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fernandobalm

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Sobre fernandobalm

  • Data de Nascimento 01-04-1969

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    https://www.mochileiros.com/topic/76443-102017-santiago-e-atacama/
    http://www.mochileiros.com/chapada-diamantina-8-dias-boa-parte-por-conta-propria-t145008.html
    http://www.mochileiros.com/da-enseada-do-brito-palhoca-sc-a-balneario-camboriu-a-pe-pela-praia-t138959.html
    http://www.mochileiros.com/piaui-de-teresina-ao-parque-de-sete-cidades-com-extensao-a-pedro-ii-t131419.html
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    http://www.mochileiros.com/de-caraiva-porto-seguro-ba-a-foz-do-rio-doce-linhares-es-pela-praia-a-pe-t101275.html
    http://www.mochileiros.com/de-ilheus-a-porto-seguro-pela-praia-t95352.html
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    http://www.mochileiros.com/transiberiana-de-vladivostok-a-sao-petersburgo-t83600.html
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    http://www.mochileiros.com/de-sao-luis-a-natal-8-e-9-2012-t86033.html
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    Aposentado
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    Avenida Lins de Vasconcelos, 757, São Paulo, São Paulo, 01537-000, Brasil

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  1. Considerações Gerais Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar importantes. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais: Em toda a viagem houve bastante sol. Chuva leve ou moderada só peguei na 4.a feira (13/09) quando estava voltando do supermercado e na 5.a feira (14/09) quando ainda estava no quarto e esperei que ela passasse. As temperaturas também estiveram bem razoáveis (para um paulistano), chegando em média a 30 C ao longo do dia e caindo até 22 C à noite. A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil . Havia nas localidades mais conhecidas também muitas pessoas de fora da região e estrangeiros, principalmente argentinos. As paisagens das praias agradaram-me muito, principalmente as próprias praias, o mar, a vista a partir de pontos altos, a vegetação e as cachoeiras. . A caminhada no geral foi tranquila. Mesmo as que me disseram que seriam inviáveis sem guia, como a da Prainha em Itacaré ou a de Castelhanos em Boipeba, consegui fazer sozinho sem problemas e não achei complicadas, mas me informei antes. Durante muito tempo estive só nas praias, que em boa parte estavam desertas. Às vezes cruzava com algum pescador ou habitantes locais. Não tive nenhum problema de segurança (nenhuma abordagem indesejada) nas praias. Mas me recomendaram não ir por alguns trechos em Ilhéus e Itaparica. Em Itabuna pareceu-me que poderia haver algum problema quando retornava do supermercado perto da rodoviária e eu imediatamente procurei um local seguro. Em Mar Grande, quando iria para uma Pousada que ficava numa ladeira que haviam me dito poder ter algum problema, um aparente vigia de atividades da ladeira perguntou-me o que eu desejava (“qual é que é?”) e eu decidi mudar de pousada. Peguei vários cocos nas praias , bebi sua água e comi a massa de alguns poucos . Os cruzamentos de rios foram tranquilos. Somente para cruzar para a Praia do Garcez e para Cacha Pregos houve a possibilidade de dificuldades, mas que acabaram não se concretizando. O único ponto que não consegui cruzar foi de Barra Grande para a Barra do Sirinhaém. Tive que pegar barcos e ônibus para Boipeba. Vários estabelecimentos comerciais aceitaram cartão de crédito ou débito (principalmente supermercados, padarias, pousadas e empresas de transporte). Em alguns casos havia acréscimo quando o pagamento era feito com cartão de crédito. Havia localidades em que não existiam caixas eletrônicos nem bancos. Gastei na viagem R$ 1.383,20, sendo R$ 158,63 com alimentação, R$ 700,00 com hospedagem, R$ 154,99 com transporte durante a viagem, R$ 155,33 com a passagem de ônibus de ida para Vitória da Conquista, R$ 7,58 com pedágio da ida, R$ 169,00 com a passagem aérea de volta para São Paulo e R$ 37,67 com as taxas de embarque correspondentes de ida e volta e durante a viagem. Sem contar o custo da passagem entre São Paulo e Vitória da Conquista e entre Salvador e São Paulo e das taxas de embarque correspondentes, o gasto foi de R$ 1.015,12 (média de R$ 39,04 por dia). Mas considere que eu sou bem econômico. A Viagem: Minha viagem foi de SP (Rodoviária do Tietê) a Vitória da Conquista em 07/09/2018 pela Viação Águia Branca (https://www.aguiabranca.com.br). O ônibus saía às 17:00 e chegava às 17:10 horas. Atrasou cerca de 20 minutos na saída e mais de meia hora na chegada. Paguei R$ 169,30 (R$ 155,33 pela passagem, R$ 7,58 de pedágio e R$ 6,39 pela taxa de embarque) parcelada em 6x usando cartão de crédito. A volta foi de Salvador a SP (Aeroporto de Guarulhos) em 03/10/2018 pela Avianca (https://www.avianca.com.br). O voo saía às 11:40 e chegava às 14:15. Paguei R$ 198,78 (R$ 169,00 pela passagem e R$ 29,78 pela taxa de embarque) parcelada em 6x usando cartão de crédito. Na 6.a feira 7/9 fui a pé até a rodoviária. O ônibus saiu cerca de 17:20 com atraso de cerca de 20 minutos. Parou em Resende perto de 20:30, onde subiram um pai e uma filha pequena que se sentaram juntos na poltrona ao lado da em que eu estava, enquanto eu jantava sanduíches fora do ônibus. Troquei de lugar para deixá-los viajar juntos. Eu havia levado 5 brioches comprados na Vovó Zuzu (http://www.vovozuzu.com.br) por R$ 1,59 cada, um usado para sanduíches , 2 cebolas, um pacote de bolachas água e sal comprado no Atacadão (https://www.atacadao.com.br) por R$ 0,98 e uma garrafa de água de 1,5 litros. O ônibus parou depois em Paraíba do Sul perto de 23:30. No sábado 8/9, após dormir um pouco de madrugada no ônibus, paramos em Governador Valadares cerca de 8:30. Lá tomei café com os sanduíches que havia levado. O motorista da madrugada correu mais do que o regulamentado, o que avançou o ônibus, mas que não me agradou. Meu novo companheiro de poltrona falou sobre muitas situações da sua vida. Ele trabalhava em limpeza no Shopping Center Interlagos e morava em Parelheiros. Ofereceu-me sanduíches e refrigerante que recusei educadamente. Cheguei pouco antes de 18 horas na rodoviária. Ao perguntar sobre a segurança do local, um atendente disse-me que era tranquilo e dois trabalhadores de viações disseram-me que era perigoso. Achei tranquilo. Fiquei hospedado na Pousada da Lua, bem perto da rodoviária, do outro lado da estrada, num quarto com ventilador, sem TV, com banheiro coletivo, wifi e um pequeno café da manhã. Paguei R$ 30,00 por dia em dinheiro. Lá conheci um artesão de Anápolis que viajava pelo Brasil, estava em dificuldades e iria voltar para Anápolis. Fui atendido pela Fabiana, responsável pela pousada junto com o marido. Comprei na feirinha próxima R$ 2,00 em 2 mangas, R$ 2,00 em 1 kg de tomates, R$ 1,00 em 1 pepino, R$ 1,00 em 2 chuchus e R$ 1,20 em 4 pães na padaria. Jantei sanduíches. A pousada também funcionava como motel e no quarto ao lado do meu um casal passou a noite namorando . No domingo 9/9 após tomar um copo de café puro e 2 pães com margarina servido pela atendente Amanda, mais meia manga e bolachas água e sal, fui visitar a cidade. Comecei indo a pé para o centro, onde pude visitar monumentos, casarões, praças, teatros, igrejas, centro cultural e museus por fora . No caminho passei por um jardim que estava sendo construído (acho que será o Parque Ambiental), que achei belo. Depois fui ao Cristo de Mário Cravo, de que muito gostei . Achei a vista a partir dele muito boa e o monumento em si também muito interessante. Era enorme, com Jesus crucificado. O caminho disseram poder ser um pouco perigoso, mas fui a pé e nada aconteceu. Quando estava lá em cima chegou um grupo de turistas num carro e logo após chegou uma viatura da polícia, semelhante ao que é a Rota em São Paulo. Ofereci meus documentos para que averiguassem, mas disseram que não era necessário. Conversamos por algum tempo sobre segurança na cidade, locais a visitar na Bahia, a Chapada Diamantina, onde eles já haviam estado e apoio às comunidades locais. Um deles interessou-se por um portal de voluntariado. Outro explicou-me que a feição sofrida do Cristo, suas mãos e pés grandes representavam o sofrimento do povo nordestino. Depois fui passear no Parque Peri Peri, completamente deserto e meio abandonado, mas ainda assim com natureza preservada, e fui à reserva Florestal do Poço Escuro, andei por algumas de suas trilhas e apreciei a natureza . Saindo daí fui ao Centro de Cultura, que estava fechado, mas tinha painéis interessantes por fora. No caminho passei por um painel na rua sobre Natureza e Religião, com o desenho de Francisco de Assis, que achei muito interessante . Por fim fui ao Parque da Lagoa Bateias, em que pude caminhar ao redor e visitar o museu por fora (era de vidro e foi possível ver seu interior). A vista do parque a partir de pontos altos no entorno também muito me agradou . Achei o Rio Verruga na Reserva do Poço Escuro e a Lagoa das Bateias com pouca água. Jantei sanduíches. O rapaz de Anápolis falou que tinha trombose e varizes e tinha morado no Amazonas. Ainda fui apreciar vista da cidade iluminada a partir da estrada antes de dormir. Na 2.a feira 10/09 não tomei café na pousada de manhã, pois era folga da Amanda e o café sairia um pouco mais tarde. Comi um pedaço de pão, bolachas e água e saí para visitar os pontos que ainda faltavam. No caminho vi enormes filas nos bancos, 2 horas antes do horário de abertura. Pareciam ser pessoas muito simples, talvez algumas vindas de outros municípios e da zona rural. Como a população sofre . Visitei a Igreja Matriz, de que gostei pela simplicidade, ambiente claro, imagens e pinturas felizes . Visitei também o Museu Pedagógico, o Museu Régis Pacheco, de que gostei muito, com suas pinturas e arte , e o Museu Regional, com suas esculturas e quadros. Na volta tomei café com pão e manga. Depois fui à rodoviária, comprei a passagem para Itabuna por R$ 51,50 com cartão de crédito (R$ 50,00 da passagem mais R$ 1,50 da taxa de embarque) pela Viação Novo Horizonte. Conversei com o artesão de Anápolis e descobri que seu nome era João e ele era parente do abade Matias do Mosteiro de São Bento. Almocei sanduíches na rodoviária. O ônibus, que estava previsto para 12 horas, saiu às 13:30 e chegou em Itabuna às 18 horas. Gostei das paisagens naturais vistas durante a viagem, principalmente na área de serra . Havia muitos pastos e gado. Conheci um policial no ônibus e conversamos sobre meus planos de viagem. Ao chegar em Itabuna perguntei sobre segurança e preço e me indicaram pousadas perto da rodoviária. Fiquei na Pousada Grapiúna (https://www.facebook.com/PousadaGrapiuna) por R$ 25,00 a diária, em dinheiro. Era um quarto bem simples para feirantes, com ventilador, sem janelas, com banheiro fora, mas como estava vago naquele período, concordaram em que eu ficasse. Comprei R$ 2,96 (tomate, chuchu, cebola, banana) com cartão de crédito no Supermercado Itão (https://www.itao.com.br) e R$ 6,70 (2 broas e 1 bolo) na padaria em dinheiro. Achei um ponto na ida ao supermercado um pouco perigoso naquele horário (perto de 19 horas). Não sei se eu estava predisposto após vários falarem da criminalidade em Itabuna, mas me pareceu que 2 jovens começaram a me seguir, tanto que eu rapidamente mudei de caminho, atravessei a avenida e fui para um local que me pareceu mais seguro . Jantei sanduíches, bananas, broas e bolo em uma sala ampla de TV com mesas que a pousada tinha. Depois fui para a janela da sala, que era bem ampla, e fiquei olhando um pouco o movimento. À noite houve um pouco de barulho devido ao local da cidade e houve alguns poucos pernilongos. Na 3.a feira 11/09 fui visitar Itabuna. Após comer sanduíches, banana e bolo no café da manhã assistindo TV, saí para visitar a cidade. Inicialmente passei por um templo da Igreja Universal, depois fui ao Centro de Cultura, ao Rio Cachoeira, que disseram ser poluído, mas de que muito gostei . Dei uma volta nas pistas para caminhada que existiam na região central em sua volta. No Centro de Cultura o atendente falou-me das várias facções criminosas que existiam em Itabuna e da violência que havia aumentado recentemente. Visitei também a Câmara, Prefeitura, pontes, Monumento da Saga Grapiúna, que achei muito interessante por congregar os vários atores étnicos daquela terra , Memorial de Zumbi, Estádio, Vila Olímpica, estes dois últimos parecendo estarem abandonados e sem manutenção e o Clube dos Funcionários. Depois caminhei até a rodovia por um trecho com vegetação. Voltei para o centro e fui visitar a Catedral de São José, o Museu Casa Verde, que estava fechado, a Livraria Espírita e a CEPLAC (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira). O músico Adílson falou-me que havia morado em São Paulo e vendeu incenso na rua por 20 dias, após ter machucado a mão. Ganhava R$ 500,00 por dia. Em 20 dias ganhou mais do que com música em 1 ano. Saía da Rua Augusta, virava na Oscar Freire, ia até a Vila Mariana, descia a Lins de Vasconcelos e ia até o Ipiranga, Voltou à música por gostar dela. Ivone, da Livraria Espírita, contou-me que fez cirurgia na Beneficência Portuguesa em São Paulo. Quando recebeu alta falou ao médico que não queria, pois era inverno e pegaria frio ao sair do hospital. Falou-me também do caminho de Ilhéus a Salvador e de sua praia favorita, Algodões. Interessante como os cachorros sabiam atravessar a rua, assim como em Vitória da Conquista . Bandos de garças passaram voando próximo à pousada, enquanto eu apreciava o entardecer. Pude continuar num quarto de feirante, pois ainda havia vaga. Achei a cidade um pouco sem cuidados, provavelmente devido à crise, com muitos equipamentos abandonados e sem condições de uso, principalmente esportivos. Jantei sanduíches, banana e bolo assistindo TV. Na 4.a feira 12/9 comecei minha caminhada. Fui para Ilhéus a pé. Saí cerca de 8:45 da pousada de Itabuna e cheguei cerca de 15:30 na Rodoviária de Ilhéus. Foram cerca de 30 km com paradas de cerca de 1 hora ao todo. No caminho eu vi uma cobra preta e amarela a cerca de meio metro de distância. Num dado momento um rapaz pareceu jogar o carro no acostamento onde eu estava . Não sei se estava desviando de algo, brincando (não parecia, pela fisionomia séria) ou foi um ato de agressão a um andarilho. Passei por um enorme empreendimento residencial (Cidadelle), visitei a Universidade Estadual Santa Cruz, de que gostei , com sua área verde, campo de futebol, piscina, animais na unidade de veterinária, pássaro preto, amarelo e vermelho na mata e toda a estrutura de ensino. Depois passei pelo templo do Vale do Amanhecer . Subi para conhecer. Havia vários ambientes, com imagens de Jesus, Tia Neiva, Cacique Seta Branca e outros. Um orixá explicou-me como funcionavam os serviços deles e demais aspectos dali. Passei depois pelo SESI e IFBA. Na estrada achei as paisagens rurais belas, com mata, rio e criação de animais. Em alguns pontos as copas das árvores dos lados opostos quase se encontravam no meio da pista, como Ivone havia falado em Itabuna. O acostamento era estreito em vários pontos. Conheci um homem que estava indo de São Paulo a Recife de bicicleta. Andamos um tempo lado a lado. Ele parecia um pouco alterado e acabamos nos separando. Perto da chegada, um artesão de Salvador residente ali há alguns anos orientou-me sobre Ilhéus e onde achar locais para pernoitar. Estava sentindo dores nas costas, provavelmente devido à posição da mochila, que reajustei. Passei pela rodoviária e lá o taxista Joaquim e outros indicaram-me a Pousada Beira-Rio como sendo a mais barata. Verifiquei o preço com a dona, Dair, e segui para o centro para procurar outras opções, pois queria ficar mais perto do ponto de saída no dia seguinte e precisava sacar dinheiro. Lá os hotéis baratos estavam fechados. Aproveitei para dar um passeio e comer um prato de acarajé (bolinho de feijão, vatapá, caruru (quiabo) e salada de tomate, cebola e vinage) por R$ 3,50 em dinheiro na Fatinha (https://www.facebook.com/pages/Acaraj%C3%A9-Da-Fatinha/105023446329720), em frente à Catedral. Eu não como carne, então não quis camarões. Saquei dinheiro e voltei para a Pousada Beira-Rio, onde fiquei num quarto privativo com banheiro, TV, chuveiro frio e ventilador por R$ 35,00 em dinheiro. A pousada ficava às margens do Rio Cachoeira, cuja vista era interessante. Comi banana e bolo de sobremesa antes de dormir. Na 5.a feira 13/9 parti em direção a Itacaré, com o objetivo de pernoitar provavelmente em Serra Grande. Antes disso esperei a chuva passar. Enquanto esperava fui comprar 8 pães por R$ 2,00 na padaria. Esqueci a chave da porta lá e tive que voltar para pegá-la . A dona guardou para mim. Com tudo isso atrasei-me razoavelmente. Após o café da manhã e a chuva passar, fui visitar a catedral, que já conhecia, e depois comecei a caminhar pela praia. Fui até depois do Marciano, onde saí para rua de terra e depois asfalto, para não passar pela praia na Comunidade do Cominho, que várias pessoas disseram-me para evitar por razões de segurança e onde tinha estado anos atrás e achado um pouco perigosa. Cruzei a passarela e já do outro lado segui em frente. Achei a praia muito bela. Peguei um coco em área pública , tomei um pouco de chuva fina, cruzei 2 pequenos rios com água abaixo da coxa, parei para nadar e deixei a mochila com família parcialmente de São Paulo no Mamoan. Como não iria chegar a Serra Grande, parei em Luzimares, onde 3 meninas levaram-me à Pousada Ravenala. Sebastião atendeu-me e depois de mostrar seu quarto mais simples por R$ 100,00, disse que tinha um local de trabalho que já havia sido casa de seu empregado. Eu sugeri ficar lá, ele relutou, falou com sua mulher e aceitaram por R$ 50,00 em dinheiro. Enquanto fui fazer compras para o jantar e o café da manhã, por R$ 7,70 com cartão de crédito na Venda do Gilvan (12 pães, 3 tomates, chuchu, cebola roxa, manga), ele colocou cama na casinha de 3 cômodos, incluindo banheiro, limpou o chão, tirou seu material de trabalho e a geladeira. Voltei das compras pela estrada no escuro. Tomei razoável chuva . Jantei sanduíches, manga e pães doces. Sebastião ofereceu-me pizza, que haviam trazido de um evento, mas eu já tinha jantado e ele então disse que ofereceria no café da manhã. As dores nas costas continuavam e agora também havia algumas bolhas nos pés. Na 6.a feira 14/9 comecei o dia indo tomar um banho de mar às 7 h . O portão estava fechado, então eu pulei o muro lateral para não sujar a parede nem provocar qualquer dano ao portão. Quando voltei tomei um excelente café da manhã oferecido por Sebastião e família, com pizza, pão, queijo, manteiga, pão doce, café e leite . Sebastião acompanhou-me à mesa. Ele me contou que era de Brasília e havia se aposentado no ramo de hotelaria. Depois, enquanto esperava a chuva passar, conversei bastante com Pedro, seu neto. Vi Sebastião alimentar os micos. Falou-me também de gata, filhotes e cachorros. Após o tempo firmar parti para Serra Grande. No caminho vi 2 peixes na areia e quase os joguei de volta ao mar. Só não o fiz porque vi pescadores e quando lhes perguntei se eram sua pesca eles confirmaram. Achei as praias muito belas até o pé da serra. Lá havia um hostel (R$ 40,00) em que conheci Pica-pau e Rap. Este último me falou de uma apresentação de capoeira à noite no Barracão de Angola. Subi a Serra e no caminho parei em dois mirantes, de onde achei a vista espetacular . A foto abaixo é do primeiro deles. Para o segundo houve uma pequena trilha. Ao chegar ao povoado, procurei o hostel ao lado da farmácia da Shirley, sobre o qual Sebastião havia comentado. Fiquei hospedado lá por R$ 25,00 em dinheiro. Pétala, a dona, abriu uma exceção, pois não estava funcionando, mas concordou em me hospedar. Enquanto me apresentava o local, um morcego apareceu voando dentro do hostel. Fiquei num quarto privativo com banheiro e ventilador. Depois de acomodado, fui à represa e ao Poço do Robalo. Lá o vigia falou-me do caminho para a Praia do Pompilho, Itacarezinho e Itacaré. Comprei R$ 5,10 na Fazendinha (8 tomates, 1 penca de bananas, chuchu, 2 cebolas) e R$ 3,96 na padaria (12 pães), ambos com cartão de crédito. Após jantar sanduíches, fui assistir à roda de capoeira no Barracão. Houve show do Rap, que havia me falado da roda de capoeira e foi aniversário de uma aluna chamada Sabiá, que ofertou um bolo. Gostei muito da roda de capoeira . Lá conheci uma paulista de São José do Rio Preto, que estava de férias. À noite houve bastante sons no telhado, que acho que eram morcegos. Houve pernilongos, mas eu não liguei o ventilador porque fiquei com frio. As dores nas costas diminuíram. No sábado 15/9 fui para Itacaré. Saí após às 9 horas, pois precisava de maré baixa para cruzar a Barra do Tijuípe. Fui pela Trilha do Cemitério, de onde achei a mata, a praia e a vista muito belas . Atravessei a Barra do Tijuípe com água abaixo do joelho. Fui em frente até o Itacarezinho. Achei as praias muito boas e bonitas . Perguntei a uma moça e a um nativo sobre trilhas a seguir, ela me deu uma explicação sobre as próximas trilhas e ele me deu uma explicação detalhada incluindo outras praias que eu conheceria no futuro. Peguei então as trilhas para as praias da Gamboa, Hawaizinho e Engenhoca, cuja foto está a seguir. Não consegui encontrar nenhum coco em condições de ser pego durante o dia inteiro. A natação ficou prejudicada porque havia muitos surfistas e o salva-vidas sugeriu que eu não fosse onde eles estavam para evitar acidentes. Na volta da Engenhoca, tomei um banho na cachoeira abaixo. No fim da trilha peguei a pista e fui por ela até Itacaré. Em um ponto do caminho dois rapazes começaram a olhar para trás e diminuíram o passo. Eu me assustei e pensei que pudesse haver problemas. Mas logo à frente eles entraram numa vila rural e acho que foi alarme falso. O final do caminho andei já no escuro, mas como havia uma ciclovia na rodovia, isto facilitou tudo. Ao perguntar em um supermercado sobre a localização da pousada a que pretendia ir, alertaram-me para não ficar hospedado na “Passagem”, pois era ponto de tráfico e poderia haver guerra entre rivais. Então decidi ir para a 2.a opção da lista, que o pessoal do supermercado disse ser num local bem mais seguro. Peguei gratuitamente um mapa turístico numa agência de viagens. Passei por um hostel de um chileno, que cobrava R$ 25 a diária sem café da manhã e R$ 40 com café, mas fui ficar no Babel Hostel (https://www.facebook.com/hostelbabel) por R$ 20 a diária sem café da manhã em quarto coletivo com banheiro fora. O dono era Gastón, um argentino que estava morando no Brasil e me recebeu muito bem . Comprei com cartão de crédito R$ 12,48 (espaguete, abobrinha, pepino, beterraba, batata, cebola, mamão, chuchu, biscoito de maisena e goiabada) no Center Supermercado (https://www.facebook.com/pages/category/Grocery-Store/Center-Supermercados-164954680739167/) para as refeições. Cozinhei espaguete e o jantei com legumes e frutas. Antes de dormir ainda conversei com Gastón, casal de argentinos e carioca, dono da pousada ao lado. No domingo 16/9 fui explorar os arredores de Itacaré. Comi legumes, frutas, bolachas e goiabada no café da manhã e fui a pé até a Praia de Jeribocaçu. Depois de andar cerca de 1 hora na rodovia, peguei a estrada de terra e depois a trilha para a praia. Achei bela a paisagem na trilha, com a mata e vistas para o mar. Em determinado momento ela cruzou um campo de futebol. Encontrei um velho com um jegue na estrada de terra que vinha falando e cantando. Disse que estava vendendo o jegue por R$ 3.000,00 . Ele vendia algum tipo de líquido de cacau. Um pouco adiante cheguei à praia, que era ladeada por um rio. Conheci mãe e filha gaúchas que por lá passeavam. Surfista deu-me indicações sobre as outras praias do entorno e trilhas para elas. Achei belas as praias de Jeribocaçu, Arruda e Palmas. Vi peixes nadando nos recifes de coral. Peguei 2 cocos na Praia das Palmas . Na volta dela, peguei um caminho alternativo e descobri um lago, mas como parecia ser propriedade particular, resolvi não nadar. Conversei com salva-vidas sobre o mar e o caminho para cachoeira, tomei 2 banhos de mar e um banho de rio no final. Depois de aproveitar bastante o dia nas 3 praias, comecei a voltar para ir à Cachoeira da Usina. Vários disseram que o caminho pela trilha era difícil de encontrar, então voltei até a rodovia e fui por ela. Logo no início perguntei a algumas pessoas que estavam em vans e os dois primeiros responderam ironicamente e deram informações erradas (disseram que ficava a 20 km ou algo parecido), mas indicaram o último motorista como referência. Ao perguntar-lhe, deu as indicações corretas e disse que ficava a 3 km. No caminho, um homem cruzou comigo olhando para minha cintura, como quem procura algo, e me perguntou se eu vinha em paz . Respondi que sim, ele me falou para ir com Deus (como se repetisse um chavão) e depois completou que isso era a maior mentira e Deus não existia. Achei linda a vista da cachoeira e o banho e hidromassagem deliciosos . A represa próxima também achei bela. Quando estava voltando e tinha acabado de chegar na ciclovia, que começava justamente depois da entrada para Jeribocaçu, uma van parou e me ofereceu carona. Era o mesmo homem que havia sido irônico quando lhe perguntei sobre a cachoeira. Eu não o reconheci de início e aceitei a carona. Seu nome ou apelido era Gel. Desta vez, talvez depois de perceber que eu não era mal-intencionado nem estava alterado, não foi mais irônico e me falou para tomar cuidado ao andar em rodovias. Disse que aconteciam muitos acidentes e havia pessoas que poderiam me atropelar por pura maldade (lembrei do incidente entre Itabuna e Ilhéus). Ele me falou que minha camisa comprida assustava (não dava para ver meu calção) e sugeriu que eu colocasse uma bermuda, pois do jeito que estava as pessoas das comunidades poderiam ficar com medo e hostis. Talvez tenha sido por isso que foi irônico no primeiro encontro. Deixou-me no centro, bem perto da pousada. Ainda tive tempo de dar um passeio na rua principal, que descobri ser atrás da pousada, com muitas lojas, locais para comer e exibições. Lá estava o homem do jegue, que a princípio também não reconheci, mas que aparentemente se dirigiu a mim. Depois pensando, reconheci que era ele e voltei lá para cumprimentá-lo, mas ele já havia ido. Conversei razoável tempo com Gastón sobre o sistema (social) e expliquei como era minha vida. Jantei espaguete com legumes e frutas, e goiabada de sobremesa. Na 2.a feira 17/9 novamente comi legumes, frutas, bolachas e goiabada no café da manhã e depois fui às praias perto do hostel (Rezende, Tiririca, Costa e Ribeira) e de lá peguei trilha para Prainha. Várias pessoas disseram que eu poderia me perder e que poderia ser perigoso dependendo do local onde fosse parar. No início da trilha encontrei um surfista voltando, que me disse que conseguiria ir sem me perder e me falou para cruzar a ponte. Segui o rio, conforme um hóspede do hostel havia me dito anteriormente, encontrei algumas pessoas nadando numa espécie de remanso do rio e confirmei com o seu guia que deveria cruzar a ponte. Cruzei-a logo à frente, segui a trilha e cheguei a uma cerca de arame farpado, sem indicação. Se bem me lembro, o hóspede do hostel havia dito para eu ir à esquerda, que foi o que fiz, após explorar um pouco as possibilidades. Segui a trilha e andando mais meia hora cheguei à Prainha. Achei bonita a mata na trilha . Achei a Prainha muito bonita e boa para nadar . Estava sendo filmado um seriado sobre surf da Disney a ser exibido mundialmente. Fui até a sua extremidade, onde descobri que existia acesso para uma outra praia, que ficava dentro de um condomínio. O vigia Tiago autorizou-me ir até a praia por dentro do condomínio e me ensinou o caminho. Era a Praia de São José, que também achei muito bonita e boa para nadar . Antes de nadar lá, falei com o rapaz que cuidava do aluguel de pranchas e atuava também como salva-vidas. Depois que voltei do mar, ele me disse que quando o garçom me viu no meio das ondas, no fundo, veio correndo falar com ele e perguntar o que eu estava fazendo lá, mas ele o tranquilizou dizendo que eu já havia falado com ele e parecia conhecer mar e saber nadar o suficiente. Na volta errei o caminho e fiquei andando por trilhas secundárias cerca de 30 minutos, até decidir voltar a um ponto conhecido e refazer a trilha prestando muita atenção e tomando outra direção em uma bifurcação em que tinha ficado em dúvida. Depois encontrei um casal de Goianésia, com quem conversei parte do caminho e que junto comigo viu micos perto da trilha. Separei-me deles para entrar em 2 pequenas cachoeiras. Depois de voltar conversei novamente com o salva-vidas da Praia da Ribeira que havia dado muitas informações e ele me falou de uma trilha pelas pedras para a Praia do Siriaco. Fui até lá apreciar o visual. Como a maré estava subindo, precisei tomar cuidado em um ou dois cruzamentos de fendas nas pedras. Após voltar de lá, fui às praias da Concha, onde fui ao farol e tomei mais um banho de mar, e da Coroa, onde ficava o Centro Histórico, com suas casas e igreja antigas, que pude visitar. Por fim, a partir do Mirante do Xaréu, fui ver o Pôr do Sol, que achei muito bonito mesmo com nuvens . Depois disso voltei para o hostel. Jantei espaguete com legumes e frutas. Num passeio à noite reencontrei o velho do jegue a que não havia respondido no dia anterior e fui falar com ele, explicando que não o havia reconhecido. Ele entendeu e não ficou chateado, o que me deixou muito feliz . Chegaram novos hóspedes, incluindo um artista carioca, que aparentemente havia sido roubado e tinha vendido um trabalho feito com folha de bananeira para conseguir dinheiro para passar a noite. Na 3.a feira 18/9 minha ideia era ir até Maraú. Após tomar café, despedi-me de algumas pessoas do quarto e do hostel e parti. Primeiramente passei pelo Bradesco para sacar dinheiro. Paulo atravessou-me de barco até a Praia do Pontal por R$ 5,00 em dinheiro. Inicialmente andei na direção contrária para conhecer o finzinho da praia e por volta de 9:30 comecei a caminhada. Achei as vistas da paisagem muito belas . As praias estavam majoritariamente desertas. Encontrei pessoas em Piracanga pela manhã e depois somente à tarde após as 14 horas. Peguei 2 cocos na praia e tomei um banho de mar . Atravessei 2 rios, um dos quais com água acima da cintura (tirei camisa, boné e chinelo, e coloquei a mochila na cabeça). Meu objetivo era ficar na cidade de Maraú, mas eu havia visto erradamente no mapa e a cidade era distante da praia. Então ao chegar em Algodões comecei a procurar por local para pernoitar. Sugeriram-me o Hostel Algodões, mas estava fechado. Então sugeriram-me o Bar do Raul, na Praia de Saquaíra, para onde rumei. Abaixo uma foto da praia anterior à de Saquaíra. Ao chegar em Saquaíra, logo avistei o bar, na beira da praia. O Raul e Benê, seu empregado, ao perceberem que eu queria algo barato, ofereceram-me por R$ 20,00 em dinheiro ficar no quarto em que dormiam os empregados, que naquele dia estaria vago . Após examinar o quarto e receber as explicações de Benê, aceitei. Era um quarto simples, na beira da praia, com cama de madeira, colchão fino e desgastado, sem ventilador e com lâmpada que se ligava e desligava no soquete. O chuveiro era ao ar livre na praia. O banheiro era o do bar e ficava fechado durante a noite. Mesmo assim, foi uma das melhores noites, sem mosquitos, com a vista do céu noturno estrelado e da praia noturna. Após acomodar-me fui tomar um banho de mar e percebi que o fundo do mar tinha corais. Depois de tomar banho fiquei conversando com Benê, Clóvis e outro amigo deles sobre a vida naquela região. Raul deu-me chá como cortesia . Após isso, Benê deu-me orientações sobre a localidade e onde fazer compras, fui comprar biscoito de coco, cenoura, pepino, tomate, pimentão e manga no Mercado Souza por R$ 6,96 com cartão de crédito. Jantei isso acrescido de chuchu que havia sobrado. Após apreciar o céu e a praia à noite, ao voltar para o quarto, um siri entrou . Eu fui procurá-lo e o coloquei para fora. Voltei a apreciar a praia e quando fui entrar o siri entrou novamente e ficou embaixo da cama. Resolvi deixá-lo lá e ir dormir . Na 4.a feira 19/9 fui para Barra Grande. Assisti o nascer do sol da minha cama, que ficava de frente para a janela e esta de frente para o mar. Após levantar fui tomar um banho de mar antes do café da manhã, que foi igual ao jantar da noite anterior. Apreciei as pinturas na sala de refeição do bar. Depois agradeci e me despedi do Raul e iniciei a caminhada. Achei as praias lindas , com muitas pessoas, diferente do dia anterior. Várias delas tinham recifes de coral. Peguei um coco durante a caminhada. Passei por um farol perto da Ponta do Mutá e cheguei em Barra Grande. Lá fiquei hospedado no Hostel Ganga Zumba (http://www.gangazumbahostel.com.br/) por R$ 45,00 com cartão de crédito, em que fui atendido por Alexandre. A dona, Maria, que estava amamentando, prontificou-se a me dar informações turísticas posteriormente sobre a região. Fiquei em quarto coletivo, com banheiro externo, chuveiro com água quente, ar condicionado e café da manhã. Disseram-me que Taipu de Fora seria o melhor local para ver peixes e animais marinhos quando a maré estivesse baixa, o que seria perto de 17 a 18 horas. Resolvi ir fazer compras então para depois voltar a Taipu, por onde havia passado no caminho. Comprei 3 pães por R$ 1,00 com cartão de crédito na Padaria Bom Sabor e os comi antes de ir. Comprei também R$ 4,00 com dinheiro em chuchu, cebola, berinjela, beterraba, batata e laranja no Verdurão para o jantar. Depois fui acelerado para Taipu, pois na vinda tinha demorado quase 2 horas e já eram mais de 15:30. Mas consegui chegar pouco depois das 17 horas, ainda com luz. Procurei informar-me sobre onde seria o ponto para ver os peixes e animais e uma família que estava nadando com equipamentos de natação indicou-me um ponto em que haviam visto. Tentei e não consegui. Aí perguntei a outros que estavam lá perto e me indicaram o ponto mais exato em que a família estava. Então consegui ver alguns peixes. Apareceram alguns rapazes aparentemente nativos (talvez pegando peixes ou apenas os vendo) e me indicaram um ponto mais adequado ainda. Aí pude ver vários peixes , coloridos, alguns amarelos com listas pretas. Começou a escurecer e eu resolvi voltar, mas fiquei razoavelmente satisfeito com o que tinha visto. Cozinhei as batatas e jantei o que havia comprado no Verdurão. À noite fui dar uma volta na pracinha e assisti à parte da aula de caratê na escola. Antes de dormir, conversei com o carioca Gustavo que estava no mesmo quarto e fazia o trajeto inverso, porém não a pé. Ele vinha de Morro de São Paulo. Durante a noite o ar condicionado incomodou-me (eu não gosto de ar condicionado). Foi a única vez em que vesti a blusa de moletom para frio que havia levado . A vista do mar em frente à Barra Grande está na foto a seguir. Na 5.a feira 20/9 fui para Boipeba. Após acordar tomei o café da manhã oferecido pelo hostel. Achei-o muito bom , com café, leite, chocolate em pó, sucos de cajá e graviola, pães de 2 tipos, mussarela, tomate, batata doce, mamão, melancia e bolo de chocolate, em forma de buffet. Depois despedi-me de Gustavo e fui a pé até a Ilha de Campinho. Achei o trecho de praia bonito . Precisei atravessar uma espécie de rio ou braço de mar pequeno nadando . Caminhei pela praia e depois para ir até o local em que havia pessoas da Ilha de Campinho precisei novamente atravessar um pequeno trecho nadando, num ponto que um argentino de Buenos Aires me indicou. Ele estava lá com a família (acho que de férias). Lá conversei um pouco com os homens que estavam num bar, sobre ir a Taipu de Dentro, mas me disseram que era longe e que não era possível ir pela praia. Então resolvi voltar. Encontrei Alexandre de folga na praia, que me disse para falar com Maria que tinha combinado com ele de sair atrasado meia hora do hostel. Havia conversado com várias pessoas desde o dia anterior sobre como fazer a travessia de Barra Grande para o outro lado em direção a Pratigi. Havia muitas informações desencontradas, até que conversei com NenNei (acho que o nome era este) que vivia na área a tempos fazendo travessias e cuja família tinha morado nas áreas por onde eu queria passar. Ele explicou-me tudo e me ofertou a travessia por R$ 60,00 até um ponto a partir do qual eu poderia andar e seguir o trajeto que pretendia. Mas eu acabei optando por não ir devido ao preço e à incerteza de conseguir travessias nos pontos em que precisaria. Cheguei ao hostel, falei com Maria se precisava pagar diária extra, ao que prontamente ela respondeu que não, despedi-me e fui pegar a lancha de linha das 13 h para Camamu pela Camamu Adventure (http://www.camamuadventure.com.br/) por R$ 20,00 com cartão de crédito. Achei belas as paisagens da viagem de barco , que durou mais de meia hora. Em Camamu havia várias construções históricas, mas que só deu tempo de ver de longe. Pouco depois das 14 h peguei um ônibus para Graciosa pela Viação Cidade Sol (https://www.viacaocidadesol.com.br/) por R$ 12,60 com cartão de crédito. A viagem teve belas paisagens de mata e cidadezinhas , durando cerca de 2 horas. Em Graciosa peguei a lancha para Boipeba às 16:30 (acho que era a última) por R$ 35,00 em dinheiro. Haviam dito em Barra Grande que custaria R$ 15,00. Achei espetaculares as paisagens desta travessia , com trechos de mangue nas laterais e perto do pôr do sol. Em Boipeba fiquei no Hostel Abaquar (https://www.abaquarhostel.com) por R$ 25,00 a diária com cartão de débito. O hostel era da brasileira Fernanda e do belga Peter e tinha várias pessoas fazendo trabalho voluntário em troca de hospedagem. Fiquei em quarto coletivo, com banheiro dentro, sem café da manhã. Havia área verde com redário, sala de TV, bar e cozinha. Quando lá cheguei havia alguns policiais que eles chamaram pelo fato do vizinho ter ofendido uma hóspede ou colaboradora. Fiz compras para o jantar, R$ 1,30 de cebola, R$ 3,75 de chuchu, pimentão e beterraba, R$ 4,70 de biscoito e espaguete, R$ 1,85 de batata e R$ 3,50 de goiabada, tudo em dinheiro (não havia bancos nem caixa eletrônicos em Boipeba). Cozinhei o espaguete e misturei com os outros ingredientes para o jantar, conversei com algumas pessoas que faziam trabalho em troca de hospedagem e assisti ao fim do jogo da Libertadores que estava sendo transmitido, após o uruguaio Fernando configurar a TV para mim. Alguns hóspedes disseram-me para deixar a porta do quarto fechado para que o gato não entrasse e deitasse na cama. Abaixo a Praia de Boca da Barra. Na 6.a feira 21/9 fui explorar Boipeba. Após café da manhã com parte do que havia comprado, fui andando pelas praias, passando por Boca da Barra, Tassimirim, Cueira, Moreré e Bainema. Achei as vistas muito belas . Para chegar até Moreré precisei atravessar um pequeno rio. Como a maré estava alta, passei pelo trecho que tinha pedras, pois disseram que mais perto da praia havia ostras que poderiam cortar os pés. No fim da Praia de Bainema, encontrei Caetano, pescador e morador de Castellanos, que estava indo para lá. Perguntei se poderia ir com ele, pois haviam dito que a trilha era muito difícil. Ele concordou e fomos. Ele foi dando informações sobre a trilha e num determinado momento abriu um coco maça , que eu nem sabia que existia. Ofereceu abrir um para mim também e eu aceitei. Achei uma delícia . Tinha a consistência de maça com sabor de coco. A partir de um determinado ponto, a trilha seguia pelo meio do mangue. E mais à frente, começava a ter água do mar. Caetano pegou 2 caranguejos-siri na trilha. Quando chegamos ao local onde estava o barco dele, a água já estava na altura da coxa. Daí para frente fomos de barco e saímos em um rio, que atravessamos junto com Marcelo, que se uniu a nós na outra margem, mas ainda longe do ponto final de destino na praia. Após chegar lá conheci sua família e amigos. Ele me explicou o caminho de volta e disse que seria mais fácil, pois a maré já estaria baixa. Ofereci-me para ajudá-lo a fazer uma página na internet para divulgar possíveis serviços de guia e outros e ele disse que me enviaria mensagem por celular com seu contato. Eram perto de 14 horas e fui caminhar até a Ponta de Castellanos. Achei as paisagens espetaculares, entre as melhores da viagem . Tanto do mar, quanto da praia, rio e vegetação. Fui andando rápido, pois não queria pegar escuridão na volta. Após deliciar-me com as paisagens magníficas, chegar até a ponta e tentar ver o povoado de Cova da Onça, voltei acelerado. Quando cheguei ao ponto em que havia desembarcado e perguntei onde era o início da trilha para sair no ponto mais curto de travessia do rio, Marcelo e João do Barco, seu tio, disseram-me que me atravessariam, pois tinham que atravessar mesmo e poderia ser perigoso eu atravessar nadando aquele rio extenso (realmente era bem mais extenso do que eu tinha imaginado quando perguntei a Caetano se poderia ir com ele). Acho que eles tinham ficado esperando por mim. Antes de atravessar reencontrei Alexandre, atendente do hostel de Barra Grande, que estava tomando algo em um bar restaurante da praia. Ele perguntou se tinha corrido tudo certo ao falar com Maria (a dona) sobre o atraso, disse que sim, desejei-lhe boa folga e fui. Eles me atravessaram e me deixaram já dentro do mangue, pouco depois de onde eu havia embarcado com Caetano . Agradeci muito, pois realmente atravessar aquele rio nadando teria sido duro . A água estava mais baixa e quando cheguei ao ponto em que havia subido no barco de Caetano, já estava quase seco. Segui pelo mangue sem me perder e cheguei de volta à Praia de Bainema. Entre a ida e a volta vi alguns caranguejos e pássaros no mangue. Vi também tartarugas mortas nas praias e piscinas naturais em vários pontos. Voltei e passei pelo rio que levava a Moreré ainda com claridade. Com maré baixa pude atravessar pela praia mesmo. Entretanto acabei pegando o fim da trilha à noite, o que foi um pouco problemático num ponto que passava por dentro de mata, pois era difícil enxergar, visto que as árvores tapavam a luz da Lua e das estrelas. Mas foi um trecho curto. Jantei espaguete com legumes, biscoito e goiabada. Mariana, uma das funcionárias voluntárias do hostel, falou-me que no dia seguinte ela e 2 amigas iriam até Castellanos e perguntou se eu não queria ir junto. Expliquei que tinha ido naquele dia e disse que um pescador e morador que me atravessou para lá desejava atuar como guia também e tinha ficado de me enviar seu contato. Ela se interessou e fiquei de repassar para ela assim que recebesse, mas Caetano não me enviou seu contato. À noite houve uma festa gratuita com música no bar do hostel, que era comandado por Melissa, argentina de Puerto Madryn e por uma mineira. Lá reencontrei um surfista que havia me dado orientações quando estava em Bainema e se ofereceu para guiar Mariana e suas amigas até Castellanos, mas Mariana acabou optando por outra alternativa. No sábado 22/9 fui andando até Cova da Onça. Após café da manhã, semelhante ao do dia anterior, parti e fui procurar o início do que chamavam de Caminho do Trator. Era a estrada por onde passava o trator de coleta de lixo. Após andar por algumas ruas da cidade, encontrei-a e a segui por cerca de 2 horas até Cova da Onça. Ela tinha belas paisagens, era de areia ou terra e estava em sua maioria deserta. Passei por uma comunidade quilombola onde confirmei o caminho. Num dos pontos mais altos achei a vista do mar e da costa muito bela. Ao chegar ao povoado, surpreendi-me com seu tamanho, muito maior do que havia imaginado. Tinha praias com mangue e barcos. Após andar na pequena orla, perguntei a alguns moradores se era possível ir em frente e ver a paisagem ou chegar até o rio que a separava do caminho que levava a Pratigi e Barra Grande, por onde eu queria ter passado mas não consegui. Explicaram-me que havia uma trilha pela orla em que depois eu subiria e iria parar nos campos, onde se poderia ver amplamente a paisagem. Segui a trilha conforme indicaram e cheguei num ponto bem alto, em que pude ver a vegetação, a mata, a costa, as praias, os rios, o povoado do outro lado do rio e toda a natureza ao redor. Achei a vista espetacular. Foi, juntamente com o Mirante de Morro de São Paulo, a vista de que eu mais gostei na viagem. Mas se tivesse que escolher uma só, escolheria esta. Após descer, perguntei se poderia pegar um coco das árvores da orla. Amantino e seu amigo pegaram dois cocos com bastante água e massa para mim e um para ele. Enquanto comíamos os cocos ficamos conversando. Ele me falou que havia morado e trabalhado em São Paulo e que agora estava aposentado. Apareceu uma menina de uns 8 anos, chamada Júlia, e perguntou porque a minha camisa estava suja daquele jeito e se eu morava no mato. Eu ri, respondi que não morava no mato e a camisa estava suja de tanto abrir cocos manualmente nas praias. Ofereci coco para ela e ela não aceitou (acho que ficou com medo ou com vergonha), mas depois que eu estava acabando, pediu ao dono do bar em frente aos coqueiros (talvez algum parente seu) para pegar um coco para ela, mas ele disse que não iria pegar cocos naquele momento. Antes de voltar, resolvi perguntar se havia uma trilha para a Praia de Castellanos, como alguns haviam dito no dia anterior. Disseram-me que sim, bastava seguir o caminho do trator (era outro ramo). Segui a trilha e em cerca de 1 hora cheguei lá. Achei muito bonita a paisagem da trilha no meio da mata, com pássaros. Foi fácil, com pouca probabilidade de erro, ao contrário do que me haviam dito 1 dia antes. Novamente apreciei a bela vista daquela localidade. Tomei 2 banhos de mar pequenos, andei até a Ponta dos Castellanos novamente, fui até a curva de onde se avistava o local onde havia desembarcado 1 dia antes e depois voltei. Peguei 1 hora de escuridão, passando por um trecho de mata em que havia vários morcegos. Ofereceram-me carona por 2 vezes, eu agradeci e recusei, pois achei que não era necessário. Jantei espaguete com legumes, com biscoito e goiabada de sobremesa. Na 6.a feira ou no sábado eu fui visitar a loja de artesanato de uma argentina que havia se mudado para lá e um restaurante típico baiano, com quadros, que ficavam na ladeira que ligava a praça central ao porto. Gostei de ambos, que me atenderam muito bem. No domingo 23/9 aproveitei para descansar. Após acordar fui pesquisar como cruzar o canal para ir a Morro de São Paulo. Atravessei e voltei nadando e me convenci de que precisava de um barco, pois a partir de certo ponto a água me cobriu. Depois comprei R$ 1,60 em pães (cebola, coco, milho e arroz) e R$ 2,00 em pepino e chuchu para o café da manhã e o jantar, ambos com dinheiro. Após o café da manhã, fui visitar os pontos de interesse que eram próximos ao centro. Fui à Casa de Farinha, Mirante do Quebra Cu, Igreja (que estava fechada) e Mirante Céu de Boipeba (dentro de uma pousada ou hotel, que os donos permitiram acessar). Achei as construções antigas interessantes e a vista dos 2 mirantes muito boas, mas preferi a do Mirante da Cova da Onça. Do Céu de Boipeba eu fui pela trilha até a Praia de Cueira, onde passei o resto do dia, contemplando e descansando. Já havia gostado daquela praia anteriormente e continuei gostando, agora com o dia todo para desfrutar. No fim da tarde vi o pôr do sol, que teve cores avermelhadas e alaranjadas. Tomei 2 banhos de mar ao longo do dia. À noite chegou ao hostel o carioca André, que tinha ido prestar um concurso público e decidido ficar mais um dia para conhecer a área. Ele morava e trabalhava com turismo em Ilhéus, sendo dono de um hostel e organizando excursões de Ilhéus a Morro de São Paulo. Levei-o para um passeio à noite, para apresentar o pouco do centro que eu conhecia e aproveitamos para tentar ir conhecer a igreja. Mas estava havendo missa e eu não entrei. Porém pude apreciar a vista do mar e da orla a partir da sua lateral. Era noite de Lua cheia e eu achei o céu muito belo. Ainda deu tempo de ver um pouco de Cruzeiro x Santos pelo campeonato brasileiro. O uruguaio Fernando, que torcia para o Peñarol, falou-me que não tinha boas lembranças do Santos nem do Palmeiras, que tinha sido o jogo da 5.a feira anterior. Na segunda-feira 24/9 fui para Morro de São Paulo. Comprei R$ 1,20 com dinheiro em pães (2 de cebola e 1 de arroz) para o café da manhã. Despedi-me de André, que foi dar um passeio nas praias. Fui visitar a Igreja do Divino Espírito Santo, que desta vez estava aberta. Aproveitei para apreciar a vista a partir do mirante durante o dia, que me pareceu muito boa. Quando entrei no terreno atrás da igreja em que ficava o cemitério, um homem que estava cavando um túmulo disse que estava preparando a minha cama . A seguir visitei o Museu dos Ossos, que tinha fragmentos de ossos de baleias e outros animais marinhos. Depois voltei ao hostel, peguei a mochila e fui procurar a travessia para a Praia do Pontal, mostrada abaixo. Paguei R$ 10,00 em dinheiro por ela. Inicialmente fui no sentido oposto para conhecer um pouco a área e depois rumei para Morro de São Paulo. Caminhei pela praia passando dentro de trechos de mangue, o que achei sensacional. Peguei um coco, que deu enorme trabalho para desbastar até a casca dura, pois não havia nada cortante por perto. Um rapaz passou 2 vezes de moto enquanto eu tentava desbastá-lo e me perguntou se eu havia visto um chapéu. Respondi que não, mas que se encontrasse deixaria na barraca que ele indicou. Na saída de uma das trilhas de mangue havia uma árvore com vários ninhos de pássaros. Logo em seguida cheguei à Praia de Guarapuá, que achei magnífica. O mar tinha vários tons de verde e azul, conforme foto abaixo. E o banho foi delicioso. No fim da praia, indicaram-me para pegar uma trilha permitida por dentro de uma fazenda, cuja paisagem de mata muito me agradou. Um caçador que encontrei no meio do caminho deu-me informações preciosas sobre a trilha. Ele estava colocando ratoeiras. Já perto do fim da trilha, um rapaz que estava pegando cocos e caranguejos guaiamuns, abriu o coco para mim. A água estava já um pouco passada, mas mesmo assim tomei e aproveitei. Tinha muita massa, já seca, o que me permitiu comer em várias ocasiões. Logo a seguir cheguei na praia (5.a Praia), voltei um pouco até o mangue, para conhecer toda a extensão, e depois fui pela praia, apesar da maré já bem alta, rumo a Morro de São Paulo. Em Morro de São Paulo fiquei no Hostel La Casita (https://www.facebook.com/lacasitademorro) por R$ 25,00 a diária pagos com cartão de crédito. Os donos eram argentinos e havia vários hóspedes argentinos e chilenos. O hostel tinha muita comida comunitária (arroz, feijão, queijo ralado, farinha de milho, temperos etc), o que enriqueceu minhas refeições e achei uma ótima ideia, pois para quem vai ficar pouco tempo é inviável comprar a quantidade normalmente vendida destes itens. Na primeira noite uma mineira funcionária voluntária, do mesmo tipo que troca hospedagem e refeições por trabalho, fez um bolo de cenoura de que gostei. Fiz compras no Supermercado Estrela da Manhã (espaguete, goiabada, pepino e chuchu) por R$ 8,50 com cartão de crédito e em outro supermercado (cebola e laranja) por R$ 2,70 em dinheiro. Na 3.a feira 25/9 fui explorar Morro de São Paulo. Inicialmente comprei pães no Mercado Nativo (3 pães franceses, 3 pães de milho e 2 pães de arroz) por R$ 2,00 com cartão de crédito. Depois do café da manhã segui o caminho para a Praia de Gamboa. A trilha ia por morros e descia para a praia. Achei muito boa a vista do alto dos morros. Com a maré baixa, caminhar pela praia foi tranquilo. Já em Gamboa, o barqueiro Ângelo aceitou cruzar-me para o outro lado quando fosse seguir viagem e disse que o faria de graça. Eu pedi um preço, mas ele falou que poderia dar quanto quisesse, talvez só R$ 5,00 para pagar o óleo. Continuei até acabar a praia e depois segui pelo manguezal. Lá encontrei um pescador ou caçador de caranguejos que disse que a trilha poderia levar-me ao Galeão, mas que seriam 2 horas de trilha e que esta estava muito suja, com grandes chances de eu não conseguir. Resolvi então não ir e só caminhei mais um pouco até onde achei o caminho razoável. Não foi tão espetacular quanto a trilha entre Boipeba e Guarapuá, mas não deixou de ter certo interesse. Na volta, depois de chegar à praia, tomei um gostoso banho de mar. Perguntei a várias pessoas se dava para voltar pela praia com a maré como estava e quase todos disseram que não. Eu não tinha levado dinheiro para pegar o barco e a trilha sem ser pela praia passava pela comunidade Buraco do Cachorro, que disseram não ser segura porque tinha alguns redutos de crime. Como um nativo me disse que era possível ir pela praia, porém seria sofrido, resolvi ir pela praia assim mesmo. Até que não foi tão difícil, pois toda a primeira parte foi possível fazer por uma faixa estreita de areia, aguardando as ondas baixarem em alguns trechos, ou por cima de pedras. Depois surgiram trilhas laterais nos morros, o que facilitou tudo. Mais à frente encontrei algumas pessoas nas pedras e brincando no mar e elas me indicaram como pegar a trilha principal para chegar de volta a Morro de São Paulo. Aproveitando que voltei cedo, fui conhecer a Fonte da Biquinha, a fortaleza, as praças, a igreja e o farol. Depois fui aos mirantes, de ambos os lados do farol. Achei a vista espetacular, entre as melhores da viagem. Esperei para ver o pôr do sol do mirante principal, que estava lotado. À noite reencontrei Mariana, que agora estava como hóspede, preparando-se para ir fazer trabalho voluntário trocado por hospedagem e refeições na Praia de Pipa. Jantei espaguete com legumes, acrescido de um pouco dos itens comunitários (proteína texturizada de soja, arroz, feijão, farinha de milho e temperos). Depois fui dar um passeio na orla e apreciar a vista noturna. Havia uma passarela de madeira bem movimentada, que permitia andar perto da costa. Na 4.a feira 26/9 fui ver os peixes e descansar. Tomei café com pães, legumes e goiabada e fui ver os peixes nos recifes de coral da 2.a Praia. Antes de chegar na água pude ver as piscinas naturais que se formavam com a maré baixa, conforme foto a seguir. Havia vários tipos de peixes, ouriços e coral. Fiquei lá bastante tempo apreciando os cardumes. Conversei com um aposentado nordestino que morava em Sorocaba e estava fazendo o mesmo. Depois fui conhecer o Teatro do Morro, o Campo de Mangaba e o mirante perto da antena. Desci de lá e fui para a 3.a praia para ver mais peixes. Havia também bastante peixes e caranguejos, mas vi menos do que na 2.a Praia. Fui até a ponta do recife apreciar a vista do mar e depois fui para a 4.a Praia, onde fiquei contemplando a paisagem. Lá também havia peixes, mas eu já estava satisfeito e não tentei muito. Boiei 2 vezes no mar, pois era muito raso, mas gostei. Já perto do fim da tarde voltei ao Mirante da Tirolesa (ao lado do farol) para ver as pessoas descerem. Depois fui ao mirante principal do outro lado para ver o pôr do sol novamente. Achei as vistas espetaculares de novo. Comprei pães (3 franceses, 2 de milho e 1 de arroz) para o dia seguinte no Mercado Nativo por R$ 1,50 com cartão de crédito. Jantei espaguete, arroz, feijão, farinha de milho, legumes e temperos. Depois que eu já tinha começado a fazer o jantar, perguntaram-me se eu queria participar da noite de pizza que haveria, mas aí já era tarde. E acabou havendo uma festa, junto com a pizza. Eu já estava no quarto, mas ouvi as canções argentinas (pelo menos eu acho que eram). Na 5.a feira 27/9 fui rumo à Praia do Garcez. Após o café da manhã com sanduíches, laranja e goiabada e de passar pela passarela com vista para as piscinas naturais nos recifes de coral com maré baixa, fui para o porto para pegar o barco de linha para o atracadouro, que era do outro lado do canal. Antes passei pelo guichê de cobrança para pagar a taxa ambiental, mas a atendente isentou-me, dizendo que a cobrança não existia quando a entrada era por Boipeba. No barco encontrei a argentina que tinha ficado no mesmo quarto que eu no hostel. Ela estava indo para Barra Grande. Peguei o barco da Quick Pousada e Transporte Marítimo por R$ 10,00 em dinheiro. Como ele era lento foi possível apreciar a bela paisagem com calma, incluindo os paredões de argila no caminho para Gamboa, exibidos na foto abaixo. Depois de chegarmos, despedi-me da argentina e comecei a caminhada rumo à Praia do Garcez. Fui perguntando a pescadores e habitantes locais se conseguiria cruzar o rio que havia lá e me disseram que com maré baixa conseguiria, mas pelos meus cálculos não chegaria no auge da maré baixa. Ao longo do caminho vi siris, periquitos, árvore com ninhos, casas de joão-de-barro e bastante sujeira também, mesmo em praias desertas. Havia também várias belas praias e trechos de vegetação, como esta área de mata da foto antes de chegar em Guaibim. Quando cheguei na Boca da Barra vi um rapaz aparentemente trabalhando ou esperando algo. Ele me disse que até há cerca de 15 minutos eu conseguiria atravessar, mas que agora a maré tinha subido e ele não sabia. Falou para eu fazer um teste. Fui pelo trecho que ele indicou e percebi que a água iria me cobrir. Desisti . Ele falou que havia muitos pescando e que quando um passasse ele pediria para me atravessar. Após alguns minutos, falou que seu primo vinha vindo de barco e que me atravessaria. Ele fez sinal para o primo que me permitiu embarcar e me atravessou. Ofereceu-me carona até o povoado de Ilha D’Ajuda, eu agradeci, mas preferi ir caminhando. Antes fui dar um passeio nos bancos de areia do outro lado da boca e tomar um banho de mar. Achei bela a área da barra do rio. Depois segui para o povoado. Havia muitas bifurcações na estrada, que era deserta. Acabei pegando um ramo errado e fui parar numa fábrica. Lá havia um rapaz trabalhando que me orientou sobre o caminho correto. No povoado fiquei na Pousada do Juraci por R$ 25,00 em dinheiro. Fiquei surpreso quando ele me falou que alugava quartos por R$ 150,00 por mês. Comprei R$ 5,40 (9 pães (francês, milho e leite), tomate, cebola e pepino) com cartão de crédito num mercado. Depois do jantar fui dar um passeio para conhecer um pouco do povoado e ainda pude admirar um pouco do céu noturno. Na 6.a feira 28/9 fui para Cacha Pregos, primeiro povoado da Ilha de Itaparica do meu roteiro. Um galo acordou-me cantando ao amanhecer . Tomei café da manhã, comprei pães (2 franceses e 1 de milho) no mesmo mercado por R$ 1,00 em dinheiro e rumei para Cacha Pregos. Peguei 3 cocos na praia, 1 com massa e 2 só com água, mas bem doces. Encontrei muitos siris na areia. Quando já estava perto de cruzar o Rio Jaguaripe encontrei um pescador que me perguntou se eu estava louco quando falei que pretendia ir a Cacha Pregos. Aí disse que tentaria um barco para me atravessar e ele respondeu que só mesmo se fosse assim. Quando cheguei no rio vi que a travessia era muito mais larga do que eu imaginava e que a margem em que eu estava era deserta. Tentei gritar para os barcos do outro lado, mas era tão longe que seria virtualmente impossível me ouvirem ou verem. Fui margeando o rio até ver uma espécie de iate ancorado. Fui em direção a ele para ver se conseguiria uma travessia. Conforme fui chegando mais perto vi outros barcos menores atracados numa espécie de trapiche. Apareceram alguns homens e comecei a atravessar um solo enlameado. Quando cheguei perguntei se eles iriam atravessar ou conheciam alguém que fosse. Eles disseram que iriam, porém no fim da tarde. Eram trabalhadores de uma fazenda de lazer, estavam consertando um barco e voltariam para Cacha Pregos após o trabalho no fim do dia. Então subi no trapiche, fui até a ponta numa espécie de abrigo e almocei os pães enquanto eles comiam suas marmitas. Combinamos de eu retornar no fim da tarde, deixei minha mochila no abrigo e voltei para a ponta da barra para ir à praia. Tomei banhos de mar e 1 banho numa pequena lagoa, além de ficar contemplando a paisagem. Na volta a maré havia subido e eu não tinha percebido o tamanho do impacto para o qual eles tinham tentado me alertar. Tive que atravessar a nado 2 razoáveis extensões de água onde antes era só areia enlameada. Após esperá-los, atravessei com vários outros trabalhadores da fazenda para Cacha Pregos. Durante a travessia eles me indicaram uma pousada barata. Passei antes numa de um espanhol que alugava via AirBnB, mas após falar com Zel da barraca, fui para a que eles e ela haviam indicado, que era a pousada 4 Estações (https://www.facebook.com/pages/category/Hotel/Pousada-4-Esta%C3%A7%C3%B5es-1650017345250201/) e lá fiquei por R$ 40,00 pagos com cartão de crédito. Após acomodar-me fui tomar um banho de mar e ver o pôr do sol a partir da praia em frente a ela, mostrado na foto abaixo. Depois fui comprar pepino, chuchu, cebola, pimentão, beterraba e laranja no supermercado por R$ 3,60 em dinheiro, 9 pães e 8 broas de milho na padaria por R$ 6,65 com cartão de crédito. Jantei sanduíches e depois fui dar uma volta na praia à noite, podendo desfrutar do céu estrelado. No sábado 29/9 saí rumo à cidade de Itaparica, mas sabendo que não chegaria lá em um dia. Logo de manhã fui tomar um banho de mar. Depois dei um passeio na praia até um pouco depois do ponto em que havia desembarcado, após o qual acabava a praia, para poder apreciar com calma aquele trecho. Passei na padaria para dizer que havia pego 1 pão a menos. Acreditaram e ainda me deram 1 pão a mais de cortesia. Depois do café parti. As praias estavam com bastante gente, pois era sábado, o que acho que tornou a caminhada mais segura, pois vários me disseram que a Ilha de Itaparica poderia apresentar trechos perigosos. Gostei bastante das paisagens, com o mar verde e já pude ver Salvador, lá longe, do outro lado da Baía de Todos os Santos. Tomei 2 banhos de mar ao longo do caminho, boiando na água calma. Uma foto de uma das praias, a Barra do Cavaco, pode ser vista abaixo Num determinado trecho fiquei preso pela maré numa passagem suspensa e tive que voltar e contornar pela rua. Resolvi parar em Mar Grande. Quando cheguei perguntei num restaurante sobre pousadas baratas e o garçom indicou-me algumas. Um rapaz que lá estava pediu para me acompanhar, pois queria receber alguma comissão da pousada. Porém estava meio alterado provavelmente por abstinência e acabou querendo influir na minha escolha para ganhar a comissão e depois pedindo para eu comprar um artesanato seu, pois ele queria fumar um baseado. Aí eu pedi para ele parar de me acompanhar. Ofereci pão, mas ele não quis. Iria ficar na Pousada Pôr do Sol, como ele havia indicado, tendo inclusive já fechado acordo de valor e condições com o atendente e informado que o rapaz havia me indicado, para o caso deles pagarem comissão. Porém eles não tinham o quarto pronto e me falaram para voltar depois das 19 horas. Pessoas locais haviam dito para mim que subindo um pouco acima da pousada e fazendo a curva era uma área perigosa, provavelmente de tráfico. O próprio atendente da pousada disse que aquela área era um pouco perigosa para turistas, mas que pela minha aparência achava que não haveria problemas. Resolvi arriscar. Fui então fazer compras para o jantar e o café da manhã. Ao descer a ladeira vi dois rapazes parados que pareciam estar vigiando e fiquei um pouco preocupado com a situação. Comi um acarajé no prato por R$ 3,00 em dinheiro, comprei R$ 2,00 em pães (7 pães, 4 franceses, 2 de milho e 2 de leite) na padaria em dinheiro (deram-me 1 pão de cortesia), R$ 0,92 em tomates, pepino e cebola no Mercado Fonseca com cartão de crédito e R$ 0,47 em bananas prata no BomPreço Bahia Supermercados com cartão de crédito. Quando voltei, já estava escuro, e ao começar a subir a ladeira, um homem sentado atrás de um caminhão, perguntou-me “Qualé que é?”. Assustei-me e respondi que só iria até a pousada. Ele me disse que poderia ir. Falei que iria depois então. Ele me disse para me aproximar. Não fiz isso. Perguntou se eu estava com medo alterando a voz e respondi que não, apenas voltaria depois. Outro rapaz mais acima falou “Tá de boa, pode vir”, mas eu optei por não ficar lá. Fui então para a Pousada Cigana (https://www.facebook.com/pousadaciganailha/), onde fiquei por R$ 50,00 em dinheiro, sem café da manhã. No dia seguinte descobri que existia um hostel na beira da praia por R$ 40,00 com café da manhã, que só não havia encontrado porque o rapaz que me acompanhou estava tão direcionado para a comissão que acabei não o vendo. Ao sair à noite para ver o povoado e a orla, vi 2 cavaleiros correndo pela lateral da orla. Quando chegaram perto do centro e o piso virou cimento na ciclovia, o cavalo de um deles caiu e ele foi junto. Mas nem um dos dois pareceu ter ferimentos mais sérios, embora o cavalo tenha demorado para se levantar. No domingo 30/9 fui para a cidade de Itaparica. Acordei e fui tomar um banho de mar. O portão estava aparentemente trancado e eu não conseguia abrir. Mas um hóspede mais acostumado conseguiu abrir facilmente e pude sair. Fui até a igreja antes para poder visitá-la, mas perguntei ao moço que a estava arrumando para a missa se poderia visitá-la com calção de banho e camiseta regata (de alças) e ele disse que não. Então fui para o mar e depois voltei. Ainda consegui visitar um pouco antes da missa, mas já com bastante gente. Comprei R$ 2,00 em pães (4 franceses, 2 de milho e 2 de leite) na padaria em dinheiro (novamente deram-me 1 pão de cortesia) e R$ 1,13 em tomate, pepino e cebola no Mercado Fonseca com cartão de crédito. Tomei café com o que tinha comprado e mais bananas do dia anterior. Depois saí com destino à cidade de Itaparica. Disseram-me que haveria trechos desertos, com matagal na beira da praia que poderiam ser perigosos, mas como era domingo as praias estavam com bastante gente e não tive nenhum problema de segurança, nem nos trechos mais desertos. Realmente passei por trechos com matagal ao lado e trechos desertos ao lado de morros, com muitas pedras e recifes na praia. Achei as paisagens belas. Passei por Bom Despacho, local de onde saíam os barcos para Salvador. Em frente ao local de embarque havia um quebra-mar, que tinha uma pequenina praia de areia embaixo e permitia uma bela vista. A foto a partir do local está abaixo. Perguntei no porto sobre horários, formas de pagamento, preços e segurança para ir a pé do ponto de chegada ao Pelourinho em Salvador. Ao chegar em Itaparica, enquanto procurava local para me hospedar, aproveitei para conhecer e apreciar as construções históricas do centro. Fiquei no Veranda Hostel (https://www.tripadvisor.com/Hotel_Review-g659906-d15207946-Reviews-Veranda_Hostel-Itaparica_Ilha_de_Itaparica_State_of_Bahia.html), cujo proprietário, François, era da Namíbia. A vista a partir de sua varanda agradou-me muito. Inicialmente combinamos R$ 45,00 a diária no cartão de crédito, sem café da manhã. Comprei R$ 3,00 (batata e chuchu) em uma mercearia e R$ 1,60 (tomate e cebola) em outra, pagando ambas com dinheiro. Ainda deu para ir à praia e lá fiquei por algum tempo, contemplando a paisagem. Estava lotada. Tomei 2 deliciosos banhos de mar, com consentimento dos salva-vidas para ir ao fundo. No fim da tarde ainda vi o lindo pôr do sol a partir da orla que ficava de frente para o hostel. Saindo de lá assisti ao resto do jogo entre Internacional e Vitória num bar. Os torcedores estavam revoltados com o pênalti que o árbitro havia marcado no fim. Depois fui à padaria comprar R$ 2,00 em pães (3 franceses, 1 de milho e 1 de leite) com cartão de crédito. Cozinhei batatas e juntei com o resto para o jantar. Na 2.a feira 1/10 aproveitei para conhecer melhor Itaparica. Tomei um banho de mar logo pela manhã. Comprei R$ 2,00 em pães (franceses, milho e leite) em outra padaria mais próxima, tomei café da manhã com sanduíches e banana, e fui fazer compras para os dias restantes no supermercado por R$ 8,64 com cartão de crédito (espaguete, berinjela, tomate, cebola, pepino, goiabada e pães (franceses, milho e leite)). Depois passei pela secretaria de turismo e me deram várias informações de pontos a visitar, pontos em que era seguro ir e em que não era e como voltar para Bom Despacho pela estrada caminhando. Uma moça perguntou-me se eu não tinha medo de caminhar sozinho pela praia. Então fui visitar os pontos de interesse na cidade, várias construções históricas, igreja, prefeitura, casas antigas, praças, Capela de Santo Antônio, exposição de fotos antigas da região na biblioteca e a marina. Dei também um passeio completo na orla central. Nativos disseram-me para não ir às praias depois da marina, nem à Biquinha, pois não era seguro devido à possibilidade de assaltos ou violência, mesmo vestindo somente calção de banho e camiseta regata. Após um leve almoço de pão com chuchu e pão com goiabada, fui à praia de Ponta de Areia, por onde havia passado no caminho de vinda e de que tinha gostado. As praias estavam bem mais vazias, mas não houve nenhum problema de segurança. Lá conversei com cariocas que estavam de férias sobre o Rio, Niterói e a situação eleitoral naquela semana que antecedia o 1.o turno das eleições. Tomei alguns banhos de mar e contemplei a paisagem. Num dos banhos, virou o caiaque de um rapaz que estava a meu lado com o guia. A água não o cobria, mas pelo susto e o choque com a água, acho que ele ficou assustado e com isso eu fiquei preocupado, mas tudo ficou bem. Perto do fim da tarde voltei para a praia central do forte onde tomei mais banho de mar. Em algumas situações ao longo do dia foi possível ver peixes pulando na água. Por fim fui contemplar o pôr do sol na orla novamente. Achei-o muito belo nos 2 dias. Segue uma foto dele. Jantei espaguete com legumes e pão com goiabada de sobremesa. Fiquei na varanda contemplando a paisagem noturna da Baía de Todos os Santos e as luzes dos povoados distantes do outro lado. Na 3.a feira 2/10 novamente tomei um banho de mar logo após acordar e depois o café da manhã com sanduíches, pão e goiabada. Resolvi ficar na praia pela manhã, pois o dono do hostel permitiu-me sair até as 14 horas. Conversei bastante com o salva-vidas, que era o mesmo do domingo. Falamos das diferenças da vida na Bahia e em São Paulo, que ele nunca tinha visitado, mas via pela TV, principalmente como as pessoas gastavam tempo para chegar em seus locais de trabalho. Dizia que não tinha vontade de morar lá. Depois de contemplar, descansar e tomar 2 banhos de mar voltei para o hostel para um leve almoço e ir embora para Salvador. Na hora de pagar com cartão, François disse-me que a máquina não estava disponível e não seria possível. Propôs então que eu pagasse R$ 50,00 pelos 2 dias, ou seja, R$ 25,00 a diária. Perguntei se isso não iria lhe dar prejuízo e ele disse que não, pois como eu tinha ficado sozinho e era fim de mês e ele precisava fechar a contabilidade com um valor não tão alto, não havia problema. Perguntei várias vezes, ele confirmou que não havia problema para ele e então paguei os R$ 50,00 em dinheiro. Tinha pego o sabonete que ele me deu como cortesia e não tinha usado, pois ainda tinha o meu. Devolvi para diminuir o custo dele com minha hospedagem. Antes de começar meu caminho, pedi a um taxista a confirmação de qual era o caminho mais indicado e ele me indicou o caminho que todos haviam dito ser o mais perigoso, passando pela Biquinha. Quando o questionei sobre a segurança, ele respondeu ironicamente rindo que pelo caminho que eu iria havia mais bandidos. Ignorei as sugestões dele. Fui caminhando pela Avenida Beira-Mar. Não tive nenhum problema de segurança, embora houvesse alguns trechos desertos. Achei belas as vistas da orla a partir dos pontos elevados. Peguei o barco das 16 horas em Bom Despacho. Paguei R$ 5,00 com cartão de crédito para a Internacional Travessias (https://internacionaltravessias.com.br). Cheguei em Salvador perto das 17 horas. Achei magnífica a vista da Baía de Todos os Santos, de Itaparica e de Salvador a partir do barco durante a travessia. A foto abaixo mostra a vista de Salvador quando estávamos chegando. A foto abaixo mostra o pôr do sol pouco antes de desembarcarmos. Fui andando até o Pelourinho sem problema nenhum. Fui por Santo Antônio, onde havia visto os hostels com preços melhores. Fiquei hospedado no Hostel Pelo do Carmo (https://www.facebook.com/Hostel-Pel%C3%B4-do-Carmo-1836152616404294) por R$ 15,00 em dinheiro, sem café da manhã. O hostel tinha 7 meses desde a inauguração e ficava num casarão antigo. Optei por este hostel, além do preço, pela vista espetacular da Igreja do Carmo, a partir da janela do quarto e pela vista da Baía de Todos os Santos a partir da sala de TV. Lá conheci um libanês, que morava em Brasília, um catarinense e um campineiro, com quem conversei bastante. Fui visitar o Forte de Santo Antônio e a Igreja de Santo Antônio e comprar chuchu, cenoura, cebola, pepino e pães no Bar e Mercearia do Carmo por R$ 7,13 com cartão de crédito. Depois fui passear um pouco pelo Pelourinho e assistir alguns espetáculos artísticos. Assisti vários conjuntos musicais, especialmente Tambores e Cores (https://www.facebook.com/fernando.barretodealmeida.1/videos/vb.100005659626174/924642111067768). Após ver um pouco do jogo da Libertadores fui dormir. Na 4.a feira 3/10 tomei café da manhã com sanduíches e goiabada, apreciei pela última vez as vistas da Igreja e da Baía, despedi-me do campineiro que iria à praia e saí para o aeroporto. No caminho comprei R$ 1,00 em pães para o almoço numa mercearia ao lado da do dia anterior, mas em que o pão era mais barato. Mais à frente, já perto da estação de metrô, visitei a Igreja de Santana, que achei muito bela e bem restaurada. Ainda pude ver o fórum, em frente à estação e embarquei. Paguei R$ 3,70 pelo bilhete unitário. Achei muito bom o metrô de Salvador e bem mais vazio do que o de São Paulo, talvez porque a extensão fosse bem menor. Como ele era quase todo por via aérea, foi possível apreciar a vista de várias partes da cidade. No aeroporto havia um ônibus gratuito da estação de metrô até o embarque. O voo foi bom, mas a vista da Baía de Todos os Santos não foi tão espetacular quanto eu já havia visto outras vezes. Em Guarulhos peguei o ônibus gratuito que me levou do Terminal 2 até a recém inaugurada estação de metrô do aeroporto. Paguei R$ 3,69 pelo bilhete de metrô (carreguei múltiplos) para ir até o Brás, com conexão gratuita para Linha Vermelha no Tatuapé.
  2. @D FABIANO a data é esta mesmo . Estou escrevendo as viagens de trás para frente. Pretendo chegar até 1998, se minha memória permitir. Acho que vale pelo roteiro, pois boa parte não muda e pode ajudar pessoas a ter uma ideia. Mas preços, horários, linhas de avião, ônibus, restaurantes, hotéis, etc. podem ter mudado ou desaparecido. Dá também para ter uma ideia da inflação e da evolução dos negócios .
  3. Considerações Gerais: Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, hotéis, meios de transporte e informações adicionais que eu achar relevantes. Nesta época eu ainda não registrava detalhadamente as informações, então preços muitas vezes vão ser estimativas e albergues, hotéis e meios de transporte poderão não ter informações detalhadas, mas procurarei citar as informações de que eu lembrar para tentar dar a melhor ideia possível a quem desejar repetir o trajeto e ter uma base para pesquisar detalhes. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais: Meu objetivo era fazer uma peregrinação. Por isso procurei ficar em albergues associados à peregrinação durante o caminho. Mas aproveitei também para conhecer Madrid e algumas cidades de Portugal. Obtive a credencial de peregrino e muitas informações na Associação de Confrades e Amigos do Caminho de Santiago (https://www.santiago.org.br). Não me preocupei com conforto nem com luxo. Minhas paradas foram mais ou menos as seguintes com as respectivas distâncias caminhadas, salvo algum esquecimento (não tenho mais a credencial para confirmar, doei-a para a Associação de Amigos do Caminho): 4.a 28/3: Saint-Jean-Pied-de-Port a Roncesvalles - 30 km 5.a 29/3: Roncesvalles a Villava - 30 km 6.a 30/3: Villava a Pamplona - 4 km Sáb 31/3: Pamplona a Cirauqui - 30 km Dom 01/4: Cirauqui a Los Arcos - 32 km 2.a 02/4: Los Arcos a Torres del Rio - 14 km 3.a 03/4: Torres del Rio a Logroño - 18 km 4.a 04/4: Logroño a Nájera - 27 km 5.a 05/4: Nájera a Redecilla del Camino - 30 km 6.a 06/4: Redecilla del Camino a San Juan de Ortega - 35 km Sáb 07/4: San Juan de Ortega a Burgos - 23 km Dom 08/4: Burgos a Tardajos - 11 km 2.a 09/4: Tardajos a Castrojeriz - 30 km 3.a 10/4: Castrojeriz a Carrion de los Condes - 45 km 4.a 11/4: Carrion de los Condes a Sahagun - 38 km 5.a 12/4: Sahagun a Mansilla de las Mulas - 36 km 6.a 13/4: Mansilla de las Mulas a Leon - 18 km Sáb 14/4: Leon a Villadangos del Páramo (?) - 20 km Dom 15/4: Villadangos del Páramo (?) a El Ganso - 39 km 2.a 16/4: El Ganso a Molinaseca - 32 km 3.a 17/4: Molinaseca a VillaFranca del Bierzo - 27 km 4.a 18/4: VillaFranca del Bierzo a Alto de Polo - 36 km 5.a 19/4: Alto de Polo a Sarria - 31 km 6.a 20/4: Sarria a Ligonde - 36 km Sáb 21/4: Ligonde a Arzúa - 37 km Dom 22/4: Arzúa a Monte do Gozo - 33 km 2.a 23/4: Monte do Gozo a Compostela - 5 km Eu não sou cristão. Meu objetivo não era a instituição Igreja, mas sim a vivência espiritual que transcende as instituições religiosas e remonta à Natureza mais profunda do Universo. A rota que escolhi foi o Caminho Francês, saindo de Saint-Jean-Pied-de-Port. São cerca de 800 Km. Foi muito fácil achar informações sobre esta peregrinação. Ela é muito conhecida e há muitos brasileiros que a fazem. Pode-se encontrar informações em https://www.santiago.org.br, https://www.eurodicas.com.br/caminho-de-santiago-de-compostela, http://www.caminhodesantiago.com.br e http://www.melhoresdestinos.com.br/caminho-de-santiago-roteiro-dicas.html. Para hospedagem veja: http://caminodesantiago.consumer.es/albergues/#camino-frances Em Madrid e Portugal obtive mapas e roteiros turísticos gratuitos das cidades . Durante o Caminho geralmente fui muito bem tratado e muita gente, incluindo agricultores, ofereceu gratuitamente ou a preços reduzidíssimos alimentos, como maças e outros produtos, que em geral recusei, procurando não ofender os ofertantes, para deixá-los para quem estivesse em dificuldades. Foram raras as pessoas rudes durante o Caminho. A sinalização pareceu-me muito boa. Em raríssimas ocasiões fiquei em dúvida devido à falta de sinalização. Além disso, quase todos conheciam o Caminho e estavam quase sempre dispostos a auxiliar . Houve alguns trechos em que a peregrinação seguia por rodovias, o que fez com que fosse necessário ficar bastante atento para evitar acidentes. Houve muitos atrativos naturais, culturais, históricos e religiosos ao longo do caminho, como rios, parques, bosques, montanhas, igrejas, santuários, construções antigas (da Idade Média e da Idade Moderna principalmente), centros culturais, itens da cultura local, etc. Achei que as igrejas, apesar de espetaculares, geralmente tinham um astral carregado, com muitas imagens com aspecto de sofrimento. Em conversa com um padre sobre o assunto, ele me disse que isso se devia a serem de uma época em que houve muitas dificuldades, pestes, doenças, guerras, etc, que as pessoas pensavam serem castigos de Deus. Havia muitas igrejas e santuários enormes, com muitos ornamentos, em localidades pequenas. Em muitas havia símbolos do poder do Estado, provavelmente das idades medieval e moderna. A maioria absoluta das minhas refeições foram feitas com compras de supermercado, padaria ou similares. Pizza, pão, queijo, vegetais, frutas e eventualmente algum doce (eu sou vegetariano). Raras vezes fui a restaurantes ou pedi o menu do peregrino. Achar água potável ao longo da peregrinação foi razoavelmente fácil em alguns poucos trechos. Havia fontes que as pessoas disseram ser confiáveis e de que bebi. Minha mochila estava razoavelmente leve. Cerca de 7 kg, mas às vezes ficava mais pesada devido a comida e água que eu carregava. Em algumas vezes houve chuva e nos primeiros dias houve neve . Estas estiverem entre as situações mais difíceis durante o trajeto. Havia muita gente fazendo o Caminho. Encontrar peregrinos era muito fácil e era possível estar em grupo todo o tempo se fosse desejado. Algo que me surpreendeu foi a quantidade de cruzes e respectivas dedicatórias devido a pessoas que aparentemente morreram fazendo o caminho. E algumas delas ficavam em locais tranquilos, em que era difícil imaginar algum acidente ou cataclisma. Mas nunca se sabe o que pode acontecer, ainda mais considerando as diferentes condições de saúde dos peregrinos e o imponderável. Achei as espanholas lindas. Várias vezes fiquei admirando sua beleza. Acho que é meu padrão favorito de beleza. A circulação entre Espanha, França e Portugal foi livre, sem nenhuma checagem de documentos. Não tive nenhum problema de segurança durante o Caminho nem em Madrid nem em Portugal. Porém a Cidade do Porto e Lisboa pareceram-me não ter a mesma tranquilidade de segurança do que as outras. A Viagem: Minha viagem foi de SP (Guarulhos) a Madrid em 18/3/2007. A volta foi de Madrid a SP (Guarulhos) em 4/5/2007. Na ida e na volta fiz conexão em Buenos Aires. Os voos foram pela Aerolíneas Argentinas (https://www.aerolineas.com.ar/pt-br) A passagem de ida e volta custou aproximadamente US$ 995.00, incluindo todas as taxas. Brasileiros não precisavam de visto para entrar na zona Schengen, que inclui a Espanha, a França e Portugal. Era necessário um seguro de saúde, mas a Associação dos Amigos do Caminho me disse que bastava um documento do Ministério da Saúde dizendo que eu era coberto pelo SUS, pois existia acordo de reciprocidade de atendimento entre Brasil e Espanha. E foi o que eu levei, obtido no escritório do Ministério em SP. Porém o agente da imigração não me pediu nada além do passaporte, perguntou o que eu iria fazer, e quando respondi que pretendia fazer o Caminho de Santiago, disse que não era perigoso, era divertido, prontamente carimbou meu passaporte e autorizou a entrada sem nenhum problema . Cheguei em Madrid na 2.a feira 19/3. Minha bagagem não havia chegado . Perguntei aos funcionários do aeroporto e disseram que talvez chegasse mais tarde, pois poderia estar havendo algum tipo de operação contra terrorismo islâmico. Disseram para que eu deixasse o endereço e telefone que levariam lá, caso chegasse. Mas eu não sabia em que hotel iria ficar e não tinha telefone. Então disseram-me para voltar mais tarde para ver se havia chegado, que foi o que eu fiz. Passei no escritório de turismo do metrô, que era integrado ao aeroporto e peguei mapa e roteiros turísticos a fazer na cidade, além de sugestões de hospedagens baratas. Depois de muito procurar opções, fiquei hospedado no albergue da juventude (provavelmente era o da Calle Mejia Lequerica, 21). Depois de tudo ajeitado, voltei ao aeroporto, já no fim da tarde, e a minha mochila estava lá. Fiquei num quarto coletivo com um dançarino argentino, um japonês, franceses e outros, que foram mudando ao longo da minha estadia. Gostei muito de Madrid . Para as atrações veja https://www.esmadrid.com/pt, https://www.tudosobremadrid.com, https://www.spain.info/pt_BR/que-quieres/ciudades-pueblos/grandes-ciudades/madrid.html e https://www.lonelyplanet.com/spain/madrid. Os pontos de que mais gostei foram os parques, praças, monumentos (eram muitos, mas as Cibeles agradaram-me especialmente), os palácios públicos, os museus (principalmente Reina Sofia e Prado, com destaque para a sequência de Guernica), as igrejas, as vias arborizadas (como Paseo de Recoletos e Paseo del Prado) e a Gran Via. Procurei conhecer todos os locais a pé. Segui vários dos roteiros que havia ganho no escritório de turismo. Eles me pareceram muito úteis e bem apropriados, pois tinham muitas atrações próximas, indicando ainda algumas opcionais, além das que eu descobri por mim mesmo. A população em geral foi muito gentil dando informações sobre os locais . Em uma ocasião um homem de uns 60 anos me falou para falar para o Ronaldo (jogador, acho que na época no Real) que eu tinha ido visitar o urso e o madronho. Fiquei quase um dia todo conhecendo a Gran Via. Os palácios e as igrejas pareceram-me grandiosos. Achei muito bela a estação de Atocha, onde haviam ocorrido os atentados. Gostei dos parques e praças, especialmente a Praça de Espanha e o Retiro, um dos poucos locais em que fiquei com alguma preocupação referente à segurança. Em cada um dos museus Prado e Reina Sofia também fiquei quase o dia todo. Fui no final de semana, em que eram gratuitos. As alamedas próximas a eles pareceram-me locais muito agradáveis para se caminhar. De um modo geral achei a cidade bonita, muito bem organizada e limpa. Os monumentos eram limpos, sem estarem pichados e bem conservados. No sábado à noite achei que havia esquecido meus chinelos no albergue da juventude e fui a pé até ele. Voltei mais de 11 horas da noite e a cidade parecia tranquila, sem a menor preocupação com segurança. No início estava frio , chegando até a nevar um pouco numa tarde. Como consequência, como eu não protegi adequadamente o rosto, minha face, e especialmente minha boca, ficaram queimadas de frio . Precisei trocar de hospedagem na 6.a feira ou sábado porque não renovei minha estadia a tempo e o hostel era muito concorrido. Fui para a Pousada Sudamericana, que uma atendente me informou num guichê. Lá conheci brasileiros e italianas. Paguei US$ 40.61 pelas duas diárias. Fui muito bem tratado no geral. Os únicos locais em que me lembro de ter sido mal tratado foram a Igreja de San Isidro e um mercado de chineses. No final de semana tive um pouco de dificuldade de encontrar locais abertos para fazer compras de alimentos. Tive que recorrer a mercados de chineses, que não gostaram de eu pegar os produtos para ler detalhes das embalagens. Fiz a maioria das refeições com compras de supermercados e comprei um garrafão de água que foi suficiente para uma semana. Procurei usar o supermercado Lidl (https://www.lidl.es), que o argentino me sugeriu como tendo melhores preços. Perto do fim conheci um restaurante vegetariano muito barato chamado Maoz, perto da Praça Maior (http://maoz.com.br), mas que acho que fechou. Conheci vários brasileiros, alguns lá legalmente e outros não. Um pintor, que estava lá como ilegal, falou-me que estava muito sofrido e não estava compensando. Ganhava 1.300 euros por mês e achava que não valia a pena a distância da família e o que estava conseguindo enviar ao Brasil. Outra ocasião em que andava pela rua encontrei um brasileiro que estava vindo de Portugal para tentar emprego. Nos albergues havia uma jogadora de futebol do Brasil e outra brasileira que riu de eu ter queimado o rosto de frio. Fiquei em Madrid uma semana. Na 2.a feira 26/3 de manhã peguei um ônibus para Pamplona da Continental Auto por US$ 33.31 e de lá outro para Roncesvalles por US$ 6.11 da Autobuses Arieda (http://www.autocaresartieda.com), ambos pagos com cartão de crédito. Na viagem conheci a mineira Patrícia que morava em Estella, namorava um espanhol e estava um pouco triste, pois não poderia ter sua profissão reconhecida legalmente lá e o namorado não poderia ter a profissão dele reconhecida no Brasil. Espero que tenham conseguido ficar juntos. Cheguei a Roncesvalles no fim da tarde. O chão estava coberto de neve e o clima era bem mais frio . Fiz os procedimentos para me hospedar no albergue e fui dar uma pequena volta nas redondezas e também conhecer a igreja. Fiquei um pouco assustado com a quantidade de neve e o clima. À noite jantei junto com outros peregrinos comendo o menu do peregrino, que era um prato de entrada, um principal (macarrão) e pães para acompanhar. Acho que tinha uma garrafa de vinho também. Já no quarto conversei com os peregrinos que estavam iniciando o caminho e um que já vinha de outras etapas. O espanhol que já vinha de outras estava de bicicleta e falou sobre caminhos que não eram pela estrada, mas não era o Caminho de Napoleão (que foi a rota usada pelo exército Francês para invadir a Espanha no início do século 19, contexto que provocou a vinda da família real para o Brasil). Todos comentaram que o Caminho de Napoleão poderia ser perigoso, devido à neve. O espanhol falou também de um albergue 24 h em León e que na França havia albergues privados. Eles me sugeriram não ir a Saint-Jean-Pied-de-Port porque o tempo estava ruim e não valeria à pena. Um outro espanhol, Nazco (ou um nome semelhante), estava indeciso sobre ir ou não. Eu estava convencido e decidi ir assim mesmo. Antes de dormir ainda tomei banho quente. No dia seguinte, 3.a feira 27/3, resolvi ir a pé para Saint Jean. Após o café da manhã, saí caminhando. Estava muito frio, com neblina, havia uma pequena garoa ou neve fina. Caminhei até o início da estrada e pensei comigo: "Esta empreitada é grande demais para mim. Vou desistir" . Eu não tinha experiência nem equipamento nem roupas adequadas para neve. Estava de fleece e anorak leves, mas com tênis de pano. Mas resolvi ir um pouco mais para ver melhor a situação e tentar um pouco mais. Subi um pouco pela estrada e avistei uma pequena casa, que parecia ser uma capela. Fui até lá, abri a porta com dificuldade, pois estava bloqueada pela neve, e vi que era muito simples, com uma imagem de Maria. Gostei muito da capela e resolvi ir um pouco mais. Logo a seguir a estrada começou a descer e a neve no caminho a diminuir. Aí definitivamente decidi ir. E fui, sem grandes problemas, apesar de alguns cachorros bravos (ou pelo menos que latiam bastante) no trajeto . Conforme descia o clima melhorava, a garoa passou e a neve no entorno da rodovia ia ficando cada vez menor. Encontrei Nazco no caminho subindo e ele parecia feliz por ter escolhido ir. Pegou carona até Saint Jean, disse que ficou olhando para ver se me via para oferecer carona, e agora já estava voltando para dormir novamente em Roncesvalles. Achei muito belas as vistas , cruzei a fronteira, procurei um posto de imigração para saber se precisava realizar algum procedimento, mas não encontrei. Cheguei a Saint-Jean-Pied-de-Port no meio da tarde. Fui para o albergue oficial da peregrinação, onde Jeanine, de 72 ou 81 anos, recebeu-me muito bem. Perguntei por Madame Debrill, citada no livro "Diário de Um Mago" de Paulo Coelho, mas ela disse que ela já havia morrido e comentou que muitos perguntavam por ela. Ela me tratou muito bem e até fez um bom jantar para mim por 2 euros. Enquanto isso eu fui dar uma volta para conhecer a cidade, que me pareceu interessante, apesar de pequena. O quarto estava cheio de peregrinos durante a noite, vindos de muitas partes diferentes do mundo, a maioria europeus. Na 4.a feira 28/3 comecei a peregrinação. Inicialmente fui com um francês (acho que se chamava Gregorian ou um nome semelhante). Juntos ficamos em dúvida num certo ponto e no meio da estrada fizemos sinal para uma mulher de carro na estrada, que imediatamente parou para nos dar informações . Pensei que seria uma cena altamente improvável em São Paulo. Seguimos e ele achou que eu estava muito lento, querendo ver muitas coisas, conversamos e ele decidiu ir na frente. Tentei ir pela rota fora da estrada e um pouco à frente havia a entrada do Caminho de Napoleão. Havia uma placa dizendo que era proibido seguir aquele caminho fora da temporada de verão, com dizeres alertando sobre o risco em caso contrário. Eu pretendia tentar ir por lá, mas após todas as conversas que havia tido no Brasil e lá sobre aquele trecho, resolvi aceitar o que a placa dizia e ir pela estrada. A subida era um pouco longa, mas aceitável, com as mesmas vistas espetaculares da descida. Os cachorros continuavam lá, latindo bravios. Lembrei-me dos cachorros narrados no livro do Paulo Coelho. Já perto de Roncesvalles encontrei Gregorian parado do lado da estrada. Estranhei e fui cumprimentá-lo. Ele me cumprimentou alegremente e disse que estava sentindo dores nas pernas e os outros peregrinos que ele havia encontrado já tinham ido. Falei para ele que esperaria ele se recuperar para irmos juntos. Ele me disse que não precisava, não queria me atrapalhar. Eu disse que não me atrapalharia em nada, ficamos conversando um pouco e depois ele começou a andar vagarosamente. Acompanhei seu ritmo. Ele me perguntou se eu achava que ele tinha ido muito rapidamente. Respondi que cada um tinha seu ritmo. Estávamos chegando perto da capela e lhe disse que iria visitá-la (novamente), o que daria tempo para ele descansar, mas que se quisesse seguir ficasse à vontade, pois já estávamos próximos da cidade. Fui e a porta estava ainda mais difícil de ser aberta devido à neve no chão e a mochila nas costas dificultava a minha entrada. Mas consegui entrar e apreciá-la de novo. Quando voltei ele já tinha ido. Fiquei feliz, pois significava que havia conseguido. Registrei-me no albergue e fui assistir a Missa do Peregrino, que não havia assistido no primeiro dia em que cheguei em Roncesvalles. Gregorian esperou-me para jantar e jantamos o menu do peregrino sozinhos perto de 20:30. Os outros peregrinos haviam jantado perto de 19 horas. Continuava frio em Roncesvalles, mas o albergue possuía aquecimento interno, o que proporcionou uma ótima noite de sono. Conhecemos vários outros peregrinos, muitos alemães, um americano e outros. Na 5.a feira 29/3 parti rumo a Pamplona. Continuava a chover. A impermeabilização do meu anorak já não estava muito boa, então eu acabava me molhando um pouco. Havia levado um plástico improvisado de casa para proteger a mala, que serviu na maioria das ocasiões. No caminho encontrei um casal de coreanos, que iria fazer o caminho devagar, estimando em 45 dias. A mulher viu que eu estava um pouco molhado e me ofereceu uma capa , que gentilmente eu recusei, pois achei que dava para ir com o que eu tinha. Como não sabia se os albergues estavam abertos em Pamplona, resolvi ficar em Villava, a poucos quilômetros de lá. Jantei com compras do supermercado Eroski City Villava (https://www.eroski.es/localizador-de-tiendas/supermercado/navarra/villava-atarrabia/eroskicity-villaba) por US$ 5.24 pagos com cartão de crédito. Foram cerca de 40 km entre as localidades. Na 6.a feira 30/3 parti e logo cedo cheguei à Pamplona. O albergue da igreja estava fechado naquele período. Só encontrei um albergue aberto dentre os que constavam no meu guia, porém ele só aceitava alemães. Mesmo assim fui até lá, toquei a campainha e, quando a dona, uma alemã típica, atendeu, peguntei-lhe se poderia ficar aquela noite lá. Ela disse que eles estavam abrindo justamente naquele dia e que me aceitava, mesmo eu não sendo alemão . Porém deveria voltar mais tarde, pois ainda iriam arrumar as instalações para os hóspedes. Então eu aproveitei para ir conhecer a cidade. Gostei muito de Pamplona . Para suas atrações veja https://www.enforex.com/espanhol/fazer-pamplona.html, http://www.turismo.navarra.es/esp/organice-viaje/recurso/Localidades/2513/Pamplona.htm, https://www.lonelyplanet.com/spain/aragon-basque-country-and-navarra/pamplona e http://www.euskoguide.com/places-basque-country/spain/pamplona-tourism. Os pontos de que mais gostei foram as construções antigas, os monumentos, os parques, a catedral, as igrejas, a muralha medieval e conhecer o jogo de Pelota Vasca. Como era uma cidade relativamente grande no caminho, programei-me para ficar mais tempo e poder conhecê-la com mais detalhes. Passeei bastante, ficando muito na área em que são feitas as corridas de touros, onde ficam as construções antigas e na muralha medieval. No fim do dia fui assistir jogos de pelota vasca de juvenis no ginásio da cidade . Assisti alguns, mas não pude ficar até o fim pois não quis chegar muito tarde no albergue. Vários outros peregrinos não alemães estavam no albergue e eu acabei ficando no quarto com os alemães. Talvez por ser de tão longe mostraram-se interessados em conversar e saber sobre o Brasil. Quando o assunto foi para a questão da violência, tentei explicar-lhes como funcionava o PCC. Ficaram surpresos, quase incrédulos. Comentaram rindo também que eu estava precisando trocar de tênis, pois o calcanhar estava começando a quebrar devido a tanta neve e chuva, mas eu disse que iria com ele até o fim. Ensinaram-me algumas expressões em alemão referentes ao caminho . No sábado 31/3 descobri que havia um peregrino (acho que americano) que já estava no albergue e iria ficar mais, pois havia tido algum tipo de problema de saúde, talvez nas pernas. Eu não ouvi, mas os alemães me contaram que durante a noite houve muito barulho, um casal (talvez alcoolizado) chegou pedindo para ficar, mas o dono do albergue não aceitou porque eles não tinham a credencial de peregrinos. Após bom café da manhã, parcialmente ofertado pelo albergue, agradeci por terem me recebido e parti. Ainda fiquei boa parte da manhã visitando a cidade. Depois fui rumo a Cirauqui. No caminho um casal de franceses falou-me do jeito incorreto pelo qual eu estava carregando a mochila nas costas. Achei que falaram e demonstraram de um jeito um pouco grosseiro, mas realmente a sugestão que deram melhorou a carga e diminuiu a dor nas costas que estava começando. No fim da tarde ainda encontrei em Puente de la Reina um americano que havia conhecido em Roncesvalles, que disse que eu era "a brave man" por continuar naquele horário e depois cheguei a Cirauqui. Pela minha aparência, acho que a dona do albergue pensou que eu era um peregrino típico e me deu um prato de macarrão . Não deu tempo nem de eu recusar. Como não tinha almoçado, comi o macarrão e depois comi o que havia levado (eu como muito ). Conheci uma francesa que pediu auxílio com o computador, pois estava com dificuldades de entender configurações em espanhol. Tentei ajudá-la um pouco. Ela me mostrou fotos da subida da serra (acho que era a Serra do Perdão) e comentou do cansaço para a subida. Conheci também um francês que tinha começado o caminho bem antes de Saint Jean (acho que de Le Puy). Ele comentou que na França havia muitos caminhos a percorrer e as igrejas ficavam abertas para visitar, fato que até aquele ponto na Espanha nem sempre era verdade. No domingo 01/04, meu aniversário, fui para Los Arcos. Foi um dos melhores dias da caminhada . O tempo estava bom, as dores nas costas haviam sumido, passei por uma fazenda que tinha um dispositivo que oferecia alguns goles vinho aos peregrinos (somente para experimentar). Pela manhã em Estella, reencontrei uma alemã de cerca de 60 anos que tinha conhecido em Roncesvalles. Ela estava sentada numa escada e quando fui cumprimentá-la começou a chorar nos meus ombros. Disse que seus joelhos não estavam aguentando e que não conseguia acompanhar os mais jovens . Eles tinham ido comprar algo e na volta iria decidir se continuaria com eles ou não. Procurei ouvi-la e fazer ponderações para acalmá-la, fiquei com ela algum tempo até que se animasse e quando uma de suas amigas estava voltando, prossegui viagem. Cheguei a Los Arcos no fim do dia. Não tinha alimentos para o jantar e tudo estava fechado. Falei sobre isso com os holandeses que estavam à mesa e eles muito aborrecidos ofereceram-me parte de seu jantar, que eu recusei. Depois de perguntar e procurar orientações descobri um local aberto e pude comprar comida. Durante a madrugada esfriou muito e, como não havia aquecimento interno, precisei levantar algumas vezes e colocar agasalhos. Na 2.a feira 02/04 pretendia ir a Logroño. Foi o dia mais difícil da peregrinação . Teria sido melhor eu ter ficado dormindo . Um peregrino que dormiu no mesmo quarto que eu comentou que durante toda a noite havia chovido. Estava chovendo quando fui tomar café. Após o café preparei-me, coloquei a capa na mala e o anorak em mim, peguei o guarda-chuva e fiquei esperando a chuva passar ou diminuir (era de média intensidade). O francês que havia partido de Le Puy falou-me sorrindo que eu iria esperar bastante. Depois de cerca de meia a uma hora, vendo a hospitalera belga limpar a frente do albergue com um rodo ou vassoura, decidi partir. O tempo estava bem hostil, chuva, frio, vento. Conforme foi avançando a hora esquentou um pouco e houve alguns momentos em que a chuva diminuiu e quase parou. Mas depois voltou forte . Quando fui cruzar um curso de água numa área rural, que parecia uma enorme enxurrada, não avaliei bem a força da correnteza nem a profundidade. Quando dei um passo no meio, afundei mais do que a cintura, perdi um pouco do equilíbrio e quase caí para trás na correnteza com o peso da mochila . Tive que fazer força na perna e no joelho, o que talvez tenha me custado caro para depois. Na hora não senti nada. Depois disso decidi parar em Torres del Rio. Achei que não valia a pena continuar naquelas condições. Estava ensopado, hipotérmico e cansado . Pouco antes de mim chegou um casal de Murcia. À noite, começou uma enorme dor na minha perna direita , a mesma que havia forçado no curso de água. Eram fisgadas, principalmente quando apoiava a perna no chão. Fui mancando comprar a comida para o jantar. Conheci uma alemã, que comentou que poderia ser porque eu tinha ficado com os pés molhados por muito tempo. Talvez fosse algum tipo de dor reumática. Ela estava com os pés machucados. Progredi bem menos do que eu pretendia. Cheguei a pensar que não conseguiria continuar ou pelo menos não conseguiria terminar no tempo necessário para ir a Portugal. Na 3.a feira 03/04 fui para Logroño. Fui devagar, pois havia momentos em que doía muito a perna. Com o tempo eu fui achando uma posição em que doía menos, mas periodicamente voltavam algumas fisgadas. Após chegar, mesmo com um pouco de dor, mas sem a mochila nas costas, fui dar uma volta na cidade. Gostei também . Embora menor do que Pamplona, pareceu-me bem interessante. Em alguma destas paradas conheci um espanhol, que iria parar temporariamente o Caminho para encontrar os pais e disse que gostaria de me reencontrar mais para frente, algumas alemãs, que fizeram uma disputa de Liga dos Campeões para ver quem cozinhava mais rápido e muitas francesas, que me ofereceram espaguete que haviam feito, que gentilmente eu recusei. Também havia conhecido um casal de holandeses, cuja mulher era enfermeira. Quando ela me reencontrou, perguntou o que havia ocorrido com minha perna. Eu contei e ela me sugeriu andar menos em cada dia e mais devagar. Num outro episódio, um homem falou-me "Bom Dia!" e eu respondi com a mesma expressão, achando que pudesse ser português ou que tivesse percebido que eu era brasileiro. Talvez ele fosse da Galícia, em que se usa uma expressão parecida no dialeto local. Ele me chamou para conversar e me ofereceu trabalhar na sua companhia, que era algo como um circo itinerante. Pensei no pintor que havia conhecido em Madrid e me interessei em saber detalhes. Disse que pagava 200 euros, mais hospedagem, alimentação e tabaco. Se soubesse dirigir pagava mais 100 euros. Pensei comigo que isso era trabalho escravo . Ri, agradeci, mas nem continuei na conversa, pois era um quarto do que o pintor brasileiro ganhava em Madrid. Na 4.a feira 04/04 estava melhor, mas ainda havia dor de vez em quando. Decidi ir para Nájera, mas se não desse, pararia antes. Mas consegui. Cheguei a Nájera no meio da tarde. Lá encontrei um homem de uns 70 anos que vendo que eu era peregrino, convidou-me a conhecer a igreja de sua família (acho que era do século 15). Achei-a espetacular e fiquei surpreso com uma igreja particular daquele tamanho. No Brasil só havia visto igrejas particulares (que não fossem da Instituição Igreja) dentro de fazendas e eram bem menores. Dei uma pequena volta pela cidade e fui descansar. Não fui conhecer as tumbas dos reis porque estava um pouco cansado e para não forçar a perna, que estava melhor. Na 5.a feira 05/04, sentindo a perna bem melhor, resolvi tentar ir um pouco além. Fui até Redecilla del Camino. No caminho passei por Santo Domingo de la Calzada, onde parei para conhecer alguns pontos, principalmente os históricos e religiosos, que havia visto nos guias. No caminho uma espanhola me ultrapassou e depois nos encontramos no albergue à noite, quando falou que o mais importante era não ter mais chuva. Num dos dias conheci um espanhol chamado Angel, a quem ofereci parte do meu jantar, mas ele disse que iriam comer muito bem, pois estavam cozinhando. Em outra ocasião, a alemã que estava com os pés doendo perguntou-me sorrindo se eu já havia comido algo diferente de pizza. Reencontrei o americano que tinha passado em Puente de la Reina, ele se surpreendeu e me disse que quando eu o passei na estrada, esperava não mais me encontrar. Falei para ele que tinha ocorrido um problema com minha perna. Em um dos locais voltei a comer o menu do peregrino (novamente foi macarrão o prato principal) por 7 euros. Na 6.a feira 06/04 fui para San Juan de Ortega, um lugar bem frio . No caminho, por querer seguir estritamente as setas, acabei entrando num bosque cheio de vegetação e espinhos. Quando cheguei na margem do rio, achei melhor não atravessar e voltar para a estradinha, pois aquela água fria na perna que ainda não estava 100% poderia ser desastrosa. Quando fui voltar, acabei tropeçando em algum cipó ou tronco e caí com a mão, o pulso e um pouco do braço em cima de espinhos (parecia ser do tipo Coroa de Cristo). Eles entraram na minha carne. Doeu . E não foi só na hora. O incômodo que eles causaram durou por quase uma semana. Por coincidência era sexta-feira santa. Eu que sempre achei que Jesus espiritualmente estava muito acima da violência que sofreu, pude sentir na carne um infinitésimo do que foi aquela violência. No fim da tarde cheguei a San Juan de Ortega e o padre, já um pouco idoso, estava recebendo os peregrinos e fornecia uma pequena sopa simbólica. Um suposto americano me disse que não havia nenhum local para se comprar comida lá, mas acho que ele tinha entendido errado e os locais estavam fechados somente naquele horário. De qualquer modo, com esta informação, como eu não tinha levado comida, comi a sopa do padre com prazer e pensando que seria meu jantar. Depois descobri que havia um restaurante, em que mais tarde fomos jantar. Reencontrei o casal de Múrcia, que riu quando perguntei ao dono do restaurante como era a salada e ele respondeu que era verde. Conversando com o americano, ele disse que era médico, era irlandês mas vivia há muito nos Estados Unidos. Conversamos sobre a busca espiritual e ele parecia estar descobrindo um novo mundo . À noite passei muito frio , pois só havia um cobertor muito fino e lá era frio e úmido. No sábado 07/04 fui para Burgos. Gostei muito de Burgos . Para suas atrações veja https://www.lonelyplanet.com/spain/castilla-y-leon/burgos, https://www.spain.info/pt_BR/que-quieres/ciudades-pueblos/otros-destinos/burgos.html, http://www.aytoburgos.es/turismo-en-burgos e https://www.inspirock.com/spain/burgos-trip-planner. Os pontos de que mais gostei de burgos foram a catedral, as áreas naturais, as construções históricas e religiosas, os monumentos e o rio. Fui recebido no albergue com uma azeitona no palito de cortesia. Programei-me para poder ficar razoável tempo e conhecer a cidade. No domingo 08/04, Páscoa, fiquei visitando Burgos quase o dia inteiro. Pela manhã reencontrei o casal de holandeses e a enfermeira me disse que minha perna parecia bem melhor ao observar meu caminhar, ao que eu respondi dizendo que sim, tinha melhorado muito. No fim da tarde reencontrei a alemã de cerca de 60 anos e ela parecia bem e feliz . Narrou-me que havia assistido bem de perto a celebração de Páscoa e ficado bem próxima ao bispo ou responsável pela celebração. Fiquei feliz. No fim do dia fui para Tardajos, um local bem próximo, pois saí tarde de Burgos. Eu jantei e após admirar o céu, fui dormir. A mesma alemã estava lá e ficamos no mesmo quarto com outros peregrinos. Não a vi mais depois disso. Na 2.a feira 09/04 fui para Castrojeriz. Encontrei à noite no albergue o casal de jovens alemães que havia se formado no primeiro dia da viagem em Roncesvalles, com uma garrafa de vinho. Sentei com eles e perguntaram se não me importava que fumassem (acho que era maconha), ao que respondi que não. Ofereci-lhes parte do jantar e aceitaram e no fim pediram uma parte do chocolate preto que eu tinha. Dei-lhes. Ofereceram-me um pouco de vinho e, para não gerar uma situação embaraçosa e também para experimentar, aceitei um pouquinho. O hospitaleiro zangou-se conosco (ou com eles), disse que não era adequado ficar bebendo e fumando maconha numa peregrinação. Este não era bem o tipo de caminhada que eu desejava, eu não pretendia ser um turista, mas sim um peregrino. Na 3.a feira 10/04 pedi desculpas ao hospitaleiro pelo dia anterior, mas ele disse que o problema não havia sido comigo. Saí com o propósito de andar bastante. Perto da hora do almoço encontrei o casal de alemães da noite anterior e a moça ofereceu-se para pagar algo para eu comer. Mas eu não costumo parar para almoçar durante as caminhadas, então agradeci e delicadamente recusei. Prossegui até Carrion de los Condes. Num pequeno empório da cidade comprei os pães que restavam e depois ouvi os fregueses reclamando que não havia pão. O próprio dono veio comentar comigo para aproveitar bem o pão, pois havia acabado com seu estoque. Pensei até em devolver alguns, mas eram poucas peças grandes e ficou inviável . Lá conheci um alemão (Matiah - não sei se é assim que se escreve) e um francês. Ficamos apenas nós 3 num albergue pequeno, jantamos juntos e compartilhamos parte do jantar . Conversamos sobre o caminho, atualidades europeias e várias outras coisas. O meu sono foi muito bom. Na 4.a feira 11/04 fui até Sahagun. Na 5.a feira 12/04 fui até Mansilla de las Mulas. Numa das paradas fiquei num albergue com alemãs, sendo uma luterana, que não se conformava com as regras que o padre do albergue tinha feito para os hóspedes. O padre irritou-se com ela e se desentenderam durante à noite, mas nada grave. Foi para ele que perguntei sobre o astral das imagens nas igrejas. No dia seguinte reencontrei a alemã parada descansando. Ela me disse que tinha algum problema na perna e tinha que andar devagar. Fiquei comovido pela expressão dela e lhe desejei boa sorte. Na outra parada reencontrei o francês e ele me disse rindo que havia encontrado Matiah perto de 20 h e este ainda iria para uma localidade à frente. Num dos albergues encontrei italianos de Verona, falei-lhes sobre o titulo italiano do início da década de 1980, com Briegel, algo que muito os surpreendeu que eu lembrasse. Numa ocasião conheci sulafricanos, comentei da minha passagem por Johanesburgo e concordaram comigo de que não havia um relacionamento amistoso entre negros e brancos. Quando eu disse que era do Brasil, a mãe deles citou Maradona, que seu filho rapidamente corrigiu. Em outra ocasião, um dos hospitaleiros me ofereceu uma bota , quando falei que minha perna não estava muito boa, mas eu delicadamente recusei. Certa vez, estava cantando e um alemão apareceu, perguntou de onde eu era, falou do Pelé, eu tirei o agasalho e mostrei a camisa do Santos, time do Pelé. Paradas à frente, ele comentou com outra peregrina que enquanto muitos caminhavam reclamando, ele me havia visto cantando . Como eu não seguia exatamente os horários dos europeus, começava mais tarde e parava mais tarde, em alguns albergues hospitaleiros pediram-me para acelerar. Em um deles, um nem me deixou tomar café. Acabei de usar o banheiro e ele me falou para partir . Em Carrion de los Condes as faxineiras municipais encontraram-me tomando café quando chegaram para limpar o albergue . No meio de um trajeto duas peregrinas espanholas pediram para tirar uma foto comigo, que aparentava um peregrino do caminho. Quando o clima esquentou e o sol começou a ficar mais forte, comecei a ficar queimado, principalmente nas orelhas . Meu protetor solar estava fora de validade e acho que não estava me protegendo adequadamente. Procurei colocar toalhas nos pescoço e nas orelhas e plásticos nos braços e mãos. A questão do pescoço e das orelhas foi resolvida, mas acho que os plásticos fizeram concentrar suor e me geraram alergia . Quando eu entrei numa pequena igreja, muito antiga, em que estava sendo feita limpeza por faxineiras, percebi que elas pararam surpresas com a minha aparência, com tudo aquilo, talvez achando que eu era um peregrino das antigas . Na 6.a feira 13/04 fui até Leon. Levei bastante tempo entre a chegada às bordas de Leon e a chegada ao albergue. Percebi como a cidade era grande, com um ampla zona comercial ou industrial. Fiquei hospedado no albergue das Irmãs Carbajalas. Nem procurei o albergue 24 h, pois imaginei que teria ambiente turístico, com pouco silêncio para dormir. Como cheguei no meio da tarde, saí para conhecer um pouco a cidade. Fiquei bastante tempo comendo, cerca de 1 hora (eu não tinha almoçado), do que uma hospitaleira fez piada . À noite fomos a uma pequena celebração na igreja das irmãs. No sábado 14/04 fui conhecer um pouco mais León. Gostei da cidade . Para as atrações veja http://www.turismoleon.org, http://www.turisleon.com/es e http://www.leon.es. Numa igreja, quando fui entrar numa sala para conhecer, o padre assustado me perguntou aonde eu ia. Quando lhe disse que iria somente ver o que havia, ele me disse que não havia problema e só tinha me chamado porque as pessoas vão entrando e não se sabe para onde vão. À tarde fui para alguma cidade próxima. Acho que era Villadangos del Páramo. No domingo 15/04 aproveitei para andar bastante e fui para El Ganso. Achei este lugar tranquilo e meio afastado, exatamente do tipo de que gosto. No caminho passei por Astorga (http://turismoastorga.es), em que fiquei algum tempo para conhecer as obras arquitetônicas e históricas. Achei-a uma localidade muito bela . Numa ocasião, vi um homem velho parado numa pequena povoação, era a única pessoa visível ali, cumprimentei-o, ele respondeu sério, e continuei. Acabei caindo em pensamentos e perdendo a atenção e iria errar o caminho, quando ouvi gritos ao longe. Era o homem alertando-me para o erro. Voltei um pouco e reencontrei as setas e o caminho correto. Isso foi providencial, pois estava ameaçando chuva e eu não queria correr o mínimo risco de voltar a dor na perna. Fiquei feliz e quando olhei de volta para agradecê-lo, ele havia sumido. Impressionante como ele foi rápido, pois havia uma larga extensão para ele andar até eu não poder mais vê-lo. A aparência frágil dele enganou-me . Em outra situação um hospitaleiro comentou que achava que alguns peregrinos eram bon vivant e aproveitadores e parecia aborrecido com isso, apesar de depois completar que havia alguns pelos quais valia a pena se sacrificar. Na 2.a feira 16/04 fui até Molinaseca. Entre El Ganso e Molinaseca passei por Foncebadón e pela Cruz de Ferro, um ponto bem alto com uma cruz em que os peregrinos deixam pedras das localidades de onde vêm. Achei Foncebadón muito interessante, medieval, com suas antigas construções de pedra. Entrei numa pequena igreja de pedra para conhecê-la. Estava havendo uma missa. Não havia ninguém assistindo. Dois padres estavam rezando, um em latim, que só olhava para baixo, e outro em espanhol, que olhava para a igreja vazia. Eu estava com toalha no pescoço e orelhas e plástico nas mãos. O padre que rezava em espanhol olhou para mim como quem estava vendo um extra-terrestre . Delicadamente eu comecei a admirar a igreja e conhecer suas partes, procurando atrapalhar o mínimo a celebração. Quando eu já ia indo, chegou a hora do Pai Nosso. O primeiro padre começou em latim, o segundo repetiu em espanhol e eu repeti em português. Acho que aí o primeiro padre teve certeza de que havia mais alguém na igreja e passou a esperar um tempo a cada frase para que eu pudesse repeti-la em português. A cara do padre que rezava em espanhol ficou ainda mais espantada . Quando acabou o Pai Nosso eu acenei com a cabeça cumprimentando-o e o agradecendo e me fui. No meio da tarde, após longa subida, cheguei à Cruz de Ferro. Cumprimentei dois peregrinos que lá estavam, sem perceber que um deles chorava, parecendo estar sob emoção profunda. Logo saí para conhecer os arredores para deixá-lo em paz em sua aparente homenagem a alguém. Após algum tempo olhando os arredores, quando ele se afastou um pouco da cruz, voltei para observá-la. Peguei uma pedra de lá que minha prima Bernadeth havia pedido. Depois me arrependi, pois poderia ter pego de muitos outros lugares, e peguei justamente de um local para onde as pessoas levam suas pedras para depositar por suas crenças. No fim do dia cheguei a Molinaseca, onde já na entrada vi uma propaganda da Casa do Elias, que dizia ser o amigo dos peregrinos. Fiquei meio desconfiado com a propaganda, mas fui lá e realmente ele atendeu muito bem . Em seu empório ele tinha muitas coisas, e comprei queijo de ovelha misturado com vaca e mais algumas coisas. À noite no hostel reencontrei Gregorian, que parecia bem e estava viajando com os alemães, um dos quais havia falado de Pelé. Reencontrei as francesas que me haviam oferecido espaguete e me haviam visto com a perna dolorida. Elas ficaram muito contentes, gritaram e me cumprimentaram efusivamente . Acho que pensaram que eu não conseguiria prosseguir na situação em que me viram. Gregorian convidou-me para uma cerveja, mas eu recusei, fui tomar banho e jantar. Como já era tarde, acabei ficando só na sala de jantar. Quando voltaram das cervejas, vários me cumprimentaram em voz alta e os que estavam dormindo pediram silêncio . Na 3.a feira 17/04 fui para VillaFranca del Bierzo. A alergia melhorou, mas ainda incomodava. Minhas mãos e braços ficavam muito inchados, provavelmente pelo calor dos plásticos. Passei por Ponferrada (https://www.ponferrada.org/turismo/en), em que achei o Castelo Templário espetacular . O albergue de VillaFranca era todo estilizado, preocupado com o meio ambiente e sustentabilidade e com inclinação esotérica. Numa das paradas, por um hospitaleiro que anteriormente tinha sido guerrilheiro (acho que do ETA ou alguma organização semelhante), fiquei sabendo que no dia em que eu havia tomado aquela chuva, que me custou aquela enorme dor na perna, um inglês (portanto provavelmente alguém acostumado à neve) havia optado por seguir o Caminho de Napoleão no início do caminho em Saint Jean, só que como lá era muito mais alto, ao invés de chuva ele pegou neve, provavelmente se perdeu, caiu num buraco, acabou tendo hipotermia e, mesmo sendo socorrido após algum tempo, não resistiu e morreu. Por alguns dias de diferença eu escapei desta nevasca . Em outra ocasião, ao ir comprar alimentos, a dona do estabelecimento ofereceu-me gratuitamente uma maça, mas quis pagar por ela, aí a mulher achou muito o que eu dei e colocou mais itens. Na 4.a feira 18/04 fui até Alto do Polo. No início da tarde, na base da subida para o Cebreiro, encontrei o alemão que me falou de Pelé, e ele já tinha parado num albergue e me falou que era melhor subir para o Cebreiro pela manhã, quando se está descansado. Seu amigo explicou-me o significado de herzlich willkommen, como vindo do coração. Logo a seguir, perto de 14 hs encontrei um brasileiro, dono de um albergue, que me falou que a subida até o Cebreiro levaria cerca de 5 ou mais horas, e que eu pegaria os albergues lá em cima lotados chegando tarde. Mas eu decidi ir assim mesmo, só que fui preocupado. Fui tão concentrado, que acabei subindo em 2:45 hs. Mesmo assim ainda parei algumas vezes para desfrutar da paisagem . No caminho encontrei outro peregrino conhecido (acho que era alemão ou do leste europeu) pegando água de uma fonte. Perguntei se era confiável, ele disse que sim, e resolvi experimentar também. Havia um cemitério logo no início daquele povoado de origem celta. Como ainda era cedo, agora sem a pressão do horário, resolvi seguir um pouco mais. A vista lá de cima era espetacular . Fui até Alto de Polo, onde fiquei num albergue que era também bar ou restaurante. Fiquei só. Quando a dona me disse que tratava bem os peregrinos, perguntei-lhe quanto era a contribuição padrão ou sugerida e ela me disse 5 euros. Em frente havia outro hotel ou restaurante, pedi para ver o menu, para ver se achava algo mais barato, mas não achei e resolvi jantar no local em que estava hospedado, até como forma de pagar algo mais a elas. Porém neste hotel em frente reencontrei o francês que havia conhecido junto com Matiah junto com uma amiga. Conversamos até o prato deles chegar e eu voltei para jantar no albergue em que estava. A moça (provavelmente filha da dona) fez o menu do peregrino para mim, incluindo um copo de vinho. Fiquei sozinho no albergue. A noite foi muito boa . Peguei alguns cobertores adicionais de outras camas, pois achei que estava um pouco frio. Na 5.a feira 19/04 fui até Sarria. O albergue em que eu tinha ficado não tinha pães ou similares, que eu pudesse ir comendo enquanto caminhava. Fui ao hotel restaurante em frente e o dono, aparentemente aborrecido, disse-me que eu o havia feito mostrar todo o menu no dia anterior e não tinha comprado nada. Falou-me para ir procurar em outro lugar, como o albergue em que havia ficado. Segui sem tomar café. No caminho eu o vi dirigindo um trator para trabalhar na terra. Seguindo, encontrei uma mulher aparentemente dando pequenos pães, mas quando perguntei disse-me que era 1 euro. Achei-o muito fino para pagar 1 euro. Ela disse que poderia levar de graça, mas agradeci e segui sem levar. Mais à frente uma mulher de aparentemente mais de 60 anos estava no meio do caminho com um carimbo perguntando aos peregrinos se desejavam que colocasse seu selo na credencial. Eu disse rapidamente que não e a reação dela pareceu-me ser de decepção . Talvez ela ficasse feliz em alegrar os peregrinos com seu carimbo. Poderia ter dito não de modo melhor, com um sorriso nos lábios e pondo a mão em seu ombro. Desci, achei um local para comprar o café almoço, mais à frente pedi para sentar numa mesa de uma lanchonete para comer, mas a dona me disse rispidamente que havia muitos locais públicos em que poderia sentar. Então mais à frente achei um e fiz minha refeição. No fim da tarde cheguei a Sarria. Numa determinada ocasião um velho perguntou-me sobre meus pais e quando lhe disse que meu pai havia morrido com 76 anos, disse-me que meu pai havia morrido cedo. Acho que ele tinha mais do que isso. Numa parte do caminho encontrei um francês com quem caminhei algum tempo. Ele falava de como tinha optado pelos ramos do caminho mais rurais, ao invés dos urbanos, e como tinha gostado da chuva que veio em um dos dias. Nesta chuva eu tinha me atrapalhado um pouco, mas nada grave, bem diferente daquelas no início do Caminho. Estava bem mais quente. Depois de algum tempo, falei-lhe que dali para frente continuaria um pouco sozinho, para poder entrar em contato mais profundo com o Caminho. Numa das noites, encontrei uma família de espanhóis num albergue, cujo filho adolescente estava em dúvida sobre que direção profissional tomar. Falei-lhe da minha experiência profissional, mas ele pareceu confuso com minhas explicações. Sua mãe estava na mesa conversando com outras mulheres. Os maridos estavam lavando louça, mas participavam da conversa também. No dia seguinte reencontrei-lhes e lhe desejei boa escolha do caminho a seguir. Eles só iriam até aquela cidade e continuariam a peregrinação em outra ocasião, fato comum entre os espanhóis. Na 6.a feira 20/04 fui até Ligonde. Antes de sair porém, fui procurar pelo local do Estádio de Sarriá, palco da derrota brasileira em 1982. Eu me lembrava que era numa cidade grande, que não era o caso de Sarria, mas estava meio confuso com o nome. Perguntei a um velho, que me disse que era em Barcelona. Aí eu me lembrei que realmente era e tinha sido demolido. No sábado 21/04 fui até Arzúa. Um dia encontrei um espanhol num albergue que ficou indignado pelo fato do albergue ser cobrado (6 euros). Disse que se conseguisse um carro iria pegá-lo para ir para outro que sabia ser gratuito. Em outra ocasião, quando falei para uma responsável por um albergue que a situação econômica do Brasil não estava muito boa, ela sensibilizou-se e disse que poderia retirar meu nome da lista de hóspedes e eu não precisaria pagar nada. Surpreendi-me, não concordei, disse que não havia problemas em pagar e que não seria justo eu não pagar e usufruir das doações sem estar em necessidade. Ela havia perdido a mãe há pouco e parecia num estado muito sensível. No domingo 22/4 cheguei a Monte do Gozo, última parada antes de Compostela. Poderia ir até o albergue de Santiago, mas decidi ficar ali e me hospedar em Compostela na manhã seguinte. O hospitaleiro ofereceu-me grão de bico, que experimentei um pouco , mas preferi deixar para quem não tivesse conseguido comprar comida e comi a minha. Fui dar uma volta nos arredores e vi um monumento aparentemente de peregrinos num gramado próximo. Fui lá apreciá-lo e vi que as estátuas olhavam para algum ponto. Então fiquei na posição delas e focalizei o ponto para que olhavam. Surpresa!!! Era a Catedral de Santiago de Compostela, o ponto final de chegada. Não pude conter uma enxurrada de lágrimas e me lembrar de tudo o que havia acontecido, desde o pensamento de desistir no início, da morte do inglês, de quase cair na enxurrada, da enorme dor na perna, de novo pensar em desistir, da queda nos espinhos, das queimaduras, da alergia, do frio, de todas as pessoas que havia conhecido, com um pouquinho de suas histórias e de tudo mais. Depois de vivenciar aquele momento, resolvi ir procurar o albergue em que ficaria em Compostela. Andei bastante, mas como era domingo, muito estava fechado. Não encontrei o albergue do Seminário Menor. Mas pude ter uma noção do que era a cidade. Não quis ir até a catedral. Deixei para o dia seguinte. Na 2.a feira 23/04, logo de manhã, hospedei-me no albergue, que permitia que se ficasse até 2 ou 3 noites. Nos outros albergues do Caminho, só se podia ficar uma. A atendente me disse que ainda estavam limpando e não tinham aberto, mas eu poderia deixar minha mochila e voltar depois. Pedi um cobertor a mais, ela foi pegar e disse "Esses brasileiros, sempre com frio!" . Depois fui até a Catedral e após contemplar sua frente um pouco, fui assistir a missa de encerramento da peregrinação. Nela havia um ritual diferente, o Botafumeiro, em que um incensário balançava pelo corredor central espalhando fumaça . Na missa avistei o francês que preferia os caminhos rurais. Terminando a missa fui novamente admirar a frente da catedral e passear um pouco pela cidade para conhecê-la. À tarde voltei para ver o local onde ficam os restos mortais de Tiago, atrás do altar, que muitas pessoas tocam, abraçam e beijam. Gostei de Compostela , mas a achei muito povoada por comércio turístico, bem diferente do clima da peregrinação que eu tinha feito. De qualquer modo, havia também várias atrações vinculadas à religiosidade e à espiritualidade. Para as atrações de Compostela veja https://viagemeturismo.abril.com.br/cidades/santiago-de-compostela e https://www.lonelyplanet.com/spain/cantabria-asturias-and-galicia/santiago-de-compostela Na 3.a feira 24/04 continuei passeando pela cidade, descobri que havia um ônibus para o Porto no meio da tarde e o peguei. Perguntei se era necessário algum procedimento para entrar em Portugal, mas me disseram que não. Antes de partir reencontrei o alemão que havia me explicado sobre herzlich willkommen e Gregorian, que parecia bem. Falei-lhes do Museu do Peregrino, que havia visitado, de que havia gostado e que era gratuito. Eles haviam falado de Finisterre, o fim da terra, que é uma continuação tradicional do Caminho, para deixar tudo que usou na peregrinação, e pretendiam ir até lá. Eu não fui com eles, pois se fosse não teria tempo de ir até Portugal. Passei também no local que dava certificado aos peregrinos, para registrar meu nome, mas não quis o certificado. Enquanto caminhava, parei numa casa para perguntar para uma velhinha onde era o Seminário Menor e ela voltou com um punhado de moedas e me deu. Devolvi e lhe disse que estava pedindo informações e não dinheiro. Cheguei ao Porto no fim da tarde (havia uma hora de fuso). Fiquei no albergue da juventude. Já na chegada percebi que a língua não era tão igual assim e os portugueses procuravam prestar muita atenção para entender o que eu falava e vice-versa. Fiquei lá até 6.a feira 27/4. Gostei muito do Porto . Para suas atrações veja http://www.visitporto.travel/Visitar/Paginas/default.aspx, https://www.tudosobreporto.com, https://www.feriasemportugal.com/porto e http://portoportugalguide.com/porto-portugal-pt.html. Os pontos de que mais gostei foram as pontes, o rio, o mar, as construções históricas, as igrejas, os equipamentos culturais, os parques, a arquitetura dos estádios e a visita com degustação de vinhos gratuita (naquela época) no alojamento Graham. Na 4.a feira 25/04, feriado nacional da Revolução dos Cravos, fui conhecer a parte central e histórica. A cidade estava bem deserta, cheguei até a ficar com um pouco de receio, mas conforme a hora foi avançando, as ruas foram ficando mais povoadas. Não tive problemas de segurança. Num beco as pessoas pareciam tensas quando me viram observando as construções. Quando me dirigi a elas falando que o pneu de um carro lá estacionado estava furado, um homem sorriu e seu semblante ficou mais leve. Quando estava conhecendo a parte histórica, inadvertidamente fiquei em cima da linha férrea olhando o mapa. Repentinamente ouvi um barulho de buzina. Olhei para a frente e vi o bonde lentamente vindo em minha direção. O condutor, de cerca de 60 anos buzinava nervoso, enquanto sua assistente bem jovem, ria . Saí imediatamente da frente e o bonde passou. No fim do dia comprei uma garrafa de vinho do Porto. Foi uma marca barata, mas me arrependi e deveria ter seguido a sugestão de uma portuguesa no supermercado e comprado uma marca tradicional. À noite encontrei alguns brasileiros que haviam chegado ao albergue, um deles morava em Lisboa e falou sobre a cidade, com sugestões de hospedagens e locais. Outro era ligado a Cinema e viajava pela Europa. Havia também um americano que viajava pela Europa e gostava muito de conversar. Num dos dias fui à praia e pedi para deixar minhas roupas sob a guarda de um bar lanchonete. Havia placas dizendo para se tomar cuidado com o choque térmico devido à diferença de temperatura entre a água do mar e o corpo. Quando entrei até a canela senti a água muito fria . Acabei desistindo de mergulhar. Não pude entrar em nenhum dos estádios, o Dragão estava fechado e o do Boa Vista estava tendo um treinamento que não se podia assistir. Tive dificuldade em achar banheiros públicos, assim como em Lisboa. Acabei usando o de igrejas, empresas de ônibus e até o rio e áreas verdes na sua margem. Na tarde do último dia, meu último programa foi ir a uma visita com degustação de vinhos no alojamento Graham, de que muito gostei. Quando cheguei, havia um casal de americanos ou ingleses na frente, então as explicações foram em inglês, devido à maioria. Chegaram duas portuguesas, mas aí já era tarde para mudar a língua. Depois de toda a visita e explicações, foi oferecida degustação de diversos tipos de vinho, incluindo um vintage, que achei maravilhoso . Saímos de lá um pouco trôpegos, pois eu (e acho que elas também) não estou acostumado a beber álcool. Mesmo assim fui a pé até o ponto de saída do ônibus para Fátima. Peguei o ônibus no fim da tarde e cheguei em Fátima no início da noite. Fui até o centro de peregrinos Pão da Vida. Havia um peregrino na minha frente que tinha subido a serra a pé (se bem me lembro estava descalço) e falava de dores nos pés. O responsável perguntou-me se eu tinha vindo a pé. Disse-lhe que não, porém que havia feito o Caminho de Santiago. Então ele me aceitou como hóspede. O albergue era gratuito, entretanto aceitava doações. Fiquei em Fátima até domingo 29/04. Gostei muito . Para as atrações de Fátima veja https://pt.wikipedia.org/wiki/Fátima, https://www.dicasdelisboa.com.br/2016/03/santuario-de-fatima-em-portugal.html# e https://www.feriasemportugal.com/fatima. Os pontos de que mais gostei foram o Santuário e a rota de peregrinação para conhecer a vida dos pastorinhos e as aparições. Nos diversos dias fui até o Santuário, que tinha uma cerimônia de velas à noite, que achei bastante interessante . Havia bastante gente, principalmente nas celebrações. Achei o clima bastante inspirador para espiritualidade e autoconhecimento. No início da tarde do domingo peguei um ônibus para Lisboa. O motorista, que acho que não conhecia bem Lisboa, não soube me indicar onde era o Parque das Nações, onde eu tinha informação de que era o albergue da juventude. Assim sendo, acabei ficando no ponto final, que depois descobri ser bem longe de lá. Voltei tudo andando a pé, mas não havia vagas. Fui então ao albergue que o brasileiro que tinha conhecido no Porto e morava em Lisboa tinha indicado, que era em Almada. Fui muito bem tratado e consegui vaga sem problemas. Achei espetacular a vista de Lisboa a partir dele , tanto diurna como noturna. Reencontrei o brasileiro ligado a Cinema que havia conhecido no Porto. Fiquei em Lisboa até 5.a feira 03/05. Gostei de Lisboa . Para as atrações veja https://pt.wikipedia.org/wiki/Lisboa, https://www.visitlisboa.com/pt-pt, https://www.dicasdelisboa.com.br/# e https://guia.melhoresdestinos.com.br/lisboa-157-c.html. Os pontos de que mais gostei foram a vistas do rio, as construções e monumentos históricos, especialmente o Padrão dos Descobrimentos e o mapa no chão com os locais até onde os portugueses foram, os bairros típicos locais, a arquitetura dos estádios de futebol, as áreas verdes, a ponte e a vista a partir de Almada. Na 3.a feira 01/05 tive dificuldade em conseguir ônibus para voltar, pois no feriado a quantidade e frequência dos ônibus era menor. Como começou a chover fraco, esfriou e a situação ficou ainda mais inóspita . Quando fui visitar a Praça do Comércio, veio um rapaz me perguntar se eu desejava haxixe . O brasileiro que morava em Lisboa havia previsto que isto iria acontecer quando nos encontramos no Porto anteriormente. Em certa ocasião cruzei com um carro de polícia, que estranhou o fato de eu estar indo em direção a um campo de futebol, que eu não sabia estar abandonado. Quando voltei do campo, o carro novamente cruzou comigo, pediu para que eu parasse e pediu meus documentos. Depois de verificar tudo e ver que estava regular, perguntou o que eu tinha ido fazer naquele campo. Talvez fosse local de consumo de drogas. Eu expliquei que gostava de futebol e não sabia que estava abandonado. Falei que pretendia ir conhecer a Faculdade de Arquitetura e me sugeriram almoçar lá. Num dos dias, chegou um português (aparentemente um filólogo) à noite no quarto do albergue em que eu estava e começou a querer conversar sobre filosofia, após eu lhe responder que tinha ido fazer o Caminho de Santiago. Mas como eu já estava dormindo, acabei não me envolvendo muito na conversa. Aí chegou o brasileiro ligado a Cinema, espantou-se em me ver acordado ainda, posto que sempre que chegava eu já estava dormindo, e conversou com ele por algum tempo, até a madrugada. Vi muitos motociclistas brasileiros (provavelmente que exerciam a profissão em São Paulo) trabalhando em Lisboa. Na 5.a feira 03/05 peguei um ônibus da ALSA (https://www.alsa.es) de manhã para Madrid e cheguei no fim da tarde. Durante o trajeto conheci um viajante do leste europeu, que falava fluentemente Português e comentou sobre as riquezas da Rússia. Em Madrid fiquei no albergue Los Amigos (Sol ou Ópera, não me lembro) na região central. Como era um dia só achei mais prático, posto que o preço não era tão maior do que a Pousada Sudamericana. No dia seguinte, 6.a feira 04/05, tive uma ligeira indisposição estomacal e deitei no chão da área de entrada do banheiro por um instante. Nisso entrou uma japonesa que levou um susto . Reencontrei no café da manhã novamente o brasileiro ligado a Cinema, que me disse sorrindo que eu o estava seguindo. Como ele só tinha um dia, sugeri-lhe os Paseo de Recoletos e Paseo del Prado. Ainda dei um passeio por Madrid e fui conhecer o Estádio Santiago Bernabéu por fora, que eu não tinha tido tempo. Interessante como sua localização era central. Perguntei numa empresa de recrutamento qual era o salário anual de um desenvolvedor ou engenheiro de software sênior, que era minha profissão, só por curiosidade, pois não pretendia me mudar. Achei que seria um pouco melhor. Descobri que poderia ser inferior ao do Brasil e confirmei que é muito inferior ao dos EUA. Passeei ainda por outras áreas de que havia gostado e algumas que não tinha podido conhecer. No fim do dia peguei o metrô para o aeroporto. No voo conheci um brasileiro de Goiás que trabalhava em obras gerais na Espanha como ilegal também e estava voltando ao Brasil para visitar a família. Passei novamente por Buenos Aires e cheguei em São Paulo no sábado 05/05 de manhã, após belo sobrevoo pelo litoral brasileiro , sendo que consegui reconhecer o fim do litoral paranaense e todo o trecho do litoral paulista.
  4. Lizanna, Muito obrigado pelos comentários. Realmente há muitas opções de alimentação por lá. Se for para lá acho que vai se divertir. Abraços e Boas Viagens!
  5. fernandobalm

    10/2017: Santiago e Atacama

    Considerações Gerais: Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar relevantes. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais Não foi necessário visto para ir ao Chile. Não era necessário nem passaporte, mas como minha carteira de identidade tinha cerca de 30 anos, levei-o. Não existia exigência para validade mínima. Meu passaporte vencia em fevereiro de 2018 (cerca de 4 meses depois da minha entrada). A moeda do Chile era o peso chileno, que podia ser trocada por reais diretamente (sem necessidade de dólares ou euros) em Santiago e São Pedro de Atacama. Existia a lei de isenção de imposto sobre valor agregado de 19% para pagamento de hotéis em dólares (acho que euros também), por isso levei dólares somente para este fim. Mas, como eu fiquei em hostels muito simples, não havia esta cobrança nem para pagamento em pesos e os dólares mostraram-se em grande parte desnecessários. Em toda a viagem houve bastante sol. Chuva de média intensidade só peguei em algumas horas de um dia em Santiago. As temperaturas também estiveram razoáveis (para um paulistano) durante o dia, mas um pouco frias à noite. Chegavam em média a 25 C ao longo do dia em Santiago e a um pouco mais no Atacama. À noite, a temperatura caía até cerca de 13 C em Santiago e 10 C no Atacama (perto da madrugada caía mais, chegando talvez a perto de 5 C). A exceção foi a ida de madrugada para Geysers del Tatio, em que ficou abaixo de zero. A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil, procurando até falar português, quando sabia . As paisagens agradaram-me muito, principalmente dos Andes e dos vários pontos do deserto . Sofri um pouco com a altitude de algumas atrações do Atacama, que passavam de 4.500 m e queimei minha boca nos Geysers del Tatio devido ao frio , pois não a protegi adequadamente. Com um trânsito bem mais tranquilo que o de São Paulo, Santiago pareceu-me uma cidade bem organizada. São Pedro do Atacama pareceu-me pequena e só apresentava congestionamento de vans nas saídas simultâneas para as excursões e de pedestres na Rua Caracoles no centro. Achei o país muito saudável socialmente (muito mais do que o Brasil), apesar de ter conhecido poucos locais. Mesmo sem ter a força econômica brasileira, pareceu-me muito mais equilibrado. Como consequência, pareceu-me ser muito mais seguro. Uma francesa que lá conheci confirmou que Santiago lhe pareceu mais segura do que Paris. Gastei na viagem R$ 2.359,37, sendo R$ 84,37 com alimentação, R$ 376,19 com hospedagem, R$ 18,37 com transporte local durante a viagem, R$ 224,49 com a passagem de ida e volta de ônibus entre Santiago e São Pedro de Atacama, R$ 242,42 com ingressos para as atrações, R$ 679,92 com pacotes para as atrações, R$ 5,23 com tarifa para câmbio, R$ 5,53 com gorjetas, R$ 495,16 com passagens aéreas, R$ 212,07 com taxas de embarque para ir e voltar a SP e R$ 16,68 com IOF. Sem contar o custo das passagens aéreas, das taxas de embarque e do IOF o gasto foi de R$ 1.652,14 (média de R$ 118,01 por dia). Mas considere que eu sou bem econômico (desta vez até que nem tanto ). Fiz todos os meus gastos no Chile em espécie, para evitar as taxas e impostos cobrados pelo uso de cartões. Só comprei a passagem de ônibus para São Pedro do Atacama com cartão porque fiz com antecedência quando estava no Brasil e porque comprando pela internet o desconto era maior do que o imposto. A Viagem: Minha viagem foi de SP (aeroporto de Guarulhos) a Santiago em 17/10/2017 pela Gol (http://www.voegol.com.br). O voo saía às 10:30 e chegava às 13:40 horas. A volta foi de Santiago a SP (Guarulhos) em 31/10/2017 pela Gol. O voo saía às 14:20 e chegava às 19:10. Paguei R$ 495,16 por ida e volta. Paguei R$ 113,38 pela taxa de embarque de ida e R$ 98,69 pela de volta usando cartão de crédito. Ao todo o preço foi de R$ 707,23. Antes de sair do Brasil, no dia 16/10, comprei US$ 150 para a viagem, com taxa de câmbio de R$ 3,31. Gastei R$ 496,07 de câmbio e mais R$ R$ 5,45 de IOF. A taxa até que não foi ruim, mas como eu acabei não pagando toda a hospedagem em dólares porque os hostels eram muito simples e acho que não cobravam o imposto sobre valor agregado, teria sido melhor comprar somente pesos chilenos diretamente com reais em Santiago. As taxas seriam melhores e não pagaria IOF (como diz a Jovem Pan - Brasil, o país dos impostos). Saquei os dólares diretamente do caixa eletrônico do Bradesco na agência do começo da Avenida Paulista (https://banco.bradesco/html/classic/canais-digitais/autoatendimento/moeda-estrangeira.shtm), porém gastando muito tempo para poder cadastrar a autorização no sistema do banco (cerca de 3 horas), por ser a primeira vez e eu não ter biometria cadastrada. Na 3.a feira 17/10, no Aeroporto de Guarulhos troquei uma das notas recebidas da máquina por outras menores em uma casa de câmbio. As atendentes foram muito gentis (até estranhei). Quando fui usar o dinheiro no Chile disseram-me que estava riscado, borrado e com carimbos e que não era costume receberem notas assim no Chile, mas acabaram aceitando. Quando as troquei em Guarulhos eu não percebi. No voo conheci um casal de gaúcha e paulista que deram bastante informações sobre o Chile, Santiago e sobre suas experiências por lá . O avião fez o sobrevoo sobre os Andes (https://www.google.com.br/search?q=sobrevoo+andes+sao+paulo+santiago&tbm=isch) na parte final da viagem para chegar a Santiago. O comandante avisou que iria começar e me pareceu ter reduzido a velocidade para que os passageiros aproveitassem a vista ou talvez por razões de segurança. O avião parecia parar. Como o tempo estava limpo, deu para ver amplamente a paisagem. Achei-a espetacular . Havia levado sanduíches para a viagem e talvez o jantar, mas não pude entrar com eles. Informaram-me que era proibido e seria descartado na verificação sanitária. Resolvi comer todos no voo e após a aterrissagem, antes de passar pela verificação sanitária . No aeroporto perguntei a alguns taxistas sobre como chegar ao centro e me deram informações incorretas . Como já havia estudado um pouco o mapa da cidade não acreditei e fui até o centro de informações turísticas, que me deu as informações corretas sobre meios de ir ao centro, localização de hostels e demais pontos relevantes para minha estada em Santiago. Deram-me gratuitamente um mapa da cidade. Fui bem atendido . Achei estranha a postura dos taxistas e incompatível com o nível do país. Lembraram-me algumas experiências desagradáveis no Brasil. Precisei fazer um pequeno câmbio no aeroporto para pagar o ônibus até o centro. A taxa foi desastrosa. Foi de 169 pesos chilenos por real. Troquei R$ 16,00 na AFEX e ainda paguei US$ 1.50 de tarifa. Depois descobri que isso não era necessário. Poderia ter pego um ônibus da empresa Turbus até seu terminal e pago com cartão de crédito. Peguei um ônibus urbano regular da empresa Centropuerto (http://www.centropuerto.cl) até a região central (Metro Los Héroes - Plazoleta central) por 1800 pesos (acho que comprando a ida e volta havia um desconto). De lá fui caminhando até a Rua Augustinas para fazer câmbio para a viagem. No caminho vi bicicletas do Itaú para aluguel, semelhantes às que há no Brasil. Na Laser (http://www.cambioslaser.cl - Augustinas, 1022) troquei R$ 1.050,00 com taxa de 190 pesos chilenos por real e sem tarifa. Só não troquei tudo porque não aceitava notas de R$ 20,00. Troquei R$ 130 na Suiza (Augustinas, 1036) com taxa de 189 pesos chilenos por real e também sem tarifa. Fiquei hospedado no kombi Hostel (https://www.facebook.com/kombihostelsantiago) por 4 noites. Paguei US$ 35 e 1200 pesos chilenos pelas 4 noites (eram US$ 37, mas eu não tinha US$ 2 trocados). Paguei em dólares para ficar isento dos 19% do imposto de valor agregado, que não é pago por quem usa moeda estrangeira forte no pagamento. Mas o atendente, filho do dono, disse que eles não emitiam aquele tipo de nota em que vale esta regra, então não fazia diferença. Assim, os dólares teriam sido desnecessários. Achei o hostel bem razoável, com bom café da manhã e boa localização, apesar do barulho à noite devido às casas noturnas do entorno. O dono era brasileiro e seu filho falava fluentemente português. Talvez por isso havia muitos hóspedes brasileiros. Para minha avaliação completa veja (https://www.tripadvisor.com.br/ShowUserReviews-g294305-d1672899-r540752838-Kombi_Hostel-Santiago_Santiago_Metropolitan_Region.html). Após chegar conheci alguns hóspedes e ficamos conversando. Havia duas cariocas, 1 argentino que trabalhava no Brasil, 1 baiano e 1 chileno. Depois ainda fui comprar 1 banana no Supermercado Líder (https://www.lider.cl/supermercado) por 160 pesos. Para informações e atrações de Santiago veja http://chile.travel/pt-br/onde-ir/centro-santiago-e-valparaiso/santiago e https://nosnochile.com.br/19-atracoes-gratuitas-para-curtir-em-santiago-do-chile. Os pontos de que mais gostei foram a vista dos Andes, o Parque Metropolitano, o Monte Santa Lucia, a simulação do interior do cérebro e os museus históricos e artísticos. Na 4.a feira 18/10 fui ao Parque Metropolitano (http://www.parquemet.gob.cl), que me disseram ser o maior parque urbano do mundo, mas que desconfio não ser uma informação precisa. De qualquer modo pareceu-me bem grande e gostei muito dele. Fiquei das 10 às 20 horas. Comecei subindo a trilha a pé para ir ao Santuário de Imaculada Conceição no Monte San Cristóbal. Fiquei lá algum tempo admirando a vista da cidade por vários ângulos e também o santuário em si. Depois fui andar pelas trilhas do parque para explorá-lo, no meio da vegetação e às vezes na pista para bicicletas e automóveis. Havia piscinas, mirantes, áreas verdes, monumentos, casas de cultura, anfiteatros, construções para eventos e espetáculos, jardins botânicos, esculturas ao ar livre, cemitério de cachorros, etc. Encontrei muitas turmas (provavelmente de estudantes) e ciclistas. Não tive nenhum problema de segurança, embora ao perguntar para alguns profissionais de segurança, eles tenham dito para que eu evitasse trilhas desertas e algumas áreas na borda do parque. Abriu o sol e eu estava sem bloqueador solar, mas não me senti queimar muito. Achei espetacular a vista da cidade com os Andes ao fundo . Perto do belo por do sol um prédio muito alto refletia seus raios com parte lateral de suas janelas mais altas, fazendo uma imagem de que muito gostei . Todas as atrações foram gratuitas. Depois do passeio comprei 400 g de macarrão, 1 banana, 1 cebola e 1 tomate por 998 pesos chilenos no Supermercado Líder. À noite, o baiano Karlos Neon tocou algumas músicas brasileiras e estrangeiras na primeira parte de uma festa promovida pelo hostel. A festa teve uma 2.a parte e depois uma extensão numa casa noturna, mas eu fui dormir no intervalo . Na 5.a feira 19/10 comecei indo ao Museu La Chascona de Pablo Neruda, mas não entrei por achar caro, somente vendo alguns versos nas paredes de fora. Segui visitando a Universidade perto do hostel e a Escola de Direito, o Bairro Bellavista, parques próximos ao hostel, o Parque Florestal, o Museu de Belas Artes e o MAC (Museu de Arte Contemporânea), em que havia uma simulação de como é dentro do cérebro , e o mercado de verduras e frutas, onde aproveitei para comprar 2 batatas por 40 pesos, 6 bananas por 270 pesos e 4 tomates por 200 pesos. Depois fui visitar um centro cultural, a Universidade Católica, igrejas, o convento franciscano mais antigo do Chile, a Estação Central, imprimi minhas passagens no terminal da empresa Turbus (lá os terminais são específicos para as empresas e não rodoviárias gerais) e terminei o dia visitando o Parque O'Higgins e agregados, de que muito gostei, com suas várias atrações . Todas as atrações que visitei foram gratuitas. Vi muitos cachorros de rua durante os passeios. Dei um dos mapas (acho que foi o do Parque Metropolitano) que havia ganho para a francesa Jane, que estava hospedada no hostel. Reencontrei as cariocas, agora juntas com outros brasileiros. Na 6.a feira 20/10 comecei visitando o Parque Baquedano e o Bairro Lastarria. Depois fui visitar o Monte Santa Lúcia, que achei muito bom com muitas atrações, construções antigas, monumentos, jardins, vistas espetaculares com 360 graus de amplitude a partir do centro da cidade , fontes, etc. Apesar da chuva, que engrossou um pouco ao longo do passeio, foi um dos pontos de que mais gostei. Havia vários brasileiros visitando o local. Saindo de lá visitei o Centro Histórico, o Centro Cultural La Moneda e o Museu Histórico Nacional, que achei apresentar uma excelente visão da história do país , com ilustrações e explicações do processo histórico. Mas, justamente por querer ver detalhadamente, não consegui completar a visita. Parei no meio do século XX, antes do Allende e do Pinochet. Saindo de lá, já sem chuva, pude ver e ouvir um grupo tocando música popular na Praça das Armas, que fazia com que as pessoas dançassem. Na volta para o hostel ainda passei por grupos folclóricos (1 deles com boneco gigante) em um beco com várias formas de arte. Todas as atrações foram gratuitas. Neste dia comprei 330 pesos em batatas e 2 tomates no mercado de verduras e frutas e 480 pesos num pacote de macarrão no Supermercado Líder, já me preparando para a viagem para o Atacama. À noite chegou um paulistano que pretendia passar o fim de semana em Santiago. No sábado 21/10 saí cedo para pegar o ônibus para São Pedro do Atacama. Pedi para tomar o café da manhã antes, coisa com que os atendentes do hostel concordaram, mas me disseram que não seria possível pães, pois a padaria só fornecia os pães a partir das 8 horas. Encontrei alguns pães na área em que os hóspedes deixam alimentos para compartilhar ou talvez em que o próprio hostel tenha colocado as sobras do dia anterior. Combinei então com o atendente de pegar aqueles pães e ele substituí-los quando chegassem os da padaria. Andei cerca de 1 hora a pé até o terminal da Turbus (https://www.turbus.cl), empresa de que eu havia comprado as passagens ainda no Brasil por 40.300,00 pesos. O ônibus saía às 9:31 e chegava às 8:00 do dia seguinte. Comprando pela internet havia desconto de 10 a 15% e comprando com antecedência ainda se conseguia preços mais baixos (acho que eram promocionais). Antes do ônibus sair pedi para a atendente de um bar encher minha garrafa com água da torneira, que ela disse ser potável. O condutor do ônibus alertou-me para tomar cuidado e não deixar minhas coisas sozinhas, principalmente passaporte e carteira. Foram fornecidos 2 pequenos lanches (1 suco pequeno de caixa e 1 biscoito pequeno) durante a viagem, que foi tranquila. Houve várias paradas em vários locais para embarque e desembarque. Gostei da paisagem enquanto ainda era dia , principalmente da parte que permitia vista da costa . À noite o céu estava bastante estrelado . Perto da chegada, a vista da região do Atacama também me agradou . Na parada em Chacabuco, comprei bananas, peras, pães e marraquetas (um tipo de pão) por 2932 pesos chilenos no Supermercado Unimarc (www.unimarc.cl). Conheci 2 alemãs (1 falava português, pois sua mãe era brasileira) e 1 francesa que estavam indo para São Pedro do Atacama. Para as atrações e informações de São Pedro de Atacama veja http://www.sanpedrodeatacama.com, https://www.visitchile.com.br/guias-de-viagem/san-pedro-de-atacama/aonde-ir.htm e https://www.dicaschile.com.br/2017/04/o-que-fazer-em-san-pedro-de-atacama.html. No domingo 22/10, após chegar, fui procurar locais com os menores preços para ficar. Passei por vários hostels e hotéis até encontrar o Juriques (http://www.juriques.com/hostales.html), que a alemã havia mencionado no ônibus e que eu havia pesquisado no Brasil. Quando lá cheguei o preço era menor do que o que eu havia visto no Brasil e o menor de todos que eu havia visitado lá. Fiquei nele por 6.000 pesos por diária. Para minha avaliação completa do hostel veja https://www.tripadvisor.com/ShowUserReviews-g303681-d2367239-r540755097-Juriques_Hostal-San_Pedro_de_Atacama_Antofagasta_Region.html. O atendente Hector foi muito cordial e disse que entraria em contato com a pessoa que fazia os passeios para as atrações para o hostel para fazer um orçamento. Enquanto isso eu fui para várias agências (algumas que eu já havia pesquisado e com quem já havia conversado do Brasil) para levantar preços. Os melhores preços encontrei na Andes Travel (https://www.tripadvisor.com/Attraction_Review-g303681-d8368194-Reviews-Andes_Travel-San_Pedro_de_Atacama_Antofagasta_Region.html), Caracoles, 174, telefones 552893281, 982459568, 971044491, 942962663, que me atendeu bem. Para minha avaliação completa dela veja (https://www.tripadvisor.com/ShowUserReviews-g303681-d8368194-r540757282-Andes_Travel-San_Pedro_de_Atacama_Antofagasta_Region.html). Voltei ao hostel e Hector me disse que a sua parceira de pacotes não conseguiria cobrir os preços que eu havia encontrado. Agradeci muito e voltei para a Andes Travel para fechar o pacote. Paguei 110 mil pesos por um pacote que incluía 5 excursões (Lagoas Altiplânicas e Pedras Vermelhas; Salar de Tara; Vale do Arco-íris; Lagoa Cejar, Olhos do Salar e Lagoa Tebinquinche; e Geyser El Tatio). Saindo de lá fui agendar o Tour Astronômico na Space (http://www.spaceobs.com), que disseram ser muito concorrido e necessário ser agendado antes. Agendei para 4.a feira, 25/10, comprometendo-me a pagar US$ 30.00 (poderia alternativamente pagar 20 mil pesos) até as 15 horas do dia do evento, caso este não fosse cancelado (poderia ocorrer cancelamento devido a questões atmosféricas). Saindo de lá troquei US$ 20.00 por 2 notas de 10 e novamente comentaram dos carimbos na nota que não são bem aceitos no Chile, mas fizeram a troca. Também passei no setor de informações turísticas, onde me deram um mapa e várias informações sobre a cidade e sobre como ir ao projeto ALMA (http://www.almaobservatory.org), de observação do espaço sideral, inclusive para busca de vida extraterrestre. Depois de tudo isso resolvi aproveitar o fim de tarde para conhecer minha primeira atração, Pukara de Quitor (https://www.google.com.br/search?q=pukara+de+quitor&tbm=isch), que era próxima, somente a 3 km de distância. Fui andando. Paguei 3 mil pesos pelo ingresso de entrada. Gostei muito da vista dos mirantes que existem ao longo da subida. Gostei também das estruturas arqueológicas, da estátua e da caverna . Na volta fiz caminho diferente e acabei não fazendo o melhor percurso. Estava de chinelo e acabei entrando no leito seco de um rio cheio de pedras, o que soltou a tira do meu chinelo . Ao voltar para o hostel conheci um grupo de israelenses, uma dupla de 1 americana e o chileno Brian, e um alemão que era engenheiro de ensino, teve uma doença e passou a trabalhar como caminhoneiro. À tarde já havia conhecido um espanhol das Canárias que estava passando uma temporada ali e vivia de tocar música. Preparei o que havia comprado para o jantar usando a cozinha do hostel. Pedi para o atendente me acordar no dia seguinte. Na 2.a feira 23/10 fiz a excursão para Lagoas Altiplânicas e Pedras Vermelhas (https://www.google.com.br/search?tbm=isch&q=lagunas+altiplanicas+y+piedras+rojas). Acho que o atendente acordou a pessoa errada (ele disse que me acordou, eu recusei e não quis acordar ). Mesmo assim, pouco tempo depois eu acordei por conta própria e deu tempo de me preparar. A van estava prevista para passar às 7:30 e passou um pouco depois disso. Achei a excursão muito boa . Havia 6 brasileiros (de São Paulo, Limeira e Florianópolis) e 2 americanos de Miami. Achei o guia o melhor de todas as excursões que fiz. Começamos visitando o povoado de Socaire, onde havia um casa típica com uma lhama, objetos típicos e uma pequena e simples igreja histórica . Depois fomos para as lagoas altiplânicas e as pedras vermelhas. Paguei 3 mil pesos pela entrada. Achei-as espetaculares . A paisagem com as montanhas ao fundo e a cor das pedras, do solo e da água faziam uma combinação de que muito gostei nos vários locais. Chegamos inicialmente ao Salar de Talar onde tomamos café da manhã, que achei bem razoável . A água era fria, verde e salgada, e havia flamingos na lagoa. No meio da trilha havia uma estrada para carros, que eu achei que era aberta à visitação. Peguei-a para chegar mais próximo aos flamingos, mas era proibida. O guia assobiou para mim, mas eu pensei que estava achando que eu iria me atrasar e disse com gestos que só iria um pouco mais e voltaria. Quando voltei ele me disse aborrecido que o caminho era proibido. Aí que eu entendi. Eu sou meio lento mesmo . Depois fomos para as lagoas altiplânicas, com vistas igualmente espetaculares . Fizemos uma pausa para o almoço num restaurante, sendo que na subida já havíamos encomendado (e o meu pedido de almoço vegetariano foi cumprido). O preço já estava incluído no pacote. Gostei bastante da comida, simples e saborosa e do molho um pouco apimentado para se comer com pão . Dei 50 pesos de gorjeta. Após o almoço fomos para o Salar de Atacama e a Lagoa Chaxa. Paguei 2.500 pesos de entrada. Achei o salar bem interessante e amplo e a lagoa bela também, mas diferente das anteriores, por parecer ficar numa planície. Havia também bastante flamingos e crustáceos artemias. Desta vez perguntei ao guia antes detalhadamente por onde poderia andar e não saí do caminho . Ao longo do passeio vi pássaros, raposa e lagartos . Voltamos perto de 17:30. No fim do dia comprei 1 tomate por 30 pesos no Centro Agropecuário. Na 3.a feira 24/10 fiz a excursão para o Salar de Tara (https://www.google.com.br/search?tbm=isch&q=salar+de+tara). Era das 9 às 17 horas. A entrada para as atrações foi gratuita. Estavam na excursão outros 7 brasileiros (2 de Brasília, 2 cariocas, 2 do ABC paulista e 1 paulistano de origem japonesa), 2 chilenas de Concepción e 1 mexicano. Os brasileiros, incluindo a mim em parte do tempo, ficaram juntos e pareciam bastante animados. O carioca mencionou a visita ao Estádio Nacional em Santiago, que eu não havia feito. A guia chamava-se Marta. A estrada era bem sinuosa e uma enorme subida em boa parte do trajeto. Houve muito vento, principalmente nas áreas mais altas e descampadas e perto da lagoa, porém até que não estava tanto frio, principalmente no sol. Paramos na estrada para o café da manhã num local com bela vista . Achei espetaculares as paisagens tanto no caminho como no próprio salar , principalmente a partir das zonas altas que permitiam vista bem ampla, do salar e da lagoa. As estruturas rochosas cujas semelhanças estimulam a imaginação também muito me agradaram . Vimos vicunhas, jumentos, pássaros e coelhos ao longo do passeio. Senti dor de cabeça a partir do meio do passeio, que foi o de maior altitude que fiz. O café da manhã foi bem razoável, mas o almoço não foi suficiente para todos com fartura. Foi servido após a visita à lagoa. Quando cheguei já estavam terminando vários itens e acabei pegando menos do que pegaria normalmente para deixar para os outros. Na volta paramos na estrada novamente para apreciar a vista e tirarem fotos. À noite ainda assisti a um jogo de futebol no pequeno estádio da cidade , com entrada gratuita. Comprei 600 pesos em tomates, cebola, pepinos, abobrinha, cenoura e pimentão no Centro Agropecuário. Na 4.a feira 25/10 fiz a excursão para o Vale do Arco-íris (https://www.google.com.br/search?tbm=isch&q=valle+del+arcoiris). Era das 8:30 às 14 horas e incluiu um bom e farto café da manhã. A entrada custou 3 mil pesos. O motorista chamava-se Julio e o guia chamava-se Burak, era turco e sabia falar português razoavelmente. Eu era o único estrangeiro, acompanhado por alguns chilenos (cerca de 6). Vimos pássaros, vicunhas e lhamas no caminho. Começamos visitando Yerbas Buenas, uma área com petroglifos, que eram variados, com muitas figuras de animais, incluindo 1 macaco, 3 flamingos, desenhos xamânicos e outros. Depois fomos para o Vale do Arco-íris que tinha rochas com formas e cores variadas, amarela, verde clara, verde escura, marrom clara, marrom escura, cinza e negra, entre as que pude perceber. Achei o cenário espetacular, principalmente as vistas a partir do alto . Voltamos para a cidade e fui até o hostel, onde a americana Grace explicou-me sobre a ida ao Vale da Lua. Fui até a Agência Space, verifiquei que o tour astronômico da noite estava confirmado e paguei por ele. Depois dei uma volta por parte da cidade e gostei do Mural do Liceu Politécnico com cenas da vida indígena, das bonitas pequenas praças com vegetação (acho que local) e da igreja central, que visitei vários dias . Procurei ONGs para conhecer e não encontrei nenhuma que necessitasse de doações. Depois de muito procurar, descobri também de onde saíam os ônibus para o Projeto ALMA nos finais de semana, pois apesar de não haver vagas para reserva nem para lista de espera, era possível ficar esperando na porta do ônibus para ver se havia desistências. À noite fui ao tour astronômico da Agência Space. Foi um dos eventos de que mais gostei . Achei espetacular a vista do céu a olho nu e com telescópios. Era num observatório um pouco (uns 15 minutos) afastado da cidade. O ônibus nos pegou cerca de 20:50 numa esquina da Rua Caracoles e nos trouxe de volta cerca de meia noite. Eram cerca de 20 pessoas. O monitor da minha visita foi o Danilo. Pareceu-me ter profundos conhecimentos da área. Inicialmente foi possível observar o céu a olho nu e, com auxílio de um laser, identificar as constelações do zodíaco visíveis no horário. Posteriormente foi possível visualizar muitos itens com telescópios (cerca de 10), como as crateras da Lua, o Planeta Saturno, a Nuvem de Magalhães, as Plêiades, nebulosas, galáxias próximas, estrelas binárias, etc. No final, com a temperatura já bem mais baixa, houve uma conversa em um auditório para dúvidas, tomando chocolate quente. Só achei que parte do tempo usado com brincadeiras no início poderia ter sido usado para informações mais relevantes sobre o assunto, sem perder o bom humor que caracterizou toda a apresentação. Depois de encerrado, o ônibus deixou cada um perto das suas respectivas acomodações. Na 5.a feira 26/10 fui com Grace pela manhã ao Vale da Morte ou Vale de Marte (https://www.google.com.br/search?tbm=isch&q=valle+de+la+muerte+atacama). Fomos caminhando, cerca de 30 minutos. No caminho passamos por um mural sobre a população e o local. A entrada para o Vale custou 3 mil pesos. Realmente parecia com as fotos que eu costumo ver de Marte, com pouquíssimo seres vivos, só rochas e areia, de cores vermelha, laranja e marrom. As vistas me pareceram espetaculares . Havia algumas pessoas praticando descida de esqui na areia. Fomos até a borda final do Vale. Depois de contemplar bastante perguntei a Grace se queria ir para a parte de trás, que parecia um pouco distante, para contemplar a vista e depois descer pela areia, porém sem esqui. Mas ela disse que não estava muito bem, não tinha se alimentado bem e preferiria voltar. Fiquei um pouco preocupado, mas ela disse que conseguiria voltar sem problemas e que eu poderia ir. Depois dela reafirmar isso algumas vezes, mencionar que havia várias pessoas fazendo o trajeto, e portanto seria socorrida caso algo de errado ocorresse, decidi ir só para os paredões e deixá-la voltar só. Fiquei pensando se ela não poderia estar com hipoglicemia e acabei ficando preocupado durante minha ida aos paredões. Pedi autorização à guarda para ir ao outro lado do desfiladeiro e descer pela areia, ela ficou meio ressabiada, mas me autorizou, somente dizendo para eu ter cuidado, principalmente na descida. Para achar a entrada para o outro lado do desfiladeiro fiquei um tempo tentando, mas era óbvio que só poderia ser aquele caminho que peguei. Durante o começo da minha caminhada acompanhei Grace com o olhar lá de cima para ver se estava caminhando bem. Depois fui me aprofundando nos paredões e fui bem mais longe do que planejara inicialmente. Achei as vistas lá de cima espetaculares . Quando cheguei longe o bastante, já tendo passado do ponto original do caminho pelo qual viemos, decidi descer pela areia, fazendo uma espécie de esqui com os pés, o que encheu de areia meu tênis . Na volta, já fora do vale, ainda subi em algumas colinas para apreciar a vista, em especial numa em que havia uma cruz. Quando cheguei ao hostel encontrei Grace conversando na mesa, com boa aparência. Perguntei-lhe se estava bem e disse que estava bem como sempre . Almocei, descansei um pouco e fui para a excursão para as Lagoas Cejar (https://www.google.com.br/search?tbm=isch&q=laguna+cejar) e Tebinquinche (https://www.google.com.br/search?q=laguna+tebinquinche&tbm=isch) e os Olhos do Salar, a única da agência em que eu fui pegar o transporte na própria agência. Estava prevista para sair as 16 horas e atrasou cerca de meia hora. A entrada para Cejar custou 15 mil (até as 14 horas era 10 mil) pesos e para Tebinquinche custou 2 mil pesos. O motorista Eduardo do micro-ônibus era de origem boliviana e muito bem humorado. Eram cerca de 10 pessoas. Nesta excursão conheci o brasiliense Tiago, filho de mineiros, atleticano, e conversamos sobre a situação do Brasil. A Lagoa Cejar me pareceu muito bela e com muito sal, onde não se afunda. Havia chuveiros para se tirar o sal depois do banho. A seguir fomos para 2 poços ao lado da estrada, chamados de Olhos do Salar, onde pude nadar bem, apesar da água um pouco fria. As paisagens do deserto agradaram-me bastante . Seguindo em frente fomos para a Lagoa Tebinquinche, cujas paisagens também muito me agradaram , variando de acordo com a luminosidade do fim de tarde. Dei uma volta no circuito permitido e pudemos contemplar o por do sol a partir dela, mostrando a cor da lagoa azul turquesa e as montanhas multicoloridas . No fim do passeio houve um pequeno lanche e experimentei uma bebida alcoólica chamada pisco sour, de que gostei e achei não muito forte. Voltamos já no escuro. Em outro momento um francês que conheci no albergue me falou de sua visita à Lagoa Cejar de bicicleta. Fiquei pensando que poderia ter feito o mesmo, economizado o dinheiro da excursão, pago menos pela entrada e ficado muito mais tempo aproveitando desde a manhã. Neste dia comprei 860 pesos em pães, 120 pesos em 1 cebola e 460 pesos em cenoura, maças e abobrinha no Centro Agropecuário. Pedi para um grupo de 3 chilenas que havia chegado e ficado no mesmo quarto para me acordarem no dia seguinte por volta de 4:15. Na 6.a feira 27/10 fiz a excursão para os Geysers del Tatio (https://www.google.com.br/search?tbm=isch&q=Geysers+del+Tatio). Era das 5 hs ao meio dia. As chilenas, que também iriam para a mesma excursão, porém com outra agência, acordaram-me exatamente como pedi. Durante boa parte da noite um rapaz esteve passando mal e vomitando. Perguntei se precisava de ajuda, mas não respondeu. Pelo que o atendente do hostel me falou ele estava alcoolizado. O micro-ônibus demorou um pouco para passar (atrasou mais de meia hora). O motorista novamente era o Eduardo, mesmo do dia anterior. Eram cerca de 20 pessoas, entre as quais havia uma publicitária de São Paulo. A entrada custou 10 mil pesos. Dei mil pesos de gorjeta quando o guia passou o chapéu pedindo no fim da excursão. O ônibus subiu lentamente, em parte no escuro, mas como atrasou, em parte já com um pouco de luz do amanhecer. Assim deu para ver a silueta das montanhas e alguns animais. Achei a paisagem espetacular . Ao chegar lá informaram-nos que a temperatura era de -6.4 C e após breve explicação e recomendações de segurança fomos ver os geysers. Havia vários e a água era muito quente e jorrava bem alto em alguns. Existia um geyser chamado Mata Gringo. Narraram que uma turista belga morreu queimada quando caiu em um geyser. Na minha visita as delimitações guardavam razoável distância para os pontos de que saem água. Pude tocar em um pouco da água que escorria pelo chão de um geyser e senti o quão quente poderia ser (estava quase fervendo). Achei a vista deles muito boa e os maiores imponentes . Tomamos café da manhã (razoável, mas inferior ao da maioria das excursões anteriores) apreciando os geysers. Na volta pude ver a paisagem com a luz do dia. Entre ida e volta pudemos apreciar o vulcão que havia no caminho, as montanhas, os cursos de água, a vegetação e os animais (flamingos, pássaros, vicunhas). Paramos na estrada para ver o vulcão e as aves no rio e depois no povoado de Machuca, onde havia espetinho de carne de lhama. Eu, como não como carne, fui explorar a vila e conhecer a pequena igreja local de 1933, a vista a partir da colina em que ela ficava, as casas locais e o jardim com plantas típicas . Fizemos ainda uma parada extra no cânion de um rio com montanhas em volta . Chegamos por volta de meio dia, eu almocei e fui deitar um pouco, pois estava com dor de cabeça, provavelmente devido à altitude, que perdurou por boa parte da tarde. Após conversar com um jovem chileno recém chegado e receber algumas informações dele, saí cerca de 15 hs para conhecer a Garganta do Diabo (https://www.google.com.br/search?tbm=isch&q=garganta+del+diablo+atacama). Fui andando, cerca de 45 minutos. Era um pouco à frente de Pukara de Quitor. A entrada para a Garganta do Diabo e Catarpe custou 2 mil pesos. Na portaria deram-me um mapa e me disseram que fechava por volta de 19 hs. Logo na saída encontrei um francês, perguntei se queria ir junto, mas ele disse que caminhava só. Inicialmente fui admirando a paisagem semidesértica e depois fui por uma trilha que ia subindo, permitindo belas vistas e acabava em um túnel, que atravessei, só para ver o que havia do outro lado. Eu não tinha luz, mas mesmo assim consegui atravessá-lo com a iluminação que entrava pelas 2 saídas. Não quis seguir em frente do outro lado, somente apreciei um pouco a paisagem. Depois daí segui para a garganta, de que muito gostei . Pareceu-me longa e variada. Achei espetaculares os caminhos no meio do desfiladeiro e as estruturas naturais de pedra. A seguir fui para Tombo de Catarpe, um local com ruínas de construções de pedra. A vista a partir dela também me agradou . Por último visitei mais para frente a Igreja de São Isidro, que era uma capela de 1913, bem simples e antiga, parecia feita de argila. Reencontrei o francês em vários pontos do caminho e no fim quando eu voltava da capela ele estava indo e me perguntou se era longe e o quanto valia a pena. Resolveu ir também. Já bem mais para a frente, próximo da portaria, encontrei as 3 chilenas do albergue, que me pediram para tirar fotos delas. Na saída, pouco depois das 19 hs, pedi desculpas ao porteiro pelo atraso, mas ele disse que não havia problemas. À noite reencontrei o chileno que havia chegado ao hostel e conheci um grupo de alemães em viagem pela América do Sul, com quem fiquei conversando durante o jantar. Ao ir para o quarto dormir conheci um casal de chilenos, o homem era policial, que iria dormir em cima da minha cama (fiquei com medo da cama não aguentar com os 2 ). Comprei 700 pesos em pães na Tackey (https://www.yelp.com.br/biz/tackey-san-pedro-de-atacama), que achei ter os melhores preços, 550 pesos em espaguete no armazém do Vicente, que ficava um pouco abaixo, e 880 pesos em maças, cenoura, pepino e abobrinha no Centro Agropecuário. No sábado 28/10 o casal de chilenos e as 3 amigas chilenas foram para Yuni, Grace foi embora e chegaram um grego, australianos e uma alemã. Logo de manhã fui tentar ir visitar o Projeto Alma. Disseram-me que o ônibus saía às 9 horas e eu deveria chegar por volta de 8:30 para ficar em uma fila, caso houvesse desistências. Se desejar fazer esta visita, sugiro fortemente reservar seu lugar o mais rápido possível, pois hoje, dia 12/06 em que estou escrevendo, verifiquei que a próxima data em que se consegue confirmar a visita, sem depender de lista de espera ou desistências é 30/09, ou seja, daqui a mais de 3 meses. A página para tal é http://www.almaobservatory.org/en/outreach/alma-observatory-public-visits. Cheguei por volta de 8:35 e já havia 2 pessoas esperando, 1 alemão e 1 brasileira. Começaram a chegar mais pessoas e logo depois chegou a coordenadora da ida, que organizou a fila e começou a chamar os inscritos confirmados e os inscritos para a lista de espera. Quando acabou de chamar os da lista de espera, o ônibus ficou cheio. Aí o alemão foi embora. Alguns instantes depois a coordenadora disse que 2 pessoas haviam desistido (acho que porque nem todos do grupo em que estavam conseguiram vaga) e que havia sido aberta 1 vaga. Então a brasileira que estava na minha frente pode ir na última vaga, mas eu não. Fiquei feliz por ela, pois era a única chance dela, posto que iria embora no dia seguinte. Decidi então visitar o Vale da Lua (https://www.google.com.br/search?tbm=isch&q=valle+de+la+luna+atacama). Fui a pé e fiz todo o percurso a pé. Paguei 2.500 pesos (500 pesos a menos por ter entrado de manhã) pela entrada. Levei uma garrafa grande de água, 5 pães e 1 maça. No Centro de Visitantes a atendente deu-me uma explicação geral sobre a visita e, vendo que eu estava a pé e desejava ir depois à Pedra do Coyote, autorizou-me a sair por trás, algo que não era permitido normalmente, sendo que aquela saída estava fechada. Achei espetacular o Vale da Lua , com suas paisagens e variações. Após caminhar um pouco passei pelas Cavernas de Sal. Quando estava visitando as mais fechadas, um casal iluminou o caminho para mim, posto que eu não tinha iluminação. No fim havia um cânion, mas parte estava fechada. A seguir fui para a duna e o mirante. A duna lembrou-me as praias do nordeste brasileiro. O mirante tinha uma vista espetacular , com o anfiteatro bem à frente. Achei um pouco confusas as suas trilhas. A seguir passei por 2 minas de sal antigas. Por fim passei pelas 3 Marias e entrei num campo de sal em que havia uma mina grande. O campo de sal parecia ter aparentes lagos, rios e cachoeiras de sal, que achei espetaculares . Lá encontrei um grupo de brasileiros que tinha vindo de carro desde o sul do Brasil. Após apreciar bastante as várias construções naturais do campo de sal, voltei para a estrada e fui para a saída. Creio que saí perto de 17 horas, rumo à Pedra do Coyote. Mas a volta foi grande e demorei cerca de 2 horas para chegar lá andando. A paisagem do deserto em parte foi bem interessante, mesmo vista da estrada. Cheguei um pouco após o por do sol, mas ainda deu para aproveitar o crepúsculo para apreciar a vista . Fiquei lá até quase a escuridão total e depois voltei no escuro pela estrada, algo que não foi muito agradável, mas não teve grandes problemas. Neste dia comprei 620 pesos em pães. No domingo 29/10 tentei novamente ir ao Projeto Alma, mas novamente não consegui. Cheguei perto do mesmo horário do dia anterior, mas desta vez já havia várias pessoas esperando. E não houve desistências suficientes, então ninguém que estava esperando pode ir. Fui então caminhar pela estrada para apreciar com calma a vista perdida do dia anterior. Havia alguns pontos muito bons de observação para o Vale da Lua . Do outro lado reencontrei o final do Vale da Morte em que havia estado antes. Pude explorar com calma a região e contemplar o deserto. Quando voltei para o hostel para almoçar, conheci um casal de brasileiros (Bianca e o marido) que havia acabado de chegar de uma excursão ao Salar de Yuni. Narraram suas experiências, de como gostaram dos locais visitados, das instalações precárias onde pernoitaram e de como passaram mal devido à altitude. Falei-lhes do tour astronômico e se interessaram, porém não conseguiram vaga. Depoi do almoço fui ver alguns pontos da cidade que faltavam e depois fiquei admirando a vida na praça central. Não houve jogos à noite para assistir. O grego foi embora e eu fui dormir cedo para me preparar para ir embora no dia seguinte. Comprei 1450 pesos em pães e 750 pesos em tomates, maça, pimentão e abobrinha. Na 2.a feira 30/10 de manhã despedi-me de Hector e peguei o ônibus às 9 horas para Santiago. A viagem foi tranquila com paisagens belas de montanhas e praias . Deu para ver boa parte do que eu havia perdido na ida por estar à noite, principalmente as praias da região da Bahia Inglesa, o caribe chileno. No fim do dia o tempo fechou, mas ja estava escurecendo mesmo e não comprometeu muito. O ônibus parou várias vezes novamente e forneceram 2 lanches pequenos. Além deles, comi parte do que havia comprado e levado. Chegamos por volta de 8 horas da manhã. 3.a feira 31/10, após chegar fui caminhando até o Palácio de La Moneda, para onde tinha enviado um email para tentar agendar uma visita. No caminho comi uma empanada de uma ambulante, que mais parecia um pastel, pagando mil pesos. Mas não consegui fazer a visita, pois não responderam meu email. Era necessário ter agendado antes (https://visitasguiadas.presidencia.cl). Como não tinha acesso a Internet, o atendente do centro cultural emprestou-me seu celular, mas não achei a resposta. Então fui visitar as salas que faltavam do Museu Histórico Nacional, mas elas estavam fechadas temporariamente para algum tipo de reforma. Ou seja, tinha optado pelo Palácio de La Moneda e pelo Museu Histórico (se desse tempo) ao invés do Estádio Nacional por ser mais viável no tempo de que disporia, mas acabei não conseguindo visitar nada . Entretanto, por coincidência, estava lá bem na hora da troca da guarda, que pude acompanhar inteiramente (cerca de meia hora) . Passeei um pouco pelo centro, comprei 700 pesos em pães Supermercado Cencosud (http://www.cencosud.com), 1250 pesos em uma empanada de queijo e champignon (neste dia foram minhas primeiras empanadas da viagem) e 630 em um creme de Berlim na Paradiso S.A. (http://www.paradiso.cl). Gostei muito destes 2 últimos . Perguntei para a atendente se poderia pagar um pouco menos pela última (acho que cerca de 20 pesos), visto que estava indo embora e aqueles eram meus últimos pesos, sem contar o ônibus, e ela concordou. Depois de comer e andar mais um pouco, peguei o ônibus para o aeroporto, pagando 1800 pesos. Um pouco antes de embarcar comi os pães que havia comprado numa mesa do Starbucks, após pedir para a atendente para usá-la, que deixou. O tempo na volta estava encoberto e não foi possível repetir a vista dos Andes, mas a da ida ficou gravada na minha memória.
  6. Considerações Gerais: Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar importantes. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais: Em toda a viagem houve bastante sol. Chuva leve ou moderada só peguei na 3.a feira (02/05) quando estava indo para Caverna da Torrinha, depois de sair de lá e na viagem de volta para Salvador na 4.a feira (03/05). As temperaturas também estiveram bem razoáveis (para um paulistano), chegando em média a 28 C ao longo do dia (com picos de 30 C) nas áreas mais baixas e ficando por volta de 25 C nas áreas mais altas, mas caindo até 20 C à noite. A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil :'>. Havia na área também muitas pessoas de fora da região e estrangeiros. As paisagens da Chapada agradaram-me muito, principalmente a vista a partir de pontos altos, as cachoeiras, as grutas e as cavernas ::otemo:: . As trilhas no geral foram tranquilas. Mesmo as que me disseram que seriam inviáveis sem guia, como a do Sossego, consegui fazer sozinho sem problemas e não achei complicada, mas pesquisei informações na Internet antes. A trilha para a Cacheira da Primavera e o Mirante foi a em que eu mais me atrapalhei, mas por ter pego a entrada errada para a trilha. Pegando a entrada certa foi tranquila. Durante muito tempo estive só nas trilhas, que em boa parte estavam desertas. Às vezes cruzava com algum grupo com ou sem guia. Não tive nenhum problema de segurança (nenhuma abordagem indesejada). Alguns estabelecimentos comerciais aceitaram cartão de crédito (principalmente empresas de ônibus). Paguei a guesthouse em que fiquei e os passeios turísticos com transferências bancárias. Quando fui tentar sacar dinheiro do caixa eletrônico do Bradesco, este estava sem dinheiro. Gastei na viagem R$ 1.766,70, sendo R$ R$ 74,42 com alimentação, R$ 240,00 com hospedagem, R$ 115,72 com transporte durante a viagem, R$ 159,86 com as passagens de ônibus de ida e volta entre Salvador e Lençóis, R$ 516,00 com pacotes turísticos, R$ 257,00 com entrada para atrações, R$ 343,90 com passagens aéreas de ida e volta e R$ 59,80 com as taxas de embarque correspondentes. Sem contar o custo das passagens entre Salvador e Lençóis, das passagens aéreas e das taxas de embarque, o gasto foi de R$ 1.203,14 (média de R$ 120,31 por dia). Mas considere que eu sou bem econômico (desta vez até que nem tanto, devido aos 2 pacotes que comprei ). A Viagem: Minha viagem foi de SP (aeroporto de Congonhas) a Salvador em 24/04/2017 pela Tam (http://www.tam.com.br). O voo saía às 08:10 e chegava às 10:33 horas. A volta foi de Salvador a SP (Congonhas) em 03/05/2017 pela Tam. O voo saía às 18:04 e chegava às 20:35. Paguei R$ 343,90 pelas passagens e R$ 59,80 pelas taxas de embarque de ida e volta parcelada em 4x usando cartão de crédito. Para ir ao aeroporto, peguei um carro pop da 99 (http://www.99taxis.com) que estava com promoção de ser de graça até R$ 15,00. A corrida deu R$ 12,73, então nada paguei. Durante o voo de ida pude apreciar uma magnífica vista da Baía de Todos os Santos próximo ao pouso . Ao chegar fui até o ponto de ônibus atrás do estacionamento do aeroporto e peguei o ônibus urbano S037 para a rodoviária (http://www.meubuzu.com.br/linha.php?id=S037-00) por volta de 11:15. O ônibus custou R$ 5,30 em dinheiro e tinha wifi. Cheguei à rodoviária perto de 11:45 e comprei a passagem para Lençóis por R$ 79,93 parcelada em 6x com cartão de crédito, pagando uma taxa de embarque de R$ 1,70 em dinheiro. Fui pela Rápido Federal da empresa Real Expresso (https://www.realexpresso.com.br). Aproveitei então para ir comprar 8 esfihas de queijo no Habibs do Shopping Iguatemi por R$ 7,92 com cartão de crédito, na promoção de R$ 0,99 cada. O ônibus saía às 13 horas e estava previsto para chegar às 19:05, mas chegou perto de 19:30. Nele conheci 2 argentinos de Ushuaia, belgas, argentina que vivia no Brasil e moça grávida de 5 meses com barriga enorme, jogadora de futsal, muito simpática, que me deu muitas informações sobre a Chapada. Além das paradas nas localidades, paramos uma vez para lanche ou jantar. Após chegar fui caminhando em direção à Casa MangaMel, que havia pesquisado pela internet. No caminho fui procurando outras opções, mas ela realmente era a mais barata. Encontrei Gustavo enquanto caminhava e ele me disse que morava na Casa MangaMel e me orientou sobre como chegar lá. Fiquei lá todas as noites, menos uma, pagando R$ 25,00 por diária fora do feriado e fim de semana e R$ 30,00 de 6.a feira a domingo do feriado de 01/05. Paguei através de transferência bancária. Betina e Douglas eram os donos e Gustavo trabalhava para eles. Lá estavam morando uma peruana e um rapaz que era guia e fazia ioga. Betina disse-me que eu poderia pegar maracujás do quintal, pois estavam perdendo, visto que a árvore dava muitos. Saí para fazer compras para o jantar, comprei pão na padaria por R$ 2,40, e legumes e frutas (4 bananas, 2 tomates, 1 berinjela, cenoura, cebola e pepino) na quitanda por R$ 6,60, ambos em dinheiro. Depois passei na agência Diamantina Trip (http://diamantinatrip.com.br), que Betina havia indicado como tendo bons preços e comprei um pacote para as Grutas por R$ 185,00 à vista (já contando as entradas para as atrações), a ser pago via transferência bancária posteriormente. Atendeu-me muito cordialmente Cláudia, argentina dona da agência e mais tarde Júlia. Falei com os argentinos que havia conhecido no ônibus para tentar formar grupo para passeio para o Buracão de 2 dias, mas eles só iriam ficar 1 dia. No dia seguinte, 3.a feira, 25/04, chegou perto de 6 horas da manhã ao quarto em que eu estava sozinho a Kelly, que era do Amapá, mas morava em São Paulo. Ela foi procurar por pacotes para fazer logo de manhã e eu depois de acordar fui tomar café. Lá conheci Valéria, que era de Imperatriz e já havia feito alguns passeios. Conversamos um pouco sobre a violência naquela área no passado, política do Maranhão e os passeios da Chapada. Ela saiu para o seu passeio e logo depois eu fui para o Hi Hostel, de onde saía o passeio das Grutas, que envolvia o Poço do Diabo, a Gruta da Fumaça, a Caverna e Gruta da Pratinha, a Gruta Azul e o Morro do Pai Inácio. Participaram do passeio a inglesa Sarah, 2 paulistas, 1 suíço, 1 alemã e o guia, de que muito gostei e cujo nome esqueci de anotar e não me lembro (acho que era Nenê, nativo, negro e alto). Achei a vista nos locais altos perto do Poço do Diabo interessante e boas a cachoeira de baixo e a cachoeira principal :'>, sendo que a de baixo me pareceu melhor para ficar em baixo simulando hidromassagem, pois tinha uma boa base para entrar e firmar os pés. Gostei da Gruta da Fumaça e de suas diferentes formações :'>. Foi necessário usar toca e capacete para entrar. Era obrigatório uso de calçado fechado (não se podia usar chinelo). O grupo almoçou no restaurante ao lado da gruta, enquanto eu fui explorar uma estrada da região para tentar conhecer um pouco mais da realidade social local. Interessante ver as plantações de palma (que o guia disse que eles usavam para matar a sede do gado na época de seca, além de servir de alimento para eles). Cheguei até a entrada da Gruta da Lapa Doce e voltei. Quando cheguei estavam no fim do almoço, conversamos um pouco e retornamos para o carro para prosseguir o passeio. Dali fomos para o Rio e Gruta da Pratinha e Gruta Azul. Eu aproveitei para almoçar os sanduíches que havia levado. Achei a Gruta da Pratinha interessante :'>, com suas pedras bonitas e grandes e a água transparente que a permeava. Gostei do Rio Pratinha, com sua água clara e fresca :'>. A vista dele a partir do alto também me pareceu bela. Andei por um caminho lateral à sua margem que achei interessante. Voltei quando cheguei a uma curva maior. Ao entrar na água alguns peixinhos pequenos mordiam os dedos dos pés, nada sério, mas dava para sentir. Por volta de 15 hs fomos para a Gruta Azul, momento em que a luz do sol iluminava a água e aparecia uma faixa azul turquesa brilhante. Agradou-me a gruta e principalmente este espetáculo . Para encerrar o dia fomos para o Morro do Pai Inácio. Subimos uma pequena trilha e pudemos apreciar a vista lá de cima em várias direções, cobrindo o Vale do Capão, vegetação, montanhas, estrada e todo o ambiente natural . Apreciamos o pôr do sol de lá. Depois daí voltamos e chegamos perto de 18:30 a Lençóis. Comprei 4 bananas, 2 cenouras e tomates na quitanda por R$ 3,45, beterraba, pepino e chuchu no Restaurante que vendia legumes crus por R$ 3,70 e 15 pães integrais na padaria por R$ 4,50, todos em dinheiro. Ainda consegui viabilizar o desejado pacote de 2 dias para o Buracão na agência Ecotur (http://www.ecoturchapada.com.br), que incluía os poços, por R$ 458,00 pago à vista via transferência bancária (já contando as entradas para as atrações), sem seguro, nem lanche nem hospedagem. Voltei ao albergue, jantei, conversei um pouco com Kelly sobre os passeios passados e futuros, conheci um casal de austríacos que estava hospedado na guesthouse e fui dormir. No dia seguinte, 4.a feira, 26/04, após o café e conversar com Valéria, que disse que faria o mesmo passeio na 5.a feira, só que em ordem inversa, esperei pelo guia Osvaldo que me pegou para ir para o Buracão. No grupo comigo foram o casal Eduardo e Virgínia de Campinas. Fomos até Ibicoara. Durante o caminho avistamos atrações da Chapada ao longo da estrada, como vegetação, rios, montanhas, vales, o Cemitério Bizantino e outros :'>. Ao chegarmos paramos numa agência de turismo local para pegar o guia Joel e rumamos para o Buracão. Gostei de ambos os guias. Aproveitei para comer sanduíches que havia levado no caminho. Chegamos no início da trilha perto de 12:30 e fizemos uma trilha curta de cerca de 20 minutos. Na trilha passamos pela Cachoeira Recanto Verde, que achei bonita :'>. Ao fim da trilha foi necessário vestir um colete e nadar por um cânion até um grande lago onde se avistava a Cachoeira do Buracão num paredão. Como não estou acostumado a usar colete salva vidas, não sei se o coloquei corretamente, mas me pareceu bem apertado, incomodando devido ao lanche que tinha comido. Achei a cachoeira e todo o local espetaculares . A água que caía nas costas era forte, mas suportável, permitindo uma forte hidromassagem . Para se chegar até ela era necessário nadar e atravessar o lago profundo, talvez por isso fosse obrigatório o colete. Depois do banho voltei para a outra margem, subi nas pedras e fiquei secando e tomando um pouco de sol. Devido ao cânion, não batia sol em muitos locais, o que fazia a temperatura ser um pouco mais baixa do que fora dali. Depois de 2 banhos e secar, voltei com o guia, agora pela lateral do cânion, sem nadar. No final era necessário cruzar o cânion através de um tronco de árvore estendido, mas que tinha uma corda paralela em cima para servir de equilíbrio. Na volta fomos apreciar a cachoeira a partir do alto, o que achei também muito belo :'>. Ainda passamos por uma queda de água em que entrei (os outros não quiseram), que me pareceu muito boa para hidromassagem nas costas :'>. Depois voltamos para dormir em Mucugê. O casal e o guia ficaram numa pousada que fazia parte de seu pacote e eu fui procurar um local barato para dormir. O guia me levou de carro da pousada até o centro (bem perto) e eu fiquei no Hotel Flor da Chapada, mais conhecido como Dormitório do Gordinho, por R$ 25,00 em dinheiro, num quarto compartilhado com TV, mas que só tinha eu, e banheiro fora. Comprei R$ 2,40 em pães na padaria em dinheiro e juntei aos legumes que tinha para jantar. Ainda fui dar uma volta pela cidade e encontrar o grupo que estava num restaurante jantando, mas apenas para conversar. Na 5.a feira 27/04 logo de manhã fui dar uma volta em Mucugê. Visitei o Cemitério Bizantino :'>, as praças :'>, o casario colonial :'>, o centro de eventos, a igreja por fora e andei um pouco pela estrada para observar a paisagem. Um cachorro quis brincar comigo na entrada da igreja e eu fiquei com medo dele me seguir e ser atropelado, mas ele logo desistiu de vir atrás de mim. Parecia carente de atenção. Aproveitei e passei na feira onde enchi minha sacola por R$ 20,00 em dinheiro. Comprei também 6 pães no supermercado por R$ 1,80 com cartão de crédito. Depois de tomar café desci para pegar o carro que já estava me esperando para prosseguir o passeio. Fomos para o Poço Encantado. Lá esperamos para começar a visita depois que começasse a entrada do raio de sol, que iluminava parte do poço. Descemos depois das 10 horas. Achei o poço espetacular , com todas as formações dentro da gruta, sua água transparente, sua profundidade e, para coroar, o raio de sol que iluminava parte dele. Esperamos um pouco sentados, pois o dia estava nublado, mas repentinamente as nuvens se abriam e o sol entrou, fazendo um efeito azul turquesa na água de que muito gostei. A grandiosidade do ambiente unida à sua serenidade e beleza chamou-me atenção . Dali seguimos por estrada de terra para o Poço Azul (http://www.pocoazul.com), num caminho que cortava bastante o percurso e era por locais mais próximos à Natureza. Provavelmente cruzamos com o grupo de Valéria na estrada (a van parecia ser da agência que ela usava). Atravessamos o Rio Paraguaçu por uma ponte em que havia muitas borboletas pequenas claras unicolores na margem. Para esperar o raio de sol entrar no poço e deixar a vista ainda mais bela, decidi retardar minha entrada. Enquanto o casal foi para o poço eu fui nadar no Rio Paraguaçu. O rio era bonito :'>, mas muito raso para nadar, com muitos bancos de areia. Raspava-se a barriga no fundo em vários pontos . Depois de nadar e o ficar contemplando por algum tempo, fui para o poço. Não precisei tomar a ducha porque o atendente viu que estava molhado do rio. Lá recebi colete, máscara e snorkel para flutuação. O casal ainda estava lá e entramos num segundo grupo. O raio de sol já o iluminava, clareando parte da água e do fundo e deixando parcialmente azul clara e azul turquesa. Eu aproveitei para explorar os vários cantos dele e admirar seu fundo, teto e entorno, além da água. Depois fiquei apreciando o ponto em que o sol entrava e iluminava . Após sairmos do poço (saímos juntos, o casal pode ficar pelo equivalente a 2 grupos), fomos para o restaurante almoçar. Lá comi meus sanduíches enquanto o casal e o guia almoçavam conforme seu pacote. Saímos de lá e voltamos para Lençóis, chegando por volta de 16:30. No caminho o guia Osvaldo indicou a barraca de acarajé de Zenaide como uma boa opção para quem desejava comê-lo. Após descermos do carro, quando nos despedíamos, Eduardo deu-me um pote de mel de presente. Voltei para a MangaMel, guardei minhas coisas, passei na padaria, comprei 8 pães por R$ 2,40 em dinheiro, voltei e usei um pouco o computador, conversei com a minha mãe por skype e depois conheci Tom, um israelense que havia chegado a Guesthouse. Ele me falou da situação atual para visitar israel e disse que achava perfeitamente viável ir a Israel como mochileiro, sem grandes problemas de segurança, mas que se eu tivesse perguntado há 1 ano sua resposta seria outra. Na 6.a feira 28/04 fui conhecer o Serrano e arredores. Saí após o café e ao perguntar a moradores locais onde era a entrada da trilha, perguntaram-me se eu iria sozinho e após a minha resposta de que sim disseram-me que não era prudente, pois poderia acontecer um acidente, por exemplo. Palavras proféticas . Indicaram-me 2 caminhos possíveis e eu resolvi ir pela avenida lateral à rodoviária, para dar a volta completa. Comecei simplesmente seguindo a avenida ao lado da rodoviária e quando ela acabou prossegui no leito do rio. Daí para frente prossegui perguntando às pessoas que encontrei no caminho e tentando encontrar as trilhas. Passei pelos Salões de Areia, que achei bastante interessantes e belos :'>, e depois cheguei ao Poço Haley. No caminho encontrei um casal com seu guia. No poço havia uma vendedora e duas biólogas de Feira de Santana que estavam de férias. Após uma rápida contemplação e um banho resolvi prosseguir. Perguntei à vendedora como achar os outros atrativos e ela me deu orientações. Fui rumo à Cachoeira e Poço do Paraíso. Durante todo o percurso encontrei várias pequenas quedas de água, que me pareceram muito boas para ficar embaixo :'>. A vista da cidade que ficava para trás e do leito do rio também muito me agradou :'>. Vi um pássaro com costas pretas, barriga branca e penacho no rabo :'>, diferente dos com que estava acostumado. Havia uma bifurcação no rio e eu decidi ir para a direita, para explorar a região, posto que o retorno e os outros atrativos estavam à esquerda. Seguindo pelo leito do rio, passando por pequenas quedas de água, cheguei a um poço e uma cachoeira maiores, onde havia um casal namorando. Eles me disseram que eram a Cachoeira e Poço Paraíso. Achei-os muito bons, tanto a cachoeira para ficar em baixo, como o poço para nadar, visto que era fundo . Disseram-me ainda que para cima não havia mais nenhuma atração famosa, mas que poderia subir para continuar conhecendo o leito do rio. Após aproveitar a cachoeira e o banho decidi voltar para ir à Cachoeira Primavera. O casal disse-me para pegar o outro ramo na bifurcação e seguir em frente. Desci o rio e fiz isto. Na bifurcação encontrei com uma família que estava chegando para aproveitar o local. Numa pedra, logo após a bifurcação eu me distraí, escorreguei e caí . Consegui proteger a cabeça com os braços, mas ralei um pouco o joelho e bati numa pedra a lateral das costas, provavelmente as costelas, que ficaram doendo por cerca de 2 semanas, e na hora e em alguns dias seguintes, doeram com razoável intensidade quando fazia determinados tipos de movimento, fazendo-me até a desconfiar que poderia ter ocorrido algo mais sério. Mas creio que não foi nada porque agora já passou por completo. Prossegui mesmo assim, mas sem saber peguei uma trilha alternativa, que me pareceu bem difícil, com pontos íngremes e até perigosos, e pouco usada. Num dos pontos dela meu chinelo caiu numa fenda entre pedras ãã2::'>, desci para procurá-lo e tentar pegá-lo. Gastei uns 15 minutos até encontrá-lo e pegá-lo. Depois de tentar várias alternativas de trilhas e ficar sem saída, desisti e resolvi voltar. Quando cheguei à bifurcação de volta, vi a mesma família da vinda e fui perguntar-lhes se havia a trilha e como pegá-la. O pai disse-me que existia, mas não era muito fácil de achar. A mãe disse-me que eu não iria encontrar, pois tinha passado por eles há 2 horas e não tinha encontrado ainda. Então o pai me disse que se eu descesse o rio e passasse uma grande pedra eu iria encontrar a entrada para uma pequena trilha que me levaria à trilha principal e aí era só seguir em frente que eu encontraria a cachoeira. Fiz exatamente isso, achei a entrada para a trilha secundária que me levou à trilha principal e, em pouco tempo, cheguei à cachoeira. Nada como pegar a trilha certa . Gostei da Cachoeira da Primavera :'>. Achei-a boa para ficar debaixo, aproveitando a hidromassagem, e também bonita a vista dela do alto do morro. Depois de apreciá-la e aproveitá-la fui tentar achar o mirante, que o homem disse que era bem próximo e a mulher disse que era mais complicado de achar. Subi a trilha e fui procurando trilhas para cima. Encontrei um morro com boa vista, porém havia árvores que atrapalhavam um pouco a vista da cidade. Fiquei na dúvida se era mesmo o mirante. Dias depois descobri que não era, mas a vista diferente de lá valeu, principalmente do lado da mata :'>. Desci pelo mesmo caminho da vinda, só que não peguei a trilha secundária para voltar ao leito do rio. Em vez disso segui em frente o que parecia ser a trilha oficial, que me levou até a Cachoeirinha. Gostei dela também :'>, embora tenha achado a Primavera melhor. De qualquer modo foi possível aproveitar um banho, ficar embaixo dela e apreciar a sua vista. Depois segui a trilha para ir embora. No caminho encontrei a vendedora Vanessa, muito simpática, com a família, voltando do trabalho, que me deu orientações corretas na trilha. Ainda parei perto do final para admirar o começo do leito em que eu havia entrado, agora visto de outro ponto, quase na hora do pôr do sol :'>. Voltei à guesthouse, ainda encontrei com Kelly que estava indo embora, saí para comprar 10 pães integrais na padaria por R$ 3,00 em dinheiro e conhecer a feira de artesanato, que achei interessante, especialmente os objetos de capim dourado do Jalapão e quadros de um artesão :'>. De volta à guesthouse, conheci 2 novas hóspedes argentinas, Florência e Clarice que estavam fazendo jantar e tiveram um pequeno problema com a panela de pressão, precisando liberar a válvula de segurança, que soltou vapor em forma de chuva e nos molhou. Comi um maracujá do quintal junto com meu jantar. Ainda pesquisei bastante o caminho para a Cachoeira do Sossego, pois a agência havia dito que não era possível fazer a trilha sozinho e outras pessoas disseram-me que eu teria grande dificuldade. Este relato http://www.oscacadoresdecachoeiras.com.br/2013/08/cachoeira-do-sossego-e-ribeirao-do-meio.html ajudou-me muito . No sábado 29/04 decidi tentar ir à Cachoeira do Sossego por conta própria. Achei que mesmo com alguma dor nas costas quando fazia determinados movimentos, seria possível ir com cautela. Com todas as informações que havia pesquisado na internet nos dias anteriores, após o café da manhã fui para a trilha. Na entrada encontrei um representante da Brigada Voluntária de Lençóis (http://brigadavoluntariadelencois.blogspot.com.br), que combate incêndios e realiza outras ações referentes ao meio ambiente e salvamento. Eu assinei uma lista de pessoas que estavam indo para a cachoeira, para terem o registro caso eu não retornasse, o brigadista foi muito gentil, deu-me informações sobre a trilha, explicou-me o trabalho deles e me convidou para conhecer posteriormente sua sede, no prédio onde ficava a rodoviária velha. Comecei a trilha então, tendo em mente os relatos e informações encontrados na internet. Ainda tinha um pouco de dor na lateral devido à batida do dia anterior, mas era só em alguns poucos movimentos e ia diminuindo com o aquecimento do corpo. Acho que fiquei tão preocupado pelas pessoas dizerem que não era viável fazer aquela trilha só, que acabei achando a trilha tranquila . No ponto em que havia a bifurcação para o Ribeirão do Meio, fiquei um tempo investigando as diferentes possibilidades, para evitar pegar o caminho errado. Acabei pegando o caminho certo e logo depois, numa curva da trilha, vi uma pedra grande, que me pareceu ter boa vista de cima. Subi e tive uma visão do trajeto quase completo a percorrer, o que me deixou mais ciente do tamanho da trilha e de sua direção. Além disso, a vista pareceu-me muito bela :'>. Encontrei pouca gente na trilha, alguns grupos e 2 casais por conta própria, sendo que um guia (eu acho) que retornava com dois homens recomendou-me muito cuidado na trilha. Ao longo do caminho a vista a partir de pontos altos pareceu-me muito boa. Em determinado ponto a trilha foi para o leito do rio, conforme haviam alertado nos relatos na internet. Foi exatamente num ponto em que havia uma pequena cachoeira dentro de um estrutura de pedras. Eu ouvi o barulho da água e fui investigar. Resolvi tentar chegar lá, passei por cima de uma pedra grande (uma pequena escalada com as mãos) e consegui chegar a ela. Achei-a muito boa para ficar embaixo :'> e percebi que ela tinha uma pequena abertura para o sol pelo mesmo ponto em que a água descia. Houve várias outras pequenas quedas de água na trilha e poços para se nadar, de que muito gostei :'>. Daí para frente prossegui pelo leito do rio e logo um casal de Feira de Santana alcançou-me. A seguir houve uma pedra bem escorregadia em que tentei subir para seguir em frente, mas os pés escorregaram vagarosamente levando-me de volta. Achei uma outra passagem pela lateral. Então apareceu um poço muito bom para nadar :'> e uma enorme pedra em que era possível passar por baixo. Fiquei nadando enquanto o casal prosseguiu. Depois de passar pela fenda na pedra havia outro poço que também achei muito bom para nadar :'>. Daí lembrei de um relato na internet dizendo que havia uma trilha do outro lado do rio. Vi uma entrada e resolvi segui-la. Andei uns 30 minutos, entre progresso e busca de continuação da trilha, mas sem sucesso. A trilha subiu bastante e a vista lá de cima pareceu-me muito boa, permitindo-me inclusive ver o casal lá embaixo no leito do rio. Valeu pela vista, foi quase um mirante . Como a trilha fechou achei melhor voltar por onde tinha vindo, até a pedra grande com o poço, e seguir pelo leito do rio. Segui pelo leito até a última curva, onde havia grupos retornando. Ali vi que eles vinham por uma rampa lateral e resolvi sair do leito e ir por ela. Havia uma trilha depois dela que me levou quase até o fim do percurso. Achei muito bela e boa para usufruir a Cachoeira do Sossego . Porém parecia com menos água do que nas fotos. Tinha um bom poço fundo para nado em frente :'> e era possível ficar embaixo dela para hidromassagem :'>. Na lateral havia pedras de onde se podia apreciá-la enquanto se ficava tomando sol e descansando. Lá conheci Jadílson, que me falou de sua vida, simples e em contato com a Natureza e da possibilidade de ir à Caverna da Torrinha de ônibus. Ele foi embora e eu fui mais uma vez entrar embaixo da cachoeira. Depois de ficar bastante tempo contemplando a cachoeira e usufruindo do poço e da queda de água, quando quase todos já haviam ido embora, exceto uma família de vendedores, eu resolvi ir embora. Logo depois os vendedores vieram e num ponto em que eu peguei um ramo alternativo da trilha eles me passaram. Mais à frente eu os encontrei tomando banho num poço que eu não tinha percebido na vinda, fui até lá e também tomei banho. Os 2 meninos pequenos nadavam muito bem, como nativos. Como tinha ficado muito tempo, acabei deixando para ir ao Ribeirão do Meio no dia seguinte. Retornei pela trilha e reencontrei o brigadista, que se lembrou de mim e perguntou se eu havia gostado. Voltei à guesthouse e ainda falei com minha mãe por skype. Resolvi ir experimentar o acarajé, porém não fui à Zenaide porque ela não tinha uma opção vegetariana. Gastei R$ 6,00 em dinheiro no Acarajé Point em um bolinho de acarajé vegetariano. Ainda procurei dar sugestões de locais a conhecer para o Tom (sugeri o Pelourinho) que iria embora no dia seguinte para Salvador. No domingo 30/04 fui conhecer os pontos nos arredores de Lençóis que tinham ficado faltando e repetir alguns de que havia gostado. Primeiramente fui dar um passeio pela cidade e conhecer os atrativos urbanos, incluindo praças, coreto, igrejas, Prefeitura, Câmara de Vereadores, casario colonial e outros, que achei belos :'>. Encontrei um ciclista ligado a uma agência e com suas informações desisti de alugar bicicleta por R$ 100,00 a diária para ir à Caverna da Torrinha, devido à dificuldade e ao preço. Achei e comi 3 mangas na rua :'>. Depois fui em direção ao Parque Municipal da Muritiba, onde fica o Serrano. Fui procurar o mirante que havia ficado em dúvida se tinha encontrado ou não anteriormente. Antes de entrar, ao perguntar, policial respondeu-me para não jogar caroços da manga no parque porque não era espécie nativa. Lucas, um artesão que morava numa casa ao lado da estrada, indicou-me detalhadamente caminho para mirante. Segui a trilha, passei pela Cachoeirinha, subi e encontrei o mirante. Realmente não era o que eu tinha encontrado antes. Não havia árvores na frente e a vista da cidade era ampla. Era possível ver também boa parte da área natural, mas a parte de trás tinha uma vista melhor daquele outro local em que eu havia estado antes. Como eu adoro vistas, fiquei bastante tempo lá apreciando . Depois fui até a Cachoeira da Primavera onde havia um grupo grande de visitantes. Esperei-os entrar um a um embaixo dela e depois fiquei com a água caindo nas costas. Entrei e saí algumas vezes, entre os momentos que eles também entravam e saíam. Realmente muito boa a cachoeira para ficar embaixo, com deliciosa hidromassagem . Voltei, perdi-me um pouco na trilha após a subida, mas logo me achei. Passei mais uma vez pelo mirante para apreciar a vista, até meditei um pouco, e depois desci para ir em direção ao Ribeirão do Meio. Quando passei na frente da casa do Lucas de volta, agradeci-o pelas informações. Seu filho de mesmo nome queria que eu ficasse lá, provavelmente brincando e fazendo companhia. Pegou-me pela mão e me levou para conhecer a casa e seus brinquedos. Depois acho que se cansou e se despediu . Logo depois de sair do parque, bebi água de uma espécie de bica enorme perto do início da trilha para o Serrano. Fui para o Ribeirão do Meio e achei a trilha bem fácil. A vista do Ribeirão a partir dos pontos altos da trilha agradou-me :'>. Após explorar um pouco o poço e arredores de onde ficava uma espécie de tobogã natural de pedras, resolvi descer. Desci 2 vezes, mas como principiante, não tive bom desempenho em nenhuma delas . Na primeira fui muito devagar no começo e acabei caindo na água desajeitado. na segunda fui em velocidade adequada, mas acabei virando de lado e caindo mais desajeitado ainda. Meu bumbum ficou doendo . Várias pessoas estavam descendo. Conversei com algumas delas, incluindo uma paulista que estava revisitando o local e levando dois amigos estrangeiros. Após apreciar o local mais um tempo, voltei e fui conhecer a sede da Brigada Voluntária de Lençóis. Emanuel (Manu) apresentou-me a sede, falou da história, de como foi fundada, dos incêndios passados, da dificuldade de obter apoio e recursos, mostrou-me alguns equipamentos usados e me contou que recentemente foram recebidos com tiros para o alto do proprietário quando foram apagar o fogo em uma área privada a pedido de algum órgão público, pois provavelmente fora o próprio proprietário que tinha colocado fogo para "limpar" a área para seus objetivos . Dali fui em frente até a rodoviária, por R$ 9,96 comprei passagem para Palmeiras para o dia seguinte e por R$ 79,93 comprei passagem para Salvador para a 4.a feira dia 03, ambas com cartão de crédito e parceladas em 6x. Quando voltei à guesthouse vi que haviam chegado australianos. Na 2.a feira 01/05, feriado, acordei perto de 4:15, tomei café e fui em direção à rodoviária onde peguei ônibus para Palmeiras às 5 horas. A viagem durou cerca de 40 minutos. De Palmeiras peguei van para o Vale do Capão por R$ 15,00 em dinheiro. Havia uma moça que trabalhava lá e um guia na van que me deram algumas informações sobre a trilha para Cachoeira da Fumaça e a região. A viagem durou uns 45 minutos porque ficamos parados um pouco num momento em que a van parecia estar com problemas. Assim que cheguei, antes de começar a subida, comi o pequeno lanche que tinha levado. Fui até a lanchonete onde se comprava a passagem de volta da van até Palmeiras e paguei R$ 15,00 por ela, além de R$ 0,50 de taxa de embarque, ambas em dinheiro. Havia um bolo de cenoura exposto e eu perguntei à atendente quanto era. Ela me disse que era R$ 4,00 o pedaço, mas que aquele estava velho e ela iria jogar no lixo. Então eu ofereci R$ 2,00 por pedaço. Ela não aceitou, porque disse que já não estava bom para vender, embrulhou e me deu de graça, mesmo comigo insistindo se não aceitava o que eu tinha oferecido. Eu acho que foi 1/4 do bolo. A atendente aceitou que eu deixasse meus poucos pertences (água e lanche) na lanchonete e pegasse quando voltasse :'>. Resolvi então ir até a padaria, comprei 6 pães integrais por R$ 2,00 em dinheiro para estar bem alimentado na subida . A padaria era muito frequentada neste horário, até os motoristas das vans estavam lá. Daí segui pela estrada para a trilha. Logo no início do caminho na estrada duas moças de carro pararam e me ofereceram carona. Aceitei e me levaram até a porta do parque. Eram cerca de 8 ou 8:30. Lá enquanto lia os cartazes e observava os arredores, chegaram Clarice e Florência, o casal de austríacos (Cristine e o namorado) e mais alguns argentinos que estavam com eles. Fui ao banheiro para não ter surpresas na trilha e começamos a subida juntos. Na subida inicial paramos em alguns pontos para observação da vista e descanso de algumas pessoas. Achei as vistas espetaculares . Fiquei para trás com os austríacos para tentar ajudá-los em caso de se perderem ou terem algum imprevisto. Havia um outro casal com guia subindo também. Vimos um beija-flor verde brilhante com pontos pretos muito belo :'>. Como muitas pessoas haviam falado que havia uma bifurcação em certo ponto, quando a trilha ficou menos clara no chão resolvi voltar para certificar-me de que trilha estava correta. Encontramos o casal e o guia disse que estávamos no caminho correto e que a bifurcação era mais para frente. Não identifiquei onde era. Fomos direto, sem grandes dificuldades e chegamos à cachoeira. Perto da chegada o grupo de argentinas deixou algumas setas riscadas no chão para nós. Achei espetacular a vista a partir do ponto de observação da cachoeira ::otemo::. Ela própria estava com muito pouca água, só um fiozinho. Mas todo o ambiente natural, as montanhas, a vegetação e o cânion agradaram-me muito . Uma por uma as pessoas iam em direção a uma pedra na ponta do paredão com queda quase vertical e altura de cerca de 400 m. Muitas tinham medo e ficavam nervosas ao se aproximar, nem querendo olhar. Eu gostei e fiquei um pouco apreciando. Depois, com a chegada de novos grupos, passou a haver uma enorme fila para se debruçar e olhar. Lá embaixo havia o poço da cachoeira e todo o cânion. Fiquei ali algumas horas e depois fui para o outro lado, de onde se podia apreciar outro ângulo. De lá era possível ver melhor quando o vento batia forte e a água da cachoeira ia para cima, fazendo uma espécie de chuva invertida . Depois ainda voltei para o ponto inicial de chegada e achei outro ponto de que podia visualizar o poço e o cânion. Fiquei lá por bastante tempo apreciando a paisagem. O guia de um grupo de paulistas contou-me histórias de suicídios (a mais famosa foi a de um francês, que várias outras pessoas comentaram) e de acidentes fatais, principalmente com chuva e aumento rápido do nível de água. Conheci vários grupos lá, de potiguares, paulistas, mineiros e outros. As argentinas e algumas outras pessoas pediram-me para segurar suas pernas e pés quando se debruçavam, pois isso lhes dava mais segurança. Na prática acho que esta segurança era mais psicológica do que real . Conversei também com o vendedor que lá ficava sobre como era ali. Após várias horas, tomei um banho no rio e comecei a voltar. Fui um dos últimos a sair. Vim devagar, agora sozinho, apreciando a paisagem. Quando comecei a descer parei no primeiro ponto que achei ser um mirante razoável e fiquei contemplando a paisagem do alto. Passaram por mim os poucos grupos que haviam ficado para trás. As paulistas pararam um pouco, conversamos e depois seguiram. Quando não havia mais nenhum, fiz uma meditação rápida. Continuei descendo e parei em outros pontos, alguns dos quais em que tínhamos parado na subida, mas não tinha tido tempo ou espaço para apreciar com vagar. Achei todas estas vistas novamente espetaculares , agora podendo aproveitar vários outros ângulos e locais. Cheguei na portaria perto de 17 h. Na volta passei por uma quitanda e por R$ 2,80 com cartão de crédito comprei tomates, cebolas, cenoura e pepino, e por R$ 1,45 em dinheiro uma goiabada no supermercado. Pensei em ir conhecer o circo, mas como eram cerca de 20 minutos de caminhada e já estava escurecendo, preferi ir jantar e conhecer a vila. Visitei a igreja, simples e bonita :'>, e fui ver o casario colonial na praça e nas ruas centrais, que faziam um belo conjunto :'>. Depois fui para a padaria, paguei R$4,00 em dinheiro por 9 pães integrais e 4 bananas na padaria, e fiz um jantar com o que comprei mais o bolo de cenoura que a moça tinha me dado de manhã. Depois de jantar ainda fui conhecer um atelier de fotos que achei interessante :'> e depois afastei-me um pouco das luzes para apreciar o bonito céu noturno estrelado ::cool:::'>. Perto de 8 horas saíram as vans para Palmeiras, lotadas devido ao fim do feriado. Chegando lá, como tinha visto uma placa convidando a conhecer o centro, fui dar uma volta e apreciar a praça, o casario colonial e a igreja, que me pareceram interessantes ::cool:::'>. O ônibus para Lençóis era às 22:30, mas atrasou para chegar cerca de 15 minutos. Custou R$ 9,96 no cartão de crédito. Cheguei em Lençóis perto de 11:30. Lá cheguei, tomei banho e fui dormir. Na 3.a feira 02/05 decidi ir conhecer a Caverna da Torrinha, devido ao que havia pesquisado dela, por ter formações únicas. Não havia passeios em grupo para ela e uma ida privada por agência seria muito cara. Então decidi ir por conta própria e esperar por um grupo lá, para poder ratear o valor do guia local. Não quis pegar o ônibus das 5 horas de novo ::lol3::. Dormi mais e saí cerca de 8:30. Inicialmente passei no Bradesco para sacar dinheiro, porém não consegui porque o Caixa Eletrônico estava sem. Então fui com destino ao posto de gasolina no início da estrada para tentar obter uma carona. Depois de algum tempo, um casal deu-me carona até o Tanquinho, que era no sentido oposto da BR. O homem disse-me que existia um ônibus que passava perto do trevo que ia para a Torrinha, mas que achava que já tinha passado. Para mim foi uma surpresa existir este ônibus, pois ninguém havia falado dele para mim. Quando chegamos ao posto de gasolina no Tanquinho o ônibus estava parado lá ::lol3::. Iria para Lençóis e depois para o trevo da Torrinha. Ou seja, eu tinha acordado mais cedo e pego a carona à toa ::lol3::. Peguei o ônibus da Emtram (http://emtram.com.br) até o Posto Restaurante e Centro de Serviços Carne Assada, que ficava no trevo para a Torrinha, por R$ 11,50 em dinheiro. Ali logo em seguida passou uma van para entrada da estrada de terra da Torrinha pela qual paguei R$ 3,00 em dinheiro. Depois de descer da van peguei uma pequena garoa na estrada de terra até a entrada da propriedade em que ficava a caverna. Lá havia vários guias esperando por visitantes. Fiquei conversando com o guia Paulo enquanto esperava por grupos para tornar o preço menor. Esperei por 4 horas. Comi bastante embu cajá ::cool:::'> de uma árvore apontada por Paulo enquanto esperava, o que acabou soltando meu intestino e me deu muita vontade de ir ao banheiro ::lol3::. Sentei no vaso sanitário e quando saí uma espécie de mariposa escura saiu de dentro dele. Ainda bem que não era outro tipo de animal, como uma cobra, por exemplo ::lol3::. Fiz passeio só na Torrinha com o guia Paulo. Por estar sozinho pude aproveitar muito melhor, ir no meu ritmo, ver tudo o que eu queria sem incomodar ninguém, porém custou muito mais. Paguei R$ 130,00 no cartão de débito, Eduardo (o concessionário da caverna) deu desconto, seria R$ 120,00 em dinheiro. O preço tabelado era algo como R$ 150,00 ou R$ 160,00 para 1 pessoa só para o passeio completo, incluindo todos os trechos. Demorei 2 horas para percorrer tudo com calma. Gostei muito das formações rochosas, algumas únicas no mundo ::otemo:: ::otemo::. Em especial as formações delicadas em cristal branco, as agulhas e a flor de aragonita agradaram-me muito ::otemo:: ::otemo::. Gostei do guia Paulo. Após a visita voltei andando até a estrada asfaltada (ofereceram-me carona de moto, mas preferi caminhar para apreciar a Natureza) e uns 20 minutos depois passou um ônibus da Emtram (http://emtram.com.br) até o trevo do Posto Restaurante Carne Assada pelo qual paguei R$ 3,80 em dinheiro. Lá conversei com os frentistas sobre poder pedir carona e disseram que não havia problemas e que me avisariam se alguém fosse para Lençóis. Começou a chover e a chuva gradativamente engrossou. Depois de razoável tempo, acho que mais de meia hora, e muitas tentativas minhas sem sucesso ::dãã2::ãã2::'>, o frentista disse-me que havia um carro que iria para Lençóis. Um dos rapazes do carro perguntou se eu estava de boa algumas vezes, ofereci mostrar minha identidade, ele disse que não precisava e que me dariam carona. Ofereci pagar minha parte como se fosse uma passagem de ônibus, mas ele disse que ele estava pagando. O carro estava com 3 rapazes da Igreja Mundial. No caminho falaram-me de acidentes recentes envolvendo ônibus e caminhões na estrada que não era duplicada. Houve bastante chuva na viagem, mas tudo correu bem. Chegando lá agradeci, ofereci pagar novamente, mas não aceitaram. Assim que desci do carro, um motociclista, provavelmente entregador, caiu numa curva na minha frente com um saco de pastéis, provavelmente devido ao piso de paralelepípedo molhado. Não se machucou. Peguei o saco do chão para tentar ajudá-lo. Voltei para a guesthouse e lá encontrei um belga que havia chegado e ia ficar alguns dias. Conversamos e depois fui dormir. Na 4.a feira 03/05 acordei cedo, tomei café e fui para a rodoviária para pegar o ônibus da Rápido Federal da empresa Real Expresso (https://www.realexpresso.com.br) que sairia para Salvador às 7:30. Estava uma chuva de leve a moderada. Peguei ônibus para Salvador perto de 8 horas, pois atrasou devido à chuva. Em determinado trecho o trânsito ficou lento e depois parou completamente, devido a acidente na estrada envolvendo caminhões e ônibus, o que atrasou mais ainda a viagem. Passamos pelo acidente e vimos um caminhão com carga (acho que de cereais) jogada na pista, um ônibus envolvido, outro caminhão e outros veículos. Pensei novamente na duplicação da estrada. Creio que o acidente e a chuva geraram um atraso de cerca de 2 horas pelo menos. Paramos para almoçar e eu perguntei ao motorista a que horas ele imaginava que chegaríamos e se havia outro ponto em que poderia descer antes para ir ao aeroporto. Ele disse que imaginava que chegaríamos perto de 15 horas ou 15:30. Eu havia estimado que 16 horas era meu limite para não perder o voo. Ele também disse que eu poderia descer em Simões Filho e pegar um táxi, pois o trânsito de lá até o aeroporto era bom e eu não pegaria todo o trânsito para chegar à rodoviária e depois para ir até o aeroporto. Eu não almocei, apenas comi o lanche que tinha durante a viagem. Com o transcorrer da viagem, a previsão de chegada à rodoviária de Salvador foi ficando mais clara e passou a ser por volta de 16 a 16:30, o que me fez optar por descer em Simões Filho, conforme orientação do motorista, para pegar táxi para o aeroporto. Perguntei aos taxistas e eles me disseram que o preço era de R$ 80,00, mas poderiam fazer por R$ 70,00 e chegaram a ofertar R$ 60,00 quando viram que eu estava procurando por outras opções. Como estávamos ao lado de uma comunidade de baixa renda, que muitas vezes é usada como escudo por criminosos, perguntei aos taxistas se poderia haver algum problema de segurança por ali se fosse procurar informações e eles me disseram que certa vez um homem havia ido até a venda próxima pedir informações e acabou sendo assaltado e eles também foram. Achei que era um risco e talvez alguma tentativa de intimidação e fui procurar alternativas exatamente na venda próxima ::lol3::, esperando que minha aparência de mochileiro não atraísse interesses por roubo. Conversei com as atendentes que me trataram muito bem, mas não acharam outra alternativa, tentei pessoas que dirigiam Uber numa oficina mecânica ao lado, mas nenhuma estava disponível. Acabei indo de mototáxi, mesmo com um pouco de chuva, com a mochila na mão, por R$ 40,00 (paguei R$ 20,00 com cartão de crédito para abastecer a moto num posto e mais R$ 20,00 em dinheiro). O mototaxista dirigiu cuidadosamente. Num determinado trecho ele parou e eu pensei que poderia ter entrado num golpe ou que a moto havia quebrado, mas era apenas para eu descer para que ele pudesse subir numa elevação de um canteiro e escapar do pedágio ::lol3::. Esta estratégia era bem popular, pois como eu demorei muito, porque fiquei desconfiado, quando olhei para trás havia uma fila de motos para fazer o mesmo. Falei-lhe que não precisava ter feito aquilo e eu teria pago o pedágio. Cheguei ao aeroporto com bastante tempo e ainda pude fazer tarefas no notebook. O avião saiu na hora, o voo na maior parte do tempo foi tranquilo e o pouso digno de piloto alemão ::lol3::. Cheguei em Congonhas perto de 20:30 e voltei para casa a pé.
  7. Considerações Gerais: Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, alguns preços, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar relevantes. Nesta época eu ainda não registrava detalhadamente as informações, então preços muitas vezes vão ser estimativas e hotéis e meios de transporte poderão não ter informações detalhadas, mas procurarei citar as informações de que eu lembrar para tentar dar a melhor ideia possível a quem desejar repetir o trajeto e ter uma base para pesquisar detalhes. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais Minha viagem foi pelas montanhas da Índia, partindo de Nova Déli, passando por Haridwar e Rishikesh, depois indo pelas montanhas do Estado de Uttarakhand, pelas montanhas dos Himalaias, Caxemira e Punjab. Foram 44 dias, sendo 2 dias de voo, 40 dias na Índia e 2 dias de parada em Munique (1 na ida e 1 na volta). O objetivo foi espiritual. Foi necessário visto para entrar na Índia. Eu o consegui pessoalmente no Consulado da Índia em São Paulo (http://www.indiaconsulate.org.br). Na minha última viagem em 2015 existia a possibilidade de fazer todo o processo remotamente. Não foi necessário visto para entrar na Alemanha, mas havia exigências para entrada nos países da Zona Schengen, como seguro internacional de saúde de 30.000 euros, o que eu consegui gratuitamente com o cartão de crédito. Era necessário certificado internacional de vacina contra febre amarela para entrar na Índia. Na primeira vez em que se tomava a vacina eram necessários 10 dias para ela passar a fazer efeito. Como já tinha tomado a vacina em 1997, alguns dias antes de ir tomei a dose de reforço gratuitamente no setor de vacinas do Hospital das Clínicas. No dia em que a tomei senti febre (não medi) e mal estar no corpo ãã2::'> . A moeda da Índia era a rúpia. A moeda da Alemanha era o euro. Levei dólares e euros em espécie que haviam sobrado de viagens anteriores. A língua e o alfabeto na Índia eram diferentes dos nossos. Mudava-se de língua conforme a região, o que fazia a comunicação mais difícil, posto que boa parte da população não falava inglês, principalmente no interior. Em Munique muitos falavam inglês, além do alfabeto igual facilitar tudo. Achei os preços na Índia muito mais baixos do que os de São Paulo, embora na minha última viagem em 2015 tenha achado que subiram proporcionalmente ao que eram nesta em 2008. Em Munique achei os preços bem maiores do que os de São Paulo, mas na média das cidades europeias que conhecia. Na Índia fiz a maior parte dos deslocamentos de ônibus ou veículos rodoviários e poucos deslocamentos de trem (https://www.irctc.co.in, https://www.makemytrip.com/railways, http://www.indianrailways.gov.in, http://www.indianrail.gov.in) porque nas montanhas não existiam muitas ferrovias. As estradas nas montanhas pareceram-me perigosas, pois eram estreitas, não tinham acostamento, em boa parte não eram asfaltadas e ficavam ao lado de penhascos íngremes (tipicamente de um lado um precipício e de outro uma montanha), o que fazia a velocidade dos ônibus ser baixa. Foi impressionante a quantidade de mulheres (provavelmente desacostumadas a viajar) que passaram mal nos ônibus nas montanhas e foram para o último banco, onde geralmente eu ficava, pedindo para trocar de lugar e ficarem na janela para poderem vomitar. Em Munique fui e voltei do aeroporto e transitei por alguns pontos da cidade de metrô. Em toda a viagem pela Índia houve bastante sol e calor nas partes mais baixas e razoável frio (para um paulistano) nas montanhas mais altas. Peguei duas nevascas, uma numa montanha em Kedarnath e outra no caminho para Leh. As temperaturas para o meu gosto estiveram altas nas partes mais baixas, como Nova Déli, Haridwar, Rishikesh e Amristar, chegando próximas a 40 C ou talvez até passando. O calor estava muito forte e chegou a me incomodar, trazendo uma sensação de cansaço durante as horas mais quentes do dia. Nas montanhas as temperaturas provavelmente chegaram abaixo de zero em algumas ocasiões, principalmente à noite. Em Munique, apesar da ida ser no verão, perto de meio dia estava cerca de 20 C. A volta foi no outono e a temperatura chegou a perto de 6 C no entardecer. Sofri muito menos com a altitude do que em viagens anteriores para lugares altos. Descobri que havia farmácias em lugares remotos que forneciam doses de oxigênio para quem estivesse precisando (imagino que não fosse nada barato). Mas as nevascas, a que eu não estava acostumado, colocaram-me em situações difíceis. Na Índia e em Munique a população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil. Não tive nenhum problema direto com extremismo na Caxemira, embora tenha havido um episódio na estrada que não ficou claro e que pode ter sido algum tipo de ação terrorista, mas que não me atingiu diretamente. As paisagens agradaram-me muito, principalmente de locais naturais como montanhas, rios, vegetação, etc., ainda mais quando vistas do alto de montes ou locais elevados . Os templos e locais religiosos também agradaram-me muito . Em especial na Índia gostei muito do Rio Ganges em Haridwar e Rishikesh , das montanhas dos Himalaias e das outras cadeias ::otemo::, de Shimla , Leh , Dharamsala e do Templo de Ouro . Em Munique gostei especialmente das construções, parques e paisagens verdes, e do Parque Olímpico . Na Índia, nas partes baixas tomei água mineral. Nos Himalaias resolvi confiar na água e tomei água natural, às vezes de cachoeiras no caminho, o que creio revelou-se acertado. Mas quando voltei às partes baixas, resolvi continuar a beber a água ofertada em restaurantes . Um mês depois, já em São Paulo, após febre e intensa dor abdominal num dia, descobri que estava com hepatite A . Assim como na viagem de 1999, vários comerciantes faziam preços maiores (o dobro ou mais) para estrangeiros do que para locais. Em Nova Déli achei que o trânsito continuava caótico, muito mais do que o brasileiro, mas melhorou em relação a 1999, quando eu havia estado lá. Achei que retiraram alguns animais que antes havia nas ruas, além de estarem construindo ruas bem melhores. Nas montanhas, como geralmente as cidades eram menores, o trânsito era menos intenso, mas com o mesmo estilo. Em Munique o transporte público pareceu-me muito bom. Nas montanhas da Índia achei a pobreza muito menor do que nas áreas baixas, principalmente as que havia conhecido em 1999. Eu fui para áreas diferentes das anteriores, sendo Nova Déli a única cidade que já conhecia. Porém, mesmo nestas áreas, pareceu-me que a miséria continuava muito maior do que a do Brasil. Em Munique achei a cidade bem equilibrada, sem a riqueza extrema de outras que conheci, mas bastante confortável para seus habitantes. Porém conheci apenas áreas centrais e turísticas. Pareceu-me que a Índia continuava muito mais segura do que o Brasil, principalmente nas montanhas, apesar da imensa miséria. O único ponto que me preocupou foi o terrorismo na Caxemira. Quando estava no meio da viagem, já nas montanhas, vi nos jornais que havia ocorrido um atentado em Déli (acho que foi uma bomba), com vários mortos. Antes de sair do Brasil tinha visto que haviam ocorrido alguns semelhantes nos últimos meses. A segurança em Munique pareceu-me boa, mas por paradoxal que seja, levei um susto na estação de metrô logo pela manhã e depois encontrei sangue fresco numa praça turística central. Houve vários templos em que não pude entrar por não ser jain ou muçulmano. Encontrei poucos brasileiros na Índia nesta viagem (em 1999 também havia encontrado poucos). Só me lembro deles em Dharamsala. Em Munique não encontrei brasileiros diretamente, mas ouvi pessoas falando em português com sotaque do Brasil na rua. Gastei na viagem perto de US$ 2.450,00, sendo aproximadamente US$ 450,00 com a Índia, US$ 40,00 com Munique e US$ 1.960,00 com as passagens aéreas e taxas de embarque para ir e voltar a SP. Sem contar o custo das passagens aéreas e das taxas de embarque o gasto foi de US$ 490,00. Mas considere que eu sou bem econômico. A Viagem: Minha viagem foi de SP (aeroporto de Guarulhos) a Nova Déli em 23/08/2008 pela Lufthansa http://www.lufthansa.com/br/pt/Homepage), com conexão em Munique. O voo saía às 12:50 e chegava às 05:30 horas do dia seguinte em Munique. Depois saía às 20:20 de Munique e chegava às 7:10 do dia seguinte em Nova Déli. A volta foi de Nova Déli a São Paulo em 04/10/2008 pela Lufthansa. O voo saía às 09:00 e chegava às 13:45 e Munique. Depois saía às 21:45 e chegava às 05:13 em São Paulo. Nas paradas em Munique aproveitei para visitar a cidade. Paguei parcelado em 5 vezes com cartão de crédito. Dos US$ 450,00 que gastei com a Índia, cerca de US$ 50,00 foram com o visto e o resto foi na própria Índia com despesas de alimentação, hospedagem, transporte e outros gastos, incluindo cerca de US$ 20,00 com compras para trazer para o Brasil. Sem contar o custo do visto, o gasto foi de cerca de US$ 400,00 em 40 dias (média de US$ 10,00 por dia). Mas considere que eu sou bem econômico. Fui a pé de casa até a Estação de Metrô Tatuapé para pegar o ônibus da EMTU para o Aeroporto de Guarulhos. No caminho pedi a uma guarnição do Corpo de Bombeiros para usar o banheiro, que gentilmente me atendeu, e depois passei numa feira perto da Avenida Salim Farah Maluf e comprei 2 pasteis por R$ 3,00 para café da manhã. Quando abri o pacote vi que haviam 3, mas como já estava bem adiante e atrasado, resolvi deixar para lhes pagar o erro na volta. Quando voltei à feira, no sábado seguinte ao meu regresso, a atendente me disse que não tinha sido um erro, mas sim uma promoção, quem comprava 2 levava 3. Aproveitei e comprei mais 2 . No voo conheci um rapaz brasileiro com fisionomia japonesa com quem comentei que tinha achado estranho que quando havia estado em Frankfurt e tentado perguntar às pessoas em inglês, muitos me disseram que não entendiam. Ele me disse que os alemães não gostavam muito de falar inglês, principalmente os mais velhos. Quando cheguei ao aeroporto de Munique e estava olhando para o monitor com as informações do voo, fui abordado por um agente da segurança alemã, talvez da polícia federal, que me pediu os documentos e perguntou qual meu propósito na Alemanha. Após eu explicar e ele ver meu visto para a Índia, liberou-me sem problemas. Após passar pela imigração encontrei uma mexicana que também pretendia visitar a cidade e conversamos um pouco sobre as diferentes possibilidades. Eu decidi ir de metrô, pois pareceu a opção mais barata e com rapidez bem aceitável. Achei interessante haver carros que no Brasil seriam considerados de luxo e alto padrão, como Mercedes e BMW, como táxis no aeroporto. Na saída do aeroporto em direção à estação, que era em frente, vi no telão que estava sendo realizada a final do vôlei masculino nos Jogos Olímpicos de Beijing entre Brasil e EUA e estava 1 set a 1. Na saída de São Paulo eu havia conseguido ver o término da partida de vôlei feminino em que o Brasil ganhou dos EUA e conquistou o ouro. Era domingo 24/8, muito cedo e a estação estava vazia. Após ficar um tempo tentando entender que bilhete deveria comprar, vi um aparente africano aproximar-se de mim por trás. Assustei-me . Ele parecia um pouco alterado, trôpego, tanto que cambaleou após passar por mim, que devo tê-lo atrapalhado em seu caminho. Tentei sair da direção em que ele andava, escorreguei e quase caí. Aí vi que havia 2 policiais ou seguranças atrás de nós. Aproveitei e perguntei para eles sobre o bilhete e eles me indicaram a melhor opção para ir e voltar (se bem me lembro era um bilhete que dava direito a ilimitadas viagens naquele dia). No trem confirmei em inglês com um homem se estava no caminho correto para a estação Marienplatz. Ele respondeu que sim. Após me sentar e começar a apreciar a paisagem, o telefone do homem, que estava em outra fila de bancos, tocou, ele atendeu e começou a falar em português. Após ele desligar, falei com ele rindo "Você é português?", o que ele respondeu dizendo que sim e me perguntando se eu era brasileiro, o que eu respondi dizendo que sim. E completei "Que coincidência! E eu conversando com você em inglês!" . Ele respondeu "Não é coincidência não. Este mundo cá que é pequeno." Depois, antes de descer ainda me deu instruções mais detalhadas de onde seria a estação. Para as atrações de Munique veja http://www.destinomunique.com.br/category/ponto-turistico, http://muniqueturismo.tumblr.com e http://www.imagensviagens.com/munique.htm. Os pontos de que mais gostei foram as casas e construções típicas :'>, incluindo as igrejas, prédios públicos e estação :'>, os monumentos , os parques verdes , um dos quais com macieiras com frutos maduros para se comer, o Parque Olímpico , com todas as suas instalações para esportes, a área verde no entorno do rio e a exposição de carros da BMW :'>, vários dos quais eu nunca tinha visto. Após descer na estação central fui dar uma primeira volta na cidade, motivado pelos monumentos e construções que me chamaram atenção e dirigido por um guia de bolso que havia levado. Quando estava numa rua um pouco mais deserta vi aparentemente razoável quantidade de sangue no chão, não empoçado, mas espalhado. Já eram perto de 9 horas e fui avisar um profissional de socorro, talvez um bombeiro, que quando voltou comigo para ver o que era disse "É sangue fresco". Depois de deixá-lo verificando a situação, enquanto conhecia pontos próximos à estação ferroviária central, ouvi pessoas falando em português com sotaque do Brasil. Após visitar as construções, monumentos e igrejas, fui visitar um parque na área central. Chamou-me a atenção a temperatura estar por volta de 20 C perto de 14 hs, o que achei baixo para o verão (pelo menos para o nosso ). Depois de almoçar no Subway e visitar alguns outros pontos e monumentos, fui dar uma volta no entorno do rio, com sua enorme e bela área verde. Por fim voltei ao aeroporto para pegar o avião para a Índia. Cheguei em Nova Déli bem cedo na 2.a feira 25/8, fiz os trâmites da imigração, troquei US$ 400,00 por rúpias no Banco do Estado da Índia (https://www.sbi.co.in), fui até o guichê dos táxis particulares, com quem havia tido problemas em 1999, só para rever se continuavam lá , tomei um ônibus para a área central, que já conhecia de 1999, chamada Connaught Place, onde sabia que havia o escritório de turismo do governo e locais baratos para ficar hospedado. Em 1999 havia pego um táxi no aeroporto durante a madrugada e entrei numa grande encrenca. Desta vez fui de ônibus durante o dia e tudo correu bem. Fiquei hospedado perto da Praça de Connaught Place e fui ao escritório de turismo do governo para obter informações. No caminho um homem abordou-me convidando-me para ir ao seu escritório de turismo e dizendo que era do governo. Eu, que já conhecia esta história da outra viagem, agradeci, sorri para a sua insistência, e continuei na procura do verdadeiro escritório governamental. Lá a atendente deu-me informações sobre as montanhas, deu-me folhetos sobre o itinerário e me falou para não ir a Caxemira (devido aos problemas de terrorismo). Com as informações fui até a estação de trem. No caminho encontrei uma moça turca, e começamos a conversar enquanto andávamos na mesma direção. Quando ela disse ser turca, eu lhe disse que havia sido padrinho de casamento de Carlos Zimmermann e Camila, que haviam passado parte de sua lua de mel na Turquia, incluindo uma visita ao local do final de existência de Maria, mãe de Jesus, que ela disse ser seu povoado de origem. Ao se despedir perguntou-me se já havia estado na estação e me falou que a estação era muito tumultuada. Na estação pedi informações no setor de atendimento a estrangeiros e, quando o atendente me deu uma informação diferente da que havia visto no mural, levantei e fui revê-la no mural. Quando voltei ele estava irritado e me perguntou se achava que ele era mentiroso. Fiquei sem jeito. Comprei uma passagem para Haridwar, na classe mais barata que havia com direito a assento, conforme orientado pelo atendente. Depois ainda fui dar uma passeio na praça central, minha conhecida, fiquei contemplando alguns de seus pontos, dei uma pequena volta pelo miolo central de Connaught Place e pesquisei alguns preços. Como já conhecia Nova Déli de 1999 não era meu objetivo revisitá-la, mas apenas rever os pontos de que mais havia gostado e conhecer alguns outros específicos. Para as atrações de Nova Déli veja http://www.360meridianos.com/2012/06/o-que-fazer-em-nova-delhi-india.html, http://viagem.uol.com.br/guia/india/nova-deli/o-que-fazer/index.htm e http://www.ci.com.br/guia-mundo/paises/india/cidades/nova-deli. Os pontos de que mais gostei, incluindo ambas as viagens, foram poder ver os costumes indianos (animais, roupas, modo de ser, etc.) , os templos , contruções :'>, monumentos :'>, parques :'>, o Portão da Índia :'>, o Templo Flor de Lótus , o Memorial de Gandhi e um local de oração com uma magnífica enorme estátua de Shiva (provavelmente em mármore branco), com uma cobra em sua cabeça por onde saía uma torrente de água ::otemo::. Aproveitei a curta estadia em Déli e cortei o cabelo por Rs 20,00 (20 rúpias), o que acho que dava um pouco menos de 1 real. Na 3.a feira 26/8, ainda dei um passeio por alguns pontos nos arredores do hotel pela manhã, comprei água mineral e algumas bananas. No almoço um indiano sentou-se comigo e começamos a conversar. Depois de um pouco de conversa disse sobre mim "Um homem simples, uma comida simples, ...". e eu completei "uma vida simples". No início da tarde peguei o trem e durante a viagem conheci um italiano, chamado Emiliano, que se surpreendeu com a minha idade (na época 39), achando que eu aparentava cerca de 25 a 29, e com quem fui procurar hotel para ficar. Ele falou que achava que estava gastando muito e, como eu disse que sempre procurava locais baratos, ele resolveu ir comigo. Durante a procura muitas pessoas ofereciam-nos serviços ou bens e eu respondia "dhaniavad" (obrigado), o que os fazia desistir. Emiliano chamou-as de "as palavras mágicas". Logo começou a chover forte e nos abrigamos em um hotel. Emiliano falou que sempre tinha desejado ter uma experiência com as monções. Achamos um hotel por Rs 200,00 (200 rúpias) e ele ficou satisfeito, pois era bem mais barato do que os em que havia estado. Mas eu ainda fui procurar por opções mais baratas sem sucesso. Voltei e fiquei hospedado no mesmo hotel dele. Depois fui dar um pequeno passeio na cidade, obter informações turísticas, comprar alimentos e jantar. Ao saber dos preços, o atendente do hotel disse que eu havia pago o dobro do preço que ele pagava por uma maça. Emiliano riu e disse que, sendo estrangeiros, não iríamos conseguir os mesmos preços dos nativos. Para as atrações de Haridwar veja https://en.wikipedia.org/wiki/Haridwar e http://wikitravel.org/en/Haridwar. Os pontos de que mais gostei foram as cerimônias no Rio Ganges ::otemo::, os templos e a enorme estátua de Shiva . Durante passeios em Haridwar num dos dias fiz um rasgo em minha camisa num arame farpado. Durante a noite descobri que o hotel, que pela aparência era razoável, tinha pulgas na cama. Isso me incomodou durante a noite, mas não inviabilizou meu sono, principalmente depois que eu dei uma limpada geral no colchão e nos lençóis. Na 4.a feira 27/8, após tentar obter informações de como ir para as montanhas, pude visitar amplamente a cidade e fiquei bastante tempo na orla, visitando os inúmeros templos e assistindo as cerimônias. À noite, com a iluminação artificial, o fogo e as velas, pude assistir o ritual de colocar pequenos flutuantes com velas e flores para descer o rio (http://goindia.about.com/od/spiritualplaces/ss/Ganga-Aarti-In-India.htm) . Achei magnífica a cerimônia visualmente e espiritualmente. Pareciam muitos pontos luminosos descendo o rio e as margens estavam iluminadas por tochas e pela iluminação pública (https://www.google.com.br/search?q=haridwar&es_sm=122&biw=1366&bih=681&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0CAYQ_AUoAWoVChMIiuONmK64yAIVySKQCh0jWAes#tbm=isch&q=candle+ganga+haridwar&imgrc=5SknKwFJtvN0uM%3A e https://www.google.com.br/search?q=haridwar&es_sm=122&biw=1366&bih=681&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0CAYQ_AUoAWoVChMIiuONmK64yAIVySKQCh0jWAes#tbm=isch&q=candle+ganga+haridwar&imgrc=eRnQbORs40OvWM%3A) . Falei com o atendente do hotel que havia pulgas na cama, achando que ele iria tomar uma providência. Mas ele apenas me deu um lençol novo sorrindo. Eu me decepcionei, mas resolvi não perder tempo procurando por outro hotel. De qualquer modo a noite foi bem melhor, pois sabendo das pulgas, fiz uma limpeza prévia e tomei precauções, o que praticamente as eliminou. Na 5.a feira 28/8 fui passear por um outro lado da cidade. No meio do dia voltei ao hotel e reencontrei Emiliano, que não via desde 2 dias antes, quando havíamos chegado. Ele havia passado mal do estômago e ficado em repouso. Houve nova chuva e parte do teto do hotel abriu-se, bem no quarto em que eu estava. O dono ofereceu-se para me mudar de quarto, mas eu procurei causar o mínimo de incômodo para ele, pois ele já havia tido prejuízos. Na 6.a feira 29/8, após dar uma passeio final pela cidade, apreciar a enorme estátua de Shiva, despedi-me de Emiliano, feliz por vê-lo bem melhor, e peguei um ônibus para Rishikesh. Lá fiquei hospedado num hotel afastado 2 Km da região central por Rs 200,00, que ficava às margens do rio, de frente para uma reserva florestal na outra margem. O proprietário tinha vivido na Itália e conseguia compreender um pouco de português, tanto que quando falei das pulgas do hotel anterior ele entendeu a palavra pulga, que eu não sabia em inglês. Até brincou dizendo que poderia comprar algumas se eu quisesse. Para as atrações de Rishikesh veja http://wikitravel.org/en/Rishikesh, https://www.lonelyplanet.com/india/uttarakhand-uttaranchal/rishikesh, http://www.euttaranchal.com/tourism/rishikesh.php e http://www.haridwarrishikeshtourism.com/rishikesh.html. Os pontos de que mais gostei foram as cerimônias no Rio Ganges , as pontes, os templos (principalmente os dos prédios) e a área verde :'>. Se bem me lembro, ainda não existia a estátua de Shiva sentado que construíram depois. Nos 2 dias e meio que fiquei lá fui conhecer os templos, tanto os térreos como os em edifícios, as pontes, o Rio Ganges, os Ghats (degraus ritualísticos na beira do rio) e alguns ashrams, incluindo atividades de meditação e yoga que alguns disponibilizavam. Num dos dias, quando voltava da visita em direção ao hotel, passei por duas mulheres com saris, que começaram a voar com o vento. Uma vaca, que estava atrás delas, ao ver os véus voando, ameaçou dar-lhes uma cabeçada. Tentei espantar a vaca e ela foi embora. Perguntei à mulher se ela estava bem, mas ela não conseguia parar de rir (acho que pela vaca e por eu falar em inglês com ela). Conheci um português no hotel que estava um pouco debilitado, e ficava boa parte do tempo em seu quarto, recuperando-se. Ele me falou das viagens para as montanhas. Disse-me que tinha ido até Joshimat e que não tinha tido coragem de ir além, pois as estradas eram precárias e estreitas. Nas palavras dele "faziam passar 2 ônibus (quando se cruzavam) num local em que nem dava para passar 1". No domingo 31/8, meu último dia lá, quando estava me trocando e escovando os dentes chegou uma mulher (de uns 40 a 50 anos) para ver se ficava no hotel e acho que se assustou com a cena e foi embora quase correndo. Não consegui ver nenhum veado na reserva, o que o dono do hotel disse que talvez pudesse, na beira do rio tomando água, pela manhã ou entardecer. Depois de tomar café e passear um pouco ainda, fui para a estação de ônibus para seguir para Kedarnath, pretendendo passar por Gaurikund. Peguei um ônibus que me levou até Rudra Prayag. A estrada foi estreita e sinuosa com precipícios. Em Rudra Prayag precisava pegar um outro transporte (ônibus, jipe ou algum outro) até Gaurikund, mas só havia lotação naquele momento. Um homem tentou ajudar-me, mas como o preço era maior do que o do ônibus, optei por conhecer a cidade e passar a noite lá, pegando o ônibus no dia seguinte. A cidade pareceu-me pequena, com típico modo de vida indiano. Nela havia um dos 5 locais de confluência dos rios Alakananda e Bhagirathi, que formavam o Ganges. Havia um templo com uma escada que levava a um local privilegiado de observação da confluência, na beira dos rios, porém com correnteza bem forte. Fui até lá e fiquei observando e contemplando por bastante templo. Nisso chegou uma família e um rapaz tirou os calçados e colocou pés e pernas nos rios. Perguntei a uma mulher, que parecia ser sua mãe se não era perigoso e ela respondeu que era muito perigoso com a fisionomia carregada . Na 2.a feira 1/9 peguei um ônibus que me levou até Gaurikund. A estrada era mais estreita e mais sinuosa com precipícios ainda maiores. Em Gaurikund a altitude era de quase 2 mil metros, mas não senti nenhum incômodo com falta de ar. Havia farmácias que tinham oxigênio para quem precisasse, uma novidade para mim que não tinha visto em outros locais mais altos. Conheci um rapaz indiano que me recebeu muito bem e deu informações sobre o local. Depois fui dar um passeio, conhecer o povoado, incluindo o templo, a pequena caverna, apreciar a paisagem montanhosa, o rio e a vegetação. Conheci um garoto que queria conversar bastante. Depois de algum tempo disse-lhe que era hora de ir embora, mas ele queria continuar conversando sobre o ocidente e estrangeiros. Tentei despedir-me delicadamente e parti. Parei um pouco a frente para meditar, mas acho que ele me seguiu e, vendo que eu havia parado, pediu que eu fosse embora. Acho que ficou chateado. No caminho de volta ao povoado, no entardecer, vi um carro caído na margem do rio. Havia muita gente na estrada vendo o ocorrido. Encontrei o rapaz que me havia recebido muito bem, perguntei se as pessoas do carro estavam bem e ele me disse que sim. Não havia água totalmente quente e a temperatura era razoavelmente baixa. O chuveiro não esquentava muito, mas mesmo assim tomei um meio banho. Jantei um chow mein, que apesar de saboroso e não estar ardido, mostrou-se desastroso no dia seguinte. Na 3.a feira 2/9 peguei a estrada para Kedarnath. O caminho precisava ser feito a pé, pois a estrada basicamente era um grande escadaria. Eram cerca de 16 Km de extensão e 1500 m de subida . Havia pessoas que eram carregadas em uma espécie de liteira. Havia pessoas velhas, com problemas de mobilidade, mas acho que havia outras que eram ricas e optavam por este serviço. Sinceramente fiquei chocado de ver quatro homens carregando uma liteira (que imagino ser pesada) naquele caminho, principalmente para pessoas que não precisavam, mas de qualquer forma não deixava de ser uma fonte de renda para eles, embora eu achasse muito sacrificante. O caminho me pareceu muito belo e peguei água em alguns pontos, que parecia limpa, apesar de fria. Já perto do fim, deu-me um desarranjo intestinal, provavelmente fruto do jantar e tive que rapidamente achar um canto para fazer cocô, senão teria saído na calça. Tive sorte por estar num local deserto. Como estava totalmente despreparado, acabei precisando usar várias folhas para me limpar. Cheguei no meio da tarde, achei um local para ficar e fui conhecer o povoado. No entardecer subi numa montanha próxima para ver o pôr do sol. Lá encontrei um agricultor no fim do dia de trabalho. Mesmo sem falar sua língua, pelo olhar pudemos conversar sobre a beleza e a espiritualidade daquele espetáculo da Natureza. Depois dele se despedir de mim, de contemplar e meditar, desci e fui jantar. No hotel em que fiquei não havia chuveiro quente e a temperatura era ainda mais baixa, menor do que 10 C e às vezes chegando a perto de 0 C. Era necessário pedir para esquentar uma panela de água no fogo. Eu estava me portando de modo indolente diante destes banhos nesta temperatura, que contrastava com o forno que tinha pego em Déli, Haridwar e Rishikesh. Para as atrações de Kedarnath veja http://wikitravel.org/en/Kedarnath, http://uttarakhandtourism.gov.in/utdb/?q=kedarnath, http://www.mapsofindia.com/uttarakhand/travel-to-kedarnath.html e http://www.holidify.com/places/kedarnath. Os pontos de que mais gostei foram o templo, as paisagens naturais ::otemo::, principalmente das montanhas e Vasuki Tal . Na 4.a feira 3/9 eu decidi ir a Vasuki Tal (http://bedupako.wikifoundry.com/page/Vasuki+Tal), um lago no topo de uma montanha nevada alta, local de peregrinação, a 8 Km da distância e cerca de 4200 metros de altitude. Não havia indicações na trilha e me disseram para ir subindo e procurar a entrada lá em cima. Quando subi a primeira parte da montanha, achei uma área quase plana com muitas possibilidades de caminho. Procurei alguma entrada, mas não cheguei a conclusão nenhuma. Vi uma possível trilha, nela segui, mas desisti, pois achei que não era a correta. Resolvi voltar para ver se encontrava alguém (até ali, em mais de 1 hora, não havia visto ninguém). Estava pessimista quanto a encontrar a trilha com sucesso. Porém, quando voltei para o início da área plana, encontrei 4 camponeses ou pastores sentados reunidos conversando. Fiquei surpreso de estarem ali e perguntei por Vasukki Tal. Indicaram-me o caminho, que era muito próximo ao que havia tentado e desistido. Segui o que disseram e encontrei uma entrada lá na frente que deu acesso à próxima parte da trilha. Segui em frente e cheguei a uma elevação, uma passagem entre montanhas, que após passada, permitia ver o lago. Pareceu-me que a trilha estava desaparecendo e resolvi, por via das dúvidas, marcar um ponto na montanha, caso eu perdesse a trilha. Desci pelo meio das pedras e percebi que havia uma trilha, não muito fácil de identificar. Achei a paisagem magnífica , o lago, a montanha, a vista lá de cima, todo o ambiente natural. Para minha surpresa novamente, havia um grupo de 3 pessoas lá apreciando o ambiente. Pareciam turistas. Fui dar uma volta no lago. Estava com ligeira dor de cabeça, provavelmente devido à altitude e talvez à hipoglicemia (havia comido pouco no café da manhã) e pressão baixa. Mas isso não me impediu de apreciar e desfrutar muito do ambiente. Fui dar uma volta no lago. Parei a 1/4 para meditar, subindo numa elevação e apreciando sua superfície e a paisagem ao redor. Após ficar um tempo meditando, andei mais um pouco e cheguei à metade. Caí em meditação novamente. De repente ouvi o grupo de pessoas me chamando e fazendo gestos para irmos, apontando para trás de mim, o que parecia ser uma tempestade se aproximando. Estava tão feliz meditando que lhes disse que iria depois. Eles se foram e eu continuei meditando. Assim que acabei de meditar fui dar a volta no que faltava do lago e aí me dei conta do tamanho da tempestade que vinha . Resolvi então lentamente voltar, porém, ao começar a andar, percebi que estava mole, provavelmente devido aos fatores que citei anteriormente, agora acentuados. Quando estava quase no fim da margem do lago, perto de retomar à trilha para voltar começou a nevar bem fraco. Porém, repentinamente a neve foi engrossando e rapidamente ficou média e forte. Passei a ter hipotermia leve também , pois não estava preparado para aquilo, apesar de agasalhado. A neve cobriu a trilha e agora eu não conseguia visualizar por onde ela ia. Eu achei que a situação estava se complicando, pois não conseguiria passar a noite lá em cima, com temperatura talvez caindo a menos de -20 C. Minha roupa só aguentava até -5 C. Por outro lado, sem a trilha, andar por uma montanha nevada, cheia de pedras cortantes, não era um boa escolha e eu poderia escorregar, cair, machucar-me muito e até quebrar um membro. Mas a situação ainda não era desesperadora. Foi quando caiu um raio bem perto de mim . Aí realmente eu achei que a situação havia saído de controle e que talvez eu não sobrevivesse. Pensei nas várias faces da minha vida. Tive até saudade do trabalho . Mas conversei com Deus para que o curso dos fatos seguisse o seu destino, independentemente de mim. Se tivesse que ser minha morte, que assim fosse. Ali era um pára raios natural e ficar seria temerário. Tentar voltar para o lago e me esconder em algum ponto provavelmente inviabilizaria que eu tentasse descer mais tarde, pois a neve cobriria todo o caminho com a intensidade que estava e eu, fraco do jeito que estava, não conseguiria ficar andando para lá e para cá. Tentar ir em frente seria muito arriscado, principalmente sem a trilha, além do que mais para frente existiam precipícios altos, que em caso de queda, provavelmente seriam a morte. E a neve tornava o caminho muito mais escorregadio, ainda mais com um tênis de pano como o meu. Decidi ir em frente, mesmo sem a trilha e arriscar. Fui em direção ao ponto que havia marcado na vinda. Depois de alguns escorregões e arranhões andando por cima da neve pelas rochas , achei a trilha, o que muito me alegrou . Segui-a sem cair mais e bem mais rapidamente do que andando fora dela. Quando cheguei ao ponto mais alto, a elevação onde ficava a passagem pela qual havia vindo, achei que estava muito fraco e tonto, e tive que tomar uma decisão difícil. Ir em frente assim mesmo e correr o risco de queda na trilha estreita lateral à montanha, lisa com a neve, com precipícios que variavam de alguns metros a centenas de metros, ou ficar ali por algum tempo para tentar minimamente recuperar as forças e depois descer. Ali era o pior lugar possível para eu parar, pois como ponto mais alto, era o local natural de queda dos raios. Decidi arriscar e parar, pois se caísse, mesmo que fosse num trecho não muito alto, e quebrasse uma perna, acho que não conseguiria descer toda a montanha. Fiquei cerca de 5 minutos respirando profundamente, o que melhorou consideravelmente minha tontura e fez retornar boa parte das minhas forças. Poucos segundos após eu pensar que era hora de ir, pois já tinha tido muita "sorte", caiu um raio muito perto . Não deu nem para contar os segundos entre o clarão e o barulho (não chegou a 1 segundo). Esperei uns poucos segundos para não er atingido por alguma descarga secundária, levantei e rapidamente comecei a descer, sem correr, mas andando o mais rápido que eu podia. Senti que a nevasca tinha piorado bastante fora da proteção das rochas da passagem. A cada cerca de 30 segundos eu precisava virar o guarda-chuva, pois ele ficava carregado de neve. Mas consegui ir, percebi os raios se afastando (na realidade mais eu me afastando deles), passei por uma segunda passagem, mas agora já bem mais distante dos raios e comecei a descida mais íngreme, no meio da qual a nevasca, agora muito mais forte, porque estava na encosta descoberta da montanha, com enorme ventania, transformou-se em chuva. Cheguei lá embaixo feliz porque estava vivo ! O céu estava bem encoberto. Fui tomar banho. Pedi o panelão com água quente e tomei banho cantando. estava tão feliz por ter conseguido descer que nem me importei mais com o frio. No final virei o panelão com parte de água fria mesmo e nem me importei ! Depois de almoçar no meio da tarde e esperar a chuva parar ainda subi na mesma montanha do dia anterior, que ficava próxima à cidade e o céu estava voltando a ficar sem nuvens e exibir seu espetáculo magistral de pôr do sol. Nem parecia que havia existido uma nevasca. Na 5.a feira 4/9, ainda passeei um pouco pela cidade e seus arredores, conheci um indiano que era engenheiro de computação em Bengalore e estava fazendo uma viagem espiritual à região e fui visitar o templo, que tinha estado fechado boa parte dos dias e horários anteriores em que eu estava no povoado. Ainda pensei em doar um cobertor para um sadu que me havia pedido desde a noite anterior, mas aí vi que ele já tinha um cobertor e queria doação de dinheiro para comprar lenha ou algo semelhante. Sempre tenho reservas a dar dinheiro e acabei ficando sem doar. À tarde retornei para Gaurikund a pé. Lá passei a noite. Na 6.a feira 5/9, um rapaz indiano, aparentemente aleijado, pois ficava no chão, que sabia falar inglês muito bem, ajudou-me com informações sobre ônibus e rotas. Outros viajantes estrangeiros, ao me verem falando com ele, creio que perderam a desconfiança e também passaram a falar com ele. Revi o rapaz indiano que me havia pedido para sair dos arredores de sua casa dias antes, no escritório de ônibus provavelmente de seu pai. Cerca de 6 horas da manhã, peguei um ônibus com direção a Badrinath. Precisei passar antes por Rudra Prayag novamente (que era um ponto de confluência e integração) e depois por Joshimat, onde não fiquei, apenas dei uma rápida olhada. No fim do dia cheguei em Badrinath, onde fiquei hospedado num hotel ao lado da rodoviária. Deixei algumas roupas para lavar com eles, incluindo uma camisa social com gola e botões que havia levado para visitar o Paquistão (Lahore) e parecer com um local. Para as atrações de Badrinath veja http://www.euttaranchal.com/tourism/badrinath.php, http://uttarakhandtourism.gov.in/utdb/?q=badrinath, http://wikitravel.org/en/Badrinath e https://www.kannadigaworld.com/special/dream-destinations/10813.html. Os pontos de que mais gostei foram os templos :'>, as paisagens naturais , as cavernas , os rios e a vista de pessoas retiradas do mundo vivendo nas montanhas com simplicidade e espiritualidade . Nos quase 2 dias que estive em Badrinath visitei o templo principal e alguns menores nas montanhas, passei por cavernas históricas ligadas ao Mahabarata, com registros de 5 mil anos atrás, apreciei a paisagem natural, principalmente montanhas, rios, cachoeiras, cascatas, represas (ou lagos), gargantas e vegetação, vi sadus vivendo no meio das montanhas, só com a roupa do corpo, preparando shapati (semelhante a pão árabe, típico da Índia), conheci a última vila da Índia antes da China (Tibet), onde havia uma inscrição numa Casa de Chá que dizia "A Última Casa de Chá da Índia". Quando voltava da vila, vi uma cerimônia ritualística, uma espécie de procissão, com sacerdotes paramentados, muitas pessoas seguindo e altares com images. Sem querer, num dos trechos fiquei bem no caminho dela, numa passagem estreita, e um dos sacerdotes ficou muito bravo comigo, mas depois percebeu que eu somente um visitante desnorteado. Em outra ocasião, enquanto caminhava por trilhas na vegetação, conheci um oficial (parecia um coronel) do exército, que falando bem inglês, conversou um pouco comigo sobre a região e a cultura, também querendo saber sobre minhas origens. Quando voltei ao hotel, o dono estava muito bravo, pois eu saí de manhã sem pagar, pois ele não estava (talvez estivesse dormindo ou ausente). Falou muita coisa nervosamente em sua língua e eu nada entendi, mas captei a mensagem de que ele estava descontente. Tentei explicar em inglês, mas não adiantou. Paguei-o e ele serenou alguns instantes depois. Perguntei-lhe sobre minhas roupas e ele disse que ainda não estavam secas. Na manhã seguinte, antes de sair perguntei pelas minhas roupas e eles foram pegar. Algumas ainda estavam úmidas e a camisa social, que havia sujado anteriormente devido à mala pegar um pouco de chuva, neve ou ficar em local úmido com terra, tinha uma enorme marca bem nos primeiros botões, talvez devido a uso inadequado de ferro de passar ou de alguma técnica de lavar. Fui até ele, mostrei-lhe, perguntei como poderia resolver aquilo e pensei comigo que ele havia feito um escândalo somente porque eu atrasei algumas horas para pagar as diárias e agora tinha destruído uma camisa que custava bem mais que as 2 diárias, sendo que perder a camisa não era o principal, mas sim ficar sem uma camisa adequada para ir ao Paquistão. Mas tudo bem, resolvi deixar para lá e me contentar com a tentativa inútil dele de pedir para sua empregada fazer algum procedimento para resolver o problema. Era domingo 7/9 e peguei um ônibus para Ghangaria. Nele conheci Cesar, um espanhol que estava viajando pela região, formado em História. Ele viajava há alguns meses e nem sabia que era domingo, pois para ele não fazia diferença. Enquanto conversávamos dentro do ônibus, ele me perguntou sobre o meu itinerário e eu citei minha intenção de ir a Lahore no Paquistão. Ele me disse que os passageiros indianos ao lado haviam ficado aborrecidos ao ouvir a palavra Paquistão, que tem sonoridade inconfundível, e que não conversavam mais com ele. Sugeriu-me para tomar cuidado, pois havia uma guerra entre os dois países. os passageiros, não entendendo a nossa língua (estávamos conversando em portunhol) poderiam ficar mais preocupados ainda, imaginando coisas. Algum tempo depois o ônibus parou. A estrada estava bloqueada devido a um deslizamento de terra. Depois de esperar algum tempo, desci e fui lá ver. Na parte mais crítica, havia um lodo na estrada e era necessário passar por elevações ou rochas para não emporcalhar os calçados. Numa delas, um militar (aparentemente um oficial) ficou irritado porque eu estava demorando a passar. Foi aí que percebi o risco real da situação , pois aquela montanha poderia estar instável e voltar a desabar a qualquer momento. Voltei ao ônibus, avisei que iria andar a pé o restante do caminho até a entrada da trilha para Ghangaria, e fui. Foram alguns quilômetros na estrada, entrei na trilha em Govindghat e depois caminhei mais cerca de 12 km na trilha até o povoado. Lá pesquisei alguns hotéis, escolhi um e fui dar um passeio pelo povoado, onde pude ver bem próxima uma magnífica cachoeira, com uma paisagem de montanhas espetacular ao fundo . Um inglês perguntou porque eu não havia trazido minha namorada e ficou espantado quando disse que não tinha uma. Depois perguntou se era caro vir ao Brasil e achou barato quando lhe falei que o mais caro provavelmente seria o preço da passagem aérea. Para as atrações de Ghangaria veja http://www.euttaranchal.com/tourism/ghangharia.php, https://www.goibibo.com/travel-guide/india/destination-ghangaria/ e https://www.tripoto.com/travel-guide/ghangaria. Os pontos de que mais gostei foram Hemkund Sahib , o Vale das Flores e a magnífica paisagem natural, principalmente a grande cachoeira e as montanhas . Nos quase 2 dias que fiquei lá, passei bastante tempo admirando a cachoeira que conheci logo no início, fui ao local de peregrinação Sikh Kemfund Sahib (https://en.wikipedia.org/wiki/Hemkund), ao Vale das Flores e aos pontos de interesse religioso do povoado, sempre aproveitando para apreciar a paisagem natural no caminho. Alguns visitantes estrangeiros contaram-me admirados como os peregrinos sikhs subiram a trilha para Hemkund Sahib com chinelos num dia que estava nevando. A vista lá de cima era maravilhosa e os locais religiosos também . Os sikhs acolhiam muito bem os visitantes, mesmo não sendo da sua religião. Quando fui ao Parque Nacional do Vale das Flores, também admirei muito a paisagem do caminho e encontrei Cesar voltando com uma amiga quando eu estava indo. As flores e as formações rochosas pareceram-me muito belas :'>. Num determinado ponto vi um pequeno urso , que ao me ver saiu correndo. Aí fiquei um pouco preocupado e peguei algumas pedras para o caso de encontrar algum outro que resolvesse me atacar, o que teria eficiência altamente duvidosa. Numa das noites encontrei uma médica inglesa de férias que já havia estado no Brasil a passeio e conversamos por algum tempo. Na última noite reencontrei Cesar e jantamos juntos. Ele falou das perspectivas para seu futuro, como havia desistido de ir para os Estados Unidos depois de ser entrevistado para ser professor em alguma área problemática e o entrevistador lhe perguntar como ele se imporia frente a alunos rebeldes (provavelmente uma realidade distante do seu meio europeu). No fim da noite encontramos amigos deles de origem indiana radicados no Canadá que estavam de férias e conversamos sobre nossas experiências de viagem. Eu ainda estava tentando descobrir como ir a Tabo diretamente, sem ter que voltar e passar por Rishikesh. Na 3.a feira 9/9, após o café, peguei a trilha de volta e fui até Govindghat (https://en.wikipedia.org/wiki/Govindghat), o povoado de entroncamento com a estrada. Lá havia um grande templo Sikh e eu fui visitar. Pude falar com um guru e lhe perguntar melhor sobre os sikhs, que eu conhecia superficialmente. Ele me explicou os princípios básicos da religião Sikh e sua história, como a igualdade entre as pessoas, sem castas nem distinção de direitos entre sexos, o Deus único, o vegetarianismo, não cortar cabelos, o uso da adaga, os gurus e o Livro Sagrado. Como sempre receberam-me muito bem , com grande hospitalidade e ofertando comida, que educadamente recusei. Depois de algumas horas lá, agradeci-lhes, despedi-me e fui para a estrada para pegar um ônibus. Como havia ficado bastante tempo lá, resolvi passar a noite em Joshimat e pegar o ônibus para Rishikesh no dia seguinte, com destino final a Shimla. Assim pude aproveitar e dar um pequeno passeio em Joshimat, de que gostei, conhecendo seus templo e o povoado. Era bem maior do que os outros, mas não tinha as vistas tão espetaculares, pois ficava em altitude bem menor. Na 4.a feira 10/9, após o café da manhã peguei um ônibus para Rishikesh e só cheguei no fim da tarde devido à baixa velocidade nas rodovias. Em Rishikesh peguei outro ônibus para Dehradun, em que cheguei já perto de 8 ou 9 horas da noite. Lá, com preços acima dos das localidades anteriores, principalmente porque o assistente do motorista do ônibus sugeriu que eu ficasse numa área de hotéis caros, demorei algum tempo para encontrar um local para dormir por um preço que achasse aceitável. Depois de consegui-lo ainda saí para jantar e depois voltei para dormir. Na 5.a feira 11/9, logo de manhã peguei um ônibus para Shimla. O caminho foi bonito com a subida das montanhas. Cheguei lá no início da tarde. Hospedei-me perto do centro. Quando procurava pelo hotel mais barato, um rapaz (provavelmente associado a um hotel ou que recebia algum tipo de comissão de um) ofereceu-me uma vaga por um determinado preço, mas como eu recusei, fez-me um gesto obsceno. Uma das minhas calças estava descosturando atrás na coxa e uma viajante alemã avisou-me. Para as atrações de Shimla veja http://wikitravel.org/en/Shimla, http://hpshimla.nic.in/sml_tourism.htm e http://www.holidify.com/places/shimla/sightseeing-and-things-to-do.html. Eu gostei muito de Shimla . Os pontos de que mais gostei foram a multiplicidade religiosa , com templos de várias religiões , as paisagens naturais e a arquitetura preservada da época do domínio britânico :'>. Logo de início na 6.a feira 12/9 fui até o órgão governamental responsável por dar autorização especial de viagem para quem vai a Tabo, inicialmente o ponto principal da minha viagem. Conversei com os funcionários e, apresentando todos os documentos e pagando a taxa, concederam-me a autorização, que era necessária por se tratar de área de fronteira e haver tido problemas no passado (e talvez até hoje) com a China. O aparente chefe da repartição, após me receber em seu gabinete, caçoou de mim perguntando se o meu chinelo era local adequado para ter a bandeira do meu país, mostrando que a bandeira da Índia ficava em destaque na sua mesa. Bem, foi o fabricante do chinelo que a pôs lá, além do que servia para identificar que eu era brasileiro. Nos quase 4 dias que lá fiquei, pude visitar vários templos, sendo interessante como havia templos cristãos, fato que não é comum nesta área da Índia. Em especial gostei muito de uma visita a um templo hindu no topo de um morro, onde conversei bastante com um brâmane, provavelmente pertencente àquele templo. Quando me viu ele me ofereceu almoço, o que educadamente recusei, e começamos a conversar sobre a religião hindu e a Índia. Aprendi um pouco sobre a mitologia hindu e gostei de ver a visão bastante espiritualizada dele, pois muitos que eu conheci só queriam pedir doações e falar de rituais. Surpreendeu-me ele dizer que achava a influência ocidental benéfica e ser favorável ao fim das castas, pois os brâmanes geralmente são os que mais se beneficiam materialmente da sua existência. Mas achei que ele tinha uma visão bem mais ampla e espiritualizada . Num outro episódio, fui conhecer a cachoeira Chadwick, com sua água gelada. Havia nela um indiano (se bem me lembro de turbante, barba e bigode) nadando e brincando com os vários turistas que lá estavam. Eu então me habilitei a entrar na água, nadei pelo poço e fui até a queda de água. Não fiquei muito porque a água era muito fria, provavelmente vinha em parte de degelo das montanhas. O indiano, quando eu já estava saindo, disse-me sorrindo "Tudo o que você precisa é de um uísque" :lol:. Enquanto eu secava e admirava a paisagem, fiquei sentado na lateral, encostado em algumas pedras, perto de 2 moças da Letônia, cujo nome original eu não sabia (Latvia) e passei vergonha. Depois, quando fui mais a frente para ver a cachoeira mais de perto novamente, percebi que estavam tirando fotos e tentei sair da frente para não atrapalhar, mas disseram que queriam que eu ficasse e me mostraram que já haviam batido algumas fotos comigo na paisagem antes, sem que eu tivesse percebido. Então fiquei quieto e deixei que tirassem mais as fotos que desejassem. Na 2.a feira 15/9 de manhã peguei um ônibus para Tabo. Conheci um rapaz no ônibus que mostrou grande interesse em conversar para conhecer sobre o Ocidente a praticar inglês. Dei-lhe uma cópia do encarte de turismo da Folha de São Paulo para que ele visse as fotos, dizendo-lhe que estava escrito em português. Depois de algum tempo ele me perguntou se aquele "inglês" era americano ou britânico por 2 vezes. Durante este percurso que teve vários trechos, algumas mulheres passaram mal e foram para o último banco, onde eu estava, pedindo para trocar de lugar e ficar na janela, pois estavam passando mal e queriam poder vomitar. No início eu pedi que vomitassem e me deixassem na janela para poder apreciar a paisagem, mas depois resolvi trocar com elas, pois era muito melhor para elas ficarem na janela. Mais para frente saí do último banco, pois percebi que era inviável ficar lá, com tantas mulheres passando mal nas estradas das montanhas. O trajeto foi muito belo. Passou por paisagens montanhosas espetaculares. Alguns chamavam-nas de paisagem lunar. Realmente havia muitos trechos muito secos, em que só havia rochas. Mas havia alguns poucos outros com vegetação e água. Havia vistas espetaculares a partir da estrada, tanto das montanhas altas, como dos vales e desfiladeiros. Passei por vários povoados nos distritos de Shimla, Kinnaur e Lahul & Spiti e cheguei a Tabo no fim da tarde. Lá fiquei hospedado numa espécie de hotel associado ao monastério principal, que me foi apresentada por um monge. Ainda pude dar uma volta rápida para conhecer um pouco do local, chamando-me atenção uma espécie de acampamento de pessoas com traços tibetanos e nepaleses, semelhante ao que conhecemos como acampamento dos sem-terra no Brasil, porém num clima muito mais frio. Conheci uma espanhola que havia conseguido arrecadar fundos e estava fazendo um projeto de aulas e um restaurante associado ao mosteiro. Ela queixou-se de como os monges não lhe davam muito espaço para participar das decisões. Para informações sobre o Estado do Himalaia (Himachal Pradesh) veja http://hptdc.nic.in. Para as atrações de Tabo veja http://www.nativeplanet.com/tabo/ e https://www.lonelyplanet.com/india/himachal-pradesh/tabo. Os pontos de que mais gostei foram o mosteiro ::cool:::'>, uma espécie de jardim em quadras com plantação de macieiras ::cool:::'>, as paisagens naturais do entorno ::cool:::'>, as cavernas ::cool:::'> e a população local ::cool:::'>. Na 3.a feira 16/9 de manhã fui conhecer o mosteiro. Achei interessantes os templos, pinturas, estátuas e monumentos históricos, incluindo thankas (pinturas em tecido). Ao seu redor havia cavernas históricas usadas pelos monges para meditação e práticas religiosas. Um pouco mais a frente havia uma espécie de jardim, com muitas macieiras e várias maças no chão. Fiquei bastante tempo lá apreciando a paisagem, que destoava do resto do trajeto seco até chegar a Tabo. Conversei com o responsável que me deu informações e me disse que não poderia pegar as maças que estavam no chão para comer, pois elas eram do jardim. Depois fui dar um pequeno passeio na região, voltei a passar pelo acampamento, agora indo mais a fundo e vendo como era extenso e chegando depois até perto do rio. Na volta conheci Rhina, a dona de uma dhaba, que na região era uma espécie de lanchonete ou restaurante muito simples, que estava em dificuldades para criar seus filhos e perguntou se eu conseguiria patrocínio para seus filhos serem criados. Tentei falar com os monges, mas não me pareceram sensibilizados (achei até que de certo modo ironizaram o meu tentar falar "obrigado" em hindi). Fui à biblioteca, falei com uma europeia (acho que era belga) que lá estava e ela me disse das dificuldades das pessoas na Índia e que seria difícil conseguir algo específico para ela. Enfatizou que achava as montanhas onde estávamos muito mais saudáveis socialmente do que as áreas baixas, onde achava haver muito mais pobreza (algo com que concordo - imagino que nas montanhas, devido ao clima e meio ambiente, não se consegue sobreviver em pobreza tão extrema). Por fim, antes de ir embora, voltei a passear pelo jardim de macieiras e depois fui lanchar na Dhaba da Rhina, que me fez uma paratha (espécie de pão sírio com batata) caprichada com tamanho dobrado, pela qual decidi pagar-lhe mais do que o preço normal. Ela ficou feliz por eu ter-me importado com ela e ter tentado, apesar de não ter conseguido o que ela havia pedido. Lá também encontrei novamente a espanhola que estava no meio do dia de trabalho e conversamos um pouco. À tarde peguei um ônibus para Kaza. A viagem foi relativamente rápida, com paisagens espetaculares novamente. Passamos em uma vila elevada isolada no alto de uma montanha. Dormi em Kaza e no dia seguinte, 4.a feira 17/9 bem cedo, peguei um ônibus para Keylong. Nem tive tempo de conhecer kaza. Apenas pude apreciar a paisagem da viagem e um pouco da paisagem da cidade à noite e no amanhecer, ainda meio escuro. Quando procurava hotel, achei um bem mais barato, mas que achei que estava um pouco abaixo do aceitável e acho que o dono se ofendeu um pouco comigo, pois achou que pelo preço eu aceitaria aquela hospedagem. A viagem até Keylong demorou o dia inteiro e passou por duas passagens nas montanhas, Kunzum Pass (4.550 m de altitude) e Rohtang Pass (3.990 m de altitude). Em uma delas estava bem frio, com paisagem nevada e forte vento, relembrando-me as áreas mais frias de Kedarnath e Badrinath. As paisagens foram espetaculares ::otemo::. Cheguei à noite em Keylong, hospedei-me num hotel e planejei conhecer a cidade no dia seguinte, mas aí descobri que havia um ônibus que sairia para Leh no dia seguinte de madrugada (ou à meia noite, algo assim), com previsão de chegada na noite do mesmo dia, e resolvi ir e depois voltar para conhecer Keylong, algo que acabou tornando-se inviável. Uma viajante que eu havia conhecido havia recomendado Leh, o que me fez tomar esta decisão. Depois de jantar e antes de dormir achei uma lan house e consegui falar com minha mãe por telefone (se bem me lembro via skype, com uma linha de qualidade precária). Depois de uma noite curta e mal dormida, 5.a feira 18/9 fui para o ônibus que sairia para Leh. Entrei, tomei meu lugar e esperei a saída. O assistente do condutor ofertou-me gentilmente chá ::cool:::'>, que primeiramente recusei, mas depois aceitei. Havia alguns poucos passageiros. Saímos e depois de pouco tempo subiram 2 espanhóis. Logo a seguir paramos e ficamos longo tempo parados. Era a passagem Bara-lacha la (4.890 m), onde a estrada estava totalmente congestionada por caminhões que não conseguiam passar. Acho que alguns estavam encalhados na neve e na lama. Depois de muito tempo, chegamos ao ponto do estrangulamento maior da estrada, em que um caminhão estava meio na estrada e meio no acostamento, que era do lado de um pequeno abismo. O motorista do caminhão, orientando o motorista do ônibus, gritava para que ele viesse. Este por sua vez acelerava bastante para escapar do lodo e da neve, com muito cuidado para não bater no caminhão que estava metade na pista, nem na fila de caminhões na pista contrária. Quando passamos pelo caminhão metade na pista, acho que o ônibus ficou a menos de um palmo dele (quase deu para sentir o espelho retrovisor dele no meu nariz na janela) ::ahhhh::. Em algum momento foi necessário colocar correntes nas rodas do ônibus, pois a estrada estava coberta de neve. A perícia do motorista impressionou-me ::otemo::, pois ele conseguia ir relativamente rápido em pistas estreitas, com muitas curvas, cheias de neve e lodo, ao lado de enormes desfiladeiros. Em vários trechos ele precisou ir e vir várias vezes e manobrar bastante para conseguir passar. Cruzamos duas passagens altas, Nakli La (4.950 m) e Lachalung La (5.065 m). Devido à demora neste trecho e à estrada estar em condições precárias em certos trechos devido à nevasca, atrasamos muito e tivemos que passar a noite em Pang (cerca de 4.650 m), um acampamento de tendas no meio do caminho. Eu não esperava por isto :shock:. Lá não havia casas, apenas barracas de acampamento no meio da neve. Ficamos numa barraca pertencente a 2 mulheres de aproximadamente 30 anos em que já estavam 2 hóspedes americanas de cerca de 50 a 60 anos. Elas gentilmente procuraram encontrar um travesseiro seco para mim, o que não foi fácil, pois quase tudo estava úmido ou molhado. Somente havia sopas prontas, itens semelhantes a pães sírios e biscoitos para comprar. Não havia aquecimento. Disseram que estávamos no meio de uma nevasca e talvez tivéssemos que passar mais um dia ali, talvez mais uma semana. Eu fiquei meio irritado com a situação, pois ninguém tinha me avisado desta possibilidade :shock:. O motorista das americanas percebeu (acho que era parente de alguma das donas da barraca) e me falou que deveríamos agradecê-las por estarem lá. Depois do jantar as americanas deixaram quase toda a sopa no prato sem tomar para ser jogada fora. Eu vi e numa atitude instintiva, mas altamente imprudente, tomei uma colher para evitar desperdício ::putz::. Mas aí pensei que isso poderia ser perigoso, pois nunca se sabe as condições de saúde de ninguém. Uma das donas viu e pareceu achar absurdo, não pelo risco que eu poderia estar correndo, mas porque provavelmente estava deixando de comprar produtos dela devido a isso. Quando alguns já estavam acomodados para dormir, as donas pediram que levantassem, pois havia risco de a neve acumulada no teto da barraca estar muito pesada e colapsar a estrutura, provocando um desabamento. Surgiu a possibilidade de dormir no ônibus, o que os espanhóis me sugeriram para não fazer, pois disseram que na tenda pelo menos havia mais calor. Quando perguntei se poderia, o motorista das americanas, que a esta altura já estava irritado comigo, disse-me sorrindo que eu dormiria no ônibus. Pensei bem e decidi ir mesmo, pois o assistente do motorista do ônibus também dormiria lá. As donas me deram um cobertor para passar a noite. Foi uma noite fria ::Cold::, um pouco mal dormida, mas até que bem razoável, em vista do que poderia ter sido. Na 6.a feira 19/9, após acordar e ir tomar café, fui dar uma volta no acampamento para ver as outras barracas, encontrar outros locais para fazer compras de alimentos e descobrir se havia condições de mudar, caso tivesse que ficar mais dias. Passei por algumas e encontrei uma venda com uma mulher de cerca de 50 a 60 anos, que me atendeu muito bem. Na volta encontrei um dos espanhóis que me disse que iria procurar por outros locais para ficar porque tinha passado mal a noite na barraca. Quando voltei ao ônibus, um indiano que estava fazendo a viagem estava todo encolhido, passando frio ::Cold::, e me disse que não tinha previsto aquela temperatura e não havia trazido roupas para frio. Fui então pedir para uma das donas da barraca um cobertor emprestado para ele, explicando que ele estava passando muito frio, pois não tinha trazido roupas para aquele clima. O rapaz não tinha consumido produtos dela nem dormido em sua tenda. Ela me disse para pegar em outra barraca por alguma razão referente a seus cobertores e porque eu conseguiria facilmente. Isso realmente me irritou. Eu fui até a mulher da venda, que me emprestou prontamente o cobertor e o levei até o rapaz. Na volta perguntei para as donas da barraca quanto era pelo que havia consumido, perguntei se não cobrariam o cobertor que me emprestaram durante a noite nem a água para lavar os pés, ao que responderam que não. Paguei-as pelo jantar e café da manhã. Depois de fazer isso, fui dar mais uma volta nos arredores e vi que haviam feito um boneco de neve (completo e grande) ::cool:::'>, algo que nunca tinha visto ser feito pela população, sem ser pela televisão. O tempo parecia melhorar e disseram que poderíamos sair ainda naquele dia. Quando disseram que realmente iríamos, fui devolver o cobertor para a mulher da venda e aproveitei para comprar alguns biscoitos dela, posto que não desejava comprar mais nada da barraca em que havíamos ficado. Quando voltei, para minha enorme surpresa o ônibus já havia partido ::ahhhh::. Saí correndo atrás dele. Havia um comboio de veículos e eu fui correndo ao lado deles até que o ônibus me viu e parou para eu subir. O assistente do motorista disse-me que sabia que estava faltando alguém :lol: . Embarquei ofegante, mas feliz por estarmos indo. Fomos por um caminho totalmente coberto de neve. Por incrível que pareça começamos a subir. Vi uma manada de cabras da montanha (eu acho, devido aos chifres) pastando (ou tentando) no meio de uma enorme camada de neve e um camponês acompanhando-as. Fiquei pensando como era possível sobreviver num local daqueles :o. Logo mais a frente, parou o comboio. A passagem não era possível no ponto mais alto devido ao lamaçal e à neve. Era Taglang La (5.328 m), dita na placa como a segunda passagem motorizada mais alta do mundo (medições mais acuradas dizem que é a 11.a - http://devilonwheels.com/top-12-highest-motorable-passes-roads-world/). Alguns utilitários Land Rover 4x2 não quiseram tentar passar. Então fomos tentar com o ônibus. Apesar da perícia do motorista não conseguimos. Percebi gestos e palavras dos outros veículos que aparentemente significavam que era absurdo um ônibus tentar passar. Depois eles decidiram tentar e também não conseguiram. Decepcionou-me a enorme possibilidade de termos que voltar e passar a noite em Pang novamente :(. Aí chegou um carro com um militar (parecia ser oficial - talvez coronel). Este provavelmente era 4x4, tentou, patinou bastante, mas conseguiu. Após passar, parou, desceu do carro e fez sinal negativo com a cabeça. Então resolveram tentar trabalhar no trecho pior para tentar viabilizar a passagem. Depois de algum tempo pediram para os utilitários 4x2 tentarem. Eles patinaram, mas conseguiram. Aí fomos nós novamente, patinamos, mas conseguimos também :D. Achei que tínhamos escapado e conseguiríamos chegar a Leh. Começamos a descer e o caminho começou a fluir bem. Porém, de repente, o trânsito parou completamente. Havia um deslizamento de terra à frente, o que inviabilizava totalmente a passagem. Agora a situação era bem pior. Não conseguíamos ir para a frente, por causa do deslizamento, e não sei se conseguiríamos voltar, pois a passagem estava em estado precário :(. Lamentei por somente ter comprado alguns pacotes de biscoito, pois se tivesse que passar a noite ali, provavelmente iria ficar com fome. Abri um pacote, acho que por pura ansiedade. Após cerca de meia hora parados, apareceu do nada uma escavadeira ::otemo::. Todos começaram a rir com aquele fato inesperado, pois não havíamos visto ninguém nem nada trabalhando em nenhum dos outros pontos ruins da estrada. Em poucos minutos a escavadeira limpou e liberou completamente a pista. Atrás dela havia vários trabalhadores com picaretas, britadeira, pás e demais ferramentas. Eles pediram carona no nosso ônibus para ir até um ponto mais a frente. Pensei comigo que estávamos salvos, pois qualquer problema eles tinham ferramentas para resolver, a menos que fosse algo muito grande. Daí para frente o caminho fluiu bem, depois de descermos bastante, já sem neve, deixamos os trabalhadores onde pediram (e a estrada já estava bem razoável neste trecho). Logo a seguir o motorista tirou as correntes dos pneus e depois paramos para um pequeno descanso e lanche para quem quisesse. Fui cumprimentar o motorista pela sua perícia. Disse-lhe com gestos e entonação de voz (posto que não falava inglês), que era talvez o melhor motorista que havia conhecido. Ainda encontramos as americanas numa parada do caminho, comentamos sobre a dificuldade do caminho e a felicidade por termos conseguido. Elas me disseram que não retornariam por Srinagar, pois para elas seria muito perigoso e para mim talvez não fosse tanto. No final da tarde chegamos a Leh, com temperatura bem mais razoável (perto de 15C a 20C). Lá despedi-me dos companheiros de viagem, desejei felicidades aos espanhóis e fui procurar por um hotel. Fiquei na área central turística, porém algumas ruas atrás da principal, onde consegui preço melhor. Para as atrações de Leh veja http://www.leh.nic.in/pages/tourism.html, http://wikitravel.org/en/Leh, https://en.wikivoyage.org/wiki/Leh, https://www.lonelyplanet.com/india/jammu-and-kashmir/leh e https://en.wikipedia.org/wiki/Leh. Gostei bastante daqui ::otemo::. Os pontos de que mais gostei foram a paisagem natural ::otemo::, principalmente as montanhas, os templos ::cool:::'>, a população ::cool:::'> e o santuário de jumentos ::cool:::'>. Fiquei até a 2.a feira à tarde. Neste período fui conhecer os locais naturais, os templos e monastérios (interessante a diversidade religiosa existente aqui), as construções e monumentos históricos, o santuário de jumentos, que fornecia um abrigo para os jumentos velhos ou perdidos, apreciei o pôr do sol do alto de montes em local com vista privilegiada ::cool:::'> e visitei demais pontos de interesse. Aproveitei para meditar em locais isolados nas montanhas e também participei de um mantra em um templo ::otemo::. Num restaurante com comida tibetana em que jantei fui servido pelo filho pequeno dos donos. Após na primeira noite não lhe dar gorjeta extra, por achar que não precisava e por seus pais serem os donos, na 2.a fui atendido pela mãe. Quando perguntei a um muçulmano se poderia entrar para conhecer uma mesquita, ele me perguntou se eu pretendia rezar, ao que respondi que não, apenas visitar. Então ele me disse para não entrar. Anteriormente em outro local, quando havia feito a mesma pergunta a outro muçulmano, ele me perguntou se eu era muçulmano, eu respondi que não, mas que acreditava em Deus, comum a todas as coisas, o que ele completou dizendo o Deus Único, de todos, e me convidou a entrar sorrindo. Originalmente pretendia voltar para Keylong, para conhecê-la e depois passar por Lahore no Paquistão. Mas as condições da estrada inviabilizavam a viagem. Fui me informar no local de onde saíam os ônibus e carros, reencontrei o motorista das americanas, que estava dizendo aos outros turistas que não era possível ir pela estrada e que pegassem um avião para Déli. Como ele provavelmente estava aborrecido comigo pelo ocorrido na viagem de vinda, disse-me que eu não poderia ter privilégios por ser europeu. Não queria ir por Srinagar, por conhecer sua fama de anti ocidentalismo e atentados, mas não quis pagar o preço muito mais alto para voltar para Déli e perder completamente a sequência da viagem, pois sairia totalmente do itinerário. Na 2.a feira, 22/9, à tarde, peguei um jipe de lotação (completamente cheio) para Srinagar. Antes da viagem conheci um passageiro do Camboja, que falava de como achava a Índia atrasada, particularmente em relação aos costumes da população, principalmente sanitários, como fazer necessidades nas ruas. Conheci também um jovem indiano que havia ido para Leh trabalhar no verão e estava voltando para casa desempregado. Os 2 não se deram muito bem durante a viagem, conforme era de se esperar. Viajamos durante a noite toda. Paramos no meio para refeição e banheiro. Fui espremido e foi altamente desconfortável ::dãã2::ãã2::'>. Chegamos a Srinagar na 3.a feira 23/9 de manhã. Eu estava preocupado em não ficar muito em público para não ser alvo de atentado ou hostilidade. Ao chegar tentei rapidamente conseguir um transporte para Jammu, para onde havia decidido ir para conhecer Vaishno Devi (https://www.maavaishnodevi.org). Alguns operadores de turismo local tentaram me convencer a ficar para conhecer a região, mas eu preferi não arriscar e peguei o ônibus para Jammu. Pouco depois do início da viagem o trânsito parou completamente e as pessoas comentaram que poderia ser devido a um atentado ou ataque de terroristas paquistaneses. Fiquei preocupado. Precisava sair do ônibus para fazer xixi, mas ninguém tinha saído. Depois de um tempo, quando algumas poucas pessoas saíram, saí e tive que fazer xixi na estrada escondido atrás da roda do ônibus, com receio de algum atirador no alto das montanhas. Depois que o exército liberou a passagem, o trânsito se normalizou e prosseguimos viagem. Parte do tempo sentei ao lado de um indiano que parecia se sentir bem por estar falando com um estrangeiro ocidental. Parecia querer mostrar isso aos colegas. O motorista parecia-me estar indo muito devagar e achei que iríamos chegar muito tarde. Paramos no meio da tarde para descanso e alimentação. Depois de retomarmos a viagem, o motorista começou a correr amalucadamente. Não sei se ele tomou algo ou percebeu que estava muito atrasado, mas começou a correr mais do que o razoável. Como começou o trecho de serra, cheguei a temer pela nossa segurança ::ahhhh::, mas acabamos chegando sem problemas. Em Jammu, procurei por vários hotéis, posto que os preços pareceram-me maiores do que em localidades anteriores. Numa das últimas tentativas, já cansado, perguntei ao dono, após ele dizer o preço que me interessou, se poderia ver o quarto "May I see" e ele entendeu "A.C." (ar condicionado), ao que respondi de modo um pouco ríspido que não era aquilo. Ele então disse que não tinha vagas, eu fiquei decepcionado por não conseguir e por ter sido rude com ele. Voltei e fiquei num dos hotéis que havia visto logo no começo. Depois de jantar, alguns rapazes indianos quiseram conversar, provavelmente por eu ser estrangeiro. Conversamos um pouco e, sem eu esperar, deram-me o abraço típico de sua cultura, que eu parcialmente rechacei. Depois pensei que não estava bem, pois isto não era uma atitude típica minha. Acho que o cansaço havia me afetado :(. No dia seguinte, 4.a feira, 24/9, fui a Vaishno Devi. Era necessário subir uma longa trilha até chegar lá (várias horas de caminhada - perto de 13 Km ::quilpish::), mas acho que havia outros meios como helicóptero. No caminho vários peregrinos saudavam com "Jai Mata Di" que me disseram ser a citação da trindade (Brahma, Vishnu, Shiva), mas que pode ser interpretado como uma saudação à Deusa Mãe Toda Poderosa. Gostei do trajeto, principalmente da vista lá de baixo a partir das montanhas ::otemo::. Achei os vários pontos de parada interessantes, incluindo templos pequenos, cavernas e paisagens naturais. Para entrar nos templos principais havia muita gente. Fiquei até preocupado, pois se houvesse algum tumulto poderiam morrer pessoas pisoteadas ou esmagadas, como é costume vermos nos noticiários pela TV aqui no Brasil. Mesmo assim fui visitá-los. Num deles, não podia entrar com dinheiro. Era necessário deixar a carteira em algum lugar. Até tentei ir com ela, mas me barraram na entrada e disseram para eu deixar nos armários com cadeado que disponibilizavam. Fiquei muito preocupado, pois se minha carteira fosse extraviada e eu ficasse sem dinheiro, estaria encrencado. Mas mesmo assim fiz o que foi sugerido, conheci o templo e depois peguei minha carteira de volta do armário, que estava como a tinha deixado. Depois de visitar os vários templos e pontos de interesse, e de apreciar muito a vista, resolvi descer no final da tarde. Já estava escurecendo e a vista agora era diferente, mas igualmente bela com as luzes noturnas ::otemo::. Desci revigorado, apesar de um pouco cansado fisicamente. Na 5.a feira 25/9 fui para Dharamsala. Cheguei no início da tarde. Logo de cara quando perguntei a uma ocidental sobre onde ficar, ela me disse que era interessante eu subir para McLeodGanj, onde a maioria dos viajantes ficava e onde ficava o núcleo de atividades do budismo tibetano. Subi e me hospedei lá, numa região de viajantes estrangeiros. Para as atrações de Dharamsala veja http://wikitravel.org/en/Dharamsala, https://www.lonelyplanet.com/india/dharamsala e https://en.wikipedia.org/wiki/Dharamsala. Gostei bastante daqui ::otemo::. Os pontos de que mais gostei foram os templos (incluindo a igreja cristã) ::otemo::, os locais religiosos ::cool:::'>, as paisagens naturais ::otemo::, os thankas (pinturas religiosas em tecido) ::otemo:: e o clima espiritual entre as pessoas ::otemo::. Fiquei pouco mais de 3 dias. Pude visitar calmamente templos budistas, o complexo onde ficava o Dalai Lama, a igreja anglicana e outros locais em que faziam cultos. Num dos dias à noite fui participar de uma prece (pooja) em forma de mantra num monastério, que era aberto ao público ::cool:::'>. Num dia de manhã fui conhecer o complexo em que ficava o Dalai Lama e aproveitei para ouvir parte de sua palestra. Vi pelo telão, porque para ver pessoalmente era necessário fornecer o passaporte num dia para que registrassem (e talvez fizessem algum tipo de verificação) e liberassem a entrada no dia seguinte. Achei as galerias de arte com thankas um espetáculo à parte ::otemo::, com os mais variados tipos, tanto em conteúdo como em cores, textura e tamanho. Elas permitiam visitação gratuita. As paisagens naturais, principalmente montanhas, vegetação, cachoeira e caminhos também foram um espetáculo à parte ::otemo::. Foi possível também visitar os prédios administrativos do Estado Tibetano no Exílio, chefiado pelo Dalai Lama. Na parte baixa, no último dia explorei os arredores e vi também locais religiosos hindus, algo que não havia visto na parte alta. Na 2.a feira 29/9, perto da hora do almoço, peguei um ônibus para Amristar. Cheguei lá no meio da tarde e me hospedei num hotel que ficava num prédio antigo, não muito longe do ponto de chegada dos ônibus. Fui dar uma volta pelos arredores do hotel e conhecer um pouco da cidade e seus atrativos. Para as atrações de Amristar veja https://www.makemytrip.com/travel-guide/amritsar/places-to-visit.html, http://wikitravel.org/en/Amritsar, https://en.wikipedia.org/wiki/Amritsar e https://www.holidify.com/places/amritsar/sightseeing-and-things-to-do.html. Os pontos de que mais gostei foram o Templo de Ouro ::otemo::, os outros templos ::cool:::'>, o Jardim Jallianwala Bagh ::cool:::'> e outros locais religiosos e históricos. Na 3.a feira 30/09 fui fazer um passeio completo pela cidade, com ênfase no Templo de Ouro dos Sikhs (http://www.goldentempleamritsar.org/). Gostei bastante dele ::otemo::. Havia muitos ambientes diferentes, que se harmonizavam com a piscina central e a arquitetura. Havia muita gente. Era servido almoço gratuito ::cool:::'>, mas não comi, por achar que não deveria consumir algo que poderia faltar para os mais necessitados, que muitas vezes se sacrificavam para vir de longe fazer peregrinações e estavam com recursos limitados. Havia também várias exposições históricas, contando suas origens e seus episódios mais marcantes, incluindo o massacre ocorrido em 1984 e, citando vingança, o assassinato posterior de Indira Gandhi. Passei também por outros templos sikhs, hindus e muçulmanos. Fiquei também um bom tempo no jardim onde o General Dyer atirou na multidão quando do período de luta de independência do Reino Unido, em que havia monumentos e a história era contada em detalhes ::cool:::'>. Durante uma das noites, levantei da cama meio dormindo e percebi que minha mala estava entreaberta, com algo dentro, do tamanho de uma pílula grande. Sem raciocinar direito, levei-o a boca e depois joguei fora ::putz::. Voltei para cama, mas mesmo meio dormindo pensei que havia feito uma enorme besteira de levar algo desconhecido à boca (era o meu instinto inconsciente de não desperdiçar comida :lol:). Talvez isto tenha sido a causa de cerca de 30 dias depois eu descobrir que estava com hepatite A. Durante os jantares aceitei a água ofertada como cortesia nos restaurantes. Isso também pode ter causado a hepatite ::putz::. Estava perto de Lahore no Paquistão, mas devido ao atraso ocorrido em virtude da nevasca e da estrada interditada, acabei não tendo os dias necessários para dar um passeio lá :(. Na 4.a feira 01/10 de manhã peguei um trem para Nova Déli. Cheguei no meio da tarde e fui procurar um hotel. Como cheguei na Estação Déli, descobri que existia um outro local em que costumavam ficar turistas estrangeiros, incluindo mochileiros, chamado Paharganj. Era no caminho para o Connaught Place. Resolvi ir até lá e, se não encontrasse algo que desejasse, prosseguiria para o Connaught Place. Porém lá havia muitas opções de hospedagem, concentradas numa área com ruas estreitas e muitas lojas. Gostei ::cool:::'>. Achei várias opções baratas e resolvi ficar lá. Na 5.a feira 02/10 era aniversário de nascimento de Gandhi, de quem eu muito gosto. Descobri pela televisão um grande evento com várias atividades, que iria ocorrer numa praça de Déli que eu não conhecia. Aproveitei para passar o dia lá, assistir as atividades e conhecer o local. Interessante como o povo indiano, especialmente hindu, cultua Gandhi. Havia notado isso desde minha primeira viagem. Até ao atenderem o telefone, muitas vezes falam Gandhiji, ao invés de alô. Aproveitei também para conhecer algumas ONGs locais de diferentes tipos, como orfanatos, instituições para mulheres surdo-mudas. Tentei ir ao escritório da UNICEF, mas não o encontrei. Na 6.a feira 03/10 fui conhecer outras ONGs locais e fazer algumas pequenas compras. No início da viagem havia pesquisado um pouco na área do Connaught Place. Agora fui há várias lojas em Paharganj mesmo, onde havia muitas e com os melhores preços. Comprei um guarda-chuva, uma calça esportiva (que tenho até hoje), um par de chinelos e um par de tênis. Comprei produtos muito baratos (a maioria custou menos de 1/3 do valor encontrado no Brasil), porém, exceção feita à calça, a qualidade era precária e duraram pouco. Já havia comprado um lenço de seda (de boa qualidade) que uma amiga havia encomendado poucos dias antes em uma das cidades por que passei. Durante os jantares também aceitei a água ofertada como cortesia no restaurante. Isso também pode ter causado a hepatite ::putz::. Num dos dias, havia uma espécie de feijão com muita especiaria. Eu comi tudo em primeiro lugar com a boca ardendo, para deixar o prato limpo para poder saborear o resto. O atendente viu e achou que eu havia gostado e colocou mais uma concha cheia ::essa::, pois a repetição geralmente era gratuita na Índia. Eu olhei com cara de agradecimento decepcionado, com esforço redobrado comi tudo novamente em primeiro lugar, mas fiquei atento para não ser colocada mais repetição :lol:. Num dos jantares conversei com um europeu (acho que era francês) recém chegado e procurei dar-lhe informações para ajudá-lo em sua primeira viagem à Índia. Ele me falou que tinha ouvido que as pessoas mentiam para vender, o que ele achava que provavelmente era para a sobrevivência, e que as notícias diziam que os atentados eram geralmente em mercados no fim do dia. No final dos dias geralmente ia a templos próximos do hotel. Num templo hindu em que começou uma celebração, ficaram bravos comigo porque num pequeno intervalo saí do local onde estava para ir ver outra parte. Não percebi que o intervalo era curto e a movimentação iria atrapalhar ou ser considerada desrespeito. Foi possível também visitar um templo jain. Antes de ir embora ainda fui tentar doar minha calça um pouco descosturada e meu tênis velho para mendigos. Após verificar a situação da calça um deles não aceitou, mas outro a seu lado ficou bravo e falou para ele aceitar. Sempre fico na dúvida nesta situação para não ofender ninguém. Mas prefiro correr este risco do que jogar no lixo, porque já vi muita gente usar coisas em situação pior. No sábado 04/10 fui fechar a conta no hotel e fui surpreendido com uma taxa de serviço de 10% de que não haviam falado. Acho que ao me verem com aquelas compras, grandes em volume mas de baixo valor (se bem me lembro, tudo custou cerca de US$ 20,00), decidiram cobrar a taxa. Tentei argumentar, mas não adiantou e acabei pagando. Atrasei-me um pouco e acabei pegando não o melhor ônibus para o aeroporto. Tinha feito a conta para terminarem todas as rúpias, mas ainda sobrou o suficiente para pegar um rickshaw e conseguir percorrer o resto do caminho. Ainda ofereci 1 dólar ao motorista para complementar o que poderia eventualmente faltar em rúpias. Ele, que havia concordado em diminuir o preço porque eu não tinha mais rúpias, ficou feliz com o dólar, que tornou o pagamento correto. No aeroporto, perguntei ao atendente sobre o tempo em Munique. Ele me disse que era instável e eu peguei o guarda-chuva para levar junto com a bagagem de mão. Aí ele comentou sorrindo que não chovia dentro do avião :lol:. Eu expliquei que iria passear pela cidade e precisaria do guarda-chuva. A viagem até Munique foi muito bela. Passamos por partes da Ásia que eu nunca tinha visto do alto durante o dia. Sobrevoamos o Afeganistão e provavelmente Irã e Turquia. Muito interessante ver como o Afeganistão era árido e montanhoso, realmente um local aparentemente bastante inóspito. Um padre que viajava ao meu lado comentou sobre este problema, a questão da pequena população, do terrorismo e do ópio. O Irã, por sua vez, pareceu seco até um certo ponto (uma linha, que poderia ser um rio ou canal ou semelhante) e depois tornou-se muito verde. A vista da Turquia lembrou-me as fotos das viagens de balão exibidas em roteiros turísticos, só que bem mais do alto e por uma extensão muito maior ::otemo::. Ao chegar a Munique no início da tarde fui para o Parque Olímpico (http://www.olympiapark.de/en/olympiapark-munich), onde havia ocorrido as Olimpíadas de 1972. Antes porém, vi um Salão de Exposições da BMW próximo, com entrada gratuita e fui apreciar os carros. Vi carros que nem sabia que existiam e nunca tinha visto antes ::cool:::'>. Depois atravessei a avenida e fiquei passeando pelo Parque Olímpico, que me pareceu muito belo ::otemo::. Até peguei algumas maças em árvores e no chão, que me serviram de almoço ::cool:::'>. O parque era bem grande, com equipamentos para muitas modalidades, amplas áreas verdes e sua torre emblemática. Passei a tarde toda lá. No fim do dia pretendia ir conhecer o estádio do Bayern e a Oktoberfest, mas achei que só dava tempo para um. Parecia estar havendo um jogo do Bayern e eu decidi ir para a Oktoberfest. Parecia um grande parque de diversões com muita bebida e comida e alguns espetáculos em locais fechados. Mas estava um pouco frio, cerca de 6 C, o que para os alemães parecia irrelevante, pois vi vários com muito pouca roupa, acho que já embalados pela bebida. Comprei uma caneca de recordação para o Carlos Zimmermann na barraca dos Zimmermanns. Pretendia experimentar uma cerveja, mas o menor copo era de 500 ml e com aquele frio eu certamente iria sentir muita vontade de ir ao banheiro durante bastante tempo, inclusive quando estivesse em trânsito para o aeroporto, o que me fez desistir. Peguei o voo de volta conforme previsto e cheguei em São Paulo no domingo 05/10 de manhã, ainda em tempo para votar para prefeito.
  8. Considerações Gerais: Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar importantes. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais: Em toda a viagem houve bastante sol, mas também alguns períodos de chuva. As temperaturas estiveram bem razoáveis (para um paulistano), chegando em média a 30 C ao longo do dia e não caindo a menos de 18 C à noite nem nos períodos de chuva. A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil :'>. Em algumas ocasiões as pessoas se assustam com um mochileiro, vestido com roupas surradas, mas eu já me acostumei a isso. Talvez alguns hotéis tenham dito que estavam lotados por não quererem hospedar alguém com esta aparência. As paisagens das praias e da costa agradaram-me muito, principalmente a vista a partir de morros e costões ::otemo:: . A cor do mar, com diversos tons de azul e verde foi um espetáculo à parte, principalmente quando vista bem de cima, abrangendo uma grande área ::otemo:: . Pude ver uma cobra, lagartos, aves e peixes. O comportamento do mar variava bastante de acordo com a praia e o tempo. De uma maneira geral achei o mar bastante interessante para se brincar, pois tinha bastante ondas, mas era bravo em muitos locais e tinha depressões formando zonas que não davam pé e tinham ondas e correnteza (recomendo cautela a quem não sabe nadar ou não está acostumado ao mar, principalmente nas praias mais bravas e próximas a costões ou quando o tempo estiver com muito vento). Havia algumas praias com muitas pedras, o que exigia cautela se fosse desejado entrar no mar. O espetáculo das ondas chocando-se contra os costões pareceu-me magnífico ::otemo::. A água até que estava mais quente do que eu esperava. A caminhada no geral foi tranquila. Os habitantes locais orientaram muito bem sobre como seguir as trilhas :'>. Os maiores problemas foram os trechos de mangue e com costões íngremes. Houve um trecho em que acabei saindo numa propriedade privada e a mulher do caseiro disse que não poderia ter entrado ali de modo algum e que se seu marido lá estivesse iria pegar a espingarda para mim, mesmo após eu ter pedido desculpas. Em vários pontos precisei seguir pela estrada que costeava o litoral. Durante muito tempo estive só nas praias, que em parte estavam desertas. Não tive nenhum problema de segurança (nenhuma abordagem indesejada), mesmo com a mochila nas costas. Houve um único ponto em São José em que achei que poderia haver algum problema, mas nada ocorreu. Quase todos os estabelecimentos comerciais aceitaram cartão de crédito (hotéis, supermercados, padarias e verdureiros) :'>. Gastei na viagem R$ 937,87, sendo R$ 90,08 com alimentação, R$ 735,00 com hospedagem, R$ R$ 10,40 com transporte durante a viagem, R$ 80,63 com a passagem de ida pelo BlaBlaCar (https://www.blablacar.com.br) e R$ 21,76 com a taxa de embarque aérea de volta. A passagem aérea paguei com pontos. Sem contar o custo da passagem de ida e da taxa de embarque o gasto foi de R$ 835,48 (média de R$ R$ 64,27 por dia). Mas considere que eu sou bem econômico (nesta viagem nem sempre consegui ser ). A Viagem: Minha viagem foi de SP (minha casa, no Cambuci) a Enseada do Brito em 24/11/2016 através do aplicativo de caronas compartilhadas BlaBlaCar (https://www.blablacar.com.br). Rafael Honório (https://www.blablacar.com.br/user/show/v_q9gBHqq1ZH3YIjuse4Hw) veio me buscar na porta de casa perto de 6:30 com seu Sandero e me levou até lá, pegando depois mais 2 pessoas (Antônio e o argentino Ignácio) que desceram depois de mim. Paramos algumas vezes no caminho para comer. Desci do carro por volta de 18:15. Paguei R$ 80,63 pela passagem (ele publicou R$ 95,00, mas como iria cobrar dos outros R$ 80,00, pois os contatou num grupo de caronas do Facebook, decidiu fazer o mesmo preço para mim) com o cartão de crédito para o posto de gasolina Túlio em São José dos Pinhais, em que ele reabasteceu o carro durante o trajeto. A viagem foi agradável e conversamos sobre muitos assuntos, sendo que num dado momento, quando surgiu a questão do impedimento da Dilma, gerou polêmica e envolvimento e ficou um pouco emocional. A volta foi de Navegantes a SP (Congonhas) em 07/12/2016 pela Tam. O voo saía às 14:25 e chegava às 15:25. Paguei 5.000 pontos pela passagem e mais R$ 21,76 pela taxa de embarque usando cartão de crédito. Ao chegar logo atravessei a estrada BR 101 pela passarela e fui procurar lugar para ficar. Tinha a referência que a Dilma da mercearia alugava quartos, mas decidi procurar também por outras opções. Tive alguma dificuldade, mas me disseram que eu acharia na Praia de Fora. Tentei algumas opções no caminho sem sucesso. Capixaba, que tinha quitinetes para alugar atrás de um templo da Igreja Universal disse que tinha vagas, mas preferia não me hospedar e sugeriu que eu fosse para um abrigo para pessoas necessitadas ou para um centro de recuperação dirigido por um padre . Fiquei na Pousada Lonas por R$ 50,00 a diária, com banheiro no quarto, TV, ventilador e vista para o mar a partir do corredor, mas sem café da manhã. Paguei com cartão de crédito. Tinha levado 2 sacos de sanduíches e 2 sacos de pães comigo, alguns dos quais comi durante a viagem e no jantar. Para as atrações da Enseada do Brito e arredores veja http://www.praias-360.com.br/santa-catarina/palhoca/praia-da-enseada-do-brito, http://horadesantacatarina.clicrbs.com.br/sc/geral/noticia/2016/04/no-aniversario-de-palhoca-conheca-a-historia-da-enseada-de-brito-contada-por-seus-moradores-5784446.html e http://www.litoraldesantacatarina.com/palhoca/pontos-turisticos-de-palhoca.php. Os pontos de que mais gostei foram as vistas de paisagens naturais , as praias :'> e o Morro do Cambirela (https://pt.wikipedia.org/wiki/Cambirela) . No dia seguinte, 6.a feira 25/11, comecei o dia com um banho de mar :'> e depois fui fazer compras para juntar aos meus pães. Gastei R$ 6,50 em legumes e frutas no verdureiro Grigg e R$ 2,89 num pote de doce de abacaxi no mercado Dona Bella (http://www.guiamais.com.br/palhoca-sc/mercados-e-supermercados/supermercados/15161753-1/mercado-dona-bella). Paguei ambos com cartão de crédito. Depois do café da manhã rumei para o Morro do Cambirela. Fui perguntando para descobrir onde era a entrada da trilha. Encontrei 2 militares numa loja de conveniência na estrada BR 101, que imaginei que poderiam já ter subido lá. Perguntei-lhes e os 2 já haviam subido, sendo que o que havia mais recententemente o fez há cerca de 1 ano. Ele me deu orientações sobre como chegar ao começo da trilha e sobre a subida e disse que provavelmente eu iria arrebentar meu chinelo antes de chegar ao topo (como a viagem era uma caminhada por praias, eu não levei tênis). Algumas pessoas falaram-me de possíveis cobras no caminho. Quando cheguei à entrada da trilha pedi autorização ao caseiro da propriedade em que ela começava, que me atendeu muito bem, deu-me orientações e disse que como não estava muito quente, provavelmente não iria encontrar muitas cobras. Cruzei com alguns bois mansos, encontrei o início da trilha e fui. Achei a subida difícil. Entre a subida, o tempo que fiquei lá em cima e a descida demorei cerca de 5:30 horas. Provavelmente 2:30 para subir, 1:30 lá em cima e 1:30 para descer. No meio do trajeto houve chuva leve, o que tornou o solo escorregadio. Achei a subida também um pouco perigosa, sendo que havia vários trechos íngremes e em alguns havia cordas, escadas móveis e grampos nas pedras, sendo necessário quase que escalar. Levei vários tombos , nenhum grave, mas o suficiente para me sujar um pouco e arranhar meus pés e partes das pernas. Durante o percurso vi lagartos e pássaros. A cerca de 80% da subida vi a única cobra do trajeto , que repousava ao lado da trilha e, quando me viu, esgueirou-se tranquilamente ainda mais para fora. Era bem fina, de cor cinza escura, com anéis pretos. Disseram-me posteriormente tratar-se de uma jararaca. Achei a vista espetacular ao longo da subida e lá de cima, dos vários pontos e morros ::otemo:: . Fiquei contemplando as várias faces por bastante tempo e depois andei entre os 3 possíveis morros para apreciar vistas diferentes. A trilha estava bem sinalizada até o antepenúltimo morro. Durante algum tempo houve nuvens, mas por várias vezes elas se dissiparam e pude ter a vista completa de todas as partes. Era possível ver as andorinhas abaixo e ao redor :'>. Após descer voltei à pousada, paguei R$ 50,00 por mais 1 noite, ainda tomei outro banho de mar e voltei posteriormente para apreciar a visão noturna da praia. Ali a sensação térmica era de um pouco de frio, provavelmente devido à proximidade com a serra. No sábado 26/11, depois do banho de mar matinal, do café e de saber da morte de Fidel, fui andando pela praia em direção ao Morro dos Cavalos, passando pela Praça da Enseada, sua igreja, suas casas açorianas e pela casa mais antiga da área :'>, que me foi indicada por uma moça que já havia trabalho nela. Houve muitas pedras e costões em vários trechos do caminho e não consegui ir da Praia do Cedro para a Enseada do Brito, tendo que pegar a estrada. Ali um morador me permitiu passar pela sua casa para voltar à rua quando cheguei ao fim da praia e não tinha mais como ir adiante. Achei as paisagens muito bonitas . Por fim cheguei até a Praia de Nudismo de Pedras Altas, em que a responsável permitiu-me entrar, mesmo sem pagar a taxa de R$ 5,00 (não levei dinheiro para a praia) :'>. Lá fui à área das pessoas com roupa, tomei banho de mar e depois perguntei a alguns que estavam nus se poderia ir até as pedras da praia de nudismo para apreciar a vista. Vários concordaram, mas quando estava descendo para passar perto de um trailer, um casal falou que não, que era exclusivo para nudistas. Como me pareceu que a vista não era muito boa e como já a havia apreciado em boa parte a partir da praia para pessoas com roupa, decidi voltar ao invés de tirar a roupa . Não pude ir além desta praia porque já começava o costão novamente. Acho que a próxima praia era após a reserva indígena, provavelmente a ponta da praia do Sonho, que havia sido meu último ponto em uma viagem anterior vindo de Jaguaruna (sc-de-jaguaruna-a-guarda-do-embau-a-pe-pela-praia-volta-pela-serra-por-sao-bonifacio-e-sao-martinho-t122507.html). Voltei, juntamente com alguns clientes do restaurante da pousada vi o finzinho dos jogos da rodada final da série B, eles me falaram da ausência de sol ali enquanto a TV mostrava sol na Ressacada a poucos quilômetros de distância na Ilha de Santa Catarina, brincaram com meu físico de palito em trajes de banho , tomei um banho de mar e fui comprar legumes (cebola, tomate, cenoura, beterraba, repolho e pepino), frutas (laranja e banana), doce de banana e um pedaço de bolo de coco para juntar aos pães que ainda tinha. Gastei R$ 0,20 no verdureiro Grigg em dinheiro e R$ 10,49 no mercado Dona Bella com cartão de crédito . Paguei R$ 50,00 por mais uma diária na pousada. No domingo 27/11 depois do banho de mar matinal e do café da manhã, comecei minha caminhada pelas praias rumo a Itajaí (meu destino previsto). Novamente as paisagens agradaram-me muito :'>. Depois de cerca de 1 hora a praia começou a ficar deserta. Encontrei Jumar, que me deu informações sobre o caminho e me falou que precisaria atravessar um rio (acho que era o Rio Cubatão) logo a seguir, entrando um pouco mar a dentro para pegar uma área rasa, seguindo algumas estacas fincadas. Falou-me para pedir mais detalhes quando estivesse mais próximo das estacas, pois seu irmão estava lá perto. Quando lá cheguei, expliquei o que queria fazer e perguntei a seu irmão Gilmar por onde deveria ir, mas ele e Rose, irmã deles, disseram que iriam me atravessar. Disse-lhes que não era necessário e que não desejava atrapalhá-los, mas disseram que estavam indo para lá mesmo para algo relativo a pesca. Fomos caminhando e Gilmar atravessou-me de canoa :'>. Agradeci, dispus-me a pagar, mas ele disse que aquele tipo de coisa não se pagava. Depois da travessia andei um bom trecho pela praia até chegar à Barra do Aririú, onde 2 pescadores que passavam pelo local atravessaram-me para o outro lado. Rodeei um pequeno morro e cheguei ao começo de uma área de mangue. Tentei procurar um caminho no mangue e logo na entrada encontrei um homem que me disse que era possível ir pelo mangue e que iria demorar cerca de 45 minutos para chegar ao centro de Palhoça. O Gilmar e o Jumar haviam-me dito que não era possível passar por ali. Tentei ir seguindo o que este último homem falou, mas depois de muito andar na lama, ficar sem saída várias vezes, entrar no mar para contornar trechos sem trilha e me espetar um bocado, desisti. Resolvi voltar e encontrei um barco passando pela margem enquanto voltava. Perguntei-lhes se havia caminho e me disseram que não. Voltei para o povoado e fui para o centro pela ruas da cidade. Pensei em ir direto à Pedra Branca, mas resolvi procurar primeiro um hotel para não subir com a mochila. Visitei a praça central e me hospedei no Hotel Pontal (http://hotelpontal.com.br), por R$ 65,00 a diária, com TV, banheiro interno, ventilador, sacada para a rua e café da manhã (buffet com várias opções). Paguei com cartão de crédito. Tentei ir à Pedra Branca, mas já estava tarde e deixei para o dia seguinte. Ainda passei no Supermercado Imperatriz (http://supermercadosimperatriz.com.br) para comprar um pacote de biscoito de maisena por R$ 3,39 com cartão de crédito e juntar ao que ainda tinha do dia anterior para o jantar. Para as atrações de Palhoça, que engloba a Enseada do Brito, veja http://turismo.sc.gov.br/cidade/palhoca, http://www.guiasantacatarina.com.br/palhoca e http://www.litoraldesantacatarina.com/palhoca/pontos-turisticos-de-palhoca.php. Os pontos de que mais gostei, incluindo viagem anterior, foram as praias , as paisagens , principalmente do alto dos morros, e as trilhas :'>. Na 2.a feira 28/11, após o buffet do café da manhã :'>, fui subir na Pedra Branca. No caminho encontrei um homem dono de um estabelecimento comercial que me disse para não ir pela vila, pois poderia haver algum problema de segurança. Fui pela Universidade e depois peguei uma rua de terra que me levou a uma estrada sendo construída (era uma espécie de caminho alternativo à BR 101 para ligar municípios da Grande Florianópolis). Nela pedi informação para os trabalhadores que me indicaram a entrada da trilha de subida ao lado de um galpão cinza claro e azul. A subida foi fácil e tranquila. Lá em cima encontrei um grupo de adolescentes que lá havia pernoitado e estava passeando. Achei a vista espetacular, tanto da costa, como da mata e da cidade ::otemo:: . Era uma altitude menor do que a do Cambirela, mas permitia ver por outros ângulos. O dia estava bem claro. Os meninos até comentaram que estavam vendo as águias voando abaixo de nós, mas acho que eram urubus . Depois que eles desceram fiz um pouco de meditação contemplando a paisagem :'>. Desci e comecei a voltar para o hotel. Começou a ameaçar uma tempestade, mas só caiu uma leve chuva. Como cheguei de volta perto de 15 horas, decidi ir em frente na viagem rumo a São José. Pus a capa, pois chovia um pouco, cruzei a ponte que dividia Palhoça de São José e entrei numa imobiliária para perguntar se poderia dar a volta num morro que costeava o mar. Lá uma das atendentes era Cíntia Duarte, a mesma mulher que me permitiu entrar na Praia de Pedras Altas sem pagar, responsável por um bar lá. Ela me reconheceu. Como ela estava distante eu não a reconheci, mas depois que ela falou da minha visita à praia e eu olhei melhor, reconheci-a. Elas me informaram que eu poderia ir pelo morro sim, que foi o que eu fiz. No caminho havia uma estátua com traços orientais de Maria, com o menino Jesus no colo, e José, vestido de Monge Lama. Achei muito interessante :'>. A chuva parou e recomeçou várias vezes, porém fraca. Continuando o percurso e apreciando a orla, cheguei ao Centro Histórico de São José, que estava preservado, tinha monumento aos açorianos para comemorar 250 anos da fundação, museu, igreja e construções históricas :'>. Após rápida visita prossegui e fui sair na avenida da orla que tinha uma vista de que muito gostei . A chuva começou a apertar e perto do supermercado Bistek decidi sair da orla para procurar hotéis. Fui a um ali perto, havia vagas e o atendente me disse que dificilmente lotaria. Quando falei que iria pesquisar um pouco mais, gentilmente indicou-me aquele que achava ser o mais barato (postura comum na viagem e de que gostei :'>). Acabei indo ver vários outros antes do mais barato e quando lá cheguei não havia mais vagas no preço mais barato. Voltei aos outros por ordem de menor preço e nenhum mais tinha vagas . Restava-me tentar ver se havia vagas para o preço de casal (dobrado) do mais barato ou um de luxo. Decidi voltar para Palhoça e tentar ficar no mesmo hotel da noite anterior, que tinha preço bem menor. Peguei um ônibus por R$ 5,50 em dinheiro (poderia ter voltado a pé, mas como estava perto de escurecer e eu não sabia se encontraria vagas, decidi pegar o ônibus), voltei ao Hotel Pontal e, para minha sorte, ainda havia vagas. Fiquei no último andar (acho que estavam acabando as vagas) pagando os mesmos R$ 65,00. Como o café da manhã tinha sido muito bom e eu ainda tinha um pouco de biscoito de maisena e legumes, decidi comer o que tinha e fui dormir. Para as atrações de São José veja http://turismo.sc.gov.br/cidade/sao-jose, http://www.saojose.sc.gov.br/index.php/turista/pontos-turisticos e http://www.falaturista.com.br/blog/pontos-turisticos-sao-jose. Os pontos de que mais gostei foram o centro histórico e as paisagens , principalmente da orla e da Ilha de Santa Catarina. Na 3.a feira 29/11, quando liguei a TV perto de 6 horas da manhã, fui surpreendido com a notícia de que o avião da Chapecoense havia caído, mas ainda não havia notícias sobre as pessoas . Logo a seguir, pouco antes de eu descer para o café, veio a notícia de pelo menos 25 mortos . Tomei o café ouvindo as notícias e saí. Refiz o caminho do dia anterior, só que desta vez sem chuva e sem dar a volta pelo morro. Em 1 hora e meia estava no mesmo ponto em que havia parado no dia anterior (até que o prejuízo não foi tão grande ). Deveria ter feito o trajeto sem a mochila até o Centro histórico e ficado em Palhoça . Andei por toda a orla pelo calçadão, com vista muito bela da Ilha de Santa Catarina (Florianópolis) e da Ponte Hercílio Luz, sob a qual passei. No final desviei para conhecer o estádio do Figueirense, Orlando Scarpelli. Lisiane acompanhou-me na visita gratuita, apresentou-me o estádio e falou da história do estádio e do Figueirense. Foi muito simpática e gentil. Lamentei não ver a flâmula do Santos no painel de flâmulas do Figueirense. Mas ela me falou que o costume da troca de flâmulas terminou e realmente faltavam as de muitos clubes. Ela perguntou-me se eu havia visto o ocorrido com a Chapecoense e comentou que era um competidor forte no disputado campeonato estadual. Após a visita voltei à orla e prossegui. Houve chuva fina e intermitente durante vários momentos daí em diante. Passou a existir praia, ou algo semelhante . Após alguns trechos de curta faixa de areia, precisei passar por pontos em que desaguavam esgotos ou havia obstáculos e lama . Várias vezes voltei para a rua. Ainda em São José, num trecho deserto, que logo a frente ficava sem saída devido ao mangue, encontrei 3 pessoas conversando e foi a única situação em que fiquei preocupado. 2 pareciam descontraídos, mas 1, que parecia morador local, de uma casa no mangue, pareceu tenso quando disse que pretendia ir pela praia. Disse-me que não era possível. Fui ver e realmente não parecia ser. Voltei, cruzei com eles novamente e ele me pareceu com o semblante ainda carregado. Retornei para a rua e prossegui por um longo trecho. Tive que ir para a BR 101 e cruzei a divisa com Biguaçu. Fiquei sabendo de hotéis na BR 101 e imaginei que poderiam ser os mais baratos. Passei num mercado de arte sacra e perguntei se poderia visitar. Eles estavam fazendo limpeza e não recebendo clientes, mas me permitiram visitá-lo com cuidado para não pisar na água. Gostei bastante, dos mais diferentes tipo de imagens, tamanhos e cores. No meio da minha visita chegou um cliente, que me viu e entrou. Na saída comentei com os donos que lhes havia trazido sorte, pois tinha chegado um cliente . Fiquei hospedado ao lado, no Hotel Carlinhos II (http://hotelcarlinhos2.blogspot.com.br) por R$ 40,00, com TV, ventilador, banheiro coletivo e buffet de café da manhã (o melhor de toda a viagem, pois provavelmente trazia alimentos da churrascaria coligada ). Paguei com cartão de débito. Depois fui caminhando até o centro histórico, que achei bonito e preservado, incluindo a igreja e algumas casas preservadas :'>, comprei meu jantar (pepino caipira, pepino japonês, beterraba, chuchu, pão francês, goiabada e cuca de pêssego) por R$ 8,03 no Supermercado Mercocentro (http://mercocentro.com.br) com cartão de crédito e voltei para o hotel. Ao voltar ao hotel ainda pude subir numa elevação de uma rua lateral para apreciar a vista noturna da Ilha de Santa Catarina, que me pareceu muito bela, incluindo a Ponte Hercílio Luz, lá ao longe :'>. Antes e durante o jantar conversei com o atendente do hotel Fabiano, que me disse que outra pessoa não teria aberto a porta para mim, com a aparência de mochileiro e parte de uma das camisas rasgada . Conversamos sobre a viagem e estilo de vida. Ele me deu várias (e precisas) informações sobre o trajeto até Governador Celso Ramos, pois já o havia feito correndo há tempos atrás. E me alertou para algo que acabou se concretizando, que eu poderia ter dificuldade de encontrar local para dormir lá. Durante todo o dia estive com um grande sentimento de compaixão (não pena, mas compaixão no sentido budista do termo, identificando-se com a dor e tentando mentalizar para que seja minimizada) devido ao acidente com a Chapecoense, principalmente à medida em que fui sabendo, ao perguntar nos locais públicos com TV, sobre os novos fatos noticiados. Para as atrações de Biguaçu veja http://turismo.sc.gov.br/cidade/biguacu/ e http://ecoviagem.uol.com.br/brasil/santa-catarina/biguacu/. Os pontos de que mais gostei foram as praias :'>, as construções históricas :'>, as paisagens , principalmente da Ilha de Santa Catarina, e o mercado de arte sacra :'>. Na 4.a feira 30/11, após um enorme buffet de café da manhã , com muitas opções (pena que parte delas tinha carne, que eu não como) rumei em direção a Governador Celso Ramos. Fabiano ainda me deixou levar uma banana e uma maçã adicionais, o que acabou se mostrando muito útil. Após conhecer uma pequena praia próxima que Fabiano havia me indicado, tentei seguir em frente pela costa, mas saí num lamaçal, voltei a BR 101 e segui novamente para o centro de Biguaçu. Entrei um pouco antes para poder ir ao máximo pela costa e por ruas locais, o que me fez dar uma volta maior, mas conhecer melhor o povoado. Passei pelo centro, atravessei um rio, passei por pequena praia e voltei para a BR 101. Daí por diante fui alternando entre a estrada e praias, pois houve vários trechos com costões, pedras e mangues que fizeram ser necessário caminhar pela estrada (tanto pela BR 101 como pela estrada estadual dentro de Governador Celso Ramos). Mais a frente houve uma longa faixa de areia, creio que era São Miguel, onde conheci Carlos, que tomava sua pinga de aperitivo na varanda e me deu informações precisas sobre o contorno de Governador Celso Ramos e por onde pegar o acesso a partir da BR 101. Depois de sair desta praia, voltando à BR conheci Paulo, que caminhava de Friburgo a Curitiba, passando as noites em postos de gasolina, voltando de um período de trabalho. Antes da estrada que dava acesso ao contorno de Governador Celso Ramos (que é uma espécie de península que vai mar a dentro), vi um pequeno aglomerado de casas em um pequeno trecho de areia e uma faixa litorânea que me faria cortar muito caminho. Desci lá, tentei perguntar a alguém se era viável seguir aquela faixa litorânea, mas não achei ninguém. Tentei segui-la, mas era mangue puro e a locomoção seria muito difícil. Achei que não valia a pena e resolvi dar a volta pela estrada. Peguei o acesso para Governador Celso Ramos, informei-me sobre o contorno no povoado de entrada e segui pela estrada. Passei pela Praia do Antenor, Fortaleza, Baía dos Golfinhos e da Fazenda Armação, além de outras menores. No começo da Fazenda Armação, perto de 18 horas, encontrei Miriam caminhando com seu cachorro, começamos a conversar e ela me disse que seria difícil achar locais para pernoitar ali, mas me deu informações para eu tentar. Depois de procurar bastante e somente achar preços de R$ 120,00 ou mais, indicaram-me um hotel na Armação da Piedade. Eu saí da praia e fui pela estrada até lá, pois já estava ficando tarde. Lá acabei ficando no Residencial Maremansa (ou do Haraldo), onde Marli, sua mulher, atendeu-me junto com seus 2 cachorros, Dora e Wilson. Fiquei lá em um apartamento mobiliado com cozinha, banheiro, quarto de casal, TV, ventilador e sem café da manhã por R$ 100,00 em dinheiro. O apartamento era bom, mas totalmente desnecessário para mim. Foi um desperdício de dinheiro , mas as outras opções eram mais caras. Já era tarde e lá só havia pequenos mercados com preços muito superiores aos dos anteriores nas cidades. Resolvi jantar e tomar café da manhã apenas com a banana, a maça, um pouco dos legumes que haviam sobrado e a goiabada. Foi suficiente . As paisagens ao longo do trecho deste dia foram espetaculares , incluindo a vista da Ilha de Santa Catarina, tanto diurna quanto noturna. Os banhos de mar foram deliciosos , anida mais porque estava quente. Para as atrações de Governador Celso Ramos veja http://governadorcelsoramos.sc.gov.br/turismo e http://www.turcelsoramos.com.br/Turismo.html. Os pontos de que mais gostei foram as praias , as paisagens , as trilhas :'>, as construções históricas :'> e o mar . Na 5.a feira 1/12, depois de um banho de mar e do café da manhã, seguindo informações da Marli, fui inicialmente sem a mochila fazer uma trilha até uma das pontas, de onde se podia ver Canasvieiras em Florianópolis e arredores. Wilson foi comigo durante todo o caminho :'>. A distância em linha reta parecia tão pequena. A vista pareceu-me muito bela . Após voltar, Marli deu-me algumas informações de trilhas e acessos, peguei a mochila e fui circundar a área, incluindo os pontos que não havia visto no dia anterior. Comecei por uma praia que só tinha acesso por um condomínio, mas era permitido. Quando voltava do trapiche em que tinha andado para apreciar a vista, pisei numa pedra molhada, caí e me machuquei (ralei) um pouco . Prossegui pela outras praias que se seguiam à do condomínio, conheci um gaúcho que estava na praia com seu filho e me disse que para ele aquele dia nublado estava ótimo, com o que concordei para mim também. Voltei para passar pelas praias que não havia conhecido no dia anterior, revi uma casa histórica feita com óleo de baleia e ossos de baleia na porta de um estabelecimento comercial na Praia da Fazenda da Armação, passei no Supermercado Sperandio (http://www.apontador.com.br/local/sc/governador_celso_ramos/supermercados/001392826000106/supermercado_sperandio.html) e comprei pães por R$ 3,12 com cartão de crédito, para não deixar a pressão nem a glicemia caírem muito. Daí fui em direção a Palmas pela estrada e, onde era possível, pela praia. Depois de sair da última praia e andar algum tempo pela estrada, achei uma trilha que saía da estrada e levava a uma praia quase deserta (havia um grupo de excursão de adolescentes lá). Após usufruir desta praia, achei uma trilha no meio da mata e resolvi segui-la. Embora bem mais difícil, as vistas a partir dela foram espetaculares e me levaram a uma outra praia deserta. Nestas trilhas um dos pés do meu chinelo quebrou (mas eu estava prevenido e tinha outro) e o zíper da minha mochila também quebrou (mas também estava prevenido e tinha levado um saco por dentro que não deixava cair nada). Ao chegar a Palmas, embora ainda fosse cedo, procurei por lugar para dormir e descobri um camping por R$ 40,00, que tinha uma estrutura coberta e banheiro. Estavam em reforma. Alcino concordou em que eu dormisse lá, abrigado nos locais em construção, se não achasse outro local, mas acabou não sendo necessário (nem viável). Prossegui pelas praias em direção a Ganchos. Um provável militar disse-me que era possível ir pela praia, apesar de outros terem falado que não, bastava passar um pequeno trecho com costão. Eu resolvi seguir o que ele disse, mas achei o trecho bem maior e difícil do que esperava. Em todo caso consegui passá-lo, conheci mais uma praia deserta e pude desfrutar de mais vistas e mar espetaculares . No fim da praia deserta encontrei um homem que estava indo pescar, que me indicou uma trilha para sair de lá e cair na estrada. De lá rumei para o primeiro dos Ganchos (Gancho de Fora). Lá Zélio explicou-me a origem do nome "Ganchos", que se devia ao formato das enseadas do Canto dos Ganchos, Calheiros e dos Ganchos e que havia lendas, porém não dignas de credibilidade sobre o Capitão Gancho. A explicação dele condiz com uma das versões oficiais (http://www.governadorcelsoramos.sc.gov.br/municipio/index/codMapaItem/33829). No fim do dia, já perto do anoitecer cheguei a Calheiros, onde Marli havia dito que existia um hotel. Realmente havia, tentei opções mais baratas, mas não consegui. Não quis voltar para o camping, que já estava longe. Fiquei no Hotel Maranata (http://www.hotelmaranata.com.br) por R$ 90,00 com TV, banheiro privativo mas externo (ao lado), ventilador e buffet de café da manhã. Passei no Mercado Gago e comprei legumes, pães e frutas para o jantar por R$ 8,35. Paguei ambos com cartão de crédito. Ainda fui ver a vista da praia após escurecer. Ao longo do dia andei por muitas trilhas e costões. Achei as praias deste dia com vistas e mar espetaculares . Na 6.a feira 2/12, após um banho de mar e o buffet de café da manhã :'>, fui tentar subir no Morro do Pique, cujo acesso ficava bem perto do hotel. Porém os donos da propriedade que dava acesso a ele não estavam em casa. Conversei com os vizinhos e na ausência de autorização, preferi não subir para não entrar em propriedade privada sem estar autorizado. Então decidi começar minha caminhada rumo a Bombinhas. Logo no início um cachorro de rua que vagava na estrada aparentemente quis seguir-me, mas quando foi atravessar quase foi atropelado. Tive que sinalizar para o motorista e depois tentar espantar o cachorro da estrada. Mais a frente um pardal foi atingido pelo para-choque de um carro bem na minha frente . Fui verificar e o pardal se debatia no chão. A princípio não queria que eu o pegasse, mas acho que cansou e aceitou. Coloquei-o na mão e o levei até uma loja de salgados, cujo nome era parecido com Dagnello. Perguntei para as jovens moças se sabiam cuidar de animais e pedi que colocassem água com açúcar no bico dele, algo que havia aprendido com minha prima Bernadeth. Perguntei à que o pegou e tomou a frente de ajudá-lo se podia contar com ela ou deveria procurar outros. Ela disse que sim, podia contar com ela. Perguntei se ela se responsabilizava pela vida dele e ela disse que sim, rindo. Achei que ela cuidaria bem dele e o deixei lá. Espero que tenha ficado bem e sido uma boa experiência para ela. Prossegui, voltei à BR 101 e lá conheci um homem que estava cumprindo condicional e levando metais para vender num ferro velho. Conversei um pouco com ele e depois apertei o passo para tentar chegar até onde pretendia naquele dia. Ao longo do caminho fui observando para ver se achava metais e, quando via algum, apontava para ele que vinha atrás de mim. Ao chegar em Tijucas começou uma fina garoa. Eram cerca de 16:30 e avaliei que não seria interessante prosseguir mais, pois até achar local para hospedagem em Bombinhas ainda teria que andar muito, sem considerar que proximamente o caminho seria por trilhas. Logo de cara vi casario antigo e comecei a apreciar. Vi o Casarão Bayer onde funcionava o Instituto Mathilde Bayer, que tinha algumas exposições públicas. Lá Márcia, seu filho Manoel e mais um menino, que tocava bem piano, deram-me informações sobre a continuação da viagem, locais onde me hospedar e pontos turísticos ::cool:::'>. Pediram para o morador da frente me mostrar sua coleção de carros antigos sendo restaurados, que achei interessante ::cool:::'>. Ainda me permitiram usar um computador para tentar falar com minha mãe por skype ::cool:::'>. Não consegui e quando cheguei em SP vim a saber que naquele dia e perto daquele horário havia tido uma tempestade que derrubou parte de uma árvore perto da casa dela, o que gerou curto circuito num transformador, fê-lo ficar fazendo estampidos de explosões, fez faltar energia e fazê-la ficar bastante agitada (ela tem Alzheimer). A chuva aumentou um pouco, fui procurar hotéis conforme eles tinham indicado e todos estavam lotados, menos o último, para minha sorte o mais barato ::cool:::'>, exatamente como haviam dito. Fiquei no Hotel Tijucas (http://www.guiamais.com.br/tijucas-sc/hospedagem/hoteis/12001746-2/hotel-tijucas) por R$ 50,00 pagos em dinheiro, com banheiro interno e ventilador, mas sem TV nem café da manhã. Depois fui dar um passeio pela cidade e parte da praia. Gostei dos vários casarões e construções históricas ::cool:::'>. Comprei pães por R$ 4,20 na Padaria Alesio (http://cnpj.info/ALESIO-BENEVENUTE-PANIFICADORA-ME-Av-Valerio-Gomes-361-Tijucas-SC-88200000/pe2C), frutas e legumes por 0,40 na Tiju Frutas e R$ 1,94 na Verdureira Sabor da Terra (https://www.facebook.com/Verdureira-Sabor-da-terra-192596467557762/), todos com cartão de crédito. À noite, antes de voltar para o hotel, 2 mulheres, aparentemente em situação de rua, pediram-me dinheiro. Como eu havia comprado alimentos para o jantar, ofereci-lhes pães, mas elas não quiseram. Após chegar no hotel conheci um casal de holandeses que estava indo para Buenos Aires de bicicleta. A dona do hotel falou-me que eles haviam vendido sua casa para fazer a viagem :o. Para as atrações de Tijucas veja http://turismo.sc.gov.br/cidade/tijucas e http://www.guiadoturismobrasil.com/cidade/SC/921/tijucas. Os pontos de que mais gostei foram as construções históricas ::otemo::, as paisagens ::cool:::'> e as trilhas ::cool:::'>. No sábado 3/12 após despedir-me dos holandeses e da recepcionista do hotel e tomar café da manhã, fui rumo a Bombinhas. Comecei indo até a praia e caminhando rumo a Santa Luzia, onde havia um rio que daria acesso a trilhas que levariam a Zimbros, já em Bombinhas, pela costa. Quando cheguei no rio, havia uma área prévia com lama. Andei cuidadosamente por ela para ver se achava um ponto de travessia e perguntei a pessoas numa pequena vila do outro lado se era possível atravessar. Um homem e uma mulher em diferentes casas responderam-me que não, que não dava pé, tinha correnteza e que eu precisava voltar e ir pela rua, o que seria uma volta enorme. Tentei perguntar mais detalhadamente a eles se não havia nenhum ponto e nenhum modo, eles começaram a ficar irritados e nervosos com a minha insistência. Acho que ficaram com medo de um acidente quando eu tentasse atravessar ou que eu estivesse mal intencionado. Apareceu uma moça, talvez filha da mulher, e se dispôs a pegar um barco e me atravessar, mas eu lhe disse que não desejava incomodá-la. Acho que ela achou que eu não tinha confiado nela ou se sentiu menosprezada e aí ficou irritada também. Dada a situação eu resolvi sair dali e tentar ver por mim mesmo se era possível atravessar. O homem e a mulher retiraram-se e a moça desistiu de me ajudar. Apareceu então uma menina, de uns 12 anos, e na maior calma me disse que se eu quisesse atravessar, era melhor ir perto do encontro com o mar, onde era mais raso e dava pé, além da correnteza não ser forte. Fui verificar e vagarosamente tentei fazer o que ela disse, mas envolvi minha mochila em plástico e estava preparado para nadar, caso não desse certo. Porém a menina tinha toda razão. A correnteza era fraca e a água não passou do meu peito (e eu só tenho 1,73 m) :lol:. Depois de atravessar, limpar-me um pouco e me recompor, vi uma trilha pela costa e decidi segui-la, pois a vista costuma ser mais bela e como as pessoas tinham ficado um pouco irritadas, preferi evitar a vila, para não gerar mais desgaste. Porém a trilha pela costa acabou e a única saída foi para uma propriedade privada. Tentei chamar pelos moradores, para pedir-lhes para sair para a estrada, mas eles não gostaram nada de me ver lá. A mulher me recebeu, disse que tomavam conta da casa para um juiz, os cachorros eram bravos e que se seu marido estivesse ali iria pegar a espingarda para mim. Eu expliquei que havia ficado sem saída, mas isso não lhes sensibilizou. Mesmo assim, depois de repetirem algumas vezes que eu não poderia ter feito aquilo (eu estava quase voltando, pois seriam só cerca 15 minutos para voltar e creio que mais 15 minutos para chegar ali pela estrada), disseram que iriam abrir o portão e me permitir sair para a estrada. Disseram que eu havia tido sorte de estarem lá, pois senão os cachorros ter-me-iam atacado. Depois de voltar para a estrada e andar com cuidado, pois era de terra e estava bastante escorregadia devido às chuvas anteriores, segui em frente e fui sair na última praia de Tijucas, em que havia algumas barracas de pessoas que pareciam estar querendo fixar moradia ali. A seguir encontrei a Praia Vermelha, quase deserta, onde só havia uma casa. Seu caseiro, Osnildo, quando me viu, fez um gesto como se estivesse surpreso e um pouco contrariado por um estranho ali estar. Com a memória do ocorrido antes, embora estivesse na praia, entrei parcialmente no mar para evitar qualquer problema com seus cachorros. Começamos a conversar e ele me falou de sua vida, como era feliz ali, no contato com a Natureza e fazendo aquilo de que gostava. Depois de quase meia hora de conversa e dele me explicar como eram as próxima trilhas, despedimo-nos e segui em frente. Passei por várias praias desertas que achei maravilhosas ::otemo::. Numa delas encontrei um jovem casal que me falou de uma cachoeira, que Osnildo havia dito não ser muito grande, por isso não fui conferir. Falaram-me também que existia um hostel em Bombas, que provavelmente seria a opção mais barata de hospedagem. Na sequência começou a chover fraco, porém nada que comprometesse a paisagem. Seguindo a trilha cheguei em Zimbros, mas como já estava além do meio da tarde e a chuva estava apertando, decidi procurar o hostel para me alojar. O hostel havia mudado de nome em relação ao que o casal me disse e ninguém o conhecia, nem com o nome velho, ainda mais com o novo. Entrei na loja G4 Pneus e perguntei se poderiam procurar na Internet pelo hostel para mim. Gentilmente procuraram e acharam o nome e o endereço ::cool:::'>, que era distante da zona de hotéis. Nunca teria encontrado sem a ajuda deles. Seguindo a indicação que me haviam dado, encontrei o hostel numa rua no interior de um bairro residencial, sem nenhuma placa, pois ainda estava sendo implantado. Lá conheci Tao, o dono, Amani, que creio que o ajudava, Luís Royal e Giovana, casal da zona leste de São Paulo que estava morando lá e pretendia fixar residência. O hostel se chamava Pasoka, pois eles pretendiam abrir uma paçocaria. Faziam paçocas com açúcar mascavo e sal marinho, diferente das com que eu estava acostumado, menos doce, mais encorpada, acho que mais substanciosa, parecia alimentar melhor, e de que muito gostei ::cool:::'>. Paguei R$ 35,00 em dinheiro pela diária em quarto coletivo, sem direito a café da manhã. Depois de instalado, ainda saí para dar uma volta na praia central de Bombas. Percorri a praia toda, com um pouco de chuva no começo e muita chuva no fim. Comprei pão, beterraba, cebola, abobrinha, cenoura, chuchu e pepino no Supermecado Schmit (http://superschmit.com.br) da Avenida Falcão, 637 por R$5,31, e doce no Veratoni Supermercado (https://www.facebook.com/pages/Supermercado-Veratoni/638180816197774) por R$ 2,55. À noite Tao emprestou-me celular para falar com a minha mãe por skype com imagem, e ela parecia bem. Ainda fiquei vendo-os fazer as paçocas com os moldes em forma de coração. Eles me deram uma gratuitamente para experimentar. Para as atrações de Bombinhas veja http://turismo.bombinhas.sc.gov.br, http://www.turismobombinhas.com.br e http://www.bombinhas.com. Os pontos de que mais gostei foram as praias (principalmente as desertas) ::otemo::, o mar batendo nas rochas ::otemo::, as paisagens (principalmente do alto dos morros) ::otemo:: e as trilhas ::cool:::'>. O domingo 4/12 começou com chuva, mas a chuva contínua parou antes das 9 horas da manhã e a chuva intermitente parou logo depois e não retornou. Fui conhecer parte da península ou enseada que formava Bombinhas. Comecei por Zimbros. No final da praia peguei a trilha e subi o Morro do Macaco. Achei a vista lá de cima espetacular ::otemo::. Depois peguei a trilha para a Praia da Tainha. No fim da trilha havia um índio com a cabeça abaixada dentro de um barco :o. Perguntei a moradores locais se estava passando mal e me disseram que ele costumava fazer isso, mas depois ia embora. Gostei da praia, mas preferi as outras no caminho do dia anterior. O mar era bravo. Lá perto havia uma casa em que havia um morro com uma vista que parecia boa. Chamei pelos moradores, mas saiu repentinamente um homem de uma espécie de galpão na entrada, parecendo estar com consciência alterada e me disse gritando que eu podia entrar :o. Não entrei, esquivei-me e fui embora. Peguei a estrada e dei a volta pelo outro lado em direção a Bombinhas, passando antes por Conceição, Mariscal e 4 Ilhas. As vistas a partir de pontos altos pareceram-me espetaculares ::otemo::. Passei pela praia do centro de Bombinhas e pelas outras mais afastadas do Retiro dos Padres e Sepultura e ao término do circuito fui parar em Bombas. As trilhas no geral estavam em bom estado, mesmo após a chuva. Ao longo do dia as vistas do mar batendo nas rochas também muito me agradaram ::otemo::. No fim da tarde comprei pão, chuchu, cenoura, beterraba, cebola, pepino, abobrinha e uma cuca no Supermercado Schmit (http://superschmit.com.br) da Avenida Falcão, 637 por R$8,44, doce no Veratoni Supermercado (https://www.facebook.com/pages/Supermercado-Veratoni/638180816197774) por R$ 2,55 e tomate em um verdureiro por R$ 0,50. Tirei um pequeno pedaço para experimentar e depois dei a cuca de presente para Tao. Ele compartilhou com seus amigos que o estavam visitando. Nos 2 dias eu havia pego um pouquinho da comida que eles faziam para experimentar. Depois do jantar eu paguei a 2.a diária e Tao me deu um pacotinho com 4 paçocas de presentes ::cool:::'>. Disse que eu era um bom andarilho :lol:. Despedi-me dele e fui dormir, pois no dia seguinte provavelmente sairia antes deles acordarem, o que realmente aconteceu. Houve alguns pernilongos durante as 2 noites, mas nada que cobrir o rosto não resolvesse. Na 2.a feira 5/12 logo depois do café da manhã despedi-me de Luís Royal, que já havia acordado, e rumei para Itapema. Logo que saí do hostel, encontrei Marcelo Alexandre trabalhando no jardim para fazer um bico. Ele era músico e me disse que havia enfrentado tempos difíceis no inverno, quase passando fome, pois o movimento caía muito. Ele me deu informações precisas sobre a trilha para a Praia da Galheta e a passagem para Porto Belo do outro lado. Na Praia de Bombas salva-vidas informaram-me detalhes sobre a trilha também. Achei a trilha de dificuldade média, sem nenhum ponto de passagem muito difícil, porém requeria bastante atenção, pois um erro poderia ser fatal, dado que havia quedas para mar bem bravo chocando-se contra as rochas. Achei as vistas ao longo da trilha espetaculares ::otemo::, incluindo os pontos em que se visualizava desfiladeiros com mar batendo com força nas rochas. Em um dado ponto da trilha, bem perto do fim, achei que não era viável prosseguir pelo costão e peguei uma trilha até a rua. De lá caminhei um pouco e logo achei outra trilha que saía diretamente na Praia da Galheta. Porém, antes da praia, ainda tinha uma bifurcação que levava à ponta de uma entrância no mar, de onde achei a vista espetacular ::otemo::. Depois de apreciar a praia fui explorar a região e encontrei bastante lixo na trilha :(. Peguei e depois dei para um homem que estava cortando a grama de sua casa, que aceitou colocar em seu lixo ::cool:::'>. Daí rumei para Itapema através de Porto Belo pela costa. Boa parte do trajeto foi pela estrada, pois só havia costões. Mas pude descer em algumas poucas praias para apreciá-las. Elas tinham muitas pedras. Ao chegar perto do centro de Porto Belo havia uma espécie de área turística, com vista para a orla de Itapema ::cool:::'>. Parei lá e fiquei apreciando a vista enquanto comia algumas fatias de pão e paçocas. Um casal chegou e me desejou boa viagem quando saí. Entrei então numa longa faixa de areia que começava em Porto Belo e se estendia por Itapema. No meio havia um rio que pude atravessar com água pela cintura. Acho que era a divisa entre Porto Belo e Itapema. Andei ainda vários quilômetros até um shopping que haviam me indicado como local onde acharia hotéis baratos. Não os encontrei, mas ao entrar numa loja e perguntar se o atendente poderia procurar por hostels na internet, ele gentilmente localizou 2 ::cool:::'>. Porém quando cheguei aos endereços indicados, eles estavam fechados ou desativados. Aí fui procurar hotéis na BR 101 de que me falaram, começando em um Posto Petrobras, onde achei o preço aceitável, mas após perguntar ao atendente, ele me falou que havia um mais barato no Posto Ipiranga a seguir. Fui até lá e era verdade. Fiquei ao lado do Posto Ipiranga na Pousada Sol e Mar por R$ 50,00 pago com cartão de crédito. Voltei, avisei o atendente do outro hotel que não ficaria ali e lhe agradeci pela indicação. Comprei pães, pepino, cenoura, abobrinha e cebola no koch Supermercado (http://www.superkoch.com.br) por R$ 5,74, tomate e laranja no Supermercado Sandi (https://www.facebook.com/supermercadosandi) por R$ 1,15 e doce no Supermercado Vilson (http://www.odovo.com.br/br/sc/itapema/vilson-martendal/a/) por R$ 2,80, tudo pago com cartão de crédito. Ainda fui dar um passeio noturno na praia para apreciar a vista da orla iluminada ::cool:::'>. Para as atrações de Itapema veja http://turismo.sc.gov.br/cidade/itapema, http://www.portalitapema.com/turismo-em-itapema e http://www.guiasantacatarina.com.br/itapema/atrativos.php3. Os pontos de que mais gostei foram as praias ::cool:::'> e o mirante ::otemo::. Na 3.a feira 6/12 depois de tomar café fui conhecer as atrações urbanas de Itapema. Passei pela Praça da Paz, Igreja, Mercado, Lojas de Artesanato e Ponte dos Suspiros. No Centro de Informações Turísticas da Praça da Paz, Luciana deu-me informações turísticas e sobre o trajeto ::cool:::'>. Ela conhecia bem São Paulo, pois tinha tido câncer e feito tratamento em hospital no Bairro da Liberdade. Depois fui para o Mirante do Encanto, que era gratuito e tinha um elevador para subir. Achei a vista lá de cima espetacular ::otemo::. Dali rumei para as praias. Comecei pela Praia Grossa, depois precisei voltar para a BR 101 para ir até a praia onde havia um resort em obras e a Praia da Ilhota, onde pude ver a Pedra que Bole de longe. Segui pela rodovia Interpraias em direção a Balneário Camboriú. Durante muito tempo tive que andar pela estrada porque havia muitos trechos com costões. As praias possuíam uma areia em que era um pouco difícil de caminhar, tinham grandes caídas devido ao mar e o pé afundava na areia. Mas as achei muito bonitas ::cool:::'>. Um homem falou-me que havia presenciado um ataque de tubarão no raso na Praia do Estaleiro ::ahhhh::. Fiquei mais atento a partir daí. Fui na área para vestidos da Praia de Nudismo do Pinho. Havia uma mulher com quem conversei praticando nudismo em cima de uma pedra na divisa. Eu não passei para o outro lado (dos sem roupa). Na Praia da Taquara tive uma queda, mas nada grave. Tomei um delicioso banho de mar ::cool:::'>. Um caseiro disse que poderia dormir na casa de onde tomava conta, caso não encontrasse hotéis. Tatu, dono de um restaurante, indicou-me a Pousada do Rio como provavelmente sendo a mais barata ::cool:::'>. Ao chegar na entrada da área central de Camboriú, logo de cara havia um hostel por R$ 50,00. mas resolvi ir adiante para procurar algo mais central. Peguei o elevador, apreciei a vista a partir dele e cheguei ao início da praia central. Luís Fernando, para quem eu pedi informações sobre hotéis, quando me viu seguir caminhando pela praia pensou que eu não tinha dinheiro para a passagem de ônibus e foi atrás de mim para me oferecer ::cool:::'>. Eu agradeci, educadamente recusei, disse que caminhava para apreciar a praia e prossegui. Aproveitei para ver o entardecer da praia ::cool:::'>. Fui atrás de um hostel que me haviam informado, mas estava desativado. Lá, numa loja, disseram-me que havia outro e fui atrás dele. Depois de muito procurar, encontrei-o. Fiquei no Hostel Luccas Philipps (Rua 2850, 453) por R$ 55,00 com cartão de crédito em quarto compartilhado, sem direito a café da manhã. Por fim fui comprar manga, cebola, pão caseiro e uma pizza de mussarela por R$ 11,53 com cartão de crédito no Supermercado Big (http://www.bigsupermercados.com.br) para o jantar e o café da manhã. Na 4.a feira 7/12, perdi a hora e acordei perto de 9:20 ::putz::. Pretendia dar um grande passeio na praia, mas como perdi a hora, informei-me com o atendente e a faxineira como pegar um ônibus para a balsa de Itajaí, calculei o tempo necessário com pequena folga e fui à praia, para pelo menos um banho de mar, que foi delicioso ::cool:::'>. Ao perguntar ao salva-vidas se poderia ir no fundo, em profundidade além da minha altura, ele me disse que sim, mas que iria ficar prestando atenção em mim, pois estavam acontecendo muitas coisas estranhas. E ainda me disse para colocar os braços cruzados acima da cabeça caso ocorresse algum problema, como um mal súbito. Após voltar da praia e tomar café, saí para pegar o ônibus em direção à balsa por volta de 11:20 (um pouco atrasado). Levei 15 minutos a pé até o ponto, o ônibus demorou cerca de 15 minutos para chegar e custou R$ 3,50 (comprei num vendedor que ficava no ponto, disse que era legal e por alguma razão tinha preço menor). Um homem e o cobrador informaram-me onde descer e como ir até a balsa. Cheguei na balsa perto de 12:30 (atrasado). Não consegui pegar uma que estava saindo e ainda tive esperar alguns minutos. Paguei R$ 1,40 pela passagem. Achei a vista da travessia do alto da balsa muito boa ::cool:::'>. Cheguei em Navegantes do outro lado perto de 12:50 e rumei para o aeroporto a pé. Cheguei lá perto de 13:15 e aí descobri que o voo tinha tido seu horário alterado para 14:25 (não no dia, mas previamente aqueles voos haviam tido seu horário de 14:00 para 14:25 :o - não me lembro da Tam ter-me avisado disso). Bem, ao descobrir que na realidade não estava atrasado :lol:, fiz um balanço da viagem e o planejamento da chegada. A aterrissagem em São Paulo permitiu apreciar bastante a cidade, mesmo sem reconhecer alguns trechos :lol:.
  9. Considerações Gerais: Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar importantes. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais: Em toda a viagem houve bastante sol e calor. Chuva leve a moderada de cerca de 30 minutos só no terceiro dia em Teresina e no domingo em Piripiri. As temperaturas também estiveram um pouco altas para um paulistano, chegando a mais de 35 C nas horas mais quentes do dia e não caindo a menos de 20 C à noite (em Teresina não caía a menos de 25 C), embora para mim a sensação térmica fosse mais alta. A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil. :'> As paisagens do interior, incluindo açudes, campos e serra agradaram-me muito, principalmente a vista a partir de morros. ::otemo:: Pude ver aves, cotia, mocó, morcegos, lagartos e micos. Os sítios com pinturas rupestres também achei muito bons. É interessante como há pinturas em locais desconhecidos e não divulgados. O Parque Nacional de 7 Cidades e a Floresta Nacional de Palmares foram um capítulo a parte, com sua diversidade geológica, de flora e fauna. Gostei muito de poder conhecê-los e apreciá-los. ::otemo:: Em ambos foram obrigatórios guias. A viagem no geral foi tranquila. Os maiores problemas foram a inexistência de transporte público para algumas atrações, mas nada que não pudesse ser resolvido com caminhada ou bicicleta. Houve um ponto chamado de Toca das Araras em que acho que os moradores pensaram que eu pretendia me instalar no local (talvez realizar uma invasão) e um deles ficou esperando que eu voltasse e disse que iria me acompanhar até a saída . Durante muito tempo estive só nas caminhadas, que em boa parte foram em áreas desertas. Não tive nenhum problema de segurança (nenhuma abordagem indesejada). Vários estabelecimentos comerciais aceitaram cartão de crédito (principalmente supermercados e empresas de ônibus), mas nenhum hotel, pousada ou pensão aceitou. Mas creio que isso ocorreu porque eram muito simples. As padarias do interior também não aceitaram. Gastei na viagem R$ 631,75 sendo R$ 58,39 com alimentação, R$ 270,00 com hospedagem, R$ 127,90 com transporte durante a viagem, R$ 130,00 com guias e R$ 45,46 com taxas de embarque de ida e volta. Sem contar o custo das taxas de embarque o gasto foi de R$ 586,29 (média de R$ 48,86 por dia). Mas considere que eu sou bem econômico. A Viagem: Minha viagem foi de SP (aeroporto de Guarulhos) a Teresina em 10/05/2016 pela Tam (http://www.tam.com.br). O voo saía às 12:10 e chegava às 15:13 horas, mas atrasou quase 1 hora devido a algum problema no avião. A volta foi de Teresina a SP (Guarulhos) em 21/05/2016 pela Tam. O voo saía às 15:49 e chegava às 19:00. Usei 14.000 pontos para pagar as passagens e paguei R$ 45,46 pelas taxas de embarque de ida e volta usando cartão de crédito. Quase perdi o avião. Peguei uma bicileta do Projeto BikeSampa (http://www.mobilicidade.com.br/bikesampa.asp) e cheguei 30 minutos adiantado para pegar o ônibus no Metrô Tatuapé, o que se mostrou muito importante. Na véspera o presidente da Câmara, Waldir Maranhão, recém empossado, havia publicado um ato anulando o processo de impedimento da Presidente Dilma e havia uma manifestação a favor da presidente, que atrasou em cerca de 45 minutos o tempo de viagem do ônibus. Como eu saí bem adiantado ainda consegui passar no caixa eletrônico, sacar dinheiro para a viagem e pegar o avião. Se não tivesse sido a bicicleta talvez tivesse perdido o voo (se ele tivesse saído na hora, sem dúvida teria perdido). Durante o voo de ida foi possível apreciar parte do Brasil Central e a cidade de Teresina e entorno na chegada. Fui ao lado de um rapaz que estava voltando de surpresa para visitar os parentes, no interior do Piauí, depois de muitos anos. Ao chegar, perguntei onde poderia obter hospedagem barata e as pessoas indicaram-me pensões na região dos hospitais. Fui para lá caminhando devagar e perguntando preços de hotéis. Levei quase 2 horas, mas o percurso a passos normais seria de menos de 1 hora. No caminho ainda ajudei 2 rapazes a carregar e empurrar um carro que não conseguia andar para que ficasse estacionado. Fiquei hospedado na Pensão e Restaurante "O Genival" (Rua São Pedro, 2050, (86) 998319111, (83) 32231372) por R$ 30,00 a diária, num quarto compartilhado com TV, ventilador, banheiro fora do quarto e com direito a café da manhã, almoço e jantar (incrível) . Fiquei 2 das 3 noites só no quarto. Achei a comida (arroz, feijão, farinha, três tipos de salada e três tipos de carne) bastante razoável, apesar de simples. A pensão não aceitou cartão. Havia trazido sanduíches de casa que demorei vários dias para comer, pois não esperava ter as refeições inclusas na hospedagem. À noite ainda deu tempo de dar uma volta rápida pelo entorno do hotel e Avenida Frei Serafim e conversar com alguns hóspedes da pensão. Para as atrações de Teresina veja https://www.tripadvisor.com.br/Attractions-g303483-Activities-Teresina_State_of_Piaui.html e http://www.minube.com.br/o-que-ver/brasil/piaui/teresina. Os pontos de que mais gostei foram os parques , as lagoas , os rios , o Centro de Artesananto e o Pólo Cerâmico do Poty Velho . Cheguei a ver alguns micos em áreas verdes. No dia seguinte, 4.a feira 11/05, logo após sair, cumprimentei um dos hóspedes da pensão, com quem havia conversado muito na noite anterior, que estava esperando atendimento em uma espécie de repartição pública. Fui primeiramente conhecer os pontos históricos no centro. Achei a arquitetura bela e as exposições de obras e objetos típicos interessantes, com destaque especial para o Centro de Artesanato, que tinha muitas lojas com produtos locais e uma espécie de escultura com material reciclável de automóvel (eu acho) de animais pré-históricos em seu ambiente. Os vendedores atenderam-me muito bem, mesmo eu não comprando nada. Uma delas falou-me das feiras típicas do Piauí, patrocinadas pelo SEBRAE, de que participava no Shopping Eldorado em São Paulo, de que gostava muito e onde conseguia faturar mais do que em muito tempo vendendo em Teresina. Mas falou que neste ano não haviam feito o convite, provavelmente por causa da crise. Achei a vista a partir dos pontos altos (pontes e plataforma da estação do metrô) muito boa. Depois do almoço, passei e atravessei a Ponte Metálica, que liga Teresina a Timon no Maranhão, retornei e fui ao Parque Lagoas do Norte, em que fiquei um bom tempo caminhando e de que muito gostei . À noite fui caminhar na Avenida Frei Serafim novamente, que era palco de ciclistas e caminhantes. Disseram-me para não ir ao centro, pois à noite, depois que todos voltam para casa, poderia ser perigoso. Mesmo assim fui até o seu início apreciar a Igreja de São Benedito e o Teatro 4 de Setembro, que iluminados pareceram-me muito bonitos. Havia espetáculo de projeção de luzes no teatro :'>. Na frente da igreja estava havendo algum tipo de ritual, com várias mulheres fazendo orações para uma espécie de altar de velas que elas fizeram na escadaria :'>. Fiquei apreciando-o por algum tempo. Antes de dormir ainda conversei com um hóspede da pensão que tinha vindo de outro estado do Nordeste para fazer tratamento de saúde. Na 5.a feira 12/05, acordei ouvindo que o Senado havia aceito o pedido para analisar o impedimento da Presidente Dilma. Interessante como os hóspedes da pensão, provavelmente pessoas simples do interior do Piauí e estados vizinhos, estavam preocupados com o afastamento da Dilma e a possibilidade do novo governo não lhes dar a atenção que o governo do PT deu. Sua opinião na média era completamente diferente da existente em São Paulo. E quando se falava das irregularidades do governo e dos desvios de dinheiro, citavam um argumento que eu me acostumei a ouvir em São Paulo, referente a vários governantes, talvez sendo Paulo Maluf o mais famoso em tempos recentes, de que todo mundo rouba, mas que o governo atual olhou por eles, coisa que antes nunca havia sido feita. Neste dia fui em direção aos atrativos naturais. Comecei passando pela estação ferroviária antiga e pelos prédios públicos no entorno da Assembleia Legislativa do Estado, passei pelo Parque Potycabana e pela Floresta Fóssil. No caminho em direção à Ponte Estaiada bati o dedo numa saliência do asfalto (estava de chinelo) , que sangrou bastante, tanto que o chinelo ficou até escorregadio e começou a ser forçado pelo meu peso, o que provavelmente se mostrou danoso mais tarde. Continuei o dia pelas trilhas na lateral do Rio Poty, pela Ponte Estaiada, com sua vista magnífica, pelo Monumento ao Motorista Gregório, onde a gari Fátima contou-me a história de seu martírio (http://finadogregorio.blogspot.com.br/p/sobre-gregorio.html), pelo Parque da Cidade e depois rumei para o Centro de Cerâmica do Poty Velho, de que muito gostei, com sua enorme diversidade de obras, tamanhos, formatos, entes e cores, além da amabilidade dos lojistas, que chegaram a me mostrar como era o processo de produção . Por fim cheguei ao Parque Encontro dos Rios, onde achei a vista natural magnífica e também a do Monumento do Cabeça de Cuia :'>. Pena que não pude ver o pôr do sol, pois era um pouco longe e eu não queria voltar durante a noite. Peguei deliciosos cajás em árvores existentes lá. Um policial de uma turma alertou-me que voltar pela beira do Rio Parnaíba poderia ser perigoso, pois eu iria passar por comunidades onde existia tráfico de drogas, mas eu fui mesmo assim. Até o meio do caminho não tinha tido nenhum problema, quando vi um rapaz que parecia ter o mesmo aspecto dos traficantes dos morros cariocas, com colar dourado, jeito de andar, etc. Bem nessa hora a viatura policial que estava indo embora parou ao meu lado e me perguntou se eu queria carona. Eu disse que não precisava, pois estava tranquilo, mas fiquei preocupado, pois se realmente aquele rapaz fosse traficante, poderia achar que eu era algum tipo de informante da polícia. Após a viatura passar eu o vi comentar em voz alta algo como "vocês vão (ou merecem) é levar um tiro no peito". Desviei o olhar, fui em frente e não houve nenhuma hostilidade em relação a mim. Vi o pôr do sol a partir da Ponte Metálica e depois rumei para a estação de metrô, para apreciar a vista noturna a partir da plataforma, enquanto ainda me parecia seguro. Achei a iluminação um pouco deficiente. A vista diurna pareceu-me mais interessante. Cheguei à pensão por volta de 18:30, perto do fim do jantar que era às 19:00. Deu tempo de almoçar, pois eu não havia, e os atendentes concordaram em que eu fizesse um prato para jantar mais tarde. À noite, após novo passeio pela Avenida Frei Serafim, quando estava assistindo televisão, houve um pequeno conflito familiar entre o casal de jovens filha e genro dos donos da pensão. Pelo modo emocionalmente abalado como o moça foi chamar o pai, achei que poderia acabar em alguma violência ou até desgraça, tanto que quando ele passou por mim em direção ao quarto em que estava o genro eu lhe disse "Não vá brigar, hein meu amigo!". Logo depois passou a madrasta também em direção ao quarto. Fiquei impressionado com a tranquilidade com que conseguiram resolver a questão :'>, sem gritos, sem violência, sem briga aparente, sem afetar os hóspedes (no caso acho que era só eu naquele dia), ainda mais considerando o espírito de muitas vezes usar força por questão de honra existente em alguns locais do Nordeste. Jantei e fui dormir. Na 6.a feira 13/05, comecei o dia indo conhecer Timon, cidade vizinha a Teresina, para que se podia ir atravessando uma das pontes. Para as atrações de Timon veja https://pt.wikipedia.org/wiki/Timon. Os pontos de que mais gostei foram o Centro de Artesanato , as avenidas floridas :'> e a vista do Rio Paraníba . Atravessei a Ponte da Amizade, que propiciava uma vista do rio e das redondezas que muito me agradou, andei um pouco pela avenida que beirava o Rio Parnaíba em Timon e fui para o centro. Gostei de uma avenida florida e da sua praça central. Depois, andando pela avenida que beirava o rio até a Ponte Metálica, fui conhecer o Centro de Artesanato, de que muito gostei . As esculturas em madeira eram de entes variados, diferentes tamanhos e estilos. Achei as maiores bem pesadas. Os lojistas e artesãos foram muito gentis e me permitiram conhecer o processo de fabricação das peças em oficinas atrás do centro. Voltei para Teresina, passei no Centro de Acesso a Internet gratuito na biblioteca, ao lado da Prefeitura, onde estava havendo uma manifestação de servidores, falando que alguns recebiam R$ 600,00 por mês (como pode? abaixo do salário mínimo ), naveguei por cerca de 40 minutos para por pendências em dia e ver se estava tudo bem com minha mãe (quando voltei a SP vim a saber que meu ex-vizinho, vizinho atual da minha mãe, com quem convivi durante a infância e adolescência, Clóvis Amauri Cassoni, havia tido um enfarte fulminante poucos instantes depois da minha conversa com a cuidadora da minha mãe pelo Facebook e havia partido deste mundo), fui para a pensão, almocei e rumei para a rodoviária, onde peguei um ônibus para Piripiri. Paguei R$ 32,00 no cartão de crédito pela passagem pela Empresa Barroso (http://empresabarroso.com.br). Antes de embarcar fui ver o preço dos hotéis no entorno da rodoviária, já que poderia eventualmente ainda pernoitar no último dia em Teresina, que seria 6.a feira, e a pensão não funcionava aos fins de semana (portanto não poderia acordar nela sábado). O menor preço que encontrei foi de R$ 35,00 a diária, sem café da manhã. O ônibus saiu por volta de 14 horas e chegou por volta de 17 horas. Chegando em Piripiri fui procurar informações sobre o Parque de 7 Cidades, hotéis e supermercados para fazer as compras para o jantar. Encontrei 2 agências de turismo, mas nenhuma delas tinha serviço de transporte ao parque. Disseram-me para pegar a van do ICMBio. Quando perguntei sobre onde havia supermercados abertos, uma moça ofereceu-me carona de moto e, diante da minha surpresa, disse-me rindo "Não vou te sequestrar não - queremos receber bem os visitantes" e aí eu aceitei, entre rindo e embaraçado . Comprei pão no Supermercado Carvalho (http://www.grupocarvalho.com.br) por R$ 3,59 no cartão de crédito. O outro supermercado fechou antes que eu pudesse comprar legumes . Fiquei hospedado no Hotel Rodoviário por R$ 20,00 a diária, com banheiro no quarto, TV, ventilador, água mineral, café da manhã e diária de 24 horas (vence no dia posterior na mesma hora da entrada). O pessoal do hotel (provavelmente boa parte eram donos - Ribério e das Dores) atendeu-me muito bem. Não aceitou cartão. À noite ainda dei um passeio na praça, vendo a iluminação e quando voltava da rodoviária, bem perto do hotel, a tira de um dos pés do meu chinelo estourou (acho que foi consequência do peso que sofreu quando meu pé ficou liso com o sangue um dia antes). Durante o jantar conversei e brinquei com uma menininha chamada Maria Eduarda no hotel. No sábado 14/5, após o café da manhã do hotel, fui à praça esperar pela van do ICMBio, mas naquele dia ela não foi. Fui então até o mercado ver se alguém alugaria uma bicicleta, mas as pessoas estavam desconfiadas e achavam que eu iria roubar. Quando aceitavam cobravam o preço de venda. Um homem de cabelos brancos chegou a me dizer rindo que eu não iria devolver a bicicleta e me ofereceu uma por R$ 30,00, com que eu poderia ficar (não precisava devolver). Parecia bem frágil, mas mesmo assim fui testá-la e verifiquei que quase não tinha freios. Devolvi e depois dessa fui embora . Fui comprar legumes e complementos para as refeições no Supermercado Cardoso (https://www.facebook.com/cardoso.piripiri) por R$ 5,40 e na quitanda por R$ 2,80, fiz um mini almoço no hotel e mudei meus planos, decidindo ir para Piracuruca. Peguei o ônibus da Empresa Barroso (http://empresabarroso.com.br) por volta de 9:40 e paguei R$ 8,00 no cartão de crédito. A viagem durou cerca de meia hora. Para as atrações de Piracuruca veja http://www.ferias.tur.br/cidade/5668/piracuruca-pi.html. Os pontos de que mais gostei foram o Parque Ambiental e a arquitetura histórica :'>. Após chegar comecei o passeio pelo centro histórico, visitei a igreja e alguns prédios e entrei numa espécie de Salão Paroquial ou Centro Comunitário, onde estava havendo ensaio para dança da Festa Junina com várias pessoas da 3.a idade. Fiquei assistindo o ensaio por algum tempo, suficiente para ver que havia muito mais mulheres do que homens, e vários pares tinham que ser só de mulheres. Um dos homens, muito animado, provavelmente já na 3.a idade, caiu durante um passo, mas deu uma espécie de cambalhota e levantou prontamente . Saí do ensaio e fui em direção ao Parque Ambiental pela estrada para Alto Alegre. Levei cerca de meia hora andando. Gostei bastante do parque , que tinha trilhas, cascata, campo de futebol com solo de areia, algumas pinturas rupestres preservadas, vegetação aparentemente nativa, pássaros, lagartos e possíveis micos nas árvores. No meio de uma trilha ouvi uma espécie de sino e achei que poderia ser de uma cascavel . Até perguntei para um ciclista que passava pela rua e ele disse que era bom não duvidar não. Depois voltei passando pela antiga estação ferroviária, passei pela barragem do centro e fui tomar um banho no Rio Piracuruca, numa ponte da linha férrea, onde a água parecia mais limpa. Achei deliciosa a água, principalmente porque o clima estava muito quente. Como ali parecia ponto de pessoas que talvez consumissem substâncias ilícitas, não fiquei mito tempo, mas ninguém me tratou mal. Havia outra barragem bem maior, mas disseram-me que era cerca de 8 Km de distância e que havia piranhas. Então decidi não ir. Peguei o ônibus de volta do Expresso Guanabara (http://www.expressoguanabara.com.br) por volta de 15 horas. Paguei R$ 8,40 com cartão de crédito. Cheguei, comi um pouco e fui dar uma volta pela cidade de Piripiri. Para as atrações de Piripiri veja http://www.piripiri.pi.gov.br/v2/index.php/turismo. Os pontos de que mais gostei foram os açudes e o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios . Passei novamente pela praça, agora com mais calma, fui em direção ao centro de eventos, que estava fechado, passei pelo estádio, entrei numa igreja pentecostal, pedi para conhecer o templo dizendo que não era evangélico e me convidaram para comparecer no domingo. Perguntaram-me qual a minha crença e quando disse que era holística, voltada à espiritualidade, Natureza e Universo, para minha enorme surpresa, o pastor falou que parecia algo oriental, hindu ou budista e começou, com bom conhecimento, a falar para os crentes como era o pensamento oriental, monista :'>. Depois de boa conversa, despedi-me e continuei pela avenida, onde entrei numa padaria. A esta altura estava chovendo, com razoável intensidade. Aproveitei então e experimentei um bolo, um pudim e um salgado típico na padaria, que adorei . Paguei R$ 8,00 em dinheiro. Fui então ao Memorial Expedito, mas já estava escuro. Voltei para o hotel e jantei, conversando e brincando novamente com Maria Eduarda e Vítor (provavelmente seu pai). No domingo 15/5 voltei ao mercado para tentar pela última vez alugar a bicicleta. Se não desse, o mais barato seria ir e voltar de moto táxi por R$ 50,00. Como já me conheciam do dia anterior, tinham podido pensar por um dia e imagino que ao me verem de volta viram que eu estava hospedado na cidade, desta vez resolveram me ofertar um boa bicicleta por R$ 30,00 a diária. Eu imaginava pagar R$ 20,00, mas R$ 30,00 já compensava, pois era mais barato do que o moto táxi e não teria que pagar R$ 10,00 pelo aluguel de uma para fazer o passeio. Podia-se fazer o passeio a pé, mas aí o custo do guia subia de R$ 80,00 com bicicleta para R$ 120,00. Testei a bicicleta e realmente pareceu-me boa. O dono deu-me seu telefone para qualquer emergência e disse que poderia ligar caso ocorresse qualquer problema que não fosse pneu. Rumei para o Parque de 7 Cidades então. Pouco após sair da cidade, antes do trevo, saiu a corrente da bicicleta. Sujei a mão e a recoloquei e ela não saiu mais até chegar ao Parque. Foram cerca de 26 Km em cerca de duas horas, passando por uma paisagem de vegetação, principalmente no trecho final, já fora da BR, que muito apreciei :'>. Chegando lá o guia Denílson recebeu-me e me incentivou a fazer o passeio a pé, pois o pagamento era bem maior. Perguntei se ele achava que chegariam grupos a que eu poderia me unir e dividir o valor dos seus serviços e ele disse que provavelmente não. Eu não quis ir a pé e fomos de bicicleta. Falou-me que era R$ 100,00, mas quando retruquei que tinha informação de que era R$ 80,00, disse que se enganou porque pensou que o aluguel da bicicleta estaria incluído, que não era o caso (tinha informação que o aluguel era R$ 10,00). Paguei R$ 80,00 pelo guia, que era obrigatório. Falou-me ainda que naquele dia tinha havido a viagem da van do ICMBio de Piripiri para o Parque porque estava havendo um evento (uma cavalgada), mas que eu não poderia tê-la pego, pois era só para os funcionários e cortesia para os guias terceirizados. Antes da saída tomei boa quantidade de água e não a levei, para não pesar. Saímos para o circuito completo por volta de meio dia. Logo no início, depois de algumas pedaladas, ele perguntou se eu não queria ir de moto, pois estava muito calor, mas eu preferi continuar de bicicleta para não assustar os possíveis animais que poderíamos encontrar no trajeto. Durante o passeio, talvez pelo solo irregular, a corrente da bicicleta saiu várias vezes. Para informações e atrações do Parque Nacional de 7 Cidades veja http://www.icmbio.gov.br/portal/unidadesdeconservacao/biomas-brasileiros/caatinga/unidades-de-conservacao-caatinga/2133, https://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Nacional_de_Sete_Cidades, http://mochilabrasil.uol.com.br/destinos/as-sete-cidades-de-pedra-do-pi, https://trilhaserumos.com.br/dicas-roteiros/parque-nacional-de-sete-cidades-2 e https://www.google.com.br/search?q=parque+nacional+de+sete+cidades&espv=2&biw=1366&bih=643&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwix3ZHRk_3NAhWFiZAKHSsOA3kQ_AUICCgB. Os pontos de que mais gostei foram as formações geológicas, a paisagem em geral, a vista a partir do mirante, os animais e o olho d'água ::otemo:: . Durante o trajeto o guia falou num determinado momento que ouvia esturros de onça bem ao longe (eu não ouvi). Pude ver cotias, mocó e morcegos de cabeça para baixo numa fenda na rocha, que o guia me mostrou. As formações geológicas pareceram-me muito belas e singulares, diferentes das que estou acostumado a ver. A vista do mirante também agradou-me muito. No meio o guia queixou-se que eu era muito lento, ficava muito tempo em cada atração e que não teria dado certo unir-me a um grupo por isso. E que embora o Parque fechasse as 17 horas ele precisava chegar bem antes para aprontar as coisas para o retorno. Eu procurei ser um pouco mais rápido, mas não restringi os pontos que pretendia visitar. Perto do fim do passeio passamos pelo olho d'água dos milagres, que além de belo, proporcionou um banho delicioso naquele calorão :'>. A cachoeira estava seca e não passamos por lá. Chegamos de volta à sede por volta de 15 horas. Tomei mais água na volta e pedalei de volta, apreciando a paisagem da estrada novamente. Ao chegar, perto de 17 horas, guardei a bicicleta no quarto, almocei sanduíches que havia preparado e assisti o segundo tempo da primeira partida da final do segundo turno do campeonato piauiense entre River e Altos. Depois fui até a praça novamente, passei por fora da igreja em que havia conversado com o pastor e os crentes (estavam no culto para o qual me haviam convidado) e voltei à padaria, onde comi novamente um pedaço de pudim e um de bolo por R$ 4,50 em dinheiro. Na 2.a feira 16/5, após o café da manhã fui devolver a bicicleta e os donos nem quiseram vistoriá-la, dizendo que acreditavam em mim. Ofereceram-me novo aluguel, se desejasse ir a Pedro II com ela, mas eu havia mudado de ideia e decidi ir à noite de ônibus. Depois fui conhecer pontos da cidade que haviam faltado, como o interior da Igreja Matriz, em que achei as imagens com aparência triste, o Centro de Eventos, que estava fechado no sábado e o Memorial Expedito Rezende por fora, pois quando fui vê-lo já havia escurecido. Ainda fui ao Açude Anajás, que me pareceu belo e tinha pessoas pescando, passei pelo Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, de que muito gostei , tanto da imagem quanto da vista, e depois rumei 8 Km em direção ao Açude Caldeirão. Achei a estrada interessante, com o Portal, paisagens rurais e vegetação. Achei a vista do açude muito bela , vista a partir da estrada ao seu lado. Andei por boa extensão dele, fiz a curva e encontrei um restaurante onde havia um bom ponto para banho. Os donos cortesmente deixaram-me ter acesso a ele :'> e lá fiquei por cerca de 2 horas. Achei sua água deliciosa, morna e limpa . Naquele calor foi uma excelente opção. Clientes do restaurante falaram-me que não estava calor. Calor mesmo disseram que era no B-r-o Bro (setembro a dezembro). Depois do 3.o banho e de secar, agradeci, despedi-me e retornei para Piripiri para pegar o ônibus. Achei um pé de chinelo :'> na estrada e peguei para usar durante o resto da viagem, apesar de ser menor do que o meu número e do pé oposto ao que eu precisava . Chegando, ainda fui ao Santuário novamente para vê-lo iluminado no fim do dia. A coroa de Nossa Senhora iluminada destacava-se e pareceu-me muito bonita :'>. Por fim jantei, paguei o hotel e peguei o ônibus para Pedro II cerca de 20:30 pela Empresa Barroso por R$ 10,00 no cartão de crédito. Cheguei em Pedro II perto de 21:15, indicaram-me a Pousada Bella Mangueira, do Manoel e eu lá fiquei por R$ 20,00 a diária em dinheiro, no primeiro dia numa cama no corredor e no segundo dia com quarto com ventilador e sem banheiro nem televisão, mas com direito a um pequeno café da manhã. Para as atrações de Pedro II veja http://ecoviagem.uol.com.br/brasil/piaui/pedro-ii. Os pontos de que mais gostei foram o painel da Igreja Matriz , as opalas , o sítio arqueológico , a vegetação, o Morro do Gritador ::otemo:: e a Toca das Araras . Na 3.a feira 17/5 fui conversar com um guia da associação local para obter informações e fui muito bem tratado e atendido, obtendo informações precisas e relevantes :'>. Então fui conhecer os atrativos perto do centro. Comecei pelo Olho D'Água do Buritizinho, que achei interessante, embora não muito cuidado. A estrada rural até ele também me pareceu bela. Depois fui conhecer as atrações urbanas, casarões, Igreja Matriz, com seu painel retratando metade a caatinga e metade a Judeia , Memorial Tertuliano e lojas de opala e outras pedras, que achei espetaculares e muito belas . Os lojistas foram muito cordiais, alguns chegando a mostrar-me suas oficinas no fundo das lojas e me explicando questões comerciais e operacionais. Passei também pelo Parque Ambiental, onde havia uma bica em que pude beber bastante água :'>, pois o calor era grande. Daí resolvi seguir em direção ao Sítio Arqueológico da Torre, passando antes pelo Centro de Artesanato, que estava com quase todas as lojas fechadas. Foram cerca de 8 Km até o sítio, sendo que havia algumas placas nos locais cruciais para não errar o caminho. Achei o sítio espetacular , primeiramente pela quantidade e grau de preservação das pinturas rupestres, retratando animais, fatos da vida cotidiana e me pareceu um alvo também. Depois pela geologia, montanhas e vegetação do local, de que gostei bastante, incluindo a estrada, principalmente depois de deixar a rodovia principal e entrar na estrada de terra e ainda mais na trilha final no meio da vegetação. Por fim pela vista, possível de ver de uma das torres, fora do ponto principal das pinturas, mas que tinha uma espécie de plataforma em que se podia subir com alguma habilidade para contemplar os arredores. Na volta, ao cumprimentar um casal que estava olhando a vida pela janela, contaram-me que perto daquele dia faziam alguns (acho que eram 3) anos que seu filho havia se suicidado naquela região, enforcando-se no meio do mato . O filho foi encontrado pelo pai, que disse ter pressentido onde ele estava, depois dele ficar desaparecido por um dia. Vi o pôr do sol do fim da estrada de terra, voltei em boa parte na penumbra na estrada principal, jantei, fui comprar pão por R$ 3,50 e bolo e pudim por R$ 4,00 na Padaria Ki Bom Lanches. Gostei, mas o pudim e o bolo da padaria de Piripiri pareceram-me melhores. Antes de voltar para a pousada, ainda pude apreciar o céu estrelado e sentir um certo frio (comparado a Teresina e outros locais) que fazia em Pedro II. Na 4.a feira 18/5 fui ao Morro do Gritador, a cerca de 14 Km de distância. No caminho passei pelo Mirante da Santa, que tinha uma bonita imagem e uma vista ampla da parte urbana de Pedro II e entorno :'>. Segui na estrada em direção ao Mirante do Gritador, que tinha uma vista muito ampla da paisagem natural, dos paredões da serra e alcançava até o Ceará . Fiquei bastante tempo lá em estado de admiração e contemplação. Na volta resolvi entrar num povoado próximo e seguir uma placa para a Toca das Araras, que havia visto na vinda. Depois de perguntar a moradores locais e intuitivamente seguir possíveis trilhas cheguei na beira de um morro, que tinha uma vista muito bela . Desci contemplando a paisagem, o relevo e todo o ambiente. Andei lá embaixo uns 15 minutos e resolvi voltar, satisfeito com o passeio. Quando já havia subido e estava caminhando para a saída do povoado, um homem, já de cabelos brancos, chamado Jerônimo, estava esperando-me e disse que uma mulher queria ensinar-me o caminho para a Toca das Araras. Eu disse que provavelmente estava vindo de lá e ele disse que iria me acompanhar até a saída. Eu disse que não precisava, estava vindo de lá e que estava indo embora, ao que ele retrucou "Mas vá mesmo". Acho que eles pensaram que eu pretendia me fixar no local como fazem aqueles que invadem terras . Retomei a estrada e retornei para Pedro II. Depois de almoçar, fui para a rodoviária e peguei um ônibus da Empresa Barroso (http://empresabarroso.com.br) com destino a Campo Maior. Paguei R$ 23,00 em dinheiro. A viagem durou cerca de 2 horas. Em Campo Maior fiquei hospedado no Dormitório da Luiza por R$ 20,00 a diária, com direito a quarto privativo com ventilador, sem banheiro nem TV. Após comer, saí e comprei R$ 2,00 em bolo na padaria. Quando voltei à noite encontrei algumas baratas no banheiro, após ficar um tempo sem ninguém lá. Fui até a praça e pude ver num trailer o jogo entre Atlético-MG e São Paulo pelas quartas de final da Libertadores. O dono gentilmente permitiu :'>, mesmo comigo não comprando nada. Interessante como havia pessoas que torciam para os times de São Paulo lá, principalmente Corinthians e São Paulo. Para as atrações de Campo Maior veja http://www.ferias.tur.br/cidade/5553/campo-maior-pi.html. Os pontos de que eu mais gostei foram o Monumento aos Heróis do Jenipapo e o Açude Grande :'>. Na 5.a feira 19/5 fui conhecer a parte urbana de Campo Maior. Passei pela praça central, igreja, com sua arquitetura histórica e imponente, prefeitura, mercado central e casarões. Havia barracas sendo construídas de pau pombo e palha de carnaúba nas praças centrais para uma festa local :'>. Depois rumei para o Monumento aos Heróis do Jenipapo. Andei cerca de 7 Km pela rodovia em direção a Piripiri. Achei o trajeto muito bonito com suas paisagens rurais e vários pássaros :'>. Na ida passei por uma estação experimental agropecuária, em que o porteiro cordialmente disse que eu poderia entrar e conhecer, mas o vigia pareceu tenso com a minha presença, mas me permitiu circular para conhecê-la. Na volta passei por uma igreja com arquitetura diferente, como um triângulo isósceles :'>, de base pequena e lados altos. Vi 2 pássaros mortos nas margens da rodovia . O monumento em si e o museu em anexo pareceram-me muito interessantes, pois eu não conhecia a Batalha do Jenipapo (não me lembro de tê-la estudado na escola), que achei bastante relevante na História humana da região e do Brasil, com o sacrifício de muitas pessoas simples, lutando por uma independência em que acreditavam mas talvez nem soubessem direito o que seria. Na prefeitura havia um quadro grande retratando a batalha :'>. No museu, além de itens referentes à batalha, havia itens de couro típicos da região. No livro estava a assinatura do Lula, quando era presidente, ao fazer uma visita. A entrada era gratuita, mas eram aceitas doações (a sugestão era de R$ 2,00). Antes de retornar, ainda fui um pouco à frente na rodovia para ver o Rio Jenipapo, às margens do qual havia ocorrido a batalha, há quase 200 anos. Após retornar ao centro, passei pela antiga estação ferroviária, fui ao Museu do Zé Didor, sem entrar, conversei um pouco com ele na porta, que me achou enrolador , fui embora quando chegou uma suíça para fazer a visita e fui dar uma volta no Açude Grande, que achei muito bonito :'>. Não me arrisquei a nadar (nem sei se era proibido). Perto do fim da tarde peguei o ônibus para Altos pela Empresa Furtado, pagando R$ 5,00 em dinheiro. Levou cerca de 1 hora. Em Altos fiz compras de pepino, tomate e laranja no Supermercado Cardoso por R$ 2,92 com cartão de crédito e de bolo e pão doce na padaria por R$ 2,40. Fiquei hospedado no Hotel da Fatinha, onde fui recebido pelo João, por R$ 30,00 a diária, com banheiro no quarto e ventilador, mas sem café da manhã. Para as atrações de Altos veja https://pt.wikipedia.org/wiki/Altos. O ponto de que mais gostei foi a Floresta Nacional de Palmares . Na 6.a feira 20/5 inicialmente comprei pão e bolo na padaria por R$ 5,50 para o café da manhã. Depois dei uma volta rápida pelo centro da cidade, incluindo praça, igreja e alguns prédios. Na igreja tentei ajudar a colocar uma escada para fazerem uma manutenção num ponto interno bem alto, próximo ao altar. Sugeri ao moço que não se arriscasse naquela escada, pois se caísse provavelmente seria morte e ele cogitou montar um andaime. Depois fui procurar informações de como chegar à Floresta Nacional de Palmares (http://www.icmbio.gov.br/portal/visitacao1/unidades-abertas-a-visitacao/4059-flona-de-palmares). Indicaram-me que o professor Juniel de uma escola local sabia informações sobre visitação. Eu fui até a escola e ele me atendeu muito bem. Ligou do seu próprio celular para algumas pessoas até chegar ao Gaspar, responsável pela Flona, que me deu o contato do Lucas (provavelmente seu filho - [email protected]), presidente da associação de condutores da Flona. Era obrigatório acompanhamento de guia para a visitação e custava R$ 50,00. Conversei com ele e combinei de ir na própria 6.a feira ou no sábado. Decidi ir na 6.a feira e quando cheguei lá ele estava me esperando. Paguei R$ 3,50 em dinheiro pela passagem de ônibus urbano da Empresa Barroso, que levou cerca de meia hora. Começamos a primeira trilha pouco antes do meio dia e acabamos todas perto de 15 horas. Gostei bastante da mata e do canto dos pássaros. Pude ver alguns. O Lucas conduziu muito bem. Disse que pelo que eu havia falado no telefone esperava que passássemos o dia inteiro na Flona para observação de pássaros. Contou-me histórias da região, de sua passagem por São Paulo, de seu trabalho como músico e de aulas de educação ambiental para crianças. Como a Flona era do lado de um presídio, muitos ex-detentos fixaram-se em comunidades próximas após cumprir parte ou toda a pena. Falou-me que ouviu de crianças de cerca de 5 anos durante as aulas de educação ambiental que quando crescessem queriam fumar maconha e serem assaltantes de banco. Após a visita o Gaspar mostrou-me um vídeo com o canto de um pássaro, que está em processo de extinção, filmado pelo Lucas na Flona. Depois peguei o ônibus urbano de volta para Altos pagando R$ 3,50 em dinheiro. Chegando lá fui dar uma volta pela outra parte da cidade, do lado oposto da estrada ao da praça e da igreja central. Peguei uma outra estrada e andei apreciando a paisagem rural ::cool:::'>. No início do caminho comprei bolo em outra padaria por R$ 2,00 e depois prossegui. Por fim virei numa pequena rua para voltar e passei em frente ao estádio do Altos. Aproveitei para conhecê-lo. O treinador parecia estar dando entrevista para a TV referente à última partida da final do 2.o turno. O campo estava liberado e aproveitei para entrar e conhecê-lo. Quando cheguei perto do gol fiz movimento imaginário de chute, depois fui para baixo das traves em posição de goleiro. Alguns torcedores caçoaram dizendo que eu estava pronto para fazer teste :lol: e depois perguntaram se eu já havia sido goleiro. Realmente, há muito tempo, eu havia sido, mas só em brincadeiras. No fim da tarde comprei pepino e tomate no Supermercado Cardoso por R$ 1,78. ,À noite, depois do jantar ainda fui dar uma volta e passei na mesma padaria do passeio anterior, onde comi bolos de sobremesa por R$ 6,00 ::cool:::'>. No sábado 21/5 primeiramente fui até a padaria comprar pão e bolo por R$ 4,00. Depois do café despedi-me da Fatinha e peguei o ônibus urbano para Teresina por R$ 4,50, levando cerca de 1 hora para chegar. Desci perto da estação de metrô mais próxima do aeroporto, mas voltei andando um pouco para conhecer o Mercado do Mafuá. Depois passei pela Igreja da Vila Operária ::cool:::'>, que achei muito bela pela arquitetura típica do Nordeste, pela simplicidade e pelo ambiente iluminado, que fazia o astral ficar positivo ::cool:::'>. De lá fui para o aeroporto, onde esperei pelo voo previsto para sair às 15:49 e chegar às 19 horas. No avião pude apreciar novamente a cidade de Teresina e parte do Brasil Central vistos do alto, enquanto ainda havia sol. Conheci uma piauiense que vinha visitar a irmã (ou prima) e falei para ela do ônibus gratuito da TAM entre Guarulhos e Congonhas. Ela me encontrou na fila dele, mas passou um taxista perguntando se alguém desejava ir por algo como R$ 20,00, fizeram uma lotação e ela aceitou.
  10. fernandobalm

    Caminho de Roma: de Lausanne (Suíça) a Roma a pé

    Fagner, Eles são da Via Francígena. O Paolo Asolan foi quem emitiu e enviou via correio a credencial para mim. O Paolo Caucci von Saucken creio que é o reitor (coordenador geral) da organização que dá apoio à Via Francígena. Se quiser deixar seu e-mail, eu envio os e-mails em que conversei com o primeiro na época. Ainda bem que vocês não passaram pelo Grande São Bernardo. Aí sim é que iriam ver o que era frio. Abraços!
  11. fernandobalm

    Caminho de Roma: de Lausanne (Suíça) a Roma a pé

    Fagner, Fico feliz que vocês tenham conseguido fazer o Caminho que queriam e planejaram. Eu fiquei preocupado quando o B5uno me falou de fazer a viagem entre março e maio, pois vocês pegariam muito frio. Ainda mais quando vi que vocês eram de Pernambuco, onde o sol é generoso. Excelente ideia de fazer o site. Eu tive muitas dificuldades para achar informações em 2011. Em 2011 eu falei com alguns dos organizadores da Via Francígena sobre emitir a credencial no Brasil através da Associação de Confrades e Amigos do Caminho de Santiago de Compostela (http://www.santiago.org.br/)., mas creio que não prosperou. Se vocês tiverem interesse em emitir a credencial por aqui (se é que já não conseguiram a parceria) através da Associação que vão criar, a pessoa com que falei foi Paolo Asolan ([email protected]), que me recomendou falar com Paolo Caucci von Saucken ([email protected]). Boa sorte!
  12. fernandobalm

    Caminho de Roma: de Lausanne (Suíça) a Roma a pé

    Juju, Obrigado pelos comentários e por atualizar minhas informações de quase uma década sobre o Caminho de Santiago. Há vários links que coloquei no início da narrativa que talvez te ajudem na sua pesquisa. Se for realmente fazer a Via Francígena, boa caminhada! Se precisar de algo é só escrever. E se não for no verão e decidir passar pelo Grande São Bernardo, cuidado com o clima.
  13. Lamlully, Fico feliz que tenha gostado! Se bem me lembro, demorou entre 1 e 2 horas. Na ida, quando fui apreciando a paisagem, parando para ver vários ângulos e passei pela Ponta do Papagaio, creio que levei até um pouco mais de 2 horas. Mas na volta, quando só parei para um banho de mar e peguei a rua de areia cortando caminho no início, creio que levei cerca de 1 hora e meia, de ponta a ponta, sem apertar o passo. Se tiver tempo de explorar toda a região, creio que vai gostar muito das paisagens do alto dos morros. Boa viagem!
  14. Considerações Gerais: Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar importantes. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais: Em toda a viagem houve bastante sol, apesar das notícias sobre enchentes em SC que chegavam pela TV a SP. Chuva moderada de cerca de 30 minutos só peguei no primeiro dia de caminhada de Jaguaruna ao Farol. Chuva leve para moderada só em alguns momentos isolados e rápidos e nos últimos dias na serra, quando o tempo virou. Houve alguns dias com neblina na serra, mesmo durante o período do fim da manhã e início da tarde. As temperaturas também estiveram bem razoáveis (para um paulistano), chegando em média a 25 C ao longo do dia (com picos de 30 C) nas praias e ficando por volta de 20 C na serra (com picos de 25 C), mas caindo até 15 C, embora para mim a sensação térmica fosse mais alta. A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil. :'> Nas cidades pequenas da serra creio que alguns se assustaram com um mochileiro, principalmente porque minhas roupas já estavam surradas e um dos meus pares de sapato estava quebrado. As paisagens das praias e da serra agradaram-me muito, principalmente a vista a partir de morros e costões. ::otemo:: Pude ver golfinhos, uma tartaruga, aves e peixes, mas não baleias, que já haviam migrado. O comportamento do mar variava bastante de acordo com a praia e o tempo. De uma maneira geral achei o mar bastante interessante para se brincar, pois tinha bastante ondas, mas era bravo em muitos locais e tinha depressões formando zonas que não davam pé e tinham ondas e correnteza (recomendo cautela a quem não sabe nadar ou não está acostumado ao mar, principalmente nas praias mais bravas e próximas a barras de rios ou quando o tempo estiver com muito vento). Havia algumas praias com muitas pedras, o que exigia cautela se fosse desejado entrar no mar. A água até que estava mais quente do que eu esperava. Os rios, lagoas e cachoeiras próximos às praias também me agradaram muito e foram uma excelente opção para lazer e banho. A caminhada no geral foi tranquila. Em alguns trechos havia sinalização nas trilhas. Os habitantes locais, principalmente pescadores, orientavam muito bem sobre como seguir as trilhas. :'> Os maiores problemas foram dois trechos em que a trilha exigia escalada ou estava fechada pela mata. Houve outro trecho em que o proprietário tinha fechado a trilha mais fácil e foi necessário ir parte do caminho pelo costão e depois conseguir achar a entrada da trilha na mata. Durante muito tempo estive só nas praias, que em boa parte estavam desertas. Não tive nenhum problema de segurança (nenhuma abordagem indesejada), mesmo com a mochila nas costas. Na serra a polícia abordou-me 2 vezes por chamado dos moradores achando que eu era um andarilho e poderia causar problemas. Mas a abordagem foi respeitosa. Vários estabelecimentos comerciais aceitaram cartão de crédito (principalmente supermercados e padarias), mas somente dois hotéis aceitaram. Gastei na viagem R$ R$ 853,59, sendo R$ R$ 130,26 com alimentação, R$ 505,00 com hospedagem, R$ 58,15 com transporte durante a viagem, R$ 1,50 com tarifa bancária e R$ R$ 158,68 com passagens aéreas e taxas de embarque de ida e volta. Sem contar o custo das passagens aéreas e das taxas de embarque o gasto foi de R$ R$ 694,91 (média de R$ R$ 49,64 por dia). Mas considere que eu sou bem econômico. A Viagem: Minha viagem foi de SP (aeroporto de Congonhas) a Jaguaruna em 11/11/2015 pela Tam (http://www.tam.com.br). O voo saía às 13:15 e chegava às 14:35 horas. A volta foi de Jaguaruna a SP (Congonhas) em 25/11/2015 pela Tam. O voo saía às 15:05 e chegava às 16:10. Paguei R$ 118,00 pelas passagens e R$ 40,68 pelas taxas de embarque de ida e volta usando cartão de crédito. Durante o voo de ida foi possível apreciar parte da cidade de São Paulo e parte do litoral. Mãe e filha, que moravam em Jaguaruna, sentadas nos bancos atrás de mim, deram-me algumas informações para me auxiliar na cidade, praias e arredores. Ao chegar fui caminhando do aeroporto até o centro (cerca de 2 horas, andando devagar - a estrada era rodeada de propriedades rurais e vegetação). Antes de chegar passei numa padaria no caminho e comprei em dinheiro 1 cuca e 1 saco de pastéis de banana amanhecidos por R$ 4,00. A possível dona e a atendente foram muito cordiais e me deram informações sobre pontos a conhecer da cidade, além de perguntarem sobre a minha viagem. Fiquei hospedado no Hotel Primavera (http://www.hagah.com.br/hotel-primavera-dq-de-caxias-328) por R$ 40,00 a diária, com TV, ventilador, banheiro fora do quarto e sem direito a café da manhã. O hotel não aceitou cartão. O cachorrinho da dona deu-me uma pequena mordida no calcanhar. Consegui sacar dinheiro na agência do Bradesco que havia na cidade. Comprei em dinheiro 4 bananas e 4 tomates por R$ 2,95 num hortifruti e 1 chuchu, 3 laranjas e 1 queijo minas frescal por R$ 3,55 usando cartão de crédito no Supermercado Moniari (http://moniari.com.br) para juntar com os sanduíches que havia trazido de casa. Ainda deu tempo de dar uma volta rápida pela cidade para conhecer alguns pontos, como a estação, o museu por fora e a igreja matriz. Para as atrações de Jaguaruna veja http://www.jaguaruna.sc.gov.br/turismo/item/Atrativos. Os pontos de que mais gostei foram as lagoas , as vistas de paisagens naturais , as praias, o Chuveirão e conhecer o Grupo Cru Boi Mamão :'>. No dia seguinte, 5.a feira 12/11, fui primeiramente conhecer os pontos no centro e voltei a visitar a estação ferroviária, o Grupo Cru de Teatro e Boi Mamão (http://www.grupoculturalcru.com), em que o próprio presidente indicou um membro para me acompanhar e dar explicações, e o museu, desta vez entrando. O atendente foi muito cordial e pareceu querer ajudar-me ao máximo para a viagem. Depois fui andando em direção à praia (cerca de 10 Km por uma estrada cercada de propriedades rurais e vegetação). No caminho visitei o templo da Assembleia de Deus. Pouco antes de chegar à praia vi a entrada para uma lagoa e decidi ir conhecê-la. Achei-a muito bonita e subi em várias dunas em suas margens, que permitiram uma bela vista da paisagem, incluindo a lagoa, a praia, a vegetação e o povoado próximo. Achei a água deliciosa para banho, apesar da temperatura do ar não estar muito alta. Depois de algum tempo apreciando a paisagem e a lagoa, nadando e andando nas dunas, decidi ir em direção à praia. Lá andei pelo povoado, passei pela Capela de Nossa Senhora dos Navegantes e fui conhecer e me refrescar no Chuveirão , de que muito gostei e que em dias muito quentes deveria ser ainda melhor. Depois fui conhecer a Praia do Arroio Corrente, em que fiquei cerca de 1 hora andando. Tentei ver a Laje de Jagua, mas não consegui. Disseram-me que em condições de mar e tempo favoráveis era possível vê-la da praia. Voltei no fim da tarde, tomando um banho ao passar pela lagoa. Ainda comprei no cartão de crédito um pote de doce de leite de 400 g no Supermercado Moniari por R$ 2,38 e fui novamente visitar a igreja matriz e a praça no seu entorno. Na 6.a feira 13/11, antes de começar minha caminhada pelas praias, fui ao Morro da Cruz, um ponto próximo ao centro e com vista privilegiada que alcançava até o litoral, além de incluir amplas áreas de vegetação, montanhas, lagoas e a cidade . Com isso acabei começando minha caminhada rumo a Laguna perto de 11 horas, já imaginando que só conseguiria chegar até o Farol de Santa Marta. Fiz novamente o caminho em direção à Praia do Arroio Corrente, só que desta vez começou a garoar e num dado momento a chover moderadamente. Apesar de ter posto a capa, resolvi parar numa área coberta em frente à lagoa em que havia nadado para esperar a chuva passar ou amainar. Após a chuva passar prossegui, passei por um altar na estrada lateral à lagoa e fui até a praia, onde passei por um restaurante em que o dono, que havia chegado para a temporada 2 dias antes, havia dado informações para mim no dia anterior sobre distâncias, preços e dificuldades até o farol. Cumprimentei-o e parti. A caminhada foi tranquila e bonita, com alguns momentos de chuvisco. Gostei das praias desertas, das dunas enormes, das lagoas, da barra e do mar . Perto da Praia da Figueira um homem cumprimentou-me, disse que me havia visto em Arroio Corrente (cerca de 1 hora antes) ofereceu-me bebida e perguntou se não queria descansar um pouco em sua casa e tomar um banho quente antes de continuar. Apesar da população deste local ser muito hospitaleira, fiquei meio ressabiado com a proposta e, de qualquer forma, não seria interessante parar e muito menos tomar um banho quente e voltar para a friagem. Ao chegar à Barra do Camacho precisei sair um pouco da praia e ir até uma ponte para fazer a travessia, pois não dava pé e era inviável nadar com a mochila nas costas. Antes andei na lateral para apreciar a barra e o mar :'>. Depois, nadei um pouco na barra e subi numa duna próxima para apreciar a paisagem. Após ficar lá alguns instantes rumei para o Farol, onde ainda fiquei apreciando a paisagem a partir de um sambaqui. Lá fiquei hospedado no Hotel Capitão Gancho por R$ 40,00 a diária em dinheiro, com banheiro coletivo e sem direito a café da manhã. O hotel ficava numa encosta e tinha uma vista da orla e do mar que considerei linda . Fui comprar pastel e cavaquinho por R$ 4,26 com cartão de crédito no Mercado Beira Mar, pão por R$ 3,50 com cartão de crédito no Mercado Boa Vista e cucas por R$ 2,85 com cartão de débito na padaria ao lado deste último mercado. Na volta das compras pude apreciar do alto do morro o final pôr do sol, com o céu alaranjado, o mar prateado e a espuma das ondas brancas brilhando. Achei uma cena espetacular ::otemo::. Na porta do hotel havia uma discussão entre um trabalhador que estava fazendo algum tipo de reforma e uma moça, que parecia ser sua namorada e que a dona disse que havia tentado roubar algo do hotel e lá se esconder para ficar com o namorado que parecia não a querer. A dona disse que iria chamar a polícia e o namorado disse para ela ir, senão iria apanhar. Eu fiquei meio preocupado com a situação, mas tudo pareceu se encaminhar e eu fui para o quarto tomar banho, jantar e dormir, não sem antes sair para a sacada e arredores e apreciar a vista noturna. Quando voltava a moça perguntou se poderia ficar escondida no meu quarto para depois reencontrar o namorado, fato com que não concordei. Durante a noite houve mosquitos mo quarto , o que atrapalhou um pouco o sono. Para as atrações do povoado do Farol de Santa Marta veja http://www.faroldesantamarta.tur.br e http://www.faroldesantamarta.net. Os pontos de que mais gostei foram as paisagens ::otemo::, principalmente do alto do morro do farol, as praias e o sambaqui. No sábado 14/11, comecei o dia tomando um banho de mar na Prainha e apreciando a vista de cima do morro. Quando estava indo para a praia e depois ao voltar para tomar café, encontrei a moça que tinha sido pivô da discussão do dia anterior e ela me disse que tinha passado mal a noite, que estava grávida, que iria voltar para a casa da sua patroa e pediu para eu levar um recado ao namorado. Tentei sugerir que ela procurasse a assistência social, se realmente estava grávida, para ter o maior amparo possível e que não adiantava ir atrás do namorado, pois ele parecia não querer nem conversar com ela. Depois talvez ela pudesse requerer que ele ajudasse pelo menos financeiramente na criação do suposto filho, se realmente ele era o pai. Mesmo achando que não seria útil, fui procurar o namorado dela para lhe dar o recado e ele me disse para ignorá-la, que se ela voltasse iria apanhar e que ela tinha roubado algo da pousada. Era uma situação delicada, principalmente para quem não tinha ideia do contexto. Achei melhor não interferir mais . Fui então conhecer o Farol de Santa Marta. A vista a partir do morro em que ele ficava pareceu-me espetacular ::otemo::. Era possível ver a orla, o povoado, as lagoas, a vegetação, o mar e todo o entorno. O farol em si também me pareceu interessante pela sua torre e sua antiguidade, embora não tenha podido entrar nem subir nele. Fui também conhecer o sambaqui, a Gruta de Iemanjá e a igreja da Prainha. Depois rumei para Laguna caminhando pelas praias. Algumas tinham pessoas e outras eram completamente desertas. A vista a partir dos morros que separavam as praias agradou-me muito . Ao chegar à barra antes de Laguna tomei outro banho de mar, que estava bem agitado e com várias ondas. Andei nos molhes e pude ver muitos golfinhos :'> no canal e arredores. Depois peguei um bote por R$ 1,00 e fui até a Praia do Mar Grosso procurar por hospedagem e locais para fazer compras para as refeições. Fiquei hospedado no Hotel Monte Líbano (https://www.facebook.com/hotelmontelibano) por R$ 35,00 a diária, com banheiro no quarto, ventilador, TV e sem direito a café da manhã. Comprei laranja e chuchu por R$ 1,24 no supermercado Tieli (http://www.tieli.com.br), pão por R$ 2,89 no Mercado Ponto Final e bananas por R$ 1,72 no Supermercado Beeg Shop, tudo pago com cartão de crédito. Para as atrações de Laguna veja http://www.laguna.sc.gov.br/pontos-turisticos.php e http://www.guiasantacatarina.com.br/laguna/pontos_turisticos.php3. Os pontos de que mais gostei foram referentes à história de Anita Garibaldi , aos registros e fatos históricos referentes à Revolução Farroupilha e à República Juliana , a Pedra do Frade , o Mirante de Nossa Senhora da Glória ::otemo::, as praias, as paisagens e os golfinhos :'>. No domingo 15/11 pude ver o nascer do sol no horizonte do mar, pois minha janela era de frente para ele e bastava abrir a cortina. Foi uma cena magnífica ::otemo::. Depois de começar o dia com um banho de mar e apreciar a vista do terraço do hotel, que permitia ver os morros, a praia, o canal, a balsa, a cidade e os arredores, fui conhecer o centro de Laguna. Achei bastante interessante conhecer melhor a história de Anita Garibaldi e a casa onde ela viveu seus primeiros anos . Gostei também do museu, com as passagens históricas das revoluções da época do Império, em que a cidade teve papel relevante . O casario antigo e bem preservado (na minha opinião, salvo uma ou outra exceção) também agradou-me. Depois fui caminhando por cerca de 30 minutos até o Mirante de Nossa Senhora da Glória e de um restaurante próximo, de onde pude apreciar uma vista que achei magnífica de todo o entorno, contando a vegetação, o mar, a orla, a cidade e até a Ponte Anita Garibaldi lá bem longe ::otemo::. A estátua em si também achei bem interessante e combinando com o local. Depois voltei para o centro, comprei um pão de aipim no Supermercado Tieli por R$ 3,18 pago com cartão de crédito, comi um lanche e fui ao canal apreciar o mar, a paisagem e os golfinhos :'>. À noite ainda fui andar um pouco na orla, assim como no dia anterior, e depois apreciar a vista noturna a partir do terraço do hotel :'>. Na 2.a feira 16/11 apreciei o nascer do sol deitado em minha cama novamente, só que desta vez havia um pouco de nebulosidade e não me pareceu tão espetacular quanto o do dia anterior, mas mesmo assim gostei. Após um banho de mar e o café da manhã, rumei para Imbituba pela praia. No caminho, uma ponta de praia antes da Pedra do Frade, subi no costão e fiquei apreciando a paisagem, o mar, a orla e observando o namoro das ondas com as pedras, que frequentemente acabava em água para o alto. Aproveitei para meditar ao som deste romance . Depois, ao passar pela Pedra do Frade, fiquei admirando-a por algum tempo e também a vista a partir dela . Segui pela praia para Imbituba, sendo que para cruzar o morro que separava a Praia do Sul de Itapirubá da Praia do Norte, um pescador de cabelos brancos que estava no meio do costão, explicou-me como eu fazia para pegar a trilha por entre as rochas e subir até o topo, conseguindo assim ir para o outro lado e também podendo apreciar uma vista magnífica . Após esta travessia, andei por uma longa praia, vendo guindastes do Porto de Imbituba ao longe, aproximando-se conforme eu progredia. Em Imbituba fiquei hospedado no Hotel do Rabuja (Maurício, carioca que lá morava com a família e trabalhadores estrangeiros) por R$ 25,00 a diária paga em dinheiro. O quarto ainda estava em arrumação para a temporada e os colchões estavam amontoados. Não havia chuveiro funcionando, mas eu pude usar o banheiro da casa principal para tomar banho. Não havia roupa de cama completa, mas eles me arrumaram uma colcha, além do lençol que lá estava. Foi uma noite bem aceitável, quase sem mosquitos. Comprei pão e chuchu por R$ 3,47 no Supermercado Althoff e um pão de milho na Padaria Nara por R$ R$ 5,50, tudo no cartão de crédito. Na padaria as atendentes foram muito gentis :'> e me deram informações sobre o trajeto que eu pretendia fazer, dizendo que não era viável ou possível ir pela praia caminhando desde ali até Garopaba e que eu precisaria ir pela estrada até a Ribanceira ou depois da Lagoa do Ibiraquera. Para as atrações de Imbituba veja http://turismo.sc.gov.br/cidade/imbituba e http://www.guiaimbituba.com.br/turismo. Os pontos de que mais gostei foram as paisagens vistas a partir dos morros , a paisagem vista a partir do Farol da Vila , as praias e o Museu da Baleia Franca . Na 3.a feira 17/11 comecei o dia indo até o trecho final da Praia da Vila e descobri que havia um farol no morro que ficava em sua ponta. Após me informar sobre condições da trilha e tempo de percurso decidi ir até lá e pude desfrutar de uma vista muito bela para o mar e parte da orla . O farol em si e a vista do porto a partir da trilha também me pareceram interessantes. Depois, antes de rumar para Garopaba, fui visitar o Museu da Baleia Franca (http://www.baleiafranca.org.br/oprojeto/oprojeto_museu.htm), que achei muito interessante, principalmente pela parte histórica, biológica e pelos objetos expostos de baleias e de sua caça no passado . Após sair do museu, com uma leve garoa e bastante vento, fui andando pela praia até o limite do porto e comecei minha caminhada para Garopaba ou até onde desse. Conversando com um pescador que encontrei na praia, este me disse que era possível ir até a Ribanceira por trilhas pela praia. Resolvi acreditar nele e tentar e ele tinha razão. Fui sem grandes problemas, podendo ver praias desertas magníficas ::otemo::, com vistas espetaculares do alto dos morros . Ao chegar na Ribanceira perguntei se era possível atravessar a Barra do Ibiraquera alguns quilômetros à frente, pois a maioria me havia dito que naquele momento não era, porque estava fechada para pedestres. Eles confirmaram que não daria, mas que havia um povoado lá em que poderia passar a noite se não conseguisse a travessia. Fui caminhando pela praia até lá e, ao chegar, perguntei a um ciclista local, que me disse que era possível sim. Perguntei a policiais numa viatura e eles disseram que haviam visto pescadores no meio da barra no dia anterior. Resolvi tentar e a água chegou ao joelho no máximo. Percebi que os policiais ficaram esperando para ver se não ocorria nada errado comigo na travessia. A paisagem dali pareceu-me muito bonita . Havia muito vento e pessoas praticando kite surf. Atravessei ainda um costão, também com vista magnífica e cheguei à Praia do Rosa, onde, após conversar com surfistas e caminhantes, decidi passar a noite, depois de tomar um banho de mar. Fiquei hospedado no Praia do Rosa Hostel por R$ 40,00 a diária com cartão e crédito, com direito a cama num quarto coletivo e café da manhã. As instalações do hostel pareceram-me boas e o atendimento foi muito cordial (os donos eram argentinos e me emprestaram até uma toalha fora do padrão), porém houve muitos mosquitos durante a noite ::essa::, o que fez o sono ficar um pouco comprometido. Durante a noite pegou fogo numa propriedade próxima e houve um pouco de agitação. Como vi que estava tudo sob controle resolvi nem levantar. Comprei pepino, 2 maças, cenouras, abobrinhas, beterrabas e pão de batata por R$ 6,44 com cartão de débito na Quintana E Weber. Para as atrações da Praia do Rosa veja http://www.praiadorosa.tur.br. Os pontos de que mais gostei foram as paisagens ::otemo::, a praia , a lagoa e as trilhas . Na 4.a feira 18/11, após um simples e bom café da manhã, desci para a Praia Rosa Norte por uma trilha com bonita vista e passando por uma lagoa, que muito me agradou . Daí rumei para Garopaba. Meu objetivo inicial era a Guarda do Embaú, mas se mostrou inviável. As trilhas até a Praia da Ferrugem foram muito boas :'>. Estavam bem indicadas, bem cuidadas e proporcionavam belas vistas. Quando cheguei na ponta da Ferrugem, perguntei ao Chico, experiente habitante local, se era possível ir pela trilha até a Praia do Silveira e ele disse que dependeria de como eu conseguiria enfrentar algumas dificuldades na trilha no costão. Alguns surfistas ao lado disseram que não dava, que inclusive já havia morrido gente lá, mas eu lhes falei que iria tentar e, se não conseguisse, voltaria. Várias outras pessoas haviam me dito que não era possível, mas a resposta do Chico estimulou-me a tentar. Fui até um local em que o costão ficou muito íngreme e que avaliei que teria que escalar. Então desisti e resolvi voltar. Quando falei com ele na volta, uma mulher me disse que aquele local chamava-se Saco das Cobras e que realmente era necessário escalar uma parte. Então indicaram-me como ir pelo Caminho do Rei, passando por um condomínio. Ao chegar lá, o porteiro do condomínio orientou-me sobre qual estrada seguir na saída e consegui pegar o caminho para a Praia do Silveira. A vista do alto foi muito bela . Depois de atravessar o condomínio e descer a estrada perguntei a um casal como fazia para chegar à praia e me indicaram uma pequena trilha de terra passando por uma porteira. Passei ainda ao lado de uma lagoa, cheguei à praia, pedi a um casal de Foz do Iguaçu que olhasse minhas roupas e tomei um banho de mar. Daí caminhei por toda a praia e perguntei aos locais como atravessar o morro para Garopaba. Disseram-me que existia uma trilha, mas não era bem demarcada e era necessário guiar-se pelas cercas e marcações naturais no terreno. Fiz isso e cheguei até o costão, onde cruzei com 2 rapazes locais que me disseram que os proprietários haviam proibido de passar por cima e era necessário ir pelo costão uma parte e depois decidir se desejava ir até o fim pelo costão ou pegar uma trilha no meio da mata, após passar a última cerca da casa (ou fazenda) que lá existia. A vista durante todo este trecho agradou-me muito . Decidi ir pela trilha pelo meio da mata, pois o costão me pareceu não tão fácil e longo (um dos rapazes disse-me que o nível de dificuldade do costão não era alto). Demorei algum tempo até encontrar a trilha no meio da mata, se é que a encontrei. Mas depois de muito tentar vários caminhos diferentes, ir e voltar algumas vezes, consegui atravessar as árvores e vi Garopaba do alto e as praias ao redor. Esta vista também me pareceu muito bonita . Desci na primeira praia depois do costão, Praia do Vigia, e tentei ir pelo costão até Garopaba. No meio do caminho encontrei Celso, um morador local que havia construído uma jangada de bambu e a guardava em uma pequena caverna no costão. Ele me deu informações e me falou que se eu não quisesse ir até o fim pelo costão, logo adiante havia uma saída para uma trilha que acabava na estrada. Como o mar estava um pouco bravo resolvi pegar esta trilha e ir para a estrada. Ao chegar visitei a antiga Igreja Matriz de São Joaquim, que estava interditada para restauração, a Gruta Nossa Senhora de Lourdes e tomei um banho de mar. Fiquei hospedado no Hostel Cidade Baixa, por R$ 40,00 a diária, com direito a uma cama e café da manhã. Fiquei só no quarto e pude usar a televisão da sala e a geladeira. Lá havia um cachorro labrador preto chamado Chumbo que pareceu gostar de mim :'>. Comprei pão por R$ 2,55 no Supermercado Silveira (http://www.supersilveira.com.br) e chuchu, laranja e doce de leite por R$ 3,19 no Supermercado Althoff. Paguei tudo com cartão de crédito. Para as atrações de Garopaba veja http://www.garopaba.sc.gov.br/turismo/item/Atrativos e http://www.guiasantacatarina.com.br/garopaba. Os pontos de que mais gostei foram as paisagens , as praias, a Cachoeira do Siriú , as dunas e as montanhas ao fundo . Na 5.a feira 19/11 comecei o dia com um banho de mar, fui conhecer a igreja matriz nova e pedi informações no escritório de turismo da praça principal, onde uma gaúcha deu-me informações variadas e me disse que o Parque Estadual do Tabuleiro estava fechado, fato que me fez desistir de ir a ele. Fui até a praia e segui em direção à Guarda do Embaú. Logo de início reencontrei o Celso, que estava com Dedé e outros amigos pescadores, e me cumprimentou. Conversamos um pouco sobre a minha caminhada do dia que começava e nos despedimos. A seguir reencontrei o casal de Foz do Iguaçu, que me disse que havia trilha a seguir sem problemas. Segui pelas Praias do Siriú, que estavam em boa parte desertas e pude apreciar suas dunas enormes . Ao término perguntei a uma moça e seu marido se havia trilha para a Gamboa. A moça primeiramente me disse que não e que eu deveria ir pela estrada, mas quando o marido chegou disse-me que existia uma trilha pelo morro (disse que a trilha pelo costão estava abandonada) e que talvez estivesse com muito mato, mas era possível segui-la. Fui tentar, mas quando o mato começou a tomar conta da trilha eu a perdi, mas continuei tentando reencontrá-la. Como conclusão eu me perdi no meio do mato . Fiquei ali por uma meia hora perdido até encontrar a saída. Quando estava voltando para ir pela estrada, vi uma bifurcação na trilha e resolvi experimentar ir pelo outro ramo da bifurcação, que originalmente eu não havia pego. Novamente o mato tomou conta da trilha, mas desta vez eu não me perdi (porque o mato ficou muito alto) e resolvi voltar. Na volta pela estrada vi a placa para a Cachoeira do Siriú e fui conhecê-la. Perguntei a moradores das redondezas se era permitido entrar e disseram que sim. Adorei-a , principalmente pelo calor e por propiciar ótimo local para meditação, que pude fazer. Depois de aproveitá-la, peguei a estrada e fui até a Praia da Gamboa. Lá tomei um banho de mar e rumei para a Guarda do Embaú. No meio da caminhada 2 homens em um jipe ou similar pararam e me disseram para não tentar atravessar o canal que separava a praia do povoado da Guarda, porque a correnteza era muito forte. Disseram-me para tentar pegar carona com um pescador. Como já estava escurecendo, fiquei um pouco preocupado, pois não sabia do canal e estava com a mochila nas costas . Ao chegar lá, alguns surfistas estavam saindo do mar para ir embora e um deles deu uma carona para a minha mochila em sua prancha :'>. Na Gurda fiquei hospedado no Hotel Maria Eduarda, da Conceição, por R$ 40,00 a diária paga em dinheiro. Teria ficado no Camping do baiano, mas ele se irritou quando perguntei se o café da manhã estava incluído na diária mais barata de R$ 25,00 e resolvi ir embora (acho que ele teria me mandado embora se eu tivesse decidido ficar) . Um rapaz ensinou-me como chegar neste camping. Comprei pão, cenoura, pepino, chuchu e laranja por R$ 4,64 no Supermercados Santos (http://www.supersantos.com.br/) com cartão de crédito. Para as atrações da Guarda do Embaú veja http://www.guardadoembau.com.br, http://www.vamosguarda.com/pt/conheca-guarda-embau/atracoes-guarda-embau.html e http://www.feriasbrasil.com.br/sc/guardadoembau/oqueverefazer.cfm. Os pontos de que mais gostei foram as paisagens ::otemo::, as praias e a vista do Pico do Urubu . Na 6.a feira 20/11 fui conhecer o entorno da Guarda do Embaú, que era meu ponto final de caminhada pelas praias. Comecei o dia com um banho de mar (e de canal antes, pois era necessário atravessá-lo para chegar à praia). Perto do canal não achei o mar muito bom para brincar ou boiar, porque seu solo era irregular e tinha zonas fundas entre zonas rasas. Nestas zonas fundas as ondas, que eram muitas, junto com a correnteza, dificultavam a locomoção. Para surf talvez fosse bom, mas para as brincadeiras que costumo fazer com as ondas não foi muito proveitoso, além de demorar para conseguir sair das zonas fundas. Depois fui pelas trilhas do costão no morro próxima à Guarda. Passei pelos costões, pela Prainha, pelo Utopia, pela Praia do Maço e fui até a Praia de Cima da Pinheira. Todo este circuito teve paisagens muito bonitas , em sua maioria de praias desertas (talvez por estar fora de temporada e o tempo não estar totalmente aberto). Dali fui andando pela praia e pelo costão até a Praia da Pinheira de Baixo e segui por uma ampla faixa de areia até a Ponta do Papagaio e a Praia do Sonho. Atravessei para o outro lado da Praia do Sonho e fui até o fim, onde acabou a praia e começou uma ruazinha de terra, onde moradores locais me disseram que ali acabava o caminho e para continuar era necessário pegar a estrada. Para frente não havia trilhas e era área indígena. A próxima parada seria a Enseada do Brito, mas ficou para uma próxima viagem. Voltei pelo mesmo caminho, só que quando cheguei ao fim da Pinheira de Baixo retornei pela estrada. Como cheguei na Guarda perto de 17 horas, informei-me sobre a trilha para o Pico do Urubu e lá fui. Gostei muito da vista lá de cima , alcançando boa parte da orla, a Praia da Guarda e da Gamboa mais ao longe e a vegetação, além do lindo mar. Ainda fui à Prainha novamente, só que desta vez pela trilha por dentro do Morro e fiquei lá apreciando a paisagem por algum tempo . Reencontrei o rapaz que me havia ensinado onde era o camping do baiano e ele disse que eu deveria estar achando aquilo um paraíso, visto que morava no meio da loucura de SP :D. Comprei cenoura, pepino, chuchu, laranja e goiabada por R$ 7,98 no Supermercados Santos com cartão de crédito. No sábado 21/11, depois do banho de mar e de canal, peguei um ônibus da empresa Paulotur (http://www.paulotur.com.br) para Florianópolis por R$ 14,00 pagos em dinheiro, que levou cerca de 1 hora. Achei a paisagem muito bonita ::otemo::, com as praias, a vegetação, as montanhas ao lado e a parte urbana das cidades, incluindo a Ponte Hercílio Luz. Em Florianópolis, no Terminal Urbano Velho (a cerca de 1 km da rodoviária, perto do Mercado) peguei um ônibus para São Bonifácio, cidade na parte de trás da Serra do Tabuleiro. A empresa era TCL (http://www.transportescapivari.com.br) e paguei R$ 20,25 em dinheiro. A viagem levou cerca de 3 horas, com um trecho imprevisto de lentidão na estrada de cerca de 30 minutos. Achei a paisagem muito bonita também ::otemo::, que além de ter as praias e a vegetação no início, teve também a serra, com cachoeiras no meio das montanhas, vales e toda a mata exuberante ::otemo:: ::otemo::. Em São Bonifácio fiquei hospedado no Hotel da Shirley, com TV, banheiro coletivo e sem café da manhã por R$ 35,00 a diária em dinheiro. A responsável deu-me um mapa com as atrações da cidade. Eu era o único hóspede e fiquei sozinho, sem atendentes. Ela me deu tudo de que eu precisava e foi para sua casa que era próxima, mostrando-me onde era caso eu precisasse de algo. Comprei pão de milho e pão de chocolate na padaria em frente ao Mercado Buss por R$ 6,70 em dinheiro, queijo minas frescal no Mercado Buss por R$ 2,45, doce de morango por R$ 4,95 no Mercado São Bonifácio e banana, laranja, cebola e chuchu no Mercado Hawerroth (https://www.facebook.com/MercadoHawerroth) por R$ 2,35, estes 3 últimos com cartão de crédito. Após conversar e me informar com funcionárias do hospital e o pastor da Assembleia de Deus, cujo templo seria inaugurado no dia seguinte, aproveitei o fim da tarde para conhecer as igrejas católica, luterana e Assembleia de Deus, a praça, a gruta do centro, o antigo seminário (atual hospital) e ir até o morro onde ficava a torre com uma antena de transmissão (que disseram ser a Torre da Tim), cuja vista muito me agradou ::otemo:: e em que parei alguns instantes para meditar. Ainda fui ver a praça e a igreja matriz à noite iluminadas. Para as atrações de São Bonifácio veja http://saobonifacio.sc.gov.br/turismo/item/Atrativos, http://turismo.sc.gov.br/cidade/sao-bonifacio e http://www.cidadedesaobonifacio.com.br/PontosTuristicos. Os pontos de que mais gostei foram a Cachoeira do Capivari ::otemo::, a Serra do Tabuleiro ::otemo::, as paisagens ::otemo::, a mata ::otemo::, as casas de enxaimel ::cool:::'> e as grutas ::cool:::'>. No domingo 22/11 fui conhecer os arredores da cidade e seus atrativos naturais. Saí com um sapato arrebentado para enfrentar as trilhas e estradas de terra, o que pode ter causado algum estranhamento na população. Comecei andando pela rodovia cerca de 10 Km até o Parque Municipal, onde ficava a nascente do Rio Capivari e a Gruta São José, de que gostei muito pelo contato com a natureza e sua integração entre esta e o local religioso ::cool:::'>. No caminho passei pelo pórtico, por outras grutas, como a Gruta Bom Pastor ::cool:::'>, e uma outra dentro de um restaurante, cujos donos me permitiram visitar. O caminho em si, todo rodeado de propriedades rurais, rios, montanhas e mata pareceu-me muito belo ::otemo::. Na volta, após andar um pouco entrei numa estrada lateral para conhecer casas de enxaimel, mas só fui até a do delegado, que era de enxaimel em dois andares, porém era recente, pois as outras eram bem mais longe. Nesta estrada havia paredões de rocha num trecho, que achei interessantes ::cool:::'>. Voltando à rodovia, fui até a estrada que ia para a Cachoeira do Capivari. Após perguntar para várias pessoas e quase desistir, consegui falar com uma moradora bem próxima do local, que me disse que o acesso era livre e me ensinou por onde entrar. Achei a cachoeira espetacular, com seus vários patamares e seus inúmeros pontos de hidromassagem natural ::otemo::. Era possível subir por um longo trecho por trilhas laterais e apreciar a beleza de vários pontos e sob vários ângulos. Fiquei lá bastante tempo só e, somente quando já estava indo embora, chegou um casal. Depois voltei para a rodovia e fui até a estrada que ia para a Serra do Tabuleiro, em cujo começo havia uma casa de enxaimel de 1915 ::cool:::'>. Pedi informações a moradores locais e me disseram que era possível ir até o fim da estrada e depois pegar uma trilha para se chegar até o topo da serra, porém isso levava cerca de 4 horas. Era inviável para mim, porém decidi ir até o fim da estrada para apreciar a paisagem, de que realmente gostei muito ::otemo::. Após voltar, pegando a rodovia novamente, saí em outra estrada em direção à Cachoeira do Cedro. Consegui informações com passantes locais e cheguei à cachoeira, que me pareceu interessante, mas bem menos espetacular que a do Capivari. Mesmo assim, gostei e pude aproveitar as quedas de água para hidromassagem natural ::cool:::'>. Após sair de lá ainda andei pela estrada um pouco mais por subidas para apreciar a vista da mata. Depois voltei para a rodovia e, quando estava chegando na entrada da cidade, uma viatura policial parou-me para averiguação. Os sargentos Gonzaga e um nome parecido com Zot disseram que várias pessoas haviam telefonado sobre um andarilho desconhecido, pediram meus documentos e fizeram a verificação de meus antecedentes e até pediram para um atendente remoto entrar na minha página pessoal na Internet para verificar as informações. A abordagem foi com respeito e sem problemas. No final me liberaram e pediram que eu entendesse que era uma cidade pequena de colonos alemães que estranhavam pessoas desconhecidas. Imagino que o sapato contribuiu para isso ::lol3::. Antes de dormir ainda acenei para a viatura que passava, mostrando onde estava hospedado. Na 2.a feira 23/11, como não havia ônibus para São Martinho e como a distância era de cerca de 50 Km, decidi ir caminhando para poder apreciar a paisagem da serra e os vilarejos. Após despedir-me da encarregada do hotel e de passar na casa de produtos coloniais para tentar comprar um pão de milho, sem sucesso porque só abria de 5.a ou 6.a feira a domingo, peguei a estrada rumo a São Martinho. Gostei muito da paisagem na estrada, principalmente pelas montanhas, mata e vistas de pontos elevados ::otemo::. Garoou um pouco, mas nada que comprometesse o passeio. Passei em alguns povoados que tinham bonitas e grandes igrejas e em Vargem do Cedro, onde também havia grutas ::cool:::'>. Havia duas possibilidades de caminho e a maior parte das pessoas me disse que por Vargem do Cedro era mais curto e foi por onde eu fui. Entrei na Fluss Haus, um estabelecimento turístico de origem alemã, para tentar comprar um pão salgado, posto que sentia minha pressão ter caído. Porém só havia pães doces e eu não quis. Depois fui a uma gruta indicada na estrada e quando voltei uma viatura policial veio ao meu encontro novamente para fazer averiguações. Eram os sargentos Silva e Santos, que fizeram uma abordagem correta, sem nenhum problema. Disseram que a camisa rasgada (a mochila a rasga nos ombros) não combinava com minha história e que eu não devia ficar "invadindo" casas. Imagino que eles se referiram a Fluss Haus, que deve ter sido quem os chamou. Depois de eu lhes explicar e verificarem tudo, novamente falaram que o pessoal destas localidades pequenas não está acostumado a estranhos, ainda mais vestidos como eu. Disseram que iriam avisar todos os outros da minha pessoa, para que não fosse mais parado pela polícia e me indicaram alguns pontos turísticos no resto do caminho. Acho que o sapato colaborou novamente para chamarem a polícia. Acho que não peguei exatamente a bifurcação de que os policiais falaram, mas passei por uma linda cachoeira de que eles haviam falado ::otemo::, dentro de um hotel na estrada. Cheguei a São Martinho perto de 18 horas. Lá fiquei hospedado no Hotel Sumaré, cuja proprietária era a Apolônia (lembrou-me até aquele quadro da Praça Brasil). Paguei R$ 30,00 a diária em dinheiro, com direito a TV, uso da cozinha, incluindo geladeira, banheiro externo e sem café da manhã. Comprei pão, chuchu e laranja no Supermercado Warmeling por R$ 5,34. Rodolfo, provavelmente dono do mercado, deu-me bananas caturras que estavam muito maduras, não aceitando que eu pagasse. Comprei ainda doce de uva por R$ 2,35 no Supermercado Michels (https://www.facebook.com/supermercado.michels), ambos pagos com cartão de crédito. Ainda fui dar uma volta pelo centro da cidade, para ver os monumentos e a igreja matriz. O termômetro marcava perto de 15 C por volta de 21 horas, mas me parecia estar mais quente. Para as atrações de São Martinho veja http://www.saomartinho.sc.gov.br/turismo/item/Atrativos e http://turismo.sc.gov.br/cidade/sao-martinho. Os pontos de que mais gostei foram a serra ::otemo::, as paisagens ::otemo::, as cachoeiras ::otemo:: e o Santuário de Albertina ::otemo:: ::otemo::, este já no município de Imaruí. Na 3.a feira 24/11, como havia feito uma bolha no pé e como estava ameaçando garoar, decidi sair de chinelo para ir visitar a Cachoeira Nossa Senhora Aparecida. Andei cerca de 1 hora e com a ajuda de placas e informações das pessoas achei a Cachoeira, logo depois do frigorífico. Os antigos donos estavam lá e me disseram que o acesso era permitido. Gostei dela, com seus dois patamares, embora a tenha achado menos natural que as outras ::cool:::'>. O poço, que em alguns pontos não dava pé para mim, pareceu-me interessante para nadar, apesar da correnteza em alguns trechos. Subir nela não foi difícil e a vista dela a partir de seu meio agradou-me. Havia pontos em que era possível a hidromassagem natural ::cool:::'>. Depois de ficar algum tempo lá, voltei para a cidade e fui conhecer mais detalhadamente a igreja matriz e o Monumento dos Colonizadores ::cool:::'> da praça central. Depois fui tentar achar algum lugar para sacar dinheiro pelo Bradesco. E consegui um correspondente bancário que quase ninguém conhecia, que era a Loja da Deia, no centro. Já depois da viagem, em SP, descobri que teria que pagar a tarifa de R$ 1,50 por este saque, que me disseram que não seria cobrado. Com o saque, consegui dinheiro suficiente para mais uma diária e para as passagens de ônibus até Jaguaruna. Então, passei pela Secretaria de Turismo, em que a própria secretária atendeu-me e me deu informações sobre outros pontos a conhecer. Fui conhecer os pontos que restavam, começando pelo mostruário da fábrica de móveis clássicos Kleiner Schein (http://www.kleinerschein.com.br) ::cool:::'>, passei pelo Santuário de Albertina (http://www.beataalbertina.com/) ::otemo:: ::otemo:: e terminei na Loja de Móveis e Artesanato Menina Cor (https://www.facebook.com/MeninaCor) ::cool:::'>. Gostei muito de ir ao Santuário de Albertina e poder conhecer a história da menina ::otemo:: ::otemo::. Andei cerca de 8 Km até lá, no povoado de São Luiz, já município de Imaruí. Fiquei cerca de 2 horas na igreja principal, no museu, na gruta e no casarão. No museu pedi para a atendente para eu pegar uma moldura em que havia alguns jornais da época e descrições do que havia ocorrido, pois não conseguia ler de longe devido ao tamanho da letra. Ela concordou e eu o levei até o balcão para ler. Aí perguntei a ela se os papéis eram protegidos, pois estava com medo de derrubar alguma lágrima ou secreção do rosto neles, de tanto que a história me tocou :cry:. Achei-a muito triste, mas ela acabou resultando em superação além da morte. A menina parecia tão doce e bonita nos seus quase 12 anos. A suspeita do assassinato e a acusação falsa recaindo sobre o andarilho fizeram-me entender o medo que a população poderia sentir de estranhos como eu. Depois voltei pela estrada, que agora estava com bastante neblina, mostrando uma vista diferente da serra, mas igualmente interessante. No fim do dia comprei pão, chuchu e laranja por R$ 5,80 no Supermercado Warmeling e doce de banana por R$ 2,35 no Supermercado Michels (https://www.facebook.com/supermercado.michels). Ainda fui dar um último passeio na praça à noite e me preparar para pegar o ônibus para Tubarão às 6 horas da manhã do dia seguinte. Para minha sorte, o motorista dormia no mesmo hotel que eu, então pedi a ele que me acordasse após ter tomado banho. Acho que o sapato estourado realmente assustava as pessoas, pois neste dia, com as mesmas roupas, mas de chinelo, ninguém chamou a polícia com medo de mim ::lol3::. Na 4.a feira 25/11 peguei o ônibus da empresa TCL (http://www.transportescapivari.com.br) para Tubarão por R$ 13,15 pagos em dinheiro. A viagem durou cerca de 1 hora. Não havia ônibus direto para Jaguaruna. Em Tubarão ainda fui ao Supermercado Moniari comprar queijos minas frescal por R$ 5,50 o quilo. Gastei R$ 26,88 com os queijos ao todo. Não achei o doce de leite na promoção que havia visto 2 semanas antes. Ao passar pela Padaria Itália ainda comi 2 cucas de despedida, uma de coco e outra de leite condensado com chocolate ::otemo:: por R$ 4,00 com cartão de crédito. Ao comprar a passagem rumo ao aeroporto, o atendente me disse que com o tempo naquelas condições o voo não conseguiria sair de Jaguaruna. :o Por volta de 11 horas peguei o ônibus para o Trevo do Sangão, que era o ponto mais próximo do aeroporto em que os ônibus passavam. Fui pela empresa Alvorada, paguei R$ 9,75 em dinheiro e a viagem durou cerca de 20 minutos. De lá andei cerca de 6 Km até o aeroporto. Quase chegando lá derrubei um queijo sem ver, mas depois voltei para refazer o caminho e o encontrei logo na entrada do estacionamento do aeroporto. Assim que entrei no aeroporto e fui ao banheiro trocar de roupa, o atendente da TAM disse que já poderia me atender e, quando perguntei sobre a possibilidade de cancelamento do voo, disse que no dia anterior havia sido cancelado depois de 2 semanas sem cancelamento e que se eu quisesse poderia ir para Florianópolis por conta própria antes do voo e pegar outro ou esperar o cancelamento, se isto ocorresse, e a TAM veria qual o melhor procedimento a tomar (transferência para Florianópolis ou hospedagem em Tubarão). Enquanto esperava o voo, pedi a uma moça da loja Domy's Coffee & Tea para usar a mesa para comer um lanche que eu tinha trazido. Ela concordou e me ofereceu gratuitamente café ou algo para tomar para acompanhar o lanche, o que delicadamente eu recusei. Apesar das nuvens e do tempo não tão bom, o avião que vinha de SP desceu e o voo foi mantido. Devido às nuvens não foi possível apreciar a paisagem tanto quanto na ida, mas deu para ver alguns trechos. O voo saiu e chegou dentro do horário previsto.
  15. Julinho, Claro que eu sou maluco! Mas sou feliz! Otávio, Eu não levo máquina fotográfica comigo. Por isso eu tento colocar links na descrição, para que os leitores possam ver imagens profissionais dos locais. Até onde eu sei ainda não há tecnologia para extrair as fotos do meu modelo de máquina, cujas lentes são os olhos, o armazenamento fica no cérebro e o contexto fica na alma.
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