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SamuelSchw

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  1. Obrigado Manueli, que bom que foi útil! Vá mesmo....Legal ter feito a Carretera Austral! Essa tá na lista também! Percorreu toda ela?
  2. RENATAT, obrigado pelo feedback Você vai quando? Sobre os itens, recomendo muito ter, e ainda um kit básico de Primeiros Socorros Sobre lanternas de cabeça, pra comprar considere a quantidade de lúmens, alcance do feixe e durabilidade da bateria. Recomendo ler esses artigos: http://www.outdoorgearlab.com/Best-Headlamp/Buying-Advice http://www.backcountry.com/explore/how-to-choose-a-headlamp http://www.rockandice.com/gear-guide-tips/how-to-choose-a-headlamp Atualmente uso uma BlackDiamond Spot. Trouxeram pra mim dos EUA e saiu por um ótimo preço. Das nacionais, as da AZTEQ são uma boa escolha. Creio que na Kallpamayu eles tem excelentes produtos por preços muito melhores que os daqui, até por Puerto natales ser zona franca. Lá em P Natales também tem a La cumbre e a Balfer. Segue abaixo os preços de aluguel de quando fui, bom confirmar se eles alugam anorak e calça. Contato Kallpamayu: Alex - [email protected] - Tel 2415891/Cel 92568594
  3. PARTE IV - EL CALAFATE, EL CHALTÉN E BUENOS AIRES 09/01. Depois de caminhar 130km movido a granola, leite em pó, atum, macarrão e risoto instantâneo, acordar e ter um verdadeiro manjar para o café da manhã é de encher a alma de prazer e euforia. Comi o quanto pude, e devo ter bebido mais de um litro de suco. Era necessário. Foi uma manhã de descanso. Almoçamos novamente no Marítimo, onde conhecemos um casal oriundo de Anápolis (GO), Johnatan e Natália, os quais reencontraria no aeroporto de Buenos Aires. Partimos para El Calafate às 14:30, chegando as 20:20. Não tínhamos reserva e nosso plano era tentar comprar o Big Ice Trek para dali um dia, mas o escritório da Hielo y Aventura já estava fechado (Não fizemos reserva antecipada por conta das taxas do cartão e da flutuação do câmbio à época). Partimos em busca do El Ovejero (indicação de um chileno que conhecemos em Paine) para ficar uma noite, e no meio do caminho encontramos nosso amigo italiano Pablo que procurava o Hostal Guerrero. Como o El Ovejero ($130 em domritório-container) estava lotado, voltamos ao Guerrero ($100). Ambos não servem café da manhã e possuem wi-fi e água quente, mas o El Ovejero, no qual fiquei posteriormente, é muito melhor. O Guerrero é uma hospedagem bem simples, um tanto precária e suja e o público não é de viajantes ou mochileiros. Recomendo apenas em caso de necessidade, como o nosso, avaliando a relação Preço x Vagas disponíveis. 10/01. Fomos cedo (7:30) até a Hielo y Aventura reservar o Big Ice Trek, sem conseguir desconto mesmo pagando em dinheiro vivo. Esse foi o passeio mais caro de todos, totalizando $2.700 somando translado e ingresso. Como o Big Ice era para dali alguns dias, a opção era ir para El Chaltén. Saímos do escritório e fomos comprar as passagens para El Chaltén, que custaram $840, ida e volta. Partimos depois do almoço. Él Chaltén Chegamos em Chaltén às 16h sob sol forte e temperatura média, sem reservas. Saindo da rodoviária começamos a percorrer a pequeno povoado em busca de um local para dormir mas a maioria dos hostels ou pensões baratas estavam lotadas. Enfim, encontrei um hostel com placa “Hay vagas”. Hostel Ahonikenk, quarto coletivo, sem café da manhã, cozinha liberada e água quente por $130. Ficamos por lá. O local não é o mais organizado nem com a melhor estrutura, o que fica evidente na sacola plástica usada para substituir a corda da descarga da privada). Também não é o mais espaçoso nem o mais limpo, mas isso se deve mais ao comportamento dos hóspedes, pois limpam o local uma vez ao dia e trocam a roupa de cama a cada saída de um hóspede, felizmente. No fim, tem um clima bem agradável e divertido. Destaque para o fato de que, por ser junto a um restaurante, constantemente oferecem batata-frita ou restos de refeição como pizza, filé, saladas, macarrão o que é uma verdadeira dádiva ao viajante que retorna de um dia de trilha ou que está com pouco dinheiro para comida. Viajantes mais exigentes ou que primam muito por conforto e luxos talvez não gostem, mas para quem está com orçamento apertado ou é mais desapegado ou quer aprender a desapegar, eu recomendo. Acredito que 85% dos hóspedes eram israelenses. Apesar de muitos dos que lá estavam serem barulhentos e folgados, acabei interagindo bastante com alguns deles e pude aprender algumas coisas em hebraico e divulgar as belezas e destinos do nosso Brasil. Embora as paisagens de Paine tenham me impressionado mais, gostei muito de Chaltén, além de que foram dias de descanso e reflexão. Como já havia me despedido de meus companheiros de viagem, a partir do terceiro dia, nas trilhas me encontrava acompanhado unicamente de meus pensamentos, o que também foi valioso. Dividir momentos com amigos é bom e precioso, mas momentos esporádicos de solidão voluntária são, ao menos para este que escreve, importantes e produtivos. Confesso a você, amigo leitor, que deveria ter pesquisado melhor a respeito de Chaltén, pois assim poderia ter optado por levar minha barraca e percorrido todo o circuito de trilhas desfrutado dos campings gratuitos. Nesse caso, porém, não desfrutaria do banho quente do Hostel. Coisas a serem consideradas, mas nada impede uma nova ida a Chaltén em algum momento futuro. Quanto às atrações de Chaltén, dediquei minha atenção a: 11/01. Chorillo del Salto e Mirador Los Condores: apesar de situados em direções opostas, é possível fazê-los em um único dia. Trilha sem dificuldades. Chorillo del Salto é uma cachoeira sem graça, que não impressiona quem já viu as nossa cachoeiras do Planalto Central. O Mirador proporciona uma vista bastante bela, principalmente ao entardecer em noites com lua. 12/01. Laguna de los tres (Base do Fitz Roy): imperdível. Para quem não tem preparo será um pouco puxada. Neste dia um gringo empolgado mergulhou nas geladas águas do lago, sendo aplaudido pela multidão. Vale a pena explorar a área, descer e caminhar margeando o lago até ter uma visão de uma queda d´água e do outro lago, bem abaixo do nível do lago principal. No caminho de volta da Laguna, cruzei com um grupo de escaladores que, presumi, tentariam conquistar o Fitz Roy ou outra montanha ali. Dias depois, já no Brasil, descubro ao ler algumas notícias que um deles era Iñaki Coussirat, grande escalador que infelizmente veio a falecer devido a um bloco de pedra que o atingiu durante a escalada do Fitz Roy. Em 31 de janeiro, os brasileiros Waldemar Niclevicz, Eduardo Mazza e Branca Franco conquistariam a famosa montanha; 13/01. Loma del Pliegue Tumbado: em minha opinião, a melhor e mais exigente das trilhas que percorri em Chaltén. Chega a 1.490m de altitude e proporciona uma vista espetacular da região e da maioria das montanhas. Percorri só, pois Luzardo e João já haviam retornado a Calafate, visto que retornariam antes ao Brasil. 14/01. Laguna Torre: percorri a trilha até o Mirador Maestri. Confesso que depois da trilha do Pliegue Tumbado, o visual não me impressionou, mas vale para registrar mais alguns quilômetros de trilha e ver o Cerro Torre de perto. Ainda que as trilhas sejam bem demarcadas e mesmo que você pernoite na cidade, fazendo apenas bate-volta, SEMPRE LEVE ÁGUA, COMIDA E LANTERNA (eu ainda levo sempre um cobertor e apito de emergência), e planeje bem o horário de saída e regresso com base no seu condicionamento e nas horas que o sol nasce e se põe, ainda mais se estiver sozinho. El Calafate 15/01. Na tarde do dia 15/01 peguei o ônibus das 13h rumo a El Calafate, chegando por volta das 16h. Fui direto para o El Ovejero, onde havia feito reserva para o dormitório-container via pelo Hostel World, o que me permitia utilizar a cozinha. Gostei muito do local, que abriga um restaurante, hostel, área para motor-home, camping e dormitório-container. Devo destacar ao amigo leitor, que é uma boa opção de hospedagem para o viajante em contenção de despesas e que é capaz de se virar em pequenos espaços. O dormitório-container abriga dois beliches, reduzindo em muito o espaço de circulação e para alocar as mochilas, tanto é que minha opção foi alocá-la embaixo do beliche. Os banheiros são externos, atendendo também aos campistas, mas limpos e com chuveiro quente. A cozinha é limpa mas poderia ser melhor equipada. Tudo isso por $130. Mais barato, só o Hostel Guerrero, sobre o qual já emiti meu parecer. Para quem quiser comprar lembranças, há uma espécie de rua dos artesãos, onde há coisas muito belas à venda. Para comida, sugestão boa e acessível é o La Fonda. O San Pedro, onde jantei nesta noite, é bom e não é caro ($189 por um cordeiro com papas + bebida). Bons sorvetes, na Acuarela Helados Artesanales, e bons alfajores, na Koonek. Bom câmbio no restaurante Casimiro. Fique atento aos horários, algumas lojas fecham aos domingos. 16/01. Big Ice: Acordei cedo e andei alguns metros até o escritório da Hielo y Aventura. Saímos com atraso de cerca de meia hora. A viagem até o parque é repleta de cenários tipicamente Patagônicos, que a essa altura já não despertavam mais a euforia da novidade, mas mesmo assim era um presente para os olhos. Após entrarmos no parque, fomos levados até a área das passarelas e depois de aproximadamente uma hora regressamos ao ônibus para irmos aos catamarãs, nos quais cruzarmos o lago para iniciar a caminhada até o Glaciar, uma trilha fácil. Mais a frente, colocamos os crampones e iniciamos a caminhada sobre o gelo. Minha opinião: vale muito a pena, os equipamentos são bons, os guias são bem capacitados e um Glaciar é um ambiente único e que nunca veremos em terras tupiniquins, salvo vivamos alguma nova era glacial. Quanto à exigência física, superestimam a dificuldade. Em minha opinião, impor uma idade limite de 50 anos é uma tremenda bobagem visto que há pessoas mais velhas que com condicionamento físico impressionante. Quanto ao valor, poderia ser mais barato, mas como lá não há concorrência e nós turistas pagamos, tende a ser sempre assim. Devido ao alto valor do passeio até ponderei realizar o ice trek no Glaciar Viedma, em Chaltén, mas acabei optando pelo Perito Moreno por ser um gelo mais puro, apenas por isso. Se sua intenção é só saber como é andar sobre o gelo, pode optar pelo ice trek em Chaltén, ou mini trekking em Calafate. Em Chaltén também oferecem o Viedma Pro, um pouco mais caro que o Big Ice, mas que possibilita escalar em gelo com uso de piolets. Como pretendo fazer curso de alta montanha em 2017, decidi poupar o dinheiro. Retornei do passeio por volta das 20h e passei no mercado comprar ingredientes para a janta e almoço do dia seguinte. Ao voltar ao Hostel, reservei na recepção o translado para o aeroporto ($100, um táxi custaria $250). Lembrando que se o tempo não estiver apertado, uma carona é totalmente possível!) e tive uma boa conversa com dois neozelandenses, um rapaz e uma garota, com os quais dividi o quarto naquela noite. Além de trocar informações e aprender um pouco sobre seu país vendi o botijão de gás que sobrou de Paine, pelo preço de custo obviamente. Mais tarde fui preparar a minha janta conversando com um pessoal da Irlanda, que volte e meia repetiam que eu não tinha a mínima cara de brasileiro. 17/01 Mais uma noite bem dormida e de descanso para o corpo. Acordei relativamente cedo, tomei café, ainda finalizando alguns dos mantimentos de Paine e fui dar uma caminhada pela cidade. Fui até a Superintendência do Parque Los Glaciares, mas a seção que conta sobre Darwin estava fechada. Fui até a Laguna Nimez, belo local que emana paz e tranquilidade, mas desanimei de pagar o ingresso para ficar pouco tempo. Me contentei em apreciar o local a partir do calçadão. Se dispuser de tempo, creio que vale a visita, em especial para conhecer as aves da região. Voltei ao hostel, preparei novamente um macarrão, aproveitando o restante do molho preparado na noite anterior. O transfer chegou e fomos ao aeroporto. Lá, os minutos passavam, uma imensa fila se formava e o balcão continuava vazio, talvez o pessoal estivesse tirando “la siesta”. Mala despachada, embarque realizado, rumo a Buenos Aires Buenos Aires Durante os preparativos para o desembarque em Buenos Aires, converso com duas senhoras porteñas que me fornecem dicas para chegar até a área do Obelisco, onde situava-se o hostel no qual fiz reserva. Utilizei o ArBus, que custou apenas $30. O trajeto é repleto de voltas mas vale a pena pelo preço, mas acabei chegando no Obelisco um pouco mais tarde do que gostaria. O hostel no qual fiquei foi Obelisco Suits. Optei por ficar por lá pela proximidade do aeroporto e dos pontos turísticos principais, visto que gostaria de percorrê-los a pé. O hostel é bom, mas nada espetacular. Quartos grandes, café da manhã médio, bons banheiros. Entretanto, a noite foi barulhenta (ão posso afirmar que sempre será assim) e quente, muito quente. O quarto, infelizmente não tinha ar condicionado. Já estava tarde e eu precisava jantar. Saí só pelas ruas da região sem levar nenhum pertence, todavia tenho quase certeza que poderia ter sido assaltado. Virando uma esquina, um grupo de 4 homens sentados na calçada, pouco a frente. Escondendo minha desconfiança e receio, caminho normalmente. Ao passar pelo grupo, percebo que um deles levantou e começou a me seguir. Graças ao bom Deus havia uma dupla de policiais na esquina à frente e pude seguir tranquilo até chegar na região mais movimentada. Acabei voltando para a avenida principal e jantando no Burguer King. 18/01 Levantei cedo para comprar o ticket do ArBus, em uma pequena banca na esquina da Carlos Pellegrini com Lavalle (não há nenhuma placa indicando Airbus ou algo do tipo. O ponto onde o ônibus para é mais abaixo, próximo ao Hotel Panamericano). Feito isso, parti para meu tour a pé. O dia estava quente e o sol forte. Circulei pelas ruas da cidade porteña, indo a San Telmo, Plaza de Mayo, Casa Rosada e Puerto Madero. Depois de imergir no isolamento e na beleza da paisagem patagônica, foram horas estranhas e de pouco fascínio, tanto que não bati fotos. Pra falar bem a verdade, achei a cidade sem graça e serviu mais para saciar a curiosidade e para marcar mais uma cidade no check-list. Estou me convencendo de que cidades não me impressionam tanto quanto uma montanha ou uma mata preservada. Voltei ao Hostel, e antes de subir, almocei duas fatias de pizza e uma coca cola em uma pizzaria ao lado. Check-out feito, embarquei no ônibus, das 13:42 se não me engano. No aeroporto, uma grande confusão por causa de um protesto de funcionários de uma companhia aérea argentina. Sigo meu caminho. Às 15:05 deixo o solo da cidade porteña rumo às terras tupiniquins. Faço conexão em São Paulo, desembarcando, felizmente, no mesmo terminal onde deveria embarcar para Brasília. Mais algumas horas e próximo às 22h chego ao planalto central, reecontrando minha amada. Sentimento de gratidão por 26 dias de sol e nenhum acidente, pelas amizades feitas e experiência vivida. Gratidão misturada com o estranhamento do ambiente urbano e com a saudade de poder olhar o horizonte sem obstáculos, sem cercas ou construções, temperadas com a vontade de continuar caminhando por esse imensa casa que chamamos de Mundo. Se você chegou até aqui, fico feliz que tenha lido e desfrutado do relato em sua totalidade. Até a próxima!
  4. PARTE III - TORRES DEL PAINE - CIRCUITO O Caminhar mais de 120 km não é uma decisão lógica. A ideia de percorrer a pé uma distância pouco menor que a de de São Paulo até Taubaté ou do Rio de Janeiro até Volta Redonda, traz vários “mas” e “ e se” para se pensar. De qualquer forma, decidindo racional ou irracionalmente, o Circuito O foi o Clímax do mochilão e a maior trilha que percorri de forma autônoma até então. Na tarde do dia 02 pegamos o ônibus na rodoviária de Puerto Natales e seguimos por 2h30min até o Parque. Conforme nos aproximávamos do Parque, a força dos ventos que lá sopram tornava-se perceptível na sua ação na vegetação, nas nuvens de poeira que se moviam rapidamente na paisagem e também no chacoalhar do ônibus em determinados momentos. Chegando na Portaria da Laguna Amarga, demos entrada no parque, pagamos os $18.000, assistimos o vídeo instrutivo e fomos reservar nossa vaga para os campings Italiano e Torres. Essa reserva pode ser feita no escritório do CONAF, em Puerto Natales, mas quando fomos, este estava fechado. Nossa sorte foi que a reserva era para dali a 5 e 6 dias, caso contrário, não seria possível reservar por causa da alta procura. Cantis carregados, mochilas nas costas, uma foto para registrar o dia e iniciamos nossa marcha. 1º Dia: Laguna Amarga-Serón (16 km) Se me pedissem para escolher uma palavra para descrever o primeiro trecho, seria vento. Muito vento. Durante a primeira parte do trajeto, um vento constante soprava das Torres, muito forte a ponto de me desequilibrar diversas vezes. Graças aos bastões de caminhada evitei diversas quedas, mas era impossível manter uma linha reta na caminhada. Felizmente, cerca de uma hora depois, o vento diminuiu. A medida que caminhávamos, a grandiosidade dos cursos d´água e a beleza da vegetação iam aumentando. Quando contemplei o Rio Paine, me detive durante alguns minutos para que meus olhos captassem e minha mente gravasse aquela visão majestosa. Mal sabia eu que aquela era apenas a primeira de várias epifanias que viveria ao longo da caminhada. Continuamos a caminhada, passando pelos campos cobertos de flores capitulares brancas, à semelhança de margaridas, que de tão numerosas, davam a aparência de os campos estarem cobertos de neve. A luz começava a perder intensidade, e ainda não havíamos alcançado o acampamento. Fomos ludibriados diversas vezes ao pensar que ele estaria na mancha de vegetação em frente, e chegamos a nos questionar se ele não teria passado desapercebido. Num de nossos curtos momentos de descanso e indagação, Pablo, um italiano nos seus 24 anos de idade nos alcançou. Conversávamos a base de portunhol e italiano, até que foi possível uma comunicação decente. Resolvemos seguir juntos. Pouco tempo depois alcançamos o acampamento Serón. Eram quase 22h e começaram os primeiros indícios do anoitecer. Sentamos, esticamos as pernas por um momento e em seguida montamos nossa barraca. Para a janta, um belo macarrão com atum sem molho, e chá mate para acompanhar. Estranhamente nosso fogareiro não pegou – antes que comecem as críticas, testamos o fogareiro no dia anterior a trilha - e tivemos que emprestar de um grupo composto por dois italianos e uma coreana chilena, com os quais fizemos amizade. O período entre me deitar e o amanhecer foi um coma de algumas horas devido ao cansaço. 2º Dia: Serón-Disckson (18 km) Pela manhã do dia 3, saboreamos uma deliciosa granola com leite em pó, acompanhada de chá e café, cardápio que nos acompanharia durante todo o circuito. Felizmente nosso fogareiro voltou a funcionar. Levantamos acampamento e prosseguimos em nossa caminhada. A caminhada do segundo dia é longa e cansativa, em ascensão por cerca de 9 km. A subida é gradual nos primeiros quilômetros, aumentando o desnível cerca de 4,5 km depois do Camping Serón. A caminhada, no entanto, é recompensadora, brindando os olhos do andarilho com belas paisagens desde o início, em especial após a conquista do Paso del Viento, cuja recompensa é a visão do Lago Paine, guardado por uma impressionante cadeia de montanhas ao fundo. De lá, continua-se em descida, numa caminhada mais leve, mas não menos cansativa e não poucos sobe e desce, cercada por lagos, descampados, manchas de floresta andina, picos nevados e vislumbres de glaciares. Após 8h horas de caminhada e já no entardecer, a visão do Camping Dickson além de reconfortante, é fabulosa, evocando um bucolismo perdido que mesmo o mais exigente dos viajantes aceitaria passar uma noite lá. Após um momento de descanso, preparamos o acampamento, tomamos banho (gelado, diga-se de passagem) e preparamos um risoto pronto, sem adicionarmos qualquer tempero, visto que não fizemos questão de trazer nenhum tipo, decisão esta que foi lamentada amargamente nos dias seguintes! Aqui me chamou a atenção uma dupla de senhores norte americanos, aparentemente entre 55 e 65 anos. Mais tarde descobri que eles também estavam percorrendo o Circuito O de forma autônoma, o que me gerou o desejo de amadurecer com energia semelhante. Após a janta fui apreciar as belas paisagens, que com o anoitecer ganhavam uma beleza a mais. No lago havia um grande bloco de gelo, desprendido do Glaciar Dickson e que se deslocava lentamente e partia-se, como num processo estrondoso de reprodução. Retornei ao acampamento e o céu escurecia aos poucos. Aproveitei para fazer algumas fotos e apreciar a noite-que-não-é-noite por alguns minutos, contemplando os feixes de luz alaranjados que sobreviviam atrás dos cumes, persistentes como a criança teimosa que não quer dormir. Essa teimosia, porém, não tomou conta de mim e pouco tempo depois adormeci. 3º Dia: Dickson-Los Perros (11 km) Se antes de iniciarmos o Circuito pensávamos em ir direto do Serón ao Los Perros, ou direto do Dickson ao Paso, no 3º dia essa já não era considerada uma opção sã, tanto pelo fato de desejarmos apreciar a paisagem quanto pelo fato de ser fisicamente muito exigente. Tomamos nosso café da manhã, desmontamos acampamento e seguimos rumo ao Camping Los Perros. Este dia é de ascensão, saindo-se de 210 m rumo a 570 m de altitude, e novamente de belas paisagens, percorrendo-se o vale por onde corre o Rio Los Perros e com a floresta andina marcando presença. Sim, é fato que nossos bosques tupiniquins tem mais vida, mas a monotonia e o silêncio das matas patagônicas tem um charme e um mistério tão fascinantes quanto. Um dos momentos mais gratificantes deste dia é a visão limpa da Cordilheira Paine. Após esse momento, as paisagens não mudam muito e o entretenimento passa a ser ruminar pensamentos, procurar respostas e reencontrar lembranças, agradáveis e desagradáveis, que levam a tomar decisões. Entre um pensamento e outro, algumas interrupções para apreciar a beleza singela de uma flor ou a sutileza de movimento de uns poucos pássaros que decidem se exibir. A medida que nos aproximávamos do Glaciar Los Perros a subida ficava mais íngreme e o terreno mais pedregoso. No topo, a visão do glaciar e seu lago, não tão impressionante quanto o vale mais adiante. Mais alguns quilômetros e estávamos no Camping Los Perros, um perfeito cenário para um filme de terror com seu bosque uniforme, árvores esparsas e nenhum subosque. Ainda era cedo quando chegamos e, apesar do vento gelado, o sol brilhava forte, atraindo os caminhantes para uma área descampada coberta de grama, onde deitavam e eram absorvidos pelo cansaço. Com esse que vos escreve não foi diferente. Após esse lapso de tempo a opção era alimentar-se novamente de risoto – dessa vez, reforçado com atum - e depois dos cuidados necessários de limpeza e higiene, adormecer. 4º Dia: Los Perros-Grey e o famoso Paso John Gardner (14 km) Quarto dia. Amanhecer de uma noite mais fria. As atividades já eram previsíveis: tomar café, escovar os dentes, desmontar acampamento. O tempo estava bom, a temperatura estava agradável e as expectativas altas, dado as inúmeras descrições do “trecho mais difícil de todo o circuito”, da impiedade e força dos “ventos cortantes”, combinadas com os elogios ao “visual mais impressionante”. Após o tradicional e importante momento de alongamento dos músculos, retomamos a caminhada por um caminho discreto entre as árvores, que dada a inclinação desde os primeiros metros, já fornecia uma prova dos quilômetros que viriam a seguir. O trecho segue em ascensão, sob as árvores na maior parte do tempo. Nesta primeira parte, havia vários pontos com lama densa, um belo convite para encardir as botas, e passamos por apenas uma pequena mancha de neve, de alguns poucos metros quadrados. Durante alguns minutos, dois pássaros iam a frente, a poucos metros de mim, com curtos voos em diagonal de uma árvore ao lado direto da trilha para outra do lado esquerdo. Um gracioso zigue-zague, como se fossem dois anjos guiando-me ao paraíso. Os anjos acabaram indo embora, cabendo a nós terminar a subida. Chegando ao fim dela, sentimos a força do vento assim que deixamos a proteção das árvores e resolvemos fazer uma pausa. Poucos minutos depois, a dupla de senhores norte-americanos nos alcança, decidindo também parar e recuperar o fôlego, de forma que apenas trocamos poucas palavras. Fôlego recuperado, seguimos, ora à frente, ora atrás, ora ao lado da dupla, percorrendo a segunda parte do trajeto em um terreno pedregoso e bastante exposto ao vento intermitente. Seguindo a sinalização dos canos laranjas, prosseguimos, numa subida menos íngreme, cortada por alguns córregos com água límpida que era coletada com as canecas que ficavam sempre à mão. Meus músculos estavam aquecidos e minhas pernas me levaram num ritmo forte e fui seguindo mais à frente do grupo, mas olhando repetidamente para trás, apreciando a paisagem que se descortinava e ficaria lá. Prossegui, até chegar ao ponto em que a inclinação aumentava drasticamente. Fiz uma longa pausa, respirei e aguardei os meus colegas de caminhada ficarem ao alcance da vista. Então iniciei a subida num passo mais lento. Cada ponto alto que alcançava revelava outro ponto ainda mais alto a ser alcançado, numa espécie de brincadeira de mau gosto da montanha, tal qual o garoto traquinas que aponta o laser na frente de um sapo, fazendo-o seguir o ponto de luz sem nunca capturá-lo. Até que, depois de uma dessas subidas um gélido e forte vento bateu em minha face e meus olhos vislumbraram o gigante de gelo que o soprava, o Glaciar Grey. O vento era forte, ruidoso, cortante, vindo de encontro a nós. Constatei que vestir a segunda pele e luvas foi uma sábia decisão, diminuindo a perda de calor e poupando energia. Uma pausa de alguns minutos para contemplação e fotos e seguimos, agora em descida, em direção ao gigante de gelo. Depois de descermos uns bons metros e estarmos mais protegidos do vento, paramos para repor as energias, com o tradicional pão com salame e geleia. O gigante de gelo nos acompanhava, à direita, e as árvores nos protegiam do seu sopro gelado. Cerca de uma ou uma hora e meia depois, chegamos ao Camping Paso. Mochila tirada das costas, esticar as pernas. A temperatura estava mais alta e a segunda pele não era mais necessária. Aproveitamos para fazer um chá mate para recobrar as forças e acabamos encontrando novamente o Pablo, nosso amigo italiano, o qual ficaria por lá neste dia. Nós, depois de terminado o chá e recobradas as forças, continuamos rumo ao Camping Grey. O caminho continuava sob a sombra da floresta andina, com poucas mudanças na paisagem, até o momento em que se começa a ver o Lago Grey. A medida que o lago se torna mais visível, o cenário fica mais impressionante e a grandiosidade da paisagem fica ainda mais evidente quando se observa os pequenos humanos remando em caiaques em direção ao glaciar. Chegamos ao Camping Grey perto das 20:30, cerca de 10h depois de deixarmos Los Perros e encontramos nossos outros amigos italianos, com os quais conversamos um pouco, inclusive sobre a incrível mudança de cenário, perceptível até para o mais desatento campista: como este é um dos pontos do Percurso W, a quantidade de visitantes é muito maior, assim como o número de barracas, o que dificultou encontrar um lugar para dormir. Na cozinha o espaço disponível era inversamente proporcional ao número de visitantes. Nesta noite a janta foi mais reforçada, com direito a sopa como entrada, seguida de risoto com atum como prato principal. Infelizmente tanto a cozinha quanto os banheiros fecham às 21:30, de forma que tivemos que escolher entre jantar com calma e não tomar banho ou jantar apressadamente e tomar banho. Acabamos escolhendo a primeira opção, mas dormimos satisfeitos. 5º Dia: Grey-Italianos (17,5 km) Nas horas iniciais da manhã as montanhas que cercam o Camping Grey ganham uma tonalidade bela. A grama e arbustos ainda apresentavam resquícios de orvalho e os músculos amanheceram mais enrijecidos que nos dias anteriores. Acordei cedo para tomar um banho. Segundo as informações coletadas na internet e disponíveis no local, o refúgio teria chuveiros com água quente, o que não correspondeu à realidade. Mas com o corpo relativamente acostumado às temperaturas mais baixas do local e ansiando por uma limpeza, a possibilidade de um banho, mesmo que frio, é algo a se agradecer. Enquanto desmontávamos nosso acampamento, chamou-me a atenção uma família germânica com uma composição um pouco inesperada para o local em questão (ou não tão comum de ser ver nas terras de cá): Pai, mãe, uma filha aparentemente entre 12 e 14 anos, e uma bebezinha de não mais de dois anos de idade. Se precorriam o O ou W, não posso afirmar, mas definitivamente me convenci de que há muita ideia pré concebida sobre ter filhos, viagens e trekking e fiquei imaginando como seria se todas as crianças e adolescentes pudessem ter contato com atividades outdoor desde pequenos. Talvez teríamos cidadãos que valorizassem o igualmente o natural e o tecnológico, que soubessem ver o mundo de outra forma que não a mostrada em televisores e computadores e que percebessem que é possível sobreviver e se relacionar sem muitos luxos. Thoreau já dizia que a maioria dos luxos e ditos confortos da vida, são não somente dispensáveis, como constituem obstáculos para a elevação da humanidade. Claro que esta é uma frase para ser usada com moderação. Depois dos devaneios filosóficos e da família germânica partir, com a mãe carregando a bebê em uma mochila-cadeirinha e o pai e a filha mais velha levando o restante dos suprimentos e equipamentos, fechamos nossas mochilas e continuamos a caminhada. Pularíamos o camping Paine Grande e seguiríamos para o Italianos. O tempo estava bom e o sol brilhava forte sobre nós. Poucos metros após deixarmos os limites do Camping Grey, fomos surpreendidos e agraciados com o aparecimento de um Zorro (Lycalopex culpaeus) na trilha, vindo em sentido contrário. Animal e humanos, parados, menos de 10 metros de distância, encarando-se por alguns segundos, até que o animal caminhou silenciosamente para fora da trilha, em direção às árvores alguns metros à nossa direita, permitindo algumas fotos até sumir na mata. Uma cena simples, mas para mim, magnífica. Continuamos caminhando. A trilha durante este trecho é mais aberta, cortando uma vegetação mais esparsa e acompanhando o lago Grey. A grandiosidade do glaciar continua imperando na paisagem e a quantidade de caminhantes nos dois sentidos assusta em um primeiro momento, pois na parte mais remota do circuito O chegamos a ficar horas sem ver outras pessoas. Mas como se diz, o ser humano é adaptável. No caminho entre os Camping Grey e Paine Grande, uma das passagens míticas é a enorme ponte pênsil sobre um alto despenhadeiro. De um lado, a cordilheira Paine, de onde corre uma cascata nascida do gelo. Do outro lado, o fim do Glaciar Grey, e abaixo, queda livre. Outro ponto que vale a pena mencionar é uma elevação localizada após o Mirador (considerando o sentido Grey-Paine Grande), que é possível atingir através de uma leve escalaminhada e de onde se tem uma vista impressionante. O céu estava particularmente interessante durante todo o trecho até o Paine Grande. As nuvens pareciam formar padrões e sequências, as quais tentei capturar através de minha câmera. No Camping Paine Grande, o qual atingimos cerca de 2h45min depois de deixarmos o Grey, a arte no céu era semelhante, recebendo, contudo, um toque de mestre com a adição das cores do Lago Pehoe na parte inferior do quadro. Chegando ao Paine Grande senti uma ponta de arrependimento de não pernoitar ali. Não pelo cansaço, mas pela singularidade do lugar, combinando campos, lago de água azul turquesa e a montanha Paine Grande tão próxima. Como havíamos feito reserva para o Italianos e seria impossível alterá-la e estávamos economizando pesos, não haveria outra opção senão seguir para lá. Enquanto ruminava meu leve descontentamento, ouvimos dois rapazes falando em português e puxamos conversa enquanto consumíamos nosso almoço. Eram dois mineiros que acabavam de completar o W, em três dias e estavam exaustos. Pouco depois, surge um casal de gaúchos com os quais cruzamos algumas horas antes e que também finalizaram o W. Almoço encerrado, pernas descansadas e conversa encerrada, seguimos rumo ao Italianos. Nos primeiros quilômetros, cruzamos com um casal de idosos, possivelmente acima de 70 anos, que caminhavam na mesma direção que nós. Seguiam acompanhados de um outro casal mais jovem, possivelmente filho e nora ou filha e genro, e possivelmente pernoitando nos refúgios, visto que não levavam cargueira. Mais algumas centenas de metros percorridas, paradas para passagem de caminhantes no sentido contrário e chegamos nas proximidades do Lago Sköttsberg, quase lançados ao chão por rajadas de vento repentinas que cessaram minutos depois. Nos quilômetros seguintes a esse trecho o número de caminhantes que encontrávamos foi diminuindo, assim como o nosso ritmo. Já era o quinto dia e corpo começava a dar sinais de cansaço. Os 7,5 km do Paine Grande até o Italianos já não eram “apenas” 7,5 km. Convém destacar que, contrariando o que os dois mineiros citados anteriormente nos disseram, este trecho não apresenta tantos pontos de água limpa até a metade do trecho, a partir de onde a situação melhora. Apresenta vários pontos de água, mas a maioria com muitas partículas e matéria orgânica. Após o Lago Sköttsberg a trilha segue pela floresta andina na maior parte do tempo, e é possível avistar algumas cachoeiras. Chegamos ao Italianos por volta das 18h, cruzando o Rio Francês, com suas águas rápidas e violentas, por uma ponte pênsil. Preenchemos o livro de registro, montamos a barraca e fomos à área de cozinha, juntando-nos aos demais caminhantes, cujos rostos expressavam sentimentos compartilhados por todos ali: satisfação e fadiga. Reencontramos nossos amigos italianos e compartilhamos um pouco mais de tempo e histórias. Terminada a janta meus dois colegas se puseram a descansar e eu fui apreciar o pôr do sol das 22h e bater algumas fotos. A temperatura caiu um pouco mais, o corpo precisava relaxar e convenci-me a deitar. Já havíamos conquistado cerca de 76,5km do circuito e o outro dia seria o mais intenso de todos, pois faria o ataque ao Mirador Britânico e prosseguiríamos rumo ao Camping Torres, ou seja: 31 km em um único dia. 6º Dia: Italianos-Valle del Frances-Torres (31 km) Planejei acordar às 4h para tomar um café e seguir rumo ao Mirador Britânico. Nenhum dos companheiros de caminhada estava muito animado em ir junto, dado o cansaço. Meu despertador soou, e quando coloquei a cabeça para fora da barraca, havia um escuridão densa, acompanhada do som de fortes ventos. Decidi voltar a dormir e iniciar a caminhada uma hora depois. Assim que despertei novamente, me arrumei, peguei uma barra de chocolate, bastões de caminhada, água, lanterna, câmera, kit de primeiros socorros e segui morro acima. O dia já estava clareando, não sendo necessário utilizar lanterna. Como normalmente evito trilhar sozinho em lugares desconhecidos, algumas indagações sobre a necessidade daquilo me vinham a mente. A vista lá de cima era a única razão da decisão. A trilha se apresentava íngreme desde o início, e as pernas cansadas, embora sentissem a exigência física da inclinação, pareceram mover-se por vontade própria depois de um tempo. Possivelmente fui a primeira pessoa a percorrer o trecho naquele dia, minha única companhia eram meus pensamentos e o estrondo do deslocamento do gelo do Glaciar Francês, estrondos altos como de trovão. Acredito que cerca de 40 minutos depois alcancei o Mirador, onde parei por alguns minutos para contemplar a enorme paleta de corres do horizonte, a qual, imagino eu, nenhum grande mestre da pintura jamais possuiu igual. Prossegui, ainda sob às árvores mas por um relevo mais regular, permitindo um ritmo mais rápido de caminhada. Certo tempo depois, a floresta acabava e uma imensa clareira descortinava-se. Lá estava eu. Um pequeno e solitário intruso num imenso vale cercado por paredes de rocha sob um céu cinza. Um quadro de imponência, tão hostil quanto belo. Parei. Meus olhos marejavam. Após a emoção e recobrados os sentidos, comecei - como aspirante a escalador - a imaginar como seria escalar aquelas paredes, embora esta seja uma possibilidade ainda distante para mim. Detive-me por uns 15 minutos até retomar a caminhada. A trilha voltou a entrar na floresta e pouco tempo depois estava no Camping Britânico, onde uma única barraca laranja estava armada. Prossegui e pouco tempo depois estava no alto do Mirador Britânico. Uma leve garoa começava a cair e o céu ficava mais fechado. Permaneci alguns minutos no topo da pedra mais alta naquela área, contemplando e desfrutando da satisfação de ter feito o percurso em 1h50min mesmo com as pernas cansadas. Despedi-me do local e do horizonte e iniciei o retorno. Passei novamente pelo Camping Britânico e a barraca continuava lá, solitária, sem nenhum sinal de seus habitantes. Quando já tinha percorrido dois terços do trajeto de volta cruzei com as primeiras pessoas naquele dia. Cheguei ao acampamento 1h40min depois da descida. Meus colegas de caminhada tinham recém acordado. Tomamos café, desmontamos acampamento e iniciamos a marcha às 11h. As negras nuvens que vi no Mirador Britânico pareciam ter se dissipado e seguimos com tempo bom, apreciando a beleza do Lago Nordenskjöld à direira e a imponência do Monte Almirante Nieto à esquerda. Às 13 horas atingimos o Camping Los Cuernos onde fizemos uma pausa de menos de 1 hora para comer um macarrão instantâneo e descansar as pernas. Continuamos a marcha e caminhamos, caminhamos, caminhamos, na esperança de chegar até a famosa bifurcação do “atalho” ao Camping Chileno. Depois dela, percebemos que um atalho pode representar não necessariamente um caminho sem dificuldades, pois nesse caso, tratava-se de uma redução no tempo e exigência física. Redução, não eliminação. O caminho é sinuoso, com muitas variações no terreno. A partir do momento em que se avista o Refúgio Torres, prossegue-se apenas para cima, com ganho de 300m de altitude, e a partir de determinado ponto, vê-se os vários caminhantes indo e vindo de Las Torres e do Chileno. Atingimos a confluência do caminho ao Chileno e passamos a ser mais três caminhantes na multidão. Este trecho tem uma beleza singular, beirando o precipício por onde, centenas de metros abaixo, corre o Rio Ascencio. Era por volta de 19:30 quando chegamos ao Camping Chileno, agradecidos e cansados. O Camping Chileno é uma local onde, apesar de bucólico, no fundo de um vale e ao lado do rio, só a necessidade me faria pernoitar. Hordas de visitantes barulhentos e pouca área remota para acampar, de forma que não diferiria muito de acampar no quintal de sua casa. Felizmente ficamos lá por apenas 40 minutos. A luz já dava sinais de que, como todos os dias, voltaria a se recolher. Felizmente, ainda tínhamos tempo, confiando na informação do mapa de que em uma hora e meia chegaríamos ao nosso destino. Porém, confesso que não imaginava que o caminho já iniciaria com inclinação aguda. Três coisas nos motivavam: a falta de recursos para mais um pernoite em camping pago, a reserva efetuada para o Camping Torres e certeza de que valeria a pena pernoitar a uma hora de caminhada da base das Torres. Já demonstrávamos irritação. O dia havia sido cansativo, as distâncias longas e a essa altura, pareciam ainda mais longas. Ao passo que encontrávamos poucos caminhantes retornando das Torres, não encontrávamos ninguém indo na mesma direção. Como a trilha segue por sob a floresta, tínhamos a impressão de estar muito mais escuro do que realmente estava, e, contra o meu desejo de respeitar as regras do parque, em minha mente já cogitava a possibilidade de acampar em algum lugar no meio do caminho caso não chegássemos até as 23 horas e rascunhava as desculpas caso fossemos abordados por um guarda-parque. Felizmente, 1h30min depois de deixarmos o Chileno, vislumbrei pontos de luz em meio a uma mancha de floresta à frente e a placa apontando ao Camping Torres. Com pouco diálogo, apenas comemoramos e nos parabenizamos. Armamos a barraca no único lugar disponível, preparamos a janta e fomos dormir. Aqui cabe destacar a inusitada chegada de uma escocesa perto da meia noite, cujo sotaque impediu que eu e qualquer outra pessoa compreendesse a maioria de suas palavras. A mulher parecia querer entender como funcionava o camping. Como os guardas já haviam encerrado o expediente e ninguém podia compreendê-la, ela se limitou a tirar o saco de dormir e bivacar na porta da cabana dos guardas. O detalhe é que a temperatura estava baixa, e caiu muito mais à noite. Depois de presenciar esta cena, recolhi nosso equipamento de cozinha, e deixei tudo preparado para o dia seguinte, pois pretendia assistir ao nascer do sol nas Torres, saindo às 4:15. Era meia noite, estava exausto e só pude pensar em deitar. 7º Dia: Torres-Torres del Paine-Laguna Amarga (17 km) Incômoda. Esse seria o adjetivo para qualificar a última noite em Torres del Paine. A temperatura estava mais baixa que as outras noites, o solo abaixo da barraca duro e irregular e os músculos pareciam não relaxar. Pouco mais de 4 horas depois de ter me deitado, o despertador toca e me ponho em pé, assim como outros campistas. Vagarosamente me arrumo, pego minha mochila, câmera e tripé e me junto à procissão na penumbra, salpicada por pontos brancos das lanternas dos peregrinos e sob a guarda de algumas centenas de estrelas que ousavam brilhar na noite que não é noite. Meu ritmo estava lento devido ao cansaço das pernas, que não haviam descansado o suficiente para prover firmeza e velocidade nesse trecho de apenas uma hora segundo o mapa. Uma hora, mas em ascensão. Acabou se tornando uma hora e vinte minutos. Ao chegar na base das Torres me juntei aos vários outros peregrinos, todos ávidos por ver o espetáculo das torres avermelhadas ao nascer do sol. A temperatura ainda era baixa, os que não corriam de um lado para o outro em busca de um clique, encolhiam-se em busca de abrigo. Até mesmo a escocesa que bivacou ao lado da cabana dos guardas, que diga-se de passagem deve ter chegado bem cedo ao local, estava recolhida em seu saco de dormir. Me sentei e aguardei. À medida que os raios de sol surgiam no horizonte, a cor das Torres, do lago, enfim, todo o local ganhava novas cores, mais quentes e saturadas. As pontas tingiram-se de um alaranjado forte, contrastando com o cinza da base. Infelizmente as condições climáticas e astronômicas não possibilitaram o tingimento total das Torres, mas mesmo assim, fiquei satisfeito. Mais alguns minutos e o amarelo predominou no local e a temperatura aumentou, revigorando meu corpo cansado e arraigado às pedras, enquanto meus olhos fitavam cada detalhe do local para tentar gravá-lo por completo em minha memória. Um pouco mais tarde, João e Luzardo chegaram. Aproveitamos as Torres por mais alguns momentos e às 8h iniciamos a descida, chegando ao acampamento às 9h. Após o café da manhã e desmontar acampamento, assinamos o livro de registro, presenciamos o guarda-parque dando lição de moral em um turista israelense que queria deixar seu lixo no camping, e deixamos o local às 10h. No trajeto de volta, muita movimentação no sentido contrário, várias paradas para passagem dos séquitos de turistas montados em cavalos e a gravidade ajudando a ganhar velocidade na descida até o Refúgio Las Torres. Em determinado ponto do trajeto, uma mulher me para e pergunta se tenho água para ela e para suas filhas adolescentes. Digo que sim e pergunto se não traziam água, ao que ela responde que já tinham bebido toda água e esperavam encontrar pontos de água por todo o caminho. Ofereço mais água e sou obrigado a avisar que só visualizei um ponto de água, de potabilidade duvidosa, até o Chileno. Despedimo-nos e prossigo na descida. Por volta das 12:50 estávamos no Las Torres. Segundo as informações, o ônibus para a Portaria Laguna Amarga sairia às 14h, e nosso ônibus para Puerto Natales sairia de lá Às 14:30. Diante disso, uma pergunta veio a minha mente: “Por que não chegar lá caminhando e completar todo o percurso só com as pernas? São só mais 7km” Embora o consenso geral seja de que chegando em Las Torres o percurso estaria finalizado, rendi-me a um excesso de purismo e literalidade, somado à vontade de realizar o feito - talvez até um pouco de vaidade - e às 13h parti. Diversas vezes olhei para trás para guardar a paisagem na memória até afastar-me por completo. Às 14:10 cheguei em Laguna Amarga e deparo-me com várias pessoas, inclusive meus companheiros de caminhada que optaram por ficar. Descuro então que João me seguiu no início, tentou me chamar mas eu estava disparando. Pegou uma carona com algum carro. Luzardo, que ficara a esperar o ônibus, contou que um ônibus saiu às 13:30, um dos três que passaram por mim na estrada. Alguns minutos mais tarde, ônibus para Puerto Natales chegou e às 14:30 partimos. Era o fim. Quilômetros de trilhas e espetacular beleza ficavam para trás sob a guarda das Torres, eternas e inabaláveis, tal qual as lembranças dessa peregrinação. Retornando a Puerto Natales providenciamos a passagem para El Calafate, só conseguindo para o ônibus das 14:30. De lá fomos rumo ao Hostel deixar as mochilas, e em seguida devolver a barraca. Creio que comemos alguma coisa antes de retornar ao hostel para, depois de um bom e demorado banho quente, sermos absorvidos pelas camas. Feliz é quem sabe valorizar um banho quente e uma cama macia! Mais tarde fomos comemorar com uma boa parrillada no Don Jorge. Dicas - Tanto o circuito W como O são exigentes fisicamente. Embora não exijam muitos conhecimentos técnicos e as trilhas sejam auto guiadas, não seja tolo: prepare-se fisicamente para aproveitar o máximo a experiência e não se frustrar. Meu treino é constante e inclui correr e ir de bicicleta ao trabalho (até 2x na semana, cada) e fazer trilhas sempre que possível. Se você nunca fez trilhas longas com pernoite, sugiro fazer algumas para conhecer melhor seu corpo e se acostumar com a atividade (Aqui no Brasil temos a Petrópolis-Teresópolis, Serra Fina, Marins-Itaguaré, além das trilhas na Serra do mar paranaense!). - Uma bota de qualidade e amaciada, uma boa mochila e boa barraca são obrigatórios, assim como uma headlamp (lanterna de cabeça). No verão, as temperaturas não são tão baixas e um saco de dormir com temperatura de conforto -5º é suficiente. Bastões de caminhada são opcionais, mas muito úteis para poupar seus joelhos. É possível comprar e alugar excelentes equipamentos por um bom preço em Puerto Natales (alugamos na Kallpamayu, Calle Prat 297). - Conheça seus limites e necessidades e escolha bem seus alimentos, certificando-se da quantidade certa (nós deveríamos ter levado mais comida). Prefira alimentos com menos sódio para reduzir a desidratação, embora água em Paine não seja problema. Esqueça o miojão. - Leve dinheiro em espécie para pagar a entrada do Parque e os campings pagos. A maioria dos campings vende, por preços bem elevados, comida e bebida e alugam equipamentos, o que é útil em caso de emergência. Existe a possibilidade de reservar as refeições e leitos nos refúgios. Informações e preços podem ser encontrados nos sites http://www.fantasticosur.com/ e http://www.verticepatagonia.com/ - Para contemplação e menor desgaste, minha recomendação é percorrer o circuito O em no mínimo 8 dias. O tempo de permanência no Parque fica a critério do viajante e de seu condicionamento físico. Conheci um polonês que realizou em 5. - Dependendo das condições climáticas, é possível que o Paso John Gardner esteja fechado. Certifique-se ao chegar no Parque. - A água do parque é potável e há vários pontos de água ao longo da trilha. Além de cantil ou garrafas abastecidas, ter uma caneca à mão é uma boa ideia. - É terminantemente proibido fazer fogo e só é permitido cozinhar nos refúgios e nas áreas destinadas à essa finalidade. Essa regra é observada a risca pelos guardas e desobedecê-la implica na expulsão do Parque, uma pesada multa de até 2 milhões de pesos e possibilidade de três anos de prisão. CONTINUA...
  5. Saudações, povo da mochila. O relato que segue refere-se à uma viagem realizada há um ano atrás (ontem exatos 365 dias que finalizei o Circuito O!). Devido à correria da vida e uma promessa de que parte dele sairia em uma revista de escalada e montanhismo, acabei não publicando antes. Apesar de possíveis mudanças nos preços e regras de visitação, possui uma série de informações relevantes em um texto que lembra um diário sobre essa viagem de 26 dias (de 25/12/2015 a 18/01/2016) passando por Ushuaia, Punta Arenas, Puerto Natales, El Chaltén, El Calafate e ainda uma curta passagem por Buenos Aires. Foram mais de 200 km de trilhas percorridas, sendo o objetivo principal da viagem o circuito O em Torres del Paine. Para ajudar na coleta de informações pelo amigo leitor, aquelas que considero chave ou relevantes estão em negrito. O relato está dividido em quatro partes: I- Informações Gerais; II- Ushuaia a Puerto Natales; III- Torres del Paine - Circuito O; IV- El Calafate, El Chaltén e Buenos Aires. Caso deseje informações mais objetivas ou não deseje ler a totalidade das palavras e devaneios deste que vos escreve, sugiro ler somente a Parte I e esta planilha resumo, além da Seção “Dicas”, da Parte III. PARTE I - INFORMAÇÕES GERAIS Lembro de quando ouvi sobre e vi imagens da Terra do Fogo pela primeira vez em uma reportagem do Globo Repórter. Tinha uns 12 ou 13 anos e o nome Terra do Fogo me pareceu misterioso, místico, atiçando minha curiosidade. Depois de muito tempo habitando minha mente, a viagem começou a tomar forma. Inicialmente programada para acontecer no final de 2014, uma mudança de emprego e de cidade resultou no adiamento por um ano, mas todo o roteiro já estava traçado, sendo necessário apenas atualizar o orçamento e buscar algumas informações adicionais. A essa empreitada, juntaram-se dois amigos do grupo Trekking Brasília: Luzardo Alves e João Paulo Marques Passagens Como minha família passaria o Natal em Campinas, acabei comprando diferentes trechos de voo: Brasília-São Paulo (ida e volta, Gol), São Paulo-Buenos Aires (ida e volta, TAM), Buenos Aires-Ushuaia (ida, Aerolíneas Argentinas) e El Calafate-Buenos Aires (ida). Os trechos São Paulo-Buenos Aires e El Calafate-Buenos Aires foram adquiridos por pontos, sendo o primeiro um generoso e bem-vindo presente de meu pai que estava com vários pontos acumulados e nenhuma perspectiva de usá-los no curto prazo. O trecho Buenos Aires-Ushuaia custou R$ 850,00. Dinheiro/Câmbio Optei por levar dólares, alguns reais e cartão de crédito. Quando comprei as passagens, o dólar estava na casa dos R$ 3,40 e para meu desespero começou a disparar. Atento às projeções pessimistas, e que se concretizaram, fiz questão de comprar dólares assim que possível e consegui comprar a R$ 3,80. Embora muitos recomendem realizar câmbio em Buenos Aires, essa não era uma opção viável dentro de nosso itinerário. Graças às decisões do Macri de acabar com o controle cambial, a cotação oficial do dólar estava US$ 1,00 = AR$ 13,00, nenhuma discrepância significativa da paralela. No dia 25/12 o real estava bem valorizado ante ao peso (R$ 1,00 = AR$ 4,50). Se fosse possível prever, teria levado reais e ficaria uma manhã apenas para cambiar. Nos dias seguintes, entretanto, o real começou a cair. Na região patagônica, levar dólares ou reais seria equivalente pois o câmbio era R$ 1,00 = AR$ 3,50 e US$1,00 = 12,50 a 13,50. No Chile o câmbio estava em média R$ 1,00 = CH$ 180 e US$ 1,00 = CH$ 650 a 700. Mochila Fui com minha Curtlo Mountaineer 60+15 velha de guerra. Excelente mochila. Para uma viagem como essa e para realizar o circuito O de forma autônoma recomendo no mínimo uma mochila de 60 Litros. Como fui com câmera DSLR, duas objetivas e tripé, os 15 Litros a mais foram muito úteis. Nessa viagem apliquei uma dica que li no livro Manual de Trekking e Aventura, do Guilherme Cavallari para proteger a mochila no avião: colocá-la em um saco. Eu usei um saco plástico grosso, mas pode usar um saco de fertilizante ou de batata. São leves e você pode guardá-lo dobrado na mochila. Como algumas companhias aéreas ou não fornecem mais sacos plásticos para embalar a mochila ou fornecem sacos de litragem pequena, recomendo fortemente para proteger tanto a mochila quanto a capa de chuva. Transporte Terrestre Entre as cidades, viajamos por empresas de transporte, mas é completamente possível fazer essa viagem de carona. Conheci várias pessoas que estavam viajando dessa forma e constantemente revia na próxima cidade alguns cidadãos que vi à beira da estrada. Se o amigo leitor dispuser de tempo e vontade, acredito que valha muito a pena não apenas pela economia, mas pela própria experiência em si Disponibilizo aqui link para planilha com o roteiro executado, preços, itens levados. Se tivesse mais alguns dias teria ido a Los Antiguos e a Chile Chico. PARTE II - USHUAIA A PUERTO NATALES O voo para Buenos Aires partiu de São Paulo. Antes do embarque aproveitei para passar no posto médico do aeroporto para ter um parecer sobre um calombo que surgiu na minha coxa esquerda, mas que era apenas uma inflamação dos folículos pilosos, exigindo apenas uso de um antiinflamatório (Profenid 100mg ). Esta é a segunda vez que faço uso dos serviços médicos dos postos dos aeroportos e deixo a dica ao amigo leitor. O atendimento é bom e gratuito. Na sala de embarque encontrei o Luzardo. Partimos de São Paulo no dia 25/12, às 18:30, com uma hora de atraso e chegamos às 20:10 em Buenos Aires, onde encontramos o João. Aproveitamos para fazer câmbio de US$ 100,00 no aeroporto. Luzardo e João pegaram um táxi para dar uma volta em Puerto Madero e eu fiquei no aeroporto. Comi um lanche extremamente caro no piso superior, AR$ 126,00 por uma baguete e uma sprite, e depois fui descansar. Às 4:00 fizemos o despacho das malas e às 5:35 o avião decolou. USHUAIA 26/12. Cheguei em Ushuaia às 9:10. João e Luzardo chegaram cerca de 20 minutos depois. Pegamos as malas, um mapa no balcão de informações e, após apreciar por uns minutos a bela cadeia de montanhas que guarda a cidade, tomamos um táxi para nos levar até o Hostel Antarctica ao custo de $115. Recomendo fortemente o Hostel Antarctica. Ambiente legal, equipe atenciosa e acolhedora, boa estrutura e café da manhã reforçado. Destaque para o fato de que o hostel fornece ovos e o hóspede prepara à sua maneira. A diária estava $260 e o público é variado, viajantes solitários, casais jovens e idosos, famílias, uma das quais me permitiu praticar o alemão durante uma boa conversa. Para esse dia não havíamos planejado nada. Por sugestão do recepcionista do Hostel, acabamos comprando o passeio para a Laguna Esmeralda por volta das 11h, ao custo de $250, ida e volta. Recomendo. É uma trilha leve e o lugar é realmente belo. Quando retornamos ao estacionamento, havia ainda 1h até nosso transfer chegar. Para nossa surpresa, uma senhora que realiza transfers por outra empresa nos viu e ofereceu transporte, de graça e ligou para a outra empresa, e ainda ganhamos croissant e café. De volta à cidade aproveitamos para fazer compras no mercado e garantir nossa janta e almoço para os próximos dias, por preço bem mais em conta que os dos restaurantes. 27/12. Domingo. Grande parte das lojas e mercados fechados, o que impediu-nos de comprar a passagem para Punta Arenas. Cedo pela manhã fui efetuar o pagamento do passeio do Beagle Channel (Islas de los Pájaros, Lobos, Farol e descida na Isla Carello) o qual reservei antecipadamente por email com a Canoero (http://www.catamaranescanoero.com.ar/principal.htm) para as 15:30 daquele dia. Aproveitei para pedir desconto, visto que seriam 3 pessoas e consegui baixar de $750 para $700. $50, não muito no total mas já ajudava em alguma coisa. Dei uma caminhada na cidade ainda adormecida e voltei ao Hostel para encontrar os piás e ir ao Presídio. Presídio. O ingresso custou $150. Já há bastante informação disponível sobre o Museu, me limitarei a dizer que eu gostei e acho um passeio bem válido para se conhecer a história de Ushuaia e da navegação. Detalhe para os mapas e cartas náuticas antigas e a seção dedicada aos Yamanas, povo original da região, já extinto. Beagle Channel. Escolhi o horário da 15:30 por conta da luz começar a perder intensidade nesse horário e não estourar as fotos. No fim, com o tempo nublado ficou ainda melhor. Enquanto esperávamos a partida, Luzardo resolveu brincar que seria fácil fazer novos amigos brasileiros. Ao falar alto “Brasil? Alguém?”, atrás dele havia um brasileiro, Daniel, com o qual fizemos amizade e trocamos ideias sobre os planos de viagem. Ele estava viajando solo, de moto, e iria também para Torres del Paine. Acabou que combinamos dele nos informar por email se as lojas de aluguel de equipamento estariam abertas no dia 01 de janeiro e o preço dos equipamentos. O passeio do Beagle Channel também é bem conhecido e há muita informação disponível a respeito. É um passeio bem tranquilo, padrão, mas vale a pena. O lugar é realmente bonito e instiga a imaginação. O tempo estava fechado e o vento frio. A descida na Isla Carello é interessante para se conhecer o ecossistema e imaginar como os nativos sobreviviam na região. Voltamos à Ushuaia depois das 18 horas. 28/12. Acordamos cedo para garantir as passagens para Punta Arenas. Pensamos em adiantar 1 dia e sair de Ushuaia em 29/12, para chegar em Puerto Natales no dia 31. Depois de rodar todas as agências de viagem (não existe uma rodoviária com balcões das empresas), tivemos que voltar ao planejamento original e compramos para o dia 30/12. Minha recomendação ao amigo leitor é que compre as passagens para Punta Arenas assim que chegar em Ushuaia, se seu planejamento não for flexível. Cerro Martial. Como perdemos a manhã, resolvemos deixar o Parque Nacional para o dia seguinte e fomos ao Cerro Martial. Nos juntamos a outra brasileira, Clara, e pegamos um táxi até a entrada ($135). A vista é bacana e o lugar vale uma visita se você tiver tempo, mas não consideraria um must-see. Pegamos um táxi por $120 até o centro de Ushuaia. Sinceramente, acho que teria valido mais a pena dedicar esse dia ao Parque Nacional, pernoitando lá e subindo o Cerro Guanaco, pois achei um dia pouco para o Parque. 29/12. Parque Nacional Tierra del Fuego. Tiramos o dia para o Parque. Saímos no ônibus das 10 e pouco, mas recomendo sair no primeiro transfer. O custo foi $370 ($270 transfer + $100 tarifa Mercosul). Fomos até o Correio del Fin del Mundo, para em troca de alguns dólares - 2 ou 5, não lembro ao certo - obter o carimbo no passaporte. Lá vimos a lancha sendo carregada com cartas e postais e deixando a margem do lago. Fizemos a Senda Costera, que margeia a Bahia Lapataia. Entretanto não fomos até Puerto Arias, indo somente até a Laguna Negra e retornando no penúltimo ônibus. PUNTA ARENAS 30/12. Ushuaia-Punta Arenas. Saímos cedo para pegar o ônibus para Punta Arenas. Os ônibus saem de um pátio na Av. Maipú, entre as ruas 25 de Mayo e Fadul. Nosso ônibus saiu às 5:30. Viagem longa mas com belas paisagens, clipes de músicas românticas e de sofrência que fariam Pablo sentir inveja, e passagens de fronteira com guardas mais preocupados com seu Whatasapp do que com as imagens do Raio X. Chegamos em Punta Arenas perto das 18h e fomos providenciar Câmbio. Há duas casas de câmbio próximas ao ponto de parada do ônibus. Na verdade, ficam na mesma quadra/rua (Colón) da oficina da Bus Sur. Câmbio feito, fomos providenciar a passagem para Puerto Natales na Bus Sur, ao custo de $6.000. Ao lado do balcão da BusSur há um balcão de empresa de turismo. Nosso plano era fazer a Pinguinera clássica (ilhas Marta e Magdalena), entretanto o atendente nos ofereceu o passeio do Pinguim Rei, dizendo que era mais completo, sendo possível avistar lobos marinhos e baleias. Enquanto a Pinguinera custava $35.000, o passeio do Pinguim Rei custava $60.000 ($12.000 são pagos na entrada da reserva). Com certa relutância mas confiando no vendedor, acabamos comprando o passeio do Pingüim Rei, que na verdade, se mostrou não um passeio mais completo, mas um completamente diferente da Pinguinera e da propaganda feita. Explicarei nos próximos parágrafos. Saímos da BusSur e fomos em direção ao hostel que havíamos reservado, o Samarce House. Depois de andarmos alguns bons minutos e não encontrarmos, resolvemos pedir ajuda em uma lavanderia. A dona da lavanderia foi bastante solícita, tentando inclusive ligar para o hostel, sem sucesso. Ao ver a foto da fachada do Hostel, ela percebeu que se tratava de uma casa ali perto e descobrimos que o endereço na internet estava errado. O Hostel fica, na verdade, na Av. España, 940. Ao chegarmos achamos o local com cara de abandonado, uma perfeita casa para um filme de suspense ou terror, mas o lugar é aconchegante e limpo. O café da manhã é reforçado, servido, pelo menos num dos dias que lá ficamos, pelo próprio senhor Samarce, um sujeito simpático e conversador. A diária lá custou $11,000. Recomendo! Deixamos as malas e pegamos um táxi ($2000) até a zona franca, pois pensávamos em comprar alguma coisa, mas só compramos o gás para Torres del Paine. Confesso que esperava maior variedade de marcas e produtos, mas algumas coisas realmente valem a pena lá, como por exemplo, as barracas Doitê. Aproveitamos e fomos ao mercado ao lado comprar a janta e suprimentos para Torres del Paine, e saímos de lá no fim do expediente. A essa hora há poucos táxis e poucos ônibus. Felizmente demos sorte de encontrar um taxista ainda no estacionamento e voltamos até o centro da cidade ($2350). De lá seguimos a pé até o Hostel e por lá ficamos. 31/12. Eram por volta das 7:30 quando o ônibus que nos levaria à pinguinera chegou. Fomos muito bem recepcionados pelo motorista e dono da agência, um sujeito bonachão, simpático e divertido, e o guia. Passamos buscar os demais participantes e aí seguimos. Como mencionei acima, este é um passeio completamente diferente do oferecido pelo vendedor, e completamente diferente da Pinguinera das ilhas Marta e Magdalena. O passeio foca em dois temas: a história do povo Selknam, um dos povos originais da ilha e exterminado pelos colonos, e no Pinguim Rei. É de fato interessante, mas passa-se muito mais tempo na van do que qualquer outra coisa. Cruza-se novamente o Estreito de Magalhães e retorna-se à Isla Grande de Tierra del Fuego, em direção ao município de Porvenir, onde há um pequeno mas interessante museu. Lá o guia contou sobre a história da região, realmente interessante, mas pesada e sanguinária e não consta nas páginas oficiais do Chile. O povo Selknam foi exterminado com direito à caçada e troca de orelhas, cabeças e seios por dinheiro, tendo a última representante falecido nos anos 60 ou 70. De lá segue-se para a Reserva do Pingüim-rei, com uma parada em uma panificadora, onde comprei uma deliciosa empanada por $1000. A partir daí é estrada e mais estrada, até chegar na reserva, que é privada. O pinguim-rei (Aptenodytes patagonicus) está voltando a colonizar a região da Bahia Inútil após ter sumido devido à caça e captura. Os bichos são realmente belos, sendo a segunda maior espécie de pinguins, atrás apenas do pinguim-imperador, (aquele do filme Happy Feet). Ao contrário da pinguinera clássica, aqui há cercas que delimitam a área onde o turista pode ficar, sendo impossível o contato direto com os animais, o que é positivo para não prejudicar a recolonização e não influenciar o comportamento ou saúde dos animais De lá, retorna-se para Punta Arenas, cruzando novamente o Estreito, o que dessa vez foi recompensador pelos vários golfinhos-de-commerson (Cephalorhynchus commersonii), com seus saltos e mergulhos sincronizados. Minha opinião sobre o passeio: É um passeio interessante, mas caro. Se o amigo leitor dispõe de tempo e dinheiro, ou quer muito ver essa espécie, que vá, pois é uma oportunidade única de vê-la. Caso tenha apenas um dia, como nós, e seu objetivo é chegar mais perto dos animais e tirar selfies, o passeio das ilhas Marta e Magdalena valerá mais a pena, além de ser $25.000 mais barato, um dinheiro que faz falta numa viagem. (http://www.pinguinorey.com/index.php ; http://turismoselknam.cl/) Retornamos a Punta Arenas próximo das 20 horas. Depois de tomar banho e descansar um pouco, começamos a pensar no que faríamos na noite de Reveillion. Decidimos por jantar e depois ir para a festa de virada na avenida. Entretanto, não foi fácil encontrar restaurantes aberto e com mesas disponíveis, pois os poucos necessitavam ter feito reserva. Acabamos encontrando o Submarino Amarillo, na Colón, e por lá ficamos. O local é um bar e restaurante, e também hotel, com temática rock´n´roll clássica e recebe apresentação de bandas. Pedi um salmão com purê de batatas e uma coca-cola, ao custo de $11.700. Indico o lugar. Saímos do bar rumo à concentração de pessoas. O clima no local estava agradável, bastante familiar. No microfone, o mestre de cerimônia animava o público, perguntando volte e meia quem iria “carretear hasta las 5 de la mañana”, ao que o povo respondia alegremente. Depois da contagem regressiva, dos fogos e da comemoração, uma banda local animou a festa, tocando inclusive IlarilariÊ. Para nossa surpresa e contrariando o discurso anterior, às 1h da manhã a música cessou, o mestre de cerimônia encerrou a festa e o povo foi para as suas casas. Voltamos ao hostel, arrumamos as mochilas e dormimos. PUERTO NATALES Partimos de Punta Arenas rumo a Puerto Natales no ônibus das 10 da manhã e chegamos por volta das 13:30. Assim que desembarcamos, fizemos o que todos devem fazer de imediato: providenciar o translado até o Parque Nacional. Apesar de termos planejado iniciar o circuito pela manhã do dia 02, decidimos pegar o ônibus das 14:30 para Torres del Paine, pois ainda precisávamos comprar mantimentos. Tomamos essa decisão tranquilamente pois durante a viagem de Ushuaia para Punta Arenas um holandês que havia feito o O confirmou que, mesmo indo ao parque no ônibus das 14:30, era totalmente possível completar o primeiro trecho ainda com luz. Conseguimos por $12000 negociando na Via Paine (O preço normal é $15000). Negociando desconto em outra empresa, me responderam sarcasticamente que se eu não quisesse comprar não teria problema, pois os ônibus sempre partem cheios, outros comprariam. . De lá caminhamos até nossa hospedagem, Hostal San Augustin, o qual não recomendo. A diária custa $13.500, com café da manhã fraco. O lugar não é ruim, é limpo, confortável, mas o tratamento é péssimo. Além disso, só faltava cobrar para respirar. Cobravam $500 ou $1000 pesos por dia, por mala no locker room. Existem opções melhores, como por exemplo, o Lili Patagonicos, no qual fizemos reserva para quando regressamos do Parque e o qual recomendo fortemente. O preço é $12.000 em quarto com 4 camas e banheiro, café da manhã bastante reforçado, wifi. Ótima estrutura e atendimento. Além disso, o locker room é gratuito e nos permitiram deixar o resto da bagagem lá enquanto percorriamos o Circuito O, obviamente com pagamento de 50% da diária. Lá eles também alugam e compram bons equipamentos para trekking por um bom preço. Almoçamos no Restaurante Marítimo ($9.250 o prato principal mais bebida). Lá também é servido menú completo por $4.000. Recomendo, assim como recomendo outro restaurante, o Carlitos, que serve um Menu mais saboroso e reforçado por cerca de $5.000 se não estou enganado. Depois do almoço no dia 01, fomos até a Kallpamayu, loja na qual reservamos por email a barraca que levaríamos para Paine. A loja é boa e foi uma das que me passou mais confiança. Pegamos uma Doité Aconcágua para 3 pessoas, por $ 6.500,00 o dia (depois de negociar). A barraca era grande o suficiente para nós três e seria uma boa casa para os próximos 7 dias, além de que dividiríamos o peso. No dia 02 pela manhã aproveitamos para comprar o restante dos mantimentos e eu aproveitei para comprar um capacete de escalada também na Kalpamayu, pois o preço estava compensando. Para quem está procurando equipamentos, os preços são bem convidativos. Almoçamos no Carlitos e às 14:30 partimos para o Parque. CONTINUA...
  6. Ótimo relato cara! Farei o mesmo roteiro a partir de 25 de dezembro deste ano, valeu por compartilhar as informações! E parabéns pelas fotos, muito boas!
  7. Diz a velha Bíblia que “o coração dos homens faz os planos, mas a resposta certa vem da boca de Deus” Bem, estava eu tocando a vida em Curitiba, planejando comprar um lote em algum lugar da zona rural da região metropolitana quando por volta do final de julho recebi notícia de convocação de um concurso público prestado em 2012, e teria que me mudar pra Brasília. E assim aconteceu, um galego saiu do frio e chuva curitibana para o sol e secura intensos do planalto central. Cidade nova, começar tudo do zero, círculo social praticamente zerado. Ficava me questionando se haveria morros pra subir e acharia pessoas para fazer trilhas e me apresentar a região. Resolvi procurar no facebook com as palavras chave trekking brasília e...tinha um grupo com esse nome; arrisquei entrar e conhecer as pessoas. Galera bacana e animada, companhia de qualidade pra se enfiar no mato. E eis que alguém resolveu organizar a ida para as Sete Quedas. Fiquei sabendo da Travessia das Sete Quedas na internet quando foi inaugurada, e lembro de ter dito que um dia ainda faria, não sabendo exatamente quando. No fim das contas, devido à mudança, acabou sendo mais cedo do que imaginava. Mas vamos ao relato da expedição: 26/09/14 Sexta-feira à noite. Éramos 19 pessoas, reunimos o povo e fomos rumo a São Jorge. Tivemos um leve atraso e acabamos chegando perto das 23h, indo direto a pousada. Ficamos no Casa da Sucupira. Como éramos um grupo grande, o pessoal conseguiu fechar em 35 reais a diária, sem café, em quartos coletivos. O lugar lá é bem bacana e limpo, disponibiliza a cozinha e utensílios, fomos muito bem atendidos. Alguns saíram para um bar, esse que vos escreve foi dormir rs 27/09/14 No sábado levantamos cedo para tomar café, arrumar as coisas e esperar o transfer. O Transfer (levar até o PARNA Chapada dos Veadeiros e trazer de volta no dia seguinte) ficou em 20 reais. Todos prontos, van na porta, partimos ao PARNA. Chegamos para abrir o parque com os funcionários da segurança, creio que era entre 8:30 e 9 horas. Passaram uma lista para deixar os dados individuais, e feito isso, nos conduziram para assistir um vídeo sobre o Parque, Trilhas e regras. Protocolo cumprido, demos uma olhada no material do centro de visitantes e iniciamos a caminhada, seguinto pelas setas - e tubos eventualmente - laranja, sempre. Caminhamos um bom pedaço e chegamos no Canion 1, se não me engano por volta das 10:30, ficando lá por mais de uma hora. O lugar é realmente belo. Infelizmente eu fui explorar sem a câmera. De lá, continuamos. Ai foi caminhada e mais caminhada. Essa foi a minha segunda experiência de trekking no cerrado, confesso que o calor e sol intensos tornam a situação mais difícil, mas no fim o corpo sempre aguenta mais do que você pensa, e a paisagem, compensa. Uma coisa que me chama muito a atenção, é que as cores no cerrado são extremamente vivas, não existe meio termo. Belo é o tom de verde das folhas que rebrotam após o fogo, e o azul do céu. De vez em quando, alguma nuvem gentil passava por sobre nossas cabeças, fornecendo uma sombra para amenizar a temperatura. Infelizmente elas não nos seguiam. Depois de uma boa caminhada, chegamos ao ponto de travessia do Rio Preto. Optei por encontrar uma caminho entre as pedras que não precisasse tirar as botas, e deu certo e rápido, mas a maioria preferiu atravessar com os pés descalços. Fica a seu critério, só registro pra informar que há as duas possibilidades (dependendo do nível do rio). Lá matamos mais um bom tempo no rio sendo atacados incessantemente pelas piabinhas. Fizemos o almoço e continuamos. Era cerca de 15:30 quando avistamos no horizonte algo que parecia ser um rio, e no plano anterior, um tipo de cabana. Eu e um do colegas que estava ao meu lado comentamos que deveria ser lá o local do acampamento, por conta do relevo do local, como se estivessemos em fundo de vale e pelo tempo de caminhada. No fim era mesmo. Pouco tempo depois encontramos a placa da área de camping e do banheiro seco - a tal cabana mencionada. Chegamos enfim, ao ponto do merecido descanso, do refrescante e relaxante banho. Mochila tirada, acampamento montado, pés liberados, fomos aproveitar as Sete Quedas. Aqui entra um mistério que nenhum de nós conseguiu solucionar: uns viram quatro, outros cinco, outros seis, mas ninguém contabilizou Sete Quedas. Já conseguimos pousar uma sonda em um meteoro, e eu ainda não tenho a resposta. Se alguém aí conseguiu, por favor comente e esclareça. Mistérios numéricos a parte, o local é realmente bonito. Confesso que a altura das quedas não impressiona, nem o volume de água ou o som, mas o local como um todo é belo. Olhar o curso do rio, longe no horizonte, com uma bela combinação de laranjas, vermelhos e roxos no céu de fim de tarde ao som das corredeiras vale muito a caminhada. Sol posto, hora de voltar ao acampamento e iniciar os preparativos para a janta, aquele bom e velho miojo, mas na versão talharim, com um saboroso molho 100% industrial, complementando com pão, salame, frutas, chá. Verifiquei in loco que com uma espiriteira improvisada com lata de atum, abastecida completa com etanol 3 pessoas puderam preparar seus miojos e ainda sobrou fogo para outra começar a esquentar um risoto. Importante: não deixe de levar a tampa da panela, não só para otimizar o preparo dos alimentos, mas também para evitar que uma quantidade imensa de insetos caia na panela atraída pelo fogo e pela luz da headlamp, mas caso você não se importe de acrescentar um pouco mais de proteína à refeição, sinta-se à vontade. Infelizmente minha expectativa de contemplar o céu estrelado na Chapada foi frustrada. O céu estava com muitas nuvens, uma escuridão densa. Não restava muito mais o que fazer, e o corpo pedia o repouso. Ao deitar, o ambiente estava quente, diria até um pouco abafado, mas era cerca de 4 horas da manhã, começou a ventar forte, e a temperatura caiu bastante, obrigando-me a usar o saco de dormir. Alguns disseram que houve uma chuva leve, eu mesmo só ouvi o vento forte e senti a queda brusca de temperatura, mas nada que obrigaria alguém a colocar uma calça, blusa e meias. 28/09/14 No domingo acordei cedo para contemplar o nascer do sol. Acabei não conseguindo levantar no horário previsto, mas a tempo de ver metade do sol ainda a nascer. Após, foi tomar café, desmontar a barraca e arrumar a mochila, processo interrompido por um porivinha kamikaze que se chocou com meu olho e não saiu. Esfregar o olho, jogar água, nada. Um bicho tão pequeno, mas a sensação é increvelmente incômoda. No fim, umas das gurias do grupo colocou soro no meu olho, e depois de uns minutos, finalmente o infeliz parou no canto do olho e foi retirado e sepultado. Imagino que a sensação de uma lente de contato perdida no olho deva ser semelhante. Finalizada a operação e a arrumação da mochila, fomos às quedas, dar aquele último mergulho. Uma parte do grupo, eu incluído, saiu às 10:30, os demais, pouco depois das 11. O segundo dia possui menos kilômetros, mas há mais subidas, mas de qualquer forma, é muito mais tranquilo que o primeiro dia. Quanto ao o visual, o descampado é extremamente belo, com os morros ao fundo. Que as fotos falem. Depois de no máximo umas três horas caminhando, passamos pela caixa para depositar a ficha de controle do parque, o fim da trilha estava próximo. Saimos do parque, estrada vazia, não havia sombra para se refugiar até o transfer chegar. Até tentamos nos esconder embaixo de umas árvores mirradas, mas não demorou muito e a van apareceu. De volta a São Jorge, combinamos de, na volta, parar no Valdomiro para almoçar. Voltando de São Jorge rumo a Brasília, fica no lado esquerdo da estrada, numa baixada, pouco depois do Morro da Baleia, se não estou enganado. Vale muito a pena, a comida é boa, o prato é bem servido e o preço é justo! Considero que a Trilha das Sete Quedas é uma trilha muito bela. Uma aula prática perfeita pra se conhecer o Cerrado, passando por vários tipos de vegetação diferentes. A sinalização é excelente, a área de camping muito boa, com o banheiro seco. Exige certo preparo físico e o calor pode ser um fator dificultador, mas quem já tem uma certa experiência faz fácil! Termino o relato por aqui. Abraços PS: Aqui tem um vídeo produzido por um dos membros do Trekking Brasília, sobre a trilha! Quem for de Brasília e quiser entrar, só procurar lá no facebook!
  8. SamuelSchw

    Trekking nos Lençóis Maranhenses - 4 dias [COM FOTOS]

    Cara, ótimo relato, bem esclarecedor...já vinha pensando em fazer esse trekking, deu mais vontade ainda!
  9. Aletucs que sinistra essa história ai cara, não presenciei nada parecido não, só pessoal vomitando mesmo. Mas é bem, dessa, os caras vão muito rápido nas curvas. De AREQUIPA para CUSCO não tenho muitas lembranças da viagem, pois dormi bastante. Mas acho que era bem de boa, eu não senti nada, nem acordei e também não lembro do pessoal ter comentado qualquer coisa desse tipo
  10. Grande Jaime! foi um prazer conhecer vocês também cara, espero poder encontrá-los novamente, e quem sabe combinar uma viagem! Pois a história do guarda fica a dúvida se o cara era falso ou não, pois lembra que ele tava até multando o carro lá??
  11. Saudações galera, trago aqui o relato de meu mochilão agora em Julho/2013, 25 dias, por Bolívia-Chile-Perú. Vou escrever o relato tudo de uma vez, para facilitar a leitura! Procurei ser o mais sucinto possível. Esse foi meu primeiro mochilão 100% organizado e bancado por mim, tem um valor histórico aí haha. Bem, a viagem começou a ser planejada no início de fevereiro e incialmente era pra ser uma viagem com meu irmão, pois conversávamos sobre isso desde 2007 mas nunca conseguíamos os dois ter tempo e dinheiro ao mesmo tempo haha. No fim meu irmão acabou não podendo e eu seria minha ultima chance nos próximos anos de tirar férias em julho. Buscando parceria para a viagem, não encontrava e resolvi investir aqui no mochileiros.com onde encontrei a galera que fez a viagem. Inicialmente ia com um outro grupo, mas tive que mudar a data da viagem, e acabei encontrando outro pessoal. Minha principal referência para planejar foi o Guia criativo para o mochileiro independente na América do Sul, 6ª edição. Sensacional, bem organizado e informativo, mas algumas informações estão desatualizadas, nada grave, mas saiu a nova edição esses tempos. Além disso, informações na internet, principalmente aqui no mochileiros.com ajudaram muito. Investimento Os gastos que tive com o mochilão foram R$ 1177,5 (passagem Tam ida-volta CWB-VVI) + U$ 1500 (2 vôos na Bolívia e custos com passeio, hospedagem, alimentação, lembranças). O fato de ter usado avião em duas ocasiões e alguns passeios (Nasca, Salkantay, Salar 3 dias) ajudaram a atingir esse valor, mas você com certeza consegue diminuir o preço dependendo de como viajar, onde ficar e comer e claro, o valor do dólar. Roteiro O roteiro que percorremos foi: Sta Cruz>Sucre>Potosí>Uyuni> San Pedro do Atacama>Arequipa>Cusco>Copacabana>La Paz>Sta. Cruz. Esse que vos escreve acabou indo para Nasca antes de ir para Copacabana em uma cansativa porém recompensadora jornada de busões. O que levei Inicialmente ia levar uma mochila cargueira de 42 L, mas quando fiz um teste, ficou tudo muito apertado, sem espaço para trazer qualquer coisa que quisesse comprar (uma chompa, por exemplo. Se tivesse ido com a de 42L não ia ter espaço!). Ai consegui uma de 77L emprestada e deu boa, uma de 65L já teria sido suficiente. Como o plano era fazer a trilha de Salkantay e não sabia que clima enfrentariámos no decorrer, levei umas roupas extras, mas que depois se mostraram um peso desnecessário. A mochila acabou indo com 12 kg, sendo 2k o peso da mochila Enfim, o que levei: 1 Bota usada e 1 tênis 3 calças (1 jeans, 1 calça bermuda de trilha e 1 cargo mais grossa para o Salar e Trilha) 2 jogos de segunda pele 4 camisetas manga curta 4 camisetas manga comprida 2 fleece 2 bermudas (1 normal e outra de banho) 1 Jaqueta (fleece+corta vento - leve um corta vento!!!!) 1 gorro 1 Ecohead (muito útil. Vira cachecol, balaclava, gorro, bandana e até mascara de dormir, e não ocupa espaço nem pesa!) 1 roupa de dormir (calça moleton e 1 camisa manga longa velha) 1 par de havaianas Material de higiene e kit primeiro socorros (dorflex, band aid, água oxigenada, repositor de flora intestinal, esparadrapo, gaze, nebacetim, antigripal, gelol e agulha. Procurei levar o essencial mas depois da trilha vi que levei coisa em excesso. Levaria apenas 3 camisetas manga curta e 2 de manga longa e menos cuecas e meias (tendo em vista a possibilidae de lavar roupas e noite que não teve banho haha) Dinheiro Levei dólares e aconselho: Leve dólares. O dólar é muito mais valorizado que o real. Só para dar uma noção: 1 dólar equivale a 6,9 bolivianos. 1 real equivale a 2,5 até 2,6 bolivianos. Entretanto, 1 dólar equivale neste momento a 2,4 reais. Mesmo com o dólar em alta, ainda compensa comprá-lo. Eu levei uma pequena parte do dinheiro em espécie, sempre em um saco plástico na doleira (money belt). Leve no saco plástico para não molhar, pois pode dar problema na hora de trocar. O resto levei no Visa Travel Money (VTM). Levei também sempre na doleira, meu cartão normal para qualquer eventualidade e também porque para retirar a passagem de avião dentro da Bolívia precisava apresentar o cartão com o qual foi efetuada a compra (não me pergunte a razão disso! Mas leve. Uma moça que estava com a gente não viu a informação no email da compra e teve que comprar outra passagem na hora. Então cuidado para não fazer a compra com um cartão que você não possa levar). Isso vale para a companhia Amaszonas. Das outras companhias eu não posso afirmar, mas fica a dica pra ler todas as informações antes e depois da compra. Levei também uns 70 reais como uma garantia caso acabassem os dólares ou tivesse problemas para sacar ou trocar. Quanto ao VTM, foi bom. A única coisa ruim foi que em alguns locais não havia caixa eletrônico (Cajero) para sacar em dólar, por ex. San Pedro, e em alguns locais não tem Cajero (Copacabana, Isla del Sol). Então é preciso se programar. Outra coisa ruim é que tem limite de saque por cajero, as vezes é 100, 140, 160, ou 200. Opte sempre pela maior quantia para pagar uma única taxa por saque. E opte sempre por sacar dólar e pagar com espécie. Explico: a taxa de câmbio nas casas é melhor que a do banco. Por exemplo no Atacama, U$ 1,00= $ 500 (pesos chilenos) nas casas. No banco, era U$ 1,00 = ~ $ 417,00. Passando o cartão ou sacando na moeda local você perde muita grana no fim das contas! E como sempre escrevem aqui, SEMPRE VERIFIQUE AS NOTAS QUE RECEBE DAS CASAS DE CÂMBIO. SE ESTIVEREM RASGADAS OU COM MARCAS INSISTA PARA EVITAR PROBLEMAS DEPOIS. Em poucas ocasiões tive problema pq as casas de câmbio não aceitam notas com rasgos ou manchas (carimbo, escrita) por menor que sejam, mesmo que você tenha recém sacado o dinheiro. Quando aceitam, trocam por um câmbio menor. Guardei essas notas para pagar passeios cobrados em dólar e em último caso, dá pra trocar no banco. Não é difícil achar locais pra trocar, só não confie de que em qualquer povoado há onde trocar. Resumo da viagem Santa Cruz de la Sierra (11,12/07) Saí de Curitiba às 06:10, meu vôo tinha conexão em São Paulo e depois Assuncion, até finalmente chegar na Bolívia. Foi tudo tranquilo, cheguei em Santa Cruz às 14:15. Chegando lá fui trocar uns 20 dólares só para poder passar a noite, comer, táxis etc, pois o resto da galera só chegaria no dia 12 e assim que chegassem, íamos para Sucre. Nas conexões acabei conhecendo uma moça que estava mochilando também e ia encontrar o namorado e amigos lá em Santa Cruz. Já no aeroporto fomos abordados por dois irmão mineiros que também estavam mochilando, o Jaime e o Alexandre e trocamos umas ideias. O namorado e amigos da moça chegaram e combinamos todos de ir ao Loro Loco Hostel (Avenida Suarez Arana 134) e fomos em dois táxis, 50 bol cada táxi. Eu, Jaime e Alexandre fomos em um táxi e nosso amigo taxista não sabia onde ficava o Loro Loco, ficou de seguir o táxi onde estavam os outros. No carro não funcionava nada além do motor (medidores de velocidade e gasolina, cinto de segurança, seta, nada haha). No fim das contas o cara perdeu o outro táxi de vista mas conseguiu chegar na Suárez Arana, mas não achávamos o Hostel. A rua era um paraguaizinho cortado por fumaças de espetinho de gato e os carros andavam a 0,03km/h e acabou que o taxista mandou a gente descer. Descemos e percorremos a rua inteira duas vezes sem encontrar, até que eu lembrei que tinha um mapa (levei xerox do guia, apenas das cidades onde passaria, reduziu o peso da mochila!) e decidimos procurar a Plaza de Armas e de lá, um hotel, pois já estava anoitecendo. Fomos e encontramos a Plaza e decidimos ficar no Hotel Copacabana, onde rachamos um quarto 3p com banheiro, 100 bol pra cada um. O quarto era fera e a cama idem. Saímos bater umas fotos, conhecer a parte central e jantamos num restaurante perto da Igreja, na parte do terraço com uma vista legal da cidade e a comida era bem boa. Pedimos uma porção pra 3 pessoas mais bebidas e deu 50 bol. Como saíriamos cedo no outro dia não pegaríamos o café da manhã então passamos no mercado comprar algo. No outro dia saímos cedo (o vôo dos dois era de manhã mas o meu grupo só chegaria à tarde, optei por ir com eles pra diminuir custos), pegamos um táxi por 60 bol (20 para cada) e chegamos. O Jaime e o Alexandre pegaram vôo da BoA e eu fiquei vadiando, tentando achar um bom lugar para dormir até a galera chegar. Acabei reencontrando os dois no meio do tour do Salar. Tive que almoçar por lá, o que não foi muito barato (um combo de hamburguer+fritas+refri) por 47 bol e não me alimentou muito não. Lá pelas duas o pessoal do grupo chegou (7 no total: Roberto, Maicon, Fabiana, Romulo, Carlos, Thiago e Isabela) e fomos conversando, almoçando, etc. Eu e mais três (Maicon, Roberto e Fabiana) pegaríamos o vôo das 16h da Amaszonas para Sucre (os outros iriam no outro dia e nos encontrariam apenas em San Pedro). Esse vôo é uma das melhores coisas que você pode fazer na viagem, pois de busão você levará 16h para chegar, numa das piores estradas da bolívia em um ônibus sem banheiro com uma pausa de 15 min no meio do nada para a galera fazer suas necessidades! De avião serão apenas 30 min por U$ 66 num avião bem bacana e ainda ganha um suco (serviço que muita empresa brasileira não anda fazendo haha). A BOA, TAM (Transporte Aéreo Militar) também fazem esse vôo, verifique preços e horários. A Fabiana acabou não levando o cartão de crédito com o qual fez a compra e depois de muito discutir teve que comprar um bilhete novo, mas para o vôo das 16:30, com a promessa de que devolveriam o dinheiro dela. Pagamos a taxa do Aeroporto (25 bol ; a taxa para vôo internacional é U$25,00. Nenhuma taxa desse tipo, nem de aeroporto nem de rodoviária está inclusa no preço das passagens, lembre disso no seu orçamento e se progame durante a viagem! Muita gente - inclusive esse que vos escreve - chega na hora sem saber disso porque não avisam em lugar nenhum). Sucre (12 a 13/07) Ok, chegamos a Sucre no horário previsto e não tivemos que esperar muito até a Fabi chegar. As malas tudo ok, fomos pegar um táxi. Bastou pisar fora da sala onde estávamos para os taxistas virem em peso, um treco um tanto quanto intimidador haha. Chora daqui, chora de lá e descolamos por 25 bol um táxi para os quatro até a Plaza. Sucre é uma cidade realmente bonita, vale a pena gastar um dia caminhando pelas ruas, ir ao mirador etc. Lá tem o parque Cretáceo que alguns recomendam, outros não. Ninguém dos 4 tinha interesse então no dia 13 já iríamos embora. Bom, da praça demoramos um pouco para localizar as ruas e tínhamos umas indicações de hospedagem e lá fomos nós procurar onde passar a noite. O guia do Maicon sugeria um tal de Hostal San José, mas rodamos e não encontramos. Como já estava anoitecendo apertamos o passo e em algum lugar sugeriram o Hostal Ciudad Blanca. No meu guia sugeria Hostal San Francisco (Av. Aniceto Arce 191 esq C. Camargo). Decidimos ir no San Francisco e de lá procurar o Ciudad Blanca. O San Francisco é bem bom, mas achamos um pouco caro (acho que estava 130 2p com WC) e fomos ao Ciudad Blanca que é a poucos metros dali, na C Camargo. Lá nos ofereceram um quarto coletivo com 10 camas, sem banheiro por 35 bol, e fechariam o quarto só para a gente, ficamos aí. O quarto e as camas era bem bons, o banheiro estava ok. Recomendo. Deixamos as coisas, demos uma descansada e saímos jantar. Fomos atrás do tal do Bibliocafé que alguém sugeriu no mochileiros.com e encontramos, na verdade tinha dois e optamos por um. O lugar era bem bacana tinha um palco mas sem banda naquele dia e pelo jeito é um lugar mais dedicado a Blues. Fiquei surpreso ao perceber que o som que estava rolando era um blues em espanhol, bem bacana. Um prato lá dá pra duas pessoas e fica bem em conta No dia seguinte saímos tomar café (saiu 13 bs no Grand Hotel. Misto quente+ xícara gd de café por 13 bs). De lá fomos ao mercado comprar algumas coisas para a viagem a Uyuni e depois buscar informações sobre como chegar lá. Fomos numa agência e o cara nos atendeu muito bem, deu bastante informações. Saímos de lá e decidimos ir ao Mirador antes, valeu muito a pena. A pracinha lá é bonita por si só e a vista lá de cima também é bacana. Voltamos ao Hostal pegar as coisas e bora para a rodoviária (20 bs). Lá queríamos pegar um táxi até Potosí e todos tinham visto que o valor era 40 bs/pessoa, mas não conseguimos por menos de 60 bs/pessoa e os ônibus para lá e para Uyuni ou já tinham saído ou já estavam cheios. No fim não teve jeito. E lá fomos nós a mais de 100km/h nas curvas da estrada, gelando hahahaha a paisagem é muito bela mas só eu fiquei acordado haha Chegamos em Potosí e o motorista nos deixou na rodoviária para comprar as passagens e nos levaria ao centro após isso. Compramos para as 19h. Tem as 18, 18:30, 19, 19:30, é só prestar atenção nas mulheres gritando estridente e alucinadamente, uma após a outra os horários! De lá o taxista nos levou ao centro mas sinceramente, não valeu a pena. Primeiro que a cidade estava bem parada e muita loja fechada. O legal foi que passou um cortejo folclórico e uma feirinha que tinha, mas fora isso, não achei tão interessante. Se você tem pouco tempo, aconselho ir direto de Sucre para Uyuni; caso tenha tempo, passe por Potosí, pois a gritaria da rodoviária velha é algo realmente engraçado. Uyuni (14, 15 e 16/07) Pegamos o busão de Potosí para Uyuni, coisa hilária. Até as 22h tocando música, mas não música tradicional andina, uma mistura impossível de ser rotulada mas com muito reggaeton. Viajamos de noite, então não dava pra ver muita coisa, mas cada vez mais as estrelas se tornavam visíveis e a lua estava crescendo, já valeu a pena. Chegamos em Uyuni às 23:49 com tmeperatura de -8 segundo o termômetro da cidade, frio lazarento haha. Pior que não tínhamos reserva em nenhum hotel. Felizmente assim que descemos do ônibus fomos cercados por várias senhoras fazendo propaganda de hospedagem e aceitamos conhecer o local de uma delas. Decisão certa. o local é HOSTAL VIELI (C. Sucre, 257 - [email protected] tel:(591-2)6932377). Recomendo, o local é bem bacana, limpo, vários quartos. Pagamos 35 Bs cada para um quarto com 5 camas sem banheiro. Parecia um porão pois o teto era baixo, mas dava pra ficar mais um dia ali bem de boa. O banheiro estava inacabado, e a porta tinha um janelão sem vidro que deixava o ar frio entrar, mas nada mortal. Recomendo fazer uma reserva em Uyuni, pois por mais que a cidade é pequena, ficar rodando atrás de hotel a -8ºC não é a melhor ideia. Nossos amigos do grupo ficaram no Piedra Blanca e falaram bem. No outro dia acordamos por volta das 8:00 e fomos tomar café da manhã e fechar o tour pelo Salar. Deu tempo pois os tours iniciam às 10 da manhã. Tomamos um desayuno fera num restaurante /pizzaria na Avenida Ferroviária, no mesmo local onde tem uma empresa turística. 25 Bs um cafézão reforçado com café, suco, pão, omelete, queijo e presunto. No local tinha uma senhora que vende os tours para várias empresas, Antonia ou Antonieta, e fomos trocar uma ideia com ela (Já tinhamos analisado propostas na rua, variando de 650 a 720 Bs) e no fim ela nos recomendou as empresas Cordilleras, Betto Tours e Brisa Tours (esta tinhamos conversado com o motorista por acaso, saindo do hotel). Perguntamos a ela sobre a Colque Tours e ela nos disse que pela Colque era perigoso. No fim acabamos pegando com a Brisa Tours. O Betto da Betto Tours era um sujeito bem conversador e gente boa, era nossa segunda opção. Na Brisa conversamos direto com o dono, o Johnny, gente boa pra caramba e fechou o passeio de 3 dias até San Pedro de Atacama para cada um por 680 Bs (U$ 99). Nosso guia seria o Oscar. Fomos pegar as coisas no hotel, comprar coisas pra viagem (biscoitos, água, chocolate, frutas) e voltamos. O guia chegou atrasado uma meia hora, assim como vários outros. Vi poucos passeios saindo na hora. O carro era de um modelo recente e estava bem conservado, ficamos bem tranquilos, e o Oscar bastante amigável. Se mostrou um cara muito gente boa e muito cuidadoso. Está na pira de aprender inglês para poder se comunicar melhor com os turistas, e demos uma força, além de que ele nos ensinou algumas coisas em Quechua ao longo da viagem. Passamos pegar mais duas garotas de Israel (que haviam comprado com a Colque Tour e foram remanejadas). Carro cheio, teve início o Tour, o grupo estava bem introsado. O Oscar foi um ótimo guia, muito concentrado e cauteloso, só dava umas apressadas na gente quando estávamos batendo foto porque ficava preocupado em não conseguir vagas nas hospedagens (segundo ele) e é uma ótima pessoa. A comida foi excelente todos os dias (café, almoço, chá e janta). Na primeira noite, o banho quente custa 10 Bs. Na segunda noite os hotéis são muito humildes, não tem banho e faz um frio forte, pegamos -20º, a ponto de eu acordar de noite com o dedão do pé duro e ficar uns 10min aquecendo para voltar ao normal e acordar constantemente por conta do frio (estava com segunda pele, fleece, corta vento, gorro, duas meias). Se você tiver meias de lã, é uma boa hora para usar. Terceiro dia foi corrido, pouco tempo em cada lugar, mas um lugar mais impressionante que o outro. Importante: o Oscar comentou que existem zonas no salar conhecidas como Sal que Trabaja, tipo um sal movediço, que periga atolar. Alguns motoristas bebem, alguns são meio doidos, e podem colocar os passageiros em risco então considere isso na hora de fechar o passeio, e nunca force o motorista a fazer algo que ele sabe que não vai dar certo, como sair da rota, ir além quando não dá, etc, pode ser perigoso. Em La Paz ficamos sabendo que com a forte neve que teve na semana seguinte, alguns carros ficaram atolados, alguns outros não puderam nem ir até a fronteira nem voltar, gente passando a noite no carro, resgates de helicóptero etc. Há também história de uma família gringa que locou um carro no verão para cruzar o Salar e até hoje não se sabe onde estão. Bom, chegamos na fronteira e ficamos esperando umas horas até o ônibus aparecer (estava marcado para as 10:30 se não me engano), era umas 12 e pouco. Fila de turistas querendo um lugar no ônibus que parecia não suportar todos com suas mochilas. Os atendentes eram meio mal-educados, respondiam rispidamente qualquer um que perguntasse algo. No fim veio uma caminhonete que levou todas as malas e 3 pessoas, e o resto no busão. 1h até chegar em San Pedro, visual bonito pra caramba, tente ficar acordado! San Pedro de Atacama (16, 17 e 18/07) Quando planejei o mochilão, não pensei em passar por lá pois confesso que desconhecia a cidade. Mas valeu muito a pena, a cidade é bem acolhedora, meio faroeste, mas é cara. Era incrível como o dinheiro desaparecia rápido haha. Aqui ficamos no Hostel Juriques, que a Fabiana leu em algum relato do mochileiros. Fica um pouco mais longe da parte central mas é um local bem bacana, limpo, banheiro e chuveiros bons, cozinha (embora não tenha muito talher e louça) e wifi. A diária custou $9000,00 em um quarto para quatro pessoas. No coletivo custa $8000. Os quartos tem lockers, é uma boa opção. O dono é o Roberto Carlos, um cara que parece saído de um forte apache, gente boa pra caramba. No hostel tem a agência deles também, os preços são bons, mas acabamos conseguindo preço melhor na Thekara. Nos informamos sobre os passeios e considerando os preços de tudo acabamos decidindo ficar apenas 2 dias completos aqui e fomos comprar passagem para Arica. Aconselho comprar assim que chegar pois no outro dia sobravam poucas passagens no ônibus direto para Arica. Custou $19900.No dia seguinte o resto da galera chegou e os encontramos no hostel. Aqui em San Pedro me ferrei pois não achei caixa para sacar em dólar e a conversão do banco (~417) era uma porcaria se comparada com a das casas de câmbio (500). No fim tive que pegar emprestado da galera, e deu tudo certo, mas perdi usando o cartão. Aconselho de início levar ao invés de U$ 400 em espécie, levar uns U$600 caso decida levar VTM. A comida aqui era boa, deixo 3 sugestões boas e com preço legal: Pizzaria El Charruá, Restaurante El Toconar (fica perto do Juriques), e o Barros (aqui comida e bebia são baratas e tem música ao vivo, incluindo tradicional. Muita gente da cidade vai lá e costuma lotar). Quanto aos passeios, decidimos não gastar com coisas parecidas com o que já tínhamos visto no salar (Gêiseres, lagunas etc). Optamos por alugar bikes nas duas manhãs e sair pedalar. Além disso, pegamos o tour por agência para os Valles de la Muerte e la Luna e acabamos indo pra as lagunas pois curtimos a idéia de boiar na laguna Cejar (só não falaram que a água era fria pra caramba haha). Ambos os passeios foram legais, visuais e pôr do sol incriveis. As pedalas também foram muito boas, a sensação é ótima e o legal é pedalar até dar vontade de voltar. Na primeira manhã fomos ao Canon del Diablo e na segunda manhã, pedalamos até a Aldea de Tulor. Recomendo os dois passeios! (Fechamos na Thekara. Alugaram as bikes com kit de reparo por 3000 por 6 horas cada, passeio das lagunas 10000+2000 da entrada, valles por 9000. A Aldea de Tulor custou 3000 para cada uma (na verdade era 5000 se não me engano, mas o cara da agência falou que era 3. Chegamos lá e o Romulo negociou com a senhora da bilheteria e ela fez por menos. O passeio é rápido mas vale a pena, a visita é guiada, dá pra aprender um pouco de história). Dia 18/07 às 20:30 pegamos o ônibus para Arica. Ônibus bem top. Chegamos em Arica antes das 6 da manhã, bora cochilar na rodoviária. Tínhamos a informação de que a fronteira só abria as 8h e íamos ficar por lá. Resolvemos perguntar para as pessoas e cada um falava uma coisa diferente, ao ponto de nos orientarem a ir num prédio da polícia para carimbar o passaporte e coisas do tipo (e o pior que fomos e lá falaram que a fronteiraestá aberta 24h). Voltamos para a rodoviária (isso já era quase 9h) e fomos procurar transporte para Tacna. Para isso você deve sair da rodoviária e ir no terminal que tem poucos metros depois. De lá saem carros e ônibus, carros assim que enchem e ônibus a cada 10 min. Os carros custam $4000 POR PESSOA e os ônibus $1500. Optamos por ir de ônibus. Os ônibus são furrebas, alguns caindo aos pedaços, mas como é só 1h de viagem, tranquilo. Decidimos levar as bagagens em cima, os caras começaram a reclamar, não demos bola. Não entendi a razão, talvez por poder ocupar espaço, atrapalhar, sei lá, mas foi de boa. Chegamos de boa em Tacna, com uma folga de tempo pois tem uma diferença de 1h do fuso. Chegamos e já fomos comprar passagem para Arequipa. Descolamos um desconto e a passagem custou a bagatela de 15 soles, na Flores Hermanos, para viajar 6 horas haha e o ônibus bacana, confortável e a cada 5 km entrava alguém para vender alguma coisa. Arequipa (19 a 22/07) Arequipa foi uma das maiores surpresas da viagem para mim, pois tinha planejado apenas fazer o Canon del Colca e na volta já ir para Nasca, no fim mudou tudo, até porque eu não esperava que a cidade fosse tão bonita. Nós chegamos em Arequipa por volta das 17h. Lá saquei uns dólares na rodoviária e fomos pegar um táxi. Um guarda da rodoviária veio conversar com a gente e disse que ia pegar um táxi bom para nós, e anotar a placa e tudo mais, inesperado, mas muito bacana da parte dele. Não lembro quanto foi o táxi, mas foi barato, ele nos deixou no Wild Rover. Chegando lá, ficamos sabendo que a reserva que havia sido solicitada não foi confirmada, então não teria 10 camas (o grupo saltou de 8 para 10 pois conhecemos duas brasileiras, Larissa e Thaisa na fronteira de San Pedro), apenas 6. Acabamos ficando lá mas tivemos que divir cama. Deixamos as coisas no hostel e fomos fechar o passeio (eu tinha certa urgência pois queria ir para Nasca haha). Uma brasileira que estava no WR indicou a Wasi Tour, e lá fomos. Por ser um grupo grande, conseguimos o Tour de 2 dias de 70 e algo por 55 soles (não incluídos almoços e termas). Saímos jantar no Burguer King (rs) e voltamos. Mais tarde o resto do pessoal chegou. Uma coisa: o Wild Rover realmente não é o melhor lugar para descansar. A estrutura é excelente mas é o lugar pra quem gosta de festa e bagunça, se você não está buscando isso, não fique lá nos finais de semana, as festas são fortes. Bom no outro dia as 7 e pouco da manhã o ônibus da empresa passou nos buscar para o passeio. Esse tour foi uma das coisas que me arrependo na viagem! Todo mundo aconselha o Tour de 2 dias pra não cansar e não sei o que, mas sinceramente, o primeiro dia foi uma perda de tempo. No tour de 1 dia, você sai as 4 da manhã e vai direto pra Cruz del Condor, Canon etc, e a tarde, águas termais, voltando de noite. O Tour de 2 dias vc chega pro almoço, relaxa uma meia hora, vai paras águas termais e a noite um jantar com show folclórico. Pois bem, os caras levam você num restaurante que cobra 25 soles (tudo bem que é buffet livre, comida boa e tal, mas é caro), as águas termais que nos levaram era água termal bombeada para piscinas normais, coisa sem graça pra caramba, e custava 15 soles. Resolvemos só pagar 5 soles para entrar na área e ver o rio mais de perto. O jantar com a tal Peña Show a musiquinha e danças eram bacanas mas a comida era cara haha Eu e o Roberto acabamos rachando um menú. Depois passamos numa venda para comprar umas coisas pra comer no almoço do outro dia haha. O segundo dia é o que realmente vale a pena do passeio, por isso sugiro o tour de 1 dia só! O Cañon é alucinante, e foi bem legal ver os condores. O tour de 3 dias inclui um trekking, mas devido aos desmoronamentos que tem ocorrido é possível que não sejam realizados por um tempo. Retornamos a Arequipa umas 18h. Quatro de nós (eu, Romulo, Isabela e Thiago) queríamos ir para Nasca e fomos a rodoviária ver passagens, mas acabamos desistindo da ideia pois não tinha passagem de Nasca para Cusco para todos, Decidimos ficar mais um dia em Arequipa e à noite às 20:00, ir para Cusco (passagem 100 soles pela Cruz del Sur, vale a pena, ônibus top, janta, wifi. As vezes descola mais barato, por exemplo, último assento para fechar o busão, etc). Há várias companhias, mas a Cruz é a mais top. Outras boas são a Oltursa, Flores Hermanos, Multitours. Das demais, o preço vai ser proporcional à qualidade do ônibus e serviços oferecidos,e claro , segurança Nesta noite eu, Thiago, Romulo e Carlos fomos para outra hospedagem, para realmente descansar. Acabamos parando no Hostal Regis (fica na mesma rua do Wild Rover, 1 quadra para baixo). Uma ótima opção, wifi, café da manhã fera incluído, bom preço: 27,5 soles num quarto 4p com banheiro. O atendimento da noite foi bom, o do outro dia pela manhã e tarde uma porcaria mas ainda assim pra mim foi o melhor hotel de toda a viagem, com o mehor chuveiro haha No dia seguinte às 11h descolamos um Free Walking Tour (FWT). Bem bacana, creio que é patrocinado por várias lojas (algumas nas quais nos levaram para conhecer ou comprar algo haha) mas foi bem bacana conhecer um pouco da história e uns lugares meio escondidos. Quando estiver por lá, tente acompanhar um. Apenas demos uma gorjeta pros caras no final. Arequipa é um bom local pra comprar souvenirs, Tem uns itens legais (garrafinhas de Inka Cola só vi lá!) e preço bacana. Noite chegou, bora pra Cusco. Cusco (23 a 30/07) A viagem foi tranquila, chegamos em Cusco por volta das 7:15. Saímos pegar um táxi. Na rodoviária custava 10-15 soles, é só andar umas quadras lá perto do monumento, que você consegue um táxi até a plaza por 3,5-5 soles, vale negociar. Nosso hostel ficava mais acima. Em Cusco não hesite em reservar um hostel, a procura é grande! O Romulo havia feito reserva no Apu Wasi (Calle Concepción 01 Esq. Calle Pumacurco). Achei muito bom e recomendo. A diária em quarto coletivo 6p sem WC era 21 soles, com café da manhã simple mas bacana (à vontade: pão, fruta, cereal, café ou chá), chuveiros bem quentes, cozinha liberada, wifi, lavanderia, mesa de sinuca e um pátio/jardim legal, guarda-bagagem, a algumas quadras da plaza. O pessoal foi muito atencioso e ajudaram bastante. A única coisa ruim dele é que fica numa ladeira o que pega depois que você volta da trilha de Salkantay haha e os táxis cobram mais por ser subida, embora a distância seja mínima. Achei legal da parte deles que eu fui pra Machu Picchu, voltei, fui pra Nasca, voltei e pude pagar só quando fosse embora. Outros 4 de nós ficaram no Wild Rover. Pois bem, deixamos as coisas no hostel e fomos para Plaza procurar agências para fecharmos os passeios, principalmente a trilha de Salkantay. Rodamos bastante em várias agências e encontramos preços variando de U$188 a U$260. Acabamos fechando com a Liz Explore´s pela recomendação em alguns relatos e também pelo atendimento dela e segurança que nos passou. A Liz fez um desconto legal pois éramos 6 pessoas e fechamos também o passeio do Valle Sagrado para o outro dia. A trilha iniciaria dia 25. No pacote estava incluso todo o serviço da trilha+entrada para Montaña Machu Picchu+Sacos de dormir+transporte até Cusco+1,5L de água fervida por pessoa/dia. Essa história da água fervida, no fim nós não recebemos 1,5L por pessoa por dia, dá pra contar uns 3L para todo mundo por dia, tivemos que usar pastilhas de purificação. Passeios fechados, fomos comprar o tal Boleto Turístico e depois almoçar. A nosso pedido, a Liz nos levou num restaurante bem bacana pouco acima na C. Garcilaso, na Plaza San Francisco (se não me engano era QoriSalvia o nome, ou algo assim). Servia Menú com salada, sopa, prato e chicha por s/ 8,5, muito bom. Na janta também tem menú, a la carte e uns combos de sanduíche+fritas+refri por s/ 5. Nesse dia a tarde fomos visitar as ruínas a pé e na volta compramos pão e frios e fizemos uma farofada na praça haha. No outro dia fomos até a Liz para encontrar o grupo com o qual iríamos fazer o Valle Sagrado. Deu uma atrasada mas tudo certo. O passeio vale bastante a pena, nossa guia (Regina) era bem gente boa. Voltamos tarde, jantamos e cada um foi arrumar sua mala para a trilha. Nós combinamos na agência que receberíamos dois alforges para os cavalos: 1 para os 6 sacos de dormir e 1 para as roupas. Cada um do grupo poderia levar até 5kg de bagagem, contando com o saco de dormir, mas no 4º dia, cada um deveria levar sua bagagem. Cada um de nós embalou em sacos e levou uma pequena mochila de ataque e a cargueira ficou no hostel. Eu Roberto e Thiago haviamos conversado uns dias antes de levar uma cargueira para os três e revezar. Tecnicamente não seria necessário mas no fim o Thiago levou a cargueira dele o que depois se mostrou uma coisa boa. Trilha de Salkantay Com certeza um dos pontos altos da viagem e um dos momentos mais aguardados. Foi uma das coisas que mais me motivou e animou nessa viagem depois de tantas fotos que vi, e de fato valeu cada centavo. Não só as paisagens, mas a experiêncccia a mais de 4000m de altitude, a tranquilidade e o silêncio. Saímos cedo no dia 25 (4 da manhã passarm nos buscar no hostel) e na Plaza San Francisco foram buscar o resto da galera. O guia não era o mesmo que nos deu o briefing mas não me preocupei com isso. Partimos para Mollepata, onde tem incício a caminhada, que durou até dia 29. Os serviços foram bons. Comida e acampamento excelentes (café, almoço, chá, janta), sempre chá de coca ao acordar. Equipamentos regulares (uma barraca o zíper tava meio estourado e não fechava a porta toda, passamos frio na primeira noite. Os sacos de dormir eram de fibra e não aguentaram muito bem o frio da primeira e segunda noite, durma de segunda pele, fleece e corta vento). O guia foi bom. O nome do cara era Marco, bem novo, tinha um ritmo de caminhada bem bom, explicava bem as coisas mas ele vacilou ao deixar, por 3 vezes, o grupo por conta própria (parece que na alta temporada os caras emendam uma trilha após a outra e acabam pegando o carro várias vezes pra descansar, e tentam te convencer a fazer o mesmo). Tudo bem que o caminho é bem susse, muita estrada, mas se acontece alguma coisa é um risco. Banho você tem no 2º, 3º (opcional) e 4º dia. No 2º dia você paga 10 soles pelo banho quente, ou pode fazer como nós, ir no rio e se banhar nas águas geladas vindas da montanha haha. 3º dia pode tomar banho nas termas e no 4º é o hostel em águas calientes (talvez seu chuveiro tenha momentos quentes e momentos frios, como o nosso). Não vou me delongar descrevendo o caminho, as fotos falam por si. Para mim o 2º e o 3º dia foram os mais recompensadores em termos de visual, mas também os mais cansativos. No segundo dia é a subida de 4200 para 4600m e a passagem pelo Salkantay. No quarto, o cansaso já acumulou. Após almoço o caminho segue pelos trilhos de trem, muito bacana. Em um determinado ponto, é possível ver uma parte dos terraços de Machu Picchu. Uma coisa meio forçada que rola na trilha são as gorjetas. O guia fala que na manhã seguinte vão despedir o cara dos cavalos, no outro dia o cozinheiro, e que a gente pode dar um presente para eles. Ai na manhã antes de partir reúne todo mundo e fica aquele negócio meio constrangedor. Dicas Uma vez um amigo me disse: A montanha pune! Parece exagerado, mas de fato ela pune toda falta de preparo físico, falta de equipamento adequado, falta de planejamento, falta de responsabilidade, e isso pode acontecer em Salkantay. Essa trilha tem 74km de extensão e passa por altitudes de pouco mais de 4600m, não é como um passeio no Parque do Ibirapuera, mas também não exige nenhum conhecimento técnico específico além de manusear um saco de dormir e preparar sua mochila. Também não consideraria um super trekking adrenalina como estava esperando. Ela exige preparo físico e foco mas é um trekking bem turístico pois você “só” precisa andar, todo o resto fica por conta da equipe. Se você quer fazer essa trilha, é totalmente possível, mas saiba que ela exige bastante. Como disse, não precisa conhecimento técnico, mas aprenda a usar e guardar um saco de dormir. É consenso entre viajantes e guias que ela é mais exigente que a Inca (que tem 48km). Se você tem uma vida sedentária você vai sentir dificuldade e talvez não aproveite e aprecie todos os belos cenários de tão cansado que você pode ficar, além de que pode passar mal (vi gente com soroche, gente com falta de ar, é muito comum!) Não é impossível, mas exige preparo, então se prepare, caminhe, use só escadas, suba morros na região onde você mora para ter um contato com esse tipo de atividade pelo menos uns 3 meses antes de viajar. Eu levo uma vida relativamente ativa (caminho bastante toda semana, pratico-quando-dá montanhismo, ando de bike) e senti o seguinte: 1º dia exigiu mais fisicamente, 2º dia exigiu mais respiração, mas também fisicamente. Na primeira noite acordei algumas vezes com falta de ar até aclimatar - você vai sentir como o ar é rarefeito. 3º e 4º dia vai no embalo, mas comecei a sentir dor na virilha. Só usamos o transporte até Santa Tereza (que foi obrigatório), o resto foi tudo nas pernas (por opção e economia), o que contribuiu para nosso cansaço, mas você pode usar transporte em outras situações, claro que pagará por isso. No segundo dia várias pessoas acabam pegando cavalo para o pior trecho da trilha (subir de 4100 para 4600 metros), mas para isso tiveram que desenbolsar 100 soles e avisar antes (na janta ou bem cedo antes de sair), portanto, leve dinheiro, mesmo que você esteja bem de condicionamento, nunca se sabe o que pode acontecer.. No terceiro dia em Santa Tereza é possível ir até as águas termais, custa 15 soles (5 de ida, 5 de ingresso e 5 de volta). Vá! E fique na piscina do meio que é a mais quente! É ótimo para relaxar, no outro dia eu não sentia nenhuma dor ou cansaço. E ainda dá pra tomar banho nos chuveiros. No camping à noite rolou fogueira e uma festa muito doida. Rolou algumas “músicas” brasileiras (Ai se eu te pego, Barabarabara bereberebere, Rap das Armas haha) e só gringo desengonçado haha, foi engraçado pra caramba. Mas também roubaram uns franceses que estavam no nosso grupo; eles deixaram dinheiro e passaporte na barraca, aí já era. No outro dia recuperaram os passaporte pelo menos (por isso nunca tire seu moneybelt!) No quarto dia você leva todo seu equipamento e almoço (exceto saco de dormir que no nosso caso voltava para a empresa) e há a opção de fazer tirolesa e ir de carro (se vc vai de carro vai junto com o pessoal da tirolesa). Havia pessoas do nosso grupo e de outro que foram a pé, juntaram todo mundo e falaram qual o caminho, nenhum guia foi junto (mais uma vez uma baita irresponsabilidade). Mas enfim, o caminho é bacana, vale a pena ir andando. O pessoal que fez a tirolesa também gostou (mas claro que tem que pagar). Nos encontramos para o almoço. O que levar para a trilha: eu não tinha muita informação sobre as temperaturas que enfrentaríamos mas de qualquer forma procurei levar o mínimo possível, até porque minha mochila de ataque é de 15L eu teria que levar tudo no quarto dia: - 1 Jaqueta (Fleece+corta vento); 2 calças(1 cargo de algodão para os 4 dias e 1 calça bermuda) ; 2 camisas manga longa ; 2 camisas manga curta ; 2 segunda pele pernas ; 1 segunda pele tronco ; 1 gorro ; 1 par de luvas ; 1 Chapéu ; 1 Ecohead ; 1 lanterna de cabeça ; Toalha secagem rápida ; Canivete suíço ; Protetor solar e labial ; Cuecas e meias de trilha (meias comprei em promoção na Decathlon!) ; Óculos de Sol ; Bastão de caminhada (comprei um de madeira no primeiro dia em Mollepata por s/5. Compre, ajuda bastante) ; Básico de higiene e 1os socorros (leve papel higiênico!) ; Snacks e água (pode levar 2 garrafas de 600 ou uma de 2L amassada, ou melhor, um camel-bag!) *Penso que não precisa levar mais de uma calça segunda pele e muitos snakcs. *Pelo amor de Deus: leve um corta vento, leve uma lanterna e vá com uma boa bota! Quando falam para levar uma bota usada, não é uma bota estourada, é amaciada! Lanterna deve ser item individual (uma lanterna simples de cabeça você acha por 20 reais, é uma ótima aquisição!), não fique na dependência da lanterna alheia. Você vai pegar temperaturas bem variáveis: Dia 1: quente e noite fria (a 4100m, pode chegar a -15º na primeira noite); Dia 2 começa frio e depois do almoço vai esquentar, vc vai passar na selva mas a noite é frio, o lugar é bem úmido; Dia 3: quente; Dia 4 quente. Machu Picchu Outro ponto alto da viagem, finalmente conheci um dos lugares que sonhava em ver de perto desde pirralho. No jantar da noite do dia 28, nosso guia entregou os tickets e combinou o horário de 6 da manhã para estarmos todos na entrada de MP. Optamos por subir a pé (além de mais interessante economizamos U$19 do busão caso fosse ida-volta). Para isso deixamos as mochilas no hostel e saímos às 4 da manhã para chegarmos as 4:30 na Ponte Ruinas e evitar fila. Estava uma temperatura amena e a caminhada foi bem tranquila e muito bacana pois a lua ainda estava Minguante e iluminava perfeitamente bem, a lanterna foi só um backup. Ficamos esperando e comendo nosso café da manhã (última refeição cedida pela agência) e às 5 da manhã o portão abriu. Galera saindo correndo e 15 minutos depois todo mundo morrendo nas escadarias. É umas subida bem exigente, ainda mais depois de 4 dias caminhando, mas vale muito a pena pois com o amanhecer a paisagem vai ficando cada vez mais bonita, você ouve os bichos cantando. 50 minutos depois estávamos na portaria. Lá encontramos o guia, 6h o santuário abriu e ele nos conduziu contando e mostrando várias coisas. Foi legal, mas a visita guiada poderia ser mais longa e completa. Legal que pegamos o nascer do sol, sem dúvida um dos mais belos que eu já vi na vida! Você vê um fio de luz surgindo no meio da montanha e de repente o sol começa a subir, mudando tudo, indescritível. Ok, depois o guia se despediu e cada um ficou por sua própria conta. Batemos algumas fotos e resolvemos subir a Montaña Machu Picchu (só pode entrar até as 11h). Iniciamos a subida umas 8:40. É um bom horário, pois ainda não está tão quente e o caminho é bem aberto, com poucas áreas cobertas para descansar na sombra. Essa subida foi muito na força psicológica pois nossas pernas estavam fraquejando já então fomos em um ritmo mais lento e quase 2h depois chegamos no topo. (Se não fosse o contexto da trilha de Salkantay, não é uma subida muito difícil). Putz, visual alucinante! Não sei como é a vista de Huayna Picchu, mas a Huayna fica bem mais abaixo da Machu Picchu. No cume tiramos um cochilo de umas 2h quase, sob o sol e depois resolvemos almoçar nosso pão com atum. Em MP tem restaurantes e lanchonetes mas ficam na parte baixa, antes da portaria, bem como os banheiros (que paga 1 sol para usar - sendo que o ingresso custou 142 soles!). Tudo ali é caro, uma água 500 ml custa 8-10 soles, um suco de laranja, 13 soles, então, leve seu almoço (Os preços em Águas Calientes são mais caros que em Cusco, mas dá pra comprar um lanche bacana pra levar. Mas leve TUDO dentro da mochila, pois em teoria é proibido levar entrar com comida, mas ninguém revista nada). Ah, você pode entrar e sair pela portaria quantas vezes quiser. Ok, almoço feito, demos mais uns minutos e decidimos voltar. De volta às ruínas fomos caminhar, volte e meia colávamos em algum grupo com guia para ouvir as informações (na entrada do parque há guias oficiais, Dá pra montar grupos na hora e negociar o valor) e às 15:30 resolvemos voltar. Encontramos um grupo de estudantes de Biologia da USP na caminhada e voltamos com eles, e resolvemos ir jantar. Após uma pesquisa de preço encontramos o Restaurante Inti Pata, comida muito boa, o menú com Sopa+Prato+Limonada foi 10 soles, um dos mais barato que achamos lá, e tem wifi grátis. Jantamos e fomos tentar descolar um banho no hotel, mas não liberaram. Eu e o Roberto fomos os primeiros do grupo a chegar na cidade e estávamos bem cansados, achamos uma varanda de um restaurante ao lado do hotel fechado e lá ficamos no melhor estilo mendigo até umas 20h, pois o trem só saía as 21. Lá pelas 20h o resto do nosso grupo chegou e fomos para a estação vadiar lá, todo mundo bem cansado. Depois da espera, o trem chegou, muvuca, empurra empurra na estação (nos trens tem os vagões turísticos e os vagões para os locais, estes não tem assento marcado, por isso o povo sai alucinado. Atente para o fato de que existe vagões A,B.C,etc em ambas as categorias). Foi o trem começar a andar todo mundo morreu e ressuscitou só em Ollantaytambo. Lá pegaríamos o transfer para Cusco. Muvuca total na estação, gente berrando para tudo que é lado e achamos a placa (cartolina rs) com nossos nomes. Confusão total, falaram para a gente esperar num canto, depois de um tempo nos conduziram ao ônibus. A príncipio faltava gente e tinha gente que não devia estar no ônibus e depois de umas ligações descobriram que a agência passou nomes errados haha. No fim deu tudo certo, chegamos em Cusco às 2 da manhã (e não antes da 1 como prometido). O ônibus parou perto da Plaza, estava muito frio, acabamos pegando um táxi até o Apu Wasi. Chegando lá, só o tempo de jogar a mochila e cair na cama. No dia 30/07, acordei cedo, tomei um banho demorado e fui agilizar algumas coisas, dentre elas, a ida para Nasca. Botei algumas roupas para lavar, negociei o pagamento do hostel e peguei umas dicas sobre empresas de ônibus. A ideia era ir para a rodoviária comprar as passagens e voltar a tempo de um Free Walking Tour (FWT) por Cusco às 11h, mas não deu, eu tava muito devagar. Acabei sondando as passagens nas agências de turismo em volta da Plaza. Acabei comprando uma pela companhia Palomino por 140 soles. A Palomino foi uma das que o pessoal do hostel indicou. Busão semicama com janta, mas com certeza na rodoviária acha mais barato, foi só uma questão de tempo mesmo. A volta deixei para comprar em Nasca (até porque acho que só a Cruz del Sur vende antecipadamente e faz reserva pela internet). Fui encontrar o Roberto na Plaza para irmos ao FWT mas chegamos à conclusão de que era muito empenho depois das caminhas haha. Fomos almoçar em um restaurante do lado do WildRover (Sabor&Ritmo ou Ritmo&Sabor), menú com sopa+prato+bebida+sobremesa por 6 soles. O lugar é bacana e bem frequetado pela população e a comida era bem boa mas no outro restaurante próximo a Plaza San Francisco a comida era mais saborosa. Depois do almoço deixei dinheiro para o pessoal comprar minha passagem para Copacabana (planejamos sair dia 01/08) e fui aproveitar meu Boleto Turístico nos muses ali perto. Depois fui comprar comida para o Bate-Volta de Nasca. Voltei ao hostel pegar só o básico e fui para a rodoviária, o ônibus saía as 22h. Nasca (31/07) Essa foi uma das loucuragens da viagem, mas eu fazia questão de ir até Nasca, outra coisa que desde que soube da existência queria ver de perto. A questão é que são 14 horas de viagem e meu tempo estava apertado (voltaria dia 04/08 ao Brasil). Acabei abrindo mão de Puno e La Paz para realizar a façanha, mas valeu a pena. As estradas no Perú são boas, mas essa de Nasca era bizonha. A qualidade da estrada era boa mas ela é cheia de curvas e vai até uma boa altitude para depois descer (Cusco está a uns 3500m e Nasca a 588m do nível do mar). A viagem é forte, creio que os atendentes de bordo sabem exatamente a hora de distribuir sacolas porque do nada a mulher saiu distribuindo sacolas e muita gente passou mal. Eu senti bastante enjôo, mas fechei os olhos, baixei a cabeça e foi tranquilo. Cheguei em Nasca próximo às 10h da manhã, a cidade é um ovo. O ônibus parou dentro do terminal e mal desci apareceu gente oferecendo os passeios, mas eu precisava sentar, dar uma relaxada, dar um tempo para estabilizar a cabeça depois de tanta curva. Ai comprei a passagem de volta na MultiTours, por 80 soles. Um senhor veio oferecer o vôo, falei que ia ver depois (pois queria ir ao aeroporto e negociar lá, pois é possível fechar por U$ 80 dólares lá, enquanto reservar antecipadamente você acaba pagando U$120 e até mais). Ele me ofereceu por U$100 e eu disse que estava caro, que sabia que podia fazer por U$80. Ele saiu e quando eu sai da sala de espera me abordou oferecendo por U$90 e eu chorei um pouco mais. Ele manteve o valor e ofereceu translado ida-volta do aeroporto. Falou que trabalhava para a Aeroparacas (essa e a Aerocondores são bastante recomendadas) e fui com ele mas falei que não queria fechar de cara. Passamos pegar um alemão que reservou o passeio e fomos ao aeroporto. O aeroporto é outro ovo, mas a estrutura é bacana, embora pareça mais uma rodoviária de interior. No balcão ele já foi pedindo o passaporte e eu vi que o nome da empresa era Aeroserviço Santos. Fiquei meio desconfiado, mas ele explicou que era do mesmo dono, usavam os mesmos aviões e até a moça do balcão foi pegar os documento no balcão da aeroparacas para me tranquilizar haha. Deve ser tudo assim, um dono para 3 empresas. Ok, eu tentei negociar o valor um pouco mais, não rolou, acabei fechando em U$ 90 (na baixa temporada, o vôo sai por U$ 50). O tempo estava bem ruim, muitas nuvens e estava com medo de perder a viagem e o vôo, mas lá estava assim todos os dias da semana, o tempo começava a melhorar às 11h (uma holandesa que conhecemos na trilha de Salkantay falou que não voou pois teve tempestade de areia quando estava lá, e dois dias depois de eu ter voado os vôos estavam suspensos por conta do mau tempo. Cabe verificar a previsão do tempo antes de ir! Eu fiz isso e o tempo estava de acordo com a previsão, a partir das 11 o céu não tinha uma nuvem). Depois de pagar, descobri que tinha uma taxa de aeroporto de 25 soles pra pagar. Aqui percebi uma das maiores irresponsabilidades minhas nessa viagem. Eu levei U$100 para pagar o vôo, com esperança de fechar por U$85, e mais 108 soles. Gastei 80 soles na passagem, 25 soles na tal taxa de aeroporto, fiquei com 3 soles e U$ 10, isso que já estava no fim da viagem. Mas como eu tinha levado comida e o translado tava garantido, ok, mas caso tivesse ido de táxi, teria problemas para trocar o dinheiro, pois no aeroporto não tem câmbio. Bom, agora era só esperar. O negócio é bem desorganizado e o esquema é ficar assistindo um documentário da National Geographic que fica rolando na TV do aeroporto, bem interessante para enteder as linhas e a cultura Nasca. O problema é que assiti mais de 5 vezes ele inteiro, pois a espera foi de 4 horas haha. Nesse meio tempo comecei a conversar com o alemão que veio no mesmo carro e no fim pegaríamos o mesmo vôo. Ele também havia chegado de manhã e foi abordado da mesma maneira, mas ele acabou pagando uns U$ 30 a mais que eu. Tempo melhorando foram chamar a gente para voar. Estava um pouco apreensivo pois já tinha lido notícias de queda de avião lá em Nasca e de aviões bem furrebas voando mas não dava nem queria voltar atrás. Não manjo nada de avião mas o avião no qual voamos pareceu ser novo e bem top. Creio que nos remanejaram para o vôo de alguma companhia ou a galera para o nosso vôo. Tudo pronto, decolamos e putz, finalmente eu estava tendo a oportunidade de ter a mesma vista dos documentários que assistia, mas o vôo é sinistro, pois faz umas curvas bem fortes, eu senti um pouco de tontura e dor de cabeça, mas permaneci atento o vôo todo. Algumas vezes é difícil ver as linhas, mas consegue. O ruim é que é rápido, mas pude realizar algo que sempre quis. Pouso tranquilo, voltamos à sala de espera e cadê o nosso transporte haha Tive que pedir umas 3 vezes e aí acho que o funcionário pegou um taxista qualquer e mandou eu e o alemão entrar, vacilo nosso não perguntar nada antes onde pararíamos, mas deu tudo certo, o cara nos deixou numa praça. Me despedi do alemão e fui para a praça almoçar (trouxe de cusco pão, atum e um tomate, regado a 600ml de Tampico haha), era umas 17h. Depois passei no banco trocar U$ 5,00 só pra ter grana quando chegasse (o câmbio era 2,69, em cusco era 2,75, portanto só na necessidade). Dei uma volta na cidade, o mais legal é a Plaza, aí acabei indo para o terminal e fiquei dormindo e assistindo novela peruana haha. O ônibus saiu no horário e o serviço da MultiTours é muito bom. A viagem foi cheia de curvas e gente passando mal, mas ok. A janta foi servida no café da manhã e me surpreendi com um hamburguer de frango e um pedaço de bolo de chocolate bons pra caramba. Cheguei em Cusco perto das 10h do dia 01/08. OBS.: A MultiTours tem um ônibus saindo de Rio Branco até Cusco. Lá em Cusco andei umas 4 quadras da rodoviária e descolei um táxi por 3,5 soles até a Plaza. De lá fui ao Hostel, deixaram eu tomar banho e ficar o tempo que precisasse. Acabei saindo pra almoçar (no Sabor&Ritmo ou Ritmo&Sabor) e comprar umas lembranças (Arequipa e Cusco achei os melhores lugares para isso) e resolver minha questão financeira (tarde demais). Tive que solicitar mais U$100,00, mas só cairia no dia seguinte. Felizmente levei meu cartão normal e pude sacar Soles (perdi muito na conversão e taxas, mas salvou minha vida e pude pagar o Hostel. Tudo resolvido fui encontrar o pessoal, fomos para a Rodoviária, o ônibus saia às 22h. Nesse momento, estávamos somente eu, Roberto, Maicon e Fabiana. Thiago e Isabela foram no dia 31 para Copacabana e Carlos e Romulo já estavam em La Paz e retornado ao Brasil, respectivamente. Copacabana/Isla del Sol (02/08) O ônibus para Copacabana foi o barato que saiu caro. A passagem custou 50 soles, o que me alegrou muito haha, mas o ônibus não era lá grandes coisas. Era semicama, mas não tinha manta, e o pessoal comprou as primeiras poltronas do segundo andar, gelado pra caramba! Ainda bem que eu levei minha segunda pele na mochila, acabei colocando durante a viagem, mas mesmo assim foi frio. Eu tinha uma manta pequena (1mX1m) mas estava na cargueira lá no bagageiro. Azar nosso, foi a pior trecho, mais por causa do frio. Chegamos em Puno antes das 6h, descolamos um café da manhã simples mas suficiente por 5 soles e ai esperar o busão pra Copa. O cara da agência queria vender um pacote com os tickets pra Isla del Sol, mas cobrava em Soles, saía bem caro, evite.O ônibus pra Copa saiu com atraso, foi meio confuso, mas saiu, era pra ser ás 7, depois, 7:30, e no fim saiu umas 7:20. A viagem tem um visual bem bacana, mas todo mundo estava morrendo de sono. A fronteira é uma bagunça, mas deu tudo certo e chegamos em Copacabana umas 11h. Já fomos direto nos informar sobre os horários de barcos e pegar umas dicas. Sobre os barcos, as opções de horário e trajeto são: COPACABANA-NORTE: 8:30 ; 13:30 COPACABANA-SUL: 8:30 ; 13:30 SUL-NORTE: 10h ; 14h ; 15h NORTE-COPACABANA: 8:30 ; 10:30 ; 13:30 SUL-COPACABANA: 10:30 ; 13:30 ; 16 (16:30, não lembro exatamente) Acabamos optando por ir até o SUL e pernoitar mais para o centro, subindo alguns metros, e no outro dia curzaríamos até o norte e de lá voltaríamos para Copacabana. Eu optei por voltar mais cedo e pegar o ônibus turístico das 13:30 para La Paz (o outro era só as 18:30,e no meio-tempo, tem os locais), pois queria comprar um Charango rsrs. Descolei a passagem por 25 bolivianos num ônibus suficiente, mas confortável. A galera comprou por 35 bolivianos numa outra empresa. Em Copacabana é possível deixar as mochilas no Hostal Colonial por 5 bolivianos e não hesitamos, pois não gostaríamos de carregá-las para atravessar a Isla (outra opção seria ir ao Norte ecruzar a Isla até o Sul e pegar um barco para voltar ao Norte pegar as malas, mas encareceria). Voltamos comprar os tickets para a barca e conseguimos os 4 por 70 Bs. Isto feito, fomos almoçar, o cara dos barcos indicou um quiosque (barraca) Nº 7, uma truta por 20 Bs. Eu e o Roberto fomos lá, e rachamos um prato pois não tínhamos muita fome. É simples mas muito boa a comida, e nem eu nem ele passamos mal, recomendo, pois os restaurantes são mais caros. (Estava na época da Fiesta de la Virgen de Copacabana, a cidade ferve! Em Copacabana é difícil conseguir hotel mas na Isla é tranquilo, e não sei se em outros momentos tem esses quiosques, mas fica a sugestão!) 13:30 sai o barco, eu dormi 80% do trajeto, mas o visual é belíssimo, o Titicaca é incrível. Chegamos na parte sul da Isla del Sol por volta das 15h, e já de cara a primeira surpresa: tinha que pagar 5 bolivianos para entrar na Isla, e ninguém tinha avisado, todos os turistas questionaram, alguns forçaram, mas não teve jeito, todo mundo teve que pagar (pelo menos consegui passar uma nota de 10 bolivianos bem rasgada que ninguém aceitava, pois na correria o fiscal nem conferiu). Decidimos subir a escadaria e procurar um hostel mais acima, para evitar sobes e desces desnecessários, o que foi uma boa escolha. Acabamos encontrando o Thiago e a Isabela (eles cruzaram vindo do norte e iam pegar a barca para retornar até lá), fomos andando e perguntando os preços, tinha de 15 Bs (na parte mais baixa) a 50 Bs (2p, WC etc). Acabamos conseguindo no Hostal Comunitario, negociando com a dona Dominica, por 30 Bs quarto com banheiro, ducha quente, um tinha 3 camas (eu, Roberto e Maicon) e outro uma de casal, onde a Fabiana dormiu. Era bem localizado, bem central e perto dos restaurantes. Decidimos ir até as ruínas do sul e subir no mirante. No meio tempo, prestigiamos uma festança que rolava na escola, bem interessante. A subida ao mirante deixamos para o fim da tarde para pegar o pôr do sol, a subida matou um pouco, mas devagar chegamos. Muito louca a vista, mas faz um frio forte. Voltamos, já estava escurecendo (leve sua lanterna caso faça a mesma coisa) e quando chegamos no hostal, não tinha luz e a D. Dominica, nem sinal haha. Resolvemos sair para comer e depois resolveríamos isso. O pessoal da USP que conhecemos em Machu Picchu tinha indicado o Restaurante Las Velas que serve uma pizza vegetariana orgânica deveras boa, segundo eles (engraçado que nenhum deles era vegetariano). O restaurante fica no meio de um bosque de Eucaliptos (leve sua lanterna!), mas o preço era muito alto para o tamanho da pizza (uns 90 bs e a pizza familiar era pouco maior que uma pizza Sadia). Saímos e fomos procurar, mas não tinha muita opção. Entramos no RESTAURANTE AYMARA e encontramos o que procurávamos: uma pizza gigante por um preço razoável haha. Fomos atendidos pelo próprio dono, um senhor bem gente boa. A pizza pode ser classificada como extra-gigante e o valor era 90-100 bs. Tinha sabores tradicionais e os especiais, Aymara e Titicaca, este, com truta e vegetais, foi nossa escolha. Absurdamente boa a pizza, e sustenta bastante, pois a massa é grossa e tem bastante verduras e carne de truta. Cada um comeu dois pedaços bem grandes e foi o suficiente. Só a bebida era cara (1 copo grande de suco de laranja custou 13 Bs), e depois ficamos sabendo que tinha Coca 2L por 12 Bs haha Barriga cheia, breu total e silêncio (21:30), só restava dormir. Voltamos ao hostal, e tinha luz, mas conforme o pessoal ia tomando banho, caía a luz pois não suportava muita gente tomando banho ao mesmo tempo. Eu e o Roberto decidimos acordar cedo para ver o nascer do sol, e essa foi uma boa escolha! Além disso eu precisava pegar a barca das 10:30. Tínhamos planejado sair as 5:30 mas estava muito escuro, tudo bem que tínhamos lanterna, mas decidimos esperar clarear um pouco, por segurança, visto que não sabíamos ao certo o caminho a seguir. 6h começou uma luz fraca e partimos. Seguimos o conselho do dono do restaurante de pegar o caminho mais largo, contornando o morro do mirante, pois é mais plano e fácil de seguir. Sem erro, e a luz ia ficando mais intensa. Ai passamos uns hostels e de repente estavamos numa Bilheteria, para nossa surpresa. Felizmente estava fechada, mas sacamos que para usar teria que pagar, só não sabíamos quanto. O bom que tinha um mapa, do qual bati uma foto para usar na caminhada. Da bilheteria pode ir para vários pontos. Continuamos o trajeto rumo à ponta norte, chegou uma parte com uma subida e passamos uma mancha de eucalpitos e mais adiante tinha outra mancha de eucaliptos. Paramos aí, foi muita sorte, estávamos de frente à montanha onde o sol nasce. Surreal! Ficamos uma meia hora ali, cena incrível. Debulhamos umas bolachas e partimos. Parecia que não chegava nunca. Aí chegamos numa placa, a entrada norte do caminho pelo qual fomos, o famoso Camino del Inka. Descobrimos que o valor era de 15 Bs (novamente ninguém avisou nada! Revolta não pelo valor em si, mas porque ninguém avisa que tem esse gasto). Era quase 9 horas e também não tinha ninguém ali, melhor para nós. Caminhamos um pouco mais e chegamos no fim, dali dá pra ir para as ruínas, mesa cerimonial etc. O Roberto estava sentindo dor na perna e foi num passo mais lento. Eu acabei por tirar fotos da paisagem e continuei a caminhada um pouco mais rápido para chegar ao cais, poderia ter ido mais devagar pois cheguei 9:30 lá. A parte norte me pareceu mais tranquila e acolhedora. Dei uma sondada nos desayunos e o mais barato (10 bs), tinha gente esperando a comida a mais de 30 min, resolvi comprar umas frutas. 10:30 o barco saiu, 12:30 estava em Copacabana. Deu tempo de ir no Kiosk 7 comer uma truta (de novo, porque é boa pra caramba) e fui pegar o ônibus, onde acabei reencontrando uma austríaca que conheci no Apu Wasi. O ônibus saiu com uns 10 min de atraso. Era confortável, reza a lenda que tinha wifi haha. A viagem foi bem tranquila, o começo é legal ficar olhando pela janela pois a vista do lago é muito fera. Chegamos em La Paz umas 17h. Se eu tivesse mais tempo, sem dúvidas teria ficado até mais tarde e pegaria o ônibus das 18:30 La Paz (03 e 04/08) A cidade é realmente bonita, principalmente as construções históricas, fiquei com remorso de não poder ficar mais um dia. Em La Paz chegamos no que acho que era a rua do terminal, pois o ônibus não entrou em lugar nenhum, parou na rua mesmo. Descemos e já fomos abordados por taxistas. Durante a viagem conheci duas chilenas amigas da Tereza (austríaca) e elas iam para o Loki, eu para o Wild Rover, a Tereza ficou lá na rodoviária. Na rodoviária estavam cobrando caro o táxi, descemos um pouco e negociamos um taxi por 15 Bs até a Plaza. Os dois hostels ficam na mesma direção. Interesse comum, combinamos de ir ao Mercado de las Brujas. Cheguei no WildRover, não tinham confirmado nossa reserva no quarto coletivo (inicialmente pensei que o pessoal não tinha confirmado, mas depois ficou claro que os caras do Wild Rover são desorganizados pra caramba), nos remanejaram para o quarto de 6p, mais caro. Deixei as coisas lá e fui achar um lugar para sacar em dólares e cambiar, mas só achei cajero em bolivianos, além disso, sábado a tarde a cidade estava morta, casas de câmbio fechadas, mas você pode trocar no Loki ou no hostel em frente ao Wild Rover por um bom câmbio (6,9 - nas casas pega por até 6,93). O jeito foi sacar em bolivianos, pois queria comprar um charango e precisava pagar uns empréstimos pro pessoal do grupo. Passei no Loki encontrar as chilenas e fomos ao Mercado de las Brujas, lugar um tanto quanto bizarro, mas vale conhcer. Acabei não comprando o charango pois o mais barato que achamos era 330 bs (engraçado que com minha cara de gringo os preços eram de 500 para cima, aí quando uma das chilenas perguntava era 350, 400 rsrs). Ficamos por lá para jantar, tem uns restaurantes dignos por 15 bs (só a sopa que veio depois do prato principal que era água+óleo+fiapos de frango). Saímos de lá às 20:30, o restaurante já estava fechado, muito estranho. Voltamos, passei numa venda comprar algo para comer na viagem, fui pro hostel tomar um banho, relaxar e agilizar as coisas pra volta. A galera do grupo que saiu às 18:30 de Copa chegou umas 22:45. Verificaram que tinha sido feita confirmação da reserva e foi erro do WR, iam cobrar o preço do quarto coletivo, mais barato. Fizemos uma confraternização, nos despedimos, fui dormir às 00:00. Lá pelas duas acordo com alguém vomitando no beliche de cima e o vômito acabou atingindo meu tênis. Passada a raiva o jeito foi passar uma água e embalar bem pra amocar na movhila. O Thiago tinha vôo pra La Paz no dia 04/08 cedão (acho que era às 06:30), e o meu vôo era ás 09h, acabei indo ao aeroporto com ele mais cedo, para rachar o táxi, saímos do WR perto das 5 da manhã, o táxi deu 35 bs pra cada um. O Thiago foi fazer check-in e aí descobriu a tal Taxa de Embarque de U$ 25,00 para vôo internacional e me avisou, mas tanto eu quanto ele só pagaríamos em Sta Cruz. Nos despedimos e eu fiquei dormindo. Mais tardei fui sacar os dólares, tudo certo.Quando fui pagar a taxa de vôo doméstico (15 bs) havia uma senhora suíça discutindo com a atendente pois também não sabia da taxa internacional e ela só tinha soles. Peguei meu vôo, deu tudo certo, ai em Sta Cruz o jeito foi ficar dormindo pois o vôo para o Brasil era só às 15:30, mas chegou um momento que eu não aguentava mais dormir haha. Fui comer um Subway, que era o mais em conta, perdi umas moedas que ficaram entaladas na máquina de refrigerante, até aí tudo bem. Fiz meu checkin perto das 13h e segui para a imigração e portão de embarque. Ai foi tenso. Após carimbarem a saída me dirigi à mesa onde revistariam a bagagem de mão. Não sei o que estava rolando, de umas 8 pessoas que estavam ali, ficaram 3. O cara que estava controlando a fila me fez um monte de perguntas, tranquilo, ai fui para revistar a bagagem, ok e quando estava saindo um agente me parou e começou a perguntar de onde vinha, para onde ia, no que trabalhava, se eu tinha credencial (na próxima viagem levarei cópia da carteira de trabalho, única coisa que eu não levei cópia!), ai chamou o agente que controlava a fila, começaram a conversar, mencionaram que passei pelo Chile ai o cara fala: “Senhor, sou da Narcóticos, aguarde aqui”. Respondi sem me preocupar “Tudo bem” e mantive a calma, mas comecei a estranhar e a cabeça a imaginar um monte de coisa. Durante todo o tempo tentei me manter firme e despreocupado e não ser desrespeitoso. O cara pediu para acompanhá-lo até uma sala onde tinha uns aparelhos e eu pensei “só falta ser detector de mentira haha” mas no fim era um raio-x. Falou pra eu tirar todos os cintos e bolsas (moneybelt, pochete) e tirou uma radiografia do meu abdômem (certamente para ver se estava escondendo droga - das duas uma: ou tenho muita cara de drogado ou de mula haha). Fez a revelação, ok, me pediu para assinar um livro. Indaguei para que era e ele não respondeu. Mas me liberou e fui para a sala de espera do vôo. No fim eu só fiquei tranquilo quando o avião decolou, e mais tranquilo ainda quando estava com a minha bagagem em SP, que veio aberta e toda revirada, mas nada faltando. Cheguei em Curitiba as 00:15 mais ou menos, tudo certo, encontrei meus pais no aeroporto e assim termina. Valeu cada centavo gasto e cada quilômetro rodado, cada noite mal dormida, foi uma das melhores experiências da minha vida e com certeza voltei diferente de como fui. Um muito obrigado a galera do grupo!
  12. SamuelSchw

    Opinião roteiro Peru-Bolívia (Julho 2013)

    HJARDIM obrigado pelas dicas. Estou vendo a possibilidade de ir de avião tvz até Campo Grande e ir mais cedo para Corumbá, numa dessas passo o dia lá. Vc foi pra lá quando? acha que dá pra encarar sozinho?
  13. SamuelSchw

    Opinião roteiro Peru-Bolívia (Julho 2013)

    Saudações pessoal! Esse é meu primeiro tópico aqui e ainda sobre o primeiro mochilão que planejei sozinho (e tvz faça sozinho pois tá difícil de achar companhia com disponibilidade e recursos). Gostaria da opinião e sugestões de vocês. Terei 30 dias de férias a partir de 8 de julho e meu foco é Machu Picchu, Titicaca, Sucre e Salar de Uyuni. Optei por fazer a trilha de Salkantay e tour de 3 dias no Salar. Pois bem, 27 dias, saindo de Curitiba dia 07/07 de madrugada, retorno dia 02/08, gastos previstos em torno de 2600 (comida, hospedagem, tour e alimentação). A princípio faria tudo de ônibus/trem, mas estou analisando a possibilidade de vôo de Ctba-CampoGrande e vice versa, utilizando pontos. Aí vai o roteiro ©=chegada (p)=partida: Dia Onde? O quê? 1 Curitiba(P) Campo Grande(c ; p) 2 Corumbá (c ; p) Puerto Quijarro (c ; p) 3 Sta. Cruz de la Sierra (c ; p) 4 La Paz (c; p) ; Copacabana © 5 Copacabana (p); Puno © 6 Puno (Tour) 7 Puno (p) ; Cusco © 8 Cusco City 9 Cusco Ruínas 10 Cusco Valle Sagrado 11-15 Cusco Salkantay+Machu Picchu 15 Cusco © 16 Cusco (p) 17 La Paz (c ; p) ; Uyuni © 18-20 Uyuni (Tour) 21 Uyuni (p); Sucre © 22 Sucre (Tour) 23 Sucre (p) ; Sta. Cruz de la Sierra © 24 Sta. Cruz de la Sierra (p) 25 Puerto Quijarro (c ; p) ; Corumbá (c ; p) 26 Campo Grande (c ; p) 27 Curitiba Chegada . Eaí, acham viável? Vale a pena? Desde já obrigado. Abraços! Samuel Schwaida
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