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drezz

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  1. Em relação à preparação de comida, é necessário levar fogareiro e panelas, essas coisinhas, mas nos campings há um espaço coberto para cozinhar e comer... você paga uma vez só, quando entra no parque, e pode ficar quantos dias quiser (pagando apenas os valores dos campings, diariamente). Você consegue chegar nas Torres logo no primeiro dia , tem uma estrada onde passam carros e depois uma trilha até lá. O glaciar fica praticamente do lado oposto do parque, dai você teria que voltar pelo mesmo caminho, pegar um ônibus dentro do parque e depois o catamarã, que deixa num camping mais próximo ao Grey onde, no dia seguinte vc pode seguir para o Glaciar... Acho que daria pra ir e voltar no mesmo dia, por mais cansativo que seja, mas acho que rola sim... Ai vc teria que pegar o catamarã de volta e o bus. Na real acho que seria mais cansativo e gastaria mais nesse esquema, em pelo menos 5dias voce consegue ver o Grey e fazer o circuito O todo, acho que seria uma boa.
  2. Oi Rafael, obrigada! Então, eu não tenho ideia de como chegar em Puerto Natales por Pucon, acredito que somente seja possível de avião, pois não lembro de ter visto onibus com esse destino :\ Eu fui pra Natales a partir de Punta Arenas, então foi bem mais fácil... Eu lembro que no ano passado os campings estavam em média uns 15,00 na conversão dos pesos para real, mas é isso, entre 15 e 20 reais. Pra alimentação, recomendo levar a comida pro trekking pq é bem caro comer por lá, bem caro mesmo... tipo, uns 15 reais um chocolate
  3. Matheus, desculpe responder com atraso, mas já fica pros próximos que vão pra lá... dá pra reservar os refúgios pelo site das próprias empresas, que estão aqui http://www.torresdelpaine.com/secciones/03/a/directorio.asp Em Puerto Natales tem muitas lojas de equipamentos sim, fique tranquilo... Mas se tu der uma passada por Punta Arenas vale até mais a pena devido à Zona Franca de lá... Boa viagem, abraços
  4. hahahahaha que bom que eu não fui a única com essa sensação, rs Angela, quanto a começar pelas torres, até que isso é bem real, eu acabei dando um azar porque nos últimos dois dias no parque o tempo estava super fechado e eu não consegui ver muito bem as torres. Então se o tempo estiver bom quando você chegar no parque, aproveite e vá pra lá e depois volte qualquer coisa.
  5. Obrigada Angela Há alguns refúgios que alugam muitas coisas, não lembro se é o caso do fogareiro... mas na real existem uns super leves, eu comprei um fogareiro e uns 4 cartuchos de gás em Punta Arenas e só usei um dos cartuchos (em 8 dias). Acredito que o fogareiro e o cartucho devem pesar uns 500 gramas. Eu recomendo começar pelo glaciar porque parece haver mais descidas nesse sentido, a caminhada parece ser mais tranquila por isso... além do mais, deixar as torres pro final é ótimo pq fecha o trekking com chave de ouro.
  6. Oi! Saí de Punta Arenas e gastei 4.500 CL, mais ou menos uns 25 reais (http://www.bussur.com/opensite/). Aliás, vi o site e agora está 5.000 CL.
  7. Ah, obrigada! Eu levei todo o equipamento daqui mesmo, só comprei o fogareiro, os cartuchos de gás e um casaco bem quente por lá... Eu tive apenas uma experiência anterior, que foi o Camino Inca, no Peru... mas dá pra fazer tudo isso sem experiência! Só recomendo treinar a montagem da barraca antes de ir pra lá, além do treinamento físico (um mês antes da viagem, eu fiz caminhadas de 8 km por dia carregando uns 15 kg). Recomendo muito Torres del Paine, lá é realmente incrível e faz bem!!!
  8. aliás, dá pra fazer essa viagem gastando muito pouco... eu gastei R$ 130 para 6 dias, rs
  9. Na real esse é um relato pessoal e subjetivo que provavelmente não ajudará ninguém, só vou contar minha experiência pra não esquecer, rs. Decidi essa viagem de última hora pois percebi que algumas folgas no trabalho, feriado prolongado e final de semana davam uma boa combinação para uma viagem curta. Após pesquisar os lugares próximos de SP capital, encontrei o Parque Nacional do Itatiaia- RJ na divisa com o estado de São Paulo. Decidi ficar apenas na parte baixa do parque, devido à minha dificuldade de mobilidade (sem carro), além de que as cachoeiras estão localizadas ali. Saí de casa umas 4h30 do dia 18 de junho para pegar um ônibus no terminal Tietê às 6h. Esse ônibus me levaria até Arujá, uma cidade próxima e ao lado da Rodovia Dutra. O motorista me deixou num posto de gasolina, aproximadamente 7h30 da manhã, e então começou a aventura... Eu já havia feito uma plaquinha com o escrito “RJ” no dia anterior, falei com alguns caminhoneiros no posto de gasolina porém nenhum iria para o Rio de Janeiro, por conseguinte, decidi ficar na beira da estrada com a bendita plaquinha. Andei um pouco e acredito que tenha se passado uns 15 minutos até eu alcançar uma Kombi que estava parada no acostamento, com o pisca ligado. Perguntei pra onde estavam indo, e o motorista disse que iria para Taubaté realizar alguns serviços de montagens. Pedi carona e consegui, ufa... XX, super gente boa, gritava pra caramba (rs), contou da filha e da sua aventura de ter saído do nordeste pra vir pra SP sem conhecer ninguém, sem lenço e sem documento. Devo ter chegado em Taubaté umas 9h30, e fiquei num ponto bem x da estrada, meio afastado da cidade. Empunhei a plaquinha e me preparei pra esperar a carona. Passado uns 2 minutos, um caminhão parou mais a frente, no acostamento. Fui correndo para que ele não desistisse da carona e subi de uma forma bem desajeitada! O nome desse carona é Adriano, faz esse trajeto todos os dias e vive no Rio (quando possível). Conversamos bastante no caminho, até paramos pra tomar um café e o Adriano pagou um pão-de-queijo pra mim. Ele me deixou em Itatiaia, em frente a uma passarela, umas 11h30. Agradeci e passei meu número, caso rolasse mais alguma carona (ele disse que me levaria pra Brasília pro Encontro de culturas da Chapada). Cruzei a passarela e andei umas 5 quadras rumo ao parque, até que eu consegui mais uma carona, na rua principal mesmo... O senhor que me deu carona trabalhava num hotel do parque e, após eu pagar a taxa de ingresso do parque, ele me deixou na entrada do camping. No momento em que eu estava descendo do carro dele e pondo minha mochila nas costas, um outro carro parou ao meu lado e uma senhora se ofereceu pra me levar até o camping Aldeia dos Pássaros, lá embaixo. Nossa, que descida do caramba! Aliás, um detalhe: aquele parque e só subida (e descida)! Que exercício para as pernas! Enfim, conversei com essa senhora, Eliana, no pequeno trajeto e ela me disse que tem uma propriedade lá, ao lado do camping, e me convidou para tomar um chá e conhecer o filho dela, já que ele conhecia as trilhas por ali e poderia ir comigo. Fui para o camping Aldeia dos Pássaros, montei minha barraca e fiquei um pouco no riacho atrás do local, li um pouco do meu livro e entrei na água. Aproximadamente umas 13h eu decidi tentar conhecer alguma cachoeira e aproveitar que o dia estava lindo. Subi, subi, subi e subi mais um pouco (devo ter andando uns 5 km) até conseguir uma carona com um casal até o museu. Lá era bem próximo do lago Azul e eu passei um tempinho por ali... Eu soube que um ônibus desceria pelo parque às 17h, porém decidi voltar mais cedo porque o tempo ficou meio fechado. Eu levei uns 40 minutos descendo do museu até o camping, tranquilo. Tomei banho, tive problemas com lagartixas, cozinhei algo pra comer e começou a chover, umas 18h. Depois disso, fui dormir... No dia seguinte, acordei bem cedo e fui para as cachoeiras mais distantes (Maromba, véu da Noiva e Itaporani). Consegui duas caronas pra subir e, chegando lá fiz amizade com um guardaparques chamado Alex, que tirou várias fotos minhas nas cachus. A água estava geladíssima, mas eu entrei no Véu da Noiva e na Itaporani. Itaporani véu da noiva Na volta, consegui uma carona com um pessoal que estava no camping tb, então foi bem fácil. No momento em que eu saí desse carro, um rapaz veio falar comigo: era o filho da Eliana, a senhora que me deu carona no acampamento, que disse que iriam me ajudar e me convidou pra fazer uma trilha ali perto. Neste dia mesmo, passamos um tempo conversando nas pedras do riacho, eu , ele (Giovanni) e uma amiga dele, Marcela. Depois, nada mais aconteceu, fui dormir bem cedo. Terceiro dia, 20 de junho, acordei cedo, fui para as pedras e encontrei o Giovanni por ali logo cedo, que me convidou para tomar um chá na casa dele. Colhemos as ervas para o chá e entramos para conversar com a mãe dele. Eliana foi uma grande dançarina e conhece quase o mundo todo, até conversamos um pouco em francês. Foi incrível! O dia estava bem feio e chuvoso, então Eliana me convidou para conhecer Penedo, a cidade mais próxima dali. Passamos um dia bem agradável, almoçamos num restaurante barato por ali, comprei um licor de pimenta (delícia!) e voltamos para o parque ao anoitecer... No dia 21, eu fui acordada pelo Giovanni, que bateu na minha barraca me convidando para tomar café na casa dele. Fui, logo em seguida nos preparamos pra fazer uma trilha secreta beirando o riacho. Acho que andamos por aproximadamente 40 minutos, até que decidimos parar numa pedra pra comer umas frutas. Ficamos lá por uns 15 minutos, até que surgiu uma galeeera! Levei um susto no primeiro momento, mas depois descobri que eram estudantes de engenharia florestal e estavam fazendo umas coletas na região para uns projetos no parque. Eles sentaram com a gente e comeram algumas coisas antes de cruzarem o rio. Eles realmente eram muito legais e combinamos de nos encontrar à noite para beber o meu licor de pimenta. À noite, Giovanni e eu fomos ao alojamento desse pessoal e passamos um tempo bem agradável por ali. Eles me convidaram para participar da coleta do dia seguinte e eu decidi adiar a minha partida por mais um dia, para poder participar dessa expedição. No dia seguinte, foram me buscar na entrada do camping 7h30, fomos ao alojamento e terminamos de organizar tudo para a trilha. Esse foi um dia muito interessante pois eu aprendi muita coisa sobre as plantas e as técnicas usadas na floresta. A galera subia em árvores de 20 metros, usávamos perneiras, cruzamos o rio várias vezes, etc. Foi realmente incrível! Nos despedimos à noite, quando o motorista da UFRRJ foi busca-los no alojamento e eu fui para o camping. Nessa noite eu tive medo à noite, pois eu era a única pessoa no camping e consegui queimar uma lâmpada que apagou todas as outras. Ou seja: sozinha, no escuro, na floresta, com barulhos estranhos. No dia seguinte eu fui embora, peguei o ônibus das 7h45, que me deixou na mesma passarela pela qual eu cheguei. Atravessei a passarela e fui a um posto de gasolina do lado do pedágio. Um caminhão parou, perguntei para onde o motorista ia... Ele respondeu que estava indo para o Paraná e passaria por São Paulo. Pedi uma carona, consegui! Seu nome era Donizete, muito firmeza também, me deixou na marginal Tietê e até saiu da rota por um momento para me deixar em segurança na calçada. Enfim, como eu escrevi antes, esse foi mais um relato pessoal e subjetivo que provavelmente não ajudará ninguém. Talvez o único proveito que se tira disso é o de que é possível viajar de carona, e que provavelmente assim se conhecerá pessoas incríveis. Muito eu ouvi para não fazer essa viagem, por ser mulher e sozinha nas estradas e na floresta, por isso espero que esse relato incentive as mulheres a viajarem sim, a se libertarem. Quando você abre sua janela para o mundo, ele mostra quão lindo é e quanta coisa boa há. Gratidão!
  10. chorei rindo desse teu relato!! Como foi com as passagens? conseguiu encaixar o horário com os dos ônibus? tem algum site ou guia que tu usou pra consultar sobre o transporte local? Cozinhou ou comeu nos abrigos?? Parabéns novamente Poxa, muito obrigada! Na verdade antes e depois de Puerto Natales eu estive em Punta Arenas, então organizei tudo pra que tivesse tempo de sobra em caso de imprevistos... Há passagens de bus de Punta Arenas/Puerto Natales e Puerto Natales/Torres del Paine todos os dias e em vários horários, então fique tranquilo quanto a isso! Eu organizei toda a viagem pelas dicas que encontrei aqui no mochileiros.com mesmo. Aqui tem alguns sites que eu usei pra organizar as viagens entre cidades: http://www.busespacheco.com/ e http://www.bussur.com/opensite/ Eu cozinhei todos os dias... comer lá era muito caro, um chocolate snickers, por exemplo, custa 3.000 (mais ou menos 15 reais)
  11. Circuito - O(ps!) - W mesmo Fazer trekking em Torres do Paine foi uma experiência muito maluca e renovadora pra mim. Tentarei ser o mais objetiva possível pra ajudar todo mundo que queira fazer o circuito W também... Em Puerto Natales... Cheguei na cidade dia 5 de dezembro e fiquei no hostel El Patagônico, na calle O'higgins por duas noites. É possível comprar a comida pra trilha no mercado local (Unimarc), lá tem tudo. Eu acabei comprando tudo em Punta Arenas porque tinha medo de faltar algo. Quem quiser ir sem equipamentos de camping e trekking também pode ficar tranquilo pois existem muitas lojas que alugam os equipamentos. Torres del Paine dia 1 – Laguna Amarga para campamento Las Torres Na verdade meu objetivo era fazer o circuito completo e reservei 12 dias para ficar no parque pois queria fazer tudo com calma. Não tenho ideia de quanto minha mochila pesava, mas estava beeem pesada! Fui com ônibus da empresa Gomes, que - como todos os outros - sai todos os dias às 7h30 e cheguei no parque aproximadamente 10h20. Ao chegar na portaria Laguna Amarga todos descemos do ônibus e pagamos a entrada (18.000, mais ou menos 90 reais) e recebemos as instruções de segurança dos guarda-parques. Ali dividiam-se os grupos que seguiriam andando para começar o W pelo sentido horário ou para fazer o circuito O e os que continuariam no ônibus para pegar o catamarã. Eu segui andando pela estrada e havia um casal de espanhóis na minha frente no início, porém logo os perdi de vista. Depois da ponte eu entrei numa espécie de mini trilha e achei que estaria começando a trilha para o campamento Serón, só que não... Depois dessa mini trilha de 5 minutos eu voltei pra estrada, e já comecei a pensar “O que eu to fazendo aqui? Porque eu me meti nisso?”. Mesmo na estrada minhas costas já estavam doendo e eu já pensava em desistir, vi que estava ferrada! Perguntei pra alguns carros que passavam se aquele era mesmo o caminho para o campamento Serón e todos diziam que sim e indicavam que eu devia andar e que em 1h chegaria lá. Cheguei a pensar que estava tranquilo até demais... estrada Quando avistei um acampamento de longe vi que eu havia perdido a entrada pro Serón e que aquele era o acampamento Las Torres. Pronto, fiquei pessimista... “se eu me perco na entrada da trilha, imagina no resto” Comecei a ficar com um pouco de medo de fazer o circuito O sozinha e decidi fazer somente o W. Cheguei no acampamento e fui montar a barraca, porém pela minha mínima experiência com barracas, eu tentei colocar a minha no pior lugar que havia ali – muitas pedras na terra. René, o rapaz que trabalha no acampamento veio me ajudar e mudamos o lugar da minha barraca. Ufa, ficou melhor hahaha. Fiquei conversando com ele e ouvindo blues a tarde toda, até que chegaram mais dois franceses que haviam terminado o W e o conheciam, então fizemos amizade. À noite, nós 4 tomamos vinho, comemos chocolate, ouvimos mais blues e foi muito bom... dormi umas 3h, com uma chuva fraquinha e nada de vento. Camping Las torres: ótimo camping, limpo e duchas quentes. Dia 2 - catamarã para Paine Grande Acordei tarde, fiz meu almoço – macarrão - e fiquei procrastinando o dia todo, esperando o horário de pegar o transfer das 16h para outra entrada e depois o catamarã às 18h. O transfer custou 2.500 e o catamarã 12.000 . O lago que é cruzado pelo catamarã é simplesmente surrealmente azul. É incrível! no catamarã Cheguei no campamento Paine Grande, fui tomar banho mas a água não estava quente, então desisti. Cozinhei arroz (argh, não recomendo levar arroz pra trilha), conversei um pouco com um americano chamado Steve e fui deitar. Lago Pehoé Esse acampamento é bem descampado e o vento é bem forte, por isso eu tive uma noite meio ruim. Eu pensava que a parte de cima da minha barraca fosse voar, então eu coloquei uma cordinha e dormi segurando-a hahah. Dia 3 – Paine Grande para Grey Decidi voltar um pouco no circuito para poder ver o Glaciar Grey, então andei 11km pra isso. Foi meu primeiro dia de trekking de verdade e sofri um pouco com o peso da mochila. Passei por um lago, umas pontes, muitas pedras, umas trilhas beirando o lago e outras no meio da floresta. Parecia que eu nunca ia chegar no acampamento, mas quando eu cheguei - depois de 4,5 horas - foi a maior alegria! Decidi ficar em refúgio nesse dia pois o vento lá estava bem forte e o acampamento era descampado também. O refúgio Grey tem menos gente (só havia uma mulher da Nova Zelandia no meu quarto) e é um pouco mais barato que os outros, foram 35 dólares, com direito banho quentinho e uma cama boa. Eu precisava daquilo! Depois de deixar as coisas no refúgio, caminhei uns 10 minutos para o mirador do Grey! O Glaciar é simplesmente monstruoso,muito graaaande! Tudo lá era muito grande e o vento estava bem forte também. Cozinhei macarrão e fui dormir umas 19h. Dia 4 – Grey para Italiano Acordei umas 7h, arrumei as coisas e saí umas 8h. Nesse dia eu estava um pouco preocupada porque no dia anterior eu desci bastante, o que significava que eu iria subir muito na volta. Fui devagar e minha companheira de quarto – Catharine – me alcançou. Ela disse que minha mochila estava colocada de forma errada e ajustou tudo pra mim. Ficou perfeito, depois daquilo eu nem sentia mais o peso nas costas! Santa Catherine! Quando eu estava perto do acampamento Paine Grande, um vento muito forte começou e em muitos momentos eu me vi obrigada a sentar no chão para não cair. Chegando lá, descansei por mais ou menos uma hora e perguntei ao guardaparque do Paine Grande sobre a velocidade do vento. Ele disse que estava a mais de 100 km/h... Mesmo assim decidi prosseguir até o acampamento Italiano. No começo da trilha o vento me derrubou no chão e havia uma garota francesa atrás de mim que perguntou se eu estava bem. Conversamos um pouco e seguimos juntas por esse trecho. Foi bem tranquilo, quase não há subidas nesse percurso e a vista é linda... Boa parte da trilha é feita ao lado de um lago bem bonito, com flores lilás e passarinhos cantando. Ao todo eu andei 18 km esse dia e, com todas as pausas, levei 7h para chegar de um ponto à outro. Chegando no acampamento Italiano, cruzei uma ponte que balança bastante e fui montar minha barraca. Eu achei o terreno de lá excelente e havia muitas árvores, o que impedia que o vento chegasse na minha barraca – em compensação, o topo das árvores dançavam. Entre os acampamentos do circuito W, eu achei esse o melhor em relação aos espaços pra colocar a barraca. Por ser de graça, não havia chuveiros, o banheiro era meio esquisito e a louça tinha que ser lavada no rio gelado, mas foi bom. Fiz amizade com os guardaparques e até tomei um café na cabana deles, eles foram muito gentis. Depois disso fui dormir aproximadamente 22h. O único problema que eu tive foi o barulho do vento, parecia que a qualquer momento o vento iria destruir as árvores e depois minha barraca hahaha mas no final ela sequer se moveu. Dia 5 – Valle del Frances e campamento Los Cuernos Subida para o Valle del Francês = sofrimento eterno na primeira 1h. Depois do primeiro mirador é super tranquilo, trilha com árvores, passarinhos, fontes de água – lindo! O problema foi que eu quase me perdi 3x nos trechos em que há pedras e a marcação é ruim, e caí 1x na descida das pedras chatas enquanto conversava com um casal de cariocas, de resto foi tranquilo. O mirador britânico é lindo, compensa demais o esforço... a vista é espetacular. Fiz a subida, uma pausa pro lanche e a descida em 5 horas. Voltei ao acampamento Italiano, desarmei a barraca, me despedi dos guardaparques e parti pro campamento Los Cuernos, que fica a 5,5 kms de lá. Caminho tranquilo, com descidas e caminhada na beira do lago. Levei umas 2,5h e no final o vento estava muito forte, com uma chuva bem chata. logo depois de sair do campamento Italiano Ao chegar no acampamento me deparo com um dos piores terrenos pra colocar barraca. Até havia umas bases de madeira, porém minha barraca precisaria estar fixada na terra, senão não ficaria em pé. O solo de lá era cheio de pedras, tentei armar a barraca por uns 30 minutos até que desisti e fiquei no refúgio. 46 dólares pagos com muito pesar! Argh... dia 6 – Campamento Los Cuernos para Campamento Chileno Acordei meio gripada e com dor de garganta devido à água gelada que eu tomei do rio perto do Italianos, então esse trajeto foi o mais sofrido pra mim. Saí 9h do campamento e sabia que o dia seria bem difícil... Começa com uma subida e nos primeiros 20 minutos eu já havia sentado pra descansar e estava realmente bem pessimista. Então a natureza resolve me animar e manda logo um arco-íris lindo no Lago Nordernskjöld. Até melhorei um pouquinho e me animei pra dura caminhada, rs. Só sei que eu andei MUITO nesse dia. O lago não acabava mais... era subidinha, descida, reta, etc. Simplesmente não acabava! Peguei o atalho para o Chileno e descobri que ainda andaria por aproximadamente 2 horas até o acampamento. Depois de uma hora de trilha tranquila no atalho, começa uma subida bem cansativa, depois passa-se por um trecho no Valle Ascencio (onde é a quebrada dos ventos), que eu achei bem perigoso por ser pertinho de um precipício e ter ventos fortíssimos. Ao todo eu fiz esse trajeto em 6 horas, em meio a milhares de paradas pra descanso. Cheguei destruída no acampamento Chileno às 15h. Descobri que o solo de lá era tão péssimo como o campamento los Cuernos e pra piorar eu estava bem resfriada e o rapaz que trabalhava no refúgio disse que não havia mais camas livres. Dei uma segunda volta pelo campamento e fiquei sem saber o que fazer. Voltei no refúgio e praticamente implorei por um lugar pra dormir, até que o rapaz (Estefano) me colocou no “quarto de emergência”, onde fica o depósito do refúgio e há umas camas pros funcionários. Pra piorar ainda mais o meu dia, descobri que esqueci minha toalha no campamento anterior. Mas o Estefano me emprestou uma de graça e ainda me deu chá com mel pro meu resfriado. Dormi bem cedo esse dia porque havia planejado acordar às 3h no dia seguinte para ver o nascer do sol nas torres. Dia 7 – nada Acordei mais doente, com muito vento e chuva, então decidi voltar a dormir. Acordei de verdade umas 10h e o tempo estava terrível. Ventos de 90 km/h e muita chuva... Passei um tempo na varanda no refúgio e era assustador ver o movimento da chuva que era levada pelo vento. Quem saiu esse dia se ferrou! Fiquei num tédio bem profundo enrolada no meu saco de dormir e olhando pra parede do quarto. Depois fiz amizade com quase todo mundo que trabalha no refúgio e fiquei ajudando com umas coisas de administração do restaurante e ensinando português pro pessoal. Foi bem divertido! Passei a noite no mesmo refúgio... Dia 8 – Finalmente as Torres Saí pela primeira vez umas 7h, mas fiquei meio sem coragem de cruzar um rio – que estava bem cheio e forte por conta da chuva do dia anterior – e voltei. Fui incentivada por um israelita que também dormiu no “quarto de emergência” e saí decidida a alcançar as tais TORRES umas 8h. Conheci dois brasileiros no inicio e fomos juntos... A parte do caminho que vai até o campamento Torres foi bem tranquila. Depois começou uma subida bem íngreme e pra piorar seguimos umas australianas e pegamos a trilha errada. O que fizemos foi beem perigoso pois estávamos seguindo num caminho de pedras e areias e qualquer escorregão podia derrubar a todos e poderia ser fatal. Encontramos as marcações da trilha e depois deu tudo certo... Chegamos nas Torres às 10h e foi uma sensação muito boa, foi um teste aos meus limites, demais! Lá é muito maior do que parece nas fotografias, hahaha. Aquele lago é gigante e gelado! Fazia muito frio lá e chovia pra caramba. Infelizmente as torres estavam bem encobertas pelas nuvens, mesmo assim valeu a pena. Ficamos uns 40 minutos e decidimos descer e tentar pegar o transfer das 14h, ou seja, teríamos que correr. Fomos beeem rápidos e deu tempo, ufa! Chegamos no Hotel Las Torres - local do transfer - umas 13h50, mas eu não pude subir junto com eles pois queria passar no acampamento e encontrar o René (o amigo que fiz no primeiro dia, que trabalhava laá e me ajudou com a barraca). Corri muito, cruzei uns rios onde não havia ponte mas finalmente consegui chegar a tempo de dar um abraço nele. E ainda deu tempo que pegar o transfer que passava lá 14h10, ufa! Nesse último dia tudo aconteceu bem rápido e o tempo no transfer até a portaria foi muito importante pra sistematizar tudo que havia acontecido, foi bem emocionante lembrar de tudo e saber que eu fui capaz de superar meus medos, meus limites. Aqueles dias no parque só trouxeram boas lembranças dos lugares, pessoas, sensações, cores, sons, enfim, tudo... Peguei o ônibus de volta às 14h30 e fiquei mais uma noite em Puerto Natales...
  12. Oi pessoal, esse é meu primeiro post no tópico e na real eu to com uma dúvida que não tem nada a ver com benzina em si, mas gostaria de saber se alguém pode me ajudar... Eu comprei um fogareiro à gás simples e bem barato (19,00) da marca suzan peças... será que é confiável? Enfim, vou fazer uma trilha na patagonia e vou ficar 13 dias sobrevivendo com o fogareiro, então eu pensei e comprar um botijãozinho de cozinha mesmo de 2kg, alguém sabe se é fácil de encontrar em Punta Arenas? E há perigo em levar um botijão de gás na mochila, com todos os solavancos e tal? Enfim, não entendo nada disso, se alguém puder me ajudar vou ficar muito feliz. Abraços!
  13. drezz

    Torres del Paine

    Oi pessoal, vou fazer o circuito completo entre o dia 6 e 19 de dezembro e estou com algumas dúvidas... vocês acham que uma Barraca Bivak da Trilhas e Rumos aguenta? http://www.trilhaserumos.com.br/produtos/produtos_descricao.asp?codigo_produto=189 E pra quem já foi... eu vou sozinha e estou meio preocupada com os fortes ventos ao lado de precipícios e tal, vocês acharam algum trecho com forte vento e risco de cair? Se sim, qual? Será que vai ser tranquilo? Obrigada, abraços!
  14. Nossa, seu relato é simplesmente demais! Vou fazer o circuito O sozinha em dezembro e me baseio totalmente no que você escreveu, obrigada mesmo! Queria aproveitar e te perguntar duas coisas que eu não encontro muita informação à respeito... 1- As casas de câmbio de Punta Arenas trocam reais? se sim, o câmbio é bom? 2- Estou morrendo de medo do vento e dos precipícios, principalmente pelo oque eu li do trecho para o acampamento Paso. Você achou muito perigoso o caminho? Em relação à abismos, precipícios e ventos que podiam ter te derrubado lá em baixo? Obrigada novamente pelo ótimo relato! Abraços.
  15. Oi, ótimo relato e belas fotos! Vou fazer a circuito "O" em dezembro, seu relato me deixou mais animada... só estou com um receio e acho que você poderia me ajudar, rs. Li em outro relatos que há um trecho ao lado do Glaciar Grey onde venta bastante, e existe um abismo ao lado da trilha. Enfim, estou morrendo de medo! hahaha Você achou esse trecho tranquilo?
  16. Oi Be, lembro sim haha, ó: - Eu até reservei pelo telefone enquanto estava em São Paulo mas o vendedor da Movil Tours disse que não era necessário - e realmente não foi porque metade do ônibus estava vazio. Dá pra comprar na hora tranquilamente! - O trajeto Puerto Maldonado/Cusco tem fama de ser perigoso e realmente há muita subida e curvas ali. Aliás, muita gente passou mal no ônibus devido ao mal de altura (soroche) e à quantidade de curvas que ônibus faz. Como ele passa pela parte bonita dos Andes de madrugada (e não dá pra ver nada) acho que compensa mais de ir avião pela rapidez, conforto e segurança. O ônibus só é bom pela economia. - Nem roupa de frio eu levei, decidi deixar espaço livre na mala pra caber todas as roupas que eu ia comprar lá. Dessa forma eu me ferrei um pouco, lá faz bastante frio (à noite faz uns 13º) e olha que era verão... Se você for no inverno eu aconselho a levar todas essas roupas especiais pra temperaturas baixas... - Quando o ônibus para na fronteira você será abordada por várias mulheres que fazem câmbio. Trocar o real na fronteira compensa (estava 1 real = 1,20 soles), já o dólar é melhor trocar em casas de câmbio de Cusco mesmo. Na Av. del Sol há vários lugares que trocam e a cotação estava muito boa porém eu não lembro agora. Como eu já estava com dólares desde SP, fiz o cambio maior em Cusco mesmo. - Eu comprei a passagem de volta em Rio Branco mesmo, mas acredito que seja bem tranquilo de conseguir na rodoviária de Cusco no dia. Não se compra o bilhete direto pra Rio Branco, os caras da agência que fazem um esquema de "trecho" e incluem os dois bilhetes nesse valor de 152,00 (se não mudou desde janeiro), o ônibus vai até Pto Maldonado e de lá você pegará outro até Rio Branco. Só é importante lembrar que o trecho Rio Branco/Puerto Maldonado só é feito duas vezes por semana pela Movil Tours, então é importante você ligar lá e se informar sobre os dias... Qualquer outra dúvida pode me chamar aqui de novo, espero que dê tudo certo na sua viagem
  17. Poxa, muito obrigada! Fiquei feliz por ter te animado pra viajar também
  18. Não reparei nisso Marcos, mas provavelmente sai mais barato comprar diretamente pela agência da trilha, ao contrário do que eu fiz (ao contratar uma agência brasileira que me encaminharia pra agência certa). Existem muitas agências, muitas mesmo (principalmente na Plaza de Armas) que oferecem a trilha inca, e provavelmente consegue-se um preço melhor... Mesmo assim é arriscado comprar na hora devido à limitação de pessoas que podem fazer a trilha por dia. Então você corre o risco de não haver mais vaga...
  19. Então, a empresa que faz esse trajeto é a Movil Tour e o valor Rio Branco - Cusco (com a parada em Pto Maldonado) está 152 reais, ou estava há um mês atrás...
  20. Oi Alexandra, que bom que você gostou! Então, eu paguei 380 dolares e reservei pelo site http://brasildemochila.com.br/ (empresa brasileira que tem convênio com a agência peruana) com uns 3 meses de antecedência, mesmo assim não havia concorrência pra fazer a trilha, então eu poderia ter feito até uns 3 dias antes... Mas depende muito da época que você tá pensando em ir. Os meses de maio à outubro são beeem concorridos e a trilha sempre enche de gente, então é bom fazer com bastante antecedência também, creio que uns três meses é o recomendado! beijos
  21. Parti de São Paulo rumo ao infinito (ou quase isso, rumo ao Acre haha) no dia 24 de janeiro de 2013... Dia 1 (24/01) 2 horas de voo até Brasília + 3 horas esperando no aeroporto + 3 horas de voo até Rio Branco. Dia 2 (25/02) Cheguei em Rio Branco 1h30 e já sabia que teria que esperar até às 5h pra poder pegar um ônibus e enfim ir pra algum hotel indicado pelo meu amigo, que custaria 20 reais, próximo à rodoviária. Não tinha wifi, não tinha ninguém, não tinha nada (a minha única certeza era que o Acre existia, aparentemente). Conheci o Mauro (menino que trabalhava no balcão de informações da INFRAERO) e conversamos um pouco sobre a minha viagem, já que ele sonha em conhecer o Peru também, e ele me recomendou não me hospedar perto da rodoviária porque não havia mais nada por lá e se tornou um lugar extremamente perigoso, ainda mais pra mim, que estava sozinha. Começamos então a ligar pra hotéis pra encontrar o mais barato. No meio da conversa, surgiu um comissário de bordo da TAM chamado Fábio, acreano viajante com sangue inca, cujo segundo trabalho é numa agencia de viagens do Peru. Ele me ajudou muuuuito! Fez um mapa, roteiros, deu várias dicas, contou histórias, até mesmo ofereceu a casa dele pra eu dormir caso não arranjasse um hotel. Até gostaria de ter aceitado o convite, mas eu, como paulistana desconfiada viajando à milhares de km longe de casa, fiquei com o pé atrás e recusei. Era aproximadamente 4h e o Fábio teve que ir embora pra casa dele e eu voltei a conversar com o Mauro no balcão de informações, até que chegou outro comissário da TAM (muito boa gente, cujo nome eu não me lembro) e ao saber da minha situação me ofereceu carona até a cidade, onde havia um hotel barato! Mesmo receosa e desconfiada, eu aceitei a carona e fui na cara e na coragem rumo ao desconhecido. Conversamos sobre política, músicas regionais e violência, realmente aquele cara era muito gente boa e me deixou na porta de um hotelzinho beeem feinho, com dois caras estranhos na porta (inclusive um me ofereceu drogas), mas não me importava muito com isso, eu só precisava dormir em um lugar barato. No hotelzinho baratinho (que de barato não tinha nada), a dona quis me cobrar 40 reais por uma estadia de 12 horas, mas logo me indicou o hotel que havia lá perto por ser mais barato e haver café-da-manhã, inclusive me levou até o hotel, que ficava na mesma quadra. No hotel JK, consegui diárias (completas de 24h) por 60 reais, e foi lá mesmo que eu capotei. Aliás, nem dormi quando cheguei pois estava quase na hora do café então esperei um pouco e fui comer. Depois do café (e que café maravilhoso...) pude enfim capotar, mas nem dormi tanto assim para poder aproveitar o dia. Conheci a Gameleira, palácio Rio Branco e o mercado velho (que agora é novo) onde comi a “baixaria” – farelo de milho, carne, cheiro verde e tomate. casinhas na beira do rio Acre Descansei um pouco depois do almoço e me preparei psicologicamente pro Sol quente quente quente quente do norte do Brasil, e fui corajosamente até o museu da borracha. Acho que andei uns 2 km com sensação de que foram 10, e chegando lá eu descobri que o museu estava fechado por conta do feriado “Dia do Evangélico”. Voltei triste e fui pra gameleira esperar o pôr-do-sol. Foi naquela ponte que eu conheci o primeiro peruano da minha viagem, até combinamos de nos encontrar em Cusco, porém tive preguiça depois. Uma dica pra quem vai pra Rio Branco: NEM REPELENTE SALVA! Se você quer passar o fim de tarde tranquilamente olhando pro rio Acre, apreciando a paisagem... Esqueça! Os mosquitos não vão deixar. E não é qualquer mosquito não, os danadinhos se chamam-se Mucuim: eles te beliscam, deixam um bolinha de sangue e depois muita coceira. Passei no mercado e depois fui dormir bem cedo (umas 21h) para recarregar as energias e acordar bem para pegar o ônibus no dia seguinte. Dia 3 (26/01) Acordei umas 8h e preparei as coisas pra pegar o ônibus rumo ao Peru às 10h30... Ao meu lado no ônibus sentou-se logo um peruano de Lima (Augusto), que veio ao Brasil com a esposa para investir em Açai, ou alguma coisa do tipo. Passamos uns trechos do caminho conversando bastante sobre os incas, a cultura no Peru, etc. Pude absorver muita coisa boa e recebi muitas dicas para a viagem. Descemos todos em Puerto Maldonado e nos despedimos depois de aproximadamente 8 horas de viagem. Esperei uma hora na rodoviária até pegar o ônibus até Cusco e fiz várias amizades com brasileiros nesse meio tempo (uma senhora que nasceu na Acre e veio visitar sua terra natal depois de uns 50 anos, que aproveitou pra conhecer o Peru; um garoto amazonense que iria participar de um concurso de moda em Arequipa; Elizanir do interior do Acre que ia visitar Lima, e inclusive me convidou pra conhecer a cidade dela). Dentro do ônibus rumo à Cusco, conheci Fabrizzio, o meu amigo oficial peruano. Conversamos bastante sobre muitas coisas o caminho e assim que começamos a subir os Andes eu achei melhor dormir um pouco. Uma dica: não olhe pra janela durante as horas de subida, pois pode dar muita tontura, muita gente no ônibus passou mal e eu acho que foi por isso. Fechei um olho e fiquei bem o caminho todo. Um fato: Um dos poucos momentos em que eu olhei pela janela foi bem bonito, havia neve no caminho do ônibus, à poucos metros de mim. Dia 4 (27/01) Chegando em Cusco estava muito frrrrrrio e chovendo, e eu turistona estava de chinelo e casaquinho leve, e foi aí que o Fabrizzio salvou a minha vida me emprestando o casaco dele. Não quis saber de muita coisa na chegada, peguei um taxi e fui direto pro hostel. Eram 5h da manhã e o check-in do hostel só poderia ser feito às 14h. Dormi numa salinha de filmes, onde muita gente ia ver filme, eu parecia uma mendiga congelada haha. Chegando no quarto, às 14h (amém) conheci a Meghan, uma canadense que estava viajando pela América do Sul, rumo ao México. Fui logo encontrar o Fabrizzio para poder devolver o casaco dele, troquei meus dólares e fomos comer num restaurante chamado Don Pimiento, cujo Menu custava 8 soles e acompanhava uma entrada, uma sopa e um prato principal. Experimentei Cebiche (com um anzol de brinde) e só quando terminei de comer eu descobri que é comido cru , tomei uma sopa de sei lá o que com batata (o básico do Peru) e arroz com salada de alguma coisa e carne. Depois disso fomos fazer compras nos mercados da Av. del Sol, muy bueno chicooooos. Voltei cedo pro hostel, descobri que havia brasileiros por lá também e arranjei um companheiro pra sair e tomar um vinho na Plaza de Armas, depois fomos pro pub irlandês do hostel e lá eu conheci algumas pessoas mas tive que ir dormir cedo porque estava extremamente cansada. Eram 23h e eu já sonhava com alpacas. Dia 5 (28/01) Acordei super mole, não tenho outra definição. Estava bem cansada e acredito ser culpa do soroche (mal de altura), então parti rumo ao café mais próximo para tomar o famoso chá de coca... O gosto não é nada de extraordinário, mas graças à essa belezinha eu pude finalmente respirar bem, depois de uns 18 anos. Já que consegui respirar bem, resolvi desbravar a cidade de Cusco seguindo por uma rua bem comprida. Foi nessa rua que eu finalmente tive noção que estava longe de casa. A organização, os rostos, o idioma... Tudo diferente! Sinto que foi naquele momento em que eu pude captar a cultura local de Cusco, tive uma experiência antropológica profunda. Ahhh, e foi nessa rua que eu encontrei um Menu num restaurante local só pra peruanos por 3,50 soles. Isso mesmo, comi bem por 3,50. Depois fui pro hostel descansar e conheci o Chris, inglês que acabara de voltar da trilha Salkantay, conversamos bastanteeee sobre trilhas no Peru e fomos jantar no Don Pimiento, pois era o único restaurante perto que eu conhecia. Comi um spaghetti napolitano e sinto que não deveria ter experimentado ele, pois se tornou a refeição básica de todos os dias. Nos despedimos e eu fui dormir bem cedo... Conclusões antropológicas desse dia: - Os turistas são hipócritas em se concentrarem em áreas onde só existem mais turistas, deixando assim de conhecerem os verdadeiros aspectos culturais da cidade e aumentando a desigualdade entre centro x periferia. - Engraxates são contratados como forma de lazer e status, existem banquinhas próprias onde a maioria dos homens que usam esse serviço os fazem lendo jornal. - Quase todos leem muito jornal nas horas livres em praças. - As crianças de Cusco brincam MUITO com balões. Dia 6 (29/01) - trilha inca dia 1 Acordei aproximadamente 4h30, tomei meu último bom banho e arrumei as coisas para partir rumo ao Camino Inca, já que a guia da agência Inca Peru Travel estaria me esperando às 6h na recepção do hostel. Fui pro pátio umas 5h30, conversei um pouco com uma chilena e um francês que faria um percurso semelhante porém de bike e, aproximadamente umas 6h15 a guia Maria Elena foi ao meu encontro no meu hostel. Na van já estava o chefe dos porteadores (Augusto) e os outros dois integrantes do grupo, dois brasileiros geógrafos gaúchos (Duan e Heron). Não conversamos muito inicialmente, eu estava um pouco ruim do estômago e com preguiça matinal, então fui somente observando a paisagem e as montanhas se aproximarem. Foram aproximadamente 1 hora dentro da van até Ollantaytambo, onde tomamos um café da manhã animador e compramos as últimas coisas importantes pra trilha. Rumo ao KM 82 o tempo não passava e a estrada ficava cada vez mais rente ao rio Urubamba, que estava bem bravo por sinal. Enfim chegamos no primeiro controle da trilha inca... Depois de todos trâmites legais, cruzamos a ponte que iria batizar o inicio da nossa caminhada, peguei uma pedra inicialmente e guardei ela para concentrar as minhas energias no percurso, mas logo encontrei outra mais bonita e a levei comigo. Começamos a caminhada e nos primeiros 20 segundos em uma leve elevação eu pensei: O QUE EU TO FAZENDO AQUI? NÃO VOU AGUENTAR ISSO, JÁ ESTOU CANSADA COM ESSA SUBIDA, IMAGINA NO SEGUNDO DIA QUE DIZEM SER A PIOR??? Mas segui e o caminho se tornou tranquilo e bonito em suas partes planas. No inicio da trilha existem algumas casas e frequentemente cruza-se com os moradores desses pequenos poblados, e assim caminhamos, com uma subidinha por aproximadamente 1 hora até chegar no local do almoço. Chegamos consideravelmente cedo no local da refeição então descansamos um pouco, depois tive uma surpresa na hora de comer: A COMIDA ERA DEMAIS! Eu li em alguns relatos, as pessoas reclamando que comiam melecas ou coisas bem ruins, porém o meu primeiro almoço foi bonito e muito gostoso (não lembro o que era, mas era delicioso). Logo no almoço eu perdi minha pedra inca. Depois andamos mais, choveu por alguns segundos, vimos um sitio arqueológico aleatório e chegamos no acampamento antes de darmos conta. Foi tranquilíssimo! (Agora é fácil falar que foi tranquilo, mas fiquei bem cansada e até tive medo de não aguentar os dias seguintes, um pouco da culpa foi por eu tentar manter o mesmo ritmo dos outros do grupo, então me esforçava demais) A vista do primeiro acampamento não é nada de surpreendente por isso conversei um pouco com os meninos, jantamos umas 17h30 e fomos dormir bem cedo (umas 19h). Tive dificuldades pra dormir pois senti muito frio, uns medos estranhos e tive sonhos ruins. Dia 7 (30/01) - trilha inca dia 2 Acordamos umas 5h30 para tomar o café cedo e começarmos a caminhada. Confesso que estava bem preocupada com o dia que se seguiria, pois li em vários relatos que este seria o pior devido à subida e à altitude. Estava num impasse acerca de contratar ou não um carregador pra levar minha mochila, mas cheguei à conclusão que devia tentar fazer isso sozinha, então fui. A primeira subida já me mostrou que eu não seria capaz de fazer isso sozinha, então depois de muita luta subjetiva eu paguei um porteador pra levar minhas coisas no segundo dia, e realmente me senti um pouco fracassada por ser incapaz de fazer a trilha inteira por conta própria, mas infelizmente se não fosse assim, não seria. Pude enfim alcançar os garotos do grupo, já que havia me livrado de uns 6 kg de sobrepeso, mesmo assim fui sofrendo com falta de ar (só a folha de coca salva!). No segundo dia passamos por diferentes tipo de vegetação, primeiro havia um caminho normal rente à montanha com vista para outras montanhas, meio úmido. Depois caminhamos ao lado de um riacho e lá a vegetação era bem úmida e era muito bom caminhar por ali, haviam escadas de pedra e na minha opinião facilitaram o caminho, seguimos assim até praticamente a última parada antes da subida final. trecho bem úmido ao lado do riacho no 2º dia escadas, escadas e escadas no segundo dia. Na parada de descanso pudemos avistar o topo e pareceu ser bem tranquilo, mas só pareceu mesmo. Tive como base a montanha grande com um caminho que ficava pra trás, e a subida parecia não ter fim até o topo. Subimos, subimos, subimos, bem devagar. O ar ficava cada vez mais rarefeito e a cada 5 degraus já era necessário parar pra tomar fôlego, até era engraçado. Em alguns momentos me via sozinha na trilha e podia contemplar a grandiosidade de tudo aquilo, o tamanho daquelas montanhas, nuvens, o som do vento e das águas, passarinhos, insetos, animaizinhos... Tudo estava em pura harmonia naquele momento. E eu me sentia parte daquilo, estava conectada! subida final Chegando no topo (até que enfim) estava um vento muito gelado, e eu despreparada e sem mochila peguei emprestado um casaco do Duan, que estava muito quentinho! Respirei fundo, olhei em volta e senti uma sensação de vitória por ter alcançado o ponto mais alto da trilha (4200 metros). Fiquei um pouco triste por não ter levado minha mochila, mas o importante é que eu estava lá! Ufa, no topo! Começamos a descer e parecia que não ia ter fim também... Dessa vez os meninos foram bem na frente, enquanto eu fui tranquila admirando a paisagem e sentindo a energia daquele lugar. Tudo muito lindo, sem mais. O único problema foras as pedras desproporcionais e desniveladas, que faziam com que eu torcesse os pés e forçasse muito mais as pernas, portanto tive como resultado final muita tremedeira e dores nas coxas. Estava feliz! Almoçamos muito bem ao chegar no acampamento, e depois tínhamos umas 3 horas pra descansar ou dormir. Os outros brasileiros e a guia foram dormir, enquanto eu reservei o tempo pra apreciar a paisagem do acampamento (a mais bonita de toda a trilha) e refletir um pouco sobre as coisas. Cada movimento das nuvens fazia com que a paisagem se modificasse, o sol refletia nas montanhas à frente e alguns picos nevados começaram a surgir. Senti que aquele momento foi um presente da natureza e que eu estava onde deveria estar, seguindo o rumo de tudo que é natural. visto do acampamento da 2ª noite Aquelas horas em frente às montanhas me renderam reflexões e descobertas subjetivas muito profundas, só tenho à agradecer à natureza por tal momento grandioso e lindo! Bem, fizemos o lanche da tarde em seguida, conversei com os garotos por aproximadamente uma hora e já estava na hora do jantar. Dizem que a segunda noite é a mais fria, e podíamos constatar isso antes mesmo do jantar, por isso eu coloquei TODAS as roupas que havia levado (portanto 3 camisetas, 3 calças e 3 meias) e mesmo assim o frio estava bem forte. Depois do jantar tomamos um chá bem quente, coloquei água quente no meu cantil para por dentro do saco de dormir e saímos da barraca-cozinha. Ao sair de lá tive um surpresa linda, o céu estava cobeeeerto de estrelas! E as estrelas estavam gigantes, brilhantes, lindas! Foi o céu mais lindo que eu já vi na vida, só foi uma pena que não pude ficar contemplando-o por muito tempo por conta do forte frio que estava por lá, mas os poucos minutos já valeram pra marcar. Entrei na minha barraca, fiz minha inspeção costumeira pra ver se não havia nenhum bicho e capotei! Tive uma noite boa e quentinha devido ao cantil com água quente no saco de dormir... Dia 8 (31/01) - trilha inca dia 3 Meu celular despertou às 5h da manhã para que eu pudesse arrumar minhas coisas e ser oficialmente acordada às 5h30. O sol já estava clareando as coisas e era possível ver as sombras do que havia por perto, eis a surpresa: Havia uma lesma gigante grudada na lona da minha barraca!!! A bichinha estava do lado de fora, por baixo de outra capa protetora da barraca e estava subindo rumo ao mosquiteiro na parte superior, eu via ela se mexendo e deixando rastros molhados, argh! Ouvi que os meninos do grupo haviam acordado e pedi pra eles me ajudarem a tirar o bicho, porque eu não tinha coragem de sair de lá. Pra piorar, eles não conseguiam ver nada por culpa da segunda capa, e acharam que eu estava LOUCA! Tive que sair da barraca e fiz tirarem tudo até encontrarem a tal lesma. Dito e feito, lá estava ela, preta com uns 15cm. Ufa, não estou louca! Depois do meu mini-pânico tomamos um bom café da manhã e partimos pro dia mais longo da trilha inca, iriamos andar 15km e dessa vez eu iria carregar todo meu equipamento. Subimos uma montanhazinha bem cansativa e depois na descida eu travei! Sério, eu ia devagar-quase-parando naquela escada, foi formando uma fila bem grande atrás de mim e precisei de ajuda da guia em um momento, que vergonha! A verdade é que eu tive muito medo de ser empurrada pela peso da minha mochila, ou me desequilibrar enquanto descia, e realmente era bem íngreme. Descida, descida e descida é o resumo da primeira parte do terceiro dia, e um pouco antes de alcançar o acampamento passei por uma parte muito bonita com bastante vegetação, animais e tranquilidade. Fui sozinha por boa parte desse percurso, respirando e caminhando devagar pra absorver tudo! Cheguei no acampamento enquanto os outros garotos estavam esperando há 1h30, sou bem lenta mesmo hahaha, mesmo assim tivemos que esperar uns 10 minutos pelo almoço e depois retomamos a caminhada. Subimos um pouco, andamos em trechos planos, descemos um pouco e assim por diante por umas duas horas, e boa parte do caminho foi feito na beira de precipícios e descidas íngremes, só foi uma pena o tempo estar nublado, impedindo-nos de ver a paisagem. Não lembro ao certo em que momento começou mais descida, mas ela foi bem filha da puta! Muita pedra úmida pela garoa que começara a pouco, degraus desnivelados, tudo íngreme. Qualquer distração resultava em cair, com certeza! Depois de uns 40 minutos o caminho ficou plano e com várias curvas, mesmo assim as pedras não facilitavam as coisas. Não era permitido ser negligente, pois uma pisada em falso era queda montanha abaixo. No caminho só havia uma coisa que me animava e confortava, e eu até comentei com a guia Maria Elena que em vários relatos haviam dicas sobre uma lanchonete que havia ali e oferecia banhos quentes por uns 5 soles: “Finalmente hoje eu vou poder tomar um banho (quente)”. Então recebi praticamente uma facada no coração, a lanchonete havia fechado há uns 2 anos! Ou seja, sem banho quente! Como? Machu Picchu com cabelo ruim e grudenta? Não pode ser! O grupo entrou em consenso e escolheu fazer o caminho mais curto até o acampamento (que de curto esse caminho não teve nada). Andei em zigue-zague por uns 40 minutos até dar de cara com a minha linda barraca, nem acreditei. No acampamento do 3º dia há uma ducha GELADA, onde somente pessoas corajosas banham-se com águas de lagos localizados no topo das montanhas andinas. Não pensei duas vezes, fui tomar um banho gelado mesmo... Não foi fácil, mas saí de lá me sentindo a aventureira da floresta, praticamente um Christopher Mccandless (do filme Into the Wild). O banho me renovou e me fez muito bem, então depois disso fiquei observando a paisagem, pensando nas dificuldades e agradecendo à Pacha Mama por ter chegado até lá. acampamento do 3º dia Durante o jantar, tivemos umas conversas bem esquisitas... A guia Maria Elena nos recomendou muita cautela para o último dia de trilha, pois passaríamos por lugares altos e fáceis de cair, ou seja, seria um trajeto bem perigoso. Em janeiro mesmo houve um acidente, onde uma menina caiu aproximadamente 300 metros e morreu, e lá é o lugar onde acontecem mais acidentes em toda trilha. O jantar do terceiro dia foi bem emocionante também porque nos despedimos dos porteadores, que fariam outro caminho pela manhã para retornar de trem até Cusco. Fizemos pequenos discursos de agradecimento, demos um dinheirinho como retribuição de todas as coisas boas que eles fizeram, já que sem o trabalho deles (que chega a ser exploração) essa trilha não seria possível! Enfim, nos despedimos e fomos dormir cedo em nossa última noite nas montanhas andinas... Tive uma noite difícil porque estava morrendo de medo de cair, de verdade! Estava convicta de que ia morrer, credo. Dia 9 (01/02) - trilha inca dia 4 Acordei 2h15 para ter tempo de arrumar minha coisas, já que o horário certo era 3h. Estava bem escuro, mas mesmo assim eu já podia ver a sombra de uma coisa ou outra e, baseada no trauma da noite anterior dei uma verificada ao redor da barraca, e adivinha: Mais lesma! Dessa vez eram duas (uma grande e uma pequena que deslizava pra lá e pra cá) e já haviam alcançado o mosquiteiro! Fiquei em choque e decidi esperar quietinha os meninos acordarem na outra barraca. O tempo não passava... Às 2h30 eu comecei a escutar vozes, e podia jurar que minha salvação estava à caminho, pensei logo que os meninos acordaram e estavam conversando, então gritei: - “Meninos, vocês estão acordados?” Um deles me respondeu com uma voz de quem estava quase dormindo: Não! - “Tem mais lesma na minha barraca, e dessa vez são duas, me ajudem!” E ninguém veio... Decidi esperar mais um pouco até às 3h para ver se eles levantavam e iam me ajudar, mas mandaram eu me virar sozinha. Confesso que tive uns insights com consciência de quão frescurenta eu estava sendo, mas eu realmente tenho fobia de bichos gelados, e só consegui imagina-los caindo na minha cabeça enquanto eu saia da barraca. Pronto, comecei a chorar! Fiquei travada dentro da barraca por um bom tempo até que o Duan abriu o zíper da minha barraca e mandou eu sair de lá, porque ele não estava vendo nenhuma lesma e tínhamos que tomar café, depois de umas 20 tentativas eu entreguei minha mochila pra ele, e fui correndo pra fora da barraca. Novamente as lesmas estavam escondidas por baixo da segunda capa e não era possível vê-las, e graças à Pacha Mama nenhuma caiu na minha cabeça! Quando a guia saiu da barraca e me viu chorando ficou sem entender nada, e rimos à beça da situação durante o café-da-manhã ( e os meninos me zoaram por isso pelo resto da viagem e provavelmente pelo resto da minha vida) Detalhe: ninguém nunca pode comprovar que haviam ali duas lesmas, mas eu vi, juro que vi! Partimos do acampamento umas 3h30 ainda com as lanternas ligadas, pois estava tudo muito escuro, e ficamos esperando no último controle até 5h30 para começar a última caminhada rumo à Machu Picchu. 5h30: let’s go! Eu era a mais lenta do grupo e a guia sempre ia me acompanhando e íamos conversando. Acredito que todos os outros grupos me ultrapassaram, me sentia uma tartaruga, mas não tem problema. Hahah Olhava bastante para o chão nesse dia, mas a vista das montanhas era muito bonita também. Nesse dia tive uma das paisagens mais inesquecíveis também, que foi o nascer do sol entre as montanhas, foi a coisa mais linda. Queria ter tirado uma foto mas não achei muito seguro... Passamos por vários precipícios e zonas de deslizamentos bem grandes e perigosas, aliás, em uma dessas zonas de deslizamento eu achei que fosse cair... Havia pedrinhas muito pequenas que faziam o tênis rolar rumo ao desfiladeiro, era uma curva fechada e eu senti que a mochila ia me ajudar à despencar, e foi aí que eu encontrei uma pedra grande, agarrei-me a ela e me coloquei numa posição mais difícil de sair, até falei baixinho três vezes “eu vou cair”, mas fiquei agarrando a pedra até aparecer um guia e me dar a mão, com a maior tranquilidade. Uma coisa bem triste foi que em dois pontos do caminho havia faixas amarelas de isolamento, e depois soube que esses foram os lugares onde morreram pessoas em janeiro. Bom, passado esse trecho difícil, cheguei em uma escada bem íngreme de aproximadamente 20 metros, onde foi necessário escalar para alcançar o topo, mas foi tranquilo. Dos males esse foi o menor... Alcançando o topo, já estava no Portal del Sol, uma construção inca cheia de significados e acontecimentos durante o solstício, onde já era possível avistar a cidade de Machu Picchu. Inicialmente havia uma nuvem, mas logo depois que eu cheguei o céu abriu e eu pude ver Machu Picchu bem pequenininha se mostrando pra mim, linda! Machu Picchu vista pelo Portal del Sol Descemos por mais aproximadamente uma hora e chegamos na tal cidade inca, enquanto caminhava em meio aos turistas, cheia de equipamentos e cansaços, senti que deveria estar lá. Senti que MERECI estar em Machu Picchu! Eu sofri, eu chorei, senti dor, cansaço, medo, vi as paisagens mais belas da minha vida, e tinha um objetivo final, e estava alcançado. Eu fui capaz, sabe? Foi uma sensação realmente boa. Fui no banheiro trocar de roupa e passar uma maquiagem na cara pra sair bonita nas fotos (rs), deixei minha mochila com a guia, me despedi dos meninos do grupo (pois eles iriam voltar no dia seguinte) e fui explorar Machu Picchu. Foi tão óbvio que não vale a pena o relato, só foi legal porque fiz dois amigos argentinos! foto óbvia que todo turista tem que tirar na cidade inca Descendo de Machu Picchu me despedi das montanhas que me proporcionaram lindas experiências, e fui encontrar novamente os chicos brasileños e a guia em um restaurante em Aguas Calientes, para a despedida oficial. Enrolei um pouco na cidadezinha até que começou a chover. Depois de um dia lindo, uma trilha fantástica com muita sorte em relação a clima, não podia agradecer à natureza de outra forma a não ser tomando o melhor e mais merecido banho de chuva da minha vida. Na volta, peguei o trem até Ollantaytambo e um ônibus até Cusco com o motorista mais louco do mundo, o cara até passava por umas ruas onde não cabiam ônibus e acelerava muito nas estradas peruanas, que medo! Cheguei umas 23h, viva, na chuva e morrendo de frio em Cusco, fui logo pro meu hotel e só pude dormir umas 3h, que foi o horário em que acabou o barulho do bar do hotel, muito ruim. Dia 10 (02/02) Eram 6h da manhã quando eu acordei com uma dor MUITO forte na região do abdômen, realmente não sabia o que era. Virava de um lado à outro da cama e não conseguia dormir, até que decidi procurar uma farmácia. Andei umas 4 quadras até achar uma “botica”, mas disseram que não podiam me vender nenhum remédio sem receita, e que eu devia ir ao hospital. Então fui ao hospital, que fica em outro distrito (Santiago), há umas 8 quadras do meu hostel... Chegando lá eu pude notar como a saúde é precária no Peru, o hospital é meio sujo, tive que passar pelas camas de pessoas internadas para chegar à sala de aplicação de uma injeção, etc. A coisa boa é que é acessível à todos, já que uma consulta custa 10 soles (mais ou menos R$9,50). Bem, fui examinada pelo médico e ele me pediu alguns exames e me receitou algumas injeções, só que eu tive que voltar pro hostel para pegar mais dinheiro pra pagar por tudo. Fui, voltei, fiz exame de sangue e a moça disse que eu teria que esperar duas horas até o resultado ficar pronto. Voltei pro hostel, arrumei minhas coisas, saí de lá e arrumei outro hostel (que eu considerei melhor), a história é que eu estava descontente com o último quarto em que fui colocada, achei meio sujo e barulhento, então decidi arranjar outro lugar. Passadas as duas horas eu peguei um taxi e voltei pro hospital, só que no caminho eu percebi que havia um festival de dança, e era bem pertinho do hospital... Retirei o resultado do exame de sangue só que teria que esperar uma hora até o médico voltar ao atendimento, então aproveitei pra ir ao festival. Era um tipo de carnaval, onde havia pessoas com trajes típicos e dançavam as danças tradicionais de cada região do Peru, uma curiosidade é que aquele era um evento direcionado para o povo daquele lugar, não era algo para turistas, e só haviam peruanos por lá. Creio que eu era a única turista! Foi um festival muito colorido, emocionante. Fiz logo amizade com uma senhora que estava ao meu lado e ela me explicava sobre as regiões e algumas coisas sobre cada microcultura peruana, ela estava emocionada pois a filha dela iria dançar ali. Havia muitas vendedoras por ali, passavam no meio da plateia vendedoras de gelatina, melancias, sorvetes, amendoins, etc. Mulheres que, em um braço carregavam suas bandejas, com o outro seguravam o filho mais velho, enquanto o mais novo era carregado em suas costas, com ajuda de um pano colorido típico peruano. Em um momento, duas senhoras com trajes típicos foram para o centro da “arena” e começaram a cantar canções tradicionais em Quíchuas (o idioma mais tradicional do Peru, ainda forte em regiões afastadas do campo), foi aí que um velhinho, que aparentava ter uns 80 anos, começou a chorar. Eu manteiga derretida que sou, comecei a chorar só de ver a emoção dele perante suas raízes. Em meio à toda festa, os organizadores devem ter percebido que eu era turista e logo chegaram em mim com uma câmera e um microfone, que vergooonha! Me perguntaram de onde eu era e o que estava achando do festival, me enrolei toda no espanhol e depois pediram pra eu falar em português mesmo, acho que mandei bem na entrevista hahahha. Mesmo depois de toda essa situação eles anunciaram no microfone, pra toda plateia, que lá havia uma turista brasileira, e pediram pra eu levantar a mão, puts!!!! Hahahah Fiquei mais um pouco fazendo uma social de turista e logo tive que voltar ao hospital. Lá, o médico disse que estava tudo bem comigo, me passou uns comprimidos pra dor e tchau! Passei a tarde me recuperando e descansando no meu hostel, pois à noite eu encontraria meus amigos argentinos de Machu Picchu e iriamos “bailar” muito... Saí ao encontro do pessoal umas 22h e fiquei esperando por muito tempo, ninguém apareceu! Mas nesse meio tempo um indígena inteligentíssimo e outro cara sentaram do meu lado e começamos a conversar sobre antropologia, política e até um pouco de economia. Tivemos uma conversa bem agradável, mas tive que ir embora logo pois estava morrendo de frio ali. Cheguei no hostel e dormi. Dia 11 (03/02) Combinei com o meu amigo Fabrizzio de irmos ao mercado de Pisac, para que eu pudesse tirar fotos e comprar coisinhas... Esperei aproximadamente uma hora (e ele também, nos desencontramos) na Plaza San Francisco e aproveitei para comer uma salada esquisita com queijo por 5,50 soles, em uma barraquinha com comida na própria praça. Comia a única refeição sem carne do local, foi difícil de encontra-la. Nessa barraquinha havia também o famoso Cuy (porquinho-da-índia), dava a maior dó. Enquanto comia, o Fabrizzio havia me encontrado e logo em seguida fomos de carro até Pisac, porém eu não comprei muitas coisas, nem tirei fotos no mercado de lá. Logo em seguida ele quis me levar à um lago represado que fica no topo de umas montanhas. Então fomos! Tive medo pois passamos em vários pontos de deslizamento e havia começado a chover há pouco tempo. No caminho para o lago demos carona pra um velhinho que estava indo para a casa dele com um saco gigante. Chegamos no lago, havia umas 3 casas por perto, só que estava muito frio e logo voltamos. Há poblados muito pequenos no caminho, de aproximadamente 3, 4 casas cada um... lago em cima das montanhas Já em Pisac, passamos em frente à um clube e lá haviam alguns jogadores de futebol conversando, então Fabrizzio disse que eles eram de um time famoso do Peru. Paramos o carro e pedimos pra eles tirarem uma foto com o meu amigo, e depois disso o treinador deles estavam pedindo carona até o centro, e viemos com dois deles, sendo que um era jogador da seleção peruana. Foi uma situação inesperada e muito engraçada, e ao nos despedirmos tiramos uma foto com os jogadores. eu, os jogadores e meu amigo Fabrizzio Voltamos pela estrada conversando sobre várias coisas e chegando em Cusco, meu amigo me deixou em frente ao meu hostel, depois disso passei o dia descansando. Descobertas antropológicas do passeio: - Quando alguém morre em alguma estrada peruana, é colocada uma cruz com o nome da pessoa no local do acidente. - Quando alguém compra um carro novo, enfeita-o com flores e estaciona na frente de alguma igreja, por um dia (eu acho). - Algumas ovelhas são pintadas com cores diferentes para que diferentes donos possam reconhecer quais lhes pertencem. À noite encontrei com os meus amigos brasileiros da trilha e fomos beber bem em Cusco. Primeiro fomos no Ukuku’s onde havia um show de indígenas, que mandavam super bem... foi bem psicodélico. Depois ficamos o resto da noite no Mama Africa. Dia 12 (04/02) Acordei com um pouco de ressaca e fui visitar o museu inca. Logo depois do passeio eu fui comer no McDonalds (perdão, saí um pouco do vegetarianismo nessa viagem) e encontrei os meus amigos brasileiro por acaso lá mesmo, então passamos o dia zanzando por Cusco, pois eles não iam pra Puno à noite e não podiam voltar pro hotel. Andamos, tiramos fotos, comemos, tomamos café e nos despedimos umas 22h. Depois disso foi pro hostel dormir... Dia 13 (05/02) Acordei cedo (umas 7h) e fui encontrar na Plaza de Armas a guia que me levaria ao Valle Sagrado. Sentei-me ao lado de um chileno (Eduardo) e fizemos amizade no caminho. O Valle Sagrado não foi nada de surpreendente, pra falar a verdade eu estava cansada de pedras incas e escadas por isso não foi tão especial, mas valeu o passeio. A única história emocionante desse passeio foi durante o almoço em Ollantaytambo, pois eu não queria almoçar no restaurante em que o ônibus parou, então fui em busca de outro restaurante, porém não havia nada por perto e eu me distanciava cada vez mais do ônibus. Encontrei um mercadinho, comprei 3 pacotes bem pequenos de salgadinho, 1 chocolate, 1 inca kola e 2 chicletes (tudo por 5,50 soles e falam que o almoço no Valle Sagrado é bem caro rs) e voltei correndo, literalmente, para não perder o horário do ônibus. Cheguei em cima da hora marcada pela guia, sentei-me numa pedra em frente ao restaurante e fritei um pouco no sol por aproximadamente uns 30 minutos, mas foi uma experiência muito boa, praticamente uma aventura. a tal da Inca Kola Em um dos sítios arqueológicos eu fiz amizade com um grupo que havia 1 alemão, 1 canadense e 1 australiano e eles me convidaram para sair com eles naquela noite. O caminho de volta para Cusco é cheio de pueblos pequenos também, e via-se as pessoas trabalhando com grãos, em hortas, com animais, etc; e depois a paisagem se tornou repleta de plantações de batatas (que dão lindas flores). algumas casas de Chinchero com plantações de batata Me despedi de Eduardo, combinei tudo com os outros meninos e fui me arrumar no meu hostel. Tive o maiooor problema com o chuveiro, estava o maior frio e a água não esquentava, tive que trocar de box duas vezes, a sorte é que não tinha ninguém por perto pra me ver quase-pelada. Não deu certo, tive que colocar a minha roupa, cheia de shampoo na cabeça e fui pra outro banheiro, e enfim pude tomar um banho quente. Sofri! Fui pra Plaza de Armas esperar os meus novos amigos e nesse meio tempo dois chilenos sentaram-se ao meu lado, fizemos amizade e eles se tornaram novos membros do grupo. Bebemos no Paddy’s e logo os 3 meninos que eu conheci na Valle Sagrado tiveram que ir embora pois iam cedo para Nazca no dia seguinte. Conclusão: só restou eu e os chilenos que eu conheci há pouco. Importantíssimo: achamos um bar de rock! Milagre em Cusco! Rock! Musica boa! Ebaaa... Fica na calle procuradores, é possível achar o lugar pela música e o segurança vai te oferecer cocaína! Demais hahah Mas logo saímos e fomos pro Ukuku’s... Aprendi a dançar Salsa (eu acho) e conheci muita gente da América do Sul, até fizemos um grupinho onde cada um iria dançar músicas tradicionais de seu país, e eu, como única brasileira paguei o pato e tive que sambar (naquelas né...). Dia 14 (06/02) Acordei com um só pensamento: Ressaca moral! Mas valeu a pena vai... Tomei um cappuccino num café legal perto da Calle Matara, fiz umas compras e depois passei o dia à toa, simples assim. À noite (minha última noite em Cusco), encontrei os meninos brasileiros que haviam voltado de Puno, fomos um pouco no Mama Africa e depois apresentei pra eles o lugar que tocava rock com cerveja barata, Foi uma noite muito agradável! Dia 15 (07/02) Meu dia se baseou em ressaca, chuva e tristeza. Tive que fazer check-out do hotel às 10h e fiquei dormindo no pátio, a situação estava precária... Depois combinei de encontrar o Fabrizzio para me despedir. Saí bem mais cedo, pois queria ir até a Calle “Amargura” e tirar uma foto lá, mas a subida me deixou com preguiça, então desisti no meio do caminho e fiquei na Plaza de Armas pensando na vida. Até que chegou um senhorzinho, de 79 anos, sentou-se ao meu lado e começamos a conversar. Ele contou que morava perto do aeroporto e andava todos os dias por 3 horas até Cusco em busca de trabalho, mas ninguém o contratava porque ele quase não enxergava mais! No Peru não há aposentadoria e o monte de direitos que existe no Brasil, portanto a situação dos idosos é bem mais complicada... Fiquei muito triste pela situação e o convidei para comer alguma coisa no McDonalds (me perdoem de novo pelo meu capitalismo), pois era o lugar mais perto dali. Comprei um lanche completo pra ele, mas ele só comeu a batata na hora e guardou o hambúrguer para comer no jantar, pois não tinha nada para comer em casa. Era muito bonitinha a forma que ele pegava batata e me explicava que no Peru aquilo se chamava “papa”. Acredito que foi a primeira vez dele no McDonalds e vi que ele ficou muito feliz por ter algo para comer, aquilo me tocou profundamente! Saímos, ele me agradeceu e seguiu seu rumo, enquanto eu esperei um pouco por Fabrizzio, que se atrasou um pouquinho. Quando ele chegou no local combinado, me entregou um presente bem legal, tomamos um cappuccino e andamos um pouco pelo centro, mas tive que me despedir logo pois não estava muito bem por conta da ressaca (que estava bem forte nesse último dia). Começou a chover bem na hora de eu ir embora, saí com minhas malas debaixo da chuva, pisei numa poça bem funda, fiz sinal pra uns 4 taxis mas nenhum parou, e finalmente encontrei um taxi livre. Parti rumo à rodoviária com uma única parada numa casa de câmbio pra trocar mais um pouquinho de soles. A rodoviária de Cusco é uma bagunça, mas uma bagunça linda de se ver. Crianças correndo pra lá e pra cá com seus balões, senhoras com sacolas imensas com batatas, verduras, etc; carregadores passando rápido com caixas, pessoas andando pra lá e pra cá sem motivo. Uma loucura total. Peguei o ônibus às 20h30 rumo à Puerto Maldonado, um menino de 17 anos se sentou do meu lado e eu puxei assunto somente nas montanhas, quando ofereci uma parte do meu saco de dormir, pois estava frio dentro do ônibus. Mas pra quê? O menino não parou de falar depois, pior que eu não entendia nada pela mistura do espanhol, sotaque, nariz entupido(?) voz esquisita(?). Sei lá o que foi, mas não entendia nada o que ele falava, e toda vez que eu fechava o olho para tentar dormir, ele começava a falar, arghhhh. Uma dica para quem vai voltar de Cusco de ônibus: vai dormindo, não acorde em nenhum momento para não levar um susto! O ônibus desce de um jeito muito esquisito, acredito que ele se posicionava há uns 60º na descida, dá medo. Dia 16 (08/02) Dormi com o maior frio e acordei com o maior calor do mundo e tive uma madrugada bem agitada (pois a ADUANA parou o ôniubs pra revistar tudo umas 3x), chegamos em Puerto Maldonado umas 06h e eu decidi procurar um hotel para poder tomar banho e quem sabe dormir. Peguei um daqueles mototaxis e arranjei um hotel muito ruim por 15 soles, tomei um banho, dormi por duas horas e fui procurar um restaurante para almoçar às 9h. Foi difícil mas eu achei um lugar que não vendia carne, comi um spaghetti vegetariano na rua principal lá, perto da plaza de armas de Puerto Maldonado. Voltei logo pra rodoviária, pois o meu ônibus rumo à Rio Branco sairia 12h. meu meio de transporte em Puerto Maldonado Antes de entrar no ônibus eu fiz amizade com um americano, (não sei como começou a conversa), Steve, professor aposentado de literatura inglesa que decidiu largar tudo e ir viajar, quero ser igual ele quando eu crescer... Dei sorte, peguei um ótimo lugar e não havia ninguém do meu lado, ou seja pude dormir muito bem por boa parte do caminho... Na alfandega do Brasil eu fiz amizade com o Moritz, alemão que mora em São Paulo e faz estágio no hospital das Clínicas, e chamei ele pra sentar do meu lado e irmos conversando no caminho. O ônibus parou em uma churrascaria em Brasiléia, então eu e o Mo corremos para arranjar outro lugar mais barato pra comer. Encontramos um barzinho barato e comemos arroz com batata frita e tomamos coca-cola enfim gelada, uma delícia e gastamos 7,00 cada um. Voltamos conversando e eu indiquei para ele o hotel que eu ia ficar, por ser bem barato e perto do centro. Chegando em Rio Branco muita gente gostou da indicação e foi pro meu hotel, nos dividimos em 2 taxis (eu, um mineiro, o alemão Mo, o americano Steve e dois peruanos). Chegando lá praticamente lotamos o hotel e só havia restado um quarto, no qual eu tive que dividir com o meu novo amigo alemão abrasileirado. Tomei um banho e fui capotar enquanto ele saiu pra procurar alguma festa de carnaval em Rio Branco. Dia 17 (09/02) Acordei umas 8h30, tomei aquele café-da-manhã maravilhoso e acompanhei o Steve e Mo até a rodoviária (eles foram comprar passagens até Porto Velho) e depois iríamos conhecer o parque Chico Mendes. Na rodoviária eu fui até o balcão de informações para saber como chegar no parque e a moça de lá respondeu: “Ah, é super perto daqui. Fica há uns 500 metros... só seguir reto na avenida e virar à direita” Avisei os rapazes e decidimos seguir a pé até o parque... Outra dica: Não acredite quando um acreano diz que um lugar é perto, não acredite nunca! Andamos aproximadamente uns 3km debaixo de um sol de uns 40º e nada. Decidimos esperar o ônibus, porém descemos uns 3 minutos depois que entramos e enfim estávamos no parque. Muito bonito lá, tem uma casinha com a história do Chico Mendes (na qual eu tive que traduzir tudo pro Steve. Ufa, foi difícil), vários macaquinhos fofos, aves, onças e bichinhos diferentes em geral. É meio triste ver animais presos daquela maneira, sendo que o lugar deles seria na floresta e na liberdade, mas não tenho muito o que fazer... Fiquei impressionada com uma teia de aranha que havia entre umas árvores do parque, era tão grande que me prenderia fácil. Hahaha. http://sphotos-e.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash3/563238_352721071509016_968424310_n.jpg" onclick="window.open(this.href);return false; Nada de tão importante aconteceu por lá, meu pé foi picado por uma formiga e senti dor por uns 2 minutos e frequentemente uns lagartos pequenos corriam na nossa frente. Foi bem legal! Voltamos bem cansados, paramos no mercado velho para comer uma “baixaria” e descansamos no hotel. Durante a tarde eu fui passear pela Gameleira com o Mo e aproveitamos pra tomar uma cerveja na beira do Rio Acre e apreciar a paisagem, que lugar incrível! Na hora que estávamos voltando para o hotel, um bloco de carnaval acabara de chegar na Gameleira, portanto voltamos e aproveitamos um pouco o carnaval do Rio (Branco). Marchinhas clássicas, bandinha pequena, pessoal animado com fantasias... foi lindo! Depois realmente tivemos que voltar ao hotel, me despedi do pessoal e parti pro aeroporto de busão. No terminal urbano fui mais ou menos evangelizada por uma moça, que começou a falar da bíblia ou algo assim, foi engraçado! No caminho do aeroporto eu articulei uns planos para voltar pra Rio Branco, aproveitar o carnaval, arranjar um emprego e viver lá pra sempre. Mas não deu muito certo, infelizmente. Depois foi triste, peguei o avião. Sinto que devia ter aproveitado mais Rio Branco, não conheci tudo o que queria ter conhecido e tinha muito mais coisas pra eu absorver de lá. Mesmo assim foi uma viagem mágica que me faz morrer de saudades. Atualmente tenho me aborrecido muito com a “civilização”, não vejo a hora de me organizar pra minha próxima viagem, sumir mais um pouquinho do mundo e surgir um pouquinho pra mim mesma! Dicas de lugares: Hotel em Rio Branco: JK (68) 3224 4780 Empresa de ônibus Rio Branco – Cusco: Movil Tour (68)3224 4971 1º Hostel em Cusco: Wild Rover http://www.wildroverhostels.com/" onclick="window.open(this.href);return false; (é muito bom, mas desista se o quarto for perto do bar) 2º Hostel em Cusco: Pirwa http://www.pirwahostelsperu.com/" onclick="window.open(this.href);return false; (gostei muito de lá, tem cara de hostel mesmo) Restaurante legal: Don Pimiento, perto da Plaza San Francisco Empresa da trilha Inca: Inca Peru Travel http://www.incaperutravel.com/index.pt.html" onclick="window.open(this.href);return false; Empresa do Valle Sagrado: nem lembro, mas a Plaza de Armas tem um monte, e é possível conseguir por 20 soles. Bar bom onde toca rock ao vivo: Calle Procuradores, perto da Plaza de Armas
  22. Olá, alguém sabe os valores atualizados do ônibus da empresa Real Norte (Rio Branco - Assis Brasil), o táxi coletivo que vai de Inapari até Pto. Maldonado e o ônibus até Cusco? Obrigada desde já
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