekking, mas todas acabando utilizando os serviços da Hielo.. portanto, a mais barata é a Hielo. São duas lojas logo na entrada da avenida principal, após a praça, uma em cada sentido da pista. -50.337864, -72.262134 Fomos muito bem recebidos, fechamos o passeio pelo valor de 1200 pesos e como estávamos de carro, íamos até o local por conta própria, mas também há opção de translado por mais 300 pesos. Importante: existe o valor de entrada no Parque Nacional de 250 pesos, que deve ser pago no ato da entrada do Parque. Como o dinheiro já estava findando, e Calafate era uma das poucas cidades que teriam caixas fáceis, resolvemos sacar dinheiro. Nem cogite trocar real em Calafate, a cotação é ridícula.. 3.. 3,20.. nem o dólar estava bom, girando em torno de 14, 15 pesos. Tentei sacar em 4 bancos diferentes e em nenhum consegui.. Então fomos procurar um lugar pra comer. Achamos uma lanchonete que servia PF. Comi bifes de carneiro com batatas fritas e refri, saiu em torno de 200 pesos. Dali fomos então procurar uma loja que fazia recarga de celular. Encontramos uma revenda e fiz uma de 50 pesos.. mas como Jean não tinha o papel com o número do celular dele, acabou não fazendo na hora. Mais uma pendência era encontrar roupas de frio pro Jean. O que ele tinha levado não tava dando conta.. e como no outro dia iríamos pro Glaciar, onde a chance de chuva/neve era grande, precisava de algo mais garantido. Acabamos voltando por onde comemos e do lado havia uma loja que alugava roupas. -50.337678, -72.264959 Jean provou alguns casacos mas não conseguiu levar porque estava sem documento na hora. Então reservou pra buscar depois, quando voltasse pra fazer a recarga do celular. Outra coisa pra fazer era trocar o óleo da band.. já havia completado com 1 litro que tinha comprado a mais no Brasil, porém acabara. Não havia nenhum posto pra troca de óleo, se me lembro bem, só existiam 2 na cidade, um YPF e um BR. Fui até um Lubricentro, um local que além de óleo, vende outros itens pra carros, mas a band não cabia na rampa.. complicado. Além disso, o litro de óleo tava custando quase 50 reais.. Acabei deixando pra pensar melhor no outro dia... A última faina do dia era consertar o escape da band que tinha quebrado.. tava quase caindo, até amarrei ele por precaução kkk Depois de muitas voltas pela cidade, encontrei um Taller Mecanico que fazia Soldadura. A oficina era especializada em escapamentos, e era incrivelmente organizada e limpa! -50.348300, -72.270819 Pedi pro rapaz soldar e se ficamos lá cerca de 1 hora, foi 1 hora dele falando dos super motores v8 americanos.. kkkkkkk Qualquer coisa que eu dizia ele respondia algo e colocava o bendito v8 no meio da resposta.. era engraçado kkkk O rapaz me cobrou 300 pesos, achei um preço justo. Ainda me deu garantia da solda! Disse que a solda não ia quebrar, o que podia quebrar era o meu silencioso kkkk Depois voltamos ao posto para abastecer no YPF. Foram 750 pesos, 57,33 litros, 13,08 pesos por litro e o odômetro marcava 12040,3km. Por último, encontramos um hostel poucas ruas acima da principal, nas coordenadas -50.340717, -72.264394. Era pequeno, mas bem organizado, banheiros limpos e havia cozinha, além de wifi. Se não me engano saiu por 240 pesos com café da manhã.. ali no hostel conseguimos a informação de outro banco, que ficava a poucas quadras dali, um Santander. Fomos até lá e nesse eu consegui sacar dinheiro! A cotação saiu por 3,78.. um valor até bom. Lembrando que nesse mês foi aquela queda violenta do dólar, o que contribuiu pras conversões de saque. O banco está aqui -50.339833, -72.267088. O desespero veio quando o banco debitou dois saques na minha conta, sendo que tinha feito só um! Logo mandei email pra gerente no Brasil.. o que só se resolveu quase 1 semana depois.. Ainda passamos no mercado, compramos algumas coisas pra fazer um lanche de noite. Depois de colocar as coisas no hostel, eu fui fazer alguns apertos na band, algumas coisas frouxas por conta da trepidação das estradas.. enquanto isso Jean foi buscar a jaqueta na loja. *A opção do hostel foi por conta da previsão de neve.. e o camping que havia na cidade estava custando 100 pesos, fica ao lado do YPF da cidade* Depois de tudo feito na band, banho tomado, fui procurar o queijo e presunto que havíamos comprado no mercado.. mas alguém tinha pegado... coisas de hostel né? Acabei indo na esquina comprar uma hamburguesa e essa foi a refeição da noite. Havia uma galera da França no hostel, entre eles um que havia conhecido o Brasil, conversei com ele um tempo e depois fui dormir.. aquela galera tava bebendo e fizeram uma puta zoeira de noite no hostel.. Jean não conseguiu dormir. Eu, como tinha tomado duas latas de cerveja, nem percebi kkkkkk Tracklog adicionado! 10 - El Chaltén - El Calafate.rar
  14. Eu falei do aquecedor né? Pois é, chegou fazer tanto calor de noite, que precisei reduzir a chama... Enquanto lá fora estava dando temperaturas negativas.. Mais uma prova de que esse hostel é muito bom. Recomendo mesmo. Acordamos e era mais um daqueles dias lindos. Era incrível a sorte que estávamos tendo com o tempo. O dia seria para a trilha da Laguna Torre. Tomamos café com calma.. misto quente, nescau, maçãs.. a cozinha era muito boa.. esse foi um dos melhores hostels que já fiquei. O dia prometia ser de calor novamente. Dessa vez levei apenas a mochila de hidratação, barrinhas de cereal, câmera e duas lentes. Aliviar o peso do último dia que foi puxado. Todavia, recomendo sempre levar pelo menos uma jaqueta corta-vento.. mesmo com sol, o vento faz cair muito a sensação térmica. Deixamos o carro na frente do hostel, uma vez que a trilha começava duas ruas pra frente do hostel. Essa é uma das vantagens de El Chaltén: trilhas autoguiadas e fáceis de encontrar. Começamos a trilha por um ponto não tão comum, foi em -49.323064, -72.896114, porém existem outros pontos de início pela cidade. Existe uma subida cadenciada e depois fica plano com algumas descidas. Mais ou menos 2,5km depois, nós encontramos a 'trilha principal', mais utilizada para chegar na Laguna. Dali só temos esse caminho disponível. Seguimos e o caminho é bem light, segue dentro do vale. Parte rochosa, parte terra batida. Acredito que mais uns 2km, chega-se no mirador. Visão incrível. Dali caminha-se mais uns 3km até encontrar um solo bem pedroso, onde se forma uma 'barragem' natural. Ali está a Laguna Torre. Anda mais um tempinho até encontrá-la. Sua cor não é tão bela como a Laguna de Los Tres, porém o cenário é tão bonito quanto! Nessa laguna existem muitos témpanos, icebergs. Até a borda na Laguna estava congelada.. O vento também era mais forte e mais frio. Existe a possibilidade de seguir pela 'crista' da represa, pela direita, até um ponto mais de frente com o glaciar que existe ali. Porém já estava satisfeito demais com toda aquela vista. Vejam o vídeo: Ali descansei as pernas, comi o que tinha, pra enganar o estômago, e tirei as fotos. Gastamos cerca de 3h pra esse percurso. Na volta, fizemos a trilha original, que termina no ponto -49.331268, -72.895004. No mesmo mirador da ida, pegamos mais uma vez, um belo entardecer. Essas montanhas tem uma linda coloração quando está amanhecendo ou escurecendo.. o sol baixo trás cores lindas. A volta foi o mesmo tempo. Porém achei esse trecho que não tínhamos feito na ida, um pouco mais íngreme. Acredito que da forma como fizemos, ficou melhor. Foi questão de sorte. Chegamos em El Chaltén umas 7h. Cedo. Essa noite decidimos cozinhar algo melhor. Então compramos bifes, queijo, presunto e arroz. Não conhecia meus dotes culinários e acabei preparando um puta bife a parmegiana... bom demais!!! A janta foi bife parmegiana, arroz e purê de batatas, acompanhado de duas Quilmes. A janta custou metade do que gastaríamos comendo em um restaurante, cerca de 200 pesos pra cada. Foi uma ótima opção.
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