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Nando Silva

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Tudo que Nando Silva postou

  1. Com a chegada das monções fica difícil de programar uma subida em montanha, além do risco de fortes chuvas ainda convivemos com um grande inimigo que são os raios provenientes das tempestades. Lord e eu havíamos programado uma travessia pelos montes Kama e Gozaisho, porém com o tempo ruim não pudemos levar adiante esse plano, como no dia seguinte Lord não estaria livre para a escalada decidi fazer uma solo, coisa que a muito tempo eu não fazia. Entre seguir o programa do dia anterior e troca-lo, optei por escolher uma montanha onde nunca havia pisado antes, depois de pesquisar decidi subir o Monte Oike, o ponto mais alto da cordilheira de Suzuka, porém isso ainda parecia pouco e sozinho eu poderia seguir um ritmo próprio, então tomei a decisão de atravessar para o Monte Fujiwara, por uma rota pouco frequentada, pelo fato de iniciar em uma região de difícil acesso e uma longa trilha de 20 km. Parti bem cedo rumo a montanha, porém o acesso era um pouco mais difícil do que eu imaginava, depois de rodar um bom tempo por caminhos sinuosos, emburacados e com rochas que rolaram montanha abaixo cheguei em um local que parecia um inicio de trilha, consultei o GPS e descobri estar no ponto errado, porém o acesso ao destino certo estava fechado e se quisesse manter os planos teria que seguir a pé, o que aumentaria a minha caminhada em pouco mais de 1 hora. Sem muita opção decidi seguir assim mesmo, com o intuito de acelerar o passo nos trechos menos íngremes para recuperar o tempo perdido. Estacionei o carro e encontrei uma senhora que sabendo dos meus planos me perguntou se eu conhecia essa região muito bem, diante da minha negativa ela se surpreendeu com a minha coragem, o que me deixou com o pé atras e quase me fez acompanha-la até um pico secundário, porém ela frisou que eu ainda era novo e que aquele caminho não deveria um problema. Depois daquele impasse lá estava eu na trilha, era um trecho para passagem de carro, porém fechado com corrente para impedir o avanço dos mesmos. Algumas placas alertavam para a presença de ursos e dejetos pelos caminho realmente davam a presença deles como certa, como nunca avistei nenhum e com sinos balançando na mochila não me preocupei muito com isso, porém ali sozinho em uma região pouco freqüentada um ataque tanto de ursos quanto de javalis poderia ter proporções letais. Avancei em um ritmo alucinante e quando a subida apertou eu já estava morto de cansaço, sempre sofro um pouco nesses trechos iniciais e o calor misturado a alta umidade no meio da floresta me fizeram refletir se eu conseguiria concluir aquela trilha. Continuei subindo com afinco e logo o organismo se acostumou ao ritmo melhorando a sensação de mau estar. Alcançando uma crista, e consultando o mapa verifique que seguindo por ela era possível ascender ao Monte Oike, então retracei o trajeto e rumei crista acima. A crista arborizada trazia um ar fresco e me protegeria do sol por um longo período, em um caminho sem dificuldades alcancei um pico secundário, dali se podia avistar um tartarugão que era o Monte Oike, visivelmente o caminho até o topo parecia não ser fácil, mas havia uma trilha marcada que levava até um trecho rochoso e era exatamente por ali que eu deveria seguir, nesse momento decidi que se não conseguisse alcançar o cume dessa montanha até as 10 horas abortaria atravessar para outra e retornaria pelo mesmo caminho. Cheguei ao trecho rochoso e a visão era exuberante, quando algumas pessoas me perguntam se eu não tenho medo desses trechos eu foco minha visão nessas imagens e o medo se transforma em euforia, claro o medo tem que existir, mas apenas para que você faça as coisas com prudência e não que deixe de fazê-las por conta dele, apenas fazendo essas coisas que você conhece melhor os seus limites e desta forma acaba aprendendo o que pode e não pode fazer. Passado o trecho rochoso já se alcança o topo da montanha, porém o caminho até o cume é bem longo passando por uma extensa planície com muitas rochas e vegetação rasteira. Caminhando por este trecho pude visualizar o pico do Monte Fujiwara que parecia bem distante, ao longo do horizonte montanhas ainda nevadas como os Montes Ontake e Haku davam o ar da graça, devido ao dia limpo e sem nuvens. Conforme programado as 9:55 consegui atingir os 1247 metros do Monte Oike, fiz o meu primeiro descanso do dia e observei a paisagem local que com muitas rochas e arvores secas lembraram a caatinga brasileira. Depois de 15 minutos no local resolvi retornar minha jornada pois ainda faltava muito, a retomada da trilha que seguia para o Monte Fujiwara era um pouco confusa, me perdi e tive que descer um pedaço por uma canaleta com muita lama, mas no final consegui retomar a trilha certa. A paisagem que ligava as duas montanhas era um pouco diferente do que eu havia imaginado, ao invés da vegetação rasteira uma mata fechada tomava conta de tudo, fiquei confuso em diversos trechos até encontrar a crista que liga as duas montanhas, nesse momento retomei a subida e passei a enfrentar outro problema, caibras, os meus dedos começaram a arquear para baixo e isso indicava que depois de ter forçado tanto o ritmo precisava de um descanso. Me sentei ali no meio da trilha mesmo, depois de alguns minutos um senhor passou por mim, então resolvi retomar o caminho seguindo o ritmo dele, pra minha surpresa ele era muito mais rápido do que eu imaginava e com a perna ainda meio travada tive dificuldade em o acompanhar até que ele parou pra descansar, parei e conversei com ele que me disse que já iniciaria a descida pois já havia feito cume no Monte Oike, ele se impressionou com meu longo trajeto, me desejou sorte e segui em frente. Depois de mais um tempo de subida cheguei até um ponto que eu já conhecia, o local com torres de eletricidade por onde iniciamos a descida no ultimo inverno, dali até o cume do Fujiwara eu seguiria pelo mesmo caminho que havia feito, porém dessa vez sozinho e com uma paisagem completamente diferente tive a impressão de nem conhecer aquele local, o trajeto até um pico secundário que estava na programação seguiu sem problemas e o difícil mesmo foi sair dali e rumar para o abrigo onde havia programado o almoço. O mato ficou alto e a trilha foi sumindo, rodei pra lá, pra cá e nada, consultei o GPS e resolvi fazer um caminho alternativo, segui por uma crista e cai em um vale extremamente íngreme, decidi não amolecer e encarar logo aquela subida, porém meu estado físico já não era o mesmo, o joelho direito estava com uma dor aguda, comecei a usar o bastão de caminhada mas logo o joelho esquerdo também abriu o bico, me esforcei ao máximo mas uma hora sucumbi ao desgaste físico e tive que sentar. O abrigo não estava longe e a subida já havia terminado, porém faltava perna, creio que isto tenha servido muito bem para eu estudar o meu próprio limite. Depois de alguns minutos sentado percebi pela primeira vez a presença de um ser incomodo, sanguessugas, mesmo sem muita condição peguei minhas coisas e me mandei, depois de tudo que passei ainda ter que enfrentar sangramentos era demais para um dia só. Quando saí da mata fechada soprava um forte vento, nuvens negras se formavam rapidamente e a chuva que não estava programada parecia iminente, avistei o abrigo e rapidamente disparei em sua direção, na chegada antes que eu arrastasse a pesada porta ela se abriu, um homem de meia idade já estava deixando o local que então passou a contar apenas com a minha presença. Extremamente cansado e com o estômago meio revirado me alimentei mau, não que a comida estivesse ruim, pois levei um marmitão preparado com todo carinho pela minha esposa, mas depois de consumir tanto liquido e ficar exausto, não havia nada que eu quisesse devorar. Enquanto estive no local uma fina chuva caiu de leve e logo o tempo se abriu, então decidi partir mesmo cansado pois já estava prevendo que enfrentaria dificuldades na descida. Depois de uma leve descida comecei a subir a rampa que leva ao cume do Monte Fujiwara, no caminho encontrei 3 mulheres que retornavam do mesmo, segui em um ritmo bem forte, porém tive que fazer pequenas paradas. Já passava das 13:30 quando finalmente cheguei ao topo, como programado eu havia chegado ao meu segundo objetivo, parei para fazer algumas fotos e logo retomei o caminho pois o pior ainda estava por vir, a descida. Com uma certa dificuldade consegui chegar na crista oeste, um mato muito alto tomava conta de tudo e tive que desviar o caminho andando lateralmente em um trecho extremamente íngreme, depois dali era só descer rasgando até encontrar o rio, mas não foi tão fácil, aos poucos a crista foi virando uma floresta fechada e várias bifurcações deixavam a trilha bem confusa até que finalmente errei o caminho, chequei minha posição e tomei a errada decisão de continuar descendo até chegar ao rio. As trilhas foram feitas para serem seguidas e quando tentamos inventar em uma região que desconhecemos as chances de sucesso são pequenas, apesar de logo ouvir o barulho do riacho e conseguir avista-lo, chegar até ele não foi uma tarefa das mais fáceis, porém com a ajuda de diversos troncos de pinheiro caídos pelo caminho consegui vencer aquele trecho acidentado. Devido as fortes chuvas que antecederam a travessia, as margens do riacho não apresentavam boas condições e para piorar o meu caminho errado me faria andar mais tempo marginando ele, ficou aquele pula pra lá e pra cá e minhas pernas não aquentavam mais, o riacho havia ganhado status de rio e tive que começar a adentrar na água. Muito cansado decidi entrar na mata que marginava o rio, porém sem trilha e um caminho muito difícil desisti ao avistar um enorme cervo macho descendo em minha direção, por mais que eles costumam não atacar humanos preferi não hesitar contra um animal com chifres enormes. Mais um tempo sofrendo naquelas margens e finalmente encontrei o abrigo da Universidade de Nagóia, o local estava abandonado e com garrafas de saque espalhadas pra todo lado, o que indica que os estudantes costumam fazer outra coisa além de pesquisa de campo. Me sentei na porta do abrigo e consultei minha posição, mesmo sem condições físicas decidi partir pois o relógio já passava das 15 horas, então atravessei o rio dei de frente com um barranco. Observei bem aquele trecho para achar a entrada da trilha, estava extremamente confusa e quando achei algo que parecesse uma adentrei na mata. Realmente aquela era a trilha, mas bastou andar 5 minutos e o caminho novamente se tornou confuso, diversas cristas se dividiam em uma íngreme subida, todas levariam até a crista principal que era meu objetivo, então tive que optar por uma e em um dia daqueles é claro que escolhi o caminho errado. Quando me dei por conta do erro que havia cometido eu já havia subido um longo trecho, meu raciocínio me mandou voltar, mas as pernas não deixaram, continuei subindo já em ritmo de exaustão, a cada clareada na mata eu acreditava estar chegando na crista, porém era apenas ilusão de quem esta muito cansado. Com aquele caminho eu cairia em um trecho da crista mais acima do programado, o que além de me fazer subir mais, novamente aumentaria minha jornada. Quando cheguei àquela crista parecia nem acreditar, com uma sensação de alívio comecei a descer tranquilamente, afinal já havia passado ali e nada mais poderia dar errado, leso engano. Aos poucos comecei a perceber que o caminho estava estranho, não só estava estranho como estava errado, a crista havia bifurcado sem que eu percebesse e eu estava indo em direção a um outro rio, ao invés de seguir para uma ponte que atravessaria o mesmo. Muito cansado olhei para cima e desisti de voltar, pensei em segui até o rio e margina-lo até a ponte, o objetivo não estava longe porém aquele caminho ganhou uma dificuldade que eu não havia enfrentado até então. Muitas rochas e lama em um trecho íngreme, parar em pé parecia impossível, varias rochas começavam a se soltar assim que eu me apoiava nelas, decidi voltar mas já era tarde, após uma pedra se soltar cai de cara, por sorte na lama se tivesse sido em uma rocha o final poderia ter sido diferente. Sem saber o que fazer observei que havia uma canaleta a minha direita, me arrastei até o local que deveria chegar até o rio, então comecei a me arremessar naquela fenda ganhando 3, 4 metros a cada investida. Desta forma rapidamente eu alcancei o rio, claro que com muitas escoriações mas finalmente eu poderia beber água, coisa que eu não fazia a mais de uma hora pois além da minha reserva ter acabado o outro rio estava com a água muito turva para ser coletada. Só depois de matar a sede é que me dei conta de onde eu estava, havia uma barragem e placas de perigo indicavam que o local não era amistoso, mas eu não possuía outra alternativa, subi o muro de mais de 2 metros que do outro lado devia ter uns 7 metros, consegui descer coma ajuda de rochas que estavam escoradas na margem da barragem, depois disso ainda enfrentei mais duas dessas barragens até que finalmente avistei a ponte que era meu objetivo. Retomei a trilha com muito alívio, pois afinal dali em diante era praticamente impossível se perder, então andando por um caminho suave a expressão de cansaço da lugar a um sorriso de satisfação e me fez pensar em todo o trajeto daquele dia, as dificuldades, os erros, e o que leva uma pessoa a se arriscar passar por isso, creio que isso não tenha resposta, mas uma mescla de tudo é o que alimenta o meu desejo se estar cada vez mais em cima de uma montanha. ***Mais fotos no Blog: http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/08/travessia-monte-oike-monte-fujiwara.html Vídeo
  2. Parabéns ao pessoal da AMC!! Aí vai mais uma produção tosca, travessia solo nos Montes Oike e Fujiwara...
  3. Nesta postagem vou abordar a conquista dos 7 cumes de Suzuka, uma meta alcançada 13 meses após eu estabelece-la, e que me dá força e inspiração para almejar e buscar novas conquistas. Tudo começou em março de 2012, quando comecei a pegar gosto pela coisa e buscava uma montanha em que pudesse me aventurar sozinho sem correr maiores riscos, com isso após pesquisas descobri quais eram estas montanhas e as melhores rotas para se alcançar seus cumes. A Cordilheira de Suzuka se localiza na divisa entre as províncias de Mie, Shiga e uma pequena parte no Sul da província de Gifu. Com uma área de 298 km2 , essa cadeia de montanhas não é constituída apenas de 7 montanhas, porem as "Sete" são as mais famosas e mais visitadas, tanto por esporte, quanto por turismo e religião. O seu ponto mais alto fica no topo do Monte Oike 1247m, e que curiosamente nem faz parte das 7 mais famosas montanhas. O local também é conhecido por ser um Parque Nacional de mesmo nome, que protege tanto as florestas da região quanto as várias espécies de animais que nela habitam. Um desses animais é o Kamoshika, um tipo de caprino que apesar do nome "shika", veado em japonês, mais se assemelha a um bode ou carneiro. Esse animal também influenciou a região, "Suzu-ka" que significa sino do veado, deu o nome à cordilheira e posteriormente à cidade que se tornou famosa pela Fórmula 1. As montanhas que compõem esse seleto grupo são, Monte Fujiwara 1140 m, Monte Ryu 1099 m, Monte Shaka 1092 m, Monte Gozaisho 1212 m, Monte Kama 1161 m, Monte Amagoi 1238 m e Monte Nyudo 906 m. Outros picos que merecem destaque são, Monte Ryozen 1094 m, Monte Oike 1247 m, Monte Watamuki 1110 m, Monte Nihonkoba 934 m, Monte Sen 961 m, além de dezenas de outros picos abaixo dos 900 metros. Na sequencia seguem coletâneas de imagens dessas travessias com seus respectivos relatos. Monte Gozaisho Essa foi a primeira desse grupo que me aventurei, com trilhas bem demarcadas e um movimento constante de pessoas, essa foi uma montanha que me ensinou muito, passei calor, frio e acabei culminando nela por 3 vezes, sendo uma vez acompanhado de minha filha com apenas 10 anos na época. Relatos: Monte Gozaisho - Outono http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2012/06/monte-gozaisho-primavera.html Monte Gozaisho - Congelando na Montanha http://nandosilvauptothelimit.blogspot.com/2012/07/monte-gozaisho-congelando-na-montanha.html Monte Gozaisho e a Princesa da Primavera http://nandosilvauptothelimit.blogspot.com/2012/11/monte-gozaisho-e-princesa-da-primavera.html Monte Kama Essa foi adrenalina pura, depois de 2 cumes no Monte Gozaisho decidi experimentar outra montanha, por acaso descobri esses tais 7 cumes e escolhi o Monte Kama, a montanha do lado, sem mapa, gps ou qualquer outro tipo de orientação adentrei na montanha apenas seguindo a trilha, é claro que me perdi, mas no final tudo acabou bem e ainda acabei retornando como debutante no Suzuka Hiking Club. Relatos: Monte Kama e as 7 Montanhas de Suzuka http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2012/08/monte-kama-e-as-7-montanhas-de-suzuka.html Monte Kama e as Sanguessugas http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2012/12/monte-kama-e-as-sanguessugas.html Monte Nyudo Essa foi uma montanha que me surpreendeu, com apenas 906 metros tudo indica que é muito fácil de escala-la, não que seja difícil mas o fato de encarar 700 metros diretos para cima deixam qualquer um com a língua nos pés. Depois de uma ascensão solo, ainda retornei com o Suzuka Hiking Club para uma subida na neve, fato que não se concretizou devido a ausência da mesma. Relatos: Monte Nyudo e as Azaléias http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2012/11/monte-nyudo-e-as-azaleias.html Monte Nyudo e os Deuses da Montanha http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/02/monte-nyudo-e-os-deuses-da-montanha.html Monte Amagoi Um pouco mais experiente, consegui arrastar dois malucos brasileiros para essa montanha, o desempenho foi razoável e pudemos apreciar uma exuberante paisagem de outono. Posteriormente eu retornei com o Suzuka Hiking Club para uma ascensão pelo lado inverso, com um caminho muito mais longo e mais difícil. Relatos: Monte Amagoi e os Três Montanheiros http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/01/monte-amagoi-e-os-tres-montanheiros.html Monte Amagoi e o Deus Dragão http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/04/monte-amagoi-e-o-deus-dragao.html Monte Shaka Depois de não encontrar neve no Monte Nyudo, Lord e eu decidimos escalar essa montanha no dia seguinte e encontramos toda neve que faltou no dia anterior, uma tremenda cagada, encaramos um paredão vertical de 200 metros que mais tarde descobriríamos ter sido responsável por alguns óbitos, e a montanha ganha cada vez mais fama de assassina, com mais um desaparecimento no último mês de maio. Relato: Monte Shaka - O Inferno Branco http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/02/monte-shyaka-o-inferno-branco.html Monte Fujiwara Mais cume na neve, desta vez liderado por Taro do Suzuka Hiking Club, uma travessia longa e cansativa, porém muito divertida com ótimos companheiros. Recentemente eu retornei a montanha, mas o relato fica pra depois. Relato: Monte Fujiwara - Travessia Invernal http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/03/monte-fujiwara-travessia-invernal.html Monte Ryu A última montanha que me restava veio acompanhada de ótimos parceiros, se o desempenho e o tempo não ajudarão, por outro lado a diversão foi garantida. Apesar dos contra-tempos e o risco de ter que abortar a subida, o objetivo foi alcançado e minha meta estava completa, estive com os pés nos pontos mais elevados das 7 Montanhas de Suzuka. Relato: Monte Ryu - A Montanha do Dragão http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/05/monte-ryu-montanha-do-dragao.html Novo objetivo? É claro que já tracei, alcançar o cume das 21 montanhas com mais de 3000 metros do arquipélago japonês, ainda faltam 19 mas eu não tenho pressa, pode demorar 20, 30 anos mas podem ter certeza que vou buscar essa meta.
  4. Novo Post, Os Sete Cumes de Suzuka http://nandosilvauptothelimit.blogspot.com/2013/06/os-sete-cumes-de-suzuka.html
  5. Feriadão no Japão e eu e o Lord nos preparávamos para mais ascensões, a ideia era de subir duas montanhas em dois dias, porém o tempo acabou não ajudando e ficamos apenas com 1 dia de tempo bom. Afim de concluir os 7 cumes de Suzuka, escolhi o Monte Ryu, ou Ryugatake em japonês, com 1099 metros de altitude esse era o último cume dos 7 que me faltava e com isso concluiria uma das minhas metas. Como essa montanha parecia não ser muito exigente, convidei Juquinha que outrora já havia manifestado o desejo de subir conosco, ele aceitou de imediato, então foi só passar as coordenadas para que ele se preparasse melhor e evitasse surpresas. Com a chuva do dia anterior e uma frente vinda do Norte, alertei que ele estivesse preparado para temperaturas abaixo de 5ºC e ventos de mais de 50 km/h. No dia marcado partimos logo cedo em direção ao Vale Uga na cidade de Inabe, onde a partir de um Camping se iniciam diversas rotas rumo ao topo da montanha. Tracei uma rota que seguia por um vale passando por cachoeiras, alcançando uma crista e seguindo por ela até o cume, continuando por ela para iniciar a descida, porém como imprevistos acontecem logo na entrada do Camping tive que mudar tudo que havia planejado. Conhecemos o Sr. Sakura, que cuida do Camping e orienta os montanhistas sobre as rotas, mostrei a ele o meu mapa com a rota traçada e ele me disse que estava desatualizado, a rota de subida não poderia ser seguida devido a erosão no local, a de descida ele desaconselhou, por isso aceitamos a sugestão de subir por uma crista central, perguntei sobre outra rota para a descida que também possuía cascatas, ele disse que não era uma boa devido a chuva mas também poderia ser utilizada. O ponteiro do relógio mau tinha atingido o número 8 e já estávamos com o pé na trilha, a caminhada começou leve e passamos por duas grandes pontes que facilitaram a travessia dos riachos, aliás a bela estrutura do lugar chama atenção, não é atoa que temos que pagar para entrar, porém uma pechincha de cerca de 2 dólares, bem pagos devido as facilidades que encontramos, principalmente na parte baixa da montanha. Duas mulheres haviam partido um pouco antes de nós, e viemos a encontra-las assim que a trilha ficou confusa, duvidas para todos os lados até que encontramos a placa que direcionava para a crista. Começamos a ganhar altitude rapidamente e Juquinha começou a pedir água, descansamos um pouco e partimos mas novamente ele começou a se queixar, uma das mulheres que seguiam na frente também parecia estar com o mesmo problema e as passamos e fomos ultrapassados por diversas vezes. O cara reclamou tanto em certo ponto que parou até para soltar um barrão, expondo o seu traseiro branco para os animais da floresta. Eu tentava incentivar mas ele já estava dizendo que eu queria era engana-lo, pois seria difícil até o fim. Fui puxando o ritmo com paciência, mas se dependesse dele ficaríamos uns 3 dias na montanha. Lord vinha seguindo atras sem reclamar das paradas, aliás acho até que ele começou a gostar do ritmo mais ameno. Fomos saindo da mata e com isso a crista se tornou rochosa, nada de grande dificuldade, mas pra quem já estava com a língua no pé, ficou um pouco pior. Já próximo de 1000 metros, um forte vento começou a soprar, uma névoa tomou conta do pico e indícios de que uma chuva poderia chegar. A temperatura baixou e paramos pra nos agasalhar, já não havia mais Sol e a névoa dominava a paisagem, enquanto isso as duas mulheres vinham descendo, elas estavam abortando o ataque por conta da mudança no tempo. Nessa hora combinei com meus companheiros que não era hora de corpo mole, deveríamos apertar o passo para chegar ao cume antes da chuva, pela minha experiência parecia que não choveria, mas a possibilidade existia e era bom não ignora-la. Comecei a forçar o ritmo quando alcançamos a crista que leva ao cume, nesse momento o vento era tão forte que chegava a jogar o corpo de lado, Juquinha novamente sentiu o peso nas pernas e acabou sentando em meio aquele vendaval, eu disse que o cume estava próximo, mas ele disse que eu esta dizendo isso desde que começamos. Não demorou muito e lá estava eu no topo do Monte Ryu, que significa Dragão, desta vez tive um gostinho especial, afinal eu havia alcançado os 7 cumes da cordilheira de Suzuka, alguns instantes depois e lá estavam meus companheiros juntos a mim, Juquinha estava exausto mas não dava para descansar muito ali em cima, o vento que segundo o próprio Juquinha era de 200 km/h, mas não passava de 55 km/h, fazia a sensação térmica se tornar negativa, por isso mau tivemos tempo de relaxar e já estávamos na descida. Na saída do topo com uma visibilidade muito ruim entrei em uma rota que o Sr. Sakura não havia recomendado, Juquinha ainda me alertou se era por ali mesmo, não era, porém na minha cabeça já estava programado que era e acabamos descendo pelo caminho errado. Era uma crista extremamente íngreme e aproveitei para correr para baixo fugindo do topo pois as nuvens começaram a trazer gotas de água. Esperávamos por um bom lugar para almoçar, mas o lugar era tão íngreme que tivemos que andar quase uma hora para enfim descansar. Na ausência de um local decente para parar, acabamos parando em um lugar com grandes rochas pois pelo menos era possível sentar. Ali sentados saboreando os nossos "deliciosos" cup lamen e jogando conversa fora observávamos as grandes rochas que se postavam bem acima de nós e com qualquer movimento poderiam nos esmagar, mas felizmente todas mantiveram-se quietinhas em seus lugares. Continuamos a descida e avisei a eles que faríamos apenas mais uma parada, continuamos descendo em um ritmo acelerado e logo alcançamos um vale, o caminho por ali seria longo porém sem dificuldades. Conforme o Sr. Sakura havia alertado que alguns pontos estavam meio ruins, muita erosão de rocha mas sem comprometer a trilha que ainda possuía uns paredões com grampos, em locais onde foram construídas barragens para conter o avanço da água. Ao final dessa rota eis que encontramos as 3 cascatas prometidas, além de reencontrar a rota por onde havíamos subido, assim retornando sem dificuldade ao nosso ponto inicial. Juquinha? Bom pelo tanto que ele reclamou na subida até me surpreendeu seu ótimo desempenho na descida, além do seu humor que também estava ótimo, quem sabe descobrimos um novo montanhista para nos acompanhar. Mais fotos nos Links: Blog:http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/05/monte-ryu-montanha-do-dragao.html Facebook:http://www.facebook.com/media/set/?set=a.645663342117486.1073741826.100000214779467&type=1&l=1619c5b7f1 Youtube:
  6. Atualizado Monte Ryu - A Montanha do Dragão http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/05/monte-ryu-montanha-do-dragao.html
  7. Muito boa a trip, lendo o relato fico lembrando de momentos em que eu arrasto os outros pra montanha e eles topam sem saber o que lhes aquarda... Depois vou conferir os outros relatos...
  8. Uma programação de última hora incluiu no mês de abril uma escalada ao Monte Sen, ou Sengatake em japonês, com 961 metros de altitude, essa é maior elevação de cidade de Kameyama e fica localizada no Sul da Cordilheira de Suzuka. Eu já havia cogitado subir essa montanha no último outono, o que acabou não se concretizando, por isso achei uma boa oportunidade para conhece-la. Minha ideia era de levar minha filha Kaori junto, por isso consultei o líder Taro para saber se a rota era tranquila, ele me informou que a trilha era variável e se ela não tivesse medo de altura não haveria problema. Com tudo preparado, no dia anterior a escalada recebo o e-mail de confirmação onde ele informava que o terreno era íngreme, além de possuir rochas e cachoeiras. Isso me deixou um pouco com um pé atrás com relação a Kaori, porém como em montanha Taro tem a minha total confiança, imaginei que ele sabia bem o que viria pela frente, e estaria preparado para qualquer contratempo. No dia marcado nos encontramos no pé da montanha em um vilarejo de Tanada, tipo de plantação de arroz em degraus, aguardamos em um estacionamento enquanto um grupo foi levar 2 veículos para fazer o resgate de volta, nesse caminho eles acabaram se perdendo, o que nos fez aguardar por mais de uma hora sob uma brisa gelada e consequentemente acabou atrasando um pouco o inicio da subida. A trilha começou em um ritmo bem leve, praticamente um passeio no bosque, caminhamos uns 20 minutos até que saímos daquela trilha e adentramos em uma rota pouco usada, neste trecho enfrentamos uma descida íngreme e atolamos muito em uma mistura de folhas, galhos e lama. Depois daquela descidinha desagradável alcançamos uma corredeira, e era por ela que seguiríamos por um longo período. Depois de muito atravessar de um lado para o outro chegamos em uma cascata, paramos para descansar com a bela paisagem e o som da água correndo. Taro chamou Kaori e lhe colocou um cinto de escalada, daquele ponto em diante ela seguiria encordada, o problema é que logo de cara teríamos que subir a cachoeira lateralmente, Taro subiu com a corda mas desistiu e alterou um pouco a rota que continuou difícil e algumas pessoas ficaram presas no meio, no final quem já estava no meio teve que seguir e um outro grupo precisou desviar o caminho. Nós desviamos o caminho e não sei o que foi pior, demos uma volta subindo e depois tivemos que descer um trecho íngreme e escorregadio até encontrar o resto do grupo. A partir daquele ponto não tivemos mais vida fácil, a subida se tornou difícil e tive que ir puxando Kaori por uma corda, o que aos poucos foi me deixando exausto. Com os contratempos e atrasos, Taro decidiu antecipar o local do almoço e paramos assim que alcançamos um vale mais aberto, porém ele mudou de ideia e decidiu seguir mais um pouco e parar em um pico que já estava próximo. Seria perto não fosse a pirambeira que tivemos que enfrentar e assim que alcançamos a crista ainda teve um trecho com correntes para vencer as rochas que levavam ao topo do pico. Photo byTaro - Suzuhai Aquele pico não era o que se pode chamar de muito aconchegante e acomodar 10 pessoas no local não foi tarefa muito fácil. Ficamos ali por cerca de 40 minutos e apesar da temperatura agradável o Sol incomodava um pouco, a vista fantástica que se teria no local para mim foi substituída por uma enorme rocha postada a minha frente, que além de cobrir minha visão, ainda bloqueava a agradável brisa que soprava. Com baterias recarregadas veio a crista rochosa que parecia infinita, a cada nova elevação Kaori me perguntava se aquele era o topo da montanha, mas para o desanimo dela este demorou a vir. Aos poucos o grupo foi se dispersando, para ela começou a faltar perna e para mim braço para puxa-la, mas a vida na montanha é assim, você se esforça para receber um premio e ele vem em forma de cume, desta vez não foi diferente e apesar da dificuldade lá estávamos nós. Photo byTaro - Suzuhai Kaori estava feliz e exausta, paramos para descansar um pouco mas a desvantagem de seguir no pelotão de trás é que você sempre vai descansar menos que os outros. Desta vez pelo menos o caminho de volta seria mais curto, porém para alcançar os carros que fariam o resgate teríamos que atravessar para a montanha do lado. Continuamos seguindo pela crista e palavras de incentivo já não faziam mais efeito para ela que sentava cada vez que alguém parava para observar a paisagem ou fotografar. Desta vez carreguei peso dobrado e ainda fiquei com sede, pois tive que ceder toda minha água para que ela se mantivesse firme, ao final da crista nova subida para alcançar a pista, creio que pra ela foi o trecho mais difícil, tivemos que parar 3 vezes e cheguei lá em cima com a língua no pé, pois usei todo gás que me restava para ajudar ela a subir. Photo byTaro - Suzuhai Exausto fiquei largado na pista enquanto foram buscar os veículos, então me lembrei que havia um bolo de fubá que minha esposa havia preparado na mochila e carreguei desnecessariamente por toda a travessia, distribui para todos e não conseguia explicar do que era feito aquele bolo, mas isso não importa, o importante foi que acabamos fazendo um lanche da tarde ali mesmo sentados no canto da pista. Ao final seguimos para o estacionamento e Kaori indagada se voltaria para novas investidas me surpreendeu respondendo que sim, eu estava imaginando que ela nunca mais ia querer olhar para uma montanha. O mais impressionante é que no dia seguinte eu estava com dores até no cabelo enquanto ela estava inteira, sem qualquer fadiga. Que venham muitas outras montanhas pela frente! ***Mais fotos nos Links: Blog:http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/05/monte-sen-o-retorno-da-princesa-da.html Facebook:http://www.facebook.com/media/set/?set=a.637522286264925.1073741825.100000214779467&type=1&l=a633381cfc Youtube:
  9. Novo Post, Monte Sen - O Retorno da Princesa da Primavera http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/05/monte-sen-o-retorno-da-princesa-da.html
  10. Nova travessia, dessa vez com mais dois brasileiros, aos poucos to arrastando o pessoal pra montanha.. Monte Ryu Cordilheira de Suzuka - Japão
  11. Mais um relato de travessia no outono que eu estava devendo, o primeiro foi: http://www.mochileiros.com/mt-ontake-mosaico-de-cores-no-coracao-dos-alpes-japoneses-t81592.html Mais imagens nos links, Blog:http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/01/monte-amagoi-e-os-tres-montanheiros.html Facebook:http://www.facebook.com/media/set/?set=a.547959728554515.141531.100000214779467&type=1&l=f4180448c0 Depois de admirar a paisagem de outono nos Alpes japoneses era hora partir para as montanhas de Suzuka com a mesma finalidade. Optei pela escolha de uma montanha nova para mim e o escolhido foi o Monte Amagoi, ou Amagoitake em japonês. Com 1238 metros o Monte Amagoi é a montanha mais alta dessa cadeia e a única montanha fora da província de Mie, ficando na província de Shiga atrás das demais montanhas que estão enfileiradas. Apesar de ser a mais alta ela é também a de menor proeminência, pelo fato de estar em uma área cercada de montanhas. Já desacostumado a escaladas solo resolvi convidar Frank, um colega de trabalho que já havia manifestado o desejo de conhecer essas montanhas, de início ele ficou com um pé atrás e depois se queixou que não possuía tênis nem acessórios para esse fim, coloquei a disposição o que eu possuía e o aconselhei a não comprar um tênis para uma única subida, se gostar e quiser subir outras vezes compra, economias à parte ele pretendia escalar com um Allstar, uma verdadeira loucura, mas preferi nem interferir para não perder a companhia. Na semana da escalada quando discutíamos os detalhes, Lord também se interessou pela aventura, ele estava interessado em escalada em rocha, porém acabou gostando da ideia de conhecer o interior de uma montanha. Na véspera eu estava crente de que eles não iriam e já me preparava para mais uma escalada solo, então recebi uma mensagem de Lord onde ele enviou a foto de um tênis que havia comprado, só então percebi que a coisa era séria. No final seria uma verdadeira aventura, eu guiando duas pessoas que nunca subiram uma montanha antes, em uma montanha onde nunca havia pisado. No dia marcado passei para pegar os dois e seguimos para a montanha, o trânsito atrapalhou um pouco e chegamos na entrada da trilha quase uma hora depois do programado, no caminho mostrei-lhes um mapa e expliquei que havia traçado aquela rota para subir sozinho e que seria puxado para eles, então eu tinha um plano B, subir e descer pela mesma rota que além de ficar mais curta evitaria surpresas no caminho de volta. Quando estacionamos o carro uma placa indicava que estávamos a mais de 800 metros, então eles ignoraram o meu plano B e disseram se é só subir isso vamos cumprir a rota, óbvio que não sabiam o que teriam pela frente. Adentramos na trilha em um ritmo muito menor do que estou acostumado, porém com um trecho um pouco íngreme logo eles estavam pingando suor. Sugeri ir mais devagar e que eles pedissem para parar caso necessário, mas se fizeram de durões e mandaram seguir assim mesmo. Em um trecho com o caminho estreito e piso úmido a terra cedeu e eu quase fui ribanceira abaixo, consegui me agarrar nas raízes de uma árvore sendo em seguida socorrido por Frank, surpreendidos com o ocorrido só faltou eles pedirem para voltarmos, porém seguimos em frente. Na sequencia seguimos por um pequeno vale fazendo aquele cansativo zig-zag por mais de 1 hora até que chegamos em um vale maior que se dividia em 2, paramos pra descansar um pouco e prosseguimos pela rota da esquerda. Enfrentamos alguns trechos íngremes e escorregadios onde recorríamos ao auxílio de cordas, eles já estavam exaustos quando saímos da mata e encontramos algumas pessoas que já estavam descendo, o objetivo estava próximo, porém uma rampa íngreme e direta era um obstáculo até o cume. Iniciamos aquele trecho em um ritmo constante e na metade eu mesmo estava de língua de fora, mas em trecho como este não se para, se segue firme para não desanimar. Enquanto Lord ficou um pouco pra trás, Frank vinha até se encostando em mim, quando percebi que sem saber controlar o ritmo ele estava se agarrando aos capins laterais quase com a cara no chão. Depois de ouvir queixa dos dois durante esse trecho todo enfim dei-lhes a boa notícia, chegamos! Na verdade havíamos chegado no meu plano B, o Monte Amagoi possui 2 cumes, o principal e o cume leste 18 metros mais baixo, estávamos no leste e meus plano era descansar e comer neste local, porém um forte vento tornava a coisa meio desagradável, consultei os dois se não seria melhor seguir para o outro cume onde ainda teríamos que atravessar uma crista, eles concordaram em atravessar mas não sem antes descansar, bom enfim comemos ali mesmo. Depois de agasalhados para suportar o vento cozinhamos no caminho para o outro, era impressionante como aquele forte vento assolava somente um pedaço da montanha, quando chegamos ao cume principal algumas pessoas descansavam e comiam no local que não batia vento algum. Enquanto conversávamos um homem perguntou se eramos brasileiros, reconhecendo que falávamos português ele disse que já havia ido ao Brasil a trabalho e até comentou conhecer as montanhas de Serra Negra e Campos do Jordão, comentando inclusive que essas regiões além de lindas, não possuíam lixo algum, confesso que fiquei confuso se era um elogio ou uma crítica pelo resto do Brasil ser tão sujo. Depois de um breve descanso era hora de descer, eles sugeriram que seguíssemos a rota original, porém ciente de que eles enfrentariam problemas físicos na descida mantive o plano B. Sempre é assim com iniciantes, se preocupam com a subida e esquecem da descida que com o cansaço e o impacto nas pernas acaba sendo mais difícil que a subida. Com eles não foi diferente, Lord reclamando de dor nos dedos que estavam sendo esmagados na descida pelo fato do tênis estar muito justo, Frank reclamava de tudo e ainda tinha que suportar o seu Allstar ensopado. Tirando os problemas habituais, eles suportaram bem a descida e quando chagamos ao estacionamento ainda brilhava um sol radiante. Na volta a minha proposta era de parar em um Onsen para tomar um banho, mas no final eles preferiram ir embora, brasileiros ainda tem vergonha de frequentar esses lugares ainda mais quando seus companheiros são seus compatriotas, mas tudo bem, espero que esta seja a primeira de muitas montanhas juntos e oportunidades não faltarão.
  12. É Otávio essa é uma sensação desagradável que não desejo pra ninguem... Tem muitos outros brasileiros que trilham por aqui, mas na minha região ainda não encontrei ninguem, mas aos poucos estou arrastando o pessoal pra montanha.. Abç
  13. Satriani realmente é foda, porém a trilha é Steve Vai e Accept com o fantastico guitarrista Wolf Hoffman... Mas valew a observação da trilha...abç
  14. Valeu Peter, realmente uma pena vc ter vindo ao Japão recentemente e não ter tido a oportunidade de conhecer as montanhas nipônicas. Espero que meus relatos e de outras pessoas possam inspirar mochileiros e montanhistas a conhecerem um outro lado do Japão. Abs...Nando
  15. Se surgir a oportunidade será um prazer e quem sabe tbm role uma caminhada com os colegas do Paraná! Em breve estarei soltando outro vídeo... Abç a todos..
  16. Aproveitando que o Brasil está na estação de outono, vou mandar 2 relatos de travessias durante o último outono japonês, abaixo segue o primeiro e mais fotos podem ser vistas nos links: Blog:http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/01/monte-ontake-mosaico-de-cores-no.html Facebook:http://www.facebook.com/media/set/?set=a.536126146404540.138905.100000214779467&type=1&l=a8135c8849 Passada minha escalada ao Monte Fuji eu já conseguia visualizar para o próximo ano novas subidas nos 3000+ japoneses, só não esperava que isso se concretizasse no mês seguinte. Depois de um cancelamento de última hora devido ao mau tempo nas montanhas de Suzuka eis que surge a oportunidade de subir o Monte Ontake, um vulcão adormecido localizado na província de Nagano na parte central do Alpes Japoneses. Como programado partimos eu e Choke da província de Mie para encontrar o pessoal da província de Aichi e seguir viagem até uma parada na estrada onde passaríamos a noite. Com poucos integrantes desta vez, éramos cinco em 2 carros e um se juntaria a nós pela manhã, pousamos no carro de forma aquecida e confortável. Madrugamos no dia seguinte e logo o 6º elemento se juntou a nós e partimos rumo ao vulcão. Subindo pela estrada avistamos alguns macacos que gritavam de forma agressiva mostrando que os visitantes não eram bem-vindos. Logo chegamos ao estacionamento que recebia um bom número de veículos, porém poucos montanhistas estavam no local. Tomamos um café da manhã as pressas, nos aquecemos, seguimos o protocolo de auto-apresentação e explicações sobre a subida e adentramos na trilha. A rota foi iniciada no 6º estágio a quase 2000 metros de altitude, no inicio a vegetação densa ainda apresentava altas árvores que foram diminuindo. Neste trecho a subida fluía tranquila com poucas pessoas pelo caminho, aos pouco a vegetação foi ficando baixa e conforme nos aproximamos do 7º estágio o fluxo de pessoas se tornou intenso devido ao fato de um teleférico chegar até aquela parte da montanha. No 7º estágio já fora da mata encaramos a bela imagem limpa do vulcão, inclusive nessa altura muito mais belo que o famoso Fuji, o lugar mais parecia um parque com centenas de pessoas variadas, idosos, crianças que iriam apenas até este ponto para observar o koyu, a vegetação tingida em tons de vermelho e amarelo. Neste trecho aproveitei para utilizar o banheiro, e na saída Chamonix me perguntou se eu havia depositado uma moeda na caixinha, respondi que nem havia reparado que o banheiro era pago, então ela me mostrou um cartaz e pasmem, o dinheiro era para que os dejetos fossem tragados via helicóptero, como um aspirador de merda gigante. A partir desse trecho a trilha fica bem parecida com a do Monte Fuji, tanto em solo quanto em dificuldade, a diferença é o belo mosaico de cores formados pelos arbustos nessa época do ano. O tempo estava meio nublado e a temperatura agradável, até que um forte vento começou a soprar e obrigou a todos a se agasalharem melhor. Desta vez novamente Taro acompanhou as mulheres mais atrás e eu e Choke puxamos o ritmo lá na frente, sempre segurando um pouco para não perder contato com os demais. Sem dificuldade chegamos ao último estágio e fiquei até surpreso com o bom preparo físico de meus companheiros. Logo avistamos o lago Nino, próximo de 3000 mil metros de altitude esse é o lago situado em um ponto mais alto do Japão, com neve perpétua em seu fundo o lago mostra uma beleza exuberante com sua cor intensa, impossível de conseguir captar com as lentes de uma câmera. Mais alguns metros pra cima e lá estávamos nós nos 3067 metros do cume. Um bom número de pessoas estavam presentes no topo que a exemplo de outras montanhas japonesas também possui um Santuário Xintoísta. Fizemos a tradicional foto do cume e nos preparamos pra almoçar ali mesmo, e assim com uma temperatura pouco agradável e um forte cheiro de enxofre fizemos nossa refeição com direito até a quiabo cru, já estou até me acostumando com a alimentação exótica desse povo na montanha. Depois de 40 minutos lá em cima iniciamos a descida, onde tomamos um desvio na rota rumo ao lago Nino, eu não resisti e mesmo sendo alertado para não fazer experimentei um pouco da água do lago, que lembrou um pouco o sabor de água de poço, Chamonix fez o mesmo e levou uma bronca do líder por beber uma quantidade demasiada, mais pra frente levou outra chamada por experimentar uma frutinha com aparência de Blueberry, que segundo ela era amargo ou seja um provável veneno. Seguimos a passos firmes para baixo e passando o 7º estágio que a essa hora estava lotado, pegamos até congestionamento na trilha, o que retardou um pouco a descida, porém não o suficiente para atrapalhar nossa previsão. Antes do regresso o tradicional banho de onsen em um hotel da região que é muito famosa pelas propriedades de suas águas termais. Na volta mesmo exausto tive que encarrar mais de 3 horas ao volante, uma vez que Choke em piores condições que eu, me pediu o favor de conduzir o seu veículo, e sem nenhum contratempo regressamos conforme o previsto.
  17. Ai vai mais um video para o acervo, dessa vez as imagens ficaram mais limitadas pois além da dificuldade na trilha levei minha filha que acabou tendo que vir amarrada comigo... Monte Sen Cordilheira de Suzuka - Japão
  18. Parabens Carlos, mais duas belas aventuras!!! A melhor parte foi a do cavalinho...hahaha
  19. Com a finalidade de concluir os 7 Cumes de Suzuka, eu havia prometido pra mim mesmo que não repetiria escalar a mesma montanha por pelo menos 6 meses, porem quando surgem boas oportunidades de uma nova travessia não podemos ignorar. Foi exatamente o que acabou acontecendo e o calendário do Clube acabou me empurrando para uma nova travessia no Monte Amagoi. Takeyan faria sua estréia como líder do Suzuhai e propôs uma rota bem interessante que acabou me seduzindo. A subida começaria do lado totalmente oposto ao que eu já havia subido, encarando uma grande crista e chegando ao pico sul da montanha, onde eu ainda não havia pisado antes, em seguida rumando para o pico principal, atravessando pela face norte e iniciando a descida. Durante a semana a previsão do tempo ameaçou a travessia e no sábado ainda indicava a possibilidade de chuva, porém como todos os participantes concordaram em subir com aquela previsão, todo o planejamento foi mantido. As 7 horas de domingo nos encontramos no Camping Uga e seguimos em apenas dois carros por um trajeto de serra que demorou cerca de 1 hora até a entrada da trilha, e ao contrário do que acontece com a rota do outro lado quando começamos acima dos 800 metros, dessa vez iniciaríamos abaixo dos 500 metros. Logo na entrada da trilha uma placa de ¨boas vindas¨ indica para se tomar cuidado com a presença de ursos, a trilha segue um bom trecho aberta, pouco íngreme e sem obstáculos, esse caminho era usado no período Edo (1615-1868) e fazia a ligação entre a antiga capital Kyoto até a cidade de Nagoya e o leste do arquipélago. Uma região também marcada por conflitos pois os 2 maiores clãs ninja, Iga e Kouga faziam divisa com essas montanhas. Quanto esse caminho leve termina, adentramos em uma floresta com diversas arvores centenárias gigantescas, então seguimos beirando uma pequena corredeira que com o caminho pra lá e para cá foi responsável por alguns acidentes. Quando a água termina entramos em um grande vale com um visual espetacular, mais alguns metros de caminhada e nosso sossego terminava, era hora de subir e olha que subida! Para alcançar a crista encaramos mais de 300 metros verticais, além de íngreme, sem descanso. Nesse momento a diferença física valeu muito, o pessoal mais acostumado a montanha disparou na frente, eu fiquei sozinho no meio enquanto Gabi e You vinham lá atrás com muita dificuldade sendo amparadas por Taro. Depois de muito suor a recompensa, chegamos a bela crista que possui uma paisagem exuberante, onde é possível observar diversos picos como os montes Watamuki e Kama, além claro o cume do Monte Amagoi. Depois de um breve lanche retomamos a subida seguindo a crista, encaramos um trecho de campo livre, um pouco de rocha, e de repente entramos em uma mata de capim muito alto, onde a ordem era seguir pra cima e se orientar com os gritos dos outros. A situação realmente ficou feia nesse trecho, em meio a um capim de 2 metros com lama e neve teve gente que se desesperou, mas logo alcançamos o pico Sul da montanha e fizemos nossa parada para o almoço. Ficamos cerca de 1 hora parados e depois do almoço ainda teve quem tirou um cochilo. Sem vento algum a temperatura estava agradável, porem o sol parecia querer tostar os presentes. Depois do descanso era hora de chegar ao cume e tivemos novamente aquele capim maldito como obstáculo, com a diferença que agora tínhamos muita neve mole nos pés. Depois de romper o capim ainda tivemos que vencer algumas arvores com galhos muito baixos para finalmente chegar ao cume, e lá estávamos nós nos 1238 metros da montanha. Do pico principal se tem uma bela visão do pico Leste que aliás é mais visitado, parece tão perto que quem nunca esteve presente no local sugeriu ao líder que fossemos até lá, porém Takeyan decidiu não comprometer o nosso tempo mantendo o planejamento inicial. Na saída do cume observamos o lago Amagoi, que mais parecia um mangue de gelo e neve, alias na outra ocasião que estive ali nem havia notado a presença do mesmo. Segundo uma lenda da região é ali naquele pequeno lago no topo da montanha que ¨vive¨ o Deus Dragão, ou Ryujin em Japonês, o dragão no Japão está relacionado com corredeiras e cachoeiras e em certa época de seca, foi feita uma prece pelos agricultores da região para que Ryujin mandasse água para eles, daí também saiu o nome da montanha, os ideogramas de Ama e goi representam uma prece por chuva que seria enviada pelo Deus Dragão. Depois da aula de mitologia seguimos para face norte da montanha, com neve no caminho a coisa ficou um pouco mais difícil, como não seria um trecho tão longo de neve decidi não colocar os crampons e me dei mau, depois de um escorregão tentei desviar o corpo para não atingir outra pessoa e comecei a deslizar sem parar, tentei em vão abraçar a neve que não estava tão mole assim naquele trecho, então percebi o galho de uma arvore tocar minha cabeça e por sorte consegui me agarrar a ele. Foi difícil me colocar novamente de pé e normalizar a respiração depois de um susto daquele, por sorte deslizei pouco mais de 10 metros mas poderiam ter sido mais de 100 metros e sabe-se lá quantos ossos quebrados. As pernas ficaram bambas e terminei aquele trecho com muita dificuldade, por mais que os outros repetissem exaustivamente para que eu me mantivesse mais ereto o meu corpo agora com medo parecia não querer obedecer. Com o fim do trecho de neve fizemos nova parada, em um local indicado para acampamento haviam meia dúzia de mochilas cargueiras largadas no local, seus donos provavelmente estavam rumo ao cume e imaginem largar os equipamentos dando sopa assim em alguma montanha da América do Sul. Daquele trecho em diante seguimos muito rápido pra baixo até encontrar uma corredeira e fazer uma nova parada, dessa vez com direito a chá da tarde. Seguindo novamente para baixo, encontramos o caminho de onde havíamos iniciado a subida e agora na volta aquele longo caminho parecia infinito. Aproveitei para dialogar em espanhol com Gabi que queria saber mais informações sobre o Brasil, onde ela pretende visitar um dia. Terminada a trilha era hora de voltar pra casa, mas antes paramos em uma vinícola famosa da região onde quase todos compraram vinhos e os levaram para relaxar em seus lares.
  20. Caro Yagoat, vc não especificou se que tipo de atividade fará nesses locais, se for apenas visitar cidades ou um trekking light está de bom tamanho, agora se for subir montanhas nevadas, montar acampamento etc, certeza que vc precisará de uma jaqueta de plumas principalmente para as horas de descanso. Espero ter ajudado, vamos ver se alguem que ja enfrentou o inverno nesses locais te da uma luz, pois tenho esperiencia de inverno apenas no Japão.
  21. Valew Jr, as pessoas tem uma visão errada do Japão, o q elas imaginam se concentram em Tokyo e Osaka, a maior parte do território japonês é composto por montanhas e florestas, possuindo ainda mais de 60 vulcões!!! Portanto território para explorar nao falta!!
  22. Novo Post, Monte Amagoi e o Deus Dragão http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/04/monte-amagoi-e-o-deus-dragao.html
  23. Bela aventura Otávio, paisagem fantástica! Uma pena que poucos usuários tem postado videos aqui, o acervo criado esta ficando muito bom, porém mais pessoas poderiam postar videos de outras regiões do Brasil e do Mundo, mas o tópico chega lá!!!
  24. Esse é mais um relato antigo extraído do meu blog, em mais uma escalada solo me aventurei sem nenhum mapa, gps ou ferramenta de orientação. O inverno estava em seu fim e com isso as geleiras das montanhas vão desaparecendo gradativamente. Já estava ansioso para uma nova subida e de minha casa já podia visualizar que os picos já não possuíam mais neve em excesso e uma folga no meio da semana me inspirou ainda mais. Pra começar fui pesquisar sobre as montanhas da região e diversos sites e blogs contém inúmeras informações sobre essas montanhas, o difícil é conseguir entender o que está escrito. Já havia ouvido falar das 7 Montanhas de Suzuka, porém se quer sabia quais eram e por que esse nome sendo que apenas uma delas fica localizada na cidade de Suzuka. O nome se dá devido as montanhas estarem situadas em um parque nacional do mesmo nome e é comum as pessoas se referirem as montanhas apenas como Suzuka. Uma dessas montanhas era o Monte Gozaisho e como já havia feito cume duas vezes decidi escolher outra e determinar o meu modesto porém importante desafio dos "7 cumes". O escolhido foi o Monte Kama ou Kamagatake em japonês, esse monte é a primeira montanha ao sul do Gozaisho e é possivel iniciar a escalada na região do Yunoyama Onsen, de onde eu já havia iniciado minhas subidas no Gozaisho. O maior desafio era subir em uma montanha pouco movimentada e sem mapa, dependendo apenas da sinalização local. Comecei a subida as 10 horas e logo de cara acabei desviando da rota planejada e mesmo assim continuei subindo as placas que apontavam o topo da montanha. Com uma rota pouco íngreme passei por diversas cachoeiras porém se quer conseguia avistar a montanha. Depois de quase uma hora caminhando finalmente tive certeza de estar no lugar certo, avistei o belo pico e encontrei também algo que eu não desejava ver, neve. Apesar da neve no caminho a subida estava tranquila, pois o acumulo se dava somente em pequenos vales e um pouco de atenção para não escorregar ou levar um bloco na cabeça nessas partes já era suficiente. Próximo do cume a rota que eu estava se dividia em duas e uma marcava que somente montanhistas experientes deveriam segui por ali, fiquei atentado mas segui pela outra rota mesmo. Nesse caminho peguei uma pirambeira desértica de areia e rochas soltas que fizeram a temperatura subir, saindo desse trecho mata fechada ingrime e com neve dificultaram um pouco mas não impediram que eu chegasse ao cume as 11:55. O Monte Kama tem 1161 metros de altitude e mais de 700 metros de proeminência, é um verdadeiro pico com um trecho de terra bem pequeno no cume, onde possui algumas rochas e um pequeno Santuário Xintoísta. Devido a esse espaço apertado a visão do topo é fantástica podendo se visualizar boa parte dessa cordilheira. Essa foi uma subida solitária, pois não encontrei ninguém na montanha e mesmo no cume onde normalmente se encontra alguém o silêncio parecia perpétuo. Diante desse cenário, pude escolher a melhor visão para o meu lanche e desfrutar o belo sol do meio dia no fim do inverno, afinal depois de mais de 3 meses eu novamente podia ficar apenas com uma camiseta de mangas curtas. Depois de 40 minutos observando a paisagem do cume iniciei a descida com alguns escorregões e com uma coisa que estou me tornando especialista, sair da rota! Depois de um tempo caminhando já na parte baixa da montanha não tinha certeza se já havia passado ali na subida ou não, até encontrar uma torre de energia, essa eu tinha certeza de que não estava no caminho de ida. Ouvindo o barulho da água me guiei até a cachoeira e de lá segui pra baixo até encontrar uma rota de saída, o que foi razoavelmente fácil não fosse o fato de ter saído mais abaixo do lugar onde havia deixado o carro e ter de subir novamente caminhando pela pista até ele. Na volta cansado e todo suado resolvi conhecer as casas de banho do Yunoyama Onsen. As águas termais dessa região são muito populares no Japão, porém eu nunca havia ido a nenhuma e ficava meio envergonhado com o fato de ficar completamente nu com vários homens dentro de uma piscina de água quente. Tomei coragem e entrei em uma ainda receoso por ter ouvido relatos de que alguns estabelecimentos não permitem a entrada de estrangeiros. Fui super bem recebido e me explicaram direitinho como funcionava a casa. Na entrada do banho algo que eu já havia receio se comprovou, ao ver o rosto de um ocidental como eu, logo eles olham pra outra coisa que vocês sabem o que é! Não me importei com isso e procurei descansar e relaxar da melhor maneira possível, ficando totalmente satisfeito pois aquele banho me deixou zerinho novamente. As 5 montanhas restantes que me aguardem!
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