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Schumacher

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Schumacher venceu a última vez em Abril 13 2018

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Sobre Schumacher

  • Data de Nascimento 29-12-1986

Bio

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    Biólogo e blogueiro

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  1. Olá, obrigado! Não calculei o custo total, mas disponibilizei todos os valores nas moedas locais, para que você possa somar o que lhe convém.
  2. Olá! Escrevi sim, está disponível na Amazon: https://www.amazon.com.br/dp/B07VGFL2P5/ Minha mochila tinha entre 10 e 11 kg durante a jornada. Levei um filtro portátil de água da marca Sawyer. Disponha
  3. Fala, galera! Esse é o resumo de um mochilão de 50 dias pelos Bálcãs e Império Austro-Húngaro entre outubro e dezembro de 2019. Quem quiser saber mais sobre cada um desses lugares ou sobre os mais de 100 países que já conheci, acessa meu blog de viagem: Rediscovering the World Dia 1 Aproveitando mais uma baita promoção do site Melhores Destinos, paguei milão (980 reais, pra ser mais preciso) em uma passagem de ida e volta com a TAP de Guarulhos para Milão, comprando com 9 meses de antecedência. Em 16 de outubro de 2019, peguei minha mochila média e parti de Floripa com a Azul. Consegui aproveitar um pouco a sala VIP da Smiles antes de seguir para o embarque internacional na cia portuguesa. Dia 2 Dormi pouco, pois o assento quase não reclinava. Após brevíssima conexão com imigração em Lisboa, continuei até Milão-Malpensa. Primeiro comprei um rango no Carrefour do terminal 1, pegando em seguida o ônibus gratuito para o terminal 2. Lá, passei um tempo (ao menos o wi-fi é liberado) e tentei dormir num dos bancos, mas não deu muito certo. Dia 3 Às 6 da madrugada, pesquei durante todo o voo de EasyJet até a ilha grega de Míconos, por 42 euros. Ao desembarcar, segui a pé até a cidade de Chora, a principal. Passei por diversas locadoras de veículos até chegar ao moinho de vento que fica em um mirante, de onde se vê a bela cidade toda de branco no litoral abaixo. Caminhei em suas agradáveis vielas decoradas até atingir o albergue MyCocoon. Fiquei hospedado em um quarto modular de 32 camas (!), por 90 reais a diária. Como logo percebi, Míconos é uma ilha bem cara. Sem sucesso em achar um almoço, parei no Sakis, uma lanchonete de "gyros", que é o lanche típico grego (pão pita, carne de porco desfiada, batata-frita, tomate, cebola, molho "tzatziki"). Comi um grande com 4 euros. À tarde, peguei um ônibus do terminal de Old Port até a praia de Elia (2,3 euros) e à vizinha Agrari. Mar bonito, além de serem praias de nudismo. No final da tarde, aguardei o pôr do sol entre a cópia de Veneza (Little Venice) e o conjunto de moinhos em frente ao mar. Jantei o mesmo do almoço e passeei mais um pouco nas ruas movimentadas. Enquanto relaxava em minha cama, ocorreu uma cena inusitada: um cara vomitou continuamente quase ao meu lado. Passada a nojeira, a ocasião serviu para que eu conhecesse o pessoal do albergue, muitos deles latino-americanos, e até uma brazuca. Dia 4 Se não bastasse o episódio do vômito, ainda rolou um show sonoro de sexo no quarto. Peguei o barco das 10h até a ilha de Delos (20 euros ida e volta). Meia hora depois, desembarcamos. A entrada do enorme sítio arqueológico, Patrimônio da Humanidade, custa mais 12 euros, mas vale o investimento. Passei 3 horas explorando ruínas preservadas de templos religiosos, moradias e prédios públicos, na ilha que atualmente é quase desabitada, embora tenha sido um importante centro comercial e religioso no último milênio antes de Cristo. Também há um museu que guarda as peças aqui encontradas. Ranguei e depois peguei no terminal de Fabrika um ônibus para a praia de Paragas (1,8 euros). Essa praia também não me chamou a atenção, já que o tempo estava nublado, mas como encontrei a brasileira Carol, fomos caminhando pelo costão até a praia Paradise. O som rolava solto nos dois clubes de praia que estavam abertos, mas não havia tanta gente naquele final de tarde em fim de temporada. Escolhemos o Tropicana para tomarmos uns drinques (2 por 16 euros no happy hour) e curtirmos os sons, em maioria latinos. Ao deixar a praia à noite, compramos no minimercado uma garrafa de 2 litros de vinho por 10 euros, para tomarmos logo mais. Antes disso, jantamos no restaurante vazio Salt&Sugar, onde fiquei com uma pizza por 10 euros. Nos juntamos ao pessoal do albergue e ficamos até umas 4 da madrugada conversando e bebendo coisas estranhas, como "ouzo", a bebida grega ruim à base de anis. Dia 5 Acordei meio zonzo a tempo de fazer o check-out, comi qualquer porcaria e peguei o "ônibus aquático" do porto velho ao porto novo, onde às 13:45 h eu embarquei na gigantesca e confortável balsa da GoldenStar com destino ao porto de Rafina, próximo a Atenas. O translado custou 29 euros. Cinco horas depois foi a chegada. Imediatamente, peguei um ônibus para a capital grega, por 2,6 euros. Em cerca de meia hora, desci na estação de metrô Nomismatokopio, onde peguei as conduções até a parada Akropoli. Um bilhete custa 1,4 euros, mas se você comprar em maior quantidade, esse valor diminui. Cansado de comer "gyros", pedi uma salada de 4,5 euros na lanchonete Everest. Depois, fui até o albergue da vez: Athens Backpackers. Paguei 19 euros por diária num quarto de 6 camas com banheiro privativo e café, mas a qualidade do conjunto deixou um pouco a desejar. Dia 6 Um fato tragicômico aconteceu nessa madrugada. Como havia uma cama livre quando fui dormir, roubei o travesseiro porque um só não era suficiente pra mim. Só que alguém chegou no meio da noite, e ficou sem o travesseiro. Quando acordei, vi que era o Léo, brasileiro que conheci em Míconos. Que coincidência! O café da manhã até que foi decente. Depois me despedi do Léo e segui ao primeiro cemitério da Atenas moderna, onde vi uns mausoléus. Em seguida, entrei num dos muitos sítios arqueológicos de Atenas, que fazem ela rivalizar com Roma. O ingresso múltiplo para várias dessas atrações é de 30 euros. Olympieio é um desses sítios. Apresenta algumas colunas gregas inteiras e banhos romanos, mas não mais que isso. O que visitei em seguida teve um gosto especial para um amante dos esportes como eu. Por 5 euros (incluso audioguia), ingressei no estádio Panatenaico. É um estádio antigo erguido todo em mármore, berço das Olimpíadas modernas. Também conta com as tochas dos jogos em seu pequeno museu. Comi um salgado e tomei um bagulho numa lanchonete, seguindo por dentro dos jardins nacionais, não muito interessantes, até o Lykeion. Uma pena que aqui seja pobre em artefatos, pois é nada menos que a escola de Aristóteles, um dos maiores pensadores da humanidade. Passei em frente às construções imponentes do palácio presidencial, parlamento e catedral metropolitana. Fiz uma boquinha num supermercado e subi o morrinho até o Areopagus, de onde admirei o pôr do sol, entre a Acrópole, a Ágora e as construções menos antigas de Atenas. Peguei uma salada e segui pro terraço panorâmico do albergue. Dia 7 Tomado o café, segui norte aos demais sítios arqueológicos: ágora romana, biblioteca de Adriano, ágora ateniense e Kerameikos. O primeiro é uma área de comércio baseada num fórum romano, a segunda continha os pergaminhos, mas atualmente só restaram paredes e algo a mais. Já a ágora ateniense é uma área maior e com mais detalhes. Destaque para o conservado templo de Hefestos e para a estoa de Átalo. Em Kerameikos fica a entrada principal da Atenas antiga, um cemitério da época e muitos jabutis. Entre essas visitas, passei por várias lojas em Monastiraki e almocei uma saborosa mussaca (prato típico que é uma lasanha com berinjela, carne e batata) no restaurante Kyklamino, por 6 euros. Cheguei na entrada da Acrópole às 15:45 e lá fiquei até fechar às 18 horas. Em suas encostas há algumas estruturas interessantes, como o Odeão de Herodes, mas o que restou no topo da cidadela religiosa dedicada à deusa Atena me deixou um pouco decepcionado. Há basicamente o grande Parthenon, em obras, e mais duas estruturas em pé - o resto foi destruído nas invasões. A vista lá de cima é excelente; dá para ver praticamente todos os pontos de interesse da capital. Para uma vista da própria Acrópole, subi rapidamente a colina Filopapo, antes que o sol baixasse no horizonte. Desci e parei para jantar outro "gyros", dessa vez no Ath Souvlaki, por 4,3 euros na versão grande. Aqui a adição de salsinha e páprica deram um gosto a mais. O albergue tava morto nessa noite, então fui dormir relativamente cedo. Dia 8 Acordei cansado. Visitei 3 museus nesse dia, começando pelo museu da Acrópole (10 euros). É onde ficam todos os achados arqueológicos do tal lugar; interessante. Na rua que passa em frente à entrada da Acrópole, há diversas barracas que vendem ímãs por um bom preço, a partir de 30 centavos de euro! Garanti o meu. De última hora, mudei de ideia. Entrei no museu Herakleidon (Eureka). Custa 7 euros, e sua temática é a tecnologia desenvolvida pelos gregos. Peguei o metrô até uma região mais ao norte, onde já foi possível ver o contraste com a área mais turística. Pelo avançar da hora, peguei uns salgados e um suco no caminho e caminhei até o museu nacional arqueológico (10 euros no verão e 5 no inverno). Ali fiquei até a noite, vendo seus inúmeros e variados artefatos, com ricas descrições históricas. Comprei mais um rango num supermercado e voltei ao Athens Backpackers. Dia 9 Na praça Syntagma, peguei o ônibus direto ao aeroporto (6 euros). Cinquenta minutos depois, entrei nele e fui para o embarque no rápido voo de 39 euros com a Volotea até Heraclião, capital da enorme ilha de Creta. Ao desembarcar, retirei o Punto reservado na AbbyCar. Foram 214 reais para 4 diárias. Guiei até o palácio de Knossos. Custa 15 euros o acesso a só esse sítio arqueológico, ou com 1 euro a mais, ao museu que fica em Heraclião. Aqui funcionava o maior palácio da civilização minoica, anterior à grega. Também é onde se acredita que fique o mítico labirinto do Minotauro. Esse sítio turístico é mais interessante por causa da restauração exagerada feita quando foi escavado, há quase um século. Assim, há bastante cor. Parei num supermercado pra comprar uns mantimentos, antes de pegar a rodovia até Malia, onde há outro sítio arqueológico. Esse, sem turistas, custa 6 euros e tem atributos diferentes do anterior. Com o céu já escurecendo, cheguei a Agios Nikolaos. Dei uma olhada ao redor da cênica Laguna e depois comi um "gyros" de falafel no Pizza Uno Gyros, por 4 euros. Fiquei hospedado no decente apart hotel Ammoudara Beach Hotel, na mesma cidade, por 26,5 euros. Dia 10 Dia longo, tanto que eu não fiz refeição alguma, só comi no caminho o que eu já tinha comprado. Tirei uma foto na praia Voulisma, conhecida como praia dourada. Tem um mar bonito, mas estava quase sem faixa de areia. Logo mais, embora não pretendesse adentrar outro sítio minoico, acabei visitando Gournia (2 euros), pois a "arquitetura" era diferente. Prossegui entre o litoral e a serra, parando algumas vezes rapidamente. Só nesse caminho que descobri que toda porção leste de Creta faz parte de um geoparque, então há uma infinidade de atrações geológicas. Já era quase meio-dia quando cheguei ao vilarejo da garganta Richtis. Como decidi percorrer a trilha pela parte de baixo, tive que descer uma via estreita e sem proteção que serpenteia o desfiladeiro. A trilha em si é agradável, sempre ao redor de um curso d'água, vegetado até mesmo com plátanos. Parei na fascinante cachoeira de 20 metros. Regressei, dei carona pra uns alemães morro acima, e continuei pro leste. Passei pela cidade de Sitia, por uma ou outra praia, até chegar ao monastério de Toplou. É gratuita a visita da construção de pedra, que conta com um acervo de obras. O sol já estava quase se pondo quando cheguei ao fim da terra a leste, na praia Vai, famosa pela floresta de palmeiras. Não havia uma alma viva lá. Assim que o dia terminou, eu ainda precisei dirigir por 3 horas e meia até chegar ao hotel que eu havia pago, no lado sul da ilha! E olha que estava cheio de radares no trajeto. O hotel foi o também completo Dimitris Villa, no qual paguei 26 euros pela suíte com café da manhã incluído. Ao chegar, devorei o resto de um pote de Nutella que deixaram numa mesa exterior, tomei um banho e capotei. Dia 11 Café da manhã agradável na beira da piscina. Fiz o check-out e fui à praia da Matala. Do lado direito ficam tocas escavadas no morro de calcário - antigas tumbas romanas. Já do esquerdo, sobe-se um caminho que leva à Red Beach. Não é fácil chegar, mas a cor da areia dourada e do mar azul-esverdeado compensam demais. O visual de cima é irado. Até encontrei um sítio fossilífero aqui. Peguei a estrada, em seguida, até Agios Pavlos. Em frente à praia Finikidia, paguei 5 euros pra comer um tal de "dakos", um tipo de brusqueta grega. Subi a escadaria até a divisão entre essa e a praia de Cape Melissa. Além de dunas cinzentas, há formações rochosas impressionantes ali. Passei um bom tempo as fotografando. De volta à estrada, tive que abastecer o carro num dos caros postos que cobram acima de 1,6 euros por litro. Passei por uma ou outra igreja velha e atravessei a ravina de Kourtaliotiko, onde uma ventania sem fim começou. Como a praia de Preveli, onde há palmeiras e um rio, já estava na sombra, prossegui até Plakias, para admirar o sol se pôr no mar. Jantei um prato de sardinhas grelhadas e acompanhamentos por 8,5 euros + uma cerveja Mythos 0,5 l por 3 euros, isso no restaurante Το Ξεχωριοτό, em frente ao mar. Ainda parei num supermercado, antes de me retirar na hospedagem do dia, o Elena Rooms (25 euros). Assim como os anteriores, também é um quarto completo. A outra coisa em comum é o sinal de wi-fi: sempre fraco onde estou. Dia 12 Se eu morasse aqui botaria uma turbina eólica na casa - o vento não deu trégua a noite toda. Ao menos dormi bem, e ganhei uma hora a mais por causa do fim do horário de verão. Esse dia teve as estradas mais cênicas, pelo alto dos morros contornando o litoral, bem como pela garganta de Imbros. Visitei ainda o forte do século 14 de Frangokastello, da época em que os venezianos dominavam Creta. Paga-se 2 euros para acessar seu interior quase vazio. No começo da tarde, passei um tempo na bela praia de Falassarna. Já o final da tarde, foi na Elafonisi, famosa por ter areia rosada (quase não dá pra perceber). Fica em uma península calma que contém uma restinga preservada com espécies endêmicas. Antes de ver o pôr nessa última praia, adentrei o monastério de Chrysoskalitissa. A construção é interessante e há um museu dentro, mas é cobrado uma entrada de 2 euros. Já escuro, retornei o caminho até o vilarejo de Kefali, onde fiquei com um flat reservado pelo AirBnb. Jantei na única taverna disponível, pagando 6 contos num prato de comida e 3 na cerva. O difícil é apreciar a refeição, já que os gregos não vêem problema algum em fumar em ambientes fechados - fato que se repetiria nos países seguintes - onde inclusive os funcionários fumam enquanto preparam a comida ou atendem os clientes. Dia 13 Peguei o caminho de volta ao aeroporto de Heraclião, parando em alguns pontos interessantes ao longo do trajeto. Subi a sagrada caverna de Agia Sophia. Felizmente, não se cobra entrada e você pode caminhar à vontade dentro dela, sem guia. Há um monte de pombos e espeleotemas. Almocei com vista pro bonito Lago Kournas, o único de Creta. Uma mussaca saiu por 6,5 euros. Muitos quilômetros adiante, entrei na capital Heraclião, apenas para visitar seu museu arqueológico. Graças ao feriado do Dia do Não (quando a Grécia recusou ajudar a Itália na Segunda Guerra Mundial; por consequência, esta entrou em guerra com a outra), a entrada estava liberada. É um baita museu, repleto de antiguidades de Creta, com destaque para o período minoico. Devolvi o carro no aeroporto, em seguida. Em frente, peguei um ônibus até a capital (1,2 euros). Lá, comprei o bilhete para a viagem de 2 horas e 45 minutos até Chania (15,1 euros). Pena que não deu tempo de conhecer o litoral de Heraclião, cheio de fortificações venezianas, pois o ônibus só sai uma vez por hora, e o sol já estava se pondo. Ao chegar em Chania, fui caminhando até o Cocoon City Hostel. Me hospedei lá por 16 euros num quarto coletivo de 3 beliches. Dia 14 No café da manhã (5 euros), conheci uma brasileira e um brasileiro. Fiquei conversando um pouco com eles, antes de sair a explorar Chania a pé. A agradável orla fortificada foi erguida pelos venezianos no século 16, quando ocupavam Creta. Nota-se a arquitetura típica das casas. Além de ser fotogênico, há um monte de restaurantes caros, lojas de lembranças e alguns museus. Entrei no marítimo (3 euros). É bem interessante, pois conta através de maquetes de barcos e outros artefatos, toda a história militar naval de Creta. Passei pelo mercado da ágora, e comi um crepe de queijo feta e cogumelos (3,3 euros). Ainda passei no supermercado, antes de pegar o ônibus do terminal central para o aeroporto (2,5 euros) - tão pequeno que em 5 minutos fui do ponto de ônibus até o portão de embarque. Pouco depois, o avião da OlympicAir decolou rumo a Tessalônica, a segunda maior cidade grega, situada na região da Macedônia. Ao chegar, tomei o ônibus X1 (2 euros) até próximo do albergue Stay Hybrid Hostel, onde passaria duas noites por 10 euros cada. Antes disso, dei uma volta nos arredores e jantei num tal de Boom um prato de falafel com arroz (depois de 2 semanas comendo batata, finalmente achei arroz) e salada por 5,8 euros. Dia 15 Esse dia foi cansativo, pois tive que ver o centro histórico inteiro de uma das principais cidades antigas de uma vez só. Tomei meu café da manhã, quase sempre com iogurte grego e frutas, e parti. Na primeira das atrações, comprei o ingresso combinado, que permite ver uns quantos lugares por 15 euros. Um deles é a ágora romana. O quarteirão de ruínas, com banhos e teatro, é completo por um museu subterrâneo. O problema é que uma infinidade de turmas escolares resolveram visitar ao mesmo tempo que eu. Tessalônica foi a segunda cidade mais importante do império bizantino. Com isso, o número de igrejas medievais é enorme. O ruído infinito dos sinos me levou à primeira delas, a Agios Dimitrios. Posteriormente, ainda veria outras, como Panteleimon, Acheiropoietos e Agia Sophia; todas essas bem preservadas e gratuitas. Subindo o morro, cheguei ao mosteiro Vlatadon. É o mais antigo ainda em funcionamento. Através das muralhas bizantinas, ainda parcialmente erguidas, cheguei à torre Trigonou. Também não se paga para entrar nesse mirante. No topo de tudo, jaz o Eptapyrgio, forte bizantino/otomano, que depois virou prisão. Grátis. O único instante em que sentei foi para o almoço. Escolhi o restaurante Fat Mamma's Brunch 'n Lunch, cheio de estudantes, já que se situa junto a uma universidade. Optei por um espaguete à carbonara (5 euros) que me deixou satisfeito até a janta. Em seguida, paguei 2 euros pelo ingresso da Rotunda. É um monumento arredondado que apresenta afrescos e mosaicos originais. Uma via leva ao arco de Galério e ao sítio arqueológico desse mesmo imperador. Está incluído no ingresso combinado. A torre Branca também. Fica em frente ao mar, e seu interior é um museu sobre a cidade, além do mirante no topo da torre. Pelo agradável calçadão à beira-mar, fui até o museu da cultura bizantina, outro do combo. Com salas amplas, apresenta artefatos sobre a religião e a vida no período bizantino. Correndo, consegui ainda visitar o último museu, o arqueológico, antes que fechasse às 8 horas. Esse é mais completo que o anterior, mas como eu já tinha visto bastante arqueologia grega nessa viagem, ficou um pouquinho repetitivo. No caminho de volta, comprei uma salada por 3,2 euros. Doze horas depois de deixar o albergue, finalmente descansei. Dia 16 Cedo, peguei um ônibus até o terminal internacional, por 1 euro. Lá, às 9 horas embarquei no busão da AlbaTrans até Korçë (20 euros), já em território albanês. A viagem teve duração de 5 horas e meia, por causa da longa imigração. Eu era o único turista entre um bando de albaneses de meia idade que não falavam inglês. Conforme ascendia em altitude e latitude, às florestas temperadas com coloração outonal surgiam, embelezando a paisagem. Ao chegar, fui recebido por uma macarronada na casa/hospedagem Xharshe. Ninguém mais estava hospedado. Os donos são bem simpáticos, as instalações são decentes, mas fica afastado do centro. Paguei 18 euros por 2 noites, troquei dinheiro na cotação de 121,9 lek por euro e subi na bicicleta emprestada para explorar o centro da pequena cidade, que tem até ciclovia. Acontece que eu acabei perdendo a chave do cadeado, então passei um tempão indo e vindo pela mesma rota, só que não a achei. E enquanto isso caiu um toró que encharcou minhas meias. Visitei dois museus, que funcionam em horários estranhos. Um foi o arqueológico (200 lek) e o outro de arte (cristã) medieval (700 lek). Achei ambos simples demais, principalmente o primeiro. Ainda conheci a bonita catedral ortodoxa de Korçë - a proporção de cristãos é quase a mesma de muçulmanos na Albânia. Ao escurecer às 4 e meia da tarde, me dirigi ao centro histórico, mais precisamente ao bazar da era otomana. Há diversos bares e restaurantes ao redor de uma praça. No Shënd e Verë, comi pimentões recheados com queijo (300 lek), espaguete à bolonhesa (400 lek) e tomei a cerveja local, que foi a primeira do país (200 lek por 500 ml). Foi a única vez em que consegui pagar algo com cartão de crédito na Albânia. Voltei com frio pra hospedaria. Dia 17 Acordei com o quarto balançando. Pela primeira vez na vida, encarei um terremoto. Ainda bem que foi fraco. Infelizmente, poucas semanas depois de eu deixar a Albânia, houve outro terremoto, só que dessa vez com resultado catastrófico... Café da manhã meio fora do padrão saudável, mas deu pro gasto. Suplementado com "rakia", a bebida típica dos Bálcãs que chega a ter 50% de álcool. Um gole pra mim e outro pro dono, muçulmano (na Albânia eles são liberais). Comecei então o dia de caminhada e trilha. Desde o começo na estrada que leva à trilha, a subida já foi intensa, então fiquei meio suado, pois levava roupa pro frio. Ao entrar no Parque Nacional dos Abetos de Drenovë, atravessei um vale, já com vista pra esses pinheiros sempre-verdes que dão nome ao parque. À continuação, subi uma encosta com rochas expostas, para chegar na floresta temperada. A coloração de outono é fantástica. Continuei a elevação, em terreno úmido, com o tempo todo nublado. Eis que do nada eu cruzo com uma salamandra, pela primeira vez na vida. Fiquei encantado em encontrar esse anfíbio rabudo e lento, logo ali. Ainda vi mais 3 ao descer a montanha úmida. No topo, a 1800 m, fazia frio e a névoa estava intensa. Sentei uns minutos pra tomar meu lanche, antes de prosseguir. Como eu estava avançando mais lentamente que o previsto, precisei acelerar na descida cênica para não estar no meio da trilha ao escurecer. Passei por uma mina abandonada, onde vi o único humano no trajeto dentro da unidade de conservação. Com o sol se pondo, atingi a saída através do vilarejo de Drenova. Finalmente, cheguei no centro de Korçë, num total de 31 km de caminhada! Meu par de tênis velho praticamente se desintegrou depois dessa aventura, então foi o primeiro de alguns trajes que descartei nessa viagem. Na Taverna Pazari i Vjeter, tomei uma cerveja (150 lek) e comi filé de frango (600 lek). Retornei cansadão à hospedaria, mas ainda conversei com o proprietário, que me deu mais "rakia" (mesmo contra a vontade), e com um recém-chegado senhor motoqueiro espanhol. Dia 18 Café mais saudável nesta manhã. Me despedi e fui até a estação de vans. Assim que cheguei, estava saindo uma para Tirana, então pulei nela. A viagem levou 3 horas, ao custo de 500 lek. Ao saltar na capital albanesa, o único lugar onde não pude tomar água da pia, entrei no restaurante Coco para comer um rango. Devorei um sanduíche grande com tudo no recheio (200 lek), além de um milk-shake (200 lek) que não estava grandes coisa. Por isso, peguei ainda um sorvete na doceria ao lado (80 lek). Fiz o check-in no English Hostel (14 euros para 2 noites com café). Apesar do preço barato, é um lugar bacana e amigável. Antes que escurecesse, dei uma volta no centro. Fiquei impressionado com a beleza arquitetônica mista da época comunista com a contemporânea, além do monte de intervenções artísticas. Entrei no museu BunkArt (500 lek), que fica em um bunker construído pelos comunistas para aguentar um ataque químico ou nuclear. Suas salas contam a história das forças de segurança do passado, especialmente a trágica ocupação comunista. Comi um "burek", salgado folhado recheado típico (80 lek). Depois passei num mercado para comprar líquido; por sorte, encontrei chocolate Milka com o preço mais barato que já vi na vida: 160 lek pela barra de 270 gramas (quase vencida)! Voltei ao albergue, onde fui convidado por um tcheco e dois franceses para sair. Primeiro fomos no bar Kaon, que tem como característica uma árvore no seu interior, além de ser barato: cerveja (150 lek), espetinho de carne (120 lek). Em seguida, ficamos na praça principal (Skanderbeg), onde rolava um festival retrô bacana, com exposição de veículos antigos e show de rock, tudo gratuito. Dia 19 O café da manhã tava joia. Ao terminar, fui ao museu nacional de história (200 lek). Mesmo sendo barato, é um baita museu. Conta a história desde os povos ilírios, passando pelas ocupações romanas, bizantinas, otomanas e comunistas. Pena que uma parte expressiva não estava traduzida. Almocei um crepe salgado (260 lek) e um doce (120 lek) na Happy, uma das muitas creperias da cidade. Sorveterias também há de monte. Enquanto perambulava pelo Blloku, ex-quarteirão exclusivo da elite comunista, tomei um por 50 lek. Cheguei a encontrar um lugar onde cada bola custava apenas 40 lek! Também atravessei o grande parque de Tirana, onde fica um lago, pistas e instalações esportivas. Ao contrário de todas as outras capitais, achar lojas de souvenir foi difícil. Caminhei o centro inteiro e vi apenas 3 delas. Comprei apenas um prato por 500 lek. No Segafredo, jantei um prato de risoto, por 300 lek. Até que estava bom, mas a porção era pequena. Passei a noite no albergue com a galera. Calvin, o proprietário, nos serviu "rakia" de graça, até não ser possível tomar mais dessa bebida forte. Dia 20 Com a chuva que fazia, fiquei de bobeira com o pessoal no albergue. Na hora do almoço, me despedi. Comi um prato feito grego por 480 lek no Sufllaqe Pita Gyros. A sobremesa foi sorvete. Depois, caminhei até a estação internacional de ônibus, que é basicamente um estacionamento de ônibus. Às 15 h, segui rumo a Prizren, em Kosovo, pagando 10 euros na passagem. O ônibus velho da Metropol estava vazio: 54 lugares para 7 passageiros. A duração estava prevista em 3 horas, mas levou mais de meia hora somente pra sair do trânsito da cidade, então o total foi de 4 horas. Só que o motorista não me disse que eu tinha que saltar antes e pegar uma van até o centro. Quando eu percebi, ele já estava a caminho de Pristina, e me deixou no meio do nada. Precisei caminhar 5 km até chegar à cidade... Ao menos fui bem recebido com umas castanhas portuguesas pelo proprietário e por macarrão por uma colega de quarto de Hong Kong. Dei então entrada no albergue M99. Cada noite no estiloso e espaçoso dormitório de 6 camas com café da manhã me custou 10 euros e meio. Dia 21 Comecei o dia com um café da manhã típico com o pão do Kosovo, queijo de cabra, "ajvar" (patê de pimentão vermelho e óleo) e geleia. O museu arqueológico foi a primeira parada. Por apenas 1 euro, você ganha uma explicação e pode ver alguns artefatos antigos achados na construção, que por si só já vale a visita. É uma ex-casa de banho turco, onde foi instalada uma torre de onde se vê a cidade quase toda. O museu da liga albanesa de Prizren é grátis, mas não tem muita informação. Aqui ficava a sede desse movimento pela independência de Kosovo do império otomano. Almocei no restaurante Palermo o que deveria ser um goulash, mas estava aguado demais, então não curti muito a sopa de carne (2,5 euros). De sobremesa, sorvete (0,5 euro cada bola) na doceria Shëndeti. Vi uma porção de mesquitas e igrejas. Apesar de aqui haver uma proporção maior de muçulmanos, eles também são liberais. Quase não se vê mulheres de véu nas ruas. Como estava quente, troquei para roupas curtas, para subir o calçamento até o castelo de Prizren, acima da cidade. Essa fortaleza em ruínas foi parte do império sérvio na Idade Média. Não se paga nada para entrar. Além do mirante nas muralhas, há uma sala com os objetos arqueológicos. Enquanto o sol baixava, desci pela trilha Marash, que contorna o morro vegetado pelo lado oposto. No fim, há um plátano gigante de cerca de 5 séculos de vida. Uma pena que o rio que corta a trilha e, posteriormente, a cidade, esteja entupido de lixo, principalmente plástico. Um programa governamental de reciclagem seria muito bem-vindo aqui... Jantei um prato com carne e complementos por 7 euros no restaurante Te Syla. A cerveja (1,5 euros por 0,3 l) que pedi (Peja) é produzida no próprio Kosovo. Meu segundo par de tênis faleceu, então tive que ir atrás de algum substituto no shopping center. Achei um que fosse suficiente pro resto da viagem por 30 euros. Dia 22 O café da manhã foi com "burek" e "ayran", iogurte aguado turco. Depois, peguei a condução de 4 euros para Pristina. Precisei apenas esperar na frente do albergue, por um dos muitos ônibus que partem até a capital do Kosovo. Pouco mais de 2 horas depois, cheguei na cidade grande. Almocei a caminho do albergue, no Friends Coffee and Food: risoto (2,5 euros) + salada grega (2 euros) + limonada (0,5 euros). Deixei a mochila na hospedagem, que estava vazia, e fui até o terminal de ônibus próximo, onde peguei o ônibus para Gjilan. Por apenas 50 centavos, desci em Gračanica, para conhecer o monastério que é Patrimônio da Humanidade. A entrada é grátis, mas além de uma igreja do século 14 bem ornamentada e com afrescos no interior, não há muito mais a ver. Por isso, decidi seguir a pé os 2 km até o sítio arqueológico de Ulpiana. Também gratuito, eu acho, pois não havia ninguém no local. Apesar disso, está muito bem cuidado. São ruínas do período romano e começo do bizantino. Retornei, e de ônibus fui até o shopping Albi, onde peguei um cinema (3,9 euros). Ainda, antes tomei um milk-shake (2,7 euros) e, posteriormente, um macarrão com frango e salada (4,9 euros). Mais 2 km a pé, e ingressei no Bus Station Hostel. Foram 8 euros por noite no dormitório. Nele, conheci o egípcio Reda e a búlgara Ioana, que estavam viajando pelos Bálcãs. Dia 23 Acordei resfriado. Sob chuva, saí para conhecer a cidade com eles. Vimos primeiro a homenagem a Bill Clinton, que ajudou Kosovo na guerra de independência. Em seguida, a catedral em referência à Madre Teresa, que era de etnia albanesa. Continuando, uma igreja ortodoxa sérvia que foi interrompida pela guerra. E em frente a ela, uma construção bizarríssima que abriga a biblioteca nacional. Chegamos a conhecer o interior, que também guardava uma exposição de mal gosto sobre a Coreia do Norte. O brunch foi "iskender", uma baita porção de várias comidas por somente 3,5 euros. Pedimos isso no Ben Tatlises Doner. Após o monumento Newborn, atravessamos o bulevar Madre Teresa e entramos em uma mesquita e dois museus, ambos gratuitos: Kosovo Museum e Ethnographic Museum. No velho bazar, nos deram algumas frutas que eu nunca havia provado. Me despedi da dupla e fui pro cinema de novo. Jantei no mesmo quiosque da noite anterior, o Green Salad. E depois voltei caminhando também. Dia 24 Parti numa van velha pra Escópia, por apenas 5,5 euros. Ainda bem que minha mochila é pequena o suficiente para caber nos pés, pois todas as vans que peguei não tinham bagageiro. A imigração foi rápida, então 2 horas e meia depois, cheguei no terminal da capital da Macedônia do Norte. De volta a um alfabeto não-latino, no caso, o cirílico. Caminhei diretamente à hospedagem, Get Inn Skopje Hostel. Cada noite no dormitório me custou 7 euros, já incluso café da manhã. No shopping GTC, fiz o câmbio: 61,4 dinares da Macedônia por euro. Em seguida, fui diretamente à praça central, onde fica uma estátua gigante de Alexandre (aquele grande). Só que a estátua não pode ser nomeada porque a Grécia detém os direitos autorais do nome. Esse mesmo rolo fez com que o país precisasse incorporar "do Norte" ao seu nome. Há outro monumentos e os próprios edifícios simulam o período clássico da Macedônia, mas tudo foi feito há menos de um século, após um grande terremoto. Na mesma praça, almocei no bar e restaurante Kolektiv. Optei por uma tradicional caçarola de carne (390 dinares) + uma cerva IPA 0,5 l (190 dinar). Paguei caro na comida, conforme eu descobriria posteriormente. Enquanto seguia para o antigo bazar turco, tomei um sorvete baratíssimo e cremoso na sorveteria Piccolo Mondo (20 dinares por bola). Passei por alguns caravançarais, antigas hospedagens. Depois, a mesquita principal. Em sequência, ingressei na fortaleza acima da cidade velha. É grátis. Subi em suas muralhas para ver o dia terminar. Jantei hambúrguer a 150 dinares no restaurante Teteks. Por fim, fiquei pela hospedaria. Enquanto dormia, ocorreu um fato bastante inesperado: do nada, uma moça potencialmente alcoolizada surgiu na minha cama! O desenrolar dessa história é segredo... Dia 25 Acordei cedo, tomei o café e fui até o terminal de ônibus, onde às 8:45 peguei o número 60 para Matka - lá fica um cânion. Me venderam um cartão de ida e volta por 150 dinares, mas achei meio suspeito esse preço. Aos trancos e barrancos, o busão velho nos deixou na entrada do cânion, onde fica a represa. Na entrada, você pode optar entre passeio de barco, aluguel de caiaque ou trilha. Escolhi a última opção. O caminho mais básico é ao longo do cânion pelas paredes rochosas, atravessando algumas matas, durante 3,5 km (mais isso pra voltar). A paisagem é sensacional, especialmente nessa época. Pra escapar dos preços abusivos do único restaurante do cânion, caminhei até fora dele para almoçar no restaurante Macedonian Cave Matka: carne grelhada mista (300 dinares) + salada à Macedônia (130 dinares). O ônibus pouco frequente que deveria vir não apareceu, então depois de um tempão à espera, eu e mais 3 rachamos um táxi de 700 dinares até o centro. Assim que saímos, o ônibus chegou… Passei no bazar pra comprar um souvenir e tomar sorvete, antes de ir ao albergue tomar banho. Depois saí pra jantar no próximo La Tana (cerva Skopsko 0,5 l por 80 dinares e frango com arroz e vegetais por 200 dinares). Tava apetitoso. Por fim, tomei o vinho nacional que estava sendo distribuído gratuitamente no albergue. Dia 26 Como os museus estavam fechados antes das 10, acabei entrando no memorial judeu para a Macedônia (100 dinares). Triste, mas bem interessante. Em seguida, fui a mais um museu arqueológico (150 dinares). Quem vê o edifício suntuoso neoclássico pensa que esse museu é enorme, mas não é bem isso por dentro. Almocei no terraço de um restaurante estiloso chamado Austrian Palace. Comi uma barca de vitela por 180 dinares. Só que tentaram me passar a perna na hora de pagar a conta. De sobremesa, o sorvete de sempre. Peguei minha mochila e segui à estação de ônibus, rumo a Ócrida, Patrimônio da Humanidade. Alguns minutos antes da partida, por 750 dinares eu comprei ida e volta pela empresa Galeb. Três horas depois, já noite, desembarquei. Me hospedei na Villa Ohrid Anastasia. Dezesseis euros para 2 noites no dormitório coletivo. Saí a caminhar em direção ao centro da cidade. Achei ela meio escura e vazia, embora ainda fosse 6 horas. Na praça em frente ao porto, parei onde tinha um agito, no Instinct Bar. Tomei meio litro de cerva por 140, e uma pizza com frutos do mar por 290. Assisti uma celebração que ocorria na beira do lago, mas com o frio tive que retornar. Passei ainda num supermercado pra comprar o café da manhã. No albergue, fiquei conversando com um companheiro de quarto americano. Dia 27 Estava caminhando pela cidade velha, quando decidi de última hora pegar o passeio de barco das 10 h até o mosteiro do religioso mais negativo de todos, o Santo Naum (piada boa). O custo do transporte foi de 600 dinares. Caminho cênico, rendeu boas fotos. Uma das cenas foi a baía dos Ossos, onde ficava um assentamento em palafitas bastante antigo, hoje um museu. Ao desembarcar, visitei brevemente o monastério. Depois, segui pela trilha que cerca as nascentes que deixam a água numa cor e transparência ótimas, parecendo com a da região de Bonito. O barco chegou pelas 3 h em Ócrida, então foi possível ainda passar pelo promontório onde ficam diversas igrejas medievais, a fortaleza do czar Samuel, o sítio arqueológico de Plaoshnic, o teatro romano. Vi o sol se pôr acima da igreja de São João Teólogo. Vnuska foi o restaurante onde jantei. Como não havia almoçado, resolvi esbanjar um pouco escolhendo o gostoso prato de peixe (500 dinares). Dia 28 Voltei ao centro de manhã. Fiquei perambulando aleatoriamente para passar o tempo, mas o vendaval não ajudou. Bati um rango em frente ao terminal de ônibus, antes de começar a jornada até Sófia, na Bulgária, onde cheguei apenas à noite, após conexão em Escópia. Tive que pagar uma taxa em cada terminal que eu não estava ciente (30 em Ócrida e 50 em Escópia). O segundo trecho custou 17,5 euros, comprando pela internet. Assim que o busão chegou, troquei rapidamente um pouco de dinheiro na própria estação (cotação desfavorável) e corri pro metrô, pois estava quase fechando à meia noite. Paga-se 1,6 lev no bilhete único, não importando a distância. Logo mais, cheguei no 10 Coins Bed+Tours, a hospedagem da vez. Fica afastado do centro, mas me custou 12 lev por noite, ou seja, 6,1 euros. Só que a qualidade deixou bastante a desejar. Dia 29 Dia de conhecer o centro histórico. E haja história, pois há uma infinidade de construções de arquitetura de séculos anteriores, além do sítio arqueológico da cidade romana de Serdica. Outro destaque são os diversos templos religiosos, principalmente cristãos ortodoxos, imponentes. Depois de perambular um bocado, achei algumas casas de câmbio com a cotação bem melhor (1,95 lev por euro). Com a grana em mãos, fui atrás de um restaurante para almoçar. Foi difícil achar, pois a maioria dos lugares de comer são de fast food. Enfim, achei um tal de Brunch, onde escolhi alguns pratos na bancada, totalizando 8,80 lev para uma refeição bem substancial. Caminhei um pouco pelos vários parques, em seguida. Num deles, tomei um milk-shake (3,2 lev). Uma coisa que tenho percebido é que a população desses países dos Bálcãs não pratica exercícios físicos. Ainda consegui visitar o museu mineralógico (Earth and Man National Museum). Entrada de 6 lev. Tem uma rica coleção que abrange cerca de 40% de todos minerais da Terra, além de cristais gigantes subtraídos do Brasil! Jantar no restaurante Bkуснaта Kухня. Acabei me dando mal nessa de apontar pratos sem saber o que são, pois um deles continha fígado. Total de 6,10 lev. Por fim, adentrei o grande Palácio Nacional de Cultura, para assistir o show do pianista húngaro Peter Bence (40 lev). O cara é tão bom que nem usa partitura. Dia 30 Tinha planos de caminhar nas montanhas ao redor, mas o tempo chuvoso e a diminuição de transportes com o fim da temporada fez com que eu tivesse que ir para um plano alternativo. Peguei o metrô até a estação final Vitosha, e lá o ônibus #64 até a igreja Boyana, patrimônio UNESCO. Me decepcionei. A igreja é bem pequena, não se pode tirar fotos e custa 10 lev para entrar. Ao deixar o lugar, fui caminhando até o museu nacional de história. Só ao chegar, descobri que existe um ingresso combinado com a igreja anterior, num total de 12 lev. Como eu não tinha o comprado, acabei tendo que pagar mais 10 lev no museu… Pelo menos este é suficientemente grande e interessante. Conta desde os povos antigos da Trácia, até a liberação otomana pelos russos. Até que enfim uma coisa boa aconteceu; quando eu estava prestes a pagar pelo ônibus seguinte, uma boa alma me deu um bilhete grátis. Assim, cheguei no jardim botânico. Há uma estufa cheia de espécies, para a qual se paga 4 lev. Já a parte externa, gratuita, estava abandonada. Peguei mais uma condução com wi-fi, até a estação de metrô Vitosha. Como ainda chovia e eu estava verde de fome, entrei no shopping Paradise para o almoço/janta. Paguei 7 lev num prato feito búlgaro. Aproveitei pra dar uma olhada, já que o shopping é grandão. Depois, comprei minha janta e café da manhã no supermercado Villa, por 11 e pouco. Ainda bem que meu cartão de crédito reserva funcionou, pois o principal já não estava mais operando (foi clonado). De volta ao albergue. Se não bastasse o clima estranho nele, instalações precárias; tanto que precisaram dedetizar o quarto em que eu estava sozinho. Talvez esse seja o motivo de umas perebas que apareceram nos meus tornozelos... Dia 31 Saltei do metrô na estação do Palácio Nacional da Cultura, pois queria vir caminhando pela principal rua pedestre de Sófia, a Vitosha Boulevard. Só que de manhã, não havia muito movimento. Continuei a passeada até o terminal de ônibus, onde tomei um ônibus da Eurolines/Karat-S até Plovdiv (9,5 lev). Duas horas e pouco depois, chegada na eleita capital europeia da cultura em 2019. Almocei num shopping no meio do caminho até o albergue, que fica dentro da cidade velha. A própria casa onde fica o Hostel Old Plovdiv é do século 19. Quarenta e três lev para 2 diárias com café. Saí a caminhar pelas ruas de pedra. Só parei ao chegar ao topo do monte Bunardzhik, onde fica uma estátua. Lá eu admirei o pôr do sol, bem como a vista de toda a cidade ao redor. Só que na pressa, acabei perdendo meu óculos de sol. Ele estava todo riscado, mas eu ainda iria usá-lo até o fim dessa viagem… Passei a noite conversando com as pessoas na hospedagem, incluso um brasileiro. Dia 32 A fim de conhecer um pouco mais sobre os 8 mil anos de Plovdiv, chamada Filipópolis no período romano, comprei um ingresso combinado de 5 atrações por 15 lev. A primeira atração foi a basílica em ruínas, cujo destaque são os mosaicos. A segunda parada foi o antigo teatro, bem preservado e usado ainda hoje. As outras 3 eu só conheceria na manhã seguinte. Comprei um salgado por 1,6 lev no Marti's Fast Food, para abocanhar enquanto andava ao redor das ruínas do fórum romano e do parque dos chafarizes dançantes. Na principal via pedestre, comi dois crepes de chocolate de sobremesa, a apenas 1 lev cada. Um pouco depois, encontrei meus colegas de quarto. Fomos aproveitar o festival de vinhos que ocorria nesse final de semana, para degustarmos vários tipos de diversas vinícolas da região. Paguei 4,5 lev para ter acesso a 6 estandes. Ficamos lá até à noite. Depois, peguei um "kebab" (4,5 lev) e retornei ao hostel, onde continuamos o papo. Dia 33 Tomei o café da manhã e me despedi. Ainda visitei 3 casarões do século 19 (Balabanov, Hindliyan e Boyadzhyev). Seus interiores são repletos de móveis antigos e obras de arte. Quando passava em frente à praça principal, em direção ao terminal de ônibus central, vi que ocorria uma apresentação de música e dança japonesa. Fiquei apreciando até a hora em que o ônibus estava prestes a partir. Retornei a Sófia, só para tomar o ônibus das 16 h rumo a Niš, na Sérvia, terra natal do imperador Constantino. Paguei 24 lev na Niš Ekspres. Quase 3 horas e meia depois, chegada. Se o cirílico russo já é meio complicado, na Sérvia eles adicionaram mais algumas letras ao alfabeto pra deixar pior. Ao menos, tanto o búlgaro quanto o sérvio ainda tem alguma similaridade com o idioma russo, o qual eu consigo ler alguma coisa. Na frente da rodoviária, troquei euros na cotação de 117 dinares pra cada. Depois, fui caminhando até o Sweet Apartments, onde peguei um quarto privado com banheiro compartilhado por mil dinares. Saí para jantar. No calçadão, encontrei um tal de Night & Day Caffe Pizzeria. Por 310 dinares, pedi uma boa macarronada de frutos do mar de meio quilo. Continuei perambulando ao redor do centro, vendo algumas igrejas e monumentos. Por fim, comprei meu café da manhã no supermercado e me retirei. Dia 34 Comecei conhecendo a fortaleza otomana. Aberta sem precisar pagar, atualmente é um parque com alguns comércios e poucas edificações antigas, de períodos romano, bizantino e otomano. Como era segunda, infelizmente todas as demais atrações da cidade estavam fechadas, então só me restou tocar para Belgrado mais cedo que o previsto. Já que a viagem levaria 3 horas, parei pra almoçar no mesmo local onde jantei. Assim que cheguei na estação, um ônibus estava para partir. Comprei o bilhete rapidamente por 1310 dinares e embarquei na Niš Ekspres. O ônibus tinha wi-fi. Na chegada à metrópole, a temperatura estava agradável a ponto de eu quase colocar uma manga curta - e pensar que há exato um ano, nevava em Belgrado! Caminhei até o albergue Che. Passaria ali 3 noites com café por 33 euros. Saí logo para apreciar o crepúsculo na grande fortaleza otomana. Depois, andei pelas ruas movimentadas da região central, já com decoração natalina. Comi uma fatia grande de pizza (120 dinares) num dos locais que me indicaram, o Kod Mašinca. Boa, mas não tem onde se sentar. Admirei alguns dos edifícios monumentais, como o da assembleia, mas o vento frio me fez parar a certo momento e retornar. Passei num supermercado pra pegar mais um rango e me desloquei pro albergue. Dia 35 Fui em direção ao museu do Nikola Tesla, mas como o tour só começaria em meia hora, dei uma passadela no mercado de rua próximo, principalmente de alimentos e sem souvenires. O museu conta a história de vida e os inventos desse gênio "sérvio", que revolucionou a eletricidade. Custa 500 dinares. Após isso, segui até a enorme igreja ortodoxa de São Sava, uma das maiores do mundo. Não deu pra ver seu interior, pois estavam instalando o mosaico da cúpula, mas ao menos a cripta luxuosa estava disponível para visita gratuita. Almocei em outra recomendação de um amigo, o restaurante Zavičaj. Comida caseira e decoração bacana. Provei um goulash (690 dinares) e um chope Lav (260 por 500 ml). Em seguida, retornei à fortaleza, para ver com mais detalhes. Esperei o sol se pôr por lá também, mas o tempo tava nublado. Botei uma jaqueta e saí pra uma volta aleatória. Parei numa livraria. Depois comi um "gyros" (340 dinares) no Chicken Box e voltei pra hospedagem. Dia 36 Acordei com o sino da igreja ao lado, que toca o tempo todo. Passei o dia útil inteiro em dois museus. O primeiro foi o nacional (300 dinares). Com um rico material, conta a história da ocupação do território sérvio, resumidamente por romanos, eslavos, otomanos, até a Iugoslávia. Há uma seção de arte também. Almocei em mais uma indicação, o restaurante Ognjiste. Serve comida caseira a quilo. Meu prato gostoso e substancial saiu por 700 dinares. Mais uma vez, retornei à fortaleza, para visitar o museu militar. Em seu exterior gratuito, há algumas dezenas de armas de artilharia. Já o interior (200 dinares), é um corredor infinito que demonstra armas e outros artefatos de todas as épocas da Sérvia. Só falta ter mais explicações em inglês. Sem ter com quem conversar, peguei uma pizza no mesmo lugar do outro dia e fiquei coçando o saco na hospedagem. Dia 37 Bem quando chegou uma companhia, já estava na hora de partir. Segui ao terminal e comprei um bilhete pra Novi Sad por 760 dinares. Os ônibus são bem frequentes, então não precisei esperar nada. Uma hora e meia depois, já estava caminhando em direção ao albergue em posição central. Paguei 1330 dinares por uma noite no Nomad Hostel, um estabelecimento decente mas vazio. Na lanchonete Crna Maca, almocei uma "pljeskavica" grande, um tipo de hambúrguer deles. Custou 290 dinares. Continuando, atravessei a ponte em direção à fortaleza austríaca de Petrovaradin, passando pelo bairro antigo com casarios no caminho. Lá de cima da fortificação eu vi a cidade abaixo através do rio Danúbio. Tirei umas fotos noturnas, em seguida. Quando passava pela praça central, notei que algo ocorria. Bem nesse dia estava começando a Winterfest, um festival de inverno. Aproveitei para comer uma guloseima, tomar quentão (150 dinares) e ouvir as crianças da árvore de Natal cantante e uma banda de rock de Belgrado. Bem bacana. Dia 38 Deixei meu quarto "particular" de 6 camas para conhecer a cidade. Caminhei entre parques, não muito interessantes, e a praia Štrand. Lotada no verão, deserta nessa época. Voltei ao centro, composto de várias casas antigas coloridas, museus e alguns palácios e igrejas. Gastei meus últimos dinares numa lembrança, num sanduíche de almoço (150 dinares) e na taxa de embarque do terminal (130 dinares), para onde fui em seguida. Embarquei no bom ônibus da FlixBus e aguardei o trajeto até Budapeste. O controle de fronteira na Hungria foi excessivamente longo, apesar de não haver fila, então a duração total do trajeto foi de umas 6 horas e meia. Fora da estação de ônibus de Népliget, peguei o metrô. Comprei na máquina com cartão de crédito por 350 forint (pouco mais de um euro). Acreditam que não há catraca na entrada? Desci ao lado do albergue Avenue Hostel. Pagamento de 9 euros por diária no dormitório com café da manhã. O lugar é bem movimentado, e a limpeza poderia ser melhor. Ao redor do albergue, há diversas opções para refeições. Fui no chinês Wok n' Go Noodle House e pedi uma sopa de bolinhos de porco apimentados por 1880 forint. Tava boa. Depois, tomei uma cerveja no bar do albergue (330 forint por 300 ml). Dia 39 Levei um susto na hora do café da manhã, pois tinha umas 50 pessoas lá. Fiz o câmbio, na cotação de 330 forint por euro. Depois, caminhei até o parque Városliget. Repleto de turistas, é cheio de atrações, como museus, um castelo e ringue de patinação. O problema é que os banheiros da cidade são pagos, e não saem por menos de 250 forint. Peguei um metrô até o museu nacional, mas antes de entrar nele eu almocei um prato de comida de verdade no Kálvin Fast Food (1450 forint). A entrada do imponente museu custou 2600 forint. Fiquei quase 4 horas nele, aprendendo sobre a história dos diversos povos que já ocuparam a Hungria. Já noite, cheguei às margens do rio Danúbio. Das pontes, é bacana a vista dos prédios e monumentos iluminados, principalmente o castelo de Buda. Fui da rua Váci, cheia de lojas de souvenires, à praça Vörösmarty, onde rolava uma feira de Natal com palco pra shows. Tive que voltar ao albergue para aproveitar o jantar gratuito. Tomei uma cerveja artesanal (600 forint) no bar do hostel, enquanto passava a final da Libertadores da América na TV. Nessa hora, conheci um bando de latino-americanos. Fomos parar numa balada chamada Instant. Não se paga pra entrar e o lugar tem várias pistas com ritmos diferentes. Estava cheio! Uma cerva de 0,4 l custou 600 forint lá. Dia 40 Voltamos com o dia quase amanhecendo, então nem deu pra dormir o suficiente. Levantei meio-dia pra almoçar, sem voz. Escolhi o turco Török Étterem, onde um prato cheio no buffet saiu por 1250 forint. Depois, fui em direção ao Danúbio, na região do castelo de Buda. Vi por fora a basílica de Santo Estevão e o parlamento gótico, antes de cruzar a ponte metálica e subir o morro já com o sol baixo. Lá em cima, além dos mirantes para ambos os lados do morro, há outras coisas a se ver, como a igreja gótica de Matias (paga como os demais templos religiosos famosos da cidade). Passeei um pouco a esmo, em meio aos tantos turistas que ainda se encontravam na cidade. Ao descer e parar na feira de Natal, reencontrei (Romi e Julieta) duas argentinas do bando que saiu comigo na noite anterior. Ficamos tomando quentão por lá. Saímos em bando novamente mais tarde. O lugar foi o Morrison's. Bem menor e menos cheio que o anterior. O "mojito" tava 1600 forint. Dia 41 Saí em mais um dia ensolarado. Passei pela sinagoga luxuosa (e cara: 4500 forint), no caminho até o mercado central. Numa estrutura fechada, há um andar de alimentos e outro de souvenires. Preços pra turista. Almocei ali e subi o morro Géllert, o mais alto da cidade. Lá apreciei o sol se pôr, vendo uma ampla faixa do Danúbio ir mudando de coloração. Quando voltei, ainda dei uma passada na loja Decathlon. Ao chegar ao albergue, esqueci que havia janta grátis naquela noite e acabei pegando 2 sandubas no McDonald's. Azar, depois de um bom banho eu comi um pouco mais. Pra variar, com alguns integrantes a mais e outros a menos, fomos pra mais uma noite de festa. Acabamos parando na mesma balada de 2 noites atrás. Dia 42 Dormi pouco novamente, pois tive que fazer o check-out e me despedir da rapaziada. Peguei um rango pro caminho e fui de metrô até a estação de ônibus e trem de Kelenföld. Lá, embarquei na RegioJet até a Eslováquia. Até que enfim uma condução de qualidade; além de internet e tela de vídeo, até serviço de bordo tinha. Sem ter que passar pela imigração, a viagem durou 2 horas e meia. Eis meu país de número 100! Dei uma volta para ver o centro histórico iluminado. Nas duas principais praças ocorria uma feira de Natal. Provei um dos alimentos que lá vendiam, a "placka". É literalmente uma placa vegetal fritada até não poder mais. Comprei o café da manhã num supermercado e me assentei no albergue Patio Hostel. Nove euros por noite. Dia 43 Dormi bem, finalmente. Ao amanhecer, saí de ônibus em direção à floresta da cidade, mas me confundi um pouco com o sistema de transporte que cobra por tempo e não distância, e que não pode ser pago dentro da condução. No parque, há diversas trilhas e facilidades pra população, mas como as árvores já estavam desfolhadas, não achei muito interessante. Vi um pica-pau, ao menos. Almocei na base do morro, longe do centro, numa tal de City Cantina. Meu prato saiu por 6,5 euros. Já no centro histórico, conheci rapidamente todas as construções relevantes, como igrejas e palácios. Com a noite no ar, dei uma passada no shopping Eurovea. Por fim, parei no albergue e fui tomar a cerveja grátis inclusa no check-in. Acabaram me embebedando com doses patrocinadas de "spiš" de ameixa (40% de álcool) e Tatratea, uma bebida com 72% de álcool! Dia 44 Com uma leve ressaca, tomei um ônibus na manhã até Devín. É onde ficam interessantes ruínas de um castelo medieval, destruído por Napoleão em 1809. Bem na confluência dos rios Morávia e Danúbio, a vista de cima é bela. Pra entrar, paga-se 2 euros. O almoço foi a algumas quadras dali, na pizzaria Valentian. Tomei uma sopa e comi uma pizza pelo total de 5,5 euros. Depois, outro busão me deixou em Sandberg. É uma maciço de arenito que se destaca na paisagem que já foi um mar, e hoje guarda centenas de espécies de fósseis. Caminhei um pouco pela trilha do geoparque, até que o dia se foi e eu retornei a Bratislava. Jantei no Subway próximo ao albergue (7,2 euros pelo sanduíche de 30 cm com bebida). Depois disso, rolou uma sessão de filmes na hospedagem. Dia 45 Conheci o castelo de Bratislava pela manhã. Há uma boa vista de lá, como da torre que parece um disco voador, mas não acho que tenha valido pagar 10 euros pra ingressar no confuso museu de história. Na saída, almocei no buffet livre chinês Panda por 5,5 euros. Satisfeito, fui até a estação central de ônibus, onde peguei um FlixBus até Viena. Como comprei de última hora, saiu por 6 euros a passagem. Uma hora e pouco depois, cheguei na estação central de trem e ônibus, bem ao lado do albergue onde eu passaria 4 noites por 70 euros (sim, Viena é caro), o Do Step Inn Central Hostel. Todo automatizado, nem cheguei a ver recepcionista. Já escurecendo, passei por diversas feiras de Natal nas praças ao redor de igrejas enormes. Tudo bem cheio de gente. Mas os preços exagerados fizeram com que eu jantasse no McDonald's. Depois disso, passei num supermercado e voltei pro albergue. Dia 46 Temperatura despencou; as mínimas de outrora seriam as máximas de agora, então tive que tirar da mochila a camada térmica de fleece pela primeira vez. Conheci um bocado da cidade, começando pela bizarra Hundertwasserhaus. É um edifício residencial expressionista dos anos 80. Atravessei o rio pra conhecer o Prater. Esse é o primeiro parque de diversões do mundo, de 1766! Na praça mexicana onde fica uma baita igreja, encontrei um "kebab" de 2 somente euros; esse foi meu almoço. Saltei de metrô até a parte mais movimentada no centro. Na igreja de São Pedro, tive a sorte de presenciar uma apresentação musical japonesa. Posteriormente, enquanto o céu escurecia, passei pelo palácio presidencial de Hofburg, saindo em frente a Rathaus, a prefeitura, onde rolava mais uma de tantas feiras natalinas. Adquiri minha janta e muitos chocolates baratos em uma das unidades do supermercado Penny. O barrão de Milka, por exemplo, estava custando 1,69 euros. Insano! Passei o resto da noite na hospedagem. Dia 47 Comecei indo de metrô até a principal atração de Viena: o palácio Schönbrunn. Antiga residência de verão da dinastia Habsburgo, contém nada menos que 1441 quartos. Que desperdício! Para o almoço, reencontrei Gael, um francês que eu havia conhecido a 3 anos na Moldávia, além de sua cônjuge. Comemos no Subway mesmo. Em seguida, caminhei com eles até o museu de história militar. Como era o primeiro domingo do mês, visita gratuita. Além de todos os artefatos e história (a maioria só em alemão), havia uma feira medieval ocorrendo por lá. Enquanto víamos a iluminação natalina, jantamos um salgado frito de batata numa das feiras. Depois me despedi deles e segui para o Blue Bar, onde reencontrei Romi, uma das argentinas de Budapeste. O bar é pequeno, mas aconchegante e com drinques baratos, a partir de 3,9 euros. Dia 48 Noite levemente abaixo de zero. Mais uma caminhada matinal no frio. Objetivo do dia: Museu Nacional de História Natural (12 euros). Achei demais esse museu, tanto que só deixei ele 5 horas depois, por motivo de fome maior. Almocei já à noite no havaiano 'O Io Poké, uma tigela de "poke" por 9,8 euros. Em seguida, passeei pela Mariahilferstrasse e peguei um "yakisoba" na Lucky Noodles para mais tarde, por 4,2 euros. Missão cumprida, retornei ao albergue para me preparar para partir de vez. Dia 49 Peguei um trem (4,2 euros) que rapidamente chegou no aeroporto, onde voei de Wizz Air sobre os Alpes até Milão, por ridículos 15 euros. Lá, poucas horas depois, segui de TAP até Lisboa, onde precisei passar a noite para continuar ao Brasil. No aeroporto, peguei o metrô (50 centavos pelo cartão + 1,5 euros por viagem) até a brasileira MaHouse Guest House, onde dormi por 25 euros, pois as outras hospedagens mais baratas já não atendiam mais na hora em que eu chegaria. Dia 50 De manhã, tomei o bom café da manhã incluído e o voo da TAP para Guarulhos. Ao final da tarde, finalmente a chegada em Floripa com a Gol (125 reais). Fim de viagem! Se você chegou até aqui, que tal conferir meu site agora? Rediscovering the World
  4. Essa viagem foi possível graças a uma promoção anunciada pelo Melhores Destinos, onde as passagens de ida e volta de Guarulhos a Tel Aviv custaram a bagatela de 1040 reais por pessoa! Na verdade, não foi um mochilão propriamente dito, pois levei minha mãe que quis ficar em hotéis e com carro alugado, mas pela escassez de informação sobre os países do Cáucaso, achei que seria interessante deixar meu relato. Esse é um resumo do que constará em breve em meu blog de viagem Rediscovering the World. Dia 1 Ao chegarmos no aeroporto de Guarulhos vindo de Floripa, eu e minha mãe pudemos aproveitar meu cartão de crédito MasterCard Smiles Platinum para termos acesso à sala VIP. Lá comemos e bebemos à vontade, até o embarque no avião grande da Ethiopian Airlines, rumo à conexão em Adis Abeba. O voo de 11,5 horas contou com refeições e entretenimento decentes. Como nosso voo seguinte seria apenas na tarde do dia seguinte, ao pousar, tivemos que encarar mais duas horas na fila da imigração temporária para recebermos os vouchers; estes, dão direito a hospedagem, transporte e refeições gratuitas. Nos colocaram no hotel Blue Sky, um lugar de qualidade duvidosa como a média etíope, e com água fria no chuveiro. Para incrementar o jantar básico que é oferecido aos ocidentais, pedi uma "injera", que é uma massa feita do grão "teff", na qual se envolve a comida com o uso das mãos. Dia 2 Dormi bem pouco, graças ao jet lag. Antes das 8, já tomamos o café da manhã. Depois, trocamos euros por birr (32 pra cada) na recepção do hotel. Sob leve chuva, paramos um táxi na rua para nos levar por 100 birr até a estação de trem. É um sistema elétrico moderno e inovador na África, tendo sigo erguido pelos chineses há alguns anos. Custa apenas de 2 a 6 birr, então fica cheio. Descemos na praça Meskel, onde há dois anos estive na comemoração do ano etíope. Seguimos em direção norte, na companhia de um nativo que foi conversando em inglês com a gente. Passamos por uns prédios governamentais e áreas verdes. Em seguida, compramos um souvenir. Retornamos sozinhos pelo centro, que deixou minha mãe, novata na África, bem ressabiada. Caminhar com tantos olhos desconfiados não foi agradável, então logo pegamos o trem de volta. Aproveitamos o almoço gratuito no hotel. Logo depois, foi a hora de enfrentarmos as checagens de segurança infinitas do aeroporto de Adis Abeba. Voamos a Israel de Ethiopian. Só que dessa vez, sem telas de vídeo individuais. Mas não fez diferença, pois eu capotei no voo de tanto sono. Mais além, descemos no aeroporto moderno de Tel Aviv. Ao procurar o transporte público, percebi que cometi um engano feio: não lembrei que sexta à noite já era "shabbat", o dia sagrado dos judeus, onde quase tudo fecha. Se fôssemos ficar em Tel Aviv ainda conseguiríamos pegar um "sherut" (van) até lá, mas acabei optando por uma hospedagem caseira bem cara, mas próxima do aeroporto, já que retornaríamos no dia seguinte. Sabe quanto custaria um táxi só de ida até Or Yehuda, 16 km distante? Uns 150 shekel (cerca de 170 reais)! E para alugar um carro na hora sairia ainda mais caro. Enquanto trocamos dinheiro num câmbio desfavorável e comíamos alguma coisa, tive a sorte de ver que existem táxis com tarifa reduzida pré-fixada no segundo andar. No final, saiu pela metade do preço. Passamos a noite no House on the Road, uma casa só pra gente. Qualidade decente, mas pelo preço abusivo, poderia ter sido melhor. Dia 3 Dormimos bem. No resto da manhã, caminhamos nas quadras ao redor para conhecer o bairro. É limpo, tranquilo e florido, mas os israelenses não são simpáticos. O sol de 30 graus impediu que continuássemos explorando, então pegamos um táxi e voltamos ao aeroporto, passando por uma infinidade de controles de segurança. Voamos com a Alitalia para Moscou, com uma escala de algumas horas em Roma. Peguei esses trechos com 20 mil milhas Smiles por pessoa. No caro aeroporto, só comi uma pizza (10 euros). No resto do tempo, usei o wi-fi liberado. Dia 4 Desembarcamos no aeroporto Sheremetievo pelas 4 h, com o dia quase nascendo. Passamos a imigração rapidamente e pegamos o ônibus noturno até a estação de Kitay-Gorod (55 rublos ~ 3,3 reais). No caminho, fiquei surpreso com o tamanho dos prédios, principalmente residenciais. Na chegada, caminhamos ao hotel CityComfort Kitay-Gorod. A suíte pra 2 pessoas com 3 diárias custou 11250 rublos. Quarto bom, mas internet ruim. Para não perder o dia, botei o despertador para tocar às 12 h. Como minha mãe não estava se sentindo bem, saí sozinho. Peguei o metrô (55 rublos por vez) até o Centro Pan-Russo de Exposições. Estava cheio de gente bonita nesse domingo lindo de sol e temperaturas agradáveis. É uma área enorme, cheia de construções suntuosas, até mesmo com ouro, além de muitos museus, aquário e áreas verdes. Caminhei bastante ao redor, mas visitei por dentro só o Centro de Cosmonáutica e Aviação (500 rublos). Há bastante informação (parcialmente em inglês), além de representações e até mesmo equipamentos e naves originais do programa espacial russo. Bem interessante. Almocei e jantei na praça de alimentação de um centro comercial. Pedi um prato com salada, purê de batata e uma carne que parecia hambúrguer por 230 rublos na primeira refeição e um "kebab" russo por 190 rublos na segunda. Entender o russo está sendo um desafio. Ler algumas coisas em alfabeto cirílico até que consigo, graças ao Duolingo, mas ouvir e falar tá bem complicado. E pela minha aparência eles assumem que sou russo e já vem falando comigo nesse idioma diferente. À noite, quando seguia pra praça Vermelha, duas coisas ruins aconteceram. Minha câmera emperrou o obturador e parou de funcionar, e a tal praça estava fechada para uma parada militar que ocorreria na semana seguinte. Assim, só pude admirar à distância a parte mais turística de Moscou, que conta com a fortificação do Kremlin, a catedral de São Basílio, de arquitetura única no mundo, bem como diversas outras edificações. Dia 5 Para resolver a questão da câmera, localizei a Pixel24, uma loja de câmeras com preço bom. Fui até lá de metrô, conhecendo algumas das belas estações decoradas. Em seguida, eu e minha mãe visitamos o centro cultural de Izmaylovo. É uma área turística entre construções de arquitetura diferente, contando com souvenires, lanchonetes e museus, como o da vodka. Almoçamos espetos de frango e vegetais por uma graninha (1500 rublos), tomando "kvass" (100 rublos), que é uma bebida alcoólica fraca fermentada de pão, e cerveja (200 rublos). Posteriormente, sempre de metrô, atravessamos ao outro lado para conhecer o convento de Novodevichy, patrimônio da UNESCO. Normalmente custa 300 rublos, mas como estava todo em reforma, entramos de graça. Ao lado, fica um cemitério de pessoas importantes, que também custa 300 rublos. Só depois de entrarmos, descobrimos que ali ficava um cemitério e não o tal convento. Entre diversas lápides e árvores, vimos as tumbas de Gorbachev, Yeltsin, Trotski, Kruschev, entre outros. Ponto seguinte: rua Arbat. Antes, porém, entramos num supermercado para comprar uns mantimentos. Mais caro do que eu esperava. Essa rua pedestre é cheia de gente, lembrancinhas e artistas de rua. O longo caminho nos levou até a enorme catedral do Cristo Salvador, às margens do rio Moscou. Caminhamos mais um tanto até a praça Vermelha novamente, e de lá pro hotel. Dia 6 Metrô até a estação Paveletskaya, e de lá, o trem Aeroexpress (500 rublos pra 1 pessoa ou 850 pra 2). Desembarcamos no aeroporto Domodedovo 45 minutos depois. Minha passagem aérea, sem bagagem, custou 5350 rublos. Lá, gastamos os últimos 560 rublos num combo do Burger King. Enfim, partimos de S7, sem entretenimento, mas com um lanche. A entrada sem visto fluiu sem problemas. Trocamos euros por dram na cotação de 1 pra 529, só que depois tivemos que esperar um tempão pro atendente da Alamo trazer ao aeroporto o Kia Rio que alugamos. Como o veículo era automático, teríamos que cruzar uma fronteira e ainda devolver o carro em outro país, o aluguel para 14 diárias custou 723 dólares. Se você acha o alfabeto cirílico complicado, precisa ver o armênio. Nem tentei decorar. Melhor saber um pouco de russo quando vier pra cá, pois o inglês dos locais não é tão bom. Estava um calor danado quando deixamos o terminal em direção às igrejas de Vagharshapat. Visitamos 3 das que, em conjunto, são patrimônios da humanidade. De pedra, são todas bem antigas, sendo que a principal da Armênia, chamada Etchmiadzin, é a catedral mais antiga do mundo (ano 301). Ao redor dela fica um complexo eclesiástico. Não se paga pra entrar em nenhuma. Com o sol se pondo, pegamos a estrada remendada e cheia de radares até Erevan, a capital armena de 1 milhão de habitantes. Deixamos o carro numa viela e fizemos check-in no Holiday Hotel & Hostel (34200 dram pra 2 diárias numa suíte de 2 pessoas com café), que deixou um pouco a desejar. A pé, demos uma bela volta no centro, movimentado até tarde. Tomamos milk-shakes de frutas silvestres (900 dram cada), enquanto passeávamos pelo chique calçadão de Northern Avenue. Mais além, vimos um espetáculo gratuito digno de rivalizar com o de Dubai, e bem mais longo: o show das águas da raça da República de Erevan. São várias cores, amplitudes e formatos, embalados por músicas famosas e nacionais, durante 2 horas! Pena que não sabíamos que durava tanto. Com o fim às 23 h, comi o salgado "khachapuri" (450 dram) e tomei uma cerveja local (600 dram) no restaurante típico Karas. Dia 7 O café da manhã até que é incorpado. Depois dele, pegamos o carro para visitar o museu do Genocídio Armênio. Gratuito, conta a terrível história do massacre de cerca de 1,5 milhões dessa etnia por meio dos turcos, sobretudo em razão da diferença religiosa (cristão x muçulmano). Não tem como não deixar uma lágrima escorrer pelo lado do olho. Posteriormente, entramos no museu do sítio arqueológico de Erebuni, a antiga capital da Armênia, que deu origem a Erevan. O museu mostra alguns artefatos do reino antigo que ocupava essas terras há alguns milênios. Já o sítio, no alto de uma colina, não é tão interessante, mas a vista 360º de cima sim. A entrada para ambos custa mil dram. Almocei quase ao lado, optando por 2 "kebabs" de frango e salada por 2600 dram. De barriga cheia e com o sol fritando a 37 graus, dirigi algumas dezenas de km morro acima até Garni. Um templo a Mitra ergue-se na beira de uma garganta, famosa por suas colunas basálticas poligonais. Entrada de 1500 dram. Um pouco adiante e acima, jaz o monastério de Geghard. Cravado no topo do morro, ali fica uma igreja e no passado já moraram religiosos em cavernas nas rochas, ainda visíveis. Grátis. Sobrevivendo aos motoristas barbeiros e já de volta a Erevan, demos uma volta no jardim botânico, que não é grandes coisas. Custa 300 dram. À noite, passeei pelo complexo artístico da cascata e assisti novamente às fontes, admirando um pouco mais enquanto tomava um milk-shake de banana com Nutella (1200 dram = AMD). Dia 8 Antes de deixar Erevan rumo ao sul, demos uma olhadela e uma compradinha no grande mercado aberto de artesanatos Vernissage. Em seguida, centenas de quilômetros em estradas asfaltadas, mas não tão boas, subindo em altitude pela estepe árida. Primeira parada em Khor Virap, um monastério que fica bem em frente ao lendário monte Ararat, que dizem ser onde a arca de Noé encalhou. Agora é parte do território turco. Deixando para trás a região mais seca, almoçamos no vilarejo de Areni. No bom restaurante Arpeni Tavern, pedimos salada grega (1800 AMD), vinho de romã (400 AMD), "kebab" bovino (1000 AMD) e "hachar" (parente do trigo) com cogumelos (1300 AMD). Esperamos um bocado, mas valeu a pena. Mais à frente fica a caverna Areni-1, onde foram encontrados o cérebro, o sapato e a adega mais antiga do mundo, essa última de cerca de 6100 anos! Paga-se mil dram pra entrar, mas só se consegue ver os recipientes de vinho e as escavações. Desviando um pouco da rota, entramos no cânion Noravank. Vegetado e cênico, leva ao monastério de mesmo nome. Muito além, quase no pôr do sol, e já descendo numa estrada melhor, paramos em Zorats Karer, a Stonehenge da Armênia. É basicamente um circuito de pedras pontudas. Logo mais, ingressamos em Goris, uma pequena cidade entre montanhas. Nos hospedamos no hotel Christy. Por 18 mil, ficamos com uma suíte grande e café da manhã. Jantamos lá mesmo, um banquete típico digno, mas bem caro: 9 mil! Dia 9 O café, incluso, foi bem mais ou menos. Pegamos o carro para chegar nas rochas de Goris, cujas cavernas eram habitadas até os anos 60! Sem mais combustível no carro, e devido à impossibilidade de pagar com cartão de crédito, precisamos sacar dinheiro num caixa eletrônico. Depois de resolvida a questão, começamos a voltar o caminho. Paramos na bonita cachoeira Shaki. Um pouco além, entramos numa outra estrada rumo ao norte. Subimos a passagem de montanha Selim em ziguezague. Em seu topo, funcionava um caravançarai, tipo de hospedagem antiga para mercadores viajantes e seus animais de transporte. Ao descer o lado oposto, avistamos o enorme e cênico lago Sevan. Antes de chegar ao mesmo, todavia, estacionamos no restaurante Khrchit. Comemos dois deliciosos peixes (2 mil drama cada) e salada (mil dram). Adiante, ainda vi o famoso cemitério Noratus, que comporta um monte de "khachkars", lápides com cruz esculpidas desde o século 9, um símbolo da Armênia. Seguimos pelo litoral, parando com certa frequência para fotografar a paisagem interessante, bem como seus mosteiros Haynavank e Sevanavank. Esse último fica num balneário turístico, mas a praia de rio não é legal. Com o sol baixo, atravessamos um túnel. Na saída, presenciamos a primeira floresta no país. Essa área é a do parque nacional Dilijan. Como já estava escuro, só deu tempo de chegar à requintada hospedagem no meio de um morro, a Casanova Inn. Pagamos 20,5 mil dram por uma suíte e café. Antes de dormir, desci à estrada principal da cidade para arranjar algo barato pra comer. Achei um "kebab" por 800 dram. Dia 10 Melhor café da manhã até então. Deu pra sair de barriga cheia com todos os salgados e doces. Visitamos 3 conjuntos religiosos nesse dia. O primeiro foi o mosteiro de Haghartsin. Fica situado em meio às florestas do parque nacional, então a paisagem é bacana. Há algumas ruínas a mais que os outros. Em sequência, pegamos a estrada que leva até a fronteira com a Geórgia. A segunda foi a igreja Odzun. Ela fica acima de uma chapada bem alta, e começou a ser erguida no século 5. O terceiro, Sanahin, é um patrimônio da UNESCO. Por um acaso, encontramos uma brasileira filha de armênio lá. Já do outro lado do morro, uma de suas características é a quantidade de túmulos usados como piso. Continuamos à beira de um rio, numa estrada esburacada por vilarejos velhos, até achar uma lanchonete para almoçar "kebab" (700 cada). Chegamos à fronteira no meio da tarde, levando cerca de uma hora para encarar todos procedimentos, incluindo o seguro obrigatório de carro de 30 lari pra 2 semanas. Na pista contrária, no entanto, a fila se arrastava por dezenas de quilômetros! Deu até pena. Na fronteira o câmbio estava bem desfavorável, mas um pouco adiante conseguimos trocar 1 euro por 3,23 lari, praticamente a cotação oficial. Enchemos o tanque e partimos para Tbilisi, achando que tínhamos nos livrado dos motoristas imprudentes da Armênia, que estão entre os piores que já vi. Ledo engano, na Geórgia são iguais - só não há tantos Lada. Ficamos na hospedagem Heyvany, fora do centro. Por 56 lari (=GEL) a noite, já fomos recebidos com um ótimo vinho georgiano tipo Saperavi - uma das 525 variedades do país! Dia 11 Café da manhã aceitável. Depois disso, guiei até o morro onde fica a igreja Jvari, que pertence ao conjunto de Mtskheta, antiga capital da Geórgia, agora patrimônio da humanidade. Muitos turistas estavam no local, que tem uma vista bacana. Hora de pegar a autoestrada. Ficamos impressionados com a diferença no desenvolvimento do país em relação às Armênia, nem parece que são vizinhos. Tarde, paramos para almoçar num restaurante movimentado na beira da estrada, o Antre Batono. Apesar de cheio, fomos servidos bem rápido. Pedimos um "pkhali" (10 GEL), que é uma salada triturada de espinafre, berinjela, repolho, feijão e beterraba, temperada com um molho de nozes, vinagre, cebola, alho e ervas. Não apreciei muito. Acompanhando, truta (6 GEL), porco (10 GEL), e salada normal (7 GEL). A estrada piorou em seguida, pois adentrou as cidades. No final da tarde, uma chuva surgiu e deixou a visibilidade bem ruim, pois o limpador de parabrisa não funcionava direito. Quatrocentos quilômetros depois, já escurecendo, chegamos no trânsito intenso de Batumi, no mar Negro. Estacionei o carro na rua, fiz o check-in no hotel Argo (105 lari) e saí para explorar a pé. Tirando alguns prédios históricos, visitei a Piazza, onde tomei um milk-shake por 7 lari GEL. Continuei caminhando aleatoriamente, até que ouvi um som distante no parque que fica em frente ao mar. Acabei descobrindo um festival de música e bebida (Batumi Beer Fest). Lá conversei com uns locais, provei o salgado recheado "khinkali" (6 GEL), o destilado de uva "chacha" (5 GEL) e uma cerveja (4 GEL), enquanto curtia o rock georgiano. Passado o tempo, voltei pelo parque costeiro cheio de atrações, onde muita gente ainda se encontrava naquele domingo à noite, e regressei ao hotel. Dia 12 Passeamos novamente pelas ruas de dia. Estavam mais vazias que à noite. Mas com a luz pudemos apreciar a arquitetura urbana mista de Batumi. Entramos no museu de arqueologia (3 GEL). Apresenta diversos artefatos da região de Adjara. Compramos uns salgados para almoçar e tocamos pro sítio arqueológico da fortaleza de Gonio-Apsaras (10 GEL), que passou de mão entre romanos, bizantinos e otomanos. A muralha externa está quase intacta, enquanto que seu interior apresenta as escavações e o resultado delas em uma sala no interior. Outra coisa legal é que há alguns equipamentos a mostra e você pode vesti-los. No dia seguinte haveria uma feira medieval ali. O jardim botânico foi o passo final. Já fora de Batumi, custa 15 GEL para entrar em sua área grande. Um porém é que ele fica em uma encosta, então é necessário força nas pernas pra conhecer tudo. Há jardins temáticos de várias partes do mundo. Foi o melhor que vi nessa viagem. Antes de escurecer, conduzi o carro em direção norte até Zugdidi. O caminho rural incluiu tudo quanto é animal doméstico cruzando a pista. As vacas ficam paradas e soltas até mesmo em estradas movimentadas nesse país. Com o fim do dia, chegamos ao suposto hotel 5 estrelas Zugdidi Bookhouse (140 GEL). Dentro do que parecia ser uma escola, recepcionistas que não falavam nada de inglês (ao contrário da maioria em outras cidades) nos receberam. Depois de muita enrolação, ficamos num quarto nos fundos do prédio, onde não havia nenhum outro hóspede, aparentemente. De 5 estrelas não tinha nada. Dia 13 Depois do café, subimos a serra em direção à região da Suanécia. Logo de cara, a estrada ondulosa passa pelo reservatório do rio Enguri, num tom de azul lindo. Assim que o deixa, no entanto, a cor fica cinzenta e o rio agitado. Vimos muitos cicloviajantes nos dias anteriores da Geórgia, e na serra não foi diferente. Foram algumas horas lentas de sobe e desce, até ver alguns picos com neve ao chegar perto de Mestia. Outra coisa notável dessa cidadezinha montanhosa é a quantidade de torres defensivas erguidas e ainda de pé, uma mostra de quão violenta era a região no passado. Nos hospedamos no hotel Riverside (80 GEL), que como o nome sugere, fica ao lado do turbulento rio. Até que é confortável a hospedagem, mas o chuveiro é o pior que usamos nessa viagem. Seguindo uma dica, almoçamos no restaurante Nikala: cerveja (5 GEL), "ostri" de gado (7 GEL), "odjakhuri" de frango (10 GEL), salada (7 GEL). Pedir salada está sendo essencial, pois as carnes vêm meio secas. Depois da digestão, parti pra trilha que leva à geleira de Chalaadi. O caminho até a ponte do início é de estrada de chão, toda empoeirada com os caminhões que estão operando na obra de uma hidrelétrica. Já na trilha em si, eu e mais uns quantos atravessamos uma pequena floresta de pinheiros até a beira do rio, subindo. Depois, o caminho passa por cima das pedras da morena da geleira. Uma hora depois, enquanto os demais turistas ficaram no nível inferior da geleira, onde pouco gelo está exposto, eu subi pelas pedras soltas até mais próximo dela, num local arriscado. Dei uma conferida numa abertura de caverna de gelo e desci, pois o gelo em constante derretimento movia as pedras para baixo. À distância, vi uma pedra enorme desabando sobre um local onde eu passei anteriormente. Dito e feito. Ao anoitecer, visitamos o centro, onde as construções são de pedra e madeira. Como minha mãe estava com vontade, jantamos pizza no restaurante Sunseti. Com bebidas e mais uma salada, nos custou 30 GEL. Dia 14 Desde que entrei na Geórgia, meu estômago não vai bem. E não foi nesse dia que melhorei. Ainda assim, tomei um café da manhã substancial no hotel. Depois, passamos em frente a uma igreja antiga (Laghami) para uma foto, e nos dirigimos ao principal museu de Mestia. É o histórico e etnográfico Svaneti Museum, que possui muitas peças sobre a região. Descemos a serra em seguida. Brava parada para um hambúrguer no McDonald's de Zugdidi, antes de continuar até próximo a Kutaisi. Com um desvio forçado na estrada, chegamos apenas quase no final da tarde numa atração turística lotada, a caverna Prometheus. São 23 GEL para visitar a pé 1,4 km, apenas uma parte da longa caverna. A cavidade é iluminada e cheia de espeleotemas, mas em compensação a guia não explica nada e a multidão de pessoas de cada grupo (o nosso tinha umas 50) faz com que fique difícil sacar boas fotos. No caminho a Kutaisi na saída, entrei no sanatório abandonado de Tskaltubo. É horripilante a destruição lá dentro. Fico imaginando como seria à noite. Para jantar, estacionamos na praça central, onde há um belo chafariz. O restaurante, Baraqa, nos serviu rápido um prato de carne e também "khinkali" de queijo, a 80 centavos de lari cada. O limpo hotel onde passamos a noite, o Green Town (108 GEL), fica ao lado de uma baita igreja. A catedral de Bagrati, iluminada à noite, foi construída no século 11. Dia 15 Café da manhã reforçado. A pé, regressamos à igreja próxima. Dessa vez, estava aberta, mas por dentro não tinha nada de mais. Do contrário, o mosteiro de Gelati, onde fomos em seguida, era tão interessante por fora quanto em seu interior, cheio de afrescos originais. É um patrimônio da UNESCO. No centro de Kutaisi, a terceira maior cidade georgiana, entramos no mercado de alimentos, mas não compramos nada. Parada seguinte a algumas dezenas de km, no pilar de Katskhi. É uma igrejinha isolada no alto de uma torre calcária de cerca de 30 metros, impressionante. Mais um caminho à frente, Chiatura, um resquício dos tempos soviéticos. A principal atração são as jaulas metálicas enferrujadas, digo, teleféricos, construídos em 1954, que até ano passado ainda estavam em operação entre os diversos morros da pequena cidade. Almoçamos do lado da estação principal, no restaurante meio escondido Newland. A decoração é refinada, mas demoraram tanto pra servir que até tirei um cochilo. Pedimos uma mistura de cogumelo (6 GEL), salada grega (6 GEL) e "odjakhuri" de porco (6 GEL). Na saída da cidade para a autoestrada, o GPS acabou nos levando a uma estrada rural precária, onde quase atolei o carro e rachei ele por baixo. Ao final da tarde, chegamos a Gori, a cidade natal de Stalin. Só deu tempo de eu subir na fortaleza, que é um mirante gratuito, e caminhar num parque de diversões local, que tem um infeliz urso numa jaula. Aproveitei um pouco da piscina do hotel Royal "4 estrelas", antes de me enclausurar em nosso quarto privado com nada menos que 5 camas (117 GEL). Dia 16 Já com o estômago renovado, tomei o café da manhã à vontade. Como as atrações só abriam às 10 h, subimos antes de carro no mirante da igreja Goridjvari. Ao abrir dos portões de Uplistsikhe (7 GEL), entramos antes dos bandos de turistas. Essas são as ruínas de uma cidade moldada no interior de um morro da Idade do Bronze à Idade Média, quando os mongóis a destruíram. Novamente no centro de Gori, por 15 GEL cada, adentramos o museu dedicado a Joseph Stalin, o segundo líder mais sanguinário do mundo - só que o espaço não faz qualquer menção às suas atrocidades… Há apenas um bando de fotos, textos, artigos pessoais, além de um vagão de trem e de sua primeira casa. Almoçamos já na rodovia em direção ao norte. Natakhtris Vely foi a escolha refrigerada. Rapidamente paramos para uma foto na represa Zhinvali e na fortaleza Ananuri. Morro acima, atravessamos de Gudauri a Stepantsminda, uma área de incrível beleza cênica, graças a suas montanhas preservadas. Dois destaques são o monumento à amizade entre Rússia e Geórgia, além do passo de Djvari, com suas águas sulfurosas e depósitos de calcário. Antes de chegarmos à fronteira russa, regressamos a Gudauri com o tanque de combustível vazio. Com 10 GEL, pedi um "khachapuri imeruli" (massa com queijo típico) para jantar, no estiloso hotel onde nos hospedamos por 110 GEL (Good Inn). Veio mais do que pude comer. Dia 17 A noite estava fresca. Comemos uns doces no café da manhã. Às 10 horas eu já estava na fila do teleférico da estação de Gudauri. Mas ela levou quase outra hora para abrir. Paguei 30 GEL para a ida e volta. Durante o verão, apenas 4 gôndolas estão em operação, sendo que cada segmento leva 15 minutos. Foi bem bacana o passeio, pois vi paisagens lindas de dentro das cabines ou nas estações, como picos nevados, montanhas coloridas e cachoeiras. O vento lá em cima era forte. Ao descer, fomos almoçar a caminho de volta. Paramos no restaurante Mleta, pedindo um prato de cogumelos com batatas + 5 "khinkalis" de carne + salada por apenas 19 GEL. Pouco mais de uma hora depois, chegamos à capital. Como fazia tenebrosos 37 °C, fomos para um ambiente refrigerado, no shopping Tbilisi. Cheio de lojas de roupas e de brinquedos, além de um Carrefour completíssimo. Ao anoitecer, voltamos ao hotel Heyvany, onde passamos a primeira noite na Geórgia - só que sem vinho grátis e num beliche dessa vez, já que mudamos de itinerário na última hora. Dia 18 Como usual, às 10 horas já estávamos na porta de uma atração, que demorou um pouco pra abrir. Foi o museu etnológico a céu aberto, onde várias casas de regiões distintas do país foram trazidas para representar como o povo vivia. A entrada custa somente 5 lari e inclui a explicação em inglês de cada casa. Deixamos a mala no hotel seguinte e partimos pro museu nacional da Geórgia. Esse custa 15 GEL e inclui exposições sobre a biodiversidade, arqueologia, antropologia e uma sessão sobre a temida ocupação soviética. Comi um salgado de almoço e segui a caminhar por horas a fio no centro histórico de Tbilisi. A arquitetura é o que mais chama a atenção. Há bastante coisa pra ver. À minha mãe também interessou as lojas de souvenir. Ao retirar o carro, descobri que pra estacionar nas maiores cidades é necessário comprar um passe - levei uma multa, mas ainda bem que era de apenas 10 GEL. O problema foi entender o que estava escrito e onde pagar, já que ninguém sabia direito. Só retornamos ao hotel Lowell (190 GEL pra 2 noites) à noite. Dia 19 Café sequencial interessante, incluiu até o "matsoni", iogurte azedo georgiano, que fica delicioso misturado com geléia de fruta. Tentamos chegar de carro no jardim botânico, mas como não tivemos sucesso, pegamos o teleférico até lá. O cartão custa 2 GEL e pode ser devolvido; já a passagem, 2,5 GEL cada trecho. Enquanto minha mãe caminhava pela área turística da fortaleza de Narikala, eu entrei no jardim. Esse também fica numa encosta, e conta com um tanto de floresta. Depois de apreciar a vista, retomamos a direção. Fomos até o shopping aberto East Point, onde almoçamos pizza. De sobremesa num quiosque, um dos sorvetes mais baratos que já provei: 3 bolas na casquinha por apenas 3,5 GEL. Contornamos o grande reservatório chamado de mar de Tbilisi. No lado norte, pessoas se banhavam na praia, enquanto nós subimos ao monumento gigantesco "Crônicas da Geórgia". De volta ao centro, deixamos o carro no estacionamento e passeamos pelo mercado de pulgas em Dry Bridge. Há souvenires interessantes, junto com várias velharias. Posteriormente, andamos pelo cânion onde ficam os banhos sulfurosos e as ruínas. Lá perto, lanchamos com uma vista do movimento das ruas, no restaurante Machakhela-Samikitno. Uma cerveja de meio litro saiu por 4 GEL e cada "acharuli" de cogumelo 6,5. Dia 20 Acordamos mais cedo para devolver o carro no aeroporto, onde a locadora quase nos deixou na mão. Mais além, passamos pela imigração rapidamente e embarcamos rumo a Baku, capital do Azerbaijão. O voo foi pela companhia Azerbaijan Airlines, ao custo de 70 euros para cada um. Apesar de curto, contou com um sanduíche. No desembarque, apresentamos o visto eletrônico emitido por 23 dólares. Em seguida, retiramos um Hyundai Accent automático alugado na Avis (5 diárias por 140 dólares) e caímos nas terras azeris, cercadas por cavalos de pau em terra e plataformas marítimas, numa busca incessante por petróleo. Sob sol forte, primeira visita dedicada ao templo do fogo, que serviu a hindus e zoroastrianistas no passado. Ingresso de 4 manat (1 = 2,4 reais). O segundo ponto de parada também é ligado ao fogo. Yanardag é uma falha no solo desértico onde escapa gás natural. Há mais de 70 anos, desde que alguém acendeu sem querer, queima sem interrupção. Aqui a entrada custa 9 manat, mas pode ser combinada com a da outra atração por 11. Fizemos compras num supermercado normal e passamos pelo lago salgado Masazir, antes de parar na Heydar, uma mesquita enorme, nova e monocromática. Pena que não pudemos ver seu interior de mármore. Com o céu ficando roxo ao se pôr, chegamos ao hotel 4 estrelas Mavi Dalga. Ficamos com dois quartos por 90 manat no total. Antes de nos retirarmos, lavamos os pés na praia própria do hotel, de frente pro mar Cáspio. Ainda pedi um "kebab" pra janta (7 manat), onde fui devorado pelos mosquitos. Já deu pra perceber que aqui o russo, junto com o próximo turco, é mais falado que o idioma inglês. Dia 21 Café básico, mas moscas por todos os lados. Deixamos o hotel rumo ao Gobustão. Nessa área ficam vulcões de lama e uma área protegida de arte rupestre. Para chegar à primeira parte, pagamos 20 manat para um taxista clandestino de Lada, que ficou sem gasolina no meio do caminho. Passado o aperto pela estrada de barro, subimos no pico com algumas poças borbulhando lama fria na paisagem desoladora. Para visitar o museu moderno e os petroglifos de verdade, é preciso pagar 10 manat por pessoa. Esse é um patrimônio da humanidade. Almoçamos alguns km adiante na autoestrada. O restaurante, nomeado Qedir Kum, estava cheio. Pedimos um gorduroso e saboroso prato de carneiro com vegetais no "saj" por 20 manat, mais complementos. O caminho a seguir foi bastante monótono: duzentos e quarenta quilômetros de linha reta por um semi-deserto quente. No final da tarde, descemos no centro de Ganja. Sem relação com o apelido da maconha, é a segunda maior cidade do Azerbaijão. Caminhamos ao redor das praças com prédios antigos bonitos, além de virmos a casa feita com garrafas. Jantamos "kebab" no Ganja Mall e, já à noite, entramos no hotel Deluxe, um 4 estrelas de verdade. Por 80 manat, ficamos com um quarto bem grande. Dia 22 O café da manhã foi um buffet variado. Com muitas das ruas bloqueadas, deu certo trabalho rumar de Ganja ao parque nacional Göygöl, mas um tempo depois de subir uns morros, lá chegamos. São basicamente lagos cercados por floresta temperada. Custa 2,5 manat de entrada + 2 pra ir e vir de van até o pitoresco lago Maragöl, onde se pode caminhar ao redor, o que fez valer a visita. Breves horas depois, partimos para o norte. Passando pela hidrelétrica de Mingachevir, chegamos à estrada em obras que nos levou pelas montanhas até a pequena Shaki. Antes de conhecer a dita cuja, fomos um pouco adiante na vila Kish, onde adentramos um templo cristão (4 manat). Ali ficam os achados arqueológicos da região que era chamada de Albânia do Cáucaso. Com um "kebab" na mão, saí a explorar as ruas e construções de pedra de Shaki. Uma das edificações antigas era um caravançarai, atualmente um hotel, mas que mantém a estrutura e é aberto aos turistas. Outro que conheci foi o palácio de inverno (5 manat), uma das residências dos "khans", soberanos persas dos séculos passados. A mobília interna é quase ausente, mas os detalhes arquitetônicos são impressionantes. Mais impressionante é o complexo onde fica o palácio principal Shaki Khan (5 manat). Tanto que foi nomeado patrimônio da humanidade, junto com o centro da cidade. Chegamos lá com o sol se pondo, mas o guarda abriu clandestinamente para nós vermos. Pena que fotos no interior não são permitidas. Depois da visita, fizemos check-in no hotel 4 estrelas MinAli. A construção de pedra é do século 19, mas bem que o quarto de 95 manat poderia ter um frigobar. Fomos dormir ao som da MTV do Azerbaijão. Dia 23 Outro buffet bem bom de café da manhã. Pegamos a estrada, mais cênica dessa vez. Por pouco tempo, paramos em Gabala, a cidade mais antiga do país. Antigos mesmos eram os carros dos moradores. Depois, deixamos a rodovia em direção ao vilarejo elevado de Lahic. A estrada que cerca essa vila, com formações geológicas, é bela e traiçoeira. Já o povoado, é de pedra e famoso pelos artesanatos com materiais como o cobre. Pena que os artigos com o metal sejam tão caros. Passado um nevoeiro, almoçamos no friozinho em outro povoado, no restaurante Malham. Pedimos o mesmo carneiro no recipiente "saj" de 2 dias atrás, mas aqui custava 18 manat. É bem bom, mas problema é que esse prato demora até meia hora para ser feito. Estrada novamente, chegando no final da tarde no trânsito caótico de Baku. Desembarcamos no jardim botânico (1 manat), que nos desapontou. Depois foi a encrenca pra encontrar um lugar pra estacionar na rua, no meio do centro. Daqui em diante, seguimos a pé. Primeiro, entramos numa sorveteria para provar os "gelatos" italianos da Ca' D' Oro. Estavam muito bons, mas acabamos comendo demais. Eu fiquei com 4 bolas por 7 manat e uns centavos. Antes de dormir, caminhamos na rua pedestre Nizami, movimentada e iluminada à noite. Por fim, demos entrada no hotel La Casa, onde tivemos que nos contentar com um quarto sem janela por 2 diárias (145 manat). Dia 24 O café no restaurante indiano foi simples. Depois dele, caminhamos várias horas ao redor de boa parte da cidade. Primeiro, passamos pelo parque central, que vai desde o palácio Heydar Aliyev até a maravilha arquitetônica moderna Flame Towers. Nesse caminho, há bastante coisa pra ver, como a mesquita Tazapir. Do lado das torres, há um parque com um mirante de onde se vê toda beira-mar e a cidade velha. Quando descíamos as escadarias, entramos no museu de arte (10 manat). Só que havia poucas obras do Azerbaijão dentro. Na cidade velha, entre muralhas, almoçamos no restaurante Rast. Pedimos "dolma" e "choban qovurma", por 6 manat cada. Também aproveitei que não estava mais dirigindo para tomar um chope. A sobremesa foi num lugar próximo, provando "baklava", que são aqueles doces turcos folhados. Só que além de não serem nada baratos (1 a 2 manat cada), não achei saborosos. Depois de conferirmos os souvenires, visitamos o palácio dos Shirvanshahs, agora um museu. São 15 manat pra entrada. Voltamos ao hotel e nos separamos. Enquanto minha mãe foi atrás de mais lojas, eu peguei a bicicleta grátis da hospedagem e percorri o calçadão-parque que fica ao longo do mar Cáspio. É bem bacana, cheio de gente e atrações. Inclusive, é onde passa o circuito de rua de Fórmula 1 de Baku. Ao escurecer, voltei para jantar com minha mãe. Como eu estava com vontade de comer arroz, fomos num restaurante indiano, onde comemos "biryani". Meu prato estava bom, mas foi um tanto salgado: 18 manat. Dia 25 Devolvemos o carro e pegamos o voo (140 manat para ida e volta) até a República Autônoma do Naquichevão, exclave do Azerbaijão que fica entre a Armênia e o Irã. Do avião já deu pra perceber a aridez desse território. Do aeroporto internacional minúsculo, fomos num táxi clandestino (5 manat) até o Qrand Nakhchivan Hotel, que fica na entrada da cidade. Como a capital tem menos de 100 mil habitantes e praticamente não recebe turistas de fora (éramos os únicos no voo), esse 3 estrelas é um dos raríssimos hotéis disponíveis pela internet para reservar. Pagamos 161 manat por 2 diárias num quarto grandão, mas com ar condicionado sem funcionar e internet deficitária. Almoçamos ali mesmo por apenas 3 manat. Com o clima quente, saímos a explorar Naquichevão a pé. De cara, já é notável a esplêndida arquitetura dos prédios da região central, com materiais nobres, detalhes e cores. As ruas, largas e vazias, pois os atuais 90 e poucos mil habitantes não preenchem tudo. Ao passar em frente a um dos edifícios, nos convidaram a entrar. Era um teatro requintado, mas o que vimos foi uma exposição de quadros e de livros em miniatura. A guia, que fala um pouco de inglês, nos conduziu sem cobrar nada. Em seguida, visitamos o mausoléu de Möminə Xatun. Tumbas altas estilizadas como essa, também são um diferencial do território. Depois, adentramos a mesquita Jame, do século 18. De uma das praças, ainda vimos uma segunda mesquita, iraniana. Seguimos caminhando pelo minúsculo centro em direção norte. Se na outra parte do Azerbaijão, as menções ao falecido ex-presidente eram muitas, aqui elas são onipresentes, já que essa era sua terra natal. Com dificuldade, encontramos um lugar para comer um sanduíche de 1,5 manat. Esse lugar foi o Kitab Kafe (Book Café), que entre seus diversos livros incluía uma versão em azerbaijano de uma obra do Paulo Coelho. Após apreciar o pôr do sol sobre o rio que faz fronteira com o Irã, vimos os edifícios iluminados e retornamos. Um som alto ao lado do hotel chamou a atenção, então fui atrás. Descobri que havia um praça interna com lugares para comer, e também um show. Dia 26 O buffet de café da manhã do hotel foi razoável. A coisa boa dele foi o creme de avelã com cacau. Pegamos um táxi até a rodoviária (2 manat). Lá estão os ônibus de longa distância para outros países e as vans e micro-ônibus para os vilarejos próximos e outras cidades do Naquichevão. Escolhemos o que levaria a Ordubad, por apenas 2 manat cada. Só foi preciso esperar alguns minutos, que logo o veículo encheu e partiu às 9 da manhã. O caminho até lá, que leva cerca de 1 hora e 20, é atrativo do ponto de vista cênico. Formações montanhosas áridas de um lado da rodovia e plantações na margem do rio que faz fronteira com o Irã do outro lado. Ficamos cerca de uma hora e meia na pequena segunda maior cidade do território. Só vimos algumas ruínas, mesquitas e um museu regional, tudo gratuito. Ao meio-dia, regressamos. Ao desembarcarmos, tivemos a maior sorte quando fomos abordados por um estudante de idiomas, que queria praticar inglês e espanhol e nos ofereceu uma carona guiada até dois dos locais que eu gostaria de conhecer. O primeiro, chamado Əlincə Qalası, foi apelidado de Machu Picchu do Naquichevão. Só que diferentemente do similar peruano, aqui não se paga nada para acessar e nem há turistas para atrapalhar as fotos. Essa é uma fortaleza dos primeiros séculos, que resistiu a invasões e foi restaurada recentemente. Dizem que são 1600 degraus até o topo - não cheguei a contar, mas levei quase meia hora para subir. A vista lá de cima é sensacional; fiquei impressionado com a obra e o panorama. O camarada, que nos ensinou bastante sobre o Naquichevão, ainda nos levou ao hospital para problemas respiratórios que fica dentro de uma mina de sal. Surreal lá dentro, e também não se paga nada para conhecer. Com o fim da tarde, nos despedimos dele e nos ajeitamos para mais tarde jantar ao lado do hotel. Escolhemos um restaurante turco, desembolsando 18 manat pra comida e bebida suficiente pros dois. Dia 27 Pela manhã, conhecemos o interior de uma fortaleza do século 7, que conta com um museu e muralhas intactas. Subimos nelas, tendo uma boa vista da cidade abaixo. Também vimos por fora o mausoléu de Noé, do século 6 em diante. Ainda, ao lado está em construção a maior mesquita do Cáucaso. Dei uma volta final pelo centro, passando por alguns dos museus, entrando no que trata do ex-presidente e o do palácio dos Khans. Definitivamente, todas atrações do Naquichevão são gratuitas. Pagamos o hotel, almoçamos e nos direcionamos ao aeroporto. Horas depois, deixamos Naquichevão, uma terra única e ainda desconhecida. Durante esses mais de 2 dias, vimos apenas 4 turistas de fora da região. No aeroporto de Baku, pegamos um ônibus até a estação ferroviária. Esse sai a cada meia hora de ambos os terminais e custa 1,5 manat, fora o cartão que deve ser comprado numa máquina e custa 2, mas pode ser usado por mais de uma pessoa. Compramos uns mantimentos, jantamos na estação e retiramos as passagens do vagão de "primeira" classe (cabine privada), compradas dias antes pela internet. Até Tbilisi, custaram 57 manat cada. Às 20 e 40, começou a longa viagem num trem meio velho. Dia 28 Dormi mais ou menos e minha mãe nada, devido às chacoalhadas e ao barulho. Às 5 e meia da manhã fomos acordados para os procedimentos de imigração, que duraram 3 horas e meia! Ao menos, não precisamos sair do trem, pois os oficiais é que foram até nós. De metrô (2 lari pelo cartão e 50 centavos por cada passagem) chegamos a uma das estações centrais de Tbilisi, onde fica o shopping Galleria Tbilisi. Enquanto o check-in pro nosso hotel não começava, matamos um tempo ali, almoçando comida chinesa. Ficamos hospedados no Hotello, próximo da região central. Suíte com café = 105 lari. Enquanto minha mãe retornou ao centro histórico, voltei ao shopping para ver um filme no cinema. Passamos a noite no hotel. Dia 29 Tomamos o café e fomos de Bolt (Uber local) até o aeroporto, por 18 lari. Quem quiser economizar mais, pode ir de ônibus ou trem. Voamos com a MyWay Airlines para Tel Aviv, por 125 lari cada bilhete. O voo teve serviço de bordo. Já no desembarque, pegamos o trem que sai a cada meia hora para Jerusalém (23,5 shekel). Da estação final, seguimos de bonde (6 shekel) até Damascus Gate. Nosso hotel (Rivoli) estava um pouco adiante. Tivemos que pagar 235 shekel por uma hospedagem não tão boa assim. Logo saímos para explorar a cidade velha entre as muralhas. Começamos pelo portão de Herodes, caminhando pelos becos residenciais do quarteirão muçulmano. Quando chegamos à parte cristã, nos encontramos com uma multidão. Minha mãe ficou de olho nas lojas de souvenires. Entramos ainda na igreja do Santo Sepulcro. Deixamos a muralha pelo portão Jaffa, nos direcionando para a parte menos velha da cidade, caminhando pela avenida ao longo dos trilhos do bonde. Entramos no grande mercado de comidas Machane Yehuda, mas só pudemos olhar, de tão caro que é Israel. Com o sol se pondo, jantamos numa das poucas lanchonetes que aceitou cartão de crédito. Foram nada menos que 76 shekel para somente 2 cervejas e 2 sanduíches típicos! A refeição mais cara da viagem não foi nem o suficiente. Dia 30 Não dormi bem, devido ao ambiente luminoso e barulhento onde se encontra o hotel. Quanto ao café, esse foi razoável. Saímos a caminhar infinitamente pela cidade antiga. Em primeiro lugar, quase infartei minha mãe para subirmos ao mirante do monte das Oliveiras, de onde se tem uma vista bem privilegiada. Também fora das muralhas, ela entrou no jardim do Getsêmani e passamos por uma igreja ortodoxa russa. Atravessamos a infinidade de sepulturas judaicas, de um lado, e islâmicas, do outro. Depois das tumbas de profetas, entramos em um dos portões, dando no Muro da Lamentações. É preciso passar pela segurança para chegar no paredão que é o que restou do segundo templo de Herodes. Vagamos por muitas vielas comerciais, passando pela grande sinagoga Hurva, além de um local com um vídeo memorial da guerra da independência israelense. Atravessamos o quarteirão da Armênia, para enfim procurarmos um lugar para almoçar. Como é tudo caro e poucos estabelecimentos aceitam cartão, paramos num onde comemos somente um sanduíche "pita" de falafel e outro de "kebab" + uma cerveja por 69 shekel. Não foi suficiente para aplacar nossa fome, então pouco depois nós tivemos que complementar num mercadinho, também meio caro. Depois disso, só nos restou caminhar mais até a Via Dolorosa e aguardar no hotel o transporte de van que havíamos reservado. Como esse dia era "shabbat", o transporte estava bem prejudicado, então só nos restou pagar 75 shekel cada para chegar no aeroporto. À noite, aguardamos mais um pouco no terminal, até o voo da Ethiopian Airlines da madrugada seguinte, com conexão em Adis Abeba e final em São Paulo. Fim de jogo! Curtiu? Então não deixe de conferir meu blog de viagem Rediscovering the World, lá há muitos outros locais poucos visitados nesse belo mundo
  5. @julinho2002 estarei indo em janeiro também a partir de POA. Saio no dia 4 e deixo o país no dia 17. Se tiver por lá, avisa.
  6. Obrigado! Puxa, que dureza, já começou com um imprevisto. Você fará EBC+Gokyo ou EBC? Porque se for o primeiro caso, é arriscado pelo tempo que você tem. Quanto ao limite de peso, são 10 kg pra despachada, mas na verdade não há uma bagagem de mão propriamente dita, pois o avião é minúsculo e sem compartimentos pra guardar no interior. Você terá que despachar tudo que você não estiver vestindo, mas a câmera eles deixam ficar com você. Só vão deixar ir dentro se a mochila for realmente bem pequena. Os alojamentos que eu tentei e não consegui eram do mesmo preço ou até mais caros, na verdade. Só que eles eram mais populares porque havia referências positivas aos mesmos na internet. Foram as seguintes: Namche -> Himalayan Lodge e Khumbu Lodge, Tengboche -> Tengboche Guesthouse, Dingboche -> Snowlion Lodge, Lobuche e Gorak Shep -> Todos menos os que fiquei, Dzongla -> Mountain Home. Nos demais vilarejos, não tive problemas na escolha.
  7. Alteram sem custo, já que ocorre com frequência, mas a prioridade de embarque é de quem comprou o tal voo. Por isso que teve gente esperando por 3 dias.
  8. Galera que tá acompanhando esse tópico, acabei de lançar o meu relato, contando toda a história:
  9. Salve, galera! Esse é o resumo de um mochilão radical que fiz há alguns meses, espero que gostem. Caso queiram mais informações, podem acessar meu blog Rediscovering the World ou o livro que acabei de lançar (Trekking Extremo no Himalaia: Acampamento Base do Everest + Gokyo). Dia 1 Em 17 de março de 2019, ao chegar ao aeroporto de Guarulhos, tomei uma sequência de voos pela Air China, cujo destino final seria Mumbai, na Índia. Compradas quase 5 meses antes, as passagens de ida e volta custaram 734 dólares. Dia 2 Após breve conexão em Madri, o avião grande seguiu até Pequim. Ambos voos foram bem-sucedidos. Como a espera até o voo final levaria o dia todo, decidi aproveitar que o visto não é necessário para permanecer até 144 horas na capital chinesa. Dessa forma, passei pela fila da imigração em uma hora, saquei yuans (1 real = 1,75 yuans) num dos caixas automáticos e deixei o aeroporto no metrô que me levou até o centro da cidade. O trajeto de meia hora custou 25 yuans. Deixei a linha do aeroporto para pegar outra, ao custo de 4 yuans. Logo me impressionei pelo desenvolvimento e pela limpeza de Pequim, tirando a névoa permanente que quase esconde o sol. Só a falta de educação dos chineses que seguiu conforme o esperado. O primeiro monumento visitado foi o do conjunto Templo do Céu (28 yuans). Numa área grande, fica um parque com as estruturas erguidas em 1420 para orar em busca de uma boa colheita. A construção principal é o maior templo redondo de madeira da China. Depois de uma boa caminhada, comprei 4 bolinhos (dumpling) de carne por 2,5 yuans cada, mesmo sem saber antecipadamente o que viria dentro. Segui então caminhando até chegar à sequência de postos de controle policial de onde ficam as principais atrações de Pequim. Primeiramente, o museu nacional. É em sua maioria gratuito, num prédio bastante amplo, mas com conteúdo quase todo em mandarim e poucas exposições realmente interessantes. Entre essas, os presentes recebidos pela China de todo o mundo. Em seguida, caminhei ao redor da Praça Tian'nanmen, a Praça Celestial. É famosa por um massacre que aqui ocorreu durante protesto da população. Também não se paga e há espaço de sobra, com um memorial a Mao Tse-tung e um monumento aos heróis chineses. Por fim, entrei na Cidade Proibida. Como estava faminto e o corpo já se entregando de cansaço, tive que almoçar ali mesmo, pagando 32 yuans num prato raso. Mais uma atração enorme: são dezenas de palácios, muralhas e portais. Para visitar em baixa temporada (agora), custou 40 yuans. Mesmo assim, é difícil conseguir uma foto boa, tamanha a quantidade de chineses que visitam o complexo. Na saída, tentaram me aplicar o golpe de bater um papo num bar e ser extorquido, mas como eu já sabia dessa, escapei. Esgotado, retornei ao aeroporto no final da tarde. À noite, voei num avião menos novo pra Mumbai, tirando um belo cochilo a bordo. Dia 3 Desembarquei já na madrugada seguinte. Passei pela imigração com o eVisa feito antecipadamente na internet e troquei dólares por rúpias (1 dólar = 66 rúpias) logo após a imigração. Por fim, pedi pra chamarem um Uber pra mim, pois o táxi até o hotel próximo custava 500 rúpias, enquanto o Uber saiu por 210. O problema foi achar o danado, escondido numa viela. Somente às 3 e meia eu entrei no Ahlan Dormitory. Pra ficar num quarto coletivo, gastei 250 rúpias por noite. Só que o lugar não era muito agradável, pois era barulhento, fedia, estava sujo e quase sem água. Algo me picou na cama e me deixou com marcas por semanas. Pelo menos o wi-fi, o ar e o guarda-volumes funcionavam. Pra piorar, fui acordado antes das 8h pelos hóspedes e funcionários, não conseguindo mais dormir - o que já tinha dado bastante trabalho antes, vide o jet lag. Levantei, tomei o “chai” (na Índia, o chá é misturado com leite) e parti pra luta. Caminhando um pouco já notei a diferença colossal na (falta de) limpeza, em relação a Pequim. Peguei o metrô recém inaugurado, com ar condicionado, a partir de 10 rúpias. Para começar a preparar meu estômago, tomei um suco natural por 40. Em seguida, entrei na estação de trem suburbano. Que caos! Gente correndo e se empurrando por tudo que é lado, pendurada nas portas dos vagões como nos filmes, e tal. Para vivenciar um pouco disso, e porque eu queria economizar, comprei um bilhete da 2ª classe de Andheri a Churchgate. Apenas 10 rúpias até ponto final, 22 km adiante! Ainda que estivesse bem quente, os indianos vestiam quase todos roupa social, nenhum (além de mim) de bermuda. Da estação, fui até o principal museu da cidade, de nome complicado: Chhatrapati Shivaji Maharaj Vastu Sangrahalaya. Construído pra homenagear o príncipe do País de Gales, hospeda hoje num edifício de arquitetura indo-sarracena uma porção de artefatos relacionados a Índia e além, contando sua história. Pena que o ingresso seja meio salgado: 500 rúpias + 100 pra usar câmera. Nessa hora, começaram a pedir pra tirar foto comigo, como se eu fosse famoso. O almoço foi no renomado Delhi Darbar. Fiquei com um picante mas apreciável prato de “angara chicken” por 550 rúpias. Saí cheio. Acabei optando por fazer um city tour de 3h por 3500 rúpias, bem mais do que eu deveria pagar. Nele, passei por vários locais interessantes, como uma lavanderia a céu aberto, diversos prédios públicos e privados com arquitetura colonial britânica, o museu-casa do Gandhi (Mani Bhavan), a orla de Marine Drive, a colina de alto padrão Malabar e o templo da religião jainismo. Depois, fiquei no mercado de rua, onde não consegui caminhar em paz, indo então de volta pro hotel através de outra linha de trem da estação central. Retornei pendurado na porta aberta do trem. Comi um negócio, antes de conhecer dois jovens ucranianos no dormitório. Fiquei papeando e dei uma volta com eles, pra conferir o movimento das ruas poluídas. Aproveitei para provar a sobremesa quase sem gosto chamada “falooda” (40 rúpias) e levar umas bananas (6 por 1 real). Dia 4 Com o feriado do Holi, o qual me gerou uma pintura facial, o transporte público ficou bem menos cheio, ainda que sua frequência também tenha diminuído. Peguei os mesmos 2 transportes da manhã anterior, mas quando cheguei à estação final, pedi um Uber até o monumento Gateway of India, de onde partem os barcos até Elephanta Island, por 200 rúpias ida e volta. A baía até a ilhota é entulhada de estruturas. O translado leva cerca de uma hora; no total da minha hospedagem até a ilha eu levei quase 4 horas de deslocamento! Ao chegar, peguei um trenzinho da alegria (10 rúpias). Almocei no restaurante Elephanta Port, escolhendo um prato de “biryani” por 275 rúpias. O “biryani” de frango viria a se tornar meu prato preferido no país. Depois, subi o morro em meio a inúmeras barracas de souvenires. Para acessar as cavernas de Elephanta, patrimônio da UNESCO, paga-se atualmente 600 rúpias. São 5 delas, entalhadas diretamente na rocha durante 1300 anos do século 6 até a invasão e destruição parcial pelos portugueses. Há colunas, santuários e muitas estátuas em homenagem à deusa Shiva. Pena que com a quantidade de visitantes, praticamente todos indianos, fica difícil sacar boas fotos. O guia local Krishna me encheu tanto o saco que acabei aceitando uma explicação de meia hora por 500 rúpias. Quando ele me chamou pra ir num bar depois, meu sensor de golpe apitou. E eu estava correto, pois ele tentou fazer com que eu pagasse a cerveja dele e ainda tomar meu dinheiro com a desculpa de que iria pagar minha parte, mas não teve sucesso quando eu o peguei fugindo… Essa cerveja Kingfisher, a mais popular da Índia, não é boa. Só poderia ser assim, já que leva açúcar e xarope de arroz e milho na fórmula. Depois desse fato lastimável, subi as escadarias até o topo do morro, com vista para o mar e cheio de macacos fofos (Macaca radiata) - até eles roubarem sua comida. Ali fiquei famoso de novo, visto a quantidade de gente que pediu foto comigo. Retornei à hospedagem, chegando após escurecer. Só comi algo salgado e repousei. Dia 5 Acordei cedo pra pegar uma condução até o terminal 1 do aeroporto (110 rúpias), onde voei de SpiceJet até Bangalore. Que bom que mesmo as companhias de baixo custo da Índia permitem despachar até 15 kg gratuitamente, já que meu mochilão cheio dificilmente passaria por bagagem de mão. Em Bangalore, embarquei logo num segundo voo da GoAir até Port Blair, a capital maior cidade do arquipélago isolado de Andaman e Nicobar. Como se já não estivesse quente o suficiente em Mumbai, a temperatura de Port Blair na chegada estava em escaldantes 34 graus. Peguei um tuk-tuk (100 rúpias) até a estação de ônibus principal. Como perdi o ônibus das 15h e o próximo partiria quase 2 horas depois (somente mais tarde eu descobri que havia mais ônibus no outro terminal chamado Aberdeen), aproveitei pra fazer um lanche ali e comprar mantimentos no supermercado Mubarak. O ônibus saiu cheio. Levou cerca de uma hora e 24 rúpias para chegar ao vilarejo de Wandoor. Lá me hospedei no Anugama Resort, numa suíte privada bem razoável. Só que de resort o lugar não tem nada, nem sequer uma piscina, bar ou internet funcionando. Ao menos, os funcionários são gentis. Na hora do jantar, em que fiquei com um curry de peixe (190 rúpias) no restaurante da hospedagem, conheci uma família de belgas e holandês, com quem bati um bom papo. Dia 6 Acordei várias vezes durante a noite e levantei pelas 6, sendo que já havia sol um bom tempo antes. Eu e um dos companheiros da noite anterior fomos a pé cedo ao escritório do Parque Nacional Marinho Mahatma Gandhi para tentar conseguir a permissão para adentrá-lo, mais especificamente na ilhota de Jolly Buoy. Lá, descobrimos que os barcos já estavam cheios, e que precisaríamos tanto agendar o passeio quanto conseguir a permissão no escritório de turismo em Port Blair. Sendo assim, barganhamos um táxi para nos levar, esperar e trazer de volta por 2 mil rúpias. Emiti a permissão (mil rúpias) e o bilhete do barco para Jolly Buoy (885 rúpias) na mesma hora. Detalhe é que é necessária uma fotocópia do passaporte - mas há um xerox próximo que o faz por míseras 2 rúpias! Depois, fomos ao píer de Phoenix Bay, fechado aos domingos, para comprar nossas passagens à ilha Neil (510 rúpias). Regressamos a Wandoor e eu almocei no próprio hotel. Meu prato de “biryani” de frango (240 rúpias) demorou pra ficar pronto, mas foi uma baita refeição. Em seguida, caminhei até a praia. No caminho, topei com algumas aves, como o martim-pescador. A praia de Wandoor é peculiar por um motivo ruim; não é permitido entrar na água devido à presença esporádica do crocodilo de água salgada (Crocodylus porosus), o maior do mundo. Há inclusive uma tela de proteção. Alguns quiosques vendem souvenires, alimentos e bebidas. Fiquei ali com o pessoal por umas horas, até que eles partiram enquanto eu esperava o pôr do sol. Logo depois, caminhei os poucos quilômetros de volta ao Anugama Resort. Banho, janta e cama. Dia 7 Às 7 e meia embarquei rumo a Jolly Buoy, no Parque Nacional Marinho Mahatma Gandhi. A duração do translado foi de pouco mais de uma hora, em meio a ilhotas desabitadas com floresta nativa intocada. Chegando em Jolly Buoy, tive um grande desapontamento. Não é mais permitido praticar snorkeling! Dá pra acreditar nisso? Se tivessem dito antes eu já estaria a caminho da ilha Neil, e não num lugar minúsculo onde você só pode se banhar num cercado minúsculo. Fiquei lá conversando com a única outra gringa do barco, uma húngara. A única atividade extra é um passeio de 1h num barco sujo e desconfortável, com vidro no fundo para ver os corais e peixes, a um custo extra de mil rúpias… Ao regressar pelas 13h, almocei e parti para Port Blair num ônibus musical. Ao chegar, fui atrás de algum hotel, já que minha reserva para essa noite seria para a outra ilha. Usando a internet de uma acomodação já cheia, encontrei um tal de Lalaji Bayview, com um quarto individual por 800 rúpias. Então fui até lá caminhando, pelo meio de uma comunidade. A internet é paga (60 a hora), mas ao menos existente. Já a suíte é a mais básica possível, enquanto que o restaurante no topo da edificação é bacana. Jantei um enroladão de camarão (250 rúpias) e fui pra cama. Dia 8 Seguindo a tradição de acordar cada vez mais cedo, peguei a balsa das 6:30h para a ilha Neil. Duas horas depois, aportei. Deixei a mochila na acomodação Kingfisher Hotel e fui caminhando até a praia do norte, chamada Bharatpur. Com um bocado de gente, um tanto suja e cheio de barracas vendendo conchas, passeio aquáticos e etc, não é bem o que eu pensava. Atravessei e tive que nadar certo tempo até localizar os recifes de coral. Aqui vi alguma qualidade, até mesmo havia corais que nunca havia observado antes. O ruim foi voltar desviando dos barcos e motos aquáticas. Para almoçar, tentei achar um restaurante que fosse um meio termo entre os dos hotéis chiques e os pés sujos. Acabei parando no Port Canteen, onde fiquei com um arroz frito com camarão (220 rúpias). Com o dinheiro acabando, precisei sacar no único ATM da ilha, que para variar estava indisponível no momento. Contando com que a máquina estaria operando novamente dentro de algumas horas, o próprio funcionário do banco me emprestou seu dinheiro para que eu pudesse pagar o depósito do aluguel da bicicleta! A respeito disso, escolhi uma magrela para me deslocar por essa pequena ilha. A velha bike era pequena demais pra mim, mas por apenas 100 rúpias a diária eu não podia querer muito. Uma scooter custava um pouco a mais (400 rúpias + combustível). Pedalando, cruzei o interior cultivável de Neil até a bonita praia Sitapur, famosa pelo nascer do sol. Ali eu mergulhei novamente, mas no ponto onde fui a visibilidade estava ruim, devido às ondas. Vi menos do que no snorkeling anterior. Consegui sacar grana ao retornar. Assim, segui para outra beleza natural, um arco de rocha que fica no oeste da ilha. Cheio de turistas indianos, para se chegar nele há de passar por cima de poças de maré. Vi o sol se pôr neste lugar e retornei. Peguei dois dos salgados fritos picantes “samosas” (20 pila) e um caldo de cana (30) na parte mais central, onde havia movimento naquela hora. De volta ao hotel, meio velho e sem internet, para dormir. Dia 9 Mesmo que quisesse, não poderia demorar muito a acordar, pois o check-out é às 7:30h! E esse parece ser um horário normal dos hotéis das ilhas Andamã. Definitivamente, não entendem de turismo para estrangeiros. Ainda com a bicicleta, toquei para a praia Lakshmanpur, onde também mergulhei. Só que nessa praia só havia dois pescadores, que logo foram embora, e mais ninguém. Fiquei quase 2 horas e meia me deliciando com a vida nos corais. De especial, vi o maior peixe não cartilaginoso que já presenciei na vida. O peixe-papagaio (Bolbometopon muricatum) era tão grande que pude até tocá-lo. Na volta, fui comprar o bilhete da balsa a Havelock, vendido só no mesmo dia e de forma presencial, tudo para dificultar sua vida. Almocei o prato típico indiano thali (180 rúpias) e peguei a balsa. Em Havelock, pensei em andar apenas de ônibus, mas a frequência é tão baixa (1 a 1:30h cada) que decidi alugar uma scooter (500 rúpias a diária) pela segunda vez na vida. Meio cambaleando, fui até o Emerald Gecko, hospedagem na praia nº5 onde eu fiquei. Paguei 1600 rúpias numa cabana rústica de frente pra praia. Aqui finalmente tive contato com vários estrangeiros, todos europeus. Saí para dar uma corrida na praia, de maré baixa durante o pôr do sol. Só que essa praia não é boa pra nadar. Jantei no restaurante da própria acomodação, um pouco mais caro do que estava pagando. Então fiquei com uma pizza de frutos do mar (300 rúpias). Para variar, a internet não estava funcionando, então depois de um papo fui dormir, em mais um colchão finíssimo padrão Andamã. Dia 10 Tive que esperar o café da manhã incluído pra depois pegar a estrada. Dirigi até o começo da trilha para a praia Elephant, assim nomeada devido aos bichões acorrentados na praia para satisfazer a vontade de turistas que querem passear neles. Só que não foi dessa vez que a conheci, pois ela estava fechada devido a um óbito no dia anterior! Assim sendo, continuei na estrada até a praia Radhanagar. Seguindo a dica de um indiano, parei em frente ao Hotel Taj, onde ficaria um belo ponto de mergulho. Com o tempo fechado, não havia ninguém na praia quando cheguei pelas 8 e meia. Caí na água calma e clara, sobre um fundo exclusivamente arenoso. Nadei mais de 200 metros, sem ver nada. Eis que quando pensava em mudar a localização, comecei a vislumbrar uma maravilha atrás da outra. Cansei de ir atrás de arraias, de contar quantos cardumes e corais enormes diferentes apareciam, assim como polvos e muitas outras criaturas. No final, ainda tive o prazer de ver algumas tartarugas-marinhas e de sofrer comensalismo por uma rêmora! No total, fiquei nadando por 3 horas! Parei na entrada principal da praia, cheia de indianos, para almoçar num dos diversos restaurantes. Fiquei com um “thali” de camarão a conta gotas, por 300 rúpias. Depois, caminhei pela praia no sentido contrário ao anterior, encontrando nesse caminho separadamente os dois casais que eu havia conhecido nessa ilha. Ê mundo pequeno. Com a chuva, a pista estreita ficou um sabão só. Voltei devagar pra não deslizar na moto como um cara que estava à minha frente. Guiei até Kalapathar, a praia mais ao sul acessível por estrada. Legal ela, mas nada de excepcional. Regressei e parei no restaurante Golden Spoon, para comer um prato de peixe e usar a internet. Depois disso, voltei a minha hospedagem. Dia 11 Um bando de infelizes começou a bater panela pelas 5 e pouco. Dormi mais uma hora, tomei o café e segui pro início da trilha da praia Elephant - que ainda estava fechada… Só me restou voltar ao ponto de mergulho do dia anterior. Só que dessa vez não vi nada de novo, além de estar me borrando de medo, agora que eu estava ciente que ali é território do maior crocodilo do mundo. Almocei em Vijay Nagar, no restaurante vegetariano Biswas. Pedi um “paneer butter masala” por 200 rúpias. “Paneer” é o tradicional queijo coalho indiano, enquanto que “masala” é uma mistura de temperos. Depois, devolvi a moto e fiquei matando tempo até a saída do barco para Port Blair. Acabei embarcando no navio errado, e só me dei conta quando ele tinha partido - ainda bem que o destino de ambos era o mesmo. Só que esse estava infestado de baratas. Ao desembarcar já era noite, então só me restou ir pro hotel Sunnyvale, pedir uma janta a tele-entrega, lavar minhas coisas e dormir. Exceto pela barata no banheiro, foi a melhor suíte até então. Dia 12 Café da manhã, seguido pelo voo da IndiGo a Chennai. O voo atrasou, então pude conferir todas as atrações do aeroporto: banheiro, bebedouro, caixa eletrônico, lanchonetes e 3 checagens de segurança obrigatórias. Fazia um inferno de 36 graus quando aterrissei. Do alto e pelas ruas se vê que o forte aqui é a arquitetura. Além de muitos prédios em estilo colonial britânico, as moradias são coloridas com diferentes cores, e há uma infinidade de templos de hinduísmo. Mas também se vê muita sujeira e pobreza no meio. Peguei o metrô até a estação central (50 rúpias). Já na estação de trem, provei o suco de um fruto novo pra mim, o marrom arredondado sapoti. Depois, embarquei no trem (5 rúpias!) para o famoso templo hinduísta Kapaleeswarar, cultuado a Shiva. Não se paga nada pra entrar, mas além de uma torre cheia de ídolos do hinduísmo, não há mais muito o que ver. Na saída do templo, um motorista me abordou com o intuito do famoso golpe do tour barato de tuk-tuk, conhecido em Bangkok. Aceitei a carona de 100 rúpias que me levou primeiro à Basílica de São Tomé, uma das 3 únicas no mundo erguidas sobre a tumba de um dos apóstolos de Jesus. Depois ele me levou a duas lojas caríssimas onde ele ganharia combustível grátis por me levar. Obviamente eu não comprei nada. Por fim, me deixou na Marina Beach, a maior e mais movimentada de Chennai, onde eu caminhei um pouco e tomei um caldo de cana (20 rúpias) naquele final de tarde. A seguir, tomei outro trem e tuk-tuk para chegar ao albergue Elliot's 11 Beach. Um leito no dormitório coletivo me custou 610 rúpias incluindo café da manhã. Dei uma volta na rua cheia que leva à praia. Curiosamente, estava ocorrendo uma missa católica em tâmil (idioma do estado) a céu aberto. Parei para jantar num restaurante barato, Classy - de classe não tinha nada. Provei o tal de frango “tandoori”, assado, marinado, apimentado e avermelhado (160 rúpias). Caminhada noturna breve no calçadão da praia. Ali me desfiz dos meus chinelos que não tinham mais conserto e comprei um par por 150 rúpias. Depois fui pro albergue relaxar. Dia 13 Acordei pro café e o recepcionista estava vestindo uma camiseta de Floripa! Dá pra acreditar que o indiano já morou em minha terra, e adorou? Uber até o terminal, e lá próximo peguei o ônibus #588 até Mamallapuram (43 rúpias), onde fica o conjunto monumental de Mahabalipuram, que é um Patrimônio da Humanidade. Aqui eu finalmente vi turistas estrangeiros. Me esquivei dos guias e vendedores e entrei no complexo, sob um sol de rachar. São diversos monumentos com motivos hinduístas entalhados em granito, como baixos relevos, cavernas, mirantes e templos. Almocei no Moonrakers uma porção de lulas fritas (350 rúpias) e um camarão-tigre (300 rúpias) que foi desnecessário, como eu já estava satisfeito. Saí de lá explodindo - e acho que foi esse almoço que me deixou mal depois. Caminhei até os dois templos pagos, sob um único bilhete de 600 rúpias. O que fica na praia se chama Shore Temple, enquanto o outro é o Five Rathas. Ambos interessantes. Prossegui pelo Sea Shell Museum, uma coleção de 40 mil conchas! Há de diversas espécies, formas, tamanhos e cores de várias partes do mundo. Pelo ingresso que combina uma seção especial das pérolas e outra com aquários (alguns pequenos demais pros peixes que os habitam), paguei 150. Continuando, vi o restante das ruínas na colina cheia de rochas do conjunto central de Mahabalipuram. Cansado, retornei de ônibus no final da tarde. Tomei um milk shake premium no Shakos e me retirei ao albergue. Dia 14 Já estava me acostumando com o tumulto na Índia, mas se tem uma coisa que me tira do sério é a falta de educação deles, tanto a respeito de jogarem lixo no chão e na água, dirigirem como loucos, atravessando em qualquer lugar e buzinando o tempo todo, e também furarem filas descaradamente. Voos de turbo-hélice da SpiceJet a Kochi e de lá a Malé, capital do arquipélago das Maldivas. Estavam me negando o embarque internacional porque eu não tinha como mostrar as reservas dos hotéis de cada dia que eu ficasse nas Maldivas. Só fui salvo porque um funcionário compartilhou sua conexão, já que meu chip estava sem sinal. Imigração tranquila, troquei a grana na parte de fora do aeroporto (15 rufias por dólar), bati um rango superfaturado e peguei o ônibus (10 rufias) que passa pela nova ponte que liga à ilha de Malé. Do ponto final, caminhei meio km até o terminal de balsas de Villingili, onde comprei meu bilhete pra Rasdhoo (53 rufias). De lá, caminhei mais meio km até a hospedagem Nap Corner. Paguei 28 dólares para dormir numa cápsula tecnológica futurista! Como estava me sentindo meio enjoado, não saí mais. Dia 15 Às 9h encontrei meu amigo Vinícius no terminal de balsas. Junto com outros poucos gringos, pegamos a barulhenta até Rasdhoo. Como leva 3 horas e ela foi quase vazia (assim como as seguintes), tiramos um cochilo no caminho até o atol. Fomos recebidos por um representante do Ras Village, hotel onde ficamos. Logo saímos para almoçar no Coffee Ole. Pedimos miojo de frango (fried chicken noodles), o prato mais em conta (55 rufias). À tarde, mergulhamos na praia ao sul da ilhota, destinada aos turistas. Só ali é permitido usar roupa de praia, já que Maldivas é um país islâmico e Rasdhoo é habitada. Com a maré baixa, tivemos certa dificuldade em atravessar o recife interno muito raso, até chegar ao externo, onde a beleza se fez presente. Não tanto pelos corais, pois eles estavam um tanto descoloridos, mas os peixes que os cercavam eram abundantes. Além de grandes cardumes, vimos alguns tubarões-de-ponta-negra-do-recife, uma arraia-chita, uma lula, dois peixes-leão e mais uns extras. Deixamos a água quase 3 horas depois, quando o sol já se punha. Uma pena que, saindo do lado oposto, descobrimos um depósito de lixo que termina no mar, bem desagradável. Vimos o belo pôr do sol no Oceano Índico. Depois, caímos na água novamente pra um mergulho noturno, coisa que nunca havia feito antes. Com lanternas à prova d'água, mergulhamos na escuridão completa. Dá um certo medo, pois é nessa hora que os tubarões saem pra caçar - e nós vimos vários deles! Para completar, também avistamos uma tartaruga e uma sépia, que evadiu com um poderoso jato de tinta. Os lírios do mar também ficam mais bonitos à noite, pois se abrem totalmente para captar os nutrientes. Uma das vantagens de se mergulhar à noite é que, letárgicos pelo sono ou ofuscados pela lanterna, os peixes te deixam chegar bem mais próximo que durante o dia. Curti a experiência. Finalmente, jantamos no mesmo lugar, que tocava umas músicas de reggaeton animadas. Mas nada de álcool, já que fora das ilhas privadas dos resorts é proibido. Dia 16 Após café da manhã razoável, meu amigo foi fazer um passeio de 30 dólares para um banco de areia próximo, enquanto eu fui nadar até o recife Giri, mais afastado do que do dia anterior. O caminho até lá são 300 metros de profundidade inalcançável. De novo, vi os tubarões-de-ponta-branca-do-recife. Também avistei um cardume de peixes-anjo. Almoçamos em outro restaurante, o Lemon Drop. O cardápio é parecido com o anterior, sendo alguns itens mais caros e outros mais baratos. Aqui não tem som, mas há um terraço pra compensar. À tarde, praticamos mais snorkeling ao redor do lado sudoeste de Rasdhoo. Uma arraia diferente, alguns tubarões, cardumes e um peixe-leão no raso foi o que vimos. De vez em quando se misturavam correntes extremamente quentes com as um pouco frias, gerando turbulência na visibilidade. Após, assistimos o pôr do sol, com peixes saltando e morcegos sobrevoando a área. Depois da janta, meu mal estar provavelmente adquirido na Índia revelou-se uma diarreia. Duas semanas de comidas típicas super condimentadas e pouco higiênicas não tiveram um bom resultado. Ainda bem que não durou mais de um dia, talvez devido às leveduras (Floratil) que tomei. Dia 17 Na manhã seguinte, tomamos a balsa de uma hora de duração para a ilha de Ukulhas (22 rufias). Ukulhas é mais limpa e sua praia tem uma areia tão branca que ofusca a vista e o mar tão claro que a visibilidade atinge dezenas de metros! Logo ao cairmos na água, percebemos o quanto esse lugar é especial. O recife externo, junto com o da ilha seguinte, é o melhor que presenciei nessa viagem. Cardumes variados, corais em melhor estado, tubarões, arraia e 3 tartarugas dóceis, das espécies de pente e verde. Nem se preocuparam conosco enquanto comiam as algas dos recifes. Mas como já estava com o sol a pino, fomos nos abrigar. Almoçamos na hospedagem em que dormiríamos, a Olhumati View Inn (55 dólares), com a suíte mais bacana. Para comer, escolhi um espaguete com peixe em estilo das Maldivas (6 dólares) e um suco natural de maracujá (2 dólares). Tirei umas fotos da praia enquanto o Vinícius dormia. Às 3h, mergulhamos uma vez mais, pelo resto da extensão do recife externo da ilha. Os corais na direção noroeste estão em melhor estado. Cansamos de ver tartarugas por lá. Trinta-réis pescavam os infinitos peixinhos que abundam. De espécies novas, vimos uma ou outra. Pena que o lado menos frequentado por turistas tenha sua parcela de lixo. Depois do pôr do sol, partimos pro terceiro snorkeling do dia, ou melhor, já era noite. Só que dessa vez foi curto, pois minha lanterna entrou em colapso, então ficamos usando só a do meu amigo. O mais interessante que vimos foram diversos tipos de plâncton. Quando desligamos as luzes, descobrimos que eram aqueles tais bioluminescentes, que brilhavam ao nosso toque! Um tempo depois, fomos jantar no SeaLaVie, restaurante um pouco menos em conta, mas com um som legal. Pagamos 8 dólares cada num prato razoável. Dia 18 Após o café de panquecas e suco, seguimos ao último mergulho nessa ilha. Na tentativa de vermos as gigantescas arraias-jamanta, voltamos ao ponto da manhã anterior. Não conseguimos, mas em compensação, vimos o dócil tubarão-enfermeiro-fulvo tirando um cochilo sob um recife. Escolhi um prato da comida típica “kotthu roshi” (6 dólares) de almoço, feito com pedaços de chapati. Em seguida, por 22 rufias, subimos na balsa até Rasdhoo e até Thoddoo, a ilha final. Essa é caracterizada por produzir a maior parte dos vegetais do país, principalmente mamão. Só a faixa central é ocupada pela área urbana. Fomos caminhando à praia do pôr do sol, para em meio a muitos turistas russos, observar o fenômeno. No caminho vimos as plantações e alguns dos animais nativos, como os morcegos gigantes, os lagartinhos coloridos e as aves terrestres. Há uma mesquita no centro que fica bonita iluminada à noite. Jantamos próximo a ela, no Maracuya. Mas não recomendo, pois os preços não são os melhores, não há música, a iluminação é fraca e eles ainda tentaram nos passar a perna na hora de pagar a conta. Antes de voltarmos ao hotel, demos uma volta para tirar fotos. Dormimos no Amazing View Guesthouse, um nível abaixo dos outros. Mas ao menos também conta com wi-fi e ar condicionado. Dia 19 Tomamos o café da manhã e saímos a mergulhar na praia do nascer do sol. Em Thoddoo o recife externo é mais distante, então é preciso nadar um pouco mais para atingi-lo. Mas vale a pena, pois os corais aqui são os melhores que vimos nas Maldivas. Começando por um pequeno nudibrânquio, atravessamos cardumes enormes de peixes-papagaio, um polvo, um grupo de arraias-chita, além do que já havíamos visto antes. Não tivemos sorte em encontrar um lugar aberto pra almoçar. Depois de uma bela pernada, é que sacamos que era sexta-feira, o dia sagrado do islã, então os restaurantes só abririam depois das 13:30h. Ficamos pelo Coffee Moon, onde nos deixaram assistindo TV trancados no restaurante, enquanto os atendentes iam rezar. Na hora marcada, pedimos o rango, aqui mais barato. Cinquenta mangos por um pratão de miojo com frango e a partir de 20 pelo suco natural. Só que não tenha pressa, porque aqui o negócio é meio devagar. À tarde, largamos do mesmo ponto inicial, mas seguimos mergulhando no sentido inverso. Só que não foi proveitoso, pois já fomos um tanto tarde e um temporal estragou o mar. Para compensar, vimos o melhor pôr do sol. Surgindo entre as nuvens, o círculo desceu até ser absorvido pelo mar. Jantamos no restaurante e café Seli Poeli, bem próximo da hospedagem. Com luzinhas de natal, toca um som legal, mas os preços não são tão bons - apesar de não cobrarem os impostos que chegam a 16% (e você só sabe se são cobrados na hora que vai pagar a conta). Dia 20 Ficamos boiando na linda praia pela manhã. Para o almoço, escolhemos outro restaurante, o Mint Garden. O ambiente é agradável e os preços também, mas (sempre tem um mas) os peixes que pedimos levaram mais de uma hora para ficarem prontos! À tarde, fizemos o último mergulho. Contando os que fiz nas Ilhas Andamã, totalizei 16 mergulhos! Dessa vez, fomos ao lado oeste de Thoddoo. Tivemos que nadar por quase meia hora para chegar ao fim do recife externo. Nesse caminho, vimos coisas novas, como camarões, outras espécies de arraias, além de espécies incomuns, como moreias marrons e poliquetas. Foi bem proveitoso, mas teve que se encerrar com o sol se pondo. À noite, voltamos ao Seli Poeli pra rangar. Depois, finalmente encontramos a loja de souvenir Ufaa aberta, já que os horários são meio bizarros nessas ilhas - essa fica disponível só das 20 às 21:30h! Dia 21 Acordamos bem cedo pra pegar a balsa das 6 e meia para Rasdhoo. A hospedagem nos fez a gentileza de adiantar o café da manhã e nos conseguir uma carona até o porto. Tivemos que aguardar umas horas até a seguinte de volta a Malé. Ficamos no café e restaurante Palm Shadow. Ao chegar à capital, almoçamos na praça de alimentação que fica bem em frente ao terminal de balsas. Em seguida, pegamos um ônibus até o aeroporto (10 rufias) e outro até Hulhumalé (20 rufias). Para pegar um ônibus direto custaria 20 pelo cartão não retornável + 20 pelo transporte (e não poderia levar bagagem). Hulhumalé é uma ilha mais nova onde mora a população de Malé - há inúmeros blocos de condomínio padrão. Demos uma volta por lá, incluindo o parque central, mas não vimos nada de tão interessante para turistas. Antes de ir para o hotel, tomamos um suco no Juice Corner (a partir de 20 rufias) e uns salgados. Nos hospedamos no Loona Hotel, em frente à praia urbana. Pagamos 50 dólares por um quarto com café e ficamos vendo TV. Tomamos o pequeno-almoço na correria e dividimos um táxi (100 rufias) com um indiano até o aeroporto. Vinícius trocou suas rufias restantes na mesma cotação da compra (15 por dólar). Voamos com a IndiGo até Bangalore, onde tivemos que aguardar mais umas tantas horas para o voo consequente de AirAsia a Jaipur. De volta à burrocracia indiana. Mesmo com o visto dentro do prazo de validade, vou precisar pedir um novo pra minha terceira entrada na Índia, ainda que seja pra ficar menos de 1 dia e não sair do aeroporto. Outra coisa, em Bangalore (e possivelmente nos demais aeroportos) não é possível sair depois que entrar nele, mesmo sendo no saguão do check-in. Meia hora, muita desinformação e uma permissão especial depois, conseguimos nos ver livres; caso contrário, passaríamos fome, já que havia onde almoçar lá dentro… Depois desse rolo, almoçamos na praça que fica bem na saída da área coberta do aeroporto. Escolhemos o Wok Shop Para a refeição principal e o Frozen Bottle para a sobremesa (249 rúpias por meio litro de milk shake). Depois de certa turbulência, descemos em Jaipur já com a noite surgindo. Seguimos diretamente ao albergue Jaipur Jantar Hostel de Uber por 190 rúpias, devido ao trânsito. No Uber daqui há opção até de moto ou tuk-tuk. No caminho, vi o quarto acidente de moto na Índia em 10 dias. O albergue é bacana, num prédio de arquitetura interessante. Largamos a mochila no guarda-volume do dormitório com triliches e fomos diretamente ao restaurante da hospedagem comer um prato variado de “thali”. Dia 22 Por 250 contos comemos e bebemos à vontade no café da manhã; valeu a pena. Depois, seguimos de Uber (190 rúpias) ao Forte de Amber, nas colinas áridas ao norte da cidade. A entrada individual para estrangeiro adulto é de 500 rúpias, mas escolhemos o ingresso combinado de 1000 para incluir outras atrações. É um baita complexo palaciano, cercado de muralhas longínquas que mais parecem as da China. No interior, pátios, mirantes e cômodos. Altamente turístico. Ao retornar de tuk-tuk, seguimos ao Museu Albert Hall. É um prédio de 2 andares em estilo indo-sarraceno, com arte indiana nas mais variadas formas, como estátuas, pinturas, moedas e armas. Almoçamos num lugar meio caído, o restaurante Ganesh, já dentro dos portões da rosada cidade velha. Pedi um “paneer butter masala” (190 rúpias) e um “onion naan” (95 rúpias). Continuando, caminhamos no sol infernal até o palácio Hawa Mahal. Famoso por sua fachada, também é permitida a visita em seu edifício de 5 andares. Em sequência, Jantar Mantar. Patrimônio da UNESCO, é uma série de instrumentos astronômicos antigos e grandes, incluindo o maior relógio de sol do mundo. Às 18h, na avenida do portão Tripoli, começou o desfile do Festival Gangaur, que tivemos sorte em presenciar com vista panorâmica da laje de uma loja. O desfile religioso foi composto por pessoas fantasiadas tocando instrumentos e dançando, bem como animais, incluindo um elefante. No caminho de volta, tomei na rua o caldo de cana mais barato do universo (10 rúpias, ou seja, 55 centavos de real!). À noite, jantei e fiquei conhecendo gente no albergue. Dia 23 Nos levantamos tranquilamente para pegar o trem das 11h. Compramos os bilhetes (75 rúpias cada) alguns minutos antes na confusa estação, e nos empurramos pra dentro do vagão do Ranthambore Express na hora em que ele chegou. Cerca de duas horas depois, descemos em Sawai Madhopur. Pegamos um tuk-tuk (150 rúpias) até a C. L. Saini Guesthouse, mas acabamos sendo despachados pra outra hospedagem, a Paridhi Niwas. Neste lugar, ficamos num quarto sem ar condicionado e com internet intermitente. Almoçamos lá mesmo, o melhor “thali” da viagem, por 250 rúpias. Depois, fomos conhecer o Forte de Ranthambore, que fica dentro do Parque Nacional Ranthambore, onde faríamos safáris no dia posterior. Pelo transporte até o forte, com a espera, tivemos que desembolsar mil rúpias. Só havia indianos lá, além de muitos macacos do tipo langur. Passamos mais tempo os fotografando do que as ruínas do forte em si, que em conjunto com os demais do estado de Rajastão, formam um Patrimônio da Humanidade. À noite fomos dormir cedo, pois teríamos que estar de pé às 5h da madruga! Dia 24 Apesar da reserva paga pela na internet (~1800 rúpias) afirmar a necessidade de se obter o bilhete no escritório do parque na noite anterior, ele fica fechado, então às 5 e meia já estávamos lá, os únicos estrangeiros entre várias dezenas de guias e motoristas, pois os turistas pagam pros hotéis fazerem essa função. Com mais 4 belgas de meia idade, fomos de jipe até a zona 10 do parque, bem distante. O caminho até lá exige uma máscara contra poeira. O ambiente é semidecidual, com morros e matas baixas, bastante seco nessa época. Vimos diversos langures, veados-sambar, veados-manchados, antílopes-azuis e aves, como pavões (nativos da Índia), no trajeto irregular. Estávamos chegando ao fim do safári de 3 horas e meia, quando atingimos o objetivo máximo, um tigre! Mais precisamente uma tigresa de 2 anos, estava deitada pegando um solzinho ardente. No máximo ela deu umas lambidas e fez umas caretas, mas mesmo assim foi muito legal ver. Almoçamos no próprio hotel mais um gostoso “thali”. A única coisa que não conseguimos comer/beber é a amarga coalhada. À tarde, mais um safári, das 3 às 6 e meia, desta vez na zona 4, mas em um veículo de 20 lugares. Essa zona possui paisagens mais belas que a outra. Quanto aos animais, vimos tanto quanto antes e até mais: chacais, outras aves, crocodilos. E no finzinho já com o sol se pondo, outra tigresa! Jantamos em nosso hotel. Depois, ficamos assistindo vídeo-clipes na MTV indiana até dormir. Dia 25 Café da manhã meio esquisito. Depois, seguimos à estação de trem. Para variar, só conseguimos comprar pra segunda classe (a pior), por 100 rúpias para um trecho de 4 horas e meia até Agra Fort. Como os compartimentos dessa classe estavam entupidos, seguimos caminhando em direção aos vagões posteriores, que são melhores. Passamos por vários com camas e ar condicionado, todas lotadas, até que chegamos à classe superior dos assentos, também sem uma vaga sequer. Como resultado, só nos restou ficar no limbo, no espaço apertado e fedido do banheiro entre vagões, numa mistura de ar quente de fora e frio de dentro. No fim, apareceu um fiscal querendo nos cobrar a diferença dos bilhetes, como se estivéssemos na classe 3AC, que custava 815 rúpias a mais cada! O cara não falava muito inglês, então foi bem difícil argumentar com ele. O melhor que conseguimos foi pagar metade desse valor cada, já que não estávamos em assentos adequados… Ao chegar em Agra, combinamos com um tuk-tuk para nos transportar até a hospedagem e de lá até o forte, depois ver o pôr do Taj Mahal e retornar, por 700 rúpias. O Forte de Agra, patrimônio UNESCO do século 16, ocupa uma área grande, só que há poucas construções no interior, pois os britânicos as destruíram. Mesmo assim, os detalhes e o tamanho da obra de arenito vermelho são impressionantes. Entrada de 600 rúpias. Alguns sikh pediram pra tirar foto, então aproveitei para aprender um pouco sobre essa religião. Para o pôr do sol, ficamos num jardim bem atrás do Taj Mahal, mas do outro lado do rio que corta a cidade. Há que se pagar 300 rúpias para essa vista, mas se você gosta de amoras e vier nessa época, dá pra recuperar a grana catando as infinitas frutas que estão nos pés do jardim. Jantamos no Bob Marley Café. É tão autêntico que, além da decoração e das músicas, a bebida deles vem aditivada com aquele ingrediente que vocês devem estar pensando. O Special Bob Marley Lassi ("lassi" é um tipo de iogurte indiano) custou 180 rúpias. Umas duas horas depois, começamos a sentir os efeitos da bebida. Foi uma comédia só. Dormimos no Yoga Guesthouse, só no ventilador e cercado de mosquitos, por 350 rúpias cada. O ambiente não é tão limpo, mas a pessoa que cuida não poderia ser mais solícita, visto que até levou os tênis do meu amigo para costurar sem cobrar. Dia 26 Taj Mahal pela manhã. Quanto mais cedo melhor, mas não fomos tanto. Pra chegar lá, só caminhando ou de riquixá. A entrada pra estrangeiros é abusiva: 1300 rúpias. Dentro, plantas, águas, mesquita, muita gente e o imponente mausoléu de mármore com a tumba da mulher preferida que foi presenteada pelo rei mugal. Na saída, compramos um souvenir, tomamos o café da manhã e corremos pro ônibus refrigerado da Ashok Travels, que nos levaria a Délhi por 400 rúpias cada. Três horas depois, desembarcamos na estação de metrô Akshardham, onde fica o maior templo hindu do país. Almoçamos umas misturas boas num restaurante da estação, seguindo então para a do albergue [email protected], por 30 rúpias. Deixamos as coisas lá, e como já era tarde e as atrações estavam fechadas, fomos às compras. Primeiro descemos no shopping Moments Mall, entrando no hipermercado More Mega Store. Lá eu pude comprar barras de proteína pro trekking no Nepal e o meu amigo alimentos típicos indianos (como a "chana") pra levar pro Brasil. Em seguida, o shopping Pacific Mall, para acessar a Decathlon (onde comprei meu calçado pra trilha) e jantar na praça de alimentação. Ao retornar pra dormir no quarto coletivo refrigerado de 635 rúpias cada, tive a maior ré da viagem. Meu voo para o Nepal com a porcaria da Jet Airways havia sido cancelado há alguns dias (falência da companhia) e eu nem tinha sido notificado! Para piorar, todos os voos de outras cias para os dias seguintes estavam absurdamente caros e não havia vaga nos ônibus que levam mais de um dia pra chegar! Acabei tendo que pagar uma fortuna no voo da IndiGo, caso contrário meu trekking no Everest ficaria comprometido... Dia 27 Havia levado minhas roupas na noite anterior pra lavanderia, ao custo de 30 rúpias por peça. Quase que fiquei sem elas, pois ficaram prontas no momento em que eu estava saindo, ainda que a lavagem tenha sido bem mal-feita. Para ir ao aeroporto eu fui de metrô, na linha expressa que custa 50. Na hora do check-in, conheci dois brasileiros (Lucas e Amanda) que fariam o mesmo trajeto que eu no Everest. Ao chegar em Catmandu, preenchi o formulário eletrônico, paguei o visto para um mês (40 dólares), passei a imigração e fiz o câmbio na cotação de 1 dólar pra 107 rúpias nepalesas. Estava chovendo ao deixar o terminal, mas isso não impediu que eu viesse caminhando até o hotel Sunaulo Inn, onde fiquei num quarto meia-boca por 1200 rúpias (doravante nepalesas). Jantei no próprio lugar, escolhendo um "biryani" de ovo por 280 rúpias. Apesar de ser mais barato que a Índia, cobraram sobre esse valor 23% de taxas! Depois das últimas pesquisas na internet, arrumei o mochilão pro dia seguinte e fui dormir cedo. Dia 28 Fui empolgado ao aeroporto, só pra descobrir que meu voo não sairia tão cedo. Cheguei às 9h e esperei… esperei… esperei, até que às 17h finalmente os voos para Lukla foram cancelados pelo tempo adverso e por um acidente fatal no dia anterior! Um dia inteiro perdido coçando o saco no saguão… Ao menos no final do dia consegui conhecer o complexo do templo hinduísta de Pashupatinath (mil rúpias). A arquitetura é interessante, com várias estupas e teto dourado. Ao longo de um rio, aqui ocorrem rituais de cremação como em Varanasi, na Índia. Tive sorte de presenciar uma dessas cremações, que começam com a cobertura do defunto com flores e o som de uma banda ao vivo. Em seguida, cobre-se de madeira e material inflamável e acende-se uma fogueira, que transforma o corpo em cinzas, que vão parar no rio. Meio macabro. Jantei um "chowmein" de frango, que é um macarrão chinês (250 rúpias), e repousei no mesmo hotel sujinho da noite anterior. Dia 29 Achei que não iria de novo, mas depois de 3 horas de tráfego aéreo (pra desafogar os atrasos dos dias anteriores), nos enviaram pro aviãozinho que recém havia pousado. E pensar que eu quase troquei por um caro helicóptero, como alguns dos turistas fizeram. Logo estávamos no ar, chacoalhando entre montanhas e terraços agrícolas. Pousamos uns 45 minutos depois, na pista minúscula e assustadora do aeroporto de Lukla. Dali já se vê um monte nevado. Comecei a caminhada às 13:40h pela cidade de Lukla a 2900 metros de altitude, onde se pode obter o que lhe faltou, como o dinheiro, que consegui sacar (ao contrário do aeroporto de Katmandu). Paguei as 2 mil rúpias pra entrar no parque rural de Khumbu, primeira etapa da trilha para o acampamento base do Everest. No começo, há muitos vilarejos, muitos turistas e carregadores (sherpas). E descidas, ao contrário do que se imagina. Essa região segue o budismo tibetano, então há muitos monumentos, como estupas, rochas com mantras e rodas "mani", além de alguns monastérios. Parei após duas horas, na metade do caminho que faria no dia, para pegar água duma bica e descansar por uns 10 minutos. Depois, foi só subida e descida. Suei um bocado. Algumas pontes pênseis cruzam um rio glacial turquesa lindo. Uma dessas, fica em Phakding, vilarejo badalado onde repousaram os demais trilheiros que largaram comigo. Eu prossegui até Monjo, onde cheguei no final da tarde, 4 horas depois do começo, e um tanto cansado. Fiquei com um quarto com banheiro, chuveiro quente e wi-fi por 500 rúpias, no Monjo Guesthouse. Estava vazio, então só encontrei um senhor francês pra conversar, enquanto esperava a janta vegetariana de "dal bhat", o prato mais típico nepalês, que consiste em arroz, lentilha, curry de vegetais aleatórios e um pedaço de algo salgado. É muito bem-servido, pois se pode repetir (500 rúpias). Após, continuei na sala comum com calefação, ouvindo músicas nepalesas e tomando "raksi", uma bebida alcoólica caseira de arroz e maçã, que o pessoal da pousada me ofereceu. Dia 30 Dormi relativamente bem. Comi uma barra de proteína e parti. Logo fica a entrada do Parque Nacional Sagarmatha. Mais 3 mil rúpias de pagamento. Depois de uma breve descida em Jorsalle, cercada por florestas de coníferas e cachoeiras, começa uma subida violenta até Namche Bazaar. Não há nenhum vilarejo no caminho. Quase 3 horas mais tarde, cheguei cansado da ascensão de 600 metros. Ao menos o tempo até então estava bom, tanto que eu ainda usava roupa de corrida - exceto pelo calçado. Namche Bazaar é a última cidade da trilha. No seu semicírculo de construções cravadas na montanha, há uma infinidade de hospedagens, restaurantes e lojas, onde se encontra de tudo para compra, a um certo preço. Entrei em 3 pousadas até encontrar uma que não estivesse cheia ou que cobrasse até para respirar. Fiquei na Pumori Guesthouse, por 500 rúpias, com banheiro compartilhado, recarga de aparelhos gratuita, bem como a internet. Só o banho é cobrado, mas nesse dia tomei na pia mesmo. Almocei ali uma pizza broto de cogumelo (550 dinheiros) e saí pra reconhecer a área. Só foi eu botar o pé pra fora que começou a chover e não parou mais. Rolou um fenômeno climático incomum também, uma precipitação monstruosa de granizo com neve! Enquanto isso, passei um tempo no bar The Hungry Yak, onde são transmitidos documentários sobre a montanha. Assisti a impressionante primeira ascensão do Everest, no filme "The Wildest Dream". Enquanto isso, tomei uma Nepal Ice, cerveja forte nepalesa, mas que chega aqui num preço salgado: 600 rúpias pelo latão de meio litro. Em seguida, passei por quase todas ruas, pelo Monastério Gomba, e, já escuro, voltei pra hospedagem para jantar. Ao comer meu bife de iaque (750 com acompanhamentos), gostoso mas meio fibroso, conheci um russo que quase chegou ao final da trilha com duas crianças de 8 e 6 anos! Fui dormir sob temperatura negativa, o que se repetiria até o retorno a Namche. Dia 31 Comi um omelete com pão tibetano (sem graça) e parti pra rua, para aproveitar o lindo dia ensolarado que fazia. Para ajudar na aclimatação, subi a íngreme rota que leva ao mirante do Monte Everest, mais de 400 metros acima de Namche. Lá em cima, coincidentemente, encontrei um grupo de trilheiros de Floripa, que estavam sendo guiados por nada menos que Waldemar Niclevicz, o maior montanhista brasileiro! Fiquei um tempo apreciando a vista do vale de Khumbu, por onde eu vim e para onde irei. Também estavam visíveis alguns dos picos mais elevados, como Ama Dablam e Lhotse. Infelizmente o Everest estava coberto por nuvens constantes. A temperatura não estava tão baixa, mas o vento estava de matar, então tive que descer. Visitei o Sherpa Cultural Museum & Mount Everest Documentation Center (250 rúpias). Há um modelo de residência Sherpa com seus utensílios típicos. Também há uma galeria com fotos, equipamentos e jornais a respeito das expedições ao Everest e sobre o povo das montanhas. Almocei lá mesmo um "dal bhat" (600 rúpias). A seguir, conheci o gratuito centro de visitantes do Parque Nacional Sagarmatha, onde fica essa trilha que estou seguindo. No centro há diversas informações a respeito do meio ambiente do parque. No final da tarde, fui em outro bar (Everest Burger & Steakhouse) para assistir outro filme, dessa vez "Everest". Também aproveitei pra provar outro prato típico, o "thukpa", que é uma sopa de macarrão com vegetais (450 rúpias). Jantei "momos" (bolinhos de massa fritos ou cozidos com recheio de vegetais ou carne em formato de meia-lua) em minha acomodação, agora cheia de chineses. Tomei um banho quente (400 rúpias), carreguei meus eletrônicos e fui dormir. Dia 32 Noite boa de sono, sinal da aclimatação funcionando. Café da manhã pago básico. Me livrei de 1 kg de roupa que não usaria adiante, deixando na hospedagem para pegar na volta. Às 9 e meia, comecei a leve subida e o contorno plano do vale de Khumbu, com vista pro Everest, Lhotse e picos vizinhos. Até aí tudo bem, mas quando o caminho desceu num bosque até a altura do rio no povoado de Phunki Thanga, começou uma subida chata de 550 metros em 2,4 km até Tengboche, onde pernoitei. Do final da subida, dá para ver uma morena, que são os detritos deixados por uma geleira que retrocedeu pelo aquecimento global. Já no topo, fica o pequeno povoado, centrado em um monastério interessante, que visitei. Lá reencontrei o grupo de Floripa, e troquei umas ideias com o Waldemar Niclevicz, um cara bem simpático e inspirador. Passei por 3 hospedagens até achar uma boa opção, pois a mais popular estava lotada, a que conta com uma padaria queria cobrar 1000 rúpias, mas a "teahouse" Tashi Delek cobrou 500 e até que era bacana. Para a internet, eu comprei um tal de Everest Link (2500 rúpias), que lhe dá direito a 10 GB em todas as hospedagens do caminho - e daqui pra frente o sinal do celular não pega. Dei um rolê pra passar o dia durante uma leve nevasca, e no final da tarde quando iria jantar em minha acomodação, encontrei um trio de brasileiros (Danniel, Samir e Felipe) descendo a montanha. Passei o resto do dia conversando com eles. Dia 33 Tomei o café junto, e logo nos despedimos, seguindo para lados diferentes. Às 9 e meia, desci um pouco dos 3860 metros até os povoados seguintes, ao redor do rio glacial Imja Khola. Fazia um baita frio, e às vezes o vento castigava. Botei um pano na cara para resolver essa questão. Ao passar Pangboche, que possui o monastério mais antigo da região, comi uma barra de proteína e recarreguei de água em Shomare, o vilarejo onde a maioria dos grupos almoçava. Com a diminuição de oxigênio disponível, meu ritmo de caminhada também decaiu. Outra coisa que decaiu foram as árvores. Ao passar dos 4 mil metros de altitude, só restaram arbustos. Passei por alguns campos só com plantas herbáceas e arbustivas até a bifurcação Pheriche-Dingboche, bem em frente aos restos de rochas brancas de uma geleira não mais visível. Após um esforço final de subida, cheguei 3 horas e 45 minutos depois na entrada de Dingboche, a mais de 4300 metros de elevação. Esse povoado é maior do que eu esperava. Novamente, minha hospedagem pretendida estava lotada, então acabei ficando com a Tashi Delek. Só que ao contrário desse hotel no vilarejo anterior, aqui não havia nem vaso sanitário… Paguei 500 mangos num quartinho duplo. Ainda bem que era duplo, pois precisei dos dois colchões, cobertores e travesseiros. Escolhi um restaurante aleatório para almoçar, e acabei me dando bem, pois os preços do Himalayan Culture Home Lodge, também hotel, são comparáveis com os de Namche Bazaar, um quilômetro abaixo em altitude. Tomei um chá de limão com gengibre e comi "momos" vegetarianos por 580 no total. Posteriormente, caminhei por Dingboche, só pra ver os campos marrons de plantação serem adubados com fezes. Tomei um banho quente no Tashi Delek (500 rúpias) e fiquei relaxando, já que a rua estava fria, com um neblina que impedia a visão de qualquer montanha, além do cheiro da bosta usada na calefação dos interiores já estar forte. Ao sol se pôr, jantei em meu hotel o clássico "dal bhat". Por fim fiquei debaixo das cobertas lendo um pouco em meu Kindle. Dia 34 Depois do café da manhã de pão, ovo e chá, usei meu dia de folga/aclimatação para subir o primeiro pico da viagem, o mais alto da minha vida. Sobre Dingboche, reina o árido Nangkartshang, com 5083 metros. Saí às 9 e meia como usual. O tempo estava bom, com algumas nuvens, mas não se via o cume por causa de uma névoa. A parte inicial é uma estupa, seguida de um mirante, numa altitude ainda não tão elevada. Depois, a inclinação fica severa. Entre rochas, poucas plantas miúdas, musgos e líquens. O vento aumentou a força, mas não incomodou tanto porque batia nas costas protegidas. Mais além, a fadiga muscular começou a bater, mas não pior que a respiração, já que o oxigênio estava bastante escasso. Conforme o gelo surgia no caminho, eu ia quase cambaleando para chegar logo ao topo. Duas horas e 15 depois, finalmente conquistei o cume! Só que meio atordoado pela falta de ar, acabei atirando minha GoPro ladeira abaixo! Ela bateu numa pedra e foi parar num banco de gelo em outro nível. E agora, perder todo registro da viagem ou arriscar minha vida? Ponderei o risco, e desci em direção à câmera, conseguindo recuperá-la. Ufa! Fiquei um tempo em cima tirando fotos, mas a névoa não deu muita trégua, então desci, faminto e sedento. Parei no Café 4410, que permite a recarga gratuita de aparelhos eletrônicos. Pedi um hambúrguer vegetariano, fritas e milk shake por 1200 rúpias. Enquanto aguardava a recarga, reencontrei um grupo de colombianos que havia conhecido no cume. Passei o resto da tarde conversando com eles; foram tão gentis que até me pagaram um lanche. Quem diria que eu comeria torta de maçã num vilarejo remoto desses! À noite, jantei "thukpa" (450 rúpias) no hotel, e relaxei. Dia 35 Café da manhã repetido. Parti para Lobuche. O início é um vale desolado e ventoso, cercado pela montanha que escalei e por outra nevada. Quando chegara o momento de cruzar o Rio Lobuche e começar uma inclinação foda, parei pra um lanche. Acontece que quando fui trocar o cartão de memória da GoPro, que estava cheio, ele se partiu no meio! Perdi a maioria dos vídeos e fotos que havia feito com ela, pois não havia feito backup. Parece que o que ocorreu na montanha no dia anterior foi uma premonição. Que lástima! Meio abatido, subi o caminho pedregoso com o fôlego no limite. Em cima, fica o memorial para os alpinistas mortos no Everest. Há dezenas de monumentos. Logo depois, já é possível ver um campo coberto de gelo. Mais além, fica o pequeno vilarejo de Lobuche. Aqui o preço mínimo é 700 rúpias. Consegui um quarto duplo e banheiro com privada, mas nada de pia (nessa altitude já não há encanamento), no Above the Clouds Lodge. Começou a nevar bastante, então parei na padaria mais alta do mundo para fazer outro lanche (doce+chá=550 rúpias). Em seguida, fui ao ar livre fotografar o cenário lindo que se formou com a neve acumulada. Até passarinhos estavam por lá. Com o tempo, a neve cessou e a névoa dissipou. Com isso, subi um morro para ter uma vista ainda melhor do vilarejo e do Glaciar de Khumbu, do outro lado. Com o fim do dia, o tempo piorou novamente, então voltei pra hospedagem, onde fiquei esperando um tempão pelo jantar, "dal bhat" (800 rúpias). O bom é que o refil tava incluído, então fiquei satisfeito. Banho de lenço umedecido e cama. Dia 36 Levantei mais cedo e tomei o café da manhã (omelete e chá - 750). Em seguida, subi até Gorak Shep, o assentamento mais elevado do mundo (5100 metros). O caminho estava com bastante trânsito e não foi tão fácil quanto pensei, pois há subidas e descidas sobre rochas. Quase na chegada, se vê o Glaciar de Khumbu, o pico Kala Patthar e o acampamento base do Everest. Em Gorak Shep, tive ainda mais dificuldade em achar um lugar pra ficar. Precisei dividir um quarto no Snow Land Highest Inn (500 rúpias pra cada). Deixei minhas coisas e parti pro acampamento base. O caminho é rochoso e passa ao lado da geleira. Entre as atrações, vi um casal da ave terrestre chamada de galo da neve tibetano, além de uma avalanche na montanha do lado oposto da geleira. Parecia um trovão o estrondo. Peguei ainda um tráfego de iaques carregadores. Ao chegar, há um marco com bandeiras onde todo mundo comemora. Mais uma etapa concluída com sucesso. Desci até a parte interior, lotada de barracas, onde os alpinistas ficam até um mês se aclimatando. Pisei no gelo e retornei, já que o tempo começava a piorar. Bati um rango violento quando voltei. O "dal bhat" da hospedagem veio com repetição, então fiquei cheio até a hora de dormir, a ponto de me deixar meio mal. Enquanto tentava fazer a digestão, um pessoal da Venezuela e Espanha sentou ao meu lado. Comecei a falar com eles; acabamos jogando cartas até a hora de se retirar - sem banho novamente, já que aqui custa mil rúpias! Também tive que recarregar o celular por 400 rúpias pra uma hora... Dia 37 Dormi mais ou menos, mesmo usando o saco de dormir pela primeira vez. Às 7 me levantei com leves sintomas de Mal de Altitude, mas isso não me deteve. Fui escalar o monte Kala Patthar. O começo é sobre terra, bem inclinado, cansa bastante. Depois que se contorna essa parte, percebe-se que o cume na verdade é mais distante e alto do que o que parecia ser visto de Gorak Shep. Continuei lentamente, agora sobre neve e rochas. Uma hora e meia depois, cheguei ao topo do ponto mais alto em minha jornada: 5650 metros! A vista do topo é sensacional. Ali fica o melhor mirante do imponente Monte Everest, bem como do Glaciar de Khumbu e diversas outras montanhas altas da região. Havia umas 10 pessoas essa hora no cume. Desci, almocei "momos" e, um pouco depois, segui o caminho de volta. A parte repetida até a bifurcação em Dughla foi meio monótona. De diferente, apenas um grupo que seguia na direção inversa em bicicletas! Quando atravessei o campo de gelo do acampamento base do Lobuche, não cruzei com mais ninguém. O trecho até Dzonghla é meio arriscado, pois segue à beira do precipício na maior parte do tempo. De vista compensa, pois passa em frente à baita montanha Cholatse e seu lago parcialmente congelado. Também vi uns tantos passarinhos. Quase na chegada, ultrapassei novamente o grupo de Cingapura cujo líder Saravanan foi até o EBC usando calçado minimalista. Na terceira tentativa, fiquei hospedado no Himalayan Lodge. Quinhentas rúpias pelo quarto duplo e banheiro com vaso, mas nada de pia. No mesmo lugar, ficaram os singapurenses e o espanhol Claudi, que eu havia conhecido em Gorak Shep. Jantei uma macarronada e passei o resto do tempo conversando com ambos. Todos foram dormir cedo para a travessia do dia seguinte. Dia 38 Pelas 5 da madruga os demais já estavam tomando café da manhã, enquanto eu pedi meu omelete e chá pras 6 e meia. Na primeira longuíssima subida, já passei um dos grupos. Tanto no dia anterior quanto nesse, alguns conhecidos tiveram que desistir da trilha pelos sintomas do Mal de Altitude. Um deles precisou até mesmo ser levado de helicóptero de volta. Estava com receio que tivesse que fazer essa travessia perigosa sozinho, já que a maioria vai cedo, mas acabei encontrando gente suficiente. Já cansou bastante a primeira elevação, que culminou em uma escalada entre rochas e neve. A paisagem, bem como as seguintes, fez valer a pena o esforço. O passo seguinte foi mais técnico do que cansativo - atravessar uma parede de neve sem proteção alguma contra o abismo que se seguia. Dei graças que Claudi me emprestou cravos para o tênis (crampons) na noite anterior, pois sem eles eu teria chance de despencar nessa etapa ou na seguinte. Passado o trecho sujeito a avalanches a nada menos que 5420 metros de altitude, veio a descida nesse meio escorregadio. Venci, chegando no vale seguinte, uma tundra alpina. Nova subida, seguida de nova descida, mais fáceis dessa vez. Por fim, seguindo o riacho originado numa dessas geleiras, cheguei no pequeno Dragnag, composto apenas de uns 7 alojamentos e nada mais. Desesperado por um banho, usei o próprio riacho para satisfazer meu desejo. Como eu estava aquecido da longa trilha de 6 horas, a temperatura não foi um grande problema. Aproveitei para lavar minhas roupas suadas também. Fiquei hospedado no Khumbi-la Hotel (500 rúpias). Tão básico quanto os demais. Almocei tardiamente "momos" fritos de batata (650 rúpias), botei minha GoPro para carregar (350 rúpias), e passei o resto da tarde entre conversas com os colegas e à toa. Jantei sopa, li um pouco e capotei. Antes, pedi quanto custava 1 mísero rolo de papel higiênico, já que o meu havia acabado: 550 contos! Dessa forma, peguei os guardanapos da sala de jantar pra resolver o problema... Dia 39 Comi e vazei em direção a Gokyo. O caminho é sobre a morena da maior geleira do Himalaia, a Ngozumpa, com 36 km! A caminhada dentro da geleira segue em ziguezague pra cima e pra baixo entre pedaços de rochas soltas, manchas de gelo e laguinhos congelados. Com uma subida final, chega-se a Gokyo. Meu corpo estava tão cansado que levei mais de duas horas para essa travessia, quando deveria levar menos. O povoado de Gokyo é único entre os da rota do trekking, pois fica na beira de um lago semicongelado lindo, cheio de aves e com montanhas nevadas próximas. Deixei minha mochila na Fitzroy Inn. São 500 rúpias, sendo que o banheiro possui vaso e pia, e o quarto é um pouco melhor. Comecei então a ascensão da última montanha da rota, a Gokyo Ri, com 5360 metros. Devido a meu estado precário, fui subindo a passos de tartaruga. Essa montanha é inclinada demais, pois possui 600 metros acima do lago, onde inicia. A paisagem do meio do caminho é sensacional, mas conforme eu subia o tempo ia fechando, pois já era o começo da tarde. De fato, fui o último a subir. Uma hora e 45 minutos depois, usando somente a força de vontade, cheguei ao cume. Lá em cima estavam uma argentina e meu colega Claudi. Descemos e fomos tomar um chá e conversar. Em seguida, jantei "dal bhat" em meu alojamento, com vista para o lago. Não estava me sentindo muito bem do estômago essa hora. Carreguei o celular (300 rúpias), comprei um rolo de papel higiênico (250 rúpias), um pão doce grande (600 rúpias), li um pouco e fui dormir cedo. Dia 40 Acordei com dor de garganta - também, todo esse tempo respirando ar frio e seco pela boca, só poderia acabar assim. Gastei minha última rúpia no check-out, mas pelo menos ganhei uns chocolates de brinde. Esse foi o dia mais longo de caminhada, pois tive que percorrer 24 km até Namche Bazaar. Ainda bem que em sua maioria, o trecho foi de descida. O começo foi passado ao lado dos lagos cênicos de Gokyo. Depois, acompanhando o rio glacial. Passei por alguns vilarejos, descansando, me hidratando e consumindo meus alimentos energéticos a cada cerca de 2 horas, sempre à beira de algum riacho. Encontrei meu colega Claudi nesse caminho, mas ele ficou em Dole, metade do trajeto que eu percorreria. Além desse povoado, as florestas começaram a ressurgir. Junto delas, uma parte lotada de cachoeiras. Já estava cansado, quando em frente a Phortse, uma elevação grande surgiu. Subi a passos lentos. Dali em diante, acelerei o possível no terreno irregular, quase torcendo meu tornozelo algumas vezes. Quase solitário, cheguei à bifurcação em Sanasa, quando entrei na trilha que já havia percorrido no quarto dia. Exausto, com dor nas costas, cheguei em Namche Bazaar às 16 horas, exatamente 8 horas depois de iniciar. Saquei dinheiro e fui pra hospedagem onde havia deixado uma pilha de roupas, a Pumori Guesthouse. Morrendo de fome, devorei uma macarronada (550 rúpias) enquanto carregava meus dispositivos. Por fim, apaguei. Dia 41 Acordei pior do que no dia anterior, dessa vez à dor de garganta, somou-se um resfriado. Não tive escolha; comi um omelete de queijo e tomate (400 rúpias) e vazei. O percurso inicial é de pura descida, mas isso não quer dizer que tenha sido rápido, já que há trânsito e o terreno é irregular. Em sequência, descidas e subidas intermináveis, enquanto atravessava de um lado do rio pro outro nas pontes pênseis. E o corpo reclamando. Mais além, passei pela vila de Phakding. Dali pra frente, foi o maior sofrimento: dor nas costas, nos ombros e nos pés. Eu ia cada vez mais devagar. O trecho final, majoritariamente de subida, foi um martírio, mas 6 horas e meia depois, cheguei ao portal de Lukla. Finalmente, 150 km de trilhas depois do começo, missão cumprida! Comemorei e fui pra alguma hospedagem, no caso a Alpine Lodge (500 rúpias). Tomei um banho (250 rúpias) e me joguei na cama, imprestável. Jantei outra macarronada e fui dormir. Dia 42 Comi uma panqueca com mel de manhã (400 rúpias) e fui cedo pro aeroporto. Precisei chegar lá às 7 e meia, mas não embarquei antes das 11… Me livrei dum dos aeroportos mais perigosos do mundo, descendo em Catmandu. Por 900 rúpias, tomei um táxi até o lar Laughing Buddha Home & Villa (5 dólares cada noite). No caminho pude constatar que o trânsito de Catmandu é do nível das cidades grandes indianas. E bem empoeirada. Desci pra conhecer as atrações recomendadas pela anfitriã, a começar pelo almoço na Army Canteen, lugar onde o exército vem rangar. Como o menu é em nepali, precisei apontar para o que havia na bancada: escolhi feijão, batata e cebola. Na hora de pagar a conta, fiquei de queixo caído… 50 rúpias (R$1,75)! O almoço mais barato da minha vida! Para a sobremesa, fui na padaria Best Choice. Realmente a melhor escolha, pois comi deliciosos doces a partir de 25 rúpias! Até levei uns pro café da manhã. Em seguida, entrei no museu de história natural (100 rúpias). É basicamente o depósito da seção biológica de uma universidade, contando centenas de animais empalhados, insetos, plantas e outros seres viventes no Nepal, com breves descrições. Prosseguindo, o templo do macaco (Swayambhunath). É um templo budista tibetano com algumas estupas, relíquias e muitos macacos sagrados. Entrei pela escadaria de acesso gratuito que os turistas desconhecem. Lá em cima há vendas de souvenires, mirante pra cidade toda e, na mata ao redor, bastante vida. Ao descer, mesmo sem muita fome, parei pra jantar no Chuden Shelzey. Optei por um "chowmein" de frango (120 rúpias). Para minha surpresa, um grupo de monges budistas estava ali jogando videogame! Retornei à tranquila hospedagem, onde fiquei à noite. Dia 43 Comecei o longo dia ingerindo meus doces da padaria. À continuação, pedi para que me chamassem um moto-táxi via Pathao, aplicativo tipo Uber. Até Bauddhanath custou apenas 170 rúpias. Já para a entrada desse Patrimônio da Humanidade, 400. Há uma grande estupa central, reconstruída após o terremoto de 2015, cercada de monastérios, templos, relíquias e lojas meio superfaturadas. Ao deixar o complexo budista que é o principal da capital, tomei um ônibus de 25 rúpias até Ratna Park, onde ficam as estações dos coletivos. Não quis pagar para entrar no parque, pois não me pareceu interessante, então segui até Ason, um bairro antigo central onde se vende de tudo a preços em conta. Aqui tentaram me aplicar o golpe do jovem aprendiz de inglês que quer treinar o idioma e o leva a um templo para benzê-lo e depois a uma loja de pinturas que só está aberta no dia do festival fictício que ocorria justamente naquele dia - não tiraram uma rúpia de mim. Almocei num muquifo um prato de "chowmein" vegetariano por somente 80 rúpias. Pensei em entrar na tradicional praça Durbar em seguida, mas o estado dos edifícios pós-terremoto e a exigência de que estrangeiros pagassem mil rúpias enquanto os nativos não pagavam nada, me fez mudar o rumo. Com o preço tão barato da comida, acabei tomando um caldo de cana por 30 rúpias e depois um "lassi" de banana por 100. Rapidamente adentrei o jardim Garden of Dreams, que cobra 200 pratas, mas é pequeno. Dessa forma, me embrenhei nas ruas apertadas e lotadas de comerciantes e turistas de Thamel. Procurava alguns equipamentos eletrônicos e pra trilhas, mas não encontrei nada de qualidade, já que aqui é quase tudo pirateado. Tomei um sorvete de Ferrero, que não era de Ferrero, e comprei em Ason dois souvenires (roda mani - 1500 rúpias e placa Namastê - 400). Me encontrei com Danniel, um dos brasileiros gente boa que conheci no caminho do Everest. Batemos um papo bom e tomamos um balde da cerveja artesanal Sherpa Red no bar Phat Khat. Depois jantamos "kebab" (225 cada) e eu peguei um táxi pra voltar à hospedagem (600 rúpias). Antes de dormir, conversei um pouco com o pessoal que se encontrava no Laughing Buddha. Dia 44 Acordei com os cães latindo e pessoas falando. Fui em direção aos museus, parando para ter um café da manhã no Vajra Café, já que o Chuden Shelzey não tinha nem ovo e nem vitamina naquela manhã. Acontece que esse café deixa bastante a desejar em comparação com a padaria de 2 dias atrás, além de estar cheio de moscas… Para meu desgosto, hoje era feriado do dia do trabalhador, então tanto o Military Museum quanto o National Museum estavam fechados! Não queria ir até a distante Bhaktapur, então caminhei até uma avenida onde pude pegar um ônibus à região central. Em Ason, fui às compras: relógio minimalista à prova d'água (3000 NPR=rúpias), carteira minimalista (375 NPR), boné minimalista c/ pescoceira (1000 NPR). Como os restaurantes turísticos de Thamel são meio caros, almocei numa birosca chamada Ravi Panipuri Chaat Shop. Fiquei com um tal de "papadi chaat" 70 NPR + "chicken egg roll" 100 NPR + Fanta amarela 40 NPR. Há uma infinidade de casas de câmbio em Thamel, mas como as raras que possuíam rial do Catar não tinham cotação boa, troquei o resto das minhas rúpias pelo famoso livro Into Thin Air na livraria Tibet Book Store (700 NPR). Enquanto procurava um transporte barato para retornar ao alojamento, tomei um suco de abacaxi grande (200 NPR). Depois, embarquei numa van (20 NPR). Me despedi e embarquei no voo da Nepal Airlines com destino a Doha. Havia lido que essa companhia era uma das piores do mundo, então fui sem expectativas, mas me surpreendi: avião grande e novo, entretenimento de bordo e alimentação decente - talvez eu tenha tido uma baita sorte, ou a companhia realmente melhorou. Dia 45 Com um pouco de atraso, desembarquei. A imigração sem visto foi ridiculamente rápida. Saquei dinheiro (1 rial do Catar = 1,07 reais), chamei um Uber até a hospedagem da vez (24 rials). O albergue Q Hostel, localizado num condomínio de casas de alto padrão, refrigerado, me custou 180 rials por 3 noites. Todos meus colegas de quarto eram de países islâmicos. Ao acordar, chamei um Uber pra me levar ao museu nacional (13 rials). A entrada individual custa 50 rials, mas o passe para 3 museus é 100, então o comprei no cartão de crédito. O Qatar National Museum já impressiona no exterior, inspirado na rosa do deserto. Por dentro, ainda mais. Com tecnologia de ponta, conta sobre a biodiversidade do país, bem como sua história, do passado remoto, passando pela conquista árabe, a era de ouro da coleta de pérolas e a atual do petróleo, que superdesenvolveu o Catar. Fiquei mais de 3 horas aqui. Almocei "chicken biryani" no Al Jazeera Kabab, bem em frente ao museu, por 12 rials. Há um ônibus gratuito rosa que passa uma vez a cada hora e leva aos dois outros museus. Peguei ele e desci no de arte islâmica. A construção é bem bacana também, mas por dentro não há tanto conteúdo. As obras de arte de várias localidades islâmicas são belas, mas nada excepcionais. Esperava um pouco mais. Uma hora depois, fui pro Mathaf, de arte moderna, que fica afastado dos demais. No caminho, pude notar as obras de infraestrutura e lazer pra Copa do Mundo de 2022. Havia apenas mais duas visitantes além de mim. Não consegui ficar nem uma hora vendo essas coisas estranhas que chamam de arte. Peguei o transporte de volta e fui passear pela Corniche, a avenida beira-mar. Ainda fazia calor pelas 5 e pouco, mas o sol já estava baixo no horizonte. Atravessei metade do semicírculo a lentos passos, admirando a arquitetura dos arranha-céus, que, assim como o resto da cidade, perdem pouco para Dubai. Tomei um "smoothie" meio caro de 25 rials no Costa Café, e segui por entre os prédios, que agora estavam com iluminação noturna variada. Entrei no shopping center City Center pra jantar (no Subway mesmo - 29 rials no Sabrina de 30 cm) e comprar mantimentos no completíssimo Carrefour, que só não tem cerveja com álcool. Gostei do preço do kiwi, 2,75 o kg. Voltei de ônibus #76 até o terminal de Al-Ghanim, onde pegaria outro busão até próximo da minha hospedagem. Um cartão para 2 viagens na cidade custa 10 rials e pode ser comprado com o próprio motorista. Pegaria, pois quando cheguei lá quase às 23h, já não havia mais linhas disponíveis para onde eu iria. Como não consegui sinal para chamar um Uber, convenci um táxi a aceitar a corrida por 15 rials. Dia 46 Como fui dormir tarde, acordei assim também. Tomei meu café da manhã de brownie + suco natural + frutas e tomei um Uber à estação de ônibus (12 rials). Chegando lá, fiquei sabendo que para embarcar no ônibus para fora de Doha, precisaria de um cartão ilimitado para 24 horas, ao custo de 20 rials. Então aproveitei para dar um rolê bom. Primeiro desci em Al Wakra. Como era o dia sagrado do islã, os "souqs" (mercados antigos) estavam fechados. Com isso, dei uma conferida na praia de água turquesa. Almocei logo no Alfanar Restaurant Yemeni Food, onde pedi um tal de "mandi chicken" por 25 rials, mesmo sem saber o que era - mas gostei. Caminhei mais um pouco e retornei à avenida, onde há uma estátua de ostra, uma mesquita bonita e um forte fechado ao público. A intenção era continuar pro sul até Mesaieed, mas eu acabei indo parar no ponto errado e só percebi quando o ônibus de volta estava passando, então decidi retornar ao centro. Fui então ao Souq Waqif, onde ficam as lojas tradicionais. Tentei comprar um souvenir decente, mas os feitos no Catar são caros demais. Ali também ocorria a feira internacional de tâmaras. Entrei e saí, pois eu nem gosto dessa fruta típica de países desérticos. Essa área revitalizada é a mais antiga da cidade. Visitei os museus Msheireb, que contam um pouco dessa história. Gratuitos, são 4 casarios antigos que também falam da escravidão na região e o desenvolvimento com a descoberta do petróleo. Fiquei algumas horas em seus interiores. Quando saí, já era noite. Fui à orla, um tanto escura, para admirar os arranha-céus coloridos do outro lado da baía. Ao retornar, parei num dos restaurantes/lanchonetes baratos ao lado da estação de ônibus para jantar. Comi um "biryani" de frango por somente 10 pilas no Taxi Land Restaurant. Depois, voltei à acomodação de ônibus. Doha tem um problema sério de trânsito no centro, mesmo a altas horas. Dia 47 Acordei uma vez às 4 e meia com o anúncio de Allah nos alto-falantes da mesquita mais próxima. Voltei a dormir. Fiz o check-out e deixei minha mochila na recepção enquanto passeava. Fui até a rodoviária, comprei outro cartão ilimitado e com o #104A através do deserto até Dukhan, o princípio da exploração petrolífera no país. O baita ônibus confortável é uma mudança e tanto pra caminhonete que levava os operários na caçamba. Em Zekreet, há umas formações geológicas tabulares interessantes. Pena eu não haver meio de explorá-las. Duas horas e meia depois, o ônibus parou na entrada de Dukhan, ao lado de uma refinaria. Almocei pizza na Domino's (29 rials pelo combo) enquanto aguardava o ônibus de retorno. Ao retornar, parei no Mall of Qatar, um shopping grandão e ligado à linha de metrô quase pronta. Aproveitei para a assistir o lançamento dos Vingadores. Acreditam que o ingresso mais barato pro cinema era de 45 reais o inteiro? Voltei com os ônibus. À noite, fui até o aeroporto, onde aguardei um bocado de horas até o voo das 4:40 com a IndiGo até Mumbai. Dia 48 Desembarquei sonolento, passei a imigração e peguei um Uber (180 rúpias) até a cápsula bacana onde eu passaria o dia, no Hotel Astropods Airport, por mil rúpias. De volta ao aeroporto, lanchei e embarquei na Air China para Pequim. Dia 49 Depois de umas 5 horas em voo, passei o resto do dia no aeroporto da capital chinesa, entre cochilos e eletrônicos. A comida é meio cara e há poucas opções de refeição, então fiquei à base de KFC e Costa Café. Dia 50 Na madrugada seguinte, fui com a mesma companhia para Frankfurt, onde desci para dar uma volta na cidade. Comprei um passe diário ilimitado pro transporte público (9,65 euros) e peguei o trem até a estação central. Como já conhecia a cidade, não mirei exatamente os pontos turísticos. Caminhei aleatoriamente, mas parei para fotografar a arquitetônica Römerplatz. Aproveitei o dia para ingerir algumas das delícias culinárias europeias, como queijos, cerveja, bagas e salsichão - a maioria comprado em supermercados. Fiz compras também: eletrônicos na Saturn, chocolates e outras comidas nos supermercados econômicos Penny e Aldi, e roupas na Primark. Final da tarde retornei e aguardei o bom voo da Lufthansa, que, junto com o trecho final da Gol até Floripa, concluiu a viagem, 3 dias depois!
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