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  1. Trigésimo dia 04-01-18 De Calama a Paposo Acordei com o sol saindo e o reloginho batendo. Feito o serviço, fui desmontar a barraca para seguir para o litoral pela ruta 1. Eu já tinha passado por esta estrada em 2013, mas não lembrava de quase nada, então pra mim foi novidade, tanto que fui parando em varias oficinas, nome dado a minas de extração de salitre, a ruta 25 tem várias delas todas do inicio do século XX até perto de 1940 e depois abandonadas as cidades e oficinas. Andei por algumas delas e seus cemitérios. Os cemitérios são uma curiosidade a parte, em geral com sepultamentos entre 1910 e 1950, tem as cerquinhas e cruzes todas de madeira que ainda resistem ao tempo e em algumas há placas de bronze com as datas e alguns dizeres. Fico andando por lá lendo algumas delas. Muitas das sepulturas estão abertas por ladrões de crânio, nenhuma das abertas tinha crânio nos caixões e alguns nem ossos tinham mais. Uma curiosidade nos cemitérios é que geralmente tem uma ou duas sepulturas de criança ainda sendo cuidada e nessas as pessoas deixam brinquedos, doces e moedas e isto também ocorre nas casinhas em homenagem as pessoas que morreram em acidentes nas estradas as de crianças e adolescentes geralmente tem moedas, brinquedos e doces. Sei lá se é normal isso, mas eu para pra visitar várias dessas, as vezes tem placas com dizeres bonitos. La Mano del Desierto Em virtude dessas paradas o dia não rendeu na estrada, consegui chegar a Paposo, primeira cidade do litoral que eu cheguei, fica a 50 km de Taltal. O bom de se viajar sem data pra voltar é que dá pra ir parando, vendo as coisas com calma, no meu tempo, coisa que nas outras viagens eu deixei passar por falta de tempo nesta eu estou aproveitando, é outra vibe a viagem. Achei uma praia legal a uns 5 km depois de Paposo e montei minha barraca de frente para o mar, amanhã quero ver se faço render pelo menos 500 km.
  2. Vigésimo nono dia. 03-01-18 De Salar de Ascotan a Calama Mais uma noite gelada, -6 graus dentro da barraca e -13 graus lá fora. Novamente a moto e a barraca congeladas. Como estava acampando na borda de um salar a humidade do ar ainda é alta, logo a sensação e o frio são maiores e pelo segundo dia seguido sou obrigado a fazer o numero 2 com temperatura abaixo de zero. O intestino regulou para as 6 horas da manhã e não tem como segurar e como não tem banheiro no hotel de bilhões de estrelas o jeito é improvisar. Desmontei a barraca e segui para a estrada, tinha 50 km pela frente até chegar a outra estrada que levaria a San Pedro de Atacama pelas montanhas passando pelo gêiser Del Tatio. Devolta ao asfalto eu cheguei até um vulcão pequeno que quando passei na ida pensei em subir mas deixei quieto, dessa vez eu teria que subir. Deixei a moto lá perto e fui subir, eram 160 metros de altura para subir pela encosta do mini vulcão, iniciei em 3540 metros e mesmo estando a quase um mês a mais de 4000 metros de altitude eu tive que fazer mais de 10 paradas para tomar ar, mas valeu a pena. Cheguei na cratera que lá debaixo parecia que seria pequena, mas era grande e a visão lá de cima era muito bonita, era possível ver outros vulcões e as planícies do deserto. Para descer foi fácil, não cansa. Cheguei na moto eram 11 horas e decidi almoçar, enquanto almoçava ouvi o barulho de uma moto com escape esportivo se aproximando e passaram duas motos. Pensei comigo que só podiam ser brasileiros, continuei comendo meu pao com sardinha e depois de um tempo ouvi aquela moto roncar e vi eles parados a uns 2 km. Devia ter estragado pensei. Terminei de comer e fui lá ver se poderia fazer alguma coisa. Eram 2 catarinenses de Brusque, um até já tinha conversado comigo pelo Facebook. Conversamos um pouco e o cara da moto barulhenta, uma Bros 125, disse que estava com problema na carburação por conta da altitude, mas que já tinha resolvido, tirou o filtro e ia seguir sem. Nos despedimos e fui para o meu sofrimento do dia. Cansei de empurrar Peguei a estradinha, ruta B145, que inicia na ruta 21 a 80 km de Calama, inicialmente era estrada boa, mas logo tornou-se a minha maior provação. Nos primeiros quilômetros ela alterna entre estrada boa, costela de vaca, buracos e algumas partes com areia, lá pelo quilometro 35 a coisa começa a realmente ficar feia, com grandes trechos de pura pedra fininha misturada com areia com até 30 cm de profundidade de terra solta onde a moto só anda comigo do lado ajudando a empurrar. Passei por uns 3 trechos de uns 100 metros assim até mudar para a estrada ao lado, que estava um pouco menos pior. Elas se uniram lá na frente e logo se separaram novamente e na que era a principal tinha uma placa avisando: “Camino mal estado”. Continuei por aquela paralela achando que elas se cruzariam lá na frente e na verdade esta paralela cruzou um salar e ia para o alto da montanha, eu decidi que não iria mais para San Pedro, se até ali onde não tinha placa avisando das condições da estrada já estava o inferno, imagina se eu continuasse por onde a placa avisava que não estava bom. Agora eram mais 35 km para voltar para o asfalto da ruta 21 e mais sofrimento. Voltei pela paralela que na vinda eu passei em partes dela e estava melhor que a principal, mas tinha uma parte de uns 300 metros de puro areão que foi pra pagar muitos dos pecados que cometi. Parei varias vezes para descansar e empurrei bastante a moto no areão. As costas doíam, dor muscular, tamanho era o esforço, tive que tomar um torsilax para ver se doía menos. Passado esta parte eu pude ver um pouco da fauna do local, uma marreca selvagem com filhotes no rio e uma Suri com ums 10 filhotes, o Suri é uma ave de tamanho entre uma Ema e um Avestruz, se parece muito com eles. Voltei para o asfalto e segui até Calama. Parei num shopping e fui ao mercado, la comprei varias sopas e arroz para minhas próximas refeições, no Chile não dá pra ir em restaurante. Comprei por R$17,50 4 coxas com sobrecoxas assadas, seria meu almoço de hoje e de amanhã, já que só consegui comer duas. As sopas ficam num preço muito bom, comprei várias de vários sabores, frutas quase não dá de comprar de tão caro, a maioria na faixa dos R$10,00 o kilo. De lá fui abastecer e sai da cidade já com o sol se pondo e uns 10 km depois da cidade entrei no deserto e montei minha barraca atrás de um monte de areia agora é só descansar porque o dia puxado.
  3. Vigésimo oitavo dia 2/01/2018 De Lirima a Salar de Ascotan Como o previsto a noite foi muito fria, marcava -7 graus dentro da barraca pela manhã e fora marcou -13 graus. Estava tudo congelado, a moto, barraca e a água. Tive que esperar descongelar a barraca para poder guarda-la. Não passei frio, mas usei tudo que tinha. Depois de pegar a estrada o gelo ainda ficou no painel da moto por uns 50 km e eu andando com o macacão de pantera e jaqueta. A estrada A97B que liga Colchane a Ollague, até a mina Collahuasi alterna entre asfalto e pista de barro, porem muito bem cuidada e sem grandes atrativos, exceto pelo salar de Huasco, alguns vales e picos ainda nevados para se ver. Da mina até Ollague a estrada, se é que se pode chamar é bastante mal cuidada, com muitas costelas de vacas, pedras e partes com bolsas de areia e vários desvios para o deserto em busca de um piso melhor. Deve ser por conta do transito dos caminhões da mina. A mina é uma mina de cobre e ouro no meio da cordilheira, tem um lago de rejeitos azul. Um pouco depois da mina tem uma cidade abandonada, Yuma é o nome, fica a 4401 metros de altitude e aparentemente era utilizada para para tratamento de algum minério, tinha até estação de trens por lá para buscar o que era tratado lá. Salar de Huasco Salar de Coposa Represa de rejeitos da mineração do cobre Desta cidade até Ollague a estrada fica um pouquinho pior, com bastante areão e estrada por cima de laje de pedras e péssimas condições e para ajudar o vento aumentava e quando pegava de lado quando tinham costelas de vaca a coisa ficava perigosa, mas consegui chegar à Ollague a salvo e fui buscar por gasolina, pois já estava na reserva. A Biz tá fazendo uma média bem ruim ultimamente, no tanque anterior fez 24 de média e neste fez 30. Consegui comprar 11 litros pagando R$8,82 o litro, caro, mas era o que tinha. Enquanto abastecia chegou um senhor e sua esposa do RS com uma GS 1200, indo para Uyuni e também procurando por gasolina, fez as contas e colocou só o suficiente para chegar em San Cristobal, não é só quem anda de Biz que faz contas para economizar. Voltei para a estrada, agora pelo asfalto até a saída depois do salar de Ascotan, peguei a estradinha que tinha planejado e segui por uns 5 km até que ela começa a subir um encosta e com muita “brita” fininha, impossível de uma moto passar por lá de boa, quem sabe uma de rallye conseguisse, resolvi voltar, já era final de tarde e antes de chegar no asfalto montei minha barraca ao lado de um morro, mais ou menos protegida do vento.
  4. Vigésimo sétimo dia 1/01/2018 De algum lugar no deserto da Bolivia a Lirima no Chile E 2018 começou e eu estava no meio do deserto da Bolívia sozinho, um jeito estranho de começar o ano, mas eu estava feliz. Foi uma noite tranquila e só me restavam uns 100 km de estrada de chão para chegar ao Chile. Andei até Negrillos, onde abasteci a moto, pois achava que não daria para chegar até a fronteira, paguei 9 bolivianos por litro, mais que o preço pra turista, em uma tienda, mas era o que eu tinha de opção e foram-se todos os meus Bolivianos (dinheiro). Segui até o próximo pueblo e pedi para um morador qual era o caminho para Pisiga e ele me apontou as montanhas, pelos pontos que eu tinha marcado no GPS o sentido não era aquele e pela folha que eu tinha impresso com um roteiro também não era por lá, mas como eu tinha o tanque cheio e podia arriscar resolvi ir por onde ele falou. Subi uma montanha e do alto podia ver o vulcão Tata Sabaya, que seria minha referência de estar indo para o lugar certo e na real estava, era outro caminho que também chegava lá. O caminho é bonito, passando por montanhas e bofedales, espécie de alagado todo verde onde os animais vem beber água. Passei por alguns pueblos, em um deles vi duas crianças e lembrei de dar os brinquedos pra elas, quando eu estava voltando para entregar os brinquedos a mãe delas se escondeu de vergonha, entrei e sai e quando olho pelo retrovisor a mulher ia saindo de trás do muro. Típico de pessoas do interior de qualquer país. Cheguei em Pisiga era meio meio dia, fiz o câmbio suficiente para completar o tanque e almoçar, abasteci, almocei e fui pra aduana. Estava vazia, peguei os papeis que sempre são os mesmos quando se entra no Chile, preenchi e fui para a imigração da Bolívia fazer minha saída e o cama me mandou ir primeiro pra aduana, inverso de todas as outras imigrações da Bolívia. Beleza, fiz aduana, depois imigração e depois a imigração chilena e quando fui fazer a aduana chilena, que sempre é um saco, mas dessa vez seria pior. Tinha um agente de mal humor fazendo tudo que podia pra me irritar. Depois de termido no balcão ele foi fazer a revista e pediu pra tirar tudo de dentro do bau e levar para o scanner as coisas maiores, nunca precisei fazer isso. Beleza, levei e passei pelo scanner e depois veio o outro agente da SAG, fiscal das coisas derivados de animais e vegetais, revistou novamente o que o primeiro agente tinha revistado e pediu pra ver o bau central, tirei as coisas de la, deixei só as sardinhas e o chocolate. Ele colocou a mao lá dentro pra ver o que tinha e achou uma sardinha ao molho de tomate estourada, eu procurei e não achei ainda, ele tirou a mão com os dedos sujos de sardinhas e fez uma cara de nojo. Ali eu ganhei o dia e e ele parou a procura e saiu. Com um sorriso no rosto comecei a guardar as coisas tudo novamente com calma e sempre lembrando da cara dele. Tudo guardado segui pela ruta 15 até a saída para o que eu esperava ser estrada de chão e para minha surpresa era asfalto, uns 30 km até começar a estrada de chão tão boa que dava pra andar na mesma velocidade que no asfalto, segui nela até chegar a subida da montanha que eu chegaria a 5045 metros de altitude. A moto já estava sem força e ainda tinha um vento contra para atrapalhar, ela foi até 4558 metros e parou, tive então que trocar a coroa para continuar a subir e mesmo assim chegou uma hora que eu tinha que ir fazendo zig-zag na estrada e ainda ajudar com o pé no chão para terminar de subir, mas consegui. Lá em cima o frio era grande e quando comecei a descer que passava as sombras o frio era cortante. O sol estava baixando e eu ainda estava em cima da montanha e acampar por lá não seria uma boa, mas chegou uma grande ladeira que me levava para uma planície, no fim dela eu vi uma cava e fui lá ver se dava pra acampar dentro, pois ventava bastante. Depois de uns ajustes no chão eu pude montar a barraca e entrar, pois o frio era grande e a madrugada prometia ser bastente fria.
  5. Vigésimo sexto dia. 31/12/2017 - De Sajama a algum lugar no meio do deserto na Bolívia A noite não foi das mais tranquilas, durante a noite tive que levantar para mudar a barraca de lugar. Onde eu tinha montando ela o chão estava muito quente, mesmo com o colchão inflável ainda ficava quente demais, pelo menos uns 60 graus estava o chão. Vi que se apenas mudasse um metro para o lado já ficaria mais frio o chão e fiz isso, mas quando fui la fora ver o chão estava mais frio por conta de que lá fora estava frio e esfriava a camada externa do solo e depois de uma meia hora de eu trocar a barraca de lugar o chão já estava quente novamente, aí desisti e tentei dormir assim mesmo. Foi uma noite mal dormida. Pela manhã peguei as roupas que tinha deixado de molho no córrego e coloquei pra secar, também coloquei i saco de dormir pra secar, pois o calor do chão fez suar e molhou por baixo, a barraca também estava encharcada por conta dos vapores e tive que estender o sobreteto para que secasse. Enquanto fazia estas coisas deixei uma sardinha esquentando no gêiser para o café da manhã. Fiz a barba no gêiser também. Quando terminava de montar as coisas na moto as roupas já tinham dado uma boa secada e as que precisavam secar amarrei sobre o baú junto com os tênis. Saí de lá e fui para as termas, distante uns 10 km, mas no caminho tinha um rio que a moto não passava e tive que passar por uma ponte feita com uns 4 paus paralelos e podres, arrisquei e passei, mas foi tenso. Deixei a moto no estacionamento e as roupas estendidas pelas moitas de capim e fui tomar meu banho nas aguas termais a 35 graus. O governo fez duas piscinas, um restaurante e um vestiário para os turistas. Bem legal o lugar e a água uma delícia. Fiquei lá quase uma hora, tempo da maioria das roupas secarem, ficou só a calça jeans e os tênis para terminar de secar sobre o baú. De lá fui terminar de fazer a estrada que contorna o nevado Sajama, ao todo dá 100 km para dar a volta nele, sendo uns 80 de estrada de chão que varia entre areia, pedras com areia e outras partes com muitas costelas de vaca que fazem o passeio virar uma tortura, mas vale a pena. Almocei um charquitan, charque frito e desfiado com um milho típico cozido, ovo cosido com casca e camote, um tipo de batata, em um restaurante na beira da estrada e voltei pra Tambo Quemado, para pegar a estrada que me levaria Pisiga pelo Circuito do rio Lauca, é uma estrada que passa por algumas atrações, como Chullpas, formações rochosas, entre outras coisas. É uma variação de estradas mais ou menos e estradas ruins, sendo areia, costelas de vaca e chão com pedras e em muitas partes há desvios para o deserto onde se anda na areia com mais conforto. O Rio Lauca quando cheguei achei que não conseguiria passar, tamanha era sua largura, deixei a moto, levantei as calças e fui pesquisar onde era o melhor lugar pra passar e ví que era possível, voltar uns 100 km de estradas ruins não era opção. Passando o rio fui visitar as Chullpas Policromas, eram sepulcros de chefes Inkas, inclusive em uma delas ainda havia uma caveira. Estas Chullpas são diferentes das outras por serem coloridas, pigmentos foram adicionados na argila e nas faces figuras podem ser vistas. Estas ruinas datam de entre 1470 e 1530. Para acampar encontrei um local de onde era tirado o saibro para a estrada e lá protegido do vento montei a barraca. Era visível da estrada, mas como neste dia não passei por ninguém na estrada não faria diferença nenhuma, poderia acampar no meio da estrada se quisesse. Ali seria minha passagem de ano.
  6. Vigésimo quinto 30/12/2017 De Arica no Chile a Sajama na Bolívia Saindo do camping comecei a subir a cordilheira em direção a Putre e pelo caminho visitei a Pukara de Copaquilla, que é uma fortaleza dos povos pré inca e uma espécie de armazém, Tambo de Zapahuira, com uma mini vila em volta. Pukara de Copaquilla Tambo de Zapahuira O caminho é sinuoso e com asfalto de boa qualidade e o numero de casinhas em homenagem aos que morreram por ali mostram que é bom ter cuidado, pois muitas curvas e paisagem bonita podem ser uma combinação fatal. Chegando aos 3500 metros de altitude já pude perceber que a moto já estava fraca novamente, certeza que deve ser o sensor de pressão do ar que esta com problema. Comecei a ver os primeiros picos nevados por entre as nuvens e o melhor estava guardado para após passar por Putre, onde eu espera comprar gasolina e não tinha e minha gasolina daria apenas para chegar na fronteira. Ao entrar no parque nacional Lauca as coisas começaram a ficar bonitas. Formações rochosas em um canion logo no começo e depois os cerros e vulcões nevados deram a sua graça. Ao longo da carretera tem vários mirantes explicando sobre os cerros e vulcões. Parei em um deles para comer um chocolate e choveu de leve uma mistura de granizo com chuva e no horizonte vinha uma tempestade no mesmo sentido que eu. Apertei o passo. Costume de deixar bebidas, comida e as vezes moedas Mais um que não conseguiu chegar. Vulcão Parinacota e Pomerapi Laguna Chungará Passei pelo lago Chungará, que fica aos pés do vulcão Parinacota e de outro cerro nevado. A composição do cenário é muito bonita e tem um deck no lago de onde se pode observar o vulcão e as aves do lugar. Chegando na fronteira a fila de caminhões indo para a Bolivia era kilométrica, passei por eles e chegando na aduana a gasolina acabou, consegui tirar uns 300 ml do tanque auxiliar e colocar no outro, suficiente para chegar ao posto logo após a aduana. Chegando na imigração chilena para dar saída me pediram um folha onde teria que anotar o numero da placa e teriam 6 carimbos para serem pegos, por ali já vi que a coisa ia ser enrolada. Fiz imigração e aduana chilena e fui para a boliviana, que diferente de todas as outras aduanas deles, nesta pede para preencher um formulário onde se declara o que esta levando para o país e outro para a entrada do veiculo no pais e depois de preenchido tem que levar até uma casinha do lado de fora para uma pessoa passar para o computador os dados e depois voltar na aduana para o oficial poder dar entrada no veículo. Coisa que nas outras aduanas que faz é o oficial, e tem que pagar R$7,50 pelo preenchimento do formulário. Feito a aduana o ultimo passo era pegar o sexto carimbo com a polícia. Lá a policia pega os dados do veículo e coloca num caderno, só para registro, mas inventou uma taxa de registro onde eu deveria pagar R$5,00, tava na cara que era pilantragem, pedi o comprovante e o guarda começou a enrolar e inventar desculpas. Falei que aquilo não era correto e que era mais como uma “colaboracion” que algo legal e sai de lá. Todo o rolo na aduana durou mais de uma hora. Abasteci a moto em Tambo Quemado a 6 Bolivianos, pelo menos isso tinha que dar certo, e fui almoçar alguma coisa, já eram 15 horas. Pedi um truta no restaurante e depois comprei um suco de abacaxi e segui para o parque nacional Sajama, que não tinha ninguém na portaria, talvez me cobrem amanhã na saída. O nevado Sajama estava lá todo imponente e todo visível com seus mais de 6000 metro de altura e do outro lado os vulcões Parinacota e Pomerapi e na frente outros cerros nevados fechavam a paisagem. Andar pelas estradas de areia, socadas pelas ultimas chuvas, foi um prazer, para onde se olhava tinham montanhas nevadas, isso em pleno verão. Cheguei na vila Sajama e uma senhora veio me oferecer hospedagem por R$15,00, como ventava um pouco e aqui é alto disse pra ela que ia ficar, mas que primeiro iria ao gêiser e assim fiz, porém chegando no gêiser não estava ventando e o chão perto de uma das fontes era quente e pensei comigo: Por que não acampar aqui. E foi isso que fiz, busquei a moto e no caminho passei numa valeta e ao tentar equilibrar a moto coloquei o pé no chão, mas não era chão, era lama preta e quente, foi o tênis inteiro e a barra da calça. Sai dali e coloquei a moto onde iria montar a barraca. Montei e coloquei as coisas para dentro e aproveitei que tinha agua quente e fui lava o tênis e uma muda de roupa que eu tinha suja a uns dias já. Depois de lavar coloquei no sado de secagem e deixei no córrego de agua morna de molha para retirar no dia seguinte. O dia finalizou com um por do sol que deixou as nuvens avermelhadas contrastando com o branco dos picos nevados ao fundo.
  7. Vigésimo quarto dia. 29/12/2017 De Mollendo no Peru a Arica no Chile Decidi que iria tentar continuar o meu roteiro, a moto estava boa novamente. O problema dela deve ser o sensor de pressão do ar ou sonda lambda e a parte que quero fazer em altitude agora é na faixa dos 4000 metros e se precisar eu troco a coroa novamente. A ideia é seguir para Tacna e do Chile seguir para a Bolívia, para o nevado Sajama. Andar pela costa do Peru e sempre bom. A cada curva é uma nova e bela paisagem, a carretera Panamericana segue sempre pelo costeando o mar, passando por pequenos vilarejos de pescadores e de mineiros. Eu já tinha passado por esta estrada no ano anterior, mas no sentido contrários, então apesar de ser o mesmo caminho, mas a paisagem parece diferente. Em Ilo eu segui por dentro da cidade e a surpresa foi boa, Ilo tem uma praça muito bonita e bem cuidada na frente do mar. Segui pelo centro da cidade e fui até o mercado de peixes que fica no porto e sentindo o cheiro de peixe frito não resisti e tive que comer um. R$12,00 um peixe e meio servido com arroz, batata e salada e pra varar tinha sopa de entrada, isso que eram 9 horas no horário local, tinha bastante gente comendo, não sei se era café da manhã atrasado ou se era almoço cedo. Continuei até perto de Tacna onde parei em uma banca que vende melância e pedi meia melancia pra comer ali mesmo, deu 3,5 kg. Estava com sede e a melância e fazer o serviço. Desviei de Tacna passando por Los Palos e cheguei a aduana as 16:30 horas, cheia de gente os tramites levaram pouco mais de uma hora. Com a mesma palhaçada de ter que ir no restaurante compara uma folha que era a aduana peruana que tinha que fornecer. Segui então até perto de Arica e tomei a carretera que leva a Putre pelo vale de lluta. Este vale é bastante fértil e tem até uma farinha com selo de procedência de lá, planta-se bastante milho neste vale. Nele tem geóglifos, desenhos nas encostas das montanhas, de mais de 1000 anos. Achei um lugar para acampar no meio de uma montanha, uma estada abandonada logo no inicio da subida da cordilheira.
  8. Vigésimo Terceiro dia 29/12/2017 De Imata a Mollendo Deixei a cidadezinha e continuei minha descida para Arequipa, cheguei nas primeiras vilas antes da cidade e parei para fazer uma solda no pezinho da moto, tinha quebrado onde vai a mola, depois fui almoçar e segui até a concessionaria honda. Expliquei o defeito da moto para o chefe dos mecânicos e ele falou que teria que baixar o manual dela para poder trabalhar, que faria vários testes e só poderia mexer no outro dia. Analisei comigo: Se ele vai aprender na moto, isso vai levar bastante tempo e tempo em concessionária é dinheiro, como a moto melhorou um pouco com a baixada de 4000 metros para 2000 e poucos vou descer até o Chile e lá eu vejo se continuo descendo para o Ushuaia ou se volto para parte do meu roteiro original. De qualquer forma, se ele achasse o defeito é provável que não tenha a peça e eu gastaria um monte em mão de obra e não teria o problema resolvido. Saí de Arequipa já a tarde e tinha 100 km até o litoral, cheguei em Matarani já no fim da tarde e bateu uma dor de barriga daquelas de parar a moto no acostamento e procurar o primeiro mato e por pouco que não deu tempo. O sol já estava se pondo, num vermelho intenso, quando eu vi uma estradinha que dava para uma praia do Pacífico, segui nela até perto do mar, onde montei minha barraca na areia e a moto ficou na estrada, pois a areia era muito fofa.
  9. Vigésimo segundo dia. 22/12/2017 de Juliaca a Fui montar as coisas na moto e senti a falta de uma sacolinha com os brinquedos que eu tinha comprado em La Paz, pensei ter esquecido na oficina, já que dentro do baú estava a câmera digital que vale mais de R$1.000,00, quem ia roubar só os brinquedos e não a câmera? Como tinha tirado tudo de dentro do bau na oficina achei que pudesse ter esquecido lá. Voltei na oficina e não estava lá, não sei se acharam na oficina e não quiseram entregar ou tinha um ladrão burro no hotel. Decidi tentar chegar em La Rinconada com a moto daquele jeito mesmo. Saí de Juliaca com o tempo bom, mas com várias chuvas pelos cantos e uns 30 km depois pego uma delas e mais 10 km pra frente reduzo pra entrar numa ponte com uma via só e a moto começa a falhar e morre no meio dela, empurrei até a cabeceira tento fazer pegar e ela liga, mas ao engatar a marcha ela morre. Fiquei segurando o acelerador nuns 30% por um tempo e tentei engatar e foi. Consegui andar com ela, mas se tivesse que reduzir ela começava a falhar, eu estava voltando pra Juliaca, desse jeito não dava pra tentar chegar em La Rinconada, decidi que ia tentar voltar até Juliaca e ver o que faria por lá. No começo da cidade parei para esquentar as mão e ouvi um barulho de faísca no motor, fui ver de perto e saia faísca do cachimbo da vela para o moto. Estava explicado o porque de a moto estar falhando, ainda mais na chuva. Fui até uma oficina Yamaha e comprei um cachimbo original Honda novo. Não falhou mais, mas continua sem potência. Resolvi então ir para Arequipa e arrumar lá a moto. Saí de Juliaca passava das 16 horas, não daria pra chegar lá naquele dia, eram 200 e poucos quilômetros. A estrada é sem graça até chegar na cordilheira, quando nos picos se vê a neve dos últimos dias e também uma laguna grande, a 4400 metros, com várias pequenas ilhas. Já perto do fim da tarde e ainda chovendo passei por uma parte onde choveu granizo, tinha uns 5 cm acumulado no acostamento, era uma faixa de 1 km onde passou nuvem que deixou tudo branquinho, montanhas e planícies, que rendeu ótimas fotos. No meio do deserto avistei um povoado abandonado as margens da rodovia e fui lá ver se daria pra acampar e achei um lugar perfeito dentro de uma pequena igreja. É uma cidadezinha que nasceu em função da ferrovia, a igreja data de 1948 e no cemitério a lápide mais velha que se pode ler é de 1955 com a mais recente de 2016, alguém ainda usa aquele cemitério, mas na cidade ninguém mora. Montei minha barraca dentro da igreja, protegido do vento e da chuva, mas do frio não, estava a 4400 metros de altitude e a noite baixou de -2 graus o frio.
  10. Vigésimo primeiro dia 27/12/17 de Cuturapi a Juliaca Como previsto a noite choveu e choveu forte e bastante, inclusive granizo fino. A barraca suportou bem e não entrou uma gota. Desmontei o acampamento e segui para Puno, que estava a 120 km. A estrada que vai para Puno é repleta de casinhas em homenagens aos mortos no transito e o modo de condução dos peruanos mostra o porque tem tantas casinhas assim na estrada. Diferente dos bolivianos que dão sinal de luz ou buzinam para indicar uma ultrapassagem, os peruanos forçam as ultrapassagens, não respeitam os outros motoristas e tiram finas dos motociclistas. Com minha moto não passando dos 70 km/h em alguns momentos de vento contra no plano eu tenho que ficar muito ligado em que vem atrás e pilotar totalmente na defensiva. Esculturas na beira da estrada entre Yunguyo e Puno Puno Chegando a Juliaca Cheguei em Puno perto do meio dia, fui fazer o SOAT e só tinha pra 30 dias, R$97.50. Fiz e fui para a autorizada da Honda que não pode me atender por estar com muito serviço, mas foi bom que nao tinham tempo o mecânico não parecia saber muita coisa, falou que a fumaça preta do escape era normal e que o problema deveria ser regulagem de valvulas. Parei pra almoçar um frango assado com fritas por R$5,00 e depois comprei umas uvas para a sobremesa e segui para Juliaca, caminho sem surpresas, pois já havia passado por lá duas vezes antes. Em Juliaca fui perguntar à um policial onde era a concessionária Honda e ele me levou até ela, que estava fechada para almoço, das 13 as 14:30 h. Quando abriu o mecânico falou que podia ser combustivel e que teria que limpar a bomba, eu sabia que não era esse o problema, mas como foi o primeiro lugar que teve a boa vontade de me ajudar eu permiti que abrisse e limpasse. Ele montou novamente e foi dar uma volta pra ver como ficou e não melhorou, ele não tinha um scanner para ver a injeção e não poderia fazer mais nada. Resetei a central da injeção conforme um tutorial no youtube, mas também não funcionou. Me foi cobrado R$40,00 pelo serviço e aproveitei para comprar um pinhao 14, porque o que ela estava usando estava com desgaste nas estrias. Fui então tentar sair da cidade, parei para comer mais um frango e vi que já era tarde, não conseguiria sair da cidade antes da noite e decidi achar um hotel. Achei um por R$20,00 e quando pedi pela garagem era mais R$3,00 e pedindo por banho quente era mais R$2,00. Acabei ficando e pra minha "surpresa" o banho quente não era quente, estava com problema, pelo menos o wifi funcionava e deu pra atualizar a pagina.
  11. Vigésimo dia de viagem 24/12/2017 De Peñas na Bolívia a Cuturapi no Peru Dormi por 11 horas seguidas, estava precisando mesmo, a diarreia tinha acabado comigo, mas já estava bem novamente, apenas um comprimido e já estava bom. Fiquei lá deitado por mais uma hora e então comecei a desmontar o acampamento. Comecei a ouvir vozes e quando vejo tinham 5 caras na frente da barraca. Vieram ver o que eu estava fazendo ali. Expliquei, conversamos um pouco sobre minha viagem e sobre o trabalho deles, eram agricultores. Nos despedimos, eles foram embora e eu continuei a desmontar a barraca e ainda tive que trocar a coroa novamente, pois neste dia eu não ia precisar dela, pois iria para Puno e não teriam grandes subidas. Parei em uma vila e numa feirinha destas de praça, comprei bananas e mini peras para o café da manhã. Chegando no asfalto novamente se via ao longo dele varias crianças balançando as mão para cima e para baixo, as vezes com um chapéu ou boné na mão, como já tinha visto no dia anterior vindo de El Alto. Para frente ví o motivo. Parece que é um costume deles de as pessoas que podem um pouco mais pegar o carro e ir para as estradas na véspera e no dia de natal doar presentes para as crianças. Ví alguns carros caros cheios de presentes para serem entregues, assim como também ví vans cheias e sempre que paravam era aquela correria das crianças. Coisa bonita de se ver e também triste por saber que nem todas terão um presente. Eu estou levando comigo carrinhos e bichinhos de borracha para dar a crianças das regiões mais isoladas, onde aqueles carros certamente não passarão, são brinquedos simples e pequenos, até porque minha moto e meu bolso não suportam brinquedos grandes e bons. Travessia em balsa de madeira Cidade de Copacabana na Bolívia Catedral de Copacabana Truta do Lago Titicaca Cheguei em Copacabana e lá tem um pedágio, já tinha pago para passar lá no ano passado, desta vez tinha um policial no meio da estrada, eu vi que os caras dos carros saiam do carro e iam até a casinha pagar voltavam e entregavam um papel para o policial, eu dei de João sem braço e continuei na fila até chegar minha vez de entregar o papel para o policial. Ele perguntou de onde eu vinha e se ia para o Peru, falei que ia para o Peru e ele mandou segui, certamente se falasse que ia pra Copacabana ia mandar comprar o papel. Abasteci na cidade por 7 Bolivianos o litro e desci até a praia de onde saem os passeios para a Isla del Sol, comi uma trucha a la plancha e na saída tentei por uma rua e a moto não subiu, mas pela outra subi. Cheguei na imigração e na aduana e não tinha ninguém, fiz a saída da Bolívia rapidamente e da mesma forma a entrada no Peru. Na aduana peruana eu estava meio que com medo de pedirem uma propina por eu não ter o SOAT, mas foi de boa, o agente foi super gente fina e nem falou do SOAT. Fiz o cambio e segui até Yunguio onde eu poderia fazer o SOAT, mas estava fechado e terei que ir até Puno sem. Uns 20 km depois eu vi uma placa indicando uma praia e entrei pra ver se achava um lugar para acampar, este estrada era por dentro de lavouras e não tinha saída para o lago, mas tinha uma boa área onde eu poderia acampar perto do lago, tinham vários agricultores trabalhando ainda e me olhando curiosos, mas resolvi acampar assim mesmo, pois o máximo que pode acontecer é alguém me mandar sair de lá. Uma tempestade se anuncia sobre o lago e vindo na direção do acampamento, finquei bem as estacas e mais tarde saberei se choverá.
  12. Décimo nono dia 23/12/2017 De El Alto a Peñas Acordei eram quase 8 horas, fiquei lá fora olhando as montanhas por um tempo e logo depois chega a pessoa responsável pela mineração lá, um senhor de uns 45 anos com sua família, eles são de uma cooperativa mineira que cede lugares em montanhas para que elas possam minerar. Perguntei sobre o que era possível um mineiro ganhar e ele falou que poderia chegar 1000 dolares por semana e que mineravam estanho e prata alí, tudo na base da picareta ainda. Enquanto desmontava minha barraca ele veio com um pão com ovo e um copo de café e enquanto eu comia os filhos dele ficavam tirando fotos com a moto. Eles subiram o cerro para minerar, crianças e mulheres também e eu fui ligar a moto para descer, mas não tinha bateria. Eu tinha deixado um inversor ligado na noite anterior e descarregou a bateria, fiz uma força pra empurrar a moto até o desnível para poder ligar ela no tranco e esta força me fez ir pro “mato” por causa da diarreia. A moto ligou no tranco e foi falhando morro abaixo até o motor esquentar e na descida ainda tive que ir para o “mato” mais duas vezes. Quando cheguei em El Alto procurei uma farmácia para comprar outro remédio para diarreia, pois o que eu tinha levado não estava funcionando, já tinha até me dado febre na noite anterior e eu já estava ficando preocupado. Comprei o remédio e já tomei. Fui no borracheiro para colocar a vacina nos pneus, já que eu não tinha mais câmara traseira reserva e depois fui comer um Pollo Broaster, frango assado com fritas e arroz. Saindo da cidade parei em dois postos e foi negado abastecimento por não terem como fazer a nota internacional, mentira deles e nem sem nota queriam fazer. No terceiro a mulher abastecia, mas só com nota e no preço para turista, mandei encher e ela encheu até cair fora da boca do tanque, faltava um pouquinho pra arredondar e ela vendo que estava cheio ainda colocou mais, que é claro caiu tudo no chão e em cima do banco, pedi um pano para limpar e ela disse que não tinha, me olhando com uma cara de: “Se fode turista trouxa!” Deu pra ver prazer na cara dela e certamente ela viu a raiva na minha. Fui então para o primeiro destino que era a represa Tuni que fica a mais de 4400 metros de altitude, um bonito lago verde aos pés de um nevado que não se podia ver por conta das nuvens, tirei algumas fotos lá e olhei no GPS os próximos pontos e resolvi ir, era uma estrada que passava ao lado do Nevado Condoriri e chegaria aos 5000 metros no abra, ponto mais alto. Chegando na estrada vai para o nevado já fui procurando um lugar para acampar, pois sabia que poderia precisar na volta caso não achasse nada lá para cima. Cheguei na primeira laguna, que é gigante, deve ter mais de 2 km de extensão com montanhas nevadas ao longo dela. Acima dela tem outras duas lagunas. A do meio é menor que a primeira, mas é de um verde ou azul, sei lá, muito bonito e a estrada vai cortando a montanha a uns 100 metros de altura em relação a laguna. Continuando subindo cheguei a terceira laguna, que é a menor e de águas da cor da segunda, cheguei até 4718 metros e vi que a Biz não iria subir até o abra e também que ele estava encoberto por nuvens, desisti e resolvi voltar e acampar lá embaixo, pois ventava bastante perto das lagunas. A reserva já estava piscando quando eu subi, por algum motivo a gasolina do tanque reserva não estava indo para o principal, então eu descia na “banguela” sempre que possível, mas na metade da primeira laguna, a maior, a moto começou a falhar e eu tive que tirar gasolina do tanque reserva para por no principal no escuro. Continuei descendo no escuro e fui ver um lugar que eu achava que daria pra acampar e era um bom lugar. Montei a barraca e fui pra cama cansado por conta da diarreia e das estradas.
  13. Décimo oitavo dia 22/12/2017 de La Paz a El Alto Saí do hotel perto das 11 da manhã e subi para El Alto e então ir para o Cerro Chacaltaya. No ano anterior a avenida que leva ao cerro estava toda em obras, cheia de buracos e desvios e este ano estava terminada, se vê progresso de um ano para o outro em El Alto. Saindo da cidade mais um dos tantos cachorros que correm atrás da moto veio atrás de mim, eu sempre olho pra ele para ver para onde ele esta olhando, geralmente eles fixam o olhar na roda dianteira, mas este estava olhando para a minha perna, esperei ele chegar mais perto pra quando ele desse o bote eu chutar e foi o que fiz, mas ele foi rápido, quando chutei ele também conseguiu pegar na minha perna, fez apenas uns arranhões superficiais, só pele, sem sair sangue e um rasgo na calça. Depois do cachorro continuei pelas estradas de chão com enormes poças dágua e buracos até ter que parar em função de uma diarreia que iniciara na noite anterior e quando fui pegar o papel higiênico vi que tinha perdido as duas câmaras de ar que tinha comprado, comprei duas porque estava barato, agora ficou caro. Fui subindo até onde a moto tinha motor, 4600 metros de altitude, troquei a coroa e continuei a subida toda em primeira marcha e as vezes ajudando um pouco com o pé. Cheguei no topo eram umas 2 horas da tarde. Fui subir até o cume do cerro, era um objetivo meu, eram quase 200 metros de desnível e a subida foi feita em várias etapas para descanso, pois subir morro acimas dos 5000 metros não é fácil. Cheguei no cume e vi que ele não era o ponto mais alto e sim outro que ficava atrás dele e resolvi ir lá, já estava perto mesmo. Foi mais uma caminhada em etapas até chegar nos 5435 metros de altitude, como indicava uma inscrição em uma pedra lá. O tempo que já não estava bom fechou um pouco mais e um raio caiu perto e eu saí de lá rapidinho, voltei para o primeiro pico, coloquei meus adesivos em dois postes e desci o morro. Pra descer a gente não cansa nada, mas pra subir... Chegando onde estava a moto, sentei num banco e fiquei pensando no que fazer. O tempo foi limpando e o Nevado Huayna Potosi apareceu completamente, assim como as outras montanhas ao norte, enquanto ao sul uma tempestade fechava a visão dos outros picos nevados. Subindo o Cerro Chacaltaya Estão começando uma mineração lá no cerro agora e alguns dos mineiros estão utilizando a casinha da Coca-Cola como cozinha e o antigo hotel como alojamento. Fui perguntar para um dos mineiros que lá estava se eu poderia acampar dentro da pirâmide e ele falou que não sabia, que tinha que perguntar para o dono, mas o dono não estava ali. Como ficou naquele chove e não molha, fui lá e montei a barraca, o máximo que pode acontecer e aparecer alguém e me mandar sair de lá. Deixei também as câmeras fazendo um time-lapse do Huayna Potosí e do pôr do sol e fiquei apreciando o pôr do sol. A barraca está montada dentro da pirâmide Quando fui pra dentro da barraca fazia -2 graus, mas a noite não foi muito mais fria fazendo -4 graus.
  14. Décimo sétimo dia 21/12/2017 - La Paz Este foi um dia de procura novamente por um mecânico que pudesse mexer na injeção, mas antes eu tinha que comprar um litro de álcool e um de gasolina e rodar até acabar a gasolina que tinha no tanque, que estava na reserva, para colocar a mistura do álcool e gasolina para ver se a injeção faria uma leitura correta do combustível e recalibrasse o sistema. Comprei o álcool e a gasolina e fui rodar até acabar a gasolina, rodei 40 km dentro da cidade e quando acabou coloquei a mistura e fui andar, mas a moto continuou igual. Fui até outro mecânico que tinha me indicado por duas vezes e o cara nunca estava, desisti e fui procurar câmara traseira pra comprar, eu estava sem uma reserva e pinhão, pois quando desmontei percebi que ele tinha um desgaste nas estrias que vai no eixo. A câmara achei por R$12,50 e comprei duas e o pinhão eles não tinham em nenhuma loja. Já era quase noite e decidi voltar para o mesmo hostel e partir na manhã seguinte de qualquer forma e tentar arrumar a moto no Peru, mas só seria possível três dias pra frente pois o dia seguinte seria sábado e o natal é na segunda. Sem fotos neste dia. Já estava puto e nem me animei a tirar fotos ou fazer videos.
  15. Décimo sexto dia 20/12/2017 - La Paz A tentar sair do hostel tinha um carro trancando a saída, não era um carro simples, era uma antigo da década de 20 ou 30. Tive que ficar no hostel até as 13 horas e então fui para a oficna indicada por um amigo, chegando lá estava fechada, abria só as 15 horas, Achei um restaurantezinho para almoçar por R$5,00 e voltei pra frente da loja para esperar abrir. Ao abrir coloquei a moto pra dentro e fui ver quem poderia me ajudar. Senti lá uma grande falta de atenção deles pelo cliente, a gente quase tem que implorar pra ser atendido. É a maior representante da Honda de lá, Nociglia Sport. Depois de um tempo foram lá fazer a ficha da moto e queriam mexer nela somente na próxima semana, alegando não ter tempo. Falei que desmontaria tudo e que pelo menos passasse o scanner para saber qual era o erro, coisa de 5 minuto o mecânico fazia, nem isso quiseram fazer, saí de lá decepcionado e triste e com o tempo ameaçando chover. Fui pra El Alto, achei uma pequena oficina onde pedi pra tirarem o vazamento que tinha na suspensão e enquanto isso troquei a coroa. Segui rodando até achar outra oficina um pouco maior e o cara me indicou outra oficina em La Paz que talvez pudesse me ajudar com o problema na injeção, esta fraca e dando excesso, Combinei para levar lá no dia seguinte e voltei para o mesmo hostel do dia anterior, a noite fui jantar em outro restaurante barato, de R$4,00 a janta com dois pratos. Aqui é muito barato comer. Décimo sexto dia A tentar sair do hostel tinha um carro trancando a saída, não era um carro simples, era uma antigo da década de 20 ou 30. Tive que ficar no hostel até as 13 horas e então fui para a oficna indicada por um amigo, chegando lá estava fechada, abria só as 15 horas, Achei um restaurantezinho para almoçar por R$5,00 e voltei pra frente da loja para esperar abrir. Ao abrir coloquei a moto pra dentro e fui ver quem poderia me ajudar. Senti lá uma grande falta de atenção deles pelo cliente, a gente quase tem que implorar pra ser atendido. É a maior representante da Honda de lá, Nociglia Sport. Depois de um tempo foram lá fazer a ficha da moto e queriam mexer nela somente na próxima semana, alegando não ter tempo. Falei que desmontaria tudo e que pelo menos passasse o scanner para saber qual era o erro, coisa de 5 minuto o mecânico fazia, nem isso quiseram fazer, saí de lá decepcionado e triste e com o tempo ameaçando chover. Fui pra El Alto, achei uma pequena oficina onde pedi pra tirarem o vazamento que tinha na suspensão e enquanto isso troquei a coroa. Segui rodando até achar outra oficina um pouco maior e o cara me indicou outra oficina em La Paz que talvez pudesse me ajudar com o problema na injeção, esta fraca e dando excesso, Combinei para levar lá no dia seguinte e voltei para o mesmo hostel do dia anterior, a noite fui jantar em outro restaurante barato, de R$4,00 a janta com dois pratos. Aqui é muito barato comer.
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