Ir para conteúdo

bighand

Membros
  • Total de itens

    9
  • Registro em

  • Última visita

Reputação

1 Neutra

Outras informações

  1. Oi Flávio, 9 noites está ótimo! Para teres uma idéia, eu fiquei 8 noites e deu para ver e rever um monte de atrações tranquilamente. Principalmente passear pelo Central park na maior das calmas. Um abraço, Cláudio
  2. Obrigado. Se eu conseguir ainda coloco os preços como sugeriste. Você conseguiu ver as outras fotos além das do Empire State Building, certo? Abraços, Cláudio
  3. Pessoal, atualizei o site de marrocos com mais fotos e um novo visual. http://marrocos.planetaclix.pt/ Abração
  4. Minhas Impressões da Cidade de Nova Iorque Devo confessar que, de agora em diante, sempre que Nova Iorque for destruída no cinema, por extraterrestres, Godzillas ou asteróides malucos, eu sentirei uma dor no coração. Nova Iorque é a cidade mais mágica em que eu já estive, e escrevo isso com toda a clareza que me é possível escrever. Nova Iorque é um retalho de diversas terras, bairros, heranças, e andar pela cidade é como se visitássemos várias tribos ao mesmo tempo, embora poucos sejam realmente distinguiveis. Em Nova Iorque um bairro é estonteantemente clássico de uma forma moderna, outro é pós-pós-moderno, outro é retrô, outro é decô, outro é hippie, outro é oriental, outro é só luzes, outro ainda é só verde e outro é rio e mar. Nova Iorque é isso. É estar na 5ª avenida, olhar o horizonte na rua 40 e ver lá no final da rua, insólitamente entre os arranha-céus, um transatlântico a passar. Nova Iorque não é só Manhattan, mas quando falo de Nova Iorque falo de Manhattan. Mesmo quando estamos fora de Manhattan, é pra lá que olhamos, admirados como uma ilha pode conter tanto peso, tanto tamanho, tanta gente, tanta vida e ainda assim estar lá. O primeiro contacto com Nova Iorque é estonteante, meio medroso, meio perdido. Os prédios são excessivamente altos, tanto que quase não ousamos olha-los por inteiro. Sentimos uma fobia de pessoas, e uma fobia por tudo ser tão grande, tão rápido e achamos que a única forma de aguentarmos com aquilo nos próximos dias é respirar fundo e mentalizar uma cor calma qualquer. Sei lá, verde. Não posso dizer que essa sensação dura todo o primeiro dia, pois todo o meu primeiro dia em Nova Iorque foram 5 horas no máximo. Assim, atravessei a rua 34 como se fosse um jogador de futebol americano a correr derrubando tudo que estivesse na frente. É claro que não derrubei ninguém! Mas se alguém falasse comigo na certa sairia correndo e aí sim derrubaria todo mundo que estivesse em minha frente. A fobia era tanta que assim que encontrei o Empire State Building, eu entrei, não estando nem 3 horas na cidade. Como se fosse um parente que não conhecia mas que sempre ouvira falar. Azar se tinham me alertado para não pisar lá nos fins-de-semana por causa das filas, e era Sábado. Azar que era noite. Azar que eu não sabia onde comprar os bilhetes. E quando descobri onde era, azar daquela fila imensa. O Empire State Building era o meu porto seguro em Nova Iorque. Meu único parente próximo. E assim, entrei em um Sábado á noite, enfrentando uma fila gigantesca, subindo um elevador com mais umas dezenas de estranhos durante segundos por 86 andares. Depois outra fila mais enorme ainda, outro elevador e lá estava eu, no observatório do Empire State Building. Gente, é tudo! É uma cortina de luzes em toda a nossa volta. Milhares e milhares de luzes vindas de janelas, torres, carros, sei lá mais de onde. Mas a luz estourava. Essa é a palavra mais adequada. Estourava. E embora estivesse muito frio e o vento fosse cortante, eu não me importava nem um pouco com isso. Andei em volta daquele observatório umas 3 vezes, e cada vez como se nunca tivesse passado por ali antes. E a cada cinco metros eu parava e contemplava toda aquela vida fabricada. Não há descrição possível, por mais que eu tente. Era o escuro do céu com as luzes da cidade uma composição única. Era ela, a cidade que nunca dormia. E assim, no segundo dia, já me sentia em casa naquela cidade com 10 milhões de estranhos. E nos dias seguintes era como se eu caminhasse no meu próprio jardim. A cidade é gigantesca, mas a sua organização é tanta que, sim, posso chamá-la de jardim. Poderia escrever muito sobre a cidade, mas não vou fazê-lo porque eu não vivo lá. Mas talvez se eu vivesse não teria muito o que escrever. Pois às vezes é assim onde moramos. Estamos tão acostumados com tudo que só conseguimos conceber além do cotidiano. E muitos poucos tem esse dom de olhar as coisas com olhos de primeira vez. Eu ainda não sei se tenho. Vou tentar ser curto. O Met O Metropolitan Museu, o Met, é um museu gigantesco que consome todas as nossas horas disponíveis da maneira mais agradabilíssima possível. Mostrando-nos o mundo em que vivemos na sua arte total. A secção egípcia é enorme. Chegamos a enjoar de tantas estátuas, jóias, múmias, mausoléus, bonecos, artefatos, tecidos, vasos, imagens. Simplesmente não acaba nunca. São corredores e corredores, prateleiras e prateleiras, todas preenchidas com exemplos da arte egípcia que só nos faz questionar se ficou alguma coisa lá no Egito para contar a história. E ao mesmo tempo que sentimos uma certa inveja dos norte americanos possuirem tudo aquilo, uma certa raiva por aquele tesouro todo estar ali tão longe de onde foi destinado estar, também temos a consciência que manter aquele tesouro ali é uma forma de protegê-lo de ser perdido para sempre. A não ser, é claro, que tudo seja ameaçado por um ataque alienígena, um meteoro, um dinossauro, um maremoto ou um ataque terrorista. (Meu Deus, como estas coisas são cada vez mais verdadeiras...) A parte romana e grega também é fantástica, embora pequena comparada a outras áreas. Mas a arte africana chamou-me muito a atenção. O motivo é a minha ignorância em relação a arte africana. Dela só conhecia girafas de madeira vendidas na rua e um pouco mais. E, estando lá, vejo que é indiscutível a criatividade dos povos africanos. As suas cores e sua imaginação na criação dos objetos é de humilhar muitos povos mais avançados, deixe-me dizer. A parte de pintura do século XX é curiosíssima, e a de artes decorativas é sempre um prazer também. Adoro ver objetos que eram utilizados no dia-a-dia com todo aquele requinte e classe. O salão de arte medieval é "cretinamente" autêntico. Não é que conseguiram ambientar uma catedral gótica dentro do museu? Quando menos esperamos podemos nos imaginar na europa medieval, tão bom o trabalho que os americanos fizeram. Aliás, eles são especialistas em recriar os espaços e ambientes. No museu deparamo-nos com fachadas de casas e prédios de vários países e épocas, salas inteiras de palácios de todo o mundo, um jardim japonês, templos construídos, como se atravessando uma porta fôssemos da Inglaterra do século 17 ao japão antigo, ou do japão medieval ao império bizantinol, ou da ásia cheia de dragões aos deuses colombianos. E tudo ali, no mesmo museu. É de ficar um dia inteiro lá dentro. Aliás, vários dias se possível. Bairros radical-chic Os bairros chiques de Nova Iorque elevam a palavra chique a sua vigésima potência. Gramercy, Soho, Greenwich, Upper West Side e Upper east side são bairros charmosíssimos para passearmos e babar-nos com tanta riqueza, tanto glamour. Gente, toda aquela futilidade da série “Sex and the City” é real! Todo aquele glamour existe mesmo. Juro que quando eu estava na parte “fancy” de Nova Iorque eu só pensava que não me importava nada de trabalhar como porteiro daqueles prédios enormes e chiques. A forma arquitetonica dos prédios é pura arte. As entradas destes prédios lembravam hotéis cinco estrelas ou mais. E de lá, quando saía um morador, saía também o porteiro para chamar um taxi ou abrir a porta da limusine particular para o morador ilustre entrar. Olha a inveja. Mas eu não queria muito. Podia ser o caseiro da casa da Yoko Ono, ou da Madonna, e ter assim a chance de viver aquele glamour todo. (Pobre é fogo!) Seria um idiota em me conformar só com isso. Mas um idota bobo e feliz! Central Park Quando fui conhecer o Central Park, que ocupa meia Manhattan e não deve ser visitado numa única vez, mas saboreado diariamente em goles grandes e demorados, minha alucinação passou de porteiro para o passeador dos cães dessa gente milionária. Sim, eu queria passear o cão da Madonna e da Yoko Ono também. Nova Iorque fez esse efeito retardatório em mim. Minha “verve” invejosa do glamour de ser famoso desflorava nesses devaneios. Mas isso tudo é para dizer que o Central Park é lindo, com zonas de floresta, de rio, de pedras, de esculturas, de animais, de esquilos, de lagos, de passaros estranhos e belos, de pontes e de muita descoberta. Perder-se em Nova Iorque e perder-se no Central Park. É essa a melhor maneira de conhecer tudo. Meu Wall Street Journal Wall street não é só dinheiro. Não são os arranha-céus com executivos a almoçar sanduíches aos pés dos arranha-céus e nos parques. Não só. Há pérolas lá por dentro. Prédios, parques, igrejas, visões antagônicas e ao mesmo tempo compatíveis. Não há muito o que dizer sobre o buraco que ficou onde estavam as torres gêmeas. Naquele buraco está um vazio preenchido, um buraco negro que suga toda nossa compreensão e faz-nos calar. Não consegui imaginar o tamanho do que lá estava. Tudo em volta já é enorme, e as torres pareciam ser o dobro em enormidade. Não sabia em que ponto mirar no céu para imaginar o topo do que lá estivera. E não consegui compreender como eles conseguiram se organizar no caos que deve ter sido durante aquelas horas de terror que ali se passaram. A vida ali é tanta, tão frenética, que é difícil imaginar qualquer evacuação de emergência e organizada. Mas foi assim que aconteceu. E hoje está tudo o suficiente normal para provar que eles conseguiram se organizar tanto na evacuação quanto na recuperação e reconstrução. Union Square Na Union Square, pela manhã, vê-se os residentes do bairro a ler o seu jornal calmamente nos bancos da psicodélica praça. E a dividirem o mesmo banco de praça com os jovens que dormem a ressaca de uma longa noite de drogas e amassos e sei lá mais o que. Na Union square há creche de cães, onde os donos levam seus cães para conhecerem e brincarem com outros cães. Há a Barnels and Nobels, uma livraria de 4 ou 5 andares em que podemos retirar das prateleiras tantos livros quanto possamos carregar e se esparramar com estes livros pelo chão de qualquer canto da livraria que possamos achar mais aconchegante. Mesmo que não compremos nenhum livro, podemos ficar ali folheando tudo. E ninguém nos incomoda ou repreende por isso. A quinta avenida A quinta avenida é a essência do melhor do consumismo. E disto não podemos escapar. As lojas são catedrais do consumo. E é aí que descobrimos o perigo de ter um ou mais cartões de crédito. Compramos tudo aquilo que podemos pagar e mais um pouco. Aquilo que nunca imaginamos que existisse e que nunca nos fez falta de repente é um bem de primeira necessidade. Tudo vira bem de primeira necessidade. Mas devo ser justo. É tudo tão em conta, tão metade do preço que compramos em dúzias. A satisfação da compra inútil é vergonhosa, mas saímos das lojas sempre satisfeitos. E achando que nos falta mais! A tribo Os Nova Iorquinos são simpatissíssimos. Acolhem-nos sempre com um sorriso e um olhar de satisfação por estarmos ali a experimentar o que eles tem todos os dias. Falam inglês e espanhol. Sabem como é o mundo fora dos Estados Unidos. O que me levou a concluir que Nova Iorque é uma ilha dentro dos Estados Unidos, de facto e metafóricamente. O povo que se vê na rua é muito característico e variado. É um verdadeiro zoológico e todos se respeitam por serem de espécies diferentes. Comida O segredo de não gastar muito com alimentação em Nova Iorque não é comer no McDonalds, o que seria o mais óbvio! Em Nova Iorque existem diversas casas que são confeitarias-cafés-restaurantes e que confeccionam todo o tipo de guloseimas para enganar o estômago mais exigente. O segredo é comer no Dean and De Lucca, no Au bon Pain, no Starbucks, nestes cafés que se multiplicam pela ilha, pois são sempre em conta. . Uma sopa e um meio sanduiche já dá pra muito combustível. Não esquecer de comer em Nova Iorque como um novaiorquino. Coma omelete, panquecas e bacon ao café da manhã. Parece muito mas faz toda a diferença! Locais Vá ao museu de História Natural. Mesmo não tendo sido tão bom como eu pensava, é um mito. Vá ao Guggenheim, que é minúsculo e curioso. Vá ao Rockefeller Center e em tudo que está a sua volta. Alucine no Times Square. Veja a estátua da liberdade, mesmo de longe. Ande de barco no Hudson. Coma muitas cookies, bolos, chocolate cup-cakes. Beba café em copo de plástico, é viciante e delicioso! Vá a Bloomingdales e ao Macy's. Visite as catedrais, tanto as religiosas como as da moda e as de consumo. Coma no parque. Qualquer parque. Vislumbre cada arranha-céu, eles são muito diferentes um do outro. Devo confessar que, de agora em diante, sempre que Nova Iorque for destruída, no cinema, por extraterrestres, Godzillas ou asteróides malucos, eu sentirei uma dor no coração. E foi assim que me apaixonei por Nova Iorque em pela primeira vez. Cláudio Carneiro Visitem o site para ver as fotos http://aosamigos.planetaclix.pt
  5. Esqueci de mencionar o site com as viagens. http://aosamigos.planetaclix.pt
  6. Olá lulululu, De Roma a Firenze fui de trem. É bom e barato e tem vários durante o dia. É aconselhável marcar poltrona, pois às vezes vai mesmo cheio e não tens onde sentar. Já estive em Milão, mas fiquei na casa de amigos. Visite a Duomo e redondezas, a galeria Vittorio Emanuelle, que está ao lado, o Castelo Sforzesco, que contém vários museus bem legais dentro dele e o bairro Navigli, com casas medievais e canais. E não esqueça da Última Ceia de Da Vinci, que infelizmente não consegui ver e de ver as famosas lojas de griffe. Abraços, Cláudio
  7. quote:Originally posted by Dete Só queria te pedir uma coisa.... tem algumas dicas dessas viagens para que pudéssemos auxliar os mochileiros? um abraço, parabéns! id="quote">id="quote"> Tenho tantas dicas para dar. Onde seria melhor deixá-las, para todos teres acesso?
  8. Pessaol, atualizei meu site com viagens a Itália. Muitas fotos e até vídeos lá. abraços. Cláudio Diário da Viagem pela Itália Em Dezembro de 2004 viajei durante uma semana pela Itália. Iria passar 3 a 4 dias em Roma e depois talvez iria a Florença, a Veneza, ou ao sul da Itália, quem sabe finalmente Pompéia. Passei 4 dias em Roma como planejado, mas como o tempo estava bem chuvoso, optei por ir a Florença. Em Florença também foram 4 dias. Vi quase tudo em Florença, e deixei de ver muitas coisas em Roma. Ou vice-versa. Inconscientemente sempre deixo de fazer certas coisas e de visitar certas atrações (atracções) nos lugares que vou, assim sempre tenho motivo para voltar. Bem...sempre disse que Roma era um enciclopédia em forma de cidade. Enganei-me. Roma é a história em forma de cidade. Por isso que a chamam de cidade Eterna. Roma parece o princípio de tudo, embora saibamos que não é (não esqueçam que muito foi copiado dos gregos) . E parece uma cidade que está sempre em desenvolvimento, tanto para o futuro quanto para o passado. Não podemos simplesmente passear por Roma. Roma exige atenção a cada detalhe, a cada ruína descoberta, exposta e desvendada, a cada templo erguido ou reerguido, a cada tesouro antigo que ali teve origem ou veio de muito longe, a água que jorra e tem sua história, às ruas que atravessamos e nos envolvem com a sua história, aos prédios que foram usados durante mais de dois mil anos de todas as formas que um prédio pode ser usado. São corpos que ocupam o mesmo lugar. Roma descobre-se. Descobri o Mercado de Trajano, uma obra arquitetônica (arquitectónica) colossal que tem se mantido de pé desde a Roma antiga. São corredores, escadas, salas, todas originais. Prova que os shopping centers não são uma invenção da modernidade. O Coliseu, que por mais desfalcado que ele tenha sido pelo tempo e pelos próprios romanos, que o usaram como pedreira para outras edificações mais modernas, ainda impressiona pela sua grandeza, história e seus vários mecanismos. Podemos entrar nele. Tocá-lo. Caminhar por seus túneis e corredores. Ter a mesma perspectiva que tiveram os romanos quando o Coliseu estava em pleno funcionamento. Podemos, e devemos, perder horas lá dentro. O Pantheon, centro magnético da cidade e sua máquina do tempo. Templo projetado (projectado) pelo imperador Adriano e está exatamente (exactamente) como foi há dois mil anos atrás. A sua beleza está na sua conservação. Dizem que até as portas são originais, mas será que é verdade? O Forum Romano. Infelizmente reduzido a ruínas, mas enorme em dimensão. Daria tudo para vê-lo da forma que foi um dia. São templos, prédios públicos e políticos, palácios, e história que não tem fim. Falar das praças é impossível. Todas são históricas, todas são importantes e magníficas. Mas nenhuma encanta mais que a Piazza Navona. Como quase tudo em Roma, foi construída pensando na estética e harmonia. É arte ao ar livre. Campo di Fiori, praça que reconhecemos como medieval logo que pisamos nela. O Vaticano, obra de fé e ambição que emociona e faz-nos questionar o porquê de tanta riqueza. Os olhos gostam, o espírito agradece, mas a razão contesta. Tem um dos maiores museus do mundo, e no final da primeira metade deste grande museu está a Capela Sistina, com seus afrescos pintados por Michelangelo. Tantos outros templos e tempos, pedras, buracos e histórias, que é difícil exprimir. É mais fácil sentir, absorver, do que explicar. Gastronomicamente, não preciso explicar nada. Boa comida Italiana. Estamos conversados. As pessoas são bonitas, bem vestidas e orgulhosas pela sua cidade berço. E daqui passo a Florença, cidade que esgotei mas que não me esgotou. Passei quatro dias inteiros em Florença. Andei por tudo, entrei em tudo e mesmo assim ainda a vejo como um filme romântico, um poema, um lugar imaginário de tão perfeita cidade que é. Não é a toa que todos os grandes artistas italianos (e não só) por lá passaram e viveram. E deixaram marcas por tudo. Por isso temos de entrar em tudo. Se pudéssemos, íamos de prédio em prédio a procura de obras de arte que estarão lá escondidas. Infelizmente não são todos que são abertos ao público. Mas sabemos que todos têm algum tesouro. E eles também são espertos, pois onde é permitido entrar também é bem cobrado. Pagamos 8,5 euros só para ver o David, de Michelangelo. Pagamos para entrar nas igrejas (3 euros) , nos museus (6 euros) e nos palácios (6 euros). Não há escapatória. Estamos lá, temos a obrigação de visitar estes lugares. Tem-se de entrar na Uffizi. Neste museu estão concentradas obras famosas de Botticelli, Da Vinci, Michelangelo, Raphael, Tintoretto, Filippo Lippi, Caravaggio, Rembrandt, entre tantos outros. Poder ver o "Nascimento de Vênus" e a "Primavera" de Botticelli, ou a "Sagrada Família", de Michelangelo, é um deleite. Outra visita obrigatória é o Convento de São Marco. Lá está a "Anunciação", de Filippo Lippi. A simplicidade e beleza da pintura são hipnotizantes. E nas celas do Convento há vários frescos dele. O Palazzo Pitti expõe os tesouros das coleções (colecções) dos Médici. Seus jardins, Jardins Boboli, são belíssimos. O museu dá para o gasto. A vista que se tem de Florença da Piazzale Michelangelo é a melhor que há. E lá está a igreja mais bem guardada de Florença, a Basílica de San Miniato Al Monte, e também uma das mais belas igrejas românicas da Itália. A volta dela há um cemitério que vale uma visita. Também já visitei Torino, Milão, Veneza e Trento, mas essas são outras viagens. E haverão mais. Download Attachment: CIMG0086.JPG 24,25 KB
  9. EM BUSCA DO DESPERTAR Hoje é Domingo, dia 7 de Outubro, 3º dia em Marrocos. Estamos a caminho de um Oasis, atravessando um deserto chamado Moylen Atlas. Mas vamos começar, obviamente, do início. Isto é uma caravana. 2 jipes (camionetes todo o terreno), 12 pessoas. Pessoas muito diferentes, à procura de aventura, de uma outra história, de pessoas diferentes. No primeiro dia, na verdade, noite, viajamos em direção ao sul da Espanha. Muitos solavancos, um caminho errado, paradas para comer em lugares suspeitos e...olha, chegamos. Estamos em Aljeciras, 7 hora da manhã, e pegamos o Ferry para Ceuta, a cidade espanhola já em Marrocos. É incrível como no estreito de Gibraltar a Europa e a África estão tão perto. São imensas uma diante da outra... Bem, para quem nunca andou de ferries, como eu, foi uma viagem de novidades. Entrar com um carro em um navio, e passar dentro dele por vários caminhões...impressiona. Após estacionarmos subimos até a parte dos passageiros. Esta parte é uma mistura de interior de avião com a própria sala de espera de um vôo, pois tem poltronas, mesas, bares, free-shops, e uma vista fantástica, principalmente quando se chega na África. Vamos até a fronteira de Ceuta, que é espanhola, com Marrocos. Há uma certa apreênsão, pois imaginamos de tudo. Ninguém deixa ninguém sair do carro, só os guias. Até conseguirmos os vistos de entrada, quando todo mundo sai e quer trocar o dinheiro. Fronteira passada, tchan, tchan, tchan, tchan! Pulo o percurso inicial para falar da nossa primeira parada, a cidade de Chefchauen. Uma cidade branca e azul. Com caminhos "ALI EL COPO-NUDO" (isso foi uma interferência do nosso amigo do deserto Mohammed, tirou o bloco da minha mão e escreveu isso...decidi deixar), bem, com caminhos de chão branco, pintados mesmo, que escondem em portas antigas e ornamentadas casas, mercados, mesquitas, banhos coletivos (que eu perdi de ir), hotéis, e muitas outras coisas mais que a nossa imaginação pode criar. Os restaurantes são lugares de comer... e de descanso. Sentamos em almofadas, em mesas rodeadas de "sinais" árabes. Janelas "fechadura", tapetes, paredes e tetos pintados e talhados com uma variedade e complexidade, e um colorido instigante. A comida?, São pratos infindáveis, multicoloridos, com muitos legumes, carnes e cuscuz. Mistura-se o salgado com o doce. E sorve-se cada prato sempre como estívessemos nos melhores restaurantes de qualquer lugar. Talvez eu exagere, mas a comida merece. Depois da comida, sempre um senhor chá de hortelã...ou seria menta?...sei lá, agora me confundi! Também em Chefchauen há as montanhas. A cidade é colada em uma cadeia de montanhas que tem a altura suficiente para olharmos e perdermos o fôlego. E tem o povo. Mas isso eu falo depois, assim como a arte de negociação deles. Ao segundo dia fomos a uma cidade chamada FEZ. Foi uma visita rápida. Algumas ruas cobertas, algumas totalmente fechadas e totalmente escuras, onde só passam pessoas, e corre-se o risco de ser atropelado por um burro atrolhado de coisas no dorso. "Não há automóveis, nem motos, nem álcool, proibido pela religião muçulmana, assim como a utilização de figuras de animais ou seres humanos na ornamentação das casas; apenas figuras geométricas e frases do alcorão são admitidas." Vamos a outro restaurante que parece um palácio por dentro, e aprendo que servir um chá é uma arte. E que como o chop do Brasil, deve fazer espuma. Também fiz minha primeira compra-negociação! Um tapete lindo e caro que não sei o que vou fazer com ele! Pode-se planejar uma casa que não existe baseando-se num tapete? Ah, disseram que ele era afrodisíaco! Hoje, outro dia, ou o dia seguinte, entramos no carro e... fomos! Estávamos a 2 mil metros de altitude, onde neva no inverno, e fazia muito frio e havia muito verde. Cedros. A Floresta de Cedros. Algo parecido com Gramado, porém com macacos. Passamos a noite aí... não na mata, mas num hotel ! Partimos na manhã seguinte...cedo. Depois de tirar dezenas de fotos da macacada, continuamos a viagem por mais algumas horas pelos cedros, montanhas, desertos áridos (tudo nessa ordem) com montanhas que parecem ser as guardiãs daquele espaço infinito. Começam as cidades cor de areia, com casas idênticas na aparência, mas diferentes na forma, como se tivessem nascidos da própria terra. --------- Agora a pouco chegamos no deserto. A sensação de Rally Dakkar é fascinante. O por do sol no deserto é, para rimar, embriagante. E a chegada no Albergue, bem, já quase esqueço que sou eu... O DESERTO Chegamos no Deserto. Chama-se Merzouga. Neste local existem dois tipos de deserto. Um de chão plano e cheio de pedregulhos, que lembra a superfície de Marte (vista nos filmes, é claro!) e o deserto de Dunas. O Albergue ficava neste deserto plano, porém de frente para o deserto de Dunas, o que era uma presença no nosso horizonte. O Albergue é feito de Adobe, barro e palha. Por isso a cor de areia. E há uma pequena aldeia do lado, também assim. Na primeira noite, embora tivéssemos nossos quartos, decidimos dormir na cobertura/terraço do albergue, em sacos de dormir. O céu era um tapete de estrelas, e quando veio a lua, as dunas tornaram-se visíveis na noite. Rimos muito, acho que foi a noite. Dormimos. Fui despertado várias vezes...pela Belinha, para ver o sol nascer...Nasceu atrás das dunas, uma bola laranja e gigantesca, implicitamente dizendo que fazia parte daquilo tudo... Senti vontade de chorar pela beleza do sol acima das dunas...mas voltei a dormir. Para minutos depois o Hipólito, marido da Maria, que dormia lindamente, me acordar para ver os dromedários. Tentei ignorá-lo mas foi em vão. Lá fui eu ver os dromedários passarem no outro lado do Albergue. São outros seres daquele conjunto que se chama deserto. Andam em fila, calmamente, lentamente, sem pressa....Voltei a dormir...Mas...a Ana, que acordou cedo, queria conversar. Eu queria dormir! Mas eles venceram. Acordei e fui ver o que seria daquele dia. Não sei em que momento do dia fomos visitar a aldeia Berber dali. Berbers são um dos povos que vivem no Marrocos, mais nas montanhas e desertos. Uma coisa que esqueci de falar, das vestimentas. São muito coloridas. E sim, as mulheres se tapam muito, algumas menos (só a cabeça de fora) e outras mais. Os homens vestem roupas típicas também. As crianças vestem-se normalmente, e usam mochila nas costas para ir a escola ) E adoram quando damos balas/rebuçados, canetas ou uma moeda pra elas. Nesta aldeia vimos uma demonstração da música deles, que me lembrou muito a música da Bahia. Depois no caminho de volta demos a sorte de pegar um casamento típico. A noiva estava toda envolta em vestidos e panos vermelhos, não se via nada dela. Muitas danças e rituais. O mais chocante foi o carneiro que eles levaram durante a procissão do casamento para depois sacrificá-lo ao som de tambores e cantos. Muito forte, mas mais pela excitação que vinha do canto, do que pela execução do carneiro. Sério, eu tremia pela energia daquilo tudo. Depois desta experiência voltamos ao Albergue. Inventei de ir sentado no bagageiro do jipe, em cima. Bem, quando o carro pulava minha bunda pedia para nunca ter nascido... Final de tarde...nos preparamos para ir passar a noite nas dunas. Iremos de dromedário (uma corcova). O mais legal é que era um dromedário para cada um (isso é meio óbvio, mas achei legal!). Mochila, saco de dormir e vupt, subir no dromedário. Drod para os íntimos. O drod vai pra trás, vai pra frente e pronto, está de pé. Começamos a seguir em fila em direção as dunas. 3 grupos de 4 drods. Os drods fazem um barulho horrível quando estão contrariados, parecem uns trombones cheios de água. Mas são engraçados, principalmente da perspectiva de quem está em cima. Eu estava no primeiro drod do meu grupo. O segundo drod, onde estava a Xana, se apaixonou pela minha perna cabeluda. Vinha toda a hora roçar o focinho dele nos meus pelinhos...Te mete! Pois o esperto aqui foi para o deserto de camiseta e bermuda... Andar nas dunas é se perder nas dunas. É olhar para todos os lados e ver só dunas. É sentir-se pequeno e ao mesmo tempo expansivo. É sossegado...É incrível. A TEMPESTADE Uns 30 minutos depois que entramos nas dunas, o drod da Patrícia, que estava no segundo grupo, decidiu se rebelar e derrubou ela de cima. O problema é que ele caiu também. Como eu estava longe, e era o único que conseguia ver tudo do meu grupo, exclamei: "Xiiii, o dromedário da Patrícia morreu!" Juro, ele estava completamente inerte. Até que...ressuscitou. Mexeu uma parte aqui, outra ali, reclamou bastante e pronto, estava vivo. E a Patrícia voltou a montar nele...que coragem! Como se não bastasse este susto, logo em seguida começou uma Tempestade de Areia. Um vento forte que levanta a areia das dunas e tranforma a claridade em escuridão. E aqueles milhares de grãos de terra vão de encontro a nossa pele e arde muito. Neste momento cada um de nós ficou realmente sozinho...O mundo pareceu desaparecer a nossa volta e só escutamos o vento forte, mais nada. A sorte é que a seguir começou a chover (Sim, choveu no deserto!), e a chuva diminuiu a areia do ar. A partir daí escureceu num instante. E parabéns para os guias berbers que conseguem chegar ao oasis até na noite, porque, gente, não se via nada! Chegamos no Oasis e para a nossa surpresa as tendas onde iriamos nos aquecer estavam no chão! Imaginem a minha cara, ou melhor, a nossa cara! Eu estava gelado, batendo os dentes! A sorte é que começamos a nos juntar, assim, tipo hamsters, e isso aqueceu um pouco. E começamos a contar piadas. Rimos muito e quando vimos as tendas estavam arrumadas. Nos secamos, jantamos, nos aquecemos em volta da lareira e dormimos. Por incrivel que pareça dormi muito bem. Na manhã seguinte voltamos numa viagem BEM mais calma para o Albergue. O drod da Xana realmente estava apaixonado pela minha perna. O que posso dizer também é que depois de ter andado em cima do jipe, e de ter andado quatro horas e meia em cima do Dromedário, a minha bunda me desertou. Passei dois dias sentando somente em almofadas... O último dia no deserto foi de descanso e para esquecer o susto. No final das contas a tempestado foi um dos momentos que mais marcou a todos, para o positivo. Ainda conseguimos subir no dia seguinte na duna mais alta para ver o põr-do-sol. Realmente todos os por-do-sol são diferentes! E o deserto deixa marcas muito profundas a quem vai lá. É quase o mesmo efeito que o mar, a diferença é que o mar tem movimento, se agita. O deserto está lá, inerte, imponente, gigante. É como um amigo que diz muito, mas em silêncio. E nos muda para o resto da vida. Agora só uma piadinha de minha autoria dita na última noite dormindo no terraço do Albergue. "Sabem por que não há cachorros no deserto? Porque não há arvores para eles mijarem!" Hehehehe! De manhã cedo partimos para as Gargantas de Todra e as ruinas da cidade de Arit-Benhaddou. Mas isso eu conto depois... AS MULHERES DE UM OLHO SÓ - ÚLTIMA PARTE Tenho de confessar...estou de volta...à cidade. O deserto agora é uma válvula de escape. É aquele lugar, aquela lembrança que vou quando quero descansar. E funciona... Mas vamos a continuação do que aconteceu, enquanto ainda são fatos exatos em minha memória. Saímos do deserto. De certo modo sabíamos que estávamos deixando para trás um dos grandes momentos da viagem, senão o melhor momento. Foi muita viagem atráves da janela do carro, quase o dia inteiro. Paramos num posto e lá havia uma loja só de fósseis. Não, não eram pessoas! Aquela região do Marrocos é cheia de fósseis, mas são de animais em forma de caracol ou bastões. Bem fósseis mesmo! O interessante é que estes animais cristalizaram na pedra, e a pedra ao redor deles é negra, o que dá um efeito bem bonito. E os marroquinos fazem até mesas dessas pedras. Mas era tudo muito caro, muito turístico...bye, bye fósseis...Sou mais os dois que comprei do meu guia Barak no deserto...pequenos, mas legais... Passamos por outra pequena cidade...prédios muito precários, sem muita cor, onde não se diferencia uma oficina de um açougue...mas o que mais me chamou atenção, o que mais me aterrorizou (e aterrorizou mesmo!) foram as mulheres de um olho só! Sério, mulheres toda vestidas de preto, onde um olho era a única parte do corpo que ficava à vista. Um único olho! E quando a gente olhava para uma delas, e elas viam que estávamos olhando, aquele único olho seguia a gente, nada mais se movia, apenas o olho...Argh!!! Que horror! Seguimos viagem...mais estrada...chegamos às Gargantas de Todra. É um vale muito estreito, com penhascos muito altos, onde passa um rio raso e de águas bem cristalinas. A cor é a mesma, um alaranjado mais claro. Do carro não conseguiamos ver o topo dos penhascos. Começam a aparecer carros de corrida, ou de rally...muitos carros, estacionados. E todos ingleses. No centro do vale, em uma parte mais larga, há um hotel e um restaurante. Os ingleses estão todos lá...No deserto era tão tranquilo...Ali almoçamos, tiramos algumas fotos e continuamos a viagem. Mas, antes que eu continue, é bom falar de uma menina que estava numa gruta que havia ali, cuidando de seus burros. Seu nome era Mina. Ela devia ter dez ou onze anos, morena de olhos verdes. Mas era dona daquilo tudo. Quero dizer, a única coisa que ela fazia era cobrar pelas fotos que tirávamos dos burros ou dela, mas parecia que ela estava cobrando por estarmos ali, tal era a segurança que ela mostrava e sua fisionomia marcante... Carro de novo. Fomos por uma estrada sem-fim, daquelas que olhamos pra frente e vemos ela desaparecer no horizonte. Nos dois lados passavam pelas janelas dos carros mais desertos áridos com montanhas ao fundo. De vez em quando a paisagem mudava, o chão tornava-se irregular e tranformava-se em mini canyons. Chegamos numa cidadezinha chamada Ait-Benhaddou. Chegamos no hotel..até aí não parecia nada demais. Pensei que era um local só para passarmos a noite...quero dizer, no fundo sabia que haveria uma surpresa, mas não sabia o que era. Colocamos as coisas nos quartos e fomos para um terraço que havia lá...FANTÁSTICO! Dali daquele terraço podíamos ver o Kasbah de Ait-Benhaddou. Uma cidade composta de várias fortalezas menores, em alturas diferentes, pois está na encosta de uma montanha. Mas toda de frente para a gente! É um labirinto lá dentro...caminha-se por corredores e quando vemos estamos dentro das casas, ou de quintais, ou numa rua diferente, uma rua mais embaixo, outra ao lado, logo acima...Teve um momento em que entramos num quintal de uma casa, sem se dar conta, mas que era caminho para outra rua, e um sujeito quis nos cobrar taxa por passar por ali...Absurdo..É óbvio que não pagamos! Mas é incrível caminhar por dentro desta cidade esquecida no tempo...são prédios consideravelmente altos, alguns incrivelmente ornamentados. E há algumas pessoas morando lá ainda, pois ás vezes saia uma voz de uma porta, onde só se via escuro lá dentro, convidando para tomar um chá...pensam que aceitamos? No dia seguinte tínhamos a manhã livre...fomos nós lá passear pelo Kasbah e comprar algumas coisinhas...eu ainda devo a explicação da arte da negociação, não é? Bem, vamos lá. A ARTE DA NEGOCIAÇÃO Em Marrocos nada tem seu preço...eu disse Nada. Em qualquer loja temos de perguntar o preço da mercadoria, ao que o vendedor vai dar um preço absurdo. Aí que o interessado tem de usar todo o seu poder de dissimulação, sua veia de ator e, no meu caso, sua vocação para pão-duro, para conseguir baixar o preço para 1/3 ou menos. Para se ter uma idéia, eu comprei uma caixinha de prata ornamentada com figuras por 20 dólares, quando o vendedor queria 65 dólares por ela. Mas é assim, ele pediu 65 e eu, escandalizado, ofereci 7! Era o preço que eu achava justo, ora!!! Assim, só no dia seguinte, eu fui subindo o preço, ele descendo e pronto, chegamos a um denominador comum. Mas a verdade é que mesmo pagando um preço pequeno, saimos sempre com a sensação de que podíamos ter pago menos... E vicia...acaba por se tornar um jogo. Queremos sempre ver o quanto conseguimos baixar um preço de uma mercadoria...eu adorei esse jogo. Cheguei ao cúmulo de numa mercearia querer barganhar o preço de uma latinha de Diet Coke...mas era exagero. E, embora cada um tenha sua loja, eles funcionam meio que em conjunto. Se falta uma mercadoria, eles a buscam na loja ao lado. O vendedor da outra loja entra na discussão...se a barganha demora muito, já te oferecem um chá...e o mais estranho é que quanto mais baixamos o preço e mais discutimos, mais simpátia eles ganham pela gente. E depois fica tudo amigo. JÁ ESTAMOS PRA LÁ DE MARRAKESH Ou pra cá...Saimos de Ait-Benhaddou um pouquinho atrasados...e eu deixei minha querida sandalinha lá! (até fiz uma música pra ela, vide Manu Chao). No caminho atravessamos a cadeia montanhosa do Atlas, que separa a Africa dos desertos da África das Matas e Florestas. No inverno há muita neve nestas montanhas..(imaginem, perto do deserto)...chegamos a altitude de 2.500 metros com o carro. Paramos numa vila muito pequenina para almoçarmos...a carne que comemos estava exposta na frente do bar, ao ar livre...algo emocionante. Ok, mais viagem e chegamos a Marrakesh...a música do Caetano não saia da minha cabeça.... Depois de termos passado dias tão sossegados e selvagens nas cidades em que estivemos, Marrakesh foi, literalmente, um choque! É a mistura de tudo. Nas ruas estão bicicletas, carros, caminhões, motos, carroças, pessoas, burros, tudo indo para e vindo de todas as direções...ao mesmo tempo! É um caos! A frase que mais usávamos era..."Quero voltar pro deserto!" E a cidade, a princípio, não é nada bonita. Passamos de carro por uma praça, a famosa Al-Fna, onde se vê de tudo, desde encantadores de serpentes a malabaristas de 10ª categoria. Eu só gritava: "Ele tem uma cobra na mão! Ele tem uma cobra na mão!" Acho que gritar isso não me caiu muito bem... Chegamos ao hotel. Eu fui o "the Flash" para chegar no quarto pois precisava estrear a casa-de-banho/banheiro. Saimos para passear por Marrakesh...Descobri que na praça de Al-Fna qualquer um que tenha cara-de-pau suficiente pode fazer qualquer espetáculo lá...nem que seja pular com uma perna só...há um público local para aplaudir e sempre uns turistas bobões que dão algumas moedas por aquilo. Tinha um jogo parecido com pescaria, mas era para colocar uma argola, que estava presa a uma corda numa vara, no bico de uma garrafa...nada fácil...tivemos que literalmente arrancar o nosso amigo António de lá, pois ele disse que sabia de uma técnica para enfiar a argola na garrafa...parece que a técnica dele não funciona muito bem em terras Marroquinas.... Janta-se também nessa praça. Há barracas onde eles cozinham vários pratos e fica tudo a mostra. Senta-se em mesas colocadas em volta e vai-se pedindo os pratos. Olha, é bem legal! E tem, finalmente, o mercado. Um conglomerado gigantesco, outro labirinto, que tem milhares de lojas e lojinhas dentro, e onde se encontra de tudo. E de onde a turma não arredou o pé. Sabiam que me casei em Marrakesh? Bem, pelo menos é isso o que se fala. Tudo esclarecido, os fatos foram estes. Estávamos eu, a Patrícia e a Ester caminhando nas ruelas de Marrakesh, depois de ter visitado um palácio, quando encontramos a Xana, a Belinha e a Gri. Estava eu e TODAS as mulheres do nosso grupo. Ah, faltava a Maria, mas ela estava com o seu marido, pá! E queríamos ir para um lugar chamado "Al Menara", que ficava no outro lado da cidade. Decidimos ir de charrete. As meninas foram todas nos lugares dos passageiros e eu fui na frente, com o charreteiro. Ele tentou ir pelos jardins do palácio, mas estes estavam interrompidos para charretes com 6 mulheres e um abobado. Então ele teve de dar a volta na cidade. Essa volta levou mais de UMA hora. Então, enquanto as meninas discutiam sobre a possibilidade de elas estarem sendo levadas para um lugar distante para serem vendidas, eu tinha de ficar conversando com o charreteiro, o Mohammed, em francês. Ora, eu ARRANHO em francês. E ele falava, e falava, e nós dois riamos muito...ele me explicava o porque disso, o porque daquilo, eu não entendia a metade...as meninas achando que eu tinha conseguido um bom preço por elas, já estavam nervosas...Bem, quando ele nos deixou no hotel, depois da visita ao Menara, tiramos uma foto juntos e ele deu-me o endereço dele e perguntou se podia me pegar na manhã seguinte....??????????... Infelizmente partíamos cedo na manhã seguinte. Puxa, meu casamento falhou! Oh, Mohammed, Mon Amour! Conclui que Marrakesh, embora pareça, quero dizer, seja um CAOS, é um CAOS organizado. Tudo funciona com harmonia, e tudo está interligado. Caso contrário, a cidade parava, ou entupia. E não é tão feia assim. As ruas muito estreitas tem seu charme. Encontra-se caminhando por elas portas belíssimas e a cidade é cheia de jardins enormes e muito bem cuidados. De Marrakesh fomos para o nosso último destino, Asilah. Uma cidade encantadora beirando o oceano atlântico. Toda branca, parecia toda feita de gesso. Há tempos pertenceu a Portugal. Lá eu vi as cores de um por-do-sol mais lindas que jamais vi. E lá começamos a ficar tristes pelo fim da viagem.... ...que, no dia seguinte, acabou. Felizmente ficou a amizade e continuamos todos nos encontrando até hoje. Sobre a experiência da viagem, bem, parece que cada um de nós trouxe Marrocos no coração, e naqueles momentos em que queremos sumir, fugir, desaparecer, é lá que nos refugiamos. Pois foi o local mais calmo e cheio de paz que, pelo menos eu, já estive.id="Tahoma"> Se querem ver as fotos desta fantástica viagem olhem em: http://marrocos.planetaclix.pt/ Abraçosid="size3">
×
×
  • Criar Novo...