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TARLEY PERSAN

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  1. Organizei essa travessia um mês antes de pegar a estrada definitiva que me conduzia para mais uma aventura. Como normalmente sou um viajante solitário, nada me prendia, como o tempo, clima, calendário em fim nada mesmo, só eu e minha mochila.Sabia que ia ser uma travessia árdua e cansativa, porem minha curiosidade pelo desconhecido foi maior que meu medo. Bem, minha longa caminhada começou em uma cidadezinha pitoresca e histórica chamada São José do Barreiro. Cheguei bem tarde, ás 8:00 da noite, pois fiquei esperando o ônibus em Guaratinguetá por longas horas na rodoviária. Chegando em São José do Barreiro, logo fui procurar uma pousada para descanar. Fiquei no da dona Maria, por um preço camarada, tomei um longo banho e sai para comer algo e explorar a cidade a noite. Somente três bares estavam abertos beirando a praça central e que também eram o ponto de encontro do pessoal. Percebi que todos se conheciam, e que eu era o forasteiro na cidade. Sentei, pedi uma cerveja e alguns petiscos para comer e lá fiquei por algumas horas observando aquelas pessoas e do que elas falavam. Paguei a conta e sai para andar um pouco pela cidade, lógico acompanhado sempre pela minha inseparável câmera. Passei pela praça, onde haviam várias pessoas por lá, algumas fantasiadas de festa junina e outras com roupas pesadas de inverno e eu de bermudão e camiseta perambulando pela praça. Eu acho que era o único turista daquele dia. Sobe ladeira e desce ladeira dei de cara com o histórico cemitério dos escravos em uma ruela sem saída. Dei uma volta ao redor do muro e encontrei uma passagem perfeita para explorar aquele lugar ás 11:30 da noite. Pulei o muro e dei de cara com um túmulo meio aberto, onde quase caí dentro dele. Bem tirando o susto, adentrei no cemitério para fazer uma matéria. Com uma lanterna na mão e a câmera em outra comecei minha excursão por lá. E um verdadeiro cenário de terror.Voltei para a pousada umas 2:00 h da manhã, sendo que pretendia sair bem cedo, mas só pretendia, pois acordei ás 10:00 h.Pulei da cama, reorganizei minha mochila e deixei a pousada ás pressas. Tomei um rápido café em um bar e parti para a empreitada. A minha intenção logo de início era subir a serra á pé, que até o parque são 27 km de subida, e muita subida. No começo é tudo flores, mas depois de duas horas em uma subida que não tem fim, seu corpo começa a reclamar e cada placa de quilometragem te avisa o quanto ainda tem que andar. A música fazia me esquecer um pouco do cansaço e a beleza da serra me extasiava de prazer e felicidade e uma paz que invade a alma. Em cada curva um cenário diferente. Já eram 4:00 h da tarde, precisava parar, escançar, na verdade repousar. Meu corpo já estava esgotado e no Km 6 estava louco procurando um lugar para montar acampamento, o que era difícil. Em uma região onde havia morro e algumas fazendas cercadas, eu tinha que procurar muito.Quando estava descendo a estrada, bem do alto, pude visualizar a região e encontrar um possível lugar para acampar, foi quando eu vi uma área plana em cima de um barranco. Mas ainda tinha que chegar lá e trinta minutos depois me deparei com esse barranco, que tinha uns dois metros de altura e ficava bem em uma curva. Soltei a mochila e circulei o barranco para encontrar alguma parte mais baixa. Nada feito, mas tinha uma árvore em cima e algumas raízes que me ajudaram a subir. Amarrei uma corda na mochila e lá de cima puxei, já quase sem forças. Quando eu olhei para esse plano, percebi que na verdade era um pasto, um imenso pasto. Não tinha gado, mas sua marca estava em quase todo lugar. Procurei um lugar mais limpo e realmente consegui montar a barraca e cair dentro, onde dormi até ás 10:00, com um frio de congelar e com uma chuva fina que não dava trégua. Fiz a minha janta e tomei um copo de vinho tinto e voltei a dormir até ás duas da manhã, quando um mugido alto veio me acordar. Eu pensei: isso são horas de vacas pastarem e eu lá bem no meio do quintal delas. Levantei, peguei minha lanterna e sai para fora da barraca para ver onde elas estavam. Nada vi, e o som abafado não parava nunca e nada de vacas, bois e nem bezerros.Entrei na barraca e consegui dormir. Ás 6:00 h levantei no meio da forte neblina e um frio cortante, comecei desmontar acampamento para prosseguir e quando estava tudo pronto dei uma última olhada no lugar e descobri de onde estava vindo aquele som de vacas.Em uma fazendinha bem distante onde eu estava, lá estavam elas, berrando feito doidas.Serra da Bocaina Quando cheguei no Km 7 encontrei minha companheira de trilha, parece que ela estava lá me esperando. Parei para descansar, abri um pacote de bolacha e ela acanhada me olhando devorar aqueles biscoitos. Ofereci alguns para ela, que não fez cerimônia alguma, até que finalmente terminamos aquele pacote, mas eu precisava prosseguir minha jornada. Peguei minha mochila e segui.Essa cadela me acompanhou até o Km 25 Não estava nem na metade do caminho e já estava precisando descansar mais uma vez. Quando o trajeto é longo e em subida ingrime, sua velocidade é lenta, e com uma mochila pesada, se torna mais árduo e cansativo. Tive que fazer mais um pernoite na estrada. Desta vez peguei um terreno acidentado, mas era o que tinha e lá montei mais uma vez a barraca e dormi no Km 18. Ao amanhecer me senti mais disposto, eu já estava bem no alto da serra, mas tinha mais subida pela frente, até o Km 25, depois é suave até a entrada do parque. A subida continua, e a vontade de chegar lá, aumentava em cada passo. Cada quilômetro percorrido já era uma vitória, uma conquista. Mas o prazer de estar lá, lá em cima era imenso. Todo meu esforço foi compensado. Porque fazer o trajeto do modo mais fácil, alugar um carro e subir aquela imensa serra, deixando tudo passar pelo retrovisor ou apenas sentir o vento frio entrando pela janela, se pode sentir isso e muito mais subindo em companhia dela, da natureza. E assim fui eu caminhando no meio do nada, ou melhor de tudo, tudo que é belo e magnífico, que com certeza jamais esquecerei, e lógico, voltarei a passar pelo mesmo caminho, onde que do cansaço e exaustão extraiu minha perseverança e coragem de prosseguir o meu caminho no parque, que irei atravessar. 27 Km a menos. Agora eu prossigo o caminho do ouro até o final da trilha. Será o próximo relato de um caminhante solitário.
  2. No dia 26/12/2012 acordei muito disposto a fazer um trilha. O grande dilema era, Onde? Já que o relógio marcava 7:35h e como normalmente faço minhas caminhadas sozinho, não tive ninguém para me ajudar com a escolha do programa. Eu gosto de planejar antes, mas neste dia foi na última hora mesmo. Sentado no sofá da sala já um pouco mal humorado de não saber onde ir, levantei rápido, arrumei minha mochila e fui direto para o portão sem destino algum. Sabe aqueles dias que você improvisa tudo, deixando tudo pelo acaso, foi assim. No terminal Campo Limpo ainda não tinha nenhuma opção. Sentei em um banco com a minha mochila e de repente me surge uma ideia, aliás, uma tremenda ideia. Eu fui convidado por um amigo, uns três anos atrás para conhecer o lugar em que ele praticava rafting em Juquitiba. Mas aí o passeio foi limitado, só dessemos rio abaixo e voltamos para a casa. Como eu sou muito observador, percebi que existiam trilhas na beira da estradinha de terra beirando a mata atlântica. Estávamos de carro. E foi aí que tomei a decisão de voltar lá e desvendar minha curiosidade. Sai apressado do Terminal Campo Limpo, porque o ônibus que eu ia tomar não para lá e segui com o circular 4 (Taboão da Serra) é próximo ao Campo Limpo, e desci na BR116 para pegar Itapecerica da Serra (R$3,40),onde peguei o Juquitiba-Barnabé ( R$2,70). Você pode pegar o Juquitiba direto na BR que vem da Rodoviária Tietê, mais demora muito e o relógio não gosta de esperar para aqueles que acordam tarde, já eram 10:45 quando embarquei com destino a Juquitiba. ãã2::'> Este ônibus te deixa bem em frente da estradinha de terra onde leva ao rio juquiá, é só seguir por ela à pé, uns 20 minutos. Mas tive que descer no primeiro ponto logo quando entrei na cidade para comprar água em uma pararia próxima da BR. Decidi então terminar o trajeto à pé mesmo, continuando pela BR, uns 20 minutos de caminhada até essa estradinha, onde que tem uma placa. . E bem ao lado sai a estrada de terra que te leva para o rio juquiá. Depois de vinte minutos caminhado por essa estrada você vai sair em uma ponde de concreto, onde que o cenário diz por si só. Um belo rio passando por baixo dela, envolto a enormes pedras, formando uma pequena prainha, onde são feitos pique nique por algumas famílias. Mas, ainda não estava por satisfeito, queria mais. Algo selvagem, onde não tivessem turistas que não tem um mínimo de respeito ao meio ambiente e talvez nem saibam o que é isso e o que significa , atravessei a ponte e segui pela mesma estradinha, agora um pouco mais selvagem, com algumas chácaras, povoado, mas sempre rodeado pela floresta. Não podemos esquecer do rio juquiá que sempre nos espreita. Chamando nos atenção pelo seu barulho, descendo rápido pelo seu percurso natural, batendo nas pedras e rodeado por uma imensa mata atlântica. Na estrada você observa várias bifurcações para a mata dentro, entrei em uma delas e descobri uma nascente como esta. O manancial da região é incrível. Nesta trilha não fui até o final, depois descobri que ela leva a uma represa. Lógico que na próxima eu irei desvendar e ir até o final dela. Voltei para a estrada e continuei seguindo e sempre o rio me acompanhado como se soubesse que eu era mais um caminheiro solitário a desvendar seus mistérios. E aos poucos fui desvendando um por um, sempre beirando a estrada, estava com pouco tempo para desvendar tudo, mas o que pude perceber é que havia muito mais daquilo que esperava encontrar, e não pude terminar, porque o tempo não quis esperar e não pude dizer nada , apenas segui o caminho com o tempo que me restava sem contestar, mas feliz, muito feliz de estar ali. Se todos soubessem o quão gratificante é estar no meio da natureza, como nós somos parte dela, viveríamos muito mais felizes e sem nenhum estresse no trânsito, no trabalho e no dia a dia que nos faz sentirmos como uma máquina perigosa e mortal, vivendo sobre pressão. Continuei meu caminho até no final da estrada, onde avistei uma placa bem grande dizendo: Canoar. Onde estive com um amigo alguns anos atrás. Só para lembrar fomos de carro. O portão estava aberto e fui entrando sem ser convidado, e uma moça, muito simpática e bonita veio correndo até mim dizendo que a Canoar estava fechada, que só abrirá no dia 27(quinta feira), mas ela permitiu que entrasse e fizesse algumas fotos do local. Não perdi tempo e fui. Acho legal essas empresas que fazem esse tipo de projeto, sem bem que achei o valor meio salgadinho(R$95,00) Voltei pela mesma estrada, só observando o lado do rio, onde também haviam algumas bifurcações e logo me deparei em uma ponte de madeira deteriorada pelo tempo que atravessava o rio dando uma nova paisagem ao ambiente. Mas antes de decidir e arriscar a travessia resolvi me refresquei um pouco embaixo dela. ãã2::'> Depois do refresco, decidi atravessar a ponte, pisando sempre onde o tronco principal dava a sustentação. Do outro lado da margem eu encontrei uma floresta bem nativa, com várias trilhas onde é impossível visita las em um único dia. Algumas bifurcações seguiam mais para o alto e eu resolvi seguir a principal. E você pode perceber a diferença da flora. As vezes demostrando bem como floresta atlântica e as vezes como serrado. Deste lado, o rio se distancia um pouco pela trilha que eu tomei e eu entrei em uma outra bifurcação que descia a serra, podendo encontrar outra vez o rio e outras bifurcações foram aparecendo no caminho. A minha vontade era de conhecer todas. Saber onde elas iriam levar. Mas tive que me contentar com o pouco de muito que ela oferecia. Estava na hora de voltar o caminho, já eram 4:45 e quando chegue na ponte de concreto onde havia passado primeiro, haviam bem mais gente. Nadando, bebendo e se divertindo. Como eu sempre carrego sacos plásticos de lixo, resolvi conversar com o pessoal sobre a importância de mantermos limpos aquele lugar, entregando um impresso que eu mesmo encomendei, dizendo sobre o legado dos ambientalista que diz: Da natureza nada se deixa, a não ser pegadas, nada se leva a não ser saudades e nada se tira a não ser fotos, para que um dia você possa voltar e encontrar do mesmo jeito que foi deixado por você. Eu estava conversando com um grupo de amigos, quando um deles, que estava no rio, jogou uma lata de cerveja na correnteza. Sua namorada ficou tão furiosa que fez ele ir atrás desta lata, que já havia se perdido na correnteza e todos os amigos o vaiaram quando ele saiu da água. Posso dizer que fiquei muito emocionado com essa atitude do grupo que nada foi em vão. Depois fui embora com a promessa de voltar e conhecer o que não havia conhecido. Cheguei em casa às 20:00h, cansado mais muito satisfeito e feliz. upload/galeria/fotos/20121227214259.jpg
  3. Majestoso relato Jorge Soto. Me senti dentro de sua própria história trilhada de emoção e coragem. Quantos aí queriam estar desfrutando deste maravilhoso cenário natural que nos trás alegria e nos ensina que também fazemos parte dela e que devemos respeita-la como respeitamos nossas próprias mães. Tem pessoas que só vão se divertir no meio da natureza como se estivessem em um parque temático e tem pessoas que vão contemplar aquilo que estão vivendo naquele momento como se fosse o último. Aproveitando cada canto dela como um único aprendizado de ser um ser humano melhor.
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