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  1. Introdução Planejei uma viagem de carro saindo de São Paulo, capital, com destino ao Ushuaia, saindo do Brasil por Foz do Iguaçu, porém, para evitar a Ruta 14 com medo dos policiais corruptos, entraria no Brasil novamente em São Borja/RS para chegar em Uruguaiana/RS e assim descer até Gualeguaychu pelo Uruguai. Em seguida seguir para o lado oeste e descer a Ruta 40, entrar em Torres del Paine no Chile e continuar descendo até o Ushuaia. Na bagagem: barraca Quechua Arpenaz 4.1 Fresh & Black, duas cadeiras de praia, um fogareiro Nautika ceramik, uma mesa portátil, colchão inflável de casal, um saco de dormir, um cobertor, tapete em EVA (aqueles de montar) e manta térmica para forrar o chão da barraca. Além de utensílios de cozinha, um cooler, grelha para churrasco e uma caixa de mantimentos básicos como macarrão, miojo e alguns temperos. A barraca é grande, espaçosa e bem simples de montar (são apenas 3 varetas assim como qualquer outra). No quarto cabe o colchão de casal e sobra espaço para mais um de solteiro, como não era o caso, era usado para guardar as mochilas. O fogareiro acho que foi a melhor aquisição que fiz. Achei muito bom e a lata de gás durou por uns 3 dias com a gente. Fomos com 12 latas pra lá, porque eu não sabia o quanto rendia. Sobrou bastante e de qualquer forma, a gente encontrava facilmente em supermercados por lá. Fomos em 2 pessoas, com um Peugeot 208 1.5, suspensão esportiva (mais baixa que a original), rodas aro 17 com pneus 215/45 e insulfilm g20 em todo o carro, inclusive parabrisa. (Só mencionei isso pelo fato de ainda haver dúvidas quanto ao tipo de carro que consegue fazer esse tipo de viagem). Comprei o chip da EasySIM4U para conseguir sinal de internet no celular (somente dentro das cidades tinha sinal). O caminho todo me guiei pelo Google Maps, meu carro tem a central multimídia com Android, então bastava eu compartilhar a internet do celular e tudo certo (pelo menos quando tinha sinal). Para procurar hotéis usei o Booking.com (consegui pegar bons descontos com o Genius) e para campings usei o iOverlander. Apesar de ajudar muito, o iOverlander é um pouco desatualizado, infelizmente a colaboração não é tanta no aplicativo. Existem muitas outras opções de campings no caminho que a gente acaba encontrando só depois de ter dado entrada em algum. No total foram 14.730km em 28 dias de estrada, sem nenhum perrengue ou problemas maiores. Obs: - O tempo de viagem relatado é o total do tempo do momento em que saímos de um hotel/camping até chegarmos no próximo destino. Contando as paradas na estrada. - Os gastos coloquei na moeda local, pois fica mais fácil caso alguém precise consultar em outro momento para ter uma noção melhor de custos. - A viagem inteira abasteci com gasolina/nafta super. Se quiserem me acompanhar no instagram: @fore.jpg
  2. @Elder Walker po, me senti super seguro com ele, é um baita carro. pena que as pessoas ainda tem preconceito com a marca. Diferente lá da Argentina, que eu só via esse carro na rua! E qualquer cidadezinha tinha concessionária Peugeot.
  3. Conclusão Foi a melhor aventura que já fiz na minha vida. Sempre gostei de viajar de carro, pois dá uma sensação de liberdade de você ir para os lugares que você quiser, a hora que você quiser. E nessa ainda tive a sensação de chegar no Ushuaia, literalmente Fim do Mundo! A pergunta que eu mais ouvia: "você vai com um Peugeot? tá maluco...", pois bem, cheguei lá e voltei! hahahaha. Como vocês puderam ver, não tive problema nenhum com o carro, exceto um amassado no escapamento e um rolamento ruim (que na verdade foi por tempo de uso mesmo). Mas tenho que fazer alguns adendos. Como puderam ver no relato, esse roteiro de viagem foi bem corrido para nós. Ficávamos praticamente o dia todo na estrada. No começo eu ainda tava empolgado com a ideia de acordar muito cedo e pegar a estrada para ainda conseguir aproveitar o dia na cidade seguinte, mas o cansaço vai batendo e na verdade eu fui vendo que nem valia a pena fazer isso. Era melhor aproveitar no nosso ritmo que acabava ficando menos cansativo. Infelizmente deixamos de visitar muitos lugares por questões de tempo também. Daria pra visitar mais? Daria. Mas daí também exige uma certa saúde pra viver mais intensamente esses 28 dias. Fizemos essa viagem com um custo baixo-médio. Economizamos muito em comida, pois quase não comemos em restaurantes. E em hospedagem também. Se você for com um motorhome, camper ou tiver barraca de teto para carro, você não precisa gastar nada com hospedagem se não quiser. Há muitos pontos para esse tipo de acomodação em lugares públicos e seguros. Nosso maior custo da viagem foi com combustível.
  4. 20/11 - Tapes/RS - Barra Velha/SC Mais estrada, dessa vez com destino a Santa Catarina. A ideia inicial era ficar em Florianópolis e curtir mais uma praia, mas como eu teria que estar em São Paulo no dia seguinte, resolvi dar uma esticada a mais para não ficar tão pesado no último dia. Encontrei um camping em Barra Velha. Um camping à beira da praia, com piscina, área para motorhomes e barracas, uma área comum/cozinha coletiva bem grande e os melhores banheiros que vi nessa viagem. KM rodados: 663 Duração da viagem: 07:00 Combustível: R$ 202 (R$ 4.89/L) Hospedagem: R$ 60 (Camping Rota 89) 21/11 - Barra Velha/SC - São Paulo Nesse dia resolvemos fazer um almoço com calma, aproveitamos a piscina do camping e descansamos um pouco. Saímos já era umas 17:00 de lá rumo à São Paulo. A viagem é tranquila até chegar na Serra do Cafezal. Apesar de estar toda duplicada, tem muitos caminhões e pegamos muita chuva o que atrapalhava muito a visibilidade. Tive que vir bem devagar. Parei em um Graal para jantar e chegamos em São Paulo por volta da 01:00. KM rodados: 554 Duração da viagem: 07:30 Combustível: R$ 180.83 (R$ 4.23/L)
  5. 19/11 - Punta del Este - Tapes / RS Saímos do camping direto pra estrada, dia da última fronteira da viagem. No caminho, passamos em frente ao Forte de Santa Tereza e entrei pra tentar visitar, mas nada feito. Já é a segunda vez que passo por lá e está fechado. Só dei uma volta de carro por fora e prossegui viagem. Dei aquela parada básica no Chuí pra ver se tinha alguma coisa que valia a pena e segui viagem. Quando chegamos na fronteira, não há barreira nenhuma na pista e a casa onde se faz todo o processo de imigração é do lado esquerdo da pista. Na minha cabeça eu pensei que aquilo servia só para quem estava dando entrada no Uruguai e fui em frente. Daqui a pouco chegou o posto da Polícia Federal brasileira, desci e perguntei se eu tinha que ter dado saída no posto anterior do Uruguai, o atendente disse que sim, que eu teria que voltar. Voltei, parei o carro e carimbei a saída no passaporte. A ideia era ficar em Pelotas, mas acabei achando um camping em Tapes e resolvi ir pra lá. Chegamos já a noite, dava a impressão de que o camping estava fechado, mas logo que encostei o carro na entrada, o segurança já saiu para nos atender. O camping é bem bonito com acesso para uma lagoa, cozinha coletiva e banheiros bons. Eles também disponibilizam alguns quartos para quem preferir. KM rodados: 674 Duração da viagem: 10:00 Combustível: $ 870.44 ($ 54.92/L) Hospedagem: R$ 36 (Camping Recanto da Lagoa)
  6. 17/11 - Colonia del Sacramento - Punta del Este Acordamos, tomamos café com calma, desmontamos a barraca e pegamos a estrada. O tempo amanheceu nublado e começou a chover durante a viagem. O Google Maps me jogou por umas rotas que deram muitas voltas e paguei vários pedágios desnecessários. Pelo menos não lembro de ter pagado tudo isso dá outra vez que estive aqui. Paguei tudo em reais e pesos argentinos que tinham sobrado. Fora que vim direto e demorei muito pra chegar, apesar das rodovias do Uruguai serem mais lentas que as Argentinas. Cheguei no camping, bem estruturado, aceitava até cartão. Montamos a barraca e fomos dar uma volta por Punta. Mesmo de baixo de chuva foi difícil conseguir uma foto dos Dedos simbólicos da cidade. Abasteci o tanque e espero que o combustível dure até depois da fronteira com o Chuí, porque não foi fácil pagar isso. Compramos uma carne e fizemos um churrasco no camping. KM rodados: 329 Duração da viagem: 04:45 Combustível: $ 2000 ($ 54.96/L) Hospedagem: $ 600 (Camping Punta Balleña - 2 diárias) 18/11 - Punta del Este Acordamos com sol nesse dia e resolvemos ir à praia, depois de pegar tanto frio, ia fazer bem. Fomos até a Bikini Beach que tava bem tranquila, porém, com umas rajadas de vento que ficamos com muito frio. Ficamos escondidos atrás de uma pedra, mas mesmo assim o vento era muito forte. Saímos de lá e fomos para a praia de José Ignácio, que estava bem cheia. Ficamos um pouco por lá e voltamos para dar mais uma volta na cidade.
  7. 16/11 - Buenos Aires - Colonia del Sacramento Tomamos café da manhã no hotel, tomamos um banho (já pra garantir, pois a noite seria acampando) e partimos. Como os preços da Argentina eram bem chamativos, resolvi parar num Carrefour bem na entrada de Gualeguaychu, que paramos quando acampamos por lá, para abastecer de comida e bebida para o restante da viagem. Além de abastecer o tanque do carro também, pra aproveitar o preço da gasolina que é bem mais em conta que o Uruguai. Feito isso, partiu fronteira. Seguimos rumo a Fray Bentos. Depois da ponte, se paga um pedágio bem caro (desculpem, eu anotei todos os valores de pedágio da viagem e não sei onde tão essas anotações) e logo a frente já são as cabines para migração. Eu tinha lido no iOverlander que os processos eram separados (tinha que dar saída antes da ponte e dar entrada depois do pedágio). Agora é tudo junto, eles só carimbaram a entrada no Uruguai. Ainda perguntei se tinha mais algum processo, o cara falou que só iam revistar meu carro e seguir em frente. Passei por onde tavam revistando o carro, parei e vi o policial que faz a revista lá do outro lado da rua. Acenei pra ele e ele disse pra seguir. Mais a frente entreguei o papel de saída do carro e pronto, estávamos no Uruguai. Chegando em Colonia, peguei uma estrada de rípio bem curta para chegar no camping. Acabei pagando 420 pesos argentinos porque eu nem fiz câmbio para pesos uruguaios. To com 300 pesos de uma outra viagem que fiz para cá e vou guardar pra quando precisar. Armamos a barraca e fomos até o centro histórico. Comemos uma coisa rápida por lá e voltamos pro camping já a noite. KM rodados: 476 Duração da viagem: 08:00 Combustível: $ 950 ($ 41.98/L) Hospedagem: $ 420 (Camping Brisa del Plata)
  8. 14/11 - Puerto Madryn - Monte Hermoso Saímos cedo de Puerto Madryn porque a viagem ia ser longa até a cidade de Monte Hermoso com a ideia de acampar. O Google Maps sugeriu que não seguissemos direto pela Ruta 3 e sim pegar a RP 251 na cidade de San Antonio Oeste e no final seguir pela RP 22 até Bahia Blanca. Foi o que caminho que fizemos. Quando passamos pela cidade de Bahia Blanca, logo no acesso à Ruta 3 fomos parados em uma blitz. Policiais bem mal educados que mal sabiam o que tavam fazendo, me pediu os documentos e entreguei o passaporte e o documento do carro. Daí ele me pediu a carteira de habilitação, que entreguei de prontidão. Mas ele nem conhecia nossa carteira e foi consultar o outro policial, que confirmou que estava tudo certo e nos deixaram ir. Chegamos na cidade já era no fim do dia. Logo na entrada da cidade, um outdoor gigante do camping que íamos ficar, era coisa de 9km até lá. E eu com 1 pontinho de gasolina no tanque (autonomia de uns 100km em rodovia). Pensei: amanhã na volta eu abasteço. Bora pro camping. Seguimos o caminho - e que caminho! Chegamos numa parte que eram dunas, a beira mar, avistando o por do sol maravilhoso - chegamos no complexo e nenhuma alma viva. Desci do carro e fui procurar a pé. Até que encontrei o tal do camping e um cara lá. Perguntei se era ali o camping e ele respondeu: sim, mas está fechado para reforma, vão reabrir daqui 1 mês. O problema é que ali próximo não tinha mais nada. Fiz uma busca rápida no Booking e o hotel mais barato era na faixa de 250 reais. Bom, resolvi voltar para o centro e procurar alguma coisa por lá. Com o carro em movimento, resolvi procurar no GPS por algum posto de combustível, que tava acabando. Lembram das dunas que tivemos que passar na ida? Então, no que eu tava com o olho no GPS, só senti o carro dando aquela parada e afundando. Quando olhei, já tinha atolado. Por sorte, veio um carro atrás (não sei da onde ele surgiu, porque não tinha ninguém naquele lugar) e me ajudou a empurrar o carro que saiu com certa facilidade. Mas nessa acelerada o combustível entrou na reserva. Fui suando frio, mas chegamos no posto de gasolina. Abasteci e fui dar uma volta no centro, que por sua vez, também não tinha NADA aberto. Passei na frente de um hotelzinho e resolvi perguntar quanto era a diária. 1000 pesos. Podem passar no cartão? (Eu só tinha 500 pesos em dinheiro). Pode, mas daí fica 1200 pesos. Fechou! Passa o cartão na máquina. Cartão inválido. Acho que essa máquina não está habilitada com Mastercard. Eu só tenho 500 pesos. Ok, amanhã você me paga o restante. No final das contas, "alugamos" um apartamento que era meio quarteirão pra frente do hotel, com cozinha e garagem. Um lugar meio assustador, mas era o que tinha pro momento. O bom é que conseguimos cozinhar com o que tínhamos em estoque e dormimos. KM rodados: 790 Duração da viagem: 09:30 Combustível: $ 660 ($ 32.56/L) Hospedagem: $ 1000 (Hotel Saul) 15/11 - Monte Hermoso - Buenos Aires Acordamos bem cedo, fui sacar dinheiro. Paguei o restante do hotel e tchau. Viagem bem tranquila até a Capital Federal. Chegamos antes do anoitecer e resolvi ficar só 1 noite por lá. Não tava afim de ficar dirigindo e se locomovendo em cidade grande. Deixamos as coisas no hotel e saímos para dar uma volta. Pedi um Uber, que nos deixou no Caminito e de lá fomos a pé até Puerto Madero. Foi nostálgico eu visitar os lugares depois de uns 10 anos da minha primeira visita à cidade. Comemos e bebemos por lá e voltamos pro hotel. KM rodados: 790 Duração da viagem: 09:30 Combustível: $ 1400 ($ 41.44/L) Hospedagem: $ 1000 (Hotel Irum)
  9. 12/11 - Rada Tilly - Puerto Madryn Saímos por volta do meio-dia do camping rumo à Puerto Madryn. A viagem foi tranquila e "curta". Ficamos no camping ACA. Um camping bem grande e bem estruturado também. Foi o camping com mais pessoas que encontramos na viagem toda. Decidimos ficar 2 dias, pois iríamos no dia seguinte para a Península Valdes. Montamos nossa barraca onde já tinham uma turma de pessoas acampadas. Foi um "erro" na verdade. As pessoas não calavam a boca e dormiram muito tarde. Na barraca do lado, tinham dois que beberam todas, tavam gritando até que resolveram deitar. Porém, eles tavam em duas barracas separadas e continuaram conversando de suas respectivas barracas, ou seja, o tom não diminuiu. Mas eu tava tão cansado que acabei capotando de sono. KM rodados: 450 Duração da viagem: 05:30 Combustível: $ 1030 ($ 32.56/L) Hospedagem: $ 260 (Camping ACA - 2 diárias) 13/11 - Península Valdes Acordamos, tomamos café e fomos pra Península Valdes. A entrada foi a mais cara que a gente pagou. 560 pesos por pessoa. A primeira parada foi na cidade de Puerto Pyramides. Uma cidade bem estruturada, com hotéis, mercado, posto de gasolina e as agências que você pode contratar os passeios. Compramos algumas coisas no mercado para poder comer durante o dia e fomos para a pinguinera. É um caminho de pelo menos 1:30 em rípio até chegar lá. Saímos de Puerto Pyramides morrendo de calor, chegamos lá num puta frio e vento. Dava pra ver os pinguins muito perto, coisa de menos de 1 metro de distância. De lá, fomos para a Punta Norte, onde tínham os Elefantes e Leões Marinhos. Fizemos algumas fotos e aproveitamos o estacionamento para fazer um rápido lanche. De lá, voltamos para Puerto Pyramides e ficamos apreciando a orla, de onde saem os barcos para ver a baleias, que da costa não era possível ver, só contratando os passeios de barco. Dica: para quem for de motorhome ou camper, eles dizem que o valor do ingresso é válido somente para 1 dia. Mas se você dormir por lá, não vão te cobrar na saída. Pelo menos comigo e com outros relatos que ouvi, não me pararam na saída. A não ser que você fique hospedado em algum hotel por lá que eles devem dar algum tipo de voucher para abater essa entrada. Voltamos para o camping, fizemos nossa comida e dormimos. Dessa vez a galera do camping tava menos agitado e dormi. No meio da madrugada, do nada, um puta som alto vindo de algum carro. Até pensei em ir ver o que tava acontecendo, mas o cansaço era tanto que voltei a dormir. Combustível: $ 1300 ($ 32.56/L) Entrada do Parque: $ 560 por pessoa
  10. 11/11 - Rio Gallegos - Rada Tilly Acordamos, tomamos café no hotel e já saímos em seguida. Quando saímos, pensei: "vamos ter que pegar um trecho urbano na rodovia e com certeza vamos passar na frente de algum posto de gasolina". O problema é que o Google Maps sempre traça uma rota menos movimentada, ou seja, andamos uns 20km e nada de posto, até que resolvi fazer o retorno para voltar a Rio Gallegos abastecer. Aí começou a desandar tudo. Bem no retorno havia um controle policial. Tavam parando todo mundo, inclusive eu. Mostrei meu passaporte para os policiais da Germanderia, sempre simpáticos, me perguntou se eu estava gostando da Argentina e me deixou passar. À frente, um outro policial acho que ia fazer a revista no carro, mas ele bateu o olho no parabrisa e já falou: você vai ter que tirar a película. Pensei: que merda! Vai dar um trabalhão da porra. Ele ficou lá me aguardando tirar, por sorte saiu por inteiro e quando terminei ele disse: te explico, aqui na Argentina temos casos de sequestros e não é seguro andar com película escura no parabrisa, ainda mais por serem estrangeiros. Enfim, a mesma história do Brasil. Na verdade eu nem fiquei puto, pois eu to sempre preparado psicologicamente para um dia ter que tirar, nem no Brasil é permitido, mas ainda assim eu prefiro. Ele só pegou a película pra jogar no lixo e me liberou. Fiz o retorno pra abastecer. Voltei pra cidade, abasteci e quando voltei nesse mesmo ponto (acho que foram uns 30 minutos de intervalo), não tinha mais nenhum policial lá! Daí sim, fiquei puto. Hahahaha Seguimos viagem tranquila pela Ruta 3 que começou a ficar cheia de buracos próximo à Rada Tilly. Eu não sabia, mas é uma cidade litorânea e bem jovem. Ficamos no camping municipal, bem organizado e estruturado, com poucas pessoas acampando. Acabamos conhecendo um casal de brasileiros que também estavam voltando do Ushuaia. KM rodados: 764 Duração da viagem: 11:00 Combustível: $ 1550 + $ 900.28 ($ 32,80/L) Hospedagem: $ 300 (Camping Municipal de Rada Tilly)
  11. Po, que droga. Só tive prejuízo no escapamento, mas nada que afetasse o andamento do carro. Ainda que achei que foi por um vacilo meu, tava andando rápido demais, achando que era piloto de rally... Quando acabou a estrada de rípio, tive a mesma sensação que a sua. Pensei que fosse de propósito de ser assim até, por que só aquele trecho?
  12. 10/11 - Ushuaia - Rio Gallegos Acordamos, fizemos um café rápido e saímos às 10h da casa, horário limite do checkout. Antes mesmo de sair do Ushuaia, parei várias vezes para fotografar a paisagem, já que na ida eu tinha chegado quase a noite, então só acabei vendo a paisagem na volta. E claro, no dia de vir embora, saiu muito sol. Em Rio Grande, parei para fotografar o santuário do Gauchito Gil ou Antonio Mamerto Gil Núñez, um santo milagroso da cultura popular da Argentina. Antonio Gil teria sido um trabalhador gaúcho rural, adorador de São Morte, que teve um romance com uma viúva endinheirada. O relacionamento o fez ganhar a inimizade dos irmãos da viúva e do chefe de polícia local que havia cortejado a mesma mulher. Dado o perigo, Gil deixou a área e se alistou para a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870) contra o Paraguai. Em seu regresso, foi recrutado pelo Partido Autonomista para lutar na guerra civil correntina contra o opositor Partido Liberal, porém desertou. Dado que a deserção era um delito, foi capturado, colocado de pé encostado a uma árvore com espinhos e morto com um corte na garganta. Gil disse a seu carrasco que deveria rezar em seu nome pela vida de seu filho, que se encontrava muito doente. O carrasco assim o fez, e seu filho sarou milagrosamente. Ele então deu ao corpo de Gil um enterro apropriado e as pessoas que participaram do féretro construíram um santuário. Ao longo das estradas por toda a Argentina, podemos ver várias homenagens à ele, com bandeiras e um santuário vermelho. Logo após, passamos pela fronteira para dar saída da Argentina e em seguida paramos no lado Chileno para dar entrada. Na hora da inspeção zoofitosanitária, o cara mal abriu as coisas do carro, abriu só uma caixa que tinha os utensílios de cozinha. A caixa que continha comida, ele nem viu dentro do carro. Eu tava com um saco de carvão no carro, perguntei se podia, ele disse que sim e seguimos. Na ida, eu tinha percebido que o Google Maps tinha me jogado numa estrada de rípio por seguir reto, mas dessa vez segui minha intuição e segui o asfalto ao invés do GPS. Eu estava certo, o asfalto dá uma volta um pouco maior, mas pelo menos a estrada é boa e você acaba chegando no mesmo tempo que pelo atalho. Cheguei na fila da balsa, já avistando a balsa encostando. Não esperei nem 5 minutos e já tava dentro. Por sorte, fui o último a entrar! O trajeto me parece que foi mais rápido agora, mal deu tempo de pagar e já estávamos na outra costa. Saímos da balsa, andamos pouco mais de 30km para ir para San Gregório, a cidade fantasma que eu deixei de ir na ida. Como a oportunidade era meio que única, resolvi andar essa quilometragem a mais para registrar esse ponto. Fiz algumas fotos e segui adiante para passar pela fronteira novamente, dessa vez para entrar na Argentina. Essa fronteira é integrada, no mesmo lugar você dá a saída e entrada. Ou melhor, somente a entrada. Achei estranho que só carimbaram a entrada na Argentina e fui perguntar se estava certo. Disseram que era assim mesmo, então ta. Na hora de passar pela inspeção do carro, eu só entrei o papel como se fosse o comprovante que eu fiz todos os procedimentos e nem precisei abrir nada, só um "buen viaje". Tinha pesquisado no iOverlander e achei o camping Chacra Saldia. Tinham alguns comentários bem positivos sobre o lugar e resolvi ir pra lá. Chegando lá, ví crianças brincando em um playground, achei que seria o primeiro camping animado da viagem. Quando fui procurar pela administração, percebi que era uma festa de aniversário infantil. Achei uma senhorinha do lugar e perguntei se podíamos acampar. Ela mal conseguia nos ouvir, mas nos deu toda atenção, pediu para entrar na casa dela, tomar um chá, um café. Disse que tinha um aniversário de criança e deveríamos esperar acabar para montar a barraca, pois a área de camping seria bem onde as crianças estavam brincando. Fomos para o carro esperar, passou quase 1 hora, a noite caiu, o frio bateu forte e nada das crianças irem embora. Comecei a pesquisar hotéis na região e decidimos ir para um hotel. Já eram mais de 10 da noite e estávamos cansados da viagem. Seria ótimo economizar essa grana agora, mas infelizmente não saberíamos a hora que iam vagar o espaço, então avisamos e saímos. Ficamos num hotel de passagem, muito bom por sinal e barato. Achamos uma pizzaria há 2 quarteirões, pedimos pra viagem e fomos comer no hotel, acompanhados de uma garrafa de vinho que tínhamos comprado em Ushuaia. OBS: em momento algum dentro do Chile me foi solicitado o SOAPEX. Na hora de passar na fronteira eu não mostrava de propósito pra ver se alguém ia me pedir, mas nada... Mesmo assim, o valor não é alto, então não vale a pena arriscar ir sem. KM rodados: 649 Duração da viagem: 11:00 Combustível: $ 1240 ($ 30,62/L) Hospedagem: $ 1042 (Hotel Sehuen)
  13. 07/11 - Punta Arenas - Ushuaia Saímos meio dia do hotel, parei pra abastecer ainda em Punta Arenas e o frentista perguntou da onde éramos. Respondi São Paulo e ele ficou muito empolgado dizendo que queria conhecer a cidade. Quando dei meu cartão pra pagar, ele todo feliz apontou para o crachá: também me chamo Daniel! Falei que íamos ao Ushuaia e com um tom de incentivo disse: VAI! Sei que dá pra fazer a travessia do Estreito de Magalhães para Porvenir, mas pelos relatos, havia chances de não ter mais horários e não valia a pena por causa do valor. Então resolvi ir para a balsa tradicional de Bahia Azul a Punta Delgada. No caminho, passamos por San Gregório, uma cidade fantasma com suas construções mantidas, mas como eu estava com medo de ter que esperar muito pela balsa, resolvi não perder tempo e segui adiante. Duas horas depois já estávamos na fila para fazer a travessia. Ficamos aguardando por 1h para embarcar, mas a travessia foi bem rápida, algo em torno de 20 minutos. Pelo que eu tinha lido em relatos, antes não precisava descer do carro. Agora, você entra em uma cabine pra fazer o pagamento. São 15.000 CLP ou 880 ARS. Paguei em pesos argentinos porque eu tinha mais disponibilidade. Fizemos a travessia e logo adiante já havia uma placa de Bienvenido a Tierra del Fuego. Pegamos um bom trecho de rípio (a estrada estava em reforma e fizeram uma pista alternativa paralelamente), começou a chover o que achei melhor, pois não subia a poeira que geralmente tem nessas estradas. Um pouco antes da fronteira, há um kiosco onde paramos para comprar alguma coisa pra comer e usar o banheiro. Seguimos e logo a frente, a aduana Chilena. Passamos no primeiro balcão para carimbar os passaportes e depois no balcão da Aduana. Perguntei se precisávamos passar pelo terceiro trâmite e ele disse que só precisaria se tivéssemos transportando cachorros, gatos, animais estimação. Como não estávamos, só entregamos um comprovante de saída do veículo do Chile já no carro e seguimos. Mais a frente, encontramos a aduana Argentina. No primeiro balcão a atendente me perguntou qual hotel íamos ficar no Ushuaia, nisso abri o app do Booking e mostrei a tela com a reserva. Ela pegou meu celular e ficou impressionada com a beleza do meu aparelho (um Xiaomi MI A1 dourado), perguntou a marca, mas ela nunca tinha ouvido falar, hahahahaha. Passaportes carimbados, fomos ao balcão da aduana. O atendente muito bem humorado e tomando seu mate, fez algumas brincadeiras no estilo "cara-crachá" e nos liberou. Um pouco antes da entrada do Ushuaia, começa um trecho de serra bem chato com curvas sinuosas e caminhões. Desaceleramos e fiquei observando as montanhas ao nosso lado, estavam cobertas de neve. Achei estranho e fiquei me perguntando se havia nevado recentemente por lá. Enfim, a serra acabou e já avistamos o portal de entrada do Ushuaia. Tiramos algumas fotos e viemos direto pra casa que eu havia reservado. Pegamos as chaves da casa, passamos rapidamente no mercado da esquina, fizemos um macarrão e dormimos. KM rodados: 647 Duração da viagem: 10:00 Combustível: CLP 14.000 (CLP 866/L) Hospedagem: $ 3.890 (3 diárias - Departamento Anhen) 08/11 - Ushuaia Acordamos cedo e fomos em busca de um café, pois havia acabado no último camping. Nada aberto e nenhum lugar que vendia um bendito café. Ainda tinha uns pães, um salame e um suco no nosso estoque, então voltamos pra casa e comemos o que tínhamos. Tomamos "café" e fomos para o Parque Nacional da Tierra del Fuego. Chegando lá o tempo fechou totalmente, compramos os ingressos e quando saímos, pasmem, estava nevando! Fomos até o final da Ruta 3 pra tirar a famosa foto da placa e voltamos visitando os lugares do mapa. O tempo tava tão fechado que mal dava pra ver a paisagem. 09/11 - Ushuaia O dia amanheceu feio e nevando novamente. As montanhas tavam todas cobertas de névoa, mal dava pra ver alguma coisa. Enfim, resolvi adiantar as questões mecânicas do carro. Enviei uma mensagem para o proprietário da casa onde estava hospedado para ver se ele podia me recomendar um mecânico de confiança. De prontidão, ele indicou um há 2 quadras da casa. Fui até lá e expliquei o problema, ele diagnosticou e era realmente o que eu estava pensando, o rolamento já era. Pedi para trocar se ele conseguisse me entregar no próprio dia. Me cobrou 2500 pesos com a mão de obra. Achei ok, pagaria mais ou menos isso no Brasil. Dei uma negociada e consegui pagar no cartão. Com o carro de volta, fui para o Centro dar uma volta. Passei na frente do famoso restaurante da Centolla, apesar de terem vários, o mais famoso não cabia mais gente dentro e a fila se formou na calçada, tudo para comer o caranguejo gigante. Passei por umas lojas de regalos (achei tudo feio e caro), entrei na Duty Free que tem na rua principal (já se foi o tempo em que era vantajoso comprar lá) e voltamos pra casa. Cozinhamos e capotei de sono. Vista do quarto
  14. 05/11 - El Calafate - Torres del Paine Fiz o checkout do camping por volta da meio-dia, fomos até o centrinho (na mesma rua do camping) para fazer o câmbio de pesos chilenos. Na frente tinha um lugar que tinha uma espécie de lan house, parei ali e imprimi meu seguro SOAPEX para a entrada no Chile. Acabamos almoçando numa hamburgueria e fui trocar o óleo do carro. Paguei muito caro, quase o dobro do preço que eu pago normalmente no Brasil. Mas para não perder tanto tempo de viagem depois, resolvi fazer logo. Pegamos a estrada e muito mais kms de rípio, até praticamente a fronteira com o Chile. Paramos na aduana do lado Argentino, por azar nosso, tinha acabado de encostar um ônibus, então tivemos que ficar um pouco na fila. Fizemos o processo de saída do país e alguns kms a frente paramos na aduana Chilena. Lá o processo foi mais "chato" e teve a famosa inspeção zoofitosanitária que nos levaram apenas uma cebola. Com passaporte carimbado, seguimos adiante para o caminho do Camping Pehóe. Marcava mais de 100km no GPS e o dia já estava acabando. E da-le rípio! Andamos, andamos e andamos. Chegamos na entrada do Parque Torres del Paine e eu não sabia que esse camping era dentro do parque. Logo na entrada uma placa falando para comprar o ingresso. Mas dei uma olhada ao redor e não tinha mais uma alma viva naquele lugar. Resolvi seguir em frente. Andamos mais alguns kms, com o tempo fechando, começamos a ficar desconfiados que o GPS estava marcando errado, pois passavam várias placas de outros campings e nada do nosso. Avistei um carro passando na direção contrária, abri o vidro e acenei com a mão para parar. Perguntei se elas conheciam o camping Pehoe e responderam em inglês, mesmo eu tendo perguntado em espanhol. Uma das meninas desceu do carro com um mapa e apontou: its not so far from here. Ela falou pra eu tirar uma foto do mapa, caso precisasse consultar, mas não precisou. Andei mais um pouco e achei o camping. Quando desci do carro, o vento quase cortou minha pele. Tava muito frio e já tinha anoitecido. Pensei: não vou acampar hoje. Perguntamos na recepção se havia algum hotel por perto, ela nos disse que há 5 minutos dali tinha um, que poderia ser um valor acessível. Fomos até lá, logo de cara já vi que não era nada acessível, mas vai saber, as aparências enganam. Perguntei na recepção sobre as diárias, ele só apontou para uma tela onde tinham os valores. 200 dólares a diária. Nessa hora o frio passou e resolvi acampar. Voltamos no camping e a menina simpática nos emprestou gratuitamente um saco de dormir. Chegamos no lugar para montar a barraca, cadê a eletricidade? Eu tinha visto no site e me parecia ser um camping muito bem estruturado. Não tinha! Tivemos que montar a barraca no escuro. O frio era tanto e a vontade de ter um abrigo era tanta, que montamos tudo em tempo recorde. Conseguimos montar a barraca dentro de um quiosque com proteção de vento. Fizemos um macarrão com seleta de verduras que tínhamos. Bebemos meia garrafa dum vinho que tinha sobrado no cooler e deitamos. Apesar de estarmos protegido do vento, o frio ainda bateu forte dentro da barraca. Como disse anteriormente, o espaço dentro da barraca é bem grande, daí consegui acender o fogareiro dentro do quarto - claro, tomando cuidado pra chama não ficar próxima das paredes - deixei por alguns minutos e deu uma boa aquecida. Nesse dia eu comecei a ver que a planilha que eu tinha planejado para a viagem poderia estar tudo errado, pois demoramos quase o dia todo para andar apenas 300km. Querendo ou não, esse processo de imigração pode parecer rápido, mas se perdem horas de viagem com a desaceleração, além do que, eu não sabia que essa estrada era de rípio. OBS: depois desse dia, vi em outros relatos que depois das 20h é "normal" que as pessoas cheguem lá com motorhomes pois não cobram o ingresso. Diz a administração que eles cobram o ticket na saída, mas ninguém me parou e pelos relatos também não. KM rodados: 311 Duração da viagem: 11:00 Combustível: $ 770.40 ($ 33.85/L) Hospedagem: CLP 22.000 (Camping Pehóe) 06/11 - Torres del Paine - Punta Arenas Quando acordamos, uma surpresa, as Torres del Paine estavam na nossa frente! Andamos uns 50 metros para tirar umas fotos de um ângulo melhor, ficamos lá relaxando um pouco e nos preparamos para a viagem. O que fez tudo ter valido a pena. O objetivo nem era de fazer a trilha, era somente de observar a montanha e aquela vista do camping já cumpriu esse papel. Desmontamos a barraca sem pressa, fizemos um café, tomamos banho e partiu estrada, só que dessa vez sem destino definido. Resolvi esticar até Puerto Natales para pegar sinal de internet ou wifi para consultar opções. Todo mundo tinha me falado para retornar para Rio Gallegos e fazer a travessia por lá, mas eu tava achando muito trabalhoso fazer esse processo de imigração, até porque, rumo ao Ushuaia eu ia ter que fazer de novo. Paramos num restaurante para comer e aproveitei o Wifi para procurar opções. Achei mais viável fazer o que eu havia planilhado: fazer uma parada em Punta Arenas, mesmo tendo que andar 50 km a mais (100 km ida e volta). Apesar de ser caro, recomendo muito esse camping que a gente ficou pra quem tiver indo para Torres del Paine. De Puerto Natales até lá é um bom pedaço de estrada, já dá pra economizar um bom tempo, ainda mais se for pra fazer as trilhas. No caminho, passamos pela Cueva del Milodon, um monumento que possui uma caverna descoberto em 1895, pelo alemão Hermann Eberhard. Lá ele encontrou fósseis de um animal desconhecido. Mais tarde, identificaram o animal como Milodon, uma espécie de preguiça gigante extinta há mais de 10 mil anos atrás. Achei um hotel, o mais caro de toda a viagem (mais caro que o do Ushuaia, pelo incrível que pareça), fizemos o checkin e saímos para dar uma volta na cidade. Tinham me falado que era uma cidade totalmente industrial, que não tinha nada por lá. O centrinho a noite é bem movimentado com muitos bares e restaurantes. KM rodados: 353 Duração da viagem: 07:00 Combustível: CLP 27.002 (CLP 902/L) Hospedagem: USD 69 (Dona Calletana) Entrada Cueva Del Milodon: CLP 5000 por pessoa
  15. 04/11 - El Chalten - El Calafate No início, El Calafate tava como uma cidade somente de passagem, mas devido ao cansaço resolvemos pernoitar por lá. Chegamos cedo, o percurso era curto. Ficamos no camping El Ovejero, melhor camping até então. Com água aquecida em todas as torneiras, inclusive as de lavar roupas/louças e banheiro com calefação. Além de ser bem localizado, o camping também tinha um bar e vendiam carvão, lenha e gelo. Em todos os demais campings estávamos sozinhos, mas nesse estava cheio de viajantes, principalmente da Europa. Terminamos de montar a barraca por volta das 14:00 e logo saímos para visitar o Glaciar Perito Moreno. Quando fui buscar a rota no Google, apareceu que o parque estava fechado (era domingo). Fiquei pensando: como que fecham um parque desses aos domingos? Parei no acostamento para tentar achar alguma informação sobre horários e não conseguia achar, resolvi seguir adiante. Uns 100 metros pra frente já havia uma placa com os horários de funcionamento do parque, isso porque ainda estávamos há pelo menos 70 km distantes. Chegamos na portaria, compramos os ingressos e seguimos. Ainda tinha um bom pedaço de estrada até chegar lá. Chegando, estacionamos o carro e pegamos um ônibus que faz o translado de 10 minutos ou menos até a entrada das passarelas. Há uns 3 ou 4 opções de caminhada para a observação do glaciar. Quando estávamos indo embora, à frente do estacionamento era possível ver uma espécie de praia e resolvemos dar uma caminhada até lá. Acho que ali eu consegui tirar as melhores fotos. Tinha uns pedaços grandes de gelo boiando bem perto da costa e ainda dava pra ver o paredão do glaciar. Pra quem for visitar, vale a pena dar uma passada lá. Fica em direção ao restaurante do parque. Voltando pra cidade, aproveitamos passamos no supermercado e fomos para o camping descansar. Nesse dia observei uma coisa que em também ocorreu em outros lugares: quando você chega na portaria do parque, não tem nada que te barre para seguir adiante. Você desce do carro e compra o ingresso por livre e espontânea vontade. Em nenhum momento nos pediram os ingressos depois de comprar. KM rodados: 208 Duração da viagem: 03:00 Combustível: não abasteci nesse dia Hospedagem: $ 300 (Camping El Ovejero) Entrada do parque: $ 700 por pessoa
  16. 03/11 - El Chalten Acordamos, reservei o outro hotel, tomamos café e saímos para dar uma volta na cidade enquanto não dava o horário do check-in. Passamos por um mecânico, parei só por desencargo de consciência para ver se tinha acontecido alguma coisa a mais no carro. Ele olhou e diagnosticou o que eu já havia previsto. Aproveitei pra encher o tanque do carro no único posto que tem em El Chaltén. Nesse meio tempo já tinha dado o tempo para entrar no outro hotel. Fizemos o check-in e já saímos. Passamos no centro de informações turísticas e pegamos um mapa das trilhas da cidade. Resolvemos ir até a Laguna Capri, que fica há 4 km pela trilha do Fitz Roy. No primeiro km eu já pensei em desistir. Uma subida íngreme com muito vento e frio. Continuamos andando, andando, chegamos a laguna muito rápido, então pensamos: vamos mais um pouco. Continuamos... Quando chegou a placa 8 de 10km, estávamos avistando uma geleira muito perto, mas nessa hora eu já estava muito cansado. Ainda assim, resolvemos seguir adiante para alcançar o objetivo do final. No último km, a placa dizia: 1h de subida e trilha deteriorada. Olhei adiante seguindo a trilha, olhei pro relógio, já marcavam 17:30. Meu bom senso disse pra eu voltar. Fiquei bem frustrado, mesmo que não fosse o objetivo inicial. Mas tinha chegado até ali, faltava só mais 1h. Se eu tivesse chegado mais cedo, daria. Voltamos. Quanto mais andávamos, mais ansioso eu ficava com as placas marcando as distâncias. Lembro quando faltava 4 km, eu já estava muito cansado, quase não conseguindo andar. Mas não tinha outro jeito a não ser continuar andando. Chegamos na cidade já era 21:30, bem no finalzinho da luz do dia. Fomos para o hotel, mal conseguia chegar no quarto. Tomei um banho para relaxar e logo em seguida saímos para comer uma Parilla no Come Vaca, muito bem servido e num valor ok. Combustível: $700 ($32.24/L) Hospedagem: USD 32 (Hotel Lago del Desierto) Posto de combustível na entrada da cidade. Sendero Al Fitz Roy Primeira vista panorâmica da trilha Banheiro no meio da trilha Primeiro camping da trilha Fitz Roy coberto de névoa Parrilha pra reabastecer as energias
  17. Maravilha de viagem! Poxa, que pena esse negócio da polícia. Fui praticamente 2 meses antes que você e não tive problema nenhum desse tipo. Me pararam diversas vezes, mas sempre liberaram. Exceto uma vez, mas não pediram dinheiro e nem multaram. Mas pediram pra eu arrancar o insulfilm do parabrisa. Vou contar lá no meu relato mais pra frente.
  18. 02/11 - Perito Moreno - El Chalten Saímos de Perito Moreno por volta das 10:30, depois de um café da manhã bem gostoso, feito pelos próprios proprietários do hotel. Tínhamos visto um folheto da Cueva de Las Manos e como era a caminho, resolvemos dar uma passada por lá. Andamos por volta de 90km e chegou a entrada, indicava 27km de ripio. Algumas partes da estrada estavam bem ruins, com aquelas costeletas que tive que andar a 20km/h pra não desmontar o carro. Chegamos as 13:00 em ponto e pagamos 200 pesos por pessoa para uma visita guiada. Considerado Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, a Cueva de Las Manos abriga pinturas de 9 mil anos atrás feitas por ancestrais do povo Tehuelche. Bem bonito de se ver e indica alguns costumes que esse povo tinha antigamente. No final da visita perguntei pra guia: quanto tempo estamos de El Chaltén? Ela disse: umas 8 horas. Eu fiquei assustado, pois eu não esperava tanto tempo assim e já eram 14:30, chegaríamos muito tarde na cidade. Seguimos adiante e começa os 70 km de ripio da Ruta 40. Na maior parte do percurso estava tranquilo, mas num determinado ponto eu tava um pouco rápido, apareceu um coelho na frente e um carro na mão contrária, o único lugar que eu pude desviar foi uma pedra, que pegou no meio do carro e amassou o escapamento. O ronco do carro ficou diferente, mas eu já sabia o que tinha acontecido porque já não era a primeira vez. Asfalto novamente, que alívio! As placas já indicavam "poucos" km para El Chaltén. Chegamos na cidade por volta das 22h. Logo na entrada, um caixa eletrônico e sacamos dinheiro. Só faltava o sinal de internet para procurar algum hotel. Achamos mais fácil ir jantar em algum lugar que tivesse wi-fi. Fomos na hamburgueria Monte Rojo. Comemos bem e conseguimos achar um hotel de ultima hora, achei bem caro por ser um quarto com banheiro compartilhado, mas foi a única opção que nos restou. Fizemos o check-in quase meia noite. Nessa volta que fizemos na cidade, achamos que valeria gastar mais uma diária lá. Aproveitando o Wi-Fi do hotel, consegui fazer o seguro SOAPEX para o Chile. Fiz o pagamento online com cartão de crédito e deixei salvo no computador para uma oportunidade de imprimir. KM rodados: 753 Duração da viagem: 11:00 Combustível: $900 ($33.85/L) + $850.65 ($32.24/L) Hospedagem: USD 54.45 (Nothofagus Bed & Breakfast)
  19. 01/11 - Bariloche - Perito Moreno Saímos às 11:20 de Bariloche. Ruta 40, na maior parte da rota em boas condições, economizamos 30 minutos de trajeto. Passamos pela Germanderia que apenas perguntou onde íamos e perguntaram se éramos palmeirenses, pois o Palmeiras tinha perdido pro Boca Juniors no dia anterior. Muitos animais pela estrada, mas quase não paramos para fotografar porque precisávamos adiantar o trajeto. Atenção aos postos de combustível, há poucos no trajeto. Paramos em um YPF que estava sem combustível, mas nosso carro tava com uma boa autonomia, então conseguimos chegar no próximo posto ainda com meio tanque. Ficamos na estância turística La Serena, que reservamos na noite anterior. Estávamos na dúvida pois aqui não havia wifi e como estamos decidindo nosso roteiro sempre 1 dia antes, isso iria dificultar. Procuramos por alternativas, mas era a única viável em questão de valores. Para nossa surpresa, o lugar é excelente e também servem jantar (entrada + prato + sobremesa + garrafa de vinho = 450 pesos por pessoa), o café da manhã está incluso no valor de 1200 pesos. Os proprietários são ótimos anfitriões. Na falta do wi-fi para nos programarmos, nada que uma boa conversa não resolva. Decidimos então ir para El Chaltén e no dia seguinte para El Calafate, a caminho de Torres del Paine no Chile. A noite, saí do quarto para fumar um cigarro (eu sei, péssimo hábito) e vi o céu extremamente estrelado! Da última vez que vi isso foi no Deserto do Atacama. Saquei a câmera e tentei fazer algumas fotos. KM rodados: 821 Duração da viagem: 09:07 Combustível: $1000 ($32/L) Hospedagem: $1200 (Estancia La Serena)
  20. 30/10 - Neuquen - Bariloche Acordamos e já seguimos viagem. Na estrada, paramos algumas vezes para tirar fotos. Passamos novamente por um posto de vigilância Zoofitosanitária, mas ninguém nos parou. Chegando em Bariloche, paramos mais vezes para tirar fotos na estrada, era o primeiro contato com a paisagem de montanhas e neve dessa viagem, o que já começou a dar uma empolgada a mais. Já na cidade, resolvi procurar por um caixa eletrônico para poder sacar dinheiro. Saquei mais alguns trocados e fomos até o Camping El Cohiues, onde fomos muito bem recebidos pelo proprietário Sebastian. A área de camping é um pouco pequena em comparação aos que ficamos anteriormente, mas eles possuem quartos num hostel e quartos individuais também. Além de uma cozinha coletiva totalmente equipada e com calefação. KM rodados: 426 Duração da viagem: 06:00 Combustível: $900 ($32.50/L) Hospedagem: $500 (Camping El Coihues - 2 diárias) 31/10 - Bariloche Íamos para o Cerro Serrano, porém, estava um tempo feio e resolvemos não ir, já que não ia aproveitarmos a vista panorâmica. Ficamos andando pelo centro e aproveitamos para fazer algumas compras de acessórios de frio (luva, cachecol, gorro). Almoçamos em um restaurante e em seguida fomos até Villa Angostura, uma cidadezinha bem simpática. Era Halloween e tinha muitas crianças fantasiadas pedindo doces nas lojas do centrinho. Passamos no Centro de Informações Turísticas, pegamos um mapa e fomos para a Ruta dos 7 lagos. Fomos até o primeiro lago e voltamos para o camping. Nesse dia comecei a ouvir um barulho da roda, comecei a desconfiar que algum rolamento tinha começado a aparecer sinais de desgaste. A fez tanto frio que a grama do camping ficou toda branca congelada. Mas ainda assim, conseguimos dormir bem dentro da barraca. Combustível: $750 ($31.54/L)
  21. @Elder Walker Então, pior que nesse kit que vi vendendo no Carrefour tinha o tal do jaleco. Na verdade eu nem tinha entendido quando o policial me perguntou, mas respondi que sim. De qualquer forma, a única coisa que ele pediu pra eu tirar do carro pra ver foi o extintor. E já me antecipei mostrando o local onde ficava a data de validade e já logo pediu pra eu guardar. Lembro que comentei contigo que eu ia por os pneus maiores pra essa viagem (aproveitando que já estava na hora de eu trocar). Senti muita diferença em conforto. Antes eu tava usando o 205/45, agora o 215/45. Não tem nem comparação! Antes eu sentia qualquer irregularidade que tinha na pista, agora passa em cima e nem vê. O camping é bem bonito mesmo, alias a paisagem dessa região é peculiar. Parece um bosque de dinossauros. No caminho vi alguns outdoors falando sobre os dinossauros de Neuquén, nessa região era bem habitada por esses animais extintos. Doidera! hahahahaha
  22. 28/10 - Gualeguaychu - Santa Rosa Aproveitamos que tiramos tudo do carro e demos uma boa ajeitada em tudo e conseguimos acomodar melhor as coisas no carro. Barraca desmontada, tomei uma ducha que não tinha como controlar a temperatura, quase fui queimado vivo. Mas tudo bem, pelo menos estava quente. Saímos já era 11:00. Seguimos pela Ruta 12 que estava fechada em um trecho, com desvio por estrada de terra o que atrasou muito a viagem. De novo, fiz uma reserva pelo Booking, uma casa com garagem e fomos muito bem recebidos pelo proprietário. Como era domingo, estava tudo fechado na cidade e estávamos morrendo de fome. Tentei pedir alguma coisa no iFood, mas não funcionava (apesar de ter disponível na cidade). A sorte é que o dono da casa onde estávamos estava comunicando conosco pelo whatsapp. Mandei uma msg para ele perguntando se ele poderia nos pedir uma pizza. Ele foi muito solícito e nos pediu a pizza que chegou em menos de 20 minutos. Aproveitamos que tínhamos estrutura e lavamos as roupas que estavam sujas. KM rodados: 761 Duração da viagem: 09:00 Pedágios: Combustível: $1600 ($40.73/L) Hospedagem: $ 1200 (Departamento Gonzalito) 29/10 - Santa Rosa - Neuquen Nesse dia passamos por uma inspeção zoofitosanitária em Casa das Piedras. Só perguntaram se estávamos levando algum derivado de carne, dissemos que não, ele fez uma breve revista no carro e cobraram $ 25. O policial que acompanhou o processo nos perguntou para onde íamos, respondi: Ushuaia. Ele ficou espantado e ao mesmo tempo feliz, nos desejou suerte e partimos. Tinha um trecho da estrada bem ruim nesse dia, só não me recordo foi quando saímos da RN 12. Eram muitos buracos enormes e muitos carros parados no acostamento com o pneu rasgado. Pela primeira vez na viagem, tinha um intervalo bem grande entre postos de combustível. Preço mais barato de gasolina até o momento $ 34.90/L. Ficamos em um camping que só tinha a gente novamente. Me parece ser muito bom em alta temporada, mas quando fomos, estava tudo muito largado e sujo. A área de camping é excelente, com um belo gramado, algumas zonas de sombra e um rio passando ao lado. KM rodados: 577 Duração da viagem: 07:00 Pedágios: Combustível: $1.800 ($ 34,90/L) Hospedagem: $500 (Camping El Cisne)
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