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Renato37

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Sobre Renato37

  • Data de Nascimento 31-01-1976

Outras informações

  • Lugares que já visitei
    Japão (onde morei e trabalhei por 4 anos) e EUA de passagem . . .
  • Próximo Destino
    São tantos que não dá para definir....
  • Meus Relatos de viagem
    Todos os meus relatos - Do + Recente ao mais antigo:

    22) Travessias Ruy Braga + Serra Negra emendadas no Parque Nacional do Itatiaia em 3 dias com 2 pernoites.
    --- Relato ainda sendo escrito--- em breve será postado o link aqui, aguarde....

    21) Mega circuitão solo no Parque Nacional do Itatiaia em 4 dias com 3 pernoites
    http://www.mochileiros.com/travessia-couto-x-prateleiras-circuitao-solo-dos-picos-do-pni-em-4-dias-t131700.html

    20) Pico Paraná + Itapiroca e Caratuva - Mais do que apenas um simples batevolta
    http://www.mochileiros.com/pico-parana-itapiroca-e-caratuva-mais-do-que-apenas-um-simples-batevolta-t130705.html

    19) Cachoeiras do Portal, Grampos, Funil e Garganta do Diabo em Paranapiacaba - SP
    http://www.mochileiros.com/paranapiacaba-cachoeiras-do-portal-grampos-funil-e-garganta-do-diabo-t111350.html

    18) Travessia Rebouças X Mauá (Via rancho caído) no PNI:
    http://www.mochileiros.com/travessia-reboucas-x-maua-via-rancho-caido-set-14-t108677.html

    17) Travessia da Serra fina:
    http://www.mochileiros.com/travessia-da-serra-fina-t98077.html

    16) Travessia Marins x Itaguaré:
    http://www.mochileiros.com/travessia-marins-x-itaguare-t87374.html

    15) Pico Pedra da Mina 2.797 metros de altitude:
    http://www.mochileiros.com/pico-pedra-da-mina-2-797metros-de-altitude-t86409.html#p877334

    14) Cachoeiras do Salto e escorrega em Itariri:
    http://www.mochileiros.com/cachoeiras-do-escorrega-e-do-salto-em-itariri-t86444.html

    13) Pico dos Marins 2.421 metros de altitude:
    http://www.mochileiros.com/pico-dos-marins-2-421m-de-altitude-t85655.html#p870836

    12) Pico do Itaguaré 2.307 metros de altitude:
    http://www.mochileiros.com/pico-do-itaguare-2-307-metros-de-altitude-t85841.html

    11) Travessia Petrópolis X Teresópolis:
    http://www.mochileiros.com/travessia-petropolis-x-teresopolis-na-serra-dos-orgaos-rj-t83572.html#p850906

    10) Travessia Pico da Onça a Pedra Partida (3ºparte)
    http://www.mochileiros.com/travessia-pico-da-onca-a-pedra-partida-em-monte-verde-mg-t83181.html

    9) Pico da Onça, Pedra Bonita e Bosque dos Duendes em São Francisco Xavier (2ºParte)
    http://www.mochileiros.com/pico-da-onca-pedra-do-ovo-e-bosque-dos-duendes-t82860.html

    8) Cachoeiras Pedro David e Roncador em SFX (trilha exploratória - 1ºParte)
    http://www.mochileiros.com/cachoeira-pedro-david-e-do-roncador-em-sao-francisco-xavier-t82316.html

    7) Cachoeirão do Elefante, 2 quedas e escorrega em Mogi/Bertioga:
    http://www.mochileiros.com/cachoeirao-do-elefante-2-quedas-e-escorrega-em-mogi-t82431.html#p840037

    6) Cachoeiras do Perequê-mirim e poção do cristal verde:
    http://www.mochileiros.com/cachoeira-do-pereque-mirim-e-pocao-do-cristal-verde-t82176.html

    5) Cachoeiras do Paraíso e Lagoa Azul em Cubatão - SP:
    http://www.mochileiros.com/cachoeiras-do-paraiso-e-lagoa-azul-em-cubatao-sp-t82692.html

    4) Pico do Itatins (morro do Peruíbe):
    http://www.mochileiros.com/pico-do-itatins-na-serra-da-jureia-morro-do-peruibe-t81744.html

    3) Circuito: Cachoeira dos Grampos à Tartaruguinha e fumaça em Paranapiacaba:
    http://www.mochileiros.com/circuito-cachoeira-dos-grampos-a-tartaruguinha-e-fumaca-t81832.html

    2) Cachoeiras da Pedra Grande e Faú em Miracatu - SP
    http://www.mochileiros.com/cachoeiras-da-pedra-grande-e-fau-em-miracatu-sp-t81935.html

    1) Morro do Careca e cachu escondida em Paranapiacaba:
    http://www.mochileiros.com/morro-do-careca-e-cachu-escondida-em-paranapiacaba-t81764.html#p832770
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  1. 4ºDia - Do topo do Capim amarelo (2.392m) a Rodoviaria de Passa Quatro (sem resgate) A Segunda-feira amanheceu com uma fina nevoa, o que me fez supor que não iria dar para ver o nascer do sol. Mas era só uma nuvem passando e logo abriu. Um tapetão de nuvens cobria o vale do paraíba e as cidades do sul de MG. Após ver o surgimento do astro-rei por detrás da crista do Melano, fui preparar meu último café da manhã. A novidade foi o topo todo coberto pelo branco da forte geada da madrugada, o que foi um atrativo a parte, pois não havia visto o Capim amarelo daquele jeito nas outras vezes que acampei lá.... Barraca desmontada e mochila nas costas, começamos a descida por volta das 9:00hs. Vamos descendo devagar a pirambeira ingreme e noto que em alguns pontos colocaram cordas em lugares onde antes não havia. Além das cordas, escadas também foram afixadas nos trechos mais pirambeiros. 20 minutos depois, passamos por um trecho conhecido como "cotovelo" e logo em seguida a descida começa para valer. Topo do Capim amanheceu coberto de branco da geada Vou perdendo altitude rapidamente, e segurando forte na vegetação em volta para evitar despencar vale abaixo. Descer o capim sentido toca do lobo é uma experiência diferente, mas assim como a subida, é uma descida bem desgastante. As trocentas vistas do gigantesco vazio do vale do paraíba lá embaixo impressiona o tempo todo, mas não dá para se distrair..... As 11:00hs, termino a descida mais pirambeira e saimos do trecho de capim elefante para um capim ralo. A partir desse ponto, a descida dá lugar a um trecho plano, seguido de uma leve subida, por uma fina crista com 2 vales ao lado. Mais 15 minutos e chego ao alto do morro do Quartzito, onde se tem uma bela vista do Capim amarelo bem a sua frente (no meu caso, atrás). Demos um tempo ali para o Leo tirar suas fotos do trecho da vista classica e eu aproveitei para molhar a goela seca com um gatorade geladão.... Descida pirambeira Caminhando pela fina crista em direção ao alto do Quartzito Leo de costas registrando sua foto no trecho da vista classica do Capim amarelo e a fina crista Nossa caminhada não iria terminar na Toca do Lobo e ainda iriamos caminhar os quase 14 km de estradinha de terra até a Rodovia. No alto do Quartzito passamos por alguns descampados planos e uma placa dizendo que ali é uma area de acampamento para até 4 barracas. Mas ela é totalmente exposto aos fortes ventos, por isso é arriscado acampar aqui. Vamos descendo o Quartzito com cuidado, já que nesse trecho a trilha se torna um verdadeiro pedregulho e com quase nenhum ponto de apoio, o risco de escorregar é bem alto. Por isso, muita atenção nesse trecho. Terminada a descida, chegamos ao ponto de água da base do Quartzito. Aqui há uma bifurcação a esquerda (direita para quem está subindo) que leva até o precioso líquido. É uma opção, caso chegue aqui sem água. Como ainda tinhamos água sobrando, optamos por continuar em frente até a Toca do Lobo. As 11:48hs e pouco mais de 2 horas e meia de caminhada desde o topo do Capim amarelo, passamos por um outro descampado plano, esse para umas 3 barracas, mas protegido dos ventos. Diferente da outra, essa sim, é uma boa opção de pernoite para o caso de você quiser adiantar o percurso do primeiro dia no sentido tradicional ou se caso vier direto da Pedra da Mina fazendo a travessia no sentido contrário e estiver chegando aqui de noite. Após o descampado, passamos por mais um trecho de fina crista, trecho conhecido como "Alto do cruzeiro". A partir daí tem mais um trecho de descida e logo mergulhamos na mata fechada. A vegetação muda, com os campos de altitude dando lugar a mata atlântica e após mais um curto trecho na mata fechada, finalmente chegamos a Toca do Lobo as 12:05, com quase 3 horas cravadas de descida intensa, desde o topo do Capim amarelo. Chegando ao trecho conhecido como Cruzeiro Enfim, na Toca do Lobo Demos um tempo ali para descançar e forrar o estômago. Descançados e saciados, partimos para o trechinho final de trilha em direção a fazenda Santa Amélia, onde chegamos por volta das 13:00hs. A travessia havia acabado, mas não a caminhada, pois ainda restava o trecho de quase 14 km até a Rodovia. Como estavamos apenas em 2, contratar um resgate está fora de cogitação. Por isso fizemos nosso planejamento de tempo de caminhada de cada dia incluindo no último dia, de 5 a 6 horas de caminhada. Após os clicks para registrar nossa chegada, comemoramos o sucesso da empreitada. A partir desse ponto começamos a tediosa caminhada pela estradinha de terra em direção a Rodovia. O relógio marcava 13:20hs e pelo roteiro, precisaríamos chegar à rodoviaria de Passa Quatro até as 16:00hs a tempo de pegar o último ônibus das 16:50hs para São Paulo. Porém, chegamos bem antes do tempo estimado, pois qdo estavamos chegando na metade do caminho, passou um caminhão e o motorista parou para nos oferecer carona, o que aceitamos na hora, é claro. O motorista nos deixou bem próximo da rodoviaria. Mas quem disse que o perrengue acabou? Ao chegar no guichê da Cometa em Passa Quatro, descobrimos que não havia mais vaga no ultimo ônibus direto para São Paulo. Então, pegamos um onibus para Cruzeiro, depois outro para Guaratinguetá e por fim outro direto para São Paulo, onde fomos chegar pouco antes das 22:00hs, cansados, mas felizes. -------------------- DICAS E INFORMAÇÕES ÚTEIS: -> Um dos maiores perrengues dessa travessia é a escassez de água, independente do sentido que estiver fazendo a travessia. Entre um ponto e outro, é sempre bom levar um pouco mais de água além do necessário. Mas sem exagerar, para não extrapolar muito no peso da cargueira, é claro. O Ideal é levar uns 3 a 4 litros de um ponto de água a outro, com excessão dos trechos entre o final do segundo dia e o inicio do terceiro, onde por conta da proximidade entre os pontos de água, dá para subir e descer do cume da pedra da mina bem mais leve. Portando, não é preciso sair lá de baixo carregado, como no inicio do primeiro e terceiro dia. -> Se for fazer a travessia ao contrário, considere levar pelo menos 1 litro de agua extra além do que levaria na travessia no sentido tradicional. A subida dos 3 Estados é bem mais longa e leva-se pelo menos umas 7 a 9 horas em um ritmo relativamente forte e poucas paradas. Por ser mais longa e demorada, o desgaste e o consumo de energia e água acabam sendo maiores, obviamente. Eu subi com 4 litros de água + 1 de gatorade que foram mais do que suficientes para mim nos 2 primeiros dias. No sentido tradicional subi com 1 litro a menos. Atente-se a esses detalhes. --> Isotônicos em pastilha, do tipo "Suum" são uma boa pedida. Assim, dá para levar mais de 5 litros de "gatorade" em apenas um tubinho. Cada pastilha rende 500 ml e cada tubinho vem 10 pastilhas em média. São ótimos para repor os sais mineirais, sem precisar carregar 5 litros a mais nas costas. Pode-se usar parte da água para dissolver as pastilhas em garrafinhas de 500 ml daqueles de gatorade mesmo, transformando 500ml de água em 500ml de "gatorade" em poucos minutos. Me deu muito pique, evitou cãibras e também de chegar exausto no final de cada dia. --> Não recomendo fazer essa travessia sem o uso de luvas de jeito algum, ainda mais no sentido contrário. As luvas são um item quase que obrigatório, pois evitam os cortes nos dedos provocados pelo Capim elefante, principalmente nos trechos de subida e descida. Esse tipo de capim corta com muita facilidade e o uso de luvas além de proteger dos cortes, se torna um grande facilitador, pois com as luvas, você poderá usar o capim como apoio nas subidas e descidas, diminuindo a carga nas pernas e joelhos. --> Faça o possível para levar o isolante e a barraca dentro da mochila. Ou então, embale-os bem, com uma toalha ou algo que os deixe bem protegidos, evitando deixa-los na horizontal do lado de fora da barraca. Caso contrário, os bambuzinhos irão acabar com eles. --> A trilha durante toda a travessia está bem demarcada, com excessão de alguns trechos de capim elefante. Nos trechos de lajes de pedras no alto das cristas, a trilha dá lugar a enormes e extensos costões rochosos, onde a navegação passa a ser através de totens e pequenas fitas amarelas, brancas ou vermelhas amarradas nos galhos das árvores. A navegação para quem não tem experiência em orientação por totens e vestígios de trilha, fica bem complicada até mesmo com o uso de gps, imagina sem....Portanto, muita atenção nos trechos de lajes de pedra e aprenda a se guiar sem o uso de gps, que pode falhar na hora H e te deixar numa fria. --> Sinal de celular pega sem problemas no alto dos picos e na crista, principalmente da VIVO. --> Boné é indispensável para evitar o sol forte... --> A travessia da Serra fina não é uma travessia qualquer e é preciso estar muito bem preparado fisicamente e psicologicamente para vencer os desafios por ela impostos durante os 4 dias. Subidas e descidas pirambeiras e longas com alto grau de declive e aclive acumulados podem gerar lesões em pessoas que não estejam com um bom preparo físico. E por ser 4 dias e com escassez de água, a mochila fica muito pesada mesmo. Não há como escapar disso. -> A travessia feita no sentido contrário é mais puxada que no sentido tradicional. Mas tem a vantagem de conseguir vaga nas areas de acampamento com facilidade sem precisar correr para chegar antes. Alguns poucos grupos optam pela travessia ao contrário (principalmente em feriados prolongados) justamente para não ter que se preocupar em não encontrar vaga nos cumes, pois a esmagadora maioria faz no sentido tradicional. --> A melhor época para se fazer a travessia é no periodo seco, ou seja, de Maio a Setembro. Mesmo assim, vá somente com a certeza de tempo firme nos 4 dias e adie em caso de previsão de mau tempo. Não adianta arriscar achando que a previsão vai errar, pois a probabilidade dela acertar é maior do que de errar. A montanha não vai fugir de lá e é melhor adiar e ir com a certeza maior de tempo firme nos 4 dias do que contar com a sorte e pegar tempo fechado, sem visibilidade alguma e correndo risco de pegar chuva e ventos fortes. --> Muita atenção nos trechos de capim elefante, pois as folhagens dela cobrem quase que totalmente a trilha, deixando-a meio que "invisível". Por isso é preciso ir abrindo caminho entre os tufos afim de visualizar a trilha, escondida pelas folhagens do capim. Tendo um bom farejo de trilha, é possível encontrar o caminho mesmo sem gps ou tracklog, itens que devem ser utilizados para auxilio somente em caso de dúvidas qto ao caminho. As bifurcações em meio do capim podem confundir e se você não souber distinguir a trilha bem marcada daquelas bifurcações em meio aos tufos, se perderá com facilidade... --> Leve saquinhos reserva, inclusive para poder trazer o seu lixo de volta. -> Se for fazer a travessia no sentido contrário, uma boa opção é pernoitar em Itamonte e de lá pegar resgate, taxi ou UBER (dependendo do numero de pessoas do grupo) até o sitio do Pierre. --> Na cidade de Passa Quatro, uma das melhores opções de hospedagem é o Hotel Serra Azul: --> Logo abaixo seguem alguns contatos que fornecem transporte para a Toca do Lobo ou para pegar no final da travessia, sendo possível também combinar no sentido contrário. Ligue e se informe antes (Contatos fornecidos pela Vivi Mar) - Taxista Marquinhos: (35) 9113-1214 (Itamonte) - Um dos + baratos; - Celso: (35) 3371-1291 - Recados no Hotel Serra Azul (Passa Quatro); - Edson da Toyota: (35) 9963-4108 ou (35) 3371-1660 (Passa Quatro); - Sr. Caetano: (35) 3771-1510 (Passa Quatro); - Sr.Samuel: (35) 9113-1700 (Itamonte); - Eliana da 4P4 Ecoturismo: (35) 3371-4263, 3371-3937, 3371-2268 (Passa Quatro); - Taxistas Schmidt e Boni: (35) 3371-2013 e (35) 9962-4025 (Passa Quatro). - Carlinhos: (35) 9109-1185 - Zezinho: (35) 9113-0745 - Maú: (35) 9216-4793 ou faz a travessia alpina.de asfalto a asfalto. - Joaquim Siqueira 35 3371 2410, 35 9113 7643 ou [email protected] - Hotel Serra Azul em Passa Quatro que cobra barato pernoite de mochileiros contato Steffi Sikorski (35) 3371.1291 [email protected] . --> Por ser uma travessia clássica, existem dezenas de tracklogs dela disponíveis na internet. Aqui vai um link direto: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/find.do?q=travessia+serra+fina -> 3 anos atrás (em Junho de 2014) fiz a travessia no sentido tradicional e escrevi um relato detalhado de como foi minha experiência pessoal, segue o link abaixo: Abs
  2. 3º Dia - Do topo da Pedra da Mina (2.798m) ao Alto do Capim amarelo (2.392m) No topo da Pedra da Mina, logo após o nascer do sol Acordei pouco depois das 6:00hs para ver o nascer do sol e logo desci para preparar meu café. As 7:00hs já estava desmontando a barraca, mas só fui sair pouco depois das 9:00hs para dar tempo do Leo curtir o topo e tirar suas trocentas fotos de primeira vez. Mochila nas costas, começamos a descer em direção as nascentes da Pedra da mina. Durante a descida, somos brindados com uma visão de arrepiar de toda a cadeia de montanhas da parte oeste da Serra fina, o que rendeu vários clicks. Vamos descendo com certa cautela nos trechos mais pirambeiros e em menos de 40 minutos chegamos ao acampamento na base, onde tivemos um pequeno perdido: Por estarmos fazendo no sentido contrário, a pespectiva de caminho é diferente, por isso eu me confundi no trecho dos descampados na base e levamos pelo menos uns 10 minutos para encontrar a continuação da trilha. Procura aqui, ali e acolá e nada.....E agora José? Falei para o Leo ligar o GPS do celular, mas quem disse que o bichin deu sinal? O Leo começou a ficar apreensivo por não estar achando a continuação da trilha e eu resolvi tirar a cargueira para procurar melhor e com mais calma. Foi só me livrar do peso nas costas para achar a trilha instantes depois. Com a vegetação virada para quem vem no sentido tradicional, a continuação da trilha ficou meio escondida, pois haviam bifurcações bem abertas levando para outros descampados que acabaram ofuscando a trilha original. Coloquei alguns totens para indicar a direção correta para outros caminhantes que passarem por aqui no futuro fazendo a travessia ao contrário. A trilha certa segue pelo alto do pequeno morro, bem ao lado de algumas árvores. Só o farejo de trilha que salva nessas horas! Vista durante a descida com o Pico do Tartarugão em destaque Descidão pirambeiro Colocaram várias dessas placas novas em area de acampamento Depois que reencontrarmos a trilha, descemos um pequeno trecho e as 10:40 chegamos ao ponto de água do Rio claro, onde abastecemos os cantis para os próximos 2 dias....Cruzamos o pequeno riachinho e começamos a subir um pequeno trecho de capim elefante com tufos bem altos. Chegamos ao trecho de chapadão, onde a trilha dá lugar a enormes costões rochosos. A partir desse trecho a navegação passa a ser feita somente através de vestígios de trilha, fitas e totens por algum tempo. Uma novidade é que colocaram várias placas em todos os descampados pelo caminho, identificando o ponto de acampamento e a capacidade do mesmo. 20 minutos desde o ponto de água, passo por uma bifurcação a esquerda que dá acesso a cachoeira vermelha. Deixamos as cargueiras na bifurcação e fomos lá ver a cachoeira mais de perto...sua água não é boa para consumo pois é rica em ferro, então não recomendo pegar água nesse ponto. Por isso, se estiver fazendo a travessia ao contrário, pegue toda a agua que precisar no Rio claro, o primeiro ponto logo que desce da Pedra da mina. Ali a água é corrente e de boa qualidade. Cachoeira vermelha No vale das nascentes da Pedra da Mina há vários pontos de acampamento planos e protegidos por enormes tufos de capim elefante pelo caminho, que podem ser usados para o caso do topo da Pedra da mina estar lotado ou se quiser adiantar o percurso do dia seguinte. Elas são relativamente próximas umas das outras, mas somente nos descampados na base da Pedra da mina tem água perto. O caminho pelo gigantesco vale em direção ao Melano vai alternando entre curtos sobe morro/desce morro, sem maiores dificuldades. A cada vale, passo por pequenos descampados. Mais 40 minutos desde o ponto de agua lá no Rio claro, iniciamos a subida em direção a crista do Melano. O Relógio marcava pouco antes das 13:00hs e nesse ponto, terminamos a subida e voltamos a caminhar novamente por lajes de pedras e trechos de bambuzinhos, agora pelo alto da crista do Melano, com novos trechos de sobe morro/desce morro. Do alto, somos brindados com uma bela visão de todo o vale por onde passamos, com a imponente Pedra da Mina em destaque na paisagem. Também consigo ver até a cachoeira vermelha distante, no meio do vale....É um belo visual e vale a pena uma parada para contemplação dessa parte da travessia. Subindo em direção a crista do melano O gigantesco vale por onde passamos, com a imponente Pedra da Mina em destaque Cachoeira vermelha distante, vista do alto da crista - foto com zoom A subida do Melano no sentido contrário é bem mais tranquila que no sentido tradicional. Há poucos trechos de escalaminhada que são curtas e logo se atinge o alto da crista. As 13:35h passamos por um descampado para umas 6 barracas do tipo Iglu na crista do Melano que se revela uma boa opção ao Capim amarelo, já que a crista do alto do Melano é mais alto e tem uma visual privilegiado do topo do capim de um lado e a Pedra da Mina do outro. Nesse ponto, estamos mais ou menos na metade do caminho e a caminhada segue no plano. Mais 25 minutos desde o descampado lá atrás, chegamos ao topo do Melano e daqui já se tem a bela visão dos vales que separam o Melano do Alto do Capim amarelo, que parece estar bem próximo, mas ainda restava uma grande descida até lá. No alto do Melano se passa por trechos curtos de sobe morro/desce morro como esse Chegando ao topo do Melano A bela vista do Topo do Melano com o capim amarelo em destaque Começamos a desescalaminhar a íngreme descida do Melano que é uma pirambeira daquelas. Vamos descendo com cautela e evitamos de olhar para frente. Ao lado da trilha existem alguns trechos são verdadeiros precipícios e que de tão altos, dão até medo. Quem está fazendo no sentido tradicional sobe de costas e geralmente nem vê o precipício. No começo da descida há algumas cordas para auxílio nos trechos mais complicados e que foram bem úteis. É preciso descer com bastante atenção, pois um escorregão ou pisada em falso representaria pelo menos um braço ou perna quebrados. Após desescalaminhar o trecho inicial, a descida dá uma tregua e passamos a caminhar novamente pela fina crista com o Capim amarelo bem visivel a nossa frente o tempo todo. Pouco antes das 14:30h começamos a descer a segunda parte do paredão ingreme do Melano que se rebelou ser ainda mais pirambeira do que o trecho inicial e vamos perdendo altitude rapidamente. Passamos por 2 montanhistas fazendo a travessia no sentido tradicional vindo da toca do lobo pouco antes do final da descida e trocamos algumas ideias rapidamente. Eles estavam fazendo a travessia em 3 dias e iriam acampar no descampado no alto do Melano. Logo que a descida termina, passamos por uma bifurcação a esquerda que leva para uns descampados conhecido como "Dourado". Desescalaminhando o Melano Pirambeira dos infernos No mesmo ponto (agora a direita) há outra bifurcação para um ponto de água extra onde havia uma plaquinha com um aviso: Área em recuperação. Ali na verdade é o acesso a um ponto de água que funciona quase o ano inteiro. É uma opção, mas em epoca de estiagem prolongada a nascente pode estar seca. Por isso não recomendo abastecer com menos água no Quartzito ou no Rio claro contando com esse ponto. As 15:10hs, chegamos ao enorme descampado conhecido como Maracanã que é o maior local de acampamento de toda a travessia (ali cabem pelo menos umas 12 barracas ou mais, por isso o nome Maracanã), onde fizemos uma rápida pausa para molhar a goela e mastigar umas barras de cereais antes de encarar o ultimo trecho e o subidão final de ataque ao cume do Capim amarelo. 30 minutos desde os enormes descampados do Maracanã lá atrás, chegamos finalmente a base do Capim amarelo. Passamos por mais alguns outros descampados no vale conhecido como "Avançado" e começamos a ganhar altitude. A subida de ataque final ao cume é de matar e com vários trechos de escalaminhada, vou parando para retomar o fôlego. Os músculos das pernas já estavam mais "para lá do que para cá", mas continuar era preciso. O Leonardo esboçava estar mais cansado do que eu e por isso acabou parando mais vezes durante a subida. Melano visto do Maracanã. E pensar que desescalaminhei aquele paredão Na base do Capim Amarelo A Pirambeira parecia não ter fim e depois de uns 40 minutos de subida íngreme, o terreno começa a nivelar. Saímos da mata mais fechada de bambuzinhos e entramos no trecho de Capim elefante. O topo parecia estar tão próximo e as 16:30hs, com pouco mais de 40 minutos de subidão e quase 7 horas de caminhada desde o topo da Pedra da mina, finalmente chego ao cume do Capim amarelo para mais um merecido descanço. Enfim, no topo do Capim Amarelo Do topo do Capim é possivel ver todo o trecho percorrido no dia ou a percorrer se estiver fazendo a travessia no sentido tradicional Não havia ninguém no cume e donos absolutos do lugar, pudemos escolher o melhor lugar para montarmos nossas barracas. Depois fomos deixar nossas contribuições do livro do cume e contemplar o último pôr-do-sol da travessia. A temperatura diminuiu bastante e por volta das 17:30 o termômetro marcava por volta dos 04ºC. Após a Janta, fiquei fazendo um pouco de hora para curtir o céu estrelado, o silêncio do cume sem ninguém e as cidades todas iluminadas lá do alto, que são um capitulo a parte. Qdo o sono começou a vir, voltei para a barraca, me enfiei dentro do saco de dormir e logo pego no sono. Continua....
  3. 2ºDia - Do Pico dos 3 Estados (2.665m) a Pedra da Mina (2.798m) Nascer do sol no cume dos 3 Estados O Sábado amanheceu com o céu totalmente livre de qualquer vestígio de nuvens, o que era um sinal de que seria mais um dia igualmente aproveitavel, com céu azul e tempo firme....Após ver o Astro-rei surgir por detrás da Serra do Itatiaia, fui preparar meu café da manhã, enquanto que o Leo se fartava de fotos no topo....afinal era a 1ºvez que ele estava fazendo a travessia e logo de cara a travessia ao contrário. Barraca desmontada e mochila nas costas, começamos a caminhar pouco antes das 9:00hs em direção a Pedra da Mina. A Descida dos 3 Estados no sentido contrário se mostra uma pirambeira daquelas, por isso vou descendo com relativa cautela. É bom usar luvas para evitar os cortes nos dedos provocados pelo capim elefante, principalmente em subidas e descidas ingremes. Esse tipo de vegetação corta com certa facilidade e a vantagem da luva é poder usar o proprio capim como apoio durante a descida e também nas subidas, reduzindo o risco de acidentes e ainda poupando panturrilhas e joelhos. Topo do Pico dos 3 Estados, que agora conta com um livro de cume A descida é rapida e agora a caminhada segue por um trecho de ombro pela crista, mas não demora muito e logo começa outra descida ingreme até a base. Passamos por uma enorme área de acampamento conhecida como "bambuzal" que fica em um vale entre os 3 Estados e o Cupim de boi para pelo menos umas 10 barracas. O trecho do vale é plano, porém curto e logo começamos a subir a crista do Cupim de boi. A subida é bem ingreme, mas não dura muito tempo e com pouco mais de 1 hora desde o topo dos 3 Estados, as 10:10hs chegamos no topo onde fizemos uma breve pausa para clicks e apreciação da paisagem Descendo o Pico dos 3 Estados em direção ao cupim de boi Trecho de crista A pirambeira ingreme dos 3 Estados que acabamos de descer Retomamos a caminhada e seguimos agora descendo pela crista do cupim do boi em direção ao morro da Brecha. A caminhada é bem tranquila e vamos nos orientando pelos totens, pequenas fitas presas nos galhos dos bambuzinhos e rabicho de trilhas. A nebulosidade aumentou bastante durante a manhã e chegou até a encobrir o topo dos picos e onde nós estavamos, parecendo que iria fechar tudo e nos tirar a navegação pelo visual. Mas ficou apenas na ameaça e no final, o tempo abriu e só ficou parcialmente nublado, com as nuvens mais altas que o topo dos picos, felizmente. O caminho entre o alto do cupim e a brecha é tranquilo, mas uma caracteristica desse trecho é os bambuzinhos. A maior parte do caminho é composto por eles e trilha menos aberta que são um incômodo frequente, pois os bambus enroscam constantemente na mochila. Para quem está fazendo a travessia no sentido contrário, esse "incomodo" é maior por conta da vegetação virada contra você. No topo do cupim de boi O imponente pico dos 3 Estados visto do alto do Cupim de boi e ficando para trás Descendo pela fina crista - Bem ao fundo, no centro - Pedra da Mina 1 hora e 10 minutos desde o topo do Cupim, terminamos a descida e estavamos na base da crista. Bem a frente, um enorme paredão pronto para ser escalaminhado. De longe parecia ser uma subidinha relativamente tranquila, mas de perto a conversa foi outra. O problema nesse ponto nem era a subida, mas sim os bambuzinhos virados contra nós que enche o saco e trechos de trilha mais fechada, o que nos deixou bem mais lentos. Pouco antes das 12:30hs chegamos ao alto da crista e a caminhada agora segue no plano, para nosso alívio. Mais 30 minutos e finalmente chegamos ao topo do morro da Brecha onde fizemos mais uma breve pausa. Aqui existe alguns descampados planos e protegidos para umas 4 barracas pelo menos. Também tenho a visão total do vale do Ruah e do Rio verde bem a frente...Estavamos com mais de 1 litro de água cada um e por isso nem nos preocupamos em chegar logo lá. Vistas de tirar o fôlego Descampado no alto da Brecha O trecho pelo alto da crista por onde a trilha passa- A esquerda o Pico dos 3 Estados, no centro o Cupim de boi As 13:10 começamos a descer em direção ao vale do Ruah. A trilha que vem do Ruah vira a direita logo que o rio começa a virar a esquerda. Tivemos um perdido no trecho do rio, pois seguimos por uma trilha bem demarcada que levou direto ao rio e que evitou um trecho bem ruim de descida pelo capim elefante mto alto, mas que virou muito a direita. Até vale a pena descer por ela e seguir um curto trecho pelo leito do rio, mas tivemos que nos enfiar no meio dos tufos de capim elefante que estavam altos e muito fechado para reencontrar a trilha que vem do vale do ruah, o que nem é um problema para quem conhece o caminho. Porém pode ser um problemão se for a primeira vez que estiver fazendo a travessia da Serra fina (ainda mais se for ao contrário), não souber o caminho e nem tiver um gps. O Capim elefante nesse trecho é muito alto e cobre totalmente a trilha na maior parte dos trechos. É preciso ir abrindo caminho entre os tufos para conseguir enxergar a trilha. Por isso, independente de qual sentido esteja fazendo a travessia, muito cuidado nesse trecho, caso não conheça o caminho e estiver sem GPS. O trilha que vem do Ruah segue acompanhando o leito do rio, com a Pedra da Mina bem a frente. Descendo em direção ao vale do Ruah 40 minutos desde o topo da brecha (contando com o perdido que nos atrasou um pouco), paramos para coletar água em um trecho do rio. Peguei o suficiente apenas para passar a noite no topo da Pedra da Mina, pois sei que logo no começo do dia seguinte irei encontrar outro ponto de água. Como já tinha um pouco de agua comigo, enchi apenas uma garrafa PET de 1 litro e meio. Depois de coletarmos água, atravessamos o bonito e inóspido vale do Ruah e logo chegamos a base da imponente Pedra da Mina. Passamos por mais uma area de acampamento para umas 10 barracas e resolvemos fazer uma breve parada para mastigar algo e molhar a goela, pois só de olhar o enorme paredão íngreme da Pedra da Mina, deu até tontura..... Atravessando o vale do Ruah A imponente Pedra da Mina Subindo a pirambeira da Pedra da mina As 15:30hs começamos a subir. A subida de ataque final ao cume é uma pirambeira daquelas e com alguns lances de escalaminhada e trepa-pedra, vou parando algumas vezes para retomar o fôlego. A subida é inteiramente por lajes de pedras e vou me orientando pelos totens e vestígios de trilha, evitando os trechos mais ingremes. O sentido é obvio, sempre pela crista em linha reta e leva-se mais ou menos 1 hora até o topo. Enfim, após 7 horas de caminhada desde o topo dos 3 Estados, as 16:25h chego ao topo da Pedra da mina para o merecido descanço.. O topo estava lotado por ser um sábado a tarde de sol, o que já era previsível. Apesar do cansaço e o stress dos músculos das pernas por conta da subidão, já fui preparado para o caso de ter que continuar em frente e descer em direção as nascentes do Rio claro e acampar lá. Mas por sorte, vi de longe 2 descampados vagos na cratera-base e um outro grupo subindo pela trilha do paiolinho. Então tratamos de correr afim de garantir nosso lugar, para a alegria do Leo por ser a 1ºvez dele.... Após montarmos as barracas, fomos contemplar o cume e o por-do-sol. A temperatura já havia diminuido bastante e por volta das 17:00hs o termômetro que deixei pendurado do lado de fora da barraca estava registrando 02ºC.....E as 19:00hs, enquanto estavamos preparando nossa janta, os termometros baixaram ainda mais e estavam marcando -01ºC. Uma fina camada de gelo começava a surgir em cima das barracas e a madrugada foi um verdadeiro freezer. Com o frio mais intenso que a noite anterior e o cansaço, nem fiquei muito tempo fora da barraca contemplando a noite estrelada e logo fui dormir. Continua....
  4. Álbum com todas as fotos da travessia estão em: https://goo.gl/photos/nfzuWXFzDoqd68vh8 Travessia realizada entre dias 29/07 a 01/08/17. - Introdução - No geral, quem faz a travessia da Serra fina pela 1º vez, logo se encanta com a beleza do lugar e também sente na pele a fama da travessia estar entre as mais dificeis do Brasil. O que ela tem de dificil, tem de recompensas, o que faz que muitos retornem. Já tendo feito outras 2 vezes no sentido tradicional, agora era hora de experimentar a travessia no sentido contrário, que dizem ser mais dificil, mas que oferece outras experiências, pespectivas e visuais diferenciados. E mais perrengues, obviamente. Chamei alguns amigos, mas devido a logística (ter que enforcar 2 dias úteis da semana) o unico que topou encarar a empreitada comigo foi o Leonardo. Marcamos de nos encontrar na Rodoviaria do Tietê e embarcamos no ônibus das 23:30hs em direção a Itanhandú/MG. A viagem foi tranquila e pouco antes das 4:30hs saltamos na rodoviaria da pacata cidadezinha de Itanhandú, cidade localizada no sul de MG e que mais parecia uma rodoviária fantasma. Além da gente, outros 2 passageiros desembarcaram na pacata rodoviaria. O céu estava claro e a temperatura marcava 05ºC para o desespero do Leo que duvidou qdo eu disse em SP que as cidades do sul de MG são muito frias, principalmente a noite. O motorista do ônibus, ao ouvir o Leo dizendo que tava muito gelado ali, brincou: "Está quente hoje...pois o normal para o horário e já estar abaixo de zero....E eu ainda disse: Se acha que está gelado aqui, espere para ver o que te espera lá em cima. Pelo roteiro, iriamos esperar o 1º ônibus do dia para Itamonte, que sai as 6:00hs e de lá pegaríamos um taxi até o sítio do Pierre, onde começa/termina a trilha da travessia. Mas para a nossa sorte, 2 pessoas que desembarcaram haviam chamado um UBER e também iriam para Itamonte. Eles perguntaram se tb iriamos para lá e se topariamos rachar a corrida em 4, o que aceitamos na hora, é claro. Após chegarmos em Itamonte, aproveitamos para esticar a corrida direto para o Pierre, o que otimizou bastante o nosso tempo e ainda saiu a bagagela de apenas R$ 30 para cada um, vindo direto de Itanhandu até o Pierre, parando apenas em Itamonte para o desembarque das outras 2 pessoas que iriam ficar por lá. Com isso, economizamos tempo e dinheiro. 1ºDia - Do Sítio do Pierre (1.800m) ao Pico dos 3 Estados (2.665m) Ainda estava escuro qdo chegamos ao inicio da trilha, no sítio do Pierre....após ajeitamos as cargueiras e fazer os alongamentos de praxe, iniciamos a caminhada pontualmente as 6:00hs em direção ao Pico dos 3 Estados. A 1ºhora de caminhada é feita pela estradinha de terra do sitio que mostra logo de cara que a subida até os 3 Estados não será moleza. Passamos pela porteira de entrada do sitio e vejo que não havia ninguém, apenas 2 cães solitários que latem a nossa passagem. O dia já está clareando e a serração tipica da montanha cobre os vales. O céu estava livre de qualquer vestígio de nuvens o que mostra que o dia seria igualmente aproveitavel para a nossa alegria. Vamos ganhando altitude e a subida tediosa pela estradinha de terra não dá trégua, mas pelo menos serviu para aquecer os músculos e espantar um pouco o frio da manhã. Passamos por alguns pontos de água, mas sabendo que haveria mais pontos acima, falo para o Leo deixar para abastecer mais acima. Se quiser evitar um peso desnecessário nas costas, deixe para pegar água a mais ou menos 30 minutos após o inicio da trilha, que é o ultimo ponto. As 6:47hs resolvemos fazer uma rápida parada para um café da manhã reforçado....afinal, subir de estomago vazio não dá né? Os primeiros raios do sol já coloriam o alto dos picos e o céu azulzinho apenas aguçavam nossa ansiedade. O Picú com seus 2.020 metros de altitude nesse ponto estava bem visivel a nossa frente. Ainda no sitio do Pierre, subindo pela estradinha de terra... Vista do Picú na subida da estradinha de terra, ainda no Sítio do Pierre A placa no inicio da trilha Após o café, retomamos a caminhada e as 7:15h chegamos ao inicio oficial da trilha. Uma placa logo a frente nos alertara para levar todo o nosso lixo de volta. 25 minutos desde as últimas casas do Pierre, chegamos ao 1º e único ponto de água do 1ºdia da trilha (sem contar os pontos de água da estradinha do sitio do Pierre) onde aproveitamos para carregar o suficiente para os próximos 2 dias, pois só iremos encontrar o próximo ponto de água no final do 2ºdia, no Vale do Ruah. Como a subida dos 3 Estados é mais longa do que a subida do Capim amarelo, abasteço com 4 litros e ainda tinha 2 garrafinhas de 500ml de gatorade cada na mochila, totalizando 5 litros que foram mais do que suficientes para mim. No sentido tradicional, costumo trazer apenas 3 litros de água e 1 de gatorade. Com as cargueiras mais pesadas do que nunca, vimos que a subida seria mais dificil que a do Capim de fato. E que iriamos comprovar a fama da travessia ao contrário ser mais puxada que a tradicional. De qualquer forma, é sabido que na Serra fina não tem moleza alguma do começo ao fim. Só de saltar na rodovia e começar a caminhar com um subidão pirambeiro logo de cara mostra bem isso. Abastecidos, retomamos a caminhada em meio a mata fechada e o frio da manhã ainda estava bem intenso, pois ainda estavamos na sombra e o Leo não via a hora de sair no sol. Até brinquei com ele que não deveria desejar o sol, pois qdo chegarmos ao trecho de crista, não haverá sombra e o sol já estará mais forte, o que acaba aumentando mais o desgaste físico. Em alguns pontos, aberturas em meio a mata fechada revelavam alguns picos e a crista por onde ainda iriamos passar. A trilha dá uma volta enorme em formato de "U" para evitar um grande vale a direita e atingir uma crista a frente que une os 2 morros. A frente vejo algumas subidas bem fortes e falo para o Leo que a trilha sobe exatamente por ali. Vista dos picos ainda no trecho de mata fechada 40 minutos desde o ponto de água lá atrás, chegamos aos primeiros trechos de campos de altitude as 10:30hs. Já estavamos acima dos 2.000 metros de altitude e nesse ponto entramos em um trecho de transição, onde a vegetação de mata atlântica vai pouco a pouco dando lugar aos de campos de altitude. As primeiras vistas do entorno aparecem e já consigo ver o Pico dos 3 Estados ainda bem distante e o alto dos Ivos a direita, com sua crista parecendo estar próximos, mas ainda distante algumas horas ainda....A Leste visualizo a Serra do Itatiaia com os Picos do Couto a esquerda e Prateleiras a direita em destaque. Ao fundo a esquerda, Pico dos 3 Estados ainda distante. A direita, alto dos Ivos Tapetão de nuvens cobrindo o vale do Paraíba Serra de Itatiaia ao fundo O dia estava radiante e o sol brilhava forte, com um tapetão de nuvens cobrindo totalmente o vale do paraíba, um espetáculo em tanto que foi merecedor dos primeiros clicks, é claro. Passamos por um descampado protegido para 4 ou 5 barracas que Pode/deve ser usado para quem começa a trilha no final do dia e quer adiantar parte do trajeto do primeiro dia, mas sem água perto. Pouco depois, cruzamos com alguns montanhistas fazendo a travessia no sentido tradicional a qual cumprimento cordialmente. A subida da uma leve tregua e nesse ponto, passamos por alguns trechos curtos de sobe morro/desce morro sem maiores dificuldades. Descampado plano e protegido que fica pouco a frente logo qdo você passa pelo primeiro trecho aberto fora da mata O corpo já começa a reclamar e com a cargueira mais pesado do que nunca, as pernas já dão os primeiros sinais de desgaste, após quase 3 horas de subida desde a Rodovia. Pouco antes das 12:00hs chegamos a base do Pico do Ivos e só de olhar o paredão íngreme da crista cansou até a vista. As 12:10 entramos definitivamente aos campos de altitude e a partir daqui a trilha some e a navegação passa a ser feita quase que exclusivamente por totens e fitas presas. Começamos a subir e o trecho inicial se mostrou uma pirambeira daquelas com trechos de escalaminhada e trepa-pedra. A subida é ardua, o sol castiga muito, o que me fez parar algumas vezes vezes para retomar o fôlego. As 12:48hs, com pouco mais de 30 minutos de subidão pirambeiro, o terreno dá uma amenizada e a caminhada entra no trecho da fina crista, com enormes vales à esquerda e a direita. A nossa frente, vejo o topo do Ivos relativamente próximo, mas ainda tinha um trecho com 2 cocorutos para vencer antes dele. Nesse ponto também consigo visualizar todo o trecho já percorrido, com o Pierre lá embaixo, as escarpas rochosas da Serra de Itatiaia e o Picú a leste. O visual daqui impressiona. Crista dos Ivos logo a frente Último trecho antes de começar a subida pirambeira Trecho da crista por onde passamos As 13:15, após 5 horas e meia de caminhada desde a rodovia, a subida finalmente acaba e a partir daqui entro no trecho final antes do cume do Ivos. O Topo estava bem próximo e por fim as 13:20 finalmente chego aos 2.512 metros de altitude do Alto dos Ivos para um merecido descanço. Do cume, é possível ver todo o trecho de subida, o Pico dos 3 Estados, Pedra da Mina e vários outros picos da Serra fina a Oeste, com a Serra do Itatiaia e o Picú a leste. Aproveitamos para fazer um pit-stop mais demorado para forrar o estomago e molhar a goela seca, após a subida que se mostrou bem mais puxada que a subida do Capim amarelo. Aqui acaba o trecho mais puxado de subida, mas não a caminhada do dia. Trecho final da crista No Topo dos Ivos, com a bela vista do Pico dos 3 Estados a esquerda e Pedra da Mina a direita Pouco antes das 14:00hs, começamos a descer o Ivos em direção ao nosso destino final, agora novamente por trilha bem demarcada. O Pico dos 3 Estados parecia estar perto, mas ainda restava a descida e a subida de 2 vales e picos menores até a base. A descida é ingreme, mas tranquila e vamos descendo sem maiores dificuldades. 30 minutos desde o topo do Ivos, a descida termina e estamos cruzando o primeiro de 3 vales. Passamos por alguns descampados planos e protegidos na base do Ivos com espaço para umas 8 barracas que são perfeitos para acampamento, mas com o problema de não haver água perto. Vista do trecho ainda a percorrer, durante a descida dos Ivos Subida de um pico menor entre o Ivos e o 3 Estados A trilha segue subindo em direção a um pico menor para depois bordejar a direita de outro morro para então seguir em direção a base dos 3 Estados. As 15:20hs finalmente chego aos descampados na base dos 3 Estados denominado "Bandeirantes". O frio da montanha começava a dar as caras e nem ficamos muito tempo parados na base para evitar que o corpo esfrie. A nossa frente só restava o tenebroso e imponente Pico dos 3 Estados e seu paredão ingreme pronto para ser escalaminhado. Estavamos a uma altitude média de 2.450 metros e teriamos que subir mais 200 metros afim de atingir os 2.665m dos 3 Estados. Após um breve descanço, as 15:35hs iniciamos a subida de ataque final ao cume, que logo se revela uma pirambeira daquelas....Não é nada fácil esse trecho e vou subindo devagar, sem pressa. Os músculos das pernas já estavam esgotados de tanto sobe morro/desce morro, mas continuar era preciso. Com vários trechos de escalaminhada e trepa-pedra, vou parando em alguns momentos para retomar o fôlego. As 16:05hs alcanço um dos ombros dos 3 estados, com a subida dando uma tregua. Aproveito e faço uma breve parada, pois ainda tinha mais um trecho de subida final para o desespero do Leo que estava nas últimas também. Continuamos em frente nos guiando por fitas amarelas e vermelhas e totens por um trecho plano. Vista do vale na base dos 3 Estados (ignorem a data da foto) Subindo a pirambeira dos 3 Estados Enfim, o trecho de subida final antes do pico Depois do trecho plano do ombro, subimos mais um trecho para então finalmente alcançamos o topo dos 2.665 metros do Pico dos 3 Estados as 16:35hs, o que foi motivo de comemoração, é claro. Afinal, foi uma caminhada árdua de quase 8 horas com peso máximo das cargueiras e vegetação virado ao contrário para nós. No Topo havia apenas 2 grupos com poucas pessoas e bastante vagas nos descampados para montar barraca. Vantagem de fazer a travessia ao contrário e chegar tarde e não ter problema para encontrar vaga...Nesse horário, no Alto do Capim amarelo já estaria lotado e teríamos que seguir em frente em direção ao Avançado ou o Maracanã, afim de encontrar vaga. Alguns sacrificios valem a pena. Após montarmos nossos respectivos aposentos e ver o Astro-rei repousar no horizonte, preparamos nossa janta e com o frio intenso, nem ficamos muito tempo fora da barraca e logo fomos dormir. Continua no post abaixo....
  5. Renato37

    Travessia da Serra fina

    Galera, repeti a travessia no sentido contrário no final de Julho de 2017 e escrevi um relato detalhado....se quiser conferir, o link é: Abraços!
  6. Renato37

    Travessia Teresópolis-Petrópolis

    Cara, estamos na temporada de chuvas, epoca de montanha é de Maio a Setembro.....
  7. Olá, O acesso é facil sim. De ônibus, é só pedir para descer entre os km52 e 53 na chamada "Cota 95" Atravessa para o outro lado e é só buscar a entrada da trilha que sai do lado da rodovia. Na duvida, pergunte a moradores locais. abs
  8. Ressussitando o tópico apenas para dizer que estive no PP pela primeira vez agora no final de Junho e pernoitei no camping para subir descançado no dia seguinte. Cheguei por volta das 17:30 de sexta-feira e não havia ninguém no camping. Mas pouco tempo depois, apareceu um garoto de aproximadamente 12 anos perguntando se eu iria subir direto ou queria passar a noite ali. Falei que iria passar a noite e ele disse que é R$ 10 para ficar no camping. Pelo que entendi, se eu continuasse em frente, não seria cobrado entrada alguma, pois perguntei para ele sobre a taxa e ele me disse que é só se eu quisesse ficar no camping. Então, parece que houve outras denúncias e o Dilson parou de cobrar a entrada indevidamente. O acesso de fato está liberado, não há porteira alguma. E uma placa indicando que ali é de acesso livre foi colocada pela prefeitura de Campina Grande do Sul: A placa está na area de camping da fazenda, perto do acesso para a Rio das pedras. Na volta para casa, encontrei alguns guardas que estavam na fazenda e qdo estava na estradinha, me pararam para perguntar se o Dilson cobrou para entrar. Dai eu disse que não, só paguei os R$ 10 para ficar no camping. Eles me disseram que se caso ocorra, para denunciar que ele seria autuado.
  9. 3ºDia - Pico do Sino, Cachoeira do Aiuruoca e Ovos da galinha Sol nascendo por trás das Agulhas negras A Sexta feira começou mais uma vez com geada, mas dessa vez, a temperatura caiu menos do que nos últimos dias e o termômetro marcava -03ºC, sendo a noite menos gelada que peguei até então. Mais uma vez, a barraca amanheceu com uma fina camada de gelo, mas dessa vez, o ziper não travou. Como nos dias anteriores, novamente o céu estava livre de qualquer vestígio de nuvens e como estava em um vale, nascer do sol só subindo até a Pedra do Altar ou ir até a base das Prateleiras. Como ambos ficam a quase 1 hora de caminhada dali, deixei para uma outra ocasião. Após um belo café da manhã que serviu para esquentar o corpo e espantar o frio, me despeço do Rodrigo que havia reservado 1 dia a menos de estadia no parque e iria voltar para sampa na manhã daquele mesmo dia. E o Marcos iria fazer uma escalada no Pico das Agulhas negras. Mochila pronta, hoje reservei o dia para ir conhecer a Pedra do Sino, que não é perto do abrigo. Por isso, achei melhor deixar um dia todo reservado para esse pico e todo o entorno dele. Dou inicio a caminhada pontualmente as 8h30, mais uma vez pegando a trilha para o Pico das agulhas negras, que é o ponto de partida de praticamente todas as trilhas que levam para o lado mineiro do Parque. Havia gelo por vários trechos na trilha 20 minutos desde o acampamento, chego a bifurcação que divide as trilhas do Agulhas negras com as demais, e viro a esquerda. O caminho é o mesmo para o Altar e a trilha dos 5 lagos. Então, não tem erro. Passo batido pela bifurcação para a Pedra do Altar e dos 5 lagos, trilha essa que foi minha investida no dia anterior. Contornando pela base da Pedra do Altar A trilha do circuito 5 lagos segue pela lateral direita desse morro O caminho para a Pedra do Sino é o mesmo para quem vai para a cachoeira do Aiuruoca. Ela desce até o vale das nascentes do Rio Aiuruoca e a partir desse ponto, segue no plano. Água não é problema na maior parte do trajeto, mas é bom trazer um pouco de água do acampamento, pois na 1º hora, não passa por nenhum ponto de água. Descendo em direção ao vale das nascentes do rio Aiuruoca Pico do Sino visto durante o trecho final de descida Ovos da galinha vista do vale (foto com zoom) 1 hora de caminhada desde o acampamento, chego ao 1ºponto de água, onde aproveito para pegar um pouco de água apenas, pois sei que há outros pontos mais a frente. Termino a descida e agora a trilha segue no plano, pelo imenso vale. Pouco antes das 10:00hs e 1 hora e meia de caminhada desde o Abrigo Rebouças, chego a placa que indica uma importante bifurcação: A esquerda vai para a travessia da Serra Negra e a direita, o Rancho caído. Nesse ponto é onde as travessias da Serra Negra e Rancho caído se separam. O acesso a trilha que leva para a Pedra do Sino parte de uma bifurcação que sai da trilha na travessia do Rancho caído. Após a placa, sigo pela direita e logo chego a uma area de charco e outra bifurcação indicando a cachoeira do Aiuruoca a esquerda. Como meu destino é a Pedra do Sino, sigo na trilha a direita e deixo para passar na cachoeira na volta. A direita a imponente Pedra do Sino está visível o tempo todo e a frente, o conjunto rochoso dos Ovos da Galinha. Pedra do Sino visto da bifurcação Mesma foto, com zoom 20 minutos desde a cachoeira, passo por mais um ponto de água e em seguida, chego a um trecho de rochedos, onde encontro uma bifurcação em um descampado com alguns totens sinalizando. Seguindo em frente, continua a travessia do Rancho caído e que vai descer até o vale dos dinossauros. Viro na trilha a direita, seguindo em direção ao ovos da galinha até chegar a mais uma bifurcação com 2 totens sinalizando, onde o caminho a seguir agora é a esquerda. Seguindo reto a direita, vai para os ovos da galinha. Chegando ao conjunto rochoso denominado ovos da galinha Iniciando a trilha para o Pico da Pedra do Sino As 10:30, inicio o trecho em direção a Pedra do Sino. A discreta, mas bem marcada trilha contorna pela lateral esquerda do ovos da galinha e mergulha em um pequeno vale, para então começar a subir em direção ao cume. Nesse vale, passei por um ponto de água, o único até o topo. Por isso, pegue toda a agua que for precisar para a ida e a volta nesse ponto, pois não há mais nenhum outro ponto de água na subida e nem no topo. Após passar pelo vale, a trilha inicia a subida em direção ao cume, mas que não dura muito tempo e a trilha logo dá lugar a um longo e extensos trechos de costões rochosos, onde a navegação passa a ser exclusivamente por totens. A subida vai ficando cada vez mais íngreme e com o sol castigando, vou parando algumas vezes para retomar o fôlego. Pirambeira dos infernos Há vários totens pelo caminho, alguns até indicando caminhos que dão pequenas voltas que ajudam a diminuir o desnível da subida. Mas o caminho a seguir é sempre tendendo discretamente para a direita, afim de evitar um enorme paredão intransponível no trecho final, na base. Logo abaixo, o conjunto rochoso dos ovos da galinha, ponto de referência do inicio da trilha e o retorno também A Subida não é demorada, mas não há áreas de sombra, por isso, leve pelo menos uns 2 litros para a subida e o tempo que vai ficar lá no topo, para não correr o risco de chegar lá sem nada e ter que descer por falta do precioso liquido. Após 30 minutos de subida pirambeira, chego a base, onde sou obrigado a seguir para a direita por conta de um enorme paredão intransponível a minha frente. Alguns vestígios de trilha aparecem e após fazer um meio contorno pela base, chego no trecho final, onde há um trecho de escalaminhada pela rocha. Vista durante a subida Pitorescas formações rochosas na base, próximo do cume Enfim, após quase 3 horas de caminhada desde o Abrigo, finalmente atinjo o cume dos 2.670 metros de altitude do Pico da Pedra do Sino, para o então merecido descanço. A vista é de 360º e o visual é de impressionar. Do topo se tem a vista de todo o entorno da parte alta do Parque, com a lateral do Pico das Agulhas negras bem a frente e a Asa de Hermes no meio bem ao lado, Pico do Couto a sudeste, a estradinha, a Pedra do Altar, Prateleiras, entre outros. O amplo cume da Pedra do Sino A esquerda, Pico do Couto, a direita a Pedra do Altar e bem ao fundão, as escarpas rochosas da Serra Fina Não havia ninguém no cume e por isso, fui dono absoluto do lugar. Com a missão do dia concluído, aproveito para fazer uma parada mais longa para almoçar e ficar contemplando a vista daquele belíssimo cume que tem algumas características peculiares. O chão lembra muito uma cratera lunar, pois há vários buracos pequenos. Debaixo de uma rocha, encontro um livro de cume e é claro que deixo minha marca lá. Face lateral do Pico das Agulhas negras, vizinha ao Sino Vale do Rio Aiuruoca lá embaixo vista do topo Fendas gigantescas que só de olhar, dava até medo.... O belissimo vale dos dinossauros e o Pico da Marombinha E é claro, o livro de cume Após explorar o topo, relaxar os músculos, forrar o estomago e molhar a goela, inicio a descida por volta das 13:30hs. A descida é rapida e em cerca de 20 minutos, estou chegando aos ovos da Galinha. As 14:05, estou novamente na trilha da travessia do Rancho caído e com tempo sobrando, resolvo passar para rever a cachoeira do Aiuruoca. Cachoeira do Aiuruoca A cachu, visto de longe, do alto da crista, ângulo visto somente para quem está na Travessia da Serra Negra Após passar na cachoeira, inicio o caminho de volta ao abrigo, onde chego pouco antes das 17:00hs. Consegui visitar todos os atrativos programados para os 4 dias sem correria e sempre com tempo sobrando. Mesmo indo leve (apenas de mochila de ataque), as trilhas no parque levaram horas, pois os atrativos não são próximos uns dos outros. Últimos raios de sol do dia na area de acampamento no Rebouças, com a lua logo acima A temperatura não diminuiu muito a noite e dessa vez, deu para ficar mais tempo fora da barraca para curtir a bela noite estrelada e a lua iluminando aquele belo vale. Após a Janta, fui dormir por volta das 21:00hs. 4ºDia - Retornando para SP. No último dia, sem mais atrativos para visitar, nem me preocupei em acordar cedo, pois havia combinado de voltar de carona com o Marcos mais tarde. Preparei meu café, desmontei a barraca e deixei dentro do carro do Marcos, pois mesmo que for aproveitar o dia, pelas normas do parque, é preciso liberar a vaga do Abrigo ou camping até as 9h00. Nesse último dia, subi novamente ao Couto para acompanhar o Marcos, mas fomos por uma trilha atalho que sai do abrigo Rebouças. É a mesma trilha que sai do meio da travessia Couto X Prateleiras. Viramos a direita e em cerca de 1 hora estavamos no topo novamente. É um caminho mais curto e tranquilo do que o percurso original que parte do Posto Marcão. Depois de curtir mais uma vez o alto dos 2.680 metros de altitude do Couto (que estava lotado de gente por ser sábado) retornamos para o carro. Após dar baixa em nossa saída lá na posto Marcão, iniciamos a viagem de volta para SP, mas não sem antes fazer uma parada na Garganta do Registro para almoçarmos (afinal, o corpo pedia comida gordurosa) e também para o Marcos se esbaldar com os queijos tipicos da região. Reserve um tempo para conhecer o local, vale muito a pena. Algumas fotos: Inicio da estrada que sobe até a parte alta do Parque Durante a descida da serra, fizemos umas 2 paradas em alguns trechos da rodovia para os últimos clicks da bela escarpa rochosa da Serra do Itatiaia, a qual estavamos a apenas algumas horas lá no topo. A imponência e a altura impressiona e não poderia deixar de registrar. Pico do Couto a esquerda, Prateleiras a direita A viagem de volta para SP foi tranquila e cheguei em casa por volta das 19:30, cansado como de praxe, mas feliz. Agradecimento especial para o Marcos que me deu carona do parque até SP. Solidariedade montanhista é isso ai! ------------------------------ Dicas e infos importantes: --> Por ser um parque nacional, é necessário fazer reserva antecipada, tanto dos dias, qto do pernoite no abrigo ou camping do parque. O link para fazer sua reservas é: http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/reservas.html Em caso de dúvidas é só ligar para qualquer um dos telefones disponíves no website acima. --> Durante a semana, (segunda a quinta) é bem facil conseguir vaga no abrigo e camping no Rebouças, podendo inclusive até ir direto sem reserva. Para isso, basta acompanhar o calendário de reservas do parque e se programar. Calendário - Abrigo Rebouças https://calendar.google.com/calendar/[email protected].calendar.google.com&color=%23668CD9&mode=MONTH&showTitle=0&showNav=1&showDate=1&showTabs=0&showCalendars=0&hl=pt_BR&pli=1 Calendário - Camping Rebouças https://calendar.google.com/calendar/[email protected].calendar.google.com&color=%23668CD9&mode=MONTH&showTitle=1&showNav=1&showDate=0&showTabs=1&showCalendars=0&hl=pt_BR --> A melhor forma de chegar a parte alta do Parque é de carro/moto. Se for de ônibus partindo de São Paulo ou região, a opção é pegar um até Itanhandú e de lá, um circular para a vizinha Itamonte. A viação cometa faz essa linha e tem vários horários. http://www.viacaocometa.com.br/ --> Estando em Itamonte, é só pegar um taxi para levar até a parte alta do Parque. Outra opção é contratar um resgate para ir buscar lá na Rodoviária de Itanhandu para levar e buscar no retorno, caso estiver em um grupo grande. O Taxista que me levou se chama Dascimar e ele cobrou R$ 50 pela corrida fechada (valor de Junho/16). Estando em um grupo de até 4 pessoas, é uma ótima opção e a corrida fica bem baratinha. Os telefones de contato dele são: (35) 99954-4830 / 99156-2121 / 98428-0120 --> A travessia Couto x Prateleiras completa leva em média de 3 a 4 horas em ritmo médio e com paradas. Começando antes das 9h00, estará terminando por volta das 13:00hs, tendo tempo para ir conhecer o Prateleiras (se não foi ainda) e de quebra, as Pedras da Maça, Tartaruga e Assentada que estão praticamente do lado. Se ainda tiver tempo e pique, pode-se subir até a Pedra do Altar para ver o por-do-sol no final do dia. Vale muito a pena! --> Sinal de celular pega sem problemas no alto dos picos e na crista. --> Boné é indispensável para evitar o sol forte... --> O circuito dos 5 lagos completo (cujo inicio parte do Rebouças e termina no posto Marcão) leva em torno de 4 horas (2 horas foi o tempo que levei entre a base do Altar e o Posto Marcão). Saindo bem cedo ou indo em ritmo forte, é possível fazer um batevolta na Asa de Hermes e Pedra do Altar, e ainda fazer toda a trilha dos 5 lagos, chegando no posto Marcão antes do anoitecer. Vale muito a pena conhecer a trilha dos 5 lagos. --> O Pico da Pedra do Sino é relativamente longe do Abrigo Rebouças e leva-se em torno de 3 horas de caminhada só de ida até o topo. Por isso, se quiser conhecer, reserve um dia inteiro para ele. Aproveite e conheça também os Ovos da Galinha e a cachoeira do Aiuruoca, que estão no caminho. Vale muito a pena e não deixe de assinar o livro de cume lá no topo da Pedra do Sino. ---> Água não é problema na maior parte das trilhas do parque, sendo possivel ir apenas com 1 litro e recarregando entre um ponto e outro. Só na Travessia Couto x Prateleiras que é preciso carregar um pouco mais de água, pois só há 2 pontos, sendo um bem no começo e outro na metade do caminho. Não passei por mais nenhum outro ponto e só fui encontrar água novamente na trilha que leva a Pedra da Tartaruga e Maçã. --> Na subida para a Pedra do Sino, há um ponto de água bem no começo, sendo a única até o topo. Pegue agua para ida e volta nesse ponto, pois embora o acesso ao cume seja relativamente facil, a subida é um pouco desgastante e sem locais de sombra. A subida leva em torno de 40 minutos a 1 hora, dependendo do seu ritmo ou do grupo. Por isso, com o sol forte, o consumo de água acaba sendo maior. Colete pelo menos uns 2 litros, caso não esteja com nada de água na mochila. Já no caminho entre o Abrigo e o inicio da trilha, há vários pontos de água pelo caminho. --> A melhor época para curtir a parte alta do parque é no periodo seco, ou seja, de Maio a Setembro. Mesmo assim, vá somente com a certeza de tempo firme nos dias que for permanecer lá e adie em caso de previsão de mau tempo. Esperando um pouco e indo com previsão de tempo bom, o risco de passar perrengues desnecessários como chuva torrencial, frio intenso e ventos fortes diminui consideravelmente. --> Logo abaixo seguem alguns contatos que fornecem transporte e resgate para levar e buscar na Parte alta do Parque. - Taxista Marquinhos: (35) 9113-1214 (Itamonte) - Um dos + baratos; - Sr.Samuel: (35) 9113-1700 (Itamonte); - Taxistas Schmidt e Boni: (35) 3371-2013 e (35) 9962-4025 (Passa Quatro). - Carlinhos: (35) 9109-1185 - Zezinho: (35) 9113-0745 - Taxista Dascimar: (35) 99954-4830 / 99156-2121 / 98428-0120
  10. 2º Dia - Pedra do Altar, Circuito dos 5 lagos e Abrigo Massena Pequeno lago, congelado logo pela manhã A 5º feira amanheceu com um céu estupidamente limpo, mas o frio estava de lascar. O termômetro que deixei pendurado do lado de fora da barraca marcava em torno de -05ºC e uma grossa camada de gelo cobria a barraca. Havia tanto gelo que o ziper da barraca até travou. E nisso, tive que ter paciencia para abrir e conseguir sair, sem quebrar o dito cujo. Barracas congeladas A área de acampamento estava toda coberta de branco da forte geada. Sair da barraca foi um desafio, mas com o céu limpo, o frio abaixo de zero foi um mero detalhe. Mas mesmo assim, sortudos aqueles que conseguiram pernoitar no interior do abrigo. Um pequeno lago ao lado da área de acampamento estava congelado e foi um atrativo a parte.Após vários clicks do entorno coberto pelo branco da geada, voltei para a barraca e fui preparar meu café da manhã... Mochila pronta, dou inicio a pernada por volta das 8h25 em direção a Pedra do Altar. O caminho para a Pedra do Altar segue pela mesma trilha para quem vai para as travessias da Serra Negra e Rancho caído. Primeiramente, pega-se a trilha em direção ao Pico das Agulhas negras. Depois, vira-se a esquerda nas 2 próximas bifurcações. Trecho inicial segue pela trilha do Pico das Agulhas Negras Importante bifurcação que dá acesso a vários atrativos e outras trilhas. Só falta o parque trocar essa placa gasta pela ação do tempo Logo que vira a esquerda, chega a outra bifurcação, onde uma placa indica Altar a Esquerda e Asa de Hermes a Direita. Novamente viro a esquerda e a partir desse ponto se inicia uma subida ingreme, mas que não dura muito tempo e antes das 10h00 estou chegando na bifurcação da trilha para a Pedra do Altar, onde encontro outra placa. Aqui, viro a direita e sigo em direção ao Altar, onde num piscar de olhos, chego no cume. Faço uma rapida parada para curtir o visual, que é deslumbrante. Na bifurcação Subindo em direção ao Altar. Trilha não levou mais que 15 minutos até o topo Vista durante a subida Vale das nascentes do Rio Aiuruoca Na ultima vez que estive aqui, estava fazendo a Travessia Rebouças x Mauá pelo Rancho caído. Quando estava no topo, vi vestígios de trilha em direção a Pedra do Sino e isso me atiçou a curiosidade em ver se havia algum caminho ou trilha pelo alto da Crista ligando a Pedra do Altar a do Sino, bem visível a leste. Naquela vez havia deixado para uma outra oportunidade e agora novamente aqui, resolvo descer para explorar. Visão geral do trecho de uma possível travessia Altar x Sino Pico do Couto visto do topo da Pedra do Altar Descendo pela crista Altar visto da crista, proximo a um pico menor Comecei a descida pela crista e consegui chegar até a base de um cume menor, onde fiquei pelo menos uns 30 minutos fuçando e tentando achar algum caminho marcado por trilha ou totem, mas em vão. O capim estava muito alto e como estava sozinho, resolvi voltar. Imaginei que o parque poderia fazer uma trilha de travessia Altar x Sino, como fez a ligação Couto X Prateleiras. Aqui, estava na base de um pico menor a direita, onde não encontrei nenhum vestígio de trilha ou totem indicando um possível caminho Asa de Hermes a frente Caminho e possibilidade tem, basta apenas ter tempo habil. Até dá para ir só no visual e vara capim, mas como eu tinha outros lugares para ir nesse dia, novamente tive que deixar de lado, por enquanto. Retorno pela trilha e pouco antes das 11:00, já estava de volta a bifurcação, onde sigo em direção ao meu próximo objetivo, que é conhecer e percorrer a mais recente trilha aberta pelo parque: A trilha dos 5 lagos. Seu começo/fim está localizado na base da Pedra do Altar, numa curva, antes da trilha principal (a que leva as travessias da Serra Negra e Rancho caído, além da cachoeira do Aiuruoca) começar a descer em direção ao vale das nascentes do Rio Aiuruoca. As 11:10 chego na bifurcação, onde há uma placa indicando os caminhos e viro a esquerda, iniciando a trilha dos 5 lagos. Após alguns minutos de caminhada, ela entra em um trecho de enormes costões rochosos logo de cara, onde a trilha some e a navegação passa a ser exclusivamente por totens e setas pintadas em vermelho. Na bifurcação onde começa/termina a trilha dos 5 lagos É um trecho um pouco confuso e imaginei que pessoas sem experiência nesse tipo de navegação corre sérios riscos de se perder ali, pois não é um trecho curto e em dias de chuva e neblina pode ser bem complicado achar o caminho. Me guiando pelos totens e setas pintadas em vermelho, inicialmente, vou seguindo pela lateral esquerda de um morro inclinado. Trecho de rochedos sem trilha e navegação apenas por totens. As tais varetas vermelhas O percurso sinalizado por totens e setas vermelhas vem lá da base da Pedra do Altar, ao fundo Em alguns trechos, tenho que saltar de uma rocha para o outro o que enche o saco, mas faz parte e vamos indo. A Trilha se afasta rapidamente da base da Pedra do Altar, tomando direção oeste, onde visualizo a direita, o belissimo vale do rio aiuruoca, com o Ovos da Galinha ao fundão. O belo vale do Rio Aiuruoca vista do trecho inicial da trilha dos 5 lagos O trecho complicado de rochedos não dura muito tempo e a trilha reaparece logo a frente, deixando a caminhada mais tranquila. 25 minutos desde a bifurcação, passo por um pequeno corrego que estava quase seco, com alguns poucos trechos de água represada em alguns pontos. Passando pelo 1ºponto de água Como ainda tinha pouco mais de 500ml de agua e um gatorade, nem pego água aqui e resolvo continuar em frente. Mais 15 minutos de caminhada, chego a outro ponto e aqui sim, encontro água corrente e de qualidade. Por isso, deixe para pegar água nesse ponto que é bem melhor que o anterior. Aproveito para fazer um rápido pitstop no local para recarregar e me hidratar, pois o sol já estava começando a castigar. Mas sem saber qto tempo iria levar até o final e se haveria mais pontos de água, nem fico muito tempo e logo retomo a caminhada. Seguindo para o 2ºponto de água que fica no vale lá embaixo. 2º ponto de água A trilha continua seguindo pela encosta esquerda, evitando um grande vale a direita. Olho para trás e vejo os Picos do Sino e Altar ficando cada vez mais para trás. A caminhada segue variando entre costões rochosos e vestígios de trilha. Vou me guiando pelos varios totens e setas pintadas de vermelho, sem maiores problemas de navegação, pois boa parte do percurso da para ser feito só no visual. O dia está estupidamente bonito, sem vento e fico impressionado com a beleza daquele local inóspido. Em alguns trechos, a caminhada lembra um pouco o trecho do 2º dia da travessia da Serra Fina entre o Capim amarelo e a Pedra da Mina, pois há vários trechos de rochedos. Trecho entre o 2ºponto de água e a cachoeira 5 lagos As 12:05, com pouco mais de 1 hora desde a bifurcação lá na base da pedra do Altar, chego em mais um ponto de água e a cachoeira 5 lagos. A cachoeira possui uma coloração vermelha bem diferenciada e é claro que foi palco para mais clicks. Após contemplar a bela cachoeira, continuo minha caminhada e agora a trilha passa a direita com um grande vale e um belíssimo lago no meio, a esquerda. 3ºPonto de água Mirante da cachoeira 5 lagos Cachoeira 5 Lagos Pico do Papagaio visto do alto da cachu É um belo vale e um visual em tanto das paisagens dos campos de altitude. Ao fundo atrás, os imponentes Picos do Sino, Altar e partes da Agulhas negras se destacavam no horizonte. Depois que a trilha termina de contornar o vale com um lago no meio, ela começa a subir até o alto de um morro. De lá, consigo ver o Pico da Pedra Furada, o conjunto rochoso da Serra fina toda imponente a minha frente e a estrada de terra que vem lá da Garganta do Registro, além do posto marcão logo abaixo. É um belo visual. Contornando o imenso vale Um dos lagos que dá nome ao circuito dos 5 lagos Ao fundo, Picos da Pedra do Sino e Agulhas negras Percebo que estou próximo do final e pouco depois das 12:30, começo a última descida em direção ao posto, onde chego pouco depois das 13:00hs. A trilha dos 5 lagos é uma trilha que vale muito a pena fazer, pois passa por uma parte do parque que você não vê da entrada e de nenhum outro ponto, oferecendo visuais diferenciados e únicos e de uma beleza ainda mais exuberante. Trecho final da trilha dos 5 lagos A bela vista do vale com as escarpas rochosas imponentes da Serra fina ao fundo e o trecho final da estradinha de terra que sobe até o Posto Marcão A direita, Pico da Pedra furada Descendo para o Posto Marcão, a casa lá embaixo Novamente na estradinha, inicio a caminhada de volta ao Abrigo. Como tava cedo, resolvo almoçar no camping, que estava vazio e enquanto isso, penso em onde ainda posso ir, aproveitando melhor o restante do dia. Depois do almoço, decido ir fazer um batevolta ao Abrigo Massenas, para explorar melhor o entorno do local, pois na ultima vez que passei por ali (na dupla travessia), não deu para ver muita coisa pq o tempo estava ruim e a logistica da travessia não dava espaço para exploração do entorno. Chegando na estradinha de terra Fim/inicio da trilha ao lado do Posto Marcão De volta a estradinha, retornando ao Abrigo Rebouças 13:30h e não havia ninguém no local. Meu almoço foi na total tranquilidade e silêncio da montanha. Pouco depois das 14h00hs, parto do Abrigo Rebouças em direção ao Massenas, cujo trecho faz parte do trecho inicial/final da travessia Ruy Braga. As 14:25, chego a bifurcação da travessia Ruy Braga com a do Prateleiras e adentro a trilha da travessia, que segue margeando o vale a direita. Ela vai descendo discretamente até chegar a um ponto que vira novamente a direita e começa a descer para um grande vale. Lateral da Agulhas negras, vista do trecho da travessia Ruy Braga Durante essa descida, a trilha adentra na mata fechada e inicia um pequeno trecho de descida relativamente forte, mas que não dura muito tempo e logo estou de volta nos campos de altitude, onde agora a caminhada segue no plano, em meio a enormes tufos de capim elefante que em alguns momentos, chegam a tampar a visão da trilha demarcada. Chegando ao Abrigo Massenas, abrigo esse disponível para quem está fazendo a Travessia Ruy Braga tanto no sentido de Subir, qto descer. Algumas bifurcações aparecem, mas todas com o intuito de evitar trechos intransponíveis do capim. Após mais um trecho de mata fechada e de descida, passo por um ponto de água e logo em seguida, chego ao Abrigo as 15:20, com pouco mais de 1 hora de caminhada desde o abrigo Rebouças. Não havia ninguém no local, mas encontrei vestígios de fogueira ainda quente na lareira, o que me fez crer que algum grupo pernoitou a noite anterior aqui. Água pode ser encontrado no trecho inicial antes da bifurcação e próximo do Abrigo, são 2 pontos no total nesse trecho. Faço uma breve parada para comer algo rapido e resolvo explorar melhor o entorno do Abrigo, apenas para constatar o total abandono do mesmo. Interior do Abrigo Ruínas da antiga estação meteorológica em um morro ao lado do Massenas Uma bela vista lá do alto do morro Face oposta do Prateleiras e Pedra Assentada, vista do Massenas Pedra Assentada Com o final do dia se aproximando, retorno para o Abrigo Rebouças, onde chego por volta das 18h00, fechando esse 2ºdia de circuitão. A temperatura diminuiu rapidamente e após a janta, fico contemplando mais uma bela noite estrelada e a constelação, mas com o frio apertando, sou obrigado a me recolher para dentro da barraca e logo vou dormir. CONTINUA....
  11. Trilhas realizadas entre dias 15 a 18/06/2016. O Album com todas as fotos estão em: https://picasaweb.google.com/110430413978813571480/6311698533891046049?authuser=0&feat=directlink - Introdução - Esse é um relato de uma aventura decidida na doidisse de ultima hora, motivada pela paixão pela natureza e que inicialmente iria ser totalmente solo, mas que no final, o que começou sozinho, terminou em um trio. Eu fiz coisas lá que saiu totalmente fora do padrão de quem já conhece ou já fez as trilhas e travessias do parque. Fazia anos que tinha o desejo de fazer um circuitão solo meio que no modo "light and fast" ou pelo menos com um grupo bem reduzido no Parque nacional do Itatiaia, abraçando apenas os picos do entorno e parte das 2 travessias, acampando e deixando toda a tralha pesada no Abrigo Rebouças e assim, podendo andar mais leve que uma pluma o dia todo, apenas com agua e lanche. Tinha planejado para fazer em 3 dias, mas que acabou levando 4. O começo teve perrengues como uma noite quase toda sem dormir, depois bivacando em uma cidade fantasma em um frio de 05ºC típico de cidades do alto da mantiqueira e ainda indo fazer uma travessia logo de cara no dia seguinte. Já sabendo que logistica para o Parque Nacional do Itatiaia (PNI ou Parna Itatiaia) não combinam, fui com a cara e coragem para encarar uma pernada de 14 km desde a Garganta do Registro até a entrada da parte alta do parque. E no inicio dessa semana, veio a chance. Com a previsão do tempo 100% favorável, (céu limpo, sem chuva e totalmente ensolarado) não resisti, fiz um rápido planejamento da logística do transporte sem carro (só por ônibus) e saiu 2 opções: 1) Pegar um ônibus até Resende/RJ no horário das 18:15, e de lá, outro para Caxambu/MG (que passa pela Garganta do Registro, onde fica o inicio da estrada de terra que leva até a portaria da parte alta do parque) e Itamonte, que sai as 23:00hs da rodoviária do Graal de Resende/RJ. Ele sobe a serra e estaria passando pela garganta por volta da meia noite e meia. Dali, desceria na garganta e seguiria a pé no meio da noite até a entrada da parte alta do parque. # Considerando que a Garganta do Registro já está à 1.669 metros de altitude, seria meio caminho andado, sem precisar de suporte de veículo algum, já que para apenas uma pessoa, contratar um transporte dependendo, sai mais caro do que a ponte áerea Rio -SP...isso é, até lembrar das opções para grupos pequenos ou apenas 1 ou 2 pessoas. Mas...o problema é que a entrada do parque está a 14km dali. Então, calculei o percurso de acordo com meu ritmo em até 4 horas em subida constante da altitude de 1.669 até os 2.450 metros, onde fica o posto Marcão, chegando por volta das 5 ou 6 da manhã. Chegando pela manhã, teria o dia todo para aproveitar + os outros 2 dias, totalizando 3 dias. O sacrificio seria a caminhada no frio proximo ou abaixo de zero e uma noite inteira sem dormir. Só daria para dormir no onibus e olha lá. 2) A outra opção era pegar o 1º ônibus (que sai as 7h00 do Tietê) em direção a Itanhandu/MG, depois um circular local até Itamonte/MG. De lá, pegaria um taxi direto para a entrada da parte alta. Teria minha noite para dormir, mas teria que acordar cedo e perderia boa parte do dia só na viagem, pois seria 4 horas e meia até Itanhandu, 30 minutos até Itamonte e mais 40 até proximo da antiga Pousada Alsene, que fica proximo da entrada do parque. Não precisaria andar no meio da noite com lanterna debaixo de frio de 0ºC comum em altitudes elevadas. Caminhar no frio não seria problema para mim, já que estou indo preparado para temperaturas negativas. Então, pensando nos pós e contras de ambas as opções, acabei escolhendo a 1º opção. Escolha feita, lá estava eu, em uma bela tarde ensolarada da metropole paulistana, saltando do metrô na Estação Tietê as 17:30. Embarquei no ônibus das 18:15 em direção a Resende/RJ. A viagem foi tranquila e cheguei em Resende por volta das 22:25 e fui logo procurar o guichê da empresa de ônibus que vai para Caxambu, Viação Cidade do Aço. Na Rodoviaria de Resende - RJ Achado o guichê, não vi ninguém, mas logo apareceu um fiscal e ao perguntar pelo onibus das 23:00h, ele me disse que logo chega e eu já fui comprando a passagem. Ao perguntar sobre descer na Garganta do Registro, o fiscal me disse que por conta de queda de barreiras no trecho da Serra nas últimas chuvas, só veiculos de passeio estão podendo subir e descer. Todo veiculo pesado teria que subir por Cruzeiro, dando a volta pelo lado paulista. O problema é que essa rodovia não passa pela Garganta do Registro e consequentemente, no inicio da estrada de terra que sobe para o parque. E era o último do dia. E agora, José? Sem alternativa e o tempo passando, não me restou outra opção que pegar esse ônibus e descer em Itamonte/MG, onde decidiria o que fazer assim que chegasse lá. A viagem foi tranquila e cheguei em Itamonte por volta das 1:40 da manhã. E logo fui procurar um lugar para ficar, mas não encontrei nenhuma, pois a cidade tava deserta, sem uma alma-viva e com tudo fechado (parecia cidade fantasma). Quem acha que cidade fantasma (ou que só tem vida durante o dia) não existe, então...convido a conhecer Itamonte/MG entre 1:00 e 5:00h da manhã... Após bater perna por quase 1 hora na "cidade fantasma" sem sucesso, a temperatura diminuiu ainda mais e com o frio apertando, resolvo que o melhor é encontrar algum canto escondido para acampar ou então, bivacar em qualquer praça e esperar até o amanhecer...Tiro meu termômetro para fora e vejo marcando 08ºC. Encontro um descampado em um terreno abandonado, mas limpo e resolvo montar minha barraca. Porém, ao ver o horário (já tinha passado das 2:30 da manhã), vi que seria muito trabalho para apenas poucas horas. Então, tiro apenas o saco de dormir e o isolante termico, mas decido procurar outro canto melhor. Achado o local, me enfiei dentro do saco de dormir em um canto bem escondido da pequena cidade e como estava cansado, logo peguei no sono, mas quem disse que consegui dormir? 1º dia - Travessia Couto X Prateleiras + Pedra da Maçã, Tartaruga e assentada. A Quarta-feira amanheceu com uma pequena nevoa e após tirar pequenos cochilos que serviu apenas para descansar o esqueleto, levanto com a movimentação dos primeiros trabalhadores indo para o trabalho por volta das 5:30hs. A pequena e bucólica cidade ganha vida novamente... A termômetro registra temperatura amena de 06ºC e resolvo guardar tudo na mochila. Aproveito para esperar uma padaria ali próxima abrir, afim de tomar um café reforçado e depois encontrar um ponto de taxi para me levar até a portaria da parte alta do parque. Após o café, saio atrás de um taxi. Não demorou muito e logo encontrei um carro de um taxista e pergunto qto ele cobra para me levar até a Garganta ou a portaria do parque. Para a primeira opção (e ter que subir os 14km a pé) ele cobrou R$ 35 e até a portaria R$ 50. Claro que nem pensei 2 vezes e escolhi a corrida fechada até a portaria, já que não podia perder mais tempo. Como bom mineiro que se prese, a prosa foi ótima e fiquei sabendo que na noite anterior, tinha dado uma geada moderada na cidade e a temperatura havia caido abaixo de zero. Inclusive esse eram os mesmos comentários do pessoal lá na Padaria. E agradeci por não ter chegado aqui ontem. Senão, o que fazer num frio abaixo de zero sem local para ficar? e ao relento? Melhor nem pensar nisso! O trecho da rodovia foi rápido e logo chegamos a Garganta do Registro com o dia ainda clareando e começamos a subir. 20 minutos de subida desde a rodovia, alcançamos os 2.000 metros de altitude e por isso a vegetação típica da mata atlantica foi dando lugar aos de campos de altitude, com os primeiros trechos de geada aparecendo. Pico da Pedra furada vista de um trecho da estrada, próximo do Alsene. As primeiras vistas foram aparecendo, as nuvens haviam ficado abaixo e o céu claro e os primeiros raios de sol já cobriam o topo dos picos, o que me deixou bastante radiante. Mais 10 minutos e chegamos na antiga pousada Alsene na altitude de 2.320 metros as 7:25 e a vegetação ali já era exclusivamente de campos de altitude. Nesse trecho já se tem várias vistas do entorno e é claro que foram palco para os primeiros clicks. A forte geada e as nuvens cobrindo o vale do paraíba lá embaixo são um capitulo a parte e impressionaram até o taxista que é morador da região..... Trilha coberta de gelo Enfim, estão fazendo algo.... Trecho recem recapiado da estrada com concreto Devido as condições precárias do trecho final da estrada, desço pouco depois da Alsene e o restante do percurso tive que fazer a pé. A esperança está nas obras de recapiamento que vem sendo feitas em vários trechos da estradinha. No trecho final, uma bela vista Chegando ao Posto Marcão Fui subindo e cortando caminho por trilhas a esquerda afim de evitar as longas curvas da estradinha. Com isso, a caminhada foi bem mais rápida e pouco antes das 8:00hs, chego ao posto Marcão, entrada da parte alta do parque. Após o funcionário verificar a disponibilidade de vagas no abrigo e camping, preencho a papelada e após pagar as taxas devidas, logo sou liberado. Mas antes de começar a travessia, resolvo ir até o Camping Rebouças montar barraca e deixar toda a tralha pesada lá. Na estrada, seguindo em direção ao Abrigo Rebouças Gelo por toda parte, reflexo da mega onda de frio que atingiu SP e o Sul de MG na 1ºquinzena de Junho. Segundo os guardas, temperatura chegou a -08ºC essa madrugada e tinha até 2 carinhas que estavam acampados pedindo para mudar para o Abrigo. Durante o trajeto até a área de acampamento, um carro passa por mim e o motorista me oferece uma carona, que aceito na hora, claro. Afinal, a distancia entre o posto até o abrigo é de 3 km. E nessa carona que conheço o Marcos, uma figura. Ele tinha marcado com uns amigos de ir para lá, mas que deixaram ele na mão na última hora, então acabou decidindo por vir solo. Morro da antena Area de acampamento tão disputada durante os fins de semana, fica vazia e com muitas vagas sobrando durante a semana Após chegarmos no Abrigo Rebouças, me despeço do Marcos agradecendo pela carona, inclusive. Após montar a barraca e deixar toda a tralha pesada lá, retorno para a estradinha e volto para o Posto Marcão, onde inicia a trilha da travessia Couto X Prateleiras. E finalmente, após todo o perrengue da noite anterior, começo a pernada propriamente dito as 10:00hs em ponto. Trecho inicial segue pela estradinha que vai para o morro da antena O caminho começa por uma outra estradinha de terra secundária a direita da principal e que sobe em direção ao Morro da antena. Ela fica bem ao lado do posto Marcão e há uma placa indicativa, inclusive. Sigo por ela e após fazer uma curva a esquerda, passo por um ponto de água, que é uma pequena bica a esquerda. Sem saber se haveria mais pontos de água a frente, encho o cantil com 2 litros para a travessia toda, por precaução. Esse é o único ponto de água corrente e confiável da subida até o Couto. Portanto, pegue água aqui ou traga na mochila para esse primeiro trecho. Subindo.... Mais alguns minutos de caminhada desde a bica, vejo uma trilha a direita que dá num belissimo mirante. Nesse mirante, se tem uma vista deslumbrante do vale lá embaixo, com as escarpas rochosas da Serra Fina bem imponente a frente, em destaque, o que já dá uma ideia da vista que terei lá no topo do Couto. Após alguns clicks, retorno para a estrada e continuo subindo. Mais alguns minutos de subida e 25 minutos desde o posto Marcão, passo por outra bifurcação, onde encontro uma placa indicando "Couto" a direita. Então, abandono a estrada principal em favor dessa picada a direita que vai no sentido desejado e que marca o inicio da trilha da travessia Couto X Prateleiras. A estrada em frente continua subindo até o morro da antena. Trecho inicial da travessia Morro da antena ficando para trás Primeiras vistas durante a subida A trilha é bem aberta e segue subindo suavelmente, contornando a crista a direita, dando pequenas voltas e logo chego a base de um enorme rochedo. As 10:35 começo a subir em direção a primeira de 2 grandes bases do Couto, onde vejo uma outra antena. A subida aperta um pouco e logo começa a aparecer os trechos delicados na crista, onde subo com relativa cautela. Mais 15 minutos e chego a um trecho onde vejo água escorrendo pela trilha, formando alguns pequenos poções, mas que pode estar seco em épocas de estiagem. Não é bom contar com essa água. Por isso, colete a quantidade de água que for precisar para as próximas 3 horas lá na bica, pois o próximo ponto de água só na metade da travessia. Trecho com um filete de água escorrendo na lateral da trilha A vista durante a subida Após passar por um curto trecho de escalaminhada básica, a subida dá uma tregua e chego a um trecho plano, em um extenso costão rochoso que é a base do Couto e que formou um belo mirante, oinde também há uma antena. A altitude aqui é de pouco mais de 2.500 metros e o visual aqui é de impressionar. Faço uma rápida parada para descanço e exploro um pouco o entorno. Nesse ponto, se avista o enorme rochedo que compõe o pico do Couto bem a frente. Apesar do sol, o frio não dá tregua e com isso, nem tiro a blusa o dia todo. Chegando a base do Couto Não faltou sinal de celular.... Prateleiras ao fundo (foto com zoom) Após o descanço, retorno a pernada, agora para encarar um dos pontos mais tensos dessa travessia, que é a subida de ataque final ao cume do Couto. Olho para frente e vejo a trilha indo na direção de uma fina crista sobre um rochedo, que de longe parece ser tranquilo. Mas foi só começar a caminhar por ela para logo dar de cara com um trecho tenso, onde sou obrigado a pular de uma pedra a outra, com um enorme precípicio a direita. Visual fenomenal Couto logo a frente O ataque final ao cume se dá em uma subida pirambeira entre enormes rochedos, onde em um deles, tive até que subir de costas e com bastante cautela, afim de ganhar os patamares superiores com segurança. Mais 15 minutos de subida e após 1 hora e 40 minutos de caminhada desde o Posto Marcão, as 11:40 finalmente chego no cume do Pico do Couto, na cota dos 2.680 metros de altitude para um merecido descanso, é claro. Nem preciso dizer que a vista é de arrancar o fôlego de qualquer um. E mais clicks, é claro. Trecho tenso. Subida de ataque final ao cume vai por essa fina crista Mirante na base, durante a subida do trecho final ao cume O trecho das cristas a direita, por onde a trilha da travessia passa Do topo a leste, se avista todo o trecho da caminhada com o Prateleiras bem ao fundão. A Oeste, o morro da antena, as 2 estradas de terra que liga o posto marcão ao couto e abrigo Rebouças. A Norte, Pico do Papagaio,Pedra do Altar, Sino e mais a direita, Asa de Hermes e o imponente Pico das Agulhas negras, entre outros picos da parte alta do parque. Enfim, o cume Serra Fina ao fundo A Esquerda, Pedra do Altar. Mais para o centro, Sino e Asa de Hermes. E a direita, o Imponente Pico das Agulhas negras A estrada de terra que vem lá do Posto Marcão Ao Sul, a imensidão do vale do Paraíba, com a Serra da Bocaína bem ao fundão. É uma visão de arrepiar. Aproveito para fazer uma pausa mais longa para um lanche reforçado. Após forrar o estomago e molhar a goela, retomo a pernada, agora para a segunda parte da travessia, em direção ao Prateleiras. As 12:20, passo por uma placa indicando "Travessia somente com autorização" e inicio a descida, que segue por uma trilha totalmente calçada por enormes rochas que facilitam bastante a descida. A descida do topo segue bem ingreme ladeira abaixo, com alguns trechos de desescalaminhada, mas sem maiores dificuldades. Todo o trajeto que ainda iria percorrer até o Prateleiras Meio longinho ainda... 15 minutos desde o topo do Couto, chego na base e a partir de agora, a caminhada passa a ser pelo alto das cristas. Prateleiras está visivel a maior parte do tempo a frente e parece estar estar perto, mas distante cerca de 1 a 2 horas de caminhada ainda. A esquerda visualizo o imponente Pico das Agulhas negras e a direita a imensidão do vale do Paraíba, com o Couto ficando cada vez mais para trás. Trecho de sobe morro/desce morro Caminhada pelo alto das cristas As 12:55, passo por 2 placas na sequencia indicando 2 trilhas a esquerda. A 1º placa indica um ponto de água, que é uma ótima opção para o caso de você chegar aqui sem água. Esse é o 2º e último ponto de água de toda a travessia. Portanto, se pretende continuar e estiver com pouca água, recarregue nesse ponto, pois não há nenhum outro ponto de água até o final. Na bifurcação, onde é possivel abortar a travessia e retornar... É só descer essa pequena pirambeira A 2º placa indica um atalho para o Abrigo Rebouças. Nesse ponto é possível abortar a travessia, para o caso de você ou alguém do seu grupo tiver algum problema durante a travessia. Seguindo em frente, continua a trilha da travessia por mais 1 hora e meia em direção ao Prateleiras e é para lá que eu sigo. Após a placa, a trilha inicia uma sequencia de sobe morro/desce morro em largos zig zags, afim de evitar grandes paredões ou precipicios. Começo a subir um pequeno morro e logo saio em um trecho de gramídeas, onde a caminhada passa a seguir no plano com trilha bem demarcada e sem maiores problemas de navegação. O traçado da trilha logo abaixo e bem ao fundo, o Pico do Couto, que vai ficando para trás As 13:10, chego a mais uma bifurcação com uma placa indicando "mirante" a esquerda. Curioso para saber onde iria dar, abandono temporariamente a trilha principal em favor da trilha a esquerda para ir conhecer o tal "mirante". Alguns minutos de caminhada e logo chego a um conjunto de 3 enormes rochedos que compõe o mirante. Sigo até a ponta de um deles e ao chegar, sou presenteado com uma bela vista do gigante rochoso do Pico das Agulhas negras bem imponente a minha frente, em um angulo diferenciado e único. Lá embaixo, visualizo a estradinha de terra que vem do Posto Marcão, passa pelo Abrigo Rebouças e dá acesso ao Pico das Prateleiras, Pedra da Tartaruga, Assentada e por fim, a Travessia Ruy Braga. Também visualizo parte do Abrigo Rebouças, a trilha que segue para o agulhas e sobe para o Altar. É uma visual bem bacana, pois te dá a sensação que vc se distanciou tanto tanto, mas ao mesmo tempo parece que nem saiu do lugar, pois o Abrigo Rebouças está "logo ali". Vale a pena parar ali para conhecer e curtir a vista do entorno. Volto para a trilha principal e pouco antes das 13:30, visualizo bem a frente, uma enorme gruta, com a trilha se enfiando dentro dela. Ao me aproximar, vejo uma placa com os dizeres: "Toca do Índio", o que de fato lembra uma toca mesmo. Chegando a Toca do Índio Trilha se enfia por baixo dela e sai do outro lado Passo por dentro dela e ao sair do outro lado, chego ao trecho final da travessia, com o Prateleiras bem a frente. Mais 10 minutos e chego ao pé de um morro, onde inicio a última descida em direção a base do prateleiras. Trilha segue descendo em largos zig zag para diminuir o desnível para quem sobe. Prateleiras logo a frente Descendo até a base A partir desse ponto o Prateleiras aparece com todo o seu explendor a tua frente, o que vale a pena uma parada para contempla-lo. Também já é possivel ver a discreta Pedra da Tartaruga logo abaixo, a esquerda. Pedra da Tartaruga visto do trecho de descida final da travessia Enfim, após quase 3 horas e meia de caminhada desde o Posto Marcão, chego a base do Prateleiras as 14:05. Final da travessia, mas não da caminhada. Como estava relativamente cedo para voltar ao Abrigo Rebouças, decido ir conhecer a Pedra da Tartaruga, Assentada e Maça. A bifurcação para as trilhas que leva a elas sai do trecho final da trilha do Prateleiras e não tem como errar, já que você passa obrigatoriamente por ela e ainda tem uma placa indicando. Do trecho final da trilha, na base do Prateleiras, desço por 5 minutos e chego na bifurcação. Entro na trilha a direita (esquerda para quem vem subindo para o Prateleiras) e sigo em direção a Pedra da Tartaruga e Maça. A trilha inicia uma curta descida e e logo chego a um trecho com um belo lago a frente. Na bifurcação O Trecho inicial da trilha apresenta pequenas bifurcações, mas a principal é bem demarcada, facil de identificar e é só seguir por ela. Água pode ser encontrada em um pequeno riachinho que desemboca no lago ou no próprio lago. Mais alguns minutos e chego ao lado da enorme Pedra da Tartaruga que realmente parece uma tartaruga. Ao lado dela, outra enorme pedra em formato de uma Maçã, que parece que foi colocada ali, bem ao lado. Pedra da Tartaruga logo a frente e Assentada no alto de um Pico mais ao fundo, a esquerda. Pedra da Tartaruga Pedra da Tartaruga a direita, Maça a esquerda Um belo lago e um ponto de água O Cansaço e a fome começam a dar os primeiros sinais, mas não estava afim de parar por enquanto. Então, tiro algumas fotos e sigo em direção ao último atrativo do dia: A Pedra Assentada, localizada no alto de um pico mais baixo que o Prateleiras. A partir desse trecho, estou sobre enormes costões rochosos e não há trilha, por isso a navegação passa a ser por totens. As 14:54, passo por um mirante com uma vista de um vale enorme lá embaixo, onde é possível visualizar as ruínas de um antigo posto meteorologico e o vale onde está o Abrigo Massenas, um visual em tanto. O Mirante Passo por um pequeno trecho de charco, onde encontro uma placa indicando o caminho para a pedra assentada e logo reencontro a trilha, que segue descendo em direção a base do Pico menor. Sigo descendo e logo chego a base do Pico, onde está a pedra assentada. Ao fundo, Pedra Assentada Olho para cima e vejo a trilha indo em direção a uma enorme subida pirambeira. Inicio a subida, mas logo resolvo abortar, pois já havia passado das 15:00hs e com a fome apertando e sem saber qto tempo ainda iria levar até lá, resolvo deixar para uma outra ocasião. As 15:20, inicio a caminhada de retorno ao Abrigo, mas não sem antes fazer uma pausa no mirante, para um lanche. Estomago forrado e fome saciada, retomo a caminhada e 20 minutos desde o mirante, estou passando pela bifurcação onde a trilha do Prateleiras encontra com a da Travessia Ruy Braga. Passando pela bifurcação onde termina/começa a Travessia Ruy Braga com a trilha que sobe até o Prateleiras Termino a descida e chego no tedioso trecho de estradinha de terra (que outrora fora a BR mais alta do país). A temperatura está diminuindo rapidamente e pouco antes das 16h30, chego ao Abrigo Rebouças para o merecido descanço desse primeiro dia do circuitão solo. Chego a área de acampamento e deixo as coisas, mas resolvo ficar um tempo do lado de fora, para curtir o belo final de tarde. Acampamento e Abrigo Rebouças visto do alto de um morro, no final da tarde Durante esse tempo que estava "a toa", conheci o Rodrigo, que havia chegado lá por volta do meio dia e também estava sozinho pelo mesmo motivo do Marco e eu. Conversamos por algum tempo, mas o frio intenso do final da tarde logo nos fez entrar nas barracas rapidão, deixando para continuar a conversa mais tarde. Depois das 17h30hs com os ultimos raios de sol no alto das montanhas, o termômetro já marcava 04ºC, o que me fez crer que a noite seria estupidamente gelada. Coloco as roupas mais pesadas e fico só relaxando dentro da barraca. Por volta das 19h30, saio da barraca para curtir as estrelas e preparar a janta. Vou para a area de refeitório e reencontro o Marco, que havia chegado de sua escalada na Asa de Hermes só de noite. O Rodrigo tb apareceu, a gente se juntou e fizemos nossa janta ao passo de muita conversa sobre os perrengues do dia, é claro. Após a janta e um tempo conversando, a temperatura cai ainda mais e fez que nossa tempo de permanencia no local fosse curto. Com isso, cada um se recolheu para seus devidos aposentos e uma sinfonia de roncos se fez presente pelo restante da noite no bucólico vale, a 2.350 metros de altitude. Continua no post abaixo....
  12. Pois é, fazer os 3 picos nesse esquema fica um pouco corrido, mas estando de carro, é bem mais facil para voltar para Sampa ou alguma outra cidade de 5 ou mais horas de distancia. A principio, eu iria vir com um grupo, mas o povo tava muito enrolado e como ocorre em vários grupos, sempre tem aqueles que dão para trás na ultima hora. E para piorar, uma das pessoas que deram para trás, era um dos carros, sobrando só o outro. E esse que sobrou, o motorista ficou doente faltando alguns dias para a trip, tendo que abortar, deixando todo mundo sem carona, inclusive eu. Obviamente que isso não seria um problema para mim, pois eu já tinha o plano B, que era vir de ônibus. Chamei os demais para vir comigo, mas ninguém queria encarar a caminhada de 1 hora e meia na estradinha e nem sair um dia antes para isso, por motivos de trabalho (justo). Embora tivesse pelo menos 3 pessoas que tinham flexibilidade, mas que não quiseram. Então, paciencia né. Eu até poderia ter ido no Itapiroca primeiro e depois no A2, mas com um monte de gente com cargueira logo atrás de mim, corria o risco de chegar no A2 e não encontrar lugar. Então, não me restou alternativa senão ir direto ao A2, deixando para passar no Itapiroca e acampar no Caratuva depois. Até peguei algumas infos sobre qual ir primeiro, mas não me explicaram muito bem sobre o esquema do Caratuva e o PP, e sequer me falaram que havia uma trilha que interligava o Caratuva ao A1. Eu só fiquei sabendo dessa trilha depois com a galera lá no A2. Se soubesse antes, com certeza teria acampado primeiro no Caratuva. Dai no dia seguinte (já descançado), desceria pela crista até o A1, seguindo direto para o PP (que estaria vazio por ser domingo a tarde), acampando no cume. Na volta passaria no Itapiroca para conhecer e depois, desceria o resto até a fazenda. Mas depois, pela distancia do Topo do PP até a fazenda ser maior, corria o risco de chegar muito tarde em Curitiba e não conseguir pegar o onibus em um horário que chegue em SP antes do metrô fechar. Então, vejo que mesmo com a volta inutil, deixar para acampar no Caratuva no ultimo dia foi uma decisão bem acertada, pois a distancia do cume até a fazenda foi de 3 horas, dando tempo de pegar o circular para Curitba e o ônibus das 17h00h para Sampa, chegando 1 hora antes do metrô fechar. Abs Hum, me falaram sobre isso tb. Dai eu disse: então é arriscado? me disseram que chove muito na região e que muita gente vai lá e sempre tem agua....talvez se referiam a maior parte do ano, esquecendo do detalhe do inverno. Tudo bem que a região sul não tem epoca de seca prolongada como no Sudeste, mas se o filete não for muito grande, sempre haverá um risco de estar seco mesmo, de fato. Qdo passei lá, a vazão tava boa até....maior do que as 2 outros filetes de agua menores..... Valeu pela dica! Abs
  13. Nascer do sol no A2 A noite foi bem tranquila e o amanhecer do domingo foi com temperatura amena por volta dos 07ºC. Acordei por volta das 5h00 da manhã com a movimentação do pessoal no camping que iria subir para o cume para ver o nascer do sol. Como eu já havia estado lá na noite anterior e o fato de que eu ainda iria passar no Itapiroca e acampar a 2ºnoite no Caratuva, nem subi e voltei a dormir. Barraca desmontada e mochila nas costas, pouco antes das 9h00, inicio a caminhada de retorno. O acampamento A2 estava lotado e como ainda tinha o pessoal que foi ver o nascer do sol lá no topo e estavam descendo, resolvi apressar um pouco o passo afim de evitar a "fila indiana" nos trechos de descidas que tem os grampos, na base. Após uma noite bem dormida, pronto para iniciar a caminhada em direção aos picos do Itapiroca e Caratuva Iniciando a caminhada O céu estava livre de qualquer vestígio de nuvens e o sol brilhava forte. Apenas embaixo, um tapetão de nuvens cobria o litoral e boa parte das areas mais baixas da Serra, formando um espetáculo único e visível somente a aqueles que se dispõem a subir ao alto das montanhas. Primeiros raios de sol sobre o Itapiroca e Caratuva Picos da Serra de Ibitiraquire Pico Paraná ficando para trás 20 minutos de descida desde o A2, estou novamente passando pelo trecho pirambeiro e tenso dos grampos da ida, na qual tive que descer com bastante cautela. Em alguns trechos, dependendo, é recomendável até retirar a cargueira e descer elas com uma corda, se caso não se sentir seguro com elas nas costas. Isso pq, o peso te puxa bastante para trás e qualquer pisada em falso pode resultar em um grave acidente. Por isso, muita cautela nesse trecho, principalmente em dias de chuva. Descer foi mais tenso do que subir. Não é a toa que a maioria dos acidentes ocorrem justamente nas descidas, pois o pessoal acha que é mais facil e não se previne da mesma forma que na subida Vencido o trecho, atravesso o pequeno vale e logo estou escalaminhando a crista que segue em direção ao A1. Após subir o último trecho de grampos e ganhar a crista, continuo a subida pela mesma e ao olhar para trás, vejo uma "multidão" descendo o enorme paredão ingreme em fila indiana. Vendo a cena, pensei: ainda bem que consegui sair antes, senão teria que esperar o povo ir descendo ali um a um e iria acabar chegando só no dia seguinte ao Caratuva galera desescalaminhando o enorme paredão Mar de nuvens As 10:11, com pouco mais de 1 hora desde o A2, estou de volta ao A1, onde faço uma parada para mastigar umas barras de cereais e me abastecer de sais mineirais. Desse ponto, parte a trilha que sobe direto para o Caratuva, mas como eu iria passar no Itapiroca, mas acampar no Caratuva, deixo para terminar no Caratuva. Uma bela visão das escarpas rochosas do Pico Paraná 30 minutos desde o A1, entro definitivamente na mata fechada e novamente tenho que encarar o trecho complicado de troncos e galhos caídos, que faz meu avanço ficar lento. As 11:10, com cerca de 2 horas desde o A2, chego a placa que indica a bifurcação entre as trilhas do PP e Itapiroca e a partir dai, viro a esquerda, na trilha que sobe em direção ao Pico Itapiroca. Após uma rápida caminhada no plano, logo a trilha inicia uma subida bem forte, com alguns lances de escalaminhada, mas que felizmente não dura muito e 20 minutos depois, saio da mata fechada e estou chegando as primeiras áreas de acampamento do Itapiroca onde não havia ninguém. Chegando a um ombro A vista das areas de acampamento é sensacional, com o Pico Caratuva bem ao lado, a esquerda, o Paraná a frente em destaque e atrás, as vistas da fazenda, com outros picos ao redor. Também dá para ver boa parte do trecho da trilha que vem do PP, os descampados do A1 e a imponência de seu vizinho, o Caratuva. Mas resolvo continuar mais a frente em direção ao cume. Pico Caratuva visto do Itapiroca Uma das belas vistas do topo do Irapiroca O Pico Itapiroca tem 1.805 metros de altitude é a 5º montanha mais alta da região, com fácil acesso. Ela é uma boa e rápida opção de pernoite em caso de vc começar muito tarde a trilha lá na fazenda ou quiser evitar a muvuca dos acampamentos da base e do cume do Pico Paraná. E é claro que o local foi palco para vários clicks. Em um dos cumes do Itapiroca e a "caixinha" do livro de cume, que não tinha livro algum... Pico Paraná visto do Itapiroca Caratuva a frente e logo abaixo, as areas de acampamento do Itapiroca Aproveito para forrar o estomago com um belo lanche e permaneço no local por cerca de 1 hora. Depois da contemplação do cume, retomo a caminhada, agora em direção ao Caratuva. A descida de volta a base foi rápida e as 14:03, passo pela outra placa que indica a subida para o Caratuva. Sabendo que teria pela frente mais uma subida pirambeira, faço uma breve pausa no local, aproveitando o silêncio e a calmaria da mata, pois toda a multidão do PP já haviam passado por ali. Na bifurcação entre o Caratuva e Pico Paraná Após o breve descanço, inicio a caminhada em direção ao Caratuva. 10 minutos desde a placa, passo pelo 1ºponto de água corrente que é uma ótima opção para quem quer ir no Caratuva sem precisar ir até a Bica ou trazer da fazenda. Após o primeiro ponto, a trilha inicia uma forte subida pirambeira serra acima e logo de cara, passo por um trecho técnico com cordas. Foi preciso tirar a cargueira e iça-la afim de conseguir ganhar os patamares superiores desse trecho que considerei um pouco tenso, mas nada do outro mundo. Mais um trecho de subida e passo pelo 2º e último ponto de água, na qual aproveito para reabastecer para a janta e café da manhã do dia seguinte. Não passei por mais nenhum ponto de agua no restante da subida e no topo tb não há agua, por isso, pegue toda a água que for precisar nesse ponto. As 14:33, passo por uma gruta a esquerda que de tão funda e escura que era, apelidei de entrada para o inferno, pois era de assustar, mas que não deixa de ser interessante. Porém, muito cuidado ali, pois se escorregar e cair lá dentro...já era! A fenda Após a gruta, a subida começou a ficar mais íngreme e com vários trechos de escalaminhada, acabo parando algumas vezes para retomar o fôlego. Os músculos das pernas já estão esgotados e pediam arrego, mas continuar era preciso.... A cargueira parecia pesar mais do que no dia anterior e após 1 hora de subida pirambeira, saio da mata fechada e entro definitivamente no trecho de bambuzinho baixo e campos de altitude, na qual avisto uma enorme rocha a frente. O topo parecia estar próximo e finalmente as 15:25, com quase 1 hora e meia de subida pirambeira desde a placa lá embaixo, chego ao topo dos 1.850 metros de altitude do Caratuva para o então merecido descanço.... Vista deslumbrante do trecho final da subida ao Caratuva Vistas de tirar o fôlego Não havia ninguém no cume e com isso, pude escolher o melhor lugar para montar a minha barraca. A vista do cume do Caratuva é de 360º, amplo e de tirar o fôlego. Abrange toda a cadeia de montanhas da Serra de Ibitiraquire. Há bastante espaço para barracas por conta de vários descampados e deve caber pelo menos umas 15 barracas no local. A Sudeste está o Pico Paraná bem a frente em destaque, o morro do camelo logo abaixo, o Itapiroca a direita a sudoeste, entre outros picos. Do outro lado, se avista o morro do getúlio bem abaixo, a Rodovia Regis, a fazenda e a represa do Capivari que no dia, por conta do tapete de nuvens, não foi possível visualizar. Ao fundão, as cidades de Curitiba e outras. Pico Paraná visto do Caratuva. Desse ponto, encontrei uma trilha bem marcada que vai encontrar com a principal lá no A1 Alguns dos vários descampados no cume Litoral paranaense tomado pelas nuvens Vale qualquer esforço! A caixinha do cume....será que dessa vez encontro o livro? Agora sim! Após a contemplação do local e de vários clicks, monto a barraca e aproveito para explorar o entorno do cume. Depois, escolho um bom ponto para aguardar o por-do-sol solitário no silêncio total do cume da montanha. Depois de ver o Astro-rei repousando no horizonte branco de nuvens, volto para a barraca e preparo minha janta. Aguardando o por-do-sol Por-do-sol no topo do Caratuva! Não tem preço! A temperatura diminuiu bastante a noite e após a janta, fui deitar e logo peguei no sono.... 4º e último dia - Do cume do Caratuva a sede da fazenda e retorno para SP. Nascer do sol no Topo do Caratuva A segunda feira amanheceu com frio em torno de 04ºC e diferentemente do dia anterior (no A2) onde acordei com a movimentação do pessoal, nesse foi o despertador do relógio de pulso que me acordou, afim de presenciar o nascer do sol no cume. Saio da barraca e enquanto aguardo o amanhecer, aproveito para preparar meu café da manhã. O céu estava bem limpo e nuvens mesmo, só embaixo.... Pouco antes das 7h00, fui ver o nascer do sol (que foi um espetáculo) e após terminar meu café, logo começo a desmontar a barraca, pois apesar da caminhada desse último dia ser bem curta em relação aos 2 dias anteriores, a volta para SP sem carro iria ser uma peregrinação. Amanhecendo Esse local era do lado do descampado onde montei a barraca, na qual pude me presentear com um belo espetáculo Barraca desmontada e mochila nas costas, pouco antes das 9:00hs, inicio a descida na trilha de volta para a Fazenda, onde chego por volta do meio dia. Após dar baixa na minha saída com um funcionário da fazenda, pego o último trecho de caminhada pela estrada de terra até a rodovia, mas que felizmente, não precisei caminhar até o fim. 20 minutos depois que sai da fazenda, passou um carro de um morador oferecendo carona e é claro que aceitei. Ele me deixou próximo ao ponto de ônibus na rodovia, onde peguei um circular até uma cidadezinha próxima e de lá, outro até a rodoviaria de curitiba. Na rodoviaria, peguei o ônibus das 17h00 direto para SP onde cheguei pouco antes das 23:00hs, cansado, mas feliz pelo sucesso de mais uma empreitada solo. ---------------- Dicas e infos: --> A trilha do Pico Paraná não é uma trilha fácil, pelo contrário. É uma trilha longa, exigente e com muitos trechos técnicos. Leva-se pelo menos umas 5 horas em ritmo forte e se estiver de mochila cargueira, dependendo do seu ritmo, pode levar mais de 6 horas. Por isso, é uma trilha indicada somente para pessoas com alguma experiencia e bom preparo fisico. --> Não recomendo levar iniciantes nessa trilha de jeito algum. Ela possui muitos trechos técnicos e alguns trechos complicados, onde é preciso ter sangue frio para passar por eles. Com muitos lances de rochas, pode ser bem dificil conseguir chegar ao final em caso de neblina, chuva ou se não estiver bem preparado fisica e psicologicamente. --> Se quiser ter mais chances de conseguir acampar em um bom local no cume, o ideal é sair o mais cedo possível da fazenda, de preferência logo que clarear ou ainda de madrugada. Isso pq, aos sábados, chega muitas pessoas de vários cantos e boa parte vai para acampar. O cume tem pouco espaço e protegido apenas para umas 2 ou 3 barracas no máximo, sendo bem disputado. Na dúvida, pergunte para o Dilson ou algum funcionário da fazenda qtas pessoas subiram antes de vc e se programe. --> O Acampamento base 2 (conhecido como A2) é o mais próximo do topo e fica a umas 4 a 5 horas de caminhada da fazenda em ritmo forte. Tem espaço para umas 15 barracas, sendo metade em locais protegidos dos ventos e a vantagem de ter agua perto. A maioria das pessoas acampam lá e sobem para o cume apenas de mochila de ataque. Eu sai da fazenda por volta das 8h e cheguei no A2 pouco antes das 13h00 e não havia ninguém ainda. E mesmo começando bem cedo, passei alguns grupos grandes com mochila cargueira nas costas, que estavam mais lentos. Só isso já da para ter uma ideia de como esses locais são disputados. Se sair muito tarde, corre o risco de não encontrar lugar, (tendo que voltar) ou só encontrar descampados expostos ao ventos. --> Água tem na sede da Fazenda, a 2 horas de caminhada na Bica e no A2. Até há uma pequena poção no meio da subida para o morro do getúlio, mas de água não confiável. Por isso, traga um pouco de agua da fazenda e deixe para carregar o restante que precisar na bica, a 15 minutos depois que passa da placa que indica a bifurcação entre as trilhas do Caratuva e Pico Paraná. Assim, vc economiza no peso da cargueira. --> Apesar de ter dado uma volta inútil indo direto pela trilha ao Pico Paraná ao invés de seguir primeiro para o Caratuva, se tiver 1 dia a mais de disponibilidade, não deixe de visitar os Picos do Itapiroca e Caratuva. Até dá para passar por ambos os picos no batevolta, mas ai você corre o risco de chegar tarde no A2 e não conseguir lugar. --> Uma opção para batevolta de 2 dias passando pelo Caratuva é seguir a esquerda pela trilha logo que chegar na placa que indica a bifurcação entre o PP e o Caratuva, passando pelo cume e descendo pela crista do topo até o A1, onde encontra com a trilha que vai para o Pico Paraná. Você não passa pela bica, mas na subida do Caratuva há outros 2 pontos de agua corrente e de boa qualidade, onde é possível coletar água. --> Qdo estiver retornando pela trilha do PP na volta, não deixe de passar para conhecer o Itapiroca. A trilha é bem curta e não leva mais do que 30 minutos para chegar ao topo. Uma opção para ir leve e mais rapido ainda, é esconder a cargueira e subir apenas com a maquina fotografica e agua, pegando a mochila na volta. --> Logistica para o Pico Paraná não é ruim, dá para ir tanto de ônibus, qto de carro no esquema de racha de caronas. --> Se for de ônibus, peça para o motorista parar no Km 46, logo após passar pela represa do Capivari e a ponte sobre o Rio Tucum. Lembre-se de não deixar a mochila cargueira no bagageiro e esteja com ela dentro do ônibus, pois alguns motoristas podem não querer parar ali, alegando questões de segurança. Estando com a mochila, é só pedir para parar e descer sem problemas. Só para voltar que é um pouco ruim, pois tem que pegar 1 circular até uma cidade próxima e outra até a rodoviaria de Curitiba, onde é possível encontrar ônibus direto para Sampa. --> O Acesso para a estradinha que leva para a fazenda está do outro lado da rodovia, sentido São Paulo. A caminhada leva em torno de 1 hora e meia da Rodovia até a sede. Se for durante o dia, há 2 bares no caminho onde pode-se pedir água ou comprar suco, refri entre outros. --> Uma boa logística para começar a subida no dia seguinte descançado é chegar lá no final do dia anterior e pernoitar no camping da fazenda. É cobrado R$ 10 e tem direito a uso da cozinha e banheiro com chuveiro quente na ida e na volta. De manhã cedo tem café da manhã reforçado com pães de queijo e bolo, entre outros. Vale a pena e recomendo bastante! --> Ao lado da area de camping, há uma pequena trilha que leva a uma bela cachoeira em um rio próximo. Se tiver tempo, vale muito a pena passar para conhecer a cachoeira. --> Procure trazer todo o seu lixo de volta e deixe nas lixeiras na fazenda-sede.
  14. Trilha feita entre dias 25 a 27/06/2016. Todas as fotos estão em: https://picasaweb.google.com/110430413978813571480/6303558394627115873?authuser=0&feat=directlink Fazia anos que o Pico Paraná estava em meus planos, mas pela distancia e falta de tempo habil, fui deixando de lado até que nesse ano, decidi que estava na hora de sair um pouco da região Sudeste e ir trilhar em algum pico na Região sul. E nada melhor que começar pelo pico mais alto e mais conhecido da região, o Pico Paraná. Em Março, lancei um evento no face para a primeira quinzena de Maio afim de encontrar outros interessados em me acompanhar (além de facilitar a logistica de transporte), indo no esquema de racha de caronas. Pois bem, não tive sorte nas 2 primeiras tentativas, por conta de ter chovido muito na região. Então, após ter adiado 2 vezes o evento no mês de Maio, resolvo tentar mais uma vez, mas dessa vez resolvo empurrar a data para o periodo mais seco do ano, ou seja, o Inverno. Não que isso faça muita diferença na região sul, já que o regime de chuvas durante o ano é bem distribuida e não há um periodo seco ou chuvoso definidos, como nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Mas depois de saber que o inverno é o periodo onde mais tem janelas de tempo firme na região do Paraná, não pensei 2 vezes e marquei para o último fds de Junho. Nesse eu iria de qualquer forma, sozinho ou em grupo. 10 pessoas toparam ir comigo nessa empreitada, na qual dividi em 2 carros. Porém, com desavenças passadas entre alguns deles, outros abortaram de ultima hora e para piorar, um dos motoristas ficou doente, deixando todas as suas caronas sem carona. Com isso, havia caronas de sobra e carro de menos. E ai, a pernada que iria ser em grupo, acabou sendo solo mesmo, como inicialmente havia previsto e era um plano B, inclusive. 1º Dia Com a previsão meteorologica totalmente favorável para todos os dias que iria permanecer na região, lá estava eu, saltando do metrô na estação Tietê as 9h30 da manhã, rumo a ala de embarque da rodoviária de mesmo nome, para embarcar no ônibus das 10:00hs da viação Kaissara, com destino a Curitiba. A viagem foi tranquila e ao passar pela placa de divisa de SP com o Paraná, fico atento a quilometragem na rodovia (que a partir da divisa ela zera e começa a contar novamente). Peço para o motorista parar no Km 46, logo após passar pela ponte do Rio Tucum. Nesse ponto, é onde fica o acesso a estradinha de terra que leva a fazenda Pico Paraná. Chego nela pouco antes das 16h00hs e após ajeitar a cargueira, dou inicio a caminhada pela estradinha de terra em direção a fazenda numa bela tarde de sol, mas com o frio típico da região se fazendo presente. A placa indicando o Pico Paraná a direita O acesso fica logo a frente dessa placa no sentido São Paulo. Não tem erro. Desceu do busão, atravessa a rodovia para o outro lado e pega o acesso A temperatura estava agradável naquela tarde (em torno de 16ºC) que ajudou bastante na caminhada nesse trecho inicial, que segue tranquila, ótima para aquecer os músculos. Após descer um pequeno trecho da estrada e ao virar a esquerda e depois a direita, começa a aparecer as primeiras vistas para alguns picos, com o Caratuva parecendo estar perto, mas ainda com uma longa caminhada até lá. Passo por algumas bifurcações, mas o caminho a seguir é obvio: Sempre pela estrada principal, mais batida e bem fácil de identificar, seguindo em direção aos picos que são visíveis a maior parte do tempo a sua frente. começando a caminhada As primeiras vistas Cruzo com alguns pontos de água pelo caminho na estradinha, mas que não são confiáveis, pois vejo casas próximas. Não encontrei nenhum ponto de água confiável durante todo o trajeto da rodovia até a fazenda, chegando a conclusão que não dá para contar com água nesse trajeto. Por isso, traga água na mochila, pois só haverá agua confiável qdo chegar na fazenda. 40 minutos de caminhada desde a rodovia, passo por um bar a esquerda que estava aberto e aproveito para ver o que tinha de bom e confirmar o caminho mapeado. Era um bar e uma pequena mercearia, onde havia miojo, sucos, etc. É uma opção para o caso de você estar sem água ou quiser comprar alguma coisa a mais para levar. Ainda falta 3,5km Retomo a pernada e logo que saio do bar, vejo uma bifurcação onde o caminho a seguir é o da esquerda (o Bar é a referência). A partir da bifurcação, a estrada inicia uma sequencia de subidas constantes serra acima e com alguns trechos mais íngremes que durou até quase o final. Por isso, acabo ficando mais lento, sendo obrigado a parar algumas vezes para retomar o fôlego. Durante a caminhada, encontro algumas placas indicando o caminho para a Fazenda Pico Paraná. No caminho, passo por uma casa, onde um minúsculo cãozinho solitário, do tamanho de um gato late durante a minha passagem. Algumas janelas na mata, revelavam alguns picos do entorno.... As 17:10 hs, com pouco mais de 1 hora de caminhada desde a rodovia, chego ao trecho final, onde visualizo uma placa indicando "Fazenda Rio das pedras a 1 Km". Termino a longa e exaustiva subida e logo chego ao alto de um morro, onde visualizo o vale e a fazenda lá embaixo. Falta pouco Trecho de descida final A partir desse trecho, a estrada desce até um grande vale, onde passo por uma ponte sobre um rio. E após cruzar a ponte, com 1 hora e 25 minutos de caminhada desde a rodovia, finalmente chego a sede da Fazenda Pico Paraná, onde um garoto de aproximadamente 12 anos aparece perguntando se eu iria seguir direto ou iria pernoitar na Fazenda. A sede da fazenda é bem simples, mas seu camping é bastante espaçoso, com grama bem aparada e plana, água perto e de quebra, chuveiro quente e fogão a gás para cozinhar tb. Chegando na entrada da fazenda Casa de apoio ao montanhista Não havia ninguém no local e nem no camping e após deixar meus dados na ficha e pagar R$ 10 pelo pernoite no camping, monto minha barraca, preparo a janta e logo vou dormir, pois os próximos 2 dias seriam mais puxados. 2º dia - Da Sede da Fazenda ao A2 (Acampamento base 2) e cume do Pico Paraná. O Sábado amanheceu com uma nevoa baixa e temperatura amena de 07ºC. Acordei por volta das 6h30 com a movimentação da turistada chegando para subir o pico... Fui até o ponto de apoio da fazenda para tomar café e durante esse período, mais gente foi chegando e logo o estacionamento da fazenda já estava lotado. Fiquei sabendo que alguns grupos já haviam começado a subida, o que me fez pensar que precisaria ter começado a trilha mais cedo afim de chegar antes e pegar os melhores lugares nas areas de acampamento. Turistada chegando em massa Após tomar um belo café reforçado com 2 pães de queijo suculentos na fazenda, as 7h20 já estava desmontando a barraca. Antes de iniciar a subida, peguei algumas coordenadas da trilha e as 8h00 em ponto, inicio a caminhada em direção ao Pico Paraná. Arredores da fazenda A trilha começa com uma subidona logo de cara, o que deve assustar muita gente, principalmente iniciantes, mas também dá uma ideia que não seria uma trilha facil. Segundo infos da fazenda, o tempo de caminhada médio da Sede até o A2 (Acampamento base 2) é de 6 horas, pelo menos. Então, estimei chegar lá por volta das 14h00hs. Acabou a mamata do pedágio.... Iniciando a caminhada O trecho inicial começa com uma subidona constante e a 1º hora é quase toda assim, o que deixou muitos dos grupos bem devagar. Vou subindo em ritmo forte e aproveito para ultrapassar alguns grupos que estavam mais lentos, pois havia bastante pessoas na minha frente. 1 hora de subida desde a fazenda, chego ao alto de um morro e a subida dá uma trégua. A trilha passa a seguir quase que no plano, em linha reta, mas que não dura muito tempo e logo a subida recomeça em um trecho em largos zig-zag, onde ganho altitude rapidamente. No trecho inicial - abaixo das nuvens e tempo fechado. Próximo ao morro do getúlio, acima das nuvens, tempo aberto As primeiras vistas começam a aparecer e as 9:15, chego ao alto de um morro conhecido como Getúlio, onde havia alguns grupos descançando e tirando fotos. Desse ponto, se tem uma bonita vista do vale lá embaixo, com a represa do Capivari em primeiro plano a oeste e a sudeste, os Picos do Caratuva a esquerda e Itapiroca a direita bem imponentes. As nuvens haviam ficado embaixo e o sol já brilhava forte na lá em cima. Caratuva a esquerda, Itapiroca a direita Seguindo pela crista, em direção a base do Caratuva Como havia muita gente no local, faço uma breve parada ali apenas apenas para molhar a goela e mastigar uma barra de cereal. A partir desse trecho, a subida dá uma tregua e a caminhada segue no plano por um trecho de gramídeas e vegetação baixa no alto de uma crista. Retomo a caminhada e 15 minutos desde o morro do getúlio e 1 hora e meia desde a fazenda, chego a bifurcação onde há uma placa indicando Pico Paraná a direita e Caratuva a esquerda. Nesse ponto, havia um grupo de 4 pessoas parado tirando fotos, a qual cumprimento cordialmente e sigo na trilha a direita, sentido Pico Paraná. Na bifurcação.... As 9:40, chego ao 1º ponto de água desde a fazenda, conhecida como "Bica" e sem saber direito qtos pontos de agua confiável iria encontrar pela frente, encho metade do cantil aqui e aproveito para fazer uma parada para descanço, já que no alto do morro do getúlio não foi possivel, devido ao excesso de pessoas ocupando o local. No trecho entre a fazenda e o Morro do Getúlio até passei por um ponto de água, mas era um poção represado e não confiável. Por isso, deixe para pegar água na bica ou traga da fazenda. Após a bica, a trilha inicia um longo e exaustivo trecho de subida forte com muitos galhos caídos e trechos eroditos, além de alguns trechos técnicos, onde o auxilio das mãos foram constantemente exigidos para impulsos nos troncos e pedras. Esse trecho perdura até próximo do A1, por isso, é preciso estar 100% para passar aqui, caso contrário, terá problemas, pois é um trecho que exige muito das panturrilhas, coxas, musculos e joelhos. 1ºponto de água desde a fazenda 30 minutos desde a Bica, a subida dá uma tregua e as 10:10 chego a placa que indica a bifurcação para o Itapiroca a direita. Seguindo em frente vai para o Pico paraná. A partir desse ponto, a trilha segue por um vale entre o Caratuva e Itapiroca. Com tantos galhos, troncos, arvores e trechos eroditos, fiquei bastante lento, pois era preciso passar por cada ponto com muita cautela, afim de evitar acidentes como escorregões ou de torcer os pés em alguma das dezenas de fendas entre os troncos em um trecho carcomido pelo tempo e o excesso de uso. A trilha estava bem marcada, mas parecia que estava mesmo é varando mato de tantos obstáculos no caminho. A trilha vai seguindo pelo vale e logo que atravessou para o outro lado, aparece a primeira vista do imponente Pico Paraná meio distante, envolvida em nuvens baixas. Passo por uma enorme rocha a esquerda e chego a um outro trecho de rocha lisa onde encontro uma corda estratégicamente instalada para auxilio de descida/subida. Trecho de corda.... As 10:38, com cerca de 10 minutos após o trecho da corda na rocha, passo por mais 2 pontos de água, mas ambos de filete pequeno. Imagino que, em epoca de estiagem longa não é bom contar com esses pontos de agua, pois as fontes podem estar secas. Da placa até o A1, contei 4 pontos de agua, mas somente o da bica é o mais confiável e por ter mais agua corrente. Portanto, pegue água no 1º ponto na Bica ou deixe para reabastecer no A2. A trilha segue descendo discretamente o vale e dando a volta pela base do Caratuva. Após o último ponto de agua, saio da mata fechada e passo a caminhar por um trecho de bambuzinho baixo e capim ralo, que é parte de um trecho de transição para os campos de altitude. Nesse ponto visualizo bem a frente, o conjunto rochoso do imponente Pico Paraná bem a frente, parecendo estar perto, mas que ainda restava a descida de um grande vale até lá. As 10:55, saio do trecho da mata fechada e entro definitivamente no trecho de campos de altitude onde visualizo logo abaixo, os pequenos descampados do A1 a frente. Mais alguns minutos e chego a um mirante com uma bela vista do percurso. A partir desse ponto, o Itapiroca e Caratuva estão atrás e a minha frente, visualizo todo o trecho de crista que ainda iria passar. E o conjunto rochoso do Pico Paraná bem a frente o tempo todo. um dos descampados do A1 lmais abaixo Litoral paranaense tomado pelas nuvens Pico Paraná Passo por alguns pequenos descampados para 1 ou 2 barracas que podem ser usados em caso de emergência ou se as areas de acampamento do A1 e A2 estiverem lotados. Mais 15 minutos e 3 horas de caminhada desde a Fazenda, chego a primeira grande área de acampamento denonimado A1, onde aproveito para fazer um pitstop afim de relaxar os músculos do logo trecho de troncos e galhos que foi de matar. Itapiroca a esquerda Um dos vários descampados do Acampamento Base 1 (A1) a mais ou menos 3 horas de caminhada do cume. Nesse ponto, parte uma trilha que sobe até o cume do Caratuva e que pode ser uma opção para aqueles que quiserem conhecer o Pico do Caratuva na volta. Após o breve descanço, retomo a pernada, agora pronto para encarar o trecho mais dificil da trilha, que é a escalada da base do PP. A trilha continua agora pelo alto de uma fina crista, que liga os picos do Caratuva e Itapiroca com o conjunto rochoso do Pico Paraná, com enormes vales dos lados esquerdo e direito que foram merecedores de vários clicks, é claro. Descendo em direção ao enorme paredão rochoso que compõe a base do PP. Gigantescos vales a esquerda e direita Após a descida de crista, chego a primeira de uma série de trechos técnicos, onde há grampos de ferros estrategicamentes instalados para auxilio na descida e subida. No 1º trecho de acesso ao pequeno vale, se desce até a base para depois iniciar uma forte subida em direção ao A2 e ao cume do PP. Ao pé dessa rocha, se tem uma ampla vista do enorme paredão gigante rochoso do Pico Paraná (que aparece com todo o seu explendor e imponencia), o que vale uma parada de alguns minutos para contempla-lo. Pico Paraná todo imponente a frente Nesse mesmo ponto, visualizo o enorme encosta exposta íngreme por onde a trilha sobe, mas é o caminho a seguir e é para lá que eu sigo. O paredão rochoso e a trilha subindo por ela Após a curta caminhada pelo vale, chego a base do PP e vejo mais grampos de ferros para auxílio da subida. Começo a escalaminhada do paredão praticamente na vertical e só de olhar a pirambeira acima, cansou até a vista. Com mochila cargueira, não foi nada facil vencer esse trecho. Trecho técnico Descer foi pior que subir.... É preciso passar com bastante cautela por ali, afim de evitar acidentes. Ganho altitude rapidamente e após o 1ºtrecho, passo por outros 2 com grampos de ferro e após o trecho tenso, chego ao alto da crista para um merecido descanço. Do alto, da para ver todo o trecho de crista que vem lá do Caratuva e a marcação da trilha pelo alto crista O trecho de crista por onde a trilha vem (com o Itapiroca a esquerda e o Caratuva a direita) bem a frente.... As 12:10, após vencer os trechos de grampos, entro no trecho final da crista antes do A2. E assim, pouco antes das 13:00hs e com quase 5 horas de caminhada desde a fazenda, finalmente chego a area de acampamento denonimada A2 para literalmente, desabar ali. Um dos vários descampados do A2 O Acampamento Base 2 (mais conhecida como A2) é bem amplo, com vários descampados (alguns muito bem protegidos pela vegetação) com espaço para pelo menos umas 15 barracas. Não havia ninguém no local ainda, com isso, pude escolher o melhor lugar para montar a barraca. Até pensei em tentar a sorte e ir acampar no cume, mas sabendo que no topo em relação ao A2 tem pouco espaço e que tinha gente que havia subido no dia anterior, acabo desencanando da ideia e resolvo ficar no A2 mesmo. Uma das belas vistas do A2 Pico Paraná visto do A2 A distancia do A2 para o cume é de aproximadamente 1 hora de caminhada com mochila cargueira. Após montada a barraca, as 13:45 parto para o ataque ao cume munido apenas de um lanche, suco e máquina fotografica. Morro do camelo visto do A2 A partir do A2, a subida continua e passa por mais alguns trechos técnicos, onde alguns grampos de ferro ajudam na subida. Em alguns pontos, tive que saltar de uma pedra para a outra. É preciso passar com cautela, pois em alguns trechos, a trilha some por alguns instantes e deve-se olhar bem para encontrar a continuação dela. 20 minutos desde o A2, a subida fica mais ingreme e a trilha entra em uma fina crista, onde visualizo de ambos os lados, enormes precipicios com um colchão de nuvens embaixo. É uma visão que impressiona, mas só de olhar no vazio lá embaixo, chega até a dar medo. Crista (a esquerda) onde está o A2 e por onde a trilha sobe. Ao fundo a esquerda e direita, Itapiroca e Caratuva Por conta de sucessivos trechos de escalaminhada, vou parando em alguns momentos para retomar o fôlego. O trecho de subida final ao cume é de matar e os músculos das pernas já estão esgotados, já que toda a força é dirigida a eles. Mais 20 minutos de escalaminhada, chego ao alto de fina crista, onde a subida da uma tregua e visualizo bem a minha frente, o cume final do PP. Face oposta do PP visto durante a subida Um dos precipicios gigantescos bem ao lado da trilha O Topo visto do ultimo trecho de crista Passo por um descampado protegido (para umas 2 ou 3 barracas na base) que estava vazio e que é uma otima opção para o caso do topo estar lotado, mas sem água perto. A partir desse descampado, acesso o trecho final da subida ao cume. E finalmente, após 45 minutos de caminhada desde o A2, finalmente chego ao topo do Pico Paraná, na cota dos 1.877 metros de altitude as 14:35, para o merecido descanço. Do Topo se avista todos os Picos da Serra de Ibitiraquire, com os Picos do Itapiroca e Caratuva bem a frente, em destaque. É uma visão em tanto e que valeu todo esforço para chegar. Enfim, no cume do Pico Paraná Como eu já imaginava, todos os lugares protegidos no cume estavam ocupados e só havia 2 lugares livres, mas totalmente expostos aos ventos. A subida do A2 até o cume foi bem cansativa devido aos trechos técnicos e imaginei como seria se estivesse com mochila cargueira nas costas. Por isso, se quiser acampar no cume, a melhor opção é sair um dia antes ou na madrugada de sabado. Caso contrário, fique no A2 que tem mais espaço e com água próxima. A fina crista vista do topo, por onde sobe a trilha e com o pequeno descampado Vista de tirar o fôlego Após vários clicks e contemplação do visual, com a tarde caindo, os ventos começam a ficar mais fortes. A temperatura tb estava caíndo, por isso, nem fico muito tempo lá e logo pego o caminho de volta para o A2, apenas para constatar que o local estava lotado e quem chegasse depois, teria que tentar a sorte no cume ou voltar para o A1. Sorte que eu cheguei bem antes e já garanti meu lugar. Barracas no topo A vista durante o retorno do cume ao A2 De volta ao acampamento, encontrei com parte da galera do grupo trilhadeiros do face e que foi uma grata surpresa para mim. Estavam o Henrique, Jéssica, Ana Paula e mais 2 figuras que não me lembro o nome e é claro que após as apresentações de praxe, fiquei conversando com eles contando meus causos e pq estava sozinho. Com o por do sol, a temperatura diminuiu bastante e com o cair da noite, voltei para a barraca onde preparei minha janta e fui dormir cedo, por volta das 20h00. Continua logo abaixo.....
  15. Renato37

    Travessia Petrópolis-Teresópolis em julho

    Travessia sem perrengues não é travessia. O corpo cansa, mas a mente descança. Quem vai para a montanha e natureza, não pode querer o conforto de casa num lugar desses. Para ver as paisagens e curtir o ar da montanha, tem que encarar a pernada hardcore da trilha. Se um dia vcs fizerem a travessia da Serra fina ou Marins x Itaguaré, ai vai ver o que é carregar peso.....são travessias classicas, mas bem mais puxadas que a Petrô x Terê, mas com a vantagem de não ser parque e nem ter que pagar taxas ou se sujeitar as frescuras e burocracias de parque nacional. A Serra fina é 4 dias, bem mais alto e bem mais bonito também. O Guia e o transporte seria o unico custo para ambas as travessias, embora possa fazê-las sem guia mesmo, indo apenas com alguém que já fez e conhece bem. Eu por exemplo, procuro me encaixar em algum grupo que está organizando essas trilhas e assim, me livro do custo do guia, que é mais voltado para iniciantes. Qto maior o perrengue, maior será a resistencia fisica e psicológica que ganhará.... Já fiz essa travessia 2 vezes, uma em um grupo e outra solo. E foi um ótimo treinamento para a Serra fina, essa sim, foi dureza mesmo, hehee
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