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Joao Paulo CP

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  1. Fabrício, tudo certo, rapaz? Em janeiro de 2015 eu também encarei o rafting em Futa. Fiquei cinco dias na cidade e consegui fazer só um dia de rafting. Tive muita dor de cabeça com a Patagonia Elements, empresa pela qual vc foi. A dor de cabeça está no meu relato "um sonho, um rio e um vinho". Fiz o full day pela Outdoor também pelo preço de 80 mil pesos. E como vc falou, os caras são fantásticos. E novamente, o relato do Marcio SP abriu as portas para esse rafting. Só que, ao invés de ir pela Argentina, fui pelo Chile e retornei pela Argentina/Chile. É tão incrível aquela cidade que tenho que voltar pra lá de qualquer jeito.
  2. Fala Júdice Rocha! Tudo beleza, cara? Vai firme sem reserva. Ficando de 3 a 4 dias você consegue fazer o rafting sem problemas, até porque tem muitas agências pela cidade. Eu realmente te recomendo o full day. Se não conseguir, o tradicional é o Puente a Puente. No início desse ano eu fiz o rafting no Rio Urubamba, em Cusco. Cara.... não tem nem como comparar. Aliás, acho que fui uma voz contra a maré e boas recordações do Peru; o país não me cativou muito não. Quanto ao Rio Urubamba... bem fraquinho. Se você fizer o rafting pelo Futaleufú, não deixe de postar suas impressões. Te garanto que vai ser uma das melhores coisas que vc já fez na vida. Esses dias estava revendo as fotos... e tá me dando uma vontade de voltar para Futa... Ou melhor, de ficar pela Patagônia. E desculpe a demora em responder. O Mochileiros não nos tem notificado quando recebemos novas mensagens privadas ou nos tópicos em que estamos. Qualquer coisa, dá um grito. Abraços, cara.
  3. Após cinco meses do fim de minha viagem pelo Peru, resolvo postar aqui minhas impressões sobre o país. Já antecipo a todos que a visão que tive do país não foi a das melhores, o que explicarei mais adiante. Não tenho dúvidas de que essa má impressão já teve início com a escolha do destino. O Peru nunca foi um lugar que me atraiu; fui motivado por um impulso de conhecer Machu Picchu antes dos 30 trinta anos. Ao contrário de meu primeiro mochilão pela Patagônia, cujos planos foram gestados por longuíssimos anos (segue o link de meu relato no Mochileiros um-sonho-um-rio-e-um-vinho-parte-1-5-patagonia-t109108.html). Bem, vamos ao relato propriamente dito, visto a possibilidade aventada por muitos de chegar ao Peru pelo Acre. Comprei as passagens pela Azul com bastante antecedência, saindo de Sinop no dia 26 de dezembro de 2015 e retornando em 19 de janeiro de 2016. Por mudanças da malha aérea, tive que comprar outra passagem entre Sinop e Cuiabá, na madrugada do dia 25 de dezembro, para dormir no aeroporto de Cuiabá. Tal como na outra viagem, tive infecção de garganta na iminência do embarque. Cheguei à Rio Branco por volta das 13h, e no próprio aeroporto consegui uma carona com uma Senhora que estava voltando de minha cidade natal e por uma incrível coincidência conhecia metade dos meus parentes do interior de São Paulo. Saindo do aeroporto há ponto de ônibus em frente. Não sei o preço e não faço ideia de por onde passa. Táxi custa cerca de R$ 100,00. É longe pra caramba do centro da capital acreana (que aliás, eu gostei bastante). No mais, você deve ir para a Rodoviária ou seguir para um local chamado Gameleira (todo mundo em Rio Branco sabe onde é isso). Na rodoviária, deverá comprar uma passagem para Assis Brasil. Na gameleira você irá pegar um táxi compartilhado (só sai quando lota) que irá até Brasileia – cerca de R$ 70,00 (a cidade mais feia que eu já conheci – ressalva que deve ser feita: foi completamente destruída pela enchente que assolou o Acre no ano de 2014/2015). Em Brasiléia rapidamente você pega um táxi até Assis Brasil (R$ 40,00). Lá você faz os trâmites alfandegários, que encerra às 19h, ao menos no lado brasileiro. Em Iñapari, já no lado peruano, peça para o taxista te deixar junto às vans. Essas vans vão te levar até Puerto Maldonado – PM ($ 30,00), capital do Departamento Madre Dios. Em PM eu tomei um vôo até Lima pela Star Peru, mas tem a opção de ir de ônibus direto para Cusco – fiz o caminho inverso porque eu quis ir subindo aos poucos. Lima-Arequipa-Colca-Cusco, no intuito de evitar o mal de altitude. Acho que deu certo, porque não passei mal nenhum dia. Em Lima fiquei hospedado no Pariwana – disparado o melhor hostel que eu já fiquei na minha vida. Café da manhã simples, mas bom. Camas de solteiro que parecem de casal, com bons lençóis, cobertas, dois travesseiros, beliche firme e banheiro impecável. Comida excelente e barata. Recomendadíssimo. Para chegar à Miraflores, tomei um táxi. Cerca de $60,00. Aqui começa uma das encrencas. Os taxistas são de uma desonestidade incomparável. Lima é caótica, mas Miraflores, Barranco e Chorillos valem a visita. Como fiquei apenas dois dias na cidade, meu trajeto se restringiu a estes locais e ao centro histórico, em que fui acompanhado pelo grupo do hostel (oferecem guias gratuitos). Eu e o grupo de brasileiros nos separamos do resto da turma e fizemos um caminho próprio, além da praça de Armas, das Flores e das Catacumbas (estas, imperdíveis). Almoçamos no Bairro Chinês. Muita comida, baratíssima, gostosa, mas de higiene que é melhor não comentar. Raciocínio lógico: se a galera de Lima come e não morre, não vai ser eu que vou morrer por isso. Repeti os restaurantes chineses por outras vezes. A catedral de Lima é deslumbrante, os palácios, as praças, todas impecavelmente bem cuidadas. Os parques de Miraflores, idem. Pescados. Caso queira comer um ceviche fresquíssimo e barato, pegue ou táxi ou caminhe pela orla até o final de Chorillos. No mercado de peixe você vai pagar cerca de $7,00 o ceviche. Em Miraflores, cerca de $30,00. Depois de dois dias, segui para Arequipa, onde iria passar o Ano Novo. Fiquei a meia quadra da Praça de Armas, no hostel MB Backpackers. Apesar da respeitável avaliação no hostelword, achei meia boca. Quartos e área de lazer que me deixou a desejar. Mas vá lá. Quem quiser conforto, que fique em um hotel. Fiquei plenamente encantado com as construções de Arequipa. Brancas. Lindíssimas. Quase abrindo uma empresa de importação pra trazer pro Brasil as pedras usadas na construção de lá. Passei o ano novo no hostel com o restante do pessoal. Principalmente argentinos; havia uns europeus de diversas nacionalidades, uma turca (que só ficava no quarto) e dois mexicanos muito boa onda. Na noite do dia 1º de janeiro jantei numa pizzaria chamada Los Lenos. Senhores Mochileiros. Caso vocês estejam em Arequipa, não deixem de comer nessa pizzaria. É fantástica e o lugar é lindo. Descobri por acidente e foi um acidente perfeito. Na "madrugada" do dia 02, sigo para a rodoviária para ir para o Vale do Colca, em Cabanaconde, onde tinha a intenção de fazer trekking. Não encontro passagem para a meia noite e sou obrigado a esperar o ônibus das 3 da manhã. Nas rodoviárias peruanas os vendedores ficam gritando a cada segundo os itinerários dos ônibus, mesmo que a rodoviária esteja vazia. É estressante. Até Chivay são basicamente turistas. Quando chegamos em Chivay, o ônibus lota, inclusive os corredores. Sobe toda uma indiarada com aquelas mantas presas nas costas que eles não soltam por nada nessa vida. Sentam na poltrona com a manta e colocam mais coisas no banco. Foda-se você se estiver apertado ou não puder reclinar a poltrona do ônibus. Reclama pra ver o que acontece. Um detalhe francamente perceptível é que aqueles locais indígenas não possuem o hábito de banho. E quando eu falo que não tomam banho, é não tomar banho por meses. Vi na mão de uma menina de uns 7 anos crostas de sujeira a ponto de poder limpar com uma espátula!!! Fiquei fedendo a galinheiro por uns dois dias. O cheiro é terrível. Por diversas vezes fui obrigado a tapar o nariz com o lenço que estava pendurado no meu pescoço. A mesma impressão tiveram dois espanhóis com quem fiz a trilha e os dois russos que estavam no ônibus. É terrível. Quando a gente chega a Cabanaconde, tem que pagar uma taxa para transitar pelo Colca. Mais à frente eu posto o email que mandei para a embaixada do Peru relatando o que aconteceu (lendo hoje o email, parece coisa de criança mimada, mas tudo aquilo me deixou muito puto da vida). Paguei o ingresso e segui com os dois espanhóis pela trilha. O vale tem paisagens magníficas. E não, não fui até o Mirador dos Condores e a nascente do Rio Amazonas. Teria apenas dois dias de trilha. Na primeira noite dorminos na Casa de Roy. Sua esposa foi a pessoa mais simpática, prestativa e carinhosa que eu encontrei na viagem. Desdobrou-se para nos agradar. A simplicidade do lugar (sem energia elétrica ou água quente nos banheiros, e uma cama de palha, definitivamente não importam). A comida que ela faz é de primeira, e sua prestatividade é encantadora. O Colca valeu pela Casa de Roy Seguimos para o Oásis. Entramos na piscina de um dos hotéis ($10,00) e almoçamos. Lá, os dois espanhóis se desentenderam com o dono da pousado por causa do almoço, que nos foi vendido com opção de carne, mas era totalmente vegetariano. Pagamos mais caro pela comida que não recebemos. Esse fato fez com que os dois se sentissem passados para trás e por conta disso decidimos ascender à Cabanaconde às 17h. No Peru anoitece por volta das 18h. Do Oasis até Cabanaconde são cerca de 1.200m de altitude em uma ascensão de 4.000m por trilhas estreitas e inclinação terrível (só calcular - como advogado, isso para mim é grego). Iríamos fazer pelo menos 800m de subida pela noite. Como os dois disseram que faziam trilhas a torto e a direito pelas Baleares, fiquei sussa. Os dois espanhóis decidiram apostar “corrida” para ver quem chegaria mais rápido no topo. Um deles disparou e eu fui acompanhando o outro. O espanhol que estava comigo começou a sentir os efeitos da altitude – diarréia, ânsia de vomito, fraqueza terrível e enxaqueca (estávamos a cerca de 3.600m). O cara decidiu ficar no meio da montanha e pediu para eu subir sozinho e pedir ajuda durante a noite com um frio abaixo de 0!!! O pior de saber que a sua vida depende só de você, é saber que a vida de outro também depende. Tento subir o mais rápido possível, o que é terrível. Nossa sorte, é que um local encontrou o cara semi desmaiado na montanha, pegou a mochila dele e ajudou a subir. Depois que ele comeu algo, melhorou. Nós encontramos no topo. Eu Estava anestesiado de cansaço, pânico, fome e frio. Procurei um hotel e a hora que eu vou tomar banho não tinha água nem sequer morna. Fria. Gelada. Naquele ponto em que o gelo da caixa térmica está no fim. Hora que termino o banho estava completamente roxo. Fiquei tremendo debaixo das cobertas por umas duas horas. Tenho certeza que estava com hipotermia. Na volta para Arequipa, novamente a indiarada que não toma banho, e mais dois dias fedendo a galinha (não tem água e sabonete que tira aquele perfurme). Pego o onibus para Cusco. Só gringo. Em Cusco, novamente os taxistas desonestos. Fico no Pariwana. Qualidade idem ao de Lima, mas o staff, bem menos simpático. O objetivo era conhecer a cidade e fazer Salkantay sozinho. Até tentei convencer um amigo de Sampa a encarar comigo, mas um amigo trilheiro dele não topou a parada. A propósito, ele fez o caminho Bolívia-Peru. Odiou tanto a Bolívia que resolveu voltar ao Brasil pelo Acre. Disse que o país é imundo e perigoso. Aliás, quando você sai da zona turística peruana, é o caos social. Existe muito lixo, entulho e degradação social no país. Algo que está além do que nós, brasileiros, estamos acostumados. Fato é que o país se vende muito bem. A Praça de Armas em Cusco é algo surreal. Deslumbrante. Caminhei bastante pelo centro histórico da cidade. Tinha cerca de duas semanas, já contado o período da trilha. Vou procurar o rafting para fazer. A multiplicidade de agência te deixa confuso e extremamente desconfiado. O risco de pagar e não levar é grande. Conselho. Não contrate pacotes de agências que estão misturadas com lojas de roupas. Comprei o rafting para o Rio Urubamba. “Me” venderam como III-IV, mas era no máximo II. Novamente a sensação de ser passado pra trás. Na hora de decidir ir para Salkantay sem guia, diversas agências e pessoas disseram que não era possível. Pesquisei e fui até o centro de informações turísticas. Era possível fazer sozinho. Todavia, estava saturado da viagem e o cansaço da altitude me fizeram reavaliar o caminho de Salkantay. O risco real de morte no Colca me fez desistir. Meu pouco dinheiro (R$ 120,00 por dia para tudo) não me permitiu adquirir o pacote. Procurei por trilhas por Ausangate. Muitos guias disseram que eu iria morrer na trilha (-20°C, pelo menos, entre chuva e neve e altitude média de 5.000m). Já algumas agências estavam saindo. Valor de cerca de R$ 900,00 (iria me endividar no cartão). A insegurança quanto às agências e a típica “garantia soy yo” (juro que eu escutei isso de uma agência), fez eu pular fora. Decido, por fim, fazer o turismo básico. Compro o pacote para Machu Picchu pela Agência do Hostel. Cerca de US$ 180,00 com o ingresso, ônibus, hotel, trem e guia. A rodovia pra chegar até lá é magnífica. O ônibus passa a uns 30 cm do precipício. Uma curva em cima da outra. Paramos na hidrelétrica e fomos caminhando até Aguas Calientes. De longe, a cidade tem ar de abandono e de favelão. Mas é um verdadeiro brinco. Adorei. Preços? Na altitude do Himalaia. Machu Picchu. Ah, aquela escadaria. Quando eu subi o primeiro lance, pensei: “-pow, esse povo do mochileiros é muito mole, não agüenta 50 degraus de escada????”. Trouxa. Era o primeiro lance de vários. Pelos menos duas horas pesadas de escadaria. Extenuante. Mas vale a pena. O caminho é bacana e você vai se divertindo. Cheguei encharcado de suor. Parecia que tinha saído da piscina. Estávamos literalmente no meio das nuvens. Quando entro em Machu Picchu, tive que me segurar pelo menos três vezes pra não começar a chorar. Foi um dos lugares mais lindos, fantásticos e incríveis que eu vi na vida. Amo a Patagônia, mas ela não chegou a me tirar lágrimas. Machu Picchu, sim. Esqueça qualquer fotografia que você tenha visto. Não é absolutamente nada do que você vai encontrar. Aquelas montanhas valem o passeio por si mesmo. A cidade e o modo como os guias contam a história te deixa impactados. O conjunto da obra é uma pintura de Deus. Fiquei uma 7 horas no parque. Tomei um pito do guarda porque estava tomando Sol sem camiseta. Aliás, fui durante o verão. Sei que é época de muita chuva. Tive muita, mas muita sorte e não choveu nenhum dia da minha viagem. Só um chuvisco muito leve, quase imperceptível, em Lima!!!!!!! Em Machu Picchu peguei tempo fechado e aberto. A paisagem com as nuvens deixou tudo muito surreal. Não fiz nem montanha, nem Hayana Picchu. Tenho verdadeiro pânico de altura, a ponto de travar as pernas e não conseguir me mexer. Mas fui até a ponte inca. À noite, retorno para Cusco e no meu quarto do hostel estava o mesmo grupo de portenhas da primeira rodada em Cusco. Essas portenhas me fizeram ter vontade de degola-las por causa da zona no quarto, do barulho e do entra e saia (sou da opinião que em hostel você não deve ser exigente com privacidade, acender e apagarde luz e barulho; afinal, você está com outras pessoas. Mas isso não lhe dá o direito de se comportar como se você estivesse em um quarto privado. Bom senso deve falar mais alto). Antecipo minha volta em 7 dias. Estava saturado da viagem e o Peru não havia me encantado. Faço o trecho Cusco-Puerto Maldonado de ônibus durante o dia. Pego a poltrona da janela frontal. Decisão acertadíssima. A Serra do Rio do Rastro é brincadeira de criança perto da rodovia andina. Diversas vezes o ônibus tem que entrar na contramão pra poder fazer a curva e dificilmente a gente passa de 30km/h. A rodovia é excelente, mas acho arriscado fazer com o próprio carro. Não é algo que nós, brasileiros, estejamos acostumados. Se você for, saia bem cedo de Puerto Maldonado e se prepare para 12h de rodovia. Calma, freios e revisão do carro, acima de tudo. Durmo em Puerto Maldonado. Vou sacar dinheiro e não consigo. Nem do cartão de crédito, nem do cartão da minha conta. O jeito foi no dia seguinte botar o dedão na rodovia. Tivemos uma sorte sem tamanho e conseguimos carona. Na fronteira com o Brasil foi mais difícil, por causa dos taxistas que fazem o trajeto, mas eu e um francês que estava na mesma, fomos abençoados por Deus. Chegamos à Rio Branco umas 9 da noite. Eu tenho que chegar até o aeroporto e ele arrumar um lugar quase de graça pra ficar. Consigo o telefone de uma ex-aluna minha. O namorado da guria me leva até o aeroporto e hospeda o francês gratuitamente no hotel da tia dele. E ainda nos levou dois subway, porque estávamos o dia todo sem comer. Graças a Deus que existem boas pessoas no mundo. Pego o avião e finalmente chego na minha cidade. No mais, as más impressões do Peru estão relatadas no email abaixo que eu mandei para a Embaixada do país aqui no Brasil. Mais para frente prometo que posto umas fotos. Abraços e espero que de alguma forma tenha contribuído para este grupo que muito me ajudou.
  4. Jeize, tenho certeza que você irá gostar da Patagônia. Noicasa, desculpe a demora. Algumas situações estressantes no escritório e a segunda fase da OAB batendo à porta. Bem, quanto a não responderem, pode ser em razão do fim da temporada de rafting. Futa meio que "fecha" quando começa o outono. Nessa semana está passando no Kaiak, canal Off, a descida do rio Futa. Deu água na boca de novo. Bem, se você for mesmo no fim do ano, se informe como estará a cidade por causa da erupção do vulcão Calbuco, que está em Puerto Varas. Como é relativamente perto - em termos geológicos - é possível que as cinzas tenham atingido a cidade (quando o Puyehue entrou em erupção, Futaleufú ficou a salvo)!
  5. Na cidade eu somente troquei dólar por pesos argentinos e o suficiente para que eu pegasse o ônibus. Estava US$ 1,00 = P$ 10,50. Não teve outro jeito; mas como foi pouco dinheiro, não pesou. A cotação da casa de câmbio é muito próxima da oficial, e sem aquelas taxas que são cobradas no Brasil. Noicasa, segue o site da Condorfu e da Pagatonia Elements. Tente entrar em contado com eles para ver se ocorre de descer o rio já em outubro, apesar da temporada somente começar em novembro. http://condorfu.cl/ http://www.patagoniaelements.com/ Servirá como orientação. Abração e até mais!
  6. Letícia!!!!!!! Eu ri demais com seu relato e me vi em situações um tanto quanto parecidas quando fui para o meu primeiro mochilão! Um dos trechos que eu mais gostei foi "Até convidei as amigas, mas após ter respostas como “faz muito calor”, “não dá pra usar salto alto” e “gosto de coisas modernas”, tive a certeza de que eu iria sozinha". Não há nada mais pastel que um "chopis centis" e tenho certeza que você voltou com outra cabeça! Agora, please, me responda: em que mês você foi? Acho que passei por seu delicioso relato sem ver isso...
  7. Noiscasa, me sinto lisonjeado em lhe ajudar, ainda mais sendo você um colaborador ouro Bem, de meu primeiro relato é incontestável o tom emocional. E de fato foi uma viagem emocionante. depois de três anos de longo trabalho e sem férias (quando tinha férias de um trabalho não tinha de outro ou da faculdade). tenho que admitir que não fui o mochileiro mais econômico. Abri mão da troca do meu carro pela viagem. Não que tenha custado o preço de um carro O Mochileiros foi revelador nessa minha trip, até porque nunca tinha ouvido falar de Futaleufú. Fuçando, descobri que o Chile é um paraíso para o rafting, e por meio do relato do Márcio Sp (futaleufu-o-paraiso-do-rafting-t32982.html), Futa é o paraíso no paraíso. Comecei a organizar a viagem em torno da cidade, sem muita informação. Acho que agora vai ficar mais simples para quem quiser ir. Vamos às respostas. "1 - Não encontrei nenhuma opção de ônibus para Futaleufú saindo de Puerto Monnt e nem de Puerto Varas, viu alguma por lá? " Realmente não me parece haver ônibus de Puerto Montt para Futa. Vc não encontra informações na internet e não cheguei a pesquisar na Rodoviária da cidade porque já havia pago a passagem aérea. Entretanto... tem ônibus de Puerto Montt para Chaitén, creio que todos os dias e de lá vc toma a van para Futa. Quando for comprar a passagem para chaitén, basta perguntar se tem direto para futa. Também tem a opção da balsa, mas os horários são meio confusos. Sempre marcava 24h! Mas de que dia para que dia???? "2 - Quanto saiu o trecho de avião até Chaiten? e nesta cidade, apesar de "morta" existe hospedagem e opções para passear que você tenha visto?" O trecho de avião pela Aerocord eu paguei 50.000 pesos, mais ou menso R$ 250,00 (considerando o preço da passagem entre Sinop e Cuiabá, é aceitável). Não precisa fazer reserva antes, como eu fiz. Havia mais ou menos 24 lugares e foi ocupado somente com 10 passageiros na alta temporada. Só chegar no Aeródromo (não é o aeroporto, ok?) e pedir um bilhete, que tenho certeza que te embarcam. Se for de avião, procure a empresa no mesmo dia que chegar a Puerto Montt. A cidade tinha ar de abandono de faroeste. Só faltou o rolo de feno passando... Não cheguei a ver hospedagem porque fiquei apenas duas horas na cidade. Mas vi hotéis relativamente grandes na orla (considerando o tamanho da cidade). Certo que há opções mais baratas. A cidade é rodeada de parques e lagos, com montanhas e florestas. Só perguntar para os moradores, que vão te dizer com muito prazer. "3 - Em Futaleufú, onde se hospedou, quanto custou, dá para contratar na hora os passeios, além do rafting que outras coisas você viu que ficou com vontade de fazer (se possível com valores), e se tivesse tempo de sobra quantos dias ficaria por lá curtindo o lugar?" Em Futa fiquei no Hostal Las Natalias. O preço foi de 10.000 pesos por noite em quarto coletivo. Mas só havia eu e o russo que não sabia nadar. O lugar é tranquilo, mas sinceramente não voltaria a ficar lá. Explico: achei o Nathaniel - o dono - um colono chucro mal educado. Volta e meia dava uma resposta atravessada, e isso vai torrando o saco Não tem café da manhã também. O cúmulo do absurdo foi que esses dias atrás me enviou um email me pedindo um "empréstimo" de 1.200 LIBRAS ESTERLINAS porque estava em Newcastle dizendo que tinha sido roubado. Não sei se é verdadeira a história ou não, mas não comprei a ideia. Tem vários lugares para hospedagem, inclusive com camping, tudo com vários preços, ao gosto do freguês. Pode chegar sem reserva e perguntar no balcão de informações da praça ou pra qualquer morador. É super tranquilo. A casa de câmbio na frente da praça aceita reais Os passeios, a par do que vão te dizer, dá sim para ser contratado todos os dias, sem preocupação. Nem há tanta procura assim. Mas lembre-se, fuja da Patagonia Elements. Procure a Outdoor Patagônia que fica a meia quadra da praça. Além da rafting, dá pra fazer o kaiak (em torno de 25.000), descer com boia o rio azul, rapel em cachoeira (25.000), tirolesa (20.000), cavalgada, pesca com mosca... isso pelas agências. Pode alugar um bike e sair pelas redondezas, ou ir fazer trilhas. As opções são muitas Mas fique atento, só descem o rio se não estiver chovendo, por questões de segurança. Uma semana é o período ideal para a cidade, até porque vc irá conseguir pegar dias de Sol. "3.1 (ia esquecendo o mais importante) - Você menciona que o Russo não sabia nadar... mas fez o rafting... não há restrições para quem não sabe nadar para faze-lo? (sim eu não sei nadar apesar de praticar rafting a anos, por isso a dúvida)" Melhor não comentar que vc não sabe nadar (brincadeira... quando vc estiver no bote e no meio do rio, diga para o instrutor que vc não nada muito bem). O rio Futaleufú não é brincadeira. Olhe para a parede que está ao seu lado. Possivelmente tem 3, 3,5m. As ondas chegam a 5 metros. Você estará com colete e se souber remar com os braços e manter a calma se cair na água, será tranquilo. Como vc tem experiência, não creio que será problemas. "4 - O transfer para o lado Argentino até Esquel deve ser comum, mas e do lado Argentino (de Esquel) para Futaleufú? Teria idéia do preço?" O transfer até a fronteira, em ambos os sentidos, ocorre às segundas, quartas e sextas e sempre que o onibus de um lado chegar, o outro estará esperando. De Futa ate a fronteira foram 2.000 (eu acho) e da fronteira a Esquel, 75 pesos argentinos (não me recordo ao certo), pela Jacobsen. Mas atenção, da argentina para a fronteira é onibus. da fronteira para o chile é micro-onibus. Assim que descer do onibus, entregue sua mochila para o cara da van... depois é que vcs vão para a alfandega, ok?, para não correr o risco de ficar sem lugar. Esse é o caminho mais fácil para se chegar a futaleufu. "5 - Em Esquel, diz que guardou o nome do hostel onde o brasuca trabalha e conta pra gente!!!!" Cara, não guardei, mas é fácil achar. Fica na avenida da rodoviária. Avenida Alvear. saindo da rodoviária basta caminhar umas quatro ou oito quadras que vc achará o hostel. Fica à esquerda e tem um porta bem pequena. É necessário atenção. "6 - Viu ou tem alguma ideia de como chegar de Esquel a El Calafate? acho que seria complicado voltar para o chile para descer até puerto natales para TDP certo?" Tem ônibus de Esquel para Calafate... mas vai demorar uma eternidade. os caras não passam de 60km/h. O meio mais rápido de chegar a TDP, estando em Futa, é por Puerto Montt de avião até Punta Arenas (vc pode fazer o caminho até chaitén e daí para PM ou ir por Bariloche, passando por esquel) . Lembrando que essas duas cidades são empresariais e não dependem de turismo, ao contrário de Bariloche e Calafate. Voos mais constantes e baratos. "7 - Numa média, quantos dólares gastou para o básico - alimentação, hospedagem (chegou a ver hosteis em Futa?), e passeios?" Tirando os refúgios em TDP e considerando já incluso os dois hotéis bacanas que fiquei, gastei R$ 1.500,00 com hospedagem por 21 dias. Alimentação - aqui não fiz questão de economizar. Não cozinhei nenhum dia. Gastei uma média de R$ 60/70,00 por dia. Estava de férias depois de 3 anos de trabalho, e cozinhar em hostel, tem que lavar. Os passeios que fiz, acabei listando mais acima. "8 - Minha idéia é ir entre Setembro a Outubro, acha que na primavera já rola o rafting em Futa?" Nessa época não tem rafting, cara. Esquece. Lembre-se que setembro ainda é inverno. Peguei neve em Futa no dia 31 de dezembro. A temporada começa em novembro, por causa do degelo. Espero ter tirado suas dúvidas. Mas se alguma ainda ficou para trás, se algo não ficou claro ou se outras surgiram, é só chamar. E relembrando mais uma vez. Meu mochilão foi feito com um orçamento folgado (daria para ter economizado absurdamente mais), o que não ocorrerá no próximo. Já estou com as passagens compradas para Rio Branco para ir para o Peru, de onibus. Por fim, se vale a pena fazer tudo de uma vez? Cara, prefiro economizar um pouco mais e encarar de uma vez por causa da economia com as passagens. Pesquise o multitrechos pela decolar. Se não conseguir comprar direto pela TAM, só buscar uma agência de turismo. O multitrechos deixa muito mais barato que comprar separadamente. O ruim é que engessa a viagem.
  8. Heloá, muita coincidência mesmo rsrsrsrsr. Lembro-me dos meus tempos de Celtas... Rosa, quanto ao orçamento, prefiro nem comentar... não somei para não ficar triste, até porque fiz uma boa reserva financeira, para poder aproveitar os passeios a que teria direito e comer em bons restaurantes, conhecendo o que não está a nosso alcance. Não foi um mochilão de luxo, mas pode ter chegado perto (para isso, só bastaria eu ter trocado os hostels por hotéis). Foram três longos anos de trabalho intenso, sem férias, para ir às favas com o mundo nesse mês que mudou minha vida. Um amigo meu de Sampa, Lucas, iniciou a viagem pouco tempo depois de mim e passou por Torres, Ushuaia, Puerto Natales, El Calafate e Chaltén. Fez o W - mas não ficou nos refúgios - a pinguineira e o minitreking, acredito. Com as passagens, ele me disse que gastou em torno de R$ 3.500,00 a R$ 4.000,00. Minha viagem durou praticamente um mês e passei pelo dobro de lugares, o que acabou por encarecer bastante, por conta dos deslocamentos. Mas se quiser pegar o núcleo duro da Patagônia, um trecho entre Futaleufú (chegando por Esquel ou Bariloche), Puerto Natales, Calafate e Ushuaia, não sai tão caro. Tem que se planejar para reservar os passeios e as passagens com o máximo de antecedência, o que alivia e muito o bolso quando começar a viagem. A pinguinera custou US$ 112,00, os refúgios em Torres, US$ 445,00 - sem a comida (claro que o camping fica absurdamente mais barato e tem barracas para alugar em Natales), o rafting em Futaleufú, $ 80.000,00 (mais ou menos R$ 400,00), o big ice, com o transfer e o ingresso do parque, $ 1.830,00 (algo como R$ 458,00). Essas despesas, ao lado das passagens aéreas (uns R$ 3.500,00), foram as despesas caras, só sobrando os hostels e alimentação (que praticamente só comia uma vez ao dia, por causa do horário, sempre umas 6 da tarde almoçava). Heloá e Rosa, espero que tenham gostado do relato e que possa ter ajudado. Se tiverem dúvidas, é só gritar
  9. No dia 12 de janeiro rumo a El Calafate, deixando com dor no coração o Chile, com suas montanhas, seu verde, seus rios e seus vinhos estonteantes. Aliás, o vinho chileno supera em muito o argentino, assim como a cerveja argentina (em especial as artesanais) superam em muito as chilenas. Mas nunca fale isso, pois irá causar a terceira guerra mundial. No Chile, cerveja e vinho são chilenos. Na argentina, cerveja e vinho são argentinos. Calafate. É a Gramado argentina, mas com o Perito Moreno. É possível entender? Não?... rsrsrs A cidade é linda e Perito Moreno é algo que não parece existir. É incrível, é surreal, é gigantesco. Uma felicidade proporcional tomou conta de mim. Fiz o Big Ice. Quatro horas intensas, que parecem 20 minutos. Você anda, anda, anda e parece não sair do lugar. Perde-se a noção de tempo e de espaço. Caso Einstein tivesse caminhado por Perito Moreno, talvez não teríamos a teoria da relatividade. Na volta, o famoso whisky doze anos com gelo de 40.000 anos! No dia seguinte, o céu estava aberto de uma forma que não havia visto ainda. Segui para El Chaltén em um bate-volta. O motorista demorou muito para chegar até a cidade (o que é muito comum dentre os motoristas de ônibus na Patagônia) e por isso só deu para chegar até a Laguna Capri. Se este lugar é incrível, me imagino vendo a Laguna de Los Tres. O Fitz Roy é uma montanha sem paralelo em sua beleza e você irá ver lugares e tirar fotos que parecem ter saído da internet. Interessante um bate-volta por Chaltén? Sim, mas caso o tempo esteja aberto, fique mais por lá. Gostei mais que de Torres del Paine (que um dia volto para fazer o Vale Francês). Essa pequena decepção se deve somente às condições climáticas. Dia 15 de janeiro. Último trecho de minha viagem. Ushuaia. Algo no meu imaginário. O último lugar da Terra. Ushuaia. Uma das cidades mais bonitas e encantadoras. Apenas duas horas depois de ter chegado na cidade, seguia para a pinguinera. Não perdi tempo, já que tinha uma só vaga sobrando e não tinha a garantia de passeio nos dias seguintes. Os pingüins são encantadores. Principalmente o rei. O pingüim de magalhães é curioso, territorialista e brigão. Você irá chegar bem pertinho deles. Estarão ao alcance de suas mãos – mas nem pense em tocá-los. Os guias não permitem que cheguemos a menos de dois metros de distância. Mas não adianta. Os bichos praticamente nos bicam. É emocionante. Detalhe: a colônia tem cheiro de anchova. Detalhe: existem mais de 15.000 pinguins na colônia em Ushuaia, mas se estiver em Punta Arenas, faça a pinguinera por lá. Mais barato e com uns 40.000 pinguins. Se me perguntarem se eu gostei? Lógico. É inacreditável. Vou fazer de novo sem pestanejar. No meu segundo dia tirei para andar pela cidade e comprar presentes para minha família. Também fui visitar o Museu do Fim do Mundo. Não vale o preço do ingresso. A praça das Malvinas é muito, mas muito melhor e de graça. Os argentinos são realmente fanáticos pelas Malvinas e contam a história da guerra como se houvessem vencido. Pela noite, havia no quarto do meu hostel (La Posta – nem pense em ficar em um hostel que não seja o La Posta – é excelente e com um café da manhã que me faz salivar só de lembrar as meia luas) um argentino muito gente fina, Pepe. Fomos jantar e tomar uma cerveja finalmente gelada! Pelo terceiro dia, inventei de alugar uma bicicleta, de novo, para ir até a Laguna Esmeralda. Cerca de 18km de ida (aproximadamente duas horas a duas horas de meia), mais uns 4km de trilha. Um argentino maluco topou ir comigo. A cada entradinha parávamos para ver se havíamos chegado. Pelo caminho encontramos um casal de namorados que estavam hospedados no La Posta e que iniciariam uma jornada de bike de Ushuaia até o Alasca, retratando o caminho para uma revista. Procurem por thebigtrip.se e vocês verão. Tem fotos lindíssimas e é um excelente guia para roteiros de mochilão. Chegamos à entrada da Laguna Esmeralda. A placa é minúscula, mas há muitos carros. A pedalada é pesada (principalmente com o vento contra), mas relativamente fácil de encontrar. O caminho tem muito barro, mas nada que te impeça de fazer com uma bota de trilha (bobagem alugar as galochas e roupa especial). O argentino estava de tênis. As castoreiras pelo caminho chamam muita atenção e te faz indagar como um animal que parece um rato (eu tive a sorte de ver um castor e realmente se parecem com ratos, mas grandões) pode construir algo tão gigantesco. Você irá literalmente caminhar sobre as águas. Conforme vai pisando no chão, vai sentindo-o afundando. É muito legal. A laguna é na cor esmeralda, mas não tanto quanto o rio Futaleufú. Nessa altura do campeonato as paisagens já se repetiam bastante. Na volta, eu e o argentino erramos a saída da trilha e nos perdemos por cerca de meia hora. As trilhas possuem marcações azuis. Quando percebi que não mais as vias, voltamos do ponto de partida para reiniciar. Deu certo. No último dia, 18, tentei ir para o Canal de Beagle em um veleiro das Tres Marias, mas com o vento muito forte, o porto turístico foi fechado (isso tinha acontecido nos dois dias anteriores). Não ter velejado em um veleiro me deixou triste. Afinal, não temos muitos no meio da Amazônia. No porto turístico, encontrei o Mathias e o Jorge, que estavam na minha turma do big ice (o mundo é grande, mas nem tanto assim rsrsr). Como ninguém conseguiu fechar o passeio, ficamos conversando pela tarde em uma cafeteria. Dia 19 de janeiro, me despeço de Ushuaia e de meu mochilão. Tomo o voo para São Paulo com troca de avião e aeroporto em Buenos Aires. Ledo engano achar que meu mochilão havia acabado com meu embarque em Ushuaia. Meu voo chegaria no Aeroparque ao meio dia e meia, o que me permitiria tomar o ônibus da uma, para chegar às duas e meia em Ezeiza e embarcar com tranquilidade às três e meia da tarde. O voo saiu com meia hora de atraso de Ushuaia, o que me fez perder o ônibus da uma. Resultado. Pego o ônibus das duas e chego em Ezeiza às três e meia, hora em que começava a ser feito o embarque! O desespero tomava conta de mim, porque teria que despachar minha bagagem, passar pela segurança e pela alfândega. Não fosse a gentileza dos argentinos, ante meu desespero, me deixando passar à frente, poderia ter perdido o voo de volta ao Brasil – sem mais dinheiro para gastar. Chego a tempo, inclusive para tomar uma Quilmes – a única da viagem. Aterrissamos em Sampa por volta das oito e meia e minha mochila – por ser considerada bagagem especial (todas as mochilonas são) – é a última a ser devolvida (o que te faz acreditar que havia sido extraviada). Dia seguinte, meu último voo, São Paulo-Ribeirão Preto-Brasília-Sinop pela Passaredo. Quanto vamos sair de Ribeirão para Brasília ocorreu um problema com o avião e ele seguiu para manutenção. MANUTENÇÃO! Embarcamos no mesmo avião. Nunca havia visto pessoas tão tensas quanto naquela viagem, pois não sabíamos efetivamente qual era o problema com o ATR, até que o piloto nos informou que o freio é que tinha sido consertado. Respiramos aliviados. Cheguei em Sinop com quatro horas de atraso, falido, mas feliz. E de que vale a vida se não é para ser feliz?
  10. Noutro dia tomo o voo para Punta Arenas! É o sonho de Torres del Paine chegando, ansiedade para chegar ao vale francês e ver aquela capa de revista bem diante de meus olhos. No avião, atrás de mim, dois brasileiros muito experientes em trekking: Antônio de Lucas. Estes dois me salvaram. No dia seguinte fomos fazer as comprar na zona franca. A loja especializada em trekking, Balfer, possui bons produtos, mas caros. Produtos igualmente bons você pode encontrar no supermercado Sanchéz y Sanchéz, dentro da zona franca. Comprei quase tudo lá, inclusive grande parte de minhas roupas para frio. Em Punta Arenas fiquei hospedado no Keokén Hostel. Tinha um grupo de três cientistas brasileiros que haviam retornado a uns dois dias da Antártida – estavam a apenas 600km do pólo sul geográfico. Conversamos bastante e jantamos juntos. Dia seguinte sigo para Puerto Natales. Saí no ônibus das seis da tarde para chegar perto das nove da noite. Atenção: leve uma garrafa de água dentro do ônibus. O aquecedor vai te fazer sentir muita sede. Natales é uma cidade agradável, bastante segura, mas com a sensação de desolação que se vê em outros lugares da Patagônia. O vento força isso. Fiquei no El Patagônico. Os donos são uma simpatia que não encontrei em nenhum outro hostel. Não há café da manhã, mas tem leite em pó e chá à vontade para a hora que você quiser. Eles possuem inclusive armários para deixar o excesso de bagagem enquanto você estiver no parque. E sabe qual o preço do locker? Nada, nadinha. O hostel mais barato da viagem e um dos melhores. Deixei o excesso de bagagem e segui para Torres del Paine no dia 07 de janeiro. Fiquei nos refúgios. Acertada decisão. Caro, sim. Mas o clima vai te convencer rapidinho a ter uma reserva. Primeiro dia em Torres. Sol, tempo aberto, lindo, quase sem vento. As torres ao fundo, descobertas. Finalmente estava no lugar dos meus sonhos de 15 anos. No segundo dia, sigo do refúgio Torre Norte em direção ao Chileno. Tempo aberto, tranqüilo, e boa temperatura. Milagre, não havia vento. Caminhada sem grandes atrativos paisagísticos e relativamente pesada (ao menos para mim – até os velinhos hip hop me passavam, rsrsrsrs). Vou ascender à base das Torres. Floresta bonita, muito agradável, com rios atravessados por pontes pênsil. Cenário de conto de fadas, mas nada que ainda houvesse superado Futaleufú. O último trecho de montanha antes de chegar à base das Torres é feito todo em cima de rochas, muitas delas soltas. Muito pesado. Muito. Levei uma hora e vinte pra fazer oitocentos metros. Na base das Torres o que eu vejo? Só a base. Totalmente encoberta por nuvens. Torres del Paine, senhores, é uma questão de sorte. Apesar de não tê-las visto totalmente aberta de onde estava, voltei feliz. Terceiro dia. Vou para o refúgio Los Cuernos. O dia mais difícil. A partir dessa caminhada, fui acompanhado por um casal chileno de namorados que estavam comemorando o fim da faculdade de odontologia: Camila e Pablo. O caminho é muito bonito. Uma palha do que iria encontrar no Vale Francês no dia seguinte. O lago de nome impronunciável te acompanha por todo o trajeto. Nós caminhamos por um pequeno trecho de praia formada por cascalho. É bonito pra cascalho. Os Cuernos. Bem, os Cuernos só vendo para explicar. Mesmo com a vista lateral já é algo de tirar o fôlego. Chegamos ao Refúgio Los Cuernos. Está ao lado de um rio com uma cachoeira lindíssima e praticamente aos pés daquelas montanhas. O cenário é de cinema. Lá, tornei a encontrar o Antônio e o Lucas, que foram pra Torres um dia depois de mim. Dia seguinte. Ah, o dia seguinte. Já ouviram falar em Ira de Deus? Deve ser algo muito perto daquilo. O tempo fechou com muita vontade. O vento veio para compensar os dois dias de tranquilidade. Tranquilamente passava de 100km/h. Para ajudar, começou a chover. Muito. Novamente. Aqui quem vos escreve é um matogrossense que sabe o que é chuva pesada (não que em outas partes do Brasil não se conheça, mas estamos mais acostumados). Para ajudar, novamente, começou a cair pequenas pedras de granizo (com chuva e vento de cem por hora). Imagine isso batendo em seu rosto. Para ajudar, sim... rsrsrs, começou a nevar. A Ira divina se assolava sobre nós. A minha sorte, do Pablo e da Camila é que pegamos somente a ponta da tempestade com neve, e no trecho mais tranqüilo. Chegamos ao italiano para ascender o Vale Francês... havia sido fechado. Meu W se transformara em um U. Eu, Camila e Pablo, seguimos para o Paine Grande. Vamos tomar banho e cadê a água quente? Nada, nadinha de nada. E quase não havia água no chuveiro. Vou para o restaurante e quando olho meus dedos, todos estavam com as pontas cinzas!!! Já imaginava uma amputação generalizada, apesar de ainda senti-los. Quinto e último dia. Foi impossível chegar ao glacial Grey. O tempo não permitiu. Sem problemas. Já sabia que isto poderia acontecer. Quando estiver em Torres, não se frustre se seu W se transformar em um U ou em um L (como foi o meu). É questão de sorte. Tomamos o catamarã e voltamos para Puerto Natales. Continua na parte 5/5
  11. Dia 02 fui pegar meu dinheiro de volta na Patagônia Elements e andar um pouco mais pela cidade. Tirei algumas fotos (abaixo, a praça da cidade), e pela tarde tomei a van até a fronteira com a argentina para seguir para Bariloche, passando a noite em Esquel. Cheguei no posto de fronteira e passei sem problemas pela alfândega argentina. Estava com uma camiseta da seleção deles. Um oficial veio todo sorridente conversar comigo, dizendo que iria passar um tempo na Costa do Sauípe. Perguntou-se se conhecia o hotel e se ele e a família iriam gostar. Nunca imaginei algo assim. Fui muito bem recebido por nossos hermanos – e sem revista na mochila. Cheguei em Esquel. Pelo caminho vi um hostel. Deixei minha mochila no guarda volumes da rodoviária, e para lá rumei para ver o que se poderia fazer na cidade. Afinal, hostels sempre vão lhe oferecer boas informações. Chegando lá, outra surpresa: o atendente era um brasileiro que se apaixonou pela cidade em um mochilão, pedi demissão da Band, e foi de mala e cuia para a cidade, depois de uma entrevista pelo Skype! James... ficamos até umas duas horas da manhã conversando. Nesse ínterim, chegaram duas argentinas procurando local barato para ficar. Negociaram muito o preço. Primeiro sem café da manhã e depois de muita choradeira, conseguiram o café da surdina. O James é um cara gente fina e as meninas eram lindíssimas. Viajavam com dois amigos que estavam chegando na rodoviária de Esquel. Às duas horas, o James falou que iria dormir e as festas na Argentina somente começariam às três da manhã. Voltei para a rodoviária e para minha surpresa, estava fechada. Sim, a rodoviária de Esquel tem portas e fecha depois de um horário. Vi dois piás dormindo pelo lado de fora: perguntei se eram Mariano e Lucas, os dos guris que viajavam com as meninas. Sim, eram eles (tomaram um susto quando perguntei diretamente por seus nomes, rsrsr). Nos estendemos no chão pelo lado de fora, até que o frio começou a se tornar muito grande. Chamamos o guarda, e imploramos para nos deixar dormir do lado de dentro: um gol de placa, como disse o Lucas. Sobre Esquel, o pouco que vi, me apaixonei. Caso soubesse ser a cidade tão bonita, teria tirado uns três dias para conhecê-la. Todos dizem que os parques são incríveis e é lá que estão os túneis de gelo (naturais, claro), da Argentina. Outro lugar realmente incrível e que só passei de ônibus é Villa Angostura, logo à frente de Bariloche. Igualmente me arrependi por nunca ter ouvido falar nessa pequena vila encravada no meio de um lugo e cercada por montanhas verdejantes. Segui para Bariloche às seis da manha. Cheguei na cidade ao meio dia. Fui para o hostel. Achalay. Quando entrei no quarto, nunca vi tanta zona na minha vida. Três amigos de Buenos Aires viajavam juntos. Tomei um banho e fui deitar um pouco para tentar descansar. Impossível. Aqueles três portenhos me fez ter toda a raiva do mundo dos argentinos. Fiquei decepcionado com a cidade. É bonita sim, mas nada que me fez entender porque tantos brasileiros acham o lugar mais incrível da América do Sul. Lembrou-se muito um Paraguai... de luxo. Lojas caríssimas. Pelo que os argentinos me relataram, Bariloche está para a Argentina, como Porto Seguro está para o Brasil. Local de encontro de jovens de todo o país para realizar seus sonhos de Sodoma e Gomorra. No dia seguinte seguia para Puerto Varas, novamente no Chile. O café da manhã começava a ser servido às oito horas, mas Jesus me preparou um especial às seis. Sim, Jesus, o nome do recepcionisto. A raiva do Achalay – por causa dos três portenhos – passou na hora. E nesse momento entendi que o hostel não se confunde com algumas pessoas que lá se hospedam. Cheguei em Puerto Varas no domingo ao meio dia. Deixei as coisas no hotel, tomei um banho e fui almoçar na orla do lago com o vulcão Osorno ao fundo. Sabe aquela imagem perfeita de montanha? Cônica e branca pela neve? Esse é o Osorno. Puerto Varas é linda e está só a 30km de Puerto Montt. Parada obrigatória para quem quiser ver um cenário surreal. Fiquei só um dia, mas poderia ter ficado dois para aproveitar um pouco mais o lago. O calor estava convidativo. No hotel encontrei um casal de São Paulo. Começamos a conversar bastante até o ponto de me surpreender com algumas colocações deles sobre minha cidade (que não conheciam), sobre o Mato Grosso (que também não conheciam) e o restante do Brasil. Disseram que Sinop estava na fronteira com a Bolívia e que não havia estrada asfaltada que chegasse à cidade. Só faltou perguntarem se tínhamos onça de estimação. Aliás, as colocações preconceituosas e as reclamações que escutei somente partiram de brasileiros. Desculpem-me por dizer isso, mas é a uma verdade. O paulistano, em especial, acredita que São Paulo é o centro do Brasil que somente lá que existe civilização. Sinto-lhes informar: há vida fora do congestionamento e do cheiro do Tietê. Continua na parte 4/5
  12. No dia 01 o Sol abriu. Mas abriu de uma maneira estonteante. Já havia chutado o balde com a Patagônia Elements (sob hipótese alguma contrate essa empresa. E eu ressalto. Hipótese alguma. Eles sempre vão lhe falar que o rio está muito cheio, irão te oferecer os melhores programas de rafting, e só farão o ponte-a-ponte e olhe lá). Nesse dia primeiro de janeiro desembolsei a grana extra pra pagar um full day com a Outdoor Patagônia. São R$ 400,00, aproximadamente. Não ache que é caro, pois o big ice no Perito Moreno custa o dobro e praticamente todo mundo paga sorrindo. Os preços não são tabelados, mas todas as agências cobram o mesmo valor, na prática. OUTDOOR PATAGÔNIA. Gravem esse nome. Quando vocês chegarem à Futaleufú vão direto a essa agência. Contratem o full day, pois terá as paisagens mais lindas que irão ver. Entregaram o que prometeram e sem rodeios. Ganhamos um almoço após o rafting com direito a cerveja alemã, chocolates e fotos que nos foram vendidas por apenas R$ 25,00 (mais de quatrocentas fotos, com qualidade profissional. Atenção: a quantidade varia de passeio a passeio, mas serão muitas). O rafting no rio Futaleufú, partindo do rio Azul. Vou descrever de uma maneira bem simples: a mais incrível experiência de minha vida. É estonteante. Tanto que quando cheguei em Torres del Paine fiquei um pouco frustrado. O lugar mais lindo do Chile se chama Futaleufú. E brigo com quem me disser o contrário. Bem. O rafting. Fomos em seis pessoas. Eu, o Anatoly, um casal de namorados bem jovem do Brasil e um casal de chilenos na faixa de seus 40 anos. Lembre-se: isso foi no dia 01º de janeiro. Alguns ainda estavam meio bêbados – inclusive um dos instrutores que nos acompanharia. Aliás, são quatro instrutores para seis praticantes. Um vai guiando nosso bote, outro em um cataraft, e dois em caiaques, caso alguém caia na água. Foram 4 horas de descida ao longo de aproximadamente 36km. O rio possui um verde indescritível. Mas vou tentar. Pense na esmeralda mais translúcida que você pode imaginar. São as águas do rio Futa. Agora imagine montanhas de granito cercando grande parte do trajeto. Agora imagine essas montanhas cobertas de uma floresta verdejante, que em grande parte das vezes se debruça pelo rio. Agora imagine montanhas absurdamente altas ao fundo com o topo coberto de neve. Imaginou? É isso que você irá ver no full day e que não terá em nenhum outro programa do rafting ou de rafting no mundo. Deixando a paisagem de lado, é o mais incrível rio para rafting no planeta. Não existe nenhum igual no planeta. Eu e a garota de São Paulo nunca havíamos praticado o esporte. Estava sim com medo, mas depois da primeira corredeira, a adrenalina toma conta e o prazer é imenso. São ondas com quatro, cinco metros de altura. Em sequencia. O bote arrebenta com violência nas águas turbulentas. É água pra todo lado. Nós somos inteiramente cobertos por diversas vezes. Só vai entender quem estiver no rio Futaleufú. Mas se quiser ter uma vaga ideia... Incrível. Incrível. Incrível. Na cidade, guarde uma boa grana para apenas por um dia comer na Hostería Rio Grande. O chef é um italiano bonachão que lhe apresenta o cardápio falado, sem indicar o preço (deu medo, mas a conta, cerca de R$ 100,00 – é caro, mas uma vez na vida...). Restaurante ótimo. “Ganhei” a sobremesa, café e uma cerveja. Continua na parte 3/5
  13. Peço um pouco de paciência ao leitor. Este será um longo relato. Há uns 13 anos, recebia em minha casa a revista Terra – quanta saudade daquelas páginas com lugares deslumbrantes – e nela, a capa do lugar mais bonito que já havia visto. Prometi a mim mesmo, que um dia lá estaria. Aos 28 anos, embarquei rumo à Patagônia, começando minha viagem e o tão esperado mochilão por Santiago. Ao menos, era isso o que eu pensava. Ledo engano. Minha aventura começou quando sai de Sinop, minha cidade matogrossense. Com apenas “alguns” quilômetros andados, minha família parou em um tradicional ponto entre Sinop e Cuiabá. E nesta parada em Nova Mutum, encontro um motoqueiro com uma daquelas Suzuki enormes, e completamente carregada. Começo a puxar conversa com o Sr. da moto, e quando ele me diz que estava descendo até Ushuaia, tomei um susto com misto de surpresa e admiração. Possivelmente iríamos nos trombar lá dali a um mês. Pegamos minha irmã em Cuiabá, e no dia seguinte rumamos à Votuporanga para passar o Natal com meus avós. Pelo caminho, a chuva caía pesada logo após o almoço em Alto Araguaia. Quando seguimos o percurso para Alto Taquari, uma tensão enorme tomou conta de todos, absolutamente todos no carro. O ponteiro que marca o combustível caiu de ¼ para a reserva com apenas 5km andados. Já esperando ficar pelo meio do caminho, a chuva piorava cada vez mais. O carro começava a puxar muito para o lado (houve um desgaste enorme dos pneus, mais a aquaplanagem). O combustível acabando e a estrada com buracos cobertos pela água que cabia a frente de um fusca. Chegamos a Alto Taquari. Por menos de uma lata de coca, não ficamos no meio do dilúvio. Abastecemos o carro: 58 litros e meio. Capacidade do tanque: 58 litros. Chegamos em Votuporanga com um atraso imenso. Minha avó materna já estava em prantos, achando que todos já haviam passado dessa para a melhor. Nem todos. Mas eu comecei a me sentir bastante mal durante a viagem. Fui acometido por uma faringite, com febre altíssima, faltando apenas três dias para embarcar para Santiago. Já estava vendo meu mochilão efetivamente planejado desde março indo por água à baixo. Minha irmã, quase médica, me mandou tomar antibiótico. Meu tio, hipocondríaco, tinha umas 4 cartelas na casa dele. Comecei com os remédios. Quanto mais eu tomava nos dois primeiros dias, mais febre ia sentido. Na noite de Natal, já melhorava e as expectativas para aquele tão longínquo sonho, começavam a aumentar. Passamos na casa de minha avó paterna, praticamente todos os primos, tios e meus avós. Um Natal diferente. Levantei-me cedo no dia 25. Passei na casa de meus avós para despedir-me. Dei tchau ao meu avô paterno, com a certeza de que não mais o veria (certeza que se confirmou no dia 27 de janeiro). Embarquei em Rio Preto, cheguei a São Paulo. Meu almoço de Natal, em um shopping. Fazer o que, se a TAM conseguiu impedir mais um dia com meus avós?... Dia 26, já em Guarulhos para iniciar meu primeiro mochilão, minha primeira viagem internacional, e a concretização de algo que muito queria. Conversando no aeroporto com uma senhora que também seguia para Santiago (com outras senhoras), me disse que estava indo para a cidade fazer o caminho de Santiago. Coitada. Deve estar até agora buscando o caminho de Santiago. Não tive coragem de lhe falar nada. A senhora tinha cara de teimosa... e de brava. Quando passamos a Cordilheira dos Andes, todos no avião se levantaram para ver as montanhas. Foi interessante. Foi bonita a reação de surpresa e admiração de todos que nunca tinham visto aquelas montanhas. Desci na alfândega. Sou obrigado a desfazer toda a minha mochila por causa de um sabonete. Um sabonete! Este não seria o meu primeiro problema no meu primeiro dia. Vou sacar dinheiro, a máquina me informa que o cartão não foi reconhecido. Não havia percebido que inseri o cartão pelo lado errado. A minha idiotice teve o seu preço. Imediatamente um senhor, percebendo meu equívoco, me auxilia no caixa (apesar de estar usando crachá do aeroporto, sentia que seria assaltado). Tento novamente: saque não autorizado. Um frio na barriga tomou conta de todo o meu corpo. O senhor com o crachá me recomenda tentar em outro caixa. E não é que deu certo? Saquei o dinheiro. Ele me ofereceu um táxi. Achei o preço razoável, por aquilo que já tinha em mente (ou que eu pensava que tinha em mente). Chego ao H Rado Hostel (excepcional e recomendadíssimo), pego minha reserva e vejo que havia pago três vezes o valor da corrida. Havia caído no golpe do táxi. Ok, nada que passar uns três dias com pão e ovo, para compensar o prejuízo. Vou pagar o hostel com o cartão de crédito: não autorizado. “Ah, pode ser problemas de conexão de internet”, pensei... Vou almoçar, tento pagar com o cartão... Não autorizado. Novamente o desespero começa a tomar conta de mim. Chego ao hostel e pergunto com posso fazer um ligação à cobrar para o Brasil. O atendente imediatamente faz a ligação. O pedido de desbloqueio não foi efetivado. Cartão desbloqueado e volto a sorrir tranquilamente. Passados os sustos, percebe-se facilmente que Santiago é uma cidade absurdamente quente no verão. Lembrem-se: aqui vos escreve uma pessoa que conhece o calor de Cuiabá. Todos almoçam muito tarde e a cerveja é quente!!! Ouvia português por todos os lados. De fato, parecia que a Bellavista era um pedaço do Brasil. No hostel, praticamente havia só brasileiros. Ando por toda a parte história no final de semana, conhecendo os palácios, o mercado público. Estava no centro da vida noturna e diurna da cidade. No sábado, subo com outros brasileiros o Morro San Critóbal. Vale a pena. Faça à pé. Leve roupa de piscina, porque há uma enorme e pública, porém paga. Deu água na boca, com aquele calor. Dia seguinte, sigo para Puerto Montt para poder tomar um voo até Chaitén (não confundir com Chaltén), para nessa cidade tomar um ônibus até Futaleufú. Puerto Montt é uma cidade portuária empresarial, sem grandes atrativos turísticos. Há o mercado Angelmó, algo que se parece com o brique de Porto Alegre, mas inserido em um mercado de peixe, recheado de restaurantes. Almocei por lá. Dentre tantos, escolhi o restaurante errado (isso ocorreu apenas duas vezes na viagem). Pedi uma sopa de mariscos. Acho que tinha mais areia que mariscos e muitos com gosto de fígado (putz, a única coisa que eu não aprendi a comer). Mas tudo vale a pena. Estava de férias, depois de três longos anos de trabalho intenso. Voltando de Angelmó, parei em uma sorveteria (os sorvetes chilenos e argentinos são fantásticos, principalmente o da Jauja, em Bariloche) e um senhor começou a puxar conversa comigo. Senhor Victor, achou que eu me parecia com um sobrinho dele. Conversamos por umas duas horas, e a roda ia crescendo. Em Puerto Montt, me hospedei no Manquehue Hotel. Um quatro estrelas, com serviço de cinco e preço de duas. Mas cuidado, fui cobrado duas vezes em meu cartão de crédito. Erro do Booking que estou até hoje tentando consertar. Na manhã seguinte, chego ao pequeno aeródromo. Um frio de lascar. Faço o check-in e jogo no lixo o comprovante de pagamento de minha passagem, cujo depósito havia feito em Santiago. Ora. Se o meu embarque estava autorizado, problema algum existia com o meu pagamento. Chego em Chaitén depois de um voo muito, muito tenso. Todo feito no visual, em um Cessna que parecia ter uns 30 anos de idade. O tempo, totalmente cerrado. O avião chegava cada vez mais perto do Oceano Pacífico e nada de ver a pista. Comecei a me assustar muito mais quando via o piloto esticando a cabeça para ver se a encontrava. Pousamos em uma pista de terra, com uma visibilidade de uns 200 metros. Quando desço em Chaitén, sou retirado do ônibus que nos levaria até a cidade, quando a administradora da Aerocord me chama e me pede o comprovante de depósito, porque não o tinha identificado. De novo um frio na barriga. Peço para ela chamar o escritório de Puerto Montt, para a atendente ver se meu comprovante estava na lixeira. Quanto sorte! Sou dispensado e chego na “rodoviária” para esperar o microônibus para Futaleufú. Chaitén é uma cidade portuária que morreu depois da erupção do vulcão Puyehue, ou foi o golpe de misericórdia. O frio e o tempo nublado ajudaram e muito no clima de desolação. Muitos me disseram que os parques e as montanhas do lugar são incríveis. Não fiquei mais na cidade, porque só iria lá tomar o ônibus para a grande aventura de Futaleufú. Esta é uma viagem que vale ser feita de ônibus. É a rodovia Rio-Santos, só que no lugar de mar, lagos e rios. Lagos e rios translúcidos. Montanhas cobertas de florestas com o topo branco pela neve. Se você não se distrair com a beleza dos rios, vai ver uma geleira entre duas montanhas. Sente do lado direito do ônibus. E não se distrair com a beleza dos rios é algo difícil. Uma das rodovias mais lindas que já vi na vida. Cheguei em Futaleufú no dia 29 de dezembro. A cidade tem por slogan “uma paisagem pintada por Deus”. Deus é um excepcional pintor. Para mim, o lugar mais bonito de toda a viagem. Eu passei por Torres del Paine, Calafate, Chaltén, Ushuaia. Nenhum, nenhum desses lugares se equipararam em beleza com Futaleufú. Cheguei com a reserva de todos os passeios feitos. Havia pago pela internet dois dias de rafting e um de rapel em cachoeira, pela Patagônia Elements, até porque foi a única companhia que tinha site (ao lado da Condefur, que não me responderam aos emails). Chego à cidade e vou direto para a Patagônia Elements, confirmar os passeios para o dia 30. Vou dormir com a maior expectativa de fazer o Ponte-Macal e no dia 31, o full Day. Dia 30, nublado, muito frio. Já imaginava como estaria a água. E tomo um banho de água fria, mas não do rio Futaleufú. Este banho foi da Patagônia Elements. Não desceriam o rio, “porque estava muy crescido”. E essa resposta ouvi no dia 31 e no dia 01 de janeiro. Um sentimento de intensa frustração e raiva começou a tomar conta de mim, porque todo o planejamento da viagem se deu em torno de Futa, por ser a mais difícil de chegar. E ainda mais porque as outras companhias estavam descende no dia 30. Dia 31 ninguém realmente desceu o rio. Estava muito cheio. Havia nevado pesado nas montanhas na noite anterior. O que eu decido então fazer no dia 30, depois do primeiro banho de água fria? Escalar o pico Águila. Seria o início do preparo para TDP. Lindo, nublado e muito frio. Não tive coragem de chegar ao topo (parei faltando uns 10 metros), porque teria que atravessar uma passagem com uns 30 cm de largura com muita pedra solta e precipício dos dois lados. Meu pavor de altura não me permitiu. No dia 31, tomo uma bicicleta e resolvo chegar ao canyon do inferno, lugar com os rápidos mais incríveis do planeta (e claro que não aberto ao turismo convencional – realmente perigoso). O mapa indicava a entrada depois de uma ponte, mas de fato estava antes. Resultado: vou parar na fronteira com a Argentina!!! E valeu? Muito mais do que se imagina. Quando em Futaleufú, tome uma bicicleta e pedale até o posto de fronteira. As montanhas, florestas e fazendas pelo caminho são deslumbrantes. Vou passar o Ano Novo no restaurante Martin Pescador, com o Anatoly, um russo muito gente fina que roda o mundo fazendo rafting e não sabe nadar, e um casal formado por um canadense e uma colombiana. Banda local tocando rock’n’roll. Beatles, U2 e outros presentes musicais. Continua na parte 2/5
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