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fernandobalm

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Sobre fernandobalm

  • Data de Nascimento 01-04-1969

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  1. Fantastic adventure Sr Balm ! Parabens , eu gostaria de fazer algo semelhante no litoral do RS. Abraco.

    1. fernandobalm

      fernandobalm

         Peter,

         Obrigado.

         Espero que aproveite sua viagem pelo litoral Rio Grande do Sul. Pode ver os relatos das que eu fiz pelo litoral de Santa Catarina para te dar ideias.

         Eu também pretendo futuramente ir de Jaguaruna ao Chuí a pé pela praia em 1 ou 2 vezes.

         Abraços e Boa Viagem!

    2. Peter Stout

      Peter Stout

      Ola Fernando,

      Obrigado , eu sou novo neste site maravilhos, irei ler MUITOS outros relatos , dentre eles, esses que voce acaba de mencionar.

      Abraco e........ peh no chao ......always !

  2. Resumo: Itinerário: Salvador a Recife Distância Aproximada Entre Origem e Destino (Google Maps): 784 km Distância Aproximada Percorrida Incluindo Passeios: 1.100 km Período: 24/07/2019 a 01/09/2019 (39 dias) Gasto Total: R$ 2.293,33 Gasto sem Transporte de Ida e Volta: R$ 1.779,43 - Média Diária: R$ 45,63 Ida: Voo de São Paulo (Congonhas) a Salvador pela Latam por R$ 212,95, sendo R$ 180,00 de passagem e R$ 32,95 de taxa de embarque. Volta: Voo de Recife a São Paulo (Guarulhos) pela Latam por R$ 300,95, sendo R$ 268,00 de passagem e R$ 32,95 de taxa de embarque. Paradas: 1- Salvador (Santo Antônio, próximo do Pelourinho): 1 dia 2- Salvador (Itapuã): 2 dias 3- Arembepe: 1 dia 4- Praia do Forte: 2 dias 5- Imbassaí: 1 dia 6- Subaúma: 1 dia 7- Baixio: 1 dia 8: Sítio do Conde: 1 dia 9: Costa Azul: 1 dia 10: Coqueiro - BA: 1 dia 11: Estância - SE: 1 dia 12: Aracaju: 3 dias 13: Pirambu: 1 dia 14: Ponta dos Mangues: 1 dia 15: Saramém - SE: 1 dia 16: Pontal do Peba - AL: 1 dia 17: Coruripe: 1 dia 18: Jequiá da Praia: 1 dia 19: Barra de São Miguel: 1 dia 20: Maceió: 3 dias 21: Paripueira: 1 dia 22: Barra do Camaragibe: 1 dia 23: Porto de Pedra: 1 dia 24: Maragogi - AL: 2 dias 25: Tamandaré - PE: 1 dia 26 Porto de Galinhas: 3 dias 27: Cabo de Santo Agostinho: 2 dias 28: Recife: 1 dia Considerações Gerais Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, rios a atravessar, meios de transporte e informações adicionais que eu achar importantes. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais: Em boa parte da viagem houve bastante sol e pancadas de chuva breves, geralmente fraca ou só garoa. Dias com chuva prolongada foram poucos (acho que só uns 3). Não houve raios. A chuva, quando me pegava nas praias, apesar de não ser tão forte, tornava-se mais sensível devido ao vento forte. As temperaturas estiveram bem razoáveis (para um paulistano), variando de 20 C a 30 C. A sensação térmica às vezes era mais baixa por causa da chuva ou mais alta por causa do asfalto ou da areia. As praias, o mar, as lagoas, a vegetação, as paisagens rurais, os mirantes, as construções históricas e típicas e as igrejas agradaram-me muito . Em alguns trechos de mar aberto, o mar estava muito bravo, com ondas fortes e enormes, com muita correnteza, algumas vezes com direções conflitantes. Derrubou-me várias vezes. Em Sergipe o mar tinha cor escura, barrenta. Dava aparência de poluição ou sujeira para um leigo como eu, mas provavelmente eram sedimentos vindos de rios (talvez o São Francisco e o Real principalmente) e da chuva. Nos outros locais, principalmente em Alagoas, o mar tinha uma cor verde linda . Peguei 4 cocos na praia e 1 banana no chão em um caminho. Encontrei muito lixo nas praias, principalmente plástico. Encontrei também algumas tartarugas e peixes mortos. A população de uma maneira geral foi cordial e gentil. Em Baixio a Pousada Espaço Litoral aparentemente não quis me hospedar devido à minha aparência (de mochileiro andarilho), mas foi um episódio isolado. Foi impressionante a generosidade dos donos de acomodações e comerciantes, sendo que vários ofereciam cafés da manhã que eu não havia contratado ou produtos adicionais nas minhas compras . Procurei ser o mais educado possível e recusei quase todos para não abusar da hospitalidade. Em áreas remotas de Sergipe houve alguns trechos em que foi difícil conseguir acomodação para pernoitar. Em muitas localidades pequenas o comércio e a recepção das pousadas fechava cedo, o primeiro entre 17h e 19h e a segunda perto de 20h. A caminhada no geral foi tranquila. Os maiores problemas foram os rios a atravessar. Mas acabei conseguindo as travessias em quase todos. Não tive nenhum problema de segurança (nenhuma abordagem indesejada) nas praias nem nas estradas nem nas cidades. Precisei desviar de um trecho em Barreiras (Alagoas), em que havia um rio a atravessar para chegar no Pontal de Coruripe, devido ao domínio da área por traficantes (Boca de Fumo). Vários disseram-me para não passar ali e eu resolvi atendê-los e ir este trecho pela estrada. Muitos aceitaram cartão de crédito, mas vários com acréscimo. Um número maior aceitava cartão de débito, poucos com acréscimo. Meus gastos foram R$ 299,73 com alimentação, R$ 1.378,00 com hospedagem, R$ 101,70 com transporte durante a viagem, R$ 65,90 com taxas de embarque de ida e volta e R$ 448,00 com as passagens aéreas de ida e volta. Mas considere que eu sou bem econômico. A Viagem: Minha viagem foi de SP (Aeroporto de Congonhas) a Salvador na 4.a feira 24/07/2019 pela Latam (https://www.latam.com). O voo saía às 10h30 e estava previsto para chegar às 12h55. Paguei em 4 parcelas com cartão de crédito. Não pude escolher o lugar gratuitamente e não fiquei na janela. Durante o voo conversei com uma analista ambiental sobre a situação do meio ambiente em SP e no Brasil. Ganhei um cappuccino 3 Corações de chocolate de cortesia da Latam e da 3 Corações. Ao chegar, saquei dinheiro e peguei o ônibus do aeroporto até o metrô e depois o trem até a estação Campo de Pólvora, perto do Pelourinho, por R$ 3,70 pagos em dinheiro. Fiquei na Casa 37 Guesthouse (https://www.facebook.com/Casa37Guesthouse), que havia reservado pelo Booking (https://www.booking.com). No caminho da estação até lá, passei por parte do centro e fui apreciando a cidade. Paguei R$ 18,00 a diária, em dinheiro, sem direito a café da manhã. A proprietária Gisélia estava com o pé machucado, tinha desabilitado novas reservas e só esperava a mim naquele dia. Fiquei só numa cama num quarto compartilhado, com banheiro dentro. Depois de me acomodar aproveitei a tarde para ir visitar as obras da Irmã Dulce (https://www.irmadulce.org.br). Fui bem atendido e o recepcionista abriu uma exceção para eu conhecer o santuário, que estava em reforma, acompanhando-me. Gostei bastante dos vários itens, incluindo memorial, capela e santuário, tudo mostrando a vida simples e dedicada dela. Na volta passei pelo mirante em Santo Antônio com vista para a Baía de Todos os Santos. Visitei também algumas igrejas no centro, perto do hostel e no caminho para as obras de Irmã Dulce. No fim da tarde e começo da noite fui visitar o Terreiro de Jesus, que havia sido revitalizado, com sua bela fonte e passei pela escadaria em que foi filmada a primeira versão de “O Pagador de Promessas”. Não encontrei espetáculos no Pelourinho. Jantei sanduíches e banana que tinha trazido de casa. Conversei com moças de Fortaleza que estavam no hostel e haviam vindo de ônibus e estavam trabalhando em casas de confecção. Elas falavam do frio e chuva de Salvador, diferente de Fortaleza naquela época do ano. Para as atrações de Salvador veja http://salvador-turismo.com, http://www.salvadorbahiabrasil.com/atracoes-salvador.htm e https://viagemeturismo.abril.com.br/cidades/salvador-7. Gosto bastante da cidade, mas já tinha estado nela antes. Meu objetivo nesta viagem não era conhecer muitos de seus atrativos, somente alguns que eu não conhecia e estavam perto dos meus pontos de parada. Na 5.a feira 25/07 tomei café da manhã com sanduíches que havia levado de casa, conversei com portuguesa hospedada no hostel e fui pegar o ferry boat para Bom Despacho por R$ 10,00 no cartão de crédito (ida e volta). Eu tinha levado parte das cinzas do meu pai para jogar na Baía de Todos os Santos e achei que a melhor opção era aquela. Peguei o barco das 8 horas. Falei com o Imediato Caetano e ele disse que eu poderia jogar sem problemas. Após o barco afastar-se razoavelmente do porto, joguei-as, de punhado em punhado. Pouco depois ele me encontrou na parte superior e perguntou se já tinha jogado. Disse-me que havia comunicado ao capitão e este perguntou se eu queria que ele parasse o barco um pouco para que eu jogasse (o barco tinha provavelmente mais de 100 passageiros). Dei um rápido passeio em Bom Despacho e voltei no barco das 10 horas. Cheguei de volta ao hostel pouco antes de meio dia e perguntei a Gisélia, que já estava melhor do pé, se poderia ficar um pouco a mais, para poder visitar o Centro de Convivência Irmã Dulce, que era ao lado. Ela disse que isso poderia abrir um precedente. Para guardar a mochila ela cobrava R$ 10,00, com direito a uso do banheiro e demais instalações até a noite. Preferi sair na hora então e fui visitar o Centro de Convivência carregando a mochila. Muito interessante o trabalho que eles faziam com atividades gratuitas para toda a comunidade. Depois de lá rumei a pé para Itapuã. Foram cerca de 18 km. Não tive nenhum problema de segurança e acertei o caminho, com nomes de ruas e indicações no papel e pedindo muitas informações. Muitos deram-me sugestões, às vezes querendo mudar o caminho base que eu tinha traçado, o que eu não fiz. No trecho final fui pela orla, admirando a praia e o mar a partir do calçadão. No caminho comprei pães normais por R$ 1,00 e um pão de queijo por R$ 1,00 pagos em dinheiro. Fiquei no Hostel Sal Bahia (https://www.facebook.com/hostelsalbahia), da proprietária Dil, que era paulista, por R$ 28,50 em dinheiro a diária, com direito a café da manhã. Lá estava uma família de Niterói, 1 rapaz de Sergipe sendo treinado em telefonia por outro de Recife (um deles se chamava Carlos) e uma dupla de profissionais de escolta armada, sendo que um era de Recife e torcia para o Náutico. À noite comprei pães por R$ 3,00 e vegetais (pepino, chuchu, batata, mandioca, tomate e laranja) por R$ 4,40 e fiz sanduíches para o jantar. Antes fui dar uma volta na orla e comi abará e tapioca com açúcar e canela por R$ 8,00. Todos os alimentos foram pagos em dinheiro. Na 6.a feira 26/07 tomei o café oferecido pelo hostel (2 pães, margarina, café, leite e abacaxi). Depois fui à Lagoa do Abaeté. Havia muitos seguranças. Haviam dito que poderia ser perigoso o local, em termos de assaltos, mas achei tranquilo. Porém não entrei nas trilhas no meio do mato. Achei as vistas da lagoa e da vegetação no entorno muito bonitas. Fiz 3 travessias pequenas e achei a água deliciosa. Voltei, almocei sanduíches e fui caminhar na praia. Comecei indo conhecer os monumentos às Sereias de Itapuã e a Vinicius de Moraes. Pela manhã, quando havia passado rapidamente para ver as Sereias, um morador local veio cumprimentar-me e falar comigo, imagino que para conhecer um viajante de fora dali. Depois fui até o Farol de Itapuã e depois parti rumo ao Sul, indo até o Jardim dos Namorados, já perto de Pituba. Depois, quando retornando ao hostel ainda tive tempo de visitar o Parque de Pituaçu, com seus lindos lagos, área verde e vistas. Um homem que estava sentado num banco com roupa social, a quem eu havia pedido informações sobre o parque, pediu para falar comigo sobre Jesus. Ficamos conversando alguns minutos. Voltei pela praia, admirando as lindas vistas do mar e da orla, de dia e após escurecer. Jantei um mini acarajé por R$ 1,00, um acarajé por R$ 5,00 (ambos em dinheiro) e salada (batata, mandioca, chuchu, pepino, tomate e cenoura – esta última tinha trazido de SP), com laranja de sobremesa comprados no dia anterior. Durante o jantar conversei com Bruno, sobrinho da Dil, e pessoal da escolta armada. Levei um acarajé da Dry (dona do ponto) para a Dil numa vasilha plástica, conforme ela havia pedido. No sábado 27/07 tomei o café da manhã oferecido pelo hostel (2 pães, margarina, café, leite, 2 pedaços de melão), despedi-me de todos (Dil levou-me ao portão) e parti rumo a Arembepe. Antes de entrar na areia da praia comprei 5 pães por R$ 1,00 em dinheiro. Entrei na praia na altura do Monumento às Sereias de Itapuã. O tempo estava bom pela manhã e a praia estava cheia. As paisagens pareceram-me lindas, embora as praias fossem bem urbanizadas, com muitos condomínios. Atravessei o Rio Joanes andando, orientado por salva-vidas e por praticantes e instrutores de kitesurf, que estavam dentro dele. Segui bancos de areia, mas no trecho final havia um canal que por um instante não deu pé, o que molhou levemente o fundo da mochila, mas a água não entrou. Havia várias pessoas praticando kitesurf na barra, conforme foto abaixo. Ocorreu uma rápida pancada de chuva no meio da tarde e eu me abriguei atrás de um coqueiro, posto que a chuva era lateral, devido ao vento. O mar estava bravo e o vento forte. Havia algumas bonitas paisagens com áreas de remanso criadas por barreiras de pedra um pouco distantes da praia nas quais o mar batia forte. Quando veio outra pancada de chuva, entrei embaixo de um quiosque e um segurança falou-me que eu não poderia abrigar-me naquela área privada, mas passou via rádio informação aos da frente para que me dessem abrigo. Pouco à frente fiquei debaixo de um coberto de madeira, atrás de uma tora. Quando a chuva amainou outro segurança veio conferir as informações, perguntar-me se eu ainda precisava de abrigo e me dar informações sobre como achar hostels ou hospedagem barata em Arembepe. Logo em seguida cheguei a Arembepe e fiquei no Hostel da Fá (https://www.facebook.com/hosteldafa), em cama de quarto compartilhado por R$ 25,00 em dinheiro, sem café da manhã, onde fui atendido originalmente por Benedita, mãe da Fá. O quarto estava vazio, então fiquei só. Uma pessoa havia dado uma referência negativa do hostel, mas eu fui muito bem atendido e fiquei satisfeito. Era simples, mas supriu tudo de que eu precisava. Comprei pães por R$ 3,00, chuchu e pepino por R$ 1,00 e abobrinha e laranja por R$ 1,22, tudo pago com cartão de crédito. Jantei sanduíches, com laranja e pão com goiabada de sobremesa. Houve várias pancadas de chuva depois que cheguei ao hostel, principalmente depois de escurecer. Fá ofereceu-me café e suco de jenipapo de cortesia, que eu educadamente recusei. Seu filho interessou-se pelo meu celular velho. Havia entrado um pequeno espinho ou objeto estranho no meu pé direito e eu o cavoquei para tirá-lo, deixando uma pequena parte do pé em carne viva , o que se mostrou desastroso alguns dias à frente. No meio da noite chegou um casal e ficou na área anexa ao quarto. Eu acordei com o barulho da chegada deles e fui tirar a mesa que havia colocado para escorar a porta do corredor que abria com o vento. No domingo 28/07 inicialmente dei um passeio pelo povoado, saquei dinheiro, comprei pães por R$ 3,00 com cartão de crédito e tomei café da manhã com sanduíches. Começou a chover com moderada intensidade e eu esperei passar para sair. Saí perto de 8h10, passei por uma área à beira-mar destruída pelas tempestades recentes e fui conhecer a Aldeia Hippie. Gostei bastante, principalmente do Centro de Artesanato, da lagoa e do rio. O morador Oz pediu-me uma força de R$ 5,00 em troca de um artesanato em clave de sol. Ao invés disso, ofereci a eles pães de milho, que não quiseram. Achei bela a vista do alto das dunas em que ficava parte da aldeia, estando de um lago a lagoa, o rio e a vegetação e de outro o mar. Havia uma pequena base do Projeto Tamar, cuja visita era paga. Não a visitei, pois pretendia ir para a Praia do Forte. Uma foto de uma praia em Arembepe está a seguir. Ao longo do caminho achei as praias belas. Tomei um banho de mar, que estava tão bravo e com correntes erráticas, que me levou para um buraco. Chegando à Barra do Jacuípe, um barqueiro atravessou-me por R$ 2,00 em dinheiro. Uma foto de lá segue abaixo. Caminhei de lá até a Barra do Pojuca, passando por praias que achei bonitas. Não consegui atravessar andando a Barra do Pojuca. Tentei sem a mochila, mas a forte correnteza me fez crer que com a mochila não conseguiria. Não havia mais barqueiros, pois era perto de 17h. Peguei a estrada então e fui até a cidade, mas não encontrei pousadas baratas. Resolvi pegar o ônibus para a Praia do Forte, onde sabia que tinha um hostel. Paguei R$ 3,00 em dinheiro pelo ônibus. No ônibus começou uma conversa exacerbada entre amigos sobre política, com um dizendo que o Brasil era socialista e por isso estava nesta situação e outro falando contra o presidente, o que confirmou a polarização existente atualmente. Fiquei no Praia do Forte Hostel (https://www.albergue.com.br), pagando R$ 70,00 em dinheiro por uma cama em quarto compartilhado, com direito a bufê de café da manhã. Comprei espaguete por R$ 2,40, legumes (chuchu, pepino) e laranja por R$ 1,91, tudo com cartão de crédito, cozinhei o espaguete e os jantei. De sobremesa comi biscoitos de maisena cortesia do hostel. Fiquei sabendo que meu primo havia sofrido um ataque cardíaco e partido inesperadamente deste mundo por volta de 11h da manhã. Na 2.a feira 29/07 comecei o dia tomando o excelente café da manhã oferecido em forma de bufê, com pães, ovo, banana assada, frutas, bolos, sucos (umbu, laranja), etc. Choveu bem cedo e depois a chuva retornou após as 13h30, parou perto de 15h e voltou no fim da tarde. Fui visitar o Projeto Tamar (https://www.tamar.org.br). Achei espetacular . Havia tartarugas de 4 espécies, tartarugas albinas, tubarões, arraias, vários tipos de peixes, tartarugas pequeninas recém-nascidas, esqueleto pré-histórico, carapaças, cinema referente ao projeto, exposições etc. Havia também momentos em que os tratadores iam alimentar os animais com a presença do público. Havia muita gente visitando, incluindo muitos estrangeiros e muitas crianças. O ingresso custava R$ 26,00, mas hóspedes do hostel tinham entrada gratuita a qualquer hora e dia em que estivesse aberto. Era permitido passar a mão nas arraias. Após conhecer boa parte e fazer a visita guiada pela manhã, fui à foz do Rio Pojuca, que não tinha conseguido atravessar. Pela praia era bem mais perto. Tomei um banho no mar bravo. Voltei para completar a visita ao Tamar e ver as alimentações da tarde, incluindo a dos tubarões. A vista do mar a partir dos fundos do Projeto Tamar também me pareceu muito boa. Havia também um farol para navegação e uma igreja antiga nas imediações. No hostel conheci franceses e brasilienses. Jantei espaguete com um pouquinho de arroz (peguei das comidas compartilhadas), pepino, chuchu, laranja e biscoitos de maisena. Na 3.a feira 30/07 depois do bufê no café da manhã, fui explorar outros pontos da região. Peguei a trilha do Parque Klaus Peters, com vegetação da restinga, com várias informações, de que muito gostei. Voltei pela avenida e fui visitar o Projeto Baleia Jubarte (http://baleiajubarte.org.br). A entrada custava R$ 10,00, mas também era gratuita para hóspedes do hostel. Gostei do projeto, embora não o tenha achado tão espetacular quanto o Tamar, pela falta de animais vivos. Mas havia muitas informações, exposições, cinema e um esqueleto de baleia. Depois de lá peguei a trilha para o castelo. Achei bonita a vista da lagoa urbana. Não entrei no castelo, que era pago (R$ 15,00, com 50% de desconto para hóspedes do hostel). Na volta, depois de fazer a saída do hostel, ainda passei no Projeto Tamar para rever alguns itens de que tinha gostado e tirei fotos das tartarugas albinas e de um dos tubarões lixa Após isso rumei para Imbassaí, que não era muito longe e onde havia outro hostel mais barato, até onde eu sabia. Comecei a caminhar perto de 15h e cheguei lá perto de 17h. Achei muito bonitas as praias do caminho. Tomei 2 banhos de mar. Elas pareciam ter pedras ou corais no fundo. O mar novamente era bravo e uma onda me pegou no raso e me fez dar um giro involuntário de 360 graus. Fiquei hospedado no Eco Hostel Lujimba (https://www.imbassaihostel.com.br/?lang=pt), por R$ 35,00 em dinheiro a cama em quarto compartilhado, sem café da manhã. O dono era o argentino Roberto, mas já bastante aclimatado ao Brasil. Lá fiquei no quarto com um casal que morava na Escócia, em Edimburgo, um deles brasileiro e o outro escocês, que estava ali fazendo trabalho voluntário no hostel. Havia também um húngaro que falava fluentemente português. O hostel era numa estrada de terra e tinha um bosque dentro de suas dependências. Tinha um espaço num andar superior com símbolos de várias religiões, principalmente orientais, e ambiente para ioga, meditação e descanso. Comprei espaguete por R$ 1,85 e vegetais (abobrinha, mandioca, limão e laranja) por R$ 2,73, ambos com cartão de crédito, cozinhei o espaguete e comi no jantar com os vegetais. Na 4.a feira 31/07 comi a laranja no café da manhã. Roberto contou 2 histórias. Disse que um rapaz estava caminhando por uma estrada, um carro passou por ele e percebeu que nos próximos 100 km não havia vestígios de civilização. O caminhante tinha barba e cabelo parecidos com os de Jesus. O homem do carro voltou os 100 km e deu carona para o caminhante até passar por aquele trecho deserto. Com isso ele andou 200 km a mais do que precisaria. A outra história foi de uma mulher negra de cerca de 60 anos que ele viu andando nua na estrada, equilibrando uma bandeja na cabeça. Ele falou que ela tinha a postura de uma rainha. Parecia um orixá. Depois do café fui conhecer o bosque interno e a área de meditação e ioga. Despedi-me deles e parti. Depois que saí comprei pães, comi 4 para complementar o café e guardei 5 para o decorrer do dia. Paguei R$ 3,00 com cartão de crédito por eles. O dia inteiro foi de sol e achei as praias muito bonitas. Passei pela Costa do Sauípe, com suas acomodações luxuosas. Sua praia estava cheia de pessoas. Quando cheguei ao canal para atravessar para Porto Sauípe, percebi que não dava para atravessar andando. Vi um homem do outro lado e gritei para ele, mas ele ou eu não conseguimos nos ouvir. Resolvi então atravessar a nado para poder conversar com ele. Ele era Jorge, dono de barraca da praia e de um barco. Perguntei se ele poderia me atravessar com o barco, mas ele me disse que o barco estava fundeado e que devido às chuvas, seria problemático liberá-lo e depois ancorá-lo novamente. Perguntei se tinha uma tábua ou algo parecido e ele me disse que cuidava das pranchas dos salva-vidas e que eu poderia usar uma. Achei a solução perfeita. Mas fazia muito tempo que eu não usava uma prancha e estava completamente sem experiência. De qualquer modo, peguei a prancha e atravessei em cima dela, com facilidade. Ele me alertou que ela estava de ponta cabeça, pois o leme estava aparente. Coloquei a mochila nas costas, virei a prancha e fui bem para a ponta perto do mar, onde ele recomendou, para aproveitar a corrente. Mas eu não parei para analisar direito a situação e segui o que ele falou sem pensar mais profundamente. A travessia ia indo bem, até que quase no fim eu vi o barco ancorado e vi que tinha que desviar dele e de suas cordas. Rapidamente tentei fazer isso antes de bater, mas as cordas pegaram no leme da prancha e ela quase virou. Eu, com minha falta de experiência com pranchas, estava muito à frente, o que dificultou ainda mais o equilíbrio. Depois de bater nas cordas e a prancha quase virar, consegui me reequilibrar e remei com as mãos para desviar das outras cordas e consegui chegar à margem. Jorge havia pulado na água, achando que eu não iria conseguir. Gritei para ele não fazer aquilo, mas acho que ele ficou preocupado. Depois de sair da água, agradeci, pedi desculpas pelo incômodo dele ter-se molhado e guardei a prancha onde a tinha pego. Quando a prancha quase virou, a mochila forçou minhas costelas e elas ficaram doloridas. Essa dor arrastou-se por vários dias. Segui pelas praias, que continuei achando muito bonitas. Peguei 3 cocos que estavam no chão, 2 com muita água e massa e o 3.o eu levei na mochila, após desbastar a parte externa. Passei por uma praia de nudismo, mas como estava deserta, pude ficar vestido. No entardecer tirei esta foto, já perto da chegada à cidade de Subaúma. Ao chegar, encontrei J Jr na praia e ele me recomendou ir à Pousada da Didi (http://pousadadadidi.com), que achava ser a mais barata da cidade. Fui até lá e apesar do preço regular ser R$ 60,00, ela me cobrou R$ 30,00 em dinheiro por quarto privativo, com banheiro interno e com café da manhã. Ainda me ofereceu o jantar, mas eu achei que era demais e somente comi um pouco do cozido que ela havia feito para não a deixar chateada. Douglas e Valdo foram os funcionários (afilhados) que me atenderam. Valdo abriu o coco para mim. Fui comprar banana e chuchu por R$ 0,85 em dinheiro para juntar com o resto do espaguete que eu tinha. Cozinhei o espaguete no fogão dela, misturei com o chuchu, banana e coco, e peguei um pouquinho do cozido de legumes que ela tinha feito. Ao ir fazer compras conheci um artista de Salvador que morava lá e pretendia pintar a partir de uma foto aérea da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim de Salvador. Douglas assistiu comigo o jogo do Flamengo com o Emelec pela Libertadores à noite. Ele era flamenguista e ficou feliz com a vitória nos pênaltis, apesar de ter sofrido um pouco, embora parecesse bastante confiante. Na 5.a feira 01/08 senti a dor nas costelas bem maior ao acordar. Tomei o café da manhã ofertado por Didi (5 pães com margarina e queijo tostados, cuscuz, café e leite em pó). Ela me contou que o médico disse que ela tinha 2 anos de vida, estava com cirrose hepática e anemia e não podia fazer transplante por ter 80 anos. Ela era diabética e tomava insulina. A situação me comoveu, mas faz parte da vida. Talvez a visita de um “nem tão jovem” estranho tenha alegrado um pouco aqueles momentos e a feito lembrar de seus filhos. Até por isso talvez ela tenha querido ser tão gentil e generosa. Saí perto de 8h30. Antes de começar a caminhada visitei a Igreja do Bonfim, simples, antiga e bonita. Encontrei o rio próximo na maré vazante, mas ainda bem cheio. Fiz um teste de travessia sem a mochila e consegui passar com água quase no pescoço. Fui então com a mochila na cabeça, tateando o chão com os pés e consegui passar sem molhar a mochila. Achei as praias do percurso muito extensas e bonitas. A foto de uma delas está a seguir. Começou a aparecer uma bolha no local do pé que eu havia cavocado e que tinha ficado com a carne exposta. Cheguei perto de 13h, pois a próxima parada era distante e achei que não valia a pena continuar. A Pousada Litoral, da proprietária Nete, aparentemente não quis me hospedar, provavelmente pela minha aparência de andarilho. Sua conhecida da Associação de Artesãos havia ligado para ela e ela disse que havia vaga a R$ 50,00 a diária. Mas quando cheguei lá, notei a cara de espanto da funcionária ao me ver, que disse que ela não estava, depois disse que não estava conseguindo falar com ela e por fim, o homem que estava na área da entrada subiu até onde ela estava e voltou dizendo que não estavam hospedando ninguém porque estavam em reforma. Propus-me a mostrar meus documentos, mas eles repetiram que estavam em reforma e eu me fui. Fiquei na Pousada Destaque (https://www.facebook.com/pousadadestaquebaixio) de Paulo, pagando R$ 60,00 com cartão de débito em quarto privado, sem direito a café da manhã. Depois de me acomodar saí para dar um passeio nas imediações, conheci a Associação dos Artesãos e fui andar na praia. Entrei levemente no mar, que estava muito bravo e depois nadei numa lagoa próxima. Vi o pôr do sol a partir da barra do rio que ficava após a cidade. Comprei chuchu e pepino por R$ 1,41 com cartão de crédito. Paulo deixou-me usar a cozinha e eu cozinhei espaguete e jantei com os legumes comprados. Conversei com ele sobre seu antigo trabalho de motorista de carreta, suas atividades atuais como mecânico e outras. Ele tinha 70 anos e estava aposentado há 22, mas achei que aparentava bem menos, com sua enorme vitalidade. Na 6.a feira 02/08 Paulo ofereceu-me café da manhã sem estar na diária. Perguntei-lhe se não iria dar prejuízo, mas ele fez questão. Comi ovo frito e cuscuz. Ele me ofereceu também pães e leite, mas eu procurei não abusar e fiquei só nos dois primeiros. Conversamos sobre minha viagem e ele falou das dificuldades com os rios e as travessias que eu iria encontrar à frente. Comprei pães por R$ 2,80 em dinheiro para complementar o café e usar ao longo do dia. Comecei a caminhada e logo de saída era necessário atravessar a barra do rio. Um morador local e pescadores orientaram-me sobre por onde ir. Fiz o teste sem a mochila, mas achei que não conseguiria, pois a água parecia que iria me encobrir, além da correnteza que poderia me desequilibrar. Voltei para margem no momento em que por coincidência chegavam pescadores que iriam atravessar o rio. Eles me deram carona em seu barco e me deixaram do outro lado, onde ficariam. Conversei com o filho de um deles de 13 anos, que parecia meio desmotivado com a escola, mas gostava de pescar. O pai desejava que ele estudasse. As praias do caminho eram longas e desertas e me pareceram belas. Quando cheguei na Barra do Itariri gritei para pessoas do outro lado para perguntar como atravessaria. Elas foram chamar o dono de um estabelecimento que me orientou onde eram os melhores pontos. Fiz teste sem a mochila por onde ele indicou, peguei bancos de areia e consegui, mas machuquei levemente minha perna numa pedra. Depois, com a mochila, consegui pegar um caminho um pouco melhor, sem pedras, e a travessia foi mais fácil. Parecia haver areia movediça no fundo em alguns trechos. Ao longo do dia tomei 2 banhos de mar, que continuava bravo. No segundo banho, com a maré subindo, o mar derrubou-me novamente, com a força das ondas e as correntezas sem direção definida. Peguei um coco na praia, que tinha água e um pouco de massa. Cheguei a Sítio do Conde perto de 16h. Fiquei na Pousada Santa Maria (https://www.cylex.com.br/conde/pousada-santa-maria-11111375.html) por R$ 30,00 em dinheiro, da proprietária Dulce e sua filha Márcia. O filho de Dulce tinha algum problema de deficiência mental e me perguntou repetidamente se eu era da Polícia Federal ou da Receita Federal ou da CIA. Tentei ainda sacar dinheiro num correspondente bancário do Bradesco indicado por Márcia, mas já havia fechado. Dei um passeio pela pracinha para conhecê-la. Jantei acarajé na mão por R$ 4,00 com cartão de crédito e 3 pães doces por R$ 1,00 em dinheiro. Quando fui entrar a porta estava trancada com um trinco por dentro e minha chave de nada adiantava. A atendente do restaurante foi chamar Dulce batendo em sua janela. Ela veio abrir a porta para mim e disse que pensou que eu já estava no quarto e por isso fechou o trinco. No sábado 03/08 logo cedo comprei pães para servir de café da manhã e peguei um táxi lotação para Conde para sacar dinheiro. Encontrei Márcia e possivelmente a atendente do restaurante anexo à pousada onde eu havia comido os pães na noite anterior, que estavam no ponto de ida também. Aproveitei que lá estava e fui à feira, comprei cerca de 2 kg de tomates por R$ 2,00 em dinheiro. Passeei pela praça e vi a igreja por fora. Peguei táxi lotação de volta, pagando R$ 8,00 em dinheiro por ida e volta. Comprei mais pães para levar para a viagem, somando R$ 5,00 em dinheiro com os comprados logo pela manhã. Deixei chave e papel higiênico com atendente do restaurante, pois Dulce não estava. Saí perto de 9h, mas parei logo a seguir para esperar uma pancada de chuva parar, abrigado numa barraca de praia que estava sem atendimento. Achei as praias bonitas e longas. Tomei vários banhos de mar e 1 banho de rio. Quando cheguei à Barra do Siribinha, um turista carioca, que havia contratado um barqueiro, estava saindo para uma sessão de fotos e depois ir pegar seu carro. Ele concordou em me atravessar e não quis que eu pagasse. O banho de rio foi depois da travessia e a água estava deliciosa e calma para nadar, mas o fundo parecia movediço. Cheguei na Costa Azul perto de 15h30. Era um local isolado, com casas de veranistas, em que as pessoas locais pareciam não estar acostumadas nem confortáveis com pessoas de fora. Geraldo, dono da única pousada aberta, tinha saído para o Conde e eu precisava falar com ele para negociar o preço, que era de R$ 120,00 a diária com café da manhã. Um cachorro seguiu-me até lá. Falei com Reginaldo da barraca, que se dispôs a me ajudar, mas achou problemático eu dormir no banheiro da barraca, pois os clientes poderiam se assustar. Conheci Gílson na praia, que me deu informações sobre a área e outras possíveis pousadas. Ele cuidou da minha mochila enquanto eu nadava e depois me falou que ficou surpreso em como fui longe naquele mar bravo, que novamente me derrubou na saída . Procurei pelas pousadas de que ele falou, mas nenhuma estava funcionando além da que eu já conhecia. Quando saí da Pousada Costa Azul e Geraldo ainda não havia chegado, Gílson convidou-me para ficar em um quarto de hóspedes na sua casa, sem pagar. Não queria abusar da hospitalidade e lhe disse que iria esperar Geraldo mais um pouco. Como ele não chegou e já estava começando a escurecer, resolvi aceitar o convite de Gílson. Informei Reginaldo e o hóspede soteropolitano da Pousada Costa Azul que tinha tentado me ajudar. Fiquei bem hospedado, num quarto nos fundos no 1.o andar com cama, colchão e banheiro anexo no térreo 🙏. Ele ainda me deu água potável. Ofereceu-me suco de goiaba, que experimentei e me emprestou um prato e uma faca para eu jantar sanduíches. Eu comprei pães por R$ 3,00 em dinheiro e juntei com os tomates. Assistimos televisão juntos e conversamos sobre a vida. Ele estava cuidando de alguns problemas de saúde. Sua mulher e parte da sua família moravam em Rio Real. Mostrou-me várias camisas de eventos de que tinha participado. Falou-me de uma baleia jubarte que havia encalhado e de como procederam. O céu noturno estrelado, com a pouca luminosidade do local, pareceu-me lindo. No domingo 04/08 apreciei a paisagem pouco após o nascer do sol, que me pareceu muito bonita vista do 1.o andar. Tomei café da manhã junto com Gílson com sanduíches de pães e tomates. Continuamos conversando sobre vários assuntos. Ao despedir-me ofereci pagar o que estava pagando nas pousadas mais baratas anteriores, mas Gílson não aceitou. Agradeci e parti. Não havia pães para vender, então não pude levá-los para comer ao longo do dia. As praias eram bem longas e retas, e as achei bonitas. Tomei 2 banhos de mar e achei o mar mais calmo em alguns trechos com maré baixa. Uma caminhonete passou correndo do meu lado e me assustou, pois eu só percebi quando ela estava quase a meu lado. Parei no Povoado do Coqueiro, pois sabia que Mangue Seco, logo à frente, provavelmente não teria opções baratas de hospedagem. Pareceu-me que as pessoas dali estavam bem mais acostumadas a viajantes e estranhos. O andarilho Fernando, meu xará, perguntou-me se eu era homem ou mulher. Respondi que era homem, mas tinha virado monge, porém não tinha qualquer tipo de discriminação contra homossexuais. Ele disse que também fazia caminhadas como andarilho e me ofereceu uma blusa de frio, que agradeci mas recusei, pois já tinha uma. Aurora, dona de restaurante e pousada, disse que estava com acomodações ocupadas, mas me ofereceu rede, galpão e banheiro para passar a noite. Ela recordou que seu filho havia ido ao Rio de Janeiro e tinha sido ajudado quando precisou. Eu agradeci, mas fui tentar achar uma pousada. E encontrei. Fiquei na Pousada do Mássimo, o gringo, um italiano de Milão que estava no Brasil há mais de 30 anos. Após ouvir a história da minha caminhada, ele me perguntou quanto eu estava disposto a pagar e eu não respondi, só mencionei quanto tinha pago nas paradas anteriores. Então ele me propôs R$ 30,00 em dinheiro a diária sem café da manhã e eu aceitei. Paguei em dinheiro. Ele me atendeu muito bem. Fui passear na praia e tomei mais um banho de mar. Achei belo o ambiente rural com gado, galinhas, árvores, vegetação, cabras, o caminho etc existente no povoado. Depois fui ao Rio Real, que era divisa entre Bahia e Sergipe. Achei muito bonito o mangue exposto (seco) com maré baixa visto a partir do trapiche sobre o mangue que ia até o rio. A vista a partir do calçadão e do local de embarque também agradou-me, principalmente do rio. Vi o pôr do sol a partir do rio. Começou a chover e eu me abriguei embaixo de uma árvore. Comprei pães por R$ 3,00 em dinheiro. Jantei sanduíches de tomate e pães doces, sendo que achei o pão de coco delicioso . Apareceram mais bolhas no pé direito. Ainda assisti o fim do jogo do campeonato brasileiro. Mássimo foi dormir cedo porque no dia seguinte iria pegar o barco às 4h ou 5h para ir à cidade buscar seu tablet. Dormi mal por causa dos pernilongos, sendo que esqueci de pedir um ventilador para espantá-los. Na segunda-feira 05/08 tomei café da manhã com 8 pães que comprei por R$ 2,00 em dinheiro. Como Mássimo havia saído cedo, deixei tudo como ele tinha pedido e fui embora. Houve chuva rápida na trilha para a praia e eu me escondi embaixo de um coqueiro. O percurso até Mangue Seco era curto. Achei a praia bonita, principalmente as dunas. Passei por pequenas áreas com água rasa e no final atravessei um canal com água pela cintura. Peguei um pouco de chuva quando dava volta no mangue e me abriguei nos arbustos. Achei bonitas as vistas de Sergipe e da foz do Rio Real a partir da curva de Mangue Seco e de cima das dunas. Também gostei da vista dos canais internos do rio e das praias a partir do alto das dunas. Uma foto destas áreas pode ser vista a seguir. Depois de chegar no povoado, apreciar a vista das dunas e a partir delas, tentei conseguir transporte para a Praia do Saco, do outro lado do rio em Sergipe, com frete de retorno de algum barco. Um grupo concordou, mas acabei indo com outro que voltaria antes, com o barqueiro Merreco e 2 paulistanas. Paguei R$ 20,00 em dinheiro pela travessia. Quando falava com o barqueiro do primeiro grupo, vimos botos 🐬 nadando perto da praia. O cruzamento foi com a maré subindo e o mar um pouco agitado, com a lancha batendo nas ondas. Foi desconfortável para mim, que estava no primeiro banco, bati várias vezes a costela e a dor, que estava quase desaparecendo, voltou . Depois de chegar na Praia do Saco, tentei achar uma hospedagem barata, mas não consegui. Peguei então a estrada pelo meio da vegetação de restinga, pois havia um trecho sem praia. Achei muito bela a vegetação e espetaculares as dunas. Num dado momento, saí da estrada e subi em algumas dunas altas para ter uma vista global. Gostei bastante da vista da costa e do rio. Mais para frente consegui voltar para a praia e segui em frente. Tomei um banho de mar, que parecia muito calmo, porém com uma coloração escura, que pensei que poderia ser poluição, mas que provavelmente era devido aos sedimentos, aumentados por causa das chuvas. Ocorreu nova chuva e fiquei abrigado atrás de um coqueiro. Cheguei até a Praia do Abaís, mas não consegui hospedagem barata lá. Comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro e comi como lanche. Resolvi então pegar o último ônibus (18h) até Estância por R$ 7,00 em dinheiro e me hospedar lá. O motorista tinha morado em SP e trabalhado como carreteiro em vários estados e países além de ter sido motorista da Viação Cometa em SP, Rio e Curitiba. Deu-me orientações de em que pousada ficar e como chegar lá. Fiquei na Pousada XPTO (https://www.tripadvisor.com.br/Restaurant_Review-g2344226-d8171017-Reviews-Restaurante_E_Hotel_Xpto-Estancia_State_of_Sergipe.html) por R$ 40,00 com cartão de crédito. Eles também trabalhavam com mecânica de bugues e pude ver algumas carcaças. Comprei pães e vegetais (limão, pepino, banana) por R$ 3,68 com cartão de crédito, juntei com tomates que ainda tinha e jantei sanduíches. As bolhas no pé direito tinham aumentado. Na 3.a feira 06/08 após pagar a diária fui comprar o café da manhã na Padaria Esquina do Pão com pães e queijadas por R$ 4,50 em dinheiro. Adorei a queijada, que era de coco e me lembrou as queijadinhas que comia na infância na Praia Grande em SP. Acrescido de pepino e banana comi os pães como sanduíches na mini rodoviária. Peguei o ônibus para a Praia do Abaís por R$ 7,00 em dinheiro, para continuar do ponto de onde havia parado. Comecei a caminhar cerca de 10h20. Achei as praias extensas e bonitas, em grande parte desertas. A água era escura, cor de terra, e me deixou confuso, pois quando a água é escura em SP eu sempre desconfio de poluição. Mas me explicaram que não era o caso e que eram sedimentos, acentuados pelas chuvas. O mar parecia mais calmo do que no norte na Bahia, mas eu não tomei banho de mar. Alguns bodes começaram a me seguir, mas eu procurei me esquivar, pois se eles se perdessem ou fossem para áreas urbanas achei que poderiam ser mortos ou sofrer algum problema. Cheguei à Praia de Caueira perto de 13h30. Aí era necessário pegar a estrada e passar pela ponte, pois havia o Rio Vaza-Barris, que era enorme e não havia como atravessar pela praia. Achei bonitas as paisagens rurais e a vegetação. Segue uma foto do caminho. Houve chuva em algumas ocasiões e eu me abriguei sob arbustos em duas delas. Encontrei homem com uma bicicleta e vários itens de uma casa, parado no acostamento e abrigado da chuva sob uma lona. Logo à frente, após a chuva parar, ele me passou. Vi araras e 2 arco-íris 🌈 no caminho. A bolha do pé em que havia entrado o estrepe, que eu havia desbastado, incomodou-me bastante , tanto que reduzi minha velocidade, principalmente após pegar a estrada. Achei espetacular a vista a partir da ponte, que cruzei já perto de 17 horas. Decidi então tomar um ônibus para a Praia do Atalaia. Um homem e um policial indicaram-me onde deveria pegá-lo. Para minha sorte vinha vindo um ônibus e mais alguns aparentes trabalhadores rurais ou de construção iriam pegar. Eles deram sinal mesmo fora do ponto e o motorista parou. Paguei R$ 4,00 em dinheiro pela passagem. A cobradora ajudou-me a saber onde descer. Após pesquisar alguns hostels, que me deram informações sobre localização de concorrentes, fiquei no Aracaju Hostel (https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g303638-d15584411-Reviews-Aracaju_Hostel-Aracaju_State_of_Sergipe.html), por R$ 35,00 a diária paga com cartão de crédito, sem café da manhã. Comprei legumes e frutas por R$ 4,62 e pães por R$ 4,22 com cartão de crédito e jantei sanduíches. Houve bastante chuva à noite quando eu já estava abrigado. Decidi estourar as bolhas do pé à noite, o que acho que deveria ter feito antes. Para as atrações de Aracaju veja http://visitearacaju.com.br/leitura/20, http://www.conhecasergipe.com.br/aracaju_pontos_turisticos.asp e https://www.feriasbrasil.com.br/se/aracaju/oqueverefazer.cfm. Os pontos de que mais gostei foram as construções e monumentos históricos e folclóricos, o estádio, os faróis, os parques, as praias, os rios e as histórias do Zé do Peixe e de Marcelo Deda. Na 4.a feira 07/08 tomei café da manhã com sanduíches. Choveu bastante de manhã. Fui conhecer a cidade. Peguei mapa gratuito em agência de turismo. Comecei caminhando pela orla e conhecendo suas atrações. Encontrei uma capivara numa pequena vegetação perto da praia. Visitei monumentos, áreas naturais, igrejas, museus, casas de cultura e arte, centros de artesanato, mercados regionais, Estádio Batistão, memoriais, mirante, faróis, Passarela do Caranguejo, Museu da Gente Sergipana (estava fechado e só vi os painéis de fora), Largo da Gente Sergipana e Espaço Zé do Peixe (já estava fechado, mas a atendente deixou-me visitar ao ver meu interesse). Gostei muito de conhecer a história de Zé do Peixe (https://pt.wikipedia.org/wiki/Z%C3%A9_Peixe) 💙, que me pareceu um exemplo típico de brasileiro simples e generoso, que tinha habilidades destacadas e especiais. Participei de visita monitorada no Palácio Museu Olímpio Campos, antigo palácio do governo. Seguem fotos do Largo da Gente Sergipana. Almocei acarajé por R$ 5,00 em dinheiro. Passei pelo Projeto TAMAR mas não fiz a visita, pois era semelhante ao da Praia do Forte e eu já estava satisfeito com ele. Choveu levemente no fim da tarde. Voltei a pé pela avenida lateral ao mangue. Comprei leite e laranja por R$ 3,83 num supermercado no caminho de volta e pão, queijo coalho e tomate no mercado próximo do hostel por R$ 10,00, ambos com cartão de crédito. Jantei sanduíches de pão, queijo coalho, tomate e mamão, com laranja de sobremesa. Chegou ao hostel um grupo de pessoas de uma empresa terceirizada da Petrobras para monitoramento ambiental de encalhe de animais nas praias do norte da Bahia ao sul de Alagoas. Eles me deram bastante informações sobre as próximas etapas, a maior parte delas bastante precisas e úteis, que me ajudaram bastante. Carlinhos, que havia sido da equipe de operações especiais das Forças Armadas e era responsável pela área do sul de Alagoas, disse-me que em Alagoas minha caminhada iria ficar mais difícil e perigosa. Na 5.a feira 08/08 tomei café da manhã com sanduíches de pão, queijo coalho, tomate, mamão e laranja. Conversei com mulher de 70 anos que saiu do Rio por causa da violência, mudou para Cabo Frio e agora, pela mesma razão, estava mudando para Aracaju. Ela caçoou de mim que estava preocupada, pois todas as vezes que me via eu estava comendo (o café da manhã ou jantar). Fui inicialmente visitar o Farol Cotinguiba e os Parques do Cajueiro e Sementeira. O farol era grande, mas estava pichado. Porém mesmo assim achei-o interessante. O Parque do Cajueiro era pequeno, mas gostei de sua área verde e da vista do rio que o margeava. Um guarda da polícia ambiental veio falar comigo sobre eu estar com calção de banho no parque, que algum pai com criança poderia reclamar e que não era adequado naquele ambiente. Disse-me também para tomar cuidado à noite naquele local. Eu estava de calção de banho porque pretendia ir à praia depois. Gostei do Parque da Sementeira, com sua ampla área, trilhas, lago e seus vários ambientes. Achei interessante o plantio das várias sementes para o futuro por várias pessoas de vários perfis diferentes. Gostei também das homenagens a Marcelo Deda ☝️, cuja história não conhecia bem. Quando saí de lá, dei sinal para 3 ônibus e nenhum parou para mim (tentei mudar a aparência com a camisa dentro e fora do calção, encobrindo-o). Até perguntei para a recepcionista de uma empresa próxima se era por causa da minha aparência com calção de banho, mas ela respondeu que não, que deveria ser alguma coincidência. Decidi ir andando então até o terminal para pegar um ônibus até a praia mais distante, perto do rio, onde 2 dias antes eu havia pego o ônibus para chegar na Praia do Atalaia. No caminho, num ponto mais movimentado havia uma moça esperando o mesmo ônibus que eu pretendia pegar para chegar ao terminal. Aí decidi esperar com ela e o ônibus parou para o sinal dela. Ela ofereceu-se para pagar a minha passagem e antes que eu agradecesse e recusasse, passou o cartão para mim. Fiz baldeação no terminal e pedi para o motorista me deixar no ponto mais distante da praia pelo qual ele iria passar. Deixou-me na Praia do Mosqueiro. De lá fui até a Foz do Rio Vaza-Barris e vi a ponte que eu havia atravessado, numa bela imagem. Havia um farol perto da foz e foi possível ver caranguejos e peixes. Tomei um banho na junção do rio com o mar, num local bem manso, e comecei a caminhar de volta pela praia. Demorei cerca de 3h30 da foz até a Praia do Atalaia. A praia era bem comprida e a água continuava escura, mas mesmo assim tomei banho de mar. Cheguei perto do pôr do sol e um manauara que lá morava, indicou-me o ponto de saída para chegar na rua que levava ao hostel. Comi acarajé num ponto que o vendia lá perto por R$ 5,00 em dinheiro e depois comprei pão, queijo coalho e banana por R$ 8,44 com cartão de crédito. Jantei sanduíches de pão, queijo, tomate, banana e mamão. Havia chegado um pernambucano chamado João, que iria embora de madrugada. Boa parte do pessoal do monitoramento ambiental já havia ido embora, só tendo ficado Carlinhos e outro rapaz da Bahia, que eram dos pontos mais distantes. Com isso alguns detalhes dos trechos futuros eu acabei perdendo. Não houve chuva neste dia. Na 6.a feira 09/08 tomei café com sanduíches, leite, mamão e bananas. Levei 3 sanduíches e 1 banana para almoçar no caminho. Saí pouco antes das 8h. Fui beirando a costa. Passei em trechos com barro, que sujou os pés, grudou no chinelo e dificultou a caminhada. Mas logo consegui limpá-lo em poças de água de chuva. Vi trechos da cidade que não havia visto antes, como parte da orla após a área turística. Vi chuva forte à minha frente e moderada atrás, mas não houve chuva em cima de mim ao longo do dia. Levei um susto quando repentinamente um homem saiu de dentro do mangue no momento em que eu iria tirar uma foto da ponte sobre o Rio Sergipe, mas aparentemente foi indevido, pois não houve nenhuma abordagem. Passei pela mini orla do Bairro Industrial e peguei a ponte. Uma foto da ponte segue. Achei muito boa a vista a partir da ponte. Uma parte dela, referente à parte da cidade de Aracaju está a seguir. Após cruzar a ponte e caminhar pela estrada, cheguei na Praia da Costa em Barra dos Coqueiros cerca de 12h30. Havia uma estátua de um caranguejo próximo à entrada da praia, parecida com a da Passarela do Caranguejo em Aracaju. Achei a praia longa e bonita. A água do mar continuava escura, parecendo barrenta. Tomei um banho de mar. Havia várias plataformas de petróleo ao longo do caminho. Vi também uma revoada de garças. Passei pelo Porto de Sergipe e por geradores de energia eólica. Pretendia ir até Pirambu, mas como atrasei muito em Aracaju, no barro e observando pontos que não havia visto, decidi parar em Jatobá, pois já estava indo para o fim da tarde. Enquanto procurava local para ficar, o zíper principal da mochila quebrou. Fiquei na Pousada das Mangabeiras (http://www.findglocal.com/BR/Barra-dos-Coqueiros/768962416519459/Recanto-das-Mangabeiras) pagando R$ 50,00 em dinheiro por quarto com banheiro sem café da manhã. Choveu um pouco à noite. Comprei pães por R$ 3,00 com cartão de débito e bananas por R$ 2,50 em dinheiro e fiz sanduíches com eles para o jantar. No sábado 10/08 houve chuva pela manhã. A dona da pousada ofereceu-me uma xícara de café com leite e um pão com margarina como cortesia, que aceitei. Saí então para comprar pães e vegetais para reforço do café da manhã e para o almoço. Paguei R$ 2,00 pelos pães com cartão de débito e R$ 1,70 por tomates e limões em dinheiro. Ao invés de fazer todo o caminho de volta pela rodovia para a praia, peguei uma estrada de terra que passava por dentro de um sítio. O dono, que estava trabalhando na beira da rodovia com uma foice, permitiu-me, dizendo que era local de passagem usado pelos moradores locais. Achei a estrada bonita, com lagos, vegetação e pássaros. No caminho encontrei um pai com seus 2 filhos a cavalo 🐎. Após chegar na praia rumei para Pirambu. Foi interessante ver vacas 🐄 pastando com o porto à frente e os geradores eólicos ao fundo. Pareceu-me um retrato da enorme diversidade do Brasil, nos mais variados sentidos. Achei a praia bonita, longa e reta. O mar pareceu-me bravo, mas não tanto quanto no norte da Bahia. Também já não era tão escuro. Comecei a caminhar perto de 9h30, cheguei na ponte do porto, por onde havia passado no dia anterior perto de 10h30 e em Pirambu perto de 13h30. Achei bonita a foz do rio que margeava a cidade e bonita a vista da cidade a partir da ponte. Antes de pegar a ponte passei na Comunidade Quilombola Porto da Barra. Depois de chegar na cidade de Pirambu visitei a Igreja Nossa Senhora de Lourdes, que também achei bela, incluindo uma estátua na praça. A cidade era típica do interior, com bode na rua. Agora, do outro lado do rio, a vista da foz pareceu-me muito bonita, com lagos, conforme fotos a seguir. Fiquei na Pousada Praia Bela (https://www.facebook.com/pages/Pousada-Praia-Bela/183709241981804) pagando R$ 50,00 em dinheiro por quarto com banheiro. Comprei pães por R$ 4,00 com cartão de débito, e tomate e pepino por R$ 4,00 em dinheiro. Na padaria a máquina de cartões disse que a senha do meu cartão de crédito estava bloqueada, o que me deu um susto, mas se revelou falso na compra seguinte. Comprei também limões por R$ 1,02 pagos com cartão de crédito. Depois fui dar um passeio na praia e na foz do rio. Como o tempo estava com ameaça de chuva, que mais tarde veio, apareceram 2 arco-íris 🌈 muito bonitos sobre o mar. Achei o pôr do sol muito bonito com todo este cenário ao redor. Tomei 2 banhos de mar ao longo do dia. Dois jogos de futebol de praia pararam para eu passar andando. Quando percebi, fiquei um pouco constrangido, fui em direção ao mar e disse que podiam continuar. A sede do projeto TAMAR para visitantes estava fechada, pois havia sido transferida para Aracaju. Consertei a mochila com corda de pesca pega na praia e linha que o dono da pousada me deu. Jantei sanduíches com o que havia comprado. No domingo 11/08 tomei café da manhã com sanduíches e preparei sanduíches para o almoço. Houve muita chuva de manhã. Saí por volta de 8h30 da manhã. Passei pela sede do Projeto TAMAR e confirmei que estava fechada. Vi uma possível plataforma de petróleo no mar. Pouco depois de iniciar a caminhada começou uma chuva de moderada intensidade 🌧️. Usei a capa de chuva pela 1.a vez na viagem para proteger a mochila e a mim. Depois de algum tempo a chuva passou e eu e a mochila estávamos razoavelmente secos. A maior parte do caminho foi pela praia da Reserva Biológica Santa Isabel. Achei muito bonita a paisagem da praia e da vegetação. Passei pela Lagoa Redonda, que achei muito bela. Seguem fotos dela. Encontrei uma família logo depois olhando uma possível água-viva ou similar, diferente das a que eu estava acostumado. O filho estava perguntando se dava choque. O pai logo a seguir pegou um siri 🦀 do chão para lhe mostrar e depois jogou no mar. Depois da Lagoa Redonda não encontrei quase mais ninguém. Ao longo do caminho foi possível ver aves, peixes, siris, várias lagoas e uma ampla área preservada com dunas e vegetação. Tomei 3 banhos de mar. O mar era bravo, verde em vários tons. Quando cheguei ao fim da praia, havia uma área elevada que permitia a vista da praia e da barra do rio, de que gostei muito. Uma foto do local segue. Havia árvores com garças lá. Não achei local para pernoitar na Boca da Barra. Fui perguntando e ninguém alugava quarto nem conhecia pousadas próximas abertas. Fui andando até Ponta dos Mangues e me indicaram o Tinha, que alugava quartos. Ele não estava e fui tentar outras opções enquanto esperava que ele voltasse. Não consegui nenhuma, voltei até a casa dele onde ele já havia chegado e lá fiquei por R$ 30,00 em dinheiro, num quarto privativo da casa dele com banheiro dentro. Ele me permitiu usar a cozinha e eu comprei espaguete por R$ 2,50 em dinheiro e cozinhei para o jantar com o resto dos legumes que possuía. Conversei com o Tinha sobre o povoado, a vida lá no presente e passado, e informações sobre a próxima etapa da viagem. Ele contou que o asfalto havia chegado em 1996 e logo depois chegou a água encanada e a energia elétrica, o que mudou muito a vida deles. Contou que os partos antes eram feitos por parteiras que iam às casas e quando era à noite usavam lampiões durante o procedimento. Houve muita chuva à noite. Na 2.a feira 12/08 comprei pães por R$ 3,00 em dinheiro e tomei o café da manhã com sanduíches. Houve muita chuva ao amanhecer. Tinha falou-me que não dava para ir pela praia porque havia estourado uma barra no mangue (costinha), segundo seu irmão. Pouco depois seu irmão estava passando pela rua a cavalo e ele o indicou para mim. Fui até ele e ele confirmou. Despedi-me do Tinha e fui ao porto para confirmar uma última vez a informação e decidir se iria pela estrada ou arriscaria ir pela praia. No porto os barqueiros confirmaram e então decidi ir pela estrada rural, que passava pelo pantanal de Sergipe, que achei muito belo, onde havia pássaros (acho que até alguns tuiuiús), área de mata, pequenos povoados e propriedades rurais simples. Uma foto pode ser vista a seguir. Na estrada senti cheiro de flores, havia muitas poças de água por causa da chuva e gado em áreas alagadas das propriedades rurais. Saí perto de 8h e cheguei perto de 13h em Saramém. Edileusa, professora ou diretora da escola, permitiu-me ficar numa casa que ela alugava, mas que estava sem móveis dentro, nem cama tinha, e não quis cobrar nada 🙏. Ela me emprestou uma esteira para eu poder dormir em cima. Comprei legumes (chuchu, pepino, tomate, cebola, cenoura e limão) por R$ 4,25 e encomendei pães para a noite por R$ 5,00 na Mercearia da Jane, ambos pagos em dinheiro. Fui conhecer o porto e parte da orla do Rio São Francisco. Achei linda a vista da foz. Os habitantes locais orientaram-me sobre o caminho a seguir. Encontrei homem que criava camarões perto do fim da estrada pública e conversamos sobre a vida ali e o trabalho deles. Tomei banho no rio e achei a correnteza forte. À noite dormi na esteira no chão, em que tive dificuldade de achar uma posição confortável. Houve muitos mosquitos, posto que não havia ventilador. Provavelmente um cachorro arranhou fortemente a porta da casa durante a noite. O barulho e as músicas cessaram às 22h. Na 3.a feira 13/08 comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro e tomei café da manhã com sanduíches. Arrumei a casa e devolvi a esteira e tudo mais para Edileusa que não quis aceitar pagamento nenhum. Ela me ofereceu lanche com batatas-doces cozidas, mas eu educadamente recusei. Fui então procurar uma forma de atravessar o Rio São Francisco. No dia anterior tinham-me dito que as vendedoras de cocada atravessavam o rio todas as manhãs e que eu poderia ir com elas. Mas antes apareceram algumas mulheres que iriam vender artesanato do outro lado e eu fui com uma delas e seu marido. Achei linda a foz do Rio São Francisco, vista do meio do rio. Dava também para ver o farol e o Povoado Cabeço, que o mar e o rio engoliram. O farol já estava bem rio adentro. O povoado tinha sido abandonado. Ainda bem que eu não fiz a caminhada pela praia no dia anterior, porque além da barra de mangue que havia estourado, eu não teria conseguido passar por ali. Paguei R$ 8,00 em dinheiro pela travessia, que era pouco mais da metade do que as vendedoras pagavam por ida e volta (R$ 15,00). Do outro lado da margem, já em Alagoas, achei a área linda, com coqueiros e lagoas. Seguem fotos de lá. Algumas pessoas esperavam turistas que viriam de barco para uma feira de artesanato. Houve uma chuva rápida e eu me abriguei num coqueiro. Depois caminhei em direção a Pontal do Peba. Achei lindo o trajeto pela praia, com dunas enormes em sequência, algumas somente de areia e outras com um pouco de vegetação. Encontrei uma tartaruga morta 🐢. Tomei banhos de mar. A água estava com aspecto verde-claro. Fiquei na Pousada O Samburá, de Dona Francisca, pagando R$ 60,00 em dinheiro por um quarto com banheiro interno e sem café da manhã. Assim que cheguei avisei Carlinhos, do monitoramento de animais, sobre a tartaruga morta, enviando-lhe a foto. Ele me falou para ir até a 1.a barraca da praia (Barraca Pôr do Sol) e encontrar Wellington quando estivesse chegando, mas eu respondi que já havia passado por lá e já estava instalado. De qualquer modo, perto do fim do dia passei por lá, não encontrei Wellington, mas deixei o recado com a barraca vizinha. Aproveitando que ainda era cedo, fui dar um passeio pelas dunas. Achei-o magnífico. Atravessei uma área na praia onde havia animais de criação e subi em uma delas. Depois andei por várias outras apreciando a paisagem do mar, da praia, de lagoas, das outras dunas, dos rebanhos bovino e caprino e do outro lado, em que havia uma plantação de coqueiros 🌴, além da vista que ia longe, mostrando bastante daquela região de Alagoas. A areia das dunas pareceu-me dura em vários pontos. Encontrei mais uma tartaruga morta e uma cobra do mar (ou peixe com formato de cobra) morta. Carlinhos disse-me que ali era uma área recordista em mortes de tartarugas marinhas. Comprei pães, queijada e legumes (tomate, cebola e banana) por R$ 9,66 com cartão de crédito para o jantar. Aproveitei e visitei a igreja. Interessante como a faixa de areia na maré baixa transformava-se em uma pista para motos, carros e até ônibus. Ao voltar para a pousada, conversei com o marido da Francisca, que estava insatisfeito com o Ibama e responsabilizava o povo pelas mudanças naturais que vinham ocorrendo. Jantei sanduíches. Na 4.a feira 14/08 tomei um banho de mar loga após acordar, pois a entrada da pousada era pela areia da praia. Tomei café da manhã com sanduíches. Comprei pães por R$ 2,00 com cartão de crédito. Parti rumo a Coruripe. Achei as praias muito bonitas, com muitos coqueiros. Tomei banho de mar. Havia várias pessoas pegando massunins (mariscos, moluscos) na beira do mar para comer. Houve chuva breve em alguns períodos pela manhã. A partir das 13h30 houve chuva contínua 🌧️, que engrossou em alguns momentos, o que se acentuou pelo vento. Num primeiro momento abriguei-me numa cabana de palha por algum tempo. Depois fui pela estrada a partir de Miai de Cima, porque várias pessoas locais, pescadores e moradores, disseram-me para não passar no mangue em Barreiras, pois havia um núcleo de tráfico de drogas e iriam incomodar-se com um estranho ou me assaltar. Ali havia um rio e eu precisaria cruzar o mangue para chegar à estrada. Achei bela a paisagem rural, tanto no pequeno caminho de terra como na rodovia principal. Havia canaviais e coqueirais intercalados. O mar tinha uma cor verde que achei linda. Achei bonitas as áreas verdes na periferia de Coruripe. A chuva persistiu no começo da noite. Fiquei na Pousada e Motel São João por R$ 30,00 com cartão de crédito, num quarto com banheiro privativo e TV. Comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro, laranja, tomate e batata-doce por R$ 1,21 com cartão de crédito e chuchu por R$ 1,00 em dinheiro para o jantar e café da manhã. Não pude cozinhar espaguete nem batata-doce porque a cozinha estava com roupas estendidas para secar e a responsável me disse que iria passar o cheiro para elas se eu cozinhasse. O atendente da tarde havia mostrado a cozinha para mim, que estava sem as roupas, e dito que eu poderia usá-la sem problemas. Nesta situação acabei jantando sanduíches. Na 5.a feira 15/08 comprei pães regulares e 2 pães de queijo por R$ 3,00 em dinheiro e comi sanduíches no café da manhã acrescidos dos pães de queijo, que achei deliciosos . Saí para ir até o outro lado da barra do rio por onde não havia passado devido ao problema da criminalidade. No caminho visitei Mirante da Imaculada Conceição e sua igreja. Fui até a praia do pontal e caminhei até a barra do rio. Achei a vista muito bela. Pena que não pude andar o trecho completo do outro lado por causa da criminalidade. Havia várias pessoas coletando massunins (mariscos, moluscos) na praia e, quando perguntei, disseram que poderia ir sem problemas até a margem do rio, mas que não era para atravessar devido à criminalidade. Comecei minha caminhada rumo às Dunas de Marapé perto de 10h. Achei as praias muito bonitas, curvas, com mar verde e coqueiros. Segue a foto da Praia de Minha Deusa em Coruripe. Disseram-me que havia possibilidade de cachorros 🐺 bravos soltos em uma casa na praia, mas aparentemente o dono os havia prendido naquele dia. Havia muitas rochas em vários trechos do mar, algumas cobertas com algas. Tomei banho de mar na barra de um rio (acho que era o Rio Poxinzinho). Verifiquei a possibilidade de travessia com a mochila e achei que não dava. Aí vi um casal pegando siris e gritei para eles. Achei que eles não me haviam ouvido e atravessei o rio a nado para conversar com eles. Mas eles me haviam ouvido e o homem já estava vindo em direção à canoa para me atravessar. Atravessei de volta a nado e o homem veio com a canoa atrás. Então atravessei com ele de canoa. Ofereci-lhe pagamento, mas ele não quis. Prossegui a caminhada e cheguei na margem do Rio Jequiá. Continuei achando as paisagens lindas, especialmente a do encontro do rio com o mar. Nadei novamente na foz do rio, que estava muito calmo e delicioso. Um barraqueiro e uma operadora de travessia do rio deram-me informações sobre a área. Pretendia hospedar-me ali, mas os valores eram altos, então resolvi ir até a cidade de Jequiá da Praia, a cerca de 4 km. Fui pela estrada, em que achei belas as paisagens rurais também. Lá fiquei na Pousada Thieta (https://www.facebook.com/pousada.thietadoagreste/timeline?lst=100005659626174%3A100004063516724%3A1570293269), da Rosângela, por R$ 40,00 em dinheiro, num quarto com banheiro e TV. Comprei pães por R$ 3,00, vegetais (tomate, laranja e pepino) por R$ 2,50, mais pães e uma brasileirinha por R$ 2,00, tudo pago em dinheiro. Jantei sanduíches. Na 6.a feira 16/08 comprei pão por R$ 2,00 em dinheiro e comi sanduíches no café da manhã. Saí perto de 8h e comecei minha caminhada. Fui por uma estrada de terra enlameada, devido às chuvas recentes, até a praia. Achei bonitas as paisagens rurais, com pequenas propriedades nas laterais. Lembrou-me o livro e o filme São Bernardo, de Graciliano Ramos. Chegando na praia resolvi voltar até a barra do Rio Jequiá e as Dunas de Marapé, pois não havia passado por este trecho. O responsável pelo receptivo turístico existente no local deixou-me subir no mirante para apreciar a vista. Segue uma foto de lá. Saí rumo à Barra de São Miguel perto de 9h30. Ao longo do dia houve chuva intermitente, com períodos de média intensidade, que parecia mais forte devido ao vento vindo do mar. Achei as paisagens bonitas até a Lagoa Azeda, com vegetação e mar verde. Daí em diante começaram falésias que achei espetaculares. Talvez tenham sido as paisagens de que mais gostei na viagem. Seguem algumas fotos de falésias deste trecho. Fiquei encantando com a diversidade de formas, muitas que a mente podia livremente associar ao que desejasse, com as cores múltiplas nas várias camadas, o tamanho e a extensão das falésias, que se estendiam por quilômetros. Com a chuva, a paisagem ficava ainda mais bela, pois em alguns pontos escorriam sedimentos, tornando a coloração dinâmica e misturada. É como se em alguns trechos fosse um bolo seco e em outros um bolo com calda multicolorida escorrendo. Em alguns pontos havia corredores de entrada e se podia ir ver mais de perto as estruturas das falésias, como se fossem clareiras. Em alguns pontos havia lagoas combinadas com as falésias, o que tornava a paisagem mais bela. Num determinado ponto, a chuva apertou 🌧️ e eu me abriguei num barracão de uma fazenda, na beira da praia, uma aparente construção sendo feita, que ficava num trecho entre duas cadeias de falésias. Abriguei-me por mais de meia hora, admirando a lagoa que ficava a seu lado. Após a chuva amainar, continuei e passei por um trecho em que havia um local elevado nas falésias, em que era possível subir para admirar a vista. Segue a foto de lá. Pouco mais para a frente, já perto da Praia do Gunga, cruzei com muitos quadriciclos com turistas fazendo passeios. Eles vinham pela estrada lateral e eu pela areia da praia, perto do mar. Cheguei à Praia do Gunga perto de 16h30. Achei-a bonita e também bela a vista do outro lado do enorme rio. Tomei um banho de mar em sua foz, pois ao longo do caminho havia muitas pedras no mar e eu não quis entrar. Não fui ao Mirante do Gunga, pois teria que pagar R$ 3,00 e eu já estava muito mais do que satisfeito com as paisagens espetaculares vistas ao longo do dia. Peguei a estrada para ir à Barra de São Miguel, pois o rio era enorme e era necessário pegar a ponte. Achei bonita a paisagem rural e pude ver o pôr do sol a partir da ponte, que me pareceu lindo. Caminhei um pouco no escuro, talvez perto de duas horas. Havia muito movimento na estrada, provavelmente para Maceió. A chuva voltou e apertou. Já bem adiantado, cruzei com algumas moças e lhes perguntei quanto faltava. Uma delas riu e disse que no meu “andandinho” demoraria 1 hora, mas que se acelerasse chegaria em meia hora. Fiquei no Natu’s Hostel (https://www.natushostel.com) por R$ 49,00 com cartão de débito, sem direito a café da manhã. Comprei legumes (tomate, beterraba, chuchu) para o jantar e o café da manhã e bolacha para o café da manhã por R$ 5,59 com cartão de crédito. Quando estava indo para o supermercado, numa rua escura, bati o pé numa estaca e caí. Só machuquei o dedo, pois me protegi da queda. Um carro que passava nem se importou com o ocorrido 😒. Jantei espaguete, batata-doce e legumes, sendo que os 2 primeiros já estavam a um bom tempo comigo, esperando a disponibilidade de um fogão. Conversei com Brasil, o dono do hostel, sobre minha viagem e locais de Alagoas e do Nordeste. Ele era vegano e fazia passeios personalizados exclusivos, por locais fora dos roteiros comuns. O hostel era voltado para preservação da natureza. Havia um cachorro 🐕 salsicha muito amoroso. Eu notei que perdi o pente, provavelmente o tinha esquecido na Pousada em Coruripe. No sábado 17/08 nadei na piscina do hostel logo após acordar. Depois tomei café da manhã com legumes e bolachas. Dei uma volta pelo hostel para conhecê-lo e saí perto de 9h. Comecei indo até a praia de onde se avistava a Praia do Gunga do outro lado do rio. Depois voltei e fui rumo a Maceió. Em vários pontos da caminhada havia trechos em que na maré baixa recifes ou rochas represavam o mar e quebravam a força das ondas, formando piscinas naturais. Achei as praias bonitas, com muita gente em alguns pontos, como na Praia do Francês. Comprei R$ 2,00 em pães para o almoço com dinheiro. Não consegui atravessar a 1.a lagoa andando. Tentei ir pelo mangue, mas na borda vi que não dava. Fui pela pista e pela ponte, da qual achei a vista muito bela. Tentei circundar a orla entre a 1.a e a 2.a lagoas, mas a maré alta impediu a partir de um certo ponto. Então fui pela avenida da orla e peguei a estrada para Maceió. No início o acostamento era na parte central da estrada. Achei interessante a paisagem com vegetação e áreas rurais, apesar do enorme movimento da estrada. Gostei muito da vista a partir da 2.a ponte, já na chegada a Maceió. Na avenida da orla de Maceió estava havendo uma corrida do exército, com muitos participantes e trânsito parcialmente interditado. Havia uma enorme instalação da Braskem na orla. Achei a orla bastante extensa. Fui em direção à Praia de Pajuçara. Lá perto um rapaz localizou pelo celular o hostel em que eu pretendia ficar. Fiquei no Paju Hostel (https://www.facebook.com/pajuhostel-107380930640086) pagando R$ 25,00 em dinheiro por cama em quarto compartilhado, com direito a café da manhã. No quarto estava um capixaba que fazia curso de cozinheiro embarcado, um paulistano que escrevia sobre pontos turísticos pouco conhecidos da cidade de São Paulo e mais um outro. Havia também uma família em outro quarto. Comprei vegetais (pepino, abobrinha, beterraba, chuchu, mandioca e banana) e macarrão por R$ 8,22, e pães por R$ 2,00, ambos com cartão de crédito. Jantei espaguete com legumes. banana e pães doces de sobremesa. Achei o efeito do ar-condicionado do quarto bem forte e a ventilação dele vinha diretamente em cima de mim, que estava na cama alta do beliche. Usei agasalho para dormir. Para as atrações de Maceió veja https://www.tripadvisor.com.br/Attractions-g303216-Activities-Maceio_State_of_Alagoas.html e https://guia.melhoresdestinos.com.br/o-que-fazer-em-maceio-143-1505-p.html. Os pontos de que mais gostei foram as praias, os itens culturais, folclóricos e históricos, os mirantes e a orla. No domingo 18/08 tomei o café da manhã ofertado pelo hostel, que achei excelente pelo preço (macaxeira, cuscuz, tapioca de coco, ovos, pão com margarina e queijo, mamão, melancia, sucos de manga e abacaxi, e iogurte). Saí para passear, peguei mapa turístico gratuitamente no quiosque, visitei Memorial Teotônio Vilela, vi as estátuas (Paulo Gracindo etc) e passei pelas jangadas com suas velas estilizadas com vários temas. Seguem fotos de algumas delas. Seguindo, li e apreciei a história e os desenhos no muro sobre a personagem folclórica Jaraguá, que era um fantasma com caveira de cavalo, protetor da natureza. Em seguida fui andar pelas praias até o extremo sul, onde era o encontro da lagoa com o mar, de onde eu tinha vindo, mas por onde não tinha passado, pois havia pego a estrada. Achei as praias muito boas. Fui tentar visitar a Estação Ecológica da Braskem que havia visto no dia anterior, mas estava fechada. Depois da ponte as praias estavam quase desertas, com uns poucos banhistas e pescadores. Havia uma enorme área da Marinha abandonada. Achei a lagoa muito bonita, agora vista do outro lado. Pude ver o trecho pelo qual havia passado no dia anterior, o ponto antes da 1.a lagoa em que tinha tentado atravessar pelo mangue e as partes em que não tinha podido andar por causa da maré alta. A distância até o outro lado pelo mar era pequena, bem menor do que a que eu tinha andado pela estrada. Tomei um banho delicioso na lagoa, porém afastando-se da margem a correnteza tornava-se forte. Tomei também um banho de mar. Voltei pela praia e já perto da área mais central saí para visitar o Memorial à República, o Museu Antropológico e Folclórico Théo Brandão, capela e praças. O museu tinha muitas imagens e itens e achei bastante interessante ☝️. Ao longo do dia vi as estátuas (leão, sereia e boi) nos diversos pontos da orla. Visitei também a feira e o pavilhão de artesanato. O mar ficava com uma cor verde linda ao entardecer . À noite voltei para dar um passeio na orla e vê-la com iluminação noturna. Jantei espaguete com legumes e banana. Na 2.a feira 19/08 tomei o café da manhã ofertado pelo hostel (cuscuz, pão, margarina, queijo, leite, Nescau, mamão, melancia, sucos de goiaba e outro). A cozinheira estava de folga, então não havia tapioca nem ovo. Fui conhecer o bairro histórico do Jaraguá e o centro. Visitei Museu da Imagem e do Som, Museu do Antigo Palácio de Governo, igrejas, mirantes, praças e monumentos. No bairro do Jaraguá havia várias casas e construções antigas. Na Igreja do Rosário dos Pretos pediram para que eu saísse por causa do calção (que não era de banho), após o atendente da loja ter autorizado a entrada depois de eu pedir várias vezes. Nas outras igrejas deixaram-me entrar sem problemas. Achei interessante a Igreja do Bonfim, com parte de seu formato circular. Achei a vista a partir dos mirantes muito boa, da orla, da costa, da lagoa, da cidade, do estádio e da vegetação mais distante. Passei por murais com história de pessoas famosas nascidas em Alagoas, algumas das quais eu não sabia que eram alagoanas. À tarde caminhei na orla runo ao norte, até o fim da quilometragem marcada para ciclistas e pedestres em Jacarecica (8,2 km). No caminho passei por um farol que com maré alta ficava parcialmente dentro do mar, passei pela Praça Coqueiro Gogó da Ema, que tinha a foto do antigo coqueiro, passei por uma linda lagoa, onde crianças nadavam e mais adiante desviei um pouco para conhecer o Corredor de Artes, que tinha estátuas e esculturas relacionadas a alagoanos, com respectivas explicações. Achei o mar verde e lindo. No fim do caminho tomei um banho de mar. Na orla havia muitos prédios modernos, sofisticados e altos. Na volta esperei o pôr do sol para ver a orla à noite. Gostei da vista das várias partes da orla durante o dia, no pôr do sol e depois de escurecer. Jantei espaguete com legumes, banana e bolacha oferecida pelo hostel como sobremesa. Conversei com André, o capixaba que estava fazendo o curso para ser cozinheiro embarcado, sobre as condições e dificuldades de trabalho embarcado e a diferença de ganho em relação aos cozinheiros regulares de restaurantes. Como 2 hóspedes do hostel haviam ido embora, mudei de cama e o vento do ar-condicionado não vinha mais diretamente em mim, o que tornou a noite mais agradável. Na 3.a feira 20/08 tomei o café da manhã ofertado pelo hostel igual ao do 1.o dia (domingo), substituindo alguns itens por outros. Saí perto de 8h30 depois de me despedir de todos. Fui caminhando pela areia. Quando fui tirar fotos das jangadas ouvi comentários de alguns que lá estavam, talvez jangadeiros ou trabalhadores relacionados à praia, provavelmente invejando a minha vida, achando que era só fumar maconha. Quando tirei o celular da mochila também comentaram e pareceram achar que os andarilhos haviam entrado na era digital 😀. Achei a vista da praia e da orla muito boas. A cor verde do mar parecia linda. Passei por vários rios, todos com a água abaixo da coxa, a maioria na canela, pois a maré estava baixa. Vi várias estátuas no caminho, como a da sereia com golfinho, a de Netuno e a da sereia no recife. Segue uma foto da Praia do Mirante da Sereia. Uma cobra do mar que estava no caminho me deu um bote quando passei perto dela, mas não me atingiu. Perguntei mais tarde a um habitante local e ele me disse que não era venenosa. Havia várias armadilhas para peixes no mar. Quando cheguei a Paripueira, uma catarinense de Bombinhas, que estava acompanhando familiares em um grupo de mais idade, tomou conta da minha mochila enquanto eu tomava um banho de mar. Agnaldo, que estava recolhendo as cadeiras de praia, indicou-me a Pousada Pantanal como a mais barata do local. Aí pesquisei uma outra, mas realmente fiquei lá (https://www.facebook.com/pages/Pousada-Pantanal/712112815506454), por R$ 30,00 em dinheiro num quarto com banheiro e TV, sem café da manhã. Comprei pães, brasileirinha e bolo de milho por R$ 6,50, legumes (tomate, chuchu, berinjela e cenoura) por R$ 2,80, ambos com cartão de crédito, e mamão por R$ 1,00 em dinheiro. Fui até a praia após o entardecer para ver as estrelas e o mar noturno, que achei lindos. Visitei a igreja, que estava em restauração. Perguntei a um homem sobre ida a Barra de Camaragibe e ele me deu instruções. Pouco depois, quando andava numa rua escura lateral à praia, ele parou de moto a meu lado e me deu um susto . Perguntou se lembrava dele e aí eu o reconheci. Ofereceu-me R$ 20,00 para comprar comida durante o trajeto, eu agradeci e recusei. Andei um pouco pela orla e pela areia, mas o lugar estava deserto, sem movimento. Voltei para a pousada e jantei sanduíches, mamão, pães doces e a brasileirinha. Na 4.a feira 21/08 tomei café da manhã com sanduíches e pães doces. Saquei dinheiro do Bradesco e comecei a caminhada perto de 9h15. O dia inteiro foi de sol. Achei as praias belas. A cor da água do mar foi mudando de verde para azul e depois para escura. Encontrei um capoeirista e seu amigo caminhando pela praia. Um cachorro preto latiu para mim e ameaçou atacar-me, mas uma mulher que estava no mar pescando ou coletando seres marinhos, chamou-o aos gritos e ele obedeceu e foi até ela dentro do mar. Cruzei rio raso e depois peguei ponte em Barra de Santo Antônio. Achei a vista a partir da ponte muito bonita. Tomei 2 banhos de mar ao longo do caminho, o primeiro num local quase sem ondas de mar verde. Havia vários trechos com pedras. Havia também vários pontos com armadilhas para peixes no mar. Várias pessoas estavam na areia separando os peixes pegos. Vi várias vezes barcos sendo movidos com toras cilíndricas de madeira embaixo, o que já tinha visto em dias anteriores também. Na Praia do Carro Quebrado vi 2 fuscas e uma Kombi em decomposição. Cruzei a Barra do Camaragibe de barco com 2 paulistas, 1 catarinense e 2 alagoanos, pagando R$ 2,00 em dinheiro. Achei a vista durante a travessia muito bonita. Achei também a Barra do Camaragibe muito bonita. Mara ofereceu casa do seu filho para eu ficar por R$ 30,00, mas a casa não tinha luz nem descarga. Preferi então ficar na Tiriri Guest House (http://www.tiririguesthouse.com), pertencente ao João pagando R$ 50,00 em dinheiro por um quarto com banheiro privativo e TV a cabo e com direito a café da manhã. Comprei pães na padaria por R$ 4,00 em dinheiro e depois a dona ofereceu-me rocambole e torta de doce de leite, que não consegui recusar, pois quando levantei a cabeça após pegar o dinheiro da carteira ela já os tinha colocado num saco e me estava oferecendo. Até falei “não” agradecendo, mas ela fez uma cara de decepção e perguntou porque eu não aceitava, que resolvi aceitar. Comprei também tomate, chuchu e limão por R$ 2,75 com cartão de crédito. Jantei sanduíches. Apreciei a vista noturna a partir da sacada da pousada. Esqueci de apagar a luz do restaurante que João havia pedido antes de dormir. Na 5.a feira 22/08 tomei o café da manhã oferecido pela pousada com frutas (manga, abacaxi, banana, melão e mamão), pães, manteiga, geleia, requeijão e suco. Saí por volta de 8h45. Achei as praias bonitas. A cor do mar voltou a ser verde. Atravessei o Rio Tatuamunha andando. Fiz um teste sem a mochila que foi bem-sucedido e voltei nadando. Achei a água deliciosa. Atravessei pela 2.a vez com a mochila e desta vez estava bem mais raso, o que mostra como pouco tempo de maré baixando pode fazer grande diferença. No encontro do rio com o mar, a cor da água de um lado era verde e de outro era azul. Uma foto desta área pode ser vista a seguir. O tempo virou e ocorreu uma pancada de chuva quando eu passava por Porto de Pedras. Devido a isso, como eu queria aproveitar bem o trecho até Maragogi, resolvi ficar ali aquele dia. Fiquei na Pousada Águas Belas, do Eliel. Paguei R$ 50,00 em dinheiro por um quarto com banheiro privativo sem direito a café da manhã. Aproveitei a tarde então para conhecer o Mirante do Farol, a igreja matriz, a fonte masculina, a orla e a capela histórica. No farol, Dinho deu-me informações históricas e culturais sobre a área. Tomei um banho de mar no caminho e outro no povoado, achei o mar calmo e boiei. No entardecer a chuva voltou, com picos de maior intensidade, mas na média ficou leve e prosseguiu assim à noite. Vi 2 arco-íris no céu. Comprei pães nas padarias por R$ 4,00 em dinheiro. Jantei sanduíches e pães doces. À noite vi um jogo de futebol no campo local ⚽. Na 6.a feira 23/08 comprei pães por R$ 3,00, tomate e banana por R$ 1,75, todos pagos em dinheiro e tomei o café da manhã com sanduíches. Depois peguei a balsa gratuita para Japaratinga. Comecei a caminhada perto de 9h e cheguei em Maragogi perto de 13h. Antes de começar o caminho voltei até a margem do rio pela praia e andei um pouco nela, quase dando a volta e chegando onde havia desembarcado da balsa. Achei as praias muito bonitas, com mar verde. Atravessei 2 rios com maré baixa e água abaixo do joelho. Uma moça falou-me que um homem havia sido encontrado morto no mangue e eu decidi atravessar um dos rios para não cruzar o mangue em direção à ponte nem voltar um trecho para sair na rua que continuava para a ponte. Em Maragogi fiquei no Mandala Hostel (https://www.facebook.com/Mandalahostelmaragogi) pagando R$ 22,00 a diária em dinheiro por uma cama em quarto compartilhado, com direito a café da manhã. Lá conheci a argentina Jamilia, que estava indo para Porto de Galinhas, o baiano Rômulo, que viajava de moto, tinha sido da Marinha e morava em Campina Grande, a mineira Késsia, que viajava 2 semanas de férias pelo nordeste, a mineira aposentada Sílvia e um casal de chilenos, de férias no Brasil. Aproveitei que era cedo e fui visitar o Mirante do Cruzeiro. A melhor vista era a partir de uma pousada e era necessário pagar uma pequena taxa. Eu não tinha levado dinheiro e o atendente me disse que havia uma área atrás do muro de onde se podia ter uma boa vista. Fui lá e concordei com ele, achando a vista muito bela, das várias partes da costa ☝️. No caminho de subida, que fiz dando enorme volta pela estrada, pude ver paisagens de coqueiros, de que muito gostei também. Na volta descobri que havia um caminho alternativo descendo por uma rua de terra que era muito mais curto. Quando descia conversei com um homem que trabalhava na construção de sua casa e que havia mudado para lá. Ele tinha gostado de lá e me falou da região. Depois de descer ainda tomei um banho de mar, deixando as roupas com um casal de argentinos, e depois fui conhecer uma área de artesanato e andar pela orla. Apreciei o entardecer à beira-mar. Comprei espaguete, tomate, chuchu, pepino, abóbora, cenoura e mamão por R$ 7,98 com cartão de crédito e 1 brasileirinha por R$ 1,00 em dinheiro. Jantei espaguete com legumes, mamão e a brasileirinha. À noite eu, Rômulo e Késsia fomos passear na orla. Neste dia comecei a sentir dor em uma das pernas , na região da canela. Para as atrações de Maragogi veja http://www.maragogi.tur.br/ e https://maragogionline.com.br. Os pontos de que mais gostei foram as praias, o mar verde e a vista a partir do mirante. No sábado 24/08 tomei o café da manhã oferecido pelo hostel (cuscuz, ovo, pão, queijo, manteiga, banana assada, melão, mamão, abacaxi e 2 tipos de bolos) e fui caminhando até as praias do Antunes e do Xaréu. Atravessei o rio logo na saída do centro de Maragogi com água no peito, pois a maré estava alta. Em determinado trecho tive que ir pela rua, pois com maré alta não era possível passar. Mas após andar cerca de 15 minutos a meia hora voltei à praia. Acabei ficando sentado o maior tempo na Praia do Xaréu admirando o panorama. Segue uma foto dela. Alguns destes barcos na foto ficavam tocando músicas com som alto e provavelmente forneciam algum tipo de serviço, pois várias pessoas iam caminhando até eles. Ficavam um pouco distantes da praia, mas isso não intimidava os interessados. Tomei 2 banhos de mar e achei a água deliciosa. O mar continuava com a cor verde que eu achava linda. Voltei no entardecer e com a maré baixa foi possível fazer quase todo o caminho pela areia à beira-mar. O rio perto do centro atravessei com água perto da canela. Apreciei o entardecer a partir da praia. Jantei espaguete com legumes acrescido de arroz, que Jamilia havia deixado antes de ir embora, cravo e queijo ralado, que me deram no hostel. Para sobremesa comi mamão. Durante o jantar o chileno sofreu muito para abrir um coco com uma faca comum e concluiu que era melhor pagar R$ 5,00 do que fazer aquele esforço. Conversamos sobre a viagem deles, o Chile, o Brasil e várias coisas. À noite dei novamente um passeio na orla. Chegou Evelin de SP e um baiano. Rômulo e Késsia foram embora. Despedi-me da gerente Gerline, que não trabalharia no domingo, quando ela foi embora à noite. No domingo 25/08 tomei o café oferecido pelo hostel igual ao do dia anterior, sem a banana e sem um dos bolos, conversei com casal de Jundiaí (Mairon e mulher) sobre dicas de viagem e com Marcelo sobre Caminho de Santiago. Eles também haviam chegado para ficarem no hostel. Saí perto de 9h15. Atravessei o rio perto do centro com água na cintura. Reencontrei Mairon, mulher e Evelin na Praia do Antunes, onde ele disse que talvez fossem. Achei lindo o mar verde até o fim de Alagoas . Atravessei rio com água abaixo da cintura na divisa entre Alagoas e Pernambuco. Atravessei outro rio com água na cintura depois de São José da Coroa Grande. O mar continuava verde e eu continuava achando o mar e as praias lindos. Na barra do Rio Una fui até o Povoado do Abreu. No caminho havia uma ponte de tábuas de madeira com um buraco no meio, o que fazia que algumas meninas que provavelmente queriam ir para a praia estivessem com medo. Passei, disse-lhes que dava para passar com cuidado e elas foram. No povoado encontrei barqueiros que me poderiam levar para o outro lado do rio. Alecsandro levou-me até a 2.a barra do rio, pois disse que havia estourado uma barra, com a ajuda da própria população, devido às enchentes, e que se apenas atravessasse a 1.a barra eu ficaria preso entre as duas. A viagem de barco foi bela, com bonitas paisagens do mangue, da vegetação, do rio e das praias. Seguem fotos do trajeto. O barco encalhou 2 vezes em bancos de areia. Choveu um pouco durante o trajeto. Ele trabalhava com construção durante a semana e fazia passeios nos fins de semana. Quando chegamos vimos que a 2.a barra não estava tão grande e teria dado para eu atravessar. Mesmo assim foi prudente a decisão dele de me levar até lá. Paguei R$ 10,00 em dinheiro pela travessia. Prosseguindo caminhei pelas praias até Tamandaré, sendo que algumas tinham trechos com pedras, mas só uma vez tive que sair da areia para dar a volta por trás delas. Segue uma foto da Praia do Porto no caminho. Na ponta desta praia havia pedras enormes, onde alguns pescavam. Achei o mar bravo neste trecho. Já chegando em Tamandaré atravessei o Rio Mamucabinhas com água abaixo dos joelhos. Cheguei no entardecer (no litoral de Pernambuco escurece cedo) e fiquei na Pousada São João, do proprietário João, pagando R$ 40,00 em dinheiro por um quarto com banheiro privativo. Comprei pães, tomate, pepino e laranja por R$ 5,02 com cartão de crédito e os jantei. Encontrei um condicionador de cabelos provavelmente deixado por algum hóspede no banheiro e o utilizei, pois meu cabelo estava totalmente desalinhado devido à falta de pente. Entrou água da chuva no quarto à noite e molhou o travesseiro. Na 2.a feira 26/08 comprei pão por R$ 3,00 e tomate e banana por R$ 2,00, tudo pago em dinheiro. Tomei o café da manhã com isso. Saí perto de 8h. Houve algumas pancadas de chuva ao longo de todo o dia. Achei as praias muito bonitas ao longo de todo o caminho. Na Praia de Carneiros havia peixes coloridos e escuros 🐟. Uma foto desta praia segue. Visitei a igreja histórica e depois Édson atravessou-me de lancha, cobrando R$ 15,00 em dinheiro. Contou-me que antigos donos da fazenda onde atualmente é Carneiros estão enterrados na igreja histórica, que é do século 18. Achei muito bela a vista durante a travessia. Após a travessia encontrei trechos com pedras em que não consegui passar com maré alta. Subi pela encosta e peguei a estrada. Achei bonita a paisagem rural. Mais à frente voltei à praia e fui pela areia até a Barra do Sirinhaém. Continuei achando as praias lindas. Quando cheguei na barra peguei um barco de linha por R$ 2,00 em dinheiro para fazer a travessia. Na saída houve uma revoada de garças 🕊️ e gostei bastante da paisagem vista durante a travessia. Do outro lado o segurança disse-me para ir pela praia até onde conseguisse e depois pegar a rua dentro do condomínio à beira-mar. Quando saí da praia o segurança André acompanhou-me gentilmente pela rua do condomínio até a portaria e me disse que eu conseguiria voltar para a praia mais à frente, pedindo autorização para algum proprietário de sítio. A estrada pareceu-me ter uma bela paisagem rural. Pedi autorização a um caseiro, ele concedeu e passei por dentro de seu sítio para voltar à praia. Continuei achando as praias lindas. Passei por extensa área com água rasa. Cheguei à Barra do Maracaípe pouco antes do entardecer e ainda havia barcos fazendo a travessia. Mas perguntando a pescadores antes, disseram que poderia atravessar andando. Vi uma mulher num banco de areia no meio do mar e resolvi ir até onde ela estava. Ela não sabia se era possível atravessar para o outro lado, pois não era dali. Havia 2 pescadores por ali e perguntei para eles, que também não sabiam, pois também não eram dali. Mas eles disseram que iriam verificar, entraram no trecho e me disseram que dava para ir. Eu fui por onde eles indicaram e a água não passou do peito. Segue uma foto desta área. Quando já estava na estava Praia de Maracaípe, um cachorro invocou com um homem, mas acabou ficando só na ameaça e ele não atacou. Fiquei no Palawan Hostel (https://www.facebook.com/palawanhostel), de Hugo e Ayanna, com sua filhinha recém nascida e seu cachorro Chico. Paguei R$ 30,00 em dinheiro por cama em quarto compartilhado, com direito a café da manhã. Lá conheci o belga Joseph, que viajava pelo Brasil e iria para SP. Comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro e espaguete, batata-doce, chuchu, pepino e banana por R$ 5,36 com cartão de crédito. Jantei espaguete com legumes, banana e pão doce. Esta praia era extensão de Porto de Galinhas. Na 3.a feira 27/08 tomei o café da manhã oferecido pelo hostel (cuscuz, ovo, melão, mamão, pão, margarina, leite com Nescau e bolachas). Saí às 8h30 para tentar ainda pegar maré baixa e ver peixes nas piscinas perto do centro de Porto de Galinhas. Havia muitos peixes (coloridos e escuros, pequenos e maiores) perto da praia, nas rochas ou recifes. Fui nadando até as piscinas 🏊‍♂️, pois a maré já havia subido um pouco, mas voltei porque estava sem chinelo, depois de perguntar a um barqueiro se era permitido e ele me responder que sim, mas me alertar quanto a usar chinelo naquela área devido aos ouriços. Resolvi então caminhar pelas praias no sentido norte. Andei por todas até o fim, incluindo um bom trecho da margem do rio que fazia a divisa com o Porto de Suape. Achei-as muito bonitas, cada qual a seu modo. A Praia de Muro Alto, a última antes do rio, represava a água do mar. Já a Praia de Cupe tinha mar bravo. Atravessei um trecho com água um pouco abaixo da cintura e me surpreendi com um sorveteiro que atravessava o mesmo trecho com seu carrinho. E ele teve sucesso. Achei bem interessante a vista do Porto de Suape e do rio que o separava das praias de Porto de Galinhas. Tomei banho de mar. Na volta havia uma água-viva na areia e algumas argentinas tentaram jogá-la no mar, para ver se sobrevivia. Elas não conheciam águas-vivas. Aproveitei para dar um passeio pelo centro de Porto de Galinhas e conhecer as praças, artesanato, obras de arte a céu aberto, capela e Projeto Eco das Tartarugas Marinhas por fora. Ocorreram pancadas de chuva no fim da tarde. Abriguei-me numa barraca numa das praças à beira-mar. Com isso acabei voltando no escuro pela praia para o hostel, um trajeto que durava cerca de meia hora. Comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro. Jantei espaguete com legumes, banana e pão doce. Josepth foi embora de manhã. Casal de donos do hostel tinha passado a noite anterior em claro (até as 3h da manhã) porque filha de 2 meses precisou ir à Emergência por estar com cólicas. Pedi-lhes para que o café da manhã do dia seguinte fosse perto de 11h, pois pretendia acordar cedo para ir ver os peixes nas piscinas naturais do centro e queria estar de estômago quase vazio para nadar se fosse necessário. Eles agradeceram, pois poderiam dormir mais 😀. Na 4.a feira 28/08 comi 2 pães comprados no dia anterior e saí perto de 6h50 para ver as piscinas naturais na maré baixa. Chegando lá no centro, peguei uma pulseira com a equipe municipal de meio ambiente. Com a maré baixa era possível ir andando, com a água chegando ao peito. Na borda das piscinas subia-se numa elevação rochosa ou de recifes e aí havia uma área com rochas ao lado de piscinas de água do mar. Vi muitos peixes 🐠, dos mais diversos tipos e tamanhos, coloridos, azuis, listrados, vermelhos, escuros, minúsculos, pequenos e maiores, vi também ouriços e uma espécie de centopeia laranja. Havia uma piscina que tinha formato semelhante ao mapa do Brasil e uma outra em que era possível nadar junto com os peixes. A água estava um pouco fria, pois o dia estava nublado. Houve uma pancada de chuva após voltar das piscinas para a praia. Depois de ficar lá e nas imediações por mais de 2 horas voltei para o hostel para tomar café da manhã. O casal já estava acordado e parecia bem disposto. Sua filhinha estava melhor. O café oferecido foi ovo frito com tomate, mandioca, pães, margarina, manteiga, bolacha e leite com Nescau. Passei pelo Projeto Hipocampus, mas não entrei, só apreciei de fora. Fui visitar o Atelier do Carcará 👨‍🎨 e conversei com Gilberto Carcará sobre sua filosofia de trabalho, história e obras. Achei bonitas suas esculturas e interessante sua ideia de arte com sustentabilidade. Ele me falou que havia uma exposição de suas obras “galinhas” na Alameda das Sombrinhas, no centro, e mais tarde fui ver. Falou-me também de um farol sendo construído por um dono de restaurante que seria um ponto turístico servindo como mirante e também fui ver a construção. Achei bonito o caminho ao lado do lago para chegar no seu atelier. Após voltar ao centro, visitei e gostei também da capela, em que esperei para poder entrar devido ao horário. Pareceu-me linda, recente e simples ⛪. Havia uma pequena plataforma na areia da praia, talvez de uso de salva-vidas, e aproveitei para subir e apreciar a vista a partir dela, que me pareceu muito boa. Então fui até o Pontal do Maracaípe para ver o pôr do sol. Antes caminhei um pouco na margem do rio até onde o mangue me permitiu para apreciar sua paisagem. Achei bela a vista do rio, principalmente no entardecer, e bonito o pôr do sol, apesar da nebulosidade. Comprei batata-doce e pepino por R$ 1,40 e pães por R$ 1,00, tudo em dinheiro. Jantei batata-doce, pepino, chuchu e pães doces. Na 5.a feira 29/08 tomei o café oferecido pelo hostel com pão, queijo branco, batata-doce, melão, mamão, bolacha e leite com Nescau. Saí perto de 8h30, saquei dinheiro e fui rumo a Cabo de Santo Agostinho. Fui pela praia até o Atelier do Carcará. Antes de sair da praia tomei um banho de mar. Depois peguei a estrada, com o lago e o mangue de um lado e propriedades rurais e vegetação do outro, cuja vista continuei achando bela. Passei por um acidente em que havia uma mulher deitada no chão e uma moto caída e a mulher falava que estava doendo muito. Esta cena me fez chorar 😢. A polícia já estava lá isolando a área. Só fui cruzar com a viatura do SAMU, que imagino iria socorrê-la, mais de meia hora depois 😒. Passei por Ipojuca e aproveitei para visitar a Praça do Baobá, onde havia uma enorme árvore deste tipo, e também a Igreja Nossa Senhora do Ó. Depois de cruzar a cidade peguei a estrada normal e depois a pedagiada. Achei uma banana verde no chão da estrada e comi. Errei o caminho. O mapa que eu havia visto me indicava para virar à direita num trevo, mas provavelmente eu não poderia caminhar muito naquela direção se tivesse virado, pois vários me disseram que era a entrada do porto e não poderia prosseguir. Segui em frente então e mais à frente perguntei a um rapaz que vendia lanches. Ele viu no GPS o novo trajeto, deu-me 2 opções e eu segui a que achei em que não iria me perder. Virei à direita onde haviam indicado e numa bifurcação logo após perguntei a um homem que vinha caminhando. Ele me indicou o caminho contrário ao que eu acreditava ser correto e vendo minha dúvida perguntamos a Fia e seu amigo que vinham voltando do trabalho. Eles me disseram que iriam para muito perto de onde eu estava indo e se dispuseram a ir comigo. Eu os atrasei, pois estavam de bicicleta e eu não conseguia ir muito rápido devido à dor na perna, que ainda continuava. Em alguns trechos Fia levou minha mochila e seu amigo me levou sentado na bicicleta 🚲. Ele sofreu em algumas subidas. A paisagem me pareceu bonita. Pegamos uma trilha muito bela no meio da mata e Fia me deixou no povoado de Suape. Dali para Nazaré, onde eu pretendia ficar, era bem próximo. Fui até lá e fiquei no Hostel Mujeres com Alas (https://www.facebook.com/mujeresconalasnazare) da Mary (ou Mere), pagando R$ 45,00 com cartão de crédito por uma cama em quarto compartilhado, sem café da manhã. Mas só havia eu no hostel como hóspede. Ela disse que aceitava homens após eu perguntar. Depois de me instalar ainda fui até o mirante atrás do farol apreciar a vista noturna. Apesar de um pouco escuro, ainda me pareceu bela, com destaque para as luzes dos povoados e navios 🚢. Então fui comprar mantimentos. Achei muito boa também a vista da descida de Nazaré para Suape, que acho que era do porto e de empresas vinculadas. Comprei espaguete, pães e leite por R$ 7,70 com cartão de crédito, tomate, cenoura, chuchu, pepino e mamão por R$ 9,50 em dinheiro e pães por R$ 3,00 em dinheiro. Jantei espaguete com legumes, mamão e pães doces. Conversei com Mary sobre sua origem boliviana, sua família, sua vida no Chile, Niterói e agora ali e suas experiências com hóspedes passados. Na 6.a feira 30/08 tomei café da manhã com sanduíches, mamão, pães doces e leite. Antes de eu sair pela manhã houve uma pancada de chuva e depois abriu o tempo. Aproveitei para passear por dentro do hostel e apreciar sua decoração interior, com fotos e itens de arte. Mary explicou-me sobre as trilhas e esboçou um mapa. Ela me levou pessoalmente para ver a entrada de 3 trilhas. Comecei conhecendo a igreja histórica, o convento e cemitério, vendo-os da porta. Fui ao farol atual e respectivo mirante. Achei a vista muito boa também durante o dia. Depois desci até o farol antigo e a Casa do Faroleiro. Gostei da vista também. Lá raspei a perna de leve. Depois vi ruínas da capela, Forte, Bica da Ferrugem e ruínas do quartel. Dois rapazes que estavam caminhando pelo forte explicaram-me o caminho para a Bica da Ferrugem e as ruínas do quartel. Dali fui à Praia do Paraíso, em que havia muitas pedras, quase sem faixa de areia. Subi a escada, passei pela ponte e fui à Praia do Suape, que achei boa, com mar bravo. Segui por ela até o rio ou canal que a separava do porto. Achei bonito o encontro do mar com o rio ou canal. Andei um pouco pela margem do rio ou canal e depois voltei, passei de novo pela praia e peguei a trilha para Nazaré de que a Mary tinha falado. No caminho havia outro mirante, com vista de que gostei, abrangendo a praia, o mar, o povoado e o porto. Chegando lá em cima peguei a trilha para a Praia de Calhetas que a Mary tinha mostrado. Achei bonita a trilha, com começo no meio da mata. No caminho encontrei Magda, que alugava kitnets no Vale da Lua. Ela deu-me explicações sobre a trilha e disse que era amiga da Mary. Achei linda a vista a partir da trilha, da orla, das praias, do mar e do povoado de Gaibu. Achei delicioso o mar em Calhetas . O mar era de tombo, mas sem correnteza, o que permitia um nado tranquilo em águas mais profundas, conforme o salva-vidas do local explicou-me. Depois de andar pela pequena orla e do banho de mar, fui para a Praia de Gaibu. A vista das paisagens durante o caminho continuaram belas. Lá, com a maré subindo, achei o mar bravo. Andei cerca de meia hora na areia da praia e depois acabei voltando pela pista. Passei pelo hostel, conheci a parte inicial do sítio que ficava nos fundos do hostel e suas árvores altas e largas, como a fruta-pão. Ainda deu tempo de ir ver o pôr do sol a partir do mirante que ia para a Praia do Paraíso. Seguem as fotos deste momento. De volta ao hostel, conheci a seu lado o Centro Cultural Esperantino, explicado pelo filho do homem que deu nome ao centro. Gostei e achei bonitas as várias trilhas feitas na mata ao longo do dia, a vegetação e relevo existentes ☝️. Comprei pães para café da manhã e sobremesa por R$ 3,00 em dinheiro e R$ 1,50 com cartão de crédito. Jantei espaguete com legumes, mamão e pães doces. No sábado 31/08 tomei café com sanduíches, mamão, pães doces e leite. Conversei com Mary sobre suas próximas hóspedes, que chegariam naquele dia, suas experiências de viagem, sua vida passada e minha viagem. Antes de sair ela pediu para tirar uma foto minha, que coloco a seguir. Saí perto de 9h30. Fui pela estrada até Gaibu e depois peguei a areia da praia. Achei as praias muito bonitas, porém a maioria bem mais urbanizada do que a média da viagem, posto que estava chegando a Recife. Havia muitas pedras em vários trechos. Após perguntar para várias pessoas sobre risco de ataque de tubarões 🦈 e todos dizerem que não havia, tomei um banho de mar. Depois de cerca de 500 m do local do banho vi a primeira placa de risco de ataque de tubarões. Se tivesse visto a placa antes não teria nadado. Desviei um pouco no caminho para conhecer a Ilha do Amor, fui até a curva e depois voltei para pegar a ponte, de onde a vista me pareceu muito bonita. Após a ponte houve um grande trecho com mato nas laterais da rua, que até me preocupou um pouco, apesar do movimento de carros, mas nada aconteceu. Voltei para a praia. Havia bastante gente, pois era sábado. No fim do dia começou a ameaçar chuva e já bem perto da chegada houve pancadas de chuva. Em Boa Viagem o mar estava bravo, chegando a espirrar água na calçada, após bater nos muros de contenção da praia. Fiquei no Hostel Estação do Mangue (https://www.estacaodomangue.com.br) por R$ 30,00 com cartão de crédito por uma cama em quarto compartilhado sem direito a café da manhã. Lá conheci mãe e filho que estavam a passeio e 2 transsexuais que tinham vindo trabalhar. Comprei pães por R$ 9,80 e bananas, abóbora, limão e chuchu por R$ 6,60, tudo com cartão de crédito. Jantei sanduíches, bananas e pães doces. No domingo 01/09 fui à praia antes de tomar café da manhã. Estava uma pequena garoa, mas nada que incomodasse. No caminho passei pela igreja ao lado do hostel e uma mulher disse que provavelmente não era permitido entrar naqueles trajes (camiseta regata e calção). Parecia tensa quando eu fui até a porta olhar. Já perto da praia, passei pela Igreja de Nossa Senhora de Boa Viagem, na Pracinha de Boa Viagem, e um homem disse que eu poderia entrar para visitar (“Claro que pode, é a casa de Deus”). A igreja já estava cheia para a missa e eu preferi ir só até a porta. Segui e fui dar um passeio pela orla. Um homem entrou no mar bravo, onde havia placas de risco de ataque de tubarão e eu até pensei que estivesse se suicidando. Mas depois perguntei e me disseram que era seu costume e ele já fazia parte do mar. Em seguida eu o vi nadando alguns metros depois da arrebentação. Entrei no mar uns 10 metros 🌊, somente para me despedir. Tomei café com sanduíches e fui andando até o aeroporto. Demorei 16 minutos do hostel até lá. Troquei de lugar no avião com um homem que preferia corredor para poder ficar na janela. Quando cheguei em Congonhas com o ônibus vindo de Guarulhos estava chovendo 🌧️ e tomei bastante chuva no caminho a pé para casa. Ainda bem que estava com a capa.
  3. @joaobr então você pode se interessar por estas 2 outras viagens que eu fiz na sua terra referente a este trajeto que você pretende fazer: Qualquer questão basta falar. Boa viagem!
  4. @Márcio/Sp Desculpe a demora em responder. É que eu estava viajando. 😀 Eu gastei R$ 39,42 só com alimentação. A viagem inteira custou R$ 835,05, ou R$ 643,02 sem os voos de ida e volta. Eu gasto pouco com alimentação porque eu compro comida em supermercados e padarias e cozinho ou faço sanduíches. 😀
  5. Resumo: Itinerário: Caxias → Flores da Cunha → São Marcos (Criúva e Mulada) → Farroupilha → Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio → Bento Gonçalves → Garibaldi → Porto Alegre Período: 15/05/2019 a 28/05/2019 (13 dias) Gasto Total: R$ 835,05 Gasto sem Transporte de Ida e Volta: R$ 643,02 - Média Diária: R$ 49,46 Ida: Voo de São Paulo (Congonhas) a Caxias do Sul no Rio Grande do Sul pela Gol, com a passagem paga com pontos da Emirates. A taxa de embarque foi de R$ 32,95. Volta: Voo de Porto Alegre a São Paulo (Guarulhos) pela TAM por R$ 159,08, sendo R$ 128,00 de passagem e R$ 31,08 de taxa de embarque. Considerações Gerais Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar importantes. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais: Na primeira semana da viagem houve bastante sol. Depois houve 4 dias de tempo instável, mas sem temporais, somente garoa e chuva fraca, com alguns poucos momentos de chuva média. Então houve um final de semana de sol e depois houve chuva na tarde e noite do último pernoite. As temperaturas estiveram um pouco baixas (para um paulistano) ao amanhecer e anoitecer, chegando a 11 C, com pico para baixo de 6 C. Ao longo do dia chegaram a mais de 20 C em geral, ficando por volta de 13 C a 15 C nos dias mais frios. A população de uma maneira geral foi cordial e gentil ☝️. Mal recebido só fui uma vez no Chateau La Cave, mas que se tornou irrelevante perto do excelente tratamento recebido no resto dos locais. As paisagens rurais, as cachoeiras, as montanhas, os mirantes, as construções históricas e típicas, as igrejas, com seu alto astral, imagens e pinturas de Jesus ressuscitado e o Santuário de Caravaggio agradaram-me muito . Era época de mexericas (bergamotas), então pude aproveitar para comer muitas caídas nas estradas ao longo dos caminhos rurais 🍊. Foi impressionante a generosidade dos anfitriões, sendo que vários ofereciam degustações gratuitas de produtos, principalmente vinhos . Como não costumo beber e não pretendia comprar nada, procurei ser o mais educado possível e recusei quase todos para não abusar da hospitalidade. A caminhada no geral foi tranquila. Os únicos problemas foram a falta de acostamento em alguns trechos, incluindo estradas bem movimentadas e cachorros 🐕 nas áreas rurais que vinham correndo atrás e latindo, ameaçando morder, mas nenhum chegou a atacar de fato. Não tive nenhum problema de segurança (nenhuma abordagem indesejada) nas estradas nem nas cidades. Quase todos aceitaram cartão de crédito sem acréscimo, com exceção de alguns ônibus e pequenos comerciantes. Gastei na viagem aproximadamente R$ 835,05, sendo aproximadamente R$ 39,42 com alimentação, R$ 504,80 com hospedagem, R$ 98,80 com transporte durante a viagem, R$ 64,03 com taxas de embarque de ida e volta e R$ 128,00 com a passagem aérea de volta. A passagem aérea de ida foi paga com milhas da Emirates. Sem contar o custo das passagens aéreas e taxas de embarque entre São Paulo e Caxias do Sul e entre Porto Alegre e São Paulo, o gasto foi de R$ 643,02 (média de R$ 49,46 por dia). Mas considere que eu sou bem econômico. A Viagem: Minha viagem foi de SP (Aeroporto de Congonhas) a Caxias do Sul em 15/05/2019 pela Gol (https://www.voegol.com.br). O voo saía às 9:15 e estava previsto para chegar às 10:50. Chegamos cerca de 20 minutos antes, sem nevoeiro. Paguei o voo com milhas da Emirates (https://www.emirates.com) e paguei R$ 32,95 de taxa de embarque com cartão de crédito. O avião tinha muitos lugares vazios. Na viagem e após a chegada comi sanduíches 🥪 que tinha trazido de casa . No aeroporto ganhei uma mapa turístico da cidade ☝️ e a jovem atendente me falou um pouco da cidade e das condições de segurança. Fui andando por 7 km (cerca de 1 hora e meia) do aeroporto até o hostel, que havia reservado pelo Booking (https://www.booking.com). No caminho passei pelo centro e fui apreciando a cidade. Fiquei no Hostel Famiglia Susin (https://www.facebook.com/hostelfamigliasusin) por R$ 35,00 a diária, paga em dinheiro, com direito a café da manhã. Solina recebeu-me e me deu as informações da hospedagem, além das roupas de cama e toalha de banho. Ela era mãe do dono, que estava viajando e tinha outro hostel em Goiás. Fiquei numa cama num quarto compartilhado. Quando ela me explicou como era o café da manhã, quis trocar e ficar com a opção sem café, algo com que ela concordou, mas depois de falar com o filho disse que não seria possível, pois a reserva feita pelo site incluía café e ele teria que pagar comissão sobre ela. Paguei a metade dos 8 dias (R$ 140,00) em dinheiro. Depois de me acomodar aproveitei o fim da tarde para ir visitar os pontos no centro. Fui ao estádio e memorial do Juventude, museu municipal, Parque Getúlio Vargas, Praça Dante, catedral, prefeitura, câmara municipal e centro cultural. As atendentes dos diversos locais foram muito cordiais ☝️. Na Praça Dante estava havendo manifestação contra os cortes na educação. Antes de voltar passei no Sacolão 24 Horas, que havia conhecido na vinda do aeroporto, e comprei vários tipos de vegetais (cenoura, abóbora moranga, mexerica, mandioca e repolho) por R$ 4,74 com cartão de crédito. À noite cozinhei mandioca e juntei com os vegetais para o jantar. Após o jantar Solina permitiu-me usar a TV para assistir o jogo Corinthians x Flamengo pela Copa do Brasil. Como não coloquei meias e peguei cobertores leves, acabei passando um pouco de frio nos pés durante a 1.a noite . Para as atrações de Caxias do Sul veja https://www.viagensecaminhos.com/2011/04/caxias-do-sul-rs.html e https://www.tripadvisor.com.br/Attractions-g303534-Activities-Caxias_Do_Sul_State_of_Rio_Grande_do_Sul.html. Gostei bastante da cidade e de sua população. Os pontos de que mais gostei foram as áreas rurais, as cachoeiras, as vistas a partir do alto, a pintura no teto da Igreja de São Pelegrino e as construções históricas e típicas . Na 5.a feira 16/05 de manhã fui comprar pães, arroz integral e cuca por R$ 10,39 com cartão de crédito no Supermercado Rossetti (https://www.facebook.com/superrossetti). Depois tomei o café da manhã com sanduíches do que havia comprado. Saí já um pouco tarde, perto de 10 hs e iniciei meu passeio pelo Pavilhão da Uva. Demorei um pouco para encontrar a entrada . Gostei das réplicas das casas antigas da cidade, do busto do Cristo, com sua fisionomia diferente e tocante, da vista a partir dele e do Atelier Zambelli, com suas esculturas . Daí segui para a Casa de Pedra, que achei bastante interessante pela construção em si e por todo o estilo de vida dos imigrantes italianos pioneiros. Após esta visita fui caminhando por cerca de 12 km para o Vale Trentino (https://caxias.tur.br/roteiros/vale-trentino). Inicialmente fui à praça central do bairro de Forqueta, visitei a igreja e fui ao Museu da Uva e do Vinho, onde fui muito bem recebido e a atendente, provavelmente filha dos donos, explicou-me detalhadamente os vários itens ☝️. Ofereceram-me degustação, que educadamente recusei. Saindo de lá fui à vinícola Silvestri, onde encontrei o próprio Silvestri e com ele conversei sobre suas origens e sua vida ali. Seu avô chegou em 1888 e em 1896 casou-se. Ele foi muito simpático e atencioso ☝️. Após a conversa e a apreciação das áreas rurais a partir de pontos altos da estrada, fui caminhar um pouco pelo Vale Trentino. Caminhei cerca de 1 hora e meia entre ida e volta. Achei as paisagens belas, com vários parreirais e áreas de mata nativa, além de pontos de elevação que permitiam ver ampla área com montanhas e vegetação. Tirei esta foto do pôr do sol. Depois voltei caminhando até perto do centro do bairro de Forqueta e peguei o ônibus de volta, pagando R$ 4,25 em dinheiro. À noite cozinhei arroz integral para vários dias e comi junto com os vegetais que havia comprado, com mexerica e cuca de sobremesa 🍚. Desta vez coloquei meias e troquei meus 2 cobertores leves por 1 bem mais pesado. Não tive frio durante a noite . Na 6.a feira 17/05 paguei a metade restante (R$ 140,00) para Solina, tomei o café oferecido pelo hostel (um copo de café com leite e dois pães com margarina e muçarela – havia presunto, mas eu não como carne) em dobro, pois havia perdido o do dia anterior, e saí cerca de 9 horas. Primeiramente fui ao Estádio do Caxias, que achei muito bom, depois segui para a Igreja de São Pelegrino. Achei-a linda, especialmente as pinturas internas, principalmente do teto e do altar . Tirei esta foto do teto com o juízo final. A seguir, caminhando pela rua, vi uma galeria de obras de arte. Parei para ver a vitrine e uma mulher (acho que a dona) convidou-me para entrar. Fiquei cerca de 30 minutos apreciando as pinturas, fotografias e esculturas. Eles iriam inaugurar uma exposição à noite e me deixaram ver em primeiríssima mão ☝️. Acompanharam-me Márcia e posteriormente Bruna. Chamaram-me atenção as pinturas feitas sobre lona (talvez de caminhão), com temas delicados em cima de material rude. Depois de lá fui à Paróquia Imaculada Conceição, que estava fechada. Segui para frente em direção à Estrada do Imigrante (https://www.viagensecaminhos.com/2017/03/estrada-do-imigrante-gruta-da-terceira-legua-caxias-do-sul.html), que era meu roteiro principal planejado do dia. Achei as paisagens naturais muito bonitas, parreiras, criação de animais, incluindo ovelhas . Passei pela Casa Zinani, que apesar de fechada, pude apreciar por fora, incluindo toda a área da propriedade. Em frente, pedi a uma mulher que colhia mexericas, se poderia pegar uma do chão e ela me disse para pegar do pé ou do balde em que colhia. Agradeci, mas peguei uma boa do chão, sob seus protestos . Passei pela Igreja de São Pedro e São Paulo, que também estava fechada, e depois pelo orquidário Pebi, que estava aberto. A dona ficou um pouco assustada quando pedi para conhecer. Na entrada ela viu um rapaz caminhando comigo, para quem eu havia pedido informações e que seguia na mesma estrada, e acho que desconfiou de algo. Perguntou-me quem era ele. Percebendo que ela estava um pouco assustada, expliquei-lhe e lhe mostrei minha identidade, algo que ela disse que não queria ver e não pedia para ninguém. Apreciei as flores e as achei belas ☝️. Saindo de lá, peguei mais algumas mexericas do chão e segui para a Gruta Nossa Senhora de Lourdes da Terceira Légua. Achei a gruta bonita e a cachoeira espetacular. Tirei esta foto da cachoeira. Achei linda a vista da paisagem a partir do ponto do começo da descida onde havia um crucifixo . Perto do fim da descida, já nas pedras molhadas caí. Rodopiei, virei de costas e caí. Ralei e esfolei as pernas e um pouco menos os braços e sujei a blusa amarrada na cintura . Acho que tive muita sorte. Se tivesse caído com o meio das costas num dos bicos de uma das pedras poderia ter sido um acidente muito mais grave e até fatal. Não entrei em baixo da cachoeira porque não estava de calção de banho. Depois de subir de volta fiquei um tempo lavando a blusa na água que escorria das pedras. A seguir peguei o resto da estrada para a BR-116, que depois conduzia a Galópolis. Gostei das paisagens rurais deste caminho ☝️. Neste trecho vários cachorros correram atrás de mim, latiram, rosnaram e tentaram intimidar-me . Já na BR-116 pude ver a Cachoeira Véu de Noiva no meio da mata a partir de um mirante. Achei muito bela também toda a paisagem que a circundava, combinando bem com a lua cheia que aparecia ao fundo . Chegando em Galópolis ainda visitei a igreja por fora e depois tomei o ônibus para voltar, pagando R$ 4,25 em dinheiro. Jantei arroz integral, mandioca, abóbora moranga, cenoura e repolho, com cuca de sobremesa. No sábado 18/5 tomei o café normal (sem ser dobrado) e complementei com sanduíches. Chegou um rapaz chamado Washington de Sorocaba na noite anterior para trabalhar. Saí perto de 8:15 para pegar o ônibus que iria para Flores da Cunha. Peguei-o cerca de 8:45 no ponto de ônibus próximo à Igreja Universal, não muito distante do hostel. Paguei R$ 5,15 em dinheiro pela passagem do Expresso Caxiense (http://www.expressocaxiense.com.br). Para as atrações de Flores da Cunha veja https://www.viagensecaminhos.com/2017/10/o-que-fazer-em-flores-da-cunha.html, https://www.viagensecaminhos.com/2017/10/mirante-gelain-flores-da-cunha.html e https://www.turismoflores.com.br. Eu gostei da cidade. Na área urbana visitei praças, vinícolas, igreja, o Parque das Vindimas, o castelo e paisagem das plantações e mirante da Vinícola Argenta, onde fui bem recebido e de que gostei ☝️. Depois fui caminhando até o Mirante Gelain (ficava a cerca de 13,5 km). A paisagem rural da estrada agradou-me, com plantações, animais e vinícolas, principalmente no trecho final depois de sair da estrada principal ☝️. Achei a vista espetacular a partir do mirante, incluindo a Cachoeira Bordin que também era lá . Pedi informações ao homem que lá morava e tinha uma lanchonete. Ele me falou de uma possível trilha para descer, mas disse que não era muito simples, pois exigiria quase escaladas em alguns trechos. Mesmo assim decidi ir verificar. Segui a trilha, passei por trechos com escada e cordas, mas provavelmente errei alguma bifurcação e fui parar num paredão em que se fazia rapel. Por desconhecimento andei perigosamente um pouco sobre ele até perceber que parecia muito arriscado e uma queda seria fatal . Depois de voltar um pouco e procurar por algum outro ramal, desisti, e resolvi sentar e fazer meditação apreciando a Natureza. Fiquei contemplando a vista por razoável período. Voltei e conversei com o dono da lanchonete novamente e ele me falou que se eu tinha ido parar no paredão então eu havia errado a trilha. Falou-me também da vida naquele local com exuberante Natureza, do pôr do sol tardio no verão. Depois de ficar bastante templo contemplando a paisagem a partir dos diversos pontos do mirante, despedi-me e voltei caminhando para Flores da Cunha. Ao longo do dia comi várias mexericas (cerca de 6) pegas no chão dos caminhos. Chegando à cidade voltei ao castelo para vê-lo iluminado à noite e depois à praça, para vê-la à noite. Fui pegar mais 6 mexericas de uma árvore da cidade para trazer para o hostel e quase perdi o horário do ônibus de volta por causa do tempo para procurar a árvore . Um africano ou haitiano ainda deu um leve sorriso de reprovação quando eu cheguei correndo no ponto com as pessoas já embarcando . Peguei o ônibus das 7:15 (penúltimo) da mesma viação pagando R$ 5,15 em dinheiro. Chegando no hostel encontrei Eduarda, neta de Solina de uns 10 anos, que havia perdido a mãe há cerca de 1 ano e estava visitando a avó. Jantei o mesmo do dia anterior, acrescentando 1 mexerica e sem a cuca. Perdi R$ 1,00 no troco do ônibus (acho que distraí tanto o cobrador com perguntas que ele se enganou) . No domingo 19/5 tomei o mesmo café do dia anterior sem cuca, mas com mexerica. Fui a pé a Otávio Rocha, distrito de Flores da Cunha. Saí às 8:30 e cheguei perto de 11:45. Achei bela a estrada ☝️. Novamente apareceram alguns cachorros latindo. Parei na Sociedade Esportiva Juvenil, que possuía um escudo do Palmeiras na porta. Lá uma voluntária cozinheira deu-me várias explicações e contou como certa vez um membro do Palmeiras que passava pela região ofereceu o fardamento e suporte ao time e eles tinham se tornado uma espécie de representantes do Palmeiras no local. Ela também me falou da história do local e de sua família. Para as atrações de Otávio Rocha veja https://www.viagensecaminhos.com/2017/10/otavio-rocha-flores-da-cunha.html. Gostei deste local. Já chegando passei na Vinícola Gazzaro, onde o atendente (talvez dono) parou brevemente de atender um grupo para me dar explicações. Como não havia visitas naquele dia, agradeci e continuei. Fui visitar a igreja, o museu (ambos fechados), praça e passei pelo Túnel da Uva. Depois subi o Belvedere e fui até o Mirante da Cruz e o Monumento ao Centenário. Achei a vista interessante. Descendo segui para o Parque da Gruta, onde havia uma cachoeira, atrás da qual se podia passar, mas em que não era permitido o banho. Havia também área para piquenique e lazer e uma roda de água. Fiquei lá razoável tempo contemplando a cachoeira. Um jovem de 58 anos e cabelos brancos, fazendo churrasco com a família, que me havia informado que não era permitido tomar banho na cachoeira, veio conversar comigo, perguntar de onde eu era e falar da viagem. Quando respondi que não tinha almoçado, mas tinha tomado um enorme café da manhã ele se foi e voltou algum tempo depois com um prato de carne do churrasco que estavam fazendo. Eu não queria ofendê-lo, mas se comece toda aquela carne muito provavelmente iria passar muito mal, pois depois de muito tempo sem comer carne já não tenho as bactérias e demais elementos necessários para sua digestão. Peguei um pedacinho pequeno para mostrar que não estava rejeitando, mas percebi que ele ficou decepcionado. Conversamos ainda um tempo sobre a vida, ele despediu-se e se foi. Deixo aqui meu agradecimento a ele . Saindo de lá fui para a Igreja de Nossa Senhora do Caravaggio (não era o santuário). Achei as paisagens do caminho muito bonitas, principalmente vistas das áreas mais elevadas ☝️. Peguei várias mexericas do chão. Chegando lá vi que existia outra sede da Sociedade Esportiva Juvenil e um rapaz que estava na cantina dispôs-se a ir abrir a porta da igreja para eu poder visitá-la, dando-me explicações sobre ela e a região. Achei a igreja simples, com alto astral e bonita ☝️. Ele me contou de um acidente que havia ocorrido com uma menina de cerca de 10 anos. Na semana anterior um agricultor da comunidade deles dirigindo um trator com itens agrícolas atropelou a menina que estava atravessando por trás do ônibus escolar após descer para ir para casa. A menina ficou na UTI e havia partido deste mundo naquele domingo 😭. O motorista falou-lhe que nunca iria imaginar que alguém atravessaria por trás do ônibus. Na volta comi mais mexericas. Visitei ainda o Casarão dos Veronese (https://casaraodosveronese.blogspot.com), que ficava na entrada do distrito. Achei-o grandioso e bem restaurado. A parte final do caminho foi à noite. O pequeno trecho da rodovia RS-122 em que caminhei à noite não foi muito agradável, pois faltava acostamento em vários pontos. Jantei o mesmo do dia anterior. Chegaram 2 homens para um curso de transporte público (acho que era no SESC). Na 2.a feira 20/5 tomei café da manhã só com o ofertado pela pousada e saí cedo para sacar dinheiro e pegar o ônibus das 9 horas para São Marcos na rodoviária. Meu destino eram Criúva e Mulada. Peguei o ônibus do Expresso São Marcos (http://expressosaomarcos.com.br), pagando R$ 10,20 com cartão de crédito. Chegando lá dei uma volta na praça, olhei a igreja por fora, visitei sua capela e fui andando pela avenida que se transformava em estrada e fazia a ligação com Criúva. Fui tentando conseguir carona sem sucesso. Parei no último boteco e mercado, perguntei se poderia pedir carona na porta, autorizaram-me, e fiquei lá tentando. Depois de 30 a 45 minutos passou um casal num Monza antigo e parou para me dar carona. Eles iriam até Mulada, o que facilitaria muito para mim ☝️. Ele era descendente de português aposentado, que tinha um sítio em Mulada e ela era sua segunda mulher (a primeira havia morrido). Ele veio contando sobre como era a região e sua história. Levaram-me até o centro de Mulada. Lá informei-me sobre visita à Fazenda dos Bertussi, que estava fechada e não foi possível, e ao Memorial, que era aberto ao público. Para as atrações de Criúva e Mulada veja https://www.viagensecaminhos.com/2017/08/roteiro-por-criuva-e-mulada.html. Fui então ao Memorial dos Bertussi, conheci sua história e apreciei a vista a partir dele, incluindo a vista de parte da Fazenda onde ficava sua sede. Andei um pouco a pé na estrada que ia até o cânion, mas como disseram que era longe, logo voltei. Depois voltei pela estrada em direção a Criúva, parei para apreciar a ponte e o Rio Mulada, e entrei no camping que dava acesso à Cachoeira da Mulada. O casal isentou-me da taxa por eu estar só. Peguei a trilha e cheguei a pequenas quedas de água. Banhei-me nelas, mas esperava uma cachoeira maior. Procurei outras trilhas, mas não as encontrei. Retornei, encontrei o casal e me disseram que eu não havia visto a cachoeira certa. Resolvi tentar de novo e desta vez encontrei a continuação da trilha após um campo aberto. Segui conforme haviam orientado, passei por uma cachoeira razoavelmente maior, mas pela descrição que deram achei que ainda não era a procurada, cruzei o rio nas pedras, desci a escada que havia ao seu lado e encontrei a maravilhosa cachoeira , que disseram ter cerca de 80 metros. Banhei-me em algumas de suas quedas centrais e laterias e a fiquei contemplando por um tempo. Adorei . Achei-a espetacular, larga e alta. Voltei e atravessei o rio pela barragem, o que me pareceu um pouco perigoso e necessitou de concentração. Recolhi lixo na trilha como forma de contribuição. Agradeci o casal, peguei a estrada e voltei para Criúva andando e apreciando a paisagem, de que gostei. Perto da chegada uma kombi passou por mim e me ofereceu carona até Criúva, dizendo que iria para Caxias. Fiquei tentado, mas não quis perder o resto da estrada e o passeio pela vila. Assim sendo, recusei. Chegando lá fui visitar a igreja e a praça. Já estava escurecendo e percebi que seria um pouco difícil conseguir carona. Havia outro rapaz esperando e pedi a ele para me incluir na carona se seu amigo fosse para São Marcos de fato. Fiquei na saída da vila e começo da estrada, debaixo do poste de iluminação pedindo. A mulher da casa em frente disse que seria difícil naquele dia e naquele horário, mas poderia tentar. Lembrei-me da carona desprezada . Mas após cerca de 15 minutos pedindo, passou uma caminhonete moderna com 2 homens que voltavam do sítio. Pararam e me deram carona. Que sorte ! Ele falou que parou, mesmo já estando bastante escuro, porque já havia andado muito a pé na vida e quis me auxiliar e achava que se não tivesse parado eu teria que dormir por lá. Viemos conversando sobre a vida por ali e a situação do país. Ofereceram-me banana que haviam colhido no sítio, que educadamente recusei. Acabei chegando em São Marcos cedo e pude pegar o ônibus das 18:45, pagando os mesmos R$ 10,20, mas desta vez em dinheiro. Cheguei na rodoviária de Caxias perto de 19:45 e voltei andando para o hostel. Os 2 que haviam chegado para o curso de motorista haviam gostado da primeira aula, mas a acharam puxada. Chegou outro rapaz chamado Claiton para trabalhar com obras. Jantei o mesmo do dia anterior e conversei um pouco com eles e Solina. Na 3.a feira 21/05 tomei o café da manhã ofertado pela pousada acrescido de uma mexerica. Saí bem cedo para pegar o ônibus para Farroupilha na rodoviária às 8:30. Fui pela Viação Ozelame (http://ozelame.com.br/ ou http://rodoviariacaxias.com.br/) pagando R$ 5,35 em dinheiro. Para as atrações de Farroupilha veja http://farroupilha.rs.gov.br/portaldoturista/ e https://www.viagensecaminhos.com/2011/06/farroupilha-rs.html. Ao chegar estava chovendo 🌧️, de fraco a moderado, e eu decidi esperar na rodoviária até amenizar. Após cerca de 40 minutos, quando achei que já estava bem fraca, fui caminhando até o centro. Visitei a catedral, o museu e o centro cultural. Devido à chuva, achei melhor pegar o ônibus para o Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio (http://caravaggio.org.br) e esperar no ponto abrigado. Peguei o das 11:50, paguei R$ 3,90 em dinheiro e cheguei lá perto de 12:10. Lá visitei o santuário novo e o antigo, o rosário, a sala de velas e as salas de exposição. Achei belos todos os itens e grandioso o santuário ☝️. Esperei mais um pouco para a chuva diminuir e quase parar e voltei caminhando para o centro pela rota dos peregrinos. Em boa parte do trajeto havia uma pista para pedestres e ciclistas e gostei bastante da paisagem natural. A chuva parou completamente. Ao me aproximar do centro, fui à Casa de Pedra, que estava fechada para reforma, mas prestes a reabrir. A responsável permitiu que eu visitasse a parte de baixo. Foram cerca de 6 km do santuário até lá. Saindo de lá fui ao Parque dos Pinheiros. Perguntei a funcionários se havia trilhas no meio do mato e poderia andar por elas. Disseram que sim, mas que não eram trilhas com segurança nem manutenção. Andei pela pista e depois fui em direção às trilhas. No caminho encontrei um rapaz, perguntei se era seguro e ele me perguntou se iria usar drogas e disse que a polícia poderia aparecer às vezes. Como meu intuito não era nada disso, e depois de ver como era abandonado o início da “trilha”, achei melhor não ir, pois poderia haver algum problema de segurança com usuários de drogas. Após o passeio no parque, voltando para o centro, vi o Museu do Engenho e aproveitei para visitá-lo. Ficava ao lado de um café do mesmo proprietário. Aproveitei para comprar chuchu, limão, alface na Fruteira do Parque (https://fruteiradoparque.com.br/) por R$ 1,86 e bananas por R$ 0,62 no Supermercado Multi Economico, ambos com cartão de crédito. No caminho de volta para a rodoviária ainda peguei mexericas de uma árvore da rua. Perguntei a uma mulher de uma casa do outro lado da rua se poderia e ela respondeu que sim. Peguei o ônibus das 17:20, que me deixou num ponto mais próximo do que a rodoviária em Caxias (cerca de 1 km mais perto). Aproveitando que havia chegado mais cedo, passei no Supermercado Rosseti e comprei pães e cuca por R$ 10,10 com cartão de crédito. Comi um pão de milho e um pão multigrãos ao chegar ao hostel. Conversei com o pessoal que estava fazendo curso e organizei minhas coisas. Mais tarde jantei o mesmo do dia anterior acrescido de alface, limão, banana, chuchu e cuca de sobremesa. Na 4.a feira 22/05 tomei o café oferecido pela pousada acrescido de 2 sanduíches, banana, mexerica e cuca. Meu roteiro principal era Ana Rech, mas eu resolvi passar antes por outros atrativos do caminho. Comecei caminhando para o Jardim Botânico, cujas trilhas e paisagens muito me agradaram, particularmente o pinheiro símbolo, enorme, as árvores, as flores da estufa e o lago . Dali fui ao Memorial e Museu do Imigrante, que também me agradou, com variedade de itens, e onde fui bem atendido ☝️. Agradou-me a vista de cima do Memorial. No caminho para lá ao perguntar para um motociclista, um imigrante negro que vinha pela mesma rua antecipou-se e me orientou. Fui caminhando a seu lado e lhe perguntei se não era brasileiro, para começar uma conversa. Mas acho que ele se assustou, talvez já tivesse sofrido alguma discriminação por isso, acelerou o passo e depois atravessou a rua. Disse-lhe “benvindo ao Brasil” e agradeci, mas acho que a primeira pergunta acabou aborrecendo-lo e o fazendo sentir-se em possibilidade de discriminação . Saindo do Memorial e Museu, fui conhecer o campus das UCS (Universidade de Caxias do Sul – https://www.ucs.br), que achei grande, bem cuidado e com muitos institutos ☝️. Um homem, talvez professor, mostrou-me que havia um alojamento gratuito para professores visitantes. Achei muito interessante toda a estrutura que vi, considerando que era uma universidade comunitária. Após sair de lá fui caminhando para o bairro de Ana Rech. No meio do trajeto vi uma igreja com formato diferente, um retângulo que se ligava a uma esfera. Era a igreja de São Ciro, que entrei para conhecer, após pedir para a atendente. Ela me explicou que era o formato de um navio chegando no globo terrestre. Os vitrais coloridos internos iluminados pela claridade do dia me pareceram dar um ar de alegria espiritual, que me agradou . Continuei no caminho e cheguei ao Chateau La Cave (https://www.lacave.com.br). Originalmente eu tinha planejado fazer a visita guiada, mas como já tinha conhecido tantos outros itens semelhantes gratuitamente, desisti desta ideia. Mas entrei na portaria principal, fui até a recepção e perguntei repetidamente às 3 atendentes se poderia conhecê-lo por fora e visitar o jardim. Elas disseram que sim por 3 vezes. Explicaram que o castelo era recente, mas havia sido inspirado em um castelo espanhol do século XI. Fui então dar uma volta por fora do castelo e andar no jardim. Como começou a garoar, eu coloquei meu plástico capa de chuva. Quando estava nos fundos, apareceu um outro atendente e me disse que se precisasse de alguma explicação era só falar. Junto com ele saiu um aparente segurança de terno, que me pareceu acompanhar o passeio. Após eu andar pelo jardim, quando voltava para o pátio central, apareceu um outro homem, aparentemente o dono, gerente geral ou chefe da segurança, olhou-me fixamente (parecia estar com raiva) e me perguntou por onde eu tinha entrado, se fora pelos fundos. Disse que não, que tinha entrado pela portaria e que as recepcionistas haviam autorizado a visita, mas que se não era permitida, eu pedia desculpas e iria embora. Ele parecia um pouco nervoso e com raiva repetiu a pergunta por onde eu tinha entrado e me disse que não era permitida visita por fora. Pedi desculpas mais uma vez e perguntei se poderia conhecer o último trecho lateral que não havia visto, ao que ele respondeu que não, que eu já tinha visto e era para ir embora. Fui embora então. Acho que ele pensou que eu pretendia roubar, danificar algo, praticar algum ato ilícito ou que pela minha aparência com aquele plástico e chinelo iria assustar os visitantes . Logo a seguir já era a entrada para o bairro de Ana Rech. Vi o mapa na entrada, informei-me sobre distâncias e fiz um roteiro das atrações que pretendia conhecer. Passei e visitei uma loja de artigos locais, onde me chamaram atenção os feitos com lã de ovelha, depois fui ver os quadros da Epopeia Imigrante, contando as várias etapas da chegada e vida dos imigrantes italianos, que achei muito interessantes ☝️. Vi a igreja de Nossa Senhora do Caravaggio (não era o santuário) por fora e a estátua de Ana Rech em sua frente, que me pareceu ter um semblante triste, ou talvez de cansaço pelas dificuldades encontradas. Lá conheci Ivone Rech, que disse ser tetraneta de Ana Rech, mas que fazendo as contas acho que era trineta. Ela me falou de seu bisavô, filho de Ana Rech, que disse que não viriam emigrar para pedir auxílio, mas sim para trabalhar, contou que Ana Rech havia tido uma filha surda-muda, talvez com Síndrome de Down, que tinha adotado uma menina negra, que morreu antes da mãe, de ter ameaçado atirar-se ao mar quando tentaram impedi-la de emigrar para o Brasil e de fazer sopão para os homens durante o trabalho de construção da igreja. Ivone falou que recentemente seu marido tinha decepado parte do pé, seu filho tinha morrido após ter ficado 35 dias no hospital após ser baleado num assalto e sua mãe tinha morrido neste período . Achei uma sequência bem pesada de acontecimentos. Após despedir-me dela fui para a Praça dos Presépios, onde havia um feito de metal, que achei bem interessante ☝️. Seguindo peguei uma rua lateral e fui à Aldeia dos Presépios, que achei bela, onde ainda havia alguns montados. Ao longo do dia ocorreram chuviscos leves, que começavam e paravam. Voltei caminhando. À noite conversei com o pessoal do hostel e com a Solina, jantei o mesmo que o dia anterior e assisti junto com um dos homens que era gremista ao jogo entre Juventude e Grêmio pela Copa do Brasil. Na 5.a feira 23/05 meu destino era Bento Gonçalves. Mas desta vez eu iria hospedar-me e ficar lá. Os que estavam fazendo o curso vieram despedir-se de mim antes de saírem, mesmo eu ainda na cama. Tomei o café igual ao do dia anterior. Despedi-me de Solina e a agradeci por tudo. Antes de pegar o ônibus fui visitar a Igreja Imaculada Conceição, que estava fechada quando por lá tinha passado. Aproveitei e visite o Museu dos Capuchinos ao lado, onde fui atendido por Adriana. Achei ambos interessantes ☝️. Não sabia que os frades haviam tido um conjunto musical . Peguei o ônibus cerca de 10:45 na Lancheria Real, que era uma parada numa avenida no trajeto do ônibus, que vendia cartão para embarque, sem imprimir o bilhete. Era o ônibus da empresa Ozelame, que custou R$ 11,65 em dinheiro. Fui o começo do trajeto de pé, até chegar perto de Farroupilha, onde desceu um rapaz ao lado do banco em que eu estava. Cheguei a Bento Gonçalves pouco antes do meio dia. Fui procurar hotéis baratos, mas nenhum era mais barato que a Pousada Thiany (http://www.pousadathiany.com.br). Então fui para ela. No caminho passei pela Vinícola Aurora e me informei sobre visitas. Cheguei lá, conversei com Maria, a dona, e fiquei hospedado por R$ 49,00 a diária, em quarto privativo, com banheiro compartilhado e buffet de café da manhã, que achei excelente. Deixei R$ 5,00 de caução devido à chave automática do portão, que permitia entrar e sair a qualquer hora independentemente de atendentes. Almocei, parte no caminho, parte após me instalar na pousada, 3 pães de milho, 2 pães multigrãos e 2 sanduíches. Com o estômago cheio, fui fazer a visita à Vinícola Aurora (http://www.vinicolaaurora.com.br) . Fui guiado por Rogério, que atendeu muito bem. Inicialmente eu estava sozinho, mas após começar o vídeo chegaram dois rapazes paraibanos e quando terminou o vídeo e olhei para trás havia mais cerca de 7 pessoas. Ele falou sobre os equipamentos, sobre o processo de confecção das bebidas, sobre a história e sobre o sistema de trabalho. No final houve degustação de 4 vinhos, 3 espumantes e 1 suco orgânico. Experimentei um pouquinho de cada e gostei especialmente dos vinhos suaves, dos espumantes e do suco. Agradeci e fui visitar o centro da cidade. No caminho encontrei com um grupo de descendentes de japonesas que tinha participado da visita e comentaram que também haviam gostado, principalmente da degustação. Eram paranaenses e falaram que gostavam de ir ao Bairro da Liberdade em São Paulo. Desci a escadaria que levava ao centro e fui a um quiosque de turismo que me forneceu mapas da cidade e de 2 roteiros que eu pretendia fazer. A mulher atendeu-me muito bem e me deu várias informações sobre a cidade, a segurança, as estradas e outras. Visitei casas históricas, prefeitura, igreja, via turística e o miolo central. Achei bem interessante e bem cuidado ☝️. No fim do dia, comprei peras, caquis-chocolate e bananas no Mini Mercado e Fruteira Tutti Fruti (https://www.facebook.com/fruteiratuttifruti) por R$ 2,25, tomate e chuchu (também deram-me uma couve amarelada) num horti fruti por R$ 2,50 e pães sovados no Supermercado Apolo – filial do Shopping L’América (http://www.superapolo.com.br) por R$ 2,95, todos pagos com cartão de crédito. Ao voltar para a pousada, cozinhei arroz integral e o jantei com chuchu, cenoura, repolho, alface, couve, tomate, banana, pera, caqui e mexerica. Conheci Rose, atendente da pousada, que me atendeu muito bem ao longo de toda a estadia ☝️. Para as atrações de Bento Gonçalves veja http://bento.tur.br/, http://www.bentogoncalves.rs.gov.br/turismo/pontos-de-visitacao e https://www.viagensecaminhos.com/2018/04/bento-goncalves.html. Na 6.a feira 24/05 fui visitar os atrativos urbanos de Bento Gonçalves. Inicialmente tomei o café da manhã , que era buffet, com vários tipos de pão, manteiga, queijo amarelo, presunto ou salame, ovos, linguiça, banana, caqui-chocolate, mexerica, 2 ou 3 tipos de bolos, 2 ou 3 tipos de biscoitos, 4 tipos de doces, 2 tipos de suco, café, leite, cereais e similares. Antes de sair paguei para Maria a diária de R$ 49,00 com cartão de crédito. Ao sair da pousada vi uma área verde em frente. Resolvi pegar uma trilha dentro dela e ir em frente descendo. Ao chegar lá embaixo perguntei a um homem se era um parque, mas ele disse que era um loteamento, mas que poderia andar por ele. Inicialmente fui ao Parque de Eventos. Achei-o bem amplo e bom para caminhar. Só dei a volta no complexo por fora. A vista dos arredores parecia ser muito boa, porém estava um pouco restrita devido à nebulosidade. Saindo de lá passei pelo conjunto olímpico e pelo SESC ou similar. Começou a chuviscar 🌧️. Fui em direção ao Museu do Imigrante e à Fundação Casa das Artes. Gostei de ambos ☝️. Esperei a chuva amainar um pouco e fui conhecer o Monumento aos Imigrantes, a Igreja São Bento ☝️, que achei muito interessante, com seu formato diferente e seus vitrais, e a praça em que elas ficavam. Daí fui conhecer as construções históricas, o estádio antigo, as praças indicadas no roteiro, a Igreja Cristo Rei , que achei linda e diferente, com sua imagem de Jesus no trono de rei, a estação ferroviária, a Maria Fumaça, a Casa do Artesão, a entrada do espetáculo da Epopeia Italiana e encerrei indo até o Pipa Pórtico. Os pontos de que mais gostei foram as igrejas de São Bento e Cristo Rei, a Maria Fumaça e o pórtico . Um ponto de que gostei foi que havia banheiros públicos em muitos locais diferentes, como praças, o que facilitou muito a situação, pois num dia frio como aquele acabei urinando muitas vezes ☝️. A chuva perdurou por quase todo o dia, após começar por volta de 10 a 11 horas da manhã. O dia foi mais frio do que os anteriores, com temperatura máxima por volta de 13 a 15 C. Quando cheguei à noite Rose falou-me que a pousada tinha um robô comprado nos EUA para fazer limpeza. Quando fui tomar banho vi o robô operando. Jantei o mesmo que o dia anterior, com exceção do caqui. No sábado 25/5 fui fazer o Roteiro Caminhos de Pedra (http://www.caminhosdepedra.org.br). O café da manhã foi igual ao do dia anterior. Novamente paguei para Maria a diária de R$ 49,00 pela manhã. A pousada estava cheia. Saí cedo para poder ir caminhando e cobrir todo o roteiro. Na cidade e no início do caminho houve muito sobe e desce com muitas ladeiras . Logo no princípio da estrada um cachorro começou a me seguir e parecia meio perdido. Fiquei com medo dele ser atropelado e tentei não olhar para ele para que não me seguisse na estrada e voltasse para a área rural. Fui muito bem tratado durante todo o roteiro ☝️. Achei a estrada em si muito bela. Num dos primeiros pontos do roteiro havia um mirante com vista para uma cachoeira no meio da mata e toda a vegetação ao redor . Apreciei bastante esta vista ao lado de um casal de gaúchos que também lá parou. Fui passando pelos outros pontos e parei na Vinícola Fontanari para fazer visitação. Um jovem membro da família acompanhou-me, junto com um casal de Porto Alegre e mostrou as instalações da vinícola, que parecia bem familiar. No fim ainda foi possível apreciar a vista a partir de uma sacada que lá existia. Eu agradeci mas não quis participar da degustação. Mais à frente também fui conhecer outra vinícola, a Salvati, em que fui atendido pelo próprio Salvati ☝️. Muito simpático e comunicativo apresentou-me sua vinícola, ofereceu-me repetidamente vinhos e sucos, que eu educadamente recusei, contou-me a história da região, do trabalho, da sua família, da construção de partes da casa, da casa de pedra e de outros pontos. Falou-me do muro grande da frente que foi construído por apenas um homem com pedras encaixadas e sem rejunte. Conhecia bairros de São Paulo devido ao que os viajantes contavam. Chegou um casal de Mogi Mirim e realizou degustação enquanto conversávamos. Aí chegou um grupo grande de excursão e ele continuou nos atendendo, deixando o grupo esperar. Eu até fiquei preocupado e fui avisar-lhes de que ele estava acabando de nos atender e já iria. Ensinou-me um atalho para sair. Passei também pela Casa das Ovelhas, em que degustei queijo de ovelha e as atendentes me explicaram o trabalho deles com as ovelhas ☝️. Na Casa dos Queijos, experimentei a geleia de café, que parecia bala de café e de que gostei ☝️. Houve várias capelas e casas de pedra e madeira históricas ao longo do caminho. Peguei várias mexericas do chão durante o dia. Achei a estrada com pouco acostamento, mas como o movimento não era tão grande, não gerou grande impacto. Não choveu e a temperatura começou abaixo de 10 C e subiu para cerca de 20 C ao longo do dia. Jantei o mesmo do que o dia anterior, sem banana. Rose contou-me que seu marido era caminhoneiro e que ela já o havia acompanhando em algumas viagens com um filho. Eles tinham 5 filhos e no dia seguinte sua irmã viria para cidade e ela iria estar de folga. Despedi-me dela. Durante a noite houve bastante movimento e barulho 🔊, pois a entrada era do lado do quarto em que eu estava. No domingo 26/5 fui fazer o roteiro do Vale dos Vinhedos e Via Trento (http://www.valedosvinhedos.com.br). Logo pela manhã abriu-se uma vaga para mais um dia na pousada, algo que estava pendente. Mas precisei mudar de quarto. Paguei o mesmo valor de R$ 49,00 com cartão de crédito para Maria. O café foi similar ao do dia anterior. Dei algumas informações sobre meu passeio do dia anterior para um casal que pretendia conhecer a região. Saí cedo para poder cobrir a maior parte do vale possível. Fui caminhando pela cidade, passei o pórtico e peguei uma rua local que me levava diretamente à estrada do vale, conforme estava no mapa e seguindo a orientação dos atendentes do posto de turismo que ficava embaixo do pórtico. Achei as estradas do Vale dos Vinhedos e a Via Trento muito bonitas ☝️, com muitas construções históricas, antigas ou típicas, porém com pouco acostamento. Fui muito bem tratado em todo o roteiro. Visitei várias vinícolas, tanto pequenas como grandes. Passei mais tempo na Miolo, Cave de Pedra e Casa Valduga por serem maiores e terem ampla área de visitação. Comecei passando por algumas pequenas em que me permitiram a visita externa e até interna em alguns casos, com explicações dadas pelos responsáveis sobre vários assuntos. Uma abelha enroscou-se no meu cabelo e quando a fui tirar levei uma picada no polegar 🐝. Passei também pelo empreendimento de cerveja artesanal, pela biscoiteria, que me permitiu uma visita completa, que apreciei, e ainda me deu um delicioso biscoito com frutas de presente, pelo engenho, que me permitiu visitar seu museu, mirante e área externa, de que gostei, e pela capela. Não pude entrar no Memorial do Vinho, pois era restrito a hóspedes. Depois fui à Vinícola Miolo (https://www.miolo.com.br), que tinha uma enorme área externa, com jardins, parreirais, lago e área com vegetação. Gostei bastante, fiquei razoável tempo e dali segui para a Cave de Pedra (http://www.cavedepedra.com.br), que era uma espécie de vinícola dentro de um castelo. Permitiram entrar e subir no mirante da torre para apreciar a vista e conhecer um pouco do castelo. Além disso pude dar uma volta na área externa para apreciar a construção. Gostei bastante também. Daí voltei para pegar a Via Trento. Lá passei novamente por vários empreendimentos, vinícolas, jardins, artesanato, capela e outros, parando mais demoradamente na Casa Valduga (http://www.casavalduga.com.br), em que foi permitido dar um amplo passeio na área externa, que tinha amplas áreas verdes, parreirais, construções históricas e uma construção que me pareceu ser também em forma de castelo. Apreciei bastante. Ao lado conheci a matriarca da família Valduga, casada com Cândido, na Vinícola Dom Cândido. Já com uma certa idade, parecia ter alto astral. Para encerrar passei ainda em outras vinícolas pequenas, sendo que na Terragnolo (acho que foi esta) pude visitar as caves e fiquei ouvindo as explicações do dono, que compunha o simpático casal. Na última, Peculiare, já perto do pôr do sol, conversei com o aparente dono e ele me pareceu revelar uma ampla visão estratégica e de gestão do seu negócio e das suas possibilidades. Perto de 15 hs, reencontrei o casal com que havia conversado no café da manhã na pousada e eles ainda pretendiam ir aos Caminhos de Pedra. O dia começou um pouco frio, mas logo esquentou para mais de 20 C, com sol o tempo todo. Comi várias mexericas pegas do chão ao longo do caminho. O jantar foi igual ao do dia anterior, menos arroz e pera e acrescentando pães. A pousada estava bem mais vazia. Na 2.a feira 27/5 fui conhecer Garibaldi. Tomei café igual ao do dia anterior. Durante o café uma moça perguntou-me quem havia morrido ao ver as bandeiras das manifestações a favor do Presidente Bolsonaro. Eu estava de boca cheia e antes de responder o atendente respondeu que havia sido o PT. Ela me pareceu ficar desconcertada com a resposta. O atendente perguntou-me se eu era petista, pensando ter criado alguma animosidade, ao que respondi que não (embora não seja a favor da maioria das ideias do presidente). Mas isso evidenciou o clima de discórdia presente entre as pessoas naquele momento. Despedi-me do atendente, devolvi as chaves e itens na recepção e peguei a caução de volta. Saí pouco antes de 9 horas. Comprei pães para o almoço, jantar e café da manhã no Supermercado Apolo por R$ 2,18 com cartão de crédito. Decidi ir a pé a Garibaldi, imaginando poder apreciar a paisagem da estrada e porque a Vinícola Chandon era no caminho. Eram cerca de 8 km de estrada mais o trecho urbano, perfazendo uns 12 km. Como a estrada era a BR-470, bem movimentada, a apreciação da paisagem não foi tão boa quanto nas estradas rurais menores, mas mesmo assim houve trechos de vegetação que achei interessantes. Parei na Vinícola Chandon (https://www.chandon.com.br) para tentar fazer uma visita. A porteira disse-me que só o varejo estava disponível e que eu não poderia fazer uma visita às áreas externas. Perguntei-lhe então se poderia ir ao varejo e ela autorizou. Chegando lá pude visitar o terraço e depois fazer degustação de 2 espumantes, ambos deliciosos, um feito especialmente para o Brasil. Algumas garrafas pareciam aquelas dos prêmios dados na Fórmula 1. O recepcionista ainda me disse que poderia ir ao belvedere em frente e andar pelo parreiral. Achei bela a vista. Gostei da visita. Chegando em Garibaldi, depois de passar pelo monumento a Giuseppe, perguntei a uma mulher sobre os pontos turísticos e ela me deu informações completas. Decidi então começar pela estação ferroviária, que estava fechada. Depois fui à Vinícola Cooperativa Garibaldi (https://www.vinicolagaribaldi.com.br), onde fui muito bem atendido e fiz a visitação completa, que tinha um enfoque histórico. Adriana guiou-me e me falou dos processos passados e presentes e de alguns produtores de itens diferenciados, como orgânicos ou vinhos especiais. Havia frases de várias personagens históricas nos barris, desde a Antiguidade até a Idade Contemporânea. Gostei bastante da visita. No final houve degustação de vinho, espumante e suco integral, todos muito bons. Saindo de lá fui visitar o centro histórico, com seus casarões, igreja, museu e outros. Achei-os muito bem preservados. A igreja matriz estava em restauração e o museu estava fechado. Subindo a ladeira a partir de lá fui à Ermida Nossa Senhora de Fátima e ao mirante. Achei a ermida muito acalentadora e a vista do mirante permitiu ver outra parte da cidade, além do centro a partir do alto. Descendo de lá perguntei a um rapaz como ir à Vinícola Peterlongo (http://www.peterlongo.com.br) e ele disse que estava indo para perto dela. Fui com ele, mas ele se confundiu e me levou à cooperativa. Agradeci, voltei e pedi informações sobre a Peterlongo, que até nem era tão longe dali. O único inconveniente é que começou a garoar. Mesmo assim fui até lá. Carol atendeu-me e disse que eu poderia visitar a área externa, a loja e alguns espaços internos. A visita completa guiada custava R$ 30,00 e eu não quis fazer. Achei interessante a área de eventos, estilizada para parecer espaço interno de vinícola, onde faziam exibições de cinema e outros, a loja, com sua variedade de produtos e a área externa, onde havia uma bonita área verde. Ela me explicou que a Peterlongo é a única vinícola brasileira que pode usar o nome Champagne no rótulo, pois já o usava antes da patente ser obtida pelos franceses, na primeira metade do século XX. Também gostei da visita. Saindo de lá, já satisfeito com tudo que havia conhecido, decidi ir para a rodoviária. A garoa continuava, um pouco mais forte. Cheguei bem em cima da hora de pegar o ônibus da Bento Transportes (http://www.bentotransportes.com.br) das 15:20 para Porto Alegre, que saiu às 15:30, pelo qual paguei R$ 33,35 com cartão de crédito. A viagem foi quase toda sob chuva. Chegamos por volta de 18:10. Haviam informado para mim que o entorno da rodoviária poderia ser perigoso, então eu pedi informações sobre o melhor caminho para chegar até a Rua Alberto Lins, que era bem próxima. Disseram-me para não pegar a passarela e ir por baixo do viaduto. O trajeto foi tranquilo, porém como havia chovido e ainda garoava, havia muitas poças de água, o que fez com que tivesse que tomar muito cuidado para não levar um banho dos carros. Na chegada ao hostel toquei a campainha errada por 3 vezes até entender que o morador estava me dizendo que não era aquele interfone e sim algum outro. Um uruguaio foi abrir a porta para mim. Fiquei no HostelRock.com (https://www.hostelrock.com.br/), pagando R$ 28,80 com cartão de crédito por uma cama em quarto compartilhado, sem direito a café da manhã. Estavam hospedados ou morando lá o uruguaio, uma uruguaia, um chinês, um gaúcho, um paranaense e talvez outros. Fui comprar mandioca e limão no Supermercado Gecepel (http://www.gecepel.com.br) pagando R$ 0,83 com cartão de crédito e bananas e cenouras no ambulante Fernando pagando R$ 1,00 em dinheiro. Ele me falou de sua descendência polonesa, do seu trabalho ali na rua e de que gostaria de conhecer São Paulo, perguntando sobre hábitos de paquera das mulheres paulistas. Cozinhei arroz integral com mandioca e os jantei junto com limão, cenoura, chuchu e alface, com pão com banana de sobremesa. Depois conversei bastante com o chinês sobre viagens, a roteiro dele pela América do Sul e Brasil, a situação na China, Taiwan e outros. Pedi para o gaúcho Rogério acordar-me, caso meu despertador falhasse. Na 3.a feira 28/5 voltei para São Paulo. Após acordar conheci Diego, o dono do hostel e paguei a diária para ele. Tomei café da manhã com sanduíches de pão, chuchu, limão, cenoura, alface e banana. Rogério conversou comigo durante o café, falando de sua experiência de vida, seu trabalho como pioneiro em câmeras digitais e sua estadia na Califórnia. Fui a pé ao aeroporto, a cerca de 6 km de distância. Após o embarque uma mulher passou mal e requisitou a equipe médica do aeroporto, mas aparentemente não foi nada grave. O voo foi tranquilo, mas um pouco nublado, o que impediu a apreciação da paisagem em boa parte do trajeto. Almocei pães e sanduíches durante a viagem. Após descer no aeroporto de Guarulhos em São Paulo peguei o ônibus contratado pela TAM para ir até Congonhas e lá conheci uma família do norte do Mato Grosso, pai, mãe, filho e cachorrinha, provavelmente poodle ou similar, que estavam voltando da região de Nova York. Vim conversando com o pai e mostrando os vários pontos de São Paulo pelos quais passávamos.
  6. Resumo: Itinerário: Porto Velho (RO) → Rio Branco (AC) → Xapuri (AC) → Sena Madureira (AC) → Ji-Paraná (RO) → Comodoro (MT) → Cuiabá (MT) → Chapada dos Guimarães (MT) → Poconé (MT) → Campo Grande (MS) → Aquidauana (MS) → Miranda (MS) → Passo do Lontra (MS) → Corumbá (MS) → Bonito (MS) Período: 03/01/2006 a 06/02/2006 Ida: Voo de São Paulo (Congonhas) a Porto Velho em Rondônia. Acho que a companhia era a TAM e a passagem foi paga com pontos. Volta: Ônibus da Viação Cruzeiro do Sul de Bonito a Campo Grande no Mato Grosso do Sul e da Viação Motta, saindo de Campo Grande e indo até São Paulo Considerações Gerais: Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar relevantes. Nesta época eu ainda não registrava detalhadamente as informações, então albergues, pousadas, pensões, hotéis e meios de transporte poderão não ter informações detalhadas, mas procurarei citar as informações de que eu lembrar para tentar dar a melhor ideia possível a quem desejar repetir o trajeto e ter uma base para pesquisar detalhes. Depois de tanto tempo os preços que eu citar serão somente para referência e análise da relação entre eles, pois já devem ter mudado muito. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais: Em toda a viagem houve bastante sol. Estava no período chuvoso, mas houve pouca chuva. Em 2005 tinha havido uma seca muito forte na região amazônica, mas os rios já estavam com seu volume recuperado. As temperaturas também estiveram altas, chegando a mais de 35 C ao longo do dia, principalmente em Cuiabá e no Pantanal. A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil 👍. As paisagens ao longo da viagem agradaram-me muito, passando por áreas de florestas, rios, cachoeiras, chapadas, áreas alagadas, montanhas e outros . Roubaram meu passaporte, provavelmente em Porto Velho 😧. Eu o deixei numa área visível dentro da mochila, não percebendo o valor que poderia ter para outros. Eu o havia levado para o caso de ir até a Bolívia na fronteira. Num dos trajetos de ônibus, pessoas que provavelmente estavam contrabandeando produtos, colocaram algo (acho que era um eletrônico) acima do assento em que estava. Mas pouco depois tiraram e desceram. Logo a seguir a polícia federal parou o ônibus, mas nada encontrou 😞. A viagem no geral foi tranquila. Houve duas companhias de ônibus que quiseram cobrar um pouco mais do que declarado na passagem, o que não me agradou e me fez fazer algumas reclamações a elas e a ANTT 😠. Alguns estabelecimentos comerciais aceitaram cartão de crédito (principalmente companhias de ônibus, mercados e agências de turismo), mas a maioria não aceitou. Fui de SP a Porto Velho (acho que era pela TAM), com pontos de milhagem. Iria até Rio Branco ou Cruzeiro do Sul, mas a companhia não tinha voos para lá. Voltei de ônibus de Bonito até Campo Grande pela Viação Cruzeiro do Sul e depois de Campo Grande até São Paulo pela Viação Motta. A Viagem: Esta foi minha primeira viagem após a morte do meu pai. Eu havia tido algum tipo de mal estar (queda abrupta de pressão e taquicardia) em São Paulo cerca de 1 mês antes e a última médica que me atendeu disse que poderia ser síndrome do pânico. Assim sendo, eu viajei um pouco preocupado que o quadro pudesse se repetir durante a viagem em locais que poderiam apresentar algum risco e em que eu poderia estar sozinho. Fui de SP (Congonhas) a Porto Velho em 03/01/2006 (acho que era pela TAM - http://www.tam.com.br), com pontos de milhagem. A saída estava prevista para às 8:30. Iria até Rio Branco ou Cruzeiro do Sul, mas a companhia não tinha voos para lá. Voltei de ônibus de Bonito até Campo Grande pela Viação Cruzeiro do Sul (https://www.cruzeirodosultransportes.com.br) e depois de Campo Grande até São Paulo pela Viação Motta (http://www.motta.com.br). Em Porto Velho fiquei hospedado perto da rodoviária. É bem provável que meu passaporte tenha sido roubado nele 😧. Para as atrações de Porto Velho veja https://www.guiaviajarmelhor.com.br/lugares-para-conhecer-em-porto-velho e https://viagemeturismo.abril.com.br/cidades/porto-velho. Os pontos de que eu mais gostei foram o Rio Madeira e o Museu Ferroviário, que incluía parte da história da construção da Ferrovia Madeira-Mamoré, ponto emblemático da história do Brasil. No Rio Madeira perguntei a um homem que parecia trabalhar em algo referente a barcos se era seguro nadar e ele me disse que nunca é bom nadar em rios, pois sempre pode haver peixes que podem atacar. Ao perguntar a uma vendedora ambulante, ela me disse que qualquer lugar em Porto Velho a qualquer hora era perigoso em relação a assaltos. Eu não achei. Talvez a criminalidade estivesse crescendo e eles estivessem assustados por isso. Mas naquela época parecia bem mais tranquila do que São Paulo. Achei a cidade com características equatoriais, desde o clima até a aparência da terra. Fiz um passeio de barco pelo rio e fui a um povoado chamado Candeias, em que havia uma praia de rio. Fiquei lá até 5 feira 05/01 pela manhã, quando peguei um ônibus para Rio Branco pela Viação Jerontur (que nem sei se ainda existe). Paguei R$ 52,50 com cartão de crédito. A viagem durou boa parte do dia. Saí no início da manhã e cheguei do meio para o fim da tarde. Tivemos que fazer uma travessia de balsa em Abunã, em que se podia ver um braço de terra com a bandeira da Bolívia, mostrando que estávamos na fronteira. Conversei bastante com o ajudante do motorista ao longo da viagem. Em Rio Branco também não fiquei hospedado muito longe da rodoviária. Gostei bastante da cidade . Fiquei nela até domingo 08/01. Para as atrações de Rio Branco veja https://www.guiaviajarmelhor.com.br/lugares-para-conhecer-em-rio-branco e https://viagemeturismo.abril.com.br/cidades/rio-branco-2. Os pontos de que mais gostei foram a orla do rio, os parques e os museus, com a história da região e com histórias de pessoas simples, como a da mulher cuja avó (ou bisavó) denunciou que a máfia havia matado seu marido em Nova Iorque no início do século passado (se não me falha a memória), fugiu para São Paulo e foi aconselhada por parentes ou conhecidos a ir mais para o interior, pois disseram que São Paulo era muito perto de Nova Iorque. Foi a única que vez que experimentei o Daime. Achei bastante interessante 👍, mas deixei a mente voar muito e acho que perdi a oportunidade de uma experiência espiritual mais profunda. De qualquer forma gostei da experiência, que se usada buscando expansão de consciência, pareceu-me ser um bom veículo para espiritualidade, embora sempre ache substâncias desnecessárias. Se bem me lembro isso ocorreu na Igreja São José, que disseram ser a sede e ser conhecida em outros lugares por quem segue aquela religião. No final fui até o líder da celebração dizer-lhe que me pareceu que eles eram do Bem. No domingo 08/01 fui para Xapuri, terra em que viveu Chico Mendes, Fui logo de manhã de ônibus pela Viação Jerontur, pagando R$ 18,20 com cartão de crédito. Cheguei pouco antes do almoço. Para as atrações de Xapuri veja https://viagemturismoaventura.blogspot.com/2017/12/xapuri-acre-segundo-organizacao-mundial.html. Os pontos de que mais gostei foram os rios, os seringais, a floresta, a Casa com a história de Chico Mendes, onde ele foi assassinado e a Intendência Boliviana, importante na época da disputa da região entre Brasil e Bolívia. Gostei também das oficinas de madeira, que produziam os mais diferentes objetos com a madeira extraída da floresta. Achei interessante a foto em que apareciam Lula, então Presidente da República e Márcio Tomás Bastos, então seu ministro da Justiça, com semblante sério e pensativo olhando para seu túmulo. Pareceu-me que Lula estava pensando que aquele poderia ter sido seu destino. Conversei com a cunhada (se bem me lembro era a cunhada) de Chico Mendes sobre o assassinato, o que aconteceu depois e a vida por lá. Ela me falou que os assassinos já estavam livres após cumprir pena, um deles havia se transformado em pastor e estavam bem de vida. Pareceu-me um pouco indignada com esta situação. Uma outra mulher que havia trabalhado com Chico Mendes falou-me de como ele era, de suas previsões para o futuro (como a falta de chuvas), de sua simplicidade de usar chinelos mesmo nas ocasiões mais solenes, de como Lula o ajudou na organização sindical e de como após sua morte foram criadas as reservas extrativistas e a situação dos trabalhadores rurais havia melhorado muito na região. Isso vários outros trabalhadores me confirmaram. Como já faz 13 anos, não sei se esta situação se mantém até hoje. Passeei pelas áreas naturais, florestais, seringais, atravessei o Rio Acre a nado para ir conhecer o outro lado 👍. Fui bastante picado por mosquitos durante o tempo que estive andando por lá (cerca de 2 horas), porque fui só de calção. Na volta, já um pouco escuro, iria atravessar a nado também, mas pessoas me sugeriram para não fazer, pois poderia haver cobras ou peixes que poderiam me atacar. Não achei uma possibilidade muito grande, mas como já era quase noite, achei melhor pagar alguns centavos pela travessia de barco. Antes fiquei um bom tempo tirando areia dos olhos devido à travessia de ida. No dia seguinte, 2.a feira 09/01, fui para Sena Madureira. Queria ir até Cruzeiro do Sul, mas a estrada estava intransitável nesta época, devido às chuvas, que nem estavam sendo tão intensas. A passagem aérea achei muito cara. Então voltei para Rio Branco pela manhã e logo a seguir peguei um ônibus para Sena Madureira por R$ 17,20 com cartão de crédito pela empresa Real Norte. Na viagem, já escurecendo, o motorista passou do ponto em que uma mulher havia pedido para descer e deu marchar ré na estrada por razoável distância, numa manobra que me pareceu temerária. Depois ouvi o motorista conversando com outros funcionários da empresa e me pareceu que riram bastante do episódio. Na 3.a feira 10/01, fui até a prefeitura de Sena Madureira, onde duas jovens atendentes informaram-me sobre os pontos a visitar. Riram bastante das minhas perguntas sobre poder nadar em rios e visitar comunidades indígenas 😃. Para as atrações de Sena Madureira veja http://mochileiro.tur.br/sena-madureira.htm e https://www.guiadoturismobrasil.com/cidade/AC/221/sena-madureira. Os pontos de que eu mais gostei foram o rio e a floresta. Fiquei um pouco decepcionado por não ter visitado tribos indígenas. Numa ocasião, em Xapuri ou Sena Madureira (acho que era Xapuri) eu estava andando pela mata e começou a chover. Isso criou barro e meu calçado ficou cheio de barro. Aí eu vi uma capela rural em que eu achei interessante entrar para conhecer. Estava trancada e eu pedi para a responsável abrir para mim. Ela abriu a porta e a capela estava limpíssima. Como estava com o calçado inteiro cheio de barro, ajoelhei, levantei os pés, numa posição quase acrobática, para não sujar o chão e fui caminhando ajoelhado até o altar 😃. A mulher disse repetidas vezes que eu não precisava fazer aquilo, mas eu teria considerado um enorme desrespeito meu sujar aquele chão tão limpo. Na 4.a feira 11/01 voltei de ônibus para Rio Branco, almocei, conversei com uma comerciante sobre o clima da região e depois peguei um ônibus da empresa Real Norte para Ji-Paraná. Paguei R$ 90,00 com cartão de crédito. Desta vez atravessei a balsa à noite. Fiquei surpreso com a quantidade de cidades razoavelmente grandes existentes em Rondônia. Não tinha esta noção. Pareciam cidades médias do interior de São Paulo. Cheguei a Ji-Paraná no dia seguinte à tarde (5.a feira 12/01). Acho que foi neste trecho que houve o incidente com o possível contrabando e a polícia federal. Acomodei-me num hotel perto da rodoviária. No entardecer ainda fui dar uma volta pela cidade nas proximidades do hotel. Passei pela região central e por um museu, mas logo escureceu. Para as atrações de Ji-Paraná veja http://www.ji-parana.ro.gov.br/turismo.php e https://ecoviagem.com.br/brasil/rondonia/ji-parana. Os pontos de que mais gostei foram a história de Rondon e das comunicações na colonização inicial amazônica, a floresta, os rios e toda a vegetação. Ela fica dentro ou próxima da Chapada dos Parecis. Na 6.a feira 13/01 fui conhecer a parte histórica, principalmente referente ao Marechal Rondon e partes naturais relacionadas à floresta. Ao explorar uma área ao lado de um rio, passei por um ninho de marimbondos, que foram atrás de mim. Quando percebi saí correndo rapidamente e pulei no rio, de roupa e tudo 😃. Meu cabelo estava comprido e alguns ficaram grudados nele, mas os outros foram embora quando mergulhei. Levei só algumas poucas picadas. No fim do dia peguei um ônibus da Viação Andorinha (http://www.andorinha.com) para Comodoro no Mato Grosso, por R$ 48,85 com cartão de crédito. Cheguei no dia seguinte, sábado 14/01, no começo da manhã. Para as informações sobre Comodoro veja https://pt.wikipedia.org/wiki/Comodoro_(Mato_Grosso) e http://www.coisasdematogrosso.com.br/cidades/cidade.asp?id=150&cidade=Comodoro. Os pontos de que mais gostei foram as áreas naturais. Acho que foi meu passeio mais autêntico na Chapada dos Parecis. Após acomodar-me num hotel fui visitar a área. Perguntando para um morador sobre o horário, percebi que ainda havia confusão devida ao horário de verão. Fui caminhando pela estrada e, após perguntar a habitantes locais, entrei numa área rural, meio pantanosa, cheia de buritizais, para conhecer melhor a região. Andei por terrenos pantanosos, por campos, por mata (não fechada) e por alguns morros não muito altos, mas que proporcionaram boa vista. Isso tomou o dia inteiro e me deu uma boa impressão de como era aquele local. Gostei muito . À noite jantei na praça em meio a som de bares. No domingo 15/01, logo de manhã peguei um ônibus para Cuiabá pela Viação Andorinha. Paguei R$ 60,00 no cartão, mas na passagem veio impresso R$ 57,70 e não me foi dado nenhum comprovante de taxa de embarque (nem existia rodoviária). Quando perguntei, o representante em Comodoro me disse sorrindo que era daquele jeito mesmo e estava correto. Posteriormente fiz uma reclamação sobre o fato para a Viação Andorinha, que me devolveu a diferença prontamente, e notifiquei a ANTT. Chamaram-me atenção as plantações laterais às rodovias durante as viagens de ônibus, principalmente no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Cheguei a Cuiabá no fim da tarde. Hospedei-me no centro, perto da rodoviária. Algumas pessoas disseram-me que era uma área perigosa à noite e nos fins de semana e eu fiquei preocupado. O dono do hotel disse que era tranquilo. Depois de andar um pouco por ali, percebi que para os meus padrões de paulistano do que era uma área perigosa, ali até que era bem tranquilo. Para as atrações de Cuiabá veja https://viagemeturismo.abril.com.br/cidades/cuiaba, https://www.guiadoturismobrasil.com/cidade/MT/970/cuiaba e https://www.brasilturismo.com/mt/cuiaba. Os pontos de que mais gostei foram as igrejas, os rios, as áreas verdes e as características regionais. Visitei também seus monumentos e construções. Na 2.a feira 16/01 fui conhecer Cuiabá. Gostei da cidade 👍, mas achei muito quente 😓. Talvez uma das cidades que eu conheci mais quentes do Brasil. Foi necessário bastante água ao longo do dia. Aproveitei para passar também por Várzea Grande, uma cidade também bastante grande, que ficava ao lado de Cuiabá. Na 3.a feira 17/01 de manhã fui para Chapada dos Guimarães de ônibus. Cheguei lá ainda pela manhã e me acomodei num hotel no centro. Fui pesquisar como fazer passeios e me convenci de que precisava de uma agência de turismo para alguns deles, em especial para a Caverna e Lagoa Aroe Jari. Escolhi a Agência Chapada dos Guimarães (http://www.chapadadosguimaraes.com), que ficava na praça central. Falei-lhes do meu interesse na Caverna Aroe Jari, caso conseguissem um grupo. No dia seguinte falaram que haveria a escalada do Morro São Jerônimo e eu disse que provavelmente iria. Para as atrações da Chapada dos Guimarães veja http://chapadadosguimaraes.tur.br, https://viagemeturismo.abril.com.br/cidades/chapada-dos-guimaraes, https://www.feriasbrasil.com.br/mt/chapadadosguimaraes e http://www.chapadadosguimaraes.com. Os pontos de que mais gostei foram as cachoeiras, as estruturas de pedra, a vegetação, as montanhas e o mirante do centro geodésico. Foi um dos locais de que mais gostei da viagem . Aproveitei a tarde para passear pela cidade, passei e nadei numa espécie de balneário público (disseram-me que como a água era corrente não havia risco de doenças) e depois fui a pé até o Mirante do Centro Geodésico da América do Sul (centro geográfico da América do Sul), que alguns exotéricos dizem ter um caminho direto para Machu Picchu. Não procurei nem me preocupei com isso. Eram cerca de 7 km de distância a partir da cidade. Achei a paisagem muito bela . Aproveitei e fiquei um bom tempo contemplando e fazendo meditação. À noite fui a um restaurante de espetos, mas como não como carne, fiquei só nos complementos. Perguntei ao dono se isso não lhe daria prejuízo e ele disse que não e me receberia nos outros dias sem problemas. Na 4.a feira 18/01 fui para a agência para fazer o passeio ao Morro São Jerônimo. Paguei R$ 45,00 com cartão de crédito pelo passeio. Ao chegar lá sem uma garrafa de água, o dono me falou que eu iria entrar na água dos outros durante o passeio e que precisaria ir comprar uma garrafa antes de partirmos. Disse a ele que achava que não precisaria, mas ele não concordou. Fui então rapidamente comprar uma. Se bem me lembro, o grupo que iria para o passeio era formado pelo guia Aílton, um casal de brasileiros com etnia japonesa, dois amigos alemães, um casal com um carioca e sua namorada, o filho do dono da agência, uma mulher de uns 50 anos e seu neto (ou sobrinho ou algo semelhante) adolescente. Andamos bastante sob um sol forte. O guia me pareceu muito bom, embora eu prefira fazer meus passeios sem guia. Mas naquele caso teria sido muito difícil achar a trilha. Paramos em algumas quedas de água e pudemos aproveitar para nos banhar nelas e eu aproveitei para beber um pouco de água. Vimos araras. Apreciamos a paisagem natural. O guia ajudou-nos nas escolhas dos melhores modos de subir na trilha que já se encontrava na montanha. No alto fez questão de me dar alguns amendoins para comer, mesmo após eu recusar, porque achou que eu poderia não aguentar a descida se não me alimentasse (talvez devido a algum problema de baixa de glicemia). Eu comi dada a ênfase com que me deu. No geral, gostei bastante . Voltamos no fim da tarde. Dei minha garrafa de água sem abrir para o filho do dono 😃. Na 5.a feira 19/01 voltei à agência para fazer o passeio pela Cidade de Pedra e alguns outros pontos da chapada. Paguei R$ 40,00 com cartão de crédito por ele. O dono disse-me que havia visto seu filho com minha garrafa na volta e me perguntou se eu seguia a forma de ser dos camelos, tomava muita água antes de sair e depois não precisava de água ao longo do passeio 😃. Eu disse que sim e que tinha avisado. Neste dia fizemos o passeio de carro, pois as distâncias eram maiores. No grupo estavam novamente o mesmo guia Aílton e o casal com etnia japonesa, além de mim. Os outros não estavam, mas juntou-se a nós uma britânica (acho que era do País de Gales). Os paredões pareceram-me espetaculares . Gostei também das cachoeiras e das paisagens. Este passeio foi mais curto, pois de carro os deslocamentos, apesar de maiores, foram mais rápidos. No início da tarde já estávamos de volta e eu aproveitei para ir novamente ao Mirante do Centro Geodésico da América do Sul. Passei depois por algumas agências procurando por grupos para a Caverna e Lagoa Aroe Jari, mas não encontrei nenhum. Para ir só, se bem me lembro, o preço mais baixo que encontrei era de cerca de R$ 360,00. Ainda fui à pousada do casal de etnia japonesa para ver se queriam ir no dia seguinte ao parque para conhecer o circuito das cachoeiras por conta própria. Mas ficou no ar e acabamos indo separados. Na 6.a feira 20/01 fui conhecer as cachoeiras do parque (http://www.icmbio.gov.br/parnaguimaraes). Naquela época era possível ir sem guia. A sinalização era precária, mas era possível encontrar as trilhas. Eu me perdi um pouco em alguns locais, mas acabei conseguindo fazer o circuito completo. Cheguei perto da hora do almoço e encontrei o casal de etnia japonesa terminando o passeio. Disseram-me que haviam gostado e que provavelmente eu gostaria, pelo que tinham visto eu apreciar nos dias anteriores. Mas ressaltaram que acharam o parque muito mal sinalizado. Gostei bastante , cada uma de um jeito, mas todas possíveis de serem aproveitadas e apreciadas. Para ir à última, já perto do fim da tarde, tive um pouco de dificuldade de achar a descida, mas acabei conseguindo. Após sair dela, peguei uma trilha errada e fui sair fora do caminho principal. Mas depois orientei-me pela paisagem e consegui voltar ao caminho principal e retornar à portaria, ainda dentro do horário de visitação, quase no pôr do sol. Aílton falou-me de um barqueiro que fazia a travessia de Porto Jofre, no fim da Rodovia Transpantaneira, até Corumbá, cruzando o Rio Paraguai. Ele me deu o número de telefone. Eu liguei, mas sua mulher falou que ele estava em Corumbá e demoraria vários dias para voltar. Então eu desisti de ir com ele, mas fiquei com a ideia de poder fazer esta travessia com algum outro barqueiro. No sábado 21/01, voltei à agência para ver se existia algum grupo para a Caverna e Lagoa Aroe Jari. Em todos os dias eu perguntei e em nenhum houve nenhum grupo interessado 😞. Aí eu desisti, agradeci e peguei um ônibus para Cuiabá para começar minha visita ao Pantanal. Em Cuiabá peguei um ônibus para Poconé pela Tut Transportes (http://www.tut.com.br) por R$ 15,85 com cartão de crédito. Poconé ficava na borda norte do Pantanal e dava acesso à Rodovia Transpantaneira. Cheguei em Poconé no início da tarde e me hospedei no Hotel Tuiuiú (https://www.tripadvisor.com/Hotel_Review-g1191961-d2657293-Reviews-Hotel_Tuiuiu-Pocone_State_of_Mato_Grosso.html). Depois fui procurar por uma bicicleta para alugar no dia seguinte e ir pedalando até a Transpantaneira. Mas não consegui 😞. Não fazia parte da cultura das pessoas e elas até aceitavam alugar, porém o preço que pediam era de venda da bicicleta. Como a bicicletaria estava fechada, não tive sucesso. Mas obtive bastante informações sobre o passeio a fazer, com os moradores locais e com o rapaz do hotel. Algumas pessoas disseram-me para não ir a pé até Porto Jofre, que era no fim da Transpantaneira, às margens do Rio Paraguai, pois poderia haver onças no caminho depois de um determinado ponto. Falaram-me que um rapaz havia ido atravessar o Rio Paraguai de carona em troca de trabalho com um barqueiro mascate desconhecido e foi morto. Disseram-me também que não sabiam se seria possível achar uma acomodação em Porto Jofre com valores baixos para pernoitar. À noite fui a uma festa na praça e conversei com um vendedor de itens infantis estrangeiro de origem hispânica sobre a região. Explicou-me sobre a cidade e as pessoas. Falou de como havia gostado das mulheres de lá. Porém quando perguntei sobre o Pantanal, disse que lá no meio do mato não conhecia e poderia ser perigoso. No domingo 22/01 fui fazer um passeio na Transpantaneira. Fui sem a mochila, o que significava que tinha decidido não fazer a travessia do Rio Paraguai. Saí de manhã até um ponto no início da estrada que ia para lá e fiquei esperando carona com alguém que fosse. Após cerca de meia hora passou o dono de uma pousada e me deu carona. No caminho conversamos sobre hospedagem e ele me disse que R$ 100 a R$ 150 eram valores normais para aquela área e que eu tinha visto o mais caro que era o Hotel Porto Jofre, por mais de R$ 300. Mas mesmo R$ 100 era mais do que o triplo do que eu estava pagando em média. De qualquer modo ele me falou do pagamento pelo uso de um dia, se eu estivesse interessado, que saía por um preço próximo a R$ 20 e que seus empregados levavam os turistas para ver vários pontos, incluindo a “cobra”. Disse que se eu tinha ido até ali e não iria fazer este tipo de passeio era como se tivesse ficado em casa e visse um documentário. Deu-me um folheto da sua pousada, que eu peguei, mas após o dia que passei resolvi não visitar, pois achei desnecessário. Após eu perguntar sobre perigos, ele me falou para ter cuidado com abelhas na margem da estrada. Chegamos, eu agradeci e me despedi. Comecei a caminhada até o ponto mais distante que eu conseguisse, imaginando voltar ainda com claridade. Logo no início passei pelo pórtico de entrada da Transpantaneira e pouco à frente por uma estátua de São Francisco. Ao perguntar a pessoas que estavam se banhando como fazia para encontrá-la, indicaram-me e depois eu os ouvi comentando “Pode ser alguém fazendo promessa” 😃. Tentei algumas caronas para ir até um ponto mais distante, mas não tive sucesso. Vi muitos jacarés pequenos. Até avisei os banhistas para tomarem cuidado, mas eles disseram gargalhando que sua carne era ruim 😃, e portanto os jacarés não iriam gostar. Eu não entrei na água. Havia também araras, tuiuius e outras aves. A planície pantaneira pareceu-me muito bela . Pedi informações em vários estabelecimentos e me surpreendi com o número de estrangeiros nas pousadas. Passou um caminhão indo para Porto Jofre. Lamentei pois tinha decidido não ir para lá e uma possível carona até um ponto mais à frente já não era relevante. Perto do ponto de retorno, pois pelos meus cálculos se fosse além iria pegar parte do caminho na escuridão, o que poderia ser muito perigoso devido às onças, vi um cervo do pantanal bem perto da estrada. Ele não me viu e eu pude contemplá-lo bastante . Pena que depois de algum tempo em que eu estava parado, como eu estava suando muito, os mosquitos começaram a me atacar e eu tirei o boné para espantá-los, o que assustou o cervo e o fez correr para longe. Ainda assim deu para admirá-lo mais um pouco. Satisfeito após este avistamento retornei pelo mesmo caminho. Num determinado ponto parei para descansar um pouco e dois rapazes que estavam por ali me ofereceram cerveja. Educadamente eu recusei e começamos a conversar. Perguntaram se São Paulo, com todo seu asfalto, não era mais quente do que ali, ao que eu respondi decididamente que não (pelo menos até aquele ano). Disseram-me para voltar mais tarde, na época da cheia, pois teria maiores chances de ver animais. Despedi-me e continuei voltando. Perto já do ponto de fim, pouco antes do pórtico, vi árvores dormitório . Como estava anoitecendo, a vista dos pássaros na árvore pareceu mais bela ainda. Ali perto numa área alagada, um cavaleiro estava laçando um boi, numa cena típica da região. Parei para acompanhar, principalmente quando entraram na água . Ao chegar ao portal, fiquei esperando por carona, mas tive dificuldades de conseguir. Então, o guarda da guarita disse que iria pedir a um caminhão (ou caminhonete) que vinha com muitas pessoas para me levarem e que não teriam como recusar. Pediu e realmente concordaram. O pequeno e antigo caminhão estava lotado. Acho que era um passeio de vizinhos. Num determinado ponto o caminhão parou. Ficou sem combustível. Aí o motorista foi pegar na carroceria. Uma das integrantes disse gargalhando “Vamos aproveitar para fumar maconha”. O motorista, com um cigarro aceso numa das mãos, pegou o galão de gasolina com a outra. Ele não estava enxergando bem devido à escuridão e aproximou o galão e o cigarro do rosto 😲. Eu saí de perto, pois estava vendo o desastre acontecer, mas não quis falar nada, pois achei que não seria entendido, posto que ele parecia um pouco fora do estado de alerta. Ele conseguiu colocar o combustível. Continuamos um pouco mais, eu saltei (até um pouco antes do que pretendia), agradeci e voltei para o hotel. Contei ao rapaz do hotel que não tinha conseguido alugar a bicicleta e sobre os animais que tinha visto. No jantar contei ao dono do restaurante como tinha sido o dia e como tinha conseguido a carona para ir. Na 2.a feira 23/01 peguei um ônibus de manhã para Cuiabá. Lá estava um dos integrantes do caminhão do dia anterior, que me reconheceu e me cumprimentou. Eu sorri e achei interessante ele, que fazia parte daquela turma do dia anterior que parecia não se preocupar com o amanhã, estar no ônibus tão cedo, provavelmente para ir trabalhar ou estudar. De Cuiabá peguei um ônibus para Campo Grande (MS) pela Viação Medianeira por R$ 72,00 com cartão de crédito. Somando a passagem e a taxa de embarque deram-me comprovante de R$ 71,85. Em Campo Grande, mais pelo desaforo do que pelo dinheiro, reclamei no guichê, já que estava na rodoviária mesmo, e recebi a diferença. Cheguei no fim do dia e fiquei hospedado numa pousada ou pensão perto da rodoviária. Para as atrações de Campo Grande veja https://viagemeturismo.abril.com.br/cidades/campo-grande-2/ e http://campogrande.net/turismo. Os pontos de que mais gostei foram os parques, as áreas verdes, os museus da região, principalmente referentes a índios, o artesanato e as mangas. Na 3.a feira 24/01 e 4.a feira dia 25/01 fui conhecer a cidade. Já tinha estado nela em 1994 e 1995 a trabalho, mas não tinha tido oportunidade de conhecer tudo que queria. Desta vez pude ir ao vários parques, praças, centros de artesanato e museus temáticos, principalmente regionais e indígenas. Até repeti alguns museus e locais que já conhecia e de que havia gostado quando das viagens a trabalho. Num dos parques havia uma mangueira carregada e fiquei um bom tempo comendo mangas. O sabor natural, sem aditivos artificais, pareceu-me sem igual, muito melhor do que as frutas que eu conhecia das feiras e supermercados 😋. Passeei também pela área urbana, incluindo a região central e algumas áreas periféricas. Chamaram-me atenção a terra vermelha de cor forte, o grande espaço existente e as áreas verdes. Na 5.a feira 26/01 fui para Aquidauana, no início do Pantanal do Mato Grosso do Sul pela empresa Expresso Mato Grosso, pagando R$ 21,00 com cartão de crédito. Saí de manhã e cheguei lá na hora do almoço. Após me instalar fui procurar informações sobre como conhecer o Pantanal. Um homem de uma agência me disse que naquela região eu teria dificuldade em encontrar atrações naturais a preços baixos. Porém existia uma vila de pescadores chamada Passo do Lontra, na Estrada Parque, que era local de mochileiros, em que eu poderia encontrar hospedagem barata e ter acesso às áreas naturais por conta própria. Disse que existia inclusive um hotel barato lá em que eu poderia ficar. Guardei estas informações, que se revelaram utilíssimas 👍. Referente a Aquidauana então, fiquei um pouco decepcionado com as perspectivas, mas me preparei para caminhar por estradas rurais e tentar ver o que conseguisse. Neste dia ainda caminhei um pouco pela cidade para conhecer seus atrativos e resolver algumas questões burocráticas (se bem me lembro era algum pagamento). Na 6.a feira 27/01 saí cedo e peguei uma estrada rural que me indicaram. Novamente vi a vegetação pantaneira, tuiuius, garças, outras aves e jacarés, porém sem a exuberância que havia visto na Transpantaneira. Não consegui carona para poder chegar até um ponto mais distante e ter a chance de ver mais. Perto do meu ponto de retorno, vi um veado mateiro pequeno 👍, que não tinha visto ainda na viagem. Muito belo, porém bem menor que o cervo visto na Transpantaneira. Esta área me pareceu menos selvagem que a da Transpantaneira, mais ocupada pelo ser humano. Talvez por isso a vista de animais foi menor, mas mesmo assim houve vários. Não me lembro se foi aqui ou em Miranda, no começo do meu caminhar pela estrada rural cruzei com uma enorme boiada, que tomava a estrada toda. Fui para o canto para poder passar. Como parei por algum tempo, os mosquitos começaram a me atacar. Aí tirei o boné para espantá-los. No primeiro movimento brusco que fiz os bois se assustaram e começaram a querer correr. parei imediatamente. Os peões se assustaram e logo foram para cima dos bois para acalmá-los. Quase estourei a boiada sem querer 😲. Lamento pelo ocorrido. Ao passar a boiada levantou muita poeira e até me fez cantar a música da Ivete Sangalo (poeira, poeira, levantou poeira) 😃 No sábado 28/01 fui de manhã para Miranda. Fui pela mesma empresa Expresso Mato Grosso, pagando R$ 7,00 com cartão de crédito. Após me acomodar em Miranda fui me informar sobre como conhecer o Pantanal naquela área. Entrei numa agência de turismo procurando por um mapa, atenderam-me muito bem, mas como acho que não estavam acostumados a mochileiros, não conheciam detalhes de baixo custo. As informações acabaram sendo imprecisas. As do homem de Aquidauana foram mais fiéis à realidade. A dona disse que estava acostumada, mesmo nas viagens de ônibus, a observar animais pela janela. Falou-me que para a exuberância maior, realmente precisaria ir a fazendas ou pousadas que eram caras. Sugeriu-me pegar estradas de terra e observar a paisagem, as aves e tudo, como eu havia feito antes e lhe dito. Foi o que fiz ao sair dali, porém como já estava no meio da tarde, resolvi pegar um caminho pela estrada principal de asfalto e deixar a caminhada por estradas rurais mais longas para o dia seguinte. Após já ter andado um pouco, senti que não tinha me hidratado bem e estava começando a sentir um pouco de mal estar pela falta de água, quando caiu repentinamente uma chuva 🌧️, que usei para me hidratar, bebendo diretamente um pouco da sua água. Pude ver bastante garças e tuiuius e peguei um pouco mais de chuva na volta. No domingo dia 29/01 fui caminhar por uma estrada rural. Se bem me lembro, desta vez consegui carona mas já depois de haver andado bastante, o que aumentou um pouco a distância até onde pude ir. Vi novamente bastante aves, tuiuius, garças e jacarés (provavelmente caimans). A área parecia menos tomada pelo homem que Aquidauana, mas menos selvagem que a Transpantaneira. Foi um passeio agradável, mas esperava poder ver mais tipos diferentes de animais. Na 2.a feira 30/01 resolvi ir até onde o homem da agência de Aquidauana havia recomendado. Já perto do almoço, devido às restrições de horário, peguei um ônibus para o Buraco das Piranhas, que era o ponto da estrada em que se descia para ir até o Passo do Lontra. Chegando lá, ao dizer para o policial do posto de guarda que eu era de São Paulo, ele me perguntou se eu estava ali para fugir de algo 😮. Eu me surpreendi e disse que não, só tinha vindo conhecer as atrações naturais. Ele me perguntou se iria fazer um safári e logo completou “fotográfico” e eu disse que não tinha câmera e iria guardar tudo na memória. Falou-me para tomar cuidado com alguns animais e me mostrou um ferimento de jaguatirica que tinha sofrido na mão. Esperei um pouco por transporte e depois resolvi ir a pé os cerca de 8 km. O chão de terra estava meio pesado, provavelmente devido a alguma chuva anterior. Com isso, num dado ponto minha calça de moletom rasgou. Não dava para trocar ali no meio da estrada e fui com ela até a vila. Após chegar fui procurar um local para ficar e o caseiro de uma cabana de pescadores me disse que o preço era R$ 20,00 (ou R$ 15,00), mas que para mim faria por R$ 15,00 (ou R$ 10,00). Acho que isso foi devido ao estado em que cheguei, com barro e com a calça daquele jeito 😃. Após estar estabelecido procurei uma costureira que me emprestasse linha e agulha para consertá-la e consegui. Dei uma pequena volta pelos arredores, conheci o hotel que lá havia, que realmente tinha quartos não tão caros (acho que eram cerca de R$ 40,00) comparados aos outros e me informei sobre as refeições que serviam. A mulher do caseiro disse que o patrão só lhes dava dinheiro para a comida deles, então não poderia vender-me refeições. Informei-me sobre o caminho a seguir no dia seguinte para andar pela Estrada Parque. Na 3.a feira 31/01, após café da manhã no hotel e encher 2 garrafas de 1,5 litros de água saí caminhando pela estrada Parque em direção à Pousada Arara Azul, que me pareceu ser o ponto viável de retorno. Após caminhar um pouco, encontrei alguns habitantes locais que me disseram que as pegadas que víamos na estrada eram de onça e estavam frescas, talvez fossem do amanhecer. Pouco à frente consegui uma carona de uns 20 km, o que aumentou minha autonomia para ir mais longe. Acabei passando pela Pousada Arara Azul e fui quase até a Curva do Leque. Estava muito calor 😓. Pude ver muitos animais. Junto com a Transpantaneira, este foi o melhor trecho do Pantanal . Vi muitas aves, tuiuius, garças, araras e outras, vi uma comunidade de quatis, entocada em uma árvore. Pude chegar bem perto, mas procurei ficar pouco tempo muito perto (a menos de 1 metro de distância) para não assustá-los. Uma família de capivaras cruzou a minha frente na estrada. Não me viram e eu me aproximei vagarosamente. Quando o líder me viu eu já estava bem perto e ele começou a emitir sons e todos saíram correndo em fila para a área alagada. Tentei assustá-los o mínimo possível. Já perto da chegada, passou um homem com um pequeno caminhão e me falou "Olha a hora da onça!". Eu fiquei um pouco alarmado, mas como já estava perto da vila não me preocupei muito. Quando cheguei de volta, ouvi a mulher do caseiro falar, provavelmente para o marido, que eu estava chegando e parecia muito cansado. Realmente estava, pelo chão pesado e principalmente pelo calor. Ao chegar perto da cabana, um policial federal, pensando que eu era habitante local, perguntou-me se ele poderia estacionar seu carro ali. Aparentemente estava perseguindo alguém (talvez um contrabandista) que conseguiu escapar. Falou sarcasticamente que esperava que a onça o comesse. Disseram-me que havia um jacaré grande na lagoa do outro lado. Apesar de muito cansado eu fui ver. E valeu a pena. Talvez fosse um jacaré-açu ou um caiman enorme . Foi o único jacaré selvagem daquele tamanho que eu vi na viagem inteira. Ele estava do outro lado da lagoa e percebeu que eu tinha chegado. Só revirou o olho levemente na minha direção como quem diz “Mantenha distância”. Eu respondi para ele telepaticamente “Não precisava nem ter dito Seu Jacaré. Eu não atravesso esta lagoa por dinheiro nenhum” 😃. Depois retornei, fui jantar, admirar o céu estrelado e dormir. Lá não havia iluminação artificial nas ruas. Num dos dias à noite, ao sair para jantar, vi algo brilhante no chão refletindo a luz da minha lanterna. Ao iluminar melhor percebi que era uma cobra e desviei . Ainda bem que a vi, pois senão teria pisado nela e poderia ter ocorrido um acidente. Num dos dias, após o entardecer, já em boa parte no escuro, tomei banho no Rio Miranda. Antes perguntei a um morador local se não havia piranhas ou outros peixes que atacassem e ele me disse que não. Adorei a água 👍. Na 4.a feira 01/02, saí rumo a Corumbá. Antes tomei café da manhã no hotel, despedi-me e agradeci o casal de caseiros e fui procurar alguém para quem dar uma rede de deitar, que havia comprado em 2002 na minha primeira viagem pela Amazônia, e que levei por achar que iria precisar no Pantanal também, o que não aconteceu. Fui até a casa da mulher que havia me emprestado a linha e a agulha para a costura e lhe dei. Ela agradeceu e seu marido, que havia me indicado a casa dela quando eu tinha chegado procurando pela linha e agulha 2 dias antes, desejou-me boa viagem e me disse para ir com a Virgem Maria e todos os anjos ou santos. Fiquei impressionado como uma simples rede tinha impactado aquela gente tão simples e generosa 😊. Novamente caminhei pela estrada e fui até o Buraco das Piranhas pegar o ônibus para Corumbá. Não reencontrei o mesmo policial para falar das aventuras. Peguei o ônibus, cheguei em Corumbá, hospedei-me e ainda pude passear pela cidade. Para as atrações de Corumbá veja http://www.corumba.com.br/turismo/tur_ponto.htm, https://www.guiadoturismobrasil.com/cidade/MS/444/corumba e https://www.feriasbrasil.com.br/ms/corumba/. Os pontos de que mais gostei foram o Rio Paraguai, a história, os marcos e as ilustrações da Guerra do Paraguai. Num dos dias fui até a zona de comércio de Puerto Suarez na Bolívia para tentar comprar um tênis. Não precisei de passaporte. Após escolher um bem barato, antes de comprar pedi para experimentar. Quando experimentei vi que ficava muito apertado, embora o número fosse maior do que costumo calçar. Disse então que não iria levar e a dona da loja ficou muito brava. Como a cidade ficava a cerca de 6 km de distância e eu não tinha notícia de nenhuma atração de antemão, decidi não ir até lá. Um dos pontos de que mais gostei de Corumbá foram azulejos ou muros em ruas que ilustravam a Guerra do Paraguai. Havia várias cenas retratando a época e o conflito. Alguns detalhes específicos da guerra como violência contra mulheres eu não conhecia . A vista do Rio Paraguai, principalmente na ida e volta da Bolívia, pois se passava por uma via elevada, pareceu-me muito bela . O rio parecia grandioso e ainda relativamente mantendo suas características naturais, apesar do ambiente urbano próximo. Fiquei em Corumbá 5.a feira 02/02 e na 6.a feira 03/02 fui para Bonito. Antes ainda dei mais um pequeno passeio pela cidade, fui ao galpão regulamentado do comércio de ambulantes e comprei o tênis que queria. Peguei o ônibus perto da hora do almoço e cheguei em Bonito após o meio da tarde. Chegando em Bonito procurei informar-me sobre as atrações. Quase todos os pontos a visitar eram pagos. Boa parte exigiam guias. A maioria era distante e precisava de transporte. Não era exatamente o tipo de local que eu prefiro. Para as atrações de Bonito veja http://www.turismo.bonito.ms.gov.br/bonito/atrativos-turisticos e https://www.bonitour.com.br/bonito?lang=pt-br. No sábado 04/02 aluguei uma bicicleta e fui até o Parque das Cachoeiras conhecer as 7 quedas. Como fazia tempo que não pedalava, sofri um pouco para chegar lá, principalmente porque havia estradas de terra com pedrinhas que dificultavam a situação. Mas cheguei após algum tempo. Havia contratado o passeio sem almoço e cheguei já perto da hora do início. Gostei das cachoeiras . Fomos num grupo de várias pessoas que me pareceu animado, principalmente porque várias pessoas pareciam ser familiares ou amigos. Na tirolesa, após saltar, senti o impacto na água, mas ficou tudo bem. Uma menina chorou após cair 😢, pois acho que não estava preparada para o impacto. Na volta, duas moças que haviam ido sem carro pegaram carona com os outros participantes. Como eu estava de bicicleta, voltei pedalando. No meio do caminho parou um carro com algumas pessoas do grupo, onde estavam as moças de carona, e me deram um certificado por ter feito o passeio. Nunca tinha recebido algo assim e fiquei surpreso 😮. Voltei e devolvi a bicicleta. No domingo 05/02 novamente aluguei a bicicleta 🚲 e fui até a Gruta do Lago Azul. Gostei bastante da gruta . Compensou a que não conheci na Chapada dos Guimarães. Só achei que o guia ficou muito tempo dando instruções, o que reduziu o tempo de passeio e contemplação efetivos. O grupo era bem grande, muito maior do que o do dia anterior. O passeio durou bem menos também. Não se podia entrar na água para não se causar impactos. O aspecto da lagoa pareceu-me lindo. Após voltar de bicicleta à cidade ainda fui ao balneário municipal, onde pude nadar, mergulhar, ver peixes, principalmente dourados, contemplar a paisagem e descansar 👍. Não quis fazer mais passeios em Bonito porque pareceram-me caros 💰 e eu já havia visto quase tudo o que era oferecido lá ao longo da viagem de graça. Só a lagoa que realmente foi única. Na 2.a feira 06/02 de manhã peguei um ônibus para Campo Grande pela Viação Cruzeiro do Sul (https://www.cruzeirodosultransportes.com.br), pagando R$ 42,00 com cartão de crédito. Em uma parada na viagem ainda ajudei um grupo de estrangeiros que estava com dificuldades de se comunicar com os empregados da empresa de ônibus. De Campo Grande peguei outro ônibus para São Paulo pela Viação Motta (http://www.motta.com.br) por R$ 118,00 pago com cartão de crédito. A viagem foi pelo oeste paulista, chegando em São Paulo no início da manhã do dia seguinte.
  7. Resumo: Itinerário: Itajaí → Balneário Camboriú → Canelinha → Nova Trento → Santuário de Madre Paulina Período: 19/12/2018 a 26/12/2018 Gasto Total: R$ 582,96 Gasto sem Transporte de Viagem: R$ 389,96 Média Diária: R$ 55,71 Ida e Volta por Carona do BlaBlaCar (R$ 97,00 de ida e R$ 96,00 de volta) Considerações Gerais Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar importantes. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais: Em toda a viagem houve bastante sol. Chuva pesada houve na 5.a feira (20/12) à noite, quando estava vendo o espetáculo de Natal em Itajaí e na 6.a feira (21/12) no meio da tarde, quando estava chegando em Balneário Camboriú, que durou cerca de 45 minutos. Chuva leve houve na ida à Canelinha no domingo (23/12) e na região de Nova Trento, na 2.a (24/12) e 3.a (25/12). As temperaturas também estiveram bem razoáveis (para um paulistano), chegando em média a 32 C ao longo do dia e caindo até 20 C à noite. A população de uma maneira geral foi cordial e gentil 👍. As paisagens das praias, da vegetação e do Santuário agradaram-me muito , principalmente as próprias praias, o mar, a vista a partir de pontos altos, a mata, o templo e os locais históricos e religiosos. Como era época natalina, pude aproveitar vários locais com iluminação e decoração de Natal 👍. A caminhada no geral foi tranquila. Mesmo quando precisei andar nas estradas, o acostamento na maior parte do percurso foi bem aceitável. Não tive nenhum problema de segurança (nenhuma abordagem indesejada) nas praias, nas estradas nem nas cidades. Não houve nenhum obstáculo relevante nas praias, pois como estavam em cidades, havia alternativas. Todos aceitaram cartão de crédito sem acréscimo. Só a carona de volta paguei em dinheiro. Gastei na viagem aproximadamente R$ 582,96, sendo aproximadamente R$ 20,46 com alimentação, R$ 369,50 com hospedagem, R$ 97,00 com a carona de ida e R$ 96,00 com a carona de volta para São Paulo. Sem contar o custo das caronas entre São Paulo e Itajaí e entre Tijucas e São Paulo, o gasto foi de R$ 389,96 (média de R$ 55,71 por dia). Mas considere que eu sou bem econômico. A Viagem: Minha viagem foi de SP (Estação Consolação do Metrô) a Itajaí em 19/12/2018 pelo BlaBlaCar (https://www.blablacar.com.br). Saímos cerca de 9:30. O ofertante da carona era Élton Luís dos Santos, professor do CEFET, que tinha saído do Rio e estava indo para Porto Alegre. Fomos com o engenheiro mecânico Rogério e o jovem Eduardo, que queria ser político. Desceram em Curitiba, onde subiram Tiago, que foi até Joinville e Naimara, que iria até Florianópolis. Ao longo do trajeto conversamos muito sobre assuntos variados. Ele me deixou na estrada perto de 20:15, no ponto mais próximo para eu ir caminhando até o hostel em Itajaí. Paguei R$ 97,00 com cartão de crédito (paguei o abastecimento do carro num posto). Na estrada comi sanduíches que tinha trazido de casa 🥪. Fui andando por 3 km (cerca de 35 minutos) da estrada até o hostel em Itajaí. Fiquei no Fica, Vai Ter Bolo Hostel (https://www.tripadvisor.com/Hotel_Review-g1143387-d15263814-Reviews-Fica_Vai_Ter_Bolo_Hostel-Itajai_State_of_Santa_Catarina.html) por R$ 50,00 a diária, paga com cartão de crédito, com direito a café da manhã. Já havia reservado via Booking (https://www.booking.com). A dona era Francine, pedagoga, que o estava ampliando para a temporada de verão. Seu pai e amigos estavam trabalhando nisto quando cheguei. Sua mãe Jaqueline, diretora de escola, também estava lá. Francine tinha 2 filhos adotivos. Receberam-me muito bem 👍. Deram-me um quarto privativo, pois os coletivos estavam em obras para receber as pessoas na temporada depois do Natal. Conversei com eles sobre viagens e estilo de vida. Experimentaram comer pedacinhos de abóbora moranga crua, que eu havia levado para não estragar em SP. Ofereceram-me camarões cozidos como cortesia, mas recusei porque não como carne. Cozinhei arroz, feijão, soja e batata e juntei com abóbora e chicória para o jantar. Trouxe tudo de casa. Na 5.a feira 20/12 fui conhecer Itajaí. Tomei café da manhã com pães, requeijão, doce de leite, doce de banana e bolo de cenoura, durante o qual conversei com Francine sobre hostels, Itajaí e São Paulo. Depois a funcionária Elisa, que era do Mato Grosso e em breve iria para Parati, ensinou-me o caminho até o Bradesco, onde fui depositar o dinheiro que não precisei usar para as diárias. Inicialmente fui conhecer o centro histórico e todos os prédios e monumentos associados. Havia placas com informações e mapas das redondezas nos diversos pontos turísticos, o que facilitou tudo e ainda me deu sugestões de pontos a conhecer. Achei muito interessante a diversidade de peixes no Mercado do Peixe 🐟. Depois fui conhecer as praias, parques e montes. Não tinha ido de roupa de banho por baixo da calça, então não pude nadar . Gostei das praias. A foto abaixo mostra a Praia do Atalaia. Gostei também das vistas a partir dos molhes, das paisagens naturais e dos parques . Achei especialmente belas as vistas a partir do Molhe da Barra, a partir do mirante do Parque do Atalaia e a partir do morro de salto de parapente . A vista a partir do Morro da Cruz também foi boa, mas não contemplava tantas áreas naturais. No Parque do Atalaia aproveitei para tomar água, que estava disponível para o público. Não pude ir até o Farol das Cabeçudas porque estava fechado o acesso privativo da Marinha e não havia ninguém a quem perguntar. À noite vi a iluminação de Natal no calçadão principal, na Igreja, no museu e a apresentação de Natal, com desfile de Papai Noel e dançarinas que terminou no Museu Histórico, onde houve apresentações com várias músicas 👍. Pouco depois do desfile acabar e começarem as músicas, começou uma enorme tempestade ⛈️, com muitos e próximos raios, que durou toda a apresentação e mais um pouco e chegou a fazer a água subir até parte da calçada. Devido à tempestade, a projeção de luzes na catedral e no museu foi cancelada 😞. Após a chuva diminuir bastante voltei caminhando para o hostel por cerca de 30 minutos. Várias ruas estavam com muita água nas calçadas e nas laterais, o que fez com que precisasse andar em pontos com água até um pouco acima da canela. Jantei arroz, feijão, soja, batata, abóbora, chicória e mamão. Comi manga e pão com margarina de sobremesa. Na 6.a feira 21/12 fui para Balneário Camboriú. Tomei café da manhã, desta vez com bolo de maça, que achei bom. Despedi-me de todos, incluindo Pedro, filho adotivo da Francine. Um hóspede mineiro pediu para tirar uma foto minha vestido com a camiseta do guaraná Dolly, de que disse ser fã. Inicialmente passei pela Igreja Imaculada Conceição, que estava fechada na hora do almoço em que a visitei no dia anterior. Desta vez estava aberta e pude conhecê-la. Passei novamente pelas praias do Atalaia e Cabeçudas. Depois fui à Praia Brava e à Praia da Solidão, em que para chegar peguei uma trilha íngreme e não muito fácil e para voltar fui pelo mar, mesmo com maré já alta, tomando cuidado com as pedras. Na Praia da Solidão cortei o dedo do pé numa pedra . Quando voltei à Praia Brava, como já estava molhado, aproveitei para tomar um banho de mar. Havia deixado minha mochila com uma moça antes da trilha e ela a guardou até o fim do banho de mar. Achei a praia bela e boa para aproveitar 👍. Estava tranquila . Depois fui caminhando pela praia até seu fim e aí subi no Morro do Careca, já em Balneário Camboriú. No caminho havia um mirante que apresentava boa vista para a Praia do Buraco. A foto da Praia Brava a partir do alto do Morro do Careca está a seguir. Achei as diferentes vistas a partir do Morro do Careca espetaculares . Havia vários cadeirantes fazendo voos de parapentes. Todos os voos eram junto com profissionais. Num deles, devido às condições do vento, foram necessárias várias tentativas para o pouso, o que me pareceu trazer uma certa tensão para o público que acompanhava. Depois desci, fui à Praia do Buraco e tomei nela um delicioso banho de mar. Caminhei para o fim da praia e peguei o deck norte. Aí começou a garoar. Perto do fim do deck, a chuva começou a engrossar 🌧️ e eu arrumei um local para me abrigar, um local coberto do outro lado da avenida em que jogavam baralho, dominó e bocha. Após passar a chuva fui ao Hostel In BC Bar (https://www.tripadvisor.com/Hotel_Review-g680306-d15118480-Reviews-Hostel_In_BC-Balneario_Camboriu_State_of_Santa_Catarina.html), que havia reservado pelo Booking. Fiquei hospedado por R$ 52,25 a diária com cartão de crédito, com direito a café da manhã. O hostel era dirigido por Polaco e sua esposa Aline, que tinham uma filha chamada Natália. Havia bastante gente no hostel, incluindo uma família de 15 pessoas de Minas Gerais e interior de São Paulo, pessoas de Franca, Santo André, São Carlos, Caraguatatuba etc. Após instalar-me fui dar uma volta na orla e ver a iluminação natalina. Havia enfeites e uma árvore de Natal (neste dia apagados) na praça central e toda uma sequência de luzes no Molhe da Barra Sul, culminando com uma espécie de globo. Só achei estranho as placas de cuidado com a alta tensão ⚡, pois a chance de uma criança não ver e tocar me pareceu enorme. Devido à chuva, apareceram 2 arco-íris 🌈 no mar e nas montanhas, que fizeram uma imagem de que gostei 👍. Pude ver o pôr do sol 🌇 a partir do molhe e depois da praia, o que me agradou bastante, apesar dos prédios altos que tapavam um pouco a visão. Após escurecer foi possível ver a orla toda iluminada e perto do deck norte, já quando estava no fim da volta, ver outra árvore de natal, esta toda iluminada. Conversei com alguns hóspedes, jantei arroz feijão, soja, batata, abóbora, chicória, mamão, manga e 2 pães com margarina de sobremesa, tudo trazido de casa. No sábado 22/12 fui conhecer Balneário Camboriú. Já havia conhecido as praias da Rodovia Interpraias em uma viagem anterior, então estas ficaram de fora desta vez. Achei o café da manhã muito bom , com diferentes tipos de pães (Polaco disse que compraria um especialmente para mim, que estou evitando produtos que causem sofrimento a animais), frios, frutas, bolos, suco, café, leite etc. Valia por um almoço. Primeiramente fui andar um pouco pelo deck norte e as trilhas que ficavam perto, chegando até a Praia do Buraco, para apreciar a área com mais calma, posto que na chegada a chuva me fez passar por este trecho com rapidez. Depois fui conhecer os itens urbanos (igrejas, teatro, universidade, prefeitura, câmara e fórum), além do Cristo Luz, que estava fechado quando lá cheguei (às 12:15) e só abriria as 16 horas. Acabei ficando sem entrar nele. Mas não sei se pagaria os R$ 20,00 (até as 19 hs ou R$ 35,00 após este horário) depois de ter visto tantas paisagens espetaculares gratuitamente a partir de vários morros. Por fim fui ao Parque Ecológico, que também estava fechado 😞, embora tenha chegado no horário correto. Provavelmente era por causa da época do ano. Pouco antes de chegar a ele peguei algumas acerolas no chão, que estavam muito boas 👍. Este passeio valeu para conhecer parte de Balneário Camboriú que não é destinada a turistas 👍. Então decidi ir ao Morro do Boi, mas logo desisti, pois me disseram que o acesso era pela BR-101 e me desinteressei. Como era caminho, cruzei a ponte na estrada e fui até o outro lado do rio. Já havia passado por lá em viagem anterior, mas desta vez pude apreciar a vista com mais calma e ver detalhes do local. Passei pela Ponte Estaiada, apreciei demoradamente a vista 👍 e voltei para a Praia Central. Depois caminhei novamente pela praia, parei, fiquei lá apreciando o mar e a vista, tomei 3 banhos de mar e depois fui novamente ver a árvore e os enfeites da praça central, que desta vez parecia que iriam ser acesos. Porém ocorreu algum problema e a árvore apagou. Esperei um pouco e como não acendeu fui embora, voltando para o hostel, pois já estava anoitecendo. No meio do caminho a árvore acendeu e eu voltei para vê-la . Pude entrar nela e vê-la de dentro, o que foi interessante 👍. Ainda fui procurar um local para ver o Cristo Luz de longe, pois os prédios impediam a visão. Ele estava iluminado e alternando de cores, num espetáculo que achei muito bonito . Após apreciar novamente a orla, que achei bela de dia e de noite 👍, voltei para o hostel e jantei o mesmo que no dia anterior, sem os pães no final. O pessoal do quarto saiu para casas noturnas e eu dormi boa parte do tempo só e não quis ligar o ar condicionado. No domingo 23/12 fui para Canelinha. Após o novamente muito bom café da manhã, arrumei-me e parti. A caminhada prometia, pois pelo mapa eram 52 km. Saí perto de 9:30. Devido a algum problema no celular, não consegui enviar mensagem pelo celular para o hotel em Canelinha e fiquei meio preocupado devido à época do ano. Peguei um pouco de chuva leve no início do caminho, que apertou um pouco após eu pegar a BR-101, tanto que acabei usando a capa por cerca de 30 minutos a 1 hora. Depois parou e abriu o sol. Pude ver algumas belas paisagens de praias e mata a partir da BR. Cruzei o Morro do Boi, mas como não cheguei ao topo, não consegui grandes vistas a partir dele. Houve alguns trechos na mini serra em que o acostamento era bem estreito. No resto ele geralmente era bem amplo. Tive um pouco de dor nas costas, nada grave, e fiz bolhas nos pés, provavelmente por causa do modelo do chinelo, que tinha a fixação das alças saltadas que pressionavam partes do pé. Tomei 500 ml de água e comi dois pães de forma durante o caminho. Encontrei um passarinho morto (acho que era bem-te-vi) no acostamento. Após sair da BR havia muitos cachorros 🐕 de rua no trajeto e um animal morto na pista. Quando estava cruzando Tijucas, emocionou-me ver crianças de um bairro periférico gritando e correndo muito felizes ao verem o carro do Papai Noel 🎅 chegando , que aparentemente era de associações de comerciantes da região. A estrada de Tijucas a Canelinha apresentou paisagens rurais de que muito gostei. Logo no início vi esta paisagem. Antes desta foto, como a câmera estava apresentando erro, reiniciei o celular e aí as mensagens foram para o hotel, que me respondeu dizendo que estava tudo certo. Mais para frente, já chegando em Canelinha, houve esta paisagem. Cheguei perto de 19:30, ainda com dia claro. Cansei um pouco da caminhada. 50 km é mais do que a minha média regular. Havia uma família de cerca de 9 pessoas negociando a estadia e sendo atendida na recepção do hotel e eu os esperei. Creio que decidiram ir embora e aí fiz minha entrada. Era o Hotel Prime (https://www.tripadvisor.com/Hotel_Review-g2578183-d12716553-Reviews-Prime_Hotel-Canelinha_State_of_Santa_Catarina.html), em que paguei R$ 50,00 com cartão de crédito pela diária com direito a café da manhã, quarto privativo com banheiro, TV e ventilador. Cauã, um jovem adolescente, atendeu-me, sendo prestativo. O quarto tinha vista para rua, apesar de um pouco bloqueada pelo supermercado ao lado. Depois de me instalar fui fazer compras no Supermercado Macris (http://macris.com.br) por R$ 4,95 (goiabada, 2 bananas, 2 cenouras, 2 chuchus, 4 limões e 4 cebolas) com cartão de crédito e depois fui visitar a praça central, que tinha um prédio público iluminado e luzinhas natalinas em árvores 👍. Jantei sanduíches 🥪 de abóbora, mamão, limão, chuchu, cenoura e cebola, com banana e pão com goiabada de sobremesa. Na 2.a feira 24/12 fui para Nova Trento. O café da manhã foi muito bom , com alguns tipos de pão, manteiga, frios, frutas, bolos, sucos, café, leite etc, preparado por Patrícia. Primeiramente visitei a igreja em Canelinha, que no dia anterior estava fechada e depois saí perto de 10:45. Atrasei porque fiquei enviando as mensagens de Natal . Achei que a estrada de Canelinha a Nova Trento tinha paisagens naturais belas 👍. Foram aproximadamente 18 km. Cheguei perto de 14:15. Carlice, atendente da Pousada CEIC (https://ceicsc.com.br), recebeu-me lembrando-me da conversa que havíamos tido por e-mail para fazer a reserva. Paguei R$ 65,00 (já havia feito depósito de R$ 32,50 quando reservei e paguei os R$ 32,50 que restavam com cartão de crédito) por uma diária na ala da espiritualidade, num quarto privativo, com ar condicionado e banheiro, sem TV (porque era para retiros) e sem direito a café da manhã. Mas Carlice informou-me que me seria concedido o café da manhã como cortesia, como presente de Natal . Acomodei-me e fui visitar a igreja matriz e depois fui ao Supermercado Archer (https://www.archer.com.br), onde comprei R$ 5,71 (pepino, laranja, abobrinha e pão de aipim). Após chegar à cidade fiquei sabendo que a mãe de uma amiga espanhola havia morrido. Sua voz parecia um pouco fragilizada. Quando voltava do supermercado um beija-flor 🐦 parou na minha frente e ficou bicando uma flor em uma árvore. Achei muito interessante a coincidência da vida que flui e reflui, como um sinal, sincronicidade. Informei-me sobre um outro santuário que descobri que existia na cidade e saí para o Santuário de Madre Paulina (https://www.santuariosantapaulina.org.br), que ficava a cerca de 6 km. Achei bonitas as paisagens no caminho para o Santuário, incluindo cascatas, hortênsias, mata etc 👍. Uma foto da paisagem segue. O Santuário ⛪ pareceu-me enorme, com um templo bem alto e amplo, vários outros pontos de visitação (oratórios, cascatas, casebre histórico, capela, colina, velário e muitos outros) . Visitei quase todos os que constavam no mapa e depois fui assistir à Missa de Natal. Foi uma celebração especial com encenação de Maria e José, músicas específicas de Natal e a colocação de Jesus no presépio. Houve coral e pequena orquestra natalina. Gostei bastante da celebração 👍, que tinha bastante gente. Depois, ao sair, já à noite, pude ver o templo todo iluminado, conforme foto a seguir. Saí para voltar andando cerca de 21:30 e não tive nenhum problema. Quando cheguei à cidade passei pela praça para ver a iluminação de Natal 👍. Cheguei na pousada quando Carlice estava trocando de plantão, e ainda tive tempo de lhe desejar feliz Natal. Jantei sanduíches 🥪 de pão, manteiga, cenoura, limão, cebola, abobrinha, chuchu e abóbora, e banana e goiabada de sobremesa. Na 3.a feira 25/12 fui conhecer o outro santuário e voltei ao Santuário de Madre Paulina. Luís atendeu-me de manhã e me relembrou que o café era cortesia. Fui tomá-lo e o achei excelente . Era um enorme buffet, com vários tipos de pães, manteiga, margarina, queijos, frios, bolos, cuca, panetone, doces, iogurte, sucos, café, leite etc. Tomei o café sozinho. Havia mais 3 hóspedes, mas ainda não haviam descido. Após terminar, Luís explicou-me os pontos a visitar dentro da pousada e comecei indo conhecer uma exposição na casa em que Paulina havia recebido seus votos, contando como foi sua trajetória. Depois fui visitar um local chamado de calvário, que ficava no quintal da pousada e tinha as passagens da Via Crúcis. Visitei também a capela e o jardim. Luís deu-me um presente de Natal, que o CEIC estava ofertando aos seus hóspedes no Natal 👍. Depois aprontei-me, combinei com ele de deixar minha mochila na recepção e pegar à noite e fui conhecer os pontos da cidade. Fui primeiramente ao Santuário de Nossa Senhora do Bom Socorro ⛪. Começou uma garoa fina, mas nada que incomodasse. Achei a temperatura agradável (mais de 20 C). No caminho, que era uma enorme subida, havia um Museu Italiano de Pulgas, que olhei por fora e foi possível encontrar pontos com ampla vista. Pena que estava um pouco encoberto e não deu para ver tudo. Encontrei um rapaz que havia visitado o santuário e estava descendo. Ao chegar lá pude visitar o santuário por fora. A igreja estava fechada. A vista pareceu-me muito boa 👍. Não pude ver tudo porque havia muitas nuvens, mas deu para ver até uma parte do litoral. Após sair de lá fui para o Calvário, que ficava num morro afastado 1 ou 2 km do centro. Achei-o interessante, com as passagens da Via Crúcis. Havia uma capela anexa, mas estava fechada. A vista de lá também foi interessante, mas o morro era baixo. Reencontrei o rapaz do caminho do Bom Socorro indo para o Calvário quando eu já estava voltando. Saindo de lá voltei ao Santuário de Madre Paulina para conhecer os pontos que não havia tido tempo de ver no dia anterior e para rever o Santuário, de que havia gostado muito. A Colina estava fechada porque era Natal e os funcionários estavam de folga. O Caminho Mariano, outro ponto que tinha faltado, estava aberto. Além de tê-lo achado belo, a vista a partir dele agradou-me bastante 👍. Lá encontrei uma família de Chapecó, cujo pai e marido trabalhava com sistemas para o agronegócio. Novamente gostei muito do santuário e fiquei admirando o interior do templo e a vista de fora . Tentei conseguir carona sem sucesso. Voltei a pé até Nova Trento, desejei feliz Natal para o atendente Cláudio, que havia substituído Luís e rumei para Canelinha. No caminho ainda visitei a Capela de Santa Ágata, histórica. Novamente apreciei a paisagem. 6 km antes de Canelinha, repentinamente apareceu uma moça de motocicleta na minha frente e me perguntou se eu queria carona, dizendo que tinha capacete para o passageiro. Como eu estava andando no acostamento da contra mão, ela precisou fazer a volta para ir me perguntar. Disse que tinha me visto e achado que eu iria para Canelinha. Fiquei surpreso e disse que tinha um pouco de receio porque havia queimado a perna numa carona de moto. Ela falou que bastava tomar cuidado e eu aceitei. Levou-me até a porta do hotel e ainda me ofereceu um pacote de biscoitos que havia ganho, que eu recusei. Economizou-me quase 1 hora e me fez não andar no escuro completo na estrada . Agradeci muito e lhe disse que em São Paulo seria inimaginável uma mulher sozinha parar sua motocicleta na estrada, já escurecendo, para oferecer carona a um homem estranho com uma mochila nas costas . Após chegar ao Hotel Prime (o mesmo de antes, pagando o mesmo valor de diária – R$ 50,00 – e ficando no mesmo quarto, com as mesmas condições) e me instalar, fui jantar e chegou Márcia, uma amiga que eu havia conhecido numa viagem 2 anos antes, na caminhada da Enseada do Brito até Balneário Camboriú. Conversamos longamente durante o jantar (que foi de sanduíches 🥪, laranja e goiabada) sobre a vida, viagens, trabalho e Canelinha e ela me deu várias sugestões de passeios a fazer no dia seguinte. Na despedida ainda me deu uma caixa de bombons de presente 👍. Antes de dormir fui dar uma volta na praça e rever a iluminação natalina. Na 4.a feira 26/12 fui para Tijucas para pegar a carona do BlaBlaCar (https://www.blablacar.com.br) para São Paulo. Inicialmente tomei o café da manhã. Não havia mais pães, pois a padaria estava fechada e provavelmente os outros hóspedes haviam comido o que restou. Fui ver se o supermercado estava aberto e como estava, perguntei a Cauã se poderia comprá-los. Ele foi e trouxe pães integrais, conforme minha preferência 👍. Então saí para ir conhecer os pontos de que Márcia havia falado, a Igreja de Santana, o Casarão dos Santana e a pista de motocross. Achei a vista do morro onde ficava a igreja muito boa e bonitas as paisagens naturais nos caminhos 👍. Voltei ao hotel, peguei a mochila, despedi-me de Cauã e fui rumo a Tijucas. Novamente apreciei a paisagem. Num determinado trecho, um veículo (acho que era um pequeno caminhão) passou por mim rapidamente e meu boné voou. Quando fui pegá-lo uma aranha média (não era minúscula, mas também não era grande) entrou nele. Tirei-a e ela pulou de volta . Coloquei o boné no chão na vegetação e a estimulei a sair e ela se foi para o mato. Chegando em Tijucas visitei o local onde ficam os dinossauros, que estava com enfeites natalinos próximos. Andei pela margem do rio e visitei a igreja. Revisitei casarões que havia visitado na viagem anterior e fui para a Igreja Nossa Senhora dos Navegantes, que estava fechada. Pensei em ir à praia, mas achei que ficaria tarde. Resolvi então passear pela margem do rio. Segue uma foto dele. Depois fui à padaria para comer 4 pães antes de ir esperar a viagem. Paguei R$ 1,40 com cartão de crédito por eles e os comi lá mesmo, junto com a margarina que eu tinha. Depois fui esperar a carona no local combinado, que era um posto Ipiranga na lateral da BR-101. A carona foi com Mateus, que devido ao trânsito em Florianópolis, chegou 2 horas depois do combinado. Mas como conversamos por whatsapp, esperei sem problemas. No carro já havia um casal que vinha de Florianópolis e foi até Curitiba. Lá outro casal subiu para vir até São Paulo. Mateus tinha saído de Porto Alegre e vinha até São Paulo. Saímos de Tijucas perto de 18:30 e Mateus deixou-me em casa como combinado perto de 4 horas da manhã de 5.a feira 27/12. Durante a viagem conversamos bastante sobre muitos assuntos, a partir de certo ponto eu já estava com bastante sono 😴, mas não dormi. Paguei R$ 96,00 em dinheiro.
  8. Olá! Eu fui de ônibus de Vitória da Conquista até Itabuna pela Viação Novo Horizonte. Eu comentei isso no parágrafo da 2.a feira 10/09. Daí para frente fui a pé. Realmente aquela serra teria sido difícil, apesar de ser descida. Sua terra é muito bela!
  9. Considerações Gerais Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar importantes. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais: Em toda a viagem houve bastante sol. Chuva leve ou moderada só peguei na 4.a feira (13/09) quando estava voltando do supermercado e na 5.a feira (14/09) quando ainda estava no quarto e esperei que ela passasse. As temperaturas também estiveram bem razoáveis (para um paulistano), chegando em média a 30 C ao longo do dia e caindo até 22 C à noite. A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil 👍. Havia nas localidades mais conhecidas também muitas pessoas de fora da região e estrangeiros, principalmente argentinos. As paisagens das praias agradaram-me muito, principalmente as próprias praias, o mar, a vista a partir de pontos altos, a vegetação e as cachoeiras. . A caminhada no geral foi tranquila. Mesmo as que me disseram que seriam inviáveis sem guia, como a da Prainha em Itacaré ou a de Castelhanos em Boipeba, consegui fazer sozinho sem problemas e não achei complicadas, mas me informei antes. Durante muito tempo estive só nas praias, que em boa parte estavam desertas. Às vezes cruzava com algum pescador ou habitantes locais. Não tive nenhum problema de segurança (nenhuma abordagem indesejada) nas praias. Mas me recomendaram não ir por alguns trechos em Ilhéus e Itaparica. Em Itabuna pareceu-me que poderia haver algum problema quando retornava do supermercado perto da rodoviária e eu imediatamente procurei um local seguro. Em Mar Grande, quando iria para uma Pousada que ficava numa ladeira que haviam me dito poder ter algum problema, um aparente vigia de atividades da ladeira perguntou-me o que eu desejava (“qual é que é?”) e eu decidi mudar de pousada. Peguei vários cocos nas praias 🥥, bebi sua água e comi a massa de alguns poucos 👍. Os cruzamentos de rios foram tranquilos. Somente para cruzar para a Praia do Garcez e para Cacha Pregos houve a possibilidade de dificuldades, mas que acabaram não se concretizando. O único ponto que não consegui cruzar foi de Barra Grande para a Barra do Sirinhaém. Tive que pegar barcos e ônibus para Boipeba. Vários estabelecimentos comerciais aceitaram cartão de crédito ou débito (principalmente supermercados, padarias, pousadas e empresas de transporte). Em alguns casos havia acréscimo quando o pagamento era feito com cartão de crédito. Havia localidades em que não existiam caixas eletrônicos nem bancos. Gastei na viagem R$ 1.383,20, sendo R$ 158,63 com alimentação, R$ 700,00 com hospedagem, R$ 154,99 com transporte durante a viagem, R$ 155,33 com a passagem de ônibus de ida para Vitória da Conquista, R$ 7,58 com pedágio da ida, R$ 169,00 com a passagem aérea de volta para São Paulo e R$ 37,67 com as taxas de embarque correspondentes de ida e volta e durante a viagem. Sem contar o custo da passagem entre São Paulo e Vitória da Conquista e entre Salvador e São Paulo e das taxas de embarque correspondentes, o gasto foi de R$ 1.015,12 (média de R$ 39,04 por dia). Mas considere que eu sou bem econômico. A Viagem: Minha viagem foi de SP (Rodoviária do Tietê) a Vitória da Conquista em 07/09/2018 pela Viação Águia Branca (https://www.aguiabranca.com.br). O ônibus saía às 17:00 e chegava às 17:10 horas. Atrasou cerca de 20 minutos na saída e mais de meia hora na chegada. Paguei R$ 169,30 (R$ 155,33 pela passagem, R$ 7,58 de pedágio e R$ 6,39 pela taxa de embarque) parcelada em 6x usando cartão de crédito. A volta foi de Salvador a SP (Aeroporto de Guarulhos) em 03/10/2018 pela Avianca (https://www.avianca.com.br). O voo saía às 11:40 e chegava às 14:15. Paguei R$ 198,78 (R$ 169,00 pela passagem e R$ 29,78 pela taxa de embarque) parcelada em 6x usando cartão de crédito. Na 6.a feira 7/9 fui a pé até a rodoviária. O ônibus saiu cerca de 17:20 com atraso de cerca de 20 minutos. Parou em Resende perto de 20:30, onde subiram um pai e uma filha pequena que se sentaram juntos na poltrona ao lado da em que eu estava, enquanto eu jantava sanduíches fora do ônibus. Troquei de lugar para deixá-los viajar juntos. Eu havia levado 5 brioches comprados na Vovó Zuzu (http://www.vovozuzu.com.br) por R$ 1,59 cada, um usado para sanduíches 🥪, 2 cebolas, um pacote de bolachas água e sal comprado no Atacadão (https://www.atacadao.com.br) por R$ 0,98 e uma garrafa de água de 1,5 litros. O ônibus parou depois em Paraíba do Sul perto de 23:30. No sábado 8/9, após dormir um pouco de madrugada no ônibus, paramos em Governador Valadares cerca de 8:30. Lá tomei café com os sanduíches que havia levado. O motorista da madrugada correu mais do que o regulamentado, o que avançou o ônibus, mas que não me agradou. Meu novo companheiro de poltrona falou sobre muitas situações da sua vida. Ele trabalhava em limpeza no Shopping Center Interlagos e morava em Parelheiros. Ofereceu-me sanduíches e refrigerante que recusei educadamente. Cheguei pouco antes de 18 horas na rodoviária. Ao perguntar sobre a segurança do local, um atendente disse-me que era tranquilo e dois trabalhadores de viações disseram-me que era perigoso. Achei tranquilo. Fiquei hospedado na Pousada da Lua, bem perto da rodoviária, do outro lado da estrada, num quarto com ventilador, sem TV, com banheiro coletivo, wifi e um pequeno café da manhã. Paguei R$ 30,00 por dia em dinheiro. Lá conheci um artesão de Anápolis que viajava pelo Brasil, estava em dificuldades e iria voltar para Anápolis. Fui atendido pela Fabiana, responsável pela pousada junto com o marido. Comprei na feirinha próxima R$ 2,00 em 2 mangas, R$ 2,00 em 1 kg de tomates, R$ 1,00 em 1 pepino, R$ 1,00 em 2 chuchus e R$ 1,20 em 4 pães na padaria. Jantei sanduíches. A pousada também funcionava como motel e no quarto ao lado do meu um casal passou a noite namorando 😀. No domingo 9/9 após tomar um copo de café puro e 2 pães com margarina servido pela atendente Amanda, mais meia manga e bolachas água e sal, fui visitar a cidade. Comecei indo a pé para o centro, onde pude visitar monumentos, casarões, praças, teatros, igrejas, centro cultural e museus por fora 👍. No caminho passei por um jardim que estava sendo construído (acho que será o Parque Ambiental), que achei belo. Depois fui ao Cristo de Mário Cravo, de que muito gostei . Achei a vista a partir dele muito boa e o monumento em si também muito interessante. Era enorme, com Jesus crucificado. O caminho disseram poder ser um pouco perigoso, mas fui a pé e nada aconteceu. Quando estava lá em cima chegou um grupo de turistas num carro e logo após chegou uma viatura da polícia, semelhante ao que é a Rota em São Paulo. Ofereci meus documentos para que averiguassem, mas disseram que não era necessário. Conversamos por algum tempo sobre segurança na cidade, locais a visitar na Bahia, a Chapada Diamantina, onde eles já haviam estado e apoio às comunidades locais. Um deles interessou-se por um portal de voluntariado. Outro explicou-me que a feição sofrida do Cristo, suas mãos e pés grandes representavam o sofrimento do povo nordestino. Depois fui passear no Parque Peri Peri, completamente deserto e meio abandonado, mas ainda assim com natureza preservada, e fui à reserva Florestal do Poço Escuro, andei por algumas de suas trilhas e apreciei a natureza 👍. Saindo daí fui ao Centro de Cultura, que estava fechado, mas tinha painéis interessantes por fora. No caminho passei por um painel na rua sobre Natureza e Religião, com o desenho de Francisco de Assis, que achei muito interessante 👍. Por fim fui ao Parque da Lagoa Bateias, em que pude caminhar ao redor e visitar o museu por fora (era de vidro e foi possível ver seu interior). A vista do parque a partir de pontos altos no entorno também muito me agradou 👍. Achei o Rio Verruga na Reserva do Poço Escuro e a Lagoa das Bateias com pouca água. Jantei sanduíches. O rapaz de Anápolis falou que tinha trombose e varizes e tinha morado no Amazonas. Ainda fui apreciar vista da cidade iluminada a partir da estrada antes de dormir. Na 2.a feira 10/09 não tomei café na pousada de manhã, pois era folga da Amanda e o café sairia um pouco mais tarde. Comi um pedaço de pão, bolachas e água e saí para visitar os pontos que ainda faltavam. No caminho vi enormes filas nos bancos, 2 horas antes do horário de abertura. Pareciam ser pessoas muito simples, talvez algumas vindas de outros municípios e da zona rural. Como a população sofre 😞. Visitei a Igreja Matriz, de que gostei pela simplicidade, ambiente claro, imagens e pinturas felizes 👍. Visitei também o Museu Pedagógico, o Museu Régis Pacheco, de que gostei muito, com suas pinturas e arte 👍, e o Museu Regional, com suas esculturas e quadros. Na volta tomei café com pão e manga. Depois fui à rodoviária, comprei a passagem para Itabuna por R$ 51,50 com cartão de crédito (R$ 50,00 da passagem mais R$ 1,50 da taxa de embarque) pela Viação Novo Horizonte. Conversei com o artesão de Anápolis e descobri que seu nome era João e ele era parente do abade Matias do Mosteiro de São Bento. Almocei sanduíches na rodoviária. O ônibus, que estava previsto para 12 horas, saiu às 13:30 e chegou em Itabuna às 18 horas. Gostei das paisagens naturais vistas durante a viagem, principalmente na área de serra . Havia muitos pastos e gado. Conheci um policial no ônibus e conversamos sobre meus planos de viagem. Ao chegar em Itabuna perguntei sobre segurança e preço e me indicaram pousadas perto da rodoviária. Fiquei na Pousada Grapiúna (https://www.facebook.com/PousadaGrapiuna) por R$ 25,00 a diária, em dinheiro. Era um quarto bem simples para feirantes, com ventilador, sem janelas, com banheiro fora, mas como estava vago naquele período, concordaram em que eu ficasse. Comprei R$ 2,96 (tomate, chuchu, cebola, banana) com cartão de crédito no Supermercado Itão (https://www.itao.com.br) e R$ 6,70 (2 broas e 1 bolo) na padaria em dinheiro. Achei um ponto na ida ao supermercado um pouco perigoso naquele horário (perto de 19 horas). Não sei se eu estava predisposto após vários falarem da criminalidade em Itabuna, mas me pareceu que 2 jovens começaram a me seguir, tanto que eu rapidamente mudei de caminho, atravessei a avenida e fui para um local que me pareceu mais seguro 😟. Jantei sanduíches, bananas, broas e bolo em uma sala ampla de TV com mesas que a pousada tinha. Depois fui para a janela da sala, que era bem ampla, e fiquei olhando um pouco o movimento. À noite houve um pouco de barulho devido ao local da cidade e houve alguns poucos pernilongos. Na 3.a feira 11/09 fui visitar Itabuna. Após comer sanduíches, banana e bolo no café da manhã assistindo TV, saí para visitar a cidade. Inicialmente passei por um templo da Igreja Universal, depois fui ao Centro de Cultura, ao Rio Cachoeira, que disseram ser poluído, mas de que muito gostei 👍. Dei uma volta nas pistas para caminhada que existiam na região central em sua volta. No Centro de Cultura o atendente falou-me das várias facções criminosas que existiam em Itabuna e da violência que havia aumentado recentemente. Visitei também a Câmara, Prefeitura, pontes, Monumento da Saga Grapiúna, que achei muito interessante por congregar os vários atores étnicos daquela terra 👍, Memorial de Zumbi, Estádio, Vila Olímpica, estes dois últimos parecendo estarem abandonados e sem manutenção e o Clube dos Funcionários. Depois caminhei até a rodovia por um trecho com vegetação. Voltei para o centro e fui visitar a Catedral de São José, o Museu Casa Verde, que estava fechado, a Livraria Espírita e a CEPLAC (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira). O músico Adílson falou-me que havia morado em São Paulo e vendeu incenso na rua por 20 dias, após ter machucado a mão. Ganhava R$ 500,00 por dia. Em 20 dias ganhou mais do que com música em 1 ano. Saía da Rua Augusta, virava na Oscar Freire, ia até a Vila Mariana, descia a Lins de Vasconcelos e ia até o Ipiranga, Voltou à música por gostar dela. Ivone, da Livraria Espírita, contou-me que fez cirurgia na Beneficência Portuguesa em São Paulo. Quando recebeu alta falou ao médico que não queria, pois era inverno e pegaria frio ao sair do hospital. Falou-me também do caminho de Ilhéus a Salvador e de sua praia favorita, Algodões. Interessante como os cachorros sabiam atravessar a rua, assim como em Vitória da Conquista 😀. Bandos de garças passaram voando próximo à pousada, enquanto eu apreciava o entardecer. Pude continuar num quarto de feirante, pois ainda havia vaga. Achei a cidade um pouco sem cuidados, provavelmente devido à crise, com muitos equipamentos abandonados e sem condições de uso, principalmente esportivos. Jantei sanduíches, banana e bolo assistindo TV. Na 4.a feira 12/9 comecei minha caminhada. Fui para Ilhéus a pé. Saí cerca de 8:45 da pousada de Itabuna e cheguei cerca de 15:30 na Rodoviária de Ilhéus. Foram cerca de 30 km com paradas de cerca de 1 hora ao todo. No caminho eu vi uma cobra preta e amarela 🐍 a cerca de meio metro de distância. Num dado momento um rapaz pareceu jogar o carro no acostamento onde eu estava . Não sei se estava desviando de algo, brincando (não parecia, pela fisionomia séria) ou foi um ato de agressão a um andarilho. Passei por um enorme empreendimento residencial (Cidadelle), visitei a Universidade Estadual Santa Cruz, de que gostei 👍, com sua área verde, campo de futebol, piscina, animais na unidade de veterinária, pássaro preto, amarelo e vermelho na mata e toda a estrutura de ensino. Depois passei pelo templo do Vale do Amanhecer 👍. Subi para conhecer. Havia vários ambientes, com imagens de Jesus, Tia Neiva, Cacique Seta Branca e outros. Um orixá explicou-me como funcionavam os serviços deles e demais aspectos dali. Passei depois pelo SESI e IFBA. Na estrada achei as paisagens rurais belas, com mata, rio e criação de animais. Em alguns pontos as copas das árvores dos lados opostos quase se encontravam no meio da pista, como Ivone havia falado em Itabuna. O acostamento era estreito em vários pontos. Conheci um homem que estava indo de São Paulo a Recife de bicicleta. Andamos um tempo lado a lado. Ele parecia um pouco alterado e acabamos nos separando. Perto da chegada, um artesão de Salvador residente ali há alguns anos orientou-me sobre Ilhéus e onde achar locais para pernoitar. Estava sentindo dores nas costas, provavelmente devido à posição da mochila, que reajustei. Passei pela rodoviária e lá o taxista Joaquim e outros indicaram-me a Pousada Beira-Rio como sendo a mais barata. Verifiquei o preço com a dona, Dair, e segui para o centro para procurar outras opções, pois queria ficar mais perto do ponto de saída no dia seguinte e precisava sacar dinheiro. Lá os hotéis baratos estavam fechados. Aproveitei para dar um passeio e comer um prato de acarajé (bolinho de feijão, vatapá, caruru (quiabo) e salada de tomate, cebola e vinage) 👍 por R$ 3,50 em dinheiro na Fatinha (https://www.facebook.com/pages/Acaraj%C3%A9-Da-Fatinha/105023446329720), em frente à Catedral. Eu não como carne, então não quis camarões. Saquei dinheiro e voltei para a Pousada Beira-Rio, onde fiquei num quarto privativo com banheiro, TV, chuveiro frio e ventilador por R$ 35,00 em dinheiro. A pousada ficava às margens do Rio Cachoeira, cuja vista era interessante. Comi banana e bolo de sobremesa antes de dormir. Na 5.a feira 13/9 parti em direção a Itacaré, com o objetivo de pernoitar provavelmente em Serra Grande. Antes disso esperei a chuva passar. Enquanto esperava fui comprar 8 pães por R$ 2,00 na padaria. Esqueci a chave da porta lá e tive que voltar para pegá-la . A dona guardou para mim. Com tudo isso atrasei-me razoavelmente. Após o café da manhã e a chuva passar, fui visitar a catedral, que já conhecia, e depois comecei a caminhar pela praia. Fui até depois do Marciano, onde saí para rua de terra e depois asfalto, para não passar pela praia na Comunidade do Cominho, que várias pessoas disseram-me para evitar por razões de segurança e onde tinha estado anos atrás e achado um pouco perigosa. Cruzei a passarela e já do outro lado segui em frente. Achei a praia muito bela. Peguei um coco em área pública 👍, tomei um pouco de chuva fina, cruzei 2 pequenos rios com água abaixo da coxa, parei para nadar e deixei a mochila com família parcialmente de São Paulo no Mamoan. Como não iria chegar a Serra Grande, parei em Luzimares, onde 3 meninas levaram-me à Pousada Ravenala. Sebastião atendeu-me e depois de mostrar seu quarto mais simples por R$ 100,00, disse que tinha um local de trabalho que já havia sido casa de seu empregado. Eu sugeri ficar lá, ele relutou, falou com sua mulher e aceitaram por R$ 50,00 em dinheiro. Enquanto fui fazer compras para o jantar e o café da manhã, por R$ 7,70 com cartão de crédito na Venda do Gilvan (12 pães, 3 tomates, chuchu, cebola roxa, manga), ele colocou cama na casinha de 3 cômodos, incluindo banheiro, limpou o chão, tirou seu material de trabalho e a geladeira. Voltei das compras pela estrada no escuro. Tomei razoável chuva 🌧️. Jantei sanduíches, manga e pães doces. Sebastião ofereceu-me pizza, que haviam trazido de um evento, mas eu já tinha jantado e ele então disse que ofereceria no café da manhã. As dores nas costas continuavam e agora também havia algumas bolhas nos pés. Na 6.a feira 14/9 comecei o dia indo tomar um banho de mar às 7 h 👍. O portão estava fechado, então eu pulei o muro lateral para não sujar a parede nem provocar qualquer dano ao portão. Quando voltei tomei um excelente café da manhã oferecido por Sebastião e família, com pizza, pão, queijo, manteiga, pão doce, café e leite . Sebastião acompanhou-me à mesa. Ele me contou que era de Brasília e havia se aposentado no ramo de hotelaria. Depois, enquanto esperava a chuva passar, conversei bastante com Pedro, seu neto. Vi Sebastião alimentar os micos. Falou-me também de gata, filhotes e cachorros. Após o tempo firmar parti para Serra Grande. No caminho vi 2 peixes 🐟 na areia e quase os joguei de volta ao mar. Só não o fiz porque vi pescadores e quando lhes perguntei se eram sua pesca eles confirmaram. Achei as praias muito belas até o pé da serra. Lá havia um hostel (R$ 40,00) em que conheci Pica-pau e Rap. Este último me falou de uma apresentação de capoeira à noite no Barracão de Angola. Subi a Serra e no caminho parei em dois mirantes, de onde achei a vista espetacular . A foto abaixo é do primeiro deles. Para o segundo houve uma pequena trilha. Ao chegar ao povoado, procurei o hostel ao lado da farmácia da Shirley, sobre o qual Sebastião havia comentado. Fiquei hospedado lá por R$ 25,00 em dinheiro. Pétala, a dona, abriu uma exceção, pois não estava funcionando, mas concordou em me hospedar. Enquanto me apresentava o local, um morcego 🦇 apareceu voando dentro do hostel. Fiquei num quarto privativo com banheiro e ventilador. Depois de acomodado, fui à represa e ao Poço do Robalo. Lá o vigia falou-me do caminho para a Praia do Pompilho, Itacarezinho e Itacaré. Comprei R$ 5,10 na Fazendinha (8 tomates, 1 penca de bananas, chuchu, 2 cebolas) e R$ 3,96 na padaria (12 pães), ambos com cartão de crédito. Após jantar sanduíches, fui assistir à roda de capoeira no Barracão. Houve show do Rap, que havia me falado da roda de capoeira e foi aniversário de uma aluna chamada Sabiá, que ofertou um bolo. Gostei muito da roda de capoeira 👍. Lá conheci uma paulista de São José do Rio Preto, que estava de férias. À noite houve bastante sons no telhado, que acho que eram morcegos. Houve pernilongos, mas eu não liguei o ventilador porque fiquei com frio. As dores nas costas diminuíram. No sábado 15/9 fui para Itacaré. Saí após às 9 horas, pois precisava de maré baixa para cruzar a Barra do Tijuípe. Fui pela Trilha do Cemitério, de onde achei a mata, a praia e a vista muito belas . Atravessei a Barra do Tijuípe com água abaixo do joelho. Fui em frente até o Itacarezinho. Achei as praias muito boas e bonitas . Perguntei a uma moça e a um nativo sobre trilhas a seguir, ela me deu uma explicação sobre as próximas trilhas e ele me deu uma explicação detalhada incluindo outras praias que eu conheceria no futuro. Peguei então as trilhas para as praias da Gamboa, Hawaizinho e Engenhoca, cuja foto está a seguir. Não consegui encontrar nenhum coco em condições de ser pego durante o dia inteiro. A natação ficou prejudicada porque havia muitos surfistas e o salva-vidas sugeriu que eu não fosse onde eles estavam para evitar acidentes. Na volta da Engenhoca, tomei um banho na cachoeira abaixo. No fim da trilha peguei a pista e fui por ela até Itacaré. Em um ponto do caminho dois rapazes começaram a olhar para trás e diminuíram o passo. Eu me assustei e pensei que pudesse haver problemas. Mas logo à frente eles entraram numa vila rural e acho que foi alarme falso. O final do caminho andei já no escuro, mas como havia uma ciclovia na rodovia, isto facilitou tudo. Ao perguntar em um supermercado sobre a localização da pousada a que pretendia ir, alertaram-me para não ficar hospedado na “Passagem”, pois era ponto de tráfico e poderia haver guerra entre rivais. Então decidi ir para a 2.a opção da lista, que o pessoal do supermercado disse ser num local bem mais seguro. Peguei gratuitamente um mapa turístico numa agência de viagens. Passei por um hostel de um chileno, que cobrava R$ 25 a diária sem café da manhã e R$ 40 com café, mas fui ficar no Babel Hostel (https://www.facebook.com/hostelbabel) por R$ 20 a diária sem café da manhã em quarto coletivo com banheiro fora. O dono era Gastón, um argentino que estava morando no Brasil e me recebeu muito bem 👍. Comprei com cartão de crédito R$ 12,48 (espaguete, abobrinha, pepino, beterraba, batata, cebola, mamão, chuchu, biscoito de maisena e goiabada) no Center Supermercado (https://www.facebook.com/pages/category/Grocery-Store/Center-Supermercados-164954680739167/) para as refeições. Cozinhei espaguete 🍝 e o jantei com legumes e frutas. Antes de dormir ainda conversei com Gastón, casal de argentinos e carioca, dono da pousada ao lado. No domingo 16/9 fui explorar os arredores de Itacaré. Comi legumes, frutas, bolachas e goiabada no café da manhã e fui a pé até a Praia de Jeribocaçu. Depois de andar cerca de 1 hora na rodovia, peguei a estrada de terra e depois a trilha para a praia. Achei bela a paisagem na trilha, com a mata e vistas para o mar. Em determinado momento ela cruzou um campo de futebol. Encontrei um velho com um jegue na estrada de terra que vinha falando e cantando. Disse que estava vendendo o jegue por R$ 3.000,00 😀. Ele vendia algum tipo de líquido de cacau. Um pouco adiante cheguei à praia, que era ladeada por um rio. Conheci mãe e filha gaúchas que por lá passeavam. Surfista deu-me indicações sobre as outras praias do entorno e trilhas para elas. Achei belas as praias de Jeribocaçu, Arruda e Palmas. Vi peixes nadando nos recifes 🐠 de coral. Peguei 2 cocos na Praia das Palmas 👍. Na volta dela, peguei um caminho alternativo e descobri um lago, mas como parecia ser propriedade particular, resolvi não nadar. Conversei com salva-vidas sobre o mar e o caminho para cachoeira, tomei 2 banhos de mar e um banho de rio no final. Depois de aproveitar bastante o dia nas 3 praias, comecei a voltar para ir à Cachoeira da Usina. Vários disseram que o caminho pela trilha era difícil de encontrar, então voltei até a rodovia e fui por ela. Logo no início perguntei a algumas pessoas que estavam em vans e os dois primeiros responderam ironicamente e deram informações erradas (disseram que ficava a 20 km ou algo parecido), mas indicaram o último motorista como referência. Ao perguntar-lhe, deu as indicações corretas e disse que ficava a 3 km. No caminho, um homem cruzou comigo olhando para minha cintura, como quem procura algo, e me perguntou se eu vinha em paz 😟. Respondi que sim, ele me falou para ir com Deus (como se repetisse um chavão) e depois completou que isso era a maior mentira e Deus não existia. Achei linda a vista da cachoeira e o banho e hidromassagem deliciosos . A represa próxima também achei bela. Quando estava voltando e tinha acabado de chegar na ciclovia, que começava justamente depois da entrada para Jeribocaçu, uma van parou e me ofereceu carona. Era o mesmo homem que havia sido irônico quando lhe perguntei sobre a cachoeira. Eu não o reconheci de início e aceitei a carona. Seu nome ou apelido era Gel. Desta vez, talvez depois de perceber que eu não era mal-intencionado nem estava alterado, não foi mais irônico e me falou para tomar cuidado ao andar em rodovias. Disse que aconteciam muitos acidentes e havia pessoas que poderiam me atropelar por pura maldade (lembrei do incidente entre Itabuna e Ilhéus). Ele me falou que minha camisa comprida assustava (não dava para ver meu calção) e sugeriu que eu colocasse uma bermuda, pois do jeito que estava as pessoas das comunidades poderiam ficar com medo e hostis. Talvez tenha sido por isso que foi irônico no primeiro encontro. Deixou-me no centro, bem perto da pousada. Ainda tive tempo de dar um passeio na rua principal, que descobri ser atrás da pousada, com muitas lojas, locais para comer e exibições. Lá estava o homem do jegue, que a princípio também não reconheci, mas que aparentemente se dirigiu a mim. Depois pensando, reconheci que era ele e voltei lá para cumprimentá-lo, mas ele já havia ido. Conversei razoável tempo com Gastón sobre o sistema (social) e expliquei como era minha vida. Jantei espaguete com legumes e frutas, e goiabada de sobremesa. Na 2.a feira 17/9 novamente comi legumes, frutas, bolachas e goiabada no café da manhã e depois fui às praias perto do hostel (Rezende, Tiririca, Costa e Ribeira) e de lá peguei trilha para Prainha. Várias pessoas disseram que eu poderia me perder e que poderia ser perigoso dependendo do local onde fosse parar. No início da trilha encontrei um surfista voltando, que me disse que conseguiria ir sem me perder e me falou para cruzar a ponte. Segui o rio, conforme um hóspede do hostel havia me dito anteriormente, encontrei algumas pessoas nadando numa espécie de remanso do rio e confirmei com o seu guia que deveria cruzar a ponte. Cruzei-a logo à frente, segui a trilha e cheguei a uma cerca de arame farpado, sem indicação. Se bem me lembro, o hóspede do hostel havia dito para eu ir à esquerda, que foi o que fiz, após explorar um pouco as possibilidades. Segui a trilha e andando mais meia hora cheguei à Prainha. Achei bonita a mata na trilha 👍. Achei a Prainha muito bonita e boa para nadar . Estava sendo filmado um seriado sobre surf da Disney a ser exibido mundialmente. Fui até a sua extremidade, onde descobri que existia acesso para uma outra praia, que ficava dentro de um condomínio. O vigia Tiago autorizou-me ir até a praia por dentro do condomínio e me ensinou o caminho. Era a Praia de São José, que também achei muito bonita e boa para nadar . Antes de nadar lá, falei com o rapaz que cuidava do aluguel de pranchas e atuava também como salva-vidas. Depois que voltei do mar, ele me disse que quando o garçom me viu no meio das ondas, no fundo, veio correndo falar com ele e perguntar o que eu estava fazendo lá, mas ele o tranquilizou dizendo que eu já havia falado com ele e parecia conhecer mar e saber nadar o suficiente. Na volta errei o caminho e fiquei andando por trilhas secundárias cerca de 30 minutos, até decidir voltar a um ponto conhecido e refazer a trilha prestando muita atenção e tomando outra direção em uma bifurcação em que tinha ficado em dúvida. Depois encontrei um casal de Goianésia, com quem conversei parte do caminho e que junto comigo viu micos 🐒 perto da trilha. Separei-me deles para entrar em 2 pequenas cachoeiras. Depois de voltar conversei novamente com o salva-vidas da Praia da Ribeira que havia dado muitas informações e ele me falou de uma trilha pelas pedras para a Praia do Siriaco. Fui até lá apreciar o visual. Como a maré estava subindo, precisei tomar cuidado em um ou dois cruzamentos de fendas nas pedras. Após voltar de lá, fui às praias da Concha, onde fui ao farol e tomei mais um banho de mar, e da Coroa, onde ficava o Centro Histórico, com suas casas e igreja antigas, que pude visitar. Por fim, a partir do Mirante do Xaréu, fui ver o Pôr do Sol, que achei muito bonito mesmo com nuvens 👍. Depois disso voltei para o hostel. Jantei espaguete com legumes e frutas. Num passeio à noite reencontrei o velho do jegue a que não havia respondido no dia anterior e fui falar com ele, explicando que não o havia reconhecido. Ele entendeu e não ficou chateado, o que me deixou muito feliz 😊. Chegaram novos hóspedes, incluindo um artista carioca, que aparentemente havia sido roubado e tinha vendido um trabalho feito com folha de bananeira para conseguir dinheiro para passar a noite. Na 3.a feira 18/9 minha ideia era ir até Maraú. Após tomar café, despedi-me de algumas pessoas do quarto e do hostel e parti. Primeiramente passei pelo Bradesco para sacar dinheiro. Paulo atravessou-me de barco até a Praia do Pontal por R$ 5,00 em dinheiro. Inicialmente andei na direção contrária para conhecer o finzinho da praia e por volta de 9:30 comecei a caminhada. Achei as vistas da paisagem muito belas . As praias estavam majoritariamente desertas. Encontrei pessoas em Piracanga pela manhã e depois somente à tarde após as 14 horas. Peguei 2 cocos na praia e tomei um banho de mar 👍. Atravessei 2 rios, um dos quais com água acima da cintura (tirei camisa, boné e chinelo, e coloquei a mochila na cabeça). Meu objetivo era ficar na cidade de Maraú, mas eu havia visto erradamente no mapa e a cidade era distante da praia. Então ao chegar em Algodões comecei a procurar por local para pernoitar. Sugeriram-me o Hostel Algodões, mas estava fechado. Então sugeriram-me o Bar do Raul, na Praia de Saquaíra, para onde rumei. Abaixo uma foto da praia anterior à de Saquaíra. Ao chegar em Saquaíra, logo avistei o bar, na beira da praia. O Raul e Benê, seu empregado, ao perceberem que eu queria algo barato, ofereceram-me por R$ 20,00 em dinheiro ficar no quarto em que dormiam os empregados, que naquele dia estaria vago 👍. Após examinar o quarto e receber as explicações de Benê, aceitei. Era um quarto simples, na beira da praia, com cama de madeira, colchão fino e desgastado, sem ventilador e com lâmpada que se ligava e desligava no soquete. O chuveiro era ao ar livre na praia. O banheiro era o do bar e ficava fechado durante a noite. Mesmo assim, foi uma das melhores noites, sem mosquitos, com a vista do céu noturno estrelado e da praia noturna. Após acomodar-me fui tomar um banho de mar e percebi que o fundo do mar tinha corais. Depois de tomar banho fiquei conversando com Benê, Clóvis e outro amigo deles sobre a vida naquela região. Raul deu-me chá como cortesia 👍. Após isso, Benê deu-me orientações sobre a localidade e onde fazer compras, fui comprar biscoito de coco, cenoura, pepino, tomate, pimentão e manga no Mercado Souza por R$ 6,96 com cartão de crédito. Jantei isso acrescido de chuchu que havia sobrado. Após apreciar o céu 🌙 e a praia à noite, ao voltar para o quarto, um siri entrou 🦀. Eu fui procurá-lo e o coloquei para fora. Voltei a apreciar a praia e quando fui entrar o siri entrou novamente e ficou embaixo da cama. Resolvi deixá-lo lá e ir dormir 😀. Na 4.a feira 19/9 fui para Barra Grande. Assisti o nascer do sol 🌅 da minha cama, que ficava de frente para a janela e esta de frente para o mar. Após levantar fui tomar um banho de mar antes do café da manhã, que foi igual ao jantar da noite anterior. Apreciei as pinturas na sala de refeição do bar. Depois agradeci e me despedi do Raul e iniciei a caminhada. Achei as praias lindas , com muitas pessoas, diferente do dia anterior. Várias delas tinham recifes de coral. Peguei um coco durante a caminhada. Passei por um farol perto da Ponta do Mutá e cheguei em Barra Grande. Lá fiquei hospedado no Hostel Ganga Zumba (http://www.gangazumbahostel.com.br/) por R$ 45,00 com cartão de crédito, em que fui atendido por Alexandre. A dona, Maria, que estava amamentando, prontificou-se a me dar informações turísticas posteriormente sobre a região. Fiquei em quarto coletivo, com banheiro externo, chuveiro com água quente, ar condicionado e café da manhã. Disseram-me que Taipu de Fora seria o melhor local para ver peixes e animais marinhos quando a maré estivesse baixa, o que seria perto de 17 a 18 horas. Resolvi ir fazer compras então para depois voltar a Taipu, por onde havia passado no caminho. Comprei 3 pães por R$ 1,00 com cartão de crédito na Padaria Bom Sabor e os comi antes de ir. Comprei também R$ 4,00 com dinheiro em chuchu, cebola, berinjela, beterraba, batata e laranja no Verdurão para o jantar. Depois fui acelerado para Taipu, pois na vinda tinha demorado quase 2 horas e já eram mais de 15:30. Mas consegui chegar pouco depois das 17 horas, ainda com luz. Procurei informar-me sobre onde seria o ponto para ver os peixes e animais e uma família que estava nadando com equipamentos de natação indicou-me um ponto em que haviam visto. Tentei e não consegui. Aí perguntei a outros que estavam lá perto e me indicaram o ponto mais exato em que a família estava. Então consegui ver alguns peixes. Apareceram alguns rapazes aparentemente nativos (talvez pegando peixes ou apenas os vendo) e me indicaram um ponto mais adequado ainda. Aí pude ver vários peixes 🐠, coloridos, alguns amarelos com listas pretas. Começou a escurecer e eu resolvi voltar, mas fiquei razoavelmente satisfeito com o que tinha visto. Cozinhei as batatas e jantei o que havia comprado no Verdurão. À noite fui dar uma volta na pracinha e assisti à parte da aula de caratê na escola. Antes de dormir, conversei com o carioca Gustavo que estava no mesmo quarto e fazia o trajeto inverso, porém não a pé. Ele vinha de Morro de São Paulo. Durante a noite o ar condicionado incomodou-me (eu não gosto de ar condicionado). Foi a única vez em que vesti a blusa de moletom para frio que havia levado . A vista do mar em frente à Barra Grande está na foto a seguir. Na 5.a feira 20/9 fui para Boipeba. Após acordar tomei o café da manhã oferecido pelo hostel. Achei-o muito bom , com café, leite, chocolate em pó, sucos de cajá e graviola, pães de 2 tipos, mussarela, tomate, batata doce, mamão, melancia e bolo de chocolate, em forma de buffet. Depois despedi-me de Gustavo e fui a pé até a Ilha de Campinho. Achei o trecho de praia bonito 👍. Precisei atravessar uma espécie de rio ou braço de mar pequeno nadando 🏊‍♂️. Caminhei pela praia e depois para ir até o local em que havia pessoas da Ilha de Campinho precisei novamente atravessar um pequeno trecho nadando, num ponto que um argentino de Buenos Aires me indicou. Ele estava lá com a família (acho que de férias). Lá conversei um pouco com os homens que estavam num bar, sobre ir a Taipu de Dentro, mas me disseram que era longe e que não era possível ir pela praia. Então resolvi voltar. Encontrei Alexandre de folga na praia, que me disse para falar com Maria que tinha combinado com ele de sair atrasado meia hora do hostel. Havia conversado com várias pessoas desde o dia anterior sobre como fazer a travessia de Barra Grande para o outro lado em direção a Pratigi. Havia muitas informações desencontradas, até que conversei com NenNei (acho que o nome era este) que vivia na área a tempos fazendo travessias e cuja família tinha morado nas áreas por onde eu queria passar. Ele explicou-me tudo e me ofertou a travessia por R$ 60,00 até um ponto a partir do qual eu poderia andar e seguir o trajeto que pretendia. Mas eu acabei optando por não ir devido ao preço e à incerteza de conseguir travessias nos pontos em que precisaria. Cheguei ao hostel, falei com Maria se precisava pagar diária extra, ao que prontamente ela respondeu que não, despedi-me e fui pegar a lancha de linha das 13 h para Camamu pela Camamu Adventure (http://www.camamuadventure.com.br/) por R$ 20,00 com cartão de crédito. Achei belas as paisagens da viagem de barco , que durou mais de meia hora. Em Camamu havia várias construções históricas, mas que só deu tempo de ver de longe. Pouco depois das 14 h peguei um ônibus para Graciosa pela Viação Cidade Sol (https://www.viacaocidadesol.com.br/) por R$ 12,60 com cartão de crédito. A viagem teve belas paisagens de mata e cidadezinhas 👍, durando cerca de 2 horas. Em Graciosa peguei a lancha para Boipeba às 16:30 (acho que era a última) por R$ 35,00 em dinheiro. Haviam dito em Barra Grande que custaria R$ 15,00. Achei espetaculares as paisagens desta travessia , com trechos de mangue nas laterais e perto do pôr do sol. Em Boipeba fiquei no Hostel Abaquar (https://www.abaquarhostel.com) por R$ 25,00 a diária com cartão de débito. O hostel era da brasileira Fernanda e do belga Peter e tinha várias pessoas fazendo trabalho voluntário em troca de hospedagem. Fiquei em quarto coletivo, com banheiro dentro, sem café da manhã. Havia área verde com redário, sala de TV, bar e cozinha. Quando lá cheguei havia alguns policiais que eles chamaram pelo fato do vizinho ter ofendido uma hóspede ou colaboradora. Fiz compras para o jantar, R$ 1,30 de cebola, R$ 3,75 de chuchu, pimentão e beterraba, R$ 4,70 de biscoito e espaguete, R$ 1,85 de batata e R$ 3,50 de goiabada, tudo em dinheiro (não havia bancos nem caixa eletrônicos em Boipeba). Cozinhei o espaguete e misturei com os outros ingredientes para o jantar, conversei com algumas pessoas que faziam trabalho em troca de hospedagem e assisti ao fim do jogo da Libertadores ⚽ que estava sendo transmitido, após o uruguaio Fernando configurar a TV para mim. Alguns hóspedes disseram-me para deixar a porta do quarto fechado para que o gato não entrasse e deitasse na cama. Abaixo a Praia de Boca da Barra. Na 6.a feira 21/9 fui explorar Boipeba. Após café da manhã com parte do que havia comprado, fui andando pelas praias, passando por Boca da Barra, Tassimirim, Cueira, Moreré e Bainema. Achei as vistas muito belas . Para chegar até Moreré precisei atravessar um pequeno rio. Como a maré estava alta, passei pelo trecho que tinha pedras, pois disseram que mais perto da praia havia ostras que poderiam cortar os pés. No fim da Praia de Bainema, encontrei Caetano, pescador e morador de Castellanos, que estava indo para lá. Perguntei se poderia ir com ele, pois haviam dito que a trilha era muito difícil. Ele concordou e fomos. Ele foi dando informações sobre a trilha e num determinado momento abriu um coco maça 🥥, que eu nem sabia que existia. Ofereceu abrir um para mim também e eu aceitei. Achei uma delícia . Tinha a consistência de maça com sabor de coco. A partir de um determinado ponto, a trilha seguia pelo meio do mangue. E mais à frente, começava a ter água do mar. Caetano pegou 2 caranguejos-siri 🦀 na trilha. Quando chegamos ao local onde estava o barco dele, a água já estava na altura da coxa. Daí para frente fomos de barco e saímos em um rio, que atravessamos junto com Marcelo, que se uniu a nós na outra margem, mas ainda longe do ponto final de destino na praia. Após chegar lá conheci sua família e amigos. Ele me explicou o caminho de volta e disse que seria mais fácil, pois a maré já estaria baixa. Ofereci-me para ajudá-lo a fazer uma página na internet para divulgar possíveis serviços de guia e outros e ele disse que me enviaria mensagem por celular com seu contato. Eram perto de 14 horas e fui caminhar até a Ponta de Castellanos. Achei as paisagens espetaculares, entre as melhores da viagem . Tanto do mar, quanto da praia, rio e vegetação. Fui andando rápido, pois não queria pegar escuridão na volta. Após deliciar-me com as paisagens magníficas, chegar até a ponta e tentar ver o povoado de Cova da Onça, voltei acelerado. Quando cheguei ao ponto em que havia desembarcado e perguntei onde era o início da trilha para sair no ponto mais curto de travessia do rio, Marcelo e João do Barco, seu tio, disseram-me que me atravessariam, pois tinham que atravessar mesmo e poderia ser perigoso eu atravessar nadando aquele rio extenso (realmente era bem mais extenso do que eu tinha imaginado quando perguntei a Caetano se poderia ir com ele). Acho que eles tinham ficado esperando por mim. Antes de atravessar reencontrei Alexandre, atendente do hostel de Barra Grande, que estava tomando algo em um bar restaurante da praia. Ele perguntou se tinha corrido tudo certo ao falar com Maria (a dona) sobre o atraso, disse que sim, desejei-lhe boa folga e fui. Eles me atravessaram e me deixaram já dentro do mangue, pouco depois de onde eu havia embarcado com Caetano 👍. Agradeci muito, pois realmente atravessar aquele rio nadando teria sido duro . A água estava mais baixa e quando cheguei ao ponto em que havia subido no barco de Caetano, já estava quase seco. Segui pelo mangue sem me perder e cheguei de volta à Praia de Bainema. Entre a ida e a volta vi alguns caranguejos e pássaros 🐦 no mangue. Vi também tartarugas mortas nas praias e piscinas naturais em vários pontos. Voltei e passei pelo rio que levava a Moreré ainda com claridade. Com maré baixa pude atravessar pela praia mesmo. Entretanto acabei pegando o fim da trilha à noite, o que foi um pouco problemático num ponto que passava por dentro de mata, pois era difícil enxergar, visto que as árvores tapavam a luz da Lua e das estrelas. Mas foi um trecho curto. Jantei espaguete com legumes, biscoito e goiabada. Mariana, uma das funcionárias voluntárias do hostel, falou-me que no dia seguinte ela e 2 amigas iriam até Castellanos e perguntou se eu não queria ir junto. Expliquei que tinha ido naquele dia e disse que um pescador e morador que me atravessou para lá desejava atuar como guia também e tinha ficado de me enviar seu contato. Ela se interessou e fiquei de repassar para ela assim que recebesse, mas Caetano não me enviou seu contato. À noite houve uma festa gratuita com música no bar do hostel, que era comandado por Melissa, argentina de Puerto Madryn e por uma mineira. Lá reencontrei um surfista que havia me dado orientações quando estava em Bainema e se ofereceu para guiar Mariana e suas amigas até Castellanos, mas Mariana acabou optando por outra alternativa. No sábado 22/9 fui andando até Cova da Onça. Após café da manhã, semelhante ao do dia anterior, parti e fui procurar o início do que chamavam de Caminho do Trator. Era a estrada por onde passava o trator de coleta de lixo. Após andar por algumas ruas da cidade, encontrei-a e a segui por cerca de 2 horas até Cova da Onça. Ela tinha belas paisagens, era de areia ou terra e estava em sua maioria deserta. Passei por uma comunidade quilombola onde confirmei o caminho. Num dos pontos mais altos achei a vista do mar e da costa muito bela. Ao chegar ao povoado, surpreendi-me com seu tamanho, muito maior do que havia imaginado. Tinha praias com mangue e barcos. Após andar na pequena orla, perguntei a alguns moradores se era possível ir em frente e ver a paisagem ou chegar até o rio que a separava do caminho que levava a Pratigi e Barra Grande, por onde eu queria ter passado mas não consegui. Explicaram-me que havia uma trilha pela orla em que depois eu subiria e iria parar nos campos, onde se poderia ver amplamente a paisagem. Segui a trilha conforme indicaram e cheguei num ponto bem alto, em que pude ver a vegetação, a mata, a costa, as praias, os rios, o povoado do outro lado do rio e toda a natureza ao redor. Achei a vista espetacular. Foi, juntamente com o Mirante de Morro de São Paulo, a vista de que eu mais gostei na viagem. Mas se tivesse que escolher uma só, escolheria esta. Após descer, perguntei se poderia pegar um coco das árvores da orla. Amantino e seu amigo pegaram dois cocos com bastante água e massa para mim e um para ele. Enquanto comíamos os cocos ficamos conversando. Ele me falou que havia morado e trabalhado em São Paulo e que agora estava aposentado. Apareceu uma menina de uns 8 anos, chamada Júlia, e perguntou porque a minha camisa estava suja daquele jeito e se eu morava no mato. Eu ri, respondi que não morava no mato e a camisa estava suja de tanto abrir cocos manualmente nas praias. Ofereci coco para ela e ela não aceitou (acho que ficou com medo ou com vergonha), mas depois que eu estava acabando, pediu ao dono do bar em frente aos coqueiros (talvez algum parente seu) para pegar um coco para ela, mas ele disse que não iria pegar cocos naquele momento. Antes de voltar, resolvi perguntar se havia uma trilha para a Praia de Castellanos, como alguns haviam dito no dia anterior. Disseram-me que sim, bastava seguir o caminho do trator (era outro ramo). Segui a trilha e em cerca de 1 hora cheguei lá. Achei muito bonita a paisagem da trilha no meio da mata, com pássaros. Foi fácil, com pouca probabilidade de erro, ao contrário do que me haviam dito 1 dia antes. Novamente apreciei a bela vista daquela localidade. Tomei 2 banhos de mar pequenos, andei até a Ponta dos Castellanos novamente, fui até a curva de onde se avistava o local onde havia desembarcado 1 dia antes e depois voltei. Peguei 1 hora de escuridão, passando por um trecho de mata em que havia vários morcegos. Ofereceram-me carona por 2 vezes, eu agradeci e recusei, pois achei que não era necessário. Jantei espaguete com legumes, com biscoito e goiabada de sobremesa. Na 6.a feira ou no sábado eu fui visitar a loja de artesanato de uma argentina que havia se mudado para lá e um restaurante típico baiano, com quadros, que ficavam na ladeira que ligava a praça central ao porto. Gostei de ambos, que me atenderam muito bem. No domingo 23/9 aproveitei para descansar. Após acordar fui pesquisar como cruzar o canal para ir a Morro de São Paulo. Atravessei e voltei nadando e me convenci de que precisava de um barco, pois a partir de certo ponto a água me cobriu. Depois comprei R$ 1,60 em pães (cebola, coco, milho e arroz) e R$ 2,00 em pepino e chuchu para o café da manhã e o jantar, ambos com dinheiro. Após o café da manhã, fui visitar os pontos de interesse que eram próximos ao centro. Fui à Casa de Farinha, Mirante do Quebra Cu, Igreja (que estava fechada) e Mirante Céu de Boipeba (dentro de uma pousada ou hotel, que os donos permitiram acessar). Achei as construções antigas interessantes e a vista dos 2 mirantes muito boas, mas preferi a do Mirante da Cova da Onça. Do Céu de Boipeba eu fui pela trilha até a Praia de Cueira, onde passei o resto do dia, contemplando e descansando. Já havia gostado daquela praia anteriormente e continuei gostando, agora com o dia todo para desfrutar. No fim da tarde vi o pôr do sol, que teve cores avermelhadas e alaranjadas. Tomei 2 banhos de mar ao longo do dia. À noite chegou ao hostel o carioca André, que tinha ido prestar um concurso público e decidido ficar mais um dia para conhecer a área. Ele morava e trabalhava com turismo em Ilhéus, sendo dono de um hostel e organizando excursões de Ilhéus a Morro de São Paulo. Levei-o para um passeio à noite, para apresentar o pouco do centro que eu conhecia e aproveitamos para tentar ir conhecer a igreja. Mas estava havendo missa e eu não entrei. Porém pude apreciar a vista do mar e da orla a partir da sua lateral. Era noite de Lua cheia e eu achei o céu muito belo. Ainda deu tempo de ver um pouco de Cruzeiro x Santos pelo campeonato brasileiro. O uruguaio Fernando, que torcia para o Peñarol, falou-me que não tinha boas lembranças do Santos nem do Palmeiras, que tinha sido o jogo da 5.a feira anterior. Na segunda-feira 24/9 fui para Morro de São Paulo. Comprei R$ 1,20 com dinheiro em pães (2 de cebola e 1 de arroz) para o café da manhã. Despedi-me de André, que foi dar um passeio nas praias. Fui visitar a Igreja do Divino Espírito Santo, que desta vez estava aberta. Aproveitei para apreciar a vista a partir do mirante durante o dia, que me pareceu muito boa. Quando entrei no terreno atrás da igreja em que ficava o cemitério, um homem que estava cavando um túmulo disse que estava preparando a minha cama . A seguir visitei o Museu dos Ossos, que tinha fragmentos de ossos de baleias e outros animais marinhos. Depois voltei ao hostel, peguei a mochila e fui procurar a travessia para a Praia do Pontal, mostrada abaixo. Paguei R$ 10,00 em dinheiro por ela. Inicialmente fui no sentido oposto para conhecer um pouco a área e depois rumei para Morro de São Paulo. Caminhei pela praia passando dentro de trechos de mangue, o que achei sensacional. Peguei um coco, que deu enorme trabalho para desbastar até a casca dura, pois não havia nada cortante por perto. Um rapaz passou 2 vezes de moto enquanto eu tentava desbastá-lo e me perguntou se eu havia visto um chapéu. Respondi que não, mas que se encontrasse deixaria na barraca que ele indicou. Na saída de uma das trilhas de mangue havia uma árvore com vários ninhos de pássaros. Logo em seguida cheguei à Praia de Guarapuá, que achei magnífica. O mar tinha vários tons de verde e azul, conforme foto abaixo. E o banho foi delicioso. No fim da praia, indicaram-me para pegar uma trilha permitida por dentro de uma fazenda, cuja paisagem de mata muito me agradou. Um caçador que encontrei no meio do caminho deu-me informações preciosas sobre a trilha. Ele estava colocando ratoeiras. Já perto do fim da trilha, um rapaz que estava pegando cocos e caranguejos guaiamuns, abriu o coco para mim. A água estava já um pouco passada, mas mesmo assim tomei e aproveitei. Tinha muita massa, já seca, o que me permitiu comer em várias ocasiões. Logo a seguir cheguei na praia (5.a Praia), voltei um pouco até o mangue, para conhecer toda a extensão, e depois fui pela praia, apesar da maré já bem alta, rumo a Morro de São Paulo. Em Morro de São Paulo fiquei no Hostel La Casita (https://www.facebook.com/lacasitademorro) por R$ 25,00 a diária pagos com cartão de crédito. Os donos eram argentinos e havia vários hóspedes argentinos e chilenos. O hostel tinha muita comida comunitária (arroz, feijão, queijo ralado, farinha de milho, temperos etc), o que enriqueceu minhas refeições e achei uma ótima ideia, pois para quem vai ficar pouco tempo é inviável comprar a quantidade normalmente vendida destes itens. Na primeira noite uma mineira funcionária voluntária, do mesmo tipo que troca hospedagem e refeições por trabalho, fez um bolo de cenoura de que gostei. Fiz compras no Supermercado Estrela da Manhã (espaguete, goiabada, pepino e chuchu) por R$ 8,50 com cartão de crédito e em outro supermercado (cebola e laranja) por R$ 2,70 em dinheiro. Na 3.a feira 25/9 fui explorar Morro de São Paulo. Inicialmente comprei pães no Mercado Nativo (3 pães franceses, 3 pães de milho e 2 pães de arroz) por R$ 2,00 com cartão de crédito. Depois do café da manhã segui o caminho para a Praia de Gamboa. A trilha ia por morros e descia para a praia. Achei muito boa a vista do alto dos morros. Com a maré baixa, caminhar pela praia foi tranquilo. Já em Gamboa, o barqueiro Ângelo aceitou cruzar-me para o outro lado quando fosse seguir viagem e disse que o faria de graça. Eu pedi um preço, mas ele falou que poderia dar quanto quisesse, talvez só R$ 5,00 para pagar o óleo. Continuei até acabar a praia e depois segui pelo manguezal. Lá encontrei um pescador ou caçador de caranguejos que disse que a trilha poderia levar-me ao Galeão, mas que seriam 2 horas de trilha e que esta estava muito suja, com grandes chances de eu não conseguir. Resolvi então não ir e só caminhei mais um pouco até onde achei o caminho razoável. Não foi tão espetacular quanto a trilha entre Boipeba e Guarapuá, mas não deixou de ter certo interesse. Na volta, depois de chegar à praia, tomei um gostoso banho de mar. Perguntei a várias pessoas se dava para voltar pela praia com a maré como estava e quase todos disseram que não. Eu não tinha levado dinheiro para pegar o barco e a trilha sem ser pela praia passava pela comunidade Buraco do Cachorro, que disseram não ser segura porque tinha alguns redutos de crime. Como um nativo me disse que era possível ir pela praia, porém seria sofrido, resolvi ir pela praia assim mesmo. Até que não foi tão difícil, pois toda a primeira parte foi possível fazer por uma faixa estreita de areia, aguardando as ondas baixarem em alguns trechos, ou por cima de pedras. Depois surgiram trilhas laterais nos morros, o que facilitou tudo. Mais à frente encontrei algumas pessoas nas pedras e brincando no mar e elas me indicaram como pegar a trilha principal para chegar de volta a Morro de São Paulo. Aproveitando que voltei cedo, fui conhecer a Fonte da Biquinha, a fortaleza, as praças, a igreja e o farol. Depois fui aos mirantes, de ambos os lados do farol. Achei a vista espetacular, entre as melhores da viagem. Esperei para ver o pôr do sol do mirante principal, que estava lotado. À noite reencontrei Mariana, que agora estava como hóspede, preparando-se para ir fazer trabalho voluntário trocado por hospedagem e refeições na Praia de Pipa. Jantei espaguete com legumes, acrescido de um pouco dos itens comunitários (proteína texturizada de soja, arroz, feijão, farinha de milho e temperos). Depois fui dar um passeio na orla e apreciar a vista noturna. Havia uma passarela de madeira bem movimentada, que permitia andar perto da costa. Na 4.a feira 26/9 fui ver os peixes e descansar. Tomei café com pães, legumes e goiabada e fui ver os peixes nos recifes de coral da 2.a Praia. Antes de chegar na água pude ver as piscinas naturais que se formavam com a maré baixa, conforme foto a seguir. Havia vários tipos de peixes, ouriços e coral. Fiquei lá bastante tempo apreciando os cardumes. Conversei com um aposentado nordestino que morava em Sorocaba e estava fazendo o mesmo. Depois fui conhecer o Teatro do Morro, o Campo de Mangaba e o mirante perto da antena. Desci de lá e fui para a 3.a praia para ver mais peixes. Havia também bastante peixes e caranguejos, mas vi menos do que na 2.a Praia. Fui até a ponta do recife apreciar a vista do mar e depois fui para a 4.a Praia, onde fiquei contemplando a paisagem. Lá também havia peixes, mas eu já estava satisfeito e não tentei muito. Boiei 2 vezes no mar, pois era muito raso, mas gostei. Já perto do fim da tarde voltei ao Mirante da Tirolesa (ao lado do farol) para ver as pessoas descerem. Depois fui ao mirante principal do outro lado para ver o pôr do sol novamente. Achei as vistas espetaculares de novo. Comprei pães (3 franceses, 2 de milho e 1 de arroz) para o dia seguinte no Mercado Nativo por R$ 1,50 com cartão de crédito. Jantei espaguete, arroz, feijão, farinha de milho, legumes e temperos. Depois que eu já tinha começado a fazer o jantar, perguntaram-me se eu queria participar da noite de pizza que haveria, mas aí já era tarde. E acabou havendo uma festa, junto com a pizza. Eu já estava no quarto, mas ouvi as canções argentinas (pelo menos eu acho que eram). Na 5.a feira 27/9 fui rumo à Praia do Garcez. Após o café da manhã com sanduíches, laranja e goiabada e de passar pela passarela com vista para as piscinas naturais nos recifes de coral com maré baixa, fui para o porto para pegar o barco de linha para o atracadouro, que era do outro lado do canal. Antes passei pelo guichê de cobrança para pagar a taxa ambiental, mas a atendente isentou-me, dizendo que a cobrança não existia quando a entrada era por Boipeba. No barco encontrei a argentina que tinha ficado no mesmo quarto que eu no hostel. Ela estava indo para Barra Grande. Peguei o barco da Quick Pousada e Transporte Marítimo por R$ 10,00 em dinheiro. Como ele era lento foi possível apreciar a bela paisagem com calma, incluindo os paredões de argila no caminho para Gamboa, exibidos na foto abaixo. Depois de chegarmos, despedi-me da argentina e comecei a caminhada rumo à Praia do Garcez. Fui perguntando a pescadores e habitantes locais se conseguiria cruzar o rio que havia lá e me disseram que com maré baixa conseguiria, mas pelos meus cálculos não chegaria no auge da maré baixa. Ao longo do caminho vi siris, periquitos, árvore com ninhos, casas de joão-de-barro e bastante sujeira também, mesmo em praias desertas. Havia também várias belas praias e trechos de vegetação, como esta área de mata da foto antes de chegar em Guaibim. Quando cheguei na Boca da Barra vi um rapaz aparentemente trabalhando ou esperando algo. Ele me disse que até há cerca de 15 minutos eu conseguiria atravessar, mas que agora a maré tinha subido e ele não sabia. Falou para eu fazer um teste. Fui pelo trecho que ele indicou e percebi que a água iria me cobrir. Desisti . Ele falou que havia muitos pescando e que quando um passasse ele pediria para me atravessar. Após alguns minutos, falou que seu primo vinha vindo de barco e que me atravessaria. Ele fez sinal para o primo que me permitiu embarcar e me atravessou. Ofereceu-me carona até o povoado de Ilha D’Ajuda, eu agradeci, mas preferi ir caminhando. Antes fui dar um passeio nos bancos de areia do outro lado da boca e tomar um banho de mar. Achei bela a área da barra do rio. Depois segui para o povoado. Havia muitas bifurcações na estrada, que era deserta. Acabei pegando um ramo errado e fui parar numa fábrica. Lá havia um rapaz trabalhando que me orientou sobre o caminho correto. No povoado fiquei na Pousada do Juraci por R$ 25,00 em dinheiro. Fiquei surpreso quando ele me falou que alugava quartos por R$ 150,00 por mês. Comprei R$ 5,40 (9 pães (francês, milho e leite), tomate, cebola e pepino) com cartão de crédito num mercado. Depois do jantar fui dar um passeio para conhecer um pouco do povoado e ainda pude admirar um pouco do céu noturno. Na 6.a feira 28/9 fui para Cacha Pregos, primeiro povoado da Ilha de Itaparica do meu roteiro. Um galo acordou-me cantando ao amanhecer . Tomei café da manhã, comprei pães (2 franceses e 1 de milho) no mesmo mercado por R$ 1,00 em dinheiro e rumei para Cacha Pregos. Peguei 3 cocos na praia, 1 com massa e 2 só com água, mas bem doces. Encontrei muitos siris na areia. Quando já estava perto de cruzar o Rio Jaguaripe encontrei um pescador que me perguntou se eu estava louco quando falei que pretendia ir a Cacha Pregos. Aí disse que tentaria um barco para me atravessar e ele respondeu que só mesmo se fosse assim. Quando cheguei no rio vi que a travessia era muito mais larga do que eu imaginava e que a margem em que eu estava era deserta. Tentei gritar para os barcos do outro lado, mas era tão longe que seria virtualmente impossível me ouvirem ou verem. Fui margeando o rio até ver uma espécie de iate ancorado. Fui em direção a ele para ver se conseguiria uma travessia. Conforme fui chegando mais perto vi outros barcos menores atracados numa espécie de trapiche. Apareceram alguns homens e comecei a atravessar um solo enlameado. Quando cheguei perguntei se eles iriam atravessar ou conheciam alguém que fosse. Eles disseram que iriam, porém no fim da tarde. Eram trabalhadores de uma fazenda de lazer, estavam consertando um barco e voltariam para Cacha Pregos após o trabalho no fim do dia. Então subi no trapiche, fui até a ponta numa espécie de abrigo e almocei os pães enquanto eles comiam suas marmitas. Combinamos de eu retornar no fim da tarde, deixei minha mochila no abrigo e voltei para a ponta da barra para ir à praia. Tomei banhos de mar e 1 banho numa pequena lagoa, além de ficar contemplando a paisagem. Na volta a maré havia subido e eu não tinha percebido o tamanho do impacto para o qual eles tinham tentado me alertar. Tive que atravessar a nado 2 razoáveis extensões de água onde antes era só areia enlameada. Após esperá-los, atravessei com vários outros trabalhadores da fazenda para Cacha Pregos. Durante a travessia eles me indicaram uma pousada barata. Passei antes numa de um espanhol que alugava via AirBnB, mas após falar com Zel da barraca, fui para a que eles e ela haviam indicado, que era a pousada 4 Estações (https://www.facebook.com/pages/category/Hotel/Pousada-4-Esta%C3%A7%C3%B5es-1650017345250201/) e lá fiquei por R$ 40,00 pagos com cartão de crédito. Após acomodar-me fui tomar um banho de mar e ver o pôr do sol a partir da praia em frente a ela, mostrado na foto abaixo. Depois fui comprar pepino, chuchu, cebola, pimentão, beterraba e laranja no supermercado por R$ 3,60 em dinheiro, 9 pães e 8 broas de milho na padaria por R$ 6,65 com cartão de crédito. Jantei sanduíches e depois fui dar uma volta na praia à noite, podendo desfrutar do céu estrelado. No sábado 29/9 saí rumo à cidade de Itaparica, mas sabendo que não chegaria lá em um dia. Logo de manhã fui tomar um banho de mar. Depois dei um passeio na praia até um pouco depois do ponto em que havia desembarcado, após o qual acabava a praia, para poder apreciar com calma aquele trecho. Passei na padaria para dizer que havia pego 1 pão a menos. Acreditaram e ainda me deram 1 pão a mais de cortesia. Depois do café parti. As praias estavam com bastante gente, pois era sábado, o que acho que tornou a caminhada mais segura, pois vários me disseram que a Ilha de Itaparica poderia apresentar trechos perigosos. Gostei bastante das paisagens, com o mar verde e já pude ver Salvador, lá longe, do outro lado da Baía de Todos os Santos. Tomei 2 banhos de mar ao longo do caminho, boiando na água calma. Uma foto de uma das praias, a Barra do Cavaco, pode ser vista abaixo Num determinado trecho fiquei preso pela maré numa passagem suspensa e tive que voltar e contornar pela rua. Resolvi parar em Mar Grande. Quando cheguei perguntei num restaurante sobre pousadas baratas e o garçom indicou-me algumas. Um rapaz que lá estava pediu para me acompanhar, pois queria receber alguma comissão da pousada. Porém estava meio alterado provavelmente por abstinência e acabou querendo influir na minha escolha para ganhar a comissão e depois pedindo para eu comprar um artesanato seu, pois ele queria fumar um baseado. Aí eu pedi para ele parar de me acompanhar. Ofereci pão, mas ele não quis. Iria ficar na Pousada Pôr do Sol, como ele havia indicado, tendo inclusive já fechado acordo de valor e condições com o atendente e informado que o rapaz havia me indicado, para o caso deles pagarem comissão. Porém eles não tinham o quarto pronto e me falaram para voltar depois das 19 horas. Pessoas locais haviam dito para mim que subindo um pouco acima da pousada e fazendo a curva era uma área perigosa, provavelmente de tráfico. O próprio atendente da pousada disse que aquela área era um pouco perigosa para turistas, mas que pela minha aparência achava que não haveria problemas. Resolvi arriscar. Fui então fazer compras para o jantar e o café da manhã. Ao descer a ladeira vi dois rapazes parados que pareciam estar vigiando e fiquei um pouco preocupado com a situação. Comi um acarajé no prato por R$ 3,00 em dinheiro, comprei R$ 2,00 em pães (7 pães, 4 franceses, 2 de milho e 2 de leite) na padaria em dinheiro (deram-me 1 pão de cortesia), R$ 0,92 em tomates, pepino e cebola no Mercado Fonseca com cartão de crédito e R$ 0,47 em bananas prata no BomPreço Bahia Supermercados com cartão de crédito. Quando voltei, já estava escuro, e ao começar a subir a ladeira, um homem sentado atrás de um caminhão, perguntou-me “Qualé que é?”. Assustei-me e respondi que só iria até a pousada. Ele me disse que poderia ir. Falei que iria depois então. Ele me disse para me aproximar. Não fiz isso. Perguntou se eu estava com medo alterando a voz e respondi que não, apenas voltaria depois. Outro rapaz mais acima falou “Tá de boa, pode vir”, mas eu optei por não ficar lá. Fui então para a Pousada Cigana (https://www.facebook.com/pousadaciganailha/), onde fiquei por R$ 50,00 em dinheiro, sem café da manhã. No dia seguinte descobri que existia um hostel na beira da praia por R$ 40,00 com café da manhã, que só não havia encontrado porque o rapaz que me acompanhou estava tão direcionado para a comissão que acabei não o vendo. Ao sair à noite para ver o povoado e a orla, vi 2 cavaleiros correndo pela lateral da orla. Quando chegaram perto do centro e o piso virou cimento na ciclovia, o cavalo de um deles caiu e ele foi junto. Mas nem um dos dois pareceu ter ferimentos mais sérios, embora o cavalo tenha demorado para se levantar. No domingo 30/9 fui para a cidade de Itaparica. Acordei e fui tomar um banho de mar. O portão estava aparentemente trancado e eu não conseguia abrir. Mas um hóspede mais acostumado conseguiu abrir facilmente e pude sair. Fui até a igreja antes para poder visitá-la, mas perguntei ao moço que a estava arrumando para a missa se poderia visitá-la com calção de banho e camiseta regata (de alças) e ele disse que não. Então fui para o mar e depois voltei. Ainda consegui visitar um pouco antes da missa, mas já com bastante gente. Comprei R$ 2,00 em pães (4 franceses, 2 de milho e 2 de leite) na padaria em dinheiro (novamente deram-me 1 pão de cortesia) e R$ 1,13 em tomate, pepino e cebola no Mercado Fonseca com cartão de crédito. Tomei café com o que tinha comprado e mais bananas do dia anterior. Depois saí com destino à cidade de Itaparica. Disseram-me que haveria trechos desertos, com matagal na beira da praia que poderiam ser perigosos, mas como era domingo as praias estavam com bastante gente e não tive nenhum problema de segurança, nem nos trechos mais desertos. Realmente passei por trechos com matagal ao lado e trechos desertos ao lado de morros, com muitas pedras e recifes na praia. Achei as paisagens belas. Passei por Bom Despacho, local de onde saíam os barcos para Salvador. Em frente ao local de embarque havia um quebra-mar, que tinha uma pequenina praia de areia embaixo e permitia uma bela vista. A foto a partir do local está abaixo. Perguntei no porto sobre horários, formas de pagamento, preços e segurança para ir a pé do ponto de chegada ao Pelourinho em Salvador. Ao chegar em Itaparica, enquanto procurava local para me hospedar, aproveitei para conhecer e apreciar as construções históricas do centro. Fiquei no Veranda Hostel (https://www.tripadvisor.com/Hotel_Review-g659906-d15207946-Reviews-Veranda_Hostel-Itaparica_Ilha_de_Itaparica_State_of_Bahia.html), cujo proprietário, François, era da Namíbia. A vista a partir de sua varanda agradou-me muito. Inicialmente combinamos R$ 45,00 a diária no cartão de crédito, sem café da manhã. Comprei R$ 3,00 (batata e chuchu) em uma mercearia e R$ 1,60 (tomate e cebola) em outra, pagando ambas com dinheiro. Ainda deu para ir à praia e lá fiquei por algum tempo, contemplando a paisagem. Estava lotada. Tomei 2 deliciosos banhos de mar, com consentimento dos salva-vidas para ir ao fundo. No fim da tarde ainda vi o lindo pôr do sol a partir da orla que ficava de frente para o hostel. Saindo de lá assisti ao resto do jogo entre Internacional e Vitória num bar. Os torcedores estavam revoltados com o pênalti que o árbitro havia marcado no fim. Depois fui à padaria comprar R$ 2,00 em pães (3 franceses, 1 de milho e 1 de leite) com cartão de crédito. Cozinhei batatas e juntei com o resto para o jantar. Na 2.a feira 1/10 aproveitei para conhecer melhor Itaparica. Tomei um banho de mar logo pela manhã. Comprei R$ 2,00 em pães (franceses, milho e leite) em outra padaria mais próxima, tomei café da manhã com sanduíches e banana, e fui fazer compras para os dias restantes no supermercado por R$ 8,64 com cartão de crédito (espaguete, berinjela, tomate, cebola, pepino, goiabada e pães (franceses, milho e leite)). Depois passei pela secretaria de turismo e me deram várias informações de pontos a visitar, pontos em que era seguro ir e em que não era e como voltar para Bom Despacho pela estrada caminhando. Uma moça perguntou-me se eu não tinha medo de caminhar sozinho pela praia. Então fui visitar os pontos de interesse na cidade, várias construções históricas, igreja, prefeitura, casas antigas, praças, Capela de Santo Antônio, exposição de fotos antigas da região na biblioteca e a marina. Dei também um passeio completo na orla central. Nativos disseram-me para não ir às praias depois da marina, nem à Biquinha, pois não era seguro devido à possibilidade de assaltos ou violência, mesmo vestindo somente calção de banho e camiseta regata. Após um leve almoço de pão com chuchu e pão com goiabada, fui à praia de Ponta de Areia, por onde havia passado no caminho de vinda e de que tinha gostado. As praias estavam bem mais vazias, mas não houve nenhum problema de segurança. Lá conversei com cariocas que estavam de férias sobre o Rio, Niterói e a situação eleitoral naquela semana que antecedia o 1.o turno das eleições. Tomei alguns banhos de mar e contemplei a paisagem. Num dos banhos, virou o caiaque de um rapaz que estava a meu lado com o guia. A água não o cobria, mas pelo susto e o choque com a água, acho que ele ficou assustado e com isso eu fiquei preocupado, mas tudo ficou bem. Perto do fim da tarde voltei para a praia central do forte onde tomei mais banho de mar. Em algumas situações ao longo do dia foi possível ver peixes pulando na água. Por fim fui contemplar o pôr do sol na orla novamente. Achei-o muito belo nos 2 dias. Segue uma foto dele. Jantei espaguete com legumes e pão com goiabada de sobremesa. Fiquei na varanda contemplando a paisagem noturna da Baía de Todos os Santos e as luzes dos povoados distantes do outro lado. Na 3.a feira 2/10 novamente tomei um banho de mar logo após acordar e depois o café da manhã com sanduíches, pão e goiabada. Resolvi ficar na praia pela manhã, pois o dono do hostel permitiu-me sair até as 14 horas. Conversei bastante com o salva-vidas, que era o mesmo do domingo. Falamos das diferenças da vida na Bahia e em São Paulo, que ele nunca tinha visitado, mas via pela TV, principalmente como as pessoas gastavam tempo para chegar em seus locais de trabalho. Dizia que não tinha vontade de morar lá. Depois de contemplar, descansar e tomar 2 banhos de mar voltei para o hostel para um leve almoço e ir embora para Salvador. Na hora de pagar com cartão, François disse-me que a máquina não estava disponível e não seria possível. Propôs então que eu pagasse R$ 50,00 pelos 2 dias, ou seja, R$ 25,00 a diária. Perguntei se isso não iria lhe dar prejuízo e ele disse que não, pois como eu tinha ficado sozinho e era fim de mês e ele precisava fechar a contabilidade com um valor não tão alto, não havia problema. Perguntei várias vezes, ele confirmou que não havia problema para ele e então paguei os R$ 50,00 em dinheiro. Tinha pego o sabonete que ele me deu como cortesia e não tinha usado, pois ainda tinha o meu. Devolvi para diminuir o custo dele com minha hospedagem. Antes de começar meu caminho, pedi a um taxista a confirmação de qual era o caminho mais indicado e ele me indicou o caminho que todos haviam dito ser o mais perigoso, passando pela Biquinha. Quando o questionei sobre a segurança, ele respondeu ironicamente rindo que pelo caminho que eu iria havia mais bandidos. Ignorei as sugestões dele. Fui caminhando pela Avenida Beira-Mar. Não tive nenhum problema de segurança, embora houvesse alguns trechos desertos. Achei belas as vistas da orla a partir dos pontos elevados. Peguei o barco das 16 horas em Bom Despacho. Paguei R$ 5,00 com cartão de crédito para a Internacional Travessias (https://internacionaltravessias.com.br). Cheguei em Salvador perto das 17 horas. Achei magnífica a vista da Baía de Todos os Santos, de Itaparica e de Salvador a partir do barco durante a travessia. A foto abaixo mostra a vista de Salvador quando estávamos chegando. A foto abaixo mostra o pôr do sol pouco antes de desembarcarmos. Fui andando até o Pelourinho sem problema nenhum. Fui por Santo Antônio, onde havia visto os hostels com preços melhores. Fiquei hospedado no Hostel Pelo do Carmo (https://www.facebook.com/Hostel-Pel%C3%B4-do-Carmo-1836152616404294) por R$ 15,00 em dinheiro, sem café da manhã. O hostel tinha 7 meses desde a inauguração e ficava num casarão antigo. Optei por este hostel, além do preço, pela vista espetacular da Igreja do Carmo, a partir da janela do quarto e pela vista da Baía de Todos os Santos a partir da sala de TV. Lá conheci um libanês, que morava em Brasília, um catarinense e um campineiro, com quem conversei bastante. Fui visitar o Forte de Santo Antônio e a Igreja de Santo Antônio e comprar chuchu, cenoura, cebola, pepino e pães no Bar e Mercearia do Carmo por R$ 7,13 com cartão de crédito. Depois fui passear um pouco pelo Pelourinho e assistir alguns espetáculos artísticos. Assisti vários conjuntos musicais, especialmente Tambores e Cores (https://www.facebook.com/fernando.barretodealmeida.1/videos/vb.100005659626174/924642111067768). Após ver um pouco do jogo da Libertadores fui dormir. Na 4.a feira 3/10 tomei café da manhã com sanduíches e goiabada, apreciei pela última vez as vistas da Igreja e da Baía, despedi-me do campineiro que iria à praia e saí para o aeroporto. No caminho comprei R$ 1,00 em pães para o almoço numa mercearia ao lado da do dia anterior, mas em que o pão era mais barato. Mais à frente, já perto da estação de metrô, visitei a Igreja de Santana, que achei muito bela e bem restaurada. Ainda pude ver o fórum, em frente à estação e embarquei. Paguei R$ 3,70 pelo bilhete unitário. Achei muito bom o metrô de Salvador e bem mais vazio do que o de São Paulo, talvez porque a extensão fosse bem menor. Como ele era quase todo por via aérea, foi possível apreciar a vista de várias partes da cidade. No aeroporto havia um ônibus gratuito da estação de metrô até o embarque. O voo foi bom, mas a vista da Baía de Todos os Santos não foi tão espetacular quanto eu já havia visto outras vezes. Em Guarulhos peguei o ônibus gratuito que me levou do Terminal 2 até a recém inaugurada estação de metrô do aeroporto. Paguei R$ 3,69 pelo bilhete de metrô (carreguei múltiplos) para ir até o Brás, com conexão gratuita para Linha Vermelha no Tatuapé.
  10. @D FABIANO a data é esta mesmo . Estou escrevendo as viagens de trás para frente. Pretendo chegar até 1998, se minha memória permitir. Acho que vale pelo roteiro, pois boa parte não muda e pode ajudar pessoas a ter uma ideia. Mas preços, horários, linhas de avião, ônibus, restaurantes, hotéis, etc. podem ter mudado ou desaparecido. Dá também para ter uma ideia da inflação e da evolução dos negócios .
  11. Considerações Gerais: Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, hotéis, meios de transporte e informações adicionais que eu achar relevantes. Nesta época eu ainda não registrava detalhadamente as informações, então preços muitas vezes vão ser estimativas e albergues, hotéis e meios de transporte poderão não ter informações detalhadas, mas procurarei citar as informações de que eu lembrar para tentar dar a melhor ideia possível a quem desejar repetir o trajeto e ter uma base para pesquisar detalhes. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais: Meu objetivo era fazer uma peregrinação. Por isso procurei ficar em albergues associados à peregrinação durante o caminho. Mas aproveitei também para conhecer Madrid e algumas cidades de Portugal. Obtive a credencial de peregrino e muitas informações na Associação de Confrades e Amigos do Caminho de Santiago (https://www.santiago.org.br). Não me preocupei com conforto nem com luxo. Minhas paradas foram mais ou menos as seguintes com as respectivas distâncias caminhadas, salvo algum esquecimento (não tenho mais a credencial para confirmar, doei-a para a Associação de Amigos do Caminho): 4.a 28/3: Saint-Jean-Pied-de-Port a Roncesvalles - 30 km 5.a 29/3: Roncesvalles a Villava - 30 km 6.a 30/3: Villava a Pamplona - 4 km Sáb 31/3: Pamplona a Cirauqui - 30 km Dom 01/4: Cirauqui a Los Arcos - 32 km 2.a 02/4: Los Arcos a Torres del Rio - 14 km 3.a 03/4: Torres del Rio a Logroño - 18 km 4.a 04/4: Logroño a Nájera - 27 km 5.a 05/4: Nájera a Redecilla del Camino - 30 km 6.a 06/4: Redecilla del Camino a San Juan de Ortega - 35 km Sáb 07/4: San Juan de Ortega a Burgos - 23 km Dom 08/4: Burgos a Tardajos - 11 km 2.a 09/4: Tardajos a Castrojeriz - 30 km 3.a 10/4: Castrojeriz a Carrion de los Condes - 45 km 4.a 11/4: Carrion de los Condes a Sahagun - 38 km 5.a 12/4: Sahagun a Mansilla de las Mulas - 36 km 6.a 13/4: Mansilla de las Mulas a Leon - 18 km Sáb 14/4: Leon a Villadangos del Páramo (?) - 20 km Dom 15/4: Villadangos del Páramo (?) a El Ganso - 39 km 2.a 16/4: El Ganso a Molinaseca - 32 km 3.a 17/4: Molinaseca a VillaFranca del Bierzo - 27 km 4.a 18/4: VillaFranca del Bierzo a Alto de Polo - 36 km 5.a 19/4: Alto de Polo a Sarria - 31 km 6.a 20/4: Sarria a Ligonde - 36 km Sáb 21/4: Ligonde a Arzúa - 37 km Dom 22/4: Arzúa a Monte do Gozo - 33 km 2.a 23/4: Monte do Gozo a Compostela - 5 km Eu não sou cristão. Meu objetivo não era a instituição Igreja, mas sim a vivência espiritual que transcende as instituições religiosas e remonta à Natureza mais profunda do Universo. A rota que escolhi foi o Caminho Francês, saindo de Saint-Jean-Pied-de-Port. São cerca de 800 Km. Foi muito fácil achar informações sobre esta peregrinação. Ela é muito conhecida e há muitos brasileiros que a fazem. Pode-se encontrar informações em https://www.santiago.org.br, https://www.eurodicas.com.br/caminho-de-santiago-de-compostela, http://www.caminhodesantiago.com.br e http://www.melhoresdestinos.com.br/caminho-de-santiago-roteiro-dicas.html. Para hospedagem veja: http://caminodesantiago.consumer.es/albergues/#camino-frances Em Madrid e Portugal obtive mapas e roteiros turísticos gratuitos das cidades . Durante o Caminho geralmente fui muito bem tratado e muita gente, incluindo agricultores, ofereceu gratuitamente ou a preços reduzidíssimos alimentos, como maças e outros produtos, que em geral recusei, procurando não ofender os ofertantes, para deixá-los para quem estivesse em dificuldades. Foram raras as pessoas rudes durante o Caminho. A sinalização pareceu-me muito boa. Em raríssimas ocasiões fiquei em dúvida devido à falta de sinalização. Além disso, quase todos conheciam o Caminho e estavam quase sempre dispostos a auxiliar . Houve alguns trechos em que a peregrinação seguia por rodovias, o que fez com que fosse necessário ficar bastante atento para evitar acidentes. Houve muitos atrativos naturais, culturais, históricos e religiosos ao longo do caminho, como rios, parques, bosques, montanhas, igrejas, santuários, construções antigas (da Idade Média e da Idade Moderna principalmente), centros culturais, itens da cultura local, etc. Achei que as igrejas, apesar de espetaculares, geralmente tinham um astral carregado, com muitas imagens com aspecto de sofrimento. Em conversa com um padre sobre o assunto, ele me disse que isso se devia a serem de uma época em que houve muitas dificuldades, pestes, doenças, guerras, etc, que as pessoas pensavam serem castigos de Deus. Havia muitas igrejas e santuários enormes, com muitos ornamentos, em localidades pequenas. Em muitas havia símbolos do poder do Estado, provavelmente das idades medieval e moderna. A maioria absoluta das minhas refeições foram feitas com compras de supermercado, padaria ou similares. Pizza, pão, queijo, vegetais, frutas e eventualmente algum doce (eu sou vegetariano). Raras vezes fui a restaurantes ou pedi o menu do peregrino. Achar água potável ao longo da peregrinação foi razoavelmente fácil em alguns poucos trechos. Havia fontes que as pessoas disseram ser confiáveis e de que bebi. Minha mochila estava razoavelmente leve. Cerca de 7 kg, mas às vezes ficava mais pesada devido a comida e água que eu carregava. Em algumas vezes houve chuva e nos primeiros dias houve neve ❄️. Estas estiverem entre as situações mais difíceis durante o trajeto. 😟 Havia muita gente fazendo o Caminho. Encontrar peregrinos era muito fácil e era possível estar em grupo todo o tempo se fosse desejado. Algo que me surpreendeu foi a quantidade de cruzes e respectivas dedicatórias devido a pessoas que aparentemente morreram fazendo o caminho. E algumas delas ficavam em locais tranquilos, em que era difícil imaginar algum acidente ou cataclisma. Mas nunca se sabe o que pode acontecer, ainda mais considerando as diferentes condições de saúde dos peregrinos e o imponderável. Achei as espanholas lindas. Várias vezes fiquei admirando sua beleza. Acho que é meu padrão favorito de beleza. A circulação entre Espanha, França e Portugal foi livre, sem nenhuma checagem de documentos. Não tive nenhum problema de segurança durante o Caminho nem em Madrid nem em Portugal. Porém a Cidade do Porto e Lisboa pareceram-me não ter a mesma tranquilidade de segurança do que as outras. A Viagem: Minha viagem foi de SP (Guarulhos) a Madrid em 18/3/2007. A volta foi de Madrid a SP (Guarulhos) em 4/5/2007. Na ida e na volta fiz conexão em Buenos Aires. Os voos foram pela Aerolíneas Argentinas (https://www.aerolineas.com.ar/pt-br) A passagem de ida e volta custou aproximadamente US$ 995.00, incluindo todas as taxas. Brasileiros não precisavam de visto para entrar na zona Schengen, que inclui a Espanha, a França e Portugal. Era necessário um seguro de saúde, mas a Associação dos Amigos do Caminho me disse que bastava um documento do Ministério da Saúde dizendo que eu era coberto pelo SUS, pois existia acordo de reciprocidade de atendimento entre Brasil e Espanha. E foi o que eu levei, obtido no escritório do Ministério em SP. Porém o agente da imigração não me pediu nada além do passaporte, perguntou o que eu iria fazer, e quando respondi que pretendia fazer o Caminho de Santiago, disse que não era perigoso, era divertido, prontamente carimbou meu passaporte e autorizou a entrada sem nenhum problema . Cheguei em Madrid na 2.a feira 19/3. Minha bagagem não havia chegado . Perguntei aos funcionários do aeroporto e disseram que talvez chegasse mais tarde, pois poderia estar havendo algum tipo de operação contra terrorismo islâmico. Disseram para que eu deixasse o endereço e telefone que levariam lá, caso chegasse. Mas eu não sabia em que hotel iria ficar e não tinha telefone. Então disseram-me para voltar mais tarde para ver se havia chegado, que foi o que eu fiz. Passei no escritório de turismo do metrô, que era integrado ao aeroporto e peguei mapa e roteiros turísticos a fazer na cidade, além de sugestões de hospedagens baratas. Depois de muito procurar opções, fiquei hospedado no albergue da juventude (provavelmente era o da Calle Mejia Lequerica, 21). Depois de tudo ajeitado, voltei ao aeroporto, já no fim da tarde, e a minha mochila estava lá. Fiquei num quarto coletivo com um dançarino argentino, um japonês, franceses e outros, que foram mudando ao longo da minha estadia. Gostei muito de Madrid . Para as atrações veja https://www.esmadrid.com/pt, https://www.tudosobremadrid.com, https://www.spain.info/pt_BR/que-quieres/ciudades-pueblos/grandes-ciudades/madrid.html e https://www.lonelyplanet.com/spain/madrid. Os pontos de que mais gostei foram os parques, praças, monumentos (eram muitos, mas as Cibeles agradaram-me especialmente), os palácios públicos, os museus (principalmente Reina Sofia e Prado, com destaque para a sequência de Guernica), as igrejas, as vias arborizadas (como Paseo de Recoletos e Paseo del Prado) e a Gran Via. Procurei conhecer todos os locais a pé. Segui vários dos roteiros que havia ganho no escritório de turismo. Eles me pareceram muito úteis e bem apropriados, pois tinham muitas atrações próximas, indicando ainda algumas opcionais, além das que eu descobri por mim mesmo. A população em geral foi muito gentil dando informações sobre os locais . Em uma ocasião um homem de uns 60 anos me falou para falar para o Ronaldo (jogador, acho que na época no Real) que eu tinha ido visitar o urso e o madronho. Fiquei quase um dia todo conhecendo a Gran Via. Os palácios e as igrejas pareceram-me grandiosos. Achei muito bela a estação de Atocha, onde haviam ocorrido os atentados. Gostei dos parques e praças, especialmente a Praça de Espanha e o Retiro, um dos poucos locais em que fiquei com alguma preocupação referente à segurança. Em cada um dos museus Prado e Reina Sofia também fiquei quase o dia todo. Fui no final de semana, em que eram gratuitos. As alamedas próximas a eles pareceram-me locais muito agradáveis para se caminhar. De um modo geral achei a cidade bonita, muito bem organizada e limpa. Os monumentos eram limpos, sem estarem pichados e bem conservados. No sábado à noite achei que havia esquecido meus chinelos no albergue da juventude e fui a pé até ele. Voltei mais de 11 horas da noite e a cidade parecia tranquila, sem a menor preocupação com segurança. No início estava frio , chegando até a nevar um pouco numa tarde. Como consequência, como eu não protegi adequadamente o rosto, minha face, e especialmente minha boca, ficaram queimadas de frio 🤕. Precisei trocar de hospedagem na 6.a feira ou sábado porque não renovei minha estadia a tempo e o hostel era muito concorrido. Fui para a Pousada Sudamericana, que uma atendente me informou num guichê. Lá conheci brasileiros e italianas. Paguei US$ 40.61 pelas duas diárias. Fui muito bem tratado no geral. Os únicos locais em que me lembro de ter sido mal tratado foram a Igreja de San Isidro e um mercado de chineses. No final de semana tive um pouco de dificuldade de encontrar locais abertos para fazer compras de alimentos. Tive que recorrer a mercados de chineses, que não gostaram de eu pegar os produtos para ler detalhes das embalagens. Fiz a maioria das refeições com compras de supermercados e comprei um garrafão de água que foi suficiente para uma semana. Procurei usar o supermercado Lidl (https://www.lidl.es), que o argentino me sugeriu como tendo melhores preços. Perto do fim conheci um restaurante vegetariano muito barato chamado Maoz, perto da Praça Maior (http://maoz.com.br), mas que acho que fechou. Conheci vários brasileiros, alguns lá legalmente e outros não. Um pintor, que estava lá como ilegal, falou-me que estava muito sofrido e não estava compensando. Ganhava 1.300 euros por mês e achava que não valia a pena a distância da família e o que estava conseguindo enviar ao Brasil. Outra ocasião em que andava pela rua encontrei um brasileiro que estava vindo de Portugal para tentar emprego. Nos albergues havia uma jogadora de futebol do Brasil e outra brasileira que riu de eu ter queimado o rosto de frio. Fiquei em Madrid uma semana. Na 2.a feira 26/3 de manhã peguei um ônibus para Pamplona da Continental Auto por US$ 33.31 e de lá outro para Roncesvalles por US$ 6.11 da Autobuses Arieda (http://www.autocaresartieda.com), ambos pagos com cartão de crédito. Na viagem conheci a mineira Patrícia que morava em Estella, namorava um espanhol e estava um pouco triste, pois não poderia ter sua profissão reconhecida legalmente lá e o namorado não poderia ter a profissão dele reconhecida no Brasil. Espero que tenham conseguido ficar juntos. Cheguei a Roncesvalles no fim da tarde. O chão estava coberto de neve e o clima era bem mais frio . Fiz os procedimentos para me hospedar no albergue e fui dar uma pequena volta nas redondezas e também conhecer a igreja. Fiquei um pouco assustado com a quantidade de neve e o clima. À noite jantei junto com outros peregrinos comendo o menu do peregrino, que era um prato de entrada, um principal (macarrão) e pães para acompanhar. Acho que tinha uma garrafa de vinho também. Já no quarto conversei com os peregrinos que estavam iniciando o caminho e um que já vinha de outras etapas. O espanhol que já vinha de outras estava de bicicleta e falou sobre caminhos que não eram pela estrada, mas não era o Caminho de Napoleão (que foi a rota usada pelo exército Francês para invadir a Espanha no início do século 19, contexto que provocou a vinda da família real para o Brasil). Todos comentaram que o Caminho de Napoleão poderia ser perigoso, devido à neve. O espanhol falou também de um albergue 24 h em León e que na França havia albergues privados. Eles me sugeriram não ir a Saint-Jean-Pied-de-Port porque o tempo estava ruim e não valeria à pena. Um outro espanhol, Nazco (ou um nome semelhante), estava indeciso sobre ir ou não. Eu estava convencido e decidi ir assim mesmo. Antes de dormir ainda tomei banho quente. No dia seguinte, 3.a feira 27/3, resolvi ir a pé para Saint Jean. Após o café da manhã, saí caminhando. Estava muito frio, com neblina, havia uma pequena garoa ou neve fina. Caminhei até o início da estrada e pensei comigo: "Esta empreitada é grande demais para mim. Vou desistir" . Eu não tinha experiência nem equipamento nem roupas adequadas para neve. Estava de fleece e anorak leves, mas com tênis de pano. Mas resolvi ir um pouco mais para ver melhor a situação e tentar um pouco mais. Subi um pouco pela estrada e avistei uma pequena casa, que parecia ser uma capela. Fui até lá, abri a porta com dificuldade, pois estava bloqueada pela neve, e vi que era muito simples, com uma imagem de Maria. Gostei muito da capela e resolvi ir um pouco mais. Logo a seguir a estrada começou a descer e a neve no caminho a diminuir. Aí definitivamente decidi ir. E fui, sem grandes problemas, apesar de alguns cachorros bravos (ou pelo menos que latiam bastante) no trajeto 🐕. Conforme descia o clima melhorava, a garoa passou e a neve no entorno da rodovia ia ficando cada vez menor. Encontrei Nazco no caminho subindo e ele parecia feliz por ter escolhido ir. Pegou carona até Saint Jean, disse que ficou olhando para ver se me via para oferecer carona, e agora já estava voltando para dormir novamente em Roncesvalles. Achei muito belas as vistas , cruzei a fronteira, procurei um posto de imigração para saber se precisava realizar algum procedimento, mas não encontrei. Cheguei a Saint-Jean-Pied-de-Port no meio da tarde. Fui para o albergue oficial da peregrinação, onde Jeanine, de 72 ou 81 anos, recebeu-me muito bem. Perguntei por Madame Debrill, citada no livro "Diário de Um Mago" de Paulo Coelho, mas ela disse que ela já havia morrido e comentou que muitos perguntavam por ela. Ela me tratou muito bem e até fez um bom jantar para mim por 2 euros. Enquanto isso eu fui dar uma volta para conhecer a cidade, que me pareceu interessante, apesar de pequena. O quarto estava cheio de peregrinos durante a noite, vindos de muitas partes diferentes do mundo, a maioria europeus. Na 4.a feira 28/3 comecei a peregrinação. Inicialmente fui com um francês (acho que se chamava Gregorian ou um nome semelhante). Juntos ficamos em dúvida num certo ponto e no meio da estrada fizemos sinal para uma mulher de carro na estrada, que imediatamente parou para nos dar informações . Pensei que seria uma cena altamente improvável em São Paulo. Seguimos e ele achou que eu estava muito lento, querendo ver muitas coisas, conversamos e ele decidiu ir na frente. Tentei ir pela rota fora da estrada e um pouco à frente havia a entrada do Caminho de Napoleão. Havia uma placa dizendo que era proibido seguir aquele caminho fora da temporada de verão, com dizeres alertando sobre o risco em caso contrário. Eu pretendia tentar ir por lá, mas após todas as conversas que havia tido no Brasil e lá sobre aquele trecho, resolvi aceitar o que a placa dizia e ir pela estrada. A subida era um pouco longa, mas aceitável, com as mesmas vistas espetaculares da descida. Os cachorros continuavam lá, latindo bravios. Lembrei-me dos cachorros narrados no livro do Paulo Coelho. Já perto de Roncesvalles encontrei Gregorian parado do lado da estrada. Estranhei e fui cumprimentá-lo. Ele me cumprimentou alegremente e disse que estava sentindo dores nas pernas e os outros peregrinos que ele havia encontrado já tinham ido. Falei para ele que esperaria ele se recuperar para irmos juntos. Ele me disse que não precisava, não queria me atrapalhar. Eu disse que não me atrapalharia em nada, ficamos conversando um pouco e depois ele começou a andar vagarosamente. Acompanhei seu ritmo. Ele me perguntou se eu achava que ele tinha ido muito rapidamente. Respondi que cada um tinha seu ritmo. Estávamos chegando perto da capela e lhe disse que iria visitá-la (novamente), o que daria tempo para ele descansar, mas que se quisesse seguir ficasse à vontade, pois já estávamos próximos da cidade. Fui e a porta estava ainda mais difícil de ser aberta devido à neve no chão e a mochila nas costas dificultava a minha entrada. Mas consegui entrar e apreciá-la de novo. Quando voltei ele já tinha ido. Fiquei feliz, pois significava que havia conseguido. Registrei-me no albergue e fui assistir a Missa do Peregrino, que não havia assistido no primeiro dia em que cheguei em Roncesvalles. Gregorian esperou-me para jantar e jantamos o menu do peregrino sozinhos perto de 20:30. Os outros peregrinos haviam jantado perto de 19 horas. Continuava frio em Roncesvalles, mas o albergue possuía aquecimento interno, o que proporcionou uma ótima noite de sono. Conhecemos vários outros peregrinos, muitos alemães, um americano e outros. Na 5.a feira 29/3 parti rumo a Pamplona. Continuava a chover. A impermeabilização do meu anorak já não estava muito boa, então eu acabava me molhando um pouco. Havia levado um plástico improvisado de casa para proteger a mala, que serviu na maioria das ocasiões. No caminho encontrei um casal de coreanos, que iria fazer o caminho devagar, estimando em 45 dias. A mulher viu que eu estava um pouco molhado e me ofereceu uma capa , que gentilmente eu recusei, pois achei que dava para ir com o que eu tinha. Como não sabia se os albergues estavam abertos em Pamplona, resolvi ficar em Villava, a poucos quilômetros de lá. Jantei com compras do supermercado Eroski City Villava (https://www.eroski.es/localizador-de-tiendas/supermercado/navarra/villava-atarrabia/eroskicity-villaba) por US$ 5.24 pagos com cartão de crédito. Foram cerca de 40 km entre as localidades. Na 6.a feira 30/3 parti e logo cedo cheguei à Pamplona. O albergue da igreja estava fechado naquele período. Só encontrei um albergue aberto dentre os que constavam no meu guia, porém ele só aceitava alemães. Mesmo assim fui até lá, toquei a campainha e, quando a dona, uma alemã típica, atendeu, peguntei-lhe se poderia ficar aquela noite lá. Ela disse que eles estavam abrindo justamente naquele dia e que me aceitava, mesmo eu não sendo alemão . Porém deveria voltar mais tarde, pois ainda iriam arrumar as instalações para os hóspedes. Então eu aproveitei para ir conhecer a cidade. Gostei muito de Pamplona . Para suas atrações veja https://www.enforex.com/espanhol/fazer-pamplona.html, http://www.turismo.navarra.es/esp/organice-viaje/recurso/Localidades/2513/Pamplona.htm, https://www.lonelyplanet.com/spain/aragon-basque-country-and-navarra/pamplona e http://www.euskoguide.com/places-basque-country/spain/pamplona-tourism. Os pontos de que mais gostei foram as construções antigas, os monumentos, os parques, a catedral, as igrejas, a muralha medieval e conhecer o jogo de Pelota Vasca. Como era uma cidade relativamente grande no caminho, programei-me para ficar mais tempo e poder conhecê-la com mais detalhes. Passeei bastante, ficando muito na área em que são feitas as corridas de touros, onde ficam as construções antigas e na muralha medieval. No fim do dia fui assistir jogos de pelota vasca de juvenis no ginásio da cidade 👍. Assisti alguns, mas não pude ficar até o fim pois não quis chegar muito tarde no albergue. Vários outros peregrinos não alemães estavam no albergue e eu acabei ficando no quarto com os alemães. Talvez por ser de tão longe mostraram-se interessados em conversar e saber sobre o Brasil. Quando o assunto foi para a questão da violência, tentei explicar-lhes como funcionava o PCC. Ficaram surpresos, quase incrédulos. Comentaram rindo também que eu estava precisando trocar de tênis, pois o calcanhar estava começando a quebrar devido a tanta neve e chuva, mas eu disse que iria com ele até o fim. Ensinaram-me algumas expressões em alemão referentes ao caminho . No sábado 31/3 descobri que havia um peregrino (acho que americano) que já estava no albergue e iria ficar mais, pois havia tido algum tipo de problema de saúde, talvez nas pernas. Eu não ouvi, mas os alemães me contaram que durante a noite houve muito barulho, um casal (talvez alcoolizado) chegou pedindo para ficar, mas o dono do albergue não aceitou porque eles não tinham a credencial de peregrinos. Após bom café da manhã, parcialmente ofertado pelo albergue, agradeci por terem me recebido e parti. Ainda fiquei boa parte da manhã visitando a cidade. Depois fui rumo a Cirauqui. No caminho um casal de franceses falou-me do jeito incorreto pelo qual eu estava carregando a mochila nas costas. Achei que falaram e demonstraram de um jeito um pouco grosseiro, mas realmente a sugestão que deram melhorou a carga e diminuiu a dor nas costas que estava começando. No fim da tarde ainda encontrei em Puente de la Reina um americano que havia conhecido em Roncesvalles, que disse que eu era "a brave man" por continuar naquele horário e depois cheguei a Cirauqui. Pela minha aparência, acho que a dona do albergue pensou que eu era um peregrino típico e me deu um prato de macarrão . Não deu tempo nem de eu recusar. Como não tinha almoçado, comi o macarrão e depois comi o que havia levado (eu como muito ). Conheci uma francesa que pediu auxílio com o computador, pois estava com dificuldades de entender configurações em espanhol. Tentei ajudá-la um pouco. Ela me mostrou fotos da subida da serra (acho que era a Serra do Perdão) e comentou do cansaço para a subida. Conheci também um francês que tinha começado o caminho bem antes de Saint Jean (acho que de Le Puy). Ele comentou que na França havia muitos caminhos a percorrer e as igrejas ficavam abertas para visitar, fato que até aquele ponto na Espanha nem sempre era verdade. No domingo 01/04, meu aniversário, fui para Los Arcos. Foi um dos melhores dias da caminhada . O tempo estava bom, as dores nas costas haviam sumido, passei por uma fazenda que tinha um dispositivo que oferecia alguns goles vinho aos peregrinos (somente para experimentar). Pela manhã em Estella, reencontrei uma alemã de cerca de 60 anos que tinha conhecido em Roncesvalles. Ela estava sentada numa escada e quando fui cumprimentá-la começou a chorar nos meus ombros. Disse que seus joelhos não estavam aguentando e que não conseguia acompanhar os mais jovens . Eles tinham ido comprar algo e na volta iria decidir se continuaria com eles ou não. Procurei ouvi-la e fazer ponderações para acalmá-la, fiquei com ela algum tempo até que se animasse e quando uma de suas amigas estava voltando, prossegui viagem. Cheguei a Los Arcos no fim do dia. Não tinha alimentos para o jantar e tudo estava fechado. Falei sobre isso com os holandeses que estavam à mesa e eles muito aborrecidos ofereceram-me parte de seu jantar, que eu recusei. Depois de perguntar e procurar orientações descobri um local aberto e pude comprar comida. Durante a madrugada esfriou muito e, como não havia aquecimento interno, precisei levantar algumas vezes e colocar agasalhos. Na 2.a feira 02/04 pretendia ir a Logroño. Foi o dia mais difícil da peregrinação . Teria sido melhor eu ter ficado dormindo . Um peregrino que dormiu no mesmo quarto que eu comentou que durante toda a noite havia chovido. Estava chovendo quando fui tomar café. Após o café preparei-me, coloquei a capa na mala e o anorak em mim, peguei o guarda-chuva e fiquei esperando a chuva passar ou diminuir (era de média intensidade). O francês que havia partido de Le Puy falou-me sorrindo que eu iria esperar bastante. Depois de cerca de meia a uma hora, vendo a hospitalera belga limpar a frente do albergue com um rodo ou vassoura, decidi partir. O tempo estava bem hostil, chuva, frio, vento. Conforme foi avançando a hora esquentou um pouco e houve alguns momentos em que a chuva diminuiu e quase parou. Mas depois voltou forte 🌧️. Quando fui cruzar um curso de água numa área rural, que parecia uma enorme enxurrada, não avaliei bem a força da correnteza nem a profundidade. Quando dei um passo no meio, afundei mais do que a cintura, perdi um pouco do equilíbrio e quase caí para trás na correnteza com o peso da mochila . Tive que fazer força na perna e no joelho, o que talvez tenha me custado caro para depois. Na hora não senti nada. Depois disso decidi parar em Torres del Rio. Achei que não valia a pena continuar naquelas condições. Estava ensopado, hipotérmico e cansado . Pouco antes de mim chegou um casal de Murcia. À noite, começou uma enorme dor na minha perna direita , a mesma que havia forçado no curso de água. Eram fisgadas, principalmente quando apoiava a perna no chão. Fui mancando comprar a comida para o jantar. Conheci uma alemã, que comentou que poderia ser porque eu tinha ficado com os pés molhados por muito tempo. Talvez fosse algum tipo de dor reumática. Ela estava com os pés machucados. Progredi bem menos do que eu pretendia. Cheguei a pensar que não conseguiria continuar ou pelo menos não conseguiria terminar no tempo necessário para ir a Portugal. Na 3.a feira 03/04 fui para Logroño. Fui devagar, pois havia momentos em que doía muito a perna. Com o tempo eu fui achando uma posição em que doía menos, mas periodicamente voltavam algumas fisgadas. Após chegar, mesmo com um pouco de dor, mas sem a mochila nas costas, fui dar uma volta na cidade. Gostei também . Embora menor do que Pamplona, pareceu-me bem interessante. Em alguma destas paradas conheci um espanhol, que iria parar temporariamente o Caminho para encontrar os pais e disse que gostaria de me reencontrar mais para frente, algumas alemãs, que fizeram uma disputa de Liga dos Campeões para ver quem cozinhava mais rápido e muitas francesas, que me ofereceram espaguete que haviam feito, que gentilmente eu recusei. Também havia conhecido um casal de holandeses, cuja mulher era enfermeira. Quando ela me reencontrou, perguntou o que havia ocorrido com minha perna. Eu contei e ela me sugeriu andar menos em cada dia e mais devagar. Num outro episódio, um homem falou-me "Bom Dia!" e eu respondi com a mesma expressão, achando que pudesse ser português ou que tivesse percebido que eu era brasileiro. Talvez ele fosse da Galícia, em que se usa uma expressão parecida no dialeto local. Ele me chamou para conversar e me ofereceu trabalhar na sua companhia, que era algo como um circo itinerante. Pensei no pintor que havia conhecido em Madrid e me interessei em saber detalhes. Disse que pagava 200 euros, mais hospedagem, alimentação e tabaco. Se soubesse dirigir pagava mais 100 euros. Pensei comigo que isso era trabalho escravo . Ri, agradeci, mas nem continuei na conversa, pois era um quarto do que o pintor brasileiro ganhava em Madrid. Na 4.a feira 04/04 estava melhor, mas ainda havia dor de vez em quando. Decidi ir para Nájera, mas se não desse, pararia antes. Mas consegui. Cheguei a Nájera no meio da tarde. Lá encontrei um homem de uns 70 anos que vendo que eu era peregrino, convidou-me a conhecer a igreja de sua família (acho que era do século 15). Achei-a espetacular e fiquei surpreso com uma igreja particular daquele tamanho. No Brasil só havia visto igrejas particulares (que não fossem da Instituição Igreja) dentro de fazendas e eram bem menores. Dei uma pequena volta pela cidade e fui descansar. Não fui conhecer as tumbas dos reis porque estava um pouco cansado e para não forçar a perna, que estava melhor. Na 5.a feira 05/04, sentindo a perna bem melhor, resolvi tentar ir um pouco além. Fui até Redecilla del Camino. No caminho passei por Santo Domingo de la Calzada, onde parei para conhecer alguns pontos, principalmente os históricos e religiosos, que havia visto nos guias. No caminho uma espanhola me ultrapassou e depois nos encontramos no albergue à noite, quando falou que o mais importante era não ter mais chuva. Num dos dias conheci um espanhol chamado Angel, a quem ofereci parte do meu jantar, mas ele disse que iriam comer muito bem, pois estavam cozinhando. Em outra ocasião, a alemã que estava com os pés doendo perguntou-me sorrindo se eu já havia comido algo diferente de pizza. Reencontrei o americano que tinha passado em Puente de la Reina, ele se surpreendeu e me disse que quando eu o passei na estrada, esperava não mais me encontrar. Falei para ele que tinha ocorrido um problema com minha perna. Em um dos locais voltei a comer o menu do peregrino (novamente foi macarrão o prato principal) por 7 euros. Na 6.a feira 06/04 fui para San Juan de Ortega, um lugar bem frio . No caminho, por querer seguir estritamente as setas, acabei entrando num bosque cheio de vegetação e espinhos. Quando cheguei na margem do rio, achei melhor não atravessar e voltar para a estradinha, pois aquela água fria na perna que ainda não estava 100% poderia ser desastrosa. Quando fui voltar, acabei tropeçando em algum cipó ou tronco e caí com a mão, o pulso e um pouco do braço em cima de espinhos (parecia ser do tipo Coroa de Cristo). Eles entraram na minha carne. Doeu . E não foi só na hora. O incômodo que eles causaram durou por quase uma semana. Por coincidência era sexta-feira santa. Eu que sempre achei que Jesus espiritualmente estava muito acima da violência que sofreu, pude sentir na carne um infinitésimo do que foi aquela violência. No fim da tarde cheguei a San Juan de Ortega e o padre, já um pouco idoso, estava recebendo os peregrinos e fornecia uma pequena sopa simbólica. Um suposto americano me disse que não havia nenhum local para se comprar comida lá, mas acho que ele tinha entendido errado e os locais estavam fechados somente naquele horário. De qualquer modo, com esta informação, como eu não tinha levado comida, comi a sopa do padre com prazer e pensando que seria meu jantar. Depois descobri que havia um restaurante, em que mais tarde fomos jantar. Reencontrei o casal de Múrcia, que riu quando perguntei ao dono do restaurante como era a salada e ele respondeu que era verde. Conversando com o americano, ele disse que era médico, era irlandês mas vivia há muito nos Estados Unidos. Conversamos sobre a busca espiritual e ele parecia estar descobrindo um novo mundo . À noite passei muito frio , pois só havia um cobertor muito fino e lá era frio e úmido. No sábado 07/04 fui para Burgos. Gostei muito de Burgos . Para suas atrações veja https://www.lonelyplanet.com/spain/castilla-y-leon/burgos, https://www.spain.info/pt_BR/que-quieres/ciudades-pueblos/otros-destinos/burgos.html, http://www.aytoburgos.es/turismo-en-burgos e https://www.inspirock.com/spain/burgos-trip-planner. Os pontos de que mais gostei de burgos foram a catedral, as áreas naturais, as construções históricas e religiosas, os monumentos e o rio. Fui recebido no albergue com uma azeitona no palito de cortesia. Programei-me para poder ficar razoável tempo e conhecer a cidade. No domingo 08/04, Páscoa, fiquei visitando Burgos quase o dia inteiro. Pela manhã reencontrei o casal de holandeses e a enfermeira me disse que minha perna parecia bem melhor ao observar meu caminhar, ao que eu respondi dizendo que sim, tinha melhorado muito. No fim da tarde reencontrei a alemã de cerca de 60 anos e ela parecia bem e feliz . Narrou-me que havia assistido bem de perto a celebração de Páscoa e ficado bem próxima ao bispo ou responsável pela celebração. Fiquei feliz. No fim do dia fui para Tardajos, um local bem próximo, pois saí tarde de Burgos. Eu jantei e após admirar o céu, fui dormir. A mesma alemã estava lá e ficamos no mesmo quarto com outros peregrinos. Não a vi mais depois disso. Na 2.a feira 09/04 fui para Castrojeriz. Encontrei à noite no albergue o casal de jovens alemães que havia se formado no primeiro dia da viagem em Roncesvalles, com uma garrafa de vinho. Sentei com eles e perguntaram se não me importava que fumassem (acho que era maconha), ao que respondi que não. Ofereci-lhes parte do jantar e aceitaram e no fim pediram uma parte do chocolate preto que eu tinha. Dei-lhes. Ofereceram-me um pouco de vinho e, para não gerar uma situação embaraçosa e também para experimentar, aceitei um pouquinho. O hospitaleiro zangou-se conosco (ou com eles), disse que não era adequado ficar bebendo e fumando maconha numa peregrinação. Este não era bem o tipo de caminhada que eu desejava, eu não pretendia ser um turista, mas sim um peregrino. Na 3.a feira 10/04 pedi desculpas ao hospitaleiro pelo dia anterior, mas ele disse que o problema não havia sido comigo. Saí com o propósito de andar bastante. Perto da hora do almoço encontrei o casal de alemães da noite anterior e a moça ofereceu-se para pagar algo para eu comer. Mas eu não costumo parar para almoçar durante as caminhadas, então agradeci e delicadamente recusei. Prossegui até Carrion de los Condes. Num pequeno empório da cidade comprei os pães que restavam e depois ouvi os fregueses reclamando que não havia pão. O próprio dono veio comentar comigo para aproveitar bem o pão, pois havia acabado com seu estoque. Pensei até em devolver alguns, mas eram poucas peças grandes e ficou inviável . Lá conheci um alemão (Matiah - não sei se é assim que se escreve) e um francês. Ficamos apenas nós 3 num albergue pequeno, jantamos juntos e compartilhamos parte do jantar . Conversamos sobre o caminho, atualidades europeias e várias outras coisas. O meu sono foi muito bom. Na 4.a feira 11/04 fui até Sahagun. Na 5.a feira 12/04 fui até Mansilla de las Mulas. Numa das paradas fiquei num albergue com alemãs, sendo uma luterana, que não se conformava com as regras que o padre do albergue tinha feito para os hóspedes. O padre irritou-se com ela e se desentenderam durante à noite, mas nada grave. Foi para ele que perguntei sobre o astral das imagens nas igrejas. No dia seguinte reencontrei a alemã parada descansando. Ela me disse que tinha algum problema na perna e tinha que andar devagar. Fiquei comovido pela expressão dela e lhe desejei boa sorte. Na outra parada reencontrei o francês e ele me disse rindo que havia encontrado Matiah perto de 20 h e este ainda iria para uma localidade à frente. Num dos albergues encontrei italianos de Verona, falei-lhes sobre o titulo italiano do início da década de 1980, com Briegel, algo que muito os surpreendeu que eu lembrasse. Numa ocasião conheci sulafricanos, comentei da minha passagem por Johanesburgo e concordaram comigo de que não havia um relacionamento amistoso entre negros e brancos. Quando eu disse que era do Brasil, a mãe deles citou Maradona, que seu filho rapidamente corrigiu. Em outra ocasião, um dos hospitaleiros me ofereceu uma bota , quando falei que minha perna não estava muito boa, mas eu delicadamente recusei. Certa vez, estava cantando e um alemão apareceu, perguntou de onde eu era, falou do Pelé, eu tirei o agasalho e mostrei a camisa do Santos, time do Pelé. Paradas à frente, ele comentou com outra peregrina que enquanto muitos caminhavam reclamando, ele me havia visto cantando . Como eu não seguia exatamente os horários dos europeus, começava mais tarde e parava mais tarde, em alguns albergues hospitaleiros pediram-me para acelerar. Em um deles, um nem me deixou tomar café. Acabei de usar o banheiro e ele me falou para partir . Em Carrion de los Condes as faxineiras municipais encontraram-me tomando café quando chegaram para limpar o albergue . No meio de um trajeto duas peregrinas espanholas pediram para tirar uma foto comigo, que aparentava um peregrino do caminho. Quando o clima esquentou e o sol começou a ficar mais forte, comecei a ficar queimado, principalmente nas orelhas ☀️. Meu protetor solar estava fora de validade e acho que não estava me protegendo adequadamente. Procurei colocar toalhas nos pescoço e nas orelhas e plásticos nos braços e mãos. A questão do pescoço e das orelhas foi resolvida, mas acho que os plásticos fizeram concentrar suor e me geraram alergia . Quando eu entrei numa pequena igreja, muito antiga, em que estava sendo feita limpeza por faxineiras, percebi que elas pararam surpresas com a minha aparência, com tudo aquilo, talvez achando que eu era um peregrino das antigas . Na 6.a feira 13/04 fui até Leon. Levei bastante tempo entre a chegada às bordas de Leon e a chegada ao albergue. Percebi como a cidade era grande, com um ampla zona comercial ou industrial. Fiquei hospedado no albergue das Irmãs Carbajalas. Nem procurei o albergue 24 h, pois imaginei que teria ambiente turístico, com pouco silêncio para dormir. Como cheguei no meio da tarde, saí para conhecer um pouco a cidade. Fiquei bastante tempo comendo, cerca de 1 hora (eu não tinha almoçado), do que uma hospitaleira fez piada . À noite fomos a uma pequena celebração na igreja das irmãs. No sábado 14/04 fui conhecer um pouco mais León. Gostei da cidade . Para as atrações veja http://www.turismoleon.org, http://www.turisleon.com/es e http://www.leon.es. Numa igreja, quando fui entrar numa sala para conhecer, o padre assustado me perguntou aonde eu ia. Quando lhe disse que iria somente ver o que havia, ele me disse que não havia problema e só tinha me chamado porque as pessoas vão entrando e não se sabe para onde vão. À tarde fui para alguma cidade próxima. Acho que era Villadangos del Páramo. No domingo 15/04 aproveitei para andar bastante e fui para El Ganso. Achei este lugar tranquilo e meio afastado, exatamente do tipo de que gosto. No caminho passei por Astorga (http://turismoastorga.es), em que fiquei algum tempo para conhecer as obras arquitetônicas e históricas. Achei-a uma localidade muito bela . Numa ocasião, vi um homem velho parado numa pequena povoação, era a única pessoa visível ali, cumprimentei-o, ele respondeu sério, e continuei. Acabei caindo em pensamentos e perdendo a atenção e iria errar o caminho, quando ouvi gritos ao longe. Era o homem alertando-me para o erro. Voltei um pouco e reencontrei as setas e o caminho correto. Isso foi providencial, pois estava ameaçando chuva e eu não queria correr o mínimo risco de voltar a dor na perna. Fiquei feliz e quando olhei de volta para agradecê-lo, ele havia sumido. Impressionante como ele foi rápido, pois havia uma larga extensão para ele andar até eu não poder mais vê-lo. A aparência frágil dele enganou-me . Em outra situação um hospitaleiro comentou que achava que alguns peregrinos eram bon vivant e aproveitadores e parecia aborrecido com isso, apesar de depois completar que havia alguns pelos quais valia a pena se sacrificar. Na 2.a feira 16/04 fui até Molinaseca. Entre El Ganso e Molinaseca passei por Foncebadón e pela Cruz de Ferro, um ponto bem alto com uma cruz em que os peregrinos deixam pedras das localidades de onde vêm. Achei Foncebadón muito interessante, medieval, com suas antigas construções de pedra. Entrei numa pequena igreja de pedra para conhecê-la. Estava havendo uma missa. Não havia ninguém assistindo. Dois padres estavam rezando, um em latim, que só olhava para baixo, e outro em espanhol, que olhava para a igreja vazia. Eu estava com toalha no pescoço e orelhas e plástico nas mãos. O padre que rezava em espanhol olhou para mim como quem estava vendo um extra-terrestre . Delicadamente eu comecei a admirar a igreja e conhecer suas partes, procurando atrapalhar o mínimo a celebração. Quando eu já ia indo, chegou a hora do Pai Nosso. O primeiro padre começou em latim, o segundo repetiu em espanhol e eu repeti em português. Acho que aí o primeiro padre teve certeza de que havia mais alguém na igreja e passou a esperar um tempo a cada frase para que eu pudesse repeti-la em português. A cara do padre que rezava em espanhol ficou ainda mais espantada . Quando acabou o Pai Nosso eu acenei com a cabeça cumprimentando-o e o agradecendo e me fui. No meio da tarde, após longa subida, cheguei à Cruz de Ferro. Cumprimentei dois peregrinos que lá estavam, sem perceber que um deles chorava, parecendo estar sob emoção profunda. Logo saí para conhecer os arredores para deixá-lo em paz em sua aparente homenagem a alguém. Após algum tempo olhando os arredores, quando ele se afastou um pouco da cruz, voltei para observá-la. Peguei uma pedra de lá que minha prima Bernadeth havia pedido. Depois me arrependi, pois poderia ter pego de muitos outros lugares, e peguei justamente de um local para onde as pessoas levam suas pedras para depositar por suas crenças. No fim do dia cheguei a Molinaseca, onde já na entrada vi uma propaganda da Casa do Elias, que dizia ser o amigo dos peregrinos. Fiquei meio desconfiado com a propaganda, mas fui lá e realmente ele atendeu muito bem . Em seu empório ele tinha muitas coisas, e comprei queijo de ovelha misturado com vaca e mais algumas coisas. À noite no hostel reencontrei Gregorian, que parecia bem e estava viajando com os alemães, um dos quais havia falado de Pelé. Reencontrei as francesas que me haviam oferecido espaguete e me haviam visto com a perna dolorida. Elas ficaram muito contentes, gritaram e me cumprimentaram efusivamente . Acho que pensaram que eu não conseguiria prosseguir na situação em que me viram. Gregorian convidou-me para uma cerveja, mas eu recusei, fui tomar banho e jantar. Como já era tarde, acabei ficando só na sala de jantar. Quando voltaram das cervejas, vários me cumprimentaram em voz alta e os que estavam dormindo pediram silêncio . Na 3.a feira 17/04 fui para VillaFranca del Bierzo. A alergia melhorou, mas ainda incomodava. Minhas mãos e braços ficavam muito inchados, provavelmente pelo calor dos plásticos. Passei por Ponferrada (https://www.ponferrada.org/turismo/en), em que achei o Castelo Templário espetacular . O albergue de VillaFranca era todo estilizado, preocupado com o meio ambiente e sustentabilidade e com inclinação esotérica. Numa das paradas, por um hospitaleiro que anteriormente tinha sido guerrilheiro (acho que do ETA ou alguma organização semelhante), fiquei sabendo que no dia em que eu havia tomado aquela chuva, que me custou aquela enorme dor na perna, um inglês (portanto provavelmente alguém acostumado à neve) havia optado por seguir o Caminho de Napoleão no início do caminho em Saint Jean, só que como lá era muito mais alto, ao invés de chuva ele pegou neve, provavelmente se perdeu, caiu num buraco, acabou tendo hipotermia e, mesmo sendo socorrido após algum tempo, não resistiu e morreu. Por alguns dias de diferença eu escapei desta nevasca . Em outra ocasião, ao ir comprar alimentos, a dona do estabelecimento ofereceu-me gratuitamente uma maça, mas quis pagar por ela, aí a mulher achou muito o que eu dei e colocou mais itens. Na 4.a feira 18/04 fui até Alto do Polo. No início da tarde, na base da subida para o Cebreiro, encontrei o alemão que me falou de Pelé, e ele já tinha parado num albergue e me falou que era melhor subir para o Cebreiro pela manhã, quando se está descansado. Seu amigo explicou-me o significado de herzlich willkommen, como vindo do coração. Logo a seguir, perto de 14 hs encontrei um brasileiro, dono de um albergue, que me falou que a subida até o Cebreiro levaria cerca de 5 ou mais horas, e que eu pegaria os albergues lá em cima lotados chegando tarde. Mas eu decidi ir assim mesmo, só que fui preocupado. Fui tão concentrado, que acabei subindo em 2:45 hs. Mesmo assim ainda parei algumas vezes para desfrutar da paisagem . No caminho encontrei outro peregrino conhecido (acho que era alemão ou do leste europeu) pegando água de uma fonte. Perguntei se era confiável, ele disse que sim, e resolvi experimentar também. Havia um cemitério logo no início daquele povoado de origem celta. Como ainda era cedo, agora sem a pressão do horário, resolvi seguir um pouco mais. A vista lá de cima era espetacular . Fui até Alto de Polo, onde fiquei num albergue que era também bar ou restaurante. Fiquei só. Quando a dona me disse que tratava bem os peregrinos, perguntei-lhe quanto era a contribuição padrão ou sugerida e ela me disse 5 euros. Em frente havia outro hotel ou restaurante, pedi para ver o menu, para ver se achava algo mais barato, mas não achei e resolvi jantar no local em que estava hospedado, até como forma de pagar algo mais a elas. Porém neste hotel em frente reencontrei o francês que havia conhecido junto com Matiah junto com uma amiga. Conversamos até o prato deles chegar e eu voltei para jantar no albergue em que estava. A moça (provavelmente filha da dona) fez o menu do peregrino para mim, incluindo um copo de vinho. Fiquei sozinho no albergue. A noite foi muito boa 👍. Peguei alguns cobertores adicionais de outras camas, pois achei que estava um pouco frio. Na 5.a feira 19/04 fui até Sarria. O albergue em que eu tinha ficado não tinha pães ou similares, que eu pudesse ir comendo enquanto caminhava. Fui ao hotel restaurante em frente e o dono, aparentemente aborrecido, disse-me que eu o havia feito mostrar todo o menu no dia anterior e não tinha comprado nada. Falou-me para ir procurar em outro lugar, como o albergue em que havia ficado. Segui sem tomar café. No caminho eu o vi dirigindo um trator para trabalhar na terra. Seguindo, encontrei uma mulher aparentemente dando pequenos pães, mas quando perguntei disse-me que era 1 euro. Achei-o muito fino para pagar 1 euro. Ela disse que poderia levar de graça, mas agradeci e segui sem levar. Mais à frente uma mulher de aparentemente mais de 60 anos estava no meio do caminho com um carimbo perguntando aos peregrinos se desejavam que colocasse seu selo na credencial. Eu disse rapidamente que não e a reação dela pareceu-me ser de decepção . Talvez ela ficasse feliz em alegrar os peregrinos com seu carimbo. Poderia ter dito não de modo melhor, com um sorriso nos lábios e pondo a mão em seu ombro. Desci, achei um local para comprar o café almoço, mais à frente pedi para sentar numa mesa de uma lanchonete para comer, mas a dona me disse rispidamente que havia muitos locais públicos em que poderia sentar. Então mais à frente achei um e fiz minha refeição. No fim da tarde cheguei a Sarria. Numa determinada ocasião um velho perguntou-me sobre meus pais e quando lhe disse que meu pai havia morrido com 76 anos, disse-me que meu pai havia morrido cedo. Acho que ele tinha mais do que isso. Numa parte do caminho encontrei um francês com quem caminhei algum tempo. Ele falava de como tinha optado pelos ramos do caminho mais rurais, ao invés dos urbanos, e como tinha gostado da chuva que veio em um dos dias. Nesta chuva eu tinha me atrapalhado um pouco, mas nada grave, bem diferente daquelas no início do Caminho. Estava bem mais quente. Depois de algum tempo, falei-lhe que dali para frente continuaria um pouco sozinho, para poder entrar em contato mais profundo com o Caminho. Numa das noites, encontrei uma família de espanhóis num albergue, cujo filho adolescente estava em dúvida sobre que direção profissional tomar. Falei-lhe da minha experiência profissional, mas ele pareceu confuso com minhas explicações. Sua mãe estava na mesa conversando com outras mulheres. Os maridos estavam lavando louça, mas participavam da conversa também. No dia seguinte reencontrei-lhes e lhe desejei boa escolha do caminho a seguir. Eles só iriam até aquela cidade e continuariam a peregrinação em outra ocasião, fato comum entre os espanhóis. Na 6.a feira 20/04 fui até Ligonde. Antes de sair porém, fui procurar pelo local do Estádio de Sarriá, palco da derrota brasileira em 1982. Eu me lembrava que era numa cidade grande, que não era o caso de Sarria, mas estava meio confuso com o nome. Perguntei a um velho, que me disse que era em Barcelona. Aí eu me lembrei que realmente era e tinha sido demolido. No sábado 21/04 fui até Arzúa. Um dia encontrei um espanhol num albergue que ficou indignado pelo fato do albergue ser cobrado (6 euros). Disse que se conseguisse um carro iria pegá-lo para ir para outro que sabia ser gratuito. Em outra ocasião, quando falei para uma responsável por um albergue que a situação econômica do Brasil não estava muito boa, ela sensibilizou-se e disse que poderia retirar meu nome da lista de hóspedes e eu não precisaria pagar nada. Surpreendi-me, não concordei, disse que não havia problemas em pagar e que não seria justo eu não pagar e usufruir das doações sem estar em necessidade. Ela havia perdido a mãe há pouco e parecia num estado muito sensível. No domingo 22/4 cheguei a Monte do Gozo, última parada antes de Compostela. Poderia ir até o albergue de Santiago, mas decidi ficar ali e me hospedar em Compostela na manhã seguinte. O hospitaleiro ofereceu-me grão de bico, que experimentei um pouco , mas preferi deixar para quem não tivesse conseguido comprar comida e comi a minha. Fui dar uma volta nos arredores e vi um monumento aparentemente de peregrinos num gramado próximo. Fui lá apreciá-lo e vi que as estátuas olhavam para algum ponto. Então fiquei na posição delas e focalizei o ponto para que olhavam. Surpresa!!! Era a Catedral de Santiago de Compostela, o ponto final de chegada. Não pude conter uma enxurrada de lágrimas 😭 e me lembrar de tudo o que havia acontecido, desde o pensamento de desistir no início, da morte do inglês, de quase cair na enxurrada, da enorme dor na perna, de novo pensar em desistir, da queda nos espinhos, das queimaduras, da alergia, do frio, de todas as pessoas que havia conhecido, com um pouquinho de suas histórias e de tudo mais. Depois de vivenciar aquele momento, resolvi ir procurar o albergue em que ficaria em Compostela. Andei bastante, mas como era domingo, muito estava fechado. Não encontrei o albergue do Seminário Menor. Mas pude ter uma noção do que era a cidade. Não quis ir até a catedral. Deixei para o dia seguinte. Na 2.a feira 23/04, logo de manhã, hospedei-me no albergue, que permitia que se ficasse até 2 ou 3 noites. Nos outros albergues do Caminho, só se podia ficar uma. A atendente me disse que ainda estavam limpando e não tinham aberto, mas eu poderia deixar minha mochila e voltar depois. Pedi um cobertor a mais, ela foi pegar e disse "Esses brasileiros, sempre com frio!" . Depois fui até a Catedral e após contemplar sua frente um pouco, fui assistir a missa de encerramento da peregrinação. Nela havia um ritual diferente, o Botafumeiro, em que um incensário balançava pelo corredor central espalhando fumaça 👍. Na missa avistei o francês que preferia os caminhos rurais. Terminando a missa fui novamente admirar a frente da catedral e passear um pouco pela cidade para conhecê-la. À tarde voltei para ver o local onde ficam os restos mortais de Tiago, atrás do altar, que muitas pessoas tocam, abraçam e beijam. Gostei de Compostela 👍, mas a achei muito povoada por comércio turístico, bem diferente do clima da peregrinação que eu tinha feito. De qualquer modo, havia também várias atrações vinculadas à religiosidade e à espiritualidade. Para as atrações de Compostela veja https://viagemeturismo.abril.com.br/cidades/santiago-de-compostela e https://www.lonelyplanet.com/spain/cantabria-asturias-and-galicia/santiago-de-compostela Na 3.a feira 24/04 continuei passeando pela cidade, descobri que havia um ônibus para o Porto no meio da tarde e o peguei. Perguntei se era necessário algum procedimento para entrar em Portugal, mas me disseram que não. Antes de partir reencontrei o alemão que havia me explicado sobre herzlich willkommen e Gregorian, que parecia bem. Falei-lhes do Museu do Peregrino, que havia visitado, de que havia gostado e que era gratuito. Eles haviam falado de Finisterre, o fim da terra, que é uma continuação tradicional do Caminho, para deixar tudo que usou na peregrinação, e pretendiam ir até lá. Eu não fui com eles, pois se fosse não teria tempo de ir até Portugal. Passei também no local que dava certificado aos peregrinos, para registrar meu nome, mas não quis o certificado. Enquanto caminhava, parei numa casa para perguntar para uma velhinha onde era o Seminário Menor e ela voltou com um punhado de moedas e me deu. Devolvi e lhe disse que estava pedindo informações e não dinheiro. Cheguei ao Porto no fim da tarde (havia uma hora de fuso). Fiquei no albergue da juventude. Já na chegada percebi que a língua não era tão igual assim e os portugueses procuravam prestar muita atenção para entender o que eu falava e vice-versa. Fiquei lá até 6.a feira 27/4. Gostei muito do Porto . Para suas atrações veja http://www.visitporto.travel/Visitar/Paginas/default.aspx, https://www.tudosobreporto.com, https://www.feriasemportugal.com/porto e http://portoportugalguide.com/porto-portugal-pt.html. Os pontos de que mais gostei foram as pontes, o rio, o mar, as construções históricas, as igrejas, os equipamentos culturais, os parques, a arquitetura dos estádios e a visita com degustação de vinhos gratuita (naquela época) no alojamento Graham. Na 4.a feira 25/04, feriado nacional da Revolução dos Cravos, fui conhecer a parte central e histórica. A cidade estava bem deserta, cheguei até a ficar com um pouco de receio, mas conforme a hora foi avançando, as ruas foram ficando mais povoadas. Não tive problemas de segurança. Num beco as pessoas pareciam tensas quando me viram observando as construções. Quando me dirigi a elas falando que o pneu de um carro lá estacionado estava furado, um homem sorriu e seu semblante ficou mais leve. Quando estava conhecendo a parte histórica, inadvertidamente fiquei em cima da linha férrea olhando o mapa. Repentinamente ouvi um barulho de buzina. Olhei para a frente e vi o bonde lentamente vindo em minha direção. O condutor, de cerca de 60 anos buzinava nervoso, enquanto sua assistente bem jovem, ria . Saí imediatamente da frente e o bonde passou. No fim do dia comprei uma garrafa de vinho do Porto. Foi uma marca barata, mas me arrependi e deveria ter seguido a sugestão de uma portuguesa no supermercado e comprado uma marca tradicional. À noite encontrei alguns brasileiros que haviam chegado ao albergue, um deles morava em Lisboa e falou sobre a cidade, com sugestões de hospedagens e locais. Outro era ligado a Cinema e viajava pela Europa. Havia também um americano que viajava pela Europa e gostava muito de conversar. Num dos dias fui à praia e pedi para deixar minhas roupas sob a guarda de um bar lanchonete. Havia placas dizendo para se tomar cuidado com o choque térmico devido à diferença de temperatura entre a água do mar e o corpo. Quando entrei até a canela senti a água muito fria . Acabei desistindo de mergulhar. Não pude entrar em nenhum dos estádios, o Dragão estava fechado e o do Boa Vista estava tendo um treinamento que não se podia assistir. Tive dificuldade em achar banheiros públicos, assim como em Lisboa. Acabei usando o de igrejas, empresas de ônibus e até o rio e áreas verdes na sua margem. Na tarde do último dia, meu último programa foi ir a uma visita com degustação de vinhos no alojamento Graham, de que muito gostei. Quando cheguei, havia um casal de americanos ou ingleses na frente, então as explicações foram em inglês, devido à maioria. Chegaram duas portuguesas, mas aí já era tarde para mudar a língua. Depois de toda a visita e explicações, foi oferecida degustação de diversos tipos de vinho, incluindo um vintage, que achei maravilhoso . Saímos de lá um pouco trôpegos, pois eu (e acho que elas também) não estou acostumado a beber álcool. Mesmo assim fui a pé até o ponto de saída do ônibus para Fátima. Peguei o ônibus no fim da tarde e cheguei em Fátima no início da noite. Fui até o centro de peregrinos Pão da Vida. Havia um peregrino na minha frente que tinha subido a serra a pé (se bem me lembro estava descalço) e falava de dores nos pés. O responsável perguntou-me se eu tinha vindo a pé. Disse-lhe que não, porém que havia feito o Caminho de Santiago. Então ele me aceitou como hóspede. O albergue era gratuito, entretanto aceitava doações. Fiquei em Fátima até domingo 29/04. Gostei muito . Para as atrações de Fátima veja https://pt.wikipedia.org/wiki/Fátima, https://www.dicasdelisboa.com.br/2016/03/santuario-de-fatima-em-portugal.html# e https://www.feriasemportugal.com/fatima. Os pontos de que mais gostei foram o Santuário e a rota de peregrinação para conhecer a vida dos pastorinhos e as aparições. Nos diversos dias fui até o Santuário, que tinha uma cerimônia de velas à noite, que achei bastante interessante 👍. Havia bastante gente, principalmente nas celebrações. Achei o clima bastante inspirador para espiritualidade e autoconhecimento. No início da tarde do domingo peguei um ônibus para Lisboa. O motorista, que acho que não conhecia bem Lisboa, não soube me indicar onde era o Parque das Nações, onde eu tinha informação de que era o albergue da juventude. Assim sendo, acabei ficando no ponto final, que depois descobri ser bem longe de lá. Voltei tudo andando a pé, mas não havia vagas. Fui então ao albergue que o brasileiro que tinha conhecido no Porto e morava em Lisboa tinha indicado, que era em Almada. Fui muito bem tratado e consegui vaga sem problemas. Achei espetacular a vista de Lisboa a partir dele , tanto diurna como noturna. Reencontrei o brasileiro ligado a Cinema que havia conhecido no Porto. Fiquei em Lisboa até 5.a feira 03/05. Gostei de Lisboa 👍. Para as atrações veja https://pt.wikipedia.org/wiki/Lisboa, https://www.visitlisboa.com/pt-pt, https://www.dicasdelisboa.com.br/# e https://guia.melhoresdestinos.com.br/lisboa-157-c.html. Os pontos de que mais gostei foram a vistas do rio, as construções e monumentos históricos, especialmente o Padrão dos Descobrimentos e o mapa no chão com os locais até onde os portugueses foram, os bairros típicos locais, a arquitetura dos estádios de futebol, as áreas verdes, a ponte e a vista a partir de Almada. Na 3.a feira 01/05 tive dificuldade em conseguir ônibus para voltar, pois no feriado a quantidade e frequência dos ônibus era menor. Como começou a chover fraco, esfriou e a situação ficou ainda mais inóspita . Quando fui visitar a Praça do Comércio, veio um rapaz me perguntar se eu desejava haxixe . O brasileiro que morava em Lisboa havia previsto que isto iria acontecer quando nos encontramos no Porto anteriormente. Em certa ocasião cruzei com um carro de polícia, que estranhou o fato de eu estar indo em direção a um campo de futebol, que eu não sabia estar abandonado. Quando voltei do campo, o carro novamente cruzou comigo, pediu para que eu parasse e pediu meus documentos. Depois de verificar tudo e ver que estava regular, perguntou o que eu tinha ido fazer naquele campo. Talvez fosse local de consumo de drogas. Eu expliquei que gostava de futebol e não sabia que estava abandonado. Falei que pretendia ir conhecer a Faculdade de Arquitetura e me sugeriram almoçar lá. Num dos dias, chegou um português (aparentemente um filólogo) à noite no quarto do albergue em que eu estava e começou a querer conversar sobre filosofia, após eu lhe responder que tinha ido fazer o Caminho de Santiago. Mas como eu já estava dormindo, acabei não me envolvendo muito na conversa. Aí chegou o brasileiro ligado a Cinema, espantou-se em me ver acordado ainda, posto que sempre que chegava eu já estava dormindo, e conversou com ele por algum tempo, até a madrugada. Vi muitos motociclistas brasileiros (provavelmente que exerciam a profissão em São Paulo) trabalhando em Lisboa. Na 5.a feira 03/05 peguei um ônibus da ALSA (https://www.alsa.es) de manhã para Madrid e cheguei no fim da tarde. Durante o trajeto conheci um viajante do leste europeu, que falava fluentemente Português e comentou sobre as riquezas da Rússia. Em Madrid fiquei no albergue Los Amigos (Sol ou Ópera, não me lembro) na região central. Como era um dia só achei mais prático, posto que o preço não era tão maior do que a Pousada Sudamericana. No dia seguinte, 6.a feira 04/05, tive uma ligeira indisposição estomacal e deitei no chão da área de entrada do banheiro por um instante. Nisso entrou uma japonesa que levou um susto . Reencontrei no café da manhã novamente o brasileiro ligado a Cinema, que me disse sorrindo que eu o estava seguindo. Como ele só tinha um dia, sugeri-lhe os Paseo de Recoletos e Paseo del Prado. Ainda dei um passeio por Madrid e fui conhecer o Estádio Santiago Bernabéu por fora, que eu não tinha tido tempo. Interessante como sua localização era central. Perguntei numa empresa de recrutamento qual era o salário anual de um desenvolvedor ou engenheiro de software sênior, que era minha profissão, só por curiosidade, pois não pretendia me mudar. Achei que seria um pouco melhor. Descobri que poderia ser inferior ao do Brasil e confirmei que é muito inferior ao dos EUA. Passeei ainda por outras áreas de que havia gostado e algumas que não tinha podido conhecer. No fim do dia peguei o metrô para o aeroporto. No voo conheci um brasileiro de Goiás que trabalhava em obras gerais na Espanha como ilegal também e estava voltando ao Brasil para visitar a família. Passei novamente por Buenos Aires e cheguei em São Paulo no sábado 05/05 de manhã, após belo sobrevoo pelo litoral brasileiro , sendo que consegui reconhecer o fim do litoral paranaense e todo o trecho do litoral paulista.
  12. Lizanna, Muito obrigado pelos comentários. Realmente há muitas opções de alimentação por lá. Se for para lá acho que vai se divertir. 😊 Abraços e Boas Viagens!
  13. Considerações Gerais: Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar relevantes. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais Não foi necessário visto para ir ao Chile. Não era necessário nem passaporte, mas como minha carteira de identidade tinha cerca de 30 anos, levei-o. Não existia exigência para validade mínima. Meu passaporte vencia em fevereiro de 2018 (cerca de 4 meses depois da minha entrada). A moeda do Chile era o peso chileno, que podia ser trocada por reais diretamente (sem necessidade de dólares ou euros) em Santiago e São Pedro de Atacama. Existia a lei de isenção de imposto sobre valor agregado de 19% para pagamento de hotéis em dólares (acho que euros também), por isso levei dólares somente para este fim. Mas, como eu fiquei em hostels muito simples, não havia esta cobrança nem para pagamento em pesos e os dólares mostraram-se em grande parte desnecessários. Em toda a viagem houve bastante sol. Chuva de média intensidade só peguei em algumas horas de um dia em Santiago. As temperaturas também estiveram razoáveis (para um paulistano) durante o dia, mas um pouco frias à noite. Chegavam em média a 25 C ao longo do dia em Santiago e a um pouco mais no Atacama. À noite, a temperatura caía até cerca de 13 C em Santiago e 10 C no Atacama (perto da madrugada caía mais, chegando talvez a perto de 5 C). A exceção foi a ida de madrugada para Geysers del Tatio, em que ficou abaixo de zero. A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil, procurando até falar português, quando sabia . As paisagens agradaram-me muito, principalmente dos Andes e dos vários pontos do deserto . Sofri um pouco com a altitude de algumas atrações do Atacama, que passavam de 4.500 m e queimei minha boca 🤕 nos Geysers del Tatio devido ao frio , pois não a protegi adequadamente. Com um trânsito bem mais tranquilo que o de São Paulo, Santiago pareceu-me uma cidade bem organizada. São Pedro do Atacama pareceu-me pequena e só apresentava congestionamento de vans nas saídas simultâneas para as excursões e de pedestres na Rua Caracoles no centro. Achei o país muito saudável socialmente (muito mais do que o Brasil), apesar de ter conhecido poucos locais. Mesmo sem ter a força econômica brasileira, pareceu-me muito mais equilibrado. Como consequência, pareceu-me ser muito mais seguro. Uma francesa que lá conheci confirmou que Santiago lhe pareceu mais segura do que Paris. Gastei na viagem R$ 2.359,37, sendo R$ 84,37 com alimentação, R$ 376,19 com hospedagem, R$ 18,37 com transporte local durante a viagem, R$ 224,49 com a passagem de ida e volta de ônibus entre Santiago e São Pedro de Atacama, R$ 242,42 com ingressos para as atrações, R$ 679,92 com pacotes para as atrações, R$ 5,23 com tarifa para câmbio, R$ 5,53 com gorjetas, R$ 495,16 com passagens aéreas, R$ 212,07 com taxas de embarque para ir e voltar a SP e R$ 16,68 com IOF. Sem contar o custo das passagens aéreas, das taxas de embarque e do IOF o gasto foi de R$ 1.652,14 (média de R$ 118,01 por dia). Mas considere que eu sou bem econômico (desta vez até que nem tanto ). Fiz todos os meus gastos no Chile em espécie, para evitar as taxas e impostos cobrados pelo uso de cartões. Só comprei a passagem de ônibus para São Pedro do Atacama com cartão porque fiz com antecedência quando estava no Brasil e porque comprando pela internet o desconto era maior do que o imposto. A Viagem: Minha viagem foi de SP (aeroporto de Guarulhos) a Santiago em 17/10/2017 pela Gol (http://www.voegol.com.br). O voo saía às 10:30 e chegava às 13:40 horas. A volta foi de Santiago a SP (Guarulhos) em 31/10/2017 pela Gol. O voo saía às 14:20 e chegava às 19:10. Paguei R$ 495,16 por ida e volta. Paguei R$ 113,38 pela taxa de embarque de ida e R$ 98,69 pela de volta usando cartão de crédito. Ao todo o preço foi de R$ 707,23. Antes de sair do Brasil, no dia 16/10, comprei US$ 150 para a viagem, com taxa de câmbio de R$ 3,31. Gastei R$ 496,07 de câmbio e mais R$ R$ 5,45 de IOF. A taxa até que não foi ruim, mas como eu acabei não pagando toda a hospedagem em dólares porque os hostels eram muito simples e acho que não cobravam o imposto sobre valor agregado, teria sido melhor comprar somente pesos chilenos diretamente com reais em Santiago. As taxas seriam melhores e não pagaria IOF (como diz a Jovem Pan - Brasil, o país dos impostos). Saquei os dólares diretamente do caixa eletrônico do Bradesco na agência do começo da Avenida Paulista (https://banco.bradesco/html/classic/canais-digitais/autoatendimento/moeda-estrangeira.shtm), porém gastando muito tempo para poder cadastrar a autorização no sistema do banco (cerca de 3 horas), por ser a primeira vez e eu não ter biometria cadastrada. Na 3.a feira 17/10, no Aeroporto de Guarulhos troquei uma das notas recebidas da máquina por outras menores em uma casa de câmbio. As atendentes foram muito gentis (até estranhei). Quando fui usar o dinheiro no Chile disseram-me que estava riscado, borrado e com carimbos e que não era costume receberem notas assim no Chile, mas acabaram aceitando. Quando as troquei em Guarulhos eu não percebi. No voo conheci um casal de gaúcha e paulista que deram bastante informações sobre o Chile, Santiago e sobre suas experiências por lá . O avião fez o sobrevoo sobre os Andes (https://www.google.com.br/search?q=sobrevoo+andes+sao+paulo+santiago&tbm=isch) na parte final da viagem para chegar a Santiago. O comandante avisou que iria começar e me pareceu ter reduzido a velocidade para que os passageiros aproveitassem a vista ou talvez por razões de segurança. O avião parecia parar. Como o tempo estava limpo, deu para ver amplamente a paisagem. Achei-a espetacular . Havia levado sanduíches para a viagem e talvez o jantar, mas não pude entrar com eles. Informaram-me que era proibido e seria descartado na verificação sanitária. Resolvi comer todos no voo e após a aterrissagem, antes de passar pela verificação sanitária 🥪🥪🥪🥪🥪. No aeroporto perguntei a alguns taxistas sobre como chegar ao centro e me deram informações incorretas 😞. Como já havia estudado um pouco o mapa da cidade não acreditei e fui até o centro de informações turísticas, que me deu as informações corretas sobre meios de ir ao centro, localização de hostels e demais pontos relevantes para minha estada em Santiago. Deram-me gratuitamente um mapa da cidade. Fui bem atendido . Achei estranha a postura dos taxistas e incompatível com o nível do país. Lembraram-me algumas experiências desagradáveis no Brasil. Precisei fazer um pequeno câmbio no aeroporto para pagar o ônibus até o centro. A taxa foi desastrosa. Foi de 169 pesos chilenos por real. Troquei R$ 16,00 na AFEX e ainda paguei US$ 1.50 de tarifa. Depois descobri que isso não era necessário. Poderia ter pego um ônibus da empresa Turbus até seu terminal e pago com cartão de crédito. Peguei um ônibus urbano regular da empresa Centropuerto (http://www.centropuerto.cl) até a região central (Metro Los Héroes - Plazoleta central) por 1800 pesos (acho que comprando a ida e volta havia um desconto). De lá fui caminhando até a Rua Augustinas para fazer câmbio para a viagem. No caminho vi bicicletas do Itaú para aluguel, semelhantes às que há no Brasil. Na Laser (http://www.cambioslaser.cl - Augustinas, 1022) troquei R$ 1.050,00 com taxa de 190 pesos chilenos por real e sem tarifa. Só não troquei tudo porque não aceitava notas de R$ 20,00. Troquei R$ 130 na Suiza (Augustinas, 1036) com taxa de 189 pesos chilenos por real e também sem tarifa. Fiquei hospedado no kombi Hostel (https://www.facebook.com/kombihostelsantiago) por 4 noites. Paguei US$ 35 e 1200 pesos chilenos pelas 4 noites (eram US$ 37, mas eu não tinha US$ 2 trocados). Paguei em dólares para ficar isento dos 19% do imposto de valor agregado, que não é pago por quem usa moeda estrangeira forte no pagamento. Mas o atendente, filho do dono, disse que eles não emitiam aquele tipo de nota em que vale esta regra, então não fazia diferença. Assim, os dólares teriam sido desnecessários. Achei o hostel bem razoável, com bom café da manhã e boa localização, apesar do barulho à noite devido às casas noturnas do entorno. O dono era brasileiro e seu filho falava fluentemente português. Talvez por isso havia muitos hóspedes brasileiros. Para minha avaliação completa veja (https://www.tripadvisor.com.br/ShowUserReviews-g294305-d1672899-r540752838-Kombi_Hostel-Santiago_Santiago_Metropolitan_Region.html). Após chegar conheci alguns hóspedes e ficamos conversando. Havia duas cariocas, 1 argentino que trabalhava no Brasil, 1 baiano e 1 chileno. Depois ainda fui comprar 1 banana no Supermercado Líder (https://www.lider.cl/supermercado) por 160 pesos. Para informações e atrações de Santiago veja http://chile.travel/pt-br/onde-ir/centro-santiago-e-valparaiso/santiago e https://nosnochile.com.br/19-atracoes-gratuitas-para-curtir-em-santiago-do-chile. Os pontos de que mais gostei foram a vista dos Andes, o Parque Metropolitano, o Monte Santa Lucia, a simulação do interior do cérebro e os museus históricos e artísticos. Na 4.a feira 18/10 fui ao Parque Metropolitano (http://www.parquemet.gob.cl), que me disseram ser o maior parque urbano do mundo, mas que desconfio não ser uma informação precisa. De qualquer modo pareceu-me bem grande e gostei muito dele. Fiquei das 10 às 20 horas. Comecei subindo a trilha a pé para ir ao Santuário de Imaculada Conceição no Monte San Cristóbal. Fiquei lá algum tempo admirando a vista da cidade por vários ângulos e também o santuário em si. Depois fui andar pelas trilhas do parque para explorá-lo, no meio da vegetação e às vezes na pista para bicicletas e automóveis. Havia piscinas, mirantes, áreas verdes, monumentos, casas de cultura, anfiteatros, construções para eventos e espetáculos, jardins botânicos, esculturas ao ar livre, cemitério de cachorros, etc. Encontrei muitas turmas (provavelmente de estudantes) e ciclistas. Não tive nenhum problema de segurança, embora ao perguntar para alguns profissionais de segurança, eles tenham dito para que eu evitasse trilhas desertas e algumas áreas na borda do parque. Abriu o sol e eu estava sem bloqueador solar, mas não me senti queimar muito. Achei espetacular a vista da cidade com os Andes ao fundo . Perto do belo por do sol um prédio muito alto refletia seus raios com parte lateral de suas janelas mais altas, fazendo uma imagem de que muito gostei . Todas as atrações foram gratuitas. Depois do passeio comprei 400 g de macarrão, 1 banana, 1 cebola e 1 tomate por 998 pesos chilenos no Supermercado Líder. À noite, o baiano Karlos Neon tocou algumas músicas brasileiras e estrangeiras na primeira parte de uma festa promovida pelo hostel. A festa teve uma 2.a parte e depois uma extensão numa casa noturna, mas eu fui dormir no intervalo . Na 5.a feira 19/10 comecei indo ao Museu La Chascona de Pablo Neruda, mas não entrei por achar caro, somente vendo alguns versos nas paredes de fora. Segui visitando a Universidade perto do hostel e a Escola de Direito, o Bairro Bellavista, parques próximos ao hostel, o Parque Florestal, o Museu de Belas Artes e o MAC (Museu de Arte Contemporânea), em que havia uma simulação de como é dentro do cérebro , e o mercado de verduras e frutas, onde aproveitei para comprar 2 batatas por 40 pesos, 6 bananas por 270 pesos e 4 tomates por 200 pesos. Depois fui visitar um centro cultural, a Universidade Católica, igrejas, o convento franciscano mais antigo do Chile, a Estação Central, imprimi minhas passagens no terminal da empresa Turbus (lá os terminais são específicos para as empresas e não rodoviárias gerais) e terminei o dia visitando o Parque O'Higgins e agregados, de que muito gostei, com suas várias atrações . Todas as atrações que visitei foram gratuitas. Vi muitos cachorros de rua durante os passeios. Dei um dos mapas (acho que foi o do Parque Metropolitano) que havia ganho para a francesa Jane, que estava hospedada no hostel. Reencontrei as cariocas, agora juntas com outros brasileiros. Na 6.a feira 20/10 comecei visitando o Parque Baquedano e o Bairro Lastarria. Depois fui visitar o Monte Santa Lúcia, que achei muito bom com muitas atrações, construções antigas, monumentos, jardins, vistas espetaculares com 360 graus de amplitude a partir do centro da cidade , fontes, etc. Apesar da chuva, que engrossou um pouco ao longo do passeio, foi um dos pontos de que mais gostei. Havia vários brasileiros visitando o local. Saindo de lá visitei o Centro Histórico, o Centro Cultural La Moneda e o Museu Histórico Nacional, que achei apresentar uma excelente visão da história do país , com ilustrações e explicações do processo histórico. Mas, justamente por querer ver detalhadamente, não consegui completar a visita. Parei no meio do século XX, antes do Allende e do Pinochet. Saindo de lá, já sem chuva, pude ver e ouvir um grupo tocando música popular na Praça das Armas, que fazia com que as pessoas dançassem. Na volta para o hostel ainda passei por grupos folclóricos (1 deles com boneco gigante) em um beco com várias formas de arte. Todas as atrações foram gratuitas. Neste dia comprei 330 pesos em batatas e 2 tomates no mercado de verduras e frutas e 480 pesos num pacote de macarrão no Supermercado Líder, já me preparando para a viagem para o Atacama. À noite chegou um paulistano que pretendia passar o fim de semana em Santiago. No sábado 21/10 saí cedo para pegar o ônibus para São Pedro do Atacama. Pedi para tomar o café da manhã antes, coisa com que os atendentes do hostel concordaram, mas me disseram que não seria possível pães, pois a padaria só fornecia os pães a partir das 8 horas. Encontrei alguns pães na área em que os hóspedes deixam alimentos para compartilhar ou talvez em que o próprio hostel tenha colocado as sobras do dia anterior. Combinei então com o atendente de pegar aqueles pães e ele substituí-los quando chegassem os da padaria. Andei cerca de 1 hora a pé até o terminal da Turbus (https://www.turbus.cl), empresa de que eu havia comprado as passagens ainda no Brasil por 40.300,00 pesos. O ônibus saía às 9:31 e chegava às 8:00 do dia seguinte. Comprando pela internet havia desconto de 10 a 15% e comprando com antecedência ainda se conseguia preços mais baixos (acho que eram promocionais). Antes do ônibus sair pedi para a atendente de um bar encher minha garrafa com água da torneira, que ela disse ser potável. O condutor do ônibus alertou-me para tomar cuidado e não deixar minhas coisas sozinhas, principalmente passaporte e carteira. Foram fornecidos 2 pequenos lanches (1 suco pequeno de caixa e 1 biscoito pequeno) durante a viagem, que foi tranquila. Houve várias paradas em vários locais para embarque e desembarque. Gostei da paisagem enquanto ainda era dia , principalmente da parte que permitia vista da costa . À noite o céu estava bastante estrelado . Perto da chegada, a vista da região do Atacama também me agradou . Na parada em Chacabuco, comprei bananas, peras, pães e marraquetas (um tipo de pão) por 2932 pesos chilenos no Supermercado Unimarc (www.unimarc.cl). Conheci 2 alemãs (1 falava português, pois sua mãe era brasileira) e 1 francesa que estavam indo para São Pedro do Atacama. Para as atrações e informações de São Pedro de Atacama veja http://www.sanpedrodeatacama.com, https://www.visitchile.com.br/guias-de-viagem/san-pedro-de-atacama/aonde-ir.htm e https://www.dicaschile.com.br/2017/04/o-que-fazer-em-san-pedro-de-atacama.html. No domingo 22/10, após chegar, fui procurar locais com os menores preços para ficar. Passei por vários hostels e hotéis até encontrar o Juriques (http://www.juriques.com/hostales.html), que a alemã havia mencionado no ônibus e que eu havia pesquisado no Brasil. Quando lá cheguei o preço era menor do que o que eu havia visto no Brasil e o menor de todos que eu havia visitado lá. Fiquei nele por 6.000 pesos por diária. Para minha avaliação completa do hostel veja https://www.tripadvisor.com/ShowUserReviews-g303681-d2367239-r540755097-Juriques_Hostal-San_Pedro_de_Atacama_Antofagasta_Region.html. O atendente Hector foi muito cordial e disse que entraria em contato com a pessoa que fazia os passeios para as atrações para o hostel para fazer um orçamento. Enquanto isso eu fui para várias agências (algumas que eu já havia pesquisado e com quem já havia conversado do Brasil) para levantar preços. Os melhores preços encontrei na Andes Travel (https://www.tripadvisor.com/Attraction_Review-g303681-d8368194-Reviews-Andes_Travel-San_Pedro_de_Atacama_Antofagasta_Region.html), Caracoles, 174, telefones 552893281, 982459568, 971044491, 942962663, que me atendeu bem. Para minha avaliação completa dela veja (https://www.tripadvisor.com/ShowUserReviews-g303681-d8368194-r540757282-Andes_Travel-San_Pedro_de_Atacama_Antofagasta_Region.html). Voltei ao hostel e Hector me disse que a sua parceira de pacotes não conseguiria cobrir os preços que eu havia encontrado. Agradeci muito e voltei para a Andes Travel para fechar o pacote. Paguei 110 mil pesos por um pacote que incluía 5 excursões (Lagoas Altiplânicas e Pedras Vermelhas; Salar de Tara; Vale do Arco-íris; Lagoa Cejar, Olhos do Salar e Lagoa Tebinquinche; e Geyser El Tatio). Saindo de lá fui agendar o Tour Astronômico na Space (http://www.spaceobs.com), que disseram ser muito concorrido e necessário ser agendado antes. Agendei para 4.a feira, 25/10, comprometendo-me a pagar US$ 30.00 (poderia alternativamente pagar 20 mil pesos) até as 15 horas do dia do evento, caso este não fosse cancelado (poderia ocorrer cancelamento devido a questões atmosféricas). Saindo de lá troquei US$ 20.00 por 2 notas de 10 e novamente comentaram dos carimbos na nota que não são bem aceitos no Chile, mas fizeram a troca. Também passei no setor de informações turísticas, onde me deram um mapa e várias informações sobre a cidade e sobre como ir ao projeto ALMA (http://www.almaobservatory.org), de observação do espaço sideral, inclusive para busca de vida extraterrestre. Depois de tudo isso resolvi aproveitar o fim de tarde para conhecer minha primeira atração, Pukara de Quitor (https://www.google.com.br/search?q=pukara+de+quitor&tbm=isch), que era próxima, somente a 3 km de distância. Fui andando. Paguei 3 mil pesos pelo ingresso de entrada. Gostei muito da vista dos mirantes que existem ao longo da subida. Gostei também das estruturas arqueológicas, da estátua e da caverna . Na volta fiz caminho diferente e acabei não fazendo o melhor percurso. Estava de chinelo e acabei entrando no leito seco de um rio cheio de pedras, o que soltou a tira do meu chinelo . Ao voltar para o hostel conheci um grupo de israelenses, uma dupla de 1 americana e o chileno Brian, e um alemão que era engenheiro de ensino, teve uma doença e passou a trabalhar como caminhoneiro. À tarde já havia conhecido um espanhol das Canárias que estava passando uma temporada ali e vivia de tocar música. Preparei o que havia comprado para o jantar usando a cozinha do hostel. Pedi para o atendente me acordar no dia seguinte. Na 2.a feira 23/10 fiz a excursão para Lagoas Altiplânicas e Pedras Vermelhas (https://www.google.com.br/search?tbm=isch&q=lagunas+altiplanicas+y+piedras+rojas). Acho que o atendente acordou a pessoa errada (ele disse que me acordou, eu recusei e não quis acordar 😪). Mesmo assim, pouco tempo depois eu acordei por conta própria e deu tempo de me preparar. A van estava prevista para passar às 7:30 e passou um pouco depois disso. Achei a excursão muito boa . Havia 6 brasileiros (de São Paulo, Limeira e Florianópolis) e 2 americanos de Miami. Achei o guia o melhor de todas as excursões que fiz. Começamos visitando o povoado de Socaire, onde havia um casa típica com uma lhama, objetos típicos e uma pequena e simples igreja histórica . Depois fomos para as lagoas altiplânicas e as pedras vermelhas. Paguei 3 mil pesos pela entrada. Achei-as espetaculares . A paisagem com as montanhas ao fundo e a cor das pedras, do solo e da água faziam uma combinação de que muito gostei nos vários locais. Chegamos inicialmente ao Salar de Talar onde tomamos café da manhã, que achei bem razoável . A água era fria, verde e salgada, e havia flamingos na lagoa. No meio da trilha havia uma estrada para carros, que eu achei que era aberta à visitação. Peguei-a para chegar mais próximo aos flamingos, mas era proibida. O guia assobiou para mim, mas eu pensei que estava achando que eu iria me atrasar e disse com gestos que só iria um pouco mais e voltaria. Quando voltei ele me disse aborrecido que o caminho era proibido. Aí que eu entendi. Eu sou meio lento mesmo . Depois fomos para as lagoas altiplânicas, com vistas igualmente espetaculares . Fizemos uma pausa para o almoço num restaurante, sendo que na subida já havíamos encomendado (e o meu pedido de almoço vegetariano foi cumprido). O preço já estava incluído no pacote. Gostei bastante da comida, simples e saborosa e do molho um pouco apimentado para se comer com pão . Dei 50 pesos de gorjeta. Após o almoço fomos para o Salar de Atacama e a Lagoa Chaxa. Paguei 2.500 pesos de entrada. Achei o salar bem interessante e amplo e a lagoa bela também, mas diferente das anteriores, por parecer ficar numa planície. Havia também bastante flamingos e crustáceos artemias. Desta vez perguntei ao guia antes detalhadamente por onde poderia andar e não saí do caminho . Ao longo do passeio vi pássaros, raposa e lagartos . Voltamos perto de 17:30. No fim do dia comprei 1 tomate por 30 pesos no Centro Agropecuário. Na 3.a feira 24/10 fiz a excursão para o Salar de Tara (https://www.google.com.br/search?tbm=isch&q=salar+de+tara). Era das 9 às 17 horas. A entrada para as atrações foi gratuita. Estavam na excursão outros 7 brasileiros (2 de Brasília, 2 cariocas, 2 do ABC paulista e 1 paulistano de origem japonesa), 2 chilenas de Concepción e 1 mexicano. Os brasileiros, incluindo a mim em parte do tempo, ficaram juntos e pareciam bastante animados. O carioca mencionou a visita ao Estádio Nacional em Santiago, que eu não havia feito. A guia chamava-se Marta. A estrada era bem sinuosa e uma enorme subida em boa parte do trajeto. Houve muito vento, principalmente nas áreas mais altas e descampadas e perto da lagoa, porém até que não estava tanto frio, principalmente no sol. Paramos na estrada para o café da manhã num local com bela vista . Achei espetaculares as paisagens tanto no caminho como no próprio salar , principalmente a partir das zonas altas que permitiam vista bem ampla, do salar e da lagoa. As estruturas rochosas cujas semelhanças estimulam a imaginação também muito me agradaram . Vimos vicunhas, jumentos, pássaros e coelhos ao longo do passeio. Senti dor de cabeça a partir do meio do passeio, que foi o de maior altitude que fiz. O café da manhã foi bem razoável, mas o almoço não foi suficiente para todos com fartura. Foi servido após a visita à lagoa. Quando cheguei já estavam terminando vários itens e acabei pegando menos do que pegaria normalmente para deixar para os outros. Na volta paramos na estrada novamente para apreciar a vista e tirarem fotos. À noite ainda assisti a um jogo de futebol no pequeno estádio da cidade , com entrada gratuita. Comprei 600 pesos em tomates, cebola, pepinos, abobrinha, cenoura e pimentão no Centro Agropecuário. Na 4.a feira 25/10 fiz a excursão para o Vale do Arco-íris (https://www.google.com.br/search?tbm=isch&q=valle+del+arcoiris). Era das 8:30 às 14 horas e incluiu um bom e farto café da manhã. A entrada custou 3 mil pesos. O motorista chamava-se Julio e o guia chamava-se Burak, era turco e sabia falar português razoavelmente. Eu era o único estrangeiro, acompanhado por alguns chilenos (cerca de 6). Vimos pássaros, vicunhas e lhamas no caminho. Começamos visitando Yerbas Buenas, uma área com petroglifos, que eram variados, com muitas figuras de animais, incluindo 1 macaco, 3 flamingos, desenhos xamânicos e outros. Depois fomos para o Vale do Arco-íris que tinha rochas com formas e cores variadas, amarela, verde clara, verde escura, marrom clara, marrom escura, cinza e negra, entre as que pude perceber. Achei o cenário espetacular, principalmente as vistas a partir do alto . Voltamos para a cidade e fui até o hostel, onde a americana Grace explicou-me sobre a ida ao Vale da Lua. Fui até a Agência Space, verifiquei que o tour astronômico da noite estava confirmado e paguei por ele. Depois dei uma volta por parte da cidade e gostei do Mural do Liceu Politécnico com cenas da vida indígena, das bonitas pequenas praças com vegetação (acho que local) e da igreja central, que visitei vários dias . Procurei ONGs para conhecer e não encontrei nenhuma que necessitasse de doações. Depois de muito procurar, descobri também de onde saíam os ônibus para o Projeto ALMA nos finais de semana, pois apesar de não haver vagas para reserva nem para lista de espera, era possível ficar esperando na porta do ônibus para ver se havia desistências. À noite fui ao tour astronômico da Agência Space. Foi um dos eventos de que mais gostei . Achei espetacular a vista do céu a olho nu e com telescópios. Era num observatório um pouco (uns 15 minutos) afastado da cidade. O ônibus nos pegou cerca de 20:50 numa esquina da Rua Caracoles e nos trouxe de volta cerca de meia noite. Eram cerca de 20 pessoas. O monitor da minha visita foi o Danilo. Pareceu-me ter profundos conhecimentos da área. Inicialmente foi possível observar o céu a olho nu e, com auxílio de um laser, identificar as constelações do zodíaco visíveis no horário. Posteriormente foi possível visualizar muitos itens com telescópios (cerca de 10), como as crateras da Lua, o Planeta Saturno, a Nuvem de Magalhães, as Plêiades, nebulosas, galáxias próximas, estrelas binárias, etc. No final, com a temperatura já bem mais baixa, houve uma conversa em um auditório para dúvidas, tomando chocolate quente. Só achei que parte do tempo usado com brincadeiras no início poderia ter sido usado para informações mais relevantes sobre o assunto, sem perder o bom humor que caracterizou toda a apresentação. Depois de encerrado, o ônibus deixou cada um perto das suas respectivas acomodações. Na 5.a feira 26/10 fui com Grace pela manhã ao Vale da Morte ou Vale de Marte (https://www.google.com.br/search?tbm=isch&q=valle+de+la+muerte+atacama). Fomos caminhando, cerca de 30 minutos. No caminho passamos por um mural sobre a população e o local. A entrada para o Vale custou 3 mil pesos. Realmente parecia com as fotos que eu costumo ver de Marte, com pouquíssimo seres vivos, só rochas e areia, de cores vermelha, laranja e marrom. As vistas me pareceram espetaculares . Havia algumas pessoas praticando descida de esqui na areia. Fomos até a borda final do Vale. Depois de contemplar bastante perguntei a Grace se queria ir para a parte de trás, que parecia um pouco distante, para contemplar a vista e depois descer pela areia, porém sem esqui. Mas ela disse que não estava muito bem, não tinha se alimentado bem e preferiria voltar. Fiquei um pouco preocupado, mas ela disse que conseguiria voltar sem problemas e que eu poderia ir. Depois dela reafirmar isso algumas vezes, mencionar que havia várias pessoas fazendo o trajeto, e portanto seria socorrida caso algo de errado ocorresse, decidi ir só para os paredões e deixá-la voltar só. Fiquei pensando se ela não poderia estar com hipoglicemia e acabei ficando preocupado durante minha ida aos paredões. Pedi autorização à guarda para ir ao outro lado do desfiladeiro e descer pela areia, ela ficou meio ressabiada, mas me autorizou, somente dizendo para eu ter cuidado, principalmente na descida. Para achar a entrada para o outro lado do desfiladeiro fiquei um tempo tentando, mas era óbvio que só poderia ser aquele caminho que peguei. Durante o começo da minha caminhada acompanhei Grace com o olhar lá de cima para ver se estava caminhando bem. Depois fui me aprofundando nos paredões e fui bem mais longe do que planejara inicialmente. Achei as vistas lá de cima espetaculares . Quando cheguei longe o bastante, já tendo passado do ponto original do caminho pelo qual viemos, decidi descer pela areia, fazendo uma espécie de esqui com os pés, o que encheu de areia meu tênis 👟. Na volta, já fora do vale, ainda subi em algumas colinas para apreciar a vista, em especial numa em que havia uma cruz. Quando cheguei ao hostel encontrei Grace conversando na mesa, com boa aparência. Perguntei-lhe se estava bem e disse que estava bem como sempre . Almocei, descansei um pouco e fui para a excursão para as Lagoas Cejar (https://www.google.com.br/search?tbm=isch&q=laguna+cejar) e Tebinquinche (https://www.google.com.br/search?q=laguna+tebinquinche&tbm=isch) e os Olhos do Salar, a única da agência em que eu fui pegar o transporte na própria agência. Estava prevista para sair as 16 horas e atrasou cerca de meia hora. A entrada para Cejar custou 15 mil (até as 14 horas era 10 mil) pesos e para Tebinquinche custou 2 mil pesos. O motorista Eduardo do micro-ônibus era de origem boliviana e muito bem humorado. Eram cerca de 10 pessoas. Nesta excursão conheci o brasiliense Tiago, filho de mineiros, atleticano, e conversamos sobre a situação do Brasil. A Lagoa Cejar me pareceu muito bela e com muito sal, onde não se afunda. Havia chuveiros para se tirar o sal depois do banho. A seguir fomos para 2 poços ao lado da estrada, chamados de Olhos do Salar, onde pude nadar bem, apesar da água um pouco fria. As paisagens do deserto agradaram-me bastante . Seguindo em frente fomos para a Lagoa Tebinquinche, cujas paisagens também muito me agradaram , variando de acordo com a luminosidade do fim de tarde. Dei uma volta no circuito permitido e pudemos contemplar o por do sol a partir dela, mostrando a cor da lagoa azul turquesa e as montanhas multicoloridas . No fim do passeio houve um pequeno lanche e experimentei uma bebida alcoólica chamada pisco sour, de que gostei e achei não muito forte. Voltamos já no escuro. Em outro momento um francês que conheci no albergue me falou de sua visita à Lagoa Cejar de bicicleta. Fiquei pensando que poderia ter feito o mesmo, economizado o dinheiro da excursão, pago menos pela entrada e ficado muito mais tempo aproveitando desde a manhã. Neste dia comprei 860 pesos em pães, 120 pesos em 1 cebola e 460 pesos em cenoura, maças e abobrinha no Centro Agropecuário. Pedi para um grupo de 3 chilenas que havia chegado e ficado no mesmo quarto para me acordarem no dia seguinte por volta de 4:15. Na 6.a feira 27/10 fiz a excursão para os Geysers del Tatio (https://www.google.com.br/search?tbm=isch&q=Geysers+del+Tatio). Era das 5 hs ao meio dia. As chilenas, que também iriam para a mesma excursão, porém com outra agência, acordaram-me exatamente como pedi. Durante boa parte da noite um rapaz esteve passando mal e vomitando. Perguntei se precisava de ajuda, mas não respondeu. Pelo que o atendente do hostel me falou ele estava alcoolizado. O micro-ônibus demorou um pouco para passar (atrasou mais de meia hora). O motorista novamente era o Eduardo, mesmo do dia anterior. Eram cerca de 20 pessoas, entre as quais havia uma publicitária de São Paulo. A entrada custou 10 mil pesos. Dei mil pesos de gorjeta quando o guia passou o chapéu pedindo no fim da excursão. O ônibus subiu lentamente, em parte no escuro, mas como atrasou, em parte já com um pouco de luz do amanhecer. Assim deu para ver a silueta das montanhas e alguns animais. Achei a paisagem espetacular . Ao chegar lá informaram-nos que a temperatura era de -6.4 C e após breve explicação e recomendações de segurança fomos ver os geysers. Havia vários e a água era muito quente e jorrava bem alto em alguns. Existia um geyser chamado Mata Gringo. Narraram que uma turista belga morreu queimada quando caiu em um geyser. Na minha visita as delimitações guardavam razoável distância para os pontos de que saem água. Pude tocar em um pouco da água que escorria pelo chão de um geyser e senti o quão quente poderia ser (estava quase fervendo). Achei a vista deles muito boa e os maiores imponentes . Tomamos café da manhã (razoável, mas inferior ao da maioria das excursões anteriores) apreciando os geysers. Na volta pude ver a paisagem com a luz do dia. Entre ida e volta pudemos apreciar o vulcão que havia no caminho, as montanhas, os cursos de água, a vegetação e os animais (flamingos, pássaros, vicunhas). Paramos na estrada para ver o vulcão e as aves no rio e depois no povoado de Machuca, onde havia espetinho de carne de lhama. Eu, como não como carne, fui explorar a vila e conhecer a pequena igreja local de 1933, a vista a partir da colina em que ela ficava, as casas locais e o jardim com plantas típicas . Fizemos ainda uma parada extra no cânion de um rio com montanhas em volta . Chegamos por volta de meio dia, eu almocei e fui deitar um pouco, pois estava com dor de cabeça, provavelmente devido à altitude, que perdurou por boa parte da tarde. Após conversar com um jovem chileno recém chegado e receber algumas informações dele, saí cerca de 15 hs para conhecer a Garganta do Diabo (https://www.google.com.br/search?tbm=isch&q=garganta+del+diablo+atacama). Fui andando, cerca de 45 minutos. Era um pouco à frente de Pukara de Quitor. A entrada para a Garganta do Diabo e Catarpe custou 2 mil pesos. Na portaria deram-me um mapa e me disseram que fechava por volta de 19 hs. Logo na saída encontrei um francês, perguntei se queria ir junto, mas ele disse que caminhava só. Inicialmente fui admirando a paisagem semidesértica e depois fui por uma trilha que ia subindo, permitindo belas vistas e acabava em um túnel, que atravessei, só para ver o que havia do outro lado. Eu não tinha luz, mas mesmo assim consegui atravessá-lo com a iluminação que entrava pelas 2 saídas. Não quis seguir em frente do outro lado, somente apreciei um pouco a paisagem. Depois daí segui para a garganta, de que muito gostei . Pareceu-me longa e variada. Achei espetaculares os caminhos no meio do desfiladeiro e as estruturas naturais de pedra. A seguir fui para Tombo de Catarpe, um local com ruínas de construções de pedra. A vista a partir dela também me agradou . Por último visitei mais para frente a Igreja de São Isidro, que era uma capela de 1913, bem simples e antiga, parecia feita de argila. Reencontrei o francês em vários pontos do caminho e no fim quando eu voltava da capela ele estava indo e me perguntou se era longe e o quanto valia a pena. Resolveu ir também. Já bem mais para a frente, próximo da portaria, encontrei as 3 chilenas do albergue, que me pediram para tirar fotos delas. Na saída, pouco depois das 19 hs, pedi desculpas ao porteiro pelo atraso, mas ele disse que não havia problemas. À noite reencontrei o chileno que havia chegado ao hostel e conheci um grupo de alemães em viagem pela América do Sul, com quem fiquei conversando durante o jantar. Ao ir para o quarto dormir conheci um casal de chilenos, o homem era policial, que iria dormir em cima da minha cama (fiquei com medo da cama não aguentar com os 2 ). Comprei 700 pesos em pães na Tackey (https://www.yelp.com.br/biz/tackey-san-pedro-de-atacama), que achei ter os melhores preços, 550 pesos em espaguete no armazém do Vicente, que ficava um pouco abaixo, e 880 pesos em maças, cenoura, pepino e abobrinha no Centro Agropecuário. No sábado 28/10 o casal de chilenos e as 3 amigas chilenas foram para Yuni, Grace foi embora e chegaram um grego, australianos e uma alemã. Logo de manhã fui tentar ir visitar o Projeto Alma. Disseram-me que o ônibus saía às 9 horas e eu deveria chegar por volta de 8:30 para ficar em uma fila, caso houvesse desistências. Se desejar fazer esta visita, sugiro fortemente reservar seu lugar o mais rápido possível, pois hoje, dia 12/06 em que estou escrevendo, verifiquei que a próxima data em que se consegue confirmar a visita, sem depender de lista de espera ou desistências é 30/09, ou seja, daqui a mais de 3 meses. A página para tal é http://www.almaobservatory.org/en/outreach/alma-observatory-public-visits. Cheguei por volta de 8:35 e já havia 2 pessoas esperando, 1 alemão e 1 brasileira. Começaram a chegar mais pessoas e logo depois chegou a coordenadora da ida, que organizou a fila e começou a chamar os inscritos confirmados e os inscritos para a lista de espera. Quando acabou de chamar os da lista de espera, o ônibus ficou cheio. Aí o alemão foi embora. Alguns instantes depois a coordenadora disse que 2 pessoas haviam desistido (acho que porque nem todos do grupo em que estavam conseguiram vaga) e que havia sido aberta 1 vaga. Então a brasileira que estava na minha frente pode ir na última vaga, mas eu não. Fiquei feliz por ela, pois era a única chance dela, posto que iria embora no dia seguinte. Decidi então visitar o Vale da Lua (https://www.google.com.br/search?tbm=isch&q=valle+de+la+luna+atacama). Fui a pé e fiz todo o percurso a pé. Paguei 2.500 pesos (500 pesos a menos por ter entrado de manhã) pela entrada. Levei uma garrafa grande de água, 5 pães e 1 maça. No Centro de Visitantes a atendente deu-me uma explicação geral sobre a visita e, vendo que eu estava a pé e desejava ir depois à Pedra do Coyote, autorizou-me a sair por trás, algo que não era permitido normalmente, sendo que aquela saída estava fechada. Achei espetacular o Vale da Lua , com suas paisagens e variações. Após caminhar um pouco passei pelas Cavernas de Sal. Quando estava visitando as mais fechadas, um casal iluminou o caminho para mim, posto que eu não tinha iluminação. No fim havia um cânion, mas parte estava fechada. A seguir fui para a duna e o mirante. A duna lembrou-me as praias do nordeste brasileiro. O mirante tinha uma vista espetacular , com o anfiteatro bem à frente. Achei um pouco confusas as suas trilhas. A seguir passei por 2 minas de sal antigas. Por fim passei pelas 3 Marias e entrei num campo de sal em que havia uma mina grande. O campo de sal parecia ter aparentes lagos, rios e cachoeiras de sal, que achei espetaculares . Lá encontrei um grupo de brasileiros que tinha vindo de carro desde o sul do Brasil. Após apreciar bastante as várias construções naturais do campo de sal, voltei para a estrada e fui para a saída. Creio que saí perto de 17 horas, rumo à Pedra do Coyote. Mas a volta foi grande e demorei cerca de 2 horas para chegar lá andando. A paisagem do deserto em parte foi bem interessante, mesmo vista da estrada. Cheguei um pouco após o por do sol, mas ainda deu para aproveitar o crepúsculo para apreciar a vista . Fiquei lá até quase a escuridão total e depois voltei no escuro pela estrada, algo que não foi muito agradável, mas não teve grandes problemas. Neste dia comprei 620 pesos em pães. No domingo 29/10 tentei novamente ir ao Projeto Alma, mas novamente não consegui. Cheguei perto do mesmo horário do dia anterior, mas desta vez já havia várias pessoas esperando. E não houve desistências suficientes, então ninguém que estava esperando pode ir. Fui então caminhar pela estrada para apreciar com calma a vista perdida do dia anterior. Havia alguns pontos muito bons de observação para o Vale da Lua . Do outro lado reencontrei o final do Vale da Morte em que havia estado antes. Pude explorar com calma a região e contemplar o deserto. Quando voltei para o hostel para almoçar, conheci um casal de brasileiros (Bianca e o marido) que havia acabado de chegar de uma excursão ao Salar de Yuni. Narraram suas experiências, de como gostaram dos locais visitados, das instalações precárias onde pernoitaram e de como passaram mal devido à altitude. Falei-lhes do tour astronômico e se interessaram, porém não conseguiram vaga. Depoi do almoço fui ver alguns pontos da cidade que faltavam e depois fiquei admirando a vida na praça central. Não houve jogos à noite para assistir. O grego foi embora e eu fui dormir cedo para me preparar para ir embora no dia seguinte. Comprei 1450 pesos em pães e 750 pesos em tomates, maça, pimentão e abobrinha. Na 2.a feira 30/10 de manhã despedi-me de Hector e peguei o ônibus às 9 horas para Santiago. A viagem foi tranquila com paisagens belas de montanhas e praias . Deu para ver boa parte do que eu havia perdido na ida por estar à noite, principalmente as praias da região da Bahia Inglesa, o caribe chileno. No fim do dia o tempo fechou, mas ja estava escurecendo mesmo e não comprometeu muito. O ônibus parou várias vezes novamente e forneceram 2 lanches pequenos. Além deles, comi parte do que havia comprado e levado. Chegamos por volta de 8 horas da manhã. 3.a feira 31/10, após chegar fui caminhando até o Palácio de La Moneda, para onde tinha enviado um email para tentar agendar uma visita. No caminho comi uma empanada de uma ambulante, que mais parecia um pastel, pagando mil pesos. Mas não consegui fazer a visita, pois não responderam meu email. Era necessário ter agendado antes (https://visitasguiadas.presidencia.cl). Como não tinha acesso a Internet, o atendente do centro cultural emprestou-me seu celular, mas não achei a resposta. Então fui visitar as salas que faltavam do Museu Histórico Nacional, mas elas estavam fechadas temporariamente para algum tipo de reforma. Ou seja, tinha optado pelo Palácio de La Moneda e pelo Museu Histórico (se desse tempo) ao invés do Estádio Nacional por ser mais viável no tempo de que disporia, mas acabei não conseguindo visitar nada . Entretanto, por coincidência, estava lá bem na hora da troca da guarda, que pude acompanhar inteiramente (cerca de meia hora) . Passeei um pouco pelo centro, comprei 700 pesos em pães Supermercado Cencosud (http://www.cencosud.com), 1250 pesos em uma empanada de queijo e champignon (neste dia foram minhas primeiras empanadas da viagem) e 630 em um creme de Berlim na Paradiso S.A. (http://www.paradiso.cl). Gostei muito destes 2 últimos . Perguntei para a atendente se poderia pagar um pouco menos pela última (acho que cerca de 20 pesos), visto que estava indo embora e aqueles eram meus últimos pesos, sem contar o ônibus, e ela concordou. Depois de comer e andar mais um pouco, peguei o ônibus para o aeroporto, pagando 1800 pesos. Um pouco antes de embarcar comi os pães que havia comprado numa mesa do Starbucks, após pedir para a atendente para usá-la, que deixou. O tempo na volta estava encoberto e não foi possível repetir a vista dos Andes, mas a da ida ficou gravada na minha memória.
  14. Considerações Gerais: Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar importantes. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais: Em toda a viagem houve bastante sol. Chuva leve ou moderada só peguei na 3.a feira (02/05) quando estava indo para Caverna da Torrinha, depois de sair de lá e na viagem de volta para Salvador na 4.a feira (03/05). As temperaturas também estiveram bem razoáveis (para um paulistano), chegando em média a 28 C ao longo do dia (com picos de 30 C) nas áreas mais baixas e ficando por volta de 25 C nas áreas mais altas, mas caindo até 20 C à noite. A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil :'>. Havia na área também muitas pessoas de fora da região e estrangeiros. As paisagens da Chapada agradaram-me muito, principalmente a vista a partir de pontos altos, as cachoeiras, as grutas e as cavernas ::otemo:: . As trilhas no geral foram tranquilas. Mesmo as que me disseram que seriam inviáveis sem guia, como a do Sossego, consegui fazer sozinho sem problemas e não achei complicada, mas pesquisei informações na Internet antes. A trilha para a Cacheira da Primavera e o Mirante foi a em que eu mais me atrapalhei, mas por ter pego a entrada errada para a trilha. Pegando a entrada certa foi tranquila. Durante muito tempo estive só nas trilhas, que em boa parte estavam desertas. Às vezes cruzava com algum grupo com ou sem guia. Não tive nenhum problema de segurança (nenhuma abordagem indesejada). Alguns estabelecimentos comerciais aceitaram cartão de crédito (principalmente empresas de ônibus). Paguei a guesthouse em que fiquei e os passeios turísticos com transferências bancárias. Quando fui tentar sacar dinheiro do caixa eletrônico do Bradesco, este estava sem dinheiro. Gastei na viagem R$ 1.766,70, sendo R$ R$ 74,42 com alimentação, R$ 240,00 com hospedagem, R$ 115,72 com transporte durante a viagem, R$ 159,86 com as passagens de ônibus de ida e volta entre Salvador e Lençóis, R$ 516,00 com pacotes turísticos, R$ 257,00 com entrada para atrações, R$ 343,90 com passagens aéreas de ida e volta e R$ 59,80 com as taxas de embarque correspondentes. Sem contar o custo das passagens entre Salvador e Lençóis, das passagens aéreas e das taxas de embarque, o gasto foi de R$ 1.203,14 (média de R$ 120,31 por dia). Mas considere que eu sou bem econômico (desta vez até que nem tanto, devido aos 2 pacotes que comprei ). A Viagem: Minha viagem foi de SP (aeroporto de Congonhas) a Salvador em 24/04/2017 pela Tam (http://www.tam.com.br). O voo saía às 08:10 e chegava às 10:33 horas. A volta foi de Salvador a SP (Congonhas) em 03/05/2017 pela Tam. O voo saía às 18:04 e chegava às 20:35. Paguei R$ 343,90 pelas passagens e R$ 59,80 pelas taxas de embarque de ida e volta parcelada em 4x usando cartão de crédito. Para ir ao aeroporto, peguei um carro pop da 99 (http://www.99taxis.com) que estava com promoção de ser de graça até R$ 15,00. A corrida deu R$ 12,73, então nada paguei. Durante o voo de ida pude apreciar uma magnífica vista da Baía de Todos os Santos próximo ao pouso . Ao chegar fui até o ponto de ônibus atrás do estacionamento do aeroporto e peguei o ônibus urbano S037 para a rodoviária (http://www.meubuzu.com.br/linha.php?id=S037-00) por volta de 11:15. O ônibus custou R$ 5,30 em dinheiro e tinha wifi. Cheguei à rodoviária perto de 11:45 e comprei a passagem para Lençóis por R$ 79,93 parcelada em 6x com cartão de crédito, pagando uma taxa de embarque de R$ 1,70 em dinheiro. Fui pela Rápido Federal da empresa Real Expresso (https://www.realexpresso.com.br). Aproveitei então para ir comprar 8 esfihas de queijo no Habibs do Shopping Iguatemi por R$ 7,92 com cartão de crédito, na promoção de R$ 0,99 cada. O ônibus saía às 13 horas e estava previsto para chegar às 19:05, mas chegou perto de 19:30. Nele conheci 2 argentinos de Ushuaia, belgas, argentina que vivia no Brasil e moça grávida de 5 meses com barriga enorme, jogadora de futsal, muito simpática, que me deu muitas informações sobre a Chapada. Além das paradas nas localidades, paramos uma vez para lanche ou jantar. Após chegar fui caminhando em direção à Casa MangaMel, que havia pesquisado pela internet. No caminho fui procurando outras opções, mas ela realmente era a mais barata. Encontrei Gustavo enquanto caminhava e ele me disse que morava na Casa MangaMel e me orientou sobre como chegar lá. Fiquei lá todas as noites, menos uma, pagando R$ 25,00 por diária fora do feriado e fim de semana e R$ 30,00 de 6.a feira a domingo do feriado de 01/05. Paguei através de transferência bancária. Betina e Douglas eram os donos e Gustavo trabalhava para eles. Lá estavam morando uma peruana e um rapaz que era guia e fazia ioga. Betina disse-me que eu poderia pegar maracujás do quintal, pois estavam perdendo, visto que a árvore dava muitos. Saí para fazer compras para o jantar, comprei pão na padaria por R$ 2,40, e legumes e frutas (4 bananas, 2 tomates, 1 berinjela, cenoura, cebola e pepino) na quitanda por R$ 6,60, ambos em dinheiro. Depois passei na agência Diamantina Trip (http://diamantinatrip.com.br), que Betina havia indicado como tendo bons preços e comprei um pacote para as Grutas por R$ 185,00 à vista (já contando as entradas para as atrações), a ser pago via transferência bancária posteriormente. Atendeu-me muito cordialmente Cláudia, argentina dona da agência e mais tarde Júlia. Falei com os argentinos que havia conhecido no ônibus para tentar formar grupo para passeio para o Buracão de 2 dias, mas eles só iriam ficar 1 dia. No dia seguinte, 3.a feira, 25/04, chegou perto de 6 horas da manhã ao quarto em que eu estava sozinho a Kelly, que era do Amapá, mas morava em São Paulo. Ela foi procurar por pacotes para fazer logo de manhã e eu depois de acordar fui tomar café. Lá conheci Valéria, que era de Imperatriz e já havia feito alguns passeios. Conversamos um pouco sobre a violência naquela área no passado, política do Maranhão e os passeios da Chapada. Ela saiu para o seu passeio e logo depois eu fui para o Hi Hostel, de onde saía o passeio das Grutas, que envolvia o Poço do Diabo, a Gruta da Fumaça, a Caverna e Gruta da Pratinha, a Gruta Azul e o Morro do Pai Inácio. Participaram do passeio a inglesa Sarah, 2 paulistas, 1 suíço, 1 alemã e o guia, de que muito gostei e cujo nome esqueci de anotar e não me lembro (acho que era Nenê, nativo, negro e alto). Achei a vista nos locais altos perto do Poço do Diabo interessante e boas a cachoeira de baixo e a cachoeira principal :'>, sendo que a de baixo me pareceu melhor para ficar em baixo simulando hidromassagem, pois tinha uma boa base para entrar e firmar os pés. Gostei da Gruta da Fumaça e de suas diferentes formações :'>. Foi necessário usar toca e capacete para entrar. Era obrigatório uso de calçado fechado (não se podia usar chinelo). O grupo almoçou no restaurante ao lado da gruta, enquanto eu fui explorar uma estrada da região para tentar conhecer um pouco mais da realidade social local. Interessante ver as plantações de palma (que o guia disse que eles usavam para matar a sede do gado na época de seca, além de servir de alimento para eles). Cheguei até a entrada da Gruta da Lapa Doce e voltei. Quando cheguei estavam no fim do almoço, conversamos um pouco e retornamos para o carro para prosseguir o passeio. Dali fomos para o Rio e Gruta da Pratinha e Gruta Azul. Eu aproveitei para almoçar os sanduíches que havia levado. Achei a Gruta da Pratinha interessante :'>, com suas pedras bonitas e grandes e a água transparente que a permeava. Gostei do Rio Pratinha, com sua água clara e fresca :'>. A vista dele a partir do alto também me pareceu bela. Andei por um caminho lateral à sua margem que achei interessante. Voltei quando cheguei a uma curva maior. Ao entrar na água alguns peixinhos pequenos mordiam os dedos dos pés, nada sério, mas dava para sentir. Por volta de 15 hs fomos para a Gruta Azul, momento em que a luz do sol iluminava a água e aparecia uma faixa azul turquesa brilhante. Agradou-me a gruta e principalmente este espetáculo . Para encerrar o dia fomos para o Morro do Pai Inácio. Subimos uma pequena trilha e pudemos apreciar a vista lá de cima em várias direções, cobrindo o Vale do Capão, vegetação, montanhas, estrada e todo o ambiente natural . Apreciamos o pôr do sol de lá. Depois daí voltamos e chegamos perto de 18:30 a Lençóis. Comprei 4 bananas, 2 cenouras e tomates na quitanda por R$ 3,45, beterraba, pepino e chuchu no Restaurante que vendia legumes crus por R$ 3,70 e 15 pães integrais na padaria por R$ 4,50, todos em dinheiro. Ainda consegui viabilizar o desejado pacote de 2 dias para o Buracão na agência Ecotur (http://www.ecoturchapada.com.br), que incluía os poços, por R$ 458,00 pago à vista via transferência bancária (já contando as entradas para as atrações), sem seguro, nem lanche nem hospedagem. Voltei ao albergue, jantei, conversei um pouco com Kelly sobre os passeios passados e futuros, conheci um casal de austríacos que estava hospedado na guesthouse e fui dormir. No dia seguinte, 4.a feira, 26/04, após o café e conversar com Valéria, que disse que faria o mesmo passeio na 5.a feira, só que em ordem inversa, esperei pelo guia Osvaldo que me pegou para ir para o Buracão. No grupo comigo foram o casal Eduardo e Virgínia de Campinas. Fomos até Ibicoara. Durante o caminho avistamos atrações da Chapada ao longo da estrada, como vegetação, rios, montanhas, vales, o Cemitério Bizantino e outros :'>. Ao chegarmos paramos numa agência de turismo local para pegar o guia Joel e rumamos para o Buracão. Gostei de ambos os guias. Aproveitei para comer sanduíches que havia levado no caminho. Chegamos no início da trilha perto de 12:30 e fizemos uma trilha curta de cerca de 20 minutos. Na trilha passamos pela Cachoeira Recanto Verde, que achei bonita :'>. Ao fim da trilha foi necessário vestir um colete e nadar por um cânion até um grande lago onde se avistava a Cachoeira do Buracão num paredão. Como não estou acostumado a usar colete salva vidas, não sei se o coloquei corretamente, mas me pareceu bem apertado, incomodando devido ao lanche que tinha comido. Achei a cachoeira e todo o local espetaculares . A água que caía nas costas era forte, mas suportável, permitindo uma forte hidromassagem . Para se chegar até ela era necessário nadar e atravessar o lago profundo, talvez por isso fosse obrigatório o colete. Depois do banho voltei para a outra margem, subi nas pedras e fiquei secando e tomando um pouco de sol. Devido ao cânion, não batia sol em muitos locais, o que fazia a temperatura ser um pouco mais baixa do que fora dali. Depois de 2 banhos e secar, voltei com o guia, agora pela lateral do cânion, sem nadar. No final era necessário cruzar o cânion através de um tronco de árvore estendido, mas que tinha uma corda paralela em cima para servir de equilíbrio. Na volta fomos apreciar a cachoeira a partir do alto, o que achei também muito belo :'>. Ainda passamos por uma queda de água em que entrei (os outros não quiseram), que me pareceu muito boa para hidromassagem nas costas :'>. Depois voltamos para dormir em Mucugê. O casal e o guia ficaram numa pousada que fazia parte de seu pacote e eu fui procurar um local barato para dormir. O guia me levou de carro da pousada até o centro (bem perto) e eu fiquei no Hotel Flor da Chapada, mais conhecido como Dormitório do Gordinho, por R$ 25,00 em dinheiro, num quarto compartilhado com TV, mas que só tinha eu, e banheiro fora. Comprei R$ 2,40 em pães na padaria em dinheiro e juntei aos legumes que tinha para jantar. Ainda fui dar uma volta pela cidade e encontrar o grupo que estava num restaurante jantando, mas apenas para conversar. Na 5.a feira 27/04 logo de manhã fui dar uma volta em Mucugê. Visitei o Cemitério Bizantino :'>, as praças :'>, o casario colonial :'>, o centro de eventos, a igreja por fora e andei um pouco pela estrada para observar a paisagem. Um cachorro quis brincar comigo na entrada da igreja e eu fiquei com medo dele me seguir e ser atropelado, mas ele logo desistiu de vir atrás de mim. Parecia carente de atenção. Aproveitei e passei na feira onde enchi minha sacola por R$ 20,00 em dinheiro. Comprei também 6 pães no supermercado por R$ 1,80 com cartão de crédito. Depois de tomar café desci para pegar o carro que já estava me esperando para prosseguir o passeio. Fomos para o Poço Encantado. Lá esperamos para começar a visita depois que começasse a entrada do raio de sol, que iluminava parte do poço. Descemos depois das 10 horas. Achei o poço espetacular , com todas as formações dentro da gruta, sua água transparente, sua profundidade e, para coroar, o raio de sol que iluminava parte dele. Esperamos um pouco sentados, pois o dia estava nublado, mas repentinamente as nuvens se abriam e o sol entrou, fazendo um efeito azul turquesa na água de que muito gostei. A grandiosidade do ambiente unida à sua serenidade e beleza chamou-me atenção . Dali seguimos por estrada de terra para o Poço Azul (http://www.pocoazul.com), num caminho que cortava bastante o percurso e era por locais mais próximos à Natureza. Provavelmente cruzamos com o grupo de Valéria na estrada (a van parecia ser da agência que ela usava). Atravessamos o Rio Paraguaçu por uma ponte em que havia muitas borboletas pequenas claras unicolores na margem. Para esperar o raio de sol entrar no poço e deixar a vista ainda mais bela, decidi retardar minha entrada. Enquanto o casal foi para o poço eu fui nadar no Rio Paraguaçu. O rio era bonito :'>, mas muito raso para nadar, com muitos bancos de areia. Raspava-se a barriga no fundo em vários pontos . Depois de nadar e o ficar contemplando por algum tempo, fui para o poço. Não precisei tomar a ducha porque o atendente viu que estava molhado do rio. Lá recebi colete, máscara e snorkel para flutuação. O casal ainda estava lá e entramos num segundo grupo. O raio de sol já o iluminava, clareando parte da água e do fundo e deixando parcialmente azul clara e azul turquesa. Eu aproveitei para explorar os vários cantos dele e admirar seu fundo, teto e entorno, além da água. Depois fiquei apreciando o ponto em que o sol entrava e iluminava . Após sairmos do poço (saímos juntos, o casal pode ficar pelo equivalente a 2 grupos), fomos para o restaurante almoçar. Lá comi meus sanduíches enquanto o casal e o guia almoçavam conforme seu pacote. Saímos de lá e voltamos para Lençóis, chegando por volta de 16:30. No caminho o guia Osvaldo indicou a barraca de acarajé de Zenaide como uma boa opção para quem desejava comê-lo. Após descermos do carro, quando nos despedíamos, Eduardo deu-me um pote de mel de presente. Voltei para a MangaMel, guardei minhas coisas, passei na padaria, comprei 8 pães por R$ 2,40 em dinheiro, voltei e usei um pouco o computador, conversei com a minha mãe por skype e depois conheci Tom, um israelense que havia chegado a Guesthouse. Ele me falou da situação atual para visitar israel e disse que achava perfeitamente viável ir a Israel como mochileiro, sem grandes problemas de segurança, mas que se eu tivesse perguntado há 1 ano sua resposta seria outra. Na 6.a feira 28/04 fui conhecer o Serrano e arredores. Saí após o café e ao perguntar a moradores locais onde era a entrada da trilha, perguntaram-me se eu iria sozinho e após a minha resposta de que sim disseram-me que não era prudente, pois poderia acontecer um acidente, por exemplo. Palavras proféticas . Indicaram-me 2 caminhos possíveis e eu resolvi ir pela avenida lateral à rodoviária, para dar a volta completa. Comecei simplesmente seguindo a avenida ao lado da rodoviária e quando ela acabou prossegui no leito do rio. Daí para frente prossegui perguntando às pessoas que encontrei no caminho e tentando encontrar as trilhas. Passei pelos Salões de Areia, que achei bastante interessantes e belos :'>, e depois cheguei ao Poço Haley. No caminho encontrei um casal com seu guia. No poço havia uma vendedora e duas biólogas de Feira de Santana que estavam de férias. Após uma rápida contemplação e um banho resolvi prosseguir. Perguntei à vendedora como achar os outros atrativos e ela me deu orientações. Fui rumo à Cachoeira e Poço do Paraíso. Durante todo o percurso encontrei várias pequenas quedas de água, que me pareceram muito boas para ficar embaixo :'>. A vista da cidade que ficava para trás e do leito do rio também muito me agradou :'>. Vi um pássaro com costas pretas, barriga branca e penacho no rabo :'>, diferente dos com que estava acostumado. Havia uma bifurcação no rio e eu decidi ir para a direita, para explorar a região, posto que o retorno e os outros atrativos estavam à esquerda. Seguindo pelo leito do rio, passando por pequenas quedas de água, cheguei a um poço e uma cachoeira maiores, onde havia um casal namorando. Eles me disseram que eram a Cachoeira e Poço Paraíso. Achei-os muito bons, tanto a cachoeira para ficar em baixo, como o poço para nadar, visto que era fundo . Disseram-me ainda que para cima não havia mais nenhuma atração famosa, mas que poderia subir para continuar conhecendo o leito do rio. Após aproveitar a cachoeira e o banho decidi voltar para ir à Cachoeira Primavera. O casal disse-me para pegar o outro ramo na bifurcação e seguir em frente. Desci o rio e fiz isto. Na bifurcação encontrei com uma família que estava chegando para aproveitar o local. Numa pedra, logo após a bifurcação eu me distraí, escorreguei e caí . Consegui proteger a cabeça com os braços, mas ralei um pouco o joelho e bati numa pedra a lateral das costas, provavelmente as costelas, que ficaram doendo por cerca de 2 semanas, e na hora e em alguns dias seguintes, doeram com razoável intensidade quando fazia determinados tipos de movimento, fazendo-me até a desconfiar que poderia ter ocorrido algo mais sério. Mas creio que não foi nada porque agora já passou por completo. Prossegui mesmo assim, mas sem saber peguei uma trilha alternativa, que me pareceu bem difícil, com pontos íngremes e até perigosos, e pouco usada. Num dos pontos dela meu chinelo caiu numa fenda entre pedras ãã2::'>, desci para procurá-lo e tentar pegá-lo. Gastei uns 15 minutos até encontrá-lo e pegá-lo. Depois de tentar várias alternativas de trilhas e ficar sem saída, desisti e resolvi voltar. Quando cheguei à bifurcação de volta, vi a mesma família da vinda e fui perguntar-lhes se havia a trilha e como pegá-la. O pai disse-me que existia, mas não era muito fácil de achar. A mãe disse-me que eu não iria encontrar, pois tinha passado por eles há 2 horas e não tinha encontrado ainda. Então o pai me disse que se eu descesse o rio e passasse uma grande pedra eu iria encontrar a entrada para uma pequena trilha que me levaria à trilha principal e aí era só seguir em frente que eu encontraria a cachoeira. Fiz exatamente isso, achei a entrada para a trilha secundária que me levou à trilha principal e, em pouco tempo, cheguei à cachoeira. Nada como pegar a trilha certa . Gostei da Cachoeira da Primavera :'>. Achei-a boa para ficar debaixo, aproveitando a hidromassagem, e também bonita a vista dela do alto do morro. Depois de apreciá-la e aproveitá-la fui tentar achar o mirante, que o homem disse que era bem próximo e a mulher disse que era mais complicado de achar. Subi a trilha e fui procurando trilhas para cima. Encontrei um morro com boa vista, porém havia árvores que atrapalhavam um pouco a vista da cidade. Fiquei na dúvida se era mesmo o mirante. Dias depois descobri que não era, mas a vista diferente de lá valeu, principalmente do lado da mata :'>. Desci pelo mesmo caminho da vinda, só que não peguei a trilha secundária para voltar ao leito do rio. Em vez disso segui em frente o que parecia ser a trilha oficial, que me levou até a Cachoeirinha. Gostei dela também :'>, embora tenha achado a Primavera melhor. De qualquer modo foi possível aproveitar um banho, ficar embaixo dela e apreciar a sua vista. Depois segui a trilha para ir embora. No caminho encontrei a vendedora Vanessa, muito simpática, com a família, voltando do trabalho, que me deu orientações corretas na trilha. Ainda parei perto do final para admirar o começo do leito em que eu havia entrado, agora visto de outro ponto, quase na hora do pôr do sol :'>. Voltei à guesthouse, ainda encontrei com Kelly que estava indo embora, saí para comprar 10 pães integrais na padaria por R$ 3,00 em dinheiro e conhecer a feira de artesanato, que achei interessante, especialmente os objetos de capim dourado do Jalapão e quadros de um artesão :'>. De volta à guesthouse, conheci 2 novas hóspedes argentinas, Florência e Clarice que estavam fazendo jantar e tiveram um pequeno problema com a panela de pressão, precisando liberar a válvula de segurança, que soltou vapor em forma de chuva e nos molhou. Comi um maracujá do quintal junto com meu jantar. Ainda pesquisei bastante o caminho para a Cachoeira do Sossego, pois a agência havia dito que não era possível fazer a trilha sozinho e outras pessoas disseram-me que eu teria grande dificuldade. Este relato http://www.oscacadoresdecachoeiras.com.br/2013/08/cachoeira-do-sossego-e-ribeirao-do-meio.html ajudou-me muito . No sábado 29/04 decidi tentar ir à Cachoeira do Sossego por conta própria. Achei que mesmo com alguma dor nas costas quando fazia determinados movimentos, seria possível ir com cautela. Com todas as informações que havia pesquisado na internet nos dias anteriores, após o café da manhã fui para a trilha. Na entrada encontrei um representante da Brigada Voluntária de Lençóis (http://brigadavoluntariadelencois.blogspot.com.br), que combate incêndios e realiza outras ações referentes ao meio ambiente e salvamento. Eu assinei uma lista de pessoas que estavam indo para a cachoeira, para terem o registro caso eu não retornasse, o brigadista foi muito gentil, deu-me informações sobre a trilha, explicou-me o trabalho deles e me convidou para conhecer posteriormente sua sede, no prédio onde ficava a rodoviária velha. Comecei a trilha então, tendo em mente os relatos e informações encontrados na internet. Ainda tinha um pouco de dor na lateral devido à batida do dia anterior, mas era só em alguns poucos movimentos e ia diminuindo com o aquecimento do corpo. Acho que fiquei tão preocupado pelas pessoas dizerem que não era viável fazer aquela trilha só, que acabei achando a trilha tranquila . No ponto em que havia a bifurcação para o Ribeirão do Meio, fiquei um tempo investigando as diferentes possibilidades, para evitar pegar o caminho errado. Acabei pegando o caminho certo e logo depois, numa curva da trilha, vi uma pedra grande, que me pareceu ter boa vista de cima. Subi e tive uma visão do trajeto quase completo a percorrer, o que me deixou mais ciente do tamanho da trilha e de sua direção. Além disso, a vista pareceu-me muito bela :'>. Encontrei pouca gente na trilha, alguns grupos e 2 casais por conta própria, sendo que um guia (eu acho) que retornava com dois homens recomendou-me muito cuidado na trilha. Ao longo do caminho a vista a partir de pontos altos pareceu-me muito boa. Em determinado ponto a trilha foi para o leito do rio, conforme haviam alertado nos relatos na internet. Foi exatamente num ponto em que havia uma pequena cachoeira dentro de um estrutura de pedras. Eu ouvi o barulho da água e fui investigar. Resolvi tentar chegar lá, passei por cima de uma pedra grande (uma pequena escalada com as mãos) e consegui chegar a ela. Achei-a muito boa para ficar embaixo :'> e percebi que ela tinha uma pequena abertura para o sol pelo mesmo ponto em que a água descia. Houve várias outras pequenas quedas de água na trilha e poços para se nadar, de que muito gostei :'>. Daí para frente prossegui pelo leito do rio e logo um casal de Feira de Santana alcançou-me. A seguir houve uma pedra bem escorregadia em que tentei subir para seguir em frente, mas os pés escorregaram vagarosamente levando-me de volta. Achei uma outra passagem pela lateral. Então apareceu um poço muito bom para nadar :'> e uma enorme pedra em que era possível passar por baixo. Fiquei nadando enquanto o casal prosseguiu. Depois de passar pela fenda na pedra havia outro poço que também achei muito bom para nadar :'>. Daí lembrei de um relato na internet dizendo que havia uma trilha do outro lado do rio. Vi uma entrada e resolvi segui-la. Andei uns 30 minutos, entre progresso e busca de continuação da trilha, mas sem sucesso. A trilha subiu bastante e a vista lá de cima pareceu-me muito boa, permitindo-me inclusive ver o casal lá embaixo no leito do rio. Valeu pela vista, foi quase um mirante . Como a trilha fechou achei melhor voltar por onde tinha vindo, até a pedra grande com o poço, e seguir pelo leito do rio. Segui pelo leito até a última curva, onde havia grupos retornando. Ali vi que eles vinham por uma rampa lateral e resolvi sair do leito e ir por ela. Havia uma trilha depois dela que me levou quase até o fim do percurso. Achei muito bela e boa para usufruir a Cachoeira do Sossego . Porém parecia com menos água do que nas fotos. Tinha um bom poço fundo para nado em frente :'> e era possível ficar embaixo dela para hidromassagem :'>. Na lateral havia pedras de onde se podia apreciá-la enquanto se ficava tomando sol e descansando. Lá conheci Jadílson, que me falou de sua vida, simples e em contato com a Natureza e da possibilidade de ir à Caverna da Torrinha de ônibus. Ele foi embora e eu fui mais uma vez entrar embaixo da cachoeira. Depois de ficar bastante tempo contemplando a cachoeira e usufruindo do poço e da queda de água, quando quase todos já haviam ido embora, exceto uma família de vendedores, eu resolvi ir embora. Logo depois os vendedores vieram e num ponto em que eu peguei um ramo alternativo da trilha eles me passaram. Mais à frente eu os encontrei tomando banho num poço que eu não tinha percebido na vinda, fui até lá e também tomei banho. Os 2 meninos pequenos nadavam muito bem, como nativos. Como tinha ficado muito tempo, acabei deixando para ir ao Ribeirão do Meio no dia seguinte. Retornei pela trilha e reencontrei o brigadista, que se lembrou de mim e perguntou se eu havia gostado. Voltei à guesthouse e ainda falei com minha mãe por skype. Resolvi ir experimentar o acarajé, porém não fui à Zenaide porque ela não tinha uma opção vegetariana. Gastei R$ 6,00 em dinheiro no Acarajé Point em um bolinho de acarajé vegetariano. Ainda procurei dar sugestões de locais a conhecer para o Tom (sugeri o Pelourinho) que iria embora no dia seguinte para Salvador. No domingo 30/04 fui conhecer os pontos nos arredores de Lençóis que tinham ficado faltando e repetir alguns de que havia gostado. Primeiramente fui dar um passeio pela cidade e conhecer os atrativos urbanos, incluindo praças, coreto, igrejas, Prefeitura, Câmara de Vereadores, casario colonial e outros, que achei belos :'>. Encontrei um ciclista ligado a uma agência e com suas informações desisti de alugar bicicleta por R$ 100,00 a diária para ir à Caverna da Torrinha, devido à dificuldade e ao preço. Achei e comi 3 mangas na rua :'>. Depois fui em direção ao Parque Municipal da Muritiba, onde fica o Serrano. Fui procurar o mirante que havia ficado em dúvida se tinha encontrado ou não anteriormente. Antes de entrar, ao perguntar, policial respondeu-me para não jogar caroços da manga no parque porque não era espécie nativa. Lucas, um artesão que morava numa casa ao lado da estrada, indicou-me detalhadamente caminho para mirante. Segui a trilha, passei pela Cachoeirinha, subi e encontrei o mirante. Realmente não era o que eu tinha encontrado antes. Não havia árvores na frente e a vista da cidade era ampla. Era possível ver também boa parte da área natural, mas a parte de trás tinha uma vista melhor daquele outro local em que eu havia estado antes. Como eu adoro vistas, fiquei bastante tempo lá apreciando . Depois fui até a Cachoeira da Primavera onde havia um grupo grande de visitantes. Esperei-os entrar um a um embaixo dela e depois fiquei com a água caindo nas costas. Entrei e saí algumas vezes, entre os momentos que eles também entravam e saíam. Realmente muito boa a cachoeira para ficar embaixo, com deliciosa hidromassagem . Voltei, perdi-me um pouco na trilha após a subida, mas logo me achei. Passei mais uma vez pelo mirante para apreciar a vista, até meditei um pouco, e depois desci para ir em direção ao Ribeirão do Meio. Quando passei na frente da casa do Lucas de volta, agradeci-o pelas informações. Seu filho de mesmo nome queria que eu ficasse lá, provavelmente brincando e fazendo companhia. Pegou-me pela mão e me levou para conhecer a casa e seus brinquedos. Depois acho que se cansou e se despediu . Logo depois de sair do parque, bebi água de uma espécie de bica enorme perto do início da trilha para o Serrano. Fui para o Ribeirão do Meio e achei a trilha bem fácil. A vista do Ribeirão a partir dos pontos altos da trilha agradou-me :'>. Após explorar um pouco o poço e arredores de onde ficava uma espécie de tobogã natural de pedras, resolvi descer. Desci 2 vezes, mas como principiante, não tive bom desempenho em nenhuma delas . Na primeira fui muito devagar no começo e acabei caindo na água desajeitado. na segunda fui em velocidade adequada, mas acabei virando de lado e caindo mais desajeitado ainda. Meu bumbum ficou doendo . Várias pessoas estavam descendo. Conversei com algumas delas, incluindo uma paulista que estava revisitando o local e levando dois amigos estrangeiros. Após apreciar o local mais um tempo, voltei e fui conhecer a sede da Brigada Voluntária de Lençóis. Emanuel (Manu) apresentou-me a sede, falou da história, de como foi fundada, dos incêndios passados, da dificuldade de obter apoio e recursos, mostrou-me alguns equipamentos usados e me contou que recentemente foram recebidos com tiros para o alto do proprietário quando foram apagar o fogo em uma área privada a pedido de algum órgão público, pois provavelmente fora o próprio proprietário que tinha colocado fogo para "limpar" a área para seus objetivos . Dali fui em frente até a rodoviária, por R$ 9,96 comprei passagem para Palmeiras para o dia seguinte e por R$ 79,93 comprei passagem para Salvador para a 4.a feira dia 03, ambas com cartão de crédito e parceladas em 6x. Quando voltei à guesthouse vi que haviam chegado australianos. Na 2.a feira 01/05, feriado, acordei perto de 4:15, tomei café e fui em direção à rodoviária onde peguei ônibus para Palmeiras às 5 horas. A viagem durou cerca de 40 minutos. De Palmeiras peguei van para o Vale do Capão por R$ 15,00 em dinheiro. Havia uma moça que trabalhava lá e um guia na van que me deram algumas informações sobre a trilha para Cachoeira da Fumaça e a região. A viagem durou uns 45 minutos porque ficamos parados um pouco num momento em que a van parecia estar com problemas. Assim que cheguei, antes de começar a subida, comi o pequeno lanche que tinha levado. Fui até a lanchonete onde se comprava a passagem de volta da van até Palmeiras e paguei R$ 15,00 por ela, além de R$ 0,50 de taxa de embarque, ambas em dinheiro. Havia um bolo de cenoura exposto e eu perguntei à atendente quanto era. Ela me disse que era R$ 4,00 o pedaço, mas que aquele estava velho e ela iria jogar no lixo. Então eu ofereci R$ 2,00 por pedaço. Ela não aceitou, porque disse que já não estava bom para vender, embrulhou e me deu de graça, mesmo comigo insistindo se não aceitava o que eu tinha oferecido. Eu acho que foi 1/4 do bolo. A atendente aceitou que eu deixasse meus poucos pertences (água e lanche) na lanchonete e pegasse quando voltasse :'>. Resolvi então ir até a padaria, comprei 6 pães integrais por R$ 2,00 em dinheiro para estar bem alimentado na subida . A padaria era muito frequentada neste horário, até os motoristas das vans estavam lá. Daí segui pela estrada para a trilha. Logo no início do caminho na estrada duas moças de carro pararam e me ofereceram carona. Aceitei e me levaram até a porta do parque. Eram cerca de 8 ou 8:30. Lá enquanto lia os cartazes e observava os arredores, chegaram Clarice e Florência, o casal de austríacos (Cristine e o namorado) e mais alguns argentinos que estavam com eles. Fui ao banheiro para não ter surpresas na trilha e começamos a subida juntos. Na subida inicial paramos em alguns pontos para observação da vista e descanso de algumas pessoas. Achei as vistas espetaculares . Fiquei para trás com os austríacos para tentar ajudá-los em caso de se perderem ou terem algum imprevisto. Havia um outro casal com guia subindo também. Vimos um beija-flor verde brilhante com pontos pretos muito belo :'>. Como muitas pessoas haviam falado que havia uma bifurcação em certo ponto, quando a trilha ficou menos clara no chão resolvi voltar para certificar-me de que trilha estava correta. Encontramos o casal e o guia disse que estávamos no caminho correto e que a bifurcação era mais para frente. Não identifiquei onde era. Fomos direto, sem grandes dificuldades e chegamos à cachoeira. Perto da chegada o grupo de argentinas deixou algumas setas riscadas no chão para nós. Achei espetacular a vista a partir do ponto de observação da cachoeira ::otemo::. Ela própria estava com muito pouca água, só um fiozinho. Mas todo o ambiente natural, as montanhas, a vegetação e o cânion agradaram-me muito . Uma por uma as pessoas iam em direção a uma pedra na ponta do paredão com queda quase vertical e altura de cerca de 400 m. Muitas tinham medo e ficavam nervosas ao se aproximar, nem querendo olhar. Eu gostei e fiquei um pouco apreciando. Depois, com a chegada de novos grupos, passou a haver uma enorme fila para se debruçar e olhar. Lá embaixo havia o poço da cachoeira e todo o cânion. Fiquei ali algumas horas e depois fui para o outro lado, de onde se podia apreciar outro ângulo. De lá era possível ver melhor quando o vento batia forte e a água da cachoeira ia para cima, fazendo uma espécie de chuva invertida . Depois ainda voltei para o ponto inicial de chegada e achei outro ponto de que podia visualizar o poço e o cânion. Fiquei lá por bastante tempo apreciando a paisagem. O guia de um grupo de paulistas contou-me histórias de suicídios (a mais famosa foi a de um francês, que várias outras pessoas comentaram) e de acidentes fatais, principalmente com chuva e aumento rápido do nível de água. Conheci vários grupos lá, de potiguares, paulistas, mineiros e outros. As argentinas e algumas outras pessoas pediram-me para segurar suas pernas e pés quando se debruçavam, pois isso lhes dava mais segurança. Na prática acho que esta segurança era mais psicológica do que real . Conversei também com o vendedor que lá ficava sobre como era ali. Após várias horas, tomei um banho no rio e comecei a voltar. Fui um dos últimos a sair. Vim devagar, agora sozinho, apreciando a paisagem. Quando comecei a descer parei no primeiro ponto que achei ser um mirante razoável e fiquei contemplando a paisagem do alto. Passaram por mim os poucos grupos que haviam ficado para trás. As paulistas pararam um pouco, conversamos e depois seguiram. Quando não havia mais nenhum, fiz uma meditação rápida. Continuei descendo e parei em outros pontos, alguns dos quais em que tínhamos parado na subida, mas não tinha tido tempo ou espaço para apreciar com vagar. Achei todas estas vistas novamente espetaculares , agora podendo aproveitar vários outros ângulos e locais. Cheguei na portaria perto de 17 h. Na volta passei por uma quitanda e por R$ 2,80 com cartão de crédito comprei tomates, cebolas, cenoura e pepino, e por R$ 1,45 em dinheiro uma goiabada no supermercado. Pensei em ir conhecer o circo, mas como eram cerca de 20 minutos de caminhada e já estava escurecendo, preferi ir jantar e conhecer a vila. Visitei a igreja, simples e bonita :'>, e fui ver o casario colonial na praça e nas ruas centrais, que faziam um belo conjunto :'>. Depois fui para a padaria, paguei R$4,00 em dinheiro por 9 pães integrais e 4 bananas na padaria, e fiz um jantar com o que comprei mais o bolo de cenoura que a moça tinha me dado de manhã. Depois de jantar ainda fui conhecer um atelier de fotos que achei interessante :'> e depois afastei-me um pouco das luzes para apreciar o bonito céu noturno estrelado ::cool:::'>. Perto de 8 horas saíram as vans para Palmeiras, lotadas devido ao fim do feriado. Chegando lá, como tinha visto uma placa convidando a conhecer o centro, fui dar uma volta e apreciar a praça, o casario colonial e a igreja, que me pareceram interessantes ::cool:::'>. O ônibus para Lençóis era às 22:30, mas atrasou para chegar cerca de 15 minutos. Custou R$ 9,96 no cartão de crédito. Cheguei em Lençóis perto de 11:30. Lá cheguei, tomei banho e fui dormir. Na 3.a feira 02/05 decidi ir conhecer a Caverna da Torrinha, devido ao que havia pesquisado dela, por ter formações únicas. Não havia passeios em grupo para ela e uma ida privada por agência seria muito cara. Então decidi ir por conta própria e esperar por um grupo lá, para poder ratear o valor do guia local. Não quis pegar o ônibus das 5 horas de novo ::lol3::. Dormi mais e saí cerca de 8:30. Inicialmente passei no Bradesco para sacar dinheiro, porém não consegui porque o Caixa Eletrônico estava sem. Então fui com destino ao posto de gasolina no início da estrada para tentar obter uma carona. Depois de algum tempo, um casal deu-me carona até o Tanquinho, que era no sentido oposto da BR. O homem disse-me que existia um ônibus que passava perto do trevo que ia para a Torrinha, mas que achava que já tinha passado. Para mim foi uma surpresa existir este ônibus, pois ninguém havia falado dele para mim. Quando chegamos ao posto de gasolina no Tanquinho o ônibus estava parado lá ::lol3::. Iria para Lençóis e depois para o trevo da Torrinha. Ou seja, eu tinha acordado mais cedo e pego a carona à toa ::lol3::. Peguei o ônibus da Emtram (http://emtram.com.br) até o Posto Restaurante e Centro de Serviços Carne Assada, que ficava no trevo para a Torrinha, por R$ 11,50 em dinheiro. Ali logo em seguida passou uma van para entrada da estrada de terra da Torrinha pela qual paguei R$ 3,00 em dinheiro. Depois de descer da van peguei uma pequena garoa na estrada de terra até a entrada da propriedade em que ficava a caverna. Lá havia vários guias esperando por visitantes. Fiquei conversando com o guia Paulo enquanto esperava por grupos para tornar o preço menor. Esperei por 4 horas. Comi bastante embu cajá ::cool:::'> de uma árvore apontada por Paulo enquanto esperava, o que acabou soltando meu intestino e me deu muita vontade de ir ao banheiro ::lol3::. Sentei no vaso sanitário e quando saí uma espécie de mariposa escura saiu de dentro dele. Ainda bem que não era outro tipo de animal, como uma cobra, por exemplo ::lol3::. Fiz passeio só na Torrinha com o guia Paulo. Por estar sozinho pude aproveitar muito melhor, ir no meu ritmo, ver tudo o que eu queria sem incomodar ninguém, porém custou muito mais. Paguei R$ 130,00 no cartão de débito, Eduardo (o concessionário da caverna) deu desconto, seria R$ 120,00 em dinheiro. O preço tabelado era algo como R$ 150,00 ou R$ 160,00 para 1 pessoa só para o passeio completo, incluindo todos os trechos. Demorei 2 horas para percorrer tudo com calma. Gostei muito das formações rochosas, algumas únicas no mundo ::otemo:: ::otemo::. Em especial as formações delicadas em cristal branco, as agulhas e a flor de aragonita agradaram-me muito ::otemo:: ::otemo::. Gostei do guia Paulo. Após a visita voltei andando até a estrada asfaltada (ofereceram-me carona de moto, mas preferi caminhar para apreciar a Natureza) e uns 20 minutos depois passou um ônibus da Emtram (http://emtram.com.br) até o trevo do Posto Restaurante Carne Assada pelo qual paguei R$ 3,80 em dinheiro. Lá conversei com os frentistas sobre poder pedir carona e disseram que não havia problemas e que me avisariam se alguém fosse para Lençóis. Começou a chover e a chuva gradativamente engrossou. Depois de razoável tempo, acho que mais de meia hora, e muitas tentativas minhas sem sucesso ::dãã2::ãã2::'>, o frentista disse-me que havia um carro que iria para Lençóis. Um dos rapazes do carro perguntou se eu estava de boa algumas vezes, ofereci mostrar minha identidade, ele disse que não precisava e que me dariam carona. Ofereci pagar minha parte como se fosse uma passagem de ônibus, mas ele disse que ele estava pagando. O carro estava com 3 rapazes da Igreja Mundial. No caminho falaram-me de acidentes recentes envolvendo ônibus e caminhões na estrada que não era duplicada. Houve bastante chuva na viagem, mas tudo correu bem. Chegando lá agradeci, ofereci pagar novamente, mas não aceitaram. Assim que desci do carro, um motociclista, provavelmente entregador, caiu numa curva na minha frente com um saco de pastéis, provavelmente devido ao piso de paralelepípedo molhado. Não se machucou. Peguei o saco do chão para tentar ajudá-lo. Voltei para a guesthouse e lá encontrei um belga que havia chegado e ia ficar alguns dias. Conversamos e depois fui dormir. Na 4.a feira 03/05 acordei cedo, tomei café e fui para a rodoviária para pegar o ônibus da Rápido Federal da empresa Real Expresso (https://www.realexpresso.com.br) que sairia para Salvador às 7:30. Estava uma chuva de leve a moderada. Peguei ônibus para Salvador perto de 8 horas, pois atrasou devido à chuva. Em determinado trecho o trânsito ficou lento e depois parou completamente, devido a acidente na estrada envolvendo caminhões e ônibus, o que atrasou mais ainda a viagem. Passamos pelo acidente e vimos um caminhão com carga (acho que de cereais) jogada na pista, um ônibus envolvido, outro caminhão e outros veículos. Pensei novamente na duplicação da estrada. Creio que o acidente e a chuva geraram um atraso de cerca de 2 horas pelo menos. Paramos para almoçar e eu perguntei ao motorista a que horas ele imaginava que chegaríamos e se havia outro ponto em que poderia descer antes para ir ao aeroporto. Ele disse que imaginava que chegaríamos perto de 15 horas ou 15:30. Eu havia estimado que 16 horas era meu limite para não perder o voo. Ele também disse que eu poderia descer em Simões Filho e pegar um táxi, pois o trânsito de lá até o aeroporto era bom e eu não pegaria todo o trânsito para chegar à rodoviária e depois para ir até o aeroporto. Eu não almocei, apenas comi o lanche que tinha durante a viagem. Com o transcorrer da viagem, a previsão de chegada à rodoviária de Salvador foi ficando mais clara e passou a ser por volta de 16 a 16:30, o que me fez optar por descer em Simões Filho, conforme orientação do motorista, para pegar táxi para o aeroporto. Perguntei aos taxistas e eles me disseram que o preço era de R$ 80,00, mas poderiam fazer por R$ 70,00 e chegaram a ofertar R$ 60,00 quando viram que eu estava procurando por outras opções. Como estávamos ao lado de uma comunidade de baixa renda, que muitas vezes é usada como escudo por criminosos, perguntei aos taxistas se poderia haver algum problema de segurança por ali se fosse procurar informações e eles me disseram que certa vez um homem havia ido até a venda próxima pedir informações e acabou sendo assaltado e eles também foram. Achei que era um risco e talvez alguma tentativa de intimidação e fui procurar alternativas exatamente na venda próxima ::lol3::, esperando que minha aparência de mochileiro não atraísse interesses por roubo. Conversei com as atendentes que me trataram muito bem, mas não acharam outra alternativa, tentei pessoas que dirigiam Uber numa oficina mecânica ao lado, mas nenhuma estava disponível. Acabei indo de mototáxi, mesmo com um pouco de chuva, com a mochila na mão, por R$ 40,00 (paguei R$ 20,00 com cartão de crédito para abastecer a moto num posto e mais R$ 20,00 em dinheiro). O mototaxista dirigiu cuidadosamente. Num determinado trecho ele parou e eu pensei que poderia ter entrado num golpe ou que a moto havia quebrado, mas era apenas para eu descer para que ele pudesse subir numa elevação de um canteiro e escapar do pedágio ::lol3::. Esta estratégia era bem popular, pois como eu demorei muito, porque fiquei desconfiado, quando olhei para trás havia uma fila de motos para fazer o mesmo. Falei-lhe que não precisava ter feito aquilo e eu teria pago o pedágio. Cheguei ao aeroporto com bastante tempo e ainda pude fazer tarefas no notebook. O avião saiu na hora, o voo na maior parte do tempo foi tranquilo e o pouso digno de piloto alemão ::lol3::. Cheguei em Congonhas perto de 20:30 e voltei para casa a pé.
  15. Considerações Gerais: Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, alguns preços, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar relevantes. Nesta época eu ainda não registrava detalhadamente as informações, então preços muitas vezes vão ser estimativas e hotéis e meios de transporte poderão não ter informações detalhadas, mas procurarei citar as informações de que eu lembrar para tentar dar a melhor ideia possível a quem desejar repetir o trajeto e ter uma base para pesquisar detalhes. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais Minha viagem foi pelas montanhas da Índia, partindo de Nova Déli, passando por Haridwar e Rishikesh, depois indo pelas montanhas do Estado de Uttarakhand, pelas montanhas dos Himalaias, Caxemira e Punjab. Foram 44 dias, sendo 2 dias de voo, 40 dias na Índia e 2 dias de parada em Munique (1 na ida e 1 na volta). O objetivo foi espiritual. Foi necessário visto para entrar na Índia. Eu o consegui pessoalmente no Consulado da Índia em São Paulo (http://www.indiaconsulate.org.br). Na minha última viagem em 2015 existia a possibilidade de fazer todo o processo remotamente. Não foi necessário visto para entrar na Alemanha, mas havia exigências para entrada nos países da Zona Schengen, como seguro internacional de saúde de 30.000 euros, o que eu consegui gratuitamente com o cartão de crédito. Era necessário certificado internacional de vacina contra febre amarela para entrar na Índia. Na primeira vez em que se tomava a vacina eram necessários 10 dias para ela passar a fazer efeito. Como já tinha tomado a vacina em 1997, alguns dias antes de ir tomei a dose de reforço gratuitamente no setor de vacinas do Hospital das Clínicas. No dia em que a tomei senti febre (não medi) e mal estar no corpo ãã2::'> . A moeda da Índia era a rúpia. A moeda da Alemanha era o euro. Levei dólares e euros em espécie que haviam sobrado de viagens anteriores. A língua e o alfabeto na Índia eram diferentes dos nossos. Mudava-se de língua conforme a região, o que fazia a comunicação mais difícil, posto que boa parte da população não falava inglês, principalmente no interior. Em Munique muitos falavam inglês, além do alfabeto igual facilitar tudo. Achei os preços na Índia muito mais baixos do que os de São Paulo, embora na minha última viagem em 2015 tenha achado que subiram proporcionalmente ao que eram nesta em 2008. Em Munique achei os preços bem maiores do que os de São Paulo, mas na média das cidades europeias que conhecia. Na Índia fiz a maior parte dos deslocamentos de ônibus ou veículos rodoviários e poucos deslocamentos de trem (https://www.irctc.co.in, https://www.makemytrip.com/railways, http://www.indianrailways.gov.in, http://www.indianrail.gov.in) porque nas montanhas não existiam muitas ferrovias. As estradas nas montanhas pareceram-me perigosas, pois eram estreitas, não tinham acostamento, em boa parte não eram asfaltadas e ficavam ao lado de penhascos íngremes (tipicamente de um lado um precipício e de outro uma montanha), o que fazia a velocidade dos ônibus ser baixa. Foi impressionante a quantidade de mulheres (provavelmente desacostumadas a viajar) que passaram mal nos ônibus nas montanhas e foram para o último banco, onde geralmente eu ficava, pedindo para trocar de lugar e ficarem na janela para poderem vomitar. Em Munique fui e voltei do aeroporto e transitei por alguns pontos da cidade de metrô. Em toda a viagem pela Índia houve bastante sol e calor nas partes mais baixas e razoável frio (para um paulistano) nas montanhas mais altas. Peguei duas nevascas, uma numa montanha em Kedarnath e outra no caminho para Leh. As temperaturas para o meu gosto estiveram altas nas partes mais baixas, como Nova Déli, Haridwar, Rishikesh e Amristar, chegando próximas a 40 C ou talvez até passando. O calor estava muito forte e chegou a me incomodar, trazendo uma sensação de cansaço durante as horas mais quentes do dia. Nas montanhas as temperaturas provavelmente chegaram abaixo de zero em algumas ocasiões, principalmente à noite. Em Munique, apesar da ida ser no verão, perto de meio dia estava cerca de 20 C. A volta foi no outono e a temperatura chegou a perto de 6 C no entardecer. Sofri muito menos com a altitude do que em viagens anteriores para lugares altos. Descobri que havia farmácias em lugares remotos que forneciam doses de oxigênio para quem estivesse precisando (imagino que não fosse nada barato). Mas as nevascas, a que eu não estava acostumado, colocaram-me em situações difíceis. Na Índia e em Munique a população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil. Não tive nenhum problema direto com extremismo na Caxemira, embora tenha havido um episódio na estrada que não ficou claro e que pode ter sido algum tipo de ação terrorista, mas que não me atingiu diretamente. As paisagens agradaram-me muito, principalmente de locais naturais como montanhas, rios, vegetação, etc., ainda mais quando vistas do alto de montes ou locais elevados . Os templos e locais religiosos também agradaram-me muito . Em especial na Índia gostei muito do Rio Ganges em Haridwar e Rishikesh , das montanhas dos Himalaias e das outras cadeias ::otemo::, de Shimla , Leh , Dharamsala e do Templo de Ouro . Em Munique gostei especialmente das construções, parques e paisagens verdes, e do Parque Olímpico . Na Índia, nas partes baixas tomei água mineral. Nos Himalaias resolvi confiar na água e tomei água natural, às vezes de cachoeiras no caminho, o que creio revelou-se acertado. Mas quando voltei às partes baixas, resolvi continuar a beber a água ofertada em restaurantes . Um mês depois, já em São Paulo, após febre e intensa dor abdominal num dia, descobri que estava com hepatite A . Assim como na viagem de 1999, vários comerciantes faziam preços maiores (o dobro ou mais) para estrangeiros do que para locais. Em Nova Déli achei que o trânsito continuava caótico, muito mais do que o brasileiro, mas melhorou em relação a 1999, quando eu havia estado lá. Achei que retiraram alguns animais que antes havia nas ruas, além de estarem construindo ruas bem melhores. Nas montanhas, como geralmente as cidades eram menores, o trânsito era menos intenso, mas com o mesmo estilo. Em Munique o transporte público pareceu-me muito bom. Nas montanhas da Índia achei a pobreza muito menor do que nas áreas baixas, principalmente as que havia conhecido em 1999. Eu fui para áreas diferentes das anteriores, sendo Nova Déli a única cidade que já conhecia. Porém, mesmo nestas áreas, pareceu-me que a miséria continuava muito maior do que a do Brasil. Em Munique achei a cidade bem equilibrada, sem a riqueza extrema de outras que conheci, mas bastante confortável para seus habitantes. Porém conheci apenas áreas centrais e turísticas. Pareceu-me que a Índia continuava muito mais segura do que o Brasil, principalmente nas montanhas, apesar da imensa miséria. O único ponto que me preocupou foi o terrorismo na Caxemira. Quando estava no meio da viagem, já nas montanhas, vi nos jornais que havia ocorrido um atentado em Déli (acho que foi uma bomba), com vários mortos. Antes de sair do Brasil tinha visto que haviam ocorrido alguns semelhantes nos últimos meses. A segurança em Munique pareceu-me boa, mas por paradoxal que seja, levei um susto na estação de metrô logo pela manhã e depois encontrei sangue fresco numa praça turística central. Houve vários templos em que não pude entrar por não ser jain ou muçulmano. Encontrei poucos brasileiros na Índia nesta viagem (em 1999 também havia encontrado poucos). Só me lembro deles em Dharamsala. Em Munique não encontrei brasileiros diretamente, mas ouvi pessoas falando em português com sotaque do Brasil na rua. Gastei na viagem perto de US$ 2.450,00, sendo aproximadamente US$ 450,00 com a Índia, US$ 40,00 com Munique e US$ 1.960,00 com as passagens aéreas e taxas de embarque para ir e voltar a SP. Sem contar o custo das passagens aéreas e das taxas de embarque o gasto foi de US$ 490,00. Mas considere que eu sou bem econômico. A Viagem: Minha viagem foi de SP (aeroporto de Guarulhos) a Nova Déli em 23/08/2008 pela Lufthansa http://www.lufthansa.com/br/pt/Homepage), com conexão em Munique. O voo saía às 12:50 e chegava às 05:30 horas do dia seguinte em Munique. Depois saía às 20:20 de Munique e chegava às 7:10 do dia seguinte em Nova Déli. A volta foi de Nova Déli a São Paulo em 04/10/2008 pela Lufthansa. O voo saía às 09:00 e chegava às 13:45 e Munique. Depois saía às 21:45 e chegava às 05:13 em São Paulo. Nas paradas em Munique aproveitei para visitar a cidade. Paguei parcelado em 5 vezes com cartão de crédito. Dos US$ 450,00 que gastei com a Índia, cerca de US$ 50,00 foram com o visto e o resto foi na própria Índia com despesas de alimentação, hospedagem, transporte e outros gastos, incluindo cerca de US$ 20,00 com compras para trazer para o Brasil. Sem contar o custo do visto, o gasto foi de cerca de US$ 400,00 em 40 dias (média de US$ 10,00 por dia). Mas considere que eu sou bem econômico. Fui a pé de casa até a Estação de Metrô Tatuapé para pegar o ônibus da EMTU para o Aeroporto de Guarulhos. No caminho pedi a uma guarnição do Corpo de Bombeiros para usar o banheiro, que gentilmente me atendeu, e depois passei numa feira perto da Avenida Salim Farah Maluf e comprei 2 pasteis por R$ 3,00 para café da manhã. Quando abri o pacote vi que haviam 3, mas como já estava bem adiante e atrasado, resolvi deixar para lhes pagar o erro na volta. Quando voltei à feira, no sábado seguinte ao meu regresso, a atendente me disse que não tinha sido um erro, mas sim uma promoção, quem comprava 2 levava 3. Aproveitei e comprei mais 2 . No voo conheci um rapaz brasileiro com fisionomia japonesa com quem comentei que tinha achado estranho que quando havia estado em Frankfurt e tentado perguntar às pessoas em inglês, muitos me disseram que não entendiam. Ele me disse que os alemães não gostavam muito de falar inglês, principalmente os mais velhos. Quando cheguei ao aeroporto de Munique e estava olhando para o monitor com as informações do voo, fui abordado por um agente da segurança alemã, talvez da polícia federal, que me pediu os documentos e perguntou qual meu propósito na Alemanha. Após eu explicar e ele ver meu visto para a Índia, liberou-me sem problemas. Após passar pela imigração encontrei uma mexicana que também pretendia visitar a cidade e conversamos um pouco sobre as diferentes possibilidades. Eu decidi ir de metrô, pois pareceu a opção mais barata e com rapidez bem aceitável. Achei interessante haver carros que no Brasil seriam considerados de luxo e alto padrão, como Mercedes e BMW, como táxis no aeroporto. Na saída do aeroporto em direção à estação, que era em frente, vi no telão que estava sendo realizada a final do vôlei masculino nos Jogos Olímpicos de Beijing entre Brasil e EUA e estava 1 set a 1. Na saída de São Paulo eu havia conseguido ver o término da partida de vôlei feminino em que o Brasil ganhou dos EUA e conquistou o ouro. Era domingo 24/8, muito cedo e a estação estava vazia. Após ficar um tempo tentando entender que bilhete deveria comprar, vi um aparente africano aproximar-se de mim por trás. Assustei-me . Ele parecia um pouco alterado, trôpego, tanto que cambaleou após passar por mim, que devo tê-lo atrapalhado em seu caminho. Tentei sair da direção em que ele andava, escorreguei e quase caí. Aí vi que havia 2 policiais ou seguranças atrás de nós. Aproveitei e perguntei para eles sobre o bilhete e eles me indicaram a melhor opção para ir e voltar (se bem me lembro era um bilhete que dava direito a ilimitadas viagens naquele dia). No trem confirmei em inglês com um homem se estava no caminho correto para a estação Marienplatz. Ele respondeu que sim. Após me sentar e começar a apreciar a paisagem, o telefone do homem, que estava em outra fila de bancos, tocou, ele atendeu e começou a falar em português. Após ele desligar, falei com ele rindo "Você é português?", o que ele respondeu dizendo que sim e me perguntando se eu era brasileiro, o que eu respondi dizendo que sim. E completei "Que coincidência! E eu conversando com você em inglês!" . Ele respondeu "Não é coincidência não. Este mundo cá que é pequeno." Depois, antes de descer ainda me deu instruções mais detalhadas de onde seria a estação. Para as atrações de Munique veja http://www.destinomunique.com.br/category/ponto-turistico, http://muniqueturismo.tumblr.com e http://www.imagensviagens.com/munique.htm. Os pontos de que mais gostei foram as casas e construções típicas :'>, incluindo as igrejas, prédios públicos e estação :'>, os monumentos , os parques verdes , um dos quais com macieiras com frutos maduros para se comer, o Parque Olímpico , com todas as suas instalações para esportes, a área verde no entorno do rio e a exposição de carros da BMW :'>, vários dos quais eu nunca tinha visto. Após descer na estação central fui dar uma primeira volta na cidade, motivado pelos monumentos e construções que me chamaram atenção e dirigido por um guia de bolso que havia levado. Quando estava numa rua um pouco mais deserta vi aparentemente razoável quantidade de sangue no chão, não empoçado, mas espalhado. Já eram perto de 9 horas e fui avisar um profissional de socorro, talvez um bombeiro, que quando voltou comigo para ver o que era disse "É sangue fresco". Depois de deixá-lo verificando a situação, enquanto conhecia pontos próximos à estação ferroviária central, ouvi pessoas falando em português com sotaque do Brasil. Após visitar as construções, monumentos e igrejas, fui visitar um parque na área central. Chamou-me a atenção a temperatura estar por volta de 20 C perto de 14 hs, o que achei baixo para o verão (pelo menos para o nosso ). Depois de almoçar no Subway e visitar alguns outros pontos e monumentos, fui dar uma volta no entorno do rio, com sua enorme e bela área verde. Por fim voltei ao aeroporto para pegar o avião para a Índia. Cheguei em Nova Déli bem cedo na 2.a feira 25/8, fiz os trâmites da imigração, troquei US$ 400,00 por rúpias no Banco do Estado da Índia (https://www.sbi.co.in), fui até o guichê dos táxis particulares, com quem havia tido problemas em 1999, só para rever se continuavam lá , tomei um ônibus para a área central, que já conhecia de 1999, chamada Connaught Place, onde sabia que havia o escritório de turismo do governo e locais baratos para ficar hospedado. Em 1999 havia pego um táxi no aeroporto durante a madrugada e entrei numa grande encrenca. Desta vez fui de ônibus durante o dia e tudo correu bem. Fiquei hospedado perto da Praça de Connaught Place e fui ao escritório de turismo do governo para obter informações. No caminho um homem abordou-me convidando-me para ir ao seu escritório de turismo e dizendo que era do governo. Eu, que já conhecia esta história da outra viagem, agradeci, sorri para a sua insistência, e continuei na procura do verdadeiro escritório governamental. Lá a atendente deu-me informações sobre as montanhas, deu-me folhetos sobre o itinerário e me falou para não ir a Caxemira (devido aos problemas de terrorismo). Com as informações fui até a estação de trem. No caminho encontrei uma moça turca, e começamos a conversar enquanto andávamos na mesma direção. Quando ela disse ser turca, eu lhe disse que havia sido padrinho de casamento de Carlos Zimmermann e Camila, que haviam passado parte de sua lua de mel na Turquia, incluindo uma visita ao local do final de existência de Maria, mãe de Jesus, que ela disse ser seu povoado de origem. Ao se despedir perguntou-me se já havia estado na estação e me falou que a estação era muito tumultuada. Na estação pedi informações no setor de atendimento a estrangeiros e, quando o atendente me deu uma informação diferente da que havia visto no mural, levantei e fui revê-la no mural. Quando voltei ele estava irritado e me perguntou se achava que ele era mentiroso. Fiquei sem jeito. Comprei uma passagem para Haridwar, na classe mais barata que havia com direito a assento, conforme orientado pelo atendente. Depois ainda fui dar uma passeio na praça central, minha conhecida, fiquei contemplando alguns de seus pontos, dei uma pequena volta pelo miolo central de Connaught Place e pesquisei alguns preços. Como já conhecia Nova Déli de 1999 não era meu objetivo revisitá-la, mas apenas rever os pontos de que mais havia gostado e conhecer alguns outros específicos. Para as atrações de Nova Déli veja http://www.360meridianos.com/2012/06/o-que-fazer-em-nova-delhi-india.html, http://viagem.uol.com.br/guia/india/nova-deli/o-que-fazer/index.htm e http://www.ci.com.br/guia-mundo/paises/india/cidades/nova-deli. Os pontos de que mais gostei, incluindo ambas as viagens, foram poder ver os costumes indianos (animais, roupas, modo de ser, etc.) , os templos , contruções :'>, monumentos :'>, parques :'>, o Portão da Índia :'>, o Templo Flor de Lótus , o Memorial de Gandhi e um local de oração com uma magnífica enorme estátua de Shiva (provavelmente em mármore branco), com uma cobra em sua cabeça por onde saía uma torrente de água ::otemo::. Aproveitei a curta estadia em Déli e cortei o cabelo por Rs 20,00 (20 rúpias), o que acho que dava um pouco menos de 1 real. Na 3.a feira 26/8, ainda dei um passeio por alguns pontos nos arredores do hotel pela manhã, comprei água mineral e algumas bananas. No almoço um indiano sentou-se comigo e começamos a conversar. Depois de um pouco de conversa disse sobre mim "Um homem simples, uma comida simples, ...". e eu completei "uma vida simples". No início da tarde peguei o trem e durante a viagem conheci um italiano, chamado Emiliano, que se surpreendeu com a minha idade (na época 39), achando que eu aparentava cerca de 25 a 29, e com quem fui procurar hotel para ficar. Ele falou que achava que estava gastando muito e, como eu disse que sempre procurava locais baratos, ele resolveu ir comigo. Durante a procura muitas pessoas ofereciam-nos serviços ou bens e eu respondia "dhaniavad" (obrigado), o que os fazia desistir. Emiliano chamou-as de "as palavras mágicas". Logo começou a chover forte e nos abrigamos em um hotel. Emiliano falou que sempre tinha desejado ter uma experiência com as monções. Achamos um hotel por Rs 200,00 (200 rúpias) e ele ficou satisfeito, pois era bem mais barato do que os em que havia estado. Mas eu ainda fui procurar por opções mais baratas sem sucesso. Voltei e fiquei hospedado no mesmo hotel dele. Depois fui dar um pequeno passeio na cidade, obter informações turísticas, comprar alimentos e jantar. Ao saber dos preços, o atendente do hotel disse que eu havia pago o dobro do preço que ele pagava por uma maça. Emiliano riu e disse que, sendo estrangeiros, não iríamos conseguir os mesmos preços dos nativos. Para as atrações de Haridwar veja https://en.wikipedia.org/wiki/Haridwar e http://wikitravel.org/en/Haridwar. Os pontos de que mais gostei foram as cerimônias no Rio Ganges ::otemo::, os templos e a enorme estátua de Shiva . Durante passeios em Haridwar num dos dias fiz um rasgo em minha camisa num arame farpado. Durante a noite descobri que o hotel, que pela aparência era razoável, tinha pulgas na cama. Isso me incomodou durante a noite, mas não inviabilizou meu sono, principalmente depois que eu dei uma limpada geral no colchão e nos lençóis. Na 4.a feira 27/8, após tentar obter informações de como ir para as montanhas, pude visitar amplamente a cidade e fiquei bastante tempo na orla, visitando os inúmeros templos e assistindo as cerimônias. À noite, com a iluminação artificial, o fogo e as velas, pude assistir o ritual de colocar pequenos flutuantes com velas e flores para descer o rio (http://goindia.about.com/od/spiritualplaces/ss/Ganga-Aarti-In-India.htm) . Achei magnífica a cerimônia visualmente e espiritualmente. Pareciam muitos pontos luminosos descendo o rio e as margens estavam iluminadas por tochas e pela iluminação pública (https://www.google.com.br/search?q=haridwar&es_sm=122&biw=1366&bih=681&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0CAYQ_AUoAWoVChMIiuONmK64yAIVySKQCh0jWAes#tbm=isch&q=candle+ganga+haridwar&imgrc=5SknKwFJtvN0uM%3A e https://www.google.com.br/search?q=haridwar&es_sm=122&biw=1366&bih=681&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0CAYQ_AUoAWoVChMIiuONmK64yAIVySKQCh0jWAes#tbm=isch&q=candle+ganga+haridwar&imgrc=eRnQbORs40OvWM%3A) . Falei com o atendente do hotel que havia pulgas na cama, achando que ele iria tomar uma providência. Mas ele apenas me deu um lençol novo sorrindo. Eu me decepcionei, mas resolvi não perder tempo procurando por outro hotel. De qualquer modo a noite foi bem melhor, pois sabendo das pulgas, fiz uma limpeza prévia e tomei precauções, o que praticamente as eliminou. Na 5.a feira 28/8 fui passear por um outro lado da cidade. No meio do dia voltei ao hotel e reencontrei Emiliano, que não via desde 2 dias antes, quando havíamos chegado. Ele havia passado mal do estômago e ficado em repouso. Houve nova chuva e parte do teto do hotel abriu-se, bem no quarto em que eu estava. O dono ofereceu-se para me mudar de quarto, mas eu procurei causar o mínimo de incômodo para ele, pois ele já havia tido prejuízos. Na 6.a feira 29/8, após dar uma passeio final pela cidade, apreciar a enorme estátua de Shiva, despedi-me de Emiliano, feliz por vê-lo bem melhor, e peguei um ônibus para Rishikesh. Lá fiquei hospedado num hotel afastado 2 Km da região central por Rs 200,00, que ficava às margens do rio, de frente para uma reserva florestal na outra margem. O proprietário tinha vivido na Itália e conseguia compreender um pouco de português, tanto que quando falei das pulgas do hotel anterior ele entendeu a palavra pulga, que eu não sabia em inglês. Até brincou dizendo que poderia comprar algumas se eu quisesse. Para as atrações de Rishikesh veja http://wikitravel.org/en/Rishikesh, https://www.lonelyplanet.com/india/uttarakhand-uttaranchal/rishikesh, http://www.euttaranchal.com/tourism/rishikesh.php e http://www.haridwarrishikeshtourism.com/rishikesh.html. Os pontos de que mais gostei foram as cerimônias no Rio Ganges , as pontes, os templos (principalmente os dos prédios) e a área verde :'>. Se bem me lembro, ainda não existia a estátua de Shiva sentado que construíram depois. Nos 2 dias e meio que fiquei lá fui conhecer os templos, tanto os térreos como os em edifícios, as pontes, o Rio Ganges, os Ghats (degraus ritualísticos na beira do rio) e alguns ashrams, incluindo atividades de meditação e yoga que alguns disponibilizavam. Num dos dias, quando voltava da visita em direção ao hotel, passei por duas mulheres com saris, que começaram a voar com o vento. Uma vaca, que estava atrás delas, ao ver os véus voando, ameaçou dar-lhes uma cabeçada. Tentei espantar a vaca e ela foi embora. Perguntei à mulher se ela estava bem, mas ela não conseguia parar de rir (acho que pela vaca e por eu falar em inglês com ela). Conheci um português no hotel que estava um pouco debilitado, e ficava boa parte do tempo em seu quarto, recuperando-se. Ele me falou das viagens para as montanhas. Disse-me que tinha ido até Joshimat e que não tinha tido coragem de ir além, pois as estradas eram precárias e estreitas. Nas palavras dele "faziam passar 2 ônibus (quando se cruzavam) num local em que nem dava para passar 1". No domingo 31/8, meu último dia lá, quando estava me trocando e escovando os dentes chegou uma mulher (de uns 40 a 50 anos) para ver se ficava no hotel e acho que se assustou com a cena e foi embora quase correndo. Não consegui ver nenhum veado na reserva, o que o dono do hotel disse que talvez pudesse, na beira do rio tomando água, pela manhã ou entardecer. Depois de tomar café e passear um pouco ainda, fui para a estação de ônibus para seguir para Kedarnath, pretendendo passar por Gaurikund. Peguei um ônibus que me levou até Rudra Prayag. A estrada foi estreita e sinuosa com precipícios. Em Rudra Prayag precisava pegar um outro transporte (ônibus, jipe ou algum outro) até Gaurikund, mas só havia lotação naquele momento. Um homem tentou ajudar-me, mas como o preço era maior do que o do ônibus, optei por conhecer a cidade e passar a noite lá, pegando o ônibus no dia seguinte. A cidade pareceu-me pequena, com típico modo de vida indiano. Nela havia um dos 5 locais de confluência dos rios Alakananda e Bhagirathi, que formavam o Ganges. Havia um templo com uma escada que levava a um local privilegiado de observação da confluência, na beira dos rios, porém com correnteza bem forte. Fui até lá e fiquei observando e contemplando por bastante templo. Nisso chegou uma família e um rapaz tirou os calçados e colocou pés e pernas nos rios. Perguntei a uma mulher, que parecia ser sua mãe se não era perigoso e ela respondeu que era muito perigoso com a fisionomia carregada . Na 2.a feira 1/9 peguei um ônibus que me levou até Gaurikund. A estrada era mais estreita e mais sinuosa com precipícios ainda maiores. Em Gaurikund a altitude era de quase 2 mil metros, mas não senti nenhum incômodo com falta de ar. Havia farmácias que tinham oxigênio para quem precisasse, uma novidade para mim que não tinha visto em outros locais mais altos. Conheci um rapaz indiano que me recebeu muito bem e deu informações sobre o local. Depois fui dar um passeio, conhecer o povoado, incluindo o templo, a pequena caverna, apreciar a paisagem montanhosa, o rio e a vegetação. Conheci um garoto que queria conversar bastante. Depois de algum tempo disse-lhe que era hora de ir embora, mas ele queria continuar conversando sobre o ocidente e estrangeiros. Tentei despedir-me delicadamente e parti. Parei um pouco a frente para meditar, mas acho que ele me seguiu e, vendo que eu havia parado, pediu que eu fosse embora. Acho que ficou chateado. No caminho de volta ao povoado, no entardecer, vi um carro caído na margem do rio. Havia muita gente na estrada vendo o ocorrido. Encontrei o rapaz que me havia recebido muito bem, perguntei se as pessoas do carro estavam bem e ele me disse que sim. Não havia água totalmente quente e a temperatura era razoavelmente baixa. O chuveiro não esquentava muito, mas mesmo assim tomei um meio banho. Jantei um chow mein, que apesar de saboroso e não estar ardido, mostrou-se desastroso no dia seguinte. Na 3.a feira 2/9 peguei a estrada para Kedarnath. O caminho precisava ser feito a pé, pois a estrada basicamente era um grande escadaria. Eram cerca de 16 Km de extensão e 1500 m de subida . Havia pessoas que eram carregadas em uma espécie de liteira. Havia pessoas velhas, com problemas de mobilidade, mas acho que havia outras que eram ricas e optavam por este serviço. Sinceramente fiquei chocado de ver quatro homens carregando uma liteira (que imagino ser pesada) naquele caminho, principalmente para pessoas que não precisavam, mas de qualquer forma não deixava de ser uma fonte de renda para eles, embora eu achasse muito sacrificante. O caminho me pareceu muito belo e peguei água em alguns pontos, que parecia limpa, apesar de fria. Já perto do fim, deu-me um desarranjo intestinal, provavelmente fruto do jantar e tive que rapidamente achar um canto para fazer cocô, senão teria saído na calça. Tive sorte por estar num local deserto. Como estava totalmente despreparado, acabei precisando usar várias folhas para me limpar. Cheguei no meio da tarde, achei um local para ficar e fui conhecer o povoado. No entardecer subi numa montanha próxima para ver o pôr do sol. Lá encontrei um agricultor no fim do dia de trabalho. Mesmo sem falar sua língua, pelo olhar pudemos conversar sobre a beleza e a espiritualidade daquele espetáculo da Natureza. Depois dele se despedir de mim, de contemplar e meditar, desci e fui jantar. No hotel em que fiquei não havia chuveiro quente e a temperatura era ainda mais baixa, menor do que 10 C e às vezes chegando a perto de 0 C. Era necessário pedir para esquentar uma panela de água no fogo. Eu estava me portando de modo indolente diante destes banhos nesta temperatura, que contrastava com o forno que tinha pego em Déli, Haridwar e Rishikesh. Para as atrações de Kedarnath veja http://wikitravel.org/en/Kedarnath, http://uttarakhandtourism.gov.in/utdb/?q=kedarnath, http://www.mapsofindia.com/uttarakhand/travel-to-kedarnath.html e http://www.holidify.com/places/kedarnath. Os pontos de que mais gostei foram o templo, as paisagens naturais ::otemo::, principalmente das montanhas e Vasuki Tal . Na 4.a feira 3/9 eu decidi ir a Vasuki Tal (http://bedupako.wikifoundry.com/page/Vasuki+Tal), um lago no topo de uma montanha nevada alta, local de peregrinação, a 8 Km da distância e cerca de 4200 metros de altitude. Não havia indicações na trilha e me disseram para ir subindo e procurar a entrada lá em cima. Quando subi a primeira parte da montanha, achei uma área quase plana com muitas possibilidades de caminho. Procurei alguma entrada, mas não cheguei a conclusão nenhuma. Vi uma possível trilha, nela segui, mas desisti, pois achei que não era a correta. Resolvi voltar para ver se encontrava alguém (até ali, em mais de 1 hora, não havia visto ninguém). Estava pessimista quanto a encontrar a trilha com sucesso. Porém, quando voltei para o início da área plana, encontrei 4 camponeses ou pastores sentados reunidos conversando. Fiquei surpreso de estarem ali e perguntei por Vasukki Tal. Indicaram-me o caminho, que era muito próximo ao que havia tentado e desistido. Segui o que disseram e encontrei uma entrada lá na frente que deu acesso à próxima parte da trilha. Segui em frente e cheguei a uma elevação, uma passagem entre montanhas, que após passada, permitia ver o lago. Pareceu-me que a trilha estava desaparecendo e resolvi, por via das dúvidas, marcar um ponto na montanha, caso eu perdesse a trilha. Desci pelo meio das pedras e percebi que havia uma trilha, não muito fácil de identificar. Achei a paisagem magnífica , o lago, a montanha, a vista lá de cima, todo o ambiente natural. Para minha surpresa novamente, havia um grupo de 3 pessoas lá apreciando o ambiente. Pareciam turistas. Fui dar uma volta no lago. Estava com ligeira dor de cabeça, provavelmente devido à altitude e talvez à hipoglicemia (havia comido pouco no café da manhã) e pressão baixa. Mas isso não me impediu de apreciar e desfrutar muito do ambiente. Fui dar uma volta no lago. Parei a 1/4 para meditar, subindo numa elevação e apreciando sua superfície e a paisagem ao redor. Após ficar um tempo meditando, andei mais um pouco e cheguei à metade. Caí em meditação novamente. De repente ouvi o grupo de pessoas me chamando e fazendo gestos para irmos, apontando para trás de mim, o que parecia ser uma tempestade se aproximando. Estava tão feliz meditando que lhes disse que iria depois. Eles se foram e eu continuei meditando. Assim que acabei de meditar fui dar a volta no que faltava do lago e aí me dei conta do tamanho da tempestade que vinha . Resolvi então lentamente voltar, porém, ao começar a andar, percebi que estava mole, provavelmente devido aos fatores que citei anteriormente, agora acentuados. Quando estava quase no fim da margem do lago, perto de retomar à trilha para voltar começou a nevar bem fraco. Porém, repentinamente a neve foi engrossando e rapidamente ficou média e forte. Passei a ter hipotermia leve também , pois não estava preparado para aquilo, apesar de agasalhado. A neve cobriu a trilha e agora eu não conseguia visualizar por onde ela ia. Eu achei que a situação estava se complicando, pois não conseguiria passar a noite lá em cima, com temperatura talvez caindo a menos de -20 C. Minha roupa só aguentava até -5 C. Por outro lado, sem a trilha, andar por uma montanha nevada, cheia de pedras cortantes, não era um boa escolha e eu poderia escorregar, cair, machucar-me muito e até quebrar um membro. Mas a situação ainda não era desesperadora. Foi quando caiu um raio bem perto de mim . Aí realmente eu achei que a situação havia saído de controle e que talvez eu não sobrevivesse. Pensei nas várias faces da minha vida. Tive até saudade do trabalho . Mas conversei com Deus para que o curso dos fatos seguisse o seu destino, independentemente de mim. Se tivesse que ser minha morte, que assim fosse. Ali era um pára raios natural e ficar seria temerário. Tentar voltar para o lago e me esconder em algum ponto provavelmente inviabilizaria que eu tentasse descer mais tarde, pois a neve cobriria todo o caminho com a intensidade que estava e eu, fraco do jeito que estava, não conseguiria ficar andando para lá e para cá. Tentar ir em frente seria muito arriscado, principalmente sem a trilha, além do que mais para frente existiam precipícios altos, que em caso de queda, provavelmente seriam a morte. E a neve tornava o caminho muito mais escorregadio, ainda mais com um tênis de pano como o meu. Decidi ir em frente, mesmo sem a trilha e arriscar. Fui em direção ao ponto que havia marcado na vinda. Depois de alguns escorregões e arranhões andando por cima da neve pelas rochas , achei a trilha, o que muito me alegrou . Segui-a sem cair mais e bem mais rapidamente do que andando fora dela. Quando cheguei ao ponto mais alto, a elevação onde ficava a passagem pela qual havia vindo, achei que estava muito fraco e tonto, e tive que tomar uma decisão difícil. Ir em frente assim mesmo e correr o risco de queda na trilha estreita lateral à montanha, lisa com a neve, com precipícios que variavam de alguns metros a centenas de metros, ou ficar ali por algum tempo para tentar minimamente recuperar as forças e depois descer. Ali era o pior lugar possível para eu parar, pois como ponto mais alto, era o local natural de queda dos raios. Decidi arriscar e parar, pois se caísse, mesmo que fosse num trecho não muito alto, e quebrasse uma perna, acho que não conseguiria descer toda a montanha. Fiquei cerca de 5 minutos respirando profundamente, o que melhorou consideravelmente minha tontura e fez retornar boa parte das minhas forças. Poucos segundos após eu pensar que era hora de ir, pois já tinha tido muita "sorte", caiu um raio muito perto . Não deu nem para contar os segundos entre o clarão e o barulho (não chegou a 1 segundo). Esperei uns poucos segundos para não er atingido por alguma descarga secundária, levantei e rapidamente comecei a descer, sem correr, mas andando o mais rápido que eu podia. Senti que a nevasca tinha piorado bastante fora da proteção das rochas da passagem. A cada cerca de 30 segundos eu precisava virar o guarda-chuva, pois ele ficava carregado de neve. Mas consegui ir, percebi os raios se afastando (na realidade mais eu me afastando deles), passei por uma segunda passagem, mas agora já bem mais distante dos raios e comecei a descida mais íngreme, no meio da qual a nevasca, agora muito mais forte, porque estava na encosta descoberta da montanha, com enorme ventania, transformou-se em chuva. Cheguei lá embaixo feliz porque estava vivo ! O céu estava bem encoberto. Fui tomar banho. Pedi o panelão com água quente e tomei banho cantando. estava tão feliz por ter conseguido descer que nem me importei mais com o frio. No final virei o panelão com parte de água fria mesmo e nem me importei ! Depois de almoçar no meio da tarde e esperar a chuva parar ainda subi na mesma montanha do dia anterior, que ficava próxima à cidade e o céu estava voltando a ficar sem nuvens e exibir seu espetáculo magistral de pôr do sol. Nem parecia que havia existido uma nevasca. Na 5.a feira 4/9, ainda passeei um pouco pela cidade e seus arredores, conheci um indiano que era engenheiro de computação em Bengalore e estava fazendo uma viagem espiritual à região e fui visitar o templo, que tinha estado fechado boa parte dos dias e horários anteriores em que eu estava no povoado. Ainda pensei em doar um cobertor para um sadu que me havia pedido desde a noite anterior, mas aí vi que ele já tinha um cobertor e queria doação de dinheiro para comprar lenha ou algo semelhante. Sempre tenho reservas a dar dinheiro e acabei ficando sem doar. À tarde retornei para Gaurikund a pé. Lá passei a noite. Na 6.a feira 5/9, um rapaz indiano, aparentemente aleijado, pois ficava no chão, que sabia falar inglês muito bem, ajudou-me com informações sobre ônibus e rotas. Outros viajantes estrangeiros, ao me verem falando com ele, creio que perderam a desconfiança e também passaram a falar com ele. Revi o rapaz indiano que me havia pedido para sair dos arredores de sua casa dias antes, no escritório de ônibus provavelmente de seu pai. Cerca de 6 horas da manhã, peguei um ônibus com direção a Badrinath. Precisei passar antes por Rudra Prayag novamente (que era um ponto de confluência e integração) e depois por Joshimat, onde não fiquei, apenas dei uma rápida olhada. No fim do dia cheguei em Badrinath, onde fiquei hospedado num hotel ao lado da rodoviária. Deixei algumas roupas para lavar com eles, incluindo uma camisa social com gola e botões que havia levado para visitar o Paquistão (Lahore) e parecer com um local. Para as atrações de Badrinath veja http://www.euttaranchal.com/tourism/badrinath.php, http://uttarakhandtourism.gov.in/utdb/?q=badrinath, http://wikitravel.org/en/Badrinath e https://www.kannadigaworld.com/special/dream-destinations/10813.html. Os pontos de que mais gostei foram os templos :'>, as paisagens naturais , as cavernas , os rios e a vista de pessoas retiradas do mundo vivendo nas montanhas com simplicidade e espiritualidade . Nos quase 2 dias que estive em Badrinath visitei o templo principal e alguns menores nas montanhas, passei por cavernas históricas ligadas ao Mahabarata, com registros de 5 mil anos atrás, apreciei a paisagem natural, principalmente montanhas, rios, cachoeiras, cascatas, represas (ou lagos), gargantas e vegetação, vi sadus vivendo no meio das montanhas, só com a roupa do corpo, preparando shapati (semelhante a pão árabe, típico da Índia), conheci a última vila da Índia antes da China (Tibet), onde havia uma inscrição numa Casa de Chá que dizia "A Última Casa de Chá da Índia". Quando voltava da vila, vi uma cerimônia ritualística, uma espécie de procissão, com sacerdotes paramentados, muitas pessoas seguindo e altares com images. Sem querer, num dos trechos fiquei bem no caminho dela, numa passagem estreita, e um dos sacerdotes ficou muito bravo comigo, mas depois percebeu que eu somente um visitante desnorteado. Em outra ocasião, enquanto caminhava por trilhas na vegetação, conheci um oficial (parecia um coronel) do exército, que falando bem inglês, conversou um pouco comigo sobre a região e a cultura, também querendo saber sobre minhas origens. Quando voltei ao hotel, o dono estava muito bravo, pois eu saí de manhã sem pagar, pois ele não estava (talvez estivesse dormindo ou ausente). Falou muita coisa nervosamente em sua língua e eu nada entendi, mas captei a mensagem de que ele estava descontente. Tentei explicar em inglês, mas não adiantou. Paguei-o e ele serenou alguns instantes depois. Perguntei-lhe sobre minhas roupas e ele disse que ainda não estavam secas. Na manhã seguinte, antes de sair perguntei pelas minhas roupas e eles foram pegar. Algumas ainda estavam úmidas e a camisa social, que havia sujado anteriormente devido à mala pegar um pouco de chuva, neve ou ficar em local úmido com terra, tinha uma enorme marca bem nos primeiros botões, talvez devido a uso inadequado de ferro de passar ou de alguma técnica de lavar. Fui até ele, mostrei-lhe, perguntei como poderia resolver aquilo e pensei comigo que ele havia feito um escândalo somente porque eu atrasei algumas horas para pagar as diárias e agora tinha destruído uma camisa que custava bem mais que as 2 diárias, sendo que perder a camisa não era o principal, mas sim ficar sem uma camisa adequada para ir ao Paquistão. Mas tudo bem, resolvi deixar para lá e me contentar com a tentativa inútil dele de pedir para sua empregada fazer algum procedimento para resolver o problema. Era domingo 7/9 e peguei um ônibus para Ghangaria. Nele conheci Cesar, um espanhol que estava viajando pela região, formado em História. Ele viajava há alguns meses e nem sabia que era domingo, pois para ele não fazia diferença. Enquanto conversávamos dentro do ônibus, ele me perguntou sobre o meu itinerário e eu citei minha intenção de ir a Lahore no Paquistão. Ele me disse que os passageiros indianos ao lado haviam ficado aborrecidos ao ouvir a palavra Paquistão, que tem sonoridade inconfundível, e que não conversavam mais com ele. Sugeriu-me para tomar cuidado, pois havia uma guerra entre os dois países. os passageiros, não entendendo a nossa língua (estávamos conversando em portunhol) poderiam ficar mais preocupados ainda, imaginando coisas. Algum tempo depois o ônibus parou. A estrada estava bloqueada devido a um deslizamento de terra. Depois de esperar algum tempo, desci e fui lá ver. Na parte mais crítica, havia um lodo na estrada e era necessário passar por elevações ou rochas para não emporcalhar os calçados. Numa delas, um militar (aparentemente um oficial) ficou irritado porque eu estava demorando a passar. Foi aí que percebi o risco real da situação , pois aquela montanha poderia estar instável e voltar a desabar a qualquer momento. Voltei ao ônibus, avisei que iria andar a pé o restante do caminho até a entrada da trilha para Ghangaria, e fui. Foram alguns quilômetros na estrada, entrei na trilha em Govindghat e depois caminhei mais cerca de 12 km na trilha até o povoado. Lá pesquisei alguns hotéis, escolhi um e fui dar um passeio pelo povoado, onde pude ver bem próxima uma magnífica cachoeira, com uma paisagem de montanhas espetacular ao fundo . Um inglês perguntou porque eu não havia trazido minha namorada e ficou espantado quando disse que não tinha uma. Depois perguntou se era caro vir ao Brasil e achou barato quando lhe falei que o mais caro provavelmente seria o preço da passagem aérea. Para as atrações de Ghangaria veja http://www.euttaranchal.com/tourism/ghangharia.php, https://www.goibibo.com/travel-guide/india/destination-ghangaria/ e https://www.tripoto.com/travel-guide/ghangaria. Os pontos de que mais gostei foram Hemkund Sahib , o Vale das Flores e a magnífica paisagem natural, principalmente a grande cachoeira e as montanhas . Nos quase 2 dias que fiquei lá, passei bastante tempo admirando a cachoeira que conheci logo no início, fui ao local de peregrinação Sikh Kemfund Sahib (https://en.wikipedia.org/wiki/Hemkund), ao Vale das Flores e aos pontos de interesse religioso do povoado, sempre aproveitando para apreciar a paisagem natural no caminho. Alguns visitantes estrangeiros contaram-me admirados como os peregrinos sikhs subiram a trilha para Hemkund Sahib com chinelos num dia que estava nevando. A vista lá de cima era maravilhosa e os locais religiosos também . Os sikhs acolhiam muito bem os visitantes, mesmo não sendo da sua religião. Quando fui ao Parque Nacional do Vale das Flores, também admirei muito a paisagem do caminho e encontrei Cesar voltando com uma amiga quando eu estava indo. As flores e as formações rochosas pareceram-me muito belas :'>. Num determinado ponto vi um pequeno urso , que ao me ver saiu correndo. Aí fiquei um pouco preocupado e peguei algumas pedras para o caso de encontrar algum outro que resolvesse me atacar, o que teria eficiência altamente duvidosa. Numa das noites encontrei uma médica inglesa de férias que já havia estado no Brasil a passeio e conversamos por algum tempo. Na última noite reencontrei Cesar e jantamos juntos. Ele falou das perspectivas para seu futuro, como havia desistido de ir para os Estados Unidos depois de ser entrevistado para ser professor em alguma área problemática e o entrevistador lhe perguntar como ele se imporia frente a alunos rebeldes (provavelmente uma realidade distante do seu meio europeu). No fim da noite encontramos amigos deles de origem indiana radicados no Canadá que estavam de férias e conversamos sobre nossas experiências de viagem. Eu ainda estava tentando descobrir como ir a Tabo diretamente, sem ter que voltar e passar por Rishikesh. Na 3.a feira 9/9, após o café, peguei a trilha de volta e fui até Govindghat (https://en.wikipedia.org/wiki/Govindghat), o povoado de entroncamento com a estrada. Lá havia um grande templo Sikh e eu fui visitar. Pude falar com um guru e lhe perguntar melhor sobre os sikhs, que eu conhecia superficialmente. Ele me explicou os princípios básicos da religião Sikh e sua história, como a igualdade entre as pessoas, sem castas nem distinção de direitos entre sexos, o Deus único, o vegetarianismo, não cortar cabelos, o uso da adaga, os gurus e o Livro Sagrado. Como sempre receberam-me muito bem , com grande hospitalidade e ofertando comida, que educadamente recusei. Depois de algumas horas lá, agradeci-lhes, despedi-me e fui para a estrada para pegar um ônibus. Como havia ficado bastante tempo lá, resolvi passar a noite em Joshimat e pegar o ônibus para Rishikesh no dia seguinte, com destino final a Shimla. Assim pude aproveitar e dar um pequeno passeio em Joshimat, de que gostei, conhecendo seus templo e o povoado. Era bem maior do que os outros, mas não tinha as vistas tão espetaculares, pois ficava em altitude bem menor. Na 4.a feira 10/9, após o café da manhã peguei um ônibus para Rishikesh e só cheguei no fim da tarde devido à baixa velocidade nas rodovias. Em Rishikesh peguei outro ônibus para Dehradun, em que cheguei já perto de 8 ou 9 horas da noite. Lá, com preços acima dos das localidades anteriores, principalmente porque o assistente do motorista do ônibus sugeriu que eu ficasse numa área de hotéis caros, demorei algum tempo para encontrar um local para dormir por um preço que achasse aceitável. Depois de consegui-lo ainda saí para jantar e depois voltei para dormir. Na 5.a feira 11/9, logo de manhã peguei um ônibus para Shimla. O caminho foi bonito com a subida das montanhas. Cheguei lá no início da tarde. Hospedei-me perto do centro. Quando procurava pelo hotel mais barato, um rapaz (provavelmente associado a um hotel ou que recebia algum tipo de comissão de um) ofereceu-me uma vaga por um determinado preço, mas como eu recusei, fez-me um gesto obsceno. Uma das minhas calças estava descosturando atrás na coxa e uma viajante alemã avisou-me. Para as atrações de Shimla veja http://wikitravel.org/en/Shimla, http://hpshimla.nic.in/sml_tourism.htm e http://www.holidify.com/places/shimla/sightseeing-and-things-to-do.html. Eu gostei muito de Shimla . Os pontos de que mais gostei foram a multiplicidade religiosa , com templos de várias religiões , as paisagens naturais e a arquitetura preservada da época do domínio britânico :'>. Logo de início na 6.a feira 12/9 fui até o órgão governamental responsável por dar autorização especial de viagem para quem vai a Tabo, inicialmente o ponto principal da minha viagem. Conversei com os funcionários e, apresentando todos os documentos e pagando a taxa, concederam-me a autorização, que era necessária por se tratar de área de fronteira e haver tido problemas no passado (e talvez até hoje) com a China. O aparente chefe da repartição, após me receber em seu gabinete, caçoou de mim perguntando se o meu chinelo era local adequado para ter a bandeira do meu país, mostrando que a bandeira da Índia ficava em destaque na sua mesa. Bem, foi o fabricante do chinelo que a pôs lá, além do que servia para identificar que eu era brasileiro. Nos quase 4 dias que lá fiquei, pude visitar vários templos, sendo interessante como havia templos cristãos, fato que não é comum nesta área da Índia. Em especial gostei muito de uma visita a um templo hindu no topo de um morro, onde conversei bastante com um brâmane, provavelmente pertencente àquele templo. Quando me viu ele me ofereceu almoço, o que educadamente recusei, e começamos a conversar sobre a religião hindu e a Índia. Aprendi um pouco sobre a mitologia hindu e gostei de ver a visão bastante espiritualizada dele, pois muitos que eu conheci só queriam pedir doações e falar de rituais. Surpreendeu-me ele dizer que achava a influência ocidental benéfica e ser favorável ao fim das castas, pois os brâmanes geralmente são os que mais se beneficiam materialmente da sua existência. Mas achei que ele tinha uma visão bem mais ampla e espiritualizada . Num outro episódio, fui conhecer a cachoeira Chadwick, com sua água gelada. Havia nela um indiano (se bem me lembro de turbante, barba e bigode) nadando e brincando com os vários turistas que lá estavam. Eu então me habilitei a entrar na água, nadei pelo poço e fui até a queda de água. Não fiquei muito porque a água era muito fria, provavelmente vinha em parte de degelo das montanhas. O indiano, quando eu já estava saindo, disse-me sorrindo "Tudo o que você precisa é de um uísque" :lol:. Enquanto eu secava e admirava a paisagem, fiquei sentado na lateral, encostado em algumas pedras, perto de 2 moças da Letônia, cujo nome original eu não sabia (Latvia) e passei vergonha. Depois, quando fui mais a frente para ver a cachoeira mais de perto novamente, percebi que estavam tirando fotos e tentei sair da frente para não atrapalhar, mas disseram que queriam que eu ficasse e me mostraram que já haviam batido algumas fotos comigo na paisagem antes, sem que eu tivesse percebido. Então fiquei quieto e deixei que tirassem mais as fotos que desejassem. Na 2.a feira 15/9 de manhã peguei um ônibus para Tabo. Conheci um rapaz no ônibus que mostrou grande interesse em conversar para conhecer sobre o Ocidente a praticar inglês. Dei-lhe uma cópia do encarte de turismo da Folha de São Paulo para que ele visse as fotos, dizendo-lhe que estava escrito em português. Depois de algum tempo ele me perguntou se aquele "inglês" era americano ou britânico por 2 vezes. Durante este percurso que teve vários trechos, algumas mulheres passaram mal e foram para o último banco, onde eu estava, pedindo para trocar de lugar e ficar na janela, pois estavam passando mal e queriam poder vomitar. No início eu pedi que vomitassem e me deixassem na janela para poder apreciar a paisagem, mas depois resolvi trocar com elas, pois era muito melhor para elas ficarem na janela. Mais para frente saí do último banco, pois percebi que era inviável ficar lá, com tantas mulheres passando mal nas estradas das montanhas. O trajeto foi muito belo. Passou por paisagens montanhosas espetaculares. Alguns chamavam-nas de paisagem lunar. Realmente havia muitos trechos muito secos, em que só havia rochas. Mas havia alguns poucos outros com vegetação e água. Havia vistas espetaculares a partir da estrada, tanto das montanhas altas, como dos vales e desfiladeiros. Passei por vários povoados nos distritos de Shimla, Kinnaur e Lahul & Spiti e cheguei a Tabo no fim da tarde. Lá fiquei hospedado numa espécie de hotel associado ao monastério principal, que me foi apresentada por um monge. Ainda pude dar uma volta rápida para conhecer um pouco do local, chamando-me atenção uma espécie de acampamento de pessoas com traços tibetanos e nepaleses, semelhante ao que conhecemos como acampamento dos sem-terra no Brasil, porém num clima muito mais frio. Conheci uma espanhola que havia conseguido arrecadar fundos e estava fazendo um projeto de aulas e um restaurante associado ao mosteiro. Ela queixou-se de como os monges não lhe davam muito espaço para participar das decisões. Para informações sobre o Estado do Himalaia (Himachal Pradesh) veja http://hptdc.nic.in. Para as atrações de Tabo veja http://www.nativeplanet.com/tabo/ e https://www.lonelyplanet.com/india/himachal-pradesh/tabo. Os pontos de que mais gostei foram o mosteiro ::cool:::'>, uma espécie de jardim em quadras com plantação de macieiras ::cool:::'>, as paisagens naturais do entorno ::cool:::'>, as cavernas ::cool:::'> e a população local ::cool:::'>. Na 3.a feira 16/9 de manhã fui conhecer o mosteiro. Achei interessantes os templos, pinturas, estátuas e monumentos históricos, incluindo thankas (pinturas em tecido). Ao seu redor havia cavernas históricas usadas pelos monges para meditação e práticas religiosas. Um pouco mais a frente havia uma espécie de jardim, com muitas macieiras e várias maças no chão. Fiquei bastante tempo lá apreciando a paisagem, que destoava do resto do trajeto seco até chegar a Tabo. Conversei com o responsável que me deu informações e me disse que não poderia pegar as maças que estavam no chão para comer, pois elas eram do jardim. Depois fui dar um pequeno passeio na região, voltei a passar pelo acampamento, agora indo mais a fundo e vendo como era extenso e chegando depois até perto do rio. Na volta conheci Rhina, a dona de uma dhaba, que na região era uma espécie de lanchonete ou restaurante muito simples, que estava em dificuldades para criar seus filhos e perguntou se eu conseguiria patrocínio para seus filhos serem criados. Tentei falar com os monges, mas não me pareceram sensibilizados (achei até que de certo modo ironizaram o meu tentar falar "obrigado" em hindi). Fui à biblioteca, falei com uma europeia (acho que era belga) que lá estava e ela me disse das dificuldades das pessoas na Índia e que seria difícil conseguir algo específico para ela. Enfatizou que achava as montanhas onde estávamos muito mais saudáveis socialmente do que as áreas baixas, onde achava haver muito mais pobreza (algo com que concordo - imagino que nas montanhas, devido ao clima e meio ambiente, não se consegue sobreviver em pobreza tão extrema). Por fim, antes de ir embora, voltei a passear pelo jardim de macieiras e depois fui lanchar na Dhaba da Rhina, que me fez uma paratha (espécie de pão sírio com batata) caprichada com tamanho dobrado, pela qual decidi pagar-lhe mais do que o preço normal. Ela ficou feliz por eu ter-me importado com ela e ter tentado, apesar de não ter conseguido o que ela havia pedido. Lá também encontrei novamente a espanhola que estava no meio do dia de trabalho e conversamos um pouco. À tarde peguei um ônibus para Kaza. A viagem foi relativamente rápida, com paisagens espetaculares novamente. Passamos em uma vila elevada isolada no alto de uma montanha. Dormi em Kaza e no dia seguinte, 4.a feira 17/9 bem cedo, peguei um ônibus para Keylong. Nem tive tempo de conhecer kaza. Apenas pude apreciar a paisagem da viagem e um pouco da paisagem da cidade à noite e no amanhecer, ainda meio escuro. Quando procurava hotel, achei um bem mais barato, mas que achei que estava um pouco abaixo do aceitável e acho que o dono se ofendeu um pouco comigo, pois achou que pelo preço eu aceitaria aquela hospedagem. A viagem até Keylong demorou o dia inteiro e passou por duas passagens nas montanhas, Kunzum Pass (4.550 m de altitude) e Rohtang Pass (3.990 m de altitude). Em uma delas estava bem frio, com paisagem nevada e forte vento, relembrando-me as áreas mais frias de Kedarnath e Badrinath. As paisagens foram espetaculares ::otemo::. Cheguei à noite em Keylong, hospedei-me num hotel e planejei conhecer a cidade no dia seguinte, mas aí descobri que havia um ônibus que sairia para Leh no dia seguinte de madrugada (ou à meia noite, algo assim), com previsão de chegada na noite do mesmo dia, e resolvi ir e depois voltar para conhecer Keylong, algo que acabou tornando-se inviável. Uma viajante que eu havia conhecido havia recomendado Leh, o que me fez tomar esta decisão. Depois de jantar e antes de dormir achei uma lan house e consegui falar com minha mãe por telefone (se bem me lembro via skype, com uma linha de qualidade precária). Depois de uma noite curta e mal dormida, 5.a feira 18/9 fui para o ônibus que sairia para Leh. Entrei, tomei meu lugar e esperei a saída. O assistente do condutor ofertou-me gentilmente chá ::cool:::'>, que primeiramente recusei, mas depois aceitei. Havia alguns poucos passageiros. Saímos e depois de pouco tempo subiram 2 espanhóis. Logo a seguir paramos e ficamos longo tempo parados. Era a passagem Bara-lacha la (4.890 m), onde a estrada estava totalmente congestionada por caminhões que não conseguiam passar. Acho que alguns estavam encalhados na neve e na lama. Depois de muito tempo, chegamos ao ponto do estrangulamento maior da estrada, em que um caminhão estava meio na estrada e meio no acostamento, que era do lado de um pequeno abismo. O motorista do caminhão, orientando o motorista do ônibus, gritava para que ele viesse. Este por sua vez acelerava bastante para escapar do lodo e da neve, com muito cuidado para não bater no caminhão que estava metade na pista, nem na fila de caminhões na pista contrária. Quando passamos pelo caminhão metade na pista, acho que o ônibus ficou a menos de um palmo dele (quase deu para sentir o espelho retrovisor dele no meu nariz na janela) ::ahhhh::. Em algum momento foi necessário colocar correntes nas rodas do ônibus, pois a estrada estava coberta de neve. A perícia do motorista impressionou-me ::otemo::, pois ele conseguia ir relativamente rápido em pistas estreitas, com muitas curvas, cheias de neve e lodo, ao lado de enormes desfiladeiros. Em vários trechos ele precisou ir e vir várias vezes e manobrar bastante para conseguir passar. Cruzamos duas passagens altas, Nakli La (4.950 m) e Lachalung La (5.065 m). Devido à demora neste trecho e à estrada estar em condições precárias em certos trechos devido à nevasca, atrasamos muito e tivemos que passar a noite em Pang (cerca de 4.650 m), um acampamento de tendas no meio do caminho. Eu não esperava por isto :shock:. Lá não havia casas, apenas barracas de acampamento no meio da neve. Ficamos numa barraca pertencente a 2 mulheres de aproximadamente 30 anos em que já estavam 2 hóspedes americanas de cerca de 50 a 60 anos. Elas gentilmente procuraram encontrar um travesseiro seco para mim, o que não foi fácil, pois quase tudo estava úmido ou molhado. Somente havia sopas prontas, itens semelhantes a pães sírios e biscoitos para comprar. Não havia aquecimento. Disseram que estávamos no meio de uma nevasca e talvez tivéssemos que passar mais um dia ali, talvez mais uma semana. Eu fiquei meio irritado com a situação, pois ninguém tinha me avisado desta possibilidade :shock:. O motorista das americanas percebeu (acho que era parente de alguma das donas da barraca) e me falou que deveríamos agradecê-las por estarem lá. Depois do jantar as americanas deixaram quase toda a sopa no prato sem tomar para ser jogada fora. Eu vi e numa atitude instintiva, mas altamente imprudente, tomei uma colher para evitar desperdício ::putz::. Mas aí pensei que isso poderia ser perigoso, pois nunca se sabe as condições de saúde de ninguém. Uma das donas viu e pareceu achar absurdo, não pelo risco que eu poderia estar correndo, mas porque provavelmente estava deixando de comprar produtos dela devido a isso. Quando alguns já estavam acomodados para dormir, as donas pediram que levantassem, pois havia risco de a neve acumulada no teto da barraca estar muito pesada e colapsar a estrutura, provocando um desabamento. Surgiu a possibilidade de dormir no ônibus, o que os espanhóis me sugeriram para não fazer, pois disseram que na tenda pelo menos havia mais calor. Quando perguntei se poderia, o motorista das americanas, que a esta altura já estava irritado comigo, disse-me sorrindo que eu dormiria no ônibus. Pensei bem e decidi ir mesmo, pois o assistente do motorista do ônibus também dormiria lá. As donas me deram um cobertor para passar a noite. Foi uma noite fria ::Cold::, um pouco mal dormida, mas até que bem razoável, em vista do que poderia ter sido. Na 6.a feira 19/9, após acordar e ir tomar café, fui dar uma volta no acampamento para ver as outras barracas, encontrar outros locais para fazer compras de alimentos e descobrir se havia condições de mudar, caso tivesse que ficar mais dias. Passei por algumas e encontrei uma venda com uma mulher de cerca de 50 a 60 anos, que me atendeu muito bem. Na volta encontrei um dos espanhóis que me disse que iria procurar por outros locais para ficar porque tinha passado mal a noite na barraca. Quando voltei ao ônibus, um indiano que estava fazendo a viagem estava todo encolhido, passando frio ::Cold::, e me disse que não tinha previsto aquela temperatura e não havia trazido roupas para frio. Fui então pedir para uma das donas da barraca um cobertor emprestado para ele, explicando que ele estava passando muito frio, pois não tinha trazido roupas para aquele clima. O rapaz não tinha consumido produtos dela nem dormido em sua tenda. Ela me disse para pegar em outra barraca por alguma razão referente a seus cobertores e porque eu conseguiria facilmente. Isso realmente me irritou. Eu fui até a mulher da venda, que me emprestou prontamente o cobertor e o levei até o rapaz. Na volta perguntei para as donas da barraca quanto era pelo que havia consumido, perguntei se não cobrariam o cobertor que me emprestaram durante a noite nem a água para lavar os pés, ao que responderam que não. Paguei-as pelo jantar e café da manhã. Depois de fazer isso, fui dar mais uma volta nos arredores e vi que haviam feito um boneco de neve (completo e grande) ::cool:::'>, algo que nunca tinha visto ser feito pela população, sem ser pela televisão. O tempo parecia melhorar e disseram que poderíamos sair ainda naquele dia. Quando disseram que realmente iríamos, fui devolver o cobertor para a mulher da venda e aproveitei para comprar alguns biscoitos dela, posto que não desejava comprar mais nada da barraca em que havíamos ficado. Quando voltei, para minha enorme surpresa o ônibus já havia partido ::ahhhh::. Saí correndo atrás dele. Havia um comboio de veículos e eu fui correndo ao lado deles até que o ônibus me viu e parou para eu subir. O assistente do motorista disse-me que sabia que estava faltando alguém :lol: . Embarquei ofegante, mas feliz por estarmos indo. Fomos por um caminho totalmente coberto de neve. Por incrível que pareça começamos a subir. Vi uma manada de cabras da montanha (eu acho, devido aos chifres) pastando (ou tentando) no meio de uma enorme camada de neve e um camponês acompanhando-as. Fiquei pensando como era possível sobreviver num local daqueles :o. Logo mais a frente, parou o comboio. A passagem não era possível no ponto mais alto devido ao lamaçal e à neve. Era Taglang La (5.328 m), dita na placa como a segunda passagem motorizada mais alta do mundo (medições mais acuradas dizem que é a 11.a - http://devilonwheels.com/top-12-highest-motorable-passes-roads-world/). Alguns utilitários Land Rover 4x2 não quiseram tentar passar. Então fomos tentar com o ônibus. Apesar da perícia do motorista não conseguimos. Percebi gestos e palavras dos outros veículos que aparentemente significavam que era absurdo um ônibus tentar passar. Depois eles decidiram tentar e também não conseguiram. Decepcionou-me a enorme possibilidade de termos que voltar e passar a noite em Pang novamente :(. Aí chegou um carro com um militar (parecia ser oficial - talvez coronel). Este provavelmente era 4x4, tentou, patinou bastante, mas conseguiu. Após passar, parou, desceu do carro e fez sinal negativo com a cabeça. Então resolveram tentar trabalhar no trecho pior para tentar viabilizar a passagem. Depois de algum tempo pediram para os utilitários 4x2 tentarem. Eles patinaram, mas conseguiram. Aí fomos nós novamente, patinamos, mas conseguimos também :D. Achei que tínhamos escapado e conseguiríamos chegar a Leh. Começamos a descer e o caminho começou a fluir bem. Porém, de repente, o trânsito parou completamente. Havia um deslizamento de terra à frente, o que inviabilizava totalmente a passagem. Agora a situação era bem pior. Não conseguíamos ir para a frente, por causa do deslizamento, e não sei se conseguiríamos voltar, pois a passagem estava em estado precário :(. Lamentei por somente ter comprado alguns pacotes de biscoito, pois se tivesse que passar a noite ali, provavelmente iria ficar com fome. Abri um pacote, acho que por pura ansiedade. Após cerca de meia hora parados, apareceu do nada uma escavadeira ::otemo::. Todos começaram a rir com aquele fato inesperado, pois não havíamos visto ninguém nem nada trabalhando em nenhum dos outros pontos ruins da estrada. Em poucos minutos a escavadeira limpou e liberou completamente a pista. Atrás dela havia vários trabalhadores com picaretas, britadeira, pás e demais ferramentas. Eles pediram carona no nosso ônibus para ir até um ponto mais a frente. Pensei comigo que estávamos salvos, pois qualquer problema eles tinham ferramentas para resolver, a menos que fosse algo muito grande. Daí para frente o caminho fluiu bem, depois de descermos bastante, já sem neve, deixamos os trabalhadores onde pediram (e a estrada já estava bem razoável neste trecho). Logo a seguir o motorista tirou as correntes dos pneus e depois paramos para um pequeno descanso e lanche para quem quisesse. Fui cumprimentar o motorista pela sua perícia. Disse-lhe com gestos e entonação de voz (posto que não falava inglês), que era talvez o melhor motorista que havia conhecido. Ainda encontramos as americanas numa parada do caminho, comentamos sobre a dificuldade do caminho e a felicidade por termos conseguido. Elas me disseram que não retornariam por Srinagar, pois para elas seria muito perigoso e para mim talvez não fosse tanto. No final da tarde chegamos a Leh, com temperatura bem mais razoável (perto de 15C a 20C). Lá despedi-me dos companheiros de viagem, desejei felicidades aos espanhóis e fui procurar por um hotel. Fiquei na área central turística, porém algumas ruas atrás da principal, onde consegui preço melhor. Para as atrações de Leh veja http://www.leh.nic.in/pages/tourism.html, http://wikitravel.org/en/Leh, https://en.wikivoyage.org/wiki/Leh, https://www.lonelyplanet.com/india/jammu-and-kashmir/leh e https://en.wikipedia.org/wiki/Leh. Gostei bastante daqui ::otemo::. Os pontos de que mais gostei foram a paisagem natural ::otemo::, principalmente as montanhas, os templos ::cool:::'>, a população ::cool:::'> e o santuário de jumentos ::cool:::'>. Fiquei até a 2.a feira à tarde. Neste período fui conhecer os locais naturais, os templos e monastérios (interessante a diversidade religiosa existente aqui), as construções e monumentos históricos, o santuário de jumentos, que fornecia um abrigo para os jumentos velhos ou perdidos, apreciei o pôr do sol do alto de montes em local com vista privilegiada ::cool:::'> e visitei demais pontos de interesse. Aproveitei para meditar em locais isolados nas montanhas e também participei de um mantra em um templo ::otemo::. Num restaurante com comida tibetana em que jantei fui servido pelo filho pequeno dos donos. Após na primeira noite não lhe dar gorjeta extra, por achar que não precisava e por seus pais serem os donos, na 2.a fui atendido pela mãe. Quando perguntei a um muçulmano se poderia entrar para conhecer uma mesquita, ele me perguntou se eu pretendia rezar, ao que respondi que não, apenas visitar. Então ele me disse para não entrar. Anteriormente em outro local, quando havia feito a mesma pergunta a outro muçulmano, ele me perguntou se eu era muçulmano, eu respondi que não, mas que acreditava em Deus, comum a todas as coisas, o que ele completou dizendo o Deus Único, de todos, e me convidou a entrar sorrindo. Originalmente pretendia voltar para Keylong, para conhecê-la e depois passar por Lahore no Paquistão. Mas as condições da estrada inviabilizavam a viagem. Fui me informar no local de onde saíam os ônibus e carros, reencontrei o motorista das americanas, que estava dizendo aos outros turistas que não era possível ir pela estrada e que pegassem um avião para Déli. Como ele provavelmente estava aborrecido comigo pelo ocorrido na viagem de vinda, disse-me que eu não poderia ter privilégios por ser europeu. Não queria ir por Srinagar, por conhecer sua fama de anti ocidentalismo e atentados, mas não quis pagar o preço muito mais alto para voltar para Déli e perder completamente a sequência da viagem, pois sairia totalmente do itinerário. Na 2.a feira, 22/9, à tarde, peguei um jipe de lotação (completamente cheio) para Srinagar. Antes da viagem conheci um passageiro do Camboja, que falava de como achava a Índia atrasada, particularmente em relação aos costumes da população, principalmente sanitários, como fazer necessidades nas ruas. Conheci também um jovem indiano que havia ido para Leh trabalhar no verão e estava voltando para casa desempregado. Os 2 não se deram muito bem durante a viagem, conforme era de se esperar. Viajamos durante a noite toda. Paramos no meio para refeição e banheiro. Fui espremido e foi altamente desconfortável ::dãã2::ãã2::'>. Chegamos a Srinagar na 3.a feira 23/9 de manhã. Eu estava preocupado em não ficar muito em público para não ser alvo de atentado ou hostilidade. Ao chegar tentei rapidamente conseguir um transporte para Jammu, para onde havia decidido ir para conhecer Vaishno Devi (https://www.maavaishnodevi.org). Alguns operadores de turismo local tentaram me convencer a ficar para conhecer a região, mas eu preferi não arriscar e peguei o ônibus para Jammu. Pouco depois do início da viagem o trânsito parou completamente e as pessoas comentaram que poderia ser devido a um atentado ou ataque de terroristas paquistaneses. Fiquei preocupado. Precisava sair do ônibus para fazer xixi, mas ninguém tinha saído. Depois de um tempo, quando algumas poucas pessoas saíram, saí e tive que fazer xixi na estrada escondido atrás da roda do ônibus, com receio de algum atirador no alto das montanhas. Depois que o exército liberou a passagem, o trânsito se normalizou e prosseguimos viagem. Parte do tempo sentei ao lado de um indiano que parecia se sentir bem por estar falando com um estrangeiro ocidental. Parecia querer mostrar isso aos colegas. O motorista parecia-me estar indo muito devagar e achei que iríamos chegar muito tarde. Paramos no meio da tarde para descanso e alimentação. Depois de retomarmos a viagem, o motorista começou a correr amalucadamente. Não sei se ele tomou algo ou percebeu que estava muito atrasado, mas começou a correr mais do que o razoável. Como começou o trecho de serra, cheguei a temer pela nossa segurança ::ahhhh::, mas acabamos chegando sem problemas. Em Jammu, procurei por vários hotéis, posto que os preços pareceram-me maiores do que em localidades anteriores. Numa das últimas tentativas, já cansado, perguntei ao dono, após ele dizer o preço que me interessou, se poderia ver o quarto "May I see" e ele entendeu "A.C." (ar condicionado), ao que respondi de modo um pouco ríspido que não era aquilo. Ele então disse que não tinha vagas, eu fiquei decepcionado por não conseguir e por ter sido rude com ele. Voltei e fiquei num dos hotéis que havia visto logo no começo. Depois de jantar, alguns rapazes indianos quiseram conversar, provavelmente por eu ser estrangeiro. Conversamos um pouco e, sem eu esperar, deram-me o abraço típico de sua cultura, que eu parcialmente rechacei. Depois pensei que não estava bem, pois isto não era uma atitude típica minha. Acho que o cansaço havia me afetado :(. No dia seguinte, 4.a feira, 24/9, fui a Vaishno Devi. Era necessário subir uma longa trilha até chegar lá (várias horas de caminhada - perto de 13 Km ::quilpish::), mas acho que havia outros meios como helicóptero. No caminho vários peregrinos saudavam com "Jai Mata Di" que me disseram ser a citação da trindade (Brahma, Vishnu, Shiva), mas que pode ser interpretado como uma saudação à Deusa Mãe Toda Poderosa. Gostei do trajeto, principalmente da vista lá de baixo a partir das montanhas ::otemo::. Achei os vários pontos de parada interessantes, incluindo templos pequenos, cavernas e paisagens naturais. Para entrar nos templos principais havia muita gente. Fiquei até preocupado, pois se houvesse algum tumulto poderiam morrer pessoas pisoteadas ou esmagadas, como é costume vermos nos noticiários pela TV aqui no Brasil. Mesmo assim fui visitá-los. Num deles, não podia entrar com dinheiro. Era necessário deixar a carteira em algum lugar. Até tentei ir com ela, mas me barraram na entrada e disseram para eu deixar nos armários com cadeado que disponibilizavam. Fiquei muito preocupado, pois se minha carteira fosse extraviada e eu ficasse sem dinheiro, estaria encrencado. Mas mesmo assim fiz o que foi sugerido, conheci o templo e depois peguei minha carteira de volta do armário, que estava como a tinha deixado. Depois de visitar os vários templos e pontos de interesse, e de apreciar muito a vista, resolvi descer no final da tarde. Já estava escurecendo e a vista agora era diferente, mas igualmente bela com as luzes noturnas ::otemo::. Desci revigorado, apesar de um pouco cansado fisicamente. Na 5.a feira 25/9 fui para Dharamsala. Cheguei no início da tarde. Logo de cara quando perguntei a uma ocidental sobre onde ficar, ela me disse que era interessante eu subir para McLeodGanj, onde a maioria dos viajantes ficava e onde ficava o núcleo de atividades do budismo tibetano. Subi e me hospedei lá, numa região de viajantes estrangeiros. Para as atrações de Dharamsala veja http://wikitravel.org/en/Dharamsala, https://www.lonelyplanet.com/india/dharamsala e https://en.wikipedia.org/wiki/Dharamsala. Gostei bastante daqui ::otemo::. Os pontos de que mais gostei foram os templos (incluindo a igreja cristã) ::otemo::, os locais religiosos ::cool:::'>, as paisagens naturais ::otemo::, os thankas (pinturas religiosas em tecido) ::otemo:: e o clima espiritual entre as pessoas ::otemo::. Fiquei pouco mais de 3 dias. Pude visitar calmamente templos budistas, o complexo onde ficava o Dalai Lama, a igreja anglicana e outros locais em que faziam cultos. Num dos dias à noite fui participar de uma prece (pooja) em forma de mantra num monastério, que era aberto ao público ::cool:::'>. Num dia de manhã fui conhecer o complexo em que ficava o Dalai Lama e aproveitei para ouvir parte de sua palestra. Vi pelo telão, porque para ver pessoalmente era necessário fornecer o passaporte num dia para que registrassem (e talvez fizessem algum tipo de verificação) e liberassem a entrada no dia seguinte. Achei as galerias de arte com thankas um espetáculo à parte ::otemo::, com os mais variados tipos, tanto em conteúdo como em cores, textura e tamanho. Elas permitiam visitação gratuita. As paisagens naturais, principalmente montanhas, vegetação, cachoeira e caminhos também foram um espetáculo à parte ::otemo::. Foi possível também visitar os prédios administrativos do Estado Tibetano no Exílio, chefiado pelo Dalai Lama. Na parte baixa, no último dia explorei os arredores e vi também locais religiosos hindus, algo que não havia visto na parte alta. Na 2.a feira 29/9, perto da hora do almoço, peguei um ônibus para Amristar. Cheguei lá no meio da tarde e me hospedei num hotel que ficava num prédio antigo, não muito longe do ponto de chegada dos ônibus. Fui dar uma volta pelos arredores do hotel e conhecer um pouco da cidade e seus atrativos. Para as atrações de Amristar veja https://www.makemytrip.com/travel-guide/amritsar/places-to-visit.html, http://wikitravel.org/en/Amritsar, https://en.wikipedia.org/wiki/Amritsar e https://www.holidify.com/places/amritsar/sightseeing-and-things-to-do.html. Os pontos de que mais gostei foram o Templo de Ouro ::otemo::, os outros templos ::cool:::'>, o Jardim Jallianwala Bagh ::cool:::'> e outros locais religiosos e históricos. Na 3.a feira 30/09 fui fazer um passeio completo pela cidade, com ênfase no Templo de Ouro dos Sikhs (http://www.goldentempleamritsar.org/). Gostei bastante dele ::otemo::. Havia muitos ambientes diferentes, que se harmonizavam com a piscina central e a arquitetura. Havia muita gente. Era servido almoço gratuito ::cool:::'>, mas não comi, por achar que não deveria consumir algo que poderia faltar para os mais necessitados, que muitas vezes se sacrificavam para vir de longe fazer peregrinações e estavam com recursos limitados. Havia também várias exposições históricas, contando suas origens e seus episódios mais marcantes, incluindo o massacre ocorrido em 1984 e, citando vingança, o assassinato posterior de Indira Gandhi. Passei também por outros templos sikhs, hindus e muçulmanos. Fiquei também um bom tempo no jardim onde o General Dyer atirou na multidão quando do período de luta de independência do Reino Unido, em que havia monumentos e a história era contada em detalhes ::cool:::'>. Durante uma das noites, levantei da cama meio dormindo e percebi que minha mala estava entreaberta, com algo dentro, do tamanho de uma pílula grande. Sem raciocinar direito, levei-o a boca e depois joguei fora ::putz::. Voltei para cama, mas mesmo meio dormindo pensei que havia feito uma enorme besteira de levar algo desconhecido à boca (era o meu instinto inconsciente de não desperdiçar comida :lol:). Talvez isto tenha sido a causa de cerca de 30 dias depois eu descobrir que estava com hepatite A. Durante os jantares aceitei a água ofertada como cortesia nos restaurantes. Isso também pode ter causado a hepatite ::putz::. Estava perto de Lahore no Paquistão, mas devido ao atraso ocorrido em virtude da nevasca e da estrada interditada, acabei não tendo os dias necessários para dar um passeio lá :(. Na 4.a feira 01/10 de manhã peguei um trem para Nova Déli. Cheguei no meio da tarde e fui procurar um hotel. Como cheguei na Estação Déli, descobri que existia um outro local em que costumavam ficar turistas estrangeiros, incluindo mochileiros, chamado Paharganj. Era no caminho para o Connaught Place. Resolvi ir até lá e, se não encontrasse algo que desejasse, prosseguiria para o Connaught Place. Porém lá havia muitas opções de hospedagem, concentradas numa área com ruas estreitas e muitas lojas. Gostei ::cool:::'>. Achei várias opções baratas e resolvi ficar lá. Na 5.a feira 02/10 era aniversário de nascimento de Gandhi, de quem eu muito gosto. Descobri pela televisão um grande evento com várias atividades, que iria ocorrer numa praça de Déli que eu não conhecia. Aproveitei para passar o dia lá, assistir as atividades e conhecer o local. Interessante como o povo indiano, especialmente hindu, cultua Gandhi. Havia notado isso desde minha primeira viagem. Até ao atenderem o telefone, muitas vezes falam Gandhiji, ao invés de alô. Aproveitei também para conhecer algumas ONGs locais de diferentes tipos, como orfanatos, instituições para mulheres surdo-mudas. Tentei ir ao escritório da UNICEF, mas não o encontrei. Na 6.a feira 03/10 fui conhecer outras ONGs locais e fazer algumas pequenas compras. No início da viagem havia pesquisado um pouco na área do Connaught Place. Agora fui há várias lojas em Paharganj mesmo, onde havia muitas e com os melhores preços. Comprei um guarda-chuva, uma calça esportiva (que tenho até hoje), um par de chinelos e um par de tênis. Comprei produtos muito baratos (a maioria custou menos de 1/3 do valor encontrado no Brasil), porém, exceção feita à calça, a qualidade era precária e duraram pouco. Já havia comprado um lenço de seda (de boa qualidade) que uma amiga havia encomendado poucos dias antes em uma das cidades por que passei. Durante os jantares também aceitei a água ofertada como cortesia no restaurante. Isso também pode ter causado a hepatite ::putz::. Num dos dias, havia uma espécie de feijão com muita especiaria. Eu comi tudo em primeiro lugar com a boca ardendo, para deixar o prato limpo para poder saborear o resto. O atendente viu e achou que eu havia gostado e colocou mais uma concha cheia ::essa::, pois a repetição geralmente era gratuita na Índia. Eu olhei com cara de agradecimento decepcionado, com esforço redobrado comi tudo novamente em primeiro lugar, mas fiquei atento para não ser colocada mais repetição :lol:. Num dos jantares conversei com um europeu (acho que era francês) recém chegado e procurei dar-lhe informações para ajudá-lo em sua primeira viagem à Índia. Ele me falou que tinha ouvido que as pessoas mentiam para vender, o que ele achava que provavelmente era para a sobrevivência, e que as notícias diziam que os atentados eram geralmente em mercados no fim do dia. No final dos dias geralmente ia a templos próximos do hotel. Num templo hindu em que começou uma celebração, ficaram bravos comigo porque num pequeno intervalo saí do local onde estava para ir ver outra parte. Não percebi que o intervalo era curto e a movimentação iria atrapalhar ou ser considerada desrespeito. Foi possível também visitar um templo jain. Antes de ir embora ainda fui tentar doar minha calça um pouco descosturada e meu tênis velho para mendigos. Após verificar a situação da calça um deles não aceitou, mas outro a seu lado ficou bravo e falou para ele aceitar. Sempre fico na dúvida nesta situação para não ofender ninguém. Mas prefiro correr este risco do que jogar no lixo, porque já vi muita gente usar coisas em situação pior. No sábado 04/10 fui fechar a conta no hotel e fui surpreendido com uma taxa de serviço de 10% de que não haviam falado. Acho que ao me verem com aquelas compras, grandes em volume mas de baixo valor (se bem me lembro, tudo custou cerca de US$ 20,00), decidiram cobrar a taxa. Tentei argumentar, mas não adiantou e acabei pagando. Atrasei-me um pouco e acabei pegando não o melhor ônibus para o aeroporto. Tinha feito a conta para terminarem todas as rúpias, mas ainda sobrou o suficiente para pegar um rickshaw e conseguir percorrer o resto do caminho. Ainda ofereci 1 dólar ao motorista para complementar o que poderia eventualmente faltar em rúpias. Ele, que havia concordado em diminuir o preço porque eu não tinha mais rúpias, ficou feliz com o dólar, que tornou o pagamento correto. No aeroporto, perguntei ao atendente sobre o tempo em Munique. Ele me disse que era instável e eu peguei o guarda-chuva para levar junto com a bagagem de mão. Aí ele comentou sorrindo que não chovia dentro do avião :lol:. Eu expliquei que iria passear pela cidade e precisaria do guarda-chuva. A viagem até Munique foi muito bela. Passamos por partes da Ásia que eu nunca tinha visto do alto durante o dia. Sobrevoamos o Afeganistão e provavelmente Irã e Turquia. Muito interessante ver como o Afeganistão era árido e montanhoso, realmente um local aparentemente bastante inóspito. Um padre que viajava ao meu lado comentou sobre este problema, a questão da pequena população, do terrorismo e do ópio. O Irã, por sua vez, pareceu seco até um certo ponto (uma linha, que poderia ser um rio ou canal ou semelhante) e depois tornou-se muito verde. A vista da Turquia lembrou-me as fotos das viagens de balão exibidas em roteiros turísticos, só que bem mais do alto e por uma extensão muito maior ::otemo::. Ao chegar a Munique no início da tarde fui para o Parque Olímpico (http://www.olympiapark.de/en/olympiapark-munich), onde havia ocorrido as Olimpíadas de 1972. Antes porém, vi um Salão de Exposições da BMW próximo, com entrada gratuita e fui apreciar os carros. Vi carros que nem sabia que existiam e nunca tinha visto antes ::cool:::'>. Depois atravessei a avenida e fiquei passeando pelo Parque Olímpico, que me pareceu muito belo ::otemo::. Até peguei algumas maças em árvores e no chão, que me serviram de almoço ::cool:::'>. O parque era bem grande, com equipamentos para muitas modalidades, amplas áreas verdes e sua torre emblemática. Passei a tarde toda lá. No fim do dia pretendia ir conhecer o estádio do Bayern e a Oktoberfest, mas achei que só dava tempo para um. Parecia estar havendo um jogo do Bayern e eu decidi ir para a Oktoberfest. Parecia um grande parque de diversões com muita bebida e comida e alguns espetáculos em locais fechados. Mas estava um pouco frio, cerca de 6 C, o que para os alemães parecia irrelevante, pois vi vários com muito pouca roupa, acho que já embalados pela bebida. Comprei uma caneca de recordação para o Carlos Zimmermann na barraca dos Zimmermanns. Pretendia experimentar uma cerveja, mas o menor copo era de 500 ml e com aquele frio eu certamente iria sentir muita vontade de ir ao banheiro durante bastante tempo, inclusive quando estivesse em trânsito para o aeroporto, o que me fez desistir. Peguei o voo de volta conforme previsto e cheguei em São Paulo no domingo 05/10 de manhã, ainda em tempo para votar para prefeito.
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