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rherr

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Tudo que rherr postou

  1. Olá a todos do fórum, Fiz essa postagem com o intuito de divulgar um ebook no qual eu vinha trabalhando nos últimos meses. Inclusive adiantei isso em minhas postagens anteriores, mas que agora, estou feliz de poder apresentar o trabalho. Embora seja uma narrativa em primeira pessoa, o leitor poderá encontrar no texto dicas sobre o sul da Argentina, especialmente no vilarejo de El Chaltén, dentro do Parque Nacional Los Glaciares. É uma história sobre a busca pela liberdade e que pode inspirar a muitas pessoas: Para mais informações, acesse à coleção com trechos do livro, fotografias e video. Link --->Os Glaciares
  2. Compartilho um vídeo que fiz, com uma Gopro Hero 4 pela Patagônia, saindo de Él Chaltén até a Laguna Toro. Decidi manter o precário som da câmera do que embutir qualquer trilha sonora de fundo. Assim não se perde parte fundamental do realismo extremo que essa câmera oferece. link para o vídeo Obrigado!
  3. recomendo a leitura de uma postagem minha, onde falo exatamente sobre isso, acho que todo aventureiro passa por situação parecida, onde seus sonhos não cabem em seus bolsos. O post se chama Sonhos de um aventureiro Obrigado pela leitura!
  4. Eu pessoalmente, não gosto muito das barracas vendidas no Brasil, acho-as cara, em comparação com as que se encontram no ebay, por exemplo. A minha comprei lá, e pesa apenas 1 kg. Como você vai viajar com sua esposa, eu recomendaria essa da Nature Hike, mesma marca da minha, que é pra apenas 1 pessoa, mas no teu caso essa, para 3, para que vc e sua esposa tenham conforto. Posso garantir que essa marca é de excelente qualidade. O tecido dela seca muito rápido após o sereno da noite. Digo isso comparado com uma barraca americana da renomada marca Big Agnes. Uma amiga comprou uma Big Agnes Fly Creek 1 no Canadá, por U$300, e a minha NH de R$200 teve um desempenho superior. Aqui vai minha sugestão no ebay, repare no peso, e no tamanho dela dentro da bolsa original. Faz toda a diferença na hora da caminhada: Lightweight 3 man Family Outdoor Folding Tent Double UV Skin Camping Hiking Trip
  5. tô dentro. se possível, vou acompanhar os roteiros do grupo por aqui, com esse tanto de gente, meu whatsapp não vai parar!
  6. Oi Rachel, estive vendo seu blog. Parabéns pela matéria. Me chamou a atenção você ser membro da RBBV. Fiquei curioso por saber quais são os benefícios que essa rede trás para seu blog. Qual a diferença que da RBBV para a ABBV? Estou pensando em filiar-me alguma entidade dos tipo dessas, mas ainda não tenho certeza quais são os benefícios. Ficaria muito agradecido se você puder compartilhar sua experiência e opinião sobre este tema. Sou novo neste assunto de blogs de viagem. Escrevo no relatosepassagens.wordpress.com onde relato minhas aventuras, focado em montanhismo. Se tiveres alguma sugestão ou crítica, desde já eu agradeço. Muito obrigado!
  7. boa tarde pessoal, meu blog reúne informações sobre a cultura de montanha, dicas de lugares, de livros, manuais, exposição de fotografias, e claro, e meus relatos de viagens por montanhas do Brasil e do Exterior. A foto abaixo tirei na Travessia Petrópolis x Teresópolis, desde do morro da luva, com a vista para a Pedra do Sino e o Garrafão Recentemente dei uma atualizada no layout da página, e gostaria de compartilhar aqui com vocês no fórum. Críticas e sugestões são muito bem vindas, segue o link: Blog Relatos e Passagens Desde já, agradeço sua visita.
  8. Tô muito feliz com a compra que fiz recentemente na loja Aventura & Cia. Comprei um Deuter Orbit -5, com limite de temperatura -23, por incríveis R$386!!!!, comprei para ir a El Chaltén na Argentina, semana que vem (mau posso esperar!). Como moro no Rio de Janeiro, só de entrar no saco, passei mau de calor. Acho que será o suficiente para encarar a Patagônia.
  9. eu realmente não sou a melhor pessoa para indicar pois não fui a esses países. Apenas transmiti as informações de minhas pesquisas, que não serão iguais a das pessoas que estiveram em campo! boa sorte e boa viagem!
  10. Ainda não fui para nenhum desses países, mas o lugar que mais quero conhecer no Peru é a Cordilheira Huayhuash , perto da cidae de Huaraz . A paisagem, dizem, é o visual mais próximo dos Himalaias que temos aqui na América do Sul. Saca do naipe destes lagos de altitude! Na Bolívia, dizem que a Cordilheira Real vale muito a pena; e no Chile, o roteiro mais clássico, caso não tenha ido, é o Parque Nacional Torres del Paine. Mas este é um destino bem popular. O Chile tem muitos e muitos lugares de montanha por conhecer, fora desse destino mainstream. Eu citaria destinos que estão em minha lista, que é o recente parque nacional Pumalin, por exemplo.
  11. boa Mauro. Só gostaria de ressaltar que para aprender a como se virar na montanha, na minha opinião, é muito importante começar com guias experientes, caso não tenha amigos com experiência. Só de observar o comportamento dos guias de montanha e de grupo todo envolvido numa travessia, a pessoa aprende muito a lhe dar com o cotidiano de uma caminhada, e o uso dos equipamentos. Assim foi pra mim, quando fiz a travessia da serra fina. Não me sentia preparado para fazê-la por mim mesmo, e não duvidei que contratar o serviço de guias profissionais seria a melhor opção para minha segurança e aprendizado. Pela pesquisa aqui no forum, pode-se aprender muito com respeito à vestimenta adequada, que é essencial para uma viagem à Patagonia. Mas o maior aprendizado mesmo, se dá na própria montanha. O post do hacheprates foi muito feliz em suas indicações.
  12. a travessia toda é puxada mesmo, e não dá pra fazer sozinho. Mas subir ao brigo do açu , a primeira etapa da travessia já é um objetivo bem ambicioso para quem está começando. Mas assim, eu acredito que com muita determinação, qualquer um consegue fazer a travessia, mesmo tratando-se de inexperientes. O ideal é ele ir com gente mais experiente para que possa ir aprendendo.
  13. mas assim, até onde sei, o trekking "O", dá pra fazer numa boa. O importante é investir em bons equipamentos e vestimentas adequadas para a Patagônia. O resto é só alegria. Abraço
  14. Oi Vitor, vou tentar responder o que você colocou. Seguinte, não conheço Torres del Paine, é um lugar que também está na minha lista de caminhadas, mas até onde sei, para quem está começando, acredito que seja o lugar ideal para sua primeira aventura. Embora, como você apenas vai para o Chile no ano que vem, o ideal mesmo é começar fazendo as travessias mais clássicas do Brasil, como a Petrópolis x Teresópolis, por exemplo. Mas não é aconselhável fazê-la no verão. Enquanto que a melhor época para ir ao Chile, seja agora mesmo! entre Dezembro e Abril. No meu blog, eu postei uma vez um texto sobre o que comer e como preparar os lanches para travessias em montanha. Algo que aprendi com guias profissionais, em expedições que contratei serviços do tipo. Este caminho de se juntar a guias e grupos para travessias, é um excelente começo para se preparar para a vida nas montanhas. A experiência que tive com essa gente me valeu muito. O link para o que comer numa travessia em montanha, é o seguinte: o que levar para uma travessia O relato da minha travessia Petrópolis x Teresopolis , pode ser útil: Petrópolis x Teresopolis Agora sobre equipamentos, aconselho você procurar por barracas ultralights a que eu uso, comprei no ebay, e é de excelente qualidade, pesa apenas 1kg barraca ultralight se quiser saber sobre outros equipamentos, só perguntar. Mas cara, não existe essa de batismo, tem que começar mesmo, a por a mochila nas costas e ir aprendendo a cada expedição. abraço
  15. Oi Galera, só para constar que o conteúdo do livro é o seguinte: Este livro apresenta uma série de relatos de viagens pelas montanhas do Brasil e da Europa realizadas pelo escritor Roberto Herrera, nos últimos 5 anos. Aborda aspectos da vida na montanha e o sentido da aventura. O leitor é convidado a viajar com o autor, num estilo inspirado por Jack London, Jack Kerouac, e entre outros autores. A característica mais marcante deste livro, é o equilíbrio entre descrições objetivas pelos lugares que passou, com suas impressões e sensações pessoais, que o movimento da viagem provoca no autor. Conteúdo do livro Sonhos de um aventureiro Parque Nacional Picos De Europa Parque Nacional Serra dos Órgãos - Subida à Pedra do Sino Parque Nacional do Itatiaia Travessia da Serra Fina Travessia Petrópolis x Teresópolis De volta ao Açu Literatura de Montanha O que comer numa travessia em montanha? Rumo à Patagônia Sobre o autor
  16. acho que não tem problemas, pois o que conta é o nome que aparece no documento e não na reserva. Ao menos que vc não se chame Isis, não terá problema hehe
  17. Com o objetivo de promover meu primeiro e-book, publico nesta postagem, um extrato do mesmo, de um capitulo titulado “Sonhos de um aventureiro”, o qual serve como introdução ao livro. Sonhos de um aventureiro Este livro é uma espécie de diário de bordo, de alguém cujo único objetivo em curto prazo, é realizar uma viagem à Patagônia, e relatá-la num livro digital. Aqui estão reunidos os textos que escrevi até hoje contando minhas experiências adquiridas nos últimos cinco anos, pelas montanhas e parques nacionais que visitei. Embora tenha adquirido o gosto de articular palavras, e ultimamente tenha praticado a escrita todos os dias, não me considero um escritor profissional. É como se alguém que apenas saiba uns acordes de violão se autoproclamasse como um músico. Não é bem assim, creio. Ao meu ver, profissionalismo requer uma prática de anos. Portanto, peço desde já desculpas pelos eventuais erros de português que encontrarás pelo caminho. Até porque, não tenho um revisor profissional, mas dei o meu melhor. Engraçado pensar que antigamente as pessoas escreviam seus pensamentos num caderno e escondiam-no a sete chaves, enquanto hoje em dia, fazemos questão de publicar para qualquer um ler essa tal intimidade, como se isso fosse algo útil, ou realmente interessasse alguém. Pareço não me importar com este fato, e além disso, quem escreve, de certa forma, está condenado a se expor. Tal como um cineasta que ao apontar sua câmera para qualquer realidade, está fadado a se conformar com seu próprio ponto de vista, em detrimento dos demais pontos possíveis ao seu redor. Portanto, aqui vou eu. Por um lado tenho sorte, pois neste momento não tenho muitas preocupações, a tal viagem, como dito, é meu único objetivo agora mesmo. Por outro, tenho estranhado a vida numa grande metrópole, como o Rio de Janeiro. As correrias do dia a dia e a burocracia, as fobias, a competição, as tragédias, a corrupção. Tudo isso me faz ver nossa civilização em geral como algo carente de sentido. E neste triste ato, cria-se um movimento interior de escape, como se tratasse da autodefesa de alguém que não deseja lutar esta luta a qual me está sendo imposta, há em mim um movimento de fuga rumo ao isolamento, onde acredito que encontrarei um algo a mais. Se não for por acaso, pessoas que dividem comigo essas sensações, ao menos fujo direto para um encontro comigo mesmo. Inclusive isto, nas cidades modernas anda difícil. Estamos condenados a conexões coletivas em detrimento de um contato mais íntimo com a voz interior. Neste momento estou pensado em dar um novo rumo à minha vida, conhecer novas pessoas, e em como fazer com que minha paixão por grandes espaços se incorpore de vez em meu cotidiano. Na verdade, estou como que buscando algo, talvez espiritual, que projeto nesses lugares sobre os quais sonho e escrevo… Quando me vejo escrevendo isto dá até a impressão do que preciso mesmo é de um psicólogo, ou um coach profissional. Mas o que eles me diriam se meus sonhos tem haver com reviravoltas mirabolantes? Tais como criar cavalos em El Chaltén na Argentina, e alugá-los para turistas; ou investir em mudas de árvores nativas e vendê-las para projetos de reflorestamento. Viver de reportagens sobre os confins do mundo patagônico e outros lugares remotos, desbravar os Andes de sul ao norte, as montanhas rochosas, percorrendo-as do estado de Montana ao Alasca, na América do Norte; fazer um curso de escalada em Chamonix na França, e explorar as Dolomitas na Itália, conhecer a altitude dos Himalaias… E o dinheiro pra isso? E os meus sonhos entre eles? Neste momento resta-me escrever, apenas. Esta é uma forma de viajar também, e estou confortável com isso. Acho que todo aventureiro passa por situação parecida, onde seus sonhos não cabem em seus bolsos. Outros mais resolvidos diriam que isso é uma desculpa. Quantos casos como o esse já não houveram, em que o sonhador simplesmente sai por aí atrás de suas miragens de um grande mundo a fora, muitas vezes estilizado em seu interior, como se o lado bom estivesse lá e não aqui; confiando que a vida, e sua harmonia oculta, se encarregará de trazer-lhe surpresas agradáveis? Talvez eu coloque a desculpa na falta de dinheiro por saber que não abandonarei minha família (nem meu cachorro) e as responsabilidades do lar por uma causa egoísta, que é viajar por aí, pro meu próprio prazer. Sei também que conquistarei alguns desses sonhos de qualquer maneira, mais cedo ou mais tarde. Entretanto, receio que uma vida só não será suficiente para alcançar todos eles, quem sabe? Estou com 30 anos, e meus sonhos de montanha começaram apenas há 5 anos atrás, os que já realizei estão escritos aqui, nos capítulos que seguirão. Mas montanhas nunca serão o suficiente, trata-se de um desejo insaciável. São essas as montanhas de minha mente. Quando se está nelas, sobretudo quando enfrentamos uma dificuldade passageira, pensamos que porra estou fazendo aqui? Mas justo ao regressar para minha zona de conforto, e olhando para trás tudo que vivi naqueles espaços grandiosos e magnéticos para minha alma, o bichinho montanhês me morde novamente, e vem aquele desejo de começar de novo. As visões do mundo em harmonia, a certa paz interior, meu ser presente. A jornada. Uma espécie de vício, que faz parecer com que a vida nas cidades pareça simplesmente chata. Enquanto que o único antídoto para isso é simplesmente partir. Para ter acesso ao livro completo, siga os seguintes links: Loja Amazon e Loja Kobo boa leitura!
  18. Parque Nacional Picos De Europa A viagem ao Parque Nacional Picos de Europa foi meu primeiro contato sério com a montanha. Foi a partir dela que descobri finalmente qual é a atividade física que me convém: as caminhadas de longas distância, ou travessias em alta montanha. Claro que o prazer de viajar divide minha motivação para isso; mas atualmente, passados 4 anos desta viajem, continuo praticando esta atividade, hoje mais pelo esporte em si, do que pelo passeio. Ao mesmo tempo, as belezas naturais das paisagens as quais me dirijo são também uma escusa muito válida para partir; tudo isto compõem meus motivos para ter ido aos Picos de Europa, em setembro de 2011. Trata-se de um local um tanto inóspito ao ser humano inadaptado (neste caso, eu mesmo) ao qual meu corpo teve que habituar-se, no que se refere ao esforço feito para enfrentar longas subidas, atravessar os vales e os campos de altitude. A Cordilheira Cantábrica ou Montes Cantábricos é um complexo de montanhas ao norte da Espanha, que discorre paralelo ao Mar Cantábrico. Tem um comprimento de 480 km desde a depressão basca até o Maciço Galaico, passando pelos Picos da Europa. A cordilheira se situa nas comunidades autônomas do País Basco, Cantábria, Principado de Astúrias e Castilla y León e representa o limite pelo sul da chamada “Espanha verde”. Enquanto que em sua vertente sul , desde o Maciço Central, existe pouco desnível, na vertente norte o desnível é bastante acusado pela proximidade ao mar, o faz que os rios, de caráter torrencial, e pendentes encalhadas em vales em forma de V, de ladeiras pronunciadas. Seus cumes ultrapassam os 2000 metros nos vãos mais pronunciados de Astúrias, León, Palência e na zona oriental, de Cantábria. Os ventos dominantes, de origem oceânica, chocam com a cordilheira, ascendendo e condensando tendo como resultado a refrigeração. Devido ao vento Föhn são produzidas abundantes precipitações na vertente norte cantábrica (de até 2000 mm anuais) e para quando os ventos descem até a vertente meridional estão já secos, dando origem a um clima mais árido. Wikipedia Cheguei a Madri vindo de Amsterdã, onde então vivia com minha ex-mulher, Maartje, minha companheira nesta viagem. A primeira coisa que fizemos foi alugar um carro, isto foi perto ao estádio Santiago Bernabeu. A estrada de saída da capital é ali perto, e não demorou muito já estávamos em direção ao norte, no sentido da província Cantábria. O destino era o vilarejo Potes , um pequeno município de estilo alpino, destino tradicional do turismo de montanha espanhol. No meio do trajeto paramos em Burgos para fazer as compras necessárias, onde não resisti entrar numa chacutería, loja típica da Espanha onde compra-se embutidos e queijos diversos. Comprei 1kg de jamón serrano para a viagem. Além do sabor incomparável, acho cômodo de armazená-lo na mochila e lavá-lo para trilha, ainda que não seja aconselhável come-lo durante a atividade física devido ao excesso de sal. Mesmo assim este alimento, assim como o salame, representa uma importante fonte de proteínas e minerais. Lamento pelos vegetarianos. Quando chegamos à Potes já era bem tarde na noite, pela sombra da lua via-se a silhueta de montanhas enormes ao fundo, causando verdadeira ansiedade por vê-las à luz do dia. O vilarejo é muito simpático, e como em qualquer lugar da Espanha, come-se muito bem. Dispõem de uma farta oferta de lojas artigos de montanha, mercados, hotéis e acampamentos com toda infraestrutura. Havia apenas poucos restaurantes abertos quando chegamos, e somente algumas pessoas pela rua. Seguimos para perto dos acessos ao parque pelo teleférico, um local chamado Fuente De, onde ingressamos num acampamento bem próximo ao estacionamento principal deste acesso ao parque. Embora tarde, fomos bem recebidos pelo pessoal. Ainda na recepção, compramos um mapa do parque, e numa rápida conversa com o dono do local, percebemos que o melhor a se fazer no dia seguinte era seguir a trilha que nos leva ao refugio Collado Jermoso. Ainda de madrugada, montamos o acampamento em silêncio para não incomodar os outros hospedes do local. No dia seguinte bem cedo, acordamos por volta das 6h00 da manhã, cheios de disposição e de ansiedade por ver o ambiente ao nosso redor. Na luz do dia, o acampamento já nos oferecia um panorama animador, cercados por formações rochosas impressionantes. Estávamos nitidamente num vale. Após o café, separamos o material necessário para subir o maciço central do parque, optando por 2 mochilas leves, com mais ou menos 6kg cada um. Deixamos o carro no estacionamento com o material do campo base, e por volta das 9h00, iniciamos a da trilha saindo de Fuente De com destino ao Refúgio Collado Jermoso, a 2400 metros de altitude. A primeira etapa é sem dúvida a mais exigente da caminhada, como acontece com toda ascensão às partes altas das montanhas. Caminhamos entre dois picos, chamados Tornos de Liordes, por uma subida 5.5km em zigzag bastante íngreme, saímos de Fuente De a 1052m até 1900m, no vale Vega de Liordes. Subindo por um terreno difícil, e rochoso. Não obstante, a paisagem vista desde a altitude alcançada, compensava-nos a cada metro. Olhar para frente era olhar para o alto. Era neste momento que sentíamos nossos corpos recebendo um tremendo desafio, e cada um deveria encontrar seu próprio ritmo de passo. Numa subida assim é melhor não forçar, ainda mais pessoas fisicamente despreparadas quanto éramos. Neste caso, pelo menos eu não era muito acostumado a exercícios físicos regulares, portanto, como quase do nada, de repente enfrentar aquelas encostas, era uma atividade um tanto exigente. Hoje em dia penso que estou muito mais condicionado, e já não me assusto com esse tipo de desnível. De todas as maneiras, estes primeiros dias de atividade são muito importantes para adaptação do corpo frente ao esforço enfrentado. Após esse período, é nítida a diferença de como se percebe o próprio corpo, e de como ele ganha resistência, sobretudo com uma alimentação e hidratação adequadas. Com estes dois fatores em dia, os dias de caminhada por essas trilhas deixam seu organismo visivelmente mais disposto e resistente. Mas a subida é longa, e requer paciência. Quando o desgaste bate forte, procuro não me queixar das dificuldades, mas absorver e me concentrar na pura sensação deste cansaço. É incrível como a mente trabalha entre movimento de opostos: no meu caso, quando evito pensar na fadiga, mais cansado fico, por outro lado, quando somente observo o estado do corpo exausto, e então me deparo com a realidade, eis o momento em que encontro a energia necessária para seguir. Todos os sentidos estão em alerta. Sinto que nessas etapas mais exigentes da subida, é necessário observar a si mesmo e ao corpo frente ao esforço, ter paciência, confiando numa recompensa, que em casos como este, trata-se mesmo do fim da subida. Terminamos o primeiro trecho de elevação em 2h30, em seguida paramos para um merecido e esperado lanche em Vega de Liordes. Um vale que é ao mesmo tempo um imenso e pitoresco campo de altitude, onde o ruído do vento passando por nós, a amplitude do espaço com suas belas formações rochosas ao fundo, junto dos animais nas pastagens, dão-nos uma incrível sensação de liberdade. Neste ponto já não há na paisagem vestígios de civilização, exceto nós mesmos e os outros passageiros, e as placas sinalizando a trilha ao refúgio. Depois do lanche de trilha, nos aproximamos do caminho que segue ainda Vega de Liordes. Neste momento um grupo de caminhantes pergunta-nos se por acaso sabemos onde está uma mina de água subterrânea que provavelmente corre por esta área. Na verdade fiquei feliz por saber que ali havia uma fonte, e que provavelmente seria a última até o refúgio. Fazia um calor intenso por volta do 12:00. Juntei-me a esse grupo na busca pela mina d´água, observando o solo atentamente, até que reparei que haviam canais subterrâneos por onde a neve derretida escoava, vinda dos picos acima de nós, porém ainda não encontrávamos o local onde poderíamos captá-la em estado puro, sem estar suja com os resídulos o solo. De repente um dos caras encontrou a fonte, e para nossa alegria, de uma água muito gelada, perfeita para o momento. Seguimos o caminho sinalizado sentido ao refúgio, onde se inicia uma trilha chamada Colladina, a qual se desenvolve na própria encosta da formação rochosa, que ao nosso lado transformara-se em uma parede. Em certos pontos expunha-nos a um precipício vertiginoso, mas sem riscos eminentes. Esta trilha incômoda e estreita segue por 1h00, num caminho que como se não bastasse a vertigem à nossa esquerda, é dividido com cabras de alta montanha, as quais impressionantemente se movem com desenvoltura e se equilibram para alcançar o melhor pasto rasteiro que nasce por entre as pedras. Quem não está habituado ou tem medo de altitude, encontrará problemas neste trecho, pois a sensação de estar exposto ao abismo é latente. Mesmo assim, não existe a necessidade do uso de cordas para cruzá-lo, apesar de estreito, o caminho somente requer atenção. No fim da trilha estreita chegamos num platô com uma vista privilegiada da Torre de las Minas de Carbón (2595m), imponentes agulhas de uma pedra esbranquiçada, formando junto ao terreno rochoso que compõe o local, o aspecto de um espaço lunar. Foi um momento para descansar e refletir o que estávamos fazendo. Uma pausa, nem tanto provocada pelo esforço, mas sim para aliviar a pressão vertiginosa que a Colladina nos impôs, principalmente para Maartje. Eu estava bem mais tranquilo com isso, o caminho até ali não me causara fobias extremas, eu estava mais preocupado em como acalmá-la, já que de sua parte, ela estava visivelmente afetada e não parecia estar desfrutando do passeio a essas alturas. Tivemos uma pequena discussão. Cheguei inclusive a propor para que voltássemos caso não quisesse mais seguir, mas foi nesse momento em que ela se levantou. Maartje nunca foi de desistir facilmente de qualquer coisa, esta é uma das qualidades que mais admirava nela. Na nossa frente havia o próximo desafio, outra subida bastante íngreme, porém mais curta que a da primeira etapa. Na verdade estávamos um tanto exaustos e estressados. Talvez tenha sido positivo que neste momento, passou por nós um grupo de corredores de alta montanha, que com menos peso que nós (não iam pernoitar no refúgio). Caminhavam num ritmo bem mais intenso comparado conosco. Isto nos deu ânimo para encarar mais uma ladeira elevada. Chegando lá em cima, tivemos nossa recompensa: já era possível avistar o abrigo. Aqui, a sensação de isolamento é forte, pois no longínquo horizonte, além daquela sensação de quanto o ser humano é pequeno frete a natureza, e não haver resquícios da civilização salvo o próprio abrigo do outro lado, o panorama das imponentes torres do maciço ocidental ao fundo de tudo, dava-nos a verdadeira dimensão daquela cordilheira. Algo que jamais havia visto e presenciado. No primeiro termo da vista, víamos o percurso restante até o abrigo Collado Jermoso do outro lado e ao nosso alcance. O refúgio era instalado num penhasco vertiginoso, coisas da engenharia, incrível como puderam instalar um abrigo naquele local, pensei. Numa primeira impressão, o que assustava neste trecho até o abrigo, era o nível de exposição, sobretudo se comparado com sensações cruzando a Colladina. De longe parecia ser inclusive uma exposição maior, embora mais curta. Outros grupos de pessoas também iam passando por ali. Maartje e eu nos olhamos e desejamo-nos boa sorte, desta vez dando risadas; estávamos um tanto aliviados por poder avistar nosso destino. Assim, partimos para o trecho de decida que atravessa o Collado, e finalmente subimos um trecho final até o abrigo. Chegando lá, montamos acampamento, com uma vista incrível, para a face sul da Torre de las Minas de Carbón. Fomos ao abrigo e conversamos rapidamente com o guarda responsável pelo local, mas ele estava muito ocupado junto com as outras pessoas que estavam ali, preparando um jantar para um grupo enorme que havia reservado o local. Voltamos então para nossa barraca para fazer o nosso merecido e saboroso jantar. Preparei minha especialidade nas montanhas, lentilhas castellanas (mais a frente haverá um capitulo sobre isso, incluindo essa receita). Tais comidas na montanha são as verdadeiramente saboreadas. Comemo-las dando um valor maior do que quando estamos nas cidades, talvez porque precisamos deste alimento mais do que nunca nestes momentos. Não sei se há como comparar este prazer ao de comer num restaurante confortável, mas para mim, essas refeições são momentos que valem a pena, pela alegria que nos dá. Tivemos a sorte de ter uma noite aberta, banhados por um luar frio, mas sem ser desagradável. O contorno daquela cordilheira sob esta luz seguia nos impressionando, tal como expostas pela luz do sol. Finalmente, olhando para ou outro lado, de onde viemos, lembrávamos, agora bem mais humorados, o quanto difícil fora chegar até ali.
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