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Aldael

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  1. No centro de El Calafate visitamos algumas casas de câmbio até encontrar a cotação mais razoável. Como trocamos reais e o peso argentino estava bem desvalorizado, foi vantajoso. Mas a maior parte foi trocada em El Chaltén mesmo. Um funcionário de uma padaria iria visitar o Brasil e trocamos pela conversão direta, sendo ótimo para ambos. Há muita gente que faz isso porque o câmbio na Argentina é muito regulado e os nativos tem dificuldade com isso.
  2. A patagônia no outono realmente foi sensacional. Não foi nada planejado, mas no fim das contas nos demos muito bem. Parques vazios, dias longos, tempo e temperaturas perfeitos e aquelas cores. Achei seu roteiro muito bom! Muito bem elaborado. Pular Punta Arenas não é nenhuma perda, rs. Natales seria. Algumas considerações: 27/04 - Você só pretende alugar barraca no Paine Grande e dormir dentro dos outros Refúgios, é isso? Dá pra fazer ambos em todos os Refúgios (você deve saber disso...) 28/04 - Na verdade caminhamos até a Sede Administrativa e não Pudeto, que é pra onde o pessoal que toma o Ferry vai. Ir com menos peso é ótimo para o físico e a logística. Levar 1 saco de dormir é uma boa ideia também. Não compromete muito e economiza uma graninha pra tomar uma Austral gelada no fim do dia É isso. Abraços!
  3. Olá Marcell! Que bom que gostou do relato! Vamos às dúvidas: O ônibus que pegamos em Puerto Natales saiu pela manhã e chegou por volta das 13:00hs no parque (se não me falhe a memória). Uma vez na portaria de Laguna Amarga, foi oferecida uma van que leva até o Hotel Las Torres. Cobram pelo serviço. De lá iniciamos a trilha até o camping Torres (3/4 horas) e deu tempo de chegar e armar a barraca ainda com luz do dia. Se você fizer a trilha no sentido oposto, pode descer na portaria Pudeto e pegar o Ferry Boat até o Refúgio Paine Grande (não vai nem caminhar, mas o ferry é carinho). Também pode descer na última portaria, da Sede Administrativa e caminhar até o Refúgio Paine Grande. Caminhada longa, mas uma boa opção pra que quer terminar o Circuito nas Torres. Esse trecho entre a Administração e o Paine Grande é muito bacana. Eu não pegaria o Ferry Boat pra não perder esse trecho de caminhada. Eu vi que há agências de turismo de Calafate que levam até o Parque também. É uma boa opção mas não sei como ficariam os horários... E você pretende pular Puerto Natales? Não faça isso!rsrs A cidade é encantadora! Chorillo del Salto não é problema. Tem estacionamento do lado. E mesmo a pé são 30 minutos de estrada desde a vila. Por último: os dias terminavam por volta das 09:00/09:30 da noite. Dá pra fazer tudo antes de escurecer. Caso tenha esquecido algo ou tenha outra dúvida, estou à disposição. E que vontade de voltar à Patagônia!!! Abração Aldael
  4. Obrigado Fernanda! As fotos foram tiradas com uma Nikon L820. Bom trekking pra você!
  5. Na verdade os saltos do Rio Preto tem 120m e 80m e não 300 como você citou. http://ecoviagem.uol.com.br/brasil/goias/sao-jorge/cachoeira-saltos-1-e-2-do-rio-preto-80m-e-120m/ Não tira a grandeza do lugar, a Chapada é demais!
  6. Olá. Então, alguns campings realmente fecham nessa época. Quando fomos, apenas o Chileno estava fechado no Circuito W inteiro e o Cuernos estava na última semana de funcionamento. Sei que o Serón também estava fechado, no Circuito Completo. Pelo que entendi, os espaços mantidos pela Fantástico Sur (Serón, Cuernos, Torre e Chileno) fecham, enquanto os da Vertice Patagonia (Paine Grande, Dickson, Grey e Los Perros) e os gratuitos continuam funcionando normalmente (não sei se até no inverno). Você pode sim ficar nos espaços desses refúgios, mesmo com eles fechados, mas não terá pia, chuveiro, nenhum ponto artificial de água e nem guarda-parques. Abração!
  7. Olá. 1 - Fizemos câmbio na zona franca e em Puerto Natales (não me lembro o nome da agência). Em ambos foi praticado o câmbio oficial, nem vantagem nem o oposto... 2 - Não havia pinguins na época em que fomos; 3 - Até vi lojas de tecnologia, mas os preços não me pareceram muito vantajosos. Sempre é mais barato que no Brasil, mas não se compara a USA e Paraguai, por exemplo; 4 - Para os equipamentos que compramos, me lembro mais ou menos. Paguei, por exemplo, R$250 numa barraca Doite 3 estações e R$150 num anorak muito bom. Fora outras coisas. Todos esses valores estão na minha planilha de viagem.
  8. Obrigado, Marcelo. Cara, no tempo em que permanecemos em Chaltén ventou muito também, porém não chegou a nos impedir de fazer muita coisa. Na Loma del Pliegue Tumbado é que ele mais pesou. Não sei se alguém chega a fazer aquele topo mais alto, mas com o vento que soprava isso era absolutamente impossível e até pra chegar onde chegamos foi bem cansativo. Como eu disse, nem chegamos a tentar Laguna de Los Tres, mas encontrei muita gente por lá que tinha feito e esses não chegaram a reclamar do vento. Não sei qual a melhor época climática por lá. Tenho um amigo que foi pra lá em janeiro também e disse que o clima estava horrível. Acho que o mal tempo em Chaltén é uma constante... O Huemul é perto do Calafate Hostel sim e mesmo na baixa temporada estava bem cheio. Imagino que seja porque há panfleto de propaganda dele na rodoviária e o preço é bem convidativo. Nos hostels mais próximos da rodoviária os preços eram pelo menos o dobro de lá. Valeu! Aldael
  9. Olá Matheus, Me envie um email ([email protected]) que aí eu posso te enviar a minha planilha de gastos. Posso adiantar que as passagens aéreas me custaram R$830 com taxas pela TAM / LAN. Isso fazendo "Rio X Punta Arenas" na ida e "El Calafate X Rio" na volta. Além disso há os gastos com deslocamentos por terra que totalizaram menos de R$200. Abraços
  10. Já te enviei uma resposta para esse endereço de email. Abraços!
  11. Olá Ricardo / Andressa, Muito obrigado pelo elogio. (...) Mande um email para que eu te envio a minha planilha de equipamentos e gastos. Nela estão incluídos os valores de avião, campings, hostels, tickets e ônibus lá na patagônia. Assim vocês conseguem calcular com mais precisão os gastos dentro do planejamento de vocês. Fora o que consta na planilha, devem ser considerados os gastos com alimentação. Caso vocês mesmos cozinhem (no parque isso será "obrigatório") fica bem barato. Comer nos restaurantes de Puerto Natales não é barato (R$25/R$30 por pessoa). Mas por alto eu posso chutar um valor abaixo de R$2000 por pessoa para 10 dias, incluindo tudo. Vale lembrar que nós não fizemos nenhum passeio guiado. Esses aumentam bastante o custo da viagem. Abraço
  12. Olá mochileiros. Esse é um relato da viagem que fizemos, eu (Aldael) e minha companheira (Maiana) por parte da Patagônia chilena e argentina entre os dias 04 e 20 de abril de 2013. As cotações no momento da viagem eram: R$1 = CH$250 = AR$2,6 CH$ = Peso Chileno AR$ = Peso Argentino Nós só levamos reais e o cartão internacional. O câmbio nos locais por onde passamos é bem vantajoso com a nossa moeda. Muitos detalhes ainda foram omitidos aqui, mesmo sendo um relato bem extenso. Qualquer dúvida é só escrever nos comentários que tentaremos responder da melhor maneira possível. Update: Vídeo da aventura: [t1]04/04/13 - Vôos Rio x Santiago x Punta Arenas[/t1] Tudo começou às 15:10 do dia 04 de abril de 2013 quando o Airbus A320 da TAM decolava do Galeão com destino à Santiago do Chile, numa viagem que duraria aproximadamente 4 horas e que já causaria a primeira grande impressão sobre aquele país ao atravessar a imensa e gelada Cordilheira dos Andes. Após o pouso, foram 6 horas de espera pelo vôo que partiria apenas às 02:20 rumo à cidade de Punta Arenas, principal porta de entrada na região mais austral das américas. [t1]05/04/13 - Punta Arenas x Puerto Natales[/t1] Chegamos por volta das 05:30 no modesto aeroporto Carlos Ibanez del Campo e lá se foram mais de 3 tediosas horas de espera até um transporte que nos levasse a zona franca da cidade. Lá nos concentramos na loja Balfer que apresenta boa variedade de roupas e equipamentos. Os preços encontrados nessa loja foram em média 20% inferiores aos praticados fora da região livre de impostos. Obs.1: Para quem não quiser perder tempo em Punta Arenas é possível tomar um ônibus para Puerto Natales (destino óbvio para quem vai à Torres) direto do aeroporto, o que facilita muito a logística. Após comprarmos quase tudo de que necessitávamos, tomamos um transporte público até a Buses Fernandez, empresa que por CH$5.000 (R$20) faz o serviço até a cidade de Puerto Natales. A locomoção em Punta Arenas é um capítulo à parte. Lá existem os ônibus urbanos, que cobram um valor de CH$250 (R$1) e ainda os taxis, que trabalham como as tradicionais vans do Rio, parando em cada ponto para descida e subida de passageiros. Isso é ótimo pois o valor pago também é muito baixo, CH$400 (R$1,6) por pessoa. É possível também utiliza-los como taxi do jeito que conhecemos, mas aí o valor sobe um pouco, girando em torno de CH$1000/2000 (R$4/8) por corrida (não há taxímetro!). O trecho até Natales dura cerca de 3,5 horas e é bem interessante. Saindo da região a beira do Estreito de Magalhães, chega-se aos famosos pampas patagônicos, regiões planas, cobertas de vegetação rasteira e repletas de rebanhos de ovelhas. Ao longe sempre se observa grande montanhas, que ficam cada vez mais próximas ao nos aproximarmos do fim da viagem. Puerto Natales é cercada por grandes cadeias rochosas, em sua maioria cobertas de gelo e fica ao lado de um canal, o Fiordo Ultima Esperanza, num panorama muito bonito. Mesmo pequena (cerca de 20.000 habitantes) a cidade dispõe de uma boa gama de lojas e serviços, incluindo muitas opções para compra de roupas e equipamentos de aventura e um grande supermercado. A temperatura lá, ao chegarmos, beirava os 10˚C (semelhante à encontrada em Punta Arenas). Lá nos hospedamos no hostel Maria José, que também oferece o serviço de transporte até o Parque Nacional, o que foi bem conveniente. Os preços praticados foram CH$7.000 por pessoa em um quarto matrimonial, bem simples porém confortável, com banheiro privado e sem café da manhã (ou desayuno) e CH$12.000 por pessoa para o transfer de ida e volta ao Parque. Fazenda no Caminho para Puerto Natales [t1]06/04/13 - Dia Livre em Puerto Natales[/t1] Após uma merecida noite de descanso (estávamos há mais de 24 horas sem dormir direito) passamos o sábado arrumando a mochila, comprando pequenos itens não encontrados na Zona Franca e conhecendo a cidade. Com isso, foi necessário mais uma noite no Maria José para enfim, no dia 07/04 rumarmos pra Torres del Paine. Fiorde Ultima Esperanza em Puerto Natales [t1]07/04/13 - 1˚ dia em Torres del Paine[/t1] Nosso planejamento desde o princípio era fazer o chamado Circuito Grande, cerca de 120Km em uma volta completa em torno das três grandes cadeias de montanhas do parque (Torres e Almirante Nieto, Cuernos del Paine e Paine Grande), com início e fim exatamente em Laguna Amarga. Porém, por volta das 10:00, após pagarmos a taxa de entrada de CH$18.000 por pessoa, e recebermos um mapa do parque, fomos informados pelos guardaparques que não poderíamos fazer o circuito completo. O motivo era um recente deslizamento de terra no trecho entre o Acampamento Paso e o Refúgio Grey que havia destruído toda a estrutura de escadas e cordas, indispensáveis para atravessar a parte mais complicado do circuito. A decepção foi ainda maior porque este trecho entre o Paso John Gardner e o Grey era justamente o que que mais ansiava por fazer e constitui a última etapa antes de entrarmos no Circuito W, ou seja, por causa de algumas centenas de metros fomos obrigados a mudar totalmente nossos planos. As soluções apresentadas foram: ir até o Paso e retornar à Laguna Amarga, continuando rumo ao Grey, ou fazer somente o W. A escolha foi óbvia: perder 3 ou mais dias somente para refazer um caminho era impensável pelo tempo de que dispúnhamos e decidimos por traçar o Circuito W. Aqui cabe uma explicação: Existem 3 formas diferentes de se iniciar o W: a 1ª é descer do ônibus em Laguna Amarga e de lá já fazer o caminho em direção ao acampamento Torres (grátis), ou Chileno (pago), de onde normalmente as pessoas partem em direção ao mirante das Torres e então continuar no sentido horário; a 2ª é continuar no ônibus até a portaria Pudeto e de lá tomar um Ferry Boat, que custa CH$12.000 até o Refúgio Paine Grande; a 3ª é continuar por ainda mais tempo no ônibus até a administração do parque e tomar a trilha que leva também até o Paine Grande (5 horas / 18Km). Na 1ª opção inicia-se o circuito já nas Torres e encerra-se no Grey. Nas demais o sentido é inverso. Por algumas razões, que serão entendidas ao longo do relato, nós optamos por já iniciar o trekking em Laguna Amarga. Lá nós fomos indicados a tomar um transfer até o Refúgio Las Torres, que custa CH$2.500 por pessoa e poupa 7Km (1,5 horas) de uma caminhada não muito interessante. Uma vez no Las Torres, colocamos as mochilas nas costas, ajustamos os bastões de caminhada e partimos para a subida rumo ao vale do Rio Ascencio. O trecho até o Acampamento Chileno é quase todo de subida, à beira de um grande desfiladeiro com fim no Rio Ascencio, dura aproximadamente 2 horas e apresenta dificuldade média, acentuada pelo peso das mochilas ainda cheias de mantimentos e pelos fortes ventos que sopram. Chegando ao Chileno, que estava fechado nessa época, só fizemos uma parada para um rápido café, uma vez que só é possível acender o fogareiro nos refúgios ou campings e continuamos a subir rumo ao Acampamento Torres. Essa parte tem cerca de 5 Km, percorridos em 1,5 horas e também é todo de subida, sempre em meio à bosques de Lengas. No Torres fomos muito bem recebidos pelo simpático guardaparques que nos passou todas as informações e recomendações necessárias. Nesse camping que é gratuito, há uma pequena cabana de madeira, sem luz elétrica, onde se deve cozinhar, 2 banheiros com sanitários e a cabana do guardaparques. Não há chuveiros! Esse é também um local com condições climáticas bem extremas. Na noite em que lá dormimos, a temperatura chegou a -7˚C durante a madrugada e os ventos sopraram a noite inteira, chegando a 90Km/h mas não causando nenhum grande transtorno pelo fato de o local ser muito bem protegido pelas árvores. Início da Trilha para o Acampamento Torres Vale Ascencio próximo ao Refúgio Chileno Rio Ascencio na Saída do Refúgio Chileno Vale Ascencio próximo ao Acampamento Torres Acampamento Torres [t1]08/04/13 - 2˚ dia em Torres del Paine[/t1] No dia seguinte à chegada ao Parque, acordamos às 06:00 da manhã, tomamos um rápido desjejum e subimos, ainda no escuro, o trecho até o mirante das Torres. A subida dura cerca de 1 hora e é provavelmente o trecho mais pesado de todo o circuito em termos de dificuldade. Mas essa dificuldade é muito bem compensada pelo que se vê do alto da montanha. O mirante das Torres fica numa ponta da Laguna Torre situada aos pés das 3 Torres e formada por degelo do glaciar que cobre a parte inferior das mesmas. Todo o cenário, com a água verde leitosa da laguna, a grandiosidade das Torres e o belo glaciar aos seus pés é impressionante e explica porque muita gente prefere encerrar o W ali, com chave de ouro. Chegamos lá já com um pouco de luz porém a tempo de ver os primeiros raios de Sol atingirem as paredes das Torres, literalmente tingido-as de um vermelho quase incandescente. Um espetáculo indescritível, não diminuído pelas nuvens que cobriam boa parte das paredes agora avermelhadas. Após um bom tempo dispendido para apreciar e registrar tudo em fotos, descemos de volta ao Chileno, desmontamos acampamento e partimos para o Refúgio e Camping Cuernos, num percurso extremamente cansativo que durou mais de 6 horas. A trilha entre o refúgio Las Torres e o Acampamento Torres tem aproximadamente 11Km, percorridos em 3,5 horas, e constitue uma das pernas do W. Por sua vez, do Las Torres até o Refúgio Cuernos são outros 11Km. O caminho entre o Torres e o Cuernos é portanto de cerca de 22Km. Mesmo tomando um atalho situado na descida do Vale Ascencio, a distância não é muito menor. Fazer esse percurso após ter acordado na madrugada, subido e descido o difícil trecho até as Torres e carregando mais de 15Kg nas costas não é mole. Esse foi sem dúvida o dia mais difícil de todos, minimizado somente pelo êxtase de avistar pela primeira vez os grandiosos (mesmo!) Cuernos del Paine, já quase no fim da trilha. Um dia que exigiu outro de quase folga. O Refúgio Paine Grande fica em um local privilegiado, às margens do Lago Nordenskjold e aos pés dos Cuernos del Paine e dispõe de uma boa estrutura de camping, afinal se paga por isso. São CH$8.000 (o mais caro do Parque) para usufruir de locais planos, com fundo de madeira para armar a barraca, banheiros com chuveiro quente, uma cabana com mesa para cozinhar e um bar/restaurante com Pisco Sauer a C$1.000 . Dia de tomar um banho e uma birita! As Torres del Paine ao Amanhecer Os Primeiros Raios de Sol Tingindo as Torres del Paine Monte Almirante Nieto no Caminho para o Refúgio Cuernos Lago Nordenskjold no Caminho para o Refúgio Cuernos Refúgio e Camping Cuernos [t1]09/04/13 - 3˚ dia em Torres del Paine[/t1] No dia 09 dormimos até mais tarde e só saímos para o Acampamento Italiano, situado na entrada do Vale do Francês, depois do almoço. Esse trecho tem cerca de 5,5Km e foi percorrido em pouco mais que 2 horas, ou seja, relax total. O caminho entre o Cuernos e o Italiano começa margeando o Lago Nordenskjold, em uma praia de pedras soltas. Depois passa por 2 boas ascenções em meio à mato e lama e termina num vale, o Francês. Tudo muito bonito e tranquilo. O Acampamento Italiano, gratuito, à exemplo do Torres não oferece muita coisa aos mochileiros. Tudo que há são duas cabines com privadas tipo latrina, uma cabana/cozinha e a cabana dos guardaparques. Nada de chuveiro, nem pia. O lugar é cruel. Frio de rachar, úmido e marcado por trovões constantes, provocados por avalanches no Cerro Paine Grande, que é todo coberto de neve nessa face voltado para o Vale. Os grandes lamentos vindos da montanha durante a noite realmente assustam e me lembravam constantemente dos gigantes de pedra do Tolkien. Cuernos del Paine na Saída do Refúgio Cuernos Praia de Pedregulhos no Lago Nordenskjold Lago Nordenskjold Entrada do Vale Francês Acampamento Italiano [t1]10/04/13 - 4˚ dia em Torres del Paine[/t1] Acordamos assim que o dia clareou, por volta das 08:30, tomamos o nosso café e com uma pequena mochila de ataque fomos subindo em direção ao alto do Vale do Francês. A composição do lugar é absolutamente fantástica. Todo o percurso é feito em meio a Lengas de altura média e às margens de um rio muito caudaloso de águas azuis. Esse rio é formado pelo degelo do Glaciar Francês, muito bonito e que se mostra quase por inteiro bem ao lado da trilha em um certo ponto. Daqui também é possível observar o motivo dos murmúrios noturnos: a cada cinco minutos, pelo menos, surgem pequenas avalanches nas paredes da montanha sob o glaciar. Mais ou menos na metade do caminho, chega-se a um mirante, já bem alto, de onde se tem uma belíssima vista aberta do Lago Nordenskjold, pontilhado por pequenas ilhas. Lá embaixo o tempo está lindo, céu aberto e sol brilhante, um contraste com o que se vê acima. Desse ponto em diante há muitas nuvens e uma chuva fraca, que logo se converte em neve. Neve! Foi a minha primeira vez e confesso que me senti como um menino. Nesse momento eu comecei a me dar conta do que estávamos fazendo, e era realmente algo fantástico, algo que até então era visto como um sonho distante. Me arrepiei, não só pelo frio. Glaciar Francês Vale do Francês Mirante no Fim do Vale do Francês Por volta das 12:00 desse mesmo dia já estávamos com as mochilas nas costas, após retornarmos ao Italiano e arrumado tudo, indo em direção ao Acampamento e Refúgio Paine Grande. O percurso de 7,5Km durou cerca de 2 horas e foi bem tranquilo. Praticamente não há diferença de elevação e o terrenos é bom. A parte triste desse trecho é que começamos a entrar na parte do Parque que foi queimada no fim de 2011 e as árvores maiores ainda estão ali, secas e enegrecidas pelo fogo. O que se vê de verde são apenas as plantas mais rasteiras, especialmente em áreas onde há cursos d'água. A chegada ao Paine Grande é um fato marcante do trekking. Depois de enfrentarmos 4 dias de caminhadas, sem nenhum conforto, em meio a lama e frio, nos deparamos com um um gramado extenso, à beira do Lago Pehoé, plano, seco e limpo. Estávamos de volta à civilização. Ali também haviam banheiros separados por sexo, grandes, aquecidos, com água quente nas torneiras e espelhos (fazia 4 dias que eu literalmente não me olhava no espelho!), um espaço para banho quente além de uma grande cozinha iluminada, aquecida e com fogão a gás disponível para uso. Nos sentimos em um hotel 5 estrelas e com aquela sensação de dever cumprido, embora ainda não tivesse acabado. Tudo isso nos custou CH$4.600 por pessoa/noite. Tão bom que passamos 2 noites por ali. Saída do Vale do Francês em Direção ao Paine Grande Cerros Paine Grande e Cuernos já Próximo ao Refúgio Paine Grande Acampamento e Refúgio Paine Grande [t1]11/04/13 - 5˚ dia em Torres del Paine[/t1] Acordamos, como de costume, ao nascer do Sol, nos preparamos e rumamos ao Grey. A trilha não é exatamente fácil mas não chega a castigar demais. São 22Km de ida e volta em subidas e descidas pela encosta oeste do cerro Paine Grande e acima do Lago Grey. E também aqui há sinais claros do último grande incêndio. A primeira hora de caminhada não apresenta nada de especial, até que se chega ao primeiro mirante do Lago Grey, enorme e com pequenos icebergs flutuando em suas margens. Também era a primeira vez que víamos tal coisa. Continuando por mais uma hora e tanto chegamos à outro mirante, dessa vez de frente para o Glaciar e o campo de gelo Sul-Patagônico. Uma das visões mais magníficas do circuito. O Grey é enorme, azul límpido e se mostra quase em sua plenitude desde o alto do campo de gelo até o lago onde se divide em três pernas, separadas por ilhas. Essa visão talvez seja superada somente pela que se tem do alto do Paso John Gardner, trecho que, como já mencionado, estava intransponível. Pensando nisso, naquele momento, me senti triste mais uma vez por não ter sido possível traçar o Circuito Grande. Mais outra hora de caminhada e chegamos ao Refúgio Grey, igualmente limpo e bem cuidado, localizado a alguns metros de distância do Glaciar. Ali avistamos os primeiros mamíferos característicos da região: duas pequenas e belas raposas patagônicas, lindas e até certo ponto amigáveis. Cerca de 10 minutos a frente, na direção do Paso, está outro mirante, à beira de uma ponta do lago e de frente para a maior das 3 pernas do glaciar. É possível inclusive chegar até a água e brincar com pequenos blocos de gelo que se desprendem dos icebergs estacionados à frente. Felizmente o dia estava lindo, ensolarado e sem nenhuma nuvem, tornando visíveis as montanhas acima do glaciar e pequenos fragmentos do campo de gelo entre estas. Pensar no mar de gelo que há dali em diante é de arrepiar. Às 15:00 deixamos o Grey e retornamos ao Paine Grande, em um tempo bem mais curto que a ida (cerca de 3 horas) e com Condores sobrevoando nossas cabeças. Mirante no Caminho para o Glaciar Grey Campo de Gelo Sul-Patagônico Raposa Patagônica no Refúgio Grey Paredões de Gelo no Glaciar Grey Condores [t1]12/04/13 - 6˚ dia em Torres del Paine / Retorno a Puerto Natales[/t1] Como havíamos escolhido não tomar o Ferry Boat que sai do Paine Grande e leva à Pudeto, precisamos acordar muito cedo, antes de o Sol nascer, para começar a travessia até a administração, que durou 5 horas. O ônibus para Natales sai pontualmente da administração às 13:00, passando depois por Pudeto, Hotel Pehoé e Laguna Amarga. Tomar o Ferry Boat é muito tentador, poupa 18Km de trilha, faz ganhar algumas horas de sono, mas custa CH$12.000, um valor bem salgado. E afinal de contas estávamos ali para andar, então resistimos à tentação. Chegando a Puerto Natales, por volta das 15:30, saímos à procura do Hostel Casa Lili, indicação de amigos que fizemos em Torres. O local é bem modesto e dista algumas quadras do centro comercial da cidade. Pagamos os mesmos CH$7.000 por pessoa do Maria José porém com direito a um café da manhã também modesto mas suficiente. Trilha entre o Refúgio Paine Grande e Acampamento Las Carretas Vista Após o Acampamento Las Carretas [t1]13/04/13 - Dia livre em Puerto Natales[/t1] No dia anterior tentamos sem sucesso comprar passagens de ida para El Calafate, nosso próximo destino, então fomos obrigados a tirar um dia de folga em Natales, o que não foi nada ruim. A viagem ficou para o dia seguinte. um domingo. [t1]14/04/13 - Puerto Natales X El Calafate X El Chalten[/t1] O trecho de 280Km entre Natales e Calafate durou aproximadamente 5 horas, não devido às estradas, muito boas, mas principalmente às paradas nos postos fronteiriços de Chile e Argentina. Tempo de dormir já que a paisagem é meio monótona, desértica e plana. Bem diferente dos 214Km até El Chalten, onde já se vê montanhas novamente surgindo no horizonte. O ônibus até Calafate custou CH$10.000 (R$40) e de lá até Chalten, AR$110 (R$40). A pequena vila de Chalten é encantadora. Ela se situa há alguns quilômetros de distância do Lago Viedma, em um Vale muito bonito, com o Rio de Las Vueltas serpenteando seu subúrbio e com vista para os impressionantes Cerros Fitz Roy e Torre, montanhas temidas pelos escaladores e de uma beleza ímpar. Procurando por hospedagens baratas encontramos a Hospedage Lo De Guille, uma grata surpresa. Os preços nessa região da Argentina passam longe dos praticados mais ao norte do país e já esperávamos algo bem salgado por uma cama. Por apenas AR$60 (R$22) pessoa/noite, pegamos um quarto matrimonial, com roupas de cama e banho incluídas, banheiro teoricamente compartilhado, mas exclusivo (a cidade estava vazia), cozinha ampla e bem equipada, tudo muito limpo e bem cuidado pela simpática proprietária. Gostamos tanto que nem procuramos por outro lugar nos dias seguintes. El Chalten Um São Bernardo em El Chalten [t1]15/04/13 - Chorrillo del Salto, El Chalten[/t1] Depois do W e de um dia inteiro de viagem ficamos preguiçosos. Sendo assim acordamos tarde na segunda e fizemos apenas uma pequena caminhada até o Chorrillo del Salto, queda d'água de 30 metros situada a 3 Km do centro da vila. Também aproveitamos para explorar a vila, missão cumprida em menos de 2 horas. No lugar há 2 pequenos mercados para mantimentos básicos e os preços em ambos são bem altos. Aliás, tudo em Chalten é mesmo caro. Chorrillo del Salto [t1]16/04/13 - Laguna Torre, El Chalten[/t1] Nosso primeiro trekking de fato na Argentina foi para a Laguna Torre, que é provavelmente o segundo mais procurado em Chalten, atrás somente do que leva à Laguna de Los Tres, na base do Fitz Roy. Saindo do centro da vila, são 12Km até a laguna, trecho feito em cerca 4 horas na ida e 3 na volta. O início é composto basicamente de uma grande subida, alcançando quase o desnível máximo, até o mirante do Cerro Torre, ponto de onde se vê, se o tempo ajudar, todas as montanhas que compõe a cadeia Torre. Infelizmente não avistamos a principal delas, a pontiaguda Torre, por causa de nuvens insistentes no seu topo. Do mirante em diante são mais 2 horas de leves ondulações, em meio a um grande bosque de Lengas até a borda frontal da Laguna Torre. Aos pés do Cerro há um grande glaciar, de mesmo nome, completamente azul e salpicado por cascalho marrom. Saindo desse ponto segui por uma trilha que sobe a encosta na margem leste da laguna até quase tocar o glaciar, no chamado Mirador Maestri. Fiz o percurso em pouco mais de meia hora, enquanto a Maiana descansava e só encontrei outros 2 aventureiros no caminho. Do Maestri se vê uma grande parte do glaciar, desde o alto da montanha e se chega tão próximo que a vontade de descer até ele é enorme. Penso que isso não seja possível pois do mirante até lá há uma grande encosta, de uns 100m ou mais de altura, bem íngrime e coberta de cascalho, muito propensa a deslizamentos. Além disso o vento soprava muito forte acompanhado de uma chuva fina. Cerro Torre e o Último Grande Bosque antes da Laguna Glaciar Torre visto do Mirante Maestri [t1]17/04/13 - Loma del Pliegue Tumbado, El Chaltén[/t1] A quarta-feira amanheceu cinza, fria, chuvosa e com muito vento. Nada animador. Mas como eram nossos últimos dias ali decidi por arriscar em um trekking que havia me chamado bastante a atenção, até a Loma del Pliegue Tumbado, grande colina com o topo visível da vila e de onde se tem uma visão de 360˚ da região. Escolha acertada pois o tempo melhorou muito na segunda metade do dia. Saí do hostel por volta das 11:00 e peguei a trilha que começa na entrada da vila, junto à portaria local do Parque de Los Glaciares. O percurso de ida tem 11Km de pura subida e durou cerca de 4,5horas. As primeiras 3/3,5 horas são tranquilas, feitas em áreas cobertas por bosques, protegidas do vento e com um terreno bem regular. O problema foi a hora final, feita na parte do topo da colina, sem nenhuma vegetação, nem rasteira, em um terreno de somente cascalhos e com ventos absurdos. Absurdos mesmo. Ali experimentei o vento patagônico como ainda não havia sentido. Durante toda a subida foi necessário lutar contra a ventania que literalmente me jogava de um lado a outro no caminho. Ao chegar no topo, com o vento incomodando cada vez mais, se tem uma vista magnífica do lago Viedma de um lado e dos Cerros Torre e Fitz Roy do outro. Dali se fica literalmente cara-a-cara com o imponente Fitz Roy e é fácil entender toda a fama que essa montanha carrega. Também é possível ver a Laguna Torre e uma porção ainda maior do seu glaciar. Haviam poucos trekkers no local. O tempo de descida foi consideravelmente menor, aproximadamente 3 horas. Apenas a primeira parte, na área descoberta foi tão ou mais difícil que a subida. Um fato importante é que num dos bosques pude ver pela primeira vez o famoso pica-pau (ou carpintero) de cabeça vermelha, um dos símbolos maiores da região, juntamente com o huemul (quase impossível de ser visto) e o condor. Alto da Loma del Pliegue Tumbado Lago Viedma visto da Loma del Pliegue Tumbado Pajaro Carpintero Negro El Chalten vista do Início do Trekking para a Loma del Pliegue Tumbado [t1]18/04/13 - Dia Livre em El Chaltén[/t1] Nesse dia o clima estava feio de verdade. E permaneceu assim por todo ele. Foi impossível, ou seria muito penoso, fazer o trekking para a Laguna de Los Tres, como o planejado. Na verdade acabamos por não fazê-lo de forma alguma. Fica para a próxima. Com a chuva e o frio aproveitamos para descansar e comer bem. Passamos nossa última noite no Lo de Guille comendo um assado feito no forno mesmo (era o que tínhamos disponível). [t1]19/04/13 - Dia Livre em El Calafate[/t1] Tomamos um ônibus da Chalten Travel, por AR$150 às 07:30 na rodoviária e 3 horas depois estávamos em Calafate. Rodamos um pouco à procura de hospedagem barata e encontramos o Hostel Huemul, um verdadeiro pulgueiro mas com um preço bem camarada. Fechamos um quarto com 2 beliches só para nós dois por AR$120 e fomos muito bem tratados pelo proprietário, o Eduardo. Não há muito o que fazer em Calafate se você não está disposto a gastar. Tudo é pago e tudo é caro. Acabamos só passeando pela cidade onde compramos alguns alfajores e passamos a noite tomando vinho barato no Huemul, na companhia do espanhol Ivan, que encontrei também no Pliegue Tumbado e alguns argentinos que insistiam em discutir futebol com os dois bêbados aqui. Nem sentimos as pulgas no colchão à noite. Flamingos na Laguna Nimez em El Calafate [t1]20/04/13 - Vôos El Calafate X Buenos Aires X Rio de Janeiro[/t1] Às 10:30 tomamos um remís (taxi fretado) até o aeroporto, bem distante da cidade, por AR$90 e às 12:20 decolamos rumo à Buenos Aires. Lá precisamos fazer um translado do Aeroparque para o Ezeiza, num remís que nos custou AR$220 (não há serviço público de transporte no Aeroparque). Como o vôo para o Rio só saia às 19:00, gastamos um tempo no free-shop e às 22:00 estávamos pousando no Galeão, sãs e salvos. Com saudades e muitas histórias na cabeça. É isso. Para mais fotos, visite: Estou também anexando os mapas que utilizamos em Torres e em El Chalten. Se alguém tiver interesse, posso enviar a planilha com checklist e gastos da viagem por email. Obrigado!
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